{"id":11447,"date":"2023-01-02T11:26:50","date_gmt":"2023-01-02T11:26:50","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=11447"},"modified":"2024-03-07T19:37:08","modified_gmt":"2024-03-07T19:37:08","slug":"atualidade-2023","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=11447","title":{"rendered":"Atualidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1596131586623{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 100px !important;}&#8221;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1540304338338{padding-right: 27px !important;padding-left: 27px !important;}&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_text_separator title=&#8221;\u00daltimas&#8221; title_align=&#8221;separator_align_left&#8221;]<div class=\"vc_row wpb_row vc_inner vc_row-fluid vc_row-o-equal-height vc_row-flex\"><div class=\"wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12\"><div class=\"vc_column-inner\"><div class=\"wpb_wrapper\"><ul style=\"list-style-type: disc;\"><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=13163\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Contas do 4\u00ba Trimestre 2023<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=12936\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Domingo da Sagrada Familia de Jesus, Maria e Jos\u00e9 (31 dezembro 2023)<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=12794\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Do Advento ao Batismo &#8211; Ano B<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=12750\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Direitos paroquiais &#8211; Campanha 2023<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=12388\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Viagem do Papa Francisco \u00e0 Mong\u00f3lia<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=12360\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Segunda parte da Laudato Si\u2019 ser\u00e1 publicada a 4 de outubro<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=12314\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Mensagem do Papa Francisco &#8211; Dia Mundial de ora\u00e7\u00e3o pelo cuidado da cria\u00e7\u00e3o &#8211; 1 Setembro 2023<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=12265\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">HOMILIA DO PAPA FRANCISCO &#8211; Dia Mundial dos Av\u00f3s e dos Idosos &#8211; 23 julho 2023<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=12034\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Comunicado da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=11985\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Festa do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus e do Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o (16\/06) &#8211; Celebra\u00e7\u00f5es na Diocese do Porto<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=11963\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Nota Pastoral do Bispo do Porto<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=11952\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Rumo \u00e0 presen\u00e7a plena &#8211; Uma reflex\u00e3o pastoral sobre a participa\u00e7\u00e3o nas redes sociais<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=11915\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Papa Francisco nomeou dois novos bispos auxiliares para o Porto<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=11865\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Semana da Vida de 2023<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=11817\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Contas do 1\u00ba Trimestre 2023<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=11658\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2023<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=11651\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Matriz da proposta da Diocese para a Quaresma 2023<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=11550\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Mensagem do Papa Francisco &#8211; XXXI Dia Mundial do Doente &#8211; 11 Fevereiro 2023<\/span><\/a><\/li><\/ul><\/div><\/div><\/div><\/div>[\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row][vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1596131586623{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 100px !important;}&#8221;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1540304338338{padding-right: 27px !important;padding-left: 27px !important;}&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_text_separator title=&#8221;Liturgia da Palavra&#8221; title_align=&#8221;separator_align_left&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_tta_accordion style=&#8221;modern&#8221; active_section=&#8221;&#8221; collapsible_all=&#8221;true&#8221;][vc_tta_section title=&#8221;Domingo IV do Tempo do Advento \u2013 Ano B \u2013 24.12.2023 Solenidade do Natal \u2013 Ano B \u2013 25.12.2023&#8243; tab_id=&#8221;1698660351394-3fdbdd0d-5e60&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo IV do Tempo do Advento &#8211; Ano B \u2013 24.12.2023<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Solenidade do Natal \u2013 Ano B \u2013 25.12.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Domingo-IV.jpg\" alt=\"\" width=\"850\" height=\"450\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Pensas edificar um pal\u00e1cio para Eu habitar?<\/em>\u00bb. Esta \u00e9 a pergunta que, em nome do Senhor Deus, o profeta Nat\u00e3 dirige a David e que oferece o fio condutor de toda a Liturgia da Palavra de hoje. O rei David depois de grandes lutas e batalhas habita numa casa boa e confort\u00e1vel, um pal\u00e1cio feito de cedro, madeira nobre e de alto pre\u00e7o. David sente necessidade de construir um edif\u00edcio onde Deus possa habitar, pois a arca da alian\u00e7a permanecia numa tenda, enquanto ele vivia num nobre e sumptuoso pal\u00e1cio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A voz de Deus faz-se ouvir por meio do profeta, interpelando David para a necessidade de acolher a iniciativa do Senhor, criador do C\u00e9u e da Terra, Senhor do tempo e da hist\u00f3ria. Na verdade, o homem tem necessidade de construir edif\u00edcios onde se possa encontrar com Deus e congregar a comunidade. Contudo, Deus recorda ao rei David que o verdadeiro santu\u00e1rio onde quer habitar e encontrar lugar \u00e9 no cora\u00e7\u00e3o de cada homem e de cada mulher, conduzindo os destinos do Povo, congregando na unidade o Povo escolhido e amado. Encerrar Deus num edif\u00edcio significaria encerrar Deus nos nossos esquemas e fazer um Deus \u00e0 nossa medida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso Deus \u00e9 um Deus que irrompe surpreendentemente na vida de cada homem e de cada mulher e na Sua infinita miseric\u00f3rdia n\u00e3o cessa de nos convocar para colaborar no seu des\u00edgnio de amor e ser construtores de um mundo novo onde cada um de n\u00f3s se sabe criatura amada, dotada de um projeto de amor e felicidade. O Deus da paz e do Amor que livremente atua na hist\u00f3ria convoca-nos para a miss\u00e3o, irrompendo na nossa vida sempre de modo criativo e surpreendente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim contemplamos Maria na passagem evang\u00e9lica proposta para este quarto Domingo de Advento. Maria visitada pelo anjo \u00e9 surpreendida pelo projeto inaudito que Deus tem para ela e porque Maria criou disponibilidade para o acontecer de Deus v\u00ea realizar-se na sua vida uma obra maior do que ela: Deus feito carne no seu ventre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A narrativa da anuncia\u00e7\u00e3o apresenta Deus como \u00fanico protagonista da hist\u00f3ria. N\u00e3o s\u00e3o mais os meus projetos e desejos, sonhos e anseios a conduzir a minha vida, mas a minha capacidade de sonhar abrindo a minha vida ao sonho de amor que Deus tem para mim. Maria, como as demais jovens coet\u00e2neas, tinha projetos e anseios, partilhando com Jos\u00e9 os sonhos pr\u00f3prios da vida familiar. Contudo, Deus irrompeu na Sua vida surpreendentemente e revela-lhe um projeto novo que h\u00e1-de ser a fonte da Sua felicidade e da felicidade de quantos h\u00e3o-de encontrar nela um modelo de disponibilidade e de fidelidade \u00e0 vontade de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante da surpresa e dos receios de Maria, o anjo convida a virgem de Nazar\u00e9 \u00e0 confian\u00e7a: \u00ab<em>n\u00e3o temas, Maria, porque encontraste gra\u00e7a diante de Deus\u00bb<\/em>\u00a0e oferece-lhe raz\u00f5es e sinais para confiar: \u00ab<em>a tua parenta Isabel concebeu tamb\u00e9m um filho na sua velhice e este \u00e9 o sexto m\u00eas daquela a quem chamavam est\u00e9ril; porque a Deus nada \u00e9 imposs\u00edvel<\/em>\u00bb. Na verdade, a Deus nada \u00e9 imposs\u00edvel e o Deus do amor torna poss\u00edveis os imposs\u00edveis da nossa vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esta atitude de confian\u00e7a e disponibilidade que o tempo de advento quer renovar nos nossos cora\u00e7\u00f5es. Dizer sim com humildade e confian\u00e7a rasga horizontes de esperan\u00e7a e faz ecoar no tempo e na hist\u00f3ria a mais bela melodia do amor, anunciando a proximidade de um Deus que se faz homem para nossa salva\u00e7\u00e3o. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso. <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>2 Sam\u00a07,1-5.8b-12.14a.16<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abFaz o que te pede o teu cora\u00e7\u00e3o, porque o Senhor est\u00e1 contigo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contexto:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Livros de Samuel testemunham acontecimentos hist\u00f3ricos centrais na vida do Povo de Deus. \u00c9 durante a \u00e9poca a que os Livros de Samuel aludem que, pela primeira vez na sua hist\u00f3ria, as tribos do Norte (Israel) e do Sul (Jud\u00e1) se re\u00fanem em torno de um \u00fanico rei (David) e em torno de uma capital comum (Jerusal\u00e9m). Estamos nos finais do s\u00e9c. XI e princ\u00edpios do s\u00e9c. X a.C.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">David tornou-se rei de Jud\u00e1 (Sul) por volta de 1012 a.C.; e, alguns anos depois, foi convidado pelas tribos de Israel (Norte) para reinar tamb\u00e9m sobre elas. Reuniu, portanto, sobre a sua cabe\u00e7a as duas coroas \u2013 a de Israel (Norte) e a de Jud\u00e1 (Sul). Ap\u00f3s a uni\u00e3o de todas as tribos, David teve de eleger uma capital para o seu reino. Foi preciso encontrar, para sede desse reino unificado, uma cidade estrategicamente situada, neutra, que n\u00e3o despertasse rivalidades m\u00fatuas entre as distintas tribos. Ora Jerusal\u00e9m, a cidade inexpugn\u00e1vel dos jebuseus, oferecia as condi\u00e7\u00f5es exigidas\u2026 David reuniu, portanto, um comando de guerreiros profissionais, prescindindo intencionalmente do ex\u00e9rcito oficial de Israel e de Jud\u00e1, a fim de que nenhum dos dois reinos reivindicasse o t\u00edtulo de propriedade sobre a nova cidade. A cidade de Jerusal\u00e9m foi conquistada aos jebuseus por volta do ano 1005 a.C. (cf. 2 Sm 5,6-12) e tornou-se, desde ent\u00e3o, a \u201ccidade de David\u201d. Mais tarde, David fez transportar para Jerusal\u00e9m a \u201cArca da Alian\u00e7a\u201d (o sinal vis\u00edvel da presen\u00e7a de Deus no meio do seu Povo), convertendo assim a nova capital do reino em cidade santa para todas as tribos (cf. 2 Sm 6,1-23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, uma vez em Jerusal\u00e9m, a \u201cArca\u201d pedia um Templo adequado para lhe dar abrigo. David pensou em construir esse Templo; mas o profeta Nat\u00e3, inspirado por Jav\u00e9, segundo o te\u00f3logo deuteronomista, op\u00f4s-se. Encontramos aqui o eco de uma disputa que dividir\u00e1 durante muito tempo o Povo de Deus\u2026 Para alguns ambientes prof\u00e9ticos, o Templo era uma ofensa a Deus, uma tentativa de encerr\u00e1-l\u2019O, em vez de deixar-se guiar por Ele. Jav\u00e9 \u00e9 visto pelos te\u00f3logos do Povo de Deus como um Deus \u201cn\u00f3mada\u201d, que acompanha o seu Povo pelos caminhos da vida e da hist\u00f3ria e que n\u00e3o tem um lugar fixo, limitado, fechado, para se encontrar com os homens. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A quest\u00e3o fundamental que o texto coloca \u00e9 a da atitude de Deus diante dos seres humanos e do mundo. O autor deste texto est\u00e1 seguro de que Jav\u00e9, o Senhor da hist\u00f3ria, se preocupa com o caminho que os homens percorrem e encontra sempre forma de derramar o seu amor e a sua bondade sobre o Povo que ele pr\u00f3prio elegeu. Numa \u00e9poca em que a cultura dominante parece apostada em decretar a \u201cmorte\u201d de Deus, ou em torn\u00e1-lo uma inofensiva figura de cera arrumada no velho museu das experi\u00eancias pr\u00e9-racionais, \u00e9 importante para n\u00f3s, crentes, n\u00e3o esquecermos esta certeza que a Palavra de Deus nos deixa: o nosso Deus preside \u00e0 hist\u00f3ria humana, vem continuamente ao encontro dos homens, faz com eles uma Alian\u00e7a, oferece-lhes a paz e a justi\u00e7a e aponta-lhes o caminho para a verdadeira vida, a verdadeira liberdade, a verdadeira salva\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Se \u00e9 Deus quem conduz a hist\u00f3ria humana, n\u00e3o temos raz\u00f5es para vivermos paralisados pelo medo e pela ang\u00fastia. Mesmo que a humanidade insista em inventar mecanismos de viol\u00eancia, de injusti\u00e7a, de opress\u00e3o, de explora\u00e7\u00e3o, Deus saber\u00e1 conduzir a hist\u00f3ria dos homens e do mundo a bom porto, de acordo com o seu projeto de amor e de salva\u00e7\u00e3o. Conscientes do amor e da solicitude de Deus, temos de encarar a vida com otimismo, com esperan\u00e7a e com confian\u00e7a, mesmo quando as for\u00e7as da morte parecerem controlar a nossa hist\u00f3ria e levantar obst\u00e1culos no nosso caminho.<\/li>\n<li>Nestes dias que antecedem o Natal, \u00e9 preciso ter consci\u00eancia de que a promessa de Deus a David se concretiza em Jesus. Ele \u00e9 esse \u201crei\u201d da descend\u00eancia de David que Deus enviou ao nosso encontro para nos apontar o caminho para o reino da justi\u00e7a, da paz, do amor e da felicidade sem fim. Que acolhimento \u00e9 que esse \u201crei\u201d encontra no nosso cora\u00e7\u00e3o e na nossa vida? Na nossa vida, sempre t\u00e3o cheia e t\u00e3o ocupada, h\u00e1 espa\u00e7o para Jesus?<\/li>\n<li>Mais uma vez, a Palavra deixa claro que Deus interv\u00e9m no mundo e concretiza os seus projetos de salva\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de homens a quem Ele confia determinada miss\u00e3o (\u201ctirei-te das pastagens onde guardavas os rebanhos, para seres o chefe do meu povo de Israel\u201d). Estou dispon\u00edvel para que Deus, atrav\u00e9s de mim, possa continuar a oferecer a salva\u00e7\u00e3o aos meus irm\u00e3os, particularmente aos pobres, aos humildes, aos marginalizados, aos exclu\u00eddos do mundo? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 88 (89)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> Cantarei eternamente as miseric\u00f3rdias do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Rom 16,25-27<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEsta \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio que estava encoberto desde os tempos eternos, mas agora foi manifestado e dado a conhecer a todos os povos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contexto:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final da d\u00e9cada de 50 (a Carta aos Romanos apareceu por volta de 57\/58), multiplicavam-se as \u201ccrises\u201d entre os crist\u00e3os oriundos do mundo judaico e os crist\u00e3os oriundos do mundo pag\u00e3o. Uns e outros tinham perspetivas diferentes da salva\u00e7\u00e3o e da forma de viver o compromisso com Jesus Cristo e com o seu Evangelho. Os crist\u00e3os de origem judaica consideravam que, al\u00e9m da f\u00e9 em Jesus Cristo, era necess\u00e1rio cumprir as obras da Lei (nomeadamente a pr\u00e1tica da circuncis\u00e3o) para ter acesso \u00e0 salva\u00e7\u00e3o; mas os crist\u00e3os de origem pag\u00e3 recusavam-se a aceitar a obrigatoriedade das pr\u00e1ticas judaicas. Era uma quest\u00e3o \u201cquente\u201d, que amea\u00e7ava a unidade da Igreja. Este problema tamb\u00e9m era sentido pela comunidade crist\u00e3 de Roma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste cen\u00e1rio, Paulo vai mostrar a todos os crentes (a Carta aos Romanos, mais do que uma carta para a comunidade crist\u00e3 de Roma, \u00e9 uma carta para as comunidades crist\u00e3s, em geral) a unidade da revela\u00e7\u00e3o e da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: judeus e n\u00e3o judeus s\u00e3o, de igual forma, chamados por Deus \u00e0 salva\u00e7\u00e3o; o essencial n\u00e3o \u00e9 cumprir a Lei de Mois\u00e9s \u2013 que nunca assegurou a ningu\u00e9m a salva\u00e7\u00e3o; o essencial \u00e9 acolher a oferta de salva\u00e7\u00e3o que Deus faz a todos, por Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto apresenta-nos os \u00faltimos vers\u00edculos da Carta aos Romanos. Trata-se de uma solene doxologia final que n\u00e3o parece, contudo, ser de Paulo (ainda que os conceitos sejam paulinos, a terminologia \u00e9 diferente). Provavelmente, constitu\u00eda o remate final do epistol\u00e1rio paulino, numa antiga edi\u00e7\u00e3o do mesmo. Trata-se de um texto maduramente refletido e trabalhado, sem d\u00favida fruto de uma profunda reflex\u00e3o teol\u00f3gica levada a cabo no seio da comunidade crist\u00e3. O seu autor foi, certamente, um crist\u00e3o dos finais do s\u00e9culo I ou dos princ\u00edpios do s\u00e9c. II. Profundo conhecedor da teologia paulina e absolutamente comprometido com a Igreja a que pertencia, este crist\u00e3o procurou sintetizar nestes vers\u00edculos toda a doutrina do ap\u00f3stolo Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A segunda leitura reitera a mensagem fundamental da primeira: Deus tem um projeto de salva\u00e7\u00e3o em nosso favor. O facto de esse projeto existir \u201cdesde os tempos eternos\u201d mostra que a preocupa\u00e7\u00e3o e o amor de Deus pelos seus filhos n\u00e3o s\u00e3o um facto acidental ou uma moda passageira, mas algo que faz parte do ser de Deus e que est\u00e1 desde sempre no plano de Deus. N\u00e3o esque\u00e7amos isto: n\u00e3o somos seres abandonados \u00e0 nossa sorte, perdidos e \u00e0 deriva num universo sem fim; mas somos seres amados por Deus, pessoas \u00fanicas e irrepet\u00edveis que Deus ama, cuida e guia pela hist\u00f3ria. A meta final para onde Ele nos conduz \u00e9 a vida plena, a felicidade sem fim, a salva\u00e7\u00e3o. Esta convic\u00e7\u00e3o deve encher os nossos cora\u00e7\u00f5es de alegria, de esperan\u00e7a e de gratid\u00e3o.<\/li>\n<li>A leitura deixa ainda claro que esse projeto de salva\u00e7\u00e3o foi totalmente revelado em Jesus Cristo, no seu amor at\u00e9 ao extremo, nos seus gestos de bondade e de miseric\u00f3rdia, na sua atitude de doa\u00e7\u00e3o e de servi\u00e7o, no seu an\u00fancio do Reino de Deus. Prepararmo-nos para o Natal significa preparar o nosso cora\u00e7\u00e3o para acolher Jesus, para aceitar os seus valores, para compreender o seu jeito de viver, para aderir ao projeto de salva\u00e7\u00e3o que, atrav\u00e9s d\u2019Ele, Deus Pai nos oferece. <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Lc 1,26-38<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazar\u00e9, a uma Virgem desposada com um homem chamado Jos\u00e9\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abAve, cheia de gra\u00e7a, o Senhor est\u00e1 contigo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO Esp\u00edrito Santo vir\u00e1 sobre ti e a for\u00e7a do Alt\u00edssimo te cobrir\u00e1 com a sua sombra\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contexto:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto de Lucas que nos \u00e9 proposto neste quarto domingo do advento pertence ao chamado \u201cEvangelho da Inf\u00e2ncia\u201d. Ora, os \u201cEvangelhos da Inf\u00e2ncia de Jesus\u201d (quer o de Mateus, quer o de Lucas) enquadram-se num g\u00e9nero liter\u00e1rio pr\u00f3prio, que recorre \u00e0s t\u00e9cnicas do\u00a0<em>midrash hagg\u00e1dico<\/em>\u00a0(uma t\u00e9cnica de leitura e de interpreta\u00e7\u00e3o do texto sagrado usada pelos rabis judeus) para nos apresentar o mist\u00e9rio de Jesus. A preocupa\u00e7\u00e3o dos evangelistas que nos legaram os \u201cEvangelhos da Inf\u00e2ncia\u201d n\u00e3o \u00e9 apresentar um relato factual dos acontecimentos dos primeiros anos de Jesus, mas sim oferecer \u00e0s suas comunidades uma catequese que proclame determinadas realidades salv\u00edficas (que Jesus \u00e9 o Messias, que Ele vem de Deus, que Ele \u00e9 o \u201cDeus connosco\u201d). Com recurso a\u00a0<em>tipologias<\/em>\u00a0(correspond\u00eancia entre certos factos e pessoas do Antigo Testamento e outros factos e pessoas do Novo Testamento), a\u00a0<em>manifesta\u00e7\u00f5es<\/em>\u00a0<em>apocal\u00edpticas<\/em>\u00a0(anjos, apari\u00e7\u00f5es, sonhos) e a outros recursos liter\u00e1rios, Mateus e Lucas tecem as suas catequeses sobre Jesus, o Filho de Deus que veio ao encontro dos homens. O Evangelho que nos \u00e9 hoje proposto deve ser entendido a esta luz e neste enquadramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena situa-nos numa aldeia da Galileia, chamada Nazar\u00e9. A Galileia, regi\u00e3o a norte da Palestina, \u00e0 volta do Lago de Tiber\u00edades, era considerada pelos judeus uma terra long\u00ednqua e estranha, em permanente contacto com as popula\u00e7\u00f5es pag\u00e3s e onde se praticava uma religi\u00e3o heterodoxa, influenciada pelos costumes e pelas tradi\u00e7\u00f5es pag\u00e3s. Da\u00ed a convic\u00e7\u00e3o dos mestres judeus de Jerusal\u00e9m de que \u201cda Galileia n\u00e3o pode vir nada de bom\u201d. Quanto a Nazar\u00e9, era uma aldeia pobre e ignorada, nunca nomeada na hist\u00f3ria religiosa judaica e, portanto (de acordo com a mentalidade judaica), completamente \u00e0 margem dos caminhos de Deus e da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria, a jovem de Nazar\u00e9 que est\u00e1 no centro deste epis\u00f3dio, era \u201cuma virgem desposada com um homem chamado Jos\u00e9\u201d. O casamento hebraico considerava o compromisso matrimonial em duas etapas: havia uma primeira fase, na qual os noivos se prometiam um ao outro (os \u201cesponsais\u201d); s\u00f3 numa segunda fase surgia o compromisso definitivo (as cerim\u00f3nias do matrim\u00f3nio propriamente dito). Entre os \u201cesponsais\u201d e o rito do matrim\u00f3nio, passava um tempo mais ou menos longo, durante o qual qualquer uma das partes podia voltar atr\u00e1s, ainda que sofrendo uma penalidade. Durante os \u201cesponsais\u201d, os noivos n\u00e3o viviam em comum; mas o compromisso que os dois assumiam tinha j\u00e1 um car\u00e1cter est\u00e1vel, de tal forma que, se surgia um filho, este era considerado filho leg\u00edtimo de ambos. A Lei de Mois\u00e9s considerava a infidelidade da \u201cprometida\u201d como uma ofensa semelhante \u00e0 infidelidade da esposa (cf. Dt 22,23-27). E a uni\u00e3o entre os dois \u201cprometidos\u201d s\u00f3 podia dissolver-se com a f\u00f3rmula jur\u00eddica do div\u00f3rcio. Jos\u00e9 e Maria estavam, portanto, na situa\u00e7\u00e3o de \u201cprometidos\u201d: ainda n\u00e3o tinham celebrado o matrim\u00f3nio, mas j\u00e1 tinham celebrado os \u201cesponsais\u201d.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Tamb\u00e9m o Evangelho deste domingo, na linha das outras duas leituras, afirma, de forma clara e insofism\u00e1vel, que Deus ama os homens e, na sua solicitude de Pai, tem um projeto de vida plena para lhes oferecer. Esta certeza tem de servir de \u00e2ncora a toda a nossa vida e acompanhar cada passo que damos. Esta certeza muda a nossa perspetiva das coisas e permite-nos ver a vida com as cores da alegria, da confian\u00e7a e da esperan\u00e7a.<\/li>\n<li>Como \u00e9 que esse Deus cheio de amor pelos seus filhos interv\u00e9m na hist\u00f3ria humana e concretiza, dia a dia, a sua oferta de salva\u00e7\u00e3o? A hist\u00f3ria de Maria de Nazar\u00e9, bem como a de tantos outros \u201cchamados\u201d, responde, de forma clara, a esta quest\u00e3o: \u00e9 atrav\u00e9s de homens e mulheres atentos aos projetos de Deus e de cora\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para o servi\u00e7o dos irm\u00e3os, que Deus atua no mundo, que Ele manifesta aos homens o seu amor, que Ele convida cada pessoa a percorrer os caminhos da felicidade e da realiza\u00e7\u00e3o plena. J\u00e1 pens\u00e1mos que \u00e9 atrav\u00e9s dos nossos gestos de amor, de partilha e de servi\u00e7o que Deus Se torna presente no mundo e transforma o mundo?<\/li>\n<li>Neste domingo que precede o Natal de Jesus, a hist\u00f3ria de Maria mostra como \u00e9 poss\u00edvel fazer Jesus nascer no mundo: atrav\u00e9s de um \u201csim\u201d incondicional aos projetos de Deus. \u00c9 preciso que, atrav\u00e9s dos nossos \u201csins\u201d de cada instante, da nossa disponibilidade e entrega, Jesus possa vir ao mundo e oferecer aos nossos irm\u00e3os \u2013 particularmente aos pobres, aos humildes, aos infelizes, aos marginalizados \u2013 a salva\u00e7\u00e3o e a vida de Deus.<\/li>\n<li>Outra quest\u00e3o \u00e9 a dos instrumentos de que Deus se serve para realizar os seus planos\u2026 Maria era uma jovem mulher de uma aldeia obscura dessa \u201cGalileia dos pag\u00e3os\u201d de onde n\u00e3o podia \u201cvir nada de bom\u201d. N\u00e3o consta que tivesse uma significativa prepara\u00e7\u00e3o intelectual, extraordin\u00e1rios conhecimentos teol\u00f3gicos, ou amigos poderosos nos c\u00edrculos de poder e de influ\u00eancia da Palestina de ent\u00e3o. Apesar disso, foi escolhida por Deus para desempenhar um papel primordial na etapa mais significativa na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria vocacional de Maria deixa claro que, na perspetiva de Deus, n\u00e3o s\u00e3o o poder, a riqueza, a import\u00e2ncia ou a visibilidade social que determinam a capacidade para levar a cabo uma miss\u00e3o. Deus age atrav\u00e9s de homens e mulheres, independentemente das suas qualidades humanas. O que \u00e9 decisivo \u00e9 a disponibilidade e o amor com que se acolhem e testemunham as propostas de Deus.<\/li>\n<li>Diante dos apelos de Deus ao compromisso, qual deve ser a resposta do homem? \u00c9 a\u00ed que somos colocados diante do exemplo de Maria\u2026 Confrontada com os planos de Deus, Maria responde com um \u201csim\u201d total e incondicional. Naturalmente, ela tinha o seu programa de vida e os seus projetos pessoais; mas, diante do apelo de Deus, esses projetos pessoais passaram naturalmente e sem dramas a um plano secund\u00e1rio. Na atitude de Maria n\u00e3o h\u00e1 qualquer sinal de ego\u00edsmo, de comodismo, de orgulho, mas h\u00e1 uma entrega total nas m\u00e3os de Deus e um acolhimento radical dos caminhos de Deus. O testemunho de Maria \u00e9 um testemunho que questiona e que nos interpela\u2026 Que atitude assumimos diante dos projetos de Deus: acolhemo-los sem reservas, com amor e disponibilidade, numa atitude de entrega total a Deus, ou assumimos uma atitude ego\u00edsta de defesa intransigente dos nossos projetos pessoais e dos nossos interesses particulares?<\/li>\n<li>\u00c9 poss\u00edvel algu\u00e9m entregar-se t\u00e3o cegamente a Deus, sem reservas, sem medir os pr\u00f3s e os contras? Como \u00e9 que se chega a esta confian\u00e7a incondicional em Deus e nos seus projetos? Naturalmente, n\u00e3o se chega a esta confian\u00e7a cega em Deus e nos seus planos sem uma vida de di\u00e1logo, de comunh\u00e3o, de intimidade com Deus. Maria de Nazar\u00e9 foi certamente uma mulher para quem Deus ocupava o primeiro lugar e era a prioridade fundamental. Maria de Nazar\u00e9 foi seguramente uma pessoa de ora\u00e7\u00e3o e de f\u00e9, que fez a experi\u00eancia do encontro com Deus e aprendeu a confiar totalmente n\u2019Ele. No meio da agita\u00e7\u00e3o de todos os dias, encontro tempo e disponibilidade para ouvir Deus, para viver em comunh\u00e3o com Ele, para tentar perceber os seus sinais nas indica\u00e7\u00f5es que Ele me d\u00e1? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong> deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o as diversas interven\u00e7\u00f5es em discurso direto para uma melhor compreens\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A brevidade da <strong>segunda leitura<\/strong> n\u00e3o deve descurar a sua prepara\u00e7\u00e3o e deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o a segunda frase que sendo longa e contendo diversas ora\u00e7\u00f5es reclama maior cuidado. Al\u00e9m disso, deve ter-se presente a forma doxol\u00f3gica da \u00faltima frase.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/12\/19\/deixar-o-ceu-falar-e-adorar-2\/\"><strong>DEIXAR O C\u00c9U FALAR\u2026 E\u00a0ADORAR!<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Este Domingo IV do Advento<\/strong> deixa-nos \u00e0 beirinha do Natal do Senhor. O Evangelho neste Dia proclamado (Lucas 1,26-38) \u00e9 um tecido sublime, que as Igrejas do Ocidente conhecem por \u00abAnuncia\u00e7\u00e3o\u00bb, e as do Oriente por \u00abEvangeliza\u00e7\u00e3o\u00bb. Do c\u00e9u chega a Alegria incandescente a casa de Maria: \u00abAlegra-te, Maria\u00bb [= \u00ab<em>Cha\u00eere Maria<\/em>\u00bb; \u00ab<em>Ave Maria<\/em>\u00bb], \u00abo Senhor est\u00e1 contigo\u00bb (Lucas 1,28), \u00abn\u00e3o tenhas medo\u00bb (Lucas 1,30), diz a Maria o anjo Gabriel enviado por Deus. Alguns anos mais tarde, as mulheres que v\u00e3o ao t\u00famulo de Jesus ouvir\u00e3o tamb\u00e9m a mesma m\u00fasica divina: \u00abAlegrai-vos\u00bb (Mateus 28,9), \u00abn\u00e3o tenhais medo\u00bb (Mateus 28,5). E n\u00f3s, Assembleia Santa que hoje se re\u00fane para celebrar os mist\u00e9rios do seu Senhor e tamb\u00e9m de Maria, M\u00e3e de Deus e nossa M\u00e3e, estamos tamb\u00e9m permanentemente a ouvir esta divina melodia. Portanto, irm\u00e3os amados em Cristo, Alegrai-vos, n\u00e3o tenhais medo, o Senhor est\u00e1 no meio de n\u00f3s!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O centro da cena \u00e9 de Maria, que podemos ver em alta sintonia com a Palavra de Alegria que lhe chega de Deus. Ao contr\u00e1rio da nossa muito ocidental maneira de ver e de sentir, note-se bem que Maria n\u00e3o esbo\u00e7a qualquer rea\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a do anjo, que t\u00e3o-pouco \u00e9 narrada. Ela fica perturbada \u00e9 com a Palavra que lhe cai nos ouvidos e no cora\u00e7\u00e3o (Lucas 1,29). \u00abConceber\u00e1 no ventre\u00bb o Filho de Deus (Lucas 1,31-33). \u00abConceber no ventre\u00bb \u00e9 um pleonasmo intencional s\u00f3 dito de Maria por duas vezes (Lucas 1,31 e 2,21), claramente para a p\u00f4r em pura sintonia com o Deus do \u00abventre das miseric\u00f3rdias\u00bb (Lucas 1,78). Note-se como, na sequ\u00eancia do texto, de Isabel s\u00f3 se diz que \u00abconcebeu\u00bb (Lucas 1,36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando revisitamos os dois quadros de anuncia\u00e7\u00e3o que Lucas nos serve alinhados lado-a-lado, o an\u00fancio no Templo a Zacarias e o an\u00fancio em Nazar\u00e9 a Maria, saltam logo \u00e0 vista a diferente identidade, os contornos e o contraste das figuras. O anjo Gabriel (cf. Lucas 1,19), no Templo, aparecido a Zacarias, anuncia-lhe a fecundidade de Isabel e o nascimento de Jo\u00e3o como cumprimento da sua ora\u00e7\u00e3o (Lucas 1,13). Em puro contraste, o mesmo anjo Gabriel, na humilde Nazar\u00e9 (Lucas 1,26), anuncia a Maria o inaudito, sem precedentes na hist\u00f3ria de Israel. O Filho que vai nascer (Lucas 1,31) n\u00e3o surge como o fruto de um desejo ou de uma s\u00faplica de Maria, n\u00e3o vem cumprir nenhum projeto de Maria, nenhuma espera ou expetativa de Maria, nenhuma programa\u00e7\u00e3o desde baixo! Antes pelo contr\u00e1rio, dado que Maria avan\u00e7a mesmo a impossibilidade real de tal poder vir a acontecer: \u00abComo poder\u00e1 isso acontecer, pois n\u00e3o conhe\u00e7o homem?\u00bb (Lucas 1,34). Contraste exposto a toda a luz: Jo\u00e3o \u00e9 fruto de um intenso desejo e correspondente s\u00faplica de Isabel e Zacarias; Jesus \u00e9 fruto da iniciativa surpreendente, livre e gratuita de Deus, n\u00e3o dedut\u00edvel ou program\u00e1vel da nossa parte. \u00c9 como se as escolhas dos pais de Jo\u00e3o Batista, por um lado, e da m\u00e3e de Jesus, por outro, derivassem de duas l\u00f3gicas diferentes. Contemplando este cen\u00e1rio e parafraseando Bento XVI (Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>Verbum Domini<\/em>\u00a0[2010], n.\u00ba 123), poder\u00edamos dizer assim: \u00abn\u00f3s podemos programar uma festa, \/ mas n\u00e3o podemos programar a alegria,\/ n\u00e3o podemos programar Maria\u00bb. Ela salta fora do horizonte do desejo, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel encerr\u00e1-la dentro do per\u00edmetro da linguagem, da fita m\u00e9trica das palavras por mais extensa que ela seja, como quando longa e belamente desfiamos as contas, a\u00a0<em>h<sup>a<\/sup>rizah<\/em>\u00a0das ladainhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ultrapassada a obje\u00e7\u00e3o, Maria responde: \u00abEis a serva do Senhor; fa\u00e7a-se em mim segundo a tua Palavra\u00bb (Lucas 1,38). Na B\u00edblia, apenas os grandes chamados (Mois\u00e9s, Josu\u00e9, David) s\u00e3o denominados \u00abServos do Senhor\u00bb, sendo Maria a \u00fanica mulher assim denominada. Deus chama, mas n\u00e3o imp\u00f5e. A Maria, e a cada um de n\u00f3s. Podemos sempre aceitar Deus ou esconder-nos de Deus. Deixar Deus entrar, ou fechar-lhe a porta. Maria aceitou, e, por isso, todas as gera\u00e7\u00f5es a proclamar\u00e3o Bem-aventurada. \u00c9 o que estamos hoje e aqui a fazer: Feliz \u00e9s tu, Maria, pioneira de um mundo novo, porque acreditaste em tudo quanto te foi dito da parte do Senhor! Feliz tamb\u00e9m aquele que ouve a Palavra de Deus e a p\u00f5e em pr\u00e1tica!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Memorial desta beleza incandescente \u00e9 a Bas\u00edlica da Anuncia\u00e7\u00e3o, em Nazar\u00e9. Esta grandiosa Bas\u00edlica, em tr\u00eas planos, foi inaugurada em 25 de mar\u00e7o de 1969, e foi visitada, ainda as obras estavam em curso, em 1964, pelo Papa Paulo VI. Escava\u00e7\u00f5es feitas antes desta grandiosa constru\u00e7\u00e3o puseram a descoberto, e podem ver-se ainda hoje, os majestosos pilares de uma Catedral levantada em 1099 pelo pr\u00edncipe cruzado Tancredo, bem como o pavimento em mosaico de uma igreja bizantina, que pode ser datada do ano 450. Mas, descendo mais fundo, at\u00e9 \u00e0s entranhas da atual Bas\u00edlica, acede-se \u00e0 Gruta da Anuncia\u00e7\u00e3o, sob cujo altar se l\u00ea a inscri\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Verbum caro hic factum est<\/em>\u00a0[\u00abAqui o Verbo se fez carne\u00bb], e a outros lugares de culto antigos, talvez j\u00e1 do s\u00e9culo II. Numa grafite antiga foi encontrada a grava\u00e7\u00e3o XE MAPIA, abrevia\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>Cha\u00eere Maria<\/em>, a primeira Ave-Maria da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conson\u00e2ncia com a m\u00fasica do Evangelho, o Segundo Livro de Samuel documenta, no extrato lido hoje (7,1-16), o desejo de Deus vir habitar no meio de n\u00f3s. N\u00e3o num Templo de pedra, mas num Templo de tempo, podendo assim caminhar connosco sempre, como j\u00e1 fez com David, e quer continuar a fazer connosco. \u00c9 usual, de resto, dizer-se que n\u00f3s constru\u00edmos o espa\u00e7o, enquanto os judeus constru\u00edram o tempo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed est\u00e1 tamb\u00e9m S\u00e3o Paulo a expor-nos, no final da Carta aos Romanos (16,23-25) a grande teologia b\u00edblica do Mist\u00e9rio (<em>myst\u00earion<\/em>) do Amor de Deus, Mist\u00e9rio escondido eternamente em Deus (Romanos 16,25; Ef\u00e9sios 3,9; Colossenses 1,26), mas j\u00e1 presente e atuante na hist\u00f3ria dos homens desde a Cria\u00e7\u00e3o (Jo\u00e3o 1,3; Colossenses 1,16) e agora dado a conhecer (<em>gn\u00f4r\u00edz\u00f4<\/em>) em Cristo (Romanos 16,25-26; Ef\u00e9sios 1,9; 3,3.10; Colossenses 1,27), tornando-se, portanto, Mist\u00e9rio conhecido (!), Revela\u00e7\u00e3o divina gratuita, doa\u00e7\u00e3o do Dom e dic\u00e7\u00e3o do Dito, totalmente entregue aos homens, para a viverem totalmente. Este \u00abpara n\u00f3s\u00bb do Mist\u00e9rio do Amor de Deus \u00e9 o Prop\u00f3sito (<em>pr\u00f3thesis<\/em>) eterno divino (Romanos 8,28; Ef\u00e9sios 1,11), a Vontade (<em>th\u00e9l\u00eama<\/em>) eterna divina (G\u00e1latas 1,4; Ef\u00e9sios 1,5.9.11) \u2013 em Deus, pensamento, express\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o, efeito, Alfa e Omega, s\u00e3o simult\u00e2neos e coeternos \u2013 de elevar a nossa humanidade a viver por gra\u00e7a ao n\u00edvel da sua divindade (2 Pedro 1,4; 1 Jo\u00e3o 3,2). Ao contr\u00e1rio do significado usual que damos \u00e0 palavra \u00abmist\u00e9rio\u00bb, na B\u00edblia, como se v\u00ea, \u00abmist\u00e9rio\u00bb n\u00e3o \u00e9 o que n\u00e3o se sabe, mas o que Deus, por gra\u00e7a, nos d\u00e1 a saber. E \u00e9 tanto e ador\u00e1vel, e, visto apenas do nosso pequeno patamar, impens\u00e1vel!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por isso que a hora \u00e9 de cantar. O tema \u00e9, claro est\u00e1, a bondade e a gra\u00e7a de Deus, que desceu at\u00e9 n\u00f3s numa hist\u00f3ria que tamb\u00e9m foi e vai tecendo por amor. O Salmo 89 insinua-se nas cordas do nosso cora\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o nos deixa parar de cantar eternamente as miseric\u00f3rdias do Senhor!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se o Senhor n\u00e3o construir a casa,<\/strong><br \/>\n<strong>Em v\u00e3o trabalham os que a constroem.<\/strong><br \/>\n<strong>Se o Senhor n\u00e3o guardar a cidade,<\/strong><br \/>\n<strong>Em v\u00e3o vigiam as sentinelas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>N\u00e3o se pode esconder uma cidade<\/strong><br \/>\n<strong>Situada no cimo de um monte,<\/strong><br \/>\n<strong>Ou sobre a linha do horizonte,<\/strong><br \/>\n<strong>Porque alumia, alumia, alumia,<\/strong><br \/>\n<strong>Irradia, irradia, irradia,<\/strong><br \/>\n<strong>De noite e de dia.<\/strong><br \/>\n<strong>Cidade de alto-a-baixo erguida,<\/strong><br \/>\n<strong>Como um manto de orvalho ca\u00edda,<\/strong><br \/>\n<strong>Como uma ermida,<\/strong><br \/>\n<strong>Uma jazida de luz<\/strong><br \/>\n<strong>E de Jesus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>Tudo ao contr\u00e1rio do que vem nos manuais ou nos jornais,<\/strong><br \/>\n<strong>Lan\u00e7ai os fundamentos no c\u00e9u,<\/strong><br \/>\n<strong>Constru\u00ed desde o cume,<\/strong><br \/>\n<strong>Sobre o gume da Palavra<\/strong><br \/>\n<strong>Que de Deus vem<\/strong><br \/>\n<strong>Nascer em Bel\u00e9m<\/strong><br \/>\n<strong>E aqui tamb\u00e9m.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Leitura-I-do-Domingo-IV-do-Tempo-do-Advento-Ano-B-24.12.2023-2-Sam-7-1-5.8b-12.14a-16.pdf\">Leitura I do Domingo IV do Tempo do Advento &#8211; Ano B &#8211; 24.12.2023 (2 Sam 7, 1-5.8b-12.14a-16)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Leitura-II-do-Domingo-IV-do-Tempo-do-Advento-Ano-B-24.12.2023-Rom-16-25-27.pdf\">Leitura II do Domingo IV do Tempo do Advento &#8211; Ano B &#8211; 24.12.2023 (Rom 16, 25-27)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Domingo-IV-do-Tempo-do-Advento-Ano-B-24.12.2023-Lecionario.pdf\">Domingo IV do Tempo do Advento &#8211; Ano B &#8211; 24.12.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Domingo-IV-do-Tempo-do-Advento-Ano-B-24.12.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo IV do Tempo do Advento &#8211; Ano B &#8211; 24.12.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Natal-Ano-B-25.12.2023-Lecionario.pdf\">Natal &#8211; Ano B &#8211; 25.12.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Natal-Ano-B-25.12.2023-Oracao-Universal.pdf\">Natal &#8211; Ano B &#8211; 25.12.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo III do Tempo do Advento \u2013 Ano B \u2013 17.12.2023&#8243; tab_id=&#8221;1703586695309-ec0e2570-fbf9&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo III do Tempo do Advento &#8211; Ano B \u2013 17.12.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O<\/strong><strong> terceiro Domingo de Advento \u00e9 tamb\u00e9m designado como Domingo <em>Gaudete,<\/em> isto \u00e9, Domingo da Alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Domingo-III.jpg\" alt=\"\" width=\"566\" height=\"373\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Liturgia da Palavra deste Domingo \u00e9 marcada pelo convite \u00e0 alegria: \u00ab<em>Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus<\/em>\u00bb; \u00ab<em>A minha alma exulta no Senhor<\/em>\u00bb; \u00ab<em>Vivei sempre alegres, orai sem cessar, dai gra\u00e7as em todas as circunst\u00e2ncias<\/em>\u00bb. A Palavra de Deus, Boa Nova da Salva\u00e7\u00e3o, an\u00fancio alegre e jubiloso da presen\u00e7a de Deus nas nossas vidas, desafia-nos a viver marcados pela alegria nova que brota do encontro \u00fanico e decisivo com Jesus Cristo: \u00ab<em>A Alegria do Evangelho\u00a0enche o cora\u00e7\u00e3o e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele s\u00e3o libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria<\/em>\u00bb (EG 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Efetivamente, muitos dos nossos contempor\u00e2neos poder\u00e3o dizer-nos que no atual contexto social e cultural se torna muito dif\u00edcil e exigente anunciar a alegria porque as nossas vidas est\u00e3o marcadas pelo medo e pela inseguran\u00e7a de um v\u00edrus que provoca isolamento, sofrimento e morte. Contudo, a alegria nova que brota do cora\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo \u00e9 muito mais do que um mero contentamento, umas gargalhadas rasgadas ou um narc\u00f3tico que nos aliena e nos faz entrar numa esfera de alegria e bem-estar. A alegria do Evangelho \u00e9 alegria nova dos que sabem amados, amparados e acompanhados por Jesus Cristo, Aquele que venceu o pecado e a morte e rasga diante de n\u00f3s caminhos novos de esperan\u00e7a e confian\u00e7a. A alegria de Jesus \u00e9 aquela que no meio do sofrimento se chama for\u00e7a para enfrentar os desafios e dores. A alegria de Jesus \u00e9 aquela que diante dos obst\u00e1culos e dificuldades do caminho se chama coragem e perseveran\u00e7a. A alegria de Jesus \u00e9 aquela que diante da perda daqueles que amamos se chama esperan\u00e7a na vida eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, a alegria nova que brota do encontro com Jesus Cristo plasma a nossa vida de uma confian\u00e7a absolutamente nova que nos faz olhar o tempo e a hist\u00f3ria como lugar da presen\u00e7a de Deus, conscientes que as dificuldades e exig\u00eancias do caminho h\u00e3o-de passar e a presen\u00e7a de Deus terna e misericordiosa permanece como garante de alegria e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como Jo\u00e3o somos chamados a ser testemunhas de um amor maior que \u00e9 luz que brilha no meio de sombras do tempo e da hist\u00f3ria. Jo\u00e3o sabe que s\u00f3 Jesus \u00e9 a luz plena e verdadeira e que diante dele \u00e9 pequeno e fr\u00e1gil e nem \u00e9 digno de desatar a correia das suas sand\u00e1lias. Mas a sua pequenez e fragilidade, n\u00e3o s\u00e3o um obst\u00e1culo ao seu testemunho, mas o lugar oportuno a partir do qual ele comunica a sua mensagem de amor e esperan\u00e7a. Jo\u00e3o n\u00e3o \u00e9 testemunha da grandeza, nem da majestade, mas da luz. Ele \u00e9 testemunha alegre e jubilosa de que as sombras do tempo presente n\u00e3o t\u00eam a \u00faltima palavra porque sobre n\u00f3s brilha a luz \u00ab<em>terna e suave<\/em>\u00bb que inunda de esperan\u00e7a as nossas vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por tr\u00eas vezes neste texto do Evangelho perguntam a Jo\u00e3o: \u00ab<em>quem \u00e9s tu?<\/em>\u00bb e por tr\u00eas vezes ele responde: \u00ab<em>n\u00e3o sou<\/em>\u00bb. Jo\u00e3o n\u00e3o constr\u00f3i a sua identidade a partir de si pr\u00f3prio, mas a partir de Jesus Cristo de quem ele \u00e9 enviado e percursor. Deste modo, tamb\u00e9m cada um de n\u00f3s mais do que se deter na pergunta \u00ab<em>quem sou eu?<\/em>\u00bb, deve perguntar-se \u00ab<em>quem sou eu a partir de Jesus?<\/em>\u00bb. Aqui descobriremos a nossa identidade mais profunda, inscrevendo a nossa identidade no horizonte maior e mais largo do amor de Deus e do Seu des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso. <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Is 61,1-2a.10-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abExulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salva\u00e7\u00e3o e me envolveu num manto de justi\u00e7a\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contexto:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os textos do Profeta conhecido como Trito-Isa\u00edas (Is 56-66) situam-nos na \u00e9poca posterior ao Ex\u00edlio e numa Jerusal\u00e9m em reconstru\u00e7\u00e3o. Para os retornados do Ex\u00edlio, s\u00e3o tempos dif\u00edceis e incertos\u2026 A popula\u00e7\u00e3o da cidade \u00e9 pouco numerosa, a reconstru\u00e7\u00e3o \u00e9 lenta e modesta, os inimigos est\u00e3o \u00e0 espreita. Por outro lado, os retornados s\u00e3o recebidos com frieza e hostilidade pelos poucos habitantes de Jerusal\u00e9m que tinham ficado na cidade e que n\u00e3o tinham ido para o Ex\u00edlio\u2026 Aos poucos, com a reorganiza\u00e7\u00e3o da vida na cidade, voltam as injusti\u00e7as dos poderosos sobre os fracos e os pobres, bem como a corrup\u00e7\u00e3o, a venalidade e a prepot\u00eancia dos chefes. O Povo est\u00e1 desanimado e sem esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os profetas que desenvolvem a sua miss\u00e3o nesta fase v\u00e3o tentar acordar a esperan\u00e7a num futuro de vida plena e de salva\u00e7\u00e3o definitiva. Nesse sentido, v\u00e3o falar de uma \u00e9poca em que Deus vai voltar a residir em Jerusal\u00e9m, oferecendo em cada dia ao seu Povo a vida e a salva\u00e7\u00e3o. Essa \u201csalva\u00e7\u00e3o\u201d implicar\u00e1, n\u00e3o s\u00f3 a reconstru\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m e a restaura\u00e7\u00e3o das gl\u00f3rias passadas, mas tamb\u00e9m a liberta\u00e7\u00e3o dos pobres, dos oprimidos, dos fracos, dos marginalizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto \u00e9 o princ\u00edpio (vers. 1-2) e o fim (vers. 10-11) do cap\u00edtulo 61 do Livro de Isa\u00edas. A men\u00e7\u00e3o do \u201cSenhor Deus\u201d (em hebraico, Jav\u00e9-Adonai) no vers\u00edculo 1 e no vers\u00edculo 11 confirma que todo este cap\u00edtulo apresenta uma clara unidade textual e tem\u00e1tica. O cap\u00edtulo est\u00e1 claramente dividido em tr\u00eas sec\u00e7\u00f5es. Na primeira (vers. 1-3a), o profeta define a sua pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o; na segunda (vers. 3b-9), cita palavras do Senhor que prometem a restaura\u00e7\u00e3o do Povo, da Alian\u00e7a e de Jerusal\u00e9m; na terceira (vers. 10-11), apresenta uma declara\u00e7\u00e3o de alegria, provavelmente de Jerusal\u00e9m, em face da promessa de Deus. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O profeta garante aos \u201cpobres\u201d que Deus n\u00e3o os abandona \u00e0 sua mis\u00e9ria e sofrimento e que tem um projeto de vida e de felicidade para lhes oferecer. Esta \u201cnot\u00edcia\u201d deve encher de esperan\u00e7a todos aqueles que n\u00e3o t\u00eam acesso aos bens essenciais (educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, trabalho, justi\u00e7a, amor), que n\u00e3o t\u00eam vez nem voz, que s\u00e3o injusti\u00e7ados e explorados, que todos os dias s\u00e3o triturados por um sistema econ\u00f3mico que n\u00e3o cessa de gerar exclus\u00e3o, aliena\u00e7\u00e3o e mis\u00e9ria. O Deus em quem acreditamos, diz o Trito-Isa\u00edas, n\u00e3o \u00e9 um Deus indiferente, que pactua com o racismo, a exclus\u00e3o, a viol\u00eancia, a guerra, a explora\u00e7\u00e3o, o terrorismo, a prepot\u00eancia; mas \u00e9 um Deus que ama cada \u201cpobre\u201d, cada explorado, cada injusti\u00e7ado; Ele estar\u00e1 ao lado dos que sofrem e dar\u00e1 sempre aos pequenos, aos marginalizados, aos exclu\u00eddos a for\u00e7a para vencer o des\u00e2nimo, a mis\u00e9ria, as for\u00e7as da opress\u00e3o e da morte. \u00c9 com esse Deus que \u201cviajamos\u201d, \u00e9 esse Deus que nos conduz na nossa peregrina\u00e7\u00e3o pela terra? Somos todos convidados a acolher com alegria esta \u201cBoa Nova\u201d.<\/li>\n<li>Como \u00e9 que Deus atua no mundo? N\u00e3o \u00e9, normalmente, atrav\u00e9s de manifesta\u00e7\u00f5es estrondosas e espetaculares, que deixam a humanidade abismada e assustada; mas \u00e9 atrav\u00e9s dos gestos \u201cbanais\u201d desses profetas a quem Ele confia a miss\u00e3o de lutar contra as for\u00e7as da opress\u00e3o e da morte e a quem Ele chama a testemunhar, no meio dos \u201cpobres\u201d, o amor, a liberdade, a justi\u00e7a, a verdade, a vida. Cada crente \u00e9 um profeta, chamado a ser testemunha de Deus e sinal vivo do seu amor, da sua justi\u00e7a e da sua paz. Como \u00e9 que eu me situo face a isto? Sinto-me profeta, chamado a testemunhar o amor, a vida, a liberdade de Deus? Os \u201cpobres\u201d, os oprimidos, os exclu\u00eddos encontram em mim um sinal vivo do amor de Deus? Tenho a coragem de arriscar, de lutar, de dar a cara para que o mundo seja melhor?<\/li>\n<li>Os vers\u00edculos finais do texto apresentam a rea\u00e7\u00e3o agradecida e jubilosa do Povo \u00e0 a\u00e7\u00e3o salvadora de Deus\u2026 A descoberta do amor e da presen\u00e7a libertadora de Deus n\u00e3o pode sen\u00e3o conduzir ao louvor, \u00e0 adora\u00e7\u00e3o, \u00e0 alegria. Sei ser grato ao Senhor pela sua presen\u00e7a amorosa, salvadora e libertadora na vida do mundo e na minha vida? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Lc 1,46-48.49-50.53-54<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> A minha alma exulta no Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Tes 5,16-24<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abVivei sempre alegres, orai sem cessar, dai gra\u00e7as em todas as circunst\u00e2ncias\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contexto:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9culo I da nossa era, Tessal\u00f3nica era a cidade mais importante da Maced\u00f3nia. Porto mar\u00edtimo e cidade de intenso com\u00e9rcio, era uma encruzilhada religiosa, na qual os cultos locais coexistiam lado a lado com todo o tipo de propostas religiosas vindas de todo o Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade foi evangelizada por Paulo durante a sua segunda viagem mission\u00e1ria, muito provavelmente no Inverno dos anos 49-50. Paulo chegou a Tessal\u00f3nica acompanhado por Silvano e Tim\u00f3teo, depois de ter sido for\u00e7ado a deixar a cidade de Filipos. O tempo de evangeliza\u00e7\u00e3o foi curto, talvez uns tr\u00eas meses; mas foi o suficiente para fazer nascer uma comunidade crist\u00e3 numerosa e entusiasta, constitu\u00edda maioritariamente por pag\u00e3os convertidos. No entanto, a obra de Paulo foi brutalmente interrompida pela rea\u00e7\u00e3o da col\u00f3nia judaica. Os judeus acusaram Paulo de agir contra os decretos do imperador e levaram alguns crist\u00e3os diante dos magistrados da cidade (cf. At 17,5-9). Paulo teve de deixar a cidade \u00e0 pressa, de noite, indo para Bereia e, depois, para Atenas (cf. At 17,10-15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, Paulo tinha a consci\u00eancia de que a forma\u00e7\u00e3o doutrinal da comunidade crist\u00e3 de Tessal\u00f3nica ainda deixava muito a desejar. A jovem comunidade, fundada h\u00e1 pouco tempo e ainda insuficientemente catequizada, estava quase desarmada nesse contexto adverso de persegui\u00e7\u00e3o e de prova\u00e7\u00e3o (cf. 1 Tes 3,1-10). Preocupado, Paulo enviou Tim\u00f3teo a Tessal\u00f3nica, a fim de saber not\u00edcias e encorajar os tessalonicenses na f\u00e9 (cf. 1 Ts 3,2-5). Quando Tim\u00f3teo voltou para apresentar o seu relat\u00f3rio, encontrou Paulo em Corinto. Confortado pelas informa\u00e7\u00f5es dadas por Tim\u00f3teo, o ap\u00f3stolo decidiu escrever aos crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica, felicitando-os pela sua fidelidade ao Evangelho. Aproveitou tamb\u00e9m para esclarecer algumas d\u00favidas doutrinais que inquietavam os tessalonicenses e para corrigir alguns aspetos menos exemplares da vida da comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Primeira Carta aos Tessalonicenses \u00e9, com toda a probabilidade, o primeiro escrito do Novo Testamento. Apareceu na Primavera-Ver\u00e3o do ano 50 ou 51.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto faz parte das exorta\u00e7\u00f5es com que Paulo encerra a carta. Depois dos ensinamentos sobre a segunda vinda do Senhor (cf. 1 Ts 4,13-18) e de um convite veemente a esperar, vigilantes, esse momento final da hist\u00f3ria humana (cf. 1 Ts 5,1-11), Paulo apresenta alguns elementos concretos que os tessalonicenses devem ter sempre em conta e que devem marcar a exist\u00eancia crist\u00e3 nesse tempo de espera (cf. 1 Ts 5,12-28). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Na sua caminhada pela hist\u00f3ria \u2013 feita entre alegrias e tristezas, sofrimentos e esperan\u00e7as \u2013, os crentes n\u00e3o podem perder de vista a meta final que d\u00e1 sentido a tudo: o encontro com o Senhor. Atentos e vigilantes, eles v\u00e3o identificando a cada passo os projetos e os desafios de Deus; e v\u00e3o respondendo com coer\u00eancia e fidelidade a esses desafios. Isto consta do meu projeto de vida?<\/li>\n<li>O caminho crist\u00e3o deve ser percorrido na alegria\u2026 O crist\u00e3o \u00e9 alegre, porque sabe para onde caminha e est\u00e1 certo de que no final da caminhada encontra os bra\u00e7os amorosos de Deus que o acolhem e o conduzem para a felicidade plena, para a vida definitiva. Nem os sofrimentos, nem as dificuldades, nem as incompreens\u00f5es, nem as persegui\u00e7\u00f5es podem eliminar essa alegria serena de quem confia no encontro com o Senhor. \u00c9 essa alegria serena e essa paz que marcam a nossa exist\u00eancia e que brilham nos nossos olhos, ou somos seres derrotados, desiludidos, que se arrastam pela vida mergulhados no desespero e na solid\u00e3o, sem rumo e ao sabor da corrente e das mar\u00e9s?<\/li>\n<li>O caminho crist\u00e3o deve ser percorrido, tamb\u00e9m, num di\u00e1logo nunca acabado com Deus. O crente \u00e9 algu\u00e9m que \u201cora sem cessar\u201d e \u201cd\u00e1 gra\u00e7as em todas as circunst\u00e2ncias\u201d pelos dons de Deus, pela sua presen\u00e7a amorosa, pela salva\u00e7\u00e3o que Deus n\u00e3o cessa de oferecer em cada passo da caminhada. Al\u00e9m disso, \u00e9 falando com Deus que nos apercebemos dos seus projetos e dos passos que ele nos convida a dar. Conseguimos, no meio da agita\u00e7\u00e3o do dia a dia, encontrar espa\u00e7os para o di\u00e1logo com Deus? Sentimo-nos gratos por esses dons que, a cada instante, Deus nos oferece?<\/li>\n<li>O caminho crist\u00e3o deve ser percorrido numa atitude de permanente aten\u00e7\u00e3o aos dons e aos desafios do Esp\u00edrito. Procuramos estar atentos \u00e0s propostas de Deus, ou deixamo-nos prender num esquema de instala\u00e7\u00e3o, de rotina, de preconceitos que n\u00e3o nos deixam acolher e responder aos apelos e \u00e0 novidade de Deus? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo 1,6-8.19-28<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abVeio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEu batizo na \u00e1gua, mas no meio de v\u00f3s est\u00e1 Algu\u00e9m que n\u00e3o conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu n\u00e3o sou digno de desatar a correia das sand\u00e1lias\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contexto:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho segundo Jo\u00e3o come\u00e7a com uma composi\u00e7\u00e3o que se convencionou chamar \u201cpr\u00f3logo\u201d (cf. Jo 1,1-18). Trata-se, provavelmente, de um primitivo hino crist\u00e3o conhecido da comunidade jo\u00e2nica, que o autor do Quarto Evangelho adaptou e onde se expressa a f\u00e9 da comunidade em Cristo, Palavra viva de Deus. Os primeiros tr\u00eas vers\u00edculos do texto que hoje nos \u00e9 proposto (cf. Jo 1,6-8) pertencem a esse \u201cpr\u00f3logo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do \u201cpr\u00f3logo\u201d, o autor do Quarto Evangelho desenvolve, em v\u00e1rias etapas, a sua catequese sobre Jesus. Na \u201csec\u00e7\u00e3o introdut\u00f3ria\u201d que se segue imediatamente ao \u201cpr\u00f3logo\u201d (cf. Jo 11,19-3,36), ele procura dizer quem \u00e9 Jesus e definir a sua miss\u00e3o, fazendo entrar sucessivamente em cena v\u00e1rias personagens cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentar ao leitor a figura de Jesus. De entre estas personagens, sobressai a figura de Jo\u00e3o Baptista, o \u201capresentador\u201d oficial de Jesus. Ele aparece no in\u00edcio (cf. Jo 1,19-37) e no fim (cf. Jo 3,22-36) dessa sec\u00e7\u00e3o introdut\u00f3ria a dar testemunho sobre Jesus. O corpo central do texto evang\u00e9lico que hoje nos \u00e9 proposto apresenta, precisamente, um primeiro testemunho que Jo\u00e3o d\u00e1 sobre Jesus, diante dos enviados das autoridades judaicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para percebermos o alcance do di\u00e1logo entre Jo\u00e3o e os l\u00edderes judaicos, \u00e9 preciso ter em conta o ambiente pol\u00edtico, social e religioso da Palestina do s\u00e9culo I. Dominado pelos romanos, humilhado e impossibilitado de definir o seu destino, explorado por uma classe dirigente comodamente instalada nos seus privil\u00e9gios, escravizado por um sistema religioso ritual e legalista, o Povo de Deus vivia na expetativa da chegada do Messias libertador, enviado por Deus para inaugurar uma nova era de liberdade, de alegria, de felicidade. Muitos israelitas estavam dispostos a aproveitar qualquer oportunidade de liberta\u00e7\u00e3o e eram presa f\u00e1cil dos falsos messias e dos vendedores de sonhos. As frequentes aventuras messi\u00e2nicas falhadas s\u00f3 aumentavam a viol\u00eancia, a mis\u00e9ria, a pobreza e a frustra\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os l\u00edderes religiosos judaicos n\u00e3o gostavam de ouvir falar na chegada do Messias. De facto, um dos objetivos do Messias, segundo a conce\u00e7\u00e3o corrente, deveria ser a reforma das institui\u00e7\u00f5es, o que afetaria a estrutura religiosa judaica e mexeria com os privil\u00e9gios da hierarquia sacerdotal. N\u00e3o admira, pois, que as autoridades se inquietassem diante da atividade de Jo\u00e3o. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A \u201cvoz\u201d, atrav\u00e9s da qual Deus fala, convida-nos a endireitar \u201co caminho do Senhor\u201d. Na linguagem do Evangelho segundo Jo\u00e3o, \u00e9 um convite a deixar \u201cas trevas\u201d e a nascer para \u201ca luz\u201d. Implica, na vida pr\u00e1tica, abandonar a mentira, os comportamentos ego\u00edstas, as atitudes injustas, os gestos de viol\u00eancia, os preconceitos, o comodismo, a autossufici\u00eancia, tudo o que desfeia a nossa vida, nos torna escravos e nos impede de chegar \u00e0 verdadeira felicidade. Em termos pessoais, quais s\u00e3o as mudan\u00e7as que eu tenho de operar na minha exist\u00eancia para passar das \u201ctrevas\u201d para a \u201cluz\u201d? O que \u00e9 que me escraviza e me impede de ser plenamente feliz? O que \u00e9 que em mim gera desilus\u00e3o, frustra\u00e7\u00e3o, desencanto, sofrimento?<\/li>\n<li>A \u201cvoz\u201d, atrav\u00e9s da qual Deus fala, convida-nos a olhar para Jesus, pois s\u00f3 Ele \u00e9 \u201ca luz\u201d e s\u00f3 Ele tem uma proposta de vida verdadeira para nos apresentar. \u00c0 nossa volta abundam os \u201cvendedores de sonhos\u201d, com propostas de felicidade \u201cabsolutamente garantida\u201d. Atraem-nos, seduzem-nos, manipulam-nos, escravizam-nos e, quase sempre, deixam-nos dececionados e infelizes, mais angustiados, mais perdidos, mais frustrados. Jo\u00e3o garante-nos: s\u00f3 Jesus \u00e9 \u201ca luz\u201d que liberta os homens da escravid\u00e3o e das trevas e lhes oferece a vida verdadeira e definitiva. A quem dou ouvidos: \u00e0s propostas de Jesus, ou \u00e0s propostas da moda, do politicamente correto, das pessoas \u201cin\u201d que aparecem dia a dia nas colunas e nas redes sociais e que ditam o que est\u00e1 certo e est\u00e1 errado \u00e0 luz dos crit\u00e9rios do mundo? Que significado \u00e9 que Jesus e a sua proposta assumem no meu dia a dia?<\/li>\n<li>Jesus marca realmente a minha exist\u00eancia? Os valores que Ele veio propor t\u00eam peso e impacto nas minhas decis\u00f5es e op\u00e7\u00f5es? Quando celebro o nascimento de Jesus, celebro um acontecimento do passado que deixou a sua marca na hist\u00f3ria, ou celebro o encontro com algu\u00e9m que \u00e9 \u201ca luz\u201d que ilumina a minha exist\u00eancia e que enche a minha vida de paz, de alegria, de liberdade?<\/li>\n<li>O \u201chomem chamado Jo\u00e3o\u201d, enviado por Deus \u201cpara dar testemunho da luz\u201d, convida-nos a pensar sobre a forma de Deus atuar na hist\u00f3ria humana e sobre as responsabilidades que Deus nos atribui na recria\u00e7\u00e3o do mundo\u2026 Deus n\u00e3o utiliza m\u00e9todos espetaculares e assombrosos para intervir na nossa hist\u00f3ria e para recriar o mundo; mas Ele vem ao encontro dos homens e do mundo para os envolver no seu amor atrav\u00e9s de pessoas concretas, com um nome e uma hist\u00f3ria, pessoas \u201cnormais\u201d a quem Deus chama e a quem confia determinada miss\u00e3o. A todos n\u00f3s, seus filhos, Deus confia uma miss\u00e3o no mundo, a miss\u00e3o de dar testemunho da \u201cluz\u201d e de tornar presente, para os nossos irm\u00e3os, a proposta libertadora de Jesus. Tenho consci\u00eancia de que Deus me chama e me envia ao mundo? Como \u00e9 que eu respondo ao chamamento de Deus: com disponibilidade e entrega, ou com pregui\u00e7a, comodismo e instala\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>A atitude simples e discreta com que Jo\u00e3o se apresenta \u00e9 muito sugestiva: ele n\u00e3o procura atrair sobre si as aten\u00e7\u00f5es, n\u00e3o usa a miss\u00e3o para a sua gl\u00f3ria ou promo\u00e7\u00e3o pessoal, n\u00e3o busca a satisfa\u00e7\u00e3o de interesses ego\u00edstas; ele \u00e9 apenas uma \u201cvoz\u201d an\u00f3nima e discreta que recorda, na sombra, as realidades importantes. Jo\u00e3o \u00e9 uma tremenda interpela\u00e7\u00e3o para todos aqueles a quem Deus chama e envia\u2026 Com ele, o profeta \u2013 isto \u00e9, todo aquele a quem Deus chama e a quem confia uma miss\u00e3o \u2013 deve aprender a ficar na sombra, a ser discreto e simples, de forma a que as pessoas n\u00e3o o vejam a ele mas \u00e0s realidades importantes que ele prop\u00f5e.<\/li>\n<li>A atitude dos fariseus e dos l\u00edderes judaicos \u2013 cheios de preconceitos, preocupados em manter os seus esquemas de poder e instala\u00e7\u00e3o, acomodados nos seus privil\u00e9gios \u2013 impede-os de conhecer \u201ca luz\u201d que est\u00e1 a chegar. Trata-se de um aviso, para n\u00f3s: quando nos instalamos no nosso comodismo, no nosso bem-estar, na nossa autossufici\u00eancia, fechamos o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 novidade e aos desafios que Deus nos faz. Dessa forma, n\u00e3o reconhecemos Jesus quando Ele vem ao nosso encontro e n\u00e3o O deixamos entrar na nossa vida. A Palavra neste tempo de Advento convida-nos \u00e0 desinstala\u00e7\u00e3o, a fim de que o Senhor que vem possa nascer e permanecer na nossa vida. <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>O terceiro Domingo de Advento \u00e9 tamb\u00e9m designado como Domingo <em>Gaudete,<\/em> isto \u00e9, Domingo da Alegria. Deste modo, a Liturgia da Palavra deste dia \u00e9 marcada pelo tom alegre, feliz e jubiloso. A proclama\u00e7\u00e3o das leituras deve ter a marca da alegria e do an\u00fancio de esperan\u00e7a que brota da palavra proclamada. Contudo, se, na <strong>primeira leitura<\/strong>, o texto est\u00e1 escrito na primeira pessoa e exprime a alegria pessoal de quem foi revestido pelo Esp\u00edrito do Senhor, <strong>a segunda leitura<\/strong> \u00e9 marcada por verbos na forma imperativa, convidando \u00e0 alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/12\/12\/mais-termostatos-menos-termometros-2\/\"><strong>MAIS TERMOSTATOS, MENOS\u00a0TERM\u00d3METROS<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>Evangelho deste Domingo III do Advento<\/strong> p\u00f5e em cena a figura de Jo\u00e3o Batista (Jo\u00e3o 1,6-8.19-28). Entalado entre os dois Testamentos, fechando a porta do Antigo, abrindo a porta do Novo, Jo\u00e3o, hebraico\u00a0<em>Yh\u00f4hanan<\/em>\u00a0[= \u00abYHWH faz gra\u00e7a\u00bb], resume o Antigo Testamento e oferece o sum\u00e1rio do Novo Testamento. N\u00e3o \u00e9 um nome nosso, suportado pelos nossos registos anagr\u00e1ficos, como bem constatam os seus familiares reunidos, aos oito dias, para a festa da circuncis\u00e3o e da d\u00e1diva do nome: na verdade, ningu\u00e9m, entre os seus parentes, tinha esse nome (Lucas 1,61), pelo que todos ficaram admirados (Lucas 1,63).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, esse nome veio do c\u00e9u, como bem refere Lucas 1,13. E o IV Evangelho di-lo desta maneira estupenda e singela: \u00abApareceu um homem enviado por Deus, chamado Jo\u00e3o\u00bb (Jo\u00e3o 1,6). Jo\u00e3o surge, portanto, neste imenso Evangelho sem qualquer amarra a este mundo: sem pai nem m\u00e3e (Zacarias e Isabel n\u00e3o s\u00e3o referidos), sem proveni\u00eancia terrena, sem introdu\u00e7\u00e3o, sem luz pr\u00f3pria. S\u00f3 Deus o precede e o sustenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como pode, pois, responder \u00e0 quest\u00e3o que lhe \u00e9 posta acerca da sua identidade? Desvia de si mesmo todas as aten\u00e7\u00f5es: N\u00c3O sou, N\u00c3O sou, N\u00c3O sou! N\u00c3O \u00e9 a Luz, N\u00c3O \u00e9 o Messias, N\u00c3O \u00e9 Elias, N\u00c3O \u00e9 o Profeta! Dirige todas as aten\u00e7\u00f5es para a LUZ, de quem d\u00e1 testemunho, de quem \u00e9 reflexo. Jo\u00e3o nunca responde: \u00abEu sou\u2026\u00bb. Mesmo quando responde \u00e0 pergunta: \u00abPara que possamos dar uma resposta \u00e0queles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?\u00bb (Jo\u00e3o 1,22), Jo\u00e3o n\u00e3o responde, como aparece vulgarmente nas tradu\u00e7\u00f5es: \u00abEu sou a voz do que clama no deserto\u00bb (Jo\u00e3o 1,23), mas literalmente: \u00abEu? A voz do que clama no deserto\u00bb, evitando cuidadosamente a locu\u00e7\u00e3o \u00abEu sou\u00bb, que fica reservada para Jesus. E, ainda assim, tomando sempre as devidas precau\u00e7\u00f5es, Jo\u00e3o diz \u00abvoz\u00bb (<em>phon\u00ea<\/em>), e n\u00e3o \u00abpalavra\u00bb (<em>l\u00f3gos<\/em>). Porque a Palavra (<em>l\u00f3gos<\/em>) tamb\u00e9m \u00e9 Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, a LUZ, o EU SOU, a PALAVRA \u00e9 Jesus. Mas Jesus \u00e9 ainda, no certeiro dizer de Jo\u00e3o, \u00abQUEM est\u00e1 NO MEIO de v\u00f3s\u00bb (Jo\u00e3o 1,26). \u00c9 de Jesus o lugar de honra. Face ao MEIO, no IV Evangelho, Jo\u00e3o aparece sempre \u00abno outro lado do Jord\u00e3o\u00bb (Jo\u00e3o 1,28; 3,26; 10,40), fora da Terra Prometida, mas apontando sempre para ela e para ELE. Jo\u00e3o \u00e9 a inteira Escritura apontando Jesus em contraluz, em filigrana pura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A luminosa p\u00e1gina de Isa\u00edas 61,1-2.10-11 tra\u00e7a a voca\u00e7\u00e3o e a miss\u00e3o do an\u00f3nimo profeta p\u00f3s-ex\u00edlico. Voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o a transbordar de alegria e de beleza, que Jesus faz sua quando, na sinagoga de Nazar\u00e9, lhe ap\u00f5e a sua assinatura com aquele: \u00abHoje cumpriu-se esta Escritura nos vossos ouvidos\u00bb (Lucas 4,21). Trata-se de um verdadeiro tornado que muda a hist\u00f3ria religiosa dos filhos de Deus, contagiando tamb\u00e9m a inteira cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria tamb\u00e9m canta essa alegria no\u00a0<em>magnificat<\/em>\u00a0(Lucas 1,46-54), hoje, Domingo da Alegria, elevado a Salmo Responsorial. E n\u00f3s com ela, de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o (Lucas 1,48). Isabel foi a primeira a proclamar \u00abFeliz\u00bb, \u00abBem-aventurada\u00bb (<em>makar\u00eda<\/em>) Maria, porque acreditou no cumprimento (<em>tele\u00ed\u00f4sis<\/em>) de tudo o que lhe foi revelado (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>) da parte do Senhor (Lucas 1,45). Maria \u00abcumprimentada\u00bb por Deus, por Isabel, por cada um de n\u00f3s. Sim, porque Maria \u00e9 a \u00abcausa da nossa alegria\u00bb, como cantamos na sua litania. E \u00e9-o porque foi olhada com um olhar de gra\u00e7a (<em>epibl\u00e9p\u00f4<\/em>) por Deus (Lucas 1,48), que fez (verbo da cria\u00e7\u00e3o) para ela grandes coisas (Lucas 1,49), e assim vinha fazendo desde Abra\u00e3o (Lucas 1,55), e assim continua a fazer ainda hoje e sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E S\u00e3o Paulo, na sua Primeira Carta aos Tessalonicenses (5,16-24), tamb\u00e9m se associa a esta onda de Alegria, com o seu estilo pr\u00f3prio, sobrecarregado de imperativos e de totalidade: \u00abAlegrai-vos\u00a0<em>sempre<\/em>! Orai\u00a0<em>sem cessar<\/em>! Em\u00a0<em>tudo<\/em>\u00a0dai gra\u00e7as [\u2026]. N\u00e3o apagueis o Esp\u00edrito. Examinai\u00a0<em>tudo<\/em>: guardai o que \u00e9 bom!\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No meio do frio pr\u00f3prio do tempo, o Domingo III do Advento atira-nos uma imensa chama de Alegria. Tempo novo. Jesus, a Luz, no Meio. E n\u00f3s por perto, ao redor dessa fogueira. Haver\u00e1, por certo, assim esperamos, mais termostatos, e menos term\u00f3metros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e3o estes os caminhos do Advento,<\/strong><br \/>\n<strong>Cheiinhos do vento do Esp\u00edrito,<\/strong><br \/>\n<strong>Que derruba as folhas secas das \u00e1rvores,<\/strong><br \/>\n<strong>E nos faz ver<\/strong><br \/>\n<strong>Que somos todos como a erva,<\/strong><br \/>\n<strong>E a nossa gl\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 mais do que a flor da erva.<\/strong><br \/>\n<strong>Mas seca a erva e murcha a flor,<\/strong><br \/>\n<strong>E n\u00f3s passamos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>Sim, estamos de passagem.<\/strong><br \/>\n<strong>Mas sentimos no rosto,<\/strong><br \/>\n<strong>Ou talvez no cora\u00e7\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>A tua aragem mansa,<\/strong><br \/>\n<strong>Que nos enche de paz e confian\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>O Advento \u00e9 uma escola de esperan\u00e7a<\/strong><br \/>\n<strong>E de ora\u00e7\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>De coragem e de alento.<\/strong><br \/>\n<strong>O Advento \u00e9 uma viagem<\/strong><br \/>\n<strong>At\u00e9 ao nascimento<\/strong><br \/>\n<strong>Do menino de Bel\u00e9m,<\/strong><br \/>\n<strong>L\u00e1,<\/strong><br \/>\n<strong>E dentro de n\u00f3s tamb\u00e9m.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Leitura-I-do-Domingo-III-do-Tempo-do-Advento-Ano-B-17.12.2023-Is-61-1-2a.10-11.pdf\">Leitura I do Domingo III do Tempo do Advento &#8211; Ano B &#8211; 17.12.2023 (Is 61, 1-2a.10-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Leitura-II-do-Domingo-III-do-Tempo-do-Advento-Ano-B-17.12.2023-1-Tes-5-16-24.pdf\">Leitura II do Domingo III do Tempo do Advento &#8211; Ano B &#8211; 17.12.2023 (1 Tes 5, 16-24)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Domingo-III-do-Advento-Ano-B-17.12.2023-Lecionario.pdf\">Domingo III do Advento &#8211; Ano B &#8211; 17.12.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Domingo-III-do-Advento-Ano-B-17.12.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo III do Advento &#8211; Ano B &#8211; 17.12.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo II do Tempo do Advento \u2013 Ano B \u2013 10.12.2023&#8243; tab_id=&#8221;1702895391026-9ca45daf-9d02&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo II do Tempo do Advento &#8211; Ano B \u2013 10.12.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Domingo-II.jpg\" alt=\"\" width=\"569\" height=\"354\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida crist\u00e3 \u00e9 caracterizada por um dinamismo de convers\u00e3o que nos coloca permanentemente a caminho e nos faz desinstalar para abrir o nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0 perene novidade que brota do Evangelho. Deste modo, quantas vezes nos sentimos apenas no in\u00edcio deste caminho, aprendendo e reaprendendo a caminhar para uma resposta cada vez mais fiel ao Deus que vem ao nosso encontro e nos chama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao ler o texto do Evangelho proposto para este Domingo, ficam a ecoar no meu cora\u00e7\u00e3o as palavras que abrem o relato evang\u00e9lico: \u00ab<em>Princ\u00edpio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus<\/em>\u00bb. Nestas palavras de S. Marcos podemos afirmar que encontramos j\u00e1 o princ\u00edpio e o fim do Evangelho: Boa Not\u00edcia que nos leva a conhecer e a confessar Jesus, como Cristo e como Filho de Deus. Como Cristo, isto \u00e9, como ungido do Pai pela for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo para proclamar a Boa Nova da Salva\u00e7\u00e3o e como Filho de Deus para nos fazer com Ele herdeiros da filia\u00e7\u00e3o divina. Estamos e estaremos sempre no princ\u00edpio pois h\u00e1 tanto a conhecer, amar e colocar em pr\u00e1tica para uma resposta mais fiel \u00e0 Boa Not\u00edcia que em Jesus Cristo, Filho de Deus nos \u00e9 revelada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num mundo marcado por tantas sombras e dificuldades, precisamos de boas not\u00edcias. Escutando ou lendo as not\u00edcias nas mais diversas plataformas informativas, invade-nos um conjunto de not\u00edcias marcadas pela viol\u00eancia, pela corrup\u00e7\u00e3o, a doen\u00e7a, o medo\u2026 Mais do que boas not\u00edcias, precisamos da Boa Not\u00edcia, a Boa Nova da salva\u00e7\u00e3o revelada em Cristo Jesus que nos ajuda a olhar para a realidade contempor\u00e2nea com o realismo crente que n\u00e3o dissipa a esperan\u00e7a, mas renova a confian\u00e7a de que o tempo e a hist\u00f3ria est\u00e3o nas m\u00e3os de Deus e que as realidades do tempo presente se inscrevem num horizonte de eternidade que nos excede e nos desafia a erguer os olhos para o c\u00e9u, caminhando de p\u00e9s bem assentes na terra, comprometendo-nos com as necessidades e anseios dos homens e mulheres do nosso tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este olhar de esperan\u00e7a sobre o tempo e a hist\u00f3ria \u00e9 fundamental na nossa a\u00e7\u00e3o eclesial e desafia-nos a uma leitura\u00a0<em>kairol\u00f3gica<\/em>\u00a0da realidade, isto \u00e9, a olhar o tempo e a hist\u00f3ria como lugares onde Deus est\u00e1 j\u00e1 a atuar, pois o Seu amor precede, acompanha e rasga horizontes novos na nossa miss\u00e3o. Por isso, se \u00e9 necess\u00e1rio evitar uma vis\u00e3o otimista quando desencarnada da realidade, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio afastar um olhar pessimista que n\u00e3o permite olhar com esperan\u00e7a e ler a presen\u00e7a terna e misericordiosa de Deus que age e conduz a hist\u00f3ria: Deus aproxima-se no tempo e no espa\u00e7o, dentro das pequenas coisas do dia-a-dia, \u00e0 nossa porta e a cada despertar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio ir ao deserto e escutar a voz de Jo\u00e3o Baptista que nos convida ao essencial da vida para que o acess\u00f3rio n\u00e3o nos impe\u00e7a de escutar a voz de Deus que nos desafia \u00e0 convers\u00e3o. Quantas vezes ao ler este texto, penso como Jo\u00e3o Baptista falha no lugar onde desenvolve a sua a\u00e7\u00e3o. Porqu\u00ea ir para o deserto, se o povo habita as cidades, vilas e aldeias? N\u00e3o era mais conveniente ficar na cidade, nas pra\u00e7as e avenidas mais movimentadas para a\u00ed fazer ecoar o seu preg\u00e3o? Contudo, o ru\u00eddo, a pressa e a distra\u00e7\u00e3o n\u00e3o permitem escutar. Jo\u00e3o sabe que \u00e9 necess\u00e1rio ser um sinal diferente para que a sua palavra possa ser escutada. Deste modo, indo para o deserto, Jo\u00e3o prega n\u00e3o apenas com as palavras, mas com gestos prof\u00e9ticos que se fazem vida e que apontam para Aquele que vem e que \u00e9 maior do que Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o n\u00e3o vive num pal\u00e1cio nem n\u00e3o ostenta poder e riquezas, a sua alegria \u00e9 servir Aquele-que-Vem e vive na depend\u00eancia de Deus e do Seu amor e faz dessa experi\u00eancia a maior liberdade. Jo\u00e3o \u00e9 o homem do deserto e aponta o essencial. Jo\u00e3o \u00e9 provis\u00f3rio e lava com \u00e1gua as nossas banalidades, apontando o caminho para Aquele que deve ser o definitivo das nossas vidas. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos a iniciar um novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso. <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Is 40,1-5.9-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abComo um pastor apascentar\u00e1 o seu rebanho e reunir\u00e1 os animais dispersos; tomar\u00e1 os cordeiros em seus bra\u00e7os, conduzir\u00e1 as ovelhas ao seu descanso\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contexto:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este texto pertence ao \u201cLivro da Consola\u00e7\u00e3o\u201d do Deutero-Isa\u00edas (cf. Is 40-55), que, provavelmente, cumpriu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica na Babil\u00f3nia, entre os exilados judeus, na fase final do Ex\u00edlio, entre 550 e 539 a.C. Muitos desses exilados est\u00e3o frustrados e desorientados, pois ainda n\u00e3o entenderam porque \u00e9 que Deus permitiu o drama da derrota e do Ex\u00edlio\u2026 Outros, no entanto, est\u00e3o instalados e acomodados, rendidos a esse admir\u00e1vel mundo novo para o qual foram atirados e j\u00e1 n\u00e3o pensam em regressar \u00e0 sua terra nem esperam nada de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na fase final desta \u00e9poca, as not\u00edcias das vit\u00f3rias de Ciro, o persa, sobre os babil\u00f3nios fazem esperar um r\u00e1pido desmoronar do imp\u00e9rio babil\u00f3nico e a liberta\u00e7\u00e3o dos judeus exilados\u2026 Mas, se essa liberta\u00e7\u00e3o chegar \u2013 perguntam os exilados \u2013 a quem \u00e9 que deve ser atribu\u00edda: a Jav\u00e9, ou aos deuses persas? Se \u00e9 a Jav\u00e9, porque \u00e9 que Ele escolheu um estrangeiro e n\u00e3o um membro do Povo de Deus para realizar a obra maravilhosa da liberta\u00e7\u00e3o? No caso de a liberta\u00e7\u00e3o acontecer, valer\u00e1 a pena arriscar o regresso e enfrentar as dificuldades do recome\u00e7o? Haver\u00e1, ainda, um futuro para esse Povo que parece ter sido abandonado por Jav\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Deutero-Isa\u00edas aparece neste contexto. A sua mensagem destina-se a consolar os exilados e a apontar-lhes novas raz\u00f5es para ter esperan\u00e7a. O profeta come\u00e7a por anunciar a imin\u00eancia da liberta\u00e7\u00e3o e por comparar a sa\u00edda da Babil\u00f3nia ao antigo \u00eaxodo, quando Deus libertou o seu Povo da escravid\u00e3o do Egipto (cf. Is 40-48)\u2026 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na segunda parte do livro, o profeta anuncia a reconstru\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, essa cidade que a guerra reduziu a cinzas, mas \u00e0 qual Deus vai fazer regressar a alegria e a paz sem fim (cf. Is 49-55).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura deste domingo apresenta-nos, precisamente, o pr\u00f3logo do \u201cLivro da Consola\u00e7\u00e3o\u201d. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Hoje, sentimo-nos impotentes e frustrados porque a viol\u00eancia, a guerra e o terrorismo mancham a hist\u00f3ria humana com sangue e sofrimento, ou porque os pobres e os fracos s\u00e3o esquecidos e colocados \u00e0 margem da hist\u00f3ria, ou porque a sociedade global se constr\u00f3i com ego\u00edsmo, com indiferen\u00e7a e com exclus\u00e3o\u2026 O profeta garante-nos que Deus \u2013 esse Deus que \u00e9 eternamente fiel aos compromissos que assumiu para com os seus filhos \u2013 n\u00e3o est\u00e1 alheado da nossa hist\u00f3ria; assegura-nos que Deus, no nosso tempo, no s\u00e9c. XXI, continua a vir ao nosso encontro e a oferecer-Se para nos conduzir, com amor e solicitude, \u00e0 Vida verdadeira.<\/li>\n<li>A mensagem do profeta \u00e9 particularmente questionadora para esses exilados que j\u00e1 n\u00e3o pensavam em regressar \u00e0 sua terra nem se esfor\u00e7avam minimamente por escutar os apelos e os desafios de Deus. Instalados e acomodados, eles haviam perdido a capacidade de arriscar e a vontade de come\u00e7ar um novo caminho com Deus. A mesma mensagem interpela, hoje, todos os homens e mulheres que vivem instalados nos seus espa\u00e7os seguros e protegidos, ou resignados a uma vida banal, vazia, cinzenta, ins\u00edpida, ou acomodados a uma religi\u00e3o que se esgota em pr\u00e1ticas rituais est\u00e9reis\u2026 e convida-os a abrir o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 novidade de Deus. \u00c9 preciso correr riscos, aceitar despojar-se do ego\u00edsmo, do comodismo, do materialismo, da escravid\u00e3o dos bens e dos preconceitos para percorrer, com Deus, esse caminho de regresso a uma vida nova e desafiante, mais humana, mais plena e mais feliz.<\/li>\n<li>Em concreto, o que \u00e9 que nos impede de percorrer o caminho que Deus nos prop\u00f5e e de nascer para uma vida mais livre e mais realizada? Os bens materiais? A posi\u00e7\u00e3o social? O comodismo? O medo? O Advento \u00e9 o tempo favor\u00e1vel para limparmos os caminhos da nossa vida, de forma a que Deus possa nascer em n\u00f3s, transformar-nos e, atrav\u00e9s de n\u00f3s, libertar o mundo\u2026 Quais s\u00e3o os vales que precisam de ser alteados, os montes que precisam de ser abatidos, os caminhos que precisam de ser endireitados para que Deus possa vir encontrar-se connosco e recriar o nosso cora\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>\u00c9 atrav\u00e9s dos seus mensageiros que Deus continua a oferecer ao mundo e aos homens a vida, a esperan\u00e7a, a liberdade, a salva\u00e7\u00e3o. Ora, o testemunho prof\u00e9tico \u00e9 algo inerente \u00e0 nossa condi\u00e7\u00e3o de batizados. Sentimo-nos sinais vivos de Deus e testemunhas da sua proposta libertadora diante dos nossos irm\u00e3os, ou ficamos paralisados pelo medo de agir, pelo conformismo ou pelo \u201csempre foi assim\u201d? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a084 (85)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> Mostrai-nos o vosso amor e dai-nos a vossa salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>2 Pedro 3,8-14<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abN\u00f3s esperamos, segundo a promessa do Senhor, os novos c\u00e9us e a nova terra, onde habitar\u00e1 a justi\u00e7a\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contexto:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Segunda Carta de Pedro apresenta todas as caracter\u00edsticas de uma \u201ccarta testamento\u201d, como se o autor, sentindo aproximar-se a morte, quisesse transmitir uma \u00faltima e decisiva mensagem a um grupo de pessoas a quem se sente particularmente ligado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em concreto, o autor da Segunda Carta de Pedro dirige o seu \u201ctestamento\u201d aos irm\u00e3os da sua comunidade crist\u00e3 e convida-os a conservarem-se fi\u00e9is aos ensinamentos recebidos, evitando deixarem-se confundir pelas doutrinas dos alguns falsos mestres. Os crentes devem esfor\u00e7ar-se por preparar adequadamente a segunda vinda de Jesus Cristo, sem se deixarem manipular por doutrinas contr\u00e1rias ao Evangelho e ao ensinamento recebido da tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor apresenta-se a si pr\u00f3prio como Sim\u00e3o Pedro, servidor e ap\u00f3stolo de Jesus Cristo (cf. 2 Pe 1,1), testemunha da transfigura\u00e7\u00e3o (cf. 2 Pe 1,16); no entanto, \u00e9 praticamente consensual entre os estudiosos da B\u00edblia que este escrito \u00e9 bem posterior ao ap\u00f3stolo Pedro. Tudo indica que o autor desta carta n\u00e3o pertenceu \u00e0 primeira gera\u00e7\u00e3o crist\u00e3; contudo, \u00e9 um judeo-crist\u00e3o com s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o hel\u00e9nica e que conhece bem a vida e a catequese do ap\u00f3stolo Pedro. Em geral, a reda\u00e7\u00e3o desta carta situa-se no final do s\u00e9c. I ou in\u00edcios do s\u00e9c. II. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Convictos de que Deus tem um projeto de salva\u00e7\u00e3o e de vida para cada pessoa, acreditamos que esse projeto est\u00e1 a realizar-se continuamente em n\u00f3s, at\u00e9 \u00e0 sua concretiza\u00e7\u00e3o plena, quando nos encontrarmos definitivamente com Deus. A nossa vida presente n\u00e3o \u00e9 um drama absurdo, sem sentido e sem finalidade, que se desenrola num \u201cvale de l\u00e1grimas\u201d sem sa\u00edda; mas \u00e9 uma caminhada tranquila, alegre, esperan\u00e7osa em dire\u00e7\u00e3o a esse desabrochar pleno, a essa vida total em que se revelar\u00e1 o Homem Novo. N\u00f3s somos homens e mulheres de esperan\u00e7a! \u00c9 esse o testemunho que damos ao mundo e aos nossos irm\u00e3os?<\/li>\n<li>A quest\u00e3o fundamental que os crist\u00e3os devem p\u00f4r, a prop\u00f3sito da segunda vinda do Senhor, n\u00e3o \u00e9 a quest\u00e3o da data, mas \u00e9 a quest\u00e3o de como esperar e preparar esse momento. O autor do texto deixa claro que o que \u00e9 preciso \u00e9 estar vigilante. \u201cEstar vigilante\u201d n\u00e3o significa ficar a olhar para o c\u00e9u \u00e0 espera do Senhor, esquecendo e negligenciando as quest\u00f5es do mundo e os problemas das pessoas; mas significa viver, no dia a dia, de acordo com os ensinamentos de Jesus, empenhando-se na transforma\u00e7\u00e3o do mundo e na constru\u00e7\u00e3o do Reino.<\/li>\n<li>A certeza da segunda vinda do Senhor d\u00e1 aos crentes uma perspetiva diferente da vida, do seu sentido e da sua finalidade. Para os n\u00e3o crentes, a vida encerra-se dentro dos limites estreitos deste mundo; por isso, s\u00f3 lhes interessam os valores imediatos e f\u00e1tuos que tornam mais c\u00f3modos os dias passados nesta terra. Para os crentes, no entanto, a verdadeira vida, a vida em plenitude, est\u00e1 para al\u00e9m dos horizontes da hist\u00f3ria; por isso, eles procuram viver de acordo com os valores eternos, os valores de Deus. Assim, na perspetiva dos crentes, n\u00e3o s\u00e3o os valores ef\u00e9meros, os valores deste mundo (o dinheiro, o poder, os \u00eaxitos humanos) que devem constituir a prioridade e que devem dominar a exist\u00eancia, mas sim os valores de Deus. Quais s\u00e3o os valores que eu considero priorit\u00e1rios e que condicionam as minhas op\u00e7\u00f5es? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mc 1,1-8<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abVou enviar \u00e0 tua frente o meu mensageiro, que preparar\u00e1 o teu caminho\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abApareceu Jo\u00e3o Baptista no deserto, a proclamar um batismo de penit\u00eancia para remiss\u00e3o dos pecados\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEu batizo-vos na \u00e1gua, mas Ele batizar-vos-\u00e1 no Esp\u00edrito Santo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contexto:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho segundo Marcos parece ter sido o primeiro dos Evangelhos a ser redigido, certamente antes do ano 70. A cr\u00edtica do texto sugere que se trata de uma obra destinada a uma comunidade maioritariamente composta por crist\u00e3os vindos diretamente do paganismo, provavelmente a comunidade crist\u00e3 de Roma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por volta do ano 66, o imperador Nero planeou uma terr\u00edvel persegui\u00e7\u00e3o contra os crist\u00e3os da capital do imp\u00e9rio. Pedro e Paulo foram mortos nesta altura, juntamente com um n\u00famero consider\u00e1vel de outros crist\u00e3os. Neste contexto adverso, muitos dos membros da comunidade crist\u00e3 de Roma viam a sua f\u00e9 abalada e vacilavam no seu compromisso. Marcos, que conhecia bem esta realidade, queria ajudar os seus irm\u00e3os na f\u00e9. Ele achava que lhes seria menos dif\u00edcil enfrentar a persegui\u00e7\u00e3o se tivessem presente, de forma clara, a identidade de Jesus. Por isso escreveu o seu evangelho. No frontisp\u00edcio colocou uma\u00a0<em>confiss\u00e3o<\/em>\u00a0que ir\u00e1 desenvolver longamente nos cap\u00edtulos seguintes: Jesus, o Messias, \u00e9 o Filho de Deus. Essa \u00e9 a\u00a0<em>Boa Not\u00edcia<\/em>\u00a0que deve sustentar os crist\u00e3os de Roma, perseguidos por causa da sua f\u00e9 em Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de dizer ao que veio, Marcos passa imediatamente a desenhar o cen\u00e1rio para a entrada de Jesus na hist\u00f3ria dos homens\u2026 E coloca-nos frente a frente com um profeta independente e pouco ortodoxo chamado Jo\u00e3o, designado por toda a gente como\u00a0<em>o Batista<\/em>. Jo\u00e3o era de fam\u00edlia sacerdotal, mas, aparentemente, nunca exerceu o sacerd\u00f3cio. A dada altura da sua vida, rompeu com o Templo e com o aparato religioso a ele ligado e instalou-se nas franjas do deserto de Jud\u00e1, junto do rio Jord\u00e3o. Considerava-se um homem de Deus, enviado a Israel com uma miss\u00e3o. Na sua an\u00e1lise, o Povo de Deus estava profundamente afetado pelo pecado e precisava de uma convers\u00e3o radical. S\u00f3 essa transforma\u00e7\u00e3o permitiria que Israel fosse de novo a comunidade do Povo santo de Deus. Estamos no final do ano 27 ou no in\u00edcio do ano 28.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A catequese crist\u00e3 posterior sempre viu neste Jo\u00e3o o precursor de Jesus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jesus, aquele \u201cmenino\u201d que Deus envia ao nosso encontro (e que \u00e9 o Messias, o Filho de Deus), traz-nos a \u201cBoa Not\u00edcia\u201d da salva\u00e7\u00e3o. Ele vem ter connosco para nos oferecer a liberta\u00e7\u00e3o, a alegria, a vit\u00f3ria sobre os medos, a paz; ele vem para nos ajudar a construir uma vida mais humana, mais digna, mais feliz. Estamos dispon\u00edveis para o acolher e para iniciar, com Ele, um caminho novo?<\/li>\n<li>Jo\u00e3o, o Batista, aquele que Deus enviou para nos ajudar a preparar a chegada de Jesus, afirma claramente que preparar a vinda do Messias passa por uma \u201cmetanoia\u201d, isto \u00e9, por uma transforma\u00e7\u00e3o total da pessoa, por uma outra escala de valores, por uma radical mudan\u00e7a de pensamento, por uma postura vital inteiramente nova, por um movimento radical que leve a pessoa a reequacionar a sua vida e a colocar Deus no centro da sua exist\u00eancia e dos seus interesses. Neste tempo de Advento, de prepara\u00e7\u00e3o para a celebra\u00e7\u00e3o do Natal do Senhor, trata-se de uma proposta com sentido: preparar a vinda de Jesus exige de n\u00f3s uma transforma\u00e7\u00e3o radical da nossa vida, dos nossos valores, da nossa mentalidade\u2026 Em concreto, o que \u00e9 que nos meus pensamentos, nos meus comportamentos, na minha mentalidade, nos valores que cultivo, impede o nascimento de Jesus no meu cora\u00e7\u00e3o e na minha vida?<\/li>\n<li>Deus convida cada pessoa \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o e \u00e0 mudan\u00e7a atrav\u00e9s desses profetas a quem chama e a quem confia a miss\u00e3o de questionar o mundo e os homens. Estamos suficientemente atentos aos profetas que questionam o nosso estilo de vida e os nossos valores? Damos cr\u00e9dito \u00e0s suas interpela\u00e7\u00f5es, ou consideramo-los figuras incomodativas, ultrapassadas e dispens\u00e1veis? E n\u00f3s, constitu\u00eddos profetas desde o nosso batismo, sentimo-nos enviados por Deus a interpelar e a questionar o mundo e os nossos irm\u00e3os?<\/li>\n<li>O \u201cestilo de vida\u201d de Jo\u00e3o constitui uma interpela\u00e7\u00e3o pelo menos t\u00e3o forte como as suas palavras. \u00c9 o testemunho vivo de um homem que est\u00e1 consciente das prioridades e n\u00e3o d\u00e1 import\u00e2ncia aos aspetos secund\u00e1rios da vida \u2013 como sejam a roupa \u201cde marca\u201d ou o excessivo cuidado da alimenta\u00e7\u00e3o. A nossa vida tamb\u00e9m est\u00e1 marcada por valores, nos quais apostamos e \u00e0 volta dos quais constru\u00edmos toda a nossa exist\u00eancia\u2026 Quais s\u00e3o os valores fundamentais para mim, os valores que marcam as minhas decis\u00f5es e op\u00e7\u00f5es? S\u00e3o valores importantes, decisivos, eternos, capazes de me proporcionar Vida plena, ou s\u00e3o valores ef\u00e9meros, particulares, ego\u00edstas e geradores de depend\u00eancia e escravid\u00e3o? Como nos situamos frente a valores e a um estilo de vida que contradiz os valores do Evangelho?<\/li>\n<li>Ao acentuar o car\u00e1cter decisivo e determinante do apelo de Jo\u00e3o, Marcos convida-nos a uma resposta objetiva, franca, clara e decidida \u00e0 proposta de salva\u00e7\u00e3o que nos \u00e9 feita. N\u00e3o podemos resguardar-nos eternamente no nosso espa\u00e7o de conforto, ou esconder-nos indefinidamente atr\u00e1s das nossas seguran\u00e7as\u2026 Estamos dispostos a dizer \u201csim\u201d aos apelos de Deus? Estamos dispon\u00edveis para aceitar a sua proposta de \u201cmetanoia\u201d? Estamos decididos a renunciar ao comodismo que nos paralisa, ao ego\u00edsmo que nos impede de sair de n\u00f3s pr\u00f3prios, \u00e0 autossufici\u00eancia que nos torna est\u00e9reis? Ousaremos ir atr\u00e1s de Jesus e embarcar com Ele na aventura do Reino? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 marcada por um forte tom exortativo. Deste modo, na proclama\u00e7\u00e3o deste texto haja uma aten\u00e7\u00e3o especial aos diversos verbos na forma imperativa, \u00e0s repeti\u00e7\u00f5es e frases exclamativas. Sem exagerar na dramaticidade da proclama\u00e7\u00e3o do texto, deve preparar-se de modo a colher toda a for\u00e7a expressiva que ele encerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 necess\u00e1rio ter um especial cuidado com as frases longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es para uma articulada proclama\u00e7\u00e3o do texto. Pede-se tamb\u00e9m especial aten\u00e7\u00e3o nas duas frases que apresentam uma ora\u00e7\u00e3o que termina com os dois pontos, pois \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o que introduz a frase que se segue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/12\/05\/joao-batista-e-os-homens-cana-2\/\"><strong>JO\u00c3O BATISTA E OS\u00a0HOMENS-CANA<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste Domingo II do Advento (Marcos 1,1-8) p\u00f5e em cena uma das grandes figuras do Advento: Jo\u00e3o Batista. N\u00e3o, n\u00e3o vive num pal\u00e1cio, n\u00e3o ostenta poder e riquezas, n\u00e3o \u00e9 dono de nada nem de ningu\u00e9m, n\u00e3o fala de si mesmo. \u00c9 um servo cuja alegria \u00e9 servir Aquele-que-Vem, a sua casa \u00e9 o deserto, o seu dizer n\u00e3o \u00e9 vangl\u00f3ria autorreferencial, \u00e9 dizer Outro. Veste-se rudemente com o que o deserto d\u00e1, o seu alimento frugal recebe-o do deserto, isto \u00e9, da m\u00e3o de Deus. Jo\u00e3o aparece retratado como Elias. S\u00e3o as duas \u00fanicas personagens, em toda a B\u00edblia, que se vestem com p\u00ealos de camelo (Marcos 1,6; cf. 2 Reis 1,8). \u00c9 um homem essencial, reto, puro e duro como um tronco. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 um homem-cana. A cana \u00e9 oca, e pode ser tamb\u00e9m cana rachada (Isa\u00edas 42,3) e agitada pelo vento (Mateus 11,7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nunca faltaram e nunca faltar\u00e3o, na humana paisagem, homens-cana, ocos, vazios e oscilantes, em abund\u00e2ncia. Talvez o sejamos n\u00f3s tamb\u00e9m. \u00c9, ent\u00e3o, a n\u00f3s tamb\u00e9m que Jo\u00e3o Batista chama ao deserto, ao essencial, \u00e0 confiss\u00e3o dos pecados, a alijar a carga in\u00fatil de mentiras, devaneios e vaidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O deserto ensina o essencial. No deserto aprende-se o essencial. N\u00e3o h\u00e1 por onde fugir, fingir, mentir. Somos mesmo ef\u00e9meros, pobres, indigentes, dependentes. O deserto devolve-nos a nossa verdadeira identidade alterit\u00e1ria. No deserto v\u00ea-se mesmo Deus vir em nosso aux\u00edlio. E aprende-se a li\u00e7\u00e3o de que somos irm\u00e3os. Entram em curto-circuito os nossos circuitos fechados, egol\u00e1tricos, egoc\u00eantricos, autorreferenciais. Vale a pena prestar aten\u00e7\u00e3o ao texto do Evangelho que hoje se abre diante de n\u00f3s:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abIn\u00edcio do Evangelho de Jesus Cristo [Filho de Deus] (arch\u00ea to\u00fb euaggel\u00edou I\u00easo\u00fb Christo\u00fb\u00a0[hyio\u00fb theo\u00fb]). Como est\u00e1 escrito em Isa\u00edas, o profeta: \u201cEis que envio (apost\u00e9ll\u00f4) o\u00a0meu\u00a0mensageiro (\u00e1ggel\u00f3s mou) diante da\u00a0tua\u00a0face (pr\u00f2 pros\u00f4pou sou), o qual preparar\u00e1 o\u00a0teu\u00a0caminho (hod\u00f3s sou). Voz de um que grita no deserto: \u201cPreparai o caminho do Senhor (hod\u00f3s kyr\u00edou), fazei direitas as suas veredas\u201d. Aconteceu Jo\u00e3o a batizar no deserto e a anunciar (k\u00ear\u00fdss\u00f4) um batismo de convers\u00e3o para a remiss\u00e3o dos pecados. E sa\u00eda (exepore\u00faeto: imperf. de\u00a0ekpore\u00faomai) para ele toda a regi\u00e3o da Judeia e todos os habitantes de Jerusal\u00e9m, e eram batizados (ebapt\u00edzonto: imperf. pass. de\u00a0bapt\u00edz\u00f4) por ele no rio Jord\u00e3o, confessando os seus pecados. E Jo\u00e3o andava vestido de p\u00ealos de camelo e um cinto de pele \u00e0 volta dos seus flancos, e alimentava-se de ganfanhotos e mel silvestre. E anunciava (ek\u00earyssen: imperf. de\u00a0k\u00ear\u00fdss\u00f4), dizendo: \u201cVem (\u00e9rchetai) o mais forte do que eu (ho ischyr\u00f3ter\u00f3s mou) depois de mim, do qual eu n\u00e3o sou competente (ikan\u00f3s), inclinando-me, de desatar a correia das suas sand\u00e1lias. Eu batizei-vos em \u00e1gua, mas ele batizar-vos-\u00e1 no Esp\u00edrito Santo\u201d\u00bb (Marcos 1,1-8).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o a quanto se vai seguir, este texto assinala o in\u00edcio. Em rela\u00e7\u00e3o a quanto precede (Antigo Testamento), dada a cita\u00e7\u00e3o do Profeta, este texto assinala o cumprimento. Jo\u00e3o \u00e9 o homem do deserto, e aponta o essencial. Indica Aquele-que-Vem, cuja voca\u00e7\u00e3o \u00e9 mesmo vir e ficar no meio de n\u00f3s. Jo\u00e3o \u00e9 provis\u00f3rio. Lava com \u00e1gua as nossas banalidades. Mas mesmo nisto, Jo\u00e3o \u00e9 \u00fanico. Eram conhecidos, entre os judeus, os banhos e ablu\u00e7\u00f5es religiosas em ordem \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o. E aqueles que procuram Jo\u00e3o n\u00e3o tomam um dos habituais banhos de purifica\u00e7\u00e3o. \u00c9 Jo\u00e3o que os batiza. Esta forma de fazer \u00e9 de tal modo ins\u00f3lita que Jo\u00e3o recebe o nome de \u00abBatista\u00bb, sendo, na verdade, em mundo judaico, o primeiro que batiza outros. Aquele-que-Vem \u00e9 definitivo, Primeiro e \u00daltimo, d\u00e1 o Esp\u00edrito Santo sem medida, a vida divina, admite \u00e0 comunh\u00e3o com Deus. Jo\u00e3o vive em fun\u00e7\u00e3o d\u2019Aquele-que-Vem. O que Jo\u00e3o faz [\u00abchama \u00e0 convers\u00e3o para o perd\u00e3o dos pecados\u00bb] \u00e9 em ordem ao Fazer novo e criador d\u2019Aquele-que-Vem com o Esp\u00edrito Santo, que tem e d\u00e1 a Vida verdadeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cita\u00e7\u00e3o dita do profeta Isa\u00edas (Marcos 1,2) \u00e9, afinal, uma composi\u00e7\u00e3o de Malaquias 3,1 e de Isa\u00edas 40,3. Em Malaquias 3,1, lemos assim, com Deus a falar em primeira pessoa: \u00abVou enviar o\u00a0<em>meu<\/em>\u00a0mensageiro, e ele preparar\u00e1 o\u00a0<em>meu<\/em>\u00a0caminho diante de\u00a0<em>mim<\/em>\u2026\u00bb. O pr\u00f3prio Malaquias dir\u00e1 mais \u00e0 frente (3,23) que este mensageiro \u00e9 Elias. O texto de Marcos atualiza a cita\u00e7\u00e3o, mudando dois pronomes, para mostrar a import\u00e2ncia d\u2019Aquele-que-Vem: \u00abVou enviar o\u00a0<em>meu<\/em>\u00a0mensageiro diante de\u00a0<em>ti<\/em>, o qual preparar\u00e1 o\u00a0<em>teu<\/em>\u00a0caminho\u00bb. V\u00ea-se bem que continua a ser o mensageiro de Deus (<em>meu<\/em>) que \u00e9 enviado; \u00e9-o, por\u00e9m, para preparar o caminho de Jesus (<em>teu<\/em>), adiante de Jesus (<em>ti<\/em>). E este mensageiro \u00e9 agora Jo\u00e3o Batista, que cumpre, todavia, a fun\u00e7\u00e3o de Elias (cf. Marcos 9,13; Mateus 11,14). A cita\u00e7\u00e3o de Isa\u00edas 40,3 aparece sem altera\u00e7\u00e3o no texto de Marcos 1,3: \u00abVoz do que clama no deserto: \u201cPreparai o caminho do Senhor\u201d\u00bb, em que a voz \u00e9 Jo\u00e3o, e o caminho do Senhor \u00e9 o caminho d\u2019Aquele-que-Vem, Jesus, o Filho de Deus, que n\u00f3s devemos preparar. A vinda d\u2019Aquele-que-Vem \u00e9 t\u00e3o importante, que n\u00e3o basta ficar \u00e0 espera d\u2019Ele. \u00c9 preciso preparar-se para essa Vinda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abCaminho santo [Via Sacra]: Ele mesmo andar\u00e1 nesse caminho\u00bb (Isa\u00edas 35,8). O caminho do Advento n\u00e3o \u00e9 tanto o nosso caminho para Deus. \u00c9 mais, muito mais, e aqui est\u00e1 a surpresa boa, desconcertante e transformante, o caminho de Deus para n\u00f3s! Sim, Deus vem visitar-nos! Deus Vem!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E que significado atribuir \u00e0 anota\u00e7\u00e3o da incompet\u00eancia (<em>ikan\u00f3s<\/em>) de Jo\u00e3o para desatar a correia das sand\u00e1lias d\u2019Aquele-que-Vem (1,7)? Ser\u00e1 simplesmente uma confiss\u00e3o de humildade por parte de Jo\u00e3o face a Algu\u00e9m que lhe \u00e9 incomparavelmente superior? Esta tonalidade est\u00e1 certamente presente, mas n\u00e3o esgota a met\u00e1fora das sand\u00e1lias. Trata-se, desde logo, de um dizer importante, pois encontramo-lo por cinco vezes no Novo Testamento: Mateus 3,11; Marcos 1,7; Lucas 3,16; Jo\u00e3o 1,27; Atos dos Ap\u00f3stolos 13,25. Num c\u00e9lebre artigo, intitulado \u00abAs sand\u00e1lias do Messias noivo\u00bb, Lu\u00eds Alonso-Sch\u00f6kel levou este dizer e esta met\u00e1fora para o dom\u00ednio da esponsalidade do Messias. De acordo com o referido nos Salmos 60,10 e 108,9, \u00abp\u00f4r a sand\u00e1lia sobre\u00bb significa \u00abtomar posse de\u00bb; \u00e9, portanto, linguagem jur\u00eddica de posse. Em Deuteron\u00f3mio 25,5-9, o n\u00e3o-cumprimento da lei do levirato implica que seja retirada a sand\u00e1lia ao cunhado n\u00e3o cumpridor da lei, gesto que garante a sua perda de posse no dom\u00ednio matrimonial. Aqui j\u00e1 se trata de direito matrimonial. Em Rute 4,7-10, temos um caso jur\u00eddico concreto em que o que tem o direito de resgatar o patrim\u00f3nio e de desposar Rute prescinde desse direito. Para o dizer juridicamente, em reuni\u00e3o p\u00fablica realizada \u00e0 porta da cidade (Rute 4,1), o homem em causa tira a sand\u00e1lia e entrega-a a Booz, que fica assim com o direito de resgatar o patrim\u00f3nio e de desposar Rute. A met\u00e1fora da sand\u00e1lia em Marcos 1,7 e nos demais dizeres do Novo Testamento que anot\u00e1mos significa tamb\u00e9m que \u00e9 Jesus o noivo, a quem assiste o direito de desposar Israel, e que a Jo\u00e3o n\u00e3o assiste esse direito ou compet\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, \u00abConsolai, consolai o meu povo\u00bb, diz Deus, \u00abfalai ao cora\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m\u00bb, diz Deus (Isa\u00edas 40,1-2). \u00abSobe a uma alta montanha, EVANGELISTA (<em>m<sup>e<\/sup>basseret<\/em>) Si\u00e3o, levanta com for\u00e7a a tua voz, EVANGELISTA (<em>m<sup>e<\/sup>basseret<\/em>) Jerusal\u00e9m; levanta-a, n\u00e3o temas, diz \u00e0s cidades de Jud\u00e1: \u201c<em>Eis<\/em>\u00a0o vosso Deus,\u00a0<em>eis<\/em>\u00a0o Senhor YHWH! Com poder Ele VEM, no seu bra\u00e7o a soberania para Ele,\u00a0<em>eis<\/em>\u00a0o Seu sal\u00e1rio com Ele, e a Sua recompensa diante d\u2019Ele. Como um pastor o seu rebanho apascenta, com o Seu bra\u00e7o re\u00fane-o, no Seu colo os cordeiros carrega, as ovelhas que amamentam conduz com carinho\u00bb (Isa\u00edas 40,9-11). A boa metodologia da Evangeliza\u00e7\u00e3o tem o seu modelo em Deus-que-Vem ao nosso encontro para cuidar de n\u00f3s com carinho. E continua a realizar-se atrav\u00e9s do an\u00fancio que devemos fazer acompanhado do fazer das nossas m\u00e3os carinhosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto de Isa\u00edas documenta a fant\u00e1stica passagem do arauto masculino (<em>m<sup>e<\/sup>basser<\/em>) para o feminino (<em>m<sup>e<\/sup>basseret<\/em>), designando com esse nome a pr\u00f3pria Cidade de Si\u00e3o ou Jerusal\u00e9m personificada e EVANGELIZADORA das suas cidades irm\u00e3s. Esta imagem tem sido vista por alguns comentadores como grotesca. Mas \u00e9, na verdade, o que o texto diz. Cidade EVANGELIZADA, que se transforma naturalmente em EVANGELIZADORA. Estamos nas nascentes do termo \u00abEvangelho\u00bb. E v\u00ea-se tamb\u00e9m j\u00e1, com suficiente clareza, que a Not\u00edcia \u00e9 Deus que vem! N\u00e3o, Deus n\u00e3o salva o seu povo com programas feitos \u00e0 dist\u00e2ncia nem com conce\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas friamente administradas desde cima. Deus vem!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, adverte S. Pedro (2 Pedro 3,8-14), o tempo de Deus n\u00e3o \u00e9 o nosso tempo. Um dia, para Ele, \u00e9 como mil anos, mil anos como um dia (2 Pedro 3,8; cf. Salmo 90,4). \u00c9 a paci\u00eancia de Deus que espera a nossa convers\u00e3o. O nosso tempo \u00e9 dado, concedido para alijarmos futilidades que nos pesam e nos prendem. Passar\u00e3o. O Advento reclama de n\u00f3s vestidos novos, dado que novos c\u00e9us e nova terra surgir\u00e3o (2 Pedro 3,13), habitados por filhos e irm\u00e3os, que entendem a nova linguagem da paz, justi\u00e7a, fidelidade, mansid\u00e3o, miseric\u00f3rdia (Salmo 85).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O famoso poeta ingl\u00eas John Milton (1608-1674) ler\u00e1 assim os versos 9-14 do nosso Salmo 85 numa Ode natal\u00edcia, datada de 1629: \u00abSim, Fidelidade e Justi\u00e7a, ent\u00e3o,\/ voltar\u00e3o para junto dos homens,\/ envoltas num arco-\u00edris, e, gloriosamente vestida,\/ a Bondade sentar-se-\u00e1 no meio\u2026\/ E o c\u00e9u, como para uma festa,\/ escancarar\u00e1 as portas do seu pal\u00e1cio excelso\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor do Advento<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 Aquele-que-Vem<\/strong><br \/>\n<strong>Nascer em Bel\u00e9m,<\/strong><br \/>\n<strong>Bater \u00e0 nossa porta,<\/strong><br \/>\n<strong>Pedir ao nosso cora\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong>Um bocadinho de p\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00e3o pouco e tanto<\/strong><br \/>\n<strong>Nos pede Jesus,<\/strong><br \/>\n<strong>E para nosso espanto,<\/strong><br \/>\n<strong>E para encanto nosso,<\/strong><br \/>\n<strong>O Filho de Maria<\/strong><br \/>\n<strong>Vem vestido de irm\u00e3o nosso<\/strong><br \/>\n<strong>De cada dia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele anda por a\u00ed,<\/strong><br \/>\n<strong>Ao frio e ao calor,<\/strong><br \/>\n<strong>Rico e pobrezinho,<\/strong><br \/>\n<strong>Nosso Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vem, Menino,<\/strong><br \/>\n<strong>Senhor do mundo,<\/strong><br \/>\n<strong>Do sol e da lua,<\/strong><br \/>\n<strong>Bate \u00e0 minha porta,<\/strong><br \/>\n<strong>Entra em minha casa,<\/strong><br \/>\n<strong>E que, por gra\u00e7a,<\/strong><br \/>\n<strong>Entre eu tamb\u00e9m na tua<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Imaculada-Conceicao-08.12.2023-Lecionario.pdf\">Imaculada Concei\u00e7\u00e3o &#8211; 08.12.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Imaculada-Conceicao-08.12.2023-Oracao-Universal.pdf\">Imaculada Concei\u00e7\u00e3o &#8211; 08.12.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Leitura-I-do-Domingo-II-do-Advento-Ano-B-10.12.2023-Is-40-1-5.9-11.pdf\">Leitura I do Domingo II do Advento &#8211; Ano B &#8211; 10.12.2023 (Is 40, 1-5.9-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Leitura-II-do-Domingo-II-do-Advento-Ano-B-10.12.2023-2Pe-3-8-14.pdf\">Leitura II do Domingo II do Advento &#8211; Ano B &#8211; 10.12.2023 (2Pe 3, 8-14)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Domingo-II-do-Tempo-do-Advento-Ano-B-10.12.2023-Lecionario.pdf\">Domingo II do Tempo do Advento &#8211; Ano B &#8211; 10.12.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Domingo-II-do-Tempo-do-Advento-Ano-B-10.12.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo II do Tempo do Advento &#8211; Ano B &#8211; 10.12.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo I do Tempo do Advento \u2013 Ano B \u2013 03.12.2023&#8243; tab_id=&#8221;1702291546460-6e5a157c-6faa&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo I do Tempo do Advento &#8211; Ano B \u2013 03.12.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Domingo-I.jpg\" alt=\"\" width=\"658\" height=\"395\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o <strong>primeiro Domingo de Advento,<\/strong> abre-se diante de n\u00f3s um novo Ano Lit\u00fargico: o Povo de Deus volta a p\u00f4r-se a caminho, para viver o mist\u00e9rio de Cristo na hist\u00f3ria. No ritmo hebdomad\u00e1rio da liturgia dominical, percorrendo os diversos tempos lit\u00fargicos, celebramos o mist\u00e9rio de Cristo que ilumina cada tempo e momento da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7ar um caminho \u00e9 sempre motivo para dar gra\u00e7as a Deus que nos concede a gra\u00e7a de viver cada dia e cada tempo como uma nova oportunidade para sermos mais e melhor a partir do Seu amor. Al\u00e9m disso, o in\u00edcio de uma nova etapa \u00e9 sempre tempo para estabelecer prop\u00f3sitos e compromissos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo de advento \u00e9 tempo de espera confiante e vigilante, \u00ab<em>da espera de um Jesus que \u00e9 Deus ca\u00eddo na terra como um beijo<\/em>\u00bb (B. Calati). O Senhor veio, vem e vir\u00e1 e esta certeza anima a nossa esperan\u00e7a, fortalece a nossa confian\u00e7a e estimula a nossa caridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No evangelho deste Domingo, Jesus exorta-nos estar atentos e vigiar: \u00ab<em>acautelai-vos e vigiai, porque n\u00e3o sabeis quando chegar\u00e1 o momento<\/em>\u00bb. Jesus ama-nos e n\u00e3o nos quer desprevenidos. Sabe que o frenesim do nosso quotidiano, o ritmo acelerado das nossas vidas e os nossos m\u00faltiplos afazeres fazem-nos dispersar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos homens e mulheres marcados pela fragilidade e os limites da nossa condi\u00e7\u00e3o humana, e, por isso, o profeta Isa\u00edas recorda-nos que somos barro nas m\u00e3os do Eterno e Divino Oleiro: \u00ab<em>V\u00f3s, por\u00e9m, Senhor, sois nosso Pai, e n\u00f3s o barro de que sois o Oleiro; somos todos obra das vossas m\u00e3os<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, a fragilidade e os limites da nossa condi\u00e7\u00e3o humana n\u00e3o s\u00e3o um impedimento para que Deus derrame sobre as nossas vidas os Seus dons. A par\u00e1bola evang\u00e9lica que o Evangelho deste Domingo prop\u00f5e recorda-nos, uma vez mais, como o nosso Deus se quer confiar em nossas m\u00e3os: \u00ab<em>ser\u00e1 como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse<\/em>\u00bb. \u00c9 recorrente no Evangelho esta imagem de um Deus que se assemelha a um patr\u00e3o que parte de viagem e confia aos seus servos tarefas ou bens. Deus sabe que, n\u00e3o obstante as nossas debilidades e fracassos, que somos capazes de obras grandes e belas. Deus v\u00ea para l\u00e1 do nosso pecado e fragilidade e ensina-nos que quando somos capazes de viver a partir do Seu amor, vigiando sobre a nossa vida e sendo capazes de abrir o cora\u00e7\u00e3o aos outros, podemos realizar obras belas e grandiosas que fazem do mundo um lugar mais belo e da vida de cada homem e de cada mulher uma vida mais feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prestar aten\u00e7\u00e3o e estar vigilante s\u00e3o atitudes fundamentais no nosso itiner\u00e1rio crente. A pessoa atenta \u00e9 aquela que mesmo no meio do ru\u00eddo e da instabilidade do mundo n\u00e3o se deixa tomar pela distra\u00e7\u00e3o ou pela superficialidade, mas vive numa atitude de aten\u00e7\u00e3o ao mundo e aos outros, procurando vencer a globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a e marcando o tempo e a hist\u00f3ria com gestos concretos de amor e miseric\u00f3rdia. A pessoa vigilante \u00e9 aquela que aceita o convite de vigiar permanentemente e n\u00e3o se deixar dominar pelo sono do desencorajamento, da falta de esperan\u00e7a ou da desilus\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que este tempo de espera vigilante e atenta preencha a nossa vida de sentido pois mesmo caminhando entre as luzes e sombras do tempo presente temos sempre de recordar as palavras de S. Paulo: \u00ab<em>j\u00e1 n\u00e3o vos falta nenhum dom da gra\u00e7a, a v\u00f3s que esperais a manifesta\u00e7\u00e3o de Nosso Senhor Jesus Cristo<\/em>\u00bb. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + <\/em><\/strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + \u00a0+ + <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em>Com o <strong>Tempo de Advento<\/strong> damos in\u00edcio a um novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Marcos. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um conjunto de iniciativas que possam ajudar os fi\u00e9is no conhecimento e aprofundamento deste evangelista. No atual contexto sociocultural, o recurso aos meios digitais pode ser uma boa forma de dinamizar estas iniciativas. <strong><em>\u00a0in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos a iniciar um novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso. <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; Is<\/strong><strong> 63,16b-17.19b; 64,2b-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abV\u00f3s, por\u00e9m, Senhor, sois nosso Pai, e n\u00f3s o barro de que sois o Oleiro; somos todos obra das vossas m\u00e3os\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contexto:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto do Trito-Isa\u00edas (cap\u00edtulos 56-66 do Livro de Isa\u00edas) que nos \u00e9 proposto situa-nos em Jerusal\u00e9m, na \u00e9poca posterior ao Ex\u00edlio (anos 537\/520 a.C.). A cidade est\u00e1 em reconstru\u00e7\u00e3o. As pedras calcinadas lembram os dramas passados, a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 pouco numerosa, a reconstru\u00e7\u00e3o \u00e9 lenta e modesta porque os retornados s\u00e3o pobres, os inimigos est\u00e3o \u00e0 espreita. H\u00e1 des\u00e2nimo e medo do futuro\u2026. Desse des\u00e2nimo resulta a indiferen\u00e7a face a Jav\u00e9 e \u00e0 Alian\u00e7a. Consequentemente, o culto \u00e9 pouco cuidado e Deus ocupa um lugar secund\u00e1rio no cora\u00e7\u00e3o e nas preocupa\u00e7\u00f5es do Povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os profetas que desenvolvem a sua miss\u00e3o nesta fase v\u00e3o tentar acordar a esperan\u00e7a num futuro de vida plena e de salva\u00e7\u00e3o definitiva (em que Jerusal\u00e9m voltar\u00e1 a ser uma cidade bela e harmoniosa, o local onde Deus habita no meio do seu Povo); mas n\u00e3o deixam de sublinhar que o Povo tem de se reconverter aos caminhos da Alian\u00e7a, da justi\u00e7a, do amor, da fidelidade a Jav\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este texto \u00e9 parte de uma per\u00edcope que vai de 63,7 a 64,11. Os vers\u00edculos que o integram n\u00e3o apresentam especial coer\u00eancia tem\u00e1tica. Misturam elementos t\u00edpicos de s\u00faplica ou lamenta\u00e7\u00e3o com elementos de confiss\u00e3o dos pecados. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de desgra\u00e7a nacional. O Povo dirige-se ao Deus da hist\u00f3ria, pedindo-Lhe que intervenha para salvar; e, uma vez que a desgra\u00e7a \u00e9 considerada castigo pelos pecados, o Povo confessa a culpa e pede perd\u00e3o.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O texto de Isa\u00edas apresenta em pano de fundo um Povo de cora\u00e7\u00e3o endurecido, rebelde, indiferente, que h\u00e1 muito prescindiu de Deus e deixou de se preocupar em viver de forma coerente os compromissos assumidos no \u00e2mbito da Alian\u00e7a. \u00c9 um quadro que reflete bem a realidade deste mundo em que vivemos, em pleno s\u00e9c. XXI. Que lugar ocupa Deus na nossa vida? Que import\u00e2ncia damos \u00e0s suas propostas? As sugest\u00f5es e os apelos de Deus t\u00eam algum impacto s\u00e9rio nas nossas op\u00e7\u00f5es e prioridades?<\/li>\n<li>O texto convida-nos tamb\u00e9m a reconhecer que s\u00f3 Deus \u00e9 fonte de salva\u00e7\u00e3o e de reden\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, por n\u00f3s pr\u00f3prios, somos incapazes de superar essa rotina de indiferen\u00e7a, de ego\u00edsmo, de viol\u00eancia, de mentira que tantas vezes caracteriza o quadro de vida em que nos movemos. Deus, o nosso \u201cPai\u201d e o nosso \u201credentor\u201d, \u00e9 sempre fiel \u00e0s suas \u201cobriga\u00e7\u00f5es\u201d de amor e de justi\u00e7a e est\u00e1 sempre disposto a oferecer-nos, gratuita e incondicionalmente, a salva\u00e7\u00e3o. A n\u00f3s, resta-nos acolher o dom de Deus com humildade e com um cora\u00e7\u00e3o agradecido. Estamos conscientes desse dom e estamos dispon\u00edveis para o acolher?<\/li>\n<li>A a\u00e7\u00e3o de Deus, o seu papel de \u201credentor\u201d concretiza-se atrav\u00e9s de Jesus e das propostas que Ele veio fazer aos homens e ao mundo. Neste Advento que me preparo para viver, estou disposto a acolher Jesus e a abra\u00e7ar as propostas que Deus, atrav\u00e9s d\u2019Ele, me faz? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a079 (80)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> Senhor, nosso Deus, fazei-nos voltar, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Cor 1,3-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abFiel \u00e9 Deus, por quem fostes chamados \u00e0 comunh\u00e3o com seu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contexto:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria, Paulo chegou a Corinto, depois de atravessar boa parte da Gr\u00e9cia, e ficou por l\u00e1 cerca 18 meses (anos 50-52), consagram-se inteiramente ao an\u00fancio do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corinto era uma cidade nova e muito pr\u00f3spera. Servida por dois portos de mar, possu\u00eda as caracter\u00edsticas t\u00edpicas das cidades mar\u00edtimas: popula\u00e7\u00e3o de todas as ra\u00e7as e de todas as religi\u00f5es. Era a cidade do desregramento para todos os marinheiros que cruzavam o Mediterr\u00e2neo, \u00e1vidos de prazer, ap\u00f3s meses de navega\u00e7\u00e3o. Na \u00e9poca de Paulo, a cidade comportava cerca de 500.000 pessoas, das quais dois ter\u00e7os eram escravos. A riqueza escandalosa de alguns contrastava com a mis\u00e9ria da maioria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como resultado da prega\u00e7\u00e3o de Paulo, nasceu a comunidade crist\u00e3 de Corinto. A maior parte dos membros da comunidade era de origem grega, embora de condi\u00e7\u00e3o humilde (cf. 1 Cor 11,26-29; 8,7; 10,14.20; 12,2); mas tamb\u00e9m havia elementos de origem hebraica (cf. At 18,8; 1 Cor 1,22-24; 10,32; 12,13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De uma forma geral, a comunidade era viva e fervorosa; no entanto, estava exposta aos perigos de um ambiente corrupto: moral dissoluta (cf. 1 Cor 6,12-20; 5,1-2), querelas, disputas, lutas (cf. 1 Cor 1,11-12), sedu\u00e7\u00e3o da sabedoria filos\u00f3fica de origem pag\u00e3 que se introduzia na Igreja revestida de um superficial verniz crist\u00e3o (cf. 1 Cor 1,19-2,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tratava-se de uma comunidade com boas possibilidades, mas que mergulhava as suas ra\u00edzes em terreno adverso. Na comunidade de Corinto, vemos as dificuldades da f\u00e9 crist\u00e3 em inserir-se num ambiente hostil, marcado por uma cultura pag\u00e3 e por um conjunto de valores que est\u00e3o em profunda contradi\u00e7\u00e3o com a pureza da mensagem evang\u00e9lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 hoje proposto \u00e9 a \u201ca\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as\u201d inicial. Habitualmente, Paulo come\u00e7ava as suas cartas com uma \u201ca\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as\u201d. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Paulo considera que a comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma realidade continuamente enriquecida pela vida de Deus. Atrav\u00e9s dos seus dons, Deus vem continuamente ao encontro dos homens e manifesta-lhes o seu amor. Os crentes devem viver numa permanente atitude de escuta e de acolhimento desses dons. A comunidade de que fa\u00e7o parte est\u00e1 consciente de que Deus vem continuamente ao encontro dos homens atrav\u00e9s dos dons que Ele oferece? Acolhe os dons de Deus como sinais vivos do seu amor?<\/li>\n<li>Qual o objetivo dos dons de Deus? Segundo Paulo, \u00e9 \u201ctornar firme nos crentes o testemunho de Cristo\u201d. Os dons de Deus destinam-se a promover a fidelidade das pessoas e das comunidades ao Evangelho, de forma que todos nos identifiquemos cada vez mais com Cristo. Os dons que Deus me concedeu destinam-se sempre a potenciar a minha fidelidade e a fidelidade dos meus irm\u00e3os \u00e0s propostas de Jesus, ou servem, \u00e0s vezes, para concretizar objetivos mais ego\u00edstas, como sejam a minha promo\u00e7\u00e3o pessoal ou a satisfa\u00e7\u00e3o de certos interesses e anseios?<\/li>\n<li>H\u00e1, neste texto, um apelo impl\u00edcito \u00e0 vigil\u00e2ncia. O crist\u00e3o tem de estar sempre vigilante e preparado para acolher o Deus que vem ao seu encontro e lhe manifesta o seu amor atrav\u00e9s dos seus dons\u2026 E tem tamb\u00e9m de estar sempre vigilante para que os dons de Deus n\u00e3o sejam desvirtuados e utilizados para fins ego\u00edstas. <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mc 13,33-37<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abAcautelai-vos e vigiai, porque n\u00e3o sabeis quando chegar\u00e1 o momento\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSer\u00e1 como um homem que partiu de viagem\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO que vos digo a v\u00f3s, digo-o a todos: Vigiai!\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contexto:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste domingo situa-nos em Jerusal\u00e9m, pouco antes da Paix\u00e3o e Morte de Jesus. \u00c9 o terceiro dia da estadia de Jesus em Jerusal\u00e9m, o dia dos \u201censinamentos\u201d e das pol\u00e9micas mais radicais com os l\u00edderes judaicos (cf. Mc 11,20-13,1-2). No final desse dia, j\u00e1 no \u201cJardim das Oliveiras\u201d, Jesus oferece a um grupo de disc\u00edpulos (Pedro, Tiago, Jo\u00e3o e Andr\u00e9 \u2013 cf. Mc 13,3) um amplo e enigm\u00e1tico ensinamento, que ficou conhecido como o \u201cdiscurso escatol\u00f3gico\u201d (cf. Mt 13,3-37).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este discurso, apresentado com uma linguagem prof\u00e9tico-apocal\u00edptica, descreve a miss\u00e3o da comunidade crist\u00e3 no per\u00edodo que vai desde a morte de Jesus at\u00e9 ao final da hist\u00f3ria humana. \u00c9 um texto dif\u00edcil, que emprega imagens e uma linguagem cheia de alus\u00f5es enigm\u00e1ticas, bem ao jeito do g\u00e9nero liter\u00e1rio \u201capocalipse\u201d. N\u00e3o seria tanto uma previs\u00e3o antecipada de acontecimentos concretos, mas antes uma leitura prof\u00e9tica da hist\u00f3ria humana. O seu objetivo seria dar aos disc\u00edpulos indica\u00e7\u00f5es acerca da atitude a tomar frente \u00e0s vicissitudes que marcar\u00e3o a caminhada hist\u00f3rica da comunidade, at\u00e9 \u00e0 vinda final de Jesus para instaurar, em definitivo, o novo c\u00e9u e a nova terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os quatro disc\u00edpulos referenciados no in\u00edcio do \u201cdiscurso escatol\u00f3gico\u201d representam a comunidade crist\u00e3 de todos os tempos\u2026 Os quatro s\u00e3o, precisamente, os primeiros disc\u00edpulos chamados por Jesus (cf. Mc 1,16-20) e, como tal, convertem-se em representantes de todos os futuros disc\u00edpulos. O discurso escatol\u00f3gico de Jesus n\u00e3o seria, assim, uma mensagem privada destinada a um grupo especial, mas uma mensagem destinada a toda a comunidade crente, chamada a caminhar na hist\u00f3ria com os olhos postos no encontro final com Jesus e com o Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cdiscurso escatol\u00f3gico\u201d divide-se em tr\u00eas partes, antecedidas de uma introdu\u00e7\u00e3o (cf. Mc 13,1-4). Na primeira parte (cf. Mc 13,5-23), o discurso alude a uma s\u00e9rie de movimentos que v\u00e3o marcar a hist\u00f3ria e que requerem dos disc\u00edpulos a atitude adequada: vigil\u00e2ncia e lucidez. Na segunda parte, o discurso anuncia a vinda definitiva do Filho do Homem e o nascimento de um mundo novo a partir das ru\u00ednas do mundo velho (cf. Mc 13,24-27). Na terceira parte, o discurso refere a incerteza quanto ao \u201ctempo\u201d hist\u00f3rico dos eventos anunciados e insiste com os disc\u00edpulos para que estejam sempre vigilantes e preparados para acolher o Senhor que vem (cf. Mc 13,28-37). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O Evangelho deste domingo coloca-nos diante de uma certeza fundamental: \u201co Senhor vem\u201d. A nossa caminhada humana n\u00e3o \u00e9 um avan\u00e7ar sem sentido ao encontro do nada, mas uma caminhada feita na alegria ao encontro do Senhor que vem. N\u00e3o se trata de uma vaga esperan\u00e7a, mas de uma certeza baseada na palavra infal\u00edvel de Jesus. O tempo de Advento recorda-nos a realidade de um Senhor que vem ao encontro dos homens e que, no final da nossa caminhada por esta terra, nos oferecer\u00e1 a vida definitiva, a felicidade sem fim.<\/li>\n<li>O tempo do Advento \u00e9 o tempo da espera do Senhor. O Evangelho deste domingo diz-nos como deve ser essa espera\u2026 A palavra fundamental \u00e9 \u201cvigil\u00e2ncia\u201d: o verdadeiro disc\u00edpulo deve estar sempre \u201cvigilante\u201d, cumprindo com coragem e determina\u00e7\u00e3o a miss\u00e3o que Deus lhe confiou. Estar \u201cvigilante\u201d significa viver, a cada momento e a cada passo, ativo, empenhado, comprometido na constru\u00e7\u00e3o de um mundo de vida, de amor e de paz. Significa cumprir, com coer\u00eancia e sem meias tintas, os compromissos assumidos no dia do batismo e ser um sinal vivo do amor e da bondade de Deus no mundo. \u00c9 dessa forma que eu tenho procurado viver?<\/li>\n<li>Em concreto, estar \u201cvigilante\u201d significa n\u00e3o viver de bra\u00e7os cruzados, fechado num mundo de aliena\u00e7\u00e3o e de ego\u00edsmo, deixando que sejam os outros a tomar as decis\u00f5es e a escolher os valores que devem governar a humanidade; significa n\u00e3o me demitir das minhas responsabilidades e da miss\u00e3o que Deus me confiou quando me chamou \u00e0 exist\u00eancia\u2026 Estar \u201cvigilante\u201d \u00e9 ser uma voz ativa e questionante no meio dos homens, levando-os a confrontarem-se com os valores do Evangelho; \u00e9 lutar de forma decidida e corajosa contra a mentira, o ego\u00edsmo, a injusti\u00e7a, tudo aquilo que rouba a vida e a felicidade a qualquer irm\u00e3o que caminhe ao meu lado\u2026 Como disc\u00edpulo de Jesus, assumo essa atitude de constante vigil\u00e2ncia?<\/li>\n<li>Aquela \u201ccasa\u201d referida na par\u00e1bola \u00e9 a comunidade de Jesus. Nela, todos s\u00e3o servidores. Todos viver\u00e3o servindo, desempenhando as tarefas que lhes foram confiadas, enquanto esperam o regresso do \u00fanico \u201cSenhor\u201d (Jesus). Temos aqui uma bela defini\u00e7\u00e3o da Igreja, a comunidade que Jesus deixou a fazer caminho na hist\u00f3ria. A comunidade crist\u00e3 de que eu fa\u00e7o parte \u00e9 uma comunidade de irm\u00e3os e de irm\u00e3s conscientes da miss\u00e3o que Jesus lhes deixou, onde todos desempenham o seu papel com lucidez e responsabilidade, ou \u00e9 um conjunto de pessoas adormecidas, passivas e acomodadas, que vivem na in\u00e9rcia, na indiferen\u00e7a e na mediocridade? A comunidade crist\u00e3 de que eu fa\u00e7o parte \u00e9 uma comunidade de gente que procura servir, de forma simples e humilde, os mais necessitados e desvalidos, como Jesus sempre fez, ou \u00e9 uma comunidade onde cada um est\u00e1 apenas preocupado em \u201clevar a \u00e1gua ao seu moinho\u201d e concretizar as suas vis\u00f5es e triunfos pessoais? A comunidade crist\u00e3 de que eu fa\u00e7o parte \u00e9 uma comunidade onde a responsabilidade de todos \u00e9 incentivada e potenciada de forma sinodal, ou \u00e9 uma comunidade desigual, onde existem \u201cos que mandam\u201d e \u201cos que obedecem\u201d, os que se imp\u00f5em e os que se submetem?<strong><em> in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>O in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico constitui-se como uma pertinente oportunidade para uma forma\u00e7\u00e3o de leitores acerca da tem\u00e1tica e da estrutura das leituras deste novo Ano Lit\u00fargico e de modo particular do evangelista que nos ir\u00e1 acompanhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>primeira leitura,<\/strong> deve haver especial cuidado na entoa\u00e7\u00e3o da frase interrogativa e das frases exclamativas. Deve tamb\u00e9m retirar-se o maior partido das formas verbais no imperativo, mostrando a for\u00e7a expressiva do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aparente facilidade na proclama\u00e7\u00e3o da <strong>segunda leitura<\/strong>, n\u00e3o deve permitir descurar a prepara\u00e7\u00e3o, sobretudo das pausas e respira\u00e7\u00f5es para uma leitura mais articulada do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/11\/28\/para-vos-senhor-elevo-a-minha-alma-7\/\"><strong>PARA V\u00d3S, SENHOR, ELEVO A MINHA\u00a0ALMA<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abPara v\u00f3s, Senhor, elevo a minha alma\u00bb (Salmo 25,1). Ant\u00edfona do C\u00e2ntico de Entrada que inaugura a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica do Advento, do ano lit\u00fargico, do ano inteiro. Aponta a atitude a assumir pela assembleia fiel e orante: a obla\u00e7\u00e3o permanente, a ora\u00e7\u00e3o constante. Extraordin\u00e1rio p\u00f3rtico de entrada no Advento e no novo ano lit\u00fargico. Bel\u00edssima forma de viver, elevando para Deus a nossa vida: a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a nossa vida! A nossa vida em ascens\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o permanente, sacrif\u00edcio de suave odor, incenso puro subindo para o nosso Deus. Sempre. O Evangelho dir\u00e1 com a mesma energia e alegria: \u00abEstai atentos\u00bb, \u00abvigiai\u00bb, \u00abn\u00e3o sabeis quando vir\u00e1 o dono da casa\u00bb (Marcos 13,33-37). Na verdade, n\u00f3s n\u00e3o o podemos ver: \u00e9 como um homem que partiu de viagem (Mateus 13,34). Todavia, tudo o que possu\u00edmos foi dele que o recebemos (Mateus 13,34). Portanto, vida levantada, rosto erguido para Deus. \u00c9 o gesto do justo justificado por Deus (Job 22,26). P\u00e1gina em branco, Primeira e \u00daltima, que podemos apresentar a Deus neste in\u00edcio de Advento e de ano lit\u00fargico. \u00c9 de Deus a palavra e a escrita que n\u00e3o passa (Marcos 13,31).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A li\u00e7\u00e3o do Evangelho de hoje (Marcos 13,33-37) est\u00e1 atravessada pelo verbo \u00abvigiar\u00bb, por quatro vezes repetido (13,33.34.35.37), em imperativo: uma vez\u00a0<em>agrypne\u00eete<\/em>\u00a0(<em>agr<\/em>-, nega\u00e7\u00e3o, e\u00a0<em>hypn\u00f3\u00f4<\/em>, dormir) (v. 33), e tr\u00eas vezes\u00a0<em>gr\u00eagore\u00eete<\/em>, vigiar (v. 34.35.37). No Gets\u00e9mani, Jesus clarificar\u00e1 em que consiste esta \u00abvigil\u00e2ncia\u00bb, pois a\u00ed dir\u00e1: \u00abvigiai e orai\u00bb (Marcos 14,28). \u00c9 preciso manter o cora\u00e7\u00e3o sintonizado com o cora\u00e7\u00e3o de Deus. Da\u00ed as vig\u00edlias da noite tamb\u00e9m enunciadas no v. 35: ao anoitecer (21h00), \u00e0 meia-noite (24h00), ao cantar do galo (03h00) e \u00e0s matinas (06h00). A locu\u00e7\u00e3o \u00abestai atentos\u00bb atravessa tamb\u00e9m por quatro vezes o inteiro Cap\u00edtulo 13 do Evangelho de Marcos (13,5.9.23.33), que \u00e9 um Cap\u00edtulo em que Jesus fala para quatro disc\u00edpulos: Pedro, Andr\u00e9, Tiago e Jo\u00e3o, sentados no Monte das Oliveiras, diante do Templo (Marcos 13,3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Templo ainda est\u00e1 de p\u00e9 (ser\u00e1 destru\u00eddo no ano 70), e os disc\u00edpulos admiram a excel\u00eancia daquelas pedras e do embelezamento do Templo feito por Herodes o Grande, com a inten\u00e7\u00e3o de captar as boas gra\u00e7as dos judeus, j\u00e1 que Herodes n\u00e3o era judeu, era Idumeu, e estava interessado em ter os judeus do seu lado. Jesus adverte que aquele luxo passaria, e aproveita para lembrar que passar\u00e1 mesmo tudo, tamb\u00e9m as nossas seguran\u00e7as (ou aquilo que pensamos estar seguro), sacudidas por guerras, viol\u00eancias, rapinas, persegui\u00e7\u00f5es, pelo normal andamento do tempo e da idade. Com a contund\u00eancia que lhe \u00e9 conhecida, diz-nos S\u00e3o Paulo que \u00abpassa, na verdade, a figura (<em>t\u00f2 sch\u00eama<\/em>) deste mundo (<em>to\u00fb k\u00f3smou to\u00fato<\/em>)\u00bb (1 Cor\u00edntios 7,31), isto \u00e9, tendo em conta a for\u00e7a das palavras e a express\u00e3o gramatical de que se revestem, \u00aba figura que passa (na tela) \u00e9 este mundo\u00bb. Sem equ\u00edvocos: a realidade deste mundo \u00e9 pen\u00faltima, n\u00e3o \u00daltima. Neste cen\u00e1rio passageiro, h\u00e1, por\u00e9m, uma realidade que n\u00e3o passa: a palavra de Jesus (Marcos 13,31). Salta \u00e0 vista, portanto, que \u00e9 a esta \u00e2ncora que nos devemos agarrar, e n\u00e3o \u00e0 poeira das nossas grandezas ilus\u00f3rias! Este discurso \u00e9 dirigido aos quatro disc\u00edpulos referidos. Mas, o Evangelho de hoje termina com Jesus a dizer: \u00abO que vos digo a v\u00f3s, digo-o a todos!\u00bb. Portanto, a n\u00f3s, hoje, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escritor argentino Jorge Luis Borges deixou-nos versos densos como estes, acentuando a import\u00e2ncia e a intensidade de cada momento da nossa vida a n\u00e3o desperdi\u00e7ar: \u00abN\u00e3o h\u00e1 um instante que n\u00e3o esteja carregado como uma arma\u00bb; \u00abEm cada instante o galo pode ter cantado tr\u00eas vezes\u00bb; \u00abEm cada instante a cl\u00e9psidra deixa cair a \u00faltima gota\u00bb. E o poeta brasileiro Vin\u00edcius de Moraes escreveu assim num bel\u00edssimo poema: \u00abA coisa mais divina\/ Que h\u00e1 no mundo\/ \u00c9 viver cada segundo\/ Como nunca mais\u00bb. \u00c9 assim, sempre vigilantes, amantes e esperantes, sempre \u00e0 escuta e \u00e0 espera de algu\u00e9m, com Amor imenso e intenso, que rasga o pr\u00f3prio tempo, que devemos encher todos os nossos instantes, como se fosse a primeira vez, como se fosse a \u00faltima vez. Aprendamos ent\u00e3o que tudo no Evangelho \u00e9 decisivo, pois \u00e9-nos mostrado com toda a clareza que cada passo conta, cada gesto conta, cada palavra conta, cada copo de \u00e1gua conta!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c1trio de um tempo novo, habitado, \u00abcarregado\u00bb de justi\u00e7a e de bondade. Obra de Deus no nosso mundo. E s\u00f3 dele. Obra terna, tenra e nova, como um \u00abrebento\u00bb de um jovem casal ou de uma planta. Sinal de Primavera no meio da invernia e da lama em que nos vamos atolando, ensonados e enlatados, sem sequer darmos por isso. \u00c9, portanto, mesmo preciso que Ele venha e que nos acorde e nos levante da nossa letargia com novas pautas e novos acordes musicais! E que nos d\u00ea nomes novos a n\u00f3s, \u00e0s nossas cidades, \u00e0s nossas escolas, aos nossos hospitais, \u00e0s nossas ruas! Nomes novos, isto \u00e9, em termos b\u00edblicos, nova express\u00e3o e novas maneiras de viver.\u00a0<em>Up<\/em>!\u00a0<em>Up<\/em>!\u00a0<em>Up<\/em>! Luz nova l\u00e1 no alto a atrair os nossos olhos embotados. Instru\u00e7\u00e3o nova de Deus para todos os povos, armas transformadas em relhas de arado, flores brancas em m\u00e3os ensanguentadas (Isa\u00edas 2,1-5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isa\u00edas serve-nos hoje o mais poderoso Salmo de lamenta\u00e7\u00e3o popular da B\u00edblia inteira (Isa\u00edas 63,17-64,7), nas palavras de Claus Westermann. Nele confessamos a nossa rebeldia, mas tamb\u00e9m a nossa fugacidade (somos como folhas secas levadas pelo vento), e invocamos o amor paternal, criador e redentor de Deus, para que venha em aux\u00edlio da nossa fraqueza. \u00abOh, se rasg\u00e1sseis os c\u00e9us e desc\u00easseis\u00bb, ficar\u00e1 para sempre como um grito maravilhoso de quase inultrapass\u00e1vel intensidade e beleza! E, por n\u00f3s, Deus, nosso Pai, rasgou mesmo os c\u00e9us, e veio ter connosco (veja-se o cen\u00e1rio maravilhoso da Incarna\u00e7\u00e3o, em que o Verbo de Deus comunga da nossa fr\u00e1gil humanidade, e pode ver-se tamb\u00e9m o cen\u00e1rio do batismo de Jesus, em que se cumpre a express\u00e3o dos c\u00e9us que se abrem).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E S\u00e3o Paulo, a abrir a Primeira Carta aos Cor\u00edntios (1,3-9) sa\u00fada-nos com a Gra\u00e7a e a Paz de Deus, nosso Pai, e refere ainda esta maravilha: \u00abDou gra\u00e7as ao meu Deus por v\u00f3s em todo o tempo\u00bb (v. 4). Motivo: as inumer\u00e1veis b\u00ean\u00e7\u00e3os com que Deus nos tem enriquecido em Cristo Jesus, o \u00fanico Senhor da nossa vida. O extrato de hoje fecha com a indica\u00e7\u00e3o not\u00e1vel de que Deus nos chamou, n\u00e3o a isto ou \u00e0quilo, nem sequer a participar na alegria do Messias, como dizem os rabinos acerca de Abra\u00e3o, mas a participar na comunh\u00e3o pessoal com o seu Filho, Jesus Cristo (v. 9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste tom maravilhoso que devemos recitar com amor a autobiografia de Israel, que \u00e9 tamb\u00e9m a nossa, e que passa nas notas do poderoso Salmo 80: videira arrancada do Egito e transplantada para a nossa terra livre, bela, boa e espa\u00e7osa. Tratada com amor, cresceu, cresceu, cresceu, encheu a terra inteira de folhagem e de frutos. Por\u00e9m, abandonada, foi devastada pelo javali, pelos animais do campo, pelos parasitas\u2026 \u00c9 tempo, portanto, de levantar a alma e rezar em todo o tempo: \u00abSenhor, nosso Deus, vinde de novo; fazei brilhar a vossa face, e seremos salvos!\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 f\u00e1cil, Senhor Jesus,<\/strong><br \/>\n<strong>Daqui, de ao p\u00e9 da tua Cruz,<\/strong><br \/>\n<strong>Avistar a paisagem do Advento,<\/strong><br \/>\n<strong>Compreender-lhe a mensagem,<\/strong><br \/>\n<strong>Respirar-lhe o alento.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Daqui, de ao p\u00e9 da tua Cruz de Luz,<\/strong><br \/>\n<strong>Sem d\u00favida o lugar mais alto do mundo,<\/strong><br \/>\n<strong>Mais alto e mais profundo,<\/strong><br \/>\n<strong>V\u00ea-se bem, com toda a claridade,<\/strong><br \/>\n<strong>Que a lonjura do Advento n\u00e3o \u00e9 horizontal.<\/strong><br \/>\n<strong>Eleva-se em altura.<\/strong><br \/>\n<strong>Como a tua t\u00fanica tecida de Alto-a-baixo,<\/strong><br \/>\n<strong>Vertical,<\/strong><br \/>\n<strong>E sem costura.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tu vens do Alto, Senhor.<\/strong><br \/>\n<strong>Tu vens de Deus.<\/strong><br \/>\n<strong>Tu \u00e9s Deus.<\/strong><br \/>\n<strong>Tu \u00e9s o Justo<\/strong><br \/>\n<strong>Que chove das alturas<\/strong><br \/>\n<strong>Sobre a nossa humanidade sedenta e \u00e0s escuras.<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vem, Senhor Jesus,<\/strong><br \/>\n<strong>Alumia e rega a nossa terra dura,<\/strong><br \/>\n<strong>Acaricia o nosso humilde ch\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong>E modela com as tuas m\u00e3os de amor<\/strong><br \/>\n<strong>Em cada um de n\u00f3s<\/strong><br \/>\n<strong>Um novo cora\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong>Capaz de ver.<\/strong><br \/>\n<strong>Capaz de Te ver<\/strong><br \/>\n<strong>Nascer<\/strong><br \/>\n<strong>Em cada irm\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Leitura-I-do-Domingo-I-do-Advento-Ano-B-03.12.2023-Is-63-16b-17.19b-642b-7.pdf\">Leitura I do Domingo I do Advento &#8211; Ano B &#8211; 03.12.2023 (Is 63, 16b-17.19b; 64,2b-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Leitura-II-do-Domingo-I-do-Advento-Ano-B-03.12.2023-1Cor-13-9.pdf\">Leitura II do Domingo I do Advento &#8211; Ano B &#8211; 03.12.2023 (1Cor 1,3-9)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Domingo-I-do-Advento-Ano-B-03.12.2023-Lecionario.pdf\">Domingo I do Advento &#8211; Ano B &#8211; 03.12.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Domingo-I-do-Advento-Ano-B-03.12.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo I do Advento &#8211; Ano B &#8211; 03.12.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXXIV do Tempo Comum \u2013 Solenidade de Cristo-Rei Ano A \u2013 26.11.2023 XXXVIII Jornada Mundial da Juventude a n\u00edvel Diocesano&#8221; tab_id=&#8221;1701684996115-1cc84fae-6c19&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XXXIV do Tempo Comum \u2013 Solenidade de Cristo-Rei<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0Ano A \u2013 26.11.2023<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>XXXVIII Jornada Mundial da Juventude a n\u00edvel Diocesano<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Domingo-XXXIV.jpg\" alt=\"\" width=\"557\" height=\"348\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No \u00faltimo Domingo do Tempo Comum com que encerramos o ano lit\u00fargico, celebramos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Esta celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 a oportunidade para dar gra\u00e7as a Deus pelo tempo percorrido e pela gra\u00e7a de podermos celebrar juntos a presen\u00e7a terna e misericordiosa de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 certo que cada ano \u00e9 marcado por momentos \u00fanicos e \u00edmpares na nossa hist\u00f3ria pessoal e comunit\u00e1ria e, no meio da instabilidade e dureza dos tempos que vivemos, queremos iluminar a hist\u00f3ria com a esperan\u00e7a que recebemos de Jesus. A guerra na Ucr\u00e2nia e no M\u00e9dio Oriente, a multid\u00e3o de migrantes e refugiados que arriscam a vida na procura de um futuro melhor, a conjuntura social e pol\u00edtica que arrasta tantos irm\u00e3os nossos para condi\u00e7\u00f5es de vida t\u00e3o dif\u00edceis e exigentes poderiam tra\u00e7ar um cen\u00e1rio angustiante para n\u00f3s. Mas, como crentes, o que nos distingue dos demais n\u00e3o \u00e9 a posse de certezas absolutas que desfazem como que por magia as dificuldades e problemas. Aquilo que verdadeiramente nos distingue \u00e9 a confian\u00e7a que depositamos em Cristo e a esperan\u00e7a que Dele recebemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esta solenidade foi institu\u00edda pelo Papa Pio XI, em 11 de dezembro de 1925, com a Carta Enc\u00edclica\u00a0<em>Quas Primas<\/em>. Os tempos apresentavam-se sombrios e turvos e os c\u00e9us nublados e Pio XI, homem de a\u00e7\u00e3o, no rescaldo da primeira grande guerra, quer colocar no horizonte dos homens e mulheres do Seu tempo que todos somos filhos muito amados de Deus, que o \u00fanico que reina sobre n\u00f3s \u00e9 Jesus Cristo, Rei do Universo e o Seu Reino \u00e9 um Reino de Paz e de Amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nos tempos sombrios e exigentes que vivemos \u00e9 reconfortante e consolador acolher a mensagem de ternura e cuidado que brota da liturgia da Palavra deste Domingo. Sobre n\u00f3s reina Jesus Cristo, Rei do Universo, bom e belo Pastor que cuida de n\u00f3s como um pastor cuida do seu rebanho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O desfilar das formas verbais que comp\u00f5e a primeira leitura tra\u00e7a o perfil deste Rei:\u00a0<em>\u00abirei em busca\u00bb; \u00abvigia\u00bb; \u00abguardarei\u00bb; \u00abapascentarei\u00bb; \u00ablevarei a repousar\u00bb; \u00abprocurar a que anda perdida e reconduzir a que anda tresmalhada\u00bb; \u00abtratarei a que estiver ferida\u00bb; \u00abdarei vigor\u00bb; \u00abvelarei\u00bb.<\/em>\u00a0Nestas formas verbais n\u00e3o descobrimos apenas como \u00e9 o rosto do Pai revelado em Jesus Cristo, mas podemos tra\u00e7ar tamb\u00e9m um programa de vida que nos estimula a afinar o nosso cora\u00e7\u00e3o com o cora\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por isso, podemos cantar com as palavras do salmista: \u00ab<em>o Senhor \u00e9 meu pastor: nada me faltar\u00e1<\/em>\u00bb. Cantar estas palavras sempre me pareceu uma provoca\u00e7\u00e3o. Na verdade, como homens e mulheres indigentes e fr\u00e1geis, tantas vezes nos lamentamos daquilo que nos falta. Contudo, mesmo assim cantamos que o Senhor \u00e9 o nosso pastor e que, por isso, nada nos falta nem faltar\u00e1. Somos chamados a redescobrir neste salmo a verdadeira confian\u00e7a que deve caracterizar a vida crist\u00e3, depositando toda a nossa esperan\u00e7a no Deus que \u00e9 o bom e belo pastor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus, Rei do Universo, identifica-se com os mais pequeninos. O rosto do irm\u00e3o que sofre, que tem fome e sede, necessidade de acolhimento ou visita, necessidade de ora\u00e7\u00e3o ou compreens\u00e3o, perd\u00e3o ou consolo \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus. Ele quer identificar-se com a nossa humana condi\u00e7\u00e3o que assumiu at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias. Jesus sabe o que \u00e9 ter fome e sede, pois, teve fome no deserto e sede no alto da Cruz, Jesus sabe o que \u00e9 estar preso, ser maltratado, estar doente e ser peregrino. Por isso, se identifica com todos eles e nos recorda que na estrada da vida somos os que ajudam e os que precisam de ser ajudados, os que perdoam e precisam de ser perdoados, os que amam e precisam de ser amados.<strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + <\/em><\/strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + \u00a0+ + <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em>A <strong>Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo<\/strong>, sendo o \u00faltimo Domingo do Ano Lit\u00fargico, \u00e9 uma oportunidade para dar gra\u00e7as a Deus pelo dom deste ano lit\u00fargico que termina e invocar a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus para o ano que se vai iniciar. Proclamando a realeza de Jesus Cristo como Senhor do tempo e da hist\u00f3ria, este Domingo deve ter a marca do louvor e a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as que pode traduzir-se no canto solene do\u00a0<em>Te Deum<\/em>, hino lit\u00fargico de louvor e de j\u00fabilo, agradecendo o dom da vida comunit\u00e1ria e de tantos batizados que correspons\u00e1veis na miss\u00e3o colaboram e edificam a comunidade. No novo Cantoral Nacional podem encontrar quatro propostas musicadas do\u00a0<em>Te Deum.<\/em><strong><em> in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos no \u00faltimo domingo do tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, acompanhamos o evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E \u00a0faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tamb\u00e9m neste \u00faltimo Domingo do Ano Lit\u00fargico \u2013 Solenidade de Cristo-Rei &#8211; se vive, a n\u00edvel Diocesano, a Jornada Mundial da Juventude. O Papa Francisco escreveu uma mensagem para este dia e que pode ser lida em anexo. As iniciativas, a n\u00edvel Diocesano, tamb\u00e9m ficam em anexo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; Ez<\/strong><strong> 34,11-12.15-17<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEu pr\u00f3prio irei em busca das minhas ovelhas e hei de encontr\u00e1-las\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ezequiel \u00e9 conhecido como &#8220;o profeta da esperan\u00e7a&#8221;. Desterrado na Babil\u00f3nia desde 597 a.C. (no reinado de Joaquin, quando Nabucodonosor conquista Jerusal\u00e9m pela primeira vez e deporta para a Babil\u00f3nia a classe dirigente do pa\u00eds), Ezequiel exerce a\u00ed a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica entre os exilados judeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A primeira fase do minist\u00e9rio de Ezequiel decorre entre 593 a.C. (data do seu chamamento) e 586 a.C. (data em que Jerusal\u00e9m \u00e9 arrasada pelas tropas de Nabucodonosor e uma segunda leva de exilados \u00e9 encaminhada para a Babil\u00f3nia). Nesta fase, Ezequiel procura destruir falsas esperan\u00e7as e anuncia que, ao contr\u00e1rio do que pensam os exilados, o cativeiro est\u00e1 para durar&#8230; Eles n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o v\u00e3o regressar a Jerusal\u00e9m, mas os que ficaram em Jerusal\u00e9m (e que continuam a multiplicar os pecados e as infidelidades) v\u00e3o fazer companhia aos que j\u00e1 est\u00e3o desterrados na Babil\u00f3nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A segunda fase do minist\u00e9rio de Ezequiel desenrola-se a partir de 586 a.C. e prolonga-se at\u00e9 cerca de 570 a.C. Instalados numa terra estrangeira, privados de Templo, de sacerd\u00f3cio e de culto, os exilados est\u00e3o desesperados e duvidam da bondade e do amor de Deus. Nessa fase, Ezequiel procura alimentar a esperan\u00e7a dos exilados e transmitir ao Povo a certeza de que o Deus salvador e libertador &#8211; esse Deus que Israel descobriu na sua hist\u00f3ria &#8211; n\u00e3o os abandonou nem esqueceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que nos \u00e9 hoje proposto pertence, provavelmente, \u00e0 segunda fase do minist\u00e9rio de Ezequiel. Depois de denunciar os &#8220;maus pastores&#8221; que exploraram e abusaram do Povo e o conduziram por caminhos de morte e de desgra\u00e7a, at\u00e9 \u00e0 cat\u00e1strofe final de Jerusal\u00e9m e ao Ex\u00edlio (cf. Ez 34,1-9), o profeta anuncia a chegada de um tempo novo em que o pr\u00f3prio Deus vai conduzir o seu Povo e apascentar as suas ovelhas. \u00c9 um or\u00e1culo de esperan\u00e7a, que abre uma nova hist\u00f3ria e prop\u00f5e um novo futuro ao Povo de Deus. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar os seguintes desenvolvimentos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A imagem b\u00edblica do Bom Pastor \u00e9 uma imagem privilegiada para apresentar Deus e para definir a sua rela\u00e7\u00e3o com os homens. Sublinha a sua autoridade e o seu papel na condu\u00e7\u00e3o do seu Povo pelos caminhos da hist\u00f3ria; mas, sobretudo, sublinha a preocupa\u00e7\u00e3o, o carinho, o cuidado, o amor de Deus pelo seu Povo. Na nossa cultura urbana, j\u00e1 nem todos entendem a figura do &#8220;pastor&#8221;; mas todos s\u00e3o convidados a entregar-se nas m\u00e3os de Deus, a confiar totalmente n&#8217;Ele, a deixar-se conduzir por Ele, a fazer a experi\u00eancia do seu amor e da sua bondade. \u00c9 uma experi\u00eancia tranquilizante e libertadora, que nos traz serenidade e paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tamb\u00e9m aqui, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se Deus \u00e9 ou n\u00e3o &#8220;pastor&#8221; (Ele \u00e9 sempre &#8220;pastor&#8221;!); mas \u00e9 se estamos ou n\u00e3o dispostos a segui-l&#8217;O, a deixar-nos conduzir por Ele, a confiar n&#8217;Ele para atravessar vales sombrios, a deixar-nos levar ao colo por Ele para que os nossos p\u00e9s n\u00e3o se firam nas pedras do caminho. Uma certa cultura contempor\u00e2nea assegura-nos que s\u00f3 nos realizaremos se nos libertarmos de Deus e formos os guias de n\u00f3s pr\u00f3prios. O que escolhemos para nos conduzir \u00e0 felicidade e \u00e0 vida plena: Deus ou o nosso orgulho e autossufici\u00eancia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes, fugindo de Deus, agarramo-nos a outros &#8220;pastores&#8221; e fazemos deles a nossa refer\u00eancia, o nosso l\u00edder, o nosso \u00eddolo. O que \u00e9 que nos conduz e condiciona as nossas op\u00e7\u00f5es: a riqueza e o poder? Os valores ditados por aqueles que t\u00eam a pretens\u00e3o de saber tudo? O pol\u00edtico e socialmente correto? A opini\u00e3o p\u00fablica? O presidente do partido? O comodismo e a instala\u00e7\u00e3o? A preserva\u00e7\u00e3o dos nossos esquemas ego\u00edstas e dos nossos privil\u00e9gios? O \u00eaxito e o triunfo a qualquer custo? O her\u00f3i mais giro da telenovela? O programa de maior audi\u00eancia da esta\u00e7\u00e3o televisiva de maior audi\u00eancia? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 22 (23)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o <\/strong>&#8211; O Senhor \u00e9 meu pastor: nada me faltar\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Cor 15,20-26.28<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abCristo ressuscitou dos mortos, como prim\u00edcias dos que morreram\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria, Paulo chegou a Corinto, vindo de Atenas, e ficou por l\u00e1 cerca 18 meses (anos 50-52). De acordo com Act 18,2-4, Paulo come\u00e7ou a trabalhar em casa de Priscila e \u00c1quila, um casal de judeo-crist\u00e3os. No s\u00e1bado, usava da palavra na sinagoga. Com a chegada a Corinto de Silvano e Tim\u00f3teo (2 Cor 1,19; Act 18,5), Paulo consagrou-se inteiramente ao an\u00fancio do Evangelho. Mas n\u00e3o tardou a entrar em conflito com os judeus e foi expulso da sinagoga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como resultado da prega\u00e7\u00e3o de Paulo nasceu, contudo, a comunidade crist\u00e3 de Corinto. A maior parte dos membros da comunidade eram de origem grega, embora, em geral, de condi\u00e7\u00e3o humilde (cf. 1 Cor 11,26-29; 8,7; 10,14.20; 12,2); mas tamb\u00e9m havia elementos de origem hebraica (cf. Act 18,8; 1 Cor 1,22-24; 10,32; 12,13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De uma forma geral, a comunidade era viva e fervorosa; no entanto, estava exposta aos perigos do ambiente corrupto que se respirava na cidade e n\u00e3o podia deixar de ser influenciada por esse ambiente. \u00c9 neste contexto que podemos entender alguns dos problemas sentidos na comunidade e apontados na Primeira Carta aos Cor\u00edntios: moral dissoluta (cf. 1 Cor 6,12-20; 5,1-2), querelas, disputas, lutas (cf. 1 Cor 1,11-12), sedu\u00e7\u00e3o da sabedoria filos\u00f3fica de origem pag\u00e3 que se introduzia na Igreja revestida de um superficial verniz crist\u00e3o (cf. 1 Cor 1,19-2,10)&#8230; Na comunidade de Corinto, vemos as dificuldades da f\u00e9 crist\u00e3 em inserir-se num ambiente hostil, marcado por uma cultura pag\u00e3 e por um conjunto de valores que est\u00e3o em contradi\u00e7\u00e3o com a pureza da mensagem evang\u00e9lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Um dos pontos onde havia uma not\u00f3ria dificuldade em conciliar os dados da f\u00e9 crist\u00e3 com os valores do mundo grego era na quest\u00e3o da ressurrei\u00e7\u00e3o. Enquanto a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos era relativamente bem aceite no juda\u00edsmo (habituado a ver o homem na sua unidade), constitu\u00eda um problema muito s\u00e9rio para a mentalidade grega. A cultura grega estava fortemente influenciada por filosofias dualistas, que viam no corpo uma realidade negativa e na alma uma realidade nobre e ideal. Aceitar que a alma viveria sempre n\u00e3o era dif\u00edcil para a mentalidade grega&#8230; O problema era aceitar a ressurrei\u00e7\u00e3o do homem total: sendo o homem (de acordo com a mentalidade grega) constitu\u00eddo por alma e corpo, como podemos falar da ressurrei\u00e7\u00e3o do homem? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode fazer-se a partir dos seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O nosso texto garante-nos que a meta final da nossa caminhada \u00e9 o Reino de Deus &#8211; isto \u00e9, uma realidade de vida plena e definitiva, de onde a doen\u00e7a, a tristeza, o sofrimento, a injusti\u00e7a, a prepot\u00eancia, a morte estar\u00e3o ausentes. Conv\u00e9m ter sempre presente esta realidade, ao longo da nossa peregrina\u00e7\u00e3o pela terra&#8230; A nossa vida presente n\u00e3o \u00e9 um drama absurdo, sem sentido e sem finalidade; \u00e9 uma caminhada tranquila, confiante &#8211; ainda quando feita no sofrimento e na dor &#8211; em dire\u00e7\u00e3o a esse desabrochar pleno, a essa vida total que Deus nos reserva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como \u00e9 que a\u00ed chegamos? Paulo responde: identificando-nos com Cristo. A ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 o &#8220;selo de garantia&#8221; de Deus para uma vida oferecida ao projeto do Reino&#8230; Demonstra que uma vida vivida na escuta atenta dos projetos do Pai e no amor e no servi\u00e7o aos homens conduz \u00e0 vida plena; demonstra que uma vida gasta na luta contra o ego\u00edsmo, a opress\u00e3o e o pecado conduz \u00e0 vida definitiva; demonstra que uma vida gasta ao servi\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o do Reino conduz \u00e0 vida verdadeira&#8230; Se a nossa vida for gasta do mesmo jeito, seguiremos Cristo na ressurrei\u00e7\u00e3o, atingiremos a vida nova do Homem Novo e estaremos para sempre com Ele nesse Reino livre do sofrimento, do pecado e da morte que Deus reserva para os seus filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Descobrir que o Reino da vida definitiva \u00e9 a nossa meta final significa eliminar definitivamente o medo que nos impede de atuar e de assumir um papel de protagonismo na constru\u00e7\u00e3o de um mundo novo. Quem tem no horizonte final da sua vida o Reino de Deus, pode comprometer-se na luta pela justi\u00e7a e pela paz, com a certeza de que a injusti\u00e7a, a opress\u00e3o, a oposi\u00e7\u00e3o dos poderosos, a morte n\u00e3o podem p\u00f4r fim \u00e0 vida que o anima. Ter como meta final o Reino significa libertarmo-nos do medo que nos paralisa e encontrarmos raz\u00f5es para um compromisso mais consequente com Deus, com o mundo e com os homens. <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 25, 31-46<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abQuando o Filho do homem vier na sua gl\u00f3ria com todos os seus Anjos, sentar-Se-\u00e1 no seu trono glorioso\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEle separar\u00e1 uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abQuantas vezes o fizestes a um dos meus irm\u00e3os mais pequeninos, a Mim o fizestes\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esta impressionante descri\u00e7\u00e3o do ju\u00edzo final \u00e9 a conclus\u00e3o das tr\u00eas par\u00e1bolas precedentes (a &#8220;par\u00e1bola do mordomo fiel e do mordomo infiel&#8221; &#8211; cf. Mt 24,45-51; a &#8220;par\u00e1bola das jovens previdentes e das jovens descuidadas&#8221; &#8211; cf. Mt 25,1-13; a &#8220;par\u00e1bola dos talentos&#8221; &#8211; cf. Mt 25,14-30). Tanto no texto que nos \u00e9 proposto como nessas tr\u00eas par\u00e1bolas aparecem dois grupos de pessoas que tiveram comportamentos diversos enquanto esperavam a vinda do Senhor Jesus. O autor do texto mostra agora qual ser\u00e1 o &#8220;fim&#8221; daqueles que se mantiveram e daqueles que n\u00e3o se mantiveram vigilantes e preparados para a vinda do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mais uma vez, para percebermos a catequese que Mateus aqui desenvolve, temos de recordar o contexto da comunidade crist\u00e3 a quem ela se destina. Estamos nos \u00faltimos dec\u00e9nios do s\u00e9c. I (d\u00e9cada de 80). J\u00e1 passou o entusiasmo inicial pela vinda iminente de Jesus para instaurar o Reino definitivo. Os crist\u00e3os que constituem a comunidade de Mateus est\u00e3o desinteressados, instalados, acomodados; vivem a f\u00e9 de forma rotineira, morna, pouco exigente e pouco comprometida; alguns, diante das dificuldades, deixam a comunidade e renunciam ao Evangelho&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mateus, preocupado com a situa\u00e7\u00e3o, procura revitalizar a f\u00e9, reacender o entusiasmo, entusiasmar ao compromisso. Vai faz\u00ea-lo atrav\u00e9s de uma catequese que convida \u00e0 vigil\u00e2ncia, enquanto se espera o encontro final com Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No texto que nos \u00e9 proposto, Mateus mostra aos crentes da sua comunidade &#8211; com a linguagem veemente dos pregadores da \u00e9poca &#8211; o que espera, no final da caminhada, quer aqueles que se mantiveram vigilantes e viveram de acordo com os ensinamentos de Jesus, quer aqueles que se esqueceram dos valores do Evangelho e que conduziram a vida de acordo com outros interesses e preocupa\u00e7\u00f5es. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar os seguintes pontos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quem \u00e9 que a nossa sociedade considera uma &#8220;pessoa de sucesso&#8221;? Qual o perfil do homem &#8220;importante&#8221;? Quais s\u00e3o os padr\u00f5es usados pela nossa cultura para aferir a realiza\u00e7\u00e3o ou a n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m? No geral, o &#8220;homem de sucesso&#8221;, que todos reconhecem como importante e realizado, \u00e9 aquele que tem dinheiro suficiente para concretizar todos os sonhos e fantasias, que tem poder suficiente para ser temido, que tem \u00eaxito suficiente para juntar \u00e0 sua volta multid\u00f5es de aduladores, que tem fama suficiente para ser invejado, que tem talento suficiente para ser admirado, que tem a pouca vergonha suficiente para dizer ou fazer o que lhe apetece, que tem a vaidade suficiente para se apresentar aos outros como modelo de vida&#8230; No entanto, de acordo com a par\u00e1bola que o Evangelho prop\u00f5e, o crit\u00e9rio fundamental usado por Jesus para definir quem \u00e9 uma &#8220;pessoa de sucesso&#8221; \u00e9 a capacidade de amar o irm\u00e3o, sobretudo o mais pobre e desprotegido. Para mim, o que \u00e9 que faz mais sentido: o crit\u00e9rio do mundo ou o crit\u00e9rio de Deus? Na minha perspetiva, qual \u00e9 mais \u00fatil e necess\u00e1rio: o &#8220;homem de sucesso&#8221; do mundo ou o &#8220;homem de sucesso&#8221; de Deus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O amor ao irm\u00e3o \u00e9, portanto, uma condi\u00e7\u00e3o essencial para fazer parte do Reino. N\u00f3s crist\u00e3os, cidad\u00e3os do Reino, temos consci\u00eancia disso e sentimo-nos respons\u00e1veis por todos os irm\u00e3os que sofrem? Os que n\u00e3o t\u00eam trabalho, nem p\u00e3o, nem casa, podem contar com a nossa solidariedade ativa? Os imigrantes, perdidos numa realidade cultural e social estranha, v\u00edtimas de injusti\u00e7as e viol\u00eancias, condenados a um trabalho escravo e que, tantas vezes, n\u00e3o respeita a sua dignidade, podem contar com a nossa solidariedade ativa? Os pobres, v\u00edtimas de injusti\u00e7as, que nem sequer t\u00eam a possibilidade de recorrer aos tribunais para que lhes seja feita justi\u00e7a, podem contar com a nossa solidariedade ativa? Os que sobrevivem com pens\u00f5es de mis\u00e9ria, sem possibilidades de comprar os medicamentos necess\u00e1rios para aliviar os seus padecimentos, podem contar com a nossa solidariedade ativa? Os que est\u00e3o sozinhos, abandonados por todos, sem amor nem amizade, podem contar com a nossa solidariedade ativa? Os que est\u00e3o presos a um leito de hospital ou a uma cela de pris\u00e3o, marginalizados e condenados em vida, podem contar com a nossa solidariedade ativa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Reino de Deus &#8211; isto \u00e9, esse mundo novo onde reinam os crit\u00e9rios de Deus e que se constr\u00f3i de acordo com os valores de Deus &#8211; \u00e9 uma semente que Jesus semeou, que os disc\u00edpulos s\u00e3o chamados a edificar na hist\u00f3ria (atrav\u00e9s do amor) e que ter\u00e1 o seu tempo definitivo no mundo que h\u00e1 de vir. N\u00e3o esque\u00e7amos, no entanto, este facto essencial: o Reino de Deus est\u00e1 no meio de n\u00f3s; a nossa miss\u00e3o \u00e9 fazer com que ele seja uma realidade bem viva e bem presente no nosso mundo. Depende de n\u00f3s fazer com que o Reino deixe de ser uma miragem, para passar a ser uma realidade a crescer e a transformar o mundo e a vida dos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Algu\u00e9m acusou a religi\u00e3o crist\u00e3 de ser o &#8220;\u00f3pio do povo&#8221;, por p\u00f4r as pessoas a sonhar com o mundo que h\u00e1 de vir, em lugar de as levar a um compromisso efetivo com a transforma\u00e7\u00e3o do mundo, aqui e agora. Na verdade, n\u00f3s os crist\u00e3os caminhamos ao encontro do mundo que h\u00e1 de vir, mas de p\u00e9s bem assentes na terra, atentos \u00e0 realidade que nos rodeia e preocupados em construir, desde j\u00e1, um mundo de justi\u00e7a, de fraternidade, de liberdade e de paz. A experi\u00eancia religiosa n\u00e3o pode, nunca, servir-nos de pretexto para a evas\u00e3o, para a fuga \u00e0s responsabilidades, para a demiss\u00e3o das nossas obriga\u00e7\u00f5es para com o mundo e para com os irm\u00e3os. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> deve ser marcada por um tom alegre, revestido de esperan\u00e7a e confian\u00e7a, respeitando a mensagem do texto proclamado. Pede-se especial aten\u00e7\u00e3o para as palavras repetidas ao longo do texto: o pronome pessoal \u00abEu\u00bb e a forma verbal \u00abhei de\u00bb. A for\u00e7a da repeti\u00e7\u00e3o deve ser explorada na proclama\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>segunda leitura<\/strong> exige uma acurada prepara\u00e7\u00e3o nas pausas e respira\u00e7\u00f5es para uma melhor articula\u00e7\u00e3o do texto e transmiss\u00e3o do conte\u00fado proclamado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/11\/21\/o-unico-rei-que-nao-reina-desde-fora\/\"><strong>O \u00daNICO REI QUE N\u00c3O REINA DESDE\u00a0FORA<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u00abFesta de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei\u00bb foi institu\u00edda pelo Papa Pio XI, em 11 de dezembro de 1925, com a Carta Enc\u00edclica\u00a0<em>Quas Primas<\/em>. Os tempos apresentavam-se sombrios e turvos e os c\u00e9us nublados como os de hoje, e Pio XI, homem de a\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 tinha fundado a A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica em 1922, instituiu ent\u00e3o esta Festa com o intuito de promover a milit\u00e2ncia cat\u00f3lica e ajudar a sociedade a revestir-se de valores crist\u00e3os. A Festa de Cristo Rei era ent\u00e3o celebrada no \u00faltimo Domingo de Outubro. A reorganiza\u00e7\u00e3o da Liturgia no p\u00f3s Conc\u00edlio passou esta Festa para o \u00faltimo Domingo do Ano Lit\u00fargico, com o t\u00edtulo de \u00abSolenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo\u00bb. \u00c9 esta Solenidade que hoje celebramos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abO Senhor Reina\u00bb. \u00c9 assim que, no Antigo Testamento, o Deus b\u00edblico se apresenta em a\u00e7\u00e3o reinando, isto \u00e9, salvando, justificando, perdoando, criando. Na verdade, biblicamente falando, Reinar \u00e9 Salvar, isto \u00e9, trazer o bem-estar, a alegria e a prosperidade ao seu Povo. \u00c9 esta a miss\u00e3o do Rei. Salvar \u00e9 Justificar, o que implica a extraordin\u00e1ria a\u00e7\u00e3o de transformar um pecador em justo. Justificar \u00e9, portanto, Perdoar. Neste profundo sentido b\u00edblico, Justificar e Perdoar s\u00e3o a\u00e7\u00f5es que s\u00f3 Deus pode fazer, dado que transformar um pecador em justo \u00e9 igual a Criar ou Recriar um homem novo. E da a\u00e7\u00e3o de Criar tamb\u00e9m s\u00f3 Deus \u00e9 sujeito em toda a Escritura. J\u00e1 se sabe que o Novo Testamento transforma o ativo \u00abDeus Reina\u00bb no mais abstrato \u00abReino de Deus\u00bb, express\u00e3o que ressoa no Novo Testamento por mais de 160 vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tanta e quase indescrit\u00edvel riqueza a de um Deus, sentado no seu trono de Luz, mas que Vem, como um Filho do Homem, com o dom\u00ednio novo, fr\u00e1gil e forte, do Amor: \u00abAquele que nos ama\u00bb (Apocalipse 1,5). Da li\u00e7\u00e3o do Livro de Daniel 7,13-14 e respetivo contexto, v\u00ea-se bem que todos os nossos imp\u00e9rios prepotentes e ferozes, por mais fortes que pare\u00e7am, caem face \u00e0 do\u00e7ura da Palavra e da Atitude do Filho do Homem, que dissolve no Amor as nossas raivas e viol\u00eancias, manifesta\u00e7\u00f5es das bestas bravas que nos habitam. O Filho do Homem vence, sem combater, este combate. \u00c9 assim que caem as quatro bestas ferozes que sobem do mar (Daniel 7), s\u00edmbolo da confus\u00e3o e do mal, e que deixar\u00e1 naturalmente de existir (Apocalipse 21,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O dom\u00ednio do Filho do Homem que nos ama, o dom\u00ednio do Amor, \u00e9 Primeiro e \u00daltimo (Apocalipse 1,8). Entre o Primeiro e o \u00daltimo instala-se o pen\u00faltimo, que \u00e9 o dom\u00ednio velho e podre da viol\u00eancia das bestas ferozes que nos habitam. O Bem \u00e9 de sempre e \u00e9 para sempre. Por isso, \u00e9 Primeiro e \u00e9 \u00daltimo. O Bem n\u00e3o come\u00e7ou, portanto. O que come\u00e7ou foi o mal que se foi insinuando nas pregas do nosso cora\u00e7\u00e3o empedernido. Mas o que come\u00e7a, tamb\u00e9m acaba. Os imp\u00e9rios da nossa viol\u00eancia, malvadez e estupidez caem, imagine-se, vencidos por um Amor que \u00e9 desde sempre e para sempre, e que vence, sem combater, a nossa tirania e prepot\u00eancia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entenda-se bem que tem de ser sem combater. Porque, se combatesse, usaria os nossos m\u00e9todos violentos, o que s\u00f3 aumentaria a viol\u00eancia. \u00c9 assim que Jesus atravessa as p\u00e1ginas dos Evangelhos e da nossa hist\u00f3ria e da nossa vida, entregando-se por Amor \u00e0 nossa viol\u00eancia, abra\u00e7ando-a e, portanto, absorvendo-a, absolvendo-a e dissolvendo-a. \u00c9 assim que o Amor Reina, nos Salva, Justifica, Perdoa e Recria. Os Chefes dos Judeus, os Soldados e Pilatos representam os imp\u00e9rios envelhecidos, podres e caducos da nossa viol\u00eancia e estupidez. O Reino do Filho do Homem n\u00e3o pode, na verdade, ser daqui (cf. Jo\u00e3o 18,33-37). Se fosse daqui, apenas aumentaria a espiral da mentira, da gan\u00e2ncia e da viol\u00eancia. \u00c9 de Amor novo e subversivo, transformante, que se trata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A\u00ed est\u00e1 ent\u00e3o a p\u00e1gina divina do Evangelho deste \u00daltimo Domingo do Ano Lit\u00fargico, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo: Mateus 25,31-46. Texto espantoso. Surge em cena o Filho do Homem, o Pastor, o Rei, mas v\u00ea-se bem que \u00e9 Jesus, o Senhor. Re\u00fane e cria, separando (Mateus 25,31-33), como sucede no texto da cria\u00e7\u00e3o de G\u00e9nesis 1,1-2,4a. A mansid\u00e3o \u00e9 a nota maior deste Rei, Pastor, Filho do Homem, Jesus e Senhor, que domina os animais, separando os mansos (ovelhas) dos violentos e orgulhosos (cabras). Mas esta a\u00e7\u00e3o de separa\u00e7\u00e3o acontece apenas no entardecer da vida e da hist\u00f3ria, tal como sucede, para muito espanto nosso, ao trigo e \u00e0 ciz\u00e2nia da par\u00e1bola de Mateus 13,30-31 e 36-43. Para muito espanto tamb\u00e9m de Jo\u00e3o Batista que tinha anunciado um Messias que vinha a\u00ed, j\u00e1 e em for\u00e7a, com o machado e a p\u00e1 de joeirar (cf. Mateus 3,10 e 12) para proceder aos devidos ajustes de contas com aquela gera\u00e7\u00e3o m\u00e1 e perversa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A par\u00e1bola de hoje, que difere para o final do Evangelho e da hist\u00f3ria a separa\u00e7\u00e3o \u00abj\u00e1 e em for\u00e7a\u00bb proclamada por Jo\u00e3o Batista e por n\u00f3s tanto apetecida, mostra em Jesus um Messias, Rei e Senhor, que n\u00e3o comunga da nossa atra\u00e7\u00e3o s\u00e1dica pelo espet\u00e1culo \u00e1vido de sangue, mas vem revestido da mansid\u00e3o do Servo do Senhor, de Isa\u00edas 42,1-4, que \u00e9, por sinal e de forma significativa, a mais longa cita\u00e7\u00e3o do Antigo Testamento que o Evangelho de Mateus faz em 12,18-21, retratando com ela Jesus, o Rei manso e novo que desconcerta Jo\u00e3o Batista e a n\u00f3s tamb\u00e9m. O referido texto de Isa\u00edas 42,2 diz do Servo do Senhor que \u00abn\u00e3o far\u00e1 ouvir desde fora a sua voz\u00bb. Fica ent\u00e3o claro que, se n\u00e3o faz ouvir a sua voz desde fora, s\u00f3 a pode fazer ouvir desde dentro. O grande pensador do s\u00e9culo XX, de origem hebraica, Emmanuel Levinas, glosava, nas suas li\u00e7\u00f5es talm\u00fadicas, este texto em sentido messi\u00e2nico, escrevendo que \u00abo Messias \u00e9 o \u00fanico Rei que n\u00e3o reina desde fora\u00bb. Se n\u00e3o reina desde fora, ent\u00e3o n\u00e3o reina com poder, dinheiro, armas ou decretos. Se n\u00e3o reina desde fora, ent\u00e3o s\u00f3 pode reinar desde dentro, aproximando-se das pessoas, descendo ao n\u00edvel das pessoas, amando as pessoas, salvando as pessoas. Jesus, Rei manso e novo, vai assumir por inteiro a identidade deste Servo e vai cumprir a sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em ordem a uma melhor compreens\u00e3o do andamento do imenso texto de Mateus 25,31-46, importa notar que come\u00e7a com um cen\u00e1rio descritivo introdut\u00f3rio (v. 31-33) (A<sup>1<\/sup>) e termina com um cen\u00e1rio descritivo conclusivo (v. 46) (A<sup>2<\/sup>). Entre os dois cen\u00e1rios descritivos que abrem e fecham o movimento do texto (A<sup>1<\/sup>-A<sup>2<\/sup>), bem no centro da estrutura, surge a a\u00e7\u00e3o da Palavra, o dizer (v. 34-45), que podemos distribuir em duas vagas: um dizer positivo, dizer SIM (v. 34-40) (B<sup>1<\/sup>), e um dizer negativo, dizer N\u00c3O (v. 41-45) (B<sup>2<\/sup>), como se pode ver na configura\u00e7\u00e3o do texto, que hoje aqui deixamos exposto:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<strong>25<\/strong>,<sup>31<\/sup>Quando vier o\u00a0<strong>FILHO DO HOMEM<\/strong>\u00a0na sua gl\u00f3ria e todos os anjos com Ele, ent\u00e3o sentar-se-\u00e1 sobre o trono da sua gl\u00f3ria,\u00a0<sup>32<\/sup>e ser\u00e3o REUNIDAS diante d\u2019ELE todas as na\u00e7\u00f5es, e SEPAR\u00c1-LOS-\u00c1 uns dos outros, como o\u00a0<strong>PASTOR<\/strong>\u00a0SEPARA as ovelhas das cabras,\u00a0<sup>33<\/sup>e por\u00e1 as ovelhas \u00e0 sua direita e as cabras \u00e0 esquerda. (A<sup>1<\/sup>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>34<\/sup>Ent\u00e3o\u00a0<em>DIR\u00c1<\/em>\u00a0o\u00a0<strong>REI<\/strong>\u00a0aos que (est\u00e3o) \u00e0 sua direita: \u201cVinde, benditos de meu PAI, recebei em heran\u00e7a o REINO preparado para v\u00f3s desde a funda\u00e7\u00e3o do mundo,\u00a0<sup>35<\/sup>pois tive fome e destes-ME de comer, tive sede e destes-ME de beber, era estrangeiro e recolheste-ME,\u00a0<sup>36<\/sup>nu e vestites-ME, estive doente e visitastes-ME, estava na pris\u00e3o e viestes ter COMIGO\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>37<\/sup>Ent\u00e3o os justos responder-lhe-\u00e3o,\u00a0<em>DIZENDO<\/em>: \u201c<strong>SENHOR<\/strong>, quando foi que TE vimos com fome e TE demos de comer, ou com sede e TE demos de beber?\u00a0<sup>38<\/sup>Ou quando TE vimos estrangeiro e TE recolhemos, ou nu e TE vestimos?\u00a0<sup>39<\/sup>Ou quando TE vimos doente ou na pris\u00e3o e viemos ter CONTIGO?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>40<\/sup>E, respondendo, o\u00a0<strong>REI<\/strong>\u00a0<em>DIR-LHES-\u00c1<\/em>: \u201cEm verdade vos digo: cada vez que o\u00a0<em>fizestes<\/em>\u00a0a UM destes\u00a0<em>meus irm\u00e3os<\/em>, os mais pequenos, a MIM o\u00a0<em>fizestes<\/em>\u201d. (B<sup>1<\/sup>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>41<\/sup>Ent\u00e3o\u00a0<em>DIR\u00c1<\/em>\u00a0tamb\u00e9m aos da esquerda: \u201cAfastai-vos de MIM, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos,\u00a0<sup>42<\/sup>pois tive fome e N\u00c3O ME destes de comer, tive sede e N\u00c3O ME destes de beber,\u00a0<sup>43<\/sup>era estrangeiro e N\u00c3O ME recolhestes, nu e N\u00c3O ME vestistes, estive doente e na pris\u00e3o e N\u00c3O ME visitastes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>44<\/sup>Ent\u00e3o tamb\u00e9m eles responder\u00e3o,\u00a0<em>DIZENDO<\/em>: \u201c<strong>SENHOR<\/strong>, quando foi que TE vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou nu ou doente ou na pris\u00e3o e N\u00c3O cuid\u00e1mos de TI?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>45<\/sup>Ent\u00e3o responder-lhes-\u00e1,\u00a0<em>DIZENDO<\/em>: \u201cEm verdade vos digo: cada vez que N\u00c3O o\u00a0<em>fizestes<\/em>\u00a0a UM destes, os mais pequenos, tamb\u00e9m a MIM o N\u00c3O\u00a0<em>fizestes<\/em>\u201d. (B<sup>2<\/sup>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>46<\/sup>E ir\u00e3o estes para o castigo eterno, e os justos para a vida eterna\u00bb (Mt 25,31-46). (A<sup>2<\/sup>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Lendo este imenso texto e captando o seu movimento, n\u00e3o passar\u00e1 despercebido a ningu\u00e9m que o seu centro reside nas duas vagas que mostram a a\u00e7\u00e3o de dizer SIM (v. 34-40) (B<sup>1<\/sup>) ou de dizer N\u00c3O (v. 41-45) (B<sup>2<\/sup>), uma e outra em conson\u00e2ncia com a a\u00e7\u00e3o de FAZER (v. 40) ou de N\u00c3O FAZER (v. 45). Na verdade, aquela declara\u00e7\u00e3o afirmativa de Jesus: \u00abTive fome e destes-ME de comer (1), tive sede e destes-ME de beber (2), era estrangeiro e recolhestes-ME (3), nu e vestites-ME (4), estive doente e visitastes-ME (5), estava na pris\u00e3o e viestes ter COMIGO (6)\u00bb (v. 35-36), tem um alcance quase incontorn\u00e1vel e insuper\u00e1vel, que n\u00e3o se confina neste pequeno imenso texto de Mateus, mas se insinua nas pregas da B\u00edblia inteira, linhas e entrelinhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diz-nos S\u00e3o Jo\u00e3o, no pr\u00f3logo do seu Evangelho, que \u00abfoi pelo Verbo que tudo foi feito\u00bb (Jo\u00e3o 1,3), e S\u00e3o Paulo escreve, na Carta aos Colossenses, que \u00abn\u2019Ele foram criadas todas as coisas\u00bb (Colossenses 1,16), para acentuar depois, na sua Segunda Carta aos Cor\u00edntios, que o \u00abFilho de Deus, Jesus Cristo [\u2026], n\u00e3o foi \u201csim e n\u00e3o\u201d, mas unicamente \u201csim\u201d\u00bb (2 Cor\u00edntios 1,19). Acentua\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas ricas e densas, que ganham ainda uma maior intensidade, se verificarmos que a narrativa de G\u00e9nesis 1,1-2,4a, a grande narrativa da Cria\u00e7\u00e3o, se comp\u00f5e de 452 palavras hebraicas, n\u00e3o registando, todavia, o que \u00e9 absolutamente espantoso, um \u00fanico \u00abn\u00e3o\u00bb! Espl\u00eandida e contagiante harmonia das Escrituras. O denso texto de Gn 1,1-2,4a, como o nosso texto de Mateus 25,35-36, que fornece a base das nossas \u00abobras de miseric\u00f3rdia\u00bb, n\u00e3o cont\u00eam nenhuma nega\u00e7\u00e3o! Antes, s\u00e3o uma extraordin\u00e1ria afirma\u00e7\u00e3o que se insinua em todas as linhas e entrelinhas da Escritura Santa, e que mant\u00e9m o ser humano em permanente tens\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o, para mais quando Jesus nos revela que os pobres e necessitados a quem prest\u00e1mos assist\u00eancia s\u00e3o, na verdade, seus irm\u00e3os (v. 40). E mais ainda: todo o bem que fizemos a UM desses pequeninos, foi, na verdade, feito ao pr\u00f3prio Jesus (v. 40). V\u00ea-se bem que Jesus, o Senhor do SIM, por quem tudo foi feito, em quem tudo foi criado, anda muito metido nos nossos caminhos lamacentos ou empedrados, mas sempre tortuosos, e pede a nossa esmola em cada esquina, e quer que o nosso \u00abfazer\u00bb seja criador, sempre marcado pelo SIM, como o d\u2019Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Toda a aten\u00e7\u00e3o, portanto, uma vez que o pr\u00f3prio Jesus se cruza connosco, todos os dias, nos nossos caminhos tortuosos e lamacentos. Mas aten\u00e7\u00e3o sobretudo, porque \u00abnegar\u00bb \u00e9 \u00abn\u00e3o-dizer-sim\u00bb (<em>ne-aiere<\/em>) ao rosto nu e interpelante do outro, e \u00abn\u00e3o-dizer-sim\u00bb ao rosto nu e interpelante do outro \u00e9 n\u00e3o responder ao apelo-mandamento do seu rosto nu e interpelante, e n\u00e3o responder ao rosto nu e interpelante do outro define-se como \u00abindiferen\u00e7a\u00bb, pelo que, nos interst\u00edcios de\u00a0<em>negare<\/em>\u00a0[<em>neg<\/em>, forma refor\u00e7ada de\u00a0<em>ne<\/em>], j\u00e1 se entrev\u00ea\u00a0<em>necare<\/em>\u00a0[= matar]. Veja-se ent\u00e3o, em contraluz, o peso insuport\u00e1vel daquela declara\u00e7\u00e3o negativa de Jesus: \u00abTive fome e N\u00c3O ME destes de comer (-1), tive sede e N\u00c3O ME destes de beber (-2), era estrangeiro e N\u00c3O ME recolhestes (-3), nu e N\u00c3O ME vestistes (-4), estive doente e na pris\u00e3o e N\u00c3O ME visitastes (-5 e -6) (v. 42-43)\u00bb, situa\u00e7\u00e3o bem retratada na confiss\u00e3o de Caim, o assassino do seu irm\u00e3o: \u00abA minha culpa \u00e9 demasiado pesada para a suportar\u00bb (G\u00e9nesis 4,13). Mas tamb\u00e9m o orante que reza nos Salmos confessa: \u00abAs minhas culpas est\u00e3o em acima da minha cabe\u00e7a; como um fardo pesado, s\u00e3o demasiado pesadas para mim\u00bb (Salmo 38,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A selar a declara\u00e7\u00e3o afirmativa de Jesus, encontramos uma dupla afirma\u00e7\u00e3o sobre o \u00abfazer\u00bb: \u00abEm verdade vos digo: cada vez que o\u00a0<em>fizestes<\/em>\u00a0a UM destes\u00a0<em>meus irm\u00e3os<\/em>, os mais pequenos, a MIM o\u00a0<em>fizestes<\/em>\u00bb (v. 40). O mesmo acontecendo no final da declara\u00e7\u00e3o negativa de Jesus, com uma dupla afirma\u00e7\u00e3o sobre o \u00abn\u00e3o-fazer\u00bb: \u00abEm verdade vos digo: cada vez que N\u00c3O o\u00a0<em>fizestes<\/em>\u00a0a UM destes, os mais pequenos, tamb\u00e9m a MIM o N\u00c3O\u00a0<em>fizestes<\/em>\u00bb (v. 45). O narrador informa-nos, no v. 46, que estes v\u00e3o para o \u00abcastigo eterno\u00bb, a que Jesus j\u00e1 tinha chamado \u00abfogo eterno\u00bb (v. 41), e os justos para a \u00abvida eterna\u00bb, a que Jesus j\u00e1 tinha chamado \u00abReino para v\u00f3s preparado\u00bb (v. 34), em linha com a formula\u00e7\u00e3o das Bem-Aventuran\u00e7as 1.\u00aa e 8.\u00aa (Mateus 5,3 e 10). A condena\u00e7\u00e3o aqui mostrada, sem que outros crit\u00e9rios tenham sido considerados no \u00e2mbito da f\u00e9 ou da moral, assenta na ina\u00e7\u00e3o. Tal como nas duas par\u00e1bolas que precedem imediatamente o nosso texto de Mateus 25,31-46, a par\u00e1bola das dez virgens (Mateus 25,1-13) e a par\u00e1bola dos talentos (Mateus 25,14-30), sucede \u00e0s virgens insensatas, que n\u00e3o se prepararam, e ao servo que ficou paralisado pelo medo, e enterrou o seu talento. As virgens insensatas e o servo que nada fez n\u00e3o se aperceberam da aten\u00e7\u00e3o vigilante, da prontid\u00e3o e da urg\u00eancia que o Reino dos C\u00e9us requer de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ou\u00e7amos hoje com qualificada aten\u00e7\u00e3o Ezequiel 34,11-12.15-17. O cen\u00e1rio apresentado mostra-nos Deus como Pastor amoroso, companheiro de viagem dos seus filhos. Deus surge retratado com os verbos \u00abprocurar\u00bb, \u00abcurar\u00bb, \u00abreunir\u00bb, \u00abconduzir\u00bb, \u00abfazer repousar\u00bb, \u00abapascentar\u00bb. Mas tamb\u00e9m \u00e9 dito que Deus far\u00e1 justi\u00e7a entre ovelhas e ovelhas, carneiros e cabritos, preparando assim a cena grandiosa de Mateus 25,31-46. Assim tamb\u00e9m Jesus, Pastor e Rei, passou pelo meio de n\u00f3s, tratando as nossas feridas e lavando-nos os p\u00e9s e a alma, e o seu Reino novo n\u00e3o \u00e9 inaugurado com uma solene parada militar, mas com a sua pris\u00e3o e introniza\u00e7\u00e3o no trono da Cruz!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Neste imenso e denso contexto, recebemos hoje tamb\u00e9m a li\u00e7\u00e3o magistral que S\u00e3o Paulo oferece aos Cor\u00edntios e a n\u00f3s (1 Cor\u00edntios 15,20-28). \u00abCristo foi ressuscitado dos mortos,\u00a0<em>prim\u00edcias<\/em>\u00a0dos que adormeceram\u00bb (1 Cor\u00edntios 15,20). Ele \u00e9, portanto, o\u00a0<em>primeiro<\/em>\u00a0Homem a ser ressuscitado. E se \u00e9 o primeiro e prim\u00edcias, ent\u00e3o representa-nos a todos e constitui promessa e certeza para todos. Nele a morte foi vencida para todos. A esperan\u00e7a fundamenta-se na certeza deste Acontecimento principal da Vida do Senhor, que d\u00e1 significado a todos os outros acontecimentos da sua Vida, ao inteiro Antigo Testamento, \u00e0 Igreja e \u00e0 vida de todos os homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Recebendo este mundo novo, que a n\u00f3s chega como vida nova dada aos filhos, e por eles recebida, deixemos ent\u00e3o ressoar em n\u00f3s a m\u00fasica sublime do Salmo 23, e deixemo-nos conduzir pela m\u00e3o carinhosa e pela voz maternal e melodiosa do Bom Pastor. Sim, Ele recebe bem os seus h\u00f3spedes: faz-nos uma visita guiada pelos seus prados muito verdes, cheios de \u00e1guas muito azuis, unge com \u00f3leo perfumado a nossa cabe\u00e7a, estende no ch\u00e3o do seu c\u00e9u a \u00abpele de vaca\u00bb (<em>shulhan<\/em>), que \u00e9 a sua mesa, serve-nos vinhos generosos\u2026 Confessou o fil\u00f3sofo franc\u00eas Henri Bergson: \u00abAs centenas de livros que li nunca me trouxeram tanta luz e conforto como os versos do Salmo 23\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Leitura-I-do-Domingo-XXXIV-Solenidade-de-Cristo-Rei-Ano-A-26.11.2023-Ez-34-1-12.15-17.pdf\">Leitura I do Domingo XXXIV &#8211; Solenidade de Cristo-Rei &#8211; Ano A &#8211; 26.11.2023 (Ez 34, 1-12.15-17)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Leitura-II-do-Domingo-XXXIV-Solenidade-de-Cristo-Rei-Ano-A-26.11.2023-1-Cor-15-20-26.28.pdf\">Leitura II do Domingo XXXIV &#8211; Solenidade de Cristo-Rei &#8211; Ano A &#8211; 26.11.2023 (1 Cor 15, 20-26.28)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Domingo-XXXIV-do-Tempo-Comum-Solenidade-de-Cristo-Rei-Ano-A-26.11.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XXXIV do Tempo Comum &#8211; Solenidade de Cristo-Rei &#8211; Ano A &#8211; 26.11.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Domingo-XXXIV-do-Tempo-Comum-Solenidade-de-Cristo-Rei-Ano-A-26.11.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXXIV do Tempo Comum &#8211; Solenidade de Cristo-Rei &#8211; Ano A &#8211; 26.11.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Mensagem-do-Francisco-para-a-XXXVIII-Jornada-Mundial-da-Juventude-26.11.2023.pdf\">Mensagem do Francisco para a XXXVIII Jornada Mundial da Juventude &#8211; 26.11.2023<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Dia-Diocesano-da-Juventude-2023.pdf\">Dia Diocesano da Juventude 2023<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXXIII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 19.11.2023 VII Dia Mundial dos Pobres&#8221; tab_id=&#8221;1701077412276-10915751-7d53&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XXXIII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 19.11.2023<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>VII Dia Mundial dos Pobres<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Domingo-XXXIII.jpg\" alt=\"\" width=\"555\" height=\"597\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Liturgia da Palavra de hoje \u00e9 o convite a vivermos com alegria, entusiasmo e compromisso cada dia da nossa vida, aproveitando cada dia, cada momento, cada tempo como uma oportunidade \u00fanica e irrepet\u00edvel de fazer do mundo um lugar melhor e mais feliz. Por isso, recordo as palavras do papa Bento XVI, em Portugal, quando reunido no CCB, dizia aos artistas: \u00ab<em>Fazei coisas belas, mas sobretudo, fazei das vossas vidas lugares de beleza<\/em>\u00bb. A vida \u00e9 um dos mais belos e mais preciosos dons que Deus colocou em nossas m\u00e3os e somos convidados a fazer dela a mais bela obra-prima do amor, na constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Evangelho conta-nos a par\u00e1bola de \u00ab<em>um homem,\u00a0<\/em>[que]\u00a0<em>ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens<\/em>\u00bb. O nosso Deus, quando entrou na grande aventura da cria\u00e7\u00e3o do mundo, na Sua infinita sabedoria criou o homem e a mulher e dotou-os de dons, qualidades e virtudes. Todos os dons, bons e belos, todos os bens criados foram confiados por Deus a cada homem e a cada mulher. Por isso, o evangelho deste Domingo recorda-nos que tamb\u00e9m cada um de n\u00f3s \u00e9 um administrador, um fiel deposit\u00e1rio do amor e da gra\u00e7a que Deus abundantemente derrama sobre n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A cada um Deus confiou n\u00e3o s\u00f3 os bens da cria\u00e7\u00e3o, mas a cada um dotou de tantos dons, qualidades e gra\u00e7as que somos chamados a fazer render, germinar e crescer, pois Deus derrama o Seu amor sobre n\u00f3s em abund\u00e2ncia. Sinal desta abund\u00e2ncia \u00e9 a quantia confiada a cada servo na par\u00e1bola. O talento era uma unidade de medida de cerca de 60Kg. A supor que o que este senhor confiou a cada servo foram talentos de ouro, imaginemos quanto n\u00e3o valia o que foi depositado nas m\u00e3os de cada servo, a um 300kg, a outro 120kg e a outro 60kg.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Deus de Jesus Cristo \u00e9 o Deus generoso que derrama em abund\u00e2ncia os seus dons e confia-nos tantos dons e qualidades, sobretudo o dom do seu amor e a sua paz. Aceitemos o desafio de Jesus e n\u00e3o deixemos que o comodismo nos deixe instalados e a viver daquilo que nos foi dado sem o fazer render e crescer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Verificamos que na par\u00e1bola do Evangelho n\u00e3o foi confiado o mesmo a cada um, nem cada um fez render os seus talentos do mesmo modo. Na verdade, todos somos diferentes e a todos Deus confia dons e qualidades diferentes. Mas n\u00e3o deixemos o medo apoderar-se de n\u00f3s. N\u00e3o deixemos as falsas imagens de Deus assombrarem a nossa vida, tal como o terceiro servo desta par\u00e1bola: \u00ab<em>Senhor, eu sabia que \u00e9s um homem severo, que colhes onde n\u00e3o semeaste e recolhes onde nada lan\u00e7aste. Por isso, tive medo e escondi o teu talento na terra<\/em>\u00bb. Este homem tinha uma imagem desfigurada do seu senhor e tamb\u00e9m n\u00f3s, tantas vezes, temos uma imagem errada e desfigurada de Deus: um Deus mau e castigador que n\u00e3o nos acolhe e que nos impede de ser verdadeiramente felizes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como afirmou Aten\u00e1goras de Constantinopla: \u00ab<em>hoje n\u00e3o tenho medo de nada, porque o amor afasta todo o temor. Eis porque n\u00e3o tenho medo: se o Esp\u00edrito Santo nos d\u00e1 a gra\u00e7a de nos abrimos ao Deus que faz novas todas as coisas, Ele apaga o nosso bruto passado e abre diante de n\u00f3s um tempo absolutamente novo, no qual tudo \u00e9 verdadeiramente poss\u00edvel<\/em>\u00bb.<strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + <\/em><\/strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + \u00a0+ + <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em>No dia 19 de novembro, <strong>Domingo XXXIII do Tempo Comum<\/strong>, celebra-se o <strong>VII Dia Mundial dos Pobres<\/strong>. Para este ano, o Santo Padre escreveu uma mensagem com um t\u00edtulo retirado do livro de Tobias:\u00a0<em>\u00abNunca afastes de algum pobre o teu olhar\u00bb\u00a0<\/em>(<em>Tb<\/em>4,7). Al\u00e9m da divulga\u00e7\u00e3o do conte\u00fado e texto desta mensagem, este Domingo \u00e9 uma ocasi\u00e3o privilegiada para recordar o nosso compromisso crist\u00e3o com os mais desfavorecidos e indigentes. Pode dar-se a conhecer os diversos grupos e movimentos paroquiais que trabalham ao servi\u00e7o dos mais pobres, mas sem esquecer que a caridade n\u00e3o \u00e9 uma tarefa de alguns ou apenas de um grupo, mas de toda a comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos no pen\u00faltimo domingo do tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, acompanhamos o evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Prov 31,10-13.19-20.30-31<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abAbre as m\u00e3os ao pobre e estende os bra\u00e7os ao indigente\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O &#8220;Livro dos Prov\u00e9rbios&#8221; apresenta v\u00e1rias cole\u00e7\u00f5es de ditos, de senten\u00e7as, de m\u00e1ximas, de prov\u00e9rbios (&#8220;mashal&#8221;) onde se cristaliza o resultado da reflex\u00e3o e da experi\u00eancia (&#8220;sabedoria&#8221;) de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de &#8220;s\u00e1bios&#8221; antigos (israelitas e alguns n\u00e3o israelitas). O objetivo desses prov\u00e9rbios \u00e9 definir uma esp\u00e9cie de &#8220;ordem&#8221; do mundo e da sociedade que, uma vez apreendida e aceite pelo indiv\u00edduo, o levar\u00e1 a uma integra\u00e7\u00e3o plena no meio em que est\u00e1 inserido. Dessa forma, o indiv\u00edduo poder\u00e1 viver sem traumas nem sobressaltos que destruam a sua harmonia interior e o incapacitem para dar o seu contributo \u00e0 comunidade. Ficar\u00e1, assim, de posse da chave para viver em harmonia consigo mesmo e com os outros, e assegurar\u00e1 uma vida feliz, tranquila e pr\u00f3spera.<br \/>\nO livro apresenta-se como tendo sido composto por Salom\u00e3o (cf. Prov 1,1), o rei &#8220;s\u00e1bio&#8221;, conhecido pelos seus dotes de governa\u00e7\u00e3o, pelos seus dons liter\u00e1rios, por numerosas senten\u00e7as s\u00e1bias (cf. 1 Re 3,16-28; 5,7; 10,1-9.23) e que se tornou uma esp\u00e9cie de &#8220;padr\u00e3o&#8221; da tradi\u00e7\u00e3o sapiencial&#8230; Na realidade, n\u00e3o podemos aceitar, de forma acr\u00edtica, essa indica\u00e7\u00e3o: a leitura atenta do livro revela que estamos diante de cole\u00e7\u00f5es de proveni\u00eancia diversa, compostas em \u00e9pocas diversas. Alguns dos materiais apresentados no livro podem ser do s\u00e9c. X a.C. (\u00e9poca de Salom\u00e3o; no entanto, isso n\u00e3o implica que venham do pr\u00f3prio Salom\u00e3o); outros, no entanto, s\u00e3o bem mais recentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que nos \u00e9 hoje proposto aparece no final do Livro dos Prov\u00e9rbios. Apresenta-se literariamente como um &#8220;poema alfab\u00e9tico&#8221; (poema em que a primeira letra de cada verso segue a ordem das letras do alfabeto: a primeira palavra do primeiro verso come\u00e7a com a letra &#8220;alef&#8221;, a primeira palavra do segundo verso come\u00e7a com a letra &#8220;bet&#8221; e assim sucessivamente). Tema do poema: a mulher virtuosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Provavelmente, o Livro dos Prov\u00e9rbios foi usado como manual para a forma\u00e7\u00e3o de jovens que frequentavam as escolas de &#8220;sabedoria&#8221;. Este poema, situado no final do livro, poderia ser a &#8220;instru\u00e7\u00e3o final&#8221;: antes de abandonar a escola e depois de haver assimilado os ensinamentos dos &#8220;s\u00e1bios&#8221;, o aluno era instru\u00eddo acerca da elei\u00e7\u00e3o da esposa. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mais do que uma mulher virtuosa ideal, o &#8220;s\u00e1bio&#8221; autor do texto que nos \u00e9 proposto exalta todos aqueles &#8211; mulheres e homens &#8211; que conduzem a sua vida de acordo com os valores do trabalho, do empenho, do compromisso, da generosidade, do &#8220;temor de Deus&#8221;. S\u00e3o estes valores, na opini\u00e3o do autor, que nos asseguram uma vida feliz, tranquila e pr\u00f3spera. Numa \u00e9poca em que a cultura do &#8220;deixa andar&#8221;, da desresponsabiliza\u00e7\u00e3o, do ego\u00edsmo se afirma cada vez mais, este texto constitui uma poderosa interpela\u00e7\u00e3o&#8230; Na verdade, por que caminhos \u00e9 que chegamos \u00e0 vida e \u00e0 felicidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O nosso texto sugere tamb\u00e9m uma reflex\u00e3o sobre as nossas prioridades&#8230; Da mulher virtuosa diz-se que n\u00e3o se preocupa com os valores ef\u00e9meros (a apar\u00eancia), mas que se preocupa com os valores eternos (o &#8220;temor de Deus&#8221;). Quais s\u00e3o as prioridades da nossa vida? Quais s\u00e3o os valores em que apostamos a nossa exist\u00eancia? Os nossos valores fundamentais s\u00e3o valores que nos trazem felicidade duradoura?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A refer\u00eancia \u00e0 generosidade para com o pobre e o necessitado \u00e9 questionante&#8230; Como \u00e9 que consideramos e tratamos aqueles irm\u00e3os que nos batem \u00e0 porta, a pedir um peda\u00e7o de p\u00e3o, um pouco de aten\u00e7\u00e3o, ou ajuda para deslindar um qualquer problema burocr\u00e1tico? Temos o cora\u00e7\u00e3o aberto aos irm\u00e3os e pronto para ajudar, ou fechamo-nos \u00e0 caridade, \u00e0 partilha, ao dom?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A refer\u00eancia ao &#8220;temor de Deus&#8221; como valor primordial na vida da mulher ou do homem &#8220;s\u00e1bio&#8221; e virtuoso tamb\u00e9m merece a nossa considera\u00e7\u00e3o. No Antigo Testamento, o &#8220;temor de Deus&#8221; \u00e9 a qualidade do homem ou da mulher que ama Deus, que procura conhecer os seus planos e projetos e que cumpre &#8211; com obedi\u00eancia radical e com total confian\u00e7a &#8211; a vontade de Deus. Esta depend\u00eancia de Deus &#8211; diz-nos um &#8220;s\u00e1bio&#8221; de Israel &#8211; n\u00e3o diminui a nossa liberdade, nem atenta contra a nossa realiza\u00e7\u00e3o; pelo contr\u00e1rio, \u00e9 condi\u00e7\u00e3o essencial para a realiza\u00e7\u00e3o plena do homem. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 127<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: Ditoso o que segue o caminho do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Tes 5,1-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abN\u00e3o durmamos como os outros, mas permane\u00e7amos vigilantes e s\u00f3brios\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 J\u00e1 vimos, no passado domingo, que um dos problemas fundamentais para os tessalonicenses residia na compreens\u00e3o dos acontecimentos ligados \u00e0 parusia (regresso de Jesus, no final dos tempos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Paulo e as primeiras gera\u00e7\u00f5es crist\u00e3s acreditavam que o &#8220;dia do Senhor&#8221; (o dia da interven\u00e7\u00e3o definitiva de Deus na hist\u00f3ria, para derrotar os maus e para conduzir os bons \u00e0 vida plena e definitiva) surgiria num espa\u00e7o de tempo muito curto e que os membros da comunidade ainda assistiriam ao triunfo final de Jesus. No entanto, os dias foram passando e, provavelmente, faleceu algum membro da comunidade. Por isso, os tessalonicenses perguntavam: qual ser\u00e1 a sorte dos crist\u00e3os que morreram antes da segunda vinda de Cristo? Como poder\u00e3o eles sair ao encontro de Cristo vitorioso e entrar com Ele no Reino de Deus se j\u00e1 est\u00e3o mortos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A estas quest\u00f5es Paulo respondeu j\u00e1 no texto que nos foi proposto no passado domingo&#8230; Mas, no texto de hoje, Paulo continua a sua reflex\u00e3o sobre o &#8220;dia em que o Senhor vir\u00e1&#8221; e sobre a forma como os crist\u00e3os o devem preparar. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, ter em conta os seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A quest\u00e3o fundamental que os crist\u00e3os devem p\u00f4r, a prop\u00f3sito da segunda vinda do Senhor, n\u00e3o \u00e9 a quest\u00e3o da data, mas \u00e9 a quest\u00e3o de como esperar e preparar esse momento. Paulo deixa claro que o que \u00e9 preciso \u00e9 estar vigilante. &#8220;Estar vigilante&#8221; n\u00e3o significa ficar a olhar para o c\u00e9u \u00e0 espera do Senhor, esquecendo e negligenciando as quest\u00f5es do mundo e os problemas dos homens; mas significa viver, no dia a dia, de acordo com os ensinamentos de Jesus, empenhando-se na transforma\u00e7\u00e3o do mundo e na constru\u00e7\u00e3o do Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A certeza da segunda vinda do Senhor d\u00e1 aos crentes uma perspetiva diferente da vida, do seu sentido e da sua finalidade&#8230; Para os n\u00e3o crentes, a vida encerra-se dentro dos limites estreitos deste mundo e, por isso, s\u00f3 interessam os valores deste mundo; para os crentes, a verdadeira vida, a vida em plenitude, est\u00e1 para al\u00e9m dos horizontes da hist\u00f3ria e, por isso, \u00e9 preciso viver de acordo com os valores eternos, os valores de Deus. Assim, na perspetiva dos crentes, n\u00e3o s\u00e3o os valores ef\u00e9meros, os valores deste mundo (o dinheiro, o poder, os \u00eaxitos humanos) que devem constituir a prioridade e que devem dominar a exist\u00eancia, mas sim os valores de Deus. Quais s\u00e3o os valores que eu considero priorit\u00e1rios e que condicionam as minhas op\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A certeza da segunda vinda do Senhor aponta tamb\u00e9m no sentido da esperan\u00e7a. Os crist\u00e3os esperam, em serena expectativa, a salva\u00e7\u00e3o que j\u00e1 receberam antecipadamente com a morte de Cristo, mas que ir\u00e1 consumar-se no &#8220;dia do Senhor&#8221;. Os crentes s\u00e3o, pois, homens e mulheres de esperan\u00e7a, abertos ao futuro &#8211; um futuro a conquistar, j\u00e1 nesta terra, com f\u00e9 e com amor, mas sobretudo um futuro a esperar, como dom de Deus.<strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 25,14-30<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abUm homem, ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abMuito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abA todo aquele que tem, dar-se-\u00e1 mais e ter\u00e1 em abund\u00e2ncia\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mais uma vez, o Evangelho apresenta-nos um extrato do &#8220;discurso escatol\u00f3gico&#8221; (cf. Mt 24-25), onde Mateus aborda o tema da segunda vinda de Jesus e define a atitude com que os disc\u00edpulos devem esperar e preparar essa vinda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A catequese que Mateus apresenta neste discurso tem em conta as necessidades da sua comunidade crist\u00e3. Estamos no final do s\u00e9c. I (d\u00e9cada de 80). Os crist\u00e3os, fartos de esperar a segunda vinda de Jesus, esqueceram o seu entusiasmo inicial&#8230; Instalaram-se na mediocridade, na rotina, no comodismo, na facilidade. As persegui\u00e7\u00f5es que se adivinham provocam o des\u00e2nimo e a deser\u00e7\u00e3o&#8230; Era preciso reaquecer o entusiasmo dos crentes, redespertar a f\u00e9, renovar o compromisso crist\u00e3o com Jesus e com a constru\u00e7\u00e3o do Reino.<br \/>\n\u00c9 para responder a este contexto que Mateus reelabora o &#8220;discurso escatol\u00f3gico&#8221; de Marcos (cf. Mc 13) e comp\u00f5e, com ele, uma exorta\u00e7\u00e3o dirigida aos crist\u00e3os. Lembra-lhes que a segunda vinda do Senhor est\u00e1 no horizonte final da hist\u00f3ria humana; e que, at\u00e9 l\u00e1, os crentes devem &#8220;p\u00f4r a render os seus talentos&#8221;, vivendo na fidelidade aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com a constru\u00e7\u00e3o do Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A par\u00e1bola que hoje nos \u00e9 proposta fala de &#8220;talentos&#8221; que um senhor distribuiu pelos servos. Um &#8220;talento&#8221; significa uma quantia muito consider\u00e1vel&#8230; Corresponde a cerca de 36 quilos de prata e ao sal\u00e1rio de aproximadamente 3.000 dias de trabalho de um oper\u00e1rio n\u00e3o qualificado. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, considerar os seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Antes de mais, \u00e9 preciso ter presente que n\u00f3s, os crist\u00e3os, somos agora no mundo as testemunhas de Cristo e do projeto de salva\u00e7\u00e3o\/liberta\u00e7\u00e3o que o Pai tem para os homens. \u00c9 com o nosso cora\u00e7\u00e3o que Jesus continua a amar os publicanos e os pecadores do nosso tempo; \u00e9 com as nossas palavras que Jesus continua a consolar os que est\u00e3o tristes e desanimados; \u00e9 com os nossos bra\u00e7os abertos que Jesus continua a acolher os imigrantes que fogem da mis\u00e9ria e da degrada\u00e7\u00e3o; \u00e9 com as nossas m\u00e3os que Jesus continua a quebrar as cadeias que prendem os escravizados e oprimidos; \u00e9 com os nossos p\u00e9s que Jesus continua a ir ao encontro de cada irm\u00e3o que est\u00e1 sozinho e abandonado; \u00e9 com a nossa solidariedade que Jesus continua a alimentar as multid\u00f5es famintas do mundo e a dar medicamentos e cultura \u00e0queles que nada t\u00eam&#8230; N\u00f3s, crist\u00e3os, membros do &#8220;corpo de Cristo&#8221;, que nos identificamos com Cristo, temos a grave responsabilidade de O testemunhar e de deixar que, atrav\u00e9s de n\u00f3s, Ele continue a amar os homens e as mulheres que caminham ao nosso lado pelos caminhos do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os dois &#8220;servos&#8221; da par\u00e1bola que, talvez correndo riscos, fizeram frutificar os &#8220;bens&#8221; que o &#8220;senhor&#8221; lhes deixou, mostram como devemos proceder, enquanto caminhamos pelo mundo \u00e0 espera da segunda vinda de Jesus. Eles tiveram a ousadia de n\u00e3o se contentar com o que j\u00e1 tinham; n\u00e3o se deixaram dominar pelo comodismo e pela apatia&#8230;. Lutaram, esfor\u00e7aram-se, arriscaram, ganharam. Todos os dias, h\u00e1 crist\u00e3os que t\u00eam a coragem de arriscar. N\u00e3o aceitam a injusti\u00e7a e lutam contra ela; n\u00e3o pactuam com o ego\u00edsmo, o orgulho, a prepot\u00eancia e prop\u00f5em, em troca, os valores do Evangelho; n\u00e3o aceitam que os grandes e poderosos decidam os destinos do mundo e t\u00eam a coragem de lutar objetivamente contra os projetos desumanos que desfeiam esta terra; n\u00e3o aceitam que a Igreja se identifique com a riqueza, com o poder, com os grandes e esfor\u00e7am-se por torn\u00e1-la mais pobre, mais simples, mais humana, mais evang\u00e9lica; n\u00e3o aceitam que a liturgia tenha de ser sempre t\u00e3o solene que assuste os mais simples, nem t\u00e3o et\u00e9rea que n\u00e3o tenha nada a ver com a vida do dia a dia&#8230; Muitas vezes, s\u00e3o perseguidos, condenados, desautorizados, reduzidos ao sil\u00eancio, incompreendidos; muitas vezes, no seu excesso de zelo, cometem erros de avalia\u00e7\u00e3o, fazem op\u00e7\u00f5es erradas&#8230; Apesar de tudo, Jesus diz-lhes: &#8220;muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu Senhor&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O servo que escondeu os &#8220;bens&#8221; que o Senhor lhe confiou mostra como n\u00e3o devemos proceder, enquanto caminhamos pelo mundo \u00e0 espera da segunda vinda de Jesus. Esse servo contentou-se com o que j\u00e1 tinha e n\u00e3o teve a ousadia de querer mais; entregou-se sem luta, deixou-se dominar pelo comodismo e pela apatia&#8230; N\u00e3o lutou, n\u00e3o se esfor\u00e7ou, n\u00e3o arriscou, n\u00e3o ganhou. Todos os dias h\u00e1 crist\u00e3os que desistem por medo e cobardia e se demitem do seu papel na constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor. Limitam-se a cumprir as regras, ou a refugiar-se no seu cantinho c\u00f3modo, sem for\u00e7a, sem vontade, sem coragem de ir mais al\u00e9m. N\u00e3o falham, n\u00e3o cometem &#8220;pecados graves&#8221;, n\u00e3o fazem mal a ningu\u00e9m, n\u00e3o correm riscos; limitam-se a repetir sempre os mesmos gestos, sem inovar, sem purificar, sem nada transformar; n\u00e3o fazem, nem deixam fazer e limitam-se a criticar asperamente aqueles que se esfor\u00e7am por mudar as coisas&#8230; N\u00e3o p\u00f5em a render os &#8220;bens&#8221; que Deus lhes confiou e deixam-nos secar sem dar frutos. Jesus diz-lhes: &#8220;servo mau e pregui\u00e7oso, sabias que ceifo onde n\u00e3o semeei e recolho onde n\u00e3o lancei; devias, portanto, depositar o meu dinheiro no banco e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu&#8221;. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>\u00a0A <strong>primeira leitura<\/strong> abre com uma interroga\u00e7\u00e3o que deve ser bem entoada porque ela introduz todo o texto. Seguem-se frases curtas que devem ser lidas pausadamente e bem encadeadas para marcar o ritmo do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na <strong>segunda leitura,<\/strong> deve haver um especial cuidado na leitura da express\u00e3o \u00ab<em>Paz e seguran\u00e7a<\/em>\u00bb. Deve haver cuidado na pausa que intercala a forma verbal \u00ab<em>disserem<\/em>\u00bb e esta express\u00e3o para que se introduza o texto que vem a seguir e n\u00e3o como quem conclui a frase.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/11\/14\/negociantes-ousados-ou-o-tempo-todo-sentados-em-cima-do-tesouro-2\/\"><strong>NEGOCIANTES OUSADOS OU O TEMPO TODO SENTADOS EM CIMA DO\u00a0TESOURO<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A par\u00e1bola do Domingo passado (XXXII) terminava assim: \u00abVigiai, pois, porque n\u00e3o sabeis o dia nem a hora\u00bb (Mateus 25,13). E a par\u00e1bola <strong>deste Domingo, XXXIII do Tempo Comum<\/strong>, que segue imediatamente a anterior (Mateus 25,14-30), agrafa-se a ela, utilizando tr\u00eas motivos tem\u00e1ticos e liter\u00e1rios: a) se a par\u00e1bola do Domingo passado terminava incutindo uma atitude de vigil\u00e2ncia: \u00abVigiai, pois\u2026\u00bb [<em>gregore\u00eete o\u00fbn<\/em>], a de hoje encaixa ou imbrica-se nela, dizendo em que consiste essa atitude de vigil\u00e2ncia, iniciando com: \u00ab\u00c9, na verdade, como\u2026\u00bb [<em>h\u00f4sper g\u00e1r<\/em>] (Mateus 25,14); b) o atraso do noivo na par\u00e1bola anterior (Mateus 25,5) corresponde ao \u00abmuito tempo depois\u00bb da par\u00e1bola de hoje (Mateus 25,19); c) as virgens operosas da par\u00e1bola anterior, que tinham tudo preparado, correspondem aos dois servos operosos da par\u00e1bola de hoje: elas entram na sala do banquete (Mateus 25,10), como eles entram na alegria do seu Senhor (Mateus 25,21 e 23); do mesmo modo que as virgens n\u00e3o operosas da par\u00e1bola anterior, que n\u00e3o tinham tudo preparado, t\u00eam o seu paralelo no servo mau e pregui\u00e7oso da par\u00e1bola de hoje: elas ficam fora da porta da sala do banquete (Mateus 25,12), como ele \u00e9 exclu\u00eddo da alegria do seu Senhor (Mateus 25,30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entrando agora mais dentro da par\u00e1bola deste Domingo XXXIII (Mateus 25,14-30), somos logo levados a tomar consci\u00eancia de que um imenso dom, vindo de Deus, precede sempre a nossa a\u00e7\u00e3o: cinco talentos, dois talentos, um talento\u2026 \u00e9 sempre uma imensa quantidade dada logo \u00e0 partida!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O talento come\u00e7ou por ser uma unidade de peso, usada sobretudo para medir metais preciosos. Por exemplo, na Babil\u00f3nia, um talento equivalia a 60 quilos. Imagine-se ent\u00e3o o valor de um talento de ouro! Em \u00e9pocas sucessivas, no per\u00edodo helen\u00edstico, o valor do talento baixou, situando-se ent\u00e3o entre 35 e 26 quilos. De qualquer modo, um talento equivalia ent\u00e3o a 6000 den\u00e1rios, sendo que o den\u00e1rio era o sal\u00e1rio normal de um dia de trabalho. Um talento, 6000 den\u00e1rios, era assim o equivalente a uma vida inteira de trabalho! Portanto, quer seja um, dois ou cinco talentos, \u00e9 sempre um imenso dom que nos \u00e9 entregue! \u00c9 sabido que o grande humanista Erasmo de Roterd\u00e3o (1467-1536) partiu desta p\u00e1gina do Evangelho para dar a estes \u00abtalentos\u00bb o sentido novo do \u00abtalento\u00bb ou \u00abcapacidades\u00bb que distinguem cada ser humano. Esta acostagem \u00e9 poss\u00edvel, se respeitarmos as devidas dist\u00e2ncias. O Evangelho n\u00e3o fala tanto do empenho, dos m\u00e9ritos, das capacidades de cada um, mas mais, muito mais da gra\u00e7a preveniente de Deus, do primado da gra\u00e7a de Deus em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Bem! O andamento da par\u00e1bola continua a dizer-nos que os talentos entregues por Deus a cada um de n\u00f3s n\u00e3o s\u00e3o como uma pedra preciosa que h\u00e1 que guardar ciosamente. S\u00e3o antes como uma imensa soma de dinheiro que h\u00e1 que p\u00f4r a render, ou como uma semente que h\u00e1 que semear para produzir ra\u00edzes, caule, ramos, folhas, flores e frutos. S\u00f3 que esta imensa soma de dinheiro ou esta semente capaz de um tal desenvolvimento s\u00e3o-nos entregues sem instru\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 assim que a par\u00e1bola progride, mostrando-nos que os dois primeiros servos n\u00e3o perderam tempo, mas partiram logo (<em>euth\u00e9\u00f4s<\/em>) (Mateus 25,15 e 17) e obtiveram resultados fant\u00e1sticos [100% de lucro] (Mateus 25,20 e 22). Mas o terceiro, ao contr\u00e1rio, agiu como se o talento recebido fosse uma pedra preciosa, e guardou-a ciosamente, para, a seu tempo, a devolver intacta ao seu dono.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As raz\u00f5es do comportamento estranho deste terceiro servo, s\u00e3o-nos manifestadas depois, quando este servo se explica aquando da chegada, \u00abmuito tempo depois\u00bb, do seu Senhor. Ele diz, escolhendo mal as palavras: \u00abEu sei que \u00e9s um homem duro (<em>skl\u00ear\u00f3s<\/em>), que colhes onde n\u00e3o semeaste e juntas onde n\u00e3o espalhaste. Tive medo, e escondi o teu talento na terra\u00bb (Mateus 25,24-25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aqui est\u00e3o as respostas erradas, que v\u00eam desde\u00a0<em>Adam<\/em>. Tamb\u00e9m\u00a0<em>Adam<\/em>, nosso l\u00eddimo representante, teve medo de Deus e escondeu-se dele (cf. Gn 3,10). Na esteira de\u00a0<em>Adam<\/em>, tamb\u00e9m este terceiro servo da par\u00e1bola de Mateus ficou tolhido pelo medo e optou por jogar pelo seguro, que se vem a revelar falso. O medo deriva, nos dois casos, de uma falsa imagem de Deus, que \u00e9 visto como um homem duro e exigente. \u00c9 assim que ficamos muitas vezes paralisados, sem perceber a l\u00f3gica dos dons de Deus, a come\u00e7ar pelo dom de Deus por excel\u00eancia, que \u00e9 o Esp\u00edrito Santo. Sim, os dons do Deus da par\u00e1bola s\u00e3o din\u00e2micos, e n\u00e3o pedras est\u00e1ticas e im\u00f3veis! E o Deus da par\u00e1bola \u00e9 o Senhor da alegria (Mateus 25,21 e 23), e n\u00e3o do medo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Portanto, a vigil\u00e2ncia de Mateus 25,13 (\u00abVigiai, pois\u2026\u00bb) manifesta-se em sermos ativos, generosos, corajosos e ousados desde o primeiro momento (\u00abpartir logo\u00bb) (Mateus 25,21 e 23), e n\u00e3o em ficarmos tolhidos, frios e inertes, ciosamente guardando um grande tesouro\u2026 Negociantes ousados, e n\u00e3o o tempo todo sentados em cima do tesouro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A li\u00e7\u00e3o do Livro dos Prov\u00e9rbios 31,10-31, hoje lida aos repel\u00f5es (vv. 10-13.19-20.29-31) mostra-nos, por assim dizer, o retrato da \u00abmulher ideal\u00bb. N\u00e3o se fala da sua beleza nem do charme feminino. Vemo-la, antes, como esposa, m\u00e3e e dona de casa, sempre atenta a tudo e a todos. N\u00e3o vive centrada em si mesma, de forma autorreferencial, mas olha para todos e por todos \u00e0 sua volta, n\u00e3o esquecendo os pobres e necessitados (v. 20), que est\u00e3o no centro das suas aten\u00e7\u00f5es e no centro do poema. Como este belo modelo encaixa bem no cora\u00e7\u00e3o deste Dia Mundial dos Pobres, que hoje se vive e celebra. Ela faz tudo, e tudo sabe fazer bem. N\u00e3o perde tempo. Esta figura modelar encaixa \u00e0 maravilha na par\u00e1bola dos talentos do Evangelho de hoje. Nas suas m\u00e3os e em tudo o que faz, ela p\u00f5e a render os talentos que Deus, no seu Des\u00edgnio Divino, lhe entregou. \u00c9 ainda de real\u00e7ar que este magn\u00edfico poema (Prov\u00e9rbios 31,10-31) \u00e9 alfab\u00e9tico, isto \u00e9, os seus 22 vers\u00edculos seguem, uma ap\u00f3s outra, as 22 letras do alfabeto hebraico, e constitui o fecho do Livro dos Prov\u00e9rbios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Ap\u00f3stolo, por sua vez, na sua Primeira Carta aos Tessalonicenses 5,1-6, reclama de n\u00f3s a vigil\u00e2ncia permanente, sem nunca nos deixarmos embalar pelos preg\u00f5es dos distribuidores de son\u00edferos e de tranquilizantes, que v\u00e3o pregando \u00abpaz e seguran\u00e7a\u00bb (1 Tessalonicenses 5,3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sim, as 45 palavras hebraicas do Salmo 128 enchem-nos de paz, luz, serenidade. Respira-se tamb\u00e9m a fragr\u00e2ncia da videira e a juventude da oliveira. Mas a fam\u00edlia cantada neste Salmo n\u00e3o est\u00e1 fechada sobre si mesma, mas aberta \u00e0 comunidade por Deus aben\u00e7oada. Portanto, do per\u00edmetro da casa e da mesa em que vivem e se sentam pais e filhos, avista-se e sente-se a paz da Cidade Santa, Jerusal\u00e9m. N\u00e3o \u00e9 de admirar que a tradi\u00e7\u00e3o judaica tenha sabido extrair deste Salmo as \u00absete b\u00ean\u00e7\u00e3os para as n\u00fapcias\u00bb. Saboreemos o perfume deste extrato: \u00abBendito, \u00f3 Senhor, que concedeste ao esposo e \u00e0 esposa j\u00fabilo, canto, gozo, alegria, amor, paz, fraternidade e amizade. Possam depressa e para sempre, \u00f3 Senhor, ressoar gritos de gozo em Jerusal\u00e9m, cidade santa. Possa levantar-se, cheia, a voz jubilosa do esposo e da esposa e os coros gozosos de quem os acompanha na sua alegria. Bendito \u00e9s tu, Senhor, que alegras o esposo com a sua esposa!\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Leitura-I-do-Domingo-XXXIII-do-Tempo-Comum-Ano-A-19.11.2023-Prov-31-10-13.19-20.30-31.pdf.pdf\">Leitura I do Domingo XXXIII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 19.11.2023 (Prov 31, 10-13.19-20.30-31)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Leitura-II-do-Domingo-XXXIII-do-Tempo-Comum-Ano-A-19.11.2023-1-Tes-5-1-6.pdf.pdf\">Leitura II do Domingo XXXIII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 19.11.2023 (1 Tes 5, 1-6)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Domingo-XXXIII-do-Tempo-Comum-Ano-A-19.11.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XXXIII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 19.11.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Domingo-XXXIII-do-Tempo-Comum-Ano-A-19.11.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXXIII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 19.11.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Mensagem-do-Papa-Francisco-para-o-VII-DIA-MUNDIAL-DOS-POBRES-19.11.2023.pdf\">Mensagem do Papa Francisco para o VII DIA MUNDIAL DOS POBRES &#8211; 19.11.2023<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/VII-Dia-Mundial-dos-Pobres-na-Diocese-do-Porto-.pdf\">VII Dia Mundial dos Pobres na Diocese do Porto<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXXII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 12.11.2023&#8243; tab_id=&#8221;1700472081277-438a47f3-363c&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XXXII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 12.11.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Domingo-XXXII.jpg\" alt=\"\" width=\"654\" height=\"500\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Somos homens e mulheres que se deixam fascinar por Jesus, o Pregador da Galileia, o Rosto misericordioso do Pai que nos convida a olhar a vida como um tempo de espera vigilante e confiante porque Ele \u00e9 o Senhor do Tempo e da Hist\u00f3ria, porque a Sua vida rasga para n\u00f3s horizontes de esperan\u00e7a e nos oferece um horizonte de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade que s\u00f3 Ele nos pode oferecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O crist\u00e3o vive nesta atitude de espera permanente, como sentinela vigilante porque o Senhor veio, vem e vir\u00e1. Queremos estar vigilantes para acolher Aquele que \u00e9 a Sabedoria do Pai e que \u00ab<em>se deixa ver facilmente \u00e0queles que a amam e faz-se encontrar aos que a procuram<\/em>\u00bb. Jesus, a Sabedoria do Pai, \u00e9 a Ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida, como nos recorda S. Paulo. O Ressuscitado vivo e glorioso, atuante e presente na hist\u00f3ria e na vida da humanidade \u00e9 horizonte de esperan\u00e7a mesmo diante do limite maior da nossa exist\u00eancia. Pela Sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o a morte torna-se porta para a vida, o rebentar das \u00e1guas para uma vida em plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 este Jesus que n\u00f3s queremos esperar vigilantes, com l\u00e2mpadas acesas e com as almotolias cheias de azeite, como homens e mulheres que vivem com o cora\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para acolher a luz que brota do cora\u00e7\u00e3o de Deus. Esta arte de viver a esperan\u00e7a tem como segredo deixar-se fascinar, moldar e transformar por Aquele que esperamos em cada dia e que n\u00e3o vem atrasado, mas que no amor nos antecipa e, por isso, nos amou primeiro para que, com Ele e como Ele, aprendamos a amar aqueles que se encontram connosco na estrada da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab<em>Senhor, senhor, abre-nos a porta!<\/em>\u00bb, assim gritam aquelas virgens que n\u00e3o estavam preparadas e que tendo ido comprar azeite voltaram quando a porta estava j\u00e1 fechada. Ouve-se l\u00e1 de dentro a resposta: \u00ab<em>em verdade vos digo: N\u00e3o vos conhe\u00e7o<\/em>\u00bb. Para mim, sempre me pareceu muito duro este di\u00e1logo. Como pode, Aquele Jesus de Nazar\u00e9 que afirmou em alta voz ser a \u00abPorta das Ovelhas\u00bb, \u00abcaminho, verdade e vida\u00bb, \u00abPastor que vai ao encontro da ovelha perdida\u00bb ser este esposo que apenas responde: \u00abn\u00e3o vos conhe\u00e7o\u00bb?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Onde est\u00e1 o misericordioso Mestre da Galileia que vive de porta aberta para acolher a todos e que como Bom Pastor conhece cada ovelha pelo nome? Jesus, manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o, prop\u00f5e uma radicalidade de vida que nos provoca e desinstala. Desafia-nos a entrar dentro do nosso cora\u00e7\u00e3o, a mergulhar no mais \u00edntimo de n\u00f3s e a responder \u00e0 pergunta que o Papa Francisco deixava meditando este texto evang\u00e9lico: \u00ab<em>um dia ser\u00e1 o \u00faltimo. E se fosse hoje, como estaria preparado?<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esta pergunta \u00e9 para mim e para ti, mas importa responder a esta pergunta com um cora\u00e7\u00e3o cheio de confian\u00e7a e esperan\u00e7a, de quem se sabe fr\u00e1gil, pequeno e pecador e, por isso, totalmente entregue nas m\u00e3os de Deus, nas m\u00e3os Daquele que nos chama da morte \u00e0 vida, da mentira \u00e0 verdade, do desespero \u00e0 esperan\u00e7a. A nossa confian\u00e7a e esperan\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o uma mera aliena\u00e7\u00e3o ou uma proje\u00e7\u00e3o dos nossos sonhos ou desejos mais \u00edntimos, mas t\u00eam a consist\u00eancia de um Rosto, o Rosto misericordioso de Cristo, que nos sustenta no Seu amor e que enche as nossas l\u00e2mpadas tantas vezes apagadas e adormecidas. Por isso, queremos cantar e proclamar que s\u00f3 em Jesus encontramos a for\u00e7a necess\u00e1ria para percorrer com esperan\u00e7a o caminho certo: \u00ab<em>A minha alma tem sede de V\u00f3s, meu Deus<\/em>\u00bb.<strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Sab 6,12-16<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abA Sabedoria \u00e9 luminosa e o seu brilho \u00e9 inalter\u00e1vel; deixa-se ver facilmente \u00e0queles que a amam e faz-se encontrar aos que a procuram.\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O &#8220;Livro da Sabedoria&#8221; \u00e9 o mais recente de todos os livros do Antigo Testamento (aparece durante a primeira metade do s\u00e9c. I a.C.). O seu autor &#8211; um judeu de l\u00edngua grega, provavelmente nascido e educado na Di\u00e1spora (Alexandria?) &#8211; exprimindo-se em termos e conce\u00e7\u00f5es do mundo hel\u00e9nico, faz o elogio da &#8220;sabedoria&#8221; israelita, tra\u00e7a o quadro da sorte que espera o justo e o \u00edmpio no mais-al\u00e9m e descreve (com exemplos tirados da hist\u00f3ria do \u00caxodo) as sortes diversas que tiveram os pag\u00e3os (id\u00f3latras) e os hebreus (fi\u00e9is a Jahw\u00e9h). O seu objetivo \u00e9 duplo: dirigindo-se aos seus compatriotas judeus (mergulhados no paganismo, na idolatria, na imoralidade), convida-os a redescobrirem a f\u00e9 dos pais e os valores judaicos; dirigindo-se aos pag\u00e3os, convida-os a constatar o absurdo da idolatria e a aderir a Jahw\u00e9h, o verdadeiro e \u00fanico Deus&#8230; Para uns e para outros, s\u00f3 Jahw\u00e9h garante a verdadeira &#8220;sabedoria&#8221; e a verdadeira felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que nos \u00e9 proposto pertence \u00e0 segunda parte do livro (cf. Sab 6,1-9,18). A\u00ed, o autor do livro coloca na boca do rei Salom\u00e3o (embora o nome do rei nunca seja referido explicitamente) o &#8220;elogio da sabedoria&#8221;. Dirigindo-se aos outros reis, Salom\u00e3o convida-os a acolher a &#8220;sabedoria&#8221; (cf. Sab 6,11), pois ela \u00e9 bela, inalter\u00e1vel e garante a imortalidade e o reinado eterno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O que \u00e9 esta &#8220;sabedoria&#8221; de que aqui se fala? A &#8220;sabedoria&#8221; \u00e9 a arte de bem viver, de ser feliz. Consta de um conjunto de princ\u00edpios pr\u00e1ticos, de normas de comportamento deduzidas da reflex\u00e3o e da experi\u00eancia, destinadas a orientar o homem sobre a forma de conduzir-se na vida do dia a dia. O objetivo dessas normas \u00e9 proporcionar ao homem uma vida harmoniosa, equilibrada, ordenada, cheia de \u00eaxitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto, a reflex\u00e3o israelita acabou por identificar a &#8220;sabedoria&#8221; com a Torah (Lei de Deus). Ser &#8220;s\u00e1bio&#8221; \u00e9 &#8211; para a reflex\u00e3o judaica da \u00e9poca em que o &#8220;Livro da Sabedoria&#8221; apareceu &#8211; cumprir integralmente os mandamentos da Lei. Na &#8220;sabedoria&#8221;\/Torah, revelada por Jahw\u00e9h, est\u00e1 o caminho para ter \u00eaxito, para ultrapassar os obst\u00e1culos que a vida traz e para ser feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 neste contexto que devemos entender este convite \u00e0 &#8220;sabedoria&#8221;.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir dos seguintes dados<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A &#8220;sabedoria&#8221; de que o autor da primeira leitura fala \u00e9 um dom de Deus para que o homem saiba conduzir a sua vida ao encontro da verdadeira vida e da verdadeira felicidade. Deus n\u00e3o \u00e9 um advers\u00e1rio do homem, com ci\u00fames do homem, preocupado em impedir a felicidade e a realiza\u00e7\u00e3o do homem; mas \u00e9 um Deus cheio de amor, preocupado em proporcionar ao homem todas as possibilidades de ser feliz e de se realizar plenamente. A nossa leitura convida-nos a ver em Deus esse Pai cheio de amor, preocupado com a felicidade dos seus filhos, sempre disposto a oferecer-lhes os seus dons e a conduzi-los para a vida e para a salva\u00e7\u00e3o; e convida-nos a uma aten\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, a fim de detetarmos e acolhermos esses dons que, a cada instante, Deus nos oferece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O que \u00e9 decisivo para que o homem tenha acesso pleno aos dons de Deus \u00e9 a sua disponibilidade para acolher e para aceitar esses dons&#8230; Deus coloca os seus dons \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do homem, de forma gratuita e incondicional; ao homem \u00e9 pedido apenas que n\u00e3o se feche no seu ego\u00edsmo e na sua autossufici\u00eancia, mas abra o seu cora\u00e7\u00e3o \u00e0 gra\u00e7a que Deus lhe oferece. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 62 (63)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: A minha alma tem sede de V\u00f3s, meu Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Tes 4,13-18<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSe acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo, Deus levar\u00e1 com Jesus os que em Jesus tiverem morrido.\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De acordo com os &#8220;Actos dos Ap\u00f3stolos&#8221;, Paulo n\u00e3o teve muito tempo para evangelizar os tessalonicenses. Depois de poucas semanas de prega\u00e7\u00e3o, um motim habilmente preparado pelos judeus da cidade obrigou-o a deixar precipitadamente Tessal\u00f3nica, deixando atr\u00e1s de si uma comunidade crist\u00e3 fervorosa e entusiasta, mas insuficientemente preparada do ponto de vista catequ\u00e9tico (cf. Act 17,1-10). Paulo foi para Bereia, depois para Atenas e Corinto. De Corinto, Paulo enviou Tim\u00f3teo ao encontro dos tessalonicenses, para verificar como \u00e9 que a comunidade se estava a aguentar face \u00e0 hostilidade dos judeus. No regresso a Corinto, Tim\u00f3teo deu conta a Paulo da situa\u00e7\u00e3o da comunidade: os tessalonicenses continuavam a viver com entusiasmo a sua f\u00e9, embora sentissem algumas d\u00favidas em quest\u00f5es de f\u00e9 e de doutrina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Um dos problemas teol\u00f3gicos que mais preocupava os tessalonicenses era a quest\u00e3o da parusia (regresso de Jesus, no final dos tempos) &#8230; Paulo e as primeiras gera\u00e7\u00f5es crist\u00e3s acreditavam que esse dia surgiria num espa\u00e7o de tempo muito curto e que assistiriam ao triunfo final de Jesus. A este prop\u00f3sito os tessalonicenses punham, no entanto, um problema muito pr\u00e1tico: qual ser\u00e1 a sorte dos crist\u00e3os que morrerem antes da segunda vinda de Cristo? Como poder\u00e3o sair ao encontro de Cristo vitorioso e entrar com ele no Reino de Deus se j\u00e1 est\u00e3o mortos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 ent\u00e3o que Paulo escreve aos tessalonicenses, encorajando-os na f\u00e9 e respondendo \u00e0s suas d\u00favidas. Estamos no ano 50 ou 51. O texto que nos \u00e9 proposto \u00e9 parte desse esclarecimento sobre a parusia que Paulo incluiu na carta. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o e partilha, considerar as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A certeza da ressurrei\u00e7\u00e3o garante-nos que Deus tem um projeto de salva\u00e7\u00e3o e de vida para cada homem; e que esse projeto est\u00e1 a realizar-se continuamente em n\u00f3s, at\u00e9 \u00e0 sua concretiza\u00e7\u00e3o plena, quando nos encontrarmos definitivamente com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A nossa vida presente n\u00e3o \u00e9, pois, um drama absurdo, sem sentido e sem finalidade; \u00e9 uma caminhada tranquila, confiante &#8211; ainda quando feita no sofrimento e na dor &#8211; em dire\u00e7\u00e3o a esse desabrochar pleno, a essa vida total em que se revelar\u00e1 o Homem Novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Isso n\u00e3o quer dizer que devamos ignorar as coisas boas deste mundo, vivendo apenas \u00e0 espera da recompensa futura, no c\u00e9u; quer dizer que a nossa exist\u00eancia deve ser &#8211; j\u00e1 neste mundo &#8211; uma busca da vida e da felicidade; isso implicar\u00e1 uma n\u00e3o conforma\u00e7\u00e3o com tudo aquilo que nos rouba a vida e que nos impede de alcan\u00e7ar a felicidade plena, a perfei\u00e7\u00e3o \u00faltima (a n\u00f3s e a todos os homens nossos irm\u00e3os).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel viver com medo, depois desta descoberta: podemos comprometer-nos na luta pela justi\u00e7a e pela paz, com a certeza de que a injusti\u00e7a e a opress\u00e3o n\u00e3o podem p\u00f4r fim \u00e0 vida que nos anima; e \u00e9 na medida em que nos comprometemos com esse mundo novo e o constru\u00edmos com gestos concretos, que estamos a anunciar a ressurrei\u00e7\u00e3o plena do mundo, dos homens e das coisas. <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 25,1-13<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO reino dos C\u00e9us pode comparar-se a dez virgens, que, tomando as suas l\u00e2mpadas, foram ao encontro do esposo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abNo meio da noite ouviu-se um brado: \u2018A\u00ed vem o esposo; ide ao seu encontro\u2019\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abVigiai, porque n\u00e3o sabeis o dia nem a hora\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nos cap\u00edtulos 24 e 25 do seu Evangelho, Mateus apresenta um quinto e \u00faltimo discurso de Jesus. Para comp\u00f4-lo, Mateus reelaborou o chamado &#8220;discurso escatol\u00f3gico&#8221; de Marcos (cf. Mc 13) e ampliou-o com tr\u00eas par\u00e1bolas e uma impressionante descri\u00e7\u00e3o do ju\u00edzo final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Enquanto em Marcos, o &#8220;discurso escatol\u00f3gico&#8221; se refere, especialmente, aos sinais que preceder\u00e3o a destrui\u00e7\u00e3o do Templo de Jerusal\u00e9m, em Mateus o mesmo discurso aborda, sobretudo, o tema da segunda vinda de Jesus e a atitude com que os disc\u00edpulos devem preparar essa vinda. Esta mudan\u00e7a de perspetiva tem a ver com as necessidades da comunidade de Mateus&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos nos finais do s\u00e9c. I (d\u00e9cada de 80) &#8230; J\u00e1 tinha passado a &#8220;febre escatol\u00f3gica&#8221; e os crist\u00e3os j\u00e1 n\u00e3o esperavam a vinda iminente de Jesus. Passado o entusiasmo inicial, a vida de f\u00e9 dos crentes tinha arrefecido e a comunidade tinha-se instalado na rotina, no comodismo, na facilidade&#8230;. Era preciso algo que abanasse os disc\u00edpulos e os despertasse de novo para o compromisso com o Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Neste contexto, Mateus descobre que as palavras do &#8220;discurso escatol\u00f3gico&#8221; de Jesus encerram uma poderosa interpela\u00e7\u00e3o; ent\u00e3o comp\u00f5e, com elas, uma exorta\u00e7\u00e3o dirigida aos crist\u00e3os. Fundamentalmente, lembra-lhes que a segunda vinda do Senhor est\u00e1 no horizonte final da hist\u00f3ria humana; mas enquanto esse acontecimento n\u00e3o se realiza, os crentes s\u00e3o chamados a viver com coer\u00eancia e entusiasmo a sua f\u00e9, fi\u00e9is aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com a constru\u00e7\u00e3o do Reino. A isto, a catequese primitiva chama &#8220;estar vigilantes, \u00e0 espera do Senhor que vem&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A par\u00e1bola que hoje nos \u00e9 proposta alude aos rituais t\u00edpicos dos casamentos judaicos. De acordo com os costumes, a cerim\u00f3nia do casamento come\u00e7ava com a ida do noivo a casa da noiva, para lev\u00e1-la para a sua nova casa. Normalmente, o noivo chegava atrasado, pois devia, antes, discutir com os familiares da noiva os presentes que ofereceria \u00e0 fam\u00edlia da sua amada. As negocia\u00e7\u00f5es entre as duas partes eram demoradas e tinham uma importante fun\u00e7\u00e3o social&#8230; Os parentes da noiva deviam mostrar-se exigentes, sugerindo dessa forma que a fam\u00edlia perdia algo de muito precioso ao entregar a menina a outra fam\u00edlia; por outro lado, o noivo e os seus familiares ficavam contentes com as exig\u00eancias, pois dessa forma mostravam aos vizinhos e conhecidos o valor e a import\u00e2ncia dessa mulher que entrava na sua fam\u00edlia. Os que testemunhavam o acordo, estavam prontos para ir avisar a noiva de que as negocia\u00e7\u00f5es estavam conclu\u00eddas e o noivo ia chegar&#8230;. Enquanto isso, a noiva, vestida a preceito, esperava em casa do seu pai que o noivo viesse ao seu encontro. As amigas da noiva esperavam tamb\u00e9m, com as l\u00e2mpadas acesas, para acompanhar a noiva, entre dan\u00e7as e c\u00e2nticos, \u00e0 sua nova casa. Era a\u00ed que tinha lugar a festa do casamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 este pano de fundo que a nossa par\u00e1bola sup\u00f5e. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar as seguintes quest\u00f5es<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00f3s, os crist\u00e3os do s\u00e9c. XXI, n\u00e3o somos significativamente diferentes dos crist\u00e3os que integravam a comunidade de Mateus&#8230; Tamb\u00e9m percorremos um caminho de altos e baixos, em que os momentos de entusiasmo e de compromisso alternam com os momentos de instala\u00e7\u00e3o, de comodismo, de adormecimento, de pouco empenho. As dificuldades da caminhada, os apelos do mundo, a monotonia, as nossas fragilidades levam-nos, frequentemente, a esquecer os valores do Reino e a correr atr\u00e1s de valores ef\u00e9meros, que parecem garantir-nos a felicidade e s\u00f3 nos arrastam para caminhos de escravid\u00e3o e de frustra\u00e7\u00e3o. O Evangelho deste domingo lembra-nos que a segunda vinda do Senhor deve estar sempre no horizonte final da nossa exist\u00eancia e que n\u00e3o podemos alienar os valores do Evangelho, pois s\u00f3 eles nos mant\u00eam identificados com esse Senhor Jesus que h\u00e1-de voltar para nos oferecer a vida plena e definitiva. Enquanto caminhamos nesta terra devemos, pois, manter-nos atentos e vigilantes, fi\u00e9is aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com esse Reino que Ele nos mandou construir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8220;Estar preparado&#8221; n\u00e3o significa, contudo, ter a &#8220;alminha&#8221; limpa e sem mancha, para que, quando nos encontrarmos com o Senhor, Ele n\u00e3o tenha nenhuma falta n\u00e3o confessada a apontar-nos e nos leve para o c\u00e9u&#8230; Mas significa, sobretudo, vivermos dia a dia, de forma comprometida e entusiasta, o nosso compromisso batismal. &#8220;Estar preparado&#8221; passa por descobrirmos dia a dia os projetos de Deus para n\u00f3s e para o mundo e procurar concretiz\u00e1-los, com alegria e entusiasmo; &#8220;estar preparado&#8221; passa por fazermos da nossa vida, em cada instante, um dom aos irm\u00e3os, no servi\u00e7o, na partilha, no amor, ao jeito de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Embora o nosso texto se refira, primordialmente, ao nosso encontro final com Jesus, todos n\u00f3s temos consci\u00eancia de que esse momento n\u00e3o ser\u00e1 o nosso \u00fanico encontro com o Senhor&#8230; Jesus vem ao nosso encontro todos os dias e reclama o nosso empenho e o nosso compromisso na constru\u00e7\u00e3o de um mundo novo &#8211; o mundo do Reino. Ele faz ecoar o seu apelo na Palavra de Deus que nos questiona, na mis\u00e9ria de um pobre que nos interpela, no pedido de socorro de um homem escravizado, na solid\u00e3o de um velho carente de amor e de afeto, no sofrimento de um doente terminal abandonado por todos, no grito aflito de quem sofre a injusti\u00e7a e a viol\u00eancia, no olhar dolorido de um imigrante, no corpo esquel\u00e9tico de uma crian\u00e7a com fome, nas l\u00e1grimas do oprimido&#8230; O Evangelho deste domingo avisa-nos que n\u00e3o podemos instalar-nos no nosso ego\u00edsmo e na nossa autossufici\u00eancia e recusar-nos a escutar os apelos do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A hist\u00f3ria das jovens &#8220;insensatas&#8221; que se esqueceram do essencial faz-nos pensar na quest\u00e3o das prioridades&#8230; \u00c9 f\u00e1cil irmos &#8220;na onda&#8221;, preocuparmo-nos com o imediato, o vis\u00edvel, o ef\u00e9mero (o dinheiro, o poder, a influ\u00eancia, a imagem, o \u00eaxito, a beleza, os triunfos humanos&#8230;) e negligenciarmos os valores aut\u00eanticos. Mateus, com algum dramatismo, avisa-nos que s\u00f3 os valores do Evangelho nos asseguram a participa\u00e7\u00e3o no banquete do Reino. O objetivo da catequese de Mateus n\u00e3o \u00e9 dizer-nos que, se n\u00e3o nos portarmos bem, Deus nos castiga com o inferno; mas \u00e9 alertar-nos para a seriedade com que devemos avaliar as nossas op\u00e7\u00f5es, de forma a n\u00e3o perdermos oportunidades para nos realizarmos e para chegarmos \u00e0 felicidade plena e definitiva. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> deve ser marcada por um tom alegre e exortativo, convidando \u00e0 procura e acolhimento do dom da sabedoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>segunda leitura<\/strong> requer uma acurada prepara\u00e7\u00e3o nas pausas, respira\u00e7\u00f5es e ritmo da leitura para uma correta e articulada proclama\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/11\/07\/chegar-com-o-controlo-encerrado-2\/\"><strong>CHEGAR COM O CONTROLO\u00a0ENCERRADO<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O cen\u00e1rio \u00e9 o de um casamento judaico tradicional. No \u00faltimo dia dos festejos, depois do p\u00f4r-do-sol, o noivo, acompanhado pelos seus amigos, \u00e0 luz de tochas e ao som de c\u00e2nticos, formando um cortejo, dirigia-se para a casa da noiva, que o esperava, acompanhada pelas suas amigas. Quando o cortejo do noivo chegava ao seu destino, a noiva abandonava a sua casa com as suas amigas, e formava-se ent\u00e3o uma \u00fanica comitiva luminosa e ruidosa, que se dirigia para a casa do noivo onde se celebrava o casamento e tinha lugar o banquete nupcial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Evangelho deste <strong>Domingo XXXII do Tempo Comum (Mateus 25,1-13)<\/strong> come\u00e7a por aludir ao cen\u00e1rio referido no que diz respeito ao grupo das jovens amigas que acompanham a noiva que aguarda a chegada do cortejo do noivo. Note-se, por\u00e9m, que a noiva nunca \u00e9 referida no texto, e que o noivo n\u00e3o segue o ritual previsto, pois se atrasa muito para al\u00e9m da hora habitual. Mas tamb\u00e9m as amigas da noiva saltam fora do espelho, pois s\u00e3o divididas em dois estranhos grupos, iguais em n\u00famero, mas n\u00e3o em qualidade: cinco prudentes e cinco insensatas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dado o atraso, inesperado, do cortejo do noivo, as amigas da noiva acabam por adormecer todas, n\u00e3o se notando, neste particular, qualquer diferen\u00e7a entre os dois grupos. At\u00e9 que, no meio da noite, tamb\u00e9m inesperadamente, a vozearia do cortejo do noivo faz acordar, estremunhadas, as amigas da noiva, e \u00e9 agora que se notam as primeiras disson\u00e2ncias no comportamento dos dois grupos: as prudentes, juntamente com as suas tochas, necess\u00e1rias para entrar na luminosa comitiva noturna, levam tamb\u00e9m o indispens\u00e1vel combust\u00edvel: o azeite. A arqueologia tem mostrado estas antigas tochas e o seu funcionamento: um suporte de madeira em cuja cavidade superior se introduziam trapos e estopa, que eram ent\u00e3o embebidos em azeite, e acesos s\u00f3 na hora de sair para o exterior. S\u00e3o, na verdade, luzes de exterior, que nada t\u00eam a ver com as lucernas de interior. Depois de embebidas em azeite, e acesas, o seu tempo de dura\u00e7\u00e3o era de cerca de quinze minutos. Pelo que s\u00f3 deviam ser acesas imediatamente antes de sair. E, ainda assim, se a viagem demorasse, devia transportar-se tamb\u00e9m a vasilha do azeite, para n\u00e3o se correr o risco de a tocha se apagar. \u00c9 este segundo aspeto que separa as jovens insensatas das prudentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com as tochas apagadas e sem o indispens\u00e1vel azeite, as jovens insensatas n\u00e3o puderam integrar a comitiva nupcial. Enquanto foram comprar o azeite, p\u00f4s-se em marcha o cortejo at\u00e9 \u00e0 casa do noivo, deu-se in\u00edcio ao banquete e fechou-se a porta. Mais tarde, chegaram tamb\u00e9m as jovens insensatas, e disseram: \u00abSenhor, Senhor, abre-nos a porta\u00bb (Mateus 25,11). A resposta, por\u00e9m, surge com mais estrondo que o fechar da porta, e soa assim: \u00abEm verdade vos digo que n\u00e3o vos conhe\u00e7o\u00bb (Mateus 25,12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para se entender bem o alcance das locu\u00e7\u00f5es \u00abSenhor, Senhor\u00bb e \u00abn\u00e3o vos conhe\u00e7o\u00bb, importa reler atr\u00e1s, no Discurso program\u00e1tico da Montanha, Mateus 7,21-23: \u00abN\u00e3o todo aquele que me diz \u201cSenhor, Senhor\u201d, entrar\u00e1 no Reino dos C\u00e9us, mas sim aquele que faz a vontade do meu Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us. Muitos me dir\u00e3o naquele dia: \u201cSenhor, Senhor, n\u00e3o foi em teu nome que profetiz\u00e1mos e em teu nome que expuls\u00e1mos dem\u00f3nios e em teu nome que fizemos muitos milagres?\u201d Ent\u00e3o eu lhes declararei: \u201cNunca vos conheci\u201d\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E a prop\u00f3sito do bom conhecimento, importa revisitar ainda Mateus 12,48-50, para descobrir uma nova fam\u00edlia, que s\u00e3o as pessoas que melhor conhecemos: \u00ab\u201cQuem \u00e9 minha m\u00e3e e quem s\u00e3o meus irm\u00e3os?\u201d E estendendo a sua m\u00e3o para os seus disc\u00edpulos, disse: \u201cEis a minha m\u00e3e e os meus irm\u00e3os. Quem faz a vontade do meu Pai que est\u00e1 nos C\u00e9us, esse \u00e9 meu irm\u00e3o, minha irm\u00e3 e minha m\u00e3e\u201d\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Este noivo que demora a vir \u00e9 o Senhor. O tempo da sua demora \u00e9 o tempo que, por gra\u00e7a, nos \u00e9 dado a todos para estarmos sempre prontos, preparados e operosos. Afinal, as jovens insensatas tamb\u00e9m sabiam bem o que era necess\u00e1rio, tanto que acabaram por cumprir o programa e chegar \u00e0 meta. S\u00f3 que tarde e a m\u00e1s horas, e o controlo j\u00e1 estava encerrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto do Antigo Testamento que serve de espelho ao Evangelho de hoje, que fala do noivo, da luz e da vigil\u00e2ncia, \u00e9 o texto do Livro da Sabedoria 6,13-18. Sa\u00fada-se j\u00e1 por termos hoje a gra\u00e7a de escutar um bocadinho deste Livro delicioso, que poucas vezes encontramos na Liturgia. Alegramo-nos ainda porque encontramos neste bocadinho de p\u00e3o da Sabedoria o amor, a luz, o conhecimento, a busca incessante, o encontro feliz. Na verdade, a Sabedoria em Deus \u00e9 Deus, e constitui uma figura simb\u00f3lica que indica o amor de Deus, amor nupcial, transformante, unitivo. A Sabedoria \u00e9 Luz divina inalter\u00e1vel; portanto, Vida divina inalter\u00e1vel. Apresenta-se como uma esposa que vem ao nosso encontro, tomando a iniciativa do Amor. Portanto, a Sabedoria \u00e9 Gra\u00e7a preveniente, concomitante, consequente, que desposa cada fiel, e todos os fi\u00e9is reunidos em comunidade. Trabalho do Amor \u00e9 a Sabedoria, que atravessa o Novo Testamento como Sabedoria Incarnada. D\u00e1-nos, Senhor, a tua Sabedoria sempre diligente. Ensina-nos a bem contar os nossos dias (Salmo 90,12) e a saber cantar as nossas alegrias. Vem, Senhor Jesus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Escutamos e escrutamos uma vez mais um grande e claro texto da Primeira Carta aos Tessalonicenses 4,13-18, sa\u00eddo da pena de S. Paulo que, de Corinto, capital da Acaia, da casa de Priscila e \u00c1quila, onde estava hospedado, escreve aos crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica, capital da Maced\u00f3nia, certamente respondendo a d\u00favidas que de l\u00e1 lhe foram trazidas e reportadas. No extrato de hoje, trata-se de saber se a for\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo (cf. Filipenses 3,10) tamb\u00e9m chega \u00e0queles que j\u00e1 morreram. O texto diz bem, como ainda hoje n\u00f3s usamos dizer na liturgia, aqueles que\u00a0<em>adormeceram<\/em>\u00a0em Cristo, usando o verbo grego\u00a0<em>koim\u00e1omai<\/em>, em cuja raiz est\u00e1 tamb\u00e9m\u00a0<em>koim\u00easis<\/em>\u00a0[= sono] e\u00a0<em>koim\u00eat\u00earion<\/em>\u00a0[= cemit\u00e9rio], que \u00e9 o dormit\u00f3rio, o lugar onde se dorme. A resposta de Paulo \u00e9 clara: com a vinda do Senhor, e \u00e0 sua voz de comando, todos ressuscitaremos com Ele, os mortos [= os que dormem] e os vivos. Sim, vem a hora, e \u00e9 agora, em que os que morreram ouvir\u00e3o a voz do Filho de Deus, e viver\u00e3o (cf. Jo\u00e3o 5,25 e 28). N\u00e3o nos deixemos, portanto, habitar pela tristeza, porque temos connosco a esperan\u00e7a, que nos atira para al\u00e9m do horizonte das mais elementares leis da natureza. O neopaganismo em que vive atolada esta sociedade vende uma finitude, em que o finito, o defunto, que \u00e9 aquele que deixou de funcionar, deve ser assumido como tal, ponto final. O Cristianismo tamb\u00e9m sabe desta finitude, mas enquanto a finitude neopag\u00e3 \u00e9 vista como\u00a0<em>natural<\/em>, n\u00f3s, crist\u00e3os, vemo-la como\u00a0<em>criatural<\/em>. Ent\u00e3o, no Cristianismo, o homem tem um fim, n\u00e3o por ser mortal, mas por ser\u00a0<em>criado<\/em>. E, portanto, a nossa finitude crist\u00e3 est\u00e1 fundada sobre o Criador, e n\u00e3o sobre n\u00f3s mesmos. A maneira de ver neopag\u00e3 n\u00e3o tem sa\u00edda, nem a quer ter, nem a pode ter. Ao contr\u00e1rio, a \u00f3tica crist\u00e3 remete para o Criador, deixando-nos, portanto, no terreno firme da esperan\u00e7a e da confian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Salmo 63 \u00e9 conhecido como \u00abo c\u00e2ntico do amor m\u00edstico\u00bb, atravessado por uma apaixonada intensidade, bem expressa na primeira afirma\u00e7\u00e3o ou declara\u00e7\u00e3o de amor \u00e0 boca do Salmo, mas que enche, de resto, o Salmo inteiro: \u00abO meu Deus \u00e9s Tu\u00bb [<em>\u02bcel\u00ee \u02bcattah<\/em>], a que responde e corresponde Deus em Isa\u00edas 43,1, declarando: \u00abPara mim tu \u00e9s\u00bb [<em>l\u00ee \u02bcattah<\/em>]. Tudo o resto no Salmo 63 assenta sobre esta certeza. A minha vida recebida (<em>naphsh\u00ee<\/em>), por quatro vezes referida (v. 2.5.9.10) agarra-se amorosamente (<em>dabaq<\/em>) a Ti (v. 9), canta o teu amor, vive de Ti, tem sede de Ti, como cantaremos no refr\u00e3o. A beleza, intensidade e espiritualidade que atravessam este Salmo ganham visibilidade na liturgia bizantina das manh\u00e3s de Domingo, e os v. 3-6 entram no c\u00e2none eucar\u00edstico armeno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Leitura-I-Domingo-XXXII-do-Tempo-Comum-Ano-A-12.11.2023-Sab-6-12-16.pdf\">Leitura I &#8211; Domingo XXXII do Tempo Comum &#8211; Ano A -12.11.2023 (Sab 6, 12-16)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Leitura-II-Domingo-XXXII-dso-Tempo-Comum-Ano-A-12.11.2023-1-Tes-4-13-18.pdf\">Leitura II &#8211; Domingo XXXII dso Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 12.11.2023 (1 Tes 4, 13-18)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Domingo-XXXII-do-Tempo-Comum-Ano-A-12.11.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XXXII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 12.11.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Domingo-XXXII-do-Tempo-Comum-Ano-A-12.11.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXXII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 12.11.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXXI do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 05.11.2023&#8243; tab_id=&#8221;1699891335583-c2135561-ff37&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XXXI do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 05.11.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/dtc-05-11-2023.jpg\" alt=\"\" width=\"544\" height=\"232\" srcset=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/dtc-05-11-2023.jpg 544w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/dtc-05-11-2023-300x128.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 544px) 100vw, 544px\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p>A liturgia do 31\u00ba Domingo do Tempo Comum convida-nos a uma reflex\u00e3o s\u00e9ria sobre a seriedade, a verdade e a coer\u00eancia do nosso compromisso com Deus e com o Reino. De forma especial, as leituras deste domingo interpelam os animadores das comunidades crist\u00e3s acerca da verdade do seu testemunho, da pureza dos seus motivos, do seu real empenho na constru\u00e7\u00e3o de comunidades comprometidas com os valores do\u00a0 Evangelho. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/p>\n<p>A Igreja Cat\u00f3lica em Portugal vai celebrar a Semana de Ora\u00e7\u00e3o pelos Semin\u00e1rios 2023, este ano de 5 a 12 de novembro, tem com o tema b\u00edblico <strong><em>\u201cN\u00e3o tenhas medo. Ser\u00e1s pescador de homens\u201d,<\/em><\/strong> do Evangelho de S\u00e3o Lucas (Lc 5,10b).<\/p>\n<p>\u201cSer sacerdote \u00e9 anunciar o Evangelho, \u00e9 ajudar as pessoas a sa\u00edrem de tudo aquilo que as afoga, libertar da morte das \u00e1guas e trazer \u00e0 vida. Essa \u00e9 uma boa nova e \u00e9 tamb\u00e9m um ato de amor. Transmitir confian\u00e7a, esperan\u00e7a no meio do des\u00e2nimo e do fatalismo. \u00c9 um desafio para muitos jovens que participaram de perto ou \u00e0 dist\u00e2ncia na Jornada Mundial da Juventude\u201d, escreve D. Vitorino Soares, numa mensagem para esta semana de Ora\u00e7\u00e3o Pelos Semin\u00e1rios. <strong><em>in R\u00e1dio Renascen\u00e7a.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p>Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p>E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a><\/strong>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Mal 1,14b-2,2b.8-10<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p>O nome &#8220;Malaquias&#8221; n\u00e3o \u00e9 um nome pr\u00f3prio. Significa &#8220;o meu mensageiro&#8221;. \u00c9 o t\u00edtulo tomado por um profeta an\u00f3nimo, sobre o qual praticamente nada sabemos e que se apresenta como &#8220;mensageiro&#8221; de Jahw\u00e9h.<br \/>\nTrata-se, em qualquer caso, de um profeta que atua em Jerusal\u00e9m, no per\u00edodo p\u00f3s-ex\u00edlico. Ele \u00e9 um aguerrido defensor dos valores judaicos, fervoroso pregador de reformas, zeloso defensor do culto aut\u00eantico, favor\u00e1vel ao Templo, \u00e0 pureza dos sacerdotes e dos levitas, defensor dos sacrif\u00edcios e contr\u00e1rio aos matrim\u00f3nios mistos (entre judeus e n\u00e3o judeus).<\/p>\n<p>Na sua \u00e9poca, o Templo j\u00e1 havia sido reconstru\u00eddo (cf. Mal 1,10) e o culto j\u00e1 funcionava &#8211; ainda que mal (cf. Mal 1,7-9. 12-13). No entanto, o entusiasmo pela reconstru\u00e7\u00e3o estava apagado. Desanimado ao ver que as antigas promessas de Deus (veiculadas por Ezequiel e pelo Deutero-Isa\u00edas) n\u00e3o se tinham cumprido, o Povo tinha ca\u00eddo na apatia religiosa e na absoluta falta de confian\u00e7a em Deus&#8230; Duvidava do amor de Deus, da sua justi\u00e7a, do seu interesse por Jud\u00e1. Todo este ceticismo tinha repercuss\u00f5es no culto (cada vez mais desleixado) e na \u00e9tica (multiplicavam-se as falhas, as injusti\u00e7as, as arbitrariedades). Este quadro, posterior \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o do Templo, situa-nos na primeira metade do s\u00e9c. V a.C. (entre 480 e 450 a.C.), muito pr\u00f3ximo da \u00e9poca de Esdras e Neemias.<\/p>\n<p>Este &#8220;mensageiro de Deus&#8221; reage vigorosamente contra a situa\u00e7\u00e3o em que o Povo de Jud\u00e1 est\u00e1 a cair. Coloca cada um diante das suas responsabilidades para com Jahw\u00e9h e para com o pr\u00f3ximo, exige a convers\u00e3o do Povo e a reforma da vida cultual. A sua l\u00f3gica \u00e9 a l\u00f3gica deuteronomista; se o Povo se obstinar em percorrer caminhos de infidelidade \u00e0 Alian\u00e7a, voltar\u00e1 a conhecer a morte e a infelicidade; mas se o Povo se voltar para Jahw\u00e9h e cumprir os mandamentos, voltar\u00e1 a gozar da vida e da felicidade que Deus oferece \u00e0queles que seguem os seus caminhos.<\/p>\n<p>O texto de Malaquias que hoje nos \u00e9 oferecido faz parte de uma longa per\u00edcope na qual o profeta se queixa pela falta de respeito e pelo desprezo que a comunidade judaica sente pelo nome de Jahw\u00e9h (cf. Mal 1,6-2,9). Os culpados da situa\u00e7\u00e3o s\u00e3o, sobretudo, os sacerdotes&#8230; Eles deviam ser os primeiros a potenciar a rela\u00e7\u00e3o entre o Povo e Deus; mas, preocupados com os seus interesses pessoais e animados pelo esp\u00edrito de lucro, oferecem sobre o altar alimentos impuros (cf. Mal 1,7), sacrificam animais cegos, coxos ou doentes (cf. Mal 1,8), fazendo com que os actos cultuais sejam a express\u00e3o, n\u00e3o do amor, mas da indiferen\u00e7a e da falta de respeito do Povo por Jahw\u00e9h.<\/p>\n<p>Culpados da pervers\u00e3o do culto, os sacerdotes s\u00e3o culpados de outra coisa ainda mais grave: eles falsificam gravemente a Palavra de Deus. \u00c9 a esta quest\u00e3o que a nossa leitura de hoje se refere. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Considerar, na reflex\u00e3o, os seguintes desenvolvimentos:<\/strong><\/p>\n<p>Por detr\u00e1s da den\u00fancia que a primeira leitura de hoje nos apresenta, est\u00e1 uma comunidade instalada no des\u00e2nimo, no ceticismo e na apatia. Estes sentimentos negativos v\u00e3o conduzir ao laxismo, \u00e0 indiferen\u00e7a, ao desrespeito pelos compromissos; e, continuando a escorregar pelo mesmo plano inclinado, a comunidade ir\u00e1, inevitavelmente, cair em atitudes concretas de falta de respeito e de desprezo para com Deus, de injusti\u00e7a e de viol\u00eancia para com os irm\u00e3os. Nenhuma das nossas comunidades crist\u00e3s ou religiosas est\u00e1 isenta desta &#8220;doen\u00e7a&#8221; e pode garantir que n\u00e3o percorrer\u00e1 um caminho semelhante&#8230; S\u00f3 uma comunidade que aceita p\u00f4r-se em cont\u00ednuo processo de convers\u00e3o pode evitar um processo deste tipo, ao redescobrir, em cada instante, os fundamentos da sua f\u00e9 e da sua esperan\u00e7a e ao revitalizar os seus compromissos com Deus e com os irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Aos animadores das comunidades foi confiada por Deus e pela Igreja a miss\u00e3o fundamental de interpelar a comunidade, de revitalizar o seu \u00e2nimo, de recordar a cada crente os seus compromissos, de testemunhar a todos o amor de Deus&#8230; Aqueles que, de alguma forma, t\u00eam responsabilidades na anima\u00e7\u00e3o das comunidades, desempenham este servi\u00e7o com dedica\u00e7\u00e3o e entusiasmo, conscientes da grave responsabilidade que assumiram diante de Deus e da Igreja, ou instalam-se no comodismo e na indiferen\u00e7a, deixando que a sua comunidade caminhe \u00e0 deriva e sem objetivos? Os animadores das nossas comunidades crist\u00e3s s\u00e3o apenas funcion\u00e1rios que asseguram o expediente das &#8220;nove \u00e0s cinco&#8221;, com intervalo sagrado para almo\u00e7o e sesta, ou s\u00e3o crist\u00e3os respons\u00e1veis que, fi\u00e9is \u00e0 miss\u00e3o que lhes foi confiada, p\u00f5em a vida ao servi\u00e7o de Deus e dos irm\u00e3os? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 130 (131)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: Guardai-me junto de V\u00f3s, na vossa paz, Senhor.<\/p>\n<p><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Tes 2,7b-9.13<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p>Quando escreve a Primeira Carta aos Tessalonicenses, Paulo est\u00e1 em Corinto. De Tessal\u00f3nica chegaram, por Tim\u00f3teo, not\u00edcias animadoras: os tessalonicenses continuam empenhados em viver, com fidelidade, o Evangelho que Paulo lhes anunciou. Nem as dificuldades do dia a dia, nem a deficiente forma\u00e7\u00e3o doutrinal, nem a hostilidade das autoridades de Tessal\u00f3nica conseguiram arrefecer o entusiasmo dos membros da comunidade. Eles s\u00e3o, verdadeiramente, um modelo para as comunidades crist\u00e3s de toda a Gr\u00e9cia. Paulo escreve, ent\u00e3o, animando-os a prosseguir no caminho da fidelidade a Jesus e ao Evangelho. Aproveita tamb\u00e9m para esclarecer algumas quest\u00f5es de car\u00e1cter doutrinal e para corrigir alguns aspetos da vida da comunidade. Estamos na primeira metade do ano 50 ou 51.<\/p>\n<p>Nos tr\u00eas primeiros cap\u00edtulos da carta, Paulo agradece a Deus pela sua a\u00e7\u00e3o em favor da comunidade (cf. 1 Tes 1,1-3,13). A comunidade nasceu e consolidou-se de forma t\u00e3o prodigiosa e em t\u00e3o pouco tempo, que \u00e9 preciso ver em tudo isso a interven\u00e7\u00e3o de Deus. O cora\u00e7\u00e3o de Paulo de Paulo transborda, pois, de alegria e de agradecimento&#8230;<\/p>\n<p>Depois de uma cl\u00e1ssica ora\u00e7\u00e3o de louvor a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo, que tornaram poss\u00edvel em Tessal\u00f3nica o milagre do Evangelho (cf. 1 Tes 1,2-10), Paulo evoca emocionadamente, sempre em clima de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, os in\u00edcios dessa jovem, mas entusiasta comunidade crist\u00e3 (cf. 1 Tes 2,1-12). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Na reflex\u00e3o, ter em conta as seguintes linhas:<\/strong><\/p>\n<p>Esta p\u00e1gina diz-nos, em primeiro lugar, que os anunciadores do Evangelho n\u00e3o podem ser simples funcion\u00e1rios, frios e distantes, que cumprem pontual e burocraticamente a tarefa que lhes foi confiada; mas que t\u00eam de ser como uma m\u00e3e cheia de amor, que ama com ternura os seus filhos, que partilha tudo com eles, que se sacrifica alegremente por eles e que entrega totalmente a sua pr\u00f3pria vida para que os filhos tenham mais vida. O an\u00fancio do Evangelho tem de ser, antes de mais, um servi\u00e7o de amor. \u00c9 assim que n\u00f3s &#8211; aqueles a quem foi confiada a miss\u00e3o de anunciar o Evangelho &#8211; agimos? O nosso trabalho \u00e9 feito com amor e com entrega total, ou com o esp\u00edrito de funcion\u00e1rio cansado que despacha o expediente para se ver livre de uma tarefa mon\u00f3tona e fastidiosa? Aqueles que contactam connosco encontram em n\u00f3s testemunhas vivas e entusiastas do amor de Deus, ou pessoas amargas, ego\u00edstas, agressivas cansadas e desanimadas?<\/p>\n<p>Esta p\u00e1gina diz-nos, em segundo lugar, que os anunciadores do Evangelho devem dar-se \u00e0 miss\u00e3o de forma absolutamente gratuita. O Evangelho n\u00e3o pode, nunca, ser o pretexto para a satisfa\u00e7\u00e3o de interesses pessoais (enriquecimento material, busca de protagonismo, promo\u00e7\u00e3o pessoal&#8230;), mas deve ser um servi\u00e7o que se faz com total gratuidade, generosidade e amor. O Evangelho n\u00e3o \u00e9 um neg\u00f3cio, nem um meio de enriquecimento r\u00e1pido, nem uma forma de viver uma vida sem grandes preocupa\u00e7\u00f5es materiais; mas \u00e9 salva\u00e7\u00e3o que, de forma totalmente gratuita, Deus oferece a todos os homens.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m estarmos conscientes de que n\u00e3o basta que a Palavra seja proclamada: \u00e9 preciso que ela seja, tamb\u00e9m, escutada e acolhida. Escutar n\u00e3o significa apenas &#8220;ouvir com os ouvidos&#8221;, mas tamb\u00e9m acolher no cora\u00e7\u00e3o as propostas que nos s\u00e3o feitas por Deus. Estamos sempre dispon\u00edveis para nos deixarmos interpelar e transformar pela Palavra que nos \u00e9 anunciada, ou o nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e9 como essa terra dura que recebe a semente e a deixa secar?<\/p>\n<p>No processo de escuta e de acolhimento da Palavra, \u00e9 preciso n\u00e3o esquecer que os anunciadores n\u00e3o s\u00e3o o essencial: o essencial \u00e9 a Palavra de Deus. Os homens podem apresentar a Palavra de forma mais ou menos brilhante, mais ou menos sedutora, mais ou menos interpelativa; mas \u00e9 preciso sabermos discernir a beleza das palavras da for\u00e7a da Palavra de Deus e n\u00e3o deixarmos que o essencial seja ofuscado pelo brilho do acess\u00f3rio. <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 23,1-12<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p>O Evangelho deste domingo coloca-nos, mais uma vez, em Jerusal\u00e9m, nos \u00faltimos dias antes da paix\u00e3o e morte de Jesus. \u00c9 nesses dias que se desenrola o confronto final entre Jesus e o juda\u00edsmo. Os l\u00edderes da na\u00e7\u00e3o judaica, escudados nas suas certezas, convic\u00e7\u00f5es e preconceitos, continuam a recusar a proposta do Reino e a preparar o processo contra Jesus.<\/p>\n<p>A passagem que hoje nos \u00e9 proposta \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o a um extenso discurso de condena\u00e7\u00e3o, que Jesus pronuncia contra os l\u00edderes religiosos de Israel (cf. Mt 23,13-36). \u00c9 neste discurso que aparecem os sete famosos &#8220;ai de v\u00f3s, escribas e fariseus&#8230;&#8221;. Para Mateus, o discurso \u00e9 a resposta de Jesus \u00e0 intransig\u00eancia dos judeus em acolher as propostas de Deus.<\/p>\n<p>Ao longo do discurso, Mateus p\u00f5e na boca de Jesus uma aprecia\u00e7\u00e3o extremamente negativa dos escribas (especialistas da Escritura, muitos dos quais eram fariseus) e dos fariseus. \u00c9 preciso dizer, no entanto, que este retracto dos fariseus n\u00e3o \u00e9 totalmente justo&#8230; No geral, os fariseus eram crentes entusiastas, que procuravam conhecer e se esfor\u00e7avam por cumprir escrupulosamente a Lei de Mois\u00e9s. Estavam presentes em todos os passos da vida religiosa dos israelitas e procuravam instilar no Povo o respeito pela Lei, a fim de que Israel fosse, cada vez mais, um Povo santo, dedicado a Jahw\u00e9h e vivendo na \u00f3rbita de Jahw\u00e9h. Tratava-se de um grupo s\u00e9rio, bem-intencionado, verdadeiramente empenhado na santifica\u00e7\u00e3o da comunidade israelita. No entanto, o seu fundamentalismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Lei foi, algumas vezes, criticado por Jesus. Ao afirmarem a superioridade da Lei, desprezavam muitas vezes o Homem e criavam no Povo um sentimento de pecado e de indignidade que oprimia as consci\u00eancias&#8230;. Dando demasiado relevo \u00e0 Lei, esqueciam o essencial &#8211; o amor e a miseric\u00f3rdia. E ao considerarem-se a si pr\u00f3prios os &#8220;puros&#8221; que viviam de acordo com a Lei, desprezavam o &#8220;&#8216;am aretz&#8221; (o &#8220;povo do pa\u00eds&#8221;) que, por causa da ignor\u00e2ncia e da dura vida que levava, n\u00e3o podia cumprir integralmente os preceitos da Lei.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o que Jesus fazia dos fariseus seria t\u00e3o dura como a que este texto nos apresenta? Provavelmente n\u00e3o. \u00c9 preciso recordar que o Evangelho segundo Mateus apareceu na parte final do s\u00e9c. I (d\u00e9cada de 80), quando os fariseus eram a corrente dominante no juda\u00edsmo e apareciam como o rosto pol\u00e9mico desse advers\u00e1rio judaico com que os crist\u00e3os todos os dias se confrontavam. Este texto deve estar marcado por essa perspetiva. Talvez mais do que transmitir a opini\u00e3o de Jesus sobre os fariseus, apresenta a imagem que os crist\u00e3os dos finais do primeiro s\u00e9culo tinham do juda\u00edsmo e dos seus l\u00edderes.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p><strong>A reflex\u00e3o e a partilha podem fazer-se tendo em conta os seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p>O Evangelho do 31\u00ba Domingo do Tempo Comum d\u00e1 conta de uma das mais profundas diverg\u00eancias entre a proposta de Jesus e a cultura contempor\u00e2nea&#8230; Os valores que governam o nosso mundo garantem-nos que a realiza\u00e7\u00e3o plena e a felicidade do homem dependem da posi\u00e7\u00e3o a que ele conseguir elevar-se na estrutura hier\u00e1rquica da comunidade em que est\u00e1 (social, religiosa, profissional&#8230;) e do poder, da import\u00e2ncia, do reconhecimento que ele souber granjear, da sua capacidade de obter sucesso; Jesus garante-nos que a realiza\u00e7\u00e3o plena do homem depende da sua capacidade de amar e de servir&#8230; Em jogo est\u00e3o duas vis\u00f5es antag\u00f3nicas da finalidade da vida do homem e dos caminhos que cada pessoa deve percorrer para atingir a sua realiza\u00e7\u00e3o plena&#8230; De acordo com a nossa sensibilidade e a nossa experi\u00eancia de todos os dias, quem tem raz\u00e3o?<\/p>\n<p>A Igreja, testemunha do Reino e dos valores propostos por Jesus, tem de ser uma comunidade de irm\u00e3os que vivem no amor. Nela, n\u00e3o podem ser determinantes os t\u00edtulos, os lugares de honra, os privil\u00e9gios, a import\u00e2ncia hier\u00e1rquica&#8230; Na comunidade crist\u00e3, a \u00fanica coisa determinante \u00e9 o servi\u00e7o simples e humilde que se presta aos irm\u00e3os. Na pr\u00e1tica, \u00e9 assim que as coisas se passam? Que valor tem, na Igreja, os t\u00edtulos, as posi\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas, a visibilidade, os cargos, os privil\u00e9gios, os lugares de honra? Tudo isso n\u00e3o poder\u00e1 contribuir decisivamente para criar divis\u00f5es que afetam a fraternidade e que negam os princ\u00edpios sobre os quais se constr\u00f3i o Reino? Quando a vida das nossas comunidades crist\u00e3s \u00e9 marcada por lutas pelo poder, conflitos, ci\u00fames, a comunidade est\u00e1 a avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 fraternidade e ao amor?<\/p>\n<p>Mateus, ao apresentar-nos essa poderosa invetiva contra os &#8220;fariseus&#8221;, est\u00e1 a avisar os crentes contra a perpetua\u00e7\u00e3o de um &#8220;farisa\u00edsmo&#8221; que destr\u00f3i a comunidade. Est\u00e1 a sugerir que quando algu\u00e9m se arroga o direito divino de se instalar na cadeira do poder e se constitui como \u00fanico e decisivo crit\u00e9rio de verdade, pode facilmente substituir o Evangelho pelas suas pr\u00f3prias normas, pelas suas pr\u00f3prias leis, pelos seus pr\u00f3prios esquemas e vis\u00f5es de Deus e do mundo.<\/p>\n<p>Mateus, ao escalpelizar a incoer\u00eancia dos &#8220;fariseus&#8221;, est\u00e1 a avisar-nos contra a tenta\u00e7\u00e3o de mostrarmos o que n\u00e3o somos, de vendermos uma imagem &#8220;corrigida e aumentada&#8221; de n\u00f3s pr\u00f3prios para obtermos o aplauso e admira\u00e7\u00e3o dos outros, de vivermos para as apar\u00eancias e n\u00e3o para o compromisso simples e humilde com o Evangelho&#8230; \u00c9 que a mentira e a incoer\u00eancia destroem a paz do nosso cora\u00e7\u00e3o, roubam-nos a alegria e a serenidade, comprometem o nosso testemunho, minam a comunidade e p\u00f5em em causa os fundamentos do Reino.<\/p>\n<p>Mateus, ao denunciar a tend\u00eancia dos &#8220;fariseus&#8221; para impor aos outros pesos insuport\u00e1veis, est\u00e1 a avisar-nos contra a tenta\u00e7\u00e3o de inventar exig\u00eancias e obriga\u00e7\u00f5es, mandamentos e leis que criam escravid\u00e3o, que oprimem as consci\u00eancias, que metem medo, que impedem os filhos de Deus de viverem livres e felizes. Isso acontece na Igreja de que fazemos parte? As cargas com que, \u00e0s vezes, carregamos os homens e mulheres nossos irm\u00e3os, ser\u00e3o sempre consequ\u00eancia da radicalidade do Evangelho? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p><strong>ESTILO FRATERNAL E\u00a0MATERNAL<\/strong><\/p>\n<p>Neste <strong>Domingo XXXI do Tempo Comum,<\/strong> continuamos a ouvir Jesus a ensinar no Templo, no \u00c1trio dos Gentios, seguindo o Evangelho de Mateus 23,1-12. O Cap\u00edtulo 23 do Evangelho de Mateus apresenta-se assim arrumado: 1) 23,1-12, em que Jesus dirige o seu ensinamento \u00e0s multid\u00f5es e aos seus disc\u00edpulos (Mateus 23,1), primeiro a todos (Mateus 23,2-7), depois particularmente aos seus disc\u00edpulos (Mateus 23,8-12), pondo diante de uns e de outros a figura oca dos escribas e fariseus, a sua busca de notoriedade e de aplauso, apresentando-os como uma esp\u00e9cie de caricatura do seu verdadeiro disc\u00edpulo, que deve ser humilde, servi\u00e7al, filho de Deus e irm\u00e3o numa fam\u00edlia de irm\u00e3os; 2) 23,13-36, em que Jesus se dirige diretamente aos escribas e fariseus com sete \u00abais\u00bb, sendo o \u00abai\u00bb uma f\u00f3rmula de desgra\u00e7a com que os profetas anunciam a ru\u00edna que est\u00e1 j\u00e1 a\u00ed \u00e0 porta; 3) 23,37-39, em que Jesus se lamenta sobre Jerusal\u00e9m, com aquele c\u00e9lebre \u00abJerusal\u00e9m, Jerusal\u00e9m, quantas vezes eu quis reunir os teus filhos como a galinha re\u00fane os pintainhos\u2026, mas agora a tua casa ficar\u00e1 deserta\u00bb, que constitui uma esp\u00e9cie de ponte para o Cap\u00edtulo 24, em que logo no vers\u00edculo primeiro Jesus sai do Templo.<\/p>\n<p>No Evangelho de Mateus, o mundo dos escribas e dos fariseus \u00e9 sempre pintado com cores escuras e sombrias. O \u00fanico bom escriba que o Evangelho de Mateus conhece \u00e9 aquele que se tornou disc\u00edpulo: \u00abTodo o escriba que se tornou disc\u00edpulo do Reino dos C\u00e9us \u00e9 semelhante ao propriet\u00e1rio que do seu tesouro tira coisas novas e coisas velhas\u00bb (Mateus 13,52; cf. 23,34).<\/p>\n<p>Portanto, o disc\u00edpulo de Jesus \u2013 e n\u00f3s, hoje \u2013 n\u00e3o devemos preocuparmos com o estatuto nem correr atr\u00e1s de honras, ambi\u00e7\u00e3o e carreirismo, da notoriedade tornada vis\u00edvel nas filact\u00e9rias (<em>t<sup>e<\/sup>phill\u00eem<\/em>), pequenas caixas de couro que continham textos-chave da Escritura (Deuteron\u00f3mio 6,8 e 11,18), e que se atavam \u00e0 fronte e ao bra\u00e7o esquerdo, para ficar mais perto do cora\u00e7\u00e3o, ou as franjas de cor azul ou violeta (<em>ts\u00eets\u00eet<\/em>), que pendiam das vestes (N\u00fameros 15,38-39), mais tarde do\u00a0<em>tall\u00eet<\/em>\u00a0(manto que os judeus piedosos vestem para a ora\u00e7\u00e3o). Convenhamos em que \u00e9 bem-intencionada a prescri\u00e7\u00e3o, mas acaba por resultar em pura ostenta\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que ecoa um mundo novo nestes dizeres: \u00abMas v\u00f3s n\u00e3o vos fa\u00e7ais chamar por\u00a0<em>Rabb\u00ee<\/em>, literalmente \u00abmeu maior\u00bb, pois um s\u00f3 \u00e9 o vosso Mestre (<em>did\u00e1skalos<\/em>), e v\u00f3s sois todos irm\u00e3os\u00bb (Mateus 23,8). A ningu\u00e9m chameis \u00abPai\u00bb, a ningu\u00e9m chameis \u00abGuia\u00bb (<em>kath\u00eag\u00eat\u00eas<\/em>), que \u00e9 aquele que indica o caminho, pois \u00abum s\u00f3\u00bb, \u00abum s\u00f3\u00bb, \u00abum s\u00f3\u00bb (tr\u00eas vezes surge esta express\u00e3o no texto de hoje) \u00e9 o vosso Mestre, o vosso Pai, o vosso Guia. Em conson\u00e2ncia, no Evangelho de Mateus, o t\u00edtulo de \u00abMestre\u00bb nunca \u00e9 dado a Jesus pelos seus disc\u00edpulos, mas apenas pelos de fora; e o t\u00edtulo de\u00a0<em>Rabb\u00ee<\/em>\u00a0s\u00f3 se ouve nos l\u00e1bios de Judas, depois da sua apostasia (Mateus 26,25 e 49). Por sua vez, o termo \u00abGuia\u00bb s\u00f3 aparece aqui em todo o Novo Testamento, e \u00e9 desconhecido no texto dos LXX.<\/p>\n<p>Salta \u00e0 vista que devemos proceder sempre com simplicidade e verdade, sem protagonismo, ostenta\u00e7\u00e3o ou ambi\u00e7\u00e3o, e que, por detr\u00e1s de n\u00f3s, de tudo o que fazemos ou dizemos, deve ver-se sempre o Senhor Jesus, de quem devemos ser pura transpar\u00eancia. Se assim fosse, e assim deve ser, como seria belo e bem diferente este nosso mundo!<\/p>\n<p>Sempre em linha com o Evangelho, Malaquias 2,10 pergunta hoje de forma certeira: \u00abN\u00e3o temos todos um \u00fanico Pai? Por que agimos ent\u00e3o com maldade uns para com os outros?\u00bb. Pergunta certeira, que nos obriga a depor as armas da viol\u00eancia e da mentira e nos obriga a investir mais, muito mais, na luta (<em>ag\u00f4n<\/em>) do amor (<em>ag\u00e1p\u00eas<\/em>).<\/p>\n<p>Enfim, a\u00ed est\u00e1 hoje S. Paulo (1 Tessalonicenses 2,7-13) a recordar diante de n\u00f3s, para que nunca mais esque\u00e7amos e a implementemos, a sua metodologia de anunciador do Evangelho. Fala de Deus com particular afeto e proximidade, sobrepondo as met\u00e1foras da crian\u00e7a e da m\u00e3e, da depend\u00eancia e pequenez e da dedica\u00e7\u00e3o condescendente (1 Ts 2,7). Ap\u00f3stolos como crian\u00e7as (<em>n\u00e9pios<\/em>), sem preconceitos ou prest\u00edgio a defender, que tudo recebem com simplicidade e alegria, e ap\u00f3stolos como m\u00e3es cheias de ternura, que se d\u00e3o completamente aos seus filhos.\u00a0<em>N\u00e9pios<\/em>\u00a0significa, \u00e0 letra, \u00abcrian\u00e7a de peito\u00bb, e, em sentido translato, \u00abimaturo\u00bb, \u00abinocente\u00bb, \u00abdependente\u00bb, que de per si, n\u00e3o tem nenhum valor. E\u00a0<em>troph\u00f3s<\/em>\u00a0n\u00e3o significa exatamente \u00abm\u00e3e\u00bb, mas \u00abama-de-leite\u00bb. Mas como \u00e9 dito logo a seguir que acalenta os pr\u00f3prios filhos, ent\u00e3o \u00e9 uma \u00abama\u00bb que \u00e9 m\u00e3e, uma m\u00e3e que amamenta, que se d\u00e1 totalmente aos seus filhos. Evangelho total: o dom da salva\u00e7\u00e3o (<em>euagg\u00e9lion<\/em>) e o dom da pr\u00f3pria vida (<em>psych\u00ea<\/em>) (1 Ts 2,8). N\u00e3o se pode dar o Evangelho sem dar a vida. O dom da vida n\u00e3o significa, neste contexto, disposi\u00e7\u00e3o para o mart\u00edrio estrito, mas condividir (<em>metado\u00fbnai<\/em>) diariamente aquilo que constitui a vida: o tempo, as energias, a sa\u00fade. O tempo significa amor. \u00c0queles ou \u00e0quilo a que concedo tempo, concedo amor. \u00c9, portanto, f\u00e1cil sabermos quem amamos ou o que amamos. Foi assim, de forma intensa, afetuosa, maternal, personificada, um-a-um, a tempo inteiro e de corpo inteiro, que Paulo transmitiu o Evangelho aos Tessalonicenses e em toda a parte.<\/p>\n<p>O Salmo 131, em que o orante se diz assim: \u00abEstou tranquilo e sereno\/, como crian\u00e7a desmamada (<em>gam\u00fbl<\/em>),\/ no colo da sua m\u00e3e;\/ como crian\u00e7a desmamada,\/ est\u00e1 em mim a minha alma\u00bb, serve de fundamento maravilhoso a um dos mais belos fios de ouro da espiritualidade crist\u00e3, habitualmente denominado por \u00abinf\u00e2ncia espiritual\u00bb, o \u00abpequeno caminho\u00bb, \u00abo permanecer pequeno\u00bb, \u00abo estar nos bra\u00e7os de Jesus\u00bb, que Santa Teresinha do Menino Jesus exalta na sua \u00abHist\u00f3ria de uma alma\u00bb. N\u00e3o se trata de uma quietude irracional e cega, semelhante \u00e0 do rec\u00e9m-nascido, depois de ter mamado no seio da sua m\u00e3e. O texto fala de uma crian\u00e7a desmamada (<em>gamul<\/em>). E \u00e9 sabido que, no Oriente, o desmame oficial acontecia tarde, pelos tr\u00eas anos, e dava origem a uma grande festa familiar (cf. G\u00e9nesis 21,8; 1 Samuel 1,22-24). Tamb\u00e9m o famoso Padre Jesu\u00edta franc\u00eas, L\u00e9once de Grandmaison (1868-1927), se segurava neste fio de ouro, e rezava assim: \u00abSanta Maria, M\u00e3e de Deus, conserva em mim um cora\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a, puro e transparente, como uma nascente\u00bb.<\/p>\n<p>Que anda por aqui um mundo novo, l\u00e1 isso anda. Que entre ele em n\u00f3s, e que entremos nele tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Leitura-I-de-Todos-os-Santos-Ano-A-01.11.2023-Ap-7-2-4.9-14.pdf\">Leitura I de Todos os Santos &#8211; Ano A &#8211; 01.11.2023 (Ap 7, 2-4.9-14)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Resto-da-Leitura-I-e-Leitura-II-de-Todos-os-Santos-Ano-A-01.11.2023-1-Jo-3-1-3.pdf\">Resto da Leitura I e Leitura II de Todos os Santos &#8211; Ano A &#8211; 01.11.2023 (1 Jo 3, 1-3)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Todos-os-Santos-e-Fieis-Defuntos-Ano-A-01-e-02.11.2023-Lecionario.pdf\">Todos os Santos e Fi\u00e9is Defuntos &#8211; Ano A &#8211; 01 e 02.11.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Todos-os-Santos-Ano-A-01.11.2023-Oracao-Universal.pdf\">Todos os Santos &#8211; Ano A &#8211; 01.11.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Leitura-I-do-Domingo-XXXI-do-Tempo-Comum-Ano-A-05.11.2023-Mal-1-14b-22b.8-10.pdf\">Leitura I do Domingo XXXI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 05.11.2023 (Mal 1, 14b-2,2b.8-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Leitura-II-do-Domingo-XXXI-do-Tempo-Comum-Ano-A-05.11.2023-1-Tes-2-7b-9.13.pdf\">Leitura II do Domingo XXXI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 05.11.2023 (1 Tes 2, 7b-9.13)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Domingo-XXXI-do-Tempo-Comum-Ano-A-05.11.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XXXI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 05.11.2023-Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Domingo-XXXI-do-Tempo-Comum-Ano-A-05.11.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXXI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 05.11.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXX do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 29.10.2023&#8243; tab_id=&#8221;1699262472575-59696e0e-3608&#8243;][vc_column_text]<strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12478\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Domingo-XXX.jpg\" alt=\"\" width=\"565\" height=\"565\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p>Os nossos dias transcorrem preenchidos por tantos afazeres e ocupa\u00e7\u00f5es que nos dispersam e questionam. Diante do frenesim do dia-a-dia, sentimos ecoar no nosso cora\u00e7\u00e3o a pergunta: o que \u00e9 realmente essencial e fundamental na nossa vida? O que \u00e9 realmente importante e pelo qual vale a pena gastar a nossa vida e as nossas for\u00e7as?<\/p>\n<p>A Liturgia da Palavra deste Domingo conduz-nos ao centro da mensagem evang\u00e9lica e, por isso, ao conte\u00fado fundamental que deve plasmar a nossa vida crente. Poder\u00edamos dizer que o Evangelho deste Domingo se constitui como uma janela aberta com vista direta para o cora\u00e7\u00e3o de Deus: Deus \u00e9 amor e ensina-nos a edificar as nossas vidas a partir do amor. Esta \u00e9 a experi\u00eancia basilar da nossa experi\u00eancia crente e sem a qual ficaremos aqu\u00e9m da proposta de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade que Jesus nos faz.<\/p>\n<p>Um doutor da lei dirige-se a Jesus com o intuito de o experimentar. A pergunta apesar de armadilhada e mal-intencionada tem sentido. Esta pergunta pretende arrastar Jesus para o plano inclinado da intermin\u00e1vel reflex\u00e3o acad\u00e9mica. Os mestres judeus, lendo minuciosamente a Lei, isto \u00e9, os cinco primeiros livros da B\u00edblia (G\u00e9nesis, \u00caxodo, Lev\u00edtico, N\u00fameros e Deuteron\u00f3mio) e pretendendo extrair deles os preceitos e mandamentos neles contidos, contaram 613 preceitos, sendo 365 negativos e 248 positivos. Academicamente, entre os mestres em Israel decorriam as disputas para estabelecer uma ordem nestes 613 preceitos.<\/p>\n<p>Por isso, a pergunta do doutor da lei, ainda que contendo uma armadilha, apresenta uma das grandes quest\u00f5es do povo israelita que, diante de tantos preceitos, tinha dificuldade em perceber o que seria mais importante e decisivo para o cumprimento da Lei.<\/p>\n<p>Jesus n\u00e3o se perde em longos discursos e habilidades ret\u00f3ricas, mas apresenta o decisivo mandamento que deve marcar a vida de cada crente: \u00ab<em>\u2018Amar\u00e1s o Senhor, teu Deus, com todo o teu cora\u00e7\u00e3o, com toda a tua alma e com todo o teu esp\u00edrito\u2019. Este \u00e9 o maior e o primeiro mandamento. O segundo, por\u00e9m, \u00e9 semelhante a este: \u2018Amar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u2019<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Amar \u00e9 um verbo fundamental na gram\u00e1tica crist\u00e3. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel seguir Jesus Cristo nem se dizer crente no Deus revelado por Ele sem esta experi\u00eancia amorosa fundamental: um amor absolutamente centrado em Deus e universalmente alargado aos irm\u00e3os. Como afirmou Bonhoffer, \u00ab<em>o amor a Deus \u00e9 a melodia principal, \u00e0 volta da qual se podem cantar outros amores. Assim nasce a polifonia da exist\u00eancia<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Ao ler esta passagem evang\u00e9lica fica sempre a ecoar no meu cora\u00e7\u00e3o a totalidade do amor reclamada por Jesus: \u00ab<em>com todo o teu cora\u00e7\u00e3o, com toda a tua alma e com todo o teu esp\u00edrito<\/em>\u00bb. O amor a Deus e aos irm\u00e3os reclama a vida toda e toda a vida. O amor n\u00e3o \u00e9 apenas mais uma coisa a fazer, mas o modo como se fazem todas as coisas.<\/p>\n<p>Colocando o nosso olhar em Jesus, verificamos que Ele n\u00e3o se limitou a anunciar o amor como melodia agrad\u00e1vel aos ouvidos ou como po\u00e9tica que comove os cora\u00e7\u00f5es. O amor ganha carne nas suas palavras e gestos, intimamente unidos entre si (DV 2). Jesus anunciou que \u00ab<em>quem entre v\u00f3s quiser fazer-se grande, seja o vosso servo<\/em>\u00bb (Mt 20,26) e na \u00faltima ceia lavou os p\u00e9s aos Seus disc\u00edpulos. Ele afirmou contundentemente que \u00ab<em>ningu\u00e9m tem mais amor do que quem d\u00e1 a vida pelos seus amigos<\/em>\u00bb (Jo 15,13) e, no alto do calv\u00e1rio, de bra\u00e7os abertos oferece a Sua vida por todos e cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Deste modo, palavras e gestos, unidos pela certeza do amor apontam o horizonte de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade que Jesus veio anunciar. O amor aos irm\u00e3os n\u00e3o \u00e9 uma consequ\u00eancia do amor a Deus, mas o lugar concreto onde ele se vive e realiza. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/p>\n<p>A Liturgia da Palavra deste <strong>XXX Domingo do Tempo Comum<\/strong> abre a porta para a <strong>Solenidade de Todos Santos<\/strong> que celebraremos no dia 1 de novembro e para a <strong>Comemora\u00e7\u00e3o dos Fi\u00e9is Defuntos<\/strong>, no dia 2 de novembro. O amor absolutamente centrado em Deus e universalmente alargado aos irm\u00e3os \u00e9 o fundamento da voca\u00e7\u00e3o universal \u00e0 santidade e nos faz entrar em comunh\u00e3o orante por aqueles que nos precederam para que possam participar da bem-aventuran\u00e7a eterna. Por isso, para uma viv\u00eancia marcada pela alegria e pela esperan\u00e7a crist\u00e3s pr\u00f3prias destes dois dias lit\u00fargicos seria oportuno recordar aos fi\u00e9is a import\u00e2ncia e distin\u00e7\u00e3o de cada um destes dias para uma melhor compreens\u00e3o dos fi\u00e9is daquilo que celebramos. Poderia ser tamb\u00e9m oportuno um momento de forma\u00e7\u00e3o ou ora\u00e7\u00e3o. Um \u00f3timo recurso para este momento pode ser a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>Gaudete et Exsultate<\/em>\u00a0do Papa Francisco sobre a santidade no mundo atual.<strong><em> in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p>Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p>E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Ex 22,20-26<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00abSe ele Me invocar, escut\u00e1-lo-ei, porque sou misericordioso\u00bb<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p>O &#8220;Dec\u00e1logo&#8221; ou &#8220;dez mandamentos&#8221; (cf. Ex 20,2-17) era, sem d\u00favida, o cora\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a e apresentava os valores fundamentais que deviam marcar o comportamento do Povo de Deus, quer em rela\u00e7\u00e3o a Jahw\u00e9h, quer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida comunit\u00e1ria. No entanto, as leis do &#8220;Dec\u00e1logo&#8221; eram relativamente gerais e n\u00e3o consideravam todos os casos e situa\u00e7\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p>A complexidade da vida di\u00e1ria obrigou, portanto, a um esclarecimento e a uma concretiza\u00e7\u00e3o das leis apresentadas no &#8220;Dec\u00e1logo&#8221;. Em consequ\u00eancia, surgiram novas normas, bem concretas, que regulavam o dia a dia do Povo de Deus. Uma ampla recompila\u00e7\u00e3o dessas leis aparece no Livro do \u00caxodo.<\/p>\n<p>Logo a seguir ao &#8220;Dec\u00e1logo&#8221;, em lugar de honra, os catequistas de Israel colocaram um bloco heterodoxo de leis, que se convencionou chamar &#8220;C\u00f3digo da Alian\u00e7a&#8221; (cf. Ex 20,22-23,19). S\u00e3o leis que os autores do Livro do \u00caxodo apresentam como ditadas por Deus a Mois\u00e9s, no Sinai; na realidade, trata-se de leis de proveni\u00eancia diversa, cuja antiguidade continua a ser discutida, mas que a maioria dos comentadores faz remontar ao tempo dos &#8220;ju\u00edzes&#8221; (s\u00e9c. XII a.C.).<\/p>\n<p>O &#8220;C\u00f3digo da Alian\u00e7a&#8221; \u00e9 um bloco legislativo que regula v\u00e1rios aspetos da vida do Povo de Deus, desde o culto at\u00e9 \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais. Trata-se de um conjunto de prescri\u00e7\u00f5es, solu\u00e7\u00f5es, disposi\u00e7\u00f5es justas, s\u00e3s e s\u00f3lidas, que solucionam as dificuldades, explicam os princ\u00edpios e ordenam a conduta dos homens nas situa\u00e7\u00f5es comuns e vari\u00e1veis da condi\u00e7\u00e3o humana. Nele sobressai, n\u00e3o s\u00f3 uma consci\u00eancia muito viva de que Israel \u00e9 chamado \u00e0 comunh\u00e3o com Deus, mas tamb\u00e9m um forte sentido social. Revela um Povo preocupado em concretizar os compromissos da Alian\u00e7a na vida do dia a dia. Sugere que a f\u00e9 de Israel n\u00e3o \u00e9 uma realidade abstrata ou fantasmag\u00f3rica, mas uma realidade bem viva, que se deve viver em cada sector da vida pr\u00e1tica.<br \/>\nO texto que hoje nos \u00e9 proposto \u00e9 um extrato do &#8220;C\u00f3digo da Alian\u00e7a&#8221;. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Na reflex\u00e3o, considerar os seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p>O apelo a n\u00e3o prejudicar nem oprimir o estrangeiro convida-nos a considerar como acolhemos esses imigrantes que cruzam as nossas fronteiras \u00e0 procura de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e que, al\u00e9m da solid\u00e3o, das dificuldades lingu\u00edsticas, do desenraizamento cultural, ainda s\u00e3o v\u00edtimas do racismo, da xenofobia, da m\u00e1 vontade, da explora\u00e7\u00e3o, das arbitrariedades cometidas por empres\u00e1rios sem escr\u00fapulos, das viol\u00eancias praticadas pelas m\u00e1fias que transacionam carne humana. N\u00e3o podemos ficar indiferentes e insens\u00edveis aos seus dramas e sofrimentos, ou sentir-nos alheados e desresponsabilizados face \u00e0s injusti\u00e7as que contra eles se cometem. Precisamos de ver em cada homem ou mulher &#8211; russo, moldavo, ucraniano, romeno, cabo-verdiano, angolano, guineense &#8211; um irm\u00e3o que Deus colocou ao nosso lado e que temos de cuidar, proteger e amar.<\/p>\n<p>O apelo a n\u00e3o maltratar nem a fazer qualquer mal \u00e0 vi\u00fava e ao \u00f3rf\u00e3o convida-nos a considerar a forma como acolhemos e tratamos os nossos irm\u00e3os mais d\u00e9beis, sem defesa, ou que pertencem a grupos de risco&#8230; S\u00e3o as crian\u00e7as, exploradas, usadas, maltratadas, condenadas precocemente a uma vida de trabalho e impedidas de viver a inf\u00e2ncia; s\u00e3o os idosos, atirados para lares, condenados em vida a uma exist\u00eancia de sombras, subtra\u00eddos ao seu ambiente familiar e \u00e0s suas rela\u00e7\u00f5es sociais; s\u00e3o os doentes incur\u00e1veis, abandonados, condenados \u00e0 solid\u00e3o, que escondemos e que evitamos para n\u00e3o perturbar a nossa boa disposi\u00e7\u00e3o e o mito de uma vida isenta de sofrimento e de morte&#8230; Precisamos de aprender que todos os homens e mulheres &#8211; particularmente os mais d\u00e9beis, os mais carentes, os mais abandonados &#8211; devem ser respeitados, protegidos e amados.<\/p>\n<p>O apelo a n\u00e3o explorar os pobres convida-nos a considerar a situa\u00e7\u00e3o daqueles que n\u00e3o t\u00eam instru\u00e7\u00e3o e est\u00e3o condenados a uma vida de trabalho escravo, ou que t\u00eam de viver com sal\u00e1rios de mis\u00e9ria, ou que s\u00e3o v\u00edtimas da especula\u00e7\u00e3o com bens essenciais, ou que s\u00e3o enganados e vilipendiados&#8230; O nosso texto diz claramente que Deus n\u00e3o aceita um mundo constru\u00eddo deste jeito e sugere que n\u00f3s, crentes, n\u00e3o podemos tolerar as situa\u00e7\u00f5es que roubam a vida e a dignidade dos pobres. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a017 (18)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: Eu Vos amo, Senhor: sois a minha for\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Tes 1,5c-10<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00abDos \u00eddolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar dos C\u00e9us o seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 vimos, no passado domingo, o contexto em que apareceu a Primeira Carta aos Tessalonicenses&#8230;<br \/>\nDepois de ter anunciado o Evangelho em Tessal\u00f3nica e de ter juntado \u00e0 sua volta uma comunidade viva e entusiasta, constitu\u00edda maioritariamente por crist\u00e3os vindos do mundo pag\u00e3o, Paulo teve de deixar a cidade \u00e0 pressa, para fugir \u00e0s maquina\u00e7\u00f5es dos judeus (ano 49\/50). Entretanto, preocupado com a fidelidade dos tessalonicenses ao Evangelho, Paulo enviou Tim\u00f3teo de volta a Tessal\u00f3nica, a fim de saber not\u00edcias e de encorajar os tessalonicenses na f\u00e9. Paulo estava em Corinto quando Tim\u00f3teo regressou de Tessal\u00f3nica e apresentou o seu relat\u00f3rio. As not\u00edcias eram verdadeiramente animadoras: os tessalonicenses eram uma comunidade exemplar e viviam animada e empenhadamente o seu compromisso crist\u00e3o, apesar das dificuldades e da hostilidade do meio.<\/p>\n<p>Paulo, feliz e confortado, escreveu aos tessalonicenses animando-os a prosseguir no caminho da fidelidade a Jesus e ao Evangelho. Aproveitou tamb\u00e9m para completar a forma\u00e7\u00e3o doutrinal dos tessalonicenses e para corrigir alguns aspetos da vida da comunidade. Estamos na Primavera\/Ver\u00e3o do ano 50 ou 51. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Ter em conta, na reflex\u00e3o e partilha, os seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p>Muitas vezes entendemos a f\u00e9 como um acontecimento pessoal, que diz respeito apenas a n\u00f3s pr\u00f3prios e a Deus (&#8220;eu c\u00e1 tenho a minha f\u00e9&#8221;) e que n\u00e3o nos compromete com os outros. Na realidade, a f\u00e9 liga-nos a uma longa cadeia que vem de Jesus at\u00e9 n\u00f3s e que inclui uma imensa fam\u00edlia de irm\u00e3os espalhados pelo mundo inteiro. Tenho consci\u00eancia de pertencer a uma fam\u00edlia de f\u00e9 e sinto-me unido e solid\u00e1rio com todos os meus irm\u00e3os em Cristo? Tenho consci\u00eancia de que o meu testemunho e a minha viv\u00eancia ajudam e enriquecem os meus irm\u00e3os, assim como a viv\u00eancia e o testemunho dos meus irm\u00e3os me enriquecem e me ajudam a mim?<\/p>\n<p>Nenhuma comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma ilha. \u00c9 preciso que as comunidades crist\u00e3s partilhem, estabele\u00e7am la\u00e7os, se interpelem uma \u00e0s outras, se ajudem, se animem mutuamente&#8230; \u00c9 nesse di\u00e1logo e nessa partilha que o projeto de Deus se vai tornando mais claro para todos e que podemos discernir, com mais nitidez, os caminhos de Deus. As nossas comunidades crist\u00e3s e religiosas est\u00e3o abertas \u00e0 partilha, ou s\u00e3o c\u00e9lulas isoladas, que vivem num total alheamento dos problemas, das vicissitudes e das dificuldades das outras comunidades?<\/p>\n<p>Paulo considera que o dinamismo do Evangelho se cumpre na experi\u00eancia paradoxal da alegria e da dor&#8230;. Receber o Evangelho com alegria significa abrir-lhe o cora\u00e7\u00e3o, acolh\u00ea-lo, deixar que ele encontre uma terra boa onde possa frutificar e dar fruto&#8230; A dor, por sua vez, n\u00e3o \u00e9 uma realidade boa e que devamos procurar; mas pode ajudar-nos a confiar mais em Deus, a entregarmo-nos nas suas m\u00e3os, a amadurecermos o nosso empenho e o nosso compromisso, a percebermos o sentido dos valores evang\u00e9licos do dom e da entrega da vida <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 22,34-40<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00abUm doutor da Lei perguntou a Jesus, para O experimentar\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00abMestre, qual \u00e9 o maior mandamento da Lei?\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00abNestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p>O Evangelho deste domingo leva-nos, outra vez, a Jerusal\u00e9m, ao encontro dos \u00faltimos dias de Jesus. Os l\u00edderes judaicos j\u00e1 fizeram a sua escolha e t\u00eam ideias definidas acerca da proposta de Jesus: \u00e9 uma proposta que n\u00e3o vem de Deus e que deve ser rejeitada&#8230; Jesus, por sua vez, deve ser denunciado, julgado e condenado de forma exemplar. Para conseguir concretizar esse objetivo, os respons\u00e1veis judaicos procuram argumentos de acusa\u00e7\u00e3o contra Jesus.<\/p>\n<p>\u00c9 neste ambiente que Mateus situa tr\u00eas controv\u00e9rsias entre Jesus e os fariseus. Essas controv\u00e9rsias apresentam-se como armadilhas bem organizadas e montadas, destinadas a surpreender afirma\u00e7\u00f5es pol\u00e9micas de Jesus, capazes de ser usadas em tribunal para conseguir a sua condena\u00e7\u00e3o. Depois da controv\u00e9rsia sobre o tributo a C\u00e9sar (cf. Mt 22,15-22) e da controv\u00e9rsia sobre a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos (cf. Mt 22,23-33), chega a controv\u00e9rsia sobre o maior mandamento da Lei (cf. Mt 22,34-40). \u00c9 esta \u00faltima que o Evangelho de hoje nos apresenta&#8230; Ao perguntar a Jesus qual \u00e9 o maior mandamento da Lei, os fariseus procuram demonstrar que Jesus n\u00e3o sabe interpretar a Lei e que, portanto, n\u00e3o \u00e9 digno de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o do maior mandamento da Lei n\u00e3o era uma quest\u00e3o pac\u00edfica e era, no tempo de Jesus, objeto de debates intermin\u00e1veis entre os fariseus e os doutores da Lei. A preocupa\u00e7\u00e3o em atualizar a Lei, de forma que ela respondesse a todas as quest\u00f5es que a vida do dia a dia punha, tinha levado os doutores da Lei a deduzir um conjunto de 613 preceitos, dos quais 365 eram proibi\u00e7\u00f5es e 248 a\u00e7\u00f5es a p\u00f4r em pr\u00e1tica. Esta &#8220;multiplica\u00e7\u00e3o&#8221; dos preceitos legais lan\u00e7ava, evidentemente, a quest\u00e3o das prioridades: todos os preceitos t\u00eam a mesma import\u00e2ncia, ou h\u00e1 algum que \u00e9 mais importante do que os outros?<\/p>\n<p>\u00c9 esta a quest\u00e3o que \u00e9 posta a Jesus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Na reflex\u00e3o e partilha, considerar os seguintes pontos<\/strong>:<\/p>\n<p>Mais de dois mil anos de cristianismo criaram uma pesada heran\u00e7a de mandamentos, de leis, de preceitos, de proibi\u00e7\u00f5es, de exig\u00eancias, de opini\u00f5es, de pecados e de virtudes, que arrastamos pesadamente pela hist\u00f3ria. Algures durante o caminho, deix\u00e1mos que o inevit\u00e1vel p\u00f3 dos s\u00e9culos cobrisse o essencial e o acess\u00f3rio; depois, mistur\u00e1mos tudo, arrum\u00e1mos tudo sem grande rigor de organiza\u00e7\u00e3o e de cataloga\u00e7\u00e3o e perdemos a no\u00e7\u00e3o do que \u00e9 verdadeiramente importante. Hoje, gastamos tempo e energias a discutir certas quest\u00f5es que s\u00e3o importantes (o casamento dos padres, o sacerd\u00f3cio das mulheres, o uso dos meios anticoncetivos, as quest\u00f5es acerca do que \u00e9 ou n\u00e3o lit\u00fargico, aos problemas do poder e da autoridade, os pormenores legais da organiza\u00e7\u00e3o eclesial&#8230;) mas continuamos a ter dificuldade em discernir o essencial da proposta de Jesus. O Evangelho deste domingo p\u00f5e as coisas de forma totalmente clara: o essencial \u00e9 o amor a Deus e o amor aos irm\u00e3os. Nisto se resume toda a revela\u00e7\u00e3o de Deus e a sua proposta de vida plena e definitiva para os homens. Precisamos de rever tudo, de forma que o lixo acumulado n\u00e3o nos impe\u00e7a de compreender, de viver, de anunciar e de testemunhar o cerne da proposta de Jesus.<\/p>\n<p>O que \u00e9 &#8220;amar a Deus&#8221;? De acordo com o exemplo e o testemunho de Jesus, o amor a Deus passa, antes de mais, pela escuta da sua Palavra, pelo acolhimento das suas propostas e pela obedi\u00eancia total aos seus projetos &#8211; para mim pr\u00f3prio, para a Igreja, para a minha comunidade e para o mundo. Esfor\u00e7o-me, verdadeiramente, por tentar escutar as propostas de Deus, mantendo um di\u00e1logo pessoal com Ele, procurando refletir e interiorizar a sua Palavra, tentando interpretar os sinais com que Ele me interpela na vida de cada dia? Tenho o cora\u00e7\u00e3o aberto \u00e0s suas propostas, ou fecho-me no meu ego\u00edsmo, nos meus preconceitos e na minha autossufici\u00eancia, procurando construir uma vida \u00e0 margem de Deus ou contra Deus? Procuro ser, em nome de Deus e dos seus planos, uma testemunha prof\u00e9tica que interpela o mundo, ou instalo-me no meu cantinho c\u00f3modo e renuncio ao compromisso com Deus e com o Reino?<\/p>\n<p>O que \u00e9 &#8220;amar os irm\u00e3os&#8221;? De acordo com o exemplo e o testemunho de Jesus, o amor aos irm\u00e3os passa por prestar aten\u00e7\u00e3o a cada homem ou mulher com quem me cruzo pelos caminhos da vida (seja ele branco ou negro, rico ou pobre, nacional ou estrangeiro, amigo ou inimigo), por sentir-me solid\u00e1rio com as alegrias e sofrimentos de cada pessoa, por partilhar as desilus\u00f5es e esperan\u00e7as do meu pr\u00f3ximo, por fazer da minha vida um dom total a todos. O mundo em que vivemos precisa de redescobrir o amor, a solidariedade, o servi\u00e7o, a partilha, o dom da vida&#8230; Na realidade, a minha vida \u00e9 posta ao servi\u00e7o dos meus irm\u00e3os, sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, de cor, de estatuto social? Os pobres, os necessitados, os marginalizados, os que alguma vez me magoaram e ofenderam, encontram em mim um irm\u00e3o que os ama, sem condi\u00e7\u00f5es? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p>A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 marcada pelo tom exortativo que deve ser valorizado na proclama\u00e7\u00e3o do texto. O leitor ter\u00e1 uma especial aten\u00e7\u00e3o na primeira frase do texto que introduz o discurso e na \u00faltima que apresenta a grande conclus\u00e3o do texto.<\/p>\n<p>A<strong> segunda leitura <\/strong>requer um especial cuidado nas pausas e respira\u00e7\u00f5es, exigindo uma prepara\u00e7\u00e3o acurada tendo em aten\u00e7\u00e3o a articula\u00e7\u00e3o de todo o texto. Al\u00e9m disso, o leitor deve estar atento \u00e0s formas verbais, sobretudo ao \u00abTornastes-vos\u00bb, \u00abtornastes\u00bb, \u00abconvertestes\u00bb.<\/p>\n<p><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O ESSENCIAL E AS SOBRAS<\/strong><\/p>\n<p>A\u00ed est\u00e1, no Evangelho deste <strong>Domingo XXX do Tempo Comum (Mateus 22,34-40),<\/strong> mais uma pergunta armadilhada [\u00abpara o experimentar\u00bb, verbo grego\u00a0<em>peir\u00e1z\u00f4<\/em>, literalmente \u00abmontar um la\u00e7o, uma armadilha\u00bb] posta a Jesus por um Fariseu, um doutor da lei (<em>nomik\u00f3s<\/em>), \u00fanica men\u00e7\u00e3o deste nome em todo o Evangelho de Mateus. Antes deste \u00ablegista\u00bb partir ao encontro de Jesus com a sua pergunta trai\u00e7oeira, destinada a captur\u00e1-lo na armadilha preparada, \u00e9-nos dito que os Fariseus se reuniram (Mateus 22,34). Mas j\u00e1 o tinham feito tamb\u00e9m em Mateus 22,15, antes da pergunta sobre o imposto, e \u00e9 ainda reunidos que os encontramos em Mateus 22,41, antes da pergunta decisiva de Jesus [a\u00ed \u00e9 Jesus que formula a pergunta] acerca da filia\u00e7\u00e3o do Messias, que os reduzir\u00e1 ao sil\u00eancio (Mateus 22,46). Estas sucessivas reuni\u00f5es dos Fariseus para estudar a maneira de tramar Jesus representam uma clara alus\u00e3o ao Salmo 2, em que se diz que os reis das na\u00e7\u00f5es se amotinam contra Deus e contra o seu Messias (v. 2).<\/p>\n<p>A pergunta armadilhada que o \u00ablegista\u00bb fariseu coloca hoje a Jesus soa assim: \u00abMestre, qual \u00e9 o maior mandamento da Lei?\u00bb (Mateus 22,36). A pergunta parece inofensiva, mas, na verdade, destina-se a tentar arrastar Jesus para o plano inclinado da intermin\u00e1vel discuss\u00e3o acad\u00e9mica. De facto, os mestres judeus, lendo minuciosamente a Lei, ou seja, os cinco primeiros Livros da B\u00edblia [= G\u00e9nesis, \u00caxodo, Lev\u00edtico, N\u00fameros e Deuteron\u00f3mio], e reduzindo-a a preceitos, tinham contado l\u00e1 613 preceitos, sendo 365, tantos quantos os dias do ano, negativos, e 248, tantos quantos, assim se pensava ent\u00e3o, os membros do corpo, positivos.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o que entretinha os mestres e as suas escolas era agora a de estabelecer uma ordem nesses 613 preceitos ou mandamentos, dizendo qual consideravam o primeiro ou o mais importante ou o maior, e assim por diante. Discuss\u00e3o intermin\u00e1vel e natural fonte de conflitos, pois, como \u00e9 usual dizer-se, cada mestre sua senten\u00e7a. Qual seria ent\u00e3o a posi\u00e7\u00e3o de Jesus nesta mat\u00e9ria, e como a defenderia?<\/p>\n<p>Jesus responde ao \u00ablegista\u00bb fariseu, n\u00e3o caindo, por\u00e9m, na apertada ratoeira que este lhe arma, mas abrindo portas, janelas e\u2026 cora\u00e7\u00f5es engessados! Na verdade, e como sempre costuma fazer, a resposta de Jesus excede, rebentando-a, a pergunta feita. Jesus cita, em primeiro lugar, o Livro do Deuteron\u00f3mio 6,5: \u00abAMAR\u00c1S o Senhor, teu Deus, com todo o cora\u00e7\u00e3o, toda a alma, todas as for\u00e7as\u00bb. Dito isto, Jesus opera um inesperado, para o \u00ablegista\u00bb, salto de trap\u00e9zio, e acrescenta: \u00abO segundo, por\u00e9m, \u00e9\u00a0<em>semelhante<\/em>\u00a0(<em>homo\u00eda<\/em>) a este, e cita agora o Livro do Lev\u00edtico 19,18: \u00abAMAR\u00c1S o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u00bb.<\/p>\n<p>Ora, o \u00ablegista\u00bb estava apenas interessado em saber qual era, segundo o Mestre Jesus, o primeiro mandamento. Jesus respondeu, mas fez logo saber ao \u00ablegista\u00bb tamb\u00e9m o segundo. Mas n\u00e3o disse simplesmente que era o segundo. Disse que este segundo era\u00a0<em>semelhante<\/em>\u00a0ao primeiro. Ora, se \u00e9 semelhante (e s\u00f3 Mateus usa aqui este\u00a0<em>semelhante<\/em>), j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas segundo, mas faz corpo com o primeiro. Sendo assim, ent\u00e3o o AMOR a Deus \u00e9 verific\u00e1vel no AMOR ao pr\u00f3ximo, no nosso dia-a-dia.<\/p>\n<p>Mas Jesus rebenta outra vez a pergunta do \u00ablegista\u00bb, na conclus\u00e3o que tira, e em que refere que \u00abDestes dois mandamentos se\u00a0<em>suspende<\/em>\u00bb (<em>kr\u00e9matai<\/em>) (Mateus 22,40), verbo s\u00f3 aqui usado no Novo Testamento, isto \u00e9, \u00abdepende\u00bb, \u00abdependura\u00bb, \u00abdecorre\u00bb \u00abtoda a Lei e os Profetas\u00bb (Mateus 22,40). N\u00e3o se trata, portanto, de um final, de uma conclus\u00e3o a que se chega, de um resumo, mas de um ponto de partida, de um fundamento. Na linguagem de Santo Agostinho, seria como o fundamento de um edif\u00edcio espiritual que se encontra no cume, na pedra cumeeira. A locu\u00e7\u00e3o \u00aba Lei e os Profetas\u00bb \u00e9 uma forma de dizer toda a Escritura. A pergunta do \u00ablegista\u00bb visava apenas a Lei, mas Jesus acrescenta \u00abos Profetas\u00bb, clarificando, pois, na sua resposta, que \u00e9 a inteira Escritura que est\u00e1 atravessada pelo fio de ouro do AMOR a Deus e ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Como quem diz: o grau do teu AMOR a Deus verifica-se pela qualidade do teu AMOR ao pr\u00f3ximo. Diretamente de Jesus para o \u00ablegista\u00bb: se olhas para mim de lado, se vens cheio de m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es, se colocas um la\u00e7o, uma armadilha, diante dos meus p\u00e9s, ent\u00e3o est\u00e1s longe de todos os mandamentos. Do 1.\u00ba, do 2.\u00ba, do 3.\u00ba e do 613.\u00ba!<\/p>\n<p>Tudo somado, aquele \u00ablegista\u00bb, perguntador trai\u00e7oeiro, n\u00e3o se situava corretamente face a Deus e ao seu pr\u00f3ximo. N\u00e3o era o AMOR que o fazia mover. N\u00e3o estava no centro da Escritura Santa. Andava muito pela periferia. Ocupava muito do seu tempo, n\u00e3o a AMAR, mas a \u00abARMAR la\u00e7os\u00bb, a tentar tramar os outros! \u00c9 preciso vigiar todos os dias sobre aquilo que verdadeiramente nos move.<\/p>\n<p>Nem de prop\u00f3sito. Salta daqui uma miss\u00e3o aberta, um imenso convite a sairmos de n\u00f3s, sem armadilhas e s\u00f3 com amor, ao encontro dos nossos irm\u00e3os. Dizia o Papa Bento XVI, na sua mensagem para o 85.\u00ba Dia Mission\u00e1rio Mundial (2011): \u00abA miss\u00e3o universal empenha TODOS, TUDO e SEMPRE\u00bb. Entenda-se bem: TODOS, TUDO e SEMPRE! Um silogismo f\u00e1cil: se a miss\u00e3o envolve TODOS, TUDO e SEMPRE, ent\u00e3o atinge-nos no essencial, e n\u00e3o afeta apenas as sobras, porque fic\u00e1mos sem sobras! Verifica\u00e7\u00e3o: ent\u00e3o por que raz\u00e3o continuamos com toda a tranquilidade do mundo a dedicar \u00e0 miss\u00e3o universal apenas as nossas sobras de pessoas, de meios e de tempo? Como podemos andar, afinal, tamb\u00e9m n\u00f3s, armadilhados de boas, subtis e sub-rept\u00edcias inten\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p>A li\u00e7\u00e3o de hoje do Livro do \u00caxodo (22,20-26) \u00e9 clara e faz de coro e de ch\u00e3o \u00e0 p\u00e1gina sublime do Evangelho: Deus ama com especial predile\u00e7\u00e3o os necessitados, em que a B\u00edblia v\u00ea particularmente os pobres, o \u00f3rf\u00e3o, a vi\u00fava e o estrangeiro, e manda-nos que fa\u00e7amos como Ele. Deus n\u00e3o tolera qualquer armadilha que lhes seja feita!<\/p>\n<p>Da janela embaciada da casa de Priscila e \u00c1quila, em que agora habita, em Corinto, S. Paulo continua a evocar com amor a sua passagem por Tessal\u00f3nica, como refere um extrato do in\u00edcio da Primeira Carta aos Tessalonicenses hoje lido (1,5-10). N\u00e3o um amor qualquer, mas aquele amor com que ele pr\u00f3prio foi amado por Jesus Cristo (G\u00e1latas 2,20). Portanto, amor de doa\u00e7\u00e3o total, amor sem volta atr\u00e1s. Na p\u00e1gina que escreve, Paulo diz saber que os crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica est\u00e3o a imitar o seu modo de proceder, isto \u00e9, de amar, que \u00e9 o do Senhor tamb\u00e9m. Ressoar\u00e1 sempre na Igreja e nas Igrejas este fort\u00edssimo dizer de Paulo: \u00abSede meus imitadores, como eu o sou de Cristo\u00bb (1 Cor\u00edntios 11,1). \u00c9 nesta linha que se devem p\u00f4r tamb\u00e9m as Igrejas e os cora\u00e7\u00f5es que hoje escutam esta p\u00e1gina, escrita com amor.<\/p>\n<p>Um Deus fiel, seguro, firme como \u00abrocha\u00bb, que n\u00e3o oscila nem engana, atento e pr\u00f3ximo do homem, sobretudo dos mais fragilizados e em dificuldade, eis o fluxo po\u00e9tico que nos oferece o grande\u00a0<em>Te Deum<\/em>\u00a0que \u00e9 o Salmo 18, que tem muitas afinidades com o \u00abC\u00e2ntico de David\u00bb, registado em 2 Samuel 22. Deixemo-lo tomar conta de n\u00f3s. Este Deus e este fluxo po\u00e9tico. E cantemos com o orante e como ele, com todo o cora\u00e7\u00e3o, alma, mente, energia, arte: \u00abEu te amo, Senhor, minha for\u00e7a!\u00bb (Salmo 18,2).<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Leitura-I-do-Domingo-XXX-do-Tempo-Comum-Ano-A-29.10.2023-Ex-22-20-26.pdf\">Leitura I do Domingo XXX do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 29.10.2023 (Ex 22, 20-26)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Leitura-II-do-Domingo-XXX-do-Tempo-Comum-Ano-A-29.10.2023-1-Tes-1-5c-10.pdf\">Leitura II do Domingo XXX do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 29.10.2023 (1 Tes 1, 5c-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Domingo-XXX-do-Tempo-Comum-Ano-A-29.10.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XXX do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 29.10.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Domingo-XXX-do-Tempo-Comum-Ano-A-29.10.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXX do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 29.10.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXIX do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 22.10.2023&#8243; tab_id=&#8221;1696239602200-d91fa7a9-4dd1&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XXIX do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 22.10.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14px;\"><sup>15<\/sup>Ent\u00e3o, os fariseus reuniram-se para combinar como o haviam de surpreender nas suas pr\u00f3prias palavras.<sup>16<\/sup>Enviaram-lhe os seus disc\u00edpulos, acompanhados dos partid\u00e1rios de Herodes, a dizer-lhe: \u00abMestre, sabemos que \u00e9s sincero e que ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, sem te deixares influenciar por ningu\u00e9m, pois n\u00e3o olhas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o das pessoas.\u00a0<sup>17<\/sup>Diz-nos, portanto, o teu parecer: \u00c9 l\u00edcito ou n\u00e3o pagar o imposto a C\u00e9sar?\u00bb<sup>18<\/sup>Mas Jesus, conhecendo-lhes a mal\u00edcia, retorquiu: \u00abPorque me tentais, hip\u00f3critas?\u00a0<sup>19<\/sup>Mostrai-me a moeda do imposto.\u00bb Eles apresentaram-lhe um den\u00e1rio.\u00a0<sup>20<\/sup>Perguntou: \u00abDe quem \u00e9 esta imagem e esta inscri\u00e7\u00e3o?\u00bb\u00a0<sup>21<\/sup>\u00abDe C\u00e9sar\u00bb &#8211; responderam. Disse-lhes ent\u00e3o: \u00abDai, pois, a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar e a Deus o que \u00e9 de Deus.\u00bb <strong><em>Mt 22, 15-21<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12478\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Domingo-XXIX.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus criador e redentor do g\u00e9nero humano, por amor, criou cada homem e cada mulher. Moldando-nos com as Suas m\u00e3os de h\u00e1bil oleiro ama-nos e recria-nos pela for\u00e7a transformadora do Seu amor. O Deus que ama, escolhe e chama para a miss\u00e3o, convoca-nos a todos para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais fraterno e mais justo. Ser feliz, seguindo a proposta de amor que Jesus tem para cada um de n\u00f3s, \u00e9 colocar a nossa vida nas m\u00e3os de Deus e disponibilizar o nosso cora\u00e7\u00e3o para que se realize em n\u00f3s a Sua obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de mal-intencionados, fariseus e herodianos descrevem Jesus de modo assertivo e surpreendente: \u00ab<em>Mestre, sabemos que \u00e9s sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem Te deixares influenciar por ningu\u00e9m, pois n\u00e3o fazes ace\u00e7\u00e3o de pessoas<\/em>\u00bb. Jesus, o Mestre sincero, n\u00e3o deixa ningu\u00e9m de fora e a todos quer conduzir ao cora\u00e7\u00e3o do Pai. Tem para cada homem e cada mulher um des\u00edgnio de amor e, na miss\u00e3o que o Pai lhe confiou, n\u00e3o quer que nenhum se perca. Desafia-nos a dar a Deus tudo o que a Ele lhe pertence e ensina-nos a arte de nos relacionarmos com os bens e poderes temporais dando-lhes tamb\u00e9m o que lhe \u00e9 devido. Se somos obra das m\u00e3os de Deus, dar a Deus o que \u00e9 de Deus significa oferecer a nossa vida toda para que o Reino de Deus se instaure no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Liturgia da Palavra deste Domingo, chama-me particular aten\u00e7\u00e3o a consci\u00eancia de que Deus vai operando na hist\u00f3ria por meio de homens e mulheres, que apesar da sua fragilidade, encontram a for\u00e7a e seguran\u00e7a das suas vidas na miss\u00e3o que o Senhor lhes confia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ciro, rei da P\u00e9rsia, conquista a Babil\u00f3nia e faz os israelitas sonhar com a liberta\u00e7\u00e3o. O povo de Israel sabe que \u00e9 Deus quem conduz a hist\u00f3ria e questiona-se ao saber ser um rei estrangeiro a concretizar o processo de liberta\u00e7\u00e3o do ex\u00edlio. Contudo, o rei Ciro \u00e9 o ungido do Senhor, para conduzir o povo e escrever como instrumento de Deus a hist\u00f3ria da liberta\u00e7\u00e3o do Povo de Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus ama o Seu Povo e escolhe homens e mulheres que sejam presen\u00e7a pr\u00f3xima do povo para operar as Suas maravilhas. Foi assim com Ciro como foi assim ao longo da hist\u00f3ria com tantos homens e mulheres escolhidos e enviados por Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esta certeza que proclama S. Paulo quando se dirige aos tessalonicenses: \u00ab<em>n\u00f3s sabemos, irm\u00e3os amados por Deus, como fostes escolhidos<\/em>\u00bb. Paulo, Silvano e Tim\u00f3teo s\u00e3o testemunhos deste mesmo amor que escolhe e envia. A eles juntam-se tantos outros que n\u00e3o apenas por palavras, mas, \u00ab<em>mas tamb\u00e9m com obras poderosas, com a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo<\/em>\u00bb realizam a miss\u00e3o que o Senhor lhes confiou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conscientes da nossa fragilidade e pequenez, n\u00f3s somos convidados a responder afirmativa e disponivelmente ao projeto de amor que Deus tem para n\u00f3s. A Igreja \u00e9 pela sua pr\u00f3pria natureza mission\u00e1ria, isto \u00e9, enquanto Povo de Deus reunido na unidade do Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo, \u00e9 chamada a levar a todos o amor da Sant\u00edssima Trindade. Como batizados somos chamados na comunh\u00e3o e unidade, a levar a todos a certeza do amor de Deus que convoca e envia, que chama e constitui em miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Dai a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar e a Deus o que \u00e9 de Deus<\/em>\u00bb. Porventura, poder\u00edamos perguntar-nos: mas o que \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 de Deus? Se Deus \u00e9 o criador de todas as coisas, tudo lhe pertence. N\u00e3o obstante a autonomia das realidades temporais que somos chamados a reconhecer e colaborar, reconhecemos que tudo pertence a Deus. Se na imagem e inscri\u00e7\u00e3o da moeda do tributo est\u00e1 C\u00e9sar, no rosto de cada homem e de cada mulher est\u00e1 impressa a imagem de Deus \u00e0 semelhan\u00e7a do Qual fomos criados. Por isso, se o tributo deve ser dado a C\u00e9sar, as nossas vidas devem ser oferecidas a Deus e colocadas ao Seu servi\u00e7o para a salva\u00e7\u00e3o de todos. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste <strong>Domingo XXIX do Tempo Comum<\/strong> celebra-se o <strong>97\u00ba Dia Mundial das Miss\u00f5es<\/strong>. Como de costume o Papa Francisco escreveu uma mensagem intitulada \u00ab<em>Cora\u00e7\u00f5es ardentes, p\u00e9s ao caminho (cf.<\/em>\u00a0Lc<em>\u00a024, 13-15<\/em>).\u00a0 Fica como anexo. Os fi\u00e9is s\u00e3o tamb\u00e9m convidados a colaborar materialmente com as necessidades das miss\u00f5es para que o Evangelho possa chegar a todos os homens e mulheres. Contudo, que esta seja sobretudo uma jornada de ora\u00e7\u00e3o para que a Igreja renove a certeza de que a Igreja \u00e9 por sua pr\u00f3pria natureza mission\u00e1ria e s\u00f3 realizar\u00e1 bem a sua miss\u00e3o se se constituir em estado permanente de miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Is 45,1.4-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00ab<em>Eu sou o Senhor e n\u00e3o h\u00e1 outro; fora de Mim n\u00e3o h\u00e1 Deus<\/em>\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto pertence ao &#8220;Livro da Consola\u00e7\u00e3o&#8221; do Deutero-Isa\u00edas (cf. Is 40-55). &#8220;Deutero-Isa\u00edas&#8221; \u00e9 um nome convencional com que os biblistas designam um profeta an\u00f3nimo da escola de Isa\u00edas, que cumpriu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica na Babil\u00f3nia, entre os exilados judeus. Estamos na fase final do Ex\u00edlio, entre 550 e 539 a.C.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o reinado de Nab\u00f3nides, rei da Babil\u00f3nia, desponta na P\u00e9rsia uma nova estrela da pol\u00edtica internacional&#8230; Em 553 a.C., Ciro, rei dos Persas, conquista a capital da M\u00e9dia (Ecb\u00e1tana) e junta no mesmo imp\u00e9rio os Medos e os Persas. Depois (547 a.C.), marcha contra a L\u00eddia, conquista Sardes e, apodera-se da maior parte da \u00c1sia Menor. Nos anos seguintes, uma s\u00e9rie de vit\u00f3rias fulgurantes d\u00e3o-lhe o dom\u00ednio do Ir\u00e3o oriental, do Afeganist\u00e3o e do Turquest\u00e3o, at\u00e9 \u00e0 \u00cdndia. Fortalecido em ouro e em homens dirige, em seguida, os seus ex\u00e9rcitos contra a Babil\u00f3nia e, em 539 a.C., entra vitorioso na capital babil\u00f3nica onde, sem qualquer oposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 recebido como libertador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atividade prof\u00e9tica do Deutero-Isa\u00edas desenvolve-se nos anos que precederam a entrada vitoriosa de Ciro na Babil\u00f3nia&#8230; As not\u00edcias que chegam sobre as vit\u00f3rias de Ciro fazem os exilados sonhar com a proximidade da liberta\u00e7\u00e3o do cativeiro. \u00c0 alegria pela liberta\u00e7\u00e3o iminente junta-se, no entanto, alguma confus\u00e3o e perplexidade&#8230; Ent\u00e3o o libertador n\u00e3o vai sair do meio do Povo de Deus, mas \u00e9 um rei estrangeiro? E quando a liberta\u00e7\u00e3o acontecer, a quem deve ser atribu\u00edda: a Jahw\u00e9h, o Deus dos exilados judeus, ou a Marduk, o deus de Ciro? Jahw\u00e9h ter-se-\u00e1 desinteressado do seu Povo? Ou ter\u00e1 perdido o seu poder?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de um problema teol\u00f3gico s\u00e9rio que, em \u00faltima an\u00e1lise, pode determinar a manuten\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o da f\u00e9 do Povo em Jahw\u00e9h. O Deutero-Isa\u00edas vai procurar esclarecer esta quest\u00e3o e explicar o papel de Jahw\u00e9h nos acontecimentos. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar os seguintes dados, na reflex\u00e3o e partilha<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m n\u00f3s &#8211; como os exilados de Jud\u00e1 &#8211; ficamos, tantas vezes, perplexos e inquietos diante dos acontecimentos do nosso tempo. N\u00e3o percebemos o significado nem o alcance de certos eventos e n\u00e3o conseguimos saber para onde \u00e9 que a hist\u00f3ria nos conduz. Sentimo-nos perdidos, assustados, \u00e0 deriva, como barco sem leme&#8230; E, para al\u00e9m disso, Deus parece manter-se em sil\u00eancio, assistindo calmamente e sem mexer um dedo, aos dramas que marcam o ritmo da nossa caminhada. Perguntamo-nos: onde est\u00e1 Deus, quando a hist\u00f3ria humana parece percorrer caminhos t\u00e3o \u00ednvios? Ele preocupa-Se, realmente, com os homens? Qual o seu papel na condu\u00e7\u00e3o dos destinos do mundo? Porque \u00e9 que Ele deixa que os homens destruam o planeta, inventem esquemas sofisticados de destrui\u00e7\u00e3o e de morte, cultivem a explora\u00e7\u00e3o e a injusti\u00e7a, mantenham tantos homens, mulheres e crian\u00e7as amarrados \u00e0 mis\u00e9ria e \u00e0 escravid\u00e3o? A primeira leitura deste domingo garante-nos: Deus nunca abandona os homens. Ele encontra sempre formas de intervir na hist\u00f3ria e de concretizar os seus projetos de vida, de salva\u00e7\u00e3o, de liberta\u00e7\u00e3o&#8230; Talvez as interven\u00e7\u00f5es de Deus nem sempre sejam ortodoxas \u00e0 luz da l\u00f3gica dos homens; talvez nem sempre consigamos perceber o verdadeiro alcance dos projetos de Deus; mas Deus l\u00e1 est\u00e1, como Senhor da hist\u00f3ria, conduzindo o mundo de acordo com o projeto de vida que Ele tem para os homens e para o mundo. Resta-nos, mesmo quando n\u00e3o percebemos os seus crit\u00e9rios, confiarmos e entregarmo-nos nas suas m\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Normalmente, Deus n\u00e3o interv\u00e9m na hist\u00f3ria atrav\u00e9s de manifesta\u00e7\u00f5es impressionantes, espetaculares, ca\u00eddas do c\u00e9u, que se imp\u00f5em como verdades infal\u00edveis e que deixam os homens espantados&#8230; Deus atua no mundo com simplicidade e discri\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de pessoas &#8211; muitas vezes pessoas limitadas, pecadoras, &#8220;normais&#8221; &#8211; a quem Ele chama e a quem Ele confia uma miss\u00e3o. O que \u00e9 fundamental \u00e9 que cada homem ou cada mulher que Deus chama esteja dispon\u00edvel para acolher esse chamamento e para aceitar ser instrumento de Deus na constru\u00e7\u00e3o de um mundo novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqueles que det\u00eam responsabilidades na condu\u00e7\u00e3o das comunidades (civis ou religiosas) devem procurar, atrav\u00e9s de um di\u00e1logo cont\u00ednuo e pr\u00f3ximo com Deus, perceber os seus projetos e planos para o mundo e para os homens. S\u00f3 assim poder\u00e3o ser instrumento de Deus na constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ciro, frustrando todas as expectativas do Povo de Deus, \u00e9 um pag\u00e3o que &#8220;n\u00e3o conhecia&#8221; Jahw\u00e9h&#8230; Apesar disso (de acordo com a catequese do Deutero-Isa\u00edas), foi ele quem Deus escolheu como seu instrumento a fim de concretizar os seus projetos em favor do seu Povo. Deus pode servir-Se daquele que \u00e9 pecador e marginal aos olhos do mundo para oferecer aos homens a vida e a salva\u00e7\u00e3o. O que interessa n\u00e3o s\u00e3o as &#8220;qualidades&#8221; do intermedi\u00e1rio, mas a for\u00e7a de Deus. \u00c9 necess\u00e1rio ter isto presente&#8230; Se conseguimos fazer algo para tornar o mundo um pouco melhor, isso n\u00e3o se deve \u00e0s nossas brilhantes qualidades, mas a esse Deus que age por nosso interm\u00e9dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escolha de Ciro significa tamb\u00e9m a den\u00fancia de uma perspetiva fechada, nacionalista, racista, de Deus e dos seus projetos. Ningu\u00e9m tem o monop\u00f3lio de Deus ou da miss\u00e3o&#8230; Deus \u00e9 totalmente livre de chamar quem quiser, quando quiser e como quiser &#8211; seja de que ra\u00e7a for, de que extrato social for, ou sejam quais forem os seus antecedentes religiosos. Certos crist\u00e3os que se sentem os \u00fanicos detentores da autoridade e da miss\u00e3o e que se ficam quase ofendidos quando aparece algu\u00e9m a fazer algo de diferente na par\u00f3quia, deviam ter isto em conta. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a095 (96)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: Aclamai a gl\u00f3ria e o poder do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Tes 1,1-5b<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abDamos continuamente gra\u00e7as a Deus por todos v\u00f3s, ao fazermos men\u00e7\u00e3o de v\u00f3s nas nossas ora\u00e7\u00f5es\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tessal\u00f3nica era, no s\u00e9culo I da nossa era, a cidade mais importante da Maced\u00f3nia. Importante porto mar\u00edtimo e cidade de intenso com\u00e9rcio, era uma encruzilhada religiosa, na qual os cultos locais coexistiam lado a lado com todo o tipo de propostas religiosas vindas de todo o Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tessal\u00f3nica foi evangelizada por Paulo durante a sua segunda viagem mission\u00e1ria, muito provavelmente no Inverno dos anos 49-50. Paulo chegou a Tessal\u00f3nica acompanhado de Silvano e Tim\u00f3teo, depois de ter sido for\u00e7ado a deixar a cidade de Filipos. O tempo de evangeliza\u00e7\u00e3o foi curto &#8211; talvez uns tr\u00eas meses; mas foi o suficiente para fazer nascer uma comunidade crist\u00e3 numerosa e entusiasta, constitu\u00edda maioritariamente por pag\u00e3os convertidos. No entanto, a obra de Paulo foi brutalmente interrompida pela rea\u00e7\u00e3o da col\u00f3nia judaica&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os judeus acusaram Paulo de agir contra os decretos do imperador e levaram alguns crist\u00e3os diante dos magistrados da cidade (cf. Act 17,5-9). Paulo teve de deixar a cidade \u00e0 pressa, de noite, indo para Bereia e, depois, para Atenas (cf. Act 17,10-15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, Paulo tinha a consci\u00eancia de que a forma\u00e7\u00e3o doutrinal da comunidade crist\u00e3 de Tessal\u00f3nica ainda deixava muito a desejar. A jovem comunidade, fundada h\u00e1 pouco tempo e ainda insuficientemente catequizada, estava quase desarmada nesse contexto adverso de persegui\u00e7\u00e3o e de prova\u00e7\u00e3o (cf. 1 Tes 3,1-10). Preocupado, Paulo enviou Tim\u00f3teo a Tessal\u00f3nica, a fim de saber not\u00edcias e encorajar os tessalonicenses na f\u00e9 (cf. 1 Tes 3,2-5). Quando Tim\u00f3teo voltou e apresentou o seu relat\u00f3rio, Paulo estava em Corinto. Confortado pelas informa\u00e7\u00f5es dadas por Tim\u00f3teo, o ap\u00f3stolo decidiu escrever aos crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica, felicitando-os pela sua fidelidade ao Evangelho. Aproveitou tamb\u00e9m para esclarecer algumas d\u00favidas doutrinais que inquietavam os tessalonicenses e para corrigir alguns aspetos menos exemplares da vida da comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Primeira Carta aos Tessalonicenses \u00e9, com toda a probabilidade, o primeiro escrito do Novo Testamento. Apareceu na Primavera-Ver\u00e3o do ano 50 ou 51.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto apresenta-nos o endere\u00e7o da carta (&#8220;Paulo, Silvano e Tim\u00f3teo \u00e0 Igreja dos Tessalonicenses que est\u00e1 em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo&#8221; &#8211; 1 Tes 1,1) e um extrato de uma longa ora\u00e7\u00e3o colocada no in\u00edcio da carta, na qual Paulo d\u00e1 gra\u00e7as a Deus pelo comportamento exemplar dos tessalonicenses: apesar das provas que tiveram de suportar, permanecem fi\u00e9is ao Evangelho e ao ensino de Paulo (cf. 1 Tes 1,2-3,13). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o e na partilha, considerar os seguintes elementos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, uma comunidade crist\u00e3 que viva, com fidelidade e entusiasmo, a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade, n\u00e3o ser\u00e1 not\u00edcia; em contrapartida, os meios de comunica\u00e7\u00e3o social explorar\u00e3o, com gosto, a vida de uma comunidade crist\u00e3 marcada pelos esc\u00e2ndalos, pelos dramas, pelas infidelidades&#8230;. Tornamo-nos progressivamente insens\u00edveis \u00e0s coisas bonitas e boas e s\u00f3 nos deixamos impressionar pelo espampanante, pelo escandaloso, por aquilo que chama a aten\u00e7\u00e3o por raz\u00f5es negativas. O nosso texto convida-nos, antes de mais, a repararmos nos testemunhos de f\u00e9, de amor e de esperan\u00e7a que encontramos \u00e0 nossa volta e a vermos a\u00ed a presen\u00e7a e a a\u00e7\u00e3o de Deus no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto convida-nos, depois, a renovar e potenciar a nossa capacidade de louvar e de agradecer a Deus. Ao contemplarmos tantos gestos de bondade, de amor, de doa\u00e7\u00e3o, de solidariedade que, em geral, acontecem no mundo e que, em particular, enchem as vidas das nossas comunidades crist\u00e3s, n\u00e3o podemos deixar de ver a\u00ed a presen\u00e7a amorosa de Deus&#8230; Teremos sempre a capacidade de agradecer a Deus a sua presen\u00e7a e a sua a\u00e7\u00e3o no mundo, na vida das nossas comunidades crist\u00e3s ou religiosas, na vida das nossas fam\u00edlias e de cada um de n\u00f3s?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O exemplo da comunidade crist\u00e3 de Tessal\u00f3nica interpela-nos e questiona-nos&#8230; \u00c9 uma comunidade que, apesar de uma catequese incipiente e de um ambiente hostil, abra\u00e7ou com entusiasmo o Evangelho e concretizou a proposta de Jesus na vida do dia a dia, atrav\u00e9s de uma f\u00e9 ativa, de um amor esfor\u00e7ado e de uma esperan\u00e7a firme. N\u00f3s, seguidores de Jesus, depois de muitos anos de catequese e de compromisso com Jesus, como vivemos o nosso compromisso crist\u00e3o: com um entusiasmo sempre renovado e sempre coerente, ou com o desleixo e a indiferen\u00e7a de quem n\u00e3o se quer comprometer? A nossa f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de palavras, mas leva-nos a um efetivo compromisso com a transforma\u00e7\u00e3o da nossa vida, da nossa fam\u00edlia, da nossa comunidade ou do mundo que nos rodeia? O nosso amor traduz-se em atitudes concretas de partilha, de doa\u00e7\u00e3o, de solidariedade, de luta contra tudo o que oprime os pequenos, os d\u00e9beis, os marginalizados? A nossa esperan\u00e7a mant\u00e9m-nos serenos e confiantes, de olhos postos nesse futuro novo que Deus nos reserva, apesar das vicissitudes, das dificuldades, das incompreens\u00f5es que dia a dia temos de enfrentar? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 22,15-21<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abOs fariseus reuniram-se para deliberar sobre a maneira de surpreender Jesus no que dissesse\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00ab\u00c9 l\u00edcito ou n\u00e3o pagar tributo a C\u00e9sar?\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abDai a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar e a Deus o que \u00e9 de Deus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto situa-nos em Jerusal\u00e9m, o local onde vai desenrolar-se o confronto final entre Jesus e o juda\u00edsmo. De um lado est\u00e3o os dirigentes judeus: instalados nas suas certezas e preconceitos, recusam-se terminantemente a acolher a proposta do Reino. Do outro lado est\u00e1 Jesus: Ele procura que os dirigentes do seu Povo tomem consci\u00eancia de que, ao recusar o Reino, est\u00e3o a recusar a oferta de salva\u00e7\u00e3o que Deus lhes faz. Para ilustrar a situa\u00e7\u00e3o, Jesus conta-lhes tr\u00eas par\u00e1bolas (que lemos e medit\u00e1mos nos \u00faltimos tr\u00eas domingos). Na primeira, identifica-os com o filho que disse &#8220;sim&#8221; ao seu pai, mas que n\u00e3o foi trabalhar no campo (cf. Mt 21,28-32); na segunda, equipara-os aos vinhateiros maus que tiveram a ousadia de matar o filho (cf. Mt 21,33-46); na terceira, compara-os com os convidados para o banquete que rejeitaram o convite (cf. Mt 22,1-14). Irritados com a ousadia de Jesus e questionados pelas suas compara\u00e7\u00f5es, os l\u00edderes judaicos procuram ansiosamente um pretexto para o acusar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste contexto que Mateus nos vai apresentar tr\u00eas controv\u00e9rsias entre Jesus e os fariseus (cf. Mt 22,15-22.23-33.34-40). Em qualquer caso, o objetivo \u00e9 surpreender afirma\u00e7\u00f5es controversas e encontrar argumentos para apresentar em tribunal contra Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira quest\u00e3o que os fariseus, aliados com os partid\u00e1rios de Herodes Antipas, p\u00f5em a Jesus \u00e9 muito delicada. Diz respeito \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o de pagar os tributos ao imperador de Roma&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m dos impostos indiretos (portagens, direitos alfandeg\u00e1rios, taxas v\u00e1rias), as prov\u00edncias romanas pagavam ao Imp\u00e9rio o tributo, que era uma quantia estipulada por Roma e que todos os habitantes do Imp\u00e9rio (com exce\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e dos velhos) deviam pagar. Era considerado um sinal infamante da sujei\u00e7\u00e3o a Roma. A quest\u00e3o que p\u00f5em a Jesus \u00e9, portanto, esta: \u00e9 l\u00edcito pactuar com esse sistema gerador de escravid\u00e3o e de injusti\u00e7a?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os partid\u00e1rios de Herodes e os saduceus (a alta aristocracia sacerdotal) estavam perfeitamente de acordo com o tributo, pois aceitavam naturalmente a sujei\u00e7\u00e3o a Roma. Os movimentos revolucion\u00e1rios, no entanto, estavam frontalmente contra, pois consideravam o imperador um usurpador do poder que s\u00f3 pertencia a Jahw\u00e9h e interditavam aos seus partid\u00e1rios o pagamento do dito tributo. Os fariseus, embora n\u00e3o aceitando o tributo, tinham uma posi\u00e7\u00e3o interm\u00e9dia e n\u00e3o propunham uma solu\u00e7\u00e3o violenta para a quest\u00e3o&#8230;<br \/>\nDe qualquer forma, era uma quest\u00e3o &#8220;armadilhada&#8221;. Se Jesus se pronunciasse a favor do pagamento do tributo, seria acusado de colaboracionismo e de defender a usurpa\u00e7\u00e3o pelos romanos do poder que pertencia a Jahw\u00e9h; mas se Jesus se pronunciasse contra o pagamento do imposto, seria acusado de revolucion\u00e1rio, inimigo da ordem romana&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 que Jesus vai resolver a quest\u00e3o? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, considerar as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o essencial que o nosso texto aborda \u00e9 esta: o homem pertence a Deus e deve considerar Deus o seu \u00fanico senhor e a sua refer\u00eancia fundamental. No entanto, embriagados pelo turbilh\u00e3o das liberdades e das novas descobertas, os homens do nosso tempo consideraram que eram capazes de descobrir, por si pr\u00f3prios, os caminhos da vida e da felicidade e que podiam prescindir de Deus&#8230; Instalaram-se no orgulho e na autossufici\u00eancia e deixaram Deus de fora das suas vidas. \u00c9 preciso voltarmos a Deus e redescobrirmos a sua centralidade na nossa exist\u00eancia. Deus n\u00e3o atenta contra a nossa identidade e a nossa liberdade. Fomos criados para a comunh\u00e3o com Deus e s\u00f3 nos sentiremos felizes e realizados quando nos entregarmos confiadamente nas suas m\u00e3os e fizermos d&#8217;Ele o centro da nossa caminhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em muitos casos, Deus foi apenas substitu\u00eddo por outros &#8220;deuses&#8221;: o dinheiro, o poder, o \u00eaxito, a realiza\u00e7\u00e3o profissional, a ascens\u00e3o social, o clube de futebol&#8230; tomaram o lugar de Deus e passaram a dirigir e a condicionar a vida de tantos dos nossos contempor\u00e2neos. Quase sempre, no entanto, essa troca trouxe, apenas, escravid\u00e3o, aliena\u00e7\u00e3o, frustra\u00e7\u00e3o e sentimentos de solid\u00e3o e de orfandade&#8230; Como me sinto face a isto? H\u00e1 outros deuses a tomarem posse da minha vida, a condicionarem as minhas op\u00e7\u00f5es, a dirigirem os meus interesses, a dominarem os meus projetos? Quais s\u00e3o esses deuses? Eles asseguraram-me a felicidade e a plena realiza\u00e7\u00e3o, ou tornam-me cada vez mais escravo e dependente?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O homem e a mulher foram criados \u00e0 imagem de Deus. Eles n\u00e3o s\u00e3o, portanto, objetos que podem ser usados, explorados e alienados, mas seres revestidos de uma suprema dignidade, de uma dignidade divina. Apesar da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem e de uma infinidade de organiza\u00e7\u00f5es e de associa\u00e7\u00f5es destinadas a proteger e a assegurar os direitos, liberdades e garantias, h\u00e1 milh\u00f5es de homens, mulheres e crian\u00e7as que continuam, todos os dias, a ser maltratados, humilhados, explorados, desprezados, diminu\u00eddos na sua dignidade. Destruir a imagem de Deus que existe em cada crian\u00e7a, mulher ou homem, \u00e9 um grave crime contra Deus. N\u00f3s, os crist\u00e3os, n\u00e3o podemos permitir que tal aconte\u00e7a. Devemos sentir-nos respons\u00e1veis sempre que algum irm\u00e3o ou irm\u00e3, em qualquer canto do mundo, \u00e9 privado dos seus direitos e da sua dignidade; e temos o dever grave de lutar, de forma objetiva, contra todos os sistemas que, na Igreja ou na sociedade, atentem contra a vida e a dignidade de qualquer pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o crist\u00e3o, Deus \u00e9 a refer\u00eancia fundamental e est\u00e1 sempre em primeiro lugar; mas isso n\u00e3o significa que o crist\u00e3o viva \u00e0 margem do mundo e se demita das suas responsabilidades na constru\u00e7\u00e3o do mundo. O crist\u00e3o deve ser um cidad\u00e3o exemplar, que cumpre as suas responsabilidades e que colabora ativamente na constru\u00e7\u00e3o da sociedade humana. Ele respeita as leis e cumpre pontualmente as suas obriga\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias, com coer\u00eancia e lealdade. N\u00e3o foge aos impostos, n\u00e3o aceita esquemas de corrup\u00e7\u00e3o, n\u00e3o infringe as regras legalmente definidas. Vive de olhos postos em Deus; mas n\u00e3o se escusa a lutar por um mundo melhor e por uma sociedade mais justa e mais fraterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 que eu me situo face ao poder pol\u00edtico e \u00e0s institui\u00e7\u00f5es civis: com total indiferen\u00e7a, com sujei\u00e7\u00e3o cega, ou com lealdade cr\u00edtica? Como \u00e9 que eu contribuo para a constru\u00e7\u00e3o da sociedade? \u00c0 luz de que crit\u00e9rios e de que valores julgo os factos, as decis\u00f5es, as leis pol\u00edticas e sociais que regem a comunidade humana em que estou inserido? As minhas op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas s\u00e3o coerentes com os crit\u00e9rios do Evangelho e com os valores de Jesus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>primeira leitura<\/strong>, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o o texto em discurso direto que se encontra entre aspas. \u00c9 necess\u00e1ria uma leitura pausada e atenta \u00e0s pausas e respira\u00e7\u00f5es sobretudo nas frases mais longas. Tal como na primeira leitura, <strong>na segunda leitura<\/strong> \u00e9 necess\u00e1ria uma especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s frases longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es. Na primeira frase, aten\u00e7\u00e3o \u00e0 forma de sauda\u00e7\u00e3o de S. Paulo para que se expresse bem o modo como o Ap\u00f3stolo das Gentes saudava a comunidade e coresponsabilizava todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/10\/17\/devolvei-as-coisas-de-cesar-a-cesar-e-as-coisas-de-deus-a-deus-2\/\"><strong>DEVOLVEI AS COISAS DE C\u00c9SAR A C\u00c9SAR E AS COISAS DE DEUS A\u00a0DEUS<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois das par\u00e1bolas do banquete (Mateus 22,1-10) e do traje nupcial (Mateus 22,11-14), sendo esta \u00faltima exclusiva de Mateus, mas as duas muito bem articuladas no texto de Mateus 22,1-14, o restante do Cap\u00edtulo 22 de Mateus oferece-nos uma s\u00e9rie progressiva de tr\u00eas quest\u00f5es postas sucessivamente a Jesus por Fariseus e Herodianos (Mateus 22,15-22), Saduceus (Mateus 22,23-33) e um Fariseu (Mateus 22,34-40), a que se segue uma quarta, a mais importante (sequ\u00eancia 3 + 1), posta por Jesus aos Fariseus (Mateus 22,41-46).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destes quatro epis\u00f3dios, apenas dois ser\u00e3o escutados nos pr\u00f3ximos dois Domingos. Assim, neste Domingo XXIX do Tempo Comum, escutaremos o epis\u00f3dio de Mateus 22,15-22 (cf. paralelos em Marcos 12,13-17 e Lucas 20,20-26), em que Fariseus e Herodianos se juntam para tentar tramar Jesus pela palavra, colocando-lhe por isso e para isso uma pergunta trai\u00e7oeira, assim formulada: \u00ab\u00c9 permitido\u00a0<em>dar<\/em>\u00a0(<em>d\u00edd\u00f4mi<\/em>) o imposto a C\u00e9sar, ou n\u00e3o?\u00bb (Mateus 22,17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Note-se que o epis\u00f3dio decorre no Templo, certamente no \u00c1trio dos Gentios, uma vasta \u00e1rea de 13,5 hectares, prop\u00edcia ao encontro de muita gente, judeus e n\u00e3o judeus, onde Jesus se encontra a ensinar desde Mateus 21,23 at\u00e9 Mateus 24,1, em que \u00e9 referido que Jesus saiu do Templo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, portanto, no \u00c1trio dos Gentios que, de forma estudada e matreira, fariseus e herodianos tentam surpreender Jesus com uma pergunta pol\u00edtica fechada. Note-se que a pergunta foi preparada e feita para levar Jesus a responder \u00absim\u00bb ou \u00abn\u00e3o\u00bb. Para o caso, aos maliciosos perguntadores, tanto lhes fazia: para tramar Jesus, tanto lhes servia o \u00absim\u00bb como o \u00abn\u00e3o\u00bb. Na verdade, se Jesus respondesse \u00absim\u00bb, seria visto como colaboracionista com o imp\u00e9rio romano ocupante e perderia todo o cr\u00e9dito religioso acumulado aos olhos das multid\u00f5es que o viam como profeta, totalmente do lado de Deus. Cairia assim um dos grandes aliados de Jesus, o povo, que os advers\u00e1rios de Jesus temiam, sendo este medo que at\u00e9 agora os impediu de prender e eliminar Jesus (cf. Mateus 21,46). Se respondesse \u00abn\u00e3o\u00bb, seria denunciado \u00e0s autoridades romanas como revolucion\u00e1rio, e certamente executado. Com este dilema aparentemente sem sa\u00edda, os fariseus pensam retribuir a Jesus o embara\u00e7o em que os meteu com a pergunta acerca da origem do batismo de Jo\u00e3o, se era do c\u00e9u ou se era da terra, de que n\u00e3o souberam sair de forma airosa (cf. Mateus 21,23-27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de verificarmos a extraordin\u00e1ria resposta com que Jesus desmonta a armadilha que lhe \u00e9 posta, \u00e9 ainda conveniente examinar o grau de adula\u00e7\u00e3o e hipocrisia dos perguntadores. De facto, o grupo de fariseus e herodianos aproxima-se de Jesus estendendo-lhe um tapete de louvores: \u00abSabemos que \u00e9s verdadeiro\u00bb, que \u00abensinas com verdade o caminho de Deus\u00bb, e que \u00abn\u00e3o fazes ace\u00e7\u00e3o de pessoas\u00bb (Mateus 22,16). Esta \u00faltima express\u00e3o deriva da locu\u00e7\u00e3o latina\u00a0<em>accipere personam<\/em>\u00a0[= receber a pessoa], que, por sua vez, traduz \u00e0 letra o grego\u00a0<em>lamb\u00e1nein pr\u00f3s\u00f4p\u00f4n<\/em>\u00a0[= tomar o rosto], que tem por detr\u00e1s a express\u00e3o hebraica\u00a0<em>nasa\u02bc pan\u00eem<\/em>\u00a0[= levantar o rosto]. A express\u00e3o hebraica faz sentido, e \u00e9 muito mais clara do que a grega, a latina e a portuguesa. O juiz justo, no ato de administrar a justi\u00e7a, n\u00e3o levanta o rosto das pessoas, isto \u00e9, n\u00e3o julga de acordo com o rosto das pessoas ou por interesse, consoante as pessoas sejam ricas ou pobres, simp\u00e1ticas ou desprez\u00edveis, do nosso grupo de amigos ou n\u00e3o. O grego tenta traduzir a express\u00e3o hebraica, mas o latim e o vern\u00e1culo \u00abfazer ace\u00e7\u00e3o de pessoas\u00bb n\u00e3o significa nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Note-se, por\u00e9m, que este tapete rolante colocado diante de Jesus por fariseus e herodianos \u00e9 com a inten\u00e7\u00e3o de o fazer mais facilmente escorregar e cair.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Jesus descobre logo a mal\u00edcia deles, e diz as coisas a direito, levando a s\u00e9rio o que os seus interlocutores lhe dizem por mal\u00edcia. Al\u00e9m disso, chama-lhes \u00abhip\u00f3critas\u00bb (uma palavra que se conta 30 vezes em Mateus), isto \u00e9, mentirosos camuflados debaixo de uma capa de verdade. Jesus, portanto, n\u00e3o responde \u00e0 adula\u00e7\u00e3o com adula\u00e7\u00e3o, mas denuncia a m\u00e1scara de mentira que envolve aqueles rostos! Vai mais longe: pede-lhes que lhe mostrem a moeda do imposto\u00a0<em>per capita<\/em>\u00a0(<em>k\u00eansos<\/em>, translitera\u00e7\u00e3o grega do latim\u00a0<em>census<\/em>) que, desde o ano 6 d. C., todos os judeus adultos, mulheres e escravos inclu\u00eddos, tinham de pagar ao imp\u00e9rio romano. Al\u00e9m de h\u00e1beis impostores, os interlocutores de Jesus s\u00e3o igualmente r\u00e1pidos a tirar a moeda do bolso, um den\u00e1rio, moeda romana correspondente ao sal\u00e1rio de um dia de trabalho. Jesus pergunta, de forma contundente, usando o presente hist\u00f3rico do verbo dizer: \u00ab<em>Diz-lhes<\/em>: de quem \u00e9 esta imagem e a inscri\u00e7\u00e3o?\u00bb (Mateus 22,20). A moeda tinha ao centro a imagem de Tib\u00e9rio coroado de grinaldas, que reinou de 14 a 37 d. C., e \u00e0 volta a inscri\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Ti[berius] Caesar Divi Aug[usti] F[ilius] Augustus<\/em>, tendo no reverso\u00a0<em>Ponti[fex] Maxim[us]<\/em>. Eles t\u00eam, portanto, de responder que uma e outra s\u00e3o de C\u00e9sar. Note-se que tudo se passa no recinto sagrado do Templo. E a moeda que estes falsos justos ostentam desrespeita os dois primeiros mandamentos (\u00caxodo 20,3 e 4). Na verdade, \u00caxodo 20,4 pro\u00edbe as imagens (2.\u00ba mandamento), e \u00caxodo 20,3 pro\u00edbe o culto a outros deuses (1.\u00ba mandamento): ora, a inscri\u00e7\u00e3o descrevia o Imperador Romano com\u00a0<em>Divi Filius<\/em>\u00a0[= filho de um deus].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus continua a usar o presente hist\u00f3rico do verbo dizer: \u00ab<em>Diz-lhes<\/em>: devolvei ent\u00e3o as coisas de C\u00e9sar a C\u00e9sar e as coisas de Deus a Deus!\u00bb (Mateus 22,21). Note-se ainda como Jesus n\u00e3o responde com o verbo \u00abdar\u00bb (<em>d\u00edd\u00f4mi<\/em>) da pergunta, mas com \u00abdevolver\u00bb (<em>apod\u00edd\u00f4mi<\/em>) o seu a seu dono. E introduz a enf\u00e1tica 2.\u00aa parte \u00abe as coisas de Deus a Deus\u00bb. Fica ent\u00e3o claro que a moeda vem de C\u00e9sar e a C\u00e9sar deve voltar. Mas Jesus, o Filho verdadeiro de Deus, \u00abimagem do Deus invis\u00edvel\u00bb (Colossenses 1,15), que at\u00e9 os falsos interlocutores reconhecem que est\u00e1 vinculado a Deus, pois afirmam que ensina o caminho de Deus (Mateus 22,16), \u00e9 para devolver a Deus\u2026 Mas j\u00e1 sabemos que estes impostores montaram esta armadilha com o fito de o entregar a C\u00e9sar (e \u00e9 o que v\u00e3o fazer mais \u00e0 frente). E tamb\u00e9m fica claro que o ser humano, homem e mulher, criado \u00e0 imagem de Deus (G\u00e9nesis 1,26-27), \u00e9 para devolver a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O v. 22, que foi cortado (mal) do texto deste Domingo, desenha a reviravolta dos ca\u00e7adores ca\u00e7ados na sua pr\u00f3pria armadilha. Ca\u00e7ados por excesso, pois refere o texto que ficaram maravilhados, e se foram embora (Mateus 22,22). Maravilhados, mas n\u00e3o convertidos. Voltar\u00e3o cada vez mais envenenados para levar a cabo o projeto in\u00edquo de retirar Jesus de Deus, para o entregar a C\u00e9sar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se v\u00ea, h\u00e1 nesta extraordin\u00e1ria resposta de Jesus muito mais do que a corrente e banal leitura que v\u00ea nesta passagem o mero estabelecimento de regras de conviv\u00eancia entre Estado e Igreja\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio da nossa mal\u00edcia que vamos extravasando, Deus olha-nos com bondade, e os seus des\u00edgnios, mesmo quando escolhe um estrangeiro, s\u00e3o sempre por causa de n\u00f3s, porque nos ama (Isa\u00edas 45,1.4-6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 este tamb\u00e9m o modo caloroso de agir de Paulo, Silvano e Tim\u00f3teo, que t\u00eam sempre presente, porque a amam, a comunidade de Tessal\u00f3nica (1 Tessalonicenses 1,1-5). Ter\u00e1 de ser tamb\u00e9m o nosso modo de agir para com Deus e os nossos irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, sem mal\u00edcia, mas com o cora\u00e7\u00e3o puro, cantemos as notas sublimes do Salmo 96. A m\u00fasica est\u00e1 escrita diante de n\u00f3s, no pergaminho da natureza e da hist\u00f3ria, mas tamb\u00e9m no rosto belo de cada irm\u00e3o e da inteira cria\u00e7\u00e3o. O canto \u00e9 novo. E j\u00e1 aprendemos com Santo Agostinho que s\u00f3 um homem novo pode cantar um canto novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um canto novo nos deve unir e reunir, \u00e0 volta do Senhor Ressuscitado, nosso contempor\u00e2neo, que nos guia e acompanha nos caminhos sempre novos da miss\u00e3o. Passa hoje o 97.\u00ba Dia Mission\u00e1rio Mundial, a que o Papa Francisco ap\u00f4s o belo lema: \u00abEis-me aqui, envia-me!\u00bb, que constitui a resposta de Isa\u00edas \u00e0 pergunta de Deus: \u00abQuem enviarei?\u00bb (Isa\u00edas 6,8). O lema deste ano \u00e9:\u201d <em>Cora\u00e7\u00f5es ardentes, p\u00e9s ao caminho (cf.\u00a0Lc\u00a024, 13-15)<\/em><em>. <\/em>Importa que respondamos n\u00f3s tamb\u00e9m, pois a miss\u00e3o \u00e9 sempre\u00a0<em>resposta<\/em>. Assim, ficamos todos a saber que \u00abEvangelizar \u00e9 a nossa maneira de ser, a nossa identidade mais profunda\u00bb (Paulo VI,\u00a0<em>Evangelii nuntiandi<\/em>\u00a0[1975], n.\u00ba 14), o verdadeiro ADN de todo o crist\u00e3o batizado. Foi o Papa Pio XI que instituiu este Dia Mission\u00e1rio Mundial em 1926. Vamos hoje na 97.\u00aa edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Leitura-I-do-Domingo-XXIX-do-Tempo-Comum-Ano-A-22.10.2023-Is-45-1.4-6.pdf\">Leitura I do Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 22.10.2023 (Is 45, 1.4-6)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Leitura-II-do-Domingo-XXIX-do-Tempo-Comum-Ano-A-22.10.2023-1-Tes-1-1-5b.pdf\">Leitura II do Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 22.10.2023 (1 Tes 1, 1-5b)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Domingo-XXIX-do-Tempo-Comum-Ano-A-22.10.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 22.10.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Domingo-XXIX-do-Tempo-Comum-Ano-A-22.10.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 22.10.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Mensagem-do-Papa-Francisco-para-o-Dia-Mundial-das-Missoes-22.10.2023.pdf\">Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Miss\u00f5es &#8211; 22.10.2023<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXVIII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 15.10.2023&#8243; tab_id=&#8221;1698051262212-998fcfab-d9d2&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XXVIII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 15.10.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12478\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Domingo-XXVIII.jpg\" alt=\"\" width=\"471\" height=\"422\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo come\u00e7a com um convite, um dom e uma oferta. No in\u00edcio n\u00e3o est\u00e1 uma obriga\u00e7\u00e3o, uma proibi\u00e7\u00e3o ou um lamento, mas um Rei que \u00e9 figura do Pai Celeste e \u00ab<em>preparou um banquete nupcial para o seu filho<\/em>\u00bb. O nosso Deus \u00e9 um Deus de festa e convida-nos a entrar na alegria nova que o Seu amor nos oferece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuando o nosso itiner\u00e1rio com o Evangelho de S. Mateus, verificamos que os pr\u00edncipes dos sacerdotes e os anci\u00e3os do povo continuam na mira da prega\u00e7\u00e3o de Jesus. Percebendo que Jesus se dirigia a eles na par\u00e1bola dos dois filhos (Mt 21,28-32) e na par\u00e1bola dos vinhateiros homicidas (Mt 21,33-43), eles procuram prender Jesus e a \u00fanica coisa que os impede \u00e9 o receio das multid\u00f5es que consideram Jesus um profeta. Jesus volta-se para eles e conta-lhes uma nova par\u00e1bola que serve de resposta aos pensamentos e planos violentos que as par\u00e1bolas anteriores desencadearam neles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>O reino dos C\u00e9us pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho<\/em>\u00bb. O Reino de Deus que somos chamados a construir aqui e agora, sabendo que apenas o habitaremos em plenitude no c\u00e9u, \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0 solicitude de um rei que prepara um banquete. Preparar um banquete para algu\u00e9m significa dizer-lhe quanto o amamos e quanto o queremos na intimidade da nossa mesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rei convida para a sua mesa e n\u00e3o desiste ao primeiro n\u00e3o. Depois dos primeiros servos terem sa\u00eddo a convocar para a festa e terem recebido apenas a indiferen\u00e7a dos convidados, manda outros servos com um apelo mais incisivo: \u00ab<em>dizei aos convidados: preparei o meu banquete, os bois e os cevados foram abatidos, tudo est\u00e1 pronto. Vinde \u00e0s bodas<\/em>\u00bb. Contudo, uma vez mais recusam o convite e, se alguns partiram indiferentes para os seus afazeres quotidianos, outros foram violentos e homicidas, maltratando e matando os servos. Mas este rei n\u00e3o desiste da sua festa e, sendo rejeitado por aqueles que eram os convidados primeiros, envia um convite que se destina a todos aqueles que forem encontrados nas encruzilhadas dos caminhos. A festa encheu-se de convidados, a alegria inundou o pal\u00e1cio e celebraram juntos a certeza de um amor maior que nos faz sentar \u00e0 mesa do rei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 belo caminhar com Jesus e descobrir no rosto misericordioso de Deus um Pai que nos convoca para as n\u00fapcias do seu filho e incessantemente nos chama a tomar parte da Sua alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A par\u00e1bola desenrola-se na dial\u00e9tica do dom e da responsabilidade. O convite \u00e9 gratuito, mas compromete quem o recebe e pede-lhe que a ele corresponda. Deus porque nos ama, chama-nos, mas convida-nos a aderir livremente ao projeto de amor e felicidade que tem para cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 belo ver um Deus que quando \u00e9 rejeitado, ao inv\u00e9s de se fechar em si pr\u00f3prio alarga ainda mais o Seu cora\u00e7\u00e3o e envia os seus servos para que o apelo do seu chamamento chegue cada vez mais longe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surpreende-nos o final desta par\u00e1bola: um dos convidados n\u00e3o traz o traje nupcial. Na verdade, a surpresa maior \u00e9 que todos os outros \u00ab<em>maus e bons<\/em>\u00bb sejam portadores de um traje nupcial. Contudo, na cultura oriental, quem convida oferece o traje nupcial e, por isso, se este homem n\u00e3o traz o traje \u00e9 porque o rejeitou. Tamb\u00e9m n\u00f3s pelo nosso batismo fomos revestidos com a veste branca, s\u00edmbolo da dignidade crist\u00e3, da pureza e da vida nova que somos chamados a cuidar para que a conservemos \u00ab<em>imaculada at\u00e9 \u00e0 vida eterna<\/em>\u00bb. O amor que Deus derramado sobre n\u00f3s \u00e9 dom a ser acolhido e miss\u00e3o a realizar para que o mundo possa ser o lugar que Deus sonhou para n\u00f3s e para que a vida de cada homem e de cada mulher seja uma vida mais feliz. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Is 25,6-10a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO Senhor Deus enxugar\u00e1 as l\u00e1grimas de todas as faces e far\u00e1 desaparecer da terra inteira o opr\u00f3brio que pesa sobre o seu povo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 extremamente dif\u00edcil situar, no tempo e no momento hist\u00f3rico, o texto que a primeira leitura deste domingo nos apresenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para uns, o or\u00e1culo pertence \u00e0 fase final da vida do profeta Isa\u00edas (no final do s\u00e9c. VIII a.C.) quando, desiludido com a pol\u00edtica e com os reis de Jud\u00e1, o profeta come\u00e7ou a sonhar com um tempo novo de felicidade e de paz sem fim para o Povo de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para outros, contudo, este texto n\u00e3o pertenceria ao primeiro Isa\u00edas (o autor dos cap\u00edtulos 1-39 do Livro de Isa\u00edas), apesar de aparecer integrado no seu livro. Seria um texto de uma \u00e9poca posterior ao profeta&#8230; A refer\u00eancia \u00e0 supera\u00e7\u00e3o da morte, das l\u00e1grimas e da vergonha, poderia sugerir que a composi\u00e7\u00e3o deste texto se situaria num momento hist\u00f3rico posterior ao Ex\u00edlio na Babil\u00f3nia, quando Jud\u00e1 j\u00e1 teria reconquistado a liberdade.<br \/>\nEm qualquer caso, o texto constr\u00f3i-se \u00e0 volta da imagem do &#8220;banquete&#8221;. O &#8220;banquete&#8221; \u00e9, no ambiente sociocultural do mundo b\u00edblico, o momento da partilha, da comunh\u00e3o, da constitui\u00e7\u00e3o de uma comunidade de mesa, do estabelecimento de la\u00e7os familiares entre os convivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m de acontecimento social, o &#8220;banquete&#8221; tem tamb\u00e9m, frequentemente, uma dimens\u00e3o religiosa. Os &#8220;banquetes sagrados&#8221; celebram e potenciam a comunh\u00e3o do crente com Deus, o estabelecimento de la\u00e7os familiares entre Deus e os fi\u00e9is. \u00c9 por isso que, na perspetiva dos catequistas que redigiram as tradi\u00e7\u00f5es sobre a Alian\u00e7a do Sinai, o compromisso entre Jahw\u00e9h e Israel tinha de ser selado com uma refei\u00e7\u00e3o entre Deus e os representantes do Povo (cf. Ex 24,1-2. 9-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste campo s\u00e3o tamb\u00e9m particularmente significativos os &#8220;sacrif\u00edcios de comunh\u00e3o&#8221; (&#8220;zeb\u00e2h shelamim&#8221;) celebrados no Templo de Jerusal\u00e9m. Neste tipo de celebra\u00e7\u00e3o religiosa, o crente trazia ao Templo um animal destinado a Deus. Depois de imolado o animal, a sua gordura era queimada sobre o altar, ao passo que a carne era repartida pelo oferente e pelos sacerdotes. O oferente e a sua fam\u00edlia deviam comer a sua parte no espa\u00e7o sagrado do santu\u00e1rio. Dessa forma, sentavam-se \u00e0 mesa com Deus, celebravam a sua perten\u00e7a ao c\u00edrculo familiar de Deus e renovavam com Deus os la\u00e7os de paz, de harmonia, de comunh\u00e3o (cfr. Lv 3).<br \/>\n\u00c9 este ambiente que o nosso texto sup\u00f5e.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, considerar os seguintes elementos<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem do &#8220;banquete&#8221; para o qual Deus convida &#8220;todos os povos&#8221; aponta para essa realidade de comunh\u00e3o, de festa, de amor, de felicidade que Deus, insistentemente nos oferece. Nunca ser\u00e1 de mais recordar isto: Deus tem um projeto de vida, que quer oferecer a todos os homens, sem exce\u00e7\u00e3o. N\u00e3o somos &#8220;filhos de um deus menor&#8221;, pobre humanidade abandonada \u00e0 sua sorte, perdida num universo hostil e condenada ao nada; somos pessoas a quem Deus ama, a quem Ele convida para integrar a sua fam\u00edlia e a quem Ele oferece a vida plena e definitiva. A consci\u00eancia desta realidade deve iluminar a nossa exist\u00eancia e encher de serenidade, de esperan\u00e7a e de confian\u00e7a a nossa caminhada nesta terra. A nossa finitude, as nossas limita\u00e7\u00f5es, os nossos medos e mis\u00e9rias n\u00e3o s\u00e3o a \u00faltima palavra da nossa exist\u00eancia; mas caminhamos todos ao encontro da festa definitiva que Deus prepara para todos os que aceitam o seu dom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao homem basta-lhe aceitar o convite de Deus para ter acesso a essa festa de vida eterna. Aceitar o convite de Deus significa renunciar ao ego\u00edsmo, ao orgulho e \u00e0 autossufici\u00eancia e conduzir a exist\u00eancia de acordo com os valores de Deus; aceitar o convite de Deus implica dar prioridade ao amor, testemunhar os valores do Reino e construir, j\u00e1 aqui, uma nova terra de justi\u00e7a, de solidariedade, de partilha, de amor. No dia do nosso Batismo, aceitamos o convite de Deus e comprometemo-nos com Ele&#8230; A nossa vida tem sido coerente com essa op\u00e7\u00e3o? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a022 (23)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: Habitarei para sempre na casa do Senhor<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Filip 4,12-14.19-20<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abTudo posso n\u2019Aquele que me conforta\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mais uma vez, a segunda leitura oferece-nos um excerto de uma carta de Paulo aos crist\u00e3os da cidade grega de Filipos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos nos anos 56\/57. Paulo est\u00e1 na pris\u00e3o (em \u00c9feso?) por causa do Evangelho. Nesse momento dif\u00edcil da sua vida apost\u00f3lica, Paulo recebeu ajuda econ\u00f3mica e, mais importante do que isso, a presen\u00e7a solid\u00e1ria e o cuidado de Epafrodito, um membro da comunidade, enviado para ajudar Paulo e para lhe manifestar a solicitude dos seus &#8220;filhos&#8221; de Filipos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto \u00e9 tirado do cap\u00edtulo final da Carta aos Filipenses. A\u00ed, num tom emocionado, Paulo agradece pelos dons recebidos e pela solidariedade que os crist\u00e3os de Filipos lhe manifestaram. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar, na reflex\u00e3o, as seguintes linhas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de mais, o nosso texto apela a que os crist\u00e3os tenham o cora\u00e7\u00e3o aberto \u00e0 partilha e ao dom. Ser crist\u00e3o implica a ren\u00fancia a uma vida de ego\u00edsmo e de fechamento em si pr\u00f3prio&#8230;. Implica abrir o cora\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades dos irm\u00e3os carentes e desfavorecidos e uma partilha efetiva da vida e dos bens. Numa \u00e9poca em que os valores dominantes convidam continuamente ao ego\u00edsmo, \u00e0 autossufici\u00eancia, \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o exclusiva com os pr\u00f3prios interesses, o gesto dos filipenses constitui uma poderosa interpela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, tamb\u00e9m somos interpelados pelo sentido de despojamento de Paulo&#8230; Como Paulo, o ap\u00f3stolo de Jesus deve saber &#8220;viver na pobreza&#8221; e deve saber &#8220;viver na abund\u00e2ncia&#8221;; mas nunca pode colocar as comodidades materiais como prioridade ou como condi\u00e7\u00e3o essencial para se empenhar na miss\u00e3o. O ap\u00f3stolo de Jesus tem como prioridade o an\u00fancio do Evangelho, em quaisquer circunst\u00e2ncias e para al\u00e9m de todos os condicionalismos. Um &#8220;ap\u00f3stolo&#8221; que se preocupa, antes de mais, com a sua comodidade ou com o seu bem-estar torna-se escravo das coisas materiais, passa a ser um &#8220;funcion\u00e1rio do Reino&#8221; com hor\u00e1rio limitado e com trabalho limitado e rapidamente perde o sentido da sua entrega e do seu empenhamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A solicitude dos filipenses por Paulo \u00e9 sinal da vontade que eles t\u00eam de colaborar na expans\u00e3o do Reino. Todas as comunidades crist\u00e3s deviam sentir este apelo a participar &#8211; de forma mais direta ou menos direta &#8211; no testemunho de Evangelho de Jesus. Levar o Evangelho ao mundo n\u00e3o \u00e9 uma miss\u00e3o que apenas diga respeito a um grupo &#8220;especial&#8221; dentro da Igreja; mas \u00e9 uma miss\u00e3o que Jesus confiou a todos os disc\u00edpulos, sem exce\u00e7\u00e3o. Todos os crist\u00e3os deviam sentir o imperativo de colaborar, na medida das suas possibilidades, no an\u00fancio do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A solicitude dos filipenses por Paulo interpela tamb\u00e9m as comunidades crist\u00e3s acerca da forma como acolhem e tratam aqueles que se entregam a tempo inteiro \u00e0 causa do Evangelho&#8230; A op\u00e7\u00e3o que eles fizeram de se entregarem totalmente ao servi\u00e7o do Reino n\u00e3o os torna menos humanos; eles continuam a ser homens ou mulheres sens\u00edveis \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es de afeto, de apre\u00e7o, de amizade, de solicitude. A comunidade tem o dever de manifestar, em gestos concretos, a sua gratid\u00e3o pelo trabalho desses irm\u00e3os e pelos dons que deles recebe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo refere-se, finalmente, \u00e0 retribui\u00e7\u00e3o que Deus n\u00e3o deixar\u00e1 de dar a todos aqueles que mostram solicitude e amor com os ap\u00f3stolos e que se empenham no an\u00fancio do Evangelho. No entanto, Paulo est\u00e1 longe de sugerir uma l\u00f3gica interesseira no nosso relacionamento com Deus&#8230; O crist\u00e3o n\u00e3o age de determinada forma para da\u00ed tirar benef\u00edcios, mas porque o seu compromisso com Jesus lhe imp\u00f5e determinado comportamento. <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 22,1-14<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abJesus dirigiu-Se de novo aos pr\u00edncipes dos sacerdotes e aos anci\u00e3os do povo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO reino dos C\u00e9us pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abMuitos s\u00e3o os chamados, mas poucos os escolhidos\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos em Jerusal\u00e9m, nos dias que antecedem a P\u00e1scoa. Os dirigentes religiosos judeus aumentam a press\u00e3o sobre Jesus. Instalados nas suas certezas e seguran\u00e7as, j\u00e1 decidiram que a proposta de Jesus n\u00e3o vem de Deus; por isso, rejeitam de forma absoluta o Reino que ele anuncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 hoje proposto faz parte de um bloco de tr\u00eas par\u00e1bolas (cf. Mt 21,28-32. 33-43; 22,1-14), destinadas a ilustrar a recusa de Israel em aceitar o projeto que Deus oferece aos homens atrav\u00e9s de Jesus. Com elas, Jesus convida os seus opositores &#8211; os l\u00edderes religiosos judaicos &#8211; a reconhecerem que se fecharam num esquema de autossufici\u00eancia, de orgulho, de arrog\u00e2ncia, de preconceitos, que n\u00e3o os deixa abrir o cora\u00e7\u00e3o e a vida aos dons de Deus. O nosso texto \u00e9 a \u00faltima dessas tr\u00eas par\u00e1bolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cr\u00edtica do texto mostra que Mateus juntou aqui duas par\u00e1bolas diferentes: a par\u00e1bola dos convidados para o &#8220;banquete&#8221; (que \u00e9 comum a Mateus e Lucas, embora as duas vers\u00f5es apresentem diferen\u00e7as consider\u00e1veis &#8211; cf. Mt 22,1-10; Lc 14,15-24) e a par\u00e1bola do convidado que se apresentou sem o traje adequado (que \u00e9 exclusiva de Mateus &#8211; cf. Mt 22,11-14). Originalmente, as duas par\u00e1bolas teriam ensinamentos diferentes; mas a tem\u00e1tica comum do &#8220;banquete&#8221; aproximou-as e juntou-as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As nossas duas par\u00e1bolas situam-nos, portanto, no cen\u00e1rio de um &#8220;banquete&#8221;. J\u00e1 dissemos (a prop\u00f3sito da primeira leitura deste domingo) que o &#8220;banquete&#8221; era, na cultura semita, o lugar do encontro, da comunh\u00e3o, do estreitamento de la\u00e7os familiares entre os convivas. Al\u00e9m disso, o &#8220;banquete&#8221; era tamb\u00e9m a cerim\u00f3nia atrav\u00e9s da qual se confirmava o &#8220;status&#8221; das pessoas e o seu lugar dentro da escala social. Quem organizava um &#8220;banquete&#8221; &#8211; por exemplo, por ocasi\u00e3o do casamento de um filho &#8211; procurava fazer uma sele\u00e7\u00e3o cuidada dos convidados: a presen\u00e7a de gente &#8220;desclassificada&#8221; faria descer consideravelmente, aos olhos de toda a comunidade, o &#8220;status&#8221; da fam\u00edlia; e, por outro lado, a presen\u00e7a \u00e0 mesa de pessoas importantes real\u00e7ava a import\u00e2ncia e a honra da fam\u00edlia. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, considerar as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No nosso texto, a quest\u00e3o decisiva n\u00e3o \u00e9 se Deus convida ou se n\u00e3o convida; mas \u00e9 se se aceita ou se n\u00e3o se aceita o convite de Deus para o &#8220;banquete&#8221; do Reino. Os convidados que n\u00e3o aceitaram o convite representam aqueles que est\u00e3o demasiado preocupados a dirigir uma empresa de sucesso, ou a escalar a vida a pulso, ou a conquistar os seus cinco minutos de fama, ou a impor aos outros os seus pr\u00f3prios esquemas e projetos, ou a explorar o bem-estar que o dinheiro lhes conquistou e n\u00e3o t\u00eam tempo para os desafios de Deus. Vivemos obcecados com o imediato, o politicamente correto, o palp\u00e1vel, o material, e prescindimos dos valores eternos, duradouros, exigentes, que exigem o dom da pr\u00f3pria vida. A quest\u00e3o \u00e9: onde \u00e9 que est\u00e1 a verdadeira felicidade? Nos valores do Reino, ou nesses valores ef\u00e9meros que nos absorvem e nos dominam?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os convidados que n\u00e3o aceitaram o convite representam tamb\u00e9m aqueles que est\u00e3o instalados na sua autossufici\u00eancia, nas suas certezas, seguran\u00e7as e preconceitos e n\u00e3o t\u00eam o cora\u00e7\u00e3o aberto e dispon\u00edvel para as propostas de Deus. Trata-se, muitas vezes, de pessoas s\u00e9rias e boas, que se empenham seriamente na comunidade crist\u00e3 e que desempenham pap\u00e9is fundamentais na estrutura\u00e7\u00e3o dos organismos paroquiais&#8230; Mas &#8220;nunca se enganam e raramente t\u00eam d\u00favidas&#8221;; sabem tudo sobre Deus, j\u00e1 constru\u00edram um deus \u00e0 medida dos seus interesses, desejos e projetos e n\u00e3o se deixam questionar nem interpelar. Os seus cora\u00e7\u00f5es est\u00e3o, tamb\u00e9m, fechados \u00e0 novidade de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os convidados que aceitaram o convite representam todos aqueles que, apesar dos seus limites e do seu pecado, t\u00eam o cora\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para Deus e para os desafios que Ele faz. Percebem os limites da sua mis\u00e9ria e finitude e est\u00e3o permanentemente \u00e0 espera de que Deus lhes ofere\u00e7a a salva\u00e7\u00e3o. S\u00e3o humildes, pobres, simples, confiam em Deus e na salva\u00e7\u00e3o que Ele quer oferecer a cada homem e a cada mulher e est\u00e3o dispostos a acolher os desafios de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A par\u00e1bola do homem que n\u00e3o vestiu o traje apropriado convida-nos a considerar que a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma conquista, feita de uma vez por todas, mas um sim a Deus sempre renovado, e que implica um compromisso real, s\u00e9rio e exigente com os valores de Deus. Implica uma op\u00e7\u00e3o coerente, cont\u00ednua, di\u00e1ria com a op\u00e7\u00e3o que eu fiz no Batismo&#8230; N\u00e3o \u00e9 um compromisso de &#8220;meias tintas&#8221;, de tentativas falhadas, de &#8220;tanto se me d\u00e1 como se me deu&#8221;; mas \u00e9 um compromisso s\u00e9rio e coerente com essa vida nova que Jesus me apresentou. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 marcada pelo an\u00fancio alegre e feliz de um Deus que prepara para todos os povos um banquete que inaugura uma era de paz e consola\u00e7\u00e3o. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter presente este tom alegre e jubiloso que anuncia o fim das l\u00e1grimas e o in\u00edcio de uma era de felicidade. Al\u00e9m disso, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o as descri\u00e7\u00f5es e enumera\u00e7\u00f5es bem como a repeti\u00e7\u00e3o da express\u00e3o \u00ab<em>sobre este monte<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proclama\u00e7\u00e3o da <strong>segunda leitura<\/strong> deve ter presente, de modo especial, o centro de todo o texto \u00ab<em>tudo posso n\u2019Aquele que me conforta<\/em>\u00bb e a conclus\u00e3o doxol\u00f3gica \u00ab<em>Gl\u00f3ria a Deus, nosso Pai, pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos. \u00c1men<\/em>\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/10\/10\/quando-o-rei-te-diz-amigo-2\/\"><strong>QUANDO O REI TE DIZ:\u00a0\u00abAMIGO\u2026\u00bb<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No seguimento dos dois Domingos anteriores, tamb\u00e9m neste Domingo XXVIII do Tempo Comum, os chefes religiosos e civis continuam na mira de Jesus. O Evangelho deste Domingo \u00e9 retirado de Mateus 22,1-14. J\u00e1 quando ouviram as duas par\u00e1bolas anteriores \u2013 a dos dois filhos (Mateus 21,28-32) e a dos vinhateiros homicidas (Mateus 21,33-43 \u2013, perceberam bem que as palavras de Jesus se dirigiam a eles, e, parafraseando Jorge Lu\u00eds Borges, perceberam tamb\u00e9m que as palavras de Jesus estavam carregadas como uma arma. O narrador informa-nos, de resto, no final, que \u00abos chefes dos sacerdotes e os fariseus, ouvindo estas par\u00e1bolas, perceberam que JESUS se referia a eles, e procuravam prend\u00ea-lo\u00bb, e que s\u00f3 o n\u00e3o fizeram por \u00abreceio das multid\u00f5es, que o tinham por profeta\u00bb (Mateus 21,45-46).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante, para o leitor, esta \u00faltima informa\u00e7\u00e3o do narrador, pois o texto de hoje, que segue imediatamente os anteriores, come\u00e7a assim: \u00abE,\u00a0<em>respondendo<\/em>, JESUS disse-lhes novamente em par\u00e1bolas\u00bb (Mateus 22,1). Ficamos ent\u00e3o a saber que o novo dizer parab\u00f3lico de Jesus serve de resposta aos pensamentos e planos violentos que as par\u00e1bolas anteriores desencadearam nos chefes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E segue a primeira, estupenda par\u00e1bola, que parte da afirma\u00e7\u00e3o da semelhan\u00e7a do Reino dos C\u00e9us a um banquete nupcial que um Rei fez para o seu filho. \u00abReino dos C\u00e9us\u00bb, usual em Mateus, \u00e9 uma circunlocu\u00e7\u00e3o para dizer \u00abReino de Deus\u00bb. E a figura do Rei \u00e9 muitas vezes usada no Antigo Testamento e no juda\u00edsmo para designar Deus. E o verbo \u00abfazer\u00bb evoca imediatamente o relato cria\u00e7\u00e3o (Genesis 1,1-2,4a), em que o verbo fazer se conta por dez vezes. E o filho do Rei, para uma audi\u00eancia crist\u00e3 da par\u00e1bola, designava de imediato Jesus. E o banquete nupcial feito pelo Rei \u00e9 uma imagem fort\u00edssima de festa e de alegria, tantas vezes anunciado pelos profetas (veja-se, por exemplo, a li\u00e7\u00e3o de hoje do profeta Isa\u00edas 25,6), e impacientemente aguardado pelos judeus piedosos. \u00c9 seguro: ser convidado e poder participar num banquete assim era um sonho para qualquer judeu piedoso!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atravessam o texto v\u00e1rias surpresas. Primeira surpresa: quando o Rei enviou os seus servos a chamar os CONVIDADOS para o banquete, estes\u00a0<em>n\u00e3o queriam<\/em>\u00a0(<em>ouk \u00eathelon<\/em>: impf. de\u00a0<em>th\u00e9l\u00f4<\/em>) vir (Mateus 22,3). O uso do imperfeito indica dura\u00e7\u00e3o; n\u00e3o se trata de um ato, mas de uma atitude: nem hoje, nem amanh\u00e3, nem em dia nenhum. E o uso do verbo\u00a0<em>querer<\/em>\u00a0deixa claro que se trata de uma a\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, e n\u00e3o de uma qualquer predisposi\u00e7\u00e3o ou sentimento. Mais ainda: que a a\u00e7\u00e3o \u00e9 deliberada, fica patente no facto de o Rei ter enviado outros servos para voltar a chamar os CONVIDADOS, e estes nem prestaram aten\u00e7\u00e3o, indo cada um \u00e0 sua vida (Mateus 22,4-5). E os restantes ainda maltrataram e mataram os servos do Rei (Mateus 22,6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Note-se ainda que foi o pr\u00f3prio Rei que\u00a0<em>preparou<\/em>\u00a0(<em>h\u00eato\u00edmaka<\/em>: perf. de\u00a0<em>hetoim\u00e1z\u00f4<\/em>) o banquete, empenhando-se pessoalmente nele (Mateus 22,4). O verbo\u00a0<em>preparar<\/em>\u00a0est\u00e1 colocado em lugares-chave em Mateus: veja-se 3,3: \u00ab<em>Preparai<\/em>\u00a0o caminho do Senhor\u00bb; 25,34: \u00abVinde, benditos de meu Pai, recebei o Reino\u00a0<em>preparado<\/em>\u00a0para v\u00f3s\u2026; 26,17.19:\u00a0<em>preparar<\/em>\u00a0a P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este cuidado meticuloso posto pelo Rei na\u00a0<em>prepara\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0do seu banquete para n\u00f3s parece esbarrar depois na brutalidade com que se irou (<em>\u00f4rg\u00edsth\u00ea<\/em>: aor. de\u00a0<em>org\u00edzomai<\/em>), enviou as suas tropas, matou aqueles homicidas e incendiou a sua cidade (Mateus 22,7). O sentido voa aqui em duas dire\u00e7\u00f5es: primeiro, o uso do aoristo em todos os verbos mostra que \u00aba sua ira dura apenas um momento\u00bb, como diz o Salmo 30,6; segundo, o castigo descrito retrata e interpreta os acontecimentos dram\u00e1ticos bem conhecidos do ano 70.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segunda surpresa: as sucessivas e gradativas recusas dos CONVIDADOS n\u00e3o desarmam o Rei, que\u00a0<em>DIZ<\/em>\u00a0(<em>l\u00e9gei<\/em>) ent\u00e3o aos seus servos (Mateus 22,8): IDE \u00e0s encruzilhadas dos caminhos, e TODOS os que encontrardes, chamai-os para o banquete (Mateus 22,9). Os servos sa\u00edram, e reuniram TODOS os que encontraram, maus e bons (Mateus 22,10). Miss\u00e3o universal que brota do amor fontal de Deus Pai (<em>Ad Gentes<\/em>, n.\u00ba 2) \u2026 E foi assim, por nova, excessiva e a todos os t\u00edtulos surpreendente iniciativa do Rei, que se encheu a sala do banquete. Note-se o novo DIZER do Rei, posto no presente hist\u00f3rico (\u00ab<em>diz<\/em>\u00a0ent\u00e3o aos seus servos\u00bb), que marca um primeiro ponto alto no relato. Note-se ainda que o intervalo militar parece n\u00e3o ter esfriado a comida daquela mesa sempre posta!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Terceira surpresa: o Rei entra, v\u00ea \u00abum homem\u00bb sem o traje nupcial, e expulsa-o da casa alumiada para as trevas cegas e as l\u00e1grimas vazias. Que o homem n\u00e3o tenha o traje nupcial \u00e9 surpresa para o Rei, que n\u00e3o para n\u00f3s. Para n\u00f3s, a surpresa \u00e9 que TODOS os outros, maus e bons, tenham o traje nupcial, uma vez que foram como que arrastados \u00e0 pressa dos caminhos lamacentos do mundo! Como \u00e9 que ainda conseguiram vestir o traje nupcial, n\u00e3o deixa de ser surpreendente para n\u00f3s! Para o Rei, \u00e9 aquele \u00abum homem\u00bb, que n\u00e3o vestiu o traje nupcial, que causa surpresa! E chegamos ao segundo ponto alto do relato, marcado tamb\u00e9m pelo verbo DIZER no presente hist\u00f3rico. De facto, o Rei trata aquele \u00abum homem\u00bb cordialmente, e\u00a0<em>DIZ-lhe<\/em>\u00a0(<em>l\u00e9gei aut\u00f4<\/em>): \u00abAmigo\u00bb (<em>heta\u00eere<\/em>), apelativo que s\u00f3 Mateus usa no Novo Testamento (20,13; 22,12; 26,50), e que apenas \u00e9 usado quando se aborda algu\u00e9m de forma muito cordial, de forma especialmente cordial. A este amigo (<em>heta\u00eeros<\/em>), o Rei concede, mediante esta \u00faltima abordagem direta e cordial, uma \u00faltima oportunidade de se dizer, isto \u00e9, de reconhecer o seu desarranjo interior e de mudar a sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oportunidade desperdi\u00e7ada, pois o homem simplesmente n\u00e3o responde. Ficou calado e petrificado (Mateus 22,12). Note-se o mesmo tratamento de Jesus para Judas naquela noite escura, mas ainda \u00e0 beirinha da Luz: \u00abAmigo (<em>heta\u00eere<\/em>), para que est\u00e1s aqui?\u00bb (Mateus 26,50). Judas tamb\u00e9m n\u00e3o respondeu.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"10\">\n<li>\u00c9 aqui que a par\u00e1bola nos atinge a TODOS em cheio. Vistas bem as coisas, s\u00f3 o Rei fala nesta par\u00e1bola. E se ouvirmos bem,\u00a0<em>DIZ-nos<\/em>: \u00abAmigo!\u2026\u00bb.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">A raz\u00e3o daquele homem n\u00e3o usar o traje nupcial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) N\u00e3o o usa devido \u00e0 t\u00e9cnica do arrasto que o apanhou desprevenido e sem tempo para ir a casa ao menos para lavar a cara e mudar de roupa. Este \u00e9 o entendimento banal e superficial da par\u00e1bola, que nos rouba as verdadeiras chaves de leitura e nos leva para leituras mais ou menos moralizantes!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos explicar o n\u00e3o uso do traje nupcial recorrendo, como \u00e9 habitual, a motivos moralizantes traduzidos em comportamentos menos dignos. Esse motivo e essas pessoas (os CONVIDADOS) j\u00e1 foram exclu\u00eddos (cf. Mateus 22,8), e \u00e9-nos dito expressamente que os servos daquele rei levaram agora para a sala do banquete todos os que encontraram, maus e bons (cf. Mateus 22,10); se foram levados todos, maus e bons, \u00e9 dif\u00edcil suportar aqui uma leitura moralizante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) N\u00e3o \u00e9, portanto, pelo facto de ser mau ou distra\u00eddo que aquele homem n\u00e3o usa o traje nupcial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4) N\u00e3o o usa, porque n\u00e3o o quis receber. O traje da festa n\u00e3o se vai buscar a casa; t\u00e3o-pouco traduz a nossa bondade ou qualquer m\u00e9rito. \u00c9 um presente do Rei \u00e0 entrada da sala do banquete. No nosso mundo ocidental, s\u00e3o os convidados que levam os presentes. No mundo oriental, quem convida \u00e9 que oferece presentes aos convidados, entre os quais se conta o vestido da festa. \u00c9 sabido que, no mundo b\u00edblico, o vestido significa a vida. Ao fundo da cena est\u00e1 sempre a nossa vida dada e que deve ser com alegria recebida. Ao fundo da cena est\u00e1, portanto, sempre Deus de m\u00e3os abertas, que reclama as nossas m\u00e3os tamb\u00e9m abertas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nunca nos esque\u00e7amos de que \u00e9 de Deus toda a verdadeira iniciativa. Nunca nos esque\u00e7amos de come\u00e7ar sempre por receber. E de gastar o resto do tempo que nos for dado a agradecer e a partilhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De banquete para banquete. A\u00ed est\u00e1 a pena de Isa\u00edas, na li\u00e7\u00e3o de hoje (25,6-10), a descrever um banquete por Deus oferecido a todos os povos (<em>kol-ha\u0559amm\u00eem<\/em>) e um mundo novo aberto aos olhos de todas as na\u00e7\u00f5es (<em>kol-hagg\u00f4yim<\/em>) e de todos os rostos (<em>kol-pan\u00eem<\/em>), carinhosamente limpos de l\u00e1grimas, tudo sobre este monte (<em>bahar hazzeh<\/em>)\u00a0<em>preparado<\/em>\u00a0(Is 25,6-8). Este magn\u00edfico cen\u00e1rio reclama ainda Is 56,1-8, e a extraordin\u00e1ria eleva\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o dos extrangeiros no povo de Deus, dignos de subir ao \u00abmonte da minha santidade\u00bb (<em>har qodsh\u00ee<\/em>) e de entrar na \u00abcasa da minha ora\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>b\u00eat t<sup>e<\/sup>phillat\u00ee<\/em>) (v. 7), assim definitivamente transformada em \u00abcasa de ora\u00e7\u00e3o para todos os povos\u00bb (<em>b\u00eat-t<sup>e<\/sup>phillah l<sup>e<\/sup>kol-ha\u0559amm\u00eem<\/em>) (v. 7). Declaradamente, fica patente a oposi\u00e7\u00e3o entre \u00abos jardins\u00bb e os lugares altos com \u00e1rvores frondosas, por um lado, e o \u00abmonte do Senhor\u00bb, o \u00abmonte da minha santidade\u00bb, por outro, confirmando a fun\u00e7\u00e3o do \u00abmonte\u00bb, purificado de maldade e viol\u00eancia, em Is 65,11.25. Texto tardio que abre diante de n\u00f3s, n\u00e3o apenas as portas de Si\u00e3o, mas as portas da casa de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta aos Filipenses, que continuamos a ler aos bocadinhos (4,12-20), como se de p\u00e3o para a boca se tratasse, continua a mostrar-nos Paulo empenhado na sua miss\u00e3o dia ap\u00f3s dia, sem se preocupar, como pediu Jesus, com o que havia de comer ou de vestir (cf. Mateus 6,25). Mostra-se reconhecido e agradecido \u00e0 comunidade querida de Filipos, mas toda a sua confian\u00e7a est\u00e1 posta em Deus, a quem dirige a sua bela doxologia final: \u00abA Deus, e nosso Pai, a gl\u00f3ria pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos, \u00e1men\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixemos, entretanto, ressoar em n\u00f3s a m\u00fasica sublime do Salmo 23, e deixemo-nos conduzir pela m\u00e3o carinhosa e pela voz maternal e melodiosa do Bom e Belo Pastor. Sim, Ele recebe bem os seus h\u00f3spedes: faz-nos uma visita guiada pelos seus prados muito verdes, cheios de \u00e1guas muito azuis, unge com \u00f3leo perfumado a nossa cabe\u00e7a, estende no ch\u00e3o do seu c\u00e9u a \u00abpele de vaca\u00bb (<em>shulhan<\/em>), que \u00e9 a sua mesa, serve-nos vinhos generosos\u2026 Outra vez o banquete preparado! Confessou o fil\u00f3sofo franc\u00eas Henri Bergson: \u00abAs centenas de livros que li nunca me trouxeram tanta luz e conforto como os versos do Salmo 23\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De banquete para banquete para banquete! N\u00e3o nos esque\u00e7amos de ver em contraluz o Banquete da Eucaristia em que hoje, Domingo, dia do Senhor, temos a gra\u00e7a de participar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Leitura-I-do-Domingo-XXVIII-do-Tempo-Comum-Ano-A-15.10.2023-Is-25-6-10a.pdf\">Leitura I do Domingo XXVIII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 15.10.2023 (Is 25, 6-10a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Leitura-II-do-Domingo-XXVIII-do-Tempo-Comum-Ano-A-15.10.2023-Filip-4-12-14.19-20.pdf\">Leitura II do Domingo XXVIII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 15.10.2023 (Filip 4, 12-14.19-20)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Domingo-XXVIII-do-Tempo-Comum-Ano-A-15.10.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XXVIII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 15.10.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Domingo-XXVIII-do-Tempo-Comum-Ano-A-15.10.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXVIII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 15.10.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Exortacao-Apostolica-Laudate-Deum-Papa-Francisco-04.10.2023.pdf\">Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica &#8211; Laudate Deum &#8211; Papa Francisco -04.10.2023<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXVII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 08.10.2023&#8243; tab_id=&#8221;1697446042918-3689f884-d213&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XXVII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 08.10.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em><sup>33<\/sup><\/em><\/strong><strong><em>\u00abEscutai outra par\u00e1bola: Um chefe de fam\u00edlia\u00a0plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar, construiu uma torre, arrendou-a a uns vinhateiros e ausentou-se para longe.\u00a0<sup>34<\/sup>Quando chegou a \u00e9poca das vindimas, enviou os seus servos aos vinhateiros, para receberem os frutos que lhe pertenciam.\u00a0<sup>35<\/sup>Os vinhateiros, por\u00e9m, apoderaram-se dos servos, bateram num, mataram outro e apedrejaram o terceiro.\u00a0<sup>36<\/sup>Tornou a mandar outros servos, mais numerosos do que os primeiros, e trataram-nos da mesma forma.\u00a0<sup>37<\/sup>Finalmente, enviou-lhes o seu pr\u00f3prio filho, dizendo: &#8216;H\u00e3o-de respeitar o meu filho.&#8217;\u00a0<sup>38<\/sup>Mas os vinhateiros, vendo o filho, disseram entre si: &#8216;Este \u00e9 o herdeiro. Matemo-lo e ficaremos com a sua heran\u00e7a.&#8217;\u00a0<sup>39<\/sup>E, agarrando-o, lan\u00e7aram-no fora da vinha e mataram-no. Mt 21, 33-39<\/em><\/strong><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12478\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/tempo_comum_08-10-2023.jpg\" alt=\"\" width=\"318\" height=\"159\" srcset=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/tempo_comum_08-10-2023.jpg 318w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/tempo_comum_08-10-2023-300x150.jpg 300w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/tempo_comum_08-10-2023-315x159.jpg 315w\" sizes=\"auto, (max-width: 318px) 100vw, 318px\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<br \/>\n<\/strong>O amor oferecido e recebido reciprocamente \u00e9 fonte de uma imensa alegria e de uma profunda felicidade que todos n\u00f3s j\u00e1 tivemos a oportunidade de experimentar. A experi\u00eancia de amar e ser amado realiza o homem e a mulher na sua voca\u00e7\u00e3o para o amor e para a felicidade. Contudo, no arco da nossa exist\u00eancia, sejamos n\u00f3s mais velhos ou mais novos, j\u00e1 fizemos a experi\u00eancia da dureza de um amor n\u00e3o correspondido, da ingratid\u00e3o face aos nossos gestos de carinho e bondade ou da indiferen\u00e7a diante do nosso esfor\u00e7o quotidiano de amar e servir aqueles que se cruzam connosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Liturgia da Palavra deste Domingo, sobretudo a primeira leitura e o evangelho, s\u00e3o trechos de teologia da hist\u00f3ria, isto \u00e9, de uma releitura da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o \u00e0 luz da f\u00e9. Narram-nos um amor desmedido que tantas vezes n\u00e3o \u00e9 correspondido. No c\u00e2ntico de amor \u00e0 sua vinha que nos conta Isa\u00edas ou na par\u00e1bola dos vinhateiros narrada por Jesus, contemplamos o amor que se faz cuidado, desvelo e aten\u00e7\u00e3o e uma resposta est\u00e9ril, marcada pela ingratid\u00e3o e falta de acolhimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem da vinha remete-nos para o terreno exigente e dif\u00edcil onde o agricultor investe o seu trabalho, cuidado e suor. Deus ama-nos e cuida de n\u00f3s como um propriet\u00e1rio cuida da sua vinha: lavra o terreno, limpa as pedras, planta cepas escolhidas, ergue uma torre e escava um lagar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>A vinha do Senhor \u00e9 a casa de Israel<\/em>\u00bb. N\u00f3s somos a vinha amada e cuidada pelo Senhor. Somos obra das Suas m\u00e3os. Somos terrenos f\u00e9rtil, lavrado pelas Suas m\u00e3os de oleiro. Somos terreno saxoso que Deus quer limpar para que o nosso cora\u00e7\u00e3o empedernido possa frutificar. Somos cepas escolhidas e ungidas pelo Seu amor. Somos chamados a ser sentinelas vigilantes que no lagar da vida se purificam e oferecem para que o vinho da alegria possa inebriar o cora\u00e7\u00e3o de cada homem e de cada mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, quantas vezes produzimos agra\u00e7os e n\u00e3o somos merecedores de todo este desvelo e cuidado. Quantas vezes n\u00e3o acolhemos os sinais enviados pelo Pai, nem tampouco o sinal maior do Seu amor revelado em Jesus Cristo. Como nos recorda a carta aos Hebreus \u00ab<em>muitas vezes e de muitos modos, falou Deus aos nossos pais<\/em>\u00bb (Heb 1,1). Falou e continua a falar-nos. Criou-nos e por amor continua a acompanhar-nos e a recriar-nos com a for\u00e7a transformadora do Seu amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus n\u00e3o se cansa de nos amar e perdoar, mesmo que tantas vezes este amor n\u00e3o seja correspondido. Na nossa l\u00f3gica humana retributiva e necessitada de reciprocidade, j\u00e1 ter\u00edamos desistido de amar quem parece n\u00e3o corresponder a tanto amor dispensado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa resposta ser\u00e1 sempre insuficiente diante do imenso amor que Deus tem por cada um de n\u00f3s. Todavia, as nossas fragilidades e limites n\u00e3o podem ser uma desculpa para a nossa inoperatividade e esterilidade. Pequenos e pecadores, amados por Deus, somos chamados a abrir o nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0 for\u00e7a transformadora da convers\u00e3o que nos estimula a percorrer com alegria e entusiasmo a estrada da santidade e nos convida a ler a nossa hist\u00f3ria como uma hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como vinha amada e acarinhada por Deus, somos chamados a fazer das nossas vidas lugares que frutificam para que no mundo ecoe a mais bela melodia do amor e mesmo nos momentos de dificuldade e exig\u00eancia, levantemos o nosso olhar para o c\u00e9u e, tal como nos desafia S. Paulo: \u00ab<em>apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com ora\u00e7\u00f5es, s\u00faplicas e a\u00e7\u00f5es de gra\u00e7as<\/em>\u00bb. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>quarta-feira, 4 de outubro, \u00e0s 09h00<\/strong>, no exterior da Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, o Santo Padre presidir\u00e1 a <strong>Celebra\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica com os novos Cardeais e o Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio<\/strong>, tamb\u00e9m por ocasi\u00e3o da <strong>abertura da assembleia geral ordin\u00e1ria dos o S\u00ednodo dos Bispos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concelebram com o Santo Padre:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Os Cardeais rec\u00e9m-criados, que estar\u00e3o em traje coral, \u00e0s 8h15, na Capela Gregoriana;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; O Col\u00e9gio dos Cardeais e dos Patriarcas, que estar\u00e1 na Capela de S\u00e3o Sebasti\u00e3o pelas 8h15, trazendo consigo a mitra adamascada branca;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Os Arcebispos, Bispos e Presb\u00edteros, membros do S\u00ednodo, munidos de bilhete especial, que estar\u00e3o no Bra\u00e7o de Constantino pelas 8h00, trazendo consigo: os Arcebispos e Bispos amice, alva, cinto e mitra branca, os presb\u00edteros amito, camisa e cinto;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Os demais Arcebispos e Bispos, munidos de bilhete especial, emitido pelo Escrit\u00f3rio de Celebra\u00e7\u00f5es Lit\u00fargicas do Sumo Pont\u00edfice atrav\u00e9s do procedimento indicado no site https:\/\/biglietti.liturgiepontificie.va\/, no Braccio di Costantino pelas 8h00, trazendo consigo amito, alva, cinto e mitra branca;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Os Sacerdotes, munidos de bilhete especial, emitido pelo Escrit\u00f3rio de Celebra\u00e7\u00f5es Lit\u00fargicas do Sumo Pont\u00edfice atrav\u00e9s do procedimento indicado no site https:\/\/biglietti.liturgiepontificie.va\/, \u00e0s 8h diretamente no setor reservado para eles na Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro, onde usar\u00e3o amito, alva, cinto e estola branca que ter\u00e3o trazido consigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Patriarcas, Cardeais, Arcebispos e Bispos e todos aqueles que, de acordo com o Motu Proprio \u00abPontificalis Domus\u00bb comp\u00f5em a Capela Pontif\u00edcia e munidos da Notifica\u00e7\u00e3o solicitada atrav\u00e9s do endere\u00e7o eletr\u00f4nico: celebrazioni@celebra.va, desejam participar da celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica sem concelebrar, com traje pr\u00f3prio de coro, s\u00e3o convidados a estar no exterior Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro \u00e0s 8h30. <strong><em>in vatican news<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Is 5,1-7<br \/>\n<\/strong><strong>\u00abA vinha do Senhor do Universo \u00e9 a casa de Israel, e os homens de Jud\u00e1 s\u00e3o a planta\u00e7\u00e3o escolhida\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<br \/>\n<\/strong>Isa\u00edas, filho de Am\u00f3s, exerceu o seu minist\u00e9rio prof\u00e9tico em Jerusal\u00e9m, no reino de Jud\u00e1, durante a segunda metade do s\u00e9c. VIII a.C. (de acordo com os seus or\u00e1culos, o profeta foi chamado por Deus ao minist\u00e9rio prof\u00e9tico por volta de 740-739 a.C.; e os seus or\u00e1culos v\u00e3o at\u00e9 perto de 700 a.C.). A sua prega\u00e7\u00e3o abarca, portanto, um arco de tempo relativamente longo e abrange v\u00e1rios reinados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isa\u00edas &#8211; como os outros profetas &#8211; n\u00e3o fala de realidades abstratas e intang\u00edveis. A sua prega\u00e7\u00e3o refere-se a acontecimentos concretos e toca a realidade da vida, dos problemas, das inquieta\u00e7\u00f5es, das esperan\u00e7as dos homens do seu tempo. Para perceber a sua mensagem temos, portanto, de situ\u00e1-la na \u00e9poca e na realidade hist\u00f3rica que o profeta conhece e sobre a qual \u00e9 chamado por Deus a pronunciar-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira fase do minist\u00e9rio de Isa\u00edas desenrola-se durante o reinado de Jotam (740-734 a.C.). \u00c9 uma \u00e9poca de relativa tranquilidade pol\u00edtica, em que Jud\u00e1 se mant\u00e9m afastado da cena internacional e das jogadas pol\u00edticas das superpot\u00eancias. Tudo parece correr bem, num clima de paz generalizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, o olhar cr\u00edtico do profeta deteta uma realidade distinta. Internamente, a sociedade de Jud\u00e1 est\u00e1 marcada por grandes injusti\u00e7as e arbitrariedades&#8230; Os poderosos exploram os mais d\u00e9beis, os ju\u00edzes deixam-se corromper, os latifundi\u00e1rios deixam-se dominar pela cobi\u00e7a e inventam esquemas legais para se apropriar dos bens dos mais pobres, os governantes oprimem os s\u00fabditos, as senhoras finas de Jerusal\u00e9m vivem no luxo e na futilidade, num desrespeito absoluto pelas necessidades e car\u00eancias dos mais pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos religiosos, o culto floresce numa abund\u00e2ncia inaudita de pr\u00e1ticas de piedade e de abundantes e solenes manifesta\u00e7\u00f5es religiosas; no entanto, todo esse fausto cultual \u00e9 incoerente e mentiroso, pois n\u00e3o resulta de uma verdadeira ades\u00e3o a Jahw\u00e9h, mas de uma tentativa de acalmar as consci\u00eancias e de &#8220;comprar&#8221; Deus.<br \/>\nPara o profeta, Jerusal\u00e9m deixou de ser a esposa fiel, para converter-se numa prostituta (cf. Is 1,21-26); ou, dito de outra forma, a &#8220;vinha&#8221; cuidada por Deus s\u00f3 produz frutos amargos e n\u00e3o os frutos bons (de justi\u00e7a e de amor) pedidos a quem vive envolvido no ambiente da Alian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mensagem de Isa\u00edas neste per\u00edodo encontra-se nos cap\u00edtulos 1-5 do seu livro. O texto que hoje nos \u00e9 proposto \u00e9 um dos textos mais emblem\u00e1ticos deste per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O &#8220;c\u00e2ntico da vinha&#8221; poderia ser, inicialmente, um &#8220;c\u00e2ntico de vindima&#8221; ou um &#8220;c\u00e2ntico de trabalho&#8221;, que um poeta popular entoa diante do seu c\u00edrculo de amigos ou de companheiros de trabalho. Mas, como acontece tantas vezes com as formas de express\u00e3o da cultura popular, rapidamente as palavras adquirem um duplo sentido e passam a evocar outra realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na cultura judaica, a &#8220;vinha&#8221; \u00e9 um s\u00edmbolo do amor (cf. Cant 1,6.14; 2,15; 8,12). O &#8220;c\u00e2ntico da vinha&#8221; passa ent\u00e3o a ser, na boca do poeta popular, uma &#8220;cantiga de amor&#8221;, que descreve os esfor\u00e7os do jovem apaixonado para conquistar a sua amada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isa\u00edas vai utilizar esta &#8220;cantiga de amor&#8221; como recurso para transmitir a mensagem que Deus lhe confiou. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, considerar os seguintes dados:<br \/>\n<\/strong>A &#8220;par\u00e1bola da vinha&#8221; \u00e9 uma hist\u00f3ria de amor. Fala-nos do amor de um Deus que liberta o seu Povo da escravid\u00e3o, que o conduz para a liberdade, que estabelece com ele la\u00e7os de fam\u00edlia, que lhe oferece indica\u00e7\u00f5es seguras para caminhar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 justi\u00e7a, \u00e0 harmonia, \u00e0 felicidade, que o protege nos caminhos da hist\u00f3ria&#8230; \u00c9 preciso termos consci\u00eancia de que esta hist\u00f3ria de amor n\u00e3o terminou e que o mesmo Deus continua a derramar sobre n\u00f3s, todos os dias, o seu amor, a sua bondade, a sua miseric\u00f3rdia. Tenho consci\u00eancia desse facto? Tenho o cora\u00e7\u00e3o aberto aos seus dons? Encontro tempo e disponibilidade para Lhe agradecer e para O louvar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O encontro com o amor de Deus tem de significar uma efetiva transforma\u00e7\u00e3o do nosso cora\u00e7\u00e3o e tem de nos levar ao amor ao irm\u00e3o. Quem trata os irm\u00e3os com arrog\u00e2ncia, quem assume atitudes duras, agressivas e intolerantes, quem pratica a injusti\u00e7a e espezinha os direitos dos mais d\u00e9beis, quem \u00e9 insens\u00edvel aos dramas dos irm\u00e3os, certamente ainda n\u00e3o fez a experi\u00eancia do amor de Deus. \u00c0s vezes encontramos nas nossas comunidades crist\u00e3s ou religiosas pessoas muito v\u00e1lidas do ponto de vista da organiza\u00e7\u00e3o e da anima\u00e7\u00e3o, que se consideram a si pr\u00f3prias colunas da comunidade, que t\u00eam uma f\u00e9 inabal\u00e1vel, mas que s\u00e3o insens\u00edveis, amargas, agressivas, intolerantes&#8230; Ser\u00e1 poss\u00edvel ser sinal de Deus e testemunhar o Deus que ama os homens, sem nos deixarmos conduzir pela toler\u00e2ncia, pela miseric\u00f3rdia, pela bondade, pela compreens\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto identifica os &#8220;frutos bons&#8221; que Deus espera da sua &#8220;vinha&#8221; com o direito e a justi\u00e7a e afirma que Deus n\u00e3o tolera uma &#8220;vinha&#8221; que produza &#8220;sangue derramado&#8221; e &#8220;gritos de horror&#8221;. Nos nossos dias, o &#8220;sangue derramado&#8221; das v\u00edtimas da viol\u00eancia, do terrorismo, das guerras religiosas, dos sistemas que geram morte e sofrimento continua a tingir a nossa hist\u00f3ria; os &#8220;gritos de horror&#8221; de tantos homens e mulheres privados dos direitos mais elementares, torturados, marginalizados, exclu\u00eddos, impedidos de ter acesso a uma vida minimamente humana, continuam a escutar-se na Europa, na \u00c1sia, na \u00c1frica, nas Am\u00e9ricas&#8230; Qual o nosso papel, no meio de tudo isto? Podemos calar-nos, num sil\u00eancio c\u00famplice e alienado, diante do drama de tantos irm\u00e3os condenados \u00e0 morte? O que podemos fazer para que a &#8220;vinha&#8221; de Deus produza outros frutos? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a079 (80)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> A vinha do Senhor \u00e9 a casa de Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Filip 4,6-9<br \/>\n<\/strong><strong>\u00abO que aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes em mim \u00e9 o que deveis praticar\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Continuamos a ler a carta enviada pelo ap\u00f3stolo Paulo aos crist\u00e3os da cidade grega de Filipos. Quando escreve aos seus amigos filipenses, Paulo est\u00e1 na pris\u00e3o (em \u00c9feso?), sem saber o que o futuro imediato lhe reserva. Entretanto, recebeu ajuda dos filipenses (uma soma em dinheiro e a visita de Epafrodito, um membro da comunidade, encarregado pelos filipenses de cuidar de Paulo e de prover \u00e0s suas necessidades) e est\u00e1 sensibilizado pela bondade e pela preocupa\u00e7\u00e3o que os filipenses manifestam para com a sua pessoa.<br \/>\nA Carta aos Filipenses \u00e9, sobretudo, uma carta dirigida a amigos muito queridos, na qual Paulo manifesta o seu apre\u00e7o por essa comunidade que o ama, que o ajuda e que se preocupa com ele. Enviando de volta Epafrodito &#8211; que estivera gravemente doente &#8211; Paulo agradece, d\u00e1 not\u00edcias, informa a comunidade sobre a sua pr\u00f3pria sorte e exorta os filipenses \u00e0 fidelidade ao Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto pertence \u00e0 parte final da carta. Apresenta um conjunto de recomenda\u00e7\u00f5es, destinadas a recordar aos filipenses algumas obriga\u00e7\u00f5es que resultam do seu compromisso com Cristo e com o Evangelho. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar na reflex\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o, as seguintes linhas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As palavras de Paulo aos filipenses definem alguns dos elementos concretos que devem marcar a caminhada do Povo de Deus. Em primeiro lugar, Paulo convida os crentes a n\u00e3o viverem inquietos e preocupados. Os crist\u00e3os est\u00e3o &#8220;enxertados&#8221; em Cristo e t\u00eam a garantia de com Ele ressuscitar para a vida definitiva. Eles sabem que as dificuldades, os dramas, as persegui\u00e7\u00f5es, as incompreens\u00f5es s\u00e3o apenas acidentes de percurso, que n\u00e3o conseguir\u00e3o arred\u00e1-los da vida verdadeira. Os crist\u00e3os n\u00e3o s\u00e3o pessoas fracassadas, alienadas, falhadas, mas pessoas com um objetivo final bem definido e bem sugestivo. O caminho de Cristo \u00e9 um caminho de dom e de entrega da vida; mas n\u00e3o \u00e9 um caminho de tristeza e de frustra\u00e7\u00e3o. Porqu\u00ea, ent\u00e3o, a tristeza, a inquieta\u00e7\u00e3o, o des\u00e2nimo com que, tantas vezes, enfrentamos as vicissitudes e as dificuldades da nossa caminhada? Porque \u00e9 que, tantas vezes, sa\u00edmos das nossas celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas cabisbaixos, intranquilos, de semblantes tristonhos e ar irritado? Os irm\u00e3os que nos rodeiam e que nos olham nos olhos recebem de n\u00f3s um testemunho de paz, de serenidade, de tranquilidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em segundo lugar, Paulo convida os crentes a terem em conta, na sua vida, esses valores humanos que todos os homens apreciam e amam: a verdade, a justi\u00e7a, a honradez, a amabilidade, a toler\u00e2ncia, a integridade&#8230; Um crist\u00e3o tem de ser, antes de mais, uma pessoa \u00edntegra, verdadeira, leal, honesta, respons\u00e1vel, coerente. Ouvimos, algumas vezes, dizer que &#8220;os que v\u00e3o \u00e0 igreja s\u00e3o piores do que os outros&#8221;. Em parte, a express\u00e3o serve, sobretudo, a muitos dos chamados &#8220;crist\u00e3os n\u00e3o praticantes&#8221; para justificar o facto de n\u00e3o irem \u00e0 igreja; mas n\u00e3o traduzir\u00e1, algumas vezes, o mau testemunho que alguns crist\u00e3os d\u00e3o quanto \u00e0 viv\u00eancia dos valores humanos? Quem contacta as rece\u00e7\u00f5es das nossas igrejas, encontra sempre simpatia, compreens\u00e3o, amabilidade, verdade, coer\u00eancia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A forma como Paulo prop\u00f5e aos seus crist\u00e3os os mesmos valores que constavam das listas de valores dos moralistas gregos da sua \u00e9poca, deve convidar-nos a refletir sobre a nossa rela\u00e7\u00e3o com os valores do mundo que nos rodeia e sobre a forma como os aceitamos e integramos na nossa vida. N\u00e3o podemos esconder-nos atr\u00e1s da nossa muralha fortificada e rejeitar, em bloco, tudo aquilo que o mundo de hoje nos proporciona, como se fosse algo de mau e pecaminoso. O mundo em que vivemos tem valores muito bonitos e sugestivos, que nos ajudam a crescer de uma forma s\u00e3 e equilibrada e a integrar uma realidade rica em desafios e esperan\u00e7as. O que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 saber discernir, de entre todos os valores que o mundo nos apresenta, aquilo que nos torna mais livres e mais felizes e aquilo que nos torna mais escravos e infelizes, aquilo que n\u00e3o belisca a nossa f\u00e9 e aquilo que amea\u00e7a a ess\u00eancia do Evangelho&#8230; <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 21,33-43<br \/>\n<\/strong><strong>\u00abHavia um propriet\u00e1rio que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe\u00bb.<br \/>\n<\/strong><strong>\u00abA pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e \u00e9 admir\u00e1vel aos nossos olhos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos em Jerusal\u00e9m, pouco tempo ap\u00f3s a entrada triunfal de Jesus na cidade (cf. Mt 21,1-11). De hora para hora, cresce a tens\u00e3o entre Jesus e os seus advers\u00e1rios. Os l\u00edderes judaicos pressionam Jesus, num esquema que apresenta foros de processo organizado. Adivinha-se, no horizonte pr\u00f3ximo de Jesus, a pris\u00e3o, o julgamento, a condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte. Jesus est\u00e1 plenamente consciente do destino que lhe est\u00e1 reservado, mas enfrenta os dirigentes e condena implacavelmente a sua recusa em acolher o Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto faz parte de um bloco de tr\u00eas par\u00e1bolas (cf. Mt 21,28-32. 33-43; 22,1-14), destinadas a ilustrar a recusa de Israel em aceitar o projeto de salva\u00e7\u00e3o que Deus oferece aos homens atrav\u00e9s de Jesus. Com elas, Jesus convida os seus opositores &#8211; os l\u00edderes religiosos judaicos &#8211; a reconhecerem que se fecharam num esquema de autossufici\u00eancia, de orgulho, de arrog\u00e2ncia, de preconceitos, que n\u00e3o os deixa abrir o cora\u00e7\u00e3o e a vida aos desafios de Deus. O nosso texto \u00e9 a segunda dessas tr\u00eas par\u00e1bolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria que nos vai ser narrada compreende-se melhor \u00e0 luz da situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f3mica da Galileia do tempo de Jesus&#8230; A terra estava, quase sempre, nas m\u00e3os de grandes latifundi\u00e1rios que viviam nas cidades. Esses latifundi\u00e1rios utilizavam v\u00e1rios sistemas para a explora\u00e7\u00e3o das suas terras; mas uma das formas preferidas de explora\u00e7\u00e3o da terra (precisamente porque, para o latifundi\u00e1rio n\u00e3o implicava muito trabalho) consistia em arrendar as v\u00e1rias parcelas do latif\u00fandio, em troca de uma parte substancial dos produtos recolhidos. Os que arrendavam as terras eram, geralmente, camponeses que tinham perdido as suas pr\u00f3prias terras devido \u00e0 press\u00e3o fiscal ou \u00e0s m\u00e1s colheitas. Estes camponeses viviam numa situa\u00e7\u00e3o periclitante: depois de descontados os gastos com a explora\u00e7\u00e3o, os impostos pagos e a parte que pertencia ao latifundi\u00e1rio, mal ficavam com o indispens\u00e1vel para se sustentar a si e \u00e0 sua fam\u00edlia. Em anos agr\u00edcolas maus, este esquema significava a mis\u00e9ria absoluta&#8230; Este quadro provocava conflitos sociais frequentes e o aparecimento de movimentos campesinos que lutavam contra os latifundi\u00e1rios ou contra a carga excessiva de impostos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste cen\u00e1rio que Jesus vai colocar a par\u00e1bola que hoje nos apresenta. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, ter em conta as seguintes quest\u00f5es:<br \/>\n<\/strong>O problema fundamental posto por este texto \u00e9 o da coer\u00eancia com que vivemos o nosso compromisso com Deus e com o Reino. Deus n\u00e3o obriga ningu\u00e9m a aceitar a sua proposta de salva\u00e7\u00e3o e a envolver-se com o Reino; mas uma vez que aceitamos trabalhar na sua &#8220;vinha&#8221;, temos de produzir frutos de amor, de servi\u00e7o, de doa\u00e7\u00e3o, de justi\u00e7a, de paz, de toler\u00e2ncia, de partilha&#8230; O nosso Deus n\u00e3o est\u00e1 disposto a pactuar com situa\u00e7\u00f5es d\u00fabias, descaracterizadas, amorfas, incoerentes, mentirosas; mas exige coer\u00eancia, verdade e compromisso. A par\u00e1bola convida-nos, antes de mais, a n\u00e3o nos deixarmos cair em esquemas de comodismo, de instala\u00e7\u00e3o, de facilidade, de &#8220;deixa andar&#8221;, mas a levarmos a s\u00e9rio o nosso compromisso com Deus e com o Reino e a darmos frutos consequentes. O meu compromisso com o Reino \u00e9 sincero e empenhado? Quais s\u00e3o os frutos que eu produzo? Quando se trata de fazer op\u00e7\u00f5es, ganha o meu comodismo e instala\u00e7\u00e3o, ou a minha vontade de servir a constru\u00e7\u00e3o do Reino?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 que \u00e9 decisivo para definir a perten\u00e7a de algu\u00e9m ao Reino? \u00c9 ter uma &#8220;tradi\u00e7\u00e3o familiar&#8221; crist\u00e3? \u00c9 o ter entrado, por um ato formal (Batismo) na Igreja? \u00c9 o ter feito votos de pobreza, castidade e obedi\u00eancia numa determinada congrega\u00e7\u00e3o religiosa? \u00c9 o cumprir determinados atos de piedade? \u00c9 o participar nos ritos? Nada disso \u00e9 decisivo. O que \u00e9 decisivo \u00e9 o &#8220;produzir frutos&#8221; de amor e de justi\u00e7a, que pomos ao servi\u00e7o de Deus e dos nossos irm\u00e3os. Como \u00e9 que eu entendo e vivo a minha caminhada de f\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A par\u00e1bola fala de trabalhadores da &#8220;vinha&#8221; de Deus que rejeitam o &#8220;filho&#8221; de forma absoluta e radical. \u00c9 prov\u00e1vel que nenhum de n\u00f3s, por um ato de vontade consciente, se coloque numa atitude semelhante e rejeite Jesus. No entanto, prescindir dos valores de Jesus e deixar que sejam o ego\u00edsmo, o comodismo, o orgulho, a arrog\u00e2ncia, o dinheiro, o poder, a fama, a condicionar as nossas op\u00e7\u00f5es \u00e9, na mesma, rejeitar Jesus, coloc\u00e1-l&#8217;O \u00e0 margem da nossa exist\u00eancia. Como \u00e9 que, no dia a dia, acolhemos e inserimos na nossa vida os valores de Jesus? As propostas de Jesus s\u00e3o, para n\u00f3s, valores consistentes, que procuramos integrar na nossa exist\u00eancia e que servem de alicerce \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da nossa vida, ou s\u00e3o valores dos quais nos descartamos com facilidade, sob press\u00e3o de interesses ego\u00edstas e comodistas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As nossas comunidades crist\u00e3s e religiosas s\u00e3o constitu\u00eddas por homens e mulheres que se comprometeram com o Reino e que trabalham na &#8220;vinha&#8221; do Senhor. Deviam, portanto, produzir frutos bons e testemunhar diante do mundo, em gestos de amor, de acolhimento, de compreens\u00e3o, de miseric\u00f3rdia, de partilha, de servi\u00e7o, a realidade do Reino que Jesus Cristo veio propor. \u00c9 isso que acontece, ou limitamo-nos a ter muitos grupos paroquiais, a preparar organigramas impressionantes da din\u00e2mica comunit\u00e1ria, a construir espa\u00e7os f\u00edsicos amplos e confort\u00e1veis, a recitar a liturgia das horas, a produzir liturgias solenes, faustosas, imponentes&#8230; e completamente desligadas da vida? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<br \/>\n<\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> abre com uma mensagem de amor e esperan\u00e7a, mas as expectativas s\u00e3o defraudadas. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter em conta esta variedade de sentimentos, com uma especial aten\u00e7\u00e3o para as frases interrogativas. Pronunciar as frases interrogativas evitando a tenta\u00e7\u00e3o de acentuar apenas a palavra final e dando \u00eanfase nas part\u00edculas interrogativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 marcada por um forte tom exortativo, sublinhado pelos diferentes verbos no modo imperativo. Pede-se especial aten\u00e7\u00e3o ao par\u00e1grafo onde se repete a express\u00e3o \u00ab<em>tudo o que \u00e9<\/em>\u00bb para que toda a mensagem seja bem compreendida e se tire partido da for\u00e7a sem\u00e2ntica da repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>PELOS SEUS FRUTOS OS\u00a0CONHECEREIS<br \/>\n<\/strong>O soberbo c\u00e2ntico de Isa\u00edas 5,1-7 d\u00e1 o tom e o aroma da vinha e do amor a este Domingo XXVII do Tempo Comum. O Senhor da vinha e do amor, que \u00e9 Deus, tratou com infinito desvelo a sua vinha, que \u00e9 o seu povo, o povo de Israel e de Jud\u00e1, e somos n\u00f3s, como se pode ver neste belo \u00abc\u00e2ntico da vinha\u00bb de Isa\u00edas 5,7: plantou-a numa colina solarenga com castas selecionadas, cavou-a, limpou-a, amou-a, f\u00ea-la crescer ao ritmo de m\u00fasica de embalar. Todavia, a vinha assim amada e acariciada produziu agra\u00e7os, em vez de uvas doces e saborosas. O C\u00e2ntico di-lo numa extraordin\u00e1ria alitera\u00e7\u00e3o hebraica: \u00abDeus esperava\u00a0<em>mishpath<\/em>\u00a0[= retid\u00e3o],\/ e eis\u00a0<em>mispah<\/em>\u00a0[= sangue derramado];\/\u00a0<em>ts<sup>e<\/sup>daqah<\/em>\u00a0[= justi\u00e7a],\/ e eis\u00a0<em>ts<sup>e<\/sup>\u02bdaqah<\/em>\u00a0[= gritos de socorro]\u00bb (Isa\u00edas 5,7). Depois de uma l\u00edrica serena e tranquila, eis-nos agora perante o lamento de um campon\u00eas desiludido, de um amante tra\u00eddo, de um amor dorido, n\u00e3o correspondido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mesmo canto, ao mesmo tempo dorido e belo, atravessa o Salmo 80,9-17, que canta a videira, e conta a hist\u00f3ria da videira, que simboliza Israel. Contando a hist\u00f3ria desta videira, o poeta est\u00e1, na verdade, a fazer uma autobiografia de Israel. Estava plantada no Egito, de onde Deus a arrancou para a transplantar para outra terra (v. 9). A\u00ed lan\u00e7ou ra\u00edzes, cresceu e atingiu tais dimens\u00f5es que a sua folhagem verde cobria todo o mapa de Israel (v. 11 e 12). Mas tamb\u00e9m a\u00ed conheceu o abandono e foi devastada pelo javali, s\u00edmbolo de impureza pela sua semelhan\u00e7a com o porco. Se, em Isa\u00edas 5,1-7, era Deus que se queixava da sua vinha que j\u00e1 n\u00e3o respondia ao amor primeiro de Deus, agora \u00e9 a vinha que se sente abandonada, e chora o estado de desola\u00e7\u00e3o em que se encontra, mas entrecorta o seu lamento com um belo refr\u00e3o, pedindo a Deus que se levante e volte atr\u00e1s, que lhe fa\u00e7a gra\u00e7a e a salve (v. 4.8.15.20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste Domingo XXVII \u00e9 retirado de Mateus 21,33-43, e come\u00e7a por descrever os gestos de amor embevecido de DEUS pela sua vinha, seguindo de perto o c\u00e2ntico da vinha, de Isa\u00edas 5,1-7. Mas depois continua de forma incisiva, introduzindo novas personagens: os VINHATEIROS violentos e assassinos s\u00e3o os chefes religiosos e civis (chefes dos sacerdotes e anci\u00e3os do povo, ou chefes dos sacerdotes e fariseus), dado que estas par\u00e1bolas s\u00e3o dirigidas a eles (Mateus 21,23), e s\u00e3o eles que, no final, reagem (Mateus 21,45-46). Os SERVOS sucessivamente enviados por DEUS e maltratados pelos homens s\u00e3o os profetas, todos assassinados, segundo o m\u00f3dulo narrativo mais breve de toda a Escritura (Lucas 11,50-51; cf. Mateus 23,34-35). O FILHO, que \u00e9 o \u00faltimo enviado, e que \u00e9 igualmente morto pelos VINHATEIROS, salta \u00e0 vista que \u00e9 JESUS, prolepse do que est\u00e1 para acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os VINHATEIROS s\u00e3o, neste ponto da par\u00e1bola, apanhados na pergunta sem sa\u00edda de JESUS: \u00abQuando vier o dono da vinha, que far\u00e1 com esses VINHATEIROS?\u00bb (Mateus 21,40). Eles respondem f\u00e1cil e direto, ao jeito de David, quando ouve a hist\u00f3ria da ovelhinha do pobre, roubada e comida \u00e0 mesa do rico (2 Samuel 12,5-6): \u00abMandar\u00e1 matar sem piedade esses malvados, e arrendar\u00e1 a vinha a OUTROS VINHATEIROS, que lhe entreguem os frutos a seu tempo\u00bb (Mateus 21,41).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E Jesus remata com uma cita\u00e7\u00e3o do Salmo 118,22: \u00abA pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular\u00bb (Mateus 21,42). E ainda: \u00abO Reino de Deus ser-VOS-\u00e1 tirado, e confiado a UM POVO que produza os seus frutos\u00bb (Mateus 21,43). Nesta altura, diz-nos o narrador, que \u00abos chefes dos sacerdotes e os fariseus, ouvindo estas par\u00e1bolas, perceberam que JESUS se referia a eles, e procuravam prend\u00ea-lo\u2026\u00bb (Mateus 21,45-46).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claramente, os chefes dos sacerdotes e os fariseus s\u00e3o alinhados ao lado dos VINHATEIROS violentos e assassinos, mas j\u00e1 surge no horizonte OUTRO POVO e OUTROS VINHATEIROS, \u00e0 imagem do \u00faltimo Profeta e dele verdadeira transpar\u00eancia. N\u00e3o nos esque\u00e7amos de que \u00e9 este o nosso retrato. Saibamos faz\u00ea-lo frutificar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta Par\u00e1bola faz passar diante de n\u00f3s a inteira hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, mostra-nos o amor permanente e persistente de Deus, e faz-nos ver tamb\u00e9m a qualidade do amor da resposta que somos hoje chamados a dar.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"8\">\n<li>E somos seguramente chamados a tornar a vinha de Deus uma maravilha deliciosa e apetitosa, jovem, leve e bela. Mais ou menos como canta um ap\u00f3crifo de origem judeo-crist\u00e3, de finais do s\u00e9c. I ou princ\u00edpios do II d. C., o\u00a0<em>Apocalipse Sir\u00edaco de Baruc<\/em>: \u00abA terra dar\u00e1 fruto, dez mil por um. Cada videira ter\u00e1 mil ramos, cada ramo mil cachos, cada cacho mil bagos, cada bago centenas de litros de vinho!\u00bb.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra vez Paulo e as palavras de antologia que nos dirige na Carta aos Filipenses 4,6-9, que hoje temos a gra\u00e7a de escutar: \u00abTudo o que \u00e9 verdadeiro e nobre, tudo o que \u00e9 justo e puro, tudo o que \u00e9 am\u00e1vel e de boa reputa\u00e7\u00e3o, tudo o que \u00e9 virtude e digno de louvor \u00e9 o que deveis ter no pensamento\u00bb (Filipenses 4,8). E coloca-se como modelo a imitar: \u00abO que aprendestes, recebestes e vistes em mim, isso fazei\u00bb (Filipenses 4,9). J\u00e1 se sabe que por detr\u00e1s de Paulo est\u00e1 Cristo, que \u00e9 a sua vida (cf. 1 Cor\u00edntios 11,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Leitura-I-do-Domingo-XXVII-do-Tempo-Comum-Ano-A-08.10.2023-Is-5-1-7.pdf\">Leitura I do Domingo XXVII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 08.10.2023 (Is 5, 1-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Leitura-II-do-Domingo-XXVII-do-Tempo-Comum-Ano-A-08.10.2023-Filip-4-6-9.pdf\">Leitura II do Domingo XXVII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 08.10.2023 (Filip 4, 6-9)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Domingo-XXVII-do-Tempo-Comum-Ano-A-08.10.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XXVII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 08.10.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Domingo-XXVII-do-Tempo-Comum-Ano-A-08.10.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXVII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 08.10.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/PLANO-DIOCESANO-DE-PASTORAL-2023-2024.pdf\">PLANO DIOCESANO DE PASTORAL 2023-2024<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXVI do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 01.10.2023&#8243; tab_id=&#8221;1696845697315-d01ebe25-487f&#8221;][vc_column_text]<strong><sup>28<\/sup><\/strong><strong>\u00abQue vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: &#8216;Filho, vai hoje trabalhar na vinha.&#8217;\u00a0<sup>29<\/sup>Mas ele respondeu: &#8216;N\u00e3o quero.&#8217; Mais tarde, por\u00e9m, arrependeu-se e foi.\u00a0<sup>30<\/sup>Dirigindo-se ao segundo, falou-lhe do mesmo modo e ele respondeu: &#8216;Vou sim, senhor.&#8217; Mas n\u00e3o foi.\u00a0<sup>31<\/sup>Qual dos dois fez a vontade ao pai?\u00bb Responderam eles: \u00abO primeiro.\u00bb <em>Mt 21, 28-31<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12426\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Domingo-XXVI.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Domingo-XXVI.jpg 750w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Domingo-XXVI-300x160.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p>\u00ab<em>Cristo Jesus, que era de condi\u00e7\u00e3o divina, n\u00e3o Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si pr\u00f3prio<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Em Jesus Cristo, Deus revela o dinamismo da salva\u00e7\u00e3o e manifesta plena e definitivamente que o nosso Deus n\u00e3o \u00e9 indiferente \u00e0s nossas dores e ang\u00fastias, alegrias e esperan\u00e7as, mas veio ao nosso encontro, assumindo uma carne igual \u00e0 nossa. Por meio de \u00ab<em>palavras e obras intimamente relacionadas entre si<\/em>\u00bb (DV 2), o Verbo Encarnado revelou que o nosso Deus n\u00e3o \u00e9 um ente divino acomodado \u00e0s moradas eternas, mas o Deus Trindade que se manifesta e revela no nosso tempo e na nossa hist\u00f3ria, para que cada tempo e cada hist\u00f3ria possa ser um tempo e um lugar favor\u00e1vel para a convers\u00e3o e o arrependimento.<\/p>\n<p>Jesus, interpelando os pr\u00edncipes dos sacerdotes e os anci\u00e3os do povo, interpela-nos tamb\u00e9m a cada um de n\u00f3s hoje: \u00ab<em>Que vos parece?<\/em>\u00bb. N\u00f3s que, tal como os interlocutores de Jesus nesta par\u00e1bola, temos sempre tantas opini\u00f5es e considera\u00e7\u00f5es para dar, o que nos apraz dizer diante desta par\u00e1bola? Jesus narra esta par\u00e1bola, incluindo na narrativa os Seus interlocutores. Na verdade, eles aparecem no Evangelho de Mateus como aqueles que \u00ab<em>dizem, mas n\u00e3o fazem<\/em>\u00bb (Mt 23,3).<\/p>\n<p>Dizer e fazer, acreditar e viver, s\u00e3o bin\u00f3mios fundamentais no nosso itiner\u00e1rio crente que estar\u00e3o sujeitos a uma tens\u00e3o permanente. O nosso pecado e a nossa fragilidade impedem a total coincid\u00eancia entre o dizer e o fazer, entre o acreditar e o viver. Contudo, esta tens\u00e3o permanente n\u00e3o deve ser fonte de desist\u00eancia, nem de desgaste, mas o apelo constante ao arrependimento e \u00e0 convers\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00ab<em>Um homem tinha dois filhos<\/em>\u00bb e dirige-se aos dois do mesmo modo, convocando-os para a sua vinha. Este pai carinhosamente dirige-se aos seus filhos e convoca-os para a miss\u00e3o. Convoca do mesmo modo, na esperan\u00e7a de contar com eles para a colheita abundante do vinho novo que alegra o cora\u00e7\u00e3o do homem (Sl 104,15). Diante desta proposta de amor livre e libertadora, cada filho respondeu a seu modo e n\u00e3o agiu em conformidade.<\/p>\n<p>Como filhos muito amados, tamb\u00e9m n\u00f3s somos convocados para a miss\u00e3o e chamados a fazer frutificar a vinha do Senhor. Contudo, bem sabemos que muitas vezes, cheios de boas inten\u00e7\u00f5es, com entusiasmo e generosidade, respondemos um SIM pronto e dispon\u00edvel, mas na hora decisiva da a\u00e7\u00e3o nos retra\u00edmos. Por outro lado, outras vezes, ainda que tenhamos resistido \u00e0 convocat\u00f3ria, na hora de colocar os p\u00e9s ao caminho, avan\u00e7amos decididamente. O nosso cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um permanente sim ou n\u00e3o \u00e0 vontade do Pai, mas um lugar de tens\u00e3o permanente que reclama coer\u00eancia, reconhece as fragilidades e confia na miseric\u00f3rdia infinita de Deus, para quem n\u00e3o h\u00e1 caminhos sem sa\u00edda nem op\u00e7\u00f5es sem retorno.<\/p>\n<p>Sentimos a falta de um terceiro filho nesta par\u00e1bola! Um filho que diga \u00absim\u00bb prontamente e avance sem ociosidade. Contudo, reconhecendo a nossa pequenez e limite, n\u00e3o nos podemos oferecer para ser esse filho, pois sabemos que dias haver\u00e1 em que mesmo tendo dito \u00absim\u00bb n\u00e3o desceremos \u00e0 vinha para o trabalho. Somos pecadores, mas de olhos postos \u00ab<em>nos publicanos e mulheres de m\u00e1 vida<\/em>\u00bb que escutaram a prega\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o e se converteram, reconhecemos que o nosso pecado n\u00e3o \u00e9 um caminho sem sa\u00edda, nem um impedimento \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. O reconhecimento do nosso pecado abre o nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0 convers\u00e3o e faz das nossas vidas lugares de an\u00fancio da alegria da vida reencontrada, do amor que gera perd\u00e3o e aponta o caminho da salva\u00e7\u00e3o. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p>No dia <strong>1 de outubro de 2023, XXVI Domingo do Tempo Comum<\/strong>, tem in\u00edcio a Semana Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 que decorre at\u00e9 dia 8 de outubro. A Comiss\u00e3o Episcopal da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 e Doutrina da F\u00e9 publica, em cada ano, uma nota pastoral para a viv\u00eancia desta semana. Aguardando a publica\u00e7\u00e3o da respetiva nota, cada comunidade crist\u00e3 \u00e9 chamada a assinalar esta data, sobretudo, convocando alguma atividade, que envolva os educadores crist\u00e3os, chamados a ser verdadeiros mestres, pelo an\u00fancio coerente e cred\u00edvel do evangelho de Jesus Cristo. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p>Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p>E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Ez 18,25-28<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00abQuando o pecador se afastar do mal que tiver realizado, praticar o direito e a justi\u00e7a, salvar\u00e1 a sua vida\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p>Ezequiel, o &#8220;profeta da esperan\u00e7a&#8221;, exerceu o seu minist\u00e9rio na Babil\u00f3nia no meio dos exilados judeus. O profeta fez parte dessa primeira leva de exilados que, em 597 a.C., Nabucodonosor deportou para a Babil\u00f3nia.<br \/>\nA primeira fase do minist\u00e9rio de Ezequiel decorreu entre 593 a.C. (data do seu chamamento \u00e0 voca\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica) e 586 a.C. (data em que Jerusal\u00e9m foi conquistada uma segunda vez pelos ex\u00e9rcitos de Nabucodonosor e uma nova leva de exilados foi encaminhada para a Babil\u00f3nia). Nesta fase, o profeta preocupou-se em destruir as falsas esperan\u00e7as dos exilados (convencidos de que o ex\u00edlio terminaria em breve e que iam poder regressar rapidamente \u00e0 sua terra) e em denunciar a multiplica\u00e7\u00e3o das infidelidades a Jahw\u00e9h por parte desses membros do Povo judeu que escaparam ao primeiro ex\u00edlio e que ficaram em Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>A segunda fase do minist\u00e9rio de Ezequiel desenrolou-se a partir de 586 a.C. e prolongou-se at\u00e9 cerca de 570 a.C. Instalados numa terra estrangeira, privados de Templo, de sacerd\u00f3cio e de culto, os exilados estavam desiludidos e duvidavam de Jahw\u00e9h e do compromisso que Deus tinha assumido com o seu Povo. Nessa fase, Ezequiel procurou alimentar a esperan\u00e7a dos exilados e transmitir ao Povo a certeza de que o Deus salvador e libertador n\u00e3o tinha abandonado nem esquecido o seu Povo.<\/p>\n<p>At\u00e9 esta altura, Israel refletia a sua rela\u00e7\u00e3o com Deus em termos coletivos e n\u00e3o em termos individuais. A catequese de Israel considerava que a Alian\u00e7a tinha sido feita, n\u00e3o com cada israelita individualmente, mas com toda a comunidade. Assim, as infidelidades de uns (inclusive dos antepassados) traziam sofrimento e morte a toda a comunidade; e a fidelidade de outros (inclusive dos antepassados) era fonte de vida e de b\u00ean\u00e7\u00e3o para todos.<\/p>\n<p>Os exilados liam \u00e0 luz desta perspetiva teol\u00f3gica o drama que tinha ca\u00eddo sobre eles. Consideravam que eram justos e bons, que n\u00e3o tinham pecado e que estavam ali a expiar os pecados de toda a na\u00e7\u00e3o. Havia at\u00e9 um refr\u00e3o muito repetido por esta altura: &#8220;os pais comeram as uvas verdes, mas s\u00e3o os dentes dos filhos que ficam embotados&#8221; (Ez 18,2b). Parece ser uma reprova\u00e7\u00e3o velada \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Deus que, na perspetiva da teologia da \u00e9poca, fez dos exilados o bode expiat\u00f3rio de todas as infidelidades da na\u00e7\u00e3o. \u00c9 justo, isto? Est\u00e1 certo que os justos paguem. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Considerar, na reflex\u00e3o, os seguintes desenvolvimentos<\/strong>:<\/p>\n<p>Antes de mais, a leitura convida-nos a tomar consci\u00eancia de que um compromisso com Deus \u00e9 algo que nos implica profundamente e que devemos sentir pessoalmente, sem rodeios, sem evasivas, sem subterf\u00fagios. No nosso tempo &#8211; no tempo da cultura do pl\u00e1stico, do &#8220;light&#8221;, do ef\u00e9mero &#8211; h\u00e1 alguma tend\u00eancia a n\u00e3o assumir responsabilidades, a n\u00e3o absolutizar os compromissos (no mundo do futebol e da pol\u00edtica h\u00e1 at\u00e9 uma m\u00e1xima que define a flutuabilidade, a incoer\u00eancia, a contradi\u00e7\u00e3o em que as pessoas se movem: &#8220;o que \u00e9 verdade hoje, \u00e9 mentira amanh\u00e3&#8221;). Mas, com Deus, n\u00e3o h\u00e1 meias tintas: ou se assume, ou n\u00e3o se assume. Como \u00e9 que eu sinto esses compromissos que assumi com Deus no dia do meu Batismo e que ao longo da vida, nas mais diversas circunst\u00e2ncias, confirmei? Trata-se de algo que eu levo a s\u00e9rio e que eu aplico coerentemente a toda a minha exist\u00eancia e \u00e0s op\u00e7\u00f5es que fa\u00e7o, ou de algo que eu s\u00f3 me lembro quando se trata de fazer uma bonita festa de casamento na igreja ou de cumprir a tradi\u00e7\u00e3o e batizar os filhos?<\/p>\n<p>O profeta Ezequiel convida-nos tamb\u00e9m a assumir, com verdade e coer\u00eancia, a nossa responsabilidade pelos nossos gestos de ego\u00edsmo e de autossufici\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a Deus e em rela\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os. Entre n\u00f3s, no entanto, muitas vezes &#8220;a culpa morre solteira&#8221;. H\u00e1 homens e mulheres que n\u00e3o t\u00eam o m\u00ednimo para viver dignamente? A culpa \u00e9 da conjuntura econ\u00f3mica internacional&#8230;. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia extrema e de injusti\u00e7a? A culpa \u00e9 do governo que n\u00e3o legisla nem coloca suficientes pol\u00edcias nas ruas&#8230; A minha comunidade crist\u00e3 est\u00e1 dividida, estagnada e n\u00e3o testemunha suficientemente o amor de Jesus? A culpa \u00e9 do Papa, ou do bispo, ou do padre&#8230; E a minha culpa? Eu n\u00e3o terei, muitas vezes, a minha quota-parte de responsabilidades em tantas situa\u00e7\u00f5es negativas com que, dia a dia, convivo pacificamente? Eu n\u00e3o precisarei de me &#8220;converter&#8221;? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a024 (25)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> Lembrai-Vos, Senhor, da vossa miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Filip 2,1-11<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00abTende em v\u00f3s os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p>Filipos, cidade situada no norte da Gr\u00e9cia, era uma cidade habitada maioritariamente por veteranos romanos do ex\u00e9rcito. Estava organizada \u00e0 maneira de Roma e era uma esp\u00e9cie de Roma em miniatura. Os seus habitantes gozavam dos mesmos privil\u00e9gios dos habitantes das cidades de It\u00e1lia.<\/p>\n<p>A comunidade crist\u00e3 de Filipos foi fundada por Paulo no ver\u00e3o de 49, no decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria. Numa das estadias de Paulo na pris\u00e3o (em \u00c9feso?), a comunidade enviou um dos seus membros para o ajudar e uma generosa quantia em dinheiro para prover \u00e0s necessidades do ap\u00f3stolo.<br \/>\nApesar de ser uma comunidade viva, piedosa e generosa, a comunidade crist\u00e3 de Filipos n\u00e3o era uma comunidade perfeita. O desprendimento, a humildade, a simplicidade, n\u00e3o eram valores demasiado apreciados entre os altivos patr\u00edcios romanos que compunham a comunidade.<\/p>\n<p>\u00c9 neste enquadramento que podemos situar o texto que esta leitura nos apresenta. Trata-se de um texto que, em termos liter\u00e1rios, apresenta duas partes. A primeira (vers. 1-5), em prosa, cont\u00e9m recomenda\u00e7\u00f5es concretas de Paulo aos Filipenses acerca dos valores que devem cultivar. A segunda (vers. 6-11), em poesia, apresenta aos Filipenses o exemplo de Cristo (trata-se, provavelmente, de um hino pr\u00e9-paulino, recitado nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas crist\u00e3s e que Paulo integrou no texto da carta).<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Para reflex\u00e3o, podem considerar-se as seguintes indica\u00e7\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p>Os valores que marcaram a exist\u00eancia de Cristo continuam a n\u00e3o ser demasiado apreciados em muitos dos nossos ambientes contempor\u00e2neos. De acordo com os crit\u00e9rios que presidem ao nosso mundo, os grandes &#8220;ganhadores&#8221; n\u00e3o s\u00e3o os que p\u00f5em a sua vida ao servi\u00e7o dos outros, com humildade e simplicidade, mas s\u00e3o os que enfrentam o mundo com agressividade, com autossufici\u00eancia e fazem por ser os melhores, mesmo que isso signifique n\u00e3o olhar a meios para passar \u00e0 frente dos outros. Como pode um crist\u00e3o (obrigado a viver inserido neste mundo e a ser competitivo) conviver com estes valores?<\/p>\n<p>Paulo tem consci\u00eancia de que est\u00e1 a pedir aos seus crist\u00e3os algo realmente dif\u00edcil; mas \u00e9 algo que \u00e9 fundamental, \u00e0 luz do exemplo de Cristo. Tamb\u00e9m a n\u00f3s \u00e9 pedido um passo em frente neste dif\u00edcil caminho da humildade, do servi\u00e7o, do amor: ser\u00e1 poss\u00edvel que, tamb\u00e9m aqui, sejamos as testemunhas da l\u00f3gica de Deus? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 21,28-32<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00abQue vos parece?\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00abQual dos dois fez a vontade ao pai?\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00abOs publicanos e as mulheres de m\u00e1 vida ir\u00e3o diante de v\u00f3s para o reino de Deus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p>O texto que nos \u00e9 proposto neste domingo situa-nos em Jerusal\u00e9m, na etapa final da caminhada terrena de Jesus. Pouco antes, Jesus entrara em Jerusal\u00e9m e fora recebido em triunfo pela multid\u00e3o (cf. Mt 21,1-11); no entanto, o entusiasmo inicial da cidade foi sendo substitu\u00eddo, aos poucos, por uma recusa categ\u00f3rica em acolher Jesus e o seu projeto<\/p>\n<p>Os chefes dos sacerdotes e os anci\u00e3os do povo &#8211; os l\u00edderes religiosos judaicos &#8211; aparecem como o motor da oposi\u00e7\u00e3o a Jesus. Eles n\u00e3o est\u00e3o dispostos a reconhecer Jesus como o Messias de Deus e a aceitar que Ele tenha um mandato de Deus para propor aos homens uma nova realidade &#8211; a realidade do Reino. H\u00e1 uma tens\u00e3o no ar, que anuncia a proximidade da paix\u00e3o e da morte de Jesus.<\/p>\n<p>No quadro que antecede o epis\u00f3dio que nos \u00e9 hoje proposto &#8211; mas que est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o direta com ele-os l\u00edderes judeus encontraram-se com Jesus no Templo; perguntaram-Lhe com que autoridade Ele agia e quais eram as suas credenciais (cf. Mt 21,23-27). Jesus respondeu-lhes convidando-os a pronunciarem-se sobre a origem do batismo de Jo\u00e3o. Os l\u00edderes judaicos n\u00e3o quiseram responder: se dissessem que Jo\u00e3o Baptista n\u00e3o vinha de Deus, tinham medo da rea\u00e7\u00e3o da multid\u00e3o (que considerava Jo\u00e3o um profeta); se admitissem que o batismo de Jo\u00e3o vinha de Deus, temiam que Jesus lhes perguntasse porque n\u00e3o o aceitaram&#8230; Diante do sil\u00eancio embara\u00e7ado dos seus interlocutores, Jesus deu-lhes a entender que n\u00e3o tinha uma resposta para lhes dar, enquanto eles continuassem de cora\u00e7\u00e3o fechado, na recusa obstinada da novidade de Deus (anunciada por Jo\u00e3o e proposta pelo pr\u00f3prio Jesus).<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, Jesus vai apresentar tr\u00eas par\u00e1bolas, destinadas a ilustrar a recusa de Israel em acolher a proposta do Reino. Com elas, Jesus convida os l\u00edderes da na\u00e7\u00e3o judaica a refletir sobre a situa\u00e7\u00e3o de &#8220;gueto&#8221; em que se instalaram e a reconhecerem o sem sentido das suas posi\u00e7\u00f5es fixistas e conservadoras. O nosso texto \u00e9 a primeira dessas tr\u00eas par\u00e1bolas<strong><em>. in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Para a reflex\u00e3o, ter em conta os seguintes desenvolvimentos:<\/strong><\/p>\n<p>Antes de mais, a par\u00e1bola dos dois filhos chamados para trabalhar &#8220;na vinha&#8221; do pai sugere que, na perspetiva de Deus, todos os seus filhos s\u00e3o iguais e t\u00eam a mesma responsabilidade na constru\u00e7\u00e3o do Reino. Deus tem um projeto para o mundo e quer ver todos os seus filhos &#8211; sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, de cor, de estatuto social, de forma\u00e7\u00e3o intelectual &#8211; implicados na concretiza\u00e7\u00e3o desse projeto. Ningu\u00e9m est\u00e1 dispensado de colaborar com Deus na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais humano, mais justo, mais verdadeiro, mais fraterno. Tenho consci\u00eancia de que tamb\u00e9m eu sou chamado a trabalhar na vinha de Deus?<\/p>\n<p>Diante do chamamento de Deus, h\u00e1 dois tipos de resposta&#8230; H\u00e1 aqueles que escutam o chamamento de Deus, mas n\u00e3o s\u00e3o capazes de vencer o imobilismo, a pregui\u00e7a, o comodismo, o ego\u00edsmo, a autossufici\u00eancia e n\u00e3o v\u00e3o trabalhar para a vinha (mesmo que tenham dito &#8220;sim&#8221; a Deus e tenham sido batizados); e h\u00e1 aqueles que acolhem o chamamento de Deus e que lhe respondem de forma generosa. De que lado estou eu? Estou disposto a comprometer-me com Deus, a aceitar os seus desafios, a empenhar-me na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais bonito e mais feliz, ou prefiro demitir-me das minhas responsabilidades e renunciar a ter um papel ativo no projeto criador e salvador que Deus tem para os homens e para o mundo?<\/p>\n<p>O que \u00e9 que significa, exatamente, dizer &#8220;sim&#8221; a Deus? \u00c9 ser batizado ou crismado? \u00c9 casar na igreja? \u00c9 fazer parte de uma confraria qualquer da par\u00f3quia? \u00c9 fazer parte da equipa que gere a F\u00e1brica da Igreja? \u00c9 ter feito votos num qualquer instituto religioso? \u00c9 ir todos os dias \u00e0 missa e rezar diariamente a Liturgia das Horas? Aten\u00e7\u00e3o: na par\u00e1bola apresentada por Jesus, n\u00e3o chega dizer um &#8220;sim&#8221; inicial a Deus; mas \u00e9 preciso que esse &#8220;sim&#8221; inicial se confirme, depois, num verdadeiro empenho na &#8220;vinha&#8221; do Senhor. Ou seja: n\u00e3o bastam palavras e declara\u00e7\u00f5es de boas inten\u00e7\u00f5es; \u00e9 preciso viver, dia a dia, os valores do Evangelho, seguir Jesus nesse caminho de amor e de entrega que Ele percorreu, construir, com gestos concretos, um mundo de justi\u00e7a, de bondade, de solidariedade, de perd\u00e3o, de paz. Como me situo face a isto: sou um crist\u00e3o &#8220;de registo&#8221;, que tem o nome nos livros da par\u00f3quia, ou sou um crist\u00e3o &#8220;de facto&#8221;, que dia a dia procura acolher a novidade de Deus, perceber os seus desafios, responder aos seus apelos e colaborar com Ele na constru\u00e7\u00e3o de uma nova terra, de justi\u00e7a, de paz, de fraternidade, de felicidade para todos os homens?<\/p>\n<p>Nas nossas comunidades crist\u00e3s aparecem, com alguma frequ\u00eancia, pessoas que sabem tudo sobre Deus, que se consideram fam\u00edlia privilegiada de Deus, mas que desprezam esses irm\u00e3os que n\u00e3o t\u00eam um comportamento &#8220;religiosamente correto&#8221; ou que n\u00e3o cumprem estritamente as regras do &#8220;bom comportamento&#8221; crist\u00e3o&#8230; Aten\u00e7\u00e3o: n\u00e3o temos qualquer autoridade para catalogar as pessoas, para as excluir e marginalizar&#8230; Na perspetiva de Deus, o importante n\u00e3o \u00e9 que algu\u00e9m se tenha afastado ou que tenha assumido comportamentos marginais e escandalosos; o essencial \u00e9 que tenha acolhido o chamamento de Deus e que tenha aceitado trabalhar &#8220;na vinha&#8221;. A este prop\u00f3sito, Jesus diz algo de inaudito aos &#8220;santos&#8221; pr\u00edncipes dos sacerdotes e anci\u00e3os do povo: &#8220;os publicanos e as mulheres de m\u00e1 vida ir\u00e3o diante de v\u00f3s para o Reino de Deus&#8221;. Hoje, que \u00e9 que isto significa? Hoje, quem s\u00e3o os &#8220;v\u00f3s&#8221;? Hoje, quem s\u00e3o os &#8220;publicanos e mulheres de m\u00e1 vida&#8221;? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, pede-se especial aten\u00e7\u00e3o nas duas frases interrogativas presentes no texto.<\/p>\n<p>A <strong>segunda leitura<\/strong> possui uma forma longa e uma forma breve. A escolha do texto a ser proclamado deve ser feita tendo em conta a assembleia e a din\u00e2mica de toda a celebra\u00e7\u00e3o. A proclama\u00e7\u00e3o de qualquer uma destas formas requer uma acurada e atenta prepara\u00e7\u00e3o devido \u00e0s frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p><strong>CHAMADOS A MUDAR TANTO COMO\u00a0MATEUS!<\/strong><\/p>\n<p>Mais uma par\u00e1bola de Jesus, dita aos \u00abchefes dos sacerdotes\u00bb e aos \u00abanci\u00e3os\u00bb do povo, no seguimento de Mateus 21,23. S\u00e3o eles, os bem colocados na religi\u00e3o e na vida p\u00fablica, que s\u00e3o interpelados por Jesus: \u00abQue vos parece?\u00bb (Mateus 21,28); \u00abQual dos dois fez a vontade do Pai?\u00bb (Mateus 21,31). No final de duas par\u00e1bolas em que a tem\u00e1tica \u00e9 a \u00abvinha\u00bb (Mateus 21,28-46), s\u00e3o os \u00abchefes dos sacerdotes\u00bb e os \u00abfariseus\u00bb que reagem \u00e0s interpela\u00e7\u00f5es de Jesus (Mateus 21,45-46).<\/p>\n<p>Os fariseus aparecem no Evangelho de Mateus como aqueles que \u00abdizem, mas n\u00e3o fazem\u00bb (Mateus 23,3). E \u00abfazer\u00bb, em oposi\u00e7\u00e3o a dizer, \u00e9 um tema fundamental neste Evangelho, assim expresso por Jesus no Discurso program\u00e1tico da Montanha: \u00abN\u00e3o todo aquele que me diz: \u201cSenhor, Senhor\u201d entrar\u00e1 no Reino dos C\u00e9us, mas aquele que faz a vontade do meu Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us\u00bb (Mateus 7,21).<\/p>\n<p>Mais ainda: neste Evangelho de Mateus, o verdadeiro \u00abfazer\u00bb traduz-se em \u00abfazer fruto\u00bb, como consequ\u00eancia da convers\u00e3o ou mudan\u00e7a operada na nossa vida. Como \u00e9 importante, a ideia \u00e9 recorrente neste Evangelho: veja-se Mateus 3,8; 7,16-20; 12,33; 13,8; 21,41.43; 25,40.45.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m a \u00abjusti\u00e7a\u00bb \u00e9 um termo recorrente em Mateus. E \u00abjusti\u00e7a\u00bb, no Evangelho de Mateus, indica o des\u00edgnio divino de salva\u00e7\u00e3o e a nossa obedi\u00eancia a esse des\u00edgnio. Dada a sua import\u00e2ncia, esta nota da \u00abjusti\u00e7a\u00bb faz-se ouvir por sete vezes neste Evangelho: veja-se Mateus 3,15; 5,6.10.20; 6,1.33; 21,32.<\/p>\n<p>Posto isto, \u00e9 agora mais f\u00e1cil deixar entrar em n\u00f3s a for\u00e7a da par\u00e1bola de Jesus, contada a gente habituada apenas a dizer, dizer, dizer\u2026 O homem e pai, na par\u00e1bola, \u00e9 Deus. A vinha \u00e9 dele, mas \u00e9 tamb\u00e9m nossa. Nunca se fala, no corpo desta par\u00e1bola, da \u00abminha\u00bb vinha. A vinha \u00e9, portanto, campo aberto de alegria e de liberdade, onde todos os filhos de Deus podem encontrar um novo espa\u00e7o relacional, porventura ainda in\u00e9dito, de filialidade e fraternidade.<\/p>\n<p>\u00c9 dito que este Pai tem dois filhos, que s\u00e3o todos os seus filhos, nas suas semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as. Somos todos n\u00f3s, nas nossas semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as. Ao primeiro, o Pai diz: \u00abFilho, vai hoje trabalhar na vinha\u00bb (Mateus 21,28). Note-se o termo carinhoso \u00abfilho\u00bb, o imperativo da liberdade \u00abvai\u00bb, que nos coloca na estrada de Abra\u00e3o, o \u00abhoje\u00bb, que requer resposta pronta e inadi\u00e1vel, e a \u00abvinha\u00bb, s\u00edmbolo da festa e da alegria. Note-se ainda a resposta tresloucada deste \u00abfilho\u00bb: \u00abN\u00e3o quero\u00bb (Mateus 21,29a), e a emenda: \u00abmas, depois, arrependeu-se e foi\u00bb (Mateus 21,29b). Note-se tamb\u00e9m a resposta do segundo filho, depois de ter ouvido o mesmo convite do seu Pai: \u00abEu vou, Senhor\u00bb (Mateus 21,30a), e a constata\u00e7\u00e3o do narrador de que, de facto, n\u00e3o foi (Mateus 21,30b).<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, todos os filhos de Deus-Pai ouvem o mesmo convite e veem a mesma atitude de carinho. Respondem que n\u00e3o ou que sim, e ambos mudam! O que disse que n\u00e3o, de facto, vai HOJE fazer a vontade do PAI; o que disse que sim, ficou apenas em palavras, apenas mudando o sim em n\u00e3o.<\/p>\n<p>Os interpelados por Jesus (chefes dos sacerdotes e anci\u00e3os), os que s\u00f3 dizem, dizem, dizem, t\u00eam de reconhecer que n\u00e3o \u00e9 o que se DIZ, mas o que se FAZ, o que verdadeiramente conta. E ainda t\u00eam de reconhecer que Jo\u00e3o Batista bem que os tinha chamado \u00e0 convers\u00e3o (mudan\u00e7a de vida e atitude) para fazerem frutos de justi\u00e7a (Mateus 3,8; 21,32) e obedecerem ao des\u00edgnio de Deus, mas nem por isso lhe deram qualquer aten\u00e7\u00e3o (Mateus 21,32). Entenda-se: o que fez Jo\u00e3o Batista \u00e9 o que Jesus faz agora, e t\u00e3o-pouco lhe prestam aten\u00e7\u00e3o, convertendo-se ou mudando de vida e de atitudes.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que s\u00e3o chamados a fazer contraponto os publicanos e as prostitutas. Estes ouviram Jo\u00e3o e ouvem agora Jesus, e est\u00e3o a mudar a sua vida (Mateus 21,31-32)! Note-se sempre que nem isto podemos desmentir, pois o Autor destas p\u00e1ginas deslumbrantes que estamos a folhear, Mateus, era um publicano. E mudou tanto, que agora \u00e9 um Ap\u00f3stolo e Evangelista! E n\u00f3s?<\/p>\n<p>Ezequiel levanta a sua voz para nos dizer que o pecador salvar\u00e1 a sua vida se abrir os olhos do cora\u00e7\u00e3o e se afastar do mal, e come\u00e7ar a trilhar os caminhos do direito e da justi\u00e7a (Ezequiel 18,25-28). Portanto, est\u00e1 sempre aberta a porta que conduz \u00e0 vida. N\u00e3o, por\u00e9m, \u00e0 custa de Deus, querendo fazer vingar os nossos direitos sobre Ele, para que Ele d\u00ea raz\u00e3o aos nossos caprichos, mas dando-lhe o lugar que sempre lhe compete, o primeiro, e convertendo-nos n\u00f3s aos seus des\u00edgnios, isto \u00e9, respondendo-lhe nos passos concretos e quotidianos da nossa vida dele por gra\u00e7a recebida.<\/p>\n<ol>\n<li>Paulo coloca diante de n\u00f3s, para imitar, o exemplo de Jesus Cristo, que desceu ao nosso n\u00edvel, para nos servir com do\u00e7ura e humildade (Filipenses 2,1-11). \u00c9 nele e dele, desde a fundura das entranhas das miseric\u00f3rdias e a transbordar de amor, que devemos viver, unidos e n\u00e3o desavindos, na comunh\u00e3o do Esp\u00edrito que opera uni\u00e3o e n\u00e3o divis\u00e3o. V\u00ea-se nascer assim, n\u00e3o obstante os problemas, uma comunidade n\u00e3o autorreferencial em que cada um estar\u00e1 mais atento aos outros do que a si pr\u00f3prio.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Os acordes do Salmo 25, que hoje cantamos, trazem \u00e0 tona os rumos e os caminhos de Deus, que s\u00e3o sempre bondade, verdade, ternura e miseric\u00f3rdia \u2013 caminhos intransitivos, entenda-se \u2013, que se v\u00e3o insinuando mansamente dentro de n\u00f3s, mais ou menos como deixou escrito, no seu Di\u00e1rio, com data de 23 de janeiro de 1948, o grande escritor franc\u00eas George Bernanos: \u00abQue do\u00e7ura pensar que, embora ofendendo-o, n\u00e3o deixamos de desejar, desde o mais profundo santu\u00e1rio da alma, aquilo que Ele deseja\u00bb.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Leitura-I-do-Domingo-XXVI-do-Tempo-Comum-Ano-A-01.10.2023-Ez-18-25-28.pdf\">Leitura I do Domingo XXVI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 01.10.2023 (Ez 18, 25-28)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Leitura-II-do-Domingo-XXVI-do-Tempo-Comum-Ano-A-01.10.2023-Filip-2-1-11.pdf\">Leitura II do Domingo XXVI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 01.10.2023 (Filip 2, 1-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Domingo-XXVI-do-Tempo-Comum-Ano-A-01.10.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XXVI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 01.10.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Domingo-XXVI-do-Tempo-Comum-Ano-A-01.10.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXVI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 01.10.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Algumas-palavras-antes-do-Apocalipse-Excerto-e-indice.pdf\">Algumas palavras antes do Apocalipse &#8211; Excerto e \u00edndice<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXV do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 24.09.2023&#8243; tab_id=&#8221;1641804522664-78e865c1-3f74&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XXV do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 24.09.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Domingo-XXV.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"466\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Reino dos C\u00e9us que ocupa o centro do an\u00fancio e da prega\u00e7\u00e3o de Jesus desconcerta a nossa l\u00f3gia humana de retribui\u00e7\u00e3o e presta\u00e7\u00e3o e abre-nos \u00e0 nova l\u00f3gica da rela\u00e7\u00e3o, da gratuidade e da comunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>O reino dos C\u00e9us pode comparar-se a um propriet\u00e1rio, que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha<\/em>\u00bb. Mas este propriet\u00e1rio n\u00e3o se limita a convocar para o trabalho na hora mais matutina, tamb\u00e9m \u00ab<em>saiu a meia-manh\u00e3<\/em>\u00bb, \u00ab<em>voltou a sair, por volta do meio-dia e pelas tr\u00eas horas da tarde<\/em>\u00bb e \u00ab<em>saindo ao cair da tarde\u2026<\/em>\u00bb. O Reino dos C\u00e9us \u00e9 uma realidade din\u00e2mica, lugar permanente de sa\u00edda, lugar constante de procura para que ningu\u00e9m permane\u00e7a esquecido ou na ociosidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 belo pensar que somos filhos de um Deus que n\u00e3o se fecha na sua imutabilidade, mas sai permanentemente \u00e0 nossa procura e veio de modo concreto, pleno e definitivo em Seu Filho Jesus Cristo que enviou como Salvador e Redentor. Em Jesus Cristo, Deus procura-nos e vem ao nosso encontro para nos oferecer um horizonte de sentido na exigente jornada da nossa vida. O pior que poderia acontecer a algu\u00e9m seria atravessar o arco da sua exist\u00eancia com a sensa\u00e7\u00e3o de nunca ter encontrado um sentido para a sua vida, uma raz\u00e3o pela qual valha a pena lutar e caminhar os trilhos da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso Deus \u00e9 um \u201c<em>Deus em sa\u00edda<\/em>\u201d, que nos convoca para a miss\u00e3o de sermos tamb\u00e9m n\u00f3s Igreja em Sa\u00edda, homens e mulheres que vencem a tenta\u00e7\u00e3o do comodismo e da ociosidade para que no mundo ningu\u00e9m possa sentir que a sua vida \u00e9 irrelevante ou desprovida de sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada um de n\u00f3s \u00e9 portador de uma hist\u00f3ria \u00fanica e irrepet\u00edvel e encontra este \u201c<em>Deus em sa\u00edda<\/em>\u201d num momento concreto da sua exist\u00eancia. Temos de colocar de parte toda e qualquer retribui\u00e7\u00e3o equitativa pelos m\u00e9ritos adquiridos contabilisticamente, pois mesmo quando parece que encontramos Deus na hora tardia da nossa exist\u00eancia, a boa not\u00edcia do Evangelho recorda-nos que no Seu infinito amor Deus recompensa o oper\u00e1rio da \u00faltima hora do mesmo modo que o da primeira. Apesar da aparente injusti\u00e7a destas palavras e da m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o de quem paga do mesmo modo a quem trabalha muitas horas ou poucas, esta boa not\u00edcia n\u00e3o \u00e9 injusti\u00e7a nem laxismo. Segundo a l\u00f3gica do Evangelho \u00e9 a certeza de que, aos olhos de Deus, cada oper\u00e1rio, cada homem e cada mulher, valem muito mais do que qualquer outra coisa e n\u00e3o podem encerrar-se na l\u00f3gica de mercado que n\u00e3o conhece atrasos nem descontos. Para Deus, n\u00f3s n\u00e3o somos n\u00fameros, mas pessoas, homens e mulheres profundamente amados, pelos quais vale a pena oferecer tudo, em todo o tempo e lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este texto do Evangelho exprime muito bem o primado da miseric\u00f3rdia e da gra\u00e7a, que nos interpela para percebermos o que de verdade est\u00e1 no centro da nossa vida:\u00a0<em>a rela\u00e7\u00e3o livre e gratuita ou a presta\u00e7\u00e3o<\/em>? Se concebemos a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus na l\u00f3gica contabil\u00edstica da presta\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o a nossa vida ser\u00e1 sempre medida numa l\u00f3gica retributiva e de competi\u00e7\u00e3o. Contudo, se, pelo contr\u00e1rio, a nossa vida se constr\u00f3i numa l\u00f3gica de rela\u00e7\u00e3o \u00edntima e pessoal com um Deus que \u00e9 amor, miseric\u00f3rdia e gratuidade, a nossa vida ganhar\u00e1 um sentido absolutamente novo e h\u00e1 de construir-se numa nova l\u00f3gica de ser e de estar que se traduz num modo novo de servir e amar. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dia 24 de setembro de 2023, Domingo XXV do Tempo Comum, \u00e9 o 109\u00ba Dia Mundial do Migrante e do Refugiado. Para este dia o Papa Francisco rescreveu uma mensagem (ver anexo) intitulada <strong><em>\u201cLivres de escolher se migrar ou ficar\u201d. <\/em><\/strong>Como afirma o Papa Francisco \u201c<em>O percurso sinodal, que empreendemos como Igreja, leva-nos a ver, nas pessoas mais vulner\u00e1veis \u2013 e entre elas contam-se muitos migrantes e refugiados -, companheiros de viagem especiais, que havemos de amar e cuidar como irm\u00e3os e irm\u00e3s. S\u00f3 caminhando juntos, poderemos ir longe e alcan\u00e7ar a meta comum da nossa viagem\u201d.<\/em> Cada comunidade crist\u00e3 \u00e9 chamada a viver este dia como lugar para cultivar o acolhimento e hospitalidade e para sensibilizar cada batizado para a situa\u00e7\u00e3o de tantos migrantes e refugiados.<strong><em> in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Is 55,6-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abProcurai o Senhor, enquanto se pode encontrar, invocai-O, enquanto est\u00e1 perto\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Deutero-Isa\u00edas, autor deste texto, \u00e9 um profeta an\u00f3nimo da escola de Isa\u00edas, que cumpriu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica entre os exilados da Babil\u00f3nia, procurando consolar e manter acesa a esperan\u00e7a no meio de um povo amargurado, desiludido e dececionado. Os cap\u00edtulos que recolhem a sua mensagem (Is 40-55) chamam-se, por isso, &#8220;Livro da Consola\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes quatro vers\u00edculos que a primeira leitura de hoje nos prop\u00f5e aparecem no final do &#8220;Livro da Consola\u00e7\u00e3o&#8221;. Aproxima-se a liberta\u00e7\u00e3o e, para muitos exilados, est\u00e1 perto o momento do regresso \u00e0 Terra Prometida. Depois de exortar os exilados a cumprir um novo \u00eaxodo e de lhes garantir que, em Jud\u00e1, v\u00e3o sentar-se \u00e0 mesa do banquete que Jahw\u00e9h quer oferecer ao seu Povo (cf. Is 55,1-3), o profeta lan\u00e7a-lhes agora um outro repto&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo do Ex\u00edlio foi um tempo de ang\u00fastia e de sofrimento, mas tamb\u00e9m um tempo de amadurecimento e de gra\u00e7a. A\u00ed, Israel tomou consci\u00eancia das suas falhas e infidelidades, e descobriu que o viver longe de Deus n\u00e3o conduz \u00e0 vida e \u00e0 felicidade; por outro lado, o tempo de Ex\u00edlio ajudou Israel a purificar a sua no\u00e7\u00e3o de Deus, da Alian\u00e7a, do culto e at\u00e9 do significado de ser Povo de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Deutero-Isa\u00edas &#8211; neste momento em que se abrem novos horizontes &#8211; convida os seus concidad\u00e3os a percorrerem esse caminho de convers\u00e3o e de redescoberta de Deus que a experi\u00eancia do Ex\u00edlio lhes revelou. O Povo est\u00e1 prestes a p\u00f4r-se a caminho em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra Prometida; esse &#8220;caminho&#8221; n\u00e3o \u00e9 uma simples desloca\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica mas \u00e9, sobretudo, um &#8220;caminho&#8221; espiritual de reencontro com o Senhor. Deixar a terra da escravid\u00e3o e voltar \u00e0 terra da liberdade deve significar, para Israel, uma redescoberta dos esquemas de Deus e um esfor\u00e7o s\u00e9rio para viver na fidelidade din\u00e2mica aos mandamentos de Jahw\u00e9h. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de mais, o nosso texto apela \u00e0 convers\u00e3o. O &#8220;voltar para Deus&#8221; (como diz o Deutero-Isa\u00edas) significa, neste contexto, reequacionar a vida, de modo que Deus passe a estar no centro da exist\u00eancia do homem.<br \/>\n\u00c9 infletir o sentido da exist\u00eancia, de forma que Deus (e n\u00e3o o dinheiro, o poder, o sucesso, os amigos, a fam\u00edlia) ocupe sempre, na vida do homem, o primeiro lugar. A cultura p\u00f3s-moderna prescindiu de Deus&#8230; Considerou que o homem \u00e9 o \u00fanico senhor do seu destino e que cada pessoa tem o direito de construir a sua felicidade \u00e0 margem de Deus e dos seus valores; considerou que os valores de Deus n\u00e3o permitem ao homem potencializar as suas capacidades e ser verdadeiramente livre e feliz&#8230; Na verdade, o que \u00e9 que nos faz passar da terra da escravid\u00e3o para a terra da liberdade: o amor, a partilha, o servi\u00e7o, o dom da vida, ou o ego\u00edsmo, o orgulho, a arrog\u00e2ncia, a autossufici\u00eancia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, o homem s\u00f3 poder\u00e1 converter-se a Deus e abra\u00e7ar os seus esquemas e valores, se se mantiver em comunh\u00e3o com Ele. \u00c9 na escuta e na reflex\u00e3o da Palavra de Deus, na ora\u00e7\u00e3o frequente, na atitude de disponibilidade para acolher a vida de Deus, na entrega confiada nas m\u00e3os de Deus, que o crente descobrir\u00e1 os valores de Deus e os assumir\u00e1. Aos poucos, a a\u00e7\u00e3o de Deus ir\u00e1 transformando a mentalidade desse crente, de forma que ele viva e testemunhe Deus e as suas propostas para os homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A convers\u00e3o \u00e9 um processo nunca acabado. Todos os dias o crente ter\u00e1 de optar entre os valores de Deus e os valores do mundo, entre conduzir a sua vida de acordo com a l\u00f3gica de Deus ou de acordo com a l\u00f3gica dos homens. Por isso, o verdadeiro crente nunca cruza os bra\u00e7os, instalado em certezas definitivas ou em conquistas absolutas, mas esfor\u00e7a-se por viver cada instante em fidelidade din\u00e2mica a Deus e \u00e0s suas propostas.<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Finalmente, o nosso texto sugere uma reflex\u00e3o sobre a imagem que temos de Deus. N\u00e3o podemos construir e testemunhar diante dos outros homens um Deus \u00e0 nossa imagem, que funcione de acordo com os nossos esquemas mentais e que assuma comportamentos parecidos com os nossos. Temos de descobrir, no di\u00e1logo pessoal com Ele, esse Deus que nos transcende infinitamente. Sem preconceitos, sem certezas, temos de mergulhar no infinito de Deus, e deixarmo-nos surpreender pela sua l\u00f3gica, pela sua bondade, pelo seu amor. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a0144 (145)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> O Senhor est\u00e1 perto de quantos O invocam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Filip 1, 20c-24.27<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abProcurai somente viver de maneira digna do Evangelho de Cristo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Filipos, cidade situada ao norte da Gr\u00e9cia, foi a primeira cidade europeia evangelizada por Paulo. Era uma cidade pr\u00f3spera, com uma popula\u00e7\u00e3o constitu\u00edda maioritariamente por veteranos romanos do ex\u00e9rcito. Organizada \u00e0 maneira de Roma, estava fora da jurisdi\u00e7\u00e3o dos governantes das prov\u00edncias locais e dependia diretamente do imperador. Gozava, por isso, dos mesmos privil\u00e9gios das cidades de It\u00e1lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3, fundada por Paulo, Silas e Tim\u00f3teo no Ver\u00e3o do ano 49, era uma comunidade entusiasta, generosa e comprometida, sempre atenta \u00e0s necessidades de Paulo e do resto da Igreja (como no caso da coleta em favor da Igreja de Jerusal\u00e9m &#8211; cf. 2 Cor 8,1-5). Paulo nutria pelos &#8220;filhos&#8221; de Filipos um afeto especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando escreve aos Filipenses, Paulo est\u00e1 na pris\u00e3o (em \u00c9feso?). Dos Filipenses recebeu dinheiro e o envio de Epafrodito (um membro da comunidade), encarregado de ajudar Paulo em tudo o que fosse necess\u00e1rio. Enviando Epafrodito de volta a Filipos, Paulo confia-lhe uma carta para a comunidade. \u00c9 uma carta afetuosa, onde Paulo agradece aos Filipenses a sua preocupa\u00e7\u00e3o, a sua solicitude e o seu amor. Nela, Paulo agradece, d\u00e1 not\u00edcias, informa a comunidade sobre a sua pr\u00f3pria sorte e exorta os Filipenses \u00e0 fidelidade ao Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 hoje proposto faz parte de uma per\u00edcope (cf. Flp 1,12-26), na qual Paulo fala aos Filipenses de si pr\u00f3prio, da sua situa\u00e7\u00e3o, das suas preocupa\u00e7\u00f5es e esperan\u00e7as. Paulo est\u00e1 consciente de que corre riscos de vida; mas est\u00e1 sereno, alegre e confiante porque a \u00fanica coisa que lhe interessa \u00e9 Cristo e o seu Evangelho. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode ter em conta as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos elementos que mais impressionam e questionam neste testemunho \u00e9 a centralidade de Cristo na vida de Paulo. Diante de Cristo, todos os interesses pessoais e materiais do ap\u00f3stolo passam a um plano absolutamente secund\u00e1rio. O ap\u00f3stolo vive de Cristo e para Cristo; nada mais lhe interessa. Paulo aparece, neste aspeto, como o perfeito modelo do crist\u00e3o: para os batizados, Cristo deveria ser o centro de todas as refer\u00eancias e interesses, a &#8220;pedra angular&#8221; \u00e0 volta da qual se constr\u00f3i a exist\u00eancia crist\u00e3. Que significa Cris<br \/>\nto para mim? Ele \u00e9 a refer\u00eancia fundamental \u00e0 volta da qual tudo se articula, ou \u00e9 apenas mais um entre muitos interesses a partir dos quais eu vou construindo a minha vida? Quando tenho de optar, para que lado cai a minha escolha: para o lado de Cristo, ou para o lado dos meus interesses pessoais?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mesma quest\u00e3o &#8211; a quest\u00e3o da centralidade de Cristo &#8211; pode colocar-se a prop\u00f3sito do testemunho que a Igreja oferece aos homens e ao mundo&#8230; \u00c9 mais importante falar de Cristo e do seu Evangelho do que dos artigos do C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico; \u00e9 mais importante testemunhar Cristo e os seus valores do que discutir a estrutura hier\u00e1rquica da Igreja; \u00e9 mais importante anunciar Cristo e a sua proposta de Reino do que debater quest\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o e de disciplina&#8230; Cristo est\u00e1, verdadeiramente, no centro desse an\u00fancio que somos convidados a fazer aos homens do nosso tempo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste texto, impressiona tamb\u00e9m a liberdade total de Paulo face \u00e0 morte. Essa liberdade resulta do facto de a f\u00e9 que anima o ap\u00f3stolo lhe permitir encarar a morte, n\u00e3o como o mais terr\u00edvel e assustador de todos os males, mas como a possibilidade do encontro definitivo e pleno com Cristo. Dessa forma, Paulo pode entregar-se tranquilamente ao exerc\u00edcio do seu minist\u00e9rio, sem deixar que o medo trave o seu empenho e o seu testemunho. Tamb\u00e9m aqui a atitude de Paulo interpela e questiona os crentes&#8230; Para um crist\u00e3o, a morte \u00e9 o momento da realiza\u00e7\u00e3o plena, do encontro com a vida definitiva. N\u00e3o \u00e9 um drama sem sentido, sem rem\u00e9dio e sem esperan\u00e7a. Para um crist\u00e3o, n\u00e3o faz sentido que o medo da persegui\u00e7\u00e3o ou da morte impe\u00e7a o compromisso com os valores de Deus e com o compromisso prof\u00e9tico diante do mundo. <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 20,1-16a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO reino dos C\u00e9us pode comparar-se a um propriet\u00e1rio, que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abIde v\u00f3s tamb\u00e9m para a minha vinha, e dar-vos-ei o que for justo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abOs \u00faltimos ser\u00e3o os primeiros e os primeiros ser\u00e3o os \u00faltimos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto que nos \u00e9 proposto, Jesus continua a instruir os disc\u00edpulos, a fim de que eles compreendam a realidade do Reino e, ap\u00f3s a partida de Jesus, a testemunhem. Trata-se de mais uma &#8220;par\u00e1bola do Reino&#8221;.<br \/>\nO quadro que a par\u00e1bola nos apresenta reflete bastante bem a realidade social e econ\u00f3mica dos tempos de Jesus. A Galileia estava cheia de camponeses que, por causa da press\u00e3o fiscal ou de anos cont\u00ednuos de m\u00e1s colheitas, tinham perdido as terras que pertenciam \u00e0 sua fam\u00edlia. Para sobreviver, esses camponeses sem terra alugavam a sua for\u00e7a de trabalho. Juntavam-se na pra\u00e7a da cidade e esperavam que os grandes latifundi\u00e1rios os contratassem para trabalhar nos seus campos ou nas suas vinhas. Normalmente, cada &#8220;patr\u00e3o&#8221; tinha os seus &#8220;clientes&#8221; &#8211; isto \u00e9, homens em quem ele confiava e a quem contratava regularmente. Naturalmente, esses trabalhadores &#8220;de confian\u00e7a&#8221; recebiam um tratamento de favor. Esse tratamento de favor implicava, nomeadamente, que esses &#8220;clientes&#8221; fossem sempre os primeiros a ser contratados, a fim de que pudessem ganhar uma &#8220;jorna&#8221; completa (um &#8220;den\u00e1rio&#8221;, que era o pagamento di\u00e1rio habitual de um trabalhador n\u00e3o especializado). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, considerar as seguintes linhas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de mais, o nosso texto deixa claro que o Reino de Deus (esse mundo novo de salva\u00e7\u00e3o e de vida plena) \u00e9 para todos sem exce\u00e7\u00e3o. Para Deus n\u00e3o h\u00e1 marginalizados, exclu\u00eddos, indignos, desclassificados&#8230; Para Deus, h\u00e1 homens e mulheres &#8211; todos seus filhos, independentemente da cor da pele, da nacionalidade, da classe social &#8211; a quem Ele ama, a quem Ele quer oferecer a salva\u00e7\u00e3o e a quem Ele convida para trabalhar na sua vinha. A \u00fanica coisa verdadeiramente decisiva \u00e9 se os interpelados aceitam ou n\u00e3o trabalhar na vinha de Deus. Fazer parte da Igreja de Jesus \u00e9 fazer uma experi\u00eancia radical de comunh\u00e3o universal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos t\u00eam lugar na Igreja de Jesus&#8230; Mas todos ter\u00e3o a mesma dignidade e import\u00e2ncia? Jesus garante que sim. N\u00e3o h\u00e1 trabalhadores mais importantes do que os outros, n\u00e3o h\u00e1 trabalhadores de primeira e de segunda classe. O que h\u00e1 \u00e9 homens e mulheres que aceitaram o convite do Senhor &#8211; tarde ou cedo, n\u00e3o interessa &#8211; e foram trabalhar para a sua vinha. Dentro desta l\u00f3gica, que sentido \u00e9 que fazem certas atitudes de quem se sente dono da comunidade porque &#8220;estou aqui h\u00e1 mais tempo do que os outros&#8221;, ou porque &#8220;tenho contribu\u00eddo para a comunidade mais do que os outros&#8221;? Na comunidade de Jesus, a idade, o tempo de servi\u00e7o, a cor da pele, a posi\u00e7\u00e3o social, a posi\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica, n\u00e3o servem para fundamentar qualquer tipo de privil\u00e9gios ou qualquer superioridade sobre os outros irm\u00e3os. Embora com fun\u00e7\u00f5es diversas, todos s\u00e3o iguais em dignidade e todos devem ser acolhidos, amados e considerados de igual forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto denuncia ainda essa conce\u00e7\u00e3o de Deus como um &#8220;negociante&#8221;, que contabiliza os cr\u00e9ditos dos homens e lhes paga em consequ\u00eancia. Deus n\u00e3o faz neg\u00f3cio com os homens: Ele n\u00e3o precisa da mercadoria que temos para Lhe oferecer. O Deus que Jesus anuncia \u00e9 o Pai que quer ver os seus filhos livres e felizes e que, por isso, derrama o seu amor, de forma gratuita e incondicional, sobre todos eles. Sendo assim que sentido fazem certas express\u00f5es da viv\u00eancia religiosa que s\u00e3o aut\u00eanticas negociatas com Deus (&#8220;se tu me fizeres isto, prometo-te aquilo&#8221;; &#8220;se tu me deres isto, pago-te com aquilo&#8221;)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entender que Deus n\u00e3o \u00e9 um negociante, mas um Pai cheio de amor pelos seus filhos, significa tamb\u00e9m renunciar a uma l\u00f3gica interesseira no nosso relacionamento com ele. O crist\u00e3o n\u00e3o faz as coisas por interesse, ou de olhos postos numa recompensa (o c\u00e9u, a &#8220;sorte&#8221; na vida, a elimina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, o adivinhar a chave da lotaria), mas porque est\u00e1 convicto de que esse comportamento que Deus lhe prop\u00f5e \u00e9 o caminho para a verdadeira vida. Quem segue o caminho certo, \u00e9 feliz, encontra a paz e a serenidade e colhe, logo a\u00ed, a sua recompensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com alguma frequ\u00eancia encontramos crist\u00e3os que n\u00e3o entendem porque \u00e9 que Deus ama e aceita na sua fam\u00edlia, em p\u00e9 de igualdade com os filhos da primeira hora, esses que s\u00f3 tardiamente responderam ao apelo do Reino. Sentem-se injusti\u00e7ados, incompreendidos, ciumentos, invejosos e condenam, mais ou menos veladamente, essa l\u00f3gica de miseric\u00f3rdia que, \u00e0 luz dos crit\u00e9rios humanos, lhes parece muito injusta. Na sua perspetiva, a fidelidade a Deus e aos seus mandamentos merece uma recompensa e esta deve ser tanto maior quanto maior a antiguidade e a qualidade dos &#8220;servi\u00e7os&#8221; prestados a Deus. Que sentido faz esta l\u00f3gica \u00e0 luz dos ensinamentos de Jesus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> abre com dois verbos no modo imperativo: \u00ab<em>procurai<\/em>\u00bb e \u00ab<em>invocai-O<\/em>\u00bb que marcam logo desde o in\u00edcio o tom exortativo que deve marcar a proclama\u00e7\u00e3o deste texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> requer uma acurada prepara\u00e7\u00e3o nas pausas e respira\u00e7\u00f5es, para uma correta proclama\u00e7\u00e3o do texto. Deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o a segunda frase do texto que inicia com uma conjun\u00e7\u00e3o subordinativa causal \u2013 \u00ab<em>porque<\/em>\u00bb \u2013 e a seguinte que inicia com a conjun\u00e7\u00e3o adversativa, \u00ab<em>mas<\/em>\u00bb. As conjun\u00e7\u00f5es, juntamente com as formas verbais marcam o tom e ritmo do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/09\/19\/em-apenas-uma-hora-se-pode-ganhar-ou-perder-o-dia-inteiro\/\"><strong>EM APENAS UMA HORA SE PODE GANHAR OU PERDER O DIA\u00a0INTEIRO!<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Evangelho deste <strong>Domingo XXV do Tempo Comum (Mateus 20,1-16),<\/strong> Deus conta aos seus filhos mais uma hist\u00f3ria verdadeira. A pra\u00e7a est\u00e1 sempre cheia de gente simplesmente ali parada, ou \u00e0 espera de uma oportunidade para ganhar o dia. Rapidamente vem para primeiro plano o dono de uma vinha, preocupado em arranjar trabalhadores para a sua vinha. E \u00e9 assim que se diz do dono da vinha que SAI \u00e0s 06h00 da manh\u00e3 para a pra\u00e7a e contrata logo trabalhadores para cultivar a sua vinha. Acerta com eles que lhes pagar\u00e1 um den\u00e1rio, que era, na altura e naquele peda\u00e7o de mundo, o sal\u00e1rio normal de um dia de trabalho. O dono da vinha SAI outra vez \u00e0s 09h00 da manh\u00e3, e, encontrando mais gente desocupada na pra\u00e7a, envia-os tamb\u00e9m para a sua vinha, garantindo que lhes pagar\u00e1 o que for justo. Volta a SAIR \u00e0s 12h00, \u00e0s 15h00 e \u00e0s 17h00, encontra sempre gente desocupada, e a todos vai enviando para a sua vinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imp\u00f5e-se que anotemos um primeiro indicador: o dono da vinha SAI por cinco vezes \u00e0 PROCURA de n\u00f3s. Encontra-nos a toda a hora, e a toda a hora nos envia para a sua vinha. \u00c9 dele toda a iniciativa e a iniciativa toda. Ele \u00e9 iniciativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s 18h00, o dono da vinha ordena ao seu capataz que pague o sal\u00e1rio (um den\u00e1rio) aos trabalhadores, com uma estranha condi\u00e7\u00e3o: a come\u00e7ar pelos \u00faltimos! O capataz pagou a cada um um den\u00e1rio, que era o sal\u00e1rio habitual de um dia de trabalho. Tamb\u00e9m esta \u00e9 uma bela iniciativa do dono da vinha. At\u00e9 aqui tudo bem: todos os que aqui estamos, estamos todos depois e por causa da iniciativa de Deus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos tamb\u00e9m, todavia, de prestar aten\u00e7\u00e3o ao que fazemos, quando somos n\u00f3s a tomar a iniciativa. O texto n\u00e3o se demora a descrever o trabalho que fazemos, e t\u00e3o-pouco diz se trabalh\u00e1mos, ou se fomos pregui\u00e7osos, durante o tempo, muito ou pouco, que estivemos na vinha. Mas diz que somos mesquinhos, invejosos e ciumentos, quando reparamos que o dono da vinha nos trata a todos por igual, os da \u00faltima hora iguais aos da primeira hora. Literalmente, quando se referem ao procedimento do dono da vinha para com os \u00faltimos, da boca dos primeiros, ouvimos o seguinte: \u00abfizeste-os iguais a n\u00f3s\u00bb (v. 12). O texto desvenda o nosso instinto de grandeza e superioridade, e a dificuldade que sentimos em aceitar-nos e abra\u00e7ar-nos como irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor de Deus, esse sim, est\u00e1 l\u00e1, bem retratado, em todas as iniciativas do dono da vinha: SAI a toda a hora \u00e0 nossa PROCURA. Quer-nos a todos por igual. Enche as nossas m\u00e3os com os seus dons. Mas n\u00f3s ficamos t\u00e3o mal na fotografia ou na radiografia, que mostra bem as invejas e ci\u00fames, que minam o nosso cora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o nos deixam ser irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquela \u00faltima hora \u00e9 a hora da gra\u00e7a. \u00c9 a nossa hora de filhos de Deus. Mas \u00e9 tamb\u00e9m a hora em que podemos ser aceites ou rejeitados como irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compreendamos bem: em apenas uma hora se pode ganhar ou perder o dia inteiro, a vida inteira!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A li\u00e7\u00e3o do Antigo Testamento que hoje, por gra\u00e7a, nos \u00e9 dado escutar (Isa\u00edas 55,6-9), serve maravilhosamente de fundo ao Evangelho deste Dia. Apresenta-nos um Deus bom, que \u00abse deixa encontrar\u00bb (Isa\u00edas 55,6), e que \u00e9 \u00abrico em perd\u00e3o\u00bb (Isa\u00edas 55,7), e nos p\u00f5e a caminho, pois, diz Deus: \u00abOs meus pensamentos n\u00e3o s\u00e3o os vossos pensamentos, \/ os vossos caminhos n\u00e3o s\u00e3o os meus caminhos\u00bb (Isa\u00edas 55,8). V\u00ea-se bem que esta \u00faltima p\u00e1gina do caderno do chamado \u00abSegundo Isa\u00edas\u00bb, na verdade um profeta e m\u00edstico do tempo do ex\u00edlio (s\u00e9culo VI a. C.), foi escolhida para fazer coro com a personagem central do Evangelho de hoje, que v\u00ea as coisas de forma muito diferente de n\u00f3s, muito melhor do que n\u00f3s.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"24\">\n<li>Paulo, o Ap\u00f3stolo de Jesus Cristo, escreve \u00e0 sua comunidade dileta de Filipos, e, no extrato de hoje (Filipenses 1,20-24.27), l\u00ea-se a si mesmo, dizendo: \u00abPara mim viver \u00e9 Cristo\u00bb (Filipenses 1,21) e o resto \u00e9 lixo (Filipenses 3,8). E desafia-nos a todos a viver de maneira digna do Evangelho de Cristo, que n\u00e3o consiste em nenhuma forma de instala\u00e7\u00e3o, mas em \u00ablutar juntos (<em>synathl\u00e9\u00f4<\/em>) pela f\u00e9 do Evangelho\u00bb (Filipenses 1,27), verdadeiros atletas da f\u00e9 do Evangelho.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fica bem hoje cantar com alegria renovada o grande hino alfab\u00e9tico que \u00e9 o Salmo 145, at\u00e9 que vibrem as cordas do nosso cora\u00e7\u00e3o. Or\u00edgenes classificava este Salmo como \u00abo supremo c\u00e2ntico de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as\u00bb, e Agostinho viu-o como \u00aba ora\u00e7\u00e3o perfeita de Cristo, uma ora\u00e7\u00e3o para todas as circunst\u00e2ncias e acontecimentos da vida\u00bb. E enquanto saboreamos as imensas riquezas que nos v\u00eam de Deus: a sua presen\u00e7a ao nosso lado, os seus caminhos novos e belos, cheios de gra\u00e7a, miseric\u00f3rdia, amor e bondade, usando, para o efeito, toda a gama de sabores e todas as letras do alfabeto, continuemos a cantar a vinda de Deus at\u00e9 n\u00f3s e a sua insuper\u00e1vel proximidade: \u00abO Senhor est\u00e1 pr\u00f3ximo de quantos o invocam\u00bb (Salmo 145,18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Leitura-I-do-Domingo-XXV-do-Tempo-Comum-Ano-A-24.09.2023-Is-55-6-9.pdf\">Leitura I do Domingo XXV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 24.09.2023 (Is 55, 6-9)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Leitura-II-do-Domingo-XXV-do-Tempo-Comum-Ano-A-24.09.2023-Filip-1-20c-24.27a.pdf\">Leitura II do Domingo XXV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 24.09.2023 (Filip 1, 20c-24.27a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Domingo-XXV-do-Tempo-Comum-Ano-A-24.09.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XXV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 24.09.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Domingo-XXV-do-Tempo-Comum-Ano-A-24.09.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 24.09.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/MENSAGEM-DO-PAPA-FRANCISCO-para-o-109o-Dia-Mundial-do-Migrante-e-do-Refugiado-2023.pdf\">MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO para o 109\u00ba Dia Mundial do Migrante e do Refugiado &#8211; 2023<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXIV do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 17.09.2023&#8243; tab_id=&#8221;1695632460879-33501a56-8010&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XXIV do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 17.09.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/XXIV.jpg\" alt=\"\" width=\"683\" height=\"384\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celebramos hoje o Domingo XXIV do Tempo Comum. J\u00e1 estamos bem dentro do IV discurso de Mateus. Continuamos a ouvir o discurso eclesiol\u00f3gico. A Palavra de Deus que a liturgia deste Domingo nos prop\u00f5e fala do perd\u00e3o. Apresenta-nos um Deus que ama sem c\u00e1lculos, sem limites e sem medida; e convida-nos a assumir uma atitude semelhante para com os irm\u00e3os que, dia a dia, caminham ao nosso lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mandamento do perd\u00e3o n\u00e3o \u00e9 novo &#8211; como vimos, ali\u00e1s, na primeira leitura. Os catequistas de Israel ensinavam a perdoar as ofensas e a n\u00e3o guardar rancor contra o irm\u00e3o que tinha cometido qualquer falha. Os &#8220;mestres&#8221; de Israel estavam, no entanto, de acordo em que a obriga\u00e7\u00e3o de perdoar existia apenas em rela\u00e7\u00e3o aos membros do Povo de Deus (os inimigos estavam exclu\u00eddos dessa din\u00e2mica de amor e de miseric\u00f3rdia). A grande discuss\u00e3o girava, por\u00e9m, \u00e0 volta do n\u00famero limite de vezes em que se devia perdoar. Todos &#8211; desde os mais exigentes aos mais misericordiosos &#8211; aceitavam, contudo, que o perd\u00e3o tem limites e que n\u00e3o se deve perdoar indefinidamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nesta problem\u00e1tica que Jesus \u00e9 envolvido pelos disc\u00edpulos. Pedro, o porta-voz da comunidade, consulta Jesus acerca dos limites do perd\u00e3o. Ele sabe que, quanto a isto, Jesus tem ideias radicais e, talvez com alguma ironia, pergunta a Jesus se, na sua perspetiva, se deve perdoar sempre (&#8220;at\u00e9 sete vezes?&#8221; &#8211; vers. 21: o n\u00famero sete, na cultura semita, indica &#8220;totalidade&#8221;).Jesus responde que n\u00e3o s\u00f3 se deve perdoar sempre, mas de forma ilimitada, total, absoluta (&#8220;setenta vezes sete&#8221; &#8211; vers. 22). Deve-se perdoar sempre, a toda a gente (mesmo aos inimigos) e sem qualquer reserva, sombra ou preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste contexto e a prop\u00f3sito da l\u00f3gica do perd\u00e3o que Jesus prop\u00f5e aos disc\u00edpulos uma par\u00e1bola (vers. 23-35). A par\u00e1bola apresenta-se em tr\u00eas quadros ou cenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro quadro (vers. 23-27) coloca-nos diante de uma cena de corte: um funcion\u00e1rio real, na hora de prestar contas ao seu senhor (provavelmente de impostos recebidos e nunca entregues), revela-se incapaz de saldar a sua d\u00edvida. O senhor ordena que o funcion\u00e1rio e a sua fam\u00edlia sejam vendidos como escravos; mas, perante a humildade e a submiss\u00e3o do servo, o senhor deixa-se dominar por sentimentos de miseric\u00f3rdia e perdoa a d\u00edvida. Neste quadro, o que impressiona mais \u00e9 o montante astron\u00f3mico da d\u00edvida: dez mil talentos (um talento equivalia a cerca de 36 Kg e podia ser em ouro ou em prata. Dez mil talentos \u00e9, portanto, uma soma incalcul\u00e1vel). O exagero da d\u00edvida serve, aqui, para p\u00f4r em relevo a miseric\u00f3rdia infinita do senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo quadro (vers. 28-30) descreve como esse funcion\u00e1rio que experimentou a miseric\u00f3rdia do seu senhor se recusou, logo a seguir, a perdoar um companheiro que lhe devia cem den\u00e1rios (um den\u00e1rio equivalia a 12 gramas de prata e era o pagamento di\u00e1rio de um oper\u00e1rio n\u00e3o especializado. Cem den\u00e1rios correspondia, portanto, a uma quantia insignificante para um alto funcion\u00e1rio do rei).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando estes dois quadros s\u00e3o postos em paralelo, sobressaem, por um lado, a despropor\u00e7\u00e3o entre as duas d\u00edvidas e, por outro, a diferen\u00e7a de atitudes e de sentimentos entre o senhor (capaz de perdoar infinitamente) e o funcion\u00e1rio do rei (incapaz de se converter \u00e0 l\u00f3gica do perd\u00e3o, mesmo depois de ter experimentado a alegria de ser perdoado).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 precisamente desta diferen\u00e7a de comportamentos e de l\u00f3gicas que resulta o terceiro quadro (vers. 28-35): os outros companheiros do funcion\u00e1rio real, chocados com a sua ingratid\u00e3o, informaram o rei do sucedido; e o rei, escandalizado com o comportamento do seu funcion\u00e1rio, castigou-o duramente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de mais, a par\u00e1bola \u00e9 uma catequese sobre a miseric\u00f3rdia de Deus. Mostra como, na perspetiva de Deus, o perd\u00e3o \u00e9 ilimitado, total e absoluto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, a par\u00e1bola convida-nos a analisar as nossas atitudes e comportamentos face aos irm\u00e3os que erram. Mostra como neste cap\u00edtulo, a nossa l\u00f3gica est\u00e1, tantas vezes, distante da l\u00f3gica de Deus. Diante de qualquer falha do irm\u00e3o (por menos significativa que ela seja), assumimos a pose de v\u00edtimas magoadas e, muitas vezes, tomamos atitudes de desforra e de vingan\u00e7a que s\u00e3o o sinal claro de que ainda n\u00e3o interioriz\u00e1mos a l\u00f3gica de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, a par\u00e1bola sugere que existe uma rela\u00e7\u00e3o (ali\u00e1s j\u00e1 afirmada na primeira leitura deste domingo) entre o perd\u00e3o de Deus e o perd\u00e3o humano. Mateus estar\u00e1 a sugerir que o perd\u00e3o de Deus \u00e9 condicionado e que s\u00f3 se tornar\u00e1 efetivo se n\u00f3s aprendermos a perdoar aos nossos irm\u00e3os? O que Mateus est\u00e1 a dizer, sobretudo, \u00e9 que na comunidade crist\u00e3 deve funcionar a l\u00f3gica do perd\u00e3o ilimitado: se essa \u00e9 a l\u00f3gica de Deus, ter\u00e1 de ser a nossa l\u00f3gica, tamb\u00e9m. O que Mateus est\u00e1 a sugerir, tamb\u00e9m, \u00e9 que se o nosso cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o bater segundo a l\u00f3gica do perd\u00e3o, n\u00e3o ter\u00e1 lugar para acolher a miseric\u00f3rdia, a bondade e o amor de Deus. Fazer a experi\u00eancia do amor de Deus transforma-nos o cora\u00e7\u00e3o e ensina-nos a amar os nossos irm\u00e3os, nomeadamente aqueles que nos ofenderam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus pagar\u00e1 na mesma moeda e castigar\u00e1 quem n\u00e3o for capaz de viver segundo a l\u00f3gica do perd\u00e3o e da miseric\u00f3rdia? N\u00e3o. Decididamente, o revanchismo e a vingan\u00e7a n\u00e3o fazem parte dos m\u00e9todos de Deus&#8230; Mateus usa aqui &#8211; bem ao jeito semita &#8211; imagens fortes e dram\u00e1ticas para sublinhar que a l\u00f3gica do perd\u00e3o \u00e9 urgente e que dela depende a constru\u00e7\u00e3o de uma realidade nova, de amor, de comunh\u00e3o, de fraternidade &#8211; a realidade do Reino.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Sir 27,33-28,9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro de Ben Sira (tamb\u00e9m chamado &#8220;Eclesi\u00e1stico&#8221;), de onde foi extra\u00edda a primeira leitura deste domingo, \u00e9 um livro sapiencial que, como todos os livros sapienciais, pretende apresentar uma reflex\u00e3o de car\u00e1cter pr\u00e1tico sobre a arte de bem viver e de ser feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos no in\u00edcio do s\u00e9c. II a.C., numa \u00e9poca em que o helenismo tinha come\u00e7ado o seu trabalho pernicioso, no sentido de minar a cultura e os valores tradicionais de Israel. Jesus Ben Sira, o autor deste livro, est\u00e1 preocupado com a degrada\u00e7\u00e3o dos valores tradicionais do seu Povo e as ced\u00eancias que, sobretudo os mais jovens, v\u00e3o fazendo \u00e0 cultura grega. A &#8220;f\u00e9 dos pais&#8221; corre riscos de desaparecer ou, ao menos, de perder a sua identidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus Ben Sira procura, ent\u00e3o, apresentar uma s\u00edntese da religi\u00e3o tradicional e da sabedoria de Israel, sublinhando a grandeza dos valores judaicos e demonstrando que a cultura judaica n\u00e3o fica a dever nada \u00e0 brilhante cultura grega. Por essa raz\u00e3o, escreveu este comp\u00eandio de &#8220;sabedoria&#8221;. Nele, tenta demonstrar aos seus compatriotas que Israel possu\u00eda na &#8220;Torah&#8221;, revelada por Deus, a verdadeira &#8220;sabedoria&#8221; &#8211; uma &#8220;sabedoria&#8221; muito superior \u00e0 &#8220;sabedoria&#8221; grega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia de hoje nos prop\u00f5e integra uma sec\u00e7\u00e3o (cf. Sir 24,1-42,14) onde Jesus Ben Sira procura demonstrar que a &#8220;sabedoria&#8221; &#8211; criatura de Deus, oferecida a todos os homens piedosos (cf. Sir 1,1-23,38) &#8211; tem um campo especial de a\u00e7\u00e3o em Israel, o Povo eleito de Deus. Esta sec\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem uma estrutura clara e coerente: os temas v\u00e3o-se sucedendo, aparentemente sem uma ordem l\u00f3gica. Dominam, a\u00ed, as &#8220;m\u00e1ximas&#8221; destinadas a ensinar os comportamentos que se devem assumir nas rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma nota de car\u00e1cter pr\u00e1tico: o nosso texto aparece, na maior parte das vers\u00f5es recentes da B\u00edblia, numerado como 27,30-28,7 e n\u00e3o como 27,33-28,9. Aqui, no entanto, conservamos a numera\u00e7\u00e3o 27,33-28,9 &#8211; que \u00e9 a apresentada no &#8220;Lecion\u00e1rio Dominical&#8221;. Esta discrep\u00e2ncia resulta do facto de o texto apresentado pelo &#8220;Lecion\u00e1rio&#8221; seguir uma vers\u00e3o latina, mais longa do que a vers\u00e3o grega que serve de base \u00e0s tradu\u00e7\u00f5es mais recentes do Livro de Ben Sira. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar, na reflex\u00e3o, as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os dias vemos, nas not\u00edcias que nos chegam de todos os cantos do mundo, onde nos leva a l\u00f3gica do &#8220;responder na mesma moeda&#8221;. Para vingar ofensas reais ou imagin\u00e1rias, desencadeiam-se mecanismos de vingan\u00e7a que s\u00e3o respons\u00e1veis pela morte de inocentes, por sofrimentos e dramas sem fim e por uma espiral de viol\u00eancia sem limites e sem prazos. \u00c9 este o mundo que queremos? A \u00fanica forma de fazermos respeitar os nossos direitos e a nossa dignidade passar\u00e1 por deixarmos \u00e0 solta os nossos instintos de vingan\u00e7a, de rancor e de \u00f3dio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ben Sira estabelece uma rela\u00e7\u00e3o clara entre o perd\u00e3o de Deus e o perd\u00e3o humano. \u00c9 claro que n\u00e3o podemos dizer que Deus n\u00e3o nos perdoa se n\u00f3s n\u00e3o conseguirmos perdoar aos nossos irm\u00e3os (a bondade e a miseric\u00f3rdia de Deus s\u00e3o infinitamente maiores do que as nossas); mas, se o nosso cora\u00e7\u00e3o estiver dominado por uma l\u00f3gica de \u00f3dio e de vingan\u00e7a, o perd\u00e3o que Deus nos oferece poder\u00e1 encontrar a\u00ed lugar? Um cora\u00e7\u00e3o duro, violento e agressivo, incapaz de compreender as falhas dos outros, estar\u00e1 suficientemente dispon\u00edvel para acolher a bondade e o amor de Deus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ben Sira lembra tamb\u00e9m, a prop\u00f3sito do perd\u00e3o, o horizonte final do homem (a morte)&#8230; N\u00e3o se tratar\u00e1, tanto, de avisar que se n\u00e3o nos portarmos bem, Deus condena-nos (por esta altura, o Povo de Deus ainda n\u00e3o parece ter uma no\u00e7\u00e3o clara de que h\u00e1, para al\u00e9m desta terra, uma vida eterna reservada para aqueles que escolhem Deus e os seus valores); trata-se, sobretudo, de sugerir que a nossa vida nesta terra est\u00e1 marcada pela brevidade e pela finitude e n\u00e3o pode ser estragada com sentimentos que s\u00f3 nos magoam a n\u00f3s e aos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos homens do nosso tempo pensam que s\u00f3 nos afirmamos, s\u00f3 nos realizamos e s\u00f3 triunfamos quando somos fortes e respondemos com for\u00e7a e agressividade \u00e0 for\u00e7a e agressividade dos outros. Jesus Ben Sira, contudo, ensina que a &#8220;sabedoria&#8221;, o \u00eaxito e a felicidade do homem n\u00e3o passam por cultivar sentimentos de \u00f3dio e de rancor, mas por cultivar sentimentos de perd\u00e3o e de miseric\u00f3rdia. Quem tem raz\u00e3o? O que \u00e9 que nos d\u00e1 paz, nos faz sentir em harmonia connosco, com Deus e com ou outros e nos torna mais felizes: os gestos violentos que mostraram aos outros a nossa for\u00e7a e apaziguaram o nosso orgulho ferido, ou os nossos gestos de perd\u00e3o, de bondade, de miseric\u00f3rdia? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong>&#8211; <strong>Salmo 102 (103)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: O Senhor \u00e9 clemente e compassivo,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Rom 14,7-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda parte da Carta aos Romanos (j\u00e1 o vimos nos domingos anteriores), Paulo preocupa-se em apresentar aos crist\u00e3os de Roma (e aos crist\u00e3os de todos os lugares e tempos) um conjunto de atitudes e de valores que devem marcar a vida pessoal, social e eclesial daqueles que Deus chama \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. A segunda leitura deste domingo situa-nos neste contexto e apresenta-nos mais alguns dados sobre esta quest\u00e3o.<br \/>\nO nosso texto faz parte de uma per\u00edcope (cf. Rom 14,1-12) em que Paulo d\u00e1 algumas indica\u00e7\u00f5es acerca da conduta a ter face aos outros membros da comunidade, particularmente face \u00e0queles que t\u00eam perspetivas diferentes da f\u00e9 e do caminho crist\u00e3o.~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo considera que existem dois tipos de crentes na comunidade crist\u00e3 de Roma: os &#8220;fortes&#8221; e os &#8220;d\u00e9beis&#8221;. Estas designa\u00e7\u00f5es n\u00e3o parecem referir-se, primordialmente, \u00e0 classe social (&#8220;ricos&#8221; e &#8220;pobres&#8221;) ou \u00e0 origem religiosa (&#8220;pagano-crist\u00e3os&#8221; e &#8220;judeo-crist\u00e3os&#8221;) desses crentes, mas a atitudes diversas quanto \u00e0 f\u00e9&#8230; Os &#8220;fortes&#8221; (na linguagem de hoje, poder\u00edamos caracteriz\u00e1-los como &#8220;progressistas&#8221;) s\u00e3o aqueles que j\u00e1 se libertaram decisivamente da escravid\u00e3o da Lei e dos ritos e consideram que s\u00f3 os valores do Evangelho s\u00e3o decisivos no caminho da f\u00e9. Os &#8220;fracos&#8221; (na linguagem de hoje poder\u00edamos chamar-lhes &#8220;tradicionalistas&#8221;) s\u00e3o aqueles que fazem finca-p\u00e9 nas leis, nos ritos e nas tradi\u00e7\u00f5es antigas e ficam escandalizados pelo facto de esses valores n\u00e3o serem assumidos por toda a gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito provavelmente, estes dois grupos viviam em confronto, provocando uma certa divis\u00e3o na comunidade. Paulo n\u00e3o aceita atitudes de intoler\u00e2ncia ou de desprezo pelos irm\u00e3os, venham elas de onde vieram. Na verdade, o pensamento de Paulo aproxima-o mais dos &#8220;fortes&#8221;; mas ele sabe muito bem que mais importante do que as diverg\u00eancias \u00e9 o respeito pelo irm\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o da fraternidade. Os &#8220;fortes&#8221; n\u00e3o podem desprezar aqueles que n\u00e3o pensam como eles; e os &#8220;d\u00e9beis&#8221; n\u00e3o t\u00eam o direito de julgar ou de catalogar aqueles que t\u00eam, quanto \u00e0 f\u00e9, uma outra perspetiva<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 precisamente neste contexto que Paulo encaixa os tr\u00eas vers\u00edculos que constituem a segunda leitura deste domingo. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, ter em conta as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo est\u00e1 consciente de que h\u00e1 v\u00e1rios caminhos v\u00e1lidos para chegar a Cristo e \u00e0 sua proposta de salva\u00e7\u00e3o. Esses caminhos n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o se excluem mas, na sua diversidade, constituem um fator de enriquecimento da nossa experi\u00eancia comunit\u00e1ria. A comunidade tem de estar consciente de que a diversidade n\u00e3o exclui, necessariamente, a unidade. Por isso, a comunidade crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 o lugar da intoler\u00e2ncia, da incompreens\u00e3o, do desrespeito pela diversidade de opini\u00f5es, da uniformidade imposta em nome da f\u00e9; mas \u00e9 o lugar do amor, do respeito pelo outro, da aceita\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as, da partilha, do perd\u00e3o. A este respeito, como classifico a minha comunidade crist\u00e3 ou religiosa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem, \u00e0s vezes, nas comunidades crist\u00e3s certas pessoas que se consideram mais esclarecidas e mais preparadas e que manifestam desprezo por aqueles que t\u00eam conce\u00e7\u00f5es menos racionais da f\u00e9, que vivem agarrados a determinadas devo\u00e7\u00f5es ou a determinados ritos considerados ultrapassados. Paulo recomenda-lhes: &#8220;n\u00e3o desprezeis ningu\u00e9m; n\u00e3o esque\u00e7ais que a \u00fanica coisa importante e decisiva \u00e9 Cristo, a quem todos pertencemos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem, \u00e0s vezes, na comunidade crist\u00e3 certas pessoas que se consideram muito santas e virtuosas porque cumprem determinadas regras, s\u00e3o fi\u00e9is a determinados ritos e t\u00eam sempre presente os mandamentos da santa madre Igreja&#8230; Observam e controlam os outros, julgam-nos sem direito a defesa, condenam-nos e acham-se no sagrado direito de os desacreditar diante dos outros membros da comunidade&#8230; Paulo recomenda-lhes: &#8220;n\u00e3o julgueis nem condeneis os vossos irm\u00e3os; n\u00e3o esque\u00e7ais que a \u00fanica coisa importante e decisiva \u00e9 Cristo, a quem todos pertencemos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes perdemo-nos na discuss\u00e3o das coisas secund\u00e1rias e esquecemos o essencial. Discutimos se se deve receber a comunh\u00e3o na m\u00e3o ou na boca, se se deve ou n\u00e3o ajoelhar \u00e0 consagra\u00e7\u00e3o, se determinado c\u00e2ntico \u00e9 lit\u00fargico ou n\u00e3o, se os padres devem ou n\u00e3o casar, se a prociss\u00e3o do santo padroeiro da par\u00f3quia deve fazer este ou aquele percurso&#8230; e, algures durante a discuss\u00e3o, esquecemos o amor, o respeito pelo outro, a fraternidade, e que todos vivemos \u00e0 volta do mesmo Senhor. \u00c9 preciso descobrir o essencial que nos une e n\u00e3o absolutizar o secund\u00e1rio que nos divide<strong><em>. <\/em><\/strong><strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 18,21-35<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos a ler o &#8220;discurso eclesial&#8221;, que preenche todo o cap\u00edtulo 18 do Evangelho segundo Mateus. Este &#8220;discurso&#8221; tem como ponto de partida algumas &#8220;instru\u00e7\u00f5es&#8221; apresentadas por Marcos sobre a vida comunit\u00e1ria (cf. Mc 9,33-37.42-47), mas que Mateus ampliou de forma significativa. Os destinat\u00e1rios do discurso s\u00e3o os disc\u00edpulos (na realidade Mateus pretende, sobretudo, atingir os membros dessa comunidade crist\u00e3 a quem este Evangelho se destina).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por detr\u00e1s do texto que nos \u00e9 hoje proposto, podemos entrever uma comunidade onde as tens\u00f5es e os conflitos degeneram em ofensas pessoais e que tem muita dificuldade em perdoar. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar os seguintes desenvolvimentos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste domingo \u00e9 sobre a necessidade de perdoar sempre, de forma radical e ilimitada. Trata-se &#8211; todos estamos conscientes do facto &#8211; de uma das exig\u00eancias mais dif\u00edceis que Jesus nos faz. No entanto n\u00e3o h\u00e1, neste campo, meias tintas, d\u00favidas, evasivas, desculpas: trata-se de um valor fundamental da proposta de Jesus. Ele deu testemunho, em gestos concretos, do amor, da bondade e da miseric\u00f3rdia do Pai. Na cruz, ele morreu pedindo perd\u00e3o para os seus assassinos&#8230; Ora o crist\u00e3o \u00e9, antes de mais, um seguidor de Jesus. Pessoalmente, como \u00e9 que me situo face a isto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O perd\u00e3o e a miseric\u00f3rdia tornam-se ainda mais complicados \u00e0 luz dos valores que presidem \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do nosso mundo. O &#8220;mundo&#8221; considera que perdoar \u00e9 pr\u00f3prio dos fracos, dos vencidos, dos que desistem de impor a sua personalidade e a sua vis\u00e3o do mundo; Deus considera que perdoar \u00e9 dos fortes, dos que sabem o que \u00e9 verdadeiramente importante, dos que est\u00e3o dispostos a renunciar ao seu orgulho e autossufici\u00eancia para apostar num mundo novo, marcado por rela\u00e7\u00f5es novas e verdadeiras entre os homens. Na verdade, a l\u00f3gica do mundo s\u00f3 tem aumentado a espiral de viol\u00eancia, de injusti\u00e7a, de morte; a l\u00f3gica de Deus tem ajudado a mudar os cora\u00e7\u00f5es e frutificado em gestos de amor, de partilha, de di\u00e1logo e de comunh\u00e3o. Para mim, qual destas duas propostas faz mais sentido? Qual destes dois caminhos pode ajudar a instaurar uma realidade mais humana, mais harmoniosa, mais feliz?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que significa, realmente, perdoar? Significa ceder sempre diante daqueles que nos magoam e nos ofendem? Significa encolher os ombros e seguir adiante quando nos confrontamos com uma situa\u00e7\u00e3o que causa morte e sofrimento a n\u00f3s ou a outros nossos irm\u00e3os? Significa &#8220;deixar correr&#8221; enquanto forem coisas que n\u00e3o nos afetem diretamente? Significa pactuar com a injusti\u00e7a e a opress\u00e3o? Significa tolerar tudo num sil\u00eancio feito de cobardia e de conformismo? N\u00e3o. O perd\u00e3o n\u00e3o pode ser confundido com passividade, com aliena\u00e7\u00e3o, com conformismo, com cobardia, com indiferen\u00e7a&#8230; O crist\u00e3o, diante da injusti\u00e7a e da maldade, n\u00e3o esconde a cabe\u00e7a na areia, fingindo que n\u00e3o viu nada&#8230; O crist\u00e3o n\u00e3o aceita o pecado e n\u00e3o se cala diante do que est\u00e1 errado; mas n\u00e3o guarda rancor para com o irm\u00e3o que falhou, nem permite que as falhas derrubem as possibilidades de encontro, de comunh\u00e3o, de di\u00e1logo, de partilha&#8230; Perdoar n\u00e3o significa isolar-se num sil\u00eancio ofendido, ou demitir-se das responsabilidades na constru\u00e7\u00e3o de um mundo novo e melhor; mas significa estar sempre disposto a ir ao encontro, a estender a m\u00e3o, a recome\u00e7ar o di\u00e1logo, a dar outra oportunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este Evangelho recorda-nos &#8211; talvez ainda de forma mais clara e concludente &#8211; aquilo que a primeira leitura j\u00e1 sugeria: quem faz a experi\u00eancia do perd\u00e3o de Deus, envolve-se numa l\u00f3gica de miseric\u00f3rdia que tem, necessariamente, implica\u00e7\u00f5es na forma de abordar os irm\u00e3os que falharam. N\u00e3o podemos dizer que Deus n\u00e3o perdoa a quem \u00e9 incapaz de perdoar aos irm\u00e3os; mas podemos dizer que experimentar o amor de Deus e deixar-se transformar por Ele significa assumir uma outra atitude para com os irm\u00e3os, uma atitude marcada pela bondade, pela compreens\u00e3o, pela miseric\u00f3rdia, pelo acolhimento, pelo amor. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/09\/12\/entre-a-espada-e-o-perdao-2\/\">ENTRE A ESPADA E O\u00a0PERD\u00c3O<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste <strong>Domingo XXIV do Tempo Comum<\/strong>, continuamos a bra\u00e7os com o Discurso Eclesial de Jesus, iniciado no passado Domingo com oportunas e incisivas instru\u00e7\u00f5es sobre a corre\u00e7\u00e3o fraterna (Mateus 18,15-20). O resto do Discurso \u00e9 servido hoje a Pedro e a todos n\u00f3s (Mateus 18,21-35). Prevenimos que o Discurso \u00e9 suficientemente demolidor, capaz de, se atentamente o recebermos, provocar em n\u00f3s o maior terramoto da hist\u00f3ria, deixando \u00e0s claras a radical insufici\u00eancia da nossa programa\u00e7\u00e3o para t\u00e3o gigantesca onda de perd\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e3o-nos no sangue as letras da vingan\u00e7a. Aprendemos bastante bem e depressa com Lamec o \u00abC\u00e2ntico da Espada\u00bb: \u00abCaim ser\u00e1 vingado sete vezes, mas Lamec setenta vezes sete!\u00bb (G\u00e9nesis 4,24). Face a esta barbaridade desmedida, a chamada \u00abLei de Tali\u00e3o\u00bb [pena, n\u00e3o multiplicada, mas igual ao delito: \u00abolho por olho, dente por dente\u00bb] representa um enorme progresso civilizacional. Mas Jesus derruba uma e outra mesa, para nos brindar com a desmesura do Perd\u00e3o, sempre gratuito, sempre sem motiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abSenhor, at\u00e9 quantas vezes devo perdoar ao meu irm\u00e3o? At\u00e9 sete?\u00bb, pergunta Pedro a Jesus (Mateus 18,21). \u00abN\u00e3o te digo at\u00e9 sete, mas at\u00e9 setenta vezes sete!\u00bb, respondeu Jesus (Mateus 18,22). Desarranjo completo na cabe\u00e7a de Pedro, e na nossa. O Perd\u00e3o, segundo Jesus, n\u00e3o se conta pelos dedos, nem pela m\u00e1quina de calcular. Faz-se simplesmente sempre e sem condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Jesus, bom pedagogo, desce ao n\u00edvel de Pedro, e ao nosso. Conta uma hist\u00f3ria absolutamente inveros\u00edmil, para nos prender a aten\u00e7\u00e3o e o cora\u00e7\u00e3o, suspender a respira\u00e7\u00e3o. \u00c9 mais uma par\u00e1bola do Reino dos C\u00e9us (Mateus 18,23-35). A cena \u00e9 preenchida por um Rei \u2013 v\u00ea-se que \u00e9 Deus \u2013 e pelos seus servos, dado que o Rei [Deus] entende chamar a contas os seus servos. Entenda-se aqui que estes servos n\u00e3o s\u00e3o escravos, mas altos oficiais ao servi\u00e7o do Rei. Estreita-se a cena, e v\u00ea-se agora apenas o Rei e um dos seus servos. Este servo tinha uma d\u00edvida enorme, para com o seu Rei [Deus], contabilizada na soma astron\u00f3mica de 10.000 talentos (Mateus 18,24). Entreveja-se neste extraordin\u00e1rio dizer de Jesus a forma subtil como Ele sabe trazer Deus para uma quest\u00e3o do quotidiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O montante \u00e9 colossal. T\u00e3o colossal, que \u00e9 dif\u00edcil de quantificar com exatid\u00e3o. Lembro, para come\u00e7ar, que os estudiosos calculam em cerca de 900 talentos o valor dos impostos anuais que entravam nos cofres de Herodes o Grande (37-4 a. C.). E, ap\u00f3s a sua morte, os impostos anuais da Galileia e da Pereia contavam-se em 200 talentos, sendo de 600 talentos os impostos pagos pela Judeia, Samaria e Idumeia. Ou seja, a d\u00edvida do servo da nossa hist\u00f3ria \u00e9 muito superior ao dinheiro que ent\u00e3o circulava no pa\u00eds inteiro! Mais coisa menos coisa, diz a B\u00edblia de Jerusal\u00e9m, como 174 toneladas de ouro, que o estudioso Richard France, no seu belo Coment\u00e1rio ao Evangelho de Mateus, sobe para 300 toneladas! Entrando por outro tipo de contabilidade, lembro agora que um talento equivalia a cerca de 6.000 den\u00e1rios, sendo um den\u00e1rio o correspondente a um sal\u00e1rio di\u00e1rio. Avaliados por este crit\u00e9rio, os 10.000 talentos equivaleriam a um montante entre 60 e 100 milh\u00f5es de den\u00e1rios (Vittorio Fusco, Rudolf Schnackenburg, Craig S. Keener, TOB), que o mesmo \u00e9 dizer entre 60 e 100 milh\u00f5es de sal\u00e1rios! Ou ainda o correspondente ao sal\u00e1rio de um trabalhador durante um per\u00edodo que oscila entre 200 e 250 mil anos (Craig S. Keener, John Nolland).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00ea-se bem que este servo n\u00e3o pode pagar aquela d\u00edvida imensa, a perder de vista. O Rei [Deus] manda que seja vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possui, em ordem ao pagamento da d\u00edvida. Aqui o servo pediu ao Rei [Deus] que lhe desse um prazo, e que pagaria tudo. Auge da cena. Ser\u00e1 que o Rei [Deus] d\u00e1 o prazo, ou mostrar-se-\u00e1 impiedoso? Adianto eu: se der o prazo, \u00e9 demasiado l\u00f3gico e sim\u00e9trico, e esta n\u00e3o \u00e9 a medida do Evangelho, que rebenta sempre os nossos mais pensados calculismos. Se n\u00e3o der o prazo, pior ainda, passa por ser um Deus insens\u00edvel e impiedoso, que n\u00e3o sabe nem quer compadecer-se. Eis, ent\u00e3o, a incr\u00edvel e desconcertante resposta de Deus: \u00abVai-te embora; est\u00e1s perdoado!\u00bb (Mateus 18,27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entenda-se ent\u00e3o, porque salta \u00e0 vista: para Deus e para o Evangelho, um ato de Perd\u00e3o vale mais do que 10.000 talentos e tudo o que isso representa. E veja-se, no seguimento da hist\u00f3ria, a rapidez com que perdemos a mem\u00f3ria, e como, sem d\u00f3 nem piedade, condenamos um \u00abcom-servo\u00bb ao pagamento, aqui e j\u00e1, de uma bagatela (Mateus 18,28)!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro de Ben Sira (27,33-28,9) l\u00e1 est\u00e1 hoje tamb\u00e9m a gritar-te ao cora\u00e7\u00e3o: perd\u00e3o, perd\u00e3o, perd\u00e3o! N\u00e3o te deixes encharcar por \u00f3dios, iras e rancores! S\u00e3o v\u00edcios que operam divis\u00f5es no teu cora\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o nos teus irm\u00e3os. Estes v\u00edcios destroem e corroem, e levam-te a destruir a vida dos outros e a sentires mesmo prazer nisso. Limpa o matagal e a tra\u00e7a que h\u00e1 em ti. Cultiva o amor e o perd\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E S. Paulo lembra-nos hoje, em duas linhas claras da Carta aos Romanos (14,7-8), que a nossa vida \u00e9 pura gra\u00e7a; que \u00e9, portanto, do Senhor e para o Senhor, como conv\u00e9m a quem pertence ao Senhor. D\u00e1-se muitas vezes o caso que damos por n\u00f3s a pensar s\u00f3 em n\u00f3s, debru\u00e7ados sobre n\u00f3s (o chamado\u00a0amor sui), e at\u00e9 utilizando os outros e o mundo, pura\u00a0res extensa, sem Sentido preliminar e sem Deus, em nosso \u00fanico proveito, para os fins que temos em vista, pois n\u00e3o h\u00e1 nenhum Sentido e nenhum Senhor no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 103 \u00e9 um grande canto ao amor de Deus, que dia-a-dia nos perdoa, nos cura, cuida de n\u00f3s com carinho e miseric\u00f3rdia maternais. Sem este amor, sem esta m\u00fasica, ser\u00edamos talvez levados melancolicamente a pensar que \u00e9 o mesmo o destino das folhas outonais e dos homens! Deixemos ecoar em n\u00f3s as belas notas do Salmo 103, que alguns autores j\u00e1 chamaram o\u00a0Te Deum\u00a0do Antigo Testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irm\u00e3o, deixa-te tomar pela m\u00fasica nova e excessiva do Perd\u00e3o. Que essa, sim, te encharque at\u00e9 aos ossos, at\u00e9 ao cora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Leitura-I-do-Domingo-XXIV-do-Tempo-Comum-Ano-A-17.09.2023-Sir-27-33-28-9.pdf\">Leitura I do Domingo XXIV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 17.09.2023 (Sir 27, 33-28-,9)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Leitura-II-do-Domingo-XXIV-do-Tempo-Comum-Ano-A-17.09.2023-Rom-14-7-9.pdf\">Leitura II do Domingo XXIV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 17.09.2023 (Rom 14, 7-9)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Domingo-XXIV-do-Tempo-Comum-Ano-A-17.09.023-Lecionario.pdf\">Domingo XXIV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 17.09.023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Domingo-XXIV-do-Tempo-Comum-Ano-A-17.09.023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXIV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 17.09.023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXIII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 10.09.2023&#8243; tab_id=&#8221;1695025423916-af72ada0-088a&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XXIII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 10.09.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Domingo-XXIII.jpg\" alt=\"\" width=\"672\" height=\"376\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celebramos hoje o Domingo XXIII do Tempo Comum. Entramos pelo IV discurso de Mateus adentro. O discurso eclesiol\u00f3gico. O fragmento do &#8220;discurso eclesial&#8221; que nos \u00e9 hoje proposto refere-se, especialmente, ao modo de proceder para com o irm\u00e3o que errou e que provocou conflitos no seio da comunidade. Como \u00e9 que os irm\u00e3os da comunidade devem proceder, nessa situa\u00e7\u00e3o? Devem condenar, sem mais, e marginalizar o infrator?<br \/>\nN\u00e3o. Neste quadro, as decis\u00f5es radicais e fundamentalistas raramente s\u00e3o crist\u00e3s. \u00c9 preciso tratar o problema com bom senso, com maturidade, com equil\u00edbrio, com toler\u00e2ncia e, acima de tudo, com amor. Mateus prop\u00f5e um caminho em v\u00e1rias etapas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, Mateus prop\u00f5e um encontro com esse irm\u00e3o, em privado, e que se fale com ele cara a cara sobre o problema (vers. 15). O caminho correto n\u00e3o passa, decididamente, por dizer mal &#8220;por tr\u00e1s&#8221;, por publicitar a falta, por criticar publicamente (ainda que n\u00e3o se invente nada), e muito menos por espalhar boatos, por caluniar, por difamar. O caminho correto passa pelo confronto pessoal, leal, honesto, sereno, compreensivo e tolerante com o irm\u00e3o em causa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se esse encontro n\u00e3o resultar, Mateus prop\u00f5e uma segunda tentativa. Essa nova tentativa implica o recurso a outros irm\u00e3os (&#8220;toma contigo uma ou duas pessoas&#8221; &#8211; diz Mateus &#8211; vers. 16) que, com serenidade, sensibilidade e bom senso, sejam capazes de fazer o infrator perceber o sem sentido do seu comportamento.<br \/>\nSe tamb\u00e9m essa tentativa falhar, resta o recurso \u00e0 comunidade. A comunidade ser\u00e1 ent\u00e3o chamada a confrontar o infrator, a recordar-lhe as exig\u00eancias do caminho crist\u00e3o e a pedir-lhe uma decis\u00e3o (vers. 16a).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso de o infrator se obstinar no seu comportamento errado, a comunidade ter\u00e1 que reconhecer, com dor, a situa\u00e7\u00e3o em que esse irm\u00e3o se colocou a si pr\u00f3prio; e ter\u00e1 de aceitar que esse comportamento o colocou \u00e0 margem da comunidade. Mateus acrescenta que, nesse caso, o faltoso ser\u00e1 considerado como &#8220;um pag\u00e3o ou um cobrador de impostos&#8221; (vers. 17b). Isto significa que os pag\u00e3os e os cobradores de impostos n\u00e3o t\u00eam lugar na comunidade de Mateus? N\u00e3o. Ao usar este exemplo, o autor deste texto n\u00e3o pretende referir-se a indiv\u00edduos, mas a situa\u00e7\u00f5es. Trata-se de imagens tipicamente judaicas para falar de pessoas que est\u00e3o instaladas em situa\u00e7\u00f5es de erro, que se obstinam no seu mau proceder e que recusam todas as oportunidades de integrar a comunidade da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja tem o direito de expulsar os pecadores? Mateus n\u00e3o sugere aqui, com certeza, que a Igreja possa excluir da comunh\u00e3o qualquer irm\u00e3o que errou. Na realidade, a Igreja \u00e9 uma realidade divina e humana, onde coexistem a santidade e o pecado. O que Mateus aqui sugere \u00e9 que a Igreja tem de tom<br \/>\nar posi\u00e7\u00e3o quando algum dos seus membros, de forma consciente e obstinada, recusa a proposta do Reino e realiza atos que est\u00e3o frontalmente contra as propostas que Cristo veio trazer. Nesse caso, contudo, nem \u00e9 a Igreja que exclui o prevaricador: ele \u00e9 que, pelas suas op\u00e7\u00f5es, se coloca decididamente \u00e0 margem da comunidade. A Igreja tem, no entanto, que constatar o facto e agir em consequ\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois desta instru\u00e7\u00e3o sobre a corre\u00e7\u00e3o fraterna, Mateus acrescenta tr\u00eas &#8220;ditos&#8221; de Jesus (cf. Mt 18,18-20) que, originalmente, seriam independentes da tem\u00e1tica precedente, mas que Mateus encaixou neste contexto.<br \/>\nO primeiro (vers. 18) refere-se ao poder, conferido \u00e0 comunidade, de &#8220;ligar&#8221; e &#8220;desligar&#8221;. Entre os judeus, a express\u00e3o designava o poder para interpretar a Lei com autoridade, para declarar o que era ou n\u00e3o permitido e para excluir ou reintroduzir algu\u00e9m na comunidade do Povo de Deus; aqui, significa que a comunidade (algum tempo antes &#8211; cf. Mt 16,19 &#8211; Jesus dissera estas mesmas palavras a Pedro; mas a\u00ed Pedro representava a totalidade da comunidade dos disc\u00edpulos) tem o poder para interpretar as palavras de Jesus, para acolher aqueles que aceitam as suas propostas e para excluir aqueles que n\u00e3o est\u00e3o dispostos a seguir o caminho que Jesus prop\u00f4s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo (vers. 19) sugere que as decis\u00f5es graves para a vida da comunidade devem ser tomadas em clima de ora\u00e7\u00e3o. Assegura aos disc\u00edpulos, reunidos em ora\u00e7\u00e3o, que o Pai os escutar\u00e1.<br \/>\nO terceiro (vers. 20) garante aos disc\u00edpulos a presen\u00e7a de Jesus &#8220;no meio&#8221; da comunidade. Neste contexto, sugere que as tentativas de corre\u00e7\u00e3o e de reconcilia\u00e7\u00e3o entre irm\u00e3os, no seio da comunidade, ter\u00e3o o apoio e a assist\u00eancia de Jesus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Ez 33,7-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ezequiel \u00e9 conhecido como &#8220;o profeta da esperan\u00e7a&#8221;. Desterrado na Babil\u00f3nia desde 597 a.C. (no reinado de Joaquin, quando Nabucodonosor conquista Jerusal\u00e9m pela primeira vez e deporta para a Babil\u00f3nia a classe dirigente do pa\u00eds), Ezequiel exerce a\u00ed a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica entre os exilados judeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira fase do minist\u00e9rio de Ezequiel decorre entre 593 a.C. (data do seu chamamento) e 586 a.C. (data em que Jerusal\u00e9m \u00e9 arrasada pelas tropas de Nabucodonosor e uma segunda leva de exilados \u00e9 encaminhada para a Babil\u00f3nia). Nesta fase, Ezequiel procura destruir falsas esperan\u00e7as e anuncia que, ao contr\u00e1rio do que pensam os exilados, o cativeiro est\u00e1 para durar&#8230; Eles n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o v\u00e3o regressar a Jerusal\u00e9m, mas os que ficaram em Jerusal\u00e9m (e que continuam a multiplicar os pecados e as infidelidades) v\u00e3o fazer companhia aos que j\u00e1 est\u00e3o desterrados na Babil\u00f3nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda fase do minist\u00e9rio de Ezequiel desenrola-se a partir de 586 a.C. e prolonga-se at\u00e9 cerca de 570 a.C. Instalados numa terra estrangeira, privados de templo, de sacerd\u00f3cio e de culto, os exilados est\u00e3o desesperados e duvidam da bondade e do amor de Deus. Nessa fase, Ezequiel procura alimentar a esperan\u00e7a dos exilados e transmitir ao Povo a certeza de que o Deus salvador e libertador &#8211; esse Deus que Israel descobriu na sua hist\u00f3ria &#8211; n\u00e3o os abandonou nem esqueceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo conte\u00fado, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer de forma clara se o texto que hoje nos \u00e9 proposto como primeira leitura pertence \u00e0 primeira ou \u00e0 segunda fase da atividade prof\u00e9tica de Ezequiel. Em qualquer caso, ele define &#8211; recorrendo \u00e0 imagem da sentinela &#8211; a miss\u00e3o prof\u00e9tica: o profeta \u00e9, entre os exilados, como uma sentinela atenta, que escuta os apelos de Deus e que avisa o Povo dos perigos que aparecem no horizonte da comunidade. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir das seguintes quest\u00f5es<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E hoje? Deus continua a amar o seu Povo? Continua a querer que ele se converta e viva? Continua a preocupar-Se em oferecer ao seu Povo a salva\u00e7\u00e3o &#8211; isto \u00e9, a possibilidade de ser feliz neste mundo e de alcan\u00e7ar, no final da sua caminhada nesta terra, a vida definitiva? O Deus de ontem n\u00e3o ser\u00e1 o Deus de hoje e de amanh\u00e3?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, Ele continua a chamar, todos os dias, profetas\/sentinelas que alertem o mundo e os homens. Pelo Batismo, todos n\u00f3s fomos constitu\u00eddos profetas. Recebemos do nosso Deus a miss\u00e3o de dizer aos nossos irm\u00e3os que certos valores que o mundo cultiva e endeusa s\u00e3o respons\u00e1veis por muitos dos dramas que afligem os homens. Temos consci\u00eancia de que recebemos de Deus uma miss\u00e3o prof\u00e9tica e que essa miss\u00e3o nos compromete com a den\u00fancia do que est\u00e1 errado no mundo e na vida dos homens?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 que devemos denunciar? Tudo aquilo que contradiz os projetos de Deus. Portanto, o profeta\/sentinela tem de ser algu\u00e9m que vive em comunh\u00e3o com Deus, que medita a Palavra de Deus, que dialoga com Deus e que, nessa intimidade, vai percebendo o que Deus quer para os homens e para o mundo. Ali\u00e1s, \u00e9 dessa rela\u00e7\u00e3o forte com Deus que o profeta\/sentinela tira tamb\u00e9m a coragem para falar, para denunciar, para agir. Portanto, dificilmente seremos fi\u00e9is \u00e0 nossa miss\u00e3o prof\u00e9tica sem um relacionamento forte com Deus. Encontro tempo para potenciar a rela\u00e7\u00e3o com Deus, para falar com Deus, para escutar e meditar a sua Palavra?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso tamb\u00e9m que o profeta\/sentinela desenvolva uma consci\u00eancia cr\u00edtica sobre o mundo que o rodeia. Ele tem de estar atento aos acontecimentos da vida nacional e internacional (o profeta tem de ouvir as not\u00edcias e ler o jornal!), tem de conhecer a fundo as quest\u00f5es que os homens debatem (sen\u00e3o, a sua interven\u00e7\u00e3o dificilmente ser\u00e1 levada a s\u00e9rio); e tem, especialmente, de aprender a ler os acontecimentos \u00e0 luz de Deus e do projeto de Deus. Estou atento aos sinais dos tempos e procuro analis\u00e1-los a partir de uma perspetiva de f\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso, finalmente, que o profeta\/sentinela n\u00e3o se acomode no seu cantinho c\u00f3modo, demitindo-se das suas responsabilidades. Tudo o que se passa no mundo, tudo o que afeta a vida de um homem ou de uma mulher, diz respeito ao profeta. Podemos ficar calados diante das escolhas erradas que o mundo faz? O nosso sil\u00eancio n\u00e3o nos tornar\u00e1 c\u00famplices daqueles que destroem o mundo e que condenam ao sofrimento e \u00e0 mis\u00e9ria tantos homens e mulheres? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 94 (95)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Rom 13,8-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos a ler a segunda parte da Carta aos Romanos (cf. Rom 12,1-15,13). A\u00ed, Paulo mostra &#8211; em termos pr\u00e1ticos &#8211; como devem viver aqueles que Deus chama \u00e0 salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus oferece a todos a salva\u00e7\u00e3o; ao homem resta acolher o dom de Deus, aderindo a Jesus e \u00e0 sua proposta&#8230; Mas a ades\u00e3o a Jesus implica assumir, na pr\u00e1tica do dia a dia, atitudes coerentes com essa vida nova que o crist\u00e3o acolheu no dia do seu batismo. S\u00e3o essas atitudes que Paulo recomenda aos romanos (e aos crentes em geral) nesta segunda parte da carta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano 49, o imperador Cl\u00e1udio tinha publicado um \u00e9dito que expulsava de Roma os judeus (incluindo os crist\u00e3os de origem judaica). Ora em 57\/58 (quando a Carta aos Romanos foi escrita), muitos desses judeus tinham j\u00e1 voltado a Roma. Ser\u00e1 que os crist\u00e3os de origem pag\u00e3, &#8220;donos&#8221; da comunidade durante bastante tempo, ostentavam a sua superioridade e manifestavam desprezo pelos crist\u00e3os de origem judaica entretanto regressados a Roma? Ser\u00e1 que, por essa raz\u00e3o, havia divis\u00f5es e falta de amor na comunidade de Roma? Nessas circunst\u00e2ncias, Paulo teria escrito uma &#8220;carta de reconcilia\u00e7\u00e3o&#8221;, destinada a unir uma comunidade dividida. O apelo ao amor que o nosso texto nos apresenta poderia entender-se neste contexto. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, ter em conta os seguintes desenvolvimentos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00faltima ceia, despedindo-se dos disc\u00edpulos, Jesus resumiu desta forma a proposta que veio apresentar aos homens: &#8220;amai-vos uns aos outros como Eu vos amei&#8221; (Jo 15,12). Este n\u00e3o \u00e9 &#8220;mais um mandamento&#8221;, mas \u00e9 &#8220;o mandamento&#8221; de Jesus. Entretanto, algures durante a nossa caminhada pela hist\u00f3ria, esquecemos &#8220;o mandamento&#8221; de Jesus e distra\u00edmo-nos com quest\u00f5es secund\u00e1rias&#8230; Preocupamo-nos em discutir ritos lit\u00fargicos, problemas de organiza\u00e7\u00e3o e de autoridade, c\u00f3digos de leis, quest\u00f5es de disciplina&#8230; e esquecemos &#8220;o mandamento&#8221; do amor. J\u00e1 \u00e9 tempo de voltarmos ao essencial. O crist\u00e3o \u00e9 aquele que, como Cristo, ama sem c\u00e1lculo, sem contrapartidas, sem limite, sem medida. Na nossa experi\u00eancia crist\u00e3, s\u00f3 o amor \u00e9 essencial; tudo o resto \u00e9 secund\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As nossas comunidades crist\u00e3s, a exemplo da primitiva comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m, deviam ser comunidades fraternas onde se notam as marcas do amor. Os que est\u00e3o de fora deviam olhar para n\u00f3s e dizer: &#8220;eles s\u00e3o diferentes, s\u00e3o uma mais-valia para o mundo, porque amam mais do que os outros&#8221;. \u00c9 isso que acontece? Quem contempla as nossas comunidades, descobre as marcas do amor, ou as marcas da insensibilidade, do ego\u00edsmo, do confronto, do ci\u00fame, da inveja? Os estrangeiros, os doentes, os necessitados, os d\u00e9beis, os marginalizados s\u00e3o acolhidos nas nossas comunidades com solicitude e amor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante sentirmos que a nossa d\u00edvida de amor nunca est\u00e1 paga. Podemos, todos os dias, realizar gestos de partilha, de servi\u00e7o, de acolhimento, de reconcilia\u00e7\u00e3o, de perd\u00e3o&#8230; mas \u00e9 preciso, neste campo, ir sempre mais al\u00e9m. H\u00e1 sempre mais um irm\u00e3o que \u00e9 preciso amar e acolher; h\u00e1 sempre mais um gesto de solidariedade que \u00e9 preciso fazer; h\u00e1 sempre mais um sorriso que podemos partilhar; h\u00e1 sempre mais uma palavra de esperan\u00e7a que podemos oferecer a algu\u00e9m. Sobretudo, \u00e9 preciso que sintamos que a nossa caminhada de amor nunca est\u00e1 conclu\u00edda. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 18,15-20<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cap\u00edtulo 18 do Evangelho de Mateus \u00e9 conhecido como o &#8220;discurso eclesial&#8221;. Apresenta uma catequese de Jesus sobre a experi\u00eancia de caminhada em comunidade. Aqui, Mateus ampliou de forma significativa algumas instru\u00e7\u00f5es apresentadas por Marcos sobre a vida comunit\u00e1ria (cf. Mc 9,33-37. 42-47) e comp\u00f4s, com esses materiais, um dos cinco grandes discursos que o seu Evangelho nos apresenta. Os destinat\u00e1rios desta &#8220;instru\u00e7\u00e3o&#8221; s\u00e3o os disc\u00edpulos e, atrav\u00e9s deles, a comunidade a que o Evangelho de Mateus se dirige.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade de Mateus \u00e9 uma comunidade &#8220;normal&#8221; &#8211; isto \u00e9, \u00e9 uma comunidade parecida com qualquer uma das que n\u00f3s conhecemos. Nessa comunidade existem tens\u00f5es entre os diversos grupos e problemas de conviv\u00eancia: h\u00e1 irm\u00e3os que se julgam superiores aos outros e que querem ocupar os primeiros lugares; h\u00e1 irm\u00e3os que tomam atitudes prepotentes e que escandalizam os pobres e os d\u00e9beis; h\u00e1 irm\u00e3os que magoam e ofendem outros membros da comunidade; h\u00e1 irm\u00e3os que t\u00eam dificuldade em perdoar as falhas e os erros dos outros&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para responder a este quadro, Mateus elaborou uma exorta\u00e7\u00e3o que convida \u00e0 simplicidade e humildade, ao acolhimento dos pequenos, dos pobres e dos exclu\u00eddos, ao perd\u00e3o e ao amor. Ele desenha, assim, um &#8220;modelo&#8221; de comunidade para os crist\u00e3os de todos os tempos: a comunidade de Jesus tem de ser uma fam\u00edlia de irm\u00e3os, que vive em harmonia, que d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o aos pequenos e aos d\u00e9beis, que escuta os apelos e os conselhos do Pai e que vive no amor. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o e partilha, considerar as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra &#8220;toler\u00e2ncia&#8221; \u00e9 uma palavra profundamente crist\u00e3, que sugere o respeito pelo outro, pelas suas diferen\u00e7as, at\u00e9 pelos seus erros e falhas. No entanto, o que significa &#8220;toler\u00e2ncia&#8221;? Significa que cada um pode fazer o mal ou o bem que quiser, sem que tal nos diga minimamente respeito? Implica recusarmo-nos a intervir quando algu\u00e9m toma atitudes que atentam contra a vida, a liberdade, a dignidade, os direitos dos outros? Quer dizer que devemos ficar indiferentes quando algu\u00e9m assume comportamentos de risco, porque ele &#8220;\u00e9 maior e vacinado&#8221; e n\u00f3s n\u00e3o temos nada com isso? Quais s\u00e3o as fronteiras da &#8220;toler\u00e2ncia&#8221;? Diante de algu\u00e9m que se obstina no erro, que destr\u00f3i a sua vida e a dos outros, devemos ficar de bra\u00e7os cruzados? At\u00e9 que ponto vai a nossa responsabilidade para com os irm\u00e3os que nos rodeiam? A &#8220;toler\u00e2ncia&#8221; n\u00e3o ser\u00e1, tantas vezes, uma desculpa que serve para disfar\u00e7ar a indiferen\u00e7a, a demiss\u00e3o das responsabilidades, o comodismo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste domingo sugere a nossa responsabilidade em ajudar cada irm\u00e3o a tomar consci\u00eancia dos seus erros. Convida-nos a respeitar o nosso irm\u00e3o, mas a n\u00e3o pactuar com as atitudes erradas que ele possa assumir. Amar algu\u00e9m \u00e9 n\u00e3o ficar indiferente quando ele est\u00e1 a fazer mal a si pr\u00f3prio; por isso, amar significa, muitas vezes, corrigir, admoestar, questionar, discordar, interpelar&#8230; \u00c9 preciso amar muito e respeitar muito o outro, para correr o risco de n\u00e3o concordar com ele, de lhe fazer observa\u00e7\u00f5es que o v\u00e3o magoar; no entanto, trata-se de uma exig\u00eancia que resulta do mandamento do amor&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que atitude tomar em rela\u00e7\u00e3o a quem erra? Como proceder? Antes de mais, \u00e9 preciso evitar publicitar os erros e as falhas dos outros. O denunciar publicamente o erro do irm\u00e3o, pode significar destruir-lhe a credibilidade e o bom-nome, a paz e a tranquilidade, as rela\u00e7\u00f5es familiares e a confian\u00e7a dos amigos. Fazer com que algu\u00e9m seja julgado na pra\u00e7a p\u00fablica &#8211; seja ou n\u00e3o culpado &#8211; \u00e9 conden\u00e1-lo antecipadamente, \u00e9 n\u00e3o lhe dar a possibilidade de se defender e de se explicar, \u00e9 restringir-lhe o direito de apelar \u00e0 miseric\u00f3rdia e \u00e0 capacidade de perd\u00e3o dos outros irm\u00e3os. Humilhar o irm\u00e3o publicamente \u00e9, sobretudo, uma grave falta contra o amor. \u00c9 por isso que o Evangelho de hoje convida a ir ao encontro do irm\u00e3o que falhou e a repreend\u00ea-lo a s\u00f3s&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobretudo, \u00e9 preciso que a nossa interven\u00e7\u00e3o junto do nosso irm\u00e3o n\u00e3o seja guiada pelo \u00f3dio, pela vingan\u00e7a, pelo ci\u00fame, pela inveja, mas seja guiada pelo amor. A l\u00f3gica de Deus n\u00e3o \u00e9 a condena\u00e7\u00e3o do pecador, mas a sua convers\u00e3o; e essa l\u00f3gica devia estar sempre presente, quando nos confrontamos com os irm\u00e3os que falharam. O que \u00e9 que nos leva, por vezes, a agir e a confrontar os nossos irm\u00e3os com os seus erros: o orgulho ferido, a vontade de humilhar aquele que nos magoou, a m\u00e1 vontade, ou o amor e a vontade de ver o irm\u00e3o reencontrar a felicidade e a paz?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja tem o direito e o dever de pronunciar palavras de den\u00fancia e de condena\u00e7\u00e3o, diante de atos que afetam gravemente o bem comum&#8230; No entanto, deve distinguir claramente entre a pessoa e os seus atos errados. As a\u00e7\u00f5es erradas devem ser condenadas; os que cometeram essas a\u00e7\u00f5es devem ser vistos como irm\u00e3os, a quem se ama, a quem se acolhe e a quem se d\u00e1 sempre outra oportunidade de acolher as propostas de Jesus e de integrar a comunidade do Reino. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/09\/05\/trata-o-como-um-pagao-ou-um-publicano-2\/\">TRATA-O COMO UM PAG\u00c3O OU UM\u00a0PUBLICANO!<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em mar\u00e7o de 1947, o bedu\u00edno\u00a0<em>Muhammed ed-Dib<\/em>, da tribo dos pastores bedu\u00ednos\u00a0<em>Ta\u02bcamireh<\/em>, descobriu nas onze grutas situadas junto do Mar Morto os c\u00e9lebres manuscritos da comunidade ess\u00e9nia de\u00a0<em>Qumran<\/em>, que ali tinha vivido entre os s\u00e9culos II a. C. e I d. C. A partir do seu conte\u00fado, um desses manuscritos acabou por receber o t\u00edtulo de\u00a0<em>Regra da Comunidade<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>Manual de Disciplina<\/em>. Tratava-se de uma esp\u00e9cie de \u00abregra mon\u00e1stica\u00bb, e destinava-se a orientar a vida interna daquela comunidade, contendo tamb\u00e9m uma s\u00e9rie de san\u00e7\u00f5es com que eram penalizados os membros transgressores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos Cap\u00edtulos desta\u00a0<em>Regra<\/em>\u00a0\u00e9 dedicado \u00e0 corre\u00e7\u00e3o fraterna, e diz assim: \u00abCorrijam-se mutuamente com verdade, humildade e bondade. Ningu\u00e9m fale ao seu irm\u00e3o com ira, resmungando e com maldade, mas advirta-o no mesmo dia em que comete a falta, para n\u00e3o carregar ele mesmo com a culpa. Ningu\u00e9m advirta o seu pr\u00f3ximo diante de todos, se primeiro n\u00e3o o fez perante algumas testemunhas\u00bb (V,24-26; VI,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Convenhamos que se trata de medidas de grande eleva\u00e7\u00e3o, dignas de serem ainda hoje tidas em considera\u00e7\u00e3o. Esta viagem a\u00a0<em>Khirbet Qumran<\/em>\u00a0e \u00e0\u00a0<em>Regra<\/em>\u00a0de vida da comunidade judaica que a\u00ed viveu, vem a prop\u00f3sito do Evangelho deste Domingo XXIII do Tempo Comum, em que nos \u00e9 dada a gra\u00e7a de escutar um bocadinho do chamado Discurso Eclesial de Mateus, que ocupa todo o seu Cap\u00edtulo 18. Hoje ouviremos apenas Mateus 18,15-20. No pr\u00f3ximo Domingo, ouviremos a parte que resta desse Cap\u00edtulo, exatamente Mateus 18,21-35.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo em conta o teor da\u00a0<em>Regra da Comunidade<\/em>\u00a0de\u00a0<em>Qumran<\/em>\u00a0e o teor do Discurso Eclesial de Mateus (Mateus 18), tem sido este Discurso muitas vezes visto como\u00a0<em>A Regra da Comunidade Crist\u00e3<\/em>. No bocadinho que hoje nos cabe escutar, a\u00ed est\u00e1, \u00e0 semelhan\u00e7a de\u00a0<em>Qumran<\/em>, a pr\u00e1tica da corre\u00e7\u00e3o fraterna ou promo\u00e7\u00e3o fraterna, a levar por diante de forma gradativa e sempre com o perd\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o e no horizonte. Primeiro, tu a tu, a quatro olhos, dois cora\u00e7\u00f5es. Depois, com o recurso a testemunhas. Finalmente, na assembleia, sempre multiplicando os olhos e os cora\u00e7\u00f5es. Entenda-se: multiplicando sempre a aten\u00e7\u00e3o e o amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Subjaz ao itiner\u00e1rio proposto, que tem de ser sempre o amor fraterno a mover esta importante pr\u00e1tica eclesial, e n\u00e3o aquele subtil sentimento que tantas vezes se apodera de n\u00f3s, levando-nos a pensar que somos melhores ou superiores ao nosso irm\u00e3o que erra. Contra este pretensiosismo, l\u00e1 est\u00e1 a clave de abertura deste Discurso Eclesial, com os disc\u00edpulos de Jesus \u2013 connosco, portanto \u2013 a entreterem-se com a quest\u00e3o in\u00fatil de quem \u00e9 o maior (Mateus 18,1), e com a paradigm\u00e1tica resposta de Jesus, chamando uma crian\u00e7a e dando-lhe o lugar do meio (Mateus 18,2). E n\u00e3o esque\u00e7amos tamb\u00e9m que s\u00f3 podemos abeirar-nos de algu\u00e9m para o advertir, tendo n\u00f3s o nosso olhar l\u00edmpido e puro. \u00c9 fulgurante, a este prop\u00f3sito, a advert\u00eancia de Jesus num outro importante Discurso no Evangelho de Mateus, o Discurso ou Serm\u00e3o da Montanha: \u00abComo podes dizer ao teu irm\u00e3o: deixa-me tirar o argueiro do teu olho, se no teu h\u00e1 uma trave? Hip\u00f3crita, tira primeiro a trave do teu olho, e depois ver\u00e1s bem para tirar o argueiro do olho do teu irm\u00e3o\u00bb (Mateus 7,4-5). Como \u00e9 importante que este dizer de Jesus esteja sempre a retinir no nosso cora\u00e7\u00e3o! E n\u00e3o esque\u00e7amos tamb\u00e9m que a crian\u00e7a no meio (Mateus 18,2) \u00e9 igual a Jesus no meio (Mateus 18,20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez fiquemos satisfeitos e tranquilos, e at\u00e9, se calhar, cheios de raz\u00e3o, com a declara\u00e7\u00e3o final deste itiner\u00e1rio de corre\u00e7\u00e3o ou de promo\u00e7\u00e3o: \u00abSeja para ti como um pag\u00e3o ou um publicano!\u00bb (Mateus 18,17). Mas \u00e9, talvez, exatamente aqui que se esconde a carga mais explosiva do Evangelho e se abre o seu horizonte mais amplo! Ou n\u00e3o \u00e9 verdade que o pr\u00f3prio Jesus se tornou companheiro de viagem e de mesa de publicanos e de pecadores, Ele que veio curar, n\u00e3o os que t\u00eam sa\u00fade, mas os doentes? (Mateus 9,12; cf. Lc 5,31-32).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma \u00faltima e imensa considera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 o texto deste Domingo um exclusivo do Evangelho de Mateus? E n\u00e3o era Mateus um publicano? E n\u00e3o se abeirou dele um Dia Jesus, quando Mateus, o publicano, estava sentado no seu tel\u00f3nio, um pouco a norte de Cafarnaum, cobrando impostos e ouvindo insultos dos seus concidad\u00e3os? Os insultos n\u00e3o demoveram Mateus. Mas Jesus aproximou-se, cravou nos dois olhos tristes e cansados de Mateus os seus dois olhos repletos de amor, e disse-lhe: \u00abSegue-me!\u00bb (Mateus 9,9). Mateus levantou-se e seguiu Jesus, e foi fazer uma grande festa para celebrar esta p\u00e1gina nova e bela que Jesus tinha acabado de abrir na sua vida triste e cansada. Sim, este epis\u00f3dio \u00e9 exclusivo de Mateus, porque traduz a coisa mais bela e irresist\u00edvel que aconteceu na sua vida: aquele olhar bom e belo de Jesus, aquele olhar criador de Jesus, que fez Mateus levantar-se do loda\u00e7al e perceber o poder da l\u00f3gica do amor e do perd\u00e3o. E de saber bem que \u00e9 Jesus que est\u00e1 no meio!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, aquele \u00abseja para ti como um pag\u00e3o ou um publicano!\u00bb n\u00e3o significa que se pode p\u00f4r um ponto final no trabalho do perd\u00e3o e do amor que s\u00e3o devidos a um irm\u00e3o, e ficar com a consci\u00eancia tranquila. Este \u00abseja para ti como um pag\u00e3o ou um publicano\u00bb \u00e9 virar a p\u00e1gina da an\u00e1lise fria e da metodologia cultural, social e profissional em curso, e come\u00e7ar tudo de novo, absolutamente de novo, usando agora a metodologia absolutamente nova de Jesus. A n\u00e3o ser assim, tamb\u00e9m j\u00e1 podemos antecipar que o nosso ponto final posto ao trabalho do perd\u00e3o esbarraria logo a seguir com a l\u00f3gica do \u00absetenta vezes sete\u00bb de Jesus para Pedro (Mateus 18,21-22) e do Senhor da hist\u00f3ria seguinte, que \u00e9 Deus, e que, de uma assentada, perdoa a um pobre servo a m\u00f3dica quantia de mais coisa menos coisa como o equivalente a 174 toneladas de ouro! (Mateus 18,23-27). Note-se tamb\u00e9m que os tr\u00eas epis\u00f3dios s\u00e3o exclusivos de Mateus, e veja-se o qu\u00e3o importante \u00e9 termos feito um dia a experi\u00eancia do perd\u00e3o! Decisivo na pessoa de Mateus, e em todo o seu Evangelho, \u00e9 ter sido perdoado e chamado por Jesus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em plena e boa sintonia, a profecia de Ezequiel (33,7-9) lembra-nos a nossa condi\u00e7\u00e3o de sentinelas atentas e ativas, sens\u00edveis, sempre sintonizadas em Hi-Fi, velando para que n\u00e3o se desperdice a for\u00e7a performativa da Palavra de Deus. Leia-se, em contraponto, a advert\u00eancia fort\u00edssima de Isa\u00edas: \u00abTodas as sentinelas s\u00e3o cegas: n\u00e3o entendem; todas como c\u00e3es mudos: incapazes de ladrar; sonham, ficam deitadas, gostam de dormir\u00bb (Isa\u00edas 56,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E sempre na mesma boa sintonia, desafia-nos S. Paulo (Romanos 13,8-10) a termos sempre boa consci\u00eancia para sabermos que temos uns para com os outros uma bela d\u00edvida a pagar todos os dias: o amor m\u00fatuo. Trata-se de uma d\u00edvida de que n\u00e3o podemos fugir, pois n\u00e3o nos \u00e9 permitido declarar insolv\u00eancia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, n\u00e3o nos \u00e9 permitido declarar insolv\u00eancia ou adormecer ou entorpecer, de modo a ficarmos inativos, infecundos, insens\u00edveis, tipo \u00abtanto faz!\u00bb. O Salmo 95, que hoje cantamos, e que \u00e9, para os judeus fi\u00e9is, a ora\u00e7\u00e3o de ingresso ou de entrada no s\u00e1bado (reza-se sexta-feira ao p\u00f4r-do-sol em fam\u00edlia), e para n\u00f3s, crist\u00e3os, \u00e9 o Salmo invitat\u00f3rio recitado todas as manh\u00e3s, \u00e9 o mais quotidiano dos Salmos. E deve ser um permanente despertador para n\u00e3o nos deixarmos andar ao sabor de qualquer m\u00fasica, mas apenas e sempre ao sabor da m\u00fasica de Deus. Sim, n\u00e3o \u00e9 tempo de nos instalarmos aqui, em qualquer \u00abaqui\u00bb. \u00c9 necess\u00e1rio levar a todos os lugares e a todas as pessoas este vendaval manso de gra\u00e7a e de bondade e de f\u00e9 que um dia Jesus ensinou e todos os dias mostrou aos seus disc\u00edpulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Leitura-I-do-Domingo-XXIII-do-Tempo-Comum-Ano-A-10.09.2023-Ez-33-7-9.pdf\">Leitura I do Domingo XXIII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 10.09.2023 (Ez 33, 7-9)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Leitura-II-do-Domingo-XXIII-do-Tempo-Comum-Ano-A-10.09.2023-Rom-13-8-10.pdf\">Leitura II do Domingo XXIII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 10.09.2023 (Rom 13, 8-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Domingo-XXIII-do-Tempo-Comum-Ano-A-10.09.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XXIII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 10.09.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Domingo-XXIII-do-Tempo-Comum-Ano-A-10.09.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXIII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 10.09.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 03.09.2023&#8243; tab_id=&#8221;1694415642274-f820204b-7b8e&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XXII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 03.09.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Domingo-XXII.jpg\" alt=\"\" width=\"661\" height=\"422\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celebramos hoje o XXII Domingo do Tempo Comum. O texto central deste Domingo \u2013 O Evangelho &#8211; pode, claramente, dividir-se em duas partes. Na primeira (vers. 21-23), Jesus anuncia aos disc\u00edpulos a sua paix\u00e3o; na segunda (vers. 24-28), Jesus apresenta uma instru\u00e7\u00e3o sobre o significado e as exig\u00eancias de ser seu disc\u00edpulo.<br \/>\nA primeira parte come\u00e7a com o an\u00fancio de Jesus de que o caminho para a ressurrei\u00e7\u00e3o passa pelo sofrimento e pela morte na cruz. N\u00e3o \u00e9 uma previs\u00e3o arriscada: depois do confronto de Jesus com os l\u00edderes judeus e depois que estes rejeitaram de forma absoluta a proposta do Reino, \u00e9 evidente que o juda\u00edsmo medita a elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica de Jesus. Jesus tem consci\u00eancia disso; no entanto, n\u00e3o se demite do projeto do Reino e anuncia que pretende continuar a apresentar, at\u00e9 ao fim, os planos do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro n\u00e3o est\u00e1 de acordo com este final e op\u00f5e-se, decididamente, a que Jesus caminhe em dire\u00e7\u00e3o ao seu destino de cruz. A oposi\u00e7\u00e3o de Pedro (e dos disc\u00edpulos, pois Pedro continua a ser o porta-voz da comunidade) significa que a sua compreens\u00e3o do mist\u00e9rio de Jesus ainda \u00e9 muito imperfeita. Para ele, a miss\u00e3o do &#8220;Messias, Filho de Deus&#8221; \u00e9 uma miss\u00e3o gloriosa e vencedora; e, na l\u00f3gica de Pedro &#8211; que \u00e9 a l\u00f3gica do mundo &#8211; a vit\u00f3ria n\u00e3o pode estar na cruz e no dom da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus dirige-Se a Pedro com alguma dureza, pois \u00e9 preciso que os disc\u00edpulos corrijam a sua perspetiva de Jesus e do plano do Pai que Ele vem realizar. O plano de Deus n\u00e3o passa por triunfos humanos, nem por esquemas de poder e de dom\u00ednio; mas o plano do Pai passa pelo dom da vida e pelo amor at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias (de que a cruz \u00e9 a express\u00e3o mais radical). Ao pedir a Jesus que n\u00e3o embarque nos projetos do Pai, Pedro est\u00e1 a repetir essas tenta\u00e7\u00f5es que Jesus experimentou no in\u00edcio do seu minist\u00e9rio (cf. Mt 4,3-10); por isso, Mateus coloca na boca de Jesus a mesma resposta que, ent\u00e3o, Ele deu ao diabo: &#8220;Retira-te, Satan\u00e1s&#8221;. As palavras de Pedro &#8211; como as do diabo anteriormente &#8211; pretendem desviar Jesus do cumprimento dos planos do Pai; e Jesus n\u00e3o est\u00e1 disposto a transigir com qualquer proposta que O impe\u00e7a de concretizar, com amor e fidelidade, os projetos de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda parte, Jesus apresenta uma instru\u00e7\u00e3o sobre as atitudes pr\u00f3prias do disc\u00edpulo. Quem quiser ser disc\u00edpulo de Jesus, tem de &#8220;renunciar a si mesmo&#8221;, &#8220;tomar a cruz&#8221; e seguir Jesus no seu caminho de amor, de entrega e de dom da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 que significa, exatamente, renunciar a si mesmo? Significa renunciar ao seu ego\u00edsmo e autossufici\u00eancia, para fazer da vida um dom a Deus e aos outros. O crist\u00e3o n\u00e3o pode viver fechado em si pr\u00f3prio, preocupado apenas em concretizar os seus sonhos pessoais, os seus projetos de riqueza, de seguran\u00e7a, de bem-estar, de dom\u00ednio, de \u00eaxito, de triunfo&#8230; O crist\u00e3o deve fazer da sua vida um dom generoso a Deus e aos irm\u00e3os. S\u00f3 assim ele poder\u00e1 ser disc\u00edpulo de Jesus e integrar a comunidade do Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 que significa &#8220;tomar a cruz&#8221; de Jesus e segui-l&#8217;O? A cruz \u00e9 a express\u00e3o de um amor total, radical, que se d\u00e1 at\u00e9 \u00e0 morte. Significa a entrega da pr\u00f3pria vida por amor. &#8220;Tomar a cruz&#8221; \u00e9 ser capaz de gastar a vida &#8211; de forma total e completa &#8211; por amor a Deus e para que os irm\u00e3os sejam mais felizes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final desta instru\u00e7\u00e3o, Jesus explica aos disc\u00edpulos as raz\u00f5es pelas quais eles devem abra\u00e7ar a &#8220;l\u00f3gica da cruz&#8221; (vers. 25-27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <em>primeiro lugar<\/em>, Jesus convida-os a entender que oferecer a vida por amor n\u00e3o \u00e9 perd\u00ea-la, mas ganh\u00e1-la. Quem \u00e9 capaz de dar a vida a Deus e aos irm\u00e3os n\u00e3o fracassou; mas ganhou a vida eterna, a vida verdadeira que Deus oferece a quem vive de acordo com as suas propostas (vers. 25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <em>segundo lugar<\/em>, os disc\u00edpulos s\u00e3o convidados a perceber que a vida que gozam neste mundo n\u00e3o \u00e9 a vida definitiva. N\u00e3o devem, pois, preocupar-se em preserv\u00e1-la a qualquer custo: devem \u00e9 procurar encontrar, j\u00e1 nesta terra, essa vida definitiva que passa pelo amor total e pelo dom a Deus e aos outros. \u00c9 essa a grande meta que todos devem procurar alcan\u00e7ar (vers. 26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <em>terceiro lugar<\/em>, os disc\u00edpulos devem pensar no seu encontro final com Deus: nessa altura, Deus dar-lhes-\u00e1 a recompensa pelas op\u00e7\u00f5es que fizeram&#8230; Esta alus\u00e3o ao momento do ju\u00edzo n\u00e3o \u00e9 rara em Mateus: ele recorre, com alguma frequ\u00eancia, a esta motiva\u00e7\u00e3o para fundamentar as exig\u00eancias \u00e9ticas da vida crist\u00e3. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Jer 20,7-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jeremias nasceu em Anatot (a norte de Jerusal\u00e9m), por volta de 650 a.C. Ainda novo (por volta de 627\/626 a.C.), sentiu que Deus o chamava a ser profeta. A atividade prof\u00e9tica de Jeremias prolongou-se at\u00e9 depois da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m pelos babil\u00f3nios (586 a.C.). O cen\u00e1rio da atividade do profeta foi, em geral, o reino de Jud\u00e1 (e, sobretudo, a cidade de Jerusal\u00e9m).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jeremias viveu numa \u00e9poca hist\u00f3rica bastante conturbada. Foi um per\u00edodo de grande instabilidade, de injusti\u00e7as sociais gritantes, de infidelidade religiosa. Quer Joaquim (609-597 a.C.) quer Sedecias (597-586 a.C.) foram reis fracos, incapazes de responder com \u00eaxito \u00e0s exig\u00eancias da conjuntura internacional e de manter uma pol\u00edtica de neutralidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s grandes pot\u00eancias da \u00e9poca (sobretudo o Egipto e a Babil\u00f3nia). Jeremias &#8211; convencido de que Jud\u00e1 estava a ser infiel a Deus ao deixar de confiar em Jahw\u00e9h e ao colocar a sua seguran\u00e7a e a sua esperan\u00e7a nas m\u00e3os dos povos estrangeiros &#8211; criticou duramente os l\u00edderes do Povo e anunciou uma invas\u00e3o estrangeira, destinada a castigar os pecados de Jud\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prega\u00e7\u00e3o de Jeremias n\u00e3o foi, no entanto, apreciada pelo Povo e pelos l\u00edderes. Considerado um &#8220;profeta da desgra\u00e7a&#8221;, Jeremias apenas conseguiu criar o vazio \u00e0 sua volta e viu os amigos, os familiares, os conhecidos voltarem-lhe as costas. Conheceu a solid\u00e3o, o abandono, a maledic\u00eancia&#8230; Acusado de trai\u00e7\u00e3o e encarcerado (cf. Jer 37,11-16), o profeta chegou a correr perigo de vida (cf. Jer. 38,11-13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jeremias \u00e9 o paradigma dos profetas que sofreram por causa da sua miss\u00e3o. De natureza sens\u00edvel e cordial, homem de paz, Jeremias n\u00e3o foi feito para o confronto, para a viol\u00eancia das palavras ou dos gestos; mas Jahw\u00e9h chamou-o para &#8220;arrancar e destruir, para exterminar e demolir&#8221; (Jer 1,10), para predizer desgra\u00e7as e anunciar destrui\u00e7\u00e3o e morte (cf. Jer 20,8). Como consequ\u00eancia, foi continuamente objeto de desprezo e de irris\u00e3o e todos o maldiziam e se afastavam mal ele abria a boca. E esse homem bom, sens\u00edvel e delicado sofria terrivelmente pelo abandono e pela solid\u00e3o a que a miss\u00e3o prof\u00e9tica o condenava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jeremias estava, verdadeiramente, apaixonado pela Palavra de Jahw\u00e9h e sabia que n\u00e3o teria descanso se n\u00e3o a proclamasse com fidelidade. Mas, nos momentos mais negros de solid\u00e3o e de frustra\u00e7\u00e3o, o profeta deixou, algumas vezes, que a amargura que lhe ia no cora\u00e7\u00e3o lhe subisse \u00e0 boca e se transformasse em palavras. Ent\u00e3o, dirigia-se a Deus e censurava-O asperamente por causa dos problemas que a miss\u00e3o lhe trazia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Livro de Jeremias aparecem, a par e passo, queixas e lamentos do profeta, condenado a essa vida de aparente fracasso. Alguns desses textos s\u00e3o conhecidos como &#8220;confiss\u00f5es de Jeremias&#8221; e s\u00e3o verdadeiros desabafos em que o profeta exp\u00f5e a Jahw\u00e9h, com sinceridade e rebeldia, a sua desilus\u00e3o, a sua amargura e a sua frustra\u00e7\u00e3o (cf. Jer 11, 18-23; 12,1-6; 15,10.15-20; 17,14-18; 18,18-23; 20,7-18). O texto que hoje nos \u00e9 proposto faz parte de uma dessas &#8220;confiss\u00f5es&#8221;. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode fazer-se, considerando as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria de Jeremias \u00e9, em termos gerais, a hist\u00f3ria de todos aqueles que Deus chama a ser profetas. Ser sinal de Deus e dos seus valores significa enfrentar a injusti\u00e7a, a opress\u00e3o, o pecado e, portanto, p\u00f4r em causa os interesses ego\u00edstas e os esquemas sobre os quais, tantas vezes, se constr\u00f3i a hist\u00f3ria do mundo; por isso, o &#8220;caminho prof\u00e9tico&#8221; \u00e9 um caminho onde se lida, permanentemente, com a incompreens\u00e3o, com a solid\u00e3o, com o risco. Deus nunca prometeu a nenhum profeta um caminho f\u00e1cil de gl\u00f3rias e de triunfos humanos. Temos consci\u00eancia disso e estamos dispostos a seguir esse caminho?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No batismo, fomos ungidos como &#8220;profetas&#8221;, \u00e0 imagem de Cristo. Estamos conscientes dessa voca\u00e7\u00e3o a que Deus, a todos, nos convocou? Temos a no\u00e7\u00e3o de que somos a &#8220;boca&#8221; atrav\u00e9s da qual a Palavra de Deus ressoa no mundo e se dirige aos homens?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste texto &#8211; e, em geral, em toda a vida de Jeremias &#8211; impressiona-nos o espa\u00e7o fundamental que a Palavra de Deus ocupa na vida do profeta. Ela tomou conta do seu cora\u00e7\u00e3o e dominou-o totalmente. \u00c9 uma &#8220;paix\u00e3o&#8221; que &#8211; apesar de ter trazido ao profeta uma hist\u00f3ria pessoal de sofrimento e de risco &#8211; n\u00e3o pode ser calada e sufocada. Que espa\u00e7o ocupa a Palavra de Deus ocupa na minha vida? Amo, de forma apaixonada, a Palavra de Deus? Estou disposto a correr todos os riscos para que a Palavra de Deus alcance a vida dos meus irm\u00e3os e renove o mundo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lamento de Jeremias n\u00e3o deve escandalizar-nos; mas deve ser entendido no contexto de uma situa\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica de sofrimento intoler\u00e1vel. \u00c9 o grito de um cora\u00e7\u00e3o humano dolorido, marcado pela incompreens\u00e3o dos que o rodeiam, pelo abandono, pela solid\u00e3o e pelo aparente fracasso da miss\u00e3o a que devotou a sua vida. \u00c9 o mesmo lamento de tantos homens e mulheres, em tantos momentos dram\u00e1ticos de solid\u00e3o, de sofrimento, de incompreens\u00e3o, de dor. \u00c9 a express\u00e3o da nossa finitude, da nossa fragilidade, das nossas limita\u00e7\u00f5es, da nossa humanidade. \u00c9 precisamente nessas situa\u00e7\u00f5es que nos dirigimos a Deus (\u00e0s vezes at\u00e9 com express\u00f5es menos pr\u00f3prias) e Lhe dizemos a falta que Ele nos faz e o quanto a nossa vida \u00e9 vazia e sem sentido se Ele n\u00e3o nos estender a sua m\u00e3o. Esses momentos n\u00e3o s\u00e3o, propriamente, momentos negativos da nossa caminhada de f\u00e9 e de rela\u00e7\u00e3o com Deus; mas s\u00e3o momentos (talvez necess\u00e1rios) de crescimento e de amadurecimento, em que experimentamos a nossa fragilidade e descobrimos que, sem Deus e sem o seu amor, a nossa vida n\u00e3o faz sentido. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 62 (63)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> A minha alma tem sede de V\u00f3s, meu Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Rom 12,1-2<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de apresentar a sua catequese sobre o projeto de salva\u00e7\u00e3o que Deus tem para todos os homens (cf. Rom 1,18-11,36), Paulo vai descer a considera\u00e7\u00f5es de car\u00e1cter mais pr\u00e1tico, destinadas a mostrar como deve viver aquele que \u00e9 chamado \u00e0 salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas indica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas aparecem na segunda parte da Carta aos Romanos (cf. Rom 12,1-15,13). A\u00ed Paulo apresenta um longo discurso exortativo, no qual convida os romanos (e os crentes em geral) a comportar-se de acordo com as exig\u00eancias da sua condi\u00e7\u00e3o de batizados. Aderir a Cristo e acolher a salva\u00e7\u00e3o que Ele veio oferecer n\u00e3o significa ficar no simples campo das verdades te\u00f3ricas e abstratas (por muito bonitas e profundas que elas possam ser), mas exige um comportamento coerente com os valores de Jesus e com a vida nova que Ele oferece. A ades\u00e3o a Jesus implica assumir atitudes, nos v\u00e1rios momentos e situa\u00e7\u00f5es da vida di\u00e1ria, que sejam a express\u00e3o existencial desse dinamismo de vida nova que resulta do batismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 segunda parte da Carta e a esta reflex\u00e3o pr\u00e1tica sobre as exig\u00eancias do caminho crist\u00e3o. Apresentam-se como uma esp\u00e9cie de ponte entre a parte te\u00f3rica (primeira parte da carta) e a parte pr\u00e1tica (segunda parte da carta). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, considerar os seguintes elementos<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 que o crente deve responder aos dons de Deus? Com atos rituais solenes e formais, com ora\u00e7\u00f5es ou gestos tradicionais repetidos de forma mec\u00e2nica, com a oferta de uma &#8220;esmola&#8221; para os cofres da Igreja, com uma peregrina\u00e7\u00e3o a um santu\u00e1rio? Paulo responde: o culto que Deus quer \u00e9 a nossa vida, vivida no amor, no servi\u00e7o, na doa\u00e7\u00e3o, na entrega a Deus e aos irm\u00e3os. Respondemos ao amor de Deus entregando-nos nas suas m\u00e3os, tentando perceber as suas propostas, vivendo na fidelidade aos seus projetos. Como \u00e9 o culto que eu procuro prestar a Deus: \u00e9 um somat\u00f3rio de gestos mec\u00e2nicos, rituais e externos, ou \u00e9 uma vida de entrega e de amor a Deus e aos homens meus irm\u00e3os?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o vos conformeis com este mundo&#8221; &#8211; pede Paulo. O crist\u00e3o \u00e9 algu\u00e9m que n\u00e3o pactua com um mundo que se constr\u00f3i \u00e0 margem ou contra os valores de Deus. O crist\u00e3o n\u00e3o pode pactuar com a viol\u00eancia como meio para resolver os problemas, nem com a l\u00f3gica materialista do sucesso a qualquer custo, nem com as leis do neoliberalismo que deixam atr\u00e1s uma multid\u00e3o de vencidos e de sofredores, nem com as exig\u00eancias de uma globaliza\u00e7\u00e3o que favorece alguns privilegiados, mas aumenta as bolsas de mis\u00e9ria e de exclus\u00e3o, nem com a forma de organiza\u00e7\u00e3o de uma sociedade que condena \u00e0 solid\u00e3o os velhos e os doentes&#8230; Eu sou um comodista, egoisticamente instalado no meu cantinho a devorar a minha pequena fatia de felicidade, ou sou algu\u00e9m que n\u00e3o se conforma e que luta para que os projetos de Deus se concretizem?<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>&#8220;Transformai-vos pela renova\u00e7\u00e3o espiritual da vossa mente&#8221; &#8211; diz Paulo. Estou instalado nos meus preconceitos, nas minhas certezas e seguran\u00e7as, nos meus princ\u00edpios imut\u00e1veis, ou estou sempre numa permanente escuta de Deus, dos seus caminhos, dos seus projetos e propostas? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 16,21-27<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio que o Evangelho de hoje nos prop\u00f5e vem na sequ\u00eancia daquele que lemos e refletimos no passado domingo. Ent\u00e3o (cf. Mt 16,13-20), a comunidade dos disc\u00edpulos expressava a sua f\u00e9 em Jesus como o &#8220;Messias, Filho de Deus&#8221; (\u00e9 sobre essa f\u00e9 &#8211; diz Jesus &#8211; que a Igreja ser\u00e1 edificada); agora, Jesus vai explicar a esse grupo de disc\u00edpulos o sentido aut\u00eantico do seu messianismo e da sua filia\u00e7\u00e3o divina.<br \/>\nContinuamos, ainda, no \u00e2mbito da &#8220;instru\u00e7\u00e3o sobre o Reino&#8221; (cf. Mt 13,1-17,27); no entanto, iniciamos, com este epis\u00f3dio, uma sec\u00e7\u00e3o onde se privilegia a catequese sobre esse destino de cruz que aparece no horizonte pr\u00f3ximo de Jesus (cf. Mt 16,21-17,27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta fase, as multid\u00f5es ficaram para tr\u00e1s e os l\u00edderes j\u00e1 decidiram rejeitar Jesus. Quem continua a acompanhar Jesus, de forma indefet\u00edvel, \u00e9 o grupo dos disc\u00edpulos. Eles acreditam que Jesus \u00e9 o &#8220;Messias, Filho de Deus&#8221; e querem partilhar o seu destino de gl\u00f3ria e de triunfo. Jesus vai, no entanto, explicar-lhes que o seu messianismo n\u00e3o passa por triunfos e \u00eaxitos humanos, mas pela cruz (cf. Mt 16,21-17,21); e vai avis\u00e1-los de que viver como disc\u00edpulo \u00e9 seguir esse caminho da entrega e do dom da vida (cf. Mt 17,22-27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mateus escreve o seu Evangelho para comunidades crist\u00e3s do final do s\u00e9c. I (anos 80\/90). S\u00e3o comunidades instaladas, que j\u00e1 esqueceram o fervor inicial e que se acomodaram num cristianismo morno e pouco exigente. Com a aproxima\u00e7\u00e3o de tempos dif\u00edceis (no horizonte pr\u00f3ximo est\u00e3o j\u00e1 as grandes persegui\u00e7\u00f5es do final do s\u00e9c. I), \u00e9 conveniente que os crentes recordem que o caminho crist\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um caminho f\u00e1cil, percorrido no meio de \u00eaxitos e de aplausos, mas \u00e9 um caminho dif\u00edcil, que exige diariamente a entrega e o dom da vida. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, considerar os seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frente a frente, o Evangelho deste domingo coloca a l\u00f3gica dos homens (Pedro) e a l\u00f3gica de Deus (Jesus). A l\u00f3gica dos homens aposta no poder, no dom\u00ednio, no triunfo, no \u00eaxito; garante-nos que a vida s\u00f3 tem sentido se estivermos do lado dos vencedores, se tivermos dinheiro em abund\u00e2ncia, se formos reconhecidos e incensados pelas multid\u00f5es, se tivermos acesso \u00e0s festas onde se re\u00fane a alta sociedade, se tivermos lugar no conselho de administra\u00e7\u00e3o da empresa. A l\u00f3gica de Deus aposta na entrega da vida a Deus e aos irm\u00e3os; garante-nos que a vida s\u00f3 faz sentido se assumirmos os valores do Reino e vivermos no amor, na partilha, no servi\u00e7o, na solidariedade, na humildade, na simplicidade. Na minha vida de cada dia, estas duas perspetivas confrontam-se, a par e passo&#8230;. Qual \u00e9 a minha escolha? Na minha perspetiva, qual destas duas propostas apresenta um caminho de felicidade seguro e duradouro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus tornou-Se um de n\u00f3s para concretizar os planos do Pai e propor aos homens &#8211; atrav\u00e9s do amor, do servi\u00e7o, do dom da vida &#8211; o caminho da salva\u00e7\u00e3o, da vida verdadeira. Neste texto (como, ali\u00e1s, em muitos outros), fica claramente expressa a fidelidade radical de Jesus a esse projeto. Por isso, Ele n\u00e3o aceita que nada nem ningu\u00e9m O afaste do caminho do dom da vida: dar ouvidos \u00e0 l\u00f3gica do mundo e esquecer os planos de Deus \u00e9, para Jesus, uma tenta\u00e7\u00e3o diab\u00f3lica que Ele rejeita duramente. Que significado e que lugar ocupam na minha vida os projetos de Deus? Esfor\u00e7o-me por descobrir a vontade de Deus a meu respeito e a respeito do mundo? Estou atento a esses &#8220;sinais dos tempos&#8221; atrav\u00e9s dos quais Deus me interpela? Sou capaz de acolher e de viver com fidelidade e radicalidade as propostas de Deus, mesmo quando elas s\u00e3o exigentes e v\u00e3o contra os meus interesses e projetos pessoais?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem s\u00e3o os verdadeiros disc\u00edpulos de Jesus? Muitos de n\u00f3s receberam uma catequese que insistia em ritos, em f\u00f3rmulas, em pr\u00e1ticas de piedade, em determinadas obriga\u00e7\u00f5es legais, mas que deixou para segundo plano o essencial: o seguimento de Jesus. A identidade crist\u00e3 constr\u00f3i-se \u00e0 volta de Jesus e da sua proposta de vida. Que nenhum de n\u00f3s tenha d\u00favidas: ser crist\u00e3o \u00e9 bem mais do que ser batizado, ter casado na igreja, organizar a festa do santo padroeiro da par\u00f3quia, ou dar-se bem com o padre&#8230; Ser crist\u00e3o \u00e9, essencialmente, seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida. O crist\u00e3o \u00e9 aquele que faz de Jesus a refer\u00eancia fundamental \u00e0 volta da qual constr\u00f3i toda a sua exist\u00eancia; e \u00e9 aquele que renuncia a si mesmo e que toma a mesma cruz de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 &#8220;renunciar a si mesmo&#8221;? \u00c9 n\u00e3o deixar que o ego\u00edsmo, o orgulho, o comodismo, a autossufici\u00eancia dominem a vida. O seguidor de Jesus n\u00e3o vive fechado no seu cantinho, a olhar para si mesmo, indiferente aos dramas que se passam \u00e0 sua volta, insens\u00edvel \u00e0s necessidades dos irm\u00e3os, alheado das lutas e reivindica\u00e7\u00f5es dos outros homens; mas vive para Deus e na solidariedade, na partilha e no servi\u00e7o aos irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 &#8220;tomar a cruz&#8221;? \u00c9 amar at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, at\u00e9 \u00e0 morte. O seguidor de Jesus \u00e9 aquele que est\u00e1 disposto a dar a vida para que os seus irm\u00e3os sejam mais livres e mais felizes. Por isso, o crist\u00e3o n\u00e3o tem medo de lutar contra a injusti\u00e7a, a explora\u00e7\u00e3o, a mis\u00e9ria, o pecado, mesmo que isso signifique enfrentar a morte, a tortura, as repres\u00e1lias dos poderosos. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/08\/29\/vai-para-tras-de-mim-2\/\"><strong>VAI PARA TR\u00c1S DE\u00a0MIM!<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste Domingo XXII do Tempo Comum (Mateus 16,21-27) forma uma unidade de alto-a-baixo com o Evangelho do Domingo passado (XXI), em que escut\u00e1mos a passagem imediatamente anterior (Mateus 16,13-20), que terminava com Jesus a ordenar aos seus disc\u00edpulos que n\u00e3o dissessem a ningu\u00e9m que Ele era o Cristo (Mateus 16,20). No Domingo passado n\u00e3o o pod\u00edamos saber. Mas hoje, que ficamos a ter acesso ao texto inteiro, j\u00e1 n\u00e3o precisamos de ficar parados no meio da ponte ou em Cesareia de Filipe, sem nunca chegarmos a Jerusal\u00e9m. Na verdade, depois de ter dado aos seus disc\u00edpulos aquela ordem taxativa de\u00a0<em>n\u00e3o dizerem<\/em>\u00a0a ningu\u00e9m que Ele era o Cristo (Mateus 16,20), Jesus abre uma p\u00e1gina nova logo no vers\u00edculo seguinte, falando pela primeira vez, de forma expl\u00edcita, da sua Paix\u00e3o e Ressurrei\u00e7\u00e3o: \u00abcome\u00e7ou a mostrar aos seus disc\u00edpulos que\u00a0<em>\u00e9 necess\u00e1rio<\/em>\u00a0(<em>de\u00ee<\/em>) \u2013 este\u00a0<em>de\u00ee<\/em>\u00a0implica necessidade divina ou teol\u00f3gica \u2013 que Ele v\u00e1 para Jerusal\u00e9m, sofra muito da parte dos anci\u00e3os e dos sumo-sacerdotes e dos escribas, seja morto, e ressuscite ao terceiro dia\u00bb (Mateus 16,21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ouvindo estes dizeres incr\u00edveis de Jesus, Pedro tomou-o consigo \u00e0 parte e come\u00e7ou a recrimin\u00e1-lo, dizendo: \u00abIsso n\u00e3o te h\u00e1 de acontecer\u00bb (Mateus 16,22). A\u00ed est\u00e1 como Pedro n\u00e3o viu as palavras que disse: \u00abTu \u00e9s o Cristo, o Filho do Deus vivo!\u00bb (Mateus 16,16), como vindas do Pai, por gra\u00e7a, mas como sua produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, dentro da sua cultura e religiosidade, colhidas na torrente da tradi\u00e7\u00e3o religiosa judaica. Para Pedro, tudo normal. Mas aten\u00e7\u00e3o que, o que aconteceu com Pedro, acontece connosco muitas vezes, tantas s\u00e3o as ocasi\u00f5es em que n\u00e3o chegamos a compreender que anda por ali a gra\u00e7a de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 aqui que Jesus diz a Pedro estas palavras dur\u00edssimas e corretivas: \u00abVai para tr\u00e1s de mim (<em>h\u00fdpage op\u00eds\u00f4 mou<\/em>), satan\u00e1s! Pedra de trope\u00e7o (<em>sk\u00e1ndalon<\/em>) \u00e9s para mim, porque n\u00e3o pensas as coisas de Deus, mas as coisas dos homens\u00bb (Mateus 16,23). Note-se que \u00abatr\u00e1s de mim\u00bb \u00e9 o lugar do disc\u00edpulo, exatamente o lugar que Pedro deve ocupar e para o qual foi chamado. \u00abVinde atr\u00e1s de mim\u00bb (<em>de\u00fbte op\u00eds\u00f4 mou<\/em>), s\u00e3o estas as palavras que Jesus dirige a Pedro e a Andr\u00e9, aquando do seu chamamento (Mateus 4,19). Portanto, Pedro deve seguir atentamente atr\u00e1s de Jesus, e n\u00e3o se postar \u00e0 sua frente para lhe barrar o caminho, e tentar que Jesus siga as ideias que Pedro colheu acerca do Cristo na torrente da tradi\u00e7\u00e3o cultural e religiosa judaica. O apelativo de \u00absatan\u00e1s\u00bb tem aqui o vulgar significado hebraico de \u00abseparador\u00bb e \u00abadvers\u00e1rio\u00bb. Em nome dos nossos princ\u00edpios c\u00f3modos adquiridos, ignoramos ou n\u00e3o queremos saber da gra\u00e7a de Deus que agora nos indica outros caminhos. E o texto prossegue no mesmo tom determinado, com Jesus a\u00a0<em>dizer<\/em>\u00a0aos seus disc\u00edpulos que, para o seguirem, \u00e9 preciso dizer n\u00e3o a si mesmos (<em>aparn\u00e9omai<\/em>), e carregar a cruz todos os dias, perder a vida para a ganhar. Dizer n\u00e3o a si mesmos e seguir Jesus (Mateus 16,24) implica p\u00f4r em Jesus a sua confian\u00e7a, e n\u00e3o nos bens, que nos gritam todos os dias: \u00abconfia em n\u00f3s!\u00bb (ap\u00f3logo judaico de 1700). \u00abPerder a vida por causa de mim\u00bb (Mateus 16,25), diz Jesus. Entenda-se: perder a vida desta maneira \u00e9 perder-se nos caminhos de Jesus, \u00abimitando-o verdadeiramente, e n\u00e3o segui-l\u2019O s\u00f3 com os p\u00e9s\u00bb, para o dizer com as palavras de Erasmo de Roterd\u00e3o (1469-1536).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por aqui se v\u00ea por que raz\u00e3o Jesus ordenou aos seus disc\u00edpulos que\u00a0<em>n\u00e3o dissessem<\/em>\u00a0a ningu\u00e9m que Ele era o Cristo. Pedro tinha dito: \u00abTu \u00e9s o Cristo!\u00bb. Mas, como acab\u00e1mos de ver, fosse qual fosse a ideia que Pedro tivesse de \u00abCristo\u00bb, nela n\u00e3o cabia ainda o sofrimento, a rejei\u00e7\u00e3o, a morte, a ressurrei\u00e7\u00e3o, e muito menos a ades\u00e3o pessoal de Pedro a este \u00abCristo\u00bb, a um \u00abCristo\u00bb assim (Mateus 16,21-22). O que Pedro sabia era o que vinha na torrente do juda\u00edsmo desde h\u00e1 muito tempo: que o Cristo vinha para triunfar, para ter sucesso, para estabelecer um mundo de excel\u00eancia para os judeus, libertando-os dos seus advers\u00e1rios. Viria, enfim, p\u00f4r fim a todas as necessidades, disc\u00f3rdias e disputas, \u00e0 guerra, \u00e0 doen\u00e7a e \u00e0 velhice, a tudo aquilo que perturba e diminui os n\u00edveis da nossa vida. Ele viria trazer a plenitude da vida. \u00c9 por isto que Pedro e aqueles disc\u00edpulos seguem Jesus, e n\u00e3o porque andem \u00e0 procura de novas ideias religiosas, ou queiram aprender alguma ora\u00e7\u00e3o nova. Portanto, se os disc\u00edpulos de Jesus fossem\u00a0<em>dizer<\/em>\u00a0que Ele era o Cristo, era isto que iam\u00a0<em>dizer<\/em>, e era isto que a sua audi\u00eancia judaica ia perceber. Gerar-se-ia uma onda de entusiasmo popular, que soaria a falso, como quando n\u00f3s falamos de messianismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 que n\u00f3s\u00a0<em>dizemos<\/em>\u00a0quando\u00a0<em>dizemos<\/em>\u00a0Cristo? E a nossa maneira de viver \u00e9 verdadeiramente a de quem segue Cristo? N\u00e3o o Cristo da tradi\u00e7\u00e3o e do sucesso, mas o Cristo de Deus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caminho de Jesus \u00e9 paradoxal e provocat\u00f3rio. Assim o considerou Pedro, mal ouviu a vers\u00e3o nova de Jesus acerca do seu messianismo. Demorou tempo, equivocou-se v\u00e1rias vezes, ficou parado no caminho, aqueceu-se a outro lume, mas quando foi atingido em cheio pela gra\u00e7a, seguiu Jesus apaixonadamente at\u00e9 ao sangue, n\u00e3o apenas com os p\u00e9s, portanto. \u00c9 neste caminho ardente que se pode inserir mais uma passagem das chamadas \u00abconfiss\u00f5es\u00bb de Jeremias, hoje Jeremias 20,7-9. Olhando para o rastro da sua vida, Jeremias confessa que foi irresistivelmente seduzido pelo seu Deus, para logo o acusar, no limite da blasf\u00e9mia, de velhacaria e engano, pois o abandonou \u00e0 sua sorte, colocando-lhe na boca palavras violentas e deixando-o \u00e0 merc\u00ea dos seus opressores, que zombam dele e o torturam sem descanso. Neste contexto, Jeremias confessa-se desanimado e tentado a abandonar a sua miss\u00e3o de profeta. Mas a Palavra de Deus volta a assalt\u00e1-lo como um fogo, uma lava ardente de que n\u00e3o se pode fugir, pois arde dentro de n\u00f3s (Jeremias 20,9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As \u00abconfiss\u00f5es\u00bb de Jeremias encontram-se em Jeremias 11,18-12,6; 15,10-21; 17,12-18; 18,18-23; 20,7-18, e s\u00e3o uma esp\u00e9cie de di\u00e1rio interior, autobiogr\u00e1fico, em que o profeta de Anat\u00f4t, uma aldeiazinha situada a meia-d\u00fazia de km a nordeste de Jerusal\u00e9m, grita a Deus as dores e os amores da sua vida. Jeremias atravessou o per\u00edodo mais dram\u00e1tico da hist\u00f3ria do seu pa\u00eds, vendo primeiro, em 609, morrer tragicamente o justo rei Josias e subir ao trono o tirano rei Joaquim (609-597), assiste \u00e0s duas entradas do babil\u00f3nio Nabucodonosor em Jerusal\u00e9m, em 597 e 587, sendo a segunda para arrasar Jerusal\u00e9m e o Templo, deportar o rei Sedecias e p\u00f4r fim \u00e0 na\u00e7\u00e3o de Jud\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o coisas exteriores a n\u00f3s, mas n\u00f3s mesmos em oferta a Deus, eis o culto l\u00f3gico (<em>latre\u00eda logik\u00ea<\/em>), isto \u00e9, racional, integral, pessoal, que Paulo nos exorta a prestar a Deus, conforme a li\u00e7\u00e3o de hoje (Romanos 12,1-2), um texto curto, mas imenso. Claro, tudo sempre envolvido na gra\u00e7a preveniente, concomitante e consequente que nos vem de Deus e nos enche de bondade e de beleza, e que faz da nossa vida sacrif\u00edcio agrad\u00e1vel a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De toda esta intensidade faz eco o Salmo 63, conhecido como \u00abo canto do amor m\u00edstico\u00bb, em que o orante descreve a sua sede psicobiol\u00f3gica de Deus. Sem Deus, estiola e morre. Santa Teresa de \u00c1vila, de quem, em 2015, celebr\u00e1mos o V Centen\u00e1rio do seu nascimento, descreveu assim esta sede, no seu\u00a0<em>Caminho de perfei\u00e7\u00e3o<\/em>: \u00abA sede exprime o desejo de uma coisa, mas um desejo de tal modo intenso, que morremos se n\u00e3o o saciarmos\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Leitura-I-do-Domingo-XXII-do-Tempo-Comum-Ano-A-03.09.2023-Jer-207-9.pdf\">Leitura I do Domingo XXII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 03.09.2023 (Jer 20,7-9)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Leitura-II-do-Domingo-XXII-do-Tempo-Comum-Ano-A-03.09.2023-Rom-12-1-2.pdf\">Leitura II do Domingo XXII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 03.09.2023 (Rom 12, 1-2)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Domingo-XXII-do-Tempo-Comum-Ano-A-03.09.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XXII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 03.09.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Domingo-XXII-do-Tempo-Comum-Ano-A-03.09.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 03.09.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Mensagem-Papa-Francisco-para-Dia-Mundial-de-Oracao-pelo-cuidado-da-criacao-1-setembro-2023.pdf\">Mensagem Papa Francisco para Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelo cuidado da cria\u00e7\u00e3o &#8211; 1 setembro 2023<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXI do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 27.08.2023&#8243; tab_id=&#8221;1693817774988-623b319d-6067&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XXI do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 27.08.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Domingo-XXI.jpg\" alt=\"\" width=\"645\" height=\"424\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No centro da reflex\u00e3o que a liturgia do 21\u00ba Domingo do Tempo Comum do Ano A nos prop\u00f5e, est\u00e3o dois temas \u00e0 volta dos quais se constr\u00f3i e se estrutura toda a exist\u00eancia crist\u00e3: Cristo e a Igreja<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto do Evangelho de hoje pode, portanto, dividir-se em duas partes. A primeira, de car\u00e1cter mais cristol\u00f3gico, centra-se em Jesus e na defini\u00e7\u00e3o da sua identidade. A segunda, de car\u00e1cter mais eclesiol\u00f3gico, centra-se na Igreja, que Jesus convoca \u00e0 volta de Pedro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira parte (vers. 13-16), Jesus interroga duplamente os disc\u00edpulos: acerca do que as pessoas dizem dele e acerca do que os pr\u00f3prios disc\u00edpulos pensam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A opini\u00e3o dos &#8220;homens&#8221; v\u00ea Jesus em continuidade com o passado (&#8220;Jo\u00e3o Baptista&#8221;, &#8220;Elias&#8221;, &#8220;Jeremias&#8221; ou &#8220;algum dos profetas&#8221;). N\u00e3o captam a condi\u00e7\u00e3o \u00fanica de Jesus, a sua novidade, a sua originalidade. Reconhecem, apenas, que Jesus \u00e9 um homem convocado por Deus e enviado ao mundo com uma miss\u00e3o &#8211; como os profetas do Antigo Testamento&#8230; Mas n\u00e3o v\u00e3o al\u00e9m disso. Na perspetiva dos &#8220;homens&#8221;, Jesus \u00e9, apenas, um homem bom, justo, generoso, que escutou os apelos de Deus e que Se esfor\u00e7ou por ser um sinal vivo de Deus, como tantos outros homens antes d&#8217;Ele (vers. 13-14). \u00c9 muito, mas n\u00e3o \u00e9 o suficiente: significa que os &#8220;homens&#8221; n\u00e3o entenderam a novidade do Messias, nem a profundidade do mist\u00e9rio de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A opini\u00e3o dos disc\u00edpulos acerca de Jesus vai muito al\u00e9m da opini\u00e3o comum. Pedro, porta-voz da comunidade dos disc\u00edpulos, resume o sentir da comunidade do Reino na express\u00e3o: &#8220;Tu \u00e9s o Cristo, o Filho de Deus vivo&#8221; (vers. 16). Nestes dois t\u00edtulos resume-se a f\u00e9 da Igreja de Mateus e a catequese a\u00ed feita sobre Jesus. Dizer que Jesus \u00e9 &#8220;o Cristo&#8221; (Messias) significa dizer que Ele \u00e9 esse libertador que Israel esperava, enviado por Deus para libertar o seu Povo e para lhe oferecer a salva\u00e7\u00e3o definitiva. No entanto, para os membros da comunidade do Reino, Jesus n\u00e3o \u00e9 apenas o Messias: \u00e9 tamb\u00e9m o &#8220;Filho de Deus&#8221;. No Antigo Testamento, a express\u00e3o &#8220;Filho de Deus&#8221; \u00e9 aplicada aos anjos (cf. Dt 32,8; Sal 29,1; 89,7; Job 1,6), ao Povo eleito (cf. Ex 4,22; Os 11,1; Jer 3,19), aos v\u00e1rios membros do Povo de Deus (cf. Dt 14,1-2; Is 1,2; 30,1.9; Jer 3,14), ao rei (cf. 2 Sm 7,14) e ao Messias\/rei da linhagem de David (cf. Sal 2,7; 89,27). Designa a condi\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m que tem uma rela\u00e7\u00e3o particular com Deus, a quem Deus elegeu e a quem Deus confiou uma miss\u00e3o. Definir Jesus como o &#8220;Filho de Deus&#8221; significa, n\u00e3o s\u00f3 que Ele recebe vida de Deus, mas que vive em total comunh\u00e3o com Deus, que desenvolve com Deus uma rela\u00e7\u00e3o de profunda intimidade e que Deus Lhe confiou uma miss\u00e3o \u00fanica para a salva\u00e7\u00e3o dos homens; significa reconhecer a profunda unidade e intimidade entre Jesus e o Pai e que Jesus conhece e realiza os projetos do Pai no meio dos homens. Os disc\u00edpulos s\u00e3o convidados a entender dessa forma o mist\u00e9rio de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda parte (vers. 17-20), temos a resposta de Jesus \u00e0 confiss\u00e3o de f\u00e9 da comunidade dos disc\u00edpulos, apresentada pela voz de Pedro. Jesus come\u00e7a por felicitar Pedro (isto \u00e9, a comunidade) pela clareza da f\u00e9 que o anima. No entanto, essa f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 m\u00e9rito de Pedro, mas um dom de Deus (&#8220;n\u00e3o foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim o meu Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us&#8221; &#8211; vers. 17). Pedro (os disc\u00edpulos) pertence a essa categoria dos &#8220;pobres&#8221;, dos &#8220;simples&#8221;, abertos \u00e0 novidade de Deus, que t\u00eam um cora\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para acolher os dons e as propostas de Deus (esses &#8220;pobres&#8221; e &#8220;simples&#8221; est\u00e3o em contraposi\u00e7\u00e3o com os l\u00edderes &#8211; fariseus, doutores da Lei, escribas &#8211; instalados nas suas certezas, seguran\u00e7as e preconceitos, incapazes de abrir o cora\u00e7\u00e3o aos desafios de Deus).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 que significa Jesus dizer a Pedro que ele \u00e9 &#8220;a rocha&#8221; (o nome &#8220;Pedro&#8221; \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o grega do hebraico &#8220;Keph\u00e2&#8221; &#8211; &#8220;rocha&#8221;) sobre a qual a Igreja de Jesus vai ser constru\u00edda? As palavras de Jesus t\u00eam de ser vistas no contexto da confiss\u00e3o de f\u00e9 precedente. Mateus est\u00e1, portanto, a afirmar que a base firme e inamov\u00edvel sobre a qual vai assentar a Ekklesia de Jesus \u00e9 a f\u00e9 que Pedro e a comunidade dos disc\u00edpulos professam: a f\u00e9 em Jesus como o Messias, Filho de Deus vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que seja poss\u00edvel a Pedro testemunhar que Jesus \u00e9 o Messias Filho de Deus e edificar a comunidade do Reino, Jesus promete-lhe &#8220;as chaves do Reino dos c\u00e9us&#8221; e o poder de &#8220;ligar e desligar&#8221;. A entrega das chaves equivale \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o do &#8220;administrador do pal\u00e1cio&#8221; de que falava a primeira leitura: o &#8220;administrador do pal\u00e1cio&#8221;, entre outras coisas, administrava os bens do soberano, fixava o hor\u00e1rio da abertura e do fechamento das portas do pal\u00e1cio e definia quais os visitantes a introduzir junto do soberano&#8230; Por outro lado, a express\u00e3o &#8220;atar e desatar&#8221; designava, entre os judeus da \u00e9poca, o poder para interpretar a Lei com autoridade, para declarar o que era ou n\u00e3o permitido, para excluir ou reintroduzir algu\u00e9m na comunidade do Povo de Deus. Assim, Jesus nomeia Pedro para &#8220;administrador&#8221; e supervisor da Igreja, com autoridade para interpretar as palavras de Jesus, para adaptar os ensinamentos de Jesus a novas necessidades e situa\u00e7\u00f5es, e para acolher ou n\u00e3o novos membros na comunidade dos disc\u00edpulos do Reino (aten\u00e7\u00e3o: todos s\u00e3o chamados por Deus a integrar a comunidade do Reino; mas aqueles que n\u00e3o est\u00e3o dispostos a aderir \u00e0s propostas de Jesus n\u00e3o podem a\u00ed ser admitidos).<br \/>\nTrata-se, aqui, de confiar a um homem (Pedro) um primado, um papel de lideran\u00e7a absoluta (o poder das chaves, o poder de ligar e desligar) da comunidade dos disc\u00edpulos? Ou Pedro \u00e9, aqui, um disc\u00edpulo que d\u00e1 voz a todos aqueles que acreditam em Jesus e que representa a comunidade dos disc\u00edpulos? \u00c9 dif\u00edcil, a partir deste texto, fazer afirma\u00e7\u00f5es concludentes e definitivas. O poder de &#8220;ligar e desligar&#8221;, por exemplo, aparece noutro contexto, confiado \u00e0 totalidade da comunidade e n\u00e3o a Pedro em exclusivo (cf. Mt 18,18). Provavelmente, o mais correto \u00e9 ver em Pedro o prot\u00f3tipo do disc\u00edpulo; nele, est\u00e1 representada essa comunidade que se re\u00fane \u00e0 volta de Jesus e que proclama a sua f\u00e9 em Jesus como o &#8220;Messias&#8221; e o &#8220;Filho de Deus&#8221;. \u00c9 a essa comunidade, representada por Pedro, que Jesus confia as chaves do Reino e o poder de acolher ou excluir. Isso n\u00e3o invalida que Pedro fosse uma figura de refer\u00eancia para os primeiros crist\u00e3os e que desempenhasse um papel de primeiro plano na anima\u00e7\u00e3o da Igreja nascente, sobretudo nas comunidades da S\u00edria (as comunidades a que o Evangelho de Mateus se destina). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Is 22,19-23<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta Isa\u00edas nasceu por de 760 a.C., muito provavelmente em Jerusal\u00e9m. Bastante jovem, sentiu-se chamado por Deus para ser profeta (&#8220;no ano da morte do rei Ozias&#8221; &#8211; Is 6,1 &#8211; o que nos coloca por volta de 740-739 a.C.); e vai desempenhar essa miss\u00e3o durante um longo espa\u00e7o de tempo (os seus \u00faltimos or\u00e1culos s\u00e3o de finais do s\u00e9c. VIII ou princ\u00edpios do s\u00e9c. VII a.C.), sendo uma esp\u00e9cie de consci\u00eancia cr\u00edtica dos v\u00e1rios reis que, nessa fase, presidiram aos destinos do Povo de Deus. De fam\u00edlia nobre, Isa\u00edas \u00e9 um homem culto, decidido, en\u00e9rgico, que frequenta os c\u00edrculos de poder e faz parte dos not\u00e1veis do reino de Jud\u00e1. Participa nas decis\u00f5es relativas \u00e0 condu\u00e7\u00e3o do reino, fala com autoridade aos altos funcion\u00e1rios (cf. Is 22,15) e mesmo aos reis (cf. Is 7,10). No entanto, isso n\u00e3o significa que apoie as classes altas: os seus maiores ataques s\u00e3o dirigidos aos grupos dominantes &#8211; autoridades, ju\u00edzes, latifundi\u00e1rios, pol\u00edticos, mulheres da classe alta que vivem num luxo escandaloso (cf. Is 3,16-25)&#8230; Defende com paix\u00e3o os oprimidos, os \u00f3rf\u00e3os, as vi\u00favas (cf. Is 1,17), o povo explorado e desencaminhado pelos governantes (Is 3,12-15). Convida continuamente o seu povo \u00e0 convers\u00e3o, pedindo-lhe que se volte para Jahw\u00e9h, que respeite os compromissos assumidos, que reaprenda a viver no \u00e2mbito da Alian\u00e7a, que coloque outra vez Deus e os seus mandamentos no centro da vida e da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O or\u00e1culo de Isa\u00edas que nos \u00e9 hoje proposto leva-nos \u00e0 \u00e9poca do rei Ezequias. Em 714 a.C., Ezequias atinge a maioridade e toma conta dos destinos de Jud\u00e1. Movido pelo desejo de reforma religiosa e de independ\u00eancia pol\u00edtica, Ezequias manifestar\u00e1 uma certa propens\u00e3o para alinhar em alian\u00e7as pol\u00edticas contra os ass\u00edrios (que, desde o reinado de Acaz, mant\u00eam Jud\u00e1 sob a sua autoridade). Em resposta, Senaquerib volta-se contra Jud\u00e1 e devasta-a&#8230; Em 701 a.C., Jerusal\u00e9m \u00e9 cercada pelos ass\u00edrios e Ezequias tem de aceitar uma submiss\u00e3o ainda mais onerosa do que a anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio que nos \u00e9 narrado, contudo, n\u00e3o se refere aos grandes acontecimentos pol\u00edticos em que Jud\u00e1, por esta altura, se v\u00ea envolvido. Refere-se, antes, a um epis\u00f3dio dom\u00e9stico da vida do pal\u00e1cio. Quer Shebna, quer Elyaq\u00eem, aqui referenciados, s\u00e3o altos funcion\u00e1rios de Ezequias, que o segundo livro dos Reis cita a prop\u00f3sito de um epis\u00f3dio relacionado com a invas\u00e3o de Senaquerib (cf. 2 Re 18,18.26.37). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir das seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto convida-nos a uma reflex\u00e3o sobre a l\u00f3gica e o sentido do poder&#8230;. Sugere que o poder \u00e9 um servi\u00e7o \u00e0 comunidade. Quem exerce o poder, dever\u00e1 faz\u00ea-lo com a solicitude, o cuidado, a bondade, a compreens\u00e3o, a toler\u00e2ncia, a miseric\u00f3rdia, e tamb\u00e9m com a firmeza com que um pai conduz e orienta os seus filhos. Nessa perspetiva, o servi\u00e7o da autoridade n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de poder, mas \u00e9 uma quest\u00e3o de amor. Ser\u00e1 impens\u00e1vel considerar que algu\u00e9m pode desempenhar com \u00eaxito cargos de responsabilidade, se n\u00e3o for guiado pelo amor. \u00c9 esta mesma l\u00f3gica que os crist\u00e3os devem exigir, seja no exerc\u00edcio do poder civil, seja no exerc\u00edcio do poder no \u00e2mbito da comunidade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O exerc\u00edcio do poder, quer para Shebna, quer para Elyaq\u00eem, aparece associado \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, \u00e0 venalidade, ao aproveitamento do servi\u00e7o da autoridade para a concretiza\u00e7\u00e3o de finalidades ego\u00edstas, interesseiras, pessoais. A Palavra de Deus que nos \u00e9 proposta vai em sentido contr\u00e1rio: o exerc\u00edcio do poder s\u00f3 faz sentido enquanto est\u00e1 ao servi\u00e7o do bem comunit\u00e1rio&#8230; O exerc\u00edcio de um cargo p\u00fablico sup\u00f5e, precisamente, a secundariza\u00e7\u00e3o dos interesses pr\u00f3prios em benef\u00edcio do bem comum. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 137 (138)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: Senhor, a vossa miseric\u00f3rdia \u00e9 eterna:<br \/>\nn\u00e3o abandoneis a obra das vossas m\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Rom 11,33-36<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos cap\u00edtulos 9-11 da Carta aos Romanos, Paulo reflete sobre a quest\u00e3o do acesso de Israel \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o a\u00ed abordada \u00e9 a seguinte: Israel rejeitou oferta da salva\u00e7\u00e3o que Deus fez aos homens, atrav\u00e9s de Jesus Cristo; isso significa que Israel est\u00e1, definitivamente, arredado da salva\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo n\u00e3o concorda. Ele acha que Deus &#8211; esse Deus que prometeu a salva\u00e7\u00e3o a Israel &#8211; n\u00e3o pode ser infiel \u00e0s suas promessas. Talvez Ele tenha deixado que Israel, num primeiro momento, recusasse a salva\u00e7\u00e3o, para que os gentios pudessem beneficiar dos dons de Deus&#8230; Deus &#8220;escreve direito por linhas tortas&#8221; e pode ter permitido algo de aparentemente mau, para da\u00ed tirar um bem maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De resto, Israel foi, desde os primeiros instantes da sua exist\u00eancia, chamado a ser o Povo de Deus; e esse chamamento \u00e9 irrevog\u00e1vel. O Povo eleito, chamado por Deus desde os seus in\u00edcios, n\u00e3o pode deixar de ser objeto especial da miseric\u00f3rdia de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 hoje proposto \u00e9 a conclus\u00e3o da reflex\u00e3o de Paulo. Trata-se de um bel\u00edssimo hino de louvor, de reconhecimento e de adora\u00e7\u00e3o que exalta o des\u00edgnio salvador de Deus. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, considerar as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de mais, o nosso texto convida-nos a refletir sobre Deus&#8230; Convida-nos a mergulhar no seu mist\u00e9rio, a reconhecer a sua riqueza, sabedoria e ci\u00eancia; convida-nos a reconhecer a nossa incapacidade de entender cabalmente os seus projetos; convida-nos a perceber que Deus, na sua infinita sabedoria, nos ultrapassa completamente. Por isso, precisamos de ter cuidado com as imagens de Deus que criamos e que apresentamos&#8230; O nosso Deus n\u00e3o \u00e9 um Deus &#8220;domesticado&#8221; pelo homem, previs\u00edvel, fantoche, l\u00f3gico pelos padr\u00f5es humanos, que se encaixa nas teorias de uma qualquer igreja ou catequese&#8230; O verdadeiro crente n\u00e3o \u00e9 aquele que &#8220;sabe&#8221; tudo sobre Deus, que tem respostas feitas sobre Ele, que pretende conhec\u00ea-l&#8217;O perfeitamente e domin\u00e1-l&#8217;O; mas \u00e9 aquele que, com honestidade e verdade, mergulha na infinita grandeza de Deus, abisma-se na contempla\u00e7\u00e3o do seu mist\u00e9rio, entrega-se confiadamente nas suas m\u00e3os&#8230; e deixa que o seu espanto e admira\u00e7\u00e3o se transformem num c\u00e2ntico de adora\u00e7\u00e3o e de louvor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse Deus omnipotente, que nunca conseguiremos definir, controlar e explicar n\u00e3o \u00e9 um concorrente ou um advers\u00e1rio do homem, preocupado em afirmar a sua grandeza e omnipot\u00eancia \u00e0 custa da humilha\u00e7\u00e3o do homem&#8230; Mas \u00e9 um pai, preocupado com a felicidade dos seus filhos e com um projeto de salva\u00e7\u00e3o que Ele pretende que os homens acolham. \u00c9 verdade que muitas vezes n\u00e3o percebemos o alcance desse projeto; mas se virmos em Deus, n\u00e3o um concorrente, mas um pai cheio de amor, aprenderemos a n\u00e3o nos fecharmos no orgulho e na autossufici\u00eancia e a acolhermos, com gratid\u00e3o, os seus dons &#8211; como um menino que recebe do pai a vida, o alimento, o afeto, o amor. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 16,13-20<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste domingo situa-nos no Norte da Galileia, perto das nascentes do rio Jord\u00e3o, em Cesareia de Filipe (na zona da atual B\u00e2nias). A cidade tinha sido constru\u00edda por Herodes Filipe (filho de Herodes o Grande) no ano 2 ou 3 a.C., em honra do imperador Augusto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio que nos \u00e9 proposto ocupa um lugar central no Evangelho de Mateus. Aparece num momento de viragem, quando come\u00e7a a perfilar-se no horizonte de Jesus um destino de cruz. Depois do \u00eaxito inicial do seu minist\u00e9rio, Jesus experimenta a oposi\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes e um certo desinteresse por parte do Povo. A sua proposta do Reino n\u00e3o \u00e9 acolhida, sen\u00e3o por um pequeno grupo &#8211; o grupo dos disc\u00edpulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, ent\u00e3o, que Jesus dirige aos disc\u00edpulos uma s\u00e9rie de perguntas sobre si pr\u00f3prio. N\u00e3o se trata, tanto, de medir a sua quota de popularidade; trata-se, sobretudo, de tornar as coisas mais claras para os disc\u00edpulos e confirm\u00e1-los na sua op\u00e7\u00e3o de seguir Jesus e de apostar no Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato de Mateus \u00e9 um pouco diferente do relato do mesmo epis\u00f3dio feito por outros evangelistas (nomeadamente Marcos &#8211; cf. Mc 8,27-30). Mateus remodelou e ampliou o texto de Marcos, acrescentando a afirma\u00e7\u00e3o de que Jesus \u00e9 o Filho de Deus e a miss\u00e3o confiada a Pedro. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, considerar os seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem \u00e9 Jesus? O que \u00e9 que &#8220;os homens&#8221; dizem de Jesus? Muitos dos nossos conterr\u00e2neos veem em Jesus um homem bom, generoso, atento aos sofrimentos dos outros, que sonhou com um mundo diferente; outros veem em Jesus um admir\u00e1vel &#8220;mestre&#8221; de moral, que tinha uma proposta de vida &#8220;interessante&#8221;, mas que n\u00e3o conseguiu impor os seus valores; alguns veem em Jesus um admir\u00e1vel condutor de massas, que acendeu a esperan\u00e7a nos cora\u00e7\u00f5es das multid\u00f5es carentes e \u00f3rf\u00e3s, mas que passou de moda quando as multid\u00f5es deixaram de se interessar pelo fen\u00f3meno; outros, ainda, veem em Jesus um revolucion\u00e1rio, ing\u00e9nuo e inconsequente, preocupado em construir uma sociedade mais justa e mais livre, que procurou promover os pobres e os marginais e que foi eliminado pelos poderosos, preocupados em manter o &#8220;status quo&#8221;. Estas vis\u00f5es apresentam Jesus como &#8220;um homem&#8221; &#8211; embora &#8220;um homem&#8221; excecional, que marcou a hist\u00f3ria e deixou uma recorda\u00e7\u00e3o imorredoira. Jesus foi, apenas, um &#8220;homem&#8221; que deixou a sua pegada na hist\u00f3ria, como tantos outros que a hist\u00f3ria absorveu e digeriu?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os disc\u00edpulos, Jesus foi bem mais do que &#8220;um homem&#8221;. Ele foi e \u00e9 &#8220;o Messias, o Filho de Deus vivo&#8221;. Defini-l&#8217;O dessa forma significa reconhecer em Jesus o Deus que o Pai enviou ao mundo com uma proposta de salva\u00e7\u00e3o e de vida plena, destinada a todos os homens. A proposta que Ele apresentou n\u00e3o \u00e9 apenas uma proposta de &#8220;um homem&#8221; bom, generoso, clarividente, que podemos admirar de longe e aceitar ou n\u00e3o; mas \u00e9 uma proposta de Deus, destinada a tornar cada homem ou cada mulher uma pessoa nova, capaz de caminhar ao encontro de Deus e de chegar \u00e0 vida plena da felicidade sem fim. A diferen\u00e7a entre o &#8220;homem bom&#8221; e o &#8220;Messias, Filho de Deus&#8221;, \u00e9 a diferen\u00e7a entre algu\u00e9m a quem admiramos e que \u00e9 igual a n\u00f3s, e algu\u00e9m que nos transforma, que nos renova e que nos encaminha para a vida eterna e verdadeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;E v\u00f3s, quem dizeis que Eu sou?&#8221; \u00c9 uma pergunta que deve, de forma constante, ecoar nos nossos ouvidos e no nosso cora\u00e7\u00e3o. Responder a esta quest\u00e3o n\u00e3o significa papaguear li\u00e7\u00f5es de catequese ou tratados de teologia, mas sim interrogar o nosso cora\u00e7\u00e3o e tentar perceber qual \u00e9 o lugar que Cristo ocupa na nossa exist\u00eancia&#8230; Responder a esta quest\u00e3o obriga-nos a pensar no significado que Cristo tem na nossa vida, na aten\u00e7\u00e3o que damos \u00e0s suas propostas, na import\u00e2ncia que os seus valores assumem nas nossas op\u00e7\u00f5es, no esfor\u00e7o que fazemos ou que n\u00e3o fazemos para o seguir&#8230; Quem \u00e9 Cristo para mim?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 sobre a f\u00e9 dos disc\u00edpulos (isto \u00e9, sobre a sua ades\u00e3o ao Cristo libertador e salvador, que veio do Pai ao encontro dos homens com uma proposta de vida eterna e verdadeira) que se constr\u00f3i a Igreja de Jesus. O que \u00e9 a Igreja? O nosso texto responde de forma clara: \u00e9 a comunidade dos disc\u00edpulos que reconhecem Jesus como &#8220;o Messias, o Filho de Deus&#8221;. Que lugar ocupa Jesus na nossa experi\u00eancia de caminhada em Igreja? Porque \u00e9 que estamos na Igreja: \u00e9 por causa de Jesus Cristo, ou \u00e9 por outras causas (tradi\u00e7\u00e3o, in\u00e9rcia, promo\u00e7\u00e3o pessoal&#8230;)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja de Jesus n\u00e3o existe, no entanto, para ficar a olhar para o c\u00e9u, numa contempla\u00e7\u00e3o est\u00e9ril e inconsequente do &#8220;Messias, Filho de Deus&#8221;; mas existe para O testemunhar e para levar a cada homem e a cada mulher a proposta de salva\u00e7\u00e3o que Cristo veio oferecer. Temos consci\u00eancia desta dimens\u00e3o &#8220;prof\u00e9tica&#8221; e mission\u00e1ria da Igreja? Os homens e as mulheres com quem contactamos no dia a dia &#8211; em casa, no emprego, na escola, na rua, no pr\u00e9dio, nos acontecimentos sociais &#8211; recebem de n\u00f3s este an\u00fancio e este convite a integrar a comunidade da salva\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade dos disc\u00edpulos \u00e9 uma comunidade organizada e estruturada, onde existem pessoas que presidem e que desempenham o servi\u00e7o da autoridade. Essa autoridade n\u00e3o \u00e9, no entanto, absoluta; mas \u00e9 uma autoridade que deve, constantemente, ser amor e servi\u00e7o. Sobretudo, \u00e9 uma autoridade que deve procurar discernir, em cada momento, as propostas de Cristo e a interpela\u00e7\u00e3o que Ele lan\u00e7a aos disc\u00edpulos e a todos os homens. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/08\/22\/dizer-jesus-2\/\"><strong>DIZER JESUS<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cesareia de Filipe, atual\u00a0<em>Banyas<\/em>, na tetrarquia de Filipe, um dos filhos de Herodes o Grande, \u00e9 o lugar certo para se p\u00f4r a quest\u00e3o da identidade de JESUS, que atravessa o Evangelho (Mateus 16,13-20) deste Domingo XXI do Tempo Comum. Cesareia de Filipe, onde se encontra uma das nascentes do rio Jord\u00e3o, respirava o paganismo do deus P\u00e3 e tamb\u00e9m o culto do Imperador. Ali construiu Herodes um templo dedicado ao Imperador C\u00e9sar Augusto, e o tetrarca Filipe, filho de Herodes, deu \u00e0 cidade, antes conhecida por P\u00e2nias, em honra do deus P\u00e3, o nome de Cesareia, tamb\u00e9m em honra de C\u00e9sar Augusto. Dela resta hoje a gruta do deus P\u00e3, lugar que os peregrinos da Terra Santa costumam visitar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a\u00ed, em Cesareia de Filipe, cidade marcada pelo paganismo e pelo culto do Imperador, que Jesus p\u00f5e a quest\u00e3o da sua identidade. Soberanamente Jesus pergunta: \u00abQuem dizem as pessoas que \u00e9 o Filho do Homem?\u00bb (Mateus 16,13). Dizem-lhe que o povo pensa que Jesus \u00e9 um profeta. Um entre muitos: antes dele apareceram muitos; depois dele, outros poder\u00e3o aparecer. De qualquer modo, d\u00e1-se a entender que o povo n\u00e3o v\u00ea em Jesus uma pessoa singular e \u00fanica. Ouvida esta resposta, Jesus avan\u00e7a, logo de seguida, de forma direta e enf\u00e1tica, com uma nova pergunta: \u00abE v\u00f3s, quem\u00a0<em>dizeis<\/em>\u00a0que Eu sou?\u00bb (Mateus 16,15). A esta nova pergunta, posta por Jesus aos seus disc\u00edpulos que de h\u00e1 muito o seguiam, Sim\u00e3o Pedro foi r\u00e1pido a responder: \u00abTu \u00e9s o Cristo, o Filho do Deus vivo!\u00bb (Mateus 16,16). Jesus declara \u00abFeliz\u00bb (<em>mak\u00e1rios<\/em>) Sim\u00e3o, filho de Jonas, n\u00e3o por achar que ele reunia compet\u00eancia humana para expressar aquele\u00a0<em>dizer<\/em>, mas por saber que o tinha recebido do Pai (Mateus 16,17). Chamado por Jesus (Mateus 4,18-19). Predestinado pelo Pai (Romanos 8,29-30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De forma diferente do povo, Sim\u00e3o Pedro atinge a singularidade de Jesus. Enquanto Cristo ou Messias, Jesus n\u00e3o \u00e9 um entre muitos. \u00c9 \u00fanico, primeiro e \u00faltimo, definitivo, enviado por Deus para dar \u00e0 humanidade a plenitude da vida. Sim, enquanto Filho do Deus vivo, Jesus est\u00e1 com o Pai numa rela\u00e7\u00e3o singular de conhecimento, igualdade, vida. Tal como o Pai, o Filho \u00e9 a vida em si mesmo. \u00c9 sobre este\u00a0<em>dizer<\/em>\u00a0de Sim\u00e3o Pedro e sobre o Sim\u00e3o Pedro deste\u00a0<em>dizer<\/em>,\u00a0<em>dizer<\/em>, n\u00e3o seu, mas recebido do Pai, que Jesus declara que construir\u00e1 a sua Igreja (Mateus 16,18). Note-se a asson\u00e2ncia \u00ab<em>P\u00e9tros<\/em>\u00bb \u2013 \u00ab<em>p\u00e9tra<\/em>\u00bb. Mas note-se tamb\u00e9m que quem constr\u00f3i a Igreja \u00e9 Jesus, e n\u00e3o Pedro, e a Igreja a construir tamb\u00e9m \u00e9 de Jesus, e n\u00e3o de Pedro: \u00absobre esta pedra (<em>p\u00e9tra<\/em>) construirei a\u00a0<em>minha<\/em>\u00a0Igreja\u00bb, diz Jesus. Em todo o Novo Testamento, s\u00f3 Jesus e Pedro recebem o apelativo de \u00abpedra\u00bb. \u00abRocha\u00bb, \u00abrochedo\u00bb, \u00abpedra firme\u00bb diz-se, em hebraico,\u00a0<em>ts\u00fbr<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>sela\u2018<\/em>, terminologia usada no Antigo Testamento por 33 vezes para dizer Deus e a solidez do seu amor fiel. Veja-se, por exemplo, na boca e no cora\u00e7\u00e3o do Salmista: \u00abO Senhor \u00e9 a minha Rocha (<em>sela\u2018<\/em>) e a minha fortaleza (\u2026), nele me abrigo, meu Rochedo (<em>ts\u00fbr<\/em>), meu escudo e meu baluarte, minha torre forte e meu ref\u00fagio\u00bb (Salmo 18,3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a forma origin\u00e1ria para designar a rocha \u00e9\u00a0<em>keph<\/em>, aramaico\u00a0<em>k\u00eapha\u2019<\/em>, que mostra a rocha, n\u00e3o tanto na sua solidez, mas a rocha escavada, oca, esp\u00e9cie de gruta que serve de lugar de ref\u00fagio e acolhimento, onde os p\u00e1ssaros fazem os seus ninhos, os animais guardam as suas crias e os homens se refugiam em caso de guerra: n\u00e3o \u00e9 s\u00f3lido, mas d\u00e1 solidez e prote\u00e7\u00e3o a uma vida nova. Este segundo veio de termos, que traduzem a ideia de guardar, proteger, abra\u00e7ar, envolver, alarga-se num vasto campo onomatopaico:\u00a0<em>kaph<\/em>, palma da m\u00e3o;\u00a0<em>keph<\/em>, rochedo esburacado (grutas);\u00a0<em>k\u00eapha\u2019<\/em>\u00a0(aramaico), rochedo esburacado;\u00a0<em>k\u00eaph\u00e3s<\/em>\u00a0(grego), rochedo esburacado e acolhedor, nome dado por Jesus a Pedro em Jo\u00e3o 1,42, \u00fanica vez nos Evangelhos, mas v\u00e1rias vezes em Paulo (1 Cor\u00edntios 1,12; 3,22; 9,5; 15,5; G\u00e1latas 1,18; 2,9.11.14);\u00a0<em>kipah<\/em>, folha de palmeira, que serve para proteger do sol, e cobertura que os judeus ortodoxos usam na cabe\u00e7a para indicar a prote\u00e7\u00e3o de Deus;\u00a0<em>kaphar<\/em>, cobrir, perdoar;\u00a0<em>kaporet<\/em>, cobertura, perd\u00e3o. Sendo de teor onomatopaico, este som existe na composi\u00e7\u00e3o de voc\u00e1bulos em todas as l\u00ednguas. Esta terminologia abre para um Sim\u00e3o Pedro novo, casa aberta e acolhedora, atento, pr\u00f3ximo, cuidadoso e carinhoso, fr\u00e1gil, com a miss\u00e3o pastoral de alimentar e cuidar de todos os filhos de Deus. Mas, entenda-se sempre bem, a casa \u00e9 Deus, e s\u00e3o de Deus os filhos que nela s\u00e3o gerados, acolhidos e alimentados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Note-se bem a precis\u00e3o da pergunta de Jesus. De facto, Jesus n\u00e3o pede aos seus disc\u00edpulos que se pronunciem ou deem a sua opini\u00e3o acerca do Serm\u00e3o da Montanha ou sobre outro assunto qualquer, por importante que possa ser ou parecer. A pergunta de Jesus \u00e9 acerca de Si mesmo, da sua pr\u00f3pria identidade, e do grau de implica\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos com Ele. Da\u00ed que Jesus pergunte sobre o\u00a0<em>dizer<\/em>. Pedro\u00a0<em>diz<\/em>. N\u00e3o se trata de pensar ou opinar. Trata-se de\u00a0<em>dizer<\/em>. Quem\u00a0<em>diz<\/em>, compromete-se. Por isso, face ao\u00a0<em>dizer<\/em>\u00a0de Pedro, Jesus declara de seguida: \u00abDar-te-ei as chaves do Reino dos C\u00e9us\u00bb (Mateus 16,19). As chaves representam um saber e um poder. Falamos de chaves de uma casa, de uma cidade, de um tesouro, da leitura de um texto. Quem as possui, possui um poder em sede administrativa, jur\u00eddica, cient\u00edfica, interpretativa. \u00c9 assim que o texto de Isa\u00edas 22,19-23 fala hoje do \u00abrito das chaves\u00bb e do poder retirado a\u00a0<em>Shebna<\/em>\u00a0e conferido a\u00a0<em>Eliaq\u00eem<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As chaves do Reino dos C\u00e9us s\u00e3o as chaves do amor e do perd\u00e3o, traves-mestras de uma comunidade unida e confiante, com os p\u00e9s na terra e o olhar fixo em Deus. Diz, na verdade, a Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica\u00a0<em>Lumen Gentium<\/em>: \u00abAprouve a Deus salvar e santificar os homens, n\u00e3o individualmente, exclu\u00edda qualquer liga\u00e7\u00e3o entre eles, mas constituindo-os em povo\u00bb (n.\u00ba 9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante, porque esclarecedora e mobilizadora, esta nota do Conc\u00edlio Vaticano II. De facto, Pedro \u00e9 a Pedra e tem as Chaves do Reino dos C\u00e9us, e \u00e9-lhe ainda dada a autoridade de ligar-desligar, isto \u00e9, de perdoar: \u00abTudo o que ligares (<em>d\u00eas\u00eas<\/em>: conj. aor. de\u00a0<em>d\u00e9\u00f4<\/em>) sobre a terra, ficar\u00e1 para sempre ligado (<em>dedem\u00e9non<\/em>: part. perf. pass. de\u00a0<em>d\u00e9\u00f4<\/em>) nos C\u00e9us, e tudo o que desligares (<em>l\u00fds\u00eas<\/em>: conj. aor. de\u00a0<em>l\u00fd\u00f4<\/em>) sobre a terra, ficar\u00e1 para sempre desligado (<em>lelym\u00e9non<\/em>: part. perf. pass. de\u00a0<em>l\u00fd\u00f4<\/em>) nos C\u00e9us\u00bb (Mateus 16,19). Todavia, esta autoridade de ligar-desligar, isto \u00e9, de perdoar, \u00e9 tamb\u00e9m confiada \u00e0 inteira comunidade, exatamente nos mesmos termos em que \u00e9 confiada a Pedro: \u00abEm verdade vos digo: tudo o que ligardes (<em>d\u00eas\u00eate<\/em>: conj. aor. de\u00a0<em>d\u00e9\u00f4<\/em>) sobre a terra, ficar\u00e1 para sempre ligado (<em>dedem\u00e9na<\/em>: part. perf. pass. de\u00a0<em>d\u00e9\u00f4<\/em>) no c\u00e9u, e tudo o que desligardes (<em>l\u00fds\u00eate<\/em>: conj. aor. de\u00a0<em>l\u00fd\u00f4<\/em>) na terra, ficar\u00e1 para sempre desligado (<em>lelym\u00e9na<\/em>: part. perf. pass. de\u00a0<em>l\u00fd\u00f4<\/em>) no c\u00e9u\u00bb (Mateus 18,18). A inteira comunidade assente na Pedra, que \u00e9 Pedro, com Pedro, como Pedro, n\u00e3o alijando responsabilidades, mas operante na pr\u00e1tica quotidiana do Perd\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto do Evangelho de hoje termina registando a ordem taxativa de Jesus aos seus disc\u00edpulos para\u00a0<em>n\u00e3o dizerem<\/em>\u00a0a ningu\u00e9m que Ele \u00e9 o Cristo (Mateus 16,20). O texto inteiro deste Evangelho (Mateus 16,13-20) \u00e9, ent\u00e3o, percorrido por um\u00a0<em>dizer<\/em>, e fecha com um\u00a0<em>n\u00e3o-dizer<\/em>. Trata-se de um\u00a0<em>dizer<\/em>\u00a0novo, n\u00e3o meramente convencional ou tradicional. N\u00e3o basta\u00a0<em>dizer<\/em>\u00a0um conjunto de palavras que v\u00eam na torrente da tradi\u00e7\u00e3o, que se recolhem, e se voltam a\u00a0<em>dizer<\/em>. \u00c9 assim que Pedro respondeu bem [\u00abTu \u00e9s o Cristo\u00bb], e \u00e9 louvado por isso. N\u00e3o obstante, Jesus n\u00e3o quer que os disc\u00edpulos passem esse\u00a0<em>dizer<\/em>\u00a0a ningu\u00e9m (Mateus 16,20). Por que ser\u00e1?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para sabermos a raz\u00e3o, temos de esperar pelo pr\u00f3ximo Domingo (XXII), pois \u00e9 a\u00ed que escutaremos Mateus 16,21-28, o seguimento imediato do texto deste Domingo XXI (Mateus 16,13-20). Na verdade, o texto integral de Mateus 16,13-28, dividido por estes dois Domingos, forma uma unidade incind\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, que o nosso cora\u00e7\u00e3o esteja cheio do amor primeiro de Deus, e que o louvor que lhe \u00e9 devido encha os dias da nossa vida. \u00c9 a bela ora\u00e7\u00e3o de Paulo na Carta aos Romanos 11,33-36.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 bela ora\u00e7\u00e3o de Paulo junta-se hoje a voz do orante do Salmo 138 com a sua bela A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as, que \u00e9 \u00abo canto do chamamento universal\u00bb, como o define S.to Atan\u00e1sio (s\u00e9c. IV). O orante, voltado para o Templo (v. 2), como era usual fazer-se no juda\u00edsmo tardio (o islamismo f\u00e1-lo-\u00e1 mais tarde em rela\u00e7\u00e3o a Meca), sente e sabe que a sua ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o esbarra contra um c\u00e9u cerrado, surdo e mudo, mas \u00e9 registada e repercute-se no cora\u00e7\u00e3o de Deus, que em caso algum abandona a obra das suas m\u00e3os (v. 8). Grande A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as deste orante (v. 1) e dos reis de toda a terra (v. 4). Nossa tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Leitura-I-do-Domingo-XXI-do-Tempo-Comum-Ano-A-27.08.2023-Is-22-19-23.pdf\">Leitura I do Domingo XXI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 27.08.2023 (Is 22, 19-23)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Leitura-II-do-Domingo-XXI-do-Tempo-Comum-Ano-A-27.08.2023-Rom-1133-36.pdf\">Leitura II do Domingo XXI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 27.08.2023 (Rom 11,33-36)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Domingo-XXI-do-Tempo-Comum-Ano-A-27.08.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XXI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 27.08.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Domingo-XXI-do-Tempo-Comum-Ano-A-27.08.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 27.08.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XX do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 20.08.2023&#8243; tab_id=&#8221;1693218921517-42a8af48-416f&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XX do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 20.08.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em><sup>25<\/sup><\/em><\/strong><strong><em>Mas a mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: \u00abSocorre-me, Senhor.\u00bb\u00a0<sup>26<\/sup>Ele respondeu-lhe: \u00abN\u00e3o \u00e9 justo que se tome o p\u00e3o dos filhos para o lan\u00e7ar aos cachorros.\u00bb\u00a0<sup>27<\/sup>Retorquiu ela: \u00ab\u00c9 verdade, Senhor, mas at\u00e9 os cachorros comem as migalhas que caem da mesa de seus donos.\u00bb\u00a0<sup>28<\/sup>Ent\u00e3o, Jesus respondeu-lhe: \u00ab\u00d3 mulher, grande \u00e9 a tua f\u00e9! Fa\u00e7a-se como desejas.\u00bb E, a partir desse instante, a filha dela achou-se curada. Mt, 15, 25-28<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Domingo-XX.jpg\" alt=\"\" width=\"815\" height=\"544\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje na Liturgia da Palavra somos interpelados por um relato entre Jesus de Nazar\u00e9 e uma fen\u00edcia, mulher de grande F\u00e9. Um grande desafio para o Mestre interpelado por uma n\u00e3o judia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As tr\u00eas interven\u00e7\u00f5es da mulher fen\u00edcia mostram, por um lado, a sua \u00e2nsia de salva\u00e7\u00e3o; e, por outro, a f\u00e9 firme e convicta que a anima (as designa\u00e7\u00f5es &#8220;filho de David&#8221; &#8211; que equivale a &#8220;Messias&#8221; &#8211; e &#8220;Senhor&#8221; &#8211; &#8220;Kyrios&#8221; &#8211; com que ela se dirige a Jesus, lidas em contexto crist\u00e3o, equivalem a uma confiss\u00e3o de f\u00e9). \u00c9 uma figura que nos impressiona pela f\u00e9, pela humildade e tamb\u00e9m pelo sofrimento que transparece no seu apelo.<br \/>\nSurpreende-nos depois, numa primeira leitura, a forma dura como Jesus trata esta mulher que pede ajuda. Ele come\u00e7a por passar em sil\u00eancio, aparentemente insens\u00edvel aos apelos da mulher (vers. 23). Depois, perante a insist\u00eancia dos disc\u00edpulos, responde: &#8220;n\u00e3o fui enviado sen\u00e3o \u00e0s ovelhas perdidas da casa de Israel&#8221; (vers. 24). Finalmente, diante do dram\u00e1tico \u00faltimo apelo da mulher (&#8220;socorre-me, Senhor&#8221;), responde: &#8220;n\u00e3o \u00e9 justo que se tome o p\u00e3o dos filhos para o lan\u00e7ar aos c\u00e3es&#8221; (vers. 26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como entender esta atitude rude e insens\u00edvel do mestre galileu, sempre preocupado em traduzir em gestos concretos o amor e a miseric\u00f3rdia de Deus pelos homens? A rea\u00e7\u00e3o de Jesus ser\u00e1 fruto da convic\u00e7\u00e3o de que, de acordo com o plano de Deus, a salva\u00e7\u00e3o devia derramar-se, em primeiro lugar, pelos judeus, antes de alcan\u00e7ar os gentios?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atitude de Jesus faz sentido, se a virmos como uma estrat\u00e9gia pedag\u00f3gica, destinada a mostrar o sem sentido dos preconceitos judaicos contra os pag\u00e3os. Jesus conduziu o jogo de forma a demonstrar como eram rid\u00edculas as atitudes de discrimina\u00e7\u00e3o dos pag\u00e3os, propostas pela catequese oficial judaica. Endurecendo progressivamente a sua atitude face ao apelo que lhe foi feito pela &#8220;cananeia&#8221;, Jesus d\u00e1 \u00e0 mulher a possibilidade de demonstrar a firmeza e a convic\u00e7\u00e3o da sua f\u00e9 e prova aos judeus que os pag\u00e3os s\u00e3o bem dignos &#8211; talvez mais dignos do que esses &#8220;santos&#8221; membros do Povo de Deus &#8211; de se sentar \u00e0 mesa do Reino. Esta mulher, na sua humildade, nem sequer reivindica equiparar-se a esse Povo eleito, convidado por Deus para o banquete do Reino&#8230; Ela est\u00e1 disposta a ficar apenas com &#8220;as migalhas&#8221; que caem da mesa (vers. 27); mas pede insistentemente que lhe permitam ter acesso a essa salva\u00e7\u00e3o que Jesus traz. Ao contr\u00e1rio, os fariseus e doutores da Lei, fechados na sua autossufici\u00eancia e nos seus preconceitos, rejeitam continuamente essa salva\u00e7\u00e3o que Jesus n\u00e3o cessa de lhes oferecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final de toda esta caminhada de afirma\u00e7\u00e3o da &#8220;bondade&#8221; e do &#8220;merecimento&#8221; desses pag\u00e3os que a teologia oficial de Israel desprezava, Jesus conclui: &#8220;Mulher, grande \u00e9 a tua f\u00e9. Fa\u00e7a-se como desejas&#8221;. A afirma\u00e7\u00e3o de Jesus significa: &#8220;na verdade tu est\u00e1s disposta a acolher-Me como o enviado do Pai e a aceitar o p\u00e3o do Reino, o p\u00e3o com que Deus mata a fome de vida de todos os seus filhos. Recebe essa salva\u00e7\u00e3o que se destina a todos aqueles que t\u00eam o cora\u00e7\u00e3o aberto aos dons de Deus&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel que Mateus esteja, nesta catequese, a responder a uma situa\u00e7\u00e3o concreta da sua comunidade&#8230; Nos finais do s\u00e9culo primeiro (o Evangelho segundo Mateus aparece durante a d\u00e9cada de oitenta), alguns judeo-crist\u00e3os ainda tinham dificuldade em aceitar a entrada dos pag\u00e3os na Igreja de Jesus. Mateus recorda-lhes, ent\u00e3o, que para Jesus o que \u00e9 decisivo n\u00e3o \u00e9 a ra\u00e7a, a hist\u00f3ria, a elei\u00e7\u00e3o, mas a ades\u00e3o firme e convicta \u00e0 proposta de salva\u00e7\u00e3o que, em Jesus, Deus faz aos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto mostra que a proposta de Jesus \u00e9 para todos. A comunidade de Jesus \u00e9, verdadeiramente, uma comunidade universal. Aquilo que \u00e9 decisivo, no acesso \u00e0 salva\u00e7\u00e3o, \u00e9 a f\u00e9 &#8211; isto \u00e9, a capacidade de aderir a Jesus e \u00e0 sua proposta de vida. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Is 56,1.6-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura deste domingo faz parte de um bloco de textos a que se convencionou chamar &#8220;Trito-Isa\u00edas&#8221; (cfr. Is 56-66). Para alguns, s\u00e3o textos de um profeta an\u00f3nimo, p\u00f3s-ex\u00edlio, que exerceu o seu minist\u00e9rio em Jerusal\u00e9m, entre os retornados da Babil\u00f3nia, nos anos 537-520 a.C.; para a maioria, trata-se de textos que prov\u00eam de uma pluralidade de autores, e que foram redigidos ao longo de um arco de tempo relativamente longo (provavelmente entre os s\u00e9c. VI e V a.C.). Estamos, em qualquer caso, na \u00e9poca p\u00f3s-ex\u00edlica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 uma \u00e9poca f\u00e1cil. Os retornados est\u00e3o desiludidos, pois a tarefa da reconstru\u00e7\u00e3o apresenta-se demorada e dif\u00edcil. O pa\u00eds est\u00e1 arruinado, as cidades destru\u00eddas e desabitadas, os campos incultos e abandonados. Os ricos bem depressa come\u00e7am a oprimir os pobres e a esmagar os humildes. Do ponto de vista religioso, o ambiente caracteriza-se pela incompreens\u00e3o dos planos de Deus, pelo ceticismo e desconfian\u00e7a, por um culto meramente exterior e pelo retorno \u00e0s pr\u00e1ticas idol\u00e1tricas. Nesta fase, desempenham um papel fundamental o sacerdote Josu\u00e9 e o governador Zorobabel, respons\u00e1veis pelos trabalhos de reconstru\u00e7\u00e3o do Templo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 que os regressados a Jerusal\u00e9m se relacionam, nesta fase, com os outros povos? A resposta n\u00e3o \u00e9 clara, at\u00e9 porque n\u00e3o conhecemos bem este per\u00edodo da hist\u00f3ria do Povo de Deus. Alguns textos desta \u00e9poca mostram uma certa abertura \u00e0 universalidade, sugerindo que o ex\u00edlio, ao permitir o contacto com outras realidades culturais e religiosas, levou o Povo de Deus a uma certa toler\u00e2ncia para com as outras na\u00e7\u00f5es&#8230; No entanto, outros textos da \u00e9poca manifestam um fechamento cada vez mais acentuado (al\u00e9m da experi\u00eancia dram\u00e1tica do ex\u00edlio, a oposi\u00e7\u00e3o dos povos vizinhos na altura em que os retornados tentam reconstruir Jerusal\u00e9m aumenta a desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos estrangeiros), que culminar\u00e1 na pol\u00edtica xen\u00f3foba de Esdras e Neemias, na segunda metade do s\u00e9c. V a.C. (os casamentos mistos entre judeus e estrangeiros s\u00e3o anulados e proibidos &#8211; cf. Esd 9,1-10,44; Nee 13,23-31).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos situar exatamente, em termos cronol\u00f3gicos, o texto que nos \u00e9 proposto. Provavelmente, ele aparece nos primeiros dec\u00e9nios ap\u00f3s o ex\u00edlio, quando a comunidade discute se os eunucos e os estrangeiros devem ou n\u00e3o integrar a comunidade do Povo de Deus (cf. Is 56,3). De qualquer forma, o texto leva-nos coloca-nos, sem d\u00favida, nesse ambiente &#8211; rico de desafios, mas cheio de contradi\u00e7\u00f5es &#8211; da \u00e9poca p\u00f3s-ex\u00edlica <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir dos seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m n\u00f3s vivemos num mundo de contradi\u00e7\u00f5es. Por um lado, o interc\u00e2mbio de ideias, de experi\u00eancias, de not\u00edcias, o contacto f\u00e1cil, r\u00e1pido e direto com qualquer pessoa, em qualquer canto do mundo, contribuem para nos abrir horizontes, para nos ensinar o respeito pela diferen\u00e7a, para nos fazer descobrir a riqueza de cada povo e de cada cultura&#8230; Por outro lado, o ego\u00edsmo, a autossufici\u00eancia, o medo dos conflitos sociais, o sentimento de que um determinado estilo de vida pode estar amea\u00e7ado, provocam o racismo e a xenofobia e levam-nos a fechar as portas \u00e0queles que querem cruzar as nossas fronteiras \u00e0 procura de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida&#8230; N\u00e3o \u00e9, evidentemente, uma quest\u00e3o simples e que possa ser objeto de demagogia&#8230; No entanto, o nosso Deus convida-nos a abrir o nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0 universalidade, \u00e0 diferen\u00e7a. Os outros homens e mulheres &#8211; estrangeiros, diferentes, com outra cor de pele, com outra l\u00edngua, com outros valores ou com outra religi\u00e3o &#8211; s\u00e3o irm\u00e3os nossos, que devemos acolher e amar.<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A Igreja \u00e9 a comunidade do Povo de Deus. Todos os seus membros s\u00e3o filhos do mesmo Deus e irm\u00e3os em Jesus, embora perten\u00e7am a ra\u00e7as diferentes, a culturas diferentes e a estratos sociais diferentes. No entanto: todos s\u00e3o l\u00e1 acolhidos da mesma forma? O rico e o pobre s\u00e3o sempre tratados da mesma forma nas rece\u00e7\u00f5es das nossas igrejas? Aqueles que t\u00eam comportamentos considerados social ou religiosamente incorretos s\u00e3o sempre tratados com amor e acolhidos com respeito nas nossas comunidades crist\u00e3s, ou s\u00e3o tratados como crist\u00e3os de segunda? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL &#8211; <\/strong><strong>Salmo 66 (67)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Rom 11,13-15.29-32<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos, com Paulo, a refletir a quest\u00e3o posta pela segunda leitura do passado domingo&#8230; Israel, apesar de ser o Povo de eleito de Deus e o Povo da Promessa, recusou a salva\u00e7\u00e3o que Cristo veio oferecer. Que lhe acontecer\u00e1, ent\u00e3o? Ficar\u00e1, devido a essa recusa, \u00e0 margem da salva\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vimos como esse problema afetava Paulo e como o fazia sofrer. Na introdu\u00e7\u00e3o a esta quest\u00e3o (cf. Rom 9,1-5), Paulo confessava a sua dor e tristeza ao ver o seu povo obstinado na recusa da vida nova de Deus. Paulo admitia, at\u00e9, aceitar ser separado &#8211; ele pr\u00f3prio &#8211; de Cristo, se isso servisse para que o Povo judeu aceitasse a salva\u00e7\u00e3o que Deus n\u00e3o desiste de lhe oferecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A desilus\u00e3o e a tristeza de Paulo significar\u00e3o a convic\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 mais sa\u00edda, que Israel vai manter-se fechado aos dons de Deus e que est\u00e1, definitivamente, \u00e0 margem da salva\u00e7\u00e3o? Deus ter\u00e1 rejeitado o seu Povo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De modo nenhum. Paulo vai, ali\u00e1s, constatar que a quest\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 encerrada. Em primeiro lugar, porque uma parte (uma parte pequena, um &#8220;resto&#8221;) de Israel aderiu a Jesus (cf. Rom 11,1-6) e entrou na comunidade do Reino (o pr\u00f3prio Paulo faz parte desse grupo); em segundo lugar, porque o endurecimento de Israel face \u00e0 oferta de salva\u00e7\u00e3o feita por Deus j\u00e1 estava previsto na Escritura e insere-se, certamente, nos planos de Deus (cf. Rom 11,7-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De resto, a recusa de Israel fez com que o Evangelho fosse proposto aos gentios (cf. Rom 11,11-12). H\u00e1 males que v\u00eam por bem; Deus escreve direito por linhas tortas&#8230;<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar, na reflex\u00e3o, as seguintes propostas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, o nosso texto convida-nos a ter sempre presente que a miseric\u00f3rdia de Deus n\u00e3o abandona nenhum dos seus filhos, mesmo aqueles que numa determinada fase da caminhada rejeitam as suas propostas. Deus respeita sempre as op\u00e7\u00f5es livres dos homens; mas n\u00e3o desiste de propor oportunidades infind\u00e1veis de salva\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 esperam o &#8220;sim&#8221; do homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em segundo lugar, o nosso texto sugere que &#8220;Deus escreve direito por linhas tortas&#8221;. Do mal, Ele \u00e9 sempre capaz de retirar o bem (se os judeus &#8211; com a sua mentalidade fechada aos estrangeiros e com a sua mentalidade de que a salva\u00e7\u00e3o era uma proposta exclusiva, s\u00f3 a eles destinada &#8211; tivessem aderido em massa ao Evangelho, dificilmente teriam aceitado que a proposta de salva\u00e7\u00e3o se tornasse universal). Aquilo que, muitas vezes, nos parece il\u00f3gico e sem sentido, talvez fa\u00e7a parte dos projetos de Deus &#8211; projetos que nem sempre conseguimos entender e enquadrar nos nossos esquemas mentais. Temos de aprender a confiar em Deus e na forma como Ele dirige a hist\u00f3ria, mesmo quando n\u00e3o conseguimos entender os seus projetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em terceiro lugar, o nosso texto convida-nos &#8211; implicitamente &#8211; a n\u00e3o nos arvorarmos em ju\u00edzes dos nossos irm\u00e3os. Por um lado, porque o comportamento tolerante de Deus nos convida a uma toler\u00e2ncia semelhante; por outro, porque aquilo que nos parece estranho e reprov\u00e1vel pode fazer parte, em \u00faltima an\u00e1lise, dos projetos de Deus. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO &#8211; <\/strong><strong>Mt 15,21-28<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos na sec\u00e7\u00e3o da &#8220;instru\u00e7\u00e3o sobre o Reino&#8221; (cf. Mt 13,1-17,27). Depois de apresentar a prega\u00e7\u00e3o sobre o Reino em par\u00e1bolas (cf. Mt 13,1-52), Mateus descreve a resposta dos interlocutores de Jesus \u00e0 proposta que lhes foi transmitida (cf. Mt 14,1-17,27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De uma forma geral, a comunidade judaica responde negativamente ao desafio apresentado por Jesus. Quer os nazarenos (cf. Mt 13,53-58), quer Herodes (cf. Mt 14,1-12), quer os escribas, quer os fariseus, quer os saduceus (cf. Mt 15,1-9; 16,1-4.5-12) recusam embarcar na aventura do Reino. Come\u00e7a a tornar-se, cada vez mais claro, que a comunidade judaica n\u00e3o est\u00e1 disposta a acolher a proposta de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio que nos \u00e9 proposto \u00e9, precisamente, antecedido de um confronto entre Jesus, por um lado, os fariseus e doutores da Lei, por outro, por causa das tradi\u00e7\u00f5es judaicas (cf. Mt 15,1-9). Em rutura com os fariseus e os doutores da Lei, Jesus &#8220;retirou-Se dali e foi para os lados de Tiro e de S\u00eddon&#8221;. A recusa de Israel em acolher a proposta do Reino vai fazer com que a prega\u00e7\u00e3o de Jesus se dirija para fora das fronteiras de Israel. A comunidade dos disc\u00edpulos &#8211; esse grupo que escutou atentamente a proposta do Reino e a acolheu &#8211; acompanha Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio narrado no Evangelho deste domingo situa-nos na &#8220;regi\u00e3o de Tiro e S\u00eddon&#8221;. Diante de Jesus apresenta-se uma mulher &#8220;cananeia&#8221;. O apelativo &#8220;cananeia&#8221; designa, no Antigo Testamento, uma mulher pag\u00e3 (neste caso, trata-se de uma mulher fen\u00edcia, provavelmente residente na regi\u00e3o de Tiro e S\u00eddon).<br \/>\nA Fen\u00edcia n\u00e3o era, aos olhos dos judeus, uma regi\u00e3o &#8220;recomend\u00e1vel&#8221;. De l\u00e1 tinham vindo, frequentemente, ex\u00e9rcitos inimigos; de l\u00e1 tinham vindo, muitas vezes, influ\u00eancias religiosas nefastas, que afastavam os israelitas da f\u00e9 em Jahw\u00e9h e os levavam a correr atr\u00e1s dos deuses cananeus. A famosa Jezabel, mulher do rei Acab, que potenciou o culto a Baal e Asser\u00e1 (meados do s\u00e9c. IX a.C., na \u00e9poca do profeta Elias) e que t\u00e3o m\u00e1 mem\u00f3ria deixou entre os fi\u00e9is a Jahw\u00e9h era filha de um rei de S\u00eddon. N\u00e3o admira, portanto, que os fariseus e doutores da Lei, defensores intransigentes da Lei e da pureza da f\u00e9, considerassem os habitantes dessa zona como &#8220;c\u00e3es&#8221; (designa\u00e7\u00e3o que, para os judeus, tinha um sentido altamente pejorativo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O apelo da mulher fen\u00edcia vai no sentido de que ela possa, tamb\u00e9m, ter acesso a essa salva\u00e7\u00e3o que Jesus veio propor. Jesus passar\u00e1 por cima dos preconceitos religiosos dos judeus e oferecer\u00e1 a salva\u00e7\u00e3o a esta pag\u00e3? Uma mulher fen\u00edcia (estrangeira, inimiga, oriunda de uma regi\u00e3o com m\u00e1 fama e, ainda por cima, &#8220;mulher&#8221;) merecer\u00e1 a gra\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir dos seguintes elementos<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira quest\u00e3o que o nosso texto p\u00f5e prende-se com a defini\u00e7\u00e3o daquilo que \u00e9 essencial na experi\u00eancia crist\u00e3. Quem \u00e9 que \u00e9 crist\u00e3o? Quem \u00e9 que pode fazer parte da comunidade de Jesus? A resposta est\u00e1 impl\u00edcita na hist\u00f3ria da mulher cananeia: torna-se membro da comunidade de Jesus quem aceita a sua oferta de salva\u00e7\u00e3o, quem acolhe o Reino, adere a Jesus e ao Evangelho. O que \u00e9 determinante, para integrar a comunidade do Reino, n\u00e3o \u00e9 a ra\u00e7a, a cor da pele, o local de nascimento, a tradi\u00e7\u00e3o familiar, a forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica, a capacidade intelectual, a visibilidade social, o cumprimento de ritos, a rece\u00e7\u00e3o de sacramentos, a amizade com o p\u00e1roco, os servi\u00e7os prestados \u00e0 &#8220;f\u00e1brica da igreja&#8221;, mas a f\u00e9 (entendida como ades\u00e3o a Jesus e \u00e0 sua proposta de salva\u00e7\u00e3o). Para mim, o que \u00e9 que \u00e9 ser crist\u00e3o? O que est\u00e1 no centro da minha experi\u00eancia crist\u00e3 \u00e9 a pessoa de Jesus e a sua proposta de salva\u00e7\u00e3o? Em que \u00e9 que se fundamenta a minha f\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O exemplo da mulher cananeia leva-nos a pensar, por contraste, nesses &#8220;fariseus e doutores da Lei&#8221; que rejeitam a oferta de salva\u00e7\u00e3o que Deus lhes faz, em Jesus. Est\u00e3o cheios de certezas, de convic\u00e7\u00f5es firmes, de preconceitos; mas n\u00e3o t\u00eam o cora\u00e7\u00e3o aberto aos desafios que Deus lhes faz&#8230; Conhecem bem a Palavra de Deus, t\u00eam ideias definidas acerca do que Deus quer ou n\u00e3o quer, s\u00e3o orgulhosos e autossuficientes porque se consideram um povo santo, eleito de Deus, mas n\u00e3o t\u00eam esse cora\u00e7\u00e3o humilde e simples para acolher a novidade de Deus&#8230; Aten\u00e7\u00e3o: o verdadeiro crente \u00e9 aquele que se apresenta diante de Deus numa atitude de humildade e simplicidade, acolhendo com um cora\u00e7\u00e3o agradecido os dons de Deus e a gra\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o. O verdadeiro crente n\u00e3o se barrica em certezas imut\u00e1veis ou em chav\u00f5es doutrinais, mas procura descobrir, cada dia, com humildade e simplicidade, a verdade eterna de Deus e as suas propostas para o mundo e para os homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teoricamente, ningu\u00e9m p\u00f5e em causa que a Igreja nascida de Jesus seja uma comunidade aberta a todos os homens e mulheres, de todas as ra\u00e7as, culturas, classes sociais, quadrantes pol\u00edticos&#8230; Na pr\u00e1tica, ser\u00e1 que todos encontram na Igreja um espa\u00e7o de comunh\u00e3o, de amor, de fraternidade? Os homens e as mulheres, os casados e os divorciados, os pobres e os ricos, os instru\u00eddos e os analfabetos, os conhecidos e os desconhecidos, os bons e os maus, os novos e os velhos, todos s\u00e3o acolhidos na comunidade crist\u00e3 sem discrimina\u00e7\u00e3o e todos s\u00e3o convidados a p\u00f4r a render, para benef\u00edcio dos irm\u00e3os, os talentos que Deus lhes deu? Independentemente do que os documentos da Igreja dizem, do que o Papa ou os bispos dizem, o que \u00e9 que eu fa\u00e7o para que a minha comunidade crist\u00e3 seja um espa\u00e7o de fraternidade, onde todos se sentem acolhidos e amados?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a primeira leitura, tamb\u00e9m o Evangelho sugere uma reflex\u00e3o sobre a forma como acolhemos o estrangeiro, o irm\u00e3o diferente, o &#8220;outro&#8221; que, por raz\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f3micas, sociais, laborais, culturais, tur\u00edsticas, vem ao nosso encontro. Se Deus n\u00e3o discrimina ningu\u00e9m, mas aceita acolher \u00e0 sua mesa todos os homens e mulheres, sem distin\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o havemos de proceder da mesma forma? Particular cuidado e aten\u00e7\u00e3o devem merecer-nos os imigrantes que n\u00e3o falam a nossa l\u00edngua, que n\u00e3o t\u00eam casa, que n\u00e3o t\u00eam trabalho, que sentem a aus\u00eancia da fam\u00edlia e dos amigos, que s\u00e3o perseguidos pelas redes que exploram o trabalho escravo&#8230; O convite que Deus nos faz \u00e9 que vejamos em cada pessoa um irm\u00e3o, independentemente das diferen\u00e7as de cor da pele, de nacionalidade, de l\u00edngua ou de valores. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/08\/15\/mulher-da-grande-fe\/\"><strong>MULHER DA GRANDE\u00a0F\u00c9!<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>Evangelho<\/strong> deste <strong>Domingo XX do Tempo Comum<\/strong> serve-nos uma p\u00e1gina absolutamente desarmante, retirada de Mateus 15,21-28. Desarmante e ins\u00f3lita, pois quando se trata de curar doentes, n\u00e3o \u00e9 normal que Jesus se fa\u00e7a rogado tanto tempo. A norma \u00e9 cur\u00e1-los imediatamente. Mas aqui, \u00e9 s\u00f3 \u00e0 quarta tentativa (outra vez o esquema 3 + 1), tr\u00eas tentativas da mulher e uma dos disc\u00edpulos, que Jesus se decide a curar a filha desta mulher e m\u00e3e libanesa. O extraordin\u00e1rio epis\u00f3dio acontece quando Jesus abandona Genesar\u00e9, na costa ocidental do Mar da Galileia, e vai para a regi\u00e3o de Tiro e de S\u00eddon, atual L\u00edbano, terra pag\u00e3. Na maneira de ver do Antigo Testamento, a regi\u00e3o de Tiro e de S\u00eddon, a noroeste da Galileia, sobre a costa do Mediterr\u00e2nio, era uma terra tipicamente pag\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma mulher e m\u00e3e \u00ablibanesa\u00bb, carregada com o drama da sua filha doente, situa\u00e7\u00e3o verdadeira ontem como hoje, talvez ainda mais hoje ap\u00f3s o drama da recente explos\u00e3o no porto de Beirute, e que podemos ainda estender \u00e0 Palestina, \u00e0 S\u00edria, ao Iraque e a tantos outros lugares do M\u00e9dio Oriente, vem implorar de Jesus, num grito que lhe sai do fundo das entranhas, que lhe \u00abfa\u00e7a gra\u00e7a\u00bb (<em>el\u00e9\u00eas\u00f3n me, k\u00fdrie<\/em>) (Mateus 15,22), isto \u00e9, que olhe para ela com bondade e ternura, como ela bem sabia, pois \u00abfazer gra\u00e7a\u00bb \u00e9 coisa de m\u00e3e que dirige o seu olhar embevecido para o beb\u00e9 que embala nos seus bra\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A este primeiro pedido da mulher, refere o texto que Jesus nem lhe respondeu (cf. Mateus 15,23). Mas a mulher n\u00e3o desiste, mas insiste e persiste, e continua a gritar, a gritar, a gritar, de tal modo que agora s\u00e3o os disc\u00edpulos que pedem (segundo pedido) a Jesus que a despache, \u00abporque ela vem a gritar atr\u00e1s de n\u00f3s\u00bb (<em>\u00f3pisthen h\u00eam\u00f4n<\/em>), dizem eles (Mateus 15,23b). Equ\u00edvoco deles e nosso. N\u00e3o \u00e9 verdade que aquela mulher e m\u00e3e \u00ablibanesa\u00bb venha a gritar atr\u00e1s deles ou de n\u00f3s, para eles ou para n\u00f3s. Est\u00e1 bom de ver que ela grita atr\u00e1s de Jesus, para Jesus! E leva a sua insist\u00eancia ainda mais longe, prostrando-se (verbo\u00a0<em>proskin\u00e9\u00f4<\/em>) agora diante de Jesus, e formulando o seu segundo pedido (terceiro do relato): \u00abSenhor, salva-me!\u00bb (Mateus 15,25). O gesto da prostra\u00e7\u00e3o significa orientar a sua vida toda para Jesus, p\u00f4r-se totalmente na depend\u00eancia de Jesus. A rea\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 de uma dureza extrema: afasta a pobre mulher e m\u00e3e duramente, dizendo-lhe: \u00abN\u00e3o est\u00e1 bem (<em>kal\u00f3n<\/em>) que se tome o p\u00e3o dos filhos, para o lan\u00e7ar aos cachorrinhos\u00bb (Mateus 15,26), catalogando assim aquela pobre mulher e m\u00e3e \u00ablibanesa\u00bb na classe dos cachorros [= pag\u00e3os] e n\u00e3o dos filhos [= judeus] (Mateus 15,26). S\u00f3 para estes \u00e9 que ele veio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a mulher replica de modo admir\u00e1vel! \u00c9 a sua terceira interven\u00e7\u00e3o, que carrega o quarto pedido do relato. A resposta daquela mulher e m\u00e3e \u00e9 de tal modo cortante, que deve ser traduzida \u00e0 letra, para n\u00e3o se perder a sua for\u00e7a. Ela responde: \u00abMas sim, Senhor (<em>na\u00ed k\u00fdrie<\/em>)! \u00c9 verdade que tamb\u00e9m os cachorrinhos se alimentam das migalhas que caem da mesa dos seus donos!\u00bb (Mateus 15,27). Face a esta tempestade de humildade e de ternura, Jesus replicou: \u00ab\u00d3 Mulher, grande \u00e9 a tua f\u00e9!\u00bb (<em>\u00f4 g\u00fdnai, meg\u00e1l\u00ea sou h\u00ea p\u00edstis<\/em>), e acrescentou: \u00abfa\u00e7a-se como queres!\u00bb (Mateus 15,28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Note-se bem que \u00e9 a \u00fanica vez que Jesus fala de \u00abgrande f\u00e9\u00bb. E atribui-a a uma mulher e m\u00e3e \u00ablibanesa\u00bb cujo amor nunca se vergou perante a dureza e as dificuldades da vida. Em contraponto com esta mulher da \u00abgrande f\u00e9\u00bb, note-se bem que Pedro \u00e9 o homem da \u00abpequena f\u00e9\u00bb (<em>olig\u00f3pistos<\/em>), como vimos no epis\u00f3dio do Domingo passado (cf. Mateus 14,31), do mesmo modo que os disc\u00edpulos s\u00e3o tamb\u00e9m os homens \u00abda pequena f\u00e9\u00bb (<em>olig\u00f3pistoi<\/em>) (cf. Mateus 6,30; 8,26; 16,8; 17,20). Admir\u00e1vel ainda que Jesus diga a esta mulher que n\u00e3o desiste, mas insiste e persiste: \u00abfa\u00e7a-se como queres\u00bb (<em>gen\u00eath\u00eat\u00f4 h\u00f4s th\u00e9leis<\/em>), um paralelo claro da ora\u00e7\u00e3o do \u00abPai Nosso\u00bb: \u00abFa\u00e7a-se a tua vontade\u00bb (<em>gen\u00eath\u00eat\u00f4 t\u00f2 th\u00e9l\u00eam\u00e1 sou<\/em>) (Mateus 6,10)!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio \u00e9 de uma crueza e de uma beleza inauditas. Mas h\u00e1 ainda mais: \u00e9 a insist\u00eancia desta mulher e m\u00e3e \u00ablibanesa\u00bb que, por assim dizer, obriga Jesus a passar mais uma fronteira:\u00a0<em>de hebraeos ad gentes<\/em>, dos hebreus para os pag\u00e3os! Mas fica tamb\u00e9m \u00e0s claras o desmascaramento do rid\u00edculo das nossas atitudes falsamente endeusadas, de n\u00f3s, que nos dizemos disc\u00edpulos de Jesus, e que \u00e0s vezes somos levados a pensar que as pessoas v\u00eam \u00abatr\u00e1s de n\u00f3s\u00bb, que temos especiais poderes, e que at\u00e9 podemos conseguir especiais favores! Na verdade, disc\u00edpula de Jesus \u00e9 a pobre mulher do Evangelho de hoje, que vai \u00abatr\u00e1s de Jesus\u00bb, que \u00abse prostra diante dele\u00bb, que grita para Ele, e que mostra uma f\u00e9 inquebrant\u00e1vel!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto tentamos compreender melhor a ousadia da grande f\u00e9 desta mulher e m\u00e3e \u00ablibanesa\u00bb, que enche claramente este Domingo XX, n\u00e3o deixemos tamb\u00e9m de contemplar o rumor mission\u00e1rio que se faz ouvir, em perfeita sintonia, nas demais passagens ou paisagens b\u00edblicas de hoje. Em primeiro lugar, e em pura sintonia com a universalidade do Evangelho, a\u00ed est\u00e1 a li\u00e7\u00e3o igualmente aberta de Isa\u00edas 56,1-7, que adscreve mais um belo nome a Jerusal\u00e9m: \u00abCasa de ora\u00e7\u00e3o para todos os povos\u00bb (Isa\u00edas 56,7). Jesus citar\u00e1 este texto de Isa\u00edas em Mateus 21,13, Marcos 11,17 e Lucas 19,46. Em Mateus e Lucas, s\u00f3 a primeira parte \u00e9 referida: \u00abA minha casa ser\u00e1 chamada casa de ora\u00e7\u00e3o\u00bb. S\u00f3 em Marcos, a cita\u00e7\u00e3o aparece por inteiro: \u00abA minha casa ser\u00e1 chamada casa de ora\u00e7\u00e3o para todos os povos\u00bb. Mas Isa\u00edas continua a anunciar que os estrangeiros que quiserem servir e amar o Deus santo e ser fi\u00e9is \u00e0 sua alian\u00e7a, ser\u00e3o por Ele conduzidos ao monte santo, e os seus sacrif\u00edcios e holocaustos ser\u00e3o do agrado de Deus (Isa\u00edas 56,6-7). Alguns desses estrangeiros ser\u00e3o mesmo escolhidos por Deus para sacerdotes e levitas (Isa\u00edas 66,21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas este tom de comovida universalidade j\u00e1 se tinha feito ouvir, de forma surpreendente, em Isa\u00edas 19,24-25, em que Deus une na mesma b\u00ean\u00e7\u00e3o o Egito, a Ass\u00edria e Israel, sendo o Egito e a Ass\u00edria inimigos de Israel. Soa assim o requintado dizer de Deus: \u00abBendito o Egito, meu povo, a Ass\u00edria, obra das minhas m\u00e3os, e Israel, minha heran\u00e7a\u00bb. O amor de Deus n\u00e3o conhece barreiras. A mesma admir\u00e1vel li\u00e7\u00e3o se encontra no Salmo 87,4, um maravilhoso C\u00e2ntico de Si\u00e3o: \u00abRecordarei Raab e Babel entre os que me conhecem; eis a Filisteia e Tiro e a Eti\u00f3pia: este nasceu l\u00e1\u00bb. Eis Deus a escrever no livro anagr\u00e1fico os nomes dos seus filhos. E a\u00ed vemos outra vez inscritos os inimigos de Israel: Raab, que \u00e9 o Egito (Isa\u00edas 30,7), a Babil\u00f3nia, os Filisteus, e os estrangeiros mais estrangeiros, a Eti\u00f3pia (do grego\u00a0<em>a\u00edth\u00f4<\/em>\u00a0[= acender, queimar], e\u00a0<em>\u00f4ps<\/em>\u00a0[= rosto]), que \u00e9 pa\u00eds das pessoas de rosto queimado ou de cor negra, o pa\u00eds do fim do mundo, como escreve Homero, no princ\u00edpio do Canto I da Odisseia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vai ainda no sentido da universalidade a li\u00e7\u00e3o de hoje da Carta aos Romanos 11,13-15.29-32. S\u00e3o Paulo intitula-se a\u00ed \u00abAp\u00f3stolo das na\u00e7\u00f5es\u00bb (v. 13), e diz-nos que Deus usa de miseric\u00f3rdia para com todos (v. 32). \u00c9, por\u00e9m, um facto que o Israel qualificado, entenda-se, a minoria mais fiel e religiosa, n\u00e3o aceitou a visita de Deus mediante o Filho. Foi por esta raz\u00e3o que Paulo foi enviado aos pag\u00e3os. Mas os israelitas continuam a ser \u00abamados\u00bb (<em>agap\u00eato\u00ed<\/em>) de Deus (v. 28), e s\u00e3o-no para sempre, tal como o Filho \u00danico \u00e9 \u00abamado\u00bb (<em>agap\u00eat\u00f3s<\/em>), pois a Vontade de Deus n\u00e3o muda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, bem podemos hoje, com o Salmo 67, juntar as nossas vozes \u00e0s vozes dos povos de toda a terra no mesmo louvor ao Deus que a todos faz gra\u00e7a e miseric\u00f3rdia. O Salmo 67 \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o de b\u00ean\u00e7\u00e3o em forma de peti\u00e7\u00e3o. Em termos t\u00e9cnicos, equivale a uma epiclese: n\u00e3o \u00abeu te bendigo\u00bb, mas \u00abDeus nos bendiga\u00bb. O nosso Salmo 67 recolhe os temas da b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal de N\u00fameros 6,24-26, como a gra\u00e7a, a luz, a benevol\u00eancia, a paz, pondo o plural onde estava o singular, por assim dizer, \u00abdemocratizando\u00bb a b\u00ean\u00e7\u00e3o, agora dirigida a todos, onde, na b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal do Livro dos N\u00fameros, se dirigia apenas a Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Leitura-I-do-XX-Domingo-do-Tempo-Comum-Ano-A-20.08.2023-Is-56-1.6-7.pdf\">Leitura I do XX Domingo do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 20.08.2023 (Is 56, 1.6-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Leitura-II-do-XX-Domingo-do-Tempo-Comum-Ano-A-20.08.2023-Rom-11-13-15.29-32.pdf\">Leitura II do XX Domingo do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 20.08.2023 (Rom 11, 13-15.29-32)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Domingo-XX-do-Tempo-Comum-Ano-A-20.08.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XX do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 20.08.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Domingo-XX-do-Tempo-Comum-Ano-A-20.08.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XX do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 20.08.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Nota-Pastoral.pdf\">Nota Pastoral<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XIX do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 13.08.2023&#8243; tab_id=&#8221;1692605358400-1a6eb6a5-17ce&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XIX do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 13.08.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><sup>27<\/sup><\/strong><strong>No mesmo instante, Jesus falou-lhes, dizendo: \u00abTranquilizai-vos! Sou Eu! N\u00e3o temais!\u00bb\u00a0<sup>28<\/sup>Pedro respondeu-lhe: \u00abSe \u00e9s Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as \u00e1guas.\u00bb\u00a0<sup>29<\/sup>\u00abVem\u00bb &#8211; disse-lhe Jesus. E Pedro, descendo do barco, caminhou sobre as \u00e1guas para ir ter com Jesus.\u00a0<sup>30<\/sup>Mas, sentindo a viol\u00eancia do vento, teve medo e, come\u00e7ando a ir ao fundo, gritou: \u00abSalva-me, Senhor!\u00bb\u00a0<sup>31<\/sup>Imediatamente Jesus estendeu-lhe a m\u00e3o, segurou-o e disse-lhe: \u00abHomem de pouca f\u00e9, porque duvidaste?\u00bb\u00a0<sup>32<\/sup>E, quando entraram no barco, o vento amainou.\u00a0<sup>33<\/sup>Os que se encontravam no barco prostraram-se diante de Jesus, dizendo: \u00abTu \u00e9s, realmente, o Filho de Deus!\u00bb <em>Mt 14, 27-33<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Domingo-XIX.jpg\" alt=\"\" width=\"670\" height=\"377\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de despedir a multid\u00e3o e de obrigar os disc\u00edpulos a embarcar para a outra margem, Jesus &#8220;subiu a um monte para orar, a s\u00f3s&#8221;. Mateus s\u00f3 se refere \u00e0 ora\u00e7\u00e3o de Jesus por duas vezes: aqui e no epis\u00f3dio do Getsemani (cf. Mt 26,36): em ambos os casos, a ora\u00e7\u00e3o precede um momento de prova para os disc\u00edpulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto Jesus est\u00e1 em di\u00e1logo com o Pai, os disc\u00edpulos est\u00e3o sozinhos, em viagem pelo lago. Essa viagem, no entanto, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil nem serena&#8230; \u00c9 de noite; o barco \u00e9 a\u00e7oitado pelas ondas e navega dificilmente, com vento contr\u00e1rio. Os disc\u00edpulos est\u00e3o inquietos e preocupados, pois Jesus n\u00e3o est\u00e1 com eles&#8230;<br \/>\nO quadro refere-se, certamente, \u00e0 situa\u00e7\u00e3o da comunidade a que Mateus destina o seu Evangelho (e que n\u00e3o ser\u00e1 muito diferente da situa\u00e7\u00e3o de qualquer comunidade crist\u00e3, em qualquer tempo e lugar). A &#8220;noite&#8221; representa as trevas, a escurid\u00e3o, a confus\u00e3o, a inseguran\u00e7a em que tantas vezes &#8220;navegam&#8221; atrav\u00e9s da hist\u00f3ria os disc\u00edpulos de Jesus, sem saberem exatamente que caminhos percorrer nem para onde ir&#8230; As &#8220;ondas&#8221; que a\u00e7oitam o barco representam a hostilidade do mundo, que bate continuamente contra o barco em que viajam os disc\u00edpulos&#8230; Os &#8220;ventos contr\u00e1rios&#8221; representam a oposi\u00e7\u00e3o, a resist\u00eancia do mundo ao projeto de Jesus &#8211; esse projeto que os disc\u00edpulos testemunham&#8230; Quantas vezes, na sua viagem pela hist\u00f3ria, os disc\u00edpulos de Jesus se sentem perdidos, sozinhos, abandonados, desanimados, desiludidos, incapazes de enfrentar as tempestades que as for\u00e7as da morte e da opress\u00e3o (o &#8220;mar&#8221;) lan\u00e7am contra eles&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a\u00ed, precisamente, que Jesus manifesta a sua presen\u00e7a. Ele vai ao encontro dos disc\u00edpulos &#8220;caminhando sobre o mar&#8221; (vers. 26). No contexto da catequese judaica, s\u00f3 Deus &#8220;caminha sobre o mar&#8221; (Job 9,8b; 38,16; Sal 77,20); s\u00f3 Ele faz &#8220;tremer as \u00e1guas e agitarem-se os abismos&#8221; (Sal 77,17); s\u00f3 Ele acalma as ondas e as tempestades (cf. Sal 107,25-30). Jesus \u00e9, portanto, o Deus que vela pelo seu Povo e que n\u00e3o deixa que as for\u00e7as da morte (o &#8220;mar&#8221;) o destruam. A express\u00e3o &#8220;sou Eu&#8221; reproduz a f\u00f3rmula de identifica\u00e7\u00e3o com que Deus se apresenta aos homens no Antigo Testamento (cf. Ex 3,14; Is 43,3.10-11); e a exorta\u00e7\u00e3o &#8220;tende confian\u00e7a, n\u00e3o temais&#8221; transmite aos disc\u00edpulos a certeza de que nada t\u00eam a temer porque Jesus, o Deus que vence as for\u00e7as da morte e da opress\u00e3o acompanha a par e passo a sua caminhada hist\u00f3rica e d\u00e1-lhes a for\u00e7a para vencer a adversidade, a solid\u00e3o e a hostilidade do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, Mateus narra uma cena exclusiva, que n\u00e3o \u00e9 apresentada por nenhum outro evangelista: a do di\u00e1logo entre Pedro e Jesus (vers. 28-33). Tudo come\u00e7a com o pedido de Pedro: &#8220;se \u00e9s Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as \u00e1guas&#8221;. Pedro sai do barco e vai, de facto, ao encontro de Jesus; mas, assustando-se com a viol\u00eancia do vento, come\u00e7a a afundar-se e pede a Jesus que o salve. Assim acontece, embora Jesus censure a sua pouca f\u00e9 e as suas d\u00favidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro \u00e9, aqui, o porta-voz e o representante dessa comunidade dos disc\u00edpulos que vai no barco (a Igreja). O epis\u00f3dio reflete a fragilidade da f\u00e9 dos disc\u00edpulos, sempre que t\u00eam de enfrentar as for\u00e7as da opress\u00e3o, do ego\u00edsmo, da injusti\u00e7a. Jesus comunicou aos seus o poder de vencerem todos os poderes deste mundo que se op\u00f5em \u00e0 vida, \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o, \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o, \u00e0 felicidade dos homens. No entanto, enquanto enfrentam as ondas do mundo hostil e os ventos soprados pelas for\u00e7as da morte, os disc\u00edpulos debatem-se entre a confian\u00e7a em Jesus e o medo. Mateus refere-se, desta forma, \u00e0 experi\u00eancia de muitos disc\u00edpulos (da sua comunidade e das comunidades crist\u00e3s de todos os tempos e lugares) que seguem a Jesus de forma decidida, mas que se deixam abalar quando chegam as persegui\u00e7\u00f5es, os sofrimentos, as dificuldades&#8230; Ent\u00e3o, come\u00e7am a afundar-se e a ser submersos pelo &#8220;mar&#8221; da morte, da frustra\u00e7\u00e3o, do des\u00e2nimo, da desilus\u00e3o&#8230; No entanto, Jesus l\u00e1 est\u00e1 para lhes estender a m\u00e3o e para os sustentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, a desconfian\u00e7a dos disc\u00edpulos transforma-se em f\u00e9 firme: &#8220;Tu \u00e9s verdadeiramente o Filho de Deus&#8221; (vers. 33). \u00c9 para aqui que converge todo o relato. Esta confiss\u00e3o reflete a f\u00e9 dos verdadeiros disc\u00edpulos, que veem em Jesus o Deus que vence o &#8220;mar&#8221;, o Senhor da vida e da hist\u00f3ria que acompanha a caminhada dos seus, que lhes d\u00e1 a for\u00e7a para vencer as for\u00e7as da opress\u00e3o e da morte, que lhes estende a m\u00e3o quando eles est\u00e3o desanimados e com medo e que n\u00e3o os deixa afundar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando \u00e9 que os disc\u00edpulos fizeram a descoberta de que Jesus era o Deus vencedor do pecado e da morte? Naturalmente, ap\u00f3s a P\u00e1scoa, quando perceberam plenamente o mist\u00e9rio de Jesus (perceberam que Ele n\u00e3o era &#8220;um fantasma&#8221;), sentiram a sua presen\u00e7a no meio da comunidade reunida, experimentaram a sua ajuda nos momentos dif\u00edceis da caminhada, sentiram que Ele lhes transmitia a for\u00e7a de enfrentar as adversidades e a hostilidade do mundo, sentiram que Ele estava l\u00e1, estendendo-lhes a m\u00e3o, nos momentos de fraqueza, de dificuldade, de falta de f\u00e9. \u00c9 esta mesma experi\u00eancia que Mateus nos convida tamb\u00e9m a fazer.<strong><em> In Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>1 Reis 19,9a.11-13a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa leitura situa-nos no Reino do Norte (Israel), durante o reinado de Acab (873-853 a.C.). No pa\u00eds multiplicam-se os lugares sagrados onde se adoram deuses estrangeiros. De acordo com 1 Re 16,31-33, o pr\u00f3prio rei &#8211; influenciado por Jezabel, a sua esposa fen\u00edcia &#8211; erige altares a Baal e Asser\u00e1 e presta culto a esses deuses. Por detr\u00e1s deste quadro est\u00e1, provavelmente, a tentativa de Acab em abrir Israel a outras na\u00e7\u00f5es, a fim de facilitar o interc\u00e2mbio cultural e comercial. Mas essas raz\u00f5es pol\u00edticas n\u00e3o s\u00e3o entendidas nem aceites pelos c\u00edrculos religiosos de Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contra estes desvios \u00e0 f\u00e9 tradicional, levanta-se o profeta Elias. Ele aparece como o representante desses israelitas fi\u00e9is, que recusam a substitui\u00e7\u00e3o de Jahw\u00e9h por deuses estranhos ao universo religioso de Israel. Num epis\u00f3dio dram\u00e1tico cuja mem\u00f3ria \u00e9 conservada no primeiro Livro dos Reis, o pr\u00f3prio Elias desafia os profetas de Baal para um duelo religioso, que termina com o massacre de quatrocentos profetas de Baal, no monte Carmelo (cf. 1 Re 18). Esse epis\u00f3dio \u00e9, certamente, uma representa\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica dessa luta sem tr\u00e9guas que se trava entre os fi\u00e9is a Jahw\u00e9h e os que abrem o cora\u00e7\u00e3o \u00e0s influ\u00eancias culturais e religiosas de outros povos.<br \/>\nO texto que nos \u00e9 proposto como primeira leitura aparece, precisamente, na sequ\u00eancia do massacre do Carmelo. Jezabel, informada da morte dos profetas de Baal, promete matar Elias; e o profeta foge para o sul, a fim de salvar a vida. Atravessa o Reino do Sul (Jud\u00e1), passa por Beer-Sheva e dirige-se para o deserto, em dire\u00e7\u00e3o ao monte Horeb\/Sinai (cf. 1 Re 19,1-8). \u00c9 a\u00ed que o nosso texto nos situa. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode ter em conta os seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem \u00e9 Deus? Como \u00e9 Deus? \u00c9 poss\u00edvel provar, sem margem para d\u00favidas, a exist\u00eancia de Deus? Estas e outras perguntas j\u00e1 as fizemos, certamente, a n\u00f3s pr\u00f3prios ou a algu\u00e9m. Todos n\u00f3s somos pessoas a quem Deus inquieta: h\u00e1 uma \u201cqualquer coisa&#8221; no cora\u00e7\u00e3o do homem que o projeta para o transcendente, que o leva a interrogar-se sobre Deus e a tentar descobrir o seu rosto&#8230; No entanto, Deus n\u00e3o \u00e9 evidente. Se confiarmos apenas nos nossos sentidos, Deus n\u00e3o existe: n\u00e3o conseguimos v\u00ea-l&#8217;O com os nossos olhos, sentir o seu cheiro ou toc\u00e1-l&#8217;O com as nossas m\u00e3os. Mais ainda: nenhum instrumento cient\u00edfico, nenhum microsc\u00f3pio eletr\u00f3nico, nenhum radar espacial detetou jamais qualquer sinal sens\u00edvel de Deus. Talvez por isso o sovi\u00e9tico Yuri Gagarin, o primeiro homem do espa\u00e7o, mal p\u00f4s os p\u00e9s na terra apressou-se a afirmar que n\u00e3o tinha encontrado na estratosfera qualquer marca de Deus&#8230; O texto que nos \u00e9 proposto convida todos aqueles que est\u00e3o interessados em Deus, a descobri-l&#8217;O no sil\u00eancio, na simplicidade, na intimidade&#8230; \u00c9 preciso calar o ru\u00eddo excessivo, moderar a atividade desenfreada, encontrar tempo e disponibilidade para consultar o cora\u00e7\u00e3o, para interrogar a Palavra de Deus, para perceber a sua presen\u00e7a e as suas indica\u00e7\u00f5es nos sinais (quase sempre discretos) que Ele deixa na nossa hist\u00f3ria e na vida do mundo&#8230; Tenho consci\u00eancia de que preciso encontrar tempo para &#8220;buscar Deus&#8221;? De acordo com a minha experi\u00eancia de procura, onde \u00e9 que eu O encontro mais facilmente: na agita\u00e7\u00e3o e nos gestos espetaculares, ou no sil\u00eancio, na humildade e na simplicidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje como ontem, h\u00e1 outros deuses, outras propostas de felicidade, que nos procuram seduzir e atrair&#8230; H\u00e1 deuses que gritam alto (em todos os canais de televis\u00e3o?) a sua capacidade de nos oferecer uma felicidade imediata; h\u00e1 deuses que, como um terramoto, fazem tremer as nossas convic\u00e7\u00f5es e lan\u00e7am por terra os valores que consideramos mais sagrados; h\u00e1 deuses que, com a for\u00e7a da tempestade, nos arrastam para atitudes de ego\u00edsmo, de prepot\u00eancia, de injusti\u00e7a, de comodismo, de \u00f3dio&#8230; O nosso texto convida-nos a uma peregrina\u00e7\u00e3o ao encontro das nossas ra\u00edzes, dos nossos compromissos batismais&#8230; Temos, permanentemente, de partir ao encontro do Deus que fez connosco uma Alian\u00e7a e que nos chama todos os dias \u00e0 comunh\u00e3o com Ele&#8230; Aceito percorrer este caminho de convers\u00e3o? Encontro tempo para redescobrir o Deus da Alian\u00e7a com quem me comprometi no dia do meu Batismo? Quais s\u00e3o os falsos deuses que, \u00e0s vezes, me afastam da comunh\u00e3o com o verdadeiro Deus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na hist\u00f3ria de Elias (e na hist\u00f3ria de qualquer profeta), a descoberta de Deus leva ao compromisso, \u00e0 a\u00e7\u00e3o, ao testemunho&#8230; Depois de encontrar o Deus da Alian\u00e7a, aceito comprometer-me com Ele? Estou disposto a cumprir a miss\u00e3o que Ele me confia no mundo? Estou dispon\u00edvel para O testemunhar no meio dos meus irm\u00e3os?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL &#8211; <\/strong><strong>Salmo 84 (85)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Rom 9,1-5<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de apresentar, nos primeiros oito cap\u00edtulos da Carta aos Romanos, uma catequese sobre a salva\u00e7\u00e3o (apesar do pecado que submerge todos os homens e desfeia o mundo Deus, na sua bondade, oferece gratuitamente a todos os homens, atrav\u00e9s de Jesus Cristo, a salva\u00e7\u00e3o), Paulo vai referir-se, agora, a um problema particular, mas que o preocupa a ele e a todos os crist\u00e3os: que acontecer\u00e1 a Israel que, apesar de ser o Povo eleito de Deus e o Povo da Promessa, recusou essa salva\u00e7\u00e3o que Cristo veio oferecer? Israel ficar\u00e1, devido a essa recusa, definitivamente \u00e0 margem da salva\u00e7\u00e3o? Na verdade, Deus jurou ao seu Povo, em v\u00e1rios momentos da hist\u00f3ria, libert\u00e1-lo e salv\u00e1-lo; ora, se Israel ficar exclu\u00eddo da salva\u00e7\u00e3o, podemos dizer que Deus falhou? Podemos continuar a confiar na sua Palavra? \u00c9 a estas quest\u00f5es que, genericamente, Paulo procura responder nos cap\u00edtulos 9-11 da Carta aos Romanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como segunda leitura deste domingo \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o a esta quest\u00e3o.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, ter em conta os seguintes desenvolvimentos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das coisas que impressiona, neste texto, \u00e9 a forma como Paulo sente a infelicidade do seu Povo. A obstina\u00e7\u00e3o de Israel em recusar a salva\u00e7\u00e3o f\u00e1-lo sentir &#8220;uma grande tristeza e uma dor cont\u00ednua&#8221; no cora\u00e7\u00e3o. Todos n\u00f3s conhecemos irm\u00e3os &#8211; mesmo batizados &#8211; que recusam a salva\u00e7\u00e3o que Deus oferece ou que, pelo menos, vivem numa absoluta indiferen\u00e7a face \u00e0 vida plena que Deus lhes quer dar. Como nos sentimos diante deles? Ficamos indiferentes e achamos que n\u00e3o \u00e9 nada connosco? Deixamo-nos contaminar por essa indiferen\u00e7a e escolhemos, como eles, caminhos de ego\u00edsmo e de autossufici\u00eancia? Ou sentimos que \u00e9 nossa responsabilidade continuar a testemunhar diante deles os valores em que acreditamos e que conduzem \u00e0 vida plena e verdadeira?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este texto prop\u00f5e-nos tamb\u00e9m uma reflex\u00e3o sobre as oportunidades perdidas&#8230; Israel, apesar de todas as manifesta\u00e7\u00f5es da bondade e do amor de Deus que conheceu ao longo da sua caminhada pela hist\u00f3ria, acabou por se instalar numa autossufici\u00eancia que n\u00e3o lhe permitiu acompanhar o ritmo de Deus, nem descobrir os novos desafios que o projeto da salva\u00e7\u00e3o de Deus faz, em cada fase, aos homens. O exemplo de Israel faz-nos pensar no nosso compromisso com Deus&#8230; Em primeiro lugar, mostra-nos a import\u00e2ncia de n\u00e3o nos instalarmos num esquema de viv\u00eancia med\u00edocre da f\u00e9 e sugere que o &#8220;sim&#8221; a Deus do dia do nosso batismo precisa de ser renovado em cada dia da nossa vida&#8230; Em segundo lugar, sugere que o crist\u00e3o n\u00e3o pode instalar-se nas suas certezas e autossufici\u00eancias, mas tem de estar atento aos desafios, sempre renovados, de Deus&#8230; Em terceiro lugar, sugere que o ter o nome inscrito no livro de registos da nossa par\u00f3quia n\u00e3o \u00e9 um certificado de garantia de salva\u00e7\u00e3o (a salva\u00e7\u00e3o passa sempre pela ades\u00e3o sempre renovada aos dons de Deus).<strong><em> in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO &#8211; <\/strong><strong>Mt 14,22-33<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mateus come\u00e7a por observar que, depois de muitos sucessos, o \u00faltimo foi o milagre da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, Jesus &#8220;obrigou os disc\u00edpulos a subir para o barco e a esper\u00e1-l&#8217;O na outra margem, enquanto Ele despedia a multid\u00e3o&#8221; (Mt 14,22). Esta nota pode indicar que Jesus quis arrefecer o entusiasmo excessivo dos disc\u00edpulos (o autor do quarto Evangelho, a prop\u00f3sito do mesmo epis\u00f3dio, refere que Jesus Se retirou sozinho para o monte, pois sabia que &#8220;viriam arrebat\u00e1-l&#8217;O para O fazerem rei&#8221; &#8211; Jo 6,15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio situa-nos na \u00e1rea do lago de Tiber\u00edades ou da Genesar\u00e9, esse lago de \u00e1gua doce com 21 quil\u00f3metros de comprimento e 12 de largura situado na Galileia e que \u00e9 o grande reservat\u00f3rio de \u00e1gua doce da Palestina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os judeus, o mar &#8211; e o lago de Tiber\u00edades ou de Genesar\u00e9 \u00e9 considerado, para todos os efeitos, um &#8220;mar&#8221; &#8211; era o lugar onde habitavam os monstros, os dem\u00f3nios e todas as for\u00e7as que se opunham \u00e0 vida e \u00e0 felicidade do homem. Na perspetiva da teologia judaica, no mar o homem estava \u00e0 merc\u00ea das for\u00e7as demon\u00edacas; e s\u00f3 o poder de Deus podia salv\u00e1-lo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recordemos, ainda, que o nosso texto est\u00e1 inclu\u00eddo numa sec\u00e7\u00e3o (cf. Mt 13,1-17,27) do Evangelho segundo Mateus, a que poder\u00edamos chamar &#8220;instru\u00e7\u00e3o sobre o Reino&#8221;. A\u00ed, Mateus p\u00f5e Jesus a dirigir-Se sobretudo aos disc\u00edpulos e a instru\u00ed-los sobre os valores e os mist\u00e9rios do Reino. \u00c9 neste contexto de catequese sobre o Reino que devemos situar o epis\u00f3dio que hoje nos \u00e9 proposto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembremos, finalmente, que o Evangelho segundo Mateus &#8211; escrito durante a d\u00e9cada de 80 &#8211; se destina a uma comunidade crist\u00e3 que j\u00e1 esqueceu o seu entusiasmo inicial por Jesus e pelo seu Evangelho e que vive uma f\u00e9 c\u00f3moda, instalada, pouco exigente. Para os crentes, avizinham-se grandes contrariedades e persegui\u00e7\u00f5es&#8230; A comunidade s\u00f3 poder\u00e1 subsistir se confiar em Jesus, na sua presen\u00e7a, na sua prote\u00e7\u00e3o<strong>. <\/strong><strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir dos seguintes elementos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste domingo \u00e9, antes de mais, uma catequese sobre a caminhada hist\u00f3rica da comunidade de Jesus, enviada \u00e0 &#8220;outra margem&#8221;, a convidar todos os homens para o banquete do Reino e a oferecer-lhes o alimento com que Deus mata a fome de vida e de felicidade dos seus filhos. Estamos dispostos a embarcar na aventura de propor a todos os homens o banquete do Reino? Temos consci\u00eancia de que nos foi confiada a miss\u00e3o de saciar a fome do mundo? Aqueles que s\u00e3o deixados \u00e0 margem dessa mesa onde se jogam os interesses e os destinos do mundo, que t\u00eam fome e sede de vida, de amor, de esperan\u00e7a, encontram em n\u00f3s uma proposta cred\u00edvel e coerente que aponta no sentido de uma realidade de plenitude, de realiza\u00e7\u00e3o, de vida plena?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A caminhada hist\u00f3rica dos disc\u00edpulos e o seu testemunho do banquete do Reino n\u00e3o \u00e9 um caminho f\u00e1cil, feito no meio de aclama\u00e7\u00f5es das multid\u00f5es e dos aplausos un\u00e2nimes dos homens. A comunidade (o &#8220;barco&#8221;) dos disc\u00edpulos tem de abrir caminho atrav\u00e9s de um mar de dificuldades, continuamente batido pela hostilidade dos advers\u00e1rios do Reino e pela recusa do mundo em acolher os projetos de Jesus. Todos os dias o mundo nos mostra &#8211; com um sorriso ir\u00f3nico &#8211; que os valores em que acreditamos e que procuramos testemunhar est\u00e3o ultrapassados. Todos os dias o mundo insiste em provar-nos &#8211; \u00e0s vezes com agressividade, outras vezes com comisera\u00e7\u00e3o &#8211; que s\u00f3 seremos competitivos e vencedores quando usarmos as armas da arrog\u00e2ncia, do poder, do orgulho, da prepot\u00eancia, da gan\u00e2ncia&#8230; Como nos colocamos face a isto? \u00c9 poss\u00edvel desempenharmos o nosso papel no mundo, com rigor e compet\u00eancia, sem perdermos as nossas refer\u00eancias crist\u00e3s e sem trairmos o Reino?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que seja poss\u00edvel viver de forma coerente e corajosa na din\u00e2mica do Reino, os disc\u00edpulos t\u00eam de estar conscientes da presen\u00e7a de Jesus, o Senhor da vida e da hist\u00f3ria, que as for\u00e7as do mal nunca conseguir\u00e3o vencer nem domesticar. Ele diz aos disc\u00edpulos, tantas vezes desanimados e assustados face \u00e0s dificuldades e \u00e0s persegui\u00e7\u00f5es: &#8220;tende confian\u00e7a. Sou Eu. N\u00e3o temais&#8221;. Os disc\u00edpulos sabem, assim, que n\u00e3o h\u00e1 qualquer raz\u00e3o para se deixarem afundar no desespero e na desilus\u00e3o. Mesmo quando a sua f\u00e9 vacila, eles sabem que a m\u00e3o de Jesus est\u00e1 l\u00e1, estendida, para que eles n\u00e3o sejam submersos pelas for\u00e7as do ego\u00edsmo, da injusti\u00e7a, da morte. Nada nem ningu\u00e9m poder\u00e1 roubar a vida \u00e0queles que lutam para instaurar o Reino. Jesus, vivo e ressuscitado, n\u00e3o deixa nunca que sejamos vencidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ora\u00e7\u00e3o de Jesus (que em Mateus antecede os momentos de prova) convida-nos a manter um di\u00e1logo \u00edntimo com o Pai. \u00c9 nesse di\u00e1logo que os disc\u00edpulos colher\u00e3o o discernimento para perceberem os caminhos de Deus, a for\u00e7a para seguir Jesus, a coragem para enfrentar a hostilidade do mundo.<strong><em> in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/08\/08\/a-voz-de-um-fino-silencio\/\"><strong>A VOZ DE UM FINO\u00a0SIL\u00caNCIO!<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja primitiva considerava a BARCA como figura da Igreja. Tertuliano (150-220) parece ter sido o primeiro a expressar esta tem\u00e1tica por escrito (<em>De Baptismo<\/em>, XII, 7). E \u00e9 f\u00e1cil perceber a liga\u00e7\u00e3o: a BARCA aparece como um dos lugares em que JESUS est\u00e1 no meio dos seus disc\u00edpulos e a s\u00f3s com eles. De facto, a BARCA demarca um espa\u00e7o privilegiado que JESUS condivide apenas com os seus disc\u00edpulos. Mais ningu\u00e9m entra nesta BARCA. No relato de Mateus, apenas por uma vez, e \u00e9 o texto que temos a gra\u00e7a de escutar neste Domingo XIX (Mateus 14,22-33; cf. Marcos 6,45-52; Jo\u00e3o 6,16-21), os disc\u00edpulos v\u00e3o sozinhos na BARCA, sem Jesus. Mas surgem problemas, que os disc\u00edpulos n\u00e3o conseguem resolver sozinhos. Esta importante cena serve tamb\u00e9m para mostrar que, sem Jesus, os disc\u00edpulos n\u00e3o conseguem ter sucesso e correm perigo. A situa\u00e7\u00e3o preparada por Jesus, que faz os seus disc\u00edpulos subir sozinhos para aquela BARCA (cf. Mateus 14,22), serve para fazer ver aos seus disc\u00edpulos de todos os tempos que precisamos de viver sabendo que Ele est\u00e1 sempre presente no meio de n\u00f3s, ainda que n\u00e3o de modo vis\u00edvel e sens\u00edvel, ainda que, porventura, nem sequer nos apercebamos da sua presen\u00e7a. A BARCA serve para atravessar o mar encapelado, que s\u00e3o as persegui\u00e7\u00f5es e as adversidades deste mundo. Mas apenas na companhia de JESUS. Ontem como hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na costa ocidental do Mar da Galileia, nas proximidades de Magdala, foi descoberta uma BARCA de pesca do tempo de Jesus. Tinha 8 metros de comprimento por 2,5 metros de largura. J\u00e1 se v\u00ea que se trata de uma embarca\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil, presa f\u00e1cil das ondas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os relatos de Mateus e de Marcos anotam a hora da chegada de Jesus, andando sobre o mar: quarta vig\u00edlia da noite, que o mesmo \u00e9 dizer, entre as tr\u00eas e as seis horas da manh\u00e3. \u00abAndando sobre o mar\u00bb \u00e9 claramente um indicador divino, pois Deus \u00e9 aquele \u00abcuja estrada \u00e9 no meio do mar,\/ e o seu caminho sobre as muitas \u00e1guas\u00bb (Salmo 77,20). Mas Mateus empresta a este epis\u00f3dio uma tonalidade pr\u00f3pria, pois \u00e9 o \u00fanico a inserir o di\u00e1logo de Pedro com Jesus. Tamb\u00e9m Pedro caminha sobre as \u00e1guas, a seu pedido, e seguindo a ordem de Jesus: \u00abVem!\u00bb. Entenda-se bem: Pedro caminha sobre as \u00e1guas como Jesus, mas n\u00e3o com autoridade pr\u00f3pria. O que Pedro faz, assenta na Palavra de Jesus e na F\u00e9 que o liga a Jesus. Importante li\u00e7\u00e3o: Pedro faz o mesmo que faz Jesus enquanto permanecer vinculado a Jesus pela F\u00e9. Esmorecendo a F\u00e9 em Jesus, Pedro torna-se presa f\u00e1cil de outras for\u00e7as e sucumbir\u00e1 no meio da tempestade. Pedro como n\u00f3s. Sentindo o perigo, Pedro grita: \u00abSalva-me, Senhor!\u00bb. E sente logo a m\u00e3o de Jesus que o segura. N\u00f3s como Pedro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A outra figura deste Domingo \u00e9 Elias, \u00abo fugitivo\u00bb (1 Reis 19,9-13). \u00abFugitivo\u00bb de si mesmo, de todos e de tudo. Todos o procuram para o matar, o mundo perdeu o seu encanto e o seu sentido, e at\u00e9 Deus n\u00e3o parece ser mais o mesmo. Como esta li\u00e7\u00e3o est\u00e1 cheia de atualidade\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o certo \u00e9 que este Elias, que surge solto na p\u00e1gina, sem pai nem m\u00e3e, sem livro anagr\u00e1fico, apenas com Deus do seu lado (cf. 1 Reis 17,1-24), continua a ser conduzido e comandado por Deus, que o salva da morte no deserto (cf. 1 Reis 19,5-8), e que o liberta das suas pr\u00f3prias amarras, fazendo-o sair (SAI!) para fora do escuro e do medo (cf. 1 Reis 19,11), e abrindo \u00e0 sua frente um caminho novo, tenro e fr\u00e1gil, como o que espera um beb\u00e9 que sai do ventre materno. SAIR (<em>yatsa\u2019<\/em>) \u00e9 o verbo do \u00caxodo, mas \u00e9 tamb\u00e9m o verbo do nascimento! Ouve-se, nesta p\u00e1gina imensa, por duas vezes: no v. 11, no imperativo (\u00abSai!\u00bb), e no v. 13, no indicativo (\u00abElias saiu\u00bb).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 assim que o menino Elias, rec\u00e9m-nascido e rec\u00e9m-libertado, assiste no Sinai \u00e0 sequ\u00eancia teof\u00e2nica antiga: vento forte, terramoto, fogo! Tudo manifesta\u00e7\u00f5es desatualizadas de Deus. Outra vez a sequ\u00eancia 3 + 1, a fazer apostar toda a aten\u00e7\u00e3o no 4! E aqui, depois do vento, do terramoto, do fogo, Elias ouve \u00aba voz de um fino sil\u00eancio!\u00bb (1 Reis 19,12b).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entenda-se: a voz de um cortante sil\u00eancio, voz de Deus que arde e opera dentro de n\u00f3s. Colagem de figuras: \u00abA tua Palavra ardia no meu cora\u00e7\u00e3o como um fogo devorador, \/ encerrado dentro dos meus ossos\u00bb, confessa Jeremias 20,9. J\u00e1 Mois\u00e9s tinha descoberto aquela chama viva, que ardia no meio da sar\u00e7a e n\u00e3o queimava, \/ mas chamava (cf. \u00caxodo 3,2-4). Tamb\u00e9m os dois de Ema\u00fas sentiram o cora\u00e7\u00e3o a arder, devido \u00e0 Palavra e ao Sentido novo que abria caminhos onde caminhos n\u00e3o havia (Lucas 24,32). Elias encontrou essa Palavra nova na \u00abvoz de um fino sil\u00eancio\u00bb (1 Reis 19,12), escrita fina de Deus, \/ com ponta de diamante, \/ no cora\u00e7\u00e3o do homem (cf. Jeremias 17,1; 31,33). E o autor da Carta aos Hebreus compara esse \u00abfino dizer\u00bb ou \u00abescrever\u00bb a uma espada de dois gumes, um bisturi, que opera e limpa a esclerose do cora\u00e7\u00e3o (cf. Jo\u00e3o 15,3) e o zelo est\u00e9ril, que rasga o \u00e2mago do homem e lhe deixa soltas as pregas do cora\u00e7\u00e3o (cf. Hebreus 4,12; Apocalipse 1,16). \u00c9 claro que este sil\u00eancio suave n\u00e3o \u00e9 o sil\u00eancio que Elias se preparou para fazer. Elias n\u00e3o se preparou para sil\u00eancio nenhum. Ele partiu para o Sinai \u00e0 espera de se encontrar l\u00e1 com o Deus forte e invenc\u00edvel, Senhor do vento, do terramoto e do fogo! N\u00e3o \u00e9, portanto, o sil\u00eancio que move Elias. E quando l\u00e1 chega, Elias tamb\u00e9m n\u00e3o faz sil\u00eancio! \u00c9 o sil\u00eancio que faz Elias! N\u00e3o sou eu que fa\u00e7o sil\u00eancio! \u00c9 o sil\u00eancio que me faz!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na li\u00e7\u00e3o de hoje da Carta aos Romanos, S. Paulo lembra-nos que h\u00e1 um amor maior, que o leva at\u00e9 ao ponto de desejar dar a vida pelos seus irm\u00e3os! (Romanos 9,1-5). V\u00ea-se bem que Paulo atingiu a estatura de Cristo! (Ef\u00e9sios 4,13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, anda por a\u00ed um amor maior, que \u00e9 o tesouro e a pedra precios\u00edssima de Mateus 13,44-46, que tivemos a gra\u00e7a de ouvir no Domingo XVII. Anda por a\u00ed a maravilha, e n\u00f3s continuamos, desfocados pelo medo do vento ou da tempestade, ou \u00e0 procura de maravilhas, e, sem dar por isso, estamos a perder a capacidade de cantar! Cantemos ent\u00e3o, percorrendo as bel\u00edssimas avenidas do Salmo 85, que aqui redesenhamos com as palavras do poeta ingl\u00eas John Milton (1608-1674): \u00abSim, a Fidelidade e a Justi\u00e7a, ent\u00e3o, \/ retornar\u00e3o ao encontro dos homens, \/ envoltas num arco-\u00edris, e, gloriosamente vestida, \/ a Bondade sentar-se-\u00e1 no meio\u2026\/ E o c\u00e9u, como para uma festa, \/ escancarar\u00e1 as portas do seu pal\u00e1cio excelso\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, as avenidas s\u00e3o por dentro! \u00c9 dentro que arde o fogo, que fala o sil\u00eancio, que corta o bisturi! Aten\u00e7\u00e3o, portanto, ao modo novo, intransitivo, de viver!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias anda ao sabor de Deus,<br \/>\nComo um moinho ao vento,<br \/>\nComo um p\u00e1ssaro ao relento,<br \/>\nComo a voz de um fino sil\u00eancio,<br \/>\nA amadurar no cora\u00e7\u00e3o de um gr\u00e3o de trigo<br \/>\nOu de um amigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se pode combater este inc\u00eandio,<br \/>\nApagar esta chama que chama,<br \/>\nCalar a voz deste fino sil\u00eancio,<br \/>\nFugir deste bisturi que levamos c\u00e1 dentro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jeremias tem outra vez raz\u00e3o:<br \/>\n\u00c9 mais f\u00e1cil enfrentar um furac\u00e3o.<br \/>\nEsse, sabemos de onde vem e para onde vai!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Leitura-I-do-Domingo-XIX-do-Tempo-Comum-Ano-A-13.08.2023-1Reis-19-9a.11-13a.pdf\">Leitura I do Domingo XIX do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 13.08.2023 (1Reis 19, 9a.11-13a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Leitura-II-do-Domingo-XIX-do-Tempo-Comum-Ano-A-13.08.2023-Rom-9-1-5.pdf\">Leitura II do Domingo XIX do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 13.08.2023 (Rom 9, 1-5)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Domingo-XIX-do-Tempo-Comum-Ano-A-13.08.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XIX do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 13.08.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Domingo-XIX-do-Tempo-Comum-Ano-A-13.08.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XIX do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 13.08.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XVIII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 06.08.2023 Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor&#8221; tab_id=&#8221;1692265224894-e8166667-2a8a&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XVIII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 06.08.2023<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Domingo-XVIII.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida crist\u00e3 envolve a vida toda e toda a vida e o convite \u00e0 convers\u00e3o recorda-nos precisamente que a convers\u00e3o exige uma transforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o e da vida que chegue a todos os \u00e2mbitos da nossa a\u00e7\u00e3o. A convers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma ades\u00e3o intelectual \u00e0 proposta de Jesus Cristo, nem um conjunto de boas inten\u00e7\u00f5es para a pr\u00e1tica de boas obras, mas o encontro decisivo com Jesus que nos faz entrar na din\u00e2mica sempre nova de conformar a nossa vida com a Sua vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor<\/strong>, contemplamos Jesus que sobe o monte com Pedro, Tiago e Jo\u00e3o. Assim como estes tr\u00eas disc\u00edpulos foram escolhidos e chamados, tamb\u00e9m n\u00f3s, somos convocados pelo amor misericordioso de Jesus que gratuitamente nos escolhe para nos fazer experimentar a luz nova que s\u00f3 o Seu amor e Sua gra\u00e7a nos podem oferecer. Assim nos testemunha S. Paulo: \u00ab<em>n\u00e3o foi seguindo f\u00e1bulas ilus\u00f3rias que vos fizemos conhecer o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por termos sido testemunhas oculares da sua majestade<\/em>\u00bb. O poder e a bondade, a majestade e a miseric\u00f3rdia de Deus, revelados em Jesus Cristo, s\u00f3 podem ser experimentados pelo encontro \u00edntimo e pessoal com Jesus, que se aprofunda e consolida na vida em comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste Domingo subimos com Jesus ao Monte e como Pedro, Tiago e Jo\u00e3o somos chamados a contemplar a luz nova que brota da Sua presen\u00e7a no meio de n\u00f3s. Aos disc\u00edpulos \u00e9 antecipada a luz nova da P\u00e1scoa que ser\u00e1 plena e definitiva na manh\u00e3 da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Na narrativa que nos apesenta S. Mateus surpreende-me sempre a descri\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia que os disc\u00edpulos fazem de Jesus. Eles\u00a0<u>contemplam<\/u>\u00a0Jesus resplandecente como o sol e com vestes brancas como a luz.\u00a0<u>V\u00eam<\/u>\u00a0Mois\u00e9s e Elias e a nuvem luminosa.\u00a0<u>Escutam<\/u>\u00a0a voz do Pai e\u00a0<u>s\u00e3o tocados<\/u>\u00a0por Jesus que os desafia a colocar-se ao caminho. \u00c9 curioso que apenas a narrativa da Transfigura\u00e7\u00e3o no Evangelho de Mateus nos oferece este pormenor de Jesus que toca os seus disc\u00edpulos. A experi\u00eancia pascal de encontro com Jesus Cristo, experimentada por antecipa\u00e7\u00e3o, no epis\u00f3dio da transfigura\u00e7\u00e3o, convida-nos a contemplar, a ver, a escutar, a ser tocados, a caminhar, isto \u00e9, convida-nos a uma transforma\u00e7\u00e3o da vida toda, implicando todos os sentidos e desafiando a uma convers\u00e3o cada vez mais total e totalizante das nossas vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cimo do monte, as vestes resplandecentes, Mois\u00e9s e Elias, a nuvem que os cobre e a voz vinda do c\u00e9u proporcionam a Pedro, Tiago e Jo\u00e3o uma verdadeira teofania que os faz ver cumpridas as promessas veterotestament\u00e1rias e lhes antecipa a gl\u00f3ria do Ressuscitado. Tamb\u00e9m n\u00f3s, muitas vezes, nos sentimos envolvidos pela incerteza e escurid\u00e3o que clamam pela luz do Ressuscitado. Por isso, subamos ao monte com Jesus! A nuvem que os cobre com a sua sombra faz ressoar uma voz vinda do c\u00e9u: \u00ab<em>Este \u00e9 o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complac\u00eancia. Escutai-O<\/em>\u00bb. As nuvens que tantas vezes nos cobrem continuam a trazer dentro de si a certeza de que as dificuldades e as tribula\u00e7\u00f5es do tempo e da hist\u00f3ria n\u00e3o t\u00eam a \u00faltima palavra, pois a \u00fanica palavra plena e definitiva \u00e9 a Palavra de Jesus que o Pai nos convida a escutar. Como os disc\u00edpulos, ainda somos aprendizes sobre o que significa ressuscitar dos mortos, mas a luz resplandecente do Ressuscitado rasga para n\u00f3s horizontes de esperan\u00e7a e conduz-nos \u00e0 verdade plena e definitiva que s\u00f3 o Senhor Jesus nos pode revelar. <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor, celebrada no Oriente desde o s\u00e9culo V, celebra-se no Ocidente desde 1457. Situada antes do an\u00fancio da Paix\u00e3o e da Morte, a Transfigura\u00e7\u00e3o prepara os Ap\u00f3stolos para a compreens\u00e3o desse mist\u00e9rio. Quase com o mesmo objetivo, a Igreja celebra esta festa quarenta dias antes da Exalta\u00e7\u00e3o da Cruz, a 14 de setembro. A Transfigura\u00e7\u00e3o, manifesta\u00e7\u00e3o da vida divina, que est\u00e1 em Jesus, \u00e9 uma antecipa\u00e7\u00e3o do esplendor, que encher\u00e1 a noite da P\u00e1scoa. Os Ap\u00f3stolos, quando virem Jesus na sua condi\u00e7\u00e3o de Servo, n\u00e3o poder\u00e3o esquecer a sua condi\u00e7\u00e3o divina. <strong><em>In Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Domingo, dia 6 de agosto, tem in\u00edcio a Semana Nacional da Mobilidade Humana. A Obra Cat\u00f3lica Portuguesa das Migra\u00e7\u00f5es (OCPM), da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, vai promover a 51\u00aa Semana Nacional de Migra\u00e7\u00f5es em que se integra a peregrina\u00e7\u00e3o do Migrante e Refugiados a F\u00e1tima, presidida por D. Filomeno Dias Vieira, arcebispo de Luanda. O tema do Dia Mundial do Migrante e Refugiado 2023: \u00ab<em>Livres de escolher se migrar ou ficar<\/em>\u00bb inspira a 51\u00aa Semana Nacional de Migra\u00e7\u00f5es, de 6 a 13 de agosto de 2023, e desafia as comunidades crist\u00e3s a resposta concreta aos desafios das migra\u00e7\u00f5es atuais. Como escreve o Papa Francisco na sua mensagem para este ano no \u00faltimo par\u00e1grafo: \u00ab<em>o percurso sinodal, que empreendemos como Igreja, leva-nos a ver, nas pessoas mais vulner\u00e1veis \u2013 e entre elas contam-se muitos migrantes e refugiados \u2013, companheiros de viagem especiais, que havemos de amar e cuidar como irm\u00e3os e irm\u00e3s. S\u00f3 caminhando juntos, poderemos ir longe e alcan\u00e7ar a meta comum da nossa viagem<\/em>\u00bb (<strong><em>ver em anexo a Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Migra\u00e7\u00f5es e dos Refugiados a celebrar em 24 de setembro<\/em><\/strong>). <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Dan 7, 9-10.13-14<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO seu poder \u00e9 eterno, que nunca passar\u00e1, e o seu reino jamais ser\u00e1 destru\u00eddo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daniel, em vis\u00e3o noturna, v\u00ea a hist\u00f3ria do ponto de vista de Deus. Sucedem-se os imp\u00e9rios e os opressores, mas o projeto de Deus n\u00e3o falha. Ele \u00e9 o \u00faltimo juiz, que avaliar\u00e1 as a\u00e7\u00f5es dos homens e intervir\u00e1 para resgatar o seu povo. Aos reinos terrenos contrap\u00f5e-se o Reino que o Anci\u00e3o confia a um misterioso &#8220;filho de homem&#8221; que vem sobre as nuvens. Trata-se de um verdadeiro homem, mas de origem divina.<br \/>\nNo nosso texto j\u00e1 n\u00e3o se trata do Messias dav\u00eddico que havia de restaurar o Reino de Israel, mas da sua transfigura\u00e7\u00e3o sobrenatural: o Filho do homem vem inaugurar um reino que, embora se insira no tempo, &#8220;n\u00e3o \u00e9 deste mundo&#8221; (Jo 18, 36). Ele triunfar\u00e1 sobre as pot\u00eancias terrenas, conduzindo a hist\u00f3ria \u00e0 sua realiza\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica. Jesus ir\u00e1 identificar-se muitas vezes com esta figura b\u00edblica na sua prega\u00e7\u00e3o e particularmente diante do Sin\u00e9drio, que o condenar\u00e1 \u00e0 morte.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL &#8211; <\/strong><strong>Salmo\u00a096 (97)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: O Senhor \u00e9 rei, o Alt\u00edssimo sobre toda a terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>2 Pedro 1, 16-19<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abN\u00e3o foi seguindo f\u00e1bulas ilus\u00f3rias que vos fizemos conhecer o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pedro e os seus companheiros reconhecem-se portadores de uma gra\u00e7a maior que a dos profetas, porque ouviram a voz celeste que proclamava Filho muito amado do Pai, Jesus, seu mestre. Mas a Palavra do Antigo Testamento continua a ser &#8220;uma l\u00e2mpada que brilha num lugar escuro&#8221; (v. 19), at\u00e9 ao dia sem fim, quando Cristo vier na sua gl\u00f3ria. Jesus transfigurado sustenta a nossa f\u00e9 e acende em n\u00f3s o desejo da esperan\u00e7a nesta caminhada. A &#8220;estrela da manh\u00e3&#8221; j\u00e1 brilha no cora\u00e7\u00e3o de quem espera vigilante<strong><em>. in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO &#8211; <\/strong><strong>Mt 17, 1-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abJesus tomou consigo Pedro, Tiago e Jo\u00e3o seu irm\u00e3o e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSenhor, como \u00e9 bom estarmos aqui!\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEste \u00e9 o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complac\u00eancia. Escutai-O\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Transfigura\u00e7\u00e3o confirma a f\u00e9 dos Ap\u00f3stolos, manifestada por Pedro em Cesareia de Filipe, e ajuda-os a ultrapassar a sua oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 perspetiva da paix\u00e3o anunciada por Jesus. Quem quiser Seu disc\u00edpulo, ter\u00e1 de participar nos seus sofrimentos (Mt 16, 21-27. A Transfigura\u00e7\u00e3o \u00e9 um primeiro resplendor da gl\u00f3ria divina do Filho, chamado a ser Servo sofredor para salva\u00e7\u00e3o dos homens. Na ora\u00e7\u00e3o, Jesus transfigura-se e deixa entrever a sua identidade sobrenatural. Mois\u00e9s e Elias s\u00e3o protagonistas de um \u00eaxodo muito diferente nas circunst\u00e2ncias, mas id\u00eantico na motiva\u00e7\u00e3o: a fidelidade absoluta a Deus. A luz da Transfigura\u00e7\u00e3o clarifica interiormente o seu caminho terreno. Quando a vis\u00e3o parece estar a terminar, Pedro como que tenta parar o tempo. \u00c9, ent\u00e3o, envolvido com os companheiros pela nuvem. \u00c9 a nuvem da presen\u00e7a de Deus, do mist\u00e9rio que se revela permanecendo incognosc\u00edvel. Mas Pedro, Tiago e Jo\u00e3o recebem dele a luz mais resplandecente: a voz divina proclama a identidade Jesus, Filho e Servo sofredor (cf Is 42, 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Medita\u00e7\u00e3o para este dia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus manda os seus disc\u00edpulos rezar. Hoje, toma \u00e0 parte os seus prediletos, Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, para os fazer rezar mais longa e intimamente. Estes tr\u00eas representam particularmente os pont\u00edfices, os religiosos, as almas chamadas \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o. Para rezar Jesus gosta da solid\u00e3o, a montanha onde reina a paz, a calma, onde pode ver-se a grandeza da obra divina sob o c\u00e9u estrelado durante as belas noites do Oriente. A transfigura\u00e7\u00e3o \u00e9 uma vis\u00e3o do c\u00e9u. \u00c9 uma gra\u00e7a extraordin\u00e1ria para os tr\u00eas ap\u00f3stolos. N\u00e3o nos devemos agarrar \u00e0s gra\u00e7as extraordin\u00e1rias que s\u00e3o por vezes o fruto da contempla\u00e7\u00e3o. Pedro agarra-se a isso. Engana-se. Queria ficar l\u00e1: \u00abFa\u00e7amos tr\u00eas tendas\u00bb, diz. N\u00e3o sabia o que dizia. A vis\u00e3o desaparece numa nuvem. H\u00e1 aqui uma li\u00e7\u00e3o para n\u00f3s. Entreguemo-nos \u00e0 ora\u00e7\u00e3o habitual, \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o. N\u00e3o desejemos as gra\u00e7as extraordin\u00e1rias. Se vierem, n\u00e3o nos agarremos a elas. Os frutos desta festa s\u00e3o, em primeiro lugar, o crescimento da f\u00e9. Os ap\u00f3stolos testemunham-nos que viram a gl\u00f3ria do Salvador. \u00abN\u00e3o s\u00e3o f\u00e1bulas que vos contamos, diz S. Pedro (2Pd 1, 16), fomos testemunhas do poder e da gl\u00f3ria do Redentor. Ouvimos a voz do c\u00e9u sobre a montanha gritando-nos no meio dos esplendores da transfigura\u00e7\u00e3o: \u00c9 o meu Filho bem-amado, escutai-o\u00bb. S. Paulo encoraja a nossa esperan\u00e7a recordando a lembran\u00e7a da gl\u00f3ria do salvador manifestada na transfigura\u00e7\u00e3o e na ascens\u00e3o: \u00abVeremos a gl\u00f3ria face a face, diz, e seremos transfigurados \u00e0 sua semelhan\u00e7a\u00bb (2Cor 3, 18). &#8211; Esperamos o Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, que transformar\u00e1 o nosso corpo terrestre e o tornar\u00e1 semelhante ao seu corpo glorioso\u00bb (Fil 3, 21). Mas este mist\u00e9rio \u00e9 sobretudo pr\u00f3prio para aumentar o nosso amor por Jesus. Nosso Senhor manifestou-nos naquele dia toda a sua beleza. O seu rosto era resplandecente como o sol. Os ap\u00f3stolos, testemunhas da transfigura\u00e7\u00e3o, estavam totalmente inebriados de amor e de alegria. \u00abQue bom \u00e9 estar aqui\u00bb, dizia S. Pedro. \u00abFa\u00e7amos aqui a nossa tenda\u00bb. A beleza de Cristo transfigurado, contemplada pelo pintor Rafael, inspirou-lhe a obra-prima da arte crist\u00e3. Nosso Senhor falava ent\u00e3o da sua Paix\u00e3o com Mois\u00e9s e Elias: nova li\u00e7\u00e3o de amor por n\u00f3s. O Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, mesmo na sua gl\u00f3ria, n\u00e3o pensa sen\u00e3o em n\u00f3s e nos sacrif\u00edcios que quer fazer por n\u00f3s. Li\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m de penit\u00eancia, de repara\u00e7\u00e3o, de compaix\u00e3o pelo Salvador. Porque teve de sofrer tanto para nos resgatar, choremos os nossos pecados, amemos o nosso Redentor, consolemo-lo.<br \/>\nEste \u00e9 o meu Filho muito amado: Escutai-o. &#8211; A voz do Pai celeste diz-nos: &#8220;Escutai-o&#8221;, palavra cheia de sentido, como todas as palavras divinas. Deus d\u00e1-nos o seu divino Filho por guia, por chefe, por mestre. Escutai-o, fala-nos nas leis santas do Evangelho e nos conselhos de perfei\u00e7\u00e3o. Fala-vos nas vossas santas regras, se sois religiosos; no vosso regulamento de vida, se sois do mundo. Fala-vos pelos vossos superiores, pelo vosso diretor. T\u00eam a miss\u00e3o para vos dizer a vontade divina. Fala-vos pela sua gra\u00e7a, na ora\u00e7\u00e3o, na uni\u00e3o habitual com ele. A palavra de Deus nunca vos falta, \u00e9 a vossa docilidade que falta habitualmente. Esta palavra divina &#8211; \u00abEscutai-o\u00bb &#8211; espera de v\u00f3s uma resposta. N\u00e3o basta apenas uma promessa vaga: \u00abhei-de escutar\u00bb. \u00c9 preciso uma disposi\u00e7\u00e3o habitual: \u00abescuto, escuto sempre; falai, Senhor, o vosso servo escuta\u00bb. Escutarei no come\u00e7o de cada a\u00e7\u00e3o, para saber o que devo fazer e como devo faz\u00ea-lo. (Le\u00e3o Dehon, OSP 4, p. 132s.).<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira<strong> leitura<\/strong> tem um tom descritivo que deve ser tido em conta para uma correta proclama\u00e7\u00e3o do texto, requerendo uma leitura pausada e solene do texto num crescendo at\u00e9 ao final do texto que conclui com o \u00e1pice do texto, onde \u00e9 descrito o poder do Filho do Homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> exige um especial cuidado com as pausas e respira\u00e7\u00f5es para uma articulada proclama\u00e7\u00e3o do texto e uma especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 frase em discurso direto que surge no meio do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/08\/06\/em-linha-com-a-ressurreicao-e-a-missao-4\/\"><strong>EM LINHA COM A RESSURREI\u00c7\u00c3O E A\u00a0MISS\u00c3O<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja celebra hoje<strong>, dia 6 de agosto, a Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor<\/strong>. Batizado no Jord\u00e3o, tentado no deserto, mas Vitorioso, Jesus come\u00e7ou a executar o seu programa filial batismal que tem por meta a Cruz Gloriosa (Batismo consumado!) em que n\u00f3s somos por Ele batizados com o fogo e com o Esp\u00edrito Santo (sempre o luminoso texto de Lucas 12,49-50). Entre o Jord\u00e3o e a Cruz Gloriosa a\u00ed est\u00e1 Hoje, a meio caminho do seu itiner\u00e1rio, o epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o (Mateus 17,1-9), Luz incriada e inacess\u00edvel (Mateus 17,2; cf. Salmo 104,2; 1 Tim\u00f3teo 6,16) que investe a Humanidade de Jesus: experi\u00eancia moment\u00e2nea da Ressurrei\u00e7\u00e3o, mediante a qual o Pai confirma o Filho na sua miss\u00e3o filial batismal, j\u00e1 iniciada, mas ainda n\u00e3o consumada. Que a Transfigura\u00e7\u00e3o deve ser vista \u00e0 luz da Ressurrei\u00e7\u00e3o, fica bem patente no dizer das Igrejas do Oriente que chamam \u00e0 Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o, que se celebra no dia 6 de agosto, \u00aba P\u00e1scoa do ver\u00e3o\u00bb. Mas est\u00e1 tamb\u00e9m claro na ordem taxativa de Jesus ao descer do monte, que aponta tamb\u00e9m para a Ressurrei\u00e7\u00e3o: \u00abA ningu\u00e9m digais esta vis\u00e3o at\u00e9 que o Filho do Homem seja Ressuscitado dos mortos\u00bb (Mateus 17,9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus imp\u00f5e, portanto, na nossa pauta musical pausa e bemol, e mostra-nos a clave em que deve ser vivida, compreendida e transmitida a vida crist\u00e3. N\u00e3o podemos dizer a Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor, antes da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor. E n\u00e3o podemos, porque n\u00e3o sabemos. E n\u00e3o sabemos, porque \u00e9 s\u00f3 o Ressuscitado que faz vir o Esp\u00edrito Santo sobre n\u00f3s. Veja-se a li\u00e7\u00e3o do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos: \u00abEste Jesus, Deus o Ressuscitou, e disto todos n\u00f3s somos testemunhas. Exaltado \u00e0 direita de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Esp\u00edrito Santo, derramou-o, e \u00e9 o que vedes e ouvis\u00bb (Atos 2,32-33). E o coment\u00e1rio preciso e precioso do narrador \u00e0s palavras que Jesus acabava de proferir: \u00abIsto disse do Esp\u00edrito que haviam de receber os que tinham acreditado n\u2019Ele, pois n\u00e3o havia ainda Esp\u00edrito [para n\u00f3s], porque Jesus ainda n\u00e3o tinha sido glorificado\u00bb (Jo\u00e3o 7,39). Pausa e bemol, porque importa que n\u00e3o sejamos n\u00f3s a falar. Importa que seja o Esp\u00edrito Santo a falar em n\u00f3s. Toda a aten\u00e7\u00e3o, neste sentido, para o grande dizer de Jesus: \u00abQuando vos entregarem, n\u00e3o vos preocupeis com ou como falais (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>). Ser-vos-\u00e1 dado naquela hora o que falar (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>). Na verdade, n\u00e3o sois v\u00f3s que falais (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>), mas ser\u00e1 o Esp\u00edrito do vosso PAI que falar\u00e1 (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>) em v\u00f3s\u00bb (Mateus 10,19-20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o situa o \u00abmonte alto\u00bb, que abre o epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o (Mateus 17,1), no Tabor, um monte de forma arredondada que se ergue nos seus 582 metros no meio da plan\u00edcie galilaica de Jesrael ou Esdrelon. No sop\u00e9 do Tabor ainda hoje se encontra a aldeia palestiniana de\u00a0<em>Daburiyya<\/em>, cujo eco evoca a personagem b\u00edblica mais importante desta regi\u00e3o, a profetisa D\u00e9bora (cf. Ju\u00edzes 4,4-5,31). As Igrejas do Oriente conhecem este epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o por \u00abMetamorfose\u00bb (<em>metam\u00f3rph\u00f4sis<\/em>), a partir das palavras do texto: \u00abE transformou-se (<em>metemorph\u00f4th\u00ea<\/em>) diante deles [= Pedro, Tiago e Jo\u00e3o], e resplandeceu o seu rosto como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz\u00bb (Mateus 17,2). O branco \u00e9 a cor divina. E a luz \u00e9 o seu vestido, conforme o estupendo dizer do Salmo 104,2: \u00abVestido de Luz com de um manto\u00bb. E, nesse cone de luz, o Ap\u00f3stolo exorta-nos: \u00abCaminhai como filhos da luz\u00bb, e lembra-nos que \u00abo fruto da luz \u00e9 toda a bondade, justi\u00e7a e verdade\u00bb (Ef\u00e9sios 5,8 e 9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Batizado para a Cruz Gloriosa, Confirmado para a Cruz Gloriosa. As mesmas palavras do Pai no Batismo e na Transfigura\u00e7\u00e3o: \u00abo Filho Meu\u00bb, \u00abo Amado\u00bb (Mateus 3,17; 17,5), agora seguidas pelo imperativo \u00abEscutai-o!\u00bb, dirigido a todos os disc\u00edpulos: Jesus \u00e9 tamb\u00e9m o \u00abProfeta novo\u00bb, como Mois\u00e9s, prometido em Deuteron\u00f3mio 18,15-18. Testemunham a cena grandiosa da Transfigura\u00e7\u00e3o tr\u00eas disc\u00edpulos, como dispunha a Lei antiga: duas ou tr\u00eas testemunhas (Deuteron\u00f3mio 17,6), os quais s\u00e3o igualmente confirmados para a sua miss\u00e3o futura (ap\u00f3s a Ressurrei\u00e7\u00e3o com a d\u00e1diva do Esp\u00edrito) de dar testemunho d\u2019Ele. Aparecem Mois\u00e9s e Elias que falam com Jesus Transfigurado: \u00e9 para Ele que aponta todo o Antigo Testamento! As \u00abEscrituras\u00bb, Mois\u00e9s, todos os Profetas e os Salmos, falam acerca d\u2019Ele! (Lucas 24,27 e 44; Jo\u00e3o 5,39 e 46; Atos dos Ap\u00f3stolos 10,43). \u00c9 o \u00absegundo as Escrituras\u00bb que os disc\u00edpulos tamb\u00e9m devem testemunhar. Pedro, sempre ele, em nome dos disc\u00edpulos de ent\u00e3o e de sempre, tenta impedir Jesus de prosseguir a sua miss\u00e3o filial batismal at\u00e9 \u00e0 Cruz: \u00abSenhor, bom \u00e9 estarmos AQUI\u2026 Levantarei AQUI tr\u00eas tendas\u00bb (Mateus 17,4). AQUI significa deter-se no provis\u00f3rio, no preliminar e no pen\u00faltimo, e recusar caminhar para o definitivo e o \u00faltimo! Marcos 9,6 e Lucas 9,33 anotam criteriosamente que \u00abn\u00e3o sabia o que dizia\u00bb. N\u00e3o sabia, porque ainda n\u00e3o tinha sido batizado com o Esp\u00edrito Santo e com o fogo; quando o for, saber\u00e1 tamb\u00e9m ele, disc\u00edpulo fiel, batizado e confirmado, levar por diante a miss\u00e3o filial batismal em que foi investido, e dar\u00e1 testemunho at\u00e9 ao sangue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a Transfigura\u00e7\u00e3o tornada permanente, eterna. Todos os batizados est\u00e3o destinados \u00e0 mesma Ressurrei\u00e7\u00e3o, Transfigura\u00e7\u00e3o, do Senhor: a Diviniza\u00e7\u00e3o por gra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da li\u00e7\u00e3o do Livro de Daniel 7,9-10.13-14 e respetivo contexto imediatamente anterior (7,3-8) e posterior (7,15-27), faz transbordar a indescrit\u00edvel riqueza do nosso Deus, solenemente sentado no seu trono de Luz e de Fogo purificador, que inutiliza o poder das quatro bestas enormes sa\u00eddas do mar com aspeto terr\u00edvel, e que t\u00eam o aspeto de um le\u00e3o com asas de \u00e1guia, de um urso com costelas na boca, de um leopardo alado com quatro cabe\u00e7as, e de um monstro met\u00e1lico aterrorizador, com enormes dentes de ferro que tudo tritura e espezinha. Tinha ainda dez chifres na cabe\u00e7a, mas nasceu-lhe, entretanto, um outro mais pequeno e insolente, com uma boca que proferia palavras arrogantes. Estas bestas representam quatro imp\u00e9rios: babil\u00f3nio, medo, persa e grego (de Alexandre Magno e seus sucessores). Os dez chifres s\u00e3o os reis da dinastia Sel\u00eaucida, e o d\u00e9cimo primeiro \u00e9 Ant\u00edoco IV Epif\u00e2nio (175-163). O tribunal divino toma assento para julgar o arrogante Ant\u00edoco, que \u00e9 morto e destru\u00eddo. E v\u00ea-se ent\u00e3o, em contraponto com as bestas que saem do mar, s\u00edmbolo da desordem e do mal, o Filho do Homem que vem sobre as nuvens, do mundo celeste, portanto. A ele \u00e9 entregue o reino eterno, n\u00e3o assente no poder prepotente da brutalidade, mas no poder manso do Amor (Daniel 7,13-14). Fica bem claro que todos os nossos imp\u00e9rios prepotentes e ferozes, por mais fortes que pare\u00e7am, caem face \u00e0 do\u00e7ura da Palavra e da Atitude mansa do Filho do Homem, que dissolve no Amor, que \u00e9 o poder manso que lhe \u00e9 dado para sempre, as nossas raivas e viol\u00eancias, manifesta\u00e7\u00f5es das bestas bravas que nos habitam. O Filho do Homem vence, portanto, sem combater, este combate. \u00c9 assim que caem as quatro bestas ferozes que sobem do mar (Daniel 7,3), s\u00edmbolo da confus\u00e3o e do mal, e que deixar\u00e1 naturalmente de existir quando forem desenhados os novos mapas de um novo c\u00e9u e de uma nova terra (Apocalipse 21,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dom\u00ednio novo do Filho do Homem que nos ama (Apocalipse 1,5), o dom\u00ednio do Amor, \u00e9 Primeiro e \u00daltimo (Apocalipse 1,8). Entre o Primeiro e o \u00daltimo instala-se o pen\u00faltimo, que \u00e9 o dom\u00ednio velho e podre da viol\u00eancia das bestas ferozes que nos habitam. O Bem \u00e9 desde sempre e \u00e9 para sempre. \u00c9 Primeiro e \u00e9 \u00daltimo. O Bem n\u00e3o come\u00e7ou, portanto. O que come\u00e7ou foi o mal que se foi insinuando nas pregas do nosso cora\u00e7\u00e3o empedernido e enrugado. Mas o que come\u00e7a, tamb\u00e9m acaba. Os imp\u00e9rios da nossa viol\u00eancia, malvadez e estupidez caem, imagine-se, vencidos por um Amor que \u00e9 desde sempre e para sempre, e que vence, sem combater (s\u00f3 pode ser por amor), a nossa tirania e prepot\u00eancia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entenda-se bem que tem de ser sem combater. Porque, se combatesse, usaria os nossos m\u00e9todos violentos, o que s\u00f3 aumentaria a viol\u00eancia. \u00c9 assim que Jesus, o Filho do Homem, atravessa as p\u00e1ginas dos Evangelhos e da nossa hist\u00f3ria e da nossa vida, entregando-se por Amor \u00e0 nossa viol\u00eancia, abra\u00e7ando-a e, portanto, absorvendo-a, absolvendo-a e dissolvendo-a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro, na sua 2 Carta 1,16-19, coloca-se como Testemunha ocular, quer do poder do amor que Jesus recebeu de Deus Pai, quer da sua manifesta\u00e7\u00e3o gloriosa no monte santo, que confirma a palavra dos profetas. Pedro exorta-nos a prestar aten\u00e7\u00e3o a esta palavra, que \u00e9 como uma luz que brilha no escuro, at\u00e9 que surja a \u00abEstrela da Manh\u00e3\u00bb, que \u00e9 Cristo (Apocalipse 22,16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Canta-se Hoje o Salmo 97, que canta o Senhor na a\u00e7\u00e3o de reinar, isto \u00e9, de salvar, de justificar, de perdoar, de recriar, de trazer a prosperidade e o bem-estar ao seu povo e aos seus fi\u00e9is. Deus, como Rei, manifesta-se circundado pelos seus assistentes c\u00f3smicos (nuvens, trevas, fogo, rel\u00e2mpagos) e hist\u00f3ricos (justi\u00e7a, direito, gl\u00f3ria) (v. 1-6). Face a t\u00e3o esplendorosa manifesta\u00e7\u00e3o, os \u00eddolos e id\u00f3latras caem por terra (v. 7-9), e os fi\u00e9is exultam de alegria (v. 10-12). Os fi\u00e9is e justos s\u00e3o definidos com sete express\u00f5es particularmente significativas: 1) aqueles que amam o Senhor; 2) aqueles que odeiam o mal; 3) aqueles que s\u00e3o fi\u00e9is (<em>h<sup>a<\/sup>s\u00eed\u00eem<\/em>); 4) aqueles que s\u00e3o justos (<em>tsadd\u00eeq\u00eem<\/em>); 5) os retos de cora\u00e7\u00e3o; 6) homens de alegria; 7) aqueles que celebram o \u00abmemorial da sua santidade\u00bb (<em>zeqer qodsh\u00f4<\/em>). Comenta bem o Livro dos Mist\u00e9rios, de Qumran, que perante a manifesta\u00e7\u00e3o e inaugura\u00e7\u00e3o deste Reino novo de Deus, \u00aba impiedade recuar\u00e1 diante da justi\u00e7a, como as trevas recuar\u00e3o diante da luz; a impiedade desaparecer\u00e1 para sempre, e a justi\u00e7a, como o sol, apresentar-se-\u00e1 como princ\u00edpio de ordem no mundo\u00bb (1Q27, I,5-7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Festa-da-Transfiguracao-do-Senhor-Ano-A-06.08.2023-Lecionario.pdf\">Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 06.08.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Festa-da-Transfiguacao-do-Senhor-Ano-A-06.08.2023-Oracaso-Universal.pdf\">Festa da Transfigua\u00e7\u00e3o do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 06.08.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3so Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/MENSAGEM-DO-PAPA-FRANCISCO-para-o-109o-Dia-Mundial-do-Migrante-e-do-Refugiado-2023.pdf\">MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO para o 109\u00ba Dia Mundial do Migrante e do Refugiado &#8211; 2023<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XVII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 30.07.2023&#8243; tab_id=&#8221;1691398283929-a3d6579e-6e63&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XVII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 30.07.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00abO reino dos C\u00e9us \u00e9 semelhante a um tesouro escondido num campo\u00bb. Mt 13, 44<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>\u00abO reino dos C\u00e9us \u00e9 semelhante a um negociante que procura p\u00e9rolas preciosas.\u00bb. Mt 13, 45<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>\u00abO reino dos C\u00e9us \u00e9 semelhante a uma rede que, lan\u00e7ada ao mar, apanha toda a esp\u00e9cie de peixes\u00bb. Mt 13, 47<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Domingo-XVII.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa fragilidade e debilidade marcam indelevelmente a nossa vida e a nossa ora\u00e7\u00e3o. Somos pobres, pequenos e pecadores e a nossa ora\u00e7\u00e3o traduz-se muitas vezes num discorrer de pedidos e s\u00faplicas. Na verdade, bem sabemos que \u00e9 assim a rela\u00e7\u00e3o filial. Faz parte da condi\u00e7\u00e3o de filhos dirigirem-se aos pais para pedir, contudo, \u00e0 medida que v\u00e3o crescendo percebem como aquilo que \u00e9 essencial nem precisariam pedir, pois a dilig\u00eancia paterna e materna n\u00e3o abandona os seus filhos, sobretudo naquilo que eles mais necessitam. Deste modo, a maturidade da f\u00e9 conduz-nos muito mais \u00e0 confian\u00e7a e abandono nas m\u00e3os de Deus do que ao pedido e \u00e0 s\u00faplica. Contudo, na primeira leitura deste Domingo, n\u00e3o \u00e9 Salom\u00e3o que toma a iniciativa para pedir algo a Deus. \u00c9 o pr\u00f3prio Deus que toma a iniciativa e faz uma proposta a Salom\u00e3o: \u00ab<em>Pede o que quiseres<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando leio este texto, interrogo-me sempre sobre aquilo que pediria se Deus me fizesse esta proposta e, neste Domingo, cada um de n\u00f3s tamb\u00e9m \u00e9 convidado a colocar-se diante de Deus e a interrogar-se com verdade: o que \u00e9 que eu pediria?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porventura, a resposta de Salom\u00e3o condiciona hoje a nossa resposta. J\u00e1 n\u00e3o somos capazes de ser interesseiros como esperava o pr\u00f3prio Deus: \u00ab<em>porque foi este o teu pedido, e j\u00e1 que n\u00e3o pediste longa vida, nem riqueza, nem a morte dos teus inimigos, mas sabedoria para praticar a justi\u00e7a, vou satisfazer o teu desejo<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Salom\u00e3o pediu a sabedoria, um cora\u00e7\u00e3o inteligente para governar o povo que lhe foi confiado e a capacidade de distinguir o bem do mal. A verdadeira sabedoria n\u00e3o consiste na acumula\u00e7\u00e3o de conhecimentos e conte\u00fados intelectuais, mas na arte de acolher os desafios de Deus e a miss\u00e3o que Ele nos confia aderindo ao bem e \u00e0 verdade e afastando-nos daquilo que nos impede de ser fi\u00e9is \u00e0 miss\u00e3o que nos foi confiada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esta arte de distinguir o bem do mal que encontramos na terceira par\u00e1bola evang\u00e9lica deste Domingo. O Reino dos C\u00e9us \u00e9 semelhante a uma rede cheia de peixe que precisa de ser escrutinada. Nenhum de n\u00f3s \u00e9 bom ou mau em estado puro e, por isso, esta arte de destrin\u00e7ar o bem do mal consiste, em primeiro lugar, na capacidade de descer ao mais \u00edntimo do nosso cora\u00e7\u00e3o e cultivar o bem e a verdade, afastando-nos do mal, pois ele afasta-nos de Deus e dos irm\u00e3os. Distinguir e separar \u00e9 pr\u00f3prio de Deus que \u00e9 tr\u00eas vezes Santo. Na verdade, na sua etimologia hebraica a palavra santo significa separado. Deus \u00e9 totalmente separado do mal, pois \u00e9 bondade e amor. Nas primeiras p\u00e1ginas da B\u00edblia, encontramos Deus que cria todas as coisas separando a luz das trevas, as \u00e1guas superiores das \u00e1guas inferiores e a \u00e1gua da terra firme (Gn 1,4-9). Contemplando Deus, aprendemos a arte de separar, para ter um cora\u00e7\u00e3o indiviso. Um cora\u00e7\u00e3o \u00edntegro e inteiro, todo para Deus e, por isso, todo para os irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caminhar na estrada da santidade, segundo o des\u00edgnio de Deus, como nos recorda S. Paulo, consiste em deixar-se fascinar pelo Reino dos C\u00e9us, tesouro inigual\u00e1vel e p\u00e9rola preciosa que nos faz relativizar todas as outras coisas. Uma marca fundamental que atravessa todo o Evangelho \u00e9 que aquele que encontra o tesouro escondido ou a p\u00e9rola preciosa n\u00e3o se entristece ao deixar tudo, mas alegra-se pelo bem precioso alcan\u00e7ado. Efetivamente, todo aquele que se encontra com Jesus Cristo preenche o seu cora\u00e7\u00e3o da alegria nova que fortalece a confian\u00e7a e renova a esperan\u00e7a para que possamos partir como verdadeiras testemunhas da alegria. <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>1 Reis 3,5.7-12<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abAgradou ao Senhor esta s\u00faplica de Salom\u00e3o\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grande rei David morreu por volta de 972 a.C., ap\u00f3s um reinado longo e fecundo, ocupado a expandir as fronteiras do reino, a consolidar a uni\u00e3o entre as tribos do norte e do sul e a conquistar a paz e a tranquilidade para o Povo de Deus. Sucedeu-lhe no trono o filho, Salom\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Salom\u00e3o desenvolveu um trabalho merit\u00f3rio na estrutura\u00e7\u00e3o do reino que o pai lhe legou. Organizou a divis\u00e3o administrativa do territ\u00f3rio que herdou, dotou-o de grandes constru\u00e7\u00f5es (das quais a mais emblem\u00e1tica \u00e9 o Templo de Jerusal\u00e9m), fortificou as cidades mais importantes, potenciou o interc\u00e2mbio cultural e comercial com os pa\u00edses da zona, incentivou e apoiou a cultura e as artes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Preocupado com a constitui\u00e7\u00e3o de uma classe pol\u00edtica preparada para as tarefas da governa\u00e7\u00e3o, Salom\u00e3o recrutou &#8220;s\u00e1bios&#8221; estrangeiros (sobretudo eg\u00edpcios) para a sua corte e rodeou-se de homens que se distinguiam pelo seu &#8220;saber&#8221;, pela sua justi\u00e7a e prud\u00eancia. Esses &#8220;quadros&#8221;, al\u00e9m de aconselharem o rei, tinham tamb\u00e9m a tarefa de preparar os futuros &#8220;funcion\u00e1rios&#8221; para desempenharem fun\u00e7\u00f5es no aparelho governativo montado por Salom\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A corte de Salom\u00e3o tornou-se, assim, um &#8220;viveiro&#8221; de &#8220;sabedoria&#8221;. Os &#8220;s\u00e1bios&#8221; de Salom\u00e3o coligiram prov\u00e9rbios, redigiram &#8220;m\u00e1ximas&#8221; de car\u00e1cter sapiencial, deram &#8220;instru\u00e7\u00f5es&#8221; (sobre as virtudes que deviam ser cultivadas para ter \u00eaxito e para ser feliz). Nesta fase, tamb\u00e9m se redigiram cr\u00f3nicas sobre os reinados anteriores e publicaram-se textos sobre as tradi\u00e7\u00f5es dos antepassados (provavelmente, \u00e9 nesta \u00e9poca que a &#8220;escola jahwista&#8221; d\u00e1 \u00e0 luz algumas das tradi\u00e7\u00f5es que ir\u00e3o ocupar um lugar fundamental no Pentateuco). N\u00e3o admira, portanto, que Salom\u00e3o tenha ficado na mem\u00f3ria hist\u00f3rica de Israel como o prot\u00f3tipo do rei s\u00e1bio, &#8220;cuja sabedoria excedia a todos os orientais e eg\u00edpcios&#8221; (1 Re 4,30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Salom\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m, historicamente, o primeiro rei que &#8220;herda&#8221; o trono. At\u00e9 agora, os seus predecessores n\u00e3o chegaram ao trono por heran\u00e7a, mas receberam-no das m\u00e3os de Deus (segundo a vis\u00e3o &#8220;religiosa&#8221; dos catequistas b\u00edblicos). Os te\u00f3logos de Israel v\u00e3o, pois, esfor\u00e7ar-se por sacralizar o poder de Salom\u00e3o e demonstrar que, se Salom\u00e3o chegou a governar o Povo de Deus, n\u00e3o foi apenas por um direito heredit\u00e1rio (sempre contest\u00e1vel), mas pela vontade de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto sup\u00f5e todo este enquadramento. O chamado &#8220;sonho de Gabaon&#8221; (cf. 1 Re 3,5) \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria montada pelos te\u00f3logos deuteronomistas (esse grupo que reflecte a vida e a hist\u00f3ria na linha das grandes ideias teol\u00f3gicas apresentadas no Livro do Deuteron\u00f3mio) com uma dupla finalidade: apresentar Salom\u00e3o como o escolhido de Jahw\u00e9h e justificar a sua proverbial &#8220;sabedoria&#8221;. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar as seguintes quest\u00f5es<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas pessoas e grupos com um peso significativo na opini\u00e3o p\u00fablica procuram vender a ideia de que a realiza\u00e7\u00e3o plena do indiv\u00edduo est\u00e1 num conjunto de valores que decidem quem pertence \u00e0 elite dos vencedores, dos que est\u00e3o na moda, dos que t\u00eam \u00eaxito&#8230; Em muitos casos, esses valores propostos s\u00e3o realidades ef\u00e9meras, materiais, secund\u00e1rias, relativas. Quase sempre, por detr\u00e1s da proposi\u00e7\u00e3o de certos valores, est\u00e3o interesses particulares e ego\u00edstas, a tentativa de vender determinada ideologia ou a preocupa\u00e7\u00e3o em tornar o mercado dependente dos produtos comerciais de determinada marca&#8230; O &#8220;s\u00e1bio&#8221;, contudo, \u00e9 aquele que est\u00e1 consciente destes mecanismos, que sabe ver com olhar cr\u00edtico os valores que a moda prop\u00f5e, que sabe discernir o verdadeiro do falso, que distingue o que apenas tem um brilho doirado daquilo que, na ess\u00eancia, \u00e9 um tesouro que importa conservar. O &#8220;s\u00e1bio&#8221; \u00e9 aquele que consegue perceber o que efetivamente o realiza e lhe permite levar a cabo, dentro da comunidade, a miss\u00e3o que lhe foi confiada. Como \u00e9 que eu me situo face a isto? O que me seduz e que eu abra\u00e7o \u00e9 o imediato, o brilhante, o sedutor, ainda que ef\u00e9mero, ou \u00e9 o que \u00e9 exigente e radical, mas que me permite conquistar uma felicidade duradoura e concretizar o meu papel no mundo, na empresa, na fam\u00edlia ou na minha comunidade crist\u00e3?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura de Salom\u00e3o interpela tamb\u00e9m todos aqueles que det\u00eam responsabilidades na comunidade (seja em termos civis, seja em termos religiosos). Convida-os a uma verdadeira atitude de servi\u00e7o: o seu objectivo n\u00e3o deve nunca ser a realiza\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios esquemas pessoais, mas sim o benef\u00edcio de toda a comunidade, a concretiza\u00e7\u00e3o do bem comum. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL &#8211; <\/strong><strong>Salmo\u00a0118 (119)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> Quanto amo, Senhor, a vossa lei!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Rom 8,28-30<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abN\u00f3s sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam, dos que s\u00e3o chamados, segundo o seu des\u00edgnio\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como segunda leitura continua a reflex\u00e3o de Paulo sobre o projeto de salva\u00e7\u00e3o que Deus tem para oferecer aos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 vimos nos domingos anteriores que, na perspetiva de Paulo, todo o homem que chega a este mundo mergulha num contexto de pecado que o marca e condiciona (cf. Rom 1,18-3,20); no entanto, Deus, na sua bondade, oferece gratuitamente ao homem pecador a sua gra\u00e7a e d\u00e1-lhe a possibilidade de chegar \u00e0 salva\u00e7\u00e3o (cf. Rom 3,21-4,25); e \u00e9 em Jesus Cristo que esse dom de Deus se comunica ao homem (cf. Rom 5,1-7,25). \u00c9 o Esp\u00edrito Santo que permite ao homem acolher esse dom e viver na fidelidade \u00e0 gra\u00e7a que Deus oferece (cf. Rom 8,1-39).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de assegurar aos crist\u00e3os de Roma (e, atrav\u00e9s deles, aos crist\u00e3os de todas as \u00e9pocas e lugares) que o Esp\u00edrito &#8220;vem em aux\u00edlio da nossa fraqueza&#8221; e &#8220;intercede por n\u00f3s&#8221; (cf. Rom 8,26-27), Paulo relembra &#8211; no texto que nos \u00e9 proposto como segunda leitura &#8211; que Deus tem um projeto de amor que se traduz no oferecimento da salva\u00e7\u00e3o ao homem <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir dos seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em todas as cartas de Paulo transparece o espanto que o ap\u00f3stolo sente diante do amor de Deus pelo homem. Este tema est\u00e1, contudo, especialmente presente na Carta aos Romanos. O nosso texto convida-nos a dar conta &#8211; outra vez &#8211; desse facto extraordin\u00e1rio que \u00e9 o amor de Deus (amor que o homem n\u00e3o merece, mas que Deus, com ternura, insiste em oferecer, de forma gratuita e incondicional), traduzido num projeto de salva\u00e7\u00e3o preparado desde sempre, e que leva Deus a enviar ao mundo o seu pr\u00f3prio Filho para conduzir todos os homens e mulheres a uma nova condi\u00e7\u00e3o. Numa \u00e9poca marcada por uma certa indiferen\u00e7a face a Deus, este texto convida-nos a tomar consci\u00eancia de que Deus nos ama, vem continuamente ao nosso encontro, aponta-nos o caminho da vida plena e verdadeira, desafia-nos \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o com Jesus, convida-nos a integrar a sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s, os crentes, somos convidados a conduzir a nossa vida \u00e0 luz desta realidade; e somos convocados a testemunhar, com palavras, com a\u00e7\u00f5es, com a vida, no meio dos irm\u00e3os que dia a dia percorrem connosco o caminho da vida, o amor e o projeto de salva\u00e7\u00e3o que Deus tem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante da oferta de Deus, somos livres de fazer as nossas op\u00e7\u00f5es &#8211; op\u00e7\u00f5es que Deus respeita de forma absoluta. No entanto, a vida plena est\u00e1 no acolhimento desse &#8220;valor mais alto&#8221; que \u00e9 o seguimento de Jesus e a identifica\u00e7\u00e3o com Ele. \u00c9 esse o &#8220;valor mais alto&#8221;, o &#8220;tesouro&#8221; pelo qual eu optei de forma decidida no dia do meu batismo? Tenho sido, na caminhada da vida, coerente com essa escolha? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 13,24-43<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO reino dos C\u00e9us \u00e9 semelhante a um tesouro escondido num campo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO reino dos C\u00e9us \u00e9 semelhante a um negociante que procura p\u00e9rolas preciosas.\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO reino dos C\u00e9us \u00e9 semelhante a uma rede que, lan\u00e7ada ao mar, apanha toda a esp\u00e9cie de peixes\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclu\u00edmos, neste domingo, a leitura do cap\u00edtulo dedicado \u00e0s &#8220;par\u00e1bolas do Reino&#8221; (cf. Mt 13). Nele, recorrendo a imagens e compara\u00e7\u00f5es simples, sugestivas e questionantes (&#8220;par\u00e1bolas&#8221;), Jesus apresenta esse mundo novo de liberdade e de vida nova que Ele veio propor aos homens e ao qual Ele chamava Reino de Deus.<br \/>\nConcretamente, o nosso texto apresenta-nos tr\u00eas par\u00e1bolas que s\u00e3o exclusivas de Mateus (nenhuma delas aparece nos outros tr\u00eas evangelhos considerados can\u00f3nicos. No entanto, as tr\u00eas aparecem num texto n\u00e3o can\u00f3nico &#8211; o Evangelho de Tom\u00e9 &#8211; embora a\u00ed apresentem not\u00e1veis variantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vers\u00e3o mateana): a par\u00e1bola do tesouro, a par\u00e1bola da p\u00e9rola e a par\u00e1bola da rede e dos peixes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para enquadrarmos melhor a mensagem aqui proposta por Mateus, devemos ter em conta a realidade da comunidade a quem o Evangelho se destina&#8230;. Estamos no final do primeiro s\u00e9culo (anos oitenta). Passaram-se mais de trinta anos ap\u00f3s a morte de Jesus. O entusiasmo inicial deu lugar \u00e0 monotonia, \u00e0 falta de empenho, a uma viv\u00eancia &#8220;morna&#8221;, pouco exigente e pouco comprometida. No horizonte pr\u00f3ximo das comunidades crist\u00e3s perfilam-se tempos dif\u00edceis de persegui\u00e7\u00e3o e de hostilidade e os crist\u00e3os parecem pouco preparados para enfrentar as dificuldades. Mateus sente que \u00e9 preciso renovar o compromisso crist\u00e3o e chamar a aten\u00e7\u00e3o dos crentes para o Reino, para as suas exig\u00eancias e para os seus valores. As par\u00e1bolas do Reino que hoje nos s\u00e3o propostas devem ser lidas neste contexto. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ter em conta, na reflex\u00e3o, os seguintes elementos<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira e mais importante quest\u00e3o abordada neste texto \u00e9 a das nossas prioridades. Para Mateus, n\u00e3o h\u00e1 qualquer d\u00favida: ser crist\u00e3o \u00e9 ter como prioridade, como objetivo mais importante, como valor fundamental, o Reino. O crist\u00e3o vive no meio do mundo e \u00e9 todos os dias desafiado pelos esquemas e valores do mundo; mas n\u00e3o pode deixar que a procura dos bens seja o objetivo n\u00famero um da sua vida, pois o Reino \u00e9 partilha. O crist\u00e3o est\u00e1 permanentemente mergulhado num ambiente em que a for\u00e7a e o poder aparecem como o grande ideal; mas ele n\u00e3o pode deixar que o poder seja o seu objetivo fundamental, porque o Reino \u00e9 servi\u00e7o. O crist\u00e3o \u00e9 todos os dias convencido de que o \u00eaxito profissional, a fama a qualquer pre\u00e7o s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es essenciais para triunfar e para deixar a sua marca na hist\u00f3ria; mas ele n\u00e3o pode deixar-se seduzir por esses esquemas, pois a realidade do Reino vive-se na humildade e na simplicidade. O crist\u00e3o faz a sua caminhada num mundo que exalta o orgulho, a autossufici\u00eancia, a independ\u00eancia; mas ele j\u00e1 aprendeu, com Jesus, que o Reino \u00e9 perd\u00e3o, toler\u00e2ncia, encontro, fraternidade&#8230; O que \u00e9 que comanda a minha vida? Quais s\u00e3o os valores pelos quais eu sou capaz de deixar tudo? Que significado t\u00eam as propostas de Jesus na minha escala de valores?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A decis\u00e3o pelo Reino, uma vez tomada, n\u00e3o admite meias tintas, tibiezas, hesita\u00e7\u00f5es, jogos duplos. Escolher o Reino n\u00e3o \u00e9 agradar a Deus e ao diabo, pactuar com realidades que mutuamente se excluem; mas \u00e9 optar radicalmente por Deus e pelos valores do Evangelho. A minha op\u00e7\u00e3o pelo Reino \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o radical, sincera, que n\u00e3o pactua com desvios, com compromissos a &#8220;meio g\u00e1s&#8221;, com hipocrisias e incoer\u00eancias?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque \u00e9 que os crist\u00e3os apresentam, tantas vezes, um ar amargurado, sofredor, desolado? Quando a tristeza nos tolda a vista e nos impede de sorrir, quando apresentamos semblantes carrancudos e preocupados, quando deixamos transparecer em gestos e em palavras a agita\u00e7\u00e3o e o desassossego, quando olhamos para o mundo com os \u00f3culos do pessimismo e do desespero, quando s\u00f3 nos deixamos impressionar pelo mal que acontece \u00e0 nossa volta, j\u00e1 teremos descoberto esse valor fundamental &#8211; o Reino &#8211; que \u00e9 paz, esperan\u00e7a, serenidade, alegria, harmonia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais uma vez o Evangelho convida-nos a admirar (e a absorver) os m\u00e9todos de Deus, que n\u00e3o tem pressa nenhuma em condenar e destruir, mas d\u00e1 tempo ao homem &#8211; todo o tempo do mundo &#8211; para amadurecer as suas op\u00e7\u00f5es e fazer as suas op\u00e7\u00f5es. Sabemos respeitar, com esta toler\u00e2ncia e liberdade, o ritmo de crescimento e de amadurecimento dos irm\u00e3os que nos rodeiam? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> narra o di\u00e1logo entre Salom\u00e3o e Deus. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter em aten\u00e7\u00e3o o discurso direto presente no texto e articula\u00e7\u00e3o entre as interven\u00e7\u00f5es de Deus e de Salom\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> n\u00e3o apresenta nenhuma dificuldade aparente na sua prepara\u00e7\u00e3o, mas isso n\u00e3o deve descurar a sua prepara\u00e7\u00e3o. Deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o a pontua\u00e7\u00e3o com as respetivas pausas e respira\u00e7\u00f5es devido \u00e0 presen\u00e7a de v\u00edrgulas e ponto e v\u00edrgula<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/07\/25\/vai-vende-da-vem-e-segue-me-2\/\"><strong>VAI, VENDE, D\u00c1, VEM E\u00a0SEGUE-ME!<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo terceiro Domingo consecutivo, a Igreja Una e Santa escuta com amor, da boca do Senhor Jesus, as bel\u00edssimas par\u00e1bolas do Reino dos C\u00e9us, guardadas em Mateus 13. Neste Domingo XVII, \u00e9-nos dado, por gra\u00e7a, escutar nos nossos ouvidos (cf. Mateus 13,43) o final do \u00abDiscurso das Par\u00e1bolas do Reino\u00bb (Mateus 13,44-52), em que nos \u00e9 oferecida uma nova trilogia de par\u00e1bolas significativas: a par\u00e1bola do tesouro escondido no campo (Mateus 13,44), a par\u00e1bola da p\u00e9rola (Mateus 13,45-46) e a par\u00e1bola da rede (Mateus 13,47-50).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As duas primeiras pequeninas par\u00e1bolas desta trilogia, a do tesouro escondido no campo e a da p\u00e9rola precios\u00edssima, constituem dois fort\u00edssimos acenos a deixar tudo por amor, para, por um amor maior, seguir Jesus, que \u00e9 o Reino-de-Deus em Pessoa, a\u00a0<em>Autobasile\u00eda<\/em>, no dizer certeiro e contundente de Or\u00edgenes (185-254). A tessitura da par\u00e1bola do tesouro escondido no campo assenta no velho princ\u00edpio de que quem adquire um bem im\u00f3vel, adquire tamb\u00e9m os bens m\u00f3veis a ele ligados. \u00c9 Jesus o tesouro escondido, \u00e9 Ele a p\u00e9rola precios\u00edssima. Para o seguir, \u00e9 mesmo necess\u00e1rio deixar tudo (Lucas 14,33).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda a aten\u00e7\u00e3o e empenho, portanto, que o tesouro de Deus n\u00e3o se d\u00e1 em qualquer campo. S\u00e3o, por isso, necess\u00e1rios novos mapas, novas pautas, novas coordenadas, novas estradas, para se poder procurar e saber encontrar esse tesouro escondido. \u00c9 mesmo necess\u00e1rio submeter a nossa vida \u00e0quela intensa rajada de verbos: \u00abVai, vende, d\u00e1, vem e segue-me!\u00bb (Mateus 19,21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A par\u00e1bola da rede \u00e9 a que ocupa mais espa\u00e7o no texto: quatro vers\u00edculos. Mais do que as duas anteriores juntas. Servindo-se agora de uma imagem tirada do mundo piscat\u00f3rio, Jesus diz que o Reino dos C\u00e9us \u00e9 semelhante a uma rede que, lan\u00e7ada ao mar, apanha toda a esp\u00e9cie de peixes, requerendo depois que os pescadores se sentem na praia para fazer a destrin\u00e7a entre os peixes bons e os que n\u00e3o prestam. Naturalmente, guardam os bons e deitam fora os que n\u00e3o prestam. A destrin\u00e7a entre peixes bons e maus n\u00e3o se deve \u00e0 qualidade ou ao tamanho. Trata-se da distin\u00e7\u00e3o entre o puro e o impuro, o que \u00e9 considerado\u00a0<em>kasher<\/em>\u00a0e n\u00e3o-<em>kasher<\/em>. Sobre o assunto, diz o Livro do Lev\u00edtico, que s\u00e3o puros (<em>kasher<\/em>) e se podem comer os peixes com barbatanas e escamas (Lev\u00edtico 11,9), tendo de se deitar fora, como impuros (n\u00e3o-<em>kasher<\/em>), os peixes sem barbatanas e sem escamas (Lev\u00edtico 11-10-12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este cuidado meticuloso deve-se ao facto de o Mar da Galileia ser muito abundante em peixe e reunir tamb\u00e9m uma fauna pisc\u00edcola muito variada e, em alguns casos, original, salientando-se, neste particular, o chamado \u00abpeixe de S. Pedro\u00bb (<em>chromis Simonis<\/em>), que possui uma cavidade oral onde conserva os ovos, e, depois as crias, e onde, por vezes, tamb\u00e9m recolhe pequenos seixos e objetos met\u00e1licos, o que explica o epis\u00f3dio da moeda referido em Mateus 17,27.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E tal como na par\u00e1bola do trigo e da ciz\u00e2nia (ver Domingo XVI), tamb\u00e9m aqui Jesus difere para o fim do mundo a destrin\u00e7a entre maus e justos (Mateus 13,49), efetuada ainda assim, n\u00e3o por n\u00f3s, mas pelos Anjos. Outra vez pausa e bemol na partitura!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta sec\u00e7\u00e3o das sete par\u00e1bolas acerca do Reino dos C\u00e9us, contadas por Jesus, fecha com a pergunta formulada por Jesus aos seus disc\u00edpulos: \u00abCompreendeis todas estas coisas?\u00bb, a que eles respondem: \u00abSim!\u00bb (Mateus 13,51). V\u00ea-se que esta pergunta e a respetiva resposta correspondem ao dito de Jesus em Marcos 4,13, no final da par\u00e1bola da semente: \u00abN\u00e3o sabeis esta par\u00e1bola? E como conhecereis todas as par\u00e1bolas?\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E Jesus termina com uma esp\u00e9cie de oitava par\u00e1bola: \u00abTodo o escriba feito disc\u00edpulo do Reino dos C\u00e9us \u00e9 semelhante a um pai de fam\u00edlia que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas\u00bb (Mateus 13,52). A\u00ed est\u00e1 a imensa sabedoria e alegria do disc\u00edpulo que deve ser como um pai, que disp\u00f5e na sua imensa dispensa de produtos excelentes, novos, como o p\u00e3o fresco, antigos, como o vinho velho. O escriba apenas transmitia as coisas antigas que vinham na torrente da tradi\u00e7\u00e3o. Aqui est\u00e1 a Divina dispensa do Novo e Antigo Testamentos, Alimento de vida eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegados a este ponto, j\u00e1 n\u00e3o devem restar d\u00favidas de que, contando estas sete par\u00e1bolas do Reino dos C\u00e9us, Jesus se conta a si mesmo. \u00c9 Ele a par\u00e1bola que passa diante de n\u00f3s, o Reino de Deus em pessoa (<em>autobasile\u00eda<\/em>) que passa diante de n\u00f3s. Pequenino como a semente, escondido como o crescente, fecundo como a semente e como o crescente, cai \u00e0 terra ou na farinha e morre (Paix\u00e3o) para viver (Ressurrei\u00e7\u00e3o) e dar vida (P\u00e3o), escondido como o tesouro ou a p\u00e9rola, que \u00e9 preciso procurar apostando tudo: a vida toda, o tempo todo, o dinheiro todo. O Reino dos C\u00e9us \u00e9 tamb\u00e9m como o campo em que cresce ao mesmo tempo o bom e o mau, ou a rede que recolhe o bom e o mau.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Levanta-se a quest\u00e3o: se, com Jesus e em Jesus, \u00e9 o Reino de Deus que chega at\u00e9 n\u00f3s, ent\u00e3o porque \u00e9 que a sua mensagem n\u00e3o \u00e9 logo recebida por todos sem discuss\u00e3o e com alegria? E porque \u00e9 que Jesus n\u00e3o se imp\u00f5e logo com uma autoridade tal que dissipe qualquer d\u00favida, que ponha de lado logo \u00e0 partida qualquer pretens\u00e3o de qualquer pretenso advers\u00e1rio? E porque \u00e9 que Jesus n\u00e3o estabelece logo, a talho de foice, claras distin\u00e7\u00f5es? Parece tudo amb\u00edguo, e, todavia, desenha-se aqui um rasto de claridade: ontem como hoje, na situa\u00e7\u00e3o atual, convivem lado a lado o bom e o mau (at\u00e9 em cada um de n\u00f3s essa conviv\u00eancia \u00e9 verdadeira), mas esta n\u00e3o \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o definitiva! Do mesmo modo que, na situa\u00e7\u00e3o atual, o valor eminente do Reino de Deus e o empenho total que lhe \u00e9 devido, fica muitas vezes escondido por outras realidades, como a fam\u00edlia, a profiss\u00e3o, a posi\u00e7\u00e3o social, a sa\u00fade, o bem-estar, os interesses, os desejos, as paix\u00f5es\u2026 Note-se que um tesouro escondido, por n\u00e3o ser imediatamente acess\u00edvel, n\u00e3o se imp\u00f5e por si, e h\u00e1 muitas coisas cujo brilho e luminosidade as torna imediatamente atraentes! Mas vai-se dando a entender, no ch\u00e3o mesmo das par\u00e1bolas, que o valor \u00faltimo que valida todos os outros valores \u00e9 o Reino de Deus e os seus segredos, que \u00e9 preciso desvendar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra sabedoria, outro saber, outro sabor. Salom\u00e3o afinado,\u00a0<em>avant la lettre<\/em>, pelo Evangelho. \u00c9 assim que a li\u00e7\u00e3o do Primeiro Livro dos Reis (3,5-12) nos mostra hoje Salom\u00e3o a pedir a Deus, n\u00e3o coisas, nem a derrota dos inimigos, mas simplesmente um cora\u00e7\u00e3o sens\u00edvel, sensato e inteligente, capaz de escutar e de se sintonizar, em alta-fidelidade (<em>hi-fi<\/em>), com a bondade da Palavra de Deus, muito mais valiosa do que o ouro. Um cora\u00e7\u00e3o com discernimento (<em>t<sup>e<\/sup>b\u00fbnah<\/em>), \u00abum cora\u00e7\u00e3o que saiba distinguir (<em>b\u00een<\/em>) entre o bem e o mal\u00bb (1 Reis 3,9). A Carta aos Hebreus apresentar\u00e1, a seu tempo, os crist\u00e3os adultos na f\u00e9 como aqueles que sabem \u00abdistinguir (<em>diakr\u00edn\u00f4<\/em>) entre o bem e o mal\u00bb (Hebreus 5,14). O bem e o mal n\u00e3o s\u00e3o valores no meio de outros valores. O bem \u00e9 a vida; o mal \u00e9 a morte. \u00abV\u00ea, ponho hoje diante de ti a vida e o bem, a morte e o mal\u2026; escolhe, portanto, a vida\u00bb (Deuteron\u00f3mio 30,15.19). O bem e o mal n\u00e3o s\u00e3o valores iguais aos outros. Distinguir entre o bem e o mal \u00e9 t\u00e3o importante como distinguir entre a vida e morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Carta aos Romanos (8,28-30), S. Paulo conta, aos nossos olhos de crian\u00e7as deslumbradas, a hist\u00f3ria verdadeira que o amor de Deus j\u00e1 fez acontecer na nossa vida: j\u00e1 fomos chamados, conhecidos, predestinados, justificados e glorificados por Deus! Por isso, damos gra\u00e7as a Deus! N\u00e3o se trata de \u00abpredestina\u00e7\u00e3o\u00bb individual, como alguns t\u00eam interpretado. Trata-se do plano de Deus, o mesmo ontem, hoje e amanh\u00e3, que envolve a afeta todos \u00abos muitos irm\u00e3os\u00bb, reunidos e conformados \u00e0 imagem do seu Filho, \u00abprimog\u00e9nito de toda a criatura\u00bb (Colossenses 1,15) e tamb\u00e9m \u00abprimog\u00e9nito dos mortos\u00bb (Colossenses 1,18; Apocalipse 1,5), envolvendo aqui a nossa hist\u00f3ria inteira desde a Cria\u00e7\u00e3o \u00e0 Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 119, o mais longo do Salt\u00e9rio, \u00e9 uma admir\u00e1vel composi\u00e7\u00e3o de 1064 palavras hebraicas reunidas, repartidas, repetidas, entretecidas e entretidas \u00e0 volta da Palavra de Deus, que alumia a nossa vida. N\u00e3o \u00e9 uma coisa comprida e chata, mas uma monotonia admir\u00e1vel, como escreveu bem, no seu livro\u00a0<em>Rezar os Salmos com Cristo<\/em>, o te\u00f3logo luterano Dietrich Bonhoeffer, morto pelos nazis em 9 de abril de 1945, que aconselhou a quem reza este Salmo \u00aba proceder palavra por palavra, frase por frase, muito lentamente, tranquilamente, pacientemente. E descobriremos ent\u00e3o que as aparentes repeti\u00e7\u00f5es s\u00e3o, na verdade, aspetos novos de uma \u00fanica realidade, o amor pela Palavra de Deus\u00bb. O eminente cientista franc\u00eas Blaise Pascal (1623-1662) recitava este Salmo todos os dias, ros\u00e1rio b\u00edblico que percorre a Palavra de Deus, enunciando todos os seus sin\u00f3nimos e sabores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas linhas leves e ledas<br \/>\nCom que Jesus se exp\u00f5e em par\u00e1bolas<br \/>\nS\u00e3o como asas<br \/>\nQue guardam o segredo mais inteiro de Jesus,<br \/>\nO seu tesouro mais profundo,<br \/>\nA p\u00e9rola preciosa,<br \/>\nPreciosa e firme,<br \/>\nPorque leve e suave como uma almofada,<br \/>\nOnde Jesus pode reclinar tranquilamente a cabe\u00e7a,<br \/>\nE tranquilamente conduzir,<br \/>\nDormindo mansamente \u00e0 popa,<br \/>\nA nossa barca no meio do mar encapelado<br \/>\nDesta pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos l\u00e1bios de Jesus,<br \/>\nChama-se \u00abPai\u00bb este lugar seguro e manso,<br \/>\nDoce e apraz\u00edvel,<br \/>\nQue acolhe os pequeninos,<br \/>\nOs senta sobre os seus joelhos,<br \/>\nLhes conta a sua hist\u00f3ria mais bela,<br \/>\nE lhes afaga o rosto com ternura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim,<br \/>\nComo diz Santo Agostinho,<br \/>\n\u00abO peso de Cristo \u00e9 t\u00e3o leve, que levanta,<br \/>\nComo o peso das asas para os passarinhos\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Leitura-I-do-Domingo-XVII-do-Tempo-Comum-Ano-A-30.07.2023-1Reis-3-5.7-12.pdf\">Leitura I do Domingo XVII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 30.07.2023 (1Reis 3, 5.7-12)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Leitura-II-do-XVII-Domingo-do-Tempo-Comum-Ano-A-30.07.2023-Rom-8-28-30.pdf\">Leitura II do XVII Domingo do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 30.07.2023 (Rom 8, 28-30)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Domingo-XVII-do-Tempo-Comum-Ano-A-30.07.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XVII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 30.07.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Domingo-XVII-do-Tempo-Comum-Ano-A-30.07.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XVII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 30.07.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XVI do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 23.07.2023 III Dia Mundial dos Av\u00f3s e dos Idosos&#8221; tab_id=&#8221;1690814040796-cb9876ec-4eec&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XVI do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 23.07.2023<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>III Dia Mundial dos Av\u00f3s e dos Idosos<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Domingo-XVI.jpg\" alt=\"\" width=\"604\" height=\"477\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante de um mundo onde tudo corre a passo lesto, onde procuramos resolu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas e imediatas e onde as solu\u00e7\u00f5es radicais s\u00e3o bastante tentadoras e populistas, emerge a paci\u00eancia fecunda da met\u00e1fora agr\u00edcola de um campo de trigo que parece amea\u00e7ado pelo joio que cresce conjuntamente ou da pequena semente de mostarda que cresce para se tornar uma \u00e1rvore grande e frondosa onde as aves do c\u00e9u se podem abrigar ou at\u00e9 da imagem dom\u00e9stica da mulher que junta o fermento \u00e0 farinha para levedar toda a massa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A paci\u00eancia fecunda \u00e9 uma nobre arte que parece passada de moda, pois diante das nossas urg\u00eancias quotidianas parece quietude, in\u00e9rcia ou at\u00e9 relativismo. Como afirma o P. Nuno Tovar de Lemos, as \u00absolu\u00e7\u00f5es radicais\u00bb parecem muito tentadoras, quer em n\u00f3s mesmos (\u00absaio de casa e acaba-se com isto de uma vez por todas!), quer em rela\u00e7\u00e3o ao mundo (\u00abo que isto est\u00e1 a precisar \u00e9 de um bom ditador!\u00bb, \u00abse n\u00e3o vai a bem, vai a mal!\u00bb), quer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o (com os fundamentalismos religiosos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, continuando a narrar as par\u00e1bolas evang\u00e9licas que ocupam o centro geogr\u00e1fico e teol\u00f3gico do Evangelho de Mateus, Jesus ensina-nos que a pressa de acabar de vez com todo o mal pode destruir o bem e que o desejo de ver a semente germinar e tornar-se uma grande \u00e1rvore exige a espera e o cuidado paciente que \u00e9 tanto mais frutuosa quanto mais discreta e humilde como o fermento, que pequeno e discreto leveda toda a massa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importa ressalvar que a par\u00e1bola do trigo e do joio n\u00e3o \u00e9 um convite ao relativismo. O dono da casa n\u00e3o afirma que trigo e joio s\u00e3o a mesma coisa. Para ele, o joio \u00e9 claramente mau e claramente distinto do trigo. Num mundo relativista, facilmente perdemos a exig\u00eancia e deixamos de ter ideais elevados, contudo \u00e9 essencial ter grandes ideais e lutar por eles. Mas temos de distinguir a necessidade de termos ideais da tenta\u00e7\u00e3o de sermos idealistas. Uma coisa \u00e9 ter um ideal como meta que orienta o nosso agir e nos indica a dire\u00e7\u00e3o do nosso caminho, outra coisa s\u00e3o os idealismos que possuem uma grande dose de impaci\u00eancia e irrita\u00e7\u00e3o para connosco e com o mundo pelo facto de a realidade ainda n\u00e3o ser aquilo que devia ser. Esta impaci\u00eancia e irrita\u00e7\u00e3o conduzem a duas sa\u00eddas, ambas erradas: as solu\u00e7\u00f5es radicais ou o relativismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, n\u00e3o \u00e9 assim com o dono deste campo que tolera at\u00e9 \u00e0 colheita a presen\u00e7a do joio a crescer com o trigo. Se permite isto, \u00e9 porque n\u00e3o quer que algum trigo se perca na \u00e2nsia desesperada de arrancar o joio, isto \u00e9, ele est\u00e1 muito mais preocupado com o trigo que com o joio. Na verdade, os nossos perfeccionismos e solu\u00e7\u00f5es radicais s\u00e3o muito mais centrados no joio que no trigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus sabe que na nossa vida e no nosso cora\u00e7\u00e3o crescem trigo e joio, bem e mal. Esta mansid\u00e3o de Deus no seu agir com os homens e mulheres como narra a primeira leitura e que aparece descrita pelo dono do campo na par\u00e1bola constituem um apelo \u00e0 arte da paci\u00eancia e da conviv\u00eancia onde cada batizado indigente da paci\u00eancia e benevol\u00eancia de Deus converte o seu cora\u00e7\u00e3o para que se torne manso, humilde e paciente para com as fraquezas e limita\u00e7\u00f5es do pr\u00f3ximo. Contudo, a miseric\u00f3rdia e bondade de Deus n\u00e3o s\u00e3o um convite ao comodismo, mas apelo permanente \u00e0 convers\u00e3o para que a semente lan\u00e7ada no cora\u00e7\u00e3o de cada homem e cada mulher germine e cres\u00e7a como aquele pequeno gr\u00e3o de mostarda, de modo que as nossas vidas sejam \u00f3timo fermento a levedar toda a massa e a fazer ecoar no mundo a mais bela melodia do amor de Deus. <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Sab 12,13.16-19<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abAos vossos filhos destes a esperan\u00e7a feliz de que, ap\u00f3s o pecado, dais lugar ao arrependimento\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O &#8220;Livro da Sabedoria&#8221; \u00e9 o mais recente de todos os livros do Antigo Testamento (aparece durante a primeira metade do s\u00e9c. I a.C.). O seu autor &#8211; um judeu de l\u00edngua grega, provavelmente nascido e educado na Di\u00e1spora (Alexandria?) &#8211; exprimindo-se em termos e conce\u00e7\u00f5es do mundo hel\u00e9nico, faz o elogio da &#8220;sabedoria&#8221; israelita, tra\u00e7a o quadro da sorte que espera o justo e o \u00edmpio no mais-al\u00e9m e descreve (com exemplos tirados da hist\u00f3ria do \u00caxodo) as sortes diversas que tiveram os pag\u00e3os (id\u00f3latras) e os hebreus (fi\u00e9is a Jahw\u00e9h). O seu objetivo \u00e9 duplo: dirigindo-se aos seus compatriotas judeus (mergulhados no paganismo, na idolatria, na imoralidade), convida-os a redescobrirem a f\u00e9 dos pais e os valores judaicos; dirigindo-se aos pag\u00e3os, convida-os a constatar o absurdo da idolatria e a aderir a Jahw\u00e9h, o verdadeiro e \u00fanico Deus&#8230; Para uns e para outros, s\u00f3 Jahw\u00e9h garante a verdadeira &#8220;sabedoria&#8221; e a verdadeira felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto pertence \u00e0 terceira parte do livro (cf. Sab 10,1-19,22). Nessa parte, recorrendo, sobretudo, \u00e0 t\u00e9cnica do midrash, o autor faz a compara\u00e7\u00e3o entre os castigos que Deus lan\u00e7ou contra os &#8220;\u00edmpios&#8221; (os pag\u00e3os) e a salva\u00e7\u00e3o reservada aos &#8220;justos&#8221; (o Povo de Deus).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor come\u00e7a por mostrar como a &#8220;sabedoria&#8221; de Deus se manifestou na hist\u00f3ria de Israel (cf. Sab 10,1-11,14). Em contraste, vai descrever como \u00e9 que Deus tratou os eg\u00edpcios (cf. Sab 11,15-20) e os id\u00f3latras cananeus (cf. Sab 12,3-19). O texto que nos \u00e9 proposto faz parte desta \u00faltima per\u00edcope<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cananeus eram, na perspetiva dos israelitas, uma ra\u00e7a maldita e perversa, que cometiam crimes especialmente hediondos: &#8220;praticavam obras detest\u00e1veis, ritos \u00edmpios, e eram cru\u00e9is assassinos dos seus filhos&#8221; (Sab 12,4-5). Deus podia t\u00ea-los eliminado rapidamente (cf. Sab 12,9); no entanto, retardou o mais poss\u00edvel o castigo (cf. Sab 12,8), dando-lhes v\u00e1rias oportunidades de se arrependerem e de mudarem de vida (cf. Sab 12,10).<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para a reflex\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o da Palavra, podem tomar-se as seguintes indica\u00e7\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto apresenta-nos um Deus tolerante e justo, em quem a bondade e a miseric\u00f3rdia se sobrep\u00f5em \u00e0 vontade de castigar. Ele n\u00e3o quer a destrui\u00e7\u00e3o do pecador, mas a sua convers\u00e3o; Ele ama todos os homens que criou, mesmo aqueles que praticam a\u00e7\u00f5es erradas. Ora, todos n\u00f3s conhecemos bem este quadro de Deus, pois ele aparece-nos a par e passo na Palavra revelada&#8230; Mas j\u00e1 o interioriz\u00e1mos suficientemente?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Interiorizar esta &#8220;fotografia&#8221; de Deus significa &#8220;empapar-nos&#8221; da l\u00f3gica do amor e da miseric\u00f3rdia e deixar que ela transpare\u00e7a em gestos para com os nossos irm\u00e3os. Isso acontece realmente? Qual a nossa atitude para com aqueles que nos fizeram mal, ou cujos comportamentos nos desafiam e incomodam? Faz sentido catalogar os homens em bons e maus e defendermos uma justi\u00e7a implac\u00e1vel para com aqueles que praticam a\u00e7\u00f5es erradas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas vezes, percebemos certos males que nos incomodam como &#8220;castigos&#8221; de Deus pelo nosso mau proceder. No entanto, este texto deixa claro que Deus n\u00e3o est\u00e1 interessado em castigar os pecadores&#8230; Quando muito, procura fazer-nos perceber, com a pedagogia de um pai cheio de amor, o sem sentido de certas op\u00e7\u00f5es e o mal que nos fazem certos caminhos que escolhemos.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a085 (86)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> Senhor, sois um Deus clemente e compassivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Rom 8,26-27<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO Esp\u00edrito Santo vem em aux\u00edlio da nossa fraqueza, porque n\u00e3o sabemos que pedir nas nossas ora\u00e7\u00f5es\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 j\u00e1 alguns domingos que Paulo nos vem propondo uma catequese sobre o caminho a seguir para poder acolher a salva\u00e7\u00e3o que Deus oferece. A salva\u00e7\u00e3o \u00e9 um dom de Deus, dom gratuito que \u00e9 fruto da bondade e do amor de Deus (cf. Rom 3,21-5,11). Essa salva\u00e7\u00e3o chega-nos atrav\u00e9s de Jesus Cristo (cf. Rom 5,12-8,39); e atua em n\u00f3s pelo Esp\u00edrito que Jesus derrama sobre aqueles que aderem ao seu projeto e entram na sua comunidade (cf. Rom 8,1-39) &#8211; a comunidade do Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No passado domingo, Paulo convidava os crentes a decidirem-se pela vida &#8220;segundo o Esp\u00edrito&#8221;. Dizia-nos que essa op\u00e7\u00e3o ter\u00e1 uma dimens\u00e3o c\u00f3smica e que ajudar\u00e1 a vencer os desequil\u00edbrios e desarmonias que destroem a cria\u00e7\u00e3o de Deus. Trata-se, no entanto, segundo Paulo, de um caminho dif\u00edcil, que exige padecimentos, ren\u00fancias, purifica\u00e7\u00f5es, renova\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 que o crist\u00e3o pode fazer essa op\u00e7\u00e3o? Como \u00e9 que ele percebe, claramente, qual \u00e9 o caminho? Donde recebe ele a for\u00e7a para viver &#8220;segundo o Esp\u00edrito&#8221;? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, considerar as seguintes linhas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de mais, h\u00e1 neste texto um convite impl\u00edcito a tomarmos consci\u00eancia do amor que Deus nos dedica e da sua preocupa\u00e7\u00e3o com a nossa salva\u00e7\u00e3o, com a nossa realiza\u00e7\u00e3o plena. N\u00e3o somos min\u00fasculos gr\u00e3os de areia abandonados ao sabor das tempestades c\u00f3smicas num universo sem fim; somos filhos amados de Deus, a quem Ele n\u00e3o desiste de indicar, todos os dias, os caminhos da felicidade e da vida definitiva. Nos momentos de crise, de derrota, de fal\u00eancia, \u00e9 preciso conservar os olhos postos nesta certeza: Deus ama-nos; por isso, oferece-nos, de forma gratuita e incondicional, a salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito de Deus, vivo e atuante na hist\u00f3ria do mundo e na vida de cada homem ou mulher \u00e9 a &#8220;prova provada&#8221; do amor de Deus por n\u00f3s. O Esp\u00edrito oferece-nos cada dia a vida de Deus, leva-nos ao encontro de Deus, faz com que a nossa voz chegue ao cora\u00e7\u00e3o de Deus. \u00c9 preciso, no entanto, disponibilidade para o acolher e aten\u00e7\u00e3o aos sinais atrav\u00e9s dos quais Ele nos conduz ao encontro de Deus. Acolher o Esp\u00edrito \u00e9 sair do ego\u00edsmo, do orgulho, da autossufici\u00eancia e procurar descobrir, com humildade e simplicidade, os caminhos de Deus, os desafios de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ritmo da vida moderna \u00e9 estonteante&#8230; As exig\u00eancias profissionais, os problemas familiares, o inferno do tr\u00e2nsito, a necessidade de ganhar a vida atiram-nos de corrida em corrida, sempre ocupados, sempre cansados, sempre carregados de stress, prisioneiros de uma m\u00e1quina que nos desumaniza e que n\u00e3o nos deixa centrar a nossa aten\u00e7\u00e3o no essencial, reequacionar os nossos valores e prioridades. \u00c9 preciso, no entanto, encontrar tempo e espa\u00e7o para refletir, para redefinir o sentido da nossa exist\u00eancia, para perceber se estamos a conduzir a nossa vida &#8220;segundo a carne&#8221; ou &#8220;segundo o Esp\u00edrito&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O verdadeiro crente \u00e9 o que vive em comunh\u00e3o com Deus. N\u00e3o prescinde desses momentos de di\u00e1logo, de partilha, de escuta, de louvor a que chamamos ora\u00e7\u00e3o. \u00c9 nesse di\u00e1logo intenso, verdadeiro, di\u00e1rio que o crente, atrav\u00e9s do Esp\u00edrito, intui a l\u00f3gica de Deus, a sua verdade, o projeto que Ele tem para cada homem e para o mundo. Esfor\u00e7o-me por encontrar espa\u00e7o para o di\u00e1logo com Deus e para fortalecer a minha intimidade com Ele? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 13,24-43<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO reino dos C\u00e9us pode comparar-se a um homem que semeou boa semente no seu campo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO reino dos C\u00e9us pode comparar-se ao gr\u00e3o de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO reino dos C\u00e9us pode comparar-se ao fermento que uma mulher toma e mistura em tr\u00eas medidas de farinha\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos em contacto com as &#8220;par\u00e1bolas do Reino&#8221;. O Evangelho deste domingo apresenta-nos mais um bloco de tr\u00eas imagens ou compara\u00e7\u00f5es (&#8220;par\u00e1bolas&#8221;) que pretendem revelar aos disc\u00edpulos e \u00e0s multid\u00f5es que rodeiam Jesus, a realidade do &#8220;Reino&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 vimos, no passado domingo, porque \u00e9 que Jesus pregava por &#8220;par\u00e1bolas&#8221;: porque a linguagem parab\u00f3lica \u00e9 uma linguagem rica, expressiva, questionante; porque a &#8220;par\u00e1bola&#8221; \u00e9 uma excelente arma de controv\u00e9rsia, muito \u00fatil em contextos pol\u00e9micos; porque a &#8220;par\u00e1bola&#8221; faz as pessoas pensar e incita-as \u00e0 procura da verdade. Por tudo isto, as &#8220;par\u00e1bolas&#8221; s\u00e3o uma linguagem privilegiada para apresentar o Reino, para incitar as pessoas a descobrir o Reino e para as levar a aderir ao Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Das tr\u00eas par\u00e1bolas que nos s\u00e3o hoje propostas, duas (o gr\u00e3o de mostarda e o fermento) procedem da tradi\u00e7\u00e3o sin\u00f3ptica; a outra (a par\u00e1bola do trigo e do joio) s\u00f3 aparece em Mateus (al\u00e9m de aparecer tamb\u00e9m numa antiga cole\u00e7\u00e3o de &#8220;ditos&#8221; de Jesus, conhecida como &#8220;Evangelho de Tom\u00e9&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m desta vez percebe-se &#8211; tanto nas par\u00e1bolas, como nas explica\u00e7\u00f5es que as acompanham &#8211; a preocupa\u00e7\u00e3o &#8220;pastoral&#8221; de Mateus: ele n\u00e3o \u00e9 um jornalista a transcrever o que Jesus disse; mas \u00e9 um &#8220;pastor&#8221; que procura exortar, animar, ensinar e fortalecer a f\u00e9 dessa comunidade crist\u00e3 a que o Evangelho se dirige. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode fazer-se a partir dos seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste domingo garante-nos, antes de mais, que o &#8220;Reino&#8221; \u00e9 uma realidade irrevers\u00edvel, que est\u00e1 em processo de crescimento no mundo. \u00c9 verdade que \u00e9 dif\u00edcil perceber essa semente a crescer ou esse fermento a levedar a massa, quando vemos multiplicarem-se as viol\u00eancias, as injusti\u00e7as, as prepot\u00eancias, as escravid\u00f5es&#8230; \u00c9 dif\u00edcil acreditar que o &#8220;Reino&#8221; est\u00e1 em processo de constru\u00e7\u00e3o, quando o materialismo, a futilidade, o comodismo, a procura da facilidade, o ef\u00e9mero, sobressaem, de forma t\u00e3o marcada, na vida de grande parte dos homens e das mulheres do nosso tempo&#8230; A Palavra de Deus convida-nos, contudo, a n\u00e3o perder a confian\u00e7a e a esperan\u00e7a. Apesar das apar\u00eancias, o dinamismo do &#8220;Reino&#8221; est\u00e1 presente, minando positivamente a hist\u00f3ria e a vida dos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, falar do &#8220;Reino&#8221; n\u00e3o significa falarmos de um &#8220;condom\u00ednio fechado&#8221;, ao qual s\u00f3 tem acesso um grupo privilegiado constitu\u00eddo pelos &#8220;bons&#8221;, pelos &#8220;puros&#8221;, pelos perfeitos&#8221;, e de onde est\u00e1 ausente o mal, o ego\u00edsmo e o pecado&#8230; Falar do &#8220;Reino&#8221; \u00e9 falar de uma realidade em processo de constru\u00e7\u00e3o, onde cada homem e cada mulher t\u00eam o direito de crescer ao seu ritmo, de fazer as suas escolhas, de acolher ou n\u00e3o o dom de Deus, at\u00e9 \u00e0 op\u00e7\u00e3o final e definitiva. \u00c9 falarmos de uma realidade onde o amor de Deus, vivo e atuante, vai introduzindo no cora\u00e7\u00e3o do homem um dinamismo de convers\u00e3o, de transforma\u00e7\u00e3o, de renascimento, de vida nova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste Evangelho temos tamb\u00e9m uma li\u00e7\u00e3o muito sugestiva sobre a atitude de Deus face ao mal e aos que fazem o mal. Na par\u00e1bola do trigo e do joio, Jesus garante-nos que os esquemas de Deus n\u00e3o preveem a destrui\u00e7\u00e3o do pecador, a segrega\u00e7\u00e3o dos maus, a exclus\u00e3o dos culpados. O Deus de Jesus Cristo \u00e9 um Deus de amor e de miseric\u00f3rdia, sem pressa para castigar, que d\u00e1 ao homem &#8220;todo o tempo do mundo&#8221; para crescer, para descobrir o dom de Deus e para fazer as suas escolhas. N\u00e3o percamos nunca de vista a &#8220;paci\u00eancia&#8221; de Deus para com os pecadores: talvez evitemos ter de carregar sentimentos de culpa que oprimem e amarguram a nossa breve caminhada nesta terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A &#8220;paci\u00eancia de Deus&#8221; com o joio convida-nos tamb\u00e9m a rejeitarmos as atitudes de rigidez, de intoler\u00e2ncia, de incompreens\u00e3o, de vingan\u00e7a, nas nossas rela\u00e7\u00f5es com os nossos irm\u00e3os. O &#8220;senhor&#8221; da par\u00e1bola n\u00e3o aceita a intoler\u00e2ncia, a impaci\u00eancia, o radicalismo dos &#8220;servos&#8221; que pretendem &#8220;cortar o mal pela raiz&#8221; e arrancar o mal (correndo o risco de serem injustos, de se enganarem e de meterem mal e bem no mesmo saco). \u00c0s vezes, somos demasiados ligeiros em julgar e condenar, como se as coisas fossem claras e tudo fosse, sem discuss\u00e3o, claro ou escuro&#8230; A Palavra de Deus convida-nos a moderar a nossa dureza, a nossa intoler\u00e2ncia, a nossa intransig\u00eancia e a contemplar os irm\u00e3os (com as suas falhas, defeitos, diferen\u00e7as, comportamentos religiosa ou socialmente incorretos) com os olhos benevolentes, compreensivos e pacientes de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conv\u00e9m termos sempre presente o seguinte: n\u00e3o h\u00e1 o mal quimicamente puro de um lado e o bem quimicamente puro do outro&#8230; Mal e bem misturam-se no mundo, na vida e no cora\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s. Dividir as na\u00e7\u00f5es em boas (as que t\u00eam uma pol\u00edtica que serve os nossos interesses) e m\u00e1s (as que t\u00eam uma pol\u00edtica que lesa os nossos interesses), os grupos sociais em bons (os que defendem valores com os quais concordamos) e maus (os que defendem valores que n\u00e3o s\u00e3o os nossos), os indiv\u00edduos em bons (os amigos, aqueles que nos apoiam e que est\u00e3o sempre de acordo connosco) e maus (aqueles que nos fazem frente, que nos dizem verdades que s\u00e3o dif\u00edceis de escutar, que n\u00e3o concordam connosco)&#8230; \u00e9 uma atitude simplista, que nos leva frequentemente a assumir atitudes injustas, que geram exclus\u00e3o, marginaliza\u00e7\u00e3o, sofrimento e morte. Mais uma vez: saibamos olhar para o mundo, para os grupos, para as pessoas sem preconceitos, com a mesma bondade, compreens\u00e3o e toler\u00e2ncia que Deus manifesta face a cada homem e a cada mulher, independentemente das suas escolhas e do seu ritmo de caminhada. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>As leituras propostas para este Domingo n\u00e3o apresentam nenhuma dificuldade aparente na sua prepara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, um texto curto, como o caso da <strong>segunda leitura<\/strong>, exige um cuidado ainda maior para uma eficaz proclama\u00e7\u00e3o do texto. Em ambos os textos, pede-se o cuidado nas pausas e respira\u00e7\u00f5es, porque possuem frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/07\/18\/guarda-no-ceu-o-teu-coracao-2\/\"><strong>GUARDA NO C\u00c9U O TEU\u00a0CORA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Cap\u00edtulo 13 do Evangelho de Mateus constitui o centro geogr\u00e1fico e teol\u00f3gico deste Evangelho, com as suas sete par\u00e1bolas do Reino de Deus, postas na boca de Jesus. \u00c9 o chamado \u00abDiscurso das Par\u00e1bolas do Reino\u00bb, o terceiro dos cinco grandes Discursos de Jesus neste Evangelho, depois do \u00abDiscurso da Montanha\u00bb e do \u00abDiscurso Mission\u00e1rio\u00bb. Neste Domingo XVI do Tempo Comum continuamos, pois, a ouvir o Discurso das Par\u00e1bolas do Reino iniciado por Jesus no Domingo passado, com a primeira par\u00e1bola, a par\u00e1bola da semente ou do semeador (Mateus 13,1-23). Hoje ouviremos as tr\u00eas par\u00e1bolas seguintes \u2013 do trigo e da ciz\u00e2nia (13,24-30), do gr\u00e3o de mostarda (13,31-32) e do fermento (13,33) \u2013, a que se segue, a pedido dos disc\u00edpulos, a explica\u00e7\u00e3o de Jesus acerca da par\u00e1bola do trigo e da ciz\u00e2nia (Mateus 13,36-43).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal como a par\u00e1bola da semente, tamb\u00e9m a par\u00e1bola do trigo e da ciz\u00e2nia, que crescem juntos no campo, e que \u00e9 exclusiva de Mateus, \u00e9 grandemente ilustrativa e fortemente impressiva. O termo \u00abciz\u00e2nia\u00bb deriva do hebraico\u00a0<em>zun\u00eem<\/em>, que prov\u00e9m com certeza do verbo\u00a0<em>zanah<\/em>\u00a0[= prostituir-se]. A ciz\u00e2nia \u00e9, portanto, erva ruim e danosa no meio do trigo. A nossa impaci\u00eancia em esperar por mais tempo o Reino de Deus, que queremos que venha depressa e que tudo clarifique e resolva j\u00e1, leva-nos, na pessoa dos servos da par\u00e1bola, a propor ao propriet\u00e1rio do campo: \u00abQueres, ent\u00e3o, que vamos arranc\u00e1-la?\u00bb (Mateus 13,28b). E a resposta inesperada do propriet\u00e1rio: \u00abDeixai-os crescer ambos juntos at\u00e9 \u00e0 colheita\u00bb (Mateus 13,30a), deixa-nos desconcertados. E mais desconcertados ficamos, quando vimos a saber um pouco depois, na explica\u00e7\u00e3o da par\u00e1bola, que \u00aba colheita \u00e9 o fim do mundo\u00bb (Mateus 13,39b), e que s\u00f3 ent\u00e3o ser\u00e1 queimada a ciz\u00e2nia (Mateus 13,40) e os que praticam a iniquidade (Mateus 13,42).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De notar que, tal como os servos da par\u00e1bola, e n\u00f3s com eles, tamb\u00e9m Jo\u00e3o Batista era partid\u00e1rio de um julgamento j\u00e1 e em for\u00e7a, levado a efeito por um Messias justiceiro, sem d\u00f3 nem piedade. De facto, ele conta-se entre os servos que queriam queimar j\u00e1 a palha e a ciz\u00e2nia. Prestemos aten\u00e7\u00e3o aos termos e ao tom da sua prega\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abJ\u00e1 o machado est\u00e1 posto \u00e0 raiz das \u00e1rvores, e toda a \u00e1rvore que n\u00e3o produzir bom fruto ser\u00e1 cortada e lan\u00e7ada ao fogo\u00bb (Mateus 3,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abA p\u00e1 de joeirar est\u00e1 na sua m\u00e3o: ele purificar\u00e1 completamente a sua eira e recolher\u00e1 o seu trigo no celeiro; a palha, por\u00e9m, queim\u00e1-la-\u00e1 com fogo inextingu\u00edvel\u00bb (Mateus 3,12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mesma linguagem, mas n\u00e3o as mesmas ideias, mostram o contraponto claro e inequ\u00edvoco do propriet\u00e1rio do campo, e, claro, de Jesus:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abDeixai \u201ccrescer juntamente\u201d (<em>synaux\u00e1nomai<\/em>) ambos at\u00e9 \u00e0 colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: \u201cArrancai primeiro a ciz\u00e2nia, e juntai-a em feixes, para ser queimada; quanto ao trigo, recolhei-o no meu celeiro\u201d\u00bb (Mateus 13,30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se v\u00ea, pr\u00f3prio de Jesus n\u00e3o \u00e9 a intoler\u00e2ncia, o j\u00e1 e em for\u00e7a, mas a mansid\u00e3o, a compreens\u00e3o, a conviv\u00eancia, a toler\u00e2ncia e a distens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Espantoso \u00e9 ainda o milagre do gr\u00e3o de mostarda. Pequenino. Pequenino. T\u00e3o pequenino que propriamente nem gr\u00e3o chega a ser. \u00c9 semelhante, no corpo e na cor, a caf\u00e9 mo\u00eddo, uma esp\u00e9cie de p\u00f3 acastanhada que podemos espalhar na palma da m\u00e3o. Por\u00e9m, deitado \u00e0 terra, d\u00e1 corpo a uma \u00e1rvore grande, carregada de passarinhos que dela fazem a sua casa, e a enchem de m\u00fasica e de alegria. Assim \u00e9, para espanto nosso, o Reino dos C\u00e9us! E o fermento, igualmente pequenino, mas que leveda tr\u00eas medidas de farinha, mais ou menos o equivalente a 60 quilos de farinha! Tanta farinha d\u00e1 para alimentar, n\u00e3o uma fam\u00edlia da Palestina, mas umas 150 pessoas! \u00c9 do banquete do Reino dos C\u00e9us que se trata! E aquele \u00ab<em>at\u00e9 que<\/em>\u00a0tudo fique levedado\u00bb (Mateus 13,33) traz a Eucaristia para o quotidiano da vida de uma mulher e m\u00e3e de fam\u00edlia da Palestina, pois lembra o \u00ab<em>at\u00e9 que<\/em>\u00a0Ele venha\u00bb da celebra\u00e7\u00e3o da Ceia do Senhor (1 Cor\u00edntios 11,26), tal como fazemos neste Domingo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a nossa for\u00e7a \u00e9 a norma que nos rege e nos domina, como afirmam os \u00edmpios no Livro da Sabedoria (2,11), e a prepotente Ass\u00edria em Isa\u00edas (10,13), ent\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o somos livres, mas escravos da for\u00e7a, dominados pela for\u00e7a. Estamos, de resto, habituados a ver como \u00e9 dif\u00edcil dominar a for\u00e7a: basta ver as for\u00e7as militares que os imp\u00e9rios deste mundo p\u00f5em no terreno, e que depois, mesmo querendo, como \u00e9 dif\u00edcil voltar atr\u00e1s! Mas o nosso Deus \u00e9 apresentado, na li\u00e7\u00e3o de hoje do Livro da Sabedoria (12,13.16-19), como aquele que \u00abdomina a for\u00e7a\u00bb (Sabedoria 12,18), que cuida de todos com carinho, a todos perdoa, e nos chama a ser amigos. Assim tamb\u00e9m o Esp\u00edrito, diz-nos hoje S. Paulo numa \u00abmigalhinha\u00bb da Carta aos Romanos (8,26-27), n\u00e3o grita, mas reza em n\u00f3s e por n\u00f3s, suavemente, com \u00abgemidos sem palavras\u00bb (<em>stenagmo\u00ees alal\u00eatois<\/em>) (Romanos 8,26). Trata-se, portanto, de uma lala\u00e7\u00e3o filial, em que conta e canta a ternura mais do que as palavras. \u00c9 assim que a \u00abmigalhinha\u00bb da Carta aos Romanos acomoda \u00e0 mesma mesa paterna os meninos e os passarinhos que descem dos ramos da \u00e1rvore da mostarda para habitar na tua casa (Salmo 84,4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, um grande Salmo (86) toma hoje conta de n\u00f3s, deixando a ressoar em n\u00f3s as notas da inteira liturgia, desde logo os atributos do nosso Deus, como um Deus de \u00abmiseric\u00f3rdia e de gra\u00e7a\u00bb (<em>rah\u00fbm w<sup>e<\/sup>han\u00fbn<\/em>) (Salmo 86,15), como repetidamente cantaremos no refr\u00e3o. Deixo aqui um pedacinho do coment\u00e1rio apaixonado de Santo Agostinho: \u00abSobre a terra, o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o se corrompe, se o elevarmos para Deus. Se tens gr\u00e3o, vais guard\u00e1-lo no celeiro, para que n\u00e3o se estrague. E como poder\u00e1s, ent\u00e3o, deixar apodrecer o teu cora\u00e7\u00e3o, deixando-o na terra? Leva o teu gr\u00e3o para um plano superior, e eleva o teu cora\u00e7\u00e3o para o c\u00e9u!\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez venham abrigar-se nele os p\u00e1ssaros do c\u00e9u! Talvez haja festa em tua casa!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia em que os passarinhos,<br \/>\nQue n\u00e3o semeiam nem ceifam,<br \/>\nVieram cantar \u00e0 Catedral,<br \/>\nRodopiando,<br \/>\nFelizes e contentes,<br \/>\nL\u00e1 bem no alto,<br \/>\nJunto aos coloridos tetos de Nasoni,<br \/>\nIndiferentes ao outro canto do coral,<br \/>\nOu talvez com ele condizentes,<br \/>\nVi bem que era Deus que os recebia em sua casa,<br \/>\nCoisa que, pelo que vi,<br \/>\nTamb\u00e9m eles bem sabiam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era por isso que expressavam a sua alegria.<br \/>\nNa verdade, reza o Salmo:<br \/>\n\u00abNa Tua casa,<br \/>\n\u00d3 Deus,<br \/>\nAt\u00e9 o passarinho encontrou abrigo,<br \/>\nE a andorinha um ninho para os seus filhos\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felizes ent\u00e3o, Senhor,<br \/>\nOs que moram na Tua casa,<br \/>\nE se sentam \u00e0 Tua mesa,<br \/>\nE se deliciam com a Tua Palavra,<br \/>\nSaborosa e mansa,<br \/>\nComo a chuva mansa,<br \/>\nQue rega o ch\u00e3o e faz germinar o p\u00e3o,<br \/>\nQue rega o cora\u00e7\u00e3o e faz germinar a convers\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como no dia<br \/>\nEm que os passarinhos vieram cantar \u00e0 Catedral,<br \/>\nE receber da Tua m\u00e3o<br \/>\nUma migalhinha de p\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Leitura-I-do-Domingo-XVI-do-Tempo-Comum-Ano-A-23.07.2023-Saqb-12-13.16-19.pdf\">Leitura I do Domingo XVI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 23.07.2023 (Saqb 12, 13.16-19)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Leitura-II-do-Domingo-XVI-do-Tempo-Comum-Ano-A-23.07.2023-Rom-8-26-27.pdf\">Leitura II do Domingo XVI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 23.07.2023 (Rom 8, 26-27)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Domingo-XVI-do-Tempo-Comum-Ano-A-23.07.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XVI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 23.07.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Domingo-XVI-do-Tempo-Comum-Ano-A-23.07.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XVI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 23.07.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/III-Dia-Mundial-dos-Avos-e-dos-Idosos-23.07.2023.pdf\">III Dia Mundial dos Av\u00f3s e dos Idosos &#8211; 23.07.2023<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XV do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 16.07.2023&#8243; tab_id=&#8221;1690195450629-a8a793e1-3b27&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XV do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 16.07.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Domingo-XV.jpg\" alt=\"\" width=\"743\" height=\"623\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A forma longa do Evangelho proposto para este Domingo impele-nos mais \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o do que \u00e0 explica\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio das demais par\u00e1bolas evang\u00e9licas, Jesus n\u00e3o narra apenas a par\u00e1bola \u00e0 imensa multid\u00e3o que o rodeia, mas no c\u00edrculo restrito dos disc\u00edpulos explica-lhes o sentido da par\u00e1bola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, emerge a pergunta: quem somos n\u00f3s como destinat\u00e1rios desta par\u00e1bola? Somo apenas mais um elemento desta imensa multid\u00e3o que se re\u00fane em torno de Jesus que \u00ab<em>veem sem ver e ouvem sem ouvir nem entender<\/em>\u00bb ou somos disc\u00edpulos que se sentam com o Mestre a quem \u00e9 \u00ab<em>dado conhecer os mist\u00e9rios do reino dos C\u00e9us<\/em>\u00bb na consci\u00eancia de que o Senhor nos oferece em abund\u00e2ncia o p\u00e3o da Sua Palavra para que possamos dar fruto abundante, n\u00e3o obstante a fragilidade do terreno que somos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 belo contemplar o nosso bom Deus como semeador que sai a semear pelas estradas do mundo e no cora\u00e7\u00e3o dos homens e mulheres que por amor criou. O nosso Deus \u00e9 um semeador de m\u00e3o cheia e com gesto largo para que a semente possa chegar a todos os lugares. N\u00e3o \u00e9 um desastrado que desperdi\u00e7a semente, lan\u00e7ando-a fora do terreno f\u00e9rtil, desistindo de todos os outros lugares que aparentemente n\u00e3o est\u00e3o preparados para a sementeira, mas um semeador generoso, que enche a m\u00e3o e estende o bra\u00e7o ao longo e ao largo para que a todos possa chegar o g\u00e9rmen de vida que poder\u00e1 gerar fruto abundante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O semeador generoso e ousado arrisca e espera pacientemente a sua colheita. A paci\u00eancia \u00e9 uma virtude fundamental da arte de semear. Temos tanto a aprender com o nosso bom Deus como agentes pastorais ao servi\u00e7o da evangeliza\u00e7\u00e3o. Quanta pressa temos ao lan\u00e7ar a semente querendo ver de imediato os seus frutos! Quanto tempo perdemos a julgar o terreno! Como o Pai do C\u00e9u, somos chamados a semear abundantemente, sem desistir de ningu\u00e9m, sem dar nenhum terreno por perdido, esperando numa paci\u00eancia activa que me faz colaborar com o semeador, sendo terreno f\u00e9rtil onde permito que Deus actue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a chuva faz regar o ch\u00e3o e faz germinar o p\u00e3o, a Palavra de Deus rega o cora\u00e7\u00e3o e faz germinar a convers\u00e3o, cumprindo assim a sua miss\u00e3o. A par\u00e1bola do semeador \u00e9 um verdadeiro ensinamento sobre a arte da escuta, sobre a responsabilidade humana que a Palavra de Deus suscita na vida de cada um de n\u00f3s. Contudo, importa referir que o centro da par\u00e1bola n\u00e3o s\u00e3o os erros do homem e as suas limita\u00e7\u00f5es e fragilidades, mas Deus que semeia e espera pacientemente. Por mais que eu seja terreno \u00e1rido, pedregoso e com espinhos, Deus continua a semear sem descanso para que eu possa dar fruto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comove-me sempre um Deus que semeia assim abundantemente para colher t\u00e3o pouco. Deus sabe que por tr\u00eas vezes como diz a par\u00e1bola e, tantas outras vezes como me diz a minha experi\u00eancia, n\u00e3o respondo e n\u00e3o permito que a semente flores\u00e7a. Mas Deus tamb\u00e9m sabe que, quando sou terreno f\u00e9rtil, a semente germina cem, sessenta e trinta por um.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a ousadia de quem ama e espera sempre o melhor do outro, para l\u00e1 dos seus limites e fracassos. \u00c9 a desmedida confian\u00e7a paternal que espera sempre mais dos seus filhos e que n\u00e3o desiste deles at\u00e9 que sejam homens e mulheres maduros que pelos seus frutos se tornam tamb\u00e9m boa semente para que o mundo possa ser o canteiro florido que proclama a beleza e a grandeza do Eterno Semeador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como S. Paulo nos recorda, estamos sujeitos \u00ab<em>\u00e0 v\u00e3 situa\u00e7\u00e3o do mundo<\/em>\u00bb. Somos fr\u00e1geis e \u00e0 superficialidade da escuta, como a semente lan\u00e7ada no caminho, temos de responder com a interioridade que permite que a palavra penetre o nosso \u00edntimo. Somos terreno pedregoso que se alegra de modo ef\u00e9mero, mas depressa desvanece e, por isso, temos de responder com a perseveran\u00e7a que resiste \u00e0s dificuldades. Vivemos rodeados por espinhos que nos querem sufocar e temos de responder com a luta espiritual que nos faz progredir na estrada da santidade. Deste modo, haveremos de nos tornar terra f\u00e9rtil e boa, n\u00e3o por m\u00e9rito nosso, mas pela grandeza Daquele que em n\u00f3s continua a semear em abund\u00e2ncia. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste XV Domingo do Tempo Comum prop\u00f5e-nos uma reflex\u00e3o sobre a forma como acolhemos a Palavra de Deus e exorta-nos a ser boa terra dando fruto abundante de boas obras. Deste modo, este Domingo \u00e9 uma oportunidade para exortar os fi\u00e9is \u00e0 leitura da Palavra de Deus na ora\u00e7\u00e3o pessoal e na ora\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia, oferecendo orienta\u00e7\u00f5es concretas para ajudar neste caminho. Para muitos crist\u00e3os, o \u00fanico lugar onde escutam a Sagrada Escritura \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e a B\u00edblia permanece ainda como uma ilustre desconhecida. O tempo de f\u00e9rias poder\u00e1 ser uma ocasi\u00e3o favor\u00e1vel para exercitarem esta rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com a Palavra de Deus. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Is 55,10-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abA palavra que sai da minha boca n\u00e3o volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a minha vontade, sem ter realizado a sua miss\u00e3o\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Deutero-Isa\u00edas, autor deste texto, \u00e9 um profeta que exerce a sua miss\u00e3o entre os exilados da Babil\u00f3nia, procurando consolar e manter acesa a esperan\u00e7a no meio de um povo amargurado, desiludido e dececionado. Os cap\u00edtulos que recolhem a sua mensagem (Is 40-55) chamam-se, por isso, &#8220;Livro da Consola\u00e7\u00e3o&#8221;.<br \/>\nNa primeira parte desse livro (cf. Is 40-48), o profeta anuncia aos exilados a liberta\u00e7\u00e3o do cativeiro e um &#8220;novo \u00eaxodo&#8221; do Povo de Deus rumo \u00e0 Terra Prometida; na segunda parte (cf. Is 49-55), o profeta fala da reconstru\u00e7\u00e3o e da restaura\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes tr\u00eas vers\u00edculos que a primeira leitura de hoje nos prop\u00f5em, aparecem no final do &#8220;Livro da Consola\u00e7\u00e3o&#8221;. Depois de convidar o Povo (que ainda est\u00e1 na Babil\u00f3nia) a buscar e invocar o Senhor (cf. Is 55,6-9), o profeta relembra a efic\u00e1cia da Palavra de Deus que acabou de ser proclamada aos exilados (cf. Is 55,10-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos na fase final do Ex\u00edlio (\u00e0 volta de 550\/540 a.C.). A comunidade exilada est\u00e1 farta de belas palavras e de promessas de liberta\u00e7\u00e3o que tardam a concretizar-se&#8230; A impaci\u00eancia, a d\u00favida, o ceticismo v\u00e3o minando lentamente a resist\u00eancia e a f\u00e9 dos exilados&#8230; Ser\u00e1 que as promessas de Deus se concretizar\u00e3o? Deus n\u00e3o est\u00e1 a ser demasiado lento, em rela\u00e7\u00e3o a algo que exige uma interven\u00e7\u00e3o imediata? Deus ter-se-\u00e1 esquecido da situa\u00e7\u00e3o do seu Povo? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, considerar os seguintes elementos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando escutamos a Palavra de Deus, sentimo-nos confiantes, otimistas, com o cora\u00e7\u00e3o a transbordar de esperan\u00e7a; sentimos que o caminho que Deus nos indica \u00e9, efetivamente, um caminho de felicidade e de vida plena&#8230; &#8220;Que bom \u00e9 estarmos aqui&#8221; &#8211; dizemos&#8230; Depois, voltamos \u00e0 nossa vida do dia a dia e reencontramos a monotonia, os problemas, o desencanto; constatamos que os maus, os corruptos, os violentos, parecem triunfar sempre e nunca s\u00e3o castigados pelo seu ego\u00edsmo e prepot\u00eancia, enquanto os bons, os justos, os humildes, os pac\u00edficos s\u00e3o continuamente vencidos, magoados, humilhados&#8230; Ent\u00e3o perguntamos: podemos confiar nas promessas de Deus? N\u00e3o estaremos a ser enganados? A Palavra de Deus que hoje nos \u00e9 proposta responde a estas d\u00favidas. Ela garante-nos: a Palavra de Deus n\u00e3o falha; ela indica sempre caminhos de vida plena, de vida verdadeira, de liberdade, de felicidade, de paz sem fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Palavra de Deus n\u00e3o poder\u00e1 ser uma esp\u00e9cie de \u00f3pio do Povo, no sentido de que projeta em Deus as esperan\u00e7as e os sonhos que nos competem a n\u00f3s concretizar? Aten\u00e7\u00e3o: \u00e9 preciso estarmos bem conscientes de que Deus n\u00e3o prescinde de n\u00f3s para atuar na hist\u00f3ria humana&#8230; A sua Palavra d\u00e1-nos esperan\u00e7a, indica-nos os caminhos que devemos percorrer e d\u00e1-nos o \u00e2nimo para intervirmos no mundo. A Palavra de Deus n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o adormece a nossa vontade de agir, mas revela-nos os projetos de Deus para o mundo e para os homens e convida-nos ao compromisso com a transforma\u00e7\u00e3o e a renova\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos na era do rel\u00f3gio. &#8220;Tempo \u00e9 dinheiro&#8221; &#8211; dizemos. Passamos a vida numa correria louca, contando os minutos, sem tempo para as pessoas, sem tempo para Deus, sem tempo para n\u00f3s. Tornamo-nos impacientes e exigentes; achamos que ser eficiente \u00e9 ter feito ontem aquilo que \u00e9 pedido para hoje&#8230; E achamos que Deus tamb\u00e9m deve seguir os nossos ritmos. Queremos que Ele aja imediatamente, que nos resolva logo os problemas, que atue de imediato, ao sabor dos nossos desejos e projetos. \u00c9 preciso, no entanto, aprender a respeitar o ritmo de Deus, o tempo de Deus. N\u00e3o nos basta saber que a Palavra de Deus \u00e9 sempre eficaz (embora n\u00e3o tenha os nossos prazos) e que n\u00e3o volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a vontade de Deus, sem ter realizado a sua miss\u00e3o? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL &#8211; <\/strong><strong>Salmo\u00a064 (65)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong> &#8211; A semente caiu em boa terra e deu muito fruto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Rom 8,18-23<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abOs sofrimentos do tempo presente n\u00e3o t\u00eam compara\u00e7\u00e3o com a gl\u00f3ria que se h\u00e1-de manifestar em n\u00f3s\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo continua a oferecer-nos a sua catequese sobre o caminho que \u00e9 preciso seguir para se poder acolher a salva\u00e7\u00e3o que Deus oferece. A salva\u00e7\u00e3o \u00e9 um dom de Deus, dom gratuito, que \u00e9 fruto da bondade e do amor de Deus (cf. Rom 3,1-5,11). Essa salva\u00e7\u00e3o chega-nos atrav\u00e9s de Jesus Cristo (cf. Rom 5,12-8,39); e atua em n\u00f3s pelo Esp\u00edrito que Jesus derrama sobre aqueles que aderem ao seu projeto e entram na sua comunidade (cf. Rom 8,1-39).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos vers\u00edculos anteriores ao texto que hoje nos \u00e9 proposto (cf. Rom 8,1-17), Paulo mostrou aos crentes o exemplo de Cristo e convidou os crist\u00e3os a seguirem o mesmo percurso. De forma especial, disse-lhes que seguir o exemplo de Cristo implica deixar a vida &#8220;segundo a carne&#8221; (isto \u00e9, a vida do ego\u00edsmo, do orgulho, da autossufici\u00eancia) e aderir \u00e0 vida &#8220;segundo o Esp\u00edrito&#8221; (isto \u00e9, a vida de escuta de Deus, de obedi\u00eancia aos projetos de Deus, de doa\u00e7\u00e3o aos homens). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, ter em conta os seguintes elementos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de mais, Paulo exorta os crentes a decidirem-se por uma vida &#8220;segundo o Esp\u00edrito&#8221;. Essa op\u00e7\u00e3o ter\u00e1 uma dimens\u00e3o c\u00f3smica e afetar\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o do homem com os outros homens e com toda a cria\u00e7\u00e3o. Uma vida conduzida de acordo com crit\u00e9rios de ego\u00edsmo, de orgulho, de autossufici\u00eancia, de pecado, gera escravid\u00e3o, injusti\u00e7a, arbitrariedade, morte, sofrimento, que se refletem na vida de todos os outros seres criados e criam desequil\u00edbrios que desfeiam este mundo que Deus quis &#8220;bom&#8221;&#8230; Ao contr\u00e1rio, uma vida conduzida de acordo com os crit\u00e9rios de Deus gera respeito, amor, solidariedade, que se refletem na vida dos outros seres criados e criam harmonia, equil\u00edbrio, bem-estar, felicidade. Tenho consci\u00eancia de que as minhas op\u00e7\u00f5es afetam os outros meus irm\u00e3os, bem como o mundo que me rodeia? Tenho consci\u00eancia de que o mundo ser\u00e1 melhor ou pior, de acordo com as op\u00e7\u00f5es que eu fizer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No nosso tempo manifesta-se, cada vez mais, uma preocupa\u00e7\u00e3o s\u00e9ria com a forma como usamos o mundo que Deus nos ofereceu. O homem de hoje j\u00e1 descobriu que a cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 para ser explorada, violentada, usada de acordo com crit\u00e9rios de ego\u00edsmo e de explora\u00e7\u00e3o. Aquilo que nos deve mover, no entanto, n\u00e3o \u00e9 a simples preocupa\u00e7\u00e3o com o esgotamento dos recursos, ou com a destrui\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de habitabilidade do nosso planeta; mas o que nos deve mover \u00e9 a ideia da fraternidade que deve unir o homem e as outras coisas criadas por Deus. S\u00f3 quando se instalar essa consci\u00eancia de fraternidade, podemos libertar toda a cria\u00e7\u00e3o do ego\u00edsmo e da explora\u00e7\u00e3o em que o homem a encerrou e fazer aparecer o &#8220;novo c\u00e9u e a nova terra&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas vezes sentimo-nos confusos com certas novidades que nos desconcertam e que parecem p\u00f4r em causa os velhos esquemas sobre os quais o mundo se tem edificado. Criticamos os mais jovens pela sua ousadia, pelos seus valores, pelas suas preocupa\u00e7\u00f5es, pela sua vis\u00e3o do mundo&#8230; N\u00e3o sabemos para onde vamos e parece que nada faz sentido&#8230;. Sentimo-nos abalados e inseguros; lamentamo-nos porque tudo parece ir de mal a pior e n\u00e3o sabemos &#8220;onde isto vai parar&#8221;. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que, em muitos casos, a nossa rigidez esconda o comodismo, a instala\u00e7\u00e3o, o aburguesamento de quem tem medo da novidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aconte\u00e7a o que acontecer, somos convidados a olhar para o futuro do mundo e da humanidade com os \u00f3culos da esperan\u00e7a. N\u00e3o caminhamos para o holocausto, para a destrui\u00e7\u00e3o, para o nada, mas para o &#8220;novo c\u00e9u e a nova terra&#8221;, que j\u00e1 est\u00e3o em g\u00e9rmen presentes na nossa hist\u00f3ria e que, cada dia, se manifestam um pouco mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aten\u00e7\u00e3o: esse &#8220;novo c\u00e9u e nova terra&#8221; n\u00e3o podem ser projetados para um futuro ideal, no c\u00e9u&#8230; Eles est\u00e3o j\u00e1 a construir-se na terra, na nossa hist\u00f3ria, sempre que os seguidores de Jesus aceitam o seu convite e se disp\u00f5em a viver &#8220;segundo o Esp\u00edrito&#8221;. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 13,1-23<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abReuniu-se \u00e0 sua volta t\u00e3o grande multid\u00e3o que teve de subir para um barco e sentar-Se\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00ab\u00c9 por isso que lhes falo em par\u00e1bolas, porque veem sem ver e ouvem sem ouvir nem entender\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEsse d\u00e1 fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje e nos pr\u00f3ximos dois domingos, o Evangelho apresenta-nos par\u00e1bolas de Jesus. A &#8220;par\u00e1bola&#8221; \u00e9 uma imagem ou compara\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da qual se ilustra uma determinada mensagem ou ensinamento.<br \/>\nA linguagem parab\u00f3lica n\u00e3o foi inventada por Jesus. \u00c9 uma linguagem habitual na literatura dos povos do M\u00e9dio Oriente: o g\u00e9nio oriental gosta mais de falar e de instruir atrav\u00e9s de imagens, de compara\u00e7\u00f5es e de alegorias, do que atrav\u00e9s dos discursos l\u00f3gicos, frios e racionais, t\u00edpicos da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A linguagem parab\u00f3lica tem v\u00e1rias vantagens em rela\u00e7\u00e3o a um discurso mais l\u00f3gico e impositivo. Em primeiro lugar, porque a imagem ou compara\u00e7\u00e3o que caracteriza a linguagem parab\u00f3lica \u00e9 muito mais rica em for\u00e7a de comunica\u00e7\u00e3o e em poder de evoca\u00e7\u00e3o, do que a simples exposi\u00e7\u00e3o te\u00f3rica: \u00e9 mais profunda, mais carregada de sentido, mais evocadora e, por isso, mexe mais com os ouvintes. Em segundo lugar, porque \u00e9 uma excelente arma de controv\u00e9rsia: a linguagem figurada permite levar o interlocutor a admitir certos pontos que, de outro modo, nunca mereceriam a sua concord\u00e2ncia. Em terceiro lugar, porque \u00e9 um verdadeiro m\u00e9todo pedag\u00f3gico, que ensina as pessoas a refletir, a medir os pr\u00f3s e os contras, a encontrar solu\u00e7\u00f5es para os dilemas que a vida p\u00f5e: espica\u00e7a a curiosidade, incita \u00e0 busca, convida a descobrir a verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No cap\u00edtulo 13 do seu Evangelho, Mateus apresenta-nos sete par\u00e1bolas, atrav\u00e9s das quais Jesus revela aos disc\u00edpulos a realidade do &#8220;Reino&#8221;: s\u00e3o as &#8220;par\u00e1bolas do Reino&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessas sete par\u00e1bolas, tr\u00eas procedem da tradi\u00e7\u00e3o sin\u00f3ptica (o semeador, o gr\u00e3o de mostarda, o fermento); as outras quatro (o trigo e o joio, o tesouro escondido, a p\u00e9rola preciosa, a rede) n\u00e3o se encontram nem em Marcos, nem em Lucas. Provavelmente, s\u00e3o origin\u00e1rias da antiga fonte dos &#8220;ditos&#8221; de Jesus, que Mateus usou abundantemente na composi\u00e7\u00e3o do seu Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A preocupa\u00e7\u00e3o do evangelista Mateus \u00e9 sempre a vida da sua comunidade. Nestas sete par\u00e1bolas e na interpreta\u00e7\u00e3o que as acompanha, percebe-se a preocupa\u00e7\u00e3o de um pastor que procura exortar, animar, ensinar e fortalecer a f\u00e9 desses crentes a quem o Evangelho se destina. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refletir nas seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No seu &#8220;estado atual&#8221;, a par\u00e1bola do semeador e da semente \u00e9, sobretudo, um convite a reflectir sobre a import\u00e2ncia e o significado da Palavra de Jesus. \u00c9 verdade que, nas nossas comunidades crist\u00e3s, a Palavra de Jesus \u00e9 a refer\u00eancia fundamental, \u00e0 volta do qual se constr\u00f3i a vida da comunidade e dos crentes? Temos consci\u00eancia de que \u00e9 a Palavra anunciada, proclamada, meditada, partilhada, celebrada, que cria a comunidade e que a alimenta no dia a dia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A semente que caiu em terrenos duros, de terra batida, faz-nos pensar em cora\u00e7\u00f5es insens\u00edveis, ego\u00edstas, orgulhosos, onde n\u00e3o h\u00e1 lugar para a Palavra de Jesus e para os valores do &#8220;Reino&#8221;. \u00c9 a realidade de tantos homens e mulheres que veem no Evangelho um caminho para fracos e vencidos, e que preferem um caminho de independ\u00eancia e de autossufici\u00eancia, \u00e0 margem de Deus e das suas propostas. Este caminho de orgulho e de autossufici\u00eancia alguma vez foi &#8220;o meu caminho&#8221;?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A semente que caiu em s\u00edtios pedregosos, que brota nessa pequena camada de terra que a\u00ed h\u00e1, mas que morre rapidamente por falta de ra\u00edzes profundas, faz-nos pensar em cora\u00e7\u00f5es inconstantes, capazes de se entusiasmarem com o &#8220;Reino&#8221;, mas incapazes de suportarem as contrariedades, as dificuldades, as persegui\u00e7\u00f5es. \u00c9 a realidade de tantos homens e mulheres que veem em Jesus uma verdadeira proposta de salva\u00e7\u00e3o e que a ela aderem, mas que rapidamente perdem a coragem e entram num jogo de ced\u00eancias e de meias tintas quando s\u00e3o confrontados com a radicalidade do Evangelho. A Palavra de Deus \u00e9, para mim, uma realidade que eu levo a s\u00e9rio, ou algo que eu deixo cair quando me d\u00e1 jeito?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A semente que caiu entre os espinhos e que foi sufocada por eles, faz-nos pensar em cora\u00e7\u00f5es materialistas, comodistas, instalados, para quem a proposta do &#8220;Reino&#8221; n\u00e3o \u00e9 a prioridade fundamental. \u00c9 a realidade de tantos homens e mulheres que, sem rejeitarem a proposta de Jesus (muitas vezes s\u00e3o &#8220;muito religiosos&#8221; e t\u00eam &#8220;a sua f\u00e9&#8221;) fazem do dinheiro, do poder, da fama, do \u00eaxito profissional ou social o verdadeiro Deus a que tudo sacrificam. As propostas de Jesus s\u00e3o a refer\u00eancia fundamental \u00e0 volta da qual a minha vida se constr\u00f3i, ou deixo que outros interesses e valores sufoquem os valores do Evangelho?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A semente que caiu em boa terra e que deu fruto abundante faz-nos pensar em cora\u00e7\u00f5es sens\u00edveis e bons, capazes de aderirem \u00e0s propostas de Jesus e de embarcarem na aventura do &#8220;Reino&#8221;. \u00c9 a realidade de tantos homens e mulheres que encontraram na proposta de Jesus um caminho de liberta\u00e7\u00e3o e de vida plena e que, como Jesus, aceitam fazer da sua vida uma entrega a Deus e um dom aos homens. Este \u00e9 o quadro ideal do verdadeiro disc\u00edpulo; e \u00e9 esta a proposta que o Evangelho de hoje me faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A par\u00e1bola, na sua forma original (vers. 1-9) refere-se \u00e0 inevit\u00e1vel erup\u00e7\u00e3o do &#8220;Reino&#8221;, \u00e0 sua for\u00e7a e aos resultados maravilhosos que o &#8220;Reino&#8221; alcan\u00e7ar\u00e1&#8230; Com frequ\u00eancia, olhamos o mundo que nos rodeia e ficamos desanimados com o materialismo, a futilidade, os falsos valores que marcam a vida de muitos homens e mulheres do nosso tempo. Perguntamo-nos se vale a pena anunciar a proposta libertadora de Jesus num mundo que vive obcecado com as riquezas, com os prazeres, com os valores materiais&#8230; O Evangelho de hoje responde: &#8220;coragem! N\u00e3o desanimeis, pois, apesar do aparente fracasso, o &#8216;Reino&#8217; \u00e9 uma realidade impar\u00e1vel; e o resultado final ser\u00e1 algo de surpreendente, de maravilhoso, de inimagin\u00e1vel&#8221;. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 constitu\u00edda pela palavra dirigida por Deus ao Seu Povo e o discurso direto presente nesse texto \u00e9 uma longa frase com diversas ora\u00e7\u00f5es. Apesar de ser uma leitura breve e sem palavras de dif\u00edcil pronunciamento, exige especial cuidado nas pausas e articula\u00e7\u00e3o das diversas ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal como a primeira leitura, a dificuldade da <strong>segunda leitura<\/strong> reside nas frases longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es. A prepara\u00e7\u00e3o do texto deve ter em aten\u00e7\u00e3o a articula\u00e7\u00e3o das diversas frases para uma eficaz comunica\u00e7\u00e3o da mensagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/07\/11\/a-historia-do-grao-de-trigo\/\"><strong>A HIST\u00d3RIA DO GR\u00c3O DE\u00a0TRIGO<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a chuva rega o ch\u00e3o e faz germinar o p\u00e3o, assim a Palavra de Deus rega o cora\u00e7\u00e3o e faz germinar a convers\u00e3o, cumprindo assim a sua miss\u00e3o. \u00c9 a li\u00e7\u00e3o de Deus em Isa\u00edas 55,10-11, que, por gra\u00e7a, escutaremos neste Domingo XV do Tempo Comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brotar\u00e1 ent\u00e3o dos nossos l\u00e1bios a bela can\u00e7\u00e3o do Salmo 65, em que o nosso cora\u00e7\u00e3o se veste de festa e de primavera para enaltecer as maravilhas da cria\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m ela com rosto, e com rosto tenso, completamente voltado para Deus, porque tudo recebe de Deus, porque se recebe de Deus. A cria\u00e7\u00e3o com rosto, e com rosto completamente tendido para Deus, quase saindo fora do pesco\u00e7o, tal a intensidade da espera, \u00e9 uma imagem cunhada por Paulo com dois bel\u00edssimos termos gregos, ambos utilizados na li\u00e7\u00e3o deste Domingo da Carta aos Romanos 8,18-23, de que aqui transcrevemos os vers\u00edculos 18 e 19: \u00abPenso, de facto, que os sofrimentos do tempo presente n\u00e3o t\u00eam medida de compara\u00e7\u00e3o com a gl\u00f3ria que est\u00e1 para ser revelada (<em>apokalyphth\u00eanai<\/em>) em n\u00f3s. Com efeito, O ROSTO TENSO (<em>apo-kara-dok\u00eda<\/em>) da cria\u00e7\u00e3o (<em>t\u00eas kt\u00edseos<\/em>) a revela\u00e7\u00e3o (<em>apok\u00e1lypsis<\/em>) dos filhos de Deus ESPERA em tens\u00e3o RECEBER (<em>apekd\u00e9chetai<\/em>:\u00a0<em>ap\u00f2<\/em>\u00a0+\u00a0<em>ek<\/em>\u00a0+\u00a0<em>d\u00e9chomai<\/em>)\u00bb (Romanos 8,18-19).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro termo \u00e9\u00a0<em>apokaradok\u00eda<\/em>, de<em>\u00a0ap\u00f2<\/em>\u00a0+\u00a0<em>kara<\/em>\u00a0+\u00a0<em>dok\u00e9\u00f4<\/em>\u00a0[= fora de + cara (rosto) + esperar\/olhar atentamente], que s\u00f3 Paulo usa no Novo Testamento na Carta aos Romanos 8,19 e na Carta aos Filipenses 1,20, e que \u00e9 desconhecido no grego antes do Cristianismo. Traduz a atitude de quem se coloca em bicos de p\u00e9s, alongando o pesco\u00e7o o mais que pode, com \u00e2nsia extrema e intensa de tentar ver o que ainda n\u00e3o se v\u00ea. \u00c9 a atitude da esperan\u00e7a. E \u00e9 esperando assim que se apanha o \u00abtique\u00bb da esperan\u00e7a que, na l\u00edngua hebraica se diz\u00a0<em>tiqwah<\/em>! Diz bem o poeta da esperan\u00e7a: \u00abDif\u00edcil \u00e9 esperar, com humildade e paci\u00eancia. F\u00e1cil \u00e9 desesperar, e \u00e9 a grande tenta\u00e7\u00e3o\u00bb (Charles P\u00e9guy).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo termo \u00e9 o verbo\u00a0<em>apekd\u00e9chomai<\/em>, de\u00a0<em>ap\u00f2-ek-d\u00e9chomai<\/em>\u00a0[= fora de + desde + receber], usado 8 vezes no Novo Testamento, 6 das quais em Paulo (Romanos 8,19.23.25; 1 Cor\u00edntios 1,7; G\u00e1latas 5,5; Filipenses 3,20; ver tamb\u00e9m Hebreus 9,28; 1 Pedro 3,30), e desconhecido nos LXX, implica uma forte conota\u00e7\u00e3o de recep\u00e7\u00e3o, tens\u00e3o para receber a salva\u00e7\u00e3o de Deus \u2013 viver de (<em>ek<\/em>) receber e de se receber (<em>d\u00e9chomai<\/em>) de Deus (1 Cor\u00edntios 1,7), saindo de si (<em>ap\u00f3<\/em>) para se orientar completamente para Deus, tens\u00e3o para o dom, pois um dom n\u00e3o o podemos produzir com as nossas m\u00e3os; s\u00f3 o podemos receber de outras m\u00e3os. A esperan\u00e7a b\u00edblica e crist\u00e3 consiste na dupla atitude amante de estarmos sempre \u00e0 espera de Algu\u00e9m, e de sabermos bem que Algu\u00e9m espera por n\u00f3s. Espera, n\u00e3o vazia, mas gr\u00e1vida de realiza\u00e7\u00e3o e de confian\u00e7a: \u00abespera que cont\u00e9m a presen\u00e7a, pergunta que cont\u00e9m a resposta, esperan\u00e7a que cont\u00e9m o cumprimento\u00bb (Karl Barth).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este Domingo XV traz-nos tamb\u00e9m a gra\u00e7a de podermos come\u00e7ar a escutar o Discurso das Par\u00e1bolas de Jesus, que preenche todo o Cap\u00edtulo 13 do Evangelho segundo Mateus, e que constitui mesmo o centro deste Evangelho. Este Cap\u00edtulo 13 \u00e9 constitu\u00eddo por sete par\u00e1bolas: da semente (13,1-23), do trigo e da ciz\u00e2nia (13,24-30), do gr\u00e3o de mostarda (13,31-32), do fermento (13,33), do tesouro escondido no campo (13,44), da p\u00e9rola (13,45-46) e da rede (13,47-50). Ao contr\u00e1rio da nossa tend\u00eancia para decis\u00f5es r\u00e1pidas, do nosso gosto de coisas claras e distintas, imponentes e concludentes, salta \u00e0 vista a lentid\u00e3o (semente e fermento), a espera, a paci\u00eancia e a toler\u00e2ncia (semente, trigo e ciz\u00e2nia, e rede), a pequenez (semente, gr\u00e3o de mostarda e fermento), a riqueza diferente, que n\u00e3o se pode trocar por nada (tesouro escondido e p\u00e9rola).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A chamada \u00abpar\u00e1bola do semeador\u00bb ou \u00abda semente\u00bb, que ouvimos neste Domingo XV (Mateus 13,1-23), segue o esquema \u00ab3 + 1\u00bb [caminho, terreno pedregoso, espinhos + terra boa], que p\u00f5e em destaque o quarto elemento, a terra boa. O pr\u00f3prio modelo ou esquema \u00e9 j\u00e1, de per si, ilustrativo, duplamente ilustrativo, pois coloca diante dos nossos olhos um mapa de situa\u00e7\u00f5es diferentes e falsas, as tr\u00eas primeiras, para depois, finalmente, deixar diante de n\u00f3s, a situa\u00e7\u00e3o boa e verdadeira; fazendo este percurso pedag\u00f3gico, somos ainda obrigados a esperar at\u00e9 ao fim para ver o correto e lento percurso desde a sementeira [novembro\/dezembro] at\u00e9 \u00e0 colheita [abril\/maio]. \u00c9 mesmo dito, na par\u00e1bola, pedagogicamente, contra a nossa tenta\u00e7\u00e3o da rapidez, do \u00abpronto-a-vestir\u00bb, do \u00abpronto-a-comer\u00bb, etc., que a semente que germina depressa seca depressa:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abOutras, por\u00e9m, ca\u00edram em terrenos pedregosos, onde n\u00e3o havia muita terra, e brotaram logo (<em>euth\u00e9\u00f4s<\/em>) por a terra n\u00e3o ter profundidade; mas, ao nascer o sol, foram queimadas, e, por n\u00e3o terem raiz, secaram\u00bb (13,5-6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mesma pressa soa por duas vezes na explica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abO semeado sobre os terrenos pedregosos \u00e9 o que escuta a palavra e logo (<em>euth\u00fds<\/em>) a recebe com alegria; n\u00e3o tem, por\u00e9m, raiz em si mesmo. \u00c9 inconstante. Quando surge uma tribula\u00e7\u00e3o ou uma persegui\u00e7\u00e3o por causa da palavra, logo (<em>euth\u00fds<\/em>) se escandaliza\u00bb (13,20-21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A semente \u00e9 coisa bem pequenina. \u00c9 o que h\u00e1 de mais pequeno. Mas, uma vez ca\u00edda \u00e0 terra, dar\u00e1 o gr\u00e3o e o p\u00e3o. Ca\u00edda \u00e0 terra, morre para nascer de outra maneira. \u00c9 a Paix\u00e3o. Da semente \u00e0 Paix\u00e3o e ao P\u00e3o: \u00e9 todo o processo ou par\u00e1bola de JESUS a passar diante dos nossos olhos at\u00f3nitos! Portanto, se n\u00e3o entendemos a semente, o in\u00edcio do processo, como entenderemos o inteiro processo? (cf. Marcos 4,13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a correta compreens\u00e3o das par\u00e1bolas de Jesus, ou da par\u00e1bola que \u00e9 Jesus, importa ler atentamente a miss\u00e3o e li\u00e7\u00e3o de Isa\u00edas, que, de resto, Jesus faz sua, citando-o (cf. Mateus 13,14-15). Trata-se de uma estranha miss\u00e3o, aparentemente votada ao fracasso. Transcrevemos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abEle disse: \u201cVai e diz a este povo: escutai escutando, e n\u00e3o compreendereis; vede vendo, e n\u00e3o conhecereis. Engorda o cora\u00e7\u00e3o deste povo, torna-lhe pesados os ouvidos, gruda-lhe os olhos, para que n\u00e3o veja com os seus olhos, e n\u00e3o oi\u00e7a com os seus ouvidos, e n\u00e3o compreenda com o seu cora\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o se converta e n\u00e3o seja curado\u201d (<em>rapha\u2019<\/em>). E eu disse: \u201cAt\u00e9 quando, Senhor?\u201d Ele disse: \u201cAt\u00e9 que fiquem desertas as cidades, sem habitantes, e as casas sem gente, e a terra deserta e desolada, e YHWH remova para longe a gente, e muita solid\u00e3o no interior do pa\u00eds. E se ficar nele ainda um d\u00e9cimo, ser\u00e1 por sua vez lan\u00e7ado ao fogo, como o carvalho e o terebinto que s\u00e3o abatidos, ficando l\u00e1 apenas um\u00a0<em>toco<\/em>\u00a0(<em>matstsebet<\/em>).\u00a0<em>Semente santa<\/em>\u00a0(<em>zera\u2018 qodesh<\/em>) \u00e9 esse\u00a0<em>toco<\/em>\u00a0(<em>matstsebet<\/em>)\u201d\u00bb (Is 6,9-13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esta a verdadeira par\u00e1bola da palavra e do profeta e de Jesus. S\u00f3 caindo \u00e0 terra, como a semente, dar\u00e1 fruto (cf. Jo\u00e3o 12,24). Desiludam-se os que pensam e dizem que Jesus fala em par\u00e1bolas para que todos possam compreender. Na verdade, segundo o pr\u00f3prio dizer de Jesus, Ele fala em par\u00e1bolas para que, de acordo com a li\u00e7\u00e3o de Isa\u00edas acima transcrita, \u00abvejam sem ver e oi\u00e7am sem ouvir\u00bb (Mateus 13,13). \u00c9, na verdade, o que acontece. Os pr\u00f3prios disc\u00edpulos est\u00e3o sempre a pedir explica\u00e7\u00f5es (cf. Mateus 13,36; Marcos 4,10). E s\u00f3 a eles Jesus explica tudo devagar (cf. Marcos 4,34).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, a par\u00e1bola que \u00e9 Jesus passa despercebida \u00e0s multid\u00f5es, e at\u00e9 os seus disc\u00edpulos saem de cena desconcertados (cf. Marcos 14,50). Poucos chegar\u00e3o a ver e a compreender que Jesus \u00e9 a semente que cai \u00e0 terra e morre para viver e fazer viver. Poucos chegar\u00e3o a ver e a compreender que Jesus \u00e9 o \u00abtoco seco\u00bb, que \u00e9 uma semente santa, vinda de Deus e por Deus semeada. E que dar\u00e1 muito fruto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o gr\u00e3o de trigo, que cai na terra,<br \/>\nN\u00e3o morrer de alegria,<br \/>\nFica sozinho e triste,<br \/>\nE morre de desgosto<br \/>\nE solid\u00e3o<br \/>\nE fogo posto.<br \/>\nMas se morrer de alegria,<br \/>\nDar\u00e1 muito fruto,<br \/>\nE ver\u00e1 longos dias,<br \/>\nCheios de alegrias<br \/>\nE novas melodias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa mesa encher-se-\u00e1 de p\u00e3o,<br \/>\nE vir\u00e3o<br \/>\nOs pardais e as cotovias<br \/>\nPartilhar a nossa refei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 bom, como \u00e9 belo,<br \/>\nViverem unidos os irm\u00e3os,<br \/>\nSentados \u00e0 beira da torrente<br \/>\nDa paz e da alegria,<br \/>\n\u00c0 beira da nascente<br \/>\nDe onde nasce o dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aben\u00e7oa, Senhor, o nosso cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\nEstende, com a tua m\u00e3o,<br \/>\nUma toalha branca \u00e0 nossa mesa,<br \/>\nE senta-te connosco,<br \/>\n\u00c0 volta da tua lareira sempre acesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 bom estarmos aqui, Senhor,<br \/>\nMesmo sem tendas levantadas,<br \/>\nBasta-nos o teu amor<br \/>\nE as nossas m\u00e3os nas tuas entran\u00e7adas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Leitura-I-do-Domingo-XV-do-Tempo-Comum-Ano-A-16.07.2023-Is-55-10-11.pdf\">Leitura I do Domingo XV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 16.07.2023 (Is 55, 10-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Leitura-II-do-Domingo-XV-do-Tempo-Comum-Ano-A-16.07.2023-Rom-8-18-23.pdf\">Leitura II do Domingo XV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 16.07.2023 (Rom 8, 18-23)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Domingo-XV-do-Tempo-Comum-Ano-A-16.07.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 16.07.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Domingo-XV-do-Tempo-Comum-Ano-A-16.07.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 16.07.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XIV do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 09.07.2023&#8243; tab_id=&#8221;1689589261460-0e751a2b-daeb&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XIV do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 09.07.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em><sup>28<\/sup><\/em><\/strong><strong><em>Vinde a mim, todos os que estais fatigados e oprimidos, e eu vos darei descanso.\u00a0<sup>29<\/sup>Tomai sobre v\u00f3s o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o, e encontrareis descanso para as vossas vidas,\u00a0<sup>30<\/sup>pois o meu jugo \u00e9 suave e o meu fardo \u00e9 leve\u00bb. Mt 11, 28-30<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Domingo-XIV.jpg\" alt=\"\" width=\"689\" height=\"345\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ouvimos muitas vezes dizer que a Boa Not\u00edcia que o Evangelho nos traz aparece em clara contracorrente com aquilo que s\u00e3o as nossas pretens\u00f5es humanas e aquilo que o mundo apresenta como modelo e paradigma. Contudo, importa n\u00e3o fazer destas palavras um mero refr\u00e3o ou\u00a0<em>slogan\u00a0<\/em>a repetir, mas procurar compreender como o Evangelho nos desinstala e nos desafia a moldar a nossa exist\u00eancia a partir da beleza e da exig\u00eancia das palavras de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser \u00ab<em>s\u00e1bio e inteligente<\/em>\u00bb, aparecer nas primeiras p\u00e1ginas dos jornais e revistas, ocupar lugares de destaque social e eclesial s\u00e3o pretens\u00f5es muito humanas e que facilmente conseguimos identificar em tantas pessoas que conhecemos. Por\u00e9m, antes de tudo, \u00e9 necess\u00e1rio que o nosso modo de olhar o mundo e a realidade n\u00e3o nos descarte do cen\u00e1rio que analisamos. Somos parte integrante deste mundo que nos educa para sermos os vencedores, os mais bem-sucedidos, os primeiros e os que se destacam dos demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em contracorrente aparece Jesus, que diante da incredulidade de Corazim, Betsaida e Cafarnaum, entra em ora\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo com Deus. Invocando-O como\u00a0<em>Abb\u00e1,\u00a0<\/em>Pai, ensina-nos a dirigir a Deus, estabelecendo um col\u00f3quio \u00edntimo e pr\u00f3ximo com Aquele que sabemos que nos ama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus louva e bendiz o Pai porque o segredo de uma vida feliz e realizada reside na pequenez evang\u00e9lica daqueles que reconhecem que a sua fragilidade n\u00e3o \u00e9 um obst\u00e1culo ao amor e \u00e0 gra\u00e7a de Deus, mas precisamente o lugar onde eles atuam. A nossa pequenez feita ora\u00e7\u00e3o confiante ao Pai, ao jeito de Jesus, transforma-se em confian\u00e7a e renova no nosso cora\u00e7\u00e3o a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus n\u00e3o rejeita a sabedoria e a intelig\u00eancia, nem est\u00e1 de modo algum a exortar-nos \u00e0 baixa autoestima ou ao menosprezo das nossas capacidades e qualidades. Pelo contr\u00e1rio, desafia-nos a colocar as nossas capacidades e qualidades ao servi\u00e7o do Reino, cultivando no nosso cora\u00e7\u00e3o a verdadeira sabedoria e intelig\u00eancia que n\u00e3o se traduz na acumula\u00e7\u00e3o de muitos conhecimentos, mas na sublime arte de colocar em pr\u00e1tica aquilo que aprendemos na alegria nova que apenas o servi\u00e7o por amor nos pode oferecer. \u00c9 a vida segundo o Esp\u00edrito a que nos exorta S. Paulo, convidando-nos a fazer da nossa humanidade o substrato onde a gra\u00e7a atua e nos permite entrar em comunh\u00e3o com Deus. Tamb\u00e9m Jesus assumindo a nossa humanidade n\u00e3o a desprezou, mas fez dela lugar de comunh\u00e3o e intimidade com o Pai. Aquele que foi enviado pelo Pai, que \u00e9 conhecido por Ele e que O conhece \u00e9 Aquele que nos revela o Seu rosto terno e misericordioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre v\u00f3s o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o, e encontrareis descanso para as vossas almas<\/em>\u00bb. Nestas palavras de Jesus encontramos o itiner\u00e1rio discipular que somos chamados a percorrer. Antes de mais somos chamados: \u00ab<em>vinde a mim<\/em>\u00bb. Jesus conhece as nossas canseiras e dificuldades, as nossas fragilidades e limita\u00e7\u00f5es, mas chama-nos e convida-nos a encontrar for\u00e7a e alento no Seu cora\u00e7\u00e3o manso e humilde. Oferece-nos o Seu cora\u00e7\u00e3o como escola da arte de amar. Curiosamente, esta \u00e9 a \u00fanica passagem evang\u00e9lica em que Jesus nos diz claramente \u00ab<em>aprendei de Mim<\/em>\u00bb e junta-lhe \u00ab<em>que sou manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o<\/em>\u00bb. Mansid\u00e3o e humildade ser\u00e3o caminho seguro para acolher a grandeza e a for\u00e7a do Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, como disc\u00edpulos somos chamados a afinar o nosso cora\u00e7\u00e3o com o cora\u00e7\u00e3o do Mestre, para que tamb\u00e9m as nossas vidas se tornem lugar de an\u00fancio da beleza do amor de Deus e se constituam como lugares de acolhimento, disponibilidade e conforto para quantos caminham cansados e atribulados os trilhos da hist\u00f3ria<strong><em>. i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00eas de julho na nossa diocese do Porto marca a celebra\u00e7\u00e3o dos anivers\u00e1rios de ordena\u00e7\u00e3o de muitos dos nossos presb\u00edteros. Este ano as ordena\u00e7\u00f5es ser\u00e3o no dia 9 de julho e ser\u00e3o ordenados, na S\u00e9 do Porto, quatro presb\u00edteros e um di\u00e1cono para o servi\u00e7o da nossa diocese e alguns religiosos que se associar\u00e3o \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o. Esta ocasi\u00e3o \u00e9 oportunidade para dar gra\u00e7as a Deus pelo dom do minist\u00e9rio presbiteral, invocando sobre aqueles que v\u00e3o ser ordenados o dom do Esp\u00edrito Santo. Nas comunidades paroquiais pode tamb\u00e9m ser oportuno a realiza\u00e7\u00e3o de uma vig\u00edlia de ora\u00e7\u00e3o ou alguma atividade vocacional com os jovens ou adolescentes, propondo o minist\u00e9rio ordenado como caminho de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade, servindo a Igreja e o mundo.<strong><em> i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013<\/strong> <strong>Zac 9,9-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abExulta de alegria, filha de Si\u00e3o, solta brados de j\u00fabilo, filha de Jerusal\u00e9m\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro de Zacarias \u00e9 um livro prof\u00e9tico com catorze cap\u00edtulos. Atualmente, os estudiosos da B\u00edblia s\u00e3o un\u00e2nimes em reconhecer que entre os oito primeiros cap\u00edtulos e os restantes h\u00e1 uma diferen\u00e7a t\u00e3o grande em contextos, estilo, vocabul\u00e1rio e tem\u00e1tica, que devemos falar de dois livros em um e de dois autores diversos. Dado que n\u00e3o conhecemos o nome do autor do segundo livro (cap\u00edtulos 9-14), convencionou-se chamar-lhe o &#8220;Deutero-Zacarias&#8221;. \u00c9 ao &#8220;Deutero-Zacarias&#8221; que pertence este texto que hoje nos \u00e9 proposto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em que \u00e9poca foram escritos esses textos atribu\u00eddos ao Deutero-Zacarias? As opini\u00f5es s\u00e3o divergentes; no entanto, a maioria dos comentadores coloca estes or\u00e1culos no final do s\u00e9c. IV ou princ\u00edpios do s\u00e9c. III a.C. O ambiente \u00e9 claramente p\u00f3s-ex\u00edlico. O contexto parece revelar a \u00e9poca posterior \u00e0s vit\u00f3rias de Alexandre da Maced\u00f3nia, quando o Povo de Deus estava integrado no imp\u00e9rio hel\u00e9nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro do &#8220;segundo Zacarias&#8221; est\u00e1 marcado por um forte acento messi\u00e2nico. Refere-se, com frequ\u00eancia, \u00e0 figura do Messias, apresentado como rei, como pastor e como servo do Senhor. Na primeira parte (cf. Zac 9,1-11,7), o profeta anuncia a interven\u00e7\u00e3o definitiva de Deus em favor do seu Povo, na figura do Messias; na segunda parte (cf. Zac 12,1-14,21), os or\u00e1culos descrevem a salva\u00e7\u00e3o e a gl\u00f3ria futura de Jerusal\u00e9m. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, considerar os seguintes pontos<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, o Deutero-Zacarias deixa clara a preocupa\u00e7\u00e3o de Deus com a salva\u00e7\u00e3o do seu Povo. Na fase em que o profeta leva a cabo a sua miss\u00e3o, o Povo de Deus conhece uma relativa tranquilidade; mas \u00e9 um Povo subjugado, manipulado, impedido de escolher livremente o seu destino e de construir o seu futuro. \u00c9 nesse contexto que o profeta anuncia a chegada de um rei &#8220;justo e salvador&#8221;, que vem ao encontro do Povo para o libertar e para lhe oferecer a paz (&#8220;shalom&#8221; &#8211; no sentido de harmonia, bem-estar, felicidade plena). Ora, Deus n\u00e3o perdeu qualidades, nem mudou a sua ess\u00eancia. O Deus que assim atuou ontem \u00e9 o Deus que assim atua hoje e que assim atuar\u00e1 sempre. Ao longo da nossa caminhada de todos os dias, fazemos frequentemente a experi\u00eancia do desencanto, da frustra\u00e7\u00e3o, da priva\u00e7\u00e3o de liberdade. Sentimo-nos, tantas vezes, perdidos, sem esperan\u00e7a, incapazes de tomar nas m\u00e3os o nosso futuro e de dar um sentido \u00e0 nossa vida&#8230; Nessas circunst\u00e2ncias, somos convidados a redescobrir esse Deus que vem ao nosso encontro, que restaura a nossa esperan\u00e7a e nos oferece a paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma certa vis\u00e3o &#8220;americanizada&#8221; do mundo e da vida defende a necessidade de armar ex\u00e9rcitos formid\u00e1veis, de gastar uma consider\u00e1vel fatia do or\u00e7amento das na\u00e7\u00f5es em instrumentos de morte cada vez mais sofisticados, para impor, pela for\u00e7a e pelo medo, a paz e a seguran\u00e7a do mundo. O Deutero-Zacarias diz-nos que a l\u00f3gica de Deus \u00e9 outra: Ele chega desarmado, pac\u00edfico, humilde, sem arrog\u00e2ncia e \u00e9, dessa forma, que Ele salva e liberta os homens. Para mim, qual faz mais sentido: a l\u00f3gica desarmada de Deus ou a l\u00f3gica musculada dos senhores do mundo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o mostrou, muitas vezes, que \u00e9 atrav\u00e9s dos pequenos, dos humildes, dos pobres, dos insignificantes que Deus atua no mundo e o transforma. Deus est\u00e1 mais na vi\u00fava que lan\u00e7a no tesouro do Templo umas pobres moedas do que no capitalista que preenche um cheque chorudo para pagar os vitrais da nova igreja da par\u00f3quia; Deus est\u00e1 mais no gesto simples do pacifista que oferece uma flor a um soldado do que na viol\u00eancia daqueles que lutam de armas na m\u00e3o contra os &#8220;maus&#8221;; Deus est\u00e1 mais no olhar l\u00edmpido de uma crian\u00e7a do que na palavra poderosa de um pregador inflamado que &#8220;sabe tudo&#8221; sobre Deus&#8230; J\u00e1 aprendi a descobrir esse Deus que se manifesta na humildade, na pobreza, na simplicidade? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <em>\u2013 <\/em><\/strong><strong>Salmo\u00a0144 (145)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: Louvarei para sempre o vosso nome, Senhor, meu Deus e meu Rei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Rom 8,9.11-13<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEle, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, tamb\u00e9m dar\u00e1 vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Esp\u00edrito que habita em v\u00f3s\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos a ler a Carta aos Romanos. Ela apresenta-nos um Paulo amadurecido que, depois de v\u00e1rios anos de incans\u00e1vel trabalho mission\u00e1rio, exp\u00f5e, de forma serena, a sua reflex\u00e3o sobre a salva\u00e7\u00e3o (numa altura em que a quest\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o era uma quest\u00e3o teol\u00f3gica &#8220;quente&#8221;: os judeo-crist\u00e3os acreditavam que, para chegar \u00e0 salva\u00e7\u00e3o, era preciso continuar a cumprir a Lei de Mois\u00e9s; e os judeo-pag\u00e3os n\u00e3o manifestavam nenhuma vontade de se submeter aos ritos da Lei judaica).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na perspetiva de Paulo, a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 um dom n\u00e3o merecido (porque todos vivem mergulhados no pecado &#8211; cf. Rom 1,18-3,20), que Deus oferece por pura bondade aos homens, a todos os homens (cf. Rom 3,1-5,11). Essa salva\u00e7\u00e3o chega-nos atrav\u00e9s de Jesus Cristo (cf. Rom 5,12-8,39); e atua em n\u00f3s pelo Esp\u00edrito (cf. Rom 8,1-39).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto faz parte de um cap\u00edtulo em que Paulo reflete sobre a vida no Esp\u00edrito. O pensamento teol\u00f3gico de Paulo atinge aqui um dos seus pontos culminantes: todos os grandes temas paulinos (o projeto salvador de Deus em favor dos homens; a a\u00e7\u00e3o libertadora de Cristo, atrav\u00e9s da sua vida de doa\u00e7\u00e3o, da sua morte e da sua ressurrei\u00e7\u00e3o; a nova vida que faz dos crentes Homens Novos e os torna filhos de Deus) se cruzam aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito aparece como o elemento fundamental que d\u00e1 unidade a toda esta reflex\u00e3o. Ele est\u00e1 presente por detr\u00e1s desse projeto salvador que Deus tem em favor do homem e do qual Paulo n\u00e3o se cansa de dar testemunho.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o poder\u00e1 ter em conta as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 luz dos crit\u00e9rios que hoje presidem \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do mundo, a vida de Jesus foi um rotundo fracasso. Ele nunca desempenhou qualquer cargo p\u00fablico nem teve jamais conta num banco qualquer; mas viveu na simplicidade, na humildade, no servi\u00e7o, sem ter para si pr\u00f3prio uma pedra onde reclinar a cabe\u00e7a. Ele nunca foi apoiado pelos &#8220;cabe\u00e7as pensantes&#8221; da sua terra; apenas foi escutado pela gente humilde, marginalizada, condenada a uma situa\u00e7\u00e3o de escravid\u00e3o, de pobreza, de debilidade. Ele nunca se proclamou chefe de um movimento popular; apenas ensinou, \u00e0queles que O seguiam, que Deus os ama e que quer fazer deles seus filhos. Ele nunca se sentou num trono, a dar ordens e a distribuir benesses; mas foi abandonado por todos, condenado a uma morte infame e pregado numa cruz. No entanto, Ele venceu a morte e recebeu de Deus a vida plena e definitiva. Paulo diz aos crentes a quem escreve: n\u00e3o vos preocupeis com aqueles valores a que o mundo chama \u00eaxito, realiza\u00e7\u00e3o, felicidade; mas tende a coragem de gastar a vida do mesmo jeito de Jesus, a fim de encontrardes a vossa realiza\u00e7\u00e3o plena, a vida definitiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo ensina que a vida &#8220;segundo a carne&#8221; gera morte; e que a vida &#8220;segundo o Esp\u00edrito&#8221; gera vida. O que \u00e9 viver &#8220;segundo a carne&#8221;? Olhando para o mundo e para a vida da Igreja, quais s\u00e3o os sintomas que eu noto da vida &#8220;segundo a carne&#8221;? O que \u00e9 viver &#8220;segundo o Esp\u00edrito&#8221;? Olhando para o mundo e para a vida da Igreja, quais s\u00e3o os sintomas que eu noto da vida &#8220;segundo o Esp\u00edrito&#8221;?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O crist\u00e3o tem de viver &#8220;segundo o Esp\u00edrito&#8221;. \u00c9 desse jeito que eu vivo? Estou aberto \u00e0 a\u00e7\u00e3o renovadora e libertadora do Esp\u00edrito que recebi no dia do meu Batismo? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO &#8211; <\/strong><strong>Mt 11,25-30<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEu Te bendigo, \u00f3 Pai, Senhor do c\u00e9u e da terra porque escondeste estas verdades aos s\u00e1bios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abVinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre v\u00f3s o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o &#8220;discurso da miss\u00e3o&#8221; e o envio dos disc\u00edpulos ao mundo para continuarem a obra libertadora de Jesus (cf. Mt 9,36-11,1), Mateus coloca no seu esquema de Evangelho uma sec\u00e7\u00e3o sobre as rea\u00e7\u00f5es e as atitudes que as v\u00e1rias pessoas e grupos tomam frente a Jesus e \u00e0 sua proposta de &#8220;Reino&#8221; (cf. Mt 11,2-12,50). O nosso texto integra esta sec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos vers\u00edculos anteriores ao texto que nos \u00e9 hoje proposto (cf. Mt 11,20-24), Jesus havia dirigido uma veemente cr\u00edtica aos habitantes de algumas cidades situadas \u00e0 volta do lago de Tiber\u00edades (Corozaim, Betsaida, Cafarnaum), porque foram testemunhas da sua proposta de salva\u00e7\u00e3o e mantiveram-se indiferentes. Estavam demasiado cheios de si pr\u00f3prios, instalados nas suas certezas, calcificados nos seus preconceitos e n\u00e3o aceitavam questionar-se, a fim de abrir o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 novidade de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, Jesus manifesta-Se convicto de que essa proposta rejeitada pelos habitantes das cidades do lago encontrar\u00e1 acolhimento entre os pobres e marginalizados, desiludidos com a religi\u00e3o &#8220;oficial&#8221; e que anseiam pela liberta\u00e7\u00e3o que Deus tem para lhes oferecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto consta de tr\u00eas &#8220;senten\u00e7as&#8221; que, provavelmente, foram pronunciadas em ambientes diversos deste que Mateus nos apresenta. Dois desses &#8220;ditos&#8221; (cf. Mt 11,25-27) aparecem tamb\u00e9m em Lucas (cf. Lc 10,21-22) e devem provir de um documento que reuniu os &#8220;ditos&#8221; de Jesus e que tanto Mateus como Lucas utilizaram na composi\u00e7\u00e3o dos seus evangelhos. O terceiro (cf. Mt 11,28-30) \u00e9 exclusivo de Mateus e deve provir de uma fonte pr\u00f3pria.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, considerar os seguintes desenvolvimentos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, os crit\u00e9rios de Deus s\u00e3o bem estranhos, vistos de c\u00e1 de baixo, com as lentes do mundo&#8230; N\u00f3s, homens, admiramos e incensamos os s\u00e1bios, os inteligentes, os intelectuais, os ricos, os poderosos, os bonitos e queremos que sejam eles (&#8220;os melhores&#8221;) a dirigir o mundo, a fazer as leis que nos governam, a ditar a moda ou as ideias, a definir o que \u00e9 correto ou n\u00e3o \u00e9 correto. Mas Deus diz que as coisas essenciais s\u00e3o muito mais depressa percebidas pelo &#8220;pequeninos&#8221;: s\u00e3o eles que est\u00e3o sempre dispon\u00edveis para acolher Deus e os seus valores e para arriscar nos desafios do &#8220;Reino&#8221;. Quantas vezes os pobres, os pequenos, os humildes s\u00e3o ridicularizados, tratados como incapazes, pelos nossos &#8220;iluminados&#8221; fazedores de opini\u00e3o, que tudo sabem e que procuram impor ao mundo e aos outros as suas vis\u00f5es pessoais e os seus pseudovalores&#8230; A Palavra de Deus ensina: a sabedoria e a intelig\u00eancia n\u00e3o garantem a posse da verdade; o que garante a posse da verdade \u00e9 ter um cora\u00e7\u00e3o aberto a Deus e \u00e0s suas propostas (e com frequ\u00eancia, com muita frequ\u00eancia, s\u00e3o os pobres, os humildes, os pequenos que &#8220;sintonizam&#8221; com Deus e que acolhem essa verdade que Ele quer oferecer aos homens para os levar \u00e0 vida em plenitude).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 que chegamos a Deus? Como percebemos o seu &#8220;rosto&#8221;? Como fazemos uma experi\u00eancia \u00edntima e profunda de Deus? \u00c9 atrav\u00e9s da filosofia? \u00c9 atrav\u00e9s de um discurso racional coerente? \u00c9 passando todo o tempo dispon\u00edvel na igreja a mudar as toalhas dos altares? O Evangelho responde: &#8220;conhecemos&#8221; Deus atrav\u00e9s de Jesus. Jesus \u00e9 &#8220;o Filho&#8221; que &#8220;conhece&#8221; o Pai; s\u00f3 quem segue Jesus e procura viver como Ele (no cumprimento total dos planos de Deus) pode chegar \u00e0 comunh\u00e3o com o Pai. H\u00e1 crentes que, por terem feito catequese, por irem \u00e0 missa ao domingo e por fazerem parte do conselho pastoral da par\u00f3quia, acham que conhecem Deus (isto \u00e9, que t\u00eam com Ele uma rela\u00e7\u00e3o estreita de intimidade e comunh\u00e3o) &#8230; Aten\u00e7\u00e3o: s\u00f3 &#8220;conhece&#8221; Deus quem \u00e9 simples e humilde e est\u00e1 disposto a seguir Jesus no caminho da entrega a Deus e da doa\u00e7\u00e3o da vida aos homens. \u00c9 no seguimento de Jesus &#8211; e s\u00f3 a\u00ed &#8211; que nos tornamos &#8220;filhos&#8221; de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como nos situamos face a Deus e \u00e0 proposta que Ele nos apresenta em Jesus? Ficamos fechados no nosso comodismo e instala\u00e7\u00e3o, no nosso orgulho e autossufici\u00eancia, sem vontade de arriscar e de p\u00f4r em causa as nossas seguran\u00e7as, ou estamos abertos e atentos \u00e0 novidade de Deus, a fim de perceber as suas propostas e seguir os seus caminhos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cristo quis oferecer aos pobres, aos marginalizados, aos pequenos, a todos aqueles que a Lei escravizava e oprimia, a liberta\u00e7\u00e3o e a esperan\u00e7a. Os pobres, os d\u00e9beis, os marginalizados, aqueles que n\u00e3o encontram lugar \u00e0 mesa do banquete onde se re\u00fanem os ricos e poderosos, continuam a encontrar &#8211; no testemunho dos disc\u00edpulos de Jesus &#8211; essa proposta de liberta\u00e7\u00e3o e de esperan\u00e7a? A Igreja d\u00e1 testemunho da proposta libertadora de Jesus para os pobres? Como \u00e9 que os pequenos e humildes s\u00e3o acolhidos nas nossas comunidades? Como \u00e9 que acolhemos aqueles que t\u00eam comportamentos social ou religiosamente incorretos? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A proclama\u00e7\u00e3o da <strong>primeira leitura<\/strong> deve ser marcada pelo tom alegre e feliz de quem comunica uma boa not\u00edcia, convidando ao j\u00fabilo e ao louvor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> apesar de n\u00e3o apresentar nenhuma dificuldade aparente na sua proclama\u00e7\u00e3o requer uma acurada prepara\u00e7\u00e3o nas pausas e respira\u00e7\u00f5es e sobretudo nas frases condicionais presentes no texto para uma eficaz transmiss\u00e3o da mensagem<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/07\/04\/a-grandeza-dos-pequeninos\/\"><strong>A GRANDEZA DOS\u00a0PEQUENINOS!<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As poucas linhas do Evangelho deste Domingo XIV do Tempo Comum, retiradas de Mateus 11,25-30, guardam o segredo mais inteiro de Jesus. H\u00e1 quem considere estas breves linhas como o mais belo e importante dizer de Jesus nos Evangelhos Sin\u00f3pticos (A. M. Hunter). Na verdade, estas linhas leves e ledas como asas guardam o segredo mais inteiro de Jesus, o seu tesouro mais profundo, o tesouro ou a pedra preciosa da par\u00e1bola (Mateus 13,44-46), preciosa e firme, porque leve e suave como uma almofada, onde Jesus pode reclinar tranquilamente a cabe\u00e7a (Jo\u00e3o 1,18), e tranquilamente conduzir, dormindo mansamente \u00e0 popa, a nossa barca no meio deste mar encapelado (Marcos 4,38). Nos l\u00e1bios de Jesus, chama-se \u00abPAI\u00bb (Mateus 11,25) este lugar seguro e manso, doce e apraz\u00edvel, que acolhe os pequeninos (<em>n\u00eapioi<\/em>), os senta sobre os seus joelhos, lhes conta a sua hist\u00f3ria mais bela, e lhes afaga o rosto com ternura. Diz bem Santo Agostinho que \u00abo peso de Cristo \u00e9 t\u00e3o leve que levanta, como o peso das asas para os passarinhos!\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abEu Te bendigo, \u00f3 Pai, Senhor do c\u00e9u e da terra, porque escondeste estas coisas aos s\u00e1bios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos (<em>n\u00e9pioi<\/em>)\u00bb (Mateus 11,25). Sim, aos pequeninos, grego\u00a0<em>n\u00e9pioi<\/em>, que em sonoridade portuguesa daria \u00abn\u00e9pias\u00bb, nada, nenhuma ci\u00eancia, nenhum poder, nenhum valor aut\u00f3nomo. \u00d3 abismo da sabedoria dos pequeninos, daqueles que nada podem fazer sozinhos, mas que sabem confiar, e sabem que podem confiar, e sabem em quem confiar (cf. 2 Tim\u00f3teo 2,12). \u00c9 sobre os pequeninos que recai toda a aten\u00e7\u00e3o de Jesus, que, de resto, voluntariamente se confunde com eles, pois diz: \u00abTodas as vezes que fizestes isto (ou o deixastes de fazer) a \u201cum destes meus irm\u00e3os, os mais pequeninos\u201d (<em>hen\u00ec to\u00fat\u00f4n t\u00f4n adelph\u00f4n mou t\u00f4n elach\u00edst\u00f4n<\/em>), foi a Mim que o fizestes (ou o deixastes de fazer)\u00bb (Mateus 25,40 e 45). E, no ritual do Batismo, s\u00e3o estes os dizeres que acompanham a entrega da vela acesa aos pais e padrinhos da crian\u00e7a batizada: \u00aba v\u00f3s, pais e padrinhos, se confia o encargo de velar por esta luz, para que estes pequeninos, iluminados por Cristo\u2026\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abre-se aqui um dos mais belos fios de ouro da espiritualidade crist\u00e3, habitualmente denominado por \u00abinf\u00e2ncia espiritual\u00bb, o \u00abpequeno caminho\u00bb, \u00abo permanecer pequeno\u00bb, \u00abo estar nos bra\u00e7os de Jesus\u00bb, que Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897) exalta na sua \u00abHist\u00f3ria de uma alma\u00bb, que tem a sua nascente mais funda naquela maravilha que \u00e9 o Salmo 131,2, em que o orante se diz assim: \u00abEstou tranquilo e sereno\/, como crian\u00e7a desmamada (<em>gam\u00fbl<\/em>),\/ no colo da sua m\u00e3e;\/ como crian\u00e7a desmamada,\/ est\u00e1 em mim a minha alma\u00bb. N\u00e3o se trata de uma quietude irracional e cega, semelhante \u00e0 do rec\u00e9m-nascido, depois de ter mamado no seio da sua m\u00e3e. O texto fala de uma crian\u00e7a desmamada (<em>gamul<\/em>). E \u00e9 sabido que, no Oriente, o desmame oficial acontecia tarde, pelos tr\u00eas anos, e dava origem a uma grande festa familiar (cf. G\u00e9nesis 21,8; 1 Samuel 1,22-24). Tamb\u00e9m o famoso Padre Jesu\u00edta franc\u00eas, L\u00e9once de Grandmaison (1868-1927), se segurava neste fio de ouro, e rezava assim: \u00abSanta Maria, M\u00e3e de Deus, conserva em mim um cora\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a, puro e transparente, como uma nascente\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pequeninos, os\u00a0<em>n\u00e9pioi<\/em>, n\u00e9pias, que nada valem de per si, dependem dos seus pais ou de algu\u00e9m que cuide deles com carinho. Se Jesus os traz desta maneira para a primeira p\u00e1gina, temos ent\u00e3o de perguntar: o que \u00e9 que s\u00e3o ent\u00e3o crist\u00e3os adultos, maduros na sua f\u00e9? Ser\u00e3o aqueles que sabem tudo, que est\u00e3o seguros de si, que chegaram ao fim de um curso ou percurso, que t\u00eam um estatuto, um\u00a0<em>status<\/em>, que t\u00eam um diploma na m\u00e3o, que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o dependentes porque j\u00e1 n\u00e3o precisam de ningu\u00e9m que cuide deles? Seguramente n\u00e3o. Crist\u00e3os adultos na sua f\u00e9 s\u00e3o aqueles que sabem que precisam de Deus a todo o momento, e que sabem debru\u00e7ar-se sobre os pequeninos com amor. Crist\u00e3os adultos na f\u00e9 n\u00e3o somos n\u00f3s que pensamos que temos as chaves de tudo e de todos, que abrimos ou fechamos todas as portas, mas somos n\u00f3s como filhos de Deus, a quem carinhosamente tratamos por PAI (<em>\u02bcAbba\u02bc<\/em>), em quem depositamos toda a nossa confian\u00e7a, somos n\u00f3s como filhos e irm\u00e3os, carinhosamente atentos uns aos outros, at\u00e9 ao ponto sem retorno de j\u00e1 n\u00e3o sabermos viver sen\u00e3o repartindo o p\u00e3o e o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abEu Te bendigo, \u00f3 PAI, Senhor do c\u00e9u e da terra, porque escondeste estas coisas aos s\u00e1bios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos\u00bb (Mateus 11,25; cf. Lucas 10,21). Esta \u00e9 uma das muitas vezes em que, nos Evangelhos, Jesus aparece a rezar ao PAI, mas \u00e9 uma das poucas vezes em que nos \u00e9 dada a gra\u00e7a de ouvirmos o conte\u00fado da ora\u00e7\u00e3o de Jesus [al\u00e9m desta vez, s\u00f3 no Gets\u00e9mani: \u00abPAI, se \u00e9 poss\u00edvel, afasta de mim este c\u00e1lice, mas n\u00e3o se fa\u00e7a a minha vontade, mas sim a tua\u00bb (Mateus 26,39 e 42), e na Cruz: \u00abMeu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?\u00bb (Mateus 27,46); \u00abPAI, perdoa-lhes, porque n\u00e3o sabem o que fazem\u00bb (Lucas 23,34); \u00abPAI, nas tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito\u00bb (Lucas 23,46)]. Note-se que a bel\u00edssima ora\u00e7\u00e3o do \u00abPAI Nosso\u00bb (Mateus 6,9-13; cf. Lucas 11,2-4) \u00e9-nos ensinada por Jesus, mas n\u00e3o o ouvimos a rez\u00e1-la. Um crist\u00e3o adulto na sua f\u00e9, isto \u00e9, na sua confian\u00e7a, tem de se p\u00f4r, como Jesus, totalmente nas m\u00e3os seguras e carinhosas do PAI, \u00fanica dire\u00e7\u00e3o da sua e da nossa vida dada, recebida e oferecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 assim que o Evangelho entra por n\u00f3s adentro, cortante como uma espada de dois gumes ou como um bisturi. Vem-me \u00e0 mem\u00f3ria uma velha hist\u00f3ria que circula na \u00c1frica Oriental, e que fala de uma mulher pobre que andava sempre com uma B\u00edblia grande debaixo do bra\u00e7o. Dizem que nunca se separava dela. As pessoas que a viam passar todos os dias, faziam chacota dela com dizeres do g\u00e9nero: \u00abPorqu\u00ea sempre a B\u00edblia, se h\u00e1 tantos livros para ler?\u00bb. Mas a mulher l\u00e1 seguia o seu caminho, imperturb\u00e1vel e indiferente \u00e0s provoca\u00e7\u00f5es. Um dia, por\u00e9m, a mulher da B\u00edblia viu-se cercada por um bando de escarnecedores. Ent\u00e3o, levantando bem alto a sua B\u00edblia, a mulher, abrindo um grande sorriso, disse: \u00abEu bem sei que h\u00e1 muitos outros livros que posso ler! Mas este \u00e9 o \u00fanico livro que me l\u00ea a mim!\u00bb. Sim, como um bisturi!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhum arrogante racioc\u00ednio, nenhum orgulho, nenhuma escada por n\u00f3s constru\u00edda, conduz a Deus. Nenhuma arrog\u00e2ncia conduz a Deus. Jesus, Mestre novo, n\u00e3o aponta para coisas nem ensina coisas. Ele diz: \u00abVinde a Mim\u00bb e \u00abaprendei de Mim\u00bb (Mateus 11,28 e 29). Com Jesus. Como Jesus. Ele n\u00e3o ensina coisas. Ensina-se a si mesmo, dando-se a si mesmo. Aprendeu do Pai, que tudo lhe deu (Mateus 11,27). Dar e receber. Jugo suave e carga leve (Mateus 11,30). Como os mission\u00e1rios do Evangelho, que devem partir sempre sem ouro, nem prata, nem cobre, nem saco, nem duas t\u00fanicas, nem sand\u00e1lias, nem bast\u00e3o, dando de gra\u00e7a o que de gra\u00e7a receberam (cf. Mateus 10,8-9). Nenhum acess\u00f3rio ou mero adere\u00e7o nos faz falta. Dar o acess\u00f3rio, o adere\u00e7o, o sup\u00e9rfluo, o que sobra, n\u00e3o tem a marca de Deus, n\u00e3o \u00e9 fazer a verdadeira mem\u00f3ria de Jesus, que se entregou a si mesmo por n\u00f3s (Ef\u00e9sios 5,2), que se entregou por mim (G\u00e1latas 2,20). Como \u00e9 da nossa humana experi\u00eancia, o acess\u00f3rio, o adere\u00e7o, o sup\u00e9rfluo deixa a vida intacta. O dom de si mesmo, se for verdadeiro, afeta a nossa vida, porque \u00e9 decisivo, \u00e9 para sempre, tem a marca da eternidade, p\u00f5e-nos no seguimento de Jesus. E, neste caminho discipular, n\u00e3o h\u00e1 estrat\u00e9gia que nos valha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta agenda [AGE + NDA] de Jesus, que fica \u00abconnosco todos os dias\u00bb (Mateus 28,20), podemos v\u00ea-la diariamente na sua maneira feliz, ousada, pobre, despojada, humilde, filial, fraternal, pr\u00f3xima e dedicada de viver, bem ao jeito do Rei novo e fazedor de paz e de felicidade, sonhado por Zacarias (9,9-10) no \u00faltimo quartel do s\u00e9culo IV a. C., em claro contraponto com o esplendor militar dos cavalos e pesados carros de combate de Alexandre Magno, que ent\u00e3o atravessava a costa palestinense a caminho do Egito. Da agenda de Jesus, faz parte indeclin\u00e1vel a completa orienta\u00e7\u00e3o da sua vida filial para o Pai, abrindo a este mundo novos rumos e desafios imensos de fraternidade. N\u00e3o carros e cavalos, gl\u00f3ria militar, vangl\u00f3ria do poder. Jesus, o Rei novo, belo e manso, vem montado num jumento, que n\u00e3o \u00e9 animal que se leve para a guerra! \u00abEstrada bela! \u00c9 andando nela, que encontraremos repouso para a nossa vida\u00bb (Jeremias 6,16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed est\u00e1 de novo S. Paulo, escrevendo aos Romanos (8,9-13) e a n\u00f3s, para nos advertir que n\u00e3o \u00e9 \u00abna carne\u00bb (<em>en sark\u00ed<\/em>), mas \u00abno Esp\u00edrito\u00bb (<em>en pne\u00famati<\/em>), que devemos viver. E ele insiste em dizer como \u00e9 importante Cristo estar \u00abem v\u00f3s\u00bb (<em>en hym\u00een<\/em>), e o Esp\u00edrito, Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos, habitar (<em>oik\u00e9\u00f4<\/em>) \u00abem v\u00f3s\u00bb (<em>en hym\u00een<\/em>). A carne tem a ver com o curr\u00edculo, o\u00a0<em>status<\/em>, a import\u00e2ncia, a gan\u00e2ncia\u2026 Mas podemos sempre socorrer-nos do vasto elenco, sempre atualizado, das \u00abobras da carne\u00bb, que S. Paulo faz na Carta aos G\u00e1latas: \u00abS\u00e3o manifestas as obras da carne, que s\u00e3o: fornica\u00e7\u00e3o, impureza, devassid\u00e3o, idolatria, magia, inimizades, rixa, ci\u00fame, iras, ambi\u00e7\u00f5es, dissens\u00f5es, divis\u00f5es, invejas, bebedeiras, orgias, e coisas semelhantes a estas, sobre as quais vos previno, como j\u00e1 preveni, que os que tais coisas fizerem n\u00e3o herdar\u00e3o o Reino de Deus\u00bb (G\u00e1latas 5,19-21). E podemos tamb\u00e9m ver o confronto que ele faz com os \u00abfrutos do Esp\u00edrito\u00bb, que s\u00e3o: \u00abamor, alegria, paz, paci\u00eancia, benevol\u00eancia, bondade, fidelidade, mansid\u00e3o, autodom\u00ednio\u00bb (G\u00e1latas 5,22-23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fica bem hoje cantar com alegria renovada o grande hino alfab\u00e9tico que \u00e9 o Salmo 145, at\u00e9 que vibrem as cordas do nosso cora\u00e7\u00e3o. Or\u00edgenes classificava este Salmo como \u00abo supremo c\u00e2ntico de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as\u00bb, e Agostinho viu-o como \u00aba ora\u00e7\u00e3o perfeita de Cristo, uma ora\u00e7\u00e3o para todas as circunst\u00e2ncias e acontecimentos da vida\u00bb. E enquanto saboreamos as imensas riquezas que nos v\u00eam de Deus: a sua gra\u00e7a, miseric\u00f3rdia, amor e bondade, usando, para o efeito, toda a gama de sabores e todas as letras do alfabeto, continuemos a cantar: \u00abAbris, Senhor, a vossa m\u00e3o, e saciais a nossa fome!\u00bb (Salmo 145,16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Senhor Jesus,<\/strong><br \/>\n<strong>D\u00e1-me um cora\u00e7\u00e3o puro e transparente<\/strong><br \/>\n<strong>Como uma nascente,<\/strong><br \/>\n<strong>Como uma semente,<\/strong><br \/>\n<strong>E ensina-me a ser simples e leve<\/strong><br \/>\n<strong>Como aquele p\u00e1ssaro que do c\u00e9u desce,<\/strong><br \/>\n<strong>E reza e canta e come e agradece.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Leitura-I-do-Domingo-XIV-do-Tempo-Comum-Ano-A-09.07.2023-Zac-9-9-10.pdf\">Leitura I do Domingo XIV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 09.07.2023 (Zac 9, 9-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Leitura-II-do-Domingo-XIV-do-Tempo-Comum-Ano-A-09.07.2023-Rom-6-3-4.8-11.pdf\">Leitura II do Domingo XIV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 09.07.2023 (Rom 6, 3-4.8-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Domingo-XIV-do-Tempo-Comum-Ano-A-09.07.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XIV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 09.07.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Domingo-XIV-do-Tempo-Comum-Ano-A-09.07.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XIV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 09.07.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XIII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 02.07.2023&#8243; tab_id=&#8221;1689010838247-5c2be525-95ad&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XIII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 02.07.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Domingo-XIII.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"474\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Habituamo-nos de tal modo \u00e0 radicalidade da proposta de Jesus que porventura a dureza das Suas palavras quando nos convida a segui-Lo pode muitas vezes soar a mera poesia: \u00ab<em>quem ama o pai ou a m\u00e3e mais do que a Mim, n\u00e3o \u00e9 digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, n\u00e3o \u00e9 digno de Mim. Quem n\u00e3o toma a sua cruz para Me seguir, n\u00e3o \u00e9 digno de Mim<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A repeti\u00e7\u00e3o destes \u00ab<em>Mim\u2019s<\/em>\u00bb fazem sempre retornar ao meu cora\u00e7\u00e3o as palavras do Papa Bento XVI quando recorda que na origem do ser crist\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 uma decis\u00e3o \u00e9tica ou uma grande ideia, mas o encontro \u00edntimo, \u00fanico e decisivo com Jesus Cristo (<em>Deus caritas est<\/em>, 1). Seguir Jesus implica conjugar a intimidade do encontro com Ele com a miss\u00e3o de ir ao encontro dos irm\u00e3os, numa radicalidade \u00fanica que implica toda a vida e a vida toda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se trata de uma competi\u00e7\u00e3o de amores para saber quem amamos mais: o pai, a m\u00e3e, os filhos, a pr\u00f3pria vida ou Jesus Cristo. Antes de tudo, trata-se de saber qual o centro unificador da nossa vida e o lugar onde depositamos a nossa confian\u00e7a e a nossa esperan\u00e7a. Amar Jesus e segui-Lo de todo o cora\u00e7\u00e3o nunca nos permitir\u00e1 desvalorizar os outros, muito menos os nossos pais, os nossos filhos ou at\u00e9 a nossa pr\u00f3pria vida. Contudo, abra\u00e7ar a radicalidade do chamamento que o Senhor dirige a cada um de n\u00f3s levar-nos-\u00e1 sempre a olhar o mundo, os outros e as rela\u00e7\u00f5es de um modo novo e diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontrar a vida verdadeira implica inscrever a nossa exist\u00eancia nesse horizonte maior do amor de Deus e entrar numa l\u00f3gica de amar e servir que nos faz redescobrir que a vida \u00e9 tanto mais nossa quanto mais for dos outros e que a vida \u00e9 verdadeiramente vida quando entregue sem medida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abra\u00e7ar a cruz para seguir Jesus n\u00e3o \u00e9 um ato masoquista de quem procura o sofrimento para alcan\u00e7ar a recompensa. Para compreender e acolher estas palavras de Jesus, teremos sempre de olhar para o crucificado e contemplar o imenso amor que Dele brota. Jesus vai at\u00e9 \u00e0 morte e at\u00e9 \u00e0 cruz porque nos ama. Por isso, abra\u00e7ar a cruz significa sempre abra\u00e7ar o amor na sua maior radicalidade. Significa amar at\u00e9 ao fim e com todas as nossas for\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o deixa de ser curioso que na mesma p\u00e1gina evang\u00e9lica onde Jesus nos prop\u00f5e a radicalidade do seguimento, nos apresente o gesto mais simples, pequeno e banal da oferta de um copo de \u00e1gua fresca. Seguir Jesus na totalidade da nossa vida e com a radicalidade que Ele nos prop\u00f5e, come\u00e7a a partir dos gestos mais simples e vive-se precisamente na aten\u00e7\u00e3o para com os mais pequenos e fr\u00e1geis. Dar a vida toda ou ter um pequeno gesto de amor, a cruz ou um simples copo de \u00e1gua fresca, s\u00e3o os extremos de um mesmo movimento: o amor que se faz entrega, a certeza de que no Evangelho o verbo amar n\u00e3o significa um mero sentimento ou simples afei\u00e7\u00e3o, mas que se conjuga sempre com o verbo dar e sobretudo na sua forma reflexiva: dar-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas palavras que Jesus nos dirige neste evangelho est\u00e1 presente a necessidade de uma liberdade interior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas seguran\u00e7as, sejam elas materiais ou afetivas. O pai, a m\u00e3e, os filhos ou a pr\u00f3pria vida s\u00e3o bens preciosos que devemos amar e estimar. Contudo, Jesus adverte-nos para o perigo da depend\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es afetivas e familiares que se podem tornar um obst\u00e1culo \u00e0 liberdade para O seguir de todo o cora\u00e7\u00e3o. Seguir Jesus e depositar Nele toda a nossa confian\u00e7a ajudar-nos-\u00e1 a amar os outros e a vida de um modo absolutamente novo que nos far\u00e1 entrar num horizonte maior de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade que nos projeta para a eternidade. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos a percorrer o tempo lit\u00fargico designado por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>2 Reis 4,8-11.14-16a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEstou convencida de que este homem, que passa frequentemente pela nossa casa, \u00e9 um Santo Homem de Deus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Ap\u00f3s a morte de Salom\u00e3o (932 a.C.), o Povo de Deus dividiu-se em dois reinos: Israel, a norte, e Jud\u00e1, a sul. Os dois reinos viveram, a partir daqui hist\u00f3rias separadas e, quase sempre, antag\u00f3nicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto situa-nos no reino de Israel, em meados do s\u00e9c. IX a.C., durante o reinado de Jor\u00e3o (853-842 a.C.). As rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, pol\u00edticas e culturais que Israel insiste em estabelecer com outros pa\u00edses da zona tornam-no vulner\u00e1vel \u00e0s influ\u00eancias religiosas estrangeiras e favorecem a entrada no pa\u00eds de cultos diversos. \u00c9, portanto, uma \u00e9poca de sincretismo e de confus\u00e3o religiosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eliseu \u00e9 um profeta, disc\u00edpulo de Elias (cf. 1 Re 19,16b.19-21) que, continuando a obra do mestre, luta contra o sincretismo religioso e procura trazer de novo os israelitas aos caminhos da fidelidade \u00e0 alian\u00e7a. Faz parte, segundo parece, de uma comunidade de &#8220;filhos de profetas&#8221; (&#8220;ben\u00ea nebi&#8217;im&#8221; &#8211; cf. 2 Re 2,3; 4,1), isto \u00e9, de seguidores incondicionais de Jahw\u00e9h, que vivem na absoluta fidelidade aos mandamentos de Deus e n\u00e3o se deixam contaminar pelos valores religiosos estrangeiros. Estes &#8220;filhos de profetas&#8221; vivem pobremente (cf. 2 Re 4,1-7) e s\u00e3o regularmente consultados pelo Povo, que neles busca apoio face aos abusos dos poderosos.<br \/>\nEliseu \u00e9 chamado, com muita frequ\u00eancia (29 vezes), o &#8220;homem de Deus&#8221; (&#8216;ish Elohim). O t\u00edtulo designa um homem que \u00e9 int\u00e9rprete da Palavra de Jahw\u00e9h junto dos outros homens; mas a Palavra que o &#8220;homem de Deus&#8221; transmite \u00e9, sobretudo, uma Palavra poderosa, que opera maravilhas e que tem a capacidade de transformar a realidade. Os &#8220;milagres&#8221; atribu\u00eddos a Eliseu (o grande &#8220;milagreiro&#8221; do Antigo Testamento&#8221;) s\u00e3o a express\u00e3o viva da for\u00e7a de Deus, que atrav\u00e9s do profeta interv\u00e9m na hist\u00f3ria e salva os pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este epis\u00f3dio situa-nos em Sunam, uma pequena cidade situada no sul da Galileia, n\u00e3o longe de Meggido, \u00e0 entrada da plan\u00edcie de Yezre&#8217;el, em casa de uma mulher rica e sem filhos. A hist\u00f3ria da sunamita tem duas partes distintas: a descri\u00e7\u00e3o da hospitalidade que a mulher oferece ao profeta e que \u00e9 recompensada por este com o an\u00fancio do nascimento de um filho (cf. 2 Re 4,8-17) e a repentina doen\u00e7a e morte desse filho, que exigir\u00e1 uma nova interven\u00e7\u00e3o do profeta no sentido de devolver a vida ao menino (cf. 2 Re 8,18-37). A nossa leitura apresenta-nos apenas a primeira parte. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar, na reflex\u00e3o, os seguintes desenvolvimentos<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de mais, o texto sugere que o projeto de salva\u00e7\u00e3o que Deus tem para os homens e para o mundo envolve toda a gente e \u00e9 uma responsabilidade que a todos compromete. Uns s\u00e3o chamados a estar mais na &#8220;linha da frente&#8221; e a desenvolver uma a\u00e7\u00e3o mais exclusiva e mais exposta; outros s\u00e3o chamados a desenvolver uma a\u00e7\u00e3o menos exclusiva e mais discreta, mas nem por isso menos importante. Mas uns e outros t\u00eam de sentir a responsabilidade de colaborar com Deus. Estou consciente disso? Empenho-me verdadeiramente em descobrir o papel que Deus me confia no seu projeto e em cumpri-lo com generosidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa altura em que a Europa se tornou uma esp\u00e9cie de condom\u00ednio fechado, do qual \u00e9 exclu\u00edda essa imensa multid\u00e3o de pobres sem futuro e sem esperan\u00e7a, que mendigam a possibilidade de construir um futuro sem mis\u00e9ria, este epis\u00f3dio convida-nos a refletir sobre o sentido da hospitalidade e do acolhimento. \u00c9 evidente para todos que n\u00e3o temos os recursos suficientes para acolher, de forma indiscriminada, todos aqueles que batem \u00e0 nossa porta; mas a pol\u00edtica que o nosso mundo segue em rela\u00e7\u00e3o aos imigrantes n\u00e3o esconder\u00e1 tamb\u00e9m uma boa dose de ego\u00edsmo e de falta de vontade de partilhar? Como nos situamos face a isto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa leitura deixa tamb\u00e9m claro que o dar n\u00e3o nos despoja, nem nos faz perder seja o que for. O dar \u00e9 sempre uma fonte de vida e de b\u00ean\u00e7\u00e3o. A d\u00e1diva n\u00e3o deve, no entanto, ser interesseira, mas desinteressada e gratuita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 pessoas que s\u00e3o chamadas por Deus a deixar a terra, a fam\u00edlia, os pontos de refer\u00eancia culturais e sociais, a fim de dedicar a sua vida ao an\u00fancio da Palavra. N\u00e3o s\u00e3o super-homens ou supermulheres, mas s\u00e3o homens e mulheres como quaisquer outros, com as mesmas necessidades de afeto, de apoio, de solidariedade, de compreens\u00e3o. \u00c9 nossa responsabilidade ajud\u00e1-los, n\u00e3o apenas com meios materiais, mas tamb\u00e9m com compreens\u00e3o, com solidariedade, com amor. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a088 (89)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: Eu canto para sempre a bondade do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Rom 6,3-4.8-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSe morremos com Cristo, acreditamos que tamb\u00e9m com Ele viveremos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos a explorar essa carta aos romanos, na qual Paulo prop\u00f5e a todos os crentes &#8211; judeus e n\u00e3o judeus &#8211; o essencial da mensagem crist\u00e3&#8230; Fundamentalmente, Paulo est\u00e1 interessado em sugerir aos crentes (divididos pela discuss\u00e3o acerca do caminho mais correto para &#8220;conquistar&#8221; a salva\u00e7\u00e3o) que a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre um dom de Deus e n\u00e3o uma conquista do homem. Apesar do pecado dos homens (cf. Rom 1,18-3,20), Deus a todos justifica e salva de forma gratuita e incondicional (cf. Rom 3,1-5,11). Essa salva\u00e7\u00e3o \u00e9 oferecida aos homens atrav\u00e9s de Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto faz parte desse bloco em que Paulo descreve como \u00e9 que a vida de Deus se comunica aos homens atrav\u00e9s de Jesus Cristo (cf. Rom 5,12-8,39). De acordo com a perspetiva de Paulo, Cristo &#8211; ao contr\u00e1rio de Ad\u00e3o, o homem do orgulho e da autossufici\u00eancia &#8211; escolheu viver na obedi\u00eancia a Deus e aos seus planos; e foi a obedi\u00eancia de Cristo &#8211; isto \u00e9, o seu cumprimento incondicional da vontade do Pai &#8211; que fez chegar a todos os homens a gra\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o (cf. Rom 5,12-20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso significar\u00e1, ent\u00e3o, que pecar ou n\u00e3o pecar \u00e9 indiferente, pois a obedi\u00eancia de Cristo a todos salva, de forma incondicional? O crist\u00e3o pode pecar tranquilamente (cf. Rom 6,1-2), porque a gra\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o oferecida por Cristo ir\u00e1 sempre derramar-se sobre o pecador? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para a reflex\u00e3o, considerar os seguintes elementos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta leitura sugere-se, antes de mais, que o crist\u00e3o \u00e9 aquele que se identifica com Cristo. Enxertado em Cristo pelo Batismo, o crist\u00e3o faz de Cristo a sua refer\u00eancia e segue-O incondicionalmente, renunciando ao pecado e escolhendo o amor e o dom da vida. Ora, todos os disc\u00edpulos est\u00e3o conscientes que ser crist\u00e3o passa por aqui; mas, dia a dia, s\u00e3o desafiados por outras refer\u00eancias, por outros valores, por outros modelos de vida&#8230;. Qual \u00e9 o modelo e a refer\u00eancia fundamental \u00e0 volta da qual a minha vida se ordena e se constr\u00f3i?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos concretos, o que \u00e9 que implica a nossa ades\u00e3o a Cristo? Paulo responde: significa morrer para o pecado e viver para Deus. O que \u00e9 que significa &#8220;pecar&#8221;? Significa fechar-se no pr\u00f3prio ego\u00edsmo e recusar Deus e os outros. &#8220;Pecar&#8221; \u00e9 recusar a comunh\u00e3o com Deus e ignorar conscientemente as suas propostas; \u00e9 recusar fazer da vida um dom, um servi\u00e7o, uma partilha de amor com os irm\u00e3os&#8230; Os homens do nosso tempo acham que falar de &#8220;pecado&#8221; n\u00e3o faz sentido e que o discurso sobre o pecado \u00e9 um discurso antiquado, repressivo, alienante. No entanto, o &#8220;pecado&#8221; existe: \u00e9 o ego\u00edsmo que gera injusti\u00e7a e explora\u00e7\u00e3o; \u00e9 o orgulho que gera conflito e divis\u00e3o; \u00e9 a vingan\u00e7a que gera viol\u00eancia e morte. O que se pede ao disc\u00edpulo de Jesus \u00e9 que renuncie a esta realidade e oriente a sua vida de acordo com outros crit\u00e9rios &#8211; os crit\u00e9rios e os valores de Jesus<strong><em> in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 10,37-42<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abQuem n\u00e3o toma a sua cruz para Me seguir, n\u00e3o \u00e9 digno de Mim\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abQuem encontrar a sua vida h\u00e1-de perd\u00ea-la; e quem perder a sua vida por minha causa, h\u00e1-de encontr\u00e1-la\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abQuem vos recebe, a Mim recebe; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste domingo apresenta-nos a parte final de um discurso atribu\u00eddo a Jesus e que teria sido pronunciado pouco antes do envio dos disc\u00edpulos em miss\u00e3o (\u00e9 chamado, por isso, o &#8220;discurso da miss\u00e3o&#8221;). Mais do que um discurso hist\u00f3rico, que Jesus pronunciou de uma \u00fanica vez e num \u00fanico lugar, \u00e9 uma catequese que Mateus comp\u00f4s a partir de diversos materiais (o autor combina aqui relatos de envio, &#8220;ditos&#8221; de Jesus acerca dos &#8220;doze&#8221; e v\u00e1rias outras &#8220;senten\u00e7as&#8221; que, originalmente, tinham um outro contexto).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual o objetivo de Mateus, ao compor este texto e ao p\u00f4-lo na boca de Jesus? Estamos na d\u00e9cada de 80. Mateus escreve para uma comunidade onde a tradi\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria estava bem enraizada (a comunidade crist\u00e3 de Antioquia da S\u00edria?). No entanto, as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do final do s\u00e9c. I (reinado de Domiciano e hostilidade crescente do imp\u00e9rio em rela\u00e7\u00e3o ao cristianismo) trazem a comunidade confusa e desorientada. Vale a pena &#8220;remar contra a mar\u00e9&#8221;? N\u00e3o \u00e9 um risco imprudente continuar a anunciar Jesus? Vale a pena arriscar tudo por causa do Evangelho, quando as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o desfavor\u00e1veis?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mateus comp\u00f5e ent\u00e3o uma esp\u00e9cie de &#8220;manual do mission\u00e1rio crist\u00e3o&#8221;, destinado a revitalizar a op\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da sua comunidade. Nele sugere que a miss\u00e3o dos disc\u00edpulos \u00e9 anunciar Jesus e continuar a percorrer o caminho de Jesus &#8211; mesmo que esse caminho leve ao dom total da vida. Apresenta, nesse sentido, um conjunto de valores e atitudes que devem orientar a a\u00e7\u00e3o dos mission\u00e1rios crist\u00e3os.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, considerar os seguintes elementos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus n\u00e3o \u00e9 um demagogo que faz promessas f\u00e1ceis e cuja preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 juntar adeptos ou atrair multid\u00f5es a qualquer pre\u00e7o. Ele veio ao nosso encontro com uma proposta de salva\u00e7\u00e3o e de vida plena; no entanto, essa proposta implica uma ades\u00e3o s\u00e9ria, exigente, radical, sem &#8220;paninhos quentes&#8221; ou &#8220;meias tintas&#8221;. O caminho que Jesus prop\u00f5e n\u00e3o \u00e9 um caminho de &#8220;massas&#8221;, mas um caminho de &#8220;disc\u00edpulos&#8221;: implica uma ades\u00e3o incondicional ao &#8220;Reino&#8221;, \u00e0 sua din\u00e2mica, \u00e0 sua l\u00f3gica; e isso n\u00e3o \u00e9 para todos, mas apenas para os disc\u00edpulos que fazem, s\u00e9ria e conscientemente, essa op\u00e7\u00e3o. Como \u00e9 que eu me situo face a isto? O projeto de Jesus \u00e9, para mim, uma op\u00e7\u00e3o radical, que eu abracei com convic\u00e7\u00e3o, a tempo inteiro e a &#8220;fundo perdido&#8221;, ou \u00e9 um projeto em que eu &#8220;vou estando&#8221;, sem grande esfor\u00e7o ou compromisso, por in\u00e9rcia, por comodismo, por tradi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro do quadro de exig\u00eancias que Jesus apresenta aos disc\u00edpulos, sobressai a exig\u00eancia de preferir Jesus \u00e0 pr\u00f3pria fam\u00edlia. Isso n\u00e3o significa, evidentemente, que devamos rejeitar os la\u00e7os que nos unem \u00e0queles que amamos&#8230; No entanto, significa que os la\u00e7os afetivos, por mais sagrados que sejam, n\u00e3o devem afastar-nos dos valores do &#8220;Reino&#8221;? As pessoas t\u00eam mais import\u00e2ncia, para mim, do que o &#8220;Reino&#8221;? J\u00e1 me aconteceu renunciar aos valores de Jesus por causa de algu\u00e9m?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra exig\u00eancia que Jesus faz aos disc\u00edpulos \u00e9 a ren\u00fancia \u00e0 pr\u00f3pria vida e o tomar a cruz do amor, do servi\u00e7o, do dom da vida. O que \u00e9 mais importante para mim: os meus interesses, os meus valores ego\u00edstas, ou o servi\u00e7o dos irm\u00e3os e o dom da vida?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A forma exigente como Jesus p\u00f5e a quest\u00e3o da ades\u00e3o ao &#8220;Reino&#8221; e \u00e0 sua din\u00e2mica, faz-nos pensar na nossa pastoral &#8211; vocacionada para ser uma pastoral de &#8220;massas&#8221; &#8211; e na tenta\u00e7\u00e3o que sentem os agentes da pastoral no sentido de facilitar as coisas, de n\u00e3o ser exigentes&#8230; \u00c0s vezes, interessa mais que as estat\u00edsticas da par\u00f3quia apresentem um grande n\u00famero de batizados, de casamentos, de crismas, de comunh\u00f5es, do que propor, com exig\u00eancia, a radicalidade do Evangelho e dos valores de Jesus&#8230; O caminho crist\u00e3o \u00e9 um caminho de facilidade, onde cabe tudo, ou \u00e9 um caminho verdadeiramente exigente, onde s\u00f3 cabem aqueles que aceitam a radicalidade de Jesus? A nossa pastoral deve facilitar tudo, ou ir pelo caminho da exig\u00eancia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes, as pessoas procuram os ritos crist\u00e3os por tradi\u00e7\u00e3o, por influ\u00eancias do meio social ou familiar, porque &#8220;a cerim\u00f3nia religiosa fica bonita nas fotografias&#8230;&#8221;. Sem recusarmos nada devemos, contudo, faz\u00ea-las perceber que a op\u00e7\u00e3o pelo batismo ou pelo casamento religioso \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o s\u00e9ria e exigente, que s\u00f3 faz sentido no quadro de um compromisso com o &#8220;Reino&#8221; e com a proposta de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Integrar a comunidade crist\u00e3 \u00e9 assumir o imperativo do testemunho. Sinto verdadeiramente que isso \u00e9 algo que me diz respeito &#8211; seja qual for o lugar que eu ocupo na organiza\u00e7\u00e3o da comunidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 que, na minha comunidade, s\u00e3o vistos aqueles que se d\u00e3o, de forma mais plena e mais total, ao an\u00fancio do Evangelho: s\u00e3o reconhecidos e apoiados, ou s\u00e3o injustamente criticados e v\u00edtimas de maledic\u00eancia, de invejas e de ci\u00fames? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o o tom narrativo e a articula\u00e7\u00e3o das diversas frases em discurso direto. Al\u00e9m disso, deve preparar-se bem as palavras \u00ab<em>Sunam<\/em>\u00bb (deve ler-se suname) e \u00ab<em>Giezi<\/em>\u00bb (deve ler-se ji\u00e9zi) e ter em aten\u00e7\u00e3o o imperativo \u00ab<em>Chama-a<\/em>\u00bb, tendo cuidado para n\u00e3o ilidir o pronome \u00aba\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A complexidade da <strong>segunda leitura<\/strong> reside nas frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es. Este texto exige uma acurada aten\u00e7\u00e3o nas pausas e respira\u00e7\u00f5es para que se compreenda bem a mensagem do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/06\/27\/o-milagre-do-acolhimento-2\/\"><strong>O MILAGRE DO\u00a0ACOLHIMENTO<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste Domingo XIII do Tempo Comum, escutaremos o final do Discurso Mission\u00e1rio do Evangelho de Mateus (10,37-42), que inici\u00e1mos h\u00e1 dois Domingos atr\u00e1s. Espec\u00edfico desta \u00faltima parte do Discurso \u00e9 que ele n\u00e3o \u00e9 dirigido aos mission\u00e1rios, mas \u00e0queles que os acolhem. O acolhimento feito aos mission\u00e1rios reveste-se de extrema import\u00e2ncia, pois \u00e9 dito que \u00e9 como acolher o pr\u00f3prio Cristo e Aquele que o enviou (Mateus 10,40). Para tornar este aspeto vis\u00edvel e aud\u00edvel, neste pequeno texto de seis vers\u00edculos, o verbo \u00abacolher\u00bb (<em>d\u00e9chomai<\/em>) faz-se notar por seis vezes (Mateus 10,40[4 vezes].41[2 vezes]). \u00abAcolher\u00bb \u00e9, pois, a palavra-chave do texto de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acolher os Doze, os disc\u00edpulos de Jesus, os mission\u00e1rios e evangelizadores de todos os tempos, n\u00e3o consiste apenas em receb\u00ea-los educadamente em casa. Consiste tamb\u00e9m, e sobretudo, em expor-se ao an\u00fancio que trazem, ao testemunho que d\u00e3o. N\u00e3o consiste apenas em abrir-lhes as portas da casa, embora isso tamb\u00e9m seja importante para quem deixou tudo por causa de Cristo (Mateus 10,37-39), e de vez em quando precisa de um quarto de hora de hospitalidade. Tem muito mais a ver com abrir o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 mensagem de que s\u00e3o portadores, sabendo e vendo bem que por detr\u00e1s deles, est\u00e1 Jesus, que os enviou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acolher os anunciadores, os mensageiros, os profetas, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque o an\u00fancio de que s\u00e3o portadores provoca divis\u00e3o, requer uma nova postura pr\u00f3 ou contra Cristo, uma escolha que n\u00e3o admite compromissos ou solu\u00e7\u00f5es ret\u00f3ricas, divide a humanidade, a fam\u00edlia, o cora\u00e7\u00e3o de cada um. Muitas vezes esperamos que os profetas nos ajudem a justificar os nossos compromissos, a nossa maneira de viver assim-assim. Mas, nesta mat\u00e9ria, o profeta \u00e9 intolerante e radical. Eis o motivo pelo qual acolher um profeta \u00e9 coisa dif\u00edcil. \u00c9 quase como tornar-se profeta tamb\u00e9m. Ambos ter\u00e3o, portanto, a mesma recompensa (Mateus 10,41).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acolher Jesus ou os seus enviados \u00e9 aceitar expor-se \u00e0 cirurgia da Palavra, que divide junturas e medula e julga as disposi\u00e7\u00f5es e inten\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o (Hebreus 4,12). Acolher n\u00e3o \u00e9 organizar uma festa de amigos. \u00c9 aceitar conviver com um bisturi dentro de n\u00f3s, com um fogo a arder dentro de n\u00f3s (Jeremias 20,9; Lucas 24,32). \u00c9, afinal, t\u00e3o complicado ou t\u00e3o simples como oferecer um copo de \u00e1gua fresca a um mission\u00e1rio. \u00c9 verdade, este simples copo de \u00e1gua fresca pode trazer pela m\u00e3o a eternidade (Mateus 10,42).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A melodia do acolhimento vem de longe. Nove s\u00e9culos antes de Cristo, l\u00ea-se no Segundo Livro dos Reis 4,8-11.14-16, que uma mulher rica de Sunam, uma aldeiazinha situada na plan\u00edcie meridional do monte Carmelo, acolheu em sua casa o profeta Eliseu, em quem ela reconhece um homem de Deus (2 Reis 4,9). Eliseu, do hebraico\u00a0<em>\u02bc<sup>e<\/sup>l\u00eesha\u02bd<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>\u02bcelyasha\u02bd<\/em>\u00a0[= \u00abDeus salvou\u00bb], \u00e9 apresentado como filho de Safat, natural de Abel Meh\u00f4lah, no vale do Jord\u00e3o, e os Livros dos Reis mostram-no como sucessor de Elias e continuador da sua miss\u00e3o prof\u00e9tica. Para tal, recebe o manto de Elias (1 Reis 19,19; 2 Reis 2,13) e a dupla por\u00e7\u00e3o do seu esp\u00edrito (2 Reis 2,9), e segue o mestre at\u00e9 ao seu arrebatamento (1 Reis 19,21; 2 Reis 2,1-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hospitalidade da mulher de Sunam traduz-se na constru\u00e7\u00e3o de um pequeno quarto no terra\u00e7o da casa, equipado com uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma l\u00e2mpada (2 Reis 4,10). O suficiente para Eliseu, o homem de Deus, poder repousar quando estiver de passagem por Sunam. Mas, como quem acolhe um profeta por ele ser profeta, recebe recompensa de profeta, tamb\u00e9m a mulher hospitaleira de Sunam recebe uma recompensa nova: um filho! (2 Reis 4,16). A Palavra prof\u00e9tica tem, de facto, uma energia nova: \u00e9 a Palavra antes das coisas e do homem, de modo diferente da hist\u00f3ria comummente entendida, que p\u00f5e as palavras depois das coisas e do homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A passagem da Carta aos Romanos 6,3-4.8-11 \u00e9 um grande texto batismal. Batizados na morte de Cristo e com Ele sepultados, formamos com Ele uma realidade s\u00f3, e viveremos com Ele, por gra\u00e7a, a vida nova da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Motivos sempre em excesso para cantar, saboreando a bondade do Senhor, e aprender a reconhecer a sua presen\u00e7a no meio de n\u00f3s com a aclama\u00e7\u00e3o\u00a0<em>t<sup>e<\/sup>r\u00fb\u02bdah<\/em>\u00a0(Salmo 89,16), grito ruidoso de emocionada alegria, em si intraduz\u00edvel, mas que \u00e9 a maneira de o povo fiel assinalar a presen\u00e7a favor\u00e1vel de Deus. \u00c9 o que fazemos tamb\u00e9m n\u00f3s hoje, cantando o Salmo 89, um Salmo Real, que canta Deus e o seu Messias, e o Reino maravilhoso do seu amor j\u00e1 estabelecido no meio de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Leitura-I-do-Domingo-XIII-do-Tempo-Comum-Ano-A-02.07.2023-2-Reis-4-8-11.14-16a.pdf\">Leitura I do Domingo XIII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 02.07.2023 (2 Reis 4, 8-11.14-16a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Leitura-II-do-Domingo-XIII-do-Tempo-Comum-Ano-A-02.07.2023-Rom-6-3-4.8-11.pdf\">Leitura II do Domingo XIII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 02.07.2023 (Rom 6, 3-4.8-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Domingo-XIII-do-Tempo-Comum-Ano-A-02.07.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XIII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 02.07.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Domingo-XIII-do-Tempo-Comum-Ano-A-02.07.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XIII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 02.07.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 25.06.2023&#8243; tab_id=&#8221;1688372042547-7ce436f3-4b01&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 25.06.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Atravessada em seis etapas dominicais (Domingos IV a IX) a paisagem sublime das alturas do Discurso program\u00e1tico da Montanha (Mateus 5,1-7,29), e tendo vivido de perto a cena do chamamento e resposta imediata e festiva de Mateus (Mateus 9,9-13) (Domingo X), ficaremos agora, durante tr\u00eas Domingos (XI, semana passada, XII hoje e XIII na pr\u00f3xima semana) com o chamado \u201cDiscurso Mission\u00e1rio\u201d (Mateus 9,36-11,1).<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Domingo-XII.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"387\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia do medo faz parte da nossa condi\u00e7\u00e3o humana e traduz-se num estado emocional resultante da consci\u00eancia de perigo ou de amea\u00e7a, reais, hipot\u00e9ticos ou imagin\u00e1rios. \u00c9 verdade, que a experi\u00eancia do medo, em muitas circunst\u00e2ncias, \u00e9 a possibilidade de evitarmos o perigo e impedir que algo de grave aconte\u00e7a. Contudo, o medo pode ser tamb\u00e9m paralisador e impedir de avan\u00e7ar e progredir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste Domingo, continuamos a escutar o Discurso Mission\u00e1rio do Evangelho de Mateus onde Jesus exorta os Seus disc\u00edpulos a vencer o medo. Enviando os Doze em miss\u00e3o porque \u00ab<em>a seara \u00e9 grande e os trabalhadores s\u00e3o poucos<\/em>\u00bb, por tr\u00eas vezes Jesus os desafia a n\u00e3o temer. Mas n\u00e3o se trata, apenas, de um refor\u00e7o positivo ou de uma palmada nas costas para dar \u00e2nimo e fazer avan\u00e7ar. Jesus desafia-os \u00e0 confian\u00e7a que est\u00e1 alicer\u00e7ada na certeza de que n\u00e3o caminham sozinhos, que valem muito mais do que todos os passarinhos e que Aquele que os criou por amor e os envia em miss\u00e3o, por amor, continua a recri\u00e1-los e a cuidar deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus sabe que os medos habitam a nossa casa e o nosso cora\u00e7\u00e3o e que a nossa exist\u00eancia est\u00e1 suspensa entre tantos limites que condicionam a nossa a\u00e7\u00e3o. Quanto mais o medo ganha espa\u00e7o, mais nos tornamos inseguros, fechados em n\u00f3s pr\u00f3prios e, porventura, desconfiados e agressivos. O medo faz-nos sentir cercados como Jeremias que sentia as invetivas da multid\u00e3o. Mas como o profeta haveremos de renovar no nosso cora\u00e7\u00e3o a certeza: \u00ab<em>o Senhor est\u00e1 comigo como her\u00f3i poderoso, e os meus perseguidores cair\u00e3o vencidos<\/em>\u00bb. O medo n\u00e3o pode ter a \u00faltima palavra e, por isso, aos disc\u00edpulos de ontem tal como a n\u00f3s, disc\u00edpulos de hoje, Jesus continua a exortar: \u00ab<em>n\u00e3o tenhais medo<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o ter medo n\u00e3o significa ser irrespons\u00e1vel, mas significa n\u00e3o se deixar paralisar pelas dificuldades e exig\u00eancias do caminho. Os disc\u00edpulos enviados por Jesus sofrer\u00e3o persegui\u00e7\u00f5es, obst\u00e1culos e inimizades, mas s\u00e3o convidados a vencer o medo e a exig\u00eancia da miss\u00e3o com o amor que se faz entrega e servi\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 necess\u00e1rio pregar sobre os telhados e nas pra\u00e7as a mensagem do amor e da esperan\u00e7a. \u00c9 urgente comunicar a todos que o Pai cuida de n\u00f3s e que at\u00e9 o mais \u00ednfimo cabelo n\u00e3o \u00e9 descuidado. Contudo, este desvelo e cuidado do Pai n\u00e3o deve ser apenas um dom a saborear e a agradecer, mas constitui-se como uma escola da arte de amar. Amados e cuidados por Deus somos chamados a cuidar e amar aqueles que se cruzam connosco. Jesus adverte que todo aquele que se declarar por Ele diante dos homens ser\u00e1 declarado por Ele diante do Pai e bem sabemos que n\u00e3o h\u00e1 melhor confiss\u00e3o de f\u00e9 do que aquela que se revela com palavras e gestos que unidos entre si comunicam o amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 o amor oferece a possibilidade de uma vida nova e a constru\u00e7\u00e3o de um mundo novo e diferente, porque foi precisamente o amor feito entrega generosa at\u00e9 ao fim na Cruz que nos abriu as portas da vida eterna e venceu o nosso maior medo: o pecado e a morte. Como nos recorda S. Paulo \u00abse<em>\u00a0pelo pecado de um s\u00f3 todos pereceram, com muito mais raz\u00e3o a gra\u00e7a de Deus, dom contido na gra\u00e7a de um s\u00f3 homem, Jesus Cristo, se concedeu com abund\u00e2ncia a todos os homens<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conscientes desta certeza, podemos caminhar com mais confian\u00e7a e seguran\u00e7a, mas tamb\u00e9m com maior responsabilidade, pois chamados a comunicar a quantos vivem desanimados e sem esperan\u00e7a a certeza de que a nossa vida se inscreve num horizonte de gra\u00e7a que nos projeta para a eternidade e que nos faz saborear j\u00e1, no aqui e agora do tempo e da hist\u00f3ria, o amor e a miseric\u00f3rdia que viveremos em plenitude no C\u00e9u. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos, em termos lit\u00fargicos, o que se designa por Tempo Comum. Estamos na parte final do ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A, em que iremos continuar na companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Jer 20,10-13<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abCantai ao Senhor, louvai o Senhor, que salvou a vida do pobre das m\u00e3os dos perversos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Jeremias, o profeta nascido em Anatot por volta de 650 a.C., exerceu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica desde 627\/626 a.C., at\u00e9 depois da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m pelos Babil\u00f3nios (586 a.C.). O cen\u00e1rio da atividade do profeta \u00e9, em geral, o reino de Jud\u00e1 (e, sobretudo, a cidade de Jerusal\u00e9m).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira fase da prega\u00e7\u00e3o de Jeremias abrange parte do reinado de Josias. Este rei &#8211; preocupado em defender a identidade pol\u00edtica e religiosa do Povo de Deus &#8211; leva a cabo uma impressionante reforma religiosa, destinada a banir do pa\u00eds os cultos aos deuses estrangeiros. A mensagem de Jeremias, neste per\u00edodo, traduz-se num constante apelo \u00e0 convers\u00e3o, \u00e0 fidelidade a Jahw\u00e9h e \u00e0 alian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, em 609 a.C., Josias \u00e9 morto em combate contra os eg\u00edpcios. Joaquim sucede-lhe no trono. A segunda fase da atividade prof\u00e9tica de Jeremias abrange o tempo de reinado de Joaquim (609-597 a.C.).<br \/>\nO reinado de Joaquim \u00e9 um tempo de desgra\u00e7a e de pecado para o Povo, e de incompreens\u00e3o e sofrimento para Jeremias. Nesta fase, o profeta aparece a criticar as injusti\u00e7as sociais (\u00e0s vezes fomentadas pelo pr\u00f3prio rei) e a infidelidade religiosa (traduzida, sobretudo, na busca das alian\u00e7as pol\u00edticas: procurar a ajuda dos eg\u00edpcios significava n\u00e3o confiar em Deus e, em contrapartida, colocar a esperan\u00e7a do Povo em ex\u00e9rcitos estrangeiros). Jeremias est\u00e1 convencido de que Jud\u00e1 j\u00e1 ultrapassou todas as medidas e que est\u00e1 iminente uma invas\u00e3o babil\u00f3nica que castigar\u00e1 os pecados do Povo de Deus. \u00c9 sobretudo isso que ele diz aos habitantes de Jerusal\u00e9m&#8230; As previs\u00f5es funestas de Jeremias concretizam-se: em 597 a.C., Nabucodonosor invade Jud\u00e1 e deporta para a Babil\u00f3nia uma parte da popula\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No trono de Jud\u00e1, fica ent\u00e3o Sedecias (597-586 a.C.). A terceira fase da miss\u00e3o prof\u00e9tica de Jeremias desenrola-se precisamente durante este reinado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s alguns anos de calma submiss\u00e3o \u00e0 Babil\u00f3nia, Sedecias volta a experimentar a velha pol\u00edtica das alian\u00e7as com o Egipto. Jeremias n\u00e3o est\u00e1 de acordo que se confie em ex\u00e9rcitos estrangeiros mais do que em Jahw\u00e9h. Mas nem o rei nem os not\u00e1veis lhe prestam qualquer aten\u00e7\u00e3o \u00e0 opini\u00e3o do profeta. Considerado um amargo &#8220;profeta da desgra\u00e7a&#8221;, Jeremias apenas consegue criar o vazio \u00e0 sua volta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 587 a.C., Nabucodonosor p\u00f5e cerco a Jerusal\u00e9m; no entanto, um ex\u00e9rcito eg\u00edpcio vem em socorro de Jud\u00e1 e os babil\u00f3nios retiram-se. Nesse momento de euforia nacional, Jeremias aparece a anunciar o recome\u00e7o do cerco e a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m (cf. Jer 32,2-5). Acusado de trai\u00e7\u00e3o, o profeta \u00e9 encarcerado (cf. Jer 37,11-16) e corre, inclusive, perigo de vida (cf. Jer 38,11-13). Enquanto Jeremias continua a pregar a rendi\u00e7\u00e3o, Nabucodonosor apossa-se, de facto, de Jerusal\u00e9m, destr\u00f3i a cidade e deporta a sua popula\u00e7\u00e3o para a Babil\u00f3nia (586 a.C.). Jeremias \u00e9 o paradigma dos profetas que sofrem por causa da Palavra. De natureza sens\u00edvel e cordial, homem de paz, que anseia pelo sossego da fam\u00edlia e pelo conv\u00edvio com os amigos, Jeremias n\u00e3o foi feito para o confronto, a agress\u00e3o, a viol\u00eancia das palavras ou dos gestos; mas Jahw\u00e9h chamou-o para &#8220;arrancar e destruir, para exterminar e demolir&#8221; (Jer 1,10), para predizer desgra\u00e7as e anunciar, com viol\u00eancia, destrui\u00e7\u00e3o e morte (cf. Jer 20,8). Como consequ\u00eancia, foi continuamente objeto de desprezo e de irris\u00e3o e todos o maldiziam. Os familiares, os amigos, os reis, os sacerdotes, os falsos profetas, o povo inteiro, todos se afastavam, mal ele abria a boca. E esse homem bom, sens\u00edvel e delicado sofria terrivelmente pelo abandono e pela solid\u00e3o a que a miss\u00e3o prof\u00e9tica o condenava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jeremias estava verdadeiramente apaixonado pela Palavra de Jahw\u00e9h e sabia que n\u00e3o teria descanso se n\u00e3o a proclamasse com fidelidade. Mas nos momentos mais negros de solid\u00e3o e de frustra\u00e7\u00e3o, o profeta deixou, algumas vezes, que a amargura que lhe ia no cora\u00e7\u00e3o lhe subisse \u00e0 boca e se transformasse em palavras. Dirigia-se a Deus e censurava-o asperamente por causa dos problemas que a miss\u00e3o lhe trazia. Chegou a comparar-se a uma jovem inocente e ing\u00e9nua, de quem Deus se apoderou e a quem for\u00e7ou a fazer algo que o profeta n\u00e3o queria (cf. Jer 20,7-9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Livro de Jeremias aparecem, a par e passo, queixas e lamentos do profeta, condenado a essa vida de aparente fracasso. Alguns desses textos s\u00e3o conhecidos como &#8220;confiss\u00f5es de Jeremias&#8221; e s\u00e3o verdadeiros desabafos em que o profeta exp\u00f5e a Jahw\u00e9h, com sinceridade e rebeldia, a sua desilus\u00e3o, a sua amargura e a sua frustra\u00e7\u00e3o (cf. Jer 11,18-23; 12,1-6; 15,10.15-20; 17,14-18; 18,18-23; 20,7-18). O texto que hoje nos \u00e9 proposto faz parte de uma dessas &#8220;confiss\u00f5es.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar, na reflex\u00e3o, as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser profeta n\u00e3o \u00e9 um caminho f\u00e1cil: o exemplo de Jeremias \u00e9 elucidativo (como tamb\u00e9m o \u00e9 o testemunho de \u00d3scar Romero, Luther King, Gandhi e tantos outros profetas do nosso tempo). O &#8220;mundo&#8221; n\u00e3o gosta de ver ser posta em causa a sua &#8220;paz podre&#8221;, n\u00e3o est\u00e1 disposto a aceitar que se questionem os esquemas de explora\u00e7\u00e3o e injusti\u00e7a institu\u00eddos em favor dos poderosos, nem que se critiquem os &#8220;valores&#8221; de alguns &#8220;iluminados&#8221; fazedores da opini\u00e3o p\u00fablica. O &#8220;caminho do profeta&#8221; \u00e9, portanto, um caminho onde se lida permanentemente com a incompreens\u00e3o, com a solid\u00e3o, com o risco&#8230; \u00c9, no entanto, um caminho que Deus nos chama a percorrer, na fidelidade \u00e0 sua Palavra. Temos a coragem de seguir esse caminho? As &#8220;bocas&#8221; dos outros, as cr\u00edticas injustas, a solid\u00e3o que d\u00f3i mais do que tudo, alguma vez nos impediram de cumprir a miss\u00e3o que o nosso Deus nos confiou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No batismo, fomos ungidos como &#8220;profetas&#8221;, \u00e0 imagem de Cristo. Estamos conscientes dessa voca\u00e7\u00e3o a que Deus, a todos, nos convocou? Temos a no\u00e7\u00e3o de que somos a &#8220;boca&#8221; atrav\u00e9s da qual a Palavra de Deus ressoa no mundo e Se dirige aos homens?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia prof\u00e9tica \u00e9 um caminho de luta, de sofrimento, muitas vezes de solid\u00e3o e de abandono; mas \u00e9 tamb\u00e9m um caminho onde Deus est\u00e1. O testemunho de Jeremias confirma que Deus nunca abandona aqueles que procuram testemunhar no mundo, com coragem e verdade, as suas propostas. Esta certeza deve trazer \u00e2nimo e dar esperan\u00e7a a todos aqueles que assumem, com coer\u00eancia, a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL &#8211; <\/strong><strong>Salmo\u00a068 (69)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: Pela vossa grande miseric\u00f3rdia, atendei-me, Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong>Rom 5,12-15<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abSe pelo pecado de um s\u00f3 todos pereceram, com muito mais raz\u00e3o a gra\u00e7a de Deus, dom contido na gra\u00e7a de um s\u00f3 homem, Jesus Cristo, se concedeu com abund\u00e2ncia a todos os homens\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final da d\u00e9cada de 50 (a carta aos Romanos apareceu por volta de 57\/58), a &#8220;crise&#8221; entre os crist\u00e3os oriundos do mundo judaico e os crist\u00e3os oriundos do mundo pag\u00e3o acentua-se. Os crist\u00e3os de origem judaica consideravam que, al\u00e9m da f\u00e9 em Jesus Cristo, era necess\u00e1rio cumprir as obras da Lei de Mois\u00e9s, a fim de ter acesso \u00e0 salva\u00e7\u00e3o; mas os crist\u00e3os de origem pag\u00e3 recusavam-se a aceitar a obrigatoriedade das pr\u00e1ticas judaicas. Era uma quest\u00e3o &#8220;quente&#8221;, que amea\u00e7ava a unidade da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste cen\u00e1rio, Paulo procura mostrar a todos os crentes a unidade da revela\u00e7\u00e3o e da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: judeus e n\u00e3o judeus s\u00e3o, de igual forma, chamados por Deus \u00e0 salva\u00e7\u00e3o; o essencial n\u00e3o \u00e9 cumprir a Lei de Mois\u00e9s &#8211; que nunca assegurou a ningu\u00e9m a salva\u00e7\u00e3o; o essencial \u00e9 acolher a oferta de salva\u00e7\u00e3o que Deus faz a todos, por Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto faz parte da primeira parte da Carta aos Romanos (cf. Rom 1,18-11,36). Depois de demonstrar que todos (judeus e n\u00e3o judeus) vivem mergulhados no pecado (cf. Rom 1,18-3,20) e que \u00e9 a justi\u00e7a de Deus que a todos salva, sem distin\u00e7\u00e3o (cf. Rom 3,21-5,11), Paulo ensina que \u00e9 atrav\u00e9s de Jesus Cristo que a vida de Deus chega aos homens e que se faz oferta de salva\u00e7\u00e3o para todos (cf. Rom 5,12-8,39). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar, na reflex\u00e3o, as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>A hist\u00f3ria do nosso tempo est\u00e1 cheia de exemplos de homens e mulheres que entregaram a vida para realizar o projecto libertador de Deus no mundo e que foram considerados pela cultura dominante gente vencida e fracassada (embora, com alguma frequ\u00eancia, depois de mortos sejam &#8220;recuperados&#8221; e apresentados como her\u00f3is). Jesus Cristo mostra, contudo, que fazer da vida um dom a Deus aos homens n\u00e3o \u00e9 um caminho de fracasso e de morte, mas \u00e9 um caminho libertador, que introduz no mundo dinamismos de vida nova, de vida aut\u00eantica, de vida definitiva. Eu estou disposto a arriscar, a fazer da minha vida um dom, para que a vida plena atinja e liberte os meus irm\u00e3os?<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Alguns acontecimentos que marcam o nosso tempo confirmam que uma hist\u00f3ria constru\u00edda \u00e0 margem de Deus e das suas propostas \u00e9 uma hist\u00f3ria marcada pelo ego\u00edsmo, pela injusti\u00e7a e, portanto, \u00e9 uma hist\u00f3ria de sofrimento e de morte. Quando o homem deixa de dar ouvidos a Deus, d\u00e1 ouvidos ao lucro f\u00e1cil, destr\u00f3i a natureza, explora os outros homens, torna-se injusto e prepotente, sacrifica em proveito pr\u00f3prio a vida dos seus irm\u00e3os. Qual o nosso papel de crentes neste processo? O que podemos fazer para que Deus volte a estar no centro da hist\u00f3ria e as suas propostas sejam acolhidas?<\/li>\n<li>A modernidade ensinou-nos que a fonte da salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 Deus, mas o homem e as suas conquistas. Exaltou o individualismo e a autossufici\u00eancia e ensinou-nos que s\u00f3 nos realizaremos totalmente se formos n\u00f3s &#8211; orgulhosamente s\u00f3s &#8211; a definir o nosso caminho e o nosso destino. No entanto, onde nos leva esta cultura que prescinde de Deus e das suas sugest\u00f5es? A cultura moderna tem feito surgir um homem mais feliz, ou tem potenciado o aparecimento de homens perdidos e sem refer\u00eancias, que muitas vezes apostam tudo em propostas falsas de salva\u00e7\u00e3o e que saem dessa experi\u00eancia de busca mais fragilizados, mais dependentes, mais alienados? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 10,26-33<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abN\u00e3o tenhais medo dos homens, pois nada h\u00e1 encoberto que n\u00e3o venha a descobrir-se\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abN\u00e3o temais: valeis muito mais do que todos os passarinhos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no mesmo ambiente em que o Evangelho do passado domingo nos situava. Os disc\u00edpulos &#8211; que Jesus chamou e que responderam positivamente a esse chamamento, que escutaram os ensinamentos e que testemunharam os sinais de Jesus &#8211; v\u00e3o ser enviados ao mundo, a fim de continuarem a obra libertadora e salvadora de Jesus. Contudo, antes de partir, recebem as instru\u00e7\u00f5es de Jesus: \u00e9 o &#8220;discurso da miss\u00e3o&#8221;, que se prolonga de 9,36 a 11,1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mateus escreve durante a d\u00e9cada de 80. No imp\u00e9rio romano reina Domiciano (anos 81 a 96), um imperador que n\u00e3o est\u00e1 disposto a tolerar o cristianismo. No horizonte imediato das comunidades crist\u00e3s, est\u00e1 uma hostilidade crescente, que rapidamente se converter\u00e1 em persegui\u00e7\u00e3o organizada contra o cristianismo (no ano 95, por iniciativa de Domiciano, come\u00e7a uma terr\u00edvel persegui\u00e7\u00e3o contra os crist\u00e3os em todos os territ\u00f3rios do imp\u00e9rio romano).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 a quem Mateus destina o seu Evangelho (possivelmente, a comunidade crist\u00e3 de Antioquia da S\u00edria) \u00e9 uma comunidade com grande sensibilidade mission\u00e1ria, verdadeiramente empenhada em levar a Boa Nova de Jesus a todos os homens. No entanto, os mission\u00e1rios convivem, dia a dia, com as dificuldades e as persegui\u00e7\u00f5es e manifestam um certo des\u00e2nimo e uma certa frustra\u00e7\u00e3o. Os crentes n\u00e3o sabem que caminho percorrer e est\u00e3o perturbados e confusos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">~\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Neste contexto, Mateus comp\u00f4s uma esp\u00e9cie de &#8220;manual do mission\u00e1rio crist\u00e3o&#8221;, que \u00e9 o nosso &#8220;discurso da miss\u00e3o&#8221;. Para mostrar que a atividade mission\u00e1ria \u00e9 um imperativo da vida crist\u00e3, Mateus apresenta a miss\u00e3o dos disc\u00edpulos como a continua\u00e7\u00e3o da obra libertadora de Jesus. Define tamb\u00e9m os conte\u00fados do an\u00fancio e as atitudes fundamentais que os mission\u00e1rios devem assumir, enquanto testemunhas do &#8220;Reino&#8221;. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, podem considerar-se as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto de Jesus, vivido com radicalidade e coer\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 um projeto &#8220;simp\u00e1tico&#8221;, aclamado e aplaudido por aqueles que mandam no mundo ou que &#8220;fazem&#8221; a opini\u00e3o p\u00fablica; mas \u00e9 um projeto radical, questionante, provocante, que exige a vit\u00f3ria sobre o ego\u00edsmo, o comodismo, a instala\u00e7\u00e3o, a opress\u00e3o, a injusti\u00e7a&#8230; \u00c9 um projeto capaz de abalar os fundamentos dessa ordem injusta e alienante sobre a qual o mundo se constr\u00f3i. H\u00e1 um certo &#8220;mundo&#8221; que se sente amea\u00e7ado nos seus fundamentos e que procura, todos os dias, encontrar formas para subverter e domesticar o projeto de Jesus. A nossa \u00e9poca inventou formas (menos sangrentas, mas certamente mais refinadas do que as de Domiciano) de reduzir ao sil\u00eancio os disc\u00edpulos: ridiculariza-os, desautoriza-os, calunia-os, corrompe-os, massacra-os com publicidade enganosa de valores ef\u00e9meros&#8230; Como a comunidade de Mateus, tamb\u00e9m n\u00f3s andamos assustados, confusos, desorientados, interrogando-nos se vale a pena continuar a remar contra a mar\u00e9&#8230; A todos n\u00f3s, Jesus diz: &#8220;n\u00e3o temais&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O medo &#8211; de parecer antiquado, de ficar desenquadrado em rela\u00e7\u00e3o aos outros, de ser ridicularizado, de ser morto &#8211; n\u00e3o pode impedir-nos de dar testemunho. A Palavra libertadora de Jesus n\u00e3o pode ser calada, escondida, escamoteada; mas tem de ser vivamente afirmada com palavras, com gestos, com atitudes provocat\u00f3rias e questionantes. Viver uma f\u00e9 &#8220;morninha&#8221; (instalada, c\u00f3moda, que n\u00e3o faz ondas, que n\u00e3o muda nada, que aceita passivamente valores, esquemas, din\u00e2micas e estruturas desumanizantes), n\u00e3o chega para nos integrar plenamente na comunidade de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De resto, o valor supremo da nossa vida n\u00e3o est\u00e1 no reconhecimento p\u00fablico, mas est\u00e1 nessa vida definitiva que nos espera no final de um caminho gasto na entrega ao Pai e no servi\u00e7o aos homens; e Jesus demonstrou-nos que s\u00f3 esse caminho produz essa vida de felicidade sem fim que os donos do mundo n\u00e3o conseguem roubar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Palavra de Deus que nos foi hoje proposta convida-nos tamb\u00e9m a fazer a descoberta desse Deus que tem um cora\u00e7\u00e3o cheio de ternura, de bondade, de solicitude. Se nos entregarmos confiadamente nas m\u00e3os desse Deus, que \u00e9 um pai que nos d\u00e1 confian\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o e \u00e9 uma m\u00e3e que nos d\u00e1 amor e que nos pega ao colo quando temos dificuldade em caminhar, n\u00e3o teremos qualquer receio de enfrentar os homens.<strong><em> in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 uma longa interven\u00e7\u00e3o de Jeremias que deve ser proclamada tendo em aten\u00e7\u00e3o os diversos tons que o discurso apresenta: amea\u00e7ador, vingativo, esperan\u00e7a e o louvor. Este crescendo desde o cen\u00e1rio de terror e amea\u00e7a at\u00e9 ao j\u00fabilo e louvor deve ser evidente na proclama\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> requer uma acurada prepara\u00e7\u00e3o. Devido \u00e0s frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es e \u00e0 sua constru\u00e7\u00e3o fr\u00e1sica, o leitor deve perceber bem a mensagem a transmitir e proceder a uma leitura articulada e pausada do texto para que possa eficazmente proclamar este texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Preven\u00e7\u00e3o adicional aos leitores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As leituras deste domingo t\u00eam g\u00e9neros liter\u00e1rios muito diferentes. Nenhuma \u00e9 f\u00e1cil de se ler em p\u00fablico. Onde tal n\u00e3o acontece, \u00e9 bom adquirir o h\u00e1bito de prevenir os leitores, com anteced\u00eancia, para prepararem a proclama\u00e7\u00e3o das leituras. Melhor ainda, deveria haver um tempo durante a semana para meditarem e prepararem em conjunto os textos b\u00edblicos que v\u00e3o proclamar no domingo. Existir um grupo de leitores \u00e9 tamb\u00e9m para isso, n\u00e3o apenas para constarem de uma lista&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/06\/20\/nao-tenhais-medo-2\/\"><strong>N\u00c3O TENHAIS MEDO!<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos a escutar, neste Domingo XII do Tempo Comum, o Discurso Mission\u00e1rio de Jesus no Evangelho de Mateus, hoje Mateus 10,26-33. Omitiu-se Mateus 10,9-25, em que Jesus fazia aos seus Doze Ap\u00f3stolos apelos ao despojamento radical \u2013 sem ouro, nem prata, nem cobre, nem alforge, nem duas t\u00fanicas, nem sand\u00e1lias, nem cajado, nem p\u00e3o; apenas Paz \u2013 e os prevenia para as persegui\u00e7\u00f5es que viriam de toda a parte. Neste contexto, \u00e9 importante que n\u00e3o nos precipitemos a expor as nossas raz\u00f5es, que nada valem, mas que saibamos dar lugar ao Esp\u00edrito do nosso Pai. Ele \u00e9 que sabe dizer a Paz do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A per\u00edcope de hoje est\u00e1 atravessada pela confian\u00e7a em Deus, nosso Pai, que cuida de n\u00f3s em todas as circunst\u00e2ncias. Da\u00ed a locu\u00e7\u00e3o \u00abn\u00e3o tenhais medo!\u00bb, verbo grego\u00a0<em>phob\u00e9omai<\/em>, que soa no pequeno texto de hoje por tr\u00eas vezes (Mateus 10,26.28.31). Da\u00ed, a coragem serena que deve mover o disc\u00edpulo e enviado de Jesus a falar claro, \u00e0 luz do dia ou sobre os telhados, em todas as circunst\u00e2ncias. De resto, \u00e9 \u00f3bvio que sendo o disc\u00edpulo de Jesus mission\u00e1rio, n\u00e3o pode viver escondido nas catacumbas ou amuralhado no seu grupo de perten\u00e7a ou de conforto. O crist\u00e3o tem sempre pela frente o risco do mundo e da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, para ilustrar as suas palavras, surge o recurso carater\u00edstico de Jesus \u00e0s imagens simples da vida campestre. Dois passarinhos s\u00e3o vendidos por um asse, uma moedinha de cobre, pequenina, que valia 1\/16 avos de um den\u00e1rio. O den\u00e1rio era o equivalente ao sal\u00e1rio de um dia de um trabalhador. Portanto, do menor para o maior, \u00e0 boa maneira rab\u00ednica, se Deus, nosso Pai, cuida desses passarinhos, pequeninos, quanto mais far\u00e1 sentir a sua provid\u00eancia sobre n\u00f3s (Mateus 10,29-31).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 assim tamb\u00e9m que, em pura sintonia com o Evangelho, entre a persegui\u00e7\u00e3o de todos e o amor de Deus que tudo supera e vence, nos chega hoje a voz simultaneamente dorida e tranquila, mas sempre apaixonada e orante de Jeremias 20,10-13. \u00c9 um extrato de uma das suas \u00abconfiss\u00f5es\u00bb, que se podem ver em Jeremias 11,18-12,6; 15,10-21; 17,12-18; 18,18-23; 20,7-18, e que s\u00e3o uma esp\u00e9cie de di\u00e1rio interior, autobiogr\u00e1fico, em que o profeta de Anat\u00f4t, uma aldeiazinha situada a meia-d\u00fazia de km a nordeste de Jerusal\u00e9m, grita a Deus as dores e os amores da sua vida. Jeremias atravessou o per\u00edodo mais dram\u00e1tico da hist\u00f3ria do seu pa\u00eds, vendo primeiro, em 609, morrer tragicamente o justo rei Josias, subir ao trono o tirano rei Joaquim (609-597), assiste \u00e0s duas entradas do babil\u00f3nio Nabucodonosor em Jerusal\u00e9m, em 597 e 587, sendo a segunda para arrasar Jerusal\u00e9m e o Templo, deportar o rei Sedecias e p\u00f4r fim \u00e0 na\u00e7\u00e3o de Jud\u00e1. No meio de tudo isto, muita corrup\u00e7\u00e3o, muita viol\u00eancia, muitos interesses em jogo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jeremias \u00e9 dotado de uma sensibilidade apurad\u00edssima. Ele \u00e9, com certeza, o mais terno dos homens da B\u00edblia, um rom\u00e2ntico afei\u00e7oado ao seu pa\u00eds, \u00e0 sua religi\u00e3o e ao seu Deus, \u00e0 sua aldeia natal de Anat\u00f4t, aos afetos e ao amor. Todavia, por n\u00e3o poder calar o que tem de dizer, por n\u00e3o poder fugir de Deus e da sua Palavra, v\u00ea-se excomungado, perseguido pelos seus conterr\u00e2neos de Anat\u00f4t, denunciado por parentes e amigos, obrigado a n\u00e3o poder constituir fam\u00edlia com a mulher amada (Jeremias 16,2). Por todos amaldi\u00e7oado (Jeremias 15,10), perseguido pelo poder, torturado e flagelado (Jeremias 20,1-6), preso (Jeremias 37,13-38,6) e exilado para o Egito (Jeremias 43,6-7), Jeremias continuou sempre a gritar a Palavra a arder que lhe chegava de Deus (Jeremias 15,16; 20,9). Jeremias articula muito bem, na sua vida, tal como Jesus e os seus disc\u00edpulos de todos os tempos, miss\u00e3o, persegui\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por falar em miss\u00e3o, persegui\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a, a\u00ed est\u00e1 o Ap\u00f3stolo. S. Paulo explica bem, na grande li\u00e7\u00e3o da Carta aos Romanos de hoje (5,12-15), que a Lei, por melhor que seja, n\u00e3o anula o pecado nem cura da morte. Antes, torna o pecado manifesto, pois a Lei \u00e9 uma esp\u00e9cie de dique que aumenta a albufeira do pecado, e, portanto, o vau da morte. Aumentando a albufeira do pecado, torna-o vis\u00edvel, mostra-o, f\u00e1-lo entrar pelos olhos dentro. \u00c9 assim que se pode ver depois, tamb\u00e9m, com todo o relevo e a toda a luz, a gra\u00e7a de Cristo Salvador. Foi quanto Paulo foi for\u00e7ado a ver na estrada de Damasco. Tanto viu que ficou encandeado, e nunca mais viu como via antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 69, que \u00e9 uma s\u00faplica individual, continua a mostrar, com linguagem forte, como \u00e9 habitual nos Salmos, figuras orantes e cheias de esperan\u00e7a, como Jeremias, por todos perseguidas e abandonadas, mas sempre com Deus por perto, que escuta as s\u00faplicas e o louvor dos pobres e humildes. O trono de Deus, a sua c\u00e1tedra, s\u00e3o as nossas mis\u00e9rias e as nossas dores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabes, meu irm\u00e3o, que em Anat\u00f4t,<br \/>\nH\u00e1 uma amendoeira em flor carregada de esperan\u00e7a.<br \/>\nSim, em Anat\u00f4t, de Anat\u00f4t, a amendoeira levanta-se<br \/>\nE planta-se no teu cora\u00e7\u00e3o r\u00f3seo-branco de crian\u00e7a.<br \/>\nSim, em Anat\u00f4t, Foz Coa, Kilimanjaro, Lamego,<br \/>\nA\u00ed mesmo no ch\u00e3o do teu cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\nTanto faz, minha irm\u00e3, meu irm\u00e3o.<br \/>\nSai dessa reclus\u00e3o<br \/>\nE vem expor-te<br \/>\nA este vendaval manso de gra\u00e7a e de perd\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A amendoeira em flor \u00e9 uma toalha branca estendida pelo ch\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o pela minha m\u00e3o,<br \/>\nIncapaz de tecer um tal manto de brancura,<br \/>\nMas pela m\u00e3o de Deus,<br \/>\nQue tamb\u00e9m faz brotar o vinho e o p\u00e3o<br \/>\nE a ternura<br \/>\nNo nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Leitura-I-do-XII-Domingo-do-Tempo-Comum-Ano-A-25.06.2023-Jer-2010-13.pdf\">Leitura I do XII Domingo do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 25.06.2023 (Jer 20,10-13)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Leitura-II-do-XII-Domingo-do-Tempo-Comum-Ano-A-25.06.2023-Rom-5-12-15.pdf\">Leitura II do XII Domingo do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 25.06.2023 (Rom 5, 12-15)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Domingo-XII-do-Tempo-Comum-Ano-A-25.06.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 25.06.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Domingo-XII-do-Tempo-Comum-Ano-A-25.06.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 25.06.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XI do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 18.06.2023&#8243; tab_id=&#8221;1687768540524-c83e6ce8-9d32&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XI do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 18.06.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00ab<sup>5<\/sup>Jesus enviou estes doze, depois de lhes ter dado as seguintes instru\u00e7\u00f5es: \u00abN\u00e3o sigais pelo caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos.\u00a0<sup>6<\/sup>Ide, primeiramente, \u00e0s ovelhas perdidas da casa de Israel.\u00a0<sup>7<\/sup>Pelo caminho, proclamai que o Reino do C\u00e9u est\u00e1 perto.\u00a0<sup>8<\/sup>Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os dem\u00f3nios. Recebestes de gra\u00e7a, dai de gra\u00e7a.\u00bb<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Domingo-XI.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os textos evang\u00e9licos referem-nos algumas vezes o olhar de Jesus que se eleva para o C\u00e9u (Jo 17,1), que olha o horizonte e contempla os reinos do universo (Lc 4,5), que olha para o ch\u00e3o (Jo 8,6). Contudo, ao ler os evangelhos fica sempre gravado no meu cora\u00e7\u00e3o o modo como Jesus olha para aqueles que se cruzam com Ele. Tem a capacidade de olhar as multid\u00f5es e dirigir a todos palavras de alento e esperan\u00e7a. Mas n\u00e3o se det\u00e9m apenas a olhar para as multid\u00f5es como uma massa an\u00f3nima e indiscriminada, mas fixa alguns em particular, chama-os pelo nome, entra na sua hist\u00f3ria e oferece-lhes um sentido novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus olha realmente a realidade n\u00e3o para a julgar e condenar, mas para a conhecer e amar. Jesus, o Enviado do Pai, n\u00e3o \u00e9 portador de um plano predeterminado, mas diante de cada pessoa, de cada realidade e de cada circunst\u00e2ncia faz presente o amor que salva, redime e oferece vida nova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguir Jesus \u00e9 entrar nesta nova l\u00f3gica de ser e de estar que se traduz numa nova l\u00f3gica de servir e amar. Quantas vezes, de modo individual ou coletivo, perdemos tanto tempo a julgar a realidade ou a lutar contra ela ao inv\u00e9s de cultivar um olhar compadecido e misericordioso capaz de dialogar com a realidade, oferecendo a vida nova que nasce da \u00fanica proposta que temos para levar ao mundo: Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante das multid\u00f5es que andam desorientadas e abatidas \u00ab<em>como ovelhas sem pastor<\/em>\u00bb, Jesus enche-se de compaix\u00e3o e alerta-nos para a despropor\u00e7\u00e3o entre o imenso trabalho a fazer e a escassez dos meios dispon\u00edveis: \u00ab<em>A seara \u00e9 grande, mas os trabalhadores s\u00e3o poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara<\/em>\u00bb. O an\u00fancio do Reino de Deus h\u00e1-de ter sempre esta marca da despropor\u00e7\u00e3o entre a imensa miss\u00e3o a realizar e a fragilidade das nossas for\u00e7as. Contudo, ser\u00e1 precisamente esta despropor\u00e7\u00e3o a recordar-nos em cada dia que somos oper\u00e1rios da seara e que a obra \u00e9 de Deus e que atrav\u00e9s das nossas fr\u00e1geis m\u00e3os e das nossas vidas, tantas vezes vacilantes, Deus atua no mundo para l\u00e1 das nossas capacidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da compaix\u00e3o pelas multid\u00f5es e do pedido de ora\u00e7\u00e3o para que o Senhor envie trabalhadores para a Sua seara nasce a miss\u00e3o dos doze que s\u00e3o chamados cada um pelo seu nome com instru\u00e7\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es precisas. Na verdade, a miss\u00e3o nasce da compaix\u00e3o e da ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhar o mundo com o olhar de Jesus, contemplando \u00ab<em>as alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem<\/em>\u00bb (GS 1) \u00e9 o ponto de partida para a miss\u00e3o. Mas sabemos que n\u00e3o vamos sozinhos. N\u00e3o somos senhores da seara nem trabalhadores por conta pr\u00f3pria, por isso, unimo-nos a Deus pela ora\u00e7\u00e3o e nela encontramos a fonte da miss\u00e3o, a for\u00e7a para o caminho e a garantia de que \u00e9 Deus que age no mundo para que o Reino de Deus aconte\u00e7a atrav\u00e9s de n\u00f3s e em n\u00f3s. Neste envio dos doze, Jesus convida os seus disc\u00edpulos a olhar o outro na totalidade da sua vida e a socorrer as suas necessidades: acolher, amar, curar, expulsar os dem\u00f3nios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas vezes a a\u00e7\u00e3o da Igreja centra-se apenas nos sacramentos e, de modo particular, na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia e bem sabemos a falta da Eucaristia na vida de uma comunidade. Nos tempos exigentes de pandemia que atravess\u00e1mos, experiment\u00e1mos e reconhecemos como a celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria da f\u00e9 se constitui como fonte e cume da vida crist\u00e3. Contudo, enviados por Jesus como os doze, somos chamados a alargar o nosso horizonte e partir como disc\u00edpulos mission\u00e1rios para contagiar o mundo com o amor misericordioso de Deus. A compaix\u00e3o e a ora\u00e7\u00e3o ser\u00e3o pilares seguros e ponto de partida fundamental para repensar a nossa pastoral e para fazer ecoar no mundo a certeza do amor de Deus que transforma a vida e torna o mundo um lugar melhor e mais feliz. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia de 16 de junho, Sexta-feira depois do segundo Domingo depois do Pentecostes, celebramos a Solenidade do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. Este dia \u00e9 tamb\u00e9m dedicado \u00e0 ora\u00e7\u00e3o pela santifica\u00e7\u00e3o dos sacerdotes. Deste modo, celebrando o amor misericordioso de Jesus revelado pelo Seu cora\u00e7\u00e3o cheio de amor, somos convidados a rezar pela santifica\u00e7\u00e3o daqueles a quem o Senhor confiou o minist\u00e9rio ordenado. As comunidades crist\u00e3s s\u00e3o convidadas a dinamizar este dia, atrav\u00e9s dos mais diversos meios, exortando sempre \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e podendo fazer desta data tamb\u00e9m uma oportunidade para um trabalho de sensibiliza\u00e7\u00e3o vocacional. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos em termos lit\u00fargicos o que se designa por o Tempo Comum. Estamos no ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Ex 19,2-6a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSe ouvirdes a minha voz, se guardardes a minha alian\u00e7a, sereis minha propriedade especial entre todos os povos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>O texto que nos \u00e9 proposto faz parte das \u201ctradi\u00e7\u00f5es sobre a alian\u00e7a do Sinai\u201d \u2013 um conjunto de tradi\u00e7\u00f5es de origem diversa, cujo denominador comum \u00e9 a reflex\u00e3o sobre um compromisso (\u201cberit\u201d \u2013 \u201calian\u00e7a\u201d) que Israel teria assumido com Jahw\u00e9h.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto situa-nos no deserto do Sinai, \u201cem frente do monte\u201d. No texto b\u00edblico, n\u00e3o temos indica\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas suficientes para identificar o \u201cmonte da alian\u00e7a\u201d. Em si, o nome Sinai n\u00e3o designa um monte, mas uma enorme pen\u00ednsula de forma triangular, com mais ou menos 420 quil\u00f3metros de extens\u00e3o norte\/sul, estendendo-se entre o mar Mediterr\u00e2neo e o mar Vermelho (no sentido norte\/sul) e o golfo do Suez e o golfo da \u00c1qaba (no sentido oeste\/este). A pen\u00ednsula \u00e9 um deserto \u00e1rido, escassamente povoado, de terreno acidentado e com v\u00e1rias montanhas que chegam a atingir 2400 metros de altura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 do s\u00e9c. IV d.C., no entanto, identifica o \u201cmonte da alian\u00e7a\u201d com o \u201cGebel Musah\u201d (o \u201cmonte de Mois\u00e9s\u201d), um monte com 2244 metros de altitude, situado a sul da pen\u00ednsula sina\u00edtica. Embora a identifica\u00e7\u00e3o do \u201cmonte da alian\u00e7a\u201d com este lugar levante problemas, o \u201cGebel Musah\u201d \u00e9, ainda hoje, um lugar de peregrina\u00e7\u00e3o para judeus e crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vai ser, pois, aqui, no Sinai, diante de \u201cum monte\u201d que Jahw\u00e9h e Israel se v\u00e3o comprometer numa \u201calian\u00e7a\u201d. A palavra hebraica \u201cberit\u201d, usada neste contexto, define um pacto entre duas partes, que implica direitos e obriga\u00e7\u00f5es, muitas vezes rec\u00edprocos. A \u201cberit\u201d raramente era escrita, mas tinha sempre valor jur\u00eddico. Habitualmente, o compromisso era selado por um ritual consagrado pelo uso, que inclu\u00eda um juramento e a imola\u00e7\u00e3o de animais em sacrif\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 \u00e0 luz deste esquema jur\u00eddico que Israel vai representar o seu compromisso com Jahw\u00e9h. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos num tempo em que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil \u2013 no meio da az\u00e1fama em que a vida decorre \u2013 reconhecer a presen\u00e7a, o amor e o cuidado de Deus com essa humanidade que Ele criou; alguns dos nossos contempor\u00e2neos chegam mesmo a falar da \u201cmorte de Deus\u201d, para exprimir a realidade de uma hist\u00f3ria de onde Deus parece estar totalmente ausente. O nosso texto, no entanto, revela um Deus empenhado em caminhar ao lado dos homens, em estabelecer com eles la\u00e7os de familiaridade e de comunh\u00e3o, em apresentar-lhes propostas de salva\u00e7\u00e3o, de liberta\u00e7\u00e3o, de vida definitiva. \u00c9 Deus que est\u00e1 ausente da hist\u00f3ria dos homens, ou s\u00e3o os homens que apostam noutros deuses (isto \u00e9, noutros esquemas de felicidade) e n\u00e3o t\u00eam tempo nem disponibilidade para encontrar o Deus da \u201calian\u00e7a\u201d e da comunh\u00e3o? Deus ter-Se-\u00e1 tornado indiferente e insens\u00edvel ao destino dos homens, ou s\u00e3o os homens que preferem trilhar caminhos de orgulho e de autossufici\u00eancia \u00e0 margem de Deus? Deus ter\u00e1 renunciado a estabelecer la\u00e7os familiares connosco, ou somos n\u00f3s que, em nome de uma pretensa liberdade, preferimos construir a hist\u00f3ria do mundo longe de Deus e das suas propostas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os autores do nosso texto definem a resposta do Povo aos desafios do Deus da \u201calian\u00e7a\u201d em termos de \u201couvir a voz\u201d de Deus e \u201cguardar a alian\u00e7a\u201d. \u201cOuvir a voz\u201d de Deus significa escutar as suas propostas, acolh\u00ea-las no cora\u00e7\u00e3o e transform\u00e1-las em gestos na vida di\u00e1ria; \u201cguardar a alian\u00e7a\u201d significa comprometer-se com as propostas de Deus e viver de forma coerente com os mandamentos\u2026 Objetivamente, o que \u00e9 que as propostas feitas por Deus significam na minha vida? O \u201ccaminho\u201d, que eu percorro dia a dia, est\u00e1 de acordo com esse \u201ccaminho\u201d de felicidade e de vida plena que Deus definiu e que me apresentou? As propostas de Deus interpelam-me e interferem com as minhas op\u00e7\u00f5es ou, na hora das decis\u00f5es, eu escolho de acordo com os meus interesses pessoais, prescindindo das indica\u00e7\u00f5es de Deus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Povo que aceita o compromisso com Deus e que \u201cembarca\u201d na aventura da \u201calian\u00e7a\u201d \u00e9 um Povo que \u00e9 propriedade de Deus, que aceita ficar ao servi\u00e7o de Deus. A sua miss\u00e3o \u00e9 testemunhar o projeto salvador de Deus diante de todos os povos da terra. Tenho consci\u00eancia de que, no dia do meu batismo, eu entrei na comunidade do Povo de Deus e assumi o compromisso de testemunhar Deus e o seu projeto de salva\u00e7\u00e3o diante do mundo? A minha vida tem sido coerente com esta op\u00e7\u00e3o? Tenho sido um sinal vivo do amor e da bondade de Deus diante dos homens e mulheres com quem me cruzo todos os dias? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a099 (100)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> N\u00f3s somos o povo de Deus, as ovelhas do seu rebanho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Rom 5,6-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abDeus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por n\u00f3s, quando \u00e9ramos ainda pecadores\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta aos Romanos \u2013 j\u00e1 o dissemos atr\u00e1s \u2013 \u00e9 um texto sereno e amadurecido, escrito por Paulo por volta do ano 57\/58 e no qual o ap\u00f3stolo apresenta uma s\u00edntese da sua mensagem e da sua prega\u00e7\u00e3o. O pretexto para a carta \u00e9 um projeto de passagem por Roma, a caminho de Espanha (cf. Rom 16,23-24): Paulo sente que terminou a sua miss\u00e3o no oriente e quer anunciar o Evangelho de Jesus no ocidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a opini\u00e3o da maioria dos estudiosos da Carta aos Romanos \u00e9 que Paulo se serve deste pretexto para lembrar, quer aos crist\u00e3os vindos do juda\u00edsmo (e para quem a salva\u00e7\u00e3o dependia da pr\u00e1tica da Lei de Mois\u00e9s), quer aos crist\u00e3os vindos do paganismo (e para quem a Lei de Mois\u00e9s constitu\u00eda um empecilho) o essencial da mensagem crist\u00e3. Paulo insiste, sobretudo, no facto de a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser uma conquista do homem, mas um dom do amor de Deus. Na verdade, todos os homens vivem mergulhados no pecado, pois o pecado \u00e9 uma realidade universal (cf. Rom 1,18-3,20); mas Deus, na sua bondade, a todos \u201cjustifica\u201d e salva (cf. Rom 3,1-5,11); e essa salva\u00e7\u00e3o \u00e9 oferecida por Deus ao homem atrav\u00e9s de Jesus Cristo; ao homem, resta aderir a essa proposta de salva\u00e7\u00e3o, na f\u00e9 (cf. Rom 5,12-8,39).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto \u00e9 a parte final de uma per\u00edcope que come\u00e7a em Rom 5,1. Nessa per\u00edcope, Paulo explica o que brota dessa \u201cjustifica\u00e7\u00e3o\u201d que Deus nos ofereceu: em primeiro lugar, a paz, que \u00e9 a plenitude dos bens (cf. Rom 5,1); em segundo lugar, a esperan\u00e7a, que nos permite caminhar por este mundo de cabe\u00e7a levantada, de olhos postos no futuro glorioso da vida em plenitude (cf. Rom 5,2-4). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir das seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O crist\u00e3o \u00e9 fundamentalmente algu\u00e9m que descobriu que Deus o ama. Por isso, enfrenta cada dia com a serenidade, a alegria, a esperan\u00e7a que brotam dessa certeza fundamental. A certeza do amor de Deus condiciona a minha vida, a minha forma de enfrentar as dificuldades, o meu jeito de responder aos desafios que a vida me coloca?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor de Deus \u00e9 totalmente gratuito, incondicional e eterno. N\u00e3o espera nada em troca; n\u00e3o p\u00f5e condi\u00e7\u00f5es para se derramar sobre o homem; n\u00e3o \u00e9 descart\u00e1vel\u2026 Numa \u00e9poca em que a cultura dominante (n\u00e3o s\u00f3 a \u201ccultura das telenovelas\u201d, mas tamb\u00e9m a cultura de certas elites pretensamente iluminadas) vende a imagem do amor interesseiro, condicionado e ef\u00e9mero, o amor de Deus constitui um tremendo desafio aos crentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor de Deus \u00e9 universal. N\u00e3o marginaliza nem discrimina ningu\u00e9m, n\u00e3o distingue entre amigos e inimigos, n\u00e3o condena irremediavelmente os que falharam nem os afasta do conv\u00edvio de Deus. N\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, somos testemunhas deste amor? Como \u00e9 que tratamos e acolhemos aqueles que n\u00e3o concordam connosco, que assumem atitudes problem\u00e1ticas, que fracassaram no seu casamento, que t\u00eam comportamentos considerados social ou religiosamente incorretos?<strong><em> In Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 9,36-38.10,1-8<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abJesus, ao ver as multid\u00f5es, encheu-Se de compaix\u00e3o, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor.\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abDepois chamou a Si os seus doze disc\u00edpulos e deu-lhes poder de expulsar os esp\u00edritos impuros e de curar todas as doen\u00e7as e enfermidades.\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de ter apresentado Jesus (cf. Mt 1,1-4,22) e de ter mostrado Jesus a anunciar o \u201cReino\u201d em palavras e em obras (cf. Mt 4,23-9,35), Mateus vai descrever o envio dos disc\u00edpulos em miss\u00e3o (cf. Mt 9,36-11,1). Os disc\u00edpulos s\u00e3o aqueles que Jesus chamou, que responderam positivamente a esse chamamento e seguiram Jesus; durante a caminhada que fizeram com Jesus, escutaram os seus ensinamentos e testemunharam os seus sinais. Formados por Jesus na \u201cescola do Reino\u201d, eles podem agora ser enviados ao mundo, a fim de anunciar a todos os homens a chegada do \u201cReino dos C\u00e9us\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os estudiosos do Evangelho segundo Mateus costumam chamar ao texto que vai de 9,36 a 11,1, o \u201cdiscurso da miss\u00e3o\u201d: nele, Jesus envia os disc\u00edpulos e define a miss\u00e3o desses disc\u00edpulos \u2013 anunciar a chegada do \u201cReino\u201d. Este \u201cdiscurso da miss\u00e3o\u201d consta de v\u00e1rias partes: uma introdu\u00e7\u00e3o (cf. Mt 9,36-38); o chamamento e o envio dos disc\u00edpulos (cf. Mt 10,1-15); uma instru\u00e7\u00e3o sobre o \u201ccaminho\u201d que os disc\u00edpulos t\u00eam de percorrer (cf. 10,16-42); uma conclus\u00e3o (cf. Mt 11,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de um discurso composto por Mateus a partir de diversos materiais. O autor combinou aqui relatos de envio, \u201cditos\u201d de Jesus acerca dos \u201cdoze\u201d e v\u00e1rias outras \u201csenten\u00e7as\u201d de Jesus que originalmente n\u00e3o foram proferidas neste contexto concreto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mateus escreve o seu Evangelho durante a d\u00e9cada de 80. Dirige-o a uma comunidade viva e entusiasta, profundamente empenhada na atividade mission\u00e1ria (poder\u00e1 ser a comunidade crist\u00e3 de Antioquia da S\u00edria). No entanto, as dificuldades encontradas no an\u00fancio do Evangelho e a persegui\u00e7\u00e3o traziam essa comunidade algo desorientada e perturbada. Neste contexto, Mateus comp\u00f4s uma esp\u00e9cie de \u201cmanual do mission\u00e1rio crist\u00e3o\u201d, que enra\u00edza a miss\u00e3o em Jesus Cristo, apresenta os conte\u00fados do an\u00fancio que os disc\u00edpulos s\u00e3o chamados a proclamar e define as atitudes fundamentais que os mission\u00e1rios devem assumir. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir das seguintes quest\u00f5es e desenvolvimentos<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como cen\u00e1rio de fundo desta catequese sobre o envio dos disc\u00edpulos est\u00e1 o amor e a solicitude de Deus pelo seu Povo. N\u00e3o esque\u00e7amos isto: Deus nunca Se ausentou da hist\u00f3ria dos homens; Ele continua a construir a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e a insistir em levar o seu Povo ao encontro da verdadeira liberdade, da verdadeira felicidade, da vida definitiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 que Deus age hoje no mundo? A resposta que o Evangelho deste domingo d\u00e1 \u00e9: atrav\u00e9s desses disc\u00edpulos que aceitaram responder positivamente ao chamamento de Jesus e embarcaram na aventura do \u201cReino\u201d. Eles continuam hoje no mundo a obra de Jesus e anunciam \u2013 com palavras e com gestos \u2013 esse mundo novo de felicidade sem fim que Deus quer oferecer aos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aten\u00e7\u00e3o: Jesus n\u00e3o chama apenas um grupo de \u201cespecialistas\u201d para O seguir e para dar testemunho do \u201cReino\u201d. Os \u201cdoze\u201d representam a totalidade do Povo de Deus. \u00c9 a totalidade do Povo de Deus (os \u201cdoze\u201d) que \u00e9 enviada, a fim de continuar a obra de Jesus no meio dos homens e anunciar-lhes o \u201cReino\u201d. Tenho consci\u00eancia de que isto me diz respeito e que eu perten\u00e7o \u00e0 comunidade que Jesus envia em miss\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual \u00e9 a miss\u00e3o dos disc\u00edpulos de Jesus? \u00c9 lutar objetivamente contra tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de ser feliz. Hoje h\u00e1 estruturas que geram guerra, viol\u00eancia, terror, morte: a miss\u00e3o dos disc\u00edpulos de Jesus \u00e9 contest\u00e1-las e desmont\u00e1-las; hoje h\u00e1 \u201cvalores\u201d (apresentados como o \u201c\u00faltimo grito\u201d da moda, do avan\u00e7o cultural ou cient\u00edfico) que geram escravid\u00e3o, opress\u00e3o, sofrimento: a miss\u00e3o dos disc\u00edpulos de Jesus \u00e9 recus\u00e1-los e denunci\u00e1-los; hoje h\u00e1 esquemas de explora\u00e7\u00e3o (disfar\u00e7ados de sistemas econ\u00f3micos geradores de bem-estar) que geram mis\u00e9ria, marginaliza\u00e7\u00e3o, debilidade, exclus\u00e3o: a miss\u00e3o dos disc\u00edpulos de Jesus \u00e9 combat\u00ea-los. A proposta libertadora de Jesus tem de estar presente (atrav\u00e9s dos disc\u00edpulos) em qualquer lado onde houver um irm\u00e3o v\u00edtima da escravid\u00e3o e da injusti\u00e7a. \u00c9 isso que eu procuro fazer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As obras que eu realizo s\u00e3o verdadeiramente um an\u00fancio do mundo novo que est\u00e1 para chegar? Eu procuro transmitir alegria, coragem e esperan\u00e7a \u00e0queles que vivem imersos no abatimento, na frustra\u00e7\u00e3o, no desespero? Eu procuro ser um sinal do amor e da ternura de Deus para aqueles que vivem sozinhos, abandonados, marginalizados?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso servi\u00e7o ao \u201cReino\u201d \u00e9 um servi\u00e7o totalmente gratuito, ou \u00e9 um servi\u00e7o que serve para promover os nossos interesses, a nossa pessoa, os nossos esquemas de realiza\u00e7\u00e3o pessoal? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong> deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o as palavras \u00ab<em>Refidim<\/em>\u00bb e \u00ab<em>Sinai<\/em>\u00bb para uma correta pronuncia\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, ter em conta a articula\u00e7\u00e3o entre a parte narrativa e o discurso direto em que Deus se dirige a Mois\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> exige uma acurada prepara\u00e7\u00e3o, assinalando as pausas e respira\u00e7\u00f5es. A falta de aten\u00e7\u00e3o na proclama\u00e7\u00e3o deste texto pode distorcer completamente a sua mensagem e torn\u00e1-la impercet\u00edvel. Pede-se uma especial aten\u00e7\u00e3o nesta frase: \u00ab<em>Dificilmente algu\u00e9m morre por um justo; \/\/\/ por um homem bom, talvez algu\u00e9m tivesse a coragem de morrer<\/em>\u00bb. Depois da palavra \u00abjusto\u00bb, deve haver uma clara separa\u00e7\u00e3o da frase seguinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/06\/13\/missao-mudanca-de-lugar-e-de-modo\/\"><strong>MISS\u00c3O: MUDAN\u00c7A DE LUGAR E DE\u00a0MODO<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atravessada em seis etapas dominicais (Domingos IV a IX) a paisagem sublime das alturas do Discurso program\u00e1tico da Montanha (Mateus 5,1-7,29), e tendo vivido de perto a cena do chamamento e resposta imediata e festiva de Mateus (Mateus 9,9-13) (Domingo X), ficaremos agora, durante tr\u00eas Domingos (XI-XIII) com o chamado \u201cDiscurso Mission\u00e1rio\u201d (Mateus 9,36-11,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste Domingo XI, escutaremos Mateus 9,36-10,8. Tudo come\u00e7a pelo princ\u00edpio. E o princ\u00edpio \u00e9 sempre a compaix\u00e3o de Jesus, dita com o verbo\u00a0<em>splanchn\u00edzomai<\/em>, que implica um movimento visceral, maternal, de Jesus \u00e0 vista das multid\u00f5es cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor (Mateus 9,36). \u00c9 a mesma como\u00e7\u00e3o visceral, maternal, que encontramos em tantas outras circunst\u00e2ncias: a cena da vi\u00fava de Naim (Lucas 7,13), do bom samaritano (Lucas 10,33), do pai da par\u00e1bola da miseric\u00f3rdia (Lucas 15,20). A express\u00e3o \u00abcomo ovelhas sem pastor\u00bb \u00e9 uma maneira de dizer muito b\u00edblica para expressar a dispers\u00e3o, o desalento e o desencanto das pessoas (N\u00fameros 27,17; 1 Reis 22,17; Judite 11,19; Ezequiel 34,5-6). E sempre com a mesma maneira de ver enternecida e comovida, Jesus diz logo para os seus disc\u00edpulos: \u00abA messe \u00e9 grande, mas os trabalhadores s\u00e3o poucos; pedi, pois, ao Senhor da messe que mande trabalhadores para a sua messe\u00bb (Mateus 9,37-38). A messe, grego\u00a0<em>therism\u00f3s<\/em>, qualifica a colheita, n\u00e3o a sementeira. \u00c9 outra imagem muito b\u00edblica para desenhar, n\u00e3o o tempo da espera e prepara\u00e7\u00e3o, mas o tempo da realiza\u00e7\u00e3o do Reino de Deus, com a vinda do Messias. Por isso tamb\u00e9m, \u00e9 um tempo novo, de alegria e de can\u00e7\u00f5es, como refere o Salmo 126,5-6. A imagem da messe, que traz consigo a realiza\u00e7\u00e3o do Reino de Deus, completa a imagem do jejum, referida pouco atr\u00e1s, em Mateus 9,14-15. Os disc\u00edpulos de Jo\u00e3o Batista e os fariseus jejuam para apressar a vinda do Messias. Os disc\u00edpulos de Jesus n\u00e3o jejuam, porque o Messias j\u00e1 est\u00e1 com eles. Ele \u00e9 o Reino-de-Deus em Pessoa, a\u00a0<em>Autobasile\u00eda<\/em>, no dizer certeiro e contundente de Or\u00edgenes (185-254). \u00c9 por isso que o dizer dos Ap\u00f3stolos soa: \u00abFez-se pr\u00f3ximo o REINO dos C\u00c9US\u00bb (Mateus 10,7b), sendo que \u00abfez-se pr\u00f3ximo\u00bb est\u00e1 escrito em grego com\u00a0<em>\u00e9ggiken<\/em>, que \u00e9 o perfeito do verbo\u00a0<em>egg\u00edz\u00f4<\/em>. E j\u00e1 se sabe que o perfeito grego come\u00e7a e continua, n\u00e3o est\u00e1 de passagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste contexto que Jesus envia em miss\u00e3o os seus Doze Ap\u00f3stolos, citados pelo nome, e que ficam fortemente vinculados a Jesus: 1) pelo chamamento (10,1a); 2) pela autoridade dada (10,1b); 3) pelo envio (10,5 e 16); 4) pelo an\u00fancio (<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>), que coloca sobre eles a marca da fidelidade (10,7a); 5) pelas palavras que devem dizer: \u00abFez-se pr\u00f3ximo o REINO dos C\u00c9US\u00bb (10,7b), que j\u00e1 foram postas na boca de Jesus (4,17) e de Jo\u00e3o Batista (3,2); 6) pelas obras que devem realizar (10,1 e 8), que s\u00e3o tamb\u00e9m realizadas por Jesus (4,23-24; 8,16-17), e servem para identificar Jesus (11,5); 7) indo, antes de mais, \u00e0 procura das ovelhas perdidas (10,6; cf. 18,12), como Jesus (9,36; 15,24); 8) pela Gra\u00e7a preveniente e concomitante (10,8); 9) pela sobriedade e despojamento, pobreza e simplicidade (10,9-10), que os conforma ao \u00abFilho do Homem\u00bb, que \u00abn\u00e3o tem onde reclinar a cabe\u00e7a\u00bb (8,20), at\u00e9 \u00e0 Cruz (Jo\u00e3o 19,30); 10) pela imensa dignidade impressa em cada ser humano, imagem de Deus: da\u00ed o invulgar \u00absem sand\u00e1lias (s\u00f3 em Mateus e Lucas 10,4) nem bast\u00e3o\u00bb (10,10); sem sand\u00e1lias: \u00e9 assim que se est\u00e1 na presen\u00e7a do Deus santo (Ex 3,5; Js 5,15); sem sand\u00e1lias e sem bast\u00e3o: era assim que se entrava no Templo (os sacerdotes oficiavam descal\u00e7os) e na sinagoga; os enviados de Jesus v\u00e3o na presen\u00e7a de Deus e veem em cada ser humano a imagem de Deus; 11) pelo sustento (10,10), dado por Deus ao seu Servo e a Jesus, conforme a li\u00e7\u00e3o de Isa\u00edas 42,1, texto citado por Mateus em 12,18; ver tamb\u00e9m Elias, que bebe da torrente e \u00e9 alimentado pelos corvos (1 Reis 17,4-6), e o Rei messi\u00e2nico que, a caminho, bebe da torrente (Salmo 110,7); 12) sacudir o p\u00f3 dos p\u00e9s ao sair de casas e cidades n\u00e3o acolhedoras (10,14) reclama a remo\u00e7\u00e3o do p\u00f3 profano num caminho sagrado; 13) pela rejei\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o que lhes ser\u00e1 movida (10,16-19), que \u00e9 tamb\u00e9m, desde o princ\u00edpio, a persegui\u00e7\u00e3o movida a Jesus (2,13); 14) pelo acompanhamento permanente e tranquilo do Pai e do seu Esp\u00edrito, pelo que devemos fazer pausa e bemol, para que seja o Esp\u00edrito a falar em n\u00f3s (10,19-20; cf. 17,9); 15) acolher os Doze \u00e9 acolher Jesus e o Pai (10,40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As anota\u00e7\u00f5es acabadas de fazer dizem respeito a todo o discurso mission\u00e1rio, e devem, por isso, ser tidas em considera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nos pr\u00f3ximos dois Domingos. Jesus chama os Doze, d\u00e1-lhes autoridade e envia-os. A autoridade n\u00e3o \u00e9 coisa pr\u00f3pria dos Doze. \u00c9 dada e recebida da fonte, que \u00e9 Jesus. E destina-se a libertar as pessoas da influ\u00eancia dos esp\u00edritos impuros e a curar. Nas pessoas simples da Palestina do tempo de Jesus, estava ancorada a cren\u00e7a nos esp\u00edritos bons e maus que governavam o mundo e se instalavam como parasitas nas pessoas. Expulsar os esp\u00edritos maus n\u00e3o \u00e9 nem menos eficaz nem menos cred\u00edvel que as curas psicanal\u00edticas atuais. O envio \u00e9 para anunciar (<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>) que o Reino dos C\u00e9us se fez pr\u00f3ximo e que \u00e9 preciso ir \u00e0 procura das ovelhas perdidas e encher o mundo de paz e de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 resguardar-se no seu grupo de perten\u00e7a, e, desde a\u00ed, fazer proselitismo e propaganda (paradigma identit\u00e1rio e totalit\u00e1rio). A miss\u00e3o implica sair de si, mudan\u00e7a de lugar e de modo, n\u00e3o ficar aqui ou ali e n\u00e3o ficar assim. Implica ir \u00e0 procura do outro perdido em qualquer margem da vida, acolh\u00ea-lo e velar por ele (paradigma alterit\u00e1rio).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um \u00edcone ilustrativo deste grande Cap\u00edtulo X de Mateus: num dia de fevereiro de 1208, talvez no dia 24, Festa de S. Matias, na igreja de\u00a0<em>Santa Maria degli Angeli<\/em>\u00a0(Porziuncola), em Assis, um homem rico e at\u00e9 ent\u00e3o dado a n\u00e3o poucos devaneios, ouviu a leitura desta p\u00e1gina luminosa. Acendeu-se-lhe o cora\u00e7\u00e3o. Nesse dia nasceu, ou completou o seu novo nascimento, S. Francisco de Assis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O contraponto musical em pura sintonia vem hoje do grande texto de \u00caxodo 19,2-6, e lan\u00e7a a semente para tempos de colheita e realiza\u00e7\u00e3o que h\u00e3o de vir, e que o Evangelho mostra cumpridos. O \u00abdizer\u00bb de Deus est\u00e1 guardado no centro da estrutura, como num envelope. Tem a ver com um passado de gra\u00e7a operado por Deus em favor dos Filhos de Israel e por estes experimentado e por um futuro de gra\u00e7a oferecido por Deus e que pode ser tamb\u00e9m experimentado. \u00abV\u00f3s vistes o que Eu fiz ao Egito, como vos carreguei sobre asas de \u00e1guia e vos trouxe at\u00e9 mim\u00bb (\u00caxodo 19,4), eis o passado de gra\u00e7a, com f\u00e9 e amor recitado \u2013 \u00abo relato acredita-se; a hist\u00f3ria sabe-se\u00bb \u2013, \u00abm\u00f3dulo narrativo\u00bb el\u00e1stico e miniatural que carinhosamente guardamos e transportamos connosco como uma joia de fam\u00edlia, junto ao cora\u00e7\u00e3o: \u00e9 pequeno, trabalho delicado de art\u00edstica e carinhosa miniatura, que recolhe com ternura o passado e o torna presente, para ser facilmente transportado e calorosamente recitado por cada um de n\u00f3s; nele nos reconhecermos, dele vivemos, com ele nos identificamos, com ele nos apresentamos. O passado e o futuro de gra\u00e7a rodam, por\u00e9m, sobre a resposta de ades\u00e3o a Deus que Israel tem de dar, e n\u00e3o pode deixar de dar, exigida por aquele enf\u00e1tico \u00abE AGORA\u00bb (<em>w<sup>e<\/sup>\u2018attah<\/em>) que ocupa o centro da estrutura. Salta \u00e0 vista que h\u00e1 um \u00abdizer\u00bb de Deus a atravessar o texto, a atravessar Israel e a atravessar-nos a n\u00f3s. Note-se ainda que est\u00e1 aqui a nascer um povo sacerdotal, verdadeiro \u00absacerd\u00f3cio comum dos fi\u00e9is\u00bb, assente na escuta e no cumprimento da Palavra, rela\u00e7\u00e3o nova de nova proximidade e nova familiaridade entre Deus e o seu povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta aos Romanos 5,6-11 mostra-nos aquele Jesus Cristo que se debru\u00e7a com amor sobre o nosso desvalor, exatamente como aparece no Evangelho de hoje, maternalmente se compadecendo das pessoas perdidas, cansadas e abatidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na tradi\u00e7\u00e3o judaica, o Salmo 100 constitui uma velha, pequena ora\u00e7\u00e3o que ressoa no nosso cora\u00e7\u00e3o como louvor ao Deus bom, cujo amor \u00e9 eterno. Intitula-se \u00abUm c\u00e2ntico para a\u00a0<em>t\u00f4dah<\/em>\u00bb (<em>mizm\u00f4r l<sup>e<\/sup>t\u00f4dah<\/em>), isto \u00e9, para a a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as ao Senhor. Este pequeno hino articula gritos de alegria, louvor, conhecimento, s\u00faplica, b\u00ean\u00e7\u00e3o. Agostinho comenta assim: \u00abDeixa que a ora\u00e7\u00e3o se transforme no teu alimento. Rezando, adquires novas energias, e Aquele a quem rezas torna-se mais doce para contigo\u00bb. No centro do pequeno hino est\u00e1 uma profiss\u00e3o de f\u00e9 no Senhor: o Senhor \u00e9 Deus, nosso criador, que estabeleceu a alian\u00e7a com Israel (\u00abn\u00f3s somos o seu povo\u00bb), o amor do Senhor \u00e9 para sempre, a sua fidelidade para todas as gera\u00e7\u00f5es (v. 3 e 5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Barcas ao largo,<br \/>\nCora\u00e7\u00f5es ao alto,<br \/>\nEm pura sintonia com a alegria do Evangelho,<br \/>\nIde!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ide<br \/>\nE entrai em cada cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\nSemeai a paz,<br \/>\nSaboreai o p\u00e3o que houver,<br \/>\nE que a m\u00e3o de Deus vos der.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o largueis nunca essa m\u00e3o de amor.<br \/>\n\u00c9 ela que vos guia<br \/>\nRumo \u00e0 alegria<br \/>\nDa messe e da miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acolhe, Senhor, a nossa prece<br \/>\nPor todos os que continuam a levar o teu amor<br \/>\nA toda a humanidade<br \/>\nE a fazer de cada cora\u00e7\u00e3o<br \/>\nA casa mais bela da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Leitura-I-Domingo-XI-do-Tempo-Comum-Ano-A-18.06.2023-Ex-19-2-6a.pdf\">Leitura I -Domingo XI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 18.06.2023 (Ex 19, 2-6a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Leitura-II-Domingo-XI-do-Tempo-Comum-Ano-A-18.06.2023-Rom-5-6-11.pdf\">Leitura II -Domingo XI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 18.06.2023 (Rom 5, 6-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Domingo-XI-do-Tempo-Comum-Ano-A-18.06.2023-Lecionario.pdf\">Domingo XI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 18.06.2023 -Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Domingo-XI-do-Tempo-Comum-Ano-A-18.06.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 18.06.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo X do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 11.06.2023&#8243; tab_id=&#8221;1687183588687-b12b1aff-696d&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo X do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 11.06.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00ab<sup>9<\/sup>Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobran\u00e7a, e disse-lhe: \u00abSegue-me!\u00bb E ele levantou-se e seguiu-o.\u00bb Mt 9, 9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Domingo-X.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desconcerta-me sempre a prontid\u00e3o com que respondem os que s\u00e3o chamados por Jesus nos relatos evang\u00e9licos. Mateus est\u00e1 sentado, no posto de cobran\u00e7a dos impostos, Jesus passa, v\u00ea-o, diz-lhe \u00absegue-Me\u00bb e \u00abele levantou-se e seguiu Jesus\u00bb. A sobriedade do relato, aliada \u00e0 decidida e pronta resposta de Mateus que se faz seguimento, revela a radicalidade que implica seguir Jesus. Se por um lado nos espanta a pronta resposta \u00e0quele chamamento, por outro, interpela-nos a aus\u00eancia de quest\u00f5es e resist\u00eancias. \u00c9 humanamente leg\u00edtimo sentir d\u00favidas, colocar quest\u00f5es e sentir dificuldade em sair da nossa zona de conforto, mas um relato vocacional n\u00e3o \u00e9 uma narrativa de horizonte meramente humano. \u00c9 a narrativa do olhar divino sobre a nossa humanidade, revelando muito mais do cora\u00e7\u00e3o misericordioso de Deus que da nossa fr\u00e1gil humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus omnipotente, omnisciente e omnipresente e tudo aquilo que Dele podemos dizer para falar da Sua total e radical separa\u00e7\u00e3o do que \u00e9 fr\u00e1gil e tang\u00edvel assume a natureza humana em Jesus Cristo e faz da nossa humanidade lugar de manifesta\u00e7\u00e3o da Sua divindade. A fr\u00e1gil condi\u00e7\u00e3o humana n\u00e3o \u00e9 necessariamente um obst\u00e1culo \u00e0 gra\u00e7a de Deus, mas o lugar escolhido por Deus para revelar a Sua divindade. Se em Mateus, Pedro e Andr\u00e9 ou Tiago e Jo\u00e3o a resposta ao chamamento do Mestre se faz pronta e decidida, percorrendo os evangelhos percebemos como esta resposta se traduziu num processo cont\u00ednuo e progressivo de acolhimento da pessoa e da mensagem de Jesus. Acolher a iniciativa de Jesus na nossa vida implica uma ades\u00e3o decidida e pronta, mas consciente do processo permanente de convers\u00e3o a que somos chamados. A vida da f\u00e9 \u00e9 tarefa sempre inacabada e um processo cont\u00ednuo, onde a tarefa primeira \u00e9 deixar-se olhar por Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percorrendo os caminhos da Judeia e da Galileia, Jesus cruza a vida de Deus com a vida da humanidade. Nos gestos e palavras de Jesus, a Igreja \u00e9 chamada a encontrar as coordenadas fundamentais para a sua a\u00e7\u00e3o no mundo. Ser Igreja em Sa\u00edda e Hospital de Campanha, partir ao encontro de quantos permanecem longe e sendo h\u00e1bil na arte de curar as feridas do cora\u00e7\u00e3o e da vida. N\u00e3o nos serve uma a\u00e7\u00e3o eclesial distante do mundo, tampouco um cristianismo que n\u00e3o seja desenhado na l\u00f3gica da incarna\u00e7\u00e3o. N\u00e3o somos os sadios que n\u00e3o precisam de m\u00e9dico, mas os pecadores que necessitam da medicinal miseric\u00f3rdia de Deus e, curados pelo Seu amor e pela Sua gra\u00e7a, tornamo-nos curadores feridos. Temos de aprender esta arte de sair ao encontro de quantos vivem nas periferias existenciais e propor um evangelho que se faz caminho e proximidade, miseric\u00f3rdia e encontro. Habitar o sentido do humano e o horizonte antropol\u00f3gico contempor\u00e2neo implica deixar-se olhar por Jesus e ser portador desse olhar para quantos se cruzam connosco no caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus Cristo revindica a miseric\u00f3rdia, preterindo-a aos sacrif\u00edcios e holocaustos. Jesus reivindica o cora\u00e7\u00e3o humano, mais do que qualquer sacrif\u00edcio de touros e carneiros. A nossa fr\u00e1gil condi\u00e7\u00e3o humana s\u00f3 pode ser curada pela miseric\u00f3rdia do Deus que nos convoca para a miss\u00e3o: \u00absegue-Me!\u00bb. A n\u00f3s cabe-nos confiar na promessa de Deus a nosso respeito, mesmo quando parece desafiar o humano nos seus limites, tal como Abra\u00e3o que \u00e9 chamado a ser pai de uma numerosa descend\u00eancia na idade avan\u00e7ada da sua vida e sendo a sua esposa est\u00e9ril.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus torna fecunda a terra \u00e1rida do nosso cora\u00e7\u00e3o \u00abcom a chuva da Primavera sobre a face da terra\u00bb e rasga horizontes de esperan\u00e7a na misericordiosa e acolhedora mesa da Eucaristia: a mesa da festa e da alegria, onde os pecadores se abrem \u00e0 gra\u00e7a. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia de 16 de junho, Sexta-feira depois do segundo Domingo depois do Pentecostes, celebramos a Solenidade do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. Este dia \u00e9 tamb\u00e9m dedicado \u00e0 ora\u00e7\u00e3o pela santifica\u00e7\u00e3o dos sacerdotes. Deste modo, celebrando o amor misericordioso de Jesus revelado pelo Seu cora\u00e7\u00e3o cheio de amor, somos convidados a rezar pela santifica\u00e7\u00e3o daqueles a quem o Senhor confiou o minist\u00e9rio ordenado. As comunidades crist\u00e3s s\u00e3o convidadas a dinamizar este dia, atrav\u00e9s dos mais diversos meios, exortando sempre \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e podendo fazer desta data tamb\u00e9m uma oportunidade para um trabalho de sensibiliza\u00e7\u00e3o vocacional. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclu\u00eddo o Tempo Pascal, retomamos o Tempo Comum. Estamos no ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Os 6, 3-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEu quero a miseric\u00f3rdia e n\u00e3o os sacrif\u00edcios, o conhecimento de Deus, mais que os holocaustos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Oseias exerceu o seu minist\u00e9rio prof\u00e9tico no reino do Norte (Israel), a partir de 750 a.C., numa \u00e9poca bastante conturbada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos pol\u00edticos, \u00e9 uma fase marcada pela viol\u00eancia, pela inseguran\u00e7a e pelo derramamento de sangue. Os reinados s\u00e3o curtos e terminam invariavelmente em revolu\u00e7\u00f5es, assass\u00ednios, massacres\u2026 Por outro lado, o aventureirismo dos dirigentes e os jogos de alian\u00e7as pol\u00edticas com as pot\u00eancias da \u00e9poca causam grande instabilidade e anunciam o desastre nacional e a perda da independ\u00eancia (o que acontece alguns anos mais tarde, em 721 a.C., quando a Samaria \u00e9 arrasada por Salamanasar V, da Ass\u00edria).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos religiosos, \u00e9 uma \u00e9poca de grande confus\u00e3o\u2026 Exposto \u00e0 influ\u00eancia cultural e religiosa dos povos circunvizinhos, Israel acolhe diversos deuses estrangeiros que coabitam com Jahw\u00e9h, no cora\u00e7\u00e3o do Povo e nos centros religiosos. Mistura-se o Jahwismo com os cultos de Baal e Astarte; embora Jahw\u00e9h continue a ser oficialmente o Deus nacional, \u00e9, a n\u00edvel popular, bastante preterido em favor dos deuses cananeus. Por outro lado, as alian\u00e7as pol\u00edticas com os povos estrangeiros significam que Israel j\u00e1 n\u00e3o confia em Deus e que prefere p\u00f4r a sua confian\u00e7a e a sua esperan\u00e7a nos guerreiros, nos cavalos, nos carros de guerra das superpot\u00eancias; dessa forma, a Ass\u00edria e o Egipto deixam de ser realidades terrenas e humanas, para se tornarem \u2013 aos olhos dos israelitas \u2013 novos deuses, capazes de salvar. O Povo passa a confiar neles, prescindindo de Jahw\u00e9h.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oseias sente profundamente o drama do sincretismo religioso que est\u00e1 a p\u00f4r em perigo a f\u00e9 do seu Povo. A sua mensagem apela a que Israel n\u00e3o se deixe dominar pela idolatria (a que Oseias chama \u201cprostitui\u00e7\u00e3o\u201d: o Povo \u00e9 como uma \u201cesposa\u201d que abandonou o \u201cmarido\u201d para correr atr\u00e1s dos \u201camantes\u201d). O profeta convida o seu Povo a redescobrir o amor de Jahw\u00e9h \u2013 sempre presente na hist\u00f3ria de Israel \u2013 e a responder-Lhe com uma vontade sincera de viver em comunh\u00e3o com Ele. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode fazer-se a partir das seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema principal que aqui nos \u00e9 posto \u00e9 o da nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus. Deus chama-nos a viver em alian\u00e7a com Ele\u2026 Como \u00e9 que n\u00f3s respondemos ao \u201cchamamento\u201d de Deus? Com uma ades\u00e3o verdadeira e sincera, que implica a totalidade da nossa vida, ou com um compromisso de \u201cmeias tintas\u201d, sem exig\u00eancia nem radicalidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como numa rela\u00e7\u00e3o humana, tamb\u00e9m na nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus a rotina, a monotonia e o cansa\u00e7o podem descolorir o amor. Entramos ent\u00e3o num esquema religioso de resposta a Deus, que se baseia em gestos rituais, talvez corretos do ponto de vista lit\u00fargico, mas que n\u00e3o s\u00e3o a express\u00e3o dos sentimentos do nosso cora\u00e7\u00e3o. A minha ora\u00e7\u00e3o \u00e9 um repetir fielmente uma cassete gravada de antem\u00e3o, ou \u00e9 um momento \u00edntimo de encontro com o Senhor e de resposta ao seu amor? A Eucaristia \u00e9, para mim, um ritual obrigat\u00f3rio, que eu cumpro di\u00e1ria ou semanalmente porque est\u00e1 no hor\u00e1rio, ou \u00e9 esse momento fundamental de encontro com o Deus que me d\u00e1 a sua Palavra e o seu P\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O culto a Deus, sem o amor ao irm\u00e3o, n\u00e3o faz sentido. O nosso compromisso com Deus tem de se concretizar em obras em favor dos homens e em gestos libertadores, que levem ternura, miseric\u00f3rdia, \u00e0 vida de todos aqueles que Deus coloca no nosso caminho. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a049 (50)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: A quem procede retamente farei ver a salva\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Rom 4, 18-25<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abContra toda a esperan\u00e7a, Abra\u00e3o acreditou que havia de tornar-se pai de muitas na\u00e7\u00f5es, como tinha sido anunciado\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Paulo escreveu aos romanos, preocupava-o bastante a amea\u00e7a de cis\u00e3o da Igreja: os crist\u00e3os oriundos do juda\u00edsmo e os crist\u00e3os oriundos do paganismo tinham perspetivas diferentes da salva\u00e7\u00e3o e pareciam em rota de colis\u00e3o. As crises recentes em Corinto e na Gal\u00e1cia convenceram Paulo da gravidade da situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEsse problema tamb\u00e9m era sentido em Roma? No ano 49, um \u00e9dito do imperador Cl\u00e1udio obrigara os judeus a deixar Roma; a comunidade crist\u00e3 ficara ent\u00e3o totalmente entregue aos crist\u00e3os de origem pag\u00e3\u2026 Mas em 57\/58, muitos judeus tinham j\u00e1 regressado e a comunidade crist\u00e3 contava outra vez com um grupo significativo de judeo-crist\u00e3os. Estes, ao retornarem, encontraram uma comunidade crist\u00e3 com caracter\u00edsticas diferentes da que tinham deixado, dirigida por crist\u00e3os convertidos diretamente do paganismo e completamente emancipada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es judaicas. \u00c9 de crer que os crist\u00e3os de origem judaica n\u00e3o se sentissem bem acolhidos e que n\u00e3o se coibissem de criticar as novas orienta\u00e7\u00f5es. A quest\u00e3o provocou uma certa instabilidade na comunidade.<br \/>\nDirigindo-se aos romanos e \u00e0 Igreja em geral, o ap\u00f3stolo vai procurar sublinhar aquilo que deve unir todos os crentes \u2013 judeus, gregos ou romanos. Para Paulo, apesar da universalidade do pecado (nesse aspeto, judeus e n\u00e3o judeus est\u00e3o em p\u00e9 de igualdade), Deus oferece a todos, de forma gratuita, a mesma salva\u00e7\u00e3o e de todos faz, em igualdade de circunst\u00e2ncias, seus filhos. \u00c9 por Cristo que essa salva\u00e7\u00e3o \u00e9 oferecida aos homens. O cumprimento da Lei n\u00e3o salva, pois, a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 um dom de Deus. Ao homem, resta-lhe acolher esse dom na f\u00e9 (a f\u00e9 \u00e9, neste contexto, entendida como ades\u00e3o \u00e0 proposta de salva\u00e7\u00e3o que, em Cristo, Deus oferece aos homens).<br \/>\nComo exemplo, Paulo apresenta a figura de Abra\u00e3o (cf. Rom 4,1-12). O ap\u00f3stolo demonstra que essa figura modelar para judeus e pag\u00e3os n\u00e3o foi salva pela Lei nem pelas obras, mas pela f\u00e9. O texto que nos \u00e9 proposto insere-se neste ambiente. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode fazer-se a partir das seguintes linhas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este texto convida-nos a tomar consci\u00eancia daquilo que deve ser a ess\u00eancia da nossa experi\u00eancia religiosa. Manter uma rela\u00e7\u00e3o verdadeira e forte com Deus n\u00e3o \u00e9 primordialmente praticar todos os atos de piedade que conhecemos ou que inventamos, observar escrupulosamente os mandamentos da santa Igreja, ou cumprir \u00e0 letra cada par\u00e1grafo do c\u00f3digo de direito can\u00f3nico\u2026 A \u201cjustifica\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o est\u00e1 na Lei, mas na f\u00e9; por isso, a nossa experi\u00eancia religiosa deve ser um encontro com esse Deus do amor, que nos oferece gratuitamente a salva\u00e7\u00e3o; e desse encontro deve resultar um abra\u00e7ar a proposta de Deus, com total confian\u00e7a e com total entrega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre um dom do amor de Deus e n\u00e3o uma conquista nossa, n\u00e3o se justifica qualquer atitude de arrog\u00e2ncia ou de exig\u00eancia do homem face a Deus. Temos de aprender a ver tudo o que somos e temos, n\u00e3o como a retribui\u00e7\u00e3o pelo nosso bom comportamento, mas como um dom gratuito de Deus \u2013 dom que nunca merecemos, por mais \u201cbonzinhos\u201d que sejamos. Diante dos dons de Deus, resta-nos o louvor e o agradecimento, por um lado, e a confian\u00e7a, a entrega e a obedi\u00eancia, por outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reflex\u00e3o de Paulo convida-nos, na mesma linha, a corrigir a imagem que fazemos de Deus\u2026 Ele n\u00e3o \u00e9 um comerciante esperto, que paga com a mercadoria que tem em stock (a salva\u00e7\u00e3o) uma outra mercadoria que n\u00f3s lhe vendemos (o nosso bom comportamento). Deus n\u00e3o precisa do nosso bom comportamento para nada\u2026 A salva\u00e7\u00e3o que Ele nos oferece \u00e9 algo totalmente gratuito, que resulta do seu amor infinito e da sua vontade de nos ver plenamente felizes e realizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 que eu respondo ao dom de Deus? Com o orgulho e a autossufici\u00eancia de quem n\u00e3o precisa de Deus para ser feliz e para se realizar? Com a \u201cesperteza saloia\u201d de quem pretende negociar com Deus para obter a salva\u00e7\u00e3o? Ou com o reconhecimento de que a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 um dom n\u00e3o merecido que, apesar de tudo, Deus me oferece e me convida a acolher? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 9, 9-13<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abJesus ia a passar, quando viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobran\u00e7a dos impostos, e disse-lhe: \u201cSegue-Me\u201d\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abN\u00e3o s\u00e3o os que t\u00eam sa\u00fade que precisam de m\u00e9dico, mas sim os doentes\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto faz parte de uma longa sec\u00e7\u00e3o, na qual Mateus p\u00f5e Jesus \u2013 com as suas palavras e as suas a\u00e7\u00f5es \u2013 a anunciar o \u201cReino\u201d. Essa sec\u00e7\u00e3o vai de Mt 4,23 a 9,35.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira parte da sec\u00e7\u00e3o (cf. Mt 5-7), Mateus apresenta o \u201cserm\u00e3o da montanha\u201d: num discurso magn\u00edfico, Jesus apresenta a \u201clei\u201d e o programa desse \u201cReino\u201d que Ele veio propor: \u00e9 o an\u00fancio do \u201cReino\u201d por palavras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda parte da sec\u00e7\u00e3o (cf. Mt 8-9), Mateus apresenta o an\u00fancio do \u201cReino\u201d atrav\u00e9s das a\u00e7\u00f5es de Jesus. O autor coloca-nos diante de tr\u00eas conjuntos de a\u00e7\u00f5es ou \u201cmilagres\u201d de Jesus que tornam presente a realidade do \u201cReino\u201d (cf. Mt 8,1-15; 8,23-9,8; 9,18-31); entre cada um desses conjuntos aparecem reflex\u00f5es sobre o significado dos \u201cgestos\u201d de Jesus e apelos ao seu seguimento\u2026 O nosso texto (cf. Mt 9,9-13) insere-se precisamente neste esquema: \u00e9 um apelo ao seguimento de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em resumo, temos nesta sec\u00e7\u00e3o o an\u00fancio do \u201cReino\u201d nas palavras e nos gestos de Jesus. As palavras de Jesus anunciam a chegada desse mundo novo no qual os pobres e os d\u00e9beis receber\u00e3o a salva\u00e7\u00e3o de Deus; os gestos de Jesus mostram a realidade desse tempo novo de felicidade, de alegria, de liberta\u00e7\u00e3o para todos. Os disc\u00edpulos, evidentemente, s\u00e3o convidados a aderir a esse \u201cReino\u201d que Jesus vem propor e a tornarem-se testemunhas desse mundo novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto apresenta dois epis\u00f3dios distintos. No primeiro, temos o chamamento do publicano Mateus (vers. 9); no segundo, temos a descri\u00e7\u00e3o de um banquete em casa de Mateus e de uma controv\u00e9rsia com os fariseus (cf. vers. 10-13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os publicanos estavam catalogados como pecadores p\u00fablicos not\u00f3rios. Eram os cobradores de impostos que, al\u00e9m de estarem ao servi\u00e7o do opressor romano, tinham a fama (e \u00e9 preciso dizer, tamb\u00e9m o proveito) de explorarem os pobres. A linguagem oficial associava-os aos ladr\u00f5es, aos pag\u00e3os, aos assassinos e \u00e0s prostitutas. Os publicanos eram considerados, para todos os efeitos, pecadores p\u00fablicos, permanentemente afetados de impureza e que nem sequer podiam fazer penit\u00eancia, pois eram incapazes de reconhecer todos aqueles a quem tinham defraudado. Os fariseus, muito ciosos da sua santidade, mudavam de passeio quando, na rua, viam um publicano vir ao seu encontro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eram, portanto, gente desclassificada (apesar de rica), impura, considerada amaldi\u00e7oada por Deus e, portanto, completamente \u00e0 margem da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isto nos permite perceber o inaudito da situa\u00e7\u00e3o criada por Jesus: Ele n\u00e3o s\u00f3 chama um publicano para o seu grupo de disc\u00edpulos, como tamb\u00e9m aceita sentar-Se \u00e0 mesa com ele (estabelecendo assim com ele la\u00e7os de familiaridade, de fraternidade, de comunh\u00e3o). O comportamento de Jesus \u00e9, n\u00e3o s\u00f3 atentat\u00f3rio da moral e dos bons costumes, mas uma verdadeira provoca\u00e7\u00e3o.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o e a partilha desta Palavra podem fazer-se contando com os seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o essencial \u00e9 esta: Deus tem um projeto de salva\u00e7\u00e3o e de vida plena que oferece, de forma gratuita, a todos os homens. Essa salva\u00e7\u00e3o \u00e9 um dom e n\u00e3o algo que n\u00f3s podemos exigir de Deus. Todos os homens s\u00e3o chamados a fazer parte da comunidade do \u201cReino\u201d: Deus n\u00e3o exclui nem discrimina ningu\u00e9m. O que \u00e9 decisivo n\u00e3o \u00e9 o cumprimento das leis e das regras, mas a forma como respondemos ao chamamento que Deus nos faz. Podemos ficar numa atitude de autossufici\u00eancia, achando que n\u00e3o precisamos do dom de Deus porque cumprimos os mandamentos e achamos que Deus n\u00e3o tem outra solu\u00e7\u00e3o sen\u00e3o salvar-nos; ou podemos escutar o chamamento de Deus, aderir \u00e0 sua proposta, tornarmo-nos disc\u00edpulos, seguir confiadamente Jesus no seu caminho de amor e de entrega. De acordo com a catequese de Mateus, a primeira atitude exclui-nos da comunidade da salva\u00e7\u00e3o, enquanto a segunda atitude nos integra na comunidade do \u201cReino\u201d. Em que atitude estou eu?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria de Mateus d\u00e1-nos algumas indica\u00e7\u00f5es acerca da forma como responder ao chamamento de Deus. Mateus, convidado por Jesus a integrar a comunidade do \u201cReino\u201d, considerou tudo como secund\u00e1rio, abandonou os projetos pessoais (que passavam pela aposta nos bens materiais, mesmo se conseguidos com recurso \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e \u00e0 injusti\u00e7a) e correu atr\u00e1s de Jesus. \u00c9 esta resposta pronta, decidida, radical, plena, que eu dou aos desafios de Deus? O \u201cReino\u201d \u00e9, para mim, algo de fundamental, que se sobrep\u00f5e a todos os outros valores, ou um projeto secund\u00e1rio, que me ocupa nas horas vagas, mas n\u00e3o \u00e9 uma prioridade na minha vida?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Palavra de Deus que aqui nos \u00e9 proposta sugere tamb\u00e9m que na comunidade do \u201cReino\u201d n\u00e3o h\u00e1 crist\u00e3os de primeira e crist\u00e3os de segunda (conforme cumprem ou n\u00e3o as leis e as regras). O que h\u00e1 \u00e9 pessoas a quem Deus chama e que respondem ou n\u00e3o ao seu convite. De qualquer forma, n\u00e3o pode haver, na comunidade crist\u00e3, qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o ou de marginaliza\u00e7\u00e3o\u2026<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A primeira leitura<\/strong> tem a marca da esperan\u00e7a que deve transparecer, na proclama\u00e7\u00e3o da leitura. Al\u00e9m disso, devem ter cuidado na proclama\u00e7\u00e3o das duas perguntas presentes no texto, evitando a entoa\u00e7\u00e3o no final da frase que \u00e9 um vocativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na segunda leitura<\/strong>, devem ter cuidado nas pausas e respira\u00e7\u00f5es, sobretudo nas frases mais longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio do cap\u00edtulo 6, o profeta Oseias coloca na boca do Povo uma f\u00f3rmula de arrependimento ou de penit\u00eancia, provavelmente tomada da tradi\u00e7\u00e3o cultual (\u201cvinde, voltemos para o Senhor: Ele nos despeda\u00e7ou, Ele nos curar\u00e1; Ele fez a ferida, Ele nos por\u00e1 o penso que cura\u201d \u2013 Os 6,1). Contudo, o profeta olha para esta express\u00e3o com um olhar ir\u00f3nico\u2026. Porqu\u00ea? A convers\u00e3o do Povo n\u00e3o \u00e9 sincera? Haver\u00e1, por parte do Povo, um desejo real de voltar para Deus e de deixar definitivamente a idolatria?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a esta quest\u00e3o que Oseias se refere no texto que nos \u00e9 hoje proposto\u2026 O profeta parece ter d\u00favidas da sinceridade da \u201cconvers\u00e3o\u201d do Povo. O que Israel diz \u00e9: \u201co Senhor \u00e9 como a aurora, pontual e inevit\u00e1vel, como a chuva que empapa a terra. J\u00e1 sabemos como \u00e9 que Ele funciona, pois Ele \u00e9 perfeitamente previs\u00edvel; se soubermos fazer bem as coisas, podemos control\u00e1-l\u2019O, p\u00f4-l\u2019O do nosso lado e recuperar a vida que perdemos\u201d (vers. 3). Isto parece mais o resultado de uma atitude calculista de quem est\u00e1 convencido de que conhece Deus perfeitamente e \u00e9 capaz de manej\u00e1-l\u2019O e de manipul\u00e1-l\u2019O, do que o resultado de uma atitude coerente e sincera, de um desejo verdadeiro de \u201cconvers\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A isto, como \u00e9 que Deus reage? O profeta descreve como que uma luta interior de Deus\u2026 \u201cQue farei?\u201d \u2013 pergunta Deus\u2026 Mas logo vem a resposta: repetindo as imagens usadas pelo Povo, Deus assume que n\u00e3o vai ceder, pois essa \u201cconvers\u00e3o\u201d de Israel \u00e9 totalmente superficial e, portanto, n\u00e3o passa de \u201cconversa fiada\u201d (\u201co vosso amor \u00e9 como o nevoeiro da manh\u00e3, como o orvalho da madrugada que logo se evapora\u201d \u2013 vers. 4). Israel n\u00e3o est\u00e1 disposto a mudar o cora\u00e7\u00e3o; s\u00f3 est\u00e1 disposto a \u201ccontrolar\u201d Deus para readquirir a vida\u2026 Ora, se n\u00e3o houver uma verdadeira transforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, o apregoado amor do Povo por Deus n\u00e3o passa de uma piedosa declara\u00e7\u00e3o de boas inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 que Israel manifesta no dia a dia a Jahw\u00e9h essa sua vontade de \u201cvoltar para o Senhor\u201d? \u00c9 atrav\u00e9s de uma vida coerente com os mandamentos? \u00c9 atrav\u00e9s de um amor que lhes sai do fundo do cora\u00e7\u00e3o e que se expressa em gestos concretos de bondade, de justi\u00e7a, de miseric\u00f3rdia? N\u00e3o. O \u201camor\u201d de Israel a Jahw\u00e9h expressa-se atrav\u00e9s de ritos externos, de atos de culto\u2026 No entanto, os atos rituais (os \u201csacrif\u00edcios\u201d) n\u00e3o significam nada por si pr\u00f3prios; s\u00e3o apenas atos exteriores ao homem\u2026 N\u00e3o valer\u00e1 de nada um culto \u2013 ainda que magnificente \u2013 que n\u00e3o resulte de uma atitude interior de amor e de vontade de comunh\u00e3o com Deus (\u201cconhecimento de Deus\u201d). O culto n\u00e3o pode ser um conjunto de ritos desligados da vida, destinados a aplacar Deus ou a comprar a sua benevol\u00eancia; mas tem de ser express\u00e3o de uma vida voltada para Deus, vivida ao ritmo da alian\u00e7a, no respeito por Deus e pelas suas propostas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizer que Deus quer \u201ca miseric\u00f3rdia (\u201chesed\u201d) e n\u00e3o os sacrif\u00edcios, o conhecimento de Deus (\u201cdaat Elohim\u201d), mais que os holocaustos\u201d (vers. 6), insere-se nesta l\u00f3gica\u2026 Significa que Deus n\u00e3o est\u00e1 interessado em rituais externos \u2013 mesmo que ricos e espalhafatosos \u2013 que n\u00e3o s\u00e3o express\u00e3o dos sentimentos que v\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o; o que interessa a Deus \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o que aceita verdadeiramente viver em comunh\u00e3o com Ele (\u201cconhecimento de Deus\u201d) e que \u00e9 capaz de gestos concretos de amor, de ternura, de bondade, de miseric\u00f3rdia (\u201chesed\u201d) em favor dos irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo na carta aos Romanos deixa claro \u2013 com argumenta\u00e7\u00e3o tirada da pr\u00f3pria Escritura \u2013 porque \u00e9 que Abra\u00e3o foi o deposit\u00e1rio da \u201cpromessa\u201d e se tornou uma fonte de b\u00ean\u00e7\u00e3o para a sua descend\u00eancia<br \/>\n. Segundo Paulo, Abra\u00e3o tornou-se uma refer\u00eancia fundamental para todos os crentes \u2013 judeus e n\u00e3o judeus \u2013 n\u00e3o por ter realizado obras merit\u00f3rias ou por ter cumprido estrita e escrupulosamente a Lei; mas Abra\u00e3o tornou-se um modelo para todos por ter sido o \u201chomem da f\u00e9\u201d (isto \u00e9, por ter sabido acolher o dom de Deus e por ter sabido responder-Lhe com a entrega incondicional, com a obedi\u00eancia radical, com a confian\u00e7a ilimitada).<br \/>\nNo texto que nos \u00e9 proposto, Paulo descreve a grandeza e a profundidade da f\u00e9 de Abra\u00e3o. O exemplo apontado \u00e9 talvez o mais conhecido e emblem\u00e1tico: apesar da idade avan\u00e7ada de Abra\u00e3o e de Sara, a sua esposa, o patriarca n\u00e3o titubeou, n\u00e3o argumentou, n\u00e3o duvidou, quando Deus lhe anunciou o nascimento de Isaac. O facto d\u00e1 conta da altura, da profundidade, da for\u00e7a, da heroicidade da f\u00e9 de um homem que fez da sua vida uma entrega completa nas m\u00e3os de Deus, que confiou incondicionalmente em Deus, que esperou \u201ccontra toda a esperan\u00e7a\u201d (vers. 18). Estas \u00faltimas palavras s\u00e3o uma express\u00e3o b\u00edblica utilizada para definir a atitude do homem que reconhece tudo dever a Deus e que se entrega incondicionalmente nas suas m\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Paulo, n\u00e3o h\u00e1 qualquer d\u00favida: n\u00e3o foram as obras de Abra\u00e3o, mas sim a sua f\u00e9 (entrega, obedi\u00eancia, confian\u00e7a) que o tornaram \u201co eleito\u201d de Deus e uma fonte de vida e de b\u00ean\u00e7\u00e3o para os seus descendentes.<br \/>\nA conclus\u00e3o \u00e9 \u00f3bvia: n\u00e3o s\u00e3o as obras que fazemos que nos asseguram a salva\u00e7\u00e3o; mas o que nos assegura a vida plena e definitiva \u00e9 a nossa f\u00e9 \u2013 isto \u00e9, uma ades\u00e3o radical, confiante, ilimitada \u00e0 oferta de salva\u00e7\u00e3o que, em Jesus, Deus nos faz. A salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma conquista do homem, mas um dom de Deus, oferecido gratuitamente por amor, e que o homem \u00e9 convidado a acolher com f\u00e9, com serenidade, com confian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato da voca\u00e7\u00e3o de Mateus (vers. 9) n\u00e3o \u00e9 substancialmente distinto do relato do chamamento de outros disc\u00edpulos (cf. Mt 4,18-22): em qualquer dos casos fala-se de homens que est\u00e3o a trabalhar, a quem Jesus chama e que, deixando tudo, seguem Jesus. Os \u201cchamados\u201d n\u00e3o s\u00e3o \u201csuper-homens\u201d, seres perfeitos e santos, estranhos ao mundo, pairando acima das nuvens, sem contacto com a vida e com os problemas e dramas dos outros homens e mulheres; mas s\u00e3o pessoas normais, que vivem uma vida normal, que trabalham, lutam, riem e choram\u2026 No entanto, todos s\u00e3o chamados ao seguimento de Jesus. O verbo \u201cakolouth\u00e9\u00f4\u201d, aqui utilizado na forma imperativa, traduz a a\u00e7\u00e3o de \u201cir atr\u00e1s\u201d e define a atitude de um disc\u00edpulo que aceita ligar-se a um \u201cmestre\u201d, escutar as suas li\u00e7\u00f5es e imitar os seus exemplos de vida\u2026 \u00c9, portanto, isso que Jesus pede a Mateus. Mateus, sem obje\u00e7\u00f5es nem pedidos de esclarecimento, deixa tudo e aceita ser disc\u00edpulo, numa ades\u00e3o plena, total e radical a Jesus e \u00e0s suas propostas de vida. Mateus define aqui o caminho do verdadeiro disc\u00edpulo: \u00e9 aquele que, na sua vida normal, se encontra com Jesus, escuta o seu convite, aceita-o sem discuss\u00e3o e segue Jesus de forma incondicional. A esta ades\u00e3o ao chamamento de Deus chama-se \u201cf\u00e9\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No relato de voca\u00e7\u00e3o de Mateus que hoje nos \u00e9 apresentada (Mt 9, 9-13) h\u00e1, no entanto, um dado novo em rela\u00e7\u00e3o a outros relatos de voca\u00e7\u00e3o: \u00e9 que aqui, o \u201cchamado\u201d \u00e9 um cobrador de impostos. J\u00e1 sabemos que os cobradores de impostos eram gente desclassificada, exclu\u00edda da vida social e religiosa do Povo de Deus, catalogada como pecadora, e sem qualquer possibilidade de salva\u00e7\u00e3o e de rela\u00e7\u00e3o com Deus. Jesus, no entanto, pretende demonstrar que, na casa do \u201cReino\u201d, h\u00e1 lugar para todos, mesmo para aqueles que o mundo considera desclassificados e marginais. Deus tem uma proposta de salva\u00e7\u00e3o para apresentar a todos os homens, sem exce\u00e7\u00e3o; e essa proposta n\u00e3o distingue entre bons e maus: \u00e9 uma proposta que se destina a todos aqueles que estiverem interessados em acolh\u00ea-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda parte do texto (vers. 10-13), temos uma controv\u00e9rsia entre Jesus e os fariseus, porque Jesus \u2013 depois de convidar o publicano Mateus a integrar o seu grupo de disc\u00edpulos (coisa inaudita, que nenhum \u201cmestre\u201d da \u00e9poca aceitaria) \u2013 ainda \u201cdesceu mais baixo\u201d e aceitou sentar-Se \u00e0 mesa com os publicanos e pecadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cbanquete\u201d era, para a mentalidade judaica, o lugar do encontro, da fraternidade, onde os convivas estabeleciam la\u00e7os de fam\u00edlia e de comunh\u00e3o. Sentar-se \u00e0 mesa com algu\u00e9m significava estabelecer la\u00e7os profundos, \u00edntimos, familiares, com essa pessoa. Por isso, o \u201cbanquete\u201d \u00e9, para Jesus, o s\u00edmbolo mais apropriado desse \u201cReino\u201d de fraternidade, de comunh\u00e3o, de amor sem limites, que Ele veio propor aos homens (Mt 22,1-14; cf. Mt 8,11-12). Ao sentar-Se \u00e0 mesa com os publicanos e pecadores, Jesus est\u00e1 a dizer, de forma clara, que veio apresentar uma proposta de salva\u00e7\u00e3o para todos, sem exce\u00e7\u00e3o; e que nesse mundo novo, todos os homens e mulheres (independentemente das suas op\u00e7\u00f5es ou decis\u00f5es erradas) t\u00eam lugar. A \u00fanica condi\u00e7\u00e3o que h\u00e1 para sentar-se \u00e0 mesa do \u201cReino\u201d \u00e9 estar disposto a aceitar essa proposta que \u00e9 feita por Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os fariseus (que est\u00e3o mais preocupados com as obras, com os comportamentos externos, com o cumprimento estrito da Lei) n\u00e3o entendem isto. Jesus recorda-lhes que \u201cn\u00e3o s\u00e3o os que t\u00eam sa\u00fade que precisam de m\u00e9dico, mas sim os doentes\u201d (vers. 12); e cita, a prop\u00f3sito, a frase de Oseias que encontramos na primeira leitura: \u201cprefiro a miseric\u00f3rdia ao sacrif\u00edcio\u201d (vers. 13). H\u00e1, nas afirma\u00e7\u00f5es de Jesus, uma certa ironia: os fariseus julgavam-se justos e bons, porque cumpriam a Lei; mas, na perspetiva de Deus, os \u201cjustos\u201d n\u00e3o s\u00e3o os que est\u00e3o satisfeitos consigo pr\u00f3prios e vivem isolados na sua autossufici\u00eancia, mas s\u00e3o todos aqueles que n\u00e3o se conformam com a triste situa\u00e7\u00e3o em que vivem, est\u00e3o dispostos a acolher o dom de Deus e a aderir \u00e0 sua proposta de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Deus, o que \u00e9 decisivo, portanto, n\u00e3o \u00e9 o cumprimento estrito das regras, das leis e dos atos de culto; para Deus, o que \u00e9 decisivo \u00e9 estar disposto a acolher a proposta de salva\u00e7\u00e3o que Ele faz e a entregar-se confiadamente nas suas m\u00e3os. Todos aqueles que, na sua humildade e depend\u00eancia, est\u00e3o nesta atitude podem integrar a comunidade do \u201cReino\u201d e fazer parte da comunidade de Jesus, da comunidade da salva\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDeus chama todos os homens sem exce\u00e7\u00e3o. Os que se consideram bons e justos, frequentemente acham que n\u00e3o precisam do dom de Deus, pois eles merecem, pelos seus atos, a salva\u00e7\u00e3o; mas a verdade \u00e9 que a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre um dom gratuito de Deus, n\u00e3o merecido pelo homem\u2026 O que Deus pede ao homem (seja ele bom ou mau, pecador ou santo, justo ou injusto) \u00e9 que aceite o dom de Deus, escute o chamamento de Jesus e, sem obje\u00e7\u00f5es, com total confian\u00e7a e disponibilidade, aceite o convite para seguir Jesus, para ser seu disc\u00edpulo e para integrar a comunidade do \u201cReino\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>In Dehonianos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Solenidade-Santissimo-Corpo-e-Sangue-de-Cristo-Ano-A-08.06.2023-Lecionario.pdf\">Solenidade do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo &#8211; Ano A &#8211; 08.06.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Solenidade-do-Santissimo-Corpo-e-Sangue-de-Cristo-Ano-A-08.06.2023-Oracao-Universal.pdf\">Solenidade do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo &#8211; Ano A &#8211; 08.06.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Leitura-I-do-Domingo-X-do-Tempo-Comum-Ano-A-11.06.2023-Os-6-3-6.pdf\">Leitura I do Domingo X do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 11.06.2023 (Os 6, 3-6)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Leitura-II-do-Domingo-X-do-Tempo-Comum-Ano-A-11.06.2023-Rom-4-18-25.pdf\">Leitura II do Domingo X do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 11.06.2023 (Rom 4, 18-25)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Domingo-X-do-Tempo-Comum-Ano-A-11.06.2023-Lecionario.pdf\">Domingo X do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 11.06.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Domingo-X-do-Tempo-Comum-Ano-A-11.06.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo X do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 11.06.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Solenidade da Sant\u00edssima Trindade \u2013 Ano A \u2013 04.06.2023 Domingo IX do TEMPO COMUM&#8221; tab_id=&#8221;1686578147224-db16d1d3-6e21&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Solenidade da Sant\u00edssima Trindade \u2013 Ano A \u2013 04.06.2023<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo IX do TEMPO COMUM<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Santissima-Trindade.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"431\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Retomando os Domingos do Tempo Comum, o calend\u00e1rio lit\u00fargico convida-nos a celebrar a Solenidade da Sant\u00edssima Trindade. Os diversos textos eucol\u00f3gicos apresentados pelo missal sublinham a profundidade e a densidade teol\u00f3gica do mist\u00e9rio que celebramos, tal como rezamos por exemplo no pref\u00e1cio proposto para esta solenidade: \u00ab<em>Senhor Pai Santo, Deus eterno e omnipotente (\u2026)Com o vosso Filho unig\u00e9nito e o Esp\u00edrito Santo, sois um s\u00f3 Deus, um s\u00f3 Senhor, n\u00e3o na singularidade de uma s\u00f3 pessoa, mas na trindade de uma s\u00f3 natureza.<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partindo da revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica e apoiada na tradi\u00e7\u00e3o da Igreja e no Magist\u00e9rio, a teologia dogm\u00e1tica, nos seus mais diversos autores, foi desenvolvendo e aprofundando ao longo dos s\u00e9culos, o modo como nos abeiramos deste mist\u00e9rio de amor e como podemos falar dele evitando heresias e cismas. Deste modo, a celebra\u00e7\u00e3o da solenidade da Sant\u00edssima Trindade pode parecer longe do concreto da nossa vida e ficar apenas pela celebra\u00e7\u00e3o do Mist\u00e9rio de Deus em si mesmo e do modo como Ele se revela para n\u00f3s, na descri\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e especulativa que a ci\u00eancia teol\u00f3gica nos legou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, a celebra\u00e7\u00e3o da solenidade da Sant\u00edssima Trindade tem tudo que ver com a nossa vida e apresenta-se para n\u00f3s como uma janela aberta com vista direta para o cora\u00e7\u00e3o de Deus. Deixamos de parte a nossa l\u00f3gica matem\u00e1tica e abrimos o cora\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio de um Deus que se revela em tr\u00eas pessoas. O nosso Deus n\u00e3o \u00e9 um deus solit\u00e1rio, um divino solteir\u00e3o que habita no cimo de uma nuvem. O nosso Deus, o Deus revelado em Jesus Cristo na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, \u00e9 comunh\u00e3o de amor e n\u00e3o s\u00f3 subsiste como tal, como se revela deste modo: \u00ab<em>Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unig\u00e9nito, para que todo o homem que acredita n\u2019Ele n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso Deus \u00e9 comunh\u00e3o de amor e constitui a Igreja como Povo reunido na unidade do Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo (LG 4). A Igreja como \u00edcone da Sant\u00edssima Trindade \u00e9 chamada a contemplar o mist\u00e9rio de amor que \u00e9 o pr\u00f3prio Deus e a realizar a sua a\u00e7\u00e3o no mundo como testemunha da comunh\u00e3o e da unidade. Deste modo, a solenidade da Sant\u00edssima Trindade, revelando-nos o modo como Deus se relaciona connosco, convida-nos a viver \u00e0 imagem da Sant\u00edssima Trindade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante deste imenso mist\u00e9rio, como Mois\u00e9s prostramo-nos em adora\u00e7\u00e3o e sentimos sussurrar no nosso cora\u00e7\u00e3o: \u00ab<em>O Senhor, o Senhor \u00e9 um Deus clemente e compassivo, sem pressa para Se indignar e cheio de miseric\u00f3rdia e fidelidade<\/em>\u00bb. Mois\u00e9s coloca-se de joelhos e prostra-se em adora\u00e7\u00e3o e estava ainda muito longe da revela\u00e7\u00e3o oferecida em Jesus Cristo, onde este amor e miseric\u00f3rdia seriam levados \u00e0 plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No sil\u00eancio da noite, neste di\u00e1logo noturno entre Jesus e Nicodemos, contemplamos o amor superabundante de Deus que apesar dos nossos pecados n\u00e3o nos abandona \u00e0 nossa sorte. Verdadeiramente apaixonado por cada homem e cada mulher, Deus envia o Seu Filho, para que na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo o mundo possa ser salvo: \u00ab<em>Deus n\u00e3o enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele<\/em>\u00bb. Deste modo, como afirmou o Padre Virg\u00ednio Rotondi: \u00ab<em>o mundo amado apaixonadamente por Deus n\u00e3o pode deixar de ser amado por n\u00f3s desse modo<\/em>\u00bb. O amor derramado por Deus nos nossos cora\u00e7\u00f5es envia-nos como testemunhas da alegria ao servi\u00e7o da bondade e da ternura como nos exorta S. Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor que revela a ess\u00eancia de Deus e nos permite entrever o mist\u00e9rio da Sua comunh\u00e3o e unidade constitui-se como ontologia da a\u00e7\u00e3o eclesial e envia-nos como verdadeiros disc\u00edpulos mission\u00e1rios para que o mundo acredite em Jesus Cristo e Nele encontre a fonte da salva\u00e7\u00e3o e da paz. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Domingo da Sant\u00edssima Trindade somos convidados pela Liturgia da Palavra a viver como art\u00edfices da comunh\u00e3o e da unidade. A Igreja \u00e9 Povo de Deus reunido na unidade do Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo (LG 4) e, por isso, chamada a testemunhar esta comunh\u00e3o de amor. Deste modo, ao celebrar esta solenidade, cada fam\u00edlia e cada comunidade crist\u00e3 s\u00e3o desafiadas a renovar o seu compromisso de ser testemunhas da alegria da comunh\u00e3o e da beleza de caminhar juntos. No contexto desta celebra\u00e7\u00e3o, podem ser apresentadas alguns desafios concretos e a\u00e7\u00f5es de sa\u00edda mission\u00e1ria que em fam\u00edlia ou em comunidade se podem levar a cabo para que a comunh\u00e3o e unidade que somos chamados a testemunhar n\u00e3o sejam apenas um conjunto de boas inten\u00e7\u00f5es, mas uma realidade concreta na vida e na miss\u00e3o de cada batizado. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclu\u00eddo o Tempo Pascal, retomamos o Tempo Comum. Estamos no ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Ex 34,4b-6.8-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00ab\u00c9 certo que se trata de um povo de dura cerviz, mas V\u00f3s perdoareis os nossos pecados e iniquidades e fareis de n\u00f3s a vossa heran\u00e7a\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>O nosso texto faz parte das &#8220;tradi\u00e7\u00f5es sobre a alian\u00e7a do Sinai&#8221; &#8211; um conjunto de tradi\u00e7\u00f5es de origem diversa, cujo denominador comum \u00e9 a reflex\u00e3o sobre um compromisso (&#8220;berit&#8221; &#8211; &#8220;alian\u00e7a&#8221;) que Israel teria assumido com Jahw\u00e9h.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto situa-nos no deserto do Sinai, &#8220;em frente do monte&#8221; (cf. Ex 19,1). No texto b\u00edblico, n\u00e3o temos indica\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas suficientes para identificar o &#8220;monte da alian\u00e7a&#8221;. Em si, o nome &#8220;Sinai&#8221; n\u00e3o designa um monte, mas uma enorme pen\u00ednsula de forma triangular, com mais ou menos 420 quil\u00f3metros de extens\u00e3o norte\/sul, estendendo-se entre o mar Mediterr\u00e2neo e o mar Vermelho (no sentido norte\/sul) e o golfo do Suez e o golfo da \u00c1qaba (no sentido oeste\/este). A pen\u00ednsula \u00e9 um deserto \u00e1rido, de terreno acidentado e com v\u00e1rias montanhas que chegam a atingir 2400 metros de altura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo alguns autores, este texto pode ter sido a primitiva vers\u00e3o jahwista da alian\u00e7a do Sinai (s\u00e9c. X a.C.); mas, na vers\u00e3o final do Pentateuco (s\u00e9cs. V-IV a.C.), foi utilizado para descrever a renova\u00e7\u00e3o da primeira alian\u00e7a, entretanto rompida pelo pecado do Povo. No estado atual do Pentateuco, o esquema \u00e9 o seguinte: Israel comprometeu-se com Jahw\u00e9h (cf. Ex 19); mas, durante a aus\u00eancia de Mois\u00e9s, no cimo do monte, o Povo construiu um bezerro de ouro para representar Jahw\u00e9h &#8211; o que lhe estava interdito pelos mandamentos da alian\u00e7a (cf. Ex 32,1-29); ent\u00e3o, Mois\u00e9s intercedeu pelo Povo e Deus renovou a alian\u00e7a com Israel (cf. Ex 34,1-10). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, ter em conta as seguintes linhas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus \u00e9 sempre, para o homem, o mist\u00e9rio que a &#8220;nuvem&#8221; esconde e revela: detetamos a sua presen\u00e7a, mas sem O ver; percebemos a sua proximidade, sem conseguirmos definir os contornos do seu rosto. A \u00e2nsia do homem em penetrar o mist\u00e9rio de Deus leva-o, com frequ\u00eancia, a inventar rostos de Deus; mas, muitas vezes, esses rostos s\u00e3o apenas a proje\u00e7\u00e3o dos sonhos, dos anseios, das necessidades e at\u00e9 dos defeitos dos homens e t\u00eam pouco a ver com a realidade de Deus. Para entrarmos no mist\u00e9rio de Deus, \u00e9 preciso estabelecermos com Ele uma rela\u00e7\u00e3o de proximidade, de comunh\u00e3o, de intimidade que nos leve ao encontro da sua voz, dos seus valores, dos seus desafios (&#8220;subir ao monte&#8221;). Procuro, dia a dia, &#8220;subir ao monte&#8221; da &#8220;alian\u00e7a&#8221; e estabelecer comunh\u00e3o com Deus atrav\u00e9s do di\u00e1logo com Ele (ora\u00e7\u00e3o) e da escuta da sua Palavra?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No nosso texto, Deus apresenta-Se. Fundamentalmente, Ele define-Se como o Deus da rela\u00e7\u00e3o e da comunh\u00e3o. Deixa claro que \u00e9 um Deus &#8220;com cora\u00e7\u00e3o&#8221; &#8211; e com um cora\u00e7\u00e3o cheio de amor, de bondade, de ternura, de miseric\u00f3rdia, de fidelidade. Apesar de o seu Povo ter violado os compromissos que assumiu, Deus n\u00e3o s\u00f3 perdoa o pecado do Povo, mas prop\u00f5e o refazer da &#8220;alian\u00e7a&#8221;: \u00e9 que, acima de tudo, este Deus do amor preza a comunh\u00e3o com o homem: o seu objetivo \u00e9 integrar os homens na fam\u00edlia de Deus. \u00c9 este Deus em que eu acredito? \u00c9 deste Deus que eu dou testemunho?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus, da sua parte, faz tudo para viver em comunh\u00e3o com o homem. No entanto, respeita, de forma absoluta, a liberdade do homem. Eu sou livre de aceitar, ou n\u00e3o, a proposta de &#8220;alian\u00e7a&#8221; que Deus me faz. Como \u00e9 que eu respondo ao Deus da &#8220;alian\u00e7a&#8221;? Eu aceito esta vontade que Ele manifesta de viver em rela\u00e7\u00e3o de comunh\u00e3o comigo? O que \u00e9 que eu fa\u00e7o para responder a este desafio?<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Dan 3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: <\/strong>Digno \u00e9 o Senhor de louvor e de gl\u00f3ria para sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>2 Cor 13,11-13<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSede alegres, trabalhai pela vossa perfei\u00e7\u00e3o, animai-vos uns aos outros, tende os mesmos sentimentos, vivei em paz\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Primeira Carta aos Cor\u00edntios (que criticava alguns membros da comunidade por atitudes pouco condizentes com os valores crist\u00e3os) provocou uma rea\u00e7\u00e3o extremada e uma campanha organizada no sentido de desacreditar Paulo. Este, informado de tudo, dirigiu-se apressadamente para Corinto e teve um violento confronto com os seus detratores. Depois, retirou-se para \u00c9feso. Tito, amigo de Paulo, fino negociador e h\u00e1bil diplomata, partiu para Corinto, a fim de tentar a reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo, entretanto, partiu para Tr\u00f3ade. Foi a\u00ed que reencontrou Tito, regressado de Corinto. As not\u00edcias trazidas por Tito eram animadoras: o diferendo fora ultrapassado e os cor\u00edntios estavam, outra vez, em comunh\u00e3o com Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reconfortado, Paulo escreveu uma tranquila apologia do seu apostolado, \u00e0 qual juntou um apelo em favor de uma coleta para os pobres da Igreja de Jerusal\u00e9m. Esse texto \u00e9 a nossa Segunda Carta de Paulo aos Cor\u00edntios. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos nos anos 56\/57.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto \u00e9, precisamente, a conclus\u00e3o da Segunda Carta de Paulo aos Cor\u00edntios. Se compararmos esta despedida com a da Primeira Carta aos Cor\u00edntios (cf. 1 Cor 16,19-24), ela surpreende-nos pela brevidade, frieza e impessoalidade. N\u00e3o parece a despedida de uma &#8220;carta de reconcilia\u00e7\u00e3o&#8221;, mas antes uma despedida entre partes que conservam uma certa tens\u00e3o na sua rela\u00e7\u00e3o. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para a reflex\u00e3o, considerar:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 \u00e9 convidada a descobrir que Deus \u00e9 amor. A f\u00f3rmula &#8220;Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo&#8221; expressa essa realidade de Deus como amor, como fam\u00edlia, como comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os membros da comunidade crist\u00e3, que pelo batismo aderiram ao projeto de salva\u00e7\u00e3o que Deus apresentou aos homens em Jesus e cuja caminhada \u00e9 animada pelo Esp\u00edrito, s\u00e3o convidados a integrarem esta comunidade de amor. O fim \u00faltimo da nossa caminhada \u00e9 a perten\u00e7a \u00e0 fam\u00edlia trinit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta &#8220;voca\u00e7\u00e3o&#8221; deve expressar-se na nossa vida comunit\u00e1ria. A nossa rela\u00e7\u00e3o com os irm\u00e3os deve refletir o amor, a ternura, a miseric\u00f3rdia, a bondade, o perd\u00e3o, o servi\u00e7o, que s\u00e3o as consequ\u00eancias pr\u00e1ticas do nosso compromisso com a comunidade trinit\u00e1ria. \u00c9 isso que acontece? As nossas rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias refletem esse amor que \u00e9 a marca da &#8220;fam\u00edlia de Deus&#8221;? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo 3,16-18<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abDeus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unig\u00e9nito\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abQuem acredita n\u2019Ele n\u00e3o \u00e9 condenado, mas quem n\u00e3o acredita n\u2019Ele j\u00e1 est\u00e1 condenado, porque n\u00e3o acreditou no nome do Filho Unig\u00e9nito de Deus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto pertence \u00e0 sec\u00e7\u00e3o introdut\u00f3ria do Quarto Evangelho (cf. Jo 1,19-3,36). Nessa sec\u00e7\u00e3o, o autor apresenta Jesus e procura &#8211; atrav\u00e9s dos contributos dos diversos personagens que v\u00e3o sucessivamente ocupando o centro do palco e declamando o seu texto &#8211; dizer quem \u00e9 Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais concretamente, o trecho que nos \u00e9 proposto faz parte da conversa entre Jesus e um &#8220;chefe dos judeus&#8221; chamado Nicodemos (cf. Jo 3,1). Nicodemos foi visitar Jesus &#8220;de noite&#8221; (cf. Jo 3,2), o que parece indicar que n\u00e3o se queria comprometer e arriscar a posi\u00e7\u00e3o destacada de que gozava na estrutura religiosa judaica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Membro do Sin\u00e9drio, Nicodemos aparecer\u00e1, mais tarde, a defender Jesus, perante os chefes dos fariseus (cf. Jo 7,48-52); tamb\u00e9m estar\u00e1 presente na altura em que Jesus foi descido da cruz e colocado no t\u00famulo (cf. Jo 19,39).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conversa entre Jesus e Nicodemos apresenta tr\u00eas etapas ou fases.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira (cf. Jo 3,1-3), Nicodemos reconhece a autoridade de Jesus, gra\u00e7as \u00e0s suas obras; mas Jesus acrescenta que isso n\u00e3o \u00e9 suficiente: o essencial \u00e9 reconhecer Jesus como o enviado do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda (cf. Jo 3,4-8), Jesus anuncia a Nicodemos que, para entender a sua proposta, \u00e9 preciso &#8220;nascer de Deus&#8221; e explica-lhe que esse novo nascimento \u00e9 o nascimento &#8220;da \u00e1gua e do Esp\u00edrito&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na terceira (cf. Jo 3,9-21), Jesus descreve a Nicodemos o projeto de salva\u00e7\u00e3o de Deus: \u00e9 uma iniciativa do Pai, tornada presente no mundo e na vida dos homens atrav\u00e9s do Filho e que se concretizar\u00e1 pela cruz\/exalta\u00e7\u00e3o de Jesus. O nosso texto pertence a esta terceira parte. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, considerar os seguintes pontos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o \u00e9 o evangelista abismado na contempla\u00e7\u00e3o do amor de um Deus que n\u00e3o hesitou em enviar ao mundo o seu Filho, o seu \u00fanico Filho, para apresentar aos homens uma proposta de felicidade plena, de vida definitiva; e Jesus, o Filho, cumprindo o mandato do Pai, fez da sua vida um dom, at\u00e9 \u00e0 morte na cruz, para mostrar aos homens o &#8220;caminho&#8221; da vida eterna&#8230; No dia em que celebramos a Solenidade da Sant\u00edssima Trindade, somos convidados a contemplar, com Jo\u00e3o, esta incr\u00edvel hist\u00f3ria de amor e a espantar-nos com o peso que n\u00f3s &#8211; seres limitados e finitos, pequenos gr\u00e3os de p\u00f3 na imensid\u00e3o das gal\u00e1xias &#8211; adquirimos nos esquemas, nos projetos e no cora\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor de Deus traduz-se na oferta ao homem de vida plena e definitiva. \u00c9 uma oferta gratuita, incondicional, absoluta, v\u00e1lida para sempre; mas Deus respeita absolutamente a nossa liberdade e aceita que recusemos a sua oferta de vida. No entanto, rejeitar a oferta de Deus e preferir o ego\u00edsmo, o orgulho, a autossufici\u00eancia, \u00e9 um caminho de infelicidade, que gera sofrimento, morte, &#8220;inferno&#8221;. Quais s\u00e3o as manifesta\u00e7\u00f5es desta recusa da vida plena que eu observo, na vida das pessoas, nos acontecimentos do mundo, e at\u00e9 na vida da Igreja?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s, crentes, dev\u00edamos ser as testemunhas desse Deus que \u00e9 amor; e as nossas comunidades crist\u00e3s ou religiosas deviam ser a express\u00e3o viva do amor trinit\u00e1rio. \u00c9 isso que acontece? Que contributo posso eu dar para que a minha comunidade &#8211; crist\u00e3 ou religiosa &#8211; seja sinal vivo do amor de Deus no meio dos homens?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A celebra\u00e7\u00e3o da Solenidade da Trindade n\u00e3o pode ser a tentativa de compreender e decifrar essa estranha charada de &#8220;um em tr\u00eas&#8221;. Mas deve ser, sobretudo, a contempla\u00e7\u00e3o de um Deus que \u00e9 amor e que \u00e9, portanto, comunidade. Dizer que h\u00e1 tr\u00eas pessoas em Deus, como h\u00e1 tr\u00eas pessoas numa fam\u00edlia &#8211; pai, m\u00e3e e filho &#8211; \u00e9 afirmar tr\u00eas deuses e \u00e9 negar a f\u00e9; inversamente, dizer que o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito s\u00e3o tr\u00eas formas diferentes de apresentar o mesmo Deus, como tr\u00eas fotografias do mesmo rosto, \u00e9 negar a distin\u00e7\u00e3o das tr\u00eas pessoas e \u00e9, tamb\u00e9m, negar a f\u00e9. A natureza divina de um Deus amor, de um Deus fam\u00edlia, de um Deus comunidade, expressa-se na nossa linguagem imperfeita das tr\u00eas pessoas. O Deus fam\u00edlia torna-se trindade de pessoas distintas, por\u00e9m unidas. Chegados aqui, temos de parar, porque a nossa linguagem finita e humana n\u00e3o consegue &#8220;dizer&#8221; o indiz\u00edvel, n\u00e3o consegue definir o mist\u00e9rio de Deus.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>a brevidade das leituras que s\u00e3o propostas para este Domingo n\u00e3o deve fazer descurar o cuidado colocado na sua prepara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>primeira leitura<\/strong>, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o as frases em discurso direto e, <strong>na segunda leitura<\/strong>, o car\u00e1cter exortativo do texto refor\u00e7ado pelas diferentes formas verbais na forma imperativa<strong>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/06\/06\/santissima-trindade\/\"><strong>SANT\u00cdSSIMA TRINDADE<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus faz-se ver nos interst\u00edcios do nosso humilde ch\u00e3o quotidiano. Foi quanto Nicodemos p\u00f4de depreender ao ver os sinais (<em>s\u00eame\u00eea<\/em>) que Jesus fazia (cf. Jo\u00e3o 3,2b-3). Todavia, daqui para a frente, n\u00e3o h\u00e1 passo racional, nosso, que possamos dar. N\u00e3o resta a Nicodemos outra via (n\u00e3o Tomista) que n\u00e3o seja ir ao encontro de Jesus (cf. Jo\u00e3o 3,2a), n\u00e3o na sua condi\u00e7\u00e3o de \u00abo mestre de Israel (<em>ho did\u00e1scalos to\u00fb Isra\u00eal<\/em>)\u00bb (Jo\u00e3o 3,10), mas do disc\u00edpulo que sabe depor as suas armas de Mestre aos p\u00e9s de Jesus, \u00abo Mestre que veio de Deus\u00bb (<em>ap\u00f2 theo\u00fb el\u00ealythas did\u00e1skalos<\/em>) (Jo\u00e3o 3,2b), o Mestre que n\u00e3o estudou em nenhuma das nossas escolas (Jo\u00e3o 7,15). As pequenas m\u00e3os de Nicodemos, e as nossas tamb\u00e9m, n\u00e3o disp\u00f5em de nenhum argumento ou instrumento de acesso que nos permita ir al\u00e9m da g\u00e9lida impassibilidade das leis da natureza. Ora, naquele Jesus que Nicodemos via, havia claros sinais de que \u00abDeus estava com Ele\u00bb (<em>ho the\u00f2s met\u2019 auto\u00fb<\/em>) (Jo\u00e3o 3,2b). Em Jesus, era ent\u00e3o vis\u00edvel um acesso \u00e0 vida divina. E foi isso que Levou Nicodemos a sair tremulamente do seu quotidiano de \u00abo mestre de Israel\u00bb, para ir ao encontro de Jesus, o Mestre que veio de Deus e que n\u00e3o estudou nas nossas escolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Saiu dali e foi. E dali para a frente \u00e9 todo o dizer do Evangelho deste dia (Jo\u00e3o 3,16-18). \u00c9 Jesus que se diz a Nicodemos. N\u00e3o \u00e9 a hist\u00f3ria ou a narrativa de um dizer an\u00f3dino. \u00c9 o Mestre que vem de Deus, para dizer Deus a Nicodemos, a mim e a ti. Jesus n\u00e3o diz coisas; diz Deus. N\u00e3o ensina conte\u00fados para aprender; d\u00e1-nos Deus que nos ama, e que, por amor, nos entrega o seu Filho, Jesus. Portanto, Nicodemos fica sem jeito: n\u00e3o lhe compete apenas aprender o que Jesus lhe pode ensinar; compete-lhe receber Jesus que Deus lhe entrega por amor. E compete-lhe ainda saber que esta enchente de amor, que vem de Deus, \u00e9 para todos, e n\u00e3o apenas para ele, pelo que, responder a esta enxurrada de amor, passar\u00e1 sempre por amar tamb\u00e9m, no quotidiano, os seus irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, \u00e9 tal a grandeza do amor de Deus por n\u00f3s, que, por amor de n\u00f3s, entrega at\u00e9 o seu Filho, para assumir e absorver os nossos erros, saldar as nossas d\u00edvidas, suportar os nossos maus-tratos e a nossa viol\u00eancia, poder ter mesmo que entregar a sua vida nas nossas m\u00e3os assassinas, sem deixar de nos amar, para nos salvar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A afirma\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 absolutamente assombrosa, impens\u00e1vel, desarmante: \u00abDeus amou de tal modo o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unig\u00e9nito\u00bb (Jo\u00e3o 3,16), o Filho do seu amor. Para que n\u00e3o nos passe ao lado a for\u00e7a do que acab\u00e1mos de ouvir, talvez possamos perguntar: Quem \u00e9 o pai ou a m\u00e3e aqui presente que est\u00e1 disposto a entregar o seu filho ou filha a um grupo de malvados para, com esse gesto de extrema ousadia, tentar retirar do mal aqueles malvados? Penso que n\u00e3o haver\u00e1 aqui ningu\u00e9m que se atreva a fazer uma coisa destas. O que n\u00f3s n\u00e3o somos capazes de fazer, f\u00ea-lo Deus por n\u00f3s, que n\u00e3o somos grande coisa! Entregou-nos o seu Filho querido, e n\u00f3s crav\u00e1mo-lo naquela Cruz!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto do Antigo Testamento que faz equil\u00edbrio com o Evangelho de hoje \u00e9 a chamada\u00a0<em>magna charta<\/em>\u00a0do amor de Deus, que hoje podemos ler no Livro do \u00caxodo 34,4-9. A primeira frase [\u00abE passou (<em>\u02bdabar<\/em>) o Senhor diante dele (Mois\u00e9s), e proclamou\/invocou (<em>qara\u02bc<\/em>): \u201cSenhor, Senhor\u201d\u00bb], \u00e9 de liga\u00e7\u00e3o, mas reveste-se de grande import\u00e2ncia. A a\u00e7\u00e3o de \u00abpassar\u00bb, por parte de Deus, significa, por um lado, a sua presen\u00e7a livre, boa e bela, e, por outro lado, que n\u00f3s n\u00e3o podemos p\u00f4r sobre Ele a nossa m\u00e3o, control\u00e1-lo, nossa permanente tenta\u00e7\u00e3o. \u00abE passou o Senhor\u00bb (\u00caxodo 34,6) cumpre a promessa boa de Deus a Mois\u00e9s, feita em \u00caxodo 33,19, de fazer passar diante de Mois\u00e9s toda a sua bondade e beleza (<em>kol-th\u00fbb\u00ee<\/em>). E que esta \u00abpassagem\u00bb \u00e9 boa e bela v\u00ea-se em contraponto com as vis\u00f5es do Livro de Am\u00f3s, em que Deus declara: \u00abVeio o fim (<em>qets<\/em>) para o meu povo, Israel; n\u00e3o continuarei a\u00a0<em>passar<\/em>\u00a0para ele (<em>lo\u02bc<\/em>\u2026\u00a0<em>\u02bdabar l\u00f4<\/em>)\u00bb (Am\u00f3s 8,2; cf. 7,8). E o facto de o Senhor aparecer a proclamar\/invocar (<em>qara\u02bc<\/em>) o seu pr\u00f3prio Nome \u00e9 coisa \u00fanica, \u00fanica vez em toda a Escritura em que o Senhor \u00e9 sujeito do verbo\u00a0<em>qara\u02bc<\/em>, na express\u00e3o\u00a0<em>qara\u02bc\u00a0b<sup>e<\/sup>shem<\/em>, \u00abproclamar\/invocar o Nome\u00bb. Por norma, a locu\u00e7\u00e3o\u00a0<em>qara\u02bc\u00a0b<sup>e<\/sup>shem YHWH<\/em>\u00a0encontra-se nos l\u00e1bios dos adoradores e suplicantes, e significa a\u00ed \u00abinvocar o Nome de YHWH\u00bb. Posta na boca do pr\u00f3prio Deus, a locu\u00e7\u00e3o h\u00e1 de significar, em primeiro lugar, proclamar, mas sem anular a beleza e a surpresa de o pr\u00f3prio Deus invocar tamb\u00e9m o seu Nome, a sua plenitude de Amor, de que todos recebemos gra\u00e7a sobre gra\u00e7a (cf. Jo\u00e3o 1,16). A exegese costuma, neste lugar, acentuar o \u00abproclamar\u00bb, deixando de lado o \u00abinvocar\u00bb, querendo quase explicar que Deus n\u00e3o pode invocar o seu pr\u00f3prio nome, isto \u00e9, rezar. Mas s\u00f3 este duplo dizer de Deus, revelat\u00f3rio e orante, constitui a verdadeira revela\u00e7\u00e3o de Deus, e assenta as bases para que o crente possa invocar proclamando, ou proclamar invocando, anunciando, rezando, com do\u00e7ura e estremecimento, este Nome, esta Presen\u00e7a Amante e Fiel. T\u00e3o extraordin\u00e1ria maneira de dizer deixa-nos, pois, n\u00e3o no dom\u00ednio da metaf\u00edsica, mas da revela\u00e7\u00e3o, da anuncia\u00e7\u00e3o, da ora\u00e7\u00e3o, da adora\u00e7\u00e3o, ato fundador e modelar da nossa ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o ser\u00e1, neste contexto, de estranhar que, nesta exposi\u00e7\u00e3o de Deus, Deus exposto diante de Mois\u00e9s com toda a sua bondade e beleza, como acontece em \u00caxodo 34,6-7, e que n\u00e3o pode deixar de lembrar Jesus Cristo exposto (<em>pro\u00e9theto<\/em>) na Cruz (Romanos 3,25), \u00abexposto por escrito (<em>proegr\u00e1ph\u00ea<\/em>) diante dos nossos olhos\u00bb (G\u00e1latas 3,1), Mois\u00e9s se tenha \u00abapressado a responder ajoelhando-se (<em>qadad<\/em>) no ch\u00e3o e prostrando-se em adora\u00e7\u00e3o (<em>hishtah<sup>a<\/sup>wah<\/em>, forma hitpael de\u00a0<em>shahah<\/em>), e dizendo: \u201cPor favor, se encontrei gra\u00e7a aos teus olhos (<em>\u055a<\/em><em>im-na<\/em><em>\u055a<\/em><em>\u00a0matsa<\/em><em>\u055a<\/em><em>t\u00ee hen b<sup>e<\/sup><\/em><em>\u0559<\/em><em>\u00ean\u00eaka<\/em>), Senhor, vem, por favor, Senhor, para o meio de n\u00f3s, que somos um povo de dura cerviz, e perdoa (<em>salah<\/em>) a nossa culpa e o nosso pecado\u201d\u00bb (\u00caxodo 34,8-9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre esta necess\u00e1ria aproxima\u00e7\u00e3o teof\u00e2nica centrada no essencial, e o essencial \u00e9 sempre pessoal, que \u00e9 a passagem boa e bela de Deus (\u00caxodo 34,6a), exposi\u00e7\u00e3o de Deus, e a ora\u00e7\u00e3o e adora\u00e7\u00e3o humana por ela provocada (\u00caxodo 34,8-9), sem os fen\u00f3menos exteriores habituais, como rel\u00e2mpagos, trov\u00f5es, tremores de terra, fogo devorador (cf. \u00caxodo 19,16 e 18), a\u00ed est\u00e1, dentro do caixilho, o quadro central, que abre com a repeti\u00e7\u00e3o do Nome \u00abSenhor, Senhor\u00bb, \u00fanica em toda a Escritura, duplica\u00e7\u00e3o certamente com valor enf\u00e1tico, mas tamb\u00e9m lit\u00fargico, orante, adorante. Deus diz-se a Si mesmo como nos diz a n\u00f3s: \u00abMois\u00e9s, Mois\u00e9s\u00bb (\u00caxodo 3,4), com Amor imenso e intenso, orante, comovido, exposto! Convenhamos que, neste tremendo dizer, n\u00e3o conta apenas o facto de Deus se dizer a Si mesmo. Conta tamb\u00e9m, e talvez sobretudo, o modo como Deus se diz a Si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Ap\u00f3stolo traz-nos hoje, no final da sua correspond\u00eancia com a comunidade de Corinto (2 Cor\u00edntios 13,11-13), a f\u00f3rmula com que abrimos a nossa Eucaristia: \u00abA gra\u00e7a do Senhor Jesus Cristo e o amor do Pai e a comunh\u00e3o do Esp\u00edrito Santo estejam com todos v\u00f3s\u00bb. \u00c9, de facto, em clave trinit\u00e1ria que vivemos e rezamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois deste necess\u00e1rio contacto com os textos b\u00edblicos que a liturgia deste dia nos oferece, acrescentamos aqui este espa\u00e7o de reflex\u00e3o. De facto, nesta \u00abera do vazio\u00bb que nos atravessa, a Trindade pode parecer insignificante, e ficar remetida apenas para velhos comp\u00eandios de uma esp\u00e9cie de geometria religiosa. Imp\u00f5e-se, portanto, uma reflex\u00e3o forte e renovada, em que a Trindade surja como fonte de vivifica\u00e7\u00e3o para a nossa experi\u00eancia crist\u00e3 quotidiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Triadologia do Novo Testamento, preparada pelo Antigo Testamento, Deus, enquanto d\u00e1diva suprema fundante, \u00e9 o Pai. Mas a d\u00e1diva suprema do Pai, infinita riqueza, constitui o Filho, infinita pobreza, que tudo recebe. Mas, ao receber tudo, infinita rece\u00e7\u00e3o, o Filho volta a dar tudo numa infinita doa\u00e7\u00e3o sem defesa e sem limites. E esta comunh\u00e3o-comunica\u00e7\u00e3o-vida-amor de si-a-si, circular, vertiginosa, tranquila e imperec\u00edvel, constitui o Esp\u00edrito Santo, a Pessoa-Dom incriado (segundo a bela express\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II), o Dom que vem de si mesmo a si mesmo, Dom de si a si, o Dom absolutamente um com ele mesmo, o Dom id\u00eantico ao Ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta feliz defini\u00e7\u00e3o, se bem compreendida e explorada, pode trazer importantes consequ\u00eancias pr\u00e1ticas. A nossa experi\u00eancia ensina-nos como n\u00f3s somos sens\u00edveis ao Dom, como o nosso cora\u00e7\u00e3o se abre diante do Dom. O Dom tem uma for\u00e7a pr\u00f3pria. N\u00e3o \u00e9 uma for\u00e7a exterior que se imponha desde fora. \u00c9 uma for\u00e7a interior, persuasiva, suave e calorosa, que move o cora\u00e7\u00e3o desde dentro, quebrando toda a dureza e resist\u00eancia. O Dom \u00e9 uma terceira realidade entre mim e o meu amigo. O meu amigo quer dar-se a mim por amor. Mas n\u00e3o pode deixar de ser ele, para passar a ser eu. Eu quero dar-me ao meu amigo por amor, mas n\u00e3o posso deixar de ser eu, para passar a ser ele. Ali\u00e1s, se esta fus\u00e3o pudesse acontecer, punha termo ao amor existente entre mim e o meu amigo. O Dom prov\u00e9m da alteridade e garante a alteridade. Prov\u00e9m da intencionalidade da uni\u00e3o entre mim e o meu amigo, mas garante tamb\u00e9m a nossa alteridade. O Dom \u00e9 o meu amigo dando-se a si mesmo a mim por amor e sou eu recebendo o meu amigo por amor, princ\u00edpio e termo da doa\u00e7\u00e3o. Em Deus, o Pai d\u00e1-se ao Filho por amor \u2013 princ\u00edpio da doa\u00e7\u00e3o \u2013, mas n\u00e3o perde a sua dimens\u00e3o paternal, tornando-se Filho; do mesmo modo que o Filho, acolhendo o dom da paternidade por amor \u2013 termo da doa\u00e7\u00e3o \u2013, n\u00e3o anula a sua determina\u00e7\u00e3o filial, tornando-se Pai. Uma a\u00e7\u00e3o requer sempre a outra para se completar, estando as duas pessoas reciprocamente implicadas. Entre mim e o meu amigo, o Dom \u00e9 um objeto, mas quanto mais intensamente \u00e9 Dom, isto \u00e9, quanto mais significa a nossa doa\u00e7\u00e3o \u00edntima e pessoal, menos \u00e9 um objeto materialmente determinado. Por isso eu gasto tanto tempo at\u00e9 encontrar o Presente que quero oferecer ao meu amigo, um objeto que signifique a nossa intimidade. Em Deus, entre o Pai e o Filho, o Dom \u00e9 o Esp\u00edrito, Pessoa divina subsistente, distinto do Pai e do Filho, dos quais procede, mas distinto tamb\u00e9m do ato da doa\u00e7\u00e3o, de que \u00e9 o efeito e a significa\u00e7\u00e3o. Se ele fosse o ato da doa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o constituiria uma pessoa subsistente, pois n\u00e3o existiria como tal; seria a soma de duas pessoas, n\u00e3o uma terceira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito, Pessoa-Dom incriado, \u00e9 o protagonista da miss\u00e3o e de toda a vida eclesial. \u00c9, por\u00e9m, um protagonista silencioso como o Dom \u00e9 silencioso. Silencioso, mas eficaz. A sua a\u00e7\u00e3o calorosa processa-se, n\u00e3o com palavras sens\u00edveis que afetam os \u00f3rg\u00e3os da audi\u00e7\u00e3o (Romanos 8,26), mas na interioridade da intelig\u00eancia da f\u00e9 num \u00abgemido sem palavras\u00bb (<em>stenagm\u00f2s al\u00e1l\u00eatos<\/em>) (Romanos 8,26), que acende no nosso cora\u00e7\u00e3o o vivo\u00a0<em>desejo<\/em>\u00a0de comunicar com Deus. A a\u00e7\u00e3o calorosa do Esp\u00edrito-Dom n\u00e3o se limita a certos pa\u00edses, l\u00ednguas, povos, etnias, religi\u00f5es, e nem sequer tem um alcance limitado como \u00e9 limitado o alcance daquele que usa as cordas vocais (ou mesmo os meios de comunica\u00e7\u00e3o social) para se fazer ouvir. Ele est\u00e1 para al\u00e9m de todas essas barreiras, pois atua diretamente na intelig\u00eancia e no cora\u00e7\u00e3o de cada ser humano. E em termos de intelig\u00eancia e de cora\u00e7\u00e3o, em termos de humanidade e intimidade, s\u00e3o iguais o chin\u00eas, o portugu\u00eas e o ingl\u00eas, o cat\u00f3lico, o hindu\u00edsta e o mu\u00e7ulmano\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande teologia b\u00edblica est\u00e1 atravessada por este Mist\u00e9rio (<em>myst\u00earion<\/em>) do Amor de Deus, que \u00e9 Deus vindo ao mesmo tempo de si mesmo e a si mesmo, Mist\u00e9rio escondido eternamente em Deus (Romanos 16,25; Ef\u00e9sios 3,9; Colossenses 1,26), mas j\u00e1 presente e atuante na hist\u00f3ria dos homens desde a Cria\u00e7\u00e3o (Jo\u00e3o 1,3; Colossenses 1,16), e agora dado a conhecer (<em>gn\u00f4r\u00edz\u00f4<\/em>) em Cristo (Romanos 16,25-26; Ef\u00e9sios 1,9; 3,3.10; Colossenses 1,27), tornando-se, portanto, Mist\u00e9rio conhecido (!), Revela\u00e7\u00e3o divina gratuita, doa\u00e7\u00e3o do Dom e dic\u00e7\u00e3o do Dito, totalmente entregue aos homens, para dela viverem totalmente. Este \u00abpara n\u00f3s\u00bb do Mist\u00e9rio do Amor de Deus \u00e9 o Prop\u00f3sito (<em>pr\u00f3thesis<\/em>) eterno divino (Romanos 8,28; Ef\u00e9sios 1,11), a Vontade (<em>th\u00e9l\u00eama<\/em>) eterna divina (G\u00e1latas 1,4; Ef\u00e9sios 1,5.9.11) \u2013 em Deus, pensamento, express\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o, efeito, Alfa e Omega, s\u00e3o simult\u00e2neos e coeternos \u2013 de elevar a nossa humanidade a viver por gra\u00e7a ao n\u00edvel da sua divindade (2 Pedro 1,4; 1 Jo\u00e3o 3,2). Se, na grande teologia b\u00edblica, o homem confessa que Deus se revela, confessa ent\u00e3o que Deus \u00e9 o ato de se revelar. E, ent\u00e3o, o Mist\u00e9rio de Deus \u00e9 a sua revela\u00e7\u00e3o, e a sua revela\u00e7\u00e3o \u00e9 o seu Mist\u00e9rio. Nesse sentido, Deus vem a si mesmo como vem ao mundo. E quando Deus se comunica e se manifesta ao mundo, trata-se verdadeiramente de uma comunica\u00e7\u00e3o de si-a-si e de uma manifesta\u00e7\u00e3o de si-a-si. Donde: comunica\u00e7\u00e3o-manifesta\u00e7\u00e3o de Deus ao mundo = comunica\u00e7\u00e3o-manifesta\u00e7\u00e3o de Deus a si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No centro deste Mist\u00e9rio do Amor de Deus em a\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria dos homens est\u00e1 a Miss\u00e3o do Filho de Deus com o Esp\u00edrito Santo, que \u00e9 o Mist\u00e9rio de Cristo (Ef\u00e9sios 3,4), que \u00e9 Cristo em n\u00f3s (Colossenses 1,27) e n\u00f3s em Cristo (Romanos 8,28-30). Assumindo a nossa condi\u00e7\u00e3o humana por puro Dom de Amor total, concebido e nascido na sua \/ nossa humanidade por Amor, com o nome \u00abJesus\u00bb, n\u00e3o da carne e do sangue, mas do Esp\u00edrito Santo (Mateus 1,18; Lucas 1,34-35; cf. Jo\u00e3o 3,6), tendo recebido na sua \/ nossa humanidade a plenitude do Esp\u00edrito Santo no Batismo do Jord\u00e3o (Lucas 4,1; cf. Jo\u00e3o 1,32-33), e tendo-o recebido de novo, na sua \/ nossa humanidade Crucificada, Ressuscitada e Glorificada (Atos 2,32-33; 1 Cor\u00edntios 15,45.49) na Morte \/ Ressurrei\u00e7\u00e3o que \u00e9 o Batismo consumado (Lucas 12,49-50), Ele pode agora, enquanto Homem verdadeiro divinizado, tornado na sua \/ nossa Humanidade \u00abEsp\u00edrito vivificante\u00bb (<em>pne\u00fbma z\u00f4opoio\u00fbn<\/em>) (1 Cor\u00edntios 15,45), dar o Esp\u00edrito Santo aos outros homens seus irm\u00e3os, vivos e mortos (Jo\u00e3o 19,30 e 34; 20,22; cf. 7,37-39; Atos 2,32-33; 1 Cor\u00edntios 15,49).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No decurso da sua vida terrena ainda n\u00e3o podia dar o Esp\u00edrito, embora o possu\u00edsse em plenitude. Anota cuidadosamente o Evangelista que \u00abn\u00e3o havia ainda Esp\u00edrito, porque Jesus ainda n\u00e3o fora glorificado\u00bb (Jo\u00e3o 7,39). Na verdade, na Economia divina, \u00abEconomia da carne\u00bb, como dizem os Padres, porque a carne decaiu, a carne devia levantar-se, e onde a carne tinha sido vencida, a carne devia vencer (Santo Ireneu de Li\u00e3o). Foi por isso necess\u00e1rio que o Verbo Deus\u00a0assumisse a condi\u00e7\u00e3o do Ad\u00e3o antigo \u00abnuma carne semelhante \u00e0 do pecado\u00bb (Romanos 8,3), \u00abfeito pecado por causa de n\u00f3s\u00bb (2 Cor\u00edntios 5,21), \u00abtornado maldi\u00e7\u00e3o por causa de n\u00f3s\u00bb (G\u00e1latas 3,13), sujeito, enfim, \u00e0 morte. Sem esta, n\u00e3o se verificava a assun\u00e7\u00e3o completa da nossa condi\u00e7\u00e3o (Hebreus 2,9.14a.17). Assumiu, portanto, as consequ\u00eancias do nosso pecado, sem se tornar, no entanto, c\u00famplice do pecado (Hebreus 4,15; 1 Pedro 2,22). Impunha-se que fosse sem pecado, para poder enfrentar a morte, n\u00e3o como quem lhe \u00e9 naturalmente devedor, mas num ato de pura generosidade. N\u00e3o bastava ser sem pecado. Ao ser sem pecado era necess\u00e1rio juntar uma atitude de puro amor subversivo (Hebreus 2,10.14b.18). No decurso da sua vida terrena, nem a sua uni\u00e3o com Deus, nem a sua uni\u00e3o com os homens, tinham atingido a sua perfei\u00e7\u00e3o: enquanto homem terreno, Jesus n\u00e3o estava perfeitamente unido a Deus na gl\u00f3ria: era necess\u00e1ria uma transforma\u00e7\u00e3o radical da sua humanidade; mas t\u00e3o-pouco a sua solidariedade com os homens estava completa. \u00c9 s\u00f3 ap\u00f3s ter efetuado esta assimila\u00e7\u00e3o total, que a \u00abcarne do Verbo Deus\u00bb opera agora aquela que \u00e9 a m\u00e1xima opera\u00e7\u00e3o divina: dar o Esp\u00edrito Santo, vivificar-nos com o contacto do seu corpo pneumat\u00f3foro. De facto, \u00e9 s\u00f3 no fim da sua vida terrena, no extremo da sua incarna\u00e7\u00e3o levada at\u00e9 ao extremo \u2013 que comporta a sua morte e a sua ressurrei\u00e7\u00e3o, a glorifica\u00e7\u00e3o da sua humanidade \u2013, que podemos proclamar a identidade (de\u00a0<em>ide\u00een<\/em>) de Jesus como Filho Deus, obra do Esp\u00edrito em n\u00f3s (1 Cor\u00edntios 12,3). Por isso, s\u00f3 quando Jesus desaparecer na Gl\u00f3ria, o Esp\u00edrito pode vir para n\u00f3s. Todas as palavras relativas ao Par\u00e1clito, o atestam \u00e0 sua maneira. Todas falam do envio do Esp\u00edrito Santo Par\u00e1clito no futuro (Jo\u00e3o 14,16; 14,26; 15,26; 16,7; 16,13-15). O contexto da quarta refer\u00eancia \u00e9 particularmente elucidativo: \u00ab\u00e9 do vosso interesse que eu v\u00e1, porque, se eu n\u00e3o for, o Par\u00e1clito n\u00e3o vir\u00e1 para v\u00f3s; mas se eu for, eu envi\u00e1-lo-ei para v\u00f3s\u00bb (Jo\u00e3o 16,7). A raz\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 em que Jesus, que est\u00e1 corporalmente presente, deva desaparecer para que a sua \u00abespiritualidade\u00bb possa ser tornada presente, mas em que uma exegese do Verbo feito carne, na sua totalidade, \u00abna verdade toda\u00bb (<em>en t\u00ea al\u00eathe\u00eda p\u00e1s\u00ea<\/em>) (Jo 16,13), n\u00e3o pode realizar-se sen\u00e3o a partir do momento em que Ele \u00e9 proferido at\u00e9 ao fim, o que comporta a sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito Santo \u00e9 assim a D\u00e1diva de Deus (<em>h\u00ea d\u00f4re\u00e0 to\u00fb theo\u00fb<\/em>) (Atos 2,38; 8,20; 10,45; 11,17; Hebreus 6,4; cf. Lucas 11,9.13) que vem a n\u00f3s sempre da \u00fanica Fonte inexaur\u00edvel que \u00e9 a Humanidade Crucificada, Ressuscitada e Glorificada do Senhor. \u00c9 s\u00f3 a\u00ed e da\u00ed, mediante ades\u00e3o sacramental ao seu Corpo pneumat\u00f3foro \u2013 \u00abquem adere (<em>koll\u00e1\u00f4<\/em>) ao Senhor torna-se com Ele \u00fanico Esp\u00edrito\u00bb (1 Cor\u00edntios 6,17) \u2013, que recebemos a nossa verdadeira identidade, a filia\u00e7\u00e3o divina (<em>hyiothes\u00eda<\/em>) (Romanos 8,15-16; G\u00e1latas 4,5; Ef\u00e9sios 1,5), e ousamos rezar \u00abAbba, Pai!\u00bb (G\u00e1latas 4,4-6; Romanos 8,15.26-27) e proclamar \u00abSenhor \u00e9 Jesus!\u00bb (1 Cor\u00edntios 12,3; Filipenses 2,11). \u00c9 verdade que \u00abo Esp\u00edrito sopra onde quer\u00bb (Jo\u00e3o 3,8), em qualquer povo, debaixo de qualquer c\u00e9u, avivando as brasas do\u00a0<em>desejo<\/em>\u00a0inscrito na nossa carne humana, mas vem a n\u00f3s somente atrav\u00e9s da Humanidade Crucificada, Ressuscitada e Glorificada do Senhor Jesus, e \u00e9 para l\u00e1 que remete e reconduz sempre, desvendando e saciando o nosso\u00a0<em>desejo<\/em>\u00a0do Filho. O Esp\u00edrito Santo n\u00e3o Se revela \u2013 \u00abn\u00e3o falar\u00e1 de si mesmo\u00bb (Jo\u00e3o 16,13) \u2013, mas revela sempre na Humanidade Crucificada, Ressuscitada e Glorificada do Senhor Jesus, o Filho de Deus. E s\u00f3 o Filho de Deus, concebido e nascido na sua \/ nossa Humanidade \u2013 Jesus \u2013, Crucificado, Ressuscitado e Glorificado na sua \/ nossa Humanidade, dador do Esp\u00edrito Santo e por Ele revelado, pode revelar o Pai. Tudo vem do Pai, mediante o Filho, no Esp\u00edrito; tudo volta ao Pai, mediante o Filho, no Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito Santo Deus, D\u00e1diva total do Pai e do Filho, Divina Comunh\u00e3o (2 Cor\u00edntios 13,13; Filipenses 2,1), e que brota para n\u00f3s da \u00fanica Fonte sacramental da Humanidade Crucificada, Ressuscitada e Glorificada do Senhor, est\u00e1 operante na nossa humanidade e na nossa hist\u00f3ria. Vindo (Jo\u00e3o 15,26; 16,7.8.13), Ensinando (Jo\u00e3o 14,26; 1 Jo\u00e3o 2,20.27) e Recordando (Jo\u00e3o 14,26), Conduzindo (Jo\u00e3o 16,13), Recebendo (Jo\u00e3o 16,14.15) e Anunciando (Jo\u00e3o 16,13.14.15), Testemunhando (Jo\u00e3o 15,26), Dando (1 Cor\u00edntios 12,7 e 8) e Edificando (1 Cor\u00edntios 14,3.4.5.12.26), Vivificando (Jo\u00e3o 6,63; Romanos 8,10; 2 Cor\u00edntios 3,6), Ele (<em>eke\u00eenos<\/em>) \u00e9 o verdadeiro protagonista da mesma Miss\u00e3o Filial Batismal do Senhor que a Igreja Fiel Batizada e Confirmada deve prosseguir, para dela viver e para dela fazer viver, como ficou documentado de forma paradigm\u00e1tica na vida das comunidades crist\u00e3s nascentes, tal como atestam as Cartas de S. Paulo e o inteiro Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vindo, Recebendo, Ensinando, Recordando, Conduzindo, Testemunhando, Dando, Edificando. O Esp\u00edrito Par\u00e1clito recebe (<em>lamb\u00e1n\u00f4<\/em>) do que \u00e9 de Jesus (Jo\u00e3o 16,14 e 15), do mesmo modo que Jesus recebeu do Pai (Jo\u00e3o 10,18; Apocalipse 2,28), que lhe deu tudo o que tem e \u00e9. Do mesmo modo, o ensinamento (<em>didach\u00ea<\/em>) do Esp\u00edrito Par\u00e1clito \u00e9 o mesmo que Jesus fez e que recebeu do Pai, mas vem depois do de Jesus (Jo\u00e3o 14,26), e processa-se, ao contr\u00e1rio do de Jesus, n\u00e3o com palavras sens\u00edveis que tocam os \u00f3rg\u00e3os da audi\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico determinado, mas na interioridade da intelig\u00eancia da f\u00e9, avivando as brasas do\u00a0<em>desejo<\/em>\u00a0da Palavra primeira e criadora no cora\u00e7\u00e3o de cada homem, debaixo de qualquer c\u00e9u. Este ensinamento interior do Esp\u00edrito \u00e9 comparado \u00e0 un\u00e7\u00e3o de \u00f3leo (<em>chr\u00edsma<\/em>) que penetra lentamente, como diz o Ap\u00f3stolo: \u00abV\u00f3s recebestes a un\u00e7\u00e3o (<em>chr\u00edsma<\/em>) que vem do Santo e todos sabeis (<em>o\u00eddate<\/em>)\u00bb (1 Jo\u00e3o 2,20); ou ent\u00e3o: \u00aba un\u00e7\u00e3o (<em>chr\u00edsma<\/em>) dele vos ensina (<em>did\u00e1skei<\/em>) acerca de todas as coisas\u00bb (1 Jo\u00e3o 2,27). Cumpre-se assim a profecia de Jeremias 31,31-34 (38,31-34 LXX) que refere que \u00abtodos me conhecer\u00e3o (<em>eid\u00easousin<\/em>)\u00bb com uma ci\u00eancia que n\u00e3o resulta da instru\u00e7\u00e3o, mas que \u00e9 incutida por Deus no cora\u00e7\u00e3o. Do mesmo modo, a a\u00e7\u00e3o de recordar (<em>hypomimn\u00eask\u00f4<\/em>) (Jo\u00e3o 14,26) n\u00e3o tem nada de comum com a mem\u00f3ria banal de um acontecimento ordin\u00e1rio, mas implica uma compreens\u00e3o nova dos factos e palavras de Jesus e de todo o Antigo Testamento. Jesus tinha dito que reconstruiria o Templo? Na verdade, ele falava do seu pr\u00f3prio corpo (Jo\u00e3o 2,22). Jesus tinha entrado em Jerusal\u00e9m montado num jumento? Na verdade, realizava a profecia de Zacarias 9,9 (Jo\u00e3o 12,16). Nos dois casos, \u00e9 dito que os disc\u00edpulos \u00abse recordaram\u00bb (<em>mimn\u00easkomai<\/em>). O Esp\u00edrito d\u00e1-lhes a intelig\u00eancia da vida e da paix\u00e3o de Jesus e de todo o Antigo Testamento. Nesta a\u00e7\u00e3o de recordar, o passado \u00e9 reclamado, n\u00e3o para suscitar em n\u00f3s o orgulho pela obra feita, mas para salientar o excesso do dom, deixando-nos em estado de recita\u00e7\u00e3o que provoca em n\u00f3s a decis\u00e3o de nos empenharmos no presente para respondermos agora ao dom que sempre nos precede. \u00c9 assim que o Esp\u00edrito atua na mem\u00f3ria viva da Igreja: provocando a recita\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o e avivando o\u00a0<em>desejo<\/em>\u00a0da filia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab\u00d3 abismo de riqueza e sabedoria e conhecimento de Deus! Como s\u00e3o insond\u00e1veis os seus ju\u00edzos e impenetr\u00e1veis os seus caminhos! [\u2026] Porque d\u2019Ele, por Ele e para Ele s\u00e3o todas as coisas. A Ele a gl\u00f3ria pelos s\u00e9culos, \u00e1men!\u00bb (Romanos 11,33 e 36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Filho e o Esp\u00edrito Santo s\u00e3o,<br \/>\nNo dizer de Santo Ireneu de Li\u00e3o,<br \/>\nAs duas m\u00e3os do Pai,<br \/>\nEnviadas em miss\u00e3o<br \/>\nPara junto dos seus filhos de ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 semelhan\u00e7a, claro,<br \/>\nDaquelas m\u00e3os de amor,<br \/>\nQue, no alvor da Cria\u00e7\u00e3o,<br \/>\nModelaram da terra pura o nosso cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\nE de miseric\u00f3rdia o vestiram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Filhos no Filho, divina\u00a0<em>hyiothes\u00eda<\/em>,<br \/>\nHemorragia de gra\u00e7a e de alegria:<br \/>\nJesus, o Filho, assume a nossa humana condi\u00e7\u00e3o,<br \/>\nE d\u00e1-nos em heran\u00e7a a sua divina filia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o Esp\u00edrito, que une e distingue o Pai e o Filho,<br \/>\nDivina comunh\u00e3o, sem confus\u00e3o,<br \/>\nToma conta do nosso cora\u00e7\u00e3o de filhos rec\u00e9m-nascidos,<br \/>\nE faz circular em n\u00f3s, j\u00e1 hoje, j\u00e1 esta manh\u00e3,<br \/>\nA mais bela lala\u00e7\u00e3o que h\u00e1, o nome novo\u00a0<em>Ab-ba<\/em>!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D. Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Santissima-Trindade-Ano-A-04.06.2023-Lecionario.pdf\">Sant\u00edssima Trindade &#8211; Ano A &#8211; 04.06.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Santissima-Trindade-Ano-A-04.06.2023-Oracao-Universal.pdf\">Sant\u00edssima Trindade &#8211; Ano A &#8211; 04.06.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Solenidade do Pentecostes \u2013 Ano A \u2013 28.05.2023&#8243; tab_id=&#8221;1685956841275-c383256d-133d&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Solenidade do Pentecostes \u2013 Ano A \u2013 28.05.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Pentecostes.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"431\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cinquenta dias depois da P\u00e1scoa os Ap\u00f3stolos continuam fechados com medo. N\u00e3o est\u00e3o em isolamento social recomendado pelas autoridades sanit\u00e1rias, mas como disc\u00edpulos de Jesus de Nazar\u00e9 que foi crucificado est\u00e3o recolhidos em casa e, com certeza, come\u00e7am a pensar o que far\u00e3o para vencer o temor e avan\u00e7ar para o desconfinamento. Contudo, algo de surpreendente e inesperado acontece. No lugar onde se encontravam \u00ab<em>fez-se ouvir, vindo do C\u00e9u, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este grupo que estava fechado, amedrontado e barricado em casa, subitamente encontra a aud\u00e1cia para enfrentar a multid\u00e3o e corajosamente sai para a rua, proclamando as maravilhas de Deus nas mais variadas l\u00ednguas, conforme o Esp\u00edrito lhes inspirava. Estes homens n\u00e3o estavam habituados a fazer discursos, nem eram profissionais da palavra. S\u00e3o homens simples que n\u00e3o apoiavam os seus discursos na eloqu\u00eancia humana, mas em qualquer coisa de novo e diferente que os fazia anunciar de modo apaixonado e desassombrado as maravilhas de Deus. \u00c9 o Esp\u00edrito Santo, o Par\u00e1clito que o Mestre prometera e que agora desce sobre eles para os enviar em miss\u00e3o. Cheios do Esp\u00edrito Santo, o medo deu lugar \u00e0 coragem e o sil\u00eancio e o recolhimento deram lugar \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o da Palavra na pra\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura situa estes acontecimentos no dia de Pentecostes, isto \u00e9, cinquenta dias ap\u00f3s a P\u00e1scoa. Por seu lado, a narrativa evang\u00e9lica situa a descida do Esp\u00edrito Santo \u00ab<em>na tarde daquele dia, o primeiro da semana<\/em>\u00bb, isto \u00e9, no dia de P\u00e1scoa. Na verdade, a aparente contradi\u00e7\u00e3o na descri\u00e7\u00e3o temporal destes acontecimentos permite-nos unir a P\u00e1scoa e o Pentecostes, recordando que o Esp\u00edrito Santo \u00e9 dom de Jesus Ressuscitado \u00e0 Sua Igreja para que iluminados e guiados pelo Seu Esp\u00edrito possam continuar no tempo e na hist\u00f3ria a Sua obra redentora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Recebei o Esp\u00edrito Santo<\/em>\u00bb. O Esp\u00edrito Santo \u00e9 dom gratuito do amor de Deus que nos faz participar na Sua obra de amor. Deste modo, o Esp\u00edrito Santo \u00e9 um dom a invocar e a agradecer. Mas juntamente com o Seu Esp\u00edrito, o Ressuscitado concede tamb\u00e9m a Sua paz e envia os disc\u00edpulos em miss\u00e3o para que sejam anunciadores da Boa Nova da Paz e da reconcilia\u00e7\u00e3o. Jesus une \u00e0 miss\u00e3o que o Pai lhe confiou a miss\u00e3o de cada um de n\u00f3s: \u00ab<em>Assim como o Pai Me enviou, tamb\u00e9m Eu vos envio a v\u00f3s<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos enviados tal como o Pai enviou o Seu Filho muito amado e unimo-nos assim \u00e0 miss\u00e3o de Jesus para que o rosto de miseric\u00f3rdia e perd\u00e3o do Pai continue a brilhar no mundo. Jesus envia os disc\u00edpulos mostrando-lhes as m\u00e3os e o lado e confiando-lhes a miss\u00e3o de perdoar os pecados. Perdoar \u00e9 dar atrav\u00e9s das feridas recebidas, \u00e9 fazer do mal sofrido uma oportunidade para o amor e a reconcilia\u00e7\u00e3o, \u00e9 criar paz com uma superabund\u00e2ncia de amor que vence o \u00f3dio e a viol\u00eancia sofridos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Unido ao Esp\u00edrito Santo, o perd\u00e3o \u00e9 um acontecimento muito mais escatol\u00f3gico do que \u00e9tico, porque nos faz participar no aqui e agora do tempo e da hist\u00f3ria da comunh\u00e3o e da paz que se viver\u00e1 em plenitude no c\u00e9u. Vinde Esp\u00edrito Santo! Vinde e rasgai horizontes de esperan\u00e7am e tornai-nos anunciadores da nova civiliza\u00e7\u00e3o do amor para que o mundo possa ser esse lugar que Deus sonhou para n\u00f3s. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O diret\u00f3rio lit\u00fargico recorda que o Domingo de Pentecostes \u00e9 \u00ab<em>Dia do Apostolado Organizado dos Leigos e do contributo para o mesmo Apostolado (por decis\u00e3o da Confer\u00eancia Episcopal)<\/em>\u00bb. O Esp\u00edrito Santo dom de Jesus Ressuscitado \u00e0 Sua Igreja constitui cada batizado como um verdadeiro disc\u00edpulo mission\u00e1rio e protagonista respons\u00e1vel para a constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus no Mundo. Apesar desta indica\u00e7\u00e3o aparecer discretamente no diret\u00f3rio, este dia pode ser uma oportunidade para recordar a importante tarefa de cada fiel leigo na miss\u00e3o da Igreja e o desafio para repensar a pastoral das nossas comunidades, n\u00e3o apenas numa perspetiva sacramental e como garantia de servi\u00e7os onde os leigos s\u00e3o apenas destinat\u00e1rios passivos da miss\u00e3o dos pastores, mas como uma comunidade correspons\u00e1vel onde todos partilham a tarefa e a miss\u00e3o de anunciar Jesus Cristo.<strong><em> i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos em Tempo Pascal. Chegamos ao Domingo de Pentecostes. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Actos 2,1-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abTodos ficaram cheios do Esp\u00edrito Santo e come\u00e7aram a falar outras l\u00ednguas\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 vimos, no coment\u00e1rio aos textos dos domingos anteriores, que o livro dos &#8220;Actos&#8221; n\u00e3o pretende ser uma reportagem jornal\u00edstica de acontecimentos hist\u00f3ricos, mas sim ajudar os crist\u00e3os &#8211; desiludidos porque o &#8220;Reino&#8221; n\u00e3o chega &#8211; a redescobrir o seu papel e a tomar consci\u00eancia do compromisso que assumiram, no dia do seu batismo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que diz respeito ao texto que nos \u00e9 proposto e que descreve os acontecimentos do dia do Pentecostes, n\u00e3o existem d\u00favidas de que \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o artificial, criada por Lucas com uma clara inten\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. Para apresentar a sua catequese, Lucas recorre \u00e0s imagens, aos s\u00edmbolos, \u00e0 linguagem po\u00e9tica das met\u00e1foras. Resta-nos descodificar os s\u00edmbolos para chegarmos \u00e0 interpela\u00e7\u00e3o essencial que a catequese primitiva, pela palavra de Lucas, nos deixa. Uma interpreta\u00e7\u00e3o literal deste relato seria, portanto, uma boa forma de passarmos ao lado do essencial da mensagem; far-nos-ia reparar na roupagem exterior, no folclore, e ignorar o fundamental. Ora, o interesse fundamental do autor \u00e9 apresentar a Igreja como a comunidade que nasce de Jesus, que \u00e9 assistida pelo Esp\u00edrito e que \u00e9 chamada a testemunhar aos homens o projeto libertador do Pai.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para a reflex\u00e3o, considerar as seguintes indica\u00e7\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos, neste texto, os elementos essenciais que definem a Igreja: uma comunidade de irm\u00e3os reunidos por causa de Jesus, animada pelo Esp\u00edrito do Senhor ressuscitado e que testemunha na hist\u00f3ria o projeto libertador de Jesus. Desse testemunho resulta a comunidade universal da salva\u00e7\u00e3o, que vive no amor e na partilha, apesar das diferen\u00e7as culturais e \u00e9tnicas. A Igreja de que fazemos parte \u00e9 uma comunidade de irm\u00e3os que se amam, apesar das diferen\u00e7as? Est\u00e1 reunida por causa de Jesus e \u00e0 volta de Jesus? Tem consci\u00eancia de que o Esp\u00edrito est\u00e1 presente e que a anima? Testemunha, de forma efetiva e coerente, a proposta libertadora que Jesus deixou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nunca ser\u00e1 demais real\u00e7ar o papel do Esp\u00edrito na tomada de consci\u00eancia da identidade e da miss\u00e3o da Igreja&#8230; Antes do Pentecostes, t\u00ednhamos apenas um grupo fechado dentro de quatro paredes, incapaz de superar o medo e de arriscar, sem a iniciativa nem a coragem do testemunho; depois do Pentecostes, temos uma comunidade unida, que ultrapassa as suas limita\u00e7\u00f5es humanas e se assume como comunidade de amor e de liberdade. Temos consci\u00eancia de que \u00e9 o Esp\u00edrito que nos renova, que nos orienta e que nos anima? Damos suficiente espa\u00e7o \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, em n\u00f3s e nas nossas comunidades?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para se tornar crist\u00e3o, ningu\u00e9m deve ser espoliado da pr\u00f3pria cultura: nem os africanos, nem os europeus, nem os sul-americanos, nem os negros, nem os brancos; mas todos s\u00e3o convidados, com as suas diferen\u00e7as, a acolher esse projeto libertador de Deus, que faz os homens deixarem de viver de costas voltadas, para viverem no amor. A Igreja de que fazemos parte \u00e9 esse espa\u00e7o de liberdade e de fraternidade? Nela todos encontram lugar e s\u00e3o acolhidos com amor e com respeito &#8211; mesmo os de outras ra\u00e7as, mesmo aqueles de quem n\u00e3o gostamos, mesmo aqueles que n\u00e3o fazem parte do nosso c\u00edrculo, mesmo aqueles que a sociedade marginaliza e afasta? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 103 (104)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> Enviai, Senhor, o vosso Esp\u00edrito e renovai a face da terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Cor 12,3b-7.12-13<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abNa verdade, todos n\u00f3s fomos batizados num s\u00f3 Esp\u00edrito, para constituirmos um s\u00f3 Corpo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 de Corinto era viva e fervorosa, mas n\u00e3o era uma comunidade exemplar no que diz respeito \u00e0 viv\u00eancia do amor e da fraternidade: os partidos, as divis\u00f5es, as contendas e rivalidades perturbavam a comunh\u00e3o e constitu\u00edam um contratestemunho. As quest\u00f5es \u00e0 volta dos &#8220;carismas&#8221; (dons especiais concedidos pelo Esp\u00edrito a determinadas pessoas ou grupos para proveito de todos) faziam-se sentir com especial acuidade: os detentores desses dons carism\u00e1ticos consideravam-se os &#8220;escolhidos&#8221; de Deus, apresentavam-se como &#8220;iluminados&#8221; e assumiam com frequ\u00eancia atitudes de autoritarismo e de prepot\u00eancia que n\u00e3o favorecia a fraternidade e a liberdade; por outro lado, os que n\u00e3o tinham sido dotados destes dons eram desprezados e desclassificados, considerados quase como &#8220;crist\u00e3os de segunda&#8221;, sem vez nem voz na comunidade.<br \/>\nPaulo n\u00e3o pode ignorar esta situa\u00e7\u00e3o. Na Primeira Carta aos Cor\u00edntios, ele corrige, admoesta, d\u00e1 conselhos, mostra a incoer\u00eancia destes comportamentos, incompat\u00edveis com o Evangelho. No texto que nos \u00e9 proposto, Paulo aborda a quest\u00e3o dos &#8220;carismas&#8221;. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para refletir e atualizar a Palavra, considerar os seguintes elementos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos todos consci\u00eancia de que somos membros de um \u00fanico &#8220;corpo&#8221; &#8211; o corpo de Cristo &#8211; e \u00e9 o mesmo Esp\u00edrito que nos alimenta, embora desempenhemos fun\u00e7\u00f5es diversas (n\u00e3o mais dignas ou mais importantes, mas diversas). No entanto, encontramos, com alguma frequ\u00eancia, crist\u00e3os com uma consci\u00eancia viva da sua superioridade e da sua situa\u00e7\u00e3o &#8220;\u00e0 parte&#8221; na comunidade (seja em raz\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o que desempenham, seja em raz\u00e3o das suas &#8220;qualidades&#8221; humanas), que gostam de mandar e de fazer-se notar. \u00c0s vezes, v\u00eaem-se atitudes de prepot\u00eancia e de autoritarismo por parte daqueles que se consideram deposit\u00e1rios de dons especiais; \u00e0s vezes, a Igreja continua a dar a impress\u00e3o &#8211; mesmo ap\u00f3s o Vaticano II &#8211; de ser uma pir\u00e2mide no topo da qual h\u00e1 uma elite que preside e toma as decis\u00f5es e em cuja base est\u00e1 o rebanho silencioso, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 obedecer. Isto faz algum sentido, \u00e0 luz da doutrina que Paulo exp\u00f5e?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os &#8220;dons&#8221; que recebemos n\u00e3o podem gerar conflitos e divis\u00f5es, mas devem servir para o bem comum e para refor\u00e7ar a viv\u00eancia comunit\u00e1ria. As nossas comunidades s\u00e3o espa\u00e7os de partilha fraterna, ou s\u00e3o campos de batalha onde se digladiam interesses pr\u00f3prios, atitudes ego\u00edstas, tentativas de afirma\u00e7\u00e3o pessoal?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso ter consci\u00eancia da presen\u00e7a do Esp\u00edrito: \u00e9 Ele que alimenta, que d\u00e1 vida, que anima, que distribui os dons conforme as necessidades; \u00e9 Ele que conduz as comunidades na sua marcha pela hist\u00f3ria. Ele foi distribu\u00eddo a todos os crentes e reside na totalidade da comunidade. Temos consci\u00eancia da presen\u00e7a do Esp\u00edrito e procuramos ouvir a sua voz e perceber as suas indica\u00e7\u00f5es? Temos consci\u00eancia de que, pelo facto de desempenharmos esta ou aquela fun\u00e7\u00e3o, n\u00e3o somos as \u00fanicas vozes autorizadas a falar em nome do Esp\u00edrito? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO &#8211; <\/strong><strong>Jo 20,19-23<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abNa tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os disc\u00edpulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abA paz esteja convosco\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abRecebei o Esp\u00edrito Santo: \u00e0queles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-\u00e3o perdoados; e \u00e0queles a quem os retiverdes ser-lhes-\u00e3o retidos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este texto (lido j\u00e1 no segundo domingo da P\u00e1scoa) situa-nos no cen\u00e1culo, no pr\u00f3prio dia da ressurrei\u00e7\u00e3o. Apresenta-nos a comunidade da nova alian\u00e7a, nascida da a\u00e7\u00e3o criadora e vivificadora do Messias. No entanto, esta comunidade ainda n\u00e3o se encontrou com Cristo ressuscitado e ainda n\u00e3o tomou consci\u00eancia das implica\u00e7\u00f5es da ressurrei\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma comunidade fechada, insegura, com medo&#8230; Necessita de fazer a experi\u00eancia do Esp\u00edrito; s\u00f3 depois, estar\u00e1 preparada para assumir a sua miss\u00e3o no mundo e dar testemunho do projeto libertador de Jesus.<br \/>\nNos &#8220;Atos&#8221;, Lucas narra a descida do Esp\u00edrito sobre os disc\u00edpulos no dia do Pentecostes, cinquenta dias ap\u00f3s a P\u00e1scoa (sem d\u00favida por raz\u00f5es teol\u00f3gicas e para fazer coincidir a descida do Esp\u00edrito com a festa judaica do Pentecostes, a festa do dom da Lei e da constitui\u00e7\u00e3o do Povo de Deus); mas Jo\u00e3o situa no anoitecer do dia de P\u00e1scoa a rece\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito pelos disc\u00edpulos. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para a reflex\u00e3o, considerar as seguintes coordenadas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 s\u00f3 existe de forma consistente, se est\u00e1 centrada em Jesus. Jesus \u00e9 a sua identidade e a sua raz\u00e3o de ser. \u00c9 n&#8217;Ele que superamos os nossos medos, as nossas incertezas, as nossas limita\u00e7\u00f5es, para partirmos \u00e0 aventura de testemunhar a vida nova do Homem Novo. As nossas comunidades s\u00e3o, antes de mais, comunidades que se organizam e estruturam \u00e0 volta de Jesus? Jesus \u00e9 o nosso modelo de refer\u00eancia? \u00c9 com Ele que nos identificamos, ou \u00e9 num qualquer \u00eddolo de p\u00e9s de barro que procuramos a nossa identidade? Se Ele \u00e9 o centro, a refer\u00eancia fundamental, t\u00eam algum sentido as discuss\u00f5es acerca de coisas n\u00e3o essenciais, que \u00e0s vezes dividem os crentes?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Identificar-se como crist\u00e3o significa dar testemunho diante do mundo dos &#8220;sinais&#8221; que definem Jesus: a vida dada, o amor partilhado. \u00c9 esse o testemunho que damos? Os homens do nosso tempo, olhando para cada crist\u00e3o ou para cada comunidade crist\u00e3, podem dizer que encontram e reconhecem os &#8220;sinais&#8221; do amor de Jesus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As comunidades constru\u00eddas \u00e0 volta de Jesus s\u00e3o animadas pelo Esp\u00edrito. O Esp\u00edrito \u00e9 esse sopro de vida que transforma o barro inerte numa imagem de Deus, que transforma o ego\u00edsmo em amor partilhado, que transforma o orgulho em servi\u00e7o simples e humilde&#8230; \u00c9 Ele que nos faz vencer os medos, superar as cobardias e fracassos, derrotar o ceticismo e a desilus\u00e3o, reencontrar a orienta\u00e7\u00e3o, readquirir a aud\u00e1cia prof\u00e9tica, testemunhar o amor, sonhar com um mundo novo. \u00c9 preciso ter consci\u00eancia da presen\u00e7a cont\u00ednua do Esp\u00edrito em n\u00f3s e nas nossas comunidades e estar atentos aos seus apelos, \u00e0s suas indica\u00e7\u00f5es, aos seus questionamentos.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> apresenta uma din\u00e2mica narrativa preenchida de movimentos, s\u00edmbolos e imagens. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura requer uma cuidada prepara\u00e7\u00e3o para que toda a for\u00e7a narrativa possa ser aproveitada. Al\u00e9m disso, pede-se especial cuidado na proclama\u00e7\u00e3o da lista de proveni\u00eancias das pessoas presentes em Jerusal\u00e9m. Algumas dessas palavras, al\u00e9m de desconhecidas, s\u00e3o de dif\u00edcil pronuncia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, pede-se especial cuidado aos leitores na proclama\u00e7\u00e3o das frases com a express\u00e3o \u00ab<em>h\u00e1 diversidade<\/em>\u00bb. N\u00e3o s\u00f3 a repeti\u00e7\u00e3o da express\u00e3o, mas tamb\u00e9m o contraponto com a express\u00e3o \u00ab<em>o mesmo<\/em>\u00bb requerem uma especial aten\u00e7\u00e3o para uma mais eficaz proclama\u00e7\u00e3o da leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/05\/30\/o-espirito-santo-em-nos\/\"><strong>O ESP\u00cdRITO SANTO E(M)\u00a0N\u00d3S<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho da Solenidade deste Dia Grande de Pentecostes (Jo\u00e3o 20,19-23) mostra-nos os disc\u00edpulos de Jesus fechados num certo lugar, por medo dos judeus. O Ressuscitado, vida nova e modo novo de estar presente, que nada nem ningu\u00e9m pode reter ou impedir, nem as portas fechadas daquele lugar fechado, Vem e fica de p\u00e9 no MEIO deles, o lugar da Presid\u00eancia, e por duas vezes os sa\u00fada: \u00abA paz convosco!\u00bb. Mostra-lhes, n\u00e3o o rosto, mas as m\u00e3os e o lado, bilhete de identidade de Jesus, sinais que identificam o Ressuscitado com o Crucificado, Vida dada por amor, para sempre e para todos, e vincula os seus disc\u00edpulos \u00e0 sua miss\u00e3o de dar a vida por amor: \u00ab<em>Como<\/em>\u00a0o Pai me enviou (<em>ap\u00e9stalken<\/em>: perf. de\u00a0<em>apost\u00e9ll\u00f4<\/em>), tamb\u00e9m Eu vos mando ir (<em>p\u00e9mp\u00f4<\/em>: tempo presente)\u00bb. O envio d\u2019Ele est\u00e1 no tempo perfeito (\u00e9 para sempre): a sua miss\u00e3o come\u00e7ou e continua. N\u00e3o terminou nem termina. Ele continua em miss\u00e3o. A nossa miss\u00e3o est\u00e1 no presente. O presente da nossa miss\u00e3o aparece, portanto, vinculado e agrafado \u00e0 miss\u00e3o de Jesus, e n\u00e3o faz sentido sem ela e sem Ele. N\u00f3s implicados e imbricados n\u2019Ele e na miss\u00e3o d\u2019Ele, sabendo n\u00f3s que Ele est\u00e1 connosco todos os dias (cf. Mateus 28,20). \u00ab<em>Como<\/em>\u00a0o Pai me enviou,\u00a0<em>tamb\u00e9m<\/em>\u00a0Eu vos mando ir\u00bb. Este\u00a0<em>como<\/em>\u00a0define o estilo da nossa miss\u00e3o de acordo com o estilo e a miss\u00e3o de Jesus. \u00c9-nos dito ainda que os disc\u00edpulos ficaram cheios de alegria (o medo foi dissipado) ao verem (<em>id\u00f3ntes<\/em>: part. aor<sup>2\u00a0<\/sup>de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) o Senhor. Tal como o Outro Disc\u00edpulo (Jo\u00e3o 20,8), tamb\u00e9m eles veem com um olhar hist\u00f3rico e a renovar todos os dias (tempo aoristo) a identidade do Senhor. O sopro de Jesus sobre eles \u00e9 o sopro criador (<em>emphys\u00e1\u00f4<\/em>), com o Esp\u00edrito, para a miss\u00e3o fr\u00e1gil-forte do Perd\u00e3o, Jubileu Divino do Esp\u00edrito. Este sopro, este vento, este alento, s\u00f3 aparece neste lugar em todo o Novo Testamento! Mas n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil construir uma bela ponte para G\u00e9nesis 2,7, para o sopro ou alento (<em>naphah<\/em>\u00a0TM \/\u00a0<em>emphys\u00e1\u00f4<\/em>\u00a0LXX) criador de Deus no rosto do homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto luminoso do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos 2,1-11, que enche o dia de hoje, merece ser estendido diante de n\u00f3s e por n\u00f3s bem entendido. Ei-lo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abAo ser completado o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. E\u00a0veio\u00a0de improviso, do c\u00e9u, um\u00a0ru\u00eddo\u00a0como de uma\u00a0ventania impetuosa, que encheu toda a\u00a0CASA\u00a0onde estavam sentados. Fizeram-se ver a eles\u00a0l\u00ednguas\u00a0como de\u00a0fogo, que se dividiram, e\u00a0sentou-se\u00a0uma sobre cada um deles. E todos ficaram cheios do Esp\u00edrito Santo e\u00a0come\u00e7aram a falar\u00a0outras l\u00ednguas,\u00a0como\u00a0o Esp\u00edrito\u00a0dava\u00a0a eles de se exprimir.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Estavam ent\u00e3o em\u00a0JERUSAL\u00c9M\u00a0judeus residentes, homens piedosos, vindos de todas as na\u00e7\u00f5es que h\u00e1 debaixo do c\u00e9u. Tendo\u00a0vindo, ent\u00e3o,\u00a0este som, convergiu a multid\u00e3o e ficou perplexa, porque ouviam, cada um na pr\u00f3pria l\u00edngua, aqueles que falavam. Estavam fora de si e maravilhavam-se, dizendo: \u201cN\u00e3o s\u00e3o galileus todos estes que est\u00e3o a falar? E como \u00e9, ent\u00e3o, que n\u00f3s ouvimos, cada um na nossa pr\u00f3pria\u00a0l\u00edngua em que nascemos? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopot\u00e2mia, da Judeia e da Capad\u00f3cia, do Ponto e da \u00c1sia, da Fr\u00edgia e da Panf\u00edlia, do Egito e das regi\u00f5es da L\u00edbia vizinhas de Cirene, romanos residentes, tanto judeus como pros\u00e9litos, cretenses e \u00e1rabes, ouvimo-los falar nas nossas l\u00ednguas as maravilhas de Deus!\u201d\u00bb.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 f\u00e1cil de ver que o texto se articula em duas vagas sucessivas: a primeira agrupa os v. 1-4, e a segunda os v. 5-11. Um \u00fanico lugar no tempo, um \u00fanico dia, o 50.\u00ba da P\u00e1scoa, marca as duas vagas, mas s\u00e3o dois os lugares no espa\u00e7o que ocupam: a CASA, a sala alta do Cen\u00e1culo (v. 1-4), e a CIDADE aberta ao mundo (v. 5-12), que empresta \u00e0 cena uma resson\u00e2ncia mundial. As duas vagas est\u00e3o marcadas, logo a abrir (v. 2 e 6), pelo verbo grego\u00a0<em>g\u00ednomai<\/em>, que \u00e9 o verbo t\u00edpico de um acontecimento que n\u00e3o podemos deduzir nem produzir, mas apenas constatar e descrever. Exatamente o contr\u00e1rio de uma doutrina, que se situa na esfera da demonstra\u00e7\u00e3o e dedu\u00e7\u00e3o. Qual \u00e9 o acontecimento? O vento forte e o fogo que, vindos do c\u00e9u, caem de improviso sobre todos os que est\u00e3o sentados na casa, irrompendo depois para as pra\u00e7as e ruas da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e1 estamos n\u00f3s, como se v\u00ea e era h\u00e1bito, todos reunidos no Cen\u00e1culo. Mas somos logo varridos e recriados pelo vento impetuoso e incontrol\u00e1vel do Esp\u00edrito, que varre as teias de aranha que ainda nos tolhem, e pelo seu fogo que nos purifica. O Esp\u00edrito senta-se (<em>kath\u00edz\u00f4<\/em>) \u2013 bela e significativa express\u00e3o! \u2013 sobre n\u00f3s, novo Mestre que orienta e guia a nossa vida. Senta-se sobre n\u00f3s, mas entra para dentro, e guia a nossa vida desde dentro. Verifica\u00e7\u00e3o: eis-nos a falar outras l\u00ednguas, d\u00e1diva do Esp\u00edrito! Milagre: cessam incompreens\u00f5es, divis\u00f5es, invejas, ci\u00fames, \u00f3dios e indiferen\u00e7as, e nasce um mundo novo de comunh\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o plenas, pois todos nos entendemos t\u00e3o bem como se se tratasse da nossa l\u00edngua materna, que n\u00e3o \u00e9 o portugu\u00eas ou o franc\u00eas ou o ingl\u00eas ou o chin\u00eas, mas aquele perfeito entendimento que existe entre n\u00f3s e a nossa m\u00e3e, quando somos beb\u00e9s, do tempo da palavra antes das palavras, divina e humana lala\u00e7\u00e3o, que passa por sons e intui\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o precisam de gram\u00e1tica nem sintaxe nem dicion\u00e1rio. Chame-se-lhe confian\u00e7a, intimidade, ternura, amor. Imp\u00f5e-se, nesta bela comunidade, uma atitude de vigil\u00e2ncia permanente, pois ser\u00e1 sempre grande a tenta\u00e7\u00e3o de querer levar o Esp\u00edrito \u00e0 letra! E a\u00ed est\u00e1 a advert\u00eancia vinda dos Cor\u00edntios, cujo falar em l\u00ednguas ningu\u00e9m entende (1 Cor\u00edntios 14,2), sendo preciso o recurso a int\u00e9rpretes (1 Cor\u00edntios 14,28). Todos considerar\u00edamos um absurdo a exist\u00eancia de um int\u00e9rprete entre a m\u00e3e e o seu beb\u00e9 para traduzir aquela lala\u00e7\u00e3o que os dois t\u00e3o bem entendem!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esta divina lala\u00e7\u00e3o (<em>al\u00e1l\u00eatos<\/em>) (Romanos 8,26) \u2013 \u00fanica vez no Novo Testamento \u2013, do Esp\u00edrito que nos ensina a compreender que \u00abJesus \u00e9 Senhor\u00bb (1 Cor\u00edntios 12,3) e que Deus \u00e9 Pai (<em>\u02bcAbba\u02bc<\/em>) (G\u00e1latas 4,6; Romanos 8,15). Anote-se tamb\u00e9m a importante afirma\u00e7\u00e3o de que \u00aba cada um \u00e9 dada a manifesta\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito para proveito comum\u00bb (1 Cor\u00edntios 12,7) e \u00abn\u00e3o para proveito pr\u00f3prio\u00bb (1 Cor\u00edntios 10,33), sendo que o que define o proveito comum \u00e9 a edifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de si mesmo, mas dos outros (1 Cor\u00edntios 10,23-24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o situa no Cen\u00e1culo as duas cenas acima descritas. \u00c9 a sala da Ceia Primeira (Lucas 22,12), do \u00faltimo ser\u00e3o de Jesus com os seus disc\u00edpulos, da Apari\u00e7\u00e3o do Senhor aos seus Ap\u00f3stolos (Lucas 24,36), da elei\u00e7\u00e3o de Matias (Atos 1,26), da descida do Esp\u00edrito Santo no Pentecostes, enfim, o primeiro lugar de encontro da primeira comunidade crist\u00e3 reunida em ora\u00e7\u00e3o com Maria (Atos 1,13-14), a primeira sede da Igreja nascente, a m\u00e3e de todas as Igrejas, a primeira\u00a0<em>domus-ecclesia<\/em>\u00a0[\u00abcasa-igreja\u00bb] do mundo, situada uns duzentos metros a sul da muralha de Jerusal\u00e9m, em local muito pr\u00f3ximo da Porta de Si\u00e3o. O atual edif\u00edcio remonta ao trabalho dos Padres Franciscanos no s\u00e9culo XIV, e sucedeu a outras constru\u00e7\u00f5es sucessivamente edificadas e destru\u00eddas, desde a bas\u00edlica de Santa Si\u00e3o [<em>Hag\u00eda Sion<\/em>], do s\u00e9culo IV. Sintomaticamente, por se encontrar no quarteir\u00e3o sul de Jerusal\u00e9m, o primitivo Cen\u00e1culo resistiu \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o romana da guerra de 70, pois os romanos atacaram e destru\u00edram a cidade a partir da parte norte, mais facilmente expugn\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Associada \u00e0s cenas acima identificadas, a sala superior do Cen\u00e1culo [15,30 metros por 9,40 metros] assemelha-se ao Sinai com os fen\u00f3menos ent\u00e3o l\u00e1 registados. Veja-se, a prop\u00f3sito, a bela descri\u00e7\u00e3o que deles faz F\u00edlon de Alexandria (\u00b1 20 a.C.-50 d.C.): \u00abDeus n\u00e3o tinha boca ou l\u00edngua, mas, com um prod\u00edgio, fez que um rombo se produzisse no ar, que um sopro se articulasse em palavras pondo o ar em movimento. Este transformou-se em fogo que tinha forma de chamas [\u2026], e uma voz ressoava do meio no fogo e descia do c\u00e9u, e esta voz articulava-se no idioma pr\u00f3prio dos ouvintes\u00bb. Mas tamb\u00e9m Babel \u00e9 evocada em contraponto: em G\u00e9nesis 11,7, \u00abningu\u00e9m compreendia mais a l\u00edngua do seu pr\u00f3ximo\u00bb, mas em Atos 2,6, \u00abcada um compreendia na sua pr\u00f3pria l\u00edngua materna\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito Santo \u00e9 tamb\u00e9m enviado em miss\u00e3o. E \u00e9 Aquele que recebe o que \u00e9 do Filho (Jo\u00e3o 16,14 e 15), e que o Filho recebeu do Pai. O Filho \u00e9 a transpar\u00eancia do Pai. O Esp\u00edrito Santo \u00e9 a transpar\u00eancia do Filho. O ensinamento do Esp\u00edrito Santo \u00e9 o mesmo que Jesus fez e que recebeu do Pai, mas vem depois do de Jesus (Jo\u00e3o 14,26), e processa-se, ao contr\u00e1rio do de Jesus, n\u00e3o com palavras sens\u00edveis que tocam os \u00f3rg\u00e3os da audi\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico determinado, mas na interioridade da intelig\u00eancia e do cora\u00e7\u00e3o de cada ser humano. Este ensinamento interior do Esp\u00edrito Santo \u00e9 comparado \u00e0 un\u00e7\u00e3o de \u00f3leo (<em>chr\u00edsma<\/em>) que penetra lentamente, como diz o Ap\u00f3stolo: \u00abV\u00f3s recebestes a un\u00e7\u00e3o (<em>chr\u00edsma<\/em>) que vem do Santo e todos sabeis (<em>o\u00eddate<\/em>)\u00bb (1 Jo\u00e3o 2,20); ou ent\u00e3o: \u00aba un\u00e7\u00e3o (<em>chr\u00edsma<\/em>) dele vos ensina (<em>did\u00e1skei<\/em>) acerca de todas as coisas\u00bb (1 Jo\u00e3o 2,27). \u00c9 a un\u00e7\u00e3o que lentamente penetra em n\u00f3s, ocupa o nosso interior, suaviza as nossas asperezas, cura as nossas dores e faz nascer entre n\u00f3s comunidade e comunh\u00e3o. Maravilhoso saber que nos assemelha a Deus, que sabe de n\u00f3s (\u00caxodo 2,25), e nos p\u00f5e em confronto com Caim, que n\u00e3o sabe do seu irm\u00e3o (G\u00e9nesis 4,9), e com Pedro, que n\u00e3o sabe de Jesus (Mateus 26,70.72.74).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ensinamento novo. N\u00e3o exterior, com sons e palavras, mas diretamente nas pregas da intelig\u00eancia e do cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 assim que a linguagem nova do Esp\u00edrito afeta ao mesmo tempo o portugu\u00eas e o chin\u00eas, o ingl\u00eas e o russo, o cat\u00f3lico, o mu\u00e7ulmano e o hebreu. \u00c9 como quando, em vez de se porem a falar cada um a sua l\u00edngua incompreens\u00edvel para o outro, o portugu\u00eas e o chin\u00eas entregassem uma flor um ao outro! \u00c9 assim que fala o Esp\u00edrito, \u00e9 assim que age o Esp\u00edrito, Pessoa-Dom, fonte de dons (1 Cor\u00edntios 12,3-13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 104 p\u00f5e-nos a contemplar hoje as obras maravilhosas de Deus, cheias do seu alento, que s\u00e3o a alegria de Deus (Salmo 104,31), e a alegria de Deus \u00e9 a nossa alegria (Salmo 104,34). De notar que a tem\u00e1tica de Deus que se alegra \u00e9 muito rara na Escritura. Aparece hoje no meio deste mundo novo e maravilhoso. Tema, portanto, para recuperar, pois \u00e9 tamb\u00e9m a fonte da nossa alegria!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s somos do tempo da miss\u00e3o do Esp\u00edrito. Note-se a fort\u00edssima vincula\u00e7\u00e3o: \u00abO Esp\u00edrito Santo e n\u00f3s\u00bb (Atos 15,28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus habitando em n\u00f3s (Jo\u00e3o 14,24). Deus connosco (Apocalipse 21). Cidade nova, Consola\u00e7\u00e3o nova, B\u00ean\u00e7\u00e3o nova, Paz nova, n\u00e3o com a medida do mundo, mas de Deus (Jo\u00e3o 14,27; Salmo 67).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O medo n\u00e3o habita a nossa casa.<br \/>\nO medo transforma a nossa casa em fortaleza,<br \/>\nTranca portas e janelas,<br \/>\nEsconde-se debaixo da mesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas vem Jesus e senta-nos \u00e0 mesa.<br \/>\nCome\u00e7a a contar hist\u00f3rias e estrelas,<br \/>\nLeva-nos at\u00e9 ao colo de Abra\u00e3o,<br \/>\nAt\u00e9 \u00e0 Cria\u00e7\u00e3o,<br \/>\nSopra sobre n\u00f3s um vento novo,<br \/>\nRasga uma estrada direitinha ao cora\u00e7\u00e3o:<br \/>\nChama-se Perd\u00e3o, Esp\u00edrito, Amor, Nova Cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Varrido para o canto da casa pelo vento,<br \/>\nRapidamente todo o medo arde.<br \/>\nArdem tamb\u00e9m bolsas, portas e paredes,<br \/>\nE surge um lume novo a arder dentro de n\u00f3s,<br \/>\nMas esse n\u00e3o nos queima nem o podemos apagar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos l\u00e1 tantos \u00e0 roda desse vento, desse fogo,<br \/>\nCom esse vento, com esse fogo dentro,<br \/>\nPortugueses, russos, gregos e chineses,<br \/>\nCome\u00e7amos a falar e t\u00e3o bem nos entendemos,<br \/>\nQue custa a crer que tenhamos passaportes diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E afinal n\u00e3o temos.<br \/>\nVendo melhor, maternais m\u00e3os invis\u00edveis nos embalam,<br \/>\nNos sustentam.<br \/>\nSentimos que estamos a nascer de novo,<br \/>\nPercebemos que somos irm\u00e3os,<br \/>\nFilhos renascidos deste vento, deste lume.<br \/>\nE n\u00e3o \u00e9 verdade que falamos,<br \/>\nMas que algu\u00e9m dentro de n\u00f3s fala por n\u00f3s,<br \/>\nChama por Deus,<br \/>\nComo um menino pelo Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Leitura-I-Pentecostes-Ano-A-28.05.2023-Act-2-1-11.pdf\">Leitura I &#8211; Pentecostes &#8211; Ano A &#8211; 28.05.2023 (Act 2, 1-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Leitura-II-Pentecostes-Ano-A-28.05.2023-1-Cor-12-3b-7.12-13.pdf\">Leitura II &#8211; Pentecostes &#8211; Ano A &#8211; 28.05.2023 (1 Cor 12, 3b-7.12-13)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Domingo-de-Pentecostes-Ano-A-28.05.2023-Lecionario.pdf\">Domingo de Pentecostes &#8211; Ano A &#8211; 28.05.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Domingo-de-Pentecostes-Ano-A-28.05.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo de Pentecostes &#8211; Ano A &#8211; 28.05.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Ascens\u00e3o do Senhor \u2013 Ano A \u2013 21.05.2023&#8243; tab_id=&#8221;1685353097609-6e2d0f28-c883&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Ascens\u00e3o do Senhor \u2013 Ano A \u2013 21.05.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Ascensao-do-Senhor.jpg\" alt=\"\" width=\"606\" height=\"422\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ser humano \u00e9 por natureza curioso. Gosta de saber e conhecer o mundo e a realidade \u00e0 sua volta. Esta \u00e2nsia de saber mais possui tamb\u00e9m muitas vezes o desejo de conhecer o futuro, de saber como se desenvolver\u00e3o os acontecimentos do mundo e as suas vicissitudes, como ser\u00e1 a nossa vida e at\u00e9 a vida dos outros. Alguns at\u00e9 procuram os caminhos do esoterismo para satisfazer essa necessidade de saber aquilo que est\u00e1 para vir. Em momentos dif\u00edceis e exigentes da hist\u00f3ria, pensamos como seria \u00fatil saber o que estava para vir e em algumas decis\u00f5es dif\u00edceis de tomar, como seria bom saber um pouco mais do que nos espera. Contudo, respondendo \u00e0queles que lhe perguntavam se estava prestes a restaura\u00e7\u00e3o do Reino de Israel, Jesus adverte os Seus disc\u00edpulos e neles dirige-se a cada um de n\u00f3s: \u00ab<em>N\u00e3o vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus Pai \u00e9 Criador e Senhor de todas as coisas. Criou com amor e para a liberdade. N\u00e3o \u00e9 um programador do universo que o determinou com coordenadas precisas para que tudo decorra deterministicamente tal como Ele projetou. \u00c9 o Deus da liberdade que tem um des\u00edgnio de amor: um projeto de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade para o mundo e para cada homem e cada mulher. Mas um projeto que respeita a nossa liberdade e se constr\u00f3i numa rela\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica de um Deus que ama, chama e convoca para a miss\u00e3o e pacientemente espera a nossa resposta fr\u00e1gil e limitada. Por isso, somos colaboradores da constru\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o do amor e protagonistas respons\u00e1veis da instaura\u00e7\u00e3o do Reino de Deus no mundo. N\u00e3o nos compete saber os tempos ou momentos que o Pai determinou com a Sua autoridade, mas acolher a Sua Palavra, seguir as Suas instru\u00e7\u00f5es, depositar Nele a nossa vida e as nossas esperan\u00e7as e confiar que com Ele o caminho ganha um sentido absolutamente novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desconhecer o futuro, aquilo que poder\u00e1 acontecer no amanh\u00e3 das nossas vidas, poderia ser angustiante pelo medo ou incerteza. Contudo, somos portadores da mais bela e boa not\u00edcia: \u00ab<em>Eu estou sempre convosco at\u00e9 ao fim dos tempos<\/em>\u00bb. Jesus Ressuscitado, enviando os seus disc\u00edpulos em miss\u00e3o, garante-lhes a Sua presen\u00e7a terna e amorosa. Diante das alegrias e conquistas, das dificuldades e vicissitudes que s\u00e3o pr\u00f3prias da exist\u00eancia humana e da miss\u00e3o que nos \u00e9 confiada, levamos connosco a mais bela certeza: Ele est\u00e1 connosco, Ele caminha connosco, Ele precede-nos, acompanha-nos e aponta-nos o caminho. Prefiro desconhecer o futuro e a sucess\u00e3o dos acontecimentos da hist\u00f3ria que est\u00e3o para vir e poder contar com a presen\u00e7a amorosa do Pai, que em Jesus Cristo e na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo se faz presente na minha vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus sobe ao C\u00e9u, mas n\u00e3o nos abandona. Por isso, fazemos festa e celebramos a Ascens\u00e3o do Senhor. N\u00e3o \u00e9 a festa da partida de Jesus, mas a celebra\u00e7\u00e3o de uma presen\u00e7a absolutamente nova na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, que Ele tinha prometido aos seus disc\u00edpulos. Se percorrendo os caminhos da Judeia e da Galileia Jesus se encontrou com tantos homens e mulheres e a todos anunciou o amor do Pai, agora, ressuscitado e na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo sobe ao C\u00e9u e est\u00e1 connosco em qualquer tempo e lugar, renovando no nosso cora\u00e7\u00e3o a certeza de que fomos sonhados e pensados para o Reino de Deus, para a vida nova e eterna que s\u00f3 Ele nos pode oferecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a Sua obra de amor tem de continuar: \u00ab<em>Ide e ensinai todas as na\u00e7\u00f5es, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo<\/em>\u00bb. Jesus conta connosco para que o Reino de Deus se continue a fazer presente no mundo. Somos os bra\u00e7os que devem continuar a abra\u00e7ar e a consolar, os l\u00e1bios que devem continuar a anunciar a Boa Nova da paz e da esperan\u00e7a, as vidas que devem fazer ecoar no tempo e na hist\u00f3ria as maravilhas do amor de Deus. A Ascens\u00e3o do Senhor n\u00e3o nos pode deixar im\u00f3veis e de olhar fito no C\u00e9u, mas envia-nos em miss\u00e3o e faz de n\u00f3s disc\u00edpulos mission\u00e1rios, suas \u00ab<em>testemunhas em Jerusal\u00e9m e em toda a Judeia e na Samaria, e at\u00e9 aos confins da terra<\/em>\u00bb. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De 14 a 21 de maio decorre a Semana da Vida, este ano com o tema: \u00ab<em>Levanta-te! A tua vida \u00e9 um dom<\/em>\u00bb. Os diversos recursos preparados pela Comiss\u00e3o Episcopal Laicado e Fam\u00edlia atrav\u00e9s do Departamento Nacional da Pastoral Familiar est\u00e3o dispon\u00edveis na internet (<a href=\"https:\/\/dnpf.pt\/semana-da-vida\/\"><strong>https:\/\/dnpf.pt\/semana-da-vida\/<\/strong><\/a>). S\u00e3o propostos diferentes recursos \u2013 medita\u00e7\u00f5es para o ter\u00e7o, esquema para a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, jogos e din\u00e2micas em fam\u00edlia, cartazes di\u00e1rios \u2013 que podem servir como ponto de partida e inspira\u00e7\u00e3o para a dinamiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria desta semana. No atual contexto social e cultural \u00e9 urgente e necess\u00e1rio ser testemunhas de uma cultura da vida que valoriza e defende a dignidade da vida humana desde a sua conce\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 sua morte natural<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 21 de maio, Domingo da Ascens\u00e3o do Senhor, a Igreja celebra o 57.\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais. Para este ano, o Papa Francisco escreveu uma mensagem intitulada: \u00ab<em>Falar com o cora\u00e7\u00e3o. \u201cTestemunhando a verdade no amor\u201d (Ef 4, 15)<\/em>\u00bb. A comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 inerente ao homem, enquanto ser em rela\u00e7\u00e3o, contudo, alguns dedicam a sua vida ao servi\u00e7o da comunica\u00e7\u00e3o e devem ser promotores de uma cultura de di\u00e1logo e de verdade. Que este Domingo das comunica\u00e7\u00f5es sociais seja uma oportunidade para valorizar o trabalho daqueles que se dedicam \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o dentro e fora da Igreja e, sobretudo, ao servi\u00e7o do mundo na Igreja. Fica, em anexo, a mensagem do Papa Francisco para este 57\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais. Vale a pena ser lida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos em Tempo Pascal. Percorremos os 50 dias at\u00e9 ao Pentecostes. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Actos 1,1-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abRecebereis a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, que descer\u00e1 sobre v\u00f3s, e sereis minhas testemunhas em Jerusal\u00e9m e em toda a Judeia e na Samaria, e at\u00e9 aos confins da terra\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro dos &#8220;Atos dos Ap\u00f3stolos&#8221; dirige-se a comunidades que vivem num certo contexto de crise. Estamos na d\u00e9cada de 80, cerca de cinquenta anos ap\u00f3s a morte de Jesus. Passou j\u00e1 a fase da expectativa pela vinda iminente do Cristo glorioso para instaurar o &#8220;Reino&#8221; e h\u00e1 uma certa desilus\u00e3o. As quest\u00f5es doutrinais trazem alguma confus\u00e3o; a monotonia favorece uma vida crist\u00e3 pouco comprometida e as comunidades instalam-se na mediocridade; falta o entusiasmo e o empenho&#8230; O quadro geral \u00e9 o de um certo sentimento de frustra\u00e7\u00e3o, porque o mundo continua igual e a esperada interven\u00e7\u00e3o vitoriosa de Deus continua adiada. Quando vai concretizar-se, de forma plena e inequ\u00edvoca, o projeto salvador de Deus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste ambiente que podemos inserir o texto que hoje nos \u00e9 proposto como primeira leitura. Nele, o catequista Lucas avisa que o projeto de salva\u00e7\u00e3o e de liberta\u00e7\u00e3o que Jesus veio apresentar passou (ap\u00f3s a ida de Jesus para junto do Pai) para as m\u00e3os da Igreja, animada pelo Esp\u00edrito. A constru\u00e7\u00e3o do &#8220;Reino&#8221; \u00e9 uma tarefa que n\u00e3o est\u00e1 terminada, mas que \u00e9 preciso concretizar na hist\u00f3ria e exige o empenho cont\u00ednuo de todos os crentes. Os crist\u00e3os s\u00e3o convidados a redescobrir o seu papel, no sentido de testemunhar o projeto de Deus, na fidelidade ao &#8220;caminho&#8221; que Jesus percorreu. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ter em conta, para a reflex\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o, os seguintes elementos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ressurrei\u00e7\u00e3o\/ascens\u00e3o de Jesus garante-nos, antes de mais, que uma vida, vivida na fidelidade aos projetos do Pai, \u00e9 uma vida destinada \u00e0 glorifica\u00e7\u00e3o, \u00e0 comunh\u00e3o definitiva com Deus. Quem percorre o mesmo &#8220;caminho&#8221; de Jesus subir\u00e1, como Ele, \u00e0 vida plena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ascens\u00e3o de Jesus recorda-nos, sobretudo, que Ele foi elevado para junto do Pai e nos encarregou de continuar a tornar realidade o seu projeto libertador no meio dos homens nossos irm\u00e3os. \u00c9 essa a atitude que tem marcado a caminhada hist\u00f3rica da Igreja? Ela tem sido fiel \u00e0 miss\u00e3o que Jesus, ao deixar este mundo, lhe confiou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso testemunho tem transformado e libertado a realidade que nos rodeia? Qual o real impacto desse testemunho na nossa fam\u00edlia, no local onde desenvolvemos a nossa atividade profissional, na nossa comunidade crist\u00e3 ou religiosa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 relativamente frequente ouvirmos dizer que os seguidores de Jesus gostam mais de olhar para o c\u00e9u do que comprometerem-se na transforma\u00e7\u00e3o da terra. Estamos, efetivamente, atentos aos problemas e \u00e0s ang\u00fastias dos homens, ou vivemos de olhos postos no c\u00e9u, num espiritualismo alienado? Sentimo-nos questionados pelas inquieta\u00e7\u00f5es, pelas mis\u00e9rias, pelos sofrimentos, pelos sonhos, pelas esperan\u00e7as que enchem o cora\u00e7\u00e3o dos que nos rodeiam? Sentimo-nos solid\u00e1rios com todos os homens, particularmente com aqueles que sofrem? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 46 (47)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> Ergue-Se Deus, o Senhor, em j\u00fabilo e ao som da trombeta<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Ef 1,17-23<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abColocou \u00e0 sua direita nos C\u00e9us, acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta aos Ef\u00e9sios \u00e9, provavelmente, um dos exemplares de uma &#8220;carta circular&#8221; enviada a v\u00e1rias igrejas da \u00c1sia Menor, numa altura em que Paulo est\u00e1 na pris\u00e3o (em Roma?). O seu portador \u00e9 um tal T\u00edquico. Estamos por volta dos anos 58\/60.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns veem nesta Carta uma esp\u00e9cie de s\u00edntese da teologia paulina, numa altura em que a miss\u00e3o do ap\u00f3stolo est\u00e1 praticamente terminada no oriente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em concreto, o texto que nos \u00e9 proposto aparece na primeira parte da Carta e faz parte de uma a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, na qual Paulo agradece a Deus pela f\u00e9 dos Ef\u00e9sios e pela caridade que eles manifestam para com todos os irm\u00e3os na f\u00e9. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ter em conta, na reflex\u00e3o, as seguintes linhas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na nossa peregrina\u00e7\u00e3o pelo mundo, conv\u00e9m termos sempre presente &#8220;a esperan\u00e7a a que fomos chamados&#8221;. A ressurrei\u00e7\u00e3o\/ascens\u00e3o\/glorifica\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 a garantia da nossa pr\u00f3pria ressurrei\u00e7\u00e3o\/ glorifica\u00e7\u00e3o. Formamos com Ele um &#8220;corpo&#8221; destinado \u00e0 vida plena. Esta perspetiva tem de dar-nos a for\u00e7a de enfrentar a hist\u00f3ria e de avan\u00e7ar &#8211; apesar das dificuldades &#8211; nesse &#8220;caminho&#8221; do amor e da entrega total que Cristo percorreu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizer que fazemos parte do &#8220;corpo de Cristo&#8221; significa que devemos viver numa comunh\u00e3o total com Ele e que nessa comunh\u00e3o recebemos, a cada instante, a vida que nos alimenta. Significa, tamb\u00e9m, viver em comunh\u00e3o, em solidariedade total com todos os nossos irm\u00e3os, membros do mesmo &#8220;corpo&#8221;, alimentados pela mesma vida. Estas duas coordenadas est\u00e3o presentes na nossa exist\u00eancia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizer que a Igreja \u00e9 o &#8220;pleroma&#8221; de Cristo significa que temos a obriga\u00e7\u00e3o de testemunhar Cristo, de torn\u00e1-l&#8217;O presente no mundo, de levar \u00e0 plenitude a projeto de liberta\u00e7\u00e3o que Ele come\u00e7ou em favor dos homens. Essa tarefa s\u00f3 estar\u00e1 acabada quando, pelo testemunho e pela a\u00e7\u00e3o dos crentes, Cristo for &#8220;um em todos&#8221;.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 28,16-20<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abQuando O viram, adoraram-n\u2019O; mas alguns ainda duvidaram.\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abIde e ensinai todas as na\u00e7\u00f5es, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco at\u00e9 ao fim dos tempos\u00bb\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto situa-nos na Galileia, ap\u00f3s a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus (embora n\u00e3o se diga se \u00e9 muito ou pouco tempo ap\u00f3s a descoberta do t\u00famulo vazio &#8211; cf. Mt 28,1-15). De acordo com Mateus, Jesus &#8211; pouco antes de ser preso &#8211; havia marcado encontro com os disc\u00edpulos na Galileia (cf. Mt 26,32); na manh\u00e3 da P\u00e1scoa, os anjos que apareceram \u00e0s mulheres no sepulcro (cf. Mt 28,7) e o pr\u00f3prio Jesus, vivo e ressuscitado (cf. Mt 28,10), renovam o convite para que os disc\u00edpulos se dirijam \u00e0 Galileia, a fim de l\u00e1 encontrar o Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Galileia &#8211; regi\u00e3o setentrional da Palestina &#8211; era uma regi\u00e3o pr\u00f3spera e bem povoada, de solo f\u00e9rtil e bem cultivado. A sua situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica fazia desta regi\u00e3o o ponto de encontro de muitos povos; por isso, um n\u00famero importante de pag\u00e3os fazia parte da sua popula\u00e7\u00e3o. A coabita\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es pag\u00e3s e judias fazia, certamente, com que os judeus da Galileia vivessem a religi\u00e3o de uma maneira diferente dos judeus de Jerusal\u00e9m e da Judeia: a presen\u00e7a di\u00e1ria dos pag\u00e3os conduzia, provavelmente, os galileus a suavizar a sua pr\u00e1tica da Lei e a interpretar mais amplamente as regras que se referiam, por exemplo, \u00e0s impurezas rituais contra\u00eddas pelo contacto com os n\u00e3o judeus. No entanto, isto fazia com que os judeus de Jerusal\u00e9m desprezassem os judeus da Galileia e considerassem que da Galileia &#8220;n\u00e3o podia sair nada de bom&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, foi na Galileia que Jesus viveu quase toda a sua vida. Foi, tamb\u00e9m, na Galileia que Ele come\u00e7ou a anunciar o Evangelho do &#8220;Reino&#8221; e que come\u00e7ou a reunir \u00e0 sua volta um grupo de disc\u00edpulos (cf. Mt 4,12-22). Para Mateus, esse facto sugere que o an\u00fancio libertador de Jesus tem uma dimens\u00e3o universal: destina-se a judeus e pag\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mateus situa este encontro final entre Jesus ressuscitado e os disc\u00edpulos num &#8220;monte que Jesus lhes indicara&#8221;. Trata-se, no entanto, de uma montanha da Galileia que \u00e9 imposs\u00edvel identificar geograficamente, mas que talvez Mateus ligue com a montanha da tenta\u00e7\u00e3o (cf. Mt 4,8) e com a montanha da transfigura\u00e7\u00e3o (cf. Mt 17,1). De qualquer forma, o &#8220;monte&#8221; \u00e9 sempre, no Antigo Testamento, o lugar onde Deus se revela aos homens.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, considerar os seguintes elementos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus foi ao encontro do Pai, depois de uma vida gasta ao servi\u00e7o do &#8220;Reino&#8221;; deixou aos seus disc\u00edpulos a miss\u00e3o de anunciar o &#8220;Reino&#8221; e de torn\u00e1-lo uma proposta capaz de renovar e de transformar o mundo. Celebrar a ascens\u00e3o de Jesus significa, antes de mais, tomar consci\u00eancia da miss\u00e3o que foi confiada aos disc\u00edpulos e sentir-se respons\u00e1vel pela presen\u00e7a do &#8220;Reino&#8221; na vida dos homens. Estou consciente de que a Igreja &#8211; a comunidade dos disc\u00edpulos de Jesus, a que eu tamb\u00e9m perten\u00e7o &#8211; \u00e9, hoje, a presen\u00e7a libertadora e salvadora de Jesus no meio dos homens? Como \u00e9 que eu procuro testemunhar o &#8220;Reino&#8221; na minha vida de todos os dias &#8211; em casa, no trabalho ou na escola, na par\u00f3quia, na comunidade religiosa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A miss\u00e3o que Jesus confiou aos disc\u00edpulos \u00e9 uma miss\u00e3o universal: as fronteiras, as ra\u00e7as, a diversidade de culturas, n\u00e3o podem ser obst\u00e1culos para a presen\u00e7a da proposta libertadora de Jesus no mundo. Tenho consci\u00eancia de que a miss\u00e3o confiada aos disc\u00edpulos \u00e9 uma miss\u00e3o universal? Tenho consci\u00eancia de que Jesus me envia a todos os homens &#8211; sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7as, de etnias, de diferen\u00e7as religiosas, sociais ou econ\u00f3micas &#8211; a anunciar-lhes a liberta\u00e7\u00e3o, a salva\u00e7\u00e3o, a vida definitiva? Tenho consci\u00eancia de que sou respons\u00e1vel pela vida, pela felicidade e pela liberdade de todos os meus irm\u00e3os &#8211; mesmo que eles habitem no outro lado do mundo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tornar-se disc\u00edpulo \u00e9, em primeiro lugar, aprender os ensinamentos de Jesus &#8211; a partir das suas palavras, dos seus gestos, da sua vida oferecida por amor. \u00c9 claro que o mundo do s\u00e9culo XXI apresenta, todos os dias, desafios novos; mas os disc\u00edpulos, formados na escola de Jesus, s\u00e3o convidados a ler os desafios que hoje o mundo coloca, \u00e0 luz dos ensinamentos de Jesus. Preocupo-me em conhecer bem os ensinamentos de Jesus e em aplic\u00e1-los \u00e0 vida de todos os dias?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia em que fui batizado, comprometi-me com Jesus e vinculei-me com a comunidade do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo. A minha vida tem sido coerente com esse compromisso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um tremendo desafio testemunhar, hoje, no mundo os valores do &#8220;Reino&#8221; (esses valores que, muitas vezes, est\u00e3o em contradi\u00e7\u00e3o com aquilo que o mundo defende e que o mundo considera serem as prioridades da vida). Com frequ\u00eancia, os disc\u00edpulos de Jesus s\u00e3o objeto da irris\u00e3o e do esc\u00e1rnio dos homens, porque insistem em testemunhar que a felicidade est\u00e1 no amor e no dom da vida; com frequ\u00eancia, os disc\u00edpulos de Jesus s\u00e3o apresentados como v\u00edtimas de uma m\u00e1quina de escravid\u00e3o, que produz escravos, alienados, v\u00edtimas do obscurantismo, porque insistem em testemunhar que a vida plena est\u00e1 no perd\u00e3o, no servi\u00e7o, na entrega da vida. O confronto com o mundo gera muitas vezes, nos disc\u00edpulos, desilus\u00e3o, sofrimento, frustra\u00e7\u00e3o&#8230; Nos momentos de dece\u00e7\u00e3o e de desilus\u00e3o conv\u00e9m, no entanto, recordar as palavras de Jesus: &#8220;Eu estarei convosco at\u00e9 ao fim dos tempos&#8221;. Esta certeza deve alimentar a coragem com que testemunhamos aquilo em que acreditamos. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, al\u00e9m das frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es deve ter-se um especial cuidado na proclama\u00e7\u00e3o das frases em discurso direto que se encontram entre aspas. Estas frases para que sejam bem lidas devem ser bem preparadas com as respetivas pausas e respira\u00e7\u00f5es e sobretudo numa especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s frases interrogativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong>, tal como a primeira, possui longas frases com diversas ora\u00e7\u00f5es que requerem uma acurada prepara\u00e7\u00e3o para uma clara e articulada proclama\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/05\/23\/um-olhar-cheio-de-jesus-faz-ver-jesus-faz-vir-jesus-4\/\"><strong>UM OLHAR CHEIO DE JESUS FAZ VER JESUS, FAZ VIR\u00a0JESUS<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mateus 28,16-20: \u00faltima p\u00e1gina do Evangelho de Mateus, que hoje, Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor, \u00e9 solenemente proclamada para n\u00f3s. Encerra o Evangelho, condensa-o e resume-o, e abre aos Disc\u00edpulos e Irm\u00e3os do Ressuscitado novos e insuspeitados horizontes. Visitemos atentamente o texto:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abEnt\u00e3o os Onze Disc\u00edpulos partiram para a Galileia, para o monte que lhes tinha ordenado Jesus. E vendo-o, adoraram-no (<em>proskyn\u00e9\u00f4<\/em>); alguns deles, por\u00e9m, duvidaram. E aproximando-se, Jesus falou-lhes (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>), dizendo: \u201cFoi-me dada\u00a0<em>toda<\/em>\u00a0a autoridade (<em>exous\u00eda<\/em>) no c\u00e9u e na terra.\u00a0<sup>19<\/sup>Indo, pois, fazei disc\u00edpulos de\u00a0<em>todas<\/em>\u00a0as na\u00e7\u00f5es, batizando-os no nome do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo,\u00a0<sup>20<\/sup>ensinando-os a observar\u00a0<em>todas<\/em>\u00a0as coisas que vos ordenei. E eis que Eu convosco Sou\u00a0<em>todos<\/em>\u00a0os dias at\u00e9 ao fim do mundo\u201d\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas notas surpreendentes enchem a p\u00e1gina, o p\u00e1tio, o \u00e1trio sempre entreaberto do Evangelho para o mundo: 1) a autoridade soberana e nova de Jesus, assente, n\u00e3o na dist\u00e2ncia, mas na proximidade e familiaridade; 2) a miss\u00e3o universal confiada a uma Igreja discipular, toda reunida \u00e0 volta de um \u00fanico Mestre e Senhor; 3) s\u00f3 nesta p\u00e1gina \u00e9 dito que os Disc\u00edpulos devem, por sua vez, ensinar, n\u00e3o se tornando, todavia, Mestres, mas permanecendo Disc\u00edpulos; 4) n\u00e3o ensinam, por isso, nada de pr\u00f3prio nem por conta pr\u00f3pria, mas apenas \u00abtudo o que Ele ordenou\u00bb, como Jesus, o Filho, que s\u00f3 diz o que ouviu dizer (Jo\u00e3o 7,16-17; 8,26.38.40; 14,24; 17,8) e s\u00f3 faz o que viu fazer (Jo\u00e3o 5,19; 17,4), e como o Esp\u00edrito Santo, que n\u00e3o falar\u00e1 de si mesmo, mas apenas o que tiver ouvido (Jo\u00e3o 16,13); 5) a Presen\u00e7a nova e permanente [= \u00abtodos os dias\u00bb] do Ressuscitado na comunidade discipular; 6) este \u00e9 o tempo novo e cheio, plenificado, a transbordar de plenitude e universalidade: da\u00ed a repeti\u00e7\u00e3o por quatro vezes do adjetivo\u00a0<em>todo<\/em>\u00a0(<em>p\u00e3s<\/em>): foi-me dada\u00a0<em>toda<\/em>\u00a0a autoridade, fazei disc\u00edpulos de\u00a0<em>todas<\/em>\u00a0as na\u00e7\u00f5es, ensinando-os a observar\u00a0<em>todas<\/em>\u00a0as coisas, convosco sou\u00a0<em>todos<\/em>\u00a0os dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A soberania nova, pr\u00f3xima e familiar, \u00e9 j\u00e1 preparada pela cena anterior em que o anjo reorienta os passos das mulheres do t\u00famulo para a Galileia, dizendo-lhes: \u00abIndo depressa, dizei\u00a0<em>aos seus disc\u00edpulos<\/em>\u00a0que Ele ressuscitou dos mortos e vos precede (<em>pro\u00e1gei hym\u00e2s<\/em>) na Galileia\u00bb (Mateus 28,7). De forma grandemente significativa, o pr\u00f3prio Jesus surpreende as mulheres no caminho, e reformula assim o dizer do anjo: \u00abIde e anunciai\u00a0<em>aos meus irm\u00e3os<\/em>\u00a0que partam para a Galileia, e l\u00e1 me ver\u00e3o\u00bb (Mateus 28,10). A\u00ed est\u00e1 a nascer a nova e indestrut\u00edvel familiaridade:\u00a0<em>meus irm\u00e3os<\/em>, diz Jesus, o Ressuscitado, apontando para n\u00f3s e envolvendo-nos num imenso abra\u00e7o fraternal. E chegados \u00e0 Galileia, de acordo com o dizer de Jesus, e ao monte indicado por Jesus (Mateus 28,16), \u00e9 ainda Jesus que toma a dianteira e\u00a0<em>se aproxima<\/em>\u00a0deles e de n\u00f3s (Mateus 28,18). \u00c9 sempre d\u2019Ele a iniciativa. O monte lembra e re\u00fane em analepse todos os montes que atravessam o Evangelho de Mateus: o monte da tenta\u00e7\u00e3o (Mateus 4,8), o das bem-aventuran\u00e7as (Mateus 5,1), o da ora\u00e7\u00e3o (Mateus 14,23), o das curas (Mateus 15,29-31) e o da Transfigura\u00e7\u00e3o (Mateus 17,1), em que \u00e9 sempre Ele que abra\u00e7a e abre caminhos novos \u00e0 nossa fr\u00e1gil humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquele \u00abIndo, fazei disc\u00edpulos (<em>math\u00eate\u00fasate<\/em>) de todas as na\u00e7\u00f5es\u00bb (Mateus 28,19) \u00e9 a miss\u00e3o sem fim que \u00e9 colocada diante dos nossos olhos, pois todas as na\u00e7\u00f5es s\u00e3o todos os cora\u00e7\u00f5es. E \u00abIndo\u00bb \u00e9 n\u00e3o ficar aqui ou ali \u00e0 espera. Implica mudan\u00e7a de lugar e de modo: n\u00e3o ficar aqui ou ali e n\u00e3o ficar assim, preparando j\u00e1 as palavras inteiras de S. Jo\u00e3o Paulo II na prepara\u00e7\u00e3o do Grande Jubileu do ano 2000, e que Bento XVI evocou em 2005: \u00abPar\u00f3quia, procura-te a ti mesma e encontra-te a ti mesma fora de ti mesma\u00bb. \u00c9 a estrada sem medida de Abra\u00e3o que se abre \u00e0 nossa frente. E se medida tem \u00e9 a medida sem medida da elei\u00e7\u00e3o, da b\u00ean\u00e7\u00e3o e da miss\u00e3o. Mas n\u00e3o estamos sozinhos nessa estrada. Ele est\u00e1 connosco todos os dias. Aquele \u00abIndo\u00bb (<em>poreuth\u00e9ntes<\/em>), partic\u00edpio aoristo, implica, pois, a nossa participa\u00e7\u00e3o di\u00e1ria n\u2019Ele e na miss\u00e3o d\u2019Ele. O seu nome, a sua identidade, \u00e9 estar connosco. \u00c9 assim a terminar o Evangelho: \u00abEu convosco Sou todos os dias at\u00e9 ao fim dos tempos\u00bb (Mateus 28,20). Note-se a intensidade e a beleza da sandu\u00edche: \u00abEu [convosco] Sou\u00bb (<em>Eg\u00f4 [meth\u2019 hym\u00f4n] eimi<\/em>). \u00c9 assim tamb\u00e9m a abrir o Evangelho: \u00abEis que a Virgem conceber\u00e1 e dar\u00e1 \u00e0 luz um Filho, e cham\u00e1-lo-\u00e3o (<em>kal\u00e9sousin<\/em>) Emanuel, que se traduz: \u201cconnosco Deus\u201d\u00bb (Mateus 1,23).\u00a0<em>Connosco<\/em>\u00a0a abrir.\u00a0<em>Connosco<\/em>\u00a0a fechar. Ent\u00e3o \u00e9 assim todo o Evangelho, como indica a figura da inclus\u00e3o liter\u00e1ria. Mas a inclus\u00e3o liter\u00e1ria em paralelismo ou em confronto vai ainda da Galileia para onde se dirige Jesus (Mateus 4,12-17) \u00e0 Galileia para onde se dirigem os Disc\u00edpulos (Mateus 28,16), da vis\u00e3o do Menino pelos Magos (Mateus 2,11) \u00e0 vis\u00e3o do Ressuscitado pelos Disc\u00edpulos (Mateus 28,17), da adora\u00e7\u00e3o do Menino pelos Magos (Mateus 2,2 e 11) \u00e0 adora\u00e7\u00e3o do Ressuscitado pelos Disc\u00edpulos (Mateus 28,17), do (algum) poder deste mundo prometido pelo diabo a Jesus (Mateus 4,9) ao (todo) o poder sobre o c\u00e9u e a terra dado por Deus ao Ressuscitado (Mateus 28,18). Sim, o Senhor sempre no meio de n\u00f3s, Deus sempre connosco. N\u00e3o apenas com alguns. Mas com todos. Note-se como o narrador, que est\u00e1 a citar Isa\u00edas 7,14, atualizou para o plural a forma verbal: de cham\u00e1-lo-\u00e1s (<em>kal\u00e9seis<\/em>) para cham\u00e1-lo-\u00e3o (<em>kal\u00e9sousin<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E aquele \u00abensinando\u00bb (<em>did\u00e1skontes<\/em>) discipular, e n\u00e3o magistral, apela mais \u00e0 nossa fidelidade do que \u00e0 nossa autoridade, iniciativa e capacidade. De resto, para evitar d\u00favidas e deixar tudo claro, l\u00e1 est\u00e1 bem expresso o conte\u00fado deste ensinamento novo: \u00abtudo o que Eu vos ordenei\u00bb (Mateus 28,20). \u00c9 s\u00f3 permanecendo Disc\u00edpulos fi\u00e9is que se pode ensinar. Disc\u00edpulo define o estilo de vida de quem segue com fidelidade o Senhor que nos preside e nos precede sempre (Mateus 28,7). Portanto, \u00abV\u00f3s, n\u00e3o vos fa\u00e7ais chamar por\u00a0<em>Rabb\u00ee<\/em>\u00a0[literalmente \u00abmeu maior\u00bb], pois um s\u00f3 \u00e9 o vosso Mestre (<em>did\u00e1skalos<\/em>), e v\u00f3s sois todos irm\u00e3os\u00bb (Mateus 23,8). Irm\u00e3os e pequeninos. Tornemo-nos, pois, imitadores de Paulo, por sua vez imitador de Cristo (1 Cor\u00edntios 11,1): \u00abTorn\u00e1mo-nos crian\u00e7as (<em>n\u00eapioi<\/em>) no meio de v\u00f3s, como uma m\u00e3e (<em>troph\u00f3s<\/em>) que acalenta (<em>th\u00e1lp\u00ea<\/em>) os pr\u00f3prios filhos (<em>heaut\u00eas t\u00e9kna<\/em>) (1 Tessalonicenses 2,7); \u00abfiz-me escravo de todos\u00bb, \u00abfiz-me tudo para todos\u00bb; \u00abtudo fa\u00e7o por causa do Evangelho\u00bb (1 Cor\u00edntios 9,19.22.23). Disse bem S. Jo\u00e3o Paulo II: \u00abQuem verdadeiramente encontrou Cristo, n\u00e3o pode guard\u00e1-l\u2019O para si; tem de O anunciar\u00bb (<em>Novo Millennio Ineunte<\/em>, 2001, n.\u00ba 40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esta imensa, impenetr\u00e1vel not\u00edcia que os Disc\u00edpulos de Jesus devem saber levar e semear de mansinho no subtil\u00edssimo segredo de cada humano cora\u00e7\u00e3o. Jesus Cristo, o Ressuscitado, vem visitar os seus Irm\u00e3os. N\u00e3o. N\u00e3o se trata de uma visita r\u00e1pida, de quem est\u00e1 apenas de passagem. Ele vem para ficar connosco sempre, tanto nos ama. Imensa fraternidade em ascendente movimento filial, como uma seara nova e verdejante a ondular ao vento suav\u00edssimo do Esp\u00edrito, elevando-se da nossa terra do Alto visitada e semeada, ternamente por Deus olhada, agraciada, aben\u00e7oada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos 1,1-11 retoma esta li\u00e7\u00e3o. \u00abE estas coisas tendo dito,\u00a0<em>vendo<\/em>\u00a0(<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>) eles, ELE foi Elevado (<em>ep\u00earth\u00ea<\/em>), e uma nuvem O subtraiu (<em>hypolamb\u00e1no<\/em>)\u00a0<em>dos olhos deles<\/em>\u00a0(<em>ap\u00f2 t\u00f4n ophthalm\u00f4n aut\u00f4n<\/em>). E como\u00a0<em>tinham o olhar fixo<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edzontes<\/em>) no c\u00e9u para onde ELE ia,\u00a0<em>eis<\/em>\u00a0(<em>ido\u00fa<\/em>) dois homens que estavam ao lado deles, em vestes brancas, e DISSERAM: \u201cHomens Galileus, por que estais de p\u00e9,\u00a0<em>perscrutando<\/em>\u00a0(<em>embl\u00e9pontes<\/em>) o c\u00e9u? Este JESUS que foi arrebatado (<em>anal\u00eamphthe\u00eds<\/em>) diante de v\u00f3s para o c\u00e9u, assim VIR\u00c1 (<em>ele\u00fasetai<\/em>) do modo (<em>tr\u00f3pos<\/em>) que O\u00a0<em>vistes<\/em>\u00a0(<em>ethe\u00e1sthe<\/em>) IR para o c\u00e9u\u201d\u00bb (Atos 1,9-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto VER. Da pan\u00f3plia de verbos registados (<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>,\u00a0<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>,\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>,\u00a0<em>embl\u00e9p\u00f4<\/em>,\u00a0<em>the\u00e1omai<\/em>), os mais fortes e intensos s\u00e3o, com certeza,\u00a0<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>\u00a0[= \u00abolhar fixamente\u00bb] e\u00a0<em>embl\u00e9p\u00f4<\/em>\u00a0[= \u00abperscrutar\u00bb, \u00abver dentro\u00bb]. Ambos exprimem a observa\u00e7\u00e3o profunda e prolongada, para al\u00e9m das apar\u00eancias: VER o invis\u00edvel (cf. Hebreus 11,27), VER o c\u00e9u, VER a gl\u00f3ria de Deus. Mas mais ainda do que\u00a0<em>o que<\/em>\u00a0se v\u00ea, estes verbos acentuam\u00a0<em>o modo como<\/em>\u00a0se v\u00ea. \u00c9 para a\u00ed que apontam os dois homens vestidos de branco, de rompante surgidos na cena, para entregar um importante DIZER que interpreta e orienta tanto VER. J\u00e1 os t\u00ednhamos encontrado no t\u00famulo reorientando os olhos entristecidos das mulheres: \u00ab<em>Por que<\/em>\u00a0(<em>t\u00ed<\/em>) procurais entre os mortos Aquele que est\u00e1 Vivo? N\u00e3o est\u00e1 aqui. Ressuscitou!\u00bb (Lucas 24,5-6). Dizem agora: \u00ab<em>Por que<\/em>\u00a0(<em>t\u00ed<\/em>) estais de p\u00e9,\u00a0<em>perscrutando<\/em>\u00a0(<em>embl\u00e9pontes<\/em>) o c\u00e9u? Este JESUS que foi arrebatado (<em>anal\u00eamphthe\u00eds<\/em>) diante de v\u00f3s para o c\u00e9u, assim VIR\u00c1 (<em>ele\u00fasetai<\/em>) do modo (<em>tr\u00f3pos<\/em>) que O\u00a0<em>vistes<\/em>\u00a0(<em>ethe\u00e1sthe<\/em>) IR para o c\u00e9u\u00bb (Atos 1,11). Ao Arrebatamento de JESUS para o c\u00e9u, os dois homens vestidos de branco agrafam a\u00a0<em>Vinda<\/em>\u00a0de JESUS. Importante colagem da Ascens\u00e3o com a Vinda. E importante passo em frente para quem estava ali simplesmente especado. N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel\u00a0<em>Ver<\/em>\u00a0a Ascens\u00e3o sem\u00a0<em>Ver<\/em>\u00a0a Vinda. Sim,\u00a0<em>Ver<\/em>. Porque ELE Vir\u00e1 do mesmo modo que O\u00a0<em>Vistes<\/em>\u00a0IR. \u00c9, pois, importante guardar este Ver, viver este Ver, Ver com este Ver. Porque \u00e9 Vendo assim que o SENHOR Vir\u00e1. Vinda que n\u00e3o tem de ser relegada para uma Parusia distante e espetacular, mas que come\u00e7a,\u00a0<em>hic et nunc<\/em>, neste Olhar novo e significativo de quem V\u00ea o SENHOR JESUS. Vinda que n\u00e3o \u00e9 tanto um regresso, mas o desvelamento de uma presen\u00e7a permanente. Vinda j\u00e1 em curso, portanto, ainda que n\u00e3o plenamente realizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guardemos este Olhar e prossigamos. Eis-nos no primeiro ACTO propriamente dito dos Atos dos Ap\u00f3stolos depois do Pentecostes: a cura de um coxo de nascen\u00e7a descrita em Atos 3,1-10: \u00abEnt\u00e3o Pedro e Jo\u00e3o subiam ao Templo para a ora\u00e7\u00e3o da hora nona [= 15h00]. E um certo homem, que era coxo (<em>ch\u00f4l\u00f3s<\/em>) desde o ventre da sua m\u00e3e, era trazido e posto todos os dias diante da Porta do Templo, dita a Bela, para pedir esmola \u00e0queles que entravam no Templo.\u00a0<em>Vendo<\/em>\u00a0(<em>id\u00f4n<\/em>) Pedro e Jo\u00e3o, que estavam a entrar no Templo, pedia esmola para receber. Ent\u00e3o,\u00a0<em>fixando o olhar<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edsas<\/em>) nele, Pedro, com Jo\u00e3o, disse: \u201c<em>Olha<\/em>\u00a0para n\u00f3s\u201d (<em>bl\u00e9pson eis hem\u00e2s<\/em>). Ent\u00e3o ele\u00a0<em>observava-os<\/em>\u00a0(<em>epe\u00eechen<\/em>), esperando receber deles alguma coisa. Disse ent\u00e3o Pedro: \u201cPrata e ouro n\u00e3o tenho, mas o que tenho, isso te dou: no nome de JESUS CRISTO, o Nazareno, [levanta-te e] caminha. E, tomando-o pela m\u00e3o direita, levantou-o. Imediatamente se firmaram os seus p\u00e9s e os calcanhares. Com um salto, p\u00f4s-se em p\u00e9, e caminhava, e entrou com eles no Templo caminhando e saltando e louvando a Deus. E todo o povo o\u00a0<em>viu<\/em>\u00a0(<em>e\u00eeden<\/em>) a caminhar e a louvar a Deus. E reconheciam que era aquele que, sentado, pedia esmola \u00e0 Porta Bela do Templo, e ficaram cheios de admira\u00e7\u00e3o e de assombro por aquilo que lhe aconteceu\u00bb (Atos 3,1-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro impressionante condensado de olhares marca este primeiro ATO dos Atos dos Ap\u00f3stolos. Soam no texto cinco notas visuais, servidas por quatro verbos:\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>,\u00a0<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>,\u00a0<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>,\u00a0<em>ep\u00e9ch\u00f4<\/em>.\u00a0<em>Aten\u00edz\u00f4<\/em>\u00a0desenha o Olhar de Pedro e Jo\u00e3o fixado no coxo de nascen\u00e7a.\u00a0<em>Bl\u00e9p\u00f4<\/em>\u00a0retrata o Ver com que o coxo \u00e9 mandado olhar o Olhar dos Ap\u00f3stolos. Significativo agrafo: estes dois Olhares, com\u00a0<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>\u00a0e\u00a0<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>, s\u00f3 tinham sido usados antes, no Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, uma \u00fanica vez, precisamente no relato da Ascens\u00e3o (Atos 1,9-10). De resto,\u00a0<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>\u00a0conhecer\u00e1 apenas mais quatro men\u00e7\u00f5es no Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos: duas no relato da voca\u00e7\u00e3o de Paulo (Atos 9,8-9), a terceira no discurso de Paulo na sinagoga de Antioquia da Pis\u00eddia (Atos 13,41; cit. de Habacuc 1,5), e a quarta e \u00faltima no decurso da viagem mar\u00edtima de Paulo para Roma (Atos 27,12).\u00a0<em>Aten\u00edz\u00f4<\/em>, por sua vez, far-se-\u00e1 notar em lugares de relevo, sempre para expressar um Ver novo e significativo, um Ver sem haver: os membros do Sin\u00e9drio\u00a0<em>fixam os olhos<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) em Est\u00eav\u00e3o, e veem-no semelhante a um anjo (Atos 6,15); Est\u00eav\u00e3o, por sua vez,\u00a0<em>fixa os olhos<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) no c\u00e9u, e v\u00ea a gl\u00f3ria de Deus e JESUS, de p\u00e9, \u00e0 direita de Deus (Atos 7,55); Corn\u00e9lio\u00a0<em>fixa<\/em>\u00a0<em>os olhos<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) no anjo do Senhor, que o interpela (Atos 10,4); Pedro\u00a0<em>fixa os olhos<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) na vis\u00e3o, vinda do c\u00e9u, dos animais impuros (Atos 11,6); Paulo\u00a0<em>fixa os olhos<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) no mago Elimas, de Chipre, para o fulminar pela sua falsidade e mal\u00edcia (Atos 13,9), e o mesmo faz no Sin\u00e9drio, dando testemunho de JESUS (Atos 23,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 este Ver JESUS, Ver sem haver, sem poder, sem ouro nem prata (Atos 3,6), que\u00a0<em>se fixa<\/em>\u00a0sobre o coxo de nascen\u00e7a, mandado, por sua vez, olhar para este Olhar, Ver desta maneira. Como Abra\u00e3o e Mois\u00e9s, convidados a Ver para receber, e n\u00e3o para haver, a Terra Prometida: \u00aba terra que Eu te farei Ver\u00bb (G\u00e9nesis 12,1), \u00abque YHWH lhe fez Ver\u00bb (Deuteron\u00f3mio 34,1), \u00abEu a fiz Ver aos teus olhos\u00bb (Deuteron\u00f3mio 34,4). O narrador anota mais \u00e0 frente que o coxo de nascen\u00e7a, agora curado, tinha mais de 40 anos (Atos 4,22), tipologia do povo perdido no deserto antes de entrar na Terra Prometida. Como o homem doente havia 38 anos, que Jesus encontra junto da piscina de Bezetha, e que ser\u00e1 curado (Jo\u00e3o 5,1-9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 sintom\u00e1tico que o Ver da Ascens\u00e3o e da Vinda do SENHOR JESUS seja o Ver que preenche por inteiro o primeiro ATO dos Atos dos Ap\u00f3stolos, com realce para Pedro. Mas \u00e9 ainda grandemente sintom\u00e1tico que o primeiro ATO de Paulo, descrito em Atos 14,8-10, que \u00e9 tamb\u00e9m o primeiro passo da miss\u00e3o perante o paganismo popular, em Listra, quase copie o primeiro ATO dos Ap\u00f3stolos e de Pedro, certamente com o intuito de p\u00f4r em paralelo os dois grandes Ap\u00f3stolos e os dois tempos da miss\u00e3o. Eis o texto referido de Atos 14,8-10: \u00abE em Listra um homem estava sentado, sem for\u00e7a nos p\u00e9s, coxo desde o ventre da sua m\u00e3e, e que nunca tinha andado. Este ouviu falar Paulo, o qual, tendo\u00a0<em>fixado os olhos<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edsas<\/em>) nele, e tendo visto que tinha f\u00e9 para ser salvo, diz com voz forte: \u201cLevanta-te direito sobre os teus p\u00e9s!\u201d E ele deu um salto e caminhava\u00bb (Atos 14,8-10). Aqui temos o mesmo coxo de nascen\u00e7a, o mesmo Olhar significativo e diaconal, sem poder, sem ouro nem prata, Ver JESUS, o mesmo levantamento do coxo. E tamb\u00e9m aqui, na sequ\u00eancia do texto, temos o aceno \u00e0 multid\u00e3o que disperdia o olhar, vendo em Paulo e Barnab\u00e9 deuses em forma humana, e a mesma corre\u00e7\u00e3o, feita por Paulo, apontando JESUS (Atos 14,11-18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importante agrafo da Ascens\u00e3o com a Vinda do Senhor. Tanto Ver. N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel Ver a Ascens\u00e3o sem Ver a Vinda. Guardemos este Olhar cheio de Jesus e olhemos agora para esta terra \u00e1rida e cinzenta, para tantos cora\u00e7\u00f5es tristes e perdidos. Nascer\u00e1 um mundo muito mais belo, novos cora\u00e7\u00f5es pulsar\u00e3o nas pessoas. Os olhos do cora\u00e7\u00e3o iluminados, como diz o Ap\u00f3stolo \u00e0 comunidade m\u00e3e da \u00c1sia Menor, \u00c9feso (Ef\u00e9sios 1,18). Um Olhar cheio de Jesus faz Ver Jesus, faz Vir Jesus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ponhamos tudo isto em imagem, como conv\u00e9m neste Domingo em que a Igreja celebra o Dia das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, institui\u00e7\u00e3o que tem as suas ra\u00edzes diretamente no Conc\u00edlio Vaticano II (Decreto\u00a0<em>Inter Mirifica<\/em>, n.\u00ba 18), e que foi celebrado pela primeira vez, com mensagem de Paulo VI, em 7 de maio de 1967. Eis ent\u00e3o diante de n\u00f3s, no cume do Monte das Oliveiras, um pequeno Templo, arredondado, chamado\u00a0<em>Imbomon<\/em>\u00a0[= \u00absobre o cume\u00bb], greciza\u00e7\u00e3o do hebraico\u00a0<em>bamah<\/em>\u00a0[= \u00ablugar alto\u00bb], a 818 metros de altitude, um pouco acima da\u00a0<em>Ecclesia in Eleona<\/em>\u00a0[= \u00abno Olival\u00bb], que remonta a Santa Helena, hoje\u00a0<em>Pater Noster<\/em>, e a curta dist\u00e2ncia de Jerusal\u00e9m, a dist\u00e2ncia do caminho de um s\u00e1bado (Atos 1,12), que \u00e9 de 1892 metros. As constru\u00e7\u00f5es crist\u00e3s do\u00a0<em>Imbomon<\/em>\u00a0remontam ao long\u00ednquo ano de 376, com reconstru\u00e7\u00e3o dos Cruzados em 1152, ocupadas depois, em 1187, pelos mu\u00e7ulmanos. A constru\u00e7\u00e3o dos Cruzados, que respeitava a primitiva constru\u00e7\u00e3o, tinha no centro um tambor encimado por uma c\u00fapula aberta no centro, justamente para servir de suporte \u00e0 imagem da Ascens\u00e3o patente em Atos 1,9-11. Em 1200, os mu\u00e7ulmanos fecharam esse ponto de luz com uma c\u00fapula de estilo \u00e1rabe, escondendo assim a vis\u00e3o de Atos 1,11: \u00abPorque estais a\u00ed a olhar para o c\u00e9u?\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto de hoje da Carta aos Ef\u00e9sios 1,17-23 completa maravilhosamente as passagens da Escritura que j\u00e1 vimos. Depois do grande hino (v. 3-14), em que se bendiz o Pai, mediante o Filho, no Esp\u00edrito Santo a n\u00f3s dado, cantamos agora, guiados sempre por S\u00e3o Paulo, o primado da Humanidade do Senhor, obra admir\u00e1vel do Pai, para proveito nosso. E come\u00e7amos com a epiclese ao Pai para que nos d\u00ea o dom do Esp\u00edrito, que \u00e9 a Sabedoria divina, o \u00abconhecimento profundo\u00bb (<em>ep\u00edgn\u00f4sis<\/em>) das Realidades divinas (v. 17). Tudo prov\u00e9m do \u00fanico e omnipotente Acontecimento divino: Jesus Cristo Ressuscitado e Sentado \u00e0 direita nos C\u00e9us (v. 19-20). \u00c9 assim que, da sua Humanidade glorificada vem para n\u00f3s, por gra\u00e7a, o Esp\u00edrito Santo, a verdadeira plenitude (v. 23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 47 \u00e9 um Salmo da realeza de YHWH, que canta, com grande energia, a soberania de Deus sobre todos os povos (v. 1-3.7-10), sem deixar tamb\u00e9m de particularizar Israel (v. 4-5), \u00aba mais bela entre todas as na\u00e7\u00f5es\u00bb (Ezequiel 20,6). Ajusta-se tamb\u00e9m perfeitamente, no mundo cat\u00f3lico, \u00e0 Festa da Ascens\u00e3o de Cristo, sobretudo por causa do v. 6, em que lemos que \u00abDeus se eleva por entre aclama\u00e7\u00f5es\u00bb. Devido ao seu tom geral, Israel canta este Salmo sete vezes antes de soar o toque do\u00a0<em>sh\u00f4phar<\/em>\u00a0para assinalar a entrada do Ano Novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com a sua Ressurrei\u00e7\u00e3o e Ascens\u00e3o aos C\u00e9us,<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 glorificada a humanidade do Filho de Deus e de Maria,<\/strong><br \/>\n<strong>Jesus,<\/strong><br \/>\n<strong>E \u00e9 desta humanidade glorificada,<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c0 direita de Deus sentada,<\/strong><br \/>\n<strong>Que vem o Esp\u00edrito Santo para n\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9, portanto, do vosso interesse, diz Jesus, que Eu v\u00e1,<\/strong><br \/>\n<strong>Pois se Eu n\u00e3o for,<\/strong><br \/>\n<strong>O Esp\u00edrito Santo n\u00e3o vir\u00e1 para v\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Com a Ressurrei\u00e7\u00e3o, a Ascens\u00e3o e o Pentecostes,<\/strong><br \/>\n<strong>Celebramos, pois, a humanidade glorificada de Jesus,<\/strong><br \/>\n<strong>Da qual,<\/strong><br \/>\n<strong>Por cont\u00e1gio sacramental,<\/strong><br \/>\n<strong>Recebemos o Dom de Deus, o Esp\u00edrito Santo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Senhor Jesus,<\/strong><br \/>\n<strong>Enche a nossa fr\u00e1gil humanidade da riqueza da tua divindade,<\/strong><br \/>\n<strong>E derrama no nosso humano cora\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong>O Esp\u00edrito da consola\u00e7\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>Da paz e da alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Leitura-I-da-Ascensao-do-Senhor-parte-Ano-A-21.05.2023-Atos-1-1-11.pdf\">Leitura I da Ascens\u00e3o do Senhor (parte)- Ano A &#8211; 21.05.2023 (Atos 1, 1-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Resto-leitura-I-e-leitura-II-da-Ascensao-do-Senhor-Ano-A-21.05.2023-Ef-1-17-23-.pdf\">Resto leitura I e leitura II da Ascens\u00e3o do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 21.05.2023 (Ef 1, 17-23)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Ascensao-do-Senhor-Ano-A-21.05.2023-Lecionario.pdf\">Ascens\u00e3o do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 21.05.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Ascensao-do-Senhor-Ano-A-21.05.2023-Oracao-Universal.pdf\">Ascens\u00e3o do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 21.05.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Mensagem-do-Papa-Francisco-paras-o-57o-Dia-Mundial-das-Comunicacoes-Sociais.pdf\">Mensagem do Papa Francisco paras o 57\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo VI da P\u00e1scoa \u2013 Ano A \u2013 14.05.2023&#8243; tab_id=&#8221;1684748988481-ec4320b8-0fdc&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo VI da P\u00e1scoa \u2013 Ano A \u2013 14.05.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Domingo-VI-da-Pascoa.jpg\" alt=\"\" width=\"456\" height=\"456\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquele que encontra em Jesus Cristo a fonte de sentido para a sua vida \u00e9 chamado, em cada tempo e em cada lugar, a dar testemunho alegre e generoso da sua f\u00e9. Como afirma o Papa Francisco na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>Evangelii Gaudium<\/em>: \u00ab<em>n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa ter conhecido Jesus ou n\u00e3o O conhecer, n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa caminhar com Ele ou caminhar tateando, n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa poder escut\u00e1-Lo ou ignorar a sua Palavra, n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa poder contempl\u00e1-Lo, ador\u00e1-Lo, descansar n\u2019Ele ou n\u00e3o o poder fazer. N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa procurar construir o mundo com o seu Evangelho em vez de o fazer unicamente com a pr\u00f3pria raz\u00e3o. Sabemos bem que a vida com Jesus se torna muito mais plena e, com Ele, \u00e9 mais f\u00e1cil encontrar o sentido para cada coisa<\/em>\u00bb (EG 266).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, vivendo o Tempo Pascal em que celebramos e saboreamos a presen\u00e7a ressuscitada e ressuscitadora de Jesus Cristo, somos chamados a ser portadores da esperan\u00e7a e anunciadores do evangelho da alegria, tal como nos desafia S. Pedro: \u00ab<em>venerai Cristo Senhor em vossos cora\u00e7\u00f5es, prontos sempre a responder, a quem quer que seja, sobre a raz\u00e3o da vossa esperan\u00e7a<\/em>\u00bb. Como seria belo se cada crist\u00e3o pudesse ser, no seu campo de a\u00e7\u00e3o e para aqueles com quem se cruza na estrada da vida, um sinal de esperan\u00e7a e um apelo a encontrar um sentido novo, mesmo diante dos desafios mais sombrios e exigentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os crist\u00e3os s\u00e3o chamados a ser narradores da esperan\u00e7a e n\u00e3o apenas para com os outros homens e mulheres. Ainda antes de o ser em rela\u00e7\u00e3o aos outros homens e mulheres, a esperan\u00e7a \u00e9 responsabilidade dos crist\u00e3os em rela\u00e7\u00e3o a Deus como resposta \u00c0quele que nos chamou \u00e0 f\u00e9 e \u00e0 esperan\u00e7a (cf. Ef 1,18). Assim, a esperan\u00e7a como responsabilidade crist\u00e3 situa-se entre o chamamento de Deus e a demanda dos homens. \u00c9 uma responsabilidade \u00fanica e dupla ao mesmo tempo, tal como o mandamento de amar a Deus e ao pr\u00f3ximo \u00e9 \u00fanico e duplo concomitantemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, esta esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 uma esperan\u00e7a desencarnada como mero otimismo ut\u00f3pico ou uma proje\u00e7\u00e3o dos nossos sonhos ou desejos mais \u00edntimos. A nossa esperan\u00e7a tem um rosto: Jesus Cristo, vivo e ressuscitado. Como S. Paulo podemos afirmar: \u00ab<em>a esperan\u00e7a n\u00e3o nos engana, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos cora\u00e7\u00f5es pelo Esp\u00edrito Santo que nos foi dado<\/em>\u00bb (Rm 5,5). Na for\u00e7a do Esp\u00edrito prometido por Jesus Cristo e enviado pelo Pai como \u00ab<em>par\u00e1clito<\/em>\u00bb, somos enviados como testemunhas da esperan\u00e7a, anunciando com a vida e nos gestos concretos de amor e miseric\u00f3rdia a esperan\u00e7a que recebemos do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 bom escutar a liberdade com que Jesus nos prop\u00f5e o Seu projeto de amor: \u00ab<em>se me amardes<\/em>\u00bb. Jesus n\u00e3o se imp\u00f5e porque o amor \u00e9 uma ades\u00e3o livre. Fomos criados para a verdadeira liberdade e para a felicidade plena que s\u00f3 o amor de Jesus nos pode oferecer e garantir. Acolher o mandamento novo do amor significa abra\u00e7ar a perene novidade que d\u00e1 sentido \u00e0 nossa vida: a comunh\u00e3o com Jesus Cristo que o Esp\u00edrito Santo realiza em n\u00f3s. Na verdade, a novidade do mandamento do amor n\u00e3o reside no convite a amar a Deus e o pr\u00f3ximo, pois bem sabemos que esse convite estava j\u00e1 presente nas p\u00e1ginas do Antigo Testamento. Al\u00e9m disso, esta novidade tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 apenas amar \u00ab<em>como Jesus nos amou<\/em>\u00bb, porque deste modo o cristianismo seria apenas uma esp\u00e9cie de esfor\u00e7o moral extremo. A novidade do mandamento novo do amor est\u00e1 precisamente na din\u00e2mica de comunh\u00e3o que ele estabelece com Cristo e do viver Nele e para Ele: \u00ab<em>se algu\u00e9m aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama ser\u00e1 amado por meu Pai, e Eu am\u00e1-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele<\/em>\u00bb.<strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De 14 a 21 de maio decorre a Semana da Vida, este ano com o tema: \u00ab<em>Levanta-te! A tua vida \u00e9 um dom<\/em>\u00bb. Os diversos recursos preparados pela Comiss\u00e3o Episcopal Laicado e Fam\u00edlia atrav\u00e9s do Departamento Nacional da Pastoral Familiar est\u00e3o dispon\u00edveis na internet (<a href=\"https:\/\/dnpf.pt\/semana-da-vida\/\"><strong>https:\/\/dnpf.pt\/semana-da-vida\/<\/strong><\/a>). S\u00e3o propostos diferentes recursos \u2013 medita\u00e7\u00f5es para o ter\u00e7o, esquema para a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, jogos e din\u00e2micas em fam\u00edlia, cartazes di\u00e1rios \u2013 que podem servir como ponto de partida e inspira\u00e7\u00e3o para a dinamiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria desta semana. No atual contexto social e cultural \u00e9 urgente e necess\u00e1rio ser testemunhas de uma cultura da vida que valoriza e defende a dignidade da vida humana desde a sua conce\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 sua morte natural<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos em Tempo Pascal. Percorremos os 50 dias at\u00e9 ao Pentecostes. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Actos 8,5-8.14-17<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abAs multid\u00f5es aderiam unanimemente \u00e0s palavras de Filipe, ao ouvi-las e ao ver os milagres que fazia\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante os primeiros anos, o cristianismo praticamente n\u00e3o saiu de Jerusal\u00e9m: os primeiros sete cap\u00edtulos do livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos apresentam-nos a Igreja de Jerusal\u00e9m e o testemunho dado pelos primeiros crist\u00e3os no espa\u00e7o restrito da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por volta do ano 35, no entanto, desencadeou-se uma persegui\u00e7\u00e3o contra os membros da comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m. Pode supor-se, com grande probabilidade, que esta persegui\u00e7\u00e3o (desencadeada ap\u00f3s a morte de Est\u00eav\u00e3o) n\u00e3o afetou de igual forma todos os membros da comunidade (os ap\u00f3stolos continuam em Jerusal\u00e9m), mas dirigiu-se, de forma especial, contra os judeo-helenistas do c\u00edrculo de Est\u00eav\u00e3o (os crist\u00e3os &#8220;hebreus&#8221;, que mant\u00eam uma fidelidade relativa \u00e0 Lei e ao juda\u00edsmo, ficam &#8211; at\u00e9 nova ordem &#8211; ao abrigo da persegui\u00e7\u00e3o). Estes, contudo, n\u00e3o se conformaram com uma morte in\u00fatil: deixaram Jerusal\u00e9m e espalharam-se pelas outras regi\u00f5es da Palestina. Tratou-se de um facto providencial (porque n\u00e3o ver nele a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito?), que permitiu a difus\u00e3o do Evangelho pelas outras regi\u00f5es palestinas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura deste domingo fala-nos de Filipe &#8211; um dos sete di\u00e1conos, do mesmo grupo do m\u00e1rtir Est\u00eav\u00e3o (cf. Act 6,1-7) &#8211; que, deixando Jerusal\u00e9m foi anunciar o Evangelho aos habitantes da regi\u00e3o central da Palestina, a Samaria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 curioso que a difus\u00e3o do Evangelho fora de Jerusal\u00e9m ocorra, precisamente, na Samaria. A Samaria era, para os judeus, uma terra praticamente pag\u00e3. Os judeus desprezavam os samaritanos por serem uma mistura de sangue israelita com estrangeiros e consideravam-nos hereges em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pureza da f\u00e9 jahwista. O an\u00fancio do Evangelho aos samaritanos mostra que a Igreja n\u00e3o tem fronteiras e anuncia o passo seguinte: a evangeliza\u00e7\u00e3o do mundo pag\u00e3o. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para a reflex\u00e3o, considerar os seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma comunidade onde se manifesta a comunh\u00e3o com Jesus e a comunh\u00e3o com todos os outros irm\u00e3os que partilham a mesma f\u00e9. \u00c9 na comunh\u00e3o com os irm\u00e3os, \u00e9 no amor partilhado, \u00e9 na consci\u00eancia de que fazemos parte de uma imensa fam\u00edlia que caminha animada pela mesma f\u00e9, que se manifesta a vida do Esp\u00edrito. Cada crente precisa de desenvolver a consci\u00eancia de que n\u00e3o \u00e9 um caso isolado, independente, aut\u00f3nomo: afirma\u00e7\u00f5es como &#8220;eu c\u00e1 tenho a minha f\u00e9&#8221; n\u00e3o fazem sentido, se traduzem a vontade de percorrer um caminho \u00e0 margem da comunidade, sem aceitar confrontar-se com os irm\u00e3os&#8230; Cada comunidade precisa de desenvolver a consci\u00eancia de que n\u00e3o \u00e9 um grupo aut\u00f3nomo e sem liga\u00e7\u00f5es, mas uma parcela de uma Igreja universal, chamada a viver na comunh\u00e3o, na partilha, na solidariedade com todos irm\u00e3os que, em qualquer canto do mundo, partilham a mesma f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Constitui, para n\u00f3s, um tremendo desafio a a\u00e7\u00e3o evangelizadora de Filipe&#8230; Apesar dos riscos corridos em Jerusal\u00e9m, Filipe n\u00e3o desistiu, n\u00e3o sentiu que j\u00e1 tinha feito o poss\u00edvel, n\u00e3o se acomodou; mas simplesmente partiu para outras paragens a dar testemunho de Jesus. \u00c9 o mesmo entusiasmo que nos anima, quando temos de dar testemunho do Evangelho de Jesus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto deixa claro, ainda, que &#8220;Deus escreve direito por linhas tortas&#8221;: de uma situa\u00e7\u00e3o m\u00e1 (persegui\u00e7\u00e3o aos crentes), nasce a possibilidade de levar a Boa Nova da liberta\u00e7\u00e3o a outras comunidades. \u00c0s vezes, Deus tem de usar m\u00e9todos dr\u00e1sticos para nos obrigar a sair do nosso cantinho c\u00f3modo e levar-nos ao compromisso. Muitas vezes, os aparentes dramas da nossa vida fazem parte dos projetos de Deus. \u00c9 necess\u00e1rio aprender a olhar para os acontecimentos da vida com os olhos da f\u00e9 e aprender a confiar nesse Deus que, do mal, tira o bem. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 65 (66)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> A terra inteira aclame o Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Pedro 3,15-18<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abVenerai Cristo Senhor em vossos cora\u00e7\u00f5es, prontos sempre a responder, a quem quer que seja, sobre a raz\u00e3o da vossa esperan\u00e7a\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira carta de Pedro tem-nos acompanhado nos \u00faltimos domingos&#8230; Por isso, j\u00e1 sabemos que se trata de um texto exortativo, enviado \u00e0s comunidades crist\u00e3s estabelecidas em certas zonas rurais da \u00c1sia Menor. Os crist\u00e3os que comp\u00f5em essas comunidades pertencem maioritariamente \u00e0s classes menos favorecidas. Apresentam, portanto, um quadro de fragilidade, que os torna bastante vulner\u00e1veis \u00e0s persegui\u00e7\u00f5es que se aproximam.<br \/>\nO objetivo do autor \u00e9 animar esses crist\u00e3os e exort\u00e1-los \u00e0 fidelidade aos compromissos que assumiram com Cristo, no dia do seu Batismo. Para isso, o autor lembra-lhes o exemplo de Cristo, que percorreu um caminho de cruz, antes de chegar \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar, na reflex\u00e3o, os seguintes pontos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais uma vez (tem sido um tema que tem aparecido, volta n\u00e3o volta, na liturgia deste tempo pascal), p\u00f5e-se-nos o problema do sentido de uma vida feita dom e entrega aos outros, at\u00e9 \u00e0 morte (sobretudo se esses &#8220;outros&#8221; s\u00e3o os nossos perseguidores e detratores). \u00c9 poss\u00edvel &#8220;dar o bra\u00e7o a torcer&#8221; e triunfar? O amor e o dom da vida n\u00e3o ser\u00e3o esquemas de fragilidade, que n\u00e3o conduzem sen\u00e3o ao fracasso? Esta hist\u00f3ria de o amor ser o caminho para a felicidade e para a vida plena n\u00e3o ser\u00e1 uma desculpa dos fracos? N\u00e3o &#8211; responde a Palavra de Deus que nos \u00e9 proposta. Reparemos no exemplo de Cristo: Ele deu a vida pelos pecadores e pelos injustos e encontrou, no final do caminho, a ressurrei\u00e7\u00e3o, a vida plena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante das dificuldades, das propostas contr\u00e1rias aos valores crist\u00e3os, \u00e9 em Cristo &#8211; o Senhor da vida, do mundo e da hist\u00f3ria &#8211; que colocamos a nossa confian\u00e7a e a nossa esperan\u00e7a? Ou \u00e9 noutros esquemas mais materiais, mais imediatos, mais l\u00f3gicos, do ponto de vista humano?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante dos ataques &#8211; \u00e0s vezes incoerentes e irracionais &#8211; daqueles que n\u00e3o concordam com os valores de Jesus, como nos comportamos? Com a mesma agressividade com que nos tratam? Com a mesma intoler\u00e2ncia dos nossos advers\u00e1rios? Tratando-os com a l\u00f3gica do &#8220;olho por olho, dente por dente&#8221;? Como \u00e9 que Jesus tratou aqueles que o condenaram e mataram? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo 14,15-21<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSe Me amardes, guardareis os meus mandamentos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abN\u00e3o vos deixarei \u00f3rf\u00e3os: voltarei para junto de v\u00f3s\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abE quem Me ama ser\u00e1 amado por meu Pai, e Eu am\u00e1-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no mesmo contexto em que nos colocava o Evangelho do passado domingo. A decis\u00e3o de matar Jesus j\u00e1 est\u00e1 tomada pelas autoridades judaicas e Jesus sabe-o. A morte na cruz \u00e9 mais do que uma probabilidade: \u00e9 o cen\u00e1rio imediato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa noite de quinta-feira do ano trinta, na v\u00e9spera da sua morte na cruz, Jesus reuniu-Se com os seus disc\u00edpulos numa &#8220;ceia&#8221;. No decurso da &#8220;ceia&#8221;, Jesus despediu-Se dos disc\u00edpulos e fez-lhes as \u00faltimas recomenda\u00e7\u00f5es. As palavras de Jesus soam a &#8220;testamento final&#8221;: Ele sabe que vai partir para o Pai e que os disc\u00edpulos v\u00e3o continuar no mundo. Jesus fala-lhes, ent\u00e3o, do caminho que percorreu (e que ainda tem de percorrer, at\u00e9 \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o da sua miss\u00e3o e at\u00e9 chegar ao Pai); e convida os disc\u00edpulos a seguir o mesmo caminho de entrega a Deus e de amor radical aos irm\u00e3os. \u00c9 seguindo esse &#8220;caminho&#8221; que eles se tornar\u00e3o Homens Novos e que chegar\u00e3o a ser &#8220;fam\u00edlia de Deus&#8221; (cf. Jo 14,1-12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os disc\u00edpulos, no entanto, est\u00e3o inquietos e desconcertados. Ser\u00e1 poss\u00edvel percorrer esse &#8220;caminho&#8221; se Jesus n\u00e3o caminhar ao lado deles? Como \u00e9 que eles manter\u00e3o a comunh\u00e3o com Jesus e como receber\u00e3o d&#8217;Ele a for\u00e7a para doar, dia a dia, a pr\u00f3pria vida? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o da Palavra podem fazer-se a partir dos seguintes desenvolvimentos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A paix\u00e3o de Jesus continua a acontecer, todos os dias, na vida de cada um de n\u00f3s e na vida de tantos irm\u00e3os nossos. Sentimo-nos impotentes face \u00e0 guerra e ao terrorismo; n\u00e3o conseguimos prever e evitar as cat\u00e1strofes naturais; sofremos por causa da injusti\u00e7a e da opress\u00e3o; vemos o mundo construir-se de acordo com crit\u00e9rios de ego\u00edsmo e de materialismo; n\u00e3o podemos evitar a doen\u00e7a e a morte&#8230; Acreditamos no &#8220;Reino de Deus&#8221;, mas ele parece nunca mais chegar, e caminhamos, desanimados e frustrados, para um futuro que n\u00e3o sabemos aonde conduzir\u00e1 a humanidade. No entanto, n\u00f3s os crentes temos raz\u00f5es para ter esperan\u00e7a: Jesus garantiu-nos que n\u00e3o nos deixaria \u00f3rf\u00e3os e que estaria sempre a nosso lado. Na minha leitura do mundo e da hist\u00f3ria, o que \u00e9 que prevalece: o pessimismo de quem se sente s\u00f3 e perdido no meio de for\u00e7as de morte, ou a esperan\u00e7a de quem est\u00e1 seguro de que Jesus ressuscitado continua presente, a acompanhar a caminhada da sua comunidade pela hist\u00f3ria?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O &#8220;caminho&#8221; que Jesus prop\u00f5e aos seus disc\u00edpulos (o &#8220;caminho&#8221; do amor, do servi\u00e7o, do dom da vida) parece, \u00e0 luz dos crit\u00e9rios com que a maior parte dos homens do nosso tempo avaliam estas coisas, um caminho de fracasso, que n\u00e3o conduz nem \u00e0 riqueza, nem ao poder, nem ao \u00eaxito social, nem ao bem estar material &#8211; afinal, tudo o que parece dar verdadeiro sabor \u00e0 vida dos homens do nosso tempo. No entanto, Jesus garantiu-nos que era no caminho do amor e da entrega que encontrar\u00edamos a vida nova e definitiva. Na minha leitura da vida e dos seus valores, o que \u00e9 que prevalece: o pessimismo de algu\u00e9m que se sente fraco, indefeso, humilde e que vai passar ao lado das grandes experi\u00eancias que fazem felizes os grandes do mundo, ou a esperan\u00e7a de algu\u00e9m que se identifica com Jesus e sabe que \u00e9 nesse &#8220;caminho&#8221; de amor e de dom da vida que se encontra a felicidade plena e a vida definitiva?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus garantiu aos seus disc\u00edpulos o envio de um &#8220;defensor&#8221;, de um &#8220;consolador&#8221;, que havia de animar a comunidade crist\u00e3 e conduzi-la ao longo da sua marcha pela hist\u00f3ria. N\u00f3s acredit\u00e1mos, portanto, que o Esp\u00edrito est\u00e1 presente, animando-nos, conduzindo-nos, criando vida nova, dando esperan\u00e7a aos crentes em caminhada. Quais s\u00e3o as manifesta\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito que eu vejo na vida das pessoas, nos acontecimentos da hist\u00f3ria, na vida da Igreja?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3, identificada com Jesus e com o Pai, animada pelo Esp\u00edrito, \u00e9 o &#8220;templo de Deus&#8221;, o lugar onde Deus habita no meio dos homens. Atrav\u00e9s dela, o Deus libertador continua a concretizar o seu projecto de salva\u00e7\u00e3o. A Igreja \u00e9, hoje, o lugar onde os homens encontram Deus? Ela d\u00e1 testemunho (em gestos de amor, de servi\u00e7o, de humanidade, de liberdade, de compreens\u00e3o, de perd\u00e3o, de toler\u00e2ncia, de solidariedade para com os pobres) do Deus que quer oferecer aos homens a salva\u00e7\u00e3o? O que \u00e9 que nos falta &#8211; a n\u00f3s, &#8220;fam\u00edlia de Deus&#8221; &#8211; para sermos verdadeiros sinais de Deus no meio dos homens? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A aparente facilidade na proclama\u00e7\u00e3o da <strong>primeira leitura<\/strong> n\u00e3o deve descurar a sua prepara\u00e7\u00e3o com uma especial aten\u00e7\u00e3o ao seu tom narrativo e descritivo, bem como \u00e0s pausas e respira\u00e7\u00f5es. Pede-se ainda especial cuidado na proclama\u00e7\u00e3o do verbo \u00abpregar\u00bb que se deve ler \u00abpr\u00e9gar\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o o car\u00e1cter exortativo do texto e, por isso, deve ter-se um especial cuidado nas formas verbais no imperativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/05\/16\/dar-a-razao-da-nossa-esperanca\/\"><strong>DAR A RAZ\u00c3O DA NOSSA\u00a0ESPERAN\u00c7A<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que o Evangelho deste Domingo VI da P\u00e1scoa (Jo\u00e3o 14,15-21) nos oferece enquadra-se naquele monumental Testamento que, no IV Evangelho, Jesus pronuncia, em ondas sucessivas, ap\u00f3s a Ceia com os seus Disc\u00edpulos (Jo\u00e3o 13,12-17,26). Neste imenso texto, cujas linhas tem\u00e1ticas v\u00eam e refluem e voltam a vir e a refluir, \u00e0 maneira das ondas do mar que v\u00eam sobre a praia, refluem e voltam, assistimos hoje ao primeiro dos cinco dizeres de Jesus relativos \u00e0 Vinda do Esp\u00edrito Santo, Par\u00e1clito (<em>par\u00e1kl\u00eatos<\/em>), isto \u00e9, Defensor [Advogado de defesa], Consolador e Int\u00e9rprete. Este \u00faltimo significado deriva do aramaico\u00a0<em>par\u00e1klita<\/em>, dos rabinos, que n\u00e3o tem o significado usual do grego (Defensor e Consolador), mas Int\u00e9rprete, aquele que traduz Deus para n\u00f3s e n\u00f3s para Deus, fonte e ponte permanente de comunica\u00e7\u00e3o, compreens\u00e3o e comunh\u00e3o. O Esp\u00edrito Par\u00e1clito \u00e9 assim o grande construtor de pontes entre n\u00f3s uns com os outros e com Deus. \u00c9, por isso, que Ele \u00e9 o Amor, que destr\u00f3i todos os muros, preconceitos, \u00f3dios, divis\u00f5es, incompreens\u00f5es. Eis os cinco mencionados dizeres de Jesus sobre a Vinda do Esp\u00edrito Santo, sempre dita no futuro: Jo\u00e3o 14,16; 14,26; 15,26; 16,7; 16,13-15.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sente-se, no monumental Testamento de Jesus, apresentado em Jo\u00e3o 13,12-17,26, que a dor da separa\u00e7\u00e3o, provocada pela partida de Jesus, atravessa o cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos de ent\u00e3o. Se virmos bem, tamb\u00e9m no cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos de hoje pode vir ao de cima a perce\u00e7\u00e3o de que Jesus est\u00e1 ausente, pouco percet\u00edvel e dificilmente acess\u00edvel. A dor da separa\u00e7\u00e3o revela o deles e o nosso amor por Jesus. E Jesus mostra-nos que n\u00e3o nos deixa abandonados e s\u00f3s, como \u00f3rf\u00e3os (Jo\u00e3o 14,18). Ele permanece connosco, e continua a tratar-nos carinhosamente por \u00abfilhinhos\u00bb (<em>tekn\u00eda<\/em>) (Jo\u00e3o 13,33). De facto, Jesus morre, mas n\u00e3o desaparece na morte. Volta sempre, na sua condi\u00e7\u00e3o de Ressuscitado, para nos comunicar a sua pr\u00f3pria vida nova. Sim, com a sua morte, Ele desaparece aos olhos do mundo, que apenas sabe que Ele morreu numa Cruz. O mundo conhece apenas a morte, e n\u00e3o a vida (Jo\u00e3o 14,19). \u00c9 sabido que tamb\u00e9m aqueles disc\u00edpulos n\u00e3o superar\u00e3o a prova ou o teste da Paix\u00e3o e Morte de Jesus, tendo-o abandonado e fugido todos (Mateus 26,56; Marcos 14,50). Ser\u00e1 Jesus, Amor permanente e dissolvente, que reparar\u00e1 esta brecha, chamando de novo estes disc\u00edpulos reprovados (Mateus 28,7.10.16; Marcos 16,7). E eles, como n\u00f3s, levando consigo toda a sua hist\u00f3ria anterior de amor e rutura e de milagrosa cura, voltam para a Galileia, para um encontro novo com o Ressuscitado, de quem, agora sim, nunca mais se separar\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto de hoje p\u00f5e Jesus a dizer que, a seu pedido, o Pai nos dar\u00e1\u00a0<em>outro<\/em>\u00a0Par\u00e1clito (Jo\u00e3o 14,16). Outro. Este\u00a0<em>outro<\/em>\u00a0\u00e9 o Esp\u00edrito Santo. Mas o emprego deste\u00a0<em>outro<\/em>\u00a0diz-nos ainda que Jesus Cristo \u00e9 tamb\u00e9m Par\u00e1clito, portanto, nosso Defensor, Consolador e Int\u00e9rprete, como de resto surge afirmado com todas as letras na Primeira Carta de S. Jo\u00e3o 2,1: \u00abTemos um Defensor (<em>par\u00e1kl\u00eatos<\/em>) junto do Pai, Jesus Cristo, o Justo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro enviado do Pai \u00e9 o Filho Jesus, que cumpre e revela o conte\u00fado da pr\u00f3pria miss\u00e3o. O segundo enviado \u00e9 o Esp\u00edrito Par\u00e1clito. O Pai \u00e9, em rela\u00e7\u00e3o aos dois, o enviante; o Filho e o Esp\u00edrito s\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o ao Pai, ambos enviados. Confrontando os textos, vemos que h\u00e1 semelhan\u00e7a da rela\u00e7\u00e3o entre o Pai e o Par\u00e1clito com a rela\u00e7\u00e3o entre o Pai e o Filho: ambas s\u00e3o expressas pelo mesmo verbo \u00abenviar\u00bb (<em>p\u00e9mp\u00f4<\/em>). Mas, juntamente com a semelhan\u00e7a, deparamos tamb\u00e9m com diferen\u00e7as. A primeira diferen\u00e7a est\u00e1 no facto de que, em rela\u00e7\u00e3o ao Filho, o verbo enviar est\u00e1 no passado, encontrando-se no futuro em rela\u00e7\u00e3o ao Par\u00e1clito. O envio de Jesus pelo Pai j\u00e1 se realizou [\u00abo Pai que me enviou\u00bb: Jo\u00e3o 5,23.37; 6,44; 8,16.18; 12,49; 14,24; \u00abAquele que me enviou\u00bb: Jo\u00e3o 4,34; 5,24.30; 6,38.39.40; 7,16.28.33; 8,26.29; 9,4; 12,44-45; 13,20; 15,21; 16,5], enquanto que o envio do Par\u00e1clito \u00e9 anunciado, mas deve ainda realizar-se [\u00abo Pai envi\u00e1-lo-\u00e1 no meu nome\u00bb: Jo\u00e3o 14,26], do mesmo modo que a sua tarefa de ensinar e de recordar aparece igualmente enunciada no futuro. A segunda diferen\u00e7a reside no facto de o envio de Jesus ser feito diretamente pelo Pai, sem intermedi\u00e1rios, enquanto o envio do Par\u00e1clito \u00e9 feito pelo Pai mediante a interven\u00e7\u00e3o de Jesus, traduzida pela express\u00e3o \u00abno meu nome\u00bb. O que se passa com o verbo \u00abenviar\u00bb em termos de semelhan\u00e7a e diferen\u00e7as, passa-se tamb\u00e9m com o verbo \u00abdar\u00bb (<em>d\u00edd\u00f4mi<\/em>): \u00abDeus\u2026\u00a0<em>deu<\/em>\u00a0o seu Filho unig\u00e9nito\u00bb (Jo\u00e3o 3,16), e \u00ab<em>dar\u00e1<\/em>\u00a0a v\u00f3s outro Par\u00e1clito\u00bb a pedido de Jesus (Jo\u00e3o 14,16). Mas em rela\u00e7\u00e3o ao Par\u00e1clito, o pr\u00f3prio Jesus \u00e9 por duas vezes sujeito do verbo\u00a0<em>enviar<\/em>: \u00abEu envi\u00e1-lo-ei de junto do Pai\u00bb (Jo\u00e3o 15,26); \u00abQuando eu for, envi\u00e1-lo-ei para junto de v\u00f3s\u00bb (Jo\u00e3o 16,7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O c\u00famulo. Filipe, \u00abo Evangelista\u00bb (<em>ho euaggelist\u00eas<\/em>) (Atos dos Ap\u00f3stolos 21,8), leva a Palavra de Deus \u00e0 Samaria, exatamente \u00e0quele \u00abest\u00fapido povo que habita em Siqu\u00e9m\u00bb (Ben-Sir\u00e1 50,26), e houve por l\u00e1 tamb\u00e9m grande alegria (Atos dos Ap\u00f3stolos 8,5-8). Sim! Os pobres s\u00e3o evangelizados! Bendito seja Deus que nos surpreende sempre. Quando eu l\u00e1 chego, \u00e0s portas da cidade ou do cora\u00e7\u00e3o do meu irm\u00e3o, constato com espanto que Tu j\u00e1 l\u00e1 est\u00e1s h\u00e1 muito tempo, e j\u00e1 derrubaste portas e muralhas! Tu chegas sempre primeiro e j\u00e1 preparaste tudo! Escreve Kierkegaard num belo poema: \u00abFalamos de Ti\/ como se Tu nos tivesses amado primeiro uma s\u00f3 vez.\/ \u00c9, por\u00e9m, dia ap\u00f3s dia, a vida inteira,\/ que Tu nos amas primeiro.\/ Quando acordo pela manh\u00e3 e elevo para Ti a minha alma,\/ Tu \u00e9s o primeiro,\/ Tu amas-me primeiro.\/ Se pela madrugada me levanto,\/ e logo\/ para Ti a minha alma e a minha ora\u00e7\u00e3o elevo,\/ Tu precedes-me,\/ Tu j\u00e1 me amaste primeiro.\/ \u00c9 sempre assim.\/ E n\u00f3s, ingratos,\/ Falamos como se Tu nos tivesses amado primeiro\/ uma s\u00f3 vez\u2026\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, portanto, a\u00ed est\u00e1 a li\u00e7\u00e3o que S\u00e3o Pedro (3,15-18) aprendeu e viveu e hoje nos comunica: \u00abestai sempre, sempre prontos [atentos, preparados] para dar convictamente a quem vos pedir a raz\u00e3o da esperan\u00e7a que h\u00e1 em v\u00f3s\u00bb (<em>h\u00e9toimoi ae\u00ec pr\u00f2s apolog\u00edan pant\u00ec t\u00f4 aito\u00fbnti hym\u00e3s l\u00f3gon<\/em>\u00a0<em>per\u00ec<\/em>\u00a0<em>t\u00eas<\/em>\u00a0<em>en hym\u00een<\/em>\u00a0<em>elp\u00eddos<\/em>) (cf. 1 Pd 3,15). N\u00e3o se trata de \u00abraz\u00f5es\u00bb; trata-se da \u00abraz\u00e3o\u00bb, do\u00a0<em>l\u00f3gos<\/em>. A raz\u00e3o, o\u00a0<em>l\u00f3gos<\/em>, n\u00e3o \u00e9 aqui um terreno intelectual ou um objeto do pensamento, mas uma pessoa: Jesus Cristo. \u00c9 Ele a raz\u00e3o, o\u00a0<em>l\u00f3gos<\/em>, \u00abpelo qual tudo foi feito, e sem Ele nada foi feito\u00bb (Jo\u00e3o 1,3). Ent\u00e3o, Ele habita e enche o universo e a nossa vida. \u00ab\u00c9 n\u2019Ele que vivemos, nos movemos e existimos\u00bb (Atos dos Ap\u00f3stolos 17,28). N\u00f3s com Ele, e Ele em n\u00f3s, santu\u00e1rios vivos do Deus vivo. De forma intensa, como sempre, grita S. Paulo aos ouvidos dos crist\u00e3os de Corinto e aos nossos: \u00abN\u00e3o sabeis que sois Templo de Deus, e que o Esp\u00edrito de Deus habita em v\u00f3s? (\u2026). Na verdade, o Templo de Deus \u00e9 santo, e esse Templo sois v\u00f3s!\u00bb (1 Cor\u00edntios 3,16 e 17). Sem equ\u00edvocos agora: estar prontos a dar a raz\u00e3o \u00e9 estar prontos a dar o\u00a0<em>l\u00f3gos<\/em>, isto \u00e9, Jesus, a raz\u00e3o de fundo da vida de Pedro e da nossa; a raz\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o as raz\u00f5es, arrazoados; \u00e9 a pessoa de Jesus, o\u00a0<em>l\u00f3gos<\/em>. Estar prontos a dar a raz\u00e3o \u00e9 estar prontos a dar a m\u00e3o, isto \u00e9, o p\u00e3o, compreens\u00e3o, amor, esperan\u00e7a e confian\u00e7a, engenheiros de um mundo novo, verdadeiro, cred\u00edvel, transparente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diz, de forma absolutamente maravilhosa, o velho coment\u00e1rio rab\u00ednico aos Salmos, dito\u00a0<em>Midrash T<sup>e<\/sup>hill\u00eem<\/em>, que, quando Israel estava no Sinai para fazer alian\u00e7a com Deus, \u00abo ventre das mulheres gr\u00e1vidas se tornou transparente como vidro, para que os embri\u00f5es pudessem ver Deus e conversar com Ele\u00bb. Oh admir\u00e1vel mundo novo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito Santo faz nascer em n\u00f3s esta transpar\u00eancia luminosa e maravilhosa. Luz que alumia, e n\u00e3o engana, Amor, s\u00f3 Amor, nada mais que Amor. Vem, Esp\u00edrito de Luz, construtor e Senhor das mais belas transpar\u00eancias e viv\u00eancias. Precisamos tanto de Ti nesta cal\u00e7ada enlameada e escura e escorregadia em que andamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miss\u00e3o nossa ser\u00e1 sempre cantar a gl\u00f3ria de Deus e convocar a terra inteira para verificar as maravilhas operadas por Deus. Todos e cada um. A comunidade e eu de m\u00e3os dadas e levantadas para Deus, como acontece muitas vezes nos Salmos. Temos muito a relatar e a agradecer, repassando diante de n\u00f3s, n\u00e3o apenas a paisagem b\u00edblica, mas tamb\u00e9m a nossa paisagem humana. Tamb\u00e9m o Salmo de hoje come\u00e7a em tom comunit\u00e1rio (Salmo 66,1-12) para nos mostrar depois tamb\u00e9m o papel do solista (v. 13-20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Filho e o Esp\u00edrito Santo s\u00e3o,<br \/>\nNo dizer de Santo Ireneu de Li\u00e3o,<br \/>\nAs duas m\u00e3os do Pai,<br \/>\nEnviadas em miss\u00e3o<br \/>\nPara junto dos seus filhos de ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 semelhan\u00e7a, claro,<br \/>\nDaquelas m\u00e3os de amor,<br \/>\nQue, no alvor da Cria\u00e7\u00e3o,<br \/>\nModelaram da terra pura o nosso cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\nE de miseric\u00f3rdia o vestiram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Filhos no Filho, divina\u00a0<em>hyiothes\u00eda<\/em>,<br \/>\nHemorragia de gra\u00e7a e de alegria:<br \/>\nJesus, o Filho, assume a nossa humana condi\u00e7\u00e3o,<br \/>\nE d\u00e1-nos em heran\u00e7a a sua divina filia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o Esp\u00edrito, que une e distingue o Pai e o Filho,<br \/>\nDivina comunh\u00e3o, sem confus\u00e3o,<br \/>\nToma conta do nosso cora\u00e7\u00e3o de filhos rec\u00e9m-nascidos,<br \/>\nE faz circular em n\u00f3s, j\u00e1 hoje, j\u00e1 esta manh\u00e3,<br \/>\nA mais bela lala\u00e7\u00e3o que h\u00e1, o nome novo\u00a0<em>Ab-ba<\/em>!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D. Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Leitura-I-do-Domingo-VI-da-Pascoa-Ano-A-14.05.2023-Atos-8-5-8.14-17.pdf\">Leitura I do Domingo VI da P\u00e1scoa &#8211; Ano A &#8211; 14.05.2023 (Atos 8, 5-8.14-17)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Leitura-II-do-Domingo-VI-da-Pascoa-Ano-A-14.05.2023-1-Pedro-3-15-18.pdf\">Leitura II do Domingo VI da P\u00e1scoa &#8211; Ano A &#8211; 14.05.2023 (1 Pedro 3, 15-18)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Domingo-VI-da-Pascoa-Ano-A-14.05.2023-Lecionario.pdf\">Domingo VI da P\u00e1scoa &#8211; Ano A &#8211; 14.05.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Domingo-VI-da-Pascoa-Ano-A-14.05.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo VI da P\u00e1scoa &#8211; Ano A &#8211; 14.05.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo V da P\u00e1scoa \u2013 Ano A \u2013 07.05.2023 DIA da M\u00c3E&#8221; tab_id=&#8221;1684143339362-634108c4-243e&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo V da P\u00e1scoa \u2013 Ano A \u2013 07.05.2023<br \/>\nDIA da M\u00c3E<br \/>\n<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/mae.jpg\" alt=\"\" width=\"436\" height=\"436\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A miss\u00e3o de anunciar o Evangelho e de o fazer presente no tempo e na hist\u00f3ria \u00e9 tarefa permanente e primeira da Igreja e nunca deve ser descurada. Contudo, \u00e9 urgente em cada tempo um acurado e aturado discernimento para que saibamos responder \u00e0s exig\u00eancias da prega\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica. Fixando o nosso olhar na comunidade nascente e de modo concreto na primeira leitura proposta para este Domingo, verificamos como o an\u00fancio do evangelho n\u00e3o pode ignorar as reais necessidades dos homens e mulheres do nosso tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuadora da obra redentora de Cristo no mundo, a Igreja tem a miss\u00e3o de proclamar o Evangelho que \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus Cristo. Contudo, deve faz\u00ea-lo num permanente exerc\u00edcio de\u00a0<em>kairologia<\/em>, isto \u00e9, numa atenta leitura dos sinais dos tempos, que nos permite projetar uma a\u00e7\u00e3o pastoral como verdadeira resposta ao chamamento do Senhor para colaborar na Sua obra. A perene novidade que deve revestir a a\u00e7\u00e3o eclesial n\u00e3o decorre apenas da mutabilidade do tempo e das transforma\u00e7\u00f5es da realidade humana, mas tamb\u00e9m da perene novidade de que se reveste o Evangelho que deve incarnar a hist\u00f3ria humana em cada tempo e em cada lugar. \u00c9 esta rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica e assim\u00e9trica entre a Palavra revelada e a realidade que somos chamados a responder que deve presidir \u00e0 a\u00e7\u00e3o evangelizadora da Igreja para que sejamos efetivamente \u00ab<em>gera\u00e7\u00e3o eleita, sacerd\u00f3cio real, na\u00e7\u00e3o santa, povo adquirido por Deus, para anunciar os louvores d\u2019Aquele que vos chamou das trevas para a sua luz admir\u00e1vel<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim encontramos a comunidade nascente apresentada pela narrativa dos Atos dos Ap\u00f3stolos. Os Doze convocam a assembleia dos disc\u00edpulos, renovam a certeza da primazia do an\u00fancio da Palavra de Deus que n\u00e3o deve descurado, mas refor\u00e7am tamb\u00e9m a necessidade de responder \u00e0s necessidades concretas dos mais pobres e, para isso, escolhem \u00ab<em>sete homens de boa reputa\u00e7\u00e3o, cheios do Esp\u00edrito Santo e de sabedoria, para lhes confiar esse cargo<\/em>\u00bb. Reside aqui a verdadeira criatividade da Igreja que n\u00e3o \u00e9 excentricidade, mas fidelidade criativa ao Esp\u00edrito Santo, discernindo comunitariamente o que o Senhor nos pede aqui e agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 certo que como Tom\u00e9 perguntamos muitas vezes: \u00ab<em>Senhor, n\u00e3o sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?<\/em>\u00bb. Mas esta deve ser precisamente a primeira pergunta. Invocar o Senhor para saber para onde Ele nos chama, descobrir aquilo que Ele nos pede e simultaneamente ter a ousadia do discernimento pessoal e comunit\u00e1rio, eclesial e articulado que nos permite responder com criatividade e autenticidade \u00e0 miss\u00e3o evangelizadora da Igreja. Se esta miss\u00e3o \u00e9 urgente e necess\u00e1ria em cada tempo, tanto mais no tempo que vivemos. Este tempo reclama o exerc\u00edcio de um discernimento pastoral e evang\u00e9lico que nos permita sinodalmente rasgar caminhos novos de evangeliza\u00e7\u00e3o para que saibam habitar o horizonte antropol\u00f3gico do nosso tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta \u00e9 uma tarefa urgente e necess\u00e1ria, mas concomitantemente \u00e1rdua e exigente que n\u00e3o nos atemoriza, pois recordaremos sempre as palavras de Jesus: \u00ab<em>n\u00e3o se perturbe o vosso cora\u00e7\u00e3o. Se acreditais em Deus, acreditai tamb\u00e9m em Mim.\u00a0<\/em>(\u2026)\u00a0<em>Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ningu\u00e9m vai ao Pai sen\u00e3o por Mim<\/em>\u00bb. Com Jesus e como Jesus, escutando a Sua Palavra, contemplando os seus gestos de amor e miseric\u00f3rdia e iluminados pela for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, seremos capazes de anunciar a permanente novidade do Evangelho nos tempos sempre novos que vivemos. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>O m\u00eas de maio \u00e9 tradicionalmente dedicado a Nossa Senhora e as comunidades crist\u00e3s re\u00fanem-se para levar a cabo as mais variadas pr\u00e1ticas de piedade popular marianas, sobretudo a recita\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria do ter\u00e7o e as prociss\u00f5es de velas. Na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica\u00a0<em>Evangelii Gaudium<\/em>, o Papa Francisco fala da \u00ab<em>for\u00e7a evangelizadora da piedade popular<\/em>\u00bb. Atrav\u00e9s das diversas iniciativas e atividades, \u00e9 importante ajudar os fi\u00e9is a redescobrir a beleza e a centralidade da f\u00e9, em Jesus Cristo, e a necessidade de uma vida consent\u00e2nea com a f\u00e9 professada e celebrada. Neste primeiro Domingo de Maio, assinala-se, tamb\u00e9m, o Dia da M\u00e3e. Na Eucaristia deste Domingo pode dirigir-se uma palavra especial a todas as m\u00e3es, acompanhada de algum gesto que assinale este dia. Pode dirigir-se uma b\u00ean\u00e7\u00e3o especial \u00e0s m\u00e3es presentes na celebra\u00e7\u00e3o, bem como um envolvimento da catequese e da pastoral familiar para que este dia seja valorizado como lugar de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pelo dom da maternidade<strong><em>. <\/em><\/strong><strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos em Tempo Pascal. Percorremos os 50 dias at\u00e9 ao Pentecostes. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Actos 6,1-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEscolhei entre v\u00f3s, irm\u00e3os, sete homens de boa reputa\u00e7\u00e3o, cheios do Esp\u00edrito Santo e de sabedoria, para lhes confiarmos esse cargo<\/strong>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura deste domingo pertence, ainda, \u00e0 sec\u00e7\u00e3o que apresenta o testemunho da Igreja de Jerusal\u00e9m. No entanto, v\u00e3o aparecer-nos pela primeira vez esses &#8220;helenistas&#8221; que ir\u00e3o ter um papel fundamental na ulterior expans\u00e3o do cristianismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto d\u00e1 conta de um clima de alguma tens\u00e3o entre os &#8220;hebreus&#8221; e os &#8220;helenistas&#8221;. Quem s\u00e3o estes grupos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se, sempre, de membros da comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m. Os &#8220;hebreus&#8221; s\u00e3o crist\u00e3os de origem judaica, origin\u00e1rios da Palestina, que falam o aramaico, que leem a Escritura em hebraico e que teriam sido convertidos pela prega\u00e7\u00e3o de Jesus e dos ap\u00f3stolos. Continuam, no entanto, muito apegados \u00e0s suas tradi\u00e7\u00f5es e t\u00eam, normalmente, um alto apre\u00e7o pela Lei e pelas interpreta\u00e7\u00f5es dos rabis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os &#8220;helenistas&#8221; s\u00e3o crist\u00e3os de origem judaica, tamb\u00e9m, mas origin\u00e1rios da &#8220;di\u00e1spora&#8221; israelita &#8211; isto \u00e9, das comunidades judaicas espalhadas por todo o imp\u00e9rio romano e, at\u00e9, por fora dele. Falam o grego e leem as Escrituras em grego. Residem em Jerusal\u00e9m temporariamente. O seu contacto com outras realidades culturais torna-os, ordinariamente, mais tolerantes e abertos \u00e0 novidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com dois grupos t\u00e3o diversos &#8211; quer do ponto de vista cultural, quer do ponto de vista religioso, quer do ponto de vista social &#8211; a integrar a mesma comunidade, era natural que, mais tarde ou mais cedo, surgissem tens\u00f5es e conflitos. Aparentemente, aquilo que provoca a quest\u00e3o evocada no nosso texto \u00e9 um problema de ordem material: na distribui\u00e7\u00e3o dos alimentos aos membros necessitados da comunidade, as vi\u00favas helenistas sentiam-se prejudicadas. O facto provocou queixas, levando \u00e0 interven\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes da comunidade. De qualquer forma, Lucas n\u00e3o entra em demasiados pormenores sobre a quest\u00e3o. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode considerar os seguintes pontos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dif\u00edcil encontrarmos, no nosso tempo, uma realidade que suscite tantas paix\u00f5es e \u00f3dios como a Igreja: uns defendem-na intransigentemente, justificando at\u00e9 as falhas mais injustific\u00e1veis, outros atacam-na cegamente, culpando-a de todos os males do mundo. Uns e outros deviam ter presente que se trata de uma comunidade que vem de Jesus e \u00e9 animada pelo Esp\u00edrito, mas formada por homens; que ela \u00e9 a testemunha no mundo do plano de salva\u00e7\u00e3o de Deus, mas \u00e9 tamb\u00e9m (dada a sua faceta humana) uma realidade &#8220;a fazer-se&#8221;, em cont\u00ednuo processo de convers\u00e3o. Os homens do nosso tempo devem exigir que a Igreja seja fiel \u00e0 sua miss\u00e3o no mundo; mas devem tamb\u00e9m compreender as suas falhas, dificuldades e infidelidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 referida no nosso texto leva-nos a uma \u00e9poca muito recuada, em que as estruturas n\u00e3o estavam ainda definidas e organizadas; mas, no quadro que Lucas nos prop\u00f5e, h\u00e1 j\u00e1 irm\u00e3os investidos do servi\u00e7o da autoridade (os Doze), que s\u00e3o ponto de refer\u00eancia quando surgem quest\u00f5es e problemas. Os Doze, no entanto, n\u00e3o reservam para si toda a autoridade, nem aceitam ser os \u00fanicos protagonistas no processo de condu\u00e7\u00e3o da comunidade&#8230; De acordo com o quadro que nos \u00e9 apresentado, eles convocam a comunidade, convidam-na a escolher as pessoas a quem devem ser confiados certos servi\u00e7os, envolvem-na na busca do caminho. Infelizmente, ao longo dos s\u00e9culos esquecemos, muitas vezes, esta din\u00e2mica: a Igreja foi muitas vezes apresentada como uma sociedade de desiguais, onde uns mandam e outros obedecem em sil\u00eancio. \u00c9 preciso redescobrir o valor do di\u00e1logo e da participa\u00e7\u00e3o, na Igreja. N\u00e3o se trata de discutir se a Igreja deve ou n\u00e3o ser uma sociedade democr\u00e1tica; trata-se de termos consci\u00eancia de que somos uma fam\u00edlia onde todos temos voz, porque em todos habita o mesmo Esp\u00edrito; trata-se de potenciar mecanismos de escuta, de di\u00e1logo e de participa\u00e7\u00e3o, a fim de que a Igreja seja uma fam\u00edlia, onde todos participam na descoberta dos caminhos do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o in\u00edcio, a Igreja aparece como uma comunidade de servi\u00e7o: os membros da comunidade crist\u00e3 s\u00e3o convidados a seguir Jesus, que fez da sua vida uma entrega total ao servi\u00e7o de Deus, ao servi\u00e7o do Reino e ao servi\u00e7o dos homens. Quando Deus concede determinados dons e confia determinadas miss\u00f5es, n\u00e3o se trata de privil\u00e9gios que conferem \u00e0 pessoa mais dignidade ou mais import\u00e2ncia: trata-se de dons que devem ser postos ao servi\u00e7o da comunidade, em ordem \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da comunidade. As miss\u00f5es que nos s\u00e3o confiadas no \u00e2mbito comunit\u00e1rio n\u00e3o podem ser utilizados para promo\u00e7\u00e3o pessoal ou para concretizar sonhos ego\u00edstas; mas devem ser miss\u00f5es que desempenhamos com verdadeiro esp\u00edrito de servi\u00e7o, em benef\u00edcio dos irm\u00e3os. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 32 (33)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: Esperamos, Senhor, na vossa miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Pedro 2, 4-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abV\u00f3s, por\u00e9m, sois gera\u00e7\u00e3o eleita, sacerd\u00f3cio real, na\u00e7\u00e3o santa, povo adquirido por Deus, para anunciar os louvores\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 j\u00e1 algumas semanas que a Primeira Carta de Pedro acompanha a nossa caminhada lit\u00fargica. J\u00e1 sabemos, portanto, que ela se destina a comunidades crist\u00e3s de certas zonas rurais da \u00c1sia Menor; essas comunidades s\u00e3o maioritariamente formadas por crist\u00e3os de classes sociais baixas, vulner\u00e1veis \u00e0 hostilidade do mundo que os rodeia, para quem se aproximam tempos muito dif\u00edceis (por causa das persegui\u00e7\u00f5es que se adivinham). Estamos no final do s\u00e9culo I (talvez no final da d\u00e9cada de 80).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor recorda aos destinat\u00e1rios da carta o exemplo de Cristo, que passou pela cruz, antes de chegar \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o. Toda a carta \u00e9 um convite \u00e0 esperan\u00e7a: apesar dos sofrimentos do tempo presente, os crentes n\u00e3o devem desanimar, pois est\u00e3o destinados a triunfar com Cristo. Pede-se-lhes que enfrentem corajosamente as adversidades e que viam com fidelidade o seu compromisso batismal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto faz parte de uma sec\u00e7\u00e3o paren\u00e9tico-doutrinal (cf. 1 Pe 2,1-10), que tem como finalidade exortar os crist\u00e3os a crescer na f\u00e9, de forma a chegarem \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de dois mil anos de cristianismo, parece que nem sempre se nota a presen\u00e7a efetiva de Cristo nesses caminhos em que se constr\u00f3i a hist\u00f3ria do mundo e dos homens. O verniz crist\u00e3o de que revestimos a nossa civiliza\u00e7\u00e3o ocidental n\u00e3o tem impedido a corrida aos armamentos, os genoc\u00eddios, os atos b\u00e1rbaros de terrorismo, as guerras religiosas, o capitalismo selvagem&#8230; Os crit\u00e9rios que presidem \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do mundo est\u00e3o, demasiadas vezes, longe dos valores do Evangelho. Porque \u00e9 que isto acontece? Podemos dizer que Cristo \u00e9, para os crist\u00e3os, a refer\u00eancia fundamental? N\u00f3s crist\u00e3os fizemos d&#8217;Ele, efetivamente, a &#8220;pedra angular&#8221; sobre a qual constru\u00edmos a nossa vida e a hist\u00f3ria do nosso tempo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os crist\u00e3os s\u00e3o &#8220;pedras vivas&#8221; de um &#8220;templo espiritual&#8221; do qual Cristo \u00e9 a &#8220;pedra angular&#8221;. A imagem traduz a realidade de uma comunidade que se junta \u00e0 volta de Cristo, que vive em uni\u00e3o com Ele, que comunga do seu destino, que assume totalmente o seu projeto. A esta comunidade chama-se Igreja&#8230; Sinto-me pedra integrante deste &#8220;edif\u00edcio&#8221;? Procuro, todos os dias, limar as arestas que me impedem de aderir &#8211; de forma mais plena &#8211; a Cristo? Procuro, todos os dias, revitalizar o &#8220;cimento&#8221; que me une \u00e0s outras pedras do edif\u00edcio &#8211; os meus irm\u00e3os?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As &#8220;pedras vivas&#8221; do Templo do Senhor formam um Povo de sacerdotes, cuja miss\u00e3o \u00e9 viver uma vida coerente com os compromissos assumidos no dia do Batismo &#8211; isto \u00e9, viver (como Cristo) na entrega a Deus e no amor aos irm\u00e3os. Quais s\u00e3o os &#8220;sacrif\u00edcios&#8221; que eu procuro entregar a Deus, todos os dias? A minha &#8220;oferta&#8221; a Deus \u00e9 um conjunto de ritos desligados da vida (por mais sagrados que sejam) ou \u00e9 a viv\u00eancia do amor, nos gestos simples do dia a dia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste texto h\u00e1 ainda um convite a n\u00e3o ter medo da incompreens\u00e3o do mundo. O pr\u00f3prio Cristo foi rejeitado pelos homens; mas a Sua fidelidade aos projetos do Pai fizeram d&#8217;Ele a &#8220;pedra angular&#8221; da constru\u00e7\u00e3o de Deus. \u00c9 esse exemplo que devemos ter diante dos olhos, quando doer mais a incompreens\u00e3o do mundo<strong><em>. in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo 14,1-12<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abN\u00e3o se perturbe o vosso cora\u00e7\u00e3o. Se acreditais em Deus, acreditai tamb\u00e9m em Mim\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEu sou o caminho, a verdade e a vida. Ningu\u00e9m vai ao Pai sen\u00e3o por Mim.\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abAcreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai est\u00e1 em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos na fase final da caminhada hist\u00f3rica do &#8220;Messias&#8221;. At\u00e9 este momento, Jesus cumpriu a sua miss\u00e3o em confronto aberto com os dirigentes judeus. Precisamente o \u00faltimo e mais importante dos seus &#8220;sinais&#8221; &#8211; a ressurrei\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro &#8211; levou o Sin\u00e9drio a decidir mat\u00e1-l&#8217;O (cf. Jo 11,45-54). Jesus est\u00e1 consciente de que a morte est\u00e1 no seu horizonte pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ambiente em que este trecho nos coloca \u00e9 o de uma ceia de despedida. Nessa ceia (realizada na quinta-feira \u00e0 noite, pouco tempo antes da pris\u00e3o, na v\u00e9spera da morte), est\u00e3o Jesus e os disc\u00edpulos. No decurso da ceia, Jesus despede-Se dos disc\u00edpulos e faz-lhes as suas \u00faltimas recomenda\u00e7\u00f5es. As palavras de Jesus soam a &#8220;testamento&#8221; final: Ele sabe que vai partir para o Pai e que os disc\u00edpulos v\u00e3o continuar no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">~\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os disc\u00edpulos, da sua parte, j\u00e1 perceberam que o ambiente \u00e9 de despedida e que, da\u00ed a poucas horas, o seu &#8220;mestre&#8221; lhes vai ser tirado. Est\u00e3o inquietos e preocupados. A aventura que eles come\u00e7aram com Jesus, na Galileia, ter\u00e1 acabado? Essa rela\u00e7\u00e3o que eles constru\u00edram com o &#8220;mestre&#8221; ir\u00e1 morrer? Os disc\u00edpulos n\u00e3o sabem o que vai acontecer nem que caminho v\u00e3o, a partir da\u00ed, percorrer. Sobretudo, n\u00e3o sabem como \u00e9 que manter\u00e3o, ap\u00f3s a partida de Jesus, a sua rela\u00e7\u00e3o com Ele e com o Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste contexto que podemos situar as palavras de Jesus que o Evangelho de hoje nos apresenta. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para a reflex\u00e3o, considerar os seguintes dados<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja \u00e9 essa comunidade de Homens Novos, que se identifica com Jesus que, animada pelo Esp\u00edrito, segue &#8220;o caminho&#8221; de Jesus (caminho de obedi\u00eancia aos planos do Pai e de dom da vida aos irm\u00e3os), que procura dar testemunho de Jesus no meio dos homens e que \u00e9 a &#8220;fam\u00edlia de Deus&#8221;. No dia do nosso batismo, fomos integrados nesta fam\u00edlia&#8230; A nossa vida tem sido coerente com os compromissos que, ent\u00e3o, assumimos? Sentimo-nos &#8220;fam\u00edlia de Deus&#8221;, ou deixamos que o ego\u00edsmo, o orgulho, a autossufici\u00eancia, falem mais alto e escolhemos caminhar \u00e0 margem desta fam\u00edlia? \u00c9 verdade que esta fam\u00edlia tem falhas, e \u00e9 verdade que nem sempre encontramos nela humanidade e amor. Que fazemos, ent\u00e3o: afastamo-nos, ou esfor\u00e7amo-nos para que ela viva de forma mais coerente e verdadeira?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falar do &#8220;caminho&#8221; de Jesus \u00e9 falar de uma vida dada a Deus e gasta em favor dos irm\u00e3os, numa doa\u00e7\u00e3o total e radical, at\u00e9 \u00e0 morte. Os disc\u00edpulos s\u00e3o convidados a percorrer, com Jesus, esse mesmo &#8220;caminho&#8221;. Paradoxalmente, dessa entrega (dessa morte para si mesmo) nasce o Homem Novo, o homem na plenitude das suas possibilidades, o homem que desenvolveu at\u00e9 ao extremo todas as suas potencialidades. \u00c9 esse &#8220;caminho&#8221; que eu tenho vindo a percorrer? A minha vida tem sido uma entrega a Deus e doa\u00e7\u00e3o aos meus irm\u00e3os? Tenho procurado despir-me do ego\u00edsmo e do orgulho que impedem o Homem Novo de aparecer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunh\u00e3o do crente com o Pai e com Jesus n\u00e3o resulta de momentos m\u00e1gicos nos quais, atrav\u00e9s da recita\u00e7\u00e3o de certas f\u00f3rmulas ou do cumprimento de certos ritos, a vida de Deus bombardeia e inunda incondicionalmente o crente; mas a intimidade e a comunh\u00e3o com Jesus e com o Pai estabelecem-se percorrendo o caminho do amor e da entrega, em doa\u00e7\u00e3o total a Deus e aos irm\u00e3os. Quem quiser encontrar-se com Jesus e com o Pai, tem de sair do ego\u00edsmo e a fazer da sua vida um dom a Deus e aos homens. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> exige uma acurada prepara\u00e7\u00e3o sobretudo pelo conjunto de palavras de dif\u00edcil pronuncia\u00e7\u00e3o que n\u00e3o fazem parte do nosso vocabul\u00e1rio corrente. No verbo \u00abpregar\u00bb pronunciar \u00ab<em>pr\u00e9gar<\/em>\u00bb porque se trata da evangeliza\u00e7\u00e3o e do an\u00fancio e proclama\u00e7\u00e3o solene da Boa Nova e n\u00e3o do ato de fixar um prego. Al\u00e9m disso, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o os nomes dos sete homens escolhidos e a designa\u00e7\u00e3o atribu\u00edda a Nicolau de \u00abpros\u00e9lito\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> est\u00e1 marcada por um forte tom exortativo sublinhado pelo conjunto de verbos na forma imperativa. A leitura deste texto deve ter em aten\u00e7\u00e3o esta particularidade para uma mais eficaz proclama\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/05\/09\/jesus-o-pai-e-nos-sempre-em-rede-2\/\"><strong>JESUS, O PAI E N\u00d3S SEMPRE EM\u00a0REDE<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os nomes JESUS e PAI juntam-se para entretecer uma rede fin\u00edssima que atravessa e extravasa o corpo do inteiro IV Evangelho, onde se ouvem respetivamente por 237 vezes e 124 vezes. Entenda-se: a vida de JESUS est\u00e1 completamente nas m\u00e3os do PAI, dele prov\u00e9m e para ele se orienta totalmente, de modo a JESUS poder dizer: \u00abEU e o PAI somos um (<em>h\u00e9n<\/em>)\u00bb (Jo\u00e3o 10,30) \u2013 n\u00e3o para indicar uma s\u00f3 pessoa, mas uma s\u00f3 realidade, bem traduzida no modo neutro, e n\u00e3o masculino, do numeral \u00abum\u00bb (<em>h\u00e9n<\/em>) \u2013 ou: \u00abQuem ME v\u00ea, v\u00ea o PAI\u00bb (Jo\u00e3o 14,9). S\u00f3 no Evangelho deste Domingo V da P\u00e1scoa (Jo\u00e3o 14,1-12), pode contar-se o nome PAI por 12 vezes!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Total orienta\u00e7\u00e3o da sua vida para o PAI. Diz, na verdade, Jesus para os seus disc\u00edpulos: \u00abPara onde EU vou, v\u00f3s conheceis o caminho\u00bb (Jo\u00e3o 14,4), mudando logo o lugar pela pessoa: \u00abEU para o PAI vou\u00bb (Jo\u00e3o 14,12). Pelo meio, cruza-se a incompreens\u00e3o ou incompet\u00eancia expressa de dois dos seus disc\u00edpulos: Tom\u00e9 e Filipe, que o mesmo \u00e9 dizer, a nossa incompreens\u00e3o e incompet\u00eancia. Tom\u00e9, do aramaico\u00a0<em>Toma\u2019<\/em>\u00a0[= \u00abG\u00e9meo\u00bb], n\u00e3o sabe para onde vai JESUS; logo, n\u00e3o sabe o caminho (Jo\u00e3o 14,5), e Filipe recebe de Jesus uma repreens\u00e3o que tamb\u00e9m nos atinge, pois \u00e9 proferida no plural, e soa assim: \u00abH\u00e1 tanto tempo estou convosco, e n\u00e3o ME conheces, Filipe?\u00bb (Jo\u00e3o 14,9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tom\u00e9 \u00e9 bem G\u00e9meo nosso, nosso irm\u00e3o g\u00e9meo, muito parecido connosco, nesta passagem e em muitas outras. E Filipe [\u00abAmigo dos cavalos\u00bb], \u00fanico nome verdadeiramente grego, isto \u00e9, pag\u00e3o, entre os Ap\u00f3stolos de Jesus, tamb\u00e9m se manifesta muito semelhante a n\u00f3s aqui e em outros lugares, como, por exemplo, Jo\u00e3o 6,5-7, onde \u00e9 literalmente posto \u00e0 prova por Jesus, e reprova claramente no teste. Na verdade, Jesus pergunta-lhe, para o p\u00f4r \u00e0 prova: \u00abFilipe,\u00a0<em>onde<\/em>\u00a0compraremos p\u00e3o para que eles comam\u00bb (Jo\u00e3o 6,5). E Filipe p\u00f5e-se a contar o dinheiro, dizendo\u00a0<em>onde<\/em>\u00a0p\u00f5e a sua confian\u00e7a, e responde que n\u00e3o h\u00e1 nada a fazer, porque n\u00e3o h\u00e1 dinheiro (Jo\u00e3o 6,7). Filipe, talvez como n\u00f3s, ainda n\u00e3o sabia que o\u00a0<em>onde<\/em>\u00a0(<em>p\u00f3then<\/em>) a que Jesus se refere n\u00e3o \u00e9 o\u00a0<em>shopping<\/em>, mas \u00e9 o PAI. Ainda n\u00e3o sabia ou conhecia Isa\u00edas 55,1-2, em que Deus nos convida a comprar a Ele p\u00e3o, sem gastar qualquer dinheiro: \u00abTodos v\u00f3s que tendes sede, vinde \u00e0s \u00e1guas! \/ V\u00f3s, que n\u00e3o tendes dinheiro, vinde! \/ Comprai (<em>agor\u00e1z\u00f4<\/em>\u00a0LXX) cereal e comei! \/ Comprai cereal sem dinheiro,\/ e sem pagar, vinho e leite.\/ [\u2026] Ouvi-me, ouvi-me, e comei o que \u00e9 bom!\u00bb (Isa\u00edas 55,1-2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Jesus que anima este di\u00e1logo connosco \u00e9 verdadeiramente o CAMINHO, a VERDADE e a VIDA (Jo\u00e3o 14,6). N\u00e3o \u00e9 um caminho de terra batida ou uma estrada de asfalto. \u00c9 um CAMINHO pessoal, uma maneira de viver, com entranhas, p\u00e9s, m\u00e3os e cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma verdade de tipo filos\u00f3fico, jur\u00eddico ou pol\u00edtico, a usual adequa\u00e7\u00e3o da mente \u00e0 coisa. N\u00e3o \u00e9 uma coisa. A VERDADE b\u00edblica [hebraico\u00a0<em>\u02bcemet<\/em>] n\u00e3o responde \u00e0 pergunta: \u00abO que \u00e9 a verdade?\u00bb, \u00e0 boa maneira de Pilatos (Jo\u00e3o 18,38), mas \u00e0 pergunta in\u00e9dita: \u00abQUEM \u00e9 a VERDADE?\u00bb. De facto,\u00a0<em>\u02bcemet<\/em>\u00a0deriva de\u00a0<em>\u02bcem<\/em>\u00a0[= m\u00e3e] e de\u00a0<em>\u02bcaman<\/em>\u00a0[= firmar, confiar], e remete para CONFIAN\u00c7A e FIDELIDADE. N\u00e3o \u00e9 uma verdade que se saiba. \u00c9 uma atitude que se aprende. \u00c9 aquela VERDADE que uma crian\u00e7a vai aprendendo ao colo da sua m\u00e3e. Est\u00e1 ali ALGU\u00c9M que a segura e que a ama, ALGU\u00c9M em quem a crian\u00e7a pode confiar, que em caso algum a vai deixar cair ao ch\u00e3o, como bem refere Edith Stein (Santa Teresa Benedita da Cruz). A VERDADE \u00e9 ALGU\u00c9M de fiar como uma M\u00c3E, realidade bem patente na etimologia, dado que\u00a0<em>\u02bcemet<\/em>\u00a0[= verdade] deriva de\u00a0<em>\u02bcem<\/em>\u00a0[= m\u00e3e]. N\u00e3o engana, portanto. \u00c9 assim que JESUS \u00e9 tamb\u00e9m a VIDA toda recebida (do PAI), toda a n\u00f3s dada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 assim tamb\u00e9m, maternalmente, que se entende a jovem e bela comunidade crist\u00e3 nascente, atenta, outra vez como uma m\u00e3e, aos seus filhos que necessitam de assist\u00eancia (Atos dos Ap\u00f3stolos 6,1-7). Como \u00e9 belo ver crescer, e cresce mesmo, uma comunidade de rosto maternal, de bra\u00e7os sempre abertos para acolher e abra\u00e7ar, de m\u00e3os sempre abertas para receber, dar e acariciar. Tudo t\u00e3o ao jeito e ao estilo de Jesus. Total dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e ao servi\u00e7o (<em>diakon\u00eda<\/em>) da Palavra de Deus (6,4). Total dedica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o (<em>diakon\u00eda<\/em>) da caridade. Aten\u00e7\u00e3o, por\u00e9m: Filipe n\u00e3o aparece com o t\u00edtulo de di\u00e1cono (<em>di\u00e1konos<\/em>). O seu trabalho \u00e9 evangelizar (Atos 8,26-40), e, se algum t\u00edtulo lhe \u00e9 atribu\u00eddo, \u00e9 o de \u00abo evangelista\u00bb (<em>ho euaggelist\u00eas<\/em>) (Atos 21,8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro, diz S. Pedro (1 Pedro 2,4-9), que Jesus \u00e9 a pedra viva, base de um novo tipo de edif\u00edcio, que nenhum arquiteto sabe desenhar ou projetar. \u00c9, na verdade, um edif\u00edcio espiritual, feito de pedras vivas (!). E n\u00f3s somos essas pedras vivas, esse Templo espiritual, que tem em Cristo a sua refer\u00eancia permanente. Um Templo novo e in\u00e9dito com sangue, entranhas, m\u00e3os, p\u00e9s e cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, o Salmo 33, que hoje cantamos, \u00e9 um verdadeiro \u00abcanto novo\u00bb (<em>sh\u00eer hadash<\/em>) a fazer vibrar as fibras do nosso cora\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica do amor misericordioso que nos vem de Deus. Mas \u00e9 tamb\u00e9m m\u00fasica sem palavras (<em>t<sup>e<\/sup>r\u00fb\u02bdah<\/em>) (v. 2), jubila\u00e7\u00e3o, exulta\u00e7\u00e3o, lala\u00e7\u00e3o de radical confian\u00e7a da crian\u00e7a que em n\u00f3s sorri e dan\u00e7a, porque Deus vela por n\u00f3s. Comenta Santo Agostinho: \u00abJ\u00e1 sabes o que \u00e9 o canto novo: um homem novo, um canto novo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abO lugar para onde Eu vou,<br \/>\nV\u00f3s sabeis o caminho para l\u00e1\u00bb, diz Jesus.<br \/>\n\u00abN\u00f3s n\u00e3o sabemos para onde vais,<br \/>\nComo podemos saber o caminho para l\u00e1?\u00bb,<br \/>\nRetorquiu Tom\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tom\u00e9 \u00e9 como n\u00f3s:<br \/>\nN\u00e3o sabe trabalhar sem metas e objetivos.<br \/>\nE \u00e9 em fun\u00e7\u00e3o das metas e objetivos,<br \/>\nQue escolhe caminhos e metodologias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus disse a Abra\u00e3o: \u00abVai do teu pa\u00eds<br \/>\nPara o pa\u00eds que Eu te fizer ver\u00bb.<br \/>\nE o narrador diz-nos que \u00abAbra\u00e3o foi\u00bb.<br \/>\nPara onde? Para qual pa\u00eds?<br \/>\nN\u00e3o interessa.<br \/>\nInteressa \u00e9 saber que uma m\u00e3o segura nos guia,<br \/>\nE que o caminho que trilhamos nos conduz sempre ao destino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 assim que faz Jesus tamb\u00e9m.<br \/>\nN\u00e3o nos indica no mapa o lugar do destino,<br \/>\nMas mostra-nos o caminho para chegar l\u00e1.<br \/>\nPor isso nos diz: \u00abVinde atr\u00e1s de Mim\u2026\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 assim a prociss\u00e3o e a peregrina\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEle vai connosco e \u00e0 nossa frente.<br \/>\nEle \u00e9 o caminho,<br \/>\nA m\u00e3o segura,<br \/>\nA \u00e1gua pura,<br \/>\nO p\u00e3o de trigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ensina-nos, Senhor,<br \/>\nA caminhar contigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Leitura-I-do-Domingo-V-da-Pascoa-Ano-A-07.05.2023-Atos-6-1-7.pdf\">Leitura I do Domingo V da P\u00e1scoa &#8211; Ano A &#8211; 07.05.2023 (Atos 6, 1-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Leitura-II-do-Domingo-V-da-Pascoa-Ano-A-07.05.2023-1-Pedro-2-4-9.pdf\">Leitura II do Domingo V da P\u00e1scoa &#8211; Ano A &#8211; 07.05.2023 (1 Pedro 2, 4-9)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Domingo-V-da-Pascoa-Ano-A-07.05.2023-Lecionario.pdf\">Domingo V da P\u00e1scoa &#8211; Ano A &#8211; 07.05.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Domingo-V-da-Pascoa-Ano-A-07.05.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo V da P\u00e1scoa &#8211; Ano A &#8211; 07.05.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo IV da P\u00e1scoa \u2013 Domingo do Bom Pastor \u2013 Ano A \u2013 30.04.2023&#8243; tab_id=&#8221;1683536384088-f041323c-990b&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo IV da P\u00e1scoa \u2013 Domingo do Bom Pastor &#8211; Ano A \u2013 30.04.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Domingo-IV-da-Pascoa.jpg\" alt=\"\" width=\"883\" height=\"377\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No quarto ano de catequese, quando os catequizandos abordam as Cartas de S. Paulo s\u00e3o convidados a escrever uma carta ao p\u00e1roco onde lhe agradecem o seu servi\u00e7o \u00e0 comunidade e onde lhe fazem algumas perguntas. Apesar da minuta que o guia do catequista prop\u00f5e para a resposta do p\u00e1roco, sempre fiz quest\u00e3o de responder a cada um de acordo com o seu texto e com as perguntas que me dirigia. N\u00e3o consigo esquecer as muitas cartas que li e respondi, mas hoje recordo particularmente uma delas em que um dos mi\u00fados me agradecia porque sempre que se encontrava comigo, eu o chamava pelo seu nome. Para o pequeno Tiago cham\u00e1-lo pelo nome manifestava a proximidade, a aten\u00e7\u00e3o e o carinho que tinha por ele. Ele n\u00e3o era mais um numa massa indistinta a quem o padre era chamado a servir, mas algu\u00e9m que era conhecido pelo seu pr\u00f3prio nome, reconhecido na sua individualidade e irrepetibilidade. Ao ler esta carta era inevit\u00e1vel n\u00e3o recordar as palavras de Jesus em que se apresenta como Bom Pastor que conhece as suas ovelhas e chama a cada uma pelo seu nome. Como recorda o biblista Raymond Brown no seu coment\u00e1rio ao Evangelho de Jo\u00e3o, os rebanhos que pastavam nas montanhas da Judeia pertenciam a diversos propriet\u00e1rios e, assim, cada pastor fazia-se reconhecer junto das suas ovelhas atrav\u00e9s da sua voz e pelo nome com que as chamava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem do pastor apresentada por Jesus fazia parte do quotidiano daqueles que o escutavam e esta figura buc\u00f3lica do pastor descrevia o modo sol\u00edcito, dispon\u00edvel e total que caracteriza a arte de cuidar. N\u00e3o se pode ser pastor de segunda a sexta, com folgas e feriados. Ser pastor implica uma disponibilidade e aten\u00e7\u00e3o constantes, uma ternura e desvelo que cuida, ama, conhece, nutre e protege.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 muito curioso que apesar de Jesus sublinhar esta aten\u00e7\u00e3o e cuidado em chamar cada ovelha pelo seu nome, os evangelhos falam sempre de rebanhos e n\u00e3o de ovelhas isoladas. Quando se fala de uma ovelha sozinha ou separada \u00e9 para descrever uma situa\u00e7\u00e3o negativa de uma ovelha desgarrada ou perdida que se afastou do rebanho, que deixou de seguir o pastor e ouvir a sua voz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fixando o nosso olhar em Jesus, Bom, Belo e Perfeito Pastor, somos chamados a reconhecer o cuidado e o desvelo com que o Senhor cuida de n\u00f3s. Como cant\u00e1vamos no Salmo: \u00ab<em>O Senhor \u00e9 meu pastor: nada me falta. Leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me \u00e0s \u00e1guas refrescantes e reconforta a minha alma<\/em>\u00bb. Somos amados e agraciados pelo Deus do amor e da miseric\u00f3rdia que em Jesus Cristo se entrega todo e at\u00e9 ao fim para salvar o Seu rebanho da morte e do pecado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Eu sou a porta das ovelhas<\/em>\u00bb. Jesus \u00e9 a \u00ab<em>Porta<\/em>\u00bb pela qual entramos em comunh\u00e3o com o Pai e descobrimos um novo horizonte de sentido para as nossas vidas. N\u00e3o \u00e9 uma porta para o isolamento e fechamento, mas uma \u00ab<em>Porta<\/em>\u00bb que nos faz verdadeiramente livres e nos aponta a plenitude para a qual somos chamados. Deste modo, Jesus \u00e9 a \u00ab<em>Porta<\/em>\u00bb de ingresso por onde entramos para saborear a bondade e a ternura do Pai e a \u00ab<em>Porta<\/em>\u00bb de sa\u00edda de onde partimos ao encontro dos irm\u00e3os como testemunhas da alegria do servi\u00e7o por amor que transforma a vida e o mundo num lugar mais belo e mais feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Salvos e redimidos pelo amor misericordioso do Bom Pastor, como a multid\u00e3o que na manh\u00e3 de Pentecostes escutava a Boa Nova da Ressurrei\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00f3s perguntamos: \u00ab<em>Que havemos de fazer, irm\u00e3os?<\/em>\u00bb. Na verdade, temos consci\u00eancia que a vida crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 apenas uma doutrina a saber ou uma moral a cumprir, mas um amor a acolher como dom e a concretizar em obras de ternura e miseric\u00f3rdia que fazem presente o acontecer de Deus no mundo, no\u00a0<em>fazer<\/em>\u00a0das nossas m\u00e3os generosas e operantes que se abrem \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 vida nova. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>O IV Domingo do Tempo da P\u00e1scoa \u00e9 tradicionalmente designado como Domingo do Bom Pastor e nele celebramos o Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es. Assinalando o Domingo do Bom Pastor recordamos aqueles que seguindo Jesus, Bom e Belo Pastor, pelo dom do minist\u00e9rio sacerdotal, exercem o seu minist\u00e9rio em favor do Povo de Deus. Agradecendo, tamb\u00e9m, o dom de tantas vidas que se fazem p\u00e3o partido e repartido em favor dos irm\u00e3os, rezamos para que o Senhor conceda \u00e0 Igreja o dom de homens e mulheres comprometidos com a sua voca\u00e7\u00e3o, na variedade de servi\u00e7os e minist\u00e9rios para os quais o Senhor nos chama. O tema deste ano para esta semana \u00e9 \u00abTroquemos o instante pelo eterno\u00bb e os materiais j\u00e1 est\u00e3o dispon\u00edveis no site da Comiss\u00e3o Episcopal Voca\u00e7\u00f5es e Minist\u00e9rios (<a href=\"http:\/\/ecclesia.pt\/cevm\/\">http:\/\/ecclesia.pt\/cevm\/<\/a>) <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos em Tempo Pascal. Percorremos os 50 dias at\u00e9 ao Pentecostes. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Atos 2,14a.36-41<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abConvertei-vos e pe\u00e7a cada um de v\u00f3s o Batismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no mesmo ambiente em que nos colocava a primeira leitura do passado domingo: em Jerusal\u00e9m, na manh\u00e3 do dia do Pentecostes. Pedro \u00e9 o porta-voz de uma comunidade que, iluminada pelo Esp\u00edrito, toma consci\u00eancia da necessidade de testemunhar Jesus, a sua vida, a sua morte e a sua ressurrei\u00e7\u00e3o. Diante dos habitantes de Jerusal\u00e9m e dos forasteiros &#8211; idos das comunidades judaicas da &#8220;Di\u00e1spora&#8221; &#8211; reunidos para a festa judaica do &#8220;Savu&#8217;ot&#8221; (Pentecostes &#8211; a festa que celebrava a alian\u00e7a do Sinai e o dom da Lei), a comunidade crist\u00e3 apresenta o kerigma sobre Jesus e proclama a sua f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este discurso \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o do autor dos Atos e n\u00e3o uma transcri\u00e7\u00e3o textual das palavras de Pedro, nesse dia; no entanto, \u00e9 razo\u00e1vel supor que, nesse momento inicial da caminhada da Igreja, o testemunho dos disc\u00edpulos de Jesus n\u00e3o se afastou muito das ideias aqui apresentadas. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir das seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em cada linha da leitura que nos foi proposta, est\u00e1 presente a l\u00f3gica de um Deus que n\u00e3o se conforma com o facto de os homens rejeitarem a sua oferta de salva\u00e7\u00e3o e que insiste em desafi\u00e1-los, em acord\u00e1-los, em question\u00e1-los, at\u00e9 que eles percebam onde est\u00e1 a verdadeira vida e a verdadeira felicidade. Este Deus \u00e9, verdadeiramente, o Pastor que nos conduz para as nascentes de \u00e1gua-viva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perante a interpela\u00e7\u00e3o que Deus faz, por interm\u00e9dio de Pedro, os membros da comunidade judaica perguntam: &#8220;que havemos de fazer, irm\u00e3os?&#8221; \u00c9 a atitude de quem toma, bruscamente, consci\u00eancia dos caminhos errados que tem trilhado, percebe o sem sentido de certas op\u00e7\u00f5es, comportamentos e valores, aceita questionar as suas certezas e seguran\u00e7as, para aceitar os desafios de Deus. Trata-se de uma atitude corajosa: \u00e9 mais f\u00e1cil continuar comodamente instalado na sua autossufici\u00eancia, do que &#8220;dar o bra\u00e7o a torcer&#8221; e reconhecer, com humildade, a necessidade de eliminar os preconceitos, de refazer os esquemas mentais, de admitir as falhas, os limites, as incoer\u00eancias. Aceito questionar-me, estou disposto a admitir os meus limites, procuro humildemente o caminho certo, ou sou daqueles que nunca me engano e raramente tenho d\u00favidas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Convertei-vos&#8221; &#8211; pede Pedro aos seus interlocutores. Converter-se \u00e9 deixar os velhos esquemas de ego\u00edsmo, de prepot\u00eancia, de orgulho, de autossufici\u00eancia que tantas vezes constituem o cen\u00e1rio privilegiado em que se desenrola a vida, para ir atr\u00e1s de Jesus e aprender com Ele a amar, a servir, a dar a vida. Estou dispon\u00edvel para encarar a minha vida sob o signo da convers\u00e3o? O que \u00e9 que, na minha vida, mais necessita de ser transformado, em termos de ideias, valores, comportamentos? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 22 (23)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: O Senhor \u00e9 meu pastor: nada me faltar\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Pedro 2,20b-25<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEle suportou os nossos pecados no seu Corpo, sobre o madeiro da cruz\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos com essa Primeira &#8220;Carta de Pedro&#8221;, escrita por um autor desconhecido e dirigida, durante a d\u00e9cada de 80, a comunidades crist\u00e3s de zonas rurais do interior da \u00c1sia Menor. Trata-se de comunidades constitu\u00eddas maioritariamente por pessoas provenientes do paganismo, de classe econ\u00f3mica d\u00e9bil: muitos s\u00e3o camponeses que cultivam as terras dos senhores locais, pastores que cuidam de rebanhos alheios, ou mesmo escravos. Este ambiente torna-as altamente vulner\u00e1veis face \u00e0 hostilidade que os defensores da ordem romana manifestam para com os crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor da carta conhece perfeitamente a situa\u00e7\u00e3o de debilidade em que estas comunidades est\u00e3o e prev\u00ea que, num futuro pr\u00f3ximo, o ambiente se v\u00e1 tornar menos favor\u00e1vel ainda. Recorda, pois, aos destinat\u00e1rios da carta, o exemplo de Cristo, que sofreu e morreu, antes de chegar \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o. \u00c9 um convite \u00e0 esperan\u00e7a: apesar dos sofrimentos que t\u00eam de suportar, os crentes est\u00e3o destinados a triunfar com Cristo; por isso, devem viver com alegria e coragem o seu compromisso batismal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto integra uma per\u00edcope em que o autor apresenta aos destinat\u00e1rios da carta um conjunto de conselhos pr\u00e1ticos sobre a conduta que os crist\u00e3os devem assumir em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es da vida (cf. 1 Pe 2,11-5,11). Mais especificamente, o nosso texto reflete sobre os deveres dos servos (cf. 1 Pe 2,18) face aos seus senhores. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, considerar as seguintes linhas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como devemos lidar com a injusti\u00e7a e com a viol\u00eancia? Haver\u00e1 uma viol\u00eancia justa e aceit\u00e1vel? Os fins justificam os meios? \u00c9 a este tipo de quest\u00f5es que a nossa leitura responde. O autor n\u00e3o est\u00e1 interessado em grandes argumenta\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas, sociol\u00f3gicas ou teol\u00f3gicas: prop\u00f5e apenas o exemplo de Cristo, que passou pelo mundo fazendo o bem e foi preso, torturado, assassinado sem resistir, sem Se revoltar, sem responder &#8220;na mesma moeda&#8221; aos seus assassinos. \u00c9 uma l\u00f3gica incompreens\u00edvel, ou at\u00e9 mesmo demente, aos olhos do mundo&#8230; Mas \u00e9 a l\u00f3gica de Deus; e Jesus demonstrou que s\u00f3 este caminho conduz \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00e0 vida nova, a um dinamismo gerador de um mundo novo. O crist\u00e3o \u00e9 chamado a ser testemunha no meio dos homens desta novidade absoluta: s\u00f3 o amor gera vida nova e transforma o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta leitura apresenta Cristo como &#8220;o Pastor&#8221; que guarda e conduz as suas ovelhas. Neste contexto, em concreto, seguir o Pastor \u00e9 responder \u00e0 injusti\u00e7a com o amor, ao mal com o bem. Cristo \u00e9, de facto, o meu &#8220;Pastor&#8221;, a minha refer\u00eancia, o modelo de vida que eu tenho sempre diante dos olhos &#8211; tanto nesta como noutras quest\u00f5es? Quem \u00e9 que eu ou\u00e7o, quem \u00e9 que eu sigo, quem \u00e9 o meu modelo? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo 10,1-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abAquele que n\u00e3o entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, \u00e9 ladr\u00e3o e salteador\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEu sou a porta. Quem entrar por Mim ser\u00e1 salvo: \u00e9 como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem.\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abund\u00e2ncia\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cap\u00edtulo 10 do 4\u00ba Evangelho \u00e9 dedicado \u00e0 catequese do &#8220;Bom Pastor&#8221;. O autor utiliza esta imagem para propor uma catequese sobre a miss\u00e3o de Jesus: a obra do &#8220;Messias&#8221; consiste em conduzir o homem \u00e0s pastagens verdejantes e \u00e0s fontes cristalinas de onde brota a vida em plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem do &#8220;Bom Pastor&#8221; n\u00e3o foi inventada pelo autor do 4\u00ba Evangelho. Literariamente falando, este discurso simb\u00f3lico est\u00e1 constru\u00eddo com materiais provenientes do Antigo Testamento. Em especial, este discurso tem presente Ez 34 (onde se encontra a chave para compreender a met\u00e1fora do &#8220;pastor&#8221; e do &#8220;rebanho&#8221;). Falando aos exilados da Babil\u00f3nia, Ezequiel constata que os l\u00edderes de Israel foram, ao longo da hist\u00f3ria, maus &#8220;pastores&#8221;, que conduziram o Povo por caminhos de morte e de desgra\u00e7a; mas &#8211; diz Ezequiel &#8211; o pr\u00f3prio Deus vai agora assumir a condu\u00e7\u00e3o do seu Povo; Ele por\u00e1 \u00e0 frente do seu Povo um &#8220;Bom Pastor&#8221; (o &#8220;Messias&#8221;), que o livrar\u00e1 da escravid\u00e3o e o conduzir\u00e1 \u00e0 vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A catequese que o 4\u00ba Evangelho nos oferece sobre o &#8220;Bom Pastor&#8221; sugere que a promessa de Deus &#8211; veiculada por Ezequiel &#8211; se cumpre em Jesus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar, na atualiza\u00e7\u00e3o da Palavra, os seguintes elementos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na nossa cultura urbana, a figura do \u201cPastor\u201d \u00e9 uma figura de outras eras, que pouco evoca, a n\u00e3o ser um mundo perdido de quietude e de amplos espa\u00e7os verdes; em contrapartida, conhecemos bem a figura do presidente, do l\u00edder, do chefe: n\u00e3o raras vezes, \u00e9 algu\u00e9m que se imp\u00f5e pela for\u00e7a, que manipula as massas, que escraviza os que est\u00e3o sob a sua autoridade, que se aproveita dos fracos, que humilha os mais d\u00e9beis\u2026 Ao propor-nos a figura b\u00edblica do \u201cBom Pastor\u201d, o Evangelho convida-nos a refletir sobre o servi\u00e7o da autoridade\u2026 Prop\u00f5e como modelo de presid\u00eancia (ou de \u201cPastor\u201d) uma figura que oferece a vida, que serve, que respeita a liberdade das pessoas, que se dedica totalmente, que ama gratuitamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os crist\u00e3os, \u201co Pastor\u201d por excel\u00eancia \u00e9 Cristo: Ele recebeu do Pai a miss\u00e3o de conduzir o \u201crebanho\u201d de Deus das trevas para a luz, da escravid\u00e3o para a liberdade, da morte para a vida. O nosso \u201cPastor\u201d \u00e9, de facto, Cristo, ou temos outros \u201cpastores\u201d que nos arrastam e que s\u00e3o as refer\u00eancias fundamentais \u00e0 volta das quais constru\u00edmos a nossa exist\u00eancia? O que \u00e9 que nos conduz e condiciona as nossas op\u00e7\u00f5es? Cristo? A voz do pol\u00edtico e socialmente correto? A voz da opini\u00e3o p\u00fablica? A voz do presidente do partido? A voz do comodismo e da instala\u00e7\u00e3o? A voz do preservar os nossos esquemas ego\u00edstas e os nossos privil\u00e9gios? A voz do \u00eaxito e do triunfo a qualquer custo? A voz do her\u00f3i mais giro da telenovela? A voz do programa de maior audi\u00eancia da esta\u00e7\u00e3o televisiva de maior audi\u00eancia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atentemos na forma como Cristo desempenha a sua miss\u00e3o de \u201cPastor\u201d: Ele conhece as \u201covelhas\u201d e chama-as pelo nome, mantendo com cada uma delas uma rela\u00e7\u00e3o \u00fanica, especial, pessoal. Dirige-lhes um convite a deixarem a escurid\u00e3o, mas n\u00e3o for\u00e7a ningu\u00e9m a segui-l\u2019O: respeita absolutamente a liberdade de cada pessoa. \u00c9 dessa forma humana, tolerante, amorosa, que nos relacionamos com os outros? Aqueles que receberam de Deus a miss\u00e3o de presidir a um grupo, de animar uma comunidade, exercem a sua miss\u00e3o no respeito absoluto pela pessoa, pela sua dignidade, pela sua individualidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As \u201covelhas\u201d do rebanho de Jesus t\u00eam de \u201cescutar a voz\u201d do \u201cPastor\u201d e segui-l\u2019O\u2026 Isso significa, concretamente, tornar-se disc\u00edpulo, aderir a Jesus, percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu, na entrega total aos projetos de Deus e na doa\u00e7\u00e3o total aos irm\u00e3os. Atrevemo-nos a seguir o nosso \u201cPastor\u201d (Cristo) no caminho exigente do dom da vida, ou estamos convencidos que esse caminho n\u00e3o leva aonde n\u00f3s pretendemos ir?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas nossas comunidades crist\u00e3s, temos pessoas que presidem e que animam. Podemos aceitar, sem problemas, que elas receberam essa miss\u00e3o de Cristo e da Igreja, apesar dos seus limites e imperfei\u00e7\u00f5es; mas conv\u00e9m igualmente ter presente que o nosso \u00fanico \u201cPastor\u201d, Aquele que somos convidados a escutar e a seguir sem condi\u00e7\u00f5es, \u00e9 Cristo. Os outros \u201cpastores\u201d t\u00eam uma miss\u00e3o v\u00e1lida, se a receberam de Cristo; e a sua atua\u00e7\u00e3o nunca pode ser diferente do jeito de atuar de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que distingamos a \u201cvoz\u201d de Jesus de outros apelos, de propostas enganadoras, de \u201ccantos de sereia\u201d que n\u00e3o conduzem \u00e0 vida plena, \u00e9 preciso um permanente di\u00e1logo \u00edntimo com \u201co Pastor\u201d, um confronto permanente com a sua Palavra e a participa\u00e7\u00e3o ativa nos sacramentos onde se nos comunica essa vida que \u201co Pastor\u201d nos oferece. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o do longo discurso de Pedro no dia de Pentecostes. Al\u00e9m do tom exortativo que deve caracterizar a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura, o leitor deve ter em aten\u00e7\u00e3o a interpela\u00e7\u00e3o que a multid\u00e3o faz a Pedro e o modo como essa quest\u00e3o desperta o convite de Pedro \u00e0 convers\u00e3o e ao Batismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> sendo de f\u00e1cil proclama\u00e7\u00e3o requer apenas um especial cuidado nas pausas e respira\u00e7\u00f5es para uma articulada e eficaz leitura do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/05\/02\/bom-e-belo-pastor-3\/\"><strong>BOM E BELO\u00a0PASTOR<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Domingo IV da P\u00e1scoa. Domingo do Bom, Belo, Perfeito e Verdadeiro Pastor. \u00c9 este o significado largo do adjetivo grego\u00a0<em>kal\u00f3s<\/em>\u00a0e do hebraico\u00a0<em>t\u00f4b<\/em>, que qualifica o nome \u00abPastor\u00bb. De notar que o Domingo IV da P\u00e1scoa, Domingo do Bom e Belo Pastor, \u00e9 sempre tamb\u00e9m Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, e este ano sai ainda mais enriquecido com a celebra\u00e7\u00e3o do \u00abDia da M\u00e3e\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho que marca o ritmo deste Dia Grande \u00e9 Jo\u00e3o 10,1-10, que surge enquadrado na Festa judaica anual da Dedica\u00e7\u00e3o do Templo (ver Jo\u00e3o 10,22). Situemo-nos. O sel\u00eaucida Ant\u00edoco IV Epif\u00e2nio tinha profanado o Templo de Jerusal\u00e9m, introduzindo l\u00e1 cultos pag\u00e3os. Este acontecimento remonta ao ano 167 a. C. Contra esta heleniza\u00e7\u00e3o e paganiza\u00e7\u00e3o do juda\u00edsmo lutaram os Macabeus, e, no ano 164 a. C., Judas Macabeu procedeu \u00e0 Purifica\u00e7\u00e3o do Templo e \u00e0 sua Dedica\u00e7\u00e3o ao Deus Vivo. \u00c9 este importante acontecimento que deve ser celebrado todos os anos, durante oito dias, com a Festa da Dedica\u00e7\u00e3o, a partir do dia 25 do m\u00eas de Kisleu, que, no ano lit\u00fargico 2019-2020 ocorreu entre os dias 23-30 de dezembro de 2019, e, no ano lit\u00fargico 2020-2021, acontecer\u00e1 entre os dias 11-18 de dezembro de 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Festa da Dedica\u00e7\u00e3o, em hebraico\u00a0<em>han\u00fbkkah<\/em>, celebra-se durante oito dias, e tem como s\u00edmbolo o candelabro de oito bra\u00e7os. Relata o Talmude que, quando os judeus fi\u00e9is entraram no Templo profanado pelos pag\u00e3os helenistas, encontraram uma \u00fanica \u00e2mbula de azeite puro (<em>kasher<\/em>) de oliveira para reacender o candelabro de sete bra\u00e7os, em hebraico\u00a0<em>m<sup>e<\/sup>n\u00f4rah<\/em>, que \u00e9 um dos s\u00edmbolos de Israel, e que deve arder diante do Deus Vivo. Todavia, uma \u00e2mbula de azeite duraria apenas um dia, e eram precisos oito dias para preparar novo azeite puro. Pois bem, o azeite daquela \u00fanica \u00e2mbula durou milagrosamente oito dias! Da\u00ed que, na Festa da Dedica\u00e7\u00e3o, se acenda um candelabro de oito bra\u00e7os, chamado\u00a0<em>han\u00fbkkiyyah<\/em>. Mas acende-se apenas uma luz por dia, depois do p\u00f4r-do-sol, aumentando progressivamente at\u00e9 estarem acesas as oito luzes. Al\u00e9m disso, e ao contr\u00e1rio das luzes da\u00a0<em>m<sup>e<\/sup>n\u00f4rah<\/em>\u00a0e do S\u00e1bado, que alumiam o interior do Santu\u00e1rio e da casa de fam\u00edlia respetivamente, as Luzes do candelabro da Dedica\u00e7\u00e3o, refere o ritual, devem ser vistas c\u00e1 fora: devem alumiar o ambiente social, pol\u00edtico, comercial, cultural e, no referente a este ano, tamb\u00e9m sanit\u00e1rio. E tamb\u00e9m ao contr\u00e1rio das luzes da\u00a0<em>m<sup>e<\/sup>n\u00f4rah<\/em>\u00a0e do S\u00e1bado, n\u00e3o se acendem todas de uma vez, mas progressivamente uma por dia, porque, quando as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o adversas (paganismo helenista e escuro), n\u00e3o basta acender uma luz e mant\u00ea-la; \u00e9 preciso aumentar constantemente a luz. Mais luz. Mais luz. Mais luz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como este simbolismo \u00e9 importante para os dias de hoje! Est\u00e1 escuro c\u00e1 dentro e l\u00e1 fora, o mundo parece desconstruir-se, o paganismo \u00e9 galopante! Mais do que nunca, \u00e9 preciso, portanto, n\u00e3o apenas manter a luz, mas aument\u00e1-la progressivamente. E \u00e9 ainda necess\u00e1rio que esta Luz saia: uma \u00abigreja em sa\u00edda\u00bb, como sonha e pede o Papa Francisco! E est\u00e1 em maravilhosa sintonia com a Luz Grande que deve alumiar este Domingo do Bom e Belo Pastor, que \u00e9 Jesus, verdadeira Luz do mundo, Dom do Amor de Deus ao nosso cora\u00e7\u00e3o. Atear esta Luz de Jesus no nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m o segredo maior deste 57.\u00ba Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, a que o Papa Francisco ap\u00f4s o lema: \u00abAs palavras da voca\u00e7\u00e3o\u00bb, que articula em quatro palavras-chave: gratid\u00e3o, coragem, cansa\u00e7o e louvor, todas elas endere\u00e7adas a situa\u00e7\u00f5es reais da nossa vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesa da Escritura deste Domingo IV da P\u00e1scoa transbordam tonalidades e sabores intensos, harmoniosos e deliciosos. M\u00fasica encantat\u00f3ria. \u00c1gua pura. \u00d3leo perfumado. Verde prado em festa. Proximidade. Ternura. Confian\u00e7a. Beleza em flor e fruto. Vida a transbordar. Tudo da ordem do sublime.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura do Pastor belo e bom como que salta da p\u00e1gina fechada (Jo\u00e3o 10,1-10), para surgir em pessoa \u00e0 nossa frente. Ao dizer \u00abEu sou\u00bb, Jesus est\u00e1 tamb\u00e9m, ao mesmo tempo, a dizer \u00abv\u00f3s sois\u00bb. Est\u00e1, portanto, a estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o pessoal de proximidade, confian\u00e7a e intimidade connosco, bem expressa, de resto, pelos verbos \u00abchamar pelo nome\u00bb, \u00abconhecer\u00bb, \u00abouvir a voz\u00bb, \u00abconduzir\u00bb, \u00abcaminhar \u00e0 frente de\u00bb, \u00abseguir\u00bb, \u00abdar a vida\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas esta vida livre, plena e bela, assente na verdade e na confian\u00e7a, sem mentiras nem imposturas, sem imposi\u00e7\u00f5es nem malabarismos, deixa ver em expresso contraponto o seu oposto. \u00c9 que tamb\u00e9m saltam da p\u00e1gina os ladr\u00f5es, os salteadores e os estranhos, que, em vez de conjugarem os verbos acima indicados para traduzir a rela\u00e7\u00e3o do pastor belo e bom com o seu rebanho, conjugam antes os verbos \u00abroubar\u00bb, \u00abmatar\u00bb, \u00abdestruir\u00bb. Como esta p\u00e1gina antiga e sempre nova de Jo\u00e3o 10,1-10 l\u00ea e desvenda os tempos de hoje!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o texto grandioso de Jo\u00e3o 10,1-10 passa tamb\u00e9m mensagens intemporais que, em cada tempo e lugar, devem interpelar a comunidade crist\u00e3. Assim, quando Jesus diz: \u00abEu sou a porta\u00bb, n\u00e3o est\u00e1 a usar uma linguagem da ordem da arquitetura e da carpintaria. \u00c9 de uma porta pessoal que se trata. E esta porta pessoal tem um nome e um rosto: Jesus de Nazar\u00e9, Jesus de Deus. E esta porta serve para \u00abentrar e sair\u00bb. \u00abEntrar e sair\u00bb \u00e9 um merisma [= figura liter\u00e1ria que diz o todo acostando duas extremidades] que traduz a nossa vida toda. \u00c9 a nossa vida toda sempre em refer\u00eancia a Jesus Cristo. Entende-se, n\u00e3o com a atual cria\u00e7\u00e3o industrial de gado, em que os animais est\u00e3o quase sempre em clausura e o pasto lhes \u00e9 fornecido em manjedouras apropriadas, visando sempre uma maior produtividade, mas com os \u00abapriscos\u00bb [= mais abrir do que fechar, como indica o \u00e9timo\u00a0<em>aprire<\/em>] antigos, em que os animais se recolhiam apenas para se protegerem do frio da noite e dos assaltos das feras ou dos ladr\u00f5es, e procuravam fora o seu alimento, sempre conduzidos e sob a aten\u00e7\u00e3o vigilante do pastor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Note-se ainda que os Evangelhos falam sempre de rebanho, e n\u00e3o de ovelhas separadas. Quando falam de uma ovelha sozinha, \u00e9 para descrever a situa\u00e7\u00e3o negativa de uma ovelha desgarrada ou perdida, que se perdeu do rebanho ou da comunidade, e deixou de seguir o pastor e de ouvir a sua voz. Note-se ainda que as ovelhas \u00abentram pela porta\u00bb, mas n\u00e3o \u00e9 para ficarem descansadas e recolhidas, fechadas sobre si mesmas, hoje dir\u00edamos \u00abconfinadas\u00bb. \u00c9 para sair, pois \u00e9 fora que encontrar\u00e3o pastagem. Li\u00e7\u00e3o para a comunidade dos disc\u00edpulos de Jesus de hoje e de sempre: o trabalho belo que nos alimenta e nos mant\u00e9m saud\u00e1veis espera-nos l\u00e1 fora! Que Deus nos d\u00ea ent\u00e3o sempre um grande apetite! A messe ondulante est\u00e1 \u00e0 espera de ceifeiros que saibam cantar (Salmo 126,5-6), porque tamb\u00e9m sabem que \u00e9 Deus o Senhor da messe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cristalina melodia do Salmo 23, que hoje cantamos, entranha-se suavemente em n\u00f3s, fazendo-nos experimentar os mil sabores da paz, do p\u00e3o e da alegria que em cada dia recebemos do Pastor belo e bom que amorosamente nos guia. Ele \u00e9 o companheiro para quem as horas do seu rebanho s\u00e3o tamb\u00e9m as suas, corre os mesmos riscos, experimenta a mesma fome e a mesma sede, o sol que cai sobre o rebanho cai tamb\u00e9m sobre ele. Deixemo-nos, portanto, conduzir pela m\u00e3o carinhosa e pela voz maternal e melodiosa do Bom e Belo Pastor. Sim, Ele recebe bem os seus h\u00f3spedes: faz-nos uma visita guiada pelos seus prados muito verdes, cheios de \u00e1guas muito azuis, unge com \u00f3leo perfumado a nossa cabe\u00e7a, estende no ch\u00e3o do seu c\u00e9u a \u00abpele de vaca\u00bb (<em>shulhan<\/em>), que \u00e9 a sua mesa, serve-nos vinhos generosos\u2026 Como \u00e9 importante recitar e saborear esta alegria pessoal que nos traz o Pastor belo e bom que nos chama e nos inebria. Confessou o fil\u00f3sofo franc\u00eas Henri Bergson: \u00abAs centenas de livros que li nunca me trouxeram tanta luz e conforto como os versos do Salmo 23\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a\u00ed est\u00e1 outra vez Pedro a exortar-nos na manh\u00e3 de Pentecostes: \u00abSalvai-vos desta gera\u00e7\u00e3o perversa\u00bb (Atos 2,40). \u00abV\u00f3s \u00e9reis como ovelhas desgarradas, mas agora regressastes para o pastor e supervisor (<em>ep\u00edskopos<\/em>) das vossas almas\u00bb (1 Pedro 2,25). \u00abSegui, pois, os seus passos\u00bb (1 Pedro 2,21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concede-nos, Senhor, Belo e Bom Pastor, que nunca nos tresmalhemos do teu imenso amor, e que saibamos sempre levar o tom e o sabor da tua voz que chama e ama a cada irm\u00e3o perdido em casa ou numa estrada de lama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor Jesus Cristo,<br \/>\n\u00danico Senhor da minha vida,<br \/>\nBom Pastor dos meus passos inseguros<br \/>\nE do sil\u00eancio inquieto do meu cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\nCheio de sonhos, anseios, d\u00favidas, inquieta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor Jesus,<br \/>\nFaz ressoar em mim a tua voz de paz e de ternura.<br \/>\nEu sei que pronuncias o meu nome com do\u00e7ura,<br \/>\nE me envias ao encontro daquele meu irm\u00e3o que Te procura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fico contigo sentado junto ao po\u00e7o.<br \/>\nAlumia o meu pobre cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nVejo que, de toda a parte, chega gente de c\u00e2ntaro na m\u00e3o.<br \/>\nDisp\u00f5e de mim, Senhor,<br \/>\nNesta hora de Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que eu saiba, Senhor,<br \/>\nInterpretar bem a tua melodia.<br \/>\nQue eu saiba, Senhor,<br \/>\nDizer sempre SIM como Maria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Leitura-I-do-Domingo-IV-da-Pascoa-Ano-A-30.04.2023-Atos-2-14a.36-41.pdf\">Leitura I do Domingo IV da P\u00e1scoa &#8211; Ano A &#8211; 30.04.2023 (Atos 2, 14a.36-41)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Leitura-II-do-Domingo-IV-da-Pascoa-Ano-A-30.04.2023-Pedro-2-20b-25.pdf\">Leitura II do Domingo IV da P\u00e1scoa &#8211; Ano A &#8211; 30.04.2023 (Pedro 2, 20b-25)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Domingo-IV-da-Pascoa-Ano-A-30.04.2023-Lecionario.pdf\">Domingo IV da P\u00e1scoa &#8211; Ano A &#8211; 30.04.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Domingo-IV-da-Pascoa-Ano-A-30.04.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo IV da P\u00e1scoa &#8211; Ano A &#8211; 30.04.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo III da P\u00e1scoa \u2013 Ano A \u2013 23.04.2023&#8243; tab_id=&#8221;1682928286428-96d9fb8f-89f9&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo III da P\u00e1scoa &#8211; Ano A \u2013 23.04.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><sup>25<\/sup><\/strong><strong>Jesus disse-lhes, ent\u00e3o: \u00ab\u00d3 homens sem intelig\u00eancia e lentos de esp\u00edrito para crer em tudo quanto os profetas anunciaram!\u00a0<sup>26<\/sup>N\u00e3o tinha o Messias de sofrer essas coisas para entrar na sua gl\u00f3ria?\u00bb\u00a0<sup>27<\/sup>E, come\u00e7ando por Mois\u00e9s e seguindo por todos os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, tudo o que lhe dizia respeito<em>. Lc 24, 25-27<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Domingo-III-da-Pascoa.jpg\" alt=\"\" width=\"675\" height=\"378\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Boa Not\u00edcia que brota do sepulcro aberto ecoa no tempo e na hist\u00f3ria para renovar a esperan\u00e7a e fortalecer a confian\u00e7a de todos quantos trilham os caminhos tortuosos e exigentes da nossa exist\u00eancia. A proclama\u00e7\u00e3o alegre e jubilosa da manh\u00e3 de P\u00e1scoa prolonga-se liturgicamente ao longo de cinquenta dias como oportunidade de aprofundar e saborear a presen\u00e7a de Jesus Cristo Ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste terceiro Domingo do Tempo da P\u00e1scoa oferece-nos uma das mais belas viagens narradas pela Sagrada Escritura. Doze quil\u00f3metros de estrada, onde o c\u00e9u e a terra se tocam, onde o Ressuscitado se coloca a caminho para iluminar a esperan\u00e7a e renovar a confian\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o daqueles disc\u00edpulos que tristes e desanimados regressam \u00e0 sua terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Jesus aproximou-Se deles e p\u00f4s-Se com eles a caminho<\/em>\u00bb. Deus precede-nos sempre e em Jesus Cristo vem ao nosso encontro. Nas ang\u00fastias e incertezas, nas dores e nos sofrimentos, Jesus vem ao nosso encontro, vestido de humanidade, percorrendo as nossas estradas e fazendo caminho connosco. A f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 um rito m\u00e1gico que elimina do nosso caminho as dificuldades e desafios, mas a certeza de que, n\u00e3o obstante os desafios e dificuldades do caminho, Deus est\u00e1 connosco, Deus caminha connosco, Deus oferece-nos a for\u00e7a e a coragem necess\u00e1rias para caminhar, mesmo quando parecem fraquejar as for\u00e7as e o \u00e2nimo parece desvanecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A P\u00e1scoa deste ano declina-se inevitavelmente com o estado de emerg\u00eancia e a pandemia que nos assola. Contudo, bem sabemos, que P\u00e1scoa deriva do verbo hebraico\u00a0<em>pesach<\/em>\u00a0que significa passar. Celebram e vivem a P\u00e1scoa aqueles que s\u00e3o capazes de rasgar brechas de esperan\u00e7a e abrir caminhos que nos permitem alargar os nossos horizontes e compreender que o amor \u00e9 mais forte do que a morte e que a dor e o sofrimento se abrem ao horizonte maior e mais largo da esperan\u00e7a e da confian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes dois disc\u00edpulos v\u00e3o a caminho de Ema\u00fas. V\u00e3o desanimados e desalentados. Eles deixaram tudo e seguiram Jesus. Escutaram as Suas palavras cheias de novidade e de vida, viram os Seus milagres e contemplaram o Seu amor que se fazia perd\u00e3o, encontro e entrega. Contudo, \u00ab<em>os pr\u00edncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado \u00e0 morte e crucificado<\/em>\u00bb<em>.\u00a0<\/em>Por isso, apesar de terem depositado Nele a sua esperan\u00e7a e acreditado que poderia ser Ele quem libertaria Israel, \u00ab<em>afinal, \u00e9 j\u00e1 o terceiro dia depois que isto aconteceu<\/em>\u00bb. Nem a palavra das mulheres que tinham ido ao sepulcro de madrugada era suficiente para lhes oferecer qualquer r\u00e9stia de esperan\u00e7a. Apesar de elas terem dito que o sepulcro estava vazio e que uns anjos lhes tinham anunciado que Ele estava vivo, a Ele n\u00e3o o viram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 desconcertante a pedagogia de Jesus! Coloca-se a caminho, quer ouvir pela boca dos disc\u00edpulos as raz\u00f5es do seu des\u00e2nimo e desalento. Recorda-lhes a hist\u00f3ria de amor que Deus construiu com o Seu Povo \u00ab<em>come\u00e7ando por Mois\u00e9s e passando pelos Profetas\u00bb<\/em>. Preparado e abrasado o cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos pela Palavra, senta-se com eles \u00e0 mesa e parte o P\u00e3o. Contemplando o gesto do p\u00e3o partido e repartido, os disc\u00edpulos recordam aquela outra ceia em que se sentaram com Jesus \u00e0 mesa e reconhecem, naquele gesto, Jesus Vivo Ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante das nossas dores e sofrimentos, das nossas d\u00favidas e incertezas, Jesus continua a colocar-se no meio de n\u00f3s, a querer escutar a nossa vida com as suas dificuldades e faltas de esperan\u00e7a e convida-nos a recordar a hist\u00f3ria de amor que Deus constr\u00f3i connosco. Dirige-nos a Sua palavra de amor e recorda-nos que a Sua vida feita p\u00e3o partido e repartido continuar\u00e1 a abrir os nossos olhos para uma nova esperan\u00e7a que s\u00f3 a Sua P\u00e1scoa nos pode oferecer e garantir. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos em Tempo Pascal. Percorremos os 50 dias at\u00e9 ao Pentecostes. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Atos 2,14.22-33<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abFoi este Jesus que Deus ressuscitou, e disso todos n\u00f3s somos testemunhas\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto situa-nos na manh\u00e3 do dia do Pentecostes, em Jerusal\u00e9m. A comunidade crist\u00e3, transformada pelo Esp\u00edrito, deixou a seguran\u00e7a das paredes do cen\u00e1culo e prepara-se para dar testemunho de Jesus, em Jerusal\u00e9m e at\u00e9 aos confins do mundo. Nesse contexto, Lucas coloca na boca de Pedro &#8211; o porta-voz dos Doze &#8211; um discurso, que constitui um primeiro an\u00fancio de Jesus (&#8220;kerigma&#8221;) aos habitantes da cidade e a todos os que se encontram ali para celebrar a festa judaica de &#8220;Shavu&#8217;ot&#8221; (&#8220;Pentecostes&#8221; &#8211; festa celebrada cinquenta dias ap\u00f3s a P\u00e1scoa, e na qual se ofereciam a Deus os primeiros frutos da terra. Na \u00e9poca neotestament\u00e1ria, celebrava a &#8220;alian\u00e7a&#8221; e, sobretudo, o dom da Lei ao Povo de Deus, na montanha do Sinai).<br \/>\nEste discurso, colocado na boca de Pedro, n\u00e3o \u00e9 a reprodu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica exata de um discurso feito por Pedro junto do cen\u00e1culo, no dia da festa do Pentecostes; mas \u00e9 um discurso constru\u00eddo pelo autor dos Atos, que reproduz, em parte, a prega\u00e7\u00e3o que a primitiva comunidade crist\u00e3 fazia sobre Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este discurso \u00e9 muito semelhante a outros discursos do livro dos Atos (cf. Act 3,12-26; 4,8-12; 10,34-43; 13,16-41). Em qualquer um deles, aparece sempre um n\u00facleo central que procede do kerigma primitivo e o resume: apresenta\u00e7\u00e3o breve da atividade de Jesus, an\u00fancio da sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o e salva\u00e7\u00e3o que da\u00ed brota. Mesmo que o texto n\u00e3o reproduza exatamente a prega\u00e7\u00e3o de Pedro no dia do Pentecostes, reproduz a f\u00f3rmula mais ou menos consagrada do kerigma primitivo e a catequese que a comunidade crist\u00e3 primitiva costumava apresentar sobre Jesus.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar os seguintes desenvolvimentos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto insiste numa mensagem que, nestes dias, aparece com grande insist\u00eancia: Deus ressuscitou Jesus e n\u00e3o permitiu que a morte O derrotasse&#8230; A ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo prova que uma vida gasta ao servi\u00e7o do plano do Pai, na entrega aos homens, n\u00e3o conduz ao fracasso, mas \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00e0 exalta\u00e7\u00e3o, \u00e0 vida plena. \u00c9 conveniente lembrarmos isto, sempre que nos sentirmos desiludidos, dececionados, fracassados, derrotados, criticados, por gastarmos a vida numa din\u00e2mica de servi\u00e7o, de entrega, de amor. Uma vida que se faz dom nunca \u00e9 um fracasso; uma vida vivida de forma ego\u00edsta e autossuficiente, \u00e0 margem de Deus e dos outros, \u00e9 que \u00e9 fracassada, pois n\u00e3o conduz \u00e0 vida em plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma outra ideia, que est\u00e1 bem vincada no nosso texto, \u00e9 a do testemunho&#8230; Pedro \u00e9 o porta-voz de uma comunidade que conheceu e apreendeu a proposta de salva\u00e7\u00e3o que Cristo veio oferecer e que se sente, agora, investida da miss\u00e3o de dar testemunho dela diante dos homens &#8211; de todos os homens. A Igreja &#8211; da qual fazemos parte &#8211; \u00e9 hoje, no mundo, a testemunha da proposta de salva\u00e7\u00e3o que Cristo fez; ela deve dizer a todos os homens o que aconteceu com Cristo e como Ele mostrou que a vida plena resulta do amor e do dom da vida. Sentimo-nos investidos dessa miss\u00e3o? Os homens desiludidos e desorientados encontram em n\u00f3s &#8211; testemunhas de Cristo ressuscitado &#8211; uma proposta de vida definitiva e de realiza\u00e7\u00e3o plena? Somos n\u00f3s que contaminamos o mundo e lhe oferecemos uma alternativa \u00e0 desilus\u00e3o, ou \u00e9 o mundo que nos convence a viver de acordo com valores diferentes dos de Jesus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a015 (16)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> Mostrai-me, Senhor, o caminho da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Pedro 1,17-21<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abPor Ele acreditais em Deus, que O ressuscitou dos mortos e Lhe deu a gl\u00f3ria, para que a vossa f\u00e9 e a vossa esperan\u00e7a estejam em Deus.\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 vimos no passado domingo que a Primeira Carta de Pedro \u00e9 um texto dirigido aos crist\u00e3os de cinco prov\u00edncias romanas da \u00c1sia Menor, provavelmente na parte final do s\u00e9c. I (talvez pelos anos 80). Trata-se de comunidades do meio rural, pobres e altamente vulner\u00e1veis, nesse contexto de hostilidade que come\u00e7a a manifestar-se cada vez mais contra os crist\u00e3os. As violentas e organizadas persegui\u00e7\u00f5es de Domiciano (que se traduzir\u00e3o, para os crist\u00e3os, em massacres, torturas e sofrimentos indiz\u00edveis) est\u00e3o j\u00e1 no horizonte pr\u00f3ximo (d\u00e9cada de 90).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto, o autor da Carta exorta os crentes a manterem a fidelidade \u00e0 sua f\u00e9, apesar da hostilidade atual e dos sofrimentos futuros. Convida-os a olharem para Cristo, que passou pela experi\u00eancia da paix\u00e3o e da cruz, antes de chegar \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o; e exorta-os a manterem a esperan\u00e7a, o amor, a solidariedade, vivendo com alegria, coragem, coer\u00eancia e fidelidade a sua op\u00e7\u00e3o crist\u00e3. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode considerar os seguintes passos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>O nosso texto convida-nos, antes de mais, a contemplar o imenso amor de Deus pelos homens. Esse amor traduziu-se no envio do pr\u00f3prio Filho (Jesus Cristo), com uma proposta de salva\u00e7\u00e3o. Da fidelidade do Filho ao projeto do Pai resultou o seu confronto com o ego\u00edsmo e o pecado e a morte na cruz. N\u00e3o h\u00e1 maior express\u00e3o de amor do que entregar a vida em favor de algu\u00e9m; e \u00e9 dessa forma que Deus nos ama. Temos consci\u00eancia disso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da contempla\u00e7\u00e3o do amor de Deus tem de resultar uma resposta nossa. Segundo o autor da Primeira Carta de Pedro, essa resposta deve traduzir-se numa conduta nova de obedi\u00eancia a Deus, de entrega incondicional nas m\u00e3os de Deus, de ades\u00e3o completa aos seus planos, valores e projetos. O amor de Deus inspira-me e motiva-me para viver &#8211; com coer\u00eancia e fidelidade &#8211; os seus valores?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo em que vivemos potencia mais o ego\u00edsmo e a autossufici\u00eancia do que o amor e a doa\u00e7\u00e3o&#8230; Os homens do nosso tempo vivem, de forma geral, voltados para si mesmos, para os seus pequenos interesses pessoais e para a realiza\u00e7\u00e3o imediata dos seus sonhos, desejos e prioridades. N\u00f3s, os crentes, no entanto, somos convidados a viver e a anunciar a l\u00f3gica de Deus, que \u00e9 a l\u00f3gica do amor e da entrega da vida at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias. Qual \u00e9 a l\u00f3gica que domina a minha vida e que eu transmito nas minhas palavras e nos meus gestos: a l\u00f3gica do amor, da entrega, da doa\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, ou a l\u00f3gica do ego\u00edsmo, do orgulho, do amor-pr\u00f3prio? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Lc 24,13-35<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abDois dos disc\u00edpulos de Jesus iam a caminho duma povoa\u00e7\u00e3o chamada Ema\u00fas\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abFicai connosco, porque o dia est\u00e1 a terminar e vem caindo a noite\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o p\u00e3o\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria que o Evangelho deste domingo nos apresenta \u00e9 exclusiva de Lucas: nenhum outro evangelista a refere. O texto p\u00f5e-nos a caminhar com dois disc\u00edpulos de Jesus que, no dia de P\u00e1scoa, v\u00e3o de Jerusal\u00e9m para Ema\u00fas.<br \/>\nDe acordo com o autor do nosso texto, os dois homens dirigiam-se para uma aldeia chamada Ema\u00fas, a sessenta est\u00e1dios de Jerusal\u00e9m (cerca de 12 quil\u00f3metros). Uma localidade com esse nome, a essa dist\u00e2ncia de Jerusal\u00e9m \u00e9, no entanto, desconhecida&#8230; Pensou-se que o texto poderia referir-se a Amwas, uma localidade situada a cerca de trinta quil\u00f3metros a oeste de Jerusal\u00e9m (alguns manuscritos antigos n\u00e3o falam de sessenta est\u00e1dios, mas de cento e sessenta est\u00e1dios, o que nos colocaria no s\u00edtio certo); no entanto, parece ser uma dist\u00e2ncia excessiva para percorrer num dia, sem paragens e a conversar despreocupadamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os comentadores destacaram, muitas vezes, a inten\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica deste relato. Que \u00e9 que isto significa? Significa que n\u00e3o estamos diante de uma reportagem jornal\u00edstica de uma viagem geogr\u00e1fica, mas de uma catequese sobre Jesus. O que interessa ao autor n\u00e3o \u00e9 escrever um relato l\u00f3gico e coerente (se Lucas estivesse preocupado com a l\u00f3gica e com a coer\u00eancia, teria mais cuidado com a situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica de Ema\u00fas; e, certamente, explicaria melhor algumas incongru\u00eancias do texto &#8211; nomeadamente porque \u00e9 que estes disc\u00edpulos partiram para a sua aldeia na manh\u00e3 de P\u00e1scoa sem investigar os rumores de que o t\u00famulo estava vazio e Jesus tinha ressuscitado). O que interessa ao autor \u00e9 explicar aos crist\u00e3os para quem escreve &#8211; na d\u00e9cada de 80 &#8211; como \u00e9 que podem descobrir que Jesus est\u00e1 vivo e como podem fazer a experi\u00eancia do encontro com Jesus ressuscitado. Trata-se, portanto, de uma p\u00e1gina de catequese, mais do que a descri\u00e7\u00e3o fiel de acontecimentos concretos.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, considerar as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na nossa caminhada pela vida, fazemos, frequentemente, a experi\u00eancia do desencanto, do desalento, do des\u00e2nimo. As crises, os fracassos, o desmoronamento daquilo que julg\u00e1vamos seguro e em que apost\u00e1mos tudo, a fal\u00eancia dos nossos sonhos deixam-nos frustrados, perdidos, sem perspetivas. Ent\u00e3o, parece que nada faz sentido e que Deus desapareceu do nosso horizonte&#8230; No entanto, a catequese que Lucas nos prop\u00f5e hoje garante-nos que Jesus, vivo e ressuscitado, caminha ao nosso lado. Ele \u00e9 esse companheiro de viagem que encontra formas de vir ao nosso encontro &#8211; mesmo se nem sempre somos capazes de O reconhecer &#8211; e de encher o nosso cora\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 que Ele nos fala? Como \u00e9 que Ele faz renascer em n\u00f3s a esperan\u00e7a? Como \u00e9 que Ele nos passa esse suplemento de entusiasmo que nos permite continuar? Lucas responde: \u00e9 atrav\u00e9s da Palavra de Deus, escutada, meditada, partilhada, acolhida no cora\u00e7\u00e3o, que Jesus nos indica caminhos, nos aponta perspetivas novas, nos d\u00e1 a coragem de continuar, depois de cada fracasso, a construir uma cidade ainda mais bonita. Que lugar \u00e9 que a Palavra de Deus desempenha na minha vida? Tenho consci\u00eancia de que Jesus me fala e me aponta caminhos de esperan\u00e7a atrav\u00e9s da sua Palavra?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando \u00e9 que os olhos do nosso cora\u00e7\u00e3o se abrem para descobrir Jesus, vivo e atuante? Lucas responde: \u00e9 na partilha do P\u00e3o eucar\u00edstico. Sempre que nos sentamos \u00e0 mesa com a comunidade e partilhamos o p\u00e3o que Jesus nos oferece, damo-nos conta de que o Ressuscitado continua vivo, caminhando ao nosso lado, alimentando-nos ao longo da caminhada, ensinando-nos que a felicidade est\u00e1 no dom, na partilha, no amor. Sempre que nos juntamos com os irm\u00e3os \u00e0 volta da mesa de Deus, celebrando na alegria e na festa o amor, a partilha e o servi\u00e7o, encontramos o Ressuscitado a encher a nossa vida de sentido, de plenitude, de vida aut\u00eantica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quando O encontramos? Que fazer com Ele? Lucas responde: Temos de lev\u00e1-l&#8217;O para os caminhos do mundo, temos de partilh\u00e1-l&#8217;O com os nossos irm\u00e3os, temos de dizer a todos que Ele est\u00e1 vivo e que oferece aos homens (atrav\u00e9s dos nossos gestos de amor, de partilha, de servi\u00e7o) a vida nova e definitiva. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 um longo discurso de Pedro no dia de Pentecostes. Deste modo, a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter presente o tom jubiloso e desassombrado com que Pedro proclama a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> requer uma acurada prepara\u00e7\u00e3o das pausas e respira\u00e7\u00f5es porque apresenta longas frases e com diversas ora\u00e7\u00f5es. Aten\u00e7\u00e3o que as v\u00edrgulas podem n\u00e3o ser necessariamente lugares de pausa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/04\/25\/fica-connosco-senhor-4\/\"><strong>FICA CONNOSCO, SENHOR!<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste III Domingo da P\u00e1scoa convida-nos a fazer aquela que pode ser considerada a mais bela viagem de doze quil\u00f3metros de toda a Escritura. A viagem que nos leva de Jerusal\u00e9m a Ema\u00fas, atual aldeia palestiniana de nome\u00a0<em>El-Kub\u00e8ibeh<\/em>, que guarda a mem\u00f3ria deste maravilhoso epis\u00f3dio de Lucas 24,13-35.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aperceber-nos-emos, por\u00e9m, rapidamente que se trata menos de uma viagem transitiva sobre o mapa, e mais, muito mais, de uma viagem intransitiva nas estradas poeirentas do nosso embotado cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 assim que dois deles (<em>d\u00fdo ex aut\u00f4n<\/em>) \u2013 e est\u00e1 aqui assinalada uma rutura destes dois com a comunidade reunida em Jerusal\u00e9m \u2013 saem da comunidade. O texto retrata-os bem: est\u00e3o em dissens\u00e3o com a comunidade, pelo caminho conversam familiarmente (<em>homil\u00e9\u00f4<\/em>) sobre as coisas acontecidas em Jerusal\u00e9m (Lucas 24,14 e 15), mas tamb\u00e9m debatem (<em>syz\u00eat\u00e9\u00f4<\/em>) (Lucas 24,15), e entram mesmo em dissens\u00e3o um com o outro, opondo argumentos (<em>antib\u00e1ll\u00f4<\/em>) (Lucas 24,17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estando assim as coisas, narra o texto que um terceiro viajante, que \u00e9 Jesus \u2013 informa-nos o narrador \u2013, se aproximou deles e\u00a0<em>caminhava com<\/em>\u00a0eles, mas os seus olhos estavam impedidos de o reconhecer (Lucas 24,15-16). Neste ponto preciso, imp\u00f5em-se duas pequenas anota\u00e7\u00f5es. Primeira: Jesus \u00e9 sempre aquele que\u00a0<em>caminha com<\/em>, faz conjun\u00e7\u00e3o, onde n\u00f3s, e quando n\u00f3s, estamos em disjun\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o\u00a0<em>caminha connosco<\/em>\u00a0apenas algum tempo.\u00a0<em>Caminha connosco<\/em>\u00a0sempre, pois o verbo grego est\u00e1 no imperfeito de dura\u00e7\u00e3o (<em>synepore\u00faeto<\/em>):\u00a0<em>caminhava com<\/em>. Segunda: n\u00e3o \u00e9 a incapacidade deles ou a nossa que nos impede de reconhecer Jesus. Na verdade, o texto diz, na sua crueza, que os seus olhos estavam impedidos (<em>ekrato\u00fbnto<\/em>). O verbo grego est\u00e1 num imperfeito passivo. Entenda-se ent\u00e3o corretamente: \u00e9 Deus que impede os nossos olhos de o reconhecerem agora. Esta indica\u00e7\u00e3o deixa-nos alerta para o momento em que Deus vai desimpedir os nossos olhos para o reconhecermos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este terceiro, que\u00a0<em>caminha sempre connosco<\/em>, e que faz conjun\u00e7\u00e3o sobre as nossas disjun\u00e7\u00f5es, \u00e9 tamb\u00e9m aquele que conduz o nosso caminho. Ele \u00e9 o Presidente. Preside sempre. Por isso, come\u00e7a a fazer perguntas: \u00abQue s\u00e3o estas palavras que opondes entre v\u00f3s enquanto caminhais?\u00bb (Lucas 24,17). Ele \u00e9 o Mestre que nos faz perguntas pedag\u00f3gicas, para n\u00f3s nos dizermos, e manifestarmos o ponto de compreens\u00e3o em que estamos. A primeira consequ\u00eancia em n\u00f3s desta pergunta certeira \u00e9 fazer com que mostremos a nossa tristeza e desilus\u00e3o: \u00abE eles pararam com o rosto triste\u00bb (Lucas 24,17). E depois, at\u00f3nitos, perguntamos: \u00abTu \u00e9s o \u00fanico (<em>m\u00f3nos<\/em>) estrangeiro residente (<em>p\u00e1roikos<\/em>) em Jerusal\u00e9m que n\u00e3o conheces as coisas que nela aconteceram nestes dias?\u00bb (Lucas 24,18). E ele pergunta outra vez pedagogicamente: \u00abO que foi?\u00bb (Lucas 24,19). Duas anota\u00e7\u00f5es. Primeira: sem o sabermos, fazemos uma afirma\u00e7\u00e3o correta: de facto,\u00a0<em>ele \u00e9 o \u00fanico<\/em>\u00a0que n\u00e3o conhece as coisas como n\u00f3s, mas as conhece de outra maneira. Segunda: quando ele pergunta: \u00abO que foi?\u00bb, \u00e9 para nos levar a dizer a desilus\u00e3o e o sem-sentido que nos habita. Ele \u00e9 o Mestre que faz as perguntas, para depois poder corrigir as respostas (Lucas 24,25-27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nestas conversas guiadas, parece que o caminho se encurtou. Ei-los que est\u00e3o em Ema\u00fas. E, chegados a\u00ed, Jesus fez como se (<em>prosepoi\u00easato<\/em>: aor. de\u00a0<em>prospoi\u00e9omai<\/em>) fosse caminhar para mais longe (Lucas 24,28). \u00abFez como se\u00bb \u00e9 uma finta pedag\u00f3gica. O texto n\u00e3o diz que ele ia caminhar para mais longe. Diz que Ele \u00abfez como se fosse\u2026\u00bb. Finta pedag\u00f3gica, que provoca logo ali a nossa ora\u00e7\u00e3o: \u00abFica connosco\u2026\u00bb (Lucas 24,29). Aten\u00e7\u00e3o, portanto: tamb\u00e9m a nossa ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 produ\u00e7\u00e3o nossa; \u00e9 provocada por Ele. Ele \u00e9 o Mestre, o Presidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No seguimento do nosso pedido, ele entra para ficar connosco. N\u00e3o apenas algum tempo, como fazemos n\u00f3s quando visitamos os amigos. Ele entra para ficar connosco sempre, para presidir \u00e0 nossa vida toda. Preside, portanto, \u00e0 nossa mesa: recebe o p\u00e3o, bendiz a Deus, parte o p\u00e3o e\u00a0<em>dava<\/em>\u00a0(<em>eped\u00eddou<\/em>: imperf. de\u00a0<em>epid\u00edd\u00f4mi<\/em>), imperfeito de dura\u00e7\u00e3o. Atitude que continua ainda hoje. \u00c9 aqui que s\u00e3o abertos (por Deus) os nossos olhos, antes impedidos por Deus de reconhecer Jesus. Decifra\u00e7\u00e3o da Cruz. Ele est\u00e1 vivo e presente. A sua vida \u00e9 uma vida a n\u00f3s dada. Sempre a ser dada, dado que, se\u00a0<em>dar<\/em>\u00a0reclama a presen\u00e7a do dom do doador ao donat\u00e1rio,\u00a0<em>dar-se<\/em>\u00a0reclama a presen\u00e7a do doador no donat\u00e1rio. \u00c9 agora e daqui que vemos a luzinha que ele acendeu j\u00e1 no nosso cora\u00e7\u00e3o, no caminho\u2026 N\u00e3o \u00e9 o escuro da noite exterior que nos mete medo. O que nos mete medo \u00e9 o escuro interior. Ei-los que partem em plena noite para Jerusal\u00e9m. Viagem da conjun\u00e7\u00e3o, fazendo o caminho inverso da primeira viagem da disjun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda hoje \u00e9 bom e salutar fazer esta viagem no mapa e no cora\u00e7\u00e3o a Ema\u00fas (<em>El-Kub\u00e8ibeh<\/em>). O peregrino encontra nesta aldeia palestiniana uma igreja, \u00e0 guarda dos Padres Franciscanos da Cust\u00f3dia da Terra Santa, que recorda os acontecimentos narrados no sublime epis\u00f3dio de Lucas 24, que acab\u00e1mos de recordar. A atual igreja \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o de in\u00edcios do s\u00e9culo XX, estilo rom\u00e2nico-g\u00f3tico de transi\u00e7\u00e3o, que respeita as linhas e integra algumas pedras de uma igreja constru\u00edda pelos Cruzados no s\u00e9culo XII. Esta igreja encontrava-se ainda de p\u00e9 no s\u00e9culo XIV, mas estava j\u00e1 em ru\u00ednas no s\u00e9culo XV, de acordo com o testemunho de peregrinos qualificados. Esta constru\u00e7\u00e3o dos Cruzados enquadra aquilo que se pensa serem os fundamentos da casa de Cl\u00e9ofas, um dos dois que, naquele primeiro dia da semana (Lucas 24,1 e 13), se dirigiam para uma aldeia, chamada Ema\u00fas, que distava 60 est\u00e1dios (11-12 km) de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas paredes desta igreja, pode ler-se em v\u00e1rias l\u00ednguas um belo e significativo poema, que aqui passa tamb\u00e9m a conhecer a vers\u00e3o portuguesa: \u00abTodos os dias\/ Te encontramos\/ no caminho.\/ Mas muitos reconhecer-Te-\u00e3o\/ apenas\/ quando\/ repartires connosco\/ o Teu p\u00e3o.\/ Quem sabe?\/ Talvez\/ no \u00faltimo entardecer\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o poeta ingl\u00eas Thomas S. Eliot faz esta evoca\u00e7\u00e3o da cena de Ema\u00fas: \u00abQuem \u00e9 o terceiro, que vai sempre ao teu lado? Se me ponho a contar, juntos vamos apenas eu e tu. Por\u00e9m, se olho \u00e0 minha frente sobre a estrada branca, vejo sempre outro que caminha ao teu lado. Quem \u00e9 esse que vai sempre do outro lado?\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o Senhor, que v\u00f3s entregastes \u00e0 morte, mas que Deus ressuscitou, responde Pedro, falando ao povo no dia de Pentecostes (Atos 2,14.22-33). Reside aqui, n\u00e3o apenas o essencial do an\u00fancio, mas o an\u00fancio essencial, sem glosas e sem filtros, que somos chamados a fazer, com alegria e determina\u00e7\u00e3o (Atos 2,23-24). Este veio fundamental percorre, como verdadeira filigrana, o Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos: 2,23-24.32.36; 3,15-16; 4,10; 5,30-31; 10,39-40; 13,28-30; 17,31; 25,19. Chamemos-lhe \u00abprimeiro an\u00fancio\u00bb, ou, como j\u00e1 se diz hoje, nesta sociedade que j\u00e1 recebeu o \u00abprimeiro an\u00fancio\u00bb, mas que vive distante da seiva do Evangelho, \u00absegundo (primeiro) an\u00fancio\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro continua a ensinar-nos que vivemos aqui como \u00abestrangeiros e h\u00f3spedes\u00bb, isto \u00e9, como \u00abparoquianos\u00bb (<em>paroik\u00eda<\/em>), mas que, como Jesus e \u00e0 sua maneira, somos tamb\u00e9m filhos e chamamos a Deus \u00abnosso Pai\u00bb. E \u00e9 neste Senhor Jesus que, conforme des\u00edgnio eterno do Pai, deu a vida por n\u00f3s, temos posta a nossa f\u00e9 e a nossa esperan\u00e7a, muito para al\u00e9m das coisas corrupt\u00edveis, como prata e oiro, e de tudo o que se avalia, mede ou pesa (1 Pedro 1,17-21). \u00c9-nos pedida, portanto, vida nova de acordo com o estatuto por gra\u00e7a concedido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, \u00abo Senhor sempre diante de mim\u00bb, cantamos hoje com o Salmo 16,8. S\u00f3 Ele nos pode guiar no caminho da vida. Na verdade, as pedras e as coisas, as casas e as terras, nunca devem ocupar, muito menos encher, o nosso cora\u00e7\u00e3o. Os sacerdotes, descendentes de Aar\u00e3o, n\u00e3o tinham terra distribu\u00edda em Israel. A sua heran\u00e7a era o Senhor (cf. N\u00fameros 18,20). E n\u00f3s tamb\u00e9m cantamos no nosso Salmo de hoje, o Salmo 16, \u00abSenhor, Tu \u00e9s a minha heran\u00e7a\u00bb (v. 5). No seu Serm\u00e3o 344, Santo Agostinho comenta assim: \u00abO salmista n\u00e3o diz: \u201c\u00d3 Deus, d\u00e1-me uma heran\u00e7a\u201d. Diz antes: \u201cTudo o que me podes dar fora de Ti, \u00e9 vil. S\u00ea Tu a minha heran\u00e7a. \u00c9 a Ti que eu amo\u2026 Esperar Deus de Deus, estar cheio de Deus. Basta-te Ele; fora dele, nada te pode bastar\u00bb. Esta melodia deve encher o nosso cora\u00e7\u00e3o e este Dia de Domingo, Dia do Senhor, de doa\u00e7\u00e3o radical, total, ao Senhor. Entenda-se: \u00e9 um caminho novo que se abre \u00e0 nossa frente. Sem retrocessos, sem desvios, sem distra\u00e7\u00f5es, sem nostalgias, sem sa\u00eddas de emerg\u00eancia ou de seguran\u00e7a!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tristes, desanimados, pesarosos,<br \/>\nTrilhamos um caminho apenas de regresso,<br \/>\nDe confinamento,<br \/>\nEsvaziamento,<br \/>\nEm que n\u00e3o se v\u00ea nenhum acesso,<br \/>\nNenhum ingresso,<br \/>\nNenhuma luz<br \/>\nSe v\u00ea l\u00e1 para os lados de Ema\u00fas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vem Jesus<br \/>\nE come\u00e7a a caminhar connosco,<br \/>\nVai connosco.<br \/>\nN\u00e3o se apresenta,<br \/>\nMas faz perguntas,<br \/>\nCorrige as respostas,<br \/>\nAbre as Escrituras,<br \/>\nCura as fraturas,<br \/>\nP\u00f5e-nos a arder o cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\nReparte o p\u00e3o,<br \/>\nParece que desaparece,<br \/>\nMas fica mais presente do que nunca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E pode recome\u00e7ar tudo aqui,<br \/>\nE a\u00ed,<br \/>\nEm Ema\u00fas,<br \/>\nEm casa e \u00e0 mesa,<br \/>\nCom Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Leitura-I-do-Domingo-III-da-Pascoa-Ano-A-23.04.2023-Atos-2-14.22-33.pdf\">Leitura I do Domingo III da P\u00e1scoa &#8211; Ano A &#8211; 23.04.2023 (Atos 2, 14.22-33)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Leitura-II-do-Domingo-III-da-Pascoa-Ano-A-23.04.2023-1-Pedro-1-17-21.pdf\">Leitura II do Domingo III da P\u00e1scoa &#8211; Ano A &#8211; 23.04.2023 (1 Pedro 1, 17-21)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Domingo-III-da-Pascoa-Ano-A-23.04.2023-Lecionario.pdf\">Domingo III da P\u00e1scoa &#8211; Ano A &#8211; 23.04.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Domingo-III-da-Pascoa-Ano-A-23.04.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo III da P\u00e1scoa &#8211; Ano A &#8211; 23.04.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo II da P\u00e1scoa \u2013 Ano A \u2013 16.04.2023&#8243; tab_id=&#8221;1682332562657-f92cea74-9002&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo II da P\u00e1scoa &#8211; Ano A \u2013 16.04.2023<br \/>\n<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Domingo-II-da-Pascoa.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"474\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 uma aventura isolada, mas vive-se e concretiza-se na forma comunit\u00e1ria que a sustenta. Se a ades\u00e3o a Jesus Cristo nasce do encontro \u00edntimo e pessoal com Ele, esta ades\u00e3o abre-nos a um modo novo de ser e viver em comunidade. Na verdade, se Jesus afirmou: \u00ab<em>quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que v\u00ea o oculto, h\u00e1-de recompensar-te<\/em>\u00bb (Mt 6,6), tamb\u00e9m declarou: \u00ab<em>onde estiverem dois ou tr\u00eas reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles<\/em>\u00bb (Mt 18,20). O encontro \u00edntimo e pessoal com Jesus Cristo desafia-nos a refor\u00e7ar os la\u00e7os da ades\u00e3o a Ele na partilha e no encontro com aqueles que comungam a mesma f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste Domingo situa-se: \u00ab<em>na tarde daquele dia, o primeiro da semana<\/em>\u00bb. Os disc\u00edpulos estavam reunidos com medo dos judeus, mas Jesus coloca-se no meio deles e sa\u00fada-os com a Sua Paz, mostra-lhes as marcas da Paix\u00e3o e concede-lhes o dom do Esp\u00edrito Santo para que eles sejam sinal de reconcilia\u00e7\u00e3o e de paz junto daqueles a quem s\u00e3o enviados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Tom\u00e9 n\u00e3o estava com o grupo neste momento e, tendo regressado, afirma que s\u00f3 acreditar\u00e1 se vir com os seus pr\u00f3prios olhos e tocar com as suas m\u00e3os. Por isso, Jesus volta a aparecer aos Seus disc\u00edpulos e o Evangelho indica que tudo isto aconteceu \u00ab<em>oito dias depois<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As indica\u00e7\u00f5es temporais que o Evangelho nos apresenta n\u00e3o s\u00e3o apenas as anota\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas para situar a a\u00e7\u00e3o descrita. Nestas indica\u00e7\u00f5es temporais encontramos o ritmo da vida da Igreja:<em>\u00a0\u00abo primeiro da semana<\/em>\u00bb e \u00ab<em>oito dias depois<\/em>\u00bb. Este \u00e9 o ritmo da assembleia crist\u00e3 que hebdomadariamente, isto \u00e9, semanalmente, se re\u00fane, Domingo ap\u00f3s Domingo, para celebrar a sua f\u00e9 e proclamar a certeza de que o Ressuscitado acompanha a Sua Igreja, oferecendo-lhe a Sua Paz e concedendo-lhe o dom do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso cada Domingo \u00e9 o Dia do Senhor, dia de festa e de alegria, onde a comunidade crist\u00e3 reunida \u00e0 volta da mesa do altar, escutando a Palavra do Senhor e partilhando o Seu p\u00e3o, renova a certeza desse amor maior que se faz entrega total e plena na Cruz. Como Tom\u00e9, quando nos afastamos da comunidade, o desafio de acreditar torna-se mais dif\u00edcil e exigente. Aquele que se afasta da comunidade afasta-se da experi\u00eancia comunit\u00e1ria de Jesus, do lugar privilegiado onde Deus se revela e manifesta como Rosto da miseric\u00f3rdia do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, somos chamados a redescobrir a alegria da vida comunit\u00e1ria mesmo quando estamos impedidos de nos reunir fisicamente nas nossas Igrejas. Mas mais do que isso, somos chamados a tomar consci\u00eancia que a vida comunit\u00e1ria n\u00e3o se traduz apenas na viv\u00eancia comum da assembleia dominical. Na primeira leitura deste Domingo, escut\u00e1mos como na comunidade nascente aliada \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, \u00e0 escuta do ensino dos Ap\u00f3stolos e \u00e0 fra\u00e7\u00e3o do P\u00e3o est\u00e1 a comunh\u00e3o fraterna que me faz olhar o outro como irm\u00e3o. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano 2000, o Papa S. Jo\u00e3o Paulo II canonizou Santa Faustina e declarou que daquele dia em diante, o segundo Domingo da P\u00e1scoa seria tamb\u00e9m designado como Domingo da Miseric\u00f3rdia. Al\u00e9m disso, S. Jo\u00e3o Paulo II \u00ab<em>estabeleceu que o citado Domingo seja enriquecido com a Indulg\u00eancia Plen\u00e1ria, para que os fi\u00e9is possam receber mais amplamente o dom do conforto do Esp\u00edrito Santo e desta forma alimentar uma caridade crescente para com Deus e o pr\u00f3ximo e, obtendo eles mesmos o perd\u00e3o de Deus, sejam por sua vez induzidos a perdoar imediatamente aos irm\u00e3os<\/em>\u00bb (Decreto da Penitenciaria Apost\u00f3lica, 2002). Neste Domingo da Miseric\u00f3rdia aliada \u00e0 pr\u00e1tica das diversas devo\u00e7\u00f5es deixadas por Santa Faustina como o Ter\u00e7o da Miseric\u00f3rdia, poder\u00e1 ser oportuna a medita\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia de uma das Par\u00e1bolas da Miseric\u00f3rdia. Al\u00e9m disso, podemos usar as redes sociais e os nossos meios de comunica\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia para agradecer \u00e0queles que s\u00e3o para n\u00f3s sinal pr\u00f3ximo e imediato da miseric\u00f3rdia de Deus. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos em Tempo Pascal. Percorremos os 50 dias at\u00e9 ao Pentecostes. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <\/strong><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\"><strong>https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong><\/a>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Atos 2,42-47<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abOs irm\u00e3os eram ass\u00edduos ao ensino dos Ap\u00f3stolos, \u00e0 comunh\u00e3o fraterna, \u00e0 fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e \u00e0s ora\u00e7\u00f5es.\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de descrever a vinda do Esp\u00edrito Santo sobre os disc\u00edpulos reunidos no cen\u00e1culo (cf. Act 2,1-13) e de apresentar (atrav\u00e9s de um discurso posto na boca de Pedro) um resumo do testemunho dado pelos primeiros disc\u00edpulos sobre Jesus (cf. Act 2,14-36), Lucas refere o resultado da prega\u00e7\u00e3o dos ap\u00f3stolos: as pessoas aderem em massa (Lucas fala de tr\u00eas mil pessoas que, nesse dia, se juntaram aos disc\u00edpulos) e nasce a comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m (cf. Act 2,37-41). S\u00e3o os primeiros passos de um caminho que a Igreja de Jesus vai percorrer, desde Jerusal\u00e9m a Roma (o cora\u00e7\u00e3o do mundo antigo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto faz parte de um conjunto de tr\u00eas sum\u00e1rios, atrav\u00e9s dos quais Lucas descreve aspetos fundamentais da vida da comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m. Este primeiro sum\u00e1rio \u00e9 dedicado ao tema da unidade e ao impacto que o estilo crist\u00e3o de vida provocou no povo da cidade (os outros dois sum\u00e1rios tratam da partilha dos bens &#8211; cf. Act 4,32-35 &#8211; e do testemunho da Igreja atrav\u00e9s da atividade miraculosa dos ap\u00f3stolos &#8211; Act 5,12-16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naturalmente, este sum\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 um retrato hist\u00f3rico rigoroso da comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 30 (embora possa ter algumas bases hist\u00f3ricas). Quando Lucas escreve este relato (d\u00e9cada de 80), arrefeceu j\u00e1 o entusiasmo inicial dos crist\u00e3os: Jesus nunca mais veio para instaurar definitivamente o &#8220;Reino de Deus&#8221; e posicionam-se no horizonte pr\u00f3ximo as primeiras grandes persegui\u00e7\u00f5es&#8230; H\u00e1 algum desleixo, falta de entusiasmo, monotonia, divis\u00e3o e confus\u00e3o (at\u00e9 porque come\u00e7am a aparecer falsos mestres, com doutrinas estranhas e pouco crist\u00e3s). Neste contexto, Lucas recorda o essencial da experi\u00eancia crist\u00e3 e tra\u00e7a o quadro daquilo que a comunidade deve ser.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para a reflex\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o, considerar as seguintes linhas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma fam\u00edlia de irm\u00e3os, reunida \u00e0 volta de Cristo, animada pelo Esp\u00edrito e que tem por miss\u00e3o testemunhar na hist\u00f3ria a salva\u00e7\u00e3o. Os homens do s\u00e9c. XXI podem acreditar ou n\u00e3o na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo; mas t\u00eam de descobrir a vida nova e plena que Deus lhes oferece, atrav\u00e9s do testemunho dos disc\u00edpulos de Jesus. A comunidade crist\u00e3 tem de ser uma proposta diferente, que mostra aos homens como o amor, a partilha, a doa\u00e7\u00e3o, o servi\u00e7o, a simplicidade e a alegria s\u00e3o geradores de vida e n\u00e3o de morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma comunidade de irm\u00e3os. A minha comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma comunidade de irm\u00e3os que vivem no amor, ou \u00e9 um grupo de pessoas isoladas, em que cada um procura defender os seus interesses, mesmo que para isso tenha de magoar os outros? No que me diz respeito, esfor\u00e7o-me por amar todos, por respeitar a liberdade e a dignidade de todos, por potenciar os contributos e as qualidades de todos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 \u00e9, tamb\u00e9m, uma comunidade ass\u00eddua \u00e0 catequese dos ap\u00f3stolos. A minha comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma comunidade que se constr\u00f3i \u00e0 volta da Palavra de Deus, que escuta e que partilha a Palavra de Deus? Da minha parte, procuro descobrir as propostas de Deus num di\u00e1logo comunit\u00e1rio e numa partilha com os irm\u00e3os, ou deixo-me levar por pretensas &#8220;revela\u00e7\u00f5es&#8221; pessoais, convic\u00e7\u00f5es pessoais, impress\u00f5es pessoais &#8211; que muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o mais do que formas de manipular a Palavra de Deus para &#8220;levar a \u00e1gua ao meu moinho&#8221;?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 \u00e9, ainda, uma comunidade que celebra liturgicamente a sua f\u00e9. A celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 comunit\u00e1ria d\u00e1-nos a dimens\u00e3o de um povo peregrino, que caminha unido, voltado para o seu Senhor e tendo Deus como a sua refer\u00eancia. Da celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria da f\u00e9, sai uma comunidade mais fortalecida, mais consciente da vida que une todos os seus membros, mais adulta e com mais for\u00e7a para ser testemunha da salva\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 que significa, para mim, a celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria da f\u00e9? A celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u00e9 um rito aborrecido, a que &#8220;assisto&#8221; por obriga\u00e7\u00e3o, ou uma verdadeira experi\u00eancia de encontro com o Jesus do amor e do dom da vida e uma experi\u00eancia de amor partilhado com os meus irm\u00e3os de f\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma comunidade de partilha. No centro dessa comunidade est\u00e1 o Cristo do amor, do servi\u00e7o, do dom da vida&#8230; O crist\u00e3o n\u00e3o pode, portanto, viver fechado no seu ego\u00edsmo, indiferente \u00e0 sorte dos outros irm\u00e3os. Em concreto, o nosso texto fala na partilha dos bens&#8230; Uma comunidade onde alguns desperdi\u00e7am os bens e onde outros n\u00e3o t\u00eam o suficiente para viver dignamente ser\u00e1 uma comunidade que testemunha, diante dos homens, esse mundo novo de amor que Jesus veio propor? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a0117 (118)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: <\/strong>Aclamai o Senhor, porque Ele \u00e9 bom: o seu amor \u00e9 para sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Pedro 1,3-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abIsto vos enche de alegria, embora vos seja preciso ainda, por pouco tempo, passar por diversas prova\u00e7\u00f5es\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira Carta de Pedro \u00e9 uma carta dirigida aos crist\u00e3os de cinco prov\u00edncias romanas da \u00c1sia Menor (a carta cita explicitamente a Bit\u00ednia, o Ponto, a Gal\u00e1cia, a \u00c1sia e a Capad\u00f3cia &#8211; cf. 1 Pe 1,1). O seu autor apresenta-se com o nome do ap\u00f3stolo Pedro; no entanto, a an\u00e1lise liter\u00e1ria e teol\u00f3gica n\u00e3o confirma que Pedro seja o autor deste texto: em termos liter\u00e1rios, a qualidade liter\u00e1ria da carta n\u00e3o corresponde \u00e0 maneira de escrever de um pescador do lago de Tiber\u00edades, pouco instru\u00eddo; a teologia apresentada demonstra uma reflex\u00e3o e uma catequese bem posteriores \u00e0 \u00e9poca de Pedro; e o &#8220;ambiente&#8221; descrito na carta corresponde, claramente, \u00e0 situa\u00e7\u00e3o da comunidade crist\u00e3 no final do s\u00e9c. I. Se Pedro morreu em Roma durante a persegui\u00e7\u00e3o de Nero (por volta do ano 67), n\u00e3o pode ser o autor deste escrito. O autor da carta ser\u00e1, portanto, um crist\u00e3o an\u00f3nimo culto &#8211; provavelmente um respons\u00e1vel de alguma comunidade crist\u00e3 &#8211; e que conhece profundamente a situa\u00e7\u00e3o das comunidades crist\u00e3s da \u00c1sia Menor. Ele escreve em finais do s\u00e9c. I (nunca antes dos anos 80), provavelmente a partir de uma comunidade crist\u00e3 n\u00e3o identificada da \u00c1sia Menor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os destinat\u00e1rios desta carta s\u00e3o as comunidades crist\u00e3s que vivem em zonas rurais da \u00c1sia Menor. A maioria destes crist\u00e3os s\u00e3o pastores ou camponeses que cultivam as propriedades das classes dominantes. Tamb\u00e9m h\u00e1, nestas comunidades, pequenos propriet\u00e1rios que vivem em aldeias, \u00e0 margem das grandes cidades. De qualquer forma, trata-se de gente que vive no meio rural, economicamente d\u00e9bil, vulner\u00e1vel a um ambiente que come\u00e7a a manifestar alguma hostilidade para com o cristianismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor da carta conhece as prova\u00e7\u00f5es que estes crist\u00e3os sofrem todos os dias. Exorta-os, no entanto, a manterem-se fi\u00e9is \u00e0 sua f\u00e9, apesar das dificuldades. Convida-os a olharem para Cristo, que passou pela experi\u00eancia da paix\u00e3o e da cruz, antes de chegar \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o; e exorta-os a manterem a esperan\u00e7a, o amor, a solidariedade, vivendo com alegria, coer\u00eancia e fidelidade a sua op\u00e7\u00e3o crist\u00e3. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar, na reflex\u00e3o, os seguintes dados<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de mais, a Palavra de Deus convida-nos a tomar consci\u00eancia de que, pelo batismo, nos identificamos com Cristo. A nossa vida tem de ser, como a de Cristo, vivida na obedi\u00eancia ao Pai e na entrega aos homens nossos irm\u00e3os: \u00e9 esse o caminho que conduz \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o. A l\u00f3gica do mundo diz-nos que servir e dar a vida \u00e9 um caminho de fracos e perdedores; a l\u00f3gica de Deus diz-nos que a vida plena resulta do amor que se faz dom. Em quem \u00e9 que acreditamos? De acordo com que l\u00f3gica \u00e9 que conduzimos a nossa vida e fazemos as nossas op\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o do sentido do sofrimento (sobretudo do sofrimento que atinge o justo) \u00e9 t\u00e3o antiga como o homem; as respostas que o homem foi encontrando para essa quest\u00e3o foram sempre parciais e insatisfat\u00f3rias&#8230; A Palavra de Deus que hoje nos \u00e9 proposta n\u00e3o esclarece definitivamente a quest\u00e3o, mas acrescenta mais uma achega: o sofrimento ajuda-nos, muitas vezes, a crescer, a amadurecer, a despirmo-nos de orgulhos e autossufici\u00eancias, a confiar mais em Deus&#8230; Somos convidados a tomar consci\u00eancia de que o sofrimento pode ser, tamb\u00e9m, um caminho para ressuscitarmos como homens novos, para chegarmos \u00e0 vida plena e definitiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De qualquer forma, somos convidados a percorrer a nossa vida com esperan\u00e7a, olhando para al\u00e9m dos problemas e dificuldades que dia a dia nos fazem trope\u00e7ar e vendo, no horizonte, a salva\u00e7\u00e3o definitiva. Isto n\u00e3o significa alhearmo-nos da vida presente; mas significa enfrentar as contrariedades e os dramas de cada dia com a serenidade e a paz de quem confia em Deus e no seu amor. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo 20,19-31<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abNa tarde daquele dia, o primeiro da semana\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abOito dias depois, estavam os disc\u00edpulos outra vez em casa e Tom\u00e9 com eles\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abPorque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos na segunda parte do Quarto Evangelho, onde nos \u00e9 apresentada a comunidade da Nova Alian\u00e7a. A indica\u00e7\u00e3o de que estamos no &#8220;primeiro dia da semana&#8221; faz, outra vez, refer\u00eancia ao tempo novo, a esse tempo que se segue \u00e0 morte\/ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, ao tempo da nova cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade criada a partir da a\u00e7\u00e3o de Jesus est\u00e1 reunida no cen\u00e1culo, em Jerusal\u00e9m. Est\u00e1 desamparada e insegura, cercada por um ambiente hostil. O medo vem do facto de n\u00e3o terem ainda feito a experi\u00eancia de Cristo ressuscitado.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ter em conta, na reflex\u00e3o, os seguintes desenvolvimentos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 gira em torno de Jesus, constr\u00f3i-se \u00e0 volta de Jesus e \u00e9 d&#8217;Ele que recebe vida, amor e paz. Sem Jesus, estaremos secos e est\u00e9reis, incapazes de encontrar a vida em plenitude; sem Ele, seremos um rebanho de gente assustada, incapaz de enfrentar o mundo e de ter uma atitude construtiva e transformadora; sem Ele, estaremos divididos, em conflito, e n\u00e3o seremos uma comunidade de irm\u00e3os&#8230; Na nossa comunidade, Cristo \u00e9 verdadeiramente o centro? \u00c9 para Ele que tudo tende e \u00e9 d&#8217;Ele que tudo parte?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade tem de ser o lugar onde fazemos verdadeiramente a experi\u00eancia do encontro com Jesus ressuscitado. \u00c9 nos gestos de amor, de partilha, de servi\u00e7o, de encontro, de fraternidade, que encontramos Jesus vivo, a transformar e a renovar o mundo. \u00c9 isso que a nossa comunidade testemunha? Quem procura Cristo, encontra-O em n\u00f3s?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 em experi\u00eancias pessoais, \u00edntimas, fechadas e ego\u00edstas que encontramos Jesus ressuscitado; mas encontramo-l&#8217;O no di\u00e1logo comunit\u00e1rio, na Palavra partilhada, no p\u00e3o repartido, no amor que une os irm\u00e3os em comunidade de vida. O que \u00e9 que significa, para mim, a Eucaristia? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o da vitalidade e comunh\u00e3o vivida na comunidade nascente. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter presente o tom narrativo, mas tamb\u00e9m o entusiasmo e a maravilha do modo como cresciam em n\u00famero e santidade os primeiros crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 um hino de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as ao Pai pela salva\u00e7\u00e3o revelada em Jesus Cristo. Ao tom de louvor e a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as que deve caracterizar a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura, junta-se a recomenda\u00e7\u00e3o de uma acurada prepara\u00e7\u00e3o das pausas e respira\u00e7\u00f5es sobretudo nas frases mais longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O PERCURSO DE TOM\u00c9, CHAMADO\u00a0G\u00c9MEO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novos percursos se abrem, e \u00e9 aqui que se inicia o Evangelho do Domingo II da P\u00e1scoa (Jo\u00e3o 20,19-31), que o Papa Jo\u00e3o Paulo II, em 30 de abril do ano 2000, consagrou como \u00abDomingo da Divina Miseric\u00f3rdia\u00bb. Os disc\u00edpulos est\u00e3o num lugar, com as portas fechadas, por medo dos judeus. O Ressuscitado, vida nova e modo novo de estar presente, que nada nem ningu\u00e9m pode reter, vem e fica no MEIO deles, o lugar da Presid\u00eancia e da Preced\u00eancia, e sa\u00fada-os: \u00abA paz convosco!\u00bb. Mostra-lhes as m\u00e3os e o lado, sinais que identificam o Ressuscitado com o Crucificado, e agrafa-os \u00e0 sua miss\u00e3o: \u00abComo o Pai me enviou (<em>ap\u00e9stalken<\/em>: perf. de\u00a0<em>apost\u00e9ll\u00f4<\/em>), tamb\u00e9m Eu vos mando ir (<em>p\u00e9mp\u00f4<\/em>)\u00bb. O envio d\u2019Ele est\u00e1 no tempo perfeito (\u00e9 para sempre): est\u00e1 sempre em miss\u00e3o; o nosso est\u00e1 no presente, e passa. O presente da nossa miss\u00e3o aparece, portanto, agrafado \u00e0 miss\u00e3o de Jesus, e n\u00e3o faz sentido sem ela e sem Ele. N\u00f3s implicados e imbricados n\u2019Ele e na miss\u00e3o d\u2019Ele, sabendo n\u00f3s que Ele est\u00e1 connosco todos os dias (cf. Mateus 28,20). \u00c9-nos dito que os disc\u00edpulos ficaram cheios de alegria ao verem (<em>id\u00f3ntes<\/em>: part. aor<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) com um olhar hist\u00f3rico (tempo aoristo) o Senhor. Tal como o Outro Disc\u00edpulo, tamb\u00e9m eles v\u00eam com um olhar hist\u00f3rico (tempo aoristo) a identidade do Senhor. O sopro de Jesus sobre eles \u00e9 o sopro criador (<em>emphys\u00e1\u00f4<\/em>), com o Esp\u00edrito, para a miss\u00e3o fr\u00e1gil-forte do Perd\u00e3o. Este sopro s\u00f3 aparece aqui em todo o Novo Testamento! Mas n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil construir uma bela ponte para G\u00e9nesis 2,7, para o sopro ou alento (<em>naphah<\/em>\u00a0TM \/\u00a0<em>emphys\u00e1\u00f4<\/em>\u00a0LXX) criador de Deus no rosto do homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A identidade do Senhor Ressuscitado est\u00e1 para al\u00e9m do rosto. Por isso, v\u00ea-lo n\u00e3o implica necessariamente reconhec\u00ea-lo, como sucede em n\u00e3o poucas p\u00e1ginas dos Evangelhos. A identidade do Ressuscitado n\u00e3o \u00e9 do dom\u00ednio da fotografia. Vem de dentro. Reside na sua vida a n\u00f3s dada por amor at\u00e9 ao fim, aponta para a Cruz. Por isso, Jesus mostra as m\u00e3os e o lado, sinais abertos para entrar no sacr\u00e1rio da sua intimidade, d\u00e1diva infinita que rebenta as paredes dos nossos olhos embotados e do nosso cora\u00e7\u00e3o empedernido. Entenda-se tamb\u00e9m que a miss\u00e3o que nos \u00e9 confiada \u00e9 mostrar Jesus. Est\u00e1 bom de ver que n\u00e3o basta exibir as capas do catecismo que mostram um Jesus de olhos azuis. S\u00f3 o podemos mostrar com a nossa vida dele recebida, e igualmente dada e comprometida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O narrador informa-nos logo a seguir que, afinal, Tom\u00e9 (<em>Toma\u2019<\/em>), chamado G\u00e9meo (<em>D\u00eddymos<\/em>),\u00a0<em>n\u00e3o estava com eles<\/em>\u00a0quando veio Jesus.\u00a0<em>D\u00eddymos<\/em>\u00a0\u00e9, na verdade, a tradu\u00e7\u00e3o literal, em grego, do aramaico\u00a0<em>Toma\u2019<\/em>\u00a0[= \u00abG\u00e9meo\u00bb]. Mas os outros diziam-lhe repetidamente (<em>\u00e9legon<\/em>: imperf. de\u00a0<em>l\u00e9g\u00f4<\/em>), imperfeito de dura\u00e7\u00e3o, com a mesma linguagem da Madalena, mas no plural: \u00abVimos (<em>he\u00f4r\u00e1kamen<\/em>: perf. de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) o Senhor!\u00bb (Jo\u00e3o 20,25). Portanto, tamb\u00e9m eles s\u00e3o testemunhas, pois viram e continuam a ver o Senhor, de acordo com o tempo perfeito do verbo grego. Mas Tom\u00e9 quer tudo controlado e verificado, ponto por ponto, e refere: \u00abSe eu n\u00e3o vir (<em>\u00edd\u00f4<\/em>: conj. aor<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) com um\u00a0<em>olhar hist\u00f3rico<\/em>\u00a0(tempo aoristo) nas suas m\u00e3os a marca dos cravos, e n\u00e3o meter o meu dedo na marca dos cravos e n\u00e3o meter a minha m\u00e3o no seu lado, n\u00e3o acreditarei\u00bb (Jo\u00e3o 20,25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novo desarme: oito dias depois, estavam outra vez os disc\u00edpulos com as portas fechadas (mas o medo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mencionado), e Tom\u00e9\u00a0<em>estava com eles<\/em>. Veio Jesus, ficou no MEIO, saudou-os com a paz, e dirigiu-se logo a Tom\u00e9 desta maneira: \u00abTraz o teu dedo aqui e v\u00ea (<em>\u00edde<\/em>: imper. aor<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) com um olhar hist\u00f3rico (tempo aoristo) as minhas m\u00e3os, e traz a tua m\u00e3o e mete-a no meu lado, e n\u00e3o sejas incr\u00e9dulo, mas crente!\u00bb (Jo\u00e3o 20,27). A\u00ed est\u00e1 Tom\u00e9 adivinhado, desvendado e desarmado. Tamb\u00e9m ele podia ter pensado: \u00abE como \u00e9 que ele sabia que eu queria fazer aquilo?\u00bb. Tom\u00e9 cai aqui, adivinhado e antecipado, por assim dizer, rasteirado, precedido por Aquele que nos precede sempre. N\u00e3o quer tirar mais provas. Confessa de imediato: \u00abMeu Senhor e meu Deus!\u00bb (Jo\u00e3o 20,28), uma das mais belas profiss\u00f5es de f\u00e9 de toda a Escritura. E Jesus diz para ele: \u00abPorque me viste e continuas a ver (<em>he\u00f4rak\u00e1s me<\/em>), tempo perfeito de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>, acreditaste e continuas a acreditar (<em>pep\u00edsteukas<\/em>), tempo perfeito de\u00a0<em>piste\u00fa\u00f4<\/em>; felizes (<em>mak\u00e1rioi<\/em>) os que, n\u00e3o tendo visto (<em>id\u00f3ntes<\/em>: part. aor<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) com um olhar hist\u00f3rico (tempo aoristo), acreditaram (<em>piste\u00fasantes<\/em>: part. aor. de\u00a0<em>piste\u00fa\u00f4<\/em>)!\u00bb (Jo\u00e3o 20,29), tempo aoristo, f\u00e9 e confian\u00e7a, ades\u00e3o hist\u00f3rica. Esta felicita\u00e7\u00e3o \u00e9 para n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Not\u00e1vel o percurso dos Disc\u00edpulos. Fechados e com medo, viram Jesus entrar e ficar no MEIO deles, sem que as portas e as paredes constitu\u00edssem obst\u00e1culo. Trocaram o medo pela alegria, e tamb\u00e9m eles come\u00e7aram a ver de forma continuada o Senhor e a diz\u00ea-lo repetidamente. Not\u00e1vel e exemplar para n\u00f3s o percurso de Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo:\u00a0<em>n\u00e3o estava com<\/em>\u00a0a comunidade, t\u00e3o-pouco aceitou o seu testemunho; queria provas. Mas quando veio Jesus e o adivinhou, entrando dentro dele, precedendo-o e presidindo-o, entregou-se completamente! Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo! Irm\u00e3o g\u00e9meo! Irm\u00e3o g\u00e9meo de quem? Meu e teu, assim pretende o narrador. De vez em quando, tamb\u00e9m n\u00f3s\u00a0<em>n\u00e3o estamos com<\/em>\u00a0a comunidade. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo. Por vezes, tamb\u00e9m duvidamos e queremos provas. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo. Salta \u00e0 vista que tamb\u00e9m devemos\u00a0<em>estar com<\/em>\u00a0a comunidade. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo. E professar convictamente a nossa f\u00e9 no Ressuscitado que nos preside (no MEIO) e nos precede sempre. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A li\u00e7\u00e3o do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos (2,42-47, mas ver tamb\u00e9m 4,32-35 e 5,12-16) deste Domingo II da P\u00e1scoa \u00e9 outra vez soberba. Trata-se de uma visita guiada ao Cen\u00e1culo, a primeira Catedral da Igreja nascente \u2013 mas com ramifica\u00e7\u00f5es em todas as casas, em todos os cora\u00e7\u00f5es \u2013, bem assente em quatro colunas: o ensino dos Ap\u00f3stolos (1), a comunh\u00e3o fraterna (2), a fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o (3) e a ora\u00e7\u00e3o (4). Com a boca cheia de louvor, os olhos de gra\u00e7a, as m\u00e3os de paz e de p\u00e3o, as entranhas de miseric\u00f3rdia, a comunidade bela crescia, crescia, crescia. N\u00e3o admira. Era t\u00e3o jovem, leve e bela, que as pessoas lutavam por entrar nela!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Filhos renascidos da grande miseric\u00f3rdia do nosso Deus, verificada pela Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, exultamos de alegria. N\u00e3o o tendo visto na hist\u00f3ria (aoristo de\u00a0<em>ide\u00een<\/em>), n\u00f3s o amamos agora, e n\u00e3o o vendo agora com os nossos olhos (<em>hor\u00f4ntes<\/em>), acreditamos agora (<em>piste\u00faontes<\/em>). A Primeira Carta de Pedro (1,3-9) apresenta-nos uma s\u00edntese feliz da vis\u00e3o nova da f\u00e9 e da obra da miseric\u00f3rdia de Deus em n\u00f3s, os dois grandes temas deste Domingo II da P\u00e1scoa ou da Divina Miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cantemos, por isso, o Salmo 118, que \u00e9 o \u00faltimo canto do chamado \u00abPequeno Hallel Pascal\u00bb (113-118), mas que era seguramente cantado noutras festividades de Israel, nomeadamente na Festa das Tendas, tendo em conta o seu teor processional, e at\u00e9 a sua distribui\u00e7\u00e3o por coros. Este Salmo levanta-se do meio da alegria pr\u00f3pria da Festa [\u00abEste \u00e9 o dia que o Senhor fez,\/ nele nos alegremos e exultemos!\u00bb: v. 24], e eleva ao Deus sempre fiel uma grande A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as por todas as maravilhas que Ele tem realizado em favor do seu povo. Sim, toda a nossa energia e toda a melodia que nos habita \u00e9 o pr\u00f3prio Senhor, conforme o bel\u00edssimo v. 14: \u00abMinha for\u00e7a e meu canto YAH!\u00bb, que soa assim em hebraico:\u00a0<em>\u2018azz\u00ee w<sup>e<\/sup>zimrat YAH<\/em>. Al\u00e9m do nosso Salmo, a express\u00e3o densa e impressiva encontra-se ainda em \u00caxodo 15,2 e Isa\u00edas 12,2. YAH est\u00e1 por YHWH. O refr\u00e3o que vamos cantar aparece a abrir e a fechar este grande Salmo, e constitui como que o envelope onde guardamos a bela melodia que cantamos. Soa assim: \u00abLouvai o Senhor porque Ele \u00e9 bom, \/ porque para sempre \u00e9 o seu amor!\u00bb (vv. 1 e 29).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor Jesus,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tanta gente que Te procura \u00e0 pressa e Te quer ver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas quando dizem que Te querem ver,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 para Te conhecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o teu rosto, a cor dos teus olhos e cabelos,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tez da tua pele, a tua forma de vestir que os atrai e contagia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Querem ver-te como se fosse numa fotografia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Tu, Senhor Jesus Ressuscitado,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Te d\u00e1s a conhecer a n\u00f3s,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o mostras o rosto,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma fotografia,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cart\u00e3o de cidad\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se fosse assim,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mal seria que os teus amigos Te n\u00e3o reconhecessem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o facto \u00e9 que,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando surges no meio deles,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o Te reconhecem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E em vez do rosto,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o, afinal, as m\u00e3os e o lado que apresentas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entenda-se: \u00e9 a tua maneira de viver que nos queres fazer ver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, a tua identidade \u00e9 dar a vida,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dar a m\u00e3o e o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 essa a tua li\u00e7\u00e3o, a tua paix\u00e3o, a tua ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor, d\u00e1-nos sempre desse p\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Leitura-I-do-Domingo-II-da-Pascoa-Domingo-da-Divina-Misericordia-Ano-A-16.04.2023-Atos-2-42-47.pdf\">Leitura I do Domingo II da P\u00e1scoa &#8211; Domingo da Divina Miseric\u00f3rdia &#8211; Ano A &#8211; 16.04.2023 (Atos 2, 42-47)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Leitura-II-do-Domingo-II-da-Pascoa-Domingo-da-Divina-Misericordia-Ano-A-16.04.2023-1-Pedro-1-3-9.pdf\">Leitura II do Domingo II da P\u00e1scoa &#8211; Domingo da Divina Miseric\u00f3rdia &#8211; Ano A &#8211; 16.04.2023 (1 Pedro 1, 3-9)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Domingo-II-da-Pascoa-Ano-A-16.04.2023-Lecionario.pdf\">Domingo II da P\u00e1scoa &#8211; Ano A &#8211; 16.04.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Domingo-II-da-Pascoa-Ano-A-16.04.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo II da P\u00e1scoa &#8211; Ano A &#8211; 16.04.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo de P\u00e1scoa na Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor \u2013 Ano A \u2013 09.04.2023 Missa do Dia&#8221; tab_id=&#8221;1681722739181-93a0818d-a16a&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo de P\u00e1scoa na Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor &#8211; Ano A \u2013 09.04.2023<br \/>\nMissa do Dia<br \/>\n<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em><sup>8<\/sup><\/em><\/strong><strong><em>Ent\u00e3o, entrou tamb\u00e9m o outro disc\u00edpulo, o que tinha chegado primeiro ao t\u00famulo. Viu e come\u00e7ou a crer,\u00a0<sup>9<\/sup>pois ainda n\u00e3o tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.\u00a0<sup>10<\/sup>A seguir, os disc\u00edpulos regressaram a casa. Jo 20, 8-10<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Domingo-de-Pascoa.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"373\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manh\u00e3zinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria Madalena sai de casa muito cedo, ainda escuro no c\u00e9u e, mais ainda, no seu cora\u00e7\u00e3o. Ela dirige-se ao sepulcro Daquele que lhe ofereceu uma vida nova e uma possibilidade renovada de escrever a sua exist\u00eancia quando a libertou dos seus \u00ab<em>sete dem\u00f3nios<\/em>\u00bb (Mc 16,9). Ao contr\u00e1rio das narrativas de Marcos e de Lucas que indicam que as mulheres que se dirigem ao sepulcro levam perfumes e aromas, seguindo assim as tradi\u00e7\u00f5es funer\u00e1rias pr\u00f3prias da sua cultura, nesta narrativa, Maria Madalena nada leva consigo. No crep\u00fasculo daquela jornada que marcar\u00e1 indelevelmente o curso da hist\u00f3ria, ela dirige-se ao sepulcro, transportando apenas a hist\u00f3ria de liberta\u00e7\u00e3o e de vida que o crucificado lhe ofereceu quando outrora a acolheu e renovou no seu cora\u00e7\u00e3o a esperan\u00e7a e a confian\u00e7a. Ela acorre ao sepulcro levando no seu cora\u00e7\u00e3o a certeza que escreve Gabriel Marcel: \u00ab<em>amar \u00e9 dizer: tu n\u00e3o morrer\u00e1s!<\/em>\u00bb. Como pode morrer Aquele que lhe ofereceu um horizonte novo de vida? Como pode estar ausente Aquele cuja presen\u00e7a transformou o seu cora\u00e7\u00e3o e a sua hist\u00f3ria?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, abeiramo-nos da P\u00e1scoa do Senhor como Maria Madalena do sepulcro e, se caminhamos ainda no escuro da noite, levamos connosco a hist\u00f3ria de ressurrei\u00e7\u00e3o e de vida que o Ressuscitado inscreve na nossa exist\u00eancia. N\u00e3o podemos deixar que as trevas e sombras, que tantas vezes nos invadem, nos impe\u00e7am de fazer ecoar no tempo e na hist\u00f3ria a certeza de que o sepulcro vazio \u00e9 an\u00fancio de vida nova. T\u00e3o vazio, mas t\u00e3o cheio de sinais, aquele sepulcro anuncia que um tempo novo se abre diante da humanidade, porque a morte e o pecado foram vencidos pela for\u00e7a transformadora do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cristo ressuscitou e a Sua ressurrei\u00e7\u00e3o enche de esperan\u00e7a a nossa vida e a nossa hist\u00f3ria. Cristo crucificado atravessando o limiar da dor e do sofrimento, ensina-nos que as trevas e a dor n\u00e3o t\u00eam mais a \u00faltima palavra. Como recorda Luigi Maria Epicoco:\u00a0<em>\u00abn\u00e3o somos chamados \u00e0 Cruz, mas \u00e0 Ressurrei\u00e7\u00e3o, tal como uma m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 chamada \u00e0s dores, mas ao parto\u00bb.<\/em>\u00a0Somos chamados \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o e \u00e0 vida e ainda que o sofrimento e a dor possam integrar a nossa exist\u00eancia, e, por isso, caminhamos animados pela certeza que cantamos no Salmo: \u00ab<em>este \u00e9 o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Cristo Ressuscitou! Aleluia! Aleluia<\/em>\u00bb. Estas palavras cheias de alegria e de esperan\u00e7a s\u00e3o repetidas mundo fora por milh\u00f5es de homens e mulheres, trazendo a certeza de que nem a morte, nem a pedra do sepulcro, por mais pesada que seja, conseguiu conter o grito do amor que brotou do cora\u00e7\u00e3o de Deus e que em Jesus Cristo quer abra\u00e7ar o cora\u00e7\u00e3o da humanidade. Cantemos de alegria porque o Senhor ressuscitou, renovemos no nosso cora\u00e7\u00e3o a confian\u00e7a e a esperan\u00e7a porque Ele est\u00e1 vivo e caminha connosco. Como nos exorta S. Paulo: \u00ab<em>se ressuscitastes com Cristo, aspirai \u00e0s coisas do alto, onde est\u00e1 Cristo, sentado \u00e0 direita de Deus. Afei\u00e7oai-vos \u00e0s coisas do alto e n\u00e3o \u00e0s da terra<\/em>\u00bb. De olhos postos no c\u00e9u, caminhando com os p\u00e9s bem assentes na terra, atravessamos os trilhos da hist\u00f3ria na certeza de que Cristo est\u00e1 vivo e que a Sua ressurrei\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 a fazer irromper nas sombras e trevas deste mundo a certeza da mais bela e luminosa Primavera. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A alegria que brota da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor prolonga-se ao longo de cinquenta dias na celebra\u00e7\u00e3o do Tempo Pascal. Os diversos sinais lit\u00fargicos, como o c\u00edrio pascal, os ritos da aspers\u00e3o, entre outros sinais e gestos, favorecem a tomada de consci\u00eancia de que o Tempo Pascal se prolonga at\u00e9 ao Pentecostes. Por\u00e9m, ao contr\u00e1rio do Tempo Quaresmal onde se prop\u00f5em tantas atividades e din\u00e2micas, frequentemente o Tempo Pascal aparece desprovido de uma proposta de reflex\u00e3o e viv\u00eancia al\u00e9m da Eucaristia Dominical. Por isso, seria de grande proveito para os fi\u00e9is, a valoriza\u00e7\u00e3o deste tempo com a proposta de momentos de ora\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o como a\u00a0<em>Via Lucis<\/em>, as Catequeses ou celebra\u00e7\u00f5es mistag\u00f3gicas, entre outras propostas criativas e din\u00e2micas, em jeito de sa\u00edda mission\u00e1ria, que estimulem a comunidade a testemunhar a alegria do Ressuscitado. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda em Quaresma, estamos a caminho da P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Atos 10, 34a.37-43<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abDeus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se a n\u00f3s que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A obra de Lucas (Evangelho e Atos dos Ap\u00f3stolos) aparece entre os anos 80 e 90, numa fase em que a Igreja j\u00e1 se encontra organizada e estruturada, mas em que come\u00e7am a surgir \u201cmestres\u201d pouco ortodoxos, com propostas doutrinais estranhas e, \u00e0s vezes, pouco crist\u00e3s. Neste ambiente, as comunidades crist\u00e3s come\u00e7am a necessitar de crit\u00e9rios claros que lhes permitam discernir a verdadeira doutrina de Jesus, da falsa doutrina dos falsos mestres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas apresenta, ent\u00e3o, a Palavra de Jesus, transmitida pelos ap\u00f3stolos sob o impulso do Esp\u00edrito Santo: \u00e9 essa Palavra que cont\u00e9m a proposta libertadora que Deus quer apresentar aos homens. Nos Atos, em especial, Lucas mostra como a Igreja nasce da Palavra de Jesus, fielmente anunciada pelos ap\u00f3stolos; ser\u00e1 esta Igreja, animada pelo Esp\u00edrito, fiel \u00e0 doutrina transmitida pelos ap\u00f3stolos, que tornar\u00e1 presente o plano salvador do Pai e o far\u00e1 chegar a todos os homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste texto, em concreto, Lucas prop\u00f5e-nos o testemunho e a catequese de Pedro em Cesareia, em casa do centuri\u00e3o romano Corn\u00e9lio. Convocado pelo Esp\u00edrito (cf. Act 10,19-20), Pedro entra em casa de Corn\u00e9lio, exp\u00f5e-lhe o essencial da f\u00e9 e batiza-o, bem como a toda a sua fam\u00edlia (cf. Act 10,23b-48). O epis\u00f3dio \u00e9 importante porque Corn\u00e9lio \u00e9 o primeiro pag\u00e3o a cem por cento a ser admitido ao cristianismo por um dos Doze (o et\u00edope de que se fala em Act 8,26-40 j\u00e1 era \u201cpros\u00e9lito\u201d, isto \u00e9, simpatizante do juda\u00edsmo). Significa que a vida nova que nasce de Jesus \u00e9 para todos os homens. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir das seguintes coordenadas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 a consequ\u00eancia de uma vida gasta a \u201cfazer o bem e a libertar os oprimidos\u201d. Isso significa que, sempre que algu\u00e9m \u2013 na linha de Jesus \u2013 se esfor\u00e7a por vencer o ego\u00edsmo, a mentira, a injusti\u00e7a e por fazer triunfar o amor, est\u00e1 a ressuscitar; significa que, sempre que algu\u00e9m \u2013 na linha de Jesus \u2013 se d\u00e1 aos outros e manifesta, em gestos concretos, a sua entrega aos irm\u00e3os, est\u00e1 a construir vida nova e plena. Eu estou a ressuscitar (porque caminho pelo mundo fazendo o bem e libertando os oprimidos), ou a minha vida \u00e9 um repisar os velhos esquemas do ego\u00edsmo, do orgulho, do comodismo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus significa, tamb\u00e9m, que o medo, a morte, o sofrimento, a injusti\u00e7a, deixam de ter poder sobre o homem que ama, que se d\u00e1, que partilha a vida. Ele tem assegurada a vida plena \u2013 essa vida que os poderes do mundo n\u00e3o podem destruir, atingir ou restringir. Ele pode, assim, enfrentar o mundo com a serenidade que lhe vem da f\u00e9. Estou consciente disto, ou deixo-me dominar pelo medo, sempre que tenho de agir para combater aquilo que rouba a vida e a dignidade, a mim e a cada um dos meus irm\u00e3os?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos disc\u00edpulos pede-se que sejam as testemunhas da ressurrei\u00e7\u00e3o. N\u00f3s n\u00e3o vimos o sepulcro vazio; mas fazemos, todos os dias, a experi\u00eancia do Senhor ressuscitado, que est\u00e1 vivo e que caminha ao nosso lado nos caminhos da hist\u00f3ria. A nossa miss\u00e3o \u00e9 testemunhar essa realidade; no entanto, o nosso testemunho ser\u00e1 oco e vazio se o nosso testemunho n\u00e3o for comprovado pelo amor e pela doa\u00e7\u00e3o (as marcas da vida nova de Jesus). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 117 (118)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> Este \u00e9 o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Col 3, 1-4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSe ressuscitastes com Cristo, aspirai \u00e0s coisas do alto, onde est\u00e1 Cristo, sentado \u00e0 direita de Deus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando escreveu a Carta aos Colossenses, Paulo estava na pris\u00e3o (em Roma?). Epafras, seu amigo, visitou-o e falou-lhe da \u201ccrise\u201d por que estava a passar a Igreja de Colossos. Alguns doutores locais ensinavam doutrinas estranhas, que misturavam especula\u00e7\u00f5es acerca dos anjos (cf. Col 2,18), pr\u00e1ticas asc\u00e9ticas, rituais legalistas, prescri\u00e7\u00f5es sobre os alimentos e a observ\u00e2ncia de determinadas festas (cf. Col 2,16.21): tudo isso deveria (na opini\u00e3o desses \u201cmestres\u201d) completar a f\u00e9 em Cristo, comunicar aos crentes um conhecimento superior de Deus e dos mist\u00e9rios crist\u00e3os e possibilitar uma vida religiosa mais aut\u00eantica. Contra este sincretismo religioso, Paulo afirma a absoluta sufici\u00eancia de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como segunda leitura \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 reflex\u00e3o moral da carta (cf. Col 3,1-4,6). Depois de apresentar a centralidade de Cristo no projeto salvador de Deus (cf. Col 1,13-2,23), Paulo recorda aos crist\u00e3os de Colossos que \u00e9 preciso viver de forma coerente e verdadeiro o compromisso assumido com Cristo. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar as seguintes quest\u00f5es, na reflex\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O batismo introduz-nos numa din\u00e2mica de comunh\u00e3o com Cristo ressuscitado. Tenho consci\u00eancia de que o meu batismo significou um compromisso com Cristo? Quando, de alguma forma, tenho um papel ativo na prepara\u00e7\u00e3o ou na celebra\u00e7\u00e3o do sacramento do batismo, tenho consci\u00eancia \u2013 e procuro passar essa mensagem \u2013 de que o sacramento n\u00e3o \u00e9 um ato tradicional ou social (que, por acaso, at\u00e9 proporciona fotografias bonitas), mas um compromisso s\u00e9rio e exigente com Cristo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A minha vida tem sido uma caminhada coerente com esta din\u00e2mica de vida nova que come\u00e7ou no dia em que fui batizado? Esfor\u00e7o-me, realmente, por me despojar do \u201chomem velho\u201d, ego\u00edsta e escravo do pecado, e por me revestir do \u201chomem novo\u201d, que se identifica com Cristo e que vive no amor, no servi\u00e7o, na doa\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo 20, 1-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abMaria Madalena foi de manh\u00e3zinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abNa verdade, ainda n\u00e3o tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira parte do Quarto Evangelho (cf. Jo 4,1-19,42), Jo\u00e3o descreve a atividade criadora e vivificadora do Messias (o \u00faltimo passo dessa atividade destinada a fazer surgir o Homem Novo \u00e9, precisamente, a morte na cruz: a\u00ed, Jesus apresenta a \u00faltima e definitiva li\u00e7\u00e3o \u2013 a li\u00e7\u00e3o do amor total, que n\u00e3o guarda nada para si, mas faz da sua vida um dom radical ao Pai e aos irm\u00e3os); na segunda parte (cf. Jo 20,1-31), Jo\u00e3o apresenta o resultado da a\u00e7\u00e3o de Jesus: a comunidade de Homens Novos, recriados e vivificados por Jesus, que com Ele aprenderam a amar com radicalidade. Trata-se dessa comunidade de homens e mulheres que se converteram e aderiram a Jesus e que, em cada dia \u2013 mesmo diante do sepulcro vazio \u2013 s\u00e3o convidados a manifestar a sua f\u00e9 n\u2019Ele.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir dos seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A l\u00f3gica humana vai na linha da figura representada por Pedro: o amor partilhado at\u00e9 \u00e0 morte, o servi\u00e7o simples e sem pretens\u00f5es, a entrega da vida, s\u00f3 conduzem ao fracasso e n\u00e3o s\u00e3o um caminho s\u00f3lido e consistente para chegar ao \u00eaxito, ao triunfo, \u00e0 gl\u00f3ria; da cruz, do amor radical, da doa\u00e7\u00e3o de si, n\u00e3o pode resultar realiza\u00e7\u00e3o, felicidade, vida plena. \u00c9 verdade que \u00e9 esta a perspetiva da cultura dominante; \u00e9 verdade que \u00e9 esta a perspetiva de muitos crist\u00e3os (representados na figura de Sim\u00e3o Pedro). Como me situo face a isto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus prova, precisamente, que a vida plena, a vida total, a transfigura\u00e7\u00e3o total da nossa realidade finita e das nossas capacidades limitadas passa pelo amor que se d\u00e1, com radicalidade, at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias. Tenho consci\u00eancia disso? \u00c9 nessa dire\u00e7\u00e3o que conduzo a caminhada da minha vida?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pela f\u00e9, pela esperan\u00e7a, pelo seguimento de Cristo e pelos sacramentos, a semente da ressurrei\u00e7\u00e3o (o pr\u00f3prio Jesus) \u00e9 depositada na realidade do homem\/corpo. Revestidos de Cristo, somos nova criatura: estamos, portanto, a ressuscitar, at\u00e9 atingirmos a plenitude, a matura\u00e7\u00e3o plena, a vida total (quando ultrapassarmos a barreira da morte f\u00edsica). Aqui come\u00e7a, pois, a nova humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura de Pedro pode tamb\u00e9m representar, aqui, essa velha prud\u00eancia dos respons\u00e1veis institucionais da Igreja, que os impede de ir \u00e0 frente da caminhada do Povo de Deus, de arriscar, de aceitar os desafios, de aderir ao novo, ao desconcertante, ao incompreens\u00edvel. O Evangelho de hoje sugere que \u00e9, precisamente a\u00ed que, tantas vezes, se revela o mist\u00e9rio de Deus e se encontram ecos de ressurrei\u00e7\u00e3o e de vida nova. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 marcada por um longo discurso de Pedro anunciando a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter em aten\u00e7\u00e3o as longas frases com diversas ora\u00e7\u00f5es que exigem um especial cuidado na respira\u00e7\u00e3o e nas pausas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A brevidade da <strong>segunda leitura<\/strong>, tirada da Carta aos Colossenses, n\u00e3o deve diminuir o cuidado na sua prepara\u00e7\u00e3o. A ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 fonte de transforma\u00e7\u00e3o da vida dos fi\u00e9is. Deste modo, a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ser marcada pelo tom exortativo, valorizando as formas verbais no imperativo: \u00ab<em>aspirai<\/em>\u00bb e \u00ab<em>afei\u00e7oai-vos<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00daMULO ABERTO, MAS N\u00c3O VAZIO: CHEIO DE\u00a0SINAIS!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abEsta \u00e9 a Obra do Senhor!\u00bb, assim gritava com \u00abvoz forte\u00bb (grito de Vit\u00f3ria e de Revela\u00e7\u00e3o) Jesus na Cruz, deci\u00adfrando a Cruz, recitando o Salmo 22 todo (entenda\u2011se a meto\u00adn\u00edmia de Mateus 27,46 e Marcos 15,34, citando apenas o in\u00edcio). Par\u00adticularmente ao longo da Semana Santa, dita \u00abGrande\u00bb ou \u00abdos Mist\u00e9rios\u00bb pela Igreja do Oriente, Deus exp\u00f4s (<em>pro\u00e9theto<\/em>) diante dos nossos olhos at\u00f3nitos \u2013 e logo a partir do Domingo de Ramos \u2013 o Rei Vitorioso no seu Trono de Gra\u00e7a e de Gl\u00f3ria, que \u00e9 a Cruz (veja\u2011se aqui demoradamente Romanos 3,24\u201125), tomando posse da sua Igreja\u2011Esposa para o efeito redimida na \u00ab\u00e1gua e no sangue\u00bb (Jo\u00e3o 19,34; Ef\u00e9sios 5,25\u201127), isto \u00e9, no Esp\u00edrito Santo, conforme ensina Jesus com \u00abvoz forte\u00bb (!) no grande texto de Jo\u00e3o 7,37-39. Para aqui apontava tamb\u00e9m a \u00abcaminhada\u00bb quaresmal, a qual \u2013 v\u00ea\u2011se agora claramente \u2013 s\u00f3 daqui podia afinal ter partido. \u00c9 este \u00abo Mist\u00e9rio Grande\u00bb (Ef\u00e9sios 5,32) que nos foi dado a conhecer por Deus (Romanos 16,25\u201126; 1 Cor\u00edntios 2,7\u201110; Ef\u00e9sios 3,3\u201111; Colossenses 1,26\u201127). E s\u00f3 Deus pode dar tanto a conhecer (veja\u2011se agora o texto espantoso de Ef\u00e9sios 3,14\u201121). \u00c9 quanto Deus operou na Cruz! Por isso, exultamos e nos alegramos (com a\u00a0<em>Char\u00e1<\/em>, a alegria grande da P\u00e1scoa), pois \u00abeste \u00e9 o Dia que o Senhor fez\u00bb (Salmo 118,24) e em que o Senhor nos fez! \u00c9 o \u00abPrimeiro Dia\u00bb (Mateus 28,1; Marcos 16,2 e 9; Lucas 24,1; Jo\u00e3o 20,1 e 19; Atos 20,7; 1 Cor\u00edntios 16,2), e tal permanecer\u00e1 para sempre (!), o \u00abDia do Senhor, o Dia Grande\u00bb (Atos 2,20; Apocalipse 1,10), o Domingo, todos os Domingos, o Ano Lit\u00fargico todo, o Ano da Gra\u00e7a do Senhor, em que a Igreja\u2011Esposa, redi\u00admida, santificada, bela (apresentada no Apocalipse com voz forte), celebra jubilosamente o seu Senhor, \u00e0 volta do al\u00adtar, do amb\u00e3o, do batist\u00e9rio: tudo \u00absinais\u00bb do t\u00famulo aberto do Senhor Ressuscitado, donde emerge continuamente a mensagem da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Aleluia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Domingo de P\u00e1scoa na Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor oferece-nos o grande texto de Jo\u00e3o 20,1-10, com a descoberta do t\u00famulo aberto, mas n\u00e3o vazio! T\u00famulo aberto: a pedra muito grande (Marcos 16,4) do poder da morte tinha sido retirada, e o Anjo do Senhor sentou-se sobre ela (Mateus 28,2), impressionante imagem de soberania e vit\u00f3ria! Mas n\u00e3o vazio: est\u00e1, na verdade, cheio de sinais, que \u00e9 preciso ler com aten\u00e7\u00e3o: um jovem sentado \u00e0 direita com uma t\u00fanica branca (Marcos 16,4), dois homens com vestes fulgurantes (Lucas 24,4), as faixas de linho no ch\u00e3o e o sud\u00e1rio enrolado noutro lugar (Jo\u00e3o 20,6-7). \u00c9 importante ler os sinais e ouvir as mensagens! Se o t\u00famulo estivesse vazio, como vulgarmente e inadvertidamente dizemos, est\u00e1vamos perante uma aus\u00eancia cega e muda. Na verdade, os sinais e as mensagens mostram uma presen\u00e7a nova que somos convidados a descobrir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto imenso de Jo\u00e3o 20,1-10 coloca-nos ainda diante dos olhos o in\u00edcio de diferentes percursos por parte de diferentes figuras face aos sinais encontrados ou ainda n\u00e3o, lidos ou ainda n\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Madalena vai de manh\u00e3 cedo, ainda escuro, ao t\u00famulo, e v\u00ea, com um olhar normal (verbo grego\u00a0<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>) que at\u00e9 causa afli\u00e7\u00e3o a pedra retirada (<em>\u00earm\u00e9nos<\/em>) para sempre e por Deus (Jo\u00e3o 20,1), tal \u00e9 o significado imposto por\u00a0<em>\u00earm\u00e9nos<\/em>, partic\u00edpio perfeito passivo de\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>. De facto, at\u00e9 d\u00f3i e aflige que se veja o inef\u00e1vel como quem v\u00ea uma coisa qualquer, cegos como estamos tantas vezes pelos nossos preconceitos! Esta pedra para sempre retirada por Deus reclama e estabelece contraponto com a pedra por algum tempo retirada (aoristo de\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>) pelos homens do t\u00famulo de L\u00e1zaro (Jo\u00e3o 11,39 e 41). Cega pelos seus preconceitos, a Madalena falha a vis\u00e3o do inef\u00e1vel, e corre logo, equivocada, a levar uma falsa not\u00edcia: \u00abRetiraram (aoristo de\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>) o Senhor do t\u00famulo, e n\u00e3o sabemos onde o puseram\u00bb (Jo\u00e3o 20,2). Mas o leitor atento e competente do IV Evangelho n\u00e3o estranha esta cegueira da Madalena. \u00c9 que o narrador informa-nos que ela anda ainda no escuro (Jo\u00e3o 20,1), e, no IV Evangelho, quem anda na noite e no escuro, anda perdido na incompreens\u00e3o e na cegueira, e nada entende ou d\u00e1 bom resultado. A oposi\u00e7\u00e3o luz \u2013 trevas atravessa de l\u00e9s-a-l\u00e9s o inteiro texto do IV Evangelho. A Luz verdadeira que vem a este mundo para iluminar todos os homens \u00e9 Jesus (Jo\u00e3o 1,9). Sem esta Luz que \u00e9 Jesus, andamos \u00e0s escuras, na noite, na cegueira, na dor, no fracasso, na incompreens\u00e3o. \u00c9 assim, narrativamente \u2013 e, portanto, exemplarmente, para n\u00f3s, leitores \u2013, que somos levados a constatar como Nicodemos, que anda de noite (Jo\u00e3o 3,2) e nada entende, como os disc\u00edpulos, que nada pescam de noite (Jo\u00e3o 21,3) e no meio do escuro andam perdidos (Jo\u00e3o 6,17-18), como o homem da noite na noite perdido, que \u00e9 Judas (Jo\u00e3o 13,30; 18,3), enfim, como Pedro, perdido na noite e no meio dos guardas (Jo\u00e3o 18,17-18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A not\u00edcia levada pela Madalena p\u00f5e em movimento Sim\u00e3o Pedro e o \u00abdisc\u00edpulo amado\u00bb. Anote\u2011se a progress\u00e3o e repare-se atentamente nos verbos utilizados: 1) Maria Madale\u00adna vai ao t\u00famulo, e v\u00ea (<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>) a pedra (da morte) retirada. 2) O outro disc\u00edpulo, \u00abo disc\u00edpulo amado\u00bb, corria juntamente com Pedro, mas chegou primeiro (!), inclina-se e v\u00ea (<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>) as faixas de linho no ch\u00e3o. 3) Pedro, que corria juntamente com \u00abo disc\u00edpulo amado\u00bb, mas SEGUINDO-O e chegando depois\u2026 Na verdade, ainda em Jo\u00e3o 18,15, os dois SEGUIAM Jesus, que \u00e9 a correta postura do disc\u00edpulo. Pedro, por\u00e9m, n\u00e3o SEGUIU Jesus at\u00e9 ao fim: ficou ali estacionado no p\u00e1tio do Sumo-Sacerdote! Mais do que isso e pior do que isso, em vez de estar com Jesus, Pedro ficou com os guardas, a aquecer-se com os guardas! (Jo\u00e3o 18,18). Pedro, portanto, n\u00e3o fez o curso ou o percurso de disc\u00edpulo de Jesus at\u00e9 ao fim! Deixou por fazer umas quantas unidades curriculares. \u00c9 por isso que agora tem de SEGUIR algu\u00e9m que tenha SEGUIDO Jesus at\u00e9 ao fim. \u00c9 por isso, e s\u00f3 por isso \u2013 nada tem a ver com idades (Pedro mais idoso, o \u00abdisc\u00edpulo amado\u00bb mais jovem!) \u2013 que Pedro tem agora de SEGUIR o \u00abdisc\u00edpulo amado\u00bb, chegando naturalmente ao t\u00famulo atr\u00e1s dele. Note-se ainda que, n\u00e3o obstante um ir \u00e0 frente e o outro atr\u00e1s, correm os dois juntos. \u00c9 aquilo que ainda hoje vemos na catequese e na mistagogia crist\u00e3s: corremos sempre juntos, mas algu\u00e9m vai \u00e0 frente, para ensinar o caminho aos outros! Bel\u00edssima comunh\u00e3o em corrida!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro, que corria juntamente com o \u00abdisc\u00edpulo amado\u00bb, mas SEGUINDO-O, entra no t\u00famulo que o \u00abdisc\u00edpulo amado\u00bb cuidadosamente sinaliza e lhe aponta (ele \u00e9 o grande sinalizador de Jesus: veja-se Jo\u00e3o 13,24 e 21,7), e v\u00ea (<em>the\u00f4r\u00e9\u00f4<\/em>: um ver que d\u00e1 que pensar e que abre para a f\u00e9: cf. Jo\u00e3o 2,23; 4,19; 6,2.19.40.62) as faixas de linho no ch\u00e3o e o sud\u00e1rio que cobrira o Rosto de Jesus, \u00e0 parte, dobrado cuidadosamente, como \u00absinal\u00bb do Corpo ausente do Ressuscitado! Conclus\u00e3o: o corpo de Jesus n\u00e3o foi roubado, como sup\u00f4s a Madalena equivocada! Os ladr\u00f5es n\u00e3o costumam deixar a casa roubada t\u00e3o em ordem! Por isso, Pedro v\u00ea com o olhar de quem fica a pensar no que se ter\u00e1 passado\u2026 Talvez seja coisa de Deus\u2026 Com a indica\u00ad\u00e7\u00e3o preciosa de que o v\u00e9u foi cuidadosamente retirado do seu Rosto, a Revela\u00e7\u00e3o convida agora a contemplar o Rosto divino no Rosto humano do Ressuscitado: vendo\u2011o a Ele, v\u00ea\u2011se o Pai (cf. Jo\u00e3o 14,9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abO disc\u00edpulo amado\u00bb entrou, viu com um olhar hist\u00f3rico (tempo aoristo) de quem v\u00ea por dentro a identidade (verbo grego\u00a0<em>ide\u00een<\/em>), e acreditou (v. 8). \u00c9 o olhar de quem v\u00ea o inef\u00e1vel, verdadeiro cl\u00edmax do relato: anote\u2011se a passagem do verbo ver do presente para o aoristo, e de fora para dentro: \u00abo disc\u00edpulo amado\u00bb viu na hist\u00f3ria a identidade dos \u00absinais\u00bb: toda a Economia divina realizada! O relato evang\u00e9lico \u00e9 s\u00f3brio, mas rico e denso. Fiel a esta intensa sobriedade, a arte crist\u00e3 nunca se atreveu a representar a ressurrei\u00e7\u00e3o antes dos s\u00e9culos X-XI. \u00c9 tal o fulgor da Luz deste mist\u00e9rio, que ficar\u00e1 sempre no dom\u00ednio do inef\u00e1vel, que simultaneamente ilumina e esconde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A narrativa de Jo\u00e3o 20 abre com a Madalena, que vai de manh\u00e3 cedo, ainda escuro, ao t\u00famulo, e v\u00ea, com um olhar normal (verbo grego\u00a0<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>) a pedra\u00a0<em>retirada<\/em>\u00a0(<em>\u00earm\u00e9nos<\/em>) para sempre e por Deus (Jo\u00e3o 20,1), tal \u00e9 o significado imposto por\u00a0<em>\u00earm\u00e9nos<\/em>, partic\u00edpio perfeito passivo de\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>. Conforme a grandiosa narrativa, a Madalena tem diante dos olhos o inef\u00e1vel. Mas cega como est\u00e1 pelos seus preconceitos, a Madalena falha a vis\u00e3o do inef\u00e1vel, e corre logo, equivocada, a levar uma falsa not\u00edcia: \u00abRetiraram (aoristo de\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>) o Senhor do t\u00famulo, e n\u00e3o sabemos onde o puseram\u00bb (Jo\u00e3o 20,2). N\u00e3o \u00e9 de admirar, dado que a Madalena anda pelo escuro, e, no IV Evangelho, quem anda no escuro ou na noite, n\u00e3o v\u00ea a Luz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que n\u00e3o fa\u00e7a parte do Evangelho deste Dia Grande, vale a pena, para que n\u00e3o fique perdido, acostar aqui o percurso que a Madalena continua a fazer em Jo\u00e3o 20,11-18. Mudou de olhar. Aparece agora junto do t\u00famulo a chorar, inclina-se e v\u00ea, agora tamb\u00e9m (como Pedro) com um ver que d\u00e1 que pensar (verbo grego\u00a0<em>the\u00f4r\u00e9\u00f4<\/em>), dois anjos vestidos de branco (cor divina), estrategicamente colocados no t\u00famulo, como sinais. Perguntam \u00e0 Madalena: \u00abMulher, por que choras?\u00bb. Na verdade, ela ainda est\u00e1 do lado da morte, do escuro, da dor, da tristeza. A paisagem em que se move ou a p\u00e1gina que a move ainda \u00e9 o Cap\u00edtulo 19 de Jo\u00e3o, daquele Jesus morto por m\u00e3os humanas retirado (Jo\u00e3o 19,38), daquele Rei por m\u00e3os humanas retirado (Jo\u00e3o 19,15[2x]), ou at\u00e9 daquela pedra por m\u00e3os humanas retirada do t\u00famulo de L\u00e1zaro (Jo\u00e3o 11,39 e 41) \u2013 em todos os casos o verbo\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>\u00a0no aoristo \u2013, n\u00e3o sabendo ainda ler a pedra para sempre retirada por Deus, de Jo\u00e3o 20,1. \u00c9 ainda \u00e0 procura de um corpo morto que ela anda. De um corpo morto a que ela se acha com direito de posse. Talvez seja este o preconceito que lhe tolhe o olhar e a impede de ver o inef\u00e1vel. Na verdade, responde assim \u00e0 pergunta feita pelos dois anjos: \u00abRetiraram o meu Senhor, e n\u00e3o sei onde o puseram\u00bb (Jo\u00e3o 20,13). Note-se outra vez o aoristo do verbo\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>, e note-se agora tamb\u00e9m o possessivo \u00abmeu\u00bb afeto a Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando-se para o jardim, v\u00ea, outra vez com um ver que d\u00e1 que pensar (<em>the\u00f4r\u00e9\u00f4<\/em>), um homem de p\u00e9, que ela pensa ser o jardineiro, mas que, na verdade, \u00e9 Jesus, que a deixa espantada com a segunda pergunta que lhe faz: \u00abMulher, por que choras? (normal, pois ela continuava a chorar); a quem procuras?\u00bb. Esta segunda pergunta desvenda a Madalena, retirando-a dos preconceitos que a cegam. Precedendo-a, antecipando-se a ela, adivinhando-a com aquela pergunta direita ao cora\u00e7\u00e3o, Jesus d\u00e1-se a conhecer \u00e0 Madalena, deixando-a a pensar mais ou menos assim: \u00abE como \u00e9 que este desconhecido sabe que eu ando \u00e0 procura de algu\u00e9m neste jardim?\u00bb. Compreendendo-se compreendida, a Madalena come\u00e7a a sair aqui da sua cegueira, mas ainda precisa de algum tempo para mudar de paisagem, de margem, de p\u00e1gina, do Cap\u00edtulo 19 para o Cap\u00edtulo 20. A resposta que d\u00e1 \u00e9 elucidativa: \u00abSe foste tu que\u00a0<em>o<\/em>\u00a0levaste, diz-me onde\u00a0<em>o<\/em>\u00a0puseste, e eu\u00a0<em>o<\/em>\u00a0retirarei\u00bb (Jo\u00e3o 20,15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao responder com um pronome tr\u00eas vezes repetido, que esconde o nome, v\u00ea-se bem que a Madalena sabe que aquele desconhecido bem sabe quem ela procura. E confessa aqui o intento que desde aquela madrugada, ainda escuro, a movia: retirar para si aquele corpo morto! Manifesta que anda ainda perdida no Cap\u00edtulo 19, quando responde \u00abem hebraico\u00bb (<em>hebra\u00efst\u00ed<\/em>) a Jesus que acabava de pronunciar o nome dela: \u00abMaria!\u00bb (Jo\u00e3o 20,16). A locu\u00e7\u00e3o adverbial \u00abem hebraico\u00bb (<em>hebra\u00efst\u00ed<\/em>) \u00e9 uma ponte para Jo\u00e3o 19,13 e 17. Equivocada como anda, ainda quer reter o Ressuscitado, mas n\u00e3o pode: aprende ainda que nada nem ningu\u00e9m pode reter o Ressuscitado, aquela vida nova, aquele modo novo de estar presente! Leva tempo at\u00e9 passar da margem da morte para a margem da vida verdadeira! E finalmente vai anunciar aos disc\u00edpulos, que Jesus significativamente chama \u00abmeus irm\u00e3os\u00bb (Jo\u00e3o 20,17), enviada pelo Ressuscitado: \u00abVi (<em>he\u00f4raka<\/em>) o Senhor!\u00bb (Jo\u00e3o 20,18). Nova mudan\u00e7a de olhar. O que ela diz agora \u00e9: Vi e continuo a ver o Senhor! \u00c9 o que significa o verbo grego\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>, no tempo perfeito. \u00c9 o olhar da testemunha que v\u00ea o inef\u00e1vel! Aqui termina a Madalena o seu longo e belo percurso, e sai de cena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 o amor, ainda que imperfeito,<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 o amor, ainda que com defeito,<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 o amor que faz correr a Madalena.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 o amor, ainda que imperfeito,<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 o amor, ainda que com defeito,<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 o amor que faz chorar a Madalena.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Mas tu sabes, meu irm\u00e3o da P\u00e1scoa plena,<\/strong><br \/>\n<strong>Tu sabes que h\u00e1 outro amor em cena,<\/strong><br \/>\n<strong>E \u00e9 esse amor que faz amar a Madalena.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os primeiros crist\u00e3os rapidamente fizeram do Santo Sepulcro o seu primeiro e mais venerado lugar de culto, que o Imperador Adriano (117-135) soterrou e paganizou, estabelecendo ali cultos pag\u00e3os (no lugar da Ressurrei\u00e7\u00e3o, colocou a est\u00e1tua de J\u00fapiter, e, no Calv\u00e1rio, p\u00f4s uma est\u00e1tua de V\u00e9nus em m\u00e1rmore), com o intuito de desviar deles os crist\u00e3os. O mesmo fez em todos os lugares santos da Palestina. Todavia, Em 326, Santa Helena, m\u00e3e do imperador Constantino, que a\u00ed ter\u00e1 descoberto a Cruz do Senhor, mandou demolir as constru\u00e7\u00f5es pag\u00e3s, e vieram \u00e0 luz outra vez os primitivos e venerados lugares crist\u00e3os, que foram ent\u00e3o englobados num magn\u00edfico edif\u00edcio Constantiniano, consagrado no dia 13 de Setembro do ano 335, e que era formado pela\u00a0<em>An\u00e1stasis<\/em>, grandioso mausol\u00e9u que guardava no centro o Santo Sepulcro, o Triplo P\u00f3rtico, que abrigava o rochedo do G\u00f3lgota, e o\u00a0<em>Martyrium<\/em>, que guardava o lugar da crucifix\u00e3o e morte do Senhor. No dia imediatamente a seguir \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o da Bas\u00edlica, 14 de setembro desse ano 335, teve lugar e origem a venera\u00e7\u00e3o da Cruz de Cristo, hoje, Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz. Esta comemora\u00e7\u00e3o ganhou novo relevo quando, em 630, o imperador Er\u00e1clio derrotou os Persas, e as rel\u00edquias da Cruz foram trazidas processionalmente para Jerusal\u00e9m. Esta bela Bas\u00edlica Constantiniana foi danificada por diversas invas\u00f5es e ocupa\u00e7\u00f5es. A atual Bas\u00edlica do Santo Sepulcro, que os ortodoxos e os \u00e1rabes chamam\u00a0<em>An\u00e1stasis<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Qiyama<\/em>, termos que em grego e \u00e1rabe significam \u00abRessurrei\u00e7\u00e3o\u00bb, \u00e9 fruto de cinquenta anos de trabalho dos Cruzados (1099-1149). Aqui est\u00e3o guardadas as mais fundas ra\u00edzes da nossa vida crist\u00e3, hoje quase uma esp\u00e9cie de \u00abcondom\u00ednio\u00bb de tr\u00eas Igrejas crist\u00e3s, infelizmente separadas entre si: a igreja greco-ortodoxa, a romano-cat\u00f3lica e a armena. Aqui se sente ao vivo a mesma e comum f\u00e9 pascal, mas tamb\u00e9m o drama da separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Leitura que hoje escutamos do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos (10,34-43), os Ap\u00f3stolos d\u00e3o testemunho do que viram. Foi\u2011lhes dado ver exatamente para dar teste\u00admunho. Viram e testemunham o Batismo de Jesus, a execu\u00e7\u00e3o da sua miss\u00e3o filial batismal, a sua Morte na Cruz, a sua Ressurrei\u00ad\u00e7\u00e3o Gloriosa, a sua Vinda Gloriosa. Mas os Ap\u00f3stolos insistem que tamb\u00e9m os Profetas [= Antigo Testamento] d\u00e3o testemunho d\u2019Ele Ressuscitado, no qual se cumpre para n\u00f3s a \u00abremiss\u00e3o dos pecados\u00bb, o Jubileu divino do Esp\u00edrito Santo (v. 43). A base prof\u00e9tica \u00e9 imponente: Jeremias 31,34; Isa\u00edas 33,24; 53,5\u20116; 61,1; Ezequiel 34,16; Daniel 9,24. Ver depois Jo\u00e3o 20,19\u201123. \u00abAs Escrituras\u00bb (ent\u00e3o o Antigo Testamento) apontam para o Ressuscitado! O Ressuscitado remete para \u00abas Escrituras\u00bb. Cumplicidade entre o Ressuscitado e \u00abas Escrituras\u00bb. Na verdade, o Ressuscitado cumpre e enche as \u00abEscrituras\u00bb. N\u00e3o est\u00e1 depois delas ou no fim delas. Est\u00e1 no meio delas, f\u00e1-las transbordar, transborda delas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Cap\u00edtulo III da Carta aos Colossenses (3,1-4) trata a \u00abvida nova\u00bb em Cristo, que \u00e9 vida batismal, operada pelo Esp\u00edrito Santo que faz morrer e renascer na Fonte da Gra\u00e7a. Por isso, adverte solenemente Paulo: \u00abprocurai as coi\u00adsas do alto\u00bb (v. 1), \u00abpensai as coisas do alto\u00bb (v. 2), exorta\u00ad\u00e7\u00e3o que ecoa ainda no Di\u00e1logo que antecede o Pref\u00e1cio: \u00abCora\u00e7\u00f5es ao alto!\u00bb, a que respondemos com a alegria e a sabedoria do Esp\u00edrito: \u00abO nosso cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 em Deus!\u00bb, enquanto ecoa ainda em cada cora\u00e7\u00e3o habitado pelo Esp\u00edrito o \u00abGl\u00f3ria a Deus nas alturas!\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em alternativa a Colossenses 3,1-4, pode ler-se e escutar-se 1 Cor\u00edntios 5,6-8. A sua linguagem \u00e9 da cor da P\u00e1scoa (grego\u00a0<em>p\u00e1scha<\/em>, hebraico\u00a0<em>pesah<\/em>). O Novo Testamento usa o termo grego\u00a0<em>p\u00e1scha<\/em>\u00a0[= P\u00e1scoa] por 28 vezes, assim distribu\u00eddas: 24 vezes nos Evangelhos + Atos 12,4 e Hebreus 11,28, todas em refer\u00eancia exclusiva \u00e0 P\u00e1scoa hebraica do Antigo Testamento; as duas men\u00e7\u00f5es que faltam s\u00e3o precisamente 1 Cor\u00edntios 5,7 e Lucas 22,15, esta com o precioso l\u00f3gion de Jesus: \u00abDesejei ardentemente esta P\u00e1scoa (<em>to\u00fbto t\u00f2 p\u00e1scha<\/em>) comer convosco\u00bb. Em 1 Cor\u00edntios 5,7, lemos a express\u00e3o\u00a0<em>t\u00f2 p\u00e1scha h\u00eam\u00f4n et\u00fdth\u00ea Christ\u00f3s<\/em>, cuja tradu\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser \u00abCristo, a nossa P\u00e1scoa, foi imolado\u00bb, como se v\u00ea habitualmente, mas \u00abdurante a nossa P\u00e1scoa (hebraica), foi imolado Cristo\u00bb. Os motivos s\u00e3o gramaticais (<em>t\u00f2 p\u00e1scha h\u00eam\u00f4n<\/em>\u00a0\u00e9 um acusativo adverbial) e teol\u00f3gicos: o cordeiro da P\u00e1scoa n\u00e3o \u00e9 um sacrif\u00edcio imolado; n\u00e3o \u00e9 queimado sobre o altar; \u00e9 comido em fam\u00edlia. Sacrif\u00edcio da P\u00e1scoa era a\u00a0<em>\u02bd\u00f4lat-tamid<\/em>, o holocausto perp\u00e9tuo, di\u00e1rio, o sacrif\u00edcio de dois cordeiros, filhos de um ano, um de manh\u00e3 e outro de tarde, conforme \u00caxodo 29,38-42 e N\u00fameros 28,3-8, e que, sendo di\u00e1rio, precedia qualquer celebra\u00e7\u00e3o festiva. S\u00f3 depois deste sacrif\u00edcio quotidiano, se procedia, em dias de festa, como \u00e9 a P\u00e1scoa, ao sacrif\u00edcio da festa propriamente dito, sacrif\u00edcio suplementar, e que, na P\u00e1scoa, consistia num \u00absacrif\u00edcio de ovelhas e bois\u00bb, este sim, \u00abP\u00e1scoa imolada para o Senhor\u00bb (Deuteron\u00f3mio 16,2). De notar tamb\u00e9m que o Novo Testamento desconhece em absoluto o adjetivo \u00abpascal\u00bb, de que n\u00f3s fazemos uso indiscriminado, e n\u00e3o pensado. A restante linguagem da cor da P\u00e1scoa que 1 Cor\u00edntios 5,6-8 mostra \u00e9 o fermento (<em>hamets<\/em>) e os p\u00e3es \u00e1zimos (<em>matsts\u00f4t<\/em>). Servem os termos para Paulo reclamar dos crist\u00e3os vida nova (p\u00e3es \u00e1zimos), sem mal\u00edcia (fermento velho).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P\u00e1scoa \u00e9 P\u00e1scoa. Simplesmente.<\/strong><br \/>\n<strong>Sem I.V.A. nem adjetivo pascal.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>P\u00e1scoa \u00e9 lua cheia, incons\u00fatil, inteira,<\/strong><br \/>\n<strong>Sementeira de luz na nossa eira.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Deixa-a viver, crescer, iluminar.<\/strong><br \/>\n<strong>Afaga-lhe a voz e o olhar.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>N\u00e3o lhe metas p\u00e1s, n\u00e3o lhe deites cal.<\/strong><br \/>\n<strong>N\u00e3o lhe fa\u00e7as mal.<\/strong><br \/>\n<strong>N\u00e3o s\u00e3o notas enlatadas, brasas apagadas.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 m\u00fasica nova, lume vivo e integral.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>N\u00e3o \u00e9 paragem, mas passagem,<\/strong><br \/>\n<strong>Aragem a ferver e a gravar em ponto Cruz<\/strong><br \/>\n<strong>A mensagem que arde no cora\u00e7\u00e3o dos dois de Ema\u00fas.<\/strong><br \/>\n<strong>A P\u00e1scoa \u00e9 Jesus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Triduo-Pascal-2023-Ano-A-Leituras-para-preparacao.pdf\">Tr\u00edduo Pascal 2023 -Ano A- Leituras para prepara\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Triduo-Pascal-Ano-A-06.04.2023-a-09.04.2023-Lecionario.pdf\">Triduo Pascal &#8211; Ano A &#8211; 06.04.2023 a 09.04.2023- Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Triduo-Pascal-Ano-A-Oracao-Universal.pdf\">Triduo Pascal &#8211; Ano A &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo de Ramos \u2013 Ano A \u2013 02.04.2023&#8243; tab_id=&#8221;1681126145172-3fd29869-2dda&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo de Ramos &#8211; Ano A \u2013 02.04.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Domingo-de-Ramos.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"441\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a celebra\u00e7\u00e3o do Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor damos in\u00edcio \u00e0 Semana Santa onde somos convidados a fixar o nosso olhar na Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. A Semana Santa inicia e termina com um evangelho de festa, marcado pela alegria. Iniciamos a celebra\u00e7\u00e3o deste Domingo com a proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho que narra a entrada de Jesus em Jerusal\u00e9m onde \u00e9 aclamado com brados de alegria e de j\u00fabilo que ainda hoje repetimos na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia: \u00ab<em>Hossana ao Filho de David! Bendito O que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas!<\/em>\u00bb e na solen\u00edssima noite de P\u00e1scoa haveremos de escutar o solene an\u00fancio da Ressurrei\u00e7\u00e3o gloriosa. Contudo, esta moldura de alegria e de festa encerra no seu interior a paix\u00e3o e morte, o duro caminho da paix\u00e3o que escutamos no Evangelho da missa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No atual contexto social e eclesial que estamos a atravessar, nas dificuldades pessoais ou alheias com que nos deparamos no quotidiano, haveremos de ter sempre presente esta moldura de alegria e de festa que encerra a paix\u00e3o e morte de Jesus. Diante das dificuldades, exig\u00eancias e sofrimentos, com toda a certeza, levantamos tantas perguntas e assaltam ao nosso cora\u00e7\u00e3o tantas d\u00favidas e incertezas. Podemos at\u00e9 fazer a nossa ora\u00e7\u00e3o a partir das palavras que Jesus proclama na cruz e que cant\u00e1vamos no salmo: \u00ab<em>Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?<\/em>\u00bb. Alguns exegetas afirmam que uma tradu\u00e7\u00e3o mais fiel deste vers\u00edculo deveria ser: \u00ab<em>Meu Deus, meu Deus, porque me fizeste chegar at\u00e9 aqui?<\/em>\u00bb. Na verdade, estas palavras podem muito bem ser o ecoar da nossa ora\u00e7\u00e3o, em tantas circunst\u00e2ncias que atravessamos, e qu\u00e3o bom seria se elas traduzissem a atitude de quem se coloca humildemente diante do mist\u00e9rio da dor e do sofrimento. N\u00e3o temos respostas, nem f\u00f3rmulas m\u00e1gicas e instant\u00e2neas, mas temos a humilde confian\u00e7a de quem se sabe amado por um Deus que n\u00e3o \u00e9 indiferente \u00e0s nossas dores e ang\u00fastias e podemos proclamar como escut\u00e1vamos na primeira leitura: \u00ab<em>o Senhor Deus veio em meu aux\u00edlio, e, por isso, n\u00e3o fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que n\u00e3o ficarei desiludido<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso Deus n\u00e3o nos desilude e a confian\u00e7a que depositamos nele h\u00e1-de abrir-nos ao horizonte de alegria e de festa que a P\u00e1scoa do Senhor nos aponta. Se Jesus nos convida \u00e0 alegria e \u00e0 felicidade, \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 santidade, tamb\u00e9m desce \u00e0 dor e ao sofrimento para nos ensinar a arte de estar ali onde o amor se faz mais exigente. Jesus sobe at\u00e9 \u00e0 cruz, abra\u00e7a a dor e sofrimento, porque o amor \u00e9 tanto mais verdadeiro, quanto mais se realiza em gestos concretos de compaix\u00e3o e miseric\u00f3rdia. Entre os muitos deveres do amor est\u00e1 aquele primeiro de estar ali, precisamente ali, onde est\u00e1 o amado. Por isso, Jesus vai at\u00e9 ao sofrimento e \u00e0 morte, porque Ele sabe bem que a nossa fr\u00e1gil humanidade atravessa caminhos de dor e de sofrimento. Contudo, tamb\u00e9m aprendemos com Jesus que a nossa dor e sofrimento se abrem \u00e0 alegria pascal que a manh\u00e3 de P\u00e1scoa nos h\u00e1-de trazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a terra, no meio dos nossos limites e fracassos, \u00e9 tempo de caminhar humilde e confiadamente a estrada da fragilidade fortalecida pelo amor e pela gra\u00e7a e, um dia, haveremos de compreender ou pelo menos entrever n\u00e3o o \u00ab<em>porqu\u00ea?<\/em>\u00bb, mas o \u00ab<em>para qu\u00ea?<\/em>\u00bb destes tempos dif\u00edceis e exigentes. Durante a paix\u00e3o e morte de Jesus os disc\u00edpulos n\u00e3o foram capazes de compreender o modo livre, dispon\u00edvel e confiante com que Jesus se entregava \u00e0 vontade do Pai, mas na manh\u00e3 de P\u00e1scoa e na for\u00e7a transformadora do dia de Pentecostes os disc\u00edpulos viram abrir-se os seus olhos e os seus cora\u00e7\u00f5es para alegria nova que o amor transporta. Por isso, que as horas exigentes de dor e desilus\u00e3o nos conduzam sempre ao dia esplendoroso, onde celebraremos juntos a alegria do amor que vence as trevas e que enche de esperan\u00e7a as nossas vidas. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor entramos na Semana Santa. Este Domingo deve ser marcado pelo convite \u00e0 participa\u00e7\u00e3o no Tr\u00edduo Pascal, centro de todo o ano lit\u00fargico. N\u00e3o nos devemos limitar a um an\u00fancio dos hor\u00e1rios e locais das celebra\u00e7\u00f5es, mas, por exemplo, elaborar um pequeno folheto com uma apelativa descri\u00e7\u00e3o de cada uma das celebra\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, pode apontar-se como a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria para esta semana o convite aos vizinhos e amigos para a participa\u00e7\u00e3o nas diversas celebra\u00e7\u00f5es pascais. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda em Quaresma, estamos a caminho da P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Is 50, 4-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abApresentei as costas \u00e0queles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; n\u00e3o desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam.\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro do Deutero-Isa\u00edas (Is 40-55), encontramos quatro poemas que se destacam do resto do texto (cf. Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12). Apresentam-nos uma figura enigm\u00e1tica de um &#8220;servo de Jahw\u00e9h&#8221;, que recebeu de Deus uma miss\u00e3o. Essa miss\u00e3o tem a ver com a Palavra de Deus e tem car\u00e1cter universal; concretiza-se no sofrimento, na dor e no abandono incondicional \u00e0 Palavra e aos projetos de Deus. Apesar de a miss\u00e3o terminar num aparente insucesso, a dor do profeta n\u00e3o foi em v\u00e3o: ela tem um valor expiat\u00f3rio e redentor; do seu sofrimento resulta o perd\u00e3o para o pecado do Povo. Deus aprecia o sacrif\u00edcio do profeta e recompens\u00e1-lo-\u00e1, elevando-o \u00e0 vista de todos, fazendo-o triunfar dos seus detratores e advers\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem \u00e9 este profeta? \u00c9 Jeremias, o paradigma do profeta que sofre por causa da Palavra? \u00c9 o pr\u00f3prio Deutero-Isa\u00edas, chamado a dar testemunho da Palavra no ambiente hostil do Ex\u00edlio? \u00c9 um profeta desconhecido? \u00c9 uma figura coletiva, que representa o Povo exilado, humilhado, esmagado, mas que continua a dar testemunho de Deus, no meio das outras na\u00e7\u00f5es? \u00c9 uma figura representativa, que une a recorda\u00e7\u00e3o de personagens hist\u00f3ricas (patriarcas, Mois\u00e9s, David, profetas) com figuras m\u00edticas, de forma a representar o Povo de Deus na sua totalidade? N\u00e3o sabemos; no entanto, a figura apresentada nesses poemas vai receber uma outra ilumina\u00e7\u00e3o \u00e0 luz de Jesus Cristo, da sua vida, do seu destino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto \u00e9 parte do terceiro c\u00e2ntico do &#8220;servo de Jahw\u00e9h&#8221;. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode tocar os seguintes aspetos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sabemos, efetivamente, quem \u00e9 este &#8220;servo de Jahw\u00e9h&#8221;; no entanto, os primeiros crist\u00e3os v\u00e3o utilizar este texto como grelha para interpretar o mist\u00e9rio de Jesus: Ele \u00e9 a Palavra de Deus feita carne, que oferece a sua vida para trazer a salva\u00e7\u00e3o\/liberta\u00e7\u00e3o aos homens&#8230; A vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e de entrega da vida em favor de todos; e a sua glorifica\u00e7\u00e3o mostra que uma vida vivida deste jeito n\u00e3o termina no fracasso, mas na ressurrei\u00e7\u00e3o que gera vida nova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, o &#8220;servo&#8221; sofredor, que faz da sua vida um dom por amor, mostra aos seus seguidores o caminho: a vida, quando \u00e9 posta ao servi\u00e7o da liberta\u00e7\u00e3o dos pobres e dos oprimidos, n\u00e3o \u00e9 perdida mesmo que pare\u00e7a, em termos humanos, fracassada e sem sentido. Temos a coragem de fazer da nossa vida uma entrega radical ao projeto de Deus e \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o dos nossos irm\u00e3os? O que \u00e9 que ainda entrava a nossa aceita\u00e7\u00e3o de uma op\u00e7\u00e3o deste tipo? Temos consci\u00eancia de que, ao escolher este caminho, estamos a gerar vida nova, para n\u00f3s e para os nossos irm\u00e3os?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos consci\u00eancia de que a nossa miss\u00e3o prof\u00e9tica passa por sermos Palavra viva de Deus? Nas nossas palavras, nos nossos gestos, no nosso testemunho, a proposta libertadora de Deus alcan\u00e7a o mundo e o cora\u00e7\u00e3o dos homens? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 21 (22)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Filip 2, 6-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abCristo Jesus, que era de condi\u00e7\u00e3o divina, n\u00e3o Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si pr\u00f3prio\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade de Filipos era uma cidade pr\u00f3spera, com uma popula\u00e7\u00e3o constitu\u00edda maioritariamente por veteranos romanos do ex\u00e9rcito. Organizada \u00e0 maneira de Roma, estava fora da jurisdi\u00e7\u00e3o dos governantes das prov\u00edncias locais e dependia diretamente do imperador; gozava, por isso, dos mesmos privil\u00e9gios das cidades de It\u00e1lia. A comunidade crist\u00e3, fundada por Paulo, era uma comunidade entusiasta, generosa, comprometida, sempre atenta \u00e0s necessidades de Paulo e do resto da Igreja (como no caso da coleta em favor da Igreja de Jerusal\u00e9m &#8211; cf. 2 Cor 8,1-5), por quem Paulo nutria um afeto especial. Apesar destes sinais positivos, n\u00e3o era, no entanto, uma comunidade perfeita&#8230; O desprendimento, a humildade e a simplicidade n\u00e3o eram valores demasiado apreciados entre os altivos patr\u00edcios que compunham a comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste enquadramento que podemos situar o texto que esta leitura nos apresenta. Paulo convida os Filipenses a encarnar os valores que marcaram a trajet\u00f3ria existencial de Cristo; para isso, utiliza um hino pr\u00e9-paulino, recitado nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas crist\u00e3s: nesse hino, ele exp\u00f5e aos crist\u00e3os de Filipos o exemplo de Cristo. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir dos seguintes desenvolvimentos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os valores que marcaram a exist\u00eancia de Cristo continuam a n\u00e3o ser demasiado apreciados no s\u00e9c. XXI. De acordo com os crit\u00e9rios que presidem \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do nosso mundo, os grandes &#8220;ganhadores&#8221; n\u00e3o s\u00e3o os que p\u00f5em a sua vida ao servi\u00e7o dos outros, com humildade e simplicidade, mas s\u00e3o os que enfrentam o mundo com agressividade, com autossufici\u00eancia e fazem por ser os melhores, mesmo que isso signifique n\u00e3o olhar a meios para passar \u00e0 frente dos outros. Como pode um crist\u00e3o (obrigado a viver inserido neste mundo e a ser competitivo) conviver com estes valores?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo tem consci\u00eancia de que est\u00e1 a pedir aos seus crist\u00e3os algo realmente dif\u00edcil; mas \u00e9 algo que \u00e9 fundamental, \u00e0 luz do exemplo de Cristo. Tamb\u00e9m a n\u00f3s \u00e9 pedido, nestes \u00faltimos dias antes da P\u00e1scoa, um passo em frente neste dif\u00edcil caminho da humildade, do servi\u00e7o, do amor: ser\u00e1 poss\u00edvel que, tamb\u00e9m aqui, sejamos as testemunhas da l\u00f3gica de Deus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os acontecimentos que, nesta semana, vamos celebrar, garantem-nos que o caminho do dom da vida n\u00e3o \u00e9 um caminho de &#8220;perdedores&#8221; e fracassados: o caminho do dom da vida conduz ao sepulcro vazio da manh\u00e3 de P\u00e1scoa, \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o. \u00c9 um caminho que garante a vit\u00f3ria e a vida plena. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 26,14 \u2013 27,66<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abMeu Pai, se \u00e9 poss\u00edvel, passe de Mim este c\u00e1lice. Todavia, n\u00e3o se fa\u00e7a como Eu quero, mas como Tu queres\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abAo sa\u00edrem, encontraram um homem de Cirene, chamado Sim\u00e3o, e requisitaram-no para levar a cruz de Jesus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho segundo Mateus come\u00e7a por apresentar Jesus (cf. Mt 1,1-4,22). Descreve, depois, o an\u00fancio central de Jesus: nas suas palavras e nos seus gestos, Jesus anuncia esse mundo novo a que Ele chama &#8220;o Reino dos c\u00e9us&#8221; (cf. Mt 4,23-9,35). Do an\u00fancio do &#8220;Reino&#8221; nasce a comunidade dos disc\u00edpulos &#8211; isto \u00e9, nasce um grupo que assimila as propostas de Jesus (cf. Mt 9,36-12,50). Os disc\u00edpulos s\u00e3o a &#8220;comunidade do Reino&#8221;: instru\u00eddos por Jesus, formados na mentalidade do &#8220;Reino&#8221;, os disc\u00edpulos recebem a miss\u00e3o de testemunhar o &#8220;Reino&#8221;, ap\u00f3s a partida de Jesus (cf. Mt 13,1-17,27). Na parte final do seu Evangelho, Mateus descreve a rutura final de Jesus com o juda\u00edsmo (cf. Mt 18,1-25,46) e o final do caminho de Jesus: a paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o (cf. Mt 26,1-28,15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A leitura que hoje nos \u00e9 proposta \u00e9 o relato da paix\u00e3o de Jesus. Descreve como o an\u00fancio do Reino choca com a mentalidade da opress\u00e3o e, portanto, conduz \u00e0 cruz e \u00e0 morte; no entanto, n\u00e3o podemos dissociar os acontecimentos da paix\u00e3o daqueles que celebraremos no pr\u00f3ximo domingo: a ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a prova de que Jesus veio de Deus e tinha um mandato do Pai para tornar realidade no mundo o &#8220;Reino dos c\u00e9us&#8221;. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir dos seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celebrar a paix\u00e3o e a morte de Jesus \u00e9 abismar-se na contempla\u00e7\u00e3o de um Deus a quem o amor tornou fr\u00e1gil&#8230; Por amor, Ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites e fragilidades, experimentou a fome, o sono, o cansa\u00e7o, conheceu a mordedura das tenta\u00e7\u00f5es, tremeu perante a morte, suou sangue antes de aceitar a vontade do Pai; e, estendido no ch\u00e3o, esmagado contra a terra, atrai\u00e7oado, abandonado, incompreendido, continuou a amar. Desse amor resultou vida plena, que Ele quis repartir connosco &#8220;at\u00e9 ao fim dos tempos&#8221;: esta \u00e9 a mais espantosa hist\u00f3ria de amor que \u00e9 poss\u00edvel contar; ela \u00e9 a boa not\u00edcia que enche de alegria o cora\u00e7\u00e3o dos crentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contemplar a cruz, onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus, significa assumir a mesma atitude e solidarizar-se com aqueles que s\u00e3o crucificados neste mundo: os que sofrem viol\u00eancia, os que s\u00e3o explorados, os que s\u00e3o exclu\u00eddos, os que s\u00e3o privados de direitos e de dignidade&#8230; Olhar a cruz de Jesus significa denunciar tudo o que gera \u00f3dio, divis\u00e3o, medo, em termos de estruturas, valores, pr\u00e1ticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viver deste jeito pode conduzir \u00e0 morte; mas o crist\u00e3o sabe que amar como Jesus \u00e9 viver a partir de uma din\u00e2mica que a morte n\u00e3o pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne os dinamismos da ressurrei\u00e7\u00e3o<strong><em>. in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>\u00a0A <strong>primeira leitura<\/strong> n\u00e3o apresenta nenhuma dificuldade aparente na sua proclama\u00e7\u00e3o. Requer uma leitura pausada e atenta que exprima toda a densidade e intensidade dram\u00e1tica do texto. A \u00faltima frase exige uma especial aten\u00e7\u00e3o para que se possa transmitir a confian\u00e7a e esperan\u00e7a que o aux\u00edlio de Deus oferece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 um hino lit\u00fargico e po\u00e9tico e apresenta duas partes distintas: uma primeira mais dram\u00e1tica e uma segunda mais jubilosa e marcada pela exalta\u00e7\u00e3o de Jesus. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter presente todos estes elementos. A narrativa evang\u00e9lica da Paix\u00e3o do Senhor, na aus\u00eancia de di\u00e1conos, pode ser lida por mais dois leitores, reservando a parte de Cristo ao sacerdote. Tendo em conta os diversos di\u00e1logos e a dimens\u00e3o do texto, aqueles que participam na leitura devem fazer uma acurada prepara\u00e7\u00e3o das diversas interven\u00e7\u00f5es ao longo do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/04\/04\/com-um-coracao-de-discipulo-2\/\"><strong>COM UM CORA\u00c7\u00c3O DE\u00a0DISC\u00cdPULO<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Batizado com o Esp\u00edrito Santo no Jord\u00e3o, confirmado com o Esp\u00edrito Santo no Tabor, Jesus realizou a sua miss\u00e3o filial batismal anunciando o Evangelho do Reino de Deus e fazendo as suas \u00abobras\u00bb. A sua \u00abviagem\u00bb chega agora ao fim, na Judeia, em Jerusal\u00e9m, onde o seu Batismo\u00a0<em>deve<\/em>\u00a0(plano divino)\u00a0<em>ser consumado<\/em>\u00a0(ainda Lucas 12,49-50) na sua Morte Gloriosa: \u00fanica Fonte do Esp\u00edrito Santo para n\u00f3s, porque \u00fanica Fonte da Vida Eterna verdadeiramente Dada (sempre Atos 2,32-33; Jo\u00e3o 19,30 e 34; 7,38-39), pois n\u00e3o se alcan\u00e7a atrav\u00e9s da nossa programa\u00e7\u00e3o ou planifica\u00e7\u00e3o. As coisas supremas n\u00e3o s\u00e3o planific\u00e1veis. J\u00e1 est\u00e3o prontas para receber. A miss\u00e3o filial batismal do Filho de Deus finalmente consumada! \u00c9 que fomos, de facto, batizados na sua Morte (Romanos 6,3-4), e, com Ele, fomos\u00a0<em>j\u00e1<\/em>, para usar a vigorosa linguagem paulina, \u00abcom-sepultados\u00bb, \u00abcom-ressuscitados\u00bb, \u00abcom-vivificados\u00bb e \u00abcom-sentados\u00bb na Gl\u00f3ria! (Ef\u00e9sios 2,5-6; Colossenses 2,12-13: tudo verbos cunhados por Paulo e postos em aoristo (passado) hist\u00f3rico!). Formamos, por isso, \u00aba Igreja que Ele amou\u00bb (Ef\u00e9sios 5,25). A este grande amor de Cristo pela Igreja chama Paulo \u00abo mist\u00e9rio grande\u00bb (Ef\u00e9sios 5,32). N\u00f3s, a Igreja do amor de Cristo, somos, portanto, a Esposa bela, a nova Jerusal\u00e9m (Apocalipse 19,7-9; 21,2.9-14) que, juntamente com o Esp\u00edrito, diz ao Senhor Jesus: Vem! (Apocalipse 22,17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tom deste Domingo de Ramos \u00e9 dado pela bela p\u00e1gina de Mateus 21,1-11, que nos mostra o Rei messi\u00e2nico a tomar posse da sua Cidade, a \u00abCidade do Grande Rei\u00bb (Salmo 45,5; 47,2-3; Tobias 13,11; Mateus 5,35), a Esposa bela que nascer\u00e1 do seu Sangue: Esposa c\u00famplice da Morte do Esposo, e benefici\u00e1ria da Morte do Esposo! Esposa, portanto, e no entanto! Que ao encontro do Esposo desce em vestido de noiva, n\u00e3o de vi\u00fava! (Apocalipse 21,2). O Rei messi\u00e2nico toma posse da sua Cidade, a Filha de Si\u00e3o, a Esposa; vem montado sobre o jumento da paz, e n\u00e3o sobre cavalos de guerra, cumprindo Zacarias 9,9. De notar que Zacarias escreveu esta p\u00e1gina deslumbrante de um Rei diferente, pobre, manso e humilde, em contraponto com o imponente espet\u00e1culo do grande Alexandre Magno, quando este, em finais do s\u00e9culo IV a. C., descia a costa palestinense a caminho do Egito, com todo o seu arsenal de riqueza e de prepot\u00eancia militar! Estendem-se as capas e ramos de \u00e1rvores no caminho: assim se procedia quando o rei subia ao trono (cf. 2 Reis 9,13). A multid\u00e3o canta \u00abHossana\u00bb [= \u00abSalva, por favor!\u00bb] (Salmo 118,5), saudando o Rei-que-Vem, \u00abAquele-que-Vem\u00bb (t\u00edtulo divino) (Salmo 118,26), com o Reino de David, o novo David!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda hoje, no domingo de Ramos, n\u00e3o obstante o ambiente abertamente hostil aos crist\u00e3os que se respira, se faz, desde Betfag\u00e9, uma pequena aldeia hoje totalmente mu\u00e7ulmana com um pequeno santu\u00e1rio \u00e0 guarda dos Franciscanos, uma impressionante prociss\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o de f\u00e9 que, descendo o Monte das Oliveiras, termina na Igreja de Santa Ana, junto da porta de Santo Est\u00eav\u00e3o (ou dos Le\u00f5es).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho que enche este Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor \u00e9 o imenso e impressionante relato da Paix\u00e3o de Mateus 26,14-27,66, que marca o ritmo da nossa \u00abSemana Santa\u00bb, que as Igrejas Orientais chamam \u00abSemana Grande\u00bb, e que o antigo rito da Igreja de Mil\u00e3o conhecia por \u00abSemana Aut\u00eantica\u00bb. Somos n\u00f3s, portanto, carregando os nossos \u00f3dios, raivas, mentiras, invejas e viol\u00eancias, seguindo a par e passo o Rei manso e obediente que a n\u00f3s e por n\u00f3s se entrega por amor, absorvendo, absolvendo e dissolvendo assim o nosso lado sombrio e pecaminoso. O rei assume, no seu perfil, duas val\u00eancias fundamentais: 1) p\u00f4r-se totalmente nas m\u00e3os de Deus, escutando a sua Palavra e cumprindo-a; 2) p\u00f4r-se totalmente ao servi\u00e7o do seu povo, a quem deve fazer chegar a prosperidade e o bem-estar, a plenitude dos bens espirituais e materiais. O que esta Semana nos oferece s\u00e3o, pois, momentos e tonalidades intensos e decisivos, em que a Esposa bela, tornada bela, segue o Rei-Esposo passo a passo, gesto a gesto: a un\u00e7\u00e3o para a sepultura em Bet\u00e2nia, a Ceia Primeira (e n\u00e3o \u00faltima!) da intimidade que deixa ver melhor as trai\u00e7\u00f5es e as nega\u00e7\u00f5es que j\u00e1 se desenham no horizonte, a afirma\u00e7\u00e3o solene de Pedro e de todos os disc\u00edpulos de que est\u00e3o dispostos a morrer por Jesus, mas nunca a neg\u00e1-lo, o abismo do Gets\u00e9mani, onde Cristo, sendo embora o Filho de Deus, Deus Ele mesmo, treme perante a morte, mas aceita-a, submetendo a sua vontade humana \u00e0 sua Vontade divina, que \u00e9 a mesma Vontade do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo, a ora\u00e7\u00e3o de Jesus e o sono pesado dos disc\u00edpulos (uma, duas, tr\u00eas vezes), Judas que vem prender Jesus com um beijo (a trai\u00e7\u00e3o num gesto de intimidade!), acompanhado de outros que trazem espadas e varapaus, mas \u00e9 um dos que est\u00e3o com Jesus que puxa da espada e a usa (!), a pris\u00e3o de Jesus \u00absegundo as Escrituras\u00bb (Mateus 26,54 e 56), altura em que todos o abandonam e fogem (Mateus 26,56), deixando Jesus sozinho como verdadeiro \u00abResto de Israel!\u00bb, os processos e a condena\u00e7\u00e3o [Jesus afirma-se como \u00abo Cristo\u00bb, \u00abo Filho de Deus\u00bb, \u00abo Filho do Homem-que-Vem-na-sua-Gl\u00f3ria\u00bb, \u00abo Rei\u00bb], Pilatos que \u00ablava as m\u00e3os\u00bb como quem nada quer ter a ver com o assunto (Mateus 27,24), gesto que s\u00f3 Mateus relata, a entrega \u00e0 morte de cruz por Pilatos (Mateus 27,26) e por Judas (Mateus 26,15-16.21-25; 27,3), mas na verdade por Deus (1 Cor\u00edntios 11,23:\u00a0<em>pared\u00eddeto<\/em>: passivo divino ou teol\u00f3gico!), a coroa de espinhos, Pedro disposto a morrer com Jesus (Mateus 26,35), mas negando-O logo de seguida com aquele triplo \u00abn\u00e3o sei!\u00bb (Mateus 26,70.72.74), a Cruz Santa e Gloriosa, as tr\u00eas tenta\u00e7\u00f5es por parte dos transeuntes, dos chefes dos sacerdotes juntamente com os escribas e os anci\u00e3os, dos ladr\u00f5es: \u00absalva-te a ti mesmo\u00bb, \u00abdesce da cruz\u00bb (Mateus 27,39-44), a ora\u00e7\u00e3o do Salmo 22 (todo): come\u00e7a \u00abMeu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?\u00bb, e termina \u00abEsta \u00e9 a obra do Senhor!\u00bb, a agonia e a Morte precedida do \u00abgrande grito\u00bb (Mateus 27,46 e 49), que indica que Jesus continua a ser o sujeito ativo de todos os seus atos, mas indica tamb\u00e9m a Vit\u00f3ria de Deus\u2026 Proclama\u00e7\u00e3o da m\u00e1xima Obra de Deus no mundo, a indiz\u00edvel Economia divina na vida terrena do Filho de Deus! Segue-se a sepultura num t\u00famulo novo (Mateus 27,60), como conv\u00e9m ao Rei, sempre o primeiro em tudo, as mulheres \u00e0 dist\u00e2ncia do recolhimento, observando tudo com aten\u00e7\u00e3o (verbo\u00a0<em>the\u00f4r\u00e9\u00f4<\/em>) (Mateus 27,55), como far\u00e3o depois na sua visita ao t\u00famulo (Mateus 28,1), os \u00fanicos dois lugares em que Mateus usa o verbo\u00a0<em>the\u00f4r\u00e9\u00f4<\/em>! A cena da guarda do t\u00famulo reclamada pelos judeus e a lenda do roubo do seu corpo pelos disc\u00edpulos entretanto espalhada (s\u00f3 em Mateus) costura-se ainda com as p\u00e1ginas iniciais do G\u00e9nesis, que relatam a hist\u00f3ria de um fruto e a lenda de um furto (cf. G\u00e9nesis 1,29 vs. 3,1-6). A proclama\u00e7\u00e3o deste imenso texto deve seguir-se com a convers\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o, e, sobretudo, com o louvor no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vendo bem, somos todos levados a percorrer e a reviver as \u00faltimas decisivas vinte e quatro horas de Jesus, desde as 15h00 de Quinta-Feira Santa at\u00e9 perto das 18h00 de Sexta-Feira Santa:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">15h00 = Prepara\u00e7\u00e3o da Ceia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">18h00 = Ceia Primeira!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">21h00 = Gets\u00e9mani<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">24h00 = Pris\u00e3o de Jesus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">03h00 = Pedro nega e o galo canta<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">06h00 = Jesus diante de Pilatos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">09h00 = Crucifix\u00e3o de Jesus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">12h00 = As trevas em vez da Luz!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">15h00 = Morte de Jesus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">18h00 = Sepultamento de Jesus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Note-se que, na cronologia dos Evangelhos Sin\u00f3ticos (Mateus, Marcos e Lucas), esta Quinta-Feira \u00e9 o dia da Prepara\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa, comendo-se a Ceia Pascal logo ap\u00f3s o p\u00f4r-do-sol (no calend\u00e1rio religioso hebraico j\u00e1 \u00e9 Sexta-Feira, dado que o dia come\u00e7a com o p\u00f4r-do-sol). Como se v\u00ea, esta cronologia v\u00ea na Ceia de Jesus com os seus Disc\u00edpulos uma Ceia Pascal. Tamb\u00e9m de acordo com esta cronologia, Jesus \u00e9 preso, julgado, condenado, crucificado, morto e sepultado em Sexta-Feira, Dia da P\u00e1scoa dos judeus, o que seria muito estranho! O Evangelho de S. Jo\u00e3o apresenta outra cronologia, hoje defendida pela maioria dos estudiosos, segundo a qual Jesus ter\u00e1 comido uma Ceia, a sua Ceia Nova em Quinta-Feira, mas n\u00e3o a Ceia ritual da P\u00e1scoa dos judeus, e foi preso, julgado, condenado, crucificado, morto e sepultado, em Sexta-Feira, dia da Prepara\u00e7\u00e3o, antes da Ceia ritual da P\u00e1scoa dos judeus, que Jo\u00e3o coloca no S\u00e1bado, e n\u00e3o na Sexta-Feira. No seu \u00daltimo Livro sobre Jesus de Nazar\u00e9, Bento XVI defende tamb\u00e9m esta cronologia joanina. De resto, as Igrejas do Ocidente seguem a cronologia dos Sin\u00f3ticos: por isso, a nossa Eucaristia \u00e9 com p\u00e3o \u00c1zimo, derivado do ritual da Ceia da P\u00e1scoa dos judeus. Por seu lado, as Igrejas do Oriente seguem a cronologia joanina, sendo a sua Eucaristia com p\u00e3o comum, dado n\u00e3o derivar do ritual da P\u00e1scoa dos judeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Antigo Testamento serve-nos hoje o chamado \u00abterceiro canto do Servo\u00bb (Isa\u00edas 50,4-7). Gerado na dor de Israel como verdadeiro filho do milagre (Isa\u00edas 49,21), ergue-se esta singular figura de \u00abServo\u00bb (<em>\u2018ebed<\/em>), totalmente nas m\u00e3os de Deus, desde a sua predestina\u00e7\u00e3o desde o seio materno (Isa\u00edas 49,1 e 5), passando pela sua entrega \u00e0 morte (Isa\u00edas 53,12), at\u00e9 \u00e0 sua exalta\u00e7\u00e3o e glorifica\u00e7\u00e3o (Isa\u00edas 52,13), de tal modo que Deus o pode chamar \u00abmeu Servo\u00bb (<em>\u2018abd\u00ee<\/em>). Na li\u00e7\u00e3o de hoje, o \u00abServo\u00bb \u00e9 um Disc\u00edpulo a quem Deus abre os ouvidos at\u00e9 ao cora\u00e7\u00e3o, para ouvir bem a m\u00fasica de Deus, e poder levar uma palavra de consolo aos dela necessitados. \u00abTornando o seu rosto duro como uma pedra\u00bb (Isa\u00edas 50,7), apresenta-se como um Servo, n\u00e3o insens\u00edvel e indiferente, mas decidido a levar at\u00e9 ao fim a miss\u00e3o que lhe \u00e9 confiada. A mesma express\u00e3o ser\u00e1 dita acerca de Jesus em Lucas 9,51. O Novo Testamento passa por aqui!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em claro paralelismo com o \u00abServo\u00bb, cantado por Isa\u00edas, a\u00ed est\u00e1 Jesus apresentado por Paulo aos Filipenses (2,6-11). Mas aqui, o \u00abServo\u00bb tem um Rosto e um Nome: Jesus recebeu, na sua Humanidade, o Nome divino (ver tamb\u00e9m Hebreus 1,1-4), Nome incompar\u00e1vel (Filipenses 2,9). Por isso, agora, todos os seres criados adoram o Nome-Jesus (Filipenses 2,10), e \u00abtoda a l\u00edngua\u00bb, isto \u00e9, todo o ser humano racional, professa: \u00abSenhor \u00e9 Jesus Cristo!\u00bb (<em>K\u00fdrios I\u00easo\u00fbs Christ\u00f3s<\/em>). Notar a ordem dos tr\u00eas termos, errada nas vers\u00f5es modernas: Senhor, isto \u00e9, Deus eterno, \u00e9 o Homem-Jesus Cristo. O sujeito \u00e9 o que n\u00e3o se conhece; o predicado \u00e9 o que se conhece. O acento cai, pois, sobre Senhor. O fim em vista: a Gl\u00f3ria do Pai com o Esp\u00edrito (Filipenses 2,11). \u00c9 quanto Deus operou na Cruz e semeou no nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltamos \u00e0 m\u00fasica do Salmo 22, uma ora\u00e7\u00e3o que nasce na Paix\u00e3o e termina na P\u00e1scoa! \u00c9 belo tomarmos consci\u00eancia de que Jesus nos pediu estas palavras emprestadas, para no-las devolver a transbordar de sentido. J\u00e1 se sabe que aquele \u00abMeu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?\u00bb, que Jesus reza na Cruz, e que s\u00e3o as primeiras palavras do Salmo, implica, segundo a praxe judaica, a recita\u00e7\u00e3o do Salmo inteiro, que tem uma primeira parte de fort\u00edssima lamenta\u00e7\u00e3o (vv. 2-22), passando logo para uma segunda parte que expressa consola\u00e7\u00e3o por ver Deus ao nosso lado, t\u00e3o pr\u00f3ximo de n\u00f3s (vv. 23-27), e terminando em verdadeira exulta\u00e7\u00e3o (vv. 28-32). O grande pregador franc\u00eas Jacques Bossuet (1627-1704) declarava bem-aventurados aqueles que, recitando este Salmo, se encontram com Jesus, t\u00e3o santamente tristes e t\u00e3o divinamente felizes!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor Jesus,<br \/>\nSenhor dos Passos<br \/>\nSerenos e seguros no caminho da vida e da Paix\u00e3o,<br \/>\nDa ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor Jesus,<br \/>\nSenhor dos Passos<br \/>\nSossegados e firmes,<br \/>\nResolutos,<br \/>\nAt\u00e9 \u00e0 porta do meu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor Jesus,<br \/>\nSenhor dos Passos,<br \/>\nDos meus e dos teus,<br \/>\nFinalmente harmonizados,<br \/>\nFinalmente lado a lado:<br \/>\nOs meus, imprecisos, indecisos,<br \/>\nAtravessados pelo teu Perd\u00e3o;<br \/>\nOs teus, sossegados e firmes,<br \/>\nSincronizados pelo pulsar do meu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim,<br \/>\nEu sei que foi por mim que desceste a este ch\u00e3o<br \/>\nPesado, \u00edngreme, irregular,<br \/>\nDe longil\u00edneas lajes em que \u00e9 f\u00e1cil escorregar.<br \/>\nMas os teus bra\u00e7os sempre abertos ajudam-me a levantar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor Jesus,<br \/>\nDeixa-me chegar um pouco mais junto de ti,<br \/>\nChega-te tu tamb\u00e9m mais junto de mim.<br \/>\nSegura-me.<br \/>\nD\u00e1-me a tua m\u00e3o firme, nodosa e corajosa.<br \/>\nAgarro-me.<br \/>\nSinto sulcos gravados nessa m\u00e3o.<br \/>\nSigo-os com o dedo devagar.<br \/>\nPercebo que s\u00e3o as letras do meu nome.<br \/>\nFoi ent\u00e3o por mim que desceste a este ch\u00e3o.<br \/>\nO amor verdadeiro est\u00e1 l\u00e1 sempre primeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhora das Dores, Maria, minha M\u00e3e,<br \/>\nQue seguiste at\u00e9 ao fim os passos do teu Filho,<br \/>\nAcompanha e protege os meus passos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obrigado, Senhor Jesus,<br \/>\nMeu Senhor, meu Irm\u00e3o e companheiro.<\/p>\n<p><strong> Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Leitura-I-do-Domingo-de-Ramos-Ano-A-02.04.2023-Is-50-4-7.pdf\">Leitura I do Domingo de Ramos &#8211; Ano A &#8211; 02.04.2023 (Is 50, 4-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Leitura-II-do-Domingo-de-Ramos-Ano-A-02.04.2023-Filip-2-6-11.pdf\">Leitura II do Domingo de Ramos &#8211; Ano A &#8211; 02.04.2023 (Filip 2, 6-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Domingo-Ramos-Ano-A-02.04.2023-Lecionario.pdf\">Domingo Ramos &#8211; Ano A &#8211; 02.04.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Domingo-Ramos-Ano-A-02.04.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo Ramos &#8211; Ano A &#8211; 02.04.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo V da Quaresma \u2013 Ano A \u2013 26.03.2023&#8243; tab_id=&#8221;1680512366919-6f3a0b99-9ea0&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo V da Quaresma &#8211; Ano A \u2013 26.03.2023<\/strong><\/h4>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><sup>25<\/sup>Disse-lhe Jesus: \u00abEu sou a Ressurrei\u00e7\u00e3o e a Vida. Quem cr\u00ea em mim, mesmo que tenha morrido, viver\u00e1.\u00a0<sup>26<\/sup>E todo aquele que vive e cr\u00ea em mim n\u00e3o morrer\u00e1 para sempre. Cr\u00eas nisto?\u00bb <strong><em>Jo 11, 25-26<\/em><\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Domingo-V-da-Quaresma.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"331\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Liturgia da Palavra deste quinto Domingo da Quaresma apresenta-nos um quadro raro da narrativa evang\u00e9lica: Jesus chora. Nos evangelhos, encontramos apenas dois momentos em que Jesus chora: a morte do seu amigo L\u00e1zaro (Jo 11,35) e sobre a cidade de Jerusal\u00e9m (Lc 19,41).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante do t\u00famulo de L\u00e1zaro, Jesus chorou, levando os presentes a afirmar: \u00ab<em>vede como era seu amigo<\/em>\u00bb. As Suas l\u00e1grimas, junto ao t\u00famulo de L\u00e1zaro e sobre a cidade de Jerusal\u00e9m s\u00e3o sinal do amor que sente pela humanidade. Jesus ama-nos e n\u00e3o quer que nenhum se perca, por isso, veio ao nosso encontro, assumiu a nossa humanidade, desceu \u00e0s \u00e1guas do Jord\u00e3o para ser batizado, acolheu com ternura e miseric\u00f3rdia os doentes e os marginalizados, foi ao encontro dos pecadores e rejeitados e levou esse amor \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias abra\u00e7ando a cruz e abrindo para n\u00f3s as portas da ressurrei\u00e7\u00e3o e da vida nova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus chora e ensina-nos a arte da compaix\u00e3o. As l\u00e1grimas n\u00e3o s\u00e3o sinal de desespero ou de incapacidade de reagir diante do mal e do sofrimento, mas sinal de amor e compaix\u00e3o diante das situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas da hist\u00f3ria. Jesus chora, mas n\u00e3o se det\u00e9m no choro e no lamento. Dirige-se ao t\u00famulo, pede que removam a pedra, d\u00e1 gra\u00e7as ao Pai e brada com voz forte para que L\u00e1zaro saia do t\u00famulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante das situa\u00e7\u00f5es de dor e sofrimento pessoais e alheias n\u00e3o devemos ficar presos \u00e0s nossas l\u00e1grimas e lamentos. Choramos e compadecemo-nos, mas devemos assumir uma atitude proactiva, capaz de responder com ousadia e coragem aos desafios que se colocam diante de n\u00f3s. A miseric\u00f3rdia e a compaix\u00e3o despertam o nosso cora\u00e7\u00e3o e as nossas emo\u00e7\u00f5es, mas devem despertar tamb\u00e9m a nossa vida e a nossa a\u00e7\u00e3o. Com Jesus e como Jesus, acreditamos que o Pai nos escuta e, por isso, partimos na aventura do amor, na certeza de que as nossas a\u00e7\u00f5es unidas \u00e0 sua gra\u00e7a podem realizar maravilhas no aqui e agora do tempo e da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, diante de n\u00f3s coloca-se o grande desafio da f\u00e9 que nos convida a depositar toda a nossa esperan\u00e7a em Jesus Cristo e no Seu amor. Como naquele dia a Marta, Jesus pergunta a cada um de n\u00f3s: \u00ab<em>acreditas nisto?<\/em>\u00bb. Acreditas que comigo os imposs\u00edveis se podem tornar poss\u00edveis? Acreditas que a f\u00e9 abre diante de n\u00f3s um caminho de esperan\u00e7a que vai muito para l\u00e1 dos limites do vis\u00edvel e do palp\u00e1vel? Acreditas que quem caminha com Jesus recebe um modo novo de olhar o tempo e a hist\u00f3ria?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como nos recorda S. Paulo, batizados em Cristo somos j\u00e1 herdeiros da vida nova que brota da P\u00e1scoa do Senhor e habitados pelo Esp\u00edrito Santo somos chamados a semear no aqui e agora do tempo e da hist\u00f3ria a certeza de que os sofrimentos e incertezas do tempo presente se h\u00e3o-de abrir \u00e0 plenitude do amor e da gra\u00e7a que brotam do cora\u00e7\u00e3o de Deus. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 25 de mar\u00e7o a Igreja celebra a Solenidade da Anuncia\u00e7\u00e3o do Senhor. Neste dia, recordamos o an\u00fancio do Arcanjo Gabriel a Maria, comunicando-lhe o des\u00edgnio do Pai de que Ela foi escolhida para acolher no Seu seio virginal o Salvador do Mundo. Apesar de n\u00e3o nos podermos reunir como comunidade crist\u00e3 para celebrar esta solenidade, somos convidados a celebrar este dia e a meditar no mist\u00e9rio de amor que esta solenidade encerra: o nosso Deus n\u00e3o \u00e9 indiferente \u00e0s nossas dores e sofrimentos, mas compadecido da nossa fr\u00e1gil humanidade vem ao nosso encontro e em Jesus Cristo faz-se homem no seio de Maria. A recita\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios gozosos do Ros\u00e1rio, a Liturgia das Horas ou a medita\u00e7\u00e3o dos textos lit\u00fargicos desta solenidade s\u00e3o algumas das formas com que podemos viver este dia. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percorremos liturgicamente a Quaresma at\u00e9 \u00e0 P\u00e1scoa. S\u00e3o 40 dias que querem significar \u201cmudan\u00e7a\u201d. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Ez 37,12-14<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abInfundirei em v\u00f3s o meu esp\u00edrito e revivereis\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ezequiel \u00e9 chamado &#8220;o profeta da esperan\u00e7a&#8221;. Desterrado na Babil\u00f3nia desde 597 a.C. (no reinado de Joaquin, quando Nabucodonosor conquista, pela primeira vez, Jerusal\u00e9m e deporta para a Babil\u00f3nia um primeiro grupo de jerusalimitanos), Ezequiel exerce a\u00ed a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica entre os exilados judeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira fase do minist\u00e9rio de Ezequiel decorre entre 593 a.C. (altura em que sentiu o chamamento de Deus) e 586 a.C. (data em que Jerusal\u00e9m \u00e9 arrasada pelas tropas de Nabucodonosor e uma nova leva de exilados \u00e9 encaminhada para a Babil\u00f3nia). Nesta fase, Ezequiel procura destruir falsas esperan\u00e7as e anuncia que, ao contr\u00e1rio do que pensam os exilados, o cativeiro est\u00e1 para durar&#8230; Eles n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o v\u00e3o regressar em breve a Jerusal\u00e9m, mas os que ficaram em Jerusal\u00e9m (e que continuam a multiplicar os pecados e infidelidades) v\u00e3o fazer companhia aos que j\u00e1 est\u00e3o desterrados na Babil\u00f3nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda fase do minist\u00e9rio de Ezequiel desenrola-se a partir de 586 a.C., at\u00e9 cerca de 570 a.C. Instalados numa terra estrangeira, sem Templo, sem sacerd\u00f3cio e sem culto, os exilados est\u00e3o desesperados e duvidam da bondade e do amor de Deus. Nessa fase, Ezequiel procura alimentar a esperan\u00e7a dos exilados e transmitir ao Povo a certeza de que o Deus libertador e salvador n\u00e3o os abandonou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como primeira leitura pertence \u00e0 segunda fase. Faz parte da famosa &#8220;vis\u00e3o dos ossos calcinados&#8221; (cf. Ez 37). Ezequiel descreve a vis\u00e3o de uma plan\u00edcie cheia de ossos calcinados e sem vida; mas, na vis\u00e3o do profeta, o Esp\u00edrito do Senhor sopra sobre os ossos calcinados e eles s\u00e3o revestidos de pele, de m\u00fasculos e ganham vida. Nesta par\u00e1bola, os ossos calcinados representam o Povo de Deus, que jaz abandonado, sem esperan\u00e7a e sem futuro, no meio da plan\u00edcie mesopot\u00e2mica. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refletir as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na nossa exist\u00eancia pessoal passamos, muitas vezes, por situa\u00e7\u00f5es de desespero, em que tudo parece perder o sentido. A morte de algu\u00e9m querido, o desmoronar dos la\u00e7os familiares, a trai\u00e7\u00e3o de um amigo ou de algu\u00e9m a quem amamos, a perda do emprego, a solid\u00e3o, a falta de objectivos lan\u00e7am-nos muitas vezes num vazio do qual n\u00e3o conseguimos facilmente sair. A Palavra de Deus garante-nos: n\u00e3o estamos perdidos e abandonados \u00e0 nossa mis\u00e9ria e finitude&#8230; Deus caminha ao nosso lado; em cada instante Ele l\u00e1 est\u00e1, tirando vida da morte, &#8220;escrevendo direito por linhas tortas&#8221;, dando-nos a coragem de &#8220;sair do sepulcro&#8221; e avan\u00e7ar mais um passo ao encontro da vida plena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais: Deus recria-nos, cada dia, oferecendo-nos o Esp\u00edrito transformador e renovador, que elimina dos nossos cora\u00e7\u00f5es o orgulho e o ego\u00edsmo (afinal, os grandes respons\u00e1veis pelo sofrimento, pela injusti\u00e7a<br \/>\n, pela viol\u00eancia) e transformando-nos em pessoas novas, com um cora\u00e7\u00e3o sens\u00edvel ao amor e \u00e0s necessidades dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ver os telejornais ou ler os jornais \u00e9 &#8211; mais do que nos mantermos a par dos passos que o mundo vai dando &#8211; um aut\u00eantico exerc\u00edcio de masoquismo: parece que s\u00f3 h\u00e1 dramas, sofrimentos, injusti\u00e7as e viol\u00eancias, como se o mundo fosse um imenso campo de morte. No entanto, n\u00f3s os crentes sabemos que, apesar do sofrimento que faz parte da condi\u00e7\u00e3o de fragilidade em que vivemos, Deus est\u00e1 presente na hist\u00f3ria humana, criando vida e oferecendo a esperan\u00e7a aos homens nesses mil e um gestos de bondade, de ternura e de amor que acontecem a cada instante (e que n\u00e3o chegam aos jornais ou \u00e0s objetivas da televis\u00e3o porque &#8220;n\u00e3o vendem&#8221; e, por isso, n\u00e3o s\u00e3o not\u00edcia). A Palavra Deus que hoje nos \u00e9 proposta sugere que o crente &#8211; pelo simples facto de acreditar em Deus &#8211; deve ser um arauto da esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 sempre Deus &#8211; e s\u00f3 Deus &#8211; que oferece aos homens a vida e a esperan\u00e7a&#8230; No entanto, Deus age no mundo atrav\u00e9s de homens &#8211; como Ezequiel &#8211; que distribuem a vida nova de Deus, com palavras e com gestos. J\u00e1 pensei que Deus me chama a ser uma luz de esperan\u00e7a no mundo? Tenho consci\u00eancia de que \u00e9 atrav\u00e9s dos meus gestos e das minhas palavras que Deus oferece a sua vida aos homens meus irm\u00e3os? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a0129 (130)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: No Senhor est\u00e1 a miseric\u00f3rdia e abundante reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Rom 8,8-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSe o Esp\u00edrito d\u2019Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em v\u00f3s, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, tamb\u00e9m dar\u00e1 vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Esp\u00edrito que habita em v\u00f3s\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 dissemos, noutras circunst\u00e2ncias, que a Carta aos Romanos \u00e9 um texto sereno e did\u00e1tico, no qual Paulo faz uma esp\u00e9cie de resumo do seu pensamento teol\u00f3gico e exp\u00f5e a sua conce\u00e7\u00e3o daquilo que \u00e9 essencial na mensagem crist\u00e3. Numa \u00e9poca (anos 57\/58) em que existem problemas graves de entendimento e de perspetiva entre os crist\u00e3os vindos do juda\u00edsmo e os crist\u00e3os vindos do paganismo, Paulo sublinha a unidade da revela\u00e7\u00e3o e da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: Deus tem um projeto de salva\u00e7\u00e3o e de vida plena, que se destina a todos os homens, sem exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de provar que todos os homens (judeus e pag\u00e3os) vivem no dom\u00ednio do pecado (cf. Rom 1,18-3,20), mas que a &#8220;justi\u00e7a de Deus&#8221; oferece a vida a todos, sem distin\u00e7\u00e3o (cf. Rom 3,21-5,11), Paulo mostra como \u00e9 que, atrav\u00e9s de Jesus Cristo, essa vida se comunica ao homem (cf. Rom 5,12-8,39).<br \/>\nIndo mais ao pormenor: como \u00e9, ent\u00e3o, que a vida de Deus se comunica ao homem? Paulo desenvolve o seu pensamento de acordo com a seguinte sequ\u00eancia: a obedi\u00eancia de Cristo ao plano do Pai fez com que a gra\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o fosse oferecida a todos os homens (cf. Rom 5,12-20); acolhendo essa gra\u00e7a e aceitando receber o Batismo, os homens tornam-se todos participantes do dom de Deus (cf. Rom 6,1-23); a ades\u00e3o a Cristo faz os homens livres das cadeias do ego\u00edsmo e do pecado e transforma-os em homens novos (cf. Rom 7,1-25); e \u00e9 o Esp\u00edrito (dado ao crente no batismo) que potencia essa vida nova (cf. Rom 8,1-39).<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para a reflex\u00e3o, considerar os seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, no dia do meu Batismo, eu escolhi a vida &#8220;segundo o Esp\u00edrito&#8221; (provavelmente, fui batizado muito pequenino, numa altura em que n\u00e3o tinha consci\u00eancia plena do que isso significava; mas, mais tarde, tive a oportunidade &#8211; em v\u00e1rios momentos da minha caminhada crist\u00e3 &#8211; de validar e confirmar essa op\u00e7\u00e3o inicial). A minha vida tem sido coerente com essa op\u00e7\u00e3o? A minha vida tem-se desenrolado \u00e0 margem de Deus e das suas propostas (&#8220;vida segundo a carne&#8221;) ou na escuta atenta e consequente dos projetos de Deus (&#8220;vida segundo o Esp\u00edrito&#8221;)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O batizado \u00e9 algu\u00e9m que escolheu identificar-se com Cristo &#8211; isto \u00e9, algu\u00e9m que escolheu viver na obedi\u00eancia aos planos do Pai e no dom da vida em favor dos irm\u00e3os. O exemplo de Cristo garante-me: uma vida gasta desse jeito n\u00e3o termina no fracasso, mas na vida definitiva, na felicidade total. A realiza\u00e7\u00e3o plena do homem n\u00e3o est\u00e1 nos valores ef\u00e9meros (muitas vezes propostos como os valores mais fundamentais), mas no amor e no dom da vida. \u00c9 da\u00ed que brota a ressurrei\u00e7\u00e3o. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo 11,1-45<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSenhor, se tivesses estado aqui, meu irm\u00e3o n\u00e3o teria morrido. Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Deus To conceder\u00e1\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEu sou a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viver\u00e1; e todo aquele que vive e acredita em Mim nunca morrer\u00e1. Acreditas nisto?\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho segundo Jo\u00e3o procura apresentar Jesus como o Messias, Filho de Deus, enviado pelo Pai para criar um Homem Novo. No &#8220;Livro dos Sinais&#8221; (cf. Jo 4,1-11,56), o autor apresenta &#8211; recorrendo aos &#8220;sinais&#8221; da \u00e1gua (cf. Jo 4,1-5,47), do p\u00e3o (cf. Jo 6,1-7,53), da luz (cf. Jo 8,12-9,41), do pastor (cf. Jo 10,1-42) e da vida (cf. Jo 11,1-56) &#8211; um conjunto de catequeses sobre a a\u00e7\u00e3o criadora e vivificadora do Messias. O texto que hoje nos \u00e9 proposto \u00e9, exatamente, a quinta catequese (a da vida) do &#8220;Livro dos Sinais&#8221;. Trata-se de uma narra\u00e7\u00e3o \u00fanica, que n\u00e3o tem paralelo nos outros tr\u00eas Evangelhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena situa-nos em Bet\u00e2nia, uma aldeia a Este do monte das Oliveiras, a cerca de tr\u00eas quil\u00f3metros de Jerusal\u00e9m. O autor da catequese coloca-nos diante de um epis\u00f3dio &#8211; um triste epis\u00f3dio &#8211; familiar: a morte de um homem. A fam\u00edlia mencionada, constitu\u00edda por tr\u00eas pessoas (Marta, Maria e L\u00e1zaro), parece conhecida de Jesus: no vers. 5, diz-se que Jesus amava Marta, a sua irm\u00e3 Maria e L\u00e1zaro. A visita de Jesus a casa desta fam\u00edlia \u00e9, ali\u00e1s, mencionada em Lc 10,38-42; e Jo\u00e3o tem o cuidado de observar que a Maria, aqui referenciada, \u00e9 a mesma que tinha ungido o Senhor com perfume e lhe tinha enxugado os p\u00e9s com os cabelos (vers. 2, cf. Jo 12,1-8). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode fazer-se a partir dos seguintes elementos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o principal do Evangelho deste domingo &#8211; e que \u00e9 uma quest\u00e3o determinante para a nossa exist\u00eancia de crentes &#8211; \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 morte para os &#8220;amigos&#8221; de Jesus &#8211; isto \u00e9, para aqueles que acolhem a sua proposta e que aceitam fazer da sua vida uma entrega ao Pai e um dom aos irm\u00e3os. Os &#8220;amigos&#8221; de Jesus experimentam a morte f\u00edsica; mas essa morte n\u00e3o \u00e9 destrui\u00e7\u00e3o e aniquila\u00e7\u00e3o: \u00e9, apenas, a passagem para a vida definitiva. Mesmo que estejam privados da vida biol\u00f3gica, n\u00e3o est\u00e3o mortos: encontraram a vida plena, junto de Deus. A hist\u00f3ria de L\u00e1zaro pretende representar essa realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia do nosso batismo, escolhemos essa vida plena e definitiva que Jesus oferece aos seus e que lhes garante a eternidade. A nossa vida tem sido coerente com essa op\u00e7\u00e3o? A nossa exist\u00eancia tem sido uma exist\u00eancia ego\u00edsta e fechada, que termina na morte, ou tem sido uma exist\u00eancia de amor, de partilha, de dom da vida, que aponta para a realiza\u00e7\u00e3o plena do homem e para a vida eterna?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo da nossa exist\u00eancia nesta terra, convivemos com situa\u00e7\u00f5es em que somos tocados pela morte f\u00edsica daqueles a quem amamos&#8230;. \u00c9 natural que fiquemos tristes pela sua partida e por eles deixarem de estar fisicamente presentes a nosso lado. A nossa f\u00e9 convida-nos, no entanto, a ter a certeza de que os &#8220;amigos&#8221; n\u00e3o s\u00e3o aniquilados: apenas encontraram essa vida definitiva, longe da debilidade e da finitude humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante da certeza que a f\u00e9 nos d\u00e1, somos convidados a viver a vida sem medo. O medo da morte como aniquilamento total torna o homem cauteloso e impotente face \u00e0 opress\u00e3o e ao poder dos opressores; mas libertando-nos do medo da morte, Jesus torna-nos livres e capacita-nos para gastar a vida ao servi\u00e7o dos irm\u00e3os, lutando generosamente contra tudo aquilo que oprime e que rouba ao homem a vida plena. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>\u00a0A brevidade da <strong>primeira leitura<\/strong> n\u00e3o deve permitir descurar a sua prepara\u00e7\u00e3o. Deus dirige-se ao Seu povo e a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter isso em conta. Al\u00e9m disso, pede-se aten\u00e7\u00e3o \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o do vocativo \u00ab\u00f3 meu povo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> exige uma acurada prepara\u00e7\u00e3o tendo em conta as pausas e respira\u00e7\u00f5es. \u00c9 necess\u00e1rio ter em aten\u00e7\u00e3o as frases longas, com diversas ora\u00e7\u00f5es, bem como as diversas frases condicionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/03\/28\/vida-dada-em-abundancia-2\/\"><strong>VIDA DADA EM\u00a0ABUND\u00c2NCIA<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00abcaminhada\u00bb quaresmal aproxima-se da sua meta e do seu verdadeiro ponto de partida: a Cruz Gloriosa onde resplandece para sempre o Rosto do imenso, indiz\u00edvel amor de Deus. Nesta\u00a0<em>altura<\/em>\u00a0do percurso (sup\u00f5e-se que encet\u00e1mos uma\u00a0<em>subida espiritual<\/em>: entenda-se no Esp\u00edrito Santo e com o Esp\u00edrito Santo), batizados e catec\u00famenos devem estar j\u00e1 a ser <em>iluminados<\/em>\u00a0por essa luz, a ponto de se desfazerem das \u00abobras das trevas\u00bb e de abra\u00e7arem as \u00abobras da Luz\u00bb, como verdadeiros disc\u00edpulos que seguem o Mestre at\u00e9 ao fim, que \u00e9 tamb\u00e9m o princ\u00edpio, a Fonte da Vida verdadeira donde jorra o Esp\u00edrito Santo (sempre Atos 2,32-33; Jo\u00e3o 19,30.34; 7,38-39). Os catec\u00famenos t\u00eam neste Domingo V da Quaresma \u2013 Domingo da d\u00e1diva da Ressurrei\u00e7\u00e3o \u2013 os seus terceiros \u00abescrut\u00ednios\u00bb: \u00faltima \u00abchamada\u00bb para a Liberdade antes da Noite Pascal Batismal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Ressurrei\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro (Jo\u00e3o 11,1-45) constitui o sexto dos sete \u00absinais\u00bb do Mist\u00e9rio de Cristo segundo o Evangelho de Jo\u00e3o. Depois das bodas de Can\u00e1 (Jo\u00e3o 2,1-12) (1.\u00ba), da cura do filho do oficial em Cafarnaum (Jo\u00e3o 4,46b-54) (2.\u00ba), da cura do paral\u00edtico na \u00abpiscina prob\u00e1tica\u00bb (Jo\u00e3o 5,1-47) (3.\u00ba), da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e dos peixes (Jo\u00e3o 6,1-14) (4.\u00ba), da\u00a0<em>Ilumina\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0da cego de nascen\u00e7a (Jo\u00e3o 9,1-41) (5.\u00ba), e antes do S\u00e9timo Grande \u00daltimo Primeiro \u00abSinal\u00bb que \u00e9 a pr\u00f3pria Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, \u00abo Sinal da Santa Cruz\u00bb, decifrado pelo Esp\u00edrito Santo, com que todos fomos (somos) marcados para sempre (Ef\u00e9sios 1,13; 4,30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em boa verdade, o epis\u00f3dio da morte \/ ressurrei\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro remete de forma clara para a Morte \/ Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor. O tempo que marca a narrativa n\u00e3o \u00e9 o tempo de L\u00e1zaro (da sua doen\u00e7a, da sua morte, do seu sepultamento), mas \u00e9 o tempo (a hora) de Jesus, o Filho de Deus, Aquele-que-Vem sempre, passageiro total, pascal. Por isso, quando recebe a not\u00edcia da doen\u00e7a do amigo, Jesus deixa passar propositadamente dois dias (Jo\u00e3o 11,6), e \u00e9\u00a0<em>ao terceiro dia<\/em>\u00a0que se encaminha para a Judeia (Jo\u00e3o 11,7), e \u00e9\u00a0<em>ao terceiro dia<\/em>\u00a0que chama L\u00e1zaro da morte (Jo\u00e3o 11,43). Pouco importa que para L\u00e1zaro seja j\u00e1 o quarto dia! (Jo\u00e3o 11,17 e 39). Verdadeiramente importante \u00e9 a hora-que-vem (!), agora, em que os mortos ouvir\u00e3o a voz do Filho de Deus (Jo\u00e3o 5,25 e 28), Aquele-que-d\u00e1-a-vida (Jo\u00e3o 5,21; 1 Cor\u00edntios 15,45), esplendoroso Rio de Luz e de Sentido a inundar a terra inteira, enchendo-a de Vida e de Sa\u00fade (Ezequiel 47,1-12; Apocalipse 22,1-2). Verdadeiramente importante \u00e9 este\u00a0<em>terceiro dia<\/em>\u00a0em que o Filho de Deus \u00e9 glorificado (Jo\u00e3o 11,4), e suscita a f\u00e9 de todos os intervenientes na cena: dos disc\u00edpulos (Jo\u00e3o 11,15), de Marta (Jo\u00e3o 11,27), de Maria (Jo\u00e3o 11,29.32), da multid\u00e3o (Jo\u00e3o 11,42), de muitos judeus (Jo\u00e3o 11,45).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marta permanece ligada \u00e0 corrente de uma teologia tradicional: \u00abEu sei (<em>o\u00ecda<\/em>) que ressuscitar\u00e1 na ressurrei\u00e7\u00e3o no \u00faltimo dia\u00bb (Jo\u00e3o 11,24), e n\u00e3o deixa entrar em si a torrente da novidade enunciada por Jesus, que \u00e9 Jesus: \u00abEu Sou (<em>eg\u00f4 eimi<\/em>) a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida\u00bb (Jo\u00e3o 11,25). E, quando Jesus d\u00e1 ordens para\u00a0<em>retirar<\/em>\u00a0(<em>\u00e1rate<\/em>: imperativo aor. de\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>) a pedra (Jo\u00e3o 11,39), Marta avan\u00e7a logo a inutilidade, mesmo o desconforto, o mau cheiro, de uma tal a\u00e7\u00e3o, dado que j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o quatro dias desde que L\u00e1zaro morreu (Jo\u00e3o 11,39). O certo \u00e9 que, por ordem de Jesus, m\u00e3os humanas\u00a0<em>retiraram<\/em>\u00a0(<em>\u00earan<\/em>: aoristo de\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>) a pedra (Jo\u00e3o 11,41), e, mediante nova ordem de Jesus, L\u00e1zaro sai ligado com as faixas e o rosto envolto num sud\u00e1rio (Jo\u00e3o 11,44). \u00c9 preciso ainda uma nova ordem de Jesus, para que L\u00e1zaro seja libertado das faixas que o prendem na morte e do sud\u00e1rio da morte que lhe tapa o rosto (Jo\u00e3o 11,44).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como tudo isto aponta, em contraponto, para a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Aqui, no caso de L\u00e1zaro, a pedra \u00e9 mandada\u00a0<em>retirar<\/em>\u00a0(<em>\u00e1rate<\/em>) e \u00e9 por m\u00e3os humanas por algum tempo\u00a0<em>retirada<\/em>\u00a0(<em>\u00earan<\/em>). O verbo\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>\u00a0[= retirar] aparece nos dois casos na forma ativa e no tempo aoristo, que traduz uma a\u00e7\u00e3o no tempo. Entenda-se: por m\u00e3os humanas e por algum tempo. Mas, para o leitor competente, esta a\u00e7\u00e3o remete j\u00e1 para o cen\u00e1rio da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. E quando se tratar do t\u00famulo de Jesus, o leitor competente n\u00e3o pode deixar de notar que a pedra se apresenta\u00a0<em>retirada<\/em>\u00a0(<em>\u00earm\u00e9non<\/em>: part. perf. passivo), na forma passiva e no tempo perfeito (Jo\u00e3o 20,1). Entenda-se: por Deus e para sempre! \u00c9 o inef\u00e1vel que se abre diante dos nossos olhos! E tamb\u00e9m as faixas n\u00e3o prendem, e o sud\u00e1rio n\u00e3o encobre! As faixas est\u00e3o no ch\u00e3o, e o sud\u00e1rio cuidadosamente enrolado em um lugar (Jo\u00e3o 20,6-7). Tudo est\u00e1 feito, e bem feito. Nenhuma a\u00e7\u00e3o de liberta\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria, como o foi em Jo\u00e3o 11,44).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Significativamente estes disc\u00edpulos de Jesus ficam confusos com o sono-morte de L\u00e1zaro (Jo\u00e3o 11,11-13) \u2013 a morte confunde-nos a todos (!) \u2013 mas compreendem perfeitamente que a ida de Jesus para a Judeia \u00e9 a sua entrega \u00e0 Morte (Jo\u00e3o 11,8), e vislumbram at\u00e9 o significado Batismal dessa Morte, uma vez que manifestam o desejo de morrer com Ele (Jo\u00e3o 11,16), isto \u00e9, querem\u00a0<em>Viver<\/em>\u00a0aquela\u00a0<em>Morte<\/em>! Como bons catec\u00famenos que seguiram fielmente o Mestre, aprenderam j\u00e1 que a Vida verdadeira brota daquela Morte na qual verdadeiramente somos batizados (Romanos 6,3-4), com-mortos, com-sepultados, com-ressuscitados, com-vivificados, com-sentados na Gl\u00f3ria! (Ef\u00e9sios 2,5-6; Colossenses 2,12-13). Sentada estava Maria (Jo\u00e3o 11,20), figura do disc\u00edpulo (Lucas 10,39); mas quando lhe \u00e9 dito ao ouvido que o Senhor a chama (Jo\u00e3o 11,28), levantou-se (<em>\u00eag\u00e9rth\u00ea<\/em>: verbo t\u00e9cnico da Ressurrei\u00e7\u00e3o: Lucas 24,34; 1 Cor\u00edntios 15,4) de imediato e foi ao seu encontro (Jo\u00e3o 11,29).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Belo, belo, belo este Jesus que vem ao nosso encontro, que sente as nossas dores e chora connosco e tamb\u00e9m por n\u00f3s (notem-se as tr\u00eas men\u00e7\u00f5es do verbo \u00abchorar\u00bb, duas por parte de Maria (cf. 11,31-32, e uma por parte dos judeus (cf. 11,33). O verbo empregado \u00e9, nos tr\u00eas casos,\u00a0<em>kla\u00ed\u00f4<\/em>. No mesmo contexto, \u00e9 dito tamb\u00e9m que Jesus se comove connosco (cf. 11,33) e que tamb\u00e9m chora (cf. 11,35). Ao constatarmos que Jesus chora, f\u00e1cil se torna perceber que Jesus chora connosco, misturando as suas l\u00e1grimas com as nossas nesta situa\u00e7\u00e3o dolorosa. Mas \u00e9 preciso notar ainda que o narrador p\u00f5e Jesus a \u00abchorar\u00bb com um verbo diferente do que usou para n\u00f3s nas tr\u00eas vezes anteriores. Jesus chora com o verbo\u00a0<em>dakr\u00fd\u00f4<\/em>. Com este procedimento, talvez o narrador nos queira dizer que, al\u00e9m de chorar connosco, Jesus tamb\u00e9m chora por n\u00f3s, ao ver a nossa incredulidade. \u00c9 s\u00f3 o 3.\u00ba Dia dele e a voz dele, daquele que nos ama e nos chama sempre, inclusive dos vales onde vamos caindo mortos, que nos salva. Ele \u00e9 a Vida. Ainda hoje, em Bet\u00e2nia, atual\u00a0<em>al-Azariye<\/em>, aldeiazinha situada na colina oriental que desce do monte das Oliveiras, a cerca de tr\u00eas km de Jerusal\u00e9m, se pode visitar, descendo 24 degraus, o t\u00famulo que a tradi\u00e7\u00e3o popular atribui a L\u00e1zaro. Ao lado est\u00e1 a igreja franciscana, dita \u00abda amizade\u00bb, levantada pelo famoso arquiteto Barluzzi, em 1952-1953.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O imenso texto de Ezequiel 37,12-14 \u00e9 uma bel\u00edssima met\u00e1fora plantada no meio da Escritura, uma lampadazinha (2 Pedro 1,19) que aponta j\u00e1 para a Luz nova e grande de Jesus. A met\u00e1fora mostra-nos que os exilados na Babil\u00f3nia s\u00e3o como ossos ressequidos e sem nenhuma esperan\u00e7a. Eles est\u00e3o na morte e na humilha\u00e7\u00e3o. O seu discurso n\u00e3o deixa d\u00favidas: \u00abOs nossos ossos est\u00e3o secos; a nossa esperan\u00e7a est\u00e1 desfeita; para n\u00f3s est\u00e1 tudo acabado\u00bb (Ezequiel 37,11). Mas a Palavra de Deus manda tamb\u00e9m na morte. Apontando para o Novo Testamento, Deus\u00a0<em>chama<\/em>\u00a0os mortos dos seus t\u00famulos, e f\u00e1-los reviver. Jesus que\u00a0<em>passa<\/em>\u00a0no Evangelho de Hoje \u00abgrita com voz forte\u00bb (Jo\u00e3o 11,43), e L\u00e1zaro, morto, saiu do t\u00famulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo n\u00e3o se cansa de nos lembrar a vida nova que habita os filhos de Deus (Romanos 8,8-11). \u00abViver em Cristo\u00bb ou \u00abno Esp\u00edrito\u00bb s\u00e3o f\u00f3rmulas batismais intensas que indicam a vida nova do batizado: com o dom da Ilumina\u00e7\u00e3o, marcado pelo Esp\u00edrito at\u00e9 \u00e0 Vida eterna. Mas agora \u00e9 tempo de passar, como Jesus, ao estilo de Jesus, dando um testemunho cred\u00edvel da nossa condi\u00e7\u00e3o nova de filhos de Deus, deixando o fruto do Esp\u00edrito iluminar a nossa vida. E \u00abo fruto do Esp\u00edrito \u00e9 amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansid\u00e3o, autodom\u00ednio\u00bb (G\u00e1latas 5,22-23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, o Salmo 130 \u00e9 um grito desde o abismo profundo em que jazemos atolados. S\u00e3o apenas 52 palavras hebraicas que atiramos a Deus, Senhor do Amor fiel (<em>hesed<\/em>) da Reden\u00e7\u00e3o (<em>ped\u00fbt<\/em>). Cada orante que grita este Salmo sabe em que grau ou degrau de profundidade est\u00e1. Sim, este \u00e9 um dos 15 Salmos graduais ou das subidas ou das peregrina\u00e7\u00f5es (120-134). \u00c9 uma voz que se levanta e sobe at\u00e9 \u00e0quele Senhor que n\u00e3o desprezou as nossas profundezas, mas at\u00e9 elas desceu, e at\u00e9 elas desce, para nos ajudar a subir!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concede-nos, Senhor Jesus,<br \/>\nQue neste tempo de dor e desalento,<br \/>\nNos refugiemos aqui,<br \/>\nNos ajoelhemos aqui,<br \/>\nAo p\u00e9 da tua Cruz,<br \/>\n\u00c0 espera de encontrar algum alento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daqui, de ao p\u00e9 da tua Cruz de Luz,<br \/>\nSem d\u00favida o lugar mais alto do mundo,<br \/>\nMais alto e mais profundo,<br \/>\nV\u00ea-se bem, com toda a claridade,<br \/>\nQue a lonjura do tempo n\u00e3o \u00e9 horizontal.<br \/>\nEleva-se em altura.<br \/>\nComo a tua t\u00fanica tecida de Alto-a-baixo,<br \/>\nVertical,<br \/>\nE sem costura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tu vens do Alto, Senhor.<br \/>\nTu vens de Deus.<br \/>\nTu \u00e9s Deus.<br \/>\nTu \u00e9s o Justo<br \/>\nQue chove das alturas<br \/>\nSobre a nossa humanidade sedenta e \u00e0s escuras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vem, Senhor Jesus,<br \/>\nAlumia e rega a nossa terra dura,<br \/>\nAcaricia o nosso humilde ch\u00e3o,<br \/>\nLimpa as nossas l\u00e1grimas,<br \/>\nE modela com as tuas m\u00e3os de amor<br \/>\nEm cada um de n\u00f3s<br \/>\nUm novo cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\nCapaz de ver,<br \/>\nDesde\u00a0<em>al-Azariye<\/em>,<br \/>\nA alegria do teu terceiro dia<br \/>\nE a for\u00e7a nova<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da tua Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D. Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Leitura-I-do-V-Domingo-da-Quaresma-Ano-A-26.03.2023-Ez-37-12-14.pdf\">Leitura I do V Domingo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 26.03.2023 (Ez 37, 12-14)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Leitura-II-do-V-Domingo-da-Quaresma-Ano-A-26.03.2023-Rom-8-8-11.pdf\">Leitura II do V Domingo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 26.03.2023 (Rom 8, 8-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Domingo-V-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-26.03.2023-Lecionario.pdf\">Domingo V do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 26.03.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Domingo-V-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-26.03.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo V do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 26.03.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo IV da Quaresma \u2013 Ano A \u2013 19.03.2023&#8243; tab_id=&#8221;1679908118806-70006406-4c15&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo IV da Quaresma &#8211; Ano A \u2013 19.03.2023<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo <em>Laetare<\/em><\/strong>. <strong>\u2013 Dia de S. Jos\u00e9 \u2013 Dia do Pai<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Domingo-IV-da-Quaresma.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ser humano pela sua conting\u00eancia faz a experi\u00eancia do limite e da insatisfa\u00e7\u00e3o. Quantas vezes j\u00e1 nos lamentamos por algo que nos faz falta ou por vermos alguns irm\u00e3os nossos que muitas vezes n\u00e3o possuem o necess\u00e1rio para uma vida digna. Contudo, n\u00e3o obstante esta experi\u00eancia, ousamos cantar com o salmista: \u00ab<em>O Senhor \u00e9 meu pastor: nada me faltar\u00e1<\/em>\u00bb. Este aparente paradoxo deve conduzir-nos \u00e0 raiz das nossas insatisfa\u00e7\u00f5es e renovar no nosso cora\u00e7\u00e3o a certeza que o salmista proclama. O caminho quaresmal que estamos a percorrer e que nos conduzir\u00e1 \u00e0 P\u00e1scoa do Senhor recorda-nos a nossa condi\u00e7\u00e3o de peregrinos e este itiner\u00e1rio de convers\u00e3o e penit\u00eancia deve ajudar-nos a fazer a passagem de uma condi\u00e7\u00e3o de insatisfa\u00e7\u00e3o a uma renovada confian\u00e7a Naquele que conduz o curso da nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Revestidos desta confian\u00e7a podemos caminhar iluminadas pela luz que brota do cora\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo e abrir a nossa vida \u00e0 alegria nova que s\u00f3 Jesus e o Seu infinito amor nos podem oferecer e garantir. Este quarto Domingo da Quaresma quer renovar no nosso cora\u00e7\u00e3o o chamamento \u00e0 alegria e, por isso, a ant\u00edfona de entrada da missa deste Domingo proclama: \u00ab<em>Alegra-te, Jerusal\u00e9m; rejubilai, todos os seus amigos<\/em>\u00bb. O tempo da Quaresma \u00e9 o tempo alegre e feliz de quem v\u00ea a sua vida renovada pela certeza do amor de Deus que nos escolhe para l\u00e1 das nossas apar\u00eancias. Deus conhece bem o nosso cora\u00e7\u00e3o, conhece a cegueira que tantas vezes nos impede de olhar o mundo e os outros. Contudo, Jesus n\u00e3o se det\u00e9m a olhar o nosso pecado e a nossa mis\u00e9ria, mas fixa-se sobretudo naquilo que o amor e a gra\u00e7a podem realizar em n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre me fascinou ler o Evangelho fixando a aten\u00e7\u00e3o no olhar de Jesus. Aquele olhar misericordioso que diante das multid\u00f5es se compadece delas porque s\u00e3o como ovelhas sem pastor (Mt 9,36). O olhar que se volta para o C\u00e9u para louvar o Pai que revela as verdades do Reino aos humildes e aos simples (Mt 11,25). O erguer do olhar para o cimo da \u00e1rvore e procurar Zaqueu para que a salva\u00e7\u00e3o possa entrar em sua casa (Lc 19,5). E poder\u00edamos continuar a percorrer o Evangelho para nos deixarmos fascinar por este olhar que nos seduz e encanta porque nos olha com miseric\u00f3rdia e ternura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem diferente do olhar de Jesus \u00e9 o olhar dos disc\u00edpulos e dos fariseus. Os disc\u00edpulos olham para aquele homem e procuram o pecado que tenha desencadeado aquela cegueira: \u00ab<em>Mestre, quem \u00e9 que pecou para ele nascer cego? Ele ou os seus pais?<\/em>\u00bb. Os fariseus, diante de um homem que pela primeira vez consegue ver o mundo e os outros, olham-no com desconfian\u00e7a porque foi curado em dia de S\u00e1bado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por seu lado, aquele cego de nascen\u00e7a, curado por Jesus, come\u00e7a a ver de um modo novo e diferente e progressivamente deixa-se iluminar pela luz nova que Jesus lhe oferece. Quando lhe perguntam, pela primeira vez, quem o curou, responde com prontid\u00e3o que foi um homem chamado Jesus. Interpelado pelos fariseus declara Jesus como um profeta e interrogado de novo reafirma a sua origem divina: \u00ab<em>Se Ele n\u00e3o viesse de Deus, nada podia fazer<\/em>\u00bb. Interpelado por Jesus, professa a sua f\u00e9 no Filho do Homem: \u00ab<em>Eu creio, Senhor<\/em>\u00bb. Deste modo, este homem n\u00e3o recupera apenas a sua vis\u00e3o f\u00edsica, mas pode contemplar o mundo e os outros com o olhar novo que brota do encontro com Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No nosso caminho quaresmal, somos convidados a renovar no nosso cora\u00e7\u00e3o a alegria do encontro com Jesus, a acolher a luz que Ele derrama sobre os nossos cora\u00e7\u00f5es e a olhar de um modo novo aqueles que se cruzam connosco na estrada da vida, porque como nos recorda S. Paulo: \u00ab<em>outrora v\u00f3s \u00e9reis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz, porque o fruto da luz \u00e9 a bondade, a justi\u00e7a e a verdade<\/em>\u00bb.<em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 19 de mar\u00e7o a Igreja celebra a Solenidade S. Jos\u00e9, Esposo da Virgem Santa Maria. Como este ano o dia 19 coincide com o IV Domingo da Quaresma, a solenidade \u00e9 transferida para a segunda-feira, dia 20. Celebrando aquele que recebeu a miss\u00e3o de ser pai de Jesus, este dia \u00e9 tamb\u00e9m dedicado a todos os pais. Esta ocasi\u00e3o \u00e9 uma oportunidade pastoral para reunir as fam\u00edlias e celebrar o dom da paternidade. Pode fazer-se na solene celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia com uma especial b\u00ean\u00e7\u00e3o para os pais ou aproveitando o fim-de-semana para uma atividade catequ\u00e9tica mais alargada envolvendo os pais e os filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste dia assinala-se tamb\u00e9m o d\u00e9cimo anivers\u00e1rio do in\u00edcio do pontificado do Papa Francisco, escolhido pelo col\u00e9gio cardinal\u00edcio para o sucessor de Bento XVI no dia 13 de mar\u00e7o de 2013. Esta ocasi\u00e3o \u00e9 uma oportunidade para dar gra\u00e7as a Deus pelo dom da sua vida e do seu minist\u00e9rio. Pode fazer-se uma especial celebra\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as com o canto do <em>Te Deum<\/em>, incluir esta inten\u00e7\u00e3o na Eucaristia, de modo particular na Ora\u00e7\u00e3o Universal ou uma atividade formativa ou de reflex\u00e3o quaresmal sobre os v\u00e1rios desafios que o magist\u00e9rio do Papa Francisco nos tem colocado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 19 de mar\u00e7o a Igreja celebra a Solenidade S. Jos\u00e9, Esposo da Virgem Santa Maria e que, neste ano lit\u00fargico, ano A, vai coincidir com o IV Domingo da Quaresma \u2013 o Domingo da Alegria &#8211; <strong>Domingo <em>Laetare<\/em><\/strong>. Celebrando aquele que recebeu a miss\u00e3o de ser pai de Jesus, este dia \u00e9 tamb\u00e9m dedicado a todos os pais. Esta ocasi\u00e3o \u00e9 uma oportunidade pastoral para reunir as fam\u00edlias e celebrar o dom da paternidade. Neste dia assinala-se tamb\u00e9m o <strong>d\u00e9cimo anivers\u00e1rio do in\u00edcio do pontificado do Papa Francisco <\/strong>escolhido para chefe da Igreja Cat\u00f3lica em 13 de mar\u00e7o de 2013. Esta ocasi\u00e3o \u00e9 uma oportunidade para dar gra\u00e7as a Deus pelo dom da sua vida e do seu minist\u00e9rio. Pode fazer-se uma especial celebra\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as com o canto do\u00a0<em>Te Deum<\/em>, incluir esta inten\u00e7\u00e3o na Eucaristia, de modo particular na Ora\u00e7\u00e3o Universal ou uma atividade formativa ou de reflex\u00e3o quaresmal sobre os v\u00e1rios desafios que o magist\u00e9rio do Papa Francisco nos tem colocado. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percorremos liturgicamente a Quaresma at\u00e9 \u00e0 P\u00e1scoa. S\u00e3o 40 dias que querem significar \u201cmudan\u00e7a\u201d. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>1 Sam 16,1b.6-7.10-13a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abDeus n\u00e3o v\u00ea como o homem: o homem olha \u00e0s apar\u00eancias, o Senhor v\u00ea o cora\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda metade do s\u00e9c. XI a.C., os filisteus constitu\u00edam uma amea\u00e7a bastante s\u00e9ria para as tribos do Povo de Deus. Instalados na orla costeira, os filisteus pressionavam cada vez mais os outros grupos que habitavam a terra de Cana\u00e3, nomeadamente as tribos do Povo de Deus que ocupavam as montanhas do interior do pa\u00eds. A necessidade de uma lideran\u00e7a \u00fanica e forte levou os anci\u00e3os das tribos a equacionar, pela primeira vez, a possibilidade da uni\u00e3o pol\u00edtica das tribos sob a autoridade de um rei, \u00e0 imagem do que sucedia com os outros povos da zona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira experi\u00eancia mon\u00e1rquica aconteceu com Sa\u00fal e agrupava as tribos do centro e algumas do norte do pa\u00eds. Essa experi\u00eancia terminou, no entanto, de forma dram\u00e1tica: Sa\u00fal e seu filho J\u00f3natas morreram na batalha de Gelbo\u00e9, em luta contra os filisteus, por volta do ano 1010 a.C.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era preciso encontrar um outro &#8220;her\u00f3i&#8221;, capaz de gerar consensos entre tribos muito diferentes, junt\u00e1-las e conduzi-las vitoriosamente ao combate contra os inimigos filisteus. A escolha dos anci\u00e3os &#8211; tanto das tribos do Norte, como das tribos do Sul &#8211; recaiu, ent\u00e3o, num jovem chamado David.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">David nasceu por volta de 1040 a.C., em Bel\u00e9m de Jud\u00e1, no sul do pa\u00eds. Como \u00e9 que David se tornou notado e se imp\u00f4s, de forma a ser considerado uma solu\u00e7\u00e3o para o problema da realeza?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro de Samuel apresenta tr\u00eas tradi\u00e7\u00f5es sobre a entrada de David em cena. A primeira apresenta David como um admir\u00e1vel guerreiro, cuja valentia chamou a aten\u00e7\u00e3o de Sa\u00fal, sobretudo ap\u00f3s a sua vit\u00f3ria sobre o gigante filisteu Golias (cf. 1 Sm 17). A segunda tradi\u00e7\u00e3o apresenta David como um poeta, que vai para a corte de Sa\u00fal para cantar e tocar harpa (segundo esta tradi\u00e7\u00e3o &#8211; bastante hostil a Sa\u00fal &#8211; o rei s\u00f3 conseguia reencontrar a calma e o bem-estar quando David o acalmava com a sua m\u00fasica &#8211; cf. 1 Sm 16,14-23. Aos poucos, o poeta\/cantor David foi ganhando adeptos na corte, tornando-se amigo de J\u00f3natas, o filho de Sa\u00fal, e casando mesmo com Mical, a filha do rei). Finalmente, a terceira tradi\u00e7\u00e3o &#8211; a menos verific\u00e1vel historicamente, mas a de maior import\u00e2ncia teol\u00f3gica &#8211; apresenta a realeza de David como uma escolha de Jahw\u00e9h. \u00c9 esta terceira tradi\u00e7\u00e3o que o nosso texto nos apresenta.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir dos seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Se olharmos para o mundo com olhos de esperan\u00e7a, vemos muitas pessoas que realizam coisas bonitas, que lutam contra a mis\u00e9ria, o sofrimento, a injusti\u00e7a, a doen\u00e7a, o analfabetismo, a viol\u00eancia&#8230; N\u00e3o h\u00e1 mal nenhum em admirarmos a sua disponibilidade e em aprendermos com o seu empenho e compromisso. No entanto, n\u00f3s os crentes somos convidados a olhar mais al\u00e9m e a ver Deus por detr\u00e1s de cada gesto de amor, de bondade, de coragem, de compromisso com a constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor. O nosso Deus continua a construir, dia a dia, a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o; e chama homens e mulheres para colaborarem com Ele na salva\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa leitura mostra, mais uma vez, que Deus tem crit\u00e9rios diferentes dos crit\u00e9rios humanos e que a sua l\u00f3gica nem sempre coincide com a nossa. &#8220;Deus n\u00e3o v\u00ea como o homem; o homem olha \u00e0s apar\u00eancias, o Senhor v\u00ea o cora\u00e7\u00e3o&#8221; &#8211; diz o texto. \u00c9 preciso entrar na l\u00f3gica de Deus e aprender a ver, para al\u00e9m da apar\u00eancia, da roupa que a pessoa veste, do &#8220;curriculum&#8221; profissional ou acad\u00e9mico; \u00e9 preciso aprender a ver com o cora\u00e7\u00e3o e a descobrir a riqueza que se esconde por detr\u00e1s daqueles que parecem insignificantes e sem pretens\u00f5es&#8230; \u00c9 preciso, sobretudo, aprender a respeitar a dignidade de cada homem e de cada mulher, mesmo quando n\u00e3o parecem pessoas importantes ou influentes. \u00c9 isso que acontece nos &#8220;guichets&#8221; dos nossos servi\u00e7os p\u00fablicos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 isso que acontece nas rece\u00e7\u00f5es das nossas igrejas? \u00c9 isso que acontece nas portarias das nossas casas religiosas? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a022 (23<\/strong>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> O Senhor \u00e9 meu pastor: nada me faltar\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Ef 5,8-14<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abVivei como filhos da luz, porque o fruto da luz \u00e9 a bondade, a justi\u00e7a e a verdade\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta aos Ef\u00e9sios \u00e9, provavelmente, um dos exemplares de uma &#8220;carta circular&#8221; enviada a v\u00e1rias Igrejas da \u00c1sia Menor, numa altura em que Paulo est\u00e1 na pris\u00e3o (em Roma? em Cesareia?). O seu portador \u00e9 um tal T\u00edquico. Estamos por volta dos anos 58\/60.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns veem nesta carta uma esp\u00e9cie de s\u00edntese da teologia paulina, numa altura em que Paulo sente ter terminado a sua miss\u00e3o apost\u00f3lica na \u00c1sia e n\u00e3o sabe exatamente o que o futuro pr\u00f3ximo lhe reserva (recordemos que ele est\u00e1, por esta altura, prisioneiro e n\u00e3o sabe como vai terminar o cativeiro).<br \/>\nO tema central da Carta aos Ef\u00e9sios \u00e9 aquilo a que Paulo chama &#8220;o mist\u00e9rio&#8221;: o des\u00edgnio (ou projeto) salvador de Deus, definido desde toda a eternidade, escondido durante s\u00e9culos aos homens, revelado e concretizado plenamente em Jesus, comunicado aos ap\u00f3stolos, desfraldado e dado a conhecer ao mundo na Igreja.<br \/>\nO texto que nos \u00e9 aqui proposto faz parte da &#8220;exorta\u00e7\u00e3o aos batizados&#8221; que aparece na segunda parte da carta (cf. Ef 4,1-6,20). Nessa exorta\u00e7\u00e3o, Paulo retoma os temas tradicionais da catequese primitiva e convida os crentes a deixarem a antiga forma de viver para assumirem a nova, revestindo-se de Cristo (cf. Ef 4,17-31), imitando Deus (cf. Ef 4,32-5,2) e passando das trevas \u00e0 luz (cf. Ef 5,3-20). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o, ter em conta os seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Luz&#8221; e &#8220;trevas&#8221; s\u00e3o, nesta passagem, duas esferas de poder capazes de tomar conta do homem e de condicionar a sua vida, as suas op\u00e7\u00f5es, os seus valores e comportamentos. O crist\u00e3o, no entanto, \u00e9 aquele que optou por &#8220;viver na luz&#8221;. Para mim, o que significa, em concreto, &#8220;viver na luz&#8221;? O que \u00e9 que isso, em termos pr\u00e1ticos, implica? Quais s\u00e3o os esquemas, comportamentos e valores que devem ser definitivamente saneados da minha vida, a fim de que eu seja um testemunho da &#8220;luz&#8221;?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Paulo, n\u00e3o chega &#8220;viver na luz&#8221; e dar testemunho da &#8220;luz&#8221;. \u00c9 preciso, tamb\u00e9m, denunciar &#8211; de forma aberta e decidida &#8211; as &#8220;trevas&#8221; que desfeiam o mundo e que mant\u00eam os homens escravos. Na minha perspetiva, quais s\u00e3o os gestos, comportamentos e atitudes que contribuem para apagar a &#8220;luz&#8221; de Deus e para manter este mundo nas &#8220;trevas&#8221;? Com que \u00e9 que eu devo pactuar e o que \u00e9 que eu devo denunciar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A express\u00e3o &#8220;desperta tu que dormes&#8221;, citada por Paulo, convida-nos \u00e0 vigil\u00e2ncia. O crist\u00e3o n\u00e3o pode ficar de bra\u00e7os cruzados diante da maldade, do ego\u00edsmo, da injusti\u00e7a, da explora\u00e7\u00e3o, dos contravalores que enegrecem a vida dos homens e do mundo. O crist\u00e3o tem de manter uma atitude de vigil\u00e2ncia atenta e de den\u00fancia ousada e corajosa. Diante dos contravalores, qual a minha atitude: \u00e9 a atitude comodista de quem deixa correr as coisas porque n\u00e3o est\u00e1 para se chatear, ou \u00e9 a atitude de quem se sente realmente incomodado com a escurid\u00e3o do mundo e pretende intervir para que o mundo se construa de uma forma diferente? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo 9,1-41<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abMestre, quem \u00e9 que pecou para ele nascer cego? Ele ou os seus pais?\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abVai lavar-te \u00e0 piscina de Silo\u00e9\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abNunca se ouviu dizer que algu\u00e9m tenha aberto os olhos a um cego de nascen\u00e7a. Se Ele n\u00e3o viesse de Deus, nada podia fazer\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 vimos, na semana passada, que o Evangelho segundo Jo\u00e3o procura apresentar Jesus como o Messias, Filho de Deus, enviado pelo Pai para criar um Homem Novo. Tamb\u00e9m vimos que, no chamado &#8220;Livro dos Sinais&#8221; (cf. Jo 4,1-11,56), o autor apresenta &#8211; recorrendo aos &#8220;sinais&#8221; da \u00e1gua (cf. Jo 4,1-5,47), do p\u00e3o (cf. Jo 6,1-7,53), da luz (cf. Jo 8,12-9,41), do pastor (cf. Jo 10,1-42) e da vida (cf. Jo 11,1-56) &#8211; um conjunto de catequeses sobre a a\u00e7\u00e3o criadora do Messias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto \u00e9, exatamente, a terceira catequese (a da luz) do &#8220;Livro dos Sinais&#8221;: atrav\u00e9s do &#8220;sinal&#8221; da &#8220;luz&#8221;, o autor vai descrever a a\u00e7\u00e3o criadora e vivificadora de Jesus. A catequese sobre a &#8220;luz&#8221; \u00e9 colocada no contexto da &#8220;Festa de Sukkot&#8221; (a festa das colheitas); um dos ritos mais populares dessa festa era, exatamente, a ilumina\u00e7\u00e3o dos quatro grandes candelabros do \u00e1trio das mulheres, no Templo de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No centro do quadro aparece-nos (al\u00e9m de Jesus) um cego. Os &#8220;cegos&#8221; faziam parte do grupo dos exclu\u00eddos da sociedade palestina de ent\u00e3o. As defici\u00eancias f\u00edsicas eram consideradas &#8211; pela teologia oficial &#8211; como resultado do pecado (os rabis da \u00e9poca chegavam a discutir de onde vinha o pecado de algu\u00e9m que nascia com uma defici\u00eancia: se o defeito era o resultado de um pecado dos pais, ou se era o resultado de um pecado cometido pela crian\u00e7a no ventre da m\u00e3e).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a conce\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, Deus castigava de acordo com a gravidade da culpa. A cegueira era considerada o resultado de um pecado especialmente grave: uma doen\u00e7a que impedisse o homem de estudar a Lei era considerada uma maldi\u00e7\u00e3o de Deus por excel\u00eancia. Pela sua condi\u00e7\u00e3o de impureza not\u00f3ria, os cegos eram impedidos de servir de testemunhas no tribunal e de participar nas cerim\u00f3nias religiosas no Templo.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar, na reflex\u00e3o, as seguintes propostas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s, os crentes, n\u00e3o podemos fechar-nos num pessimismo est\u00e9ril, decidir que o mundo &#8220;est\u00e1 perdido&#8221; e que \u00e0 nossa volta s\u00f3 h\u00e1 escurid\u00e3o&#8230; No entanto, tamb\u00e9m n\u00e3o podemos esconder a cabe\u00e7a na areia e dizer que tudo est\u00e1 bem. H\u00e1, objetivamente, situa\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es, valores e esquemas que mant\u00eam o homem encerrado no seu ego\u00edsmo, fechado a Deus e aos outros, incapaz de se realizar plenamente. O que \u00e9 que, no nosso mundo, gera escurid\u00e3o, trevas, aliena\u00e7\u00e3o, cegueira e morte? O que \u00e9 que impede o homem de ser livre e de se realizar plenamente, conforme previa o projeto de Deus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A catequese que Jo\u00e3o nos prop\u00f5e hoje garante-nos: a realiza\u00e7\u00e3o plena do homem continua a ser a prioridade de Deus. Jesus Cristo, o Filho de Deus, veio ao encontro dos homens e mostrou-lhes a luz libertadora: convidou-os a renunciar ao ego\u00edsmo e autossufici\u00eancia que geram &#8220;trevas&#8221;, sofrimento, escravid\u00e3o e a fazerem da vida um dom, por amor. Aderir a esta proposta \u00e9 viver na &#8220;luz&#8221;. Como \u00e9 que eu me situo face ao desafio que, em Jesus, Deus me faz?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste domingo descreve v\u00e1rias formas de responder negativamente \u00e0 &#8220;luz&#8221; libertadora que Jesus oferece. H\u00e1 aqueles que se op\u00f5em decididamente \u00e0 proposta de Jesus porque est\u00e3o instalados na mentira e a &#8220;luz&#8221; de Jesus s\u00f3 os incomoda; h\u00e1 aqueles que t\u00eam medo de enfrentar as &#8220;bocas&#8221;, as cr\u00edticas, que se deixam manipular pela opini\u00e3o dominante, e que, por medo, preferem continuar escravos do que arriscar ser livres; h\u00e1 aqueles que, apesar de reconhecerem as vantagens da &#8220;luz&#8221;, deixam que o comodismo e a in\u00e9rcia os prendam numa vida de escravos&#8230; Eu identifico-me com algum destes grupos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cego que escolhe a &#8220;luz&#8221; e que adere incondicionalmente a Jesus e \u00e0 sua proposta libertadora \u00e9 o modelo que nos \u00e9 proposto. A Palavra de Deus convida-nos, neste tempo de Quaresma, a um processo de renova\u00e7\u00e3o que nos leve a deixar tudo o que nos escraviza, nos aliena, nos oprime &#8211; no fundo, tudo o que impede que brilhe em n\u00f3s a &#8220;luz&#8221; de Deus e que impede a nossa plena realiza\u00e7\u00e3o. Para que a celebra\u00e7\u00e3o da ressurrei\u00e7\u00e3o &#8211; na manh\u00e3 de P\u00e1scoa &#8211; signifique algo, \u00e9 preciso realizarmos esta caminhada quaresmal e renascermos, feitos Homens Novos, que vivem na &#8220;luz&#8221; e que d\u00e3o testemunho da &#8220;luz&#8221;. O que \u00e9 que eu posso fazer para que isso aconte\u00e7a?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Receber a &#8220;luz&#8221; que Cristo oferece \u00e9, tamb\u00e9m, acender a &#8220;luz&#8221; da esperan\u00e7a no mundo. O que \u00e9 que eu fa\u00e7o para eliminar as &#8220;trevas&#8221; que geram sofrimento, injusti\u00e7a, mentira e aliena\u00e7\u00e3o? A &#8220;luz&#8221; de Cristo que os padrinhos me passaram no dia em que fui batizado brilha em mim e ilumina o mundo?\u00a0 <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o os diversos di\u00e1logos presentes no texto. Al\u00e9m disso, deve preparar-se bem as palavras menos usuais e que podem ser de dif\u00edcil pronuncia\u00e7\u00e3o: \u00ab\u00e2mbula\u00bb, \u00abJess\u00e9\u00bb e \u00abunge-o\u00bb. Estas palavras devem pronunciar-se tal como est\u00e3o escritas respeitando a sua acentua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, \u00e9 importante ter presente o tom exortativo presente no texto e que \u00e9 sublinhado pelas diferentes formas verbais no imperativo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/03\/21\/luz-que-lava-e-alumia-o-coracao-3\/\"><strong>LUZ QUE LAVA E ALUMIA O\u00a0CORA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o olhar cada vez mais fixo na Cruz Gloriosa, em que foi entronizada a Luz que d\u00e1 a Vida verdadeira, batizados e catec\u00famenos continuam a sua \u00abcaminhada\u00bb quaresmal:\u00a0<em>mem\u00f3ria<\/em>\u00a0do batismo [= execu\u00e7\u00e3o do programa filial batismal] para os batizados,\u00a0<em>prepara\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0para o batismo por parte dos catec\u00famenos (<em>Sacrosanctum Concilium<\/em>\u00a0109), que t\u00eam neste Domingo IV da Quaresma \u2013 Domingo da d\u00e1diva da Luz \u2013 os seus segundos \u00abescrut\u00ednios\u00bb: segunda \u00abchamada\u00bb para a Liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho narra a d\u00e1diva da Luz por Jesus \u00e0 nossa pobre e cega humanidade (Jo\u00e3o 9,1-41). Deus \u00e9 Luz (1 Jo\u00e3o 1,5), e \u00e9 na sua Luz que n\u00f3s vemos a Luz (Salmo 35,10). Ora, a Luz\u00a0<em>veio<\/em>\u00a0ao mundo (Jo\u00e3o 3,19; 12,46) para dar a Vida ao mundo.\u00a0<em>Veio<\/em>\u00a0(<em>el\u00ealuthen<\/em>) ao mundo e permanece acesa no mundo, como indica o perfeito usado no texto grego. Marcos recorre \u00e0 crueza da linguagem para nos fazer\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0melhor o Mist\u00e9rio desta Luz-que-vem: \u00ab<em>Vem<\/em>\u00a0a Luz para ser colocada debaixo do alqueire ou debaixo da cama? N\u00e3o, antes, para ser colocada sobre o candelabro? Na verdade, nada est\u00e1\u00a0<em>escondido<\/em>\u00a0que n\u00e3o seja para se\u00a0<em>manifestar<\/em>\u00bb (Marcos 4,21-22). Na verdade, o Divino, o Filho Unig\u00e9nito de Deus, Aquele-que-vem, passa\u00a0<em>escondido<\/em>\u00a0na humildade da nossa condi\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 Ele a Luz-que-vem, que agora est\u00e1\u00a0<em>escondida<\/em>, mas que se\u00a0<em>manifestar\u00e1<\/em>\u00a0no novo e \u00faltimo candelabro do amor de Deus (Atos 2,36), a Cruz Gloriosa, \u00fanica fonte do Esp\u00edrito Santo para n\u00f3s (sempre Atos 2,32-33; Jo\u00e3o 19,30.34; 7,38-39). N\u00e3o esque\u00e7amos que\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0o Filho \u00e9 obra do Esp\u00edrito Santo em n\u00f3s (1 Cor\u00edntios 12,3). \u00c9 por isso que o Filho do Homem, Aquele (o \u00danico) -que-de-Deus-vem-e-a-Deus-volta (Jo\u00e3o 9,13) tem de (<em>de\u00ee<\/em>) ser levantado [= crucificado \/ ressuscitado \/glorificado \/ exaltado] (Jo\u00e3o 3,14; cf. Filipenses 2,9): s\u00f3 ent\u00e3o se saber\u00e1 que \u00abEu Sou\u00bb (t\u00edtulo divino) (Jo\u00e3o 8,28), e atrairei todos a Mim (Jo\u00e3o 12,32).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas agora, ap\u00f3s o Batismo no Jord\u00e3o e a Transfigura\u00e7\u00e3o \/ Confirma\u00e7\u00e3o no Tabor, durante o dia que \u00e9 a sua vida toda, eis Jesus passando sempre (<em>par\u00e1g\u00f4n<\/em>: partic\u00edpio presente durativo) (Jo\u00e3o 9,1) e executando a \u00abobra\u00bb daquele que o enviou (Jo\u00e3o 9,4). Na sua condi\u00e7\u00e3o de \u00abpassageiro\u00bb total, pascal, no sentido \u00abque de Deus veio e para Deus voltava\u00bb (Jo\u00e3o 13,3), Jesus viu um cego de nascen\u00e7a, e os seus disc\u00edpulos tamb\u00e9m viram. Mas Jesus e os disc\u00edpulos n\u00e3o viram a mesma coisa. Os disc\u00edpulos viram um cego, e por detr\u00e1s do cego viram o encadeado \u00abpecado \u2013 doen\u00e7a\u00bb, e por detr\u00e1s do encadeado viram a manifesta\u00e7\u00e3o do Deus-garante da \u00abordem da retribui\u00e7\u00e3o\u00bb. Jesus viu um cego, mas n\u00e3o viu naquela cegueira a manifesta\u00e7\u00e3o de Deus; antes, viu que \u00abera preciso\u00bb (<em>de\u00ee<\/em>) (Jo\u00e3o 9,4) aquele cego para que Deus se manifestasse nele. Jesus viu um cego e como que disse: preciso deste cego! \u00ab\u00c9 preciso\u00bb (<em>de\u00ee<\/em>) que Deus se manifeste neste cego. E como \u00e9 que Deus se podia manifestar naquele cego? Atrav\u00e9s das \u00abobras\u00bb (<em>t\u00e0 \u00e9rga<\/em>) daquele que Ele enviou (Jo\u00e3o 9,4), fazendo passar aquele cego do dom\u00ednio da cegueira para a liberdade da gl\u00f3ria dos filhos de Deus, para usar a express\u00e3o feliz de Romanos 8,21. Sendo a Luz do mundo (Jo\u00e3o 8,12; 9,5), Jesus concede o dom da vista ao cego de nascen\u00e7a acompanhado do dom da Luz (Ilumina\u00e7\u00e3o) em ordem \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o das coisas divinas (veja-se a prop\u00f3sito Hebreus 6,4-5: texto batismal espantoso!). Atente-se bem que o cego de nascen\u00e7a recebeu o dom da vista e o dom batismal da \u00abdiviniza\u00e7\u00e3o\u00bb para ver e ouvir as coisas divinas. Perante este segundo dom, tamb\u00e9m os fariseus eram cegos de nascen\u00e7a, e n\u00e3o o sabiam!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Significativamente, o cego recupera a vista e recebe o dom da Luz na \u00abpiscina de Silo\u00e9\u00bb (Jo\u00e3o 9,7). De notar que \u00abpiscina\u00bb se diz em grego\u00a0<em>kolymb\u00eathra<\/em>, nome que ainda hoje para a Igreja grega significa \u00abfonte batismal\u00bb. Silo\u00e9 \u00e9 a greciza\u00e7\u00e3o do aramaico\u00a0<em>shl\u00eeha<\/em>, hebraico\u00a0<em>shal\u00eeah<\/em>, que quer dizer \u00abenviado\u00bb. Santo Agostinho comenta, sempre de forma acertada e penetrante: \u00abSabeis bem quem \u00e9 o enviado; se Cristo n\u00e3o tivesse sido\u00a0<em>enviado<\/em>, nenhum de n\u00f3s teria sido\u00a0<em>desviado<\/em>\u00a0do pecado. O cego lavou os olhos naquela fonte que se traduz \u201cEnviado\u201d: foi batizado em Cristo\u00bb. A \u00abfonte batismal\u00bb do \u00abenviado\u00bb de Deus, daquele-que-vem-de-Deus, o Filho do Homem. O cego recobrou a vista imediatamente. A luz da f\u00e9, essa \u00e9 gradual. Passa por: \u00abn\u00e3o sei\u00bb (Jo\u00e3o 9,12); \u00ab\u00e9 um profeta\u00bb (Jo\u00e3o 9,17); \u00abvem de Deus\u00bb (Jo\u00e3o 9,33); \u00abeu creio, Senhor\u00bb (Jo\u00e3o 9,38).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A narrativa vai abrindo cen\u00e1rios sucessivos. O primeiro (Jo\u00e3o 9,1-7) p\u00f5e Jesus e os seus disc\u00edpulos face ao cego, mostra as suas diferentes maneiras de ver, e deixa claro que \u00e9 a postura criadora e redentora de Jesus que cura o cego. O segundo (Jo\u00e3o 9,8-12) mostra-nos a discuss\u00e3o est\u00e9ril que se gera entre os vizinhos acerca do cego. S\u00f3 palavras. O terceiro (Jo\u00e3o 9,13-17) traz para a cena a presen\u00e7a dos fariseus, que tamb\u00e9m discutem o assunto, e tamb\u00e9m n\u00e3o o entendem nem se entendem. O quarto (Jo\u00e3o 9,18-23) mostra a atitude dos pais que n\u00e3o se querem comprometer. O quinto (Jo\u00e3o 9,24-34) p\u00f5e de novo em cena os judeus e o cego, que apontam os respetivos mestres: Mois\u00e9s para os judeus; Jesus para o cego. Mas acerca de Jesus, dizem os judeus: \u00abEsse n\u00e3o sabemos DE ONDE (<em>p\u00f3then<\/em>) \u00e9\u00bb (Jo\u00e3o 9,29), ao que o cego responde com penetrante clarivid\u00eancia, apontando a cegueira deles: \u00abIsso \u00e9 \u00abespantoso (<em>t\u00f2 thaumast\u00f3n<\/em>): v\u00f3s n\u00e3o sabeis DE ONDE (<em>p\u00f3then<\/em>) Ele \u00e9; e, no entanto, Ele abriu-me os olhos!\u00bb (Jo\u00e3o 9,30). Que \u00e9 como quem diz: s\u00f3 n\u00e3o v\u00ea quem n\u00e3o quer! O \u00faltimo cen\u00e1rio (Jo\u00e3o 35-41) traz-nos de volta Jesus, que se revela ao cego, iluminando-o, e deixa os fariseus cada vez mais \u00e0s escuras!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos todos algo a ver com o cego de nascen\u00e7a: os batizados receberam como ele o dom batismal da Luz para ver e ouvir e viver a vida divina; os catec\u00famenos receb\u00ea-lo-\u00e3o. Temos todos a ver com o Enviado, Aquele-que-vem: Ele \u00e9 o \u00fanico enviado do Pai para fazer a sua \u00abobra\u00bb; n\u00f3s somos enviados por Ele (Jo\u00e3o 20,21) para continuar no mundo a sua \u00abobra\u00bb. Mas temos de reconhecer que muitas vezes ainda vemos as pessoas e as coisas de forma bem diferente de Jesus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Primeiro Livro de Samuel 16,1-13 serve-nos hoje um texto fant\u00e1stico em clara sintonia com o Evangelho. Trata-se da un\u00e7\u00e3o real do menor dos filhos de Jess\u00e9, David, um garoto que andava nos montes a guardar o rebanho. Nem entrava nas contas do seu pai. Teve de ser o profeta Samuel a perguntar a Jess\u00e9, depois de este lhe ter apresentado sete filhos e n\u00e3o ter dado sequer a entender que ainda tinha mais um: \u00abAcabaram os teus filhos?\u00bb (1 Samuel 16,11). S\u00f3 aqui \u00e9 que Jess\u00e9 se apercebeu que ainda tinha mais um. Mas, como David era ainda um garoto, nunca Jess\u00e9 pensou que passasse por ele a escolha de Deus! A sua presen\u00e7a \u00e9, portanto, t\u00e3o paradoxal como a do cego de nascen\u00e7a! Mas Deus n\u00e3o v\u00ea como n\u00f3s. Deus v\u00ea o cora\u00e7\u00e3o, e nele deposita o seu Esp\u00edrito (1 Samuel 16,13; Romanos 5,5). Levamos este tesouro em vasos de barro\u2026 (2 Cor\u00edntios 4,7). Brilha melhor a Luz de Deus (2 Cor\u00edntios 4,6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cumpre-nos ler tamb\u00e9m hoje o grande texto da Carta aos Ef\u00e9sios 5,8-14.\u00a0<em>Iluminados<\/em>\u00a0pela Luz da Luz, que \u00e9 tamb\u00e9m a Luz do mundo, somos a Luz do mundo: constata\u00e7\u00e3o, mas sobretudo desafio e programa! Somos, por isso, \u00abfilhos da Luz\u00bb (Ef\u00e9sios 5,8; 1 Tessalonicenses 5,5) \u2013 um dos termos t\u00e9cnicos de \u00abdiviniza\u00e7\u00e3o\u00bb \u2013 e \u00abfilhos do dia\u00bb (1 Tessalonicenses 5,5). Chamados das trevas para a luz maravilhosa de Deus (1 Pedro 2,9), devemos tornar-nos operadores das \u00abobras da Luz\u00bb, que n\u00e3o t\u00eam parte com as \u00abobras das trevas\u00bb. O Ap\u00f3stolo [= Enviado] d\u00e1 testemunho do Evangelho e continua no mundo o Evangelho. Passando como Jesus. Vendo como Jesus. A\u00ed est\u00e1 a nossa miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tempo para nos deixarmos conduzir pela m\u00e3o carinhosa e pela voz maternal e melodiosa do Bom Pastor, cantando o Salmo 23. Sim, Ele recebe bem os seus h\u00f3spedes: faz-nos uma visita guiada pelos seus prados muito verdes, cheios de \u00e1guas muito azuis, unge com \u00f3leo perfumado a nossa cabe\u00e7a, estende no ch\u00e3o do seu c\u00e9u a \u00abpele de vaca\u00bb (<em>shulhan<\/em>), que \u00e9 a sua mesa, serve-nos vinhos generosos\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vai adiantado o tempo da Quaresma,<br \/>\nE eu continuo ainda aqui parado<br \/>\nNesta p\u00e1gina em branco da cal\u00e7ada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sei bem que foste tu que me puseste em movimento,<br \/>\nQue teceste o meu ser,<br \/>\nQue me deste a vida e de comer,<br \/>\nQue me acolheste e me acolhes sempre em tua casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 que estou ent\u00e3o aqui parado na berma desta estrada,<br \/>\nPensando que fui eu que me pus no ser,<br \/>\nQue sou dono de mim,<br \/>\nQue esta vida \u00e9 minha,<br \/>\nMinha \u00e9 esta casa, este peda\u00e7o de ch\u00e3o,<br \/>\nEste naco de p\u00e3o<br \/>\nE at\u00e9 este cora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o fiques a\u00ed parado, meu irm\u00e3o.<br \/>\nErgue-te e vai pelos n\u00f3s do vento,<br \/>\nChegar\u00e1s por certo \u00e0 p\u00e1tria do Esp\u00edrito<br \/>\nSubmisso ao sopro obsessivo do sil\u00eancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olha com mais aten\u00e7\u00e3o<br \/>\nO ch\u00e3o que sonhas,<br \/>\nO c\u00e9u que lavras.<br \/>\nRecome\u00e7a!<br \/>\nConquista o espa\u00e7o<br \/>\nOnde a palavra cres\u00e7a<br \/>\nLonge do ru\u00eddo das palavras!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D. Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Leitura-I-do-Domingo-IV-da-Quaresma-Ano-A-19.03.2023-1-Sam-161b.6-7.10-13a.pdf\">Leitura I do Domingo IV da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 19.03.2023 (1 Sam 16,1b.6-7.10-13a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Leitura-II-do-Domingo-IV-da-Quaresma-Ano-A-19.03.2023-Ef-5-8-14.pdf\">Leitura II do Domingo IV da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 19.03.2023 (Ef 5, 8-14)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Domingo-IV-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-19.03.2023-Lecionario.pdf\">Domingo IV do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 19.03.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Domingo-IV-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-19.03.2023-Oracao-Universal-1.pdf\">Domingo IV do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 19.03.2023- Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo III da Quaresma \u2013 Ano A \u2013 12.03.2023&#8243; tab_id=&#8221;1679309415757-f7503c78-4222&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo III da Quaresma &#8211; Ano A \u2013 12.03.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Domingo-III-da-Quaresma.jpg\" alt=\"\" width=\"590\" height=\"487\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na nossa caminhada quaresmal rumo \u00e0 P\u00e1scoa do Senhor somos convidados a sentarmo-nos com Jesus \u00e0 beira do po\u00e7o. Passamos os nossos dias a correr entre os m\u00faltiplos afazeres do nosso quotidiano e \u00e0s vezes parece t\u00e3o escasso o tempo para serenar e descansar. Neste frenesim quotidiano marcado pelas rotinas, pela sucess\u00e3o de tarefas a realizar e hor\u00e1rios a cumprir, irrompe Jesus, o enviado do Pai, o Deus das surpresas que enche e preenche de novidade os nossos dias. O tempo da Quaresma \u00e9 o tempo favor\u00e1vel e especial\u00edssimo para abrir o nosso cora\u00e7\u00e3o ao Deus que nos visita e surpreende sempre com o Seu amor e o Seu perd\u00e3o. Por isso, se o tempo da Quaresma \u00e9 tempo de penit\u00eancia e convers\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m \u00abtempo para cantar a alegria do perd\u00e3o\u00bb (Ir. Roger). A experi\u00eancia da penit\u00eancia e da convers\u00e3o abre a nossa vida \u00e0 alegria da vida reencontrada, \u00e0 experi\u00eancia feliz da transforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se \u00e0 beira do po\u00e7o<\/em>\u00bb. Esta poderia ser apenas uma indica\u00e7\u00e3o c\u00e9nica para situar Jesus no contexto desta passagem evang\u00e9lica. Contudo, as a\u00e7\u00f5es de Jesus devem ser sempre lidas em chave teol\u00f3gica, mesmo quando parecem ser apenas subsidi\u00e1rias da narrativa. Na Sagrada Escritura, a a\u00e7\u00e3o de sentar apresenta diferentes significados: a a\u00e7\u00e3o de ensinar na rela\u00e7\u00e3o mestre\/disc\u00edpulo (Mt 5,1), a evoca\u00e7\u00e3o da majestade de Deus (Dn 7,9) ou a refer\u00eancia escatol\u00f3gica do Filho do Homem na sua gl\u00f3ria (Mt 25,31). Contudo, aqui Jesus senta-se cansado e pede \u00e1gua \u00e0 Samaritana e no evangelho est\u00e3o bem identificados aqueles que se sentam para pedir: s\u00e3o os mendigos. Mendigos como aqueles que est\u00e3o sentados \u00e0 beira da estrada, na sa\u00edda de Jeric\u00f3, que ao ouvirem que Jesus est\u00e1 a passar come\u00e7am a gritar (Mt 20,30-31) ou ent\u00e3o Bartimeu, um mendigo cego, sentado na beira do caminho (Mc 10,46).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, cansado do caminho, senta-se \u00e1 beira do po\u00e7o e pede de beber \u00e0 samaritana. Este pedido como que antecipa aquele grito da Cruz: \u00abtenho sede\u00bb. Misterioso Senhor que, para dar, pede! Jesus apresenta-se como mendigo do homem, com uma sede de salva\u00e7\u00e3o que nos desconcerta. Assim nos recorda Simon Weil quando afirma: \u00ab<em>Deus espera como um mendigo, im\u00f3vel e silencioso, diante de qualquer um que lhe estenda um bocado de p\u00e3o. O tempo \u00e9 a espera de Deus que mendiga o nosso amor<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus tem sede. Sede da \u00e1gua que dessedenta os que caminham nas estradas poeirentas, mas tamb\u00e9m sede de salva\u00e7\u00e3o. Sede de tocar as nossas sedes, de contactar com os nossos desertos e as nossas feridas. Ele quer salvar cada homem e cada mulher e, independentemente da sua vida de pecado ou do seu errado caminho, Ele quer oferecer uma oportunidade nova de vida plena e cheia de sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus encontra-se com a Samaritana ao meio-dia, precisamente a mesma hora em que Jesus \u00e9 apresentado por Pilatos \u00e0 multid\u00e3o (Jo 19,13-14). Como afirma o Cardeal Tolentino de Mendon\u00e7a: \u00ab<em>s\u00f3 compreenderemos verdadeiramente o di\u00e1logo entre Jesus com a Samaritana se tivermos diante dos olhos o dom sem limites que Jesus faz de si na cruz<\/em>\u00bb<em>.\u00a0<\/em>Na verdade, o meio-dia \u00e9 a hora central do dia, o ponto que determina a passagem de uma parte para outra da jornada. O meio do tempo assinala um antes e um depois, o meio do caminho e a encruzilhada da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O encontro com Jesus marca assim um rumo novo na nossa hist\u00f3ria, pois sempre que abrimos o nosso cora\u00e7\u00e3o ao verdadeiro encontro com Jesus \u00e9 \u00abmeio-dia\u00bb, \u00e9 hora decisiva para avan\u00e7ar com um alento renovado e uma vontade nova de fazer da nossa vida doa\u00e7\u00e3o. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 19 de mar\u00e7o a Igreja celebra a Solenidade S. Jos\u00e9, Esposo da Virgem Santa Maria e que, neste ano lit\u00fargico, ano A, vai coincidir com o IV Domingo da Quaresma \u2013 o Domingo da Alegria &#8211; <strong>Domingo <em>Laetare<\/em><\/strong>. Celebrando aquele que recebeu a miss\u00e3o de ser pai de Jesus, este dia \u00e9 tamb\u00e9m dedicado a todos os pais. Esta ocasi\u00e3o \u00e9 uma oportunidade pastoral para reunir as fam\u00edlias e celebrar o dom da paternidade. Neste dia assinala-se tamb\u00e9m o <strong>d\u00e9cimo anivers\u00e1rio do in\u00edcio do pontificado do Papa Francisco<\/strong>. Esta ocasi\u00e3o \u00e9 uma oportunidade para dar gra\u00e7as a Deus pelo dom da sua vida e do seu minist\u00e9rio. Pode fazer-se uma especial celebra\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as com o canto do\u00a0<em>Te Deum<\/em>, incluir esta inten\u00e7\u00e3o na Eucaristia, de modo particular na Ora\u00e7\u00e3o Universal ou uma atividade formativa ou de reflex\u00e3o quaresmal sobre os v\u00e1rios desafios que o magist\u00e9rio do Papa Francisco nos tem colocado. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percorremos liturgicamente a Quaresma at\u00e9 \u00e0 P\u00e1scoa. S\u00e3o 40 dias que querem significar \u201cmudan\u00e7a\u201d. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Ex 17,3-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abBater\u00e1s no rochedo e dele sair\u00e1 \u00e1gua; ent\u00e3o o povo poder\u00e1 beber\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como primeira leitura pertence \u00e0s &#8220;tradi\u00e7\u00f5es sobre a liberta\u00e7\u00e3o&#8221; (cf. Ex 1-18). Trata-se de um bloco de tradi\u00e7\u00f5es que narram a liberta\u00e7\u00e3o dos hebreus do Egipto (por a\u00e7\u00e3o de Jahw\u00e9h e do seu Servo Mois\u00e9s) e a caminhada pelo deserto at\u00e9 ao Sinai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto leva-nos at\u00e9 ao deserto do Sinai. O vers. 1 do nosso texto situa o epis\u00f3dio de Massa\/Merib\u00e1 nos arredores de Refidim, provavelmente no sul da pen\u00ednsula do Sinai (cf. Nm 33,14-15); mas Nm 20,7-11 situa-o nos arredores de Kadesh, a norte (ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel tra\u00e7ar com rigor o caminho percorrido pelos hebreus, desde o Egipto at\u00e9 \u00e0 Terra Prometida: estamos diante de textos que prov\u00eam de &#8220;fontes&#8221; diferentes, aqui combinados por um redator final; e essas &#8220;fontes&#8221; referem-se, provavelmente, a viagens distintas e a grupos distintos, que em \u00e9pocas distintas atravessaram o deserto do Sinai). De qualquer forma, tamb\u00e9m n\u00e3o interessa definir exatamente o enquadramento geogr\u00e1fico: mais do que escrever um di\u00e1rio de viagem, aos catequistas de Israel interessa fazer uma catequese sobre o Deus libertador, que conduziu o seu Povo da terra da escravid\u00e3o para a terra da liberdade.<br \/>\nA quest\u00e3o fundamental para este grupo de fugitivos que, chefiados por Mois\u00e9s, fugiu do Egipto, \u00e9 a quest\u00e3o da sobreviv\u00eancia num cen\u00e1rio desolado como \u00e9 o deserto do Sinai. Os bedu\u00ednos conheciam diversos &#8220;truques&#8221; que lhes asseguravam a sobreviv\u00eancia no deserto. Um desses &#8220;truques&#8221; pode relacionar-se com o texto que nos \u00e9 proposto&#8230; Alguns autores garantem a exist\u00eancia no deserto do Sinai de rochas porosas que, quando quebradas em certos lugares, permitem o aproveitamento da \u00e1gua a\u00ed armazenada. Ter\u00e1 sido qualquer coisa parecida que aconteceu na caminhada dos hebreus e que deixou um sinal na mem\u00f3ria do Povo? \u00c9 poss\u00edvel; mas o importante \u00e9 que Israel viu no facto um sinal da presen\u00e7a e do amor do Deus libertador. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refletir sobre os seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A caminhada dos hebreus pelo deserto \u00e9, um pouco, o espelho da nossa caminhada pela vida. Todos n\u00f3s fazemos, todos os dias, a experi\u00eancia de um Deus libertador e salvador, que est\u00e1 presente ao nosso lado, que nos estende a m\u00e3o e nos faz passar da escravid\u00e3o para a liberdade. No entanto, ao longo da travessia do deserto que \u00e9 a vida, experimentamos, em certas circunst\u00e2ncias, a nossa pequenez, a nossa depend\u00eancia, as nossas limita\u00e7\u00f5es e a nossa finitude; as dificuldades, o sofrimento e o desencanto fazem-nos duvidar da bondade de Deus, do seu amor, do seu projeto para nos salvar e para nos conduzir em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 verdadeira felicidade. No entanto, a Palavra de Deus deste domingo garante-nos: Deus nunca abandona o seu Povo em caminhada pela hist\u00f3ria&#8230; Ele est\u00e1 ao nosso lado, em cada passo da caminhada, para nos oferecer gratuitamente e com amor a \u00e1gua que mata a nossa sede de vida e de felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo da caminhada do Povo de Deus pelo deserto v\u00eam ao de cima as limita\u00e7\u00f5es e as defici\u00eancias de um grupo humano ainda com mentalidade de escravo, agarrado \u00e0 mesquinhez, ao ego\u00edsmo e ao comodismo, que prefere a escravid\u00e3o ao risco da liberdade. No entanto, Deus l\u00e1 est\u00e1, ajudando o Povo a superar mentalidades estreitas e ego\u00edstas, fazendo-o ir mais al\u00e9m e obrigando-o a amadurecer. \u00c0 medida que avan\u00e7a, de m\u00e3os dadas com Deus, o Povo vai-se renovando e transformando, vai alargando os horizontes, vai-se tornando um Povo mais respons\u00e1vel, mais consciente, mais adulto e mais santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esta, tamb\u00e9m, a experi\u00eancia que fazemos. Muitas vezes somos ego\u00edstas, orgulhosos, comodistas, &#8220;meninos mimados&#8221; que passam a vida a lamentar-se e a acusar Deus e os outros pelos &#8220;d\u00f3i-d\u00f3is&#8221; que a vida nos faz. No entanto, as dificuldades da caminhada n\u00e3o s\u00e3o um castigo ou uma derrota; s\u00e3o, tantas vezes, parte dessa pedagogia de Deus para nos for\u00e7ar a ir mais al\u00e9m, para nos renovar, para nos amadurecer, para nos tornar menos orgulhosos e autossuficientes. Dev\u00edamos, talvez, aprender a agradecer a Deus alguns momentos de sofrimento e de fracasso que marcam a nossa vida, pois atrav\u00e9s deles Deus faz-nos crescer. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a094 (95)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, n\u00e3o fecheis os vossos cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Rom 5,1-2.5-8<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abMas Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por n\u00f3s, quando \u00e9ramos ainda pecadores\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando escreve aos Romanos, Paulo est\u00e1 a terminar a sua terceira viagem mission\u00e1ria e prepara-se para partir para Jerusal\u00e9m. O ap\u00f3stolo sentia que tinha terminado a sua miss\u00e3o no oriente (cf. Rom 15,19-20) e queria levar o Evangelho a outros cantos do mundo, nomeadamente ao ocidente. Sobretudo, Paulo aproveita a ocasi\u00e3o para contactar a comunidade de Roma e para apresentar aos romanos os principais problemas que o ocupavam (entre os quais avultava o problema da unidade &#8211; um problema bem atual na comunidade crist\u00e3 de Roma, ent\u00e3o afetada por alguma dificuldade de relacionamento entre judeo-crist\u00e3os e pagano-crist\u00e3os). Estamos no ano 57 ou 58.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo aproveita para dizer aos romanos e a todos os crist\u00e3os que o Evangelho deve unir e congregar todo o crente, sem distin\u00e7\u00e3o de judeu, grego ou romano. Para desfazer algumas ideias de superioridade (e, sobretudo, a pretens\u00e3o judaica de que a salva\u00e7\u00e3o se conquista pela observ\u00e2ncia da Lei de Mois\u00e9s), Paulo nota que todos os homens vivem mergulhados no pecado (cf. Rom 1,18-3,20) e que \u00e9 a &#8220;justi\u00e7a de Deus&#8221; que a todos d\u00e1 a vida, sem distin\u00e7\u00e3o (cf. Rom 3,1-5,11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto que a segunda leitura deste domingo nos prop\u00f5e, Paulo refere-se \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Deus, por Jesus Cristo e pelo Esp\u00edrito, no sentido de &#8220;justificar&#8221; todo o homem. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para refletir:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este texto convida-nos a contemplar o amor de um Deus que nunca desistiu dos homens e que sempre soube encontrar formas de vir ao nosso encontro, de fazer caminho connosco. Apesar de os homens insistirem, tantas vezes, no ego\u00edsmo, no orgulho, na autossufici\u00eancia e no pecado, Deus continua a amar e a fazer-nos propostas de vida. Trata-se de um amor gratuito e incondicional, que se traduz em dons n\u00e3o merecidos, mas que, uma vez acolhidos, nos conduzem \u00e0 felicidade plena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vinda de Jesus Cristo ao encontro dos homens \u00e9 a express\u00e3o plena do amor de Deus e o sinal de que Deus n\u00e3o nos abandonou nem esqueceu, mas quis at\u00e9 partilhar connosco a precariedade e a fragilidade da nossa exist\u00eancia, a fim de nos mostrar como nos tornarmos &#8220;filhos de Deus&#8221; e herdeiros da vida em plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A presen\u00e7a do Esp\u00edrito acentua no nosso tempo &#8211; o tempo da Igreja &#8211; essa realidade de um Deus que continua presente e atuante, derramando o seu amor ao longo do caminho que, dia a dia, vamos percorrendo e impelindo-nos \u00e0 renova\u00e7\u00e3o, \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o, at\u00e9 chegarmos \u00e0 vida plena do Homem Novo. \u00c9 esse caminho que a Palavra de Deus nos convida a percorrer, neste tempo de Quaresma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1 em moda uma certa atitude de indiferen\u00e7a face a Deus, ao seu amor e \u00e0s suas propostas. Em geral, os homens de hoje preocupam-se mais com os resultados da \u00faltima jornada do campeonato de futebol, com as \u00faltimas perip\u00e9cias da &#8220;telenovela das nove&#8221;, com os investimentos na Bolsa, com as vantagens da \u00faltima gera\u00e7\u00e3o de computadores ou com o caminho mais r\u00e1pido e mais seguro para atingir o topo da carreira profissional do que com Deus e com o seu amor. N\u00e3o ser\u00e1 tempo de redescobrirmos o Deus que nos ama, de reconhecermos o seu empenho em conduzir-nos rumo \u00e0 felicidade plena e de aceitarmos essa proposta de caminho que Ele nos faz? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo 4,5-42<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abJesus, cansado da caminhada, sentou-Se \u00e0 beira do po\u00e7o\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abTodo aquele que bebe desta \u00e1gua voltar\u00e1 a ter sede. Mas aquele que beber da \u00e1gua que Eu lhe der nunca mais ter\u00e1 sede\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abN\u00f3s pr\u00f3prios ouvimos e sabemos que Ele \u00e9 realmente o Salvador do mundo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste domingo situa-nos junto de um po\u00e7o, na cidade samaritana de Sicar. A Samaria era a regi\u00e3o central da Palestina &#8211; uma regi\u00e3o heterodoxa, habitada por uma ra\u00e7a de sangue misturado (de judeus e pag\u00e3os) e de religi\u00e3o sincretista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca do Novo Testamento, existia uma animosidade muito viva entre samaritanos e judeus. Historicamente, a divis\u00e3o come\u00e7ou quando, em 721 a.C., a Samaria foi tomada pelos ass\u00edrios e foi deportado<br \/>\na cerca de 4% da popula\u00e7\u00e3o samaritana. Na Samaria instalaram-se, ent\u00e3o, colonos ass\u00edrios que se misturaram com a popula\u00e7\u00e3o local. Para os judeus, os habitantes da Samaria come\u00e7aram, ent\u00e3o, a paganizar-se (cf. 2 Re 17,29). A rela\u00e7\u00e3o entre as duas comunidades deteriorou-se ainda mais quando, ap\u00f3s o regresso do Ex\u00edlio, os judeus recusaram a ajuda dos samaritanos (cf. Esd 4,1-5) para reconstruir o Templo de Jerusal\u00e9m (ano 437 a.C.) e denunciaram os casamentos mistos. Tiveram, ent\u00e3o, de enfrentar a oposi\u00e7\u00e3o dos samaritanos na reconstru\u00e7\u00e3o da cidade (cf. Ne 3,33-4,17). No ano 333 a.C., novo elemento de separa\u00e7\u00e3o: os samaritanos constru\u00edram um Templo no monte Garizim; no entanto, esse Templo foi destru\u00eddo em 128 a.C. por Jo\u00e3o Hircano. Mais tarde, as picardias continuaram: a mais famosa aconteceu por volta do ano 6 d.C., quando os samaritanos profanaram o Templo de Jerusal\u00e9m durante a festa da P\u00e1scoa, espalhando ossos humanos nos \u00e1trios.<br \/>\nOs judeus desprezavam os samaritanos por serem uma mistura de sangue israelita com estrangeiros e consideravam-nos hereges em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pureza da f\u00e9 jahwista; e os samaritanos pagavam aos judeus com um desprezo semelhante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena passa-se \u00e0 volta do &#8220;po\u00e7o de Jacob&#8221;, situado no rico vale entre os montes Ebal e Garizim, n\u00e3o longe da cidade samaritana de Siqu\u00e9m (em aramaico, Sicara &#8211; a actual Askar). Trata-se de um po\u00e7o estreito, aberto na rocha calc\u00e1ria, e cuja profundidade ultrapassa os 30 metros. Segundo a tradi\u00e7\u00e3o, teria sido aberto pelo patriarca Jacob&#8230; Os dados arqueol\u00f3gicos revelam que o &#8220;po\u00e7o de Jacob&#8221; serviu os samaritanos entre o ano 1000 a.C. e o ano 500 d.C. (embora ainda hoje se possa extrair dele \u00e1gua).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O &#8220;po\u00e7o&#8221; acaba por transformar-se, na tradi\u00e7\u00e3o judaica, num elemento m\u00edtico. Sintetiza os po\u00e7os abertos pelos patriarcas e a \u00e1gua que Mois\u00e9s fez brotar do rochedo no deserto (primeira leitura de hoje); mas, sobretudo, torna-se figura da Lei (do po\u00e7o da Lei brota a \u00e1gua-viva que mata a sede de vida do Povo de Deus), que a tradi\u00e7\u00e3o judaica considerava observada j\u00e1 pelos patriarcas, antes de ser dada ao Povo por Mois\u00e9s.<br \/>\nO Evangelho segundo S\u00e3o Jo\u00e3o apresenta Jesus como o Messias, Filho de Deus, enviado pelo Pai para criar um Homem Novo. No chamado &#8220;Livro dos Sinais&#8221; (cf. Jo 4,1-11,56), o autor apresenta &#8211; recorrendo aos &#8220;sinais&#8221; da \u00e1gua (cf. Jo 4,1-5,47), do p\u00e3o (cf. Jo 6,1-7,53), da luz (cf. Jo 8,12-9,41), do pastor (cf. Jo 10,1-42) e da vida (cf. Jo 11,1-56) &#8211; um conjunto de catequeses sobre a a\u00e7\u00e3o criadora do Messias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto \u00e9, exatamente, a primeira catequese do &#8220;Livro dos Sinais&#8221;: atrav\u00e9s do &#8220;sinal&#8221; da \u00e1gua, o autor vai descrever a a\u00e7\u00e3o criadora e vivificadora de Jesus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar, para a reflex\u00e3o, os seguintes pontos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A modernidade criou-nos grandes expectativas. Disse-nos que tinha a resposta para todas as nossas procuras e que podia responder a todas as nossas necessidades. Garantiu-nos que a vida plena estava na liberdade absoluta, numa vida vivida sem depend\u00eancia de Deus; disse-nos que a vida plena estava nos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, que iriam tornar a nossa exist\u00eancia c\u00f3moda, eliminar a doen\u00e7a e protelar a morte; afirmou que a vida plena estava na conta banc\u00e1ria, no reconhecimento social, no \u00eaxito profissional, nos aplausos das multid\u00f5es, nos &#8220;cinco minutos&#8221; de fama que a televis\u00e3o oferece&#8230; No entanto, todas as conquistas do nosso tempo n\u00e3o conseguem calar a nossa sede de eternidade, de plenitude, dessa &#8220;mais qualquer coisa&#8221; que nos falta para sermos, realmente, felizes. A afirma\u00e7\u00e3o essencial que o Evangelho de hoje faz \u00e9: s\u00f3 Jesus Cristo oferece a \u00e1gua que mata definitivamente a sede de vida e de felicidade do homem. Eu j\u00e1 descobri isto, ou a minha procura de realiza\u00e7\u00e3o e de vida plena faz-se noutros caminhos? O que \u00e9 preciso para conseguirmos que os homens do nosso tempo aprendam a olhar para Jesus e a tomar consci\u00eancia dessa proposta de vida plena que Ele oferece a todos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa &#8220;\u00e1gua-viva&#8221; de que Jesus fala faz-nos pensar no batismo. Para cada um de n\u00f3s, esse foi o come\u00e7o de uma caminhada com Jesus&#8230; Nessa altura acolhemos em n\u00f3s o Esp\u00edrito que transforma, que renova, que faz de n\u00f3s &#8220;filhos de Deus&#8221; e que nos leva ao encontro da vida plena e definitiva. A minha vida de crist\u00e3o tem sido, verdadeiramente, coerente com essa vida nova que ent\u00e3o recebi? O compromisso que ent\u00e3o assumi \u00e9 algo esquecido e sem significado, ou \u00e9 uma realidade que marca a minha vida, os meus gestos, os meus valores e as minhas op\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atentemos no pormenor do &#8220;c\u00e2ntaro&#8221; abandonado pela samaritana, depois de se encontrar com Jesus&#8230; O &#8220;c\u00e2ntaro&#8221; significa e representa tudo aquilo que nos d\u00e1 acesso a essas propostas limitadas, fal\u00edveis, incompletas de felicidade. O abandono do &#8220;c\u00e2ntaro&#8221; significa o romper com todos os esquemas de procura de felicidade ego\u00edsta, para abra\u00e7ar a verdadeira e \u00fanica proposta de vida plena. Eu estou disposto a abandonar o caminho da felicidade ego\u00edsta, parcial, incompleta, e a abrir o meu cora\u00e7\u00e3o ao Esp\u00edrito que Jesus me oferece e que me exige uma vida nova?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A samaritana, depois de encontrar o &#8220;salvador do mundo&#8221; que traz a \u00e1gua que mata a sede de felicidade, n\u00e3o se fechou em casa a gozar a sua descoberta; mas partiu para a cidade, a propor aos seus concidad\u00e3os a verdade que tinha encontrado. Eu sou, como ela, uma testemunha viva, coerente, entusiasmada dessa vida nova que encontrei em Jesus <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, deve haver um especial cuidado com as palavras de mais dif\u00edcil pronuncia\u00e7\u00e3o: \u00abaltercar\u00bb, \u00abalterca\u00e7\u00e3o\u00bb, \u00abMassa\u00bb (deve pronunciar-se\u00a0<em>M\u00e1ss\u00e1<\/em>) e \u00abMeriba\u00bb (deve pronunciar-se\u00a0<em>M\u00e9rib\u00e1<\/em>). Neste texto, deve ainda ter-se em aten\u00e7\u00e3o o texto em discurso direto, articulando bem as diferentes interroga\u00e7\u00f5es, que devem ser proclamadas evitando a exagerada acentua\u00e7\u00e3o interrogativa no final de cada frase, mas acentuando a part\u00edcula interrogativa ou a forma verbal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A segunda leitura<\/strong> exige uma acurada prepara\u00e7\u00e3o assinalando as pausas e as respira\u00e7\u00f5es, pois o texto \u00e9 marcado por frases longas e com v\u00e1rias ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/03\/14\/o-mais-belo-dialogo-do-novo-testamento-2\/\"><strong>O MAIS BELO DI\u00c1LOGO DO NOVO\u00a0TESTAMENTO<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No programa de \u00abprepara\u00e7\u00e3o\u00bb para a Noite Pascal Batismal, in\u00edcio e meta da vida crist\u00e3, o Domingo III da Quaresma est\u00e1 marcado pelos primeiros \u00abescrut\u00ednios\u00bb para os catec\u00famenos: primeira \u00abchamada\u00bb para a Liberdade. Em ordem a uma melhor compreens\u00e3o integrada dos Domingos da Quaresma, e particularmente do III que hoje nos ocupa, tenha-se sempre presente a linha dos Evangelhos: Cristo batizado, tentado na sua condi\u00e7\u00e3o de batizado, e Vitorioso (Domingo I), confirmado na sua miss\u00e3o filial batismal com a Transfigura\u00e7\u00e3o (Domingo II), promete a \u00c1gua da Vida (Domingo III), d\u00e1 a Luz (Domingo IV), d\u00e1 a Ressurrei\u00e7\u00e3o (Domingo V). A linha cristol\u00f3gica torna-se tamb\u00e9m \u00abantropol\u00f3gica\u00bb. A \u00abobra\u00bb divina na Humanidade do Filho dirige-se, nesta mesma Humanidade, com amor, aos homens. \u00c1gua, Luz, Ressurrei\u00e7\u00e3o, s\u00e3o os elementos batismais prim\u00e1rios (simbologia batismal da Quaresma) quer para os batizados quer para os catec\u00famenos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho do Domingo III da Quaresma oferece-nos o grande di\u00e1logo de Jesus com a samaritana (Jo\u00e3o 4,5-42). A meticulosa prepara\u00e7\u00e3o da cena mostra-nos Jesus a fazer a viagem da Judeia para a Galileia, com o narrador a anotar que \u00abera preciso passar pela Samaria\u00bb (Jo\u00e3o 4,4). Aquilo que parece \u00f3bvio \u00e0 primeira vista, na verdade n\u00e3o o \u00e9. Quem, no tempo de Jesus, fazia essa viagem, evitava mesmo passar pela Samaria: desde logo porque a estrada era montanhosa, mas tamb\u00e9m porque eram hostis as rela\u00e7\u00f5es entre judeus e samaritanos. A viagem habitual fazia-se, descendo de Jerusal\u00e9m para Jeric\u00f3, atravessando depois o Jord\u00e3o para Oriente, junto de\u00a0<em>Damyiah<\/em>, percorrendo ent\u00e3o por terra plana o Al\u00e9m-Jord\u00e3o (atual Jord\u00e2nia) sempre junto do rio Jord\u00e3o, para voltar depois a atravessar o Jord\u00e3o, agora para Ocidente, junto de\u00a0<em>Bet-Shean<\/em>, um pouco a sul do Mar da Galileia. E estava-se na Galileia. Evitava-se assim a estrada montanhosa da Samaria, bem como eventuais hostilidades com os samaritanos. Se o narrador coloca Jesus a calcorrear o caminho montanhoso da Samaria, \u00e9 assunto teol\u00f3gico, de resto, explicitado naquele \u00abera preciso\u00bb, e n\u00e3o geogr\u00e1fico: trata-se de revestir Jesus dos tra\u00e7os do mensageiro de Isa\u00edas 52,7: \u00abComo s\u00e3o belos,\u00a0<em>sobre os montes<\/em>, os p\u00e9s do mensageiro que leva boas novas a Si\u00e3o\u00bb, e do noivo do C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos 2,8, de quem a noiva diz: \u00abA voz do meu amado: ei-lo que vem correndo\u00a0<em>sobre os montes<\/em>\u00bb. O que faz correr\u00a0<em>sobre os montes<\/em>\u00a0\u00e9, pois, uma grande not\u00edcia ou um grande amor. As duas realidades movem Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto refere ainda que Jesus\u00a0<em>se sentava<\/em>\u00a0com tempo (<em>ekath\u00edzeto<\/em>: imperfeito que implica dura\u00e7\u00e3o) junto do po\u00e7o-fonte de Jacob (Jo\u00e3o 4,6). \u00c9 sabido, desde o Antigo Testamento, que o po\u00e7o-fonte \u00e9 visto como um cen\u00e1rio de noivado. \u00c9 assim em G\u00e9nesis 24, onde, junto de um po\u00e7o, se trata o casamento de Isaac com Rebeca; \u00e9 assim em G\u00e9nesis 29, onde, junto de um po\u00e7o, se trata o casamento de Jacob com Raquel; \u00e9 assim em \u00caxodo 2, onde, junto de um po\u00e7o, se prepara o casamento de Mois\u00e9s com S\u00e9fora. Um grande amor e grandes e belas not\u00edcias movem Jesus, na sua viagem \u00abnecess\u00e1ria\u00bb\u00a0<em>sobre os montes<\/em>\u00a0da Samaria. Fazendo-o sentar com tempo junto do po\u00e7o-fonte, s\u00e3o cen\u00e1rios de noivado que o narrador evoca e cuidadosamente prepara. Ao anotar, outra vez com tinta teol\u00f3gica, que \u00abera por volta do\u00a0<em>meio-dia<\/em>\u00a0[= hora sexta]\u00bb (Jo\u00e3o 4,6), o narrador evoca outra vez a hora do Noivo dos C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos 1,7, mas deixa-nos tamb\u00e9m expostos \u00e0 m\u00e1xima e irresist\u00edvel revela\u00e7\u00e3o (Atos 22,6; 26,13). O meio-dia representa a luz a pique, penetrante, como uma espada de dois gumes (cf. Hebreus 4,12). Em contraponto, procurar Jesus de\u00a0<em>noite<\/em>, como fez Nicodemos na p\u00e1gina anterior (Jo\u00e3o 3,2) \u00e9 n\u00e3o entender nada, como os disc\u00edpulos que nada pescam de\u00a0<em>noite<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 21,3) e no meio do\u00a0<em>escuro<\/em>\u00a0andam perdidos (Jo\u00e3o 6,17-18), como a Madalena que vai de madrugada, ainda\u00a0<em>escuro<\/em>, ao t\u00famulo de Jesus, e nada entende (Jo\u00e3o 20,1), como o homem da\u00a0<em>noite<\/em>\u00a0na\u00a0<em>noite<\/em>\u00a0perdido, que \u00e9 Judas (Jo\u00e3o 13,30; 18,3), enfim, como Pedro, perdido na\u00a0<em>noite<\/em>\u00a0e no meio dos guardas, com os guardas e sem Jesus (Jo\u00e3o 18,17-18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis Jesus sentado, com tempo, junto do po\u00e7o-fonte \u00e0 hora do meio-dia. E a\u00ed vem a noiva, a mulher da Samaria. E Jesus desce pedagogicamente ao n\u00edvel da mulher que vinha buscar \u00e1gua, com aquele pedido direto: \u00abD\u00e1-me de beber\u00bb (Jo\u00e3o 4,7), com que se abre o maior di\u00e1logo de todo o Novo Testamento (sete interven\u00e7\u00f5es de Jesus; seis da mulher da Samaria). Salta \u00e0 vista que Jesus se transforma em pedinte com o intuito de transformar em pedinte a mulher: a maravilhosa delicadeza de um Deus que pede para dar! De facto, pedagogicamente conduzida por Jesus, no final do di\u00e1logo sobre a \u00e1gua, \u00e9 a mulher que diz para Jesus: \u00abSenhor, d\u00e1-me dessa \u00e1gua\u2026\u00bb (Jo\u00e3o 4,15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ponto preciso, Jesus imprime um novo ritmo ao di\u00e1logo, dizendo agora \u00e0 mulher: \u00abVai, chama o teu marido, e vem aqui\u00bb (Jo\u00e3o 4,16). Ao que a mulher responde: \u00ab<em>N\u00e3o tenho<\/em>\u00a0marido!\u00bb (Jo\u00e3o 4,17). Quem tem o ouvido sintonizado na onda fin\u00edssima que percorre o Evangelho de Jo\u00e3o, come\u00e7a j\u00e1 a aperceber-se do verdadeiro efeito ret\u00f3rico deste \u00ab<em>N\u00e3o tenho<\/em>\u00bb, e para onde nos leva este\u00a0<em>N\u00e3o ter<\/em>. Na verdade, pouco antes, em plenas bodas de Can\u00e1, Maria tinha anotado para Jesus: \u00ab<em>N\u00e3o t\u00eam<\/em>\u00a0vinho!\u00bb (Jo\u00e3o 2,3). E a verdade \u00e9 que v\u00e3o ter vinho em excesso! Em Jo\u00e3o 5,7, anota-se o caso do doente que n\u00e3o \u00e9 curado por Jesus, porque\u00a0<em>n\u00e3o tem<\/em>\u00a0ningu\u00e9m que o lance \u00e0 \u00e1gua. Vai, portanto, ter cura em excesso! \u00c9 ainda o caso dos disc\u00edpulos que, \u00e0 pergunta de Jesus: \u00abFilhinhos (<em>paid\u00eda<\/em>),\u00a0<em>n\u00e3o tendes<\/em>\u00a0alguma coisa para comer,\u00a0<em>pois n\u00e3o<\/em>?\u00bb, respondem: \u00ab<em>N\u00e3o<\/em>!\u00bb (Jo\u00e3o 21,5). Tamb\u00e9m j\u00e1 se sabe que ir\u00e3o ter peixe em excesso! \u00c9, portanto, de suspeitar, por parte do leitor atento de Jo\u00e3o, que a mulher da Samaria, que\u00a0<em>n\u00e3o tem<\/em>\u00a0marido, v\u00e1 encontrar o esposo definitivo, o pr\u00f3prio Deus, cumprindo Isa\u00edas 62,5: \u00abComo um jovem desposa uma virgem, assim te desposar\u00e1 o teu edificador. Como a alegria do noivo pela sua noiva, assim o teu Deus se alegrar\u00e1 em ti\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a\u00ed est\u00e1 Jesus, o conhecedor que nos conhece, e que n\u00f3s ainda n\u00e3o conhecemos, a entrar dentro da mulher da Samaria e de n\u00f3s mesmos, dizendo: \u00abDisseste bem: \u201c<em>N\u00e3o tenho<\/em>\u00a0marido\u201d. Na Verdade, tiveste\u00a0<em>cinco maridos<\/em>, e o que tens agora [=\u00a0<em>sexto<\/em>]\u00a0<em>n\u00e3o \u00e9<\/em>\u00a0teu marido\u201d\u00bb (Jo\u00e3o 4,17-18). Abre-se aqui outra janela de luz e sentido. Olhando atrav\u00e9s dela, podemos ver uma mulher at\u00f3nita, a olhar para Jesus com redobrado espanto, e a dizer consigo mesma: \u00abMas como \u00e9 que este desconhecido sabe tanto de mim? Como \u00e9 que este desconhecido conhece a minha vida toda? Que experi\u00eancia ser\u00e1 esta de nos sentirmos ditos, adivinhados, conhecidos? N\u00e3o ser\u00e1 o conhecimento conhecido, obra de Deus em n\u00f3s, de que fala Paulo em 1 Cor\u00edntios 13,12? Seguramente que a mulher experimenta a estranha sensa\u00e7\u00e3o de estar perante o saber que a ultrapassa de algu\u00e9m que a conhece perfeitamente, e que ela ainda n\u00e3o conhece. Mas esta t\u00e9cnica da \u00abantecipa\u00e7\u00e3o\u00bb ou \u00abadivinha\u00e7\u00e3o\u00bb pode ver-se noutras passagens do IV Evangelho, pelo que, se a mulher \u00e9 completamente surpreendida, o leitor competente n\u00e3o o \u00e9. De facto, a mesma estrat\u00e9gia narrativa j\u00e1 foi encontrada em Jo\u00e3o 1,45-49, quando Jesus se adianta a Natanael, dizendo dele: \u00abEis um verdadeiro israelita!\u00bb (Jo\u00e3o 1,47), ao que Natanael reage com espanto: \u00abDe onde me conheces?\u00bb (Jo\u00e3o 1,48). Ver-se-\u00e1 tamb\u00e9m em Jo\u00e3o 20,15, quando aquele que, aos olhos da Madalena, era um simples jardineiro, se adianta a ela, atravessando-a com uma pergunta penetrante: \u00abMulher, porque choras? A quem procuras?\u00bb (Jo\u00e3o 20,15a). Se a primeira pergunta (\u00abPorque choras?\u00bb) parece \u00f3bvia (porque a Madalena estava, de facto, a chorar), a segunda (\u00abA quem procuras?\u00bb) apanha a Madalena completamente de surpresa. Na verdade, pensar\u00e1 a Madalena: \u00abQuem ser\u00e1 este que sabe que eu procuro algu\u00e9m neste jardim?\u00bb E se sabe que eu procuro algu\u00e9m, seguramente saber\u00e1 tamb\u00e9m quem eu procuro. Por isso, porque se sentiu adivinhada e pressente que ele sabe quem ela procura, responde-lhe em c\u00f3digo: \u00abSe tu\u00a0<em>o<\/em>\u00a0levaste, diz-me onde\u00a0<em>o<\/em>\u00a0puseste, e eu\u00a0<em>o<\/em>\u00a0retirarei\u00bb (Jo 20,15b). Esta estrat\u00e9gia pode ver-se ainda na manifesta\u00e7\u00e3o de Jesus Ressuscitado a Tom\u00e9. Na verdade, depois de Tom\u00e9 ter dito aos outros disc\u00edpulos que afirmaram diante dele terem visto o Senhor (Jo\u00e3o 20,25), que n\u00e3o acreditaria se ele pr\u00f3prio n\u00e3o visse nas suas m\u00e3os a marca dos cravos, e se n\u00e3o metesse o seu dedo na marca dos cravos e a sua m\u00e3o no seu lado (Jo\u00e3o 20,25), surge Jesus, dirige-se a Tom\u00e9 e diz: \u00abTraz o teu dedo aqui e v\u00ea as minhas m\u00e3os, e traz a tua m\u00e3o e mete-a no meu lado, e n\u00e3o sejas incr\u00e9dulo, mas crente!\u00bb (Jo\u00e3o 20,27). Tom\u00e9 j\u00e1 n\u00e3o vai investigar nada, e responde de imediato, certamente at\u00f3nito, porque adivinhado (como \u00e9 que Jesus tomou conhecimento das condi\u00e7\u00f5es postas por ele?): \u00abMeu Senhor e meu Deus!\u00bb (Jo\u00e3o 20,28), a mais alta confiss\u00e3o de f\u00e9 no plano narrativo do IV Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quanto \u00e0s contas feitas com os maridos, o leitor atento, mas incauto, contentar-se-\u00e1, talvez, com a simples aritm\u00e9tica, mas se fizesse as opera\u00e7\u00f5es mentais e afetivas reclamadas pelo texto, seria levado a compreender que aquela mulher da Samaria, que agora n\u00e3o tem marido, que j\u00e1 teve cinco, e que o que tem agora, e que \u00e9 o sexto, n\u00e3o \u00e9 seu marido \u2013 teve cinco, o que tem agora e que n\u00e3o \u00e9 seu marido, \u00e9 o sexto. Compreende-se ent\u00e3o que aquela mulher j\u00e1 vai no\u00a0<em>sexto<\/em>\u00a0marido\u00a0<em>provis\u00f3rio<\/em>, sendo\u00a0<em>seis<\/em>\u00a0um n\u00famero\u00a0<em>imperfeito<\/em>. Mas o\u00a0<em>sexto<\/em>, enquanto\u00a0<em>provis\u00f3rio<\/em>\u00a0e\u00a0<em>imperfeito<\/em>, aponta para o\u00a0<em>definitivo<\/em>\u00a0e\u00a0<em>perfeito<\/em>. Em boa gram\u00e1tica simb\u00f3lica, aponta para\u00a0<em>o s\u00e9timo<\/em>, que est\u00e1 ali \u00e0 beira, que est\u00e1 aqui \u00e0 beira, e \u00e9 Jesus! \u00c9 por isso que a sua voz \u00e9 a voz do noivo, daquele que vem, trazendo o tempo novo da alegria nova e definitiva, a alegria grande da P\u00e1scoa, o Messias suspeitado (Jo\u00e3o 4,25) e confesso: \u00abEU SOU (<em>eg\u00f4 eimi<\/em>), o que estou a FALAR contigo (<em>ho lal\u00f4n soi<\/em>)!\u00bb (Jo\u00e3o 4,26), verdadeiro cl\u00edmax narrativo e da revela\u00e7\u00e3o. E a samaritana, encontrada pelo Noivo novo definitivo esperado, procede, de facto, como as mulheres na manh\u00e3 de P\u00e1scoa: abandona o c\u00e2ntaro antigo e provis\u00f3rio (Jo\u00e3o 4,28) que servia apenas para recolher a \u00e1gua antiga e provis\u00f3ria tirada do po\u00e7o antigo e provis\u00f3rio (Jo\u00e3o 4,11), e\u00a0<em>correu<\/em>\u00a0\u00e0 cidade para dizer a todos\u2026 (Jo\u00e3o 4,28). Not\u00e1vel movimento Batismal Pascal!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o que \u00e9 que diz a mulher aos homens da Samaria? Diz: \u00abVinde ver um Homem que me disse tudo o que eu fiz. N\u00e3o ser\u00e1 ele o Cristo?\u00bb (Jo\u00e3o 4,29). Note-se o importante dizer reticente e pedag\u00f3gico, mas tamb\u00e9m cristol\u00f3gico, da mulher da Samaria. Dizendo como diz, a mulher da Samaria evita dizer \u00abjudeu\u00bb e \u00abmessias\u00bb, duas realidades que provocariam nos samaritanos uma rea\u00e7\u00e3o de hostilidade, e n\u00e3o os mobilizariam para irem ao encontro de Jesus. Usando, por\u00e9m, o t\u00edtulo de \u00abHomem\u00bb, aqui dado a Jesus pela primeira vez no Evangelho de Jo\u00e3o, mas que o atravessa completamente (4,29; 5,12; 7,46; 8,40; 9,11.16.24; 10,33; 11,47.50; 18,14.17.29; 19,15), e mesmo a inteira Escritura (G\u00e9nesis 1,26-30), \u00e9 a singular humanidade de Jesus que se salienta, o seu saber penetrante, bem como a sua palavra mansa e dial\u00f3gica. E a interroga\u00e7\u00e3o: \u00abN\u00e3o ser\u00e1 ele o Cristo?\u00bb n\u00e3o \u00e9 express\u00e3o de d\u00favida acerca da identidade de Jesus, mas uma fin\u00edssima interroga\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, que provoca nos samaritanos a curiosidade e acende neles o desejo de fazerem a experi\u00eancia, de irem ver Jesus. Muitas vezes, uma afirma\u00e7\u00e3o p\u00f5e fim a um processo de pesquisa. A interroga\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio, mobiliza e desperta. Foi assim que os samaritanos foram ver e ouvir a voz do Noivo, Aquele-que-vem, e chegaram \u00e0 f\u00e9 em Jesus, confessando que Ele \u00e9 verdadeiramente \u00abo salvador do mundo\u00bb (Jo\u00e3o 4,42). O definitivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 estranho, mas tamb\u00e9m pedag\u00f3gico e ilustrativo, que enquanto Jesus dialoga com a samaritana, circulando entre os dois o verbo \u00ab<em>dar<\/em>\u00bb, os seus disc\u00edpulos andem pelo\u00a0<em>shopping<\/em>\u00a0a \u00ab<em>comprar<\/em>\u00bb!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 igualmente estranho e nada edificante que estes disc\u00edpulos de Jesus, que regressam do\u00a0<em>shopping<\/em>\u00a0exatamente quando termina este imenso di\u00e1logo de Jesus com a samaritana, tenham ficado admirados de ver Jesus a falar com uma mulher, mas evitem fazer qualquer pergunta a Jesus (Jo\u00e3o 4,27-28). Em vez disso, convidam Jesus a comer alguma coisa, e ouvem de Jesus um dizer espantoso: \u00abTenho para comer um alimento que v\u00f3s n\u00e3o conheceis\u00bb (Jo\u00e3o 4,32). N\u00f3s, que assistimos ao crescendo das rea\u00e7\u00f5es da samaritana \u00e0s propostas de Jesus, achamos agora estranh\u00edssimo que estes disc\u00edpulos n\u00e3o digam a Jesus: \u00abD\u00e1-nos ent\u00e3o tamb\u00e9m desse alimento!\u00bb, e que nem sequer formulem a pergunta: \u00abEnt\u00e3o que alimento novo \u00e9 esse?\u00bb. Em vez disso, diz-nos o narrador que perguntavam, n\u00e3o a Jesus, de quem, pelos vistos, n\u00e3o querem que diga nada, mas uns aos outros: \u00abPorventura algu\u00e9m lhe ter\u00e1 trazido alguma coisa de comer?\u00bb (Jo\u00e3o 4,33).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estranhos disc\u00edpulos desacertados de Jesus e do seu tempo novo. Descompassados e descompensados. Andam ainda no tempo do inverno e da sementeira: \u00abN\u00e3o dizeis v\u00f3s que faltam ainda quatro meses para a ceifa?\u00bb (Jo\u00e3o 4,35a). Eles n\u00e3o querem ouvir, mas Jesus abre diante deles um tempo novo: \u00abLevantai os olhos e vede os campos: est\u00e3o brancos para a ceifa!\u00bb (Jo\u00e3o 4,35b). Sim, o tempo que Jesus abre diante de n\u00f3s \u00e9 o tempo novo da ceifa e da alegria (cf. Salmo 126,6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato do Livro do \u00caxodo (17,3-7) mostra-nos hoje que o Senhor est\u00e1 sempre no meio de n\u00f3s e sacia a nossa sede\u00a0<em>no deserto<\/em>\u00a0da caminhada da vida. Ent\u00e3o a sua \u00abobra\u00bb nova n\u00e3o consiste tamb\u00e9m em fazer jorrar a \u00e1gua\u00a0<em>no deserto<\/em>? (Isa\u00edas 35,6-7; 41,18; 43,19-20). Deus \u00e9 muitas vezes, por 33 vezes, designado no Antigo Testamento, sobretudo nos Salmos, como a\u00a0<em>Rocha<\/em>\u00a0ou o\u00a0<em>Rochedo<\/em>\u00a0da nossa salva\u00e7\u00e3o. Por isso, \u00e9 da\u00a0<em>Rocha<\/em>, do\u00a0<em>Rochedo<\/em>\u00a0que jorra a \u00e1gua que mata a sede do povo de Israel, e a nossa,\u00a0<em>no deserto<\/em>. Como sempre, o Antigo Testamento aponta para o Novo: no Evangelho de hoje, Jesus, o Filho de Deus, oferece a \u00c1gua da Vida que mata a nossa sede para sempre. E Paulo, encontrado pelo Senhor Ressuscitado (Filipenses 3,12), que \u00e9 quem d\u00e1 a \u00c1gua da Vida que \u00e9 o Esp\u00edrito Santo, pode agora dizer, relendo o Antigo Testamento, que aquela\u00a0<em>Rocha<\/em>\u00a0donde jorrava a \u00e1gua\u00a0<em>no deserto<\/em>\u00a0\u00e9 Cristo (1 Cor\u00edntios 10,4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Rocha, o Po\u00e7o e a \u00c1gua-viva. Deixo aqui a bela interpreta\u00e7\u00e3o que os\u00a0<em>targ\u00fbm\u00eem<\/em>\u00a0(par\u00e1frases aramaicas) fizeram da passagem do Livro dos N\u00fameros 21,16-18: \u00abFoi ent\u00e3o que Israel cantou este poema de louvor, quando voltou o po\u00e7o que lhes tinha sido dado por m\u00e9rito de Miriam, depois de ter estado escondido: \u201cSobe, po\u00e7o! Sobe, po\u00e7o!\u201d, assim cantavam. E ele subia. O po\u00e7o que tinham escavado os patriarcas, Abra\u00e3o, Isaac e Jacob, os pr\u00edncipes de outrora, os chefes do povo, Mois\u00e9s e Aar\u00e3o, perfuraram-no os dirigentes de Israel, mediram-no com as suas varas. E, depois do deserto, deu-se a eles como um dom. E depois de se dar a eles como um dom, p\u00f4s-se a subir com eles pelas altas montanhas, a descer com eles pelos vales. Passando por todo o territ\u00f3rio de Israel, dava-lhes de beber a todos e a cada um \u00e0 entrada da sua tenda\u00bb. Um po\u00e7o que acompanha o povo por todo o lado, por montes e vales, e que d\u00e1 de beber ao povo. Bela met\u00e1fora que pode traduzir tamb\u00e9m o Jesus de Jo\u00e3o 4, que vai \u00e0 nossa procura e sacia a nossa sede mais profunda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Carta aos Romanos (5,1-2.5-8), Paulo d\u00e1 testemunho do acontecimento central da sua e da nossa vida. D\u00e1 testemunho do Evangelho. Cristo morreu por n\u00f3s, dando-nos a \u00c1gua da Vida que \u00e9 o Esp\u00edrito Santo (de novo Atos 2,32-33; Jo\u00e3o 19,30.34 decifrado por Jo\u00e3o 7,38-39). O Esp\u00edrito Santo\u00a0<em>dado\u00a0<\/em>(Romanos 5,5) como\u00a0<em>selo<\/em>\u00a0(Ef\u00e9sios 4,30) para a vida eterna ensina-nos tudo sobre o Pai \u2013 em n\u00f3s clama:\u00a0<em>Abb\u00e1<\/em>\u00a0(G\u00e1latas 4,6); nele clamamos:\u00a0<em>Abb\u00e1<\/em>\u00a0(Romanos 8,15) \u2013 e sobre o Filho: \u00abningu\u00e9m pode dizer \u201cSenhor \u00e9 Jesus\u201d a n\u00e3o ser no Esp\u00edrito Santo\u00bb (1 Cor\u00edntios 12,3). \u00c9 ele que derrama o amor de Deus no nosso cora\u00e7\u00e3o: unidos a Deus at\u00e9 \u00e0 vida eterna (Romanos 8,16-17; 1 Cor\u00edntios 12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, n\u00e3o nos \u00e9 permitido adormecer ou entorpecer, de modo a ficarmos inativos, infecundos, insens\u00edveis, tipo \u00abtanto faz!\u00bb. O Salmo 95, que hoje cantamos, e que \u00e9, para os judeus fi\u00e9is, a ora\u00e7\u00e3o de ingresso ou de entrada no s\u00e1bado (reza-se sexta-feira ao p\u00f4r-do-sol), e para n\u00f3s, crist\u00e3os, \u00e9 o Salmo invitat\u00f3rio recitado todas as manh\u00e3s, \u00e9 o mais quotidiano dos Salmos. E deve ser um permanente despertador para n\u00e3o nos deixarmos andar ao sabor de qualquer m\u00fasica, mas apenas e sempre ao sabor da m\u00fasica de Deus. Sim, n\u00e3o \u00e9 tempo de nos instalarmos aqui, em qualquer \u00abaqui\u00bb. \u00c9 necess\u00e1rio levar a todos os lugares e a todas as pessoas este vendaval manso de gra\u00e7a e de bondade e de f\u00e9 que um dia Jesus ensinou \u00e0 mulher da Samaria e todos os dias mostrou e mostra aos seus disc\u00edpulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era por volta do meio-dia,<br \/>\nE Jesus sentava-se com tempo \u00e0 beira do po\u00e7o de Jacob,<br \/>\n\u00c0 espera que chegasse a mulher da Samaria.<br \/>\nO meio-dia \u00e9 a hora da Luz e da Revela\u00e7\u00e3o,<br \/>\nCoisa que Nicodemos n\u00e3o sabia,<br \/>\nE a mulher da Samaria vem ao po\u00e7o buscar \u00e1gua e Luz,<br \/>\nVem buscar Jesus,<br \/>\nPara beber e para viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, que a esperava, desceu ao n\u00edvel dela,<br \/>\nFez-se pedinte, e disse-lhe: \u00abD\u00e1-me de beber!\u00bb.<br \/>\nMas o seu intuito era<br \/>\nTransformar em pedinte a mulher,<br \/>\nQue pouco depois pede a Jesus: \u00abD\u00e1-me Tu dessa \u00e1gua-viva, Senhor!\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E depois foi chamar os samaritanos,<br \/>\nQue tamb\u00e9m vieram ver o po\u00e7o novo aberto em Siqu\u00e9m.<br \/>\nTodos beberam da \u00e1gua-viva,<br \/>\nE descobriram-se irmanados na alegria<br \/>\nDaquele meio-dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vem, Senhor Jesus,<br \/>\nSenta-te \u00e0 nossa beira,<br \/>\nE ensina aos teus irm\u00e3os<br \/>\nO segredo<br \/>\nE o enredo<br \/>\nDaquela nova ceifa e sementeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>D. Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Leitura-I-do-Domingo-III-da-Quaresma-Ano-A-12.03.2023-Ex-17-3-7.pdf\">Leitura I do Domingo III da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 12.03.2023 (Ex 17, 3-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Leitura-II-do-Domingo-III-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-12.03.2023-Rom-5-1-2.5-8.pdf\">Leitura II do Domingo III do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 12.03.2023 (Rom 5, 1-2.5-8)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Domingo-III-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-12.03.2023-Lecionario.pdf\">Domingo III do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 12.03.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Domingo-III-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-12.03.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo III do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 12.03.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo II da Quaresma \u2013 Ano A \u2013 05.03.2023&#8243; tab_id=&#8221;1678701326001-91b30d0a-fc44&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo II da Quaresma &#8211; Ano A \u2013 05.03.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Domingo-II-da-Quaresma.jpg\" alt=\"\" width=\"478\" height=\"611\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida crist\u00e3 envolve a vida toda e toda a vida e o convite \u00e0 convers\u00e3o que se torna mais incisivo neste tempo quaresmal recorda-nos precisamente que a convers\u00e3o exige uma transforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o e da vida que chegue a todos os \u00e2mbitos da nossa a\u00e7\u00e3o. A convers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma ades\u00e3o intelectual \u00e0 proposta de Jesus Cristo, nem um conjunto de boas inten\u00e7\u00f5es para a pr\u00e1tica de boas obras, mas o encontro decisivo com Jesus que nos faz entrar na din\u00e2mica sempre nova de conformar a nossa vida com a Sua vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No nosso itiner\u00e1rio quaresmal, o segundo Domingo da Quaresma irrompe luminosamente, apresentando Jesus sobre o monte com Pedro, Tiago e Jo\u00e3o. Assim como estes tr\u00eas disc\u00edpulos foram escolhidos e chamados, tamb\u00e9m n\u00f3s, somos convocados pelo amor misericordioso de Jesus que gratuitamente nos escolhe para nos fazer experimentar a luz nova que s\u00f3 o Seu amor e Sua gra\u00e7a nos podem oferecer. Assim nos testemunha S. Paulo, escrevendo a Tim\u00f3teo e recordando-lhe a livre, gratuita e generosa a\u00e7\u00e3o de Deus nas nossas vidas: \u00ab<em>sofre comigo pelo Evangelho, apoiado na for\u00e7a de Deus. Ele salvou-nos e chamou-nos \u00e0 santidade, n\u00e3o em virtude das nossas obras, mas do seu pr\u00f3prio des\u00edgnio e da sua gra\u00e7a<\/em>\u00bb. Deste modo, agradecidos pelo dom generoso da vida divina que nos \u00e9 concedida para l\u00e1 das nossas boas obras, somos convidados a conformar a nossa vida com este mist\u00e9rio de amor que nos inquieta, desinstala e coloca a caminho. Partir \u00e9 palavra de ordem para quem encontra em Jesus o sentido da sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus n\u00e3o se det\u00e9m nem nos det\u00e9m, mas envia-nos: \u00ab<em>levantai-vos e n\u00e3o temais<\/em>\u00bb. Como \u00e9 importante recordar aqui o convite dirigido por Deus a Abra\u00e3o para deixar a sua terra e a sua fam\u00edlia. Mais importante ainda porque Deus n\u00e3o lhe indica uma meta geogr\u00e1fica, mas apenas a certeza da sua presen\u00e7a: \u00ab<em>vai para a terra que Eu te indicar<\/em>\u00bb. Se \u00e9 o Senhor Deus que lhe vai indicar o caminho, ent\u00e3o Ele caminhar\u00e1 com Ele, estar\u00e1 com Ele para o guiar, proteger e defender. Por isso, Abra\u00e3o parte confiado na palavra do Senhor, ainda que humanamente tivesse raz\u00f5es para desconfiar, pois a promessa de Deus \u00e9 de fazer dele uma grande na\u00e7\u00e3o e oferecer-lhe uma in\u00famera descend\u00eancia, mas Abra\u00e3o e sua mulher Sara s\u00e3o de idade avan\u00e7ada. Todavia, \u00ab<em>Abr\u00e3o partiu, como o Senhor lhe tinha ordenado<\/em>\u00bb e a promessa de Deus realizou-se para nos testemunhar a certeza que quando somos capazes de abandonar os nossos comodismos, as nossas certezas fundadas apenas nas nossas capacidades humanas e nos abrimos \u00e0 livre, gratuita e generosa iniciativa de Deus a nossa vida se torna lugar de b\u00ean\u00e7\u00e3o que difunde ao longe e ao largo o suave perfume da ternura e da bondade do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste Domingo subimos com Jesus ao Monte e como Pedro, Tiago e Jo\u00e3o somos chamados a contemplar a luz nova que brota da Sua presen\u00e7a no meio de n\u00f3s. Aos disc\u00edpulos \u00e9 antecipada a luz nova da P\u00e1scoa que ser\u00e1 plena e definitiva na manh\u00e3 da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Na narrativa que nos apesenta S. Mateus surpreende-me sempre a descri\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia que os disc\u00edpulos fazem de Jesus. Eles\u00a0<u>contemplam<\/u>\u00a0Jesus resplandecente como o sol e com vestes brancas como a luz.\u00a0<u>V\u00eam<\/u>\u00a0Mois\u00e9s e Elias e a nuvem luminosa.\u00a0<u>Escutam<\/u>\u00a0a voz do Pai e\u00a0<u>s\u00e3o tocados<\/u>\u00a0por Jesus que os desafia a colocar-se ao caminho. \u00c9 curioso que apenas a narrativa da Transfigura\u00e7\u00e3o no Evangelho de Mateus nos oferece este pormenor de Jesus que toca os seus disc\u00edpulos. A experi\u00eancia pascal de encontro com Jesus Cristo, experimentada por antecipa\u00e7\u00e3o, no epis\u00f3dio da transfigura\u00e7\u00e3o, convida-nos a contemplar, a ver, a escutar, a ser tocados, a caminhar, isto \u00e9, convida-nos a uma transforma\u00e7\u00e3o da vida toda, implicando todos os sentidos e desafiando a uma convers\u00e3o cada vez mais total e totalizante das nossas vidas. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dia 8 de mar\u00e7o \u00e9 dedicado pela sociedade civil \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o do Dia Internacional da Mulher. Enquanto comunidade eclesial que habita o tempo e a hist\u00f3ria e procura iluminar os diversos \u00e2mbitos da vida humana, a Igreja n\u00e3o deve ficar \u00e0 margem da comemora\u00e7\u00e3o deste dia. Cada comunidade pode pensar um modo criativo de assinalar este dia. A mulher assume um papel fundamental na sociedade e na vida da Igreja e este dia pode ser a ocasi\u00e3o para o reconhecer e valorizar. Contudo, como recorda o Papa Francisco na sua recente exorta\u00e7\u00e3o p\u00f3s-sinodal\u00a0<em>Querida Amaz\u00f3nia<\/em>, \u00e9 necess\u00e1rio pensar o lugar da mulher na Igreja sem o reduzir ao funcionalismo, mas no horizonte da corresponsabilidade eclesial onde cada um tem lugar na edifica\u00e7\u00e3o da comunidade e na a\u00e7\u00e3o evangelizadora da Igreja.<em> i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percorremos liturgicamente a Quaresma at\u00e9 \u00e0 P\u00e1scoa. S\u00e3o 40 dias que querem significar \u201cmudan\u00e7a\u201d. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Gen 12,1-4a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abDeixa a tua terra, a tua fam\u00edlia e a casa de teu pai e vai para a terra que Eu te indicar\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura de hoje faz parte de um bloco de textos a que se d\u00e1 o nome gen\u00e9rico de &#8220;tradi\u00e7\u00f5es patriarcais&#8221; (cf. Gn 12-36). Trata-se de um conjunto de relatos singulares, originalmente independentes uns dos outros, sem grande unidade e sem car\u00e1cter de documento hist\u00f3rico. Nesses cap\u00edtulos aparecem, de forma indiferenciada, &#8220;mitos de origem&#8221; (descreviam a &#8220;tomada de posse&#8221; de um lugar pelo patriarca do cl\u00e3), &#8220;lendas cultuais&#8221; (narravam como um deus tinha aparecido nesse lugar ao patriarca do cl\u00e3), indica\u00e7\u00f5es mais ou menos concretas sobre a vida dos cl\u00e3s n\u00f3madas que circularam pela Palestina durante o 2\u00ba mil\u00e9nio e reflex\u00f5es teol\u00f3gicas posteriores destinadas a apresentar aos crentes israelitas modelos de vida e de f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por detr\u00e1s do quadro teol\u00f3gico e catequ\u00e9tico que nos \u00e9 proposto, est\u00e3o as migra\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas de povos n\u00f3madas, antepassados do povo b\u00edblico, nos in\u00edcios do 2\u00ba mil\u00e9nio a.C. Por essa \u00e9poca, a hist\u00f3ria regista um forte movimento migrat\u00f3rio de povos amorreus entre a Mesopot\u00e2mia e o Egipto, passando pela terra de Canaan. S\u00e3o povos que n\u00e3o conseguiram fixar-se na Mesopot\u00e2mia (ou que tiveram de a abandonar por causa de convuls\u00f5es pol\u00edticas registadas nessa zona no in\u00edcio do 2\u00ba mil\u00e9nio) e que continuaram o seu caminho migrat\u00f3rio, \u00e0 procura de uma terra onde &#8220;plantar definitivamente a sua tenda&#8221;, de forma a escapar aos perigos e incomodidades da vida n\u00f3mada. Os nossos patriarcas b\u00edblicos fazem, provavelmente, parte dessa onda migrat\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cl\u00e3s referenciados nas &#8220;tradi\u00e7\u00f5es patriarcais&#8221; &#8211; nomeadamente os de Abra\u00e3o, Isaac e Jacob &#8211; tinham os seus sonhos e esperan\u00e7as. O denominador comum desses sonhos era a esperan\u00e7a de encontrar uma terra f\u00e9rtil e bem irrigada, bem como possuir uma fam\u00edlia forte e numerosa que perpetuasse a &#8220;mem\u00f3ria&#8221; da tribo e se impusesse aos inimigos. O deus aceite pelo grupo era o potencial concretizador desse ideal. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na reflex\u00e3o e partilha, considerar os seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura de Abra\u00e3o que nos foi apresentada pelos catequistas de Israel tem sido, ao longo dos tempos, uma figura inspiradora para todos os crentes. Abra\u00e3o \u00e9 o homem que encontra Deus, que est\u00e1 atento aos seus sinais e sabe interpret\u00e1-los, que responde aos desafios de Deus com uma obedi\u00eancia total e com uma entrega confiada&#8230; Esta figura constitui uma interpela\u00e7\u00e3o muito forte a esse homem moderno que nunca tem tempo para encontrar Deus nem para perceber os seus sinais, pois est\u00e1 demasiado ocupado a ganhar dinheiro ou a construir a carreira profissional. Eu tenho tempo para me encontrar com Deus, para aprofundar a comunh\u00e3o com Ele? Preocupo-me em detetar a sua presen\u00e7a, as suas indica\u00e7\u00f5es e propostas nos acontecimentos do dia a dia? A minha resposta aos seus desafios \u00e9 um &#8220;sim&#8221; incondicional, ou \u00e9 uma procura de raz\u00f5es para justificar os meus pontos de vista e esquemas pessoais?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura de Abra\u00e3o questiona, tamb\u00e9m, o homem instalado e comodista, que prefere apostar na seguran\u00e7a do que j\u00e1 tem, em vez de arriscar na novidade de Deus, ou deixar que a Palavra de Deus ponha em causa os seus velhos h\u00e1bitos, a sua forma de vida e a sua instala\u00e7\u00e3o. Estou disposto a mudar, a &#8220;p\u00f4r-me a caminho&#8221; em dire\u00e7\u00e3o a essa terra nova da vida plena e aut\u00eantica, ou prefiro continuar prisioneiro dos meus esquemas pr\u00e9-concebidos, dos meus medos, dos meus velhos h\u00e1bitos, das minhas velhas formas de pensar, de agir e de julgar os outros?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este texto diz-nos, tamb\u00e9m, que por detr\u00e1s da hist\u00f3ria da humanidade h\u00e1 um Deus que tem um projeto para os homens e para o mundo e que esse projeto \u00e9 de amor e de salva\u00e7\u00e3o&#8230; Apesar de os homens O ignorarem e prescindirem das suas orienta\u00e7\u00f5es e propostas, Deus continua a vir ao seu encontro, a desafi\u00e1-los a caminhar em dire\u00e7\u00e3o ao novo, a propor-lhes ir mais al\u00e9m. O homem, por sua vez, \u00e9 convidado a participar neste projeto, por meio da f\u00e9 (entendida como ades\u00e3o plena aos planos de Deus). Estou disposto a colaborar com esse Deus que tem um plano para o mundo e para os homens e a embarcar com Ele na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais feliz? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a032 (33)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> Esperamos, Senhor, na vossa miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>2 Tim 1,8b-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEle salvou-nos e chamou-nos \u00e0 santidade, n\u00e3o em virtude das nossas obras, mas do seu pr\u00f3prio des\u00edgnio e da sua gra\u00e7a\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo os Atos dos Ap\u00f3stolos, Paulo encontrou Tim\u00f3teo em Listra, cidade da Lica\u00f3nia, no decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria. Filho de pai grego e de m\u00e3e judeo-crist\u00e3, Tim\u00f3teo devia ser ainda bastante jovem, nessa altura (cf. Act 16,1). No entanto, Paulo n\u00e3o hesitou em lev\u00e1-lo consigo atrav\u00e9s da \u00c1sia Menor, da Maced\u00f3nia e da Gr\u00e9cia. T\u00edmido e reservado, de sa\u00fade delicada (em 1 Tim 5,23 Paulo aconselha: &#8220;n\u00e3o continues a beber s\u00f3 \u00e1gua, mas mistura-a com um pouco de vinho, por causa do teu est\u00f4mago e das tuas frequentes indisposi\u00e7\u00f5es), Tim\u00f3teo tornou-se um companheiro fiel e discreto do ap\u00f3stolo no trabalho mission\u00e1rio. Para n\u00e3o ter problemas com os judeus, Paulo f\u00ea-lo circuncidar (cf. Act 16,3); e, numa data desconhecida para n\u00f3s, Tim\u00f3teo recebeu dos anci\u00e3os a &#8220;imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os&#8221; (cf. 1 Tim 4,14) que o designava como enviado da comunidade para anunciar o Evangelho de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atividade de Tim\u00f3teo est\u00e1 bastante ligada a Paulo, como o demonstram as cont\u00ednuas refer\u00eancias que Paulo lhe faz nos seus escritos. Com ternura, Paulo refere-se a Tim\u00f3teo como o &#8220;nosso irm\u00e3o, colaborador de Deus na prega\u00e7\u00e3o do Evangelho de Cristo&#8221; (1 Tes 3,2); e faz refer\u00eancias a Tim\u00f3teo nas Cartas aos Tessalonicenses (cf. 1 Tes 11,1; 2 Tes 1,1), na 2 Cor\u00edntios (cf. 2 Cor 1,1), na Carta aos Romanos (cf. Rom 16,21), na Carta aos Filipenses (cf. Flp 1,1), na Carta aos Colossenses (cf. Col 1,1) e na Carta a Fil\u00e9mon (cf. Flm 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encarregou-o, tamb\u00e9m, de miss\u00f5es particulares entre os Tessalonicenses (cf. 1 Tes 3,2.6) e entre os Cor\u00edntios (cf. 1 Cor 4,17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 segunda Carta a Tim\u00f3teo h\u00e1, no entanto, um problema s\u00e9rio: a maioria dos comentadores considera esta carta posterior a Paulo (o mesmo acontece com a 1 Tim\u00f3teo e com a Carta a Tito), sobretudo por a\u00ed aparecer um modelo de organiza\u00e7\u00e3o da Igreja que parece ser de uma \u00e9poca tardia, isto \u00e9, de finais do s\u00e9c. I ou princ\u00edpios do s\u00e9c. II). A quest\u00e3o continua em aberto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tim\u00f3teo \u00e9, por esta altura, bispo de \u00c9feso, na costa ocidental da \u00c1sia Menor. Est\u00e3o a come\u00e7ar as grandes persegui\u00e7\u00f5es; muitos crist\u00e3os est\u00e3o desanimados e vacilam na f\u00e9. \u00c9 preciso que os l\u00edderes das comunidades &#8211; entre os quais est\u00e1 Tim\u00f3teo &#8211; mantenham o \u00e2nimo e ajudem as comunidades a enfrentar, com fortaleza, as dificuldades que se avizinham. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir dos seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais uma vez somos convidados a recordar que Deus tem um projeto de salva\u00e7\u00e3o e de vida plena para os homens, para todos os homens. Quase todos os domingos, a Palavra de Deus convida-nos a tomar consci\u00eancia desse facto; mas nunca \u00e9 demais lembr\u00e1-lo, at\u00e9 porque os homens do nosso tempo tendem a esquecer Deus e a viver sem a consci\u00eancia da sua presen\u00e7a, do seu amor, da sua preocupa\u00e7\u00e3o com a nossa vida, a nossa realiza\u00e7\u00e3o, a nossa felicidade. Se tiv\u00e9ssemos sempre consci\u00eancia de que temos um lugar cativo no projeto de Deus e que o pr\u00f3prio Deus est\u00e1 a velar pela nossa realiza\u00e7\u00e3o e pela nossa felicidade, certamente a vida teria um outro sentido e no nosso cora\u00e7\u00e3o haveria mais serenidade, mais paz, mais esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m \u00e9 preciso termos consci\u00eancia de que n\u00f3s, os crentes, somos, aqui e agora, as testemunhas vivas de Deus e do seu projeto para os homens e para o mundo. Nada &#8211; e muito menos o nosso comodismo e instala\u00e7\u00e3o &#8211; pode distrair-nos dessa responsabilidade. Os homens, nossos irm\u00e3os, t\u00eam de encontrar em n\u00f3s &#8211; e particularmente naqueles a quem foi confiada a miss\u00e3o de animar e orientar a comunidade &#8211; sinais vivos de Deus, do seu amor, da sua bondade e ternura, da sua preocupa\u00e7\u00e3o com os homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser testemunha de Deus e do seu projeto. O mundo de hoje tende a ignorar os apelos de Deus ou at\u00e9 manifesta desprezo pelos valores do Evangelho (esses valores que temos de testemunhar, a fim de sermos sinais do mundo novo que Deus quer propor aos homens). No entanto, as dificuldades n\u00e3o podem ser uma desculpa para nos demitirmos das nossas responsabilidades e de levarmos a s\u00e9rio a voca\u00e7\u00e3o a que Deus nos chama. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 17,1-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abJesus tomou consigo Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, seu irm\u00e3o, e levou-os, em particular, a um alto monte<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e transfigurou-Se diante deles\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSenhor, como \u00e9 bom estarmos aqui!\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEste \u00e9 o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complac\u00eancia. Escutai-O\u00bb. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sec\u00e7\u00e3o de Mt 16,21-20,34 \u00e9 uma catequese sobre o discipulado, como seguimento de Jesus at\u00e9 \u00e0 cruz. O texto que hoje nos \u00e9 proposto faz parte dessa catequese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato da transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 antecedido do primeiro an\u00fancio da paix\u00e3o (cf. Mt 16,21-23) e de uma instru\u00e7\u00e3o sobre as atitudes pr\u00f3prias do disc\u00edpulo (convidado a renunciar a si mesmo, a tomar a sua cruz e a seguir Jesus no seu caminho de amor e de entrega da vida &#8211; cf. Mt 16,24-28). Depois de terem ouvido falar do &#8220;caminho da cruz&#8221; e de terem constatado aquilo que Jesus pede aos que o querem seguir, os disc\u00edpulos est\u00e3o desanimados e frustrados, pois a aventura em que apostaram parece encaminhar-se para um rotundo fracasso; eles veem esfumar-se &#8211; nessa cruz que ir\u00e1 ser plantada numa colina de Jerusal\u00e9m &#8211; os seus sonhos de gl\u00f3ria, de honras, de triunfos e perguntam-se se vale a pena seguir um mestre que nada mais tem para oferecer do que a morte na cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste contexto que Mateus coloca o epis\u00f3dio da transfigura\u00e7\u00e3o. A cena constitui uma palavra de \u00e2nimo para os disc\u00edpulos (e para os crentes, em geral), pois nela manifesta-se a gl\u00f3ria de Jesus e atesta-se que Ele \u00e9 &#8211; apesar da cruz que se aproxima &#8211; o Filho amado de Deus. Os disc\u00edpulos recebem, assim, a garantia de que o projeto que Jesus apresenta \u00e9 um projeto que vem de Deus; e, apesar das suas pr\u00f3prias d\u00favidas, recebem um complemento de esperan\u00e7a que lhes permite &#8220;embarcar&#8221; e apostar nesse projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Literariamente, a narra\u00e7\u00e3o da transfigura\u00e7\u00e3o \u00e9 uma teofania &#8211; quer dizer, uma manifesta\u00e7\u00e3o de Deus. Portanto, o autor do relato vai colocar no quadro que descreve todos os ingredientes que, no imagin\u00e1rio judaico, acompanham as manifesta\u00e7\u00f5es de Deus (e que encontramos quase sempre presentes nos relatos teof\u00e2nicos do Antigo Testamento): o monte, a voz do c\u00e9u, as apari\u00e7\u00f5es, as vestes brilhantes, a nuvem e mesmo o medo e a perturba\u00e7\u00e3o daqueles que presenciam o encontro com o divino. Isto quer dizer o seguinte: n\u00e3o estamos diante de um relato fotogr\u00e1fico de acontecimentos, mas de uma catequese (constru\u00edda de acordo com o imagin\u00e1rio judaico) destinada a ensinar que Jesus \u00e9 o Filho amado de Deus, que traz aos homens um projeto que vem de Deus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode fazer-se partindo das seguintes quest\u00f5es<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o fundamental expressa no epis\u00f3dio da transfigura\u00e7\u00e3o est\u00e1 na revela\u00e7\u00e3o de Jesus como o Filho amado de Deus, que vai concretizar o projeto salvador e libertador do Pai em favor dos homens atrav\u00e9s do dom da vida, da entrega total de si pr\u00f3prio por amor. Pela transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus, Deus demonstra aos crentes de todas as \u00e9pocas e lugares que uma exist\u00eancia feita dom n\u00e3o \u00e9 fracassada &#8211; mesmo se termina na cruz. A vida plena e definitiva espera, no final do caminho, todos aqueles que, como Jesus, forem capazes de p\u00f4r a sua vida ao servi\u00e7o dos irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, os homens do nosso tempo t\u00eam alguma dificuldade em perceber esta l\u00f3gica&#8230; Para muitos dos nossos irm\u00e3os, a vida plena n\u00e3o est\u00e1 no amor levado at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias (at\u00e9 ao dom total da vida), mas sim na preocupa\u00e7\u00e3o ego\u00edsta com os seus interesses pessoais, com o seu orgulho, com o seu pequeno mundo privado; n\u00e3o est\u00e1 no servi\u00e7o simples e humilde em favor dos irm\u00e3os (sobretudo dos mais d\u00e9beis, dos mais marginalizados e dos mais infelizes), mas no assegurar para si pr\u00f3prio uma dose generosa de poder, de influ\u00eancia, de autoridade e de dom\u00ednio, que d\u00ea a sensa\u00e7\u00e3o de pertencer \u00e0 categoria dos vencedores; n\u00e3o est\u00e1 numa vida vivida como dom, com humildade e simplicidade, mas numa vida feita um jogo complicado de conquista de honras, de gl\u00f3rias e de \u00eaxitos. Na verdade, onde \u00e9 que est\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o plena do homem? Quem tem raz\u00e3o: Deus, ou os esquemas humanos que hoje dominam o mundo e que nos imp\u00f5em uma l\u00f3gica diferente da l\u00f3gica do Evangelho?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por vezes somos tentados pelo des\u00e2nimo, porque n\u00e3o percebemos o alcance dos esquemas de Deus; ou ent\u00e3o, parece que, seguindo a l\u00f3gica de Deus, seremos sempre perdedores e fracassados, que nunca integraremos a elite dos senhores do mundo e que nunca chegaremos a conquistar o reconhecimento daqueles que caminham ao nosso lado&#8230; A transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus grita-nos, do alto daquele monte: n\u00e3o desanimeis, pois a l\u00f3gica de Deus n\u00e3o conduz ao fracasso, mas \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00e0 vida definitiva, \u00e0 felicidade sem fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tr\u00eas disc\u00edpulos, testemunhas da transfigura\u00e7\u00e3o, parecem n\u00e3o ter muita vontade de &#8220;descer \u00e0 terra&#8221; e enfrentar o mundo e os problemas dos homens. Representam todos aqueles que vivem de olhos postos no c\u00e9u, alheados da realidade concreta do mundo, sem vontade de intervir para o renovar e transformar. No entanto, ser seguidor de Jesus obriga a &#8220;regressar ao mundo&#8221; para testemunhar aos homens &#8211; mesmo contra a corrente &#8211; que a realiza\u00e7\u00e3o aut\u00eantica est\u00e1 no dom da vida; obriga a atolarmo-nos no mundo, nos seus problemas e dramas, a fim de dar o nosso contributo para o aparecimento de um mundo mais justo e mais feliz. A religi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um \u00f3pio que nos adormece, mas um compromisso com Deus, que se faz compromisso de amor com o mundo e com os homens. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>\u00a0A brevidade da <strong>primeira leitura<\/strong> n\u00e3o deve fazer descurar a sua prepara\u00e7\u00e3o com uma aten\u00e7\u00e3o especial aos verbos no futuro que constituem a promessa de Deus a Abra\u00e3o. Mais do que uma ordem, os verbos no imperativo constituem uma proposta que Deus faz a Abra\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong>, tal como \u00e9 habitual no epistol\u00e1rio Paulino, apresenta frases longas que requerem uma especial aten\u00e7\u00e3o nas pausas e respira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/03\/07\/musica-nova-com-pausa-e-bemol-4\/\"><strong>M\u00daSICA NOVA COM PAUSA E\u00a0BEMOL<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Batizado no Jord\u00e3o, tentado no deserto, mas Vitorioso, Jesus come\u00e7ou a executar o seu programa filial batismal que tem por meta a Cruz Gloriosa (Batismo consumado!) em que n\u00f3s somos por Ele batizados com o fogo e com o Esp\u00edrito Santo (sempre o luminoso texto de Lucas 12,49-50). Entre o Jord\u00e3o e a Cruz Gloriosa a\u00ed est\u00e1 Hoje, Domingo II da Quaresma, o epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o (Mateus 17,1-9) \u2013 Luz incriada e inacess\u00edvel (Mateus 17,2; cf. Salmo 104,2; 1 Tim\u00f3teo 6,16) que investe a Humanidade de Jesus: experi\u00eancia moment\u00e2nea da Ressurrei\u00e7\u00e3o \u2013, mediante a qual o Pai confirma o Filho na sua miss\u00e3o filial batismal, j\u00e1 iniciada, mas ainda n\u00e3o consumada. Que a Transfigura\u00e7\u00e3o deve ser vista \u00e0 luz da Ressurrei\u00e7\u00e3o, fica bem patente no dizer das Igrejas do Oriente que chamam \u00e0 Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o, que se celebra no dia 6 de agosto, \u00aba P\u00e1scoa do ver\u00e3o\u00bb. Mas est\u00e1 tamb\u00e9m claro na ordem taxativa de Jesus ao descer do monte: \u00abA ningu\u00e9m digais esta vis\u00e3o at\u00e9 que o Filho do Homem seja Ressuscitado dos mortos\u00bb (Mateus 17,9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus imp\u00f5e, portanto, na nossa pauta musical, pausa e bemol. N\u00e3o podemos dizer a Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor, antes da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor. E n\u00e3o podemos, porque n\u00e3o sabemos. E n\u00e3o sabemos, porque \u00e9 s\u00f3 o Ressuscitado que faz vir o Esp\u00edrito Santo sobre n\u00f3s. Veja-se a li\u00e7\u00e3o do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos: \u00abEste Jesus, Deus o Ressuscitou, e disto todos n\u00f3s somos testemunhas. Exaltado \u00e0 direita de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Esp\u00edrito Santo, derramou-o, e \u00e9 o que vedes e ouvis\u00bb (2,32-33). E o coment\u00e1rio preciso e precioso do narrador \u00e0s palavras que Jesus acabava de proferir: \u00abIsto disse do Esp\u00edrito que haviam de receber os que tinham acreditado n\u2019Ele, pois n\u00e3o havia ainda Esp\u00edrito [para n\u00f3s], porque Jesus ainda n\u00e3o tinha sido glorificado\u00bb (Jo\u00e3o 7,39). Pausa e bemol, porque importa que n\u00e3o sejamos n\u00f3s a falar. Importa que seja o Esp\u00edrito Santo a falar em n\u00f3s. Toda a aten\u00e7\u00e3o, neste sentido, para o grande dizer de Jesus: \u00abQuando vos entregarem, n\u00e3o vos preocupeis com ou como falais (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>). Ser-vos-\u00e1 dado naquela hora o que falar (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>). Na verdade, n\u00e3o sois v\u00f3s que falais (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>), mas ser\u00e1 o Esp\u00edrito do vosso PAI que falar\u00e1 (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>) em v\u00f3s\u00bb (Mateus 10,19-20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o situa o \u00abmonte alto\u00bb, que abre o epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o (Mateus 17,1), no Tabor, um monte de forma arredondada que se ergue nos seus 582 metros no meio da plan\u00edcie galilaica de Jesrael ou Esdrelon. No sop\u00e9 do Tabor ainda hoje se encontra a aldeia palestiniana de\u00a0<em>Daburiyya<\/em>, cujo eco evoca a personagem b\u00edblica mais importante desta regi\u00e3o, a profetisa D\u00e9bora. As Igrejas do Oriente conhecem este epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o por \u00abMetamorfose\u00bb (<em>Metam\u00f3rph\u00f4sis<\/em>), a partir das palavras do texto: \u00abE transformou-se (<em>metemorph\u00f4th\u00ea<\/em>) diante deles [= Pedro, Tiago e Jo\u00e3o], e resplandeceu o seu rosto como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz\u00bb (Mateus 17,2). O branco \u00e9 a cor divina. E a luz \u00e9 o seu vestido, conforme o dizer do Salmo 104,2: \u00abVestido de Luz como de um manto\u00bb. E, nesse cone de luz, o Ap\u00f3stolo exorta-nos: \u00abCaminhai como filhos da luz\u00bb, e lembra-nos que \u00abo fruto da luz \u00e9 toda a bondade, justi\u00e7a e verdade\u00bb (Ef\u00e9sios 5,8 e 9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Batizado para a Cruz Gloriosa, Confirmado para a Cruz Gloriosa. As mesmas palavras do Pai no Batismo e na Transfigura\u00e7\u00e3o \/ Confirma\u00e7\u00e3o: \u00abo Filho Meu\u00bb, \u00abo Amado\u00bb (Mateus 3,17; 17,5), agora seguidas pelo imperativo \u00abEscutai-o!\u00bb, dirigido a todos os disc\u00edpulos: Jesus \u00e9 tamb\u00e9m o \u00abProfeta novo\u00bb, como Mois\u00e9s, prometido em Deuteron\u00f3mio 18,15-18. Testemunham a cena grandiosa da Transfigura\u00e7\u00e3o \/ Confirma\u00e7\u00e3o tr\u00eas disc\u00edpulos \u2013 como dispunha a Lei antiga: duas ou tr\u00eas testemunhas (Deuteron\u00f3mio 17,6) \u2013, os quais s\u00e3o igualmente confirmados para a sua miss\u00e3o futura (ap\u00f3s a Ressurrei\u00e7\u00e3o com a d\u00e1diva do Esp\u00edrito) de dar testemunho d\u2019Ele. Aparecem Mois\u00e9s e Elias que falam com Jesus Transfigurado \/ Ressuscitado: \u00e9 para Ele que aponta todo o Antigo Testamento! As \u00abEscrituras\u00bb, Mois\u00e9s, todos os Profetas e os Salmos, falam acerca d\u2019Ele! (Lucas 24,27 e 44; Jo\u00e3o 5,39 e 46; Atos dos Ap\u00f3stolos 10,43). \u00c9 o \u00abSegundo as Escrituras\u00bb que os disc\u00edpulos tamb\u00e9m devem testemunhar. Pedro, sempre ele, em nome dos disc\u00edpulos de ent\u00e3o e de sempre, tenta impedir Jesus de prosseguir a sua miss\u00e3o filial batismal at\u00e9 \u00e0 Cruz: \u00abSenhor, bom \u00e9 estarmos AQUI\u2026 Levantarei AQUI tr\u00eas tendas\u00bb (Mateus 17,4). AQUI significa deter-se no provis\u00f3rio, no preliminar e no pen\u00faltimo, e recusar caminhar para o definitivo e o \u00faltimo! Marcos 9,6 e Lucas 9,33 anotam criteriosamente que \u00abn\u00e3o sabia o que dizia\u00bb. N\u00e3o sabia, porque ainda n\u00e3o tinha sido batizado com o Esp\u00edrito Santo e com o fogo; quando o for, saber\u00e1 tamb\u00e9m ele, disc\u00edpulo fiel, batizado \/ confirmado, levar por diante a miss\u00e3o filial batismal em que foi investido, e dar\u00e1 testemunho at\u00e9 ao sangue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a Transfigura\u00e7\u00e3o tornada permanente, eterna. Todos os batizados \/ confirmados est\u00e3o destinados \u00e0 mesma Ressurrei\u00e7\u00e3o \/ Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor: a Diviniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A li\u00e7\u00e3o do Livro do G\u00e9nesis (12,1-4) abre diante de n\u00f3s o caminho novo j\u00e1 apontado no Evangelho: \u00abVAI para ti (<em>lek-l<sup>e<\/sup>ka<\/em>), do teu pa\u00eds, da tua parentela e da casa do teu pai, para o pa\u00eds que Eu te farei ver\u00bb (G\u00e9nesis 12,1). Com este imperativo, Deus p\u00f5e em marcha Abra\u00e3o e a inteira hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o que se lhe segue. \u00abE Abra\u00e3o partiu\u00bb (G\u00e9nesis 12,4). Com este gesto esplendorosamente mudo, Abra\u00e3o comprometeu-se e comprometeu-nos a n\u00f3s tamb\u00e9m. Abra\u00e3o arrasta consigo a hist\u00f3ria toda. Ele parte (e a hist\u00f3ria com ele) em dire\u00e7\u00e3o a Jesus Cristo, que \u00e9 a sua verdadeira descend\u00eancia (G\u00e1latas 3,16). Abra\u00e3o viu-O e saudou-O de longe (Hebreus 11,13), cheio de alegria (Jo\u00e3o 8,56). A sua meta \u00e9 clara e define e alumia a sua estrada que at\u00e9 l\u00e1 conduz e em que caminha Abra\u00e3o, fazendo assim dele tamb\u00e9m antecipadamente \u00abfilho da Luz\u00bb. Abra\u00e3o n\u00e3o se despede do passado, e faz ao futuro um aceno de esperan\u00e7a e de alegria. S\u00e3o t\u00e3o simples, t\u00e3o novos e t\u00e3o decididos os gestos e os passos de Abra\u00e3o! Talvez devamos mesmo seguir o conselho de Isa\u00edas, o profeta: \u00abOlhai para Abra\u00e3o, vosso Pai\u00bb (Isa\u00edas 51,2). E partir com ele DAQUI, do provis\u00f3rio, do preliminar, do pen\u00faltimo, ao encontro de Jesus Cristo Ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Movido pela Palavra de Deus, \u00fanico verdadeiro motor da sua vida, Abra\u00e3o parte do seu pa\u00eds e da casa do seu pai. Mas n\u00e3o se trata apenas de uma viagem no mapa. N\u00e3o \u00e9 meramente da ordem da geografia. \u00c9 sobretudo da ordem suprema da pessoa e da liberdade. Note-se bem que o texto n\u00e3o diz simplesmente: \u00abVAI (<em>lek<\/em>) do teu pa\u00eds\u00bb, mas \u00abVAI para ti (<em>lek-l<sup>e<\/sup>ka<\/em>) do teu pa\u00eds\u00bb, especial\u00edssima locu\u00e7\u00e3o que a gram\u00e1tica hebraica classifica como \u00abdativo \u00e9tico\u00bb. Viagem diferente, que implica um trabalho de casa, dentro da pr\u00f3pria casa, dentro da pr\u00f3pria pessoa, trabalho de liberta\u00e7\u00e3o para a liberdade, at\u00e9 nos fazermos verdadeiramente livres, abertos, dispon\u00edveis, acolhidos, acolhedores, aben\u00e7oados, aben\u00e7oadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 ainda nesse sentido que Abra\u00e3o \u00e9 chamado \u00abo hebreu\u00bb (<em>ha-\u2018ibr\u00ee<\/em>) (G\u00e9nesis 14,13).\u00a0<em>\u2018ibr\u00ee<\/em>\u00a0reporta-se a\u00a0<em>\u2018eber<\/em>, que significa \u00abmargem\u00bb. Ele vem da \u00aboutra margem do Rio\u00bb (Josu\u00e9 24,3). Mas reporta-se tamb\u00e9m a\u00a0<em>\u2018abar<\/em>, que significa \u00abpassar\u00bb, \u00abatravessar\u00bb, \u00abir al\u00e9m de\u00bb, \u00abconverter-se\u00bb, \u00ababrir uma passagem\u00bb, \u00abtransferir\u00bb, o que implica um movimento ao mesmo tempo objetivo e subjetivo, ativo e passivo. Abra\u00e3o \u00e9 o homem que atravessa fronteiras, mas \u00e9 sobretudo o homem que se atravessa a si mesmo. Viajante transitivo e intransitivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o Ap\u00f3stolo testemunha (2 Tim\u00f3teo 1,8-10) que o mesmo Deus que chamou Abra\u00e3o, tamb\u00e9m nos chamou a n\u00f3s (2 Tim\u00f3teo 1,9). Por pura gra\u00e7a. Para dar testemunho do Evangelho e participar na sua vida. Por isso, tal como Abra\u00e3o, tamb\u00e9m Paulo saiu do passado e correu para o futuro (Filipenses 3,13). E quer agora empenhar nesta \u00abcorrida\u00bb o seu disc\u00edpulo Tim\u00f3teo. E a n\u00f3s tamb\u00e9m. Contra a cont\u00ednua tenta\u00e7\u00e3o de querermos ficar AQUI, no provis\u00f3rio, no preliminar, no pen\u00faltimo, como Pedro (Evangelho) e todos os disc\u00edpulos (Atos dos Ap\u00f3stolos 1,11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, o Salmo 33, que hoje cantamos, \u00e9 um verdadeiro \u00abcanto novo\u00bb (<em>sh\u00eer hadash<\/em>) a fazer vibrar as fibras do nosso cora\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 tamb\u00e9m m\u00fasica sem palavras (<em>t<sup>e<\/sup>r\u00fb\u02bdah<\/em>) (v. 2), jubila\u00e7\u00e3o, exulta\u00e7\u00e3o, lala\u00e7\u00e3o de radical confian\u00e7a da crian\u00e7a que em n\u00f3s sorri e dan\u00e7a, porque Deus vela por n\u00f3s. Comenta Santo Agostinho: \u00abJ\u00e1 sabes o que \u00e9 o canto novo: um homem novo, um canto novo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Quaresma \u00e9 uma estrada<br \/>\nEntrecortada<br \/>\nPor esta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o de paz e de perd\u00e3o,<br \/>\nUma avenida<br \/>\nFlorida<br \/>\nDe ora\u00e7\u00e3o,<br \/>\nUma pra\u00e7a<br \/>\nDe gra\u00e7a<br \/>\nE contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Quaresma \u00e9 uma escada,<br \/>\nQue do c\u00e9u desce,<br \/>\nTrazendo at\u00e9 n\u00f3s a m\u00e3o de Deus,<br \/>\nE ao c\u00e9u se eleva,<br \/>\nLevando at\u00e9 Deus a nossa prece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Quaresma \u00e9 um caminho<br \/>\nDireitinho<br \/>\nAo cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u00c9 preciso limp\u00e1-lo<br \/>\nDe todo o lixo acumulado.<br \/>\n\u00c9 preciso entreg\u00e1-lo a Deus,<br \/>\nLimpo e cultivado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor desta estrada deserta,<br \/>\nQue vai de Jerusal\u00e9m a Gaza,<br \/>\nConduz os meus passos<br \/>\nAt\u00e9 ao limiar da tua casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Leitura-I-Domingo-II-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-05.03.2023-Gen-12-1-4a.pdf\">Leitura I &#8211; Domingo II do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 05.03.2023 (Gen 12, 1-4a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Leitura-II-Domingo-II-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-05.03.2023-2-Tim-1-8b-10.pdf\">Leitura II &#8211; Domingo II do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 05.03.2023 (2 Tim 1, 8b-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Domingo-II-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-05.03.2023-Lecionario.pdf\">Domingo II do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 05.03.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Domingo-II-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-05.03.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo II do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 05.03.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo I da Quaresma \u2013 Ano A \u2013 26.02.2023&#8243; tab_id=&#8221;1678097434978-6290d2d8-c749&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo I da Quaresma &#8211; Ano A \u2013 26.02.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><sup>10<\/sup><\/strong><strong>Respondeu-lhe Jesus: \u00abVai-te, Satan\u00e1s, pois est\u00e1 escrito:\u00a0<em>Ao Senhor, teu Deus, adorar\u00e1s e s\u00f3 a Ele prestar\u00e1s culto.<\/em>\u00bb Mt 4, 10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Domingo-I-da-Quaresma.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>A liberdade \u00e9 o maior [dom]. Deus cria o homem livre e respeita-lhe a liberdade. Chama feliz \u00e0quele que pode fazer o mal e n\u00e3o o faz; ao que pode transgredir e n\u00e3o transgride<\/em>\u00bb (Vener\u00e1vel Padre Am\u00e9rico Aguiar)<em>.<\/em>\u00a0A verdadeira liberdade, como afirma o Pai Am\u00e9rico, nasce da exigente tarefa de discernir, optar e decidir pelo caminho do bem, da verdade e da justi\u00e7a. Ningu\u00e9m \u00e9 livre pelo caminho da mentira, pois o mal escraviza-nos e impede-nos de experimentar a verdadeira realiza\u00e7\u00e3o e felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fomos criados pelo amor misericordioso de Deus, que nos formou do p\u00f3 da terra e nos moldou com as Suas m\u00e3os, soprou em n\u00f3s o Seu h\u00e1lito de ternura e de bondade, para que possamos participar da Sua vida divina. Como recordamos na celebra\u00e7\u00e3o de Quarta-Feira de Cinzas com que damos in\u00edcio ao Tempo da Quaresma, somos p\u00f3 da terra, criatura fr\u00e1gil e d\u00e9bil, mas p\u00f3 amado por Deus e sustentado pelas Suas m\u00e3os ternurentas que n\u00e3o cessam de moldar a nossa vida. Contudo, Deus n\u00e3o se imp\u00f5e, mas tudo prop\u00f5e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus quer-nos verdadeiramente livres e, para isso, dota-nos de liberdade para podermos escolher o caminho a seguir, mas adverte-nos diante do perigo como fez com Ad\u00e3o e Eva: \u00ab<em>podemos comer o fruto das \u00e1rvores do jardim; mas, quanto ao fruto da \u00e1rvore que est\u00e1 no meio do jardim, Deus avisou-nos: \u2018N\u00e3o podeis comer dele nem lhe tocar, sen\u00e3o morrereis<\/em>\u00bb. Apesar da indica\u00e7\u00e3o dada por Deus, cabe ao homem e \u00e0 mulher decidir se comer\u00e3o ou n\u00e3o do fruto da \u00e1rvore que est\u00e1 no meio do jardim. Na verdade, discernir e decidir s\u00e3o experi\u00eancias humanas exigentes, mas absolutamente necess\u00e1rias para uma vida mais feliz. Ao longo do nosso caminho s\u00e3o muitas as ocasi\u00f5es onde temos de tomar decis\u00f5es e nem sempre entre algo bom e algo mau, pois se assim fosse, aparentemente pareceria mais f\u00e1cil. Decidir significa tomar uma op\u00e7\u00e3o, arriscar um caminho e renunciar, deixando algo para tr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 luz do Evangelho deste Domingo, dir\u00edamos que somos permanentemente expostos \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o, que implica uma decis\u00e3o pronta e ousada, capaz de romper com o mal que nos afasta de Deus e dos irm\u00e3os. Tal como Jesus, tamb\u00e9m n\u00f3s somos tentados<em>,<\/em>\u00a0mas conscientes que \u00e9 o Esp\u00edrito Santo que nos conduz aos desertos exigentes e dram\u00e1ticos da hist\u00f3ria: ser\u00e1 Ele a iluminar o caminho que somos chamados a trilhar. As tenta\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma ocasi\u00e3o fundamental na nossa vida, pois s\u00e3o a oportunidade de voltar a escolher Deus e o Seu infinito amor. Tr\u00eas vezes tentado pelo diabo, por tr\u00eas vezes Jesus renova a Sua fidelidade ao Pai. Ser tentado \u00e9 ser colocado \u00e0 prova exigente de voltar a escolher Deus, de renovar o nosso desejo de O seguir, sustentados pela Sua Palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 certo que pela nossa fragilidade muitas vezes nos afastamos do projeto que Deus tem para n\u00f3s e diante de escolhas exigentes optamos pelo mal e pelo que divide. Contudo, este n\u00e3o \u00e9 um caminho sem sa\u00edda, pois \u00ab<em>se pelo pecado de um s\u00f3 todos pereceram, com muito mais raz\u00e3o a gra\u00e7a de Deus, dom contido na gra\u00e7a de um s\u00f3 homem, Jesus Cristo, se concedeu com abund\u00e2ncia a todos os homens<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tempo de Quaresma \u00e9 tempo de convers\u00e3o, tempo de transforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, uma oportunidade para voltar a escolher Deus e o Seu amor. Que ao longo deste tempo, a leitura frequente e atenta da Palavra de Deus nos ajude a recentrar a vida, a estabelecer prioridades e a descobrir a verdadeira felicidade, que se experimenta pelo amor recebido e oferecido, pela pr\u00e1tica da miseric\u00f3rdia e do perd\u00e3o.<em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abAbra\u00e7a<em>\u00a0o presente da P\u00e1scoa: \u00e9 Cristo vivo. Agarrado a Ele, viver\u00e1s<\/em>\u00bb: este \u00e9 o tema e o lema que nos acompanhar\u00e1 na caminhada diocesana durante o Tempo da Quaresma e da P\u00e1scoa. Deste modo, ao iniciar este tempo favor\u00e1vel e oportuno para a convers\u00e3o e a renova\u00e7\u00e3o da vida \u00e9 importante apontar quais as ferramentas necess\u00e1rias para viver melhor este tempo. O diret\u00f3rio lit\u00fargico recorda que se deve \u00ab<em>lembrar aos fi\u00e9is que, em uni\u00e3o com a Paix\u00e3o do Senhor e em esp\u00edrito de penit\u00eancia mais vis\u00edvel, nas sextas-feiras da Quaresma se deve escolher uma alimenta\u00e7\u00e3o simples e pobre, que poder\u00e1 concretizar-se na absten\u00e7\u00e3o de carne. Lembrar-lhes tamb\u00e9m a finalidade das Ren\u00fancias Quaresmais deste ano, proposta pelo Bispo da Diocese<\/em>\u00bb. Al\u00e9m disso, deve tamb\u00e9m recordar-se as atitudes fundamentais caracter\u00edsticas deste tempo da Quaresma \u2013 jejum, ora\u00e7\u00e3o e esmola \u2013 que ajudam a promover o esp\u00edrito de verdadeira convers\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percorremos liturgicamente a 1\u00aa parte do Tempo Comum que nos levar\u00e1 at\u00e9 \u00e0 Quaresma. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Gen 2,7-9; 3,1-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO Senhor Deus formou o homem do p\u00f3 da terra, insuflou em suas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto de Gn 2,4b-3,24 \u2013 conhecido como relato jahwista da cria\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9, de acordo com a maioria dos comentadores, um texto do s\u00e9c. X a.C., que deve ter aparecido em Jud\u00e1 na \u00e9poca do rei Salom\u00e3o. Apresenta-se num estilo exuberante, colorido, pitoresco. Parece ser obra de um catequista popular, que ensina recorrendo a imagens sugestivas, coloridas e fortes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos, de forma nenhuma, ver neste texto uma reportagem jornal\u00edstica de acontecimentos passados na aurora da humanidade. A finalidade do autor n\u00e3o \u00e9 cient\u00edfica ou hist\u00f3rica, mas teol\u00f3gica: mais do que ensinar como o mundo e o homem apareceram, ele quer dizer-nos que na origem da vida e do homem est\u00e1 Jahw\u00e9h. Trata-se, portanto, de uma p\u00e1gina de catequese e n\u00e3o de um tratado destinado a explicar cientificamente as origens do mundo e da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para apresentar essa catequese aos homens do s\u00e9c. X a.C., os te\u00f3logos jahwistas utilizaram elementos simb\u00f3licos e liter\u00e1rios das cosmogonias mesopot\u00e2micas (por exemplo, a forma\u00e7\u00e3o do homem \u201cdo p\u00f3 da terra\u201d \u00e9 um elemento que aparece sempre nos mitos de origem mesopot\u00e2micos); no entanto, transformaram e adaptaram os s\u00edmbolos retirados das narra\u00e7\u00f5es lend\u00e1rias de outros povos, dando-lhes um novo enquadramento, uma nova interpreta\u00e7\u00e3o e pondo-os ao servi\u00e7o da catequese e da f\u00e9 de Israel. Ou seja: a linguagem e a apresenta\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria das narra\u00e7\u00f5es b\u00edblicas da cria\u00e7\u00e3o apresentam paralelos significativos com os mitos de origem dos povos da zona do Crescente F\u00e9rtil; mas as conclus\u00f5es teol\u00f3gicas \u2013 sobretudo o ensinamento sobre Deus e sobre o lugar que o homem ocupa no projeto de Deus \u2013 s\u00e3o muito diferentes.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar, na reflex\u00e3o, os seguintes elementos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De onde vimos? Para onde vamos? Porque \u00e9 que estamos aqui? Qual o sentido da nossa vida? S\u00e3o perguntas eternas, que o homem de todos os tempos coloca a si pr\u00f3prio. A Palavra de Deus que hoje nos \u00e9 proposta responde: \u00e9 Deus a nossa origem e o nosso destino \u00faltimo. N\u00e3o somos um min\u00fasculo e insignificante gr\u00e3o de areia perdido numa gal\u00e1xia qualquer; mas somos seres que Deus criou com amor, a quem Ele deu o seu pr\u00f3prio \u201csopro\u201d, a quem animou com a sua pr\u00f3pria vida. O fim \u00faltimo da nossa exist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 o fracasso, a dissolu\u00e7\u00e3o no nada, mas a vida definitiva, a felicidade sem fim, a comunh\u00e3o plena com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 que chegamos a essa felicidade que est\u00e1 inscrita no projeto que Deus tem para os homens e para o mundo? Deus nada imp\u00f5e e respeita sempre \u2013 de forma absoluta \u2013 a nossa liberdade; no entanto, insiste em mostrar-nos, todos os dias, o caminho para essa plenitude de vida que Ele sonhou para os homens. Quando aceitamos a nossa condi\u00e7\u00e3o de criaturas e reconhecemos em Deus esse Pai que nos d\u00e1 vida, que nos ama e que nos indica caminhos de realiza\u00e7\u00e3o e de felicidade, constru\u00edmos uma exist\u00eancia harmoniosa, um \u201cpara\u00edso\u201d onde encontramos vida, harmonia, felicidade e realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o mal que vemos, todos os dias, tornar sombria e deprimente essa \u201ccasa\u201d que \u00e9 o mundo: vem de Deus ou do homem? A Palavra de Deus responde: o mal nunca vem de Deus; o mal resulta das nossas escolhas erradas, do nosso orgulho, do nosso ego\u00edsmo e autossufici\u00eancia. Quando o homem escolhe viver orgulhosamente s\u00f3, ignorando as propostas de Deus e prescindindo do amor, constr\u00f3i cidades de ego\u00edsmo, de injusti\u00e7a, de prepot\u00eancia, de sofrimento, de pecado\u2026 Quais os caminhos que eu escolho? As propostas de Deus fazem sentido e s\u00e3o, para mim, indica\u00e7\u00f5es seguras para a felicidade, ou prefiro ser eu pr\u00f3prio a fazer as minhas escolhas, prescindindo das indica\u00e7\u00f5es de Deus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a050 (51)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> Pec\u00e1mos, Senhor: tende compaix\u00e3o de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Rom 5,12-19<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abComo pela desobedi\u00eancia de um s\u00f3 homem, todos se tornaram pecadores, assim tamb\u00e9m, pela obedi\u00eancia de um s\u00f3, todos se tornar\u00e3o justos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final da d\u00e9cada de 50 (a Carta aos Romanos apareceu por volta de 57\/58), multiplicavam-se as \u201ccrises\u201d entre os crist\u00e3os oriundos do mundo judaico e os crist\u00e3os oriundos do mundo pag\u00e3o. Uns e outros tinham perspetivas diferentes da salva\u00e7\u00e3o e da forma de viver o compromisso com Jesus Cristo e com o seu Evangelho. Os crist\u00e3os de origem judaica consideravam que, al\u00e9m da f\u00e9 em Jesus Cristo, era necess\u00e1rio cumprir as obras da Lei (nomeadamente a pr\u00e1tica da circuncis\u00e3o) para ter acesso \u00e0 salva\u00e7\u00e3o; mas os crist\u00e3os de origem pag\u00e3 recusavam-se a aceitar a obrigatoriedade das pr\u00e1ticas judaicas. Era uma quest\u00e3o \u201cquente\u201d, que amea\u00e7ava a unidade da Igreja. Este problema tamb\u00e9m era sentido pela comunidade crist\u00e3 de Roma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste cen\u00e1rio, Paulo vai mostrar a todos os crentes (a Carta aos Romanos, mais do que uma carta para a comunidade crist\u00e3 de Roma, \u00e9 uma carta para as comunidades crist\u00e3s, em geral) a unidade da revela\u00e7\u00e3o e da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: judeus e n\u00e3o judeus s\u00e3o, de igual forma, chamados por Deus \u00e0 salva\u00e7\u00e3o; o essencial n\u00e3o \u00e9 cumprir a Lei de Mois\u00e9s \u2013 que nunca assegurou a ningu\u00e9m a salva\u00e7\u00e3o; o essencial \u00e9 acolher a oferta de salva\u00e7\u00e3o que Deus faz a todos, por Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto faz parte da primeira parte da Carta aos Romanos (cf. Rom 11,18-11,36). Depois de demonstrar que todos (judeus e n\u00e3o judeus) vivem mergulhados no pecado (cf. Rom 1,18-3,20) e que \u00e9 a justi\u00e7a de Deus que a todos salva, sem distin\u00e7\u00e3o (cf. Rom 3,21-5,11), Paulo ensina que \u00e9 atrav\u00e9s de Jesus Cristo que a vida de Deus chega aos homens e que se faz oferta de salva\u00e7\u00e3o para todos (cf. Rom 5,12-8,39<strong><em>).<\/em><\/strong><strong><em> in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar os seguintes desenvolvimentos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A modernidade ensinou-nos que a fonte da salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 Deus, mas o homem e as suas conquistas. Disse-nos que as propostas de Deus s\u00e3o resqu\u00edcios de uma \u00e9poca pr\u00e9-cient\u00edfica, obscurantista, ultrapassada, e que a plenitude da vida est\u00e1 no corte radical com qualquer autoridade exterior \u00e0 nossa Raz\u00e3o \u2013 inclusive com Deus. Exaltou o individualismo e a autossufici\u00eancia e ensinou-nos que s\u00f3 nos realizaremos totalmente se formos n\u00f3s \u2013 orgulhosamente s\u00f3s \u2013 a definir o nosso caminho e o nosso destino. No entanto, onde nos leva esta cultura que prescinde de Deus e das suas sugest\u00f5es? A cultura moderna tem feito surgir um homem mais feliz, ou tem potenciado o aparecimento de homens perdidos e sem refer\u00eancias, que muitas vezes apostam tudo em propostas falsas de salva\u00e7\u00e3o e que saem dessa experi\u00eancia de busca mais fragilizados, mais dependentes, mais alienados?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns acontecimentos que marcam a hist\u00f3ria do nosso tempo confirmam que uma hist\u00f3ria constru\u00edda \u00e0 margem das propostas de Deus \u00e9 uma hist\u00f3ria marcada pelo ego\u00edsmo, pela injusti\u00e7a, pela prepot\u00eancia e, portanto, \u00e9 uma hist\u00f3ria de sofrimento e de morte. Quando o homem deixa de dar ouvidos a Deus, d\u00e1 ouvidos ao lucro f\u00e1cil, destr\u00f3i a natureza, explora os outros homens, torna-se injusto e prepotente, sacrifica em proveito pr\u00f3prio a vida dos seus irm\u00e3os\u2026 Qual \u00e9 o nosso papel de crentes, neste processo? O que podemos fazer para que Deus volte a estar no centro da hist\u00f3ria e a as suas propostas sejam acolhidas? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 4,1-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abJesus foi conduzido pelo Esp\u00edrito ao deserto, a fim de ser tentado pelo Diabo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSe \u00e9s Filho de Deus, diz a estas pedras que se transformem em p\u00e3es\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEnt\u00e3o o Diabo deixou-O, e aproximaram-se os Anjos e serviram-n\u2019O\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena das tenta\u00e7\u00f5es antecede, em Mateus (e nos outros Sin\u00f3pticos), a vida p\u00fablica de Jesus. A cena segue-se imediatamente \u2013 quer em termos cronol\u00f3gicos, quer em termos l\u00f3gicos \u2013 ao Batismo (cf. Mt 3,13-17): porque recebeu o Esp\u00edrito (batismo), Jesus pode afrontar e vencer a tenta\u00e7\u00e3o de uma proposta de atua\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica que o convida a subverter a proposta do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena coloca-nos no deserto. Mateus diz explicitamente que \u201cJesus foi conduzido pelo Esp\u00edrito ao deserto, a fim de ser tentado pelo dem\u00f3nio\u201d. Os quarenta dias e quarenta noites que, de acordo com o relato, Jesus a\u00ed passou, resumem os quarenta anos que Israel passou em caminhada pelo deserto. O deserto \u00e9, no imagin\u00e1rio judaico, o lugar da \u201cprova\u201d, onde os israelitas experimentaram, por diversas vezes, a tenta\u00e7\u00e3o do abandono de Jahw\u00e9h e do seu projeto de liberta\u00e7\u00e3o (embora seja, tamb\u00e9m, o lugar do encontro com Deus, o lugar da descoberta do rosto de Deus, o lugar onde o Povo fez a experi\u00eancia da sua fragilidade e pequenez e aprendeu a confiar na bondade e no amor de Deus). Ser\u00e1 que a hist\u00f3ria se vai repetir, que Jesus vai ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o e dizer \u201cn\u00e3o\u201d ao projeto de Deus \u2013 como aconteceu com os israelitas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato que hoje nos \u00e9 proposto n\u00e3o \u00e9, contudo, uma reportagem hist\u00f3rica elaborada por um jornalista que presenciou um combate teol\u00f3gico entre Jesus e o diabo, algures no deserto\u2026 \u00c9, sim, uma p\u00e1gina de catequese, cujo objetivo \u00e9 ensinar-nos que Jesus, apesar de ter sentido \u2013 como n\u00f3s \u2013 a mordedura das tenta\u00e7\u00f5es, soube p\u00f4r acima de tudo o projeto do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato de Mateus (bem como o de Lucas) parte, sem d\u00favida, do relato \u2013 muito mais breve \u2013 de Marcos (cf. Mc 1,12-13); mas o texto que hoje nos \u00e9 proposto amplia o relato original de Marcos, com um di\u00e1logo entre Jesus e o diabo, feito de cita\u00e7\u00f5es do Antigo Testamento (sobretudo do livro do Deuteron\u00f3mio). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o e a partilha poder\u00e3o ter em conta os seguintes dado<\/strong>s:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o essencial que a Palavra de Deus hoje nos prop\u00f5e \u00e9, portanto, esta: Jesus recusou, de forma absoluta, conduzir a sua vida \u00e0 margem de Deus e das suas propostas. Para Ele, s\u00f3 uma coisa \u00e9 verdadeiramente decisiva e fundamental: a comunh\u00e3o com o Pai e o cumprimento obediente do seu projeto\u2026 E n\u00f3s, seguidores de Jesus? \u00c9 essa tamb\u00e9m a nossa perspetiva? O que \u00e9 que \u00e9 decisivo na minha vida: as propostas de Deus, ou os meus projetos pessoais?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o homem esquece Deus e as suas propostas, e se fecha no ego\u00edsmo e na autossufici\u00eancia, facilmente cai na escravid\u00e3o de outros deuses que, no entanto, est\u00e3o longe de assegurar vida plena e felicidade duradoura. Quais s\u00e3o os deuses que, hoje, dominam o horizonte desse homem moderno que prescindiu de Deus? Quais s\u00e3o os deuses que est\u00e3o no centro da minha pr\u00f3pria vida e que condicionam as minhas decis\u00f5es e op\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixar-se conduzir pela tenta\u00e7\u00e3o dos bens materiais, do acumular mais e mais, do subordinar toda a vida \u00e0 l\u00f3gica do \u201cter mais\u201d, \u00e9 seguir o caminho de Jesus? Olhar apenas para o seu pr\u00f3prio conforto e comodidade, fechar-se \u00e0 partilha e \u00e0s necessidades dos outros, pagar sal\u00e1rios de mis\u00e9ria e malbaratar fortunas em noitadas de jogo ou em coisas sup\u00e9rfluas\u2026 \u00e9 seguir o exemplo de Jesus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Usar Deus ou os seus dons para saciar a nossa vaidade, para promover o nosso \u00eaxito pessoal, para brilhar, para dar espet\u00e1culo, para levar os outros a admirar-nos e a bater-nos palmas\u2026 \u00e9 seguir o exemplo de Jesus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Procurar o poder a todo o custo (\u00e0s vezes, entregando ao diabo os nossos valores mais importantes e as nossas convic\u00e7\u00f5es mais sagradas) e exerc\u00ea-lo com prepot\u00eancia, com intoler\u00e2ncia, com autoritarismo (quantas vezes humilhando e magoando os pobres, os d\u00e9beis, os humildes) \u2026 \u00e9 seguir o exemplo de Jesus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/strong>Na prepara\u00e7\u00e3o da <strong>primeira leitura<\/strong> deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o a presen\u00e7a do discurso direto com frases interrogativas. A leitura de uma frase interrogativa deve fazer-se acentuando a part\u00edcula interrogativa ou o verbo presente na frase e n\u00e3o acentuando apenas o final da frase.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura,<\/strong> tal como j\u00e1 nos habituamos no epistol\u00e1rio paulino, devido \u00e0s frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es, requer uma acurada prepara\u00e7\u00e3o na articula\u00e7\u00e3o do texto, assinalando as pausas e respira\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/02\/29\/no-deserto-a-ceu-aberto-5\/\"><strong>NO DESERTO A C\u00c9U\u00a0ABERTO<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 secundariamente a Quaresma \u00abprepara\u00bb para a Ressur\u00adrei\u00e7\u00e3o do Senhor. Na verdade, todos os \u00abTempos\u00bb e todos os Domingos do Ano Lit\u00fargico, portanto, tamb\u00e9m a Quaresma e os seus Domingos, est\u00e3o\u00a0<em>depois<\/em>\u00a0da Ressurrei\u00e7\u00e3o e\u00a0<em>por causa<\/em>\u00a0da Ressurrei\u00e7\u00e3o. E \u00e9 s\u00f3 sob a intensa luz do Senhor Ressusci\u00adtado com o Esp\u00edrito Santo (Batismo consumado: Lucas 12,49\u201150) que a Igreja \u2013 e cada um de n\u00f3s \u2013 pode celebrar autenti\u00adcamente a sua f\u00e9, proceder \u00e0 correta \u00ableitura\u00bb das Escri\u00adturas e encetar a \u00abcaminhada\u00bb quaresmal. Neste sentido, todos os batizados s\u00e3o chamados a refazer com Cristo bati\u00adzado o seu programa batismal, cujo conte\u00fado e itiner\u00e1rio conhecemos: desde o Batismo no Jord\u00e3o, passando pela Trans\u00adfigura\u00e7\u00e3o \/ Confirma\u00e7\u00e3o no Tabor, at\u00e9 \u00e0 Cruz e \u00e0 Gl\u00f3ria da Ressurrei\u00e7\u00e3o (Batismo consumado!), escutando \/ anunciando sempre e cada vez mais intensamente o Evangelho do Reino e fazendo sempre e cada vez mais intensamente as \u00abobras\u00bb do Reino (Atos dos Ap\u00f3stolos 10,37-43: texto emblem\u00e1tico); os catec\u00famenos, acompanhados sempre pela Assembleia dos batizados, \u00abpre\u00adparam\u2011se\u00bb intensamente para a Noite Pascal Batismal, in\u00edcio e meta da vida crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja Santa, toda Batizada e Crismada, sabe bem que \u00e9 dali, daquela Cruz Santa e Gloriosa, e da enxurrada de Vida Nova, Ressuscitada, da d\u00e1diva do Esp\u00edrito que dela jorra, que nos \u00e9 oferecida a \u00abconsuma\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>tele\u00ed\u00f4sis<\/em>) (cf. Jo\u00e3o 19,28-30), o cumprimento, a chegada \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o da nossa vida, deste segmento de tempo que, por gra\u00e7a, nos \u00e9 dado viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste Domingo I da Quaresma oferece-nos o epis\u00f3dio das Tenta\u00e7\u00f5es de Jesus (Mateus 4,1-11). Batizado com o Esp\u00edrito Santo, e declarado por Deus publicamente: \u00abEste \u00e9 o Filho meu, o Amado, em quem me comprazo\u00bb (Mateus 3,16). Note-se bem que, em Mateus, o dizer do Pai \u00e9 para n\u00f3s, pois fala em 3.\u00aa pessoa: \u00ab<em>Este \u00e9<\/em>\u00a0o Filho meu, o Amado, em quem me comprazo\u00bb. De modo diferente, em Marcos e em Lucas, o dizer do Pai \u00e9 para Jesus, pois fala em 2.\u00aa pessoa: \u00ab<em>Tu \u00e9s<\/em>\u00a0o Filho meu, o Amado, em ti me comprazo\u00bb (Marcos 1,11; Lucas 3,22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus \u00e9 conduzido pelo Esp\u00edrito Santo para o deserto (Mateus 4,1). Note-se bem que este \u00abdeserto\u00bb b\u00edblico n\u00e3o se ajusta ao que dizem os dicion\u00e1rios ou enciclop\u00e9dias. At\u00e9 contradiz esses dizeres. Na verdade, n\u00e3o \u00e9 um lugar geogr\u00e1fico, mas teol\u00f3gico, pois \u00e9 apresentado com muita \u00e1gua (Jo\u00e3o 3,23) cumprindo Isa\u00edas 35,6-7, 41,18 e 43,19-20, com \u00e1rvores (canas) (Mateus 11,7; Lucas 7,24) e relva verde (Marcos 6,39) cumprindo Isa\u00edas 35,1 e 7 e 41,19. \u00c9 um lugar provis\u00f3rio e preliminar, preambular, longe do que \u00e9 nosso, onde se est\u00e1 \u00aba c\u00e9u aberto\u00bb com Deus, onde troar\u00e1 a voz do seu mensageiro (Isa\u00edas 40,3), de Jo\u00e3o Batista (Mateus 3,1-3), do pr\u00f3prio Messias segundo uma tradi\u00e7\u00e3o judaica recolhida em Mateus 24,26. O deserto \u00e9 o lugar onde se pode come\u00e7ar a ver a \u00abobra\u00bb nova de Deus (Isa\u00edas 43,19). Mas \u00e9 um lugar provis\u00f3rio, onde estamos de passagem, e n\u00e3o definitivo, para se habitar l\u00e1 (\u00e0 maneira dos Ess\u00e9nios). Sendo um lugar provis\u00f3rio e de passagem, aponta para o definitivo, que \u00e9 a Terra Prometida, onde Deus far\u00e1 habitar e descansar o seu povo fiel. Este deserto \u00e9 uma met\u00e1fora da nossa vida, onde sabemos que estamos de passagem. O deserto \u00e9 todo igual: n\u00e3o tem pontos de refer\u00eancia nem marcos de sinaliza\u00e7\u00e3o. Quer dizer que s\u00f3 podemos prosseguir rumo \u00e0 Terra Prometida e \u00e0 Vida verdadeira, se tivermos um bom guia. A\u00ed est\u00e1 o deserto como lugar onde temos de saber escutar a \u00abVoz do fino sil\u00eancio\u00bb de Deus e ler o mapa da sua Palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por 40 dias e 40 noites Jesus jejuou (Mateus 4,2). 40 \u00e9 simbolicamente o tempo de uma gera\u00e7\u00e3o, de uma vida. Jesus jejuou, portanto, a vida toda. Modelo para n\u00f3s. E o que \u00e9 que significa jejuar? Jejuar \u00e9 fazer pausa e p\u00f4r bemol na nossa maneira habitual de viver, at\u00e9 compreender que tudo o que est\u00e1 na minha mesa, m\u00e3os, p\u00e9s, intelig\u00eancia, entranhas, cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 dom de Deus, n\u00e3o apenas para mim, mas para n\u00f3s, todos filhos de Deus e, portanto, todos irm\u00e3os. A alegria da partilha. Os dons s\u00e3o para partilhar, n\u00e3o para usurpar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 assim que as tenta\u00e7\u00f5es diab\u00f3licas pretendem atingir Jesus na sua condi\u00e7\u00e3o filial batismal, separando-o de Deus e dos irm\u00e3os, n\u00e3o fosse o diabo,\u00a0<em>di\u00e1-bolos<\/em>, o m\u00e1ximo \u00abdivisor\u00bb ou \u00abseparador\u00bb comum. \u00c9, portanto, na sua\u00a0<em>condi\u00e7\u00e3o de batizado<\/em>, isto \u00e9, de\u00a0<em>Filho de Deus<\/em>, que Jesus \u00e9 tentado. Na verdade, toda a tenta\u00e7\u00e3o, a de Jesus Cristo como a nossa, come\u00e7a sempre da mesma maneira: \u00abSe \u00e9s o Filho de Deus\u2026\u00bb. Atente-se em como se repete nos mesmos termos sob a Cruz (Mateus 27,39-44), tamb\u00e9m por tr\u00eas vezes, em tr\u00eas vagas, sendo aqui os tentadores os transeuntes, os chefes dos sacerdotes e os ladr\u00f5es. Portanto, sempre. Do Batismo at\u00e9 \u00e0 Morte, a tenta\u00e7\u00e3o visa afastar-nos de Deus e dos seus dons, e p\u00f4r-nos ao servi\u00e7o do \u00abdeus deste mundo\u00bb (2 Cor\u00edntios 4,4; cf. Jo\u00e3o 12,31). Veja-se a \u00faltima oferta do Tentador do Evangelho de hoje: \u00abtodos os reinos deste mundo\u00bb em troca do afastamento de Deus (Mateus 4,8-9). E a resposta decidida de Jesus: \u00abVai-te, Satan\u00e1s!\u00bb (Mateus 4,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leem-se tamb\u00e9m hoje dois bocadinhos do Livro do G\u00e9nesis 2,7-9 e 3,1-7. O homem de todos os tempos e de todos os lugares, n\u00f3s tamb\u00e9m, modelado pelas m\u00e3os puras de Deus e acariciado com um \u00abbeijo de Deus\u00bb \u2013 \u00e9 assim que os rabinos interpretam aquele sopro de Deus no rosto do homem (G\u00e9nesis 2,7) \u2013, cedeu \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o, afastando-se do Bom Deus Criador e aderindo aos \u00abdeuses deste mundo\u00bb, aqui simbolizados na cobra, animal que anda rente ou por dentro da terra, a grande deusa-m\u00e3e, comungando da sua vitalidade, e tornando-se, por isso, em s\u00edmbolo do culto da fertilidade, fecundidade e vitalidade em todo o M\u00e9dio Oriente Antigo e ainda hoje no nosso mundo: vejam-se os pain\u00e9is que assinalam as portas das farm\u00e1cias, ostentando uma cobra enrolada numa \u00e1rvore verde! Est\u00e1 diante de n\u00f3s o orgulho do homem de todos os tempos, que n\u00e3o quer ser dependente e contingente, que \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o da criatura boa que se recebe sempre do Deus Criador, mas quer ser aut\u00f3nomo e independente, senhor tir\u00e2nico e prepotente, como os deuses dos mitos mesopot\u00e2micos ou gregos. Admir\u00e1vel contraponto do Evangelho de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No grande texto da Carta aos Romanos 5,12-19, S. Paulo repete que somos pecadores, pois todos nos podemos ver em Ad\u00e3o como em um espelho. Mas agora, insiste Paulo, \u00e9 tempo de vermos a nossa vida \u00e0 luz de Cristo, com Cristo, em Cristo, para Cristo. Fixamente, para n\u00e3o nos perdermos no caminho filial, fraternal, batismal. Onde abundou o pecado, superabundou a gra\u00e7a. \u00c9 esta a Sabedoria que Paulo nos transmite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cantamos hoje o Salmo 51, a s\u00faplica penitencial por excel\u00eancia, que constitui a ossatura espiritual de Agostinho, de Charles de Foucauld, de Joana D\u2019Arc, que inspirou a pena de muit\u00edssimos Padres da Igreja, e ecoa na m\u00fasica de Bach, Lulli, Donizetti, Honegger\u2026 Hoje \u00e9 a nossa vez de nos sentarmos um pouco a trautear a m\u00fasica que nos atravessa e nos p\u00f5e de p\u00e9. Est\u00e1 aqui a letra e a m\u00fasica do homem, de qualquer homem, de qualquer tempo, seja ele quem for, de que ra\u00e7a for, de que religi\u00e3o for. Deixo aqui, a fechar, as palavras alt\u00edssimas da grande m\u00edstica mu\u00e7ulmana do s\u00e9culo VIII, Rabi\u02bda, de seu nome: \u00abUm homem disse a Rabi\u02bda: \u201cCometi muitos pecados e muitas transgress\u00f5es; se me arrepender, Deus perdoar-me-\u00e1?\u201d. Disse Rabi\u02bda: \u201cN\u00e3o. Tu arrepender-te-\u00e1s, se Ele te perdoar\u201d\u00bb (<em>I detti di Rabi\u02bda<\/em>, XII, 2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao entrarmos no tempo santo da Quaresma,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devemos ter a coragem de atravessar a poeira dos caminhos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Intransitivos do nosso cora\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto \u00e9, de limpar as mentiras, \u00f3dios, raivas, viol\u00eancias, banalidades,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que tantas vezes preenchem os nossos dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Quaresma \u00e9 tempo de nos expormos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao vendaval criador e purificador do Esp\u00edrito,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem termos a pretens\u00e3o de o querer transformar em ar condicionado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toma em tuas m\u00e3os, Senhor,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa terra ardida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Beija-a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sopra nela outra vez o teu alento,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tua aragem,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E veremos nela outra vez impressa a tua imagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tu sabes bem, Senhor, que somos fr\u00e1geis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas contigo por perto,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seremos fortes e \u00e1geis,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Capazes de abrir estradas no deserto,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A c\u00e9u aberto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Leitura-I-Domingo-I-da-Quaresma-Ano-A-26.02.2023-Gen-2-7-93-1-7.pdf\">Leitura I &#8211; Domingo I da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 26.02.2023 (Gen 2, 7-9;3, 1-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Leitura-I-Domingo-I-da-Quaresma-continuacao.pdf\">Leitura I &#8211; Domingo I da Quaresma (continua\u00e7\u00e3o)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Leitura-II-Domingo-I-da-Quaresma-Ano-A-26.02.2023-Rom-512.17-19.pdf\">Leitura II &#8211; Domingo I da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 26.02.2023 (Rom 5,12.17-19)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Leitura-II-Domingo-I-da-Quaresma-continuacao.pdf\">Leitura II &#8211; Domingo I da Quaresma (continua\u00e7\u00e3o)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Domingo-I-da-Quaresma-Ano-A-Lecionario.pdf\">Domingo I da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Domingo-I-da-Quaresma-Ano-A-Oracao-Universal.pdf\">Domingo I da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo VII do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 19.02.2023&#8243; tab_id=&#8221;1677515317674-e2bc069d-ce56&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo VII do Tempo Comum &#8211; Ano A \u2013 19.02.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><sup>43<\/sup><\/strong><strong>\u00abOuvistes o que foi dito:\u00a0<em>Amar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo e odiar\u00e1s o teu inimigo.<\/em>\u00a0<sup>44<\/sup>Eu, por\u00e9m, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.\u00a0Mt 5, 43-44\u00a0 \u2026..<\/strong><strong> \u00a0<sup>48<\/sup>Portanto, sede perfeitos como \u00e9 perfeito o vosso Pai celeste.\u00bb Mt 5, 48<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Domingo-VII.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se caminha sem uma meta, qualquer caminho serve e se n\u00e3o sabemos para onde ir, podemos tomar qualquer rumo, mas apenas andaremos a divagar na aus\u00eancia de sentido, na busca de novas experi\u00eancias e na procura insatisfeita de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade. Zigmut Bauman, reconhecido soci\u00f3logo polaco, que apresenta uma interessante an\u00e1lise e interpreta\u00e7\u00e3o do mundo em que vivemos, afirma que a nossa exist\u00eancia se pode inscrever sobre dois paradigmas: o turista ou o peregrino. O homem e a mulher contempor\u00e2neos, segundo ele, vivem muito mais a experi\u00eancia do turista, na procura insatisfeita de tantos lugares a conhecer e explorar. Se a insatisfa\u00e7\u00e3o, por um lado, oferece um est\u00edmulo a colocar-se a caminho, por outro lado, ela pode desembocar num caminho de frustra\u00e7\u00e3o e ang\u00fastia, porque somos incapazes de encontrar o nosso lugar e o nosso caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Liturgia da Palavra deste Domingo recorda-nos que como crist\u00e3os n\u00e3o caminhamos sem rumo, nem privados de uma meta a alcan\u00e7ar. Somos chamados \u00e0 felicidade verdadeira que tem como nome a santidade: \u00ab<em>sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo<\/em>\u00bb. S\u00f3 Deus \u00e9 santo, porque s\u00f3 Ele \u00e9 perfeito no amor, mas na sua infinita miseric\u00f3rdia chama-nos a viver a comunh\u00e3o com Ele, para que possamos saborear a alegria da santidade, a felicidade verdadeira que nasce do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ungidos pelo amor de Deus revelado em Jesus Cristo e derramado sobre n\u00f3s pela for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, somos chamados a percorrer com ousadia e perseveran\u00e7a a estrada da santidade e se vivemos como peregrinos rumo \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o n\u00e3o nos serve qualquer caminho. Assim, como qualquer sistema de navega\u00e7\u00e3o GPS configura a sua rota atrav\u00e9s de um ponto de partida e um ponto de chegada, tamb\u00e9m n\u00f3s deveremos configurar a nossa vida caminhando entre aquilo que somos e o que o Senhor nos chama a ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como cantamos no salmo deste Domingo, \u00ab<em>o Senhor \u00e9 clemente e cheio de compaix\u00e3o<\/em>\u00bb. O Senhor conhece a nossa fragilidade e o nosso pecado, mas o seu nome \u00e9 amor e miseric\u00f3rdia e, por isso, desafia-nos a ser mais e melhor a partir do Seu amor. N\u00e3o caminhamos sozinhos a aventura da f\u00e9 e a estrada da santidade n\u00e3o se constr\u00f3i apenas confiados \u00e0s nossas for\u00e7as e capacidades. Como nos recorda S. Paulo, somos habitados pelo Esp\u00edrito Santo que faz de n\u00f3s verdadeiros templos e que nos assinala como perten\u00e7a de Deus, em Jesus Cristo: \u00ab<em>tudo \u00e9 vosso; mas v\u00f3s sois de Cristo, e Cristo \u00e9 de Deus<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, este caminho s\u00f3 ser\u00e1 verdadeiramente crist\u00e3o quando inscrevermos a nossa exist\u00eancia na radicalidade que Jesus nos prop\u00f5e. As palavras de Jesus no Evangelho marcam uma ruptura com a nossa l\u00f3gica humana de ego\u00edsmo e viol\u00eancia e abrem-nos \u00e0 nova l\u00f3gica do Reino: \u00ab<em>ouvistes que foi dito aos antigos\u2026 Eu, por\u00e9m, digo-vos<\/em>\u00bb. A radicalidade da proposta de Jesus aponta a medida alta da santidade como tarefa inacabada, como caminho din\u00e2mico de crescimento e progresso. Neste itiner\u00e1rio, Deus n\u00e3o \u00e9 um espectador que se limita a ver o nosso desempenho, mas precede-nos no caminho, espera-nos na meta e acompanha-nos na jornada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus aponta a radicalidade que deve ser marca caracter\u00edstica da nossa vida crist\u00e3. N\u00e3o basta uma justi\u00e7a retributiva como a lei de tali\u00e3o, nem apenas n\u00e3o fazer o mal. \u00c9 necess\u00e1rio responder ao mal e \u00e0 viol\u00eancia com o amor que pode transformar o mundo e inaugurar uma etapa nova na espiral de viol\u00eancia e ego\u00edsmo onde tantas vezes se inscreve a exist\u00eancia humana. Amar os inimigos, fazer bem a quem nos faz mal, ser um rosto do amor e da miseric\u00f3rdia onde ela n\u00e3o existe e, por isso, \u00e9 mais necess\u00e1ria, \u00e9 o \u00fanico caminho para sermos verdadeiramente filhos de Deus e viver com alegria e entusiasmo o convite \u00e0 santidade. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>No dia 22 de fevereiro, com a celebra\u00e7\u00e3o da Quarta-Feira de Cinzas tem in\u00edcio o Tempo da Quaresma. Na nossa diocese, caminharemos com o tema: \u00ab<em>Abra\u00e7a o presente da P\u00e1scoa: \u00e9 Cristo vivo. Agarrado a Ele, viver\u00e1s.<\/em>\u00bb. Tal como afirma a introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 caminhada quaresmal diocesana: \u00ab<em>Pretende-se que esta proposta seja sobretudo mais um est\u00edmulo em ordem a fazer da reta final da prepara\u00e7\u00e3o e da celebra\u00e7\u00e3o da JMJ 2023 uma extraordin\u00e1ria oportunidade para o envolvimento e rejuvenescimento de toda a comunidade diocesana ousando novas propostas e respostas criativas \u00e0s necessidades pastorais emergentes<\/em>\u00bb. As diversas propostas desta caminhada diocesana n\u00e3o devem ficar reduzidas ao contexto da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, mas ajudar os fi\u00e9is a redescobrir em Cristo Crucificado e Ressuscitado o nosso Presente pascal: Cristo vivo. Cada comunidade crist\u00e3 dever\u00e1 encontrar o modo de envolver todos os batizados nesta caminhada, criando dinamismos que n\u00e3o reduzam esta proposta ao\u00a0<em>ad intra<\/em>\u00a0da comunidade, mas que possa ser capaz de chegar aos que est\u00e3o mais longe, ajudando-os a reavivar e a renovar a beleza do seu batismo e do seu compromisso crist\u00e3o. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percorremos liturgicamente a 1\u00aa parte do Tempo Comum que nos levar\u00e1 at\u00e9 \u00e0 Quaresma. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Lev 19,1-2.17-18<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro do Lev\u00edtico (assim chamado porque trata de quest\u00f5es preferencialmente relacionadas com o culto, que era incumb\u00eancia dos sacerdotes, considerados membros da tribo de Levi) apresenta-se como um discurso de Jahw\u00e9h, no qual este explica ao seu Povo o que deve fazer para viver sempre em comunh\u00e3o com Deus. Apresenta um conjunto de leis, de preceitos, de ritos, quase sempre relacionados com o culto, que o Povo deve praticar, para viver como Povo de Deus. Fundamentalmente, o Lev\u00edtico preocupa-se em instilar na consci\u00eancia dos fi\u00e9is que a comunh\u00e3o com o Deus vivo \u00e9 a verdadeira voca\u00e7\u00e3o do homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto pertence \u00e0 quarta parte do Livro do Lev\u00edtico (cf. Lv 17-26), conhecida como &#8220;lei da santidade&#8221;. O nome prov\u00e9m do refr\u00e3o insistentemente repetido: &#8220;sede santos porque Eu, o vosso Deus, sou santo&#8221; (Lv 19,2; 20,7; 21,8; 22,16&#8230;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na teologia de Israel, Jahw\u00e9h \u00e9 o Deus &#8220;santo&#8221;, quer dizer, transcendente, incompar\u00e1vel, inef\u00e1vel, inating\u00edvel, perfeito. Este Deus santo elegeu Israel, chamou-o, distinguiu-o entre todos os povos da terra, fez alian\u00e7a com Ele. Introduzido na comunh\u00e3o com Deus, Israel participa da santidade de Deus. \u00c9, portanto, um Povo \u00e0 parte, separado dos outros, cuja voca\u00e7\u00e3o consiste na comunh\u00e3o com o Deus santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta &#8220;elei\u00e7\u00e3o&#8221; conduz, necessariamente, \u00e0 exig\u00eancia de santidade: o Povo tem de viver de acordo com determinadas regras para manter esta comunh\u00e3o de vida com Deus. Da\u00ed que o Lev\u00edtico apresente as leis que devem orientar a vida do Povo, a fim de que ele possa manter-se na \u00f3rbita do Deus santo e testemunhar a santidade de Deus no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste &#8220;c\u00f3digo da santidade&#8221;, encontramos os temas mais diversos. Uma parte significativa das leis aqui propostas dizem respeito \u00e0 vida cultual (cf. Lv 17-18; 21-22); mas outras dizem respeito \u00e0 vida social (cf. Lv 19). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para refletir:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Sede santos porque Eu, o vosso Deus, sou santo&#8221;. Porque \u00e9 que o convite \u00e0 santidade soa como algo de estranho para os homens de hoje? Porque uma certa mentalidade contempor\u00e2nea v\u00ea os santos como extraterrestres, seres estranhos que pairam um pouco acima das nuvens sem se misturar com os outros seus irm\u00e3os e que passam ao lado dos prazeres da vida, ocupados em conquistar o c\u00e9u a golpes de ren\u00fancia, de sacrif\u00edcio e de longos trabalhos asc\u00e9ticos&#8230; No entanto, a santidade n\u00e3o \u00e9 uma anormalidade, mas uma exig\u00eancia da comunh\u00e3o com Deus. \u00c9 o &#8220;estado normal&#8221; de quem se identifica com Cristo, assume a sua filia\u00e7\u00e3o divina e pretende caminhar ao encontro da vida plena, do Homem Novo. A santidade \u00e9 algo que est\u00e1 no meu horizonte di\u00e1rio e que eu procuro construir, minuto a minuto, sem dramas nem exalta\u00e7\u00f5es, com simplicidade e naturalidade, na fidelidade aos meus compromissos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como o nosso texto deixa claro, ser santo n\u00e3o significa viver de olhos voltados para Deus esquecendo os homens; mas a santidade implica um real compromisso com o mundo. Passa pela constru\u00e7\u00e3o de uma vida de verdadeira rela\u00e7\u00e3o com os irm\u00e3os; e isso implica o banimento de qualquer tipo de agressividade, de vingan\u00e7a, de rancor; implica uma preocupa\u00e7\u00e3o real com a felicidade e a realiza\u00e7\u00e3o do outro (&#8220;corrigir\u00e1s o teu pr\u00f3ximo&#8221;); implica amar o outro como a si mesmo. Tenho consci\u00eancia de que n\u00e3o posso ser santo se o amor n\u00e3o se derramar dos meus gestos e das minhas palavras? Tenho consci\u00eancia de que n\u00e3o posso ser santo se vivo fechado em mim mesmo, na indiferen\u00e7a para com os meus irm\u00e3os (ainda que reze muito)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que a santidade n\u00e3o seja uma miragem, temos de ter o cuidado de viver num cont\u00ednuo processo de convers\u00e3o, que elimine do nosso cora\u00e7\u00e3o as ra\u00edzes do mal, respons\u00e1veis pelo ego\u00edsmo, pelo \u00f3dio, pela injusti\u00e7a, pela explora\u00e7\u00e3o. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a0102 (103)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> O Senhor \u00e9 clemente e cheio de compaix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Cor 3,16-23<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abTudo \u00e9 vosso; mas v\u00f3s sois de Cristo, e Cristo \u00e9 de Deus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no contexto da comunidade crist\u00e3 de Corinto. Depois de apresentar a &#8220;sabedoria de Deus&#8221;, revelada em Jesus Cristo (sobretudo atrav\u00e9s da &#8220;loucura da cruz&#8221;) e oferecida aos homens (cf. 1 Cor 1,18-2,16), Paulo constata que os cor\u00edntios ainda n\u00e3o acolheram essa sabedoria: mant\u00eam-se na dimens\u00e3o do homem carnal (isto \u00e9, do homem fraco, limitado, pecador, escravo das suas paix\u00f5es e apetites), imaturos na f\u00e9; cultivam as divis\u00f5es e os conflitos, em flagrante contradi\u00e7\u00e3o com o que Jesus lhes ensinou; correm atr\u00e1s de mestres humanos como se eles tivessem a chave da felicidade e da realiza\u00e7\u00e3o plena, esquecendo que, por detr\u00e1s de Paulo ou de Apolo, est\u00e1 Deus (cf. 1 Cor 3,1-15). Ao viverem, ainda, de acordo com a &#8220;sabedoria do mundo&#8221;, os cor\u00edntios est\u00e3o a ser infi\u00e9is \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o: n\u00e3o d\u00e3o testemunho de Deus e n\u00e3o o tornam presente no mundo. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para refletir:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os crist\u00e3os s\u00e3o Templo de Deus, onde reside o Esp\u00edrito. Isso quer dizer, em concreto, que, animados pelo Esp\u00edrito, eles t\u00eam de ser o sinal vivo de Deus e as testemunhas da sua salva\u00e7\u00e3o diante dos homens do nosso tempo. O testemunho que damos, pessoalmente, fala de um Deus cheio de amor e de miseric\u00f3rdia, que tem um projeto de salva\u00e7\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o para oferecer &#8211; sobretudo aos pobres e marginalizados, aqueles que mais necessitam de salva\u00e7\u00e3o? No nosso ambiente familiar, no nosso espa\u00e7o de trabalho, no nosso c\u00edrculo de amigos, somos o rosto acolhedor e alegre de Deus, as m\u00e3os fraternas de Deus, o cora\u00e7\u00e3o bondoso e terno de Deus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A nossa comunidade paroquial ou religiosa \u00e9 uma comunidade fraterna, solid\u00e1ria, e que d\u00e1 testemunho da &#8220;loucura da cruz&#8221; com gestos concretos de amor, de partilha, de doa\u00e7\u00e3o, de servi\u00e7o, ou \u00e9 uma comunidade fragmentada, dividida, cheia de contradi\u00e7\u00f5es, onde cada membro puxa para o seu lado, ao sabor dos interesses pessoais?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>O que \u00e9 que preside \u00e0 minha vida: a &#8220;sabedoria de Deus&#8221; que \u00e9 amor e dom da vida, ou a &#8220;sabedoria do mundo&#8221;, que \u00e9 luta sem regras pelo poder, pela influ\u00eancia, pelo reconhecimento social, pelo bem-estar econ\u00f3mico, pelos bens perec\u00edveis e secund\u00e1rios? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 5,38-48<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abOuvistes que foi dito aos antigos\u2026 Eu, por\u00e9m, digo-vos\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abAmai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que est\u00e1 nos C\u00e9us\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00absede perfeitos, como o vosso Pai celeste \u00e9 perfeito\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos com o &#8220;discurso da montanha&#8221; e com a apresenta\u00e7\u00e3o da &#8220;nova Lei&#8221; que deve conduzir a caminhada crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vimos, no passado domingo, como Mateus estava preocupado em definir, para os crist\u00e3os vindos do juda\u00edsmo, a rela\u00e7\u00e3o entre Cristo e a Lei de Mois\u00e9s. Os crist\u00e3os continuam obrigados a cumprir a Lei de Mois\u00e9s? Jesus n\u00e3o aboliu a Lei antiga? O que h\u00e1 de verdadeiramente novo na mensagem de Jesus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A perspetiva de Mateus \u00e9 que Jesus n\u00e3o veio abolir a Lei, mas lev\u00e1-la \u00e0 plenitude. No entanto, considera Mateus, a Lei tornou-se um conjunto de prescri\u00e7\u00f5es que s\u00e3o cumpridas mecanicamente, dentro de uma l\u00f3gica casu\u00edstica que, tantas vezes, n\u00e3o tem nada a ver com o cora\u00e7\u00e3o e com a vida. \u00c9 preciso que a Lei deixe de ser um conjunto de preceitos externos a cumprir para conquistar a salva\u00e7\u00e3o, para se tornar express\u00e3o de um verdadeiro compromisso com Deus e com o &#8220;Reino&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vimos como Mateus apresentava um conjunto de exemplos, destinados a tornar mais clara e concreta esta perspetiva. Dos seis exemplos apresentados por Mateus, quatro apareceram no Evangelho do passado domingo; para hoje, ficam os dois \u00faltimos exemplos dessa lista.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para refletir:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este Evangelho recorda-me que, ao aceitar o desafio de viver em comunh\u00e3o com Deus, eu sou chamado a dar testemunho da vida de Deus diante de todos os meus irm\u00e3os e a ser um sinal vivo de Deus, do seu amor, da sua perfei\u00e7\u00e3o, da sua santidade, no meio do mundo. Aceito esse desafio e estou disposto a corresponder-lhe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A leitura que nos foi proposta coloca, mais uma vez, como cen\u00e1rio de fundo, as exig\u00eancias do compromisso com o &#8220;Reino&#8221;. Sugere que viver na din\u00e2mica do &#8220;Reino&#8221; implica, n\u00e3o o cumprimento de ritos ou de leis, mas uma atitude nova, revolucion\u00e1ria, que resulta de um compromisso interior com Deus verdadeiramente assumido, e manifestado em atitudes concretas. Exige a supera\u00e7\u00e3o de uma religi\u00e3o feita de leis, de c\u00f3digos, de ritos, de gestos externos e o viver em comunh\u00e3o com Deus, de tal forma que a vida de Deus encha o cora\u00e7\u00e3o do crente e transborde em gestos de amor para com os irm\u00e3os. O que \u00e9 que define a minha atitude religiosa: o cumprimento dos ritos, a letra da lei, ou a comunh\u00e3o com Deus que enche o meu cora\u00e7\u00e3o de vida nova e que depois se expressa em atitudes de amor radical para com os irm\u00e3os?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus pede, aos que aceitaram embarcar na aventura do &#8220;Reino&#8221;, a supera\u00e7\u00e3o de uma l\u00f3gica de vingan\u00e7a, de responder na mesma moeda, e o assumir uma atitude pac\u00edfica de n\u00e3o resposta \u00e0s provoca\u00e7\u00f5es, que inverta a espiral de viol\u00eancia e que inaugure um novo esp\u00edrito nas rela\u00e7\u00f5es entre os homens. N\u00e3o \u00e9, no entanto, esta a l\u00f3gica do mundo, mesmo do mundo &#8220;crist\u00e3o&#8221;: em nome do direito de leg\u00edtima defesa ou do direito de resposta, as na\u00e7\u00f5es em geral e as pessoas em particular recusam enveredar por uma l\u00f3gica de paz e respondem ao mal com um mal ainda maior. Como \u00e9 que eu vejo a quest\u00e3o da viol\u00eancia, do terrorismo, da guerra? Tenho consci\u00eancia de que a l\u00f3gica da viol\u00eancia, da vingan\u00e7a, n\u00e3o tem nada a ver com os m\u00e9todos do &#8220;Reino&#8221;? O que \u00e9 que \u00e9 mais questionante, interpelador e transformador: a viol\u00eancia das armas, ou a viol\u00eancia desarmada do amor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus pede, tamb\u00e9m, aos participantes do &#8220;Reino&#8221; o amor a todos, inclusive aos inimigos, subvertendo completamente a l\u00f3gica do mundo. Como \u00e9 que eu me situo face a isto? A minha atitude \u00e9 a de quem n\u00e3o exclui nem discrimina ningu\u00e9m, mesmo aqueles de quem n\u00e3o gosto, mesmo aqueles contra quem tenho raz\u00f5es de queixa, mesmo aqueles que n\u00e3o compreendo, mesmo aqueles que assumem atitudes opostas a tudo em que eu acredito?<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>\u00a0A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 marcada pelo tom exortativo com que Deus se dirige a Mois\u00e9s para que ele seja portador de uma mensagem para todo o povo. Para uma mais eficaz proclama\u00e7\u00e3o da leitura deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o as diversas formas verbais no imperativo retirando delas toda a sua for\u00e7a expressiva: \u00abfala\u00bb, \u00absede\u00bb, \u00abn\u00e3o odiar\u00e1s\u00bb, \u00abn\u00e3o te vingar\u00e1s\u00bb, e \u00abamar\u00e1s\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> requer uma especial prepara\u00e7\u00e3o: possui uma longa frase interrogativa, frases longas, cita\u00e7\u00f5es e uma enumera\u00e7\u00e3o. Deste modo, \u00e9 necess\u00e1rio preparar bem as pausas e respira\u00e7\u00f5es para uma articulada e eficaz proclama\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/02\/22\/oh-sublime-ciencia-das-alturas-4\/\"><strong>OH SUBLIME CI\u00caNCIA DAS\u00a0ALTURAS!<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste Domingo VII do Tempo Comum, continuamos a escutar nas alturas, em alta frequ\u00eancia e alta-fidelidade, o que n\u00e3o se pode escutar c\u00e1 por baixo, em onda m\u00e9dia, no meio do barulho e do entulho. E soam hoje, aos nossos ouvidos at\u00f3nitos, no nosso cora\u00e7\u00e3o at\u00f3nito, as duas \u00faltimas das \u00abseis ant\u00edteses\u00bb proferidas por Jesus no SERM\u00c3O DA MONTANHA, e referentes \u00e0 lei de tali\u00e3o e ao amor ao pr\u00f3ximo (Mateus 5,38-48).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diz a conhecida \u00abLei de tali\u00e3o\u00bb \u2013 do latim\u00a0<em>talio<\/em>,\u00a0<em>talis<\/em>\u00a0[tal, igual] ou\u00a0<em>ius talionis<\/em>\u00a0[lei do corte ou contus\u00e3o] \u2013, assim formulada no Livro do \u00caxodo: \u00abvida por vida, olho por olho, dente por dente, m\u00e3o por m\u00e3o, p\u00e9 por p\u00e9, queimadura por queimadura, ferida por ferida, contus\u00e3o por contus\u00e3o\u00bb (\u00caxodo 21,24-25). Formula\u00e7\u00e3o semelhante desta Lei j\u00e1 se encontra, de resto, nos par\u00e1grafos 196 e 197 do famoso c\u00f3digo de Hammurabi, que remonta mais ou menos a 1700 anos antes de Cristo. E, ao contr\u00e1rio do que se diz habitualmente, esta Lei n\u00e3o representa a barbaridade, mas um avan\u00e7o civilizacional, pois assenta, n\u00e3o na multiplica\u00e7\u00e3o desenfreada da vingan\u00e7a e da viol\u00eancia, mas na sua conten\u00e7\u00e3o, pois condena o agressor a receber apenas a san\u00e7\u00e3o igual \u00e0quela que ele provocou \u00e0 v\u00edtima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem diferente \u00e9 a chamada Lei da vingan\u00e7a desenfreada, traduzida, por exemplo, no famoso \u00abC\u00e2ntico da espada\u00bb de Lamec, que se expressa assim no Livro do G\u00e9nesis: \u00abEu matei um homem por uma ferida, uma crian\u00e7a por uma contus\u00e3o. Sim, Caim \u00e9 vingado sete vezes, mas Lamec setenta e sete vezes!\u00bb (G\u00e9nesis 4,23-24). O que se v\u00ea aqui \u00e9 que Lamec respira uma vingan\u00e7a irracional, um \u00f3dio irracional. O que ouvimos nas alturas da Montanha \u00e9 que Jesus respira e ensina um amor irracional, at\u00e9 ao paroxismo, ao absurdo e \u00e0 estupidez, dissolvendo completamente os \u00f3dios, vingan\u00e7as e viol\u00eancias do \u00abC\u00e2ntico de Lamec\u00bb, mas ultrapassando tamb\u00e9m a fria simetria da \u00abLei de tali\u00e3o\u00bb. \u00abOuvistes o que foi dito: \u201cOlho por olho, dente por dente\u201d. Por\u00e9m, eu digo-vos: \u201cN\u00e3o resistais ao homem mau. Se algu\u00e9m te bater na face direita, oferece-lhe tamb\u00e9m a esquerda; se algu\u00e9m te levar ao tribunal para ficar com a tua t\u00fanica, oferece-lhe tamb\u00e9m o manto; se algu\u00e9m te for\u00e7ar a acompanh\u00e1-lo durante cinco km, acompanha-o durante dez!\u201d\u00bb (Mateus 5,38-41). Oh sublime ci\u00eancia das alturas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E Jesus continua em alta sintonia, alt\u00edssima alegria, alt\u00edssimo amor, estendendo o amor para al\u00e9m dos c\u00edrculos restritos das nossas simpatias, at\u00e9 aos nossos pr\u00f3prios inimigos! Amor assim\u00e9trico, que Jesus ensina agora nas alturas, mas que praticar\u00e1 e ensinar\u00e1 at\u00e9 \u00e0 Cruz! Ele leva at\u00e9 ao alto do Monte das Bem-Aventuran\u00e7as e at\u00e9 ao alto do Calv\u00e1rio os nossos \u00f3dios desenfreados e a nossa fria justi\u00e7a distributiva, e restitui-nos em troca o perd\u00e3o excessivo e o amor transbordante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao tempo de Jesus, o panorama do juda\u00edsmo palestinense era dominado por duas escolas: a escola conservadora e rigorista de Shammai e a escola liberal de Hillel. Conta-se que, um dia, um homem se ter\u00e1 apresentado na escola de Shammai, e fez ao mestre um estranho pedido: \u00abquero que\u00bb, diz o homem, \u00abenquanto eu me mantiver apenas com um p\u00e9 no ch\u00e3o, tu me expliques toda a Lei\u00bb. Diz-se que Shammai se limitou a pegar na sua vara de mestre e a correr o homem pela porta fora, pois era \u00f3bvio que o homem fazia um pedido imposs\u00edvel de cumprir, tal era a vastid\u00e3o da Lei, e o pouco tempo concedido para a sua explica\u00e7\u00e3o. Mas o homem n\u00e3o desanimou e dirigiu-se \u00e0 escola de Hillel, a quem formulou o mesmo pedido. E Hillel ter\u00e1 respondido de pronto: \u00abNada mais f\u00e1cil: \u201cN\u00e3o fa\u00e7as aos outros o que n\u00e3o queres que te fa\u00e7am a ti!\u201d\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esta senten\u00e7a de Hillel, na sua formula\u00e7\u00e3o negativa, deu-se o nome de \u00abregra de ouro\u00bb. Em boa verdade, ela j\u00e1 aparece no Livro de Tobias 4,15. \u00c9, todavia, f\u00e1cil de verificar, que esta senten\u00e7a \u00e9 de f\u00e1cil cumprimento. Dado que o seu teor \u00e9 negativo, para a cumprir, basta a algu\u00e9m cruzar os bra\u00e7os e nada fazer. Procedendo assim, nada far\u00e1 de inconveniente a ningu\u00e9m, cumprindo assim escrupulosamente a senten\u00e7a formulada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tentando talvez evitar a ina\u00e7\u00e3o acoitada na formula\u00e7\u00e3o negativa anterior, os Evangelhos apresentam desta m\u00e1xima uma formula\u00e7\u00e3o positiva: \u00abFaz aos outros o que queres que te fa\u00e7am ti!\u00bb (Mateus 7,12; Lucas 6,31). Levando a s\u00e9rio esta formula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 suficiente jogar \u00e0 defesa e nada fazer, mas \u00e9, de facto, requerido fazer alguma coisa. Seja como for, as duas formula\u00e7\u00f5es apresentadas, quer a negativa quer a positiva, padecem do mesmo v\u00edcio: sou eu o centro, \u00e9 \u00e0 minha volta que tudo roda, e o que eu fa\u00e7o ou deixo de fazer \u00e9 com o objetivo claro de que me seja retribu\u00eddo outro tanto!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tom positivo da referida \u00abregra de ouro\u00bb recebe ainda outra bem conhecida formula\u00e7\u00e3o: \u00abAma o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo!\u00bb, que atravessa a inteira Escritura: Lev\u00edtico 19,18; Mateus 22,39; Romanos 13,9; G\u00e1latas 5,14; Tiago 2,8. Mas tamb\u00e9m esta formula\u00e7\u00e3o \u00e9 perigosa: primeiro, porque eu continuo o ser o centro, sendo eu a medida do amor devido aos outros; segundo, porque, se algu\u00e9m n\u00e3o se ama a si mesmo (e s\u00e3o, infelizmente, cada vez mais os casos!), como poder\u00e1 cumprir devidamente esta m\u00e1xima?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 aqui que cai, como uma l\u00e2mina, a for\u00e7a do Evangelho que sai dos l\u00e1bios de Jesus: \u00abAmai-vos uns aos outros como Eu vos amei!\u00bb (Jo\u00e3o 13,34; 15,12). Aqui, a medida n\u00e3o sou eu. Aqui, a medida \u00e9 Jesus, o das alturas, o do alto das montanhas. Aqui, a medida \u00e9 sem medida! Aqui, o amor n\u00e3o \u00e9 interesseiro. Aqui, o amor \u00e9 puro, radical, incondicional, assim\u00e9trico, sem retorno. Aqui, o amor \u00e9 at\u00e9 ao fim! Oh sublime ci\u00eancia das alturas!<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"10\">\n<li>O texto do Antigo Testamento que faz hoje companhia ao Evangelho \u00e9 retirado do Livro do Lev\u00edtico 19,1-2.17-18, e nele fica desenhado o caminho e a fonte da santidade: \u00abSede santos, porque Eu, o Senhor vosso Deus, sou santo\u00bb (Lev\u00edtico 19,2); mas \u00e9 tamb\u00e9m tirado a limpo que o nosso caminho, isto \u00e9, o nosso comportamento para com os nossos irm\u00e3os, n\u00e3o pode passar nunca pelo \u00f3dio nem pela vingan\u00e7a, mas apenas pelo amor (Lev\u00edtico 19,18), ainda que numa formula\u00e7\u00e3o muito sim\u00e9trica: \u00abAma o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u00bb, a \u00fanica vez, de resto, que encontramos esta formula\u00e7\u00e3o no AT.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Ap\u00f3stolo Paulo continua a interpelar, com a for\u00e7a do Evangelho, a comunidade crist\u00e3 de Corinto e as nossas comunidades crist\u00e3s de hoje (1 Cor\u00edntios 3,16-23). Sim, diz Paulo com extrema precis\u00e3o: \u00abO Esp\u00edrito Santo habita em v\u00f3s\u00bb (1 Cor\u00edntios 3,16). E acrescenta ainda: \u00abTudo \u00e9 vosso, mas v\u00f3s sois de Cristo, e Cristo \u00e9 de Deus\u00bb (1 Cor\u00edntios 3,22-23). Portanto, tudo e todos caminhamos para a casa do Pai; entretanto, \u00e9 Cristo o \u00fanico Senhor, o \u00fanico caminho e o \u00fanico companheiro da nossa vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 103 \u00e9 uma das joias do Antigo Testamento e constitui um grande canto ao amor de Deus, uma esp\u00e9cie de prel\u00fadio ao \u00abDeus \u00e9 amor\u00bb (1 Jo\u00e3o 4,8). Desenrola-se em dois movimentos. O primeiro (vv. 1-9) trata o amor e o perd\u00e3o de Deus com sucessivos partic\u00edpios h\u00ednicos, que mostram um Deus que perdoa, cura, redime, coroa de amor e miseric\u00f3rdia, sacia de bem, e uma s\u00e9rie de nomes (justi\u00e7a, d\u00e1 a conhecer, obras, misericordioso, gracioso). O segundo movimento (vv. 10-18) p\u00f5e lado a lado o amor permanente de Deus e a nossa humana fraqueza. A linha vertical (c\u00e9u-terra) serve para mostrar a imensid\u00e3o do amor de Deus (v. 11), escrevendo-se na linha horizontal (oriente-ocidente) a grandeza sem medida do seu perd\u00e3o (v. 12). O bel\u00edssimo v. 13 passa a imagem inultrapass\u00e1vel de Deus como um pai com ventre maternal (<em>rehem<\/em>). A fragilidade humana aparece traduzida nas imagens do p\u00f3 (v. 14) e da erva (vv. 15-16), em contraponto com a estabilidade do amor de Deus (v. 17). Sem este amor, sem esta m\u00fasica, ser\u00edamos talvez levados melancolicamente a pensar que \u00e9 o mesmo o destino das folhas outonais e dos homens! Deixemos ecoar em n\u00f3s as belas notas deste grande Salmo 103, que alguns autores j\u00e1 chamaram o\u00a0<em>Te Deum<\/em>\u00a0do Antigo Testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abA santidade \u00e9 a medida alta da vida crist\u00e3 ordin\u00e1ria\u00bb.<br \/>\nOs santos vivem, portanto, nas alturas,<br \/>\nSem, todavia, levantarem os p\u00e9s da terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m Jesus se sentou no alto do Monte,<br \/>\nPara a\u00ed declarar felizes, felizes, felizes<br \/>\nOs pobres, os mansos, os aflitos,<br \/>\nOs famintos, os sedentos, os misericordiosos,<br \/>\nOs pacificadores, os perseguidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E Jesus repete estas felicita\u00e7\u00f5es,<br \/>\nE por nove vezes as atira<br \/>\nContra os vidros embaciados<br \/>\nDo nosso empedernido cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 do alto do monte que Jesus proclama estas maravilhas.<br \/>\nH\u00e1 coisas que s\u00f3 se podem dizer nas alturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor Jesus,<br \/>\nMestre diferente dos escribas de todos os tempos,<br \/>\nEnsina-nos a descobrir a sabedoria que h\u00e1 nos pobres<br \/>\nQuando estendem para n\u00f3s as suas m\u00e3os abertas e vazias,<br \/>\nA ternura que h\u00e1 nos pacificadores e misericordiosos<br \/>\nQuando se colocam diante das nossas armas,<br \/>\nA esperan\u00e7a que h\u00e1 nos perseguidos e refugiados<br \/>\nQuando batem \u00e0s nossas portas fechadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ensina-nos, Senhor, a compreender<br \/>\nQue sempre foram os santos e os justos<br \/>\nA abrir caminhos novos e belos<br \/>\nOnde os poderosos s\u00f3 sabem estender muros e arame farpado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>D. Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Leitura-I-Domingo-VII-do-Tempo-Comum-Ano-A-19.02.2023-Lev-19-1-2.17-18.pdf\">Leitura I &#8211; Domingo VII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 19.02.2023 (Lev 19, 1-2.17-18)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Leitura-II-Domingo-VII-do-Tempo-Comum-Ano-A-19.02.2023-1-Cor-3-16-23.pdf\">Leitura II &#8211; Domingo VII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 19.02.2023 (1 Cor 3, 16-23)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Domingo-VII-do-Tempo-Comum-Ano-A-19.02.2023-Lecionario.pdf\">Domingo VII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 19.02.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Domingo-VII-do-Tempo-Comum-Ano-A-19.02.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo VII do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 19.02.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo VI do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 12.02.2023&#8243; tab_id=&#8221;1676886895487-30b99dec-868e&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano A \u2013 12.02.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><sup>21<\/sup><\/strong><strong>\u00abOuvistes o que foi dito aos antigos:\u00a0<em>N\u00e3o matar\u00e1s<\/em>. Aquele que matar ter\u00e1 de responder em ju\u00edzo.\u00a0<sup>22<\/sup>Eu, por\u00e9m, digo-vos: Quem se irritar contra o seu irm\u00e3o ser\u00e1 r\u00e9u perante o tribunal; quem lhe chamar &#8216;imbecil&#8217; ser\u00e1 r\u00e9u diante do Conselho; e quem lhe chamar &#8216;louco&#8217; ser\u00e1 r\u00e9u da Geena do fogo. Mt 5, 21-22<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Domingo-VI.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"530\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o Monte, Jesus continua a falar ao cora\u00e7\u00e3o dos Seus disc\u00edpulos, apresentando as coordenadas fundamentais para O seguir e para colaborar na miss\u00e3o de estabelecer no mundo o Reino de Deus. Ser feliz, ser bem-aventurado, \u00e9 partir na aventura de subir ao Monte com Jesus. \u00c9 abra\u00e7ar o desafio de caminhar rumo \u00e0 medida alta da santidade. \u00c9 ser luz e sal para que no mundo possa ecoar a mais bela melodia do amor e, assim, contemplando as nossas boas obras, cada homem e cada mulher eleve o seu olhar para Aquele que \u00e9 a fonte de todo o amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Subir ao monte \u00e9 uma experi\u00eancia humana verdadeiramente marcante n\u00e3o s\u00f3 pela possibilidade de contemplar o mundo e a natureza de um modo novo, mas tamb\u00e9m porque exige esfor\u00e7o e determina\u00e7\u00e3o para atingir a meta. Sabemos como os nossos antepassados, desde os cultos mais primitivos at\u00e9 \u00e0s capelas e santu\u00e1rios crist\u00e3os, escolheram o cimo do monte como lugar privilegiado para o encontro com Deus. Subir para descer, chegar mais alto para trilhar melhor os caminhos c\u00e1 em baixo, aproximar-se de Deus para melhor nos aproximarmos dos irm\u00e3os. \u00c9 esta a nova l\u00f3gica do Reino que Jesus faz ecoar sobre o monte e que nos aponta a radicalidade do Seu Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus apresenta a novidade da sua mensagem, levando \u00e0 plenitude a lei que outrora tamb\u00e9m sobre o monte foi dada ao povo por meio de Mois\u00e9s. Esta lei nova, que Jesus n\u00e3o vem revogar, mas completar, deve ser inscrita n\u00e3o em t\u00e1buas de pedra, mas no cora\u00e7\u00e3o d\u00f3cil de cada homem e cada mulher. Esta \u00e9 uma proposta livre que reclama do nosso cora\u00e7\u00e3o uma ades\u00e3o consciente e determinada: \u00ab<em>se quiseres, guardar\u00e1s os mandamentos: ser fiel depende da tua vontade. Deus p\u00f4s diante de ti o fogo e a \u00e1gua: estender\u00e1s a m\u00e3o para o que desejares<\/em>\u00bb. Seguir Jesus Cristo, acolhendo a radicalidade do Seu Evangelho \u00e9 um caminho de verdadeira liberdade e, por isso, t\u00e3o exigente. Livremente eu aceito n\u00e3o viver uma lei de m\u00ednimos, livremente eu desejo ser mais e melhor a partir do amor de Jesus, livremente eu acolho o desafio de viver a permanente tens\u00e3o entre aquilo que sou e aquilo que o Senhor me chama a ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viver com radicalidade o que Jesus nos prop\u00f5e no Evangelho deste Domingo pode ser frustrante e at\u00e9 desanimador e podemos at\u00e9 ser tentados a afirmar que esta proposta est\u00e1 para l\u00e1 das nossas capacidades humanas. Na verdade, sozinhos nunca seremos capazes, mas conscientes de que Aquele que nos aponta o caminho tamb\u00e9m caminha connosco, poderemos avan\u00e7ar com renovada esperan\u00e7a e revigorada confian\u00e7a. A exig\u00eancia do caminho e a medida alta que est\u00e1 colocada diante de n\u00f3s s\u00e3o a garantia de que estaremos permanentemente a caminhar, numa atitude de permanente convers\u00e3o, superando os nossos limites, vencendo as nossas fragilidades e acolhendo o convite de Jesus para que a nossa linguagem seja sempre marcada pela determina\u00e7\u00e3o de quem sabe dizer sim ao amor e n\u00e3o a tudo o que nos afasta dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Ouvistes que foi dito aos antigos<\/em>\u2026\u00a0<em>Eu, por\u00e9m, digo-vos<\/em>\u00bb. Estas palavras est\u00e3o entre as mais radicais do Evangelho, mas s\u00e3o tamb\u00e9m as mais humanas, porque nos indicam o caminho da verdadeira felicidade, a possibilidade de viver de modo novo a rela\u00e7\u00e3o com os outros e realizar no tempo e na hist\u00f3ria o Reino de Deus que haveremos de experimentar em plenitude no C\u00e9u. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>No dia 14 de fevereiro, comemora-se o Dia dos Namorados. A Pastoral Familiar da par\u00f3quia pode convidar os namorados a participar de modo especial na celebra\u00e7\u00e3o deste Domingo ou noutro momento considerado mais oportuno e valorizar-se a sua presen\u00e7a com uma ora\u00e7\u00e3o rezada em conjunto ou uma especial b\u00ean\u00e7\u00e3o para os namorados\/noivos. Recordo que a Exorta\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Amoris Laetitia<\/em>\u00a0convida \u00ab<em>as comunidades crist\u00e3s a reconhecerem que \u00e9 um bem para elas mesmas acompanhar o caminho de amor dos noivos<\/em>\u00bb (AL 207). Al\u00e9m disso, este momento torna-se uma oportunidade para os casais de namorados crist\u00e3os olharem o tempo de namoro como tempo feliz de prepara\u00e7\u00e3o para o sacramento do matrim\u00f3nio num caminho comunit\u00e1rio.<em> i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percorremos liturgicamente a 1\u00aa parte do Tempo Comum que nos levar\u00e1 at\u00e9 \u00e0 Quaresma. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Sir 15,16-21 (15-20)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSe quiseres, guardar\u00e1s os mandamentos: ser fiel depende da tua vontade.\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro de Ben Sira (designado na B\u00edblia Cat\u00f3lica com o nome de &#8220;Eclesi\u00e1stico&#8221;) \u00e9 um livro &#8220;sapiencial&#8221; &#8211; isto \u00e9, um livro cujo objetivo \u00e9 apresentar indica\u00e7\u00f5es de car\u00e1cter pr\u00e1tico, deduzidas da reflex\u00e3o e da experi\u00eancia, sobre a arte de viver bem, de ter \u00eaxito, de ser feliz (\u00e9 essa a tem\u00e1tica da reflex\u00e3o sapiencial no M\u00e9dio Oriente, em geral, e em Israel, em particular). O seu autor \u00e9 um tal Jesus Ben Sira, um judeu tradicional, convencido que a Tora (a Lei) dada por Deus a Israel \u00e9 a s\u00famula da sabedoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos no in\u00edcio do s\u00e9c. II a.C.; a cultura grega (instalada na Palestina desde 333 a.C., quando Alexandre da Maced\u00f3nia venceu Dario III, em Issos, e se apossou da Palestina e do Egipto) minava h\u00e1 j\u00e1 algum tempo, a cultura, a f\u00e9, os valores tradicionais de Israel. Os mais jovens abandonavam a f\u00e9 dos pais, seduzidos pelo brilho superior dessa cultura universal, que era a cultura hel\u00e9nica&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus Ben Sira escreve para ajudar os israelitas a perceber a singularidade da sua f\u00e9 e da sua cultura, a fim de que n\u00e3o se perca a identidade do Povo de Deus. Apresenta, na sua obra, uma s\u00edntese da religi\u00e3o tradicional e da sabedoria de Israel, mostrando que a cultura judaica n\u00e3o fica a dever nada \u00e0 brilhante cultura grega.<br \/>\nNos cap\u00edtulos 14 e 15 do Livro de Ben Sira, h\u00e1 uma reflex\u00e3o sobre como encontrar a verdadeira felicidade. \u00c9 nesse contexto que devemos situar o nosso texto: dirigindo-se aos seus concidad\u00e3os, seduzidos pela cultura grega, Jesus Ben Sira sugere-lhes o caminho da verdadeira felicidade e convida-os a percorr\u00ea-lo. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para refletir:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o fundamental que aqui nos \u00e9 posta \u00e9 esta: existem caminhos diversos, op\u00e7\u00f5es v\u00e1rias, que dia a dia nos interpelam e desafiam. Em cada momento, corremos o risco da liberdade, assumimos o supremo desafio de escolher o nosso destino. Sentimos essa responsabilidade e procuramos responder ao desafio, ou passamos a vida a encolher os ombros e a deixar-nos ir na corrente, ao sabor das modas, do &#8220;politicamente correto&#8221;, aceitando que sejam os outros a impor-nos os seus esquemas, os seus valores, a sua vis\u00e3o das coisas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma proposta leva \u00e0 vida e \u00e0 felicidade. Quem quiser ir por a\u00ed, tem de seguir os &#8220;sinais&#8221; (mandamentos) com que Deus delimita o caminho que leva \u00e0 vida. Percorrer esse caminho implica, evidentemente, viver numa escuta permanente de Deus, num di\u00e1logo nunca acabado com Deus, numa descoberta cont\u00ednua das suas propostas. Esfor\u00e7o-me por viver na escuta de Deus e por descobrir os &#8220;sinais&#8221; de que Ele me deixa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A outra proposta leva \u00e0 morte. \u00c9 o caminho daqueles que escolhem o ego\u00edsmo, a autossufici\u00eancia, o orgulho, o isolamento em rela\u00e7\u00e3o a Deus e \u00e0s suas sugest\u00f5es. Ao fechar-se em si e ao ignorar as propostas de Deus, o homem acaba por escolher os seus interesses e por manipular o mundo e os outros homens, introduzindo desequil\u00edbrios que geram injusti\u00e7a, mis\u00e9ria, explora\u00e7\u00e3o, sofrimento, morte. Talvez nenhum de n\u00f3s escolha, conscientemente, este caminho; mas o orgulho, a ambi\u00e7\u00e3o, a vontade de afirmar a nossa independ\u00eancia e liberdade, podem levar-nos (mesmo sem o notarmos) a passar ao lado dos &#8220;sinais&#8221; de Deus e a ignor\u00e1-los, resvalando por atalhos que v\u00e3o dar ao ego\u00edsmo, ao fechamento em n\u00f3s. Em cada dia que come\u00e7a, \u00e9 preciso fazer o balan\u00e7o do caminho percorrido e renovar as nossas op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este texto levanta, tamb\u00e9m, a quest\u00e3o da liberdade. A Palavra de Deus que aqui nos \u00e9 proposta deixa claro que Deus nos criou livres e que respeita absolutamente as nossas op\u00e7\u00f5es e a nossa liberdade. Deus n\u00e3o \u00e9 um empecilho \u00e0 liberdade e \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o plena do homem. Ele coloca-nos diante das diferentes op\u00e7\u00f5es, diz-nos onde elas nos levam, aponta o caminho da verdadeira felicidade e da realiza\u00e7\u00e3o plena e&#8230; deixa-nos escolher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aten\u00e7\u00e3o: a morte e a desgra\u00e7a nunca s\u00e3o um castigo de Deus por nos termos portado mal e por termos escolhido caminhos errados; mas \u00e9 o resultado l\u00f3gico de escolhas ego\u00edstas, que geram desequil\u00edbrios e que destroem a paz, o equil\u00edbrio, a harmonia do mundo, da fam\u00edlia e de mim pr\u00f3prio. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a0118 (119)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: Ditoso o que anda na lei do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Cor 2,6-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abNem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pelo pensamento do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no ambiente da comunidade crist\u00e3 de Corinto e \u00e0 volta da discuss\u00e3o sobre a verdadeira sabedoria. Recordemos que o ponto de partida para a reflex\u00e3o de Paulo \u00e9 a pretens\u00e3o dos cor\u00edntios em equiparar a f\u00e9 crist\u00e3 a um qualquer caminho filos\u00f3fico, que devia ser percorrido sob a orienta\u00e7\u00e3o de mestres humanos (para uns, Paulo, para outros Pedro, para outros Apolo), \u00e0 maneira do que se fazia nas escolas filos\u00f3ficas gregas. Os cor\u00edntios corriam, dessa forma, o risco de fazer da f\u00e9 uma ideologia, mais ou menos brilhante conforme as qualidades pessoais ou a eleg\u00e2ncia do discurso dos mestres que defendiam as teses. Paulo est\u00e1 consciente, no entanto, que o \u00fanico mestre \u00e9 Cristo e que a verdadeira sabedoria n\u00e3o \u00e9 a que resulta do brilho e da eleg\u00e2ncia das palavras ou da coer\u00eancia dos sistemas filos\u00f3ficos, mas \u00e9 a que resulta da cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de denunciar a pretens\u00e3o dos cor\u00edntios em encontrar nos homens a verdadeira proposta de sabedoria para chegar a uma vida plena, Paulo vai apresentar &#8211; de forma mais desenvolvida &#8211; a &#8220;sabedoria de Deus&#8221;. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para refletir<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto de salva\u00e7\u00e3o que Deus tem para os homens, e que resulta do seu imenso amor por n\u00f3s, \u00e9 um projeto que nos garante a vida definitiva, a realiza\u00e7\u00e3o plena, a chegada ao patamar do Homem Novo, a identifica\u00e7\u00e3o final com Cristo. Os crentes s\u00e3o, em consequ\u00eancia deste dinamismo de esperan\u00e7a que o projeto de salva\u00e7\u00e3o de Deus introduz na nossa hist\u00f3ria, pessoas que olham a vida com os olhos cheios de confian\u00e7a, que sabem enfrentar sem medo nem dramas as crises, as vicissitudes, os problemas que o dia-a-dia lhes apresenta, e que caminham cumprindo a sua miss\u00e3o no mundo, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 meta final que Deus tem reservada para aqueles que O amam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, Deus n\u00e3o for\u00e7a ningu\u00e9m: a op\u00e7\u00e3o pelo caminho que conduz \u00e0 vida plena, ao Homem Novo, \u00e9 uma escolha livre que cada homem e cada mulher devem fazer. O que Deus faz \u00e9 ladear o nosso caminho de &#8220;sinais&#8221; (mandamentos) que indicam como chegar a essa meta final de vida definitiva. Como \u00e9 que eu percorro esse caminho: na aten\u00e7\u00e3o constante aos &#8220;sinais&#8221; de Deus, ou na autossufici\u00eancia de quem quer ser o respons\u00e1vel \u00fanico pela sua liberdade e n\u00e3o precisa de Deus para nada? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 5, 17-37<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abN\u00e3o penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; n\u00e3o vim revogar, mas completar\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSe a vossa justi\u00e7a n\u00e3o superar a dos escribas e fariseus, n\u00e3o entrareis no reino dos C\u00e9us\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abA vossa linguagem deve ser: \u2018Sim, sim; n\u00e3o, n\u00e3o\u2019\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Terminado o pre\u00e2mbulo do &#8220;serm\u00e3o da montanha&#8221; (que vimos nos dois anteriores domingos), entramos no corpo do discurso. Recordamos aquilo que dissemos nos domingos anteriores: o discurso de Jesus &#8220;no cimo de um monte&#8221; transporta-nos \u00e0 montanha da Lei (Sinai), onde Deus Se revelou e deu ao seu Povo a Lei; agora, \u00e9 Jesus que, numa montanha, oferece ao novo Povo de Deus essa nova Lei que deve guiar todos os que est\u00e3o interessados em aderir ao &#8220;Reino&#8221;. Neste discurso (o primeiro dos cinco grandes discursos que Mateus apresenta), o evangelista agrupa um conjunto de &#8220;ditos&#8221; de Jesus e oferece \u00e0 comunidade crist\u00e3 um novo c\u00f3digo \u00e9tico, a nova Lei, que deve guiar os disc\u00edpulos de Jesus na sua marcha pela hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para entendermos o &#8220;pano de fundo&#8221; do texto que nos \u00e9 hoje proposto, conv\u00e9m que nos situemos no ambiente das comunidades crist\u00e3s primitivas e, de forma especial, no ambiente da comunidade mateana: trata-se de uma comunidade com fortes ra\u00edzes judaicas, na qual preponderam os crist\u00e3os que v\u00eam do juda\u00edsmo&#8230; As quest\u00f5es que a comunidade p\u00f5e, na d\u00e9cada de oitenta (quando este Evangelho aparece), s\u00e3o: continuamos obrigados a cumprir a Lei de Mois\u00e9s? Jesus n\u00e3o aboliu a Lei antiga? O que \u00e9 que h\u00e1 de verdadeiramente novo na mensagem de Jesus? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para refletir:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os disc\u00edpulos de Jesus s\u00e3o convidados a viver na din\u00e2mica do &#8220;Reino&#8221;, isto \u00e9, a acolher com alegria e entusiasmo o projeto de salva\u00e7\u00e3o que Deus quis oferecer aos homens e a percorrer, sem desfalecer, num esp\u00edrito de total ades\u00e3o, o caminho que conduz \u00e0 vida plena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cumprir um conjunto de regras externas n\u00e3o assegura, automaticamente, a salva\u00e7\u00e3o, nem garante o acesso \u00e0 vida eterna; mas, o acesso \u00e0 vida em plenitude passa por uma ades\u00e3o total (com a mente, com o cora\u00e7\u00e3o, com a vida) \u00e0s propostas de Deus. Os nossos comportamentos externos t\u00eam de resultar, n\u00e3o do medo ou do calculismo, mas de uma verdadeira atitude interior de ades\u00e3o a Deus e \u00e0s suas propostas. \u00c9 isso que se passa na minha vida? Os &#8220;mandamentos&#8221; s\u00e3o, para mim, princ\u00edpios sagrados que eu tenho de cumprir, mecanicamente, sob pena de receber castigos (o maior dos quais ser\u00e1 o &#8220;inferno&#8221;), ou s\u00e3o indica\u00e7\u00f5es que me ajudam a potenciar a minha rela\u00e7\u00e3o com Deus e a n\u00e3o me desviar do caminho que conduz \u00e0 vida? O cumprimento das leis (de Deus ou da Igreja) \u00e9, para mim, uma obriga\u00e7\u00e3o que resulta do medo, ou o resultado l\u00f3gico da op\u00e7\u00e3o que eu fiz por Deus e pelo &#8220;Reino&#8221;?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o matar&#8221;, \u00e9, segundo Jesus, evitar tudo aquilo que cause dano ao meu irm\u00e3o. Tenho consci\u00eancia de que posso &#8220;matar&#8221; com certas atitudes de ego\u00edsmo, de prepot\u00eancia, de autoritarismo, de injusti\u00e7a, de indiferen\u00e7a, de intoler\u00e2ncia, de cal\u00fania e m\u00e1-l\u00edngua que magoam o outro, que destroem a sua dignidade, o seu bem estar, as suas rela\u00e7\u00f5es, a sua paz? Tenho consci\u00eancia que brincar com a dignidade do meu irm\u00e3o, ofend\u00ea-lo, inventar caminhos tortuosos para o desacreditar ou desmoralizar \u00e9 um crime contra o irm\u00e3o? Tenho consci\u00eancia que ignorar o sofrimento de algu\u00e9m, ficar indiferente a quem necessita de um gesto de bondade, de miseric\u00f3rdia, de reconcilia\u00e7\u00e3o, \u00e9 assassinar a vida?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos deixar, nunca, que as leis (mesmo que sejam leis muito &#8220;sagradas&#8221;) se transformem num absoluto ou que contribuam para escravizar o homem. As leis, os &#8220;mandamentos&#8221;, devem ser apenas &#8220;sinais&#8221; indicadores desse caminho que conduz \u00e0 vida plena; mas o que \u00e9 verdadeiramente importante, \u00e9 o homem que caminha na hist\u00f3ria, com os seus defeitos e fracassos, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 felicidade e \u00e0 vida definitiva. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong> pede-se a aten\u00e7\u00e3o para a frase condicional que abre a leitura, bem como para as duas frases seguintes cuja din\u00e2mica em jeito de proposta alternativa deve ser sublinhada na proclama\u00e7\u00e3o da leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> n\u00e3o apresenta nenhuma dificuldade aparente, contudo pede-se o especial cuidado a ter nas cartas de Paulo na aten\u00e7\u00e3o \u00e0s frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es e uma prepara\u00e7\u00e3o que ajude a estabelecer os lugares de pausa e paragem para uma melhor articula\u00e7\u00e3o da leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00c3O MATAR\u00c1S<\/strong><strong>!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos a escutar, neste VI Domingo do Tempo Comum, o sublime Discurso da Montanha, hoje as quatro primeiras das famosas \u00abseis ant\u00edteses\u00bb (Mateus 5,17-48), cujos temas s\u00e3o: o homic\u00eddio, o adult\u00e9rio, o div\u00f3rcio, o perj\u00fario, a lei de tali\u00e3o, o amor ao pr\u00f3ximo. Ouviremos ent\u00e3o, neste VI Domingo do Tempo Comum, o sublime dizer de Jesus sobre os primeiros quatro temas: homic\u00eddio, adult\u00e9rio, div\u00f3rcio e perj\u00fario (Mateus 5,17-37), enquanto nos preparamos para ouvir no pr\u00f3ximo Domingo, VII do Tempo Comum, os \u00faltimos dois importantes temas: a lei de tali\u00e3o e o amor que a todos devemos (Mateus 5,38-48).~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o nos esque\u00e7amos que continuamos na Montanha, nas alturas, pois h\u00e1 certas maneiras de viver e de sentir que s\u00f3 podem ter o seu\u00a0<em>habitat<\/em>\u00a0nas alturas. O Papa S. Jo\u00e3o Paulo II escreveu na Carta Apost\u00f3lica\u00a0<em>Novo Millennio Ineunte<\/em>\u00a0[2001], n.\u00ba 31, que perguntar a um catec\u00fameno se ele quer receber o batismo \u00e9 o mesmo que perguntar-lhe se ele quer ser santo, e fazer-lhe esta \u00faltima pergunta \u00e9 coloc\u00e1-lo no caminho do Serm\u00e3o da Montanha. E logo a seguir, na mesma Carta e no mesmo n\u00famero, S. Jo\u00e3o Paulo II define a santidade como a \u00abmedida alta\u201d da vida crist\u00e3 ordin\u00e1ria\u00bb. \u00c9, portanto, imperioso que o crist\u00e3o aprenda a ganhar altura, n\u00e3o para se separar dos caminhos lamacentos do quotidiano, mas para os encher de um amor maior.~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada uma das \u00abseis ant\u00edteses\u00bb abre com as palavras de Jesus: \u00abOuvistes o que foi dito [\u2026]; por\u00e9m, eu digo-vos\u00bb. Com esta t\u00e9cnica de contraponto, Jesus n\u00e3o quer que se desperdice nada do Antigo Testamento; quer antes ench\u00ea-lo, levar quanto a\u00ed \u00e9 dito, que \u00e9 Palavra de Deus, ao seu ponto mais fundo e mais alto. Por exemplo, quando ouvimos o que foi dito: \u00abN\u00e3o matar\u00e1s!\u00bb, n\u00e3o basta determo-nos no limiar do assass\u00ednio, como manda a letra, de acordo com uma leitura literalista e legalista da Palavra de Deus. \u00c9 preciso ir mais fundo e mais alto: mondar todas as ra\u00edzes da ira, do ci\u00fame, da inveja, do \u00f3dio, desprezo e desamor, e encher todos os regos e cicatrizes de mais amor, mais amor, mais amor, s\u00f3 amor. N\u00e3o se trata apenas de travar a fundo no \u00faltimo momento, evitando o acidente; trata-se de viver permanentemente a nova cultura do amor. Neste sentido, escreve S. Jo\u00e3o, com ponta fina de diamante, n\u00e3o na pedra ou no papiro ou no papel, mas no nosso cora\u00e7\u00e3o meio embotado e engessado: \u00abQuem n\u00e3o ama o seu irm\u00e3o, \u00e9 homicida\u00bb (1 Jo\u00e3o 3,15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abN\u00e3o matar\u00e1s!\u00bb. Palavra fort\u00edssima e de extrema mansid\u00e3o, inscrita no Rosto ou viso nu do Outro, de qualquer outro, pobre e nu e senhor, pobre porque nu, e senhor porque pobre e nu, que de improviso te visita e te elege, e te ordena, de forma imperativa e n\u00e3o optativa, entregando-te uma palavra que \u00e9 um mandamento, que n\u00e3o te deixa em estado de decis\u00e3o, que n\u00e3o se dirige, portanto, \u00e0 tua liberdade de escolha, mas \u00e0 tua responsabilidade, pois te manda responder por ele, pela sua vida, resposta que n\u00e3o podes adiar nem delegar. \u00c9 a ti que ele elege, \u00e9 a ti que ele dirige o mandamento: \u00abN\u00e3o matar\u00e1s!\u00bb, concedendo-te apenas responder, obedecendo, e n\u00e3o decidir o que fazer. Reclama a tua responsabilidade: por muito que te custe compreender, trata-se de uma responsabilidade anterior \u00e0 liberdade! Coisa simples, que s\u00f3 n\u00e3o compreendes se n\u00e3o quiseres. \u00c9 o \u201cbom dia\u201d antes do\u00a0<em>cogito<\/em>. Atentos, porque o rosto pobre e nu do outro \u00e9 o \u00fanico soberano que existe. Pode estar em coma \u00e0 beira da estrada, na soleira da tua porta, na cama de um hospital. N\u00e3o tem nenhum poder (n\u00e3o te aponta uma arma, n\u00e3o tem dinheiro para te seduzir ou para te pagar\u2026), e, todavia, obriga-te a debru\u00e7ares-te sobre ele. V\u00eas, ent\u00e3o, como ele \u00e9 soberano? \u00c9 o \u00fanico que te pode libertar dos cadeados da tua\u00a0<em>Sinngebung<\/em>\u00a0(da tua capacidade de produ\u00e7\u00e3o de sentido preliminar e subjetivo). Os que t\u00eam pistolas e dinheiro, na verdade, pouco podem: apenas te podem escravizar! N\u00e3o te podem libertar! S\u00e3o tiranos e prepotentes. N\u00e3o s\u00e3o soberanos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E assim tamb\u00e9m o adult\u00e9rio, o div\u00f3rcio, o perj\u00fario. Qualquer destes pontos representa o fim de um amor, que \u00e9 sempre um acontecimento dram\u00e1tico. Veja-se atentamente, neste mundo cinzento e ins\u00edpido, sem sol e sem sal, em que vivemos, o drama imenso que cada div\u00f3rcio comporta. Mas, para encher de sentido o \u00abpor\u00e9m, eu digo-vos\u00bb de Jesus sobre estes pontos precisos, tamb\u00e9m n\u00e3o basta viver uma vida cinzenta e mentirosa e evitar em cima da linha chegar ao adult\u00e9rio, ao div\u00f3rcio ou ao perj\u00fario. \u00c9 necess\u00e1rio encher a vida inteira de amor, de mais amor, s\u00f3 de amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso levantar a vida, o cora\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ao cimo do monte das Bem-Aventuran\u00e7as, e deixar-se deslumbrar, como a multid\u00e3o, com este nov\u00edssimo, em conte\u00fado e m\u00e9todo, ensinamento de Jesus (Mateus 7,28-29).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O belo Livro de Jesus Ben-Sir\u00e1, de que hoje recebemos a deliciosa li\u00e7\u00e3o de 15,16-21, lembra-nos que os mandamentos de Deus est\u00e3o sempre cheios apenas de bondade. Serve essa fort\u00edssima afirma\u00e7\u00e3o para nos advertir que a nenhum de n\u00f3s foi dada licen\u00e7a para pecar, nem sequer para produzirmos coisas v\u00e3s e ocas, sem ponta de sal ou de sentido. Vale ainda saber que este livro delicioso, de tom edificante, ter\u00e1 sido escrito por Jesus Ben-Sir\u00e1 em hebraico no primeiro quartel do s\u00e9culo II a. C., a\u00ed por volta dos anos 180-175, tendo sido depois lido e muito apreciado por um seu neto, no Egito, parece que no ano 132 a. C. Tanto o neto apreciou o texto do seu av\u00f4, que resolveu traduzi-lo para grego, para possibilitar que muitos outros o pudessem ler tamb\u00e9m com proveito. Bela tamb\u00e9m esta liga\u00e7\u00e3o entre as gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S. Paulo fala-nos na li\u00e7\u00e3o de hoje da Primeira Carta aos Cor\u00edntios 2,6-10 da Sabedoria de Deus. E lembra-nos que a Sabedoria de Deus n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 venda em nenhum mercado deste mundo, nem est\u00e1 na posse dos senhores deste mundo. E precisa ainda que a sabedoria dos senhores deste mundo, que \u00e9 sempre a sabedoria orgulhosa e arrogante que nos pode fazer senhores do mundo, mas nos conduz sempre fatalmente para a ru\u00edna. A verdadeira sabedoria, a de Deus, \u00e9 depositada no nosso cora\u00e7\u00e3o pelo Esp\u00edrito de Deus, dando-nos assim acesso, por gra\u00e7a, \u00e0s riquezas divinas que Deus, desde sempre, tem preparadas para n\u00f3s. Em vez da ru\u00edna, fica aberta diante de n\u00f3s uma maneira nova de viver e de morrer. Chama-se santidade, \u00abmedida alta\u00bb da vida crist\u00e3 ordin\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 nossa frente est\u00e3o sempre os caminhos do Senhor, que devemos calcorrear com alegria e felicidade recebida e dada, enquanto cantamos a imensa partitura do Salmo 119, admir\u00e1vel composi\u00e7\u00e3o de 1064 palavras hebraicas reunidas, repartidas, repetidas, entretecidas e entretidas \u00e0 volta da Palavra de Deus que alumia a nossa vida. Blaise Pascal recitava este Salmo todos os dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ensina-me, Senhor, a subir mais alto,<br \/>\nComo os l\u00edrios do campo,<br \/>\nComo os passarinhos.<br \/>\nEnsina-me a ser santo<br \/>\nComo os pequeninos.<br \/>\nS\u00f3 sendo assim me posso sentar \u00e0 tua mesa,<br \/>\nOnde se come e se reza,<br \/>\nE o ambiente \u00e9 familiar e quente<br \/>\nComo uma lareira acesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 as aves do c\u00e9u v\u00eam abrigar-se em tua casa,<br \/>\nComer \u00e0 tua mesa.<br \/>\nAqui fazem os passarinhos os seus ninhos,<br \/>\nE at\u00e9 os bandos de estorninhos<br \/>\nEncontram aqui o seu descanso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D\u00e1-nos, Senhor,<br \/>\nEm cada dia<br \/>\nDa nossa vida<br \/>\n\u00c0s vezes escura,<br \/>\nA \u00e1gua pura da tua luz e alegria,<br \/>\nQue nos enche de paz e nos sacia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Leitura-I-Domingo-VI-do-Tempo-Comum-Ano-A-12.02.2023-Sir-15-16-21-15-20.pdf\">Leitura I &#8211; Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 12.02.2023 (Sir 15, 16-21 (15-20))<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Leitura-II-Domingo-VI-do-Tempo-Comum-Ano-A-12.02.2023-1-Cor-2-6-10.pdf\">Leitura II &#8211; Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 12.02.2023 (1 Cor 2, 6-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Domingo-VI-do-Tempo-Comum-Ano-A-12.02.2023-Lecionario.pdf\">Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 12.02.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Domingo-VI-do-Tempo-Comum-Ano-A-12.02.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 12.02.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo V do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 05.02.2023&#8243; tab_id=&#8221;1676282165588-520304b7-b418&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano A \u2013 05.02.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Domingo-V.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como crist\u00e3os somos chamados a habitar o mundo em que vivemos, vencendo a globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a, libertando-nos do nosso comodismo e testemunhando com ousadia a felicidade de viver com os olhos e o cora\u00e7\u00e3o abertos sobre o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dirigindo-se aos disc\u00edpulos de outrora, Jesus interpela cada um de n\u00f3s, disc\u00edpulos de hoje, neste lugar e tempo concreto da hist\u00f3ria humana: \u00ab<em>V\u00f3s sois o sal da terra! V\u00f3s sois a luz do mundo!<\/em>\u00bb. Jesus diz precisamente \u00ab<em>v\u00f3s sois<\/em>\u00bb e n\u00e3o \u00ab<em>v\u00f3s deveis ser<\/em>\u00bb. Ser sal e ser luz fazem parte da nossa identidade crist\u00e3 e devem moldar todo o nosso querer e agir. Bem sabemos que muitas vezes a nossa vida \u00e9 ins\u00edpida e opaca, mas no nosso cora\u00e7\u00e3o Deus derramou o sal que transforma e d\u00e1 sabor e a luz que dissipa as trevas e ilumina mesmo os recantos mais rec\u00f4nditos da nossa exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos chamados a ser sal que n\u00e3o perde a for\u00e7a e luz que n\u00e3o se esconde. Como disc\u00edpulos mission\u00e1rios somos convocados para ser verdadeiros protagonistas na constru\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o do amor, apontando sempre para Jesus Cristo, meta das nossas vidas e garante da efic\u00e1cia da nossa miss\u00e3o, n\u00e3o obstante a nossa fragilidade e pecado. Como Paulo, diante da miss\u00e3o que nos \u00e9 confiada, somos tentados a dizer: \u00ab<em>apresentei-me diante de v\u00f3s cheio de fraqueza e de temor e a tremer deveras<\/em>\u00bb. Contudo, devemos fixar o nosso olhar e a nossa aten\u00e7\u00e3o na confian\u00e7a que Jesus deposita em cada um de n\u00f3s: Ele conhecendo a nossa fragilidade e debilidade n\u00e3o hesita em fazer de n\u00f3s sal e luz e faz das nossas vidas lugares luminosos e saborosos para que no mundo se possa saborear a miseric\u00f3rdia e a ternura de Deus e se possa contemplar a luz terna e suave do Seu amor. N\u00e3o tenhamos medo da nossa fragilidade, nem tampouco deixemos que ela nos paralise. Escutemos o Papa Francisco: \u00ab<em>prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter sa\u00eddo pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar \u00e0s pr\u00f3prias seguran\u00e7as<\/em>\u00bb (EG 49). Vencendo o comodismo, somos chamados a lan\u00e7ar-nos ao caminho, a ser sal e luz, a ser testemunhas criativas de que s\u00f3 o amor pode transformar o mundo num lugar melhor e mais feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sal \u00e9, antes de tudo, um elemento sa\u00eddo das \u00e1guas do mar, respondendo ao luminoso apelo do sol. Assim, cada um de n\u00f3s \u00e9 chamado a ascender pela for\u00e7a atrativa da Luz divina. Mas como o sal que depois deve descer aos alimentos e dissolver-se neles para que discreta e humildemente possa dar sabor na medida certa e ajustada, tamb\u00e9m cada crist\u00e3o \u00e9 chamado a ser no mundo e para mundo um testemunho discreto mas eficaz do amor e da ternura de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A luz permite ver a realidade e os outros de um modo novo e diferente. S\u00f3 Jesus \u00e9 a Luz do Mundo, mas convocados pela sua palavra, somos chamados a irradiar no tempo e na hist\u00f3ria a luz terna e suave do Seu amor. Mas gosto de imaginar o nosso ser luz como um rasto luminoso que n\u00e3o encandeia aqueles com quem nos cruzamos mas que os conduz \u00e0 fonte de toda a Luz que \u00e9 Jesus Cristo. A primeira leitura que escutamos neste Domingo aponta de modo claro as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para ser luz: abrir o nosso cora\u00e7\u00e3o e a nossa vida aos que precisam de n\u00f3s com gestos concretos de amor e miseric\u00f3rdia. Transportando na fragilidade do nosso barro o precioso tesouro que \u00e9 \u00ab<em>Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado<\/em>\u00bb, seremos um sinal saboroso e um rasto luminoso do amor de Deus, fazendo ecoar no tempo e na hist\u00f3ria a mais bela melodia da bondade e da ternura pela pr\u00e1tica concreta e exigente das obras de miseric\u00f3rdia. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Evangelho escutado neste Quinto Domingo do Tempo Comum Jesus convida os seus ouvintes a serem verdadeiro sal e esplendorosa luz para que o mundo seja um verdadeiro lugar de louvor ao Pai pelas obras de bondade e miseric\u00f3rdia. Deste modo, este Domingo \u00e9 uma oportunidade para convidar os crist\u00e3os a renovarem o seu compromisso de serem verdadeiros protagonistas da constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo e fraterno. Na celebra\u00e7\u00e3o deste Domingo, na homilia ou at\u00e9 numa breve admoni\u00e7\u00e3o antes do envio dos fi\u00e9is no final da celebra\u00e7\u00e3o poder\u00e1 recordar-se este compromisso crist\u00e3o fundamental de nos nossos lugares de trabalho, nas nossas fam\u00edlias e nos diversos ambientes onde somos enviados, sermos anunciadores do Evangelho de Jesus atrav\u00e9s de gestos concretos de amor e ternura. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percorremos liturgicamente a 1\u00aa parte do Tempo Comum que nos levar\u00e1 at\u00e9 \u00e0 Quaresma. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a><\/strong>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Is 58,7-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abA tua luz despontar\u00e1 como a aurora, e as tuas feridas n\u00e3o tardar\u00e3o a sarar\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cap\u00edtulos 56 a 66 do Livro de Isa\u00edas apresentam um conjunto heterodoxo de temas, de situa\u00e7\u00f5es, de g\u00e9neros e de estilos; por isso, a maior parte dos estudiosos recentes atribuem estes textos, n\u00e3o a um autor, mas a uma pluralidade de autores &#8211; embora continuem a catalogar estes cap\u00edtulos sob o nome gen\u00e9rico de &#8220;Trito-Isa\u00edas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora se discuta tamb\u00e9m a \u00e9poca em que estes textos apareceram (as opini\u00f5es v\u00e3o desde o s\u00e9c. VII ao s\u00e9c. II a.C.), a maioria dos estudiosos costuma situar estes textos na \u00e9poca p\u00f3s-ex\u00edlica, provavelmente dos \u00faltimos dec\u00e9nios do s\u00e9c. VI, ou nos primeiros anos do s\u00e9c. V. a.C. Estamos em Jerusal\u00e9m; os repatriados da Babil\u00f3nia chegaram cheios de entusiasmo, mas depressa conheceram a desilus\u00e3o&#8230; A cidade est\u00e1 destru\u00edda; o dom\u00ednio persa continua a recordar ao povo de Jerusal\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 livre nem tem nas pr\u00f3prias m\u00e3os a chave do seu futuro; e, acima de tudo, as belas promessas de reconstru\u00e7\u00e3o, de liberta\u00e7\u00e3o, parecem ter-se desvanecido e a interven\u00e7\u00e3o definitiva de Deus tarda em chegar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns autores recentes falam (a prop\u00f3sito desta \u00e9poca) de uma forte tens\u00e3o entre dois grupos que procuram impor-se em Jerusal\u00e9m: de um lado, o sacerd\u00f3cio sadoquita (de Sadoc, sacerdote do tempo de Salom\u00e3o), que voltou do ex\u00edlio na Babil\u00f3nia convencido de que tinha sido provado e perdoado das suas faltas, que est\u00e1 em boas rela\u00e7\u00f5es com o imp\u00e9rio persa, que domina a pol\u00edtica, que est\u00e1 disposto a fazer valer os seus direitos e privil\u00e9gios e que define as coordenadas do culto oficial; do outro, o partido lev\u00edtico, que se manteve em Jerusal\u00e9m durante o ex\u00edlio, que dominou o culto durante essa \u00e9poca e que tem uma vis\u00e3o mais &#8220;democr\u00e1tica&#8221;, mais pragm\u00e1tica, menos &#8220;oficial&#8221; e legalista da f\u00e9. Os autores do nosso texto pertencem, provavelmente, a este \u00faltimo grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cap\u00edtulo 58 (a que pertence o texto que nos \u00e9 proposto) apresenta-se como uma reclama\u00e7\u00e3o de Deus contra o Povo. Nessa reclama\u00e7\u00e3o, h\u00e1 dois temas: a den\u00fancia de um culto vazio e est\u00e9ril, que cumpre as leis externas, mas que n\u00e3o sai do cora\u00e7\u00e3o nem tem a necess\u00e1ria correspond\u00eancia na vida (cf. Is 58,1-12); e um convite a que o Povo respeite a santidade do s\u00e1bado (cf. Is 58,13-14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No nosso texto, a palavra &#8220;jejum&#8221; (que, no contexto do cap\u00edtulo, aparece sete vezes) \u00e9 a palavra-chave. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o do texto pode fazer-se a partir dos seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o essencial \u00e9 esta: como \u00e9 que podemos ser uma luz que acende a esperan\u00e7a no mundo e aponta no sentido de uma nova terra, mais cheia de paz, de esperan\u00e7a, de felicidade? Esta leitura responde: n\u00e3o \u00e9 com liturgias solenes ou com ritos lit\u00fargicos espampanantes, muitas vezes est\u00e9reis e vazios; mas \u00e9 com uma vida onde o amor a Deus se traduz no amor ao irm\u00e3o e se manifesta em gestos de partilha, de fraternidade, de liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aten\u00e7\u00e3o: n\u00e3o se diz aqui que os momentos de ora\u00e7\u00e3o e de encontro pessoal com Deus sejam sup\u00e9rfluos, in\u00fateis, desnecess\u00e1rios; o que se diz aqui \u00e9 que os ritos em si nada significam, se n\u00e3o correspondem a uma viv\u00eancia interior que se traduz em gestos concretos de compromisso com Deus e com os seus valores. A multiplicidade de ritos, de ora\u00e7\u00f5es solenes, de celebra\u00e7\u00f5es, por si s\u00f3 nada vale, se n\u00e3o tem a devida correspond\u00eancia na vida de rela\u00e7\u00e3o com os irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sinto o imperativo de ser uma &#8220;luz&#8221; que se acende na noite do mundo e que d\u00e1 testemunho do amor e da miseric\u00f3rdia de Deus? A minha f\u00e9 e a minha rela\u00e7\u00e3o com Deus t\u00eam tradu\u00e7\u00e3o na luta pela liberta\u00e7\u00e3o dos meus irm\u00e3os? O meu compromisso de crente leva-me a estar atento \u00e0 partilha com os pobres, os d\u00e9beis, os desfavorecidos? A minha viv\u00eancia religiosa traduz-se no ser profeta do amor e servidor da reconcilia\u00e7\u00e3o? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL &#8211; <\/strong><strong>Salmo\u00a0111 (112)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o <\/strong>&#8211; Para o homem reto nascer\u00e1 uma luz no meio das trevas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Cor 2,1-5<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abPensei que, entre v\u00f3s, n\u00e3o devia saber nada sen\u00e3o Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 vimos, na passada semana, que um dos grandes problemas que a comunidade crist\u00e3 de Corinto enfrentava tinha a ver com a propens\u00e3o dos cor\u00edntios para a busca de uma sabedoria puramente humana, que os levava a apostar em pessoas (Pedro, Paulo, Cefas), em mestres humanos capazes de transportar os disc\u00edpulos ao encontro da sua realiza\u00e7\u00e3o; mas, dessa forma, acabavam por esquecer Jesus Cristo e por passar ao lado da &#8220;sabedoria da cruz&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto, Paulo recorda aos cor\u00edntios que a &#8220;sabedoria humana&#8221; n\u00e3o salva nem realiza plenamente o homem. A realiza\u00e7\u00e3o plena do homem est\u00e1 em Jesus Cristo e na &#8220;loucura da cruz&#8221;.<br \/>\nComo \u00e9 que a salva\u00e7\u00e3o e a realiza\u00e7\u00e3o plena do homem podem, no entanto, manifestar-se nesse facto paradoxal de um Deus condenado \u00e0 fragilidade, que morre na cruz como um bandido?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que as coisas se tornem perfeitamente claras, Paulo apresenta dois exemplos. No primeiro (a segunda leitura do passado domingo), Paulo refere o caso da pr\u00f3pria comunidade de Corinto: apesar da pobreza, debilidade e fragilidade dos membros da comunidade, Deus chamou-os a serem testemunhas da sua salva\u00e7\u00e3o no mundo. No segundo (e que \u00e9 a leitura que nos \u00e9 aqui proposta), Paulo apresenta com humildade o seu pr\u00f3prio caso. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s dois mil anos de Evangelho, a nossa civiliza\u00e7\u00e3o &#8220;crist\u00e3&#8221; ainda age como se a salva\u00e7\u00e3o do mundo e dos homens estivesse no poder das armas, na estabilidade da economia, no desenvolvimento sustentado, no controle do buraco do ozono, no pleno emprego, na paz social, na elimina\u00e7\u00e3o do terrorismo, na defesa da floresta amaz\u00f3nica, nas declara\u00e7\u00f5es de boas inten\u00e7\u00f5es feitas pelos senhores do mundo nos grandes are\u00f3pagos internacionais&#8230; Mas Paulo diz, muito simplesmente, que a salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 na &#8220;loucura da cruz&#8221; e que a vida em plenitude est\u00e1 no amor que se d\u00e1 completamente. Quem tem raz\u00e3o: os nossos te\u00f3ricos, formados pelas grandes universidades internacionais, ou o judeu Paulo, formado na universidade de Jesus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A for\u00e7a e a &#8220;sabedoria de Deus&#8221; manifestam-se, tantas vezes, na fragilidade, na pequenez, na obscuridade, na pobreza (como o exemplo de Paulo o comprova). Sendo assim, n\u00e3o nos parecem rid\u00edculas e descabidas as nossas poses de import\u00e2ncia, de autoridade, de protagonismo, de brilho intelectual?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqueles que t\u00eam responsabilidade no an\u00fancio do Evangelho devem recordar sempre que a efic\u00e1cia da Palavra que anunciam n\u00e3o depende deles e que o \u00eaxito da miss\u00e3o n\u00e3o resulta das suas qualidades pessoais ou das t\u00e9cnicas sofisticadas postas ao servi\u00e7o da evangeliza\u00e7\u00e3o: somos todos instrumentos humildes, atrav\u00e9s dos quais Deus concretiza o seu projeto de salva\u00e7\u00e3o para o mundo&#8230; Para al\u00e9m do nosso esfor\u00e7o, da nossa entrega, da nossa doa\u00e7\u00e3o, das nossas t\u00e9cnicas, est\u00e1 o Esp\u00edrito de Deus que potencia e torna eficaz a Palavra que anunciamos. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO &#8211; <\/strong><strong>Mt 5,13-16<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abV\u00f3s sois o sal da terra. V\u00f3s sois a luz do mundo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abAssim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que est\u00e1 nos C\u00e9us\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no contexto do &#8220;serm\u00e3o da montanha&#8221; (cf. Mt 5-7). Jesus est\u00e1 (na vers\u00e3o de Mateus) no cimo de um monte, a apresentar a nova Lei que deve reger a caminhada do novo Povo de Deus na hist\u00f3ria (j\u00e1 vimos, no passado domingo, que a indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica &#8211; no cimo de um monte &#8211; nos transporta \u00e0 montanha do Sinai, onde Jahw\u00e9h Se revelou ao seu Povo e lhe deu a sua Lei; aqui Jesus \u00e9, portanto, apresentado como o Deus que, no cimo de um monte, d\u00e1 ao seu Povo os &#8220;mandamentos&#8221; da nova alian\u00e7a).<br \/>\nMateus agrupa, neste primeiro discurso, um conjunto de &#8220;ditos&#8221; de Jesus (provavelmente, pronunciados em contextos e ocasi\u00f5es diversas), destinados a proporcionar \u00e0 comunidade concreta a que o Evangelho se destinava, um conjunto de ensinamentos b\u00e1sicos para a vida crist\u00e3. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode considerar os seguintes aspetos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o essencial que este trecho do Evangelho nos apresenta \u00e9 esta: Deus prop\u00f4s-nos um projeto de liberta\u00e7\u00e3o e de salva\u00e7\u00e3o que conduzir\u00e1 \u00e0 inaugura\u00e7\u00e3o de um mundo novo, de felicidade e de paz sem fim; e aqueles que aderiram a essa proposta t\u00eam de testemunh\u00e1-la diante do mundo e dos homens com palavras e com gestos concretos, a fim de que o &#8220;Reino&#8221; se torne uma realidade. Como \u00e9 que me situo face a isto? Para mim, ser crist\u00e3o \u00e9 um compromisso s\u00e9rio, prof\u00e9tico, exigente, que me obriga a testemunhar o &#8220;Reino&#8221;, mesmo em ambientes adversos, ou \u00e9 um caminho &#8220;morno&#8221;, instalado, c\u00f3modo, de quem se sente em regra com Deus porque vai \u00e0 missa ao domingo e cumpre alguns ritos que a Igreja sugere?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu sou, dia a dia, o sal que d\u00e1 o sabor, que traz uma mais-valia de amor e de esperan\u00e7a \u00e0 vida daqueles que caminham ao meu lado? Para aqueles com quem lido todos os dias, sou uma personagem ins\u00edpida, incaracter\u00edstica, instalada numa mediocridade cinzenta, ou sou uma nota de alegria, de entusiasmo, de otimismo, de esperan\u00e7a numa vida nova vivida ao jeito do Evangelho, ao jeito do &#8220;Reino&#8221;? No meio do ego\u00edsmo, do desespero, do sem sentido que caracteriza a vida de tantos dos meus irm\u00e3os, eu dou um testemunho de um mundo novo de amor e de esperan\u00e7a?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser crist\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m ser uma luz acesa na noite do mundo, apontando os caminhos da vida, da liberdade, do amor, da fraternidade&#8230; Eu sou essa luz que aponta no sentido das coisas importantes, impedindo que a vida dos meus irm\u00e3os se gaste em frivolidades e bagatelas? Para os que vivem no sofrimento, na d\u00favida, no erro, para os que vivem de olhos no ch\u00e3o, eu sou a luz que aponta para o mais al\u00e9m e para a realidade libertadora do &#8220;Reino&#8221;?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aten\u00e7\u00e3o: eu n\u00e3o sou &#8220;a luz&#8221;, mas apenas um reflexo da &#8220;luz&#8221;&#8230; Quer dizer: as coisas bonitas que possam acontecer \u00e0 minha volta n\u00e3o s\u00e3o o resultado do exerc\u00edcio das minhas brilhantes qualidades, mas o resultado da a\u00e7\u00e3o de Deus em mim. \u00c9 Deus que \u00e9 &#8220;a luz&#8221; e que, atrav\u00e9s da minha fragilidade, apresenta a sua proposta de liberta\u00e7\u00e3o e de vida nova ao mundo. O disc\u00edpulo n\u00e3o deve, pois, preocupar-se em atrair sobre si o olhar dos homens; mas deve preocupar-se em conduzir o olhar e o cora\u00e7\u00e3o dos homens para Deus e para o &#8220;Reino&#8221;. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>\u00a0A proclama\u00e7\u00e3o da <strong>primeira leitura<\/strong> deve ser marcada pelo tom exortativo que est\u00e1 presente em todo o texto. Na segunda parte do texto deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o as diversas frases condicionais, aproveitando a expressividade que elas pretendem transmitir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o as frases mais longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es respeitando as pausas e respira\u00e7\u00f5es, articulando bem as diversas frases para uma clara compreens\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>V\u00d3S SOIS O SAL DA TERRA, A LUZ DO\u00a0MUNDO!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fort\u00edssimos os sabores da Mesa da Palavra de Deus neste Domingo V do Tempo Comum. Comecemos por onde se deve sempre come\u00e7ar. Pelo Evangelho, hoje Mateus 5,13-16, que, dada a sua import\u00e2ncia, sabor e sabedoria, aqui deixamos transcrito:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abV\u00f3s sois o sal da terra. Mas se o sal se tornar ins\u00edpido, com que o salgaremos? N\u00e3o serve para nada, sen\u00e3o para se deitar fora e ser calcado pelos homens. V\u00f3s sois a luz do mundo. N\u00e3o se pode esconder uma cidade situada sobre um monte. N\u00e3o se acende uma l\u00e2mpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro para alumiar todos os que est\u00e3o na casa. Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acab\u00e1mos de ouvir acordes como estes: \u00abV\u00f3s sois o SAL da terra\u00bb (Mateus 5,13); \u00abV\u00f3s sois a LUZ do mundo\u00bb (Mateus 5,14). O SAL d\u00e1 sabor. A LUZ alumia. O mundo inteiro por horizonte. \u00c9, portanto, necess\u00e1rio abrir os horizontes. O mundo \u00e9 a nossa casa. Compreenda-se j\u00e1 que o SAL e a LUZ s\u00e3o bel\u00edssimas met\u00e1foras das OBRAS que fazemos: \u00abAssim brilhe a vossa LUZ diante dos homens, para que vejam as vossas BOAS OBRAS\u00bb (Mateus 5,16). Mas entenda-se tamb\u00e9m de imediato que \u00abas nossas OBRAS BOAS\u00bb n\u00e3o s\u00e3o do dom\u00ednio das nossas m\u00e3os (a LUZ escapa-nos das m\u00e3os), mas do dom\u00ednio da Gra\u00e7a de Deus que, como em Maria, tamb\u00e9m em n\u00f3s \u00abfaz grandes coisas\u00bb (Lucas 1,49). S\u00e3o mesmo as OBRAS que se devem ler no cone de luz da LUZ e do SAL. De resto, \u00e9 sabido que, quimicamente falando, o SAL n\u00e3o pode perder o seu sabor. Mas um homem sem OBRAS BOAS \u00e9 ins\u00edpido e in\u00fatil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 tamb\u00e9m urgente entender bem que aquele plural \u00abV\u00f3s sois\u00bb se reveste seguramente de significado comunit\u00e1rio, como \u00e9 usual em Mateus, que nunca perde de vista a comunidade eclesial. Assim, sois v\u00f3s em comunidade que sois a Luz do mundo, que sois o Sal da terra, e n\u00e3o cada um por si. Assim tamb\u00e9m a l\u00e2mpada \u00e9 para alumiar todos os que est\u00e3o na casa, toda a comunidade da fam\u00edlia de Deus. E o sal, o sal da alian\u00e7a (Lev\u00edtico 2,13), l\u00e1 est\u00e1 tamb\u00e9m para dar o aut\u00eantico sabor da alian\u00e7a a toda a oferta feita pela comunidade a Deus (\u00caxodo 30,25; Lev\u00edtico 2,13), e a todo o rec\u00e9m-nascido a n\u00f3s dado por Deus (Ezequiel 4,16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim. O mundo \u00e9 a nossa casa. E, neste vasto mundo que habitamos, s\u00e3o muitos os irm\u00e3os que passam fome, que n\u00e3o t\u00eam casa, que andam nus. Para nossa vergonha, cerca de um bili\u00e3o e meio de irm\u00e3os nossos vivem abaixo do limiar da pobreza! Isa\u00edas 58,7-10 n\u00e3o nos deixa ficar insens\u00edveis perante este triste panorama, mas mostra-nos, em contraponto, que muitas vezes nos blindamos dentro das portas e das janelas do nosso ego\u00edsmo e comodismo. \u00c9 assim que nos tornamos ins\u00edpidos e deixamos apagar a nossa luz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro do Deuteron\u00f3mio atira-se contra a nossa tranquila indiferen\u00e7a: \u00abSe houver no meio de ti qualquer irm\u00e3o necessitado, n\u00e3o endure\u00e7as o teu cora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o feches a tua m\u00e3o\u00bb (Deuteron\u00f3mio 15,7). Precisamos, hoje mais do que nunca, de viver ao estilo de Jesus, Bom Pastor, e ao estilo do Bom Samaritano, com \u00abum cora\u00e7\u00e3o que v\u00ea\u00bb, para usar a express\u00e3o feliz de Bento XVI (<em>Deus caritas est<\/em>, 25 de dezembro de 2005, n.\u00ba 31<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 assim que Isa\u00edas 58,10 nos desafia literalmente (a\u00ed est\u00e1 o sabor das tradu\u00e7\u00f5es literais!) a \u00aboferecer ao faminto a tua alma (<em>nefesh<\/em>),\/ e saciar a alma (<em>nefesh<\/em>) do oprimido\u00bb. Trata-se de muito mais do que uma simples ajuda material. \u00c9 um abra\u00e7o entre duas almas, entre duas vidas, entre dois intensos desejos de viver, entre dois alentos de vida! Portanto, com o Deus criador e providente sempre por detr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 entende esta intensidade quem sabe que a sua LUZ \u00e9 reflexa, porque a recebe de Deus. \u00c9 assim, com \u00abum cora\u00e7\u00e3o que v\u00ea\u00bb \u00e0 flor da pele ou da alma, que S. Paulo n\u00e3o se apresenta no meio de n\u00f3s ou da comunidade de Corinto com fortes argumentos da sabedoria humana, conforme a sua li\u00e7\u00e3o de hoje (1 Cor\u00edntios 2,1-5). Ele quer que n\u00f3s compreendamos bem que a nossa f\u00e9 assenta em Cristo e no seu poder, e n\u00e3o em qualquer humano racioc\u00ednio e respetiva for\u00e7a. \u00abA fraqueza de Deus \u00e9 mais forte do que os homens\u00bb (1 Cor\u00edntios 1,25). E \u00abquando eu sou fraco, ent\u00e3o \u00e9 que eu sou forte\u00bb (2 Cor\u00edntios 12,10). Portanto, Paulo n\u00e3o se apresentou em Corinto cheio de si, mas cheio de Deus. N\u00e3o se anunciou (<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>) a si mesmo, mas a Cristo Jesus (2 Cor\u00edntios 4,5). Sim, \u00e9 a Luz que devemos saber levar em vasos de barro, para que se veja bem que esse tesouro e esse poder (<em>d\u00fdnamis<\/em>) v\u00eam de Deus, e n\u00e3o de n\u00f3s (2 Cor\u00edntios 4,7). \u00c9 o poder (<em>d\u00fdnamis<\/em>) de Deus que move Paulo (1 Cor\u00edntios 2,5), e que nos deve mover tamb\u00e9m a n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com tanta Luz a alumiar a nossa vida, e com tantos exemplos vindos da Escritura Santa, o nosso tempo \u00e9 sempre tempo dado para nos questionarmos de verdade, pondo em causa os nossos ego\u00edsmos e as nossas portas fechadas \u00e0 gra\u00e7a de Deus e aos irm\u00e3os que Ele nos deu: cheio de mim ou cheio de Ti? Estou no centro das aten\u00e7\u00f5es ou sei orientar todos os olhares para Ti? Conhe\u00e7o-Te e celebro-Te e dou testemunho da Tua Ressurrei\u00e7\u00e3o? Os meus atos anunciam a tua Vinda, isto \u00e9, revelam e desvelam a tua presen\u00e7a permanente? Ou ser\u00e1 que o meu olhar \u00e9 mau porque Tu \u00e9s Bom? (Mateus 20,15; cf. Ben-Sir\u00e1 14,9-10). Porque \u00e9 que eu tenho t\u00e3o poucos (ou nenhuns) encontros CONTIGO marcados na minha agenda? O que fa\u00e7o eu com o rel\u00f3gio na m\u00e3o o dia inteiro? Por que corro tanto e para onde corro tanto? Debru\u00e7o-me com amor, e com tempo, sobre os meus irm\u00e3os abandonados \u00e0 beira do caminho ou postos ali mesmo \u00e0 entrada da minha porta?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 112 \u00e9 irm\u00e3o g\u00e9meo do Salmo 111. Neste \u00e9 Deus o sujeito. Naquele o homem justo, \u00abimitador de Deus\u00bb. O Salmo de hoje tem apenas 77 palavras divididas por dez vers\u00edculos, em nove dos quais se desenha o homem justo, de cora\u00e7\u00e3o e m\u00e3os largas para dar com abund\u00e2ncia. Ao \u00edmpio \u00e9 reservado apenas um vers\u00edculo, e \u00e9 retratado s\u00f3 para ver o sucesso do justo e para se roer de raiva e de inveja at\u00e9 se atolar na ru\u00edna. O justo \u00e9 uma casa iluminada. O \u00edmpio desaparece nas trevas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o Senhor n\u00e3o construir a casa,<br \/>\nEm v\u00e3o trabalham os que a constroem.<br \/>\nSe o Senhor n\u00e3o guardar a cidade,<br \/>\nEm v\u00e3o vigiam as sentinelas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se pode esconder uma cidade<br \/>\nSituada no cimo de um monte,<br \/>\nOu sobre a linha do horizonte,<br \/>\nPorque alumia, alumia, alumia,<br \/>\nIrradia, irradia, irradia,<br \/>\nDe noite e de dia.<br \/>\nCidade de alto-a-baixo erguida,<br \/>\nComo um manto de orvalho ca\u00edda,<br \/>\nComo uma ermida,<br \/>\nUma jazida<br \/>\nDe luz<br \/>\nE de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo ao contr\u00e1rio do que vem nos manuais ou nos jornais,<br \/>\nLan\u00e7ai os fundamentos no c\u00e9u,<br \/>\nConstru\u00ed desde o cume,<br \/>\nSobre o gume da Palavra<br \/>\nQue de Deus vem<br \/>\nRasgar<br \/>\nE salgar os nossos destemperados cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D. Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Leitura-I-Domingo-V-do-Tempo-Comum-Ano-A-05.02.2023-Is-58-7-10.pdf\">Leitura I &#8211; Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 05.02.2023 (Is 58, 7-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Leitura-II-Domingo-V-do-Tempo-Comum-Ano-A-05.02.2023-1-Cor-2-1-5.pdf\">Leitura II &#8211; Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 05.02.2023 (1 Cor 2, 1-5)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Domingo-V-do-Tempo-Comum-Ano-A-05.02.2023-Lecionario.pdf\">Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 05.02.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Domingo-V-do-Tempo-Comum-Ano-A-05.02.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 05.02.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo IV do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 29.01.2023&#8243; tab_id=&#8221;1675675493963-323905ed-7595&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo IV do Tempo Comum &#8211; Ano A \u2013 29.01.2023<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Domingo-IV.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma das imagens neotestament\u00e1rias que mais me impressiona \u00e9 contemplar Jesus rodeado pelas multid\u00f5es. Num contexto onde as not\u00edcias n\u00e3o tinham o suporte de comunica\u00e7\u00e3o que conhecemos hoje, ver como eram tantos os homens e mulheres que iam ao encontro de Jesus, diz-nos como a palavra e a a\u00e7\u00e3o de Jesus eram portadoras de uma for\u00e7a absolutamente transformadora. Com toda a certeza, naquelas imensas multid\u00f5es estavam presentes as mais diversas motiva\u00e7\u00f5es: os que se abeiravam movidos pela curiosidade dos milagres e feitos narrados, os doentes e fragilizados movidos pelo interesse nalguma cura ou milagre, os desanimados com tantas palavras banais que buscavam uma palavra de alento e de esperan\u00e7a doadora de sentido para a sua vida\u2026 Tantos homens e mulheres, portadores de t\u00e3o d\u00edspares motiva\u00e7\u00f5es. Dois mil anos volvidos, integramos esta multid\u00e3o de homens e mulheres que se colocam em torno de Jesus e, por isso, devemos tamb\u00e9m interrogar-nos quais s\u00e3o as motiva\u00e7\u00f5es que invadem o nosso cora\u00e7\u00e3o: porque quero seguir Jesus? O que me move a escutar a Sua palavra? Quais as motiva\u00e7\u00f5es e interroga\u00e7\u00f5es que habitam o meu cora\u00e7\u00e3o e me fazem ir ao encontro de Jesus e da comunidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como as multid\u00f5es de outrora colocamo-nos em torno de Jesus e Ele conduz-nos ao cimo do monte. O ensino de Jesus conduz-nos ao centro da vida crist\u00e3: as bem-aventuran\u00e7as. A palavra de Jesus fala-nos da felicidade plena e verdadeira que exige atravessar o limiar da fr\u00e1gil condi\u00e7\u00e3o humana: a pobreza, a humildade, as l\u00e1grimas, a fome e a sede, a necessidade da miseric\u00f3rdia, a exigente tarefa da constru\u00e7\u00e3o da paz, a persegui\u00e7\u00e3o e o insulto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As bem-aventuran\u00e7as s\u00e3o o como afirma o Papa Francisco: \u00ab<em>o bilhete de identidade do crist\u00e3o<\/em>\u00bb e, por isso, continua o Santo Padre: \u00ab<em>se um de n\u00f3s se questionar sobre \u201ccomo fazer para chegar a ser um bom crist\u00e3o?\u201d, a resposta \u00e9 simples: \u00e9 necess\u00e1rio fazer \u2013 cada qual a seu modo \u2013 aquilo que Jesus disse no serm\u00e3o das bem-aventuran\u00e7as.\u00a0Nelas est\u00e1 delineado o rosto do Mestre, que somos chamados a deixar transparecer no dia-a-dia da nossa vida. A palavra \u00abfeliz\u00bb ou \u00abbem-aventurado\u00bb torna-se sin\u00f3nimo de \u00absanto\u00bb, porque expressa que a pessoa fiel a Deus e que vive a sua Palavra alcan\u00e7a, na doa\u00e7\u00e3o de si mesma, a verdadeira felicidade<\/em>\u00bb (GE 63-64)<em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus \u00e9 o Bem-aventurado por excel\u00eancia: \u00e9 o pobre em Esp\u00edrito que inaugura no tempo e na hist\u00f3ria o Reino dos C\u00e9us. Ele \u00e9 Manso e Humilde de cora\u00e7\u00e3o e, assim, o Seu cora\u00e7\u00e3o torna-se uma escola onde queremos aprender em cada dia. Ele assume sobre si as nossas dores e ang\u00fastias e chorando connosco enxuga as nossas l\u00e1grimas e anuncia o mist\u00e9rio da consola\u00e7\u00e3o. Ele que teve fome no deserto e sede no alto da Cruz sacia a nossa fome e sede e oferece o Seu Corpo como alimento e o Seu Sangue como bebida verdadeira. Ele \u00e9 o rosto da miseric\u00f3rdia do Pai e faz-nos alcan\u00e7ar a miseric\u00f3rdia que o Seu cora\u00e7\u00e3o cheio de amor e ternura distribui sobre cada um de n\u00f3s. Ele \u00e9 o puro de cora\u00e7\u00e3o que pelo Sangue da Sua Cruz nos purifica de toda a imundice. Ele \u00e9 o Pr\u00edncipe da Paz que nos convida a viver como construtores da paz nova que o Seu amor veio trazer. Ele que foi perseguido, maltratado e insultado por amor do Reino dos C\u00e9us fortalece a nossa caminhada na exigente tarefa de ser testemunha do Seu amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Movidos pela proposta exigente das bem-aventuran\u00e7as, reconhecemos como \u00ab<em>Deus escolheu o que \u00e9 louco aos olhos do mundo, para confundir os s\u00e1bios<\/em>\u00bb, reconhecemos como a nossa pequenez e fraqueza s\u00f3 pode ser testemunho de gra\u00e7a e miseric\u00f3rdia, quando se deixa conduzir por Jesus at\u00e9 ao cimo do monte e, guiado pelas suas palavras, olha o mundo e a hist\u00f3ria com esse horizonte de plenitude que o amor de Deus oferece \u00e0 nossa vida. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Evangelho deste Domingo prop\u00f5e \u00e0 nossa reflex\u00e3o um texto absolutamente decisivo para a constru\u00e7\u00e3o da nossa identidade crist\u00e3. Na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica\u00a0<em>Gaudete et Exsultate<\/em>, o Papa Francisco oferece-nos uma bel\u00edssima medita\u00e7\u00e3o e interpela\u00e7\u00e3o acerca deste texto nos n\u00fameros 63 a 94. A leitura deste texto \u00e9 um \u00f3timo instrumento para o aprofundamento deste evangelho e pode ser um importante ponto de partida para um exerc\u00edcio de exame de consci\u00eancia. Chamados \u00e0 santidade, somos chamados ao caminho exigente das bem-aventuran\u00e7as para que a nossa vida se conforme cada vez mais e melhor com a vontade de Deus. <em>i<\/em><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Percorremos liturgicamente a 1\u00aa parte do Tempo Comum que nos levar\u00e1 at\u00e9 \u00e0 Quaresma. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Sof 2,3; 3,12-13<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abProcurai o Senhor, v\u00f3s todos os humildes da terra, que obedeceis aos seus mandamentos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O profeta Sofonias pregou em Jerusal\u00e9m na \u00e9poca do rei Josias (Josias reinou entre 639 e 609 a.C.). Os comentadores costumam situar a profecia de Sofonias durante o tempo de menoridade de Josias (que subiu ao trono aos oito anos); durante esse tempo, foi um Conselho real que presidiu aos destinos de Jud\u00e1.<br \/>\nTrata-se de uma \u00e9poca dif\u00edcil para o Povo de Deus. Jud\u00e1 est\u00e1 &#8211; h\u00e1 cerca de um s\u00e9culo &#8211; submetida aos ass\u00edrios (desde que Acaz pediu ajuda a Tiglat-Pileser III contra Damasco e a Samaria, no ano 734 a.C.); a influ\u00eancia estrangeira sente-se em todos os degraus da vida nacional e a na\u00e7\u00e3o sofre as consequ\u00eancias da invas\u00e3o de costumes estranhos e de pr\u00e1ticas pag\u00e3s. Por outro lado, o pa\u00eds acaba de sair do reinado do \u00edmpio Manass\u00e9s (698-643 a.C.), que reconstruiu os lugares de culto aos deuses estrangeiros, levantou altares a Baal, ofereceu o pr\u00f3prio filho em holocausto, dedicou-se \u00e0 adivinha\u00e7\u00e3o e \u00e0 magia, colocou no Templo de Jerusal\u00e9m a imagem de Astarte (cf. 2 Re 21,3-9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aos pecados contra Jahw\u00e9h e contra a alian\u00e7a, somam-se as injusti\u00e7as que, todos os dias, atingem os mais pobres e desprotegidos. Os pr\u00edncipes e ministros abusam da sua autoridade e cometem arbitrariedades, os ju\u00edzes s\u00e3o corruptos e os comerciantes especulam com a mis\u00e9ria&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sofonias est\u00e1 consciente de que Jahw\u00e9h n\u00e3o pode continuar a pactuar com o pecado do seu Povo; vai chegar o dia do Senhor, isto \u00e9, o dia da interven\u00e7\u00e3o de Deus em que os maus ser\u00e3o castigados e a injusti\u00e7a ser\u00e1 banida da terra. Da ira do Senhor escapar\u00e3o, contudo, os humildes e os pobres, os que se mantiveram fi\u00e9is \u00e0 alian\u00e7a. O fim da prega\u00e7\u00e3o de Sofonias n\u00e3o \u00e9, contudo, anunciar o castigo; mas \u00e9 provocar a convers\u00e3o, passo fundamental para chegar \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar, para a reflex\u00e3o, os seguintes pontos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Deus que Se revela na palavra e na interpela\u00e7\u00e3o de Sofonias \u00e9 o Deus que n\u00e3o pactua com os orgulhosos e prepotentes que dominam o mundo e que pretendem moldar a hist\u00f3ria com a sua l\u00f3gica. A primeira indica\u00e7\u00e3o que a Palavra de Deus hoje nos fornece \u00e9 esta: o nosso Deus n\u00e3o est\u00e1 onde se cultiva a viol\u00eancia e a lei da for\u00e7a, nem apoia a pol\u00edtica dos dominadores do mundo &#8211; mesmo que eles pretendam defender os valores de Deus e da civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Os valores de Deus n\u00e3o se defendem com uma l\u00f3gica de imposi\u00e7\u00e3o, de viol\u00eancia, de apelo \u00e0 for\u00e7a. Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria e aos acontecimentos: sempre que algu\u00e9m se apresenta em nome de Deus a impor ao mundo uma determinada l\u00f3gica, temos de desconfiar; Deus nunca esteve desse lado e esses nunca foram os m\u00e9todos de Deus. Sofonias garante: para os prepotentes e orgulhosos, chegar\u00e1 o dia da ira de Deus; e, nesse dia, ser\u00e3o os humildes e os pobres que se sentar\u00e3o \u00e0 mesa com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A nossa civiliza\u00e7\u00e3o ocidental diz-se crist\u00e3, mas est\u00e1 ainda longe de assimilar a l\u00f3gica de Deus. A l\u00f3gica da nossa sociedade exalta os que t\u00eam poder, os que triunfam por todos os meios, os poderosos, os que vergam a hist\u00f3ria e os homens a golpes de poder, de esperteza e de for\u00e7a&#8230; Hoje, como ontem, a sociedade exalta os que triunfam e marginaliza e rejeita os pobres, os d\u00e9beis, os simples, os pac\u00edficos, os que n\u00e3o se fazem ouvir nos are\u00f3pagos do poder e dos mass-media, aqueles que recusam impor-se e mandar nos outros, aqueles que est\u00e3o \u00e0 margem dos acontecimentos sociais que re\u00fanem a fina-flor do jet-set, aqueles que n\u00e3o aparecem nas p\u00e1ginas das revistas da moda. Podemos deixar que a sociedade se construa na base destes pressupostos? Que podemos fazer para que o nosso mundo se construa de acordo com os valores de Deus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O apelo \u00e0 convers\u00e3o significa objetivamente, na perspetiva de Sofonias, a ren\u00fancia ao orgulho, \u00e0 prepot\u00eancia, ao ego\u00edsmo e um regresso \u00e0 comunh\u00e3o com Deus e com os irm\u00e3os. Estamos dispostos, pessoalmente, a este caminho de convers\u00e3o? Estamos dispostos a renunciar a uma l\u00f3gica de imposi\u00e7\u00e3o, de prepot\u00eancia, de orgulho, de autoritarismo, de autossufici\u00eancia, quer na nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus, quer na nossa rela\u00e7\u00e3o com os outros homens? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a0145 (146)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> Bem-aventurados os pobres em esp\u00edrito, porque deles \u00e9 o reino dos C\u00e9us<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Cor 1,26-31<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abMas Deus escolheu o que \u00e9 louco aos olhos do mundo para confundir os s\u00e1bios\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vimos, na passada semana, que um dos graves problemas da comunidade crist\u00e3 de Corinto era a identifica\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia crist\u00e3 com uma escola de sabedoria: os crist\u00e3os de Corinto &#8211; na linha do que acontecia nas v\u00e1rias escolas de filosofia que infestavam a cidade &#8211; viam v\u00e1rias figuras proeminentes do cristianismo primitivo como mestres de uma doutrina e aderiam a essas figuras, esperando encontrar nelas uma proposta filos\u00f3fica cred\u00edvel, que os conduzisse \u00e0 plenitude da sabedoria e da realiza\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 de crer que os v\u00e1rios adeptos desses v\u00e1rios mestres se confrontassem na comunidade, procurando demonstrar a excel\u00eancia e a superior sabedoria do mestre escolhido. Ao saber isto, Paulo ficou muito alarmado: esta perspetiva punha em causa o essencial da f\u00e9. Paulo vai esfor\u00e7ar-se, ent\u00e3o, por demonstrar aos cor\u00edntios que entre os crist\u00e3os n\u00e3o h\u00e1 sen\u00e3o um mestre, que \u00e9 Jesus Cristo; e a experi\u00eancia crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 a busca de uma filosofia coerente, brilhante, elegante, que conduza \u00e0 sabedoria, entendida \u00e0 maneira dos gregos. Ali\u00e1s, Cristo n\u00e3o foi um mestre que se distinguiu pela eleg\u00e2ncia das suas palavras, pela sua arte orat\u00f3ria ou pela l\u00f3gica do seu discurso filos\u00f3fico&#8230; Ele foi o Deus que, por amor, veio ao encontro dos homens e lhes ofereceu a salva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pela l\u00f3gica do poder ou pela eleg\u00e2ncia das palavras, mas atrav\u00e9s do dom da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O caminho crist\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma busca de sabedoria humana, mas uma ades\u00e3o a Cristo crucificado &#8211; o Cristo do amor e do dom da vida. N&#8217;Ele manifesta-se, de forma humanamente desconcertante, mas plena e definitiva, a for\u00e7a salvadora de Deus. \u00c9 a\u00ed e em mais nenhum lado que os cor\u00edntios devem procurar a verdadeira sabedoria que conduz \u00e0 vida eterna.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o e a partilha podem considerar as seguintes quest\u00f5es<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma percentagem significativa dos homens do nosso tempo est\u00e1 convencida de que o segredo da realiza\u00e7\u00e3o plena do homem est\u00e1 em fatores humanos (prepara\u00e7\u00e3o intelectual, \u00eaxito profissional, reconhecimento social, bem-estar econ\u00f3mico, poder pol\u00edtico, etc.); mas Paulo avisa que apostar tudo nesses elementos \u00e9 jogar no &#8220;cavalo errado&#8221;: o homem s\u00f3 encontra a realiza\u00e7\u00e3o plena, quando descobre Cristo crucificado e aprende com Ele o amor total e o dom da vida. Para mim, qual destas duas propostas faz mais sentido?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A teologia aqui apresentada por Paulo diz-nos que o Deus em quem acreditamos n\u00e3o \u00e9 o Deus que s\u00f3 escolhe os ricos, os poderosos, os influentes, os de &#8220;sangue azul&#8221;, para realizar a sua obra no mundo; mas que o nosso Deus \u00e9 o Deus que n\u00e3o faz ace\u00e7\u00e3o de pessoas e que, quase sempre, se serve da fraqueza, da fragilidade, da finitude para levar avante o seu projeto de salva\u00e7\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o se trata, aqui, de valorizar romanticamente a pobreza, ou de apresentar Deus como o chefe de um sindicato da classe oper\u00e1ria, a reivindicar o poder para as classes desfavorecidas; trata-se de revelar o verdadeiro rosto de um Deus que Se solidariza com os pobres, com os humilhados, com os ofendidos, com os explorados de todos os tempos e a todos oferece, sem distin\u00e7\u00e3o, a salva\u00e7\u00e3o. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 5, 1-12a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abNaquele tempo, ao ver as multid\u00f5es, Jesus subiu ao monte e sentou-Se\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abBem-aventurados os que promovem a paz, porque ser\u00e3o chamados filhos de Deus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abAlegrai-vos e exultai, porque \u00e9 grande nos C\u00e9us a vossa recompensa\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Depois de dizer quem \u00e9 Jesus (Mt 1,1-2,23) e de definir a sua miss\u00e3o (cf. Mt 3,1-4,16), Mateus vai apresentar a concretiza\u00e7\u00e3o dessa miss\u00e3o: com palavras e com gestos, Jesus prop\u00f5e aos disc\u00edpulos e \u00e0s multid\u00f5es o &#8220;Reino&#8221;. Neste enquadramento, Mateus prop\u00f5e-nos hoje um discurso de Jesus sobre o &#8220;Reino&#8221; e a sua l\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma caracter\u00edstica importante do Evangelho segundo Mateus reside na import\u00e2ncia dada pelo evangelista aos &#8220;ditos&#8221; de Jesus. Ao longo do Evangelho segundo Mateus aparecem cinco longos discursos (cf. Mt 5-7; 10; 13; 18; 24-25), nos quais Mateus junta &#8220;ditos&#8221; e ensinamentos provavelmente proferidos por Jesus em v\u00e1rias ocasi\u00f5es e contextos. \u00c9 prov\u00e1vel que o autor do primeiro Evangelho visse nesses cinco discursos uma nova Lei, destinada a substituir a antiga Lei dada ao Povo por meio de Mois\u00e9s e escrita nos cinco livros do Pentateuco.<br \/>\nO primeiro discurso de Jesus &#8211; do qual o Evangelho que nos \u00e9 hoje proposto \u00e9 a primeira parte &#8211; \u00e9 conhecido como o &#8220;serm\u00e3o da montanha&#8221; (cf. Mt 5-7). Agrupa um conjunto de palavras de Jesus, que Mateus colecionou com a evidente inten\u00e7\u00e3o de proporcionar \u00e0 sua comunidade uma s\u00e9rie de ensinamentos b\u00e1sicos para a vida crist\u00e3. O evangelista procurava, assim, oferecer \u00e0 comunidade crist\u00e3 um novo c\u00f3digo \u00e9tico, uma nova Lei, que superasse a antiga Lei que guiava o Povo de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mateus situa esta interven\u00e7\u00e3o de Jesus no cimo de um monte. A indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica n\u00e3o \u00e9 inocente: transporta-nos \u00e0 montanha da Lei (Sinai), onde Deus Se revelou e deu ao seu Povo a antiga Lei. Agora \u00e9 Jesus, que, numa montanha, oferece ao novo Povo de Deus a nova Lei que deve guiar todos os que est\u00e3o interessados em aderir ao &#8220;Reino&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As &#8220;bem-aventuran\u00e7as&#8221; que, neste primeiro discurso, Mateus coloca na boca de Jesus, s\u00e3o consideravelmente diferentes das &#8220;bem-aventuran\u00e7as&#8221; propostas por Lucas (cf. Lc 6,20-26). Mateus tem nove &#8220;bem-aventuran\u00e7as&#8221;, enquanto que Lucas s\u00f3 apresenta quatro; al\u00e9m disso, Lucas prossegue com quatro &#8220;maldi\u00e7\u00f5es&#8221;, que est\u00e3o ausentes do texto mateano; outras notas caracter\u00edsticas da vers\u00e3o de Mateus s\u00e3o a espiritualiza\u00e7\u00e3o (os &#8220;pobres&#8221; de Lucas s\u00e3o, para Mateus, os &#8220;pobres em esp\u00edrito&#8221;) e a aplica\u00e7\u00e3o dos &#8220;ditos&#8221; originais de Jesus \u00e0 vida da comunidade e ao comportamento dos crist\u00e3os. \u00c9 muito prov\u00e1vel que o texto de Lucas seja mais fiel \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o original e que o texto de Mateus tenha sido mais trabalhado. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o e a partilha podem fazer-se \u00e0 volta dos seguintes elementos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus diz: &#8220;felizes os pobres em esp\u00edrito&#8221;; o mundo diz: &#8220;felizes v\u00f3s os que tendes dinheiro &#8211; muito dinheiro &#8211; e sabeis us\u00e1-lo para comprar influ\u00eancias, comodidade, poder, seguran\u00e7a, bem-estar, pois \u00e9 o dinheiro que faz andar o mundo e nos torna mais poderosos, mais livres e mais felizes&#8221;. Quem \u00e9, realmente, feliz?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus diz: &#8220;felizes os mansos&#8221;; o mundo diz: &#8220;felizes v\u00f3s os que respondeis na mesma moeda quando vos provocam, que respondeis \u00e0 viol\u00eancia com uma viol\u00eancia ainda maior, pois s\u00f3 a linguagem da for\u00e7a \u00e9 eficaz para lidar com a viol\u00eancia e a injusti\u00e7a&#8221;. Quem tem raz\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus diz: &#8220;felizes os que choram&#8221;; o mundo diz: &#8220;felizes v\u00f3s os que n\u00e3o tendes motivos para chorar, porque a vossa vida \u00e9 sempre uma festa, porque vos moveis nas altas esferas da sociedade e tendes tudo para serdes felizes: casa com piscina, carro com telefone e ar condicionado, amigos poderosos, uma conta banc\u00e1ria interessante e um bom emprego arranjado pelo vosso amigo ministro&#8221;. Onde est\u00e1 a verdadeira felicidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus diz: &#8220;felizes os que t\u00eam \u00e2nsia de cumprir a vontade de Deus&#8221;; o mundo diz: &#8220;felizes v\u00f3s os que n\u00e3o dependeis de preconceitos ultrapassados e n\u00e3o acreditais num deus que vos diz o que deveis e n\u00e3o deveis fazer, porque assim sois mais livres&#8221;. Onde est\u00e1 a verdadeira liberdade, que enche de felicidade o cora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus diz: &#8220;felizes os que tratam os outros com miseric\u00f3rdia&#8221;; o mundo diz: &#8220;felizes v\u00f3s quando desempenhais o vosso papel sem vos deixardes comover pela mis\u00e9ria e pelo sofrimento dos outros, pois quem se comove e tem miseric\u00f3rdia acabar\u00e1 por nunca ser eficaz neste mundo t\u00e3o competitivo&#8221;. Qual \u00e9 o verdadeiro fundamento de uma sociedade mais justa e mais fraterna?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus diz: &#8220;felizes os sinceros de cora\u00e7\u00e3o&#8221;; o mundo diz: &#8220;felizes v\u00f3s quando sabeis mentir e fingir para levar a \u00e1gua ao vosso moinho, pois a verdade e a sinceridade destroem muitas carreiras e esperan\u00e7as de sucesso&#8221;. Onde est\u00e1 a verdade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus diz: &#8220;felizes os que procuram construir a paz entre os homens&#8221;; o mundo diz: &#8220;felizes v\u00f3s os que n\u00e3o tendes medo da guerra, da competi\u00e7\u00e3o, que sois duros e insens\u00edveis, que n\u00e3o tendes medo de lutar contra os outros e sois capazes de os vencer, pois s\u00f3 assim podereis ser homens e mulheres de sucesso&#8221;. O que \u00e9 que torna o mundo melhor: a paz ou a guerra?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus diz: &#8220;felizes os que s\u00e3o perseguidos por cumprirem a vontade de Deus&#8221;; o mundo diz: &#8220;felizes v\u00f3s os que j\u00e1 entendestes como \u00e9 mais seguro e mais f\u00e1cil fazer o jogo dos poderosos e estar sempre de acordo com eles, pois s\u00f3 assim podeis subir na vida e ter \u00eaxito na vossa carreira&#8221;. O que \u00e9 que nos eleva \u00e0 vida plena? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>primeira leitura<\/strong> exige uma acurada prepara\u00e7\u00e3o das pausas e respira\u00e7\u00f5es, articulando as diferentes frases e ora\u00e7\u00f5es para uma correta proclama\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na <strong>segunda leitura<\/strong>, deve prestar-se aten\u00e7\u00e3o ao tom exortativo que Paulo emprega e ter especial cuidado na express\u00e3o \u00ab<em>naturalmente falando<\/em>\u00bb que indica o tom coloquial do discurso. A frase final que se encontra entre aspas marca o culminar do texto e deve ser pronunciada com especial cuidado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>FELIZES, FELIZES, FELIZES!<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Neste Domingo IV do Tempo Comum, iniciamos a proclama\u00e7\u00e3o e a escuta qualificada do grande Discurso program\u00e1tico de Jesus, ou Discurso da Montanha, que nos ocupar\u00e1 durante seis Domingos, do IV ao IX. Hoje, Jesus sobe \u00e0 MONTANHA para dizer a raps\u00f3dia mais bela e encantat\u00f3ria e revolucion\u00e1ria das \u00abFELICITA\u00c7\u00d5ES\u00bb ou \u00abBEM-AVENTURAN\u00c7AS\u00bb. \u00c9 verdade. H\u00e1 certas maravilhas que s\u00f3 se podem dizer nas alturas e compreender nas alturas, perto do c\u00e9u, como que \u00e0 altura e velocidade de cruzeiro. Destas FELICITA\u00c7\u00d5ES envolve-nos, de facto, a sua cad\u00eancia encantat\u00f3ria ainda antes dos seus conte\u00fados. Para entrar no cora\u00e7\u00e3o destas fragr\u00e2ncias, \u00e9 preciso levantar o cora\u00e7\u00e3o (<em>sursum corda<\/em>), e ir com os p\u00e1ssaros que Deus alimenta em pleno voo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 S\u00f3 um Deus belo e bom pode e sabe felicitar os pobres. Com um tom carregado de felicidade, n\u00e3o restritivo, mas alargado a toda a humanidade, as \u00abFelicita\u00e7\u00f5es\u00bb do Rei novo atingem todas as pessoas, chegando \u00e0s franjas da sociedade, onde est\u00e3o os pobres de verdade. No meio destas \u00abFelicita\u00e7\u00f5es\u00bb \u2013 \u00e9 por nove vezes que soa o termo \u00abFELIZES \u2013, note-se a centralidade da MISERIC\u00d3RDIA (5.\u00aa felicita\u00e7\u00e3o) (5,7). Atente-se ainda na diferente formula\u00e7\u00e3o desta felicita\u00e7\u00e3o. Salta \u00e0 vista que todas as outras se abrem a uma recompensa imediata ou futura. A MISERIC\u00d3RDIA, por\u00e9m, roda sobre si mesma, retornando, por obra de Deus (passivo divino ou teol\u00f3gico) sobre os MISERICORDIOSOS. Notem-se igualmente as inclus\u00f5es assentes na repeti\u00e7\u00e3o da locu\u00e7\u00e3o \u00abreino dos c\u00e9us\u00bb (1.\u00aa e 8.\u00aa) (5,3 e 10) e do termo \u00abjusti\u00e7a\u00bb (4.\u00aa e 8.\u00aa) (5,6 e 10). Estas inclus\u00f5es convidam-nos tamb\u00e9m ao reconhecimento de duas t\u00e1buas de felicita\u00e7\u00f5es, a primeira \u00e0 volta da POBREZA EVANG\u00c9LICA (5,3-6), e a segunda \u00e0 volta da BONDADE DO CORA\u00c7\u00c3O (5,7-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<strong>5<\/strong>,<sup>1<\/sup>Vendo as multid\u00f5es,\u00a0<em>subiu<\/em>\u00a0\u00e0 montanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo-se\u00a0<em>sentado<\/em>, vieram ter com ele os seus disc\u00edpulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>2<\/sup>Abrindo ent\u00e3o a sua boca,\u00a0<em>ensinava-os<\/em>\u00a0dizendo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>3<\/sup>FELIZES (<em>mak\u00e1rioi<\/em>\u00a0\/\u00a0<em>\u2019ashr\u00ea<\/em>) os pobres de esp\u00edrito (<em>pt\u00f4cho\u00ec t\u00f4 pne\u00famati<\/em>),<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>porque deles \u00e9 o reino dos c\u00e9us<\/em>;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>4<\/sup>FELIZES os aflitos,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">porque ser\u00e3o consolados;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>5<\/sup>FELIZES os mansos,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">porque herdar\u00e3o a terra;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>6<\/sup>FELIZES os que t\u00eam fome e sede de\u00a0<u>justi\u00e7a<\/u>,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">porque ser\u00e3o saciados;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>7<\/sup>FELIZES os misericordiosos (<em>ele\u00eamones<\/em>),<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">porque lhes ser\u00e1 feita miseric\u00f3rdia (<em>ele\u00eath\u00easontai<\/em>);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<sup>8<\/sup>FELIZES os puros de cora\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">porque ver\u00e3o a Deus;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>9<\/sup>FELIZES os fazedores de paz,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">porque ser\u00e3o chamados filhos de Deus;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>10<\/sup>FELIZES os perseguidos por causa da\u00a0<em>justi\u00e7a<\/em>,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>porque deles \u00e9 o reino dos c\u00e9us<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>11<\/sup>FELIZES sois v\u00f3s, quando vos ultrajarem e perseguirem,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e, mentindo, disserem contra v\u00f3s toda a esp\u00e9cie de mal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">por causa de mim (<em>\u00e9neken emo\u00fb<\/em>)\u00bb (Mateus 5,1-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os \u00abpobres de esp\u00edrito\u00bb, aqui referidos, n\u00e3o s\u00e3o pobres de Esp\u00edrito Santo nem de intelig\u00eancia, mas pessoas humildes, no sentido em que uma pessoa humilde \u00e9 \u00abbaixa de\u00a0<em>r\u00fbah<\/em>\u00bb (<em>sh<sup>e<\/sup>phal r\u00fbah<\/em>) (Prov\u00e9rbios 16,19; 29,23), isto \u00e9, sem espa\u00e7o f\u00edsico, econ\u00f3mico, social, cultural ou psicol\u00f3gico. N\u00e3o precisam de se afirmar. S\u00e3o claramente os \u00faltimos da sociedade, mas que, na sua humildade e pobreza, desafiam a sociedade, pois os\u00a0<em>ptocho\u00ed<\/em>\u00a0s\u00e3o pobres ao lado de gente rica, acomodada, que estendem a m\u00e3o para n\u00f3s, apontando o dedo ao nosso ego\u00edsmo, afirma\u00e7\u00e3o, instala\u00e7\u00e3o e comodidade. Situa\u00e7\u00e3o que, seguramente, n\u00e3o nos deixa de boa consci\u00eancia, encarregando-se a Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica\u00a0<em>Lumen Gentium<\/em>, n.\u00ba 9, de nos lembrar que \u00abApouve a Deus salvar e santificar os homens, n\u00e3o individualmente, exclu\u00edda qualquer liga\u00e7\u00e3o entre eles, mas constituindo-os em povo\u00bb. O Povo de Deus, a Igreja de Deus, n\u00e3o s\u00e3o alguns tranquilamente instalados entre paredes douradas, num c\u00edrculo restrito, mas uma imensa comunh\u00e3o de irm\u00e3os sem paredes nem barreiras de qualquer esp\u00e9cie.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Note-se ainda que, na mentalidade e na l\u00edngua hebraica, \u00abFELIZES\u00bb ou \u00abBEM-AVENTURADOS\u00bb diz-se\u00a0<em>\u2019ashr\u00ea<\/em>, termo que qualifica os pioneiros, aqueles que abrem caminhos novos e bons e belos e de vida nova e boa e bela para o mundo. E \u00e9 verdade, por paradoxal que pare\u00e7a. Foram e continuam a ser os Santos e os Pobres os que verdadeiramente abrem caminhos novos e belos neste mundo enlatado, saciado, enjoado, dormente e anestesiado em que vivemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aos misericordiosos ser\u00e1 feita (por Deus) miseric\u00f3rdia. Bel\u00edssimo c\u00edrculo bem no centro das Bem-Aventuran\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A profecia de Sofonias (2,3; 3,12-13) faz resson\u00e2ncia desta nova e bela maneira de viver, trazendo para primeiro plano aqueles que d\u00e3o lugar a Deus, que est\u00e3o abertos \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Deus, os pobres e os humildes, que tudo recebem de Deus, e em Deus encontram ref\u00fagio, sossego e felicidade, entrando assim na rota de cruzeiro das FELICITA\u00c7\u00d5ES!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E S\u00e3o Paulo, na li\u00e7\u00e3o de hoje da I Carta aos Cor\u00edntios (1,26-31), faz-nos voltar completamente para Deus, para sabermos quem somos: \u00abVede, pois, quem sois, irm\u00e3os, v\u00f3s que fostes chamados por Deus\u00bb (1 Cor\u00edntios 1,26). Se n\u00e3o ouvirmos Deus a chamar por n\u00f3s, se n\u00e3o ouvirmos Deus a dizer o nosso nome, isto \u00e9, a criar-nos e a cuidar de n\u00f3s, \u00e9 certo que n\u00e3o sabemos quem somos, n\u00e3o sabemos qual \u00e9 a nossa identidade!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 assim que o Salmo 146, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de carrilh\u00e3o musical, nos convida a cantar os \u00abdoze bel\u00edssimos nomes\u00bb de Deus, decalcando aqui a express\u00e3o mu\u00e7ulmana que exalta os \u00ab99 bel\u00edssimos nomes\u00bb de Allah. \u00c9 claro que os doze nomes que passaremos em revista n\u00e3o celebram tanto a ess\u00eancia divina, mas a sua a\u00e7\u00e3o em favor das suas criaturas, sobretudo dos mais pobres e desfavorecidos. \u00c9 assim que o Salmo evoca o Deus que fez o c\u00e9u, a terra, o mar, o Deus Criador (1), o Deus da verdade (<em>\u02bcemet<\/em>) (2), o Deus que faz justi\u00e7a aos oprimidos, defensor dos \u00faltimos (3), que d\u00e1 p\u00e3o aos famintos (4), que liberta os prisioneiros (5), que abre os olhos aos cegos (6), que levanta os abatidos (7), que ama os justos (8), que protege os estrangeiros (9), que sustenta o \u00f3rf\u00e3o e a vi\u00fava (10), que entrava o caminho dos \u00edmpios (11), o Deus que reina eternamente (12). Este maravilhoso Salmo ajuda-nos a saborear musicalmente toda a liturgia de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D. Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Leitura-I-Domingo-IV-do-Tempo-Comum-Ano-A-29.01.2023-Sof-2-3-3-12-13.pdf\">Leitura I &#8211; Domingo IV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 29.01.2023 (Sof 2, 3; 3, 12-13)<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Leitura-II-Domingo-IV-do-Tempo-Comum-Ano-A-29.01.2023-1-Cor-1-23-31.pdf\">Leitura II &#8211; Domingo IV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 29.01.2023 (1 Cor 1, 23-31)<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Domingo-IV-do-Tempo-Comum-Ano-A-29.01.2023-Lecionario.pdf\">Domingo IV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 29.01.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Domingo-IV-do-Tempo-Comum-Ano-A-29.01.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo IV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 29.01.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo III do Tempo Comum \u2013 Domingo da Palavra \u2013 Ano A \u2013 22.01.2023&#8243; tab_id=&#8221;1675077556632-6f2ac166-c56c&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo III do Tempo Comum \u2013 Domingo da Palavra &#8211; Ano A \u2013 22.01.2023<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Domingo-III.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"500\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Liturgia da Palavra deste Domingo convida-nos a olhar a nossa vida como um lugar din\u00e2mico, onde seguir Jesus implica uma permanente convers\u00e3o que abre a nossa vida ao des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o que Deus nos oferece em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As trevas s\u00e3o vencidas pela luz esplendorosa que brota do Cora\u00e7\u00e3o de Deus: \u00ab<em>o povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz se levantou<\/em>\u00bb. Na verdade, peregrinando os trilhos da hist\u00f3ria s\u00e3o muitas as sombras que nos assaltam no caminho, contudo, elas n\u00e3o t\u00eam a \u00faltima palavra. No provis\u00f3rio da dor e do sofrimento, irrompe a certeza incorrupt\u00edvel de que o amor de Jesus e a Sua luz s\u00e3o mais fortes que as trevas e sombras que nos envolvem. Uma doen\u00e7a, a partida de algu\u00e9m que amamos, a falta de esperan\u00e7a diante das dificuldades e tantos outros desafios e obst\u00e1culos fazem parte da nossa condi\u00e7\u00e3o humana e esta dif\u00edcil e exigente condi\u00e7\u00e3o seriam catastr\u00f3ficas se estiv\u00e9ssemos abandonados unicamente \u00e0 nossa capacidade humana. Somos obra das m\u00e3os de Deus, salvos e redimidos pelo amor de Jesus Cristo e olhamos a nossa exist\u00eancia e as vicissitudes da hist\u00f3ria com o olhar amoroso Daquele que por n\u00f3s morreu e ressuscitou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como outrora Sim\u00e3o e Andr\u00e9, Tiago e Jo\u00e3o tamb\u00e9m n\u00f3s contemplamos Jesus que atravessa o nosso quotidiano, vem ao nosso encontro, \u00e0s fadigas e canseiras das nossas redes tantas vezes vazias. Irrompendo no concreto da nossa hist\u00f3ria, Jesus prop\u00f5em-nos um novo rumo e um novo sentido: \u00ab<em>Vinde e segui-Me<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece t\u00e3o vaga a proposta. Contudo, seguir Jesus \u00e9 a escolha decisiva que inaugura um tempo novo na nossa exist\u00eancia. N\u00e3o quer dizer que por seguirmos Jesus as dificuldades deixar\u00e3o de fazer parte da nossa vida. Contudo, elas ganhar\u00e3o uma forma diferente, pois diante das conting\u00eancias da nossa hist\u00f3ria, est\u00e1 Jesus, Aquele que quando nos toma pela m\u00e3o nunca nos abandona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto do Evangelho que escutamos neste Domingo est\u00e3o intrinsecamente unidos o seguimento e a convers\u00e3o. Seguir Jesus implica entrar num processo de permanente convers\u00e3o e, por isso, sentimos ecoar no nosso cora\u00e7\u00e3o as primeiras palavras de Jesus dirigidas \u00e0 humanidade no Evangelho de S. Mateus: \u00ab<em>Arrependei-vos, porque est\u00e1 pr\u00f3ximo o reino dos C\u00e9us<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proximidade de Deus revelada em Jesus Cristo impele-nos a uma permanente revis\u00e3o de vida, onde o reconhecimento da nossa condi\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil e pecadora em nada nos inferioriza, mas se torna precisamente a oportunidade de crescimento e amadurecimento rumo \u00e0 santidade, ao cumprimento das promessas do Reino que j\u00e1 est\u00e1 no meio de n\u00f3s, mas que ainda n\u00e3o se realizou em plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem qualquer complexo de inferioridade reconhecemos que n\u00e3o somos perfeitos e tomamos consci\u00eancia que esta fragilidade e debilidade s\u00e3o um caminho e um lugar constante de mudan\u00e7a e de aperfei\u00e7oamento. Por isso, a convers\u00e3o e o arrependimento d\u00e3o lugar \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. A convers\u00e3o \u00e9 a arte de afinar o cora\u00e7\u00e3o com a vontade de Deus e, neste permanente afinar do cora\u00e7\u00e3o, encontramos o caminho da verdadeira felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, a tarefa da convers\u00e3o e do seguimento de Jesus n\u00e3o \u00e9 uma aventura isolada. Jesus convoca estes primeiros disc\u00edpulos dois a dois, recordando que n\u00e3o partimos sozinhos, mas partilhando a aventura da f\u00e9 com tantos outros homens e mulheres que partilhando a mesma condi\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil e pecadora, partilham tamb\u00e9m a certeza de terem encontrado em Jesus Cristo Aquele que dando um sentido novo \u00e0 sua vida, os impele a deixar tudo, para abrirem o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 novidade do Seu Evangelho. Por isso, Paulo escrevendo \u00e0 comunidade de Corinto recorda que a comunh\u00e3o e unidade devem ser a marca distintiva daqueles que querem seguir Jesus. Convocados pelo Seu amor, partimos unidos para que a nossa fraternidade seja o mais belo an\u00fancio de que a Luz que despontou nas trevas nos aponta o horizonte luminoso da salva\u00e7\u00e3o que nos \u00e9 oferecido em Jesus Cristo. <strong><em>In Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a Carta apost\u00f3lica sob forma de Motu Pr\u00f3prio\u00a0<em>Aperuit Illis<\/em>, &#8211; 30-09-2019 &#8211; o Papa Francisco instituiu o Domingo da Palavra de Deus que deve celebrar-se no <strong>III Domingo do Tempo Comum<\/strong> como uma jornada de <strong>\u00ab<em>celebra\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus<\/em>\u00bb.<\/strong> O Santo Padre afirma que cada comunidade com criatividade pastoral e atenta \u00e0s diversas exig\u00eancias e realidades de cada comunidade encontrar\u00e1 a forma de viver este\u00a0<em>Domingo\u00a0<\/em>como um dia solene. Deste modo, cada comunidade poder\u00e1 valorizar este dia na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica de diversos modos, contudo, poder\u00e1 ser importante encontrar momentos de prepara\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o deste dia fora da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica com um momento de forma\u00e7\u00e3o sobre a Palavra de Deus ou a\u00a0<em>Lectio Divina\u00a0<\/em>comunit\u00e1ria. No in\u00edcio do Tempo Comum poderia ser tamb\u00e9m oportuna uma reflex\u00e3o b\u00edblica acerca do evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percorremos liturgicamente a 1\u00aa parte do Tempo Comum que nos levar\u00e1 at\u00e9 \u00e0 Quaresma. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Is 8,23b \u2013 9, 3 (9, 1-4)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz se levantou\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro do profeta Isa\u00edas prop\u00f5e-nos um conjunto de or\u00e1culos ditos &#8220;messi\u00e2nicos&#8221;, que alimentam a esperan\u00e7a do Povo nesse mundo de justi\u00e7a e de paz que Deus, num futuro sem data marcada, vai oferecer aos seus. H\u00e1 quem defenda, no entanto, que esses textos messi\u00e2nicos n\u00e3o prov\u00eam de Isa\u00edas, mas s\u00e3o or\u00e1culos posteriores, enxertados no texto original do profeta pelo editor final da obra isaiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto pertence, provavelmente, \u00e0 fase final da vida do profeta. Estamos no final do s\u00e9c. VIII a.C. Os ass\u00edrios (que em 721 a.C. conquistaram Samaria, a antiga capital do reino de Israel) oprimem e humilham as tribos do Povo de Deus instaladas na regi\u00e3o norte do pa\u00eds (Zabul\u00e3o e Neftali); as trevas da desola\u00e7\u00e3o e da morte cobrem toda a regi\u00e3o setentrional da Palestina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Sul, em Jerusal\u00e9m, reina Ezequias. O rei, desdenhando as indica\u00e7\u00f5es do profeta (para quem as alian\u00e7as pol\u00edticas com os povos estrangeiros s\u00e3o sintoma de grave infidelidade para com Jahw\u00e9h, pois significam colocar a confian\u00e7a e a esperan\u00e7a nos homens), envia embaixadas ao Egipto, \u00e0 Fen\u00edcia e \u00e0 Babil\u00f3nia, procurando consolidar uma frente contra a maior e mais amea\u00e7adora pot\u00eancia da \u00e9poca &#8211; a Ass\u00edria. A resposta de Senaquerib, rei da Ass\u00edria, n\u00e3o se faz esperar: tendo vencido sucessivamente os membros da coliga\u00e7\u00e3o, volta-se contra Jud\u00e1, devasta o pa\u00eds e p\u00f5e cerco a Jerusal\u00e9m (701 a.C.). Ezequias tem de submeter-se e fica a pagar um pesado tributo aos ass\u00edrios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por essa \u00e9poca, desiludido com os reis e com a pol\u00edtica, o profeta teria come\u00e7ado a sonhar com uma interven\u00e7\u00e3o de Deus para oferecer ao seu Povo um mundo novo, de liberdade e de paz sem fim. Este texto pode ser dessa \u00e9poca. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o e a partilha da Palavra podem fazer-se a partir dos seguintes elementos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 Jesus, a luz que ilumina o mundo com uma aurora de esperan\u00e7a, que d\u00e1 sentido pleno a esta profecia messi\u00e2nica de Isa\u00edas. Ele \u00e9 &#8220;Aquele que veio de Deus&#8221; para vencer as trevas e as sombras da morte que ocultavam a esperan\u00e7a e instaurar o mundo novo da justi\u00e7a, da paz, da felicidade. No entanto, a luz de Jesus \u00e9, hoje, uma realidade institu\u00edda, viva, atuante na hist\u00f3ria humana? Porqu\u00ea?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acolher Jesus \u00e9 aceitar esse projeto de justi\u00e7a e de paz que Ele veio propor aos homens. Esfor\u00e7amo-nos por tornar realidade o &#8220;Reino de Deus&#8221;? Como lidamos com as situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a, de opress\u00e3o, de conflito, de viol\u00eancia: com a indiferen\u00e7a de quem sente que n\u00e3o tem nada a ver com isso enquanto essas realidades n\u00e3o nos atingem diretamente, ou com a inquieta\u00e7\u00e3o de quem se sente respons\u00e1vel pela instaura\u00e7\u00e3o do &#8220;Reino de Deus&#8221; entre os homens?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em que, ou em quem, coloco eu a minha esperan\u00e7a e a minha seguran\u00e7a: nos pol\u00edticos que me prometem tudo e se servem da minha ingenuidade para fins pr\u00f3prios? No dinheiro que se desvaloriza e que n\u00e3o<br \/>\nserve para comprar a paz do meu cora\u00e7\u00e3o? Na situa\u00e7\u00e3o s\u00f3lida da minha empresa, que pode desfazer-se diante das pr\u00f3ximas convuls\u00f5es sociais ou durante a pr\u00f3xima crise energ\u00e9tica? Isa\u00edas sugere que s\u00f3 podemos confiar em Deus e na sua decis\u00e3o de vir ao nosso encontro para nos apresentar uma proposta de vida e de paz. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a026 (27)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong> O Senhor \u00e9 minha luz e salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Cor 1,10-13.17<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abRogo-vos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma linguagem e que n\u00e3o haja divis\u00f5es entre v\u00f3s\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s ter abandonado a cidade de Corinto, Paulo continuou em contacto com a comunidade crist\u00e3. Mesmo distante, continuava a acompanhar a vida da comunidade e inteirava-se regularmente das dificuldades e problemas que os seus queridos filhos de Corinto tinham de enfrentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando escreveu a primeira carta aos Cor\u00edntios, Paulo estava em \u00c9feso. De Corinto haviam chegado, entretanto, not\u00edcias alarmantes. Ap\u00f3s a partida de Paulo, tinha aparecido na cidade um pregador crist\u00e3o &#8211; um tal Apolo, judeu de Antioquia, convertido ao cristianismo. Era eloquente, versado nas Escrituras e foi de grande utilidade para a comunidade na pol\u00e9mica com os judeus. Era mais brilhante do que Paulo &#8211; conhecido pela sua falta de eloqu\u00eancia (cf. 2 Cor 10,10). Formaram-se partidos na comunidade (embora Apolo n\u00e3o favorecesse essa divis\u00e3o, segundo parece): uns admiravam Paulo, outros Cefas (Pedro), outros Apolo (cf. 1 Cor 1,12). Formaram-se &#8220;partidos&#8221;, \u00e0 imagem do que acontecia nas escolas filos\u00f3ficas da cidade, que tinham os seus mestres, \u00e0 volta dos quais circulavam os adeptos ou simpatizantes: o cristianismo tornava-se, dessa forma, mais uma escola de sabedoria, na qual era poss\u00edvel optar por mestres distintos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00e3o preocupou enormemente Paulo: al\u00e9m dos conflitos e rivalidades que a divis\u00e3o provocava, estava em causa a ess\u00eancia da f\u00e9. O cristianismo corria, dessa forma, o perigo de se tornar mais uma escola de sabedoria, cuja validade dependia do brilho dos mestres que apresentavam a ideologia e do seu poder de convic\u00e7\u00e3o. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para refletir, considerar os seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto recorda que a experi\u00eancia crist\u00e3 \u00e9, fundamentalmente, um encontro com Cristo; \u00e9 d&#8217;Ele e s\u00f3 d&#8217;Ele que brota a salva\u00e7\u00e3o. A viv\u00eancia da nossa f\u00e9 n\u00e3o pode, portanto, depender do carisma da pessoa tal, ou estar ligada \u00e0 personalidade brilhante deste ou daquele indiv\u00edduo que preside \u00e0 comunidade. Para al\u00e9m da forma mais ou menos brilhante, mais ou menos coerente como tal pessoa anuncia ou testemunha o Evangelho, tem de estar a nossa aposta em Cristo; \u00e9 n&#8217;Ele e s\u00f3 n&#8217;Ele que bebemos a salva\u00e7\u00e3o; \u00e9 a Ele e s\u00f3 a Ele que o nosso compromisso batismal nos liga. Cristo \u00e9, de facto, a minha refer\u00eancia fundamental? \u00c9 \u00e0 volta d&#8217;Ele e da sua proposta de vida que a minha experi\u00eancia de f\u00e9 se constr\u00f3i? Em concreto: que sentido \u00e9 que faz, neste contexto, dizer que s\u00f3 se vai \u00e0 missa se for tal padre a presidir? Que sentido \u00e9 que faz afastar-se da comunidade porque n\u00e3o gostamos da atitude ou do jeito de ser deste ou daquele animador?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto, ainda, que sentido fazem os ci\u00fames, os conflitos, os partidos, que existem, com frequ\u00eancia, nas nossas comunidades crist\u00e3s? Cristo pode estar dividido? Os conflitos e as divis\u00f5es n\u00e3o ser\u00e3o um sinal claro de que, algures durante a caminhada, os membros da comunidade perderam Cristo? As guerras e rivalidades dentro de uma comunidade n\u00e3o ser\u00e3o um sinal evidente de que o que nos move n\u00e3o \u00e9 Cristo, mas os nossos interesses, o nosso orgulho, o nosso ego\u00edsmo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 casos em que as pessoas com responsabilidade de anima\u00e7\u00e3o nas comunidades crist\u00e3s favorecem, consciente ou inconscientemente, o culto da personalidade. N\u00e3o se preocupam em levar as pessoas a descobrir Cristo, mas em conduzir o olhar e o cora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is para a sua pr\u00f3pria e brilhante personalidade. Tornam-se imprescind\u00edveis e inamov\u00edveis, s\u00e3o incensadas e endeusadas e potenciam grupos de press\u00e3o que as admiram, que as apoiam e que as seguem de olhos fechados. Que sentido \u00e9 que isto faz, \u00e0 luz daquilo que Paulo nos diz, neste texto? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 4,12-23<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abArrependei-vos, porque est\u00e1 pr\u00f3ximo o reino dos C\u00e9us\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abVinde e segui-Me e farei de v\u00f3s pescadores de homens\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abDepois come\u00e7ou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do reino e curando todas as doen\u00e7as e enfermidades entre o povo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como Evangelho funciona um pouco como texto-charneira, que encerra a etapa da prepara\u00e7\u00e3o de Jesus para a miss\u00e3o (cf. Mt 3,1-4,16) e que lan\u00e7a a etapa do an\u00fancio do Reino.<br \/>\nO texto situa-nos na Galileia, a regi\u00e3o setentrional da Palestina, zona de popula\u00e7\u00e3o mesclada e ponto de encontro de muitos povos. Refere, ainda, a cidade de Cafarnaum: situada no limite do territ\u00f3rio de Zabul\u00e3o e de Neftali, na margem noroeste do lago de Genezar\u00e9, no enfiamento do &#8220;caminho do mar&#8221; (que ligava o Egipto e a Mesopot\u00e2mia), era considerada a capital judaica da Galileia (Tiber\u00edades, a capital pol\u00edtica da regi\u00e3o, por causa dos seus costumes gent\u00edlicos e por estar constru\u00edda sobre um cemit\u00e9rio, era evitada pelos judeus). A sua situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica abria-lhe, tamb\u00e9m, as portas dos territ\u00f3rios dos povos pag\u00e3os da margem oriental do lago. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o e a partilha da Palavra que nos \u00e9 proposta podem partir dos seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus \u00e9 o Deus que vem ao nosso encontro para realizar os nossos sonhos de felicidade sem limites e de paz sem fim. N&#8217;Ele e atrav\u00e9s d&#8217;Ele (das suas palavras, dos seus gestos), o &#8220;Reino&#8221; aproximou-se dos homens e deixou de ser uma quimera, para se tornar numa realidade em constru\u00e7\u00e3o no mundo. Contemplar o an\u00fancio de Jesus \u00e9 abismar-se na contempla\u00e7\u00e3o de uma incr\u00edvel hist\u00f3ria de amor, protagonizada por um Deus que n\u00e3o cessa de nos oferecer oportunidades de realiza\u00e7\u00e3o e de vida plena. Sobretudo, o an\u00fancio de Jesus toca e enche de j\u00fabilo o cora\u00e7\u00e3o dos pobres e humilhados, daqueles cuja voz n\u00e3o chega ao trono dos poderosos, nem encontram lugar \u00e0 mesa farta do consumismo, nem protagonizam as hist\u00f3rias balofas das colunas sociais. Para eles, ouvir dizer que &#8220;o Reino chegou&#8221; significa que Deus quer oferecer-lhes essa vida plena e feliz que os grandes e poderosos insistem em negar-lhes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que o &#8220;Reino&#8221; seja poss\u00edvel, Jesus pede a &#8220;convers\u00e3o&#8221;. Ela \u00e9, antes de mais, um refazer a exist\u00eancia, de forma que s\u00f3 Deus ocupe o primeiro lugar na vida do homem. Implica, portanto, despir-se do ego\u00edsmo que impede de estar atento \u00e0s necessidades dos irm\u00e3os; implica a ren\u00fancia ao comodismo, que impede o compromisso com os valores do Evangelho; implica o sair do isolamento e da autossufici\u00eancia, para estabelecer rela\u00e7\u00e3o e para fazer da vida um dom e um servi\u00e7o aos outros&#8230; O que \u00e9 que nas estruturas da sociedade ainda impede a efetiva\u00e7\u00e3o do &#8220;Reino&#8221;? O que \u00e9 que na minha vida, nas minhas op\u00e7\u00f5es, nos meus comportamentos constitui um obst\u00e1culo \u00e0 chegada do &#8220;Reino&#8221;?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do compromisso de Pedro e Andr\u00e9, Tiago e Jo\u00e3o com Jesus e com o &#8220;Reino&#8221; \u00e9 uma hist\u00f3ria que define os tra\u00e7os essenciais da caminhada de qualquer disc\u00edpulo&#8230; Em primeiro lugar, \u00e9 preciso ter consci\u00eancia de que \u00e9 Jesus que chama e que prop\u00f5e o Reino; em segundo lugar, \u00e9 preciso ter a coragem de aceitar o chamamento e fazer do &#8220;Reino&#8221; a prioridade essencial (o que pode implicar, at\u00e9, deixar para segundo plano os afetos, as seguran\u00e7as, os valores humanos); em terceiro lugar, \u00e9 preciso acolher a miss\u00e3o que Jesus confia e comprometer-se corajosamente na constru\u00e7\u00e3o do &#8220;Reino&#8221; no mundo. \u00c9 este o caminho que eu tenho vindo a percorrer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A miss\u00e3o dos que escutaram o apelo do &#8220;Reino&#8221; passa por testemunhar a salva\u00e7\u00e3o que Deus tem para oferecer a todos os homens, sem exce\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, comprometidos com a constru\u00e7\u00e3o do &#8220;Reino&#8221;, somos testemunhas da liberta\u00e7\u00e3o e levamos a Boa Nova da salva\u00e7\u00e3o aos homens de toda a terra? Aqueles que vivem condenados \u00e0 marginaliza\u00e7\u00e3o (por causa do fraco poder econ\u00f3mico, por causa da doen\u00e7a, por causa da solid\u00e3o, por causa do seu inexistente poder de reivindica\u00e7\u00e3o), j\u00e1 receberam, atrav\u00e9s do nosso testemunho, a Boa Nova do &#8220;Reino&#8221;?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em certos momentos da hist\u00f3ria, procura vender-se a ideia de que o mundo novo da justi\u00e7a e da paz se constr\u00f3i a golpes de poder militar, de m\u00edsseis, de armas sofisticadas, de instrumentos de morte&#8230; Aten\u00e7\u00e3o: a l\u00f3gica do &#8220;Reino&#8221; n\u00e3o \u00e9 uma l\u00f3gica de viol\u00eancia, de vingan\u00e7a, de destrui\u00e7\u00e3o; mas \u00e9 uma l\u00f3gica de amor, de doa\u00e7\u00e3o da vida, de comunh\u00e3o fraterna, de toler\u00e2ncia, de respeito pelos outros. A tenta\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o diab\u00f3lica, que s\u00f3 gera sofrimento e escravid\u00e3o: a\u00ed, o &#8220;Reino&#8221; n\u00e3o est\u00e1. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>primeira leitura<\/strong>, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o a pronuncia\u00e7\u00e3o dos nomes das regi\u00f5es \u00ab<em>Zabul\u00e3o<\/em>\u00bb, \u00ab<em>Neftali<\/em>\u00bb e \u00ab<em>Madi\u00e3<\/em>\u00bb. Al\u00e9m disso, a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ser marcada pela alegria e esperan\u00e7a da luz que desponta nas trevas que submergem todos aqueles que est\u00e3o prisioneiros da morte, da injusti\u00e7a, do sofrimento, do desespero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o as frases longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es que requerem um especial cuidado nas pausas e respira\u00e7\u00f5es para uma leitura mais articulada do texto. Devem ter presente o tom exortativo que marca todo o texto e uma correta pronuncia\u00e7\u00e3o das frases interrogativas, evitando a acentua\u00e7\u00e3o interrogativa das frases apenas no final de cada ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/01\/25\/deus-anda-por-ai-a-procura-de-ti-4\/\"><strong>DEUS ANDA POR A\u00cd \u00c0 PROCURA DE\u00a0TI<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Domingo III do Tempo Comum. Cruzamento de textos num facho de intensa luz, vinda de fora, como a aurora. \u00c9 o Evangelho de Mateus 4,15-16 que recolhe Isa\u00edas 8,23-9,1. No Evangelho de Mateus, esta luz que alumia a sombria Galileia \u00e9 Jesus. Ventos de morte tinham varrido a Galileia no ano 732 a. C., quando o imperador ass\u00edrio Tiglat-Pilezer III, na sua expans\u00e3o para ocidente, invadiu e reduziu estes territ\u00f3rios a tr\u00eas prov\u00edncias ass\u00edrias: Galaad, Meguido e Dor, levando para o ex\u00edlio os seus habitantes judeus e transferindo para ali povos pag\u00e3os de outros credos e culturas, para impedir a todo o custo que o juda\u00edsmo pudesse ainda prosperar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho de hoje (Mateus 4,12-23) refere com precis\u00e3o que, \u00abquando Jesus soube que Jo\u00e3o Batista tinha sido preso, retirou-se para a Galileia\u00bb (Mateus 4,12), e, \u00abdesde ent\u00e3o, come\u00e7ou a pregar\u00bb (Mateus 4,17a). Uma prolepse e uma surpresa, podemos dizer mesmo um esc\u00e2ndalo. A prolepse: ao anotar a pris\u00e3o de Jo\u00e3o Batista, o narrador n\u00e3o est\u00e1 tanto a registar um facto hist\u00f3rico, mas mais a desvendar j\u00e1 aquilo que um dia acontecer\u00e1 tamb\u00e9m a Jesus. A surpresa e o esc\u00e2ndalo: era do sentir comum que o an\u00fancio messi\u00e2nico fosse feito no cora\u00e7\u00e3o do juda\u00edsmo, em Jerusal\u00e9m, e n\u00e3o numa regi\u00e3o perif\u00e9rica, desprezada e contaminada pelo paganismo, como era esta \u00abGalileia dos pag\u00e3os\u00bb (Mateus 4,15). \u00c9 para justificar e iluminar este estranho e inesperado come\u00e7o, que Mateus se v\u00ea como que obrigado a citar por inteiro a passagem apropriada de Isa\u00edas 8,23-9,1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luz de Jesus a iluminar a noite da Galileia. Voz de Jesus a romper aquele espesso manto de sil\u00eancio: \u00abConvertei-vos, porque est\u00e1 pr\u00f3ximo de v\u00f3s o Reino dos C\u00e9us!\u00bb (Mateus 4,17b). Espl\u00eandida Luz, espl\u00eandida Voz, espl\u00eandido Amor de Deus, espl\u00eandida surpresa divina! Ainda antes de nos convidar a que nos interessemos por Deus, a B\u00edblia mostra que \u00e9 Deus que se interessa primeiro por n\u00f3s, tomando a iniciativa de percorrer as nossas estradas poeirentas para nos vir visitar a nossas casas! \u00c9 esta a maravilha desconcertante do Evangelho!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E assim continua no velho texto de Mateus e nas nossas estradas de hoje. Verifica\u00e7\u00e3o: Jesus caminha ao longo das praias do Mar da Galileia, e v\u00ea dois irm\u00e3os, Sim\u00e3o e Andr\u00e9, ocupados nos trabalhos da pesca, e diz-lhes: \u00abVinde atr\u00e1s de mim (<em>de\u00fbte op\u00eds\u00f4 mou<\/em>)!\u00bb (Mateus 4,19). A resposta \u00e9 imediata: \u00abDeixaram logo (<em>euth\u00e9\u00f4s<\/em>) as redes, e seguiram-no!\u00bb (Mateus 4,20). E andando um pouco mais, viu outros dois irm\u00e3os, Tiago e Jo\u00e3o, que, com o pai, Zebedeu, remendavam (<em>katart\u00edzontas<\/em>) as redes na barca. Tamb\u00e9m os chamou. E tamb\u00e9m eles deixaram logo (<em>euth\u00e9\u00f4s<\/em>) a barca e o pai, e seguiram-no (Mt 4,21-22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Note-se bem que Jesus desce ao nosso mundo, caminha pelas nossas estradas e vem ter connosco aos nossos lugares de trabalho. E \u00e9 a\u00ed que nos chama. N\u00e3o espera por n\u00f3s no cen\u00e1rio sagrado das nossas Igrejas! N\u00e3o nos obriga a fazer uma inscri\u00e7\u00e3o, a preencher uma ficha, a aprender uma doutrina, nem sequer nos entrega um projeto de vida, um gui\u00e3o, uma regra, mas chama-nos a segui-lo (\u00abvinde atr\u00e1s de mim\u00bb), e partilha connosco a sua vida, como o Mestre faz com os seus disc\u00edpulos. N\u00e3o nos p\u00f5e a fazer uma esp\u00e9cie de est\u00e1gio, para que um dia nos tornemos Mestres. N\u00f3s permanecemos sempre disc\u00edpulos, e um s\u00f3 \u00e9 o nosso Mestre (cf. Mateus 23,8). N\u00e3o nos coloca num est\u00e1gio, num estado, num estrado, numa estante, mas num caminho! E um dia mais tarde, ouvi-lo-emos ainda dizer: \u00abIde!\u00bb. \u00c9 sempre no caminho que nos deixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas voltemos a Isa\u00edas 8,23-9,3, hoje, como j\u00e1 vimos, entran\u00e7ado com o sublime Evangelho de Mateus 4,12-23. Visita de Deus. Luz grande para os abandonados. Vida a borbotar das feridas das espadas. Alegria a desenhar a esta\u00e7\u00e3o das ceifas. As nossas m\u00e3os em concha a recolher os dias dados. Deus primeiro e antes. Deus basta. O dia de Madi\u00e3 \u00e9 o dia em que Gede\u00e3o enfrenta e desbarata as tropas de Madi\u00e3 com trezentos homens que sabem que a \u00e1gua \u00e9 um dom de Deus (Ju\u00edzes 7). E estiveram l\u00e1 junto da fonte mais trinta e um mil e setecentos candidatos que apenas exibiam a pr\u00f3pria for\u00e7a e que pensavam que estavam ali por acaso! Estavam a mais. Foram naturalmente mandados embora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carl Gustav Jung (1875-1961), um dos pais da psican\u00e1lise, mandou esculpir sobre a porta da sua casa, em K\u00fcsnacht, na Su\u00ed\u00e7a, esta frase: \u00abChamado ou n\u00e3o chamado, Deus estar\u00e1 sempre presente\u00bb. Nunca se vai embora. Fica sempre por perto, \u00e0 espera de nos abra\u00e7ar\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos a saborear (durante 6 Domingos iniciado no passado dia 15.01.2023) a Primeira Carta de S\u00e3o Paulo aos Cor\u00edntios, servida hoje no extrato entrecortado de 1,10-13.17. Sem ced\u00eancias de qualquer esp\u00e9cie, Paulo aponta \u00e0 comunidade crist\u00e3 de Corinto as divis\u00f5es e rixas que nela se instalaram, e os grupinhos de perten\u00e7a em que as pessoas se agrupam e reveem. E Paulo prop\u00f5e aos Cor\u00edntios e a n\u00f3s que, em vez de nos ocuparmos com divis\u00f5es ou cismas (<em>sch\u00edsmata<\/em>), nos tornemos \u00abremendadores\u00bb (<em>kat\u00eartism\u00e9noi<\/em>: part. perf. pass. de\u00a0<em>katart\u00edz\u00f4<\/em>) (1,10), que \u00e9 sintomaticamente o mesmo verbo em que se ocupavam os disc\u00edpulos hoje chamados, que estavam a remendar (<em>katart\u00edzontas<\/em>: part. presente de\u00a0<em>katart\u00edz\u00f4<\/em>) as redes (Mateus 4,21). A\u00ed est\u00e1 um novo e belo minist\u00e9rio: \u00abremendadores\u00bb da comunidade, isto \u00e9, fazedores de pontes, estradas, bra\u00e7os e abra\u00e7os, para que as pessoas, em vez de se separarem e dividirem, se unam e re\u00fanam. E porque circulava tamb\u00e9m em Corinto uma certa conce\u00e7\u00e3o de batismo que criava especiais la\u00e7os de perten\u00e7a do batizando em rela\u00e7\u00e3o a quem o batiza, Paulo adianta bem que a sua miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 batizar, mas evangelizar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 27 pode deixar-nos nos bra\u00e7os de Deus, cantando e decantando a luz e a confian\u00e7a que de Deus recebemos. Mas tamb\u00e9m a suavidade, a bondade e a beleza nos encantam. Corol\u00e1rio normal, ainda que sempre de excecional eleva\u00e7\u00e3o, para este dia e para esta liturgia, que nos deixa sempre tranquilos a brincar \u00e0 porta da Casa de Deus, sob o olhar atento e carinhoso de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Este Domingo \u00e9 tamb\u00e9m, por vontade do Papa Francisco, o Domingo da Palavra de Deus.<\/strong> Portanto, deixemo-nos invadir performativamente, e n\u00e3o apenas informativamente, pela torrente da Palavra de Deus. E deixemos que rasgue em n\u00f3s novas avenidas f\u00e9rteis e floridas, onde despontem novos e adequados comportamentos. Veja-se a for\u00e7a da Palavra de Deus e a sua a\u00e7\u00e3o nos disc\u00edpulos hoje chamados por Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus \u00e9 Deus que desce ao nosso mundo,<br \/>\nCaminha pelas nossas estradas,<br \/>\nPercorre as nossas praias,<br \/>\nVisita as nossas casas,<br \/>\nVem ter connosco aos nossos lugares de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus \u00e9 Deus que passa, ama e chama.<br \/>\nMas n\u00e3o nos chama a responder a um inqu\u00e9rito,<br \/>\nA preencher uma ficha,<br \/>\nResponder a uma entrevista,<br \/>\nFazer uma inscri\u00e7\u00e3o,<br \/>\nPagar a matr\u00edcula,<br \/>\nAprender uma doutrina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 como os escribas que Jesus ensina ou examina.<br \/>\nNem sequer nos entrega um projeto de vida,<br \/>\nUns apontamentos, um gui\u00e3o, caneta, tinta, mata-borr\u00e3o.<br \/>\nChama-nos apenas a segui-lo no caminho:<br \/>\n\u00abVinde atr\u00e1s de Mim!\u00bb, \u00e9 o desafio,<br \/>\nE partilha logo ali connosco a sua vida toda,<br \/>\nComo uma dan\u00e7a de roda,<br \/>\nComo uma boda.<br \/>\nN\u00e3o nos p\u00f5e primeiro a fazer um teste,<br \/>\nN\u00e3o nos ama nem chama \u00e0 condi\u00e7\u00e3o,<br \/>\nN\u00e3o tem lista de espera,<br \/>\nN\u00e3o nos p\u00f5e num est\u00e1gio,<br \/>\nNum estado,<br \/>\nNum estrado,<br \/>\nNuma estante,<br \/>\nMas num caminho!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E um dia mais tarde,<br \/>\nOuvi-lo-emos dizer ainda: \u00abIde!\u00bb,<br \/>\nNovo e imenso desafio.<br \/>\n\u00c9 sempre no caminho que nos deixa,<br \/>\nMas n\u00e3o nos deixa s\u00f3s,<br \/>\nVai sempre connosco,<br \/>\nAcompanha-nos,<br \/>\nN\u00e3o apresenta queixa,<br \/>\nN\u00e3o paga ao fim do m\u00eas,<br \/>\nPede e d\u00e1 tudo de uma vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vem, Senhor Jesus!<br \/>\nVem e ama!<br \/>\nVem e chama por mim outra vez!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong> Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Leitura-I-Domingo-III-do-Tempo-Comum-Ano-A-22.01.2023-Is-8-23b-9-391-4.pdf\">Leitura I &#8211; Domingo III do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 22.01.2023 (Is 8, 23b-9, 3(9,1-4))<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Leitura-II-Domingo-III-do-Tempo-Comum-Ano-A-22.01.2023-1-Cor-110-13.17.pdf\">Leitura II &#8211; Domingo III do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 22.01.2023 (1 Cor 1,10-13.17)<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Domingo-III-do-Tempo-Comum-Domingo-da-Palavra-Ano-A-22.01.2023-Lecionario.pdf\">Domingo III do Tempo Comum &#8211; Domingo da Palavra &#8211; Ano A &#8211; 22.01.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Domingo-III-do-Tempo-Comum-Domingo-da-Palavra-Ano-A-22.01.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo III do Tempo Comum &#8211; Domingo da Palavra &#8211; Ano A &#8211; 22.01.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Subsidio-Liturgico-Pastoral-2023-PT.pdf\">Subs\u00eddio Lit\u00fargico &#8211; Pastoral 2023 PT<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/DOMINGO-DA-PALAVRA-SENHOR-CARTA-APOSTOLICA-DO-PAPA-FRANCISCO.pdf\">Domingo da Palavra do Senhor &#8211; Carta Apost\u00f3lica do Papa Francisco<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo II do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 15.01.2023&#8243; tab_id=&#8221;1674471064480-acb3fc2c-4f9b&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo II do Tempo Comum &#8211; Ano A \u2013 15.01.2023<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Domingo-II.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"600\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Liturgia da Palavra deste Domingo conduz-nos ao cerne da nossa vida crist\u00e3: sonhados e amados por Deus desde o seio materno, somos chamados a viver a experi\u00eancia \u00fanica e pessoal do encontro com Jesus Cristo que nos desafia a encontrar na Sua vontade um caminho de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade que nos constitui como ap\u00f3stolos da alegria do Evangelho, para que a Igreja seja um rasto de luz para todos os povos e na\u00e7\u00f5es. Deste modo, os diversos textos proclamados neste Domingo apresentam-nos a din\u00e2mica da nossa vida crist\u00e3, num horizonte responsorial, isto \u00e9, chamados e convocados pela miseric\u00f3rdia de Deus que nos precede sempre, somos convidados a responder generosamente ao seu projeto de amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A disponibilidade para o acontecer de Deus nas nossas vidas nasce da certeza de que o Seu amor nos precede, acompanha e aponta um horizonte de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade absolutamente novo. Por isso, podemos cantar com as palavras do salmista: \u00abeu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade\u00bb. A vontade de Deus a nosso respeito \u00e9 algo de bom e de belo como nos testemunha S. Paulo quando afirma que Deus \u00abquer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade\u00bb (1 Tm 2,4). Quantas vezes na procura de uma raz\u00e3o diante de uma desgra\u00e7a, j\u00e1 ouvimos dizer: \u00abfoi a vontade de Deus\u00bb. Na verdade, a vontade de Deus n\u00e3o pode ser a justifica\u00e7\u00e3o para aquilo que n\u00e3o conseguimos responder. A vontade de Deus \u00e9 um des\u00edgnio amoroso de salva\u00e7\u00e3o e, por isso, responder com generosidade e disponibilidade \u00e0 Sua vontade \u00e9 caminhar pela estrada da felicidade verdadeira que tem como nome a santidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caminho de descoberta da vontade de Deus a nosso respeito brota da experi\u00eancia que Jo\u00e3o Baptista nos testemunha no Evangelho: \u00abeu vi e dou testemunho de que Ele \u00e9 o Filho de Deus\u00bb. Jo\u00e3o Baptista testemunha aquilo que viu e experimentou e n\u00e3o apenas uma no\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e abstrata. Seguir Jesus Cristo implica necessariamente fazer esta experi\u00eancia do Seu amor, tal como afirma o <strong><em>Papa Bento XVI na Carta Enc\u00edclica\u00a0Deus caristas est: <\/em><\/strong>\u00abao in\u00edcio do ser crist\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 uma decis\u00e3o \u00e9tica ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que d\u00e1 \u00e0 vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo\u00bb (DCE 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este encontro decisivo transforma a vida e o cora\u00e7\u00e3o de tal modo que toda a nossa vida se molda a partir desta experi\u00eancia. \u00c9 assim que aparece Jo\u00e3o Baptista como figura de charneira, apontando o \u00abCordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo\u00bb, testemunhando a presen\u00e7a Daquele que os profetas anunciaram e que a humanidade esperava. Jo\u00e3o Baptista est\u00e1 do outro lado do Jord\u00e3o, no lugar onde o Povo de Israel se deteve para preparar a entrada na Terra Prometida. Ele \u00e9 refer\u00eancia fundamental do nosso ser crist\u00e3o porque nos ensina a arte de apontar para Jesus, de se saber retirar para que Ele tenha lugar, de proporcionar aos outros a experi\u00eancia do encontro com Aquele que d\u00e1 sentido \u00e0 nossa vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com toda a certeza, lendo a nossa hist\u00f3ria, encontramos pessoas que foram para n\u00f3s lugares de encontro com Jesus, pessoas capazes de sair de si mesmas para apontar esse horizonte de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade que s\u00f3 em Cristo se pode encontrar. Louvando o Senhor pela vida de tantos e tantas que nos mostraram o rosto de Jesus, comprometemo-nos em ser tamb\u00e9m n\u00f3s testemunhas de Jesus com a humildade e a ousadia de Jo\u00e3o Baptista, anunciando ao mundo que n\u00e3o h\u00e1 aventura mais bela do que fazer das nossas vidas lugares de beleza que testemunham a presen\u00e7a Daquele que d\u00e1 sentido \u00e0s nossas vidas. <strong><em>In Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>++++++++++++++++++++++\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entramos na 1\u00aa parte do Tempo Comum que nos levar\u00e1 at\u00e9 \u00e0 Quaresma. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Is 49, 3.5-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abVou fazer de ti a luz das na\u00e7\u00f5es, para que a minha salva\u00e7\u00e3o chegue at\u00e9 aos confins da terra\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Deutero-Isa\u00edas (o autor do texto que nos \u00e9 hoje proposto e que mais uma vez nos aparece como ve\u00edculo da Palavra de Deus) \u00e9 um profeta da \u00e9poca do ex\u00edlio, que desenvolveu o seu minist\u00e9rio na Babil\u00f3nia, entre os exilados (como, ali\u00e1s, j\u00e1 dissemos no passado domingo). A sua mensagem &#8211; de consola\u00e7\u00e3o e de esperan\u00e7a &#8211; aparece nos cap\u00edtulos 40-55 do Livro de Isa\u00edas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, h\u00e1 nesses cap\u00edtulos quatro textos (cf. Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12) que se distinguem &#8211; quer em termos liter\u00e1rios, quer em termos tem\u00e1ticos &#8211; do resto da mensagem&#8230; S\u00e3o os quatro c\u00e2nticos do Servo de Jahw\u00e9h. Apresentam um misterioso servo de Deus, a quem Jahw\u00e9h confiou uma miss\u00e3o. A miss\u00e3o do Servo cumpre-se no sofrimento e no meio das persegui\u00e7\u00f5es; mas do sofrimento do Servo resultar\u00e1 a reden\u00e7\u00e3o para o Povo. No fim, o Servo ser\u00e1 recompensado por Jahw\u00e9h e ser\u00e1 exaltado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura de hoje prop\u00f5e-nos parte do segundo c\u00e2ntico do Servo de Jahw\u00e9h. Aqui, esse Servo \u00e9 explicitamente identificado com Israel (embora alguns autores suponham que a determina\u00e7\u00e3o &#8220;Israel&#8221; n\u00e3o \u00e9 original no texto e que foi aqui acrescentada como uma interpreta\u00e7\u00e3o): seria a figura do Povo de Deus, chamado a ser testemunha de Jahw\u00e9h no meio dos outros povos. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para a reflex\u00e3o e partilha, podem ser considerados os seguintes elementos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A leitura prop\u00f5e \u00e0 nossa reflex\u00e3o esse tema sempre pessoal, mas sempre enigm\u00e1tico que \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o. Somos convidados, na sequ\u00eancia, a tomar consci\u00eancia da voca\u00e7\u00e3o a que somos chamados e das suas implica\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se trata de uma quest\u00e3o que apenas atinge e empenha algumas pessoas especiais, com um lugar \u00e0 parte na comunidade eclesial (os padres, as freiras&#8230;); mas trata-se de um desafio que Deus faz a cada um dos seus filhos, que a todos implica e que a todos empenha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura do Servo de Jahw\u00e9h convida-nos, em primeiro lugar, a tomar consci\u00eancia de que na origem da voca\u00e7\u00e3o est\u00e1 Deus: \u00e9 Ele que elege, que chama e que confia a cada um uma miss\u00e3o. A nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre algo que tem origem em Deus e que s\u00f3 se entende \u00e0 luz de Deus. Temos consci\u00eancia de que somos escolhidos por Deus desde o seio materno, isto \u00e9, desde o primeiro instante da nossa exist\u00eancia? Temos consci\u00eancia de que \u00e9 Deus que alimenta a nossa voca\u00e7\u00e3o e o nosso compromisso no mundo? Temos consci\u00eancia de que s\u00f3 a partir de Deus a nossa voca\u00e7\u00e3o faz sentido e o nosso empenhamento se entende? Temos consci\u00eancia de que a voca\u00e7\u00e3o implica uma rela\u00e7\u00e3o de comunh\u00e3o, de intimidade, de proximidade com Deus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A voca\u00e7\u00e3o n\u00e3o se esgota, contudo, na aproxima\u00e7\u00e3o do homem a Deus, mas \u00e9 sempre em ordem a um testemunho e a uma interven\u00e7\u00e3o no mundo (mesmo que se trate de uma voca\u00e7\u00e3o contemplativa). O homem chamado por Deus \u00e9 sempre um homem que testemunha e que \u00e9 um sinal vivo de Deus, dos seus valores e das suas propostas diante dos outros homens. Sinto que a minha voca\u00e7\u00e3o se realiza no testemunho da salva\u00e7\u00e3o e da liberta\u00e7\u00e3o de Deus aos meus irm\u00e3os? A voca\u00e7\u00e3o a que Deus me chama leva-me a ser uma luz de esperan\u00e7a no mundo? A salva\u00e7\u00e3o de Deus atinge o mundo e torna-se uma realidade concreta no meu testemunho e no meu minist\u00e9rio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao refletirmos na l\u00f3gica da voca\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso estarmos cientes de que toda a voca\u00e7\u00e3o tem origem em Deus, \u00e9 alimentada por Deus, e de que Deus se serve, muitas vezes, da nossa fragilidade, caducidade e indignidade para atuar no mundo. Aquilo que fazemos de bom e de bonito n\u00e3o resulta, portanto, das nossas for\u00e7as ou das nossas qualidades, mas de Deus. O cora\u00e7\u00e3o do profeta n\u00e3o tem, portanto, qualquer raz\u00e3o para se encher de orgulho, de vaidade e de autossufici\u00eancia: conv\u00e9m ter consci\u00eancia de que por detr\u00e1s de tudo est\u00e1 Deus, e que s\u00f3 Deus \u00e9 capaz de transformar o mundo, a partir dos nossos pobres gestos e das nossas fr\u00e1geis for\u00e7as. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a039 (40)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Cor l,1-3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abA gra\u00e7a e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo estejam convosco\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos pr\u00f3ximos <strong>seis <\/strong>domingos, a liturgia vai propor-nos a leitura da primeira carta de Paulo aos crist\u00e3os da comunidade de Corinto. Para entendermos cabalmente a mensagem, conv\u00e9m determo-nos um pouco sobre o ambiente em que o texto nos situa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria, Paulo chegou a Corinto, depois de atravessar boa parte da Gr\u00e9cia, e ficou por l\u00e1 cerca 18 meses (anos 50-52). De acordo com Act 18,2-4, Paulo come\u00e7ou a trabalhar em casa de Priscila e \u00c1quila, um casal de judeo-crist\u00e3os. No s\u00e1bado, usava da palavra na sinagoga. Com a chegada a Corinto de Silvano e Tim\u00f3teo (2 Cor 1,19; Act 18,5), Paulo consagrou-se inteiramente ao an\u00fancio do Evangelho. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas n\u00e3o tardou a entrar em conflito com os judeus e foi expulso da sinagoga. Corinto era uma cidade nova e muito pr\u00f3spera. Servida por dois portos de mar, possu\u00eda as caracter\u00edsticas t\u00edpicas das cidades mar\u00edtimas: popula\u00e7\u00e3o de todas as ra\u00e7as e de todas as religi\u00f5es. Era a cidade do desregramento para todos os marinheiros que cruzavam o Mediterr\u00e2neo, \u00e1vidos de prazer, ap\u00f3s meses de navega\u00e7\u00e3o. Na \u00e9poca de Paulo, a cidade comportava cerca de 500.000 pessoas, das quais dois ter\u00e7os eram escravos. A riqueza escandalosa de alguns contrastava com a mis\u00e9ria da maioria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como resultado da prega\u00e7\u00e3o de Paulo, nasceu a comunidade crist\u00e3 de Corinto. A maior parte dos membros da comunidade eram de origem grega, embora em geral, de condi\u00e7\u00e3o humilde (cf. 1 Cor 11,26-29; 8,7; 10,14.20; 12,2); mas tamb\u00e9m havia elementos de origem hebraica (cf. Act 18,8; 1 Cor 1,22-24; 10,32; 12,13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De uma forma geral, a comunidade era viva e fervorosa; no entanto, estava exposta aos perigos de um ambiente corrupto: moral dissoluta (cf. 1 Cor 6,12-20; 5,1-2), querelas, disputas, lutas (cf. 1 Cor 1,11-12), sedu\u00e7\u00e3o da sabedoria filos\u00f3fica de origem pag\u00e3 que se introduzia na Igreja revestida de um superficial verniz crist\u00e3o (cf. 1 Cor 1,19-2,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tratava-se de uma comunidade forte e vigorosa, mas que mergulhava as suas ra\u00edzes em terreno adverso. Na comunidade de Corinto, vemos as dificuldades da f\u00e9 crist\u00e3 em inserir-se num ambiente hostil, marcado por uma cultura pag\u00e3 e por um conjunto de valores que est\u00e3o em profunda contradi\u00e7\u00e3o com a pureza da mensagem evang\u00e9lica. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir dos seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus chama os homens e as mulheres \u00e0 santidade. Tenho consci\u00eancia do apelo que Deus, nesta linha, me faz tamb\u00e9m a mim? Estou dispon\u00edvel e bem-disposto para aceitar esse desafio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Realizar a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade n\u00e3o implica seguir caminhos imposs\u00edveis de ascese, de priva\u00e7\u00e3o, de sacrif\u00edcio; mas significa, sobretudo, acolher a proposta libertadora que Deus oferece em Jesus e viver d<br \/>\ne acordo com os valores do Reino. \u00c9 dessa forma que concretizo a minha voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade? Tenho a coragem de viver e de testemunhar, com radicalidade, os valores do Evangelho, mesmo quando a moda, o orgulho, a pregui\u00e7a, os interesses financeiros, o &#8220;politicamente correto&#8221;, as opini\u00f5es dominantes me imp\u00f5em outras perspetivas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conv\u00e9m ter sempre presente que a Igreja, a comunidade dos &#8220;chamados \u00e0 santidade&#8221;, \u00e9 constitu\u00edda por &#8220;todos os que invocam, em qualquer lugar, o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo&#8221;. \u00c9 importante termos consci\u00eancia de que, para al\u00e9m da cor da pele, das diferen\u00e7as sociais, das dist\u00e2ncias sociais ou culturais, das perspetivas diferentes sobre as quest\u00f5es secund\u00e1rias da viv\u00eancia da religi\u00e3o, o essencial \u00e9 aquilo que nos une e nos faz irm\u00e3os: Jesus Cristo e o reconhecimento de que Ele \u00e9 o Senhor que nos conduz pela hist\u00f3ria e nos oferece a salva\u00e7\u00e3o. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo 1,29-34<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abDepois de mim vem um homem, que passou \u00e0 minha frente, porque era antes de mim\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEu vi e dou testemunho de que Ele \u00e9 o Filho de Deus\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A per\u00edcope que nos \u00e9 proposta integra a sec\u00e7\u00e3o introdut\u00f3ria do Quarto Evangelho (cf. Jo 1,19-3,36). A\u00ed o autor, com consumada mestria, procura responder \u00e0 quest\u00e3o: &#8220;quem \u00e9 Jesus?&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o disp\u00f5e as pe\u00e7as num enquadramento c\u00e9nico. As diversas personagens que v\u00e3o entrando no palco procuram apresentar Jesus. Um a um, os atores chamados ao palco por Jo\u00e3o v\u00e3o fazendo afirma\u00e7\u00f5es carregadas de significado teol\u00f3gico sobre Jesus. O quadro final que resulta destas diversas interven\u00e7\u00f5es apresenta Jesus como o Messias, Filho de Deus, que possui o Esp\u00edrito e que veio ao encontro dos homens para fazer aparecer o Homem Novo, nascido da \u00e1gua e do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Baptista, o profeta\/precursor do Messias, desempenha aqui um papel especial na apresenta\u00e7\u00e3o de Jesus (o seu testemunho aparece no in\u00edcio e no fim da sec\u00e7\u00e3o &#8211; cf. Jo 1,19-37; 3,22-36). Ele vai definir aquele que chega e apresent\u00e1-lo aos homens. Ao n\u00e3o se assinalar o audit\u00f3rio, sugere-se que o testemunho de Jo\u00e3o \u00e9 perene, dirigido aos homens de todos os tempos e com eco permanente na comunidade crist\u00e3. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria pode tocar os seguintes pontos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, importa termos consci\u00eancia de que Deus tem um projeto de salva\u00e7\u00e3o para o mundo e para os homens. A hist\u00f3ria humana n\u00e3o \u00e9, portanto, uma hist\u00f3ria de fracasso, de caminhada sem sentido para um beco sem sa\u00edda; mas \u00e9 uma hist\u00f3ria onde \u00e9 preciso ver Deus a conduzir o homem pela m\u00e3o e a apontar-lhe, em cada curva do caminho, a realidade feliz do novo c\u00e9u e da nova terra. \u00c9 verdade que, em certos momentos da hist\u00f3ria, parecem erguer-se muros intranspon\u00edveis que nos impedem de contemplar com esperan\u00e7a os horizontes finais da caminhada humana; mas a consci\u00eancia da presen\u00e7a salvadora e amorosa de Deus na hist\u00f3ria deve animar-nos, dar-nos confian\u00e7a e acender nos nossos olhos e no nosso cora\u00e7\u00e3o a certeza da vida plena e da vit\u00f3ria final de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus n\u00e3o foi mais um &#8220;homem bom&#8221;, que coloriu a hist\u00f3ria com o sonho ing\u00e9nuo de um mundo melhor e desapareceu do nosso horizonte (como os l\u00edderes do Maio de 68 ou os fazedores de revolu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que a hist\u00f3ria absorveu e digeriu); mas Jesus \u00e9 o Deus que Se fez pessoa, que assumiu a nossa humanidade, que trouxe at\u00e9 n\u00f3s uma proposta objetiva e v\u00e1lida de salva\u00e7\u00e3o e que hoje continua presente e ativo na nossa caminhada, concretizando o plano libertador do Pai e oferecendo-nos a vida plena e definitiva. Ele \u00e9, agora e sempre, a verdadeira fonte da vida e da liberdade. Onde \u00e9 que eu mato a minha sede de liberdade e de vida plena: em Jesus e no projeto do Reino ou em pseudomnesias e miragens ilus\u00f3rias de felicidade que s\u00f3 me afastam do essencial?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Pai investiu Jesus de uma miss\u00e3o: eliminar o pecado do mundo. No entanto, o &#8220;pecado&#8221; continua a enegrecer o nosso horizonte di\u00e1rio, traduzido em guerras, vingan\u00e7as, terrorismo, explora\u00e7\u00e3o, ego\u00edsmo, corrup\u00e7\u00e3o, injusti\u00e7a&#8230; Jesus falhou? \u00c9 o nosso testemunho que est\u00e1 a falhar? Deus prop\u00f5e ao homem o seu projeto de salva\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o imp\u00f5e nada e respeita absolutamente a liberdade das nossas op\u00e7\u00f5es. Ora, muitas vezes, os homens pretendem descobrir a felicidade em caminhos onde ela n\u00e3o est\u00e1. De resto, \u00e9 preciso termos consci\u00eancia de que a nossa humanidade implica um quadro de fragilidade e de limita\u00e7\u00e3o e que, portanto, o pecado vai fazer sempre parte da nossa experi\u00eancia hist\u00f3rica. A liberta\u00e7\u00e3o plena e definitiva do &#8220;pecado&#8221; acontecer\u00e1 s\u00f3 nesse novo c\u00e9u e nova terra que nos espera para al\u00e9m da nossa caminhada terrena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o significa, no entanto, pactuar com o pecado, ou assumir uma atitude passiva diante do pecado. A nossa miss\u00e3o &#8211; na sequ\u00eancia da de Jesus &#8211; consiste em lutar objetivamente contra &#8220;o pecado&#8221; instalado no cora\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s e instalado em cada degrau da nossa vida coletiva. A miss\u00e3o dos seguidores de Jesus consiste em anunciar a vida plena e em lutar contra tudo aquilo que impede a sua concretiza\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proclama\u00e7\u00e3o da <strong>primeira leitura<\/strong> deve ter em aten\u00e7\u00e3o o discurso direto presente no texto. A frase final \u2013 \u00abVou fazer de ti a luz das na\u00e7\u00f5es, para que a minha salva\u00e7\u00e3o chegue at\u00e9 aos confins da terra\u00bb \u2013 deve ser sublinhada como conclus\u00e3o de todo o texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 constitu\u00edda por um \u00fanico par\u00e1grafo com longas frases e ora\u00e7\u00f5es. Deste modo, \u00e9 necess\u00e1ria uma acurada prepara\u00e7\u00e3o nas pausas e respira\u00e7\u00f5es para uma correta articula\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/01\/18\/eis-o-cordeiro-de-deus\/\"><strong>EIS O CORDEIRO DE\u00a0DEUS<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed est\u00e1, j\u00e1 no Domingo II do Tempo Comum, outra vez Jo\u00e3o Batista, a figura do umbral ou do limiar, que est\u00e1 sempre ali, \u00e0 porta, para acolher e fazer as apresenta\u00e7\u00f5es. Ele est\u00e1 em Bet\u00e2nia [= \u00abCasa do pobre\u00bb] ou\u00a0<em>Bethabara<\/em>\u00a0[= \u00abCasa da passagem\u00bb] \u2013 consoante as vers\u00f5es \u2013, sempre do outro lado do Jord\u00e3o, como refere bem Jo\u00e3o 1,28. Jo\u00e3o coloca-se estrategicamente do outro lado do Jord\u00e3o, onde um dia o povo do \u00caxodo parou tamb\u00e9m, para preparar a entrada na Terra Prometida, atravessando o Jord\u00e3o (Josu\u00e9 3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este in\u00edcio do Evangelho de Jo\u00e3o (1,19-2,12) distribui as a\u00e7\u00f5es por dias, organizados em dois blocos de 4 + 3. No primeiro dia (Jo\u00e3o 1,19-28), Jo\u00e3o Batista, postado no umbral de\u00a0<em>Bethabara<\/em>, \u00e9 interrogado pelas autoridades acerca da sua identidade. No segundo dia (1,29-34), Jo\u00e3o Batista acolhe Jesus e apresenta-o a n\u00f3s. No terceiro dia (1,35-42), alguns disc\u00edpulos de Jo\u00e3o Batista seguem Jesus, e Sim\u00e3o recebe o nome de Cefas, \u00fanica vez nos Evangelhos, que significa Pedra esburacada, acolhedora e protetora. No quarto dia (1,43-51), Jesus chama Filipe e revela-se a Natanael e aos outros disc\u00edpulos. Estes quatro dias representam em crescendo a prepara\u00e7\u00e3o remota para a manifesta\u00e7\u00e3o da Gl\u00f3ria de Jesus. Correspondem \u00e0 primeira parte da prepara\u00e7\u00e3o para a festa do Dom da Lei, que os judeus celebravam no Pentecostes. Depois destes quatro dias, passa-se logo para o \u00ab3.\u00ba Dia\u00bb (2,1-12), que \u00e9 o 7.\u00ba [= 4+3], e que tem a ver com a manifesta\u00e7\u00e3o da Gl\u00f3ria de Jesus (2,11), que corresponde ao 3.\u00ba Dia da manifesta\u00e7\u00e3o da Gl\u00f3ria de Deus no Sinai (\u00caxodo 19,10-20), para o qual se requerem dois dias de intensa prepara\u00e7\u00e3o (\u00caxodo 19,10-11). Se os quatro primeiros dias constituem a prepara\u00e7\u00e3o remota, os dois seguintes s\u00e3o a prepara\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima para este 3.\u00ba Dia! Este era o esquema da prepara\u00e7\u00e3o do povo para a Festa do Dom da Lei de Deus que se celebrava no Pentecostes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste Domingo II do Tempo Comum (Jo\u00e3o 1,29-34) mostra-nos o 2.\u00ba dia dos primeiros quatro de prepara\u00e7\u00e3o. Jo\u00e3o Batista permanece parado em\u00a0<em>Bethabara<\/em>\u00a0[= \u00abCasa da passagem\u00bb], desde Jo\u00e3o 1,28, im\u00f3vel e sereno e atento. O lugar em que permanece parado, define-o e define-nos: \u00e9 um umbral ou limiar. Todo o umbral ou limiar \u00e9 um lugar de passagem. Estamos de passagem. Jo\u00e3o Batista ocupa, portanto, o seu lugar estreito e aberto entre o des-lugar e a casa, o deserto e a Terra Prometida, entre o Antigo e o Novo Testamento. \u00c9 desse lugar de passagem, mas em que est\u00e1 parado como um guarda ou sentinela vigilante, a observar, que Jo\u00e3o v\u00ea bem (<em>embl\u00e9p\u00f4<\/em>) Jesus a passar (<em>peripato\u00fbnti<\/em>) (Jo\u00e3o 1,36) e a VIR ao seu encontro (Jo\u00e3o 1,29). Como Deus que VEM sempre ao nosso encontro. E apresenta-o como o CORDEIRO DE DEUS, que tira o pecado do mundo. Apresenta-o a n\u00f3s, pois n\u00e3o \u00e9 dito que esteja l\u00e1 mais algu\u00e9m. Riqu\u00edssima apresenta\u00e7\u00e3o de Jesus. Na verdade, Cordeiro diz-se na l\u00edngua aramaica, l\u00edngua comum ent\u00e3o falada,\u00a0<em>talya\u2019<\/em>. Mas\u00a0<em>talya\u2019<\/em>\u00a0significa, n\u00e3o s\u00f3 \u00abcordeiro\u00bb, mas tamb\u00e9m \u00abservo\u00bb, \u00abfilho\u00bb e \u00abp\u00e3o\u00bb. A\u00ed est\u00e1 tra\u00e7ada a identidade de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito de Deus entra na nossa hist\u00f3ria, descendo e permanecendo na humanidade de Jesus. A humanidade de Jesus \u00e9 a porta por onde entra em nossa casa o Esp\u00edrito de Deus. \u00c9 esta novidade que, do seu posto de sentinela, Jo\u00e3o Batista est\u00e1 a ver (verbo no perfeito grego), e dela d\u00e1 testemunho (verbo no perfeito grego). Entenda-se bem: Jo\u00e3o Batista d\u00e1 testemunho, n\u00e3o porque viu e j\u00e1 n\u00e3o v\u00ea, mas porque viu e continua a ver, exatamente como as testemunhas de Jesus Ressuscitado (Jo\u00e3o 20). O Filho de Deus feito Homem, sobre quem desce e permanece o Esp\u00edrito de Deus, Vem ao nosso encontro em\u00a0<em>Bethabara<\/em>, para nos fazer entrar em Casa, na Terra Prometida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cordeiro, Servo, Filho, P\u00e3o: eis Jesus, manso e d\u00f3cil, nosso irm\u00e3o e nosso alimento. O \u00abSegundo Canto do Servo do Senhor\u00bb (Isa\u00edas 49,1-6), em que Hoje se espelha o Evangelho, j\u00e1 mostra este Servo de Deus, libertado do servi\u00e7o entre os povos estrangeiros, para se colocar exclusivamente ao servi\u00e7o do Senhor, que, por isso e para isso, o pode chamar \u00abmeu Servo\u00bb (Isa\u00edas 49,3 e 6). A sua miss\u00e3o ser\u00e1 reconduzir Israel para Deus, de quem se tinha afastado f\u00edsica, moral e espiritualmente (Isa\u00edas 49,5). Fica, todavia, logo claro que n\u00e3o \u00e9 suficiente proceder \u00e0 reuni\u00e3o dos filhos de Abra\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio ir mais longe e refazer o mundo dos filhos de Adam. \u00c9 necess\u00e1rio ser a Luz das na\u00e7\u00f5es, como Jesus (Lucas 2,32) e todos os seus escolhidos e enviados.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"6\">\n<li>Veja-se Paulo, que faz sua a miss\u00e3o do Servo Israel de ser Luz das na\u00e7\u00f5es at\u00e9 aos confins da terra (Atos 13,47). \u00c9 nesse rastro de Luz que chega um dia a Corinto para l\u00e1 acender a Luz de Cristo, Senhor Nosso, e velar por essa Luz que arde nas entranhas. \u00c9 por isso que hoje escutamos tamb\u00e9m o princ\u00edpio da correspond\u00eancia que Paulo estabelece com a comunidade de Corinto (1 Cor\u00edntios 1,1-3).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cantamos hoje o primeiro andamento do Salmo 40, repetindo o refr\u00e3o: \u00abEu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade!\u00bb (v. 7-8). \u00c9 o c\u00e2ntico novo que ecoa hoje na nossa boca (v. 4), e que se vai ouvindo j\u00e1 por toda a terra. O Salmo 40 apresenta um primeiro andamento de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as (vv. 1-10), seguido logo por um movimento de s\u00faplica e lamenta\u00e7\u00e3o (vv. 11-18). Parece, pois, haver no corpo do Salmo uma estranha divis\u00e3o. Quem \u00e9 o \u00abeu\u00bb que constata e agradece os benef\u00edcios de Deus no v. 1, e quem \u00e9 o \u00abeu\u00bb que, no v. 14, implora ainda com veem\u00eancia o aux\u00edlio de Deus? Esta not\u00f3ria divis\u00e3o no corpo do Salmo n\u00e3o \u00e9 il\u00f3gica, como muitas vezes tem sido vista. \u00c9 humana, dado ser tamb\u00e9m a nossa vida tecida por momentos de sonho e de outros tempos de maior ou menor dificuldade. Em sintonia com o Evangelho de hoje, que p\u00f5e em cena Jo\u00e3o Batista, o grande indicador de caminhos, e, sobretudo, do Caminho, que \u00e9 Jesus, e em sintonia tamb\u00e9m com a li\u00e7\u00e3o do Servo de Deus de Isa\u00edas 49, que vem para levar Deus e a sua Luz \u00e0s na\u00e7\u00f5es e aos cora\u00e7\u00f5es. Como Paulo faz desde Damasco at\u00e9 Corinto, at\u00e9 Roma. Para tanto, todo o Servo de Deus tem de ter os ouvidos escavados (v. 7) e o cora\u00e7\u00e3o incendiado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus fiel,<br \/>\nFi\u00e1vel,<br \/>\nSim irrevog\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matriz fidedigna,<br \/>\nMaternal amor preveniente,<br \/>\nPermanente,<br \/>\nPaciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Palavra primeira e confidente,<br \/>\nProvidente,<br \/>\nEficiente,<br \/>\nA dizer-se sempre<br \/>\nE para sempre dita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rochedo firme,<br \/>\nAbrigo seguro,<br \/>\nAlcofa para o nascituro,<br \/>\nLuz no escuro,<br \/>\nAmor forte,<br \/>\nSem medo da morte e do futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus fiel e confidente,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fala,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que o teu servo escuta atentamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nada do que dizes cair\u00e1 por terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tua palavra \u00e0 minha mesa,<br \/>\nMinha habita\u00e7\u00e3o,<br \/>\nMinha alegria,<br \/>\nMinha exulta\u00e7\u00e3o,<br \/>\nEnergia do meu cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\nLuz que me guia e que me alumia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A minha luz \u00e9 reflexa,<br \/>\nA minha palavra \u00e9 lala\u00e7\u00e3o,<br \/>\nDe ti decorre,<br \/>\nPara ti corre a minha vida,<br \/>\nDita,<br \/>\nDada,<br \/>\nRecebida<br \/>\nE oferecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D. Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Leitura-I-do-Domingo-II-do-Tempo-Comum-Ano-A-15.01.2023-Is-49-3.5-6.pdf\">Leitura I do Domingo II do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 15.01.2023 (Is 49, 3.5-6)<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Leitura-II-do-Domingo-II-do-Tempo-Comum-Ano-A-15.01.2023-1Cor-1-1-3.pdf\">Leitura II do Domingo II do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 15.01.2023 (1Cor 1, 1-3)<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Domingo-II-do-Tempo-Comum-Ano-A-15.01.2023-Lecionario.pdf\">Domingo II do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 15.01.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Domingo-II-do-Tempo-Comum-Ano-A-15.01.2023-Oracao-Universal.pdf\">Domingo II do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 15.01.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Solenidade da Epifania do Senhor \u2013 Ano A \u2013 08.01.2023&#8243; tab_id=&#8221;1673870010977-7b860fcd-db5c&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Solenidade da Epifania do Senhor &#8211; Ano A \u2013 08.01.2023<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Epifania.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A liturgia deste domingo celebra a manifesta\u00e7\u00e3o de Jesus a todos os homens&#8230; Ele \u00e9 uma &#8220;luz&#8221; que se acende na noite do mundo e atrai a si todos os povos da terra. Cumprindo o projecto libertador que o Pai nos queria oferecer, essa &#8220;luz&#8221; incarnou na nossa hist\u00f3ria, iluminou os caminhos dos homens, conduziu-os ao encontro da salva\u00e7\u00e3o, da vida definitiva.<strong><em>in Dehonianos\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>++++++++++++++++++++++\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos a concluir o tempo de Natal. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 neste 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que seremos acompanhados pelo evangelista S. Mateus. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o para este ano lit\u00fargico poderia ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Is 60,1-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos cap\u00edtulos 56-66 do Livro de Isa\u00edas, convencionou-se chamar &#8220;Trito-Isa\u00edas. Trata-se de um conjunto de textos cuja proveni\u00eancia n\u00e3o \u00e9 totalmente consensual&#8230; Para alguns, s\u00e3o textos de um profeta an\u00f3nimo, p\u00f3s-ex\u00edlio, que exerceu o seu minist\u00e9rio em Jerusal\u00e9m ap\u00f3s o regresso dos exilados da Babil\u00f3nia, nos anos 537\/520 a.C.; para a maioria, trata-se de textos que prov\u00eam de diversos autores p\u00f3s-ex\u00edlios e que foram redigidos ao longo de um arco de tempo relativamente longo (provavelmente, entre os s\u00e9cs. VI e V a.C.). De qualquer forma, estamos na \u00e9poca a seguir ao Ex\u00edlio e numa Jerusal\u00e9m em reconstru\u00e7\u00e3o&#8230; As marcas do passado ainda se notam nas pedras calcinadas da cidade; os judeus que se estabeleceram na cidade s\u00e3o ainda poucos; a pobreza dos exilados faz com que a reconstru\u00e7\u00e3o seja lenta e muito modesta; os inimigos est\u00e3o \u00e0 espreita e a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 desanimada&#8230; Sonha-se, no entanto, com esse dia futuro em que vai chegar Deus para trazer a salva\u00e7\u00e3o definitiva ao seu Povo. Ent\u00e3o, Jerusal\u00e9m voltar\u00e1 a ser uma cidade bela e harmoniosa, o Templo ser\u00e1 reconstru\u00eddo e Deus habitar\u00e1 para sempre no meio do seu Povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto \u00e9 uma glorifica\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, a cidade da luz, a &#8220;cidade dos dois s\u00f3is&#8221; (o sol nascente e o sol poente: pela sua situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, a cidade \u00e9 iluminada desde o nascer do dia at\u00e9 ao p\u00f4r do sol). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode fazer-se a partir das seguintes linhas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como pano de fundo deste texto (e da liturgia deste dia) est\u00e1 a afirma\u00e7\u00e3o da eterna preocupa\u00e7\u00e3o de Deus com a vida e a felicidade desses homens e mulheres a quem Ele criou. Sejam quais forem as voltas que a hist\u00f3ria d\u00e1, Deus est\u00e1 l\u00e1, vivo e presente, acompanhando a caminhada do seu Povo e oferecendo-lhe a vida definitiva. Esta &#8220;fidelidade&#8221; de Deus aquece-nos o cora\u00e7\u00e3o e renova-nos a esperan\u00e7a&#8230; Caminhamos pela vida de cabe\u00e7a levantada, confiando no amor infinito de Deus e na sua vontade de salvar e libertar o homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso, sem d\u00favida, ligar a chegada da &#8220;luz&#8221; salvadora de Deus a Jerusal\u00e9m (anunciada pelo profeta) com o nascimento de Jesus. O projeto de liberta\u00e7\u00e3o que Jesus veio apresentar aos homens ser\u00e1 a luz que vence as trevas do pecado e da opress\u00e3o e que d\u00e1 ao mundo um rosto mais brilhante de vida e de esperan\u00e7a. Reconhecemos em Jesus a &#8220;luz&#8221; libertadora de Deus? Estamos dispostos a aceitar que essa &#8220;luz&#8221; nos liberte das trevas do ego\u00edsmo, do orgulho e do pecado? Ser\u00e1 que, atrav\u00e9s de n\u00f3s, essa &#8220;luz&#8221; atinge o mundo e o cora\u00e7\u00e3o dos nossos irm\u00e3os e transforma tudo numa nova realidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na catequese crist\u00e3 dos primeiros tempos, esta Jerusal\u00e9m nova, que j\u00e1 &#8220;n\u00e3o necessita de sol nem de lua para a iluminar, porque \u00e9 iluminada pela gl\u00f3ria de Deus&#8221;, \u00e9 a Igreja &#8211; a comunidade dos que aderiram a Jesus e acolheram a luz salvadora que Ele veio trazer (cf. Ap 21,10-14.23-25). Ser\u00e1 que nas comunidades crist\u00e3s e nas comunidades religiosas brilha a luz libertadora de Jesus? Elas s\u00e3o, pelo seu brilho, uma luz que atrai os homens? As nossas desaven\u00e7as e conflitos, a nossa falta de amor e de partilha, os nossos ci\u00fames e rivalidades, n\u00e3o contribuir\u00e3o para embaciar o brilho dessa luz de Deus que dev\u00edamos refletir?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 que na nossa Igreja h\u00e1 espa\u00e7o para todos os que buscam a luz libertadora de Deus? Os irm\u00e3os que t\u00eam a vida destro\u00e7ada, ou que n\u00e3o se comportam de acordo com as regras da Igreja, s\u00e3o acolhidos, respeitado<br \/>\ns e amados? As diferen\u00e7as pr\u00f3prias da diversidade de culturas s\u00e3o vistas como uma riqueza que importa preservar, ou s\u00e3o rejeitadas porque amea\u00e7am a uniformidade? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 71 (72)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: Vir\u00e3o adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Ef 3,2-3a.5-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta aos Ef\u00e9sios (cuja autoria paulina alguns discutem por quest\u00f5es de linguagem, de estilo e de teologia) apresenta-se como uma &#8220;carta de cativeiro&#8221;, escrita por Paulo da pris\u00e3o (os que aceitam a autoria paulina desta carta discutem qual o lugar onde Paulo est\u00e1 preso, nesta altura, embora a maioria ligue a carta ao cativeiro de Paulo em Roma entre 61\/63).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, de qualquer forma, uma apresenta\u00e7\u00e3o s\u00f3lida de uma catequese bem elaborada e amadurecida. A carta (talvez uma &#8220;carta circular&#8221;, enviada a v\u00e1rias comunidades crist\u00e3s da parte ocidental da \u00c1sia Menor) parece apresentar uma esp\u00e9cie de s\u00edntese do pensamento Paulino<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema mais importante da Carta aos Ef\u00e9sios \u00e9 aquilo que o autor chama &#8220;o mist\u00e9rio&#8221;: trata-se do projeto salvador de Deus, definido e elaborado desde sempre, escondido durante s\u00e9culos, revelado e concretizado plenamente em Jesus, comunicado aos ap\u00f3stolos e, nos &#8220;\u00faltimos tempos&#8221;, tornado presente no mundo pela Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na parte dogm\u00e1tica da carta (cf. Ef 1,3-3,19), Paulo apresenta a sua catequese sobre &#8220;o mist\u00e9rio&#8221;: depois de um hino que p\u00f5e em relevo a a\u00e7\u00e3o do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo na obra da salva\u00e7\u00e3o (cf. Ef 1,3-14), o autor fala da soberania de Cristo sobre os poderes ang\u00e9licos e do seu papel de cabe\u00e7a da Igreja (cf. Ef 1,15-23); depois, reflete sobre a situa\u00e7\u00e3o universal do homem, mergulhado no pecado e afirma a iniciativa salvadora e gratuita de Deus em favor do homem (cf. Ef 2,1-10); exp\u00f5e, ainda, como \u00e9 que Cristo &#8211; realizando &#8220;o mist\u00e9rio&#8221; &#8211; levou a cabo a reconcilia\u00e7\u00e3o de judeus e pag\u00e3os num s\u00f3 corpo, que \u00e9 a Igreja (cf. 2,11-22)&#8230; O texto que nos \u00e9 proposto vem nesta sequ\u00eancia: nele, Paulo apresenta-se como testemunha do &#8220;mist\u00e9rio&#8221; diante dos judeus e diante dos pag\u00e3os (cf. Ef 3,1-13).<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode fazer-se a partir dos seguintes elementos<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A perspetiva de que Deus tem um projeto de salva\u00e7\u00e3o para oferecer ao seu Povo &#8211; j\u00e1 enunciada na primeira leitura &#8211; tem aqui novos desenvolvimentos. A primeira novidade \u00e9 que Cristo \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o e a realiza\u00e7\u00e3o plena desse projeto. A segunda novidade \u00e9 que esse projeto n\u00e3o se destina apenas &#8220;a Jerusal\u00e9m&#8221; (ao mundo judaico), mas \u00e9 para ser oferecido a todos os povos, sem exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja, &#8220;corpo de Cristo&#8221;, \u00e9 a comunidade daqueles que acolheram &#8220;o mist\u00e9rio&#8221;. Nela, brancos e negros, pobres e ricos, ucranianos ou moldavos &#8211; benefici\u00e1rios todos da a\u00e7\u00e3o salvadora e libertadora de Deus &#8211; t\u00eam lugar em igualdade de circunst\u00e2ncias. Temos, verdadeiramente, consci\u00eancia de que \u00e9 nesta comunidade de crentes que se revela hoje no mundo o projeto salvador que Deus tem para oferecer a todos os homens? Na vida das nossas comunidades transparece, realmente, o amor de Deus? As nossas comunidades s\u00e3o verdadeiras comunidades fraternas, onde todos se amam sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, de cor ou de estatuto social?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destinat\u00e1rios, todos, do mist\u00e9rio, somos &#8220;filhos de Deus&#8221; e irm\u00e3os uns dos outros. Essa fraternidade implica o amor sem limites, a partilha, a solidariedade&#8230;. Sentimo-nos solid\u00e1rios com todos os irm\u00e3os que partilham connosco esta vasta casa que \u00e9 o mundo? Sentimo-nos respons\u00e1veis pela sorte de todos os nossos irm\u00e3os, mesmo aqueles que est\u00e3o separados de n\u00f3s pela geografia, pela diversidade de culturas e de ra\u00e7as? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mt 2,1-12<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio da visita dos magos ao menino de Bel\u00e9m \u00e9 um epis\u00f3dio simp\u00e1tico e terno que, ao longo dos s\u00e9culos, tem provocado um impacto consider\u00e1vel nos sonhos e nas fantasias dos crist\u00e3os&#8230; No entanto, conv\u00e9m recordar que estamos, ainda, no \u00e2mbito do &#8220;Evangelho da Inf\u00e2ncia&#8221;; e que os factos narrados nesta sec\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o a descri\u00e7\u00e3o exata de acontecimentos hist\u00f3ricos, mas uma catequese sobre Jesus e a sua miss\u00e3o&#8230; Por outras palavras: Mateus n\u00e3o est\u00e1, aqui, interessado em apresentar uma reportagem jornal\u00edstica que conte a visita oficial de tr\u00eas chefes de estado estrangeiros \u00e0 gruta de Bel\u00e9m; mas est\u00e1 interessado, recorrendo a s\u00edmbolos e imagens bem expressivos para os primeiros crist\u00e3os, em apresentar Jesus como o enviado de Deus Pai, que vem oferecer a salva\u00e7\u00e3o de Deus aos homens de toda a terra. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, meditemos nas atitudes das v\u00e1rias personagens que Mateus nos apresenta em confronto com Jesus: os &#8220;magos&#8221;, Herodes, os pr\u00edncipes dos sacerdotes e os escribas do povo&#8230; Diante de Jesus, o libertador enviado por Deus, estes distintos personagens assumem atitudes diversas, que v\u00e3o desde a adora\u00e7\u00e3o (os &#8220;magos&#8221;), at\u00e9 \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o total (Herodes), passando pela indiferen\u00e7a (os sacerdotes e os escribas: nenhum deles se preocupou em ir ao encontro desse Messias que eles conheciam bem dos textos sagrados). Identificamo-nos com algum destes grupos? N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil &#8220;conhecer as Escrituras&#8221;, como profissionais da religi\u00e3o e, depois, deixar que as propostas e os valores de Jesus nos passem ao lado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os &#8220;magos&#8221; s\u00e3o apresentados como os &#8220;homens dos sinais&#8221;, que sabem ver na &#8220;estrela&#8221; o sinal da chegada da liberta\u00e7\u00e3o&#8230; Somos pessoas atentas aos &#8220;sinais&#8221; &#8211; isto \u00e9, somos capazes de ler os acontecimentos da nossa hist\u00f3ria e da nossa vida \u00e0 luz de Deus? Procuramos perceber nos &#8220;sinais&#8221; que aparecem no nosso ca-<br \/>\nminho a vontade de Deus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">47Impressiona tamb\u00e9m, no relato de Mateus, a &#8220;desinstala\u00e7\u00e3o&#8221; dos &#8220;magos&#8221;: viram a &#8220;estrela&#8221;, deixaram tudo, arriscaram tudo e vieram procurar Jesus. Somos capazes da mesma atitude de desinstala\u00e7\u00e3o, ou estamos demasiado agarrados ao nosso sof\u00e1, ao nosso colch\u00e3o especial, \u00e0 nossa televis\u00e3o, \u00e0 nossa aparelhagem? Somos capazes de deixar tudo para responder aos apelos que Jesus nos faz atrav\u00e9s dos irm\u00e3os?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os &#8220;magos&#8221; representam os homens de todo o mundo que v\u00e3o ao encontro de Cristo, que acolhem a proposta libertadora que Ele traz e que se prostram diante d&#8217;Ele. \u00c9 a imagem da Igreja &#8211; essa fam\u00edlia de irm\u00e3os, constitu\u00edda por gente de muitas cores e ra\u00e7as, que aderem a Jesus e que O reconhecem como o seu Senhor. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/01\/04\/guiados-por-uma-estrela-7\/\"><strong>GUIADOS POR UMA\u00a0ESTRELA<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abEu o vejo, mas n\u00e3o agora, \/ eu o contemplo, mas n\u00e3o de perto:\/ uma estrela desponta (<em>anatele\u00ee<\/em>) de Jacob, \/ um cetro se levanta de Israel\u00bb (N\u00fameros 24,17). Assim fala, com uns olhos muito claros postos no futuro, um profeta de nome Bala\u00e3o, que o Livro dos N\u00fameros diz ser oriundo das margens do rio Eufrates (N\u00fameros 22,5), uma vasta regi\u00e3o conhecida pelo nome de \u00abmontes do Oriente\u00bb (N\u00fameros 23,7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do Oriente s\u00e3o tamb\u00e9m os Magos, que enchem o Evangelho deste Dia (Mateus 2,1-12), e que representam a humanidade de cora\u00e7\u00e3o puro e de olhar puro que, agora e de perto, sabe ler os sinais de Deus, sejam eles a estrela que desponta (<em>anatele\u00ee<\/em>) (2,2 e 9) ou o sonho (2,12), uma e outro indicador de caminhos novos, insuspeitados. Surpresa das surpresas: at\u00e9 para casa precisamos de aprender o caminho, pois \u00e9, na verdade, um caminho novo! (2,12). Excelente, inteligente, o grande texto b\u00edblico: Bala\u00e3o vem do Oriente, e os Magos tamb\u00e9m. O texto grego diz bem, no plural, \u00abdos Orientes\u00bb (<em>ap\u2019anatol\u00f4n<\/em>). S\u00f3 a estrela que desponta (<em>anatol\u00ea<\/em>\u00a0\/\u00a0<em>anatole\u00ee<\/em>), no singular, pode orientar a nossa humanidade perdida no meio da confus\u00e3o do plural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De resto, j\u00e1 sabemos que, na Escritura Santa, a Luz nova que no c\u00e9u desponta (Lucas 1,78; 2,2 e 9; cf. N\u00fameros 24,17; Isa\u00edas 60,1-2; Malaquias 3,20) e o Rebento tenro que entre n\u00f3s germina (Jeremias 23,5; 33,15; Zacarias 3,8; 6,12) apontam e s\u00e3o figura do Messias e dizem-se com o mesmo nome grego\u00a0<em>anatol\u00ea<\/em>\u00a0(<em>tsemah<\/em>\u00a0TM) ou forma verbal\u00a0<em>anat\u00e9ll\u00f4<\/em>. Esta estrela (<em>anatol\u00ea<\/em>) que arde nos olhos e no cora\u00e7\u00e3o dos Magos est\u00e1, portanto, longe de ser uma hist\u00f3ria infantil. Orienta os passos dos Magos e, neles, os de toda humanidade para a verdadeira ESTRELA que desponta e para o REBENTO que germina, que \u00e9 o MENINO. E os Magos e, com eles, a inteira humanidade orientam para aquele MENINO toda a sua vida, que \u00e9 o que significa o verbo \u00abADORAR\u00bb (<em>proskyn\u00e9\u00f4<\/em>). Esta \u00abadora\u00e7\u00e3o\u00bb pessoal \u00e9 o verdadeiro presente a oferecer ao MENINO.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Note-se a express\u00e3o recorrente \u00abo Menino e sua M\u00e3e\u00bb (Mateus 2,11.13.14.20.21) e o contraponto bem vincado com \u00abo rei Herodes perturbado e toda a Jerusal\u00e9m com ele\u00bb (Mateus 2,3), que abre j\u00e1 para a rejei\u00e7\u00e3o final de Jesus. Veja-se tamb\u00e9m a alegria que invade os magos \u00e0 vista da sua estrela, ainda antes de verem o Menino (Mateus 2,10), que evoca j\u00e1 a alegria das mulheres, ainda antes de verem o Senhor Ressuscitado (Mateus 28,8). Veja-se ainda o in\u00fatil controlo das Escrituras por parte de \u00abtodos os sacerdotes e escribas do povo\u00bb, que sabem a verdade acerca do Messias, mas n\u00e3o sabem reconhecer o Messias (Mateus 2,4-6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, para juntar aqui outra vez os fios de ouro da Escritura Santa, nomeadamente 1 Reis 10,1-10 (Rainha de Sab\u00e1), Isa\u00edas 60 e o Salmo 72, diz o belo texto de Mateus que os Magos ofereceram ao MENINO ouro, incenso e mirra. J\u00e1 sabemos que, desde Ireneu de Li\u00e3o (130-203), mas entenda-se bem que isto \u00e9 secund\u00e1rio, o ouro simboliza a realeza, o incenso a divindade, e a mirra a morte e o sepultamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode acrescentar-se ainda, mas tamb\u00e9m isto \u00e9 claramente secund\u00e1rio, que muitos astr\u00f3nomos, historiadores e curiosos se t\u00eam esfor\u00e7ado por identificar aquela estrela que despontou e guiou os Magos, apresentando como hip\u00f3teses mais vi\u00e1veis: a) o cometa Halley, que se fez ver em 12-11 a. C.; b) a tr\u00edplice conjun\u00e7\u00e3o de J\u00fapiter e Saturno na constela\u00e7\u00e3o de Peixes, ocorrida em 7 a. C.; c) uma\u00a0<em>nova<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>supernova<\/em>, vis\u00edvel em 5-4 a. C. Esta \u00faltima est\u00e1 registada nos observat\u00f3rios astron\u00f3micos chineses. A conjun\u00e7\u00e3o de J\u00fapiter e Saturno na constela\u00e7\u00e3o de Peixes est\u00e1 registada nos observat\u00f3rios da Babil\u00f3nia e do Egipto. Johannes Kepler (1571-1630), que estudou este assunto em pormenor, dedica particular aten\u00e7\u00e3o aos fen\u00f3menos registados em b) e c). Note-se, por\u00e9m, que a estrela dos Magos \u00e9 s\u00f3 vista por eles, estrangeiros como Bala\u00e3o, que tamb\u00e9m v\u00ea de modo diferente dos outros. Rir-se-iam, certamente, se soubessem que n\u00f3s indagamos os c\u00e9us com instrumentos cient\u00edficos \u00e0 procura da estrela que alumiava o seu cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 assim que \u00abmuitos vir\u00e3o do oriente e do ocidente, isto \u00e9, de fora, e sentar-se-\u00e3o \u00e0 mesa no Reino dos C\u00e9us\u00bb (Mateus 8,11). E n\u00f3s, que tamb\u00e9m indagamos as Escrituras sem lhes descobrirmos o verdadeiro fio de ouro (Mateus 2,4-6), poderemos ficar tragicamente fora da porta e do sentido (Mateus 8,12). Que os de fora passem \u00e0 frente dos de dentro \u00e9 a surpresa de Deus, e, portanto, uma constante no Evangelho (Mateus 21,33-43; 22,1-13; Lucas 13,22-29).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1 tamb\u00e9m a transbordar de sentido aquela \u00faltima anota\u00e7\u00e3o: \u00abPor outra estrada regressaram \u00e0 sua terra\u00bb (Mateus 2,12). Sim, quem viu o que os Magos viram, quem encontrou o que eles encontraram, quem experimentou o que eles experimentaram, n\u00e3o pode mais limitar-se a continuar seja o que for. Tudo tem mesmo de ser novo. A estrada tem de ser outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ilustra bem o grandioso texto do Evangelho de Mateus o soberbo texto de Isa\u00edas 60,1-6, que canta Jerusal\u00e9m personificada como m\u00e3e extremosa que v\u00ea chegar dos quatro pontos cardeais os seus filhos e filhas perdidos nos ex\u00edlios de todos os tempos e lugares. Tamb\u00e9m n\u00e3o falta a luz que desponta (<em>anatele\u00ee<\/em>) (Isa\u00edas 60,1) e os muitos presentes, os tais fios que se v\u00e3o juntar no Evangelho de hoje, de Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4Tamb\u00e9m os versos sublimes do Salmo Real 72 cantam a mesma melodia de alegria que se insinua nas pregas do cora\u00e7\u00e3o da inteira humanidade maravilhada com a presen\u00e7a de Rei t\u00e3o carinhoso. Tamb\u00e9m aqui encontramos a hiperb\u00f3lica \u00abidade do ouro\u00bb, o gr\u00e3o que cresce mesmo no cimo das colinas, e a felicidade dos pobres, que ser\u00e3o sempre os melhores \u00abclientes\u00bb de Deus. Extraordin\u00e1ria condensa\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a da nossa humanidade \u00e0 deriva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o Ap\u00f3stolo Paulo (Ef\u00e9sios 3,2-3 e 5-6) faz saber, para espanto, maravilha e alegria nossa, que os pag\u00e3os s\u00e3o co-herdeiros e comparticipantes da Promessa de Deus em Jesus Cristo, por meio do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim. Falta dizer que, no meio de tanta Luz, Presentes e Alegria para todos, vindos da Epifania, que significa manifesta\u00e7\u00e3o de Deus entre n\u00f3s e para n\u00f3s, n\u00e3o podemos hoje esquecer as crian\u00e7as e a miss\u00e3o. Hoje celebra-se o dia da \u00abInf\u00e2ncia Mission\u00e1ria\u00bb, que gosto de ver sempre envolta no belo lema: \u00abO Evangelho viaja sem passaporte\u00bb. Para significar que o Evangelho nos faz verdadeiramente filhos e irm\u00e3os. E entre filhos e irm\u00e3os n\u00e3o h\u00e1 fronteiras nem barreiras nem muros ou qualquer separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sonho um mundo assim. E parece-me que s\u00f3 as crian\u00e7as nos podem ensinar esta li\u00e7\u00e3o maravilhosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do Oriente veio em prociss\u00e3o de esperan\u00e7a<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O melhor da nossa humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tr\u00eas magos caminharam \u00e0 luz de uma estrela nova,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rec\u00e9m-nascida,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mansa,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como uma crian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prociss\u00e3o faz-se em passos de dan\u00e7a,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a estrela s\u00f3 pode ser olhada com olhos puros,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De cristal,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com alma enternecida,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E cora\u00e7\u00e3o de Natal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o a viu Herodes,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o a viram os guardas,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o a viram os s\u00e1bios,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que arrastavam os olhos por velhos alfarr\u00e1bios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viram-na os magos,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pegaram nela \u00e0 m\u00e3o,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Levaram-na aos l\u00e1bios,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deitaram-na no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vem, Senhor Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo precisa tanto da tua Luz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D. Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Leitura-I-Solenidade-da-Epifania-do-Senhor-Ano-A-08.01.2023-Is-60-1-6.pdf\">Leitura I &#8211; Solenidade da Epifania do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 08.01.2023 (Is 60, 1-6)<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Leitura-II-Solenidade-da-Epifania-do-Senhor-Ano-A-08.01.2023-Ef-3-2-3a.5-6.pdf\">Leitura II &#8211; Solenidade da Epifania do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 08.01.2023 (Ef 3, 2-3a.5-6)<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Solenidade-da-Epifania-do-Senhor-Ano-A-08.01.2023-Lecionario.pdf\">Solenidade da Epifania do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 08.01.2023-Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Solenidade-da-Epifania-do-Senhor-Ano-A-08.01.2023-Oracao-Universal.pdf\">Solenidade da Epifania do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 08.01.2023-Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Santa Maria M\u00e3e de Deus \u2013 Ano A \u2013 01.01.2023&#8243; tab_id=&#8221;1673266028289-ed9ff4ff-c7be&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Santa Maria M\u00e3e de Deus &#8211; Ano A \u2013 01.01.2023<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11007 alignnone\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Santa-Maria-Mae-de-Deus.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>O Senhor te aben\u00e7oe e te proteja. O Senhor fa\u00e7a brilhar sobre ti a sua face e te seja favor\u00e1vel. O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz<\/em>\u00bb. Com estas palavras era aben\u00e7oado o Povo de Israel, antes de partir para suas casas, no final das celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas no Templo de Jerusal\u00e9m e com estas palavras invocamos a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus no primeiro dia do ano civil. Cada Ano Novo \u00e9 como uma p\u00e1gina em branco que se coloca diante de n\u00f3s para que a possamos pintar com a mais belas cores da bondade, da ternura e da miseric\u00f3rdia. Desejamos votos de um ano bom e pr\u00f3spero aos amigos e familiares e at\u00e9 aos desconhecidos, augurando os melhores \u00eaxitos neste ano que come\u00e7a. Queremos que seja um ano melhor e, para isso, tomamos consci\u00eancia que s\u00f3 ser\u00e1 um ano melhor, se em cada dia, cada um de n\u00f3s, procurar ser melhor. A b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus \u00e9 um dom, mas tamb\u00e9m o compromisso de sermos b\u00ean\u00e7\u00e3o uns para os outros, no compromisso de uma fraternidade cada vez mais verdadeira e aut\u00eantica, que seja promotora de comunh\u00e3o e unidade. No in\u00edcio deste novo ano, damos gra\u00e7as ao Senhor por tudo o que foi o ano de 2022, por todos os dons que o Senhor nos concedeu, por todas as oportunidades que nos foram dadas viver. Somos convidados a dar gra\u00e7as at\u00e9 pelos momentos mais dif\u00edceis e exigentes e que foram para n\u00f3s oportunidade de crescimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos no \u00faltimo dia da oitava do Natal do Senhor, por isso, como os pastores acorremos apressadamente ao Pres\u00e9pio de Bel\u00e9m. Ao verem o Menino deitado na manjedoura, os pastores \u00ab<em>come\u00e7aram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino<\/em>\u00bb, testemunhando a alegria de verem cumpridas as promessas que Deus fizera outrora, pela boca dos profetas. Como eles, tamb\u00e9m n\u00f3s queremos aprender a arte de contemplar as maravilhas do amor e de as comunicar com alegria e entusiasmo. Somos filhos muito amados de Deus e na contempla\u00e7\u00e3o do rec\u00e9m-nascido de Bel\u00e9m contemplamos como a carne humana \u00e9 lugar habitado pela divindade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa fr\u00e1gil natureza \u00e9 lugar escolhido e amado por Deus para fazer sua morada e, montando a Sua tenda no meio da humanidade Deus revela-Se e revela que a nossa carne humana, n\u00e3o s\u00f3 pode, como deve ser lugar da manifesta\u00e7\u00e3o do amor e da miseric\u00f3rdia de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contemplamos o Menino que, para n\u00f3s, nasceu e, evidentemente, que a contempla\u00e7\u00e3o da figura de um rec\u00e9m-nascido \u00e9 insepar\u00e1vel da contempla\u00e7\u00e3o do rega\u00e7o de Sua M\u00e3e que o acalenta e sustenta. Por isso, neste primeiro dia do ano, invocamos a figura maternal de Maria e invoc\u00e1mo-la como Santa Maria, M\u00e3e de Deus,\u00a0<em>Theotokos<\/em>, pois assim a invoca a Igreja desde 431. Maria \u00e9 M\u00e3e de Deus, porque acolheu o Verbo Divino no Seu seio, gerando com admira\u00e7\u00e3o da natureza no seu ventre Aquele, por meio do qual, tudo foi criado. Mas a grandeza de Maria, como atesta o pr\u00f3prio Jesus, n\u00e3o foi transportar no seu ventre o Verbo Incarnado ou amamentar Aquele que governa os c\u00e9us e a terra, mas confiar na Palavra de Deus e fazer da vontade de Deus a sua pr\u00f3pria vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria disponibiliza a sua vida para o acontecer de Deus, mesmo quando sente dificuldade em compreender e acolher quanto acontece nela e atrav\u00e9s dela, por isso, nos testemunha o evangelista: \u00ab<em>Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu cora\u00e7\u00e3o<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria ensina-nos o segredo para acolher tantas situa\u00e7\u00f5es e circunst\u00e2ncias da nossa vida que temos dificuldade em compreender e aceitar: guardar no cora\u00e7\u00e3o e confiar na m\u00e3o carinhosa de Deus que conduz a hist\u00f3ria e que guiar\u00e1 a nossa vida para o seu pleno cumprimento. No rega\u00e7o terno e materno de Maria, saboreamos o dom da filia\u00e7\u00e3o divina e, na for\u00e7a do Esp\u00edrito, podemos clamar com toda a verdade: \u00ab<em>Ab\u00e1! Pai!<\/em>\u00bb. <strong><em>in Voz Portucalense\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0 +++++++++++++++++++<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dia 1 de janeiro, Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus, \u00e9 tamb\u00e9m Dia Mundial da Paz. No\u00a0dia\u00a0Dezembro de 1967, o\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Papa_Paulo_VI\">Papa Paulo VI<\/a>\u00a0escreveu uma mensagem a todos os homens e e mulheres de boa vontade, propondo a cria\u00e7\u00e3o do\u00a0Dia Mundial da Paz, a ser festejado no dia 1 de Janeiro de cada ano, desejando que este dia fosse celebrado para l\u00e1 das fronteiras da Igreja e fosse fermento de paz e unidade. Este ano assinala-se o 56.\u00ba Dia Mundial da Paz e o Papa Francisco escolheu como tema para este ano \u00ab<em>Ningu\u00e9m pode salvar-se sozinho. Juntos, recomecemos a partir de covid-19 para tra\u00e7ar sendas de paz\u00bb<\/em>. A distribui\u00e7\u00e3o desta mensagem pelos fi\u00e9is, bem como o convite a rezar de modo insistente pela paz t\u00e3o necess\u00e1ria e urgente, s\u00e3o algumas das sugest\u00f5es para assinalar esta data.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>++++++++++++++++++++++\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos em tempo de Natal. Estamos num novo ano lit\u00fargico \u2013 neste 2022\/2023, o Ano A &#8211; em que seremos acompanhados pelo evangelista S. Mateus. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o para este ano lit\u00fargico poderia ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso (<strong>acompanhe-nos em: Abordagens VIII e seguintes &#8211; https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/strong>). Ser\u00e1 uma catequese b\u00edblica que ajudar\u00e1 a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Num 6,22-27<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abAssim invocar\u00e3o o meu nome sobre os filhos de Israel, e Eu os aben\u00e7oarei\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto situa-nos no Sinai, frente \u00e0 montanha onde se celebrou a alian\u00e7a entre Deus e o seu Povo&#8230; No contexto das \u00faltimas instru\u00e7\u00f5es de Jahw\u00e9h a Mois\u00e9s, antes de Israel levantar o acampamento e iniciar a caminhada em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra Prometida, \u00e9 apresentada uma f\u00f3rmula de b\u00ean\u00e7\u00e3o, que os &#8220;filhos de Aar\u00e3o&#8221; (sacerdotes) deviam pronunciar sobre a comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Provavelmente, trata-se de uma f\u00f3rmula lit\u00fargica utilizada no Templo de Jerusal\u00e9m para aben\u00e7oar a comunidade, no final das celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, antes de o Povo regressar a suas casas&#8230; Essa b\u00ean\u00e7\u00e3o \u00e9 aqui apresentada como um dom de Deus, no Sinai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A &#8220;b\u00ean\u00e7\u00e3o&#8221; (&#8220;beraka&#8221;) \u00e9 concebida, no universo dos povos semitas, como uma comunica\u00e7\u00e3o de vida, real e eficaz, que atinge o &#8220;aben\u00e7oado&#8221; e que lhe transmite vigor, for\u00e7a, \u00eaxito, felicidade. \u00c9 um dom que, uma vez pronunciado, n\u00e3o pode ser retirado nem anulado. Aqui, essa comunica\u00e7\u00e3o de vida &#8211; fruto da generosidade e do amor de Deus &#8211; derrama-se sobre os membros da comunidade por interm\u00e9dio dos sacerdotes (no Antigo Testamento, os intermedi\u00e1rios entre o mundo de Jahw\u00e9h e a comunidade israelita). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode fazer-se a partir dos seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, somos convidados a tomar consci\u00eancia da generosidade do nosso Deus, que nunca nos abandona, mas que continua a sua tarefa criadora derramando sobre n\u00f3s, continuamente, a vida em plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 de Deus que tudo recebemos: vida, sa\u00fade, for\u00e7a, amor e aquelas mil e uma pequeninas coisas que enchem a nossa vida e que nos d\u00e3o instantes plenos. Tendo consci\u00eancia dessa presen\u00e7a cont\u00ednua de Deus ao nosso lado, do seu amor e do seu cuidado, somos gratos por isso? No nosso di\u00e1logo com Ele, sentimos a necessidade de O louvar e de Lhe agradecer por tudo o que Ele nos oferece? Agradecemos todos os dons que Ele derramou sobre n\u00f3s no ano que acaba de terminar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso ter consci\u00eancia de que a &#8220;b\u00ean\u00e7\u00e3o&#8221; de Deus n\u00e3o cai do c\u00e9u como uma chuva m\u00e1gica que nos molha, quer queiramos, quer n\u00e3o (magia e Deus n\u00e3o combinam); mas a vida de Deus, derramada sobre n\u00f3s continuamente, tem de ser acolhida com amor e gratid\u00e3o e, depois, transformada em gestos concretos de amor e de paz. \u00c9 preciso que o nosso cora\u00e7\u00e3o diga &#8220;sim&#8221;, para que a vida de Deus nos atinja e nos transforme. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo\u00a066 (67)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: Deus Se compade\u00e7a de n\u00f3s e nos d\u00ea a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Gal 4,4-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abDeus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as comunidades crist\u00e3s do norte da Gal\u00e1cia manifestou-se, pelos anos 55\/56, uma grave crise&#8230; \u00c0 regi\u00e3o g\u00e1lata chegaram pregadores crist\u00e3os de origem judaica, que punham em causa a validade e a legitimidade do Evangelho anunciado por Paulo. Este era acusado de pregar um Evangelho mutilado, distante do Evangelho pregado pelos ap\u00f3stolos de Jerusal\u00e9m&#8230; Para estes pregadores (&#8220;judaizantes&#8221;), a f\u00e9 em Cristo devia ser complementada pelo cumprimento rigoroso da Lei de Mois\u00e9s, nomeadamente pelo rito da circuncis\u00e3o.<br \/>\nPaulo foi avisado da situa\u00e7\u00e3o quando estava em \u00c9feso. N\u00e3o o preocupava que a sua pessoa fosse posta em causa; preocupava-o o dano que este tipo de discurso podia trazer \u00e0s comunidades crist\u00e3s&#8230; Paulo estava convencido que o movimento religioso iniciado por Jesus de Nazar\u00e9 n\u00e3o era uma religi\u00e3o formalista e ritual, uma religi\u00e3o de pr\u00e1ticas exteriores, como o juda\u00edsmo farisaico do seu tempo, que se preocupava com quest\u00f5es formais e secund\u00e1rias; al\u00e9m disso, estava convencido de que a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha a ver com conquistas humanas (como se a salva\u00e7\u00e3o fosse conseguida \u00e0 custa dos atos heroicos do homem), mas era um dom de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alarmado pela gravidade da situa\u00e7\u00e3o, Paulo escreveu aos g\u00e1latas. Com alguma dureza (justificada pela gravidade do problema), Paulo diz aos g\u00e1latas que o cristianismo \u00e9 liberdade e que a a\u00e7\u00e3o de Cristo libertou os homens da escravid\u00e3o da Lei&#8230; Os g\u00e1latas devem, portanto, fazer a sua escolha: pela escravid\u00e3o, ou pela liberdade; no entanto &#8211; n\u00e3o deixa de observar Paulo &#8211; \u00e9 uma estupidez ter experimentado a liberdade e querer voltar \u00e0 escravid\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto que nos \u00e9 proposto, Paulo recorda aos g\u00e1latas a incarna\u00e7\u00e3o de Cristo e o objetivo da sua vinda ao mundo: fazer dos que a Ele aderem &#8220;filhos de Deus&#8221; livres. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar, na reflex\u00e3o, as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia crist\u00e3 \u00e9, fundamentalmente, uma experi\u00eancia de encontro com um Deus que \u00e9 &#8220;abb\u00e1&#8221; &#8211; isto \u00e9, que \u00e9 um &#8220;pap\u00e1&#8221; muito pr\u00f3ximo, com quem nos identificamos, a quem amamos, a quem nos entregamos e em quem confiamos plenamente. \u00c9 esta proximidade libertadora e confiante que temos com o nosso Deus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa experi\u00eancia crist\u00e3 leva-nos a sentirmo-nos &#8220;filhos&#8221; amados, ou ao cumprimento de regras e de obriga\u00e7\u00f5es? Na Igreja n\u00e3o se p\u00f5e, \u00e0s vezes, a \u00eanfase em cumprir leis e ritos externos, esquecendo o essencial &#8211; a experi\u00eancia de &#8220;filhos&#8221; livres e amados de Deus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A importante constata\u00e7\u00e3o de que somos &#8220;filhos&#8221; de Deus leva-nos a uma descoberta fundamental: estamos unidos a todos os outros homens &#8211; &#8220;filhos&#8221; de Deus como n\u00f3s &#8211; por la\u00e7os fraternos. \u00c9 a mesma vida de Deus que circula em todos n\u00f3s&#8230; O que \u00e9 que esta constata\u00e7\u00e3o implica, em termos concretos? A que \u00e9 que ela nos obriga? Faz algum sentido marginalizar algu\u00e9m por causa da sua ra\u00e7a ou estatuto social? Aquilo que acontece aos outros &#8211; de bom e de mau &#8211; n\u00e3o nos diz respeito? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Lc 2,16-21<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abOs pastores dirigiram-se apressadamente para Bel\u00e9m e encontraram Maria, Jos\u00e9 e o Menino deitado na manjedoura\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abMaria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu cora\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambiente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto do Evangelho de hoje \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o daquele que foi lido na noite de Natal: ap\u00f3s o an\u00fancio do &#8220;anjo do Senhor&#8221;, os pastores (destinat\u00e1rios desse an\u00fancio) dirigiram-se a Bel\u00e9m e encontraram o menino, deitado numa manjedoura de uma gruta de animais. Mais uma vez, Lucas n\u00e3o est\u00e1 interessado em fazer a reportagem do nascimento de Jesus, ou a cr\u00f3nica social das &#8220;visitas&#8221; que, ent\u00e3o, o menino de Bel\u00e9m recebeu; mas est\u00e1, sobretudo, interessado em apresentar uma catequese que d\u00ea a entender (aos crist\u00e3os a quem o texto se destina) quem \u00e9 esse menino e qual a miss\u00e3o de que ele foi investido por Deus. Nesta catequese fica bem claro que Jesus \u00e9 o Messias libertador, enviado a trazer a paz; e h\u00e1, tamb\u00e9m, uma reflex\u00e3o sobre a resposta que Deus espera do homem. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir dos seguintes elementos<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Evangelho que, hoje, nos \u00e9 proposto fica claro o fio condutor da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: Deus ama-nos, quer a nossa plena felicidade e, por isso, tem um projeto de salva\u00e7\u00e3o para levar-nos a superar a nossa fragilidade e debilidade; e esse projeto foi-nos apresentado na pessoa, nas palavras e nos gestos de Jesus. Temos consci\u00eancia de que a verdadeira liberta\u00e7\u00e3o est\u00e1 na proposta que Deus nos apresentou em Jesus e n\u00e3o nas ideologias, ou no poder do dinheiro, ou na posi\u00e7\u00e3o que ocupamos na escala social? Porque \u00e9 que tantos dos nossos irm\u00e3os vivem afogados no desespero e na frustra\u00e7\u00e3o? Porque \u00e9 que tanta gente procura &#8220;salvar-se&#8221; em programas de televis\u00e3o que lhes d\u00ea uns minutos de fama, ou num consumismo alienante? N\u00e3o ser\u00e1 porque n\u00e3o fomos capazes de lhes apresentar a proposta libertadora de Jesus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante da &#8220;boa nova&#8221; da liberta\u00e7\u00e3o, reagimos &#8211; como os pastores &#8211; com o louvor e a a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as? Sabemos ser gratos ao nosso Deus pelo seu amor e pelo seu empenho em nos libertar da escravid\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pastores, ap\u00f3s terem tomado contacto com o projeto libertador de Deus, fizeram-se &#8220;testemunhas&#8221; desse projeto. Sentimos, tamb\u00e9m, o imperativo do testemunho? Temos consci\u00eancia de que a experi\u00eancia da liberta\u00e7\u00e3o \u00e9 para ser passada aos nossos irm\u00e3os que ainda a desconhecem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria &#8220;conservava todas estas palavras e meditava-as no seu cora\u00e7\u00e3o&#8221;. Quer dizer: ela era capaz de perceber os sinais do Deus libertador no acontecer da vida. Temos, como ela, a sensibilidade de estar atentos \u00e0 vida e de perceber a presen\u00e7a &#8211; discreta, mas significativa, atuante e transformadora &#8211; de Deus, nos acontecimentos mais ou menos banais do nosso dia a dia? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> apresenta uma f\u00f3rmula lit\u00fargica utilizada no Templo de Jerusal\u00e9m para aben\u00e7oar a comunidade, no final das celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, antes do Povo regressar a suas casas, por isso, pede-se aten\u00e7\u00e3o ao tom a utilizar e ao discurso direto presente no texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, \u00e9 necess\u00e1rio ter em aten\u00e7\u00e3o as diferentes pausas e respira\u00e7\u00f5es nas frases mais longos e com diversas ora\u00e7\u00f5es, com um especial cuidado na express\u00e3o \u00ab<em>Ab\u00e1! Pai!<\/em>\u00bb, que deve ser bem integrada na frase. A palavra \u00ab<em>Ab\u00e1<\/em>\u00bb deve pronunciar-se \u00ab<em>\u00c1b\u00e1<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(ver anexo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SANTA MARIA, M\u00c3E DE DEUS, RAINHA DA\u00a0PAZ<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oito dias depois da Solenidade do Natal do Senhor, que a liturgia oriental designa significativamente por \u00aba P\u00e1scoa do Natal\u00bb, eis-nos no Primeiro Dia do Ano Civil de 2023, tradicionalmente designado como Dia de \u00abAno Bom\u00bb, a celebrar a Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura que enche este Dia, e que motiva a nossa Alegria, \u00e9, portanto, a figura de Maria, na sua fisionomia mais alta, a de M\u00e3e de Deus, como foi solenemente proclamada no Conc\u00edlio de \u00c9feso, em 431, mas j\u00e1 assim luminosamente desenhada nas p\u00e1ginas do Novo Testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 assim que a encontramos no Lecion\u00e1rio de hoje. Desde logo naquela men\u00e7\u00e3o s\u00f3bria, e ousamos mesmo dizer pobre, pobre, mas nobre, com que Paulo se refere \u00e0 M\u00e3e de Jesus, escrevendo aos G\u00e1latas: \u00abDeus mandou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito \u00e0 Lei\u00bb (G\u00e1latas 4,4). Nesta linha breve e densa aparece compendiado o mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o, enquanto se sente j\u00e1 pulsar o cora\u00e7\u00e3o da Mariologia: Maria n\u00e3o \u00e9 grande em si mesma; \u00e9, na verdade, uma \u00abmulher\u00bb, verdadeiramente nossa irm\u00e3 na sua condi\u00e7\u00e3o de humana criatura. N\u00e3o \u00e9 grande em si mesma, mas \u00e9 grande por ser a M\u00e3e do Filho de Deus, e \u00e9 aqui que ela nos ultrapassa, imaculada por gra\u00e7a, bem-aventurada e bem-aventuran\u00e7a, nossa m\u00e3e na f\u00e9 e na esperan\u00e7a. Maria n\u00e3o \u00e9 grande em si mesma; vem-lhe de Deus essa grandeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste Dia de Maria (Lucas 2,16-21) guarda tamb\u00e9m uma preciosidade, quando Lucas nos diz que \u00abtodos os que tinham escutado as coisas faladas pelos pastores ficaram maravilhados, mas Maria\u00a0<em>guardava<\/em>\u00a0(<em>synet\u00earei<\/em>) todas estas Palavras que aconteceram (<em>t\u00e0 rh\u00eamata<\/em>),\u00a0<em>compondo-as<\/em>\u00a0(<em>symb\u00e1llousa<\/em>) no seu cora\u00e7\u00e3o\u00bb (Lucas 2,18-19). Em contraponto com o espanto de todos os que ouviram as palavras dos pastores, Lucas pinta um quadro mariano de extraordin\u00e1ria beleza: \u00abMaria, ao contr\u00e1rio,\u00a0<em>guardava<\/em>\u00a0todas estas Palavras que aconteceram,\u00a0<em>compondo-as<\/em>\u00a0no seu cora\u00e7\u00e3o\u00bb. H\u00e1 o espanto e a maravilha que se exprimem no louvor e no canto, e h\u00e1 o espanto e a maravilha que se exprimem no sil\u00eancio e na escuta. Maria, a Senhora deste Dia, aparece a\u00a0<em>guardar<\/em>\u00a0com ternura todas estas Palavras que acontecem, todos estes acontecimentos que falam e n\u00e3o esquecem. O verbo\u00a0<em>guardar<\/em>\u00a0implica aten\u00e7\u00e3o cheia de ternura, como quem leva nas suas m\u00e3os uma coisa preciosa. Este\u00a0<em>guardar<\/em>\u00a0atencioso e carinhoso n\u00e3o \u00e9 um ato de um momento, mas a atitude de uma vida, uma vez que o verbo grego est\u00e1 no imperfeito, que implica dura\u00e7\u00e3o. Como quando o povo de Deus reza confiante: \u00ab<em>Guardai-nos<\/em>\u00a0e defendei-nos com\u00a0<em>coisa pr\u00f3pria vossa<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O outro verbo belo mostra-nos Maria como que a\u00a0<em>compor<\/em>, isto \u00e9, a \u00abp\u00f4r em conjunto\u00bb (<em>symb\u00e1ll\u00f4<\/em>), a organizar, para melhor entender. \u00c9 como quem, com aquelas Palavras,\u00a0<em>comp\u00f5e<\/em>\u00a0um Poema, uma Sinfonia, e se entret\u00e9m a vida toda a trautear essa melodia e a conjugar novos acordes de alegria. E \u00e9 dito ainda, num pleonasmo \u00fanico na Escritura Santa, que Maria \u00abconcebeu no ventre (<em>syllamb\u00e1n\u00f4 en t\u00ea koil\u00eda<\/em>)\u00bb (Lucas 2,21). Redund\u00e2ncia. M\u00fasica divina. O ventre de Maria em conson\u00e2ncia com o \u00abventre de miseric\u00f3rdia do nosso Deus\u00bb (Lucas 1,78), causa da Luz que nas alturas se levanta e visita toda a gente, causa do Rebento que na nossa terra germina, que a nossa terra aquece e alumia, Jesus, filho de Deus e de Maria, a quem neste oitavo Dia \u00e9 posto o Nome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta solicitude maternal de Maria, habitada por esta imensa melodia que nos vem de Deus, levou o Papa Paulo VI, a associar, desde 1968, \u00e0 Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus, a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz. Hoje \u00e9 j\u00e1 o 56.\u00ba Dia Mundial da Paz que se celebra, e o Papa Francisco ap\u00f4s-lhe o tema \u00ab<em>Ningu\u00e9m pode salvar-se sozinho. Juntos, recomecemos a partir de covid-19 para tra\u00e7ar sendas de paz\u00bb<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Deus vem sempre um mundo novo, belo, maravilhoso. T\u00e3o novo, belo e maravilhoso, que nos cega, a n\u00f3s que vamos arrastando os olhos cansados pela lama. Que o nosso Deus fa\u00e7a chegar at\u00e9 n\u00f3s tempo e modo para ouvir outra vez a extraordin\u00e1ria b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal, que o Livro dos N\u00fameros guarda na sua forma tripartida: \u00abO Senhor te aben\u00e7oe e te guarde. \/ O Senhor fa\u00e7a brilhar sobre ti a sua face e te seja favor\u00e1vel. \/ O Senhor dirija para ti o seu olhar e te conceda a paz\u00bb (N\u00fameros 6,24-26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 67 \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o de b\u00ean\u00e7\u00e3o em forma de peti\u00e7\u00e3o. Em termos t\u00e9cnicos, equivale a uma epiclese: n\u00e3o \u00abeu te bendigo\u00bb, mas \u00abDeus nos bendiga\u00bb. O nosso Salmo recolhe os temas da b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal de N\u00fameros 6,24-26, como a gra\u00e7a, a luz, a benevol\u00eancia, a paz, pondo o plural onde estava o singular, por assim dizer, \u00abdemocratizando\u00bb a b\u00ean\u00e7\u00e3o, agora dirigida a todos, onde, na b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal do Livro dos N\u00fameros, se dirigia apenas a Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhada por Deus com singular olhar de Gra\u00e7a foi Maria, tamb\u00e9m Pobre, tamb\u00e9m Feliz, Bem-aventurada, Santa Maria, M\u00e3e de Deus, que hoje celebramos em un\u00edssono com a Igreja inteira. Para ela elevamos hoje os nossos olhos de filhos enlevados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e3e de Deus, Senhora da Alegria, M\u00e3e igual ao Dia, Maria. A primeira p\u00e1gina do ano \u00e9 toda tua, Mulher do sol, das estrelas e da lua, Rainha da Paz, Aurora de Luz, Estrela matutina, M\u00e3e de Jesus e tamb\u00e9m minha, Senhora de janeiro, do Dia primeiro e do Ano inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aben\u00e7oa, M\u00e3e, os nossos dias breves. Ensina-nos a viv\u00ea-los todos como tu viveste os teus, sempre sob o olhar de Deus, sempre a olhar por Deus. \u00c9 verdade. A grande verdade da tua vida, o teu segredo de ouro. Tu soubeste sempre que Deus velava por ti, enchendo-te de gra\u00e7a. Mas tu soubeste sempre olhar por Deus, porque tu soubeste bem que Deus tamb\u00e9m \u00e9 pequenino. Acariciada por Deus, viveste acariciando Deus. Por isso, todas as gera\u00e7\u00f5es te proclamam \u00abBem-aventurada\u00bb! Por isso, n\u00f3s te proclamamos \u00abBem-aventurada\u00bb!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhora e M\u00e3e de janeiro, do Dia Primeiro e do Ano inteiro. Acaricia-nos. Senta-nos em casa ao redor do amor, do cora\u00e7\u00e3o. Somos t\u00e3o modernos e t\u00e3o cheios de coisas estes teus filhos de hoje! T\u00e3o cheios de coisas e t\u00e3o vazios de n\u00f3s mesmos e de humanidade e divindade! Temos tudo. Mas falta-nos, se calhar, o essencial: a tua simplicidade e alegria. Faz-nos sentir, M\u00e3e, o calor da tua m\u00e3o no nosso rosto frio, insens\u00edvel, enrugado, e faz-nos correr, com alegria, ao encontro dos pobres e necessitados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que seja, e pode ser, Deus o quer, e n\u00f3s tamb\u00e9m podemos querer, um Ano Bom, cheio de Paz, P\u00e3o e Amor, para todos os irm\u00e3os que Deus nos deu! E que Santa Maria, M\u00e3e de Deus e nossa M\u00e3e nos aben\u00e7oe tamb\u00e9m. \u00c1men!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que Deus nos aben\u00e7oe e nos guarde,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que nos acompanhe, nos acorde e nos incomode,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que os nossos p\u00e9s calcorreiem as montanhas,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cheios de amor, de paz e de alegria,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que a tua Palavra nos arda nas entranhas,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E nos ponha no caminho de Maria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor verdadeiro est\u00e1 l\u00e1 sempre primeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<em>fiat<\/em>\u00a0que disseste, Maria, \u00e9 de quem se fia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num amor maior do que um letreiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vela por n\u00f3s, Maria, em cada dia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste ano inteiro,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que levemos a cada enfermaria,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cada periferia,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um amor como o teu, primeiro e verdadeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D. Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Leitura-I-Santa-Maria-Mae-de-Deus-01-Janeiro-2023-Ano-A-Num-6-22-27.pdf\">Leitura I &#8211; Santa Maria M\u00e3e de Deus &#8211; 01 Janeiro 2023 &#8211; Ano A (Num 6, 22-27)<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Leitura-II-Santa-Maria-Mae-de-Deus-01-Janeiro-2023-Ano-A-Gal-4-4-7.pdf\">Leitura II -Santa Maria M\u00e3e de Deus &#8211; 01 Janeiro 2023 &#8211; Ano A (Gal 4, 4-7)<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Santa-Maria-Mae-de-Deus-01-Janeiro-2023-Ano-A-Lecionario.pdf\">Santa Maria M\u00e3e de Deus &#8211; 01 Janeiro 2023 &#8211; Ano A &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Santa-Maria-Mae-de-Deus-01-Janeiro-2023-Ano-A-Oracao-Universal.pdf\">Santa Maria M\u00e3e de Deus &#8211; 01 Janeiro 2023 &#8211; Ano A &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Mensagem-do-Papa-Francisco-56o-Dia-Mundial-da-Paz-01-janeiro-2023.pdf\">Mensagem do Papa Francisco &#8211; 56\u00ba Dia Mundial da Paz &#8211; 01 janeiro 2023<\/a><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/ANO-A-O-ano-do-evangelista-Mateus-vf.pdf\">ANO A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][\/vc_tta_accordion][\/vc_column][\/vc_row][vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1596131586623{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 100px !important;}&#8221;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1540304338338{padding-right: 27px !important;padding-left: 27px !important;}&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_text_separator title=&#8221;Eucaristia pelo Facebook&#8221; title_align=&#8221;separator_align_left&#8221;][vc_column_text][\/vc_column_text][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row][vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1596131586623{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 100px !important;}&#8221;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1540304338338{padding-right: 27px !important;padding-left: 27px !important;}&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_text_separator title=&#8221;Agenda&#8221; title_align=&#8221;separator_align_left&#8221;][vc_column_text][\/vc_column_text][vc_column_text]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Agenda-Dezembro-2023-Paroquia-Vilar-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de dezembro de 2023 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Agenda-Novembro-2023-Paroquia-Vilar-de-Andorinho-v0.xlsx\">Descarregar agenda de novembro de 2023 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Agenda-Outubro-2023-Paroquia-Vilar-de-Andorinho-v2.xlsx\">Descarregar agenda de outubro de 2023 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Agenda-Setembro-2023-Paroquia-Vilar-de-Andorinho-v1.xlsx\">Descarregar agenda de setembro de 2023 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/AGENDA-Agosto-2023-Paroquia-Vilar-de-Andorinho-v1.xlsx\">Descarregar agenda de agosto de 2023 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/AGENDA-Julho-2023-Paroquia-de-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de julho de 2023 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/AGENDA-Junho-2023-Paroquia-de-Vilar-de-Andorinhov1.xlsx\">Descarregar agenda de junho de 2023 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/AGENDA-Maio-2023-Paroquia-de-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de maio de 2023 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/AGENDA-Abril-2023-Paroquia-de-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de abril de 2023 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Agenda-Marco-2023-Paroquia-Vilar-de-Andorinho.v1.xlsx\">Descarregar agenda de mar\u00e7o de 2023 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Agenda-Fevereiro-2023-Paroquia-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de fevereiro de 2023 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Agenda-Janeiro-2023-Paroquia-de-Vilar-de-Andorinho-v1.xlsx\">Descarregar agenda de janeiro de 2023 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row][vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; 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