{"id":12942,"date":"2024-01-02T14:04:40","date_gmt":"2024-01-02T14:04:40","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=12942"},"modified":"2024-12-30T10:22:22","modified_gmt":"2024-12-30T10:22:22","slug":"atualidade2024","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=12942","title":{"rendered":"Atualidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1596131586623{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 100px !important;}&#8221;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1540304338338{padding-right: 27px !important;padding-left: 27px !important;}&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_text_separator title=&#8221;\u00daltimas&#8221; title_align=&#8221;separator_align_left&#8221;]<div class=\"vc_row wpb_row vc_inner vc_row-fluid vc_row-o-equal-height vc_row-flex\"><div class=\"wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12\"><div class=\"vc_column-inner\"><div class=\"wpb_wrapper\"><ul style=\"list-style-type: disc;\"><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=13810\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">A Igreja Matriz de Vilar de Andorinho com \u201ccara lavada\u201d<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=13383\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=13279\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Contas do 1\u00ba Trimestre 2024<\/span><\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=13015\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">Em Vilar de Andorinho, celebr\u00e1mos o V Domingo da Palavra de Deus<\/span><\/a><\/li><\/ul><\/div><\/div><\/div><\/div>[\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row][vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1596131586623{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 100px !important;}&#8221;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1540304338338{padding-right: 27px !important;padding-left: 27px !important;}&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_text_separator title=&#8221;S\u00ednodo 2021-2024&#8243; title_align=&#8221;separator_align_left&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row][vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1596131586623{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 100px !important;}&#8221;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1540304338338{padding-right: 27px !important;padding-left: 27px !important;}&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_text_separator title=&#8221;Liturgia da Palavra&#8221; title_align=&#8221;separator_align_left&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_tta_accordion style=&#8221;modern&#8221; active_section=&#8221;&#8221; collapsible_all=&#8221;true&#8221;][vc_tta_section title=&#8221;Domingo da Sagrada Fam\u00edlia de Jesus, Maria e Jos\u00e9 Ano C \u2013 29 dezembro 2024&#8243; tab_id=&#8221;1641804522664-78e865c1-3f74&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo da Sagrada Fam\u00edlia de Jesus, Maria e Jos\u00e9<br \/>\nAno C \u2013 29 dezembro 2024<br \/>\n<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Sagrada-Familia.jpg\" alt=\"\" width=\"875\" height=\"419\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A celebra\u00e7\u00e3o do Natal do Senhor coloca-nos de olhos postos no Pres\u00e9pio de Bel\u00e9m contemplando Deus que se faz homem na fragilidade e na debilidade da nossa natureza, mas tamb\u00e9m na beleza e na ternura de um rec\u00e9m-nascido que se faz sinal e presen\u00e7a do amor de Deus no cora\u00e7\u00e3o da humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contemplando este Menino que nasce para n\u00f3s, contemplamos Maria e Jos\u00e9. Maria que no Seu sim total e dispon\u00edvel acolheu o projeto do Alt\u00edssimo e Jos\u00e9 que com total confian\u00e7a acolheu o sonho de Deus e aceitou ser guarda e protetor do Menino e de Sua M\u00e3e. Deste modo, no Domingo dentro da Oitava do Natal somos convidados a dar gra\u00e7as pelo dom da fam\u00edlia de Nazar\u00e9 como modelo de vida familiar. Queremos aprender com Maria, Jos\u00e9 e o Menino, para que tamb\u00e9m cada um de n\u00f3s e cada fam\u00edlia se tornem um lugar de acolhimento dos projetos e sonhos de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apontar a Fam\u00edlia de Nazar\u00e9 como modelo de vida familiar n\u00e3o pode ser de modo nenhum a apresenta\u00e7\u00e3o de um modelo id\u00edlico e inalcan\u00e7\u00e1vel de vida conjugal, pois como recorda o Papa Francisco na sua exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica sobre a fam\u00edlia, muitas vezes \u00ab<em>apresent\u00e1mos um ideal teol\u00f3gico do matrim\u00f3nio demasiado abstrato, constru\u00eddo quase artificialmente, distante da situa\u00e7\u00e3o concreta e das possibilidades efetivas das fam\u00edlias tais como s\u00e3o. Esta excessiva idealiza\u00e7\u00e3o, sobretudo quando n\u00e3o despert\u00e1mos a confian\u00e7a na gra\u00e7a, n\u00e3o fez com que o matrim\u00f3nio fosse mais desej\u00e1vel e atraente; muito pelo contr\u00e1rio<\/em>\u00bb (AL 36). Deste modo, eliminando qualquer vis\u00e3o id\u00edlica da Fam\u00edlia de Nazar\u00e9, devemos tomar consci\u00eancia que atrav\u00e9s de uma hist\u00f3ria human\u00edssima, marcada tamb\u00e9m por sofrimentos e cansa\u00e7os, se desenvolve a humanidade livre e libertadora do amor de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal como nos recorda a Liturgia da Palavra deste Domingo e, de modo particular o texto evang\u00e9lico, a Fam\u00edlia de Nazar\u00e9 n\u00e3o \u00e9 para n\u00f3s um modelo de vida familiar porque a sua vida foi isenta de dificuldades e desafios, mas porque, n\u00e3o obstante todos os desafios e dificuldades, foram fi\u00e9is ao des\u00edgnio de Deus. Por isso, celebrar a festa da Sagrada Fam\u00edlia \u00e9 a ocasi\u00e3o privilegiada para agradecer a Deus o dom da vida familiar como lugar quotidiano da procura da vontade de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fam\u00edlia crist\u00e3, enquanto Igreja Dom\u00e9stica, \u00e9 lugar privilegiado para o encontro com Deus e os irm\u00e3os, lugar onde aprendemos a amar e a cuidar, a acolher Jesus e a lev\u00e1-Lo aos outros. Por isso, no cora\u00e7\u00e3o da vida familiar deve estar presente o gesto agradecido de Ana que tendo concebido e dado \u00e0 luz o seu filho Samuel o confia ao Senhor: \u00ab<em>eu o ofere\u00e7o para que seja consagrado ao Senhor todos os dias da sua vida<\/em>\u00bb. Na verdade, a vida \u00e9 um dom a agradecer e a consagrar ao Senhor como lugar de servi\u00e7o a Deus e aos irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este mesmo dinamismo que deve caracterizar a fam\u00edlia crist\u00e3 est\u00e1 presente no Evangelho na peregrina\u00e7\u00e3o anual a Jerusal\u00e9m pela festa da P\u00e1scoa. Esta imagem da fam\u00edlia peregrina recorda-nos que a fam\u00edlia \u00e9 um lugar permanente de peregrina\u00e7\u00e3o em duas dire\u00e7\u00f5es: rumo a Jerusal\u00e9m, isto \u00e9, para as coisas de Deus e, em seguida, rumo a Nazar\u00e9, s\u00edmbolo da vida quotidiana e da aten\u00e7\u00e3o aos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, a Igreja, Fam\u00edlia de fam\u00edlias, tem a exigente tarefa de ser M\u00e3e e Mestra. M\u00e3e que a todos acompanha, integra e acolhe e Mestra exigente que aponta o caminho da vida familiar como lugar de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade contemplando o modelo do lar de Nazar\u00e9. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>N\u00f3s, pastores, devemos animar as fam\u00edlias a crescerem na f\u00e9. Para isso, \u00e9 bom incentivar a confiss\u00e3o frequente, a dire\u00e7\u00e3o espiritual, a participa\u00e7\u00e3o em retiros. Mas h\u00e1 que convidar tamb\u00e9m a criar espa\u00e7os semanais de ora\u00e7\u00e3o familiar, porque \u00aba fam\u00edlia que reza unida permanece unida<\/em>\u00bb (AL 227). A celebra\u00e7\u00e3o da Festa da Sagrada Fam\u00edlia \u00e9 uma oportunidade para os pastores, juntamente com os agentes pastorais ligados \u00e0 fam\u00edlia, acolherem este desafio do Papa Francisco de animarem as fam\u00edlias a crescer na f\u00e9. Nesta celebra\u00e7\u00e3o pode fazer-se a b\u00ean\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias, rezarem uma ora\u00e7\u00e3o por todas as fam\u00edlias ou, porventura, uma consagra\u00e7\u00e3o de todas as fam\u00edlias \u00e0 Sagrada Fam\u00edlia de Nazar\u00e9. A criatividade pastoral dever\u00e1 ajudar a fazer deste momento um lugar de acolhimento para a todos, cumprindo o desafio de acompanhar, discernir e integrar as situa\u00e7\u00f5es fragilidade. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o <strong>Tempo de Natal<\/strong> continuamos um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Ben Sir\u00e1 3,3-7.14-17a [vers\u00e3o grega: 3,2-6.12-14]<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus quis honrar os pais nos filhos<br \/>\ne firmou sobre eles a autoridade da m\u00e3e.<br \/>\nQuem honra seu pai obt\u00e9m o perd\u00e3o dos pecados,<br \/>\ne acumula um tesouro quem honra sua m\u00e3e.<br \/>\nQuem honra o pai encontrar\u00e1 alegria nos seus filhos<br \/>\ne ser\u00e1 atendido na sua ora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nQuem honra seu pai ter\u00e1 longa vida,<br \/>\ne quem lhe obedece ser\u00e1 o conforto de sua m\u00e3e.<br \/>\nFilho, ampara a velhice do teu pai<br \/>\ne n\u00e3o o desgostes durante a sua vida.<br \/>\nSe a sua mente enfraquece, s\u00ea indulgente para com ele<br \/>\ne n\u00e3o o desprezes, tu que est\u00e1s no vigor da vida,<br \/>\nporque a tua caridade para com teu pai nunca ser\u00e1 esquecida<br \/>\ne converter-se-\u00e1 em desconto dos teus pecados.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro de Ben Sir\u00e1 (chamado, na sua vers\u00e3o grega, \u201cEclesi\u00e1stico\u201d) \u00e9 um livro de car\u00e1cter sapiencial que, como todos os livros sapienciais, tem por objetivo deixar aos aspirantes a \u201cs\u00e1bios\u201d indica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas sobre a arte de bem viver e de ser feliz. O seu autor \u00e9 um tal Jesus Ben Sir\u00e1, um \u201cs\u00e1bio\u201d israelita que viveu na primeira metade do s\u00e9c. II a.C.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00e9poca de Jesus Ben Sir\u00e1 \u00e9 uma \u00e9poca conturbada para o Povo de Deus. Os sel\u00eaucidas (uma fam\u00edlia descendente de Seleuco Nicator, general de Alexandre Magno, que herdou parte do imp\u00e9rio de Alexandre, o Grande, quando este morreu, em 323 a.C.) dominavam a Palestina e procuravam impor aos judeus, mesmo pela for\u00e7a, a cultura hel\u00e9nica. Muitos judeus, seduzidos pelo brilho da cultura grega, abandonavam os valores tradicionais e a f\u00e9 dos pais e assumiam comportamentos mais consent\u00e2neos com a \u201cmodernidade\u201d. A identidade cultural e religiosa do Povo de Deus corria, assim, s\u00e9rios riscos\u2026 Neste contexto, Jesus Ben Sir\u00e1, um \u201cs\u00e1bio\u201d judeu apegado \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es dos seus antepassados, escreve para preservar as ra\u00edzes do seu Povo. No seu livro, apresenta uma s\u00edntese da religi\u00e3o tradicional e da \u201csabedoria\u201d de Israel e procura demonstrar que \u00e9 no respeito pela sua f\u00e9, pelos seus valores, pela sua identidade que os judeus podem descobrir o caminho seguro para serem um Povo livre e feliz. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os nossos pais foram, em nosso favor, instrumentos do Deus criador. Atrav\u00e9s deles, Deus chamou-nos \u00e0 vida. Sentimo-nos gratos aos nossos pais por eles terem aceitado colaborar com Deus, dando-nos vida e cuidando de n\u00f3s ao longo do caminho que temos vindo a percorrer? Lembramo-nos de lhes demonstrar, com ternura e amor, a nossa gratid\u00e3o?<\/li>\n<li>Apesar da sensibilidade moderna aos direitos humanos e \u00e0 dignidade das pessoas, a nossa civiliza\u00e7\u00e3o cria, com frequ\u00eancia, situa\u00e7\u00f5es de abandono, de marginaliza\u00e7\u00e3o, de solid\u00e3o, cujas v\u00edtimas s\u00e3o, muitas vezes, aqueles que j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam uma vida considerada produtiva, ou aqueles a quem a idade ou a doen\u00e7a trouxeram limita\u00e7\u00f5es. No entanto, do ponto de vista de Deus, nenhum ser humano \u00e9 \u201cdescart\u00e1vel\u201d, ou estar\u00e1 alguma vez fora do prazo de validade. N\u00e3o podemos admitir \u2013 com a nossa indiferen\u00e7a ou com o nosso sil\u00eancio c\u00famplice \u2013 que as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de fragilidade sejam abandonadas na berma da estrada, sempre que o mundo caminha a um ritmo que elas n\u00e3o podem acompanhar. Temos consci\u00eancia disto?<\/li>\n<li>\u00c9 verdade que a vida de hoje \u00e9 muito exigente a n\u00edvel profissional e que nem sempre \u00e9 poss\u00edvel a um filho estar presente ao lado de um pai que precisa de cuidados continuados ou de acompanhamento especializado. No entanto, se alguma vez as circunst\u00e2ncias impuserem a necessidade de afastamento de um pai idoso ou descapacitado do ambiente familiar, isso n\u00e3o pode significar abandono e condena\u00e7\u00e3o \u00e0 solid\u00e3o. Seremos sempre respons\u00e1veis por aqueles que cativamos, e ainda mais por aqueles que foram, para n\u00f3s, instrumentos do Deus criador e fonte de vida. Sentimo-nos respons\u00e1veis pelo bem-estar dos nossos pais, dos nossos av\u00f3s, das pessoas idosas ou doentes que fazem parte da nossa hist\u00f3ria de vida?<\/li>\n<li>O capital de maturidade e de sabedoria de vida que os mais idosos possuem \u00e9 considerado por n\u00f3s uma riqueza ou um desafio rid\u00edculo \u00e0 nossa modernidade e \u00e0s nossas certezas?<\/li>\n<li>Face \u00e0 invas\u00e3o cont\u00ednua de valores estranhos que, tantas vezes, p\u00f5em em causa a nossa identidade cultural e religiosa (quando n\u00e3o a nossa humanidade), o que significam os valores que recebemos dos nossos pais? Avaliamos com maturidade a perenidade desses valores, ou estamos dispostos a reneg\u00e1-los ao primeiro aceno dos \u201cvalores da moda\u201d? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 127 (128)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1:\u00a0\u00a0\u00a0 Felizes os que esperam no Senhor,<br \/>\ne seguem os seus caminhos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2:\u00a0\u00a0\u00a0 Ditosos os que temem o Senhor,<br \/>\nditosos os que seguem os seus caminhos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Feliz de ti, que temes o Senhor<br \/>\ne andas nos seus caminhos.<br \/>\nComer\u00e1s do trabalho das tuas m\u00e3os,<br \/>\nser\u00e1s feliz e tudo te correr\u00e1 bem.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tua esposa ser\u00e1 como videira fecunda<br \/>\nno \u00edntimo do teu lar;<br \/>\nteus filhos ser\u00e3o como ramos de oliveira<br \/>\nao redor da tua mesa.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assim ser\u00e1 aben\u00e7oado o homem que teme o Senhor.<br \/>\nDe Si\u00e3o te aben\u00e7oe o Senhor:<br \/>\nvejas a prosperidade de Jerusal\u00e9m<br \/>\ntodos os dias da tua vida.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Colossenses 3,12-21<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nComo eleitos de Deus, santos e prediletos,<br \/>\nrevesti-vos de sentimentos de miseric\u00f3rdia,<br \/>\nde bondade, humildade, mansid\u00e3o e paci\u00eancia.<br \/>\nSuportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente,<br \/>\nse algum tiver raz\u00e3o de queixa contra outro.<br \/>\nTal como o Senhor vos perdoou,<br \/>\nassim deveis fazer v\u00f3s tamb\u00e9m.<br \/>\nAcima de tudo, revesti-vos da caridade,<br \/>\nque \u00e9 o v\u00ednculo da perfei\u00e7\u00e3o.<br \/>\nReine em vossos cora\u00e7\u00f5es a paz de Cristo,<br \/>\n\u00e0 qual fostes chamados para formar um s\u00f3 corpo.<br \/>\nE vivei em a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as.<br \/>\nHabite em v\u00f3s com abund\u00e2ncia a palavra de Cristo,<br \/>\npara vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros<br \/>\ncom toda a sabedoria;<br \/>\ne com salmos, hinos e c\u00e2nticos inspirados,<br \/>\ncantai de todo o cora\u00e7\u00e3o a Deus a vossa gratid\u00e3o.<br \/>\nE tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras,<br \/>\nseja tudo em nome do Senhor Jesus,<br \/>\ndando gra\u00e7as, por Ele, a Deus Pai.<br \/>\nEsposas, sede submissas aos vossos maridos,<br \/>\ncomo conv\u00e9m no Senhor.<br \/>\nMaridos, amai as vossas esposas<br \/>\ne n\u00e3o as trateis com aspereza.<br \/>\nFilhos, obedecei em tudo a vossos pais,<br \/>\nporque isto agrada ao Senhor.<br \/>\nPais, n\u00e3o exaspereis os vossos filhos,<br \/>\npara que n\u00e3o caiam em des\u00e2nimo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja de Colossos, destinat\u00e1ria desta carta, foi fundada por Epafras, um amigo de Paulo, pelos anos 56\/57. Tanto quanto sabemos, Paulo nunca visitou a comunidade\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, n\u00e3o \u00e9 claro para todos que Paulo tenha escrito esta carta (o vocabul\u00e1rio utilizado e o estilo do autor est\u00e3o longe das cartas indiscutivelmente paulinas; tamb\u00e9m a teologia apresenta elementos novos, nunca usados nas outras cartas atribu\u00eddas a Paulo); por isso, \u00e9 um pouco dif\u00edcil definirmos o ambiente em que este texto apareceu\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os defensores da autoria paulina, contudo, a carta foi escrita quando Paulo estava prisioneiro, possivelmente em Roma (anos 61\/63). Epafras teria visitado o ap\u00f3stolo na pris\u00e3o e deixado not\u00edcias alarmantes: os Colossenses corriam o risco de se afastar da verdade do Evangelho, por causa das doutrinas ensinadas por certos doutores de Colossos. Essas doutrinas misturavam pr\u00e1ticas legalistas (o que parece indicar tend\u00eancias judaizantes) com especula\u00e7\u00f5es acerca do culto dos anjos e do seu papel na salva\u00e7\u00e3o; exigiam um ascetismo r\u00edgido e o cumprimento de certos ritos de inicia\u00e7\u00e3o, destinados a comunicar aos crentes um conhecimento mais adequado dos mist\u00e9rios ocultos e lev\u00e1-los, atrav\u00e9s dos v\u00e1rios graus de inicia\u00e7\u00e3o, \u00e0 viv\u00eancia de uma vida religiosa mais aut\u00eantica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem refutar essas doutrinas de modo direto, o autor da carta afirma a absoluta sufici\u00eancia de Cristo e assinala o seu lugar proeminente na cria\u00e7\u00e3o e na reden\u00e7\u00e3o dos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 hoje proposto pertence \u00e0 segunda parte da carta. Depois de constatar a supremacia de Cristo na cria\u00e7\u00e3o e na reden\u00e7\u00e3o (primeira parte), o autor avisa os Colossenses de que a uni\u00e3o com Cristo traz consequ\u00eancias a n\u00edvel de viv\u00eancia pr\u00e1tica (segunda parte): implica a ren\u00fancia ao \u201chomem velho\u201d do ego\u00edsmo e do pecado e o \u201crevestir-se do Homem Novo\u201d (Cl 3,9-11<strong><em> in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A nossa vida de todos os dias \u00e9, a cada instante, marcada por tens\u00f5es, ansiedades, conflitos e problemas que mexem com o nosso equil\u00edbrio e a nossa harmonia. Perdemos o controlo, tornamo-nos quezilentos e conflituosos, criticamos os outros com palavras que magoam, assumimos poses de arrog\u00e2ncia e de superioridade, enchemos as redes sociais com coment\u00e1rios infelizes\u2026 Talvez nos fa\u00e7a bem cada dia, em jeito de exame de consci\u00eancia, reservar um momento para olhar para Jesus e para confrontar os nossos gestos, as nossas palavras, as nossas escolhas com os gestos, as palavras e as suas op\u00e7\u00f5es. Admitimos que esse \u201cconfronto\u201d pode ajudar-nos a situar as perspetivas e a recentrar a nossa vida \u201cem Cristo\u201d?<\/li>\n<li>A nossa primeira responsabilidade vai, evidentemente, para aqueles que connosco partilham, de forma mais chegada, a vida do dia a dia (a nossa fam\u00edlia). Esse amor, que deve revestir-nos sempre, traduz-se numa aten\u00e7\u00e3o cont\u00ednua \u00e0quele que est\u00e1 ao nosso lado, \u00e0s suas necessidades e preocupa\u00e7\u00f5es, \u00e0s suas alegrias e tristezas, aos seus sorrisos e \u00e0s suas l\u00e1grimas? Traduz-se em gestos sentidos e partilhados de carinho e de ternura? Traduz-se num respeito absoluto pela liberdade e pelo espa\u00e7o do outro, por deixar o outro crescer sem o sufocar? Traduz-se na vontade de servir o outro, sem nos servirmos dele?<\/li>\n<li>A express\u00e3o \u201cesposas, sede submissas aos vossos maridos\u201d \u00e9, evidentemente, uma express\u00e3o anacr\u00f3nica, que deve ser devidamente contextualizada no universo cultural e social do s\u00e9c. I, mas que hoje n\u00e3o faz sentido. Para os que vivem \u201cem Cristo\u201d, o valor que preside \u00e0s rela\u00e7\u00f5es \u00e9 o amor\u2026 E o amor n\u00e3o comporta submiss\u00e3o ou superioridade, mas igualdade fundamental em dignidade e direitos. O mesmo Paulo dir\u00e1, noutras circunst\u00e2ncias, que para os que vivem \u201cem Cristo\u201d \u201cn\u00e3o h\u00e1 judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher\u201d, porque todos s\u00e3o um s\u00f3 em Cristo Jesus (Gl 3,28). \u00c9 este o horizonte em que vivemos e caminhamos? Alguma vez tratamos com sobranceria e superioridade as pessoas que caminham ao nosso lado? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 2,41-52<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusal\u00e9m,<br \/>\npela festa da P\u00e1scoa.<br \/>\nQuando Ele fez doze anos,<br \/>\nsubiram at\u00e9 l\u00e1, como era costume nessa festa.<br \/>\nQuando eles regressavam, passados os dias festivos,<br \/>\no Menino Jesus ficou em Jerusal\u00e9m,<br \/>\nsem que seus pais o soubessem.<br \/>\nJulgando que Ele vinha na caravana,<br \/>\nfizeram um dia de viagem<br \/>\ne come\u00e7aram a procur\u00e1-l\u2019O entre os parentes e conhecidos.<br \/>\nN\u00e3o O encontrando,<br \/>\nvoltaram a Jerusal\u00e9m, \u00e0 sua procura.<br \/>\nPassados tr\u00eas dias,<br \/>\nencontraram-n\u2019O no templo,<br \/>\nsentado no meio dos doutores,<br \/>\na ouvi-los e a fazer-lhes perguntas.<br \/>\nTodos aqueles que O ouviam<br \/>\nestavam surpreendidos com a sua intelig\u00eancia e as suas respostas.<br \/>\nQuando viram Jesus, seus pais ficaram admirados;<br \/>\ne sua M\u00e3e disse-Lhe:<br \/>\n\u00abFilho, porque procedeste assim connosco?<br \/>\nTeu pai e eu and\u00e1vamos aflitos \u00e0 tua procura\u00bb.<br \/>\nJesus respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abPorque Me procur\u00e1veis?<br \/>\nN\u00e3o sab\u00edeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?\u00bb<br \/>\nMas eles n\u00e3o entenderam as palavras que Jesus lhes disse.<br \/>\nJesus desceu ent\u00e3o com eles para Nazar\u00e9<br \/>\ne era-lhes submisso.<br \/>\nSua M\u00e3e guardava todos estes acontecimentos em seu cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nE Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em gra\u00e7a,<br \/>\ndiante de Deus e dos homens.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O interesse fundamental dos primeiros crist\u00e3os n\u00e3o se centrou na inf\u00e2ncia de Jesus, mas na sua mensagem e proposta; por isso, a catequese crist\u00e3 dos primeiros tempos interessou-se, de forma especial, por conservar as mem\u00f3rias da vida p\u00fablica e da paix\u00e3o do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 num est\u00e1dio posterior houve uma certa curiosidade acerca dos primeiros anos da vida de Jesus. Coligiram-se, ent\u00e3o, algumas informa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas sobre a inf\u00e2ncia de Jesus; e esse material foi, depois, amassado e trabalhado, de forma a transmitir aquilo que a catequese primitiva ensinava sobre Jesus e o seu mist\u00e9rio. O chamado \u201cEvangelho da Inf\u00e2ncia\u201d (o texto evang\u00e9lico que a liturgia nos prop\u00f5e na Festa da Sagrada Fam\u00edlia \u00e9 precisamente o final do \u201cEvangelho da Inf\u00e2ncia) assenta nessa base; parte de algumas indica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e desenvolve uma reflex\u00e3o teol\u00f3gica para explicar quem \u00e9 Jesus. Nesta sec\u00e7\u00e3o do Evangelho, Lucas est\u00e1 muito mais interessado em dizer quem \u00e9 Jesus, do que em contar-nos factos memor\u00e1veis da sua inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto come\u00e7a por referir uma peregrina\u00e7\u00e3o que Maria, Jos\u00e9 e Jesus fizeram a Jerusal\u00e9m, por altura da celebra\u00e7\u00e3o da festa da P\u00e1scoa, quando Jesus tinha doze anos. A Lei judaica pedia que os homens de Israel fossem tr\u00eas vezes por ano a Jerusal\u00e9m, por alturas das tr\u00eas grandes festas de peregrina\u00e7\u00e3o (P\u00e1scoa, Pentecostes e Festa das Cabanas \u2013 cf. Ex 23,14-17; 34,22-23; Dt 16,16). A legisla\u00e7\u00e3o posterior, apresentada na Mishn\u00e1 (o texto que recolhe a tradi\u00e7\u00e3o oral judaica), considerava que os homens judeus estavam obrigados \u00e0 observ\u00e2ncia da Tora a partir dos treze anos (altura em que celebravam o \u201cbar mitzv\u00e1\u201d, a cerim\u00f3nia que os define como adultos, capazes de assumir a sua responsabilidade na comunidade do Povo de Deus). H\u00e1 raz\u00f5es para pensarmos que alguns aspetos dessa regulamenta\u00e7\u00e3o eram j\u00e1 aplicados na \u00e9poca de Jesus. N\u00e3o sabemos, no entanto, se a vinda de Jesus a Jerusal\u00e9m, com Maria e com Jos\u00e9, est\u00e1 relacionada com essa obriga\u00e7\u00e3o ou, simplesmente, com o costume seguido por certas fam\u00edlias muito religiosas, que envolviam os seus filhos, desde tenra idade, nas celebra\u00e7\u00f5es mais importantes da f\u00e9 judaica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As festas da P\u00e1scoa prolongavam-se habitualmente por oito dias. \u00c9 de crer que, durante esses dias, Jesus e a sua fam\u00edlia tivessem passado longas horas no Templo, o verdadeiro centro da viv\u00eancia religiosa judaica. Nos p\u00f3rticos do Templo, os rabis e os escribas discutiam e explicavam as Escrituras, recitavam ora\u00e7\u00f5es, e davam aos peregrinos piedosos conselhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 no cen\u00e1rio de Jerusal\u00e9m e do Templo que Lucas situa as primeiras palavras pronunciadas por Jesus no seu Evangelho: \u201cporque Me procur\u00e1veis? N\u00e3o sab\u00edeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?\u201d. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A \u201cfuga\u201d de Jesus ao controle de Maria e de Jos\u00e9 para ficar em Jerusal\u00e9m a escutar os mestres da Lei que ensinavam nos \u00e1trios do Templo parece-nos desconcertante, no contexto de um projeto familiar maduro, respons\u00e1vel e harmonioso. Configura uma \u201ccrise\u201d familiar? N\u00e3o. Mas revela uma realidade: na Sagrada Fam\u00edlia de Nazar\u00e9, Deus \u00e9 a prioridade. Jesus, pelos doze anos, j\u00e1 estava bem ciente disso. Foi algo que, com toda a certeza, Maria e Jos\u00e9 ensinaram ao jovem Jesus. Por isso em Jerusal\u00e9m, \u201cencantado\u201d com a possibilidade de aprofundar os seus conhecimentos sobre a Palavra de Deus, Jesus deixou-se ficar no Templo. Deus tem um lugar central no projeto de vida da Fam\u00edlia de Nazar\u00e9. Que import\u00e2ncia \u00e9 que Deus assume na vida das nossas fam\u00edlias? Deus \u00e9 a prioridade, a refer\u00eancia suprema? Nas nossas fam\u00edlias cuida-se da f\u00e9 e da sua viv\u00eancia? Aprende-se a rezar? Procura-se que cada pessoa cres\u00e7a numa progressiva sensibilidade \u00e0 Palavra de Deus e aos desafios de Deus? Encontramos tempo para reunir a fam\u00edlia \u00e0 volta da Palavra de Deus e para partilhar, em fam\u00edlia, a Palavra de Deus?<\/li>\n<li>Jesus tinha doze anos quando foi a Jerusal\u00e9m em peregrina\u00e7\u00e3o para celebrar a P\u00e1scoa. Maria e Jos\u00e9 quiseram que Jesus, desde muito novo, participasse nos grandes momentos da celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 do seu Povo. Consideraram que isso fazia parte da sua responsabilidade enquanto pais profundamente crentes. Nas nossas fam\u00edlias crist\u00e3s h\u00e1 normalmente uma leg\u00edtima preocupa\u00e7\u00e3o com o proporcionar a cada crian\u00e7a condi\u00e7\u00f5es \u00f3timas de vida, de educa\u00e7\u00e3o, de acesso \u00e0 instru\u00e7\u00e3o e aos cuidados essenciais\u2026. Haver\u00e1 sempre uma preocupa\u00e7\u00e3o semelhante no que diz respeito \u00e0 forma\u00e7\u00e3o para a f\u00e9 e em proporcionar aos filhos uma verdadeira educa\u00e7\u00e3o para a vida crist\u00e3 e para os valores de Jesus Cristo? Os pais crist\u00e3os preocupam-se sempre em proporcionar aos seus filhos um exemplo de coer\u00eancia com os compromissos assumidos no dia do Batismo? Preocupam-se em ser os primeiros catequistas dos pr\u00f3prios filhos, transmitindo-lhes os valores do Evangelho? Preocupam-se em acompanhar e em potenciar a forma\u00e7\u00e3o e a caminhada catequ\u00e9tica dos pr\u00f3prios filhos, em inseri-los numa comunidade de f\u00e9, em integr\u00e1-los na fam\u00edlia de Jesus?<\/li>\n<li>Quando numa fam\u00edlia Deus \u201cconta\u201d, os valores de Deus passam a ser, para todos os membros daquela comunidade familiar, as marcas que definem o sentido da exist\u00eancia. O espa\u00e7o familiar torna-se, ent\u00e3o, a escola onde se aprende o amor, a solidariedade, a partilha, o servi\u00e7o, o di\u00e1logo, o respeito, o perd\u00e3o, a fraternidade universal, o cuidado da cria\u00e7\u00e3o, a aten\u00e7\u00e3o aos mais fr\u00e1geis, o sentido do compromisso, do sacrif\u00edcio, da entrega e da doa\u00e7\u00e3o\u2026 Procuramos que a nossa comunidade familiar seja uma \u201cescola de valores\u201d onde todos possam aprender os valores que d\u00e3o sentido \u00e0 exist\u00eancia? Procuramos, no contexto da nossa comunidade familiar, preparar cada um dos seus membros para ser um cidad\u00e3o respons\u00e1vel e consciente, capaz de se comprometer na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo, mais verdadeiro, mais humano?<\/li>\n<li>Maria e Jos\u00e9 \u201cn\u00e3o entenderam as palavras que Jesus lhes disse\u201d quando o questionaram em Jerusal\u00e9m. Provavelmente s\u00f3 as entenderam mais tarde, depois de terem percebido que Jesus tinha agido de acordo com os princ\u00edpios religiosos que Lhe transmitiram. No entanto, apesar de n\u00e3o terem percebido, n\u00e3o fizeram \u201ccenas\u201d nem assumiram qualquer atitude dr\u00e1stica de condena\u00e7\u00e3o do comportamento do jovem Jesus. Como \u00e9 que os pais reagem quando os seus filhos come\u00e7am a dar sinais de uma identidade pr\u00f3pria e de um projeto de vida que n\u00e3o coincide exatamente com aquilo com que os pais pensam e sonham? Com intransig\u00eancia, cr\u00edtica e condena\u00e7\u00e3o, ou com compreens\u00e3o, com respeito e com amor? A comunidade familiar potencia o nosso crescimento, abrindo-nos horizontes e levando-nos ao encontro do mundo, ou fecha-nos num espa\u00e7o c\u00f3modo mas limitado, onde nos mantemos eternamente dependentes?<\/li>\n<li>Jesus, depois daquela \u201caventura\u201d em Jerusal\u00e9m, veio com Maria e Jos\u00e9 para a casa da fam\u00edlia em Nazar\u00e9 e \u201cera-lhes submisso\u201d. Isso significa que respeitava os pais, acolhia os seus ensinamentos, ajudava-os, obedecia-lhes, acompanhava-os com o seu afeto e com a solicitude que os filhos devem aos pais. \u00c9 dessa forma que tratamos os nossos pais, mesmo quando eles t\u00eam dificuldade em aceitar a nossa vis\u00e3o da vida e do mundo, ou quando eles j\u00e1 n\u00e3o podem trabalhar e precisam de cuidados e de aten\u00e7\u00e3o especial?<\/li>\n<li>Maria \u201cguardava todos estes acontecimentos em seu cora\u00e7\u00e3o\u201d. De certeza que pensava longamente nos \u201cacidentes\u201d da vida, procurando entender o significado das coisas \u00e0 luz de Deus e do seu projeto. Aos poucos, meditando sobre as coisas, ia entendendo o projeto de Deus e preparando o seu cora\u00e7\u00e3o para o acolher e para viver de acordo com ele. \u00c9 assim que vivemos, refletindo sobre as coisas, \u201camadurecendo-as\u201d no cora\u00e7\u00e3o, confrontando-as com a Palavra de Deus, procurando encontrar o sentido daquilo que a vida nos traz?<\/li>\n<li>Vivemos num tempo dif\u00edcil, que n\u00e3o favorece a constru\u00e7\u00e3o de um projeto familiar coerente com os valores de Deus. Muitos pais, afundados em mil dificuldades, ultrapassados por uma sociedade de ego\u00edsmo, de bem-estar, de indiferen\u00e7a, de incredulidade, n\u00e3o sabem como agir no sentido de oferecer aos filhos uma educa\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel, s\u00e3, solid\u00e1ria, coerente com a f\u00e9 crist\u00e3. N\u00e3o poderiam e n\u00e3o deveriam receber, no exerc\u00edcio da sua miss\u00e3o de educadores, uma ajuda mais concreta e eficaz a partir das comunidades crist\u00e3s? Que apoio \u00e9 que a comunidade crist\u00e3 poder\u00e1 dar aos pais crentes que encontram dificuldades no projeto de educar responsavelmente os seus filhos? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papa Francisco (<em>Angelus<\/em> de 26 de dezembro de 2021)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Evangelho vemos que at\u00e9 na Sagrada Fam\u00edlia nem tudo corre bem: h\u00e1 problemas inesperados, ang\u00fastias, sofrimentos. N\u00e3o existe a Sagrada Fam\u00edlia dos santinhos. Maria e Jos\u00e9 perdem Jesus, procuram-no ansiosamente, e encontram-no depois de tr\u00eas dias. E quando, sentado entre os mestres no Templo, responde que deve cuidar das coisas do seu Pai, n\u00e3o o compreendem. Precisam de tempo para aprender a conhecer o seu filho. Assim tamb\u00e9m para n\u00f3s: todos os dias, em fam\u00edlia, \u00e9 preciso aprender a ouvir-se e a compreender-se, a caminhar juntos, a enfrentar conflitos e dificuldades. \u00c9 o desafio di\u00e1rio, que se vence com a atitude certa, com pequenas aten\u00e7\u00f5es, com gestos simples, cuidando dos detalhes das nossas rela\u00e7\u00f5es. [&#8230;] Quantas vezes, infelizmente, dentro de casa nascem e crescem conflitos de sil\u00eancios demasiado longos e de ego\u00edsmos descuidados! \u00c0s vezes chega-se at\u00e9 a viol\u00eancias f\u00edsicas e morais. Isto dilacera a harmonia e mata a fam\u00edlia. Passemos do eu para o tu. O que deve ser mais importante na fam\u00edlia, \u00e9 o tu. E todos os dias, por favor, rezai um pouco juntos, se puderdes fazer o esfor\u00e7o, para pedir a Deus o dom da paz na fam\u00edlia. E comprometamo-nos todos &#8211; pais, filhos, Igreja, sociedade civil &#8211; a apoiar, defender e preservar a fam\u00edlia, que \u00e9 o nosso tesouro! Que a Virgem Maria, esposa de Jos\u00e9 e m\u00e3e de Jesus, ampare as nossas fam\u00edlias. (Angelus de 26 de dezembro de 2021)<\/p>\n<p><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Leitura-I-do-Dia-de-Natal-Missa-da-Meia-Noite-Ano-C-25.12.2024-Is-9-1-6.pdf\">Leitura I do Dia de Natal &#8211; Missa da Meia Noite &#8211; Ano C &#8211; 25.12.2024 (Is 9, 1-6)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Leitura-II-do-Dia-de-Natal-Missa-da-Meia-Noite-Ano-C-25.12.2024-Tito-2-11-14.pdf\">Leitura II do Dia de Natal &#8211; Missa da Meia Noite &#8211; Ano C &#8211; 25.12.2024 (Tito 2, 11-14)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Leitura-I-do-Dia-de-Natal-Missa-do-Dia-Ano-C-25.12.2024-Is-52-7-10.pdf\">Leitura I do Dia de Natal &#8211; Missa do Dia &#8211; Ano C &#8211; 25.12.2024 (Is 52, 7-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Leitura-II-do-Dia-de-Natal-Missa-do-Dia-Ano-C-25.12.2024-Heb-1-1-6.pdf\">Leitura II do Dia de Natal &#8211; Missa do Dia &#8211; Ano C &#8211; 25.12.2024 (Heb 1, 1-6)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Natal-do-Senhor-e-Festa-da-Sagrada-Familia-Ano-C-25.12.2024-e-29.12.2024-Lecionario.pdf\">Natal do Senhor e Festa da Sagrada Familia &#8211; Ano C &#8211; 25.12.2024 e 29.12.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Natal-do-Senhor-e-Festa-da-Sagrada-Familia-Ano-C-25.12.2024-e-29.12.2024-Oracao-Universal.pdf\">Natal do Senhor e Festa da Sagrada Familia &#8211; Ano C &#8211; 25.12.2024 e 29.12.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Leitura-I-do-Domingo-da-Sagrada-Familia-Ano-C-29.12.2024-Sir-3-3-7.14-17a.pdf\">Leitura I do Domingo da Sagrada Familia &#8211; Ano C &#8211; 29.12.2024 (Sir 3, 3-7.14-17a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Leitura-II-do-Domingo-da-Sagrada-Familia-Ano-C-29.12.2024-Col-3-12-21.pdf\">Leitura II do Domingo da Sagrada Familia &#8211; Ano C &#8211; 29.12.2024 (Col 3, 12-21)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Domingo-da-Sagrada-Familia-de-Jesus-Maria-e-Jose-Ano-C-29.12.2024-refletindo.pdf\">Domingo da Sagrada Fam\u00edlia de Jesus, Maria e Jos\u00e9 &#8211; Ano C &#8211; 29.12.2024 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-da-Sagrada-Familia.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo da Sagrada Fam\u00edlia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo IV do Tempo do Advento \u2013 Ano C \u2013 22 dezembro 2024&#8243; tab_id=&#8221;1735554062318-ffe15850-e3c4&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo IV do Tempo do Advento &#8211; Ano C \u2013 22 dezembro 2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Domingo-IV.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"360\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus Criador e Senhor de todas as coisas, que em Cristo se faz homem, escolhendo a nossa humanidade fr\u00e1gil e limitada como lugar da revela\u00e7\u00e3o do Seu amor infinito, revela-nos a nova l\u00f3gica do Reino, onde aquilo que \u00e9 pequeno, que \u00e9 pobre e que n\u00e3o se imp\u00f5e se torna lugar de an\u00fancio alegre e feliz da for\u00e7a de Deus. A Liturgia da Palavra deste IV Domingo do Tempo de Advento constitui-se como um belo testemunho desta certeza e, assim, a pequena aldeia de Bel\u00e9m \u00e9 o lugar escolhido para o nascimento do Messias (Profecia de Miqueias), o seio da Virgem Maria torna-se morada e habita\u00e7\u00e3o do Filho do Alt\u00edssimo (Evangelho de S. Lucas) e o corpo humano \u00e9 o lugar de manifesta\u00e7\u00e3o de Deus entre os homens (Ep\u00edstola aos Hebreus).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como nos recorda S. Paulo no seu epistol\u00e1rio, Deus escolhe os pequenos e o que \u00e9 fraco aos olhos do mundo, para precisamente a\u00ed manifestar a Sua grandeza. Deste modo, tamb\u00e9m n\u00f3s pr\u00f3prios, n\u00e3o obstante as nossas limita\u00e7\u00f5es e fragilidades, sentimo-nos inclu\u00eddos no grande projeto de amor e felicidade que Deus tem para a humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Jesus Cristo e na for\u00e7a reveladora da Sua Incarna\u00e7\u00e3o n\u00e3o podemos olhar para a nossa condi\u00e7\u00e3o humana limitada e fr\u00e1gil como um impedimento para nos aproximarmos de Deus e dos irm\u00e3os. Quando assumida e integrada, a nossa pequenez e debilidade tornam-se lugar permanente de apelo \u00e0 convers\u00e3o, um desafio para em cada dia ser mais e melhor, um convite a crescer e progredir na santidade que faz das nossas vidas irradia\u00e7\u00e3o da beleza, da bondade e da ternura de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhar assim a nossa fragilidade e pequenez \u00e9 tamb\u00e9m um apelo a perceber como Deus se revela no nosso quotidiano, na simplicidade dos gestos e na descri\u00e7\u00e3o de tantas vidas dispon\u00edveis para o servi\u00e7o do Evangelho. Por isso, exercitemos o nosso olhar e aprendamos a olhar para o mundo e para os homens e mulheres que connosco se cruzam nos trilhos do tempo e da hist\u00f3ria e saibamos encontrar no quotidiano da nossa vida a presen\u00e7a terna e pr\u00f3xima de Deus que cuida de n\u00f3s, que nos toma pela m\u00e3o e nos aponta o caminho da santidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vencendo a nossa tenta\u00e7\u00e3o t\u00e3o humana de olhar apenas para aquilo que os outros fazem de mal, procuremos como Isabel louvar o Senhor por tudo aquilo que Ele faz de bom e de belo atrav\u00e9s daqueles que se cruzam connosco. Ao ver Maria, Isabel exclamou: \u00ab<em>Bendita \u00e9s tu entre as mulheres e bendito \u00e9 o fruto do teu ventre<\/em>\u00bb e nestas palavras Isabel manifesta como quando nos abrimos \u00e0 presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo podemos contemplar as maravilhas que Deus opera no cora\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como Maria, que habitada pelo Verbo de Deus, n\u00e3o fica indiferente ao mundo \u00e0 sua volta e sabendo que a sua parenta Isabel que \u00e9 de idade avan\u00e7ada se encontra gr\u00e1vida, coloca-se \u00ab<em>apressadamente<\/em>\u00bb a caminho, tamb\u00e9m n\u00f3s devemos aprender esta arte de ir\u00a0<em>apressadamente<\/em>\u00a0ao encontro de quem precisa da nossa ajuda, da nossa presen\u00e7a e da nossa solicitude. Como recordava o Papa Francisco aos jovens, comentando este texto evang\u00e9lico, muitas vezes, na vida, perdemos muito tempo a questionar-nos \u00abquem sou eu?\u00bb sem colocarmos aquela que \u00e9 a pergunta mais decisiva para a descoberta da nossa identidade: \u00ab<em>para quem<\/em>\u00a0sou eu?\u00bb. A resposta a esta pergunta h\u00e1-de ajudar-nos a descobrir a nossa verdadeira identidade, pois no servi\u00e7o aos irm\u00e3os, concretizamos a gra\u00e7a da nossa filia\u00e7\u00e3o divina e proclamamos, com a vida, as palavras da ep\u00edstola aos Hebreus: \u00ab<em>Eis-Me aqui: Eu venho para fazer a tua vontade<\/em>\u00bb. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No <strong>IV Domingo do Tempo de Advento<\/strong> estamos j\u00e1 na imin\u00eancia da celebra\u00e7\u00e3o do Natal do Senhor e s\u00e3o muitas as coisas a preparar e ultimar para a celebra\u00e7\u00e3o familiar desta quadra natal\u00edcia. Este Domingo \u00e9 uma oportunidade para convidar cada fam\u00edlia a fazer da Ceia de Natal um verdadeiro lugar de viv\u00eancia crist\u00e3, de modo particular pela ora\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia. Por isso, deve convidar-se cada fam\u00edlia a valorizar este momento de ora\u00e7\u00e3o, no in\u00edcio da Ceia Natal\u00edcia, acendendo uma vela ou valorizando as figuras do Pres\u00e9pio. Cada comunidade pode preparar uma proposta de ora\u00e7\u00e3o para ser distribu\u00edda nas celebra\u00e7\u00f5es deste Domingo. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o <strong>Tempo de Advento<\/strong> damos in\u00edcio a um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, integrados na din\u00e2mica de Advento, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Miqueias 5,1-4a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eis o que diz o Senhor:<br \/>\n\u00abDe ti, Bel\u00e9m-Efrat\u00e1,<br \/>\npequena entre as cidades de Jud\u00e1,<br \/>\nde ti sair\u00e1 aquele que h\u00e1 de reinar sobre Israel.<br \/>\nAs suas origens remontam aos tempos de outrora,<br \/>\naos dias mais antigos.<br \/>\nPor isso Deus os abandonar\u00e1<br \/>\nat\u00e9 \u00e0 altura em que der \u00e0 luz<br \/>\naquela que h\u00e1 de ser m\u00e3e.<br \/>\nEnt\u00e3o voltar\u00e1 para os filhos de Israel<br \/>\no resto dos seus irm\u00e3os.<br \/>\nEle se levantar\u00e1 para apascentar o seu rebanho<br \/>\npelo poder do Senhor,<br \/>\npelo nome glorioso do Senhor, seu Deus.<br \/>\nViver-se-\u00e1 em seguran\u00e7a,<br \/>\nporque ele ser\u00e1 exaltado at\u00e9 aos confins da terra.<br \/>\nEle ser\u00e1 a paz\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miqueias nasceu em Moreset Gat, uma aldeia de Jud\u00e1, a cerca de 35 quil\u00f3metros a sudoeste de Jerusal\u00e9m. Moreset Gat situa-nos num ambiente rural, onde abundavam os pequenos agricultores v\u00edtimas dos abusos dos grandes latifundi\u00e1rios. Por outro lado, a exist\u00eancia, nessa zona, de diversas fortalezas militares (Azeqa, Soco, Adul\u00e1n, Maresa, Laquis) trazia aos habitantes da regi\u00e3o um problema acrescido: os militares e funcion\u00e1rios reais que por l\u00e1 se aquartelavam cometiam todo o g\u00e9nero de arbitrariedades contra os camponeses pobres. Impostos excessivos, roubos \u00e0 m\u00e3o armada, obrigatoriedade de trabalhos for\u00e7ados, prepot\u00eancias e injusti\u00e7as de todo o tipo amarguravam o dia a dia do povo simples da regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o livro (cf. Mq 1,1), o minist\u00e9rio prof\u00e9tico de Miqueias prolongou-se pelos reinados de Jotam (739-734 a.C.), Acaz (734-727 a.C.) e Ezequias (727-698 a.C.). Para Jud\u00e1, foi uma fase hist\u00f3rica dif\u00edcil, marcada pela hegemonia da Ass\u00edria na regi\u00e3o. Em 722 a.C., o rei ass\u00edrio Salamanasar V conquistou a Samaria e, paralelamente, converteu Jud\u00e1 em vassalo da Ass\u00edria. Ezequias, rei de Jud\u00e1, teve de submeter-se ao poderio ass\u00edrio. Depois de alguns anos de relativa calma, aproveitando a morte do rei Sarg\u00e3o II (705 a.C.), Ezequias aderiu a uma coliga\u00e7\u00e3o anti ass\u00edria; mas Senaquerib, sucessor de Sarg\u00e3o II, invadiu Jud\u00e1, conquistou diversas cidades e cercou Jerusal\u00e9m. Para evitar males maiores, Ezequias submeteu-se e comprometeu-se a pagar aos ass\u00edrios um pesado tributo. Foi esse o cen\u00e1rio hist\u00f3rico que marcou os \u00faltimos anos do reinado de Ezequias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miqueias conhecia bem a situa\u00e7\u00e3o dos camponeses de Jud\u00e1. A sua mensagem denuncia as injusti\u00e7as praticadas pelos grandes latifundi\u00e1rios, a venalidade dos ju\u00edzes, as viol\u00eancias praticadas pelos militares e pela classe dirigente contra o povo simples, as mensagens mentirosas dos falsos profetas, a religi\u00e3o c\u00famplice dos injustos e prepotentes, a infidelidade a Deus manifestada no culto aos deuses estrangeiros\u2026 Miqueias considera que Deus est\u00e1 farto de tanto pecado e que se prepara para castigar Jud\u00e1. Esta den\u00fancia aparece sobretudo nos cap\u00edtulos 1 a 3 do livro de Miqueias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, o profeta deixa a porta aberta \u00e0 esperan\u00e7a. Nos cap\u00edtulos 4 e 5 do livro de Miqueias aparecem diversos or\u00e1culos de salva\u00e7\u00e3o que falam de um tempo novo que Deus prepara para o seu Povo: um resto de Jud\u00e1 ser\u00e1 o viveiro de reflorescimento da na\u00e7\u00e3o; Jerusal\u00e9m ser\u00e1 um centro para onde acorrer\u00e3o povos de toda a terra, a fim de se encontrarem com Deus; aparecer\u00e1 um rei, da descend\u00eancia de David, que apascentar\u00e1 Jud\u00e1 e inaugurar\u00e1 um tempo novo de tranquilidade, de paz e de abund\u00e2ncia de vida. Alguns biblistas pensam que estes cap\u00edtulos n\u00e3o foram redigidos por Miqueias, mas sim por um profeta an\u00f3nimo, na \u00e9poca do Ex\u00edlio na Babil\u00f3nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste quarto domingo do advento nos prop\u00f5e como primeira leitura pertence a este lote de \u201cor\u00e1culos de salva\u00e7\u00e3o\u201d.<strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A profecia de Miqueias evidencia uma constante que se repete ao longo de toda a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: os homens, com rid\u00edcula teimosia, insistem em trilhar caminhos de ego\u00edsmo, de orgulho, de ambi\u00e7\u00e3o, de injusti\u00e7a, de viol\u00eancia, de destrui\u00e7\u00e3o, de morte; e Deus, com amor infinito, insiste em apontar-lhes os caminhos que conduzem \u00e0 vida, \u00e0 paz, \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o plena, \u00e0 felicidade sem fim. Teremos raz\u00e3o quando acusamos Deus por permitir o mal e a viol\u00eancia que ensombram o mundo e a hist\u00f3ria dos homens? Depois de tudo o que Deus tem feito para abrir portas de esperan\u00e7a nos muros sem sa\u00edda que levantamos, podemos culp\u00e1-lo pelo estado atual do nosso mundo? Ser\u00e1 Deus que n\u00e3o quer saber de n\u00f3s, ou seremos n\u00f3s que n\u00e3o queremos saber de Deus, das suas indica\u00e7\u00f5es e do seu amor?<\/li>\n<li>N\u00f3s, crist\u00e3os, ligamos a profecia de Miqueias \u2013 sobre esse rei humilde que vir\u00e1 ao encontro dos homens e que ser\u00e1 \u201ca paz\u201d \u2013 com a vinda de Jesus. Jesus, nascido da fam\u00edlia de David, veio ao nosso encontro vestido de humildade e convidou-nos a colaborar com Ele na constru\u00e7\u00e3o de um mundo de paz, de justi\u00e7a, de entendimento, de amor. Jesus chamava, a esse \u201cprojeto\u201d, o \u201creino de Deus\u201d. N\u00f3s, encantados com Jesus, decidimos embarcar com Ele na bela aventura de construir o reino de Deus. Estamos verdadeiramente comprometidos com este projeto? Esfor\u00e7amo-nos por eliminar tudo aquilo que, \u00e0 nossa volta, \u00e9 fonte de conflito, de injusti\u00e7a, de opress\u00e3o, de sofrimento, de morte? Procuramos dar testemunho de bondade, de amor, de miseric\u00f3rdia, de compreens\u00e3o, de perd\u00e3o, de servi\u00e7o? O nosso objetivo \u00e9, como era o de Jesus, construir um mundo de paz? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL &#8211; <\/strong><strong>Salmo 79 (80)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Senhor nosso Deus, fazei-nos voltar,<br \/>\nmostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Mostrai-nos, Senhor, o vosso rosto<br \/>\ne seremos salvos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pastor de Israel, escutai,<br \/>\nV\u00f3s estais sobre os Querubins, aparecei.<br \/>\nDespertai o vosso poder<br \/>\ne vinde em nosso aux\u00edlio.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus dos Ex\u00e9rcitos, vinde de novo,<br \/>\nolhai dos c\u00e9us e vede, visitai esta vinha;<br \/>\nprotegei a cepa que a vossa m\u00e3o direita plantou,<br \/>\no rebento que fortalecestes para V\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estendei a m\u00e3o sobre o homem que escolhestes,<br \/>\nsobre o filho do homem que para V\u00f3s criastes.<br \/>\nNunca mais nos apartaremos de V\u00f3s,<br \/>\nfazei-nos viver e invocaremos o vosso<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Hebreus 10,5-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nAo entrar no mundo, Cristo disse:<br \/>\n\u00abN\u00e3o quiseste sacrif\u00edcio nem obla\u00e7\u00f5es,<br \/>\nmas formaste-Me um corpo.<br \/>\nN\u00e3o Te agradaram holocaustos nem imola\u00e7\u00f5es pelo pecado.<br \/>\nEnt\u00e3o Eu disse: \u2018Eis-Me aqui;<br \/>\nno livro sagrado est\u00e1 escrito a meu respeito:<br \/>\nEu venho, \u00f3 Deus, para fazer a tua vontade\u2019\u00bb.<br \/>\nPrimeiro disse: \u00abN\u00e3o quiseste sacrif\u00edcios nem obla\u00e7\u00f5es,<br \/>\nn\u00e3o Te agradaram holocaustos nem imola\u00e7\u00f5es pelo pecado\u00bb.<br \/>\nE no entanto, eles s\u00e3o oferecidos segundo a Lei.<br \/>\nDepois acrescenta: \u00abEis-Me aqui:<br \/>\nEu venho para fazer a tua vontade\u00bb.<br \/>\nAssim aboliu o primeiro culto<br \/>\npara estabelecer o segundo.<br \/>\n\u00c9 em virtude dessa vontade<br \/>\nque n\u00f3s fomos santificados<br \/>\npela obla\u00e7\u00e3o do corpo de Jesus Cristo,<br \/>\nfeita de uma vez para sempre.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sabemos quem foi o autor do escrito a que se deu o nome de \u201cCarta aos Hebreus\u201d. A tradi\u00e7\u00e3o oriental atribui-o a S\u00e3o Paulo; mas no ocidente h\u00e1 muito que este texto \u00e9 considerado n\u00e3o paulino. Surgido na segunda metade da d\u00e9cada de sessenta do primeiro s\u00e9culo (antes da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, no ano 70, pois fala da liturgia do Templo como uma realidade atual), poder\u00e1 ser obra de um disc\u00edpulo de Paulo, empenhado em estimular a viv\u00eancia do compromisso crist\u00e3o e levar os crentes a crescer na f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a tradi\u00e7\u00e3o tenha considerado como destinat\u00e1rios deste escrito os \u201chebreus\u201d, isso n\u00e3o significa, efetivamente, que o seu autor o destinasse exclusivamente a crist\u00e3os oriundos do mundo judaico. \u00c9 verdade que nele se referem continuamente factos e figuras do Antigo Testamento; mas, por essa altura, o Antigo Testamento era j\u00e1 patrim\u00f3nio comum de todos os crist\u00e3os, mesmo dos que provinham do mundo greco-romano. Tratava-se, em qualquer caso, de comunidades crist\u00e3s em situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, expostas a persegui\u00e7\u00f5es e que viviam num ambiente hostil \u00e0 f\u00e9\u2026 Os membros dessas comunidades tinham j\u00e1 perdido o fervor inicial pelo Evangelho e come\u00e7avam a ceder \u00e0 sedu\u00e7\u00e3o de certas doutrinas n\u00e3o muito coerentes com a f\u00e9 recebida dos ap\u00f3stolos\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta aos Hebreus apresenta \u2013 recorrendo \u00e0 linguagem da teologia judaica \u2013 o mist\u00e9rio de Cristo, o sacerdote por excel\u00eancia \u2013 atrav\u00e9s de quem os homens t\u00eam acesso a Deus e s\u00e3o inseridos na comunh\u00e3o real e definitiva com Deus. O autor aproveita, na sequ\u00eancia, para refletir nas implica\u00e7\u00f5es desse facto: postos em rela\u00e7\u00e3o com o Pai por Cristo\/sacerdote, os crentes s\u00e3o inseridos nesse Povo sacerdotal que \u00e9 a comunidade crist\u00e3 e devem fazer da sua vida um cont\u00ednuo sacrif\u00edcio de louvor, de entrega e de amor. Desta forma, o autor oferece aos crist\u00e3os um aprofundamento e uma amplia\u00e7\u00e3o da f\u00e9 primitiva, capaz de revitalizar a sua experi\u00eancia de f\u00e9, enfraquecida pela acomoda\u00e7\u00e3o e pela persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como segunda leitura neste quarto domingo do advento pertence \u00e0 terceira parte da carta (Heb 5,11-10,39). A\u00ed, o autor da Carta apresenta Cristo como o sumo-sacerdote. Mas, enquanto sumo-sacerdote que faz a media\u00e7\u00e3o entre Deus e os homens, Cristo \u00e9 bem superior aos sacerdotes v\u00e9terotestament\u00e1rios. Ele, o sumo-sacerdote da nova Alian\u00e7a, inaugura um novo culto, oferecendo-se a si mesmo ao Pai, num sacrif\u00edcio perfeito e eficaz. O seu sacrif\u00edcio obt\u00e9m a salva\u00e7\u00e3o eterna para todos os homens. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O autor da Carta aos Hebreus oferece-nos uma boa chave de leitura para entender a vida de Jesus: desde que Ele \u201centrou\u201d no mundo, disp\u00f4s-se a p\u00f4r a sua vida ao servi\u00e7o do plano de Deus, numa obedi\u00eancia total e numa entrega absoluta \u00e0 vontade do Pai. Jesus n\u00e3o privilegiou projetos pessoais, nem buscou em primeiro lugar a pr\u00f3pria realiza\u00e7\u00e3o; n\u00e3o procurou a riqueza, o reconhecimento, as gl\u00f3rias humanas, o aplauso das multid\u00f5es, a seguran\u00e7a ou o bem-estar. Uma vez disse aos disc\u00edpulos: \u201co meu alimento \u00e9 fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra\u201d (Jo 4,34). Desceu ao encontro dos homens, vestiu a nossa fragilidade, experimentou a fome, a sede, o cansa\u00e7o, o medo, enfrentou os donos do mundo, combateu as injusti\u00e7as, correu todos os riscos, foi condenado a uma morte infame, para concretizar o projeto do Pai. Qual o lugar que o projeto de Deus assume na nossa vida e nas nossas prioridades? O que \u00e9 que nos move, nos faz todos os dias levantar da cama e enfrentar o mundo: os nossos interesses pessoais, as nossas realiza\u00e7\u00f5es humanas, ou a concretiza\u00e7\u00e3o do projeto de Deus?<\/li>\n<li>O autor da Carta aos Hebreus sugere que os sacrif\u00edcios, os holocaustos, os rituais externos que nada mudam, a religi\u00e3o de fachada, n\u00e3o s\u00e3o o culto que Deus espera. A Deus de nada servem as nossas liturgias solenes, os nossos c\u00e2nticos religiosos polif\u00f3nicos, as nossas prociss\u00f5es, as nossas ora\u00e7\u00f5es mil vezes repetidas, os paramentos sumptuosos que usamos nas nossas liturgias, as nossas prociss\u00f5es cheias de andores, as nossas pr\u00e1ticas de piedade, as nossas festas religiosas meio crist\u00e3s e meio pag\u00e3s, se n\u00e3o estivermos dispon\u00edveis para escutar e para acolher a sua vontade, o projeto que Ele tem para os homens e para o mundo. Como \u00e9 o culto que prestamos a Deus? A viv\u00eancia da nossa f\u00e9 vai al\u00e9m de uma religi\u00e3o de gestos externos, de pr\u00e1ticas piedosas, de rituais lit\u00fargicos rotineiros? A nossa grande pr\u00e1tica religiosa \u00e9 a obedi\u00eancia \u00e0 vontade de Deus?<\/li>\n<li>Para conhecermos o projeto de Deus e para obedecermos \u00e0 sua vontade, precisamos de passar tempo com Ele. Jesus sempre reservou tempo para o di\u00e1logo com Deus. Cada dia, depois do encontro com as multid\u00f5es, retirava-se para um lugar isolado e falava com o Pai. Nesse di\u00e1logo, tomava consci\u00eancia do amor que o Pai lhe tinha, descobria a vontade do Pai e ganhava for\u00e7a para cumprir a miss\u00e3o. Jesus sa\u00eda desses momentos fortalecido na sua decis\u00e3o de obedecer incondicionalmente ao Pai. O tempo de advento \u00e9 um tempo favor\u00e1vel para revitalizarmos a nossa intimidade com Deus, para falarmos mais com Deus, para escutarmos e acolhermos a sua Palavra. Dispomo-nos a isso, enquanto esperamos o Senhor que vem? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013<\/strong> <strong>Lucas 1,39-45<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nMaria p\u00f4s-se a caminho<br \/>\ne dirigiu-se apressadamente para a montanha,<br \/>\nem dire\u00e7\u00e3o a uma cidade de Jud\u00e1.<br \/>\nEntrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.<br \/>\nQuando Isabel ouviu a sauda\u00e7\u00e3o de Maria,<br \/>\no menino exultou-lhe no seio.<br \/>\nIsabel ficou cheia do Esp\u00edrito Santo<br \/>\ne exclamou em alta voz:<br \/>\n\u00abBendita \u00e9s tu entre as mulheres<br \/>\ne bendito \u00e9 o fruto do teu ventre.<br \/>\nDonde me \u00e9 dado<br \/>\nque venha ter comigo a M\u00e3e do meu Senhor?<br \/>\nNa verdade, logo que chegou aos meus ouvidos<br \/>\na voz da tua sauda\u00e7\u00e3o,<br \/>\no menino exultou de alegria no meu seio.<br \/>\nBem-aventurada aquela que acreditou<br \/>\nno cumprimento de tudo quanto lhe foi dito<br \/>\nda parte do Senhor\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto de Lucas que nos \u00e9 proposto neste quarto domingo do advento pertence ao chamado \u201cEvangelho da Inf\u00e2ncia\u201d. Ora, os \u201cEvangelhos da Inf\u00e2ncia de Jesus\u201d (quer o de Mateus, quer o de Lucas) enquadram-se num g\u00e9nero liter\u00e1rio pr\u00f3prio, que recorre \u00e0s t\u00e9cnicas do\u00a0<em>midrash hagg\u00e1dico<\/em>\u00a0(uma t\u00e9cnica de leitura e de interpreta\u00e7\u00e3o do texto sagrado usada pelos rabis judeus) para nos apresentar o mist\u00e9rio de Jesus. A preocupa\u00e7\u00e3o dos evangelistas que nos legaram os \u201cEvangelhos da Inf\u00e2ncia\u201d n\u00e3o \u00e9 apresentar um relato factual dos acontecimentos dos primeiros anos de Jesus, mas sim oferecer \u00e0s suas comunidades uma catequese que proclame determinadas realidades salv\u00edficas (que Jesus \u00e9 o Messias, que Ele vem de Deus, que Ele \u00e9 o \u201cDeus connosco\u201d). Com recurso a tipologias (correspond\u00eancia entre certos factos e pessoas do Antigo Testamento e outros factos e pessoas do Novo Testamento), a manifesta\u00e7\u00f5es apocal\u00edpticas (anjos, apari\u00e7\u00f5es, sonhos) e a outros recursos liter\u00e1rios, Mateus e Lucas tecem as suas catequeses sobre Jesus, o Filho de Deus que veio ao encontro dos homens. O Evangelho que nos \u00e9 hoje proposto deve ser entendido a esta luz e neste enquadramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes da cena que nos descreve no Evangelho deste domingo, Lucas tinha-nos contado a visita do anjo Gabriel a Maria e o an\u00fancio de que ela seria a m\u00e3e de Jesus, o \u201cFilho do Alt\u00edssimo\u201d. O anjo tinha tamb\u00e9m dito a Maria que a sua parente Isabel estava no sexto m\u00eas de gravidez e ia dar \u00e0 luz uma crian\u00e7a (cf. Lc 1,26-38). Na sequ\u00eancia, Lucas p\u00f5e Maria a deixar Nazar\u00e9 e a dirigir-se \u201capressadamente para a montanha, em dire\u00e7\u00e3o a uma cidade de Jud\u00e1\u201d (Lc 1,39). O seu objetivo \u00e9 ir ao encontro de Isabel. A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 identifica essa \u201ccidade de Jud\u00e1\u201d com a atual Ain Karim, a seis quil\u00f3metros a oeste de Jerusal\u00e9m. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Estamos na \u00faltima etapa do \u201ccaminho do advento\u201d. Nestes dias que antecedem a celebra\u00e7\u00e3o do Natal tendemos a ser apanhados pela az\u00e1fama dos preparativos para a festa, pela corrida \u00e0s \u201cprendas\u201d, pelo protocolo dos desejos de boas festas, pelo \u201cru\u00eddo de fundo\u201d das luzes, dos spots comerciais, das m\u00fasicas natal\u00edcias; e, no meio dessa onda de futilidade que nos submerge e que nos arrasta, podemos perder de vista o Deus que vem ter connosco. Ora, aquelas duas mulheres gr\u00e1vidas de esperan\u00e7as \u2013 Maria e Isabel \u2013 que Lucas coloca no centro do Evangelho deste domingo convidam-nos a centrar a nossa aten\u00e7\u00e3o no menino que est\u00e1 para chegar e a acolh\u00ea-lo convenientemente: com o amor, com a alegria, com a gratid\u00e3o, com o espanto que elas sentiram diante da visita de Jesus. Jesus \u00e9 o centro da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, a realiza\u00e7\u00e3o plena das promessas de Deus, o \u201cSenhor\u201d da hist\u00f3ria (o \u201cKyrios\u201d) que vestiu a nossa humanidade para nos trazer a paz. Estamos focados n\u2019Ele? No nosso cora\u00e7\u00e3o e na nossa vida h\u00e1 lugar para Ele?<\/li>\n<li>Maria, depois de receber o chamamento de Deus e de aceitar ser a m\u00e3e do \u201cFilho do Alt\u00edssimo\u201d, p\u00f4s-se a caminho. N\u00e3o fica fechada na sua casa, mergulhada na contempla\u00e7\u00e3o do seu estatuto de m\u00e3e de um menino que vai herdar \u201co trono de seu pai David\u201d e que \u201creinar\u00e1 eternamente sobre a casa de Jacob\u201d (Lc 1,32-33), como lhe disse o mensageiro de Deus. Transportando o Messias prometido, ela torna-se mensageira da paz. Habitada por not\u00edcias felizes, Maria faz-se \u201cevangelizadora\u201d. Ela leva o \u201cEvangelho\u201d ao encontro daqueles que esperam ansiosamente a Boa not\u00edcia da chegada libertadora de Deus. \u00c9 assim que ela prepara o nascimento daquele menino que vem mudar o curso da hist\u00f3ria dos homens. Nestes dias que antecedem a celebra\u00e7\u00e3o do nascimento de Jesus, temos sido mensageiros da paz que Jesus veio oferecer ao mundo e aos homens? Temos sido arautos da Boa not\u00edcia da chegada da salva\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>Quando Maria chegou junto de Isabel e a saudou, o beb\u00e9 de Isabel estremeceu de alegria no seio da m\u00e3e. Isabel tamb\u00e9m reagiu \u00e0 chegada e \u00e0 sauda\u00e7\u00e3o de Maria com um grito irreprim\u00edvel de alegria. \u00c9 a alegria de quem se sente visitado por Deus; \u00e9 a alegria de quem reconhece a chegada da salva\u00e7\u00e3o; \u00e9 a alegria de quem percebe que chegou o tempo novo da paz verdadeira, da liberta\u00e7\u00e3o definitiva, da felicidade sem fim. Os homens e mulheres que todos os dias se cruzam connosco nos caminhos da vida estremecem de alegria com as not\u00edcias que lhes damos? Sentem, atrav\u00e9s do nosso testemunho, que Deus chegou para os fazer avan\u00e7ar por um caminho novo e feliz? Aqueles que a vida magoou, os que ficam ca\u00eddos nas bermas da estrada por onde a humanidade vai avan\u00e7ando, os que n\u00e3o t\u00eam voz nem vez, os que choram l\u00e1grimas amargas de revolta e de arrependimento sentem, a partir do nosso testemunho, que Deus veio ao encontro deles para lhes curar as feridas e para lhes dar uma nova esperan\u00e7a?<\/li>\n<li>Maria de Nazar\u00e9 \u00e9 uma jovem humilde de uma aldeia que n\u00e3o vem no mapa, noiva de um pobre artes\u00e3o de Nazar\u00e9; Isabel \u00e9 uma mulher j\u00e1 com alguma idade, dona de casa, que vive numa pequena povoa\u00e7\u00e3o de Jud\u00e1, ao lado de um marido igualmente idoso. Nenhuma delas aparece na lista das mulheres importantes da Palestina daquela \u00e9poca. Maria foi escolhida para trazer ao mundo Jesus, o salvador prometido por Deus aos homens; Isabel foi visitada pelo menino que veio trazer a esperan\u00e7a a Israel e ao mundo. Elas s\u00e3o \u201cbenditas\u201d, apesar da humildade e simplicidade das suas vidas. Deus, quando entra no mundo, escolhe sempre a porta da simplicidade, da humildade, da pequenez. Estamos conscientes disto? Quem s\u00e3o hoje, para n\u00f3s, aqueles e aquelas que s\u00e3o \u201cbenditos\u201d? Quem s\u00e3o hoje aqueles e aquelas atrav\u00e9s dos quais Deus oferece ao mundo e salva\u00e7\u00e3o e a paz?<\/li>\n<li>Isabel proclama Maria \u201cbem-aventurada\u201d porque \u201cacreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor\u201d. De facto, Maria n\u00e3o precisou de grandes explica\u00e7\u00f5es quando lhe foi pedido que colaborasse no projeto de Deus. N\u00e3o hesitou, n\u00e3o pediu garantias, n\u00e3o procurou salvaguardar os seus projetos pessoais, n\u00e3o p\u00f4s em causa a l\u00f3gica de Deus\u2026 Confiou simplesmente na Palavra de Deus e entregou-se confiadamente nas m\u00e3os de Deus. Maria \u00e9 a mulher da f\u00e9 aut\u00eantica, o modelo do crente verdadeiro. \u00c9 dessa forma que n\u00f3s \u201cacreditamos\u201d? Quando Deus nos pede que vamos contra o bem senso, ou contra a corrente, ou contra os \u201cfazedores de opini\u00e3o\u201d do nosso tempo, aceitamos a Palavra de Deus e reagimos com a mesma confian\u00e7a incondicional de Maria?<\/li>\n<li>Embora o nosso texto n\u00e3o fale disso, \u00e9 poss\u00edvel ver, na visita de Maria a Isabel, um gesto de solidariedade para com aquela parente idosa que ia ter um beb\u00e9 e que precisava de apoio e de ajuda. Temos consci\u00eancia de que acolher Jesus \u00e9 estar atento \u00e0s necessidades dos irm\u00e3os, partir ao seu encontro, partilhar com eles a nossa amizade e ser solid\u00e1rio com as suas necessidades? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 constitu\u00edda essencialmente pela palavra dirigida pelo Senhor ao Povo de Israel. Deste modo, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o a introdu\u00e7\u00e3o ao discurso direto do Senhor Deus, que deve ser lido com o tom adequado de quem anuncia uma mensagem de esperan\u00e7a e salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura,<\/strong> deve haver um especial cuidado com as introdu\u00e7\u00f5es ao discurso direto: \u00ab<em>eu disse<\/em>\u00bb; \u00ab<em>primeiro disse<\/em>\u00bb e \u00ab<em>depois acrescenta<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Leitura-I-do-Domingo-IV-do-Tempo-do-Advento-Ano-C-22.12.2024-Miq-5-1-4a.pdf\">Leitura I do Domingo IV do Tempo do Advento &#8211; Ano C &#8211; 22.12.2024 (Miq 5, 1-4a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Leitura-II-do-Domingo-IV-do-Tempo-do-Advento-Ano-C-22.12.2024-Heb-105-10.pdf\">Leitura II do Domingo IV do Tempo do Advento &#8211; Ano C &#8211; 22.12.2024 (Heb 10,5-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Domingo-IV-do-Tempo-do-Advento-Ano-C-22.12.2024-Lecionario.pdf\">Domingo IV do Tempo do Advento &#8211; Ano C &#8211; 22.12.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Domingo-IV-do-Tempo-do-Advento-Ano-C-22.12.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo IV do Tempo do Advento &#8211; Ano C &#8211; 22.12.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Domingo-IV-do-Tempo-do-Advento-Ano-C-22.12.2024-refletindo.pdf\">Domingo IV do Tempo do Advento &#8211; Ano C &#8211; 22.12.2024 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-IV-Advento.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo IV Advento<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo III do Tempo do Advento \u2013 Ano C \u2013 15 dezembro 2024&#8243; tab_id=&#8221;1734949324304-ebd2ff0d-c70e&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo III do Tempo do Advento &#8211; Ano C \u2013 15 dezembro 2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Domingo-III.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"445\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A alegria crist\u00e3 nasce do encontro \u00edntimo e pessoal com Jesus Cristo, o Salvador e Redentor da humanidade, Aquele que oferece um sentido para a vida e desafia a percorrer com esperan\u00e7a e confian\u00e7a o caminho da santidade. Na Liturgia da Palavra deste Domingo, o convite \u00e0 alegria est\u00e1 estritamente ligado com o permanente desafio \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 mudan\u00e7a de vida: \u00ab<em>Que devemos fazer?<\/em>\u00bb. Por isso, alegria e convers\u00e3o s\u00e3o palavras que caminham de m\u00e3os dadas na nossa voca\u00e7\u00e3o batismal porque nos recordam que a verdadeira alegria nasce de um cora\u00e7\u00e3o que dia ap\u00f3s dia se renova pela for\u00e7a transformadora do amor de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo de Advento est\u00e1 revestido da jubilosa esperan\u00e7a de um Deus t\u00e3o pr\u00f3ximo de n\u00f3s que assume a nossa natureza humana, para nos ensinar a verdadeira arte de nos fazermos pr\u00f3ximos uns dos outros. \u00ab<em>O Senhor est\u00e1 pr\u00f3ximo<\/em>\u00bb e esta certeza da proximidade de Deus, como nos recorda S. Paulo traduz-se num insistente convite \u00e0 alegria: \u00ab<em>Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos<\/em>\u00bb. Inspirados\u00a0por estas palavras que comp\u00f5e a ant\u00edfona de entrada deste dia, este Domingo \u00e9 designado como Domingo\u00a0<em>Gaudete,\u00a0<\/em>isto \u00e9, Domingo da Alegria e, assim, a Liturgia da Palavra, as ora\u00e7\u00f5es e a simbologia deste Domingo est\u00e3o repletas de um convite \u00e0 alegria e \u00e0 esperan\u00e7a. A palavra alegria aparece 16 vezes na Liturgia da Palavra e nas ora\u00e7\u00f5es da missa deste dia. E se contarmos palavras relacionadas com o convite \u00e0 alegria como rejubilai e exultai, ent\u00e3o o n\u00famero sobre para 24 ocorr\u00eancias. Mas esta alegria n\u00e3o \u00e9 apenas um mero contentamento, nem um sentimento fugaz e ef\u00e9mero de bem-estar e bom humor. \u00c9 alegria que nasce do Evangelho, a alegria dos que reconhecem que a sua vida se abre a um bem maior e que n\u00e3o se contentam com menos que Deus e o Seu amor, revelado em Jesus Cristo como um servi\u00e7o concreto aos irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, acolhemos o convite de Sofonias e a exorta\u00e7\u00e3o de Paulo aos Filipenses, conscientes que alegria crist\u00e3 \u00e9 a alegria daqueles que querem ver realizada na terra a verdade e a justi\u00e7a, a alegria daqueles que n\u00e3o se deixam diminuir no seu desejo, nem deixam este desejo divergir e dissipar-se em alegrias fugazes que acabam por ser fontes de descontentamento pr\u00f3prios e alheios mas que procuram a satisfa\u00e7\u00e3o plena que s\u00f3 em Deus se pode encontrar, pois \u00e9 Deus o autor das mais profundas aspira\u00e7\u00f5es do nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta alegria que se renova no encontro com Jesus Cristo reclama a disponibilidade de cora\u00e7\u00e3o que Jo\u00e3o Baptista anuncia com o seu batismo de penit\u00eancia. Por isso, tamb\u00e9m n\u00f3s, interpelados pela presen\u00e7a e pela palavra do percursor, perguntamos como as multid\u00f5es, os publicanos e os soldados:\u00a0\u00ab<em>que devemos fazer?<\/em>\u00bb. Para cada um, Jo\u00e3o tem uma palavra concreta e um desafio preciso. A escuta da Palavra n\u00e3o nos pode deixar indiferentes e o convite \u00e0 alegria reclama movimentos concretos de convers\u00e3o, pois um cora\u00e7\u00e3o que em cada dia cresce na fidelidade ao Evangelho frutifica saboreando a alegria nova que brota do cora\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os frutos da convers\u00e3o que Jo\u00e3o Baptista aponta e reclama referem-se sempre ao nosso comportamento com o pr\u00f3ximo. Fica claro, que a convers\u00e3o, isto \u00e9, o nosso voltar-se para Deus passa sempre pelos nossos gestos com o pr\u00f3ximo. No Evangelho o verbo \u00abamar\u00bb traduz-se sempre pelas formas verbais \u00abdar\u00bb e \u00abdar-se\u00bb. Deste modo, preparemos o Natal do Senhor com um cora\u00e7\u00e3o agradecido pela presen\u00e7a terna e misericordiosa de Deus em Jesus Cristo e fa\u00e7amos da convers\u00e3o verdadeira estrada que nos conduz \u00e0 santidade. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro Domingo de Advento \u00e9 designado como Domingo\u00a0<em>Gaudete<\/em>\u00a0(Domingo da Alegria). Esta designa\u00e7\u00e3o \u00e9 retirada da primeira palavra da ant\u00edfona de entrada da missa: \u201c<em>Gaudete in Domino semper<\/em>\u201d (<em>Alegrai-vos sempre no Senhor<\/em>). A celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica deste Domingo \u00e9 a oportunidade de uma reflex\u00e3o sobre a alegria crist\u00e3 e que est\u00e1 t\u00e3o ligada ao magist\u00e9rio do Papa Francisco (<em>Evangelii Gaudium<\/em>,\u00a0<em>Amoris Laetitia<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Gaudete et Exsultate<\/em>), onde podemos encontrar bel\u00edssimos textos e contributos sobre a alegria do Evangelho, a alegria do amor que se vive na fam\u00edlia ou a alegria de percorrer a estrada da santidade.<em><strong> in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o <strong>Tempo de Advento<\/strong> damos in\u00edcio a um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, integrados na din\u00e2mica de Advento, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Sofonias 3,14-18a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Clama jubilosamente, filha de Si\u00e3o;<br \/>\nsolta brados de alegria, Israel.<br \/>\nExulta, rejubila de todo o cora\u00e7\u00e3o, filha de Jerusal\u00e9m.<br \/>\nO Senhor revogou a senten\u00e7a que te condenava,<br \/>\nafastou os teus inimigos.<br \/>\nO Senhor, Rei de Israel, est\u00e1 no meio de ti<br \/>\ne j\u00e1 n\u00e3o temer\u00e1s nenhum mal.<br \/>\nNaquele dia, dir-se-\u00e1 a Jerusal\u00e9m:<br \/>\n\u00abN\u00e3o temas, Si\u00e3o,<br \/>\nn\u00e3o desfale\u00e7am as tuas m\u00e3os.<br \/>\nO Senhor teu Deus est\u00e1 no meio de ti,<br \/>\ncomo poderoso salvador.<br \/>\nPor causa de ti, Ele enche-Se de j\u00fabilo,<br \/>\nrenova-te com o seu amor,<br \/>\nexulta de alegria por tua causa,<br \/>\ncomo nos dias de festa\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 734 a.C. o rei Acaz (734-727 a.C.), confrontado com a amea\u00e7a militar de uma coliga\u00e7\u00e3o formada pelo rei de Damasco e pelo rei de Israel, pediu ajuda a Tiglat-Pileser III, rei da Ass\u00edria (cf. 2Rs 16,7). Tiglat Pileser III derrotou o rei de Damasco, pondo fim \u00e0 amea\u00e7a contra Jud\u00e1; mas, na sequ\u00eancia, o rei Acaz tornou-se vassalo da Ass\u00edria. Jud\u00e1 passou a girar na \u00f3rbita pol\u00edtica da Ass\u00edria e teve de abrir as portas \u00e0s influ\u00eancias culturais e religiosas dos ass\u00edrios (cf. 2Rs 16,10-18). Diversos costumes estranhos e cultos pag\u00e3os irromperam ent\u00e3o em Jerusal\u00e9m e minaram a fidelidade do Povo de Jud\u00e1 a Jav\u00e9. Essa situa\u00e7\u00e3o manteve-se durante o longo reinado do \u00edmpio Manass\u00e9s (698-643 a.C.), em que o pr\u00f3prio rei reconstruiu os lugares de culto aos deuses estrangeiros, levantou altares a Baal, ofereceu o seu filho em holocausto, dedicou-se \u00e0 adivinha\u00e7\u00e3o e \u00e0 magia, colocou no Templo de Jerusal\u00e9m a imagem da deusa Astarte (cf. 2Rs 21,3-9). Paralelamente, continuavam a multiplicar-se as injusti\u00e7as sociais, as arbitrariedades, as viol\u00eancias contra os mais pobres e d\u00e9beis. Tudo isto configurava uma grave viola\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a que o povo tinha com Deus. Quando em 639 a.C. o rei Josias (639-609 a.C.) subiu ao trono, Jud\u00e1 estava a precisar urgentemente de uma profunda reforma pol\u00edtica, social e religiosa. Josias, o novo rei, lan\u00e7ou-se a essa tarefa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sofonias come\u00e7ou o seu minist\u00e9rio prof\u00e9tico por essa altura. \u00c9 poss\u00edvel que, numa primeira fase da reforma empreendida por Josias, Sofonias tivesse sido o verdadeiro motor dessa reforma. N\u00e3o sabemos quanto tempo durou o minist\u00e9rio de Sofonias. A maior parte dos biblistas prolongam-no at\u00e9 625 a.C., aproximadamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sofonias, no desempenho da sua miss\u00e3o prof\u00e9tica, denunciou o imenso pecado de Jud\u00e1. Atacou a idolatria cultual, as injusti\u00e7as, o materialismo, a despreocupa\u00e7\u00e3o religiosa, os abusos da autoridade. Disse claramente que esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia continuar e que, se nada fosse mudado, chegaria o dia do castigo ou do Ju\u00edzo de Deus (cf. Sf 1,2-2,3). Apesar de tudo, o grande objetivo da prega\u00e7\u00e3o de Sofonias n\u00e3o era anunciar o castigo de Jud\u00e1; mas era levar o Povo a converter-se a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sofonias considerava que o Povo de Deus n\u00e3o podia pretender ter um compromisso com Jav\u00e9 e, ao mesmo tempo, comportar-se como se esse compromisso n\u00e3o contasse para nada; achava que o Povo de Jud\u00e1 n\u00e3o podia invocar a Alian\u00e7a e, simultaneamente, prestar culto a deuses estrangeiros, desrespeitar os direitos dos pobres, cultivar a explora\u00e7\u00e3o, a injusti\u00e7a, as arbitrariedades. O que Sofonias pedia \u00e9 que Jud\u00e1 se convertesse, que o Povo deixasse o caminho de infidelidade que estava a seguir e regressasse ao encontro de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto de Sofonias que a liturgia deste terceiro domingo do advento nos prop\u00f5e como primeira leitura integra um lote de \u201cpromessas de salva\u00e7\u00e3o\u201d (Sf 3,9-20) que aparece na parte final do livro. Antes, Sofonias tinha predito a chegada do \u201cdia do Senhor\u201d, o dia da interven\u00e7\u00e3o justiceira de Deus, o dia em que Deus castigaria Jud\u00e1 pelas suas infidelidades (cf. Sf 1,14-18); tinha tamb\u00e9m avisado Jerusal\u00e9m, a \u201ccidade rebelde, manchada e opressora\u201d (cf. Sf 3,1-8) que o fogo do zelo de Deus iria consumi-la\u2026 Mas, de repente, o discurso do profeta muda de tom; a amea\u00e7a do castigo transforma-se em an\u00fancio de salva\u00e7\u00e3o; a afli\u00e7\u00e3o e o pranto d\u00e3o lugar \u00e0 alegria e \u00e0 festa (cf. Sf 3,14-18). O que \u00e9 que est\u00e1 na origem desta mudan\u00e7a? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A B\u00edblia mostra, em cada uma das suas linhas, que a hist\u00f3ria dos homens se vai construindo ao ritmo do amor de Deus. A ess\u00eancia de Deus \u00e9 amor; e esse amor, inquebrant\u00e1vel e sem medida, ilumina cada passo do caminho que os homens percorrem. O profeta Sofonias, dirigindo-se a um povo instalado na infidelidade, que escolheu caminhos de autossufici\u00eancia, de materialismo e de pecado, garante que o amor de Deus se sobrep\u00f5e \u00e0 sua ira e que ser\u00e1 fonte de convers\u00e3o, de mudan\u00e7a, de vida nova. O amor infinito que Deus sente pelos seus filhos \u201cobriga-O\u201d a perdoar o pecado do povo (a \u201crevogar a senten\u00e7a de condena\u00e7\u00e3o\u201d); mas, mais do que isso, faz com que o povo infiel sinta vontade de renascer e de percorrer caminhos novos. Desde a bela mensagem de Sofonias, passaram-se vinte e seis s\u00e9culos; mas a ess\u00eancia de Deus n\u00e3o mudou. O amor infinito de Deus continua, em pleno s\u00e9c. XXI, a derramar-se sobre os seus filhos e filhas. Eles v\u00e3o deixando, em cada curva do caminho que fazem, as marcas da sua infidelidade e da sua debilidade; mas isso n\u00e3o impede que Deus continue a sustent\u00e1-los e a abra\u00e7\u00e1-los com o seu amor. A hist\u00f3ria que Deus vai construindo connosco n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria de condena\u00e7\u00e3o, mas uma hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o. A consci\u00eancia de que Deus nos ama com um amor sem limites ilumina o horizonte da nossa vida? Acreditamos que o seu amor de pai e de m\u00e3e \u00e9 muito mais forte do que a sua vontade de castigar? Estamos dispon\u00edveis para nos deixarmos abra\u00e7ar e transformar pelo amor de Deus?<\/li>\n<li>Muitos acreditam que o medo \u00e9 a \u00fanica forma de levar os seres humanos a mudarem os seus comportamentos errados. Por isso, recorrem a amea\u00e7as, anunciam castigos, praticam \u2013 talvez com boas inten\u00e7\u00f5es \u2013 um \u201cterrorismo espiritual\u201d que provoca ang\u00fastia, depress\u00e3o e abre caminho a uma vis\u00e3o pessimista e negativa de Deus, da vida e do mundo. Talvez consigam, atrav\u00e9s do medo, mudar alguns comportamentos; mas o pre\u00e7o de tudo isso \u00e9 muito alto: cria escravid\u00e3o, sofrimento, consci\u00eancia de culpa, traumas infind\u00e1veis. O que renova o mundo e o transforma n\u00e3o \u00e9 o medo, mas o amor. O amor \u00e9 que faz crescer, \u00e9 que cria dinamismos de supera\u00e7\u00e3o, \u00e9 que nos torna mais humanos e mais livres, \u00e9 que nos faz confiar, \u00e9 que potencia o encontro e a comunh\u00e3o\u2026 Devemos ter isto bem presente quando formos chamados a dar testemunho do Evangelho e a proclamar a proposta de salva\u00e7\u00e3o que o nosso Deus faz aos homens. No nosso testemunho de Deus, somos profetas do medo que escraviza, ou do amor que liberta? Anunciamos um deus justiceiro e intransigente, ou um Deus que ama incondicionalmente os seus queridos filhos?<\/li>\n<li>Sofonias anuncia a Jerusal\u00e9m a presen\u00e7a de Deus no meio do seu Povo. \u00c9 uma \u201cboa nova\u201d de salva\u00e7\u00e3o, que varre o medo, renova o \u00e2nimo, infunde coragem, abre a porta \u00e0 esperan\u00e7a. Preparamo-nos para celebrar, dentro de poucos dias, a \u201cvisita\u201d de Deus ao nosso mundo e \u00e0 nossa hist\u00f3ria. Jesus \u00e9 o Deus que veio habitar no meio de n\u00f3s para nos mostrar, olhos nos olhos, os caminhos que Deus nos chama a percorrer para alcan\u00e7armos vida em abund\u00e2ncia. Caminhamos pela vida conscientes de que Deus est\u00e1 no meio de n\u00f3s? \u00c9 esse o testemunho que damos aos outros irm\u00e3os e irm\u00e3s que v\u00e3o ao nosso lado?<\/li>\n<li>\u201cClama jubilosamente, filha de Si\u00e3o; solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o cora\u00e7\u00e3o, filha de Jerusal\u00e9m\u201d \u2013 pede Sofonias ao Povo de Deus. A constata\u00e7\u00e3o de que Deus nos ama e que reside no meio de n\u00f3s com uma proposta de salva\u00e7\u00e3o e de felicidade para todos os que O acolhem, n\u00e3o pode provocar sen\u00e3o uma imensa alegria no cora\u00e7\u00e3o dos crentes. Damos sempre testemunho dessa alegria? Ser\u00e1 que as nossas comunidades s\u00e3o espa\u00e7os onde se nota a alegria pelo amor e pela presen\u00e7a de Deus? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL &#8211; <\/strong><strong>Isa\u00edas 12,2-3.4bcd.5-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Exultai de alegria,<br \/>\nporque \u00e9 grande no meio de v\u00f3s o Santo de Israel.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Povo do Senhor, exulta e canta de alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus \u00e9 o meu Salvador,<br \/>\ntenho confian\u00e7a e nada temo.<br \/>\nO Senhor \u00e9 a minha for\u00e7a e o meu louvor.<br \/>\nEle \u00e9 a minha salva\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tirareis \u00e1gua com alegria das fontes da salva\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAgradecei ao Senhor, invocai o seu nome;<br \/>\nanunciai aos povos a grandeza das suas obras,<br \/>\nproclamai a todos que o seu nome \u00e9 santo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas,<br \/>\nanunciai-as em toda a terra.<br \/>\nEntoai c\u00e2nticos de alegria, habitantes de Si\u00e3o,<br \/>\nporque \u00e9 grande no meio de v\u00f3s o Santo de Israel.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Filipenses 4,4-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nAlegrai-vos sempre no Senhor.<br \/>\nNovamente vos digo: alegrai-vos.<br \/>\nSeja de todos conhecida a vossa bondade.<br \/>\nO Senhor est\u00e1 pr\u00f3ximo.<br \/>\nN\u00e3o vos inquieteis com coisa alguma;<br \/>\nmas em todas as circunst\u00e2ncias,<br \/>\napresentai os vossos pedidos diante de Deus,<br \/>\ncom ora\u00e7\u00f5es, s\u00faplicas e a\u00e7\u00f5es de gra\u00e7as.<br \/>\nE a paz de Deus, que est\u00e1 acima de toda a intelig\u00eancia,<br \/>\nguardar\u00e1 os vossos cora\u00e7\u00f5es e os vossos pensamentos<br \/>\nem Cristo Jesus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Filipos, situada na Maced\u00f3nia oriental, fundada por Alexandre II da Maced\u00f3nia, pai de Alexandre, o Grande, pelo ano 358 a.C., estava ao lado da \u201cVia Egnatia\u201d a estrada que ligava a Europa com a \u00c1sia. O imperador Augusto fez dela uma col\u00f3nia romana. No tempo de Paulo, a maior parte dos seus habitantes eram antigos veteranos do ex\u00e9rcito romano. A cidade era regida pelo direito romano e governada por dois chefes militares, ao estilo dos c\u00f4nsules de Roma. Havia tamb\u00e9m na cidade uma col\u00f3nia judaica, que costumava reunir-se para rezar num lugar fora da cidade, na margem de um rio. Da prega\u00e7\u00e3o de Paulo nasceu a comunidade crist\u00e3 de Filipos (cf. At 16,11-40). Quando Paulo foi obrigado a deixar a cidade, deixou atr\u00e1s de si uma comunidade viva e fervorosa, verdadeiramente empenhada em dar testemunho de Jesus e em viver a sua f\u00e9. Paulo manteve sempre com os crist\u00e3os de Filipos la\u00e7os afetivos muito fortes. Essa liga\u00e7\u00e3o levou-o, inclusive, a aceitar, numa altura que estava na pris\u00e3o (em Cesareia? Em \u00c9feso? Em Roma?), a ajuda econ\u00f3mica dos filipenses, que lhe enviaram uma determinada quantia em dinheiro para que Paulo pudesse prover \u00e0s suas necessidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi um tal Epafrodito, membro da comunidade crist\u00e3 de Filipos, que levou ao ap\u00f3stolo a ajuda financeira de que ele necessitava. Entretanto, Epafrodito adoeceu, o que causou algumas preocupa\u00e7\u00f5es aos crist\u00e3os de Filipos. Logo que Epafrodito se restabeleceu, Paulo enviou-o de novo para Filipos e f\u00ea-lo portador de uma carta de agradecimento aos seus queridos amigos de Filipos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de agradecer a Deus pela sensibilidade dos Filipenses ao an\u00fancio do Evangelho (cf. Flp 1,11), de informar a comunidade sobre a sua situa\u00e7\u00e3o pessoal (cf. Flp 1,12-26), de dirigir exorta\u00e7\u00f5es v\u00e1rias \u00e0 comunidade (cf. Flp 1,27-2,18), de dar not\u00edcias sobre Tim\u00f3teo e Epafrodito (cf. Flp 2,19-30) e de denunciar as acusa\u00e7\u00f5es que lhe fazem os seus advers\u00e1rios (cf. Flp 3,1-21), Paulo \u2013 consciente de que ainda nem tudo \u00e9 perfeito nesta comunidade exemplar \u2013 apresenta um conjunto de recomenda\u00e7\u00f5es diversas de car\u00e1cter pr\u00e1tico. O texto que a liturgia deste terceiro domingo do advento nos prop\u00f5e como segunda leitura cont\u00e9m algumas dessas recomenda\u00e7\u00f5es. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A alegria \u00e9 a marca por excel\u00eancia da exist\u00eancia crist\u00e3. Referimo-nos a essa alegria serena que n\u00e3o resulta de acontecimentos ef\u00e9meros, de factos corriqueiros ou de raz\u00f5es puramente materiais; mas resulta da certeza de que \u201co Senhor est\u00e1 pr\u00f3ximo\u201d. Os crist\u00e3os caminham pela vida de olhos postos nesse horizonte. A vida deles n\u00e3o \u00e9 um peso que arrastam numa fadiga sem fim, nem um calv\u00e1rio de medos e de desesperos; mas \u00e9 um caminhar tranquilo, decidido e confiante ao encontro de uma salva\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tardar\u00e1 a chegar. Por isso, o tempo do advento \u2013 este tempo de espera do Senhor que vem \u2013 \u00e9 um tempo onde a alegria est\u00e1 especialmente presente. Ao longo do \u201ccaminho do advento\u201d que estamos a fazer temos dado aos nossos irm\u00e3os testemunho dessa alegria que nos aquece o cora\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>A certeza de que \u201co Senhor est\u00e1 pr\u00f3ximo\u201d alarga os nossos horizontes, reconcilia-nos com a vida, serena o nosso cora\u00e7\u00e3o, torna-nos mais conscientes da bondade e do amor de Deus, disp\u00f5e-nos a ser bondosos, compreensivos, pacientes, af\u00e1veis, generosos para com os irm\u00e3os e irm\u00e3s que partilham connosco a aventura da vida. Ser\u00e1 poss\u00edvel esperar o Senhor com um cora\u00e7\u00e3o fechado, intolerante, prepotente, presun\u00e7oso, onde n\u00e3o h\u00e1 lugar para mais ningu\u00e9m al\u00e9m de n\u00f3s pr\u00f3prios? Enquanto esperamos a chegada do Senhor, como \u00e9 que vemos, tratamos e acolhemos aqueles que caminham ao nosso lado?<\/li>\n<li>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel acolhermos algu\u00e9m com quem n\u00e3o comunicamos e de quem nos sentimos distantes. A espera do Senhor faz-se, portanto, num di\u00e1logo cont\u00ednuo com Ele. Ao longo deste \u201ccaminho de advento\u201d, temos arranjado tempo e disponibilidade para falar com Deus, para escutar a sua Palavra, para acolher as suas indica\u00e7\u00f5es, para lhe apresentar as nossas d\u00favidas, inquieta\u00e7\u00f5es, sonhos e esperan\u00e7as? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 3,10-18<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nas multid\u00f5es perguntavam a Jo\u00e3o Baptista:<br \/>\n\u00abQue devemos fazer?\u00bb<br \/>\nEle respondia-lhes:<br \/>\n\u00abQuem tiver duas t\u00fanicas reparta com quem n\u00e3o tem nenhuma;<br \/>\ne quem tiver mantimentos fa\u00e7a o mesmo\u00bb.<br \/>\nVieram tamb\u00e9m alguns publicanos para serem batizados<br \/>\ne disseram:<br \/>\n\u00abMestre, que devemos fazer?\u00bb<br \/>\nJo\u00e3o respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abN\u00e3o exijais nada al\u00e9m do que vos foi prescrito\u00bb.<br \/>\nPerguntavam-lhe tamb\u00e9m os soldados:<br \/>\n\u00abE n\u00f3s, que devemos fazer?\u00bb<br \/>\nEle respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abN\u00e3o pratiqueis viol\u00eancia com ningu\u00e9m<br \/>\nnem denuncieis injustamente;<br \/>\ne contentai-vos com o vosso soldo\u00bb.<br \/>\nComo o povo estava na expectativa<br \/>\ne todos pensavam em seus cora\u00e7\u00f5es<br \/>\nse Jo\u00e3o n\u00e3o seria o Messias,<br \/>\nele tomou a palavra e disse a todos:<br \/>\n\u00abEu batizo-vos com \u00e1gua,<br \/>\nmas est\u00e1 a chegar quem \u00e9 mais forte do que eu,<br \/>\ne eu n\u00e3o sou digno de desatar as correias das suas sand\u00e1lias.<br \/>\nEle batizar-vos-\u00e1 com o Esp\u00edrito Santo e com o fogo.<br \/>\nTem na m\u00e3o a p\u00e1 para limpar a sua eira<br \/>\ne recolher\u00e1 o trigo no seu celeiro;<br \/>\na palha, por\u00e9m, queim\u00e1-la-\u00e1 num fogo que n\u00e3o se apaga\u00bb.<br \/>\nAssim, com estas e muitas outras exorta\u00e7\u00f5es,<br \/>\nJo\u00e3o anunciava ao povo a Boa Nova\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste domingo leva-nos at\u00e9 ao vale do rio Jord\u00e3o, ao encontro de um profeta chamado Jo\u00e3o, a quem as gentes da Judeia chamavam \u201co batista\u201d. O seu pai era o sacerdote Zacarias (cf. Lc 1,5-25. 57-80). Mas, embora de fam\u00edlia sacerdotal, n\u00e3o h\u00e1 not\u00edcia de que Jo\u00e3o tenha exercido fun\u00e7\u00f5es sacerdotais no quadro da religi\u00e3o tradicional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por volta do ano 27 ou 28, Jo\u00e3o aparece nas franjas do deserto de Jud\u00e1, perto de Jeric\u00f3, na regi\u00e3o da Pereia (territ\u00f3rio administrado por Herodes Antipas, filho de Herodes, o Grande), na margem oriental do rio Jord\u00e3o. A\u00ed, num lugar que poder\u00e1 identificar-se com o moderno Qasr El Yahud, Jo\u00e3o pregava \u201cum batismo de convers\u00e3o para remiss\u00e3o dos pecados\u201d (Lc 3,3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prega\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o causou um forte impacto nas gentes da Judeia e da Galileia; e muitos vinham at\u00e9 \u00e0 margem do rio Jord\u00e3o escut\u00e1-lo. Jo\u00e3o denunciava \u2013 na linguagem rude de um homem do campo \u2013 o pecado e a rebeldia de Israel; e anunciava a iminente interven\u00e7\u00e3o de Deus no mundo para acabar com o mal (\u201cra\u00e7a de v\u00edboras, quem vos ensinou a fugir da c\u00f3lera que est\u00e1 para chegar? O machado j\u00e1 se encontra \u00e0 raiz das \u00e1rvores; por isso, toda a \u00e1rvore que n\u00e3o der bom fruto ser\u00e1 cortada e lan\u00e7ada ao fogo\u201d \u2013 Lc 3,7-9). A forma de evitar a \u201cira de Deus\u201d era, segundo Jo\u00e3o, converter-se radicalmente, cortar com o pecado e voltar para Deus. Aos que se dispunham a essa mudan\u00e7a, Jo\u00e3o propunha um gesto purificador e renovador: uma imers\u00e3o nas \u00e1guas do rio Jord\u00e3o. Era por isso que lhe chamavam \u201co batista\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O juda\u00edsmo antigo conhecia diversos rituais de purifica\u00e7\u00e3o pela \u00e1gua. A seita judaica dos ess\u00e9nios, instalada em K\u00fbmran (uma aldeia situada muito perto do lugar onde Jo\u00e3o batizava) praticava diariamente banhos rituais de purifica\u00e7\u00e3o em piscinas constru\u00eddas para o efeito. Mas o gesto que Jo\u00e3o propunha era diferente. Quem aceitava a sua proposta de convers\u00e3o, era imerso por Jo\u00e3o nas \u00e1guas-vivas do rio Jord\u00e3o, confessava os seus pecados, recebia o perd\u00e3o de Deus e sa\u00eda da \u00e1gua purificado. Este ritual s\u00f3 se fazia uma vez. A pessoa que tinha sido \u201cbatizada\u201d por Jo\u00e3o passava a pertencer \u00e0 comunidade da nova Alian\u00e7a. Voltava para sua casa decidida a viver de uma forma nova, sentindo-se membro de um novo Israel, preparada para acolher a chegada iminente de Deus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>No centro da mensagem de Jo\u00e3o Batista est\u00e1 o apelo \u00e0 convers\u00e3o, \u00e0 mudan\u00e7a radical de vida. Como \u00e9 que respondemos a esse apelo? Como o concretizamos? Trata-se de sentirmos um arrependimento vago pelo nosso ego\u00edsmo e pelas nossas op\u00e7\u00f5es erradas? Trata-se de pedirmos perd\u00e3o a Deus pelas nossas faltas e de acalmarmos a nossa consci\u00eancia com algumas ora\u00e7\u00f5es ou pr\u00e1ticas de piedade que \u201ccompensem\u201d Deus pelo mal que fizemos? Jo\u00e3o Batista pede muito mais do que isso\u2026 Pede uma efetiva mudan\u00e7a de vida que produza \u201cfrutos de sincera convers\u00e3o\u201d. A nossa mudan\u00e7a tem de traduzir-se em \u201cfrutos bons\u201d, em gestos diferentes, numa nova forma de viver e de atuar, em comportamentos mais humanos, mais altru\u00edstas, mais solid\u00e1rios, mais bondosos, mais misericordiosos. Neste tempo de advento, preparando-nos para acolher o Senhor que vem, estamos dispostos a uma mudan\u00e7a de vida que se traduza numa nova forma de encarar o mundo, de olhar para as pessoas com quem nos cruzamos, de acolher cada irm\u00e3o e cada irm\u00e3 que Deus coloca no nosso caminho?<\/li>\n<li>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o social fornecem-nos a cada momento informa\u00e7\u00f5es sobre a forma como o nosso mundo se vai construindo. Conhecemos bem as viol\u00eancias, as injusti\u00e7as, as maldades, as mis\u00e9rias, os abusos que, por todo o lado, deixam um rasto de desumanidade, de sofrimento e de morte. Estas informa\u00e7\u00f5es inquietam-nos e desenvolvem em n\u00f3s um certo sentimento de solidariedade para com os nossos irm\u00e3os que s\u00e3o v\u00edtimas das injusti\u00e7as e das arbitrariedades que chegam ao nosso conhecimento. Sentimo-nos vagamente culpados; mas, ao mesmo tempo, sentimo-nos impotentes, incapazes de mudar o rumo da hist\u00f3ria e de p\u00f4r cobro a todo esse imenso cortejo de sofrimento que desfeia o mundo. Espontaneamente brota uma pergunta: \u201cQue podemos fazer?\u201d J\u00e1 encontramos resposta para esta quest\u00e3o? Como poderemos contribuir para uma nova ordem, para um mundo mais justo, mais humano, mais fraterno?<\/li>\n<li>\u201cQue devemos fazer?\u201d \u2013 perguntam as pessoas a Jo\u00e3o Batista. O profeta d\u00e1-lhes uma resposta direta, simples, clara, pr\u00e1tica e contundente: \u201cQuem tiver duas t\u00fanicas reparta com quem n\u00e3o tem nenhuma; e quem tiver mantimentos fa\u00e7a o mesmo\u201d. Esta resposta elimina as nossas escapat\u00f3rias, p\u00f5e a nu as nossas desculpas esfarrapadas, ridiculariza as nossas justifica\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis. Mais de um ter\u00e7o da humanidade passa fome porque alguns a\u00e7ambarcam os bens que pertencem a todos; bili\u00f5es de irm\u00e3os nossos vivem abaixo do limiar da dignidade humana porque alguns constru\u00edram uma fortaleza \u00e0 volta da sua \u201csociedade de bem-estar\u201d e a\u00e7ambarcam os bens que Deus p\u00f4s \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos os seus filhos e filhas. Queremos continuar a construir o nosso bem-estar indiferentes \u00e0 sorte dos que n\u00e3o t\u00eam o m\u00ednimo necess\u00e1rio para sobreviver? Estamos dispostos a viver de uma forma mais frugal, para podermos partilhar com os irm\u00e3os necessitados aquilo que lhes faz falta? Estamos dispostos a pagar mais impostos para que seja poss\u00edvel implementar pol\u00edticas mais eficazes de apoio aos mais carenciados?<\/li>\n<li>\u201cQue devemos fazer?\u201d \u2013 perguntam os publicanos a Jo\u00e3o Batista. \u201cN\u00e3o exijais nada al\u00e9m do que vos foi prescrito\u201d \u2013 responde-lhes o profeta. Sabemos que muitos, no nosso mundo, conduzidos pela ambi\u00e7\u00e3o desmedida e pela falta de escr\u00fapulos, continuam a apostar no enriquecimento r\u00e1pido, na acumula\u00e7\u00e3o de riqueza \u00e0 margem de todas as regras e de toda a moral. Que diria hoje Jo\u00e3o \u00e0queles que especulam com bens de primeira necessidade, aproveitando as car\u00eancias dos seus irm\u00e3os para acumular mais e mais? Que diria hoje Jo\u00e3o \u00e0queles que cobram taxas excessivas pelos servi\u00e7os prestados? Que diria hoje Jo\u00e3o \u00e0queles que fogem aos impostos, prejudicando a comunidade e defraudando o bem comum? Que diria hoje Jo\u00e3o \u00e0queles que branqueiam dinheiro sujo, muitas vezes ao servi\u00e7o de interesses criminosos e imorais? Que diria Jo\u00e3o \u00e0queles que se deixam envolver em esquemas de corrup\u00e7\u00e3o e de mentira? Ser\u00e1 poss\u00edvel prejudicar conscientemente um irm\u00e3o ou a comunidade inteira e acolher, com o cora\u00e7\u00e3o tranquilo, \u201co Senhor que vem\u201d?<\/li>\n<li>\u201cE n\u00f3s, que devemos fazer? \u2013 perguntam os soldados a Jo\u00e3o Batista. \u201cN\u00e3o pratiqueis viol\u00eancia com ningu\u00e9m nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo\u201d \u2013 responde-lhes Jo\u00e3o. Ora, em pleno s\u00e9c. XXI a viol\u00eancia continua a manchar de sofrimento e de sangue a nossa hist\u00f3ria. Que diria hoje Jo\u00e3o \u00e0queles que escolhem a viol\u00eancia e a guerra como forma de resolver os diferendos entre as na\u00e7\u00f5es? Que diria Jo\u00e3o \u00e0queles que matam indiscriminadamente, muitas vezes em nome de Deus ou de ideais pretensamente elevados? Que diria Jo\u00e3o \u00e0queles que usam a viol\u00eancia para satisfazer a sua ambi\u00e7\u00e3o ou os seus interesses pessoais? Que diria Jo\u00e3o \u00e0queles que, dentro dos muros das suas casas, t\u00eam atitudes de prepot\u00eancia, de despotismo, de tirania sobre aqueles que fazem parte da sua fam\u00edlia? Que diria Jo\u00e3o \u00e0queles que exploram os seus trabalhadores, lhes recusam um sal\u00e1rio justo, ou escravizam imigrantes estrangeiros? Que diria Jo\u00e3o \u00e0queles que, nos tribunais, nas reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, nas rece\u00e7\u00f5es das nossas igrejas, tratam os outros com sobranceria ou arrog\u00e2ncia? Sentimos que o apelo de Jo\u00e3o nos diz respeito, de alguma maneira?<\/li>\n<li>Jesus veio batizar no Esp\u00edrito Santo e no fogo. Ora, n\u00f3s recebemos esse batismo. No momento da nossa ades\u00e3o a Jesus renunciamos ao pecado e acolhemos o Esp\u00edrito vivificador, esse Esp\u00edrito que animava Jesus e que o impulsionava para dar testemunho do Reino. Temos vivido de forma coerente com o batismo que recebemos? Deixamo-nos conduzir pelo Esp\u00edrito e produzimos frutos bons, frutos do Esp\u00edrito? Somos testemunhas e arautos de um mundo mais fraterno, mais humano, mais pac\u00edfico? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> constitui-se como um convite \u00e0 alegria, dirigido pelo profeta Sofonias a Jerusal\u00e9m. Este convite est\u00e1 fundamentado nesta certeza consoladora: \u00ab<em>o Senhor teu Deus est\u00e1 no meio de ti<\/em>\u00bb. A proclama\u00e7\u00e3o deve ter em conta o tom alegre que marca a leitura, tirando proveito das formas verbais no imperativo:\u00a0<em>clama, solta, exulta, rejubila<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mesmo tom alegre e exortativo est\u00e1 presente <strong>na segunda leitura<\/strong>. Uma especial aten\u00e7\u00e3o deve ser dada ao in\u00edcio da leitura, de modo que o imperativo \u00ab<em>alegrai-vos<\/em>\u00bb repetido duas vezes e o adv\u00e9rbio de modo \u00ab<em>novamente<\/em>\u00bb tenham a for\u00e7a que transmitem, pois marcam o tom de toda a leitura<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Leitura-I-do-Domingo-III-do-Tempo-do-Advento-Ano-C-15.12.2024-Sof-3-14-18-a.pdf\">Leitura I do Domingo III do Tempo do Advento &#8211; Ano C &#8211; 15.12.2024 (Sof 3, 14-18-a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Leitura-II-do-Domingo-III-do-Tempo-do-Advento-Ano-C-15.12.2024-Filip-4-4-7.pdf\">Leitura II do Domingo III do Tempo do Advento &#8211; Ano C &#8211; 15.12.2024 (Filip 4, 4-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Domingo-III-do-Tempo-do-Advento-Ano-C-15.12.2024-Lecionario.pdf\">Domingo III do Tempo do Advento &#8211; Ano C &#8211; 15.12.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Domingo-III-do-Tempo-do-Advento-Ano-C-15.12.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo III do Tempo do Advento &#8211; Ano C &#8211; 15.12.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Domingo-III-do-Tempo-do-Advento-Ano-C-15.12.2024-refletindo.pdf\">Domingo III do Tempo do Advento &#8211; Ano C &#8211; 15.12.2024 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-III-Advento.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo III Advento<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria \u2013 Ano C \u2013 08.12.2024&#8243; tab_id=&#8221;1734343468992-d1125804-7ebc&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria &#8211; Ano C &#8211; 08.12.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/II-advento.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nota inicial<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a ordem de preced\u00eancia indicada na tabela dos dias lit\u00fargicos, os Domingos do Advento t\u00eam preced\u00eancia sobre todas as solenidades, devendo aquelas que ocorrem nesses domingos ser transferidas para a segunda-feira seguinte. \u00c9 o que deveria acontecer este ano com a solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria. Por\u00e9m, pelo significado desta solenidade em Portugal, a Comiss\u00e3o Episcopal de Liturgia obteve da Congrega\u00e7\u00e3o do Culto Divino permiss\u00e3o para a celebrar no dia pr\u00f3prio, 8 de dezembro, com as seguintes condi\u00e7\u00f5es: 1) \u00abque, na Missa, a II Leitura seja a do domingo II do Advento; 2) que se fa\u00e7a men\u00e7\u00e3o deste domingo na homilia; 3) que a ora\u00e7\u00e3o conclusiva da ora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is seja a ora\u00e7\u00e3o coleta do mesmo domingo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percorrendo o itiner\u00e1rio de Advento, somos convidados a colocar o nosso olhar em Maria, a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o. Apesar dos Domingos do Advento terem preced\u00eancia sobre todas as solenidades, dado o significado desta solenidade para Portugal, celebramos, neste segundo Domingo de Advento, a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celebrar esta solenidade n\u00e3o significa fazer uma pausa no Tempo de Advento, mas viver este tempo ao jeito de Maria que, visitada por Deus, se deixa surpreender pelas maravilhas do Seu amor e se disponibiliza totalmente para aquilo que Deus quer realizar nela. Este tempo lit\u00fargico que nos prepara para a celebra\u00e7\u00e3o do Natal do Senhor \u00e9 o tempo da espera alegre e confiante do Deus que em Jesus Cristo nos visita e que nos convida a ser instrumentos do Seu amor e da Sua gra\u00e7a para que Ele possa continuar a escrever em cada tempo e em cada lugar a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus visita-nos! Vem ao nosso encontro! Por isso, continua a ressoar no tempo e na hist\u00f3ria a primeira pergunta que Deus dirige \u00e0 humanidade: \u00ab<em>Onde est\u00e1s?<\/em>\u00bb. E n\u00f3s? Como respondemos a este Deus que nos procura? Ad\u00e3o, procurado por Deus, esconde-se, porque estava nu, porque reconhecia a sua fragilidade e o seu pecado. Tem vergonha de se apresentar diante de Deus porque reconhece a sua pequenez. Como Ad\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00f3s reconhecemos a nossa fragilidade e o nosso pecado e temos vergonha da nudez que revela as nossas fraquezas e mis\u00e9rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, ao celebrar a solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, somos convidados a colocar o olhar na Jovem de Nazar\u00e9, que com toda a certeza, vivia cheia dos sonhos e projetos pr\u00f3prios da sua idade e que, visitada por Deus, n\u00e3o esconde o receio e a perplexidade: \u00ab<em>como ser\u00e1 isto, se eu n\u00e3o conhe\u00e7o homem?<\/em>\u00bb. Maria reconhece-se pequena para o projeto grandioso que o Anjo lhe comunica. Contudo, visitada por Deus, Maria n\u00e3o se esconde, mas coloca a sua vida nas m\u00e3os de Deus e disponibiliza-se totalmente: \u00ab<em>Eis a escrava do Senhor; fa\u00e7a-se em mim segundo a tua palavra<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa fragilidade e o nosso pecado n\u00e3o s\u00e3o um obst\u00e1culo \u00e0 miseric\u00f3rdia de Deus nem um impedimento para que Deus realize em n\u00f3s a Sua obra. A voca\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s n\u00e3o \u00e9 um mero desenvolvimento ou potenciamento das nossas capacidades e qualidades, mas o caminho atrav\u00e9s do qual nos disponibilizamos para o acontecer de Deus nas nossas vidas: \u00ab<em>o Esp\u00edrito Santo vir\u00e1 sobre ti e a for\u00e7a do Alt\u00edssimo te cobrir\u00e1 com a sua sombra<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o Esp\u00edrito Santo que conduz a hist\u00f3ria e que opera em n\u00f3s a obra de Deus. N\u00f3s somos convidados a colocar a nossa confian\u00e7a em Deus e a abrir o nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0 Sua vontade. Somos convidados a superar os nossos medos e receios e, \u00e0 pergunta \u00ab<em>Onde est\u00e1s?<\/em>\u00bb, colocada a Ad\u00e3o e a cada um de n\u00f3s, somos chamados a responder com a generosidade e a disponibilidade de Maria. Somos desafiados a fazer o itiner\u00e1rio que nos conduz do medo \u00e0 disponibilidade, do pecado e da fragilidade que nos envergonha e nos faz esconder, ao perd\u00e3o recebido que nos faz partir na aventura do amor. \u00ab<em>A Deus nada \u00e9 imposs\u00edvel<\/em>\u00bb e tamb\u00e9m n\u00e3o ser\u00e1 para cada um de n\u00f3s, se nos abandonarmos totalmente nas m\u00e3os Daquele que torna poss\u00edveis os imposs\u00edveis da nossa vida. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o <strong>Tempo de Advento<\/strong> damos in\u00edcio a um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, integrados na din\u00e2mica de Advento, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>G\u00e9nesis 3,9-15.20<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois de Ad\u00e3o ter comido da \u00e1rvore,<br \/>\no Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: \u00abOnde est\u00e1s?\u00bb<br \/>\nEle respondeu:<br \/>\n\u00abOuvi o rumor dos vossos passos no jardim<br \/>\ne, como estava nu, tive medo e escondi-me\u00bb.<br \/>\nDisse Deus:<br \/>\n\u00abQuem te deu a conhecer que estavas nu?<br \/>\nTerias tu comido dessa \u00e1rvore, da qual te proibira comer?\u00bb<br \/>\nAd\u00e3o respondeu:<br \/>\n\u00abA mulher que me destes por companheira<br \/>\ndeu-me do fruto da \u00e1rvore e eu comi\u00bb.<br \/>\nO Senhor Deus perguntou \u00e0 mulher:<br \/>\n\u00abQue fizeste?\u00bb<br \/>\nE a mulher respondeu:<br \/>\n\u00abA serpente enganou-me e eu comi\u00bb.<br \/>\nDisse ent\u00e3o o Senhor \u00e0 serpente:<br \/>\n\u00abPor teres feito semelhante coisa,<br \/>\nmaldita sejas entre todos os animais dom\u00e9sticos<br \/>\ne entre todos os animais selvagens.<br \/>\nH\u00e1s de rastejar e comer do p\u00f3 da terra<br \/>\ntodos os dias da tua vida.<br \/>\nEstabelecerei inimizade entre ti e a mulher,<br \/>\nentre a tua descend\u00eancia e a descend\u00eancia dela.<br \/>\nEsta te esmagar\u00e1 a cabe\u00e7a<br \/>\ne tu a atingir\u00e1s no calcanhar\u00bb.<br \/>\nO homem deu \u00e0 mulher o nome de \u2018Eva\u2019,<br \/>\nporque ela foi a m\u00e3e de todos os viventes.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato javista de Gn 2,4b-3,24 sobre as origens da vida e do pecado (ao qual pertence o texto que hoje nos \u00e9 proposto como primeira leitura) \u00e9 um texto do s\u00e9c. X a.C., que deve ter aparecido em Jud\u00e1 na \u00e9poca do rei Salom\u00e3o. Apresenta-se num estilo exuberante e vivo e parece ser obra de um catequista popular, que ensina recorrendo a imagens sugestivas, coloridas e fortes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos, de forma nenhuma, ver neste texto uma reportagem realista de acontecimentos passados na aurora da humanidade. O seu autor n\u00e3o pretende deixar-nos uma informa\u00e7\u00e3o factual sobre algo que ele viu ou que lhe contaram; mas est\u00e1 a dizer-nos, com a linguagem do homem de f\u00e9, que na origem da vida e dos seres humanos est\u00e1 Deus; e que na origem do mal e do pecado est\u00e3o as op\u00e7\u00f5es erradas que todos os dias os homens fazem. Trata-se, portanto, de uma p\u00e1gina de catequese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta longa reflex\u00e3o sobre as origens da vida e do mal que desfeia o mundo est\u00e1 estruturada num esquema tripartido, com duas situa\u00e7\u00f5es claramente opostas e uma realidade central que aparece como charneira e ao redor da qual giram a primeira e a terceira parte\u2026 Na primeira parte (cf. Gn 2,4b-25), o autor descreve a cria\u00e7\u00e3o do para\u00edso e do homem; apresenta a cria\u00e7\u00e3o de Deus como um espa\u00e7o ideal de felicidade, onde tudo \u00e9 bom e o homem vive em comunh\u00e3o total com o criador e com as outras criaturas. Na segunda parte (cf. Gn 3,1-7), o autor descreve o pecado do homem e da mulher; mostra como as op\u00e7\u00f5es erradas do homem introduziram na comunh\u00e3o do homem com Deus e com o resto da cria\u00e7\u00e3o fatores de desequil\u00edbrio e de morte. Na terceira parte (cf. Gn 3,8-24), o autor apresenta o homem e a mulher confrontados com o resultado das suas op\u00e7\u00f5es erradas e as consequ\u00eancias que da\u00ed advieram, quer para o homem, quer para o resto da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na perspetiva do catequista javista, Deus criou o homem para a felicidade\u2026 Ent\u00e3o, pergunta ele, como \u00e9 que hoje conhecemos o ego\u00edsmo, a injusti\u00e7a, a viol\u00eancia que destroem o mundo e a felicidade do homem? A resposta \u00e9: algures na hist\u00f3ria humana, o homem que Deus criou livre e feliz fez escolhas erradas e introduziu na cria\u00e7\u00e3o boa de Deus dinamismos de sofrimento e de morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto integra a terceira parte do tr\u00edptico. Ad\u00e3o e Eva \u2013 que representam os homens e as mulheres de todas as \u00e9pocas, \u00e1vidos de autossufici\u00eancia e de liberdade absoluta \u2013 tinham tomado a op\u00e7\u00e3o de ir contra as indica\u00e7\u00f5es de Deus (cf. Gn 3,1-7). Agora, sentindo-se culpados, escondem-se envergonhados \u201cpor entre o arvoredo do jardim\u201d (Gn 3,8b).<strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O mal \u00e9 uma realidade omnipresente, que a cada instante enche de sombras a hist\u00f3ria do mundo e a vida dos homens. Apresenta-se na forma de ego\u00edsmo, de arrog\u00e2ncia, de mentira, de opress\u00e3o, de injusti\u00e7a, de viol\u00eancia. Impede-nos de desfrutar de uma vida harmoniosa, pac\u00edfica, fecunda, verdadeiramente feliz e realizada. Quando o mal nos fere, sentimos incompreens\u00e3o, frustra\u00e7\u00e3o, des\u00e2nimo, acusa\u00e7\u00e3o, revolta\u2026 Magoados e indignados, reagimos de forma intempestiva e irracional. Por vezes culpamos Deus e acus\u00e1mo-lo de n\u00e3o se importar connosco, de deixar que o mal se imponha e deixe feridas irrepar\u00e1veis nas nossas vidas. Ao culpar Deus, estaremos a ser justos e razo\u00e1veis? A catequese b\u00edblica garante-nos que o mal n\u00e3o vem de Deus e que Deus n\u00e3o se conforma com o mal. Deus criou-nos para a vida e fez tudo para que n\u00e3o nos torn\u00e1ssemos prisioneiros do mal. Deus ama-nos com um amor sem igual e s\u00f3 quer o nosso bem. Desde o in\u00edcio da hist\u00f3ria humana mostrou-nos, com paci\u00eancia infinita, quais os caminhos que dev\u00edamos percorrer para chegar \u00e0 vida plena. Faz algum sentido culparmos Deus, de alguma forma, pelo mal que desfeia o mundo e que traz sofrimento \u00e0 nossa vida?<\/li>\n<li>A catequese b\u00edblica ensina, tamb\u00e9m, que o mal resulta das nossas escolhas erradas, do nosso orgulho, da nossa arrog\u00e2ncia, do nosso ego\u00edsmo e autossufici\u00eancia. Quando o homem escolhe ignorar as propostas de Deus e prescindir do amor, passa a construir a sua vida \u00e0 volta dos seus projetos pessoais e dos seus interesses ego\u00edstas. O resultado de tudo isso traduz-se em injusti\u00e7as, prepot\u00eancias, mentiras, pecado\u2026 N\u00e3o teremos, n\u00f3s tamb\u00e9m, a nossa quota parte de responsabilidade no imenso caudal de mal que sufoca o mundo e afoga os homens? Procuramos conduzir a nossa vida de acordo com as propostas de Deus e seguir as indica\u00e7\u00f5es que Ele nos d\u00e1, ou preferimos fazer as nossas escolhas pessoais, \u00e0 margem de Deus e at\u00e9 mesmo contra Deus?<\/li>\n<li>A op\u00e7\u00e3o por caminhos de ego\u00edsmo e de pecado, contra as indica\u00e7\u00f5es de Deus, leva-nos ao confronto com os outros homens e mulheres que \u201cviajam\u201d ao nosso lado. Quando nos erigimos em centro e refer\u00eancia de tudo, os outros deixam de ser irm\u00e3os, para passarem a ser uma amea\u00e7a ao nosso bem-estar, \u00e0 nossa seguran\u00e7a, ao nosso comodismo, aos nossos interesses pessoais. De tudo isso resulta o conflito, a viol\u00eancia, a explora\u00e7\u00e3o, a injusti\u00e7a; criamos barreiras que nos separam uns dos outros; cortamos as pontes de entendimento e de colabora\u00e7\u00e3o; riscamos a fraternidade do dicion\u00e1rio da nossa vida; destru\u00edmos a uni\u00e3o e a comunh\u00e3o que nos deviam unir. Como \u00e9 que nos situamos face aos meus irm\u00e3os? Como \u00e9 que nos relacionamos com aqueles que s\u00e3o diferentes, que invadem o nosso espa\u00e7o, que atrapalham os nossos interesses, que nos questionam e nos interpelam?<\/li>\n<li>O nosso egocentrismo, al\u00e9m de afetar a nossa rela\u00e7\u00e3o com os outros homens e mulheres, tamb\u00e9m afeta a nossa rela\u00e7\u00e3o com o resto da cria\u00e7\u00e3o. Quando s\u00f3 os nossos interesses pessoais comandam as nossas decis\u00f5es e a\u00e7\u00f5es, a natureza deixa de ser a casa comum que Deus ofereceu a todos os homens como espa\u00e7o de vida e de felicidade, para se tornar algo que usamos e exploramos em nosso proveito, sem considerar a sua dignidade, beleza e grandeza. O que \u00e9 que a cria\u00e7\u00e3o de Deus significa para n\u00f3s: algo que podemos usar e explorar de forma ego\u00edsta, ou algo que Deus ofereceu a todos os homens e mulheres \u2013 inclusive \u00e0queles que h\u00e3o de vir depois de n\u00f3s \u2013 e que devemos respeitar, guardar e cuidar com amor? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL &#8211; <\/strong><strong>Salmo 97 (98)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Cantai ao Senhor um c\u00e2ntico novo:<br \/>\no Senhor fez maravilhas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cantai ao Senhor um c\u00e2ntico novo,<br \/>\npelas maravilhas que Ele operou.<br \/>\nA sua m\u00e3o e o seu santo bra\u00e7o<br \/>\nLhe deram a vit\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor deu a conhecer a salva\u00e7\u00e3o<br \/>\nrevelou aos olhos das na\u00e7\u00f5es a sua justi\u00e7a.<br \/>\nRecordou-Se da sua bondade e fidelidade<br \/>\nem favor da casa de Israel.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os confins da terra puderam ver<br \/>\na salva\u00e7\u00e3o do nosso Deus.<br \/>\nAclamai o Senhor, terra inteira,<br \/>\nexultai de alegria e cantai.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II <\/strong><strong>\u2013 Filipenses 1,4-6.8-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nEm todas as minhas ora\u00e7\u00f5es,<br \/>\npe\u00e7o sempre com alegria por todos v\u00f3s,<br \/>\nrecordando-me da parte que tomastes na causa do Evangelho,<br \/>\ndesde o primeiro dia at\u00e9 ao presente.<br \/>\nTenho plena confian\u00e7a<br \/>\nde que Aquele que come\u00e7ou em v\u00f3s t\u00e3o boa obra<br \/>\nh\u00e1 de lev\u00e1-la a bom termo at\u00e9 ao dia de Cristo Jesus.<br \/>\nDeus \u00e9 testemunha<br \/>\nde que vos amo a todos no cora\u00e7\u00e3o de Cristo Jesus.<br \/>\nPor isso Lhe pe\u00e7o que a vossa caridade<br \/>\ncres\u00e7a cada vez mais em ci\u00eancia e discernimento,<br \/>\npara que possais distinguir o que \u00e9 melhor<br \/>\ne vos torneis puros e irrepreens\u00edveis para o dia de Cristo,<br \/>\nna plenitude dos frutos de justi\u00e7a<br \/>\nque se obt\u00eam por Jesus Cristo,<br \/>\npara louvor e gl\u00f3ria de Deus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade de Filipos, situada na Maced\u00f3nia oriental, era uma cidade pr\u00f3spera, com uma popula\u00e7\u00e3o constitu\u00edda maioritariamente por veteranos romanos do ex\u00e9rcito. Organizada \u00e0 maneira de Roma, estava fora da jurisdi\u00e7\u00e3o dos governantes das prov\u00edncias locais e dependia diretamente do imperador. Gozava dos mesmos privil\u00e9gios das cidades de It\u00e1lia e os seus habitantes tinham cidadania romana. Paulo chegou a Filipos pelo ano 49 ou 50, no decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria, acompanhado de Silvano, Tim\u00f3teo e Lucas (cf. At 16,1-40). Da sua prega\u00e7\u00e3o nasceu a primeira comunidade crist\u00e3 em solo europeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 de Filipos era uma comunidade entusiasta, generosa, comprometida, sempre atenta \u00e0s necessidades de Paulo e do resto da Igreja (como no caso da coleta em favor da Igreja de Jerusal\u00e9m \u2013 cf. 2Cor 8,1-5). Paulo nutria pelos crist\u00e3os de Filipos um afeto especial; e os filipenses, por seu turno, tinham Paulo em grande apre\u00e7o. Apesar de tudo, a comunidade crist\u00e3 de Filipos n\u00e3o era perfeita: os altivos patr\u00edcios romanos de Filipos tinham alguma dificuldade em assumir certos valores como o desprendimento, a humildade e a simplicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo escreve aos Filipenses numa altura em que estava na pris\u00e3o (n\u00e3o sabemos se em Cesareia, em Roma, ou em \u00c9feso). Os filipenses tinham-lhe enviado, por um membro da comunidade chamado Epafrodito, uma certa quantia em dinheiro, a fim de que Paulo pudesse prover \u00e0s suas necessidades. Na carta, Paulo agradece a preocupa\u00e7\u00e3o dos filipenses com a sua pessoa (cf. Flp 4,10-20); exorta-os a manterem-se fi\u00e9is ao Evangelho de Jesus e a incarnarem os valores que marcaram a vida de Cristo (\u201ctende entre v\u00f3s os mesmos sentimentos que est\u00e3o em Cristo Jesus\u201d \u2013 Flp 2,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste segundo domingo do advento nos prop\u00f5e \u00e9, praticamente, o in\u00edcio da Carta aos Filipenses. Depois de saudar \u201cos santos em Cristo Jesus que est\u00e3o em Filipos\u201d (Flp 1,1), Paulo manifesta aos seus amigos de Filipos o apre\u00e7o que eles lhe merecem e as expetativas que tem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade crist\u00e3 da cidade. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Em tempo de advento, a liturgia convida-nos a olhar para uma comunidade crist\u00e3 que espera a vinda do Senhor: a comunidade crist\u00e3 da cidade de Filipos. Como qualquer comunidade crist\u00e3, n\u00e3o \u00e9 uma comunidade perfeita: continua a ter necessidade de crescer sempre mais no caminho que leva \u00e0 santidade; mas \u00e9 uma comunidade comprometida, empenhada, generosa, que sabe que \u00e9 chamada por Deus, enquanto caminha na hist\u00f3ria, a viver de forma coerente com o Evangelho que acolheu. Como \u00e9 que, nas nossas comunidades crist\u00e3s, se vive este tempo de espera do Senhor? Este tempo poder\u00e1 ser, para as nossas comunidades crist\u00e3s, um tempo de purifica\u00e7\u00e3o, de convers\u00e3o, de discernimento dos desafios de Deus, de renova\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e do compromisso, de refor\u00e7o da caridade, da generosidade, da partilha, do perd\u00e3o, do entendimento?<\/li>\n<li>A comunidade crist\u00e3 de Filipos \u00e9 uma comunidade que se interessa pela obra da evangeliza\u00e7\u00e3o. O apoio que d\u00e1 a Paulo n\u00e3o resulta apenas de um sentimento de gratid\u00e3o pessoal para com um ap\u00f3stolo que trouxe \u00e0 cidade de Filipos a Boa nova de Jesus; mas traduz o compromisso daquela Igreja com o esfor\u00e7o de evangeliza\u00e7\u00e3o que o mission\u00e1rio Paulo, na linha da frente do combate pelo an\u00fancio do Evangelho, leva a cabo. Os crist\u00e3os de Filipos entenderam que a Igreja \u00e9 mission\u00e1ria (\u201cIde pelo mundo e anunciai o Evangelho a toda a criatura\u201d \u2013 Mc 16,15); e sentem que \u00e9 ser dever participar da miss\u00e3o. As nossas comunidades crist\u00e3s sentem este imperativo mission\u00e1rio? Sentem a necessidade de fazer Jesus nascer para todos os povos? Est\u00e3o atentas \u00e0s necessidades e s\u00e3o solid\u00e1rias com aqueles que d\u00e3o a sua vida \u00e0 causa do an\u00fancio de Jesus? \u00c9 com ternura e carinho que, nas nossas comunidades crist\u00e3s, se acolhem os que anunciam o Evangelho \u2013 os catequistas das crian\u00e7as, dos jovens, dos adultos?<\/li>\n<li>\u00c9 poss\u00edvel que tenhamos queixas da Igreja e que n\u00e3o nos revejamos em algumas afirma\u00e7\u00f5es e testemunhos de pessoas que s\u00e3o refer\u00eancia na comunidade crist\u00e3; \u00e9 poss\u00edvel que n\u00e3o nos identifiquemos com certas formas de celebrar a f\u00e9, ou com algumas atitudes de falta de miseric\u00f3rdia e de caridade que acontecem dentro dos espa\u00e7os das nossas igrejas; \u00e9 poss\u00edvel que nos sintamos desiludidos com a forma como, muitas vezes, os crist\u00e3os incarnam na hist\u00f3ria o testemunho de Jesus\u2026 Mas, em termos pessoais, estar\u00e1 cada um de n\u00f3s a fazer tudo o que est\u00e1 ao seu alcance para que a nossa comunidade crist\u00e3 seja a casa da comunh\u00e3o, da fraternidade, do entendimento, da caridade? Neste tempo de espera do Senhor, que contributo podemos pessoalmente dar para que a nossa comunidade crist\u00e3 se torne uma \u201ccasa\u201d onde Jesus tem lugar? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 1,26-38<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\no Anjo Gabriel foi enviado por Deus<br \/>\na uma cidade da Galileia chamada Nazar\u00e9,<br \/>\na uma Virgem desposada com um homem chamado Jos\u00e9.<br \/>\nO nome da Virgem era Maria.<br \/>\nTendo entrado onde ela estava, disse o anjo:<br \/>\n\u00abAve, cheia de gra\u00e7a, o Senhor est\u00e1 contigo\u00bb.<br \/>\nEla ficou perturbada com estas palavras<br \/>\ne pensava que sauda\u00e7\u00e3o seria aquela.<br \/>\nDisse-lhe o Anjo:<br \/>\n\u00abN\u00e3o temas, Maria,<br \/>\nporque encontraste gra\u00e7a diante de Deus.<br \/>\nConceber\u00e1s e dar\u00e1s \u00e0 luz um Filho,<br \/>\na quem por\u00e1s o nome de Jesus.<br \/>\nEle ser\u00e1 grande e chamar-Se-\u00e1 Filho do Alt\u00edssimo.<br \/>\nO Senhor Deus Lhe dar\u00e1 o trono de seu pai David;<br \/>\nreinar\u00e1 eternamente sobre a casa de Jacob<br \/>\ne o seu reinado n\u00e3o ter\u00e1 fim\u00bb.<br \/>\nMaria disse ao Anjo:<br \/>\n\u00abComo ser\u00e1 isto, se eu n\u00e3o conhe\u00e7o homem?\u00bb<br \/>\nO Anjo respondeu-lhe:<br \/>\n\u00abO Esp\u00edrito Santo vir\u00e1 sobre ti<br \/>\ne a for\u00e7a do Alt\u00edssimo te cobrir\u00e1 com a sua sombra.<br \/>\nPor isso, o Santo que vai nascer ser\u00e1 chamado Filho de Deus.<br \/>\nE a tua parenta Isabel concebeu tamb\u00e9m um filho na sua velhice<br \/>\ne este \u00e9 o sexto m\u00eas daquela a quem chamavam est\u00e9ril;<br \/>\nporque a Deus nada \u00e9 imposs\u00edvel\u00bb.<br \/>\nMaria disse ent\u00e3o:<br \/>\n\u00abEis a escrava do Senhor;<br \/>\nfa\u00e7a-se em mim segundo a tua palavra\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 hoje proposto pertence ao chamado \u201cEvangelho da Inf\u00e2ncia\u201d. Ora, os \u201cEvangelhos da Inf\u00e2ncia de Jesus (quer o de Mateus, quer o de Lucas) enquadram-se num g\u00e9nero liter\u00e1rio pr\u00f3prio, que recorre \u00e0s t\u00e9cnicas do\u00a0<em>midrash hagg\u00e1dico<\/em>\u00a0(uma t\u00e9cnica de leitura e de interpreta\u00e7\u00e3o do texto sagrado usada pelos rabis judeus) para nos apresentar o mist\u00e9rio de Jesus. A preocupa\u00e7\u00e3o dos evangelistas que nos legaram os \u201cEvangelhos da Inf\u00e2ncia\u201d n\u00e3o \u00e9 apresentar um relato factual dos acontecimentos dos primeiros anos de Jesus, mas sim oferecer \u00e0s suas comunidades uma catequese que proclame determinadas realidades (que Jesus \u00e9 o Messias, que Ele vem de Deus, que Ele \u00e9 o \u201cDeus connosco\u201d). Com recurso a tipologias (correspond\u00eancia entre certos factos e pessoas do Antigo Testamento, e outros factos e pessoas do Novo Testamento), a manifesta\u00e7\u00f5es apocal\u00edpticas (anjos, apari\u00e7\u00f5es, sonhos) e a outros recursos liter\u00e1rios, Mateus e Lucas tecem as suas catequeses sobre Jesus, o Filho de Deus que veio ao encontro dos homens. O Evangelho que nos \u00e9 hoje proposto deve ser entendido a esta luz e neste enquadramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena situa-nos numa aldeia da Galileia, chamada Nazar\u00e9. A Galileia, regi\u00e3o a norte da Palestina, \u00e0 volta do Lago de Tiber\u00edades, era considerada pelos judeus uma terra long\u00ednqua e estranha, em permanente contacto com as popula\u00e7\u00f5es pag\u00e3s e onde se praticava uma religi\u00e3o heterodoxa, influenciada pelos costumes e pelas tradi\u00e7\u00f5es pag\u00e3s. Da\u00ed a convic\u00e7\u00e3o dos mestres judeus de Jerusal\u00e9m de que \u201cda Galileia n\u00e3o pode vir nada de bom\u201d. Quanto a Nazar\u00e9, era uma aldeia pobre e ignorada, nunca nomeada na hist\u00f3ria religiosa judaica e, portanto (de acordo com a mentalidade judaica), completamente \u00e0 margem dos caminhos de Deus e da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria, a jovem de Nazar\u00e9 que est\u00e1 no centro deste epis\u00f3dio, era \u201cuma virgem desposada com um homem chamado Jos\u00e9\u201d. O casamento hebraico considerava o compromisso matrimonial em duas etapas: havia uma primeira fase, na qual os noivos se prometiam um ao outro (os \u201cesponsais\u201d); s\u00f3 numa segunda fase surgia o compromisso definitivo (as cerim\u00f3nias do matrim\u00f3nio propriamente dito). Entre os \u201cesponsais\u201d e o rito do matrim\u00f3nio, passava um tempo mais ou menos longo, durante o qual qualquer uma das partes podia voltar atr\u00e1s, ainda que sofrendo uma penalidade. Durante os \u201cesponsais\u201d, os noivos n\u00e3o viviam em comum; mas o compromisso que os dois assumiam tinha j\u00e1 um car\u00e1cter est\u00e1vel, de tal forma que, se surgia um filho, este era considerado filho leg\u00edtimo de ambos. A Lei de Mois\u00e9s considerava a infidelidade da \u201cprometida\u201d como uma ofensa semelhante \u00e0 infidelidade da esposa (cf. Dt 22,23-27). E a uni\u00e3o entre os dois \u201cprometidos\u201d s\u00f3 podia dissolver-se com a f\u00f3rmula jur\u00eddica do div\u00f3rcio. Jos\u00e9 e Maria estavam, portanto, na situa\u00e7\u00e3o de \u201cprometidos\u201d: ainda n\u00e3o tinham celebrado o matrim\u00f3nio, mas j\u00e1 tinham celebrado os \u201cesponsais\u201d. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O mal de que falava a primeira leitura desta solenidade, constituir\u00e1 uma inevitabilidade? Estaremos condenados a fazer escolhas erradas, a n\u00e3o fazer caso das indica\u00e7\u00f5es de Deus? A verdade \u00e9 que, desde o primeiro instante da nossa exist\u00eancia, integramos a fam\u00edlia humana, uma fam\u00edlia onde o pecado existe. Fazendo parte dessa fam\u00edlia, estamos marcados e at\u00e9 mesmo condicionados por essa realidade. Resta-nos encolher os ombros, com fatalismo, invocar como desculpa a nossa fragilidade e resignar-nos \u00e1 mediocridade? Hoje somos convidados a olhar para Maria de Nazar\u00e9, aquela que a Igreja chama a \u201cImaculada Concei\u00e7\u00e3o\u201d. Ao contr\u00e1rio de Ad\u00e3o e Eva, ao contr\u00e1rio de todos os homens e mulheres que cedem \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de dizer \u201cn\u00e3o\u201d \u00e0s indica\u00e7\u00f5es de Deus, ela ousou dizer \u201csim\u201d a Deus. Mostrou-se dispon\u00edvel \u2013 n\u00e3o apenas num momento particular, mas em toda a sua vida \u2013 para deixar em segundo plano os seus projetos pessoais e para abra\u00e7ar os planos de Deus. Maria de Nazar\u00e9 mostrou-nos que \u00e9 poss\u00edvel fazer escolhas acertadas; mostrou-nos que \u00e9 poss\u00edvel n\u00e3o nos deixarmos submergir pelo ego\u00edsmo e pela autossufici\u00eancia. O que significa Maria de Nazar\u00e9, a \u201cImaculada Concei\u00e7\u00e3o\u201d, para n\u00f3s? Ela \u00e9 apenas a \u201cm\u00e3e de Deus e nossa m\u00e3e do c\u00e9u\u201d, por quem temos muita devo\u00e7\u00e3o, ou \u00e9 tamb\u00e9m \u2013 e sobretudo \u2013 uma refer\u00eancia de vida, aquela que nos ensina a dizer \u201csim\u201d a Deus e aos seus projetos?<\/li>\n<li>Deus tem, desde sempre, um projeto de salva\u00e7\u00e3o e de gra\u00e7a para os seus queridos filhos e filhas. Como \u00e9 que Deus interv\u00e9m na hist\u00f3ria humana e concretiza, dia a dia, a sua oferta de salva\u00e7\u00e3o? A hist\u00f3ria de Maria de Nazar\u00e9 (bem como a de tantos outros \u201cchamados\u201d) responde, de forma clara, a esta quest\u00e3o: \u00e9 atrav\u00e9s de homens e mulheres atentos aos projetos de Deus e de cora\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para o servi\u00e7o dos irm\u00e3os que Deus atua no mundo, que Ele manifesta aos homens o seu amor, que Ele convida cada pessoa a percorrer os caminhos da felicidade e da realiza\u00e7\u00e3o plena. J\u00e1 pens\u00e1mos que \u00e9 atrav\u00e9s dos nossos gestos de amor, de partilha e de servi\u00e7o que Deus Se torna presente no mundo e transforma o mundo?<\/li>\n<li>Outra quest\u00e3o \u00e9 a dos \u201cinstrumentos\u201d de que Deus se serve para realizar os seus planos\u2026 Maria era uma jovem mulher de uma aldeia obscura dessa \u201cGalileia dos pag\u00e3os\u201d de onde n\u00e3o podia \u201cvir nada de bom\u201d. N\u00e3o consta que tivesse uma significativa prepara\u00e7\u00e3o intelectual, profundos conhecimentos teol\u00f3gicos, ou amigos poderosos nos c\u00edrculos de poder e de influ\u00eancia da Palestina de ent\u00e3o. Apesar disso, foi escolhida por Deus para desempenhar um papel primordial na etapa mais significativa na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria vocacional de Maria deixa claro que, na perspetiva de Deus, n\u00e3o s\u00e3o o poder, a riqueza, a import\u00e2ncia ou a visibilidade social que determinam a capacidade para levar a cabo uma miss\u00e3o. Deus age atrav\u00e9s de homens e mulheres, independentemente das suas qualidades humanas. O que \u00e9 decisivo \u00e9 a disponibilidade e o amor com que se acolhem e testemunham as propostas de Deus. Estamos dispon\u00edveis \u2013 apesar da nossa pequenez, fragilidade e indignidade \u2013 para sermos colaboradores de Deus e testemunhas da sua salva\u00e7\u00e3o no meio dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s?<\/li>\n<li>\u00c9 poss\u00edvel algu\u00e9m entregar-se t\u00e3o cegamente a Deus, sem reservas, sem medir os pr\u00f3s e os contras? Como \u00e9 que se chega a esta confian\u00e7a incondicional em Deus e nos seus projetos? Naturalmente, n\u00e3o se chega a esta confian\u00e7a cega em Deus e nos seus planos sem uma vida de di\u00e1logo, de comunh\u00e3o, de intimidade com Deus. Maria de Nazar\u00e9 foi certamente uma mulher para quem Deus ocupava o primeiro lugar e era a prioridade fundamental. Maria de Nazar\u00e9 foi seguramente uma pessoa de ora\u00e7\u00e3o e de f\u00e9, que fez a experi\u00eancia do encontro com Deus e aprendeu a confiar totalmente n\u2019Ele. No meio da agita\u00e7\u00e3o de todos os dias, encontramos tempo e disponibilidade para ouvir Deus, para viver em comunh\u00e3o com Ele, para tentar perceber os seus sinais nas indica\u00e7\u00f5es que Ele nos d\u00e1?<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 composta pelo di\u00e1logo entre Deus e o primeiro casal humano. Deste modo, a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter o cuidado de articular bem o discurso direto entre as diversas interven\u00e7\u00f5es com uma especial aten\u00e7\u00e3o para as frases interrogativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> apresenta frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es, requerendo uma acurada prepara\u00e7\u00e3o nas pausas e respira\u00e7\u00f5es para que o texto seja bem proclamado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Leitura-I-do-Domingo-II-do-Tempo-do-Advento-Ano-C-08.12.2024-Bar-5-1-9.pdf\">Leitura I do Domingo II do Tempo do Advento &#8211; Ano C &#8211; 08.12.2024 (Bar 5, 1-9)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Leitura-II-do-Domingo-II-do-Tempo-do-Advento-Ano-C-08.12.2024-Filip-1-4-6.8-11.pdf\">Leitura II do Domingo II do Tempo do Advento &#8211; Ano C &#8211; 08.12.2024 (Filip 1, 4-6.8-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Domingo-II-do-Tempo-do-Advento-Ano-C-08.12.2024-Lecionario.pdf\">Domingo II do Tempo do Advento &#8211; Ano C &#8211; 08.12.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Domingo-II-do-Tempo-do-Advento-Ano-C-08.12.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo II do Tempo do Advento &#8211; Ano C &#8211; 08.12.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Leitura-I-da-Solenidade-da-Imaculada-Conceicao-Ano-C-08.12.2024-Gen-3-9-15.20.pdf\">Leitura I da Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o &#8211; Ano C &#8211; 08.12.2024 (Gen 3, 9-15.20)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Leitura-II-da-Solenidade-da-Imaculada-Conceicao-Ano-C-08.12.2024-Ef-1-3-6.11-12.pdf\">Leitura II da Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o &#8211; Ano C &#8211; 08.12.2024 (Ef 1, 3-6.11-12)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Solenidade-da-Imaculada-Conceicao-Ano-C-08.12.2024-Lecionario.pdf\">Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o &#8211; Ano C &#8211; 08.12.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Solenidade-da-Imaculada-Conceicao-Ano-C-08.12.2024-Oracao-Universal.pdf\">Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o &#8211; Ano C &#8211; 08.12.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Domingo-II-do-Tempo-do-Advento-e-Solenidade-da-Imaculada-Conceicao-Ano-C-08.12.2024-refletindo.pdf\">Domingo II do Tempo do Advento e Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o &#8211; Ano C &#8211; 08.12.2024 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-II-Advento.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo II Advento<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo I do Tempo do Advento &#8211; Ano C &#8211; 01.12.2024&#8243; tab_id=&#8221;1733738473254-08cd67e4-c8ea&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>Domingo I do Tempo do Advento &#8211; Ano C &#8211; 01.12.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Domingo-I-do-Tempo-do-Advento.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"467\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto do Evangelho para este Domingo, come\u00e7a por evocar os sinais presentes \u00ab<em>no sol, na lua e nas estrelas<\/em>\u00bb e descreve o modo como \u00ab<em>as for\u00e7as celestes ser\u00e3o abaladas<\/em>\u00bb. Os astros s\u00e3o o rel\u00f3gio c\u00f3smico a partir do qual a humanidade ritma o seu tempo e constr\u00f3i a sucess\u00e3o dos dias e dos anos: calculamos os anos da nossa vida pelas voltas dadas ao sol; os navegadores desbravaram os mares e chegaram a terras desconhecidas guiados pelos astros; os agricultores ao ritmo das fases da lua encontram o tempo mais favor\u00e1vel para as suas planta\u00e7\u00f5es e as suas colheitas. O an\u00fancio da queda e abalo das for\u00e7as celestes atemoriza e aterroriza, pois parece fazer ruir lugares onde encontramos o ritmo da vida e a orienta\u00e7\u00e3o do caminho. Contudo, o an\u00fancio, aparamente dram\u00e1tico, proclamado por Jesus, \u00e9 acompanhado pela certeza de que tudo isto acontecer\u00e1 acompanhado pela vis\u00e3o do Filho do Homem que vir\u00e1 numa nuvem com grande poder e gl\u00f3ria. Desmoronam os rel\u00f3gios humanos e os ritmos marcados pelos astros celestes, para darem lugar ao ritmo de Deus que deve marcar o passo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A espera, que habita o cora\u00e7\u00e3o de cada homem e de cada mulher, e, que faz sonhar um mundo novo e diferente, encontra realiza\u00e7\u00e3o e plenitude no advento de Deus, que vem ao nosso encontro com grande poder e gl\u00f3ria. O tempo da nossa vida n\u00e3o pode limitar-se \u00e0 contabiliza\u00e7\u00e3o dos dias e horas que nos s\u00e3o dadas viver, mas o saborear da presen\u00e7a de Deus que rasga horizontes novos e faz experimentar a verdadeira sabedoria que invoca o salmista: \u00ab<em>ensina-nos a contar assim os nossos dias, para podermos chegar ao cora\u00e7\u00e3o da sabedoria<\/em>\u00bb (Sl 90,12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o primeiro Domingo de Advento, damos in\u00edcio a um novo ano lit\u00fargico que n\u00e3o \u00e9 apenas uma organiza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e articulada das mem\u00f3rias, festas e solenidades, mas a celebra\u00e7\u00e3o do Mist\u00e9rio de Cristo, que ilumina o tempo e a hist\u00f3ria, e nos ensina a arte de fazer dos dias que vivemos, o tempo onde Deus atua e realiza a Sua obra de amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo de Advento \u00e9 tempo de espera alegre e jubilosa. N\u00e3o esperamos um autocarro atrasado em hora de ponta ou um comboio em dia de greve. A nossa espera n\u00e3o desespera, porque o nosso Deus cumpre a promessa feita aos nossos pais: \u00ab<em>dias vir\u00e3o, em que cumprirei a promessa que fiz \u00e0 casa de Israel e \u00e0 casa de Jud\u00e1<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Senhor vem! Vem, porque j\u00e1 veio na fragilidade e debilidade da nossa natureza inaugurar os novos c\u00e9us e a nova terra. Vem, porque vir\u00e1 um dia no esplendor da sua gl\u00f3ria para estabelecer os novos c\u00e9us e a nova terra de modo pleno, total e definitivo. Vem, porque continuamente se faz presente na vida de cada homem por meio de tantos sinais. Deste modo, o tempo de Advento \u00e9 o tempo por excel\u00eancia da vida crist\u00e3, porque nos situa entre a vinda primeira de Cristo e a vinda definitiva, ensinando-nos a arte de acolher cada dia como uma visita de Deus: \u00ab<em>Esperar \u00e9 um modo de chegares \/ Um modo de te amar dentro do tempo<\/em>\u00bb (Daniel Faria).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viver despertos e vigilantes aguardando a vinda do Senhor n\u00e3o \u00e9 uma aliena\u00e7\u00e3o, nem uma proje\u00e7\u00e3o dos nossos desejos mais \u00edntimos, mas o \u00fanico modo de atravessar a hist\u00f3ria, semeando a esperan\u00e7a que brota do cora\u00e7\u00e3o de Deus e se revela em Jesus Cristo. \u00c9 tempo de \u00ab<em>nutrir a esperan\u00e7a de amanh\u00e3, curando a dor de hoje<\/em>\u00bb (Papa Francisco), porque a\u00a0esperan\u00e7a que nasce do Evangelho n\u00e3o consiste em esperar passiva e ingenuamente um amanh\u00e3 em que tudo ficar\u00e1 bem, mas em tornar concreta hoje a promessa de salva\u00e7\u00e3o de Deus. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o <strong>Tempo de Advento<\/strong> damos in\u00edcio a um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, integrados na din\u00e2mica de Advento, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Jeremias 33,14-16<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eis o que diz o Senhor:<br \/>\n\u00abDias vir\u00e3o, em que cumprirei a promessa<br \/>\nque fiz \u00e0 casa de Israel e \u00e0 casa de Jud\u00e1:<br \/>\nNaqueles dias, naquele tempo,<br \/>\nfarei germinar para David um rebento de justi\u00e7a<br \/>\nque exercer\u00e1 o direito e a justi\u00e7a na terra.<br \/>\nNaqueles dias, o reino de Jud\u00e1 ser\u00e1 salvo<br \/>\ne Jerusal\u00e9m viver\u00e1 em seguran\u00e7a.<br \/>\nEste \u00e9 o nome que chamar\u00e3o \u00e0 cidade:<br \/>\n\u2018O Senhor \u00e9 a nossa justi\u00e7a\u2019\u00bb.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta Jeremias nasceu no ano 650 a.C., em Anatot, uma pequena cidade situada nas proximidades de Jerusal\u00e9m. A sua miss\u00e3o prof\u00e9tica come\u00e7ou por volta de 627\/626 a.C., e prolongou-se at\u00e9 depois da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m pelos Babil\u00f3nios (586 a.C.). O cen\u00e1rio geogr\u00e1fico da atividade de Jeremias \u00e9 o reino do sul (Jud\u00e1), e sobretudo a cidade de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos dividir o tempo de atividade prof\u00e9tica de Jeremias em diversas fases. A primeira abrange parte do reinado do rei Josias. Este rei, apostado em defender a identidade nacional em todas as suas vertentes, promoveu uma grande reforma religiosa destinada a limpar do pa\u00eds o culto aos deuses estrangeiros. Jeremias, a partir de 626 a.C., envolveu-se nessa reforma, convidando os habitantes de Jud\u00e1 a converterem-se a Jav\u00e9 e a viverem na fidelidade \u00e0 Alian\u00e7a e aos mandamentos de Deus. Esta fase terminou quando, em 609 a.C., Josias foi morto em Megido, em combate contra os ex\u00e9rcitos eg\u00edpcios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de alguns meses de instabilidade, o trono de Jud\u00e1 foi ocupado por Joaquim (609-597 a.C.). Com Joaquim no trono, a infidelidade dos habitantes de Jud\u00e1 a Jav\u00e9 e \u00e0 Alian\u00e7a volta a estar na ordem do dia. Nesta nova fase, a voz prof\u00e9tica de Jeremias soa novamente para denunciar as graves injusti\u00e7as sociais (\u00e0s vezes fomentadas pelo pr\u00f3prio rei) e o abandono de Jav\u00e9. Jeremias critica especialmente as alian\u00e7as pol\u00edticas que Joaquim procura fazer com outras na\u00e7\u00f5es, catalogando-as como infidelidade contra Deus: em lugar de confiar em Deus, Jud\u00e1 coloca a sua esperan\u00e7a e a sua seguran\u00e7a em ex\u00e9rcitos estrangeiros. Convencido de que Jud\u00e1 n\u00e3o tem emenda e que Deus j\u00e1 n\u00e3o suporta mais o pecado do seu Povo, Jeremias anuncia a imin\u00eancia de uma invas\u00e3o babil\u00f3nica, que ir\u00e1 castigar a na\u00e7\u00e3o pelos seus pecados. As previs\u00f5es de Jeremias concretizam-se: em 597 a.C., Nabucodonosor invade Jud\u00e1 e deporta para a Babil\u00f3nia uma parte da popula\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m. No trono de Jud\u00e1 fica, ent\u00e3o, Sedecias (597-586 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s alguns anos de calma submiss\u00e3o \u00e0 Babil\u00f3nia, Sedecias volta a experimentar a velha pol\u00edtica das alian\u00e7as militares com o Egipto. Jeremias, uma vez mais, mostra o seu desacordo: a esperan\u00e7a de Jud\u00e1 deve estar em Jav\u00e9 e n\u00e3o em ex\u00e9rcitos estrangeiros\u2026 Mas, nem o rei, nem os not\u00e1veis de Jud\u00e1 prestam qualquer aten\u00e7\u00e3o \u00e0 opini\u00e3o do profeta. Visto por toda a gente como um amargo \u201cprofeta da desgra\u00e7a\u201d, Jeremias apenas consegue criar o vazio \u00e0 sua volta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 587 a.C., Nabucodonosor p\u00f5e novamente cerco a Jerusal\u00e9m; no entanto, um ex\u00e9rcito eg\u00edpcio vem em socorro de Jud\u00e1 e os babil\u00f3nios retiram-se. Nesse momento de euforia nacional, Jeremias anuncia o recome\u00e7o do cerco e a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m (cf. Jr 32,2-5). Acusado de trai\u00e7\u00e3o, o profeta \u00e9 encarcerado (cf. Jr 37,11-16) e corre, inclusive, perigo de vida (cf. Jr 38,11-13). Enquanto Jeremias continua a pregar a rendi\u00e7\u00e3o, Nabucodonosor apossa-se, de facto, de Jerusal\u00e9m, destr\u00f3i a cidade e deporta a sua popula\u00e7\u00e3o para a Babil\u00f3nia (586 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro de Jeremias, o texto que a liturgia deste primeiro domingo do advento nos prop\u00f5e como primeira leitura \u00e9 apresentado como um or\u00e1culo de Deus, confiado ao profeta quando a cidade de Jerusal\u00e9m est\u00e1 cercada pelos babil\u00f3nios e que o pr\u00f3prio Jeremias est\u00e1 detido no \u00e1trio da guarda, acusado de derrotismo e de trai\u00e7\u00e3o (cf. Jr 33,1). Nesse cen\u00e1rio que parece sem sa\u00edda, o profeta \u00e9 convidado a proclamar, em nome de Jav\u00e9, a chegada de um tempo novo, no qual Deus vai curar as feridas do seu Povo e proporcionar a Jud\u00e1 \u201cabund\u00e2ncia de paz e seguran\u00e7a\u201d (Jr 33,6). A mensagem \u00e9 tanto mais surpreendente quanto o futuro imediato parece sombrio e o pr\u00f3prio Jeremias \u00e9 acusado de profetizar a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m e o ex\u00edlio de Sedecias (cf. Jr 32,3-5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, o mais prov\u00e1vel \u00e9 que este or\u00e1culo seja um texto tardio, redigido por um disc\u00edpulo de Jeremias ap\u00f3s o Ex\u00edlio do Povo na Babil\u00f3nia, com a finalidade de animar os judeus regressados do Ex\u00edlio, desiludidos porque encontraram tudo destru\u00eddo e um futuro incerto. A promessa de um \u201crebento de justi\u00e7a\u201d, da fam\u00edlia de David, pretende ajudar os retornados do Ex\u00edlio a recobrarem \u00e2nimo e a abrirem as portas \u00e0 esperan\u00e7a. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Cada tempo, cada s\u00e9culo, tem os seus momentos de crise, os seus problemas, as suas ang\u00fastias, os seus dramas. O nosso tempo tamb\u00e9m. Apercebemo-nos, hoje, que o nosso estilo de vida p\u00f5e em causa o equil\u00edbrio do planeta e o futuro da nossa civiliza\u00e7\u00e3o; constatamos, hoje, que a indiferen\u00e7a se tornou uma doen\u00e7a global, e que nos interessamos cada vez menos uns pelos outros; descobrimos, hoje, que ainda n\u00e3o aprendemos a viver fora de uma l\u00f3gica de ego\u00edsmo e que essa l\u00f3gica condena uma grande parte dos homens e mulheres que caminham ao nosso lado a uma vida sem recursos e sem esperan\u00e7a; verificamos, hoje, que continuamos a preferir a velha l\u00f3gica da guerra e da viol\u00eancia para resolver os nossos diferendos e as nossas diferen\u00e7as; reparamos, hoje, que todos os dias aumenta o imenso cortejo de homens e mulheres que s\u00e3o despojados da sua dignidade e que s\u00e3o abandonados nas margens do caminho que a humanidade vai percorrendo\u2026 Para onde caminhamos? Que hist\u00f3ria estamos a construir? \u00c9 neste cen\u00e1rio que ecoa essa mensagem eterna que nos \u00e9 apresentada na primeira leitura deste primeiro domingo do advento: Deus permanece fiel \u00e0s suas promessas e n\u00e3o abandona os seus filhos. Ele vai enviar-nos \u2013 ou melhor, vai continuar a enviar-nos \u2013 \u201cum rebento de justi\u00e7a\u201d que nos apontar\u00e1 o caminho e que nos ensinar\u00e1 a construir um mundo novo. Da nossa parte, estaremos dispon\u00edveis para o acolher? Estaremos dispostos a escut\u00e1-lo e a aceitar as suas indica\u00e7\u00f5es?<\/li>\n<li>Jesus, o \u201crebento de justi\u00e7a\u201d da fam\u00edlia de David, veio ao nosso encontro e mostrou-nos, com palavras e com gestos, os caminhos que devemos percorrer. Mas fez ainda mais: convidou-nos a integrar a comunidade do Reino de Deus e envolveu-nos na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo, mais humano, pleno de harmonia e de paz. Como disc\u00edpulos de Jesus, sentimo-nos comprometidos na constru\u00e7\u00e3o desse mundo de justi\u00e7a, de harmonia, de paz, de fraternidade, que Deus deseja para todos os seus filhos e filhas? Os nossos gestos, as nossas atitudes, as nossas palavras criam harmonia e entendimento, ou acrescentam agressividade, intoler\u00e2ncia, confronto, revolta, sofrimento ao cen\u00e1rio onde nos movemos todos os dias?<\/li>\n<li>O \u201cprofeta\u201d que nos deixou a mensagem que a nossa primeira leitura nos apresenta foi capaz, numa \u00e9poca hist\u00f3rica dif\u00edcil para si e para o seu povo, de n\u00e3o se deixar submergir pela onda de des\u00e2nimo e de pessimismo que amea\u00e7ava os habitantes de Jerusal\u00e9m. Ele estava absolutamente seguro de Deus: da sua bondade, do seu amor, da sua fidelidade; e por isso p\u00f4de oferecer aos seus irm\u00e3os uma mensagem que lhes abriu as portas da esperan\u00e7a. Confiamos em Deus, na sua presen\u00e7a na hist\u00f3ria dos homens, no seu cuidado de Pai, no seu interesse pelo bem de todos os seus filhos? Somos arautos e testemunhas da esperan\u00e7a no meio dos irm\u00e3os e irm\u00e3s que trope\u00e7am no desespero e no desencanto?<\/li>\n<li>Estamos a iniciar o tempo do \u201cadvento\u201d. No nosso horizonte pr\u00f3ximo est\u00e1 a vinda de Jesus. Ele, o \u201crebento de justi\u00e7a\u201d da fam\u00edlia de David, vem ao nosso encontro para nos ajudar a vencer as nossas contradi\u00e7\u00f5es e para nos ajudar a corrigir os passos mal andados que trazem sofrimento ao mundo e aos homens. A sua vinda ser\u00e1, portanto, um acontecimento feliz, que deve ser aguardado com alegria e com esperan\u00e7a. Como nos dispomos a viver este tempo de espera de Jesus? Ser\u00e1 mais uma oportunidade que passa por n\u00f3s sem nos tocar e transformar, ou ser\u00e1 um tempo de verdadeira renova\u00e7\u00e3o, de verdadeiro compromisso, de verdadeiro encontro com Jesus? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL &#8211; <\/strong><strong>Salmo 24 (25)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Para V\u00f3s, Senhor, elevo a minha alma.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,<br \/>\nensinai-me as vossas veredas.<br \/>\nGuiai-me na vossa verdade e ensinai-me,<br \/>\nporque V\u00f3s sois Deus, meu Salvador.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor \u00e9 bom e reto,<br \/>\nensina o caminho aos pecadores.<br \/>\nOrienta os humildes na justi\u00e7a<br \/>\ne d\u00e1-lhes a conhecer os seus caminhos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os caminhos do Senhor s\u00e3o miseric\u00f3rdia e fidelidade<br \/>\npara os que guardam a sua alian\u00e7a e os seus preceitos.<br \/>\nO Senhor trata com familiaridade os que O temem<br \/>\ne d\u00e1-lhes a conhecer a sua alian\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Tessalonicenses 3,12\u20134,2<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nO Senhor vos fa\u00e7a crescer e abundar na caridade<br \/>\nuns para com os outros e para com todos,<br \/>\ntal como n\u00f3s a temos tido para convosco.<br \/>\nO Senhor confirme os vossos cora\u00e7\u00f5es<br \/>\nnuma santidade irrepreens\u00edvel,<br \/>\ndiante de Deus, nosso Pai,<br \/>\nno dia da vinda de Jesus, nosso Senhor,<br \/>\ncom todos os santos.<br \/>\nFinalmente, irm\u00e3os,<br \/>\neis o que vos pedimos e recomendamos no Senhor Jesus:<br \/>\nrecebestes de n\u00f3s instru\u00e7\u00f5es<br \/>\nsobre o modo como deveis proceder para agradar a Deus,<br \/>\ne assim estais procedendo;<br \/>\nmas deveis progredir ainda mais.<br \/>\nConheceis bem as normas que vos demos<br \/>\nda parte do Senhor Jesus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9culo I da nossa era, Tessal\u00f3nica era a cidade mais importante da Maced\u00f3nia. Porto mar\u00edtimo e cidade de intenso com\u00e9rcio, era uma encruzilhada religiosa, na qual os cultos locais coexistiam lado a lado com todo o tipo de propostas religiosas vindas de todo o Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade foi evangelizada por Paulo durante a sua segunda viagem mission\u00e1ria, muito provavelmente no Inverno dos anos 49-50. Paulo chegou a Tessal\u00f3nica acompanhado por Silvano e Tim\u00f3teo, depois de ter sido for\u00e7ado a deixar a cidade de Filipos. O tempo de evangeliza\u00e7\u00e3o foi curto, talvez uns tr\u00eas meses; mas foi o suficiente para fazer nascer uma comunidade crist\u00e3 numerosa e entusiasta, constitu\u00edda maioritariamente por pag\u00e3os convertidos. No entanto, a obra de Paulo foi brutalmente interrompida pela rea\u00e7\u00e3o da col\u00f3nia judaica. Os judeus acusaram Paulo de agir contra os decretos do imperador e levaram alguns crist\u00e3os diante dos magistrados da cidade (cf. At 17,5-9). Paulo teve de deixar a cidade \u00e0 pressa, de noite, indo para Bereia e, depois, para Atenas (cf. At 17,10-15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, Paulo tinha a consci\u00eancia de que a forma\u00e7\u00e3o doutrinal da comunidade crist\u00e3 de Tessal\u00f3nica ainda deixava muito a desejar. A jovem comunidade, fundada h\u00e1 pouco tempo e ainda insuficientemente catequizada, estava quase desarmada nesse contexto adverso de persegui\u00e7\u00e3o e de prova\u00e7\u00e3o (cf. 1Ts 3,1-10). Preocupado, Paulo enviou Tim\u00f3teo a Tessal\u00f3nica, a fim de saber not\u00edcias e encorajar os tessalonicenses na f\u00e9 (cf. 1Ts 3,2-5). Quando Tim\u00f3teo voltou para apresentar o seu relat\u00f3rio, encontrou Paulo em Corinto. Confortado pelas informa\u00e7\u00f5es dadas por Tim\u00f3teo, o ap\u00f3stolo decidiu escrever aos crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica, felicitando-os pela sua fidelidade ao Evangelho. Aproveitou tamb\u00e9m para esclarecer algumas d\u00favidas doutrinais que inquietavam os tessalonicenses e para corrigir alguns aspetos menos exemplares da vida da comunidade. A Primeira Carta aos Tessalonicenses \u00e9, com toda a probabilidade, o primeiro escrito do Novo Testamento. Apareceu na Primavera-Ver\u00e3o do ano 50 ou 51.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dois primeiros vers\u00edculos do texto que hoje nos \u00e9 proposto como segunda leitura (cf. 1Ts 3,12-13) encerram a primeira parte da Carta aos Tessalonicenses; mas os outros dois vers\u00edculos (cf. 1Ts 4,1-2) j\u00e1 pertencem \u00e0 segunda parte da mesma carta. No seu conjunto, podem ser entendidos como uma esp\u00e9cie de \u201cvoto\u201d, atrav\u00e9s do qual Paulo augura aos crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica que possam crescer cada vez mais na f\u00e9 e no compromisso com o Evangelho de Jesus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Come\u00e7amos hoje a fazer o caminho do advento. Queremos que as pr\u00f3ximas semanas sejam, para n\u00f3s, um tempo favor\u00e1vel para prepararmos o encontro com o Senhor que vem. O que devemos fazer para que isso aconte\u00e7a? Paulo deixa-nos, no texto da primeira Carta aos Tessalonicenses que a liturgia nos oferece como segunda leitura uma \u201cdica\u201d importante: enquanto esperamos a vinda do Senhor Jesus, devemos \u201ccrescer e abundar na caridade uns para com os outros e para com todos\u201d. \u00c9 um convite a sairmos de n\u00f3s e a abrirmos o cora\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os que caminham ao nosso lado; \u00e9 um convite a n\u00e3o ficarmos indiferentes perante as dores e os sofrimentos daqueles que nos rodeiam; \u00e9 um convite a cuidarmos daqueles que n\u00e3o t\u00eam voz, que n\u00e3o t\u00eam vez, que ficam abandonados na berma da estrada porque ningu\u00e9m se lembra deles. Estamos dispon\u00edveis, neste advento, para nos convertermos ao amor?<\/li>\n<li>Todas as vezes que nos reunimos para celebrar a eucaristia, somos convidados a rezar o \u201cPai nosso\u201d, assumindo que Deus \u00e9 o Pai de todos e que estamos ligados uns aos outros por la\u00e7os fraternos. No entanto, nem sempre as nossas comunidades crist\u00e3s s\u00e3o a \u201ccasa da fraternidade\u201d onde os irm\u00e3os se acolhem, se aceitam, se respeitam e se amam. Por vezes, deixamos que as quez\u00edlias, os ci\u00fames, as invejas, as maledic\u00eancias, as vaidades pessoais se intrometam na comunidade e quebrem a comunh\u00e3o e o entendimento fraterno. Talvez este tempo de advento possa ser um tempo para purificarmos a nossa fraternidade e construirmos comunidades onde se viva o amor \u201cuns para com os outros e para com todos\u201d. Estamos dispostos, neste tempo de advento, a fazer o que estiver ao nosso alcance para que as nossas comunidades crist\u00e3s deem ao mundo e aos homens um testemunho verdadeiro de fraternidade, de partilha, de comunh\u00e3o?<\/li>\n<li>Paulo lembra aos crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica que, enquanto peregrinarmos nesta terra, o caminho da santifica\u00e7\u00e3o nunca est\u00e1 conclu\u00eddo. \u00c9 um caminho sempre a fazer-se, que implica o compromisso, o esfor\u00e7o, a fidelidade a cada passo; \u00e9 um caminho de convers\u00e3o constante, nunca terminada. Estamos dispostos a aproveitar este tempo de advento para renovarmos a nossa vida, para redirecionarmos os nossos passos, para questionarmos as op\u00e7\u00f5es que temos vindo a fazer, para nos comprometermos mais e mais com o seguimento de Jesus e o testemunho do Evangelho? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 21,25-28.34-36<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\ndisse Jesus aos seus disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abHaver\u00e1 sinais no sol, na lua e nas estrelas<br \/>\ne, na terra, ang\u00fastia entre as na\u00e7\u00f5es,<br \/>\naterradas com o rugido e a agita\u00e7\u00e3o do mar.<br \/>\nOs homens morrer\u00e3o de pavor,<br \/>\nna expectativa do que vai suceder ao universo,<br \/>\npois as for\u00e7as celestes ser\u00e3o abaladas.<br \/>\nEnt\u00e3o, h\u00e3o de ver o Filho do homem vir numa nuvem,<br \/>\ncom grande poder e gl\u00f3ria.<br \/>\nQuando estas coisas come\u00e7arem a acontecer,<br \/>\nerguei-vos e levantai a cabe\u00e7a,<br \/>\nporque a vossa liberta\u00e7\u00e3o est\u00e1 pr\u00f3xima.<br \/>\nTende cuidado convosco,<br \/>\nn\u00e3o suceda que os vossos cora\u00e7\u00f5es se tornem pesados<br \/>\npela intemperan\u00e7a, a embriaguez e as preocupa\u00e7\u00f5es da vida,<br \/>\ne esse dia n\u00e3o vos surpreenda subitamente como uma armadilha,<br \/>\npois ele atingir\u00e1 todos os que habitam a face da terra.<br \/>\nPortanto, vigiai e orai em todo o tempo<br \/>\npara que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer<br \/>\ne comparecer diante do Filho do homem\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste primeiro domingo do advento situa-nos em Jerusal\u00e9m, num dos dias que precedem a pris\u00e3o, condena\u00e7\u00e3o e morte de Jesus na cruz. O programa de Jesus, nestes dias, \u00e9 sempre igual: de manh\u00e3 dirige-se ao templo e passa a\u00ed o dia, \u201ca ensinar\u201d; ao final da tarde sai da cidade, atravessa o vale do Cedron e vai at\u00e9 ao Monte das Oliveiras, onde passa a noite (cf. Lc 21,37).\u00a0 Esses dias tamb\u00e9m v\u00e3o ser marcados por diversas controv\u00e9rsias entre Jesus e os l\u00edderes judaicos. Depois do gesto prof\u00e9tico da purifica\u00e7\u00e3o do templo, tornado \u201ccovil de ladr\u00f5es\u201d pela cupidez dos negociantes (cf. Lc 19,45-48), Jesus foi questionado pelos sacerdotes, pelos doutores da Lei e pelos anci\u00e3os do povo sobre a sua autoridade (cf. Lc 20,1-8); e respondeu-lhes com a par\u00e1bola dos vinhateiros homicidas, comparando-os a uns arrendat\u00e1rios de uma vinha que sempre se recusaram a dar ao seu senhor os frutos que lhe deviam. Os representantes do juda\u00edsmo oficial tamb\u00e9m discutiram com Jesus sobre o pagamento do tributo a C\u00e9sar (cf. Lc 20,20-26) e sobre a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos (cf. Lc 20,27-40). Vai-se tornando cada vez mais clara a ideia de que a proposta de Jesus nunca ser\u00e1 acolhida pelas autoridades religiosas de Israel. A cruz est\u00e1, cada vez mais, no horizonte pr\u00f3ximo de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num daqueles dias, ao retirar-se do templo para se dirigir para o Monte das Oliveiras, em resposta ao coment\u00e1rio dos disc\u00edpulos sobre a beleza e a riqueza do templo, Jesus avisa que tudo isso que est\u00e3o a contemplar e a admirar ir\u00e1 ser destru\u00eddo (cf. Lc 21,5-6). Os disc\u00edpulos, muito impressionados, pedem-lhe explica\u00e7\u00f5es (\u201cmestre, quando suceder\u00e1 isso? E qual ser\u00e1 o sinal de que estas coisas est\u00e3o para acontecer?\u201d \u2013 Lc 21,7). Em resposta, Jesus deixa aos disc\u00edpulos uma longa instru\u00e7\u00e3o que \u00e9 conhecida como o \u201cdiscurso escatol\u00f3gico\u201d (cf. Lc 21,7-38).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vers\u00e3o do evangelista Lucas, o \u201cdiscurso escatol\u00f3gico\u201d de Jesus refere tr\u00eas momentos, ou temas, da hist\u00f3ria futura: a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m (que veio a concretizar-se no ano 70, quando as tropas romanas sob o comando de Tito tomaram Jerusal\u00e9m e destru\u00edram o templo), as vicissitudes que os disc\u00edpulos ir\u00e3o enfrentar ao longo do seu caminho hist\u00f3rico e, por fim, a vinda definitiva do Filho do Homem. De acordo com o texto de Lucas, Jesus recorre, para falar de tudo isto, a imagens estereotipadas de que os pregadores escatol\u00f3gicos da \u00e9poca se serviam quando discorriam sobre o fim dos tempos. A finalidade de Lucas, ao oferecer-nos o \u201cdiscurso escatol\u00f3gico de Jesus\u201d, n\u00e3o \u00e9 tanto descrever os acontecimentos da hist\u00f3ria futura dos homens, mas sim transmitir aos crentes \u2013 aos crentes da d\u00e9cada de oitenta do primeiro s\u00e9culo e aos crentes de todas as \u00e9pocas \u2013 a for\u00e7a para viverem o seu compromisso com Jesus no meio das dificuldades, incompreens\u00f5es e persegui\u00e7\u00f5es que a hist\u00f3ria os obrigar\u00e1 a enfrentar. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>No \u201cdiscurso escatol\u00f3gico\u201d, Jesus diz aos disc\u00edpulos uma frase que poderia servir de mote para este \u201ccaminho de advento\u201d que hoje come\u00e7amos a percorrer: \u201cerguei-vos e levantai a cabe\u00e7a, porque a vossa liberta\u00e7\u00e3o est\u00e1 pr\u00f3xima\u201d. Jesus refere-se ao fim dos tempos, ao dia em que o \u201cFilho do Homem\u201d vier sobre as nuvens para dar in\u00edcio a um mundo novo, a um mundo transformado; mas a frase pode perfeitamente aplicar-se a cada \u201cvisita\u201d de Deus, a cada vez que Jesus vem ter connosco, \u201cveste\u201d a nossa humanidade, se torna um de n\u00f3s, nasce na nossa vida\u2026 Sim, a vinda de Jesus liberta-nos pois proporciona-nos o encontro cara a cara com o cora\u00e7\u00e3o misericordioso e paternal de Deus; a vinda de Jesus liberta-nos pois traz-nos um convite irrecus\u00e1vel a dizermos n\u00e3o ao ego\u00edsmo que nos escraviza; a vinda de Jesus liberta-nos pois Ele, quando nos encontra, prop\u00f5e-nos uma vida nova, uma vida com sentido, uma vida vivida em chave de amor. Nestes dias, \u00e0 medida que preparamos o nosso cora\u00e7\u00e3o para acolher Jesus, estamos a aproximar-nos da nossa liberta\u00e7\u00e3o. O que podemos fazer para preparar a chegada de Jesus? O que temos de fazer, neste tempo, para acolher a nossa liberta\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>\u201cErguei-vos e levantai a cabe\u00e7a\u201d \u2013 pede Jesus aos seus disc\u00edpulos. Na verdade, muitas vezes n\u00e3o caminhamos, mas simplesmente arrastamo-nos pela vida, sem horizontes e sem esperan\u00e7a. O medo paralisa-nos, atira-nos ao ch\u00e3o, obriga-nos a escondermo-nos no nosso espa\u00e7o protegido, \u00e0 margem da vida e da luta dos homens; o ativismo cansa-nos de tal forma que a certa altura n\u00e3o temos mais for\u00e7as para nos levantarmos da cama e come\u00e7armos a construir, cada manh\u00e3, um dia novo e um mundo novo; a desilus\u00e3o pela forma como o mundo se vai construindo d\u00e1-nos vontade de nos isolarmos e desistirmos de qualquer esfor\u00e7o; as injusti\u00e7as, as viol\u00eancias, as maldades que vemos crescer \u00e0 nossa volta fazem-nos pensar que o mundo n\u00e3o tem sa\u00edda\u2026 Baixamos a cabe\u00e7a, conformamo-nos com a realidade de um mundo que nos parece um lugar cada vez mais assustador e renunciamos a desempenhar o nosso papel enquanto protagonistas da hist\u00f3ria. Ousaremos, neste tempo de advento, animados pela vinda de Deus, \u201clevantar a cabe\u00e7a\u201d, olhar a vida olhos nos olhos, e assumir o papel que Deus nos destina na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo, mais humano, mais feliz?<\/li>\n<li>Jesus pede aos disc\u00edpulos que esperem a sua vinda numa atitude de vigil\u00e2ncia. Estar vigilante \u00e9 estar atento a tudo o que se passa para intervir e atuar quando necess\u00e1rio; \u00e9 olhar a vida e a hist\u00f3ria com sentido cr\u00edtico, sabendo ler os sinais de Deus e respondendo, sem hesita\u00e7\u00f5es, aos desafios de Deus; \u00e9 olhar continuamente \u00e0 volta para identificar os pedidos de ajuda que nos chegam dos irm\u00e3os que caminham ao nosso lado. Significa n\u00e3o acomoda\u00e7\u00e3o, n\u00e3o conforma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ced\u00eancia \u00e0 pregui\u00e7a ou ao ego\u00edsmo, n\u00e3o indiferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao mundo e aos homens. Estamos dispostos, neste advento, a reativar a nossa atitude de vigil\u00e2ncia? Estamos dispostos, neste advento, a ficar mais atentos a Deus e \u00e0s indica\u00e7\u00f5es que Ele nos vai dando? Estamos dispostos, neste advento, a \u201cver\u201d e a dar resposta \u00e0s necessidades e dificuldades dos homens e mulheres que nos rodeiam?<\/li>\n<li>Jesus tamb\u00e9m pede aos seus disc\u00edpulos que, enquanto O esperam, orem \u201cem todo o tempo\u201d. A ora\u00e7\u00e3o torna-nos \u00edntimos de Deus e aprofunda a nossa comunh\u00e3o com Deus. No di\u00e1logo com Deus apercebemo-nos dos projetos que Ele tem para o mundo e para os homens, interessamo-nos por esses projetos e assumimo-los como nossos; no di\u00e1logo com Deus percebemos como atuar, como fazer as coisas, como sermos testemunhas e sinais de Deus no nosso mundo; no di\u00e1logo com Deus, colhemos as for\u00e7as para vivermos de acordo com os valores de Deus e para sermos colaboradores d\u2019Ele na constru\u00e7\u00e3o do mundo. Dispomo-nos, neste advento, a encontrar momentos para falarmos com Deus, para o escutarmos, para lhe dizermos o que nos vai no cora\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>No seu \u201cdiscurso escatol\u00f3gico\u201d, Jesus diz aos disc\u00edpulos que h\u00e1 de vir no final dos tempos, de forma definitiva, sobre as nuvens do c\u00e9u, \u201ccom grande poder e gl\u00f3ria\u201d. S\u00f3 ent\u00e3o o mal, o ego\u00edsmo, o pecado em todas as suas formas, ser\u00e3o definitivamente derrotados. At\u00e9 l\u00e1, caminhamos na hist\u00f3ria, fi\u00e9is e vigilantes, de olhos postos nesse horizonte, com o cora\u00e7\u00e3o batendo ao ritmo da esperan\u00e7a. Em tempo de advento, preparando a pr\u00f3xima vinda de Jesus ao nosso mundo e \u00e0 nossa vida, somos convidados a olhar, de forma mais consciente e convicta, para o momento final da hist\u00f3ria, o momento em que a humanidade ser\u00e1 definitivamente libertada. Sentimos que a pr\u00f3xima vinda de Jesus, no Natal do Senhor, prepara e anuncia a vinda definitiva do \u201cFilho do Homem\u201d, no final dos tempos, para inaugurar o novo c\u00e9u e a nova terra onde os filhos e filhas de Deus encontrar\u00e3o uma felicidade que n\u00e3o tem fim? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico constitui-se como uma pertinente oportunidade para uma forma\u00e7\u00e3o de leitores acerca da tem\u00e1tica e da estrutura das leituras deste novo Ano Lit\u00fargico e de modo particular do evangelista que nos ir\u00e1 acompanhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 o an\u00fancio da promessa do Senhor pela voz de Jeremias. Por isso, pede-se especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o da leitura \u2013\u00a0<em>Eis o que diz o Senhor<\/em>\u00a0\u2013 e uma proclama\u00e7\u00e3o com o tom da esperan\u00e7a e liberta\u00e7\u00e3o que as palavras do Senhor oferecem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, o texto deve expressar a dimens\u00e3o exortativa com que Paulo se dirige aos Tessalonicenses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Leitura-I-do-Domingo-I-do-Advento-Ano-C-01.12.2024-Jer-33-14-16.pdf\">Leitura I do Domingo I do Advento &#8211; Ano C &#8211; 01.12.2024 (Jer 33, 14-16)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Leitura-II-do-Domingo-I-do-Advento-Ano-C-01.12.2024-1-Tes-3-12-42.pdf\">Leitura II do Domingo I do Advento &#8211; Ano C &#8211; 01.12.2024 (1 Tes 3, 12-4,2)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Domingo-I-do-Advento-Ano-C-01.12.2024-Lecionario.pdf\">Domingo I do Advento -Ano C &#8211; 01.12.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Domingo-I-do-Advento-Ano-C-01.12.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo I do Advento -Ano C &#8211; 01.12.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Domingo-I-do-Tempo-do-Advento-Ano-C-01.12.2024-refletindo.pdf\">Domingo I do Tempo do Advento &#8211; Ano C &#8211; 01.12.2024 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-I-Advento.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo I Advento<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXXIV do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 24.11.2024&#8243; tab_id=&#8221;1733133183843-a9f40171-a5a9&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<br \/>\n<h4><strong>Domingo XXXIV do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 24.11.2024<br \/>\nSolenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo<br \/>\n<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Domingo-XXXIV.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo foi institu\u00edda pelo Papa Pio XI, em 11 de dezembro de 1925, com a Carta Enc\u00edclica\u00a0<em>Quas Primas<\/em>, indicando que esta festa se celebrasse \u00ab<em>em todas as partes da terra no \u00faltimo Domingo de Outubro, isto \u00e9, o Domingo precedente \u00e0 Festa de Todos os Santos. Do mesmo modo, ordenamos, que neste mesmo dia, em cada ano, se renove a consagra\u00e7\u00e3o de todo o G\u00e9nero Humano ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, que o nosso Predecessor de santa mem\u00f3ria, Pio X, ordenou que se repetisse anualmente<\/em>\u00bb. Com a reforma lit\u00fargica esta festa passou a ser celebrada no \u00faltimo Domingo do Ano Lit\u00fargico, com o t\u00edtulo de Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois dos tempos conturbados da Primeira Guerra Mundial, diante dos cen\u00e1rios de viol\u00eancia e destrui\u00e7\u00e3o, o Papa Pio XI convida a contemplar Jesus Cristo, Rei do Universo, Senhor do Tempo e da Hist\u00f3ria, o Pr\u00edncipe da Paz que anunciou o Reino de Deus por meio de sinais e prod\u00edgios, para que diante dos reinados, soberanias e poderes passageiros deste mundo, irrompa a radical novidade de uma autoridade que se faz servi\u00e7o e de um reinado que n\u00e3o tem fim, porque tem a marca do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os textos escolhidos para a celebra\u00e7\u00e3o desta solenidade apontam para a novidade deste Reino instaurado por Jesus Cristo e, por isso, Aquele que proclamamos no Salmo Responsorial como Rei num trono de Luz, no texto do Evangelho, est\u00e1 diante de Pilatos para ser julgado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escutar neste dia um trecho do relato da Paix\u00e3o do Evangelista S. Jo\u00e3o situa o reinado de Jesus no horizonte da Sua crucifix\u00e3o e morte, recordando-nos que o nosso Rei, bem diferente dos reinos deste mundo, tem como trono uma Cruz e a Sua Coroa n\u00e3o \u00e9 de ouro e pedras preciosas, mas de espinhos. Um Reino Novo que precisa de soldados que sejam verdadeiros disc\u00edpulos mission\u00e1rios, isto \u00e9, homens e mulheres que impelidos pelo encontro \u00fanico e irrepet\u00edvel com Jesus Cristo, concebem a sua vida como constru\u00e7\u00e3o do Reino de Amor e de Paz que Jesus veio anunciar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Proclamar Jesus Cristo como Rei implica necessariamente confiar as nossas vidas nas Suas m\u00e3os, pois, na linguagem b\u00edblica, reinar significa salvar, justificar, perdoar e criar. Jesus reina porque assumindo a nossa carne se entregou \u00e0 morte por nosso amor e o Seu sangue derramado na Cruz salva e justifica, perdoa e recria, apontando-nos o caminho da convers\u00e3o como caminho de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade, porque de aperfei\u00e7oamento e santidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caminhar com Jesus para que no mundo se fa\u00e7a j\u00e1 presente este Reino, que ser\u00e1 em plenitude no C\u00e9u, implica abra\u00e7ar a nova l\u00f3gica do Reino porque \u00ab<em>este Reino n\u00e3o se identifica com os poderes triunfalistas que conhecemos, mas com os valores mais profundos do Evangelho. A moeda deste reino \u00e9 a gratuidade, a bandeira \u00e9 o amor, o hino \u00e9 Evangelho e o ex\u00e9rcito \u00e9 formado pelos humildes. As armas d\u00e3o lugar aos bra\u00e7os para acolher, os muros transformam-se em pontes para unir. A diferen\u00e7a \u00e9 est\u00edmulo para a comunh\u00e3o e a linguagem comum \u00e9 a for\u00e7a do Esp\u00edrito<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fascinados pelo amor que brota da Cruz de Cristo, fa\u00e7amos das nossas vidas um lugar de an\u00fancio da nova l\u00f3gica do Reino que se traduz num novo modo de ser e de estar, porque um novo modo de servir e amar. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, sendo o \u00faltimo Domingo do Ano Lit\u00fargico, \u00e9 uma oportunidade para dar gra\u00e7as a Deus pelo dom deste ano lit\u00fargico que termina e invocar a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus para o ano que se vai iniciar. Proclamando a realeza de Jesus Cristo como Senhor do tempo e da hist\u00f3ria, este Domingo deve ter a marca do louvor e a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as que pode traduzir-se no canto solene do\u00a0<em>Te Deum<\/em>, hino lit\u00fargico de louvor e de j\u00fabilo, agradecendo o dom da vida comunit\u00e1ria e de tantos batizados que correspons\u00e1veis na miss\u00e3o colaboram e edificam a comunidade. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclu\u00edmos neste Domingo o ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>No pr\u00f3ximo Domingo iniciaremos um novo ciclo lit\u00fargico \u2013 o Ano C. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Durante todo este novo ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista S. Lucas em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Daniel 7,13-14<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contemplava eu as vis\u00f5es da noite,<br \/>\nquando, sobre as nuvens do c\u00e9u,<br \/>\nveio algu\u00e9m semelhante a um filho do homem.<br \/>\nDirigiu-Se para o Anci\u00e3o vener\u00e1vel<br \/>\ne conduziram-no \u00e0 sua presen\u00e7a.<br \/>\nFoi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza,<br \/>\ne todos os povos e na\u00e7\u00f5es O serviram.<br \/>\nO seu poder \u00e9 eterno, n\u00e3o passar\u00e1 jamais,<br \/>\ne o seu reino n\u00e3o ser\u00e1 destru\u00eddo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro de Daniel tem este nome, n\u00e3o por causa do seu autor, mas sim do seu protagonista. Daniel \u00e9 apresentado, no livro, como um jovem judeu exilado na Babil\u00f3nia, levado para a corte de Nabucodonosor e preparado para a\u00ed desempenhar cargos de algum relevo. Apesar da press\u00e3o social e das exig\u00eancias do rei, Daniel nunca renegou a sua f\u00e9 e os seus princ\u00edpios: soube manter-se fiel a Deus, \u00e0 religi\u00e3o tradicional e aos valores dos seus antepassados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na realidade, o livro de Daniel foi escrito na primeira metade do s\u00e9culo II a.C., numa \u00e9poca em que o rei sel\u00eaucida Ant\u00edoco IV Ep\u00edfanes (reinou entre 174 e 164 a.C.) procurava impor, pela for\u00e7a, a cultura grega ao Povo de Deus. No entanto, as imposi\u00e7\u00f5es de Ant\u00edoco IV Ep\u00edfanes depararam-se com uma tenaz resist\u00eancia, vinda sobretudo dos sectores mais tradicionais do juda\u00edsmo. Alguns judeus optaram abertamente pela insurrei\u00e7\u00e3o armada (como foi o caso de Judas Macabeu e dos seus heroicos seguidores); outros, contudo, preferiram lutar contra a prepot\u00eancia dos reis hel\u00e9nicos com a sua palavra e os seus escritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro de Daniel foi composto neste cen\u00e1rio. O seu autor \u00e9 um judeu fiel \u00e0 cultura e aos valores religiosos dos seus antepassados, interessado em defender a sua religi\u00e3o, apostado em mostrar aos seus concidad\u00e3os que \u00e9 poss\u00edvel, mesmo em contexto de persegui\u00e7\u00e3o, manter a fidelidade aos valores tradicionais. Contando a hist\u00f3ria de Daniel, o jovem judeu exilado na Babil\u00f3nia que soube manter a sua f\u00e9, o autor do Livro de Daniel pede aos seus concidad\u00e3os que n\u00e3o se deixem vencer pela persegui\u00e7\u00e3o e que se mantenham fi\u00e9is \u00e0 religi\u00e3o e aos valores dos seus pais. O desconhecido autor do livro de Daniel garante aos seus conterr\u00e2neos que Deus est\u00e1 do lado do seu Povo e que n\u00e3o deixar\u00e1 de recompensar aqueles que se mantiverem fi\u00e9is \u00e0 Lei e aos mandamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto integra a segunda parte do Livro de Daniel (Dan 7,1-12,13). A\u00ed o autor, recorrendo \u00e0 \u201cfigura\u201d da \u201cvis\u00e3o\u201d, apresenta-nos uma leitura prof\u00e9tica da hist\u00f3ria, cuja finalidade \u00e9 transmitir a esperan\u00e7a aos crentes perseguidos por causa da sua f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira dessas \u201cvis\u00f5es\u201d (Dn 7,1-28), o autor do Livro apresenta \u201cquatro grandes animais\u201d, surgidos do mar: o primeiro \u201cera semelhante a um le\u00e3o\u201d (Dn 7,4); o segundo era \u201csemelhante a um urso\u201d (Dn 7,5); o terceiro era \u201cparecido com uma pantera\u201d (Dn 7,6); o quarto era \u201chorroroso, aterrador e de uma for\u00e7a excecional\u201d e \u201ctinha dez chifres\u201d, embora lhe tivesse depois nascido um outro \u201cchifre mais pequeno\u201d que \u201ctinha olhos como homem e uma boca que proferia palavras arrogantes\u201d (Dn 7,7-8). Esses \u201cquatro animais\u201d evocam a sucess\u00e3o dos imp\u00e9rios humanos\u2026 O primeiro seria o imp\u00e9rio neobabil\u00f3nico, o segundo representaria o imp\u00e9rio dos medos, o terceiro referir-se-ia ao imp\u00e9rio persa e o quarto seria o imp\u00e9rio grego de Alexandre, do qual os reis sel\u00eaucidas eram os herdeiros diretos. Os \u201cdez chifres\u201d desse quarto animal referem-se a dez reis sel\u00eaucidas que herdaram parte do imp\u00e9rio de Alexandre; e o d\u00e9cimo primeiro chifre, mais pequeno do que os outros, seria, seguramente, Ant\u00edoco IV Ep\u00edfanes, o rei perseguidor do Povo de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em paralelo com o quadro hist\u00f3rico destes imp\u00e9rios \u2013 todos eles conotados com o mal, com o imperialismo, com a opress\u00e3o, com a viol\u00eancia, com a persegui\u00e7\u00e3o ao Povo de Deus \u2013 o autor apresenta o tribunal de Deus. O supremo juiz (Deus) \u00e9 \u201cum anci\u00e3o\u201d com os cabelos e as vestes brancas \u201ccomo a neve\u201d (s\u00edmbolo de pureza e retid\u00e3o); est\u00e1 sentado num trono feito de chamas e \u00e9 servido \u201cpor milhares e dezenas de milhares\u201d. O tribunal decretou a morte do d\u00e9cimo primeiro chifre (Ant\u00edoco IV Ep\u00edfanes): o seu corpo foi desfeito e atirado \u00e0s chamas. Os \u201cquatro animais\u201d (os imp\u00e9rios do mal) foram privados do seu poder (Dn 7,9-12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Derrotados os imp\u00e9rios que traziam sofrimento ao mundo e ao Povo de Deus, surge em cena uma nova figura. Os dois vers\u00edculos que comp\u00f5em a primeira leitura deste trig\u00e9simo quarto domingo comum (cf. Dn 7,13-14) descrevem precisamente a entrada em cena dessa figura que \u00e9 \u201csemelhante a um filho de homem\u201d. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O texto que nos \u00e9 proposto como primeira leitura na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, faz parte de uma reflex\u00e3o mais ampla sobre a hist\u00f3ria e sobre a forma como os imp\u00e9rios humanos se t\u00eam implantado e exercido o seu poder. Os reinos constru\u00eddos pelos homens baseiam-se, frequentemente, num poder arrogante e s\u00e3o geradores de explora\u00e7\u00e3o, de viol\u00eancia, de escravid\u00e3o, de sofrimento. Em pleno s\u00e9c. XXI, este quadro mant\u00e9m-se: a cada hora as na\u00e7\u00f5es e os blocos pol\u00edticos e militares desenvolvem as suas estrat\u00e9gias imperialistas de conquista e de dom\u00ednio, condenando milh\u00f5es e milh\u00f5es de homens e mulheres a viverem mergulhados numa espiral insuport\u00e1vel de viol\u00eancia e de morte. A humanidade estar\u00e1, irremediavelmente, condenada a viver sob o dom\u00ednio da arrog\u00e2ncia, da opress\u00e3o, da prepot\u00eancia, de crueldade? Nunca nos libertaremos desse ciclo de morte? Deus assiste, indiferente e de bra\u00e7os cruzados, a esta din\u00e2mica de viol\u00eancia e de viola\u00e7\u00e3o dos direitos mais elementares dos povos e das na\u00e7\u00f5es? O autor do Livro de Daniel acredita que o reino do mal n\u00e3o ser\u00e1 eterno e que Deus, a seu tempo, h\u00e1 de interromper a cadeia de brutalidade que oprime os seus filhos e os impede de viver em paz. Acreditamos que Deus n\u00e3o abandona o seu Povo em marcha pela hist\u00f3ria e saber\u00e1 derrubar todos os poderes humanos que impedem a realiza\u00e7\u00e3o plena do homem? Estamos dispostos a trabalhar, ao lado de Deus, para que os imp\u00e9rios do mal n\u00e3o tomem conta do mundo? O que podemos fazer nesse sentido?<\/li>\n<li>O an\u00fancio de um \u201cfilho de homem\u201d que vir\u00e1 \u201csobre as nuvens\u201d para instaurar um reino que \u201cn\u00e3o ser\u00e1 destru\u00eddo\u201d leva-nos a Jesus. Ele veio ao encontro dos homens para lhes propor uma nova ordem, em que os pobres, os d\u00e9beis, os fracos, os marginalizados, aqueles que n\u00e3o podem fazer ouvir a sua voz nos grandes are\u00f3pagos internacionais n\u00e3o mais ser\u00e3o humilhados e espezinhados. Jesus, vestindo a pele de um \u201cfilho de homem\u201d, introduziu na hist\u00f3ria uma nova l\u00f3gica, substituindo a l\u00f3gica do da arrog\u00e2ncia, da prepot\u00eancia, da ambi\u00e7\u00e3o e do ego\u00edsmo, por uma l\u00f3gica de amor, de servi\u00e7o, de doa\u00e7\u00e3o, de humanidade. \u00c9 verdade que, mais de dois mil anos depois, o \u201creino\u201d proposto por Jesus ainda n\u00e3o baniu do mundo, de forma definitiva, a viol\u00eancia e a maldade; contudo, esse \u201creino\u201d est\u00e1 presente na vida do mundo, como uma semente a crescer ou como o fermento a levedar a massa. Como disc\u00edpulos de Jesus, assumimos a miss\u00e3o de fazer nascer no nosso mundo e na nossa hist\u00f3ria o reino da verdade, da justi\u00e7a e da paz? Procuramos ser testemunhas e arautos do mundo novo, do Reino de Deus? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 92 (93)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: O Senhor \u00e9 rei num trono de luz.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor \u00e9 rei,<br \/>\nrevestiu-Se de majestade,<br \/>\nrevestiu-Se e cingiu-Se de poder.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Firmou o universo, que n\u00e3o vacilar\u00e1.<br \/>\n\u00c9 firme o vosso trono desde sempre,<br \/>\nV\u00f3s existis desde toda a eternidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os vossos testemunhos s\u00e3o dignos de toda a f\u00e9<br \/>\na santidade habita na vossa casa<br \/>\npor todo o sempre.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Apocalipse 1,5-8<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jesus Cristo \u00e9 a Testemunha fiel,<br \/>\no Primog\u00e9nito dos mortos, o Pr\u00edncipe dos reis da terra.<br \/>\n\u00c0quele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou do pecado<br \/>\ne fez de n\u00f3s um reino de sacerdotes para Deus seu Pai,<br \/>\na Ele a gl\u00f3ria e o poder pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos. Amen.<br \/>\nEi-l\u2019O que vem entre as nuvens,<br \/>\ne todos os olhos O ver\u00e3o, mesmo aqueles que O trespassaram;<br \/>\ne por sua causa h\u00e3o de lamentar-se todas as tribos da terra.<br \/>\nSim. Amen.<br \/>\n\u00abEu sou o Alfa e o \u00d3mega\u00bb, diz o Senhor Deus,<br \/>\n\u00abAquele que \u00e9, que era e que h\u00e1 de vir,<br \/>\no Senhor do Universo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cApocalipse\u201d \u00e9 uma palavra de origem grega que significa \u201cmanifesta\u00e7\u00e3o de algo que est\u00e1 oculto\u201d. O nosso \u201cLivro do Apocalipse\u201d \u2013 do qual \u00e9 retirado o trecho da segunda leitura deste domingo \u2013 \u00e9 um livro que se apresenta como uma \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d sobre \u201cas coisas que brevemente devem acontecer\u201d (Ap 1,1) e que um tal Jo\u00e3o, exilado na ilha de Patmos (uma pequena ilha do Mar Egeu) por causa da sua f\u00e9, tem por miss\u00e3o comunicar aos seus irm\u00e3os na f\u00e9. Essa \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 endere\u00e7ada a \u201csete igrejas\u201d da prov\u00edncia romana da \u00c1sia (atual Turquia), \u00e0s quais o autor se sentia especialmente ligado e cuja problem\u00e1tica conhecia bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos na parte final do reinado do imperador Domiciano (\u00e0 volta do ano 95). As comunidades crist\u00e3s da \u00c1sia Menor vivem numa grave crise interna, resultante das heresias (como a dos nicola\u00edtas, referida em Ap 2,6.15), da falta de entusiasmo, da tibieza, da indiferen\u00e7a, da acomoda\u00e7\u00e3o. Por outro lado, a persegui\u00e7\u00e3o contra os crist\u00e3os, ordenada pelo imperador, tinha criado um clima de inseguran\u00e7a e de medo: muitos seguidores de Jesus eram condenados e assassinados e outros, temendo pelas suas vidas, abandonavam o Evangelho e passavam para o lado do imp\u00e9rio. Na comunidade dizia-se: \u201cJesus \u00e9 o Senhor\u201d; mas l\u00e1 fora, quem mandava mesmo, como senhor todo-poderoso, era o imperador de Roma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste contexto de crise, de persegui\u00e7\u00e3o, de medo e de mart\u00edrio que vai ser escrito o Apocalipse. O objetivo do autor \u00e9 levar os crentes a revitalizarem o seu compromisso com Jesus e a n\u00e3o perderem a esperan\u00e7a. Nesse sentido, o autor do livro come\u00e7a por fazer um convite \u00e0 convers\u00e3o (cf. Ap 1-3), convidando as \u201csete igrejas\u201d a corrigirem as suas op\u00e7\u00f5es erradas e a revitalizarem a sua f\u00e9; passa, depois, a apresentar uma leitura prof\u00e9tica da hist\u00f3ria humana, que promete a vit\u00f3ria final de Deus e dos seus fi\u00e9is sobre as for\u00e7as do mal (cf. Ap 4-22). Estes conte\u00fados s\u00e3o apresentados com o recurso sistem\u00e1tico a s\u00edmbolos e imagens (como \u00e9 t\u00edpico da literatura apocal\u00edptica), o que torna este livro estranho e dif\u00edcil, mas, ao mesmo tempo, muito belo e interpelante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto da segunda leitura de hoje faz parte da \u201cintrodu\u00e7\u00e3o\u201d ao livro do Apocalipse (cf. Ap 1,1-8). Numa esp\u00e9cie de di\u00e1logo lit\u00fargico entre um leitor e a comunidade reunida para escutar uma proclama\u00e7\u00e3o, os crentes s\u00e3o convidados a glorificar o Senhor Jesus, a v\u00ea-lo como o centro da hist\u00f3ria humana, a consider\u00e1-lo como a coordenada fundamental \u00e0 volta da qual se estrutura e organiza toda a vida crist\u00e3. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Quase no final do s\u00e9c. I, as comunidades crist\u00e3s do mundo greco-romano caminhavam sufocadas pelo medo. Domiciano, o imperador de Roma, tinha atribu\u00eddo a si pr\u00f3prio o estatuto de dono do mundo e ordenara uma violenta persegui\u00e7\u00e3o contra a Igreja de Jesus. Os crist\u00e3os sentiam-se impotentes diante desse poder arrogante que nada parecia poder deter. \u00c9 neste contexto que um \u201cprofeta\u201d, exilado na ilha de Patmos por causa da sua f\u00e9, proclama corajosamente aos crist\u00e3os da \u00c1sia Menor: \u201co senhor da Hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 o imperador de Roma, mas sim Jesus, o nosso Salvador. Confiai n\u2019Ele e no seu poder. Ele vem sobre as nuvens do c\u00e9u para nos livrar da opress\u00e3o e da viol\u00eancia dos l\u00edderes humanos que se arrogam o direito de definir os destinos do mundo e de determinar o sentido da Hist\u00f3ria\u201d. E os crist\u00e3os, destinat\u00e1rios desta mensagem libertadora, respondem: \u201cSim, confiamos incondicionalmente em Jesus; que Ele seja louvado pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos\u201d. A mensagem do \u201cprofeta\u201d de Patmos continua a ecoar hoje, num tempo em que os nossos l\u00edderes humanos, titubeantes e pouco esclarecidos, mas com uma arrog\u00e2ncia semelhante \u00e0 de Domiciano, nos arrastam para becos sem sa\u00edda e deixam que a maldade, a viol\u00eancia, a injusti\u00e7a, a explora\u00e7\u00e3o encham de sombras o caminho dos homens\u2026 Acreditamos n\u00f3s tamb\u00e9m, neste tempo dif\u00edcil que nos toca viver, que Jesus \u00e9 o verdadeiro Senhor da Hist\u00f3ria, o Salvador que h\u00e1 de aparecer sobre as nuvens do c\u00e9u para derrotar os poderes arrogantes e para instaurar um reino de felicidade, de vida e de paz sem fim? Essa convic\u00e7\u00e3o d\u00e1-nos for\u00e7as para avan\u00e7ar e para enfrentar as vicissitudes que a vida nos traz?<\/li>\n<li>O \u201cprofeta\u201d de Patmos refere-se a Jesus como \u201co Alfa e o \u00d3mega\u201d, \u201caquele que \u00e9, que era e que h\u00e1 de vir\u201d, \u201co Senhor do Universo\u201d. Convida-nos a v\u00ea-lo como o centro do Tempo e da Hist\u00f3ria dos homens, aquele de quem tudo parte e para quem tudo converge, a refer\u00eancia fundamental \u00e0 volta da qual toda a nossa vida se constr\u00f3i. Como os crist\u00e3os das comunidades jo\u00e2nicas, talvez n\u00f3s sejamos capazes de dizer, nas nossas assembleias lit\u00fargicas: \u201csim. Amen. Aceitamos tudo isso como verdade\u201d. No entanto, no dia a dia da nossa vida, Cristo est\u00e1 efetivamente no centro dos nossos interesses, das nossas op\u00e7\u00f5es, do nosso caminho? As nossas vidas alimentam-se das suas propostas, das suas palavras, dos seus gestos? Vivemos ao seu estilo, amamos como Ele amava, pensamos como Ele pensava, perdoamos como Ele perdoava, servimos como Ele servia? Jesus Cristo \u00e9, de verdade, o nosso \u201crei\u201d, a nossa refer\u00eancia fundamental, aquele a quem seguimos de olhos fechados?<\/li>\n<li>O \u201cprofeta\u201d exilado na ilha de Patmos por causa da sua f\u00e9 lembra-nos tantos e tantos homens e mulheres que, em contextos adversos, insistem em dar testemunho de Jesus e do seu Evangelho. Incompreendidos, maltratados, caluniados, mant\u00eam-se coerentes com o Evangelho de Jesus; com coragem prof\u00e9tica, procuram ser sal que d\u00e1 sabor ao mundo e luz que brilha no meio das trevas; mesmo contra a corrente, s\u00e3o testemunhas corajosas dos valores de Deus e sinais que apontam para um mundo novo. Tamb\u00e9m n\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus e arautos do seu projeto, temos a coragem do testemunho, da coer\u00eancia, do compromisso com os valores do Reino de Deus? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 18,33b-37<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\ndisse Pilatos a Jesus:<br \/>\n\u00abTu \u00e9s o Rei dos judeus?\u00bb<br \/>\nJesus respondeu-lhe:<br \/>\n\u00ab\u00c9 por ti que o dizes,<br \/>\nou foram outros que to disseram de Mim?\u00bb<br \/>\nDisse-Lhe Pilatos:<br \/>\n\u00abPorventura eu sou judeu?<br \/>\nO teu povo e os sumos sacerdotes \u00e9 que Te entregaram a mim.<br \/>\nQue fizeste?\u00bb<br \/>\nJesus respondeu:<br \/>\n\u00abO meu reino n\u00e3o \u00e9 deste mundo.<br \/>\nSe o meu reino fosse deste mundo,<br \/>\nos meus guardas lutariam<br \/>\npara que Eu n\u00e3o fosse entregue aos judeus.<br \/>\nMas o meu reino n\u00e3o \u00e9 daqui\u00bb.<br \/>\nDisse-Lhe Pilatos:<br \/>\n\u00abEnt\u00e3o, Tu \u00e9s Rei?\u00bb<br \/>\nJesus respondeu-lhe:<br \/>\n\u00ab\u00c9 como dizes: sou Rei.<br \/>\nPara isso nasci e vim ao mundo,<br \/>\na fim de dar testemunho da verdade.<br \/>\nTodo aquele que \u00e9 da verdade escuta a minha voz\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo leva-nos at\u00e9 ao \u201cpret\u00f3rio\u201d, situado em Jerusal\u00e9m, na fortaleza chamada \u201cAnt\u00f3nia\u201d (em homenagem ao tri\u00fanviro romano Marco Ant\u00f3nio), que albergava a guarni\u00e7\u00e3o romana de Jerusal\u00e9m. Jesus tinha sido para a\u00ed levado depois de, na madrugada desse dia, ter sido considerado \u201cr\u00e9u de morte\u201d pelas autoridades religiosas judaicas reunidas no pal\u00e1cio do sumo-sacerdote.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 de manh\u00e3 cedo. P\u00f4ncio Pilatos, o \u201cprefeito\u201d romano que administrou a Judeia e a Samaria entre os anos 26 e 36, est\u00e1 sentado na sua cadeira do poder. Jesus est\u00e1 diante dele, manietado como um delinquente. P\u00f4ncio Pilatos vivia habitualmente no seu pal\u00e1cio de Cesareia Mar\u00edtima, junto do mar, a cerca de cem quil\u00f3metros de Jerusal\u00e9m; mas, por altura das grandes festas, dirigia-se a Jerusal\u00e9m com tropas de refor\u00e7o, a fim de manter a ordem na cidade. Nesta altura Pilatos est\u00e1 em Jerusal\u00e9m por causa das festas da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As informa\u00e7\u00f5es de Fl\u00e1vio Josefo e de F\u00edlon apresentam P\u00f4ncio Pilatos como um governante duro e violento, obstinado e severo, culpado de ordenar execu\u00e7\u00f5es de opositores sem um processo legal. As queixas de excessiva crueldade apresentadas contra ele pelos samaritanos no ano 35 levaram Vit\u00e9lio, o legado romano na S\u00edria, a tomar posi\u00e7\u00e3o e a envi\u00e1-lo a Roma para se explicar diante do imperador. P\u00f4ncio Pilatos foi deposto do seu cargo de governador da Judeia logo a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curiosamente, o autor do Quarto Evangelho, no seu relato do julgamento de Jesus, apresenta P\u00f4ncio Pilatos como um homem fraco, indeciso e vol\u00favel, uma esp\u00e9cie de marioneta habilmente manobrada pelos l\u00edderes judaicos. Esta apresenta\u00e7\u00e3o \u2013 que contradiz aquilo que os historiadores da \u00e9poca dizem sobre Pilatos \u2013 n\u00e3o deve ter grandes bases hist\u00f3ricas: deve ser, apenas, uma tentativa de lan\u00e7ar a culpa e a responsabilidade da condena\u00e7\u00e3o de Jesus para cima das autoridades judaicas: foram elas que promoveram e insistiram na condena\u00e7\u00e3o de Jesus, enquanto Pilatos tentou, por todos os meios, libert\u00e1-lo. Na altura em que o autor do Quarto Evangelho escreve (por volta do ano 100), os crist\u00e3os tratavam de evitar quaisquer pol\u00e9micas com o poder imperial, que poderiam ter consequ\u00eancias nefastas na vida da Igreja. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O que significa concluirmos o ano lit\u00fargico celebrando a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, rei do universo? Significa que, depois de termos caminhado com Jesus ao longo de um ano inteiro, sentimos que Ele \u00e9 o nosso verdadeiro guia, o nosso verdadeiro mestre, o nosso verdadeiro Senhor; significa que, depois de termos andado com Ele por tantos caminhos e de termos enfrentado com Ele tantos desafios, confiamos incondicionalmente nas suas orienta\u00e7\u00f5es e propostas; significa que, depois de termos experimentado a sua amizade e o seu amor, queremos apostar n\u2019Ele toda a nossa vida; significa que, depois de termos caminhado ao ritmo das suas palavras e de termos sido alimentados com o seu P\u00e3o, nos sentimos mais fortes, mais livres, mais pr\u00f3ximos da vida verdadeira que buscamos; significa que, tendo constatado a centralidade e a import\u00e2ncia de Jesus na nossa vida, queremos construir \u00e0 volta d\u2019Ele toda a nossa exist\u00eancia. Aceitamos a \u201cautoridade\u201d de Jesus, n\u00e3o porque Ele nos imp\u00f5e o seu poder, mas porque Ele nos toca com o seu amor. Como \u00e9 que entendemos a realeza de Cristo? Reconhecemos Jesus como o nosso rei?<\/li>\n<li>Diante de P\u00f4ncio Pilatos, o \u201cprefeito\u201d romano da Judeia, Jesus admite a sua realeza; mas deixa claro que essa realeza n\u00e3o assenta em poder, em autoridade, em riqueza, em dom\u00ednio, em mordomias, em distin\u00e7\u00f5es humanas. Diante daquele funcion\u00e1rio do imp\u00e9rio que o questiona, Jesus est\u00e1 s\u00f3, indefeso, prisioneiro, armado apenas com a for\u00e7a do amor e da verdade. A sua atitude, naquela hora decisiva, corresponde \u00e0quilo que foi toda a sua vida: obedi\u00eancia a Deus, servi\u00e7o aos homens, solidariedade com as v\u00edtimas, doa\u00e7\u00e3o total de si, testemunho da verdade. \u00c9 com estas \u201carmas\u201d que Ele vai combater o ego\u00edsmo, a autossufici\u00eancia, a injusti\u00e7a, a explora\u00e7\u00e3o, tudo o que gera sofrimento e morte. A l\u00f3gica da vida de Jesus \u00e9 uma l\u00f3gica desconcertante e incompreens\u00edvel, \u00e0 luz dos crit\u00e9rios que o mundo avaliza e enaltece. Consideramos que a op\u00e7\u00e3o de Jesus faz sentido? O mundo novo, de vida e de felicidade plena para todos os homens nascer\u00e1 de uma l\u00f3gica de for\u00e7a, de autoridade e de imposi\u00e7\u00e3o, ou de uma l\u00f3gica de amor, de servi\u00e7o e de dom da vida?<\/li>\n<li>Se acolhemos o convite de Jesus e decidimos ir atr\u00e1s d\u2019Ele, como disc\u00edpulos, \u00e9 porque acreditamos que a proposta d\u2019Ele \u00e9 a receita certa para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo novo, de um mundo mais humano, mais feliz, mais pac\u00edfico, mais harmonioso, mais cheio de amor; se aceitamos Jesus como rei, \u00e9 porque estamos dispostos a seguir as suas orienta\u00e7\u00f5es e a viver, como Ele viveu, numa atitude de servi\u00e7o humilde, de dom gratuito, de respeito, de partilha, de amor; se estamos seguros de que Jesus \u00e9 a nossa grande refer\u00eancia, \u00e9 porque nos dispomos a lutar ao lado d\u2019Ele, n\u00e3o com a for\u00e7a do \u00f3dio e das armas, mas com a for\u00e7a do amor, contra todas as formas de explora\u00e7\u00e3o, de injusti\u00e7a, de aliena\u00e7\u00e3o e de morte\u2026 Estamos dispon\u00edveis para testemunhar e fazer aparecer o Reino de Cristo no nosso mundo e nos cora\u00e7\u00f5es dos homens?<\/li>\n<li>No seu di\u00e1logo com P\u00f4ncio Pilatos, Jesus define, de forma muito bela, o seu programa de vida: \u201cnasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade\u201d. O seu grande objetivo \u00e9 que o projeto de Deus \u2013 aquilo a que Jesus chama \u201ca verdade\u201d \u2013 seja assumido e concretizado pelos homens. Para dar testemunho da verdade, Jesus mostrou-nos o rosto misericordioso de Deus; para dar testemunho da verdade, Jesus disse-nos que Deus queria ver todos os seus filhos queridos caminharem livres e felizes; para dar testemunho da verdade, Jesus lutou contra o ego\u00edsmo, a injusti\u00e7a, a discrimina\u00e7\u00e3o, a intoler\u00e2ncia, a viol\u00eancia, a mentira nas suas mil e uma formas; para dar testemunho da verdade, Jesus acolheu e abra\u00e7ou os pecadores, os malditos, os que n\u00e3o tinham voz nem direitos; para dar testemunho da verdade, Jesus denunciou os mecanismos obscuros que os \u201cdonos do mundo\u201d utilizavam para perpetuar os seus privil\u00e9gios e para defender os seus interesses ego\u00edstas; para dar testemunho da verdade, Jesus amou at\u00e9 ao extremo e deu a pr\u00f3pria vida para nos ensinar a viver\u2026 Aceitamos n\u00f3s tamb\u00e9m fazer do \u201ctestemunho da verdade\u201d o nosso programa de vida? Como Jesus, dispomo-nos a combater objetivamente todas as formas de mentira que tornam mais feio o nosso mundo?<\/li>\n<li>A forma simples e despretensiosa como Jesus, o nosso Rei, Se apresenta diante dos poderes do mundo, convida-nos a repensar certas atitudes, certas formas de organiza\u00e7\u00e3o e certas estruturas que criamos para enfrentar a hist\u00f3ria\u2026 A comunidade de Jesus (a Igreja) n\u00e3o pode estruturar-se e organizar-se com os mesmos crit\u00e9rios dos reinos da terra\u2026 Deve interessar-se mais em dar um testemunho de amor e de solidariedade para com os pobres e marginalizados, do que em agradar \u00e0s autoridades pol\u00edticas e aos chefes das na\u00e7\u00f5es; deve preocupar-se mais com o servi\u00e7o simples e humilde aos homens, do que com os t\u00edtulos, as honras, as mordomias, os privil\u00e9gios; deve apostar mais na partilha e no dom da vida, do que na posse de bens materiais ou na efici\u00eancia das estruturas. Se a Igreja n\u00e3o testemunhar, no meio dos homens, essa l\u00f3gica de realeza que Jesus apresentou diante de P\u00f4ncio Pilatos, est\u00e1 a ser gravemente infiel \u00e0 sua miss\u00e3o. Como \u00e9 que a Igreja de Jesus entende e vive hoje, no s\u00e9c. XXI, o seu servi\u00e7o ao mundo e aos homens? Ao estilo de Jesus, o \u201crei\u201d sem trono e sem poder, que se apresenta diante do mundo apenas \u201carmado\u201d com a humildade, o servi\u00e7o, o amor? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As leituras deste Domingo n\u00e3o apresentam nenhuma dificuldade aparente, contudo, devem ser preparadas cuidadosamente para que a proclama\u00e7\u00e3o da Palavra seja bela e digna. As leituras desta solenidade apresentam a realeza de Jesus, em contraponto com os reinos deste mundo, por isso, a proclama\u00e7\u00e3o das leituras deve traduzir este an\u00fancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> da profecia de Daniel \u00e9 a narrativa das vis\u00f5es da noite onde se anuncia a vinda do Filho do Homem que instaura um reino eterno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> do Livro do Apocalipse \u00e9 um texto lit\u00fargico que apresenta um di\u00e1logo entre um leitor e a comunidade crist\u00e3 reunida para escutar a proclama\u00e7\u00e3o. Deve haver um especial cuidado nas f\u00f3rmulas lit\u00fargicas que se concluem com um \u00ab\u00c1men\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Leitura-I-do-Domingo-XXXIV-do-Tempo-Comum-Solenidade-de-Cristo-Rei-Ano-B-24.11.2024-Dan-7-13-14.pdf\">Leitura I do Domingo XXXIV do Tempo Comum &#8211; Solenidade de Cristo Rei &#8211; Ano B &#8211; 24.11.2024 (Dan 7, 13-14)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Leitura-II-do-Domingo-XXXIV-do-Tempo-Comum-Solenidade-de-Cristo-Rei-Ano-B-24.11.2024-Ap-1-5-8.pdf\">Leitura II do Domingo XXXIV do Tempo Comum &#8211; Solenidade de Cristo Rei &#8211; Ano B &#8211; 24.11.2024 (Ap 1, 5-8)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Domingo-XXXIV-do-Tempo-Comum-Solenidade-de-Cristo-Rei-Ano-B-24.11.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XXXIV do Tempo Comum &#8211; Solenidade de Cristo Rei &#8211; Ano B &#8211; 24.11.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Domingo-XXXIV-do-Tempo-Comum-Solenidade-de-Cristo-Rei-Ano-B-24.11.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXXIV do Tempo Comum &#8211; Solenidade de Cristo Rei &#8211; Ano B &#8211; 24.11.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Domingo-XXXIV-do-Tempo-Comum-Ano-B-24.11.2024-refletindo.pdf\">Domingo XXXIV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 24.11.2024 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/A-Mesa-da-Palavra-explicada.-Domingo-XXXIV-TC-Solenidade-de-Cristo-Rei-JL.pdf\">A Mesa da Palavra explicada&#8230; Domingo XXXIV TC &#8211; Solenidade de Cristo Rei &#8211; JL<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXXIII do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 17.11.2024 VIII Dia Mundial dos Pobres&#8221; tab_id=&#8221;1732526454349-5db28755-b844&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo XXXIII do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 17.11.2024<br \/>\nVIII Dia Mundial dos Pobres<br \/>\n<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Domingo-XXXIII.jpg\" alt=\"\" width=\"742\" height=\"433\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viajando de transportes p\u00fablicos ou permanecendo por algum tempo numa qualquer sala de espera de um local p\u00fablico onde passam as not\u00edcias, depressa se fazem sentir vozes de desilus\u00e3o e descontentamento, afirmando a necessidade de um mundo novo e diferente. Queremos um mundo melhor, onde cada homem e cada mulher sejam verdadeiramente felizes! A nossa esperan\u00e7a deve encher-se de alegria, porque este \u00e9 tamb\u00e9m o desejo de Deus. O Deus do Amor, da Alegria e da Vida sonhou-nos para a felicidade, pela constru\u00e7\u00e3o de um mundo novo e diferente com a marca do amor que se faz entrega generosa ao servi\u00e7o dos irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, n\u00e3o nos devem assustar as palavras de Jesus: \u00ab<em>naqueles dias, depois de uma grande afli\u00e7\u00e3o, o sol escurecer\u00e1 e a lua n\u00e3o dar\u00e1 a sua claridade; as estrelas cair\u00e3o do c\u00e9u e as for\u00e7as que h\u00e1 nos c\u00e9us ser\u00e3o abaladas. Ent\u00e3o, h\u00e3o-de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens, com grande poder e gl\u00f3ria. Ele mandar\u00e1 os Anjos, para reunir os seus eleitos dos quatro pontos cardeais, da extremidade da terra \u00e0 extremidade do c\u00e9u<\/em>\u00bb. Na verdade, n\u00e3o s\u00e3o nenhuma profecia do \u00abfim do mundo\u00bb, nem um modo pedag\u00f3gico de nos atemorizar para nos conduzir \u00e0 convers\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 de terror que trata o Evangelho, mas de amor e miseric\u00f3rdia. Estas palavras s\u00e3o a certeza de que as realidades deste mundo, por maiores que elas possam parecer, s\u00e3o passageiras e ef\u00e9meras, ao inv\u00e9s do amor de Deus e da Sua Palavra que permanecem como verdadeira luz que conduz a nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, temos muito a aprender com a par\u00e1bola da figueira que enche o nosso cora\u00e7\u00e3o da verdadeira esperan\u00e7a crist\u00e3. A esperan\u00e7a que brota da nossa f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma esperan\u00e7a oca ou vazia, porque possui a consist\u00eancia de um rosto: o rosto terno e misericordioso de Jesus Cristo, Aquele que \u00ab<em>tendo oferecido pelos pecados um \u00fanico sacrif\u00edcio, sentou-Se para sempre \u00e0 direita de Deus<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Mestre ensina-nos a par\u00e1bola da figueira cujos ramos tenros e folhas verdes anunciam a chegada do Ver\u00e3o. Coisas tenras e ternas s\u00e3o as que anuncia Jesus, pois a figueira que come\u00e7a a brotar na Primavera, anuncia o ressurgir da natureza ap\u00f3s o Inverno. A f\u00e9 crist\u00e3 recorda-nos que depois de descobrir Jesus Cristo e o seu Evangelho a nossa vida ressurge e ganha uma vida absolutamente nova. Por isso, n\u00e3o \u00e9 o medo do que vai acabar que fica sublinhado neste Evangelho, mas a expectativa feliz da novidade de Deus, que em Jesus Cristo irrompe na nossa vida e transforma o mundo, transformando o cora\u00e7\u00e3o de cada disc\u00edpulo mission\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem est\u00e1 perto, est\u00e1 mesmo \u00e0 porta<\/em>\u00bb. Quando as dificuldades surgem no nosso caminho, quando tudo parece perdido, quando o mundo parece desabar sobre n\u00f3s, recordemos que Jesus est\u00e1 pr\u00f3ximo, que Ele n\u00e3o \u00e9 indiferente \u00e0s nossas dores e ang\u00fastias, mas Ele pr\u00f3prio as assumiu na Sua vida, abra\u00e7ando a Cruz para nossa salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, o \u00fanico \u00abfim do mundo\u00bb que a Liturgia da Palavra nos prop\u00f5e \u00e9 o fim de um mundo marcado pelo ego\u00edsmo e pela viol\u00eancia, pela nossa autossufici\u00eancia e pela indiferen\u00e7a, para que possa despontar um mundo novo, marcado pelo amor e pela miseric\u00f3rdia. Deste modo, o mundo tornar-se-\u00e1 um lugar mais belo, pois como recorda a profecia de Daniel, quando nos abrimos \u00e0 verdadeira sabedoria a nossa vida torna-se um rasto luminoso que aponta o caminho do C\u00e9u: \u00ab<em>os s\u00e1bios resplandecer\u00e3o como a luz do firmamento e os que tiverem ensinado a muitos o caminho da justi\u00e7a brilhar\u00e3o como estrelas por toda a eternidade<\/em>\u00bb.<em><strong> in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No <strong>Domingo XXXIII do Tempo Comum<\/strong>, assinala-se o <strong>VIII Dia Mundial dos Pobres<\/strong>. Para este ano o Papa Francisco escreveu uma mensagem intitulada \u00ab<em>A ora\u00e7\u00e3o do pobre eleva-se at\u00e9 Deus\u00a0(cf. Sir 21, 5)<\/em>\u00bb <strong>(ver anexo)<\/strong>. No ano dedicado \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, em vista ao Jubileu da Esperan\u00e7a de 2025, o Papa Francisco desafia-nos a viver a partir da esperan\u00e7a crist\u00e3 que transforma a nossa ora\u00e7\u00e3o num lugar de confian\u00e7a: \u00ab<em>a esperan\u00e7a crist\u00e3 inclui tamb\u00e9m a certeza de que a nossa ora\u00e7\u00e3o chega \u00e0 presen\u00e7a de Deus; n\u00e3o uma ora\u00e7\u00e3o qualquer, mas a ora\u00e7\u00e3o do pobre<\/em>\u00bb. Al\u00e9m da divulga\u00e7\u00e3o desta mensagem, este Domingo \u00e9 uma ocasi\u00e3o privilegiada para recordar o nosso compromisso crist\u00e3o com os mais fr\u00e1geis e desfavorecidos. Pode dar-se a conhecer os diversos grupos e movimentos paroquiais que trabalham ao servi\u00e7o dos mais pobres, mas sem esquecer que a caridade n\u00e3o \u00e9 uma tarefa de alguns ou apenas de um grupo, mas de toda a comunidade<strong>. <\/strong><em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Daniel 12,1-3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo, surgir\u00e1 Miguel, o grande chefe dos Anjos,<br \/>\nque protege os filhos do teu povo.<br \/>\nSer\u00e1 um tempo de ang\u00fastia,<br \/>\ncomo n\u00e3o ter\u00e1 havido at\u00e9 ent\u00e3o, desde que existem na\u00e7\u00f5es.<br \/>\nMas nesse tempo, vir\u00e1 a salva\u00e7\u00e3o para o teu povo,<br \/>\npara aqueles que estiverem inscritos no livro de Deus.<br \/>\nMuitos dos que dormem no p\u00f3 da terra acordar\u00e3o,<br \/>\nuns para a vida eterna,<br \/>\noutros para a vergonha e o horror eterno.<br \/>\nOs s\u00e1bios resplandecer\u00e3o como a luz do firmamento<br \/>\ne os que tiverem ensinado a muitos o caminho da justi\u00e7a<br \/>\nbrilhar\u00e3o como estrelas por toda a eternidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 333 a.C., Alexandre da Maced\u00f3nia derrotou Dario III, rei dos Persas, na batalha de Issos (S\u00edria). A Palestina, at\u00e9 a\u00ed sob o dom\u00ednio dos Persas, ficou integrada no imp\u00e9rio de Alexandre. Quando Alexandre morreu, em 323 a.C., os seus generais disputaram entre si a sucess\u00e3o. A Palestina passou a ser pomo de disc\u00f3rdia entre a fam\u00edlia dos Ptolomeus, que governava o Egito, e a fam\u00edlia dos Sel\u00eaucidas, que governava a Mesopot\u00e2mia e a S\u00edria. Num primeiro momento, os Ptolomeus asseguraram o dom\u00ednio da Palestina e da S\u00edria; mas o sel\u00eaucida Ant\u00edoco III, aliado com Filipe V da Maced\u00f3nia, acabou por vencer os Ptolomeus (batalha das fontes do Jord\u00e3o, no ano 200 a.C.) e por conquistar o dom\u00ednio da Palestina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o per\u00edodo ptolomaico tinha sido uma \u00e9poca de relativa benevol\u00eancia para com a cultura judaica, a situa\u00e7\u00e3o mudou radicalmente durante o reinado do sel\u00eaucida Ant\u00edoco IV Ep\u00edfanes (174-164 a.C.). Este rei querendo impor a cultura hel\u00e9nica em todo o seu imp\u00e9rio, praticou uma pol\u00edtica de intoler\u00e2ncia para com a cultura e a religi\u00e3o judaicas. A persegui\u00e7\u00e3o foi dura e as marcas da intoler\u00e2ncia sel\u00eaucida provocaram feridas muito graves no universo social e religioso judaico. Se muitos judeus renegaram a sua f\u00e9 e assumiram os valores hel\u00e9nicos, muitos outros resistiram, defenderam a sua identidade cultural e religiosa. Uns optaram abertamente pela insurrei\u00e7\u00e3o armada (como foi o caso de Judas Macabeu e dos seus heroicos seguidores); outros, contudo, optaram por fazer frente \u00e0 prepot\u00eancia dos reis hel\u00e9nicos com a sua palavra e os seus escritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro de Daniel surge neste contexto. O seu autor \u00e9 um judeu fiel \u00e0 cultura e aos valores religiosos dos seus antepassados. A pretexto de contar a hist\u00f3ria de um tal Daniel, um judeu exilado na Babil\u00f3nia, que soube manter a sua f\u00e9 num ambiente adverso de persegui\u00e7\u00e3o, o autor do Livro de Daniel pede aos seus concidad\u00e3os que n\u00e3o se deixem vencer pela persegui\u00e7\u00e3o de Ant\u00edoco IV Ep\u00edfanes e que se mantenham fi\u00e9is \u00e0 religi\u00e3o e aos valores dos seus pais. O autor garante aos seus concidad\u00e3os que Deus n\u00e3o abandonar\u00e1 o seu Povo e que recompensar\u00e1 todos aqueles que se mantiveram fi\u00e9is \u00e0 Lei e aos mandamentos. Estamos na primeira metade do s\u00e9c. II a.C., pouco antes do desaparecimento de cena de Ant\u00edoco (que aconteceu em 164 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro de Daniel misturam-se g\u00e9neros liter\u00e1rios diversos. Os cap\u00edtulos 7 a 12 (que incluem o breve texto que a liturgia nos prop\u00f5e como primeira leitura neste trig\u00e9simo terceiro domingo comum) pertencem ao g\u00e9nero apocal\u00edtico. \u201cApocalipse\u201d significa \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d. Servindo-se de um g\u00e9nero liter\u00e1rio que recorre abundantemente a s\u00edmbolos (n\u00fameros, cores, animais, plantas\u2026) e a uma linguagem cifrada (que os destinat\u00e1rios da mensagem conhecem, mas que os perseguidores ignoram), o autor prop\u00f5e-se comunicar \u201crevela\u00e7\u00f5es\u201d sobre o projeto de Deus, o protagonismo de Deus sobre a hist\u00f3ria, a luta de Deus contra o mal, a vit\u00f3ria final de Deus sobre os imp\u00e9rios humanos. Em tempo de persegui\u00e7\u00e3o e de crise, o objetivo do autor \u00e9 restaurar a esperan\u00e7a e assegurar ao Povo a vit\u00f3ria de Deus e dos seus fi\u00e9is sobre os opressores. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A mensagem de esperan\u00e7a que o autor do livro de Daniel procura transmitir dirige-se a judeus desanimados, que sofrem na pele a persegui\u00e7\u00e3o que lhes \u00e9 movida pelo \u00edmpio Ant\u00edoco IV Ep\u00edfanes e que se sentem impotentes para romper a cadeia de sofrimento e de morte que lhes \u00e9 imposta. Talvez a nossa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja t\u00e3o dram\u00e1tica; mas n\u00e3o \u00e9 verdade que muitas vezes nos sentimos desanimados e impotentes perante o predom\u00ednio dos maus, dos violentos, dos opressores, daqueles que tomam as r\u00e9deas do mundo e imp\u00f5em aos outros os seus esquemas injustos e ego\u00edstas? N\u00e3o \u00e9 verdade que por vezes nos apetece desistir dos nossos valores, pois o mundo parece funcionar segundo esquemas onde esses valores n\u00e3o cabem? A mensagem que o autor do livro de Daniel deixa poder\u00e1 ser, tamb\u00e9m para n\u00f3s, uma refrescante mensagem de esperan\u00e7a: Deus \u00e9 o Senhor da hist\u00f3ria; Ele n\u00e3o desiste de lutar contra tudo aquilo que impede os seus queridos filhos de serem livres e felizes; a vit\u00f3ria final n\u00e3o ser\u00e1 dos maus, dos injustos, dos opressores, mas ser\u00e1 de Deus e de todos aqueles que se mantiverem fi\u00e9is a Deus. Acreditamos nisto? Confiamos em Deus e na sua interven\u00e7\u00e3o salvadora, mesmo quando parece que os maus prevalecem e t\u00eam nas m\u00e3os o dom\u00ednio da hist\u00f3ria dos homens?<\/li>\n<li>A \u201cpersegui\u00e7\u00e3o\u201d por causa da fidelidade aos valores em que acreditamos \u00e9 uma realidade que todos conhecemos e que faz parte de qualquer exist\u00eancia verdadeiramente comprometida. Hoje, essa \u201cpersegui\u00e7\u00e3o\u201d nem sempre \u00e9 sangrenta; manifesta-se, muitas vezes, em atitudes de marginaliza\u00e7\u00e3o ou de rejei\u00e7\u00e3o, em ditos humilhantes, em atitudes provocat\u00f3rias, na colagem de \u201cr\u00f3tulos\u201d (\u201cconservadores\u201d, \u201catrasados\u201d, \u201cfora de moda\u201d), em julgamentos apressados e injustos, em preconceitos rid\u00edculos\u2026 Ora, tudo isso pode n\u00e3o matar, mas m\u00f3i e cansa: faz-nos sofrer e pode levar-nos ao des\u00e2nimo. Como lidamos com a oposi\u00e7\u00e3o, a rejei\u00e7\u00e3o, a condena\u00e7\u00e3o de que somos alvo quando insistimos em viver de acordo com os valores em que acreditamos? Mantemo-nos fi\u00e9is aos nossos princ\u00edpios e aos valores sobre os quais assenta a nossa f\u00e9? Ou a incompreens\u00e3o dos nossos contempor\u00e2neos \u00e9 fator de enfraquecimento das nossas convic\u00e7\u00f5es e de quebra dos nossos compromissos com Deus?<\/li>\n<li>A oposi\u00e7\u00e3o e a incompreens\u00e3o do \u201cmundo\u201d podem gerar, da nossa parte, uma resposta agressiva e levarem a um corte da nossa rela\u00e7\u00e3o com o mundo. Ser\u00e1 essa a melhor resposta \u00e0 incompreens\u00e3o que \u201co mundo\u201d nos tributa? Poderemos continuar a ser \u201csal da terra e luz do mundo\u201d se cortarmos as pontes que nos ligam ao mundo? Poderemos continuar a propor o Evangelho ao mundo se, magoados pelas cr\u00edticas e incompreens\u00f5es que temos de suportar, nos escondermos atr\u00e1s dos muros dos nossos templos e nos limitarmos a condenar esse mundo f\u00fatil que n\u00e3o nos entende? Talvez o caminho seja continuarmos a afirmar, de forma humilde, mas convicta, os valores em que acreditamos, com a certeza que o nosso testemunho h\u00e1 de interpelar algu\u00e9m e h\u00e1 de produzir frutos de renova\u00e7\u00e3o do mundo e das mentalidades. Como \u00e9 que lidamos com a hostilidade do mundo?<\/li>\n<li>O autor do livro de Daniel promete a vida eterna \u00e0queles que procuraram viver na fidelidade aos valores de Deus. A certeza de que a vida n\u00e3o acaba na morte liberta-nos do medo e d\u00e1-nos a coragem do compromisso. Podemos, serenamente, enfrentar neste mundo as for\u00e7as da opress\u00e3o e da morte, porque sabemos que elas n\u00e3o conseguir\u00e3o derrotar-nos: no final da nossa caminhada por este mundo, est\u00e1 sempre a vida eterna e verdadeira, que Deus reserva para os que est\u00e3o \u201cinscritos no livro da vida\u201d. A certeza da ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9, para n\u00f3s, a fonte de onde brota a coragem para enfrentarmos a vida, as vicissitudes do caminho, a incompreens\u00e3o dos homens? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 15 (16)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Defendei-me, Senhor: V\u00f3s sois o meu ref\u00fagio.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Guardai-me, Senhor, porque esperei em V\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Senhor, por\u00e7\u00e3o da minha heran\u00e7a e do meu c\u00e1lice,<br \/>\nest\u00e1 nas vossas m\u00e3os o meu destino.<br \/>\nO Senhor est\u00e1 sempre na minha presen\u00e7a,<br \/>\ncom Ele a meu lado n\u00e3o vacilarei.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por isso o meu cora\u00e7\u00e3o se alegra e a minha alma exulta<br \/>\ne at\u00e9 o meu corpo descansa tranquilo.<br \/>\nV\u00f3s n\u00e3o abandonareis a minha alma na mans\u00e3o dos mortos,<br \/>\nnem deixareis o vosso fiel sofrer a corrup\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,<br \/>\nalegria plena em vossa presen\u00e7a,<br \/>\ndel\u00edcias eternas \u00e0 vossa direita.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Hebreus 10,11-14.18<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todo o sacerdote da antiga alian\u00e7a<br \/>\nse apresenta cada dia para exercer o seu minist\u00e9rio<br \/>\ne oferecer muitas vezes os mesmos sacrif\u00edcios,<br \/>\nque nunca poder\u00e3o perdoar os pecados.<br \/>\nCristo, ao contr\u00e1rio,<br \/>\ntendo oferecido pelos pecados um \u00fanico sacrif\u00edcio,<br \/>\nsentou-Se para sempre \u00e0 direita de Deus,<br \/>\nesperando desde ent\u00e3o que os seus inimigos<br \/>\nsejam postos como escabelo dos seus p\u00e9s.<br \/>\nPorque, com uma \u00fanica obla\u00e7\u00e3o,<br \/>\nEle tornou perfeitos para sempre os que Ele santifica.<br \/>\nOnde h\u00e1 remiss\u00e3o dos pecados,<br \/>\nj\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 necessidade de obla\u00e7\u00e3o pelo pecado.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u201cCarta aos Hebreus\u201d (mais do que uma \u201ccarta\u201d, \u00e9 uma \u201chomilia\u201d) destina-se a comunidades crist\u00e3s que vivem dias complicados\u2026 \u00c0 falta de entusiasmo de muitos dos seus membros na viv\u00eancia do compromisso crist\u00e3o, junta-se a hostilidade dos inimigos e as confus\u00f5es causadas \u00e0 f\u00e9 comunit\u00e1ria por certos pregadores pouco ortodoxos que ensinam doutrinas estranhas, que n\u00e3o s\u00e3o coerentes com as propostas de Jesus. S\u00e3o, portanto, comunidades fragilizadas, cansadas e desalentadas, que necessitam de redescobrir o seu entusiasmo inicial, de revitalizar o seu compromisso com Cristo e de apostar numa f\u00e9 mais coerente e mais empenhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, um \u201cmestre\u201d crist\u00e3o (talvez um disc\u00edpulo do ap\u00f3stolo Paulo) disp\u00f5e-se a apresenta-lhes o mist\u00e9rio de Cristo, o sacerdote por excel\u00eancia, cuja miss\u00e3o \u00e9 p\u00f4r os crentes em rela\u00e7\u00e3o com o Pai e inseri-los nesse Povo sacerdotal que \u00e9 a comunidade crist\u00e3. Uma vez comprometidos com Cristo, os crentes s\u00e3o chamados a fazer da sua vida um cont\u00ednuo sacrif\u00edcio de louvor, de entrega e de amor. Desta forma, o autor oferece aos crist\u00e3os um aprofundamento e uma amplia\u00e7\u00e3o da f\u00e9 primitiva, capaz de revitalizar uma experi\u00eancia de f\u00e9 enfraquecida pela hostilidade do ambiente, pela acomoda\u00e7\u00e3o, pela monotonia e pelo arrefecimento do entusiasmo inicial. As refer\u00eancias ao culto praticado no templo de Jerusal\u00e9m como uma realidade ainda vigente parecem sugerir que esta \u201cCarta\u201d foi escrita antes de o templo ser destru\u00eddo pelos romanos, no ano 70.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto \u00e9 parte da conclus\u00e3o da reflex\u00e3o sobre o sacerd\u00f3cio de Cristo (cf. Heb 10,1-18). Nessa per\u00edcope, o autor repete temas desenvolvidos nos cap\u00edtulos precedentes, procurando, uma vez mais, p\u00f4r em relevo a dimens\u00e3o salvadora da miss\u00e3o sacerdotal de Jesus. O objetivo \u00e9 despertar no cora\u00e7\u00e3o dos crentes uma resposta adequada ao amor de Deus, manifestado na a\u00e7\u00e3o de Jesus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O pecado \u00e9 sempre um \u201cn\u00e3o\u201d a Deus, dito conscientemente por homens e mulheres que prescindem das indica\u00e7\u00f5es de Deus e decidem escolher caminhos de ego\u00edsmo e de autossufici\u00eancia. N\u00e3o nos faz sentir bem, nem nos torna mais livres; pelo contr\u00e1rio, pesa intoleravelmente na nossa consci\u00eancia, inquieta o nosso cora\u00e7\u00e3o, altera o nosso equil\u00edbrio, rouba-nos a paz, torna-nos escravos, leva-nos por caminhos que n\u00e3o nos realizam. Resulta da nossa fragilidade, do nosso ego\u00edsmo cr\u00f3nico, da nossa dificuldade em discernir o que nos torna felizes e o que nos torna infelizes. Ser\u00e1 uma realidade inultrapass\u00e1vel, \u00e0 qual estaremos fatalmente condenados? Afetar\u00e1 a nossa realiza\u00e7\u00e3o plena, o nosso encontro final com Deus? A segunda leitura deste trig\u00e9simo terceiro domingo comum garante-nos que Deus n\u00e3o abandona o homem que faz, mesmo conscientemente, op\u00e7\u00f5es erradas. O nosso ego\u00edsmo, o nosso orgulho, a nossa autossufici\u00eancia, o nosso comodismo, o nosso pecado, n\u00e3o t\u00eam a \u00faltima palavra; a \u00faltima palavra \u00e9 sempre do amor de Deus e da sua vontade de salvar o homem. Deus est\u00e1 sempre dispon\u00edvel para nos justificar, para nos abra\u00e7ar e para nos acolher. A consci\u00eancia do amor e do perd\u00e3o de Deus ajuda-nos a enfrentar e a superar a nossa fragilidade? A certeza da miseric\u00f3rdia de Deus liberta-nos da ang\u00fastia com que o pecado nos carrega e oprime?<\/li>\n<li>Jesus, o Filho amado de Deus, veio ao mundo para concretizar o projeto salvador de Deus: libertar-nos da escravid\u00e3o do pecado e inserir-nos numa din\u00e2mica de vida eterna. Com a sua vida, com os seus gestos, com as suas palavras, Ele ensinou-nos a vencer o ego\u00edsmo e a fazer da nossa vida um dom de amor a Deus e aos irm\u00e3os. No dia em que aderimos a Jesus \u2013 o dia do nosso Batismo \u2013, renunciamos ao pecado, acolhemos o projeto de vida que Jesus nos apresentou e pass\u00e1mos a integrar a comunidade dos filhos de Deus. Trata-se de um compromisso s\u00e9rio e exigente, que necessita de ser continuamente renovado. O nosso compromisso com Jesus e com a sua proposta de vida exige que, como Ele, vivamos na escuta de Deus e na obedi\u00eancia ao seu projeto; exige que vivamos no amor, na partilha, no servi\u00e7o, se necess\u00e1rio at\u00e9 ao dom total da vida; exige que lutemos, sem desanimar, contra tudo aquilo que rouba a vida do homem e o impede de chegar \u00e0 vida plena; exige que sejamos, no meio do mundo, testemunhas de uma din\u00e2mica nova \u2013 a din\u00e2mica do amor. A nossa vida tem sido coerente com esse compromisso?<\/li>\n<li>A sociedade que temos vindo a construir est\u00e1 armadilhada com \u201cestruturas de pecado\u201d, que ajudam a perpetuar as injusti\u00e7as, a potenciar as viol\u00eancias sobre os mais d\u00e9beis, a criar exclus\u00e3o e marginaliza\u00e7\u00e3o, a destruir a dignidade de muitos homens e mulheres. S\u00e3o estruturas, mecanismos, pr\u00e1ticas, institui\u00e7\u00f5es, ideologias, que banalizam a indiferen\u00e7a, desumanizam mais e mais o nosso mundo, multiplicam o sofrimento de milh\u00f5es e milh\u00f5es de irm\u00e3os nossos. S\u00e3o utilizadas pelos donos do mundo para favorecer projetos ego\u00edstas, interesses pessoais, planos ambiciosos de pessoas sem escr\u00fapulos, preocupadas apenas consigo mesmas a n\u00e3o com o bem comum. Como nos situamos frente a essas \u201cestruturas de pecado\u201d? Aceit\u00e1mo-las enquanto elas n\u00e3o nos afetam diretamente, ou lutamos contra elas com todas as nossas for\u00e7as? Seremos alguma pe\u00e7a dessas m\u00e1quinas de injusti\u00e7a que contribuem para aumentar o pecado do mundo? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Marcos 13,24-32<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\ndisse Jesus aos seus disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abNaqueles dias, depois de uma grande afli\u00e7\u00e3o,<br \/>\no sol escurecer\u00e1 e a lua n\u00e3o dar\u00e1 a sua claridade;<br \/>\nas estrelas cair\u00e3o do c\u00e9u<br \/>\ne as for\u00e7as que h\u00e1 nos c\u00e9us ser\u00e3o abaladas.<br \/>\nEnt\u00e3o, h\u00e3o de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens,<br \/>\ncom grande poder e gl\u00f3ria.<br \/>\nEle mandar\u00e1 os Anjos,<br \/>\npara reunir os seus eleitos dos quatro pontos cardeais,<br \/>\nda extremidade da terra \u00e0 extremidade do c\u00e9u.<br \/>\nAprendei a par\u00e1bola da figueira:<br \/>\nquando os seus ramos ficam tenros e brotam as folhas,<br \/>\nsabeis que o Ver\u00e3o est\u00e1 pr\u00f3ximo.<br \/>\nAssim tamb\u00e9m, quando virdes acontecer estas coisas,<br \/>\nsabei que o Filho do homem est\u00e1 perto, est\u00e1 mesmo \u00e0 porta.<br \/>\nEm verdade vos digo:<br \/>\nN\u00e3o passar\u00e1 esta gera\u00e7\u00e3o sem que tudo isto aconte\u00e7a.<br \/>\nPassar\u00e1 o c\u00e9u e a terra,<br \/>\nmas as minhas palavras n\u00e3o passar\u00e3o.<br \/>\nQuanto a esse dia e a essa hora, ningu\u00e9m os conhece:<br \/>\nnem os Anjos do C\u00e9u, nem o Filho;<br \/>\ns\u00f3 o Pai\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus tinha passado o dia no templo de Jerusal\u00e9m. Tinha sido o dia dos \u201censinamentos\u201d e das pol\u00e9micas com os l\u00edderes judaicos (cf. Mc 11,20-12,44). No final desse dia, Jesus dirigiu-se novamente para Bet\u00e2nia, rodeado pelos disc\u00edpulos. Detiveram-se no \u201cJardim das Oliveiras\u201d, a contemplar Jerusal\u00e9m, que ficava defronte. Pouco antes, em resposta a uma observa\u00e7\u00e3o de um dos disc\u00edpulos sobre a grandiosidade do templo e das suas pedras, Jesus tinha dito que o templo seria destru\u00eddo e que n\u00e3o ficaria pedra sobre pedra (cf. Mc 13,1-2). Agora, olhando a cidade, Pedro, Andr\u00e9, Tiago e Jo\u00e3o (cf. Mc 13,3) pedem explica\u00e7\u00f5es mais concretas a Jesus acerca do que Ele tinha dito sobre a destrui\u00e7\u00e3o do templo. Em resposta, Jesus oferece-lhes um amplo e enigm\u00e1tico ensinamento, que ficou conhecido como o \u201cdiscurso escatol\u00f3gico\u201d (cf. Mt 13,4-37).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cdiscurso escatol\u00f3gico\u201d de Jesus \u00e9 um texto dif\u00edcil, uma vez que emprega imagens e linguagens marcadas por alus\u00f5es enigm\u00e1ticas, bem ao jeito do g\u00e9nero liter\u00e1rio \u201capocalipse\u201d. Nele confluem elementos de car\u00e1ter hist\u00f3rico \u2013 a anunciada destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m e do templo ocorrer\u00e1 quarenta anos depois, no ano 70, quando as tropas romanas de Tito tomarem a cidade e a incendiarem \u2013 com reflex\u00f5es de car\u00e1ter prof\u00e9tico sobre o sentido da hist\u00f3ria humana no seu conjunto. O objetivo do discurso seria dar aos disc\u00edpulos indica\u00e7\u00f5es acerca da atitude a tomar frente \u00e0s vicissitudes que marcar\u00e3o a caminhada hist\u00f3rica da comunidade, at\u00e9 ao momento em que Jesus vier para instaurar, em definitivo, o novo c\u00e9u e a nova terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os quatro disc\u00edpulos referenciados no in\u00edcio do \u201cdiscurso escatol\u00f3gico\u201d representam a comunidade crist\u00e3 de todos os tempos. Os quatro s\u00e3o, precisamente, os primeiros disc\u00edpulos chamados por Jesus (cf. Mc 1,16-20) e, como tal, convertem-se em representantes de todos os futuros disc\u00edpulos. O discurso escatol\u00f3gico de Jesus n\u00e3o seria, assim, uma mensagem privada destinada a um grupo especial, mas uma mensagem destinada a toda a comunidade crente, chamada a caminhar na hist\u00f3ria com os olhos postos no encontro final com Jesus e com o Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A miss\u00e3o que Jesus (que est\u00e1 consciente de ter chegado a sua hora de partir ao encontro do Pai) confia \u00e0 sua comunidade n\u00e3o \u00e9 uma miss\u00e3o f\u00e1cil\u2026 Jesus sabe que os seus disc\u00edpulos ter\u00e3o que enfrentar as dificuldades, as persegui\u00e7\u00f5es, as tenta\u00e7\u00f5es que \u201co mundo\u201d vai colocar no seu caminho. Essa comunidade em marcha pela hist\u00f3ria necessitar\u00e1, portanto, de est\u00edmulo e de alento. \u00c9 por isso que surge este apelo \u00e0 fidelidade, \u00e0 coragem, \u00e0 vigil\u00e2ncia\u2026 No horizonte \u00faltimo da caminhada da comunidade, Jesus coloca o final da hist\u00f3ria humana e o reencontro definitivo dos disc\u00edpulos com Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cdiscurso escatol\u00f3gico\u201d divide-se em tr\u00eas partes, antecedidas de uma introdu\u00e7\u00e3o (cf. Mc 13,1-4). Na primeira parte (cf. Mc 13,5-23), o discurso anuncia uma s\u00e9rie de vicissitudes que v\u00e3o marcar a hist\u00f3ria e que requerem dos disc\u00edpulos a atitude adequada: vigil\u00e2ncia e lucidez. Na segunda parte, o discurso anuncia a vinda definitiva do Filho do Homem e o nascimento de um mundo novo a partir das ru\u00ednas do mundo velho (cf. Mc 13,24-27). Na terceira parte, o discurso anuncia a incerteza quanto ao \u201ctempo\u201d hist\u00f3rico dos eventos anunciados e insiste com os disc\u00edpulos para que estejam sempre vigilantes e preparados para acolher o Senhor que vem (cf. Mc 13,28-37). O texto evang\u00e9lico que a liturgia deste trig\u00e9simo terceiro domingo comum nos prop\u00f5e apresenta, precisamente, a segunda parte e alguns vers\u00edculos da terceira parte do \u201cdiscurso escatol\u00f3gico\u201d.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Ver os telejornais ou escutar os notici\u00e1rios \u00e9, com frequ\u00eancia, uma experi\u00eancia que nos desassossega e que nos deprime. Os dramas da \u201caldeia global\u201d que \u00e9 o mundo entram em nossa casa, sentam-se \u00e0 nossa mesa, perturbam a nossa tranquilidade, escurecem os nossos horizontes. A guerra, a opress\u00e3o, a injusti\u00e7a, a mis\u00e9ria, a escravid\u00e3o, o ego\u00edsmo, o desprezo pela dignidade dos seres humanos, atingem-nos, mesmo quando acontecem a milhares de quil\u00f3metros do pequeno mundo onde nos movemos todos os dias. As sombras que marcam a hist\u00f3ria atual da humanidade tornam-se realidades pr\u00f3ximas, tang\u00edveis, que nos inquietam e nos desanimam. Sentimo-nos impotentes, incapazes de mudar o rumo das coisas. O futuro parece-nos sombrio e sem sa\u00edda. A Palavra de Deus que hoje nos \u00e9 servida abre, contudo, a porta \u00e0 esperan\u00e7a. Reafirma, uma vez mais, que Deus n\u00e3o abandona os seus filhos que caminham na hist\u00f3ria e est\u00e1 determinado a transformar o mundo velho do ego\u00edsmo e do pecado num mundo novo de vida e de felicidade para todos os homens. A humanidade n\u00e3o caminha para o caos, para a destrui\u00e7\u00e3o, para o sem sentido, para o nada; mas caminha ao encontro desse mundo novo em que o homem, com a ajuda de Deus, alcan\u00e7ar\u00e1 a plenitude das suas possibilidades. Como \u00e9 que vemos e avaliamos a hist\u00f3ria dos homens? Acreditamos que o mal n\u00e3o triunfar\u00e1 e que a \u00faltima palavra ser\u00e1 sempre de Deus? Acreditamos que Deus far\u00e1 surgir, das ru\u00ednas do mundo velho, um mundo novo, de alegria e de felicidade plenas?<\/li>\n<li>Os crist\u00e3os n\u00e3o leem a hist\u00f3ria atual da humanidade como um caminho sem sa\u00edda; mas veem os momentos de tens\u00e3o e de luta que hoje marcam a vida dos homens e das sociedades como sinais de que o mundo velho est\u00e1 a ser transformado e renovado, e que em seu lugar vai surgir um mundo novo e melhor. Isso faz dos disc\u00edpulos de Jesus arautos e testemunhas da esperan\u00e7a. Certos de que Deus conduz a hist\u00f3ria de acordo com o seu projeto, os seguidores de Jesus n\u00e3o vivem dominados pelo medo, pelo pessimismo, pelo desespero, por discursos negativos, por ang\u00fastias a prop\u00f3sito do fim do mundo\u2026 Os nossos contempor\u00e2neos t\u00eam de ver em n\u00f3s pessoas a quem a f\u00e9 d\u00e1 uma vis\u00e3o otimista da vida e da hist\u00f3ria; pessoas que caminham, alegres e confiantes, ao encontro desse mundo novo que Deus nos prometeu. Sustentados pela f\u00e9, somos testemunhas da esperan\u00e7a? Os homens e mulheres com quem nos cruzamos s\u00e3o contaminados pelo nosso testemunho de confian\u00e7a em Deus, pela nossa alegria serena, pela coragem com que enfrentamos as vicissitudes e as crises da vida?<\/li>\n<li>Deus \u00e9 o Senhor da hist\u00f3ria, Deus \u00e9 o arquiteto do mundo novo que ir\u00e1 surgir. No entanto, Ele associa-nos \u00e0 sua obra e convoca-nos para trabalharmos ao lado d\u2019Ele na concretiza\u00e7\u00e3o desse projeto. Os filhos e filhas de Deus n\u00e3o podem ficar de bra\u00e7os cruzados \u00e0 espera que o mundo novo caia do c\u00e9u; mas, enquanto caminham pela vida e pela hist\u00f3ria, s\u00e3o chamados a anunciar e a construir, com a sua vida, com as suas palavras, com os seus gestos, esse mundo que est\u00e1 nos projetos de Deus. Isso implica, antes de mais, um processo de convers\u00e3o que nos leve a suprimir aquilo que em n\u00f3s \u00e9 ego\u00edsmo, orgulho, prepot\u00eancia, explora\u00e7\u00e3o, injusti\u00e7a (mundo velho); implica, tamb\u00e9m, testemunharmos objetivamente em gestos concretos, os valores do mundo novo: a partilha, o servi\u00e7o, o perd\u00e3o, o amor, a fraternidade, a solidariedade, a paz; implica, ainda, lutarmos sem desfalecer contra tudo aquilo que desfeia o mundo, que causa sofrimento e morte, que p\u00f5e em causa a vida, a liberdade e a felicidade dos filhos e filhas de Deus. Aceitamos ser protagonistas, ao lado de Deus, na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo, mais fraterno, mais humano, ou deixamo-nos arrastar passivamente, acomodados e instalados, aceitando que o mundo avance sem a nossa interven\u00e7\u00e3o e sem o nosso testemunho de disc\u00edpulos de Jesus?<\/li>\n<li>Esse Deus que n\u00e3o abandona os homens na sua caminhada hist\u00f3rica vem continuamente ao nosso encontro para nos deixar os seus desafios, para nos fazer entender os seus projetos, para nos indicar os caminhos que Ele nos chama a percorrer. Da nossa parte, precisamos de estar atentos \u00e0 sua proximidade e reconhec\u00ea-l\u2019O nos sinais da hist\u00f3ria, no rosto dos irm\u00e3os, nos apelos dos que sofrem e que buscam a liberta\u00e7\u00e3o. O crist\u00e3o n\u00e3o vive de olhos postos no c\u00e9u, \u00e0 espera de uma comunica\u00e7\u00e3o especial de Deus; mas vive de olhos postos no mundo, para \u201cler\u201d o que est\u00e1 a acontecer a cada instante e para escutar os apelos que Deus lhe deixa a cada momento nos acontecimentos da hist\u00f3ria e nos factos corriqueiros de que \u00e9 feita a nossa vida de todos os dias. Procuramos detetar os apelos e sinais que Deus nos envia e atrav\u00e9s dos quais Ele nos indica o que espera de n\u00f3s? Procuramos manter-nos \u00edntimos de Deus, dialogar frequentemente com Ele, escutar a sua Palavra, a fim de percebermos o plano que Ele tem para o mundo e para n\u00f3s?<\/li>\n<li>H\u00e1 uma realidade incontorn\u00e1vel, que nunca podemos olvidar: apesar da a\u00e7\u00e3o de Deus e dos nossos pr\u00f3prios esfor\u00e7os para que o nosso mundo seja, a cada instante, transformado e humanizado, o mundo novo com que sonhamos e que est\u00e1 no projeto de Deus nunca ser\u00e1 uma realidade plena nesta terra: a nossa caminhada neste mundo ser\u00e1 sempre marcada pela nossa finitude, pelos nossos limites, pela nossa imperfei\u00e7\u00e3o, pelo nosso ego\u00edsmo, pelas nossas op\u00e7\u00f5es discut\u00edveis. O mundo novo sonhado por Deus \u00e9 uma realidade escatol\u00f3gica, cuja plenitude s\u00f3 acontecer\u00e1 depois de Cristo, o Senhor, ter destru\u00eddo definitivamente o mal que nos torna escravos. Estamos conscientes disso? Temos consci\u00eancia de que caminhamos rodeados de debilidade e de finitude, mas que isso n\u00e3o pode enfraquecer o nosso compromisso, os nossos esfor\u00e7os, a nossa alegria, a nossa confian\u00e7a em Deus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aus\u00eancia de palavras e express\u00f5es de dif\u00edcil pronuncia\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve permitir descurar a atenta prepara\u00e7\u00e3o das leituras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>primeira leitura<\/strong>, a proclama\u00e7\u00e3o deve ter em aten\u00e7\u00e3o a centralidade da \u00faltima frase do texto que se apresenta como conclus\u00e3o e mensagem principal da leitura, mas tamb\u00e9m como convite \u00e0 esperan\u00e7a e luz que brota da pr\u00e1tica da verdadeira sabedoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong>, como nos Domingos anteriores requer um especial cuidado nas longas frases e com v\u00e1rias ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Leitura-I-do-Domingo-XXXIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-17.11.2024-Dan-12-1-3.pdf\">Leitura I do Domingo XXXIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 17.11.2024 (Dan 12, 1-3)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Leitura-II-do-Domingo-XXXIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-17.11.2024-Heb-10-11-14.18.pdf\">Leitura II do Domingo XXXIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 17.11.2024 (Heb 10, 11-14.18)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Domingo-XXXIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-17.11.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XXXIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 17.11.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Domingo-XXXIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-17.11.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXXIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 17.11.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Domingo-XXXIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-17.11.2024-refletindo.pdf\">Domingo XXXIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 17.11.2024 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-XXXIII.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo XXXIII<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Mensagem-do-Papa-Francisco-para-o-VIII-Dia-Mundial-dos-Pobres-17.11.2024.pdf\">Mensagem do Papa Francisco para o VIII Dia Mundial dos Pobres &#8211; 17.11.2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/VIII-Dia-Mundial-dos-Pobres.pdf\">VIII Dia Mundial dos Pobres<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXXII do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 10.11.2024&#8243; tab_id=&#8221;1731921979807-36165b60-d6c3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo XXXII do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 10.11.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Domingo-XXXII.jpg\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"507\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando tudo parece perdido Deus irrompe na nossa vida, oferecendo um novo horizonte de esperan\u00e7a. Surpreendendo a nossa fragilidade, ensina-nos que a nossa pequenez quando oferecida totalmente como dom, se torna lugar de an\u00fancio alegre e feliz de que a vida s\u00f3 se torna verdadeiramente vida quando entregue sem medida. Na verdade, foi assim com a vi\u00fava que depositou tudo quanto possu\u00eda na arca do tesouro e foi tamb\u00e9m assim com a vi\u00fava de Sarepta que se preparava para tomar a \u00faltima refei\u00e7\u00e3o com o seu filho, mas visitada pelo profeta Elias e dando tudo quanto lhe restava, n\u00e3o lhe faltou a farinha na panela, nem o azeite na almotolia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, a Liturgia da Palavra deste Domingo, coloca no nosso horizonte Jesus Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, que se oferece todo e de uma vez para sempre e nos convoca para a entrega total das nossas vidas, advertindo-nos para o perigo de dar apenas o sup\u00e9rfluo, o que nos sobra ou o que n\u00e3o nos interessa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sentindo ainda ecoar no nosso cora\u00e7\u00e3o o desafio de Jesus no Domingo passado, recordamos o convite permanente a viver a partir de um amor a Deus com todo o cora\u00e7\u00e3o, com toda a alma, com todo o entendimento, para que amando assim a Deus, possamos amar o que Ele ama, possamos amar os irm\u00e3os que connosco trilham a estrada da vida. Jesus reclama a nossa vida toda, para que oferecida ao servi\u00e7o de Deus e dos irm\u00e3os, a sintamos cada vez mais como nossa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, Jesus come\u00e7a por nos advertir para o perigo de uma pr\u00e1tica religiosa que vive apenas para a visibilidade das a\u00e7\u00f5es, ao jeito dos escribas. No fundo, o horizonte da vida de quem vive assim a sua f\u00e9 \u00e9 mais ateu do que crist\u00e3o, pois a refer\u00eancia decisiva para eles \u00e9 o olhar dos homens e n\u00e3o o de Deus. No contexto atual, numa sociedade que vive tanto do parecer e do aparecer, onde as redes sociais se tornam lugar de exposi\u00e7\u00e3o do que fazemos e vivemos, est\u00e1 muito presente o perigo de expor aquilo que deveria ser vivido no recolhimento, na descri\u00e7\u00e3o e no sil\u00eancio. Aprendamos com Jesus e com a vi\u00fava do Evangelho, a exigente arte de dar testemunho na simplicidade do cora\u00e7\u00e3o e na entrega total da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vi\u00fava, que deposita tudo quanto possui na arca do tesouro, testemunha que na nossa vida crist\u00e3 e na entrega da vida que ela exige, n\u00e3o est\u00e1 em causa uma quest\u00e3o de quantidade, mas de totalidade. Quem n\u00e3o d\u00e1 tudo, por muito que possa dar, d\u00e1 ainda muito pouco. Jesus ensina-nos que quem d\u00e1 apenas o sup\u00e9rfluo deixa a vida intacta, ao contr\u00e1rio do dom de si que transforma a vida para sempre. Mas n\u00e3o deixemos que este desafio e estas palavras fiquem apenas na po\u00e9tica da entrega e do amor. Pensemos no concreto do nosso quotidiano: o que estamos dispostos a dar? O que nos sobra ou o que nos faz falta? Por exemplo, quando oferecemos roupa para uma qualquer campanha de solidariedade, damos o que n\u00e3o nos serve ou j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 em bom estado ou a pe\u00e7a de roupa nova que mais gostamos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 este modo concreto de pensar a vida e o quotidiano que marcar\u00e1 a diferen\u00e7a. \u00c9 esta mudan\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o e da vida que faz irromper no tempo e na hist\u00f3ria uma nova l\u00f3gica de ser e de estar, que se traduz num novo modo de servir e amar ao jeito do Mestre que, oferecendo-se todo e at\u00e9 ao fim, nos abriu as portas da felicidade que tem sabor de eternidade.<em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>1 Re 17,10-16<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura do Primeiro Livro dos Reis<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\no profeta Elias p\u00f4s-se a caminho e foi a Sarepta.<br \/>\nAo chegar \u00e0s portas da cidade,<br \/>\nencontrou uma vi\u00fava a apanhar lenha.<br \/>\nChamou-a e disse-lhe:<br \/>\n\u00abPor favor, traz-me uma bilha de \u00e1gua para eu beber\u00bb.<br \/>\nQuando ela ia a buscar a \u00e1gua, Elias chamou-a e disse:<br \/>\n\u00abPor favor, traz-me tamb\u00e9m um peda\u00e7o de p\u00e3o\u00bb.<br \/>\nMas ela respondeu:<br \/>\n\u00abT\u00e3o certo como estar vivo o Senhor, teu Deus,<br \/>\neu n\u00e3o tenho p\u00e3o cozido,<br \/>\nmas somente um punhado de farinha na panela<br \/>\ne um pouco de azeite na almotolia.<br \/>\nVim apanhar dois cavacos de lenha,<br \/>\na fim de preparar esse resto para mim e meu filho.<br \/>\nDepois comeremos e esperaremos a morte\u00bb.<br \/>\nElias disse-lhe:<br \/>\n\u00abN\u00e3o temas; volta e faz como disseste.<br \/>\nMas primeiro coze um p\u00e3ozinho e traz-mo aqui.<br \/>\nDepois preparar\u00e1s o resto para ti e teu filho.<br \/>\nPorque assim fala o Senhor, Deus de Israel:<br \/>\n&#8216;N\u00e3o se esgotar\u00e1 a panela da farinha,<br \/>\nnem se esvaziar\u00e1 a almotolia do azeite,<br \/>\nat\u00e9 ao dia em que o Senhor mandar chuva sobre a face da terra&#8217;\u00bb.<br \/>\nA mulher foi e fez como Elias lhe mandara;<br \/>\ne comeram ele, ela e seu filho.<br \/>\nDesde aquele dia, nem a panela da farinha se esgotou,<br \/>\nnem se esvaziou a almotolia do azeite,<br \/>\ncomo o Senhor prometera pela boca de Elias.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontramos no Livro dos Reis um conjunto de tradi\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 vida e \u00e0 a\u00e7\u00e3o de uma figura central do profetismo b\u00edblico: o profeta Elias. Essas tradi\u00e7\u00f5es aparecem, de forma intermitente, entre 1 Re 17,1 e 2 Re 2,12.<br \/>\nElias (cujo nome significa &#8220;o meu Deus \u00e9 o Senhor&#8221; &#8211; o que, por si s\u00f3, constitui logo um programa de vida) atua no Reino do Norte (Israel) durante o s\u00e9culo IX a.C., num tempo em que a f\u00e9 jahwista \u00e9 posta em causa pela preponder\u00e2ncia que os deuses estrangeiros (especialmente Baal) assumem na cultura religiosa de Israel. Provavelmente, estamos diante de uma tentativa de abrir Israel a outras culturas, a fim de facilitar o interc\u00e2mbio cultural e comercial&#8230; Mas essas raz\u00f5es pol\u00edticas n\u00e3o s\u00e3o entendidas nem aceites pelos c\u00edrculos religiosos de Israel. O minist\u00e9rio prof\u00e9tico de Elias desenvolve-se sobretudo durante o reinado de Acab (873-853 a.C.), embora a sua voz tamb\u00e9m se tenha feito ouvir no reinado de Ocozias (853-852 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias \u00e9 o grande defensor da fidelidade a Jahw\u00e9h. Ele aparece como o representante dos israelitas fi\u00e9is que recusavam a coexist\u00eancia de Jahw\u00e9h e de Baal no horizonte da f\u00e9 de Israel. Num epis\u00f3dio dram\u00e1tico, o pr\u00f3prio profeta chegou a desafiar os profetas de Baal para um duelo religioso que terminou com um massacre de quatrocentos profetas de Baal no monte Carmelo (cf. 1 Re 18). Esse epis\u00f3dio \u00e9, certamente, uma apresenta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica dessa luta sem tr\u00e9guas que se trava entre os fi\u00e9is a Jahw\u00e9h e os que abrem o cora\u00e7\u00e3o \u00e0s influ\u00eancias culturais e religiosas de outros povos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m da quest\u00e3o do culto, Elias defende a Lei em todas as suas vertentes (veja-se, por exemplo, a sua defesa intransigente das leis da propriedade em 1 Re 21, no c\u00e9lebre epis\u00f3dio da usurpa\u00e7\u00e3o das vinhas de Nabot): ele representa os pobres de Israel, na sua luta sem tr\u00e9guas contra uma aristocracia e uns comerciantes todo-poderosos que subvertiam a seu bel-prazer as leis e os mandamentos de Jahw\u00e9h.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ciclo de Elias come\u00e7a com o an\u00fancio, diante do rei Acab, de uma seca que ir\u00e1 atingir Israel (cf. 1 Re 17,1). Essa seca \u00e9 apresentada, n\u00e3o tanto como um castigo pelos pecados do rei, mas sobretudo como uma forma de mostrar que \u00e9 Jahw\u00e9h (e n\u00e3o Baal, o deus cananeu das colheitas e da fertilidade, cujo culto era favorecido por Jezabel, a esposa fen\u00edcia de Acab) o verdadeiro senhor da vida que brota, cada ano, nos campos e nos rebanhos. A implac\u00e1vel seca leva, contudo, Elias para a cidade de Sarepta (hoje Sarafand), uma pequena cidade da costa fen\u00edcia, a cerca de 15 quil\u00f3metros a sul de S\u00eddon. \u00c9 a\u00ed que o nosso texto nos situa.<strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A nossa hist\u00f3ria &#8211; como tantas outras hist\u00f3rias b\u00edblicas &#8211; fala-nos da predile\u00e7\u00e3o de Deus pelos desfavorecidos, pelos d\u00e9beis, pelos pobres, pelos explorados, por aqueles que s\u00e3o colocados \u00e0 margem da vida. Porqu\u00ea? Porque Deus v\u00ea a hist\u00f3ria humana na perspetiva da luta de classes e escolhe um lado em detrimento do outro? Obviamente, n\u00e3o. No entanto, Deus opta preferencialmente pelos pobres porque, em primeiro lugar, eles vivem numa situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica de necessidade e precisam especialmente da bondade, da miseric\u00f3rdia e da ajuda de Deus; e, em segundo lugar, porque os pobres &#8211; sem bens materiais que os distraiam do essencial &#8211; est\u00e3o sempre mais atentos e dispon\u00edveis para acolher os apelos, os desafios e os dons de Deus. Os &#8220;ricos&#8221;, ao contr\u00e1rio, est\u00e3o sempre preocupados com os seus bens, com os seus interesses ego\u00edstas, com os seus projetos e preconceitos e n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o para acolher as propostas que Deus lhes faz. Isto deve lembrar-nos, permanentemente, a necessidade de sermos &#8220;pobres&#8221;, de nos despirmos de tudo aquilo que pode atravancar o nosso cora\u00e7\u00e3o e que pode impedir-nos de acolher os desafios e as propostas de Deus.<\/li>\n<li>A mulher de Sarepta tinha, apenas, uma quantidade m\u00ednima de alimento, que queria guardar para si e para o seu filho; mas, desafiada a partilhar, viu esse escasso alimento ser multiplicado uma infinidade de vezes&#8230; A hist\u00f3ria convida-nos a n\u00e3o nos fecharmos em esquemas ego\u00edstas de acumula\u00e7\u00e3o e de lucro, esquecendo os apelos de Deus \u00e0 partilha e \u00e0 solidariedade com os nossos irm\u00e3os necessitados. Quando repartimos, com generosidade e amor, aquilo que Deus colocou \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ficamos mais pobres; os bens repartidos tornam-se fonte de vida e de b\u00ean\u00e7\u00e3o para n\u00f3s e para todos aqueles que deles beneficiam.<\/li>\n<li>A nossa hist\u00f3ria prova que s\u00f3 Jahw\u00e9h d\u00e1 ao homem vida em abund\u00e2ncia. \u00c9 um aviso que n\u00e3o podemos ignorar&#8230; Todos os dias somos confrontados com propostas de felicidade e de vida plena que, quase sempre, nos conduzem por caminhos de escravid\u00e3o, de depend\u00eancia, de desilus\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 volta do dinheiro, do carro, da casa, do cargo que temos na empresa, dos t\u00edtulos acad\u00e9micos que ostentamos, das honras que nos s\u00e3o atribu\u00eddas que devemos construir a nossa exist\u00eancia. S\u00f3 Deus nos d\u00e1 a vida plena e verdadeira; todos os outros &#8220;deuses&#8221; s\u00e3o elementos acess\u00f3rios, que n\u00e3o devem afastar-nos do essencial. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 145 (146)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: \u00d3 minha alma, louva o Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Aleluia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor faz justi\u00e7a aos oprimidos,<br \/>\nd\u00e1 p\u00e3o aos que t\u00eam fome<br \/>\ne a liberdade aos cativos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor ilumina os olhos do cego,<br \/>\no Senhor levanta os abatidos,<br \/>\no Senhor ama os justos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor protege os peregrinos,<br \/>\nampara o \u00f3rf\u00e3o e a vi\u00fava<br \/>\ne entrava o caminho aos pecadores.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor reina eternamente;<br \/>\no teu Deus, \u00f3 Si\u00e3o,<br \/>\n\u00e9 rei por todas as gera\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Heb 9,24-28<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura da Ep\u00edstola aos Hebreus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cristo n\u00e3o entrou num santu\u00e1rio feito por m\u00e3os humanas,<br \/>\nfigura do verdadeiro,<br \/>\nmas no pr\u00f3prio C\u00e9u,<br \/>\npara Se apresentar agora na presen\u00e7a de Deus em nosso favor.<br \/>\nE n\u00e3o entrou para Se oferecer muitas vezes,<br \/>\ncomo sumo sacerdote que entra cada ano no Santu\u00e1rio,<br \/>\ncomo sangue alheio;<br \/>\nnesse caso, Cristo deveria ter padecido muitas vezes,<br \/>\ndesde o princ\u00edpio do mundo.<br \/>\nMas Ele manifestou-Se uma s\u00f3 vez, na plenitude dos tempos,<br \/>\npara destruir o pecado pelo sacrif\u00edcio de Si mesmo.<br \/>\nE, como est\u00e1 determinado que os homens morram uma s\u00f3 vez<br \/>\ne a seguir haja o julgamento,<br \/>\nassim tamb\u00e9m Cristo, depois de Se ter oferecido uma s\u00f3 vez<br \/>\npara tomar sobre Si os pecados da multid\u00e3o,<br \/>\naparecer\u00e1 segunda vez, sem a apar\u00eancia do pecado,<br \/>\npara dar a salva\u00e7\u00e3o \u00e0queles que O esperam.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No passado domingo, o autor da Carta aos Hebreus apresentava Cristo como o sumo-sacerdote por excel\u00eancia, n\u00e3o na linha do sacerd\u00f3cio lev\u00edtico, mas na linha do sacerd\u00f3cio de Melquisedec&#8230; Hoje, passamos a outra sec\u00e7\u00e3o (cf. Heb 8,1-9,28), na qual o autor apresenta Cristo como o sacerdote perfeito e explica em que consiste essa perfei\u00e7\u00e3o e quais as suas consequ\u00eancias para a vida dos fi\u00e9is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de refletir sobre a imperfei\u00e7\u00e3o do culto antigo (cf. Heb 8,1-6), a imperfei\u00e7\u00e3o da antiga Alian\u00e7a (cf. Heb 8,7-13) e a inefic\u00e1cia dos sacrif\u00edcios oferecidos no Templo de Jerusal\u00e9m (cf. Heb 9,1-10), o autor passa a explicar aos crist\u00e3os a quem a Carta se destina porque \u00e9 que o sacrif\u00edcio oferecido por Cristo \u00e9 perfeito (cf. Heb 9,11-14) e como \u00e9 que, por esse sacrif\u00edcio, Cristo se torna o mediador da Nova Alian\u00e7a (cf. Heb 9,15-22). No \u00faltimo par\u00e1grafo desta sec\u00e7\u00e3o (cf. Heb 9,23-28), o autor tira, para a vida dos fi\u00e9is, as consequ\u00eancias de tudo o que disse atr\u00e1s, a prop\u00f3sito do sacerd\u00f3cio perfeito de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dirigindo-se a crist\u00e3os em dificuldade, que j\u00e1 perderam o entusiasmo inicial e que, diante das dificuldades, correm o risco de renunciar ao compromisso assumido no dia do Baptismo, o autor da Carta procura anim\u00e1-los e revitalizar a sua experi\u00eancia de f\u00e9.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A ideia de que Cristo nos libertou do pecado com o seu sacrif\u00edcio domina este texto. O que \u00e9 que o autor da Carta aos Hebreus quer dizer com isto? Cristo veio a este mundo para libertar o homem das cadeias de ego\u00edsmo e de pecado que o prendiam. Nesse sentido, Cristo pediu uma &#8220;metanoia&#8221; (transforma\u00e7\u00e3o radical) do cora\u00e7\u00e3o, da mente, dos valores, das atitudes do homem e prop\u00f4s, com a sua palavra, com o seu exemplo, com a sua vida, que o homem passasse a percorrer o caminho do amor, da partilha, do servi\u00e7o, do perd\u00e3o, do dom da vida. A sua entrega na cruz \u00e9 a li\u00e7\u00e3o suprema que Ele quis deixar-nos &#8211; a li\u00e7\u00e3o do amor que renuncia ao ego\u00edsmo e que se faz dom total aos irm\u00e3os, at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias. Mais, a sua luta contra o pecado levou-O a confrontar-Se com as estruturas pol\u00edticas, sociais ou religiosas geradoras de injusti\u00e7a e de opress\u00e3o; a sua morte, arquitetada pelos detentores do poder (as autoridades pol\u00edticas e religiosas do pa\u00eds), foi, tamb\u00e9m, a consequ\u00eancia da sua luta contra as estruturas que oprimiam o homem e que geravam ego\u00edsmo e morte. Ele ofereceu, de facto, a sua vida em sacrif\u00edcio para nos libertar do pecado. A sua ressurrei\u00e7\u00e3o revelou que Deus aceitou o seu sacrif\u00edcio e que n\u00e3o deixar\u00e1 mais que o pecado roube ao homem a vida. Aderir a Jesus, ser crist\u00e3o, \u00e9 procurar viver, dia a dia, no seguimento de Jesus e fazer da pr\u00f3pria vida um dom de amor aos irm\u00e3os; \u00e9, tamb\u00e9m, lutar contra todas as estruturas que geram injusti\u00e7a e pecado. Gastar a vida dessa forma \u00e9 participar da miss\u00e3o de Jesus, \u00e9 colaborar com Ele para eliminar o pecado.<\/li>\n<li>As outras leituras deste domingo falam-nos de desapego, de partilha, de capacidade para &#8220;dar tudo&#8221;. Cristo, com a entrega total da sua vida a Deus e aos homens, realizou plenamente esta dimens\u00e3o. Ele mostrou-nos, com o seu sacrif\u00edcio, qual \u00e9 o dom perfeito que Deus quer e que espera de cada um dos seus filhos. Mais do que dinheiro ou outros bens materiais, Deus espera de n\u00f3s o dom da nossa vida, ao servi\u00e7o desse projeto de salva\u00e7\u00e3o que Ele tem para os homens e para o mundo.<\/li>\n<li>A certeza de que Jesus Cristo, o sacerdote perfeito, venceu o pecado e est\u00e1 agora junto de Deus, intercedendo por n\u00f3s e esperando o momento de nos oferecer a vida eterna, deve dar-nos confian\u00e7a e esperan\u00e7a, ao longo da nossa caminhada di\u00e1ria pela vida. A Palavra de Deus que hoje nos \u00e9 oferecida garante-nos que as nossas fragilidades e debilidades n\u00e3o podem afastar-nos da comunh\u00e3o com Deus, da vida eterna; e, no final do nosso caminho, Jesus, o nosso libertador, l\u00e1 estar\u00e1 \u00e0 nossa espera para nos oferecer a vida definitiva. <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Mc 12,38-44<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S\u00e3o Marcos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus ensinava a multid\u00e3o, dizendo:<br \/>\n\u00abAcautelai-vos dos escribas,<br \/>\nque gostam de exibir longas vestes,<br \/>\nde receber cumprimentos nas pra\u00e7as,<br \/>\nde ocupar os primeiros assentos nas sinagogas<br \/>\ne os primeiros lugares nos banquetes.<br \/>\nDevoram as casas das vi\u00favas<br \/>\ncom pretexto de fazerem longas rezas.<br \/>\nEstes receber\u00e3o uma senten\u00e7a mais severa\u00bb.<br \/>\nJesus sentou-Se em frente da arca do tesouro<br \/>\na observar como a multid\u00e3o deixava o dinheiro na caixa.<br \/>\nMuitos ricos deitavam quantias avultadas.<br \/>\nVeio uma pobre vi\u00fava<br \/>\ne deitou duas pequenas moedas, isto \u00e9, um quadrante.<br \/>\nJesus chamou os disc\u00edpulos e disse-lhes:<br \/>\n\u00abEm verdade vos digo:<br \/>\nEsta pobre vi\u00fava deitou na caixa mais do que todos os outros.<br \/>\nEles deitaram do que lhes sobrava,<br \/>\nmas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha,<br \/>\ntudo o que possu\u00eda para viver\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto situa-nos em Jerusal\u00e9m, nos dias que antecedem a pris\u00e3o, julgamento e morte de Jesus. Por esta altura, adensam-se as pol\u00e9micas de Jesus com os representantes do Juda\u00edsmo oficial. A cada passo fica mais claro que o projeto do Reino (proposto por Jesus) \u00e9 incompat\u00edvel com a vis\u00e3o religiosa dos l\u00edderes judaicos. Num ambiente carregado de dramatismo, adivinha-se o inevit\u00e1vel choque decisivo entre Jesus e a institui\u00e7\u00e3o judaica e prepara-se o cen\u00e1rio da Cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus tem consci\u00eancia de que os l\u00edderes da comunidade judaica tinham transformado a religi\u00e3o de Mois\u00e9s &#8211; com os seus ritos, exig\u00eancias legais, proibi\u00e7\u00f5es e obriga\u00e7\u00f5es &#8211; numa proposta vazia e est\u00e9ril. Mal-servida e manipulada pelos seus l\u00edderes religiosos, a comunidade judaica tinha-se transformado numa figueira seca (cf. Mc 11,12-14. 20-26), onde Deus n\u00e3o encontrava os frutos que esperava (o culto verdadeiro e sincero, o amor, a justi\u00e7a, a miseric\u00f3rdia). O pr\u00f3prio Templo &#8211; o espa\u00e7o onde se desenrolavam abundantes ritos cultuais e sumptuosas cerim\u00f3nias lit\u00fargicas &#8211; tinha deixado de ser o lugar do encontro de Deus com a comunidade israelita e tinha-se tornado um lugar de explora\u00e7\u00e3o e de injusti\u00e7a, &#8220;um covil de ladr\u00f5es&#8221; (cf. Mc 11,15-19) &#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus tem presente tudo isto quando ensina nos \u00e1trios do Templo, rodeado pelos disc\u00edpulos. \u00c0 sua volta desenrola-se esse folclore religioso, feito de ritos externos, de grandes gestos teatrais, frequentemente vazios de conte\u00fado. Os &#8220;doutores da Lei&#8221; (geralmente, do partido dos fariseus; estudavam e memorizavam as Escrituras e ensinavam aos seus disc\u00edpulos as regras &#8211; ou &#8220;halakot&#8221; &#8211; que deviam dirigir cada passo da vida dos fi\u00e9is israelitas), com as suas vestes especiais e os tra\u00e7os caracter\u00edsticos de quem se julgava com direito a todas as defer\u00eancias, honras e privil\u00e9gios, s\u00e3o mais um elemento no quadro desse culto de mentira que Jesus tem diante dos olhos.<br \/>\nEm contraponto, Jesus repara no &#8220;\u00e1trio das mulheres&#8221;, onde uma vi\u00fava deposita, no tesouro do Templo, a sua humilde oferta (dons volunt\u00e1rios eram feitos com frequ\u00eancia, tendo por finalidade, por exemplo, cumprir votos). As vi\u00favas, no ambiente palestino de ent\u00e3o (sobretudo quando n\u00e3o tinham filhos que as protegessem e alimentassem), eram o modelo cl\u00e1ssico do pobre, do explorado, do d\u00e9bil. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Qual \u00e9 o verdadeiro culto que Deus espera de n\u00f3s? Qual deve ser a nossa resposta \u00e0 sua oferta de salva\u00e7\u00e3o? A forma como Jesus aprecia o gesto daquela pobre vi\u00fava n\u00e3o deixa lugar a qualquer d\u00favida: Deus n\u00e3o valoriza os gestos espetaculares, cuidadosamente encenados e preparados, mas que n\u00e3o saem do cora\u00e7\u00e3o; Deus n\u00e3o se deixa impressionar por grandes manifesta\u00e7\u00f5es cultuais, por grandes e impressionantes manifesta\u00e7\u00f5es religiosas, cuidadosamente preparadas, mas hip\u00f3critas, vazias e est\u00e9reis&#8230; O que Deus pede \u00e9 que sejamos capazes de Lhe oferecer tudo, que aceitemos despojar-nos das nossas certezas, das nossas manifesta\u00e7\u00f5es de orgulho e de vaidade, dos nossos projetos pessoais e preconceitos, a fim de nos entregarmos confiadamente nas suas m\u00e3os, com total confian\u00e7a, numa completa doa\u00e7\u00e3o, numa pobreza humilde e fecunda, num amor sem limites e sem condi\u00e7\u00f5es. Esse \u00e9 o verdadeiro culto, que nos aproxima de Deus e que nos torna membros da fam\u00edlia de Deus. O verdadeiro crente \u00e9 aquele que n\u00e3o guarda nada para si, mas que, dia a dia, no sil\u00eancio e na simplicidade dos gestos mais banais, aceita sair do seu ego\u00edsmo e da sua autossufici\u00eancia e colocar a totalidade da sua exist\u00eancia nas m\u00e3os de Deus.<\/li>\n<li>Como na primeira leitura, tamb\u00e9m no Evangelho temos um exemplo de uma mulher pobre (ainda mais, uma vi\u00fava, que pertence \u00e0 classe dos abandonados, dos d\u00e9beis, dos mais pobres de entre os pobres), que \u00e9 capaz de partilhar o pouco que tem. Na reflex\u00e3o b\u00edblica, os pobres, pela sua situa\u00e7\u00e3o de car\u00eancia, debilidade e necessidade, s\u00e3o considerados os preferidos de Deus, aqueles que s\u00e3o objeto de uma especial prote\u00e7\u00e3o e ternura por parte de Deus. Por isso, eles s\u00e3o olhados com simpatia e at\u00e9, numa vis\u00e3o simplista e idealizada, s\u00e3o retratados como pessoas pac\u00edficas, humildes, simples, piedosas, cheias de &#8220;temor de Deus&#8221; (isto \u00e9, que se colocam diante de Deus com serena confian\u00e7a, em total obedi\u00eancia e entrega). Este retrato, naturalmente um pouco estereotipado, n\u00e3o deixa de ter um s\u00f3lido fundo de verdade: s\u00f3 quem n\u00e3o vive para as riquezas, s\u00f3 quem n\u00e3o tem o cora\u00e7\u00e3o obcecado com a posse dos bens (falamos, naturalmente, do dinheiro, da conta banc\u00e1ria; mas falamos, igualmente, do orgulho, da autossufici\u00eancia, da vontade de triunfar a todo o custo, do desejo de poder e de autoridade, do desejo de ser aplaudido e admirado) \u00e9 capaz de estar dispon\u00edvel para acolher os desafios de Deus e para aceitar, com humildade e simplicidade, os valores do Reino. Esses s\u00e3o os preferidos de Deus. O exemplo desta mulher garante-nos que s\u00f3 quem \u00e9 &#8220;pobre&#8221; &#8211; isto \u00e9, quem n\u00e3o tem o cora\u00e7\u00e3o demasiado cheio de si pr\u00f3prio &#8211; \u00e9 capaz de viver para Deus e de acolher os desafios e os valores do Reino.<\/li>\n<li>A figura dos doutores da Lei est\u00e1 em total contraste com a figura desta mulher pobre. Eles t\u00eam o cora\u00e7\u00e3o completamente cheio de si; est\u00e3o dominados por sentimentos de ego\u00edsmo, de ambi\u00e7\u00e3o e de vaidade, apostam tudo nos bens materiais, mesmo que isso implique explorar e roubar as vi\u00favas e os pobres&#8230; Na verdade, no seu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 lugar para Deus e para os outros irm\u00e3os; s\u00f3 h\u00e1 l\u00e1 lugar para os seus interesses mesquinhos e ego\u00edstas. Eles s\u00e3o a ant\u00edtese daquilo que os disc\u00edpulos de Jesus devem ser; n\u00e3o apreciam os valores do Reino e, dessa forma, n\u00e3o podem integrar a comunidade do Reino. Podem ter atitudes que, na apar\u00eancia, s\u00e3o religiosamente corretas, ou podem mesmo ser vistos como aut\u00eanticos pilares da comunidade do Povo de Deus; mas, na verdade, eles n\u00e3o fazem parte da fam\u00edlia de Deus. Nunca \u00e9 demais refletirmos sobre este ponto: quem vive para si e \u00e9 incapaz de viver para Deus e para os irm\u00e3os, com verdade e generosidade, n\u00e3o pode integrar a fam\u00edlia de Jesus, a comunidade do Reino.<\/li>\n<li>Jesus ensina-nos, neste epis\u00f3dio, a n\u00e3o julgarmos as pessoas pelas apar\u00eancias. Muitas vezes \u00e9 precisamente aquilo que consideramos insignificante, desprez\u00edvel, pouco edificante, que \u00e9 verdadeiramente importante e significativo. Muitas vezes Deus chega at\u00e9 n\u00f3s na humildade, na simplicidade, na debilidade, nos gestos silenciosos e simples de algu\u00e9m em quem nem reparamos. Temos de aprender a ir ao fundo das coisas e a olhar para o mundo, para as situa\u00e7\u00f5es, para a hist\u00f3ria e, sobretudo, para os homens e mulheres que caminham ao nosso lado, com o olhar de Deus. \u00c9 precisamente isso que Jesus faz.<\/li>\n<li>Uma das cr\u00edticas que Jesus faz aos doutores da Lei \u00e9 que eles se servem da religi\u00e3o, da sua posi\u00e7\u00e3o de int\u00e9rpretes oficiais e autorizados da Lei, para obter honras e privil\u00e9gios. Trata-se de uma tenta\u00e7\u00e3o sempre presente, ontem como hoje&#8230; Em nenhum caso a nossa f\u00e9, o nosso lugar na comunidade, a considera\u00e7\u00e3o que as pessoas possam ter por n\u00f3s ou pelas fun\u00e7\u00f5es que desempenhamos podem ser utilizadas, de forma abusiva, para &#8220;levar a \u00e1gua ao nosso moinho&#8221; e para conseguir privil\u00e9gios particulares ou honras que n\u00e3o nos s\u00e3o devidas. Utilizar a religi\u00e3o para fins ego\u00edstas \u00e9 um com\u00e9rcio il\u00edcito e abomin\u00e1vel, e constitui um enorme contratestemunho para os irm\u00e3os que nos rodeiam.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>primeira leitura<\/strong>, \u00e9 necess\u00e1rio ter em aten\u00e7\u00e3o o di\u00e1logo entre Elias e a vi\u00fava, com especial cuidado nas interven\u00e7\u00f5es em discurso direto. Deve evitar-se quer o tom demasiado dram\u00e1tico, quer uma leitura indistinta do discurso direto e indireto. As palavras Sarepta e almotolia devem pronunciar-se\u00a0<em>re.p.ta<\/em>\u00a0(lendo o\u00a0<em>p<\/em>) e\u00a0<em>al.mu.tu.li.a<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> possui frases longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es. Deve fazer-se uma prepara\u00e7\u00e3o acurada, indicando pausas e respira\u00e7\u00f5es, para uma proclama\u00e7\u00e3o mais articulada do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Leitura-I-do-Domingo-XXXII-do-Tempo-Comum-Ano-B-10.11.2024-1-Re-17-10-16.pdf\">Leitura I do Domingo XXXII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 10.11.2024 (1 Re 17, 10-16)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Leitura-II-do-Domingo-XXXII-do-Tempo-Comum-Ano-B-10.11.2024-Heb-9-24-28.pdf\">Leitura II do Domingo XXXII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 10.11.2024 (Heb 9, 24-28)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Domingo-XXXII-do-Tempo-Comum-Ano-B-10.11.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XXXII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 10.11.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Domingo-XXXII-do-Tempo-Comum-Ano-B-10.11.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXXII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 10.11.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Domingo-XXXII-do-Tempo-Comum-Ano-B-10.11.2024-refletindo.pdf\">Domingo XXXII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 10.11.2024 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-XXXII.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo XXXII<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXXI do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 03.11.2024&#8243; tab_id=&#8221;1731334997597-88d2f9ea-eed1&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo XXXI do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 03.11.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Domingo-XXXI.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"500\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um amor absolutamente centrado em Deus e universalmente alargado aos irm\u00e3os \u00e9 a proposta de Jesus para quem deseja acolher o projeto de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade que Deus tem para cada homem e cada mulher. Ser disc\u00edpulo de Jesus, acolher o Seu chamamento \u00e0 santidade, \u00e9 fazer do amor o alicerce seguro onde edificamos a nossa vida. Por isso, ao ser interpelado por um escriba, que lhe pergunta \u00ab<em>qual \u00e9 o primeiro de todos os mandamentos?<\/em>\u00bb, Jesus fala de um amor entrela\u00e7ado, que comporta dois amores insepar\u00e1veis: o amor a Deus e o amor aos irm\u00e3os e, deste modo, o amor n\u00e3o \u00e9 mais uma coisa a fazer, mas o modo como fazemos todas as coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus est\u00e1 com os disc\u00edpulos a caminho de Jerusal\u00e9m e a proclama\u00e7\u00e3o do amor a Deus e ao pr\u00f3ximo tem de estar necessariamente situado neste horizonte de entrega, da qual Jerusal\u00e9m e a Cruz s\u00e3o sinal. Jesus n\u00e3o se limita a falar do amor, n\u00e3o se limita a dizer que \u00ab<em>o maior \u00e9 aquele que serve<\/em>\u00bb, mas lava os p\u00e9s aos Seus disc\u00edpulos e faz-se Servo. Jesus n\u00e3o se limita a dizer que \u00ab<em>n\u00e3o h\u00e1 maior amor do que dar a vida pelos amigos<\/em>\u00bb, mas voluntariamente foi at\u00e9 ao fim dando a vida por n\u00f3s na Cruz. Ensina-nos a beleza de um amor que se vive no concreto da vida, que se constitui como maior e mais importante mandamento, porque plasmando toda a vida humana, nos faz saborear a beleza divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, o an\u00fancio do amor em Jesus de Nazar\u00e9 \u00e9 a proclama\u00e7\u00e3o de um amor que se faz entrega generosa em atitudes concretas e onde palavras e gestos intimamente ligados entre si (DV 2) nos falam do amor maior que Deus derrama sobre cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este escriba que se aproxima de Jesus coloca-lhe uma pergunta bem-intencionada, ao contr\u00e1rio de outras passagens evang\u00e9licas onde escribas, fariseus ou doutores da lei se dirigem a Jesus para o porem \u00e0 prova ou armarem alguma cilada. Na verdade, sabemos que os mestres judeus, lendo minuciosamente os livros da Lei tinham encontrado 613 preceitos, acerca dos quais se desenvolviam in\u00fameras discuss\u00f5es e conflitos para que se estabelecesse uma hierarquia, para identificar quais os mais importantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade, que j\u00e1 estamos longe da imposi\u00e7\u00e3o destes 613 preceitos, mas n\u00e3o deixa de ser atual a pergunta acerca daquilo que \u00e9 mais importante na nossa vida. Entre os m\u00faltiplos afazeres de cada dia, com o frenesim do trabalho, da vida familiar e dos compromissos sociais, a nossa vida enche-se e preenche-se de coisas a fazer e de deveres a cumprir. \u00c9 urgente tornar \u00e0 pergunta acerca daquilo que \u00e9 mais importante e deve estar no centro da nossa vida: o amor. Tendo bem presente as palavras do livro do Deuteron\u00f3mio, Jesus prop\u00f5e um amor a Deus que se vive \u00ab<em>com todo o teu cora\u00e7\u00e3o, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas for\u00e7as<\/em>\u00bb, isto \u00e9, um amor que envolve toda a vida e a vida toda, porque nenhuma dimens\u00e3o da nossa vida deve ficar fora deste dinamismo de amor e de gra\u00e7a. Deste modo, se sou convidado a amar assim a Deus, sou convidado a amar o que Ele ama, sou chamado a amar cada homem e cada mulher como um irm\u00e3o, porque o mandamento novo do amor h\u00e1-de sempre recordar-nos a beleza de sermos filhos muito amados de Deus e, por isso, desafiados ao exigente e reconfortante compromisso de viver como irm\u00e3os. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No <strong>Domingo XXXI, dia 3 de novembro<\/strong>, inicia a Semana de ora\u00e7\u00e3o pelos Semin\u00e1rios. O tema deste ano \u00e9:\u00a0<em>\u201cQue posso eu esperar?\u201d (cf. Sl 39,8)<\/em>. A Comiss\u00e3o Episcopal Voca\u00e7\u00f5es e Minist\u00e9rios preparou um conjunto de materiais para ajudar as comunidades a viver e dinamizar esta semana. Os materiais est\u00e3o dispon\u00edveis na p\u00e1gina da referida comiss\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.ecclesia.pt\/cevm\/\"><strong>http:\/\/www.ecclesia.pt\/cevm\/<\/strong><\/a>). Recomenda-se que seja uma semana de ora\u00e7\u00e3o e partilha com os semin\u00e1rios diocesanos, mas tamb\u00e9m a oportunidade de apresentar o semin\u00e1rio como lugar feliz de forma\u00e7\u00e3o para o servi\u00e7o da Igreja. Poder\u00e1 ser oportuno da parte do presidente da celebra\u00e7\u00e3o uma pequena partilha da sua experi\u00eancia no semin\u00e1rio, sobretudo junto dos mais jovens. Al\u00e9m disso, a Liturgia da Palavra deste Domingo \u00e9 uma oportunidade para falar da voca\u00e7\u00e3o ao minist\u00e9rio presbiteral como lugar de entrega num amor centrado em Deus e universalmente alargado aos irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Deuteron\u00f3mio 6,2-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mois\u00e9s dirigiu-se ao povo, dizendo:<br \/>\n\u00abTemer\u00e1s o Senhor, teu Deus, todos os dias da tua vida,<br \/>\ncumprindo todas as suas leis e preceitos que hoje te ordeno,<br \/>\npara que tenhas longa vida,<br \/>\ntu, os teus filhos e os teus netos.<br \/>\nEscuta, Israel, e cuida de p\u00f4r em pr\u00e1tica<br \/>\no que te vai tornar feliz e multiplicar sem medida<br \/>\nna terra onde corre leite e mel,<br \/>\nsegundo a promessa que te fez o Senhor, Deus de teus pais.<br \/>\nEscuta, Israel:<br \/>\no Senhor nosso Deus \u00e9 o \u00fanico Deus.<br \/>\nAmar\u00e1s o Senhor teu Deus com todo o teu cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\ncom toda a tua alma e com todas as tuas for\u00e7as.<br \/>\nAs palavras que hoje te prescrevo<br \/>\nficar\u00e3o gravadas no teu cora\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro do Deuteron\u00f3mio parece ser o \u201clivro da Lei\u201d ou \u201clivro da Alian\u00e7a\u201d descoberto no Templo de Jerusal\u00e9m no 18\u00b0 ano do reinado de Josias (622 a.C.) (cf. 2 Re 22,3-13) e que serviu de motor \u00e0 grande reforma religiosa levada a cabo por este rei no sentido de reconduzir o Povo \u00e0 f\u00e9 em Jav\u00e9. Neste livro, os te\u00f3logos deuteronomistas \u2013 origin\u00e1rios do Norte (Israel) mas, entretanto, refugiados no sul (Jud\u00e1) ap\u00f3s as derrotas dos reis do norte frente aos ass\u00edrios \u2013 apresentam os dados fundamentais da sua teologia: h\u00e1 um s\u00f3 Deus, que deve ser adorado por todo o Povo num \u00fanico local de culto (Jerusal\u00e9m); esse Deus amou e elegeu Israel e fez com ele uma Alian\u00e7a eterna; e o Povo de Deus deve ser um \u00fanico Povo, uma fam\u00edlia unida que tem Deus como a sua grande refer\u00eancia (portanto, n\u00e3o t\u00eam qualquer sentido as quest\u00f5es hist\u00f3ricas que levaram o Povo de Deus \u00e0 divis\u00e3o pol\u00edtica e religiosa, ap\u00f3s a morte do rei Salom\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Literariamente, o livro apresenta-se como um conjunto de tr\u00eas discursos de Mois\u00e9s, pronunciados nas plan\u00edcies de Moab, pouco antes de o Povo libertado do Egito atravessar o Jord\u00e3o para tomar posse da Terra Prometida. Pressentindo a proximidade da sua morte, Mois\u00e9s deixa ao Povo uma esp\u00e9cie de \u201ctestamento espiritual\u201d: lembra aos hebreus os compromissos assumidos para com Deus e convida-os a renovar a sua Alian\u00e7a com Jav\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto integra o segundo discurso de Mois\u00e9s (cf. Dt 4,44-28,68). Tanto pelo lugar que ocupa no livro, como pela sua import\u00e2ncia, este segundo discurso de Mois\u00e9s constitui o centro do Livro do Deuteron\u00f3mio. Em linhas gerais, este discurso apresenta-se em tr\u00eas pe\u00e7as principais: uma introdu\u00e7\u00e3o (cf. Dt 4,44-11,32), um c\u00f3digo legal (cf. Dt 12,1-25,19) e uma conclus\u00e3o (cf. Dt 26,1-28,68).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira parte da introdu\u00e7\u00e3o ao segundo discurso de Mois\u00e9s (cf. Dt 4,44-9,5) oferece-nos uma apresenta\u00e7\u00e3o do Dec\u00e1logo (cf. Dt 5,1-33) \u2013 a Lei fundamental da Alian\u00e7a estabelecida entre Deus e Israel, no Horeb \u2013 e, na sequ\u00eancia, um conjunto de exorta\u00e7\u00f5es ao Povo para que viva na fidelidade aos mandamentos (cf. Dt 6,1-9,5). O nosso texto \u00e9 um extrato dessa exorta\u00e7\u00e3o.<strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>\u201cTemer\u00e1s o Senhor, teu Deus, todos os dias da tua vida\u201d \u2013 diz Mois\u00e9s ao Povo que se prepara para entrar na Terra da Promessa. A express\u00e3o pode soar mal aos ouvidos dos crentes formados na escola de Jesus, que se habituaram a ver em Deus um Pai bom, que ama cada um dos seus filhos com um amor sem limites. A um Deus que ama como Pai, n\u00e3o se \u201cteme\u201d: aproximamo-nos d\u2019Ele com a confian\u00e7a de filhos, que se sentem queridos, acolhidos e profundamente amados. \u201cTemer o Senhor\u201d \u00e9, na realidade, responder ao amor desse Pai bom com a obedi\u00eancia incondicional, a confian\u00e7a inamov\u00edvel, a entrega confiada; \u00e9 renunciar \u00e0 pr\u00f3pria autossufici\u00eancia para se entregar completamente nas m\u00e3os de Deus, acolhendo, com a confian\u00e7a de filhos, as suas indica\u00e7\u00f5es, as suas propostas, os seus bons conselhos de Pai. Como \u00e9 que nos situamos diante de Deus? Caminhamos pela vida carregando o fardo do medo de Deus, ou fazemos caminho sentindo que a ternura do nosso Pai do c\u00e9u nos liberta, nos consola, nos d\u00e1 confian\u00e7a, nos abre em cada passo horizontes de esperan\u00e7a? A nossa resposta ao amor de Deus traduz-se no acolhimento das suas propostas e indica\u00e7\u00f5es?<\/li>\n<li>\u201cEscuta, Israel: o Senhor nosso Deus \u00e9 o \u00fanico Deus\u201d. Esta \u201cprofiss\u00e3o de f\u00e9\u201d que os crentes israelitas ainda hoje fazem duas vezes por dia, convida-nos a lembrar a centralidade \u00fanica de Deus nas nossas vidas. Deus \u201c\u00e9 o \u00fanico\u201d: \u00e9 Ele e s\u00f3 Ele que nos d\u00e1 Vida e que enche de significado a nossa exist\u00eancia. \u00c9 \u00e0 volta d\u2019Ele que podemos ancorar o nosso projeto de vida. Provavelmente todos n\u00f3s, crentes, aceitamos isto\u2026 Mas, mesmo assim, podemos viver como \u201cpolite\u00edstas pr\u00e1ticos\u201d, que no dia a dia correm atr\u00e1s de outros \u201cdeuses\u201d, de \u201cdeuses\u201d ef\u00e9meros, nos quais pomos a nossa confian\u00e7a, a nossa seguran\u00e7a e a nossa esperan\u00e7a: o dinheiro, o poder, o \u00eaxito, a posi\u00e7\u00e3o social, os t\u00edtulos, as honras, os aplausos e a admira\u00e7\u00e3o dos que nos rodeiam\u2026 Estamos conscientes de que esses \u201cdeuses\u201d, mesmo trazendo algo de \u00fatil e de agrad\u00e1vel \u00e0 nossa exist\u00eancia, n\u00e3o podem servir de pedra angular na constru\u00e7\u00e3o da nossa vida? Estamos conscientes de que algumas realidades que endeusamos poder\u00e3o escravizar-nos e destruir-nos?<\/li>\n<li>\u201cAmar\u00e1s o Senhor teu Deus com todo o teu cora\u00e7\u00e3o, com toda a tua alma e com todas as tuas for\u00e7as\u201d \u2013 pede Mois\u00e9s ao Povo de Deus. Como \u00e9 que deve expressar-se, em termos pr\u00e1ticos, esse amor a Deus? \u00c9 atrav\u00e9s de declara\u00e7\u00f5es solenes e ocas de boas inten\u00e7\u00f5es? \u00c9 atrav\u00e9s de f\u00f3rmulas fixas de ora\u00e7\u00e3o que papagueamos de cor? \u00c9 atrav\u00e9s de solenes ritos lit\u00fargicos, que nos enchem os olhos, mas n\u00e3o nos tocam o cora\u00e7\u00e3o? N\u00e3o dever\u00e1 antes ser na entrega total nas m\u00e3os de Deus, na escuta atenta da sua vontade, no cumprimento dos seus mandamentos e preceitos, no testemunho do amor junto dos nossos irm\u00e3os, no compromisso com a constru\u00e7\u00e3o de um mundo que esteja de acordo com o projeto de Deus? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 17<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Eu Vos amo, Senhor: V\u00f3s sois a minha for\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu Vos amo, Senhor, minha for\u00e7a,<br \/>\nminha fortaleza, meu ref\u00fagio e meu libertador,<br \/>\nmeu Deus, aux\u00edlio em que ponho a minha confian\u00e7a,<br \/>\nmeu protetor, minha defesa e meu salvador.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Invoquei o Senhor \u2013 louvado seja Ele \u2013<br \/>\ne fiquei salvo dos meus inimigos.<br \/>\nViva o Senhor, bendito seja o meu protetor;<br \/>\nexaltado seja Deus, meu Salvador.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Senhor, eu Vos louvarei entre os povos<br \/>\ne cantarei salmos ao vosso nome.<br \/>\nO Senhor d\u00e1 ao seu Rei grandes vit\u00f3rias<br \/>\ne usa de bondade para com o seu Ungido.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Hebreus 7,23-28<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os sacerdotes da antiga alian\u00e7a<br \/>\nsucederam-se em grande n\u00famero,<br \/>\nporque a morte os impedia de durar sempre.<br \/>\nMas Jesus, que permanece eternamente,<br \/>\npossui um sacerd\u00f3cio eterno.<br \/>\nPor isso pode salvar para sempre<br \/>\naqueles que por seu interm\u00e9dio se aproximam de Deus,<br \/>\nporque vive perpetuamente para interceder por eles.<br \/>\nTal era, na verdade, o sumo sacerdote que nos convinha:<br \/>\nsanto, inocente, sem mancha,<br \/>\nseparado dos pecadores e elevado acima dos c\u00e9us,<br \/>\nque n\u00e3o tem necessidade, como os sumos sacerdotes,<br \/>\nde oferecer cada dia sacrif\u00edcios,<br \/>\nprimeiro pelos seus pr\u00f3prios pecados,<br \/>\ndepois pelos pecados do povo,<br \/>\nporque o fez de uma vez para sempre<br \/>\nquando Se ofereceu a Si mesmo.<br \/>\nA Lei constitui sumos sacerdotes<br \/>\nhomens revestidos de fraqueza,<br \/>\nmas a palavra do juramento, posterior \u00e0 Lei,<br \/>\nestabeleceu o Filho sumo sacerdote perfeito para sempre.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta aos Hebreus, mais do que uma \u201ccarta\u201d, \u00e9 um serm\u00e3o de autor desconhecido, que alguns pensam ter sido um disc\u00edpulo do ap\u00f3stolo Paulo. Os destinat\u00e1rios desse serm\u00e3o s\u00e3o crist\u00e3os que vivem a sua f\u00e9 em contexto dif\u00edcil e que, por isso, deixaram arrefecer o seu entusiasmo e o seu compromisso com Jesus e com o Evangelho. O uso abundante de cita\u00e7\u00f5es e de figuras do Antigo Testamento poder\u00e1 indiciar que esses crist\u00e3os s\u00e3o de origem judaica; mas isso n\u00e3o \u00e9 totalmente claro, uma vez que o Antigo Testamento j\u00e1 era, na altura em que a Carta aos Hebreus apareceu, refer\u00eancia para todos os crist\u00e3os, quer os de origem judaica, quer os de origem greco-romana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recorrendo \u00e0 linguagem da catequese judaica, o autor da Carta aos Hebreus apresenta Cristo como o sumo-sacerdote fiel e misericordioso que estabelece a liga\u00e7\u00e3o entre Deus e os homens. Depois de ter incarnado e caminhado lado a lado com os homens, Jesus \u201catravessou os c\u00e9us\u201d e apresentou ao Pai a nossa humanidade, obtendo de Deus o perd\u00e3o para as nossas falhas e inserindo-nos na fam\u00edlia de Deus. Membros de Cristo, fazemos parte do Povo sacerdotal, que \u00e9 a Igreja. De olhos postos em Cristo, procuramos viver de acordo com as suas indica\u00e7\u00f5es e, como Ele, fazemos da vida um cont\u00ednuo sacrif\u00edcio de louvor, de entrega e de amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Referindo-se a Cristo como o sumo-sacerdote que nos d\u00e1 acesso a Deus, o autor da Carta aos Hebreus coloca-o na linha de Melquisedec (cf. Heb 6,20), um personagem misterioso que se encontra com Abra\u00e3o depois de este vencer o rei Cadorlaomer e seus aliados. Apresentado como rei e sacerdote de Salem (localidade desconhecida, que o Sl 76,3 identifica com Jerusal\u00e9m), Melquisedec \u00e9 \u201csacerdote do Deus Alt\u00edssimo\u201d. Aben\u00e7oa Abra\u00e3o e oferece-lhe p\u00e3o e vinho; e Abra\u00e3o, o antepassado dos sacerdotes lev\u00edticos, inclinar-se-\u00e1 diante dele e pagar-lhe-\u00e1 o d\u00edzimo (cf. Gn 14,18-20). O Salmo 110, por sua vez, apresenta um rei da casa de David como o continuador do sacerdote Melquisedec (\u201co Senhor jurou\u201d ao rei \u201ce n\u00e3o voltar\u00e1 atr\u00e1s: tu \u00e9s sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec\u201d \u2013 Sl 110,4). A partir daqui a figura de Melquisedec adquirir\u00e1 uma clara conota\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica. Ap\u00f3s o Ex\u00edlio na Babil\u00f3nia, os judeus esperam ver surgir um salvador da descend\u00eancia de David que re\u00fana, como Melquisedec, o sacerd\u00f3cio e a realeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor da Carta aos Hebreus v\u00ea Cristo a esta luz. Na sua perspetiva, Jesus exerce um sacerd\u00f3cio perfeito e eterno, que n\u00e3o se vincula ao sacerd\u00f3cio de Levi (que \u00e9 um sacerd\u00f3cio exercido por homens pecadores, mortais e que se sucedem de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o), mas que realiza o sacerd\u00f3cio real do Messias dav\u00eddico, sucessor de Melquisedec.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira parte do cap\u00edtulo 7 da Carta, o autor resume a hist\u00f3ria de Melquisedec e afirma a superioridade do seu sacerd\u00f3cio sobre o sacerd\u00f3cio lev\u00edtico (cf. Heb 7,1-10); na segunda, o autor demonstra que o sacerd\u00f3cio novo de Cristo (na linha do sacerd\u00f3cio de Melquisedec) \u00e9 um sacerd\u00f3cio perfeito e eterno, que veio substituir o sacerd\u00f3cio lev\u00edtico e abolir a antiga Lei (cf. Heb 7,11-28). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Dirigindo-se a crist\u00e3os que vivem num ambiente hostil e que, por isso, se sentem desanimados e desmotivados, o autor da Carta aos Hebreus convida-os a revitalizar o seu compromisso com Cristo. Ele, o sumo-sacerdote eterno que intercede por n\u00f3s junto de Deus, \u00e9 fonte inesgot\u00e1vel de Vida e de salva\u00e7\u00e3o. Por isso, n\u00e3o podemos fechar-lhe as portas da nossa vida, nem desistir do caminho que Ele nos indica. A recomenda\u00e7\u00e3o do autor da Carta aos Hebreus continua a fazer sentido vinte s\u00e9culos depois\u2026 O ambiente desfavor\u00e1vel \u00e0 f\u00e9, a crise de valores, o cansa\u00e7o, a acomoda\u00e7\u00e3o, talvez mesmo a desilus\u00e3o que sentimos diante das fragilidades da Igreja, podem levar-nos a negligenciar o nosso compromisso com Cristo e a \u201cguardar na gaveta\u201d os valores do Evangelho. Mas Cristo continua a ser a nossa melhor oportunidade para construirmos uma vida plena de sentido. Estamos conscientes disso? As suas palavras, as suas indica\u00e7\u00f5es, o seu evangelho, continuam a ser decisivos na defini\u00e7\u00e3o da nossa vida, das nossas op\u00e7\u00f5es, do nosso caminho?<\/li>\n<li>Uma das raz\u00f5es que leva o autor da Carta aos Hebreus a estabelecer a superioridade do sacerd\u00f3cio de Cristo sobre o sacerd\u00f3cio lev\u00edtico prende-se com a \u201cqualidade\u201d do sacrif\u00edcio que Cristo ofereceu a Deus. Ele n\u00e3o ofereceu, como os sacerdotes do Antigo Testamento, o sangue de animais imolados, mas ofereceu a sua pr\u00f3pria vida. Ele p\u00f4s a sua vida ao servi\u00e7o do projeto de Deus e deu tudo, at\u00e9 \u00e0 \u00faltima gota de sangue, para que esse projeto se concretizasse. N\u00f3s, os crentes, sempre preocupados em agradar a Deus e em render-Lhe o culto que Ele merece, esquecemos, por vezes, o \u00f3bvio: mais do que ritos majestosos, manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de f\u00e9, solenes celebra\u00e7\u00f5es, Deus aprecia o dom de n\u00f3s mesmos. O culto que Ele nos pede, o sacrif\u00edcio que Ele aprecia e que h\u00e1 de gerar Vida nova para n\u00f3s e para os que caminham ao nosso lado, \u00e9 a obedi\u00eancia aos seus projetos, o acolhimento da sua vontade, a entrega completa da nossa vida nas suas m\u00e3os. Como \u00e9 a nossa resposta ao amor de Deus? \u00c9 uma resposta puramente externa, ou \u00e9 a obla\u00e7\u00e3o a Deus de n\u00f3s pr\u00f3prios, de tudo o que somos e fazemos?<\/li>\n<li>Cristo \u00e9, efetivamente, o sumo-sacerdote que est\u00e1 junto do Pai e que intercede continuamente por n\u00f3s, como repete at\u00e9 ao infinito o autor da Carta aos Hebreus. A consci\u00eancia desse facto deve encher o nosso cora\u00e7\u00e3o de paz, de esperan\u00e7a e de confian\u00e7a: se Cristo intercede por n\u00f3s, podemos encarar a vida de forma serena, com a consci\u00eancia de que as nossas debilidades e fragilidades nunca nos afastar\u00e3o, de forma definitiva, da comunh\u00e3o com Deus e da vida eterna. Essa certeza \u00e9, para n\u00f3s, fonte de paz, de harmonia e de esperan\u00e7a? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Marcos 12,28-34<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\naproximou-se de Jesus um escriba e perguntou-Lhe:<br \/>\n\u00abQual \u00e9 o primeiro de todos os mandamentos?\u00bb<br \/>\nJesus respondeu:<br \/>\n\u00abO primeiro \u00e9 este:<br \/>\n\u2018Escuta, Israel:<br \/>\nO Senhor nosso Deus \u00e9 o \u00fanico Senhor.<br \/>\nAmar\u00e1s o Senhor teu Deus<br \/>\ncom todo o teu cora\u00e7\u00e3o, com toda a tua alma,<br \/>\ncom todo o teu entendimento e com todas as tuas for\u00e7as\u2019.<br \/>\nO segundo \u00e9 este:<br \/>\n\u2018Amar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u2019.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 nenhum mandamento maior que estes\u00bb.<br \/>\nDisse-Lhe o escriba:<br \/>\n\u00abMuito bem, Mestre! Tens raz\u00e3o quando dizes:<br \/>\nDeus \u00e9 \u00fanico e n\u00e3o h\u00e1 outro al\u00e9m d\u2019Ele.<br \/>\nAm\u00e1-l\u2019O com todo o cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\ncom toda a intelig\u00eancia e com todas as for\u00e7as,<br \/>\ne amar o pr\u00f3ximo como a si mesmo,<br \/>\nvale mais do que todos os holocaustos e sacrif\u00edcios\u00bb.<br \/>\nAo ver que o escriba dera uma resposta inteligente,<br \/>\nJesus disse-lhe:<br \/>\n\u00abN\u00e3o est\u00e1s longe do reino de Deus\u00bb.<br \/>\nE ningu\u00e9m mais se atrevia a interrog\u00e1-I\u2019O.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus e os disc\u00edpulos j\u00e1 est\u00e3o em Jerusal\u00e9m. Chegaram h\u00e1 tr\u00eas dias. Durante a noite, t\u00eam ficado alojados em Bet\u00e2nia, a pequena povoa\u00e7\u00e3o situada no lado oriental do Monte das Oliveiras; mas todos os dias descem o monte, entram na cidade de Jerusal\u00e9m e dirigem-se ao templo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses dias t\u00eam sido marcados por duros confrontos entre Jesus e as autoridades religiosas de Jerusal\u00e9m. Logo no segundo dia Jesus tinha realizado o gesto prof\u00e9tico de expulsar do Templo os negociantes e tinha acusado os l\u00edderes judaicos de terem feito da \u201ccasa de Deus um covil de ladr\u00f5es\u201d (cf. Mc 11,15-18). Depois disso, tinha contado aos dirigentes judeus a par\u00e1bola dos vinhateiros homicidas (cf. Mc 12,1-12), acusando-os de se oporem, de forma continuada, \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do plano salvador de Deus. Os l\u00edderes judaicos, convencidos de que Jesus era irrecuper\u00e1vel, tinham tomado decis\u00f5es dr\u00e1sticas: Ele devia ser preso, julgado, condenado e eliminado. Fariseus, partid\u00e1rios de Herodes (cf. Mc 12,13) e at\u00e9 saduceus (cf. Mc 12,18), procuravam estender armadilhas a Jesus, a fim de O surpreender em afirma\u00e7\u00f5es pouco ortodoxas, que pudessem ser usadas em tribunal para conseguir uma condena\u00e7\u00e3o. As controv\u00e9rsias sobre o tributo a C\u00e9sar (cf. Mc 12,13-17) e sobre a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos (cf. Mc 12,18-27) devem ser situadas e compreendidas neste contexto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 precisamente neste cen\u00e1rio que aparece um escriba a perguntar a Jesus qual era o maior mandamento da Lei. Ao contr\u00e1rio de Mateus (cf. Mt 22,34-40), Marcos n\u00e3o considera, contudo, que a quest\u00e3o seja posta a Jesus para o embara\u00e7ar ou para o p\u00f4r \u00e0 prova. O escriba que coloca a quest\u00e3o parece ser um homem sincero e bem-intencionado, genuinamente preocupado em esclarecer uma quest\u00e3o para a qual ele ainda n\u00e3o tinha encontrado uma resposta convincente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto, a quest\u00e3o do maior mandamento da Lei n\u00e3o era uma quest\u00e3o pac\u00edfica e tornou-se, no tempo de Jesus, objeto de debates intermin\u00e1veis entre os fariseus e os doutores da Lei. A preocupa\u00e7\u00e3o em atualizar a Lei, de forma que ela respondesse a todas as quest\u00f5es que a vida do dia a dia punha, tinha levado os doutores da Lei a deduzir um conjunto de 613 preceitos, dos quais 365 (o n\u00famero dos dias do ano) eram proibi\u00e7\u00f5es e 248 (o n\u00famero dos membros do corpo humano, segundo a mentalidade judaica) a\u00e7\u00f5es a p\u00f4r em pr\u00e1tica. Esta \u201cmultiplica\u00e7\u00e3o\u201d dos preceitos legais lan\u00e7ava, no entanto, a quest\u00e3o da ordena\u00e7\u00e3o dos mandamentos: qual era o primeiro, o maior, o mais importante, aquele que devia aparecer \u00e0 frente de todos os outros? Os \u201cmestres\u201d judaicos mantinham, sobre isto, discuss\u00f5es intermin\u00e1veis; mas as suas respostas n\u00e3o eram coincidentes. \u00c9 daqui que parte a pergunta que o escriba traz a Jesus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Dois mil anos de cristianismo significam um longo caminho. Ao longo desse caminho, a comunidade de Jesus \u2013 como todas as institui\u00e7\u00f5es que caminham pela hist\u00f3ria \u2013 foi acumulando um grande n\u00famero de coisas: normas, preceitos, costumes, tradi\u00e7\u00f5es, ritos, doutrinas, explica\u00e7\u00f5es, vener\u00e1veis opini\u00f5es, teorias mais ou menos discut\u00edveis\u2026 Algum desse material \u00e9 muito belo e continua a ajudar a comunidade crist\u00e3 a caminhar na fidelidade a Jesus; outro \u00e9 datado, perdeu o prazo de validade e pode tornar-se obst\u00e1culo para que os homens e mulheres do s\u00e9c. XXI possam descobrir Jesus e a sua proposta. O p\u00f3 que os s\u00e9culos v\u00e3o acumulando pode, a dada altura, ocultar-nos o essencial e fazer-nos perder a no\u00e7\u00e3o do que \u00e9 realmente importante. Hoje, em \u00e2mbito eclesial, gastamos tempo e energias a discutir certas quest\u00f5es secund\u00e1rias, puramente acidentais, enquanto deixamos em segundo plano o essencial da proposta de Jesus. As palavras de Jesus que escutamos no evangelho deste domingo poder\u00e3o ajudar-nos a refazer as nossas prioridades: o essencial \u00e9 o amor a Deus e o amor aos irm\u00e3os. Nisto se resume toda a revela\u00e7\u00e3o de Deus e a sua proposta de Vida plena e definitiva para os homens. O que \u00e9 que consideramos essencial para nos mantermos fi\u00e9is e a Jesus e \u00e0 sua proposta? A nossa avalia\u00e7\u00e3o do que \u00e9 essencial est\u00e1 de acordo com as palavras de Jesus que hoje ouvimos?<\/li>\n<li>O que \u00e9 \u201camar a Deus\u201d? Olhemos para Jesus\u2026 Ele sentia-se profundamente amado por Deus; Deus era o centro da sua vida. Por isso, procurava estar com o Pai, falar com o Pai, conhecer os planos do Pai para o mundo e para os homens. Jesus vivia o seu amor a Deus a partir desta realidade. Para Ele, o amor a Deus concretizava-se na procura de proximidade com o Pai, na escuta do Pai, na obedi\u00eancia incondicional \u00e0 vontade do Pai, na entrega de toda a sua vida \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do projeto do Pai. Esta forma de \u201camar a Deus\u201d pode ser um bom modelo para n\u00f3s. Deus \u00e9 para n\u00f3s, como era para Jesus, um Pai por quem nos sentimos profundamente amados? E esse amor que Deus nos dedica atrai-nos, faz-nos sentir necessidade de arranjar tempo para estar com Ele, para manter um di\u00e1logo com Ele? Faz-nos sentir vontade de acolher as indica\u00e7\u00f5es de Deus e de viver de acordo com elas? Motiva-nos para acolhermos os projetos de Deus e para nos comprometermos em torn\u00e1-los realidade no mundo que estamos a construir?<\/li>\n<li>O que \u00e9 \u201camar os irm\u00e3os\u201d? Olhemos outra vez para Jesus\u2026 Ele \u201cpassou pelo mundo fazendo o bem\u201d. Curava as feridas dos que sofriam, sentava-se \u00e0 mesa com aqueles que a sociedade e a religi\u00e3o condenavam, tocava os leprosos e devolvia-lhes a consci\u00eancia da sua dignidade, defendia as mulheres v\u00edtimas de leis discriminat\u00f3rias, saciava a fome das multid\u00f5es e ensinava-as a partilhar, levava a esperan\u00e7a a todos aqueles cujas vidas estavam em becos sem sa\u00edda. Nunca discriminou ningu\u00e9m e morreu pedindo a Deus perd\u00e3o para os seus assassinos. Os seus gestos testemunhavam a solicitude, a miseric\u00f3rdia de Deus por todos os seus filhos. De acordo com o exemplo e o testemunho de Jesus, o amor aos irm\u00e3os passa por cuidarmos de cada homem e de cada mulher com quem nos cruzamos nos nossos caminhos de todos os dias, sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, de nacionalidade, de estatuto social, de religi\u00e3o ou de qualquer outra fronteira real ou imagin\u00e1ria. Como \u00e9 que vemos e tratamos os irm\u00e3os e irm\u00e3s que caminham ao nosso lado? Sentimo-nos respons\u00e1veis por cada pessoa que sofre, que vive em condi\u00e7\u00f5es indignas, que \u00e9 v\u00edtima de injusti\u00e7a, que \u00e9 deixada para tr\u00e1s, que \u00e9 maltratada e desrespeitada?<\/li>\n<li>Muitos homens e mulheres, ao longo da hist\u00f3ria, viram no \u201camor a Deus\u201d e no \u201camor ao pr\u00f3ximo\u201d duas realidades de dif\u00edcil concilia\u00e7\u00e3o. Alguns dos que acentuavam a verticalidade \u2013 o \u201camor a Deus\u201d \u2013 fecharam-se numa piedade que fugia do mundo e se refugiava em lugares solit\u00e1rios, de olhos postos na contempla\u00e7\u00e3o de Deus, \u00e0 margem dos problemas e das dores dos homens e das mulheres; outros, que acentuavam a horizontalidade (o \u201camor ao pr\u00f3ximo\u201d) \u2013 apostaram tudo na dimens\u00e3o humana, desvalorizando Deus, ou at\u00e9 mesmo considerando Deus um advers\u00e1rio da liberdade e da realiza\u00e7\u00e3o plena dos seres humanos. O evangelho deste domingo garante que n\u00e3o h\u00e1 qualquer contradi\u00e7\u00e3o entre as duas realidades. \u201cA gl\u00f3ria de Deus \u00e9 o homem vivo\u201d (Santo Ireneu de Li\u00e3o); quem mergulha no amor de Deus descobre que a grande preocupa\u00e7\u00e3o de Deus \u00e9 o bem dos seus queridos filhos e filhas que peregrinam na terra. A contempla\u00e7\u00e3o de Deus alguma vez nos afastou da luta por um mundo mais digno e mais humano para todos os filhos e filhas de Deus? A interven\u00e7\u00e3o social alguma vez nos afastou de Deus ou nos levou a \u201cfechar os ouvidos\u201d \u00e0s indica\u00e7\u00f5es de Deus?<\/li>\n<li>Qual \u00e9, para n\u00f3s, o elemento fundamental da nossa experi\u00eancia de f\u00e9? Que lugar ocupa o amor \u2013 o amor a Deus e o amor ao pr\u00f3ximo \u2013 no edif\u00edcio da nossa vida religiosa? Por vezes n\u00e3o tenderemos a dar demasiada import\u00e2ncia a elementos que n\u00e3o t\u00eam grande significado (as tradi\u00e7\u00f5es religiosas que herdamos dos nossos antepassados, a devo\u00e7\u00e3o que nos inspira determinada imagem religiosa, as festas com um leve verniz religioso mas que s\u00e3o pretexto para manifesta\u00e7\u00f5es pouco crist\u00e3s, os rituais pomposos e muitas vezes vazios de significado, as quest\u00f5es disciplinares laterais, as honrarias pouco evang\u00e9licas, os t\u00edtulos \u201creligiosos\u201d que nada significam\u2026), esquecendo o essencial, negligenciando o mandamento maior? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As leituras propostas para este Domingo n\u00e3o apresentam nenhuma dificuldade relevante na sua prepara\u00e7\u00e3o. Contudo, a aparente facilidade destas leituras n\u00e3o deve permitir descurar a sua prepara\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> deve ser marcada pelo tom exortativo do discurso de Mois\u00e9s ao Povo e a <strong>segunda leitura <\/strong>tem frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Todos-os-Santos-e-Fieis-Defuntos-01.11.2024-e-02.11.2024-Lecionario.pdf\">Todos os Santos e Fi\u00e9is Defuntos &#8211; 01.11.2024 e 02.11.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Festa-de-Todos-os-Santos-Oracao-Universal.pdf\">Festa de Todos os Santos &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Comemoracao-de-Todos-os-Fieis-Defuntos-Oracao-Universal.pdf\">Comemora\u00e7\u00e3o de Todos os Fi\u00e9is Defuntos &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Leitura-I-do-Domingo-XXXI-do-Tempo-Comum-Ano-B-03.11.2024-Deut-6-2-6.pdf\">Leitura I do Domingo XXXI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 03.11.2024 (Deut 6, 2-6)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Leitura-II-do-Domingo-XXXI-do-Tempo-Comum-Ano-B-03.11.2024-Heb-7-23-28.pdf\">Leitura II do Domingo XXXI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 03.11.2024 (Heb 7, 23-28)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Domingo-XXXI-do-Tempo-Comum-Ano-B-03.11.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XXXI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 03.11.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Domingo-XXXI-do-Tempo-Comum-Ano-B-03.11.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXXI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 03.11.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Domingo-XXXI-do-Tempo-Comum-Ano-B-03.11.2024-refletindo.pdf\">Domingo XXXI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 03.11.2024 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Mesa-da-Palavra-Domingo-XXXI.pdf\">Mesa da Palavra Domingo XXXI<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXX do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 27.10.2024&#8243; tab_id=&#8221;1730719050712-bf73cf85-0c26&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo XXX do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 27.10.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Domingo-XXX.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"461\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disc\u00edpulo mission\u00e1rio \u00e9 aquele que experimentando na sua vida a a\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus, se faz anunciador das maravilhas do amor do Pai, revelado de modo pleno, total e definitivo em Jesus Cristo, Luz das na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Liturgia da Palavra deste Domingo sentimos ecoar a alegria de um Deus que se aproxima de n\u00f3s, que caminha connosco, que estabelece, em Jesus Cristo, gestos concretos de amor e miseric\u00f3rdia que est\u00e3o j\u00e1 presentes na revela\u00e7\u00e3o veterotestament\u00e1ria, como escutamos nas palavras do Profeta Jeremias: \u00ab<em>soltai brados de alegria por causa de Jacob, enaltecei a primeira das na\u00e7\u00f5es. Fazei ouvir os vossos louvores e proclamai: \u2018O Senhor salvou o seu povo, o resto de Israel\u2019<\/em>\u00bb, ou no canto do Salmo Responsorial: \u00ab<em>da nossa boca brotavam express\u00f5es de alegria\u00a0e dos nossos l\u00e1bios c\u00e2nticos de j\u00fabilo<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos desafiados pela Palavra de Deus a olhar a nossa vida com um cora\u00e7\u00e3o agradecido, reconhecendo as maravilhas que Deus realiza. A ora\u00e7\u00e3o de louvor \u00e9 o segredo para encontrar a for\u00e7a e a coragem para os momentos mais dif\u00edceis e exigentes da nossa vida: assim como no passado Deus se fez presente na nossa vida, manifestando o Seu amor e cuidado, assim no presente e no futuro o Senhor estar\u00e1 connosco para que cada obst\u00e1culo e desafio sejam uma nova oportunidade para sentir o Seu amor e a Sua gra\u00e7a. Deste modo, as dificuldades e desafios tornam-se lugares de crescimento e a oportunidade de renovar a fidelidade \u00e0 Palavra de Deus que nos convida a depositar Nele toda a nossa confian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa fraqueza e pecado n\u00e3o s\u00e3o um caminho sem sa\u00edda, como nos recorda a Carta aos Hebreus, tornam-se escola de compreens\u00e3o e perd\u00e3o, pois partilhando com os irm\u00e3os esta condi\u00e7\u00e3o de fragilidade, compartilhamos a necessidade do perd\u00e3o oferecido e recebido como lugar de exerc\u00edcio da verdadeira fraternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, Aquele que assumiu a nossa fraqueza, para nos elevar pela for\u00e7a do Seu amor, \u00e9 o rosto da miseric\u00f3rdia do Pai e n\u00e3o fica indiferente \u00e0s nossas dores e fragilidades. Jesus sai de Jeric\u00f3, vai a caminho de Jerusal\u00e9m e escuta o clamor do cego Bartimeu: \u00ab<em>Jesus, Filho de David, tem piedade de mim<\/em>\u00bb. Jesus chama-o, quer entrar em di\u00e1logo com ele, pergunta-lhe o que pretende, manifestando assim o desejo de escutar as suas necessidades e anseios. \u00c9 assim Jesus, deve ser assim a Igreja, enquanto continuadora da obra redentora de Cristo: caminhando no meio dos homens e mulheres do Seu tempo, deve ser lugar de escuta e de acolhimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, h\u00e1 um pormenor muito interessante: Jesus pede aos disc\u00edpulos para irem chamar Bartimeu e eles chamam-no utilizando duas palavras, que s\u00f3 Jesus pronuncia nas restantes passagens do Evangelho: primeiro,\u00a0o apelo \u00ab<em>Coragem!\u00bb<\/em>\u00a0como convite \u00e0 confian\u00e7a porque a sua prece foi escutada e depois a ordem\u00a0<em>\u00abLevanta-te!\u00bb<\/em>, tal como Jesus quando se dirigia aos doentes, tomando-os pela m\u00e3o e salvando-os das suas enfermidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m n\u00f3s, disc\u00edpulos mission\u00e1rios no hoje da hist\u00f3ria, diante dos gritos e clamores da humanidade ferida por tantas estradas de dor e sofrimento, somos chamados a assumir na nossa vida as palavras e gestos de Jesus, para que no mundo possa despontar a Luz que s\u00f3 Jesus pode oferecer e a Esperan\u00e7a que s\u00f3 a Sua miseric\u00f3rdia nos pode garantir. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Jeremias 31,7-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eis o que diz o Senhor:<br \/>\n\u00abSoltai brados de alegria por causa de Jacob,<br \/>\nenaltecei a primeira das na\u00e7\u00f5es.<br \/>\nFazei ouvir os vossos louvores e proclamai:<br \/>\n\u2018O Senhor salvou o seu povo, o resto de Israel\u2019.<br \/>\nVou traz\u00ea-los das terras do Norte<br \/>\ne reuni-los dos confins do mundo.<br \/>\nEntre eles v\u00eam o cego e o coxo,<br \/>\na mulher que vai ser m\u00e3e e a que j\u00e1 deu \u00e0 luz.<br \/>\n\u00c9 uma grande multid\u00e3o que regressa.<br \/>\nEles partiram com l\u00e1grimas nos olhos<br \/>\ne Eu vou traz\u00ea-los no meio de consola\u00e7\u00f5es.<br \/>\nLev\u00e1-Ios-ei \u00e0s \u00e1guas correntes,<br \/>\npor caminho plano em que n\u00e3o tropecem.<br \/>\nPorque Eu sou um Pai para Israel<br \/>\ne Efraim \u00e9 o meu primog\u00e9nito\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jeremias, o profeta nascido em Anatot por volta de 650 a.C., exerceu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica desde 627\/626 a.C., at\u00e9 depois da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m pelos Babil\u00f3nios (586 a.C.). O cen\u00e1rio da atividade do profeta \u00e9, em geral, o reino de Jud\u00e1 (e, sobretudo, a cidade de Jerusal\u00e9m).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira fase da prega\u00e7\u00e3o de Jeremias abrange parte do reinado de Josias. Este rei, preocupado em defender a identidade pol\u00edtica e religiosa do Povo de Deus, leva a cabo uma importante reforma religiosa destinada a banir do pa\u00eds os cultos aos deuses estrangeiros. A mensagem de Jeremias, neste per\u00edodo, traduz-se num constante apelo \u00e0 convers\u00e3o, \u00e0 fidelidade a Jav\u00e9 e \u00e0 alian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 609 a.C., no entanto, Josias \u00e9 morto, em combate contra os eg\u00edpcios. Depois de uns meses de instabilidade, o trono de Jud\u00e1 \u00e9 ocupado por Joaquim (609-597 a.C.). \u00c9 durante o reinado de Joaquim que se desenrola a segunda fase da miss\u00e3o prof\u00e9tica de Jeremias. Nesta fase, o profeta denuncia as graves injusti\u00e7as sociais (\u00e0s vezes fomentadas pelo pr\u00f3prio rei) que fragilizavam irremediavelmente o tecido social de Jud\u00e1; e denuncia, por outro lado, a infidelidade religiosa, traduzida sobretudo na pol\u00edtica de alian\u00e7as pol\u00edticas com pot\u00eancias estrangeiras (Jeremias entende que os l\u00edderes de Jud\u00e1, ao colocarem a esperan\u00e7a da na\u00e7\u00e3o em ex\u00e9rcitos estrangeiros, est\u00e3o a mostrar que n\u00e3o confiam em Deus). Convencido de que Jud\u00e1 j\u00e1 ultrapassou todas as medidas, Jeremias anuncia a imin\u00eancia de uma invas\u00e3o babil\u00f3nica que ir\u00e1 castigar os pecados da na\u00e7\u00e3o. As previs\u00f5es funestas de Jeremias concretizam-se: em 597 a.C., Nabucodonosor invade Jud\u00e1 e deporta para a Babil\u00f3nia uma parte da popula\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No trono de Jud\u00e1 fica, ent\u00e3o, Sedecias (597-586 a.C.). A terceira fase da miss\u00e3o prof\u00e9tica de Jeremias desenrola-se, precisamente, durante este reinado. Num primeiro momento, Sedecias mant\u00e9m-se alheado das convuls\u00f5es pol\u00edticas que agitavam os povos da regi\u00e3o; mas, ap\u00f3s alguns anos de calma submiss\u00e3o \u00e0 Babil\u00f3nia, Sedecias volta a experimentar a velha pol\u00edtica das alian\u00e7as com o Egipto. Uma vez mais, Jeremias manifesta o seu desacordo com essa pol\u00edtica temer\u00e1ria, que mais tarde ou mais cedo h\u00e1 de desembocar no desastre. Nem o rei, nem os not\u00e1veis prestam qualquer aten\u00e7\u00e3o \u00e0 opini\u00e3o do profeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 587 a.C., Nabucodonosor p\u00f5e cerco a Jerusal\u00e9m; no entanto, um ex\u00e9rcito eg\u00edpcio vem em socorro de Jud\u00e1 e os babil\u00f3nios retiram-se. Nesse momento de euforia nacional, Jeremias aparece a anunciar o recome\u00e7o do cerco e a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m (cf. Jer 32,2-5). Acusado de trai\u00e7\u00e3o, o profeta \u00e9 encarcerado (cf. Jer 37,11- 16) e corre, inclusive, perigo de vida (cf. Jer 38,11-13). Enquanto Jeremias continua a pregar a rendi\u00e7\u00e3o, Nabucodonosor apossa-se, de facto, de Jerusal\u00e9m, destr\u00f3i a cidade e deporta a sua popula\u00e7\u00e3o para a Babil\u00f3nia (586 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 imposs\u00edvel dizer com seguran\u00e7a em que contexto apareceu a mensagem que nos \u00e9 proposta como primeira leitura neste trig\u00e9simo domingo comum. Para alguns comentadores, trata-se de um or\u00e1culo que poderia situar-se na primeira fase da atividade prof\u00e9tica de Jeremias (reinado de Josias) e que seria dirigido aos habitantes do Reino do Norte (Israel). Seria uma mensagem de esperan\u00e7a, destinada a animar esse povo que h\u00e1 cerca de cem anos tinha perdido a independ\u00eancia e estava sob o dom\u00ednio ass\u00edrio. Para outros, contudo, este texto poder\u00e1 ser da \u00e9poca de Sedecias, algures entre a primeira e a segunda deporta\u00e7\u00e3o do Povo para a Babil\u00f3nia (597-586 a.C.). \u00c9 a \u00e9poca em que Jeremias descobre perspetivas teol\u00f3gicas novas e come\u00e7a a refletir sobre um tempo novo que Deus ir\u00e1 oferecer ao seu Povo: ap\u00f3s a cat\u00e1strofe, ser\u00e1 poss\u00edvel recome\u00e7ar tudo, pois Deus tem em mente fazer uma nova Alian\u00e7a com Jud\u00e1. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Num momento hist\u00f3rico dram\u00e1tico, quando o Povo de Deus exilado nas \u201cterras do norte\u201d se afundava no des\u00e2nimo, Jeremias lan\u00e7a a sua proclama\u00e7\u00e3o convidando \u00e0 alegria e ao louvor. Raz\u00e3o: Deus vai intervir para salvar o seu Povo, \u201co resto de Israel\u201d. \u00c9 um epis\u00f3dio mais de uma hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o que continua a escrever-se nos nossos dias e nos dias que h\u00e3o de vir, at\u00e9 ao final dos tempos. Em pleno s\u00e9c. XXI, Deus continua a vir ao encontro do seu Povo exilado neste \u201cvale de l\u00e1grimas\u201d, a estender-lhe a m\u00e3o e a empurr\u00e1-lo para caminhos novos de vida e de esperan\u00e7a. As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas fazem-nos temer pela viabilidade do planeta, as guerras novas e velhas continuam a tingir de sangue inocente a hist\u00f3ria do mundo, a ambi\u00e7\u00e3o e a arrog\u00e2ncia dos grandes parecem incontrol\u00e1veis, a indiferen\u00e7a nascida do ego\u00edsmo condena cada dia mais e mais homens a caminhos sem sa\u00edda\u2026 E Deus? Deus continua a insistir, uma e outra vez, com paci\u00eancia infinita, em conduzir-nos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida, em apontar-nos caminhos de salva\u00e7\u00e3o. Deus n\u00e3o desiste de n\u00f3s. Deus n\u00e3o desiste dos seus filhos e filhas. Deus n\u00e3o desiste de ser \u201cnosso Pai\u201d e de nos envolver de ternura e amor. Como sentimos, como acolhemos, como vivemos esta \u201cboa not\u00edcia\u201d? O que \u00e9 que ela traz \u00e0 nossa luta de todos os dias? Podemos continuar a semear pessimismo quando somos amados desta forma?<\/li>\n<li>Jeremias garante que a a\u00e7\u00e3o salvadora e libertadora de Deus estender-se-\u00e1 a todos, inclusive aos \u201ccegos\u201d e aos \u201ccoxos\u201d. Os \u201ccoxos\u201d e os \u201ccegos representam, aqui, aqueles que est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o de fragilidade, de debilidade, de depend\u00eancia e que s\u00e3o incapazes, por si s\u00f3s, de deixar essa condi\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m com esses \u2013 ou especialmente com esses \u2013 Deus quer caminhar. Na verdade, Deus n\u00e3o marginaliza ningu\u00e9m, nem coloca ningu\u00e9m \u00e0 margem da sua proposta de salva\u00e7\u00e3o. Os fracos, os d\u00e9beis, os limitados, os marginalizados ocupam um lugar especial no cora\u00e7\u00e3o de Deus e s\u00e3o objeto privilegiado do seu amor e da sua miseric\u00f3rdia. Na nossa sociedade, os pequenos, os pobres, os humildes, os doentes, os velhos, os estrangeiros sem pap\u00e9is s\u00e3o, frequentemente, marginalizados e ultrapassados pelo comboio da hist\u00f3ria. A sociedade edifica-se sem eles ou, pelo menos, sem ter em conta as suas necessidades e car\u00eancias\u2026 N\u00f3s, os crentes, formados na escola de Deus, procuramos olhar para eles com o mesmo olhar com que Deus os olha? Somos capazes de ver em cada homem ou mulher \u2013 no \u201ccoxo\u201d, no \u201ccego\u201d, no velho, no doente, no marginal \u2013 um irm\u00e3o que Deus ama e a quem Deus quer oferecer, por nosso interm\u00e9dio, a Vida plena, a salva\u00e7\u00e3o definitiva?<\/li>\n<li>A hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o mostra, numa repeti\u00e7\u00e3o que chega a ser mon\u00f3tona, de um lado o amor e a fidelidade de Deus, do outro a infidelidade do Povo. Ora, apesar da resposta continuamente dececionante de Israel ao amor e \u00e0 fidelidade de Deus, a verdade \u00e9 que Deus nunca virou as costas ao seu Povo. Toda a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria de perd\u00e3o, de possibilidade de recome\u00e7o, de convite \u00e0 supera\u00e7\u00e3o do pecado. Tamb\u00e9m para n\u00f3s isto vale. Podemos virar as costas a Deus e fechar-nos na nossa pobre autossufici\u00eancia; podemos ignorar a voz de Deus e escolher andar em caminhos que nos levam para longe d\u2019Ele; podemos ir atr\u00e1s de deuses menores, de deuses dececionantes, de deuses que nos escravizam e n\u00e3o nos asseguram vida\u2026 Mas, aconte\u00e7a o que acontecer, Deus l\u00e1 estar\u00e1 em cada passo do caminho a olhar para n\u00f3s com um olhar cheio de amor, a perdoar-nos e a convidar-nos para nos sentarmos novamente com Ele \u00e0 mesa da Vida nova, \u00e0 mesa onde Ele quer reunir todos os seus filhos e filhas. Acreditamos na miseric\u00f3rdia e no perd\u00e3o de Deus? O amor e a miseric\u00f3rdia de Deus s\u00e3o para n\u00f3s motiva\u00e7\u00e3o para vencermos a cegueira e a paralisia que tantas vezes nos impedem de caminhar? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 125 (126)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Grandes maravilhas fez por n\u00f3s o Senhor, por isso exultamos de alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando o Senhor fez regressar os cativos de Si\u00e3o,<br \/>\nparecia-nos viver um sonho.<br \/>\nDa nossa boca brotavam express\u00f5es de alegria<br \/>\ne dos nossos l\u00e1bios c\u00e2nticos de j\u00fabilo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diziam ent\u00e3o os pag\u00e3os:<br \/>\n\u00abO Senhor fez por eles grandes coisas\u00bb.<br \/>\nSim, grandes coisas fez por n\u00f3s o Senhor,<br \/>\nestamos exultantes de alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,<br \/>\ncomo as torrentes do deserto.<br \/>\nOs que semeiam em l\u00e1grimas<br \/>\nrecolhem com alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c0 ida v\u00e3o a chorar,<br \/>\nlevando as sementes;<br \/>\n\u00e0 volta v\u00eam a cantar,<br \/>\ntrazendo os molhos de espigas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Hebreus 5,1-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todo o sumo sacerdote, escolhido de entre os homens,<br \/>\n\u00e9 constitu\u00eddo em favor dos homens,<br \/>\nnas suas rela\u00e7\u00f5es com Deus,<br \/>\npara oferecer dons e sacrif\u00edcios pelos pecados.<br \/>\nEle pode ser compreensivo<br \/>\npara com os ignorantes e os transviados,<br \/>\nporque tamb\u00e9m ele est\u00e1 revestido de fraqueza;<br \/>\ne, por isso, deve oferecer sacrif\u00edcios<br \/>\npelos pr\u00f3prios pecados e pelos do seu povo.<br \/>\nNingu\u00e9m atribui a si pr\u00f3prio esta honra,<br \/>\nsen\u00e3o quem foi chamado por Deus, como Aar\u00e3o.<br \/>\nAssim tamb\u00e9m, n\u00e3o foi Cristo que tomou para Si a gl\u00f3ria<br \/>\nde Se tornar sumo sacerdote;<br \/>\ndeu-Lha Aquele que Lhe disse:<br \/>\n\u00abTu \u00e9s meu Filho, Eu hoje Te gerei\u00bb,<br \/>\ne como disse ainda noutro lugar:<br \/>\n\u00abTu \u00e9s sacerdote para sempre,<br \/>\nsegundo a ordem de Melquisedec\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o, sobretudo das igrejas do oriente, atribui a Paulo de Tarso o escrito a que chamamos \u201cCarta aos Hebreus\u201d; mas as igrejas do ocidente h\u00e1 muito que descartaram a autoria paulina desta \u201chomilia\u201d. \u00c9 prov\u00e1vel que a \u201cCarta aos Hebreus\u201d venha de um disc\u00edpulo de Paulo; mas n\u00e3o foi Paulo que a escreveu. Teria aparecido pouco antes do ano 70, quando o culto praticado no Templo ainda era uma realidade atual (recorde-se que, no ano 70, os romanos destru\u00edram Jerusal\u00e9m e o Templo). Os destinat\u00e1rios da \u201cCarta\u201d s\u00e3o, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, comunidades crist\u00e3s constitu\u00eddas maioritariamente por crist\u00e3os vindos do juda\u00edsmo; no entanto, tamb\u00e9m h\u00e1 quem considere que a Carta poderia dirigir-se a qualquer comunidade crist\u00e3, nomeadamente a comunidades onde dominavam os crist\u00e3os de origem greco-romana. O facto de se citar abundantemente o Antigo Testamento n\u00e3o \u00e9 decisivo para a defini\u00e7\u00e3o dos destinat\u00e1rios, uma vez que, por essa altura, o Antigo Testamento era patrim\u00f3nio comum de todos os crist\u00e3os. Seja como for, os destinat\u00e1rios da Carta aos Hebreus s\u00e3o crentes que vivem numa situa\u00e7\u00e3o de fragilidade, de cansa\u00e7o e de desalento. O objetivo do autor da Carta \u00e9 ajudar esses crist\u00e3os a redescobrir o entusiasmo inicial, a revitalizar o seu compromisso com Cristo e a empenhar-se numa f\u00e9 mais coerente e mais comprometida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor desta reflex\u00e3o convida os crentes a apreciar o mist\u00e9rio de Cristo, o sacerdote por excel\u00eancia, que o Pai enviou ao mundo com a miss\u00e3o de convidar todos os homens a integrar a comunidade do Povo sacerdotal. Uma vez comprometidos com Cristo, os crentes \u2013 membros desse Povo sacerdotal \u2013 devem fazer da sua vida um cont\u00ednuo sacrif\u00edcio de louvor, de entrega e de amor. Ao lembrar aos crentes o seu compromisso com Cristo e com a comunidade do Povo sacerdotal, o autor oferece aos crist\u00e3os a base para revitalizarem a sua experi\u00eancia de f\u00e9, enfraquecida pela hostilidade do ambiente, pela acomoda\u00e7\u00e3o e pela monotonia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto est\u00e1 inclu\u00eddo na segunda parte da Carta aos Hebreus (cf. Heb 3,1-5,10). A\u00ed, o autor apresenta Jesus como o sacerdote fiel e misericordioso que o Pai enviou ao mundo para mudar os cora\u00e7\u00f5es dos homens e para os aproximar de Deus. Jesus Cristo, o sumo-sacerdote \u201cque atravessou os c\u00e9us\u201d para interceder junto de Deus pelos seus \u201cirm\u00e3os\u201d (cf. Heb 4,14-16), tornou-se para todos os que beneficiam do seu sacerd\u00f3cio fonte de salva\u00e7\u00e3o eterna (cf. Heb 5,1-10). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Caminhamos para onde? Por que caminhos? O que buscamos? Quem nos conduz, de forma que possamos chegar a porto seguro e dar sentido pleno \u00e0 nossa vida? O autor da Carta aos Hebreus apresenta-nos Jesus e convida-nos a segui-l\u2019O sem hesita\u00e7\u00f5es. Garante-nos que Ele nos leva ao Pai e nos ajudar\u00e1 a integrar a fam\u00edlia de Deus. Ningu\u00e9m vai ao Pai, ningu\u00e9m encontra a Vida verdadeira sem caminhar com Jesus, sem escutar as suas indica\u00e7\u00f5es, sem viver ao seu estilo. \u00c9 uma mensagem destinado a acordar crentes adormecidos, conformados com uma f\u00e9 morna e sem grandes exig\u00eancias, instalados na sua zona de conforto, protegidos atr\u00e1s da sua seguran\u00e7a e do seu bem-estar. E n\u00f3s? Escutamos Jesus, temo-lo como refer\u00eancia sempre que temos de fazer op\u00e7\u00f5es e de escolher caminhos? Ele \u00e9 para n\u00f3s Caminho, Verdade e Vida? Estamos dispostos a deixar que Ele nos conduza at\u00e9 ao Pai?<\/li>\n<li>Jesus experimentou a nossa fragilidade, a nossa debilidade, a nossa depend\u00eancia; identificou-se connosco e tornou-Se capaz de compreender os nossos erros e de olhar para as nossas insufici\u00eancias com bondade e miseric\u00f3rdia. Depois, \u201catravessou os c\u00e9us\u201d e apresentou-se diante de Deus a interceder por n\u00f3s e a obter do Pai a nossa salva\u00e7\u00e3o. Quando a consci\u00eancia da nossa fragilidade e do nosso pecado nos impedir de caminhar em paz; quando o remorso pelas nossas escolhas erradas nos pesar intoleravelmente, lembremo-nos de Jesus, o nosso irm\u00e3o, a interceder por n\u00f3s junto do Pai. Caminhamos derrotados pelos nossos erros e pelo nosso pecado, ou confiamos em Jesus e na miseric\u00f3rdia de Deus?<\/li>\n<li>Jesus experimentou a nossa fragilidade e os nossos limites; solidarizou-se com todos os homens e mulheres, independentemente do lugar que a sociedade lhes atribu\u00eda. Esteve especialmente do lado dos mais fr\u00e1geis, dos mais pequenos, dos mais esquecidos. O seu exemplo convida-nos \u00e0 solidariedade com os \u00faltimos, com os pobres, com os mais humildes, com aqueles que o mundo rejeita e marginaliza; convida-nos a identificarmo-nos com os sofrimentos e as ang\u00fastias, as alegrias e as esperan\u00e7as de cada homem ou mulher; convida-nos a fazer o que estiver ao nosso alcance para promover aqueles que s\u00e3o humilhados, explorados, incompreendidos, colocados \u00e0 margem da vida e da hist\u00f3ria. Sentimo-nos solid\u00e1rios com os irm\u00e3os e as irm\u00e3s que fazem caminho connosco, especialmente com aqueles dos quais ningu\u00e9m cuida, que ningu\u00e9m quer, que ningu\u00e9m defende? Sentimos que as dores e feridas que fazem sofrer os nossos irm\u00e3os tamb\u00e9m s\u00e3o nossas? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Marcos 10,46-52<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nquando Jesus ia a sair de Jeric\u00f3<br \/>\ncom os disc\u00edpulos e uma grande multid\u00e3o,<br \/>\nestava um cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu,<br \/>\na pedir esmola \u00e0 beira do caminho.<br \/>\nAo ouvir dizer que era Jesus de Nazar\u00e9 que passava,<br \/>\ncome\u00e7ou a gritar:<br \/>\n\u00abJesus, Filho de David, tem piedade de mim\u00bb.<br \/>\nMuitos repreendiam-no para que se calasse.<br \/>\nMas ele gritava cada vez mais:<br \/>\n\u00abFilho de David, tem piedade de mim\u00bb.<br \/>\nJesus parou e disse: \u00abChamai-O\u00bb.<br \/>\nChamaram ent\u00e3o o cego e disseram-lhe:<br \/>\n\u00abCoragem! Levanta-te, que Ele est\u00e1 a chamar-te\u00bb.<br \/>\nO cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus.<br \/>\nJesus perguntou-lhe:<br \/>\n\u00abQue queres que Eu te fa\u00e7a?\u00bb<br \/>\nO cego respondeu-Lhe:<br \/>\n\u00abMestre, que eu veja\u00bb.<br \/>\nJesus disse-lhe:<br \/>\n\u00abVai: a tua f\u00e9 te salvou\u00bb.<br \/>\nLogo ele recuperou a vista<br \/>\ne seguiu Jesus pelo caminho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus e os disc\u00edpulos descem pelo vale do Jord\u00e3o, a caminho de Jerusal\u00e9m. J\u00e1 n\u00e3o falta muito para que esse caminho \u2013 simultaneamente geogr\u00e1fico e espiritual \u2013 chegue ao seu termo. O grupo entra na cidade de Jeric\u00f3, mas n\u00e3o fica l\u00e1 muito tempo. \u00c9 prov\u00e1vel que Jesus tivesse uma certa pressa de chegar a Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jeric\u00f3, a \u201ccidade das Palmeiras\u201d, \u00e9 um o\u00e1sis situado na margem do rio Jord\u00e3o, a norte do Mar Morto, a cerca de 30 quil\u00f3metros de Jerusal\u00e9m. Considerada a cidade mais antiga do mundo, est\u00e1 a cerca de 250 metros abaixo do n\u00edvel do mar. Foi por Jeric\u00f3 que os hebreus vindos do Egito, conduzidos por Josu\u00e9, entraram na Terra Prometida. Na \u00e9poca de Jesus, era uma cidade relativamente importante, com grandes planta\u00e7\u00f5es de palmeiras e de b\u00e1lsamo. Para os peregrinos que vinham da Galileia e da Pereia, pelo vale do Jord\u00e3o, a caminho de Jerusal\u00e9m, Jeric\u00f3 era um local de passagem obrigat\u00f3ria. Herodes, o Grande, edificou em Jeric\u00f3 um luxuoso pal\u00e1cio de Inverno e dotou a cidade de um hip\u00f3dromo e de um anfiteatro. Foi a\u00ed que ele cometeu alguns dos seus muitos crimes e onde veio a falecer. Jeric\u00f3 era, tamb\u00e9m, a cidade do publicano Zaqueu (cf. Lc 19,1-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Jesus e os disc\u00edpulos est\u00e3o a sair de Jeric\u00f3 para retomarem o caminho para Jerusal\u00e9m, deparam-se com um homem sentado \u00e0 beira do caminho. Esse homem \u00e9 cego e chama-se Bartimeu (Marcos explica aos seus leitores que o nome significa \u201cfilho de Timeu\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u201ccegos\u201d \u2013 como Bartimeu \u2013 faziam parte do grupo dos exclu\u00eddos da sociedade palestina de ent\u00e3o. As defici\u00eancias f\u00edsicas eram consideradas pela teologia oficial como resultado do pecado. Ora, nesta l\u00f3gica, um cego era algu\u00e9m que tinha cometido um pecado especialmente grave, pois tinha sido castigado por Deus com um problema f\u00edsico que o impedia de estudar a Lei. Pela sua condi\u00e7\u00e3o de impureza not\u00f3ria, os cegos eram impedidos de servir de testemunhas no tribunal e de participar nas cerim\u00f3nias religiosas no Templo. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A situa\u00e7\u00e3o inicial do cego Bartimeu \u2013 encerrado numa escurid\u00e3o paralisante, acomodado \u00e0 sua vida de h\u00e1bitos e comportamentos velhos, aos seus medos, \u00e0s suas hesita\u00e7\u00f5es, \u00e0 sua vergonha \u2013 evoca um quadro que talvez n\u00e3o nos seja estranho\u2026 \u00c9 a condi\u00e7\u00e3o do homem que n\u00e3o consegue levantar os olhos do ch\u00e3o, que vive a prazo, que navega sempre \u00e0 vista de terra, que se conforma com horizontes limitados e \u00e9 incapaz de olhar para mais longe e mais alto; \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o do homem prisioneiro do ego\u00edsmo, do orgulho, da ambi\u00e7\u00e3o, dos bens materiais, da pregui\u00e7a, que vive preso a preocupa\u00e7\u00f5es rasteiras e materiais; \u00e9 a realidade do homem ref\u00e9m dos seus v\u00edcios, h\u00e1bitos e paix\u00f5es, que \u201cdeixa correr\u201d as coisas porque n\u00e3o se sente com capacidade para romper, com as suas fr\u00e1geis for\u00e7as, as cadeias que o impedem de construir uma vida mais digna e mais ditosa. A Palavra de Deus que escutamos neste domingo garante-nos que a vida n\u00e3o tem de ser vivida desta forma. Estamos conscientes disso? Estamos dispostos a vencer a tenta\u00e7\u00e3o do imobilismo, da acomoda\u00e7\u00e3o, do facilitismo, das apostas f\u00e1ceis em \u201cconquistas\u201d que nunca saciam a nossa fome de vida eterna?<\/li>\n<li>Para o cego Bartimeu, o momento decisivo para a transforma\u00e7\u00e3o da sua vida foi o encontro com Jesus. Bartimeu sentiu, nesse instante, que Jesus lhe oferecia perspetivas novas de vida e de realiza\u00e7\u00e3o; percebeu que Jesus lhe trazia uma proposta irrecus\u00e1vel e que n\u00e3o podia deixar escapar a oportunidade que lhe era oferecida. Em Jesus, Bartimeu viu a oportunidade de deixar a escurid\u00e3o e de nascer para a luz. O encontro com Jesus, se \u00e9 verdadeiro, \u00e9 sempre desafiante e transformador. Ora, esse mesmo Jesus que Se cruzou com o cego Bartimeu \u00e0 sa\u00edda de Jeric\u00f3 continua a cruzar-Se hoje, de forma continuada, com cada homem e com cada mulher nos caminhos da vida e a oferecer-lhes, sem cessar, a possibilidade de agarrarem uma vida nova, uma vida cheia de sentido, uma vida plenamente realizada\u2026 E isto diz-nos respeito: a salva\u00e7\u00e3o que Jesus oferece tamb\u00e9m \u00e9 para n\u00f3s. Ousaremos sair do nosso ego\u00edsmo, da nossa indiferen\u00e7a, da nossa autossufici\u00eancia para escutar e abra\u00e7ar a proposta de Jesus?<\/li>\n<li>Bartimeu confiou e colocou toda a sua vida nas m\u00e3os de Jesus. Atirou fora, sem hesita\u00e7\u00e3o, a vida que conhecia at\u00e9 a\u00ed, deu um salto qualitativo que alterou os seus horizontes e partiu para a aventura de seguir Jesus. Bartimeu apostou tudo em Jesus; e, ao fazer essa op\u00e7\u00e3o, deixou de estar sentado \u201c\u00e0 beira do caminho\u201d para \u201cir com Jesus no caminho\u201d ou para \u201cfazer caminho com Jesus\u201d. Jesus passou a ser a sua refer\u00eancia, o seu \u201cmestre\u201d, o seu \u201cguia\u201d, o seu \u201cSenhor\u201d. E n\u00f3s? Quem \u00e9 a nossa refer\u00eancia no caminho da f\u00e9? Vivemos a f\u00e9 como seguimento incondicional de Jesus, ou como o simples cumprimento de rituais que herdamos dos nossos antepassados e que vivemos de forma desleixada, morna e pouco comprometida? Sentimo-nos disc\u00edpulos decididos, que n\u00e3o querem perder Jesus de vista porque sabem que Ele \u00e9 Caminho, Verdade e Vida?<\/li>\n<li>Na hist\u00f3ria do encontro de Bartimeu com Jesus, aparecem diversos figurantes, com pap\u00e9is v\u00e1rios. Uns s\u00e3o obst\u00e1culo ao encontro entre Bartimeu e Jesus (\u201cmuitos repreendiam-no para que se calasse\u201d); mas outros apresentam-se como intermedi\u00e1rios entre Jesus e Bartimeu e transmitem ao cego o \u201cchamamento\u201d de Jesus (\u201ccoragem! Levanta-te, que Ele est\u00e1 a chamar-te\u201d). Este facto serve para nos tornar conscientes do papel daqueles que nos rodeiam no nosso caminho da f\u00e9. Ao longo da nossa caminhada, encontraremos pessoas que nos levam at\u00e9 Jesus e que nos ajudam a tornarmo-nos disc\u00edpulos; mas encontraremos tamb\u00e9m pessoas que, muitas vezes com \u00f3timas inten\u00e7\u00f5es, tentam impedir-nos de nos comprometermos com Jesus e com o Reino de Deus. Assim, neste processo de aproxima\u00e7\u00e3o a Jesus, temos de tentar perceber, com sentido cr\u00edtico, a quem dar ouvidos, que indica\u00e7\u00f5es e conselhos devemos acolher ou rejeitar\u2026 Entre as pessoas que encontramos no nosso caminho, quem \u00e9 que nos pode ajudar, genuinamente, a chegar a Jesus e a estabelecer contacto com Ele?<\/li>\n<li>As pessoas que encorajam Bartimeu a aproximar-se de Jesus representam aqueles homens e mulheres genuinamente preocupados com o sofrimento dos seus irm\u00e3os, que n\u00e3o conseguem ficar indiferentes ao apelo de quem procura a luz, que t\u00eam um cora\u00e7\u00e3o capaz de se compadecer com as l\u00e1grimas e as dores dos que vivem em dificuldade. Esses s\u00e3o, no meio do mundo, sinais vivos da miseric\u00f3rdia, da ternura e do amor de Deus; esses s\u00e3o filhos verdadeiros de um Deus que ama. Como nos posicionamos diante dos gritos dos nossos irm\u00e3os que sofrem? Preocupamo-nos em cuidar das feridas dos homens e mulheres que encontramos ca\u00eddos nas estradas da vida e procuramos lev\u00e1-los a Jesus a fim de que Ele os cure?<\/li>\n<li>Quando algu\u00e9m abandona a vida velha e decide tornar-se disc\u00edpulo de Jesus, n\u00e3o tem todos os problemas resolvidos. Enfrenta desafios novos, fica fora da sua zona de conforto e tem de se adaptar a novas realidades, perde a seguran\u00e7a que os velhos h\u00e1bitos davam, tem de enfrentar as cr\u00edticas e as incompreens\u00f5es de quem n\u00e3o compreende a sua op\u00e7\u00e3o\u2026 Aquele caminho de Jerusal\u00e9m para o qual Jesus convoca os disc\u00edpulos, \u00e9 um caminho que passa pela cruz e pelo dom de si pr\u00f3prio. N\u00e3o esque\u00e7amos, no entanto, que esse caminho conduz \u00e0 Vida nova, \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00e0 Vida definitiva. Jesus n\u00e3o arrasta os seus disc\u00edpulos para um beco sem sa\u00edda, mas leva-os ao encontro da Vida verdadeira, segundo o projeto do Pai. Quando avaliamos tudo isto, sentimo-nos com coragem para escolher Jesus e para O seguir? Estamos seguros de que vale a pena seguir Jesus, apesar de todas as dificuldades que teremos de enfrentar? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 o an\u00fancio alegre e jubiloso da liberta\u00e7\u00e3o de Israel. A proclama\u00e7\u00e3o deste texto deve ser marcada por este tom, valorizando as formas verbais no modo imperativo: \u00ab<em>soltai<\/em>\u00bb, \u00ab<em>enaltecei<\/em>\u00bb, \u00ab<em>proclamai<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> requer uma acurada prepara\u00e7\u00e3o nas pausas e respira\u00e7\u00f5es, sobretudo nas frases mais longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es, para uma mais articulada leitura do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Leitura-I-do-Domingo-XXX-do-Tempo-Comum-Ano-B-27.10.2024-Jer-31-7-9.pdf\">Leitura I do Domingo XXX do Tempo Comum &#8211; Ano B -27.10.2024 &#8211; (Jer 31, 7-9)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Leitura-II-do-Domingo-XXX-do-Tempo-Comum-Ano-B-27.10.2024-Heb-5-1-6.pdf\">Leitura II do Domingo XXX do Tempo Comum &#8211; Ano B -27.10.2024 &#8211; (Heb 5, 1-6)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Domingo-XXX-do-Tempo-Comum-Ano-B-27.10.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XXX do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 27.10.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Domingo-XXX-do-Tempo-Comum-Ano-B-27.10.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXX do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 27.10.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Domingo-XXX-do-Tempo-Comum-Ano-B-27.10.2024-refletindo.pdf\">Domingo XXX do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 27.10.2024-refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Mesa-da-Palavra-Domingo-XXX.pdf\">Mesa da Palavra Domingo XXX<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXIX do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 20.10.2024&#8243; tab_id=&#8221;1730106892652-d09d7fe3-ed6c&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 20.10.2024<\/strong><\/h4>\n<h4><strong>XCVIII DIA MUNDIAL DAS MISS\u00d5ES<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Domingo-XXIX.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"700\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caminho \u00e9 lugar de encontro e desencontro, ousadia e tibieza, entusiasmo e des\u00e2nimo, expectativas e desilus\u00f5es. Contudo, mais do que estes bin\u00f3mios extremos, a caminhada de cada homem e de cada mulher constr\u00f3i-se numa grande diversidade de sentimentos e emo\u00e7\u00f5es que invadem o nosso cora\u00e7\u00e3o e que reclamam uma nova cultura do encontro e do cuidado que promove a comunh\u00e3o e a unidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os disc\u00edpulos est\u00e3o a caminho com Jesus e acabaram de escutar o terceiro an\u00fancio da paix\u00e3o. Est\u00e3o desconcertados! Seguir um homem forte e vitorioso que abre os olhos aos cegos, p\u00f5e os coxos a andar e ressuscita os mortos \u00e9 entusiasmante e oferece garantias de que vale a pena confiar a vida e gastar as for\u00e7as. Os disc\u00edpulos parecem ignorar que juntamente com o an\u00fancio da paix\u00e3o e morte, Jesus anuncia que ao terceiro dia ressuscitar\u00e1. Confiar em Algu\u00e9m que anuncia a morte e o sofrimento como caminho inevit\u00e1vel para o cumprimento da vontade do Pai torna-se muito exigente. A nova l\u00f3gica do Reino n\u00e3o \u00e9 imediata, nem humanamente apetec\u00edvel, e o facto de nos impelir a abra\u00e7ar um modo novo de ser e de estar que se traduz num modo novo de servir e amar, provoca a procura de seguran\u00e7as e certezas que ofere\u00e7am tranquilidade e estabilidade. Controlar o presente para dominar o futuro \u00e9 um caminho tentador. Por isso, Tiago e Jo\u00e3o enchem-se de coragem e abeiram-se de Jesus com um pedido descarado e incisivo: \u00ab<em>Mestre, n\u00f3s queremos que nos fa\u00e7as o que Te vamos pedir<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poderiam ter colocado diante de Jesus a quest\u00e3o que lhes ocupava o cora\u00e7\u00e3o, quais as motiva\u00e7\u00f5es que os levavam a fazer tal pedido e dar a Jesus a liberdade de propor o caminho a percorrer. Por\u00e9m, os disc\u00edpulos pensam saber bem o que pretendem e querem apenas que Jesus execute o que desejam. Tiago e Jo\u00e3o s\u00e3o imagem da nossa vida orante quando nos dirigimos a Jesus para Lhe dizer aquilo que Ele deve fazer. Na verdade, a verdadeira ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 aquela que se faz at\u00e9 que Jesus nos ou\u00e7a, mas aquela que se realiza at\u00e9 que n\u00f3s saibamos escutar melhor a voz de Deus. A confian\u00e7a de que Deus \u00e9 o Senhor do tempo e da hist\u00f3ria, permite abrir o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 Sua vontade e criar a docilidade para nos deixarmos conduzir por Ele. Contudo, quando ao inv\u00e9s queremos encontrar em n\u00f3s e no mundo as nossas seguran\u00e7as, entramos numa l\u00f3gica utilitarista que nos afasta da verdadeira espiritualidade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Concede-nos que, na tua gl\u00f3ria, nos sentemos um \u00e0 tua direita e outro \u00e0 tua esquerda<\/em>\u00bb. Diante do an\u00fancio do Mestre, Tiago e Jo\u00e3o come\u00e7am a pensar nos lugares a ocupar. Mais do que se aproximarem do Mestre, pretendem passar \u00e0 frente dos demais. Jesus adverte-os: quando pedimos motivados pela tenta\u00e7\u00e3o de controlar o presente para dominar o futuro, n\u00e3o sabemos o que estamos a pedir, porque ao inv\u00e9s de acolher a vontade Daquele que nos chama ao amor e \u00e0 felicidade, estamos a impor os nossos desejos e a nossa vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, s\u00e1bio pedagogo, n\u00e3o recrimina, mas chama a si os disc\u00edpulos e com amor e paci\u00eancia aponta o novo horizonte do Reino: \u00ab<em>quem entre v\u00f3s quiser tornar-se grande, ser\u00e1 vosso servo, e quem quiser entre v\u00f3s ser o primeiro, ser\u00e1 escravo de todos<\/em>\u00bb. A humildade e o servi\u00e7o como coordenadas fundamentais para ser grande. N\u00e3o s\u00e3o os nossos pedidos que definem o nosso lugar, mas a certeza de que a nossa vida se inscreve numa din\u00e2mica responsorial que nos impele a proclamar: \u00ab<em>eis-me aqui!<\/em>\u00bb. Quem se deixa escolher por Deus coloca os p\u00e9s ao caminho e, ao jeito de Jesus, Servo da Humanidade, encontrar\u00e1 no servi\u00e7o por amor o caminho da verdadeira felicidade. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No <strong>XXIX Domingo do Tempo Comum<\/strong>, dia 20 de outubro, celebramos o <strong>Dia Mundial das Miss\u00f5es<\/strong>. O tema para este ano \u00e9 \u00ab<em>Ide e convidai a todos para o banquete (cf. Mt 22, 9)<\/em>\u00bb. As comunidades crist\u00e3s s\u00e3o convidadas a dinamizar quer este dia, quer este m\u00eas, ajudando toda a comunidade a abrir o cora\u00e7\u00e3o para a dimens\u00e3o mission\u00e1ria da Igreja e, de modo particular, para a miss\u00e3o\u00a0<em>Ad Gentes<\/em>. As Obras Mission\u00e1rias Pontif\u00edcias em Portugal prepararam um gui\u00e3o para ajudar na viv\u00eancia e celebra\u00e7\u00e3o deste dia e deste m\u00eas (https:\/\/www.opf.pt\/guiao-missionario\/). Sublinho a mensagem do Papa Francisco para este dia que pode ser divulgada e distribu\u00edda nas diversas celebra\u00e7\u00f5es (<strong>ver anexo<\/strong>). <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 53,10-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aprouve ao Senhor esmagar o seu Servo pelo sofrimento.<br \/>\nMas, se oferecer a sua vida como v\u00edtima de expia\u00e7\u00e3o,<br \/>\nter\u00e1 uma descend\u00eancia duradoira, viver\u00e1 longos dias,<br \/>\ne a obra do Senhor prosperar\u00e1 em suas m\u00e3os.<br \/>\nTerminados os sofrimentos,<br \/>\nver\u00e1 a luz e ficar\u00e1 saciado.<br \/>\nPela sua sabedoria, o Justo, meu Servo, justificar\u00e1 a muitos<br \/>\ne tomar\u00e1 sobre si as suas iniquidades.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste vig\u00e9simo nono domingo comum nos prop\u00f5e como primeira leitura pertence ao \u201cLivro da Consola\u00e7\u00e3o\u201d do Deutero-Isa\u00edas (cf. Is 40-55). \u201cDeutero-Isa\u00edas\u201d \u00e9 um nome convencional com que os biblistas designam um profeta an\u00f3nimo da escola de Isa\u00edas, que cumpriu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica na Babil\u00f3nia, entre os exilados judeus, na fase final do Ex\u00edlio (entre 550 e 539 a.C., aproximadamente).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Povo de Deus estava cansado e desanimado, depois de v\u00e1rias d\u00e9cadas de Ex\u00edlio. N\u00e3o via sa\u00edda para a sua triste situa\u00e7\u00e3o. Perguntava-se se Deus se tinha esquecido de Jud\u00e1 e se as promessas outrora feitas por Deus ainda eram v\u00e1lidas. Nesse contexto, o Deutero-Isa\u00edas recebeu de Deus a miss\u00e3o de consolar os exilados e de manter, com a sua mensagem, aberta a porta da esperan\u00e7a. Nesse sentido, o Deutro-Isa\u00edas come\u00e7a por anunciar a imin\u00eancia da liberta\u00e7\u00e3o e por comparar a sa\u00edda da Babil\u00f3nia ao antigo \u00eaxodo, quando Deus libertou o seu Povo da escravid\u00e3o do Egipto (cf. Is 40-48); depois, anuncia a reconstru\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, essa cidade que a guerra reduziu a cinzas, mas \u00e0 qual Deus vai fazer regressar a alegria e a paz sem fim (cf. Is 49-55).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No meio desta proposta \u201cconsoladora\u201d aparecem, contudo, quatro textos (cf. Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12) que fogem um tanto a esta tem\u00e1tica. S\u00e3o c\u00e2nticos que falam de uma personagem misteriosa e enigm\u00e1tica, que os biblistas designam como o \u201cServo de Jav\u00e9\u201d: ele \u00e9 um predileto de Jav\u00e9, a quem Deus chamou, a quem confiou uma miss\u00e3o prof\u00e9tica e a quem enviou aos homens de todo o mundo; a sua miss\u00e3o cumpre-se no sofrimento e numa entrega incondicional \u00e0 Palavra; o sofrimento do profeta tem, contudo, um valor expiat\u00f3rio e redentor, pois dele resulta o perd\u00e3o para o pecado do Povo; Deus aprecia o sacrif\u00edcio deste \u201cServo\u201d e recompens\u00e1-lo-\u00e1, fazendo-o triunfar diante dos seus detratores e advers\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem \u00e9 este profeta? \u00c9 Jeremias, o paradigma do profeta que sofre por causa da Palavra? \u00c9 o pr\u00f3prio Deutero-Isa\u00edas, chamado a dar testemunho da Palavra no ambiente hostil do Ex\u00edlio? \u00c9 um profeta desconhecido? \u00c9 uma figura coletiva, que representa o Povo exilado, humilhado, esmagado, mas que continua a dar testemunho de Deus no meio das outras na\u00e7\u00f5es? \u00c9 uma figura representativa, que une a recorda\u00e7\u00e3o de personagens hist\u00f3ricas (patriarcas, Mois\u00e9s, David, profetas) com figuras m\u00edticas, de forma a representar o Povo de Deus na sua totalidade? N\u00e3o sabemos; no entanto, a figura apresentada nesses poemas vai receber uma outra ilumina\u00e7\u00e3o \u00e0 luz de Jesus Cristo, da sua vida, do seu destino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto \u00e9 parte (apenas dois vers\u00edculos) do quarto c\u00e2ntico do \u201cservo de Jav\u00e9\u201d. Nesse c\u00e2ntico, Deus toma a palavra, no in\u00edcio, para chamar a aten\u00e7\u00e3o para o seu \u201cservo\u201d, \u201cde rosto desfigurado e aspeto disforme\u201d (Is 52,13); depois a palavra passa para um \u201ccoro\u201d, que narra a paix\u00e3o, e a morte, bem como o sentido do sacrif\u00edcio do \u201cservo de Jav\u00e9\u201d (cf. Is 53,1-11a); finalmente, Deus retoma a palavra para confirmar as palavras do \u201ccoro\u201d e para declarar a inoc\u00eancia do \u201cservo\u201d, cuja morte \u201cjustificar\u00e1 a muitos\u201d. O nosso texto apresenta a leitura que o \u201ccoro\u201d faz sobre o sentido da paix\u00e3o e da morte do \u201cservo\u201d (Is 53,10-11a), bem como parte das palavras finais de Deus (Is 53,11bc). <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Como classificar\u00edamos a vida do \u201cservo de Jav\u00e9\u201d, se tiv\u00e9ssemos que lhe \u201cdar nota\u201d? \u00c0 luz dos crit\u00e9rios que regem o nosso mundo, que dir\u00edamos sobre a vida de um homem que nunca atraiu as aten\u00e7\u00f5es (\u201ccresceu como raiz em terra \u00e1rida, sem figura, sem beleza e sem aspeto atraente\u201d &#8211; Is 53,2), que foi marginalizado, maltratado e humilhado sem protestar ou se revoltar (cf. Is 53,3.7), que foi condenado e morto sem ser culpado (cf. Is 53,8), que mesmo depois de morto foi desprezado (cf. Is 53,9)? Hesitar\u00edamos alguma vez em o colocar no lote dos \u201cperdedores\u201d, dos fracassados, dos que falharam a vida, dos que n\u00e3o deixaram a sua pegada na hist\u00f3ria do nosso mundo? No entanto \u2013 diz-nos a primeira leitura deste vig\u00e9simo nono domingo comum \u2013 o plano de Deus para o mundo concretizou-se por meio dele (cf. Is 53,10), e os seus gestos de amor e servi\u00e7o trouxeram vida aos seus irm\u00e3os (cf. Is 53,11). Ser\u00e1 poss\u00edvel que, para Deus, esse homem maltratado e humilhado, sem voz e sem vez, que os grandes do mundo desconsideraram e mataram seja um vencedor? Porque \u00e9 que Deus aprecia este \u201cservo\u201d, at\u00e9 ao ponto de dizer que ele \u201cter\u00e1 \u00eaxito\u201d e \u201cser\u00e1 engrandecido e exaltado\u201d (Is 52,13)? Deus ter\u00e1 crit\u00e9rios diferentes dos nossos para avaliar o sentido da vida? Que pensamos desta estranha l\u00f3gica de Deus? E que pensamos sobre a l\u00f3gica oposta \u2013 a l\u00f3gica dos homens \u2013 que considera e promove os grandes, os poderosos, os triunfadores, os ambiciosos, os que levantam a voz para se impor e para reivindicar um estatuto de grandeza e de poder?<\/li>\n<li>Olhemos ainda outra vez para este \u201cservo\u201d insignificante e desprezado pelos homens, mas que \u00e9 um sinal de Deus no mundo: atrav\u00e9s dele Deus vem ao encontro dos homens e oferece-lhes a salva\u00e7\u00e3o. Ora, o \u201cservo de Jav\u00e9\u201d n\u00e3o \u00e9 um caso isolado. Em todos os tempos da hist\u00f3ria t\u00eam surgido homens e mulheres \u2013 humildes, simples, despretensiosos, \u00e0s vezes desprezados e desconsiderados pela gente importante da sociedade e das igrejas \u2013 que com os seus gestos de servi\u00e7o, de doa\u00e7\u00e3o e de entrega s\u00e3o sinais vivos de Deus no meio dos seus irm\u00e3os e irm\u00e3s. Neles \u201cvemos\u201d, ao vivo e a cores, a bondade e o amor de Deus. Seremos capazes de olhar para essas pessoas simples e boas, que amam e servem \u201ca fundo perdido\u201d, e ver nelas o rosto bondoso e terno de Deus?<\/li>\n<li>Qual o sentido do sofrimento? Porque \u00e9 que h\u00e1 tantas pessoas boas, honestas, justas, generosas, que atravessam a vida mergulhadas na dor e no sofrimento? Trata-se de uma pergunta que fazemos frequentemente e que o autor do quarto c\u00e2ntico do \u201cServo\u201d tamb\u00e9m punha a si pr\u00f3prio. A resposta que ele encontra \u00e9 a seguinte: o sofrimento do justo n\u00e3o se perde; atrav\u00e9s dele, da sua entrega e do seu sofrimento, os pecados da comunidade s\u00e3o expiados e Deus dar\u00e1 vida e salva\u00e7\u00e3o ao seu Povo. Trata-se de uma resposta insatisfat\u00f3ria? Talvez. Mas por detr\u00e1s desta resposta percebe-se a convic\u00e7\u00e3o profunda que alimenta a f\u00e9 deste \u201ccatequista\u201d de Israel: nos misteriosos caminhos de Deus, o sofrimento pode ser uma din\u00e2mica geradora de vida nova. Ali\u00e1s, alguns s\u00e9culos mais tarde Jesus Cristo demonstrar\u00e1, com a sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, a verdade desta afirma\u00e7\u00e3o. Como entendemos o sofrimento? Sentimo-lo como algo injusto e definitivamente incompreens\u00edvel, ou como algo que, de uma forma que nem sempre \u00e9 clara para n\u00f3s, se insere no plano de Deus? Entendemos que o sofrimento poder\u00e1 ser fonte de vida nova para n\u00f3s e para o mundo? Como? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 32 (33)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:\u00a0 Des\u00e7a sobre n\u00f3s a vossa miseric\u00f3rdia,<br \/>\nporque em V\u00f3s esperamos, Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A palavra do Senhor \u00e9 reta,<br \/>\nda fidelidade nascem as suas obras.<br \/>\nEle ama a justi\u00e7a e a retid\u00e3o:<br \/>\na terra est\u00e1 cheia da bondade do senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os olhos do Senhor est\u00e3o voltados para os que O temem,<br \/>\npara os que esperam na sua bondade,<br \/>\npara libertar da morte as suas almas<br \/>\ne os alimentar no tempo da fome.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A nossa alma espera o Senhor:<br \/>\nEle \u00e9 o nosso amparo e protetor.<br \/>\nVenha sobre n\u00f3s a vossa bondade,<br \/>\nporque em V\u00f3s esperamos, Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Hebreus 4,14-16<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nTendo n\u00f3s um sumo sacerdote que penetrou os C\u00e9us,<br \/>\nJesus, Filho de Deus,<br \/>\npermane\u00e7amos firmes na profiss\u00e3o da nossa f\u00e9.<br \/>\nNa verdade, n\u00f3s n\u00e3o temos um sumo sacerdote<br \/>\nincapaz de se compadecer das nossas fraquezas.<br \/>\nPelo contr\u00e1rio, Ele mesmo foi provado em tudo,<br \/>\n\u00e0 nossa semelhan\u00e7a, exceto no pecado.<br \/>\nVamos, portanto, cheios de confian\u00e7a ao trono da gra\u00e7a,<br \/>\na fim de alcan\u00e7armos miseric\u00f3rdia<br \/>\ne obtermos a gra\u00e7a de um aux\u00edlio oportuno.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sabemos quem foi o autor do escrito a que se deu o nome de \u201cCarta aos Hebreus\u201d. A tradi\u00e7\u00e3o oriental atribui-o a S\u00e3o Paulo; mas no ocidente h\u00e1 muito que este texto \u00e9 considerado n\u00e3o paulino. Surgido na segunda metade da d\u00e9cada de sessenta do primeiro s\u00e9culo (antes da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, no ano 70, pois fala da liturgia do Templo como uma realidade atual), poder\u00e1 ser obra de um disc\u00edpulo de Paulo, empenhado em estimular a viv\u00eancia do compromisso crist\u00e3o e levar os crentes a crescer na f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a tradi\u00e7\u00e3o tenha considerado como destinat\u00e1rios deste escrito os \u201chebreus\u201d, isso n\u00e3o significa, efetivamente, que o seu autor o destinasse exclusivamente a crist\u00e3os oriundos do mundo judaico. \u00c9 verdade que nele se referem continuamente factos e figuras do Antigo Testamento; mas, por essa altura, o Antigo Testamento era j\u00e1 patrim\u00f3nio comum de todos os crist\u00e3os, mesmo dos que provinham do mundo greco-romano. Tratava-se, em qualquer caso, de comunidades crist\u00e3s em situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, expostas a persegui\u00e7\u00f5es e que viviam num ambiente hostil \u00e0 f\u00e9\u2026 Os membros dessas comunidades tinham j\u00e1 perdido o fervor inicial pelo Evangelho e come\u00e7avam a ceder \u00e0 sedu\u00e7\u00e3o de certas doutrinas n\u00e3o muito coerentes com a f\u00e9 recebida dos ap\u00f3stolos\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta aos Hebreus apresenta \u2013 recorrendo \u00e0 linguagem da teologia judaica \u2013 o mist\u00e9rio de Cristo, o sacerdote por excel\u00eancia \u2013 atrav\u00e9s de quem os homens t\u00eam acesso a Deus e s\u00e3o inseridos na comunh\u00e3o real e definitiva com Deus. O autor aproveita, na sequ\u00eancia, para refletir nas implica\u00e7\u00f5es desse facto: postos em rela\u00e7\u00e3o com o Pai por Cristo\/sacerdote, os crentes s\u00e3o inseridos nesse Povo sacerdotal que \u00e9 a comunidade crist\u00e3 e devem fazer da sua vida um cont\u00ednuo sacrif\u00edcio de louvor, de entrega e de amor. Desta forma, o autor oferece aos crist\u00e3os um aprofundamento e uma amplia\u00e7\u00e3o da f\u00e9 primitiva, capaz de revitalizar a sua experi\u00eancia de f\u00e9, enfraquecida pela acomoda\u00e7\u00e3o e pela persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como segunda leitura neste vig\u00e9simo nono domingo comum est\u00e1 inclu\u00eddo na segunda parte da Carta aos Hebreus (cf. Heb 3,1-5,10). A\u00ed, o autor apresenta Jesus como o sacerdote fiel e misericordioso que o Pai enviou ao mundo para mudar os cora\u00e7\u00f5es dos homens e para os aproximar de Deus. Aos crentes pede-se que \u201cacreditem\u201d em Jesus \u2013 isto \u00e9, que escutem atentamente as propostas que Cristo veio fazer, que as acolham no cora\u00e7\u00e3o e que as transformem em gestos concretos de vida. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A Palavra de Deus que escutamos cada domingo real\u00e7a repetidamente o significado profundo dessa extraordin\u00e1ria hist\u00f3ria de amor que adivinhamos na incarna\u00e7\u00e3o de Jesus: Deus amou-nos de tal forma, que nos enviou o seu Filho, a fim de que, atrav\u00e9s d\u2019Ele, cheg\u00e1ssemos a integrar a fam\u00edlia de Deus. Esta dimens\u00e3o est\u00e1 bem presente tamb\u00e9m no texto da Carta aos Hebreus que escutamos neste domingo: Jesus, o Filho de Deus, veio ter connosco, caminhou connosco, partilhou as nossas dores e dificuldades, mostrou-nos como devemos viver, deu a pr\u00f3pria vida para vencer o ego\u00edsmo e a maldade que nos afastavam de Deus, e apresentou-se de novo ao Pai levando com Ele a nossa humanidade redimida. Levados por Jesus, o nosso sumo-sacerdote, temos acesso definitivo a Deus e passamos a integrar a fam\u00edlia de Deus. O autor da Carta aos Hebreus considera que isto deve fundamentar, de forma inabal\u00e1vel, a nossa confian\u00e7a em Jesus e a nossa ades\u00e3o a Ele. \u00c9 isso que acontece? Vivemos conscientes do que Jesus fez em nosso favor e isso leva-nos realmente a comprometermo-nos com Ele, a vivermos com Ele, a deixarmo-nos orientar por Ele, a caminharmos sempre atr\u00e1s d\u2019Ele, como disc\u00edpulos?<\/li>\n<li>Jesus, ao vir ao encontro dos homens e ao tornar-se homem, conheceu e amou a nossa fragilidade. Com cora\u00e7\u00e3o de irm\u00e3o, p\u00f4de entender-nos e ficar do nosso lado. Sentiu como suas as nossas dores e procurou dar-lhes rem\u00e9dio; experimentou as nossas alegrias e sentiu a felicidade que brota das coisas simples e dos gestos de bondade e de amor. Nada do que acontecia aos homens e mulheres que Ele encontrava nos caminhos da Galileia e da Judeia lhe era indiferente. Ele solidarizou-se a cada instante com os homens e as mulheres que com Ele se cruzavam; assim p\u00f4de entend\u00ea-los e ficar do lado deles. Ora, o exemplo de solidariedade que Cristo nos deixou deve tocar-nos e convidar-nos a seguir o seu exemplo. Estamos dispon\u00edveis para, seguindo o exemplo de Cristo, nos despirmos do nosso ego\u00edsmo, da nossa acomoda\u00e7\u00e3o, da nossa pregui\u00e7a, da nossa indiferen\u00e7a, para irmos ao encontro dos nossos irm\u00e3os, para vestirmos as suas dores e fragilidades, para nos fazermos solid\u00e1rios com eles, para partilharmos os seus dramas, l\u00e1grimas, sofrimentos, alegrias e esperan\u00e7as? Sentimo-nos respons\u00e1veis pelos irm\u00e3os que connosco partilham os caminhos deste mundo, mesmo quando n\u00e3o os conhecemos pessoalmente ou mesmo que deles estejamos separados por fronteiras geogr\u00e1ficas, hist\u00f3ricas, \u00e9tnicas ou outras?<\/li>\n<li>Ao assegurar-nos que nada temos a temer pois Deus ama-nos, quer integrar-nos na sua fam\u00edlia e oferecer-nos Vida em abund\u00e2ncia, o nosso texto convida-nos a encarar a vida e os seus caminhos com serenidade e confian\u00e7a. A certeza do amor infinito de Deus \u00e9, para n\u00f3s, fonte de serenidade e de paz? Sabemos que as nossas fragilidades e debilidades n\u00e3o nos afastam, nunca, de Deus e do seu amor? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Marcos 10,35-45<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nTiago e Jo\u00e3o, filhos de Zebedeu,<br \/>\naproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe:<br \/>\n\u00abMestre, n\u00f3s queremos que nos fa\u00e7as o que Te vamos pedir\u00bb.<br \/>\nJesus respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abQue quereis que vos fa\u00e7a?\u00bb<br \/>\nEles responderam:<br \/>\n\u00abConcede-nos que, na tua gl\u00f3ria,<br \/>\nnos sentemos um \u00e0 tua direita e outro \u00e0 tua esquerda\u00bb.<br \/>\nDisse-lhes Jesus:<br \/>\n\u00abN\u00e3o sabeis o que pedis.<br \/>\nPodeis beber o c\u00e1lice que Eu vou beber<br \/>\ne receber o batismo com que Eu vou ser batizado?\u00bb<br \/>\nEles responderam-Lhe: \u00abPodemos\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o Jesus disse-lhes:<br \/>\n\u00abBebereis o c\u00e1lice que Eu vou beber<br \/>\ne sereis batizados com o batismo<br \/>\ncom que Eu vou ser batizado.<br \/>\nMas sentar-se \u00e0 minha direita ou \u00e0 minha esquerda<br \/>\nn\u00e3o Me pertence a Mim conced\u00ea-lo;<br \/>\n\u00e9 para aqueles a quem est\u00e1 reservado\u00bb.<br \/>\nOs outros dez, ouvindo isto,<br \/>\ncome\u00e7aram a indignar-se contra Tiago e Jo\u00e3o.<br \/>\nJesus chamou-os e disse-lhes:<br \/>\n\u00abSabeis que os que s\u00e3o considerados como chefes das na\u00e7\u00f5es<br \/>\nexercem dom\u00ednio sobre elas<br \/>\ne os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder.<br \/>\nN\u00e3o deve ser assim entre v\u00f3s:<br \/>\nQuem entre v\u00f3s quiser tornar-se grande,<br \/>\nser\u00e1 vosso servo,<br \/>\ne quem quiser entre v\u00f3s ser o primeiro,<br \/>\nser\u00e1 escravo de todos;<br \/>\nporque o Filho do homem n\u00e3o veio para ser servido,<br \/>\nmas para servir<br \/>\ne dar a vida pela reden\u00e7\u00e3o de todos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltamos a encontrar-nos com Jesus e com o seu grupo de disc\u00edpulos no caminho que conduz a Jerusal\u00e9m. \u00c9 um caminho n\u00e3o apenas geogr\u00e1fico, mas sobretudo espiritual: ao longo do percurso, Jesus vai completando a sua catequese sobre as exig\u00eancias do Reino e as condi\u00e7\u00f5es para integrar a comunidade messi\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, Jerusal\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 longe. Jesus vai \u00e0 frente, a indicar o caminho; e os disc\u00edpulos seguem-n\u2019O \u201cestupefactos\u201d (Mc 10,32). Talvez estejam espantados por Jesus insistir naquele projeto aparentemente sem sentido e sem sa\u00edda. \u00c9 poss\u00edvel que ainda conservem a esperan\u00e7a de que Jesus volte atr\u00e1s e se disponha a concretizar o projeto do Reino com a conquista do poder; mas cada metro que percorrem aproxima-os do destino final e Jesus n\u00e3o d\u00e1 mostras de ceder. Como \u00e9 que aquele \u201ccaminho\u201d ir\u00e1 terminar? Os disc\u00edpulos est\u00e3o \u201ccheios de medo\u201d (Mc 10,32).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus n\u00e3o lhes facilita a vida. Para dissipar todas as d\u00favidas fala-lhes, pela terceira vez, do que v\u00e3o encontrar na cidade santa: Ele \u201cvai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei, e estes por sua vez v\u00e3o entreg\u00e1-lo aos gentios\u201d, que v\u00e3o \u201cescarnec\u00ea-lo, cuspir sobre Ele, a\u00e7oit\u00e1-lo e mat\u00e1-lo; mas tr\u00eas dias depois, ressuscitar\u00e1\u201d. A descri\u00e7\u00e3o que Jesus faz do que o espera em Jerusal\u00e9m \u00e9 ainda mais pormenorizada do que nos outros an\u00fancios anteriores (cf. Mc 8,31-32; 9,31-32). Ser\u00e1 que, desta vez, os disc\u00edpulos ficaram convencidos e resolveram aceitar as palavras de Jesus? N\u00e3o. Marcos vai mostrar-nos, logo a seguir, que os disc\u00edpulos de Jesus ainda continuam a raciocinar em termos muito humanos e que a sua l\u00f3gica est\u00e1 em absoluta contradi\u00e7\u00e3o com o projeto de Deus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O que \u00e9 que determina o \u00eaxito ou o fracasso da nossa vida? Em que dire\u00e7\u00e3o precisamos de caminhar para garantir que a nossa vida vale a pena? Sobre que valores devemos construir a nossa exist\u00eancia para que ela tenha pleno sentido? No Evangelho deste domingo temos a perspetiva de Jesus e a perspetiva dos disc\u00edpulos quanto a estas quest\u00f5es. As duas posi\u00e7\u00f5es s\u00e3o perfeitamente antag\u00f3nicas. Para os disc\u00edpulos, o \u00eaxito de uma vida passa por assegurar uma posi\u00e7\u00e3o de poder e de dom\u00ednio, de honras e de triunfos humanos, que permita a cada pessoa impor-se aos outros e concretizar a sua ambi\u00e7\u00e3o. Para Jesus, no entanto, a vida s\u00f3 tem sentido se \u00e9 gasta a servir, com humildade e simplicidade, at\u00e9 ao dom total de si pr\u00f3prio em favor dos outros (ali\u00e1s, foi assim que Jesus viveu, desde o primeiro instante em que \u201cconstruiu a sua tenda no meio de n\u00f3s\u201d). Que pensamos de cada uma destas posi\u00e7\u00f5es? Com sinceridade: em qual destas duas mesas temos andado a apostar as nossas fichas? Em qual destes campos vislumbramos a nossa plena realiza\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>\u201cQuem entre v\u00f3s quiser tornar-se grande, ser\u00e1 vosso servo, e quem quiser entre v\u00f3s ser o primeiro, ser\u00e1 escravo de todos\u201d \u2013 diz Jesus. Aqui est\u00e1 uma estranha equa\u00e7\u00e3o que, mesmo depois de dois mil anos de cristianismo, ainda n\u00e3o entra bem nos nossos c\u00e1lculos e projetos de vida. Para Jesus, o \u00eaxito na vida passa simplesmente por servir humildemente e a fundo perdido quem necessita da nossa ajuda e do nosso cuidado. Que eco encontram estas palavras de Jesus na sociedade que temos vindo a construir? E nas nossas comunidades crist\u00e3s, como \u00e9 que estas indica\u00e7\u00f5es de Jesus t\u00eam vindo a ser escutadas e vividas? Podemos dizer que a Igreja de Jesus tem testemunhado, de forma coerente, as indica\u00e7\u00f5es dadas a Tiago e Jo\u00e3o naquele caminho para Jerusal\u00e9m? Que sentido \u00e9 que fazem, \u00e0 luz das palavras de Jesus, as nossas tentativas de nos impormos aos outros, as nossas rid\u00edculas guerras pelo poder ou pelo protagonismo, a nossa inqualific\u00e1vel apet\u00eancia por honras e t\u00edtulos honor\u00edficos, as nossas ambi\u00e7\u00f5es mesquinhas e rasteiras? Estamos dispon\u00edveis para servir quem necessita de n\u00f3s, ou a nossa atitude \u00e9 a de quem vive para ser servido, admirado e adulado? Como tratamos aqueles que caminham ao nosso lado \u2013 a fam\u00edlia, os amigos, os empregados, os vizinhos \u2013 com sobranceria e agressividade, ou com respeito e amor?<\/li>\n<li>As pretens\u00f5es de Tiago e de Jo\u00e3o provocaram a indigna\u00e7\u00e3o dos outros disc\u00edpulos. Afinal, tamb\u00e9m eles estavam preocupados em assegurar a sua pr\u00f3pria fatia de honras e privil\u00e9gios e n\u00e3o queriam ver-se ultrapassados. Eis uma realidade que todos os dias podemos observar no nosso mundo: a ambi\u00e7\u00e3o, a \u00e2nsia de protagonismo, a apet\u00eancia pelo poder s\u00e3o sempre fatores de divis\u00e3o, de guerra, de ci\u00fame, de conflito. Criam mal-estar, destroem a uni\u00e3o, ferem gravemente a comunh\u00e3o, p\u00f5em em causa a fraternidade. N\u00e3o s\u00e3o, portanto, estrat\u00e9gias recomend\u00e1veis para quem estiver interessado em integrar a comunidade do Reino. Estamos conscientes disso?<\/li>\n<li>\u201cOs que s\u00e3o considerados como chefes das na\u00e7\u00f5es exercem dom\u00ednio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder\u201d \u2013 diz Jesus. Na verdade, o dom\u00ednio sobre os outros, o exerc\u00edcio autorit\u00e1rio do poder, concretizam-se muitas vezes em tirania, em opress\u00e3o dos mais fracos, em explora\u00e7\u00e3o dos pobres, em atentado ao bem comum, em indiferen\u00e7a face ao sofrimento dos mais vulner\u00e1veis, em imposi\u00e7\u00e3o cega da pr\u00f3pria autoridade, em desrespeito pela dignidade e direitos dos outros homens e mulheres. O exerc\u00edcio do poder, quando n\u00e3o \u00e9 entendido e concretizado como servi\u00e7o, pode contribuir para aumentar a maldade, a viol\u00eancia, a injusti\u00e7a, a morte. Sabemos que um mundo constru\u00eddo sobre autoritarismos cegos e cultos de personalidade \u00e9 um mundo que contradiz frontalmente o projeto de Deus?<\/li>\n<li>H\u00e1 pessoas \u2013 muitas \u2013 que passam despercebidas, que n\u00e3o s\u00e3o nomeadas nos jornais, que n\u00e3o frequentam ambientes seletos, que nunca tiveram acesso a cargos de poder, que n\u00e3o t\u00eam dinheiro nem influ\u00eancia, que n\u00e3o possuem t\u00edtulos nem nomes sonantes, que n\u00e3o se imp\u00f5em pela sua beleza f\u00edsica ou pelas roupas finas que vestem, que n\u00e3o fazem ouvir a sua voz nem imp\u00f5em a sua presen\u00e7a\u2026 mas s\u00e3o grandes pela sua bondade, pela sua humildade, pela sua compaix\u00e3o, pela sua alegria serena, pelo servi\u00e7o humilde que prestam aos mais necessitados, pela forma como cuidam dos seus irm\u00e3os e irm\u00e3s, pelo amor e carinho que p\u00f5em em cada gesto que fazem. De acordo com Jesus, essas pessoas s\u00e3o aquelas cujas vidas s\u00e3o plenamente realizadas. Elas tornam o nosso mundo um lugar mais bonito, mais humano e mais feliz. No deserto in\u00f3spito e ego\u00edsta do nosso mundo, essas pessoas s\u00e3o pequenos o\u00e1sis de paz, de fecundidade e de vida nova. Elas s\u00e3o o melhor do nosso mundo. Como avaliamos e consideramos esses homens e mulheres simples e humildes, que o mundo tantas vezes ignora ou despreza, mas que s\u00e3o testemunhas e sinais do amor e da bondade de Deus na vida dos seus irm\u00e3os e irm\u00e3s? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>primeira leitura<\/strong>, valorizar a palavra \u00ab<em>servo<\/em>\u00bb, repetida duas vezes neste texto, e que \u00e9 central para a sua compreens\u00e3o. O tom dram\u00e1tico e doloroso deve marcar a proclama\u00e7\u00e3o, mas sempre marcada pela abertura \u00e0 esperan\u00e7a, pois \u00ab<em>o Justo, meu Servo, justificar\u00e1 a muitos<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 marcada pela t\u00f3nica da esperan\u00e7a: \u00ab<em>Jesus, Filho de Deus<\/em>\u00bb \u00e9 rico em miseric\u00f3rdia e fonte de gra\u00e7a e miseric\u00f3rdia. O an\u00fancio da esperan\u00e7a, valorizando as express\u00f5es \u00ab<em>Jesus, Filho de Deus<\/em>\u00bb e \u00ab<em>Sumo Sacerdote<\/em>\u00bb como fonte de gra\u00e7a deve estar presente na proclama\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Leitura-I-Is-53-10-11-e-Leitura-II-Heb-4-14-16-do-Domingo-XXIX-do-Tempo-Comum-Ano-B-20.10.2024.pdf\">Leitura I (Is 53, 10-11) e Leitura II (Heb 4, 14-16) do Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 20.10.2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Domingo-XXIX-do-Tempo-Comum-Ano-B-20.10.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 20.10.2024-Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Domingo-XXIX-do-Tempo-Comum-Ano-B-20.10.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 20.10.2024-Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Domingo-XXIX-do-Tempo-Comum-Ano-B-20.10.2024-refletindo.pdf\">Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 20.10.2024-refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/A-Mesa-da-Palavra-explicada.-Domingo-XXIX-TC.pdf\">A Mesa da Palavra explicada&#8230; Domingo XXIX TC<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/XCVIII-Dia-Mundial-das-Missoes-Mensagem-do-Papa-Francisco-20-outubro-2024.pdf\">XCVIII Dia Mundial das Miss\u00f5es &#8211; Mensagem do Papa Francisco &#8211; 20 outubro 2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXVIII do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 13.10.2024&#8243; tab_id=&#8221;1729503198303-507ec280-7fc5&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo XXVIII do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 13.10.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Domingo-XXVIII.jpg\" alt=\"\" width=\"769\" height=\"431\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caminhar \u00e9 verbo fundamental na conjuga\u00e7\u00e3o da vida crist\u00e3. O homem e a mulher criados \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus foram sonhados para participar na vida divina e trilham os caminhos da hist\u00f3ria de p\u00e9s bem assentes na terra e olhos fitos no c\u00e9u. A meta do caminho n\u00e3o permite imobilismos e comodismos, mas coloca cada pessoa em estado permanente de sa\u00edda. S\u00e3o diferentes as capacidades e aptid\u00f5es de cada um para o caminho e as dificuldades e resist\u00eancias impedem tantas vezes de alcan\u00e7ar o ritmo desejado e as metas aneladas. Contudo, mais do que um caminho isolado, a vida da f\u00e9 constr\u00f3i-se num caminho conjunto, marcado pela fraternidade e comunh\u00e3o, sustentado pela caridade e aberto \u00e0 esperan\u00e7a da constru\u00e7\u00e3o do mundo novo. Calcorreando os trilhos do tempo e da hist\u00f3ria aprendemos a conjugar ritmos, a construir pontes, a vencer dificuldades e a conceber a vida como constru\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto evang\u00e9lico proposto para este Domingo oferece indica\u00e7\u00f5es fundamentais para quem se quer colocar a caminho e abre com dois andamentos t\u00e3o diferentes no modo de se fazer \u00e0 estrada. Jesus \u00ab<em>ia p\u00f4r-Se a caminho<\/em>\u00bb e um homem \u00ab<em>aproximou-se correndo<\/em>\u00bb. Jesus \u00e9 o enviado do Pai, a brisa suave que percorre os caminhos da hist\u00f3ria feito carne humana, e na serenidade do caminhar estabelece encontros que geram o verdadeiro Encontro que d\u00e1 sentido \u00e0 nossa exist\u00eancia. Aquele homem caminha apressado. A inquieta\u00e7\u00e3o e a ansiedade invadem a sua vida. Procura a vida eterna, a vida plena e verdadeira e, porventura, tudo tem feito para descobrir qual o melhor caminho a percorrer. A sua insatisfa\u00e7\u00e3o coloca-o em movimento com passo lesto, arrojado e confiante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pergunta colocada a Jesus, com ousadia e humildade (ajoelhou-se), reclamam do Mestre a indica\u00e7\u00e3o do caminho onde se joga a vida toda, porque a vida plena e eterna. Aquele jovem procura Jesus para se encontrar a si pr\u00f3prio e, se come\u00e7a o caminho correndo, agora ajoelha-se e det\u00e9m-se junto de Jesus. O sentido da nossa exist\u00eancia como caminho para uma vida plena e verdadeira s\u00f3 se pode encontrar em Jesus Cristo e na liberdade de cora\u00e7\u00e3o para acolher a Sua Palavra. Jesus nada imp\u00f5e, mas tudo prop\u00f5e. Como s\u00e1bio pedagogo, paulatinamente e progressivamente nos faz tender para a meta da nossa exist\u00eancia. A primeira indica\u00e7\u00e3o que d\u00e1 \u00e0quele jovem \u00e9 o cumprimento dos mandamentos e, verificando que ele j\u00e1 os pratica desde a sua juventude, avan\u00e7a na proposta radical de um caminho absolutamente livre: \u00ab<em>falta-te uma coisa: vai vender o que tens, d\u00e1 o dinheiro aos pobres e ter\u00e1s um tesouro no C\u00e9u. Depois, vem e segue-Me<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falta-lhe apenas uma coisa: libertar-se do peso que impede de alcan\u00e7ar a meta. Uma rela\u00e7\u00e3o nova com os bens que possui para que aprenda a possu\u00ed-los. A dificuldade em entrar no Reino dos C\u00e9us para aqueles que t\u00eam riquezas, n\u00e3o est\u00e1 no maior ou menor n\u00famero de bens que possuem. O problema surge quando, colocando as suas seguran\u00e7as naquilo que t\u00eam, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o eles a possuir os bens, mas os bens que os possuem a eles. A arte de aprender a contar os dias, que pedimos no salmo, implica abra\u00e7ar esta corrente de desprendimento que se conjuga nesta rajada de verbos: vai, vende, d\u00e1, vem e segue-me. Deixar o que nos prende para abra\u00e7ar com maior largueza de cora\u00e7\u00e3o, passar do horizonte do\u00a0<em>bem-estar\u00a0<\/em>ao horizonte do\u00a0<em>bem-maior\u00a0<\/em>que s\u00f3 Jesus e o Seu amor podem oferecer.<em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na passada quarta-feira, dia 2 de outubro, decorreu a missa de abertura da Segunda Sess\u00e3o do caminho sinodal da XVI Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos \u00ab<em>Por uma Igreja sinodal: comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o\u00bb<\/em>. A sinodalidade \u00e9 \u00ab<em>o caminho da Igreja para o Terceiro Mil\u00e9nio<\/em>\u00bb (Papa Francisco) e, por isso, um estilo eclesial que deve moldar toda a a\u00e7\u00e3o da Igreja porque caracteriza a sua identidade. Deste modo, as comunidades eclesiais devem promover junto dos fi\u00e9is uma tomada de consci\u00eancia da import\u00e2ncia da sinodalidade como modo de ser Igreja, tornando mais operativas as mais diversas estruturas de participa\u00e7\u00e3o e gerando processos sinodais renovados e renovadores. As comunidades s\u00e3o convidadas a rezar por este caminho sinodal ao longo deste m\u00eas de outubro, para que ele seja um tempo e lugar decisivo para o di\u00e1logo da Igreja com o Mundo contempor\u00e2neo. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Sabedoria 7,7-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Orei e foi-me dada a prud\u00eancia;<br \/>\nimplorei e veio a mim o esp\u00edrito de sabedoria.<br \/>\nPreferi-a aos cetros e aos tronos<br \/>\ne, em sua compara\u00e7\u00e3o, considerei a riqueza como nada.<br \/>\nN\u00e3o a equiparei \u00e0 pedra mais preciosa,<br \/>\npois todo o ouro, \u00e0 vista dela, n\u00e3o passa de um pouco de areia<br \/>\ne, comparada com ela, a prata \u00e9 considerada como lodo.<br \/>\nAmei-a mais do que a sa\u00fade e a beleza<br \/>\ne decidi t\u00ea-la como luz,<br \/>\nporque o seu brilho jamais se extingue.<br \/>\nCom ela me vieram todos os bens<br \/>\ne, pelas suas m\u00e3os, riquezas inumer\u00e1veis.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cLivro da Sabedoria\u201d \u00e9 o mais recente de todos os livros do Antigo Testamento. Pensa-se que ter\u00e1 sido redigido durante o s\u00e9c. I, em l\u00edngua grega (por ser escrito em grego, nunca chegou a integrar o c\u00e2none judaico). O seu autor ter\u00e1 sido um judeu culto, provavelmente nascido e educado na Di\u00e1spora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cber\u00e7o\u201d do livro da Sabedoria parece ter sido Alexandria (no Egito). A brilhante cultura hel\u00e9nica marcava o ritmo de vida e impunha aos habitantes da cidade os valores dominantes. As outras culturas \u2013 nomeadamente a judaica \u2013 eram desvalorizadas e hostilizadas. A col\u00f3nia judaica que vivia em Alexandria tinha sido obrigada a lidar, sobretudo nos reinados de Ptolomeu Alexandre (106-88 a.C.) e de Ptolomeu Dion\u00edsio (80-52 a.C.), com duras persegui\u00e7\u00f5es. Os s\u00e1bios hel\u00e9nicos procuravam demonstrar, por um lado, a superioridade da cultura grega e, por outro, a incongru\u00eancia do juda\u00edsmo e da sua proposta de vida\u2026 Os judeus eram encorajados a deixar a sua f\u00e9, a \u201cmodernizar-se\u201d e a abrir-se aos brilhantes valores da cultura hel\u00e9nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi neste ambiente que o s\u00e1bio autor do Livro da Sabedoria decidiu defender os valores da f\u00e9 e da cultura do seu Povo. O seu objetivo era duplo: dirigindo-se aos seus compatriotas judeus (mergulhados no paganismo, na idolatria, na imoralidade), exortava-os a redescobrirem a f\u00e9 dos pais e os valores judaicos; dirigindo-se aos pag\u00e3os, convidava-os a constatar o absurdo da idolatria e a aderir a Jav\u00e9, o verdadeiro e \u00fanico Deus\u2026 Para uns e para outros, o autor pretendia deixar esta ideia fundamental: s\u00f3 Jav\u00e9 garante a verdadeira \u201csabedoria\u201d e a verdadeira felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto integra a segunda parte do livro (cf. Sb 6,1-9,18). A\u00ed, o autor apresenta o \u201celogio da sabedoria\u201d. Este \u201celogio da sabedoria\u201d pode dividir-se em tr\u00eas pontos\u2026 No primeiro (cf. Sb 6,1-21), h\u00e1 uma exorta\u00e7\u00e3o aos reis no sentido de adquirirem a \u201csabedoria\u201d; no segundo (cf. Sb 6,22-8,21), h\u00e1 uma descri\u00e7\u00e3o da natureza e das propriedades da \u201csabedoria\u201d, aqui apresentada como o valor mais importante entre todos os valores que o homem pode adquirir; no terceiro (cf. Sb 9,1-18), aparece uma longa ora\u00e7\u00e3o do autor, implorando de Jav\u00e9 a \u201csabedoria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 esta \u201csabedoria\u201d de que se fala neste livro e em outros livros sapienciais que vieram a integrar o c\u00e2none dos livros sagrados? \u00c9, fundamentalmente, a capacidade de fazer as escolhas corretas, de tomar as decis\u00f5es certas, de escolher os valores verdadeiros que conduzem o homem ao \u00eaxito, \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o, \u00e0 felicidade. Na perspetiva dos \u201cs\u00e1bios\u201d de Israel, esta \u201csabedoria\u201d vem de Deus e \u00e9 um dom que Deus oferece a todos os homens que tiverem o cora\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para o acolher. \u00c9 preciso, portanto, ter os ouvidos atentos para escutar e o cora\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para acolher a \u201csabedoria\u201d que Deus quer oferecer a todos os homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor deste \u201celogio da sabedoria\u201d insinua claramente ser o rei Salom\u00e3o (embora o nome do rei nunca seja referido explicitamente). Na realidade, o \u201cLivro da Sabedoria\u201d n\u00e3o vem de Salom\u00e3o (j\u00e1 vimos que \u00e9 um texto escrito no s\u00e9c. I a.C., por um judeu de Alexandria); mas Salom\u00e3o, o prot\u00f3tipo do rei s\u00e1bio era, para os israelitas, a pessoa indicada para apresentar a \u201csabedoria\u201d e para a recomendar a todos os homens. Usando uma fic\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, o autor coloca, pois, na boca de Salom\u00e3o este discurso sapiencial. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Costumamos dizer que \u201cs\u00f3 se vive uma vez\u201d e que, por isso, temos de \u201caproveitar a vida\u201d. Geralmente, quando falamos em \u201caproveitar a vida\u201d, falamos de provar as coisas boas que a vida pode oferecer-nos, de aproveitar as oportunidades de concretizar os nossos sonhos e aspira\u00e7\u00f5es, de tirar o melhor partido de cada momento, de encher a nossa exist\u00eancia de significado\u2026 Mas, \u201caproveitar a vida\u201d incluir\u00e1 atirar-nos \u00e0s cegas para agarrar tudo aquilo que os\u00a0<em>influencers<\/em>de servi\u00e7o nos impingem? \u201cAproveitar a vida\u201d significar\u00e1 irmos atr\u00e1s de tudo o que de alguma forma nos atrai, sem crit\u00e9rios nem limites? \u201cAproveitar a vida\u201d ser\u00e1 gastarmos o tempo e as for\u00e7as a correr atr\u00e1s de coisas f\u00fateis, ef\u00e9meras, que enchem a nossa exist\u00eancia de vazio, de frivolidade e de mediocridade? Temos consci\u00eancia de que h\u00e1 caminhos e valores que nos permitem construir uma vida bonita, feliz e plenamente realizada, e tamb\u00e9m h\u00e1 caminhos e valores que nos escravizam e que nos limitam horizontes? Estamos dispon\u00edveis para acolher a sabedoria de Deus e para deixar que ela nos guie pelos caminhos que conduzem onde h\u00e1 Vida verdadeira?<\/li>\n<li>O \u201cs\u00e1bio\u201d que, no texto da primeira leitura deste domingo, reparte connosco a sua experi\u00eancia de vida, tinha bem definida a sua hierarquia de valores. Sabia bem o que era priorit\u00e1rio e o que era secund\u00e1rio; sabia o que o ajudaria a definir bem a sua miss\u00e3o e aquilo que n\u00e3o seria fundamental para que a sua vida fizesse sentido. E n\u00f3s, que at\u00e9 vivemos imersos num tempo de \u201cmodernidade l\u00edquida\u201d, de mudan\u00e7a vertiginosa, de relativismo de valores, de certezas nunca consolidadas, temos bem definida a nossa lista dos valores priorit\u00e1rios? Em que valores apostamos para sobre eles construir, com coer\u00eancia e verdade, a nossa hist\u00f3ria de vida?<\/li>\n<li>O \u201cs\u00e1bio\u201d autor do nosso texto assegura que a \u201csabedoria\u201d, dom de Deus, n\u00e3o o afastou de outros valores desej\u00e1veis; mas que, pelo contr\u00e1rio, o ajudou a apreci\u00e1-los devidamente e a situ\u00e1-los no lugar adequado. Por vezes existe a ideia de que viver de acordo com Deus significa renunciar a tudo aquilo que nos pode tornar felizes e realizados\u2026 Mas isso n\u00e3o \u00e9 verdade. H\u00e1 valores, mesmo ef\u00e9meros, que s\u00e3o perfeitamente compat\u00edveis com a nossa op\u00e7\u00e3o pelos valores de Deus e do Reino. N\u00e3o se trata de nos fecharmos ao mundo, de desconfiarmos das coisas do mundo, de renunciarmos definitivamente \u00e0s coisas boas que o mundo nos pode oferecer e que nos d\u00e3o seguran\u00e7a e estabilidade; trata-se simplesmente de darmos \u00e0s coisas o valor que t\u00eam, sem nos deixarmos iludir por aquilo que n\u00e3o \u00e9 duradouro. Como \u00e9 que nos relacionamos com os valores que o mundo nos oferece? Com desconfian\u00e7a e condena\u00e7\u00e3o \u00e0 priori, ou com a aprecia\u00e7\u00e3o serena e equilibrada do que eles valem? Usamo-los parcimoniosamente, sem deixar que eles nos usem a n\u00f3s?<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 89 (90)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1:\u00a0 Saciai-nos, Senhor, com a vossa bondade<br \/>\ne exultaremos de alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Enchei-nos da vossa miseric\u00f3rdia:<br \/>\nser\u00e1 ela a nossa alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ensinai-nos a contar os nossos dias,<br \/>\npara chegarmos \u00e0 sabedoria do cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nVoltai, Senhor! At\u00e9 quando?<br \/>\ntende piedade dos vossos servos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Saciai-nos, desde a manh\u00e3, com a vossa bondade,<br \/>\npara nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.<br \/>\nCompensai em alegria os dias de afli\u00e7\u00e3o,<br \/>\nos anos em que sentimos a desgra\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Manifestai a vossa obra aos vossos servos<br \/>\ne aos seus filhos a vossa majestade.<br \/>\nDes\u00e7a sobre n\u00f3s a gra\u00e7a do Senhor.<br \/>\nconfirmai em nosso favor a obra das nossas m\u00e3os.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Hebreus 4,12-13<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A palavra de Deus \u00e9 viva e eficaz,<br \/>\nmais cortante que uma espada de dois gumes:<br \/>\nela penetra at\u00e9 ao ponto de divis\u00e3o da alma e do esp\u00edrito,<br \/>\ndas articula\u00e7\u00f5es e medulas,<br \/>\ne \u00e9 capaz de discernir os pensamentos e inten\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 criatura que possa fugir \u00e0 sua presen\u00e7a:<br \/>\ntudo est\u00e1 patente e descoberto a seus olhos.<br \/>\n\u00c9 a ela que devemos prestar contas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u201cCarta aos Hebreus\u201d, mais do que uma \u201ccarta\u201d tradicional, parece um serm\u00e3o destinado a ser proclamado oralmente. O texto foi atribu\u00eddo, sobretudo pela tradi\u00e7\u00e3o oriental, a S\u00e3o Paulo; no entanto, as diferen\u00e7as de linguagem, de estilo e mesmo de ideias em rela\u00e7\u00e3o a outros textos autenticamente paulinos levaram os biblistas a considerar que S\u00e3o Paulo n\u00e3o ter\u00e1 sido o seu autor. Apesar de tudo, \u00e9 prov\u00e1vel que o autor tenha sido algu\u00e9m relacionado com S\u00e3o Paulo, talvez um disc\u00edpulo do ap\u00f3stolo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Provavelmente a \u201cCarta aos Hebreus\u201d foi redigida nos anos anteriores ao ano 70, antes da destrui\u00e7\u00e3o do Templo de Jerusal\u00e9m pelos romanos: o autor fala da liturgia do Templo como uma realidade atual, o que n\u00e3o aconteceria se o Templo j\u00e1 tivesse sido destru\u00eddo. Embora a tradi\u00e7\u00e3o cite os \u201chebreus\u201d como destinat\u00e1rios desta Carta, n\u00e3o \u00e9 certo que ela se destine a comunidades crist\u00e3s de origem judaica. As refer\u00eancias constantes ao Antigo Testamento n\u00e3o s\u00e3o decisivas para identificar os destinat\u00e1rios da carta, uma vez que o Antigo Testamento era j\u00e1 refer\u00eancia, por essa altura, quer para os crist\u00e3os que vinham do mundo judaico como para os crist\u00e3os que vinham do mundo greco-romano. Em qualquer caso, os destinat\u00e1rios da Carta aos Hebreus s\u00e3o crist\u00e3os que vivem numa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, num ambiente hostil \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3. O autor procura fortalec\u00ea-los na viv\u00eancia do compromisso crist\u00e3o e ajud\u00e1-los a crescer na f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura de Cristo \u00e9 central na \u201cCarta aos Hebreus\u201d. Apresentado como sumo sacerdote, Ele \u00e9 o mediador entre Deus e os homens. A sua entrega sacrificial na cruz substitui todos os sacrif\u00edcios do antigo culto judaico, estabelece uma nova Alian\u00e7a entre Deus e os homens e inaugura um culto novo. Pelo sacerd\u00f3cio de Cristo, os crentes s\u00e3o inseridos no Povo sacerdotal que \u00e9 a comunidade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto est\u00e1 inclu\u00eddo na segunda parte da Carta aos Hebreus (cf. Heb 3,1-5,10). A\u00ed, o autor apresenta Jesus como o sacerdote fiel e misericordioso que o Pai enviou ao mundo para mudar os cora\u00e7\u00f5es dos homens e para os aproximar de Deus. Aos crentes pede-se que \u201cacreditem\u201d em Jesus \u2013 isto \u00e9, que escutem atentamente as propostas que Cristo veio trazer. Nessa sequ\u00eancia, o autor introduz na sua reflex\u00e3o uma esp\u00e9cie de hino \u00e0 Palavra de Deus, a Palavra que Cristo veio transmitir aos homens. O objetivo do autor, ao propor-nos este \u201chino\u201d, \u00e9 levar-nos a escutar atentamente a Palavra proposta por Cristo. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O nosso tempo \u00e9 um tempo de muitas palavras. Toda a gente, a prop\u00f3sito e a desprop\u00f3sito, entende dar a sua opini\u00e3o sobre tudo. \u00c9 positivo ouvirmos opini\u00f5es e perspetivas diversas, pois isso sempre enriquece a nossa vis\u00e3o pessoal das coisas; mas isso cria, por vezes, um ru\u00eddo de fundo que causa confus\u00e3o, banaliza o poder da palavra e atira para segundo plano palavras fundamentais, como \u00e9 o caso da Palavra de Deus. No meio desta aut\u00eantica floresta de palavras, de opini\u00f5es e de ditos, que lugar ocupa a Palavra de Deus? Para n\u00f3s, \u00e9 uma palavra decisiva, determinante, primordial na defini\u00e7\u00e3o do sentido da nossa vida, ou \u00e9 apenas \u201cmais uma\u201d palavra entre tantas outras? Conseguimos encontrar tempo para escutar a Palavra de Deus, disponibilidade para a discutir e partilhar, vontade de confrontar a nossa vida com as suas exig\u00eancias?<\/li>\n<li>A Palavra de Deus, diz a segunda leitura deste vig\u00e9simo oitavo domingo comum, \u00e9 viva, atuante, eficaz e renovadora. Deveria, portanto, ter um impacto positivo e transformador nas nossas vidas, nas nossas fam\u00edlias, nas nossas comunidades, na sociedade \u00e0 nossa volta\u2026 Mas nem sempre isso acontece. Ouvimos diariamente a proclama\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus nas nossas liturgias e continuamos a escolher valores errados, a erguer barreiras de separa\u00e7\u00e3o entre pessoas, a marcar a nossa rela\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria pela inveja, pelo ci\u00fame, pela disc\u00f3rdia, a perpetuar mecanismos de injusti\u00e7a, de viol\u00eancia, de explora\u00e7\u00e3o, de \u00f3dio\u2026 Ser\u00e1 que a Palavra de Deus perdeu a for\u00e7a, ultrapassou o prazo de validade? N\u00e3o. O problema n\u00e3o est\u00e1 na Palavra de Deus, mas est\u00e1 em n\u00f3s. Talvez estejamos t\u00e3o \u201chabituados\u201d \u00e0 Palavra que j\u00e1 n\u00e3o a escutemos; talvez estejamos t\u00e3o acomodados na nossa zona de seguran\u00e7a que recusemos o confronto com uma Palavra que incomoda e desinstala; talvez estejamos t\u00e3o entrincheirados atr\u00e1s da nossa autossufici\u00eancia, que acreditemos que a Palavra de Deus n\u00e3o acrescenta nada \u00e0 nossa vida. Porque \u00e9 que a Palavra de Deus n\u00e3o tem na nossa vida e no nosso mundo o impacto que deveria ter?<\/li>\n<li>A nossa viv\u00eancia da f\u00e9 desenrola-se, muitas vezes, \u00e0 volta de f\u00f3rmulas de ora\u00e7\u00e3o repetitivas, de pr\u00e1ticas devocionais fixas, de rituais est\u00e9reis e desligados da vida, de tradi\u00e7\u00f5es cheias de p\u00f3, de grandes manifesta\u00e7\u00f5es de f\u00e9 que, no entanto, t\u00eam pouca profundidade\u2026 E a Palavra de Deus \u00e9 relegada, na experi\u00eancia de f\u00e9 de tantos crentes, para um papel muito secund\u00e1rio. Qual o papel e o lugar da Palavra de Deus na nossa forma de viver a f\u00e9? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Marcos 10,17-30<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nia Jesus p\u00f4r-Se a caminho,<br \/>\nquando um homem se aproximou correndo,<br \/>\najoelhou diante d\u2019Ele e Lhe perguntou:<br \/>\n\u00abBom Mestre, que hei de fazer para alcan\u00e7ar a vida eterna?\u00bb<br \/>\nJesus respondeu:<br \/>\n\u00abPorque me chamas bom? Ningu\u00e9m \u00e9 bom sen\u00e3o Deus.<br \/>\nTu sabes os mandamentos:<br \/>\n\u2018N\u00e3o mates; n\u00e3o cometas adult\u00e9rio;<br \/>\nn\u00e3o roubes; n\u00e3o levantes falso testemunho;<br \/>\nn\u00e3o cometas fraudes; honra pai e m\u00e3e\u2019\u00bb.<br \/>\nO homem disse a Jesus:<br \/>\n\u00abMestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude\u00bb.<br \/>\nJesus olhou para ele com simpatia e respondeu:<br \/>\n\u00abFalta-te uma coisa: vai vender o que tens,<br \/>\nd\u00e1 o dinheiro aos pobres, e ter\u00e1s um tesouro no C\u00e9u.<br \/>\nDepois, vem e segue-Me\u00bb.<br \/>\nOuvindo estas palavras, anuviou-se-lhe o semblante<br \/>\ne retirou-se pesaroso,<br \/>\nporque era muito rico.<br \/>\nEnt\u00e3o Jesus, olhando \u00e0 volta, disse aos disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abComo ser\u00e1 dif\u00edcil para os que t\u00eam riquezas<br \/>\nentrar no reino de Deus!\u00bb<br \/>\nOs disc\u00edpulos ficaram admirados com estas palavras.<br \/>\nMas Jesus afirmou-lhes de novo:<br \/>\n\u00abMeus filhos, como \u00e9 dif\u00edcil entrar no reino de Deus!<br \/>\n\u00c9 mais f\u00e1cil passar um camelo pelo fundo de uma agulha<br \/>\ndo que um rico entrar no reino de Deus\u00bb.<br \/>\nEles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros:<br \/>\n\u00abQuem pode ent\u00e3o salvar-se?\u00bb<br \/>\nFitando neles os olhos, Jesus respondeu:<br \/>\n\u00abAos homens \u00e9 imposs\u00edvel, mas n\u00e3o a Deus,<br \/>\nporque a Deus tudo \u00e9 poss\u00edvel\u00bb.<br \/>\nPedro come\u00e7ou a dizer-Lhe:<br \/>\n\u00abV\u00ea como n\u00f3s deix\u00e1mos tudo para Te seguir\u00bb.<br \/>\nJesus respondeu:<br \/>\n\u00abEm verdade vos digo:<br \/>\nTodo aquele que tenha deixado casa,<br \/>\nirm\u00e3os, irm\u00e3s, m\u00e3e, pai, filhos ou terras,<br \/>\npor minha causa e por causa do Evangelho,<br \/>\nreceber\u00e1 cem vezes mais, j\u00e1 neste mundo,<br \/>\nem casas, irm\u00e3os, irm\u00e3s, m\u00e3es, filhos e terras,<br \/>\njuntamente com persegui\u00e7\u00f5es,<br \/>\ne, no mundo futuro, a vida eterna\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus est\u00e1 a caminhar com os disc\u00edpulos atrav\u00e9s da Judeia e da Transjord\u00e2nia, em dire\u00e7\u00e3o a Jerusal\u00e9m. Contudo, o caminho que fazem n\u00e3o \u00e9 apenas geogr\u00e1fico; \u00e9, sobretudo, um caminho espiritual, durante o qual Jesus vai completando a sua catequese aos disc\u00edpulos sobre as exig\u00eancias do Reino e as condi\u00e7\u00f5es para integrar a comunidade messi\u00e2nica. Pretende-se que, \u00e0 medida que v\u00e3o avan\u00e7ando nesse caminho com Jesus, os disc\u00edpulos deixem para tr\u00e1s os seus interesses ego\u00edstas e interiorizem cada vez mais a l\u00f3gica do Reino. S\u00f3 no final desse caminho ser\u00e3o verdadeiros disc\u00edpulos de Jesus e estar\u00e3o preparados para serem arautos do Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste vig\u00e9simo oitavo domingo comum narra o encontro de Jesus com um homem rico que est\u00e1 interessado em conhecer a maneira de alcan\u00e7ar a vida eterna. Esse encontro d\u00e1 a Jesus a oportunidade para avisar os disc\u00edpulos acerca da incompatibilidade entre o Reino e o apego \u00e0s riquezas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na perspetiva dos te\u00f3logos de Israel, as riquezas s\u00e3o uma b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus (cf. Dt 28,3-8); mas a catequese tradicional tamb\u00e9m est\u00e1 consciente de que colocar a confian\u00e7a e a esperan\u00e7a nos bens materiais envenena o cora\u00e7\u00e3o do homem, torna-o orgulhoso e autossuficiente e afasta-o de Deus e das suas propostas (cf. Sl 49,7-8; 62,11). Jesus vai retomar a catequese tradicional, mas desta vez na perspetiva do Reino de Deus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Aquele homem que vai ter com Jesus na estrada para Jerusal\u00e9m, tem urg\u00eancia em descobrir a reposta para uma quest\u00e3o que \u00e9, talvez, a mais decisiva que enfrentamos: que havemos de fazer e como devemos viver para alcan\u00e7ar a vida eterna, uma vida plena, verdadeira e com sentido? Trata-se de uma quest\u00e3o que nos inquieta a todos e que certamente j\u00e1 pusemos muitas vezes a n\u00f3s pr\u00f3prios, com estas ou com outras palavras semelhantes. J\u00e1 encontramos a resposta para esta quest\u00e3o? Qual \u00e9? Muitos dos nossos contempor\u00e2neos, mergulhados na cultura do \u201cter\u201d, limitam-se a \u201cnavegar \u00e0 vista\u201d, sem horizontes amplos, procurando rodear-se de bem-estar e seguran\u00e7a, apostando tudo nas coisas f\u00fateis e ef\u00e9meras, apenas preocupados em satisfazer necessidades perif\u00e9ricas\u2026 Onde nos leva uma op\u00e7\u00e3o deste tipo? Ela \u00e9 capaz de preencher o vazio existencial que tantas vezes toma conta da nossa vida?<\/li>\n<li>Marcos diz-nos que Jesus tem uma resposta definitiva para a quest\u00e3o colocada por aquele homem inquieto. Para Jesus, viver \u201ccom sentido\u201d passa, naturalmente, por respeitar a dignidade e os direitos dos irm\u00e3os e irm\u00e3s (\u201cn\u00e3o mates; n\u00e3o cometas adult\u00e9rio; n\u00e3o roubes; n\u00e3o levantes falso testemunho; n\u00e3o cometas fraudes; honra pai e m\u00e3e\u201d); mas, mais que tudo, aproxima-se da vida eterna quem se liberta da escravid\u00e3o dos bens, est\u00e1 dispon\u00edvel para partilhar tudo o que tem com os irm\u00e3os que caminham ao seu lado, aceita tornar-se disc\u00edpulo e seguir Jesus no caminho do amor que se d\u00e1 at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias. Afinal, alcan\u00e7a a vida eterna quem vive menos para si e mais para os outros; e afasta-se da vida eterna quem vive mais para si pr\u00f3prio e menos para os outros. Nas estranhas contas de Deus, menos d\u00e1 mais, e mais d\u00e1 menos. Estamos dispon\u00edveis para alinhar nesta paradoxal matem\u00e1tica de Deus e para nos despojarmos de n\u00f3s pr\u00f3prios a fim de alcan\u00e7armos a vida eterna?<\/li>\n<li>A hist\u00f3ria do homem rico, que coloca o seu amor ao dinheiro \u00e0 frente do seguimento de Jesus alerta-nos para a impossibilidade de conjugar a perten\u00e7a \u00e0 comunidade do Reino com o amor aos bens deste mundo. Quando a \u201cdoen\u00e7a do dinheiro\u201d toma conta de n\u00f3s, encerra-nos no nosso pr\u00f3prio mundo, leva-nos a ignorar os nossos irm\u00e3os e as suas necessidades, endurece o nosso cora\u00e7\u00e3o, faz com que sejamos corrompidos pela cobi\u00e7a, torna-nos aliados da injusti\u00e7a e da explora\u00e7\u00e3o, faz-nos ceder \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e \u00e0 desonestidade\u2026 \u00c9, portanto, incompat\u00edvel com o seguimento de Jesus. Podemos levar vidas religiosamente corretas, participar nos atos lit\u00fargicos mais relevantes, ter at\u00e9 o nosso lugar de destaque na comunidade paroquial; mas, se o nosso cora\u00e7\u00e3o vive obcecado com os bens deste mundo e fechado ao amor, \u00e0 partilha, \u00e0 solidariedade, n\u00e3o podemos fazer parte da comunidade do Reino (\u201c\u00e9 mais f\u00e1cil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus\u201d). Como \u00e9 a nossa rela\u00e7\u00e3o com os bens materiais? Qual o lugar que os bens materiais ocupam na nossa vida?<\/li>\n<li>O \u201cimp\u00e9rio do dinheiro\u201d \u00e9 um imp\u00e9rio in\u00edquo, que tem deixado feridas insar\u00e1veis na vida dos homens e do planeta. Nos \u201cpa\u00edses de bem-estar\u201d, situados maioritariamente a norte do nosso mundo, tudo est\u00e1 submetido a mecanismos econ\u00f3micos que atuam de forma cega e impessoal e que todos os dias deixam nas bermas da da sociedade um cortejo de v\u00edtimas; a \u201ceconomia de mercado\u201d sacrifica a dignidade das pessoas ao lucro e exclui os mais vulner\u00e1veis da mesa da vida; o refor\u00e7o da competitividade atira irremediavelmente os menos preparados para a pobreza e a marginalidade; a explora\u00e7\u00e3o ego\u00edsta dos recursos naturais destr\u00f3i esta casa comum que Deus preparou para todos os seus filhos e filhas\u2026 Podemos conformar-nos com um mundo assim? A Igreja poder\u00e1 ser fiel a Jesus sem se pronunciar contra este \u201cimp\u00e9rio do dinheiro\u201d (o sistema econ\u00f3mico neoliberal) que deixa marcas t\u00e3o desastrosas no nosso mundo? E cada um de n\u00f3s, pessoalmente, o que poder\u00e1 fazer para que o mundo e a hist\u00f3ria dos homens sejam constru\u00eddos noutros moldes?<\/li>\n<li>A express\u00e3o \u201cvida eterna\u201d n\u00e3o define apenas essa outra vida que encontraremos no c\u00e9u, quando terminarmos o nosso caminho na terra. Ela refere-se tamb\u00e9m \u00e0 qualidade da nossa vida aqui e agora, \u00e0 excel\u00eancia da vida que constru\u00edmos cada dia neste caminho marcado pela finitude e pela debilidade da nossa condi\u00e7\u00e3o humana. Uma vida vivida ao estilo de Jesus oferece-nos, j\u00e1 aqui na terra, a possibilidade de nos libertarmos da escravid\u00e3o das coisas, de vivermos o nosso dia a dia com o cora\u00e7\u00e3o repleto de alegria e de paz; uma vida marcada pela solidariedade, pela partilha, pelo servi\u00e7o aos irm\u00e3os oferece-nos, j\u00e1 aqui na terra, a possibilidade de nos sentirmos plenamente realizados, \u201cc\u00famplices\u201d de Deus na cria\u00e7\u00e3o de um mundo novo\u2026 Assim talvez fa\u00e7a mais sentido abra\u00e7armos sem hesita\u00e7\u00f5es a proposta de Jesus: ela dirige-se j\u00e1 ao nosso \u201choje\u201d e garante-nos, desde j\u00e1, uma vida com sentido, uma vida que vale a pena viver. Temos consci\u00eancia disto?<\/li>\n<li>Jesus avisa aos disc\u00edpulos que o \u201ccaminho do Reino\u201d \u00e9 um caminho contra a corrente, que gerar\u00e1 inevitavelmente o \u00f3dio do mundo e que se traduzir\u00e1 em persegui\u00e7\u00f5es e incompreens\u00f5es. \u00c9 uma realidade que conhecemos bem\u2026 Quantas vezes as nossas op\u00e7\u00f5es crist\u00e3s s\u00e3o criticadas, incompreendidas, apresentadas como realidades incompreens\u00edveis e ultrapassadas por aqueles que representam a ideologia dominante, que fazem a opini\u00e3o p\u00fablica, que definem o socialmente correto\u2026 Quem optou pelo seguimento de Jesus sabe, no entanto, que a persegui\u00e7\u00e3o e a incompreens\u00e3o s\u00e3o realidades inevit\u00e1veis, que n\u00e3o podem desviar-nos do Reino de Deus e da sua justi\u00e7a. Mantemo-nos fi\u00e9is ao caminho de Jesus, sem medo dos r\u00f3tulos que nos colocam, das cr\u00edticas que nos fazem, das persegui\u00e7\u00f5es que nos movem? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 um texto de estilo po\u00e9tico, pelo que a sua proclama\u00e7\u00e3o deve respeitar este estilo liter\u00e1rio para uma melhor transmiss\u00e3o da mensagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A brevidade da <strong>segunda leitura<\/strong> e a aparente facilidade na proclama\u00e7\u00e3o do texto n\u00e3o devem permitir descurar a sua prepara\u00e7\u00e3o. As frases com diversas ora\u00e7\u00f5es exigem especial cuidado nas pausas e respira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Leitura-I-Sab-7-7-11-e-Leitura-II-Heb-4-12-13-do-Domingo-XXVIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-13.10.2024.pdf\">Leitura I (Sab 7, 7-11) e Leitura II ( Heb 4, 12-13) do Domingo XXVIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 13.10.2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Domingo-XXVIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-13.10.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XXVIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 13.10.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Domingo-XXVIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-13.10.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXVIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 13.10.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Domingo-XXVIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-13.10.2024-refletindo.pdf\">Domingo XXVIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 13.10.2024-refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXVII do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 06.10.2024&#8243; tab_id=&#8221;1728902563216-0d127ce0-1a6b&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo XXVII do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 06.10.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Domingo-XXVII.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"600\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um grupo de fariseus aproxima-se de Jesus e dirigem-se a Ele com a inten\u00e7\u00e3o de O colocar \u00e0 prova. No Evangelho s\u00e3o muitos os que se abeiram de Jesus e s\u00e3o t\u00e3o variadas as motiva\u00e7\u00f5es que os colocam a caminho. Dois mil anos depois, tamb\u00e9m n\u00f3s integramos a multid\u00e3o imensa de homens e mulheres que percorrem os trilhos da hist\u00f3ria e sentem a necessidade de se encaminharem para Jesus. Mas quais s\u00e3o as motiva\u00e7\u00f5es que invadem o nosso cora\u00e7\u00e3o? N\u00e3o basta ir ao encontro de Jesus para O encontrar! \u00c9 necess\u00e1rio criar a docilidade e a disponibilidade para fazer do encontro com Ele um lugar decisivo de transforma\u00e7\u00e3o e de convers\u00e3o. O Evangelho do Amor e da Alegria \u00e9 uma proposta que reclama uma ades\u00e3o livre para inscrever a nossa vida no horizonte de liberdade e de gra\u00e7a que o Ressuscitado na for\u00e7a do Esp\u00edrito nos oferece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os fariseus trazem a Jesus uma quest\u00e3o muito concreta e para a qual conheciam bem a resposta. Qualquer fariseu, conhecedor da Lei de Mois\u00e9s, sabia que era l\u00edcito \u00ab<em>um homem repudiar a sua mulher<\/em>\u00bb, passando-lhe um certificado de div\u00f3rcio. Contudo, esta permiss\u00e3o, segundo Jesus, \u00e9 apenas sinal da dureza de cora\u00e7\u00e3o e insere-se na longa e paciente pedagogia de Deus. A doen\u00e7a que Jesus mais teme \u00e9 esta dureza de cora\u00e7\u00e3o e, por isso, afirma algo de absolutamente desconcertante: nem toda a lei \u00e9 divina, nem sempre \u00e9 um reflexo da vontade de Deus e, por vezes, \u00e9 mesmo o reflexo da dureza do nosso cora\u00e7\u00e3o e da intransig\u00eancia dos nossos esquemas e preconceitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ponto de partida da reflex\u00e3o crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 uma moral ou uma doutrina, mas o encontro \u00fanico, \u00edntimo e decisivo com Jesus Cristo. A iniciativa \u00e9 sempre de Deus e do Seu amor superabundante. A f\u00e9 n\u00e3o nasce do \u00ab<em>pode ou n\u00e3o pode<\/em>\u00bb, do \u00ab<em>l\u00edcito ou il\u00edcito<\/em>\u00bb, mas do amor misericordioso de Deus que nos faz redescobrir a nossa verdadeira identidade e miss\u00e3o. Aqui n\u00e3o reside nenhum laxismo ou relativismo, mas a certeza de que o ponto de partida \u00e9 a iniciativa amorosa de Deus que reclama a nossa ades\u00e3o livre e este encontro transformador rasga horizontes novos que nos impelem a percorrer com ousadia e coragem a estrada inaudita da convers\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus recorda que a nossa vida se inscreve no sonho primordial e original de Deus que nos criou \u00e0 Sua imagem e semelhan\u00e7a na complementaridade e alteridade que cria harmonia e gera comunh\u00e3o. Por isso, o problema n\u00e3o \u00e9 a licitude ou ilicitude do rep\u00fadio, mas o convite a manter vivo o sonho primordial e original. Jesus reafirma o projeto do Criador e recorda a miss\u00e3o de cuidar do mundo fazendo dele um lugar de unidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus vai ainda mais longe e declara a igualdade entre homem e mulher no compromisso de uma constru\u00e7\u00e3o conjunta na busca da realiza\u00e7\u00e3o e felicidade, na fidelidade ao projeto criador: \u00ab<em>quem repudiar a sua mulher e casar com outra, comete adult\u00e9rio contra a primeira. E se a mulher repudiar o seu marido e casar com outro, comete adult\u00e9rio<\/em>\u00bb. O caminho \u00e9 exigente, mas \u00e9 poss\u00edvel. \u00c9 uma proposta de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade que n\u00e3o consente exclus\u00e3o ou discrimina\u00e7\u00e3o, mas reclama acolhimento e integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acolhendo as crian\u00e7as que os disc\u00edpulos teimavam em afastar, Jesus recorda que o acolhimento \u00e9 marca fundamental daqueles que O querem seguir. A Igreja do s\u00e9culo XXI, a Igreja sinodal da escuta e da comunh\u00e3o, s\u00f3 poder\u00e1 realizar a sua miss\u00e3o como m\u00e3e acolhedora que, antes de qualquer distin\u00e7\u00e3o ou imposi\u00e7\u00e3o, abre os bra\u00e7os da sua miseric\u00f3rdia e recorda que com um cora\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a acolhemos o Reino novo que Jesus veio inaugurar porque somos capazes de abrir o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 vida nova que Deus faz despontar diante de n\u00f3s. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Liturgia da Palavra convida a refletir sobre o matrim\u00f3nio e a fam\u00edlia como projeto do Criador elevado por Jesus \u00e0 dignidade de sacramento. Neste contexto poder\u00e1 ser importante apresentar a beleza e a alegria do amor que se vive nas fam\u00edlias e a tarefa exigente de viver a voca\u00e7\u00e3o matrimonial como servi\u00e7o \u00e0 Igreja e ao mundo. Tendo em conta as situa\u00e7\u00f5es de fragilidade da vida matrimonial e familiar, ser\u00e1 importante uma palavra de acolhimento \u00e0 luz das indica\u00e7\u00f5es oferecidas pela\u00a0<em>Amoris Laetitia<\/em>\u00a0que convidam a acompanhar, discernir e acompanhar as situa\u00e7\u00f5es de fragilidade. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>G\u00e9nesis 2,18-24<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Disse o Senhor Deus:<br \/>\n\u00abN\u00e3o \u00e9 bom que o homem esteja s\u00f3:<br \/>\nvou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o o Senhor Deus, depois de ter formado da terra<br \/>\ntodos os animais do campo e todas as aves do c\u00e9u,<br \/>\nconduziu-os at\u00e9 junto do homem,<br \/>\npara ver como ele os chamaria,<br \/>\na fim de que todos os seres vivos fossem conhecidos<br \/>\npelo nome que o homem lhes desse.<br \/>\nO homem chamou pelos seus nomes<br \/>\ntodos os animais dom\u00e9sticos, todas as aves do c\u00e9u<br \/>\ne todos os animais do campo.<br \/>\nMas n\u00e3o encontrou uma auxiliar semelhante a ele.<br \/>\nEnt\u00e3o o Senhor Deus fez descer sobre o homem<br \/>\num sono profundo<br \/>\ne, enquanto ele dormia, tirou-lhe uma costela,<br \/>\nfazendo crescer a carne em seu lugar.<br \/>\nDa costela do homem o Senhor Deus formou a mulher<br \/>\ne apresentou-a ao homem.<br \/>\nAo v\u00ea-la, o homem exclamou:<br \/>\n\u00abEsta \u00e9 realmente osso dos meus ossos e a minha carne.<br \/>\nChamar-se-\u00e1 mulher, porque foi tirada do homem\u00bb.<br \/>\nPor isso, o homem deixar\u00e1 pai e m\u00e3e,<br \/>\npara se unir \u00e0 sua esposa,<br \/>\ne os dois ser\u00e3o uma s\u00f3 carne.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto de Gn 2,4b-3,24 \u2013 conhecido como relato \u201cjavista\u201d da cria\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 um texto do s\u00e9c. X a.C., que deve ter aparecido em Jud\u00e1 na \u00e9poca do rei Salom\u00e3o. Apresenta-se num estilo exuberante, pitoresco, cheio de vida e parece ser obra de um catequista popular, que ensina recorrendo a imagens sugestivas, coloridas e fortes. N\u00e3o podemos, de forma nenhuma, ver neste texto uma reportagem realista de acontecimentos passados na aurora da humanidade. A finalidade do autor n\u00e3o \u00e9 cient\u00edfica ou hist\u00f3rica, mas teol\u00f3gica: mais do que ensinar como o mundo e o homem apareceram, ele quer dizer-nos que na origem da vida e do homem est\u00e1 Jav\u00e9. Trata-se, portanto, de uma p\u00e1gina de catequese e n\u00e3o de um tratado destinado a explicar cientificamente as origens do mundo e da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para apresentar essa catequese aos homens do s\u00e9c. X a.C., os te\u00f3logos javistas utilizaram elementos simb\u00f3licos e liter\u00e1rios das cosmogonias mesopot\u00e2micas (por exemplo, a forma\u00e7\u00e3o do homem \u201cdo p\u00f3 da terra\u201d \u00e9 um elemento que aparece sempre nos mitos de origem mesopot\u00e2micos); no entanto, transformaram e adaptaram os s\u00edmbolos retirados das narra\u00e7\u00f5es lend\u00e1rias de outros povos, dando-lhes um novo enquadramento, uma nova interpreta\u00e7\u00e3o e pondo-os ao servi\u00e7o da catequese e da f\u00e9 de Israel. Por outras palavras: a linguagem e a apresenta\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria das narra\u00e7\u00f5es b\u00edblicas da cria\u00e7\u00e3o apresentam paralelos significativos com os mitos de origem dos povos da zona do Crescente F\u00e9rtil; mas as conclus\u00f5es teol\u00f3gicas \u2013 sobretudo o ensinamento sobre Deus e sobre o lugar que o homem ocupa no projeto de Deus \u2013 s\u00e3o significativamente diferentes: mais maduras, mais ponderadas, mais profundas, mais consistentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 hoje proposto como primeira leitura situa-nos no \u201cjardim do \u00c9den\u201d, um espa\u00e7o ideal onde, segundo o autor javista, Deus colocou o homem que tinha criado. De acordo com o relato, esse \u201cjardim do \u00c9den\u201d \u00e9 um lugar de \u00e1gua abundante e com muitas \u00e1rvores (para quem sentia pesar sobre si a amea\u00e7a do deserto \u00e1rido, a ideia de felicidade seria um lugar com muita \u00e1gua, um clima de frescura, um ambiente de \u00e1rvores e de verdura abundante). O homem tinha, ent\u00e3o, tudo para ser feliz? Ainda n\u00e3o. Na perspetiva do catequista javista, o homem n\u00e3o estava plenamente realizado, pois faltava-lhe algu\u00e9m com quem compartilhar a vida e a felicidade. O homem n\u00e3o foi criado para viver sozinho, mas para viver em rela\u00e7\u00e3o. \u00c9 esse problema que Deus, com solicitude e amor, vai resolver. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>\u201cN\u00e3o \u00e9 bom que o homem esteja s\u00f3\u201d. Estas palavras, postas pelo autor javista na boca de Deus, sugerem que a realiza\u00e7\u00e3o plena do homem acontece na rela\u00e7\u00e3o e n\u00e3o na solid\u00e3o. O ser humano que vive fechado em si pr\u00f3prio, que escolhe percorrer caminhos de ego\u00edsmo e de autossufici\u00eancia, que recusa o di\u00e1logo e a comunh\u00e3o com aqueles que caminham a seu lado, que tem o cora\u00e7\u00e3o fechado ao amor e \u00e0 partilha, \u00e9 algu\u00e9m profundamente infeliz, que nunca conhecer\u00e1 a felicidade plena. Por vezes a preocupa\u00e7\u00e3o com o dinheiro, com a realiza\u00e7\u00e3o profissional, com o estatuto social, com a busca do \u00eaxito, com a procura de uma liberdade sem compromisso, levam os homens a prescindir do amor, a secundarizar a fam\u00edlia, a n\u00e3o ter tempo para os amigos\u2026 E um dia, depois de terem acumulado muito dinheiro ou de terem colocado o mundo a seus p\u00e9s, constatam que est\u00e3o sozinhos e que a sua vida \u00e9 est\u00e9ril e vazia. A Palavra de Deus que nos \u00e9 hoje proposta deixa um aviso claro: a voca\u00e7\u00e3o do homem \u00e9 o amor; a solid\u00e3o ego\u00edsta, mesmo quando compensada pela abund\u00e2ncia de bens materiais, n\u00e3o ajuda a que o homem se sinta plenamente realizado. Estamos conscientes disso? As nossas op\u00e7\u00f5es fundamentais privilegiam caminhos de ego\u00edsmo e autossufici\u00eancia, ou caminhos de amor e de comunh\u00e3o?<\/li>\n<li>Por vezes certas filosofias, tingidas de um verniz pretensamente religioso, desvalorizam o amor humano, consideram o casamento como um estado menos perfeito de realiza\u00e7\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e veem na sexualidade algo de indecoroso ou at\u00e9 mesmo pecaminoso. N\u00e3o \u00e9 esta, de todo, a perspetiva que a Palavra de Deus nos apresenta\u2026 Na bela catequese que a primeira leitura deste vig\u00e9simo s\u00e9timo domingo comum nos apresenta, o amor aparece como algo que est\u00e1, desde sempre, inscrito no projeto de Deus e que \u00e9 querido por Deus. Deus criou o homem e a mulher para se ajudarem mutuamente e para partilharem, no amor, as suas vidas. Estamos conscientes de que o amor vem de Deus e est\u00e1 inscrito no plano que Deus tem para cada um de n\u00f3s? Que responsabilidades \u00e9 que isso nos traz?<\/li>\n<li>O plano de Deus para o homem e para a mulher concretiza-se quando os dois, ligados pelo amor que sentem um pelo outro, se comprometem diante de Deus, da sociedade e da comunidade crist\u00e3, a partilhar a vida e o amor, na entrega total um ao outro, na comunh\u00e3o total de vidas. Esta comunidade de amor, plenamente assumida e sinceramente vivida, sinaliza e testemunha no mundo a ternura, o carinho, a miseric\u00f3rdia que Deus sente pelos seus queridos filhos e filhas. Como \u00e9 que vamos construindo, todos os dias, a comunidade de amor a que nos chama a voca\u00e7\u00e3o matrimonial? No respeito, na ajuda m\u00fatua, no dom de n\u00f3s pr\u00f3prios \u00e0queles que amamos, no amor fiel e dedicado, no apoio firme \u00e0 pessoa com quem nos comprometemos a partilhar a vida e o amor? E o nosso compromisso com a pessoa que elegemos para viver a aventura do amor e da partilha de vida \u00e9 total e sem reservas \u2013 na sa\u00fade e na doen\u00e7a, nos momentos de alegria e nos momentos de tristeza, na juventude e na velhice, por toda a vida?<\/li>\n<li>Homem e mulher aparecem, no relato javista da cria\u00e7\u00e3o, como seres dotados de igual dignidade. S\u00e3o \u201cda mesma carne\u201d, em igualdade de ser. Ora isto exclui, naturalmente, qualquer preponder\u00e2ncia ou superioridade de um em rela\u00e7\u00e3o ao outro. Assim, qualquer rela\u00e7\u00e3o que implique domina\u00e7\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o, escravid\u00e3o, prepot\u00eancia, uso ego\u00edsta do outro, atenta gravemente contra o projeto de Deus. Como tratamos as pessoas que amamos? Respeitando absolutamente a sua dignidade, ou tratando-as com sobranceria, com prepot\u00eancia, com arrog\u00e2ncia, com pouca considera\u00e7\u00e3o? Como vemos o papel da mulher na fam\u00edlia e na sociedade, \u00e0 luz do projeto de Deus enunciado na catequese do livro do G\u00e9nesis que hoje nos foi proposta? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 127 (128)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: O Senhor nos aben\u00e7oe em toda a nossa vida.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Feliz de ti que temes o Senhor<br \/>\ne andas nos seus caminhos.<br \/>\nComer\u00e1s do trabalho das tuas m\u00e3os,<br \/>\nser\u00e1s feliz e tudo te correr\u00e1 bem.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tua esposa ser\u00e1 como videira fecunda<br \/>\nno \u00edntimo do teu lar;<br \/>\nteus filhos como ramos de oliveira,<br \/>\nao redor da tua mesa.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assim ser\u00e1 aben\u00e7oado o homem que teme o Senhor.<br \/>\nDe Si\u00e3o o Senhor te aben\u00e7oe:<br \/>\nvejas a prosperidade de Jerusal\u00e9m todos os dias da tua vida;<br \/>\ne possas ver os filhos dos teus filhos. Paz a Israel.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Hebreus 2,9-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nJesus, que, por um pouco, foi inferior aos Anjos,<br \/>\nvemo-l\u2019O agora coroado de gl\u00f3ria e de honra<br \/>\npor causa da morte que sofreu,<br \/>\npois era necess\u00e1rio que, pela gra\u00e7a de Deus,<br \/>\nexperimentasse a morte em proveito de todos.<br \/>\nConvinha, na verdade, que Deus,<br \/>\norigem e fim de todas as coisas,<br \/>\nquerendo conduzir muitos filhos para a sua gl\u00f3ria,<br \/>\nlevasse \u00e0 gl\u00f3ria perfeita, pelo sofrimento,<br \/>\no Autor da salva\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPois Aquele que santifica e os que s\u00e3o santificados<br \/>\nprocedam todos de um s\u00f3.<br \/>\nPor isso n\u00e3o Se envergonha de lhes chamar irm\u00e3os.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escrito a que chamamos \u201cCarta aos Hebreus\u201d parece ser, mais do que uma carta, um serm\u00e3o ou discurso destinado a ser proclamado oralmente. N\u00e3o sabemos quem foi o seu autor. A tradi\u00e7\u00e3o das Igrejas do oriente atribui-o a Paulo; mas as Igrejas do ocidente h\u00e1 muito que descartaram a autoria paulina deste documento: a forma liter\u00e1ria, a linguagem, o estilo, a maneira de citar o Antigo Testamento e mesmo a doutrina exposta est\u00e3o bastante longe de qualquer outro escrito paulino. Pensa-se que teria sido elaborado por um crist\u00e3o an\u00f3nimo \u2013 talvez um disc\u00edpulo de Paulo \u2013 que, no entanto, conhecia muito bem o Antigo Testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o antiga p\u00f5e os \u201chebreus\u201d como destinat\u00e1rios deste escrito; por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 qualquer indica\u00e7\u00e3o, ao longo do escrito, de que o texto se destinasse especificamente a crist\u00e3os oriundos do mundo judaico. \u00c9 verdade que refere constantemente o Antigo Testamento; mas o Antigo Testamento j\u00e1 era, por essa altura, patrim\u00f3nio comum de todos os crist\u00e3os, seja os de origem judaica, seja os de origem pag\u00e3. Tratava-se, em qualquer caso, de comunidades crist\u00e3s em situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, expostas a persegui\u00e7\u00f5es e que viviam num ambiente hostil \u00e0 f\u00e9\u2026 Os membros dessas comunidades perderam j\u00e1 o fervor inicial pelo Evangelho, deixaram-se contaminar pelo des\u00e2nimo e come\u00e7am a ceder \u00e0 sedu\u00e7\u00e3o de certas doutrinas n\u00e3o muito coerentes com a f\u00e9 recebida dos ap\u00f3stolos\u2026 O objetivo do autor deste \u201cdiscurso\u201d \u00e9 estimular a viv\u00eancia do compromisso crist\u00e3o e levar os crentes a crescer na f\u00e9. Teria sido elaborado nos anos que antecederam a destrui\u00e7\u00e3o da cidade de Jerusal\u00e9m (que ocorreu no ano 70), uma vez que o autor se refere \u00e0 liturgia do Templo como uma realidade ainda atual. \u00c9 prov\u00e1vel, portanto, que tenha aparecido por volta do ano 67, muito perto da altura em que Paulo e Pedro foram martirizados em Roma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta aos Hebreus apresenta \u2013 recorrendo \u00e0 linguagem da teologia judaica \u2013 o mist\u00e9rio de Cristo, o sacerdote por excel\u00eancia \u2013 atrav\u00e9s de quem os homens t\u00eam acesso livre a Deus e s\u00e3o inseridos na comunh\u00e3o real e definitiva com Deus. O autor aproveita, na sequ\u00eancia, para refletir nas implica\u00e7\u00f5es desse facto: postos em rela\u00e7\u00e3o com o Pai por Cristo\/sacerdote, os crentes s\u00e3o inseridos nesse Povo sacerdotal que \u00e9 a comunidade crist\u00e3 e devem fazer da sua vida um cont\u00ednuo sacrif\u00edcio de louvor, de entrega e de amor. Desta forma, o autor oferece aos crist\u00e3os um aprofundamento e uma amplia\u00e7\u00e3o da f\u00e9 primitiva, capaz de revitalizar a sua experi\u00eancia de f\u00e9, enfraquecida pela acomoda\u00e7\u00e3o e pela persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como primeira leitura neste vig\u00e9simo s\u00e9timo domingo comum est\u00e1 inclu\u00eddo na primeira parte da Carta (cf. Heb 1,5-2,18). A\u00ed, o autor recolhe e repete aquilo que a catequese primitiva afirmava sobre o mist\u00e9rio de Cristo: Ele incarnou e fez-se irm\u00e3o dos homens, experimentou mesmo o sofrimento e a morte, mas foi ressuscitado e glorificado por Deus. Apesar dessa experi\u00eancia de \u201cabaixamento\u201d que fez, Ele \u00e9 superior a todas as criaturas, nomeadamente em rela\u00e7\u00e3o aos anjos. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o \u2013 essa hist\u00f3ria que a liturgia nos recorda e nos convida a celebrar em cada domingo \u2013 \u00e9 uma hist\u00f3ria espantosa. \u00c9 a hist\u00f3ria de um Deus que olha para n\u00f3s com amor infinito e que, por amor, nos enviou o seu Filho Jesus. Para esse Deus com o cora\u00e7\u00e3o de Pai e de m\u00e3e, a nossa salva\u00e7\u00e3o, a nossa felicidade plena \u00e9 muito mais importante do que a incompreens\u00e3o dos homens, do que a recusa teimosa dos homens, at\u00e9 mesmo do que o horr\u00edvel sofrimento que a cruz comporta. A paci\u00eancia que Deus tem demonstrado connosco s\u00f3 tem sido ultrapassada pela grandeza do seu amor. Como \u00e9 que vemos isto? Sentimo-nos realmente tocados e desafiados pela grandeza do amor de Deus? A consci\u00eancia do amor que Deus nos tem tem-se traduzido, da nossa parte, em reconhecimento, gratid\u00e3o e louvor?<\/li>\n<li>Desde o in\u00edcio do seu caminho hist\u00f3rico os homens e as mulheres negligenciaram as propostas de Deus e preferiram trilhar caminhos de ego\u00edsmo e de autossufici\u00eancia. Sabemos onde \u00e9 que isso nos tem conduzido: a guerras, viol\u00eancias, injusti\u00e7as, ambi\u00e7\u00e3o, corrup\u00e7\u00e3o, que deixam no nosso mundo um longo rasto de sofrimento e de morte. Por vezes at\u00e9 nos atrevemos, na nossa insensatez e arrog\u00e2ncia, a questionar Deus e a perguntar-lhe porqu\u00ea todo esse sofrimento, como se Ele fosse o culpado das nossas escolhas erradas\u2026 Estamos conscientes de que uma fatia muito significativa dos males que nos ferem resultam das nossas op\u00e7\u00f5es ego\u00edstas? O que necessitar\u00edamos de mudar, na nossa forma de viver, para construirmos um mundo mais pac\u00edfico, mais justo e mais humano?<\/li>\n<li>Cristo vestiu a nossa humanidade, veio ao nosso encontro, experimentou a nossa fragilidade, acompanhou-nos nos caminhos da vida, falou-nos na nossa linguagem humana, mostrou-nos em gestos como \u00e9 que devemos viver para correspondermos ao projeto de Deus para o homem e para encontrarmos Vida verdadeira. Tornou-se um \u201cguia\u201d pr\u00f3ximo, interessado, digno de cr\u00e9dito, com quem nos identificamos, que temos vontade de escutar e de seguir, mesmo quando Ele nos aponta caminho dif\u00edceis de cruz e de dom da vida. Jesus \u00e9 a nossa refer\u00eancia? Procuramos segui-l\u2019O sem hesita\u00e7\u00f5es, mesmo quando Ele nos prop\u00f5e caminhos contra a corrente? Confiamos n\u2019Ele incondicionalmente? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Marcos 10,2-16<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nAproximaram-se de Jesus uns fariseus para O porem \u00e0 prova<br \/>\ne perguntaram-Lhe:<br \/>\n\u00abPode um homem repudiar a sua mulher?\u00bb<br \/>\nJesus disse-lhes:<br \/>\n\u00abQue vos ordenou Mois\u00e9s?\u00bb<br \/>\nEles responderam:<br \/>\n\u00abMois\u00e9s permitiu que se passasse um certificado de div\u00f3rcio,<br \/>\npara se repudiar a mulher\u00bb.<br \/>\nJesus disse-lhes:<br \/>\n\u00abFoi por causa da dureza do vosso cora\u00e7\u00e3o<br \/>\nque ele vos deixou essa lei.<br \/>\nMas, no princ\u00edpio da cria\u00e7\u00e3o, \u2018Deus f\u00ea-los homem e mulher.<br \/>\nPor isso, o homem deixar\u00e1 pai e m\u00e3e para se unir \u00e0 sua esposa,<br \/>\ne os dois ser\u00e3o uma s\u00f3 carne\u2019.<br \/>\nDeste modo, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o dois, mas uma s\u00f3 carne.<br \/>\nPortanto, n\u00e3o separe o homem o que Deus uniu\u00bb.<br \/>\nEm casa, os disc\u00edpulos interrogaram-n\u2019O de novo<br \/>\nsobre este assunto.<br \/>\nJesus disse-lhes ent\u00e3o:<br \/>\n\u00abQuem repudiar a sua mulher e casar com outra,<br \/>\ncomete adult\u00e9rio contra a primeira.<br \/>\nE se a mulher repudiar o seu marido e casar com outro,<br \/>\ncomete adult\u00e9rio\u00bb.<br \/>\nApresentaram a Jesus umas crian\u00e7as<br \/>\npara que Ele lhes tocasse,<br \/>\nmas os disc\u00edpulos afastavam-nas.<br \/>\nJesus, ao ver isto, indignou-Se e disse-lhes:<br \/>\n\u00abDeixai vir a Mim as criancinhas, n\u00e3o as estorveis:<br \/>\ndos que s\u00e3o como elas \u00e9 o reino de Deus.<br \/>\nEm verdade vos digo:<br \/>\nQuem n\u00e3o acolher o reino de Deus como uma crian\u00e7a,<br \/>\nn\u00e3o entrar\u00e1 nele\u00bb.<br \/>\nE, abra\u00e7ando-as, come\u00e7ou a aben\u00e7o\u00e1-las,<br \/>\nimpondo a m\u00e3o sobre elas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Despedindo-se da Galileia, Jesus come\u00e7a a caminhar para Jerusal\u00e9m, ao encontro do seu destino final. N\u00e3o seguiu pelo \u201ccaminho da montanha\u201d, que passava pelo centro do pa\u00eds e atravessava a Samaria, mas sim pelo caminho que desce ao longo do rio Jord\u00e3o e que era o caminho habitualmente tomado pelos peregrinos que vinham da Galileia para Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio que o Evangelho deste domingo nos apresenta \u00e9 colocado por Marcos \u201cna regi\u00e3o da Judeia, para al\u00e9m do Jord\u00e3o\u201d (vers. 1) \u2013 isto \u00e9, no territ\u00f3rio transjord\u00e2nico da Pereia, governado por Herodes Antipas. Este Herodes Antipas, ent\u00e3o tetrarca da Galileia e da Pereia, tinha pouco antes mandado executar Jo\u00e3o Batista, que criticara o tetrarca por este se ter divorciado da esposa leg\u00edtima para viver maritalmente com Herod\u00edade, sua cunhada (cf. Mc 6,17-29).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caminho para Jerusal\u00e9m, Jesus volta a encontrar as multid\u00f5es e a dirigir-lhes os seus ensinamentos. Os disc\u00edpulos caminham atr\u00e1s de Jesus. Mas tamb\u00e9m aqui, como tinha acontecido na Galileia, voltam a aparecer os fariseus para confrontar Jesus. Desta vez \u2013 diz-nos Marcos \u2013 trazem-Lhe uma quest\u00e3o relativa ao div\u00f3rcio: \u201cpode um homem repudiar a sua mulher?\u201d. Marcos esclarece que a raz\u00e3o da pergunta \u00e9 p\u00f4r Jesus \u00e0 prova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o, formulada nestes exatos termos, n\u00e3o era especialmente controversa. A Lei de Israel permitia que o homem tomasse a iniciativa de despedir a sua mulher, pondo assim fim \u00e0 rela\u00e7\u00e3o (\u201cquando um homem tomar uma mulher e a desposar, se depois ela deixar de lhe agradar, por ter descoberto nela algo de inconveniente, escrever-lhe-\u00e1 um documento de div\u00f3rcio, entregar-lho-\u00e1 em m\u00e3o e despedi-la-\u00e1 de sua casa\u201d \u2013 Dt 24,1). O que se discutia, no entanto, era sobre as raz\u00f5es que poderiam fundamentar a rejei\u00e7\u00e3o da mulher por parte do marido. Entre os judeus, duas grandes escolas teol\u00f3gicas divergiam profundamente na interpreta\u00e7\u00e3o da Lei do div\u00f3rcio. A escola de Shammai, mais rigorista, defendia que s\u00f3 uma raz\u00e3o muito grave (o adult\u00e9rio ou a m\u00e1 conduta da mulher) dava ao marido o direito de repudiar a sua esposa; mas a escola de Hillel, dominante na \u00e9poca de Jesus, ensinava que qualquer motivo, mesmo o mais f\u00fatil (porque a esposa cozinhava mal ou porque, por qualquer raz\u00e3o, tinha deixado de agradar ao marido), servia para o homem despedir a mulher. A mulher, por sua vez, muito dificilmente era autorizada a obter o div\u00f3rcio em tribunal (somente no caso de o marido estar afetado pela lepra ou exercer um of\u00edcio repugnante).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, a lei judaica do div\u00f3rcio era altamente discriminat\u00f3ria. O homem podia facilmente obter o div\u00f3rcio e casar com outra mulher; mas a mulher praticamente n\u00e3o podia tomar a iniciativa de se divorciar do seu marido. Al\u00e9m disso, a mulher divorciada ficava frequentemente numa situa\u00e7\u00e3o social intoler\u00e1vel: sem meios de subsist\u00eancia, sem ningu\u00e9m que a defendesse, se n\u00e3o fosse acolhida na casa do pai ou de um irm\u00e3o, ficava condenada a pedir esmola ou a prostituir-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os fariseus j\u00e1 tinham percebido que Jesus n\u00e3o alinhava na discrimina\u00e7\u00e3o da mulher. Jesus defendia as mulheres, respeitava-as, tratava-as com dignidade&#8230; Ali\u00e1s, contradizendo tudo o que era habitual, tinha at\u00e9 acolhido algumas mulheres entre os seus disc\u00edpulos. Como \u00e9 que Ele via a lei do div\u00f3rcio, uma lei que agradava aos homens, mas que provocava tanto sofrimento entre as mulheres judaicas?<strong><em> in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Como \u00e9 que Jesus entende o amor humano? Como \u00e9 que Ele encara o amor que une um homem e uma mulher? A opini\u00e3o de Jesus sobre o amor humano est\u00e1 profundamente vinculada com o projeto que o Deus criador tinha para o homem e para a mulher. Ora, Deus criou o homem e a mulher iguais em dignidade e quis que eles caminhassem de m\u00e3os dadas ao encontro da felicidade. Por isso, convidou-os a amarem-se, a partilharem a vida, a serem apoio um do outro, a completarem-se um ao outro, a viverem um para o outro; pediu-lhes que esse amor se expressasse em doa\u00e7\u00e3o, em partilha de vida, em entrega um ao outro, em respeito um pelo outro, em fidelidade m\u00fatua; assegurou-lhes que o caminho do amor, vivido dessa forma, lhes traria uma felicidade sem fim. Na perspetiva do Deus criador, um amor vivido assim n\u00e3o \u00e9 um amor \u201cdescart\u00e1vel\u201d e com prazo de validade, mas \u00e9 um amor que tem a marca da eternidade. Como avaliamos um projeto de amor que tem este horizonte? \u00c9 poss\u00edvel um amor assim?<\/li>\n<li>Naturalmente, no projeto de Deus para o homem e para a mulher n\u00e3o cabe o egocentrismo, a arrog\u00e2ncia, a prepot\u00eancia, a submiss\u00e3o que escraviza, o dom\u00ednio de um sobre o outro, o desrespeito pela dignidade do outro, o tratamento do outro como simples objeto descart\u00e1vel, o aviltamento do outro, a tentativa de controlar a liberdade do outro, o pensamento do outro, os valores do outro. Como \u00e9 que nos relacionamos com a pessoa com quem um dia nos comprometemos, diante de Deus, da Igreja e da sociedade, a partilhar um projeto de amor? A rela\u00e7\u00e3o que mantemos com a pessoa que amamos \u00e9 comandada pelo nosso ego\u00edsmo ou pelo respeito que o outro nos merece?<\/li>\n<li>As telenovelas f\u00fateis, os influenciadores que ditam os valores da moda, os lobbies ao servi\u00e7o de interesses diversos, t\u00eam procurado convencer-nos de que o fracasso do amor \u00e9 uma realidade normal, banal, que pode acontecer a qualquer instante. Para os casais crist\u00e3os \u2013 os casais que se disponibilizaram para seguir Jesus e para viver na din\u00e2mica do Reino de Deus \u2013 o fracasso do amor n\u00e3o \u00e9 uma normalidade, mas uma situa\u00e7\u00e3o extrema, uma realidade excecional. Para os casais crist\u00e3os, o div\u00f3rcio n\u00e3o deve ser um rem\u00e9dio simples e sempre \u00e0 m\u00e3o para resolver as pequenas dificuldades que a vida todos os dias apresenta. Marido e esposa t\u00eam que esfor\u00e7ar-se por realizar a sua voca\u00e7\u00e3o de amor, apesar das dificuldades, das crises, das diverg\u00eancias e dos problemas que, dia a dia, a vida lhes vai colocando. Como \u00e9 que vemos tudo isto? Como nos posicionamos em rela\u00e7\u00e3o a tudo isto?<\/li>\n<li>Apesar de tudo, a vida dos homens e das mulheres \u00e9 marcada pela debilidade pr\u00f3pria da condi\u00e7\u00e3o humana. Nem sempre as pessoas, apesar do seu esfor\u00e7o e da sua boa vontade, conseguem ser fi\u00e9is aos ideais que Deus prop\u00f5e. A vida de todos n\u00f3s est\u00e1 cheia de fracassos, de infidelidades, de falhas; mas Deus n\u00e3o desiste, apesar disso, de nos tratar como filhos muito queridos. Chamada a ser sinal e testemunha da miseric\u00f3rdia de Deus no mundo, a comunidade crist\u00e3 deve usar de compreens\u00e3o para com aqueles que falharam (muitas vezes sem culpa) na viv\u00eancia do seu projeto de amor. Em nenhuma circunst\u00e2ncia as pessoas divorciadas devem ser marginalizadas ou afastadas da vida da comunidade crist\u00e3. A comunidade deve, em todos os instantes, acolher, integrar, compreender, ajudar aqueles a quem as circunst\u00e2ncias da vida impediram de viver o tal projeto ideal de Deus. N\u00e3o se trata de renunciar ao \u201cideal\u201d que Deus prop\u00f5e; trata-se de testemunhar a bondade e a miseric\u00f3rdia de Deus para com aqueles que, por diversas raz\u00f5es, n\u00e3o puderam realizar esse ideal que um dia, diante de Deus e da comunidade, se comprometeram a viver. Como \u00e9 que a nossa comunidade crist\u00e3 acolhe aqueles que viram falhar o seu projeto de amor?<\/li>\n<li>Os disc\u00edpulos de Jesus, conscientes do seu papel e da sua import\u00e2ncia, julgaram-se no direito de limitar o acesso de determinadas pessoas a Jesus. Para eles, a comunidade do Reino era um clube de gente importante, onde os pequeninos n\u00e3o tinham lugar\u2026 Mas Jesus troca-lhes as voltas: ao acolher com amor e ternura as crian\u00e7as que lhe trouxeram, Jesus est\u00e1 a dizer aos disc\u00edpulos que no centro da sua comunidade devem estar sempre os mais pequenos, os mais fr\u00e1geis, os mais d\u00e9beis, aqueles que s\u00e3o desprezados e ignorados pela gente importante do mundo. Esses, segundo Jesus, s\u00e3o os preferidos de Deus, aqueles que t\u00eam um lugar especial no cora\u00e7\u00e3o de Deus. Como \u00e9 que s\u00e3o acolhidas e tratadas entre n\u00f3s as pessoas mais humildes, as mais fr\u00e1geis, as mais pobres, as que a sociedade ignora, rejeita ou at\u00e9 mesmo condena? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>primeira leitura<\/strong> deve haver especial aten\u00e7\u00e3o nas duas frases em discurso direto e na proclama\u00e7\u00e3o dos verbos que as introduzem. O leitor deve estar atento \u00e0 respira\u00e7\u00e3o e \u00e0s pausas nas frases e ora\u00e7\u00f5es curtas, para uma leitura articulada e fluente do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, as frases longas com diferentes ora\u00e7\u00f5es exigem n\u00e3o s\u00f3 o respeito pela pontua\u00e7\u00e3o, como uma prepara\u00e7\u00e3o acurada das pausas e respira\u00e7\u00f5es de acordo com o conte\u00fado e mensagem do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/10\/01\/a-doenca-do-coracao-de-pedra\/\"><strong>A DOEN\u00c7A DO CORA\u00c7\u00c3O DE PEDRA\u00a0(skl\u00earokard\u00eda)<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m dos quatro epis\u00f3dios que decorrem fora das fronteiras de Israel (tr\u00eas na Dec\u00e1pole, a oriente do Mar da Galileia, e um na regi\u00e3o de Tiro, a noroeste de Israel) (ver Domingo XXIII), a a\u00e7\u00e3o de Jesus decorre quase toda na Galileia (Marcos 1-9) e em Jerusal\u00e9m (Marcos 11-16), tendo pelo meio a viagem da Galileia para Jerusal\u00e9m (Marcos 10): em Marcos 10,1, Jesus sai de Cafarnaum, onde esteve em Marcos 9,33-50; em Marcos 10,46, chega a Jeric\u00f3; em Marcos 11,1, est\u00e1 nas imedia\u00e7\u00f5es de Jerusal\u00e9m. <strong>Serve este levantamento topogr\u00e1fico para situar o epis\u00f3dio do Evangelho deste Domingo XXVII (Marcos 10,2-16)<\/strong> ap\u00f3s a sa\u00edda de Cafarnaum, a caminho da Judeia e de Jerusal\u00e9m, viagem feita, n\u00e3o pela Samaria, mas descendo pela margem oriental do Jord\u00e3o, talvez na Pereia, onde a comunidade judaica era consider\u00e1vel (Marcos 10,1a). O narrador ainda nos informa que as multid\u00f5es (<em>\u00f3chloi<\/em>), \u00fanica vez no plural em Marcos, vieram ter com Ele, que, como de costume (<em>h\u00f4s ei\u00f4thei<\/em>), express\u00e3o s\u00f3 aqui usada em Marcos, os ensinava (Marcos 10,1b).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 tamb\u00e9m aqui que os fariseus, mais uma vez \u00abpara p\u00f4r Jesus \u00e0 prova\u00bb (<em>peir\u00e1z\u00f4<\/em>) (cf. 8,11; 12,15), lhe perguntam \u00abse \u00e9 l\u00edcito (<em>\u00e9xestin<\/em>) ao homem repudiar (<em>apol\u00fd\u00f4<\/em>) a sua mulher\u00bb (Marcos 10,2). A pergunta \u00e9 uma armadilha, por mais de uma raz\u00e3o. Primeiro, porque este modo de fazer era j\u00e1 usual entre os judeus. Se Jesus desse uma resposta negativa, corria o risco de provocar um alvoro\u00e7o entre os homens que o ouviam. Segundo, porque podia acentuar o conflito com Herodes Antipas, que j\u00e1 tinha feito prender Jo\u00e3o Batista, por este ter protestado contra a sua rela\u00e7\u00e3o irregular com Herod\u00edades (Marcos 6,18). Terceiro, porque se desse uma resposta positiva, corria o risco de entrar numa discuss\u00e3o acad\u00e9mica intermin\u00e1vel e in\u00fatil, pois eram conhecidas interpreta\u00e7\u00f5es diversas, entre o rigorismo e o laxismo. Por exemplo, a escola rigorista de Shammai era de opini\u00e3o que a separa\u00e7\u00e3o s\u00f3 devia ser permitida em caso de adult\u00e9rio, enquanto a escola liberal de Hillel achava que a separa\u00e7\u00e3o era permitida por tudo e por nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, Jesus n\u00e3o se deixa apanhar na armadilha, e pergunta por sua vez aos fariseus: \u00abO que \u00e9 que vos ordenou (<em>ent\u00e9llomai<\/em>) Mois\u00e9s?\u00bb (Marcos 10,3). Eles tiveram de responder: \u00abMois\u00e9s permitiu (<em>epitr\u00e9p\u00f4<\/em>) escrever uma ata de div\u00f3rcio e repudiar\u00bb (Marcos 10,4). Os fariseus est\u00e3o a citar o Livro do Deuteron\u00f3mio 24,1, e v\u00ea-se que interpretavam esta prescri\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s como permiss\u00e3o do div\u00f3rcio. De onde se deduzia que os homens (s\u00f3 os homens) t\u00eam o direito de repudiar as suas mulheres, direito a que as mulheres n\u00e3o tinham direito, pois n\u00e3o podiam separar-se dos seus maridos. Ouvida esta resposta, Jesus entra ent\u00e3o na argumenta\u00e7\u00e3o a s\u00e9rio, referindo que Mois\u00e9s n\u00e3o permitiu o div\u00f3rcio, mas apenas quis p\u00f4r ordem e humanidade numa situa\u00e7\u00e3o que os homens tinham criado, e que gerava muitas complica\u00e7\u00f5es. Na verdade, a mulher repudiada, se o div\u00f3rcio n\u00e3o fosse devidamente documentado, continuava ligada ao seu anterior marido, e n\u00e3o ficava livre para se voltar a casar; podia ser vista como uma mulher casada em fuga, e, caso se viesse a ligar a outro homem, podia ser acusada de adult\u00e9rio e ser condenada \u00e0 morte por lapida\u00e7\u00e3o (cf. Deuteron\u00f3mio 22,22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tirado isto a limpo, Jesus declara ent\u00e3o que esta prescri\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s n\u00e3o se destina a permitir o div\u00f3rcio, mas a p\u00f4r os necess\u00e1rios limites \u00e0 \u00abdureza do cora\u00e7\u00e3o\u00bb ou \u00abesclerose do cora\u00e7\u00e3o\u00bb, a famosa\u00a0<em>skl\u00earokard\u00eda<\/em>\u00a0dos homens, a verdadeira respons\u00e1vel pelo div\u00f3rcio (Marcos 10,5). Esclarecido ent\u00e3o o alcance da prescri\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s, meramente corretiva de uma situa\u00e7\u00e3o que a \u00abesclerose do cora\u00e7\u00e3o\u00bb dos homens criou, e que, lendo bem o Livro do Deuteron\u00f3mio 10,12-22, significa o fechamento do homem a Deus, \u00e0 sua bondade, \u00e0 sua grandeza e \u00e0 sua vontade (ver a express\u00e3o em Deuteron\u00f3mio 10,16 e Jeremias 4,4), Jesus passa logo a expor (Marcos 10,6-8) a vontade de Deus sobre o casal humano, como se pode ver lendo os relatos da cria\u00e7\u00e3o: \u00abDeus os fez homem e mulher\u00bb (G\u00e9nesis 1,27); \u00abo homem deixar\u00e1 o seu pai e a sua m\u00e3e e se unir\u00e1 \u00e0 sua mulher, e os dois ser\u00e3o uma s\u00f3 carne\u00bb (G\u00e9nesis 2,24). E conclui: \u00abN\u00e3o separe o homem o que Deus uniu\u00bb (Marcos 10,9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, em casa (Marcos 10,10), lugar da intimidade, Jesus explica aos seus disc\u00edpulos que tanto incorre em adult\u00e9rio o homem como a mulher que abandonam os respetivos c\u00f4njuges e casam com outros (Marcos 10,11-12). Com este dizer, alargado \u00e0 mulher, Jesus estende o bisturi tamb\u00e9m \u00e0 nossa\u00a0<em>skl\u00earokard\u00eda<\/em>. De facto, aos fariseus Jesus apenas falou do homem que repudia a sua mulher e casa com outra, porque, em mundo judaico, n\u00e3o era permitido \u00e0 mulher repudiar o marido, para casar com outro. Era, por\u00e9m, permitido em mundo grego. E \u00e9 sabido que os destinat\u00e1rios diretos do Evangelho de Marcos vivem no mundo greco-romano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E Jesus mostra de novo aos seus disc\u00edpulos que \u00e9 necess\u00e1rio romper a crosta da nossa import\u00e2ncia, que nos separa de Deus e dos pequeninos (Marcos 10,13-16). Tamb\u00e9m aqui se trata de\u00a0<em>skl\u00earokard\u00eda<\/em>. Em boa verdade, envoltos na crosta da nossa import\u00e2ncia, j\u00e1 n\u00e3o sabemos receber. E o reino de Deus n\u00e3o \u00e9 para comprar ou conquistar, mas unicamente para receber. Da\u00ed a import\u00e2ncia das crian\u00e7as para Jesus. N\u00e3o \u00e9 a sua inoc\u00eancia e candura que aqui \u00e9 salientada, mas o facto de serem dependentes e confiantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed est\u00e1, ent\u00e3o, o ch\u00e3o do Evangelho de hoje, a vontade de Deus expressa na Cria\u00e7\u00e3o, a que Jesus faz refer\u00eancia (G\u00e9nesis 2,18-24). A extraordin\u00e1ria narrativa abre com a constata\u00e7\u00e3o enf\u00e1tica por parte de Deus de um problema grav\u00edssimo que pode acarretar a morte do homem. Este problema chama-se \u00absolid\u00e3o\u00bb. Deus \u00e9 levado a afirmar: \u00abN\u00e3o \u00e9, de facto, bom (<em>lo\u2019-t\u00f4b<\/em>) que o HOMEM (<em>ha\u2019adam<\/em>) esteja s\u00f3 (<em>l<sup>e<\/sup>badd\u00f4<\/em>)\u00bb (G\u00e9nesis 2,18a). Note-se que este enf\u00e1tico \u00abn\u00e3o-bom\u00bb colide com o \u00absete vezes bom\u00bb e o \u00abSIM\u00bb que enchia G\u00e9nesis 1,1-2,4a, ao todo 452 palavras em que n\u00e3o soa um \u00fanico \u00abn\u00e3o\u00bb, e o \u00abbom\u00bb se faz ouvir por sete vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo constatado o o grave perigo que amea\u00e7a o homem, Deus trata logo de remediar a situa\u00e7\u00e3o, propondo-se \u00abfazer (<em>\u2018asah<\/em>) um aux\u00edlio (<em>\u2018ezer<\/em>) a ele correspondente (<em>k<sup>e<\/sup>negd\u00f4<\/em>)\u00bb (G\u00e9nesis 2,18b). Note-se outra vez o uso do masculino\u00a0<em>\u2018ezer<\/em>, e n\u00e3o do feminino\u00a0<em>\u2018ezrah<\/em>. Neste contexto, em que\u00a0<em>\u2018ezer<\/em>\u00a0designar\u00e1 a mulher, mas n\u00e3o s\u00f3, o uso do masculino \u00e9 fruto com certeza de uma escolha premeditada, sendo, por isso, de lhe atribuir especial import\u00e2ncia. Na verdade, a exegese moderna mostrou que o t\u00edtulo \u00abaux\u00edlio\u00bb (<em>\u2018ezer<\/em>), que aparece no Antigo Testamento por 21 vezes [= G\u00e9nesis 2,18.20; \u00caxodo 18,4; Deuteron\u00f3mio 33;7.26.29; Salmo 20,3; 33,20; 70,6; 89,20; 115,9.10.11; 121,1.2; 124,8; 146,5; Isa\u00edas 30,5; Ezequiel 12,14; Os 13,9; Daniel 11,34], \u00e9, na maioria dos casos, excetuadas as duas men\u00e7\u00f5es do G\u00e9nesis, um t\u00edtulo dado direta ou indiretamente a Deus, que \u00e9 o verdadeiro \u00abaux\u00edlio\u00bb do homem. Trata-se, em todos os casos, de um aux\u00edlio pessoal, e n\u00e3o instrumental, sendo mesmo um aux\u00edlio indispens\u00e1vel em situa\u00e7\u00f5es de extremo perigo, n\u00e3o longe da fronteira que separa a vida e a morte. Qual \u00e9 ent\u00e3o o perigo que amea\u00e7a o homem em Gn 2,18? \u00c9 certamente a solid\u00e3o. E a verdadeira solid\u00e3o chama-se coisifica\u00e7\u00e3o. Sim, o homem pode perder-se no meio de objetos, coisificando tamb\u00e9m Deus e os outros. \u00c9 Deus normalmente o aux\u00edlio do homem. A mulher surge na mente de Deus com o t\u00edtulo grande de \u00abaux\u00edlio\u00bb do var\u00e3o, assim como o var\u00e3o \u00e9 o \u00abaux\u00edlio\u00bb da mulher, e qualquer ser humano deve ser o \u00abaux\u00edlio\u00bb de outro ser humano. Est\u00e1 assim desvendado o estranho uso, neste contexto, do masculino\u00a0<em>\u2018ezer<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, a express\u00e3o\u00a0<em>k<sup>e<\/sup>negd\u00f4<\/em>\u00a0assenta na preposi\u00e7\u00e3o\u00a0<em>neged<\/em>\u00a0[= ao lado de, diante de, contra], mas remete ainda para o hiphil\u00a0<em>higg\u00eed<\/em>\u00a0[= narrar], e, portanto, para um sujeito de palavra, deixando entrever que o \u00abaux\u00edlio\u00bb que Deus se prop\u00f5e fazer seja algu\u00e9m que saiba estar \u00abao lado de\u00bb algu\u00e9m, n\u00e3o de forma tir\u00e2nica e prepotente, mas apto para a do\u00e7ura da palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 ent\u00e3o que, de um lado (<em>tsela\u2018<\/em>) do ser humano, Deus \u00abconstr\u00f3i\u00bb (<em>banah<\/em>) a mulher (<em>\u2019ishshah<\/em>) (G\u00e9nesis 2,22). O texto diz tudo. Sendo um lado, fica logo dito que a mulher e o homem, juntos, s\u00e3o dois lados, que formam uma unidade, como os dois lados de uma porta ou de uma janela. N\u00e3o se pode destruir um sem destruir tamb\u00e9m o outro. Por outro lado, ao usar o verbo \u00abconstruir\u00bb (<em>banah<\/em>) para a mulher, fica j\u00e1 igualmente dito, por asson\u00e2ncia, o mundo da mulher: \u00abfilhos\u00bb (<em>ban\u00eem<\/em>), \u00abcasa\u00bb (<em>b\u00eat<\/em>). Quanto a\u00a0<em>\u2019ishshah<\/em>, \u00e9 simplesmente o feminino de\u00a0<em>\u2019\u00eesh<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que n\u00e3o tenhamos reparado nisso, tivemos de esperar at\u00e9 agora, para ouvirmos pela primeira vez a voz humana a ecoar no cen\u00e1rio da cria\u00e7\u00e3o. E \u00e9 significativo que tal suceda para o homem expressar o seu alvoro\u00e7o de noivo, saudando extasiado a mulher-noiva com a express\u00e3o familiar \u00abosso dos meus ossos e carne da minha carne\u00bb (G\u00e9nesis 2,23), primeiro canto de amor e ao amor que se encontra nas p\u00e1ginas da B\u00edblia. O relato da apari\u00e7\u00e3o da mulher n\u00e3o deve fazer esquecer que \u00e9 relatada, em estreito paralelismo, a apari\u00e7\u00e3o da linguagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E porque s\u00e3o o aux\u00edlio um do outro, o lado um do outro, identificando-se um pelo outro (veja-se o jogo de\u00a0<em>\u2019\u00eesh\u00a0<\/em>e<em>\u00a0\u2019ishshah<\/em>), \u00abo homem (<em>\u2019\u00eesh<\/em>) deixar\u00e1 o seu pai e a sua m\u00e3e, e se unir\u00e1 amorosamente \u00e0 sua mulher (<em>\u2019ishshah<\/em>), e ser\u00e3o [os dois] uma s\u00f3 carne\u00bb (G\u00e9nesis 2,24). Convenhamos que a express\u00e3o \u00e9 ins\u00f3lita! No sistema patriarcal, \u00e9 a mulher, e n\u00e3o o homem, que deixa a sua fam\u00edlia para se unir ao seu marido. Mas o ins\u00f3lito serve aqui talvez para real\u00e7ar a grande for\u00e7a do amor, e para mostrar que \u00e9 s\u00f3 outro amor, e s\u00f3 ele, que pode separar do primeiro amor, o amor dos pais. De resto, o texto n\u00e3o pretende, com certeza, fazer qualquer refer\u00eancia a um sentido matriarcal, mas quer sobretudo acentuar que s\u00e3o os dois a deixar um amor anterior, porque encontraram um amor mais forte. \u00abForte como a morte o amor\u00bb! (C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos 8,6). Inegoci\u00e1vel o amor. N\u00e3o separe o homem o que Deus uniu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas h\u00e1, porventura, outra tem\u00e1tica que se insinua em filigrana nesta express\u00e3o: a tem\u00e1tica do \u00fanico eleito, aben\u00e7oado e portador de b\u00ean\u00e7\u00e3o para todos os povos, peregrino da liberdade, chamado a deixar-se transformar em \u00aboutro homem\u00bb. De facto, o relato de Abra\u00e3o abre com a interpela\u00e7\u00e3o do Senhor para uma viagem transitiva e intransitiva (<em>lek-l<sup>e<\/sup>ka<\/em>), para deixar a sua terra e a sua parentela e ir\u2026 (G\u00e9nesis 12,1-3). \u00c9 paradigm\u00e1tico que Abra\u00e3o deixe a casa paterna. \u00c9 nessa estrada que \u00e9 colocado\u00a0<em>Adam<\/em>, o pai da humanidade, e a inteira humanidade consigo. Mas tamb\u00e9m os primeiros reis pisam essa estrada. \u00c9 assim que Saul vai da casa do seu pai \u00e0 procura das jumentas perdidas (1 Samuel 9,3), e acaba por ser ungido rei (1 Samuel 10,1), sendo transformado em um \u00abhomem outro\u00bb (<em>\u2019\u00eesh \u2019aher<\/em>) (1 Samuel 10,6), com um \u00abcora\u00e7\u00e3o outro\u00bb (<em>leb \u2019aher<\/em>) (1 Samuel 10,9). E tamb\u00e9m David anda fora de casa, quando Samuel o procura para o ungir como rei (1 Samuel 16,11-13). E tamb\u00e9m a amada do C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos, s\u00edmbolo de Israel e da inteira humanidade amada e desposada por Deus, \u00e9 mandada entrar na estrada de Abra\u00e3o, mediante aquele \u00abVai para ti\u00bb (<em>l<sup>e<\/sup>k\u00ee-lak<\/em>) (C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos 2,10). Em jogo est\u00e1 a verdadeira voca\u00e7\u00e3o-miss\u00e3o de alteridade, sendo que a alteridade bem compreendida implica outra maneira de compreender, outro cora\u00e7\u00e3o, portanto. Esta \u00e9 certamente a grande tem\u00e1tica j\u00e1 instalada no texto fundacional de G\u00e9nesis 2,24. A n\u00e3o ser assim, nem o texto faz sentido, pois n\u00e3o se v\u00ea bem como \u00e9 que este primeiro homem, modelado da terra, possa deixar o seu pai e a sua m\u00e3e!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, as 45 palavras hebraicas do salmo 128 enchem-nos de paz, luz, serenidade. Respira-se tamb\u00e9m a fragr\u00e2ncia da videira e a juventude da oliveira. Mas a fam\u00edlia cantada neste Salmo n\u00e3o est\u00e1 fechada sobre si mesma, mas aberta \u00e0 comunidade por Deus aben\u00e7oada. Portanto, do per\u00edmetro da casa e da mesa em que vivem e se sentam pais e filhos, avista-se e sente-se a paz da Cidade Santa, Jerusal\u00e9m. N\u00e3o \u00e9 de admirar que a tradi\u00e7\u00e3o judaica tenha sabido extrair deste Salmo as \u00absete b\u00ean\u00e7\u00e3os para as n\u00fapcias\u00bb. Saboreemos o perfume deste extrato: \u00abBendito, \u00f3 Senhor, que concedeste ao esposo e \u00e0 esposa j\u00fabilo, canto, gozo, alegria, amor, paz, fraternidade e amizade. Possam depressa e para sempre, \u00f3 Senhor, ressoar gritos de gozo em Jerusal\u00e9m, cidade santa. Possa levantar-se, cheia, a voz jubilosa do esposo e da esposa e os coros gozosos de quem os acompanha na sua alegria. Bendito \u00e9s tu, Senhor, que alegras o esposo com a sua esposa!\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E assim tamb\u00e9m com aquele que incarnou no nosso mundo, que deu a sua vida por n\u00f3s, e sacerdotalmente nos santifica, e n\u00e3o se envergonha de nos chamar seus irm\u00e3os. \u00c9 assim a homilia da Carta aos Hebreus que hoje iniciamos (2,9-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Leitura-I-do-Domingo-XXVII-do-Tempo-Comum-Ano-B-06.10.2024-Gn-2-18-24.pdf\">Leitura I do Domingo XXVII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 06.10.2024 (Gn 2, 18-24)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Leitura-II-do-Domingo-XXVII-do-Tempo-Comum-Ano-B-06.10.2024-Heb-2-9-11.pdf\">Leitura II do Domingo XXVII do Tempo Comum &#8211; Ano B- 06.10.2024 (Heb 2, 9-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Domingo-XXVII-do-Tempo-Comum-Ano-B-06.10.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XXVII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 06.10.2024- Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Domingo-XXVII-do-Tempo-Comum-Ano-B-06.10.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXVII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 06.10.2024- Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Domingo-XXVII-do-Tempo-Comum-Ano-B-06.10.2024-refletindo.pdf\">Domingo XXVII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 06.10.2024-refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXVI do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 29.09.2024&#8243; tab_id=&#8221;1728324001023-6c789b91-abf9&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo XXVI do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 29.09.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Domingo-XXVI.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acolhimento, testemunho coerente e convers\u00e3o s\u00e3o os grandes desafios que emergem da Liturgia da Palavra deste <strong>XXVI Domingo do Tempo Comum<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus continua a caminhar com os disc\u00edpulos, conduzindo-os pela estrada nova do amor, fazendo-os experimentar a surpreendente l\u00f3gica do Reino. Contudo, os disc\u00edpulos sentem ainda a dificuldade de se deixar moldar pela Boa Nova que implica um acolhimento sem obst\u00e1culos nem barreiras, um testemunho coerente e cred\u00edvel que os introduz num caminho de convers\u00e3o permanente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Mestre, n\u00f3s vimos um homem a expulsar os dem\u00f3nios em teu nome e procur\u00e1mos impedir-lho, porque ele n\u00e3o anda connosco<\/em>\u00bb. Aquele homem expulsava dem\u00f3nios, restitu\u00eda gente \u00e0 vida e fazia-o em nome de Jesus, mas os disc\u00edpulos impedem-no porque n\u00e3o pertencia ao grupo deles. Preocupa-os mais a defesa do grupo, que o bem que aquele homem fazia. E bem sabemos como \u00e9 t\u00e3o humana esta tenta\u00e7\u00e3o, pois j\u00e1 na primeira leitura, Josu\u00e9, vendo Eldad e Medad a profetizar, pede a Mois\u00e9s que os pro\u00edba. Por isso, Jesus adverte aos disc\u00edpulos: \u00ab<em>n\u00e3o o proibais; porque ningu\u00e9m pode fazer um milagre em meu nome e depois dizer mal de Mim. Quem n\u00e3o \u00e9 contra n\u00f3s \u00e9 por n\u00f3s<\/em>\u00bb. Diante da tenta\u00e7\u00e3o de proibir, afastar ou condenar, Jesus convida ao acolhimento que n\u00e3o desiste de ningu\u00e9m, que \u00e9 capaz de olhar para cada fenda aberta onde o amor pode ser semeado. Ficamos perplexos com este aparente fr\u00e1gil, f\u00e1cil e ligeiro crit\u00e9rio de ingresso no amor: \u00ab<em>quem n\u00e3o \u00e9 contra n\u00f3s \u00e9 por n\u00f3s<\/em>\u00bb. Mas que libertador \u00e9 o Mestre que tem sempre um caminho estendido para quem O procura! A proibi\u00e7\u00e3o e o impedimento servem apenas para afastar e excluir. O acolhimento \u00e9 \u00fanico caminho que pode gerar vida, convers\u00e3o e arrependimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante de um mundo a transformar pela for\u00e7a do amor, s\u00e3o precisos seguidores de Jesus, com testemunho coerente e cred\u00edvel, pois como preveniu Jesus: \u00ab<em>se algu\u00e9m escandalizar algum destes pequeninos que creem em Mim, melhor seria para ele que lhe atassem ao pesco\u00e7o uma dessas m\u00f3s movidas por um jumento e o lan\u00e7assem ao mar<\/em>\u00bb. Deste modo, porque somos fr\u00e1geis e pecadores, a coer\u00eancia ser\u00e1 sempre um grande desafio que nos impele a abra\u00e7ar a convers\u00e3o como tarefa permanente da nossa vida crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de exigente, a convers\u00e3o e a renova\u00e7\u00e3o da vida, deve come\u00e7ar pelos pequenos gestos do quotidiano. Como \u00e9 consolador ver como Jesus simplifica a vida: \u00ab<em>quem vos der a beber um copo de \u00e1gua, por serdes de Cristo, em verdade vos digo que n\u00e3o perder\u00e1 a sua recompensa<\/em>\u00bb. Um copo de \u00e1gua, um sorriso, um abra\u00e7o, uma visita a um doente, uma conversa com algu\u00e9m que est\u00e1 sozinho: gestos pequenos e aparentemente banais, mas que semeiam no tempo e na hist\u00f3ria o amor e fazem despontar a esperan\u00e7a de um mundo mais fraterno e feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, a mensagem final do Evangelho parece t\u00e3o dura e exigente: se a tua m\u00e3o, se o teu p\u00e9 ou o teu olho s\u00e3o ocasi\u00e3o de esc\u00e2ndalo corta-os. De facto, \u00e9 necess\u00e1ria coragem para a ren\u00fancia daquilo que pode ser obst\u00e1culo \u00e0 entrada do Reino, pois a entrada n\u00e3o acontece a partir daquilo que possu\u00edmos ou amealhamos, como nos recorda S. Tiago na segunda leitura, mas por aquilo que somos capazes de oferecer, deixar e renunciar. A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 numa m\u00e3o cortada, mas numa m\u00e3o convertida que oferece um copo de \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, acolhimento, testemunho e convers\u00e3o semeiam a esperan\u00e7a do mundo novo que Jesus veio anunciar e inauguram no aqui e agora do tempo, o Reino que h\u00e1-de ser em plenitude no C\u00e9u. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No <strong>dia 29 de setembro<\/strong>, assinala-se o <strong>Dia Mundial do Migrante e do Refugiado<\/strong>. O Papa Francisco escreveu uma mensagem para este dia intitulada: \u00ab<em>Deus caminha com o seu povo<\/em>\u00bb. Nesta mensagem, (que fica em anexo) o Santo Padre, na senda do caminho sinodal que estamos a viver, afirma \u00ab\u00e9 poss\u00edvel ver nos migrantes do nosso tempo, como ali\u00e1s nos de todas as \u00e9pocas, uma imagem viva do povo de Deus em caminho rumo \u00e0 P\u00e1tria eterna\u00bb e desafia a sabermos ser Igreja a caminho no acolhimento e ajuda de tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s migrantes e refugiados. No final desta mensagem, \u00e9 proposta uma ora\u00e7\u00e3o que pode ser rezada por todos na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>N\u00fameros 11,25-29<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura do Livro dos N\u00fameros<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\no Senhor desceu na nuvem e falou com Mois\u00e9s.<br \/>\nTirou uma parte do Esp\u00edrito que estava nele<br \/>\ne f\u00ea-lo poisar sobre setenta anci\u00e3os do povo.<br \/>\nLogo que o Esp\u00edrito poisou sobre eles,<br \/>\ncome\u00e7aram a profetizar;<br \/>\nmas n\u00e3o continuaram a faz\u00ea-lo.<br \/>\nTinham ficado no acampamento dois homens:<br \/>\num deles chamava-se Eldad e o outro Medad.<br \/>\nO Esp\u00edrito poisou tamb\u00e9m sobre eles,<br \/>\npois contavam-se entre os inscritos,<br \/>\nembora n\u00e3o tivessem comparecido na tenda;<br \/>\ne come\u00e7aram a profetizar no acampamento.<br \/>\nUm jovem correu a diz\u00ea-lo a Mois\u00e9s:<br \/>\n\u00abEldad e Medad est\u00e3o a profetizar no acampamento\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o Josu\u00e9, filho de Nun,<br \/>\nque estava ao servi\u00e7o de Mois\u00e9s desde a juventude,<br \/>\ntomou a palavra e disse:<br \/>\n\u00abMois\u00e9s, meu senhor, pro\u00edbe-os\u00bb.<br \/>\nMois\u00e9s, por\u00e9m, respondeu-lhe:<br \/>\n\u00abEst\u00e1s com ci\u00fames por causa de mim?<br \/>\nQuem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta<br \/>\ne que o Senhor infundisse o seu Esp\u00edrito sobre eles!\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro dos N\u00fameros (assim chamado na vers\u00e3o grega, pelo facto de o livro come\u00e7ar com uma lista de recenseamento onde s\u00e3o dados os n\u00fameros de membros de cada tribo do Povo de Deus) apresenta um conjunto de tradi\u00e7\u00f5es &#8211; sem grande preocupa\u00e7\u00e3o de coer\u00eancia e de l\u00f3gica &#8211; sobre a estadia no deserto dos hebreus libertados do Egipto. S\u00e3o tradi\u00e7\u00f5es de origem diversa, que os te\u00f3logos das escolas jahwista, elohista e sacerdotal utilizaram com fins catequ\u00e9ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No seu estado atual, o livro est\u00e1 dividido em tr\u00eas partes. A primeira narra os \u00faltimos dias da estadia do Povo de Deus no Sinai (cf. Nm 1,1-10,10); a segunda apresenta, em v\u00e1rias etapas, a caminhada do Povo pelo deserto, desde o Sinai \u00e0 plan\u00edcie de Moab (cf. Nm 10,11-21,35); a terceira apresenta a comunidade dos filhos de Israel instalada na plan\u00edcie de Moab, preparando a sua entrada na Terra Prometida (cf. 11,1-36,13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que uma cr\u00f3nica de viagem do Povo de Deus desde o Sinai, at\u00e9 \u00e0s portas da Terra Prometida, o Livro dos N\u00fameros \u00e9 um livro de catequese. Pretende mostrar que a ess\u00eancia de Israel \u00e9 ser um Povo reunido \u00e0 volta de Jahw\u00e9h e da Alian\u00e7a. Com algum idealismo, os autores do Livro dos N\u00fameros v\u00e3o descrevendo como, por ac\u00e7\u00e3o de Jahw\u00e9h, esse grupo informe de n\u00f3madas libertado do Egipto foi ganhando progressivamente uma consci\u00eancia nacional e religiosa, at\u00e9 chegar a formar a &#8220;assembleia santa de Deus&#8221;. Ao longo do percurso geogr\u00e1fico pelo deserto, Israel vai fazendo tamb\u00e9m uma caminhada espiritual, durante a qual se vai libertando da mentalidade de escravo, para adquirir uma cultura de liberdade e de maturidade. O autor mostra como, por a\u00e7\u00e3o de Deus (que est\u00e1 sempre presente no meio do Povo), Israel vai progressivamente amadurecendo, renovando-se, transformando-se, alargando os horizontes, tornando-se um Povo mais respons\u00e1vel, mais consciente, mais adulto e mais santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio que hoje nos \u00e9 proposto acontece pouco depois da partida do Sinai. Num lugar chamado Tabera (cf. Nm 11,3), o Povo revoltou-se por n\u00e3o ter comida em abund\u00e2ncia e murmurou contra Jahw\u00e9h. Mois\u00e9s, cansado e desiludido, queixou-se ao Senhor de n\u00e3o conseguir aguentar o fardo da condu\u00e7\u00e3o deste Povo rebelde (cf. Nm 11,11-15); ent\u00e3o, Jahw\u00e9h prop\u00f4s a Mois\u00e9s escolher setenta anci\u00e3os que, depois de ungidos pelo Esp\u00edrito de Deus, ajudariam Mois\u00e9s na tarefa de conduzir o Povo pelo deserto (cf. Nm 11,16-24). \u00c9 precisamente neste ponto que come\u00e7a o nosso texto.<strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A comunidade do Povo de Deus \u00e9 a comunidade do Esp\u00edrito. O Esp\u00edrito n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio dos membros da hierarquia; mas est\u00e1 bem vivo e bem presente em todos aqueles que abrem o cora\u00e7\u00e3o aos dons de Deus e que aceitam comprometer-se com Jesus e com o seu projeto de vida. Mesmo o irm\u00e3o mais humilde, mais pobre, menos considerado da nossa comunidade possui o Esp\u00edrito de Deus.<\/li>\n<li>O epis\u00f3dio ensina tamb\u00e9m que o Esp\u00edrito de Deus \u00e9 livre e atua onde quer e como quer. N\u00e3o est\u00e1 limitado por fronteiras, nem por regras, nem por interesses pessoais, nem por privil\u00e9gios de grupo. Nenhuma Igreja tem o monop\u00f3lio do Esp\u00edrito, nenhuma institui\u00e7\u00e3o pode control\u00e1-lo ou acorrent\u00e1-lo. Por vezes, somos testemunhas da a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito no mundo atrav\u00e9s de pessoas que n\u00e3o pertencem \u00e0 nossa institui\u00e7\u00e3o religiosa&#8230; N\u00e3o temos que sentir-nos melindrados ou ciumentos se Deus age no mundo atrav\u00e9s de pessoas que n\u00e3o pertencem \u00e0 nossa Igreja; temos \u00e9 de reconhecer a presen\u00e7a de Deus nos gestos de amor, de paz, de justi\u00e7a, de solidariedade, de partilha que todos os dias testemunhamos (mesmo naqueles que se dizem ateus) e agradecer ao nosso Deus a sua presen\u00e7a, a sua a\u00e7\u00e3o, o seu amor pelos homens e pelo mundo.<\/li>\n<li>A certeza de que ningu\u00e9m tem o exclusivo do Esp\u00edrito obriga-nos a p\u00f4r de lado qualquer atitude de fanatismo, de intransig\u00eancia ou de intoler\u00e2ncia face \u00e0s perspetivas diferentes com que somos confrontados. Os preconceitos, os esquemas ego\u00edstas, as condena\u00e7\u00f5es \u00e0 priori, os julgamentos apressados, podem fazer-nos perder os desafios que o Esp\u00edrito, pela voz dos irm\u00e3os, nos apresenta.<\/li>\n<li>Mois\u00e9s, o l\u00edder do processo de liberta\u00e7\u00e3o que trouxe os hebreus da terra da escravid\u00e3o para a Terra da liberdade, foi capaz de reconhecer a sua debilidade e a sua incapacidade de &#8220;fazer tudo&#8221; e aceitou a ajuda da comunidade. N\u00e3o teve ci\u00fames, nem inveja, nem medo de perder o controle do processo, nem dificuldade em aceitar a partilha das tarefas que o Senhor lhe confiou. Com o seu exemplo, ele ensina os respons\u00e1veis das nossas comunidades a aceitar a ajuda dos irm\u00e3os, a partilhar com outros o peso da responsabilidade de conduzir a comunidade do Povo de Deus. Por vezes, temos a convic\u00e7\u00e3o de que s\u00f3 n\u00f3s somos capazes de fazer as coisas bem e evitamos aceitar a ajuda dos outros; por vezes, sentimos que a interven\u00e7\u00e3o de outras pessoas \u00e9 uma amea\u00e7a ao nosso poder e rejeitamos qualquer ajuda; por vezes, queremos controlar o caminho da comunidade, porque n\u00e3o estamos dispostos a renunciar aos nossos sonhos, aos nossos projetos pessoais&#8230; J\u00e1 pens\u00e1mos que, quando n\u00e3o aceitamos partilhar responsabilidades, estamos a impedir os outros de crescer? J\u00e1 pens\u00e1mos que, quando somos n\u00f3s a conduzir todo o processo, sem nos deixarmos confrontar com perspetivas diferentes, podemos estar a calar os desafios do Esp\u00edrito? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 18 (19)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Os preceitos do Senhor alegram o cora\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A lei do Senhor \u00e9 perfeita,<br \/>\nela reconforta a alma.<br \/>\nAs ordens do Senhor s\u00e3o firmes,<br \/>\nd\u00e3o sabedoria aos simples.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O temor do Senhor \u00e9 puro<br \/>\ne permanece eternamente;<br \/>\nOs ju\u00edzos do Senhor s\u00e3o verdadeiros,<br \/>\ntodos eles s\u00e3o rectos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Embora o vosso servo se deixe guiar por eles<br \/>\ne os observe com cuidado,<br \/>\nquem pode, entretanto, reconhecer os seus erros?<br \/>\nPurificai-me dos que me s\u00e3o ocultos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Preservai tamb\u00e9m do orgulho o vosso servo,<br \/>\npara que n\u00e3o tenha poder algum sobre mim:<br \/>\nent\u00e3o serei irrepreens\u00edvel<br \/>\ne imune de culpa grave.<br \/>\n<\/strong><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Tg 5,1-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura da Ep\u00edstola de S\u00e3o Tiago<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora, v\u00f3s, \u00f3 ricos, chorai e lamentai-vos,<br \/>\npor causa das desgra\u00e7as que v\u00e3o cair sobre v\u00f3s.<br \/>\nAs vossas riquezas est\u00e3o apodrecidas<br \/>\ne as vossas vestes est\u00e3o comidas pela tra\u00e7a.<br \/>\nO vosso ouro e a vossa prata enferrujaram-se,<br \/>\ne a sua ferrugem vai dar testemunho contra v\u00f3s<br \/>\ne devorar a vossa carne como fogo.<br \/>\nAcumulastes tesouros no fim dos tempos.<br \/>\nPrivastes do sal\u00e1rio os trabalhadores<br \/>\nque ceifaram as vossas terras.<br \/>\nO seu sal\u00e1rio clama;<br \/>\ne os brados dos ceifeiros<br \/>\nchegaram aos ouvidos do Senhor do Universo.<br \/>\nLevastes na terra uma vida regalada e libertina,<br \/>\ncevastes os vossos cora\u00e7\u00f5es para o dia da matan\u00e7a.<br \/>\nCondenastes e matastes o justo<br \/>\ne ele n\u00e3o vos resiste.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta de Tiago termina com dois blocos de exorta\u00e7\u00f5es onde o autor recorda aos seus interlocutores alguns dos aspetos que elencou anteriormente e que, na sua perspetiva, devem ser tidos em s\u00e9ria conta por parte de quem est\u00e1 interessado em viver a vida crist\u00e3 aut\u00eantica. Para o autor, o acesso \u00e0 vida plena depende das op\u00e7\u00f5es que o homem faz enquanto caminha nesta terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro bloco (cf. Tg 4,11-5,6) cont\u00e9m um elenco de atitudes negativas, que os crentes devem evitar a todo o custo: falar mal dos irm\u00e3os (cf. Tg 4,11-12), viver no orgulho e na autossufici\u00eancia face a Deus (cf. Tg 4,13-17), viver para os bens materiais e praticar injusti\u00e7as contra os pobres (cf. Tg 5,1-6). O segundo bloco (cf. Tg 5,7-20) cont\u00e9m uma lista de atitudes positivas que os crentes devem assumir enquanto esperam a vinda do Senhor: paci\u00eancia, perseveran\u00e7a e firmeza no falar (cf. Tg 5,7-12), ora\u00e7\u00e3o (cf. Tg 5,1-18) e preocupa\u00e7\u00e3o em reconduzir ao bom caminho o irm\u00e3o que anda afastado (cf. Tg 5,19-20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto \u00e9 um grito prof\u00e9tico de den\u00fancia dos ricos, do seu orgulho eautossufici\u00eancia, da sua obsess\u00e3o pelos bens materiais. Este texto deve ser colocado no quadro geral de uma \u00e9poca de profundas desigualdades: ao lado de uma riqueza desmesurada e sem limites, vive e sofre a mis\u00e9ria mais aguda. A explora\u00e7\u00e3o do pobre e a viol\u00eancia contra os humildes eram, na \u00e9poca, fen\u00f3menos demasiado frequentes e que os crist\u00e3os conheciam bem. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong>:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O autor da Carta de Tiago critica os ricos, em primeiro lugar porque eles vivem apenas para acumular bens materiais, negligenciando os verdadeiros valores. Fazem do ouro e da prata os seus deuses e centram toda a sua exist\u00eancia em valores caducos e perec\u00edveis. No final da sua exist\u00eancia v\u00e3o perceber que gastaram a vida a correr atr\u00e1s de algo que n\u00e3o d\u00e1 felicidade nem conduz o homem \u00e0 vida plena; a sua exist\u00eancia ter\u00e1 sido, ent\u00e3o, um dram\u00e1tico equ\u00edvoco. O &#8220;aviso&#8221; do autor da Carta de Tiago conserva uma espantosa atualidade&#8230; A acumula\u00e7\u00e3o de bens materiais tornou-se, para tantos homens do nosso tempo, o \u00fanico objetivo da vida e o crit\u00e9rio \u00fanico para definir uma vida de sucesso. Contudo, aqueles que apostam tudo nos bens perec\u00edveis facilmente constatam como essa op\u00e7\u00e3o n\u00e3o responde, em definitivo, \u00e0 sua sede de felicidade e de vida plena. O ouro, a conta banc\u00e1ria, o carro de luxo, a casa de sonho, d\u00e3o-nos satisfa\u00e7\u00f5es imediatas e, talvez, um certo estatuto aos olhos do mundo; mas n\u00e3o saciam a nossa sede de vida eterna. N\u00f3s, os crist\u00e3os, somos chamados a testemunhar que a vida verdadeira brota dos valores eternos &#8211; esses valores que Deus nos prop\u00f5e.<\/li>\n<li>O autor da Carta de Tiago critica os ricos, em segundo lugar, porque frequentemente a riqueza resulta da explora\u00e7\u00e3o e da injusti\u00e7a. Acumular bens \u00e0 custa da mis\u00e9ria e da explora\u00e7\u00e3o dos irm\u00e3os \u00e9, na perspetiva do autor do nosso texto, um crime abomin\u00e1vel e que Deus n\u00e3o deixar\u00e1 impune. N\u00e3o \u00e9 crist\u00e3o quem n\u00e3o paga o sal\u00e1rio justo aos seus oper\u00e1rios, mesmo que ofere\u00e7a depois somas chorudas para a constru\u00e7\u00e3o de uma igreja; n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3o quem especula com os bens de primeira necessidade, mesmo que v\u00e1 todos os domingos \u00e0 missa e perten\u00e7a a v\u00e1rios grupos paroquiais; n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3o quem inventa esquemas para n\u00e3o pagar impostos, mesmo que seja muito amigo do padre da par\u00f3quia; n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3o quem se aproveita da ignor\u00e2ncia e da mis\u00e9ria para realizar neg\u00f3cios altamente rent\u00e1veis, mesmo que pense repartir com Deus os frutos das suas rapinas&#8230;<\/li>\n<li>Uma coisa deve ficar clara: Deus n\u00e3o apoia nunca quem vive fechado em si pr\u00f3prio, no a\u00e7ambarcamento ego\u00edsta desses bens que Deus nos concedeu para serem postos ao servi\u00e7o de todos os homens; e qualquer crime cometido contra os pobres \u00e9 um crime contra Deus, que afasta o homem da vida plena da comunh\u00e3o com Deus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mc 9,38-43.45-47-48<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S\u00e3o Marcos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJo\u00e3o disse a Jesus:<br \/>\n\u00abMestre,<br \/>\nn\u00f3s vimos um homem a expulsar os dem\u00f3nios em teu nome<br \/>\ne procur\u00e1mos impedir-lho, porque ele n\u00e3o anda connosco\u00bb.<br \/>\nJesus respondeu:<br \/>\n\u00abN\u00e3o o proibais;<br \/>\nporque ningu\u00e9m pode fazer um milagre em meu nome<br \/>\ne depois dizer mal de Mim.<br \/>\nQuem n\u00e3o \u00e9 contra n\u00f3s \u00e9 por n\u00f3s.<br \/>\nQuem vos der a beber um copo de \u00e1gua, por serdes de Cristo,<br \/>\nem verdade vos digo que n\u00e3o perder\u00e1 a sua recompensa.<br \/>\nSe algu\u00e9m escandalizar algum destes pequeninos<br \/>\nque creem em Mim,<br \/>\nmelhor seria para ele que lhe atassem ao pesco\u00e7o<br \/>\numa dessas m\u00f3s movidas pr\u00f3 um jumento<br \/>\ne o lan\u00e7assem ao mar.<br \/>\nSe a tua m\u00e3o \u00e9 para ti ocasi\u00e3o de esc\u00e2ndalo, corta-a;<br \/>\nporque \u00e9 melhor entrar mutilado na vida<br \/>\ndo que ter as duas m\u00e3os e ir para a Geena,<br \/>\npara esse fogo que n\u00e3o se apaga.<br \/>\nE se o teu p\u00e9 \u00e9 para ti ocasi\u00e3o de esc\u00e2ndalo, corta-o;<br \/>\nporque \u00e9 melhor entrar coxo na vida<br \/>\ndo que ter os dois p\u00e9s e ser lan\u00e7ado na Geena.<br \/>\nE se um dos teus olhos \u00e9 para ti ocasi\u00e3o de esc\u00e2ndalo,<br \/>\ndeita-o fora;<br \/>\nporque \u00e9 melhor entrar no reino de Deus s\u00f3 com um dos olhos<br \/>\ndo que ter os dois olhos e ser lan\u00e7ado na Geena,<br \/>\nonde o verme n\u00e3o morre e o fogo n\u00e3o se apaga\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos ainda em Cafarnaum (cf. Mc 9,33), a cidade de pescadores situada junto do Lago de Tiber\u00edades. Jesus est\u00e1 &#8220;em casa&#8221; rodeado pelos disc\u00edpulos. A ida para Jerusal\u00e9m est\u00e1 pr\u00f3xima e os disc\u00edpulos est\u00e3o conscientes de que se aproximam tempos decisivos para esse projeto em que est\u00e3o envolvidos.<br \/>\nApesar da sua op\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca por Jesus, os disc\u00edpulos continuam a dar mostras de n\u00e3o terem ainda conseguido absorver os valores do Reino. Para eles, o seguimento de Jesus \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o que dever\u00e1 traduzir-se na concretiza\u00e7\u00e3o de determinados sonhos de poder, de grandeza e de prest\u00edgio&#8230; Por isso, sentem-se inquietos e ciumentos quando encontram algo que possa colocar em causa os seus interesses, a sua autoridade, os seus &#8220;privil\u00e9gios&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus vai, com paci\u00eancia, tentando formar os disc\u00edpulos na l\u00f3gica do Reino. O texto que a liturgia deste domingo nos prop\u00f5e como Evangelho \u00e9 mais uma instru\u00e7\u00e3o que Jesus dirige aos disc\u00edpulos no sentido de lhes mostrar os valores que eles devem interiorizar, se quiserem integrar a comunidade messi\u00e2nica.<br \/>\nMarcos juntou aqui uma s\u00e9rie de &#8220;ditos&#8221; de Jesus, inicialmente independentes entre si e pronunciados em contextos diversos. Estes &#8220;ditos&#8221; apresentam, contudo, exig\u00eancias v\u00e1rias que os disc\u00edpulos de Jesus devem considerar e que, em \u00faltima an\u00e1lise, definem a perten\u00e7a ou a n\u00e3o perten\u00e7a \u00e0 comunidade do Reino. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O Evangelho deste domingo apresenta-nos um grupo de disc\u00edpulos ainda muito atrasados na aprendizagem do &#8220;caminho do Reino&#8221;. Eles ainda raciocinam em termos de l\u00f3gica do mundo e t\u00eam dificuldade em libertar-se dos seus interesses ego\u00edstas, dos seus esquemas pessoais, dos seus preconceitos, dos seus sonhos de grandeza e poder&#8230; Eles n\u00e3o querem entender que, para seguir Jesus, \u00e9 preciso cortar com certos sentimentos e atitudes que s\u00e3o incompat\u00edveis com a radicalidade que a op\u00e7\u00e3o pelo Reino exige. As dificuldades que estes disc\u00edpulos apresentam no sentido de responder a Jesus n\u00e3o nos s\u00e3o estranhas: tamb\u00e9m fazem parte da nossa vida e do caminho que, dia a dia, percorremos&#8230; Assim, a instru\u00e7\u00e3o que, neste texto, Jesus dirige aos seus disc\u00edpulos serve-nos tamb\u00e9m a n\u00f3s. As propostas de Jesus destinam-se aos disc\u00edpulos de todas as \u00e9pocas; pretendem ajudar-nos a purificar a nossa op\u00e7\u00e3o e a integrar, de forma plena, a comunidade do Reino.<\/li>\n<li>Antes de mais, Jesus mostra aos disc\u00edpulos que a comunidade do Reino n\u00e3o pode ser uma seita arrogante, fechada, intolerante, fan\u00e1tica, que se arroga a posse exclusiva de Deus e das suas propostas. Tem de ser uma comunidade que sabe qual o seu papel e a sua miss\u00e3o, mas que reconhece que n\u00e3o tem o exclusivo do bem e da verdade e que \u00e9 capaz de se alegrar com os gestos de bondade e de esperan\u00e7a de que acontecem \u00e0 sua volta, mesmo quando esses gestos resultam da a\u00e7\u00e3o de n\u00e3o crentes ou de pessoas que n\u00e3o pertencem \u00e0 institui\u00e7\u00e3o Igreja. O verdadeiro disc\u00edpulo n\u00e3o tem inveja do bem que outros fazem, n\u00e3o sente ci\u00fames se Deus atua atrav\u00e9s de outras pessoas, n\u00e3o pretende ter o monop\u00f3lio da verdade nem ter o exclusivo de Jesus. O verdadeiro disc\u00edpulo esfor\u00e7a-se, cada dia, por testemunhar os valores do Reino e alegra-se com os sinais da presen\u00e7a de Deus em tantos irm\u00e3os com outros percursos religiosos, que lutam por construir um mundo mais justo e mais fraterno.<\/li>\n<li>Os disc\u00edpulos de que o Evangelho de hoje nos fala est\u00e3o preocupados com a a\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 do grupo, pois temem ver postos em causa os seus sonhos pessoais de poder e de grandeza. Por detr\u00e1s dessa preocupa\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos n\u00e3o est\u00e1 o bem do homem (aquilo que, em \u00faltima an\u00e1lise, devia &#8220;mover&#8221; os membros da comunidade do Reino), mas a salvaguarda de certos interesses ego\u00edstas. Nas nossas comunidades crist\u00e3s ou religiosas, h\u00e1 pessoas capazes de gestos incr\u00edveis de doa\u00e7\u00e3o, de entrega, de servi\u00e7o aos irm\u00e3os; mas h\u00e1 tamb\u00e9m pessoas cuja principal preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 proteger o espa\u00e7o que conquistaram e continuar a manter um estatuto de poder e de prest\u00edgio&#8230; Quando afastamos (com o pretexto de defender a pureza da f\u00e9, os interesses da moralidade, ou tranquilidade da comunidade) aqueles que desafiam a comunidade a purificar-se e a procurar novos caminhos para responder aos desafios de Deus, estaremos a proteger os interesses de Deus ou os nossos projetos, os nossos esquemas interesseiros, as nossas apostas pessoais?<\/li>\n<li>No nosso texto, Jesus exige dos disc\u00edpulos o corte radical com os valores, os sentimentos, as atitudes que s\u00e3o incompat\u00edveis com a op\u00e7\u00e3o pelo Reino. O disc\u00edpulo de Jesus nunca est\u00e1 acomodado, instalado, conformado; mas est\u00e1 sempre atento e vigilante, procurando detetar e eliminar da sua exist\u00eancia tudo aquilo que lhe impede o acesso \u00e0 vida plena. Naturalmente, a ren\u00fancia ao ego\u00edsmo, ao comodismo, ao orgulho, aos esquemas pessoais, \u00e0 vontade de poder e de dom\u00ednio, ao apelo do \u00eaxito, ao aplauso das multid\u00f5es, \u00e9 um processo dif\u00edcil e doloroso; mas \u00e9 tamb\u00e9m um processo libertador e gerador de vida nova. O que \u00e9 que eu necessito, prioritariamente, de &#8220;cortar&#8221; da minha vida, para me identificar mais com Jesus, para merecer integrar a comunidade do Reino, para ser mais livre e mais feliz?<\/li>\n<li>O apelo de Jesus \u00e0 sua comunidade no sentido de n\u00e3o &#8220;escandalizar&#8221; (afastar da comunidade do Reino) os pequenos, faz-nos pensar na forma como lidamos, enquanto pessoas e enquanto comunidades, com os pobres, os que falharam, os que t\u00eam atitudes moralmente reprov\u00e1veis, aqueles que t\u00eam uma f\u00e9 pouco consistente, aqueles que a vida marcou negativamente, aqueles que a sociedade marginaliza e rejeita&#8230; Eles encontram em n\u00f3s a proposta libertadora que Cristo lhes faz, ou encontram em n\u00f3s rejei\u00e7\u00e3o, injusti\u00e7a, marginaliza\u00e7\u00e3o, mau exemplo? Quem v\u00ea o nosso testemunho tem raz\u00f5es para aderir a Cristo, ou para se afastar de Cristo? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 um longo discurso dos \u00edmpios que incita a armarem ciladas aos justos e conden\u00e1-los \u00e0 morte. A proclama\u00e7\u00e3o deste texto deve valorizar as formas verbais que marcam o ritmo e o tom da leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, deve haver um especial cuidado na proclama\u00e7\u00e3o da enumera\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas da sabedoria e nas frases interrogativas presentes no texto. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio ter em considera\u00e7\u00e3o as afirma\u00e7\u00f5es finais que estabelecem uma din\u00e2mica de causa\/efeito que deve ser clara na proclama\u00e7\u00e3o da leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/09\/24\/cada-copo-de-agua-conta-4\/\"><strong>CADA COPO DE \u00c1GUA\u00a0CONTA<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A li\u00e7\u00e3o do Livro dos N\u00fameros deste <strong>Domingo XXVI<\/strong> (N\u00fameros 11,25-29) mostra-nos um Mois\u00e9s, n\u00e3o dono de nada nem de ningu\u00e9m, nada ciumento ou invejoso, mas livre, cheio de bem e de bondade, completamente a c\u00e9u aberto, desejoso de ver, com olhos puros, o Esp\u00edrito de Deus a operar maravilhas em todas as pessoas e atrav\u00e9s de todas as pessoas. Josu\u00e9 representa, neste texto, a figura sombria do ciumento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste mesmo <strong>Domingo XXVI (Marcos 9,38-48)<\/strong> segue o mesmo rumo, e mostra-nos um Jesus feliz por ver que o bem saltou as fronteiras do pequeno grupo que o seguia, sendo praticado tamb\u00e9m por pessoas de fora. Jo\u00e3o encarna aqui a figura do Josu\u00e9 do texto supracitado do Livro dos N\u00fameros, e quer o bem todo para Jesus e o seu grupo, vendo com maus olhos que tamb\u00e9m outros o possam realizar, talvez sobretudo porque os pr\u00f3prios disc\u00edpulos tinham pouco antes fracassado (Marcos 9,18.28-29) onde agora veem algu\u00e9m de fora ter sucesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas palavras de Jo\u00e3o, o facto \u00e9 o seguinte: os disc\u00edpulos de Jesus viram algu\u00e9m a expulsar dem\u00f3nios no nome de Jesus, e trataram logo de o impedir. A raz\u00e3o apresentada para fundamentar este impedimento, tem, por\u00e9m, o seu qu\u00ea de estranho e surpreendente. Na verdade, Jo\u00e3o refere, com todas as letras, que o grupo dos disc\u00edpulos impediu o homem an\u00f3nimo de continuar a sua atividade \u00abem nome de Jesus\u00bb, \u00abporque n\u00e3o nos seguia\u00bb (<em>ouk \u00eakolo\u00fathei h\u00eam\u00een<\/em>) (Marcos 9,38). O problema reside todo neste \u00abporque n\u00e3o nos seguia\u00bb. Trata-se, de facto, de uma f\u00f3rmula estranha e surpreendente, porque, no Evangelho, fala-se sempre de \u00abseguir Jesus\u00bb, e n\u00e3o \u00aba n\u00f3s\u00bb, inclusive no \u00fanico paralelo desta passagem, apresentado em Lucas 9,49, em que se l\u00ea: \u00abporque n\u00e3o segue connosco\u00bb (<em>ouk akolouthe\u00ee meth\u2019 h\u00eam\u00f4n<\/em>). V\u00ea-se bem que estes disc\u00edpulos de Jesus ainda n\u00e3o perceberam a li\u00e7\u00e3o da humildade e do servi\u00e7o do Domingo passado, querendo eles pr\u00f3prios estar indevidamente \u00abno meio\u00bb, ocupando ou usurpando o primeiro lugar. Sempre este nosso doentio gosto de querermos estar sempre no centro das aten\u00e7\u00f5es! Salta \u00e0 vista que este texto not\u00e1vel funciona como um espelho: mostra-nos menos a figura do exorcista an\u00f3nimo e mais a figura patronal assumida pelos disc\u00edpulos de Jesus, que se julgam donos exclusivos de algumas fun\u00e7\u00f5es e defendem ciosamente esse\u00a0<em>status<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00ea-se, no fundo da tela, que n\u00e3o basta querer o bem. Querer o bem nem sempre \u00e9 bom. Por paradoxal que pare\u00e7a, querer o bem pode ser mau. \u00c9 de facto mau, quando queremos o bem s\u00f3 para n\u00f3s, ciumenta e invejosamente. \u00c0s vezes, os nossos maus olhos levam-nos a retirar o bem do alcance dos outros, e at\u00e9 a destru\u00ed-lo, para que os outros n\u00e3o possam usufruir dele, e n\u00e3o possam nem sequer realiz\u00e1-lo, beneficiando outros! Ora, o bem que divide e exclui nunca \u00e9 bem. O bem mostra-se tal apenas quando faz comunh\u00e3o, fraternidade, mesa, p\u00e3o, \u00e1gua, pura alegria entre irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um simples copo de \u00e1gua, dado com amor, pode trazer pela m\u00e3o a eternidade. A\u00ed est\u00e1 outra soberana li\u00e7\u00e3o de Jesus. Toda a aten\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e0s nossas m\u00e3os, p\u00e9s, olhos, entranhas, cora\u00e7\u00e3o. A m\u00e3o, que indica a nossa a\u00e7\u00e3o, pode fazer o bem ou o mal. Se faz o mal, \u00e9 melhor cort\u00e1-la, como faz o lavrador cuidadoso aos ramos secos das videiras e das \u00e1rvores de fruto. O p\u00e9, que indica o nosso caminhar, pode levar-nos por e para maus caminhos. Se nos conduz para o abismo, \u00e9 melhor cort\u00e1-lo. O olho, que indica os nossos desejos de bem e de amor ou de cobi\u00e7a, \u00f3dio, raivas e ci\u00fames, pode levar-nos \u00e0 mesa da alegria fraterna ou ao ci\u00fame e \u00e0 inveja. Estas \u00faltimas maneiras de ver levam-nos ao mal, e, portanto, ao sentimento venenoso de queremos o bem s\u00f3 para n\u00f3s. A\u00ed est\u00e1 como querer o bem nem sempre \u00e9 bom; pode ser mau. E \u00e9 melhor arrancar pela raiz este veneno mortal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A li\u00e7\u00e3o de Tiago (5,1-6), que lemos e abandonamos este Domingo (no pr\u00f3ximo Domingo come\u00e7a a ler-se a Carta aos Hebreus) mostra bem, numa linguagem dur\u00edssima, que o rico \u00e9 o que quer o bem s\u00f3 para si, retirando-o (roubando-o!) aos outros. Autoexclui-se da comunh\u00e3o, da bondade e da alegria da mesa fraterna. O resultado \u00e9 a tra\u00e7a, o mofo, a ferrugem, a podrid\u00e3o, recuperando assim, em termos prof\u00e9ticos e sapienciais, muitos motivos patentes no Antigo Testamento. O pequeno texto da Carta de Tiago usa 119 imperativos, dos quais se ouvem tr\u00eas no texto de hoje. Permanentes chamadas de aten\u00e7\u00e3o para este mundo em que poucos t\u00eam quase tudo, e a maioria n\u00e3o tem quase nada. O texto da Carta de Tiago \u00e9 claramente tardio, de finais do s\u00e9culo I ou princ\u00edpios do s\u00e9culo II, mas vale para todos os tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta linguagem dur\u00edssima aproxima-se de quanto, no texto do Evangelho de hoje aparece retratado na \u00abgeena\u00bb (Marcos 9,43.45.47), do aramaico\u00a0<em>g\u00eahinnam<\/em>, hebraico\u00a0<em>g\u00ea-hinnom<\/em>, que \u00e9 o nome de um vale situado a sul de Jerusal\u00e9m, lugar pag\u00e3o onde se realizava o culto a Moloch, onde os \u00edmpios Acaz e Manass\u00e9s tinham sacrificado os seus pr\u00f3prios filhos (2 Cr\u00f3nicas 28,3; 33,6). O piedoso rei Josias, no decurso da sua reforma religiosa, acabou com estes cultos pag\u00e3os, e destinou este lugar para queimar as entranhas dos animais. \u00c9 daqui que vem o espet\u00e1culo t\u00e9trico da putrefa\u00e7\u00e3o, vermes, fumo, fogo, (Jeremias 7,31-34; 19,1-13; 32,35), \u00abvermes que n\u00e3o morrem, fogo que n\u00e3o se apaga\u00bb (Marcos 9,44.46.48), que fornecer\u00e3o a linguagem adequada para dizer o inferno. A chapa original encontra-se em Isa\u00edas 66,24, \u00faltimo vers\u00edculo do profeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed est\u00e1, no ponto e em contraponto, a li\u00e7\u00e3o soberana do Evangelho de Jesus: um simples copo de \u00e1gua, dado com amor, pode trazer pela m\u00e3o a eternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 19 \u00e9, no seu todo, uma estupenda \u00abm\u00fasica teol\u00f3gica\u00bb, como dizia Hermann Gunkel. Apresenta-se em dois quadros, que formam um belo d\u00edptico que canaliza o louvor do orante. O primeiro quadro, composto pelos v. 2-7, \u00e9 um hino ao Deus Criador. O segundo, que re\u00fane os v. 8-15, \u00e9 um hino \u00e0 Lei de Deus. Na verdade, Deus ilumina e aquece o universo com o fulgor do sol, e ilumina e acalenta o homem com o fulgor da sua Palavra contida na sua Lei revelada. Hoje contemplamos e cantamos o segundo quadro. Quem tem ouvidos, oi\u00e7a ent\u00e3o, e cante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D. Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Leitura-I-do-Domingo-XXVI-do-Tempo-Comum-Ano-B-29.09.2024-Nm-11-25-29.pdf\">Leitura I do Domingo XXVI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 29.09.2024 (Nm 11, 25-29)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Leitura-II-do-Domingo-XXVI-do-Tempo-Comum-Ano-B-29.09.2024-Tg-5-1-6.pdf\">Leitura II do Domingo XXVI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 29.09.2024 (Tg 5, 1-6)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Domingo-XXVI-do-Tempo-Comum-Ano-B-29.09.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XXVI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 29.09.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Domingo-XXVI-do-Tempo-Comum-Ano-B-29.09.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXVI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 29.09.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal\/a&gt;<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Domingo-XXVI-do-Tempo-Comum-Ano-B-29.09.2024-refletindo.pdf\">Domingo XXVI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 29.09.2024-refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Da-Religiao-ao-Evangelho-5-reflexoes-de-Ariel-Alvarez-Valdes-v1.pdf\">Da Religi\u00e3o ao Evangelho &#8211; 5 reflex\u00f5es de Ariel \u00c1lvarez Vald\u00e9s-v1<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Mensagem-do-Papa-Francisco-para-o-110o-Dia-Mundial-do-Migrantre-e-do-Refugiado.pdf\">Mensagem do Papa Francisco para o 110\u00ba Dia Mundial do Migrantre e do Refugiado<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXV do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 22.09.2024&#8243; tab_id=&#8221;1727688413847-68878de5-7647&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo XXV do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 22.09.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Domingo-XXV.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caminhamos com Jesus como aprendizes na escola da arte de amar e vemos o Mestre fazer-se presente e pr\u00f3ximo das nossas d\u00favidas, anseios e desejos tantas vezes marcados pelos nossos esquemas calculistas e ambiciosos. Jesus \u00e9 o pedagogo paciente que uma vez mais anuncia a vontade do Pai: \u00ab<em>O Filho do homem vai ser entregue \u00e0s m\u00e3os dos homens, que v\u00e3o mat\u00e1-l\u2019O; mas Ele, tr\u00eas dias depois de morto, ressuscitar\u00e1<\/em>\u00bb. Repete pela segunda vez e ainda h\u00e1-de comunic\u00e1-lo no Evangelho de Marcos uma terceira vez. Jesus anuncia novamente o des\u00edgnio do Pai porque o que \u00e9 importante deve ser repetido e n\u00f3s como os disc\u00edpulos precisamos de o ouvir de novo, porque temos dificuldade em acolh\u00ea-lo. A n\u00edvel antropol\u00f3gico repete-se o que \u00e9 essencial e vital e a n\u00edvel teol\u00f3gico a repeti\u00e7\u00e3o reformula o acontecimento fundamental da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surpreende-me sempre este espanto e esc\u00e2ndalo dos disc\u00edpulos e ainda mais o medo de interrogar Jesus. Eles caminham com Jesus desde a Galileia, viram os seus milagres e prod\u00edgios: os cegos a ver, os coxos a andar, a filha de Jairo a ressuscitar, uma multid\u00e3o saciada com cinco p\u00e3es e dois peixes\u2026 Escutaram as Suas palavras cheias de amor e miseric\u00f3rdia e contemplaram o modo como Jesus acolhia aqueles que vinham ao Seu encontro. Contudo, homens como n\u00f3s, os disc\u00edpulos t\u00eam dificuldade em escutar at\u00e9 ao fim. Jesus n\u00e3o disse apenas que ir\u00e1 sofrer e morrer, anuncia tamb\u00e9m que, tr\u00eas dias depois de morto, ressuscitar\u00e1. Contudo, estamos diante de uma linguagem nova que parece incompreens\u00edvel para os nossos ouvidos e conceitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus \u00e9 o Servo fiel e obediente \u00e0 voz do Pai a quem armam ciladas \u00ab<em>porque incomoda<\/em>\u00bb e a quem querem matar para verem \u00ab<em>se as Suas palavras s\u00e3o verdadeiras<\/em>\u00bb. Jesus faz ecoar na Sua vida as palavras do salmista: \u00abo\u00a0<em>Senhor sustenta a minha vida<\/em>\u00bb e caminha confiante, fiel e obediente ao projeto do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Sua vida entregue \u00e9 o convite a superar os nossos desejos de grandeza, pois tantas vezes como os disc\u00edpulos perdemo-nos e ocupamo-nos em discuss\u00f5es in\u00fateis, tal como nos recordava o Papa Bento XVI: \u00ab<em>n\u00f3s, que somos pequeninos, aspiramos a parecer grandes, a ser os primeiros; enquanto Deus, que \u00e9 realmente grande, n\u00e3o tem medo de se humilhar e de se fazer \u00faltimo<\/em>\u00bb. Por isso, Jesus n\u00e3o os repreende, mas como o pai de fam\u00edlia senta-se com eles para lhes recordar a nova l\u00f3gica do amor, da humildade e da bondade e n\u00e3o se limita a faz\u00ea-lo com palavras: \u00ab<em>tomando uma crian\u00e7a, colocou-a no meio deles, abra\u00e7ou-a<\/em>\u00bb. Jesus conhece no sil\u00eancio as preocupa\u00e7\u00f5es dos disc\u00edpulos e est\u00e1 atento aos seus anseios e sonhos. Jesus irrompe na nossa vida e convida-nos a perder para ganhar: cala os nossos jogos de interesses com a serenidade da humildade. Jesus, abra\u00e7ando-nos como crian\u00e7as, pois ainda temos tanto para aprender, ensina-nos que \u00ab<em>na corrida do amor chega primeiro quem se esqueceu de si para que os outros tamb\u00e9m cheguem<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nova l\u00f3gica do amor impele-nos a sair de n\u00f3s pr\u00f3prios para acolher o outro e inscreve a nossa vida na verdadeira sabedoria de que fala S. Tiago. Sabedoria que vem do alto e que n\u00e3o se compadece de invejas e ci\u00fames, rivalidades e competitividade, mas se vive pela generosidade, miseric\u00f3rdia, bondade e fraternidade. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Sabedoria 2,12.17-20<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Disseram os \u00edmpios:<br \/>\n\u00abArmemos ciladas ao justo,<br \/>\nporque nos incomoda e se op\u00f5e \u00e0s nossas obras;<br \/>\ncensura-nos as transgress\u00f5es \u00e0 lei<br \/>\ne repreende-nos as faltas de educa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nVejamos se as suas palavras s\u00e3o verdadeiras,<br \/>\nobservemos como \u00e9 a sua morte.<br \/>\nPorque, se o justo \u00e9 filho de Deus,<br \/>\nDeus o proteger\u00e1 e o livrar\u00e1 das m\u00e3os dos seus advers\u00e1rios.<br \/>\nProvemo-lo com ultrajes e torturas<br \/>\npara conhecermos a sua mansid\u00e3o<br \/>\ne apreciarmos a sua paci\u00eancia.<br \/>\nCondenemo-lo \u00e0 morte infame,<br \/>\nporque, segundo diz, Algu\u00e9m vir\u00e1 socorr\u00ea-lo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os biblistas situam a reda\u00e7\u00e3o do livro da Sabedoria por volta do ano 50 a.C., o que o torna o mais recente de todos os livros do Antigo Testamento. Foi escrito em grego por um judeu de l\u00edngua grega, nascido e educado na Di\u00e1spora. Exprimindo-se em termos e conce\u00e7\u00f5es do mundo hel\u00e9nico, o autor faz o elogio da \u201csabedoria\u201d israelita, tra\u00e7a o quadro da sorte que espera o \u201cjusto\u201d e o \u201c\u00edmpio\u201d no mais-al\u00e9m e descreve \u2013 com exemplos tirados da hist\u00f3ria do \u00caxodo \u2013 as sortes diversas que tiveram os pag\u00e3os (id\u00f3latras) e os hebreus (fi\u00e9is a Jav\u00e9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cber\u00e7o\u201d da reflex\u00e3o proposta pelo autor \u00e9, provavelmente, a cidade de Alexandria. Por essa altura, a cultura hel\u00e9nica marca o ritmo da vida da cidade e dos seus habitantes. As outras culturas \u2013 nomeadamente a judaica \u2013 s\u00e3o desvalorizadas e hostilizadas. A enorme col\u00f3nia judaica residente no Egito conhece mesmo, sobretudo nos reinados de Ptolomeu Alexandre (106-88 a.C.) e de Ptolomeu Dion\u00edsio (80-52 a.C.), uma dura persegui\u00e7\u00e3o. Os s\u00e1bios hel\u00e9nicos procuram demonstrar, por um lado, a superioridade da cultura grega e, por outro, a incongru\u00eancia do juda\u00edsmo e da sua proposta de vida. Os judeus s\u00e3o encorajados a deixar a sua f\u00e9, a \u201cmodernizar-se\u201d e a abrir-se aos brilhantes valores da cultura hel\u00e9nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste contexto que o s\u00e1bio autor do Livro da Sabedoria se prop\u00f5e fazer a defesa dos valores da f\u00e9 e da cultura do seu Povo. O seu objetivo \u00e9 duplo: dirigindo-se aos seus compatriotas judeus (mergulhados no paganismo, na idolatria, na imoralidade), convida-os a redescobrir a f\u00e9 dos pais e os valores judaicos; dirigindo-se aos pag\u00e3os, convida-os a constatar o absurdo da idolatria e a aderir a Jav\u00e9, o verdadeiro e \u00fanico Deus. Para uns e para outros, o autor pretende deixar este ensinamento fundamental: s\u00f3 Jav\u00e9 garante a verdadeira \u201csabedoria\u201d e a verdadeira felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a primeira leitura deste domingo nos prop\u00f5e integra a primeira parte do livro da Sabedoria (cf. Sb 1-5), que apresenta uma reflex\u00e3o sobre o destino dos \u201cjustos\u201d e o destino dos \u201c\u00edmpios\u201d. O autor descreve a forma de pensar e de agir dos \u00edmpios, analisa os seus racioc\u00ednios (cf. Sb 1,16-2,9) e as suas rea\u00e7\u00f5es de desprezo face aos \u201cjustos\u201d (cf. Sb 2,10-20). Depois conclui: os \u00edmpios, agindo assim, est\u00e3o longe de Deus e do pr\u00e9mio que Ele reserva para aqueles que vivem nos seus caminhos (cf. Sb 2,21-24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mostrando o sem sentido da conduta dos \u201c\u00edmpios\u201d, ele pretende dizer aos seus concidad\u00e3os que vale a pena ser \u201cjusto\u201d e manter-se fiel aos valores tradicionais da f\u00e9 de Israel. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Deixemos de lado a classifica\u00e7\u00e3o de \u201c\u00edmpios\u201d e \u201cjustos\u201d, utilizada pelo \u201cs\u00e1bio\u201d, que \u00e9 um tanto redutora e rotuladora\u2026 Fixemo-nos antes no confronto \u2013 bem claro no texto \u2013 entre os valores de Deus e os valores do mundo, entre a \u201csabedoria de Deus\u201d e a \u201csabedoria do mundo\u201d. Trata-se de um \u201cfrente-a-frente\u201d que conhecemos bem e que atravessa cada momento do caminho hist\u00f3rico que a humanidade vai percorrendo\u2026 H\u00e1 quem tente simplificar as coisas resumindo tudo isto \u00e0 mera op\u00e7\u00e3o entre valores antiquados e valores atuais, valores passados de moda e valores condizentes com o quadro civilizacional do nosso tempo\u2026 Na realidade, n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o simples. O confronto \u00e9 entre valores eternos e valores passageiros, entre valores que asseguram Vida verdadeira e valores que apenas proporcionam flashes de felicidade ef\u00e9mera. Neste confronto, em que campo nos situamos?<\/li>\n<li>O que \u00e9 a \u201csabedoria do mundo\u201d? A \u201csabedoria do mundo\u201d \u00e9 a atitude de quem, fechado no seu orgulho, arrog\u00e2ncia e autossufici\u00eancia, resolve prescindir de Deus e dos seus valores; \u00e9 a op\u00e7\u00e3o de quem vive para o \u201cter\u201d, de quem p\u00f5e em primeiro lugar o dinheiro, o poder, o \u00eaxito, a fama, a ambi\u00e7\u00e3o, os valores ef\u00e9meros. Trata-se de uma \u201csabedoria\u201d que, em lugar de conduzir o homem \u00e0 sua plena realiza\u00e7\u00e3o, o deixa vazio, frustrado, deprimido, escravo. A \u201csabedoria do mundo\u201d pode apresentar-se com as cores sedutoras da felicidade ef\u00e9mera, com o brilho da filosofia que est\u00e1 na moda, com a respeitabilidade das constru\u00e7\u00f5es intelectuais mais s\u00f3lidas, com o selo de garantia dos\u00a0<em>influencers<\/em>de servi\u00e7o; mas n\u00e3o assegurar\u00e1 ao homem uma felicidade duradoura. Que papel joga a \u201csabedoria do mundo\u201d nas nossas vidas?<\/li>\n<li>O que \u00e9 a \u201csabedoria de Deus\u201d? A \u201csabedoria de Deus\u201d \u00e9 a atitude daqueles que assumiram e interiorizaram as propostas de Deus e se deixam conduzir por elas. Atentos \u00e0 vontade e aos desafios de Deus, procuram escut\u00e1-l\u2019O e seguir os seus caminhos; tendo como modelo de vida Jesus Cristo, vivem a sua exist\u00eancia no amor, na partilha, no servi\u00e7o simples e humilde aos irm\u00e3os; est\u00e3o sempre atentos a quem chora, a quem sofre, a quem necessita de amor e cuidado; comprometem-se com a constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais fraterno e lutam pela justi\u00e7a e pela paz; n\u00e3o se conformam com as injusti\u00e7as e as viol\u00eancias que desfeiam o mundo, e esfor\u00e7am-se por construir o Reino de Deus. Os que se deixam conduzir pela \u201csabedoria de Deus\u201d nem sempre s\u00e3o compreendidos e aceites. \u00c0s vezes chamam-lhes \u201cfracos\u201d, \u201cperdedores\u201d, \u201cincapazes\u201d, \u201cretr\u00f3grados\u201d, e colocam-nos em guetos onde podem ser controlados. Mas eles, mesmo desautorizados e incompreendidos, procuram ser sal que d\u00e1 sabor ao mundo e luz viva que ilumina os caminhos que a humanidade percorre. Que papel joga a \u201csabedoria de Deus\u201d no nosso projeto de vida?<\/li>\n<li>Quem escolhe a \u201csabedoria de Deus\u201d, n\u00e3o tem uma vida f\u00e1cil. Com frequ\u00eancia ser\u00e1 incompreendido, caluniado, escarnecido, desautorizado, perseguido, torturado \u2013 como aconteceu com Jesus. \u00c9 claro que o sofrimento, a incompreens\u00e3o, a persegui\u00e7\u00e3o, s\u00e3o assustadores; mas devem ser vistos como consequ\u00eancia natural da fidelidade a Deus e aos seus valores. N\u00e3o devemos ficar preocupados quando o mundo nos persegue; devemos ficar preocupados quando somos aplaudidos e adulados por aqueles que escolheram a \u201csabedoria do mundo\u201d. Alguma vez o medo de sermos incompreendidos e perseguidos nos impediu de sermos testemunhas coerentes da \u201csabedoria de Deus\u201d? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 53 (54)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: O Senhor sustenta a minha vida.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Senhor, salvai-me pelo vosso nome,<br \/>\npelo vosso poder fazei-me justi\u00e7a.<br \/>\nSenhor, ouvi a minha ora\u00e7\u00e3o,<br \/>\natendei \u00e0s palavras da minha boca.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Levantaram-se contra mim os arrogantes<br \/>\ne os violentos atentaram contra a minha vida.<br \/>\nN\u00e3o t\u00eam a Deus na sua presen\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus vem em meu aux\u00edlio,<br \/>\no Senhor sustenta a minha vida.<br \/>\nDe bom grado oferecerei sacrif\u00edcios,<br \/>\ncantarei a gl\u00f3ria do vosso nome, Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Tiago 3,16-4,3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Car\u00edssimos:<br \/>\nOnde h\u00e1 inveja e rivalidade,<br \/>\ntamb\u00e9m h\u00e1 desordem e toda a esp\u00e9cie de m\u00e1s a\u00e7\u00f5es.<br \/>\nMas a sabedoria que vem do alto<br \/>\n\u00e9 pura, pac\u00edfica, compreensiva e generosa,<br \/>\ncheia de miseric\u00f3rdia e de boas obras,<br \/>\nimparcial e sem hipocrisia.<br \/>\nO fruto da justi\u00e7a semeia-se na paz<br \/>\npara aqueles que praticam a paz.<br \/>\nDe onde v\u00eam as guerras?<br \/>\nDe onde procedem os conflitos entre v\u00f3s?<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 precisamente das paix\u00f5es que lutam nos vossos membros?<br \/>\nCobi\u00e7ais e nada conseguis: ent\u00e3o assassinais.<br \/>\nSois invejosos e n\u00e3o podeis obter nada:<br \/>\nent\u00e3o entrais em conflitos e guerras.<br \/>\nNada tendes, porque nada pedis.<br \/>\nPedis e n\u00e3o recebeis, porque pedis mal,<br \/>\npois o que pedis \u00e9 para satisfazer as vossas paix\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A chamada \u201cCarta de Tiago\u201d \u00e9 uma exorta\u00e7\u00e3o de um mestre crist\u00e3o do s\u00e9c. I, que se apresenta como \u201cTiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo\u201d (Tg 1,1). Ainda n\u00e3o foi poss\u00edvel identificar concretamente este \u201cTiago\u201d. Em qualquer caso parece ser um personagem de origem semita, que conhece bem as escrituras sagradas judaicas, mas que \u00e9 capaz de se expressar muito bem em l\u00edngua grega, recorrendo inclusive a recursos ret\u00f3ricos muito apreciados pelos literatos hel\u00e9nicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escrito \u00e9 endere\u00e7ado \u00e0s \u201cdoze tribos da Di\u00e1spora\u201d. A express\u00e3o designa, provavelmente, as comunidades crist\u00e3s de origem judaica existentes fora da Palestina (S\u00edria, Egito, \u00c1sia Menor); mas tamb\u00e9m pode ser uma express\u00e3o metaf\u00f3rica utilizada para designar as comunidades crist\u00e3s em geral, dispersas pelo mundo greco-romano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O objetivo do autor desta \u201ccarta enc\u00edclica\u201d ser\u00e1 ajudar os crist\u00e3os a viverem a sua f\u00e9 com coer\u00eancia e autenticidade, dentro de um estilo de vida que reflita os valores do Evangelho de Jesus. Os temas abordados na carta s\u00e3o diversos e v\u00e3o-se sucedendo sem uma ordem ou plano doutrinal previamente definido. Avultam as indica\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter pr\u00e1tico, \u00e0s vezes num estilo que lembra a reflex\u00e3o sapiencial: um \u201cmestre\u201d crist\u00e3o deixa aos seus \u201cdisc\u00edpulos\u201d conselhos pr\u00e1ticos sobre a arte de viver de acordo com o esp\u00edrito crist\u00e3o nas mais diversas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de convidar os crentes \u00e0 autenticidade e coer\u00eancia da f\u00e9 (cf. Tg 1,2-27) e de os exortar a expressar a f\u00e9 em atitudes concretas (cf. Tg 2,1-24), o autor da Carta de Tiago reflete, na terceira parte do seu escrito (cf. Tg 3,1-4,10), sobre alguns aspetos bem concretos onde deve transparecer a op\u00e7\u00e3o que os seguidores de Jesus fizeram. O primeiro aspeto particular a que o autor se refere \u00e9 ao cuidado a ter com a l\u00edngua (cf. Tg 3,1-12); o segundo alude \u00e0 necessidade de os crentes rejeitarem a \u201csabedoria do mundo\u201d e de acolherem a \u201csabedoria que vem do alto\u201d (cf. Tg 3,13-18); o terceiro aponta a origem das disc\u00f3rdias que envenenam a vida das comunidades crist\u00e3s (cf. Tg 4,1-10). O texto que nos \u00e9 proposto junta alguns vers\u00edculos do segundo com alguns vers\u00edculos do terceiro dos referidos pontos. O objetivo \u00e9 sempre exortar os crentes a pautarem as suas vidas pelos valores crist\u00e3os aut\u00eanticos. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O Batismo \u00e9, para todos os crentes, o momento em que se encontram com Jesus e optam por Ele (mesmo que esse momento tenha ocorrido numa idade em que n\u00e3o tinham plena consci\u00eancia das implica\u00e7\u00f5es dessa op\u00e7\u00e3o, entretanto renovada posteriormente); \u00e9 o momento em que os crentes escolhem a \u201csabedoria do alto\u201d e passam a conduzir a sua vida pelos crit\u00e9rios de Deus. Ungidos no batismo com o \u00f3leo do crisma, os batizados s\u00e3o escolhidos para serem sinais de Deus e rostos vivos dessa Vida nova que Deus quer propor ao mundo e aos homens. Coerentes com a sua op\u00e7\u00e3o batismal, os crentes fazem a diferen\u00e7a e anunciam \u2013 com as suas palavras, com os seus gestos, com a sua vida \u2013 um mundo mais humano, mais justo, mais fraterno, mais feliz para todos os filhos e filhas de Deus. Vivemos conscientes de que esta \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o a que s\u00e3o chamados todos os batizados? Procuramos viver de forma coerente com os compromissos que assumimos no dia do nosso Batismo? Os valores que conduzem a nossa vida e que testemunhamos s\u00e3o os valores que brotam da \u201csabedoria do alto\u201d?<\/li>\n<li>O autor da Carta de Tiago considera que muitos batizados, seduzidos pela \u201csabedoria do mundo\u201d, instalam-se no ego\u00edsmo e na autossufici\u00eancia, vivem para o \u201cter\u201d, deixam que a sua exist\u00eancia seja dirigida por crit\u00e9rios de ambi\u00e7\u00e3o e de gan\u00e2ncia, recusam-se a fazer da sua vida uma partilha generosa com os irm\u00e3os\u2026 Essa op\u00e7\u00e3o \u2013 diz ele \u2013 traz inevit\u00e1veis consequ\u00eancia negativas: n\u00e3o lhes assegura a sua plena realiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o enche de sentido as suas vidas; e destr\u00f3i a vida das comunidades onde eles caminham, pois gera desordem, guerras, rivalidades, conflitos, divis\u00f5es. A forma de se derrotar a \u201csabedoria do mundo\u201d passa por nos mantermos em cont\u00ednuo processo de convers\u00e3o, sempre dispon\u00edveis para nos questionarmos sobre as nossas op\u00e7\u00f5es erradas e para voltarmos a escutar Deus e a sua \u201csabedoria\u201d. \u00c9 nesse sentido que caminhamos? Estamos acomodados \u00e0 \u201csabedoria do mundo\u201d, ou estamos continuamente dispostos a rever as nossas op\u00e7\u00f5es, a voltar para Deus e a viver de acordo com as propostas que Ele nos faz?<\/li>\n<li>Finalmente, o autor da Carta de Tiago avisa que, quando o nosso cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 cheio da \u201csabedoria do mundo\u201d, a nossa ora\u00e7\u00e3o torna-se um mon\u00f3logo ego\u00edsta, uma pedinchice de coisas que se destinam a satisfazer as nossas \u201cpaix\u00f5es\u201d, as nossas ambi\u00e7\u00f5es ego\u00edstas, os nossos interesses pessoais. Ora, Deus n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel para esse tipo de conversa. Deixa-nos a falar sozinhos. A nossa ora\u00e7\u00e3o \u00e9, nesse caso, inconsequente. Antes de falar com Deus, precisamos de mudar o nosso cora\u00e7\u00e3o, de reequacionar os valores que priorizamos, de aprender a ver o mundo e a vida com os olhos de Deus, de nos aproximar de Deus. Ent\u00e3o, sim, a nossa ora\u00e7\u00e3o ser\u00e1 um verdadeiro di\u00e1logo com Deus\u2026 Atrav\u00e9s desse di\u00e1logo, tornamo-nos mais conscientes do que Deus quer, dos planos que Ele tem para n\u00f3s e para o mundo; ao mesmo tempo, partilhamos com Deus as nossas dificuldades, as nossas esperan\u00e7as, os nossos sonhos, e entregamos tudo nas m\u00e3os d\u2019Ele. A nossa ora\u00e7\u00e3o ser\u00e1, ent\u00e3o, um di\u00e1logo de amor entre Pai e filho, que encher\u00e1 de paz e de esperan\u00e7a o nosso cora\u00e7\u00e3o. Como \u00e9 o nosso di\u00e1logo com Deus? \u00c9 um mon\u00f3logo que serve para atirar a Deus as nossas reivindica\u00e7\u00f5es e pedidos, ou \u00e9 um di\u00e1logo sereno e cheio de amor com o nosso Pai do c\u00e9u? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Marcos 9,30-37<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus e os seus disc\u00edpulos caminhavam atrav\u00e9s da Galileia,<br \/>\nmas Ele n\u00e3o queria que ningu\u00e9m o soubesse;<br \/>\nporque ensinava os disc\u00edpulos, dizendo-lhes:<br \/>\n\u00abO Filho do homem vai ser entregue \u00e0s m\u00e3os dos homens<br \/>\ne eles v\u00e3o mat\u00e1-l\u2019O;<br \/>\nmas Ele, tr\u00eas dias depois de morto, ressuscitar\u00e1\u00bb.<br \/>\nOs disc\u00edpulos n\u00e3o compreendiam aquelas palavras<br \/>\ne tinham medo de O interrogar.<br \/>\nQuando chegaram a Cafarnaum e j\u00e1 estavam em casa,<br \/>\nJesus perguntou-lhes:<br \/>\n\u00abQue discut\u00edeis no caminho?\u00bb<br \/>\nEles ficaram calados,<br \/>\nporque tinham discutido uns com os outros<br \/>\nsobre qual deles era o maior.<br \/>\nEnt\u00e3o, Jesus sentou-Se, chamou os Doze e disse-lhes:<br \/>\n\u00abQuem quiser ser o primeiro ser\u00e1 o \u00faltimo de todos<br \/>\ne o servo de todos\u00bb.<br \/>\nE, tomando uma crian\u00e7a, colocou-a no meio deles,<br \/>\nabra\u00e7ou-a e disse-lhes:<br \/>\n\u00abQuem receber uma destas crian\u00e7as em meu nome<br \/>\n\u00e9 a Mim que recebe;<br \/>\ne quem Me receber<br \/>\nn\u00e3o Me recebe a Mim, mas \u00c0quele que Me enviou\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns dias antes, nos arredores de Cesareia de Filipe, Jesus j\u00e1 tinha avisado os disc\u00edpulos de que devia, em breve, dirigir-se para Jerusal\u00e9m; e que a\u00ed seria rejeitado pelas autoridades religiosas, preso, condenado \u00e0 morte e crucificado (cf. Mc 8,31-32). Pedro tinha reagido mal \u00e0s indica\u00e7\u00f5es de Jesus e tentara demover Jesus desses passos. Os outros disc\u00edpulos, por sua vez, n\u00e3o tinham dado mostras de ter processado aquilo que Jesus tinha dito: estavam demasiado agarrados a sonhos antigos de grandeza, de poder e de prest\u00edgio para que as palavras de Jesus fizessem sentido. Aquela conversa parecia-lhes despropositada e incongruente; ainda acreditavam que Jesus, chegado a Jerusal\u00e9m, iria entrar na cidade na pele de um Messias pol\u00edtico, poderoso e invenc\u00edvel, capaz de libertar Israel, pela for\u00e7a das armas, do dom\u00ednio romano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, a viagem pela Galileia continuou. Jesus apercebeu-se, nos dias seguintes, que os disc\u00edpulos n\u00e3o tinham levado a s\u00e9rio aquele primeiro an\u00fancio sobre o destino de morte que o esperava em Jerusal\u00e9m. Consciente de que era necess\u00e1rio deixar as coisas bem claras, aproveitou uma altura em que caminhava a s\u00f3s com os disc\u00edpulos e voltou a referir-se \u00e0 sua morte pr\u00f3xima, \u00e0s m\u00e3os das autoridades de Jerusal\u00e9m. Ele n\u00e3o queria equ\u00edvocos e n\u00e3o pretendia que os disc\u00edpulos andassem atr\u00e1s d\u2019Ele pelas raz\u00f5es erradas. Este \u00e9 o ponto de partida para o texto do Evangelho que a liturgia nos prop\u00f5e neste vig\u00e9simo quinto domingo comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O evangelista Marcos, pela sua parte, est\u00e1 interessado em dizer aos seus leitores que Jesus \u00e9 o Messias, o Filho de Deus (cf. Mc 1,1); no entanto, nunca lhes oculta que esse Filho de Deus n\u00e3o veio ao mundo para cumprir um destino de triunfos e de gl\u00f3rias humanas, mas para cumprir a vontade do Pai e oferecer a sua vida em dom de amor aos homens. Ao apresentar, num breve espa\u00e7o, os tr\u00eas an\u00fancios da paix\u00e3o de Jesus (cf. Mc 8,31-32; 9,30-31; 10,32-34), Marcos est\u00e1 a preparar-nos para o que vai contar na segunda parte do seu Evangelho; e para que tamb\u00e9m n\u00f3s repitamos aquilo que disse o centuri\u00e3o romano destacado junto da cruz onde Jesus entregou a vida nas m\u00e3os do Pai: \u201cVerdadeiramente este homem era Filho de Deus\u201d (Mc 15,39). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O Evangelho deste vig\u00e9simo quinto domingo comum p\u00f5e frente a frente dois sistemas de valores, duas formas radicalmente diferentes de encarar a exist\u00eancia. De um lado est\u00e1 Jesus e a sua forma de viver e de priorizar os valores que d\u00e3o sentido \u00e0 vida; do outro lado est\u00e3o os disc\u00edpulos, cujos interesses parecem ser opostos aos de Jesus. Jesus vive imbu\u00eddo dos valores de Deus. N\u00e3o est\u00e1 preocupado com o seu \u00eaxito pessoal; interessa-lhe apenas cumprir o projeto de Deus e mostrar aos homens como o caminho do amor e do servi\u00e7o conduzem \u00e0 Vida verdadeira, \u00e0 felicidade sem fim. Para dizer isso aos homens, Jesus est\u00e1 mesmo disposto a dar a sua vida at\u00e9 ao extremo, at\u00e9 \u00e0 \u00faltima gota de sangue, na cruz. Mas os disc\u00edpulos, escravos da \u201csabedoria do mundo\u201d, acreditam piamente que a felicidade est\u00e1 nos bens materiais, no poder, nas honras, nos privil\u00e9gios; e fazem \u201corelhas moucas\u201d quando Jesus os convida a segui-l\u2019O nesse caminho que Ele vai percorrer, o caminho da vida dada por amor. Neste confronto de caminhos opostos, onde nos situamos?<\/li>\n<li>Passaram-se dois mil anos, desde que Jesus andou pelos caminhos da Galileia e da Judeia a apresentar a sua proposta e a convidar os homens a construir um mundo mais justo e mais fraterno; e, mesmo depois desse tempo todo, parece que ainda n\u00e3o nos convencemos de que Jesus tinha raz\u00e3o. A corrida \u00e0s honras, a prioriza\u00e7\u00e3o dos bens materiais, a luta pelos postos de poder e de influ\u00eancia, a ambi\u00e7\u00e3o desmedida, a apet\u00eancia pelos t\u00edtulos e honrarias, a sobreposi\u00e7\u00e3o dos interesses pessoais ao bem comum, continuam a marcar o ritmo de vida de muitos homens e mulheres do s\u00e9c. XXI\u2026 Mais: isto n\u00e3o acontece apenas em ambientes \u201ccivis\u201d, afastados de Jesus e das suas propostas; mas tamb\u00e9m acontece em contextos marcadamente crist\u00e3os, na comunidade dos disc\u00edpulos. Que sentido \u00e9 que isto faz? Poderemos apresentar-nos como disc\u00edpulos de Jesus se ignoramos o caminho que Ele nos aponta? Uma Igreja que se organiza e estrutura tendo em conta os esquemas do mundo poder\u00e1 considerar-se a Igreja de Jesus?<\/li>\n<li>De acordo com Jesus, a import\u00e2ncia de uma pessoa n\u00e3o se mede pelo dinheiro que possui, nem pelo poder que conquistou, nem pela influ\u00eancia social que adquiriu, nem pelo sucesso profissional que obteve, nem pelo estilo com que se veste, nem pelos t\u00edtulos civis ou can\u00f3nicos que ostenta, nem pelo seu aspeto f\u00edsico, mas sim pela forma como serve e como ama os seus irm\u00e3os, sobretudo os mais fr\u00e1geis e desprezados. De acordo com Jesus, a \u00fanica grandeza \u00e9 a grandeza de quem, com humildade e simplicidade, faz da pr\u00f3pria vida um servi\u00e7o aos irm\u00e3os. \u00c9 isto que se passa nas nossas comunidades crist\u00e3s? Quem s\u00e3o, entre n\u00f3s, os mais importantes, os que mais consideramos, reverenciamos e admiramos, aqueles a quem sentamos nos lugares mais distintos?<\/li>\n<li>Jesus, para ilustrar a sua li\u00e7\u00e3o sobre o amor, tomou uma crian\u00e7a \u2013 s\u00edmbolo de fragilidade, de pequenez, de pobreza, de simplicidade \u2013 colocou-a no meio dos disc\u00edpulos e abra\u00e7ou-a. Quis dizer, com esse gesto, que na sua comunidade s\u00e3o os mais pequenos, os mais pobres, os mais desprezados, os mais desconsiderados, os mais humildes que devem estar no centro; e que todos os outros membros da comunidade devem cuidar deles, abra\u00e7\u00e1-los, servi-los, ajud\u00e1-los, defend\u00ea-los. O fr\u00e1gil, o pequeno, o pobre \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus; e quem o acolhe, abra\u00e7a o pr\u00f3prio Jesus\u2026 Como \u00e9 que as nossas comunidades crist\u00e3s acolhem os pobres, os mais humildes, aqueles que o resto da sociedade rejeita e ignora, aqueles que ningu\u00e9m quer e ningu\u00e9m ama? Como \u00e9 que s\u00e3o tratados nas nossas comunidades as pessoas v\u00edtimas de doen\u00e7as incur\u00e1veis, os irm\u00e3os e irm\u00e3s que a moral condena, os refugiados, os sem abrigo, os que a vida feriu irremediavelmente? H\u00e1 lugar para eles? S\u00e3o tratados com respeito e amor? S\u00e3o cuidados, abra\u00e7ados e ajudados?<\/li>\n<li>Marcos diz-nos que os disc\u00edpulos \u201ctinham medo de interrogar\u201d Jesus. \u00c9 verdade: por vezes sentimo-nos pouco c\u00f3modos com a frontalidade, a radicalidade, a exig\u00eancia, a verdade de Jesus. Ele n\u00e3o se contenta com \u201cmeias tintas\u201d, com verdades parciais, com escolhas que n\u00e3o s\u00e3o quente nem frio; Ele n\u00e3o se conforma com a nossa pregui\u00e7a, a nossa acomoda\u00e7\u00e3o, a nossa cobardia; Ele desafia-nos continuamente a um compromisso firme, \u00e0 doa\u00e7\u00e3o total da vida, ao amor at\u00e9 ao extremo, \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 renova\u00e7\u00e3o. Seria mais f\u00e1cil, para n\u00f3s, refugiarmo-nos nas nossas ora\u00e7\u00f5es decoradas, nas nossas devo\u00e7\u00f5es particulares, nos nossos solenes rituais lit\u00fargicos, na nossa religi\u00e3o vivida como cumprimento de leis\u2026 Mas Jesus pede mais: pede que o sigamos no caminho de Jerusal\u00e9m, no caminho do amor e do dom da vida\u2026 A exig\u00eancia de Jesus deixa-nos pouco \u00e0 vontade, ou \u00e9, para n\u00f3s, uma decis\u00e3o assumida e que procuramos viver com coer\u00eancia e radicalidade? O seguimento de Jesus d\u00e1-nos medo, ou \u00e9 um caminho libertador? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 um longo discurso dos \u00edmpios que incita a armarem ciladas aos justos e conden\u00e1-los \u00e0 morte. A proclama\u00e7\u00e3o deste texto deve valorizar as formas verbais que marcam o ritmo e o tom da leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, deve haver um especial cuidado na proclama\u00e7\u00e3o da enumera\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas da sabedoria e nas frases interrogativas presente no texto. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio ter em considera\u00e7\u00e3o as afirma\u00e7\u00f5es finais que estabelecem uma din\u00e2mica de causa\/efeito que deve ser clara na proclama\u00e7\u00e3o da leitura<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/09\/17\/descer-de-nos-abaixo-4\/\"><strong>DESCER DE N\u00d3S\u00a0ABAIXO<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Evangelho deste <strong>Domingo XXV do Tempo Comum<\/strong>, continuamos a ler a chamada \u00absec\u00e7\u00e3o do caminho\u00bb do Evangelho de Marcos (Ver Domingo XXIV), hoje a passagem de Marcos 9,30-37. Este texto intenso e sublime cai sobre n\u00f3s como uma faca de dois gumes e envolve-nos em duas vagas avassaladoras: Marcos 9,30-32 e 9,33-37.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira acontece no caminho que desce de Cesareia de Filipe para Cafarnaum, um dia de caminho e de ensinamento de Jesus aos seus disc\u00edpulos. Concentra\u00e7\u00e3o m\u00e1xima: Jesus a s\u00f3s com os seus disc\u00edpulos (ningu\u00e9m de fora os acompanha) e um \u00fanico dizer na sua boca de Mestre que repetidamente ensinava: \u00abO Filho do Homem vai ser entregue (<em>parad\u00eddotai<\/em>: pass. teol\u00f3gico ou divino) por Deus nas m\u00e3os dos homens, que o matar\u00e3o, mas tr\u00eas dias depois de morto ressuscitar\u00e1\u00bb (Marcos 9,31). Note-se, em todo o caso, que Jesus passar\u00e1 das nossas m\u00e3os violentas e assassinas, para as m\u00e3os paternais do Pai. Jesus ensina, portanto, a sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. Ficam aqui bem a descoberto as nossas m\u00e3os violentas e assassinas. Mas \u00e9 estranho o comportamento dos disc\u00edpulos de Jesus, que nos \u00e9 dado a conhecer pelo narrador. Na verdade, aqueles disc\u00edpulos de Jesus (e n\u00f3s com eles) n\u00e3o queriam compreender aquelas palavras e at\u00e9 tinham medo de as vir a compreender. \u00c9 esta a mais correta tradu\u00e7\u00e3o daquele verbo\u00a0<em>agno\u00e9\u00f4<\/em>, que n\u00e3o significa apenas \u00abignorar\u00bb, \u00abdesconhecer\u00bb, \u00abn\u00e3o compreender\u00bb, mas, mais do que isso, \u00abn\u00e3o querer compreender\u00bb. E era o medo de, porventura, virem a compreender que os impedia de fazer qualquer pergunta a Jesus (Marcos 9,32).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leva tempo \u00e0queles disc\u00edpulos de Jesus, e a mim, e a n\u00f3s, compreender que, se a maneira de ser de Deus \u00e9 o amor, s\u00f3 o amor, ent\u00e3o Ele tem de descer ao nosso n\u00edvel, sujando-se na mentira do nosso cora\u00e7\u00e3o e na viol\u00eancia das nossas m\u00e3os, n\u00e3o nos opondo qualquer resist\u00eancia, que \u00e9 o nosso modo habitual de fazer e que faz aumentar a viol\u00eancia, mas amando tamb\u00e9m a nossa viol\u00eancia at\u00e9 ao fim e ao fundo. Aqueles disc\u00edpulos de Jesus (e n\u00f3s com eles) n\u00e3o querem nem sequer pensar nesta maneira de viver\u2026 e de morrer. Por isso, n\u00e3o querem compreender o verdadeiro caminho do amor que Jesus ensina, e, porque n\u00e3o querem correr quaisquer riscos, n\u00e3o ousam sequer fazer perguntas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 aqui que somos atingidos em cheio pela segunda vaga do texto de hoje. Chegados a Cafarnaum, e tendo entrado na casa (seguramente a casa de Pedro), somos confrontados com uma pergunta certeira de Jesus acerca do assunto que v\u00ednhamos a debater (<em>dialog\u00edzomai<\/em>) no caminho (Marcos 9,33). Mas se j\u00e1 antes n\u00e3o arrisc\u00e1mos perguntar nada a Jesus, agora tamb\u00e9m n\u00e3o nos atrevemos a responder. O narrador passa-nos duas informa\u00e7\u00f5es: que \u00abeles (como n\u00f3s) se calavam\u00bb (<em>esi\u00f4p\u00f4n<\/em>: imperf. de\u00a0<em>si\u00f4p\u00e1\u00f4<\/em>), implicando este imperfeito um sil\u00eancio continuado (1), e que tinham disputado (<em>dial\u00e9gomai<\/em>) no caminho uns com os outros sobre quem fosse o maior (2) (Marcos 9,34). Note-se que a pergunta de Jesus sup\u00f5e um debate de ideias (verbo\u00a0<em>dialog\u00edzomai<\/em>), mas a anota\u00e7\u00e3o do narrador deixa supor uma luta de interesses (verbo\u00a0<em>dial\u00e9gomai<\/em>). Note-se ainda o contraponto: enquanto Jesus ensina o caminho do amor humilde e oblativo, at\u00e9 ao fim, os seus disc\u00edpulos ocupam-se de grandezas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste momento, Jesus senta-se (modo enf\u00e1tico) e chama para si (modo enf\u00e1tico) os Doze, e diz-lhes (<em>l\u00e9gei<\/em>: pres. do verbo\u00a0<em>l\u00e9g\u00f4<\/em>), a eles e a n\u00f3s, num presente que ainda hoje ecoa no meio de n\u00f3s: \u00abSe algu\u00e9m quer ser o primeiro, ser\u00e1 o \u00faltimo de todos e o servo de todos\u00bb (Marcos 9,35). Entenda-se bem aquele \u00abde todos\u00bb, duas vezes dito, para evitar equ\u00edvocos. Anote-se tamb\u00e9m que, no Evangelho de Marcos, Jesus s\u00f3 se senta tr\u00eas vezes (4,1; 9,35; 13,3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a ilustra\u00e7\u00e3o do Mestre, que continua sentado a ensinar, agora com gestos e palavras: recebeu\u00a0<em>uma<\/em>\u00a0crian\u00e7a pequena (<em>paid\u00edon<\/em>), colocou-a\u00a0<em>no meio<\/em>\u00a0deles e de n\u00f3s, e disse: \u00abQuem receber uma destas crian\u00e7as pequeninas, no meu nome, recebe-me a Mim\u2026\u00bb (Marcos 9,36-37). Note-se aquele: \u00abNo meio\u00bb, que \u00e9 o lugar mais importante. Note-se tamb\u00e9m o \u00abNo meu nome\u00bb, que significa ao jeito de Jesus. Note-se ainda que Jesus n\u00e3o usa jogos de estat\u00edstica. Fala de\u00a0<em>uma<\/em>\u00a0crian\u00e7a apenas. E tamb\u00e9m deixa claro que, para se receber\u00a0<em>uma<\/em>\u00a0crian\u00e7a pequenina, s\u00e3o precisas m\u00e3os maternais, que acariciam e d\u00e3o vida, ao contr\u00e1rio das m\u00e3os dos homens que agarram e matam, j\u00e1 atr\u00e1s retratadas em Marcos 9,31. De resto, v\u00ea-se bem, em filigrana, que uma crian\u00e7a pequenina traduz todos os nossos irm\u00e3os dependentes, cuja vida depende de n\u00f3s, n\u00e3o nos sendo permitido, portanto, abandon\u00e1-los e voltar-lhes as costas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto se pode aprender com Jesus \u00abna casa\u00bb e \u00abno caminho\u00bb. Aprendemos a descer de n\u00f3s abaixo, a abrir as nossas m\u00e3os fechadas e armadas, e a revestir-nos de gestos de amor novos, servi\u00e7ais, maternais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O justo Jesus caminha por entre o sofrimento, o desprezo e a zombaria. E assim tamb\u00e9m os seus disc\u00edpulos. O fim, por\u00e9m, \u00e9 a gl\u00f3ria da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Um breve extrato do Livro da Sabedoria (2,12.17-20) faz-nos ver os \u00edmpios a conspirar de mil maneiras contra o justo, que os importuna com o seu comportamento, e a maquinar a sua morte, para se verem livres dele. N\u00e3o faltam os motivos de zombaria, afirmando que querem verificar se \u00e9 verdade o que justo diz, pois afirma que \u00e9 filho de Deus, e que Deus o assistir\u00e1 e libertar\u00e1 das m\u00e3os dos \u00edmpios (Sabedoria 2,18). Tudo semelhante \u00e0 ironia sarc\u00e1stica dos zombadores que passam junto da Cruz do Senhor (Marcos 15,29-32). Mas tamb\u00e9m \u00e9 oportuno ver Sabedoria 5,1-15, o quadro que forma um d\u00edptico com Sabedoria 2,1-20. Em 5,1-15, os \u00edmpios provocadores e zombadores reencontram-se, no dia do julgamento, lado a lado com o justo que maltrataram. Ao ver o justo de p\u00e9, apavorados e at\u00f3nitos, dir\u00e3o entre solu\u00e7os de ang\u00fastia: \u00abEste \u00e9 aquele de quem outrora nos r\u00edamos, de quem fizemos alvo de chacota, n\u00f3s, insensatos! Consider\u00e1vamos a sua vida uma loucura, e o seu fim infame. Como \u00e9 que agora \u00e9 contado entre os filhos de Deus, e partilha a sorte dos santos?\u00bb (Sabedoria 5,4-5). E confessam: \u00abSim, extravi\u00e1mo-nos do caminho da verdade, a luz da justi\u00e7a n\u00e3o brilhou para n\u00f3s, para n\u00f3s n\u00e3o nasceu o sol. Cans\u00e1mo-nos nas veredas da iniquidade e da perdi\u00e7\u00e3o\u2026\u00bb (Sabedoria 5,6-7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Tiago 3,16-4,3 serve-nos tamb\u00e9m hoje um texto incisivo, que nos ajuda a ler o nosso mundo e o nosso cora\u00e7\u00e3o. Inveja e disc\u00f3rdia produzem desordem e a\u00e7\u00f5es perversas (3,16). Ao contr\u00e1rio, a Sabedoria do alto (<em>\u00e1n\u00f4then<\/em>) \u00e9 pura (<em>h\u00e1gn\u00ea<\/em>), pac\u00edfica, af\u00e1vel, conciliadora, misericordiosa, cheia de frutos bons, sem duplicidade nem hipocrisia (3,17). E depois, de forma penetrante e pedag\u00f3gica, pergunta S\u00e3o Tiago: \u00abDe onde v\u00eam as guerras e os conflitos entre v\u00f3s? N\u00e3o \u00e9 das vossas paix\u00f5es que lutam nos vossos membros? Cobi\u00e7ais, e nada tendes; ent\u00e3o, assassinais. Sois ciumentos, e nada conseguis; ent\u00e3o, entrais em conflitos e guerras\u00bb (4,1-2a). E desvenda este n\u00e3o ter: \u00abN\u00e3o tendes, porque n\u00e3o pedis\u00bb (4,2b). E ainda: \u00abPedis, e n\u00e3o recebeis, porque pedis mal\u00bb (4,3). As li\u00e7\u00f5es s\u00e3o muitas e importantes, e t\u00eam de ser objeto de profunda reflex\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 54 representa a t\u00edpica s\u00faplica b\u00edblica, em que se contam tr\u00eas atores: o \u00abeu\u00bb orante, \u00abeles\u00bb (os inimigos), e Deus. Tr\u00eas s\u00e3o tamb\u00e9m os tempos em que se desenrola a ora\u00e7\u00e3o: o passado feliz, o presente amargo, um futuro melhor, objeto de esperan\u00e7a. Entretanto, fica claro que Deus est\u00e1 sempre do lado do orante, e, por isso, o tempo est\u00e1 carregado de esperan\u00e7a. Os inimigos s\u00e3o descritos como estrangeiros, estranhos (<em>zar\u00eem<\/em>). Entenda-se: gente fora da comunidade e longe de Deus, que n\u00e3o respeita Deus nem a maneira de viver dos justos. Tamb\u00e9m este Salmo ajuda a reler, por um lado, toda a agressividade e zombaria que atravessa os textos de hoje, que a figura do \u00edmpio estulto incarna. Por outro lado, mostra tamb\u00e9m a seguran\u00e7a do justo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Leitura-I-do-Domingo-XXV-do-Tempo-Comum-Ano-B-22.09.2024-Sab-2-12.17-20.pdf\">Leitura I do Domingo XXV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 22.09.2024 (Sab 2, 12.17-20)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Leitura-II-do-Domingo-XXV-do-Tempo-Comum-Ano-B-22.09.2024-Tg-3-16-43.pdf\">Leitura II do Domingo XXV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 22.09.2024 (Tg 3, 16-4,3)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/XXV-Domingo-do-Tempo-Comum-Ano-B-22.09.2024-Lecionario.pdf\">XXV Domingo do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 22.09.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/XXV-Domingo-do-Tempo-Comum-Ano-B-22.09.2024-Oracao-Universal.pdf\">XXV Domingo do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 22.09.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Domingo-XXV-do-Tempo-Comum-Ano-B-22.09.2024-refletindo.pdf\">Domingo XXV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 22.09.2024-refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Da-Religiao-ao-Evangelho-5-reflexoes-de-Ariel-Alvarez-Valdes-v1.pdf\">Da Religi\u00e3o ao Evangelho &#8211; 5 reflex\u00f5es de Ariel \u00c1lvarez Vald\u00e9s-v1<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXIV do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 15.09.2024&#8243; tab_id=&#8221;1727088632423-075af430-0d8e&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo XXIV do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 15.09.2024<\/strong><\/h4>\n<p><strong><sup>27 <\/sup><\/strong><strong>\u2026. No caminho, fez aos disc\u00edpulos esta pergunta: \u00abQuem dizem os homens que Eu sou?\u00bb \u2026..\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong><sup>29<\/sup><\/strong><strong>\u00abE v\u00f3s, quem dizeis que Eu sou?\u00bb &#8211; perguntou-lhes. Pedro tomou a palavra, e disse: \u00abTu \u00e9s o Messias.\u00bb\u00a0<em>Mc <\/em><\/strong><strong><em>8, 27, 29<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Domingo-XXIV.jpg\" alt=\"\" width=\"688\" height=\"344\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A liturgia deste domingo desinstala-nos e coloca-nos a caminho. Recordando-nos a nossa condi\u00e7\u00e3o de peregrinos, quer ajudar-nos a construir a nossa identidade de crist\u00e3os a partir da descoberta da verdadeira identidade de Jesus: quem \u00e9 Jesus para mim? Quem sou eu a partir de Jesus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus caminha da Galileia a Jerusal\u00e9m: do lugar do amor que se fez chamamento e seduziu o cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos, convocando-os para a miss\u00e3o at\u00e9 \u00e0 Cruz, ao lugar da paix\u00e3o, lugar da entrega generosa at\u00e9 ao fim. Neste percurso da Galileia a Jerusal\u00e9m, passam por Cesareia de Filipe, cidade junto a uma das nascentes do Rio Jord\u00e3o, marcada pelo paganismo. Mas \u00e9 precisamente a\u00ed, em terreno hostil e pag\u00e3o, que Jesus pergunta acerca da Sua identidade, para que os disc\u00edpulos compreendam que a Boa Nova que veio anunciar est\u00e1 revestida da nova l\u00f3gica do amor e da entrega, bem diferente dos l\u00edderes e reis deste mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abQuem dizem os homens que Eu sou?\u00bb<\/em>. N\u00e3o \u00e9 mera curiosidade de Jesus, nem t\u00e3o pouco sondagem da opini\u00e3o p\u00fablica. Jesus interroga os Seus disc\u00edpulos e f\u00e1-lo pedagogicamente, para introduzir a pergunta mais dif\u00edcil: \u00ab<em>E v\u00f3s, quem dizeis que Eu sou?<\/em>\u00bb. Afinal, v\u00f3s que andais comigo, que comigo partilhais a vida, que deixaste tudo para me seguir, quem sou eu para v\u00f3s?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, podemos imaginar aquele olhar de Jesus fixo em n\u00f3s e sentir ecoar no nosso cora\u00e7\u00e3o esta pergunta dif\u00edcil e exigente, \u00e0 qual \u00e9 tentador responder com uma frase feita ou alguma frase bonita, porventura aprendida \u00e0 mem\u00f3ria. Mas, hoje, queremos como Pedro responder com o cora\u00e7\u00e3o e a vida, dizer a Jesus que Ele \u00e9 Aquele que irrompe na nossa vida e oferece um sentido absolutamente novo que brota da experi\u00eancia de encontro com Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reconhecer a verdadeira identidade de Jesus, coloca-nos a caminho: \u00ab<em>Se algu\u00e9m quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me<\/em>\u00bb. Na verdade, come\u00e7amos a ser disc\u00edpulos quando entramos nesta nova l\u00f3gica de ser e de estar, neste novo modo de servir e amar. \u00c9 a l\u00f3gica daquele que sabe que a vida \u00e9 tanto mais nossa, quanto mais for dos irm\u00e3os. Que a vida \u00e9 tanto mais ganha, quanto mais for entregue. Que a vida \u00e9 verdadeiramente vida, quando entregue sem medida. Esta \u00e9 a estrada nova que Jesus abre e que nos convida a percorrer, n\u00e3o sem Ele, nem longe Dele, mas atr\u00e1s Dele. Ele abrir\u00e1 o caminho, Ele iluminar\u00e1 os nossos passos e ser\u00e1 o garante de que estamos a percorrer o caminho certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus recorda-nos que um Cristianismo sem Cruz \u00e9 um Cristianismo sem P\u00e1scoa e sem Luz e que a Cruz n\u00e3o \u00e9 mais o s\u00edmbolo da morte e da condena\u00e7\u00e3o. Em Jesus, a Cruz \u00e9 \u00e1rvore da vida, porta aberta para a eternidade, pois sinal e express\u00e3o m\u00e1xima do amor e da bondade de Deus que se d\u00e1 sem medida e nos convoca para a Sua miss\u00e3o, para tamb\u00e9m n\u00f3s sermos entrega total e dispon\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A descoberta da verdadeira identidade de Jesus conduz-nos \u00e0 pergunta decisiva: \u00abquem sou eu a partir de Jesus?\u00bb e desafia-nos como S. Tiago a anunciar ao mundo o rosto de Jesus pelas obras de amor e miseric\u00f3rdia que colocamos nos nossos gestos.<em><strong>in Dehonianos<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 50,5-9a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor Deus abriu-me os ouvidos<br \/>\ne eu n\u00e3o resisti nem recuei um passo.<br \/>\nApresentei as costas \u00e0queles que me batiam<br \/>\ne a face aos que me arrancavam a barba;<br \/>\nn\u00e3o desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam.<br \/>\nMas o Senhor Deus veio em meu aux\u00edlio<br \/>\ne por isso n\u00e3o fiquei envergonhado;<br \/>\ntornei o meu rosto duro como pedra,<br \/>\ne sei que n\u00e3o ficarei desiludido.<br \/>\nO meu advogado est\u00e1 perto de mim.<br \/>\nPretende algu\u00e9m instaurar-me um processo?<br \/>\nCompare\u00e7amos juntos.<br \/>\nQuem \u00e9 o meu advers\u00e1rio?<br \/>\nQue se apresente!<br \/>\nO Senhor Deus vem em meu aux\u00edlio.<br \/>\nQuem ousar\u00e1 condenar-me?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura do vig\u00e9simo quarto domingo comum pertence ao \u201cLivro da Consola\u00e7\u00e3o\u201d, do Deutero-Isa\u00edas (cf. Is 40-55). \u201cDeutero-Isa\u00edas\u201d \u00e9 um nome convencional com que os biblistas designam um profeta an\u00f3nimo da escola de Isa\u00edas, que cumpriu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica na Babil\u00f3nia, entre os exilados judeus, na fase final do Ex\u00edlio (talvez entre 550 e 539 a.C., aproximadamente).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A miss\u00e3o do Deutero-Isa\u00edas \u00e9 consolar os exilados judeus. Nesse sentido, ele come\u00e7a por anunciar a imin\u00eancia da liberta\u00e7\u00e3o e por comparar a sa\u00edda da Babil\u00f3nia ao antigo \u00eaxodo, quando Deus libertou o seu Povo da escravid\u00e3o do Egipto (cf. Is 40-48); depois, anuncia a reconstru\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, essa cidade que a guerra reduziu a cinzas, mas \u00e0 qual Deus vai fazer regressar a alegria e a paz sem fim (cf. Is 49-55).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No meio desta proposta \u201cconsoladora\u201d aparecem, contudo, quatro poemas (cf. Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12) que se diferenciam um tanto da tem\u00e1tica desenvolvida pelo profeta no resto do livro. Referem-se a uma figura enigm\u00e1tica, que o pr\u00f3prio Deus apresenta como \u201co meu Servo\u201d (Is 42,1). O nome \u201cServo de Jav\u00e9\u201d \u00e9, na B\u00edblia, um t\u00edtulo honor\u00edfico. Refere-se, habitualmente, a algu\u00e9m a quem Deus chama a colaborar no seu projeto salvador. De facto, o \u201cServo de Jav\u00e9\u201d que nos \u00e9 apresentado pelo Deutero-Isa\u00edas, foi eleito por Deus e recebeu de Deus uma miss\u00e3o (cf. Is 42,1a; 49,1-5). Essa miss\u00e3o tem a ver com a Palavra de Deus e tem car\u00e1ter universal, pois deve concretizar-se no meio das na\u00e7\u00f5es (cf. Is 42,1b; 49,6); ser\u00e1 vivida pelo \u201cservo\u201d na humildade, no sofrimento e na obedi\u00eancia incondicional ao projeto de Deus (cf. Is 42,2-3). Apesar de a miss\u00e3o terminar num aparente insucesso (cf. Is 53,2-3.7-9), a dor do profeta n\u00e3o foi em v\u00e3o: ela tem um valor expiat\u00f3rio e redentor; dela resulta o perd\u00e3o para o pecado do Povo (cf. Is 53,6.10). Deus aprecia o sacrif\u00edcio do profeta e recompens\u00e1-lo-\u00e1, elevando-o \u00e0 vista de todos, fazendo-o triunfar dos seus detratores e advers\u00e1rios (cf. Is 53,11-12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem \u00e9 este profeta? \u00c9 Jeremias, o paradigma do profeta que sofre por causa da Palavra? \u00c9 o pr\u00f3prio Deutero-Isa\u00edas, chamado a dar testemunho da Palavra no ambiente hostil do Ex\u00edlio? \u00c9 um profeta desconhecido? \u00c9 uma figura coletiva, que representa o Povo exilado, humilhado, esmagado, mas que continua a dar testemunho de Deus, no meio das outras na\u00e7\u00f5es? \u00c9 uma figura representativa, que une a recorda\u00e7\u00e3o de personagens hist\u00f3ricas (patriarcas, Mois\u00e9s, David, profetas) com figuras m\u00edticas, de forma a representar o Povo de Deus na sua totalidade? N\u00e3o sabemos; no entanto, a figura apresentada nesses poemas vai receber uma outra ilumina\u00e7\u00e3o \u00e0 luz de Jesus Cristo, da sua vida e do seu destino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto \u00e9 parte do terceiro c\u00e2ntico do \u201cservo de Jav\u00e9\u201d.<strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>N\u00e3o sabemos, efetivamente, quem \u00e9 este \u201cservo de Jav\u00e9\u201d; no entanto, os primeiros crist\u00e3os v\u00e3o utilizar este texto como grelha para interpretar o mist\u00e9rio de Jesus: Ele \u00e9 a Palavra de Deus feita carne, que oferece a sua vida para trazer a salva\u00e7\u00e3o\/liberta\u00e7\u00e3o aos homens\u2026 A vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e de entrega da vida em favor de todos; e a sua glorifica\u00e7\u00e3o mostra que uma vida vivida deste jeito n\u00e3o termina no fracasso, mas na ressurrei\u00e7\u00e3o que gera Vida nova. No entanto, talvez esta conce\u00e7\u00e3o da vida nos pare\u00e7a estranha e incongruente face \u00e0quilo que vemos acontecer todos os dias \u00e0 nossa volta\u2026 Como \u00e9 que me situo face a isto? Acredito que uma vida gasta como a de Jesus ou a do profeta\/servo da primeira leitura deste domingo \u00e9 uma vida com sentido e que conduz \u00e0 Vida nova?<\/li>\n<li>O profeta\/servo que, sem hesitar, p\u00f5e a sua palavra e a sua vida ao servi\u00e7o da liberta\u00e7\u00e3o dos seus irm\u00e3os \u2013 mesmo que isso implique para si pr\u00f3prio sofrimento, persegui\u00e7\u00e3o e humilha\u00e7\u00e3o \u2013 deixa-nos um desafio que n\u00e3o podemos ignorar\u2026 Vivemos cercados por ilhas de mis\u00e9ria e de dor onde tantos e tantos irm\u00e3os nossos permanecem prisioneiros; passamos a cada passo por homens e mulheres abandonados, esquecidos, atirados para as margens da hist\u00f3ria, privados dos seus direitos e dignidade; assistimos diariamente \u00e0 crucifix\u00e3o de tanta gente que luta contra os sistemas de opress\u00e3o e de morte\u2026 O que fazemos? Permanecemos indiferentes e viramos a cara para outro lado para n\u00e3o ver e para n\u00e3o sermos incomodados, ou levantamos a voz para denunciar o ego\u00edsmo, a viol\u00eancia, a injusti\u00e7a, as mil formas de maldade que desfeiam o mundo e destroem a Vida?<\/li>\n<li>Temos consci\u00eancia que a nossa miss\u00e3o prof\u00e9tica passa por sermos Palavra viva de Deus que ecoa no mundo dos homens? Nas nossas palavras, nos nossos gestos, no nosso testemunho, a proposta libertadora de Deus alcan\u00e7a o mundo e o cora\u00e7\u00e3o dos homens?<\/li>\n<li>O profeta\/servo da nossa leitura garante-nos que nunca desistir\u00e1 da miss\u00e3o que lhe foi confiada porque confia em Deus: sabe que Deus estar\u00e1 sempre com ele e que nunca o desiludir\u00e1. Que fant\u00e1stica express\u00e3o de confian\u00e7a e de f\u00e9! Seremos capazes de dizer, com convic\u00e7\u00e3o, a mesma coisa? Acreditamos que Deus nunca nos desiludir\u00e1? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL &#8211; Salmo 114 (115)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Andarei na presen\u00e7a do Senhor sobre a terra dos vivos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Caminharei na terra dos vivos na presen\u00e7a do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 3: Aleluia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Amo o senhor,<br \/>\nporque ouviu a voz da minha s\u00faplica.<br \/>\nEle me atendeu<br \/>\nno dia em que O invoquei.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apertaram-me os la\u00e7os da morte,<br \/>\nca\u00edram sobre mim as ang\u00fastias do al\u00e9m, vi-me na afli\u00e7\u00e3o e na dor.<br \/>\nEnt\u00e3o invoquei o Senhor:<br \/>\n\u00abSenhor, salvai a minha alma\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Justo e compassivo \u00e9 o Senhor,<br \/>\no nosso Deus \u00e9 misericordioso.<br \/>\nO Senhor guarda os simples:<br \/>\nestava sem for\u00e7as e o Senhor salvou-me.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Livrou da morte a minha alma,<br \/>\ndas l\u00e1grimas os meus olhos, da queda os meus p\u00e9s.<br \/>\nAndarei na presen\u00e7a do Senhor,<br \/>\nsobre a terra dos vivos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Tiago 2,14-18<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Meus irm\u00e3os:<br \/>\nDe que serve a algu\u00e9m dizer que tem f\u00e9, se n\u00e3o tem obras?<br \/>\nPoder\u00e1 essa f\u00e9 obter-lhe a salva\u00e7\u00e3o?<br \/>\nSe um irm\u00e3o ou uma irm\u00e3 n\u00e3o tiverem que vestir<br \/>\ne lhes faltar o alimento de cada dia,<br \/>\ne um de v\u00f3s lhe disser: \u00abIde em paz.<br \/>\nAquecei-vos bem e saciai-vos\u00bb,<br \/>\nsem lhes dar o necess\u00e1rio para o corpo,<br \/>\nde que lhes servem as vossas palavras?<br \/>\nAssim tamb\u00e9m a f\u00e9 sem obras est\u00e1 completamente morta.<br \/>\nMas dir\u00e1 algu\u00e9m:<br \/>\n\u00abTu tens a f\u00e9 e eu tenho as obras\u00bb.<br \/>\nMostra-me a tua f\u00e9 sem obras,<br \/>\nque eu, pelas obras, te mostrarei a minha f\u00e9<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor da Carta de Tiago apresenta-se a si pr\u00f3prio como \u201cTiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo\u201d (Tg 1,1). Mas, na verdade, n\u00e3o sabemos quem \u00e9 este personagem. N\u00e3o ser\u00e1, certamente, o Tiago, filho de Zebedeu e irm\u00e3o de Jo\u00e3o (cf. Mc 1,19), nem sequer o \u201cTiago, filho de Alfeu\u201d que tamb\u00e9m integrava a lista dos Doze ap\u00f3stolos de Jesus (cf. Mc 3,18). Tamb\u00e9m \u00e9 pouco prov\u00e1vel que seja o \u201cTiago, irm\u00e3o do Senhor\u201d (Gl 1,19; cf. Mc 6,3; At 12,17), que presidiu \u00e0 comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m e que foi martirizado no ano 62. Mas parece ser um crist\u00e3o de origem judaica, que fala muito bem a l\u00edngua grega e que conhece bem o Antigo Testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carta \u00e9 endere\u00e7ada \u201c\u00e0s Doze tribos da Dispers\u00e3o\u201d, o que poderia supor que os seus destinat\u00e1rios seriam crist\u00e3os de origem judaica, a viver fora da Palestina. No entanto, a express\u00e3o pode tamb\u00e9m ser entendida em sentido metaf\u00f3rico e referir-se \u00e0s comunidades crist\u00e3s (o novo \u201cPovo de Deus\u201d) que vivem espalhadas pelo mundo greco-romano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escrito tem um cunho marcadamente judaico. O seu pensamento est\u00e1 enraizado no Antigo Testamento. \u00c9 da\u00ed que o autor \u2013 um mestre crist\u00e3o \u2013 parte para refletir sobre a exist\u00eancia crist\u00e3 e desafiar os seus irm\u00e3os a viverem a sua f\u00e9 de forma aut\u00eantica, empenhada e coerente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto pertence \u00e0 segunda parte da carta (cf. Tg 2,1-26). A\u00ed, o autor trata dois temas fundamentais: a f\u00e9 concretiza-se no amor ao pr\u00f3ximo, sem qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o ou de ace\u00e7\u00e3o de pessoas (cf. Tg 2,1-13); a f\u00e9 expressa-se, n\u00e3o atrav\u00e9s de ritos formais ou de palavras ocas, mas atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es concretas em favor do homem (cf. Tg 2,14-26). No geral, este cap\u00edtulo convida os crentes a assumir uma f\u00e9 operativa, que se traduz num compromisso social e comunit\u00e1rio. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O que \u00e9 ser crist\u00e3o? O nosso compromisso crist\u00e3o \u00e9 algo que se vive a n\u00edvel da teoria, ou do compromisso vital? O que caracteriza um crist\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o conhecimento de belas f\u00f3rmulas que expressam uma determinada ideologia, nem o cumprimento exato de ritos vazios e est\u00e9reis, nem uma assinatura feita no livro de registos de batismo da par\u00f3quia, mas \u00e9 a ades\u00e3o a Cristo. Ora, aderir a Cristo (f\u00e9), significa conformar, a cada instante, a pr\u00f3pria vida com os valores de Cristo, seguir Cristo a par e passo no caminho do amor a Deus e da entrega total aos irm\u00e3os. N\u00e3o se pode fugir a isto: a nossa caminhada crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 um processo te\u00f3rico e abstrato concretizado num reino de belas palavras; mas \u00e9 um compromisso efetivo com Cristo que tem de se traduzir, a cada instante, em gestos concretos em favor dos irm\u00e3os. A nossa f\u00e9 em Jesus e na Vida que Ele nos prop\u00f5e traduz-se em obras concretas em favor dos nossos irm\u00e3os, especialmente dos mais necessitados?<\/li>\n<li>Os disc\u00edpulos de Cristo s\u00e3o aqueles que v\u00e3o atr\u00e1s d\u2019Ele e que aprendem com Ele como \u00e9 que se vive, como \u00e9 que se ama, como \u00e9 que se constr\u00f3i o Reino de Deus. Ora, Cristo lutou pela justi\u00e7a e pela verdade, denunciou tudo aquilo que escravizava o homem e o impedia de ser feliz, foi ao encontro dos marginalizados e manifestou-lhes o amor de Deus, realizou gestos de servi\u00e7o e de partilha, distribuiu o perd\u00e3o e a paz, ofereceu a sua pr\u00f3pria vida para salvar os seus irm\u00e3os. Quem acredita em Cristo tem de viver assim: tem de lutar, objetivamente, contra as estruturas que geram injusti\u00e7a e opress\u00e3o; tem de acolher e amar aqueles que a sociedade marginaliza e rejeita; tem de denunciar uma sociedade constru\u00edda sobre esquemas de ego\u00edsmo e de mostrar, com o seu testemunho, que s\u00f3 a partilha e o amor tornam o homem feliz; tem de quebrar a espiral da viol\u00eancia e do \u00f3dio e propor a toler\u00e2ncia e o amor. Que obras fazemos? As nossas obras s\u00e3o as mesmas que Cristo fez?<\/li>\n<li>Por vezes, h\u00e1 uma profunda dicotomia entre a f\u00e9 que afirmamos e a vida que levamos. O nosso compromisso crist\u00e3o traduz-se na participa\u00e7\u00e3o certa nas eucaristias dominicais, na oferta de chorudas quantias para as obras da igreja, na participa\u00e7\u00e3o destacada em manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de religiosidade, na perten\u00e7a a movimentos eclesiais\u2026 e mais nada. Depois, na vida do dia a dia, praticamos injusti\u00e7as, pactuamos com esquemas de corrup\u00e7\u00e3o, criticamos e rotulamos aqueles de quem n\u00e3o gostamos, passamos indiferentes diante das necessidades e dores dos irm\u00e3os, tratamos com sobranceria os mais humildes e fracos, dizemos palavras que ferem e que levantam muros de desentendimento, demitimo-nos das nossas responsabilidades na constru\u00e7\u00e3o de um mundo novo e melhor\u2026 De acordo com os ensinamentos da Carta de Tiago, a nossa religi\u00e3o ser\u00e1 verdadeira se n\u00e3o se traduzir em gestos concretos de amor e de fraternidade? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Marcos 8,27-35<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus partiu com os seus disc\u00edpulos<br \/>\npara as povoa\u00e7\u00f5es de Cesareia de Filipe.<br \/>\nNo caminho, fez-lhes esta pergunta:<br \/>\n\u00abQuem dizem os homens que Eu sou?\u00bb<br \/>\nEles responderam:<br \/>\n\u00abUns dizem Jo\u00e3o Baptista; outros, Elias;<br \/>\ne outros, um dos profetas\u00bb.<br \/>\nJesus ent\u00e3o perguntou-lhes:<br \/>\n\u00abE v\u00f3s, quem dizeis que Eu sou?\u00bb<br \/>\nPedro tomou a palavra e respondeu: \u00abTu \u00e9s o Messias\u00bb.<br \/>\nOrdenou-lhes ent\u00e3o severamente<br \/>\nque n\u00e3o falassem d\u2019Ele a ningu\u00e9m.<br \/>\nDepois, come\u00e7ou a ensinar-lhes<br \/>\nque o Filho do homem tinha de sofrer muito,<br \/>\nde ser rejeitado pelos anci\u00e3os,<br \/>\npelos sumos sacerdotes e pelos escribas;<br \/>\nde ser morto e ressuscitar tr\u00eas dias depois.<br \/>\nE Jesus dizia-lhes claramente estas coisas.<br \/>\nEnt\u00e3o, Pedro tomou-O \u00e0 parte e come\u00e7ou a contest\u00e1-l\u2019O.<br \/>\nMas Jesus, voltando-Se e olhando para os disc\u00edpulos,<br \/>\nrepreendeu Pedro, dizendo: \u00abVai-te, Satan\u00e1s,<br \/>\nporque n\u00e3o compreendes as coisas de Deus,<br \/>\nmas s\u00f3 as dos homens\u00bb.<br \/>\nE, chamando a multid\u00e3o com os seus disc\u00edpulos, disse-lhes:<br \/>\n\u00abSe algu\u00e9m quiser seguir-Me,<br \/>\nrenuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.<br \/>\nNa verdade, quem quiser salvar a sua vida perd\u00ea-la-\u00e1;<br \/>\nmas quem perder a vida, por causa de Mim e do Evangelho,<br \/>\nsalv\u00e1-la-\u00e1\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 hoje proposto \u00e9 um texto central no Evangelho segundo Marcos. Apresenta-nos os \u00faltimos vers\u00edculos da primeira parte (cf. Mc 8,27-30) e os primeiros vers\u00edculos da segunda parte (cf. Mc 8,31-35) deste Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira parte do Evangelho segundo Marcos (cf. Mc 1,14-8,30) tem como objetivo fundamental levar \u00e0 descoberta de Jesus como o Messias que proclama o Reino de Deus. Ao longo de um percurso que \u00e9 mais catequ\u00e9tico do que geogr\u00e1fico, os leitores do Evangelho s\u00e3o convidados a acompanhar a revela\u00e7\u00e3o de Jesus, a escutar as suas palavras e o seu an\u00fancio, a fazerem-se disc\u00edpulos que aderem \u00e0 sua proposta de salva\u00e7\u00e3o. Este percurso de descoberta do Messias que o catequista Marcos nos prop\u00f5e termina, em Mc 8,29-30, com a confiss\u00e3o messi\u00e2nica de Pedro, em Cesareia de Filipe (que \u00e9, evidentemente, a confiss\u00e3o que se espera de cada crente, depois de ter acompanhado o percurso de Jesus a par e passo): \u201cTu \u00e9s o Messias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, vem a segunda parte do Evangelho segundo Marcos (cf. Mc 8,31-16,8). Nesta segunda parte, o objetivo do catequista Marcos \u00e9 explicar que Jesus, al\u00e9m de ser o Messias libertador, \u00e9 tamb\u00e9m o \u201cFilho de Deus\u201d. No entanto, Jesus n\u00e3o veio ao mundo para cumprir um destino de triunfos e de gl\u00f3rias humanas, mas para oferecer a sua vida em dom de amor aos homens. Ponto alto desta \u201ccatequese\u201d \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o do centuri\u00e3o romano junto da cruz (que Marcos convida, implicitamente, os seus crist\u00e3os a repetir): \u201crealmente este homem era o Filho de Deus\u201d (Mc 15,39).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cesareia de Filipe \u2013 o cen\u00e1rio geogr\u00e1fico onde o Evangelho deste vig\u00e9simo quarto domingo comum nos coloca \u2013 era uma cidade situada no Norte da Galileia, no sop\u00e9 do Monte Hermon, junto de uma das nascentes do rio Jord\u00e3o (na zona da atual B\u00e2nias). Durante o per\u00edodo helen\u00edstico, a cidade tinha tomado o nome de Panion, em virtude de haver l\u00e1 um santu\u00e1rio dedicado ao deus grego Pan; mas, no ano 2 ou 3 a.C., Herodes Filipe (filho de Herodes o Grande) reconstruiu-a e deu-lhe o nome de Cesareia, em honra de C\u00e9sar Augusto, imperador de Roma. Era, portanto, uma cidade marcada pelo paganismo e pelo culto ao imperador. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Quem \u00e9 Jesus? Como \u00e9 que os homens do s\u00e9c. XXI o veem? Muitos dos nossos contempor\u00e2neos \u2013 crentes, agn\u00f3sticos ou mesmo ateus \u2013 veem em Jesus um homem bom, generoso, atento aos sofrimentos dos outros, que sonhou com um mundo diferente; outros veem em Jesus um admir\u00e1vel \u201cmestre\u201d de moral, que tinha uma proposta de vida \u201cinteressante\u201d, mas que n\u00e3o conseguiu impor os seus valores; alguns veem em Jesus um admir\u00e1vel condutor de massas, que acendeu a esperan\u00e7a nos cora\u00e7\u00f5es das multid\u00f5es carentes e \u00f3rf\u00e3s, mas que passou de moda quando as multid\u00f5es deixaram de se interessar pelo fen\u00f3meno; outros, ainda, veem em Jesus um revolucion\u00e1rio, ing\u00e9nuo e inconsequente, preocupado em construir uma sociedade mais justa e mais livre, que procurou promover os pobres e os marginais e que foi eliminado pelos poderosos, preocupados em manter o \u201cstatus quo\u201d. Que achamos destas \u201cvis\u00f5es\u201d sobre Jesus? Consideramo-las redutoras, ou exatas? Jesus ter\u00e1 sido apenas um \u201chomem\u201d que deixou a sua pegada na hist\u00f3ria humana, como tantos outros que a hist\u00f3ria absorveu e digeriu?<\/li>\n<li>\u201cE v\u00f3s, quem dizeis que Eu sou?\u201d \u2013 perguntou Jesus diretamente aos seus disc\u00edpulos nos arredores de Cesareia de Filipe. \u00c9 uma pergunta decisiva, que deve ecoar, de forma constante, nos ouvidos e no cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos de Jesus de todas as \u00e9pocas. A nossa resposta a esta quest\u00e3o n\u00e3o pode ficar-se pela repeti\u00e7\u00e3o papagueada de velhas f\u00f3rmulas que aprendemos na catequese, ou pela reprodu\u00e7\u00e3o impessoal de uma defini\u00e7\u00e3o tirada de um qualquer tratado de teologia. A quest\u00e3o vai dirigida ao \u00e2mago do nosso ser e exige uma tomada de posi\u00e7\u00e3o pessoal, um pronunciamento sincero, sobre a forma como Jesus toca a nossa vida. A resposta a esta quest\u00e3o \u00e9 o passo mais importante e decisivo na vida de cada crente. Quem \u00e9 Jesus para n\u00f3s? Que lugar ocupa Ele na nossa exist\u00eancia? Que valor damos \u00e0s suas propostas? Que import\u00e2ncia assumem os seus valores nas nossas op\u00e7\u00f5es de vida? Jesus \u00e9, para n\u00f3s, a grande refer\u00eancia, o vetor \u00e0 volta do qual o nosso mundo se constr\u00f3i? Ele \u00e9 para n\u00f3s, de facto, \u201ccaminho, verdade e vida\u201d?<\/li>\n<li>Evangelho do vig\u00e9simo quarto domingo comum coloca frente a frente a l\u00f3gica dos homens (Pedro) e a l\u00f3gica de Deus (Jesus). A l\u00f3gica dos homens aposta no poder, no dom\u00ednio, no triunfo, no \u00eaxito; garante-nos que a vida s\u00f3 tem sentido se estivermos do lado dos vencedores, se tivermos dinheiro em abund\u00e2ncia, se formos reconhecidos e incensados pelas multid\u00f5es, se pudermos cercar-nos de bem-estar e garantir que os nossos dias decorram tranquilos e confort\u00e1veis, se assegurarmos a nossa quota de poder e influ\u00eancia\u2026 A l\u00f3gica de Deus aposta na entrega da vida a Deus e aos irm\u00e3os; garante-nos que a vida s\u00f3 faz sentido se assumirmos os valores do Reino e vivermos no amor, na partilha, no servi\u00e7o, na solidariedade, na humildade, na simplicidade\u2026 Na nossa vida de cada dia estas duas perspetivas confrontam-se, a par e passo e exigem de n\u00f3s um posicionamento claro. Qual \u00e9 a nossa escolha? Na nossa perspetiva, qual destas duas propostas apresenta um caminho de felicidade seguro e duradouro?<\/li>\n<li>Jesus tornou-se um de n\u00f3s para concretizar os planos do Pai e propor aos homens \u2013 atrav\u00e9s do amor, do servi\u00e7o, do dom da vida \u2013 o caminho da salva\u00e7\u00e3o. Neste texto fica claramente expressa a fidelidade radical de Jesus a esse projeto. Por isso, Ele n\u00e3o aceita que nada nem ningu\u00e9m O afastem do caminho do dom da vida: dar ouvidos \u00e0 l\u00f3gica do mundo e esquecer os planos de Deus \u00e9, para Jesus, uma tenta\u00e7\u00e3o diab\u00f3lica que Ele rejeita terminantemente. Que significado e que lugar ocupam na nossa vida os projetos de Deus? Esfor\u00e7amo-nos, como Jesus, por descobrir a vontade de Deus a nosso respeito e a respeito do mundo? Mantemo-nos atentos, em cada passo do nosso caminho, a esses \u201csinais dos tempos\u201d atrav\u00e9s dos quais Deus nos interpela? Somos capazes de acolher e de viver com fidelidade e radicalidade as propostas de Deus, mesmo quando elas s\u00e3o exigentes e v\u00e3o contra os nossos interesses e projetos pessoais?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O que \u00e9 que faz de n\u00f3s verdadeiros disc\u00edpulos de Jesus? Muitos de n\u00f3s receberam uma catequese que insistia em ritos, em f\u00f3rmulas, em pr\u00e1ticas de piedade, em determinadas obriga\u00e7\u00f5es legais, mas que nem sempre punha em relevo o essencial do cristianismo: o seguimento de Jesus. No entanto, a identidade crist\u00e3 constr\u00f3i-se \u00e0 volta de Jesus, do seu Evangelho, da sua proposta de vida. Sentimo-nos verdadeiramente disc\u00edpulos de Jesus? Estamos dispon\u00edveis, de alma e cora\u00e7\u00e3o, para ir atr\u00e1s d\u2019Ele no caminho da doa\u00e7\u00e3o da vida e do amor at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias?<\/li>\n<li>Jesus convida os seus disc\u00edpulos a renunciarem a si mesmos\u2026 O que \u00e9 \u201crenunciar a si mesmo\u201d? \u00c9 n\u00e3o deixar que o ego\u00edsmo, o orgulho, o comodismo, a autossufici\u00eancia, a ambi\u00e7\u00e3o, a mentira, dominem a nossa vida. O seguidor de Jesus n\u00e3o vive fechado na sua zona de seguran\u00e7a, a olhar para si mesmo, indiferente aos dramas que se passam \u00e0 sua volta, insens\u00edvel \u00e0s necessidades dos irm\u00e3os, alheado das lutas e reivindica\u00e7\u00f5es dos outros homens; mas vive para Deus e na solidariedade, na partilha e no servi\u00e7o aos irm\u00e3os. At\u00e9 que ponto estamos dispon\u00edveis para renunciar a n\u00f3s mesmos e para colocar a nossa vida ao servi\u00e7o do projeto de Deus?<\/li>\n<li>Jesus tamb\u00e9m convida os seus disc\u00edpulos a tomarem a cruz\u2026 O que \u00e9 \u201ctomar a cruz\u201d? \u00c9 amar at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, at\u00e9 \u00e0 morte, se for necess\u00e1rio; \u00e9 gastar cada instante da vida a servir, a amar, a cuidar, a fazer o bem\u2026 O seguidor de Jesus \u00e9 aquele que est\u00e1 disposto a dar a vida para que os seus irm\u00e3os sejam mais livres e mais felizes. Por isso, o crist\u00e3o n\u00e3o tem medo de lutar contra a injusti\u00e7a, a explora\u00e7\u00e3o, a mis\u00e9ria, o pecado, mesmo que isso signifique enfrentar a morte, a tortura, as repres\u00e1lias dos poderosos. Aceitamos tomar cada dia a nossa cruz e a viver para os outros, como Jesus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proclama\u00e7\u00e3o das leituras deve ter em conta as diversas perguntas que surgem nos dois textos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>primeira leitura<\/strong>, inserida nos chamados \u201cC\u00e2nticos do Servo de Jav\u00e9\u201d, \u00e9 necess\u00e1rio ter em aten\u00e7\u00e3o as respostas que intercalam as perguntas, cuidando a articula\u00e7\u00e3o entre as frases interrogativas e declarativas, sublinhando a for\u00e7a das palavras finais que s\u00e3o como uma profiss\u00e3o de f\u00e9: \u00ab<em>O Senhor Deus vem em meu aux\u00edlio. Quem ousar\u00e1 condenar-me?<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura,<\/strong> entre as v\u00e1rias perguntas, ter uma especial aten\u00e7\u00e3o na frase interrogativa mais longa, que cont\u00e9m no seu interior texto em discurso direto. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ainda considerar a \u00faltima frase \u2013 \u00ab<em>Mostra-me a tua f\u00e9 sem obras, que eu, pelas obras, te mostrarei a minha f\u00e9<\/em>\u00bb como conclus\u00e3o de toda a leitura e como mensagem fundamental que S. Tiago quer transmitir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/09\/11\/o-caminho-de-jesus-4\/\"><strong>O CAMINHO DE\u00a0JESUS<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m hoje, dada a import\u00e2ncia de que se reveste, optamos por visitar mais de perto o texto do Evangelho deste <strong>Domingo XXIV do Tempo Comum (Marcos 8,27-35),<\/strong> disponibilizando-o em tradu\u00e7\u00e3o literal:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abE saiu\u00a0<strong>JESUS<\/strong>\u00a0e os DISC\u00cdPULOS d\u2019ELE (<em>hoi math\u00eata\u00ec auto\u00fb<\/em>) para as povoa\u00e7\u00f5es de Cesareia de Filipe. E, NO CAMINHO (<em>en t\u00ea hod\u00f4<\/em>), perguntou aos DISC\u00cdPULOS d\u2019ELE,\u00a0<em>dizendo-lhes<\/em>: \u201cQuem\u00a0<em>dizem<\/em>\u00a0as pessoas que EU SOU?\u201d. Eles\u00a0<em>disseram-LHE<\/em>,\u00a0<em>dizendo<\/em>: \u201cJo\u00e3o Baptista; outros, Elias, e outros ainda, um dos profetas\u201d. E ELE perguntou-lhes: \u201cE V\u00d3S, quem\u00a0<em>dizeis<\/em>\u00a0que EU SOU?\u201d Respondendo, Pedro\u00a0<em>diz-LHE<\/em>: \u201cTU \u00e9s o CRISTO\u201d. E censurou-os (<em>epet\u00edm\u00easen<\/em>) para n\u00e3o\u00a0<em>dizerem<\/em>\u00a0a ningu\u00e9m acerca d\u2019ELE.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E COME\u00c7OU A ENSIN\u00c1-LOS<\/strong>\u00a0(<em>ka\u00ec \u00earxato did\u00e1skein auto\u00fas<\/em>) que \u00e9 preciso (<em>de\u00ee<\/em>) o FILHO DO HOMEM\u00a0<em>sofrer muito<\/em>,\u00a0<em>ser rejeitado<\/em>\u00a0pelos anci\u00e3os, pelos chefes dos sacerdotes e pelos escribas,\u00a0<em>ser morto<\/em>\u00a0e, depois de tr\u00eas dias,\u00a0<em>ressuscitar<\/em>. E abertamente (<em>parr\u00eas\u00eda<\/em>) falava esta palavra. E\u00a0<em>tomando-O consigo<\/em>\u00a0(<em>proslab\u00f3menos<\/em>), Pedro come\u00e7ou a censur\u00e1-lo (<em>epitim\u00e2n<\/em>) (cf. 9,31-32; 10,32-34). ELE, por\u00e9m, voltando-se e vendo os DISC\u00cdPULOS d\u2019ELE, censurou (<em>epet\u00edm\u00easen<\/em>) Pedro e\u00a0<em>diz<\/em>: \u201cVai\u00a0<em>para tr\u00e1s de MIM<\/em>\u00a0(<em>hyp\u00e1ge op\u00eds\u00f4 mou<\/em>), satan\u00e1s, pois n\u00e3o tens em considera\u00e7\u00e3o as coisas de Deus, mas as dos homens\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E chamando para SI (<em>proskales\u00e1menos<\/em>) a MULTID\u00c3O, juntamente com os DISC\u00cdPULOS d\u2019ELE,\u00a0<em>disse-lhes<\/em>: \u201cSe algu\u00e9m quiser\u00a0<em>atr\u00e1s de MIM SEGUIR<\/em>\u00a0(<em>op\u00eds\u00f4 mou akolouthe\u00een<\/em>), RENEGUE (<em>aparn\u00eas\u00e1sth\u00f4<\/em>: imp. aor. de\u00a0<em>aparn\u00e9omai<\/em>) a si mesmo (<em>heaut\u00f3n<\/em>), TOME A SUA CRUZ e SIGA-ME, pois aquele que quiser salvar a pr\u00f3pria vida, vai perd\u00ea-la, mas o que perder a pr\u00f3pria vida por causa de MIM e do Evangelho, vai salv\u00e1-la\u201d\u00bb (Marcos 8,27-35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio \u00abNO CAMINHO\u00bb de Cesareia de Filipe abre significativamente com o nome \u00abJESUS\u00bb, abandonado 89 vers\u00edculos atr\u00e1s, em Marcos 6,30! Forma clara e enf\u00e1tica de o narrador dizer ao leitor que estamos perante um epis\u00f3dio importante, justamente considerado o centro geom\u00e9trico e teol\u00f3gico do Evangelho de Marcos. Ao apresentar JESUS e os seus disc\u00edpulos NO CAMINHO, o narrador abre a sec\u00e7\u00e3o central deste Evangelho (Marcos 8,27-10,52), normalmente intitulada: \u00abO seguimento de Jesus NO CAMINHO\u00bb, que \u00e9 o CAMINHO que conduz da Galileia a Jerusal\u00e9m, o CAMINHO da forma\u00e7\u00e3o de Jesus aos seus disc\u00edpulos. Vamos seguir a par e passo esta importante sec\u00e7\u00e3o do Evangelho de Marcos durante sete Domingos, desde o Domingo XXIV at\u00e9 ao Domingo XXX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cesareia de Filipe, tetrarquia de Filipe, um dos filhos de Herodes o Grande, \u00e9 o lugar certo para se p\u00f4r a quest\u00e3o da identidade de JESUS. Cesareia de Filipe, onde se encontra uma das nascentes do rio Jord\u00e3o, respirava o paganismo do deus P\u00e3 e tamb\u00e9m o culto do Imperador. A\u00ed construiu Herodes um templo dedicado ao Imperador C\u00e9sar Augusto, e o tetrarca Filipe, filho de Herodes, deu \u00e0 cidade, antes conhecida por P\u00e2nias, em honra do deus P\u00e3, o nome de Cesareia, tamb\u00e9m em honra de C\u00e9sar Augusto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a\u00ed, em Cesareia de Filipe, cidade marcada pelo paganismo e pelo culto do Imperador, que JESUS p\u00f5e a quest\u00e3o da sua identidade. Soberanamente JESUS pergunta: \u00abQuem dizem as pessoas que eu sou?\u00bb (8,27), para acrescentar logo de seguida: \u00abE v\u00f3s, quem\u00a0<em>dizeis<\/em>\u00a0que eu sou?\u00bb (8,29). A pergunta \u00e9 \u00fanica em todo o arco da Escritura. Ningu\u00e9m, antes ou depois de Jesus, em toda a Escritura, fez ou far\u00e1 uma pergunta semelhante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o povo, JESUS \u00e9 um profeta. Um entre muitos. Mas para Pedro, Jesus n\u00e3o \u00e9 apenas um entre muitos. Ele \u00e9 \u00danico e \u00daltimo (cf. Marcos 12,1-12), o Rei definitivo, o Cristo, o Messias, que traz todo o bem para o seu povo (\u00abFez tudo bem feito\u00bb: Marcos 7,37). E assim, \u00e0 quest\u00e3o direta e enf\u00e1tica \u2013 \u00abE v\u00f3s, quem\u00a0<em>dizeis<\/em>\u00a0que eu sou?\u00bb (8,29) \u2013 posta por JESUS aos seus disc\u00edpulos que de h\u00e1 muito o seguiam, Pedro responde: \u00abTu \u00e9s o Cristo!\u00bb. Note-se bem que JESUS n\u00e3o pergunta simplesmente: \u00abQuem sou Eu?\u00bb, mas: \u00abQuem\u00a0<em>dizeis<\/em>\u00a0v\u00f3s que Eu sou?\u00bb.\u00a0<em>Dizer<\/em>\u00a0\u00e9 mais do que um saber. Implica o compromisso, a vida, de quem\u00a0<em>diz<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 primeira vista, parece que Pedro respondeu acertadamente. Mas o contexto mostra que o disc\u00edpulo n\u00e3o reunia compet\u00eancia sobre a mat\u00e9ria, n\u00e3o estava ainda em condi\u00e7\u00f5es de fazer as opera\u00e7\u00f5es mentais e afetivas necess\u00e1rias para uma resposta correta que reunisse todos os elementos necess\u00e1rios de modo a implicar na resposta o respondedor. O\u00a0<em>dizer<\/em>\u00a0de Pedro ainda era um\u00a0<em>dizer<\/em>\u00a0antigo, tradicional e convencional, sem implica\u00e7\u00f5es pessoais. Pedro ainda n\u00e3o tinha nascido de novo e do alto e do Esp\u00edrito. Como podia\u00a0<em>dizer<\/em>\u00a0JESUS? \u00abTu \u00e9s o Cristo!\u00bb, respondeu Pedro. Fosse qual fosse a ideia que Pedro tivesse de \u00abCristo\u00bb, v\u00ea-se logo no seguimento do texto, que no \u00abCristo\u00bb de Pedro n\u00e3o entrava o sofrimento, a rejei\u00e7\u00e3o, a morte, a ressurrei\u00e7\u00e3o (8,31-32). Muito menos a ades\u00e3o pessoal de Pedro a este \u00abCristo\u00bb. Na verdade, Pedro recrimina JESUS pelo CAMINHO de rejei\u00e7\u00e3o, sofrimento e morte que Ele acaba de mostrar como sendo o verdadeiro CAMINHO de \u00abCristo\u00bb segundo JESUS. O CAMINHO de \u00abCristo\u00bb segundo Pedro s\u00f3 inclui triunfo e sucesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, porque Pedro acertou com a resposta \u2013 na verdade, JESUS \u00e9 o \u00abCristo\u00bb \u2013, mas n\u00e3o \u00e9 o \u00abCristo\u00bb como Pedro pensa que \u00e9, JESUS imp\u00f5e soberanamente sil\u00eancio (8,30). O sil\u00eancio imposto por JESUS aos seus disc\u00edpulos pode passar falsamente a ideia do chamado \u00absegredo messi\u00e2nico\u00bb, segundo o qual JESUS n\u00e3o quereria que a sua identidade, uma vez descoberta, fosse divulgada. Trata-se, antes, de impedir que respostas, porventura certas nas palavras, mas erradas nos conte\u00fados, e elaboradas apenas com base em elementos convencionais e tradicionais (o \u00abCristo\u00bb do juda\u00edsmo), que n\u00e3o implicam um verdadeiro\u00a0<em>dizer<\/em>\u00a0pessoal, um novo nascimento do alto e do Esp\u00edrito, sejam transmitidas boicotando assim o nascimento do conhecimento profundo e verdadeiro da novidade de JESUS e a implica\u00e7\u00e3o pessoal de quem\u00a0<em>diz<\/em>\u00a0JESUS e\u00a0<em>se diz<\/em>\u00a0face a JESUS. O verdadeiro sujeito deste\u00a0<em>dizer<\/em>\u00a0n\u00e3o o pode ser s\u00f3 por fazer parte de alguma institui\u00e7\u00e3o que confere credibilidade ao seu\u00a0<em>dizer<\/em>\u00a0j\u00e1 antes de come\u00e7ar a\u00a0<em>dizer<\/em>, como, por exemplo, os escribas ou os pr\u00f3prios disc\u00edpulos de JESUS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque h\u00e1 muita coisa que os disc\u00edpulos ainda t\u00eam de aprender, antes de saberem dizer JESUS, soberanamente JESUS come\u00e7ou a ensinar (8,31). \u00c9 grandemente sintom\u00e1tico que o narrador empregue a mesma express\u00e3o (\u00abE come\u00e7ou a ensin\u00e1-los\u00bb) quando JESUS ensina a semente (Marcos 4,1-2), quando ensina o p\u00e3o (Marcos 6,34s.), e quando ensina a Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o (Marcos 8,31s.). Em boa verdade, JESUS \u00e9 a semente e \u00e9 tamb\u00e9m o p\u00e3o, linguagem que ilumina e \u00e9 iluminada pela Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Veja-se o dito condensado de Jo\u00e3o 12,24: \u00abSe o gr\u00e3o de trigo que cai na terra n\u00e3o morrer, fica s\u00f3; mas se morrer, dar\u00e1 muito fruto\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 sabemos que Pedro respondeu antes do tempo com um punhado de palavras convencionais, que vinham na corrente da tradi\u00e7\u00e3o judaica. Ainda n\u00e3o tinha nascido do alto e do Esp\u00edrito, como sujeito novo de a\u00e7\u00e3o [= dizer e fazer], face \u00e0 novidade de JESUS. Falta-lhe fazer aquele \u00abcaminho\u00bb transitivo e intransitivo, longo, gradual e tortuoso, da Galileia at\u00e9 \u00e0 Cruz, que JESUS aponta logo de seguida aos seus disc\u00edpulos e ao leitor. A\u00ed nascer\u00e1 para a Gl\u00f3ria a humanidade de JESUS, enquanto nascer\u00e1 Pedro como sujeito apto para\u00a0<em>dizer<\/em>\u00a0JESUS e\u00a0<em>se dizer<\/em>\u00a0face a JESUS. Por agora, Pedro e os disc\u00edpulos e a multid\u00e3o e o leitor devem \u00abdizer energicamente n\u00e3o\u00bb (<em>aparn\u00e9omai<\/em>) a si mesmos e ocupar o seu lugar \u00abatr\u00e1s de\u00bb JESUS, para seguir o Mestre ao longo do CAMINHO. Este \u00abdizer n\u00e3o\u00bb a si mesmo implica uma forte conota\u00e7\u00e3o de rejei\u00e7\u00e3o, que Isa\u00edas usa para a rejei\u00e7\u00e3o dos \u00eddolos: \u00abNaquele dia, Israel rejeitar\u00e1 (<em>aparn\u00e9omai<\/em>) os seus \u00eddolos de prata e os seus \u00eddolos de ouro, trabalho das vossas m\u00e3os pecadoras\u00bb (Isa\u00edas 31,7). Marcos s\u00f3 usa esta express\u00e3o aqui e no an\u00fancio feito por Jesus da nega\u00e7\u00e3o de Pedro (Marcos 14,30-31) e na recorda\u00e7\u00e3o desse an\u00fancio por parte de Pedro (Marcos 14,72). A li\u00e7\u00e3o \u00e9 clara: ou \u00abdizemos n\u00e3o\u00bb a n\u00f3s mesmos ou acabaremos sempre por \u00abdizer n\u00e3o\u00bb a JESUS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ocupar o seu lugar \u00abatr\u00e1s de\u00bb JESUS. Note-se a tradu\u00e7\u00e3o correta: \u00abVai\u00a0<em>para tr\u00e1s de MIM<\/em>\u00bb (<em>hyp\u00e1ge op\u00eds\u00f4 mou<\/em>) (8,33), e n\u00e3o: \u00abAfasta-te de MIM\u00bb, como se v\u00ea em muitas tradu\u00e7\u00f5es. \u00abAtr\u00e1s de MIM\u00bb \u00e9 o lugar do disc\u00edpulo, que segue o Mestre passo a passo, que deve ter em considera\u00e7\u00e3o as coisas de Deus, e n\u00e3o as dos homens. \u00c9, de resto, a mesm\u00edssima linguagem posta na boca de JESUS aquando do chamamento de Pedro e Andr\u00e9: \u00abVinde atr\u00e1s de Mim (<em>de\u00fbte \u00f4p\u00eds\u00f4 mou<\/em>)\u00bb (Marcos 1,17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo atentamente \u00abatr\u00e1s de\u00bb Jesus neste caminho de forma\u00e7\u00e3o que constitui a sec\u00e7\u00e3o central de Marcos (8,27-10,52), estes sete Domingos fazem-nos viver, epis\u00f3dio ap\u00f3s epis\u00f3dio, importantes situa\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O chamado \u00abTerceiro Canto do Servo de YHWH\u00bb (Isa\u00edas 50,5-9) faz eco ao caminho do Filho do Homem e de todo aquele que o quiser seguir, aberto no Evangelho de hoje em duas vagas sucessivas (Marcos 8,31-33 e 8,34-35). Este itiner\u00e1rio de Jesus para a Cruz e a Ressurrei\u00e7\u00e3o ser\u00e1 ainda acentuado por mais duas vezes (Marcos 9,30-31 e 10,32-34), mas esta declara\u00e7\u00e3o ser\u00e1 sempre acompanhada de uma declara\u00e7\u00e3o paralela sobre o seu disc\u00edpulo (Marcos 9,35 e 10,43-45). O retrato do disc\u00edpulo de Jesus deve decalcar os tra\u00e7os do retrato do Mestre. Tal como Jesus, tamb\u00e9m o seu disc\u00edpulo tem de ser o homem da doa\u00e7\u00e3o total, sem reservas. Assim \u00e9 tamb\u00e9m o Servo de YHWH que caminha, sem recuos, enfrentando determinado o sofrimento, mas sempre assistido pelo seu Deus. Esta determina\u00e7\u00e3o aparece traduzida pela express\u00e3o: \u00abTornei o meu rosto duro como pedra\u00bb (Isa\u00edas 50,7), que \u00e9 como quem diz que tomou uma decis\u00e3o da qual n\u00e3o poder\u00e1 voltar atr\u00e1s. Lucas pediu emprestada a Isa\u00edas esta forma de dizer para vincar a determina\u00e7\u00e3o com que Jesus orienta o seu rosto na dire\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m (Lucas 9,51).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra vez a li\u00e7\u00e3o oportuna e contundente de S. Tiago (2,14-18), a lembrar-nos que a f\u00e9 que professamos \u00e9 um dom de Deus, e tem de ser professada, n\u00e3o apenas com os l\u00e1bios, mas com gestos concretos de caridade. A f\u00e9 com alegria recebida deve ser com alegria dita e com alegria feita em pequenos gestos de amor. N\u00e3o. N\u00e3o se trata da f\u00e9 contra as obras, nem de Tiago contra Paulo. Veja-se o dizer de Paulo aos G\u00e1latas: \u00abEm Cristo Jesus nada conta\u2026 sen\u00e3o a f\u00e9 que opera por meio da caridade\u00bb (G\u00e1latas 5,6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 116 apresenta-se composto por dois pain\u00e9is, que formam um d\u00edptico. O primeiro integra os v. 1-9, e abre com: \u00abEu amo\u00bb. O segundo re\u00fane os v. 10-19, e abre com: \u00abEu acreditei\u00bb. O painel de hoje, o primeiro, abre, como vimos, com \u00abEu amo\u00bb. O objeto deste amor do orante \u00e9 Deus, o seu Deus, e s\u00e3o logo evocadas as raz\u00f5es pelas quais o orante ama o seu Deus. Porque ouviu a sua s\u00faplica, se debru\u00e7ou sobre ele, salvou a sua vida, transformou as suas l\u00e1grimas em alegria, porque \u00e9 bom, justo e compassivo. Sim, o nosso Deus \u00e9 digno de confian\u00e7a, est\u00e1 sempre atento \u00e0 nossa vida, caminha connosco. \u00c9 bom, belo e justo que n\u00f3s caminhemos tamb\u00e9m com Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Leitura-I-do-Domingo-XXIV-do-Tempo-Comum-Ano-B-15.09.2024-Is-50-5-9a.pdf\">Leitura I do Domingo XXIV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 15.09.2024 (Is 50, 5-9a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Leitura-II-do-Domingo-XXIV-do-Tempo-Comum-Ano-B-15.09.2024-Tg-2-14-18.pdf\">Leitura II do Domingo XXIV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 15.09.2024 (Tg 2, 14-18)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Domingo-XXIV-do-Tempo-Comum-Ano-B-15.09.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XXIV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 15.09.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Domingo-XXIV-do-Tempo-Comum-Ano-B-15.09.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXIV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 15.09.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Domingo-XXIV-do-Tempo-Comum-Ano-B-15.09.2024-refletindo.pdf\">Domingo XXIV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 15.09.2024-refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Da-Religiao-ao-Evangelho-5-reflexoes-de-Ariel-Alvarez-Valdes-v1.pdf\">Da Religi\u00e3o ao Evangelho &#8211; 5 reflex\u00f5es de Ariel \u00c1lvarez Vald\u00e9s-v1<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXIII do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 08.09.2024&#8243; tab_id=&#8221;1725919080837-f0672875-9432&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo XXIII do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 08.09.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Domingo-XXIII.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cEffata!\u201d \u201cAbre-te!\u201d Esta palavra t\u00e3o simples \u00e9 na realidade muito perigosa. Como diz o dicion\u00e1rio, abrir \u00e9 fazer com que o que est\u00e1 fechado n\u00e3o o fique mais. \u00d3bvio, mas cheio de consequ\u00eancias! Os Judeus de Jerusal\u00e9m tinham consci\u00eancia de serem o Povo eleito por Deus, posto \u00e0 parte pelos outros povos. Nem pensar misturar-se aos outros povos, aos pag\u00e3os, aos estrangeiros!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E eis que Jesus faz o contr\u00e1rio. Sai das fronteiras de Israel, vai junto dos pag\u00e3os, fazendo mesmo milagres em seu favor. \u00c9 o mundo ao contr\u00e1rio! Ele n\u00e3o teme mesmo ter contacto f\u00edsico com este surdo-mudo, impuro aos olhos dos Judeus fi\u00e9is. Antes de abrir os ouvidos do infeliz, \u00e9 Jesus que Se abre aos estrangeiros, tornando-Se um impuro aos olhos dos Judeus. Evidentemente, \u00e9 muito arriscado, ainda hoje, abrir a sua porta, mas primeiro o seu cora\u00e7\u00e3o aos estrangeiros. Porque \u00e9 preciso olh\u00e1-los ultrapassando os preconceitos, aceitando outras maneiras de pensar e de viver. Aquele que segue Jesus n\u00e3o pode esquivar-se \u00e0 interroga\u00e7\u00e3o: E eu, onde estou quanto \u00e0 minha abertura de cora\u00e7\u00e3o? Jesus quer sempre vir at\u00e9 mim, tocar os meus ouvidos para que eu ou\u00e7a melhor o grito dos meus irm\u00e3os em ang\u00fastia, tocar os meus olhos para que procure encontrar o olhar de Deus sobre os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A um visitante que lhe perguntava para que servia um conc\u00edlio, Jo\u00e3o XXIII respondeu:\u201d o conc\u00edlio \u00e9 a janela aberta. Ou ainda, \u00e9 tirar a poeira e varrer a casa, e p\u00f4r flores e abrir a porta dizendo a todos: Vinde e vede, aqui \u00e9 a casa do bom Deus!\u201d Na manh\u00e3 de P\u00e1scoa, j\u00e1 houve uma abertura, quando a pedra que fechava o t\u00famulo de Jesus foi retirada. E antes ainda, tinha havido j\u00e1 uma abertura, quando o soldado romano tinha aberto o lado de Jesus com um golpe de lan\u00e7a. Estas duas aberturas nunca foram fechadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Participando em cada Eucaristia, vimos beber a \u00e1gua e o sangue que brotam para que o grito de Jesus seja eficaz tamb\u00e9m em n\u00f3s: \u201cEffata!\u201d \u201cAbre-te!\u201d.\u00a0<em><strong>in Dehonianos<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 35,4-7a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dizei aos cora\u00e7\u00f5es perturbados:<br \/>\n\u00abTende coragem, n\u00e3o temais.<br \/>\nA\u00ed est\u00e1 o vosso Deus;<br \/>\nvem para fazer justi\u00e7a e dar a recompensa;<br \/>\nEle pr\u00f3prio vem salvar-nos\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o se abrir\u00e3o os olhos dos cegos<br \/>\ne se desimpedir\u00e3o os ouvidos dos surdos.<br \/>\nEnt\u00e3o o coxo saltar\u00e1 como um veado<br \/>\ne a l\u00edngua do mudo cantar\u00e1 de alegria.<br \/>\nAs \u00e1guas brotar\u00e3o no deserto<br \/>\ne as torrentes na aridez da plan\u00edcie;<br \/>\na terra seca transformar-se-\u00e1 em lago<br \/>\ne a terra \u00e1rida em nascentes de \u00e1gua.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os cap\u00edtulos 34-35 do Livro de Isa\u00edas constituem aquilo a que os biblistas chamam o \u201cpequeno apocalipse de Isa\u00edas\u201d (para distinguir do \u201cgrande apocalipse de Isa\u00edas\u201d, que aparece nos cap\u00edtulos 24-27). Descrevem o castigo definitivo das na\u00e7\u00f5es inimigas de Israel, particularmente de Edom, o povo nascido de Esa\u00fa, irm\u00e3o de Jacob (cap\u00edtulo 34), e a vit\u00f3ria definitiva do Povo de Deus sobre os inimigos (cap\u00edtulo 35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estes dois cap\u00edtulos, pelos motivos e pela tem\u00e1tica, parecem poder ser relacionados com os cap\u00edtulos 40-55 do Livro de Isa\u00edas (cujo autor \u00e9 o profeta designado por Deutero-Isa\u00edas, que atuou na Babil\u00f3nia entre os exilados, na fase final do Ex\u00edlio). Por que raz\u00e3o estes dois cap\u00edtulos se apresentam separados do seu \u201cambiente natural\u201d (Is 40-55)? Provavelmente, foram atra\u00eddos pelas pe\u00e7as escatol\u00f3gicas soltas de Is 28-33 (especialmente pelo cap\u00edtulo 33).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O autor destes dois cap\u00edtulos escreve na fase final do ex\u00edlio do Povo de Deus na Babil\u00f3nia (por volta do ano 550 a.C.). A sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 consolar os exilados, desanimados, frustrados e mergulhados no desespero, porque a liberta\u00e7\u00e3o tarda e parece que Deus os abandonou (uma tem\u00e1tica que ser\u00e1 desenvolvida e aprofundada nos cap\u00edtulos 40-55 do Livro de Isa\u00edas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Depois de apresentar o julgamento de Deus sobre as na\u00e7\u00f5es (cf. Is 34,1-4) e o castigo de Edom (cf. Is 34,5-15), o autor descreve, por contraste, a alegria do Povo de Deus porque chegou a hora da liberta\u00e7\u00e3o. A pr\u00f3pria terra (o L\u00edbano glorioso, o belo monte Carmelo e a policromada plan\u00edcie do Saron) alegrar-se-\u00e1, vestir-se-\u00e1 das suas melhores cores, encher-se-\u00e1 de flores para celebrar a iniciativa salvadora de Deus e para acolher os exilados que regressam triunfalmente (cf. 35,1-2).<strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Para uns, o nosso tempo \u00e9 um tempo fascinante, cheio de realiza\u00e7\u00f5es, de descobertas, de conquistas, que abrem aos seres humanos possibilidades infinitas. Para outros, no entanto, o nosso tempo \u00e9 um tempo assustador, marcado pelo sobreaquecimento do planeta, pela subida do n\u00edvel do mar, pela destrui\u00e7\u00e3o da camada do ozono, pela elimina\u00e7\u00e3o das florestas, pela polui\u00e7\u00e3o dos rios e mares, pelo espectro da fome e da mis\u00e9ria de bili\u00f5es de seres humanos, pelas guerras cada vez mais violentas e destruidoras, pelo risco de holocausto nuclear\u2026 Para todos, \u00e9 um tempo de desafios, de interpela\u00e7\u00f5es, de procura, de risco\u2026 Como \u00e9 que n\u00f3s nos relacionamos com este mundo? Vemo-lo com os olhos da esperan\u00e7a, ou com os \u00f3culos escuros do pessimismo?<\/li>\n<li>Os crentes, seja qual for a avalia\u00e7\u00e3o que fa\u00e7am do mundo e das suas cores, n\u00e3o podem esquecer que \u201cDeus est\u00e1 a\u00ed\u201d: Ele preside \u00e0 hist\u00f3ria humana, Ele conhece e acompanha a caminhada dos homens, Ele abra\u00e7a a humanidade inteira com o seu carinho e a sua ternura de pai e de m\u00e3e. \u00c9 Ele que faz com que o deserto se revista de vida nova e que na plan\u00edcie \u00e1rida do desespero brote a flor da esperan\u00e7a; \u00e9 Ele que ilumina o caminho para que n\u00e3o andemos aos trope\u00e7\u00f5es, na escurid\u00e3o; \u00e9 Ele que desperta os surdos do seu isolamento e da sua autossufici\u00eancia e os convida a escutar os gritos de sofrimento dos pobres; \u00e9 Ele que devolve aos coxos, presos por cadeias de opress\u00e3o, de injusti\u00e7a e de pecado, a possibilidade de serem livres. \u00c9 com a certeza da presen\u00e7a salvadora e amorosa de Deus e com a convic\u00e7\u00e3o de que Ele n\u00e3o nos deixar\u00e1 abandonados nas m\u00e3os das for\u00e7as da morte que somos convidados a caminhar pela vida e a enfrentar a hist\u00f3ria. Confiamos em Deus, na sua provid\u00eancia, na sua solicitude, no seu amor?<\/li>\n<li>O profeta \u00e9 o homem que rema contra a mar\u00e9\u2026 Quando todos cruzam os bra\u00e7os e se afundam no desespero, o profeta \u00e9 capaz de olhar para o futuro com os olhos de Deus e ver, para l\u00e1 do horizonte do sol poente, um amanh\u00e3 novo. Ele vai ent\u00e3o gritar aos quatro ventos a esperan\u00e7a, fazer com que o desespero se transforme em alegria e que o imobilismo se transforme em luta empenhada por um mundo melhor. E n\u00f3s, chamados a ser no mundo sinais vivos de Deus, somos profetas da desgra\u00e7a, ou arautos e testemunhas da esperan\u00e7a? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 \u00a0<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><strong>Salmo 145 (146)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: \u00d3 minha alma, louva o Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Aleluia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor faz justi\u00e7a aos oprimidos,<br \/>\nd\u00e1 p\u00e3o aos que t\u00eam fome<br \/>\ne a liberdade aos cativos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor ilumina os olhos dos cegos,<br \/>\no Senhor levanta os abatidos,<br \/>\no Senhor ama os justos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor protege os peregrinos,<br \/>\nampara o \u00f3rf\u00e3o e a vi\u00fava<br \/>\ne entrava o caminho aos pecadores.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor reina eternamente;<br \/>\no teu Deus, \u00f3 Si\u00e3o,<br \/>\n\u00e9 rei por todas as gera\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Tiago 2,1-5<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Meus irm\u00e3os:<br \/>\nA f\u00e9 em Nosso Senhor Jesus Cristo<br \/>\nn\u00e3o deve admitir ace\u00e7\u00e3o de pessoas.<br \/>\nPode acontecer que na vossa assembleia<br \/>\nentre um homem bem vestido e com an\u00e9is de ouro<br \/>\ne entre tamb\u00e9m um pobre e mal vestido;<br \/>\ntalvez olheis para o homem bem vestido e lhe digais:<br \/>\n\u00abTu, senta-te aqui em bom lugar\u00bb,<br \/>\ne ao pobre: \u00abTu, fica a\u00ed de p\u00e9\u00bb,<br \/>\nou ent\u00e3o: \u00abSenta-te a\u00ed, abaixo do estrado dos meus p\u00e9s\u00bb.<br \/>\nN\u00e3o estareis a estabelecer distin\u00e7\u00f5es entre v\u00f3s<br \/>\ne a tornar-vos ju\u00edzes com maus crit\u00e9rios?<br \/>\nEscutai, meus car\u00edssimos irm\u00e3os:<br \/>\nN\u00e3o escolheu Deus os pobres deste mundo<br \/>\npara serem ricos na f\u00e9<br \/>\ne herdeiros do reino que Ele prometeu \u00e0queles que O amam?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O autor da \u201cCarta de Tiago\u201d apresenta-se a si pr\u00f3prio como \u201cservo de Deus e do Senhor Jesus Cristo\u201d (Tg 1,1). A tradi\u00e7\u00e3o identifica-o com o Tiago \u201cirm\u00e3o do Senhor\u201d, figura de refer\u00eancia na comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m (cf. At 12,17; 15,13-21; 21,18-25), que foi martirizado no ano 62. No entanto, \u00e9 pouco prov\u00e1vel que esse Tiago tenha sido o autor deste escrito. Tamb\u00e9m n\u00e3o parece prov\u00e1vel que a carta tenha sido escrita por Tiago, filho de Zebedeu e irm\u00e3o de Jo\u00e3o (cf. Mc 1,19; 3,17), ou pelo outro Tiago, o \u201cfilho de Alfeu\u201d (cf. Mc 3,18), que fazia parte do grupo dos Doze ap\u00f3stolos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A carta \u00e9 endere\u00e7ada \u201c\u00e0s doze tribos da Dispers\u00e3o\u201d (Tg 1,1). Isso pode querer dizer que o documento se destinava a crist\u00e3os de origem judaica que viviam fora da Palestina; no entanto, as \u201cdoze tribos da Dispers\u00e3o\u201d tamb\u00e9m podem, em sentido figurado, ser as comunidades crist\u00e3s dispersas pelo mundo greco-romano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Seja como for, o autor desta carta \u00e9 um escritor ex\u00edmio, que se exprime muito bem na l\u00edngua grega, apesar de usar diversos semitismos. Tem um vocabul\u00e1rio rico e utiliza recursos estil\u00edsticos de belo efeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Carta de Tiago n\u00e3o \u00e9 um tratado de teologia. \u00c9, digamos assim, um conjunto de reflex\u00f5es de um mestre crist\u00e3o empenhado em propor, a partir da mensagem de Jesus, um caminho de vida crist\u00e3 aut\u00eantica. Os disc\u00edpulos de Jesus, destinat\u00e1rios da carta, s\u00e3o exortados a acolher a sabedoria que vem do alto e a deixar que ela os guie pelo caminho da f\u00e9 e da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que a liturgia deste vig\u00e9simo terceiro domingo do tempo comum nos prop\u00f5e como segunda leitura pertence \u00e0 segunda parte da carta (cf. Tg 2,1-26), que reflete sobre a f\u00e9. De uma forma muito pr\u00e1tica, este \u201cs\u00e1bio\u201d crist\u00e3o ensina que a f\u00e9 se concretiza no amor ao pr\u00f3ximo, sem qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o ou de ace\u00e7\u00e3o de pessoas (cf. Tg 2,1-13); e que a f\u00e9 se expressa, n\u00e3o atrav\u00e9s de ritos formais ou de palavras ocas, mas de a\u00e7\u00f5es concretas em favor do homem (cf. Tg 2,14-26). De acordo com o autor da Carta de Tiago, a f\u00e9 dos crentes deve ser uma f\u00e9 operativa, que se traduz num compromisso social e comunit\u00e1rio. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O autor da Carta de Tiago tem raz\u00e3o: a nossa f\u00e9 em Cristo Jesus \u00e9 incompat\u00edvel com qualquer atitude que sugira a ace\u00e7\u00e3o de pessoas. Sabemos como Jesus viveu: Ele sentou-se \u00e0 mesa com os desclassificados, acolheu os doentes, estendeu a m\u00e3o aos leprosos, chamou um publicano para fazer parte do seu grupo de disc\u00edpulos, disse que os pobres eram os filhos queridos de Deus, amou aqueles que a sociedade religiosa do tempo considerava amaldi\u00e7oados e condenados\u2026 Ora, a comunidade crist\u00e3 \u00e9 hoje, no meio do mundo, o rosto vivo de Cristo; por isso, deve ser a \u201ccasa de fam\u00edlia\u201d onde todos os filhos de Deus, sem exce\u00e7\u00e3o, se sentem acolhidos, queridos e amados. Isto \u00e9, naturalmente, uma evid\u00eancia que ningu\u00e9m contesta\u2026 Mas, na pr\u00e1tica, todos s\u00e3o acolhidos na nossa comunidade crist\u00e3 com respeito e amor? Na nossa comunidade crist\u00e3 tratamos com a mesma delicadeza e com o mesmo respeito quem \u00e9 rico e quem \u00e9 pobre, quem tem uma posi\u00e7\u00e3o social relevante e quem a n\u00e3o tem, quem tem um t\u00edtulo universit\u00e1rio e quem \u00e9 analfabeto, quem se d\u00e1 bem com o padre e quem tem uma atitude cr\u00edtica diante de certas op\u00e7\u00f5es dos respons\u00e1veis da comunidade?<\/li>\n<li>Na nossa vida do dia a dia deparamo-nos, a cada passo \u2013 no nosso c\u00edrculo de rela\u00e7\u00f5es, no nosso universo profissional, no nosso pr\u00e9dio, talvez at\u00e9 na nossa fam\u00edlia \u2013 com pessoas que t\u00eam ideias diferentes, das nossas, que t\u00eam comportamentos que reprovamos, que talvez levam vidas pouco recomend\u00e1veis, que vivem \u201cfora da caixa\u201d e n\u00e3o s\u00e3o social ou politicamente corretas\u2026 Como lidamos com as pessoas \u201cdiferentes\u201d, com aqueles que a sociedade marcou, julgou e condenou? Somos, para todos e em todos os momentos, testemunhas daquele Jesus que nunca fez ace\u00e7\u00e3o de pessoas e que acolheu at\u00e9 aqueles que a sociedade julgava e condenava?<\/li>\n<li>Deus tem uma rela\u00e7\u00e3o privilegiada com os pobres. Isto n\u00e3o quer dizer, contudo, que Deus tenha uma op\u00e7\u00e3o de classe e que privilegie uns em detrimento de outros\u2026 Na verdade, Deus oferece o seu amor, a sua gra\u00e7a e a sua vida a todos; contudo, uns acolhem os seus dons e outros n\u00e3o\u2026 Os \u201cpobres\u201d s\u00e3o aqueles que, na sua simplicidade e humildade est\u00e3o dispon\u00edveis para acolher os dons de Deus. Estamos conscientes de que temos de despir-nos do orgulho, da autossufici\u00eancia, dos preconceitos, das ostenta\u00e7\u00f5es, das vaidades, para que nos nossos cora\u00e7\u00f5es haja espa\u00e7o para os desafios e as propostas de Deus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Marcos 7,31-37<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus deixou de novo a regi\u00e3o de Tiro<br \/>\ne, passando por Sid\u00f3nia, veio para o mar da Galileia,<br \/>\natravessando o territ\u00f3rio da Dec\u00e1pole.<br \/>\nTrouxeram-Lhe ent\u00e3o um surdo que mal podia falar<br \/>\ne suplicaram-Lhe que impusesse as m\u00e3os sobre ele.<br \/>\nJesus, afastando-Se com ele da multid\u00e3o,<br \/>\nmeteu-lhe os dedos nos ouvidos<br \/>\ne com saliva tocou-lhe a l\u00edngua.<br \/>\nDepois, erguendo os olhos ao C\u00e9u,<br \/>\nsuspirou e disse-lhe:<br \/>\n\u00abEffath\u00e1\u00bb, que quer dizer \u00abAbre-te\u00bb.<br \/>\nImediatamente se abriram os ouvidos do homem,<br \/>\nsoltou-se-lhe a pris\u00e3o da l\u00edngua<br \/>\ne come\u00e7ou a falar corretamente.<br \/>\nJesus recomendou que n\u00e3o contassem nada a ningu\u00e9m.<br \/>\nMas, quanto mais lho recomendava,<br \/>\ntanto mais intensamente eles o apregoavam.<br \/>\nCheios de assombro, diziam:<br \/>\n\u00abTudo o que faz \u00e9 admir\u00e1vel:<br \/>\nfaz que os surdos oi\u00e7am e que os mudos falem\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na fase final da \u201cetapa da Galileia\u201d, multiplicam-se as rea\u00e7\u00f5es negativas contra Jesus e contra o seu projeto, apesar do rasto de esperan\u00e7a que Ele vai deixando pelas aldeias e cidades por onde passa. As \u00faltimas discuss\u00f5es com os fariseus e com doutores da Lei a prop\u00f3sito de quest\u00f5es legais e da \u201ctradi\u00e7\u00e3o dos antigos\u201d (cf. Mc 7,1-23) s\u00e3o uma esp\u00e9cie de gota de \u00e1gua que faz Jesus abandonar o territ\u00f3rio judeu e a passar, por algum tempo, ao territ\u00f3rio pag\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Marcos refere, neste contexto, uma viagem de Jesus pela Fen\u00edcia, que o leva at\u00e9 Tiro e S\u00eddon, cidades da faixa costeira oriental do mar Mediterr\u00e2neo, no L\u00edbano atual (cf. Mc 7,24). A\u00ed teria curado a filha de uma mulher pag\u00e3, siro-fen\u00edcia de origem (cf. Mc 7,25-30). No regresso dessa incurs\u00e3o pela Fen\u00edcia, Jesus n\u00e3o teria vindo diretamente na dire\u00e7\u00e3o do Mar da Galileia, mas teria dado uma longa volta pelo territ\u00f3rio pag\u00e3o da Dec\u00e1pole (cf. Mc 7,31). O nome Dec\u00e1pole servia para designar uma liga de dez cidades (Damasco, Filad\u00e9lfia, Rafana, Bet-Shean, Gadara, Hipos, Diom, Pela, Gerasa e Canata), que se formou depois da conquista da Palestina pelos romanos (ano 63 a.C.). Essas cidades situavam-se a oriente do Mar da Galileia e estavam sob a administra\u00e7\u00e3o do legado romano da S\u00edria. Eram centros de cultura grega, e cada uma delas tinha um certo grau de autonomia. Os judeus, por sua vez, viam a Dec\u00e1pole como um territ\u00f3rio pag\u00e3o, completamente \u00e0 margem dos caminhos da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 nesse ambiente geogr\u00e1fico e humano que Marcos situa a cura, por Jesus, de um homem surdo-mudo. Provavelmente o catequista Marcos est\u00e1 a sugerir, com este enquadramento, que o an\u00fancio do Evangelho aos pag\u00e3os \u2013 que alguns anos mais tarde, ap\u00f3s o Conc\u00edlio de Jerusal\u00e9m, vem a ser uma aposta firme da comunidade crist\u00e3 \u2013 foi algo que estava j\u00e1 nos planos e na pr\u00e1tica de Jesus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A \u201csurdez\u201d e a \u201cmudez\u201d que atacam os seres humanos n\u00e3o estavam no plano original de Deus para a humanidade. Deus criou o ser humano para a rela\u00e7\u00e3o, para o di\u00e1logo, para a comunh\u00e3o (\u201cn\u00e3o \u00e9 conveniente que o homem esteja s\u00f3\u201d \u2013 disse Deus no in\u00edcio de tudo \u2013 cf. Gn 2,18). A \u201csurdez\u201d e a \u201cmudez\u201d que nos paralisam e nos tornam infelizes n\u00e3o v\u00eam de Deus, mas s\u00e3o consequ\u00eancia das escolhas erradas feitas pelo homem. Contudo, Deus nunca se conformou com essa op\u00e7\u00e3o que priva os seres humanos de Vida verdadeira. Para nos curar da nossa \u201csurdez\u201d e da nossa \u201cmudez\u201d, enviou-nos o seu Filho, a sua \u201cPalavra eterna\u201d. Cumprindo a miss\u00e3o que o Pai Lhe entregou, Jesus convidou-nos insistentemente a superar o ego\u00edsmo, a autossufici\u00eancia, o isolamento, e a abrir o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 comunh\u00e3o, \u00e0 partilha, ao amor (\u201ceffath\u00e1\u201d, \u201cabre-te\u201d). Estamos dispon\u00edveis para nos encontrar com Jesus, para acolher o desafio que Ele nos veio propor, para assumir os valores do Reino de Deus, para O seguir at\u00e9 \u00e0 cruz, at\u00e9 ao dom da vida por amor? Estamos convictos de que escolher viver na \u201csurdez\u201d e na \u201cmudez\u201d \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o est\u00fapida, que impede a nossa realiza\u00e7\u00e3o plena, a nossa felicidade?<\/li>\n<li>O \u201csurdo-mudo\u201d, incapaz de escutar a Palavra de Deus, pode perfeitamente representar aqueles homens e mulheres que vivem fechados aos projetos e aos desafios de Deus, que n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o nem disponibilidade para Deus e para as suas propostas. Essa \u00e9, ali\u00e1s, uma das \u201cdoen\u00e7as\u201d mais significativas do nosso tempo. O que carateriza o s\u00e9c. XXI n\u00e3o \u00e9 o ate\u00edsmo; mas \u00e9 a indiferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a Deus. Muitos dos nossos contempor\u00e2neos optam por permanecer surdos a Deus e \u00e0s suas indica\u00e7\u00f5es; o que Deus diz e prop\u00f5e n\u00e3o lhes interessa. O que \u00e9 que as propostas de Deus significam para n\u00f3s? Damos ouvidos aos apelos e desafios de Deus, ou aos valores e propostas que o mundo nos apresenta?<\/li>\n<li>O \u201csurdo-mudo\u201d pode tamb\u00e9m ser figura daqueles que n\u00e3o se preocupam em comunicar, em escutar e acolher os outros, em partilhar a vida, em deixar-se questionar pelas achegas e sugest\u00f5es dos irm\u00e3os\u2026 Os \u201csurdos-mudos\u201d s\u00e3o que n\u00e3o precisam dos irm\u00e3os para nada, que vivem instalados nas suas certezas e nos seus preconceitos, convencidos de que s\u00e3o donos absolutos da verdade; s\u00e3o aqueles que n\u00e3o t\u00eam tempo nem disponibilidade para ouvir os outros com paci\u00eancia e compaix\u00e3o, que n\u00e3o conseguem compreender os erros e as falhas dos outros e n\u00e3o sabem perdoar\u2026 Uma vida de \u201csurdez\u201d \u00e9 uma vida vazia, est\u00e9ril, triste, ego\u00edsta, fechada, sem amor. Temos consci\u00eancia de que nesse caminho nunca encontraremos a nossa realiza\u00e7\u00e3o e a nossa felicidade?<\/li>\n<li>O \u201csurdo-mudo\u201d representa ainda aqueles que se fecham no ego\u00edsmo e no comodismo e ficam indiferentes aos apelos do mundo\u2026 Somos \u201csurdos-mudos\u201d quando escutamos os gritos dos injusti\u00e7ados e lavamos as nossas m\u00e3os; somos \u201csurdos-mudos\u201d quando toleramos estruturas que geram injusti\u00e7a, mis\u00e9ria, sofrimento e morte; somos \u201csurdos-mudos\u201d quando pactuamos com valores que tornam o homem mais escravo e mais dependente; somos \u201csurdos-mudos\u201d quando encolhemos os ombros, indiferentes, face \u00e0 guerra, \u00e0 fome, \u00e0 injusti\u00e7a, \u00e0 doen\u00e7a, ao analfabetismo; somos \u201csurdos-mudos\u201d quando nos demitimos das nossas responsabilidades e deixamos que sejam os outros a comprometer-se e a arriscar; somos \u201csurdos-mudos\u201d quando calamos a nossa revolta por medo, cobardia ou calculismo; somos \u201csurdos-mudos\u201d quando nos resignamos a vegetar no nosso espa\u00e7o de conforto, sem nos empenharmos na constru\u00e7\u00e3o de um mundo novo\u2026 Uma vida comodamente instalada nesta \u201csurdez-mudez\u201d descomprometida \u00e9 uma vida que vale a pena ser vivida?<\/li>\n<li>O \u201csurdo-mudo\u201d de que o Evangelho deste vig\u00e9simo terceiro domingo comum nos fala foi trazido e apresentado a Jesus por outras pessoas. Isto deve fazer-nos pensar na nossa obriga\u00e7\u00e3o de fazer a ponte entre os irm\u00e3os que vivem prisioneiros da \u201csurdez-mudez\u201d e a proposta libertadora de Jesus. Poderemos ficar de bra\u00e7os cruzados quando algum dos nossos irm\u00e3os se instala em esquemas de fechamento, de ego\u00edsmo, de autossufici\u00eancia, e renuncia assim \u00e0 possibilidade de construir uma vida com sentido? O que poderemos fazer \u2013 respeitando sempre as op\u00e7\u00f5es e a liberdade de cada um \u2013 para que os \u201csurdos-mudos\u201d que encontramos nos caminhos da vida descubram a alegria do encontro, da comunh\u00e3o, da partilha, do servi\u00e7o, do amor?<\/li>\n<li>Antes de curar o \u201csurdo-mudo\u201d, Jesus \u201cergueu os olhos ao c\u00e9u\u201d. O gesto de Jesus recorda-nos que \u00e9 preciso manter sempre, no meio da a\u00e7\u00e3o, a refer\u00eancia a Deus. N\u00e3o conseguiremos ser arautos de uma nova humanidade \u2013 de uma humanidade liberta do ego\u00edsmo e da autossufici\u00eancia \u2013 se n\u00e3o nos mantivermos conectados com Deus, em di\u00e1logo com Deus, atentos aos projetos e desafios de Deus, fortalecidos pelo Esp\u00edrito de Deus. Deus \u00e9 a nossa refer\u00eancia, a raz\u00e3o \u00faltima de tudo aquilo que fazemos? Procuramos encontrar tempo para o escutar, para lhe colocar as nossas d\u00favidas e quest\u00f5es, para falar com Ele e para entender os seus caminhos e projetos? Quando tentamos fazer alguma coisa em favor de algu\u00e9m, sentimos que agimos em nome de Deus e n\u00e3o em nome de n\u00f3s pr\u00f3prios ou dos nossos projetos e interesses? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/09\/03\/tudo-fez-bem-feito-3\/\"><strong>TUDO FEZ BEM\u00a0FEITO<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em termos de caixilho geogr\u00e1fico, a cura de um surdo-mudo narrada no Evangelho deste <strong>Domingo XXIII (Marcos 7,31-37)<\/strong> decorre fora das fronteiras de Israel, a oriente do mar da Galileia, na Dec\u00e1pole. Al\u00e9m do epis\u00f3dio de hoje, o Evangelho de Marcos regista apenas mais tr\u00eas epis\u00f3dios fora das fronteiras de Israel: tamb\u00e9m na Dec\u00e1pole (Gerasa), a cura de um endemoninhado (5,1-20) e a segunda \u00abmultiplica\u00e7\u00e3o\u00bb dos p\u00e3es (8,1-9), e a Noroeste, na regi\u00e3o de Tiro, o epis\u00f3dio da mulher sirofen\u00edcia (7,24-30). Estas sa\u00eddas do Evangelho em pessoa para terra pag\u00e3 baralham os nossos esquemas de \u00abantes\u00bb e \u00abdepois\u00bb [primeiro os judeus, depois os gregos], pr\u00f3prios da nossa mentalidade fechada, mas que n\u00e3o cabem no amor de Deus. Al\u00e9m disso, podem ser vistos ainda como uma prolepse da futura prega\u00e7\u00e3o do Evangelho entre os pag\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sendo um entre muitos relatos de cura por parte de Jesus, este epis\u00f3dio da cura de um surdo-mudo apresenta uma fisionomia pr\u00f3pria assente em tra\u00e7os singulares. As pessoas trazem o pobre homem, incapaz de falar e de ouvir e inapto para entrar na assembleia de Deus, e pedem a Jesus que lhe imponha as m\u00e3os (Marcos 7,32). Em vez disso, Jesus faz uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es: 1) toma-o \u00e0 parte, para longe da multid\u00e3o; 2) toca os \u00f3rg\u00e3os privados da sua fun\u00e7\u00e3o: ouvidos e l\u00edngua; 3) ergue os olhos para o c\u00e9u; 4) suspira; 5) diz para o surdo-mudo: \u00ab<em>Effatha<\/em>, abre-te!\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus atende sempre a nossa s\u00faplica. Mas n\u00e3o do modo que lhe pedimos. Assim: n\u00e3o imp\u00f4s as m\u00e3os ao surdo-mudo, mas tocou com as suas m\u00e3os os ouvidos e a l\u00edngua daquele homem. Entenda-se j\u00e1 este gesto e mais do que este gesto: \u00e9 tocando com as suas m\u00e3os tudo o que est\u00e1 doente, que Jesus o assume e o cura. \u00c9 assumindo a nossa carne toda de pecado, de recusa e viol\u00eancia, que Jesus cura a nossa humanidade ferida e pecadora. Ergue os olhos para o c\u00e9u: gesto sacerdotal da ora\u00e7\u00e3o sacerdotal de Jesus (Jo\u00e3o 17,1). Suspirou: suspirar (<em>sten\u00e1z\u00f4<\/em>) \u00e9 rezar e interceder por n\u00f3s \u00e0 maneira do Esp\u00edrito, que intercedia por n\u00f3s com \u00absuspiros sem palavras\u00bb (<em>stenagm\u00f2s al\u00e1l\u00eatos<\/em>) (Romanos 8,26). O gesto de erguer os olhos para o c\u00e9u, gesto de ora\u00e7\u00e3o, logo traduzido no suspiro mostra que Jesus age em especial\u00edssima rela\u00e7\u00e3o com o Pai. De resto, no contexto de uma cura, s\u00f3 aqui Jesus ergue os olhos para o c\u00e9u; do mesmo modo, s\u00f3 Marcos recorda o suspiro de Jesus (7,34; 8,12). Riqu\u00edssima simbologia. Tamb\u00e9m s\u00f3 aqui (<em>Effatha<\/em>) e em Marcos 5,41 (<em>Thalitha k\u00fbm<\/em>), a ordem de Jesus aparece pronunciada em aramaico, e depois traduzida em grego.\u00a0<em>Effatha<\/em>\u00a0(<em>etftah<\/em>, de\u00a0<em>ptah<\/em>, abrir).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Depois desta sequ\u00eancia de gestos de Jesus, que culmina com aquela ordem (<em>Effatha<\/em>), o sucesso surge imediatamente: o surdo-mudo abre-se, e come\u00e7a a ouvir e a falar (Marcos 7,35). E a multid\u00e3o reage manifestando um estado de maravilha (<em>exepl\u00eassonto<\/em>: imperf. pass. de\u00a0<em>ekpl\u00eass\u00f4<\/em>) para al\u00e9m de todas as medidas (<em>hyperperism\u00f2s<\/em>) (Marcos 7,37a), express\u00e3o que n\u00e3o encontramos em mais nenhum lugar do Evangelho. E a palavra que acompanha o espanto: \u00ab<em>Bem<\/em>\u00a0todas as coisas fez: os surdos faz ouvir e os mudos falar\u00bb (Marcos 7,37b). remete claramente para a obra da cria\u00e7\u00e3o (G\u00e9nesis 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Serve de ch\u00e3o ao Evangelho de hoje o texto de Isa\u00edas 35,4-7, que se integra no chamado \u00abPequeno Apocalipse de Isa\u00edas\u00bb (Isa\u00edas 34-35). Neste d\u00edptico, que re\u00fane a destrui\u00e7\u00e3o de Edom (34) e a restura\u00e7\u00e3o de Jud\u00e1 (35), fica \u00e0 vista um belo\u00a0<em>link<\/em>, que fecha, como em analepse, a linha desgra\u00e7ada que pervade Isa\u00edas 1-33, e aponta, em prolepse, para a nova p\u00e1gina, paisagem renovada, que aparecer\u00e1 em Isa\u00edas 40-48. Se o Cap\u00edtulo 34 aparece constru\u00eddo sobre um mundo de castigo e de julgamento, de c\u00f3lera e destrui\u00e7\u00e3o, o Cap\u00edtulo 35 transporta-nos para um mundo de paz e de alegria, pondo em destaque a marcha de todo um povo que se levanta da mis\u00e9ria para a esperan\u00e7a e liberdade. \u00c9 neste contexto de felicidade, novo \u00caxodo e nova Cria\u00e7\u00e3o, que se leem as express\u00f5es: \u00abEnt\u00e3o se abrir\u00e3o os olhos dos cegos, e os ouvidos dos surdos h\u00e3o de desobstruir-se. Ent\u00e3o o coxo saltar\u00e1 como um veado, e a l\u00edngua do mudo cantar\u00e1 de alegria\u00bb (Isa\u00edas 35,5-6). O Evangelho de hoje mostra a realiza\u00e7\u00e3o deste sonho. A exuber\u00e2ncia de Isa\u00edas 35 n\u00e3o encaixa diretamente na\u00a0<em>estrada<\/em>\u00a0descrita em Isa\u00edas 40,3-5, e que \u00e9 a\u00a0<em>estrada<\/em>\u00a0geogr\u00e1fica que conduz da Babil\u00f3nia at\u00e9 Jud\u00e1, no regresso do Ex\u00edlio. Isa\u00edas 35 apresenta um colorido fortemente escatol\u00f3gico, que constitui uma met\u00e1fora para dizer a passagem deste mundo para o mundo novo que h\u00e1 de vir. N\u00e3o se pode, portanto, sem mais, acostar Isa\u00edas 35 a Isa\u00edas 40 e ao chamado \u00absegundo Isa\u00edas\u00bb, e alinh\u00e1-los em continuidade. H\u00e1 um problema de monta a considerar para evitar cair nessa tenta\u00e7\u00e3o, e esse problema consiste em que as particularidades hist\u00f3ricas de Isa\u00edas 40-55 est\u00e3o completamente ausentes de Isa\u00edas 35, que apresenta um cen\u00e1rio completamente a-hist\u00f3rico, semelhante a uma proje\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria para o futuro, de colorido n\u00e3o hist\u00f3rico, mas de teor muito mais escatol\u00f3gico, \u00e9tico e espiritual, que ser\u00e1, de resto, o sentido que se ir\u00e1 encontrar, com o mesmo vocabul\u00e1rio, em Isa\u00edas 57,14 e 62,10. Isto chega para mostrar que a\u00a0<em>estrada<\/em>\u00a0de Isa\u00edas 35 se associa, n\u00e3o tanto com o chamado \u00absegundo-Isa\u00edas\u00bb, mas mais com o chamado \u00abtrito-Isa\u00edas\u00bb. \u00c9 a todos os n\u00edveis\u00a0 compreens\u00edvel que a\u00a0<em>auto estrada<\/em>\u00a0hist\u00f3rico-geogr\u00e1fica de Isa\u00edas 40,3-5 seja expandida e transformada na\u00a0<em>auto estrada<\/em>\u00a0espiritual de Isa\u00edas 35, Isa\u00edas 57,14 e Isa\u00edas 62,10. E \u00e9 assim tamb\u00e9m que o tema da\u00a0<em>auto estrada espiritual<\/em>\u00a0chegar\u00e1 a Jo\u00e3o Batista, o qual, nos alvores do Novo Testamento, e postando-se expressamente na linha de Isa\u00edas, continua a convocar o povo para a constru\u00e7\u00e3o da ponte da convers\u00e3o que leva a uma vida nova (cf. Mateus 3,3; Marcos 1,3; Lucas 3,4; Jo\u00e3o 1,23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 S. Tiago continua, na incisiva li\u00e7\u00e3o de hoje (2,1-5), a reclamar a nossa aten\u00e7\u00e3o carinhosa para com os pobres, que s\u00e3o os escolhidos de Deus. E adverte-nos de que n\u00e3o podemos encher os olhos com os ricos, e p\u00f4r de lado os pobres, pois n\u00e3o pode haver disjun\u00e7\u00e3o entre culto e vida, f\u00e9 e empenho eclesial. Na verdade, a nossa f\u00e9 em Cristo tem de se traduzir em obras compat\u00edveis. A aten\u00e7\u00e3o e o carinho que pusermos no nosso relacionamento com os pobres ser\u00e1 sempre o exame e a verifica\u00e7\u00e3o da nossa f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 assim que o Salmo 146, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de carrilh\u00e3o musical, nos convida a cantar os \u00abdoze bel\u00edssimos nomes\u00bb de Deus, decalcando aqui a express\u00e3o mu\u00e7ulmana que exalta os \u00ab99 bel\u00edssimos nomes\u00bb de\u00a0<em>Allah<\/em>. \u00c9 claro que os doze nomes que passaremos em revista n\u00e3o celebram tanto a ess\u00eancia divina, mas a sua a\u00e7\u00e3o em favor das suas criaturas, sobretudo dos mais pobres e desfavorecidos. \u00c9 assim que o Salmo evoca o Deus que fez o c\u00e9u, a terra, o mar, o Deus Criador (1), o Deus da verdade (<em>\u02bcemet<\/em>) (2), o Deus que faz justi\u00e7a aos oprimidos, defensor dos \u00faltimos (3), que d\u00e1 p\u00e3o aos famintos (4), que liberta os prisioneiros (5), que abre os olhos aos cegos (6), que levanta os abatidos (7), que ama os justos (8), que protege os estrangeiros (9), que sustenta o \u00f3rf\u00e3o e a vi\u00fava (10), que entrava o caminho dos \u00edmpios (11), o Deus que reina eternamente (12). Este maravilhoso Salmo faz-nos saborear musicalmente toda a liturgia de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Leitura-I-do-Domingo-XXIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-08.09.2024-Is-35-4-7a.pdf\">Leitura I do Domingo XXIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 08.09.2024 (Is 35, 4-7a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Leitura-II-do-Domingo-XXIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-08.09.2024-Tg-2-1-5.pdf\">Leitura II do Domingo XXIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 08.09.2024 (Tg 2, 1-5)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Domingo-XXIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-08.09.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XXIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 08.09.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Domingo-XXIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-08.09.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 08.09.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Domingo-XXIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-08.09.2024-refletindo.pdf\">Domingo XXIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 08.09.2024-refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXII do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 01.09.2024&#8243; tab_id=&#8221;1725918090846-1fb20c95-34d1&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo XXII do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 01.09.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Domingo-XXII.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Liturgia da palavra deste domingo prop\u00f5e-nos uma reflex\u00e3o sobre a \u201cLei\u201d de Deus, que n\u00e3o se esgota no mero cumprimento de ritos ou de pr\u00e1ticas vazias de significado. A \u201cLei\u201d de Deus (1.\u00aa Leitura) \u00e9 o caminho seguro para a felicidade e para a vida em plenitude. Para Jesus (Evangelho) a verdadeira religi\u00e3o n\u00e3o se centra no cumprimento formal das \u201cleis\u201d, mas num processo de convers\u00e3o que leve o homem \u00e0 comunh\u00e3o com Deus e com os irm\u00e3os. Por isso (2.\u00aa Leitura) a Palavra escutada e acolhida no cora\u00e7\u00e3o tem de tornar-se um compromisso de amor, de partilha, de solidariedade com o mundo e com os homens.\u00a0<strong><em>in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Deuteron\u00f3mio 4,1-2.6-8<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mois\u00e9s falou ao povo, dizendo:<br \/>\n\u00abAgora escuta, Israel,<br \/>\nas leis e os preceitos que vos dou a conhecer<br \/>\ne ponde-os em pr\u00e1tica,<br \/>\npara que vivais e entreis na posse da terra<br \/>\nque vos d\u00e1 o Senhor, Deus de vossos pais.<br \/>\nN\u00e3o acrescentareis nada ao que vos ordeno,<br \/>\nnem suprimireis coisa alguma,<br \/>\nmas guardareis os mandamentos do Senhor vosso Deus,<br \/>\ntal como eu vo-los prescrevo.<br \/>\nObservai-os e ponde-os em pr\u00e1tica:<br \/>\neles ser\u00e3o a vossa sabedoria e a vossa prud\u00eancia<br \/>\naos olhos dos povos,<br \/>\nque, ao ouvirem falar de todas estas leis, dir\u00e3o:<br \/>\n\u2018Que povo t\u00e3o s\u00e1bio e t\u00e3o prudente \u00e9 esta grande na\u00e7\u00e3o!\u2019<br \/>\nQual \u00e9, na verdade, a grande na\u00e7\u00e3o<br \/>\nque tem a divindade t\u00e3o perto de si<br \/>\ncomo est\u00e1 perto de n\u00f3s o Senhor, nosso Deus,<br \/>\nsempre que O invocamos?<br \/>\nE qual \u00e9 a grande na\u00e7\u00e3o<br \/>\nque tem mandamentos e decretos t\u00e3o justos<br \/>\ncomo esta lei que hoje vos apresento?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Livro do Deuteron\u00f3mio \u00e9 o \u201clivro da Lei\u201d (ou parte dele) que, de acordo com a not\u00edcia de 2 Re 22, 8-13, foi descoberto no Templo de Jerusal\u00e9m no d\u00e9cimo oitavo ano do reinado de Josias (622 a.C.). Nesse livro, os te\u00f3logos deuteronomistas \u2013 origin\u00e1rios do Norte (Israel) mas, entretanto, refugiados no sul (Jud\u00e1) ap\u00f3s as derrotas dos reis do norte frente aos ass\u00edrios \u2013 apresentam os elementos principais da sua vis\u00e3o teol\u00f3gica: h\u00e1 um s\u00f3 Deus, que deve ser adorado por todo o Povo num \u00fanico local de culto (Jerusal\u00e9m); esse Deus amou e elegeu Israel e fez com Ele uma Alian\u00e7a eterna; o Povo de Deus \u00e9 propriedade pessoal de Jav\u00e9 e deve viver para o servi\u00e7o de Deus; nenhum outro Deus deve ocupar, no cora\u00e7\u00e3o do Povo, o lugar que \u00e9 de Jav\u00e9 por direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Literariamente, o livro apresenta-se como um conjunto de tr\u00eas discursos de Mois\u00e9s, pronunciados nas plan\u00edcies de Moab, antes de o Povo atravessar o rio Jord\u00e3o para tomar posse da Terra Prometida. Pressentindo a proximidade da sua morte, Mois\u00e9s deixa ao Povo uma esp\u00e9cie de \u201ctestamento espiritual\u201d: lembra aos hebreus os compromissos assumidos para com Deus e convida-os a renovar a sua alian\u00e7a com Jav\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que a liturgia do vig\u00e9simo segundo domingo comum nos prop\u00f5e como primeira leitura apresenta-se como parte do primeiro discurso de Mois\u00e9s (cf. Dt 1,6-4,43). Na primeira parte desse discurso (cf. Dt 1,6-3,29), em estilo narrativo, o autor deuteronomista p\u00f5e na boca de Mois\u00e9s um resumo da hist\u00f3ria do Povo, desde a estadia no Horeb\/Sinai, at\u00e9 \u00e0 chegada ao monte Pisga, na Transjord\u00e2nia; na parte final desse discurso (cf. Dt 4,1-43), o autor apresenta, em estilo exortativo, um pequeno resumo da Alian\u00e7a e das suas exig\u00eancias. Esta sec\u00e7\u00e3o final do primeiro discurso de Mois\u00e9s come\u00e7a com a express\u00e3o \u201ce agora, Israel\u2026\u201d. Isso indica que, na perspetiva dos te\u00f3logos deuteronomistas, o compromisso que agora se vai pedir a Israel se apoia nos acontecimentos hist\u00f3ricos anteriormente expostos: a a\u00e7\u00e3o de Deus ao longo da caminhada do Povo pelo deserto deve conduzir ao compromisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O cap\u00edtulo 4 do Livro do Deuteron\u00f3mio \u00e9 um texto redigido, muito provavelmente, na fase final do Ex\u00edlio do Povo de Deus na Babil\u00f3nia. Perdido numa terra estrangeira e mergulhado numa cultura estranha, hostilizado quando tentava afirmar a sua f\u00e9 em Jav\u00e9 e celebr\u00e1-la atrav\u00e9s do culto, impressionado com o esplendor ritual e as solenidades do culto babil\u00f3nico, o Povo b\u00edblico corria o risco de trocar Jav\u00e9 pelos deuses babil\u00f3nicos. Neste contexto os te\u00f3logos da escola deuteronomista v\u00e3o convidar o Povo a olhar para a sua hist\u00f3ria (cf. Dt 1,6-3,29), a redescobrir nela a presen\u00e7a salvadora e amorosa de Jav\u00e9 e a comprometer-se de novo com Deus e com a Alian\u00e7a. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Na catequese de Israel, as leis e os preceitos dados por Jav\u00e9 s\u00e3o vistos como o resultado do amor e da solicitude de Deus pelo seu Povo. O Deus criador, libertador e salvador acompanha os passos que Israel d\u00e1 na hist\u00f3ria e, a cada instante, oferece-lhe indica\u00e7\u00f5es seguras sobre o caminho a seguir. A escuta e o acolhimento dessas \u201cpalavras\u201d de Deus garantem, quer em termos pessoais, quer em termos comunit\u00e1rios, felicidade, harmonia, paz, Vida em abund\u00e2ncia. Ora, o tesouro da Palavra de Deus continua \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o hoje. Os tempos s\u00e3o diferentes, mas as indica\u00e7\u00f5es de Deus n\u00e3o t\u00eam prazo de validade: continuam a dizer, aos homens e mulheres do s\u00e9c. XXI, o que devem fazer para constru\u00edrem vidas com sentido. Que import\u00e2ncia \u00e9 que as palavras de Deus assumem na constru\u00e7\u00e3o da nossa vida e na escolha dos nossos caminhos? No meio da az\u00e1fama e do ativismo em que a nossa vida decorre, conseguimos encontrar tempo e disponibilidade para escutar, para meditar e para interiorizar a Palavra eterna de Deus?<\/li>\n<li>H\u00e1 quem considere que as leis e preceitos de Deus condicionam a autonomia e limitam a liberdade do homem; h\u00e1 quem veja nas leis e preceitos de Deus express\u00f5es de uma moral ultrapassada, que n\u00e3o condiz com os valores do nosso tempo e que deve permanecer, coberta de p\u00f3, no museu da hist\u00f3ria. Em contrapartida, h\u00e1 quem olhe para as leis e preceitos de Deus como um caminho sempre v\u00e1lido, que ajuda os seres humanos a constru\u00edrem vidas com sentido, livres de todas as escravid\u00f5es e balizadas por valores verdadeiros, como o amor, a partilha, o servi\u00e7o, o dom da vida\u2026 E n\u00f3s, como vemos e entendemos as leis e preceitos de Deus?<\/li>\n<li>Uma das recomenda\u00e7\u00f5es do texto \u00e9 a de n\u00e3o adulterar a Palavra de Deus, ao sabor dos interesses pessoais ou grupais. Existe sempre o perigo, quer na nossa reflex\u00e3o pessoal, quer na nossa partilha comunit\u00e1ria, de torcermos a Palavra ao sabor dos nossos interesses, de limarmos a sua radicalidade, de lhe cortarmos os aspetos mais questionantes, ou de a fazermos dizer coisas que n\u00e3o v\u00eam de Deus\u2026 \u00c9 preciso perguntarmo-nos constantemente se a Palavra que vivemos e anunciamos \u00e9 a Palavra de Deus ou \u00e9 a nossa \u201cpalavra\u201d, se ela transmite os valores de Deus ou os nossos valores pessoais, se ela testemunha a l\u00f3gica de Deus ou a nossa l\u00f3gica humana. Este processo de discernimento \u00e9 mais f\u00e1cil quando \u00e9 feito em comunidade, no di\u00e1logo e no confronto com os irm\u00e3os que caminham connosco, que nos questionam e que partilham connosco a sua perspetiva das coisas. Que Palavra testemunhamos: a de Deus, ou a nossa? Aceitamos que a nossa vis\u00e3o pessoal das coisas seja confrontada com perspetivas ou entendimentos diferentes? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 \u00a0<\/strong><strong>\u00a0Salmo 14 (15)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Quem habitar\u00e1, Senhor, no vosso santu\u00e1rio?<br \/>\nRefr\u00e3o 2: Ensinai-nos, Senhor: quem habitar\u00e1 em vossa casa?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que vive sem mancha e pratica a justi\u00e7a<br \/>\ne diz a verdade que tem no seu cora\u00e7\u00e3o<br \/>\ne guarda a sua l\u00edngua da cal\u00fania.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que n\u00e3o faz mal ao seu pr\u00f3ximo nem ultraja o seu semelhante,<br \/>\no que tem por desprez\u00edvel o \u00edmpio,<br \/>\nmas estima os que temem o Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que n\u00e3o falta ao juramento, mesmo em seu preju\u00edzo,<br \/>\ne n\u00e3o empresta dinheiro com usura,<br \/>\nnem aceita presentes para condenar o inocente.<br \/>\nQuem assim proceder jamais ser\u00e1 abalado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Tiago 1,17-18.21-22.27<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Car\u00edssimos irm\u00e3os:<br \/>\nToda a boa d\u00e1diva e todo o dom perfeito v\u00eam do alto,<br \/>\ndescem do Pai das luzes,<br \/>\nno qual n\u00e3o h\u00e1 varia\u00e7\u00e3o nem sombra de mudan\u00e7a.<br \/>\nFoi Ele que nos gerou pela palavra da verdade,<br \/>\npara sermos como prim\u00edcias das suas criaturas.<br \/>\nAcolhei docilmente a palavra em v\u00f3s plantada,<br \/>\nque pode salvar as vossas almas.<br \/>\nSede cumpridores da palavra e n\u00e3o apenas ouvintes,<br \/>\npois seria enganar-vos a v\u00f3s mesmos.<br \/>\nA religi\u00e3o pura e sem mancha,<br \/>\naos olhos de Deus, nosso Pai,<br \/>\nconsiste em visitar os \u00f3rf\u00e3os e as vi\u00favas nas suas tribula\u00e7\u00f5es<br \/>\ne conservar-se limpo do cont\u00e1gio do mundo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O autor da Carta de onde foi extra\u00edda a segunda leitura deste vig\u00e9simo segundo domingo comum apresenta-se a si pr\u00f3prio como \u201cTiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo\u201d (cf. Tg 1,1). A tradi\u00e7\u00e3o liga-o ao Tiago \u201cirm\u00e3o\u201d (parente) do Senhor, que presidiu \u00e0 Igreja de Jerusal\u00e9m e do qual os Evangelhos falam acidentalmente como filho de Maria (cf. Mt 13,55; 27,56). De acordo com Fl\u00e1vio Josefo, teria sido martirizado em Jerusal\u00e9m no ano 62. No entanto, a atribui\u00e7\u00e3o deste escrito a tal personagem levanta bastantes dificuldades. O mais certo \u00e9 estarmos perante um outro qualquer Tiago, desconhecido at\u00e9 agora (o \u201cTiago, filho de Alfeu\u201d \u2013 de que se fala em Mc 3,18 \u2013 e o \u201cTiago, filho de Zebedeu\u201d e irm\u00e3o de Jo\u00e3o \u2013 de que se fala em Mc 1,19 \u2013 tamb\u00e9m n\u00e3o se encaixam neste perfil). \u00c9, de qualquer forma, um autor que escreve em excelente grego, recorrendo at\u00e9 a recursos ret\u00f3ricos como a \u201cdiatribe\u201d (um g\u00e9nero muito usado pela filosofia popular hel\u00e9nica), a perguntas ret\u00f3ricas e a jogos de paradoxos e contrastes. Inspira-se particularmente na literatura sapiencial, para extrair dela li\u00e7\u00f5es de moral pr\u00e1tica; mas depende tamb\u00e9m profundamente dos ensinamentos do Evangelho. Trata-se de um s\u00e1bio judeo-crist\u00e3o que repensa, de maneira original, as m\u00e1ximas da sabedoria judaica, em fun\u00e7\u00e3o do cumprimento que elas encontraram nas palavras e no ensinamento de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A carta de Tiago foi enviada \u201c\u00e0s doze tribos que vivem na Di\u00e1spora\u201d (Tg 1,1). Provavelmente, a express\u00e3o alude a crist\u00e3os de origem judaica, dispersos no mundo greco-romano, sobretudo nas regi\u00f5es pr\u00f3ximas da Palestina \u2013 como a S\u00edria ou o Egipto; mas, tamb\u00e9m pode referir-se, em termos metaf\u00f3ricos, \u00e0 totalidade da comunidade de Jesus, dispersa pelo mundo greco-romano. Exorta os crentes a que n\u00e3o percam os valores crist\u00e3os aut\u00eanticos herdados do juda\u00edsmo atrav\u00e9s dos ensinamentos de Cristo. Apela a que os crist\u00e3os vivam com coer\u00eancia e verdade a pr\u00f3pria f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto pertence \u00e0 primeira parte da carta (cf. Tg 1,2-26). A\u00ed, o autor apresenta, aparentemente sem ordem nem l\u00f3gica, um conjunto de desenvolvimentos e de senten\u00e7as sobre a autenticidade e a coer\u00eancia da f\u00e9. Convida os crist\u00e3os a enfrentarem com alegria as prova\u00e7\u00f5es (Tg 1,2-18), a escutarem e a porem em pr\u00e1tica a Palavra de Deus (cf. Tg 1,19-27), a viverem no amor (cf. Tg 2,1-13) e a conciliarem a f\u00e9 com obras concretas em favor dos irm\u00e3os (cf. Tg 2,14-26). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Na nossa \u00e9poca h\u00e1 uma marcada tend\u00eancia para a superabund\u00e2ncia de palavras. As redes sociais, de forma especial, deram-nos possibilidades quase ilimitadas de fazer ouvir a nossa voz e de dar a nossa opini\u00e3o sobre tudo o que nos apetecer. Isso abre-nos canais de comunica\u00e7\u00e3o, de di\u00e1logo e de partilha que nos enriquecem e nos aproximam uns dos outros. Mas, por outro lado, faz-nos viver imersos num ru\u00eddo de fundo \u2013 muitas vezes feito de\u00a0<em>fake news<\/em>, de opini\u00f5es pouco fundamentadas, de ditos pouco s\u00e9rios, de pronunciamentos agressivos, de conversas sem conte\u00fado \u2013 que vai degradando o poder e a for\u00e7a das palavras. Habituamo-nos, para nossa defesa, a n\u00e3o levar demasiado a s\u00e9rio todas as palavras que escutamos, a relativizar aquilo que vamos ouvindo aqui e ali\u2026 E a Palavra eterna de Deus, como a situamos e valorizamos no meio de tudo isto? Ela tem, na nossa vida, um valor superlativo, ou \u00e9 mais ou menos igual a tantas outras palavras que todos os dias ferem os nossos ouvidos e intoxicam a nossa mente?<\/li>\n<li>Por vezes, nos nossos \u201ctiques\u201d de autossufici\u00eancia, temos a tenta\u00e7\u00e3o de encarar as sugest\u00f5es que nos s\u00e3o apresentadas como inger\u00eancias estranhas, que p\u00f5em em causa a nossa autonomia e a nossa liberdade. Como rea\u00e7\u00e3o, fechamo-nos no casulo das nossas certezas e rejeitamos aquilo que nos \u00e9 proposto, correndo o risco de passar ao lado de desafios importantes. \u00c9 por isso que o autor da Carta de Tiago nos convida a acolher a Palavra de Deus com docilidade, com boa vontade, com um cora\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel e obediente. Deus n\u00e3o \u00e9 um advers\u00e1rio dos homens; as palavras que Ele diz nunca ser\u00e3o um atentado contra a nossa liberdade. Deus, ao propor-nos a \u201cPalavra da verdade\u201d, apenas pretende vestir a nossa vida de sentido e apontar-nos caminhos seguros para chegarmos \u00e0 Vida em plenitude. Alguma vez encaramos as indica\u00e7\u00f5es de Deus como intromiss\u00f5es que limitam as nossas escolhas ou a nossa liberdade?<\/li>\n<li>A Palavra de Deus que escutamos e que acolhemos deve conduzir-nos \u00e0 a\u00e7\u00e3o e ao compromisso. Se ficamos apenas pela escuta e pela contempla\u00e7\u00e3o da Palavra, ela torna-se est\u00e9ril e in\u00fatil. A Palavra de Deus leva-nos efetivamente a uma mudan\u00e7a de vida, a um refazer as nossas prioridades, a uma purifica\u00e7\u00e3o dos valores que sustentam a nossa caminhada? A Palavra de Deus faz-nos sair de n\u00f3s pr\u00f3prios, abandonar a nossa zona de conforto e envolver-nos na luta pela justi\u00e7a, pela paz, pela dignidade dos nossos irm\u00e3os, pelos direitos dos mais pobres, por um mundo mais humano e mais fraterno?<\/li>\n<li>A viv\u00eancia da religi\u00e3o, sem a escuta atenta e comprometida da Palavra de Deus, pode facilmente tornar-se o mero cumprimento de ritos e pr\u00e1ticas devocionais, a simples preserva\u00e7\u00e3o de uma tradi\u00e7\u00e3o que herd\u00e1mos dos nossos antepassados, a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas que tornam mais f\u00e1cil a nossa inser\u00e7\u00e3o num determinado meio social\u2026 A Palavra de Deus p\u00f5e-nos em di\u00e1logo com Deus, faz-nos conhecer os projetos de Deus, envolve-nos na vida de Deus, chama-nos a viver na obedi\u00eancia a Deus, compromete-nos com Deus e com o projeto que Ele tem para o mundo e para os homens. Que lugar tem a Palavra de Deus na nossa viv\u00eancia religiosa? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Marcos 7,1-8.14-15.21-23<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nreuniu-se \u00e0 volta de Jesus<br \/>\num grupo de fariseus e alguns escribas<br \/>\nque tinham vindo de Jerusal\u00e9m.<br \/>\nViram que alguns dos disc\u00edpulos de Jesus<br \/>\ncomiam com as m\u00e3os impuras, isto \u00e9, sem as lavar.<br \/>\n\u2013 Na verdade, os fariseus e os judeus em geral<br \/>\nn\u00e3o comem sem terem lavado cuidadosamente as m\u00e3os,<br \/>\nconforme a tradi\u00e7\u00e3o dos antigos.<br \/>\nAo voltarem da pra\u00e7a p\u00fablica,<br \/>\nn\u00e3o comem sem antes se terem lavado.<br \/>\nE seguem muitos outros costumes<br \/>\na que se prenderam por tradi\u00e7\u00e3o,<br \/>\ncomo lavar os copos, os jarros e as vasilhas de cobre \u2013.<br \/>\nOs fariseus e os escribas perguntaram a Jesus:<br \/>\n\u00abPorque n\u00e3o seguem os teus disc\u00edpulos a tradi\u00e7\u00e3o dos antigos,<br \/>\ne comem sem lavar as m\u00e3os?\u00bb<br \/>\nJesus respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abBem profetizou Isa\u00edas a respeito de v\u00f3s, hip\u00f3critas,<br \/>\ncomo est\u00e1 escrito:<br \/>\n\u2018Este povo honra-Me com os l\u00e1bios,<br \/>\nmas o seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de Mim.<br \/>\n\u00c9 v\u00e3o o culto que Me prestam,<br \/>\ne as doutrinas que ensinam n\u00e3o passam de preceitos humanos\u2019.<br \/>\nV\u00f3s deixais de lado o mandamento de Deus,<br \/>\npara vos prenderdes \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o dos homens\u00bb.<br \/>\nDepois, Jesus chamou de novo a Si a multid\u00e3o<br \/>\ne come\u00e7ou a dizer-lhe:<br \/>\n\u00abOuvi-Me e procurai compreender.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 nada fora do homem<br \/>\nque ao entrar nele o possa tornar impuro.<br \/>\nO que sai do homem \u00e9 que o torna impuro;<br \/>\nporque do interior dos homens \u00e9 que saem os maus pensamentos:<br \/>\nimoralidades, roubos, assass\u00ednios,<br \/>\nadult\u00e9rios, cobi\u00e7as, injusti\u00e7as,<br \/>\nfraudes, devassid\u00e3o, inveja,<br \/>\ndifama\u00e7\u00e3o, orgulho, insensatez.<br \/>\nTodos estes v\u00edcios saem l\u00e1 de dentro<br \/>\ne tornam o homem impuro\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Enquanto andava pela Galileia a anunciar a chegada do Reino de Deus, Jesus era frequentemente questionado pelos fariseus e doutores da Lei (cf. Mc 2,6.16.18.24; 3,6.22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os fariseus eram uma presen\u00e7a determinante no universo religioso judaico. Procuravam a cada passo \u2013 nomeadamente na liturgia sinagogal \u2013 contagiar o povo com o amor que eles pr\u00f3prios sentiam pela Tora (a Lei). Apoiando-se nos \u201cescribas\u201d (ou \u201cdoutores da Lei\u201d), ensinavam as regras (\u201chalakot\u201d) que deviam dirigir cada passo da vida dos israelitas. A santidade, para eles, n\u00e3o estava reservada aos sacerdotes, mas era algo que dizia respeito a todo o povo. Chegava-se \u00e0 santidade, cumprindo todas as exig\u00eancias da Lei. E quando todo o povo cumprisse a Lei, o Messias viria trazer a salva\u00e7\u00e3o a Israel. Nesse sentido, vigiavam atentamente para que o Povo n\u00e3o se afastasse das \u201ctradi\u00e7\u00f5es dos antigos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa \u201ctradi\u00e7\u00e3o dos antigos\u201d n\u00e3o se cingia \u2013 na vis\u00e3o dos fariseus \u2013 \u00e0s normas escritas contidas na Tora, mas abrangia um imenso conjunto de leis orais onde apareciam as decis\u00f5es e as senten\u00e7as dos Rabis acerca dos mais diversos temas. Na \u00e9poca de Jesus, essa \u201ctradi\u00e7\u00e3o dos antigos\u201d constava de 613 leis (tantas quantas as letras do Dec\u00e1logo dado a Mois\u00e9s no Monte Sinai), das quais 248 eram preceitos de formula\u00e7\u00e3o positiva e 365 eram preceitos de formula\u00e7\u00e3o negativa. Essas leis \u2013 que o Povo tinha dificuldade em conhecer na sua totalidade e que tinha, ainda mais, dificuldade em praticar \u2013 eram, para os fariseus, o caminho para tornar Israel um Povo santo e para apressar a vinda libertadora do Messias. Vai ser, precisamente, \u00e0 volta desta tem\u00e1tica que se vai centrar a pol\u00e9mica entre Jesus e os fariseus que o Evangelho de hoje nos relata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando Marcos escreveu o seu Evangelho (durante a d\u00e9cada de 60), a quest\u00e3o do cumprimento da Lei judaica ainda era uma quest\u00e3o \u201cquente\u201d. Para os crist\u00e3os vindos do juda\u00edsmo, a f\u00e9 em Jesus devia ser complementada com o cumprimento rigoroso das leis judaicas\u2026 No entanto, a imposi\u00e7\u00e3o dos costumes judaicos levaria, certamente, ao afastamento dos crist\u00e3os vindos do paganismo. Como proceder? O cumprimento da Lei de Mois\u00e9s era importante para a experi\u00eancia crist\u00e3? Para que o Reino que Jesus prop\u00f4s se concretizasse, era necess\u00e1rio o cumprimento integral da Lei judaica? O Conc\u00edlio de Jerusal\u00e9m (realizado por volta do ano 49) j\u00e1 havia dado uma primeira resposta \u00e0 quest\u00e3o: para os crist\u00e3os, o fundamental \u00e9 a pessoa de Jesus e o seu Evangelho; n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito impor aos crist\u00e3os vindos do paganismo o fardo da Lei de Mois\u00e9s. No entanto, o problema continuou a colocar-se durante algumas d\u00e9cadas mais, nomeadamente a prop\u00f3sito dos tabus alimentares hebraicos, que os crist\u00e3os vindos do juda\u00edsmo pretendiam impor a toda a Igreja (cf. Rm 14,1-15,6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O evangelista Marcos est\u00e1 ciente, na altura em que escreve o seu Evangelho, de que esta quest\u00e3o ainda levanta problemas \u00e0 conviv\u00eancia entre crist\u00e3os vindos do mundo judaico e crist\u00e3os vindos do mundo pag\u00e3o. Neste relato, recorrendo \u00e0 autoridade de Jesus, Marcos pretende responder a esta problem\u00e1tica. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Muitas pessoas est\u00e3o mais \u00e0 vontade com defini\u00e7\u00f5es claras, objetivas e seguras; mas n\u00e3o se sentem t\u00e3o \u00e0 vontade no campo nem sempre bem balizado da consci\u00eancia e do cora\u00e7\u00e3o. T\u00eam medo do imprevisto, do que \u00e9 novo e diferente, daquilo que n\u00e3o \u00e9 claramente \u201cbranco\u201d ou \u201cpreto\u201d. Por isso, sentem necessidade de leis que lhes digam, sem margem para d\u00favidas, o que devem fazer e o como devem viver. Preferem que seja outra pessoa \u2013 talvez at\u00e9 o padre \u2013 a pensar por elas, a decidir por elas, a dizerem-lhe o que est\u00e1 certo e o que est\u00e1 errado. Escondem-se atr\u00e1s de leis e sentem-se de consci\u00eancia tranquila porque descarregaram a sua responsabilidade nas leis. As leis s\u00e3o a sua salvaguarda, as leis definem o seu caminho, as leis s\u00e3o uma prote\u00e7\u00e3o segura para lidar com aquilo que as ultrapassa. Vivem a religi\u00e3o das leis. Se transgredirem as leis, confessam-se e voltam a estar de consci\u00eancia tranquila. O problema \u00e9 que esta forma de viver a religi\u00e3o n\u00e3o liberta, n\u00e3o traz alegria, n\u00e3o enche o cora\u00e7\u00e3o de paz. Tamb\u00e9m n\u00e3o ajuda a abra\u00e7ar a religi\u00e3o de Jesus, a religi\u00e3o do amor. As leis, na sua rigidez de pedra, deixam pouco espa\u00e7o para o amor, a miseric\u00f3rdia, a compaix\u00e3o. Era esse o problema de Jesus com a religi\u00e3o das leis e com os fariseus, os arautos dessa experi\u00eancia religiosa. E n\u00f3s? A nossa viv\u00eancia religiosa est\u00e1 presa a leis que balizam tudo aquilo que fazemos e dizemos, ou \u00e9 a religi\u00e3o do amor, da toler\u00e2ncia, da miseric\u00f3rdia, do Evangelho, da abertura de cora\u00e7\u00e3o aos desafios sempre novos de Deus?<\/li>\n<li>\u201cEste povo honra-me com os l\u00e1bios, mas o seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de mim\u201d, diz Jesus, citando o profeta Isa\u00edas. Esse \u00e9 o risco de uma viv\u00eancia religiosa que assenta na simples repeti\u00e7\u00e3o de ora\u00e7\u00f5es decoradas, na mera reprodu\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica de respostas n\u00e3o assumidas interiormente, em h\u00e1bitos e gestos rotineiros, em tradi\u00e7\u00f5es fixas e imut\u00e1veis, num aparato externo que n\u00e3o envolve o cora\u00e7\u00e3o e uma clara op\u00e7\u00e3o por Deus e pelas suas propostas. A nossa forma de viver e de celebrar a f\u00e9 tem alguma coisa a ver com isto?<\/li>\n<li>\u201cA doutrina que ensinam s\u00e3o preceitos humanos\u201d, diz Jesus. \u00c9 inevit\u00e1vel: com o passar do tempo, as religi\u00f5es v\u00e3o acumulando normas, costumes, devo\u00e7\u00f5es, h\u00e1bitos, tradi\u00e7\u00f5es, rituais, f\u00f3rmulas teol\u00f3gicas, que nasceram num determinado contexto cultural, social e religioso e que se transformaram em patrim\u00f3nio inalien\u00e1vel. Todas essas coisas podem ser \u00fateis e fazer bem; mas tamb\u00e9m podem fazer mal, se nos distraem e afastam da Palavra de Deus e do seguimento radical de Jesus. Os \u201cpreceitos humanos\u201d nunca devem ter a primazia. Seria um erro grave se a comunidade de Jesus ficasse prisioneira das tradi\u00e7\u00f5es humanas do passado e n\u00e3o buscasse, antes de tudo, a fidelidade a Jesus e ao Evangelho; seria uma falha grave se nos esfor\u00e7\u00e1ssemos por manter intactas as tradi\u00e7\u00f5es do passado, sem nos preocuparmos em dar testemunho vivo do Reino de Deus com a linguagem que os homens e mulheres do nosso tempo entendem; seria um grave equ\u00edvoco se dessemos a mesma import\u00e2ncia a certas leis da Igreja (sobre a liturgia, o jejum, o celibato dos padres, a organiza\u00e7\u00e3o paroquial, por exemplo) e \u00e0s palavras de Jesus. Na nossa viv\u00eancia da f\u00e9, a que \u00e9 que damos o primeiro lugar: a tradi\u00e7\u00f5es e a doutrinas humanas, ou \u00e0 Palavra eterna e sempre nova de Deus?<\/li>\n<li>\u201c\u00c9 v\u00e3o o culto que me prestam\u201d, diz Jesus. Ao dizer isto, Jesus poderia perfeitamente estar a falar de certas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas cheias de pompa e circunst\u00e2ncia que todos os domingos se desenrolam nas nossas igrejas, mas que n\u00e3o correspondem, para aqueles que nelas participam, a uma op\u00e7\u00e3o clara por Deus e pela Vida de Deus: h\u00e1 celebra\u00e7\u00f5es do matrim\u00f3nio que s\u00e3o meros acontecimentos de car\u00e1ter social; h\u00e1 celebra\u00e7\u00f5es de batismo que n\u00e3o passam de atos impostos pela tradi\u00e7\u00e3o familiar ou pela cultura ambiente; h\u00e1 celebra\u00e7\u00f5es da primeira caminh\u00e3o que s\u00e3o vistos como simples \u201crituais de passagem\u201d na hist\u00f3ria de vida de uma crian\u00e7a. Todas as nossas belas, solenes e elevadas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas s\u00e3o um encontro sincero com Deus? Quando vamos celebrar a f\u00e9 preparamos o cora\u00e7\u00e3o para o encontro com Deus?<\/li>\n<li>\u201c\u00c9 do interior dos homens que saem os maus pensamentos: imoralidades, roubos, assass\u00ednios, adult\u00e9rios, cobi\u00e7as, injusti\u00e7as, fraudes, devassid\u00e3o, inveja, difama\u00e7\u00e3o, orgulho, insensatez\u201d, diz Jesus. \u00c9 verdade. Podemos criar todo o tipo de mecanismos legais que combatam a injusti\u00e7a, a corrup\u00e7\u00e3o, a viol\u00eancia, as desigualdades sociais, a indiferen\u00e7a diante da mis\u00e9ria, a deteriora\u00e7\u00e3o moral da sociedade\u2026 Mas nada disso modificar\u00e1 substancialmente o estado do nosso mundo se n\u00e3o atuarmos ao n\u00edvel dos cora\u00e7\u00f5es. A convers\u00e3o \u00e9 sempre um processo pessoal, que implica uma renova\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, um redirecionar o cora\u00e7\u00e3o para Deus e para as propostas de Deus. Estamos dispon\u00edveis para uma convers\u00e3o, para uma mudan\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o que nos leve a viver segundo Deus?<\/li>\n<li>A \u201creligi\u00e3o das leis\u201d pode ter efeitos perversos na nossa forma de vermos Deus e de situarmos a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus\u2026 Quando absolutizamos as leis, elas podem tornar-se para n\u00f3s um fim e n\u00e3o um caminho. Vivemos de acordo com as leis, procuramos cumpri-las integralmente, ficamos satisfeitos e descansados, sentimo-nos em regra com Deus e com a nossa consci\u00eancia\u2026 Na sequ\u00eancia, corremos o risco de nos tornarmos orgulhosos e autossuficientes, pois sentimos que somos n\u00f3s que, com o nosso esfor\u00e7o para estar em regra, conquistamos a nossa salva\u00e7\u00e3o. Deixamos de precisar de Deus, ou s\u00f3 precisamos d\u2019Ele para apreciar o nosso esfor\u00e7o e para nos dar aquilo que julgamos ser uma \u201cjusta recompensa\u201d. O culto que prestamos a Deus pode tornar-se, nesse caso, um processo interesseiro de compra e venda de favores e n\u00e3o uma manifesta\u00e7\u00e3o do nosso amor a Deus. Tenho consci\u00eancia de que o mero cumprimento das leis n\u00e3o torna Deus meu devedor? Sei que a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 um dom de Deus e n\u00e3o o resultado de uma conquista que eu fiz ao cumprir as leis? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/08\/28\/por-o-coracao-no-prego-4\/\"><strong>P\u00d4R O CORA\u00c7\u00c3O NO\u00a0PREGO<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Depois de termos feito durante cinco Domingos consecutivos, desde o XVII ao XXI, uma incurs\u00e3o pelo Cap\u00edtulo VI do Evangelho segundo S. Jo\u00e3o, <strong>regressamos, neste Domingo XXII do Tempo Comum, ao Evangelho segundo S. Marcos,<\/strong> em que nos \u00e9 dado escutar, ainda que com alguns cortes, o texto de Marcos 7,1-23.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto referido divide-se claramente em tr\u00eas partes: Marcos 7,1-13, em que os interlocutores de Jesus s\u00e3o os fariseus e os escribas (1); Marcos 7,14-16, em que Jesus constitui um novo audit\u00f3rio, chamando a multid\u00e3o e falando para todos (2); Marcos 7,17-23, em que Jesus entra em casa e fala para os seus disc\u00edpulos (3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No caso dos fariseus e escribas, s\u00e3o estes que fazem uma pergunta a Jesus: \u00abPorque \u00e9 que os teus disc\u00edpulos n\u00e3o seguem a tradi\u00e7\u00e3o (<em>par\u00e1d\u00f4sis<\/em>) dos antigos, e comem o p\u00e3o com as m\u00e3os impuras?\u00bb (Marcos 7,5). Jesus inicia a sua resposta com uma cita\u00e7\u00e3o de Isa\u00edas 29,13: \u00abEste povo honra-me com os l\u00e1bios, mas o seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de mim; \u00e9 vazio (<em>m\u00e1t\u00ean<\/em>) o culto que me prestam, e as doutrinas que ensinam s\u00e3o preceitos humanos\u00bb (Marcos 7,6-7). Note-se que o texto hebraico de Isa\u00edas 29,13 abre assim: \u00abEste povo aproxima-se (<em>nagash<\/em>) de mim s\u00f3 com palavras e honra-me com os l\u00e1bios, pois o seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de mim\u00bb. Esta vers\u00e3o \u00e9 fort\u00edssima, pois reclama Jeremias 30,21 que, ao p\u00f4r Deus a fazer aproximar (<em>nagash<\/em>) de si o novo chefe que ser\u00e1 posto \u00e0 frente da comunidade que vem do ex\u00edlio, justifica assim: \u00abNa verdade, quem empenharia o cora\u00e7\u00e3o (<em>\u02bdarab \u02bcet-lib\u00f4<\/em>), aproximando-se (<em>nagash<\/em>) de mim?\u00bb. \u00abEmpenhar o cora\u00e7\u00e3o\u00bb \u00e9 p\u00f4r o cora\u00e7\u00e3o no prego, numa casa de penhores. \u00c9, portanto, igual a morrer. Portanto, o que Jesus come\u00e7a por criticar aos fariseus e escribas \u00e9 o facto de erguerem \u00e0 sua volta uma muralha de palavras, de ficarem enredados nas palavras, e de n\u00e3o arriscarem a vida. Neste sentido, s\u00e3o apostrofados por Jesus por tr\u00eas vezes (modo enf\u00e1tico), quase com as mesmas palavras: \u00abV\u00f3s abandonais \/ violais \/ anulais o mandamento de Deus em favor da vossa tradi\u00e7\u00e3o\u00bb (Marcos 7,8.9.13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na parte do discurso dirigido aos fariseus e escribas (Marcos 7,1-13), Jesus p\u00f4s a nu o culto vazio e exterior, sem Deus e a vida nova que d\u2019Ele vem, e s\u00f3 com rodeios humanos. \u00c9 quanto Jesus diz com as express\u00f5es \u00abs\u00f3 com os l\u00e1bios, e n\u00e3o com o cora\u00e7\u00e3o\u00bb, \u00abs\u00f3 com preceitos humanos, e sem os preceitos de Deus\u00bb. Na nova vaga agora iniciada (Marcos 7,14-16), Jesus chama para junto de si a multid\u00e3o, que tinha sido referida pela \u00faltima vez em Marcos 6,34, e lan\u00e7a dois imperativos a todos: \u00abEscutai-me e compreendei\u00bb (Marcos 7,14). \u00c9 assim que Jesus reclama de todos a m\u00e1xima aten\u00e7\u00e3o. Posto este novo cen\u00e1rio, Jesus enuncia ent\u00e3o o novo princ\u00edpio \u00e9tico do Novo Testamento: a pureza do cora\u00e7\u00e3o. De fora para dentro. Da fisiologia (lavar as m\u00e3os, os jarros\u2026) para a \u00e9tica assente na limpeza e na pureza do cora\u00e7\u00e3o: \u00abNada h\u00e1 fora do homem, que entrando nele, o possa tornar impuro; s\u00e3o as coisas que saem do homem que tornam o homem impuro\u00bb (Marcos 7,15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Proclamado diante de todos o novo princ\u00edpio \u00e9tico fundamental (o que se passa no cora\u00e7\u00e3o \u00e9 a chave da \u00e9tica), Jesus separa-se da multid\u00e3o e entra em casa, novo espa\u00e7o relacional, e a\u00ed e desse modo, explica aos seus disc\u00edpulos o princ\u00edpio sapiencial, o\u00a0<em>mashal<\/em>, proposto \u00e0 escuta e compreens\u00e3o de todos. Note-se, todavia, que s\u00e3o os disc\u00edpulos que pedem explica\u00e7\u00f5es em casa (Marcos 7,17). S\u00f3 eles est\u00e3o com Jesus \u00abem casa\u00bb, e pretendem, n\u00e3o tirar-se de raz\u00f5es, atropelar-se com palavras, mas compreender melhor o dizer sapiencial (<em>mashal<\/em>) de Jesus \u00e0 multid\u00e3o. E Jesus adverte-os, como quem espera deles e de n\u00f3s uma melhor compreens\u00e3o. Mas explica, apontando outra vez o dedo ao cora\u00e7\u00e3o: \u00abN\u00e3o compreendeis que tudo o que, de fora, entra no homem, n\u00e3o o pode tornar impuro, porque n\u00e3o entra no seu cora\u00e7\u00e3o, mas no ventre, e vai para a fossa? E dizia: o que sai do homem, isso sim, torna o homem impuro. Na verdade, \u00e9 de dentro do cora\u00e7\u00e3o dos homens que saem as m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es, imoralidades, roubos, homic\u00eddios, adult\u00e9rios, cobi\u00e7as, malvadez, fraudes, lux\u00faria, mau-olhado, cal\u00fania, soberba, insensatez. Todas estas coisas m\u00e1s v\u00eam de dentro, e tornam o homem impuro\u00bb (Marcos 7,18-23). Not\u00e1vel elenco de v\u00edcios. E como nos d\u00e1 Jesus uma extraordin\u00e1ria e incisiva explica\u00e7\u00e3o, pondo completamente a nu a nossa vida antiga, e ensinando-nos nov\u00edssimas maneiras de viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 V\u00ea-se bem que n\u00e3o basta lavar por fora. O essencial n\u00e3o \u00e9 o \u00abenvelope\u00bb no bolso, \u00e0 entrada da porta, por cima ou por baixo da mesa. N\u00e3o basta, portanto, a \u00ablavagem das m\u00e3os\u00bb, a chamada\u00a0<em>n<sup>e<\/sup>tilat yadayim<\/em>, como forma exterior de traduzir a pureza interior, do cora\u00e7\u00e3o. Na verdade, \u00e9 sempre necess\u00e1rio manter puro o cora\u00e7\u00e3o, e nada de exterior pode iludir ou camuflar esta a\u00e7\u00e3o fundamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Acompanha a proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho de hoje a leitura do Livro do Deuteron\u00f3mio 4,1-8. Fant\u00e1stico discurso de Mois\u00e9s ao povo reunido \u00e0 entrada da Terra Prometida. O Deuteron\u00f3mio inteiro \u00e9 formado por quatro longos discursos proferidos por Mois\u00e9s no \u00faltimo dia da sua vida. O assunto \u00e9 insistentemente o mesmo: para viver feliz na Terra Prometida em que o povo de Israel est\u00e1 para entrar, isto \u00e9, para entrar e viver na Casa de Deus, perto de Deus, Israel tem de escutar e praticar os mandamentos de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E S. Tiago, na sua Carta, tamb\u00e9m hoje lida (1,17-27), insiste no mesmo tom: sede\u00a0<em>fazedores<\/em>\u00a0(<em>poi\u00eata\u00ec<\/em>) e n\u00e3o apenas ouvintes da Palavra de Deus (1,22) todos os dias e em todas as circunst\u00e2ncias, atentos sempre aos mais pobres. \u00c9 pela nossa atitude para com os pobres e necessitados (1,27), que podemos verificar se somos ou n\u00e3o fazedores da Palavra de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Salmo 15 \u00e9 uma \u00abLiturgia de ingresso\u00bb no santu\u00e1rio, ou uma \u00abLiturgia das portas\u00bb. Constitu\u00eda, na pr\u00e1tica, uma esp\u00e9cie de liturgia penitencial ou exame de consci\u00eancia feito \u00e0 porta do Templo, para se aquilatar se a pessoa re\u00fane condi\u00e7\u00f5es para poder entrar no Templo. Quer isto dizer que, para algu\u00e9m poder transpor o limiar do Templo, para poder ir \u00e0 presen\u00e7a de Deus, tem de preencher uma s\u00e9rie de requisitos morais e existenciais, e n\u00e3o apenas de pureza ritual, que nem sequer \u00e9 falada no Salmo. Nas fachadas dos santu\u00e1rios do Egito e da Mesopot\u00e2mia estavam inscritas as condi\u00e7\u00f5es requeridas para se aceder ao culto. Tratava-se, em quase todos os casos, de preceitos de natureza ritual ou exterior. Tamb\u00e9m o Talmude lembrava que \u00abo homem n\u00e3o deve subir ao monte do Templo com sapatos ou bolsa ou com os p\u00e9s cheios de p\u00f3; n\u00e3o deve reduzir os \u00e1trios do templo a entradas apressadas, e muito menos cuspir neles\u00bb. Como se v\u00ea, o nosso Salmo n\u00e3o se entret\u00e9m com ritualismos exteriores, mas requer comportamentos como o cumprimento de atos \u00e9ticos e existenciais, que envolvam a justi\u00e7a e a verdade, que evitem a cal\u00fania e o insulto e a usura. Tenha-se presente que, no mundo oriental, o empr\u00e9stimo interesseiro atingia, por vezes, n\u00edveis alt\u00edssimos. Por exemplo, na Mesopot\u00e2mia, as taxas de empr\u00e9stimo chegaram a variar entre 17 e 50%. O nosso Salmo apela \u00e0 generosidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Leitura-I-do-Domingo-XXII-do-Tempo-Comum-Ano-B-01.09.2024-Dt-4-1-2.6-8.pdf\">Leitura I do Domingo XXII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 01.09.2024 (Dt 4, 1-2.6-8)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Leitura-II-do-Domingo-XXII-do-Tempo-Comum-Ano-B-01.09.2024-Tg-1-17-18.21-22.27.pdf\">Leitura II do Domingo XXII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 01.09.2024 (Tg 1, 17-18.21-22.27)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Domingo-XXII-do-Tempo-Comum-Ano-B-01.09.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XXII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 01.09.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Domingo-XXII-do-Tempo-Comum-Ano-B-01.09.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 01.09.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Domingo-XXII-do-Tempo-Comum-Ano-B-01.09.2024-refletindo.pdf\">Domingo XXII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 01.09.2024-refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXI do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 25.08.2024&#8243; tab_id=&#8221;1725267708189-7622ad83-7185&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo XXI do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 25.08.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Domingo-XXI.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"470\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A liturgia do 21.\u00ba Domingo do Tempo Comum fala-nos de op\u00e7\u00f5es. Lembra-nos que podemos gastar a vida a perseguir valores est\u00e9reis ou, em contrapartida, a apostar em valores eternos, capazes de dar pleno sentido \u00e0 nossa exist\u00eancia. Deus aponta-nos o caminho; mas a decis\u00e3o final \u00e9 sempre nossa<strong><em>. In Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Josu\u00e9 24,1-2a.15-17.18b<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nJosu\u00e9 reuniu todas as tribos de Israel em Siqu\u00e9m.<br \/>\nConvocou os anci\u00e3os de Israel,<br \/>\nos chefes, os ju\u00edzes e os magistrados,<br \/>\nque se apresentaram diante de Deus.<br \/>\nJosu\u00e9 disse ent\u00e3o a todo o povo:<br \/>\n\u00abSe n\u00e3o vos agrada servir o Senhor,<br \/>\nescolhei hoje a quem quereis servir:<br \/>\nse os deuses que os vossos pais serviram no outro lado do rio,<br \/>\nse os deuses dos amorreus em cuja terra habitais.<br \/>\nEu e a minha fam\u00edlia serviremos o Senhor\u00bb.<br \/>\nMas o povo respondeu:<br \/>\n\u00abLonge de n\u00f3s abandonar o Senhor para servir outros deuses;<br \/>\nporque o Senhor \u00e9 o nosso Deus,<br \/>\nque nos fez sair, a n\u00f3s e a nossos pais,<br \/>\nda terra do Egipto, da casa da escravid\u00e3o.<br \/>\nFoi Ele que, diante dos nossos olhos,<br \/>\nrealizou t\u00e3o grandes prod\u00edgios<br \/>\ne nos protegeu durante o caminho que percorremos<br \/>\nentre os povos por onde pass\u00e1mos.<br \/>\nTamb\u00e9m n\u00f3s queremos servir o Senhor,<br \/>\nporque Ele \u00e9 o nosso Deus\u00bb.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro de Josu\u00e9 \u00e9 uma reflex\u00e3o sobre a hist\u00f3ria do Povo de Deus no per\u00edodo que vai desde a sua entrada em Cana\u00e3 at\u00e9 \u00e0 morte de Josu\u00e9 (talvez por meados do s\u00e9c. XII a.C.). Descreve sobretudo a conquista da Terra Pronetida (cf. Js 1,1-12,24) e a distribui\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio pelas tribos (cf. Js 13,1-21,45). Um ap\u00eandice final, redigido provavelmente durante o Ex\u00edlio na Babil\u00f3nia, apresenta outro material, nomeadamente refere a despedida e a morte de Josu\u00e9, bem como a not\u00edcia de uma reuni\u00e3o geral de tribos em Siqu\u00e9m, antes da morte de Josu\u00e9 (cf. Js 22,1-24,33).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em geral, a preocupa\u00e7\u00e3o dos autores da \u201cescola deuteronomista\u201d que compuseram este livro \u00e9 mais de car\u00e1ter teol\u00f3gico do que hist\u00f3rico. Por exemplo, a conquista da Terra \u00e9 apresentada como uma campanha fulgurante e f\u00e1cil em que as doze tribos a uma s\u00f3 voz, sob a lideran\u00e7a de Josu\u00e9, se apoderaram facilmente de toda a Terra. Mas, historicamente as coisas n\u00e3o aconteceram dessa forma\u2026 O livro dos Ju\u00edzes, muito mais realista, fala de uma conquista lenta, dif\u00edcil (cf. Jz 1) e incompleta (cf. Jz 13,1-6; 17,12-16), que n\u00e3o foi obra de um povo unido \u00e0 volta de um chefe \u00fanico, mas de tribos que fizeram a guerra isoladamente. Mais do que descrever factos hist\u00f3ricos, os autores do livro est\u00e3o interessados em afirmar o poder de Jav\u00e9, posto ao servi\u00e7o do seu Povo. Foi Deus \u2013 e n\u00e3o a capacidade militar das tribos \u2013 que, com os seus prod\u00edgios, ofereceu a Israel a Terra Prometida; Israel, por sua vez, deve responder a esse dom mantendo-se fiel \u00e0 Alian\u00e7a e aos mandamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste vig\u00e9simo domingo comum nos prop\u00f5e como primeira leitura situa-nos na fase final da vida de Josu\u00e9. Sentindo aproximar-se a morte, Josu\u00e9 teria reunido em Siqu\u00e9m os l\u00edderes das tribos e ter-lhes-ia proposto uma cerim\u00f3nia de renova\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a com Jav\u00e9. Ter\u00e1 sido uma assembleia onde participaram as doze tribos que, mais tarde (na \u00e9poca de David) v\u00e3o constituir uma unidade nacional? Os biblistas acham que n\u00e3o. Na \u201cassembleia de Siqu\u00e9m\u201d n\u00e3o estaria certamente a tribo de Jud\u00e1, j\u00e1 que os contactos entre Jud\u00e1 e a \u201ccasa de Jos\u00e9\u201d s\u00f3 se estabeleceram na \u00e9poca do rei David. Por outro lado, a \u201ccasa\u201d de Josu\u00e9, referida no texto, reuniria provavelmente apenas as tribos do centro do pa\u00eds (Efraim, Benjamim e Manass\u00e9s), as tribos que viveram a experi\u00eancia da liberta\u00e7\u00e3o do Egito, da caminhada pelo deserto e da Alian\u00e7a do Sinai e que h\u00e1 muito tempo tinham aderido a Jav\u00e9 e \u00e0 Alian\u00e7a. E as outras tribos, convidadas a comprometer-se com Jav\u00e9? Seriam, provavelmente, as tribos do norte do pa\u00eds (Issacar, Zabul\u00f3n, Neftali, Asher e Dan), que n\u00e3o tinham estado no Egito e n\u00e3o tinham experimentado a maravilhosa aventura da liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns pensam que a \u201cassembleia de Siqu\u00e9m\u201d, referida em Js 24, foi a primeira tentativa hist\u00f3rica de estabelecer la\u00e7os entre as tribos instaladas no centro e as tribos instaladas no norte da Palestina. Na perspetiva de Josu\u00e9, a liga\u00e7\u00e3o deveria fazer-se \u00e0 volta de uma f\u00e9 comum num mesmo Deus. Na realidade, a uni\u00e3o das tribos do norte e do centro n\u00e3o se deu de uma vez; mas foi uma caminhada lenta e progressiva, que s\u00f3 se completou muitos anos depois de Josu\u00e9 ter desaparecido de cena.<strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Vivemos mergulhados na cultura do ef\u00e9mero e do contingente. Somos condicionados para acreditar que, enquanto andarmos na terra, a nossa vida nunca estar\u00e1 fechada. As condi\u00e7\u00f5es alteram-se, as pessoas mudam, os cen\u00e1rios variam, a nossa compreens\u00e3o das coisas vai-se modificando. O que hoje nos parece perfeitamente adquirido, amanh\u00e3 \u00e9-nos apresentado como incerto e vari\u00e1vel. Dizem-nos que nada \u00e9 definitivo e que a nossa liberdade de tudo rever \u00e9 ilimitada. Neste v\u00f3rtice, perguntamo-nos a cada instante: que caminhos escolher? Que valores privilegiar? Em que cen\u00e1rio de fundo queremos desenhar a nossa vida? \u00c9 neste contexto que hoje somos convidados a escutar o desafio colocado por Josu\u00e9 ao Povo de Deus na \u201cassembleia de Siqu\u00e9m\u201d: \u201cescolhei hoje a quem quereis servir\u201d. A express\u00e3o interpela-nos acerca das nossas op\u00e7\u00f5es fundamentais, dos valores que sustentam a nossa caminhada, das nossas refer\u00eancias e prioridades\u2026 O que \u00e9 que para n\u00f3s \u00e9 decisivo e inegoci\u00e1vel? Quais s\u00e3o os \u201cdeuses\u201d que nos fazem correr? Que lugar \u00e9 que Deus e as suas propostas ocupam na constru\u00e7\u00e3o da nossa vida? Como queremos realmente viver?<\/li>\n<li>Israel aceitou \u201cservir o Senhor\u201d e comprometer-se com Ele, n\u00e3o por obriga\u00e7\u00e3o, mas pela convic\u00e7\u00e3o de que era esse o caminho para ser feliz e encontrar Vida. Foi uma escolha livre de um povo que, depois de ver como Deus atuava, acreditou na bondade e no amor de Deus. N\u00f3s n\u00e3o somos escravos de Deus, obrigados a cumprir as regras que Ele imp\u00f5e; Deus n\u00e3o \u00e9 um concorrente do homem, um advers\u00e1rio controlador e ciumento que limita a nossa independ\u00eancia e que rouba a nossa liberdade. Deus apenas est\u00e1 interessado na nossa liberta\u00e7\u00e3o, na nossa realiza\u00e7\u00e3o e na nossa felicidade. Como \u00e9 que n\u00f3s entendemos as propostas e os mandamentos de Deus: como exig\u00eancias que condicionam e reprimem, ou como indica\u00e7\u00f5es seguras, fruto do amor e da bondade de Deus, para nos fazerem chegar \u00e0 nossa plena realiza\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>Josu\u00e9, o l\u00edder que sucedeu a Mois\u00e9s na condu\u00e7\u00e3o do Povo de Deus, teve um papel fundamental no sentido de ajudar o Povo a discernir os caminhos mais adequados para construir um futuro com sentido. O discurso de Josu\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um discurso populista ou politicamente correto; o procedimento de Josu\u00e9 n\u00e3o procura condicionar as escolhas do Povo e obrig\u00e1-lo a fazer op\u00e7\u00f5es que n\u00e3o desejava; o pronunciamento de Josu\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um pronunciamento irrespons\u00e1vel e descomprometido\u2026 Josu\u00e9, com firmeza, mas tamb\u00e9m com respeito, limitou-se a afirmar os seus valores e a oferecer o seu testemunho de forma clara, coerente e incisiva: \u201ceu e a minha fam\u00edlia serviremos o Senhor\u201d. \u00c9 assim \u2013 com esta lisura, com esta verdade e com esta coer\u00eancia \u2013 que vemos proceder aqueles que t\u00eam a responsabilidade de presidir \u00e0 comunidade (religiosa ou civil)? E n\u00f3s pr\u00f3prios, quando temos a responsabilidade de animar uma comunidade, \u00e9 assim que procedemos? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 \u00a0<\/strong><strong>\u00a0Salmo 33 (34)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Saboreai e vede como o Senhor \u00e9 bom.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A toda a hora bendirei o Senhor,<br \/>\no seu louvor estar\u00e1 sempre na minha boca.<br \/>\nA minha alma gloria-se no Senhor:<br \/>\nescutem e alegrem-se os humildes.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os olhos do Senhor est\u00e3o voltados para os justos<br \/>\ne os ouvidos atentos aos seus rogos.<br \/>\nA face do Senhor volta-se contra os que fazem o mal,<br \/>\npara apagar da terra a sua mem\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os justos clamaram e o Senhor os ouviu,<br \/>\nlivrou-os de todas as suas ang\u00fastias.<br \/>\nO Senhor est\u00e1 perto dos que t\u00eam o cora\u00e7\u00e3o atribulado<br \/>\ne salva os de \u00e2nimo abatido.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muitas s\u00e3o as tribula\u00e7\u00f5es do justo,<br \/>\nmas de todas elas o livra o Senhor.<br \/>\nGuarda todos os seus ossos,<br \/>\nnem um s\u00f3 ser\u00e1 quebrado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A maldade leva o \u00edmpio \u00e0 morte,<br \/>\nos inimigos do justo ser\u00e3o castigados.<br \/>\nO Senhor defende a vida dos seus servos,<br \/>\nn\u00e3o ser\u00e3o castigados os que n\u2019Ele se refugiam.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Ef\u00e9sios 5,21-32<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nSede submissos uns aos outros no temor de Cristo.<br \/>\nAs mulheres submetam-se aos maridos como ao Senhor,<br \/>\nporque o marido \u00e9 a cabe\u00e7a da mulher,<br \/>\ncomo Cristo \u00e9 a cabe\u00e7a da Igreja, seu Corpo,<br \/>\ndo qual \u00e9 o Salvador.<br \/>\nOra, como a Igreja se submete a Cristo,<br \/>\nassim tamb\u00e9m as mulheres<br \/>\nse devem submeter em tudo aos maridos.<br \/>\nMaridos, amai as vossas mulheres,<br \/>\ncomo Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela.<br \/>\nEle quis santific\u00e1-la,<br \/>\npurificando-a no batismo da \u00e1gua pela palavra da vida,<br \/>\npara a apresentar a Si mesmo como Igreja cheia de gl\u00f3ria,<br \/>\nsem mancha nem ruga, nem coisa alguma semelhante,<br \/>\nmas santa e imaculada.<br \/>\nAssim devem os maridos amar as suas mulheres,<br \/>\ncomo os seus corpos.<br \/>\nQuem ama a sua mulher ama-se a si mesmo.<br \/>\nNingu\u00e9m, de facto, odiou jamais o seu corpo,<br \/>\nantes o alimenta e lhe presta cuidados,<br \/>\ncomo Cristo \u00e0 Igreja;<br \/>\nporque n\u00f3s somos membros do seu Corpo.<br \/>\nPor isso, o homem deixar\u00e1 pai e m\u00e3e,<br \/>\npara se unir \u00e0 sua mulher,<br \/>\ne ser\u00e3o dois numa s\u00f3 carne.<br \/>\n\u00c9 grande este mist\u00e9rio,<br \/>\ndigo-o em rela\u00e7\u00e3o a Cristo e \u00e0 Igreja.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo passou em \u00c9feso, no decurso da sua terceira viagem mission\u00e1ria, e ficou l\u00e1 um pouco mais de dois anos (cf. At 19,8.10). \u00c9feso era, por essa altura, a capital da Prov\u00edncia romana da \u00c1sia e um dos mais importantes centros comerciais e religiosos do mundo greco-romano. O seu templo de Art\u00e9mis, considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo, era conhecido em toda a bacia mediterr\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir do trabalho mission\u00e1rio de Paulo, formou-se em \u00c9feso uma comunidade crist\u00e3 din\u00e2mica, viva e fervorosa. Paulo viveu esse tempo de estadia em \u00c9feso de forma muito intensa, criando uma rela\u00e7\u00e3o privilegiada com a comunidade, como ficou patente quando o ap\u00f3stolo, no final dessa viagem, quis encontrar-se com os anci\u00e3os de \u00c9feso, em Mileto, numa despedida carregada de emo\u00e7\u00e3o e de sentimento (cf. At 20,17-38).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estranhamento, na Carta aos Ef\u00e9sios n\u00e3o transparece essa liga\u00e7\u00e3o pessoal entre Paulo e os crist\u00e3os de \u00c9feso. \u00c9 uma carta com uma reflex\u00e3o madura e cuidada, mas bastante formal e impessoal. Isso tem contribu\u00eddo para que alguns neguem a autenticidade paulina da Carta aos Ef\u00e9sios, considerando-a como obra tardia de um disc\u00edpulo de Paulo. O mais prov\u00e1vel, contudo, \u00e9 que se trate de uma \u201ccarta circular\u201d, enviada por Paulo a diversas igrejas do ocidente da \u00c1sia Menor (atual Turquia), entre as quais se contava tamb\u00e9m a comunidade crist\u00e3 de \u00c9feso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste vig\u00e9simo primeiro domingo comum nos apresenta como primeira leitura est\u00e1 inclu\u00eddo na parte moral e paren\u00e9tica da Carta aos Ef\u00e9sios (cf. Ef 4,1-6,20). A\u00ed, o autor da Carta aos Ef\u00e9sios lembra aos crentes, de forma bastante concreta, a op\u00e7\u00e3o que fizeram no dia do seu Batismo e que os obriga a viver como Homens Novos, \u00e0 imagem de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sec\u00e7\u00e3o de Ef 5,21-6,9 s\u00e3o apresentadas algumas das normas que devem reger as rela\u00e7\u00f5es familiares. De forma especial referem-se os deveres dos esposos, cuja uni\u00e3o \u00e9 apresentada como figura da uni\u00e3o de Cristo com a sua Igreja. Trata-se de um dos temas mais importantes da teologia desenvolvida na Carta aos Ef\u00e9sios.<strong><em> in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O compromisso com Jesus mexe com a totalidade da vida dos seres humanos e tem consequ\u00eancias em todos os n\u00edveis da exist\u00eancia, nomeadamente ao n\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o familiar. Para al\u00e9m de ser o\u00e1sis de amor e de felicidade, o espa\u00e7o da rela\u00e7\u00e3o familiar tamb\u00e9m \u00e9, para os casais crist\u00e3os, um lugar onde se vivem e se manifestam os valores do Reino de Deus. Com a sua partilha de amor, com a sua uni\u00e3o, com a sua comunh\u00e3o de vida, o casal crist\u00e3o \u00e9 chamado a ser sinal e reflexo da uni\u00e3o de Cristo com a sua Igreja. Por isso, a Igreja pede: \u201cos esposos, feitos \u00e0 imagem de Deus e estabelecidos numa ordem verdadeiramente pessoal, estejam unidos em comunh\u00e3o de afeto e de pensamento e com m\u00fatua santidade de modo que, seguindo a Cristo, princ\u00edpio da vida, se tornem, pela fidelidade do seu amor, atrav\u00e9s das alegrias e sacrif\u00edcios da sua voca\u00e7\u00e3o, testemunhas daquele mist\u00e9rio de amor que Deus revelou ao mundo com a sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d (<em>Gaudium et Spes<\/em>, 52). Os casais crist\u00e3os est\u00e3o conscientes de que s\u00e3o chamados a dar testemunho no mundo, com o seu amor, com a sua entrega, com a sua harmonia, com a sua vida partilhada, da uni\u00e3o entre Cristo e a sua Igreja?<\/li>\n<li>O amor de Cristo, manifestado em todos os gestos da sua vida, mas tornado patente de forma superlativa na cruz, \u00e9 o modelo para todos os nossos \u201camores\u201d, incluindo o amor dos esposos. O amor dos casais crist\u00e3os \u00e9 um amor definido pelo dom total de si pr\u00f3prio em favor do outro; \u00e9 um amor que vive de olhos postos no bem do outro; \u00e9 um amor que n\u00e3o procura ser servido, mas servir e dar vida; \u00e9 um amor que n\u00e3o \u00e9 competi\u00e7\u00e3o de direitos e deveres, mas comunidade de partilha e de servi\u00e7o; \u00e9 um amor que n\u00e3o \u00e9 arrogante, nem orgulhoso, nem injusto, nem prepotente; \u00e9 um amor que compreende os erros e as falhas do outro, e que tudo desculpa, tudo cr\u00ea, tudo espera, tudo suporta (cf. 1 Co 13,4-7). \u00c9 assim que vivem e amam aqueles de entre n\u00f3s que foram chamados \u00e0 voca\u00e7\u00e3o matrimonial?<\/li>\n<li>Paulo, dirigindo-se \u00e0s mulheres, recomenda-lhes que assumam, frente aos maridos uma atitude de \u201csubmiss\u00e3o\u201d (poder\u00edamos traduzir tamb\u00e9m a palavra utilizada pelo ap\u00f3stolo como \u201cdocilidade\u201d). Evidentemente, temos de enquadrar a recomenda\u00e7\u00e3o de Paulo no contexto sociocultural da \u00e9poca, em que o marido era considerado a refer\u00eancia fundamental da ordem familiar (\u201cporque o marido \u00e9 a cabe\u00e7a da mulher\u201d \u2013 diz Paulo). Seja como for, esta \u201cpalavra\u201d de Paulo nunca poder\u00e1 ser utilizada como pretexto para justificar qualquer atitude de discrimina\u00e7\u00e3o baseada no sexo ou de imposi\u00e7\u00e3o da autoridade do homem sobre a mulher: nem na sociedade, nem na Igreja, nem no contexto familiar. Ali\u00e1s, Paulo dir\u00e1, noutras circunst\u00e2ncias, que \u201cn\u00e3o h\u00e1 judeu nem grego, n\u00e3o h\u00e1 escravo nem livre, n\u00e3o h\u00e1 homem e mulher, porque todos sois um s\u00f3 em Cristo Jesus\u201d (Gl 3,28). Respeitamos a dignidade de cada pessoa, sem discriminar e sem tratar de forma menos pr\u00f3pria aqueles que caminham connosco? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 6,60-69<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nmuitos disc\u00edpulos, ao ouvirem Jesus, disseram:<br \/>\n\u00abEstas palavras s\u00e3o duras.<br \/>\nQuem pode escut\u00e1-las?\u00bb<br \/>\nJesus, conhecendo interiormente<br \/>\nque os disc\u00edpulos murmuravam por causa disso,<br \/>\nperguntou-lhes:<br \/>\n\u00abIsto escandaliza-vos?<br \/>\nE se virdes o Filho do homem<br \/>\nsubir para onde estava anteriormente?<br \/>\nO esp\u00edrito \u00e9 que d\u00e1 vida,<br \/>\na carne n\u00e3o serve de nada.<br \/>\nAs palavras que Eu vos disse s\u00e3o esp\u00edrito e vida.<br \/>\nMas, entre v\u00f3s, h\u00e1 alguns que n\u00e3o acreditam\u00bb.<br \/>\nNa verdade, Jesus bem sabia, desde o in\u00edcio,<br \/>\nquais eram os que n\u00e3o acreditavam<br \/>\ne quem era aquele que O havia de entregar.<br \/>\nE acrescentou:<br \/>\n\u00abPor isso \u00e9 que vos disse:<br \/>\nNingu\u00e9m pode vir a Mim,<br \/>\nse n\u00e3o lhe for concedido por meu Pai\u00bb.<br \/>\nA partir de ent\u00e3o, muitos dos disc\u00edpulos afastaram-se<br \/>\ne j\u00e1 n\u00e3o andavam com Ele.<br \/>\nJesus disse aos Doze:<br \/>\n\u00abTamb\u00e9m v\u00f3s quereis ir embora?\u00bb<br \/>\nRespondeu-Lhe Sim\u00e3o Pedro:<br \/>\n\u00abPara quem iremos, Senhor?<br \/>\nTu tens palavras de vida eterna.<br \/>\nN\u00f3s acreditamos<br \/>\ne sabemos que Tu \u00e9s o Santo de Deus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de Jesus ter saciado a fome da multid\u00e3o que o seguia (cf. Jo 6,1-15), gerou-se uma situa\u00e7\u00e3o equ\u00edvoca. A multid\u00e3o esperava que Jesus fosse um messias-rei que lhe oferecesse uma vida confort\u00e1vel e p\u00e3o em abund\u00e2ncia; e Jesus estava bem consciente de que a sua miss\u00e3o n\u00e3o era \u201cdar coisas\u201d, mas sim oferecer-se a si pr\u00f3prio para que a humanidade tivesse Vida. A multid\u00e3o esperava de Jesus uma proposta humana que conduzisse ao triunfo e \u00e0 gl\u00f3ria; e Jesus sabia claramente que o caminho que tinha para propor era o caminho da cruz, da vida dada at\u00e9 ao extremo, por amor. Percebendo que a multid\u00e3o e Ele n\u00e3o estavam no mesmo comprimento de onda, Jesus n\u00e3o quis alimentar mal-entendidos; e, no \u201cdiscurso do p\u00e3o da vida\u201d (cf. Jo 6,22-59), procurou deixar clara a sua proposta. Depois de escutarem Jesus, os seus interlocutores perceberam que tinham de fazer uma op\u00e7\u00e3o decisiva: ou continuar a viver numa l\u00f3gica humana, virada para os bens materiais e para as satisfa\u00e7\u00f5es mais imediatas, ou assumir a l\u00f3gica de Deus, seguindo o exemplo de Jesus e fazendo da vida um dom de amor para ser partilhado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto do Evangelho que a liturgia deste vig\u00e9simo primeiro domingo comum nos prop\u00f5e refere a rea\u00e7\u00e3o negativa de \u201cmuitos disc\u00edpulos\u201d \u00e0s propostas que Jesus deixou no ar, naquele discurso feito na sinagoga de Cafarnaum, no dia a seguir \u00e0 partilha dos p\u00e3es e dos peixes. Nem todos os disc\u00edpulos que, at\u00e9 agora, o seguiam pelas aldeias e vilas da Galileia est\u00e3o dispostos a identificar-se com Jesus (\u201ccomer a sua carne e beber o seu sangue\u201d) e a oferecer a sua vida como dom de amor que deve ser partilhado com toda a humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poder\u00e1 ser \u00fatil tamb\u00e9m, para entendermos a \u201ccatequese\u201d aqui feita pelo autor do Quarto Evangelho, lembrarmos o contexto em que vivia a comunidade jo\u00e2nica, nos finais do s\u00e9c. I, quando o Evangelho segundo Jo\u00e3o foi escrito\u2026 Os crist\u00e3os eram discriminados e perseguidos em todo o Imp\u00e9rio romano; muitos disc\u00edpulos afastavam-se, recusando-se a seguir Jesus no caminho do dom da vida; outros, confusos e perplexos, questionavam-se se para ser crist\u00e3o seria preciso percorrer um caminho t\u00e3o radical e de tanta exig\u00eancia\u2026 A proposta que Jesus tinha apontado aos seus conduziria, efetivamente, \u00e0 felicidade e \u00e0 Vida plena, ou ao fracasso e \u00e0 morte? Neste cen\u00e1rio \u2013 um cen\u00e1rio que exigia op\u00e7\u00f5es decisivas \u2013 o \u201ccatequista\u201d Jo\u00e3o procura, recorrendo \u00e0s palavras de Jesus, encontrar respostas que devolvam aos crist\u00e3os o \u00e2nimo e a esperan\u00e7a. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Um dos mais belos dons de Deus \u00e9 a liberdade. Contudo, no exerc\u00edcio da liberdade, somos a cada passo confrontados com escolhas; e, muitas vezes as escolhas que fazemos s\u00e3o decisivas para o \u00eaxito ou o fracasso da nossa vida. \u00c9 essa a grande quest\u00e3o que atravessa o Evangelho que escutamos neste domingo. De um lado est\u00e1 um projeto de vida \u2013 alimentado e cultivado por alguns dos disc\u00edpulos que seguem Jesus \u2013 alicer\u00e7ado na ambi\u00e7\u00e3o pessoal, que busca gl\u00f3ria humana, poder, bens materiais, resposta imediata a interesses pr\u00f3prios; \u00e9 um projeto que responder\u00e1 a determinadas necessidades b\u00e1sicas do homem, mas que dificilmente preencher\u00e1 uma vida com sentido. Do outro lado est\u00e1 o projeto de Jesus, que prop\u00f5e uma vida feita dom, concretizada em gestos de servi\u00e7o, de partilha, de generosidade, de amor at\u00e9 ao extremo; \u00e9 um projeto que, muitas vezes, implica andar contra a corrente e enfrentar a incompreens\u00e3o e a persegui\u00e7\u00e3o, mas que conduz \u00e0 Vida verdadeira e eterna. Como nos situamos face a isto? Qual a nossa op\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>Confrontados com a radicalidade do projeto de Jesus, \u201cmuitos disc\u00edpulos\u201d decidiram que aquilo n\u00e3o era para eles e foram-se embora. Estavam demasiado ref\u00e9ns dos seus sonhos de riqueza f\u00e1cil, dos seus desejos ego\u00edstas, dos seus valores f\u00fateis, dos seus jogos de poder e de influ\u00eancia, dos seus comodismos e seguran\u00e7as\u2026 Provavelmente tinham ido atr\u00e1s de Jesus pelas raz\u00f5es erradas. Trata-se de um \u201cequ\u00edvoco\u201d que tem tend\u00eancia a repetir-se: em cada \u00e9poca da hist\u00f3ria h\u00e1 \u201cdisc\u00edpulos\u201d de Jesus \u2013 talvez at\u00e9 figuras de refer\u00eancia nas nossas comunidades crist\u00e3s \u2013 que andam com Ele pelas raz\u00f5es erradas e que assumem um estilo de vida claramente divorciado da proposta de Jesus. Cultivam valores ocos, vivem obcecados com os bens materiais, tratam os irm\u00e3os com prepot\u00eancia e arrog\u00e2ncia, n\u00e3o t\u00eam escr\u00fapulos em p\u00f4r os outros a servi-los, tratam a comunidade como sua propriedade privada, n\u00e3o olham a meios para atingir determinados fins. Este quadro diz-nos alguma coisa? O qu\u00ea?<\/li>\n<li>Os Doze ficaram com Jesus, pois estavam convictos de que s\u00f3 Ele tem \u201cpalavras de Vida eterna\u201d. Ao lado de Jesus descobriram outra maneira de viver; a mensagem de Jesus apontou-lhes uma Vida verdadeira e definitiva que eles antes n\u00e3o conheciam. Por isso, est\u00e3o decididos a deixarem-se conduzir por Jesus. N\u00e3o veem ningu\u00e9m que os ajude, melhor do que Jesus, a dar sentido \u00e0s suas vidas. Esses Doze representam aqueles que n\u00e3o se conformam com a banalidade de uma vida constru\u00edda sobre valores ef\u00e9meros e que querem ir mais al\u00e9m; representam aqueles que n\u00e3o est\u00e3o dispostos a conduzir a sua vida ao sabor da pregui\u00e7a, do comodismo, da instala\u00e7\u00e3o; representam aqueles que aderem sinceramente a Jesus, se comprometem com o seu projeto e se esfor\u00e7am por viver em coer\u00eancia com a op\u00e7\u00e3o por Jesus que fizeram no dia do seu Batismo. Vemos esses Doze como modelo da nossa ades\u00e3o a Jesus e ao seu projeto? Mesmo com as falhas que resultam da nossa fragilidade, procuramos viver com coer\u00eancia e verdade o nosso compromisso com o seguimento de Jesus?<\/li>\n<li>Jesus n\u00e3o parece estar t\u00e3o preocupado com o n\u00famero de disc\u00edpulos que continuar\u00e3o a segui-l\u2019O, quanto com o manter a verdade e a coer\u00eancia do seu projeto. Ele n\u00e3o faz ced\u00eancias f\u00e1ceis para ter \u00eaxito ou para captar a benevol\u00eancia e os aplausos das multid\u00f5es, pois o Reino de Deus n\u00e3o \u00e9 um concurso de popularidade\u2026 O Evangelho que Jesus veio propor conduz \u00e0 Vida plena, mas por um caminho que \u00e9 de radicalidade e de exig\u00eancia e que muitas vezes est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com as ideias e valores que o mundo privilegia. \u201cSuavizar\u201d as exig\u00eancias do Evangelho, a fim de que ele seja mais facilmente aceite pelos homens do nosso tempo, pode ser desvirtuar a proposta de Jesus e despojar o Evangelho daquilo que ele tem de verdadeiramente transformador. O que deve inquietar-nos n\u00e3o \u00e9 tanto o n\u00famero de pessoas que v\u00e3o \u00e0 Igreja, mas \u00e9 mais o mantermos a fidelidade ao programa de Jesus. Anunciamos e testemunhamos o Evangelho de Jesus sem ced\u00eancias f\u00e1ceis e sem prescindirmos da sua radicalidade e exig\u00eancia?<\/li>\n<li>Um dos elementos que sobressai no Evangelho deste domingo \u00e9 a serenidade com que Jesus encara o \u201cn\u00e3o\u201d de alguns disc\u00edpulos ao projeto que Ele veio propor. Diante desse \u201cn\u00e3o\u201d, Jesus n\u00e3o for\u00e7a as coisas, n\u00e3o protesta, n\u00e3o amea\u00e7a, mas respeita absolutamente a liberdade de escolha dos seus disc\u00edpulos. Jesus mostra, assim, o respeito de Deus pelas decis\u00f5es (mesmo erradas) do homem, pelas dificuldades que o homem sente em comprometer-se, pelos caminhos diferentes que o homem escolhe seguir. O nosso Deus \u00e9 um Deus que respeita o homem, que o trata como adulto, que aceita que ele exer\u00e7a o seu direito \u00e0 liberdade. \u00c9 bom caminharmos sentindo que Deus respeita a nossa autonomia e liberdade. Por outro lado, um Deus t\u00e3o compreensivo e tolerante convida-nos a dar mostras de miseric\u00f3rdia, de respeito e de compreens\u00e3o para com os irm\u00e3os que seguem caminhos diferentes, que fazem op\u00e7\u00f5es diferentes, que conduzem a sua vida de acordo com valores e crit\u00e9rios diferentes dos nossos. \u00c9 esse o testemunho que damos? Procuramos respeitar as diferen\u00e7as, os \u201cdiferentes\u201d, sem assumirmos atitudes de marginaliza\u00e7\u00e3o ou de exclus\u00e3o? Respeitamos a leg\u00edtima liberdade dos homens e das mulheres que caminham ao nosso lado? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/08\/21\/o-bisturi-da-palavra-de-deus\/\"><strong>O BISTURI DA PALAVRA DE\u00a0DEUS<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Neste Domingo XXI do Tempo Comum<\/strong>, escutaremos a sexta e \u00faltima Parte do Cap\u00edtulo VI do Quarto Evangelho, que contempla os \u00faltimos vers\u00edculos (Jo\u00e3o 6,60-69), e estende a discuss\u00e3o antes havida da multid\u00e3o (Jo\u00e3o 6,25-40) e dos judeus (Jo\u00e3o 6,41-58) com Jesus, tamb\u00e9m aos disc\u00edpulos em geral, que entram agora em cena em Jo\u00e3o 6,60, para pouco depois sa\u00edrem de cena, para fora da a\u00e7\u00e3o de Jesus, em Jo\u00e3o 6,66, sendo ent\u00e3o a vez dos Doze e de Pedro entrarem em cena (Jo\u00e3o 6,67-69).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Veja-se a grada\u00e7\u00e3o: multid\u00e3o, judeus, disc\u00edpulos, Doze e Pedro. Curiosamente, os disc\u00edpulos, numa esp\u00e9cie de imbrica\u00e7\u00e3o, retomam a atitude dos judeus, que os precederam em cena: murmuram (<em>gogg\u00fdz\u00f4<\/em>) como eles contra o esc\u00e2ndalo da incarna\u00e7\u00e3o e das origens divinas de Jesus (Jo\u00e3o 6,61), e classificam como duro (<em>skl\u00ear\u00f3s<\/em>), incompreens\u00edvel, intrag\u00e1vel (Jo\u00e3o 6,60), o discurso de Jesus sobre a sua carne-vida dada em alimento para a vida verdadeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Al\u00e9m de \u00abmurmurar\u00bb como os judeus de Cafarnaum e do deserto (\u00caxodo 15,24; 16,2 e 7-8; 17,3; N\u00fameros 14,2.27.29.36), muitos dos disc\u00edpulos abandonam Jesus e \u00abvoltam para tr\u00e1s\u00bb (Jo\u00e3o 6,66), configurando-se como anti disc\u00edpulos e anti povo de Deus, que, no deserto, tamb\u00e9m pretende voltar para tr\u00e1s, para o Egito (\u00caxodo 14,12; 16,3; 17,3; N\u00fameros 14,3-4). Ora, o disc\u00edpulo verdadeiro \u00e9 aquele que vai atr\u00e1s de Jesus, seguindo-o, e n\u00e3o o que volta para tr\u00e1s, abandonando-o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De notar ainda que, no caso dos disc\u00edpulos, e de forma diferente da multid\u00e3o e dos judeus, \u00e9 Jesus que faz a pergunta e d\u00e1 a resposta. Os disc\u00edpulos apenas murmuram, n\u00e3o ouvem, n\u00e3o respondem e v\u00e3o-se embora. No caso dos Doze, \u00e9 Jesus que faz a pergunta, e \u00e9 Pedro que, em nome dos Doze e em contraponto com todos os grupos anteriores, n\u00e3o se limita apenas a responder, mas profere uma verdadeira profiss\u00e3o de f\u00e9 (Jo\u00e3o 6,68-69).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vendo bem, neste Cap\u00edtulo VI do Evangelho de Jo\u00e3o, que hoje atinge o seu \u00e1pice, as diversas rea\u00e7\u00f5es aos acontecimentos de Jesus, a que a exegese chama \u00abcrise galilaica\u00bb, antecipam e leem j\u00e1 as crises sucessivas que v\u00e3o aparecer na Igreja. Trata-se sempre da grande decis\u00e3o de f\u00e9 pr\u00f3 ou contra a humildade da Incarna\u00e7\u00e3o, da Cruz e da Eucaristia. A Palavra de Jesus que se ouve aqui, e continua a ouvir-se ainda hoje, ser\u00e1 sempre como um bisturi que divide, julga e purifica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A mesma grande decis\u00e3o ou incis\u00e3o est\u00e1 patente no grande texto de Josu\u00e9 24,1-18. Josu\u00e9 profere diante de todo o povo reunido um dos mais belos e completos \u00abm\u00f3dulos narrativos\u00bb de toda a Escritura, mostrando ao povo que foi Deus que conduziu a inteira hist\u00f3ria de Israel, com amor poderoso, desde o outro lado do Rio Eufrates, chamando e conduzindo os passos de Abra\u00e3o, libertando depois o povo da opress\u00e3o do Egito, guiando-o pelo deserto, libertando-o dos inimigos poderosos que o amea\u00e7avam por todos os lados, e fazendo-o entrar na Terra de Cana\u00e3 (Josu\u00e9 24,2-14). Depois desta descri\u00e7\u00e3o maravilhosa que tem Deus por sujeito, Josu\u00e9 abre o tempo das decis\u00f5es, em que \u00abservir\u00bb \u00e9 a palavra-chave, que se ouve por 14 vezes. Servir ou n\u00e3o servir, eis a quest\u00e3o posta por Josu\u00e9 ao povo: \u00abSe n\u00e3o vos agrada servir o Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir\u00bb (Josu\u00e9 24,15a). Josu\u00e9 avan\u00e7a a sua escolha e decis\u00e3o: \u00abEu e a minha fam\u00edlia serviremos o Senhor!\u00bb (Josu\u00e9 24,15b). Ent\u00e3o, o povo repassa outra vez na mem\u00f3ria do cora\u00e7\u00e3o todos os benef\u00edcios que lhe fez o Senhor, desde a liberta\u00e7\u00e3o do Egito, aos sinais e prod\u00edgios realizados em seu favor, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o assegurada pelo Senhor ao longo do caminho percorrido e perante os advers\u00e1rios (Josu\u00e9 24,16-18a), para afirmar logo convictamente: \u00abN\u00f3s tamb\u00e9m serviremos o Senhor\u00bb (Josu\u00e9 24,18b).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E, na Carta aos Ef\u00e9sios 5,21-32, o \u00abservi\u00e7o\u00bb chama-se amor. O texto hoje lido constitui um extrato de um dos \u00abC\u00f3digos familiares\u00bb, que se encontram nas chamadas Cartas editadas de S. Paulo. Estas Cartas que remontam a Paulo, mas que s\u00e3o editadas depois da sua morte, j\u00e1 n\u00e3o traduzem o esfor\u00e7o evangelizador patente nas Cartas aut\u00eanticas, mas procuram levar o Evangelho a situa\u00e7\u00f5es concretas da vida, como sejam a fam\u00edlia e o trabalho. O texto de hoje real\u00e7a sobretudo a rela\u00e7\u00e3o marido-esposa, que deve retratar a rela\u00e7\u00e3o sublime e salutar Cristo-Igreja. Mas, se a leitura continuasse, tamb\u00e9m ver\u00edamos o Evangelho a renovar as rela\u00e7\u00f5es pais-filhos e patr\u00f5es-empregados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Voltamos, pelo terceiro Domingo consecutivo, \u00e0 m\u00fasica do Salmo 34. Desta vez para nos apercebermos melhor que Deus atende sempre com solicitude os gritos de socorro do justo perseguido (v. 16.18), ao mesmo tempo que apaga da terra a mem\u00f3ria dos malfeitores (v. 17.22). Esta certeza \u00e9 muitas vezes a \u00fanica e a \u00faltima defesa do justo que sofre \u00e0s m\u00e3os dos \u00edmpios. Os Salmos de impreca\u00e7\u00e3o, ou as suas partes mais violentas, foram abolidos da ora\u00e7\u00e3o oficial, como se n\u00e3o fossem, na verdade, Palavra inspirada. Pecado nosso, que assim mostramos n\u00e3o compreender o realismo e a efic\u00e1cia da ora\u00e7\u00e3o b\u00edblica, e dificultamos aos aflitos o poder extravasar diante de Deus as suas amarguras, e deixamos os violentos a maquinar tranquilamente as suas crueldades, como se Deus n\u00e3o visse nem ouvisse nem lhes pedisse contas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Leitura-I-do-Domingo-XXI-do-Tempo-Comum-Ano-B-25.08.2024-Jos-24-1-2a.15-17.18b.pdf\">Leitura I do Domingo XXI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 25.08.2024 (Jos 24, 1-2a.15-17.18b)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Leitura-II-do-Domingo-XXI-do-Tempo-Comum-Ano-B-25.08.2024-Ef-5-21-32.pdf\">Leitura II do Domingo XXI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 25.08.2024 (Ef 5, 21-32)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Domingo-XXI-do-Tempo-Comum-Ano-B-25.08.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XXI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 25.08.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Domingo-XXI-do-Tempo-Comum-Ano-B-25.08.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 25.08.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Domingo-XXI-do-Tempo-Comum-Ano-B-25.08.2024-refletindo.pdf\">Domingo XXI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 25.08.2024-refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XX do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 18.08.2024&#8243; tab_id=&#8221;1724667155875-f01be833-2f08&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo XX do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 18.08.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Domingo-XX.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"569\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o conv\u00e9m interromper o Discurso, o Evangelho, o Serm\u00e3o do P\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um convite. Ler em cont\u00ednuo todo o Cap\u00edtulo 6 do Evangelho de Jo\u00e3o, que foi \u201c<strong><em>partido<\/em><\/strong>\u201d ao longo de 5 domingos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>XVII DTC \u2013\u00a0Jo 6, 1-15 \u201cDe onde comprareis p\u00e3o para dar de comer a esta gente toda?\u201d<br \/>\nXVIII DTC \u2013\u00a0Jo 6, 24-35 \u201cO meu pai \u00e9 que vos d\u00e1 o P\u00e3o, o do c\u00e9u, o verdadeiro.\u201d<br \/>\nXIX DTC \u2013\u00a0Jo 6, 41-51 \u201cEu sou o P\u00e3o Vivo, o do C\u00e9u.\u201d<br \/>\nXX DTC \u2013\u00a0Jo 6, 51-58 \u201cAssim como eu vivo do Pai, quem me comer viver\u00e1 de mim.\u201d<br \/>\nXXI DTC \u2013\u00a0Jo 6, 60-69 \u201cV\u00f3s n\u00e3o quereis ir-vos embora, pois n\u00e3o?\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jo 6, 51-58<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">51Eu sou o p\u00e3o vivo, o que desceu do C\u00e9u: se algu\u00e9m comer deste p\u00e3o, viver\u00e1 eternamente; e o p\u00e3o que Eu hei de dar \u00e9 a minha carne, pela vida do mundo.\u00bb52Ent\u00e3o, os judeus, exaltados, puseram-se a discutir entre si, dizendo: \u00abComo pode Ele dar-nos a sua carne a comer?!\u00bb\u00a053Disse-lhes Jesus: \u00abEm verdade, em verdade vos digo: se n\u00e3o comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e n\u00e3o beberdes o seu sangue, n\u00e3o tereis a vida em v\u00f3s.\u00a054Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei de ressuscit\u00e1-lo no \u00faltimo dia,\u00a055porque a minha carne \u00e9 uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida.\u00a056Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele.\u00a057Assim como o Pai que me enviou vive e Eu vivo pelo Pai, tamb\u00e9m quem de verdade me come viver\u00e1 por mim.\u00a058Este \u00e9 o p\u00e3o que desceu do C\u00e9u; n\u00e3o \u00e9 como aquele que os antepassados comeram, pois eles morreram; quem come mesmo deste p\u00e3o viver\u00e1 eternamente.\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Prov\u00e9rbios 9,1-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Sabedoria edificou a sua casa e levantou sete colunas.<br \/>\nAbateu os seus animais,<br \/>\npreparou o vinho e p\u00f4s a mesa.<br \/>\nEnviou as suas servas<br \/>\na proclamar nos pontos mais altos da cidade:<br \/>\n\u00abQuem \u00e9 inexperiente venha por aqui\u00bb.<br \/>\nE aos insensatos ela diz:<br \/>\n\u00abVinde comer do meu p\u00e3o e beber do vinho que vos preparei.<br \/>\nDeixai a insensatez e vivereis;<br \/>\nsegui o caminho da prud\u00eancia\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cLivro dos Prov\u00e9rbios\u201d apresenta diversas cole\u00e7\u00f5es de ditos, de senten\u00e7as, de m\u00e1ximas, de prov\u00e9rbios (\u201cmashal\u201d) onde se cristaliza o resultado da reflex\u00e3o e da experi\u00eancia (\u201csabedoria\u201d) de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de \u201cs\u00e1bios\u201d antigos (israelitas e alguns n\u00e3o israelitas). O objetivo desses prov\u00e9rbios \u00e9 definir uma esp\u00e9cie de \u201cordem\u201d do mundo e da sociedade que, uma vez apreendida e aceite pelo indiv\u00edduo, o levar\u00e1 a uma integra\u00e7\u00e3o plena no meio em que est\u00e1 inserido. Dessa forma, o indiv\u00edduo poder\u00e1 viver sem traumas nem sobressaltos que destruam a sua harmonia interior e o incapacitem para dar o seu contributo \u00e0 comunidade. Ficar\u00e1, assim, de posse da chave para viver em harmonia consigo mesmo e com os outros, e assegurar\u00e1 uma vida feliz, tranquila e pr\u00f3spera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro apresenta-se como tendo sido composto por Salom\u00e3o (cf. Pr 1,1), o rei \u201cs\u00e1bio\u201d, conhecido pelos seus dotes de governa\u00e7\u00e3o, pelos seus dons liter\u00e1rios, por numerosas senten\u00e7as s\u00e1bias (cf. 1 Re 3,16-28; 5,7; 10,1-9.23) e que se tornou uma esp\u00e9cie de \u201cpadr\u00e3o\u201d da tradi\u00e7\u00e3o sapiencial\u2026 Na realidade, n\u00e3o podemos aceitar, de forma acr\u00edtica, essa indica\u00e7\u00e3o: a leitura atenta do livro revela que estamos diante de cole\u00e7\u00f5es de proveni\u00eancia diversa, compostas em \u00e9pocas diversas. Alguns dos materiais apresentados no livro podem ser do s\u00e9c. X a.C., a \u00e9poca de Salom\u00e3o (embora isso n\u00e3o nos garanta que venham do pr\u00f3prio Salom\u00e3o); outros, no entanto, s\u00e3o bem mais recentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como primeira leitura neste vig\u00e9simo domingo comum integra uma sec\u00e7\u00e3o que poder\u00edamos intitular, genericamente, \u201cinstru\u00e7\u00f5es e advert\u00eancias\u201d (cf. Pr 1,8-9,18). Trata-se de um conjunto de exorta\u00e7\u00f5es e de instru\u00e7\u00f5es de um pai\/educador, convidando o filho a adquirir a \u201csabedoria\u201d. \u00c9 dentro desta sec\u00e7\u00e3o que nos aparece a ant\u00edtese entre a \u201csenhora sabedoria\u201d e a \u201csenhora insensatez\u201d (cf. Pr 9,1-6.13-18) \u2013 um dos textos emblem\u00e1ticos do \u201cLivro dos Prov\u00e9rbios\u201d. A nossa leitura \u00e9, precisamente, a primeira parte da ant\u00edtese (a apresenta\u00e7\u00e3o da \u201csenhora sabedoria\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo os especialistas, esta sec\u00e7\u00e3o \u00e9 a parte mais recente do \u201cLivro dos Prov\u00e9rbios\u201d e n\u00e3o pode ser anterior ao s\u00e9c. IV ou III a.C. Provavelmente, foi escrita como introdu\u00e7\u00e3o ao livro quando todas as outras sec\u00e7\u00f5es j\u00e1 estavam organizadas. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A quest\u00e3o das op\u00e7\u00f5es \u00e9 absolutamente determinante na constru\u00e7\u00e3o da nossa vida. O que s\u00e3o op\u00e7\u00f5es corretas? O que \u00e9 que determina o \u00eaxito ou o fracasso da nossa exist\u00eancia? O que \u00e9 que nos faz viver uma vida com sentido? Em que caminhos podemos encontrar a nossa felicidade e a nossa realiza\u00e7\u00e3o plena? Todos os dias nos deparamos com mil e uma respostas a estas quest\u00f5es. Os l\u00edderes pol\u00edticos, os publicit\u00e1rios, os \u201cfazedores de opini\u00e3o\u201d, os agentes dos lobbies, n\u00e3o cessam de nos soprar indica\u00e7\u00f5es que, segundo eles, nos garantem o sucesso, o \u00eaxito, a realiza\u00e7\u00e3o, a felicidade. Como discernir, no meio desse vendaval de propostas, aquilo que nos ajuda e aquilo que nos prejudica? Em quem acreditar? Para os crist\u00e3os, h\u00e1 uma \u201csabedoria\u201d que n\u00e3o pode ser ignorada: Jesus, a \u201csabedoria de Deus\u201d. Andaremos bem-avisados se as propostas de Jesus forem o crit\u00e9rio decisivo para sabermos o que nos serve e o que n\u00e3o nos serve, aquilo que nos realiza e aquilo que nos prejudica, aquilo que nos traz paz e aquilo que nos rouba a paz, aquilo que nos leva \u00e0 Vida e aquilo que nos leva \u00e0 morte. Procuramos conduzir a nossa vida pela \u201csabedoria\u201d que \u00e9 Jesus? As palavras e os gestos de Jesus s\u00e3o indica\u00e7\u00f5es decisivas para construirmos a nossa vida?<\/li>\n<li>Os que s\u00e3o admitidos na casa da \u201cdona Sabedoria\u201d e que participam do banquete que ela preparou s\u00e3o os \u201csimples\u201d e os \u201cinsensatos que querem deixar a insensatez e seguir o caminho da prud\u00eancia\u201d. Os \u201csimples\u201d s\u00e3o aqueles que n\u00e3o t\u00eam o cora\u00e7\u00e3o demasiado cheio de si pr\u00f3prio, que n\u00e3o se fecham no orgulho e na autossufici\u00eancia, que reconhecem a sua pequenez e finitude e que se entregam com humildade e confian\u00e7a nas m\u00e3os de Deus; os \u201cinsensatos que buscam o caminho da prud\u00eancia\u201d s\u00e3o aqueles que est\u00e3o dispostos a mudar, que n\u00e3o se conformam com a vida do homem velho e querem ir mais al\u00e9m\u2026 Uns e outros s\u00e3o o paradigma de uma determinada atitude: a atitude de abertura aos dons de Deus, de disponibilidade para acolher a Vida de Deus\u2026 Como \u00e9 que nos situamos diante de Deus, das suas indica\u00e7\u00f5es e propostas? Reconhecemos a nossa pequenez e a nossa incapacidade para encontrarmos, contando apenas connosco, o caminho para a realiza\u00e7\u00e3o, para a felicidade, para a Vida plena? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 \u00a0<\/strong><strong>\u00a0Salmo 33 (34)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Saboreai e vede como o Senhor \u00e9 bom.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A toda a hora bendirei o Senhor,<br \/>\no seu louvor estar\u00e1 sempre na minha boca.<br \/>\nA minha alma gloria-se no Senhor:<br \/>\nescutem e alegrem-se os humildes.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Temei o Senhor, v\u00f3s os seus fi\u00e9is,<br \/>\nporque nada falta aos que O temem.<br \/>\nOs poderosos empobrecem e passam fome,<br \/>\naos que procuram o Senhor n\u00e3o faltar\u00e1 riqueza alguma.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vinde, filhos, escutai-me,<br \/>\nvou ensinar-vos o temor do Senhor.<br \/>\nQual \u00e9 o homem que ama a vida,<br \/>\nque deseja longos dias de felicidade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Guarda do mal a tua l\u00edngua<br \/>\ne da mentira os teus l\u00e1bios.<br \/>\nEvita o mal e faz o bem,<br \/>\nprocura a paz e segue os seus passos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Ef\u00e9sios 5,15-20<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nVede bem como procedeis.<br \/>\nN\u00e3o vivais como insensatos, mas como pessoas inteligentes.<br \/>\nAproveitai bem o tempo, porque os dias que correm s\u00e3o maus.<br \/>\nPor isso n\u00e3o sejais irrefletidos,<br \/>\nmas procurai compreender qual \u00e9 a vontade do Senhor.<br \/>\nN\u00e3o vos embriagueis com o vinho, que \u00e9 causa de lux\u00faria,<br \/>\nmas enchei-vos do Esp\u00edrito Santo,<br \/>\nrecitando entre v\u00f3s salmos, hinos e c\u00e2nticos espirituais,<br \/>\ncantando e salmodiando em vossos cora\u00e7\u00f5es,<br \/>\ndando gra\u00e7as, por tudo e em todo o tempo, a Deus Pai,<br \/>\nem nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9feso, situada na costa ocidental da \u00c1sia Menor era, na antiguidade, considerada a segunda cidade do Imp\u00e9rio romano, logo a seguir a Roma. A sua numerosa popula\u00e7\u00e3o, o seu importante porto de mar e o seu templo dedicado a \u00c1rtemis (considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo), tornavam-na conhecida em todo o Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo esteve em \u00c9feso mais de dois anos, no decurso da sua terceira viagem mission\u00e1ria. Durante esse tempo ensinou \u201cna escola de Tirano\u201d (At 19,9), propondo a Boa nova de Jesus. Como resultado da a\u00e7\u00e3o do ap\u00f3stolo, nasceu uma comunidade crist\u00e3 viva e fervorosa, que vivia com entusiasmo o seu compromisso com Jesus. Os la\u00e7os entre Paulo e os crist\u00e3os de \u00c9feso eram fortes. Ao embarcar para a Palestina, no final dessa viagem mission\u00e1ria, Paulo despediu-se dos representantes da Igreja de \u00c9feso com um discurso veemente e apaixonado, revelador dos la\u00e7os que o uniam aos crist\u00e3os dessa cidade (cf. At 20,1738).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estranhamente, a carta aos Ef\u00e9sios \u00e9 uma carta algo impessoal, onde n\u00e3o aparecem sinais dessa rela\u00e7\u00e3o forte que unia Paulo \u00e0 comunidade. Alguns consideram, por isso, que a Carta aos Ef\u00e9sios n\u00e3o seria um texto paulino, mas um texto redigido por um seu disc\u00edpulo de Paulo, alguns anos ap\u00f3s a morte do ap\u00f3stolo. Muitos consideram, no entanto, que se trataria de uma \u201ccarta circular\u201d, redigida por Paulo enquanto estava na pris\u00e3o (em Cesareia Mar\u00edtima? Em Roma?) e dirigida a diversas comunidades do ocidente da \u00c1sia Menor, entre as quais se contava tamb\u00e9m a comunidade crist\u00e3 de \u00c9feso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como primeira leitura neste vig\u00e9simo domingo comum pertence \u00e0 segunda parte da carta (cf. Ef 4,1-6,20). Nessa \u201cexorta\u00e7\u00e3o aos batizados\u201d, Paulo retoma alguns dos temas tradicionais do catecismo primitivo e convida os crist\u00e3os a deixarem a antiga forma de viver para assumir a nova, revestindo-se de Cristo (cf. Ef 4,17-31), imitando Deus (cf. Ef 4,32-5,2), passando das trevas \u00e0 luz (cf. Ef 5,3-20). Como cen\u00e1rio de fundo da reflex\u00e3o paulina est\u00e1 sempre a necessidade de os crist\u00e3os deixarem a vida do homem velho, para assumirem a vida do Homem Novo. \u00c9 neste sentido que devem ser entendidos essas normas pr\u00e1ticas de conduta que Paulo apresenta aos seus crist\u00e3os no texto que nos \u00e9 proposto<strong><em>. in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>N\u00e3o resulta f\u00e1cil vivermos sempre a cem por cento os compromissos que assumimos no nosso batismo. Com o passar do tempo, com o cansa\u00e7o, com a monotonia, com o desencanto, com as preocupa\u00e7\u00f5es e problemas que a vida traz, chegam a acomoda\u00e7\u00e3o, a instala\u00e7\u00e3o, a tenta\u00e7\u00e3o de \u201cdeixar correr\u201d e passamos a viver a f\u00e9 de uma forma \u201cmorna\u201d, pouco empenhada, \u00e0s vezes pouco consent\u00e2nea com os compromissos que assumimos com Cristo. O autor da Carta aos Ef\u00e9sios diz, a prop\u00f3sito disto, que \u00e9 uma estupidez termos descoberto e experimentado a Vida verdadeira e deixarmos que o homem velho do ego\u00edsmo e do pecado nos domine de novo\u2026 N\u00e3o necessitaremos de \u201cacordar\u201d do sono que nos paralisa e de reencontrar o entusiasmo, a novidade de Deus, o desafio da f\u00e9? O que podemos fazer para revitalizar o nosso compromisso com a Vida nova que nos foi oferecida no dia do nosso batismo?<\/li>\n<li>A todos os instantes somos bombardeados com propostas de valores que, pretensamente, nos asseguram o \u00eaxito, o triunfo, a popularidade, a realiza\u00e7\u00e3o, a felicidade. No entanto, j\u00e1 reparamos que muitos vezes os valores que nos \u201cvendem\u201d n\u00e3o fazem mais do que aumentar a frustra\u00e7\u00e3o e o vazio que enche a nossa vida de nada. O autor da Carta aos Ef\u00e9sios diz-nos para n\u00e3o acolhermos, de forma acr\u00edtica, os valores que nos s\u00e3o propostos. A verdadeira sabedoria est\u00e1 em conseguir discernir aquilo que nos ajuda a viver uma vida mais humana e mais digna daquilo que nos traz desilus\u00e3o e sofrimento. Quais s\u00e3o os valores a que damos import\u00e2ncia e que dirigem a nossa vida? Esses valores ajudam-nos a encontrar a paz, a viver uma vida com sentido, uma vida mais feliz e realizada?<\/li>\n<li>O viver \u201cno Esp\u00edrito\u201d implica ainda, na perspetiva de Paulo, a ora\u00e7\u00e3o, o louvor, a a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. Um crente que tem Deus como a coordenada fundamental da sua exist\u00eancia e que se sente chamado a fazer parte da fam\u00edlia de Deus \u00e9 um crente que vive em di\u00e1logo cont\u00ednuo com Deus. \u00c9 nesse di\u00e1logo que ele percebe os planos e os projetos de Deus para si pr\u00f3prio e para o mundo e encontra a coragem para percorrer o caminho da fidelidade e do compromisso. Conseguimos, no meio da az\u00e1fama e da tens\u00e3o em que a nossa vida di\u00e1ria decorre, encontrar tempo e disponibilidade para falar com Deus e para escutar as propostas que Ele nos apresenta? Estamos conscientes dos dons de Deus e respondemos-Lhe com o louvor e a a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 6,51-58<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\ndisse Jesus \u00e0 multid\u00e3o:<br \/>\n\u00abEu sou o p\u00e3o vivo que desceu do C\u00e9u.<br \/>\nQuem comer deste p\u00e3o viver\u00e1 eternamente.<br \/>\nE o p\u00e3o que Eu hei-de dar \u00e9 minha carne,<br \/>\nque Eu darei pela vida do mundo\u00bb.<br \/>\nOs judeus discutiam entre si:<br \/>\n\u00abComo pode ele dar-nos a sua carne a comer?\u00bb<br \/>\nE Jesus disse-lhes:<br \/>\n\u00abEm verdade, em verdade vos digo:<br \/>\nSe n\u00e3o comerdes a carne do Filho do homem<br \/>\ne n\u00e3o beberdes o seu sangue,<br \/>\nn\u00e3o tereis a vida em v\u00f3s.<br \/>\nQuem come a minha carne e bebe o meu sangue<br \/>\ntem a vida eterna;<br \/>\ne Eu o ressuscitarei no \u00faltimo dia.<br \/>\nA minha carne \u00e9 verdadeira comida<br \/>\ne o meu sangue \u00e9 verdadeira bebida.<br \/>\nQuem come a minha carne e bebe o meu sangue<br \/>\npermanece em Mim e eu nele.<br \/>\nAssim como o Pai, que vive, Me enviou<br \/>\ne eu vivo pelo Pai,<br \/>\ntamb\u00e9m aquele que Me come viver\u00e1 por Mim.<br \/>\nEste \u00e9 o p\u00e3o que desceu do C\u00e9u;<br \/>\nn\u00e3o \u00e9 como o dos vossos pais, que o comeram e morreram:<br \/>\nquem comer deste p\u00e3o viver\u00e1 eternamente\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus est\u00e1 na sinagoga de Cafarnaum. \u00c0 sua volta est\u00e3o muitos daqueles que, no dia anterior, tinham sido agraciados com uma refei\u00e7\u00e3o de p\u00e3o e de peixe (cf. Jo 6,1-15). Jesus diz-lhes que devem correr atr\u00e1s, n\u00e3o do alimento que perece, mas do alimento que d\u00e1 a Vida eterna (cf. Jo 6,22-58). Fala-lhes tamb\u00e9m de si pr\u00f3prio como o \u201cp\u00e3o que desceu do c\u00e9u para dar Vida ao mundo\u201d; e convida-os a comer desse p\u00e3o. Tamb\u00e9m est\u00e3o ali alguns l\u00edderes judaicos (os \u201cjudeus\u201d) que recebem com hostilidade as palavras de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No trecho do \u201cdiscurso do p\u00e3o da Vida\u201d que a liturgia deste vig\u00e9simo domingo comum nos serve, Jesus avan\u00e7a um pouco mais e convida os seus interlocutores a comer a sua carne e a beber o seu sangue. S\u00e3o palavras inauditas, imposs\u00edveis de ser entendidas pelos interlocutores de Jesus, se as situarmos no cen\u00e1rio da sinagoga de Cafarnaum. Elas s\u00f3 s\u00e3o compreens\u00edveis ap\u00f3s a institui\u00e7\u00e3o da eucaristia, na \u00faltima ceia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns biblistas pensam que este trecho poderia ser uma reflex\u00e3o da primitiva comunidade crist\u00e3, que reinterpretou a primeira parte do \u201cdiscurso do p\u00e3o da Vida\u201d, explicitando-a a partir da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica posterior. Outros, contudo, pensam que Jo\u00e3o reelaborou e colocou neste lugar uma s\u00e9rie de materiais que estavam inicialmente inclu\u00eddos no relato da \u00faltima ceia, mas que foram deslocados para aqui por conveni\u00eancias teol\u00f3gicas, j\u00e1 que na sua vers\u00e3o da \u00faltima ceia, o autor do Quarto Evangelho preferiu dar relevo \u00e0 cena do lava p\u00e9s (no entanto, dada a relev\u00e2ncia que o discurso eucar\u00edstico de Jesus assumiu na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, Jo\u00e3o n\u00e3o quis omiti-lo completamente, transladando-o para o lugar que lhe pareceu mais apropriado: o cen\u00e1rio do discurso sobre \u201co p\u00e3o descido do c\u00e9u para dar Vida ao mundo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja como for, o discurso sobre o \u201cp\u00e3o da vida\u201d (cf. Jo 6,22-58) ficou, no esquema final do Quarto Evangelho, com a seguinte sequ\u00eancia l\u00f3gica: os homens buscam o p\u00e3o material; Jesus traz-lhes o \u201cp\u00e3o do c\u00e9u que d\u00e1 vida ao mundo\u201d; e o p\u00e3o eucar\u00edstico realiza, de forma plena, a miss\u00e3o de Jesus no sentido de dar Vida ao homem. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A parte final do \u201cdiscurso do p\u00e3o da Vida\u201d (Jo 6,26-58) \u2013 precisamente o texto que escutamos neste vig\u00e9simo domingo comum \u2013 coloca-nos, indubitavelmente, em contexto eucar\u00edstico. Leva-nos \u00e0s palavras e aos gestos de Jesus na \u00faltima ceia, quando Ele deu aos disc\u00edpulos o p\u00e3o e o c\u00e1lice e os convidou a \u201ccomer\u201d o seu corpo e a \u201cbeber\u201d o seu sangue (cf. Mc 14,22-25). A eucaristia revive e atualiza a vida, os gestos, as palavras de Jesus, a sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. A eucaristia \u00e9 uma experi\u00eancia central para os seguidores de Jesus; a Igreja vive e alimenta-se da eucaristia. Ora, um dos sinais mais graves da crise da f\u00e9 crist\u00e3 entre n\u00f3s \u00e9 o abandono t\u00e3o generalizado da eucaristia dominical. Revela indiferen\u00e7a por Jesus, pelo projeto de Jesus, pela Vida que Jesus quer oferecer. Que import\u00e2ncia \u00e9 que a eucaristia assume na nossa vida e na nossa exist\u00eancia crist\u00e3? Para n\u00f3s, a eucaristia \u00e9 um rito tradicional a que \u201cassistimos\u201d por obriga\u00e7\u00e3o, para acalmar a consci\u00eancia ou para cumprir as regras do \u201creligiosamente correto\u201d, ou \u00e9 um encontro pessoal e comunit\u00e1rio com esse Jesus que \u00e9 fonte inesgot\u00e1vel de Vida? O que podemos fazer \u2013 inclusive ao n\u00edvel do ritual eucar\u00edstico \u2013 para tornar a celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia uma experi\u00eancia forte, sentida e inolvid\u00e1vel de encontro com Jesus?<\/li>\n<li>Muito novos ainda, depois de uma prepara\u00e7\u00e3o mais ou menos conseguida, aproximamo-nos da mesa eucar\u00edstica e fizemos a \u201cprimeira comunh\u00e3o\u201d. Tinham-nos ensinado que, no momento de comungar, Jesus vinha ao nosso encontro e ficava connosco pela gra\u00e7a do sacramento da eucaristia. Depois disso, entramos numa espiral de comunh\u00f5es, muitas vezes rotineiras e pouco sentidas. Em cada celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, no momento previsto, colocamo-nos distraidamente na fila para cumprir o rito sacramental de receber o p\u00e3o consagrado e voltamos ao nosso lugar, sem mais consequ\u00eancias nem desenvolvimentos\u2026 Como \u00e9 que sentimos e vivemos o encontro com Jesus feito \u201cp\u00e3o\u201d para nos dar Vida? O momento em que recebemos Jesus no p\u00e3o eucar\u00edstico \u00e9 sentido por n\u00f3s como o momento em que O acolhemos no cora\u00e7\u00e3o, em que nos abrimos \u00e0 sua verdade, em que acolhemos o seu Evangelho, em que interiorizamos o seu estilo de vida, em que O colocamos no centro da nossa vida?<\/li>\n<li>Na Eucaristia, o alimento servido \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus. Quem acolhe (quem \u201ccome\u201d) essa Vida que Ele oferece torna-se, portanto, um com Ele. \u201cComer\u201d cada domingo (ou cada dia) o alimento que Jesus oferece e que \u00e9 a sua pr\u00f3pria pessoa, leva os crentes a uma comunh\u00e3o total de vida com Ele. \u00c9 a Vida de Jesus que passa a circular em n\u00f3s e a animar tudo aquilo que fazemos. Celebrar a Eucaristia \u00e9 aprofundar os la\u00e7os familiares que nos unem a Jesus, \u00e9 identificarmo-nos com Ele. Quando comungamos, temos a consci\u00eancia clara de que ficamos intimamente ligados a Jesus e que Jesus fica connosco, a alimentar a nossa vida a partir de dentro?<\/li>\n<li>Na conce\u00e7\u00e3o judaica, a partilha do mesmo alimento \u00e0 volta da mesa gera entre os convivas familiaridade e comunh\u00e3o. Assim, os crentes que participam da Eucaristia passam a ser irm\u00e3os: em todos circula a mesma Vida, a Vida que brota da mesma \u201cvideira\u201d que \u00e9 Jesus. Dessa forma, a participa\u00e7\u00e3o na eucaristia tem de resultar no refor\u00e7o da comunh\u00e3o dos irm\u00e3os. Uma comunidade que celebra a eucaristia e que vive depois na divis\u00e3o, no ci\u00fame, no conflito, no orgulho, na autossufici\u00eancia, na indiferen\u00e7a para com as dores e as necessidades dos irm\u00e3os, \u00e9 uma comunidade que n\u00e3o est\u00e1 a ser coerente com aquilo que celebra; e, nesse caso, a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u00e9 uma incoer\u00eancia e uma mentira. O p\u00e3o eucar\u00edstico que partilhamos com outros irm\u00e3os leva-nos a ser testemunhas e sinais de uni\u00e3o e de comunh\u00e3o? A participa\u00e7\u00e3o na eucaristia torna-nos menos ego\u00edstas e mais atentos aos irm\u00e3os e irm\u00e3s que caminham ao nosso lado?<\/li>\n<li>\u201cComer a carne\u201d e \u201cbeber o sangue\u201d de Jesus implica um compromisso com esse mesmo projeto que Jesus procurou concretizar em toda a sua vida, em todos os seus gestos, em todas as suas palavras. Como Jesus, o crente que celebra a Eucaristia tem de levar ao mundo e aos homens essa vida que a\u00ed recebe\u2026 Tem de lutar, como Jesus, contra a injusti\u00e7a, o ego\u00edsmo, a opress\u00e3o, o pecado; tem de esfor\u00e7ar-se, como Jesus, por eliminar tudo o que desfeia o mundo e causa sofrimento e morte; tem de construir, como Jesus, um mundo de liberdade, de amor e de paz; tem de testemunhar, como Jesus, que a vida verdadeira \u00e9 aquela que se faz amor, servi\u00e7o, partilha, doa\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias. Se a Eucaristia for, de facto, uma experi\u00eancia profunda e sentida de ades\u00e3o a Cristo e ao seu projeto, dela resultar\u00e1 o imperativo de uma entrega semelhante \u00e0 de Cristo em favor dos nossos irm\u00e3os e da constru\u00e7\u00e3o de um mundo novo. A Vida que recebemos de Jesus leva-nos ao compromisso com a transforma\u00e7\u00e3o do mundo?<\/li>\n<li>Jesus apresenta-se como fonte de Vida para todos aqueles que aceitam a sua proposta e decidem caminhar atr\u00e1s d\u2019Ele. Ele garante poder saciar a nossa fome de Vida eterna e verdadeira. Na verdade, todos n\u00f3s andamos \u00e0 procura dessa Vida, de uma Vida que nos realize. Muitas vezes fazemo-lo em caminhos equivocados e temos, depois, de lidar com a frustra\u00e7\u00e3o e a desilus\u00e3o. Constatamos, a partir de experi\u00eancias amargas, que o dinheiro, o poder, a ambi\u00e7\u00e3o, o \u00eaxito social, a marca do carro que utilizamos, a qualidade da urbaniza\u00e7\u00e3o onde vivemos, a capacidade do nosso smartphone, n\u00e3o saciam nossa fome de Vida. Na nossa busca de Vida, h\u00e1 lugar para Jesus e para a proposta de Vida que Ele faz? Estamos dispon\u00edveis para acolher as indica\u00e7\u00f5es de Jesus, mesmo que elas nos pare\u00e7am desfasadas dos valores que a nossa sociedade cultiva e imp\u00f5e? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2018\/08\/18\/uma-nova-possibilidade-na-historia-humana-2\/\"><strong>UMA NOVA POSSIBILIDADE NA HIST\u00d3RIA\u00a0HUMANA<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste <strong>Domingo XX do Tempo Comum<\/strong>, temos a gra\u00e7a de escutar o texto que comp\u00f5e a quinta sec\u00e7\u00e3o (Jo\u00e3o 6,52-59) [ver Domingo XIX] da quinta Parte (Jo\u00e3o 6,25-59) do Cap\u00edtulo 6.\u00ba do Quarto Evangelho [ver Domingo XVII]. Na verdade, o Evangelho deste Domingo XX come\u00e7a no v. 51 e termina no v. 58, estendendo-se assim por Jo\u00e3o 6,51-58. Portanto, o v. 51, que abre o Evangelho deste Domingo XX fecha a quarta sec\u00e7\u00e3o (Jo\u00e3o 6,41-51), e j\u00e1 foi lido no passado Domingo XIX. Mas, no v. 51, Jesus n\u00e3o est\u00e1 a responder \u00e0 \u00abmultid\u00e3o\u00bb, como nos faz ler a vers\u00e3o oficial do texto que vai ser proclamado, mas aos \u00abjudeus\u00bb, que entram em cena em Jo\u00e3o 6,41. Curiosamente, a vers\u00e3o do Domingo XIX est\u00e1 correta!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 tivemos oportunidade de referir que cada uma das sec\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em a quinta Parte deste Cap\u00edtulo VI do Quarto Evangelho (Jo\u00e3o 6,25-59) est\u00e3o ritmadas segundo o modelo \u00abpergunta-resposta\u00bb, sendo a pergunta sempre formulada pela \u00abmultid\u00e3o\u00bb ou pelos \u00abjudeus\u00bb, e a resposta sempre oferecida por Jesus. A pergunta dos judeus: \u00abN\u00e3o \u00e9 este, Jesus, o filho de Jos\u00e9, de quem conhecemos o pai e a m\u00e3e? Como \u00e9 que diz agora: \u201cEu desci do c\u00e9u?\u201d\u00bb (Jo\u00e3o 6,42), que abria a quarta sec\u00e7\u00e3o (Jo\u00e3o 6,41-51), despoletou a resposta de Jesus sobre a sua verdadeira identidade: \u00abEu sou o p\u00e3o vivo que desceu do c\u00e9u [\u2026], p\u00e3o que \u00e9 a minha carne, que d\u00e1 a vida\u00bb (Jo\u00e3o 6,51). A pergunta que abre a quinta sec\u00e7\u00e3o (Jo\u00e3o 6,52-59) e que sai tamb\u00e9m da boca dos judeus, e que vem na continuidade da resposta acima referida por Jesus, soa assim: \u00abComo pode este dar-nos a sua carne (<em>s\u00e1rx<\/em>) a comer?\u00bb (Jo\u00e3o 6,52).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esclarecedor \u00e9 que o verbo \u00abcomer\u00bb apare\u00e7a conjugado com \u00abcarne\u00bb (<em>s\u00e1rx<\/em>) (Jo\u00e3o 6,52.53.54.56), com \u00abp\u00e3o\u00bb (<em>\u00e1rtos<\/em>) (Jo\u00e3o 6,51.58) e \u00abcomigo\u00bb (<em>me<\/em>) [\u00abo que\u00a0<em>me<\/em>\u00a0come\u00bb] (Jo\u00e3o 6,57). Fica claro que \u00abcomer o p\u00e3o descido do c\u00e9u\u00bb \u00e9 \u00abcomer a carne do Filho do Homem\u00bb, e que as duas express\u00f5es s\u00e3o equivalentes de \u00abcomer a pessoa\u00bb de Jesus, a sua identidade, o seu modo de viver. S\u00f3 assim a vida verdadeira, a vida eterna, entra em n\u00f3s e transforma a nossa vida, configurando-a com a de Jesus. Uma nova possibilidade entra na hist\u00f3ria humana. Tudo o que fica para tr\u00e1s, resume-se assim: \u00abNo deserto, os vossos pais comeram o man\u00e1, e morreram\u00bb (Jo\u00e3o 6,49). Que a vida eterna, que \u00e9 Jesus, entre em n\u00f3s e transforme, transfigure e configure a nossa vida \u00e0 maneira de viver de Jesus, eis a tem\u00e1tica da transpar\u00eancia e da m\u00fatua iman\u00eancia e perten\u00e7a entre n\u00f3s e Jesus: \u00abPermanece em Mim e Eu nele\u00bb (Jo\u00e3o 6,56). \u00c9 a melhor e mais realista tradu\u00e7\u00e3o da nossa comunh\u00e3o eucar\u00edstica. At\u00e9 o verbo \u00abcomer\u00bb ganha nesta sec\u00e7\u00e3o particular sabor e realismo. De facto, para dizer \u00abcomer\u00bb, o grego do Novo Testamento usa habitualmente o verbo\u00a0<em>esth\u00ed\u00f4<\/em>. Todavia, em Jo\u00e3o 6,54.56.57.58, \u00e9 usado um verbo \u00abcomer\u00bb muito mais forte, o verbo\u00a0<em>tr\u00f4g\u00f4<\/em>\u00a0[= trincar, mastigar]. De forma significativa, este verbo s\u00f3 \u00e9 usado nas passagens atr\u00e1s assinaladas e em Jo\u00e3o 13,18, no contexto da ceia da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A li\u00e7\u00e3o do Livro dos Prov\u00e9rbios, que hoje escutamos (Prov\u00e9rbios 9,1-6), mostra-nos a Sabedoria personificada, que edifica a sua casa, prepara o banquete, escolhe o vinho, p\u00f5e a mesa, e convida todas as pessoas [= toda a humanidade] para o seu banquete. Para significar que o convite para uma nova maneira de viver \u00e9 feito a todos, sem exce\u00e7\u00e3o, \u00e9 dito que \u00e9 feito dos pontos mais altos da cidade (Prov\u00e9rbios 9,3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a Carta de S\u00e3o Paulo aos Ef\u00e9sios 5,15-20 reclama tamb\u00e9m de n\u00f3s uma vida nova, assente num cora\u00e7\u00e3o inteligente que saiba ler o tempo em que estamos, discernir a vontade de Deus, decantar quotidianamente em m\u00fasica a Palavra de Deus e levantar a Deus permanente a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. A n\u00e3o ser assim, teremos de nos haver com a cr\u00edtica certeira de Nietzsche, que refere: \u00abSe a Boa Nova da vossa B\u00edblia estivesse tamb\u00e9m escrita no vosso rosto, n\u00e3o ter\u00edeis necessidade de insistir tanto para que as pessoas acreditem. As vossas obras e a\u00e7\u00f5es deviam tornar quase sup\u00e9rflua a B\u00edblia, porque v\u00f3s mesmos ser\u00edeis B\u00edblia nova e Boa Nova\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica do Salmo 34, a que j\u00e1 nos referimos no Domingo passado (XIX), continua hoje a acompanhar-nos, real\u00e7ando-se sobretudo o sabor sapiencial dos conselhos da Sabedoria personificada: \u00abVinde, meus filhos, escutai-me: ensinar-vos-ei o temor do Senhor\u00bb (v. 12); \u00abafasta-te do mal e faz o bem: procura a paz e segue-a sempre\u00bb (v. 15). E continuamos hoje a cantar repetidamente o refr\u00e3o: \u00abSaboreai e vede que Bom \u00e9 o Senhor\u00bb. Vers\u00e3o grega dos LXX: \u00ab<em>Ge\u00fasasthe ka\u00ec \u00eddete h\u00f3ti chr\u00east\u00f3s ho K\u00fdrios<\/em>\u00bb, ou, na pron\u00fancia viva: \u00ab<em>Ge\u00fasasthe ka\u00ec \u00eddete h\u00f3ti christ\u00f3s ho K\u00fdrios<\/em>\u00bb, o que d\u00e1 lugar a um jogo de palavras (<em>chr\u00east\u00f3s\/christ\u00f3s<\/em>) com resultados \u00e0 vista na tradi\u00e7\u00e3o patr\u00edstica, que l\u00ea o texto em clave cristol\u00f3gica e eucar\u00edstica, cujos primeiros resultados se podem ver j\u00e1 na Primeira Carta de S. Pedro: \u00abComo crian\u00e7as rec\u00e9m-nascidas, desejai o puro leite espiritual, para crescerdes com ele para a salva\u00e7\u00e3o, se \u00e9 que j\u00e1 saboreastes que bom \u00e9 o Senhor\u00bb (<em>h\u00f3ti chr\u00east\u00f2s ho k\u00fdrios<\/em>) (1 Pedro 2,2-3). Em pron\u00fancia viva: \u00abque Cristo \u00e9 o Senhor\u00bb. Sim, v\u00ea-se daqui melhor a Bondade e o Amor fiel e comprometido, com Rosto e com Nome, que nos acompanha sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<h4><strong>ASSUN\u00c7\u00c3O DA VIRGEM SANTA MARIA \u2013 15 agosto 2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Assuncao.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"500\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que com t\u00edtulos diferentes, mas com temas e conte\u00fados id\u00eanticos, as Igrejas do Oriente e do Ocidente, portanto a Igreja inteira, a Una e Santa, celebra no dia 15 de agosto a maior e mais antiga festa da M\u00e3e de Deus, a Virgem Santa Maria. No Oriente, \u00e9 a festa da \u00abDormi\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>ko\u00edm\u00easis<\/em>), enquanto, no Ocidente, prevalece a tonalidade da \u00abAssun\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>an\u00e1l\u00eampsis<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Evangelho deste grande Dia relata o bel\u00edssimo epis\u00f3dio da \u00abVisita\u00e7\u00e3o\u00bb (Lucas 1,39-45) seguido do c\u00e2ntico da \u00abExulta\u00e7\u00e3o\u00bb ou \u00ab<em>Magnificat<\/em>\u00bb (Lucas 1,46-56). Note-se outra vez uma pequena diferen\u00e7a de tonalidade: o epis\u00f3dio evang\u00e9lico que o Ocidente conhece por \u00abVisita\u00e7\u00e3o\u00bb, recebe no Oriente o nome de \u00abSauda\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>aspasm\u00f3s<\/em>). E o epis\u00f3dio que precede e motiva esta \u00abVisita\u00e7\u00e3o\u00bb ou \u00abSauda\u00e7\u00e3o\u00bb recebe no Ocidente o nome de \u00abAnuncia\u00e7\u00e3o\u00bb e no Oriente o nome de \u00abEvangeliza\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>euangelism\u00f3s<\/em>) (Lucas 1,26-38). Verdadeiramente \u00e9 a Leveza e a Alegria em tr\u00e2nsito, a caminho, ao ritmo do vento do Esp\u00edrito, m\u00fasica nova, inef\u00e1vel e bendita. Vinda de Deus at\u00e9 Maria, at\u00e9 Isabel, at\u00e9 Jo\u00e3o Baptista, outra vez at\u00e9 Deus. Lembra uma pequena par\u00e1bola rab\u00ednica que, quando David andava fugido de Saul, buscando ref\u00fagio nas montanhas (1 Samuel 22 e seguintes), um dia dependurou a sua harpa numa \u00e1rvore, e adormeceu. Mas o vento, passando, fez as cordas da harpa exalar uma suave melodia. Verdadeira m\u00fasica do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 igualmente sugestiva a intui\u00e7\u00e3o dos Mestres judaicos, registada por Martin Buber nos seus \u00abContos dos Justos\u00bb. Citando o Salmo 147,1, em que se l\u00ea: \u00ab\u00c9 bom cantar ao nosso Deus\u00bb, Buber apresenta logo a bela interpreta\u00e7\u00e3o que Rabb\u00ed Elimelek dava deste vers\u00edculo: \u00ab\u00c9 bom se o homem faz cantar Deus nele\u00bb. M\u00fasica divina. Assim Maria correndo sobre os montes e saudando Isabel, em casa de quem permanece cerca de tr\u00eas meses, e cantando as maravilhas de Deus no\u00a0<em>Magnificat<\/em>, assim Isabel bendizendo Maria e bendizendo Deus, assim Jo\u00e3o Baptista, dan\u00e7ando ao som dessa nova m\u00fasica inef\u00e1vel, no ventre de Isabel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Maria correndo sobre os montes: feliz evoca\u00e7\u00e3o do mensageiro de boas not\u00edcias de Isa\u00edas 52,7: \u00abComo s\u00e3o belos sobre os montes os p\u00e9s do mensageiro que anuncia boas novas a Si\u00e3o\u2026\u00bb. Feliz evoca\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m do amado do C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos 2,8, assim cantado pela amada: \u00abA voz do meu amado: ei-lo que vem correndo sobre os montes\u00bb. Assim, com este simples acorde montanhoso, o narrador e grande retratista do terceiro Evangelho tra\u00e7a o perfil de Maria movida, n\u00e3o por uma pressa qualquer, mas por uma grande not\u00edcia e pelo amor. A aclama\u00e7\u00e3o de Isabel: \u00abBendita tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre\u00bb [= \u00abBendita tu e bendito Deus\u00bb], lembra o duplo \u00abBendito\u00bb na aclama\u00e7\u00e3o de Judite (13,18). A locu\u00e7\u00e3o maravilhada de Isabel: \u00abE de onde me \u00e9 dado que venha ter comigo a M\u00e3e do meu Senhor?\u00bb (Lucas 1,43), remete para o at\u00f3nito dizer de David: \u00abE de onde me \u00e9 dado que venha ao meu encontro a Arca do Senhor?\u00bb (2 Samuel 6,9). E a \u00abdan\u00e7a de Jo\u00e3o\u00bb reclama a dan\u00e7a de David na presen\u00e7a da Arca do Senhor (2 Samuel 6,5.14.16.21). E os \u00abcerca de tr\u00eas meses\u00bb de perman\u00eancia de Maria em casa de Isabel, regressando ent\u00e3o a sua casa (Lucas 1,56), n\u00e3o s\u00e3o, como vulgarmente se pensa, para indicar que Maria est\u00e1 presente no nascimento de Jo\u00e3o Baptista, pois este apenas \u00e9 narrado no vers\u00edculo seguinte (Lucas 1,57). \u00c9, antes, outra vez o acerto com a Arca do Senhor, que permanece cerca de tr\u00eas meses na casa de Obed-Edom (2 Samuel 6,11). Os acordes textuais evidentes mostram Maria como a Arca da Alian\u00e7a, como, de resto, \u00e9 aclamada pelo Povo de Deus, quando recita a ladainha de Nossa Senhora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O que verdadeiramente me extasia e inebria \u00e9 esta m\u00fasica outra, ventilando as cordas do nosso humano, e quase sempre orgulhoso, cora\u00e7\u00e3o. Vem outra vez a prop\u00f3sito a velha sabedoria judaica, que nos legou esta bela pequena hist\u00f3ria: \u00abConta-se que, quando David terminou o Livro dos Salmos, se sentiu muito orgulhoso. Ent\u00e3o disse para Deus: \u201cSenhor do mundo, quem de entre todos os seres que criaste, canta melhor do que eu a tua gl\u00f3ria?\u201d. Naquele momento, apareceu uma r\u00e3 que lhe disse: \u201cDavid, n\u00e3o te envaide\u00e7as. Eu canto melhor do que tu a gl\u00f3ria de Deus\u201d\u00bb (<em>Sefer ha-Haggadah<\/em>, 89b).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A\u00ed est\u00e1, a descoberto, na li\u00e7\u00e3o do Livro do Apocalipse (11,19; 12,1-6.10), a Arca da Alian\u00e7a, a Mulher messi\u00e2nica, que \u00e9 a Igreja, ao mesmo tempo perseguida e preservada, gr\u00e1vida de um filho var\u00e3o, e que sofre j\u00e1 as dores de parto, que d\u00e1 \u00e0 luz, n\u00e3o obstante a guerra em que est\u00e1 envolvida. Pode ver-se sempre por detr\u00e1s tamb\u00e9m a figura de Maria. Resulta, todavia, surpreendente que este filho var\u00e3o, mal nasceu foi logo arrebatado para junto de Deus. V\u00ea-se bem que esta surpreendente representa\u00e7\u00e3o da vida de Jesus (nasce, e \u00e9 logo elevado ao c\u00e9u!) cai fora das pautas tradicionais, que fazem Jesus nascer em Bel\u00e9m, atravessar a Paix\u00e3o e a Cruz, e s\u00f3 depois vem a Ressurrei\u00e7\u00e3o e a Ascens\u00e3o. \u00c9 claro que este nascimento messi\u00e2nico dorido e vitorioso, descrito no Apocalipse, n\u00e3o \u00e9 o de Bel\u00e9m, mas o da manh\u00e3 de P\u00e1scoa, sendo as dores da maternidade as dores de parto da comunidade dos disc\u00edpulos, vista como uma mulher que sofre para dar \u00e0 luz, mas logo se alegra quando nasce o filho (cf. Jo 16,19-22). Nova maneira de ler o Calv\u00e1rio! Este nascimento do homem novo \u00e9 visto como um \u00absinal\u00bb para sempre aceso e leg\u00edvel da presen\u00e7a viva e ativa de Deus no meio de n\u00f3s, como a luz de uma vela, para a celebra\u00e7\u00e3o festiva dos filhos de Deus reunidos. Avista-se, por\u00e9m, outro \u00absinal\u00bb de sinal contr\u00e1rio, o do Drag\u00e3o de cor vermelha, que serve para nos manter unidos e atentos no meio das dificuldades e persegui\u00e7\u00f5es desta vida, que, todavia, n\u00e3o devem toldar-nos a vista da salva\u00e7\u00e3o e da vit\u00f3ria, claramente a descoberto no horizonte onde brilha a esperan\u00e7a: \u00abAgora cumpriu-se a salva\u00e7\u00e3o, a for\u00e7a e o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo\u00bb (Apocalipse 12,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O final da Primeira Carta aos Cor\u00edntios (15,20-27) p\u00f5e um imenso selo de luz e de esperan\u00e7a na celebra\u00e7\u00e3o luminosa deste Dia. Com a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo salta \u00e0 vista a poeira de toda a iniquidade e falsidade e morte, e j\u00e1 se v\u00ea a \u00abassun\u00e7\u00e3o\u00bb da nossa fr\u00e1gil humanidade em Cristo e por Cristo at\u00e9 Deus Pai. \u00abCristo foi ressuscitado (<em>eg\u00eagertai<\/em>: perf. pass. de\u00a0<em>ege\u00edr\u00f4<\/em>) dos mortos,\u00a0<em>prim\u00edcias<\/em>\u00a0(<em>aparch\u00ea<\/em>) dos que adormeceram\u00bb (1 Cor\u00edntios 15,20). Ele \u00e9, portanto, o\u00a0<em>primeiro<\/em>\u00a0Homem a ser ressuscitado. E se \u00e9 o primeiro e prim\u00edcias, ent\u00e3o representa-nos a todos e constitui promessa e certeza para todos. Nele a morte foi vencida para todos. A esperan\u00e7a fundamenta-se na certeza deste Acontecimento principal da Vida do Senhor, que d\u00e1 significado a todos os outros acontecimentos da sua Vida, ao inteiro Antigo Testamento, \u00e0 Igreja e \u00e0 vida de todos os homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O bel\u00edssimo Canto de Amor, que \u00e9 o Salmo 45, serve hoje para celebrar a Igreja Esposa e M\u00e3e, e Maria Esposa e M\u00e3e. Este belo hino, como o C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos, canta o Amor, que \u00e9 sempre divino e humano. Na verdade, no amor humano pode ler-se o amor revelado por Deus, pelo que, se existe o amor, existe Deus. N\u00e3o admira, por isso, que este Salmo tenha sido interpretado em clave messi\u00e2nica quer no juda\u00edsmo quer no cristianismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pela Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>Munificentissimus Deus<\/em>, de 1 de novembro de 1950, o Papa Pio XII proclamava a Assun\u00e7\u00e3o da Virgem Maria como dogma de f\u00e9. Mas \u00e9 desde os primeiros s\u00e9culos do Cristianismo que o Povo de Deus aclama, proclama e vive com amor intenso esta realidade. Quantas igrejas, par\u00f3quias e dioceses a t\u00eam como padroeira! E, neste particular, este recanto Peninsular, terra de Santa Maria, n\u00e3o podia ser exce\u00e7\u00e3o. O Povo de Deus desde muito cedo aclamou a Assun\u00e7\u00e3o de Maria, M\u00e3e de Deus e esperan\u00e7a da nossa fr\u00e1gil humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Um lugar guarda esta mem\u00f3ria em Jerusal\u00e9m. \u00c9 preciso descer ao vale que corre a Oriente da cidade, o famoso vale do C\u00e9dron. Deixando \u00e0 direita o Gets\u00e9mani com as suas oliveiras seculares e a Bas\u00edlica da Agonia de Jesus, muito pr\u00f3ximo da Gruta dos Ap\u00f3stolos ou da Pris\u00e3o de Jesus, chega-se a um p\u00e1tio pavimentado que d\u00e1 para uma monumental fachada, que \u00e9 o que resta de uma grande Igreja a\u00ed constru\u00edda pelos Cruzados. Por detr\u00e1s dessa fachada, estende-se uma escadaria que nos leva a uma cripta situada nas entranhas do vale do C\u00e9dron. \u00c9 esta cripta que guarda um t\u00famulo do s\u00e9culo I, que a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 identifica com o t\u00famulo de Maria, em forma de banco escavado na rocha, e que se apresenta bastante degradado devido \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o dos peregrinos que, ao longo dos tempos, n\u00e3o resistiram a levar consigo um pedacinho da rocha que esteve em contacto com o corpo da \u00abBendita\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No dia da Solenidade da Assun\u00e7\u00e3o, \u00e9 comovente ver aquela escadaria escura iluminada como um tapete de luz, devido \u00e0s velas que os fi\u00e9is colocam em cada degrau. Conduzindo embora para um t\u00famulo, a sensa\u00e7\u00e3o que se cria \u00e9 que aquela escadaria descendente, feita tapete de luz, abre para uma\u00a0<em>ianua coeli<\/em>, \u00abporta do c\u00e9u\u00bb, como tamb\u00e9m cantamos na litania de Maria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No seguimento l\u00f3gico da Assun\u00e7\u00e3o de Maria, a Igreja celebra oito dias depois, em 22 de agosto, a Mem\u00f3ria da Virgem Santa Maria, Rainha, proclama\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m devida a Pio XII, atrav\u00e9s da Carta Enc\u00edclica\u00a0<em>Ad Coeli Reginam<\/em>, de 11 de outubro de 1954. M\u00e3e Elevada aos C\u00e9us, mas M\u00e3e que vela carinhosamente pelos seus filhos. O Rei e a Rainha n\u00e3o s\u00e3o, na B\u00edblia, t\u00edtulos de nobreza, mas traduzem a dupla fun\u00e7\u00e3o de quem deve estar particularmente pr\u00f3ximo de Deus e particularmente pr\u00f3ximo dos homens. Para acolher de perto toda a Palavra que vem do cora\u00e7\u00e3o de Deus, e para trazer \u00e0 humanidade a prosperidade, o bem-estar e a felicidade. Tal \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do Rei e da Rainha.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Assuncao-da-Virgem-Santa-Maria-Ano-B-15.08.2024-Lecionario.pdf\">Assun\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria &#8211; Ano B &#8211; 15.08.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Assuncao-da-Virgem-Santa-Maria-Ano-B-15.08.2024-Oracao-Universal.pdf\">Assun\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria &#8211; Ano B &#8211; 15.08.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Leitura-I-do-Domingo-XX-do-Tempo-Comum-Ano-B-18.08.2024-Prov-9-1-6.pdf\">Leitura I do Domingo XX do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 18.08.2024 (Prov 9, 1-6)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Leitura-II-do-Domingo-XX-do-Tempo-Comu-m-Ano-B-18.08.2024-Ef-5-15-20.pdf\">Leitura II do Domingo XX do Tempo Comu m &#8211; Ano B &#8211; 18.08.2024 ( Ef 5, 15-20)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Domingo-XX-do-Tempo-Comum-Ano-B-18.08.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XX do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 18.08.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Domingo-XX-do-Tempo-Comum-Ano-B-18.08.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XX do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 18.08.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Domingo-XX-do-Tempo-Comum-Ano-B-18.08.2024-refletindo.pdf\">Domingo XX do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 18.08.2024-refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XIX do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 11.08.2024&#8243; tab_id=&#8221;1724061792833-1ca89921-8f0f&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo XIX do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 11.08.2024<\/strong><\/h4>\n<p><strong><sup>51<\/sup><\/strong><strong>Eu sou o p\u00e3o vivo, o que desceu do C\u00e9u: se algu\u00e9m comer deste p\u00e3o, viver\u00e1 eternamente; <\/strong><\/p>\n<p><strong>e o p\u00e3o que Eu hei de dar \u00e9 a minha carne, pela vida do mundo<em>. Jo 6, 51<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Domingo-XIX.jpg\" alt=\"\" width=\"572\" height=\"358\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Somos aquilo que comemos!<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta express\u00e3o \u00e9 popularmente repetida e hoje aparece frequentemente ligada a planos alimentares e programas nutricionais, para sublinhar que o que comemos diz muito sobre n\u00f3s, sobre o que somos e sobre aquilo que defendemos. Esta frase que parece recentemente inventada por algum publicit\u00e1rio remonta a Hip\u00f3crates, pai da medicina, que h\u00e1 mais de 2500 anos divulgou esta ideia, acrescentando: \u00ab<em>que o vosso alimento seja o vosso primeiro medicamento<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para uma vida saud\u00e1vel e, hoje mais do que nunca, sabemos do impacto que as nossas escolhas alimentares t\u00eam na nossa vida. Conscientes que esta p\u00e1gina n\u00e3o se destina a refletir sobre planos alimentares e nutricionais, estas linhas servem apenas de prel\u00fadio para tomarmos consci\u00eancia que o \u00ab<em>P\u00e3o vivo que desceu do C\u00e9u<\/em>\u00bb n\u00e3o s\u00f3 sustenta a nossa caminhada como a configura e lhe aponta o rumo a tra\u00e7ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como Elias temos consci\u00eancia que temos um longo caminho a percorrer, ainda que tantas vezes possamos ser vencidos pelo des\u00e2nimo e procuremos um jun\u00edpero onde carpir as nossas mis\u00e9rias e soltar o nosso \u00faltimo suspiro. Tamb\u00e9m n\u00e3o nos contentamos com um p\u00e3o cozido sobre pedras quentes e uma bilha de \u00e1gua que entremeie o estado de apatia ou letargia em que nos encontramos, como se estiv\u00e9ssemos resignados a comer, beber e dormir at\u00e9 que o curso dos dias ache o seu fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos filhos do Deus do amor e da vida, chamados a inscrever a nossa exist\u00eancia num horizonte de eternidade que preenche de sentido os dias e as horas do nosso caminhar. Por isso, como nos exorta S. Paulo: \u00ab<em>seja eliminado do meio de v\u00f3s tudo o que \u00e9 azedume, irrita\u00e7\u00e3o, c\u00f3lera, insulto, maledic\u00eancia e toda a esp\u00e9cie de maldade<\/em>\u00bb. Afastemos de n\u00f3s o que nos afasta de Deus e dos irm\u00e3os e sejamos construtores de uma vida verdadeiramente plena que possa fazer ecoar no cora\u00e7\u00e3o de cada homem e de cada mulher as palavras que cantamos no Salmo: \u00ab<em>saboreai e vede como o Senhor \u00e9 bom<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, \u00e9 isto mesmo que nos revela Jesus: o nosso Deus bom e misericordioso \u00e9 um Deus que somos chamados a saborear. A Sua vida entregue sem medida \u00e9 p\u00e3o partido e repartido para a reden\u00e7\u00e3o do mundo. Apresentando-se como o \u00abP\u00e3o que desceu do C\u00e9u\u00bb, Jesus depara-se com a perplexidade e admira\u00e7\u00e3o dos judeus que murmuram entre si sobre a loucura destas palavras. Um homem que se apresenta como alimento e, mais ainda, um alimento que vem do c\u00e9u, quando eles at\u00e9 conhecem bem o Seu pai e Sua m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acostumados a estas palavras, n\u00e3o nos sentimos interpelar com a for\u00e7a que elas deveriam provocar em n\u00f3s. N\u00e3o somos alimentados por um p\u00e3o qualquer, tampouco somos alimentados pelo man\u00e1 que n\u00e3o evitou a morte daqueles que o comeram. Somos nutridos pelo P\u00e3o Vivo descido do C\u00e9u, pelo alimento que oferece vida em plenitude e prenhe de eternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus desce do c\u00e9u, faz-se p\u00e3o e oferece-se em alimento. Este \u00e9 o dinamismo da incarna\u00e7\u00e3o que deve moldar a vida de todos aqueles que dele se alimentam: descer, fazer-se p\u00e3o e oferecer-se. Nestas tr\u00eas formas verbais encontramos os pilares de uma vida verdadeiramente eucar\u00edstica. Na verdade, se quando ingerimos algum alimento, os seus nutrientes s\u00e3o assimilados pelo nosso organismo, tamb\u00e9m todas as vezes que nos alimentamos do P\u00e3o da Eucaristia somos chamados a configurar a nossa vida com a vida Daquele que se quer fazer presente em n\u00f3s. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste <strong>Domingo XIX do Tempo Comum<\/strong> tem in\u00edcio em Portugal a <strong>Semana Nacional da Mobilidade Humana.<\/strong> O tempo de f\u00e9rias e descanso n\u00e3o pode permitir esquecer quantos por motiva\u00e7\u00f5es t\u00e3o diferentes t\u00eam de se deslocar e fazer a experi\u00eancia de serem estrangeiros e peregrinos. As comunidades crist\u00e3s devem estar atentas e criar processos de acolhimento e integra\u00e7\u00e3o para que possamos anunciar a certeza que \u00ab<em>Deus caminha com o Seu Povo<\/em>\u00bb, como escreve o <strong>Papa na sua mensagem para o 110\u00ba Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, a celebrar no dia 29 de setembro de 2024<\/strong>. A ora\u00e7\u00e3o proposta pelo Papa, no final da mensagem, pode ser distribu\u00edda pelos fi\u00e9is e ser rezada nas diversas Eucaristias desta semana, convidando-os a terem essa inten\u00e7\u00e3o presente na sua ora\u00e7\u00e3o pessoal.<strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>1 Re 19,4-8<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura do Primeiro Livro dos Reis<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nElias entrou no deserto e andou o dia inteiro.<br \/>\nDepois sentou-se debaixo de um jun\u00edpero<br \/>\ne, desejando a morte, exclamou:<br \/>\n\u00abJ\u00e1 basta, Senhor. Tirai-me a vida,<br \/>\nporque n\u00e3o sou melhor que meus pais\u00bb.<br \/>\nDeitou-se por terra e adormeceu \u00e0 sombra do jun\u00edpero.<br \/>\nNisto, um Anjo do Senhor tocou-lhe e disse:<br \/>\n\u00abLevanta-te e come\u00bb.<br \/>\nEle olhou e viu \u00e0 sua cabeceira<br \/>\num p\u00e3o cozido sobre pedras quentes e uma bilha de \u00e1gua.<br \/>\nComeu e bebeu e tornou a deitar-se.<br \/>\nO Anjo do Senhor veio segunda vez, tocou-lhe e disse:<br \/>\n\u00abLevanta-te e come,<br \/>\nporque ainda tens um longo caminho a percorrer\u00bb.<br \/>\nEle levantou-se, comeu e bebeu.<br \/>\nDepois, fortalecido com aquele alimento,<br \/>\ncaminhou durante quarenta dias e quarenta noites<br \/>\nat\u00e9 ao monte de Deus, Horeb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias actua no Reino do Norte (Israel) durante o s\u00e9culo IX a.C., num tempo em que a f\u00e9 jahwista \u00e9 posta em causa pela preponder\u00e2ncia que os deuses estrangeiros (especialmente Baal) assumem na cultura religiosa de Israel. Provavelmente, estamos diante de uma tentativa de abrir Israel a outras culturas, a fim de facilitar o interc\u00e2mbio cultural e comercial&#8230; Mas essas raz\u00f5es pol\u00edticas n\u00e3o s\u00e3o entendidas nem aceites pelos c\u00edrculos religiosos de Israel. O minist\u00e9rio prof\u00e9tico de Elias desenvolve-se sobretudo durante o reinado de Acab (873-853 a.C.), embora a sua voz tamb\u00e9m se tenha feito ouvir no reinado de Ocozias (853-852 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias \u00e9 o grande defensor da fidelidade a Jahw\u00e9h. Ele aparece como o representante dos israelitas fi\u00e9is que recusavam a coexist\u00eancia de Jahw\u00e9h e de Baal no horizonte da f\u00e9 de Israel. Num epis\u00f3dio dram\u00e1tico, o pr\u00f3prio profeta chegou a desafiar os profetas de Baal para um duelo religioso que terminou com um massacre de quatrocentos profetas de Baal no monte Carmelo (cf. 1 Re 18). Esse epis\u00f3dio \u00e9, certamente, uma apresenta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica dessa luta sem tr\u00e9guas que se trava entre os fi\u00e9is a Jahw\u00e9h e os que abrem o cora\u00e7\u00e3o \u00e0s influ\u00eancias culturais e religiosas de outros povos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m da quest\u00e3o do culto, Elias defende a Lei em todas as suas vertentes (veja-se, por exemplo, a sua defesa intransigente das leis da propriedade em 1 Re 21, no c\u00e9lebre epis\u00f3dio da usurpa\u00e7\u00e3o das vinhas de Nabot): ele representa os pobres de Israel, na sua luta sem tr\u00e9guas contra uma aristocracia e uns comerciantes todo-poderosos que subvertiam a seu bel-prazer as leis e os mandamentos de Jahw\u00e9h.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o massacre dos 400 profetas de Baal no monte Carmelo, Acab e a sua esposa fen\u00edcia juraram matar Elias; e o profeta fugiu para o sul, a fim de salvar a vida. Chegado \u00e0 zona de Beer-Sheba, Elias internou-se no deserto. \u00c9 precisamente nesse contexto que o epis\u00f3dio do Livro dos Reis que hoje nos \u00e9 proposto nos situa. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>No quadro que o texto nos apresenta, Elias aparece como um homem vencido pelo medo e pela ang\u00fastia, marcado pela dece\u00e7\u00e3o e pelo des\u00e2nimo, que experimentou dramaticamente a sua impot\u00eancia no sentido de mudar o cora\u00e7\u00e3o do seu Povo e que, por isso, desistiu de lutar; a sua desilus\u00e3o \u00e9 de tal forma grande, que ele prefere morrer a ter de continuar. &#8220;Este&#8221; Elias testemunha essa condi\u00e7\u00e3o de fragilidade e de debilidade que est\u00e1 sempre presente na experi\u00eancia prof\u00e9tica. \u00c9 um quadro que todos n\u00f3s conhecemos bem&#8230; A nossa experi\u00eancia prof\u00e9tica est\u00e1, muitas vezes, marcada pelas incompreens\u00f5es, pelas cal\u00fanias, pelas persegui\u00e7\u00f5es; outras vezes, \u00e9 o sentimento da nossa impot\u00eancia no sentido de mudar o mundo que nos angustia e desanima; outras vezes ainda, \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o da nossa fragilidade, dos nossos limites, da nossa finitude que nos assusta&#8230; Como responder a um quadro deste tipo e como encarar esta experi\u00eancia de fragilidade e de debilidade? A solu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 baixar os bra\u00e7os e abandonar a luta? Quem pode ajudar-nos a enfrentar o drama da desilus\u00e3o e da dece\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>O nosso texto garante-nos que Deus n\u00e3o abandona aqueles a quem chama a dar testemunho prof\u00e9tico. No &#8220;p\u00e3o cozido sobre pedras quentes&#8221; e na &#8220;bilha de \u00e1gua&#8221; com que Deus retempera as for\u00e7as de Elias, manifesta-se o Deus da bondade e do amor, cheio de solicitude para com os seus filhos, que anima os seus profetas e lhes d\u00e1 a for\u00e7a para testemunhar, mesmo nos momentos de dificuldade e de des\u00e2nimo. Quando tudo parece cair \u00e0 nossa volta e quando a nossa miss\u00e3o parece condenada ao fracasso, \u00e9 em Deus que temos de confiar e \u00e9 n&#8217;Ele que temos de colocar a nossa seguran\u00e7a e a nossa esperan\u00e7a.<\/li>\n<li>Como nota marginal, atentemos na forma de atuar de Deus: Ele n\u00e3o resolve magicamente os problemas do profeta, nem Se substitui ao profeta&#8230; O profeta deve continuar a sua miss\u00e3o, enfrentando os mesmos problemas de sempre; mas Deus &#8220;apenas&#8221; alimenta o profeta, dando-lhe a coragem para continuar a sua miss\u00e3o. Por vezes, pedimos a Deus que nos resolva milagrosamente os problemas, com um golpe m\u00e1gico, enquanto n\u00f3s ficamos, de bra\u00e7os cruzados, a olhar para o c\u00e9u&#8230; O nosso Deus n\u00e3o Se substitui ao homem, n\u00e3o ocupa o nosso lugar, n\u00e3o estimula com a sua a\u00e7\u00e3o a nossa pregui\u00e7a e a nossa instala\u00e7\u00e3o; mas est\u00e1 ao nosso lado sempre que precisamos d&#8217;Ele, dando-nos a for\u00e7a para vencer as dificuldades e indicando-nos o caminho a seguir.<\/li>\n<li>A &#8220;peregrina\u00e7\u00e3o&#8221; de Elias ao Horeb\/Sinai, para se reencontrar com as origens da f\u00e9 israelita e para recarregar as baterias espirituais, sugere-nos a necessidade de, por vezes, encontrarmos momentos de &#8220;paragem&#8221;, de reflex\u00e3o, de &#8220;retiro&#8221;, de reencontro com Deus, de redescoberta dos fundamentos da nossa miss\u00e3o&#8230; Essa &#8220;paragem&#8221; n\u00e3o ser\u00e1 nunca um tempo perdido; mas ser\u00e1 uma forma de recentrarmos a nossa vida em Deus e de redescobrirmos os desafios que Deus nos faz, no \u00e2mbito da miss\u00e3o que nos confiou.<strong><em> in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 33 (34)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Saboreai e vede como o Senhor \u00e9 bom.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A toda a hora bendirei o Senhor,<br \/>\no seu louvor estar\u00e1 sempre na minha boca.<br \/>\nA minha alma gloria-se no Senhor:<br \/>\nescutem e alegrem-se os humildes.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Enaltecei comigo o Senhor<br \/>\ne exaltemos juntos o seu nome.<br \/>\nProcurei o Senhor e Ele atendeu-me,<br \/>\nlibertou-me de toda a ansiedade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes,<br \/>\no vosso rosto n\u00e3o se cobrir\u00e1 de vergonha.<br \/>\nEste pobre clamou e o Senhor o ouviu,<br \/>\nsalvou-o de todas as ang\u00fastias.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Anjo do Senhor protege os que O temem<br \/>\ne defende-os dos perigos.<br \/>\nSaboreai e vede como o Senhor \u00e9 bom:<br \/>\nfeliz o homem que n&#8217;Ele se refugia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Ef 4,30-5,2<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura da Ep\u00edstola do ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo aos Ef\u00e9sios<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nN\u00e3o contristeis o Esp\u00edrito Santo de Deus,<br \/>\nque vos assinalou para o dia da reden\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSeja eliminado do meio de v\u00f3s<br \/>\ntudo o que \u00e9 azedume, irrita\u00e7\u00e3o, c\u00f3lera, insulto, maledic\u00eancia<br \/>\ne toda a esp\u00e9cie de maldade.<br \/>\nSede bondosos e compassivos uns para com os outros<br \/>\ne perdoai-vos mutuamente,<br \/>\ncomo Deus tamb\u00e9m vos perdoou em Cristo.<br \/>\nSede imitadores de Deus, como filhos muito amados.<br \/>\nCaminhai na caridade, a exemplo de Cristo,<br \/>\nque nos amou e Se entregou por n\u00f3s,<br \/>\noferecendo-Se como v\u00edtima agrad\u00e1vel a Deus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa segunda leitura apresenta-nos, mais uma vez, um texto dessa &#8220;carta circular&#8221; que Paulo escreveu a v\u00e1rias comunidades crist\u00e3s da parte ocidental da \u00c1sia Menor (inclusive aos crist\u00e3os de \u00c9feso), enquanto estava na pris\u00e3o (em Roma, durante os anos 61-63?). Esta carta (escrita na fase final da vida de Paulo) \u00e9 uma carta onde o ap\u00f3stolo exp\u00f5e aos crist\u00e3os, de forma serena e refletida, as principais exig\u00eancias da vida nova que resulta do Batismo,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sec\u00e7\u00e3o que vai de 4,1 a 6,20, temos uma &#8220;exorta\u00e7\u00e3o aos batizados&#8221;: \u00e9 um texto paren\u00e9tico, que tem por objetivo principal exortar os crist\u00e3os a viverem de forma coerente com o seu Batismo e com o seu compromisso com Cristo. A per\u00edcope de 4,14-15,14 (que inclui o nosso texto) deve ser entendida como um convite a viver de acordo com a condi\u00e7\u00e3o de Homem Novo, que o crist\u00e3o adquiriu no dia do seu Batismo.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Pelo Batismo, os crist\u00e3os tornam-se filhos amados de Deus e passam a integrar a comunidade de Deus. O Batismo n\u00e3o \u00e9, portanto, uma tradi\u00e7\u00e3o familiar, um rito cultural, ou uma obriga\u00e7\u00e3o social; mas \u00e9 um momento s\u00e9rio de op\u00e7\u00e3o por Deus e de compromisso com os valores de Deus. Tenho consci\u00eancia de que me comprometi com a fam\u00edlia de Deus e que devo viver como filho de Deus? Tenho consci\u00eancia de que assumi o compromisso de testemunhar no mundo, com os meus gestos e atitudes, os valores de Deus? Tenho consci\u00eancia de que devo, portanto, procurar ser perfeito &#8220;como o Pai do c\u00e9u \u00e9 perfeito&#8221; (cf. Mt 5,48)?<\/li>\n<li>Para os batizados, o modelo do &#8220;Filho amado de Deus&#8221; que cumpre absolutamente os planos do Pai, \u00e9 Jesus&#8230; A vida de Jesus concretizou-se na cont\u00ednua escuta dos projetos do Pai e no amor total aos homens. Esse amor (que teve a sua express\u00e3o m\u00e1xima na cruz) expressou-se sempre em gestos de entrega aos homens, de servi\u00e7o humilde aos irm\u00e3os, de dom de Si pr\u00f3prio, de acolhimento de todos os marginalizados, de bondade sem fronteiras, de perd\u00e3o sem limites&#8230; Dessa forma, Jesus foi o paradigma do Homem Novo, o modelo que Deus prop\u00f5e a todos os outros seus filhos. Como \u00e9 que me situo face a esse &#8220;modelo&#8221; que \u00e9 Jesus? Como Ele, vivo numa aten\u00e7\u00e3o constante \u00e0s propostas de Deus e disposto a responder positivamente aos seus desafios? Como Ele, estou disposto a despir-me do ego\u00edsmo, a caminhar na caridade e a fazer da minha vida um dom total aos irm\u00e3os?<\/li>\n<li>Seguir Cristo e ser um Homem Novo implica, na perspetiva de Paulo, assumir uma nova atitude nas rela\u00e7\u00f5es com os irm\u00e3os. O ap\u00f3stolo chega a especificar que o azedume, a irrita\u00e7\u00e3o, os rancores, os insultos, as viol\u00eancias, a m\u00e1-l\u00edngua, a inveja, os orgulhos mesquinhos devem ser totalmente banidos da vida dos crist\u00e3os. Esses &#8220;v\u00edcios&#8221; s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es do &#8220;homem velho&#8221; que n\u00e3o cabem na exist\u00eancia de um &#8220;filho de Deus&#8221;, cuja vida foi marcada com o selo do Esp\u00edrito. \u00c9 necess\u00e1rio que estejamos cientes desta realidade: quando na nossa vida pessoal ou comunit\u00e1ria nos deixamos levar pelo rancor, pelo ci\u00fame, pelo \u00f3dio, pela viol\u00eancia, pela mesquinhez e magoamos os irm\u00e3os que nos rodeiam, estamos a ser incoerentes com o compromisso que assumimos no dia do nosso Batismo e a cortar a nossa rela\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia de Deus.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo 6,41-51<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S\u00e3o Jo\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nos judeus murmuravam de Jesus, por Ele ter dito:<br \/>\n\u00abEu sou o p\u00e3o que desceu do C\u00e9u\u00bb.<br \/>\nE diziam: \u00abN\u00e3o \u00e9 ele Jesus, o filho de Jos\u00e9?<br \/>\nN\u00e3o conhecemos o seu pai e a sua m\u00e3e?<br \/>\nComo \u00e9 que Ele diz agora: &#8216;Eu desci do C\u00e9u&#8217;?\u00bb<br \/>\nJesus respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abN\u00e3o murmureis entre v\u00f3s.<br \/>\nNingu\u00e9m pode vir a Mim,<br \/>\nse o Pai, que Me enviou, n\u00e3o o trouxer;<br \/>\ne Eu ressuscit\u00e1-lo-ei no \u00faltimo dia.<br \/>\nEst\u00e1 escrito no livro dos Profetas:<br \/>\n&#8216;Ser\u00e3o todos instru\u00eddos por Deus&#8217;.<br \/>\nTodo aquele que ouve o Pai e recebe o seu ensino<br \/>\nvem a Mim.<br \/>\nN\u00e3o porque algu\u00e9m tenha visto o Pai;<br \/>\ns\u00f3 Aquele que vem de junto de Deus viu o Pai.<br \/>\nEm verdade, em verdade vos digo:<br \/>\nQuem acredita tem a vida eterna.<br \/>\nEu sou o p\u00e3o da vida.<br \/>\nNo deserto, os vossos pais comeram o man\u00e1 e morreram.<br \/>\nMas este p\u00e3o \u00e9 o que desce do C\u00e9u<br \/>\npara que n\u00e3o morra quem dele comer.<br \/>\nEu sou o p\u00e3o vivo que desceu do C\u00e9u.<br \/>\nQuem comer deste p\u00e3o viver\u00e1 eternamente.<br \/>\nE o p\u00e3o que Eu hei-de dar \u00e9 a minha carne,<br \/>\nque Eu darei pela vida do mundo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No seu &#8220;Livro dos Sinais&#8221; (cf. Jo 4,1-11,56), Jo\u00e3o apresenta-nos um conjunto de cinco catequeses sobre Jesus; e, em cada uma delas, usando diferentes s\u00edmbolos, Jesus \u00e9 apresentado como o Messias que veio ao mundo para cumprir o plano do Pai e fazer aparecer um Homem Novo. Todas essas catequeses (&#8220;Jesus, a \u00e1gua que d\u00e1 a vida&#8221; &#8211; cf. Jo 4,1-5,47; &#8220;Jesus, o verdadeiro p\u00e3o que sacia todas as fomes&#8221; &#8211; cf. Jo 6,1-7,53; &#8220;Jesus, a luz que liberta o homem das trevas&#8221; &#8211; cf. Jo 8,12-9,41; &#8220;Jesus, o Bom Pastor que d\u00e1 a vida pelas suas ovelhas&#8221; &#8211; cf. Jo 10,1-42; &#8220;Jesus, vida e ressurrei\u00e7\u00e3o para o mundo&#8221; &#8211; cf. Jo 11,1-56) terminam com uma sec\u00e7\u00e3o onde se manifesta a oposi\u00e7\u00e3o dos judeus a essa vida nova que Jesus veio propor aos homens. Jo\u00e3o vai, dessa forma, preparando os seus leitores para aquilo que vai acontecer em Jerusal\u00e9m no final da caminhada hist\u00f3rica de Jesus: a morte na cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 hoje proposto apresenta-nos uma dessas hist\u00f3rias de confronto entre Jesus e os judeus. No final do discurso explicativo da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e dos peixes, pronunciado na sinagoga de Cafarnaum (cf. Jo 6,22-40), Jesus propusera-Se como &#8220;o P\u00e3o da vida&#8221; e convidara os seus interlocutores a aderirem \u00e0 sua proposta para nunca mais terem fome. O nosso texto \u00e9 a sequ\u00eancia desse epis\u00f3dio. Refere a murmura\u00e7\u00e3o dos judeus a prop\u00f3sito das palavras de Jesus e descreve a controv\u00e9rsia que se seguiu. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Repetindo o tema central do texto que refletimos no passado domingo, tamb\u00e9m o Evangelho que hoje nos \u00e9 proposto nos convida a acolher Jesus como o &#8220;p\u00e3o&#8221; de Deus que desceu do c\u00e9u para dar a vida aos homens&#8230; Para n\u00f3s, seguidores de Jesus, esta afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o de circunst\u00e2ncia, mas um facto que condiciona a nossa exist\u00eancia, as nossas op\u00e7\u00f5es, todo o nosso caminho. Jesus, com a sua vida, com as suas palavras, com os seus gestos, com o seu amor, com a sua proposta, veio dizer-nos como chegar \u00e0 vida verdadeira e definitiva. Que lugar \u00e9 que Jesus ocupa na nossa vida? \u00c9 \u00e0 volta d&#8217;Ele que constru\u00edmos a nossa exist\u00eancia? O projeto que Ele veio propor-nos tem um real impacto na nossa caminhada e nas op\u00e7\u00f5es que fazemos em cada instante?<\/li>\n<li>&#8220;Quem acredita em Mim, tem a vida eterna&#8221; &#8211; diz-nos Jesus. &#8220;Acreditar&#8221; n\u00e3o \u00e9, neste contexto, aceitar que Ele existiu, conhecer a sua doutrina, ou elaborar altas considera\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas a prop\u00f3sito da sua mensagem&#8230; &#8220;Acreditar&#8221; \u00e9 aderir, de facto, a essa vida que Jesus nos prop\u00f4s, viver como Ele na escuta constante dos projetos do Pai, segui-l&#8217;O no caminho do amor, do dom da vida, da entrega aos irm\u00e3os; \u00e9 fazer da pr\u00f3pria vida &#8211; como Ele fez da sua &#8211; uma luta coerente contra o ego\u00edsmo, a explora\u00e7\u00e3o, a injusti\u00e7a, o pecado, tudo o que desfeia a vida dos homens e traz sofrimento ao mundo. Eu posso dizer, com verdade e objetividade, que &#8220;acredito&#8221; em Jesus?<\/li>\n<li>No seu discurso, Jesus faz refer\u00eancia ao man\u00e1 como um alimento que matou a fome f\u00edsica dos israelitas em marcha pelo deserto, mas que n\u00e3o lhes deu a vida definitiva, n\u00e3o lhes transformou os cora\u00e7\u00f5es, n\u00e3o lhes assegurou a liberdade plena e verdadeira (s\u00f3 o &#8220;p\u00e3o&#8221; que Jesus oferece sacia verdadeiramente a fome de vida do homem). O man\u00e1 pode representar aqui todas essas propostas de vida que, tantas vezes, atraem a nossa aten\u00e7\u00e3o e o nosso interesse, mas que v\u00eam a revelar-se fal\u00edveis, ilus\u00f3rias, parciais, porque n\u00e3o nos libertam da escravid\u00e3o nem geram vida plena. \u00c9 preciso aprendermos a n\u00e3o colocar a nossa esperan\u00e7a e a nossa seguran\u00e7a no &#8220;p\u00e3o&#8221; que n\u00e3o sacia a nossa fome de vida definitiva; \u00e9 necess\u00e1rio aprendermos a discernir entre o que \u00e9 ilus\u00f3rio e o que \u00e9 eterno; \u00e9 preciso aprendermos a n\u00e3o nos deixarmos seduzir por falsas propostas de realiza\u00e7\u00e3o e de felicidade; \u00e9 necess\u00e1rio aprendermos a n\u00e3o nos deixarmos manipular, aceitando como &#8220;p\u00e3o&#8221; verdadeiro os valores e as propostas que a moda ou a opini\u00e3o p\u00fablica dominante continuamente nos oferecem&#8230;<\/li>\n<li>Porque \u00e9 que os judeus rejeitam a proposta de Jesus e n\u00e3o est\u00e3o dispostos a aceit\u00e1-l&#8217;O como &#8220;o p\u00e3o que desceu do c\u00e9u&#8221;? Porque vivem instalados nas suas grandes certezas teol\u00f3gicas, prisioneiros dos seus preconceitos, acomodados num sistema religioso imut\u00e1vel e est\u00e9ril e perderam a faculdade de escutar Deus e de se deixar desafiar pela novidade de Deus. Eles constru\u00edram um Deus fixo, calcificado, previs\u00edvel, r\u00edgido, conservador, e recusam-se a aceitar que Deus encontre sempre novas formas de vir ao encontro dos homens e de lhes oferecer vida em abund\u00e2ncia. Esta &#8220;doen\u00e7a&#8221; de que padecem os l\u00edderes e &#8220;fazedores&#8221; de opini\u00e3o do mundo judaico n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o rara&#8230; Todos n\u00f3s temos alguma tend\u00eancia para a acomoda\u00e7\u00e3o, a instala\u00e7\u00e3o, o aburguesamento; e quando nos deixamos dominar por esse esquema, tornamo-nos prisioneiros dos ritos, dos preconceitos, das ideias pol\u00edtica ou religiosamente corretas, de catecismos muito bem elaborados mas parados no tempo, das elabora\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas muito coerentes e muito bem arrumadas mas que deixam pouco espa\u00e7o para o mist\u00e9rio de Deus e para os desafios sempre novos que Deus nos faz. \u00c9 preciso aprendermos a questionar as nossas certezas, as nossas ideias pr\u00e9-fabricadas, os esquemas mentais em que nos instalamos comodamente; \u00e9 preciso termos sempre o cora\u00e7\u00e3o aberto e dispon\u00edvel para esse Deus sempre novo e sempre din\u00e2mico, que vem ao nosso encontro de mil formas para nos apresentar os seus desafios e para nos oferecer a vida em abund\u00e2ncia. <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o \u00e0 palavra \u00abju<strong>n\u00ed<\/strong>pero\u00bb que se repete duas vezes durante a leitura, para uma correta acentua\u00e7\u00e3o da palavra. Deve ter-se tamb\u00e9m em considera\u00e7\u00e3o as frases curtas e as interven\u00e7\u00f5es em discurso direto, para uma leitura articulada e fluente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, estar atento \u00e0s formas verbais na forma imperativa que evidenciam o tom exortativo que deve pautar a proclama\u00e7\u00e3o deste texto. Deve haver ainda um especial cuidado com a proclama\u00e7\u00e3o enumera\u00e7\u00e3o presente no texto: \u00ab<em>azedume, irrita\u00e7\u00e3o, c\u00f3lera, insulto, maledic\u00eancia e toda a esp\u00e9cie de maldade<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/08\/07\/o-pao-que-da-a-vida\/\"><strong>O P\u00c3O QUE D\u00c1 A\u00a0VIDA<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Continuamos, neste <strong>Domingo XIX do Tempo Comum<\/strong>, a revisitar o ch\u00e3o textual e a saborear o p\u00e3o espiritual do grande Evangelho de Jo\u00e3o 6. Hoje temos a gra\u00e7a de escutar a sec\u00e7\u00e3o de <strong>Jo\u00e3o 6,41-51<\/strong>. Importa, desde j\u00e1, lembrar o leitor que esta sec\u00e7\u00e3o se enquadra na quinta Parte deste grande Cap\u00edtulo, que se estende pelos vers\u00edculos 25-59 (ver atr\u00e1s, Domingo XVII). Podemos agora mostrar, para efeitos de clareza e melhor compreens\u00e3o, como se apresenta estruturada esta quinta Parte (Jo\u00e3o 6,25-59), para nos ocuparmos depois, mais de perto, do texto deste Domingo (Jo\u00e3o 6,41-51).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o 6,25-59 apresenta-se ritmado pelo esquema \u00abpergunta-resposta\u00bb. As perguntas saem da boca de uma \u00abmultid\u00e3o\u00bb n\u00e3o identificada ou dos \u00abjudeus\u00bb, a que se seguem as respostas de Jesus. Seguindo este ritmo, o texto de Jo\u00e3o 6,25-59 mostra-se organizado em cinco sec\u00e7\u00f5es: Jo\u00e3o 6,25-29 (a), Jo\u00e3o 6,30-33 (b), Jo\u00e3o 6,34-40 (c), Jo\u00e3o 6,41-51 (d) e Jo\u00e3o 6,52-59 (e).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos ocupa neste Domingo forma, portanto, a quarta sec\u00e7\u00e3o (Jo\u00e3o 6,41-51). O leitor atento come\u00e7a logo por verificar que \u00aba multid\u00e3o\u00bb (<em>ho \u00f3chlos<\/em>) n\u00e3o identificada que at\u00e9 aqui seguia Jesus (Jo\u00e3o 6,2.5.22.24) se transforma subitamente, e sem qualquer explica\u00e7\u00e3o, em \u00abos judeus\u00bb (<em>hoi iouda\u00eeoi<\/em>) (Jo\u00e3o 6,41). \u00c9 vis\u00edvel tamb\u00e9m que, com esta s\u00fabita transforma\u00e7\u00e3o, cresce a hostilidade e a agressividade contra Jesus, aqui traduzida pela presen\u00e7a do verbo \u00abmurmurar\u00bb (<em>gogg\u00fdz\u00f4<\/em>), que lembra o comportamento dos Israelitas no deserto (\u00caxodo 15,24; 16,2 e 7-8; 17,3; N\u00fameros 14,2.27.29.36). A \u00abmurmura\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>goggysm\u00f3s<\/em>) \u00e9 uma esp\u00e9cie de rebeli\u00e3o interior, assente na insatisfa\u00e7\u00e3o, desconfian\u00e7a, inveja, ci\u00fame e azedume contra as pessoas e contra Deus, neste caso, contra Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E qual \u00e9 a raz\u00e3o desta \u00abmurmura\u00e7\u00e3o\u00bb dos judeus contra Jesus? Radica no facto de estes judeus conhecerem bem o \u00abhist\u00f3rico\u00bb de Jesus, o seu pai e a sua m\u00e3e, as suas ra\u00edzes humanas bem humildes, e de n\u00e3o poderem conciliar estes dados muito humanos com a sua origem divina (Jo\u00e3o 6,42-43). Note-se tamb\u00e9m que a \u00abmurmura\u00e7\u00e3o\u00bb consiste em falar mal de algu\u00e9m, n\u00e3o diretamente, tu a tu, mas indiretamente, em 3.\u00aa pessoa: \u00abN\u00e3o \u00e9 este, Jesus, o filho de Jos\u00e9, de quem conhecemos o pai e a m\u00e3e? Como \u00e9 que diz agora: \u201cEu desci do c\u00e9u?\u201d\u00bb (Jo\u00e3o 6,42).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os judeus dizem conhecer o pai de Jesus. Mas Jesus responde, apelando ao fim da murmura\u00e7\u00e3o: \u00abN\u00e3o murmureis entre v\u00f3s\u00bb (Jo\u00e3o 6,43), e apontando o seu verdadeiro Pai, que os judeus n\u00e3o conhecem (ironia joanina): \u00abNingu\u00e9m pode vir a Mim (<em>elthe\u00een pr\u00f3s me<\/em>), se o Pai, que me enviou, n\u00e3o o arrastar (<em>\u00e9lk\u00f4<\/em>)\u00bb (Jo\u00e3o 6,44). Jesus p\u00f5e, portanto, fim \u00e0 murmura\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, ao falar mal de algu\u00e9m, em 3.\u00aa pessoa, abrindo um discurso novo, direto, pessoal, tu a tu: \u00abVir a Mim\u00bb subverte completamente o \u00abfalar de Mim\u00bb. Mas este \u00abVir a Mim\u00bb \u00e9 obra, n\u00e3o dos homens, que n\u00e3o o sabem nem podem fazer por conta pr\u00f3pria, mas de Deus: \u00abTodos ser\u00e3o ensinados por Deus\u00bb (cf. Isa\u00edas 54,13), e conclui: \u00abTodo aquele que escutou do Pai, e aprendeu, vem a Mim\u00bb (Jo\u00e3o 6,45). Os judeus falam do pai de Jesus, Jos\u00e9. Mas Jesus fala do seu verdadeiro Pai, Deus. De pai para Pai. Jesus aponta o verdadeiro Pai, o \u00fanico que nos leva a Jesus, o p\u00e3o vivo descido do c\u00e9u, que \u00e9 a sua \u00abcarne\u00bb, isto \u00e9, a sua forma de viver, a sua identidade. Claramente: s\u00f3 nos identificando com Jesus, aderindo \u00e0 sua forma de viver, fazendo nossa a sua vida, deixamos entrar em n\u00f3s a vida eterna. Not\u00e1vel interliga\u00e7\u00e3o: o IV Evangelho j\u00e1 nos tinha ensinado que \u00e9 Jesus que explica o Pai (Jo\u00e3o 1,18) e que conduz ao Pai (Jo\u00e3o 14,6). Nesta passagem, \u00e9 o Pai que explica Jesus e que conduz a Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Notar-se-\u00e1 por debaixo do falar de Jesus o teclado do Antigo Testamento. Em dois momentos. Um deles \u00e9 aquele: \u00abTodos ser\u00e3o ensinados por Deus\u00bb (Jo\u00e3o 6,45), que \u00e9 uma cita\u00e7\u00e3o de Isa\u00edas 54,13. Todavia, a m\u00fasica \u00e9 diferente: o texto de Isa\u00edas \u00e9 restritivo, pois fala de \u00abTodos os teus filhos\u00bb (de Jerusal\u00e9m). Jesus alarga a perspetiva, falando de todos em geral. O outro \u00e9 aquele: \u00abNingu\u00e9m pode vir a Mim (<em>elthe\u00een pr\u00f3s me<\/em>), se o Pai, que me enviou, n\u00e3o o\u00a0<em>arrastar<\/em>\u00a0(<em>\u00e9lk\u00f4<\/em>)\u00bb (Jo\u00e3o 6,44), que tem por debaixo Jeremias 31,3 [38,3 LXX], que refere: \u00abCom um amor eterno, Eu te amei; por isso te\u00a0<em>arrastei<\/em>\u00a0(<em>mashak<\/em>\u00a0TM;\u00a0<em>\u00e9lk\u00f4<\/em>\u00a0LXX) com carinho\u00bb. \u00c9 demasiado pobre n\u00e3o reparar nisto. \u00c9 demasiado belo reparar nisto. H\u00e1 neste amor de Deus por n\u00f3s uma paix\u00e3o declarada, for\u00e7a ou coa\u00e7\u00e3o que o verbo (hebraico e grego) traduz bem. Entenda-se: Deus n\u00e3o desiste de n\u00f3s, j\u00e1 n\u00e3o pode passar sem n\u00f3s!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como os judeus cortam la\u00e7os e cavam fossos, murmurando, tamb\u00e9m Elias <strong>(1 Reis 19,4-8)<\/strong> se afasta de Deus e do mundo e de si mesmo. Murmurando. De acordo com a murmura\u00e7\u00e3o de Elias, Deus n\u00e3o age como devia agir, o mundo est\u00e1 todo pervertido, de pernas para o ar, j\u00e1 n\u00e3o faz sentido continuar a viver. Porque Deus n\u00e3o age como ele quer, porque o mundo n\u00e3o \u00e9 como ele quer, Elias, desgostoso e desanimado, corre para a morte, que ele v\u00ea como a \u00fanica sa\u00edda para a sua vida sem Deus e sem sentido. Tudo somado, Elias n\u00e3o \u00e9 mesmo melhor do que os seus pais (1 Reis 19,4), os do tempo do \u00caxodo e da travessia do deserto, e, tal como eles, tamb\u00e9m murmura, falando mal de Deus, dos outros e do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Deus, o verdadeiro Deus, n\u00e3o fala mal de Elias, mas ama Elias, e vai conduzi-lo ao caminho certo. N\u00e3o deixa morrer Elias, e vai dar-lhe li\u00e7\u00f5es de vida verdadeira. Manda o seu anjo, que lhe toca (como toca em n\u00f3s um anjo?), fala-lhe, alimenta-o, e abre-lhe um caminho imenso para uma nova nascente. Tamb\u00e9m n\u00e3o fala mal de n\u00f3s, mas ama-nos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na linha do que bem faz hoje o Ap\u00f3stolo Paulo para n\u00f3s na <strong>Carta aos Ef\u00e9sios (4,30-5,2<\/strong>): \u00abNada de azedumes, irrita\u00e7\u00e3o, c\u00f3lera, insultos, maledic\u00eancias, maldade\u00bb (Ef\u00e9sios 4,31). Em vez disso, bons (<em>chr\u00easto\u00ed<\/em>, leitura viva:\u00a0<em>christo\u00ed<\/em>) uns para com os outros, misericordiosos, perdoadores (Ef\u00e9sios 4,32), \u00abimitadores (<em>mim\u00eat\u00eas<\/em>) de Deus, como filhos amados\u00bb (Ef\u00e9sios 5,1). Outra vez: Deus n\u00e3o fala mal de n\u00f3s, mas ama-nos! E vistas as coisas do nosso lado: \u00abo amor n\u00e3o faz mal ao pr\u00f3ximo\u00bb (Romanos 13,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>Salmo 34<\/strong> p\u00f5e nos l\u00e1bios dos pobres a b\u00ean\u00e7\u00e3o (<em>b<sup>e<\/sup>rakah<\/em>), que os une a Deus para sempre, e o louvor jubiloso e intenso (<em>t<sup>e<\/sup>hillah<\/em>), que \u00e9 a sua verdadeira raz\u00e3o de viver (v. 2-3). O pobre enche o olhar de Deus e fica radiante, luminoso (v. 6), sabe que Deus o escuta e o salva, e convida a saborear a bondade de Deus (v. 9), como cantamos hoje repetidamente no refr\u00e3o: \u00abSaboreai e vede que Bom \u00e9 o Senhor\u00bb. Vers\u00e3o grega dos LXX: \u00ab<em>Ge\u00fasasthe ka\u00ec \u00eddete h\u00f3ti chr\u00east\u00f3s ho K\u00fdrios<\/em>\u00bb, ou, na pron\u00fancia viva: \u00ab<em>Ge\u00fasasthe ka\u00ec \u00eddete h\u00f3ti christ\u00f3s ho K\u00fdrios<\/em>\u00bb, o que d\u00e1 lugar a um jogo de palavras (<em>chr\u00east\u00f3s\/christ\u00f3s<\/em>) com resultados \u00e0 vista na tradi\u00e7\u00e3o patr\u00edstica, que l\u00ea o texto em clave cristol\u00f3gica e eucar\u00edstica, cujos primeiros resultados se podem ver j\u00e1 na Primeira Carta de S. Pedro: \u00abComo crian\u00e7as rec\u00e9m-nascidas, desejai o puro leite espiritual, para crescerdes com ele para a salva\u00e7\u00e3o, se \u00e9 que j\u00e1 saboreastes que bom \u00e9 o Senhor\u00bb (<em>h\u00f3ti chr\u00east\u00f2s ho k\u00fdrios<\/em>) (1 Pe 2,2-3). Em pron\u00fancia viva: \u00abque Cristo \u00e9 o Senhor\u00bb. Sim, v\u00ea-se daqui melhor a Bondade e o Amor fiel e comprometido, com Rosto e com Nome. Deus segue sempre o pobre de perto, cerca-o de amor (v. 8), protege at\u00e9 os seus ossos para n\u00e3o serem quebrados (v. 21), tal como \u00e9 dito do cordeiro pascal, o mais alto s\u00edmbolo de liberta\u00e7\u00e3o. No seu\u00a0<em>Caminho de perfei\u00e7\u00e3o<\/em>, Santa Teresa de \u00c1vila deixa-nos, talvez, um dos mais belos e e incisivos discursos sobre a pobreza: \u00abA pobreza \u00e9 um bem que cont\u00e9m em si todos os bens do mundo; ela confere um imp\u00e9rio imenso, torna-nos verdadeiramente donos de todos os bens c\u00e1 de baixo desde o momento em que os faz cair aos p\u00e9s\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c0 entrada de agosto,<\/strong><br \/>\n<strong>Com o sol no rosto,<\/strong><br \/>\n<strong>D\u00e1 Deus o descanso<\/strong><br \/>\n<strong>De um ribeiro manso,<\/strong><br \/>\n<strong>Uma roseira brava,<\/strong><br \/>\n<strong>Um sil\u00eancio em lava,<\/strong><br \/>\n<strong>Uma bilha de \u00e1gua,<\/strong><br \/>\n<strong>P\u00e3o folhado a arder na fr\u00e1gua<\/strong><br \/>\n<strong>Um anjo \u00e0 cabeceira,<\/strong><br \/>\n<strong>Celestial pulseira,<\/strong><br \/>\n<strong>Com que o c\u00e9u nos guia<\/strong><br \/>\n<strong>De noite e de dia,<\/strong><br \/>\n<strong>Pelo deserto ardente,<\/strong><br \/>\n<strong>Rumo \u00e0 nascente<\/strong><br \/>\n<strong>Da alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Leitura-I-do-Domingo-XIX-do-Tempo-Comum-Ano-B-11.08.2024-1-Re-19-4-8.pdf\">Leitura I do Domingo XIX do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 11.08.2024 (1 Re 19, 4-8)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Leitura-II-do-XIX-Domingo-do-Tempo-Comum-Ano-B-11.08.2024-Ef-4-30-5-2.pdf\">Leitura II do XIX Domingo do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 11.08.2024 (Ef 4, 30-5, 2)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Domingo-XIX-do-Tempo-Comum-Ano-B-11.08.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XIX do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 11.08.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Domingo-XIX-do-Tempo-Comum-Ano-B-11.08.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XIX do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 11.08.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Domingo-XIX-do-Tempo-Comum-Ano-B-11.08.2024-refletindo.pdf\">Domingo XIX do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 11.08.2024-refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XVIII do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 04.08.2024&#8243; tab_id=&#8221;1723452730225-d86c7089-e9f0&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo XVIII do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 04.08.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Domingo-XVIII.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"465\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Atravessamos um contexto social e cultural marcado por r\u00e1pidas e profundas transforma\u00e7\u00f5es e se h\u00e1 uma constante no tempo em que vivemos \u00e9 estar em estado permanente de mudan\u00e7a. Na verdade, no cora\u00e7\u00e3o de cada homem e de cada mulher reside uma insatisfa\u00e7\u00e3o que o faz partir \u00e0 procura de um garante de estabilidade e equil\u00edbrio que lhe ofere\u00e7a um horizonte de plenitude e de sentido. Contudo, tantas vezes gastamos o nosso tempo e as nossas energias naquilo que n\u00e3o \u00e9 capaz de satisfazer a verdade que o nosso cora\u00e7\u00e3o anseia. Acredito que mesmo quando algu\u00e9m entra num caminho mais \u00e1rduo e exigente por escolhas menos acertadas e desviantes, o faz procurando o bem e a verdade, mas erra o alvo e os objetivos saem frustrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Num contexto marcado pela diversifica\u00e7\u00e3o e a diferencia\u00e7\u00e3o, a proposta da f\u00e9 emerge como uma entre tantas outras e o itiner\u00e1rio crente torna-se mais exigente, pois pode carecer de atra\u00e7\u00e3o e entusiasmo diante de tantas propostas aparentemente mais atrativas e entusiasmantes. H\u00e1, de facto, no cora\u00e7\u00e3o humano um desejo de vida nova que tantas vezes \u00e9 camuflado e aliviado pelas mudan\u00e7as exteriores. Basta ver como na publicidade, repetidas vezes, surgem propostas de mudan\u00e7a de vida pela transforma\u00e7\u00e3o da apar\u00eancia f\u00edsica, com dietas e opera\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas que procuram uma eterna juventude ou uma mudan\u00e7a de vida que rompa com o passado. \u00abSinta-se bem consigo mesmo!\u00bb \u00e9 refr\u00e3o que caracteriza uma sociedade do bem-estar que procura a satisfa\u00e7\u00e3o imediata e a autorrealiza\u00e7\u00e3o pessoal. A proposta da vida crist\u00e3 convida a percorrer o itiner\u00e1rio que nos conduz do \u00abbem-estar\u00bb ao \u00abbem-maior\u00bb, isto \u00e9, \u00e0 procura de um horizonte de plenitude e felicidade que nos faz entrar num caminho de renova\u00e7\u00e3o interior que cria em n\u00f3s um modo novo de ser e de estar porque nos abre a um modo novo de servir e amar: \u00ab<em>renovai-vos pela transforma\u00e7\u00e3o espiritual da vossa intelig\u00eancia e revesti-vos do homem novo, criado \u00e0 imagem de Deus na justi\u00e7a e santidade verdadeiras<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As grandes transforma\u00e7\u00f5es que o mundo anseia come\u00e7am a partir de dentro, a partir do cora\u00e7\u00e3o de cada homem e de cada mulher, e manifestam-se na vida concreta que o amor de Deus faz florescer quando a humanidade pela f\u00e9 adere livremente \u00e0 proposta que Deus lhe dirige. N\u00e3o \u00e9 uma mudan\u00e7a interior porque acontece no \u00edntimo da pessoa e a\u00ed fica resguardada e escondida, mas interior porque nasce de uma op\u00e7\u00e3o fundamental que come\u00e7a no \u00edntimo do homem e se manifesta exteriormente, pela coer\u00eancia de vida, nas a\u00e7\u00f5es concretas, no modo de ser e de estar no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aquela multid\u00e3o que procura Jesus precisa ainda de purificar as suas motiva\u00e7\u00f5es. A frontalidade das palavras de Jesus \u2013 \u00ab<em>v\u00f3s procurais-Me, n\u00e3o porque vistes milagres, mas porque comestes dos p\u00e3es e ficastes saciados<\/em>\u00bb \u2013 \u00e9 o convite a recentrar a nossa busca. A procura daquela multid\u00e3o est\u00e1 ainda centrada na l\u00f3gica da satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades mais imediatas e prementes e n\u00e3o na gratuidade de Deus que nos oferece muito mais do que o nosso cora\u00e7\u00e3o deseja e nos desconcerta pelo excesso de gra\u00e7a que Dele recebemos. Enquanto procuramos coisas que possam preencher os nossos vazios, Deus oferece-nos uma Pessoa, Jesus Cristo, feito p\u00e3o partido e repartido, que sustenta a nossa caminhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para atravessar o limiar que nos oferece vida nova e verdadeira \u00e9 necess\u00e1rio acolher a vida plena e eterna que nos oferece o P\u00e3o que desceu do C\u00e9u, conscientes que a obra de Deus n\u00e3o se realiza pela conjuga\u00e7\u00e3o do verbo fazer, mas pela capacidade de deixar Deus acontecer nas nossas vidas pela f\u00e9 que depositamos no Seu amor e na Sua gra\u00e7a.<strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Do Domingo XVII ao Domingo XXI do Tempo Comum, interrompemos a leitura do Evangelho de S. Marcos, evangelista deste Ano Lit\u00fargico, para escutarmos o cap\u00edtulo seis do Evangelho de S. Jo\u00e3o. O cap\u00edtulo do P\u00e3o da Vida, como tantas vezes \u00e9 designado, \u00e9 o convite a recentrar a vida crist\u00e3 na Eucaristia e descobrir em Jesus, P\u00e3o Vivo descido do C\u00e9u, o alimento que sacia a nossa fome e oferece novo sentido e configura\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa vida. Que estes Domingos sejam a oportunidade de caminharmos juntos, renovando a consci\u00eancia que a Eucaristia \u00e9 \u00abfonte e centro da vida crist\u00e3\u00bb (LG 11) e, preparando o novo ano pastoral, que possa ser a oportunidade de criativamente fazer da Eucaristia o centro da vida de cada comunidade.<strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>\u00caxodo 16,2-4.12-15<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\ntoda a comunidade dos filhos de Israel<br \/>\ncome\u00e7ou a murmurar no deserto contra Mois\u00e9s e Aar\u00e3o.<br \/>\nDisseram-lhes os filhos de Israel:<br \/>\n\u00abAntes tiv\u00e9ssemos morrido \u00e0s m\u00e3os do Senhor na terra do Egipto,<br \/>\nquando est\u00e1vamos sentados ao p\u00e9 das panelas de carne<br \/>\ne com\u00edamos p\u00e3o at\u00e9 nos saciarmos.<br \/>\nTrouxestes-nos a este deserto,<br \/>\npara deixar morrer \u00e0 fome toda esta multid\u00e3o\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o o Senhor disse a Mois\u00e9s:<br \/>\n\u00abVou fazer que chova para v\u00f3s p\u00e3o do c\u00e9u.<br \/>\nO povo sair\u00e1 para apanhar a quantidade necess\u00e1ria para cada dia.<br \/>\nVou assim p\u00f4-lo \u00e0 prova,<br \/>\npara ver se segue ou n\u00e3o a minha lei.<br \/>\nEu ouvi as murmura\u00e7\u00f5es dos filhos de Israel.<br \/>\nVai dizer-lhes:<br \/>\n\u2018Ao cair da noite comereis carne<br \/>\ne de manh\u00e3 saciar-vos-eis de p\u00e3o.<br \/>\nEnt\u00e3o reconhecereis que Eu sou o Senhor, vosso Deus\u2019\u00bb.<br \/>\nNessa tarde apareceram codornizes,<br \/>\nque cobriram o acampamento,<br \/>\ne na manh\u00e3 seguinte havia uma camada de orvalho<br \/>\nem volta do acampamento.<br \/>\nQuando essa camada de orvalho se evaporou,<br \/>\napareceu \u00e0 superf\u00edcie do deserto uma subst\u00e2ncia granulosa,<br \/>\nfina como a geada sobre a terra.<br \/>\nQuando a viram, os filhos de Israel perguntaram uns aos outros:<br \/>\n\u00abMan-hu?\u00bb, quer dizer: \u00abQue \u00e9 isto?\u00bb,<br \/>\npois n\u00e3o sabiam o que era.<br \/>\nDisse-lhes ent\u00e3o Mois\u00e9s:<br \/>\n\u00ab\u00c9 o p\u00e3o que o Senhor vos d\u00e1 em alimento\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A sec\u00e7\u00e3o de Ex 15,22-18,27 desenvolve um dos grandes temas do Pentateuco: a marcha pelo deserto dos hebreus libertados da escravid\u00e3o no Egito. Aqui estamos, ainda, na primeira etapa dessa marcha, a que vai desde a passagem do mar (cf. Ex 14,15-31), at\u00e9 ao Sinai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao longo desta etapa, o tema da murmura\u00e7\u00e3o do Povo contra Mois\u00e9s e contra Deus aparece em tr\u00eas epis\u00f3dios (cf. Ex 15,22-27; 16,1-21; 17,1-7). Em geral, esta tem\u00e1tica desenvolve-se \u00e0 volta de um esquema semelhante: diante das dificuldades que encontra no caminho, o Povo murmura, revolta-se contra Mois\u00e9s e acusa Deus pelos desconfortos da caminhada; Mois\u00e9s interv\u00e9m e intercede junto de Deus; finalmente, Deus acaba por conceder ao Povo os bens de que este sente necessidade. Os relatos apresentam-se sempre de uma forma dram\u00e1tica, . prodigiosa de Deus em benef\u00edcio do seu Povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Provavelmente, estes relatos t\u00eam por base dificuldades concretas sentidas pelos hebreus no seu caminho pelo deserto em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra Prometida. Essas dificuldades ficaram na mem\u00f3ria coletiva; e, mais tarde, foram utilizadas pelos te\u00f3logos de Israel com um objetivo catequ\u00e9tico. O objetivo dos catequistas que nos legaram estes relatos nunca foi apresentar uma reportagem factual dos acontecimentos do caminho, mas sim fazer catequese. Percebe-se nas entrelinhas que a grande preocupa\u00e7\u00e3o de quem comp\u00f4s estes relatos \u00e9 p\u00f4r o Povo de sobreaviso contra a tenta\u00e7\u00e3o de procurar ref\u00fagio e seguran\u00e7a longe de Jav\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O epis\u00f3dio que hoje nos \u00e9 proposto \u2013 o epis\u00f3dio em que Deus oferece ao seu Povo codornizes e man\u00e1 como alimento \u2013 \u00e9 situado no deserto de Sin, \u201cque est\u00e1 entre Elim e o Sinai, no d\u00e9cimo quinto dia do segundo m\u00eas ap\u00f3s a sa\u00edda da terra do Egipto\u201d (Ex 16,1). Os estudiosos identificam o referido espa\u00e7o geogr\u00e1fico com o territ\u00f3rio que vai de Kadesh Barnea para ocidente, nomeadamente para noroeste, onde est\u00e1 o Wadi El Arish.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A hist\u00f3ria das codornizes tem por base um fen\u00f3meno que se observa, por vezes, na Pen\u00ednsula do Sinai: a migra\u00e7\u00e3o em massa de codornizes que, depois de atravessar o mar, chegam ao Sinai cansadas da viagem, pousam junto das tendas dos bedu\u00ednos e deixam-se apanhar com facilidade. A hist\u00f3ria do man\u00e1 deve ter por base a secre\u00e7\u00e3o de uma pequena \u00e1rvore (\u201ctamarix mannifera\u201d) existente em certas zonas do Sinai que, ap\u00f3s ser picada por um inseto, segrega uma subst\u00e2ncia granulosa e aguada, de cor branca e com sabor a mel, que logo se coagula; os bedu\u00ednos recolhem, ainda hoje, essa subst\u00e2ncia (a que chamam \u201cman\u201d), derretem-na ao calor do sol e passam-na sobre o p\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vai ser com estes elementos \u2013 elementos que o Povo conheceu e que o impressionaram, ao longo da marcha pelo deserto \u2013 que os catequistas b\u00edblicos v\u00e3o \u201camassar\u201d a catequese que nos transmitem no texto da primeira leitura deste d\u00e9cimo oitavo domingo comum. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Peregrinar pelos caminhos desolados do deserto e experimentar priva\u00e7\u00f5es e car\u00eancias de todo o tipo n\u00e3o \u00e9 uma realidade improv\u00e1vel para n\u00f3s, gente sedent\u00e1ria e acomodada que vive no s\u00e9c. XXI e que tem mais ou menos garantidas as respostas \u00e0s necessidades mais prementes. Tamb\u00e9m n\u00f3s, \u00e0 medida que caminhamos, experimentamos a precariedade da exist\u00eancia, o cansa\u00e7o da caminhada, a expetativa do que nos espera l\u00e1 para a frente, a instabilidade que os problemas de todos os dias trazem, a tenta\u00e7\u00e3o de nos acomodarmos e de ficarmos para tr\u00e1s, o medo de deixarmos a nossa tranquila zona de conforto\u2026 E tamb\u00e9m n\u00f3s, como os escravos hebreus que Jav\u00e9 salvou do Egito e acompanhou no caminho para a liberdade, experimentamos a presen\u00e7a de Deus, desse Deus libertador e salvador que nos acompanha com solicitude e amor, dando-nos a m\u00e3o, pegando-nos ao colo e oferecendo-nos, com ternura, o \u201calimento\u201d que nos fortalece e que nos permite continuar a caminhar. Temos consci\u00eancia da presen\u00e7a de Deus ao nosso lado no caminho que fazemos todos os dias? Vamos reparando no seu amor previdente que nos cerca, que nos protege e que nos salva? A presen\u00e7a salvadora e amorosa de Deus ao nosso lado \u00e9 incentivo e alimenta a nossa esperan\u00e7a?<\/li>\n<li>As \u201csaudades\u201d que os israelitas sentem do Egipto, onde estavam \u201csentados junto de panelas de carne\u201d e tinham \u201cp\u00e3o com fartura\u201d, revelam a realidade de um Povo acomodado \u00e0 escravid\u00e3o, instalado tranquilamente numa vida sem perspetivas e sem sa\u00edda, incapaz de enfrentar a novidade, de querer mais, de arriscar a liberdade que se constr\u00f3i na luta e no compromisso. Esta mentalidade de escravid\u00e3o continua, nos nossos dias, a marcar a vida e as op\u00e7\u00f5es de muita gente\u2026 \u00c9 a mentalidade dos que vivem obcecados pelo \u201cter\u201d e que s\u00e3o capazes de renunciar \u00e0 sua dignidade para acumular bens materiais; \u00e9 a mentalidade dos que trocam valores importantes pelos \u201ccinco minutos de fama\u201d e de exposi\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica; \u00e9 a mentalidade dos que t\u00eam como \u00fanico objetivo na vida a satisfa\u00e7\u00e3o das suas necessidades mais b\u00e1sicas; \u00e9 a mentalidade dos que se instalam comodamente nos seus esquemas c\u00f3modos, nos seus preconceitos e se recusam a ir mais al\u00e9m, a deixarem-se interpelar pela novidade e pelos desafios de Deus; \u00e9 a mentalidade dos que vivem voltados para o passado, que idealizam o passado, recusando-se a enfrentar os desafios da hist\u00f3ria e a descobrir o que h\u00e1 de positivo e de desafiante nos novos tempos; \u00e9 a mentalidade dos que se resignam \u00e0 mediocridade e que n\u00e3o fazem nenhum esfor\u00e7o para que a sua vida fa\u00e7a sentido\u2026 A Palavra de Deus que nos \u00e9 proposta diz-nos: o nosso Deus n\u00e3o Se conforma com a resigna\u00e7\u00e3o, o comodismo, a instala\u00e7\u00e3o, a mediocridade que fazem de n\u00f3s escravos; Ele vem ao nosso encontro, desafia-nos a ir mais al\u00e9m, convida-nos a crescer e a dar passos firmes em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade e \u00e0 Vida nova\u2026 Como nos enquadramos em tudo isto? Vivemos agarrados \u00e0s velhas certezas e seguran\u00e7as, de olhos postos no ch\u00e3o, ou vivemos de cabe\u00e7a levantada, sempre \u00e0 procura da novidade de Deus e dispostos a confrontar-nos com os desafios sempre novos que a vida traz?<\/li>\n<li>A ideia de que Deus d\u00e1 ao seu Povo, dia a dia, o p\u00e3o necess\u00e1rio para a subsist\u00eancia (proibindo \u201cjuntar\u201d mais do que o necess\u00e1rio para cada dia) pretende ajudar o Povo a libertar-se da tenta\u00e7\u00e3o do \u201cter\u201d, da ambi\u00e7\u00e3o desmedida. \u00c9 um convite a n\u00e3o nos deixarmos dominar pelo desejo descontrolado de posse dos bens, a libertarmos o nosso cora\u00e7\u00e3o da gan\u00e2ncia que nos torna escravos das coisas materiais, a n\u00e3o vivermos obcecados e angustiados com o futuro, a n\u00e3o colocarmos na conta banc\u00e1ria a nossa seguran\u00e7a e a nossa esperan\u00e7a. S\u00f3 Deus \u00e9 a nossa seguran\u00e7a, s\u00f3 n\u2019Ele devemos confiar, pois s\u00f3 Ele (e n\u00e3o os bens materiais) nos liberta e nos leva ao encontro da Vida definitiva. Onde est\u00e1 a nossa esperan\u00e7a? Como \u00e9 que est\u00e1 organizada a nossa escala de prioridades e qual o lugar que Deus ocupa nela? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 Salmo 77 (78)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: O Senhor deu-lhes o p\u00e3o do c\u00e9u.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00f3s ouvimos e aprendemos,<br \/>\nos nossos pais nos contaram<br \/>\nos louvores do Senhor e o seu poder<br \/>\ne as maravilhas que Ele realizou.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus ordens \u00e0s nuvens do alto<br \/>\ne abriu as portas do c\u00e9u;<br \/>\npara alimento fez chover o man\u00e1,<br \/>\ndeu-lhes o p\u00e3o do c\u00e9u.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O homem comeu o p\u00e3o dos fortes!<br \/>\nMandou-lhes comida com abund\u00e2ncia<br \/>\ne introduziu-os na sua terra santa,<br \/>\nna montanha que a sua direita conquistou.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Ef\u00e9sios 4,17.20-24<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nEis o que vos digo e aconselho em nome do Senhor:<br \/>\nN\u00e3o torneis a proceder como os pag\u00e3os,<br \/>\nque vivem na futilidade dos seus pensamentos.<br \/>\nN\u00e3o foi assim que aprendestes a conhecer a Cristo,<br \/>\nse \u00e9 que d\u2019Ele ouvistes pregar e sobre Ele fostes instru\u00eddos,<br \/>\nconforme a verdade que est\u00e1 em Jesus.<br \/>\n\u00c9 necess\u00e1rio abandonar a vida de outrora<br \/>\ne p\u00f4r de parte o homem velho,<br \/>\ncorrompido por desejos enganadores.<br \/>\nRenovai-vos pela transforma\u00e7\u00e3o espiritual da vossa intelig\u00eancia<br \/>\ne revesti-vos do homem novo, criado \u00e1 imagem de Deus<br \/>\nna justi\u00e7a e santidade verdadeiras.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A controversa carta de Paulo aos Ef\u00e9sios \u00e9 tradicionalmente inclu\u00edda nas \u201ccartas do cativeiro\u201d. Teria sido escrita por Paulo quando estava na pris\u00e3o (em Cesareia Mar\u00edtima? Em Roma?). No entanto, h\u00e1 quem a considere obra de um disc\u00edpulo do ap\u00f3stolo, que a escreveu no \u00faltimo ter\u00e7o do s\u00e9c. I (depois da morte de Paulo) para combater doutrinas judaico-gn\u00f3sticas que amea\u00e7avam algumas comunidades crist\u00e3s da \u00c1sia Menor. Embora reconhecendo que a Carta apresenta uma linguagem, um estilo e at\u00e9 alguns desenvolvimentos teol\u00f3gicos diferentes dos que encontramos nas cartas genuinamente paulinas, muitos consideram, contudo, que a Carta aos Ef\u00e9sios poder\u00e1 ser uma \u201ccarta circular\u201d escrita por Paulo e endere\u00e7ada a v\u00e1rias comunidades crist\u00e3s da parte ocidental da \u00c1sia Menor, incluindo a de \u00c9feso. Convencido de que tinha conclu\u00eddo o seu trabalho mission\u00e1rio no oriente, Paulo apresenta, de forma serena e refletida, uma amadurecida s\u00edntese do seu pensamento e da sua teologia. O autor da Carta exp\u00f5e \u201co Mist\u00e9rio\u201d, isto \u00e9, o projeto salvador de Deus, oculto durante s\u00e9culos at\u00e9 ser finalmente revelado em Cristo e concretizado no testemunho e na vida da Igreja, Corpo de Cristo. Da execu\u00e7\u00e3o desse projeto nasce um novo Povo de Deus, um Povo de Homens novos que vivem do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A sec\u00e7\u00e3o da Carta aos Ef\u00e9sios que vai de 4,1 a 6,20 \u00e9 um texto paren\u00e9tico, que tem por objetivo principal exortar os crist\u00e3os a viverem de forma coerente com o seu Batismo e com o seu compromisso com Cristo. Depois de convidar os crentes a viverem na unidade do amor (cf. Ef 4,1-6) e de lhes apresentar uma reflex\u00e3o sobre a comunidade, Corpo de Cristo formado por muitos membros (cf. Ef 4,7-13), o autor da Carta exorta os crist\u00e3os a viverem de acordo com a sua condi\u00e7\u00e3o de Homens Novos em Cristo (cf. 4,14-5,14). O texto que nos \u00e9 proposto como segunda leitura neste d\u00e9cimo oitavo domingo comum \u00e9 parte dessa exorta\u00e7\u00e3o.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A interpela\u00e7\u00e3o de Paulo atinge-nos especialmente a n\u00f3s que fomos batizados em Cristo. \u00c9 poss\u00edvel que n\u00e3o guardemos mem\u00f3ria do dia do nosso batismo, desse momento decisivo em que o \u201chomem velho\u201d que existia em n\u00f3s ficou sepultado na \u00e1gua e nasceu o \u201chomem novo\u201d, animado e conduzido pelo Esp\u00edrito. No entanto, a op\u00e7\u00e3o que nesse dia fomos convidados a fazer tornou-se expl\u00edcita mais tarde e, possivelmente, foi renovada em diversos momentos do nosso caminho. Talvez hoje seja um dia prop\u00edcio para revisitarmos o nosso batismo e para nos apercebermos das suas implica\u00e7\u00f5es\u2026 A celebra\u00e7\u00e3o do nosso batismo n\u00e3o foi um momento de folclore religioso ou uma ocasi\u00e3o de cumprimento de um ritual cultural qualquer; foi o momento do nosso encontro com Cristo e da nossa ades\u00e3o ao seu Evangelho; foi o momento em que aderimos \u00e0 fam\u00edlia de Deus e passamos a integr\u00e1-la; foi o momento em que recebemos o Esp\u00edrito e aceitamos que a nossa vida fosse animada pelo Seu dinamismo. Temos vivido de forma coerente com essa op\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>Paulo convida insistentemente os crentes a deixar a vida do \u201chomem velho\u201d. O \u201chomem velho\u201d \u00e9 o homem dominado pelo ego\u00edsmo, pelo orgulho, que vive de cora\u00e7\u00e3o fechado a Deus e aos irm\u00e3os, que vive instalado em esquemas de opress\u00e3o e de injusti\u00e7a, que gasta a vida a correr atr\u00e1s dos deuses errados (o dinheiro, o poder, o \u00eaxito, o bem-estar\u2026), que se deixa dominar pela cobi\u00e7a, pela corrup\u00e7\u00e3o, pela concupisc\u00eancia, pela ira, pela maldade e se recusa a escutar a proposta libertadora que Deus lhe apresenta. Provavelmente, n\u00e3o nos revemos na totalidade deste quadro; mas n\u00e3o teremos momentos em que constru\u00edmos a nossa vida \u00e0 margem das propostas de Deus e em que negligenciamos os valores de Deus para abra\u00e7ar valores que nos escravizam?<\/li>\n<li>Paulo apela a que os crentes vivam a vida do \u201chomem novo\u201d. O \u201chomem novo\u201d \u00e9 o homem continuamente atento \u00e0s propostas de Deus, que aceita integrar a fam\u00edlia de Deus, que n\u00e3o se conforma com a maldade, a injusti\u00e7a, a explora\u00e7\u00e3o, a opress\u00e3o, que procura viver na verdade, no amor, na justi\u00e7a, na partilha, no servi\u00e7o, que pratica obras de bondade, de miseric\u00f3rdia, de humildade, que dia a dia d\u00e1 testemunho, com alegria e simplicidade, dos valores de Deus. \u00c9 este o nosso \u201cprojeto\u201d de vida? Os nossos gestos e atitudes de cada dia manifestam a realidade de um \u201chomem novo\u201d, que vive em comunh\u00e3o com Deus, que \u00e9 \u201csal da terra e luz do mundo, que testemunha o amor e a bondade de Deus na vida dos seus irm\u00e3os?<\/li>\n<li>Mesmo que a nossa op\u00e7\u00e3o fundamental por Deus e pelos seus valores tenha sido h\u00e1 muito plenamente assumida, n\u00e3o podemos esquecer que a constru\u00e7\u00e3o do \u201chomem novo\u201d nunca \u00e9 um processo terminado\u2026 A monotonia, o cansa\u00e7o, os problemas da vida, as influ\u00eancias do mundo, a nossa pregui\u00e7a e o nosso comodismo levam-nos, muitas vezes, a instalarmo-nos na mediocridade, nas \u201cmeias tintas\u201d, na n\u00e3o exig\u00eancia, na acomoda\u00e7\u00e3o. O \u201chomem velho\u201d espreita-nos a cada esquina e, na primeira oportunidade, volta a assumir o controle das nossas vidas. Precisamos de ter consci\u00eancia de que em cada minuto que passa tudo come\u00e7a outra vez; precisamos de renovar continuamente as nossas op\u00e7\u00f5es e o nosso compromisso, numa aten\u00e7\u00e3o constante ao chamamento de Deus. Vivemos de bra\u00e7os cruzados, considerando que j\u00e1 atingimos um n\u00edvel satisfat\u00f3rio de perfei\u00e7\u00e3o, ou vivemos numa atitude de vigil\u00e2ncia e de convers\u00e3o, questionando a cada passo a dire\u00e7\u00e3o que a nossa vida vai tomando? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 6,24-35 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nquando a multid\u00e3o viu<br \/>\nque nem Jesus nem os seus disc\u00edpulos estavam \u00e0 beira do lago,<br \/>\nsubiram todos para as barcas<br \/>\ne foram para Cafarnaum, \u00e0 procura de Jesus.<br \/>\nAo encontr\u00e1-l\u2019O no outro lado do mar, disseram-Lhe:<br \/>\n\u00abMestre, quando chegaste aqui?\u00bb<br \/>\nJesus respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abEm verdade, em verdade vos digo:<br \/>\nv\u00f3s procurais-Me, n\u00e3o porque vistes milagres,<br \/>\nmas porque comestes dos p\u00e3es e ficastes saciados.<br \/>\nTrabalhai, n\u00e3o tanto pela comida que se perde,<br \/>\nmas pelo alimento que dura at\u00e9 \u00e0 vida eterna<br \/>\ne que o Filho do homem vos dar\u00e1.<br \/>\nA Ele \u00e9 que o Pai, o pr\u00f3prio Deus,<br \/>\nmarcou com o seu selo\u00bb.<br \/>\nDisseram-Lhe ent\u00e3o:<br \/>\n\u00abQue devemos n\u00f3s fazer para praticar as obras de Deus?\u00bb<br \/>\nRespondeu-lhes Jesus:<br \/>\n\u00abA obra de Deus<br \/>\nconsiste em acreditar n\u2019Aquele que Ele enviou\u00bb.<br \/>\nDisseram-Lhe eles:<br \/>\n\u00abQue milagres fazes Tu,<br \/>\npara que n\u00f3s vejamos e acreditemos em Ti?<br \/>\nQue obra realizas?<br \/>\nNo deserto os nossos pais comeram o man\u00e1,<br \/>\nconforme est\u00e1 escrito:<br \/>\n\u2018Deu-lhes a comer um p\u00e3o que veio do c\u00e9u\u2019\u00bb.<br \/>\nJesus respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abEm verdade, em verdade vos digo:<br \/>\nN\u00e3o foi Mois\u00e9s que vos deu o p\u00e3o do C\u00e9u;<br \/>\nmeu Pai \u00e9 que vos d\u00e1 o verdadeiro p\u00e3o do C\u00e9u.<br \/>\nO p\u00e3o de Deus \u00e9 o que desce do C\u00e9u<br \/>\npara dar a vida ao mundo\u00bb.<br \/>\nDisseram-Lhe eles:<br \/>\n\u00abSenhor, d\u00e1-nos sempre desse p\u00e3o\u00bb.<br \/>\nJesus respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abEu sou o p\u00e3o da vida:<br \/>\nquem vem a Mim nunca mais ter\u00e1 fome,<br \/>\nquem acredita em Mim nunca mais ter\u00e1 sede\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Depois da partilha dos p\u00e3es e dos peixes Jesus, \u201csabendo que estavam prestes a vir apoderar-se dele para o fazer rei, retirou-se sozinho para o monte\u201d (Jo 6,15). Provavelmente demorou-se por l\u00e1 em ora\u00e7\u00e3o, pois no final de cada dia Ele sentia necessidade de conversar longamente com o Pai. Os disc\u00edpulos, por sua vez, meteram-se no barco dispostos a voltar a Cafarnaum. Navegaram sozinhos durante algum tempo, at\u00e9 que Jesus veio ter com eles, caminhando sobre o mar. Depois de Jesus ter entrado no barco, logo chegaram a Cafarnaum (cf. Jo 6,16-21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O epis\u00f3dio que o Evangelho deste d\u00e9cimo oitavo domingo comum nos apresenta situa-nos em Cafarnaum (cf. Jo 6,59), no dia imediatamente a seguir aos factos anteriormente narrados. Passada a noite, a multid\u00e3o que tinha sido agraciada com os p\u00e3es e os peixes, n\u00e3o encontrando Jesus e os disc\u00edpulos, conjeturou que eles tinham voltado a Cafarnaum e dirigiu-se para l\u00e1. Cafarnaum, a cidade de pescadores situada na margem ocidental do Mar da Galileia, era a cidade onde Jesus se tinha instalado depois de deixar Nazar\u00e9. A sua import\u00e2ncia advinha de estar ao lado da estrada onde passavam as caravanas provenientes da S\u00edria. De Cafarnaum Jesus podia facilmente dirigir-se a qualquer aldeia ou cidade da Galileia para proclamar a chegada do Reino de Deus. Alguns dos disc\u00edpulos de Jesus \u2013 Sim\u00e3o e seu irm\u00e3o Andr\u00e9, Tiago e seu irm\u00e3o Jo\u00e3o \u2013 viviam em Cafarnaum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus estava na sinagoga quando a multid\u00e3o veio ao seu encontro. Naturalmente, os acontecimentos do dia anterior foram tema de conversa; e Jesus, sentindo que era necess\u00e1rio deixar as coisas bem claras, teve com aquela gente uma longa conversa. O que Ele disse nesse dia \u00e0 multid\u00e3o, na sinagoga de Cafarnaum, ficou conhecido como o \u201cdiscurso do p\u00e3o da vida\u201d (cf. Jo 6,22-59. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O p\u00e3o de que necessitamos diariamente para saciar a nossa fome f\u00edsica \u00e9 algo sem o qual n\u00e3o podemos viver; mas n\u00e3o \u00e9 tudo. Temos sempre a impress\u00e3o de que nos falta algo para que a nossa vida seja mais plena e mais realizada. Temos sempre \u201cfome\u201d de mais qualquer coisa: de amor, de felicidade, de justi\u00e7a, de paz, de esperan\u00e7a, de liberdade, de realiza\u00e7\u00e3o, de verdade, de transcend\u00eancia, at\u00e9 dessas coisas mais ou menos f\u00fateis que nos asseguram bem-estar e seguran\u00e7a\u2026 Procuramos, de mil formas, saciar essa fome; mas continuamos sempre insatisfeitos, trope\u00e7ando na nossa finitude, em respostas parciais, em tentativas falhadas de realiza\u00e7\u00e3o, em esquemas equ\u00edvocos, em falsas miragens de felicidade, em valores ef\u00e9meros, em propostas que parecem sedutoras mas que s\u00f3 geram escravid\u00e3o e depend\u00eancia. Por vezes, a nossa procura conduz-nos ao beco sem sa\u00edda da frustra\u00e7\u00e3o e do pessimismo; outras vezes, a nossa busca sempre repetida leva-nos ao cinismo ou ao cansa\u00e7o\u2026 \u00c9 esta tamb\u00e9m a nossa experi\u00eancia? Como podemos \u201cencher\u201d a nossa vida e dar-lhe pleno significado? Onde encontrar o \u201cp\u00e3o\u201d que mata a nossa fome de Vida?<\/li>\n<li>O Evangelho que escut\u00e1mos neste d\u00e9cimo oitavo domingo comum diz-nos que Jesus de Nazar\u00e9 \u00e9 o \u201cp\u00e3o de Deus que desce do c\u00e9u para dar a vida ao mundo\u201d. \u00c9 em Jesus e atrav\u00e9s de Jesus que Deus responde \u00e0 fome dos homens e lhes oferece a Vida em plenitude. Que papel desempenha Jesus na nossa vida? Para n\u00f3s, Jesus \u00e9 uma figura do passado (embora tenha sido um homem excecional) que a hist\u00f3ria absorveu e digeriu, ou \u00e9 o Deus que continua vivo e a caminhar ao nosso lado, oferecendo-nos Vida em plenitude? Ele \u00e9 \u201cmais uma\u201d das nossas refer\u00eancias (ao lado de tantas outras) ou a nossa refer\u00eancia fundamental? Ele \u00e9 algu\u00e9m a quem adoramos, com respeito e \u00e0 dist\u00e2ncia, ou o irm\u00e3o que nos indica o caminho, que nos prop\u00f5e valores, que condiciona a nossa atitude face a Deus, face aos irm\u00e3os e face ao mundo?<\/li>\n<li>O que \u00e9 preciso fazer para ter acesso a esse \u201cp\u00e3o de Deus que desce do c\u00e9u para dar a vida ao mundo\u201d? De acordo com o Evangelho deste domingo, a resposta \u00e9 clara: \u00e9 preciso aderir (\u201cacreditar\u201d) a Jesus, o \u201cp\u00e3o\u201d que o Pai enviou ao mundo para saciar a fome dos homens. Aderir a Jesus n\u00e3o \u00e9, no entanto, cumprir corretamente um c\u00f3digo de pr\u00e1ticas e observ\u00e2ncias rituais, ou termos os nossos nomes nos livros de registos de batismos, de crismas ou de casamentos na nossa par\u00f3quia; mas \u00e9 criar uma liga\u00e7\u00e3o a Jesus, caminhar atr\u00e1s d\u2019Ele, escutar as suas palavras, aprender com os seus gestos, viver ao estilo d\u2019Ele, identificar-se com Ele, pensar, sentir, amar, trabalhar, sofrer e viver como Ele. Como \u00e9 que vivemos a nossa ades\u00e3o a Jesus: como religi\u00e3o de cren\u00e7as e de pr\u00e1ticas externas, ou como uma religi\u00e3o de disc\u00edpulos que seguem e vivem ao estilo do Mestre? Identificamo-nos realmente com Jesus e com o seu projeto?<\/li>\n<li>No Evangelho deste domingo, Jesus mostra-Se profundamente incomodado quando constata que a multid\u00e3o o procura pelas raz\u00f5es erradas e, sem pre\u00e2mbulos, apressa-Se em desfazer os equ\u00edvocos. Ele n\u00e3o quer, de forma nenhuma, que as pessoas O sigam por engano, ou iludidas. H\u00e1, aqui, um convite impl\u00edcito a repensarmos as raz\u00f5es porque nos envolvemos com Cristo\u2026 \u00c9 um equ\u00edvoco procurar o Batismo porque \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o da nossa cultura; \u00e9 um equ\u00edvoco celebrar o matrim\u00f3nio na Igreja porque, assim, a cerim\u00f3nia \u00e9 mais espetacular e proporciona fotografias mais bonitas; \u00e9 um equ\u00edvoco assumir tarefas na comunidade crist\u00e3 para nos autopromovermos ou para resolvermos os nossos problemas materiais; \u00e9 um equ\u00edvoco receber o sacramento da Ordem porque o sacerd\u00f3cio nos proporciona uma vida menos problem\u00e1tica; \u00e9 um equ\u00edvoco praticarmos certos atos de piedade para que Jesus nos recompense, nos livre de desgra\u00e7as, nos resolva algumas das nossas necessidades materiais\u2026 Porque \u00e9 que um dia aderimos a Jesus? Porque \u00e9 que ainda mantemos a nossa ades\u00e3o a Jesus? Estamos plenamente convictos de que s\u00f3 Jesus \u00e9 o \u201cp\u00e3o\u201d que sacia a nossa fome de Vida?<\/li>\n<li>A recusa de Jesus em realizar gestos espetaculares (como fazer o man\u00e1 cair do c\u00e9u), mostra que, normalmente, Deus n\u00e3o vem ao encontro do homem para lhe oferecer a sua vida em gestos portentosos, que deixam toda a gente espantada e que testemunham, de forma inequ\u00edvoca, a sua autoridade e o seu poder; mas Deus atua na vida dos homens de forma discreta, embora duradoura e permanente. Deus vem, todos os dias, ao encontro do homem e, sem for\u00e7ar nem se impor, convida-o a escutar a Palavra de Jesus, prop\u00f5e-lhe a ades\u00e3o a Jesus e ao seu projeto, ensina-lhe os caminhos do amor, da partilha, do servi\u00e7o. Procuramos ler todos os dias, nas p\u00e1ginas que registam a nossa caminhada pela terra, as indica\u00e7\u00f5es discretas que Deus vai colocando para que n\u00f3s possamos chegar \u00e0 Vida? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na <strong>primeira leitura<\/strong>, ter em considera\u00e7\u00e3o as diferentes interven\u00e7\u00f5es em discurso direto que devem ser articuladas com o texto narrativo, tendo particular aten\u00e7\u00e3o nas introdu\u00e7\u00f5es ao discurso direto. A frase final deve ser lida afirmativa e pausadamente como conclus\u00e3o de todo o texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A proclama\u00e7\u00e3o da <strong>segunda leitura<\/strong> deve ser marcada pelo tom exortativo, tendo especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s formas verbais no modo imperativo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/07\/30\/senhor-da-nos-sempre-desse-pao-3\/\"><strong>SENHOR, D\u00c1-NOS SEMPRE DESSE\u00a0P\u00c3O!<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Continuamos, <strong>neste Domingo XVIII do Tempo Comum,<\/strong> a revisitar a p\u00e1gina Evang\u00e9lica de Jo\u00e3o 6, no caso de hoje, 6,24-35. Depois do epis\u00f3dio do CONDIVIS\u00c3O dos p\u00e3es, Jesus afastou-se sozinho para o monte (Jo\u00e3o 6,15), e os seus disc\u00edpulos entraram na Barca e atravessaram o Mar da Galileia, na dire\u00e7\u00e3o de Cafarnaum (Jo\u00e3o 6,16-17). Em pleno Mar, foram apanhados pelo escuro, por um vento grande e pelo medo (Jo\u00e3o 6,17-20). Na verdade, iam s\u00f3s, pois Jesus ainda n\u00e3o tinha vindo ter com eles. Mas vem, e com ele vem tamb\u00e9m a calma e a serenidade, e logo encontram rumo seguro para terra (Jo\u00e3o 6,21). Definitivamente: os disc\u00edpulos de Jesus n\u00e3o podem andar sozinhos, sem Jesus: quando o fazem, invade-os a noite, a tormenta, o medo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com o afastamento de Jesus para o monte, tamb\u00e9m a multid\u00e3o ficou sozinha, mas leva mais tempo at\u00e9 se aperceber da sua solid\u00e3o e da aus\u00eancia de Jesus. O escuro n\u00e3o os preocupa. Passam a noite a dormir descansadamente. S\u00f3 no dia seguinte se apercebem da falta de Jesus, da falta que Jesus lhes faz, e v\u00e3o \u00e0 procura d\u2019Ele (Jo\u00e3o 6,22-24). Encontram-no, e manifestam a confus\u00e3o neles instalada, perguntando: \u00abRabb\u00ee, quando vieste para aqui?\u00bb (Jo\u00e3o 6,25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sem contempla\u00e7\u00f5es e com palavras dur\u00edssimas, Jesus desvenda logo, de forma clara e solene, a sonol\u00eancia e incompreens\u00e3o que os habita: \u00abEm verdade, em verdade, vos digo: \u201cV\u00f3s procurais-me, n\u00e3o porque vistes sinais, mas porque comestes dos p\u00e3es e enchestes a barriga como animais (<em>chort\u00e1z\u00f4<\/em>)\u201d\u00bb (Jo\u00e3o 6,26). A compara\u00e7\u00e3o \u00e9 forte e de denso sabor prof\u00e9tico. O verbo usado \u00e9\u00a0<em>chort\u00e1z\u00f4<\/em>, derivado de\u00a0<em>ch\u00f3rtos<\/em>, que significa \u00aberva seca\u00bb, \u00abfeno\u00bb, \u00abpalha\u00bb. No dizer de Jesus, aquela multid\u00e3o comeu como comem os animais. E, no fim, deitam-se a dormir. At\u00e9 ao dia seguinte. A comida dos animais tamb\u00e9m \u00e9 dom de Deus, mas eles n\u00e3o se apercebem, nem agradecem. Do mesmo modo, a multid\u00e3o come e dorme. N\u00e3o v\u00ea nem l\u00ea \u00absinais\u00bb. O alimento recebido n\u00e3o d\u00e1 que pensar e que rezar. N\u00e3o se apercebe que o alimento \u00e9 dom de Deus, e que remete, portanto, para Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E t\u00e3o-pouco entendem que est\u00e1 ali o verdadeiro\u00a0<em>p\u00e3o da vida<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 6,35). N\u00e3o veem nem ouvem Jesus, e o sentido novo que traz para a vida das pessoas. Limitam-se a contar a hist\u00f3ria antiga do man\u00e1 antigo que os seus pais comeram no deserto. Como quem diz (e n\u00f3s repetimos muitas vezes o mesmo refr\u00e3o viciado): \u00abantigamente \u00e9 que era!\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E esse man\u00e1 antigo era, afinal, bem pouca coisa. Mas foi \u00abvisto\u00bb como sinal da provid\u00eancia de Deus em pleno deserto, como ensina a li\u00e7\u00e3o de hoje do Livro do \u00caxodo 16. Trata-se do man\u00e1 chamado\u00a0<em>lecanora<\/em>, que se encontra desde o Ir\u00e3o at\u00e9 ao Norte de \u00c1frica, portanto tamb\u00e9m no norte da Pen\u00ednsula sina\u00edtica, que \u00e9 granuloso e aguado, de dimens\u00f5es bem reduzidas, min\u00fasculas, do tamanho da semente do coentro [= cerca de 5 mil\u00edmetros de di\u00e2metro], de cor branca, e tem sabor a mel (\u00caxodo 16,31). Trata-se, na verdade, da secre\u00e7\u00e3o produzida pelo tamarisco, chamado\u00a0<em>tamarix gallica<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>tamarix-mannifera<\/em>, ap\u00f3s a picada de um inseto, o\u00a0<em>coccus manniparus<\/em>, ou de dois, a<em>\u00a0trabutina-mannipara<\/em>\u00a0e o\u00a0<em>naiacoccus serpentinus<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Afinal, \u00e9 bem pouca coisa o man\u00e1. Tal como os cinco p\u00e3es e os dois peixinhos. Mas, quando se v\u00ea como um dom de Deus, essa pouca coisa \u00e9 tanto! Eis como admiravelmente escreve o Livro da Sabedoria, quando fala do man\u00e1: \u00abnutriste o teu povo com um alimento de anjos, DESTE-lhe o P\u00c3O do C\u00c9U, com mil sabores: ele manifestava a tua DO\u00c7URA (<em>glyk\u00fdt\u00eas<\/em>, glicose). Assim os teus FILHOS QUERIDOS aprenderam, Senhor, que\u00a0 N\u00c3O \u00c9 A PRODU\u00c7\u00c3O DE FRUTOS que alimenta os homens, mas a tua Palavra que a todos sustenta\u00bb (Sabedoria 16,20-21.26). A\u00ed est\u00e1, claro, clar\u00edssimo, o indicador correto da compreens\u00e3o da chamada \u00abmultiplica\u00e7\u00e3o\u00bb dos p\u00e3es por Jesus. N\u00e3o, Jesus n\u00e3o faz o papel de um qualquer produtor ou empres\u00e1rio que faz uma opera\u00e7\u00e3o de multiplica\u00e7\u00e3o de bens, para satisfazer os desejos das pessoas, em termos de consumo e de mercado. Ele distribui, reparte, partilha a Palavra de Deus, fazendo nascer desta opera\u00e7\u00e3o um mundo novo. J\u00e1 todos dev\u00edamos saber que aumentar a produ\u00e7\u00e3o pode aumentar a gan\u00e2ncia, mas n\u00e3o resolve o problema da fome ou da pobreza. Aumentar a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nenhum milagre. O milagre reside na partilha! O nosso povo simples, que guarda sempre uma intelig\u00eancia grata e penetrante, diz bem que \u00abo pouco com Deus \u00e9 muito; o muito sem Deus \u00e9 nada!\u00bb. Admir\u00e1vel sabedoria e sintonia com o Evangelho de Jesus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus \u00e9 a Palavra Viva, o P\u00e3o da Vida, que, no meio de n\u00f3s, manifesta a Do\u00e7ura ou a Glicose de Deus (cf. Sabedoria 16,21). \u00c9 sempre tendo este Jesus como refer\u00eancia e fonte de vida nova, que devemos abandonar a antiga vida oca e v\u00e3 (<em>m\u00e1taios<\/em>), a intelig\u00eancia obscurecida (<em>sk\u00f3tos<\/em>), a aliena\u00e7\u00e3o (<em>apallotri\u00f3\u00f4<\/em>) e a ignor\u00e2ncia (<em>agn\u00f4s\u00eda<\/em>) de Deus, o cora\u00e7\u00e3o endurecido (<em>p\u00f4r\u00f4sis<\/em>), que geram insensibilidade, dissolu\u00e7\u00e3o, impureza e avidez, e, em Jesus, renovar a nossa intelig\u00eancia, compreens\u00e3o e sentido da vida, revestindo-nos (<em>end\u00fd\u00f4<\/em>) de h\u00e1bitos novos, que n\u00e3o se vendem ou compram no pronto-a-vestir (Ef\u00e9sios 4,17-24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sim, Ele est\u00e1 no meio de n\u00f3s, mas n\u00e3o \u00e9 nosso. N\u00e3o \u00e9 um sistema de produ\u00e7\u00e3o ou de abastecimento. Ele \u00e9 o Amor, a Alegria, a Vida Vivente e Eterna, Vida divina, dita\u00a0<em>z\u00f4\u00ea<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 6,33) ou\u00a0<em>z\u00f4\u00ea ai\u00f4nios<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 6,27), e n\u00e3o\u00a0<em>b\u00edos<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>psych\u00ea<\/em>, voc\u00e1bulos que dizem a nossa vida corrente e o seu sustento. Ele \u00e9 o C\u00e9u e o P\u00e3o descido do C\u00e9u \u00e0 nossa terra, para nos fazer viver felizes e nos elevar \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de Filho, filhos no Filho. Est\u00e1 no meio de n\u00f3s, mas n\u00e3o o podemos reter ou possuir. Ensina-nos bem Abraham Joshua Heschel que um dom \u00e9 como um vaso cheio de afeto, que se quebra logo que o recebedor o comece a considerar como seu. Senhor Jesus, d\u00e1-nos sempre desse p\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Salmo 78 ensina-nos que a B\u00edblia \u00e9 a longa hist\u00f3ria de uma salva\u00e7\u00e3o sempre oferecida, acolhida e, por vezes, rejeitada. Lembra-nos que as maravilhas de Deus n\u00e3o s\u00e3o para guardar no cofre da fam\u00edlia, mas para passar, de m\u00e3o em m\u00e3o, de cora\u00e7\u00e3o a cora\u00e7\u00e3o, de pais para filhos, de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o. A catequese \u00e9 o an\u00fancio de um acontecimento em carne viva que nos deve comprometer, e n\u00e3o de uma s\u00e9rie de frias, enlatadas ou requentadas f\u00f3rmulas ou teses teol\u00f3gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Domingo-XVIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-04.08.2024-refletindo-.pdf\">Domingo XVIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 04.08.2024-refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Leitura-I-do-Domingo-XVIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-04.08.2024-Ex-16-2-4.12-15.pdf\">Leitura I do Domingo XVIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 04.08.2024 (Ex 16, 2-4.12-15)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Leitura-II-do-Domingo-XVIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-04.08.2024-Ef-4-17.20-24.pdf\">Leitura II do Domingo XVIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 04.08.2024 (Ef 4, 17.20-24)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Domingo-XVIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-04.08.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XVIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 04.08.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Domingo-XVIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-04.08.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XVIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 04.08.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XVII do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 28.07.2024 IV Dia Mundial dos Av\u00f3s e dos Idosos&#8221; tab_id=&#8221;1722852542027-866c8e51-91fd&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo XVII do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 28.07.2024<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>IV Dia Mundial dos Av\u00f3s e dos Idosos<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Domingo-XVII.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus parte para o outro lado do mar\u2026 Jesus sobe ao monte\u2026 Jesus senta-se com os disc\u00edpulos! O nosso Deus, em Jesus Cisto, \u00e9 um Deus a caminho, que nos impele a atravessar para a outra margem, que nos conduz mais alto para contemplarmos o mundo e a humanidade de um modo novo, que nos liberta do nosso comodismo e nos ensina a arte de conceber a vida como um desafiante peregrinar. \u00c9 curioso que grande parte da a\u00e7\u00e3o dos Evangelhos acontece a caminho, percorrendo as vilas e aldeias, o mar e o deserto, o alto do monte ou a plan\u00edcie. A vida crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tica nem paralisadora, mas quando assumida com verdade e ousadia torna-se um lugar de inquieta\u00e7\u00e3o e desacomoda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus coloca-se a caminho, convoca os disc\u00edpulos para caminharem com Ele e no caminho educa o Seu cora\u00e7\u00e3o para arte de serem peregrinos. N\u00f3s, como os disc\u00edpulos de outrora, queremos aprender a arte de estarmos tranquilos e serenos, enquanto nos soubermos inquietos e despertos para a miss\u00e3o. A vida da f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um conjunto de conhecimentos a adquirir, mas a entrada num dinamismo de salva\u00e7\u00e3o e de vida que tem a marca da incarna\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, que permanentemente parte ao encontro do mundo e da realidade, transformando tudo a partir de dentro. As grandes mudan\u00e7as n\u00e3o acontecem pela condena\u00e7\u00e3o ou acusa\u00e7\u00e3o, mas pela ac\u00e7\u00e3o concerta, generosa e gratuita que faz do mundo um lugar favor\u00e1vel e uma imperd\u00edvel oportunidade para que a obra de Deus se realize.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O relato da multid\u00e3o saciada por Jesus \u00e9 narrado pelos quatro evangelhos e Mateus e Marcos narram-no duas vezes. As diferentes vers\u00f5es deste relato convergem na apresenta\u00e7\u00e3o de um Deus sol\u00edcito e generoso, que em Jesus Cristo se faz pr\u00f3ximo e sacia a nossa fome. O nosso Deus n\u00e3o \u00e9 um Deus indiferente \u00e0s nossas dores e ang\u00fastias, alegrias e esperan\u00e7as, fomes e sedes\u2026 \u00c9 um Deus atento e misericordioso, que v\u00ea e assume consequentemente a tarefa de socorrer as nossas car\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na vers\u00e3o de S. Jo\u00e3o que escutamos este Domingo, sublinha-se ainda mais a gratuidade e a generosidade de Jesus. Este gesto de Jesus \u00e9 soberanamente gratuito, uma verdadeira a\u00e7\u00e3o e n\u00e3o apenas uma rea\u00e7\u00e3o a um pedido dos disc\u00edpulos ou \u00e0 compaix\u00e3o pela multid\u00e3o. A P\u00e1scoa aproxima-se e sobre o monte come\u00e7a j\u00e1 a contemplar-se a plenitude da gratuidade de Deus que se antecipa aos nossos pedidos e que nos liberta da nossa autossufici\u00eancia e egocentrismo. Jesus ensina-nos a ter um olhar largo e amplo que n\u00e3o pensa apenas nas necessidades e car\u00eancias pr\u00f3prias, mas que faz suas as car\u00eancias e necessidades dos homens e mulheres que se cruzam connosco no caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O primeiro aprendiz desta arte \u00e9 aquele rapazito. No meio daquela multid\u00e3o, tendo ouvido falar de que era necess\u00e1rio prover ao alimento de toda aquela gente, coloca \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos \u00ab<em>cinco p\u00e3es de cevada e dois peixes<\/em>\u00bb. Qual de n\u00f3s teria a coragem de oferecer t\u00e3o pouco para a fome de tantos? Contudo, a despropor\u00e7\u00e3o entre as nossas capacidades e potencialidades e as necessidades que temos diante de n\u00f3s h\u00e1-de sempre acompanhar-nos. Devemos aprender a confiar o nosso pouco nas m\u00e3os de Deus, para que se torne muito para bem de todos. O verdadeiro milagre acontece quando o meu p\u00e3o passa a ser o nosso p\u00e3o. A verdadeira surpresa \u00e9 que a fome n\u00e3o acaba quando eu como o meu p\u00e3o at\u00e9 ficar saciado, mas quando partilho o pouco que tenho. Ao contr\u00e1rio, a fome come\u00e7a quando guardo s\u00f3 para mim o p\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma vida colocada nas m\u00e3os de Jesus, feita a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as ao Pai pelos dons que deposita em nossas m\u00e3os, torna-se uma vida partida e repartida que rasga horizontes de esperan\u00e7a e nos fala da abund\u00e2ncia da ternura e da miseric\u00f3rdia que nenhuma d\u00fazia de cestos poder\u00e1 conter. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>No dia 28 de julho, XVII Domingo do Tempo Comum<\/strong>, celebramos o <strong>IV Dia Mundial dos Av\u00f3s e dos Idosos<\/strong>, institu\u00eddo pelo Papa Francisco, no dia 31 de janeiro de 2021. Para este ano, o Santo Padre escreveu uma mensagem (<strong>fica em anexo<\/strong>) intitulada \u00ab<em>Na velhice, n\u00e3o me abandones (cf. Sal 71, 9)<\/em>\u00bb e desafia-nos: \u00ab<em>n\u00e3o deixemos de mostrar a nossa ternura aos av\u00f3s e aos idosos das nossas fam\u00edlias, visitemos aqueles que est\u00e3o desanimados e j\u00e1 n\u00e3o esperam que seja poss\u00edvel um futuro diferente. \u00c0 atitude ego\u00edsta que leva ao descarte e \u00e0 solid\u00e3o, contraponhamos o cora\u00e7\u00e3o aberto e o rosto radioso de quem tem a coragem de dizer \u00abn\u00e3o te abandonarei!\u00bb e de seguir um caminho diferente<\/em>\u00bb. Este Domingo pode ser a oportunidade para realizar um conjunto de iniciativas que manifestem a proximidade da comunidade para com os mais idosos e isolados. A cultura do cuidado \u00e9 a resposta para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais fraterno, como lugar de comunh\u00e3o e unidade. <strong><em>in Voz Portucalense (adaptado)<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>2 Reis 4,42-44<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nveio um homem da povoa\u00e7\u00e3o de Baal-Salisa<br \/>\ne trouxe a Eliseu, o homem de Deus,<br \/>\np\u00e3o feito com os primeiros frutos da colheita.<br \/>\nEram vinte p\u00e3es de cevada e trigo novo no seu alforge.<br \/>\nEliseu disse: \u00abD\u00e1-os a comer a essa gente\u00bb.<br \/>\nO servo respondeu:<br \/>\n\u00abComo posso com isto dar de comer a cem pessoas?\u00bb<br \/>\nEliseu insistiu:<br \/>\n\u00abD\u00e1-os a comer a essa gente,<br \/>\nporque assim fala o Senhor:<br \/>\n\u2018Comer\u00e3o e ainda h\u00e1 de sobrar\u2019\u00bb.<br \/>\nDeu-lhos e eles comeram,<br \/>\ne ainda sobrou, segundo a palavra do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As tradi\u00e7\u00f5es prof\u00e9ticas sobre Elias e Eliseu (os \u201cciclos\u201d de Elias e Eliseu) ocupam um espa\u00e7o significativo no Livro dos Reis (cf. 1 Re 17,1-21,29; 2 Re 1,1-13,21). Referem-se a um per\u00edodo bastante conturbado \u2013 quer em termos pol\u00edticos, quer em termos religiosos \u2013 da vida do Reino do Norte (Israel). Elias exerce a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica durante os reinados de Acab (874-853 a.C.) e de Acazias (853-852 a.C.); Eliseu d\u00e1 o seu testemunho prof\u00e9tico durante os reinados de Jor\u00e3o (853-842 a.C.), de Je\u00fa (842-813 a.C.) e de Joacaz (813-797 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os reis de Israel, com a mira no desenvolvimento e na viabilidade do reino, procuraram estabelecer rela\u00e7\u00f5es comerciais, econ\u00f3micas, pol\u00edticas e militares com os povos circunvizinhos. Essa abertura de fronteiras teve, no entanto, os seus custos no que diz respeito \u00e0 viv\u00eancia religiosa, uma vez que os cultos aos deuses estrangeiros, com entrada livre no pa\u00eds, come\u00e7aram a ocupar um lugar significativo na vida e no cora\u00e7\u00e3o dos israelitas. \u00c9 uma \u00e9poca de sincretismo religioso, em que a religi\u00e3o javista \u00e9, com a complac\u00eancia e at\u00e9 com o apoio declarado dos reis de Israel, preterida em favor dos cultos de Baal e de Astarte. Em termos sociais, \u00e9 uma \u00e9poca de instabilidade social e pol\u00edtica, em que se multiplicam as injusti\u00e7as contra os pobres e as arbitrariedades contra os fracos. Os israelitas fi\u00e9is viam em tudo isto um quadro de graves infidelidades contra Deus e contra a Alian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 contra este \u201cmundo\u201d que se levantam as vozes prof\u00e9ticas de Elias e de Eliseu. Elias aparece como o representante desses israelitas fi\u00e9is aos valores religiosos tradicionais, que recusavam a coexist\u00eancia de Jav\u00e9 e de Baal no horizonte da f\u00e9 de Israel; e a luta de Elias ser\u00e1 continuada por um dos seus disc\u00edpulos \u2013 Eliseu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Parece que Eliseu \u2013 o ator principal da primeira leitura deste d\u00e9cimo s\u00e9timo domingo comum \u2013 fazia parte de uma comunidade de \u201cfilhos de profetas\u201d (os \u201cben\u00ea nebi\u2019im\u201d \u2013 2 Re 2,3; 4,1). Trata-se de uma comunidade de homens que viviam pobremente (2 Re 4,1-7) e que eram os seguidores incondicionais de Jav\u00e9. Encontramo-los em algumas localidades do reino de Israel, talvez em liga\u00e7\u00e3o com alguns santu\u00e1rios locais, como Betel, Jeric\u00f3 ou Guilgal. O Povo consultava-os regularmente e buscava neles apoio face aos abusos dos poderosos. Eliseu \u00e9 apresentado muitas vezes, nas hist\u00f3rias narradas no \u201cciclo de Eliseu\u201d (cf. 2 Re 2; 3,4-27; 4,1-8,15; 9,1-10; 13,14-21), como um profeta \u201cdos milagres\u201d, cujas a\u00e7\u00f5es poderosas mostram a presen\u00e7a da for\u00e7a e da vida de Deus no meio do seu Povo. Outras vezes, Eliseu \u00e9 o profeta da interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica; a sua a\u00e7\u00e3o neste campo ultrapassa mesmo as fronteiras f\u00edsicas de Israel e chega a Damasco (cf. 2 Re 8,7-15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O cen\u00e1rio do epis\u00f3dio da primeira leitura deste d\u00e9cimo s\u00e9timo domingo comum \u00e9, provavelmente, Guilgal, o santu\u00e1rio situado a leste de Jeric\u00f3 onde tinha sido erguido um monumento de pedra para comemorar a passagem do rio Jord\u00e3o pelos israelitas quando entraram na Terra Prometida (Jos 4,20). Havia em Guilgal uma comunidade de \u201cfilhos de profetas\u201d que Eliseu costumava visitar (cf. 2 Re 4,38). <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O \u201cprofeta\u201d \u00e9 o rosto de Deus no mundo. Ele fala e age em nome de Deus; ele \u201cdiz\u201d, com as suas palavras e com os seus gestos, como \u00e9 que Deus encara as dificuldades e as vicissitudes dos seus filhos que caminham pela terra. Assim, ao repartir com os seus irm\u00e3os famintos o p\u00e3o que lhe tinha sido dado, Eliseu n\u00e3o est\u00e1 simplesmente, por sua iniciativa, a fazer um gesto gratuito de bondade; mas est\u00e1 a dizer solenemente \u2013 com a linguagem dos gestos, que \u00e9 ainda mais expressiva do que a linguagem das palavras \u2013 que Deus n\u00e3o fica indiferente quando os seus filhos e filhas est\u00e3o com \u201cfome\u201d: fome de p\u00e3o, fome de amor, fome de liberdade, fome de justi\u00e7a, fome de dignidade, fome de paz, fome de realiza\u00e7\u00e3o plena, fome de esperan\u00e7a. Que sentimos quando ouvimos algu\u00e9m dizer que Deus abandonou os homens \u00e0 sua sorte e n\u00e3o quer saber da \u201cfome\u201d dos seus filhos? Como \u00e9 que n\u00f3s pr\u00f3prios entendemos e avaliamos a preocupa\u00e7\u00e3o de Deus com os seus filhos que caminham pela hist\u00f3ria?<\/li>\n<li>Como \u00e9 que Deus atua para saciar a fome de vida dos homens? \u00c9 fazendo chover do c\u00e9u, milagrosamente, o \u201cp\u00e3o\u201d de que o homem necessita? A primeira leitura deste domingo sugere que Deus atua de forma mais simples e mais normal\u2026 \u00c9 atrav\u00e9s da generosidade e da partilha dos homens (primeiro do homem que decide oferecer o fruto do seu trabalho; depois, do profeta que manda distribuir o alimento) que o \u201cp\u00e3o\u201d chega aos necessitados. Normalmente, Deus serve-Se dos homens para intervir no mundo e para fazer chegar ao mundo os seus dons. Muitas vezes sonhamos com gestos espetaculares de Deus e vivemos de olhos fixos no c\u00e9u \u00e0 espera que Deus Se digne intervir no mundo; e acabamos por n\u00e3o perceber que Deus j\u00e1 veio ao nosso encontro e que Ele Se manifesta na a\u00e7\u00e3o generosa de tantos homens e mulheres que praticam, sem publicidade, gestos de partilha, de solidariedade, de generosidade, de doa\u00e7\u00e3o, de entrega. \u00c9 preciso que aprendamos a detetar a presen\u00e7a e o amor de Deus nesses gestos simples que todos os dias testemunhamos e que ajudam a construir um mundo mais justo, mais fraterno e mais solid\u00e1rio. Temos consci\u00eancia de que \u00e9 atrav\u00e9s de n\u00f3s, seus profetas, que Deus sacia a \u201cfome\u201d do mundo?<\/li>\n<li>O gesto de partilha de Eliseu \u00e9 um manifesto contra o ego\u00edsmo, contra o a\u00e7ambarcamento, contra a gan\u00e2ncia, contra o fechamento em si pr\u00f3prio. Diz-nos que a partilha nunca empobrece, mas multiplica infinitamente os dons que Deus p\u00f5e \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o. \u00c9 um gesto que anuncia um mundo novo, um mundo transformado, um mundo solid\u00e1rio, um mundo constru\u00eddo ao estilo de Deus, um mundo onde todos os filhos e filhas de Deus t\u00eam lugar \u00e0 mesa da Vida e da esperan\u00e7a. Acreditamos nesse mundo e estamos genuinamente apostados em constru\u00ed-lo? Quando somos chamados a fazer op\u00e7\u00f5es \u2013 inclusive pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas \u2013 temos em conta o projeto de Deus para o mundo? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 Salmo 144 (145)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Abris, Senhor, as vossas m\u00e3os e saciais a nossa fome.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gra\u00e7as Vos deem, Senhor, todas as criaturas<br \/>\ne bendigam-Vos os vossos fi\u00e9is.<br \/>\nProclamem a gl\u00f3ria do vosso reino<br \/>\ne anunciem os vossos feitos gloriosos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todos t\u00eam os olhos postos em V\u00f3s,<br \/>\ne a seu tempo lhes dais o alimento.<br \/>\nAbris as vossas m\u00e3os<br \/>\ne todos saciais generosamente.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor \u00e9 justo em todos os seus caminhos<br \/>\ne perfeito em todas as suas obras.<br \/>\nO Senhor est\u00e1 perto de quantos O invocam,<br \/>\nde quantos O invocam em verdade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Ef\u00e9sios 4,1-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nEu, prisioneiro pela causa do Senhor,<br \/>\nrecomendo-vos que vos comporteis<br \/>\nsegundo a maneira de viver a que fostes chamados:<br \/>\nprocedei com toda a humildade, mansid\u00e3o e paci\u00eancia;<br \/>\nsuportai-vos uns aos outros com caridade;<br \/>\nempenhai-vos em manter a unidade de esp\u00edrito<br \/>\npelo v\u00ednculo da paz.<br \/>\nH\u00e1 um s\u00f3 Corpo e um s\u00f3 Esp\u00edrito,<br \/>\ncomo existe uma s\u00f3 esperan\u00e7a na vida a que fostes chamados.<br \/>\nH\u00e1 um s\u00f3 Senhor, uma s\u00f3 f\u00e9, um s\u00f3 Batismo.<br \/>\nH\u00e1 um s\u00f3 Deus e Pai de todos,<br \/>\nque est\u00e1 acima de todos, atua em todos<br \/>\ne em todos Se encontra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9feso, antiga capital da prov\u00edncia romana da \u00c1sia, era, nos tempos apost\u00f3licos, um dos principais centros comerciais e culturais do Mediterr\u00e2neo. Estava situada na costa oeste da \u00c1sia Menor, junto da foz do rio Cayster, ao lado da moderna Sel\u00e7uk (Turquia). A sua popula\u00e7\u00e3o rondava os 250.000 habitantes. Chegou a ser a segunda maior cidade do Imp\u00e9rio Romano, logo a seguir a Roma. As suas escolas filos\u00f3ficas eram famosas em todo o Imp\u00e9rio. A vida religiosa da cidade girava muito \u00e0 volta do culto a \u00c1rtemis, cujo templo era considerado umas das sete maravilhas do mundo antigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Paulo contactou a comunidade crist\u00e3 de \u00c9feso durante a sua terceira viagem mission\u00e1ria e acabou por permanecer na cidade durante cerca de dois anos (cf. At 19,1-40). A\u00ed desenvolveu um merit\u00f3rio trabalho apost\u00f3lico, do qual resultou uma Igreja viva, fervorosa e comprometida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Carta aos Ef\u00e9sios \u00e9 considerada uma \u201ccarta de cativeiro\u201d, escrita por Paulo na altura em que estava na pris\u00e3o (discute-se se em Cesareia Mar\u00edtima, se em Roma, ou em qualquer outro lugar). No entanto, alguns biblistas consideram que a carta n\u00e3o foi escrita por Paulo. H\u00e1 uma forte hip\u00f3tese de ser uma \u201ccarta circular\u201d, n\u00e3o dirigida especificamente \u00e0 comunidade crist\u00e3 de \u00c9feso, mas antes a um conjunto de comunidades da zona ocidental da \u00c1sia Menor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Seja como for, a Carta aos Ef\u00e9sios \u00e9 um texto bem trabalhado, que apresenta uma catequese s\u00f3lida e bem elaborada. Poderia ser um texto da fase \u201cmadura\u201d de Paulo. Muitos consideram que a Carta aos Ef\u00e9sios \u00e9 uma esp\u00e9cie de s\u00edntese do pensamento paulino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que nos \u00e9 proposto como segunda leitura neste d\u00e9cimo s\u00e9timo domingo comum \u00e9 o in\u00edcio da parte moral e paren\u00e9tica da carta (cf. Ef 4,1-6,20). Temos, nesses tr\u00eas cap\u00edtulos, uma esp\u00e9cie de \u201cexorta\u00e7\u00e3o aos batizados\u201d, na qual Paulo reflete longamente sobre a edifica\u00e7\u00e3o e o crescimento do \u201cCorpo de Cristo\u201d (a Igreja). Em termos sempre bastante concretos, Paulo d\u00e1 pistas aos crist\u00e3os acerca da forma como eles devem viver os seus compromissos com Cristo, de maneira a serem \u201cHomens Novos\u201d, homens que vivem a partir do dinamismo do Esp\u00edrito.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A l\u00f3gica do autor da Carta aos Ef\u00e9sios \u00e9 irrebat\u00edvel: a comunidade nascida de Jesus n\u00e3o pode viver de outra forma sen\u00e3o na unidade e na comunh\u00e3o. Os membros da comunidade crist\u00e3 t\u00eam o mesmo Pai (Deus), t\u00eam um projeto comum (o projeto de Jesus), t\u00eam o mesmo objetivo (fazer parte da fam\u00edlia de Deus e encontrar a Vida em plenitude), caminham na mesma dire\u00e7\u00e3o animados pelo mesmo Esp\u00edrito, t\u00eam a mesma miss\u00e3o (dar testemunho no mundo do projeto de amor que Deus tem para os homens). S\u00f3 vivendo unidos eles podem dar um testemunho coerente de Cristo e do mandamento do amor. No entanto, n\u00e3o \u00e9 raro encontrarmos comunidades crist\u00e3s feridas por divis\u00f5es, rivalidades, invejas, ci\u00fames, diverg\u00eancias inconcili\u00e1veis, jogos de influ\u00eancia\u2026 Quando isso acontece \u00e9 porque os membros da comunidade ainda n\u00e3o descobriram os fundamentos da sua f\u00e9. Como \u00e9 que as comunidades crist\u00e3s de que fazemos parte vivem o sagrado \u201csacramento\u201d da unidade e da comunh\u00e3o? O nosso envolvimento comunit\u00e1rio ajuda a consolidar a unidade e a comunh\u00e3o, ou \u00e9 fator de divis\u00e3o e de conflito?<\/li>\n<li>Para que a unidade seja poss\u00edvel, Paulo recomenda aos destinat\u00e1rios da Carta aos Ef\u00e9sios a humildade, a mansid\u00e3o e a paci\u00eancia. S\u00e3o atitudes que n\u00e3o se coadunam com esquemas de ego\u00edsmo, de orgulho, de autossufici\u00eancia, de preconceito em rela\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os. Como \u00e9 que eu me situo face aos outros? A minha rela\u00e7\u00e3o com os irm\u00e3os \u00e9 marcada pelo ego\u00edsmo ou pela disponibilidade para acolher, servir e partilhar? Procuro estar atento \u00e0s necessidades dos outros e ir ao encontro de cada irm\u00e3o ou irm\u00e3 que necessita de mim, ou levanto muros de orgulho e de autossufici\u00eancia que impedem a comunica\u00e7\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o, a comunh\u00e3o? Estou aberto \u00e0s diferen\u00e7as e disposto a dialogar, ou vivo entrincheirado nos meus preconceitos, catalogando e marginalizando aqueles que n\u00e3o concordam comigo?<\/li>\n<li>A Igreja \u00e9 uma unidade; mas \u00e9 tamb\u00e9m uma comunidade de pessoas muito diferentes, em termos de ra\u00e7a, de cultura, de l\u00edngua, de condi\u00e7\u00e3o social ou econ\u00f3mica, de maneiras de ser e de ver a vida\u2026 As diferen\u00e7as leg\u00edtimas nunca devem ser vistas como algo negativo, mas como uma riqueza para a vida da comunidade; n\u00e3o devem levar ao conflito e \u00e0 divis\u00e3o, mas a uma unidade cada vez mais estreita, constru\u00edda no respeito e na toler\u00e2ncia. A diversidade \u00e9 um valor, que n\u00e3o pode nem deve anular a unidade e o amor dos irm\u00e3os. Como \u00e9 que lidamos com as diferen\u00e7as e as \u201coriginalidades\u201d dos irm\u00e3os que caminham connosco? Vemo-las como algo que nos enriquece a todos, ou como amea\u00e7as \u00e0 nossa \u201cordem\u201d e aos nossos esquemas pessoais? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 6,1-5<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus partiu para o outro lado do mar da Galileia,<br \/>\nou de Tiber\u00edades.<br \/>\nSeguia-O numerosa multid\u00e3o,<br \/>\npor ver os milagres que Ele realizava nos doentes.<br \/>\nJesus subiu a um monte<br \/>\ne sentou-Se a\u00ed com os seus disc\u00edpulos.<br \/>\nEstava pr\u00f3xima a P\u00e1scoa, a festa dos judeus.<br \/>\nErguendo os olhos<br \/>\ne vendo que uma grande multid\u00e3o vinha ao seu encontro,<br \/>\nJesus disse a Filipe:<br \/>\n\u00abOnde havemos de comprar p\u00e3o para lhes dar de comer?\u00bb<br \/>\nDizia isto para o experimentar,<br \/>\npois Ele bem sabia o que ia fazer.<br \/>\nRespondeu-Lhe Filipe:<br \/>\n\u00abDuzentos den\u00e1rios de p\u00e3o n\u00e3o chegam<br \/>\npara dar um bocadinho a cada um\u00bb.<br \/>\nDisse-Lhe um dos disc\u00edpulos, Andr\u00e9, irm\u00e3o de Sim\u00e3o Pedro:<br \/>\n\u00abEst\u00e1 aqui um rapazito<br \/>\nque tem cinco p\u00e3es de cevada e dois peixes.<br \/>\nMas que \u00e9 isso para tanta gente?\u00bb<br \/>\nJesus respondeu: \u00abMandai sentar essa gente\u00bb.<br \/>\nHavia muita erva naquele lugar<br \/>\ne os homens sentaram-se em n\u00famero de uns cinco mil.<br \/>\nEnt\u00e3o, Jesus tomou os p\u00e3es, deu gra\u00e7as<br \/>\ne distribuiu-os aos que estavam sentados,<br \/>\nfazendo o mesmo com os peixes;<br \/>\nE comeram quanto quiseram.<br \/>\nQuando ficaram saciados,<br \/>\nJesus disse aos disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abRecolhei os bocados que sobraram,<br \/>\npara que nada se perca\u00bb.<br \/>\nRecolheram-nos e encheram doze cestos<br \/>\ncom os bocados dos cinco p\u00e3es de cevada<br \/>\nque sobraram aos que tinham comido.<br \/>\nQuando viram o milagre que Jesus fizera,<br \/>\naqueles homens come\u00e7aram a dizer:<br \/>\n\u00abEste \u00e9, na verdade, o Profeta que estava para vir ao mundo\u00bb.<br \/>\nMas Jesus, sabendo que viriam busc\u00e1-l\u2019O para O fazerem rei,<br \/>\nretirou-Se novamente, sozinho, para o monte.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A liturgia prop\u00f5e-nos hoje \u2013 <strong><em>e durante os pr\u00f3ximos domingos<\/em><\/strong> \u2013 a leitura do cap\u00edtulo 6 do Evangelho segundo Jo\u00e3o. O texto integra uma parte do Quarto Evangelho que alguns biblistas designam como o \u201cLivro dos Sinais\u201d (cf. Jo 4,1-11,56). Nesse \u201clivro\u201d, a partir de alguns s\u00edmbolos com um especial poder evocador (a \u201c\u00e1gua\u201d \u2013 cf. Jo 4,1-5,47; o \u201cp\u00e3o\u201d \u2013 cf. Jo 6,1-71; a \u201cluz\u201d \u2013 cf. Jo 8,12-9,41; o \u201cpastor\u201d \u2013 cf. Jo 10,1-42; a \u201cressurrei\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 cf. Jo 11,1-56), s\u00e3o-nos propostas diversas catequeses que definem Jesus como aquele que veio de Deus para recriar, dar Vida, fazer nascer uma humanidade nova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No centro da catequese que o cap\u00edtulo 6 nos apresenta, est\u00e1 um desses s\u00edmbolos: o p\u00e3o. O p\u00e3o era, no mundo b\u00edblico, o elemento b\u00e1sico na alimenta\u00e7\u00e3o de todos os dias. O homem b\u00edblico n\u00e3o podia viver sem p\u00e3o. Muitas vezes era mesmo o \u00fanico alimento dispon\u00edvel, especialmente para os pobres. P\u00e3o era vida. Ora, esse alimento fundamental para viver era considerado um dom de Deus. Por isso, pedia-se continuamente a Deus que desse ao seu Povo o p\u00e3o necess\u00e1rio para a subsist\u00eancia de cada dia (cf. Mt 6,11). \u201cTer p\u00e3o\u201d era gozar do favor de Deus; \u201cter p\u00e3o\u201d era receber Vida de Deus. O p\u00e3o acabou mesmo por ser considerado o s\u00edmbolo por excel\u00eancia de todos os dons de Deus. Via-se a \u00e9poca escatol\u00f3gica que havia de chegar como o tempo em que Deus ofereceria ao seu Povo um p\u00e3o abundante, nutritivo e saboroso (cf. Is 30,23), o \u201cp\u00e3o da Vida\u201d definitiva. Por outro lado, o p\u00e3o era para ser partilhado. \u201cPartilhar o p\u00e3o\u201d era reunir outras pessoas \u00e0 mesa familiar; \u201cpartilhar o p\u00e3o\u201d com algu\u00e9m era estabelecer la\u00e7os \u00edntimos, la\u00e7os familiares com essa pessoa; partilhar o p\u00e3o era criar comunidade, uma comunidade unida por la\u00e7os fraternos. Tudo isto est\u00e1 subjacente \u00e0 catequese sobre Jesus como \u201cP\u00e3o da Vida\u201d que este cap\u00edtulo nos apresenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O cen\u00e1rio do epis\u00f3dio que o Evangelho deste d\u00e9cimo s\u00e9timo domingo comum nos apresenta situa-nos \u201cna outra margem\u201d do Lago de Tiber\u00edades, no cimo de um monte n\u00e3o identificado (no cap\u00edtulo anterior, Jesus estava em Jerusal\u00e9m, no centro da institui\u00e7\u00e3o judaica; agora, sem transi\u00e7\u00e3o, aparece na Galileia). A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 considera que essa \u201coutra margem\u201d n\u00e3o seria o lado oriental do lago, mas sim a zona de Tabga, n\u00e3o longe de Cafarnaum. Em termos cronol\u00f3gicos, Jo\u00e3o nota que estava perto a P\u00e1scoa, a festa mais importante do calend\u00e1rio religioso judaico, que celebrava a liberta\u00e7\u00e3o do Povo de Deus da opress\u00e3o do Egipto. \u00c9 poss\u00edvel que a refer\u00eancia \u00e0 P\u00e1scoa funcione, nesta catequese jo\u00e2nica, como um convite a que o leitor entenda a narra\u00e7\u00e3o como figura da P\u00e1scoa e da institui\u00e7\u00e3o da eucaristia. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A preocupa\u00e7\u00e3o de Jesus com a \u201cfome\u201d daquela multid\u00e3o que O segue, sinaliza a preocupa\u00e7\u00e3o de Deus em dar a todos os seus filhos e filhas Vida em abund\u00e2ncia. \u00c9 uma boa e bela not\u00edcia: Deus preocupa-se connosco, com a nossa car\u00eancias e dificuldades, e est\u00e1 verdadeiramente empenhado em proporcionar-nos o \u201calimento\u201d de que necessitamos para construirmos vidas com sentido. Estamos e estaremos sempre no cora\u00e7\u00e3o de Deus; Ele encontrar\u00e1 sempre forma de vir ao nosso encontro para nos oferecer a sua Vida. Sabemos isto? Sentimo-nos acompanhados por Deus, mesmo quando nos parece que caminhamos de m\u00e3os e de cora\u00e7\u00e3o vazio? Confiamos na bondade, no cuidado e no amor de Deus?<\/li>\n<li>Apesar da generosidade de Deus, os dons que Ele coloca \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o nem sempre chegam \u00e0 mesa de todos. Sabemos porqu\u00ea: alguns homens e mulheres, por ego\u00edsmo e gan\u00e2ncia, a\u00e7ambarcam os dons que pertencem a todos os filhos e filhas de Deus. Isso \u00e9 subverter o projeto de Deus e condenar os irm\u00e3os a passar necessidades. Que sentimos em rela\u00e7\u00e3o a isso? Temos consci\u00eancia de que os nossos h\u00e1bitos consumistas e esbanjadores podem estar a causar sofrimento e dificuldade aos irm\u00e3os que caminham ao nosso lado? A nossa preocupa\u00e7\u00e3o excessiva com o nosso bem-estar n\u00e3o ser\u00e1 uma injusti\u00e7a que priva muitos dos nossos irm\u00e3os de dons de Deus que tamb\u00e9m lhes pertencem por direito?<\/li>\n<li>O \u201cp\u00e3o\u201d que Jesus faz distribuir \u00e0 multid\u00e3o faminta refere-se a algo mais do que o p\u00e3o material que mata a nossa fome f\u00edsica. Aquelas pessoas que correm atr\u00e1s de Jesus para saciar a sua \u201cfome\u201d s\u00e3o aqueles homens e mulheres que, todos os dias encontramos nos caminhos que percorremos e que, de alguma forma, est\u00e3o privados daquilo que \u00e9 necess\u00e1rio para viver uma vida digna\u2026 Os \u201cque t\u00eam fome\u201d s\u00e3o os que s\u00e3o explorados e injusti\u00e7ados e que n\u00e3o conseguem libertar-se; s\u00e3o os que vivem na solid\u00e3o, sem fam\u00edlia, sem amigos e sem amor; s\u00e3o os que t\u00eam que deixar a sua terra e enfrentar uma cultura, uma l\u00edngua, um ambiente estranho para poderem oferecer condi\u00e7\u00f5es de subsist\u00eancia \u00e0 sua fam\u00edlia; s\u00e3o os marginalizados, abandonados, segregados por causa da cor da sua pele, por causa do seu estatuto social ou econ\u00f3mico, ou por n\u00e3o terem acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e aos bens culturais de que a maioria desfruta; s\u00e3o as crian\u00e7as que sofrem viol\u00eancia; s\u00e3o as v\u00edtimas da economia global, cuja vida dan\u00e7a ao sabor dos interesses das multinacionais; s\u00e3o os que s\u00e3o espezinhados pelos interesses dos grandes do mundo\u2026 Que outras \u201cfomes\u201d conhecemos e que poder\u00edamos acrescentar a esta lista?<\/li>\n<li>Jesus dirige-Se aos seus disc\u00edpulos e diz-lhes, referindo-se \u00e0 multid\u00e3o faminta: \u201cdai-lhes v\u00f3s mesmos de comer\u201d. Fica assim clara a responsabilidade dos disc\u00edpulos de Jesus em saciar a \u201cfome\u201d do mundo e em repartir o \u201cp\u00e3o\u201d que mata a fome de vida, de justi\u00e7a, de liberdade, de esperan\u00e7a, de felicidade de que os homens sofrem. Depois disto, nenhum disc\u00edpulo de Jesus pode olhar tranquilamente os seus irm\u00e3os com \u201cfome\u201d e dizer que isso n\u00e3o lhe diz respeito; depois dasquelas palavras de Jesus, o egocentrismo e a autossufici\u00eancia deixaram de ser op\u00e7\u00e3o para todos aqueles que se comprometeram a construir o Reino de Deus\u2026 Como \u00e9 que nos situamos em rela\u00e7\u00e3o aos nossos irm\u00e3os v\u00edtimas do sofrimento, da maldade, da injusti\u00e7a, da indiferen\u00e7a? Estamos conscientes de que a \u201cfome\u201d que faz sofrer os nossos irm\u00e3os tamb\u00e9m \u00e9 um problema que nos diz respeito?<\/li>\n<li>Os disc\u00edpulos, questionados por Jesus, constatam que, recorrendo ao sistema econ\u00f3mico vigente, \u00e9 imposs\u00edvel responder \u00e0 \u201cfome\u201d dos necessitados. O sistema capitalista vigente \u2013 que, quando muito, distribui a conta gotas migalhas da riqueza para adormecer a revolta dos explorados \u2013 ser\u00e1 sempre um sistema que se apoia na l\u00f3gica ego\u00edsta do lucro e que s\u00f3 cria mais opress\u00e3o, mais depend\u00eancia, mais necessidade. N\u00e3o chega criar melhores programas de assist\u00eancia social ou programas de rendimento m\u00ednimo garantido, ou outros sistemas que apenas perpetuam a injusti\u00e7a e a depend\u00eancia\u2026 Jesus prop\u00f5e algo de realmente diferente: prop\u00f5e uma l\u00f3gica de partilha solid\u00e1ria. Os disc\u00edpulos de Jesus s\u00e3o convidados a reconhecer que os bens s\u00e3o um dom de Deus para todos os homens e que pertencem a todos; s\u00e3o convidados a quebrar a l\u00f3gica do a\u00e7ambarcamento ego\u00edsta dos bens e a p\u00f4r os dons de Deus ao servi\u00e7o de todos. Como resultado, n\u00e3o se obt\u00e9m apenas a saciedade dos que t\u00eam fome, mas um novo relacionamento fraterno entre quem d\u00e1 e quem recebe, feito de reconhecimento e harmonia, que enriquece ambos e \u00e9 o pressuposto de uma nova ordem, de um novo relacionamento entre os homens. Para n\u00f3s, esta proposta faz sentido? Estamos dispon\u00edveis para a acolher e implementar na nossa vida e no nosso mundo?<\/li>\n<li>No seu servi\u00e7o aos \u201cfamintos\u201d, os disc\u00edpulos de Jesus nunca dever\u00e3o apresentar-se com arrog\u00e2ncia ou com tiques de superioridade; e nunca dever\u00e3o usar a \u201ccaridade\u201d para servir os seus interesses ou os seus projetos pessoais. Dever\u00e3o agir com humildade e simplicidade (a \u201ccrian\u00e7a\u201d do Evangelho), apenas preocupados em servir os irm\u00e3os com \u201cfome\u201d. Como \u00e9 que nos apresentamos diante dos irm\u00e3os que necessitam da nossa ajuda para saciar a sua \u201cfome\u201d de Vida? Com arrog\u00e2ncia e superioridade, ou com humildade e amor? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong> devem ter cuidado na pronuncia\u00e7\u00e3o da palavra Baal-Salisa (B\u00e1\u00e1l-Salisa) e ter em aten\u00e7\u00e3o os verbos que introduzem o discurso: \u00abdisse\u00bb, \u00abrespondeu\u00bb e \u00abinsistiu\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 constitu\u00edda por duas partes distintas e a proclama\u00e7\u00e3o deve refletir isso mesmo. Devem ter especial cuidado na repeti\u00e7\u00e3o da express\u00e3o: \u00abH\u00e1 um s\u00f3\u2026\u00bb. As repeti\u00e7\u00f5es devem ser proclamadas com especial cuidado para que se possa aproveitar toda a expressividade do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/07\/23\/onde-compraremos-pao-4\/\"><strong>ONDE COMPRAREMOS P\u00c3O?<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O grande texto que forma o Cap\u00edtulo 6 do Evangelho de Jo\u00e3o, e que vamos ter a gra\u00e7a de escutar nestes cinco Domingos, pode dividir-se em seis Partes: a primeira Parte, que funciona como Introdu\u00e7\u00e3o ou prepara\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio, engloba os v. 1-4 e apresenta as personagens (Jesus, uma grande multid\u00e3o, os disc\u00edpulos), o lugar (na \u00aboutra margem do mar da Galileia\u00bb, na \u00abmontanha\u00bb) e o tempo (\u00abestava pr\u00f3xima a P\u00e1scoa dos judeus\u00bb); a segunda Parte, que se estende pelos v. 5-15, abre com uma pergunta pedag\u00f3gica de Jesus dirigida a Filipe (\u00abFilipe, onde compraremos p\u00e3o para que eles comam?\u00bb), n\u00e3o corretamente respondida por Filipe e Andr\u00e9, mas resolvida por Jesus; a terceira Parte, que compreende os v. 16-21, mostra-nos os disc\u00edpulos a atravessar, no escuro, o mar encapelado, e Jesus vindo ao seu encontro caminhando sobre o mar; a quarta Parte, entre os v. 22-24, apresenta-nos um novo come\u00e7o, no dia seguinte, mostrando-nos a multid\u00e3o que nota a aus\u00eancia de Jesus e parte \u00e0 sua procura para Cafarnaum; a quinta Parte, que compreende a longa extens\u00e3o de texto entre os v. 25-59, traz para a cena a importante discuss\u00e3o, travada entre Jesus e a multid\u00e3o ou os judeus, sobre o p\u00e3o vindo do c\u00e9u; a sexta Parte, que contempla os \u00faltimos vers\u00edculos (v. 60-71), estende a discuss\u00e3o aos disc\u00edpulos, mostrando a deser\u00e7\u00e3o de muitos (v. 60-66), em contraponto com a confiss\u00e3o de f\u00e9 de Pedro (v. 67-71).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dois Cap\u00edtulos \u00e0 frente de Jo\u00e3o 4, em Jo\u00e3o 6 (este agrafo de Jo\u00e3o 4 a Jo\u00e3o 6 \u00e9 oportuno e necess\u00e1rio), diz-nos o narrador que Jesus subiu \u00e0 montanha, que se sentou l\u00e1 com os seus disc\u00edpulos, e que uma grande multid\u00e3o acorria a Jesus (Jo\u00e3o 6,3 e 5). \u00c9 nessas circunst\u00e2ncias que Jesus retoma o tema do alimento. Descendo agora ao n\u00edvel dos disc\u00edpulos, Jesus diz a Filipe: \u00ab<em>Onde<\/em>\u00a0(<em>p\u00f3then<\/em>)\u00a0<em>compraremos<\/em>\u00a0(<em>agor\u00e1z\u00f4<\/em>) p\u00e3o para que eles comam?\u00bb (Jo\u00e3o 6,5). De facto, o verbo\u00a0<em>comprar<\/em>\u00a0\u00e9 corrente nos l\u00e1bios dos disc\u00edpulos, mas \u00e9 estranho na boca de Jesus. No cen\u00e1rio anterior, de Jesus e da Samaritana (Jo\u00e3o 4), os disc\u00edpulos passam quase o tempo todo a\u00a0<em>comprar<\/em>, enquanto Jesus fala de\u00a0<em>dar<\/em>, e\u00a0<em>d\u00e1-se<\/em>\u00a0mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na chamada \u00abprimeira multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es\u00bb, que podemos ler nos Evangelhos de Mateus e de Marcos, Jesus recusa mesmo a solu\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>comprar<\/em>\u00a0(<em>agor\u00e1z\u00f4<\/em>), avan\u00e7ada pelos disc\u00edpulos, e prop\u00f5e a de\u00a0<em>dar<\/em>\u00a0(<em>d\u00edd\u00f4mi<\/em>) (Mateus 14,15-16; Marcos 6,36-37). Por que ser\u00e1, ent\u00e3o, que Jesus fala agora de\u00a0<em>comprar<\/em>, ainda para mais conjugando o verbo na 1.\u00aa pessoa do plural, Ele inclu\u00eddo: \u00abOnde\u00a0<em>compraremos<\/em>\u00bb? Mas a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas sobre\u00a0<em>comprar<\/em>. \u00c9 sobre \u00ab<em>Onde comprar<\/em>\u00bb. Face \u00e0 l\u00f3gica da miseric\u00f3rdia, da condivis\u00e3o e da partilha proposta por Jesus, j\u00e1 os disc\u00edpulos, c\u00e9ticos, se tinham perguntado: \u00ab\u201c<em>De onde<\/em>\u201d (<em>p\u00f3then<\/em>) poder\u00e1 algu\u00e9m saciar estas pessoas de p\u00e3es num lugar deserto?\u00bb (Marcos 8,4). Esse \u00ab<em>Onde<\/em>\u00bb (<em>p\u00f3then<\/em>) j\u00e1 tinha sido ouvido em Jo\u00e3o 1,48, quando Natanael pergunta a JESUS: \u00ab\u201c<em>De onde<\/em>\u201d (<em>p\u00f3then<\/em>) me conheces?\u00bb. Ser\u00e1 tamb\u00e9m ouvido em Jo\u00e3o 2,9, em que o narrador nos informa que o chefe-de-mesa \u00abn\u00e3o sabia \u201c<em>de onde<\/em>\u201d (<em>p\u00f3then<\/em>) era\u00bb a \u00e1gua feita vinho. Da mesma forma, Nicodemos tamb\u00e9m n\u00e3o sabe, acerca do Esp\u00edrito, \u00ab\u201c<em>de onde<\/em>\u201d (<em>p\u00f3then<\/em>) vem nem para onde vai\u00bb (Jo\u00e3o 3,8). Tal como a mulher samaritana n\u00e3o sabe \u00ab\u201c<em>de onde<\/em>\u201d (<em>p\u00f3then<\/em>) Jesus tira a \u00e1gua-viva (Jo\u00e3o 4,11). E as autoridades de Jerusal\u00e9m confirmam que, \u00abquando vier o Cristo, ningu\u00e9m saber\u00e1 \u201c<em>de onde<\/em>\u201d (<em>p\u00f3then<\/em>) Ele \u00e9\u00bb (Jo\u00e3o 7,27). E, mais \u00e0 frente, em pol\u00e9mica com os fariseus, Jesus afirma: \u00abEu sei \u201c<em>de onde<\/em>\u201d (<em>p\u00f3then<\/em>) venho; v\u00f3s, por\u00e9m, n\u00e3o sabeis \u201c<em>de onde<\/em>\u201d (<em>p\u00f3then<\/em>) venho\u00bb (Jo\u00e3o 8,14). E na cena da cura do cego de nascen\u00e7a, os fariseus acabam por afirmar acerca de Jesus: \u00abEsse n\u00e3o sabemos \u201c<em>de onde<\/em>\u201d (<em>p\u00f3then<\/em>) \u00e9\u00bb (Jo\u00e3o 9,29), ao que o cego curado responde, apontando a cegueira deles: \u00abIsso \u00e9 espantoso: v\u00f3s n\u00e3o sabeis \u201c<em>de onde<\/em>\u201d (<em>p\u00f3then<\/em>) Ele \u00e9; e, no entanto, Ele abriu-me os olhos!\u00bb (Jo\u00e3o 9,30). Na narrativa do IV Evangelho, tudo isto conflui para a quest\u00e3o posta por Pilatos: \u00ab\u201c<em>De onde<\/em>\u201d (<em>p\u00f3then<\/em>) \u00e9s TU?\u00bb (Jo\u00e3o 19,9). E, no Evangelho de Lucas, Isabel tamb\u00e9m exclama: \u00ab\u201c<em>De onde<\/em>\u201d (<em>p\u00f3then<\/em>) a mim isto: \u201cQue venha a m\u00e3e do meu Senhor ter comigo?\u201d\u00bb (Lucas 1,43). E, no Evangelho de Marcos, como no de Mateus, os conterr\u00e2neos de JESUS, apontando as Suas humildes e bem conhecidas ra\u00edzes geogr\u00e1ficas e familiares que, na mentalidade antiga, determinam a identidade e a capacidade da pessoa, exclamam acerca d\u2019ELE: \u00ab\u201c<em>De onde<\/em>\u201d (<em>p\u00f3then<\/em>) a ESTE estas coisas, e que sabedoria \u00e9 esta a ESTE dada, e os prod\u00edgios que pelas m\u00e3os d\u2019ELE v\u00eam?\u00bb (Marcos 6,2; cf. Mateus 13,54.56).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Retornando \u00e0 pergunta feita a Filipe: \u00ab<em>Onde<\/em>\u00a0comparemos p\u00e3o para que eles comam?\u00bb (Jo\u00e3o 6,5), o narrador anota outra vez com perspic\u00e1cia que Jesus disse isto para p\u00f4r Filipe \u00e0 prova (<em>peir\u00e1z\u00f4<\/em>), pois bem sabia o que havia de fazer (Jo\u00e3o 6,6). Com esta anota\u00e7\u00e3o, o narrador deixa-nos declaradamente perante uma pergunta pedag\u00f3gica, um teste, pelo que ficamos \u00e0 espera de saber se Filipe re\u00fane ou n\u00e3o compet\u00eancia para resolver o problema. E, enquanto temos os olhos postos em Filipe, e dado que se trata de um teste, tamb\u00e9m n\u00f3s nos vamos perguntando: \u00abE eu, ser\u00e1 que saberei responder e resolver o teste?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o temos de esperar muito tempo. Filipe \u00e9 r\u00e1pido a fazer contas, e diz logo que duzentos den\u00e1rios (um den\u00e1rio corresponde ao sal\u00e1rio de um dia) de p\u00e3o n\u00e3o chegam para que cada um receba ainda que seja s\u00f3 uma migalhinha (Jo\u00e3o 6,7). O leitor atento, mas incauto, \u00e9 com certeza levado a concordar com Filipe. Se a pergunta \u00e9: \u00ab<em>Onde<\/em>\u00a0<em>comprar<\/em>\u00a0p\u00e3o\u00bb, o leitor pensar\u00e1 logo certamente como Filipe no dinheiro e no shopping. E ser\u00e1 tamb\u00e9m levado a concluir que, para tanta gente, feitas as contas em termos de mercado, pouco ou nada haver\u00e1 a fazer. Mas o \u00ableitor impl\u00edcito\u00bb ou \u00ableitor modelo\u00bb, que a an\u00e1lise narrativa ou narratologia define como aquele que est\u00e1 apto a fazer as opera\u00e7\u00f5es mentais e afetivas que o mundo do relato dele requer, ter\u00e1 certamente estranhado que Filipe se tenha deixado levar t\u00e3o depressa pelo verbo \u00abcomprar\u00bb da pergunta de Jesus, dado que se trata de um verbo que Jesus n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o usa, como at\u00e9 recusa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Andr\u00e9, que estava ali ao lado e que tamb\u00e9m ter\u00e1 ouvido a pergunta, passa a Jesus a informa\u00e7\u00e3o preciosa de que havia ali um rapazito (<em>paid\u00e1rion<\/em>) que tinha cinco p\u00e3es de cevada e dois peixinhos, mas apressou-se logo a minar a utilidade do achado, dada a imensa despropor\u00e7\u00e3o entre t\u00e3o pouco alimento e tanta gente (Jo\u00e3o 6,8-9). Se a l\u00f3gica de mercado de Filipe o levou, e a n\u00f3s com ele, a desistir rapidamente de apresentar uma solu\u00e7\u00e3o positiva \u00e0 pergunta de Jesus, a l\u00f3gica de Andr\u00e9 levou-o, e a n\u00f3s outra vez tamb\u00e9m com ele, a desvalorizar os dons que descobrimos nos outros, nomeadamente nos nossos irm\u00e3os mais pequeninos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Parece agora claro para o leitor que a pergunta de Jesus: \u00ab<em>Onde<\/em>\u00a0<em>compraremos<\/em>\u00a0p\u00e3o para que eles comam?\u00bb, n\u00e3o obteve de Filipe a resposta adequada, e que a ajuda de Andr\u00e9 t\u00e3o-pouco se ter\u00e1 revelado satisfat\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Filipe ouviu a pergunta de Jesus. E Andr\u00e9, pelos vistos, tamb\u00e9m a ouviu. Mas nem Filipe nem Andr\u00e9 sabiam que se tratava de uma prova, de um teste. S\u00f3 o leitor o sabe, porque foi disso informado pelo narrador. E ent\u00e3o a pergunta agora \u00e9: e eu e tu, leitores informados, ser\u00e1 que sabemos resolver a quest\u00e3o que Filipe e Andr\u00e9 deixaram sem resposta? Ou ser\u00e1 que preferimos prestar toda a nossa aten\u00e7\u00e3o ao desempenho de Jesus, dado que tamb\u00e9m fomos informados de que ele sabia bem o que havia de fazer? A a\u00e7\u00e3o de Jesus reclama a nossa aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Soberanamente, Jesus, que bem sabia o que havia de fazer, ordenou \u00e0queles disc\u00edpulos, com certeza estupefactos, que fizessem reclinar (<em>anap\u00edpt\u00f4<\/em>) as pessoas (<em>\u00e1nthr\u00f4poi<\/em>) para comer (Jo\u00e3o 6,10). O verbo usado,\u00a0<em>anap\u00edpt\u00f4<\/em>, implica mesmo dispor-se \u00e0 mesa para comer. O narrador anota agora que \u00abos homens (<em>\u00e1ndres<\/em>) eram em n\u00famero de cerca cinco mil\u00bb, a que acrescenta a sugestiva anota\u00e7\u00e3o de que \u00abhavia muita erva (<em>ch\u00f3rtos<\/em>) naquele lugar\u00bb (Jo\u00e3o 6,10). Depois, Jesus, que preside \u00e0 mesa, RECEBEU (<em>lamb\u00e1n\u00f4<\/em>) os p\u00e3es, e TENDO DADO GRA\u00c7AS (<em>eucharist\u00e9\u00f4<\/em>), DISTRIBUIU-OS (<em>diad\u00edd\u00f4mi<\/em>) ele mesmo aos que estavam reclinados \u00e0 mesa (<em>anakeim\u00e9nois<\/em>), e o mesmo fez com os peixinhos, tanto quanto queriam (Jo\u00e3o 6,11). Fic\u00e1mos a saber que Jesus recolheu a informa\u00e7\u00e3o preciosa de Andr\u00e9 acerca dos p\u00e3es e dos peixinhos do rapazito, e que, ao contr\u00e1rio de Andr\u00e9, n\u00e3o os depreciou. E quando todos foram saciados (<em>enepl\u00easth\u00easan<\/em>), Jesus, que preside \u00e0 mesa, deu ordens aos seus disc\u00edpulos para que reunissem (<em>syn\u00e1g\u00f4<\/em>) os peda\u00e7os que sobraram (<em>perisse\u00fa\u00f4<\/em>). Note-se que o verbo usado para dizer \u00absobrar\u00bb \u00e9 o verbo\u00a0<em>perisse\u00fa\u00f4<\/em>, que implica o excesso que ultrapassa toda a medida e a abund\u00e2ncia que transborda, tornando curtas todas as nossas normas, regras e medidas. \u00c9 assim normal que o narrador nos informe de que, com os peda\u00e7os que sobraram, os disc\u00edpulos encheram doze cestos (Jo\u00e3o 6,12-13), s\u00edmbolo da plenitude transbordante e inesgot\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De notar que, aos olhos at\u00f3nitos dos disc\u00edpulos e dos nossos, Jesus n\u00e3o fez uma opera\u00e7\u00e3o de \u00abmultiplica\u00e7\u00e3o\u00bb dos p\u00e3es, mas de \u00abdivis\u00e3o\u00bb e \u00abcom-divis\u00e3o\u00bb, \u00abpartilha\u00bb dos p\u00e3es! O milagre de Jesus \u2013 aquilo que suscita surpresa e maravilha \u2013 n\u00e3o consiste em aumentar a quantidade do p\u00e3o (que permanece a mesma), mas em abrir os olhos aos seus disc\u00edpulos e a n\u00f3s que, como cegos, s\u00f3 conhecemos e pensamos na l\u00f3gica do mercado, do vender e do comprar, e n\u00e3o chegamos a saborear a l\u00f3gica da gratuidade, que \u00e9 a do nosso Pai celeste que faz nascer o sol para os bons e para os maus. Entrar nesta l\u00f3gica \u00e9 acreditar na for\u00e7a do dom, e ir por este mundo consumista, partindo o p\u00e3o e dividindo-o, com a clara consci\u00eancia de que onde isto acontecer, n\u00e3o s\u00f3 se instaura o necess\u00e1rio para todos (\u00abtodos comeram e foram saciados\u00bb), mas instaura-se igualmente o \u00abexcesso\u00bb, a superabund\u00e2ncia da gra\u00e7a (\u00abos disc\u00edpulos encheram doze cestos\u00bb).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A multid\u00e3o, por\u00e9m, face ao sucedido, n\u00e3o viu o \u00abexcesso\u00bb, a superabund\u00e2ncia da gra\u00e7a (Romanos 5,20; 1 Tim\u00f3teo 1,14), mas tornou-se apenas materialmente\u00a0<em>dependente<\/em>\u00a0de Jesus, procurando-o por toda a parte (Jo\u00e3o 6,24), como se de verdadeira fonte de rendimento se tratasse (velha l\u00f3gica consumista). E, quando o encontra no \u00aboutro lado do mar\u00bb (Jo\u00e3o 6,25), \u00e9 duramente recriminada por Jesus, com estas palavras solenes: \u00abEm verdade, em verdade, vos digo: \u201cv\u00f3s procurais-me, n\u00e3o porque vistes sinais, mas porque comestes dos p\u00e3es e vos\u00a0<em>enchestes<\/em>\u00a0(<em>chort\u00e1z\u00f4<\/em>)\u201d\u00bb (Jo\u00e3o 6,26). E continua: \u00abTrabalhai, n\u00e3o pelo alimento que\u00a0<em>perece<\/em>, mas pelo que\u00a0<em>permanece<\/em>\u00a0at\u00e9 \u00e0 vida eterna\u00bb (Jo\u00e3o 6,27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pouco depois, Jesus revelar\u00e1: \u00ab<em>Eu sou o p\u00e3o da vida<\/em>\u00bb (Jo\u00e3o 6,35 e 48) e \u00ab<em>Eu sou o p\u00e3o vivo descido do c\u00e9u<\/em>\u00bb (Jo\u00e3o 6,41 e 51), e retirar\u00e1 da\u00ed um rol de consequ\u00eancias em termos da\u00a0<em>sua carne<\/em>\u00a0e do\u00a0<em>seu sangue dados<\/em>\u00a0para a vida do mundo. Jesus compreende ent\u00e3o que os judeus e os seus disc\u00edpulos murmuravam por causa disso (Jo\u00e3o 6,61), e o narrador informa-nos que muitos deles se afastaram de Jesus (Jo\u00e3o 6,66). \u00c9 ent\u00e3o a hora decisiva de Jesus perguntar aos Doze: \u00abV\u00f3s tamb\u00e9m quereis ir embora?\u00bb (Jo\u00e3o 6,67), ao que Sim\u00e3o Pedro responder\u00e1 exemplarmente: \u00abSenhor,\u00a0<em>a quem iremos<\/em>?\u00a0<em>Tu tens palavras de vida eterna<\/em>\u00bb (Jo\u00e3o 6,68).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O leitor que seguiu atentamente tudo desde o princ\u00edpio, desde a primeira pergunta pedag\u00f3gica de Jesus: \u00ab<em>Onde<\/em>\u00a0<em>compraremos<\/em>\u00a0p\u00e3o para que eles comam?\u00bb, e que assistiu ao falhan\u00e7o das respostas dos disc\u00edpulos, e que ter\u00e1, porventura, verificado a sua pr\u00f3pria incapacidade para responder, e que prestou depois toda a aten\u00e7\u00e3o ao desempenho de Jesus, e que viu entretanto a deser\u00e7\u00e3o de judeus e disc\u00edpulos dececionados, ter\u00e1 com certeza compreendido a \u00faltima resposta de Sim\u00e3o Pedro: \u00abSenhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna\u00bb, como a verdadeira resposta \u00e0 primeira pergunta pedag\u00f3gica de Jesus. Com a resposta de Pedro, fica estabelecida a conjun\u00e7\u00e3o entre palavra e alimento. Mas falta ainda um agrafo que explique aquele estranho verbo\u00a0<em>comprar<\/em>, estranhamente usado por Jesus. \u00c9 um trabalho de casa que o leitor competente tem de fazer sozinho. E nem \u00e9 dif\u00edcil, pois ele sabe que \u00e9 preciso conhecer as Escrituras. Percorrendo-as, encontrar\u00e1 esta passagem de Isa\u00edas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abTodos v\u00f3s, que tendes sede, vinde \u00e0s \u00e1guas! V\u00f3s, que\u00a0<em>n\u00e3o tendes dinheiro<\/em>, vinde!\u00a0<em>Comprai<\/em>\u00a0(<em>agor\u00e1z\u00f4<\/em>\u00a0LXX) cereal e comei!\u00a0<em>Comprai<\/em>\u00a0cereal\u00a0<em>sem dinheiro<\/em>, e sem pagar, vinho e leite. (\u2026)\u00a0<em>Ouvi-me, ouvi-me, e comei<\/em>\u00a0o que \u00e9 bom!\u00bb (Isa\u00edas 55,1-2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Est\u00e1 aqui o elo que faltava: o verbo\u00a0<em>comprar<\/em>, significativamente n\u00e3o agrafado <em>com dinheiro.<\/em> <em>Comprar<\/em>\u00a0cereal\u00a0<em>sem dinheiro<\/em>. Mas esta li\u00e7\u00e3o de Isa\u00edas refor\u00e7a ainda a conjun\u00e7\u00e3o entre palavra e alimento, com aquela proposta: \u00ab<em>Ouvi-me, ouvi-me e comei<\/em>!\u00bb, que soa tamb\u00e9m a abrir o Livro do grande profeta: \u00abSe vierdes e escutardes, o melhor da terra (<em>t\u00fbb ha\u2019arets<\/em>) comereis\u00bb (Isa\u00edas 1,19), clarificada pelo confronto: \u00abMas se vos recusardes (<em>ma\u2019na<\/em>) e vos rebelardes (<em>marah<\/em>), ser\u00e1 a espada que vos comer\u00e1\u00bb (Isa\u00edas 1,20). Mas tamb\u00e9m sai esclarecida ainda aquela disjun\u00e7\u00e3o mostrada por Jesus entre \u00abo alimento que perece\u00bb e \u00abo que permanece at\u00e9 \u00e0 vida eterna\u00bb (Jo\u00e3o 6,27). O que perece \u00e9 a \u00aberva\u00bb (ou \u00abfeno\u00bb) (<em>ch\u00f3rtos<\/em>), seja ela qual for, que compramos com dinheiro e nos cala a boca e enche (<em>chort\u00e1z\u00f4<\/em>) o est\u00f4mago, fartando-nos como animais (cf. Jo\u00e3o 6,26). O que permanece \u00e9 a palavra que Deus diz, e que \u00e9 por n\u00f3s ouvida, recebida e respondida. Mas esta disjun\u00e7\u00e3o, a que podemos agora acrescentar a sugestiva anota\u00e7\u00e3o de que \u00abhavia muita erva (<em>ch\u00f3rtos<\/em>) naquele lugar\u00bb (Jo\u00e3o 6,10), pode ainda ser mais bem explicitada se lermos outro texto de Isa\u00edas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab(\u2026) Toda a carne \u00e9 erva (<em>ch\u00f3rtos<\/em>\u00a0LXX), e toda a sua gra\u00e7a como a flor do campo. Seca a erva (<em>ch\u00f3rtos<\/em>\u00a0LXX) e murcha a flor, mas a palavra do Senhor permanece para sempre\u00bb (Isa\u00edas 40,6 e 8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os leitores que se julgam supercompetentes, mas que na verdade nada entendem, gostam de ver na anota\u00e7\u00e3o de que \u00abhavia muita erva naquele lugar\u00bb a evoca\u00e7\u00e3o do Salmo 23,2:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abO Senhor \u00e9 meu pastor, nada me falta: num lugar de \u2018erva verde\u2019 (<em>t\u00f3pos chl\u00f3\u00eas<\/em>\u00a0LXX) me faz repousar\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem reparam que o vocabul\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 o do Salmo. O leitor instru\u00eddo nas Escrituras saber\u00e1 agora responder \u00e0 estranha pergunta de Jesus: \u00ab<em>Onde<\/em>\u00a0<em>compraremos<\/em>\u00a0p\u00e3o para que eles comam?\u00bb \u00c9 claramente em Deus. Tamb\u00e9m este cen\u00e1rio transborda de pedagogia. Jesus que, no cen\u00e1rio anterior (Jo\u00e3o 4), desceu ao n\u00edvel da mulher da Samaria para ganhar a mulher da Samaria, desce agora ao n\u00edvel dos disc\u00edpulos para ganhar os disc\u00edpulos (Jo\u00e3o 6). A iniciativa \u00e9 sempre de Jesus. Os disc\u00edpulos tinham ficado na linha do comprar (Jo\u00e3o 4). \u00c9 a\u00ed que Jesus os vai buscar, formulando a pergunta: \u00abOnde\u00a0<em>compraremos<\/em>\u00a0p\u00e3o, para que eles comam?\u00bb (Jo\u00e3o 6,5). Vimos atr\u00e1s que o verbo \u00abcomprar\u00bb \u00e9 estranho na boca de Jesus, mas usual na dos disc\u00edpulos. Usando agora o verbo \u00abcomprar\u00bb, Jesus desce ao n\u00edvel dos disc\u00edpulos. N\u00e3o, por\u00e9m, simplesmente para dizer com eles, mas para os levar a dizer com ele. Depois de muitos mal-entendidos e deser\u00e7\u00f5es, uma \u00faltima interpela\u00e7\u00e3o de Jesus acaba por lhes dar a oportunidade de se dizerem com Jesus. A multid\u00e3o \u00e9 levada pelo interesse meramente material, tornando-se dependente, no mau sentido, de Jesus. \u00c9 duramente recriminada por Jesus. O leitor encontra, neste cen\u00e1rio, um jogo de muitas surpresas, de muitos olhares. E \u00e9 o leitor o que mais tem a ganhar, se verdadeiramente entrar no jogo empenhativo do relato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A narrativa do Segundo Livro dos Reis (4,42-44) reclama j\u00e1 as diferentes cenas de \u00abmultiplica\u00e7\u00e3o\u00bb dos p\u00e3es presentes nos Evangelhos. Nos Evangelhos, \u00e9 Jesus o protagonista. Em 2 Reis 4,42-44 \u00e9 o profeta Eliseu que, com vinte p\u00e3es de cevada alimenta at\u00e9 \u00e0 saciedade cem pessoas. Claro que por detr\u00e1s do profeta est\u00e1 sempre a Palavra de Deus que tudo orienta e clarifica: \u00abComer\u00e3o e ainda sobrar\u00e1\u00bb (2 Reis 4,43). E assim sucedeu. E assim suceder\u00e1 ao longo das p\u00e1ginas da Escritura Santa. Experimente o leitor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Paulo lembra-nos, na li\u00e7\u00e3o da sua Carta aos Ef\u00e9sios 4,1-6, que a fome n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de p\u00e3o. \u00c9 tamb\u00e9m de paz e de unidade. A matar esta fome que nos vai matando, l\u00e1 est\u00e1, reafirma Paulo, um s\u00f3 Senhor, um \u00fanico Esp\u00edrito, um s\u00f3 Deus e Pai de todos. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida: uma comunidade unida e reunida sabe partilhar com alegria. E \u00e9 assim que se resolvem todas as fomes, tamb\u00e9m a de p\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fica bem hoje cantar com alegria renovada o grande hino alfab\u00e9tico que \u00e9 o Salmo 145, at\u00e9 que vibrem as cordas do nosso cora\u00e7\u00e3o. E enquanto saboreamos as imensas riquezas que nos v\u00eam de Deus: a sua gra\u00e7a, miseric\u00f3rdia, amor e bondade (Salmo 145,8-9), usando, para o efeito, toda a gama de sabores e todas as letras do alfabeto, continuemos a cantar: \u00abAbris, Senhor, a vossa m\u00e3o, e saciais a nossa fome!\u00bb (Salmo 145,16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Domingo-XVII-do-Tempo-Comum-Ano-B-28.07.2024-refletindo.pdf\">Domingo XVII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 28.07.2024-refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Leitura-I-do-Domingo-XVII-do-Tempo-Comum-Ano-B-28.07.2024-2-Re-4-42-44.pdf\">Leitura I do Domingo XVII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 28.07.2024 (2 Re 4, 42-44)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Leitura-II-do-Domingo-XVII-do-Tempo-Comum-Ano-B-28.07.2024-Ef-4-1-6.pdf\">Leitura II do Domingo XVII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 28.07.2024 (Ef 4, 1-6)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Domingo-XVII-do-Tempo-Comum-Ano-B-28.07.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XVII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 28.07.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Domingo-XVII-do-Tempo-Comum-Ano-B-28.07.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XVII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 28.07.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Mensagem-Papa-Francisco-para-o-IV-Dia-Mundial-dos-Avos-e-dos-Idosos-28.07.2024.pdf\">Mensagem Papa Francisco para o IV Dia Mundial dos Av\u00f3s e dos Idosos &#8211; 28.07.2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XVI do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 21.07.2024&#8243; tab_id=&#8221;1722242883575-5446b152-3eaf&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XVI do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 21.07.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Domingo-XVI.jpg\" alt=\"\" width=\"850\" height=\"425\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste Domingo parece colocar-nos em sintonia com o tempo de f\u00e9rias que se avizinha. Poderia ser at\u00e9 um bom\u00a0<em>slogan<\/em>\u00a0para uma ag\u00eancia de viagens: \u00ab<em>Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco<\/em>\u00bb. Contudo, n\u00e3o se trata da institui\u00e7\u00e3o b\u00edblica das f\u00e9rias, nem uma canoniza\u00e7\u00e3o do nada fazer, mas a certeza de que Deus quer que todo o trabalhador conhe\u00e7a o merecido repouso e que todo aquele que se gasta possa descansar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ap\u00f3stolos regressam da sua primeira grande miss\u00e3o! Tinham sido enviados por Jesus com uma miss\u00e3o muito concreta e indica\u00e7\u00f5es precisas. Tinham partido dois a dois e, seguindo as instru\u00e7\u00f5es de Jesus, contemplaram maravilhas e milagres que, efetivamente, nunca tinham pensado realizar: \u00ab<em>os Ap\u00f3stolos partiram e pregaram o arrependimento, expulsaram muitos dem\u00f3nios, ungiram com \u00f3leo muitos doentes e curaram-nos<\/em>\u00bb (Mc 6,12). Agora \u00e9 hora de regressar a Jesus e come\u00e7am a contar tudo quanto tinham feito e ensinado. Como foi bela esta partilha! Cada a um a seu modo a narrar as maravilhas que Deus tinha realizado atrav\u00e9s deles. Com certeza, acontecimentos e milagres t\u00e3o diferentes, mas todos preenchidos pela alegria da miss\u00e3o, pela certeza de que \u00e9 Deus quem opera atrav\u00e9s das suas fr\u00e1geis m\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus n\u00e3o \u00e9 indiferente aos trabalhos e canseiras daqueles que s\u00e3o enviados em miss\u00e3o. Escutando paciente e atenciosamente a partilha que faz cada um deles, desafia-os a um tempo de repouso num lugar isolado. Jesus quer o nosso merecido repouso. Jesus deseja que cada um possa encontrar o merecido tempo de serenidade e tranquilidade para renovar as for\u00e7as e partir de novo em miss\u00e3o. Mas, mais do que isso, que cada um saiba fazer do tempo de repouso um tempo privilegiado de encontro com Deus, nosso rochedo seguro onde podemos encontrar abrigo e conforto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante da miss\u00e3o que o Senhor deposita em nossas m\u00e3os, \u00e9 f\u00e1cil e tentador deixarmo-nos levar por um ativismo est\u00e9ril que cria em n\u00f3s a ilus\u00e3o de estarmos sempre em trabalho indispens\u00e1vel e imprescind\u00edvel, esquecendo que o descanso \u00e9 querido por Deus e condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a miss\u00e3o que realizamos: \u00ab<em>devemos conceber a nossa vida como um servi\u00e7o por amor. As vinte e quatro horas do nosso dia. Porque mesmo quando estamos a dormir estamos em servi\u00e7o de Deus que depois do nosso trabalho quer o nosso merecido repouso<\/em>\u00bb (Padre Virginio Rotondi). Descansar \u00e9 um modo de servir o Senhor, quando o tempo de repouso \u00e9 lugar para ganhar for\u00e7as para o caminho e tempo privilegiado de encontro com Aquele que \u00e9 o ref\u00fagio e conforto para as nossas fadigas e feridas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como seria belo se o nosso tempo de repouso e descanso pudesse ser tempo e lugar para contar a Jesus quanto temos feito e ensinado como fizeram os disc\u00edpulos. Neste tempo de f\u00e9rias que se aproxima, poderia ser este o nosso compromisso: encontrar tempo para estar com Jesus, para reler a nossa vida \u00e0 luz da Sua palavra e da Sua gra\u00e7a. Jesus conhece a nossa vida e sabe bem o que temos feito. Contudo, mais do que Ele, somos n\u00f3s que precisamos de tomar consci\u00eancia quais as prioridades da nossa vida, o que tem marcado o ritmo dos nossos dias, ao servi\u00e7o de quem temos colocado as nossas for\u00e7as\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que o olhar compassivo de Jesus sobre as multid\u00f5es que s\u00e3o como \u00ab<em>ovelhas sem pastor<\/em>\u00bb eduque o nosso olhar, afine o nosso cora\u00e7\u00e3o e marque o ritmo da nossa exist\u00eancia. E nos dias mais exigentes e dif\u00edceis sintamos este olhar de Jesus ser derramado sobre n\u00f3s e encontremos no Seu cora\u00e7\u00e3o manso e humilde o alento e conforto de que precisamos. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tempo de <strong>(F\u00c9)<\/strong> rias. \u00ab<em>Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco<\/em>\u00bb. As palavras de Jesus no Evangelho deste Domingo s\u00e3o um bom mote para este per\u00edodo estival em que muitas fam\u00edlias aproveitam para gozar um tempo de f\u00e9rias e descanso. Que as merecidas f\u00e9rias do trabalho e do frenesim di\u00e1rio n\u00e3o permitam um tempo de f\u00e9rias para a f\u00e9 e para a nossa rela\u00e7\u00e3o com Cristo. Pelo contr\u00e1rio, que este tempo possa ser uma ocasi\u00e3o privilegiada para um renovado encontro com Cristo quer a n\u00edvel pessoal, quer em fam\u00edlia e em comunidade. Descansar com Jesus, encontrar Nele descanso e como os disc\u00edpulos aproveitar esse tempo para lhe dizer \u00ab<em>tudo o que tinham feito e ensinado<\/em>\u00bb: eis um bom programa para f\u00e9rias que em nada diminui o lazer e o descanso, mas que oferece novo sentido ao tempo. Que possa ser um tempo de reler a vida com Jesus e ganhar um novo folgo e entusiasmo para o regresso ao trabalho e aos afazeres quotidianos.<strong><em> in Voz Portucalense (adaptado)<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Jeremias 23,1-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diz o Senhor:<br \/>\n\u00abAi dos pastores que perdem e dispersam<br \/>\nas ovelhas do meu rebanho!\u00bb<br \/>\nPor isso, assim fala o Senhor, Deus de Israel,<br \/>\naos pastores que apascentam o meu povo:<br \/>\n\u00abDispersastes as minhas ovelhas<br \/>\ne as escorra\u00e7astes, sem terdes cuidado delas.<br \/>\nVou ocupar-Me de v\u00f3s e castigar-vos,<br \/>\npedir-vos contas das vossas m\u00e1s a\u00e7\u00f5es<br \/>\n\u2013 or\u00e1culo do Senhor.<br \/>\nEu mesmo reunirei o resto das minhas ovelhas<br \/>\nde todas as terras onde se dispersaram<br \/>\ne as farei voltar \u00e0s suas pastagens,<br \/>\npara que cres\u00e7am e se multipliquem.<br \/>\nDar-lhes-ei pastores que as apascentem<br \/>\ne n\u00e3o mais ter\u00e3o medo nem sobressalto;<br \/>\nnem se perder\u00e1 nenhuma delas \u2013 or\u00e1culo do Senhor.<br \/>\nDias vir\u00e3o, diz o Senhor,<br \/>\nem que farei surgir para David um rebento justo.<br \/>\nSer\u00e1 um verdadeiro rei e governar\u00e1 com sabedoria;<br \/>\nH\u00e1 de exercer no pa\u00eds o direito e a justi\u00e7a.<br \/>\nNos seus dias, Jud\u00e1 ser\u00e1 salvo e Israel viver\u00e1 em seguran\u00e7a.<br \/>\nEste ser\u00e1 o seu nome: \u2018O Senhor \u00e9 a nossa justi\u00e7a\u2019\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jeremias, o profeta nascido em Anatot por volta de 650 a.C., exerceu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica desde 627\/626 a.C., at\u00e9 depois da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m pelos Babil\u00f3nios (586 a.C.). O cen\u00e1rio da atividade do profeta \u00e9 o reino do Sul (Jud\u00e1), e sobretudo a cidade de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira fase da prega\u00e7\u00e3o de Jeremias abrange parte do reinado de Josias. Este rei \u2013 preocupado em defender a identidade pol\u00edtica e religiosa do Povo de Deus \u2013 leva a cabo uma grande reforma religiosa destinada a banir do pa\u00eds os cultos aos deuses estrangeiros. A mensagem de Jeremias, neste per\u00edodo, traduz-se num constante apelo \u00e0 convers\u00e3o, \u00e0 fidelidade a Jav\u00e9 e \u00e0 Alian\u00e7a. No entanto, em 609 a.C., Josias \u00e9 morto em Megido, em combate contra os eg\u00edpcios. Depois de uns meses de instabilidade, o trono de Jud\u00e1 foi ocupado por Joaquim (609-597 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7a, por essa altura, a segunda fase da atividade prof\u00e9tica de Jeremias. Com Joaquim no trono, a infidelidade de Jud\u00e1 \u00e0 Alian\u00e7a com Jav\u00e9 volta a estar na ordem do dia. Nesta fase, a voz prof\u00e9tica de Jeremias denuncia as graves injusti\u00e7as sociais, \u00e0s vezes fomentadas pelo pr\u00f3prio rei, e o abandono de Jav\u00e9. A infidelidade religiosa de Jud\u00e1 manifesta-se de forma particular nas alian\u00e7as pol\u00edticas que Joaquim procura fazer com outras na\u00e7\u00f5es: em lugar de confiar em Deus, Jud\u00e1 coloca a sua seguran\u00e7a em ex\u00e9rcitos estrangeiros. Jeremias, convencido de que Jud\u00e1 j\u00e1 ultrapassou todas as medidas, anuncia a imin\u00eancia de uma invas\u00e3o babil\u00f3nica, que ir\u00e1 castigar os pecados do Povo de Deus. De facto, as previs\u00f5es funestas de Jeremias concretizam-se: em 597 a.C., Nabucodonosor invade Jud\u00e1 e deporta para a Babil\u00f3nia uma parte da popula\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m. No trono de Jud\u00e1 fica, ent\u00e3o, Sedecias (597-586 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A terceira fase da miss\u00e3o prof\u00e9tica de Jeremias desenrola-se, precisamente, durante o reinado de Sedecias. Ap\u00f3s alguns anos de calma submiss\u00e3o \u00e0 Babil\u00f3nia, Sedecias volta a experimentar a velha pol\u00edtica das alian\u00e7as com o Egipto. Jeremias, uma vez mais, mostra o seu desacordo: a esperan\u00e7a de Jud\u00e1 deve estar em Jav\u00e9 e n\u00e3o em ex\u00e9rcitos estrangeiros\u2026 Mas, nem o rei, nem os not\u00e1veis do pa\u00eds lhe prestam qualquer aten\u00e7\u00e3o \u00e0 opini\u00e3o do profeta. Considerado um amargo \u201cprofeta da desgra\u00e7a\u201d, Jeremias apenas consegue criar o vazio \u00e0 sua volta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 587 a.C., Nabucodonosor p\u00f5e cerco a Jerusal\u00e9m; no entanto, um ex\u00e9rcito eg\u00edpcio vem em socorro de Jud\u00e1 e os babil\u00f3nios retiram-se. Nesse momento de euforia nacional, Jeremias anuncia o recome\u00e7o do cerco e a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m (cf. Jr 32,2-5). Acusado de trai\u00e7\u00e3o, o profeta \u00e9 encarcerado (cf. Jr 37,11-16) e corre, inclusive, perigo de vida (cf. Jr 38,11-13). Enquanto Jeremias continua a pregar a rendi\u00e7\u00e3o, Nabucodonosor apossa-se, de facto, de Jerusal\u00e9m, destr\u00f3i a cidade e deporta a sua popula\u00e7\u00e3o para a Babil\u00f3nia (586 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Provavelmente, o texto que a liturgia deste d\u00e9cimo sexto domingo comum nos prop\u00f5e como primeira leitura deve enquadrar-se no tempo que vai desde o primeiro ex\u00edlio (ap\u00f3s a primeira queda de Jerusal\u00e9m, em 597 a.C.) ao segundo ex\u00edlio (ap\u00f3s a segunda tomada de Jerusal\u00e9m pelos Babil\u00f3nios, em 586 a. C.). \u00c9 um tempo de desnorte nacional, em que Jud\u00e1, sem l\u00edderes capazes, j\u00e1 perdeu as refer\u00eancias e a esperan\u00e7a no futuro. Pela voz de Jeremias, Deus denuncia a incompet\u00eancia e a inc\u00faria dos \u201cpastores\u201d de Jud\u00e1: com as suas pol\u00edticas err\u00e1ticas, eles dispersaram as ovelhas do rebanho. \u00c9, certamente, uma alus\u00e3o ao ex\u00edlio do Povo na Babil\u00f3nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A utiliza\u00e7\u00e3o da imagem do \u201cpastor\u201d para falar dos l\u00edderes da na\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante frequente no Antigo Testamento. Ali\u00e1s, a imagem adquiriu uma for\u00e7a especial na sequ\u00eancia de David, o pastor de Bel\u00e9m que Jav\u00e9 tirou da guarda do rebanho, ungiu e transformou em rei, encarregando-o de cuidar do rebanho do Povo de Deus. Ali\u00e1s, na mem\u00f3ria coletiva de Israel, David ser\u00e1 sempre o pastor por excel\u00eancia, que cuidou do seu Povo de acordo com as indica\u00e7\u00f5es recebidas de Deus. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O quadro de desorienta\u00e7\u00e3o, de confus\u00e3o e de abandono que os habitantes de Jud\u00e1 experimentaram no in\u00edcio do s\u00e9c. VI a.C., \u00e9 um quadro que n\u00e3o nos \u00e9 completamente estranho. Tamb\u00e9m n\u00f3s conhecemos momentos conturbados da nossa hist\u00f3ria (coletiva ou pessoal), em que nos sentimos \u00f3rf\u00e3os, perdidos, tra\u00eddos e abandonados ao sabor dos ventos e das mar\u00e9s\u2026 As cat\u00e1strofes que afetam o mundo, os conflitos que dividem os povos, a mis\u00e9ria que toca a vida de tantos dos nossos irm\u00e3os, os perigos dos fundamentalismos, as mudan\u00e7as vertiginosas que o mundo todos os dias sofre, a perda dos valores em que apost\u00e1vamos, as novas e velhas doen\u00e7as, as crises pessoais, os problemas laborais, as dificuldades familiares trazem-nos a consci\u00eancia da nossa pequenez e impot\u00eancia frente aos grandes desafios que a vida nos apresenta. Sentimo-nos, ent\u00e3o, \u201covelhas\u201d sem rumo e sem destino, abandonadas \u00e0 nossa sorte. A Palavra de Deus que nos chega neste domingo pela voz de Jeremias garante-nos que Deus \u00e9 o \u201cPastor\u201d que se preocupa connosco, que est\u00e1 atento a cada uma das suas \u201covelhas\u201d; Ele cuida das nossas necessidades e est\u00e1 permanentemente disposto a intervir na nossa hist\u00f3ria para nos conduzir por caminhos seguros e para nos oferecer a Vida e a paz. \u00c9 n\u2019Ele que temos de apostar, \u00e9 n\u2019Ele que temos de confiar. Esta constata\u00e7\u00e3o \u00e9, para n\u00f3s que acreditamos na bondade, no amor e na solicitude de Deus, fonte de alegria, de esperan\u00e7a, de serenidade e de paz?<\/li>\n<li>A cada passo Por vezes, no nosso desespero, apostamos em \u201cpastores\u201d humanos que, em lugar de nos conduzirem para a vida e para a felicidade, nos usam para satisfazer a sua \u00e2nsia de protagonismo e para realizar os seus projetos ego\u00edstas\u2026<\/li>\n<li>As palavras de Jeremias contra os \u201cpastores\u201d que se aproveitam do rebanho em benef\u00edcio pr\u00f3prio talvez nos tenham levado a apontar imediatamente para alguns l\u00edderes humanos que conhecemos e que consideramos respons\u00e1veis por boa parte do sofrimento que desfeia o nosso mundo\u2026 Na verdade, a hist\u00f3ria humana \u2013 mesma a mais recente \u2013 est\u00e1 cheia de situa\u00e7\u00f5es em que as pessoas encarregadas de cuidar da comunidade humana usam o \u201crebanho\u201d em benef\u00edcio pr\u00f3prio e magoam, torturam, roubam, assassinam, privam de vida e de felicidade as pessoas que Deus lhes confiam\u2026 Teremos alguma responsabilidade \u2013 pela nossa indiferen\u00e7a, pelo nosso comodismo, pela nossa instala\u00e7\u00e3o, pelo nosso receio de denunciar \u2013 em tudo isso? E n\u00f3s pr\u00f3prios, como \u00e9 que lidamos com aqueles cuja responsabilidade Deus nos confiou: na fam\u00edlia, no emprego, na Igreja? Procuramos colocar o bem de cada pessoa que caminha ao nosso lado acima dos nossos interesses e projetos pessoais?<\/li>\n<li>O nosso texto faz refer\u00eancia a \u201cum rei\u201d que Deus vai enviar ao encontro do seu Povo e que governar\u00e1 com sabedoria e justi\u00e7a. Jesus \u00e9 a concretiza\u00e7\u00e3o desta promessa. Ele veio propor ao \u201crebanho\u201d de Deus a Vida plena e verdadeira\u2026 As propostas de Jesus encontram eco na nossa vida? Estamos sempre dispostos a acolher as indica\u00e7\u00f5es e os valores que Ele continuamente nos apresenta com as suas palavras, com os seus gestos, com a sua vida? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 Salmo 22 (23)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: O Senhor \u00e9 meu pastor: nada me faltar\u00e1.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor \u00e9 meu pastor: nada me falta.<br \/>\nLeva-me a descansar em verdes prados,<br \/>\nconduz-me \u00e0s \u00e1guas refrescantes<br \/>\ne reconforta a minha alma.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.<br \/>\nAinda que tenha de andar por vales tenebrosos,<br \/>\nn\u00e3o temerei nenhum mal, porque V\u00f3s estais comigo:<br \/>\no vosso cajado e o vosso b\u00e1culo me enchem de confian\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para mim preparais a mesa<br \/>\n\u00e0 vista dos meus advers\u00e1rios;<br \/>\ncom \u00f3leo me perfumais a cabe\u00e7a,<br \/>\ne o meu c\u00e1lice transborda.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A bondade e a gra\u00e7a h\u00e3o de acompanhar-me<br \/>\ntodos os dias da minha vida,<br \/>\ne habitarei na casa do Senhor<br \/>\npara todo o sempre.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Ef\u00e9sios 2,13-18<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nFoi em Cristo Jesus que v\u00f3s, outrora longe de Deus,<br \/>\nvos aproximastes d\u2019Ele, gra\u00e7as ao sangue de Cristo.<br \/>\nCristo \u00e9, de facto, a nossa paz.<br \/>\nFoi Ele que fez de judeus e gregos um s\u00f3 povo<br \/>\ne derrubou o muro da inimizade que os separava,<br \/>\nanulando, pela imola\u00e7\u00e3o do seu corpo,<br \/>\na Lei de Mois\u00e9s com as suas prescri\u00e7\u00f5es e decretos.<br \/>\nE assim, de uns e outros,<br \/>\nEle fez em Si pr\u00f3prio um s\u00f3 homem novo,<br \/>\nestabelecendo a paz.<br \/>\nPela cruz reconciliou com Deus<br \/>\nuns e outros, reunidos num s\u00f3 Corpo,<br \/>\nlevando em Si pr\u00f3prio a morte \u00e1 inimizade.<br \/>\nCristo veio anunciar a boa nova da paz,<br \/>\npaz para v\u00f3s, que est\u00e1veis longe,<br \/>\ne paz para aqueles que estavam perto.<br \/>\nPor Ele, uns e outros podemos aproximar-nos do Pai,<br \/>\nnum s\u00f3 Esp\u00edrito.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9feso, cidade cosmopolita situada na costa da J\u00f3nia, na \u00c1sia Menor (junto da atual Sel\u00e7uk \u2013 Turquia), famosa pelo seu templo de \u00c1rtemis e pelo seu enorme teatro ao ar livre, era um dos principais centros comerciais e religiosos do mundo greco-romano. Durante o s\u00e9c. I a.C. albergava uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de 250.000 pessoas. No decurso da sua terceira viagem mission\u00e1ria, Paulo foi at\u00e9 \u00c9feso e permaneceu l\u00e1 por cerca de dois anos (cf. At 19,10). Da prega\u00e7\u00e3o e da catequese de Paulo resultou uma comunidade viva, fervorosa, empenhada em dar testemunho de Jesus. No final dessa viagem mission\u00e1ria, antes de embarcar para Tiro, Paulo fez quest\u00e3o de chamar a Mileto os anci\u00e3os da Igreja de \u00c9feso, a fim de se despedir da comunidade (cf. At 20,17-38). Isso atesta a rela\u00e7\u00e3o especial que havia entre Paulo e os crist\u00e3os de \u00c9feso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o conhecemos as circunst\u00e2ncias que levaram Paulo a escrever a Carta aos Ef\u00e9sios. Mas, quando a escreveu, Paulo estava na pris\u00e3o (em Roma? Em Cesareia Mar\u00edtima?). O seu portador foi um tal T\u00edquico. Estamos, muito provavelmente, por volta dos anos 58\/60.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a carta n\u00e3o reflete a proximidade que Paulo tinha com os crist\u00e3os de \u00c9feso. Apresenta-se num tom impessoal, solene, desligado, que parece distante da forma como Paulo se costumava dirigir \u00e0s comunidades a que se sentia especialmente ligado. Isso leva alguns a negar e sua autoria paulina, e outros a considerar que o texto que nos chegou com o t\u00edtulo \u201ccarta aos ef\u00e9sios\u201d poder\u00e1 ser um dos exemplares de uma \u201ccarta circular\u201d enviada por Paulo a v\u00e1rias Igrejas da \u00c1sia Menor, incluindo a comunidade crist\u00e3 de \u00c9feso. A quest\u00e3o permanece em aberto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considera-se, em geral, que a Carta aos Ef\u00e9sios apresenta uma esp\u00e9cie de s\u00edntese da teologia paulina, redigida numa altura em que Paulo sentia ter terminado a sua miss\u00e3o apost\u00f3lica na \u00c1sia. Prisioneiro por causa do Evangelho (cf. Ef 4,1), Paulo n\u00e3o sabe o que o futuro lhe reserva e entende deixar o seu testemunho \u00e0s comunidades da \u00c1sia Menor que tinha especialmente acompanhado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema central da Carta aos Ef\u00e9sios \u00e9 aquilo a que Paulo chama \u201co mist\u00e9rio\u201d: o des\u00edgnio (ou projeto) salvador de Deus, definido desde toda a eternidade, oculto durante s\u00e9culos aos homens, revelado e concretizado plenamente em Jesus, comunicado aos ap\u00f3stolos, desfraldado e dado a conhecer ao mundo na Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como segunda leitura neste d\u00e9cimo sexto domingo comum integra a parte dogm\u00e1tica da carta. Depois de refletir sobre o papel de Cristo no projeto de salva\u00e7\u00e3o que Deus tem para os homens (cf. Ef 2,1-10), Paulo refere-se \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o operada por Cristo, que com a sua doa\u00e7\u00e3o uniu judeus e pag\u00e3os num mesmo Povo (cf. Ef 2,11-22). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Domingo ap\u00f3s domingo a palavra de Deus recorda-nos o projeto de salva\u00e7\u00e3o que Deus preparou em nosso favor. A repeti\u00e7\u00e3o n\u00e3o incomoda: trata-se da quest\u00e3o mais decisiva quanto ao sentido da nossa vida, uma quest\u00e3o que deve estar sempre diante dos nossos olhos para dar sentido ao caminho que vamos percorrendo na hist\u00f3ria. No entanto, a segunda leitura deste d\u00e9cimo sexto domingo comum p\u00f5e em relevo um aspeto essencial desse projeto: ele abrange todos os filhos e filhas de Deus, sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7as, de etnias, de diferen\u00e7as sociais ou culturais, de experi\u00eancias religiosas. Deus n\u00e3o faz ace\u00e7\u00e3o de pessoas, Deus n\u00e3o discrimina os seus filhos; a todos Ele quer salvar, a todos Ele quer reunir \u00e0 sua volta. N\u00f3s, seres humanos, inventamos fronteiras para proteger as nossas possess\u00f5es, criamos espa\u00e7os onde s\u00f3 alguns privilegiados podem aceder, decidimos quem merece e n\u00e3o merece a nossa aten\u00e7\u00e3o e o nosso acolhimento; mas Deus enviou-nos o seu Filho Jesus para abolir as barreiras que nos separam, para destruir as velhas inimizades e para nos inserir numa \u00fanica fam\u00edlia, a fam\u00edlia de Deus. Que implica\u00e7\u00f5es tem isto na nossa forma de ver Deus, de ver a vida e de ver os irm\u00e3os que caminham ao nosso lado?<\/li>\n<li>A Igreja \u00e9 a comunidade daqueles que aceitam a oferta de salva\u00e7\u00e3o que Deus faz; \u00e9 uma comunidade de irm\u00e3os e de irm\u00e3s que Cristo, com a sua entrega, reconciliou e ensinou a viver no amor; \u00e9 um \u201ccorpo\u201d, formado por uma grande diversidade de membros, unidos em Cristo e entre si numa efetiva fraternidade; \u00e9 a fam\u00edlia de Deus, chamada a dar testemunho no mundo da bondade, do amor e da Vida de Deus. \u00c9 essa, de facto, a experi\u00eancia que temos do viver em Igreja? As nossas comunidades crist\u00e3s s\u00e3o espa\u00e7os de fraternidade, de acolhimento, de partilha, de amor anunciado e vivido? Nas nossas comunidades crist\u00e3s todos os irm\u00e3os s\u00e3o acolhidos e amados, ou h\u00e1 pessoas que s\u00e3o marginalizadas, condenadas, tratadas com menos considera\u00e7\u00e3o e estima?<\/li>\n<li>O fen\u00f3meno da globaliza\u00e7\u00e3o contribuiu para que nos aproxim\u00e1ssemos dos outros homens e mulheres que partilham connosco esta casa comum que \u00e9 o mundo. Ajudou-nos a conhecer o outro, a acolher a riqueza do outro, a aceitar com toler\u00e2ncia as diferen\u00e7as. Contudo, subsistem muros \u2013 alicer\u00e7ados nas diferen\u00e7as r\u00e1cicas, pol\u00edticas, religiosas, sociais, afetivas \u2013 que impedem uma total experi\u00eancia de fraternidade universal. N\u00f3s, os disc\u00edpulos desse Cristo que veio reconciliar \u201cjudeus e gentios\u201d e fazer de todos \u201cum s\u00f3 povo\u201d, temos o dever de dar testemunho de unidade e de lutar objetivamente contra tudo aquilo que impede os homens de caminharem de m\u00e3os dadas. Quais s\u00e3o, no s\u00e9c. XXI, as principais barreiras que nos impedem de comunicar, de partilhar, de viver em fraternidade? Na nossa vida pessoal e na nossa experi\u00eancia de caminhada comunit\u00e1ria, quais s\u00e3o os muros que nos dividem, que impedem o encontro e a comunh\u00e3o? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Marcos 6,30-34<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nos Ap\u00f3stolos voltaram para junto de Jesus<br \/>\ne contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado.<br \/>\nEnt\u00e3o Jesus disse-lhes:<br \/>\n\u00abVinde comigo para um lugar isolado<br \/>\ne descansai um pouco\u00bb.<br \/>\nDe facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir<br \/>\nque eles nem tinham tempo de comer.<br \/>\nPartiram, ent\u00e3o, de barco<br \/>\npara um lugar isolado, sem mais ningu\u00e9m.<br \/>\nVendo-os afastar-se, muitos perceberam para onde iam;<br \/>\ne, de todas as cidades, acorreram a p\u00e9 para aquele lugar<br \/>\ne chegaram l\u00e1 primeiro que eles.<br \/>\nAo desembarcar, Jesus viu uma grande multid\u00e3o<br \/>\ne compadeceu-Se de toda aquela gente,<br \/>\nque eram como ovelhas sem pastor.<br \/>\nE come\u00e7ou a ensinar-lhes muitas coisas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de narrar o envio dos Doze em miss\u00e3o (cf. Mc 6,6b-13), Marcos faz um compasso de espera, como se tiv\u00e9ssemos de dar tempo aos enviados de Jesus para cumprir a miss\u00e3o que lhes foi entregue. Marcos aproveita, enquanto esperamos o regresso dos Doze, para retomar a quest\u00e3o da identidade de Jesus; e conta-nos que Herodes se interroga sobre Jesus, vendo n\u2019Ele um Jo\u00e3o Batista redivivo (cf. Mc 6,14-16). A prop\u00f3sito, Marcos julga necess\u00e1rio narrar-nos o mart\u00edrio do Batista, mandado decapitar por Herodes (cf. Mc 6,17-29) enquanto estava prisioneiro em Maqueronte, a fortaleza herodiana situada a leste do Mar Morto. A sequ\u00eancia parece n\u00e3o ser por acaso: ao entrela\u00e7ar o minist\u00e9rio de Jo\u00e3o Batista, de Jesus e dos disc\u00edpulos, Marcos est\u00e1 a sugerir que se trata de uma \u00fanica e mesma miss\u00e3o. A morte violenta de Jo\u00e3o converte-se em sinal premonit\u00f3rio do que mais tarde acontecer\u00e1 com Jesus e com os Doze.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois deste par\u00eantesis, Marcos retoma o fio condutor do seu Evangelho, apresentando o regresso dos Doze da miss\u00e3o. Marcos chama-lhes, agora, \u201cap\u00f3stolos\u201d (\u201cenviados\u201d): \u00e9 a \u00fanica vez que a palavra aparece no Evangelho segundo Marcos. N\u00e3o h\u00e1, no texto, qualquer indica\u00e7\u00e3o do lugar onde a cena se teria desenrolado.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Em pleno s\u00e9c. XXI, s\u00e3o muitos os homens e as mulheres que caminham pelo mundo perdidos e sem rumo, \u201ccomo ovelhas sem pastor\u201d. As \u201covelhas\u201d perdidas e sem rumo s\u00e3o, nos nossos dias, as v\u00edtimas sem rosto e sem voz da economia global, os que s\u00e3o colocados \u00e0 margem da sociedade e da vida, os estrangeiros que buscam noutro pa\u00eds condi\u00e7\u00f5es dignas de vida mas n\u00e3o encontram lugar, os doentes que n\u00e3o t\u00eam acesso a um sistema de sa\u00fade eficiente, os idosos abandonados pela fam\u00edlia e que sofrem em sil\u00eancio, as crian\u00e7as que crescem nas ruas e que s\u00e3o maltratadas e violentadas, os \u201cdiferentes\u201d que s\u00e3o marginalizados pela sociedade e pelas igrejas, os que carregam culpas que n\u00e3o conseguem esquecer, os que a vida magoou e que ainda n\u00e3o conseguiram sarar as suas feridas, as v\u00edtimas de todas as guerras e de todas as viol\u00eancias\u2026 Como os vemos, como nos abeiramos deles? Olhamo-los com o mesmo olhar de Jesus e sentimos compaix\u00e3o? Sentimo-nos respons\u00e1veis por eles? A nossa consci\u00eancia sente-se tranquila e em paz quando n\u00e3o respondemos \u00e0s necessidades dos nossos irm\u00e3os sofredores?<\/li>\n<li>A Igreja ser\u00e1 sempre a \u201ccasa de Jesus\u201d, a casa onde Jesus a todos acolhe com amor. Muitos dos homens e mulheres que partilham connosco o caminho e que se sentem perdidos e desorientados \u201ccomo ovelhas sem pastor\u201d voltam-se para a comunidade crist\u00e3 \u00e0 procura de ajuda, de orienta\u00e7\u00e3o, de compreens\u00e3o, de acolhimento\u2026 Como \u00e9 que a nossa comunidade crist\u00e3 responde a essa procura? Com um elenco de normas, de obriga\u00e7\u00f5es, de mandamentos, de regras r\u00edgidas, de proibi\u00e7\u00f5es, de discursos cheios de dogmas e de chav\u00f5es teol\u00f3gicos, ou com o olhar compadecido e compreensivo de Jesus? As nossas comunidades crist\u00e3s s\u00e3o o \u201chospital de campanha\u201d onde aqueles que a vida magoou podem curar as suas feridas e experimentar a compreens\u00e3o, o amor, a ternura, a miseric\u00f3rdia de um Deus bom, que \u00e9 pai e m\u00e3e para todos os seus filhos e filhas? A nossa Igreja \u00e9 rosto de Jesus para os homens e mulheres do nosso tempo?<\/li>\n<li>Hoje como ontem, a miss\u00e3o dos \u201cenviados\u201d n\u00e3o pode desenrolar-se \u00e0 margem de Jesus. \u00c9 de Jesus que eles partem e \u00e9 a Jesus que eles voltam. \u00c9 imprescind\u00edvel que os disc\u00edpulos, apesar de todas as solicita\u00e7\u00f5es que lhes s\u00e3o feitas, arranjem tempo para estar com Jesus, para escutar as suas indica\u00e7\u00f5es, para lhe contar as coisas bonitas que viram acontecer ou os obst\u00e1culos que encontraram no caminho. Por vezes, os disc\u00edpulos, genuinamente comovidos com a situa\u00e7\u00e3o das \u201covelhas sem pastor\u201d, mergulham num ativismo descontrolado e acabam por perder as refer\u00eancias; deixam de ter tempo e disponibilidade para se encontrar com Jesus, para confrontar as suas op\u00e7\u00f5es e motiva\u00e7\u00f5es com o projeto de Jesus\u2026 E passam a \u201cvender\u201d, como verdade libertadora, solu\u00e7\u00f5es que s\u00e3o parciais e que geram depend\u00eancia e escravid\u00e3o (e que n\u00e3o v\u00eam de Jesus); ou tornam-se funcion\u00e1rios mais ou menos eficientes, que resolvem problemas sociais pontuais, mas sem oferecerem \u00e0s \u201covelhas sem pastor\u201d uma liberta\u00e7\u00e3o verdadeira e global; ou, ent\u00e3o, cansam-se e abandonam a atividade e o testemunho\u2026 Vemos Jesus como o princ\u00edpio e o fundamento do nosso apostolado? Estamos conscientes de que \u00e9 a comunh\u00e3o sempre renovada com Ele que nos permite redescobrir o sentido das coisas e renovar o nosso empenho? Procuramos encontrar tempo para rezar, para escutar a Palavra, para aprofundar a nossa comunh\u00e3o com Jesus? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><strong>Na primeira leitura<\/strong>, \u00e9 importante ter presente a mensagem que Jeremias dirige aos maus pastores em nome do Senhor Deus, mas deve evitar-se um tom exageradamente dram\u00e1tico e acusat\u00f3rio. Al\u00e9m disso, deve haver um especial cuidado na pronuncia\u00e7\u00e3o da express\u00e3o \u00ab<em>or\u00e1culo do Senhor<\/em>\u00bb. Deve ser dito num tom diferente, mas deve haver o cuidado de n\u00e3o parecer a conclus\u00e3o final do texto, evitando que as pessoas respondam antes da conclus\u00e3o da leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na segunda leitura<\/strong>, temos algumas frases mais longas, ora\u00e7\u00f5es curtas, muitas v\u00edrgulas. Deste modo, este texto para ser bem proclamado deve ser preparado tendo em conta as diversas pausas e respira\u00e7\u00f5es que s\u00e3o fundamentais para a compreens\u00e3o do texto<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/07\/17\/jesus-a-nossa-unica-referencia\/\"><strong>JESUS, A NOSSA \u00daNICA\u00a0REFER\u00caNCIA<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>Evangelho deste Domingo XVI do Tempo Comum (Marcos 6,30-34)<\/strong> insere-se numa bela sequ\u00eancia de preciosos textos. Importante n\u00e3o perder de vista o fio de ouro (ou de sentido) que entretece os epis\u00f3dios que, com extrema habilidade, Marcos coloca diante dos nossos olhos. Em Marcos 6,1-6, Jesus \u00e9 rejeitado na sua p\u00e1tria, prolepse de tudo o que lhe vai acontecer. No epis\u00f3dio seguinte, Marcos 6,7-13, Jesus envia os \u00abDoze\u00bb em miss\u00e3o. Envia-os dois a dois, leves, sem nada a que se agarrar ou distrair. A sua \u00fanica bagagem \u00e9 o Evangelho. Logo a seguir, em Marcos 6,14-29, \u00e9 narrada a vers\u00e3o popular do mart\u00edrio de Jo\u00e3o Batista, que difere da vers\u00e3o pol\u00edtica de Fl\u00e1vio Josefo. Em Marcos 6,30, \u00abos Ap\u00f3stolos\u00bb (<em>hoi ap\u00f3stolloi<\/em>) re\u00fanem-se junto de Jesus, e narraram-lhe tudo o que tinham feito e ensinado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De notar, em primeiro lugar, que a miss\u00e3o dos \u00abDoze\u00bb aparece premonitoriamente colocada entre a rejei\u00e7\u00e3o de Jesus e o mart\u00edrio de Jo\u00e3o Batista. Esta leitura sai ainda refor\u00e7ada se tivermos em conta que o epis\u00f3dio do mart\u00edrio de Jo\u00e3o Batista rasga em duas partes a miss\u00e3o dos \u00abDoze\u00bb, intrometendo-se entre o envio, a partida de junto de Jesus e o an\u00fancio feito pelos \u00abDoze\u00bb (Marcos 6,7-13), e o regresso de \u00abos Ap\u00f3stolos\u00bb a Jesus (Marcos 6,30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De notar, em segundo lugar, a permanente refer\u00eancia a Jesus por parte dos \u00abDoze\u00bb. Na verdade, \u00e9 Jesus que os envia, e envia-os dois a dois, \u00e9 d\u2019Ele que partem, \u00e9 d\u2019Ele que s\u00e3o arautos, mensageiros ou testemunhas, \u00e9 a Ele que regressam, \u00e9 a Ele que fazem a \u00abrela\u00e7\u00e3o\u00bb do acontecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma intelig\u00eancia mais profunda do envio \u00abdois a dois\u00bb: n\u00e3o v\u00e3o em nome pr\u00f3prio, mas s\u00e3o apenas testemunhas daquele que os enviou. E, porque \u00e9 de testemunho que se trata, para que este seja v\u00e1lido, requer-se a presen\u00e7a de duas ou tr\u00eas testemunhas (cf. Deuteron\u00f3mio 19,15 e Jo\u00e3o 8,17). Neste caso, as testemunhas est\u00e3o vinculadas a Jesus. Mas o v\u00ednculo a Jesus sai ainda refor\u00e7ado neste \u00abdois a dois\u00bb, se tivermos em conta a palavra de Jesus: \u00abOnde est\u00e3o dois ou tr\u00eas reunidos em meu nome, ali estou Eu no meio deles\u00bb (Mateus 18,20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta centralidade de Jesus na vida dos \u00abDoze\u00bb est\u00e1 ainda referida no facto de regressarem a Ele e de a Ele apresentarem a \u00abrela\u00e7\u00e3o\u00bb de tudo o que aconteceu. Note-se que n\u00e3o fazem uma \u00abrela\u00e7\u00e3o\u00bb por alto, mas uma \u00abrela\u00e7\u00e3o\u00bb exaustiva: \u00abde tudo\u00bb. Tudo o que fizeram e ensinaram tinha, na verdade, Jesus como \u00fanica refer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de noticiado este regresso a Jesus e da men\u00e7\u00e3o ao relat\u00f3rio exaustivo da miss\u00e3o, os \u00abDoze\u00bb s\u00e3o, pela primeira vez, chamados \u00abos Ap\u00f3stolos\u00bb (<em>hoi ap\u00f3stoloi<\/em>) (Marcos 6,30). E Jesus retoma agora a iniciativa, vinculando-os ainda mais, se assim se pode dizer, a si mesmo, convidando-os \u00e0 comunh\u00e3o com Ele (\u00abVinde\u00bb), separando-os para o efeito da multid\u00e3o que os apertava (Marcos 6,31). \u00abE partiram na barca para um lugar deserto, \u00e0 parte\u00bb (Marcos 6,32). No Evangelho de Marcos, a \u00abbarca\u00bb (<em>t\u00f2 plo\u00eeon<\/em>) demarca um espa\u00e7o privilegiado que Jesus partilha unicamente com os seus disc\u00edpulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fica-se unicamente pela barca a estreita comunh\u00e3o de Jesus com os seus disc\u00edpulos. \u00c9 mesmo s\u00f3 a comunh\u00e3o que sai real\u00e7ada, pois nada nos \u00e9 dito sobre nenhum particular assunto de conversa durante a viagem. Sa\u00eddos na barca da press\u00e3o da multid\u00e3o, ei-los que, ao sair da barca, est\u00e3o de novo no meio da multid\u00e3o. E o narrador l\u00e1 est\u00e1 para nos dizer que \u00abEle viu\u00bb (<em>e\u00eeden<\/em>) (Marcos 6,34). \u00c9 a quinta vez, neste Evangelho, que o narrador nos diz que Jesus \u00abviu\u00bb (Marcos 1,10; 1,16; 1,19; 2,14; 6,34).\u00a0 A primeira vez, \u00abviu\u00bb os c\u00e9us abertos e o Esp\u00edrito a descer (Marcos 1,10). A segunda vez, \u00abviu\u00bb Sim\u00e3o e Andr\u00e9 (Marcos,1,16). A terceira vez, \u00abviu\u00bb Tiago e Jo\u00e3o (Marcos 1,19). A quarta vez, \u00abviu\u00bb Levi (Marcos 2,14). Nestas quatro primeiras vezes, este \u00abver\u00bb de Jesus desencadeia um agir novo e decisivo. Tamb\u00e9m agora, na quinta vez, o olhar de Jesus abre para uma p\u00e1gina de sublime miseric\u00f3rdia (<em>esplagchn\u00edsth\u00ea<\/em>) (Marcos 6,34), que leva Jesus a reunir e abra\u00e7ar aquela multid\u00e3o de ovelhas sem pastor, e a ensin\u00e1-las demoradamente, dando resposta plena \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s no deserto, \u00e0 entrada da Terra Prometida, pedindo a Deus um novo guia \u00abpara que a comunidade do Senhor n\u00e3o seja como um rebanho sem pastor\u00bb (N\u00fameros 27,17). Depois, Jesus repartir\u00e1 com eles o p\u00e3o. Primeiro, ensin\u00e1-los-\u00e1 demoradamente. Depois, repartir\u00e1 com eles o p\u00e3o. O gr\u00e3o do esp\u00edrito precede o gr\u00e3o de trigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jeremias 23,1-6 constitui um marco, tra\u00e7a uma fronteira entre um tempo velho e a cair de podre, marcado por aquele \u00abAi (<em>h\u00f4y<\/em>) dos pastores que perdem e dispersam as ovelhas\u00bb (Jeremias 23,1), que retoma aquele \u00abAi\u00bb que arrasa o tirano rei Joaquim (609-597), e o toma como paradigma dos maus pastores (Jeremias 22,11 e 18). O grande profeta de Anat\u00f4t v\u00ea bem a ru\u00edna dos poderosos, mas v\u00ea e sente na pr\u00f3pria pele tamb\u00e9m a desgra\u00e7a que se abate sobre os pobres, porque n\u00e3o h\u00e1 pastores bons e justos que lhes indiquem os caminhos a seguir. Jeremias, o profeta do ramo de amendoeira (Jeremias 1,11), n\u00e3o pode ficar com os olhos enterrados na lama, mas j\u00e1 v\u00ea vir, l\u00e1 ao longe, um \u00abG\u00e9rmen justo\u00bb (<em>tsemah tsadd\u00eeq<\/em>), um pastor bom e justo, que trar\u00e1 a salva\u00e7\u00e3o, e o seu nome ser\u00e1 \u00abYHWH, nossa justi\u00e7a\u00bb (<em>YHWH tsidqen\u00fb<\/em>) (Jeremias 23,6). Este nome novo, no plural, atinge e condena tamb\u00e9m o rei Sedecias (<em>tsidqiyah<\/em>) (597-587), cujo nome significa \u00abYHWH, minha justi\u00e7a\u00bb, no singular, e que, devido aos seus cambalachos pol\u00edticos entre a Babil\u00f3nia e o Egito, acarretou sobre o povo de Jud\u00e1 o desastre de 587. Mas \u00e9 sobretudo not\u00f3rio que o \u00abG\u00e9rmen justo\u00bb, que receber\u00e1 o nome de \u00abYHWH, nossa justi\u00e7a\u00bb, da descend\u00eancia de David e que salvar\u00e1 o seu povo, aponta j\u00e1 para Jesus, o Bom e Belo Pastor, que sente compaix\u00e3o pelas suas ovelhas, como se v\u00ea no Evangelho de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na li\u00e7\u00e3o da Carta aos Ef\u00e9sios 2,13-18, Paulo p\u00f5e diante de n\u00f3s todos, judeus e pag\u00e3os, a a\u00e7\u00e3o salvadora e unificadora de Jesus Cristo. Nele, na sua Cruz, no seu Corpo, novo Templo, n\u00e3o h\u00e1 mais lugar para separa\u00e7\u00f5es, cai o muro que, no velho Templo, separava o \u00e1trio dos pag\u00e3os do \u00e1trio dos judeus. Jesus Cristo, aproximando-se de todos, aproximou-nos a todos, os de longe e os de perto, destruiu \u00f3dios e toda a esp\u00e9cie de barreiras, e estabeleceu a Paz entre n\u00f3s. O Evangelho, que \u00e9 Cristo, une, re\u00fane, enla\u00e7a, entrela\u00e7a, gera fraternidade. Bem \u00e0 vista no Evangelho de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao mais, todo o tempo \u00e9 tempo para nos deixarmos conduzir pela m\u00e3o carinhosa e pela voz maternal e melodiosa do Bom e Belo Pastor, cantando o Salmo 23. Sim, Ele recebe bem os seus h\u00f3spedes: faz-nos uma visita guiada pelos seus prados muito verdes, cheios de \u00e1guas muito azuis, unge com \u00f3leo perfumado a nossa cabe\u00e7a, estende no ch\u00e3o do seu c\u00e9u a \u00abpele de vaca\u00bb (<em>shulhan<\/em>), que \u00e9 a sua mesa, serve-nos vinhos generosos\u2026 \u00c9 a alegria da nossa fam\u00edlia reunida. Confessou o fil\u00f3sofo franc\u00eas Henri Bergson: \u00abAs centenas de livros que li nunca me trouxeram tanta luz e conforto como os versos do Salmo 23\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixamos j\u00e1 aberta a p\u00e1gina que se segue no Evangelho de Marcos: o p\u00e3o, o p\u00e3o, o p\u00e3o! No texto grego, original, o nome \u00abJesus\u00bb aparece em Marcos 6,30, para reaparecer depois s\u00f3, 89 vers\u00edculos depois, em Marcos 8,27. Escritura sublime: desaparece o nome \u00abJesus\u00bb e a paisagem textual enche-se com o nome \u00abp\u00e3o\u00bb (21 vezes). Clar\u00edssimo convite a aprendermos a ver Jesus no p\u00e3o! Mas nos pr\u00f3ximos cinco Domingos (XVII a XXI), n\u00e3o leremos Marcos, mas Jo\u00e3o 6, que cont\u00e9m o grande discurso do p\u00e3o da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Leitura-I-do-Domingo-XVI-do-Tempo-Comum-Ano-B-21.07.2024-Jer-23-1-6.pdf\">Leitura I do Domingo XVI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 21.07.2024 (Jer 23, 1-6)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Leitura-II-do-Domingo-XVI-do-Tempo-Comum-Ano-B-21.07.2024-Ef-2-13-18.pdf\">Leitura II do Domingo XVI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 21.07.2024 (Ef 2, 13-18)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Domingo-XVI-do-Tempo-Comum-Ano-B-21.07.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XVI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 21.07.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Domingo-XVI-do-Tempo-Comum-Ano-B-21.07.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XVI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 21.07.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XV do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 14.07.2024&#8243; tab_id=&#8221;1721640050463-6cb38770-1653&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XV do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 14.07.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em><sup>7<\/sup><\/em><\/strong><strong><em>Chamou os Doze, come\u00e7ou a envi\u00e1-los dois a dois e deu-lhes poder sobre os esp\u00edritos malignos. Mc 6,7 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Domingo-XV.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"422\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ser amado, escolhido e destinat\u00e1rio da predile\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m \u00e9 sempre momento de um contentamento humano profundo e de uma alegria e felicidade que nos calam fundo no cora\u00e7\u00e3o. Se nas nossas rela\u00e7\u00f5es interpessoais esta experi\u00eancia \u00e9 consoladora e gratificante, bem maior deveria ser a nossa alegria e j\u00fabilo por tomarmos consci\u00eancia de que somos homens e mulheres profundamente amados por Deus. Al\u00e9m disso, n\u00e3o somos amados por Deus como recompensa pelos nossos m\u00e9ritos, pelas nossas boas a\u00e7\u00f5es ou pela aten\u00e7\u00e3o que lhe dispensamos. O amor de Deus \u00e9 infinito, gratuito e pr\u00e9vio a qualquer iniciativa da nossa parte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No bel\u00edssimo hino que a Liturgia da Palavra nos oferece na segunda leitura, S. Paulo recorda-nos que somos aben\u00e7oados por Deus por meio de Jesus Cristo e que Nele fomos escolhidos antes da cria\u00e7\u00e3o do mundo. Somos obra das m\u00e3os de Deus e fomos inscritos desde o in\u00edcio no Seu des\u00edgnio universal de salva\u00e7\u00e3o. Deus escolhe-nos como escolheu Am\u00f3s, Maria, os Doze Ap\u00f3stolos, Paulo e tantos outros ao longo da hist\u00f3ria, por\u00e9m a Sua escolha e elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma imposi\u00e7\u00e3o, mas uma escolha da nossa liberdade, da nossa vida prenhe de possibilidades e decis\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Deus escolhe a nossa liberdade, retira-nos de uma vida autocentrada e egoc\u00eantrica e desafia o nosso comodismo e as nossas seguran\u00e7as. Convoca-nos para a miss\u00e3o porque livremente O aceitamos seguir, nos deixamos seduzir pelo Seu amor e fizemos a experi\u00eancia do encontro \u00fanico, \u00edntimo e decisivo com a Sua miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ele envia-nos dois a dois como enviou os Doze Ap\u00f3stolos, libertando-nos de uma op\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria autocentrada. S. Greg\u00f3rio Magno, no seu coment\u00e1rio aos Evangelhos, ensina-nos que os disc\u00edpulos s\u00e3o enviados dois a dois, porque s\u00e3o dois os mandamentos da caridade e s\u00f3 o amor a Deus e aos irm\u00e3os entrela\u00e7ados como um \u00fanico amor numa dupla dire\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser protagonista da nossa miss\u00e3o. Na verdade, estando sozinho, o homem \u00e9 levado a duvidar at\u00e9 de si pr\u00f3prio. Ao inv\u00e9s, caminhar juntos, percorrer unidos a mesma estrada e levar o mesmo Senhor no cora\u00e7\u00e3o constitui a primeira e grande prega\u00e7\u00e3o. A comunh\u00e3o e unidade constroem e estruturam a miss\u00e3o. O enviado n\u00e3o \u00e9 um aventureiro isolado, mas um promotor da comunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As indica\u00e7\u00f5es de Jesus para o caminho s\u00e3o precisas e radicais: \u00ab<em>ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a n\u00e3o ser o bast\u00e3o: nem p\u00e3o, nem alforge, nem dinheiro; que fossem cal\u00e7ados com sand\u00e1lias, e n\u00e3o levassem duas t\u00fanicas<\/em>\u00bb. Nestas palavras de Jesus encontramos a certeza que na miss\u00e3o evangelizadora o mais importante a levar n\u00e3o s\u00e3o os bens materiais ou as nossas seguran\u00e7as, mas a Palavra de Jesus que antecede, acompanha e aponta a miss\u00e3o. Contudo, que o sentido espiritual deste envio de Jesus n\u00e3o impe\u00e7a de ver a radicalidade que estas palavras encerram. Jesus envia os disc\u00edpulos desprovidos n\u00e3o apenas do sup\u00e9rfluo, mas mesmo do essencial que poderia tornar a miss\u00e3o humanamente mais eficiente e produtiva: provis\u00f5es de comida para o alforge ou dinheiro na bolsa para fazer frente a qualquer necessidade urgente. Jesus situa a miss\u00e3o crist\u00e3 dentro do radicalismo evang\u00e9lico que testemunha que a nossa \u00fanica seguran\u00e7a e provid\u00eancia se encontra em Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Amados, escolhidos e enviados como testemunhas do amor e da miseric\u00f3rdia do Pai s\u00f3 podemos proclamar como Paulo: \u00ab<em>Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos C\u00e9us nos aben\u00e7oou com toda a esp\u00e9cie de b\u00ean\u00e7\u00e3os espirituais em Cristo<\/em>\u00bb.<strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O <strong>Domingo XV do Tempo Comum<\/strong> ser\u00e1 dia de ordena\u00e7\u00f5es presbiterais na Diocese do Porto. O dia de ordena\u00e7\u00f5es para uma diocese \u00e9 sempre dia de louvor e a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as ao Senhor da Messe que n\u00e3o cessa de enviar pastores para a Sua seara e que continua a conduzir a Igreja atrav\u00e9s de homens escolhidos para serem para os seus irm\u00e3os sinal de Cristo Cabe\u00e7a e Pastor. As comunidades crist\u00e3s s\u00e3o convidadas a unirem-se neste dia de j\u00fabilo e de festa atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o. \u00c9 imperioso e necess\u00e1rio preparar este dia em comunh\u00e3o orante, invocando sobre os neo-presb\u00edteros o dom do Esp\u00edrito Santo, podendo realizar-se momentos de ora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria agradecendo o dom dos que ser\u00e3o ordenados e pedindo ao Senhor que continue a despertar no cora\u00e7\u00e3o dos jovens a docilidade de cora\u00e7\u00e3o para o seguirem no minist\u00e9rio ordenado. As comunidades crist\u00e3s, sobretudo nas atividades de encerramento do ano catequ\u00e9tico, podem organizar momentos de reflex\u00e3o e testemunho vocacional, que ajudem as crian\u00e7as, adolescentes e jovens a conhecer os diversos caminhos que o Senhor prop\u00f5e para o servi\u00e7o da Igreja e do Mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Am\u00f3s 7,12-15<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nAmasias, sacerdote de Betel, disse a Am\u00f3s:<br \/>\n\u00abVai-te daqui, vidente.<br \/>\nFoge para a terra de Jud\u00e1.<br \/>\nA\u00ed ganhar\u00e1s o p\u00e3o com as tuas profecias.<br \/>\nMas n\u00e3o continues a profetizar aqui em Betel,<br \/>\nque \u00e9 o santu\u00e1rio real, o templo do reino\u00bb.<br \/>\nAm\u00f3s respondeu a Amasias:<br \/>\n\u00abEu n\u00e3o era profeta, nem filho de profeta.<br \/>\nEra pastor de gado e cultivava sic\u00f3moros.<br \/>\nFoi o Senhor que me tirou da guarda do rebanho e me disse:<br \/>\n\u2018Vai profetizar ao meu povo de Israel\u2019\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Am\u00f3s, o \u201cprofeta da justi\u00e7a social\u201d, exerceu o seu minist\u00e9rio prof\u00e9tico no reino do Norte (Israel) em meados do s\u00e9c. VIII a.C. (possivelmente, por volta de 762 a. C.), durante o reinado de Jerobo\u00e3o II. \u00c9 uma \u00e9poca de prosperidade econ\u00f3mica e de estabilidade pol\u00edtica: as conquistas de Jerobo\u00e3o II alargaram consideravelmente os limites do reino e permitiram a entrada de tributos dos povos vencidos; o com\u00e9rcio e a ind\u00fastria (mineira e t\u00eaxtil) desenvolveram-se significativamente\u2026 As habita\u00e7\u00f5es da burguesia urbana atingiram um luxo e magnific\u00eancia at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A prosperidade e o bem-estar das classes favorecidas contrastavam, por\u00e9m, com a mis\u00e9ria de uma parte significativa da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. O sistema de distribui\u00e7\u00e3o estava nas m\u00e3os de comerciantes sem escr\u00fapulos que, aproveitando o bem-estar econ\u00f3mico, especulavam com os pre\u00e7os. Com o aumento dos pre\u00e7os dos bens essenciais, as fam\u00edlias de menores recursos endividavam-se e acabavam por se ver espoliadas das suas terras em favor dos grandes latifundi\u00e1rios. A classe dirigente, rica e poderosa, dominava os tribunais e subornava os ju\u00edzes, impedindo que o tribunal fizesse justi\u00e7a aos mais pobres e defendesse os direitos dos menos poderosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, a religi\u00e3o florescia num esplendor ritual nunca visto. Magn\u00edficas festas, abundantes sacrif\u00edcios de animais, um culto esplendoroso, marcavam a vida religiosa dos israelitas\u2026 O problema \u00e9 que esse culto n\u00e3o tinha nada a ver com a vida: no dia a dia, os mesmos que participavam nesses ritos cultuais majestosos praticavam injusti\u00e7as contra o pobre e cometiam toda a esp\u00e9cie de atropelos ao direito. Mais ainda: os ricos ofereciam a Deus abundantes ofertas, a fim de serenar as suas consci\u00eancias culpadas e assegurar a cumplicidade de Deus para os seus neg\u00f3cios escuros\u2026 Al\u00e9m disso, a influ\u00eancia da religi\u00e3o cananeia estava a levar os israelitas para o sincretismo religioso: o culto a Jav\u00e9 misturava-se com rituais pag\u00e3os provenientes dos cultos a Baal e Astarte. Essa confus\u00e3o religiosa punha em s\u00e9rios riscos a pureza da f\u00e9 javista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 neste contexto que aparece o profeta Am\u00f3s. Natural de T\u00e9cua (uma pequena aldeia situada no deserto de Jud\u00e1), Am\u00f3s n\u00e3o \u00e9 profeta de profiss\u00e3o; mas, chamado por Deus, deixa a sua terra, o seu trabalho e a sua fam\u00edlia e parte para o reino vizinho (Israel) para gritar \u00e0 classe dirigente a sua den\u00fancia prof\u00e9tica. A rudeza do seu discurso, aliada \u00e0 integridade e afoiteza da sua f\u00e9, traz algo do ambiente duro do deserto e contrasta com a indol\u00eancia e o luxo da sociedade israelita da \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O epis\u00f3dio que a primeira leitura deste d\u00e9cimo quinto domingo comum nos relata leva-nos at\u00e9 ao santu\u00e1rio de Betel, no centro da Palestina. Trata-se de um lugar considerado sagrado, desde tempos imemoriais. De acordo com Gn 35,1-8, Jacob construiu a\u00ed um altar e dedicou-o a Jav\u00e9. Mais tarde, Betel aparece como o local onde se re\u00fane a assembleia de \u201ctodo o Israel\u201d para \u201cconsultar Deus\u201d (cf. Jz 20,18), para chorar diante de Deus a sua infelicidade (cf. Jz 20,26) e para se encontrar com Deus (cf. Jz 21,2). Tudo isto reflete a import\u00e2ncia cultual do lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando o Povo de Deus se dividiu em dois reinos, ap\u00f3s a morte de Salom\u00e3o (932 a.C.), os reis do norte (Israel) potenciaram o culto em Betel, para impedir que os seus s\u00fabditos se deslocassem a Jerusal\u00e9m, situada no reino inimigo do sul (Jud\u00e1), para se encontrarem com Deus. Ent\u00e3o, Betel transformou-se numa esp\u00e9cie de \u201csantu\u00e1rio oficial\u201d do regime, onde o culto era financiado, em grande parte, pelo pr\u00f3prio rei. O sacerdote que presidia ao culto era uma esp\u00e9cie de \u201cfuncion\u00e1rio real\u201d, encarregado de zelar para que os interesses do rei fossem defendidos, nesse local por onde passava uma parte significativa dos fi\u00e9is de Israel. Na \u00e9poca em que Am\u00f3s exerce o seu minist\u00e9rio prof\u00e9tico em Betel, o sacerdote encarregado do santu\u00e1rio era um tal Amasias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Betel foi, portanto, um dos lugares onde se ouviu a den\u00fancia prof\u00e9tica de Am\u00f3s. A\u00ed o profeta criticou as injusti\u00e7as cometidas pelo rei e pela classe dirigente; a\u00ed denunciou um culto que era aliado da injusti\u00e7a e que procurava comprometer Deus com os esquemas corruptos dos poderosos.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O nosso caminho de todos os dias est\u00e1 semeado de obst\u00e1culos que nos fazem trope\u00e7ar, que nos mergulham no medo, que nos roubam a esperan\u00e7a. Sentimo-nos, a cada passo, inseguros e desprotegidos, sem saber por onde vamos e que garantias temos de chegar a porto seguro. Nesses momentos lembramo-nos de Deus e perguntamo-nos por onde andar\u00e1 Ele\u2026 Ser\u00e1 que Deus desistiu de n\u00f3s? Ser\u00e1 que Ele fica indiferente diante dos nossos pequenos e grandes dramas? Ser\u00e1 que Deus se recusa a interferir na hist\u00f3ria dos homens e assiste \u00e0s nossas escolhas erradas sem mexer um dedo? O fen\u00f3meno prof\u00e9tico diz-nos que Deus n\u00e3o se alheou da hist\u00f3ria e da vida dos seres humanos. Atrav\u00e9s dos \u201cprofetas\u201d, Ele continua a vir ao nosso encontro, a falar-nos, a indicar-nos caminhos, a tentar dissuadir-nos de escolher caminhos de viol\u00eancia e de morte, a apontar-nos o sem sentido dos nossos valores errados, a abrir-nos horizontes de esperan\u00e7a. Os profetas s\u00e3o a voz e o rosto da solicitude de Deus pelos seus queridos filhos e filhas que peregrinam na terra. Estamos dispostos a escutar os profetas que nos trazem as indica\u00e7\u00f5es e propostas de Deus, mesmo quando a mensagem que proclamam vai contra a corrente e exige de n\u00f3s tomadas de posi\u00e7\u00e3o inc\u00f3modas?<\/li>\n<li>O profeta \u00e9 um homem de Deus. Escolhido por Deus, chamado por Deus, enviado por Deus, legitimado por Deus, o profeta tem Deus como a sua refer\u00eancia fundamental. Nenhuma pessoa se torna profeta por iniciativa pr\u00f3pria ou para veicular propostas pr\u00f3prias. O profeta existe a partir de Deus e em fun\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o de Deus. Por isso, para ser um verdadeiro profeta, Ele deve manter uma liga\u00e7\u00e3o fundamental a Deus: deve escutar Deus e manter com Deus um di\u00e1logo permanente, a fim de conseguir discernir os projetos de Deus, antes de ir diz\u00ea-los aos homens. O profeta \u00e9, portanto, o homem da ora\u00e7\u00e3o e da escuta da Palavra de Deus. Tem de manter uma liga\u00e7\u00e3o muito forte a Deus. Ora, n\u00f3s crentes fomos constitu\u00eddos profetas pelo Batismo. Foi-nos confiada a miss\u00e3o de dar testemunho de Deus e dos seus planos no mundo. Deus \u00e9 a nossa refer\u00eancia? Encontramos tempo para falar com Ele, para escutar a sua Palavra, para tentar discernir os seus projetos?<\/li>\n<li>Amasias \u00e9 o homem comodamente instalado nos seus privil\u00e9gios e benesses, que cala a voz da pr\u00f3pria consci\u00eancia porque tem muito a perder e n\u00e3o quer arriscar; Am\u00f3s \u00e9 o profeta livre da preocupa\u00e7\u00e3o com os bens materiais, que n\u00e3o est\u00e1 preocupado com a defesa dos pr\u00f3prios interesses, mas sim com a defesa intransigente dos interesses dos pobres e marginalizados, que s\u00e3o os interesses de Deus. A diferen\u00e7a entre os dois \u00e9 a diferen\u00e7a entre aquele para quem os valores materiais s\u00e3o a prioridade fundamental e aquele para quem os valores de Deus s\u00e3o a prioridade fundamental. O verdadeiro profeta n\u00e3o pode colocar os bens materiais como a sua prioridade fundamental; se isso acontecer, perder\u00e1 a sua liberdade prof\u00e9tica e tornar-se-\u00e1 um escravo de quem lhe paga. Enquanto profetas, quais s\u00e3o as nossas prioridades? Os interesses materiais, a salvaguarda da nossa posi\u00e7\u00e3o ou da nossa imagem, a vontade de n\u00e3o ferir suscetibilidades, o comodismo e a instala\u00e7\u00e3o alguma vez nos impediram de cumprir a nossa miss\u00e3o prof\u00e9tica?<\/li>\n<li>Este texto fala-nos tamb\u00e9m da promiscuidade entre a religi\u00e3o e o poder. Trata-se de uma combina\u00e7\u00e3o que n\u00e3o produz bons frutos (como, ali\u00e1s, a hist\u00f3ria da Igreja tem demonstrado nas mais diversas \u00e9pocas e lugares). A Igreja, para poder exercer com fidelidade a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica, tem de evitar colar-se aos poderosos e depender deles, sob pena de ser infiel \u00e0 miss\u00e3o que Deus lhe confiou. Uma Igreja que est\u00e1 preocupada em n\u00e3o incomodar o poder para manter privil\u00e9gios fiscais, ou para continuar a receber dinheiro para as institui\u00e7\u00f5es que tutela, ser\u00e1 uma Igreja escrava, de m\u00e3os atadas, dependente, que est\u00e1 longe de Jesus Cristo e da sua proposta libertadora. Como vemos a miss\u00e3o prof\u00e9tica que a Igreja \u00e9 chamada a viver no mundo? Na nossa avalia\u00e7\u00e3o, essa miss\u00e3o vai-se cumprindo sem desvios nem transig\u00eancias, na fidelidade radical ao Evangelho de Jesus? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 Salmo 84 (85)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor<br \/>\ne dai-nos a vossa salva\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Mostrai-nos, Senhor, a vossa miseric\u00f3rdia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fi\u00e9is<br \/>\ne a quantos de cora\u00e7\u00e3o a Ele se convertem.<br \/>\nA sua salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 perto dos que O temem<br \/>\ne a sua gl\u00f3ria habitar\u00e1 na nossa terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Encontraram-se a miseric\u00f3rdia e a fidelidade,<br \/>\nabra\u00e7aram-se a paz e a justi\u00e7a.<br \/>\nA fidelidade vai germinar da terra<br \/>\ne a justi\u00e7a descer\u00e1 do C\u00e9u.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor dar\u00e1 ainda o que \u00e9 bom,<br \/>\ne a nossa terra produzir\u00e1 os seus frutos.<br \/>\nA justi\u00e7a caminhar\u00e1 \u00e0 sua frente<br \/>\ne a paz seguir\u00e1 os seus passos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Ef\u00e9sios 1,3-14<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo,<br \/>\nque do alto dos C\u00e9us nos aben\u00e7oou<br \/>\ncom toda a esp\u00e9cie de b\u00ean\u00e7\u00e3os espirituais em Cristo.<br \/>\nN\u2019Ele nos escolheu, antes da cria\u00e7\u00e3o do mundo,<br \/>\npara sermos santos e irrepreens\u00edveis,<br \/>\nem caridade, na sua presen\u00e7a.<br \/>\nEle nos predestinou, de sua livre vontade,<br \/>\npara sermos seus filhos adotivos, por Jesus Cristo,<br \/>\npara que fosse enaltecida a gl\u00f3ria da sua gra\u00e7a,<br \/>\ncom a qual nos favoreceu em seu amado Filho.<br \/>\nN\u2019Ele, pelo seu sangue,<br \/>\ntemos a reden\u00e7\u00e3o, a remiss\u00e3o dos pecados.<br \/>\nSegundo a riqueza da sua gra\u00e7a,<br \/>\nque Ele nos concedeu em abund\u00e2ncia,<br \/>\ncom plena sabedoria e intelig\u00eancia,<br \/>\ndeu-nos a conhecer o mist\u00e9rio da sua vontade:<br \/>\nsegundo o benepl\u00e1cito que n\u2019Ele de antem\u00e3o estabelecera,<br \/>\npara se realizar na plenitude dos tempos:<br \/>\ninstaurar todas as coisas em Cristo,<br \/>\ntudo o que h\u00e1 nos C\u00e9us e na terra.<br \/>\nEm Cristo fomos constitu\u00eddos herdeiros,<br \/>\npor termos sido predestinados,<br \/>\nsegundo os des\u00edgnios d\u2019Aquele que tudo realiza<br \/>\nconforme a decis\u00e3o da sua vontade,<br \/>\npara servir \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da sua gl\u00f3ria,<br \/>\nn\u00f3s que desde o come\u00e7o esper\u00e1mos em Cristo.<br \/>\nFoi n\u2019Ele que v\u00f3s tamb\u00e9m,<br \/>\ndepois de ouvirdes a palavra da verdade,<br \/>\no Evangelho da vossa salva\u00e7\u00e3o,<br \/>\nabra\u00e7astes a f\u00e9 e fostes marcados pelo Esp\u00edrito Santo prometido,<br \/>\nque \u00e9 o penhor da nossa heran\u00e7a,<br \/>\npara a reden\u00e7\u00e3o do povo que Deus adquiriu<br \/>\npara louvor da sua gl\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A cidade de \u00c9feso, capital da Prov\u00edncia romana da \u00c1sia, estava situada na costa ocidental da \u00c1sia Menor, a cerca de tr\u00eas quil\u00f3metros a sudoeste da moderna Sel\u00e7uk, na prov\u00edncia de Esmirna (Turquia). Era um dos principais centros comerciais e religiosos do mundo antigo. O seu importante porto e a sua numerosa popula\u00e7\u00e3o faziam de \u00c9feso uma cidade florescente. Era famosa pelo templo de Art\u00e9mis, considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo, e pelo imponente teatro, que levava cerca de 25.000 pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Paulo passou em \u00c9feso no final da sua segunda viagem mission\u00e1ria (cf. Act 18,19-21). Mas foi mais tarde, durante a sua terceira viagem mission\u00e1ria, que ele se deteve na cidade (cf. At 19,1). Encontrou l\u00e1 alguns crist\u00e3os escassamente preparados. Paulo procurou instru\u00ed-los e dar-lhes uma adequada forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3. De acordo com o Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, Paulo permaneceu na cidade durante um longo per\u00edodo (mais de dois anos, segundo At 19,10), ensinando na sinagoga e, depois, na \u201cescola de Tirano\u201d (At 19,9). Assim, reuniu \u00e0 sua volta um n\u00famero consider\u00e1vel de pessoas convertidas ao \u201cCaminho\u201d (At 19,9.23). Paulo viveu em \u00c9feso alguns momentos delicados, como o tumulto que se levantou contra ele quando foi acusado pelos comerciantes ef\u00e9sios de estar a destruir a f\u00e9 em Art\u00e9mis, pondo em causa o neg\u00f3cio de imagens da deusa (cf. Ef 19,23-40). Ainda de acordo com o autor dos Atos, foi aos anci\u00e3os da Igreja de \u00c9feso que Paulo confiou, em Mileto (cf. At 20,17-38), o seu testamento espiritual, apost\u00f3lico e pastoral, antes de ir a Jerusal\u00e9m, onde acabaria por ser preso. Tudo isto faz supor uma rela\u00e7\u00e3o muito estreita entre Paulo e a comunidade crist\u00e3 de \u00c9feso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Curiosamente, a carta aos Ef\u00e9sios \u00e9 bastante impessoal e n\u00e3o reflete essa rela\u00e7\u00e3o. Alguns dos comentadores dos textos paulinos duvidam, por isso, que esta carta venha de Paulo. Outros, por\u00e9m, acreditam que o texto que chegou at\u00e9 n\u00f3s com o nome de \u201cCarta aos Ef\u00e9sios\u201d \u00e9 um dos exemplares de uma \u201ccarta circular\u201d enviada a v\u00e1rias igrejas da \u00c1sia Menor, inclusive \u00e0 comunidade crist\u00e3 de \u00c9feso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em qualquer caso, a Carta aos Ef\u00e9sios apresenta-se como uma carta escrita por Paulo, numa altura em que o ap\u00f3stolo est\u00e1 na pris\u00e3o (em Roma?). O seu portador teria sido um tal T\u00edquico. Estamos por volta dos anos 58\/60.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Alguns veem nesta carta uma esp\u00e9cie de s\u00edntese da teologia paulina, numa altura em que Paulo considerava ter terminado a sua miss\u00e3o no oriente. O tema mais importante da carta aos Ef\u00e9sios \u00e9 aquilo que o autor chama \u201co mist\u00e9rio\u201d: trata-se do projeto salvador de Deus, definido e elaborado desde sempre, escondido durante s\u00e9culos, revelado e concretizado plenamente em Jesus, comunicado aos ap\u00f3stolos e, nos \u201c\u00faltimos tempos\u201d, tornado presente no mundo pela Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que nos \u00e9 hoje proposto aparece no in\u00edcio da carta. \u00c9 um hino lit\u00fargico que deve ter circulado nas comunidades crist\u00e3s antes de ser enxertado aqui por Paulo. Pertence ao g\u00e9nero da \u201cb\u00ean\u00e7\u00e3o\u201d, muito frequente na liturgia judaica. Expressa o louvor e o reconhecimento pelo maravilhoso projeto de salva\u00e7\u00e3o que Deus p\u00f4s em marcha. O hino tem uma estrutura trinit\u00e1ria: refere o projeto do Pai (cf. Ef 1,3-6), concretizada pelo Filho (cf. Ef 1,7-12), e selado do Esp\u00edrito (cf. Ef 1,13-14).<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Em pleno s\u00e9c. XXI temos consci\u00eancia, mais do que em qualquer outra \u00e9poca da hist\u00f3ria, das dimens\u00f5es inabarc\u00e1veis deste universo, sempre em cont\u00ednua expans\u00e3o, onde Deus nos colocou. E n\u00f3s, ao olhar para a imensid\u00e3o do cosmos, sentimos especialmente a nossa pequenez de criaturas, finitas e limitadas; sentimo-nos pequenos gr\u00e3os de p\u00f3 perdidos num espa\u00e7o cujos contornos nunca conseguiremos totalmente abarcar. Qual o nosso lugar e o nosso papel nesta fant\u00e1stica arquitetura de Deus? Qual o nosso lugar no projeto de Deus para o universo? A prop\u00f3sito de tudo isto, o autor da Carta aos Ef\u00e9sios diz-nos algo muito belo e motivador: n\u00e3o somos um acidente de percurso na evolu\u00e7\u00e3o inexor\u00e1vel do cosmos, nem somos imprest\u00e1veis gr\u00e3os de p\u00f3 perdidos na imensid\u00e3o do universo; mas somos atores principais de uma hist\u00f3ria de amor que o nosso Deus sonhou e quis viver connosco\u2026 Deus \u201celegeu-nos\u201d desde sempre, deu-nos um papel e um lugar centrais no seu projeto; e, ao longo da hist\u00f3ria, nunca se cansou de vir ao nosso encontro e de procurar relacionar-se connosco. No meio das nossas desilus\u00f5es e dos nossos sofrimentos, da nossa finitude e do nosso pecado, dos nossos medos e dos nossos dramas, n\u00e3o esque\u00e7amos que somos filhos amados de Deus, a quem Ele oferece continuamente a Vida definitiva, a verdadeira felicidade. Esta certeza alimenta a nossa peregrina\u00e7\u00e3o pela terra? Somos gratos a Deus por nos ter escolhido e amado, louvamo-l\u2019O pela sua bondade e pelo seu amor?<\/li>\n<li>De acordo com o autor da Carta aos Ef\u00e9sios, Deus \u201celegeu-nos\u2026 para sermos santos e irrepreens\u00edveis\u201d. Os \u201csantos\u201d s\u00e3o aqueles que pertencem ao Deus santo, s\u00e3o aqueles que Deus chamou e consagrou para o seu servi\u00e7o. Ora, essa consagra\u00e7\u00e3o a Deus tem sempre implica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas. Requer que vivamos atentos a Deus, procurando descobrir e acolher os projetos que Ele tem para n\u00f3s e para o mundo; implica procurarmos concretizar esses projetos, com verdade, fidelidade e radicalidade\u2026 Caminhamos pela vida conscientes desse chamamento que nos \u00e9 feito \u00e0 santidade? No meio das solicita\u00e7\u00f5es do mundo e das exig\u00eancias da nossa vida profissional, social e familiar, conseguimos encontrar tempo para Deus, para dialogar com Ele e para tentar perceber os seus projetos e propostas? Temos disponibilidade e vontade de concretizar a \u201cobra de Deus\u201d, mesmo quando ela n\u00e3o parece concili\u00e1vel com os nossos interesses pessoais?<\/li>\n<li>O hino da Carta aos Ef\u00e9sios que a liturgia deste domingo nos trouxe afirma a centralidade de Cristo nesta hist\u00f3ria de amor que Deus quis viver connosco\u2026 Jesus veio ao nosso encontro, mostrou-nos o amor que o Pai nos tem e deu-nos a conhecer o \u201cmist\u00e9rio\u201d da sua vontade. Ele apontou-nos o caminho que devemos percorrer para nos tornarmos \u201cfilhos de Deus\u201d, herdeiros da Vida eterna. Cristo, o nosso irm\u00e3o, o Deus que se fez um de n\u00f3s e caminhou no meio de n\u00f3s, \u00e9 a nossa grande refer\u00eancia. Estamos conscientes disso e caminhamos atr\u00e1s de Jesus, sem o perder de vista? As suas palavras e os seus gestos s\u00e3o para n\u00f3s a suprema indica\u00e7\u00e3o do caminho que devemos percorrer? Aqueles que caminham pelo mundo ao nosso lado encontram nos nossos gestos e atitudes sinais vivos do amor de Deus revelado em Jesus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Marcos 6,7-13<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus chamou os doze Ap\u00f3stolos<br \/>\ne come\u00e7ou a envi\u00e1-los dois a dois.<br \/>\nDeu-lhes poder sobre os esp\u00edritos impuros<br \/>\ne ordenou-lhes que nada levassem para o caminho,<br \/>\na n\u00e3o ser o bast\u00e3o:<br \/>\nnem p\u00e3o, nem alforge, nem dinheiro;<br \/>\nque fossem cal\u00e7ados com sand\u00e1lias,<br \/>\ne n\u00e3o levassem duas t\u00fanicas.<br \/>\nDisse-lhes tamb\u00e9m:<br \/>\n\u00abQuando entrardes em alguma casa,<br \/>\nficai nela at\u00e9 partirdes dali.<br \/>\nE se n\u00e3o fordes recebidos em alguma localidade,<br \/>\nse os habitantes n\u00e3o vos ouvirem,<br \/>\nao sair de l\u00e1, sacudi o p\u00f3 dos vossos p\u00e9s<br \/>\ncomo testemunho contra eles\u00bb.<br \/>\nOs Ap\u00f3stolos partiram e pregaram o arrependimento,<br \/>\nexpulsaram muitos dem\u00f3nios,<br \/>\nungiram com \u00f3leo muitos doentes e curaram-nos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desde os primeiros instantes do seu minist\u00e9rio apost\u00f3lico, Jesus aparece rodeado de disc\u00edpulos. Esses disc\u00edpulos \u2013 alguns pescadores do lago de Tiber\u00edades, um cobrador de impostos chamado Mateus, um zelote chamado Sim\u00e3o, entre outros \u2013 formavam um grupo bastante heterog\u00e9neo. Eram homens e mulheres de origens diversas que tinham abandonado, pelo menos durante algum tempo, as suas casas, as suas fam\u00edlias, as suas profiss\u00f5es, para acompanhar Jesus na sua atividade de profeta itinerante, pelas aldeias e vilas da Galileia. Eles seguiam Jesus, partilhavam a Sua vida, escutavam a mensagem que Ele ia repetindo de terra em terra, admiravam-se com os gestos curadores que Ele fazia, surpreendiam-se com a forma como Ele acolhia os pecadores e aqueles que a sociedade condenava, ajudavam-no a acolher as multid\u00f5es\u2026 No final de cada dia, depois de a multid\u00e3o ter ido embora, eles sentavam-se com Jesus e conversavam longamente\u2026 Era com eles que Jesus partilhava, de forma mais pr\u00f3xima, o seu sonho do Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto, estes disc\u00edpulos n\u00e3o eram apenas os companheiros de jornada de Jesus na etapa da Galileia. Aos poucos, Jesus ia-os preparando para serem seus colaboradores na constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. Ali\u00e1s, Ele tinha dito aos primeiros que O seguiram que contava com eles para serem \u201cpescadores de homens\u201d (Mc 1,17). A tarefa que lhes ia ser confiada consistia em libertar do mar do sofrimento, da opress\u00e3o e da morte todos os homens e mulheres que a\u00ed estivessem mergulhados. Na verdade, tratava-se da mesma miss\u00e3o que o Pai do c\u00e9u confiara a Jesus: proclamar a salva\u00e7\u00e3o de Deus a todos aqueles que necessitam de ser salvos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A dada altura, de entre todos os disc\u00edpulos que O seguiam, Jesus escolheu um grupo especial de doze. Eram, de entre os disc\u00edpulos, o n\u00facleo mais importante, os mais chegados a Jesus. Jesus chamou-os \u201cpara estarem com Ele e para os enviar a proclamar, com autoridade para expulsar os dem\u00f3nios\u201d (Mc 3,14-15). A esses doze Marcos chama \u201cap\u00f3stolos\u201d (\u201cenviados\u201d). O n\u00famero doze \u00e9 simb\u00f3lico. Era o n\u00famero das doze tribos de Israel. Ao constituir este grupo de doze ap\u00f3stolos, Jesus estaria a sinalizar o nascimento de um novo Povo de Deus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A quest\u00e3o central, incontorn\u00e1vel, no evangelho deste d\u00e9cimo quinto domingo comum \u00e9 que Jesus associa os seus disc\u00edpulos \u00e0 miss\u00e3o que o Pai lhe confiou: anunciar, testemunhar, construir o Reino de Deus. Os disc\u00edpulos que seguem Jesus e que o acompanham desde a Galileia a Jerusal\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o uma associa\u00e7\u00e3o pia que se re\u00fane de quando em quando para um momento de ora\u00e7\u00e3o, mas s\u00e3o homens e mulheres com que Jesus conta e que Jesus envia para serem arautos de um mundo novo, de um mundo transformado. Trata-se de uma realidade que n\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, n\u00e3o dever\u00edamos esquecer. O nosso seguimento de Jesus concretiza-se na miss\u00e3o, uma miss\u00e3o que implica testemunho e interven\u00e7\u00e3o no mundo. Como \u00e9 que encaramos o nosso compromisso com Jesus e com o seu projeto? Somos crist\u00e3os de rituais, que se limitam a \u201cespreitar\u201d Jesus em certos momentos de ora\u00e7\u00e3o e de celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria dentro dos espa\u00e7os protegidos dos nossos templos, ou somos disc\u00edpulos comprometidos, que aceitam ser enviados \u00e0s periferias da vida para testemunhar e construir, com gestos concretos, o Reino de Deus?<\/li>\n<li>Qual \u00e9 a miss\u00e3o dos disc\u00edpulos de Jesus? \u00c9 libertar e curar; \u00e9 lutar objetivamente contra tudo aquilo que escraviza o homem, que o impede de ser feliz, que lhe rouba a Vida. \u00c9 uma miss\u00e3o sempre atual, sempre necess\u00e1ria. O nosso mundo mant\u00e9m estruturas que geram guerra, viol\u00eancia, terror, morte: a miss\u00e3o dos disc\u00edpulos de Jesus \u00e9 desmont\u00e1-las; o nosso mundo aposta em \u201cvalores\u201d \u2013 frequentemente apresentados como o \u201c\u00faltimo grito\u201d da moda, do avan\u00e7o cultural ou cient\u00edfico, das conquistas civilizacionais \u2013 que produzem escravid\u00e3o, aliena\u00e7\u00e3o, sofrimento: a miss\u00e3o dos disc\u00edpulos de Jesus \u00e9 recus\u00e1-los e denunci\u00e1-los; o nosso mundo aceita esquemas de explora\u00e7\u00e3o \u2013 disfar\u00e7ados de sistemas econ\u00f3micos geradores de bem estar \u2013 que criam mis\u00e9ria, marginaliza\u00e7\u00e3o, debilidade: a miss\u00e3o dos disc\u00edpulos de Jesus \u00e9 combat\u00ea-los; o nosso mundo pactua com ideologias desumanas, que potenciam o racismo, a exclus\u00e3o, a indiferen\u00e7a: a miss\u00e3o dos disc\u00edpulos de Jesus \u00e9 contest\u00e1-las. Aceitamos estes desafios?<\/li>\n<li>Jesus \u00e9 a fonte, o inspirador e o modelo de a\u00e7\u00e3o dos seus enviados. \u00c9 de Jesus que eles recebem autoridade para se apresentarem ao mundo como arautos do Reino. Eles devem atuar ao estilo de Jesus, com o amor e a solicitude de Jesus, dando testemunho, com gestos concretos, da ternura e da bondade de Deus para com todos os seus filhos. Eles n\u00e3o atuam em nome pr\u00f3prio nem proclamam as suas teorias pessoais, mas prop\u00f5em o Evangelho de Jesus, o Evangelho do Reino. Ora, para que isso seja poss\u00edvel, esses enviados t\u00eam de manter-se vinculados a Jesus. T\u00eam de manter com Ele uma rela\u00e7\u00e3o viva, pr\u00f3xima, apaixonada, alimentada pelo encontro pessoal com Jesus. Se isso n\u00e3o acontecer, esses enviados facilmente se tornam gestores ego\u00edstas de projetos pessoais ou funcion\u00e1rios descomprometidos que executam um trabalho mec\u00e2nico e sem alma. N\u00f3s, disc\u00edpulos e enviados de Jesus, mantemo-nos ligados a Ele? Renovamos cada dia a nossa ades\u00e3o a Ele e ao seu projeto? Confrontamo-nos com a sua Palavra e deixamo-nos questionar por ela? Encontramo-nos com Jesus e os outros irm\u00e3os da comunidade \u00e0 mesa da Palavra e do P\u00e3o e acolhemos a Vida que Ele nos oferece e que somos convidados a levar ao mundo?<\/li>\n<li>Jesus apenas autoriza os seus enviados a levarem para o caminho um cajado, sand\u00e1lias e uma t\u00fanica. Ele considera que quanto mais livres e despojados os disc\u00edpulos se apresentarem, mais convincentes ser\u00e3o como testemunhas do Reino de Deus. No entanto, esta l\u00f3gica parece ainda n\u00e3o nos ter convencido\u2026 Vinte e um s\u00e9culos depois de Jesus, continuamos a interessar-nos por postos e lugares que nos assegurem autoridade e poder; continuamos a agarrar t\u00edtulos que possam dar-nos prest\u00edgio social; continuamos a montar estruturas e estrat\u00e9gias que nos proporcionem visibilidade e capacidade de interven\u00e7\u00e3o; continuamos a procurar recursos econ\u00f3micos que financiem os nossos projetos e nos permitam combater os \u201cfilhos das trevas\u201d. \u00c9 evidente que vivemos neste mundo e temos de ser realistas\u2026 Mas, em \u00faltima an\u00e1lise, a abund\u00e2ncia de meios ser\u00e1 \u00fatil ou ser\u00e1 prejudicial para a causa do Reino de Deus? A preocupa\u00e7\u00e3o com o \u201cter\u201d n\u00e3o roubar\u00e1 aos disc\u00edpulos espa\u00e7o, disponibilidade e liberdade para se lan\u00e7arem na aventura do an\u00fancio do Reino? A preocupa\u00e7\u00e3o com os bens materiais, com as honras e privil\u00e9gios, n\u00e3o poder\u00e1 levar os disc\u00edpulos a calarem-se perante a maldade e a injusti\u00e7a, a fim de preservarem os seus interesses econ\u00f3micos e os seus benef\u00edcios particulares?<\/li>\n<li>O testemunho e a constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus s\u00e3o o grande desafio que Jesus deixou aos seus seguidores. No entanto, todos n\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, sabemos como \u00e9 dif\u00edcil que o nosso testemunho seja escutado e acolhido. Sentimos que temos uma \u00f3tima proposta para apresentar, mas que essa proposta nem sempre encontra o acolhimento que merece; parece que, por muito que nos esforcemos, o \u201cmundo\u201d n\u00e3o est\u00e1 interessado no testemunho que damos de Jesus. Porqu\u00ea? A culpa \u00e9 da sociedade e dos valores vigentes, ou \u00e9 da forma como damos testemunho? O que \u00e9 que torna pouco convincente e pouco cred\u00edvel aquilo que anunciamos? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong> ter em aten\u00e7\u00e3o as palavras de mais dif\u00edcil pronuncia\u00e7\u00e3o e menos usuais: Amasias (deve ler-se:\u00a0<em>Amazias<\/em>); Betel (deve ler-se:\u00a0<em>Bet\u00e9l<\/em>) e Sic\u00f3moros (deve acentuar-se apenas a s\u00edlaba t\u00f3nica:\u00a0<em>c\u00f3<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 um hino lit\u00fargico das primeiras comunidades crist\u00e3s de louvor e a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. A sua proclama\u00e7\u00e3o deve ser feita com a solenidade de um hino, mas tamb\u00e9m com aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pausas e respira\u00e7\u00f5es sobretudo nas frases mais longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/07\/10\/excesso-de-meios-mingua-de-fins-4\/\"><strong>EXCESSO DE MEIOS, M\u00cdNGUA DE\u00a0FINS<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Evangelho deste <strong>Domingo XV do Tempo Comum<\/strong>, que narra o envio em miss\u00e3o dos \u00abDoze\u00bb (Marcos 6,7-13), situa-se estrategicamente entre a rejei\u00e7\u00e3o de Jesus na sua p\u00e1tria (Marcos 6,1-6) e o mart\u00edrio de Jo\u00e3o Batista (Marcos 6,14-29). O contexto \u00e9, pois, claro, intenso e dram\u00e1tico acerca do destino dos mission\u00e1rios: entre a rejei\u00e7\u00e3o e mart\u00edrio. Mas este destino sai ainda acentuado se tivermos em conta que o mart\u00edrio do Jo\u00e3o Batista (Marcos 6,14-29) est\u00e1 colocado entre o envio em miss\u00e3o dos \u00abDoze\u00bb (Marcos 6,7-13) e o seu regresso (Marcos 6,30). Dado o contexto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel evitar o entrela\u00e7amento de destinos de Jesus, Jo\u00e3o Batista e os mission\u00e1rios. Em todos os casos, a rejei\u00e7\u00e3o e o mart\u00edrio derivam do facto de as pessoas (n\u00f3s) n\u00e3o acreditarem que a miss\u00e3o (clar\u00edssimo no caso de Jesus) prov\u00e9m de Deus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas este envio em miss\u00e3o dos \u00abDoze\u00bb tamb\u00e9m n\u00e3o pode deixar de ser visto no seguimento de Marcos 3,13-15, em que, do cimo da montanha, Jesus chama os que quer (f\u00f3rmula de elei\u00e7\u00e3o), deles faz \u00abDoze\u00bb (bel\u00edssima f\u00f3rmula de cria\u00e7\u00e3o), para estarem com Ele (f\u00f3rmula de alian\u00e7a e de assist\u00eancia), e, finalmente, para Ele os enviar (f\u00f3rmula de miss\u00e3o). Bem se v\u00ea que o texto deste Domingo torna operativo este \u00faltimo aspeto, sem anular, diminuir ou diluir aquele fort\u00edssimo \u00abestar com Ele\u00bb. Na verdade, quando regressarem da miss\u00e3o, todos se re\u00fanem \u00e0 volta de Jesus (Marcos 6,30), que \u00e9 assim apresentado como o marco e a refer\u00eancia fundamental da vida deles e da nossa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quer atrav\u00e9s dos verbos narrativos, quer dos elocutivos, fica claro que a iniciativa da miss\u00e3o dos \u00abDoze\u00bb \u00e9 de Jesus, que \u00e9 o verdadeiro Senhor da miss\u00e3o: \u00e9 Ele que chama para a miss\u00e3o, que envia em miss\u00e3o, que d\u00e1 autoridade para o servi\u00e7o da miss\u00e3o (Marcos 6,7-8), que define a leveza do equipamento (Marcos 6,8-10) e o comportamento a assumir no servi\u00e7o da miss\u00e3o (Marcos 6,10-11). Note-se bem aquelas lev\u00edssimas recomenda\u00e7\u00f5es negativas: nada para o caminho, nem p\u00e3o, nem alforge, nem dinheiro (Marcos 6,8). \u00c9 f\u00e1cil de ver que estas disposi\u00e7\u00f5es tornam os \u00abDoze\u00bb mais pobres, materialmente falando, do que os destinat\u00e1rios a quem s\u00e3o enviados. Assumidamente, n\u00e3o \u00e9 o volume das coisas a medida do mundo dos disc\u00edpulos de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Este despojamento, ou empobrecimento, ou leveza, est\u00e1 na base da credibilidade da mensagem que devem transmitir. O narrador anota no final que os \u00abDoze\u00bb cumpriram as diretivas de Jesus (Marcos 6,12-13). Bela maneira de testemunhar que o dizer de Jesus tem, sobre os mission\u00e1rios, car\u00e1cter performativo: na verdade, n\u00e3o tendo nada de pr\u00f3prio para oferecer, limitam-se a desempenhar o encargo recebido e a transmitir a mensagem a eles confiada. O uso do verbo \u00abanunciar\u00bb (<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>), que significa transmitir, n\u00e3o a pr\u00f3pria opini\u00e3o, mas ser simplesmente arautos ou mensageiros transparentes do seu Senhor, define os \u00abDoze\u00bb como completamente dependentes de Jesus. E a exiguidade do equipamento \u00e9 para real\u00e7ar a absoluta import\u00e2ncia da mensagem, e que n\u00e3o se podem ocupar de nenhum outro neg\u00f3cio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A li\u00e7\u00e3o do profeta Am\u00f3s (7,12-15), que hoje temos tamb\u00e9m a gra\u00e7a de escutar, ilustra bem o Evangelho de hoje. Am\u00f3s era provavelmente um importante criador de gado e agricultor bem-sucedido ao servi\u00e7o do grande rei Ozias (787-736), sem d\u00favida o maior rei de Jud\u00e1 em termos de vis\u00e3o pol\u00edtica e desenvolvimento, grande amante da terra e que em muito desenvolveu a agricultura, como se pode ver na descri\u00e7\u00e3o do Cronista (2 Cr\u00f3nicas 26,10). Am\u00f3s seria, como diz a maioria dos estudiosos de hoje, um alto funcion\u00e1rio agr\u00edcola de Ozias. Mas quando Deus \u00abpegou\u00bb nele, tamb\u00e9m Am\u00f3s se despiu da riqueza da sua vida regalada e bem-sucedida, e foi para o Reino de Israel, do Sul para o Norte, equipado apenas com a mensagem que Deus o incumbiu de anunciar. Am\u00f3s tinha, portanto, a sua profiss\u00e3o de grande agricultor e criador de gado, que lhe assegurava uma vida tranquila e sem percal\u00e7os. Mas foi-lhe por Deus dada uma voca\u00e7\u00e3o e confiada uma miss\u00e3o. Nesse dia, acaba o profissional, o funcion\u00e1rio, e nasce o profeta. \u00abProfeta\u00bb n\u00e3o \u00e9 uma profiss\u00e3o, uma fun\u00e7\u00e3o ou uma heran\u00e7a. N\u00e3o passa de pai para filho. \u00c9 uma voca\u00e7\u00e3o e uma miss\u00e3o. E \u00e9 a Palavra de Deus que, irrompendo sobre algu\u00e9m, marca um final e um come\u00e7o novo, constituindo-o profeta: \u00abN\u00e3o era profeta eu, nem filho de profeta eu, mas o Senhor\u2026\u00bb (Am\u00f3s 7,14-15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tamb\u00e9m S\u00e3o Paulo \u00e9 modelo insigne de quem se sabe amado e escolhido por Deus desde a eternidade, desde antes de antes (Ef\u00e9sios 1,3-14). Por isso, n\u00e3o resmunga, mas exulta e exalta o \u00fanico verdadeiro Senhor da sua vida, de quem d\u00e1 a conhecer os des\u00edgnios da sua vontade, para que tamb\u00e9m n\u00f3s o possamos servir e amar de cora\u00e7\u00e3o inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jo\u00e3o Batista, Jesus, os \u00abDoze\u00bb, Am\u00f3s, Paulo, os mission\u00e1rios. S\u00e3o todos figuras em contracorrente de uma sociedade rica, insens\u00edvel, anestesiada, medicada, dormente, autossuficiente, auto referente e indiferente. Porque sabe que \u00e9 rica, \u00e9 que se sente agora em crise! Estranha crise. Os textos de hoje ensinam-nos que a boa e verdadeira crise \u00e9 desencadeada em n\u00f3s pela Palavra de Deus. S\u00f3, de facto, Deus, Primeiro e \u00daltimo, pode p\u00f4r em crise o segundo e pen\u00faltimo. Infelizmente, a crise que por a\u00ed anda parte do pen\u00faltimo e quer p\u00f4r em crise o \u00daltimo. Edmund Pellegrino, m\u00e9dico e fil\u00f3sofo da medicina, recentemente falecido (2013), j\u00e1 nos tinha advertido seriamente que, no campo da medicina, h\u00e1 excesso de meios e m\u00edngua de fins. Mas podemos, sem medo de errar, alargar a an\u00e1lise de Edmund Pellegrino a todas as \u00e1reas da nossa sociedade de hoje, e dizer que vivemos na \u00abnoite do mundo\u00bb, mergulhados numa cultura de excesso de meios e m\u00edngua de fins!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Escutemos, por isso, mais um pequeno extrato da Palavra pertinente do Profeta de hoje: \u00abEis que vir\u00e3o dias, or\u00e1culo do Senhor, em que enviarei a fome \u00e0 terra; n\u00e3o fome de p\u00e3o nem sede de \u00e1gua, mas de ouvir a Palavra do Senhor. Cambalear\u00e3o de um mar a outro mar, andar\u00e3o errantes do Norte at\u00e9 ao nascente, \u00e0 procura da Palavra do Senhor, mas n\u00e3o a encontrar\u00e3o\u00bb (Am\u00f3s 8,11-12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Salmo 85 \u00e9 um canto de j\u00fabilo pela restaura\u00e7\u00e3o p\u00f3s-ex\u00edlica operada por Deus em favor do seu Povo maravilhado e agradecido. Com Deus, que vem viver e caminhar connosco, vem a paz, a justi\u00e7a, a verdade, a fidelidade, a salva\u00e7\u00e3o, o bem. A nossa terra exulta. O nosso cora\u00e7\u00e3o exulta. Mas tamb\u00e9m hoje podemos cantar esta a\u00e7\u00e3o maravilhosa de Deus, que sabe sempre renovar a nossa vida e a nossa hist\u00f3ria, mesmo quando, em pleno ex\u00edlio, pouco vemos. O grande fil\u00f3sofo e m\u00edstico hebreu, Abraham Joshua Heschel (1907-1972), j\u00e1 nos lembrava, h\u00e1 uns anos, que \u00abestamos a perder a capacidade de cantar\u00bb. E o famoso poeta ingl\u00eas John Milton (1608-1674) ler\u00e1 assim os versos 9-14 do nosso Salmo 85 numa Ode natal\u00edcia, datada de 1629: \u00abSim, Fidelidade e Justi\u00e7a, ent\u00e3o, \/ voltar\u00e3o para junto dos homens, \/ envoltas num arco-\u00edris, e, gloriosamente vestida, \/ a Bondade sentar-se-\u00e1 no meio\u2026\/ E o c\u00e9u, como para uma festa, \/ escancarar\u00e1 as portas do seu pal\u00e1cio excelso\u00bb. Em conson\u00e2ncia com Isa\u00edas, que grita: \u00abDestilai, c\u00e9us, l\u00e1 do alto, e que as nuvens fa\u00e7am chover a justi\u00e7a, que se abra a terra e germine a salva\u00e7\u00e3o, e ao mesmo tempo fa\u00e7a brotar a justi\u00e7a\u00bb. E a assinatura: \u00abEu, o Senhor, criei isto!\u00bb (Isa\u00edas 45,8). Mundo novo \u00e0 vista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Leitura-I-do-Domingo-XV-do-Tempo-Comum-Ano-B-14.07.2024-Am-7-12-15.pdf\">Leitura I do Domingo XV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 14.07.2024 (Am 7, 12-15)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Leitura-II-do-Domingo-XV-do-Tempo-Comum-Ano-B-14.07.2024-Ef-1-3-14.pdf\">Leitura II do Domingo XV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 14.07.2024 (Ef 1, 3-14)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Domingo-XV-do-Tempo-Comum-Ano-B-14.07.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 14.07.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Domingo-XV-do-Tempo-Comum-Ano-B-14.07.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 14.07.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XIV do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 07.07.2024&#8243; tab_id=&#8221;1721032558826-c1e91b99-818a&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>Domingo XIV do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 07.07.2024<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em><sup>1<\/sup><\/em><\/strong><strong><em>E partiu dali. Foi para a sua terra, e os disc\u00edpulos seguiam-no.\u00a0<sup>2<\/sup>Chegado o s\u00e1bado, come\u00e7ou a ensinar na sinagoga. Os numerosos ouvintes enchiam-se de espanto e diziam: \u00abDe onde \u00e9 que isto lhe vem e que sabedoria \u00e9 esta que lhe foi dada? Como se operam t\u00e3o grandes milagres por suas m\u00e3os?\u00a0<sup>3<\/sup>N\u00e3o \u00e9 Ele o carpinteiro, o filho de Maria e irm\u00e3o de Tiago, de Jos\u00e9, de Judas e de Sim\u00e3o? E as suas irm\u00e3s n\u00e3o est\u00e3o aqui entre n\u00f3s?\u00bb E isto parecia-lhes escandaloso.<br \/>\n<sup>4<\/sup>Jesus disse-lhes: \u00abUm profeta s\u00f3 \u00e9 desprezado na sua p\u00e1tria, entre os seus parentes e em sua casa.\u00bb\u00a0<sup>5<\/sup>E n\u00e3o p\u00f4de fazer ali milagre algum. Apenas curou alguns enfermos, impondo-lhes as m\u00e3os.\u00a0<sup>6<\/sup>Estava admirado com a falta de f\u00e9 daquela gente. Mc 6, 1-6<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Domingo-XIV.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"355\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Se h\u00e1 marca que perpassa todo o Evangelho ao longo dos s\u00e9culos \u00e9 a da estupefa\u00e7\u00e3o. O evangelho que a Liturgia da Palavra deste Domingo nos prop\u00f5e \u00e9 exemplo acabado disso. Os habitantes de Nazar\u00e9 est\u00e3o admirados com tudo o que sai da boca de Jesus e com a novidade que brota do Seu ensinamento. Jesus espanta-se com a falta de f\u00e9 daquela gente. E n\u00f3s, dois mil anos depois, estamos estupefactos com a resist\u00eancia de cora\u00e7\u00e3o dos patr\u00edcios de Jesus e com a atitude do \u00ab<em>carpinteiro, Filho de Maria<\/em>\u00bb que devido \u00e0 fala de f\u00e9 daquela gente opera apenas algumas curas e segue o Seu caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O entusiasmo desvanece facilmente e, no itiner\u00e1rio crente, desafia \u00e0 fidelidade que se constr\u00f3i pela perseveran\u00e7a e pela capacidade de se deixar surpreender pelo devir dos dias e pela banalidade do nosso quotidiano. Os habitantes de Nazar\u00e9 ao ouvirem Jesus n\u00e3o conseguem esconder o espanto pelas palavras que Ele dirige e, ao verem os Seus milagres, n\u00e3o conseguem ficar indiferentes aos prod\u00edgios por Ele realizados. Contudo, depressa passam do assombro ao menosprezo: \u00ab<em>De onde Lhe vem tudo isto? Que sabedoria \u00e9 esta que Lhe foi dada e os prodigiosos milagres feitos por suas m\u00e3os? N\u00e3o \u00e9 Ele o carpinteiro, filho de Maria, e irm\u00e3o de Tiago, de Jos\u00e9, de Judas e de Sim\u00e3o? E n\u00e3o est\u00e3o as suas irm\u00e3s aqui entre n\u00f3s?<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus abre o Seu cora\u00e7\u00e3o e manifesta o seu descontentamento: \u00ab<em>Um profeta s\u00f3 \u00e9 desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa<\/em>\u00bb. Todo o desprezo e rejei\u00e7\u00e3o s\u00e3o dif\u00edceis gerir, por\u00e9m, o desprezo daqueles que n\u00f3s conhecemos, que viveram e conviveram connosco e que nos viram crescer, torna-se assim mais dif\u00edcil de gerir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas Jesus \u00e9 mesmo o \u00ab<em>carpinteiro, filho de Maria<\/em>\u00bb, o \u00ab<em>irm\u00e3o de Tiago, de Jos\u00e9, de Judas e de Sim\u00e3o<\/em>\u00bb e \u00ab<em>as suas irm\u00e3s est\u00e3o aqui entre n\u00f3s<\/em>\u00bb. Como \u00e9 que algo de t\u00e3o maravilhoso e espantoso pode acontecer na vida de quem conhecemos t\u00e3o bem, de quem vimos crescer, at\u00e9 ajudamos a andar e pegamos Nele ao colo? \u00c9 o espanto do mist\u00e9rio da incarna\u00e7\u00e3o! Deus faz-se homem, assume a nossa fr\u00e1gil humanidade e percorre os caminhos da nossa hist\u00f3ria. Em Jesus Cristo, Deus diz-se em linguagem humana e revela-se com m\u00e3os de carpinteiro, com sede e com fome, cansado e sofredor. Mas como \u00e9 belo e consolador contemplar um Deus que toma a iniciativa de se dar a conhecer assumindo as alegrias e esperan\u00e7as, os dramas e sofrimentos de cada homem e de cada mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 f\u00e1cil ficar admirado e espantado com um Deus que p\u00f5e os cegos a ver, os coxos a andar, que ressuscita os mortos, que manda calar os ventos e as tempestades\u2026 Contudo, o nosso caminho de f\u00e9, ainda que possa ter in\u00edcio com um evento marcante e surpreendente, alimenta-se, cresce e fortalece-se no encontro com Jesus Cristo no quotidiano da nossa exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Amar e reconhecer a divindade de Jesus Cristo exige entrar no mist\u00e9rio da Sua humanidade. Mais, implica reconhecer que a nossa humanidade n\u00e3o \u00e9 um obst\u00e1culo \u00e0 gra\u00e7a de Deus e ao Seu amor mas o lugar concreto onde ela se revela e manifesta. Aqui est\u00e1 presente, muitas vezes, o conflito entre quotidiano e profecia. Que o profeta seja um homem extraordin\u00e1rio e carism\u00e1tico, j\u00e1 o esper\u00e1vamos. Mas que o profeta tenha um passado que conhecemos bem, que essa profecia esteja plasmada de quotidiano e tenha habitado uma oficina de carpinteiro, isso j\u00e1 parece mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Creio que este \u00e9 um dos maiores desafios para a nossa vida de f\u00e9: acolher a presen\u00e7a de Deus na banalidade dos dias e no quotidiano da nossa exist\u00eancia e ser capaz de fazer da nossa vida toda e de toda a nossa vida o lugar onde Deus se faz presente, vivo e atuante na hist\u00f3ria. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Ez 2,2-5<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura da Profecia de Ezequiel<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\no Esp\u00edrito entrou em mim e fez-me levantar.<br \/>\nOuvi ent\u00e3o Algu\u00e9m que me dizia:<br \/>\n\u00abFilho do homem,<br \/>\nEu te envio aos filhos de Israel,<br \/>\na um povo rebelde que se revoltou contra Mim.<br \/>\nEles e seus pais ofenderam-Me at\u00e9 ao dia de hoje.<br \/>\n\u00c9 a esses filhos de cabe\u00e7a dura e cora\u00e7\u00e3o obstinado<br \/>\nque te envio, para lhes dizeres:<br \/>\n&#8216;Eis o que diz o Senhor&#8217;.<br \/>\nPodem escutar-te ou n\u00e3o<br \/>\n\u2013 porque s\u00e3o uma casa de rebeldes -,<br \/>\nmas saber\u00e3o que h\u00e1 um profeta no meio deles\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ezequiel, o &#8220;profeta da esperan\u00e7a&#8221;, exerceu o seu minist\u00e9rio na Babil\u00f3nia no meio dos exilados judeus. O profeta fez parte dessa primeira leva de exilados que, em 597 a.C., Nabucodonosor deportou para a Babil\u00f3nia.<br \/>\nA primeira fase do minist\u00e9rio de Ezequiel decorreu entre 593 a.C. (data do seu chamamento \u00e0 voca\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica) e 586 a.C. (data em que Jerusal\u00e9m foi conquistada uma segunda vez pelos ex\u00e9rcitos de Nabucodonosor e uma nova leva de exilados foi encaminhada para a Babil\u00f3nia). Nesta fase, o profeta preocupou-se em destruir as falsas esperan\u00e7as dos exilados (convencidos de que o ex\u00edlio terminaria em breve e que iam poder regressar rapidamente \u00e0 sua terra) e em denunciar a multiplica\u00e7\u00e3o das infidelidades a Jahw\u00e9h por parte desses membros do Povo judeu que escaparam ao primeiro ex\u00edlio e que ficaram em Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A segunda fase do minist\u00e9rio de Ezequiel desenrolou-se a partir de 586 a.C. e prolongou-se at\u00e9 cerca de 570 a.C. Instalados numa terra estrangeira, privados de Templo, de sacerd\u00f3cio e de culto, os exilados estavam desiludidos e duvidavam de Jahw\u00e9h e do compromisso que Deus tinha assumido com o seu Povo. Nessa fase, Ezequiel procurou alimentar a esperan\u00e7a dos exilados e transmitir ao Povo a certeza de que o Deus salvador e libertador n\u00e3o tinha abandonado nem esquecido o seu Povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que nos \u00e9 proposto hoje como primeira leitura faz parte do relato da voca\u00e7\u00e3o de Ezequiel (cf. Ez 1,1-3,27). Depois de descrever a manifesta\u00e7\u00e3o de Deus, num quadro que apresenta todas as caracter\u00edsticas especiais das teofanias (cf. Ez 1,1-28), o profeta apresenta um discurso no qual Jahw\u00e9h define a miss\u00e3o que lhe vai confiar (cf. Ez 2,1-3,15). O epis\u00f3dio \u00e9 situado &#8220;no quinto ano do cativeiro do rei Joaquin&#8221;, &#8220;na Caldeia, nas margens do rio Cabar&#8221; (Ez 1,2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Seria um erro interpretar este relato como informa\u00e7\u00e3o biogr\u00e1fica&#8230; Trata-se, antes, de mostrar &#8211; com a linguagem da \u00e9poca e utilizando os processos t\u00edpicos da literatura da \u00e9poca &#8211; que o profeta recebeu uma miss\u00e3o de Deus e que fala e atua em nome de Deus.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os &#8220;profetas&#8221; n\u00e3o s\u00e3o um grupo humano extinto h\u00e1 muitos s\u00e9culos, mas s\u00e3o uma realidade com que Deus continua a contar para intervir no mundo e para recriar a hist\u00f3ria. Quem s\u00e3o, hoje, os profetas? Onde est\u00e3o eles?<\/li>\n<li>No Batismo, fomos ungidos como profetas, \u00e0 imagem de Cristo. Cada um de n\u00f3s tem a sua hist\u00f3ria de voca\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica: de muitas formas Deus entra na nossa vida, desafia-nos para a miss\u00e3o, pede uma resposta positiva \u00e0 sua proposta. Temos consci\u00eancia de que Deus nos chama &#8211; \u00e0s vezes de formas bem banais &#8211; \u00e0 miss\u00e3o prof\u00e9tica? Estamos atentos aos sinais que Ele semeia na nossa vida e atrav\u00e9s dos quais Ele nos diz, dia a dia, o que quer de n\u00f3s? Temos a no\u00e7\u00e3o de que somos a &#8220;boca&#8221; atrav\u00e9s da qual a Palavra de Deus se dirige aos homens?<\/li>\n<li>O profeta \u00e9 o homem que vive de olhos postos em Deus e de olhos postos no mundo (numa m\u00e3o a B\u00edblia, na outra o jornal di\u00e1rio). Vivendo em comunh\u00e3o com Deus e intuindo o projeto que Ele tem para o mundo, e confrontando esse projeto com a realidade humana, o profeta percebe a dist\u00e2ncia que vai do sonho de Deus \u00e0 realidade dos homens. \u00c9 a\u00ed que ele interv\u00e9m, em nome de Deus, para denunciar, para avisar, para corrigir. Somos estas pessoas, simultaneamente em comunh\u00e3o com Deus e atentas \u00e0s realidades que desfeiam o nosso mundo? Em concreto, em que situa\u00e7\u00f5es sou chamado, no dia a dia, a exercer a minha voca\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica?<\/li>\n<li>A den\u00fancia prof\u00e9tica implica, tantas vezes, a persegui\u00e7\u00e3o, o sofrimento, a marginaliza\u00e7\u00e3o e, em tantos casos, a pr\u00f3pria morte (\u00d3scar Romero, Luther King, Gandhi&#8230;). Como lidamos com a injusti\u00e7a e com tudo aquilo que rouba a dignidade dos homens? O medo, o comodismo, a pregui\u00e7a, alguma vez nos impediram de ser profetas?<\/li>\n<li>\u00c9 preciso ter consci\u00eancia, tamb\u00e9m, que as nossas limita\u00e7\u00f5es e indignidades muito humanas n\u00e3o podem servir de desculpa para realizar a miss\u00e3o que Deus quer confiar-nos: se Ele nos pede um servi\u00e7o, dar-nos-\u00e1 tamb\u00e9m a for\u00e7a para superar os nossos limites e para cumprir o que nos pede. As fragilidades que fazem parte da nossa humanidade n\u00e3o podem, em nenhuma circunst\u00e2ncia, servir de desculpa para n\u00e3o cumprirmos a nossa miss\u00e3o prof\u00e9tica no meio dos nossos irm\u00e3os. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 Salmo 122 (123)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Os nossos olhos est\u00e3o postos no Senhor, at\u00e9 que Se compade\u00e7a de n\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Levanto os olhos para V\u00f3s,<br \/>\npara V\u00f3s que habitais no C\u00e9u,<br \/>\ncomo os olhos do servo<br \/>\nse fixam nas m\u00e3os do seu senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como os olhos da serva<br \/>\nse fixam nas m\u00e3os da sua senhora,<br \/>\nassim os nossos olhos se voltam para o Senhor nosso Deus,<br \/>\nat\u00e9 que tenha piedade de n\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Piedade, Senhor, tende piedade de n\u00f3s,<br \/>\nporque estamos saturados de desprezo.<br \/>\nA nossa alma est\u00e1 saturada do sarcasmo dos arrogantes<br \/>\ne do desprezo dos soberbos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>2Cor 12,7-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura da Segunda Ep\u00edstola do ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo aos Cor\u00edntios<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nPara que a grandeza das revela\u00e7\u00f5es n\u00e3o me ensoberbe\u00e7a,<br \/>\nfoi-me deixado um espinho na carne,<br \/>\n\u2013 um anjo de Satan\u00e1s que me esbofeteia \u2013<br \/>\npara que n\u00e3o me orgulhe.<br \/>\nPor tr\u00eas vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim.<br \/>\nMas Ele disse-me: \u00abBasta-te a minha gra\u00e7a,<br \/>\nporque \u00e9 na fraqueza que se manifesta todo o meu poder\u00bb.<br \/>\nPor isso, de boa vontade me gloriarei das minhas fraquezas,<br \/>\npara que habite em mim o poder de Cristo.<br \/>\nAlegro-me nas minhas fraquezas,<br \/>\nnas afrontas, nas adversidades,<br \/>\nnas persegui\u00e7\u00f5es e nas ang\u00fastias sofridas por amor de Cristo,<br \/>\nporque, quando sou fraco, ent\u00e3o \u00e9 que sou forte.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Segunda Carta de Paulo aos Cor\u00edntios espelha uma \u00e9poca de rela\u00e7\u00f5es conturbadas entre Paulo e os crist\u00e3os de Corinto. As cr\u00edticas de Paulo a alguns membros da comunidade que levavam uma vida pouco consent\u00e2nea com os valores crist\u00e3os (Primeira Carta aos Cor\u00edntios) provocaram uma rea\u00e7\u00e3o extremada e uma campanha organizada no sentido de desacreditar Paulo. Essa campanha foi instigada por certos mission\u00e1rios itinerantes procedentes das comunidades crist\u00e3s da Palestina, que se consideravam representantes dos Doze e que minimizavam o trabalho apost\u00f3lico de Paulo. Entre outras coisas, esses mission\u00e1rios afirmavam que Paulo era inferior aos outros ap\u00f3stolos, por n\u00e3o ter convivido com Jesus e que a catequese apresentada por Paulo n\u00e3o estava em conson\u00e2ncia com a doutrina da Igreja. Paulo, informado de tudo, dirigiu-se apressadamente para Corinto e teve um violento confronto com os seus detratores. Depois, bastante magoado, retirou-se para \u00c9feso. Tito, amigo de Paulo, fino negociador e h\u00e1bil diplomata, partiu para Corinto, a fim de tentar a reconcilia\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPaulo, entretanto, deixou \u00c9feso e foi para Tr\u00f3ade. Foi a\u00ed que reencontrou Tito, regressado de Corinto. As not\u00edcias trazidas por Tito eram animadoras: o diferendo fora ultrapassado e os cor\u00edntios estavam, outra vez, em comunh\u00e3o com Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Reconfortado, Paulo escreveu uma tranquila apologia do seu apostolado, \u00e0 qual juntou um apelo em favor de uma coleta para os pobres da Igreja de Jerusal\u00e9m. Esse texto \u00e9 a nossa Segunda Carta de Paulo aos Cor\u00edntios. Estamos no ano 56 ou 57.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que nos \u00e9 proposto integra a terceira parte da carta (cf. 2 Cor 10,1-13,10). A\u00ed Paulo, num estilo apaixonado, \u00e0s vezes c\u00e1ustico, mas sempre levado pela exig\u00eancia da verdade e da f\u00e9, defende a autenticidade do seu minist\u00e9rio frente a esses &#8220;super-ap\u00f3stolos&#8221; que o acusavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como ap\u00f3stolo, Paulo n\u00e3o se sente inferior a ningu\u00e9m e muito menos aos seus detratores. Estes orgulhavam-se das suas credenciais e afirmavam por toda a parte os seus dons carism\u00e1ticos&#8230; Paulo, se quisesse entrar no mesmo jogo, podia orgulhar-se de muitas coisas, nomeadamente das revela\u00e7\u00f5es que recebeu e das suas experi\u00eancias m\u00edsticas (cf. 2 Cor 12,1-4); mas ele quer apenas que o vejam como um homem fr\u00e1gil e vulner\u00e1vel, a quem Deus chamou e a quem enviou para dar testemunho de Jesus Cristo no meio dos homens<strong>. <\/strong><strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O caso pessoal de Paulo diz-nos muito sobre os m\u00e9todos de Deus&#8230; Para vir ao encontro dos homens e para lhes apresentar a sua proposta de salva\u00e7\u00e3o, Deus n\u00e3o utiliza m\u00e9todos espetaculares, poderosos, majestosos, que se imp\u00f5em de forma avassaladora e que deixam uma marca de estupefa\u00e7\u00e3o e de espanto na mem\u00f3ria dos povos; mas, quase sempre, Deus utiliza a fraqueza, a debilidade, a fragilidade, a simplicidade para nos dar a conhecer os seus caminhos. N\u00f3s, homens e mulheres do s\u00e9c. XXI, deixamo-nos, facilmente, impressionar pelos grandes gestos, pelos cen\u00e1rios magnificentes, pelas roupagens sumptuosas, por tudo o que aparece envolvido num halo cintilante de riqueza, de prest\u00edgio social, de poder, de beleza; e, por outro lado, temos mais dificuldade em reparar naquilo que se apresenta pobre, humilde, simples, fr\u00e1gil, d\u00e9bil&#8230; A Palavra de Deus que hoje nos \u00e9 proposta garante-nos que \u00e9 na fraqueza que se revela a for\u00e7a de Deus. Precisamos de aprender a ver o mundo, os homens e as coisas com os olhos de Deus e a descobrir esse Deus que, na debilidade, na simplicidade, na pobreza, na fragilidade, vem ao nosso encontro e nos indica os caminhos da vida.<\/li>\n<li>A consci\u00eancia de que as suas qualidades e defeitos n\u00e3o s\u00e3o determinantes para o sucesso da miss\u00e3o, pois o que \u00e9 importante \u00e9 a gra\u00e7a de Deus, deve levar o &#8220;profeta&#8221; a despir-se de qualquer sentimento de orgulho ou de autossufici\u00eancia. O &#8220;profeta&#8221; deve sentir-se, apenas, um instrumento humano, fr\u00e1gil, d\u00e9bil e limitado, atrav\u00e9s do qual a for\u00e7a e a gra\u00e7a de Deus agem no mundo. Quando o &#8220;profeta&#8221; tem consci\u00eancia desta realidade, percebe como s\u00e3o despropositadas e sem sentido quaisquer atitudes de vedetismo ou de busca de protagonismo, no cumprimento da miss\u00e3o&#8230; A miss\u00e3o do &#8220;profeta&#8221; n\u00e3o \u00e9 atrair sobre si pr\u00f3prio as luzes da ribalta, as c\u00e2maras da televis\u00e3o ou o olhar das multid\u00f5es; a miss\u00e3o do &#8220;profeta&#8221; \u00e9 servir de ve\u00edculo humano \u00e0 proposta libertadora de Deus para os homens.<\/li>\n<li>Como pano de fundo do nosso texto, est\u00e1 a pol\u00e9mica de Paulo com alguns crist\u00e3os que n\u00e3o o aceitavam. Ao longo de todo o seu percurso mission\u00e1rio, Paulo teve de lidar frequentemente com a incompreens\u00e3o; e, muitas vezes, essa incompreens\u00e3o veio at\u00e9 dos pr\u00f3prios irm\u00e3os na f\u00e9 e dos membros dessas comunidades a quem Paulo tinha levado, com muito esfor\u00e7o, o an\u00fancio libertador de Jesus. No entanto, a incompreens\u00e3o nunca abalou a decis\u00e3o e o entusiasmo de Paulo no an\u00fancio da Boa Nova de Jesus&#8230; Ele sentia que Deus o tinha chamado a uma miss\u00e3o e que era preciso levar essa miss\u00e3o at\u00e9 ao fim, doesse a quem doesse&#8230; Frequentemente, temos de lidar com realidades semelhantes. Todos experiment\u00e1mos j\u00e1 momentos de incompreens\u00e3o e de oposi\u00e7\u00e3o (que, muitas vezes, v\u00eam do interior da nossa pr\u00f3pria comunidade e que, por isso, magoam mais). \u00c9 nessas alturas que o exemplo de Paulo deve brilhar diante dos nossos olhos e ajudar-nos a vencer o des\u00e2nimo e a tenta\u00e7\u00e3o de desistir.<\/li>\n<li>Neste texto de Paulo (como, ali\u00e1s, em quase todos os textos do ap\u00f3stolo), transparece a atitude de vida de um crist\u00e3o para quem Cristo \u00e9, verdadeiramente, o centro da pr\u00f3pria exist\u00eancia e que s\u00f3 vive em fun\u00e7\u00e3o de Cristo&#8230; Nada mais lhe interessa sen\u00e3o anunciar as propostas de Cristo e dar testemunho da gra\u00e7a salvadora de Cristo. Que lugar ocupa Cristo na minha vida? Que lugar ocupa Cristo nos meus projetos, nas minhas decis\u00f5es, nas minhas op\u00e7\u00f5es, nas minhas atitudes? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mc 6,1-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S\u00e3o Marcos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus dirigiu-Se \u00e0 sua terra<br \/>\ne os disc\u00edpulos acompanharam-n&#8217;O.<br \/>\nQuando chegou o s\u00e1bado, come\u00e7ou a ensinar na sinagoga.<br \/>\nOs numerosos ouvintes estavam admirados e diziam:<br \/>\n\u00abDe onde Lhe vem tudo isto?<br \/>\nQue sabedoria \u00e9 esta que Lhe foi dada<br \/>\ne os prodigiosos milagres feitos por suas m\u00e3os?<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 ele o carpinteiro, Filho de Maria,<br \/>\ne irm\u00e3o de Tiago, de Jos\u00e9, de Judas e de Sim\u00e3o?<br \/>\nE n\u00e3o est\u00e3o as suas irm\u00e3s aqui entre n\u00f3s?\u00bb<br \/>\nE ficavam perplexos a seu respeito.<br \/>\nJesus disse-lhes:<br \/>\n\u00abUm profeta s\u00f3 \u00e9 desprezado na sua terra,<br \/>\nentre os seus parentes e em sua casa\u00bb.<br \/>\nE n\u00e3o podia ali fazer qualquer milagre;<br \/>\napenas curou alguns doentes, impondo-lhes as m\u00e3os.<br \/>\nEstava admirado com a falta de f\u00e9 daquela gente.<br \/>\nE percorria as aldeias dos arredores, ensinando.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Evangelho de hoje fala-nos de uma visita \u00e0 &#8220;terra&#8221; de Jesus. De acordo com Mc 1,9, a &#8220;terra&#8221; de Jesus era Nazar\u00e9, uma pequena vila da Galileia situada a 22 Km a oeste do Lago de Tiber\u00edades. Esta povoa\u00e7\u00e3o tipicamente agr\u00edcola nunca teve grande import\u00e2ncia no universo na hist\u00f3ria do juda\u00edsmo&#8230; O Antigo Testamento ignora-a completamente; Fl\u00e1vio Josefo e os escritores rab\u00ednicos tamb\u00e9m n\u00e3o lhe fazem qualquer refer\u00eancia. Os contempor\u00e2neos de Jesus parecem conceder-lhe escassa considera\u00e7\u00e3o (cf. Jo 1,46). Nazar\u00e9 \u00e9, no entanto, a cidade onde Jesus cresceu e onde reside a sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A cena principal que nos \u00e9 relatada por Marcos passa-se na sinagoga de Nazar\u00e9, num s\u00e1bado. Jesus, como qualquer outro membro da comunidade judaica, foi \u00e0 sinagoga para participar no of\u00edcio sinagogal; e, fazendo uso do direito que todo o israelita adulto tinha, leu e comentou as Escrituras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O epis\u00f3dio que nos \u00e9 proposto integra a primeira parte do Evangelho segundo Marcos (cf. Mc 1,14-8,30). A\u00ed, Jesus \u00e9 apresentado como o Messias que proclama, por toda a Galileia, o Reino de Deus. Na sec\u00e7\u00e3o que vai de 3,7 a 6,6, contudo, Marcos refere-se especialmente \u00e0 rea\u00e7\u00e3o do Povo face \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o de Jesus&#8230; \u00c0 medida que o &#8220;caminho do Reino&#8221; vai avan\u00e7ando, v\u00e3o-se multiplicando as oposi\u00e7\u00f5es e incompreens\u00f5es face ao projeto que Jesus anuncia. O nosso texto deve ser entendido neste ambiente.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O texto do Evangelho repete uma ideia que aparece tamb\u00e9m nas outras duas leituras deste domingo: Deus manifesta-Se aos homens na fraqueza e na fragilidade. Normalmente, Ele n\u00e3o se manifesta na for\u00e7a, no poder, nas qualidades que o mundo acha brilhantes e que os homens admiram e endeusam; mas, muitas vezes, Ele vem ao nosso encontro na fraqueza, na simplicidade, na debilidade, na pobreza, nas situa\u00e7\u00f5es mais simples e banais, nas pessoas mais humildes e despretensiosas&#8230; \u00c9 preciso que interiorizemos a l\u00f3gica de Deus, para que n\u00e3o percamos a oportunidade de O encontrar, de perceber os seus desafios, de acolher a proposta de vida que Ele nos faz&#8230;<\/li>\n<li>Um dos elementos questionantes no epis\u00f3dio que o Evangelho deste domingo nos prop\u00f5e \u00e9 a atitude de fechamento a Deus e aos seus desafios, assumida pelos habitantes de Nazar\u00e9. Comodamente instalados nas suas certezas e preconceitos, eles decidiram que sabiam tudo sobre Deus e que Deus n\u00e3o podia estar no humilde carpinteiro que eles conheciam bem&#8230; Esperavam um Deus forte e majestoso, que se havia de impor de forma estrondosa, e assombrar os inimigos com a sua for\u00e7a; e Jesus n\u00e3o se encaixava nesse perfil. Preferiram renunciar a Deus, do que \u00e0 imagem que d&#8217;Ele tinham constru\u00eddo. H\u00e1 aqui um convite a n\u00e3o nos fecharmos nos nossos preconceitos e esquemas mentais bem definidos e arrumados, e a purificarmos continuamente, em di\u00e1logo com os irm\u00e3os que partilham a mesma f\u00e9, na escuta da Palavra revelada e na ora\u00e7\u00e3o, a nossa perspetiva acerca de Deus.<\/li>\n<li>Para os habitantes de Nazar\u00e9 Jesus era apenas &#8220;o carpinteiro&#8221; da terra, que nunca tinha estudado com grandes mestres e que tinha uma fam\u00edlia conhecida de todos, que n\u00e3o se distinguia em nada das outras fam\u00edlias que habitavam na vila; por isso, n\u00e3o estavam dispostos a conceder que esse Jesus &#8211; perfeitamente conhecido, julgado e catalogado &#8211; lhes trouxesse qualquer coisa de novo e de diferente&#8230; Isto deve fazer-nos pensar nos preconceitos com que, por vezes, abordamos os nossos irm\u00e3os, os julgamos, os catalogamos e etiquetamos&#8230; Seremos sempre justos na forma como julgamos os outros? Por vezes, os nossos preconceitos n\u00e3o nos impedir\u00e3o de acolher o irm\u00e3o e a riqueza que Ele nos traz?<\/li>\n<li>Jesus assume-Se como um profeta, isto \u00e9, algu\u00e9m a quem Deus confiou uma miss\u00e3o e que testemunha no meio dos seus irm\u00e3os as propostas de Deus. A nossa identifica\u00e7\u00e3o com Jesus faz de n\u00f3s continuadores da miss\u00e3o que o Pai Lhe confiou. Sentimo-nos, como Jesus, profetas a quem Deus chamou e a quem enviou ao mundo para testemunharem a proposta libertadora que Deus quer oferecer a todos os homens? Nas nossas palavras e gestos ecoa, em cada momento, a proposta de salva\u00e7\u00e3o que Deus quer fazer a todos os homens?<\/li>\n<li>Apesar da incompreens\u00e3o dos seus concidad\u00e3os, Jesus continuou, em absoluta fidelidade aos planos do Pai, a dar testemunho no meio dos homens do Reino de Deus. Rejeitado em Nazar\u00e9, Ele foi, como diz o nosso texto, percorrer as aldeias dos arredores, ensinando a din\u00e2mica do Reino. O testemunho que Deus nos chama a dar cumpre-se, muitas vezes, no meio das incompreens\u00f5es e oposi\u00e7\u00f5es&#8230; Frequentemente, os disc\u00edpulos de Jesus sentem-se desanimados e frustrados porque o seu testemunho n\u00e3o \u00e9 entendido nem acolhido (nunca aconteceu pensarmos, depois de um trabalho esgotante e exigente, que estivemos a perder tempo?)&#8230; A atitude de Jesus convida-nos a nunca desanimar nem desistir: Deus tem os seus projetos e sabe como transformar um fracasso num \u00eaxito. <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura,<\/strong> \u00e9 necess\u00e1rio ter em aten\u00e7\u00e3o que grande parte da leitura se encontra em discurso direto. Apesar de n\u00e3o ter nenhuma dificuldade aparente, nem palavras de dif\u00edcil pronuncia\u00e7\u00e3o, os leitores devem estar atentos \u00e0 pontua\u00e7\u00e3o e \u00e0s pausas para uma leitura articulada do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na <strong>segunda leitura<\/strong>, deve come\u00e7ar-se por ter cuidado com a palavra \u00ab<em>ensoberbe\u00e7a<\/em>\u00bb, por ser uma palavra menos usual e de dif\u00edcil pronuncia\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a proclama\u00e7\u00e3o da segunda parte do texto deve ser marcada pela dicotomia presente no texto entre a fraqueza da natureza humana e a for\u00e7a que brota do poder de Cristo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/07\/03\/rejeicao-de-jesus\/\"><strong>REJEI\u00c7\u00c3O DE JESUS<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O <strong>Evangelho deste Domingo XIV do Tempo Comum (Marcos 6,1-6)<\/strong> enla\u00e7a no do Domingo passado (XIII), pondo Jesus a sair de l\u00e1 (<em>eke\u00eethen<\/em>) (Marcos 6,1), isto \u00e9, de Cafarnaum, da casa de Jairo (Marcos 5,35-43), e a dirigir-se para a sua p\u00e1tria (<em>p\u00e1tris<\/em>) (Marcos 6,1), ao encontro dos seus familiares e conterr\u00e2neos, sendo o s\u00e1bado e a sinagoga (Marcos 6,2) o natural lugar desse encontro. Esta primeira ida de Jesus \u00e0 sua p\u00e1tria fica a marcar tamb\u00e9m, no Evangelho de Marcos, a \u00faltima vez que Jesus ensina numa sinagoga (Marcos 1,21.23.29.30; 3,1; 6,2), e tamb\u00e9m o s\u00e1bado ser\u00e1 mencionado apenas mais uma vez, precisamente na manh\u00e3 de P\u00e1scoa, escrevendo o narrador: \u00abpassado o s\u00e1bado\u00bb (Marcos 16,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E, portanto, tudo neste texto, neste encontro, assume um car\u00e1cter decisivo. Desde logo a escolha do termo \u00abp\u00e1tria\u00bb, que carrega consigo um significado mais intenso e mais amplo do que o mais habitual de \u00abpovoa\u00e7\u00e3o\u00bb. Com esta forma de dizer, este decisivo encontro com Jesus n\u00e3o fica apenas circunscrito a uma pequena regi\u00e3o da Galileia, mas prefigura j\u00e1 o encontro de Jesus com o inteiro Israel, e a mesma rejei\u00e7\u00e3o que lhe ser\u00e1 movida por este. S\u00e3o mesmo j\u00e1 vis\u00edveis desde aqui as resist\u00eancias ao Evangelho radicadas no nosso cora\u00e7\u00e3o, e que o Quarto Evangelho por\u00e1 a claro: \u00abVeio para o que era seu, e os seus n\u00e3o o receberam\u00bb (Jo\u00e3o 1,11). Mas tamb\u00e9m esta \u00faltima vez a ensinar na sinagoga, e este s\u00e1bado que aponta para aquele \u00faltimo \u00abpassado o s\u00e1bado\u00bb (Marcos 16,1), devem gravar em n\u00f3s evoca\u00e7\u00f5es e apelos decisivos. Tudo o que tem sabor a \u00faltimo carrega um particular peso espec\u00edfico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aventurando-nos um pouco mais dentro do texto, n\u00e3o ficaremos certamente admirados por vermos que estes conterr\u00e2neos de Jesus estejam a par das suas humildes e bem conhecidas ra\u00edzes geogr\u00e1ficas e familiares que, na mentalidade antiga, determinam a identidade e a capacidade da pessoa. Notaremos ainda, sem grande espanto, que os conterr\u00e2neos de Jesus sabem, em termos anagr\u00e1ficos, muito mais do que o leitor, sobre Jesus: dele sabem indicar a fam\u00edlia, a profiss\u00e3o, a resid\u00eancia. O que nos deve espantar, isso sim, \u00e9 que aqueles conterr\u00e2neos de Jesus n\u00e3o saibam dizer \u00abDE ONDE\u00bb (<em>p\u00f3then<\/em>) lhe vem aquela sabedoria \u00fanica e aqueles divinos prod\u00edgios que realiza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c0s vezes, por termos os olhos t\u00e3o embrenhados na terra, nas coisas da terra, n\u00e3o conseguimos ver o c\u00e9u! Veja-se a iluminante cena da cura do cego de nascen\u00e7a (Jo\u00e3o 9). Em di\u00e1logo com o cego curado, os fariseus acabam por afirmar acerca de Jesus: \u00abEsse n\u00e3o sabemos DE ONDE (<em>p\u00f3then<\/em>) \u00e9\u00bb (Jo\u00e3o 9,29), ao que o cego curado responde, apontando, com evidente ironia, a cegueira deles: \u00abIsso \u00e9 \u201cespantoso\u201d (<em>t\u00f2 thaumast\u00f3n<\/em>): v\u00f3s n\u00e3o sabeis DE ONDE (<em>p\u00f3then<\/em>) Ele \u00e9; e, no entanto, Ele abriu-me os olhos!\u00bb (Jo\u00e3o 9,30). Que \u00e9 como quem diz: s\u00f3 n\u00e3o v\u00ea quem n\u00e3o quer! Tal como o cego, e fazendo uso da mesma linguagem, tamb\u00e9m Jesus \u201cestava espantado\u201d (<em>etha\u00famazen<\/em>) com a falta de f\u00e9 dos seus conterr\u00e2neos (Marcos 6,6). Note-se bem que a falta de f\u00e9 aqui assinalada n\u00e3o \u00e9 apenas a nega\u00e7\u00e3o de Deus. \u00c9 a rejei\u00e7\u00e3o de Jesus em nome de uma errada conce\u00e7\u00e3o de Deus. Podemos dizer mesmo: para salvar a honra de Deus! Veja-se bem at\u00e9 onde pode chegar a nossa cegueira! Sim, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, pensam os compatriotas de Jesus, que um carpinteiro, filho de Maria e membro daquela fam\u00edlia, que todos conhecem, diga o que diz e fa\u00e7a o que faz! De facto, \u00e0s vezes, para salvar a honra de Deus, rejeitamos tanta gente humilde!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Numa altura em que se continua a falar da \u00abrece\u00e7\u00e3o\u00bb do Conc\u00edlio II do Vaticano, dado que ainda estamos na esteira da celebra\u00e7\u00e3o dos 50 anos da sua realiza\u00e7\u00e3o (1962-1965), podemos falar tamb\u00e9m, com as devidas dist\u00e2ncias, da \u00abrece\u00e7\u00e3o\u00bb de Jesus e do seu Evangelho. O texto diz-nos que os seus conterr\u00e2neos n\u00e3o o receberam, n\u00e3o se deixaram atravessar por Ele, pelo C\u00e9u que Ele indicava e trazia consigo. Ponte para o pr\u00f3ximo Domingo (XV), em que ouviremos o epis\u00f3dio que se segue imediatamente ao de hoje (Marcos 6,7-13). A\u00ed, Jesus enviar\u00e1 os seus Doze Ap\u00f3stolos, dois a dois, despojados de meios ou de equipamento, para ressaltar bem a import\u00e2ncia do An\u00fancio do Evangelho. Mas a ponte entre os dois textos e respetivos Domingos est\u00e1 em que ouviremos Jesus dizer aos seus Ap\u00f3stolos: \u00abQualquer lugar (<em>t\u00f3pos<\/em>) que n\u00e3o vos \u201creceba\u201d (<em>d\u00e9xetai<\/em>)\u2026\u00bb. Os livros dizem que, em Marcos, o verbo \u00abreceber\u00bb (<em>d\u00e9chomai<\/em>) est\u00e1 sempre referido a Jesus. Trata-se de \u00abreceber\u00bb, de \u00abacolher\u00bb Jesus. \u00c9 ent\u00e3o tamb\u00e9m f\u00e1cil ver qual \u00e9 o \u00ablugar\u00bb que n\u00e3o \u00abrecebeu\u00bb Jesus. Mas o problema \u00e9 sempre este: e n\u00f3s?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A figura de Ezequiel, profeta fr\u00e1gil, mas que aponta para um \u00abDeus que d\u00e1 for\u00e7a\u00bb (etimologia do seu nome), por 93 vezes interpelado por Deus com a locu\u00e7\u00e3o \u00abFilho do Homem\u00bb, \u00e9 por Deus incumbido da miss\u00e3o dif\u00edcil de ser sentinela (<em>tsopeh<\/em>) (Ezequiel 3,17; 33,7) da casa rebelde de Israel, junto do rio Cobar, em\u00a0<em>Tel \u2019Ab\u00eeb<\/em>\u00a0(Ezequiel 1,1-3; 3,15), na Babil\u00f3nia, uma esp\u00e9cie de \u00abp\u00e1roco dos exilados\u00bb.\u00a0<em>Tel \u2019Ab\u00eeb<\/em>\u00a0significa \u00abcolina da primavera\u00bb ou das \u00abespigas\u00bb. \u00c9 um lugar duro de ex\u00edlio, mas, porque lembra a primavera, \u00e9 tamb\u00e9m um nome carregado de esperan\u00e7a. Os judeus deram este nome significativo a uma das primeiras col\u00f3nias que fundaram na Palestina, junto da costa Mediterr\u00e2nica, em finais do s\u00e9culo XIX, onde se situa hoje a capital pol\u00edtica de Israel. O rio Cobar \u00e9 um canal de irriga\u00e7\u00e3o, hoje chamado\u00a0<em>Shatt Ennil<\/em>, que parte do Eufrates para irrigar a cidade de Nippur, onde os Babil\u00f3nios instalaram deportados oriundos de diferentes proveni\u00eancias, entre os quais se contam os deportados de Jud\u00e1. Na sua fragilidade e na rejei\u00e7\u00e3o que experimenta, o profeta Ezequiel ajuda a perceber e a \u00abreceber\u00bb melhor a figura de Jesus, o Deus feito homem, que a si mesmo se diz nos Evangelhos, por 82 vezes, \u00abFilho do Homem\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E S\u00e3o Paulo d\u00e1 testemunho, na Segunda Carta aos Cor\u00edntios (12,7-10) da for\u00e7a nova de Cristo, que o habita: \u00abBasta-te a minha gra\u00e7a, pois \u00e9 na fraqueza que se manifesta a minha for\u00e7a\u00bb (2 Cor\u00edntios 12,9). E ainda: \u00abQuando sou fraco, ent\u00e3o \u00e9 que sou forte\u00bb (2 Cor\u00edntios 12,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Salmo 123 mostra-nos a for\u00e7a do olhar atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de olhares que se entrecruzam: os meus olhos, os olhos dos servos, os olhos da escrava, os nossos olhos. Os meus olhos e os nossos olhos est\u00e3o postos em Deus; os dos servos nas m\u00e3os dos seus patr\u00f5es; os da escrava nas m\u00e3os da sua patroa. H\u00e1, todavia, uma diferen\u00e7a entre as m\u00e3os de Deus e as dos patr\u00f5es. As m\u00e3os dos patr\u00f5es d\u00e3o ordens. As m\u00e3os de Deus aben\u00e7oam, d\u00e3o, salvam, embalam com ternura, fazem gra\u00e7a. Portanto, o homem que reza neste Salmo n\u00e3o junta as m\u00e3os, mas abre-as para as de Deus, formando uma esp\u00e9cie de\u00a0<em>puzzle<\/em>, para receber os dons de Deus; tamb\u00e9m n\u00e3o fecha os olhos, mas escancara-os para o c\u00e9u; e t\u00e3o-pouco se fecha no seu mundo interior, mas abre-se completamente para fora. O orante deste Salmo reza com as m\u00e3os e os olhos abertos, com a alma aberta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Leitura-I-do-Domingo-XIV-do-Tempo-Comum-Ano-B-07.07.2024-Ez-2-2-5.pdf\">Leitura I do Domingo XIV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 07.07.2024 (Ez 2, 2-5)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Leitura-II-do-Domingo-XIV-do-Tempo-Comum-Ano-B-07.07.2024-2-Cor-12-7-10.pdf\">Leitura II do Domingo XIV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 07.07.2024 (2 Cor 12, 7-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Domingo-XIV-do-Tempo-Comum-Ano-B-07.07.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XIV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 07.07.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Domingo-XIV-do-Tempo-Comum-Ano-B-07.07.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XIV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 07.07.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/A-Homilia.v1.pdf\">A Homilia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Anselmo-Borges-A-Eucaristia.-A-vida-antes-do-dogma.pdf\">Anselmo Borges &#8211; A Eucaristia. A vida antes do dogma<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XIII do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 30.06.2024&#8243; tab_id=&#8221;1720425767247-4d1b28e3-f719&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XIII do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 30.06.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em><sup>41<\/sup><\/em><\/strong><strong><em>Tomando-lhe a m\u00e3o, disse: \u00abTalitha q\u00fbm!\u00bb, isto \u00e9, \u00abMenina, sou Eu que te digo: levanta-te!\u00bb\u00a0<sup>42<\/sup>E logo a menina se ergueu e come\u00e7ou a andar, pois tinha doze anos. Todos ficaram assombrados. <\/em><\/strong><strong><em>Mc 5, 41-42<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Domingo-XIII.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"500\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 belo ver Jesus percorrer os caminhos do tempo e da hist\u00f3ria para que a vida de Deus se cruze com a vida da humanidade! Jesus \u00e9 o Verbo Eterno que se faz carne e habita no meio de n\u00f3s. \u00c9 o Deus eterno que assume a fragilidade e a conting\u00eancia da nossa natureza. Como nos escreve S. Paulo \u00ab<em>Ele, que era rico, fez-Se pobre por vossa causa, para vos enriquecer pela sua pobreza<\/em>\u00bb. N\u00e3o somos os mais fortes, mas somos filhos do Deus da for\u00e7a e somos enriquecidos pela poderosa for\u00e7a da mansid\u00e3o e humildade revelados na carne de Jesus, o Messias chamado Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus atravessa de barco para a outra margem, encontra-se com a multid\u00e3o, det\u00e9m-se \u00e0 beira-mar e percorre com Jairo o caminho at\u00e9 sua casa, tocando e deixando-se tocar por aqueles que se cruzam com Ele no caminho. Deus visita-nos e coloca-se a caminho connosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>A<\/em>\u00a0<em>minha filha est\u00e1 a morrer. Vem impor-lhe as m\u00e3os, para que se salve e viva<\/em>\u00bb. \u00c9 este o surpreendente e desconcertante pedido de Jairo, um not\u00e1vel chefe de uma sinagoga, que se coloca de joelhos diante de Jesus, procurando uma \u00faltima esperan\u00e7a para a sua filha que est\u00e1 em perigo. Jesus n\u00e3o perde tempo a aferir sobre a gravidade da situa\u00e7\u00e3o, a questionar a idoneidade daquele homem e da sua fam\u00edlia ou da pertin\u00eancia e disponibilidade para ir a sua casa. Jesus coloca-se a caminho com Ele e acompanha-o uma imensa multid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus n\u00e3o \u00e9 indiferente \u00e0s nossas dores e ang\u00fastias, mas tamb\u00e9m n\u00e3o se limita a meras palavras de circunst\u00e2ncia ou discursos mais ou menos compadecidos das mazelas e sofrimentos alheios. Jesus continua a Sua miss\u00e3o de descer ao encontro da humanidade, descendo ao concreto das nossas vidas cheias de bem, bondade e beleza, mas tamb\u00e9m sujeitas \u00e0 dor e sofrimento. A prontid\u00e3o de Jesus para acompanhar Jairo \u00e9 para n\u00f3s um desafio a vivermos de olhos e cora\u00e7\u00e3o abertos sobre o mundo como sentinelas vigilantes e peregrinos da bondade e da ternura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ritmo acelerado dos dias e a pan\u00f3plia de trabalhos e ocupa\u00e7\u00f5es que nos absorvem n\u00e3o podem ser desculpa para uma vida indiferente ao mundo e aos outros. S\u00f3 a revolu\u00e7\u00e3o da ternura poder\u00e1 inaugurar um tempo novo na hist\u00f3ria e tornar as nossas vidas um lugar mais belo e o mundo num lugar melhor e mais feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No frenesim da nossa vida quotidiana, cruzamo-nos com uma multid\u00e3o de pessoas, que tantas vezes n\u00e3o passa de uma massa indistinta que ocupa os lugares do comboio e do metro e me fazem ir de p\u00e9 ou uma am\u00e1lgama de viaturas que ocupam as vias de tr\u00e2nsito e que me atrasam ou at\u00e9 de um conjunto de an\u00f3nimos que trabalham no mesmo espa\u00e7o laboral que eu ocupo. N\u00e3o \u00e9 assim para Jesus! A multid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma massa an\u00f3nima: \u00ab<em>V\u00eas a multid\u00e3o que Te aperta e perguntas: \u2018Quem Me tocou?\u2019<\/em>\u00bb. Para Jesus cada um de n\u00f3s \u00e9 \u00fanico e irrepet\u00edvel e, por isso, sujeito de uma aten\u00e7\u00e3o \u00fanica e pessoal. Como seriam diferentes os nossos dias e como os desencontros quotidianos se poderiam tornar verdadeiros lugares de encontro se fossemos capazes de fazer de cada pessoa um irm\u00e3o \u00fanico e irrepet\u00edvel que sou chamado a acolher, a amar e a cuidar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquela mulher que sofre de uma perda de sangue h\u00e1 doze anos alimenta a esperan\u00e7a que tocando ao menos nas Suas vestes poder\u00e1 ficar curada. Porventura, esta mulher desconhece que tocar \u00e9 sempre um gesto rec\u00edproco e que tocar em algu\u00e9m ou algo implica tamb\u00e9m ser tocado por aquilo que toco. Tocando Jesus, aquela mulher \u00e9 tocada pelo Seu amor que salva, cura e oferece sentido para a vida. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><u>No dia 29 de junho celebramos a Solenidade de S. Pedro e S. Paulo e no Domingo, dia 30 de junho, o diret\u00f3rio lit\u00fargico oferece a indica\u00e7\u00e3o que em todas as dioceses de Portugal, os ofert\u00f3rios se destinam \u00e0 Santa S\u00e9 ou, como tradicionalmente \u00e9 designado, o ofert\u00f3rio \u00e9 para a Cadeira de S. Pedro<\/u><\/em>. \u00c9 importante recordar os fi\u00e9is da comunh\u00e3o das igrejas que ela representa e, sobretudo, da caridade a que somos chamados alargando os nossos horizontes \u00e0 Igreja universal. Celebrar S. Pedro e S. Paulo significa celebrar a unidade f\u00e9 e a comunh\u00e3o da Igreja que em Pedro e Paulo encontra duas fortes colunas. Na confiss\u00e3o da f\u00e9 de Pedro e na for\u00e7a evangelizadora de Paulo, a Igreja encontra um poderoso testemunho para ser lugar da profiss\u00e3o de uma s\u00f3 f\u00e9 e m\u00e3e de cora\u00e7\u00e3o aberto que sai ao encontro dos seus filhos para que todos possam encontrar em Cristo a \u00fanica e verdadeira fonte de salva\u00e7\u00e3o. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Sabedoria 1, 13-15; 2,23-24<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o foi Deus quem fez a morte,<br \/>\nnem Ele Se alegra com a perdi\u00e7\u00e3o dos vivos.<br \/>\nPela cria\u00e7\u00e3o deu o ser a todas as coisas,<br \/>\ne o que nasce no mundo destina-se ao bem.<br \/>\nEm nada existe o veneno que mata,<br \/>\nnem o poder da morte reina sobre a terra,<br \/>\nporque a justi\u00e7a \u00e9 imortal.<br \/>\nDeus criou o homem para ser incorrupt\u00edvel<br \/>\ne f\u00ea-lo \u00e0 imagem da sua pr\u00f3pria natureza.<br \/>\nFoi pela inveja do dem\u00f3nio que a morte entrou no mundo,<br \/>\ne experimentam-na aqueles que lhe pertencem.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cLivro da Sabedoria\u201d \u00e9 o mais recente de todos os livros do Antigo Testamento. Foi escrito na primeira metade do s\u00e9c. I a. C., muito provavelmente. O seu autor ter\u00e1 sido um judeu piedoso, de l\u00edngua grega, nascido e educado na Di\u00e1spora (fala-se, em concreto, de Alexandria como o \u201cber\u00e7o\u201d deste escrito). Ele conhece bem a hist\u00f3ria e a f\u00e9 de Israel; mas, por outro lado, tamb\u00e9m conhece as correntes filos\u00f3ficas gregas e sabe a atra\u00e7\u00e3o que elas exercem sobre os seus irm\u00e3os na f\u00e9. Inquieta-o a tenta\u00e7\u00e3o da idolatria que amea\u00e7a os judeus das comunidades da Di\u00e1spora, seduzidos pelo brilho da cultura hel\u00e9nica. Pondo em di\u00e1logo a f\u00e9 tradicional de Israel com a cultura grega, o autor deste escrito pretende mostrar a superioridade da sabedoria de Israel, que brota da f\u00e9 ancestral do seu povo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sabedoria que inspira a cultura e o estilo de vida gregos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exprimindo-se em termos e conce\u00e7\u00f5es do mundo hel\u00e9nico, o autor faz o elogio da &#8220;sabedoria&#8221; israelita, tra\u00e7a o quadro da sorte que espera o justo e o \u00edmpio no mais-al\u00e9m e descreve, com exemplos tirados da hist\u00f3ria do \u00caxodo, as sortes diversas que tiveram os pag\u00e3os (id\u00f3latras) e os hebreus (fi\u00e9is a Jav\u00e9). Aos seus compatriotas judeus, mergulhados no paganismo, na idolatria, na imoralidade, o autor convida a redescobrirem a f\u00e9 dos pais e os valores judaicos; aos pag\u00e3os, convida, por outro lado, a constatar o absurdo da idolatria e a aderir a Jav\u00e9, o verdadeiro e \u00fanico Deus&#8230; Judeus e pag\u00e3os devem estar cientes de que s\u00f3 Jav\u00e9 garante a verdadeira &#8220;sabedoria&#8221; e a verdadeira felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como primeira leitura neste 13\u00ba domingo do tempo comum pertence \u00e0 primeira parte do livro (cf. Sb 1-5). A\u00ed, o autor do livro prop\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre o destino do \u00edmpio e o destino do justo. A sua finalidade \u00e9 consolidar a f\u00e9 dos judeus perseguidos, ensinando-lhes que as provas suportadas no tempo presente h\u00e3o de conduzir, necessariamente, \u00e0 imortalidade na vida que h\u00e1 de vir. Os vers\u00edculos que comp\u00f5em a nossa leitura n\u00e3o s\u00e3o cont\u00ednuos\u2026 Mas, quer a primeira parte (Sb 1,13-15), quer a segunda parte (Sb 2,23-24) sup\u00f5em a catequese exposta nos primeiros tr\u00eas cap\u00edtulos do livro do G\u00e9nesis: constituem um coment\u00e1rio e uma atualiza\u00e7\u00e3o do relato da cria\u00e7\u00e3o e da queda do homem e da mulher. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Apesar das incr\u00edveis conquistas da ci\u00eancia e da t\u00e9cnica, os seres humanos continuam presos \u00e0 sua debilidade e finitude. Vimos do nada, mas criamos ra\u00edzes nesta terra e apaixonamo-nos pela vida que conhecemos e constru\u00edmos, montamos a nossa tenda prec\u00e1ria com a ilus\u00e3o de que ela \u00e9 duradoura; sonhamos com eternidade, mas somos confrontados a cada instante com a realidade da nossa finitude e perguntamo-nos pelo sentido de uma vida sobre a qual paira sempre a sombra da morte\u2026 A morte parece-nos uma for\u00e7a cruel e maliciosa que p\u00f5e fim aos nossos melhores sonhos e projetos. Quem a inventou? Quem lhe deu poder sobre n\u00f3s? O \u201cs\u00e1bio\u201d que redigiu o \u201cLivro da Sabedoria\u201d diz-nos que a morte n\u00e3o vem de Deus. Deus n\u00e3o nos criou para a morte, mas sim para a Vida. Deus, na sua imensa bondade e miseric\u00f3rdia, n\u00e3o quer os seus queridos filhos condenados \u00e0 morte, mas sim a partilhar com Ele a Vida eterna, a felicidade sem fim. Deus, ao fazer-nos semelhantes a Ele, imprimiu em n\u00f3s a marca da eternidade. Estamos destinados a viver para sempre com Deus. Acreditamos nisto? \u00c9 com esta certeza que caminhamos? Esta certeza ilumina o nosso caminho de todos os dias com as cores da esperan\u00e7a?<\/li>\n<li>No entanto, \u00e9 certo que o nosso tempo nesta terra \u00e9 um tempo limitado. N\u00e3o somos daqui. O nosso corpo tem o seu ciclo de vida, desgasta-se com o tempo, o cansa\u00e7o, a doen\u00e7a, e a certa altura termina o seu caminho. \u00c9 a morte biol\u00f3gica que todos os seres criados, incluindo o homem, conhecer\u00e3o. Contudo, a morte biol\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 a morte verdadeira, a morte que conta. Precisamos de passar por ela, precisamos de deixar este mundo imperfeito, limitado e prec\u00e1rio para entrar na realidade de Deus, na Vida eterna. Custa-nos, naturalmente, despedir-nos daqueles que amamos e que terminam o seu caminho na terra; custa-nos, tamb\u00e9m, despedir-nos dos nossos projetos, das nossas conquistas, at\u00e9 mesmo das coisas materiais que juntamos\u2026 Mas a morte biol\u00f3gica \u00e9 o passo imprescind\u00edvel para aceder \u00e0 Vida eterna, \u00e0 Vida plena. Como lidamos com a morte biol\u00f3gica, a nossa ou a das pessoas que amamos? Somos capazes de encar\u00e1-la como um nascimento para a Vida eterna?<\/li>\n<li>O \u201cs\u00e1bio\u201d que redigiu o \u201cLivro da Sabedoria\u201d diz que \u201cfoi pela inveja do dem\u00f3nio que a morte entrou no mundo, e experimentam-na aqueles que lhe pertencem\u201d. \u00c9 uma forma de dizer algo muito s\u00e9rio e muito verdadeiro: sempre que prescindimos de Deus e das suas indica\u00e7\u00f5es, sempre que escolhemos caminhos de autossufici\u00eancia e que ignoramos Deus, estamos a introduzir no mundo e nas nossas vidas mecanismos de morte. A verdadeira morte n\u00e3o \u00e9 a morte biol\u00f3gica; \u00e9 a \u201cmorte\u201d de quem escolhe a viol\u00eancia, a injusti\u00e7a, a explora\u00e7\u00e3o dos mais fracos, a gan\u00e2ncia que priva de recursos os outros irm\u00e3os, a indiferen\u00e7a de quem escolhe ignorar os sofrimentos dos outros homens e mulheres. Quem vive assim, est\u00e1 \u201cmorto\u201d. A sua vida deixou de fazer sentido; e o seu ego\u00edsmo gera morte e sofrimento \u00e0 sua volta. Essa \u00e9 a verdadeira morte, a morte que nunca abrir\u00e1 as portas de Vida plena, da Vida eterna. Ora, no nosso mundo s\u00e3o muitos os mecanismos que geram morte e sofrimento. Conseguimos identific\u00e1-los? Seremos n\u00f3s pr\u00f3prios, em alguma circunst\u00e2ncia, promotores de morte? Que fazemos para combater os mecanismos de morte que desfeiam o mundo e que destroem a vida de tantos dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 29 (30)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Eu Vos louvarei, Senhor, porque me salvastes.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes<br \/>\ne n\u00e3o deixastes que de mim se regozijassem os inimigos.<br \/>\nTirastes a minha alma da mans\u00e3o dos mortos,<br \/>\nvivificastes-me para n\u00e3o descer ao t\u00famulo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cantai salmos ao Senhor, v\u00f3s os seus fi\u00e9is,<br \/>\ne dai gra\u00e7as ao seu nome santo.<br \/>\nA sua ira dura apenas um momento<br \/>\ne a sua benevol\u00eancia a vida inteira.<br \/>\nAo cair da noite v\u00eam as l\u00e1grimas<br \/>\ne ao amanhecer volta a alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ouvi, Senhor, e tende compaix\u00e3o de mim,<br \/>\nSenhor, sede V\u00f3s o meu aux\u00edlio.<br \/>\nV\u00f3s convertestes em j\u00fabilo o meu pranto:<br \/>\nSenhor meu Deus, eu Vos louvarei eternamente.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>2 Cor\u00edntios 8, 7.9.13-15<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nJ\u00e1 que sobressa\u00eds em tudo<br \/>\n\u2013 na f\u00e9, na eloqu\u00eancia, na ci\u00eancia,<br \/>\nem toda a esp\u00e9cie de aten\u00e7\u00f5es<br \/>\ne na caridade que vos ensin\u00e1mos \u2013<br \/>\ndeveis tamb\u00e9m sobressair nesta obra de generosidade.<br \/>\nConheceis a generosidade de Nosso Senhor Jesus Cristo:<br \/>\nEle, que era rico, fez-Se pobre por vossa causa,<br \/>\npara vos enriquecer pela sua pobreza.<br \/>\nN\u00e3o se trata de vos sobrecarregar para aliviar os outros,<br \/>\nmas sim de procurar a igualdade.<br \/>\nNas circunst\u00e2ncias presentes,<br \/>\naliviai com a vossa abund\u00e2ncia a sua indig\u00eancia<br \/>\npara que um dia<br \/>\neles aliviem a vossa indig\u00eancia com a sua abund\u00e2ncia.<br \/>\nE assim haver\u00e1 igualdade, como est\u00e1 escrito:<br \/>\n\u00abA quem tinha colhido muito n\u00e3o sobrou<br \/>\ne a quem tinha colhido pouco n\u00e3o faltou\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cr\u00edticas deixadas por Paulo, na sua primeira carta aos cor\u00edntios, a alguns crist\u00e3os da cidade pela sua conduta pouco coerente com os valores do Evangelho, tinha criado um conflito grave entre o ap\u00f3stolo e a comunidade. Na sequ\u00eancia, alguns pregadores crist\u00e3os de tend\u00eancia judaizante, entretanto chegados a Corinto, aproveitaram a \u201conda\u201d para ajustar contas com Paulo: acusaram-no de cuidar apenas dos seus pr\u00f3prios interesses e de pregar uma doutrina que n\u00e3o estava em conson\u00e2ncia com o Evangelho anunciado pelos outros ap\u00f3stolos. Ao saber disto, Paulo dirigiu-se a Corinto para enfrentar o problema; mas foi mal recebido e retirou-se da cidade bastante incomodado. No entanto, a rela\u00e7\u00e3o entre Paulo e a comunidade de Corinto n\u00e3o podia terminar dessa forma. Por isso, Paulo enviou a Corinto o seu colaborador Tito, com a miss\u00e3o de acalmar os \u00e2nimos e de tentar a reconcilia\u00e7\u00e3o. Quando Tito se reuniu novamente a Paulo, trazia not\u00edcias animadoras: o diferendo fora ultrapassado e os Cor\u00edntios estavam, outra vez, em comunh\u00e3o com o ap\u00f3stolo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi ent\u00e3o que Paulo dirigiu uma nova carta aos crist\u00e3os de Corinto. Nessa carta, Paulo faz uma serena apologia do seu apostolado, apresentando aos seus amigos de Corinto as raz\u00f5es que o movem no seu testemunho e na sua entrega ao servi\u00e7o do Evangelho (cf. 2 Cor 1,12-71,16). Tamb\u00e9m responde dos seus detratores, por vezes em tom pol\u00e9mico e mordaz, defendendo a autenticidade e a verdade do seu minist\u00e9rio (cf. 2 Cor 10,1-13,13). H\u00e1, ainda, na segunda carta de Paulo aos cor\u00edntios uma parte que \u00e9 eminentemente pr\u00e1tica e que se refere a uma quest\u00e3o bastante material e concreta: a uma coleta em favor dos crist\u00e3os de Jerusal\u00e9m, e para a qual Paulo pede a aten\u00e7\u00e3o e a generosidade dos crist\u00e3os de Corinto (2 Cor 8,1-9,15). H\u00e1 quem pense que este tema da coleta n\u00e3o fazia parte da segunda carta aos cor\u00edntios original, mas sim de uma carta aut\u00f3noma, cujo texto foi mais tarde \u201ccolado\u201d na segunda carta aos cor\u00edntios. Pode ser; mas a quest\u00e3o n\u00e3o parece relevante. Seja como for, a segunda leitura que a liturgia deste d\u00e9cimo terceiro domingo comum apresenta-nos palavras de Paulo sobre a coleta em benef\u00edcio da igreja de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m, hostilizada pelos judeus, n\u00e3o tinha uma vida f\u00e1cil, inclusive em termos econ\u00f3micos. Al\u00e9m disso, a fome cr\u00f3nica sentida em v\u00e1rios pontos do imp\u00e9rio romano no tempo do imperador Cl\u00e1udio, afetou especialmente a Judeia (cf. At 11,28-29) entre os anos 45 e 48, e deixou os crist\u00e3os dessa regi\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de grande car\u00eancia. Paulo encarregou-se de promover uma coleta nas igrejas da \u00c1sia Menor, da Maced\u00f3nia e da Acaia para ajudar os \u201cpobres\u201d de Jerusal\u00e9m. Essa campanha n\u00e3o tinha apenas o objetivo de mostrar solidariedade para com uma Igreja em situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica d\u00e9bil; pretendia tamb\u00e9m fomentar nas novas Igrejas que estavam a surgir a comunh\u00e3o com a Igreja-m\u00e3e de Jerusal\u00e9m e criar um sentido de universalidade entre todas as comunidades nascidas de Jesus.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os n\u00fameros da fome no mundo s\u00e3o avassaladores: cerca de 800 milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o t\u00eam comida ou n\u00e3o a t\u00eam em quantidade suficiente, com incid\u00eancia especial em certas zonas do nosso planeta, afetadas pela pobreza extrema ou por per\u00edodos de colheitas deficientes. Em contrapartida, nas \u201csociedades do bem-estar\u201d, comemos demasiado, esbanjamos alimentos, destru\u00edmos colheitas para manter os pre\u00e7os, potenciamos o consumismo para estimular a economia\u2026 Criamos um mundo desigual e desumano, onde o ego\u00edsmo se sobrep\u00f5e ao amor e \u00e0 solidariedade. Este n\u00e3o \u00e9 o \u201cmundo bom\u201d que Deus sonhou para os seus filhos e filhas. Os recursos que Deus colocou \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o pertencem a alguns, mas devem chegar a todos. Estamos conscientes de que h\u00e1 muitos irm\u00e3os nossos que n\u00e3o t\u00eam o necess\u00e1rio para viver? Sentimos que isso nos diz respeito ou, ao contr\u00e1rio, que \u00e9 algo que n\u00e3o nos tira o sono? Estamos dispon\u00edveis para um estilo de vida mais s\u00f3brio, mais simples, menos consumista, menos fr\u00edvolo, a fim de que os bens que Deus colocou \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o possam chegar a todos os nossos irm\u00e3os?<\/li>\n<li>Percebe-se que a preocupa\u00e7\u00e3o de Paulo, ao propor a coleta em favor da Igreja de Jerusal\u00e9m, n\u00e3o se esgota numa ajuda material que permita minorar circunstancialmente a car\u00eancia dos crist\u00e3os dessa comunidade. Paulo pretende, principalmente, que os disc\u00edpulos de Jesus aprendam a viver de acordo com um dinamismo fraterno de partilha e de comunh\u00e3o, que enriquece quem d\u00e1 e quem recebe e que \u00e9 pressuposto de uma nova ordem, de um novo relacionamento entre os homens. Os seguidores de Jesus aprenderam com o seu Mestre a partilha, a solidariedade, a fraternidade, a comunh\u00e3o; aprenderam com Jesus que \u201cos outros\u201d n\u00e3o s\u00e3o concorrentes ou advers\u00e1rios, mas sim irm\u00e3os. Por isso, os seguidores de Jesus s\u00e3o, no mundo, arautos e testemunhas de uma nova ordem, da revolu\u00e7\u00e3o do amor. Vemos os homens e mulheres que caminham ao nosso lado como irm\u00e3os por quem somos respons\u00e1veis? Sentimo-nos implicados na procura de solu\u00e7\u00f5es para que todos os nossos irm\u00e3os tenham uma vida digna? Fazemos o que est\u00e1 ao nosso alcance para criar uma nova ordem, um relacionamento mais fraterno e mais humano entre todos aqueles que partilham connosco esta \u201ccasa\u201d que \u00e9 o nosso mundo?<\/li>\n<li>Paulo refere o exemplo de Cristo que, sendo rico se fez pobre, a fim de nos enriquecer pela sua pobreza. \u00c9 uma express\u00e3o muito bela, que nos convida a olhar para o essencial. Cristo chegou at\u00e9 n\u00f3s feito crian\u00e7a indefesa, sem manias de grandeza ou de import\u00e2ncia; cresceu como menino pobre de uma aldeia desconhecida das montanhas da Galileia; fez-se profeta do reino de Deus, mas nem tinha sequer uma pedra onde reclinar a cabe\u00e7a. Nunca comprou a nossa aten\u00e7\u00e3o distribuindo bens materiais; mas fez-se, nosso companheiro de caminho, solidarizou-se com as nossas dores e dificuldades, mostrou-nos em gestos simples e fraternos o amor de Deus Pai. Tornou-nos ricos com a sua pobreza. \u00c9 poss\u00edvel que n\u00f3s tamb\u00e9m n\u00e3o tenhamos bens materiais para partilhar. Mas, como Jesus, podemos fazer-nos companheiros de caminho dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s, partilhar as suas dores e as suas alegrias, servir humildemente aqueles que necessitam do nosso cuidado e do nosso amor. Estamos dispostos, como Jesus, a enriquecer os outros com a nossa pobreza? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Marcos 5, 21-43<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\ndepois de Jesus ter atravessado de barco<br \/>\npara a outra margem do lago,<br \/>\nreuniu-se grande multid\u00e3o \u00e0 sua volta,<br \/>\ne Ele deteve-Se \u00e0 beira-mar.<br \/>\nChegou ent\u00e3o um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo.<br \/>\nAo ver Jesus, caiu a seus p\u00e9s<br \/>\ne suplicou-Lhe com insist\u00eancia:<br \/>\n\u00abA minha filha est\u00e1 a morrer.<br \/>\nVem impor-lhe as m\u00e3os,<br \/>\npara que se salve e viva\u00bb.<br \/>\nJesus foi com ele,<br \/>\nseguido por grande multid\u00e3o,<br \/>\nque O apertava de todos os lados.<br \/>\nOra, certa mulher<br \/>\nque tinha um fluxo de sangue havia doze anos,<br \/>\nque sofrera muito nas m\u00e3os de v\u00e1rios m\u00e9dicos<br \/>\ne gastara todos os seus bens,<br \/>\nsem ter obtido qualquer resultado,<br \/>\nantes piorava cada vez mais,<br \/>\ntendo ouvido falar de Jesus,<br \/>\nveio por entre a multid\u00e3o<br \/>\ne tocou-Lhe por detr\u00e1s no manto,<br \/>\ndizendo consigo:<br \/>\n\u00abSe eu, ao menos, tocar nas suas vestes, ficarei curada\u00bb.<br \/>\nNo mesmo instante estancou o fluxo de sangue<br \/>\ne sentiu no seu corpo que estava curada da doen\u00e7a.<br \/>\nJesus notou logo que sa\u00edra uma for\u00e7a de Si mesmo.<br \/>\nVoltou-Se para a multid\u00e3o e perguntou:<br \/>\n\u00abQuem tocou nas minhas vestes?\u00bb<br \/>\nOs disc\u00edpulos responderam-Lhe:<br \/>\n\u00abV\u00eas a multid\u00e3o que Te aperta<br \/>\ne perguntas: \u2018Quem Me tocou?\u2019\u00bb<br \/>\nMas Jesus olhou em volta,<br \/>\npara ver quem O tinha tocado.<br \/>\nA mulher, assustada e a tremer,<br \/>\npor saber o que lhe tinha acontecido,<br \/>\nveio prostrar-se diante de Jesus e disse-Lhe a verdade.<br \/>\nJesus respondeu-lhe:<br \/>\n\u00abMinha filha, a tua f\u00e9 te salvou\u00bb.<br \/>\nAinda Ele falava,<br \/>\nquando vieram dizer da casa do chefe da sinagoga:<br \/>\n\u00abA tua filha morreu.<br \/>\nPorque est\u00e1s ainda a importunar o Mestre?\u00bb<br \/>\nMas Jesus, ouvindo estas palavras,<br \/>\ndisse ao chefe da sinagoga:<br \/>\n\u00abN\u00e3o temas; basta que tenhas f\u00e9\u00bb.<br \/>\nE n\u00e3o deixou que ningu\u00e9m O acompanhasse,<br \/>\na n\u00e3o ser Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, irm\u00e3o de Tiago.<br \/>\nQuando chegaram a casa do chefe da sinagoga,<br \/>\nJesus encontrou grande alvoro\u00e7o,<br \/>\ncom gente que chorava e gritava.<br \/>\nAo entrar, perguntou-lhes:<br \/>\n\u00abPorqu\u00ea todo este alarido e tantas lamenta\u00e7\u00f5es?<br \/>\nA menina n\u00e3o morreu; est\u00e1 a dormir\u00bb.<br \/>\nRiram-se d\u2019Ele.<br \/>\nJesus, depois de os ter mandado sair a todos,<br \/>\nlevando consigo apenas o pai da menina<br \/>\ne os que vinham com Ele,<br \/>\nentrou no local onde jazia a menina,<br \/>\npegou-lhe na m\u00e3o e disse:<br \/>\n\u00abTalitha Kum\u00bb,<br \/>\nque significa: \u00abMenina, Eu te ordeno: levanta-te\u00bb.<br \/>\nEla ergueu-se imediatamente e come\u00e7ou a andar,<br \/>\npois j\u00e1 tinha doze anos.<br \/>\nFicaram todos muito maravilhados.<br \/>\nJesus recomendou-lhes insistentemente<br \/>\nque ningu\u00e9m soubesse do caso<br \/>\ne mandou dar de comer \u00e0 menina.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da sua incurs\u00e3o no territ\u00f3rio pag\u00e3o da Dec\u00e1pole (cf. Mc 5,1), Jesus atravessou de barco \u201cpara a outra margem\u201d, o que significa que veio novamente para territ\u00f3rio judeu, na margem ocidental do Mar da Galileia. Marcos n\u00e3o identifica o local onde Jesus est\u00e1 (ele diz, apenas, que Jesus se encontrava \u201c\u00e0 beira-mar\u201d); mas o mais prov\u00e1vel \u00e9 que se trate da cidade de Cafarnaum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na narrativa de Marcos, s\u00e3o referidos dois encontros com Jesus, entrela\u00e7ados um no outro. Num deles conta-se como um tal Jairo, \u201cum chefe da sinagoga\u201d, que vem ao encontro de Jesus para Lhe pedir ajuda para a sua filha, que est\u00e1 muito doente. Em Israel havia um chefe \u00e0 frente de cada sinagoga. O titular do cargo era eleito entre os homens mais respeitados da comunidade. Estava encarregue de dirigir o servi\u00e7o religioso sinagogal, escolher os que deviam recitar as ora\u00e7\u00f5es e ler as escrituras, procurar pregadores adequados, cuidar de que tudo decorresse de acordo com o que estava definido, encarregar-se da manuten\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio sinagogal e da sua ornamenta\u00e7\u00e3o. Era, portanto, um lugar de destaque na comunidade judaica local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No outro relato, \u00e9 uma mulher an\u00f3nima que vem sozinha ao encontro de Jesus e que espera receber d\u2019Ele a cura para o seu mal. Ora, o \u201cmal\u201d que a afligia, n\u00e3o era um \u201cmal menor\u201d: ela sofria de uma hemorragia incur\u00e1vel que, al\u00e9m de lhe causar um inc\u00f3modo f\u00edsico, a impedia de ter uma vida normal, quer em termos familiares, quer em termos sociais, quer em termos religiosos. Marcos guarda um sil\u00eancio discreto sobre a origem dessa hemorragia; mas essa descri\u00e7\u00e3o indica, provavelmente, que se trata de um qualquer transtorno menstrual. De acordo com a legisla\u00e7\u00e3o lev\u00edtica (cf. Lv 15,19-33), essa situa\u00e7\u00e3o colocava a mulher num estado de \u201cimpureza\u201d que a impedia de se aproximar de Deus e de manter contactos com as outras pessoas. Aquela mulher estava impedida pela Lei de ter vida. Sofre muito, f\u00edsica e moralmente. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A nossa precariedade manifesta-se a cada instante. As doen\u00e7as f\u00edsicas, a impot\u00eancia que sentimos diante da viol\u00eancia e da maldade, os medos que nos paralisam, o cansa\u00e7o que nos afoga, a debilidade que vem com o avan\u00e7ar da idade, a morte daqueles que amamos, fazem-nos sentir vulner\u00e1veis e fr\u00e1geis. A par disso, subsiste em n\u00f3s o desejo de Vida que n\u00e3o seja prec\u00e1ria, de Vida verdadeira e eterna, de Vida que n\u00e3o seja derrotada pela morte. O Evangelho deste domingo garante-nos que o projeto que Deus tem para n\u00f3s \u00e9 um projeto de Vida. Foi para nos dar Vida que Deus nos enviou Jesus. Ele veio at\u00e9 n\u00f3s para nos oferecer a salva\u00e7\u00e3o de Deus. Com palavras e com gestos concretos, Jesus mostrou-nos o caminho que vence a morte e que leva \u00e0 Vida eterna. Estamos cientes de que esse \u00e9 o projeto de Deus para n\u00f3s? Vemos em Jesus \u201co Salvador\u201d, aquele que veio de Deus para nos dar Vida?<\/li>\n<li>As hist\u00f3rias da mulher curada de uma hemorragia e da ressurrei\u00e7\u00e3o da filha de Jairo mostram a import\u00e2ncia da f\u00e9 nesse processo de aceder \u00e0 Vida que Jesus oferece. \u00c9 a f\u00e9 que nos faz procur\u00e1-lo, \u00e9 a f\u00e9 que nos faz toc\u00e1-l\u2019O, \u00e9 a f\u00e9 que nos faz ir atr\u00e1s d\u2019Ele, \u00e9 a f\u00e9 que nos faz aderir ao seu projeto, \u00e9 a f\u00e9 que nos faz segui-l\u2019O no caminho do amor e da entrega da vida, \u00e9 a f\u00e9 que nos permite aderir incondicionalmente \u00e0s suas propostas e adotar o seu estilo de vida. Sem essa f\u00e9, podemos andar \u00e0 volta d\u2019Ele, frequentar a igreja, ter responsabilidades na comunidade crist\u00e3, rezar, receber os sacramentos, mas nunca nos deixaremos transformar por Ele; e, se assim for, nunca haver\u00e1 lugar no nosso cora\u00e7\u00e3o para a Vida que Jesus pretende dar-nos. Como \u00e9 e como vivemos a nossa f\u00e9? A nossa f\u00e9 em Jesus traduz-se numa ades\u00e3o incondicional \u00e0 sua pessoa, \u00e0s suas palavras, aos seus gestos? Estamos verdadeiramente dispostos a segui-l\u2019O no caminho que Ele nos aponta?<\/li>\n<li>A mulher que sofria de uma hemorragia fez a experi\u00eancia dram\u00e1tica de se sentir rejeitada e ostracizada por causa do seu problema de sa\u00fade. Sentia-se impura, ignorada, sozinha, perdida, sem poder confiar a algu\u00e9m aquilo que tanto a fazia sofrer; procurava compreens\u00e3o, paz, consola\u00e7\u00e3o sem saber onde os encontrar; sentia-se suja e n\u00e3o conseguia encontrar maneira de viver uma vida nova e limpa. N\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia incomum. H\u00e1 muitos homens e mulheres que, por vezes por raz\u00f5es pouco consistentes, se sentem indignos, impuros, malditos, pecadores, condenados por Deus, e vivem a sua vida num pesadelo de ang\u00fastia e de culpa, sem saberem como romper a cadeia que as faz escravas. E nem sempre essas pessoas encontram na comunidade crist\u00e3, compreens\u00e3o, acolhimento, testemunho do amor e da ternura de Deus. Alguma vez contribu\u00edmos, com a forma como falamos de Deus e da sua justi\u00e7a, para manter algu\u00e9m preso a essa cadeia de culpa e de ang\u00fastia? Somos testemunhas do amor misericordioso de Deus junto dos nossos irm\u00e3os, nomeadamente junto daqueles que se sentem pecadores e malditos?<\/li>\n<li>No Evangelho deste domingo Jesus ajuda e d\u00e1 Vida a duas mulheres que sofrem. Ao contr\u00e1rio do que acontecia na sociedade palestina do seu tempo, quer a n\u00edvel de legisla\u00e7\u00e3o quer a n\u00edvel de pr\u00e1tica, Jesus n\u00e3o as discrimina nem as ignora; acolhe-as, valoriza-as, compreende-as, respeita-as na sua dignidade, coloca-as ao n\u00edvel de filhas muito amadas de Deus. Na Igreja de Jesus, j\u00e1 aprendemos isto? Valorizamos suficientemente tudo aquilo que as mulheres fazem no sentido de construir a comunidade de Jesus? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A aparente facilidade na proclama\u00e7\u00e3o das leituras n\u00e3o deve levar os leitores a descurar a sua prepara\u00e7\u00e3o. Sobretudo, na segunda leitura, \u00e9 necess\u00e1rio um especial cuidado nas pausas e respira\u00e7\u00f5es, sobretudo nas frases mais longas. Uma ajuda na prepara\u00e7\u00e3o do texto ser\u00e1 prestar mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 pontua\u00e7\u00e3o do que \u00e0s quebras de linha que o texto apresenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/06\/25\/quando-jesus-entra-na-nossa-vida-2\/\"><strong>QUANDO JESUS ENTRA NA NOSSA\u00a0VIDA<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>Evangelho deste Domingo XIII do Tempo Comum (Marcos 5,21-43) <\/strong>oferece-nos dois milagres de Jesus, relatados de forma entrela\u00e7ada, um dentro do outro: o relato da cura de uma mulher que h\u00e1 doze anos sofria de uma hemorragia (Marcos 5,25-34), dentro do relato da chamada \u00abressuscita\u00e7\u00e3o\u00bb da filha, de doze anos de idade, de Jairo, um dos chefes da sinagoga (Marcos 5,22-24.35-43).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed est\u00e1 Jesus outra vez (<em>p\u00e1lin<\/em>), e pela \u00faltima vez, junto do mar e no meio da multid\u00e3o, retomando e culminando as situa\u00e7\u00f5es j\u00e1 anotadas em Marcos 3,7-10 e 4,1. Na multid\u00e3o an\u00f3nima, al\u00e9m de Jesus, em quem est\u00e3o postos todos os olhares, tamb\u00e9m o do leitor, emerge agora tamb\u00e9m um dos chefes da sinagoga, de nome Jairo, que rasga a multid\u00e3o e vem religiosamente prostrar-se aos p\u00e9s de Jesus e implorar-lhe muito (<em>poll\u00e1<\/em>) que v\u00e1 impor as m\u00e3os \u00e0 sua filhinha (<em>tyg\u00e1trion<\/em>: diminutivo de\u00a0<em>tyg\u00e1t\u00ear<\/em>), que est\u00e1 a morrer. E o narrador diz-nos que Jesus foi\u00a0<em>com ele<\/em>\u00a0(<em>met\u2019 auto\u00fb<\/em>), sempre rodeado pela multid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeira grande verifica\u00e7\u00e3o: Jesus \u00e9 aquele que vai sempre connosco. Sobretudo com os que sofrem. Acompanhando-nos, partilha o nosso caminho e as nossas dores. Vai, portanto,\u00a0<em>Jesus com Jairo<\/em>\u00a0e a multid\u00e3o que os cerca, a caminho da casa de Jairo, quando o narrador nos surpreende e fixa a objetiva nos movimentos e pensamentos de uma mulher an\u00f3nima que sofria de uma hemorragia havia doze anos, situa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, social e religiosamente dolorosa e embara\u00e7osa, pois a tornava impura e distante de Deus e das pessoas. Ei-la que, com toda a ousadia e f\u00e9 e confian\u00e7a, consegue chegar junto de Jesus e tocar-lhe por detr\u00e1s, na f\u00edmbria do manto, de modo que nem Jesus se apercebesse. F\u00e1-lo e fica curada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do contacto desta mulher an\u00f3nima com Jesus podia terminar aqui. A mulher conseguiu os seus objetivos. Aparentemente, ningu\u00e9m notou nada. \u00c9 Jesus quem faz a hist\u00f3ria avan\u00e7ar, trazendo esta mulher do escuro para a luz. N\u00e3o quer que a situa\u00e7\u00e3o desta mulher dolorosa fique apenas no dom\u00ednio f\u00edsico e, por assim dizer, impessoal. Olha \u00e0 sua volta e pergunta: \u00abQuem me tocou as vestes?\u00bb (Marcos 5,30). E indo al\u00e9m do descuidado, superficial e insens\u00edvel dizer dos seus disc\u00edpulos, que se limitam \u00e0 mais \u00f3bvia das rea\u00e7\u00f5es: \u00abEnt\u00e3o tu v\u00eas a multid\u00e3o que te aperta e dizes: \u201cQuem me tocou?\u201d\u00bb (Marcos 5,31). Mas Jesus, senhor de toda a situa\u00e7\u00e3o, \u00abolhava \u00e0 volta para ver aquela (<em>t\u00ean<\/em>) que lhe tinha tocado\u00bb (Marcos 5,32). \u00c9 assim que a mulher sai do seu esconderijo, e confessa a Jesus toda a verdade (Marcos 5,33). E ouve de Jesus uma palavra \u00fanica, \u00fanica vez dita no Evangelho no feminino! carregada de imensa ternura, proximidade e familiaridade: \u00abMinha filha (<em>tyg\u00e1t\u00ear<\/em>), a tua f\u00e9 te salvou!\u00bb (Marcos 5,34). Quanto caminho andado! Quanto amor condensado! Esta pobre mulher sofredora e humilhada \u00e9 agraciada por Jesus e passa a fazer parte da sua fam\u00edlia: \u00abMinha filha!\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas estava uma menina de doze anos, moribunda, \u00e0 espera da morte\u2026 ou de Jesus. O seu pai, Jairo, luta pela vida da sua filhinha, e veio buscar Jesus para ir a sua casa impor as suas m\u00e3os de b\u00ean\u00e7\u00e3o, portanto, de bem e de cura, sobre a sua filhinha. Todavia, enquanto caminham, chegam os seus criados, que trazem a triste not\u00edcia de que a morte chegou a casa da menina antes de Jesus. Aquele pai fica certamente destro\u00e7ado, como o estavam tamb\u00e9m os demais familiares e os vizinhos, que, em tais circunst\u00e2ncias, apenas sabiam chorar e entoar lamenta\u00e7\u00f5es, como era habitual fazer entre os judeus. E Jesus, que at\u00e9 aqui se tinha limitado a acompanhar Jairo, sem nada dizer, diz agora para Jairo a primeira palavra aud\u00edvel: \u00abN\u00e3o tenhas medo; tem apenas f\u00e9!\u00bb (Marcos 5,36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus nunca chega atrasado. Ele \u00e9 o Senhor que pelo caminho se demora connosco. \u00c0 chegada \u00e0 casa de Jairo, v\u00ea prantos e lamenta\u00e7\u00f5es. Os orientais s\u00e3o excessivos na express\u00e3o dos seus sentimentos, quer de alegria, quer de dor. Contra aqueles gritos desarticulados, uma vez mais Jesus diz uma palavra carregada de sentido: \u00abA menina n\u00e3o morreu, mas dorme\u00bb (Marcos 5,39). Esta maneira de falar da morte como de um sono \u00e9 linguagem habitual na Igreja primitiva (1 Tessalonicenses 4,13-15; 1 Cor\u00edntios 11,30; 15,6 e 20; Mateus 27,52) e na tradi\u00e7\u00e3o da Igreja ainda hoje. Notemos que a nossa palavra \u00abcemit\u00e9rio\u00bb deriva do grego\u00a0<em>koim\u00eat\u00earion<\/em>, que significa literalmente \u00abdormit\u00f3rio\u00bb. E, na liturgia, \u00e9 habitual rezarmos pelos nossos irm\u00e3os que adormeceram em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus entra depois naquela casa e pega terna e soberanamente na m\u00e3o da menina. Note-se o n\u00famero pleno de sete pessoas presentes: Jesus, Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, o pai e a m\u00e3e da menina, e a menina. A plenitude rasga a nossa planitude! Pegando ternamente na m\u00e3o da menina, Jesus diz, em aramaico, l\u00edngua materna de Jesus e da menina: \u00ab<em>Talitha, q\u00fbm<\/em>!\u00bb [= menina, filha, irm\u00e3, levanta-te!] (Marcos 5,41). N\u00e3o passa despercebido que a palavra de Jesus interpela a pr\u00f3pria morte, e trata aquela menina ternamente por irm\u00e3, irm\u00e3zinha, sua irm\u00e3 querida. Na verdade, o aramaico\u00a0<em>Talitha<\/em>\u00a0\u00e9 o feminino de\u00a0<em>Talya\u02bc<\/em>. E o aramaico\u00a0<em>Talya\u02bc<\/em>\u00a0\u00e9 a mais bela, plena e significativa palavra para dizer Jesus, pois significa ao mesmo tempo \u00abfilho\u00bb, \u00abcordeiro\u00bb, \u00abservo\u00bb, \u00abp\u00e3o\u00bb. Sim, Jesus \u00e9 o \u00abFilho de Deus\u00bb, o \u00abCordeiro de Deus\u00bb, o \u00abServo de Deus\u00bb, o \u00abP\u00e3o de Deus\u00bb. Como se v\u00ea,\u00a0<em>Talya\u02bc<\/em>\u00a0diz o Jesus todo, sendo Ele a vida verdadeira, ressuscitada, levantada, que liberta e alimenta, ressuscita e levanta.\u00a0\u00a0\u00a0 E a sua voz \u00e9 mais fina do que o sil\u00eancio (1 Reis 19,12), mais afiada e eficaz do que a l\u00e2mina do bisturi (Hebreus 4,12), mais \u00edntima e apelativa do que a chama que, da sar\u00e7a, chama Mois\u00e9s (\u00caxodo 3,4) ou queima o cora\u00e7\u00e3o dos dois de Ema\u00fas (Lucas 24,32) ou do que as l\u00ednguas de fogo daquele ardente Pentecostes (Atos dos Ap\u00f3stolos 2,3). \u00c9 uma voz nova que quebra as nossas crostas, e, desde dentro, queima, purifica, limpa, corta, opera, atravessa o cora\u00e7\u00e3o. Palavra nova, absolutamente nova, que se capta s\u00f3 em alta-fidelidade,\u00a0<em>hi-fi<\/em>, alta sintonia, alta frequ\u00eancia, que acorda at\u00e9 os que\u00a0<em>dormem<\/em>\u00a0nos sepulcros o sono da morte, e deles os retira (Jo\u00e3o 5,25 e 28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta \u00abressuscita\u00e7\u00e3o\u00bb da menina, Jesus manda n\u00e3o dizer nada a ningu\u00e9m (Marcos 5,43). Mas tamb\u00e9m se v\u00ea bem que esta \u00abressuscita\u00e7\u00e3o\u00bb da menina, da irm\u00e3zinha, aponta para a verdadeira e plena \u00abressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb de Jesus. E esta, a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, n\u00e3o \u00e9 para ser calada. \u00c9 para ser anunciada aos quatro ventos, a todas as na\u00e7\u00f5es, a todos os cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se v\u00ea, trata-se de duas cenas \u00fanicas e bel\u00edssimas, cheias, plenas de humanidade e divindade. Passa, Senhor Jesus, \u00e0 nossa porta, entra em nossa casa, veste o nosso dorido cora\u00e7\u00e3o de festa. Faz-nos sentir que somos teus filhos e irm\u00e3os queridos. E que as nossas l\u00e1grimas de dor podem sempre transformar-se em l\u00e1grimas de amor! Porque o teu olhar carinhoso nos descobre sempre e nos faz sair dos nossos esconderijos, e a tua Palavra rasga inclusive o v\u00e9u da morte!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9-nos hoje dada a gra\u00e7a de ler e de ouvir um pequeno extrato comp\u00f3sito do Livro da Sabedoria (1,13-15; 2,23-24). A Sabedoria exorciza e otimiza o mundo com a luz intens\u00edssima da miseric\u00f3rdia de Deus. Este mundo exorcizado e otimizado por obra da miseric\u00f3rdia de Deus n\u00e3o pode conter em si nem a origem do pecado nem a morte. Por isso, \u00e9 ao dem\u00f3nio, e n\u00e3o \u00e0 mulher (cf. Ben-Sir\u00e1 25,24), nem sequer \u00e0 cobra, que o autor do Livro da Sabedoria atribui a entrada do pecado no mundo (Sabedoria 2,24). Se afirma que nenhuma criatura \u00e9 portadora de veneno, \u00e9 para ilibar tamb\u00e9m a cobra (Sabedoria 1,14). Tudo vem de Deus. Tudo caminha para Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A li\u00e7\u00e3o continuada da Segunda Carta aos Cor\u00edntios (8,7-15) abre-nos hoje uma janela para a teia de caridade tecida com delicadeza nas primeiras comunidades crist\u00e3s. \u00c0 imagem e transpar\u00eancia de Jesus Cristo que, \u00absendo rico se fez pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza\u00bb (2 Cor\u00edntios 8,9), S. Paulo, que \u00e9, no dizer de Bento XVI, \u00abo maior mission\u00e1rio de todos os tempos\u00bb, e, de acordo com S. Paulo VI, \u00abmodelo de cada evangelizador\u00bb, regeu a sua miss\u00e3o pela b\u00fassola: \u00abN\u00f3s s\u00f3 nos dev\u00edamos lembrar dos pobres\u00bb (G\u00e1latas 2,10). Por isso, porque a aten\u00e7\u00e3o para com os pobres constitui o crit\u00e9rio de valida\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o, S. Paulo empenhou-se naquela famosa Coleta (<em>loge\u00eda<\/em>), empenhando nela todas as Igrejas da \u00c1sia Menor, da Maced\u00f3nia e da Acaia. Esta Coleta intereclesial constitui, de facto, um verdadeiro \u00abfen\u00f3meno \u00fanico\u00bb (<em>h\u00e1pax phain\u00f3menon<\/em>) no mundo antigo, e s\u00e3o-lhe atribu\u00eddos sobretudo os nomes de\u00a0<em>koin\u00f4n\u00eda<\/em>\u00a0[= comunh\u00e3o],\u00a0<em>diakon\u00eda<\/em>\u00a0[= servi\u00e7o] e sobretudo\u00a0<em>ch\u00e1ris<\/em>\u00a0[= gra\u00e7a], \u00aba gra\u00e7a (<em>ch\u00e1ris<\/em>) servida por n\u00f3s\u00bb, como refere exemplarmente S. Paulo (2 Cor\u00edntios 8,19). A\u00ed est\u00e1 uma imensa provoca\u00e7\u00e3o para as Igrejas de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 30 \u00e9 uma bela e sentida A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as a um Deus que liberta o orante da tristeza, da doen\u00e7a, do luto e da morte, e o faz exultar de alegria, sa\u00fade, vida, dan\u00e7a e m\u00fasica de festa. O Deus aqui louvado \u00e9 um Deus que muda as nossas situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis e, por vezes, sem sa\u00edda, em amplas avenidas floridas. \u00c9 por isso que, como diz o pr\u00f3prio t\u00edtulo \u00abC\u00e2ntico para a Dedica\u00e7\u00e3o do Templo\u00bb, este Salmo anda ligado \u00e0 Festa da\u00a0<em>Han\u00fbkkah<\/em>\u00a0ou da Dedica\u00e7\u00e3o do Templo, quando Judas Macabeu entrou no Templo de Jerusal\u00e9m em 164 e o fez purificar depois de um per\u00edodo de ocupa\u00e7\u00e3o e paganiza\u00e7\u00e3o pelos sel\u00eaucidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Leitura-I-do-Domingo-XIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-30.06.2024-Sab-1-13-15223-24.pdf\">Leitura I do Domingo XIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 30.06.2024 ( Sab 1, 13-15;2,23-24)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Leitura-II-do-Domingo-XIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-30.06.2024-2-Cor-8-7.9.13-15.pdf\">Leitura II do Domingo XIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 30.06.2024 (2 Cor 8, 7.9.13-15)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Domingo-XIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-30.06.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 30.06.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Domingo-XIII-do-Tempo-Comum-Ano-B-30.06.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XIII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 30.06.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/A-Homilia.v1.pdf\">A Homilia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Anselmo-Borges-A-Eucaristia.-A-vida-antes-do-dogma.pdf\">Anselmo Borges &#8211; A Eucaristia. A vida antes do dogma<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XII do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 23.06.2024&#8243; tab_id=&#8221;1719822661220-79dc6a3f-5672&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XII do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 23.06.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Domingo-XII.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente ao visitar uma fam\u00edlia, quando nos prepar\u00e1vamos para rezar, um dos mais pequenos perguntou-me: \u00abPadre S\u00e9rgio, como seria a nossa vida se Jesus n\u00e3o existisse?\u00bb. Confesso que esta pergunta me tem acompanhado na ora\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas semanas, obrigando-me a descobrir novas raz\u00f5es sobre o lugar transformador da presen\u00e7a de Cristo nas nossas vidas. N\u00e3o bastam como resposta os lugares-comuns que nos saem boca fora, nem as frases feitas sempre \u00e0 medida para respostas inesperadas. \u00c9 necess\u00e1rio entrar na ora\u00e7\u00e3o e na vida quotidiana e descobrir o lugar decisivo que Jesus ocupa na nossa vida. Em primeiro lugar, \u00e9 importante registar que n\u00e3o est\u00e1 em causa a exist\u00eancia de Deus e a Sua a\u00e7\u00e3o na nossa vida. A pergunta \u00e9 precisamente que diferen\u00e7a haveria na nossa vida se n\u00e3o cont\u00e1ssemos com a presen\u00e7a de Jesus que para aquele pequeno \u00e9 clara e evidente.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>Paulo recorda-nos a radical diferen\u00e7a da vida que se constr\u00f3i em Jesus Cristo: \u00ab<em>se algu\u00e9m est\u00e1 em Cristo, \u00e9 uma nova criatura. As coisas antigas passaram: tudo foi renovado<\/em>\u00bb. A vida em Jesus Cristo \u00e9 nova e renovadora. A vida sem Cristo n\u00e3o seria apenas mais pobre ou com menos sentido. Na verdade, n\u00e3o seria vida, n\u00e3o teria o mesmo sabor e a mesma for\u00e7a, porque lhe faltaria Aquele que oferece vida verdadeira e prenhe de sentido. Jesus Cristo \u00e9 o \u00fanico capaz de dominar e ultrapassar os limites da nossa exist\u00eancia: Ele domina os ventos e mar\u00e9s, vence o pecado e a morte. Por isso, caminhar com Ele \u00e9 fazer a experi\u00eancia da for\u00e7a transformadora e renovadora do Seu amor.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caminhar com Jesus, \u00e9, antes de tudo, seguir com Aquele que permanentemente nos desafia: \u00ab<em>passemos \u00e0 outra margem do lago<\/em>\u00bb. Como aos disc\u00edpulos de outrora, Jesus conduz-nos mais longe, mais largo e mais alto. Jesus retira-nos da nossa mediocridade e aponta-nos sempre um horizonte maior e mais largo. Jesus n\u00e3o nos quer instalados e acomodados e ensina-nos a viver a arte de estarmos tranquilos enquanto estivermos inquietos, enquanto no nosso cora\u00e7\u00e3o residir o desejo de progredir na estrada da santidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atravessar o mar da vida implica largar as seguran\u00e7as. O medo pode assolar-nos, mas dissipa-se se formos capazes de levar Jesus na nossa barca. Se \u00e9 Ele que nos convoca e envia, tamb\u00e9m \u00e9 Ele que nos precede e acompanha na miss\u00e3o. Por isso, n\u00e3o espanta que diante dos ventos contr\u00e1rios fa\u00e7amos a experi\u00eancia do aparente sono de Deus. O medo sacode a barca ao ponto de nos fazer sentir totalmente desprotegidos e nem as seguran\u00e7as de outras tempestades nem as palavras consoladoras que tantas vezes dirigimos a outros parecem fazer sentido: \u00ab<em>Mestre, n\u00e3o Te importas que pere\u00e7amos<\/em>?\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mim surpreende-me sempre que diante daquela tempestade o primeiro instinto tenha sido acordar Jesus. Eles sabiam bem que Ele era o filho de Jos\u00e9, o carpinteiro, e que sua m\u00e3e era Maria que viva em Nazar\u00e9. N\u00e3o seria mais sensato gritar por Pedro ou Andr\u00e9, Tiago ou Jo\u00e3o, pescadores acostumados \u00e0s lides do mar? Jesus era aprendiz de carpinteiro na oficina de S. Jos\u00e9\u2026 Contudo, os disc\u00edpulos sabem bem que s\u00f3 Jesus conhece o segredo do mar e da tempestade. Sabem que muitas vezes \u00e9 precisar gritar para acordar Jesus, ou melhor, para acordar dentro de n\u00f3s a presen\u00e7a efetiva de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ventos e os mares sopram e Jesus dorme. Diante da violenta for\u00e7a dos ventos e das ondas, a aparente fragilidade de um Deus que dorme. Caminhar com Jesus ser\u00e1 sempre abra\u00e7ar o horizonte maior e mais largo da cruz, onde diante de desafios e exig\u00eancias que parecem maiores do que as nossas for\u00e7as, se levanta o Deus forte que dissipa os nossos medos, afasta as nossas trevas e nos abre horizontes de esperan\u00e7a. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto do Evangelho proposto para este <strong>XII Domingo do Tempo Comum<\/strong> \u00e9 um incisivo apelo \u00e0 f\u00e9 e \u00e0 confian\u00e7a no meio das adversidades do tempo e da hist\u00f3ria. Diante dos dramas hodiernos, com as sombras e dificuldades que nos envolvem, precisamos de continuar a sentir ressoar nos nossos cora\u00e7\u00f5es a voz de Jesus que dissipa os nossos medos e renova a confian\u00e7a e a esperan\u00e7a. Este texto evang\u00e9lico foi a passagem escolhida pelo Papa Francisco para nos dirigir uma palavra de esperan\u00e7a, no dia 27 de mar\u00e7o de 2020, naquele inesquec\u00edvel momento extraordin\u00e1rio de ora\u00e7\u00e3o na Pra\u00e7a de S. Pedro. A leitura deste texto \u00e9 uma oportuna proposta de medita\u00e7\u00e3o para todos n\u00f3s e ajudar-nos-\u00e1 sempre a repensar a vida e as suas inerentes dificuldades e exig\u00eancias, convidando-nos a recentrar a nossa vida em Jesus Cristo e no Seu infinito amor.<strong><em> in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Job 38,1.8-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor respondeu a Job do meio da tempestade, dizendo:<br \/>\n\u00abQuem encerrou o mar entre dois batentes,<br \/>\nquando ele irrompeu do seio do abismo,<br \/>\nquando Eu o revesti de neblina<br \/>\ne o envolvi com uma nuvem sombria,<br \/>\nquando lhe fixei limites e lhe tranquei portas e ferrolhos?<br \/>\nE disse-lhe:<br \/>\n\u2018Chegar\u00e1s at\u00e9 aqui e n\u00e3o ir\u00e1s mais al\u00e9m,<br \/>\naqui se quebrar\u00e1 a altivez das tuas vagas\u2019\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro de Job \u00e9 um cl\u00e1ssico da literatura universal, n\u00e3o s\u00f3 pela sua extraordin\u00e1ria beleza liter\u00e1ria, mas tamb\u00e9m pelas quest\u00f5es que aborda e que tocam o \u00e2mago da exist\u00eancia humana. A hist\u00f3ria de Job serve de pretexto para refletir sobre alguns dos grandes desafios que se colocam aos homens de todas as \u00e9pocas, nomeadamente a quest\u00e3o do sofrimento do justo inocente, a situa\u00e7\u00e3o do homem diante de Deus e a atitude de Deus face ao homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apresenta-nos a hist\u00f3ria de um homem bom e justo (Job), repentinamente atingido por um vendaval de desgra\u00e7as que lhe rouba a riqueza, a fam\u00edlia e a pr\u00f3pria sa\u00fade. No corpo central do livro (cf. Job 3,1-37,24), Job interroga-se acerca da origem do sofrimento que o atingiu e do papel de Deus no seu drama pessoal. Alguns dos amigos de Job procuram responder \u00e0s suas quest\u00f5es, apresentando as explica\u00e7\u00f5es dadas pela teologia oficial: o sofrimento \u00e9 sempre o resultado do pecado do homem; assim, se Job est\u00e1 a sofrer, \u00e9 porque pecou\u2026 Com a veem\u00eancia que vem de uma consci\u00eancia em paz, Job recusa conclus\u00f5es t\u00e3o simplistas e demonstra a fal\u00eancia da doutrina oficial para explicar o seu drama pessoal. Com um apurado sentido cr\u00edtico, Job vai desmontando os dogmas fundamentais da f\u00e9 de Israel e recusando esse Deus \u201ccontabilista\u201d que Se limita a registar as a\u00e7\u00f5es boas e m\u00e1s do homem para lhe pagar em conformidade. Deus n\u00e3o pode ser isso; e o caso concreto de Job prova-o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rejeitada a explica\u00e7\u00e3o tradicional para o drama do sofrimento, Job dirige-se diretamente \u00e0quele que lhe pode fornecer as respostas: o pr\u00f3prio Deus. No seu discurso, muito cr\u00edtico, cruzam-se a animosidade, a viol\u00eancia, as queixas, o inconformismo, a d\u00favida, a revolta, com a esperan\u00e7a, a f\u00e9 e a confian\u00e7a em Deus. Quando, finalmente, Deus enfrenta Job, recorda-lhe o seu lugar de criatura, limitada e finita; mostra-lhe como s\u00f3 Ele conhece as leis que regem o universo e a vida, mostra-lhe a sua preocupa\u00e7\u00e3o e o seu amor com cada ser criado; convida-o a n\u00e3o se p\u00f4r em bicos de p\u00e9s, a ocupar o seu lugar de criatura e a n\u00e3o p\u00f4r em causa os des\u00edgnios de Deus para o mundo, j\u00e1 que esses des\u00edgnios ultrapassam infinitamente a capacidade de compreens\u00e3o e de entendimento de qualquer criatura. Deus tem uma l\u00f3gica, um plano, um projeto que ultrapassa infinitamente aquilo que cada homem (tamb\u00e9m Job) poder\u00e1 entender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria termina com Job a perceber o seu lugar, a reconhecer a transcend\u00eancia de Deus e a incompreensibilidade dos seus projetos, a entregar-se nas m\u00e3os de Deus com humildade e confian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto faz parte do discurso com que Deus responde a Job (cf. Job 38,1-40,2). Nesse discurso, Deus coloca a Job uma s\u00e9rie de quest\u00f5es sobre a terra, o mar, os grandes mist\u00e9rios da natureza e da vida; a finalidade n\u00e3o \u00e9 obter respostas de Job, mas lev\u00e1-lo a perceber os seus limites, a sua ignor\u00e2ncia, a sua incapacidade para entender o mist\u00e9rio insond\u00e1vel de Deus e os projetos que Deus tem para o mundo e para os homens.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Convivemos diariamente com realidades que s\u00e3o, para n\u00f3s, fonte de inquieta\u00e7\u00e3o: o terrorismo e a viol\u00eancia mergulham-nos num clima de ansiedade e de medo; as doen\u00e7as, novas e velhas, geram ang\u00fastia e sofrimento; as cat\u00e1strofes naturais obrigam-nos a tomar consci\u00eancia da nossa fragilidade e impot\u00eancia diante das for\u00e7as da natureza; as injusti\u00e7as e arbitrariedades provocam revolta e descontentamento social; o desmoronamento de velhas estruturas pol\u00edticas e sociais trazem inseguran\u00e7a e anarquia\u2026 E n\u00f3s, movendo-nos neste cen\u00e1rio, sentimo-nos confusos e desorientados. Porque n\u00e3o existe ordem e harmonia no nosso mundo? Ent\u00e3o, viramo-nos para Deus e atiramos-Lhe as nossas perguntas ou lan\u00e7amos-Lhe \u00e0 cara as nossas certezas. Por vezes, criticamos a sua indiferen\u00e7a face aos dramas do mundo; outras vezes, sentimos a tenta\u00e7\u00e3o de Lhe mostrar, de forma clara e l\u00f3gica, como \u00e9 que Ele devia atuar para que o mundo fosse mais ordenado e harmonioso\u2026 Pomo-nos em bicos de p\u00e9s, como se nos quis\u00e9ssemos colocar no lugar de Deus e dar-Lhe li\u00e7\u00f5es. Estamos conscientes da omnipot\u00eancia de Deus e dos nossos limites, enquanto seres humanos fr\u00e1geis e limitados? Assumimos com humildade o nosso lugar de criaturas que n\u00e3o conseguem abarcar a grandeza e o sentido pleno dos projetos que Deus tem para o mundo e para os homens?<\/li>\n<li>Na verdade, o Deus que criou tudo o que existe, que estabeleceu as leis que regem o universo, que conhece os segredos de cada uma das suas criaturas, que cuida de cada ser com cuidados de pai e de m\u00e3e, que mil vezes manifestou na hist\u00f3ria o seu amor e a sua bondade, n\u00e3o pode ignorar os problemas do homem, ou deixar que a humanidade chegue a um beco sem sa\u00edda. Ele tem um projeto coerente, maduro, est\u00e1vel, irrevog\u00e1vel para o mundo e para os homens; Ele conduz-nos, atrav\u00e9s das armadilhas da hist\u00f3ria, ao encontro da realiza\u00e7\u00e3o plena, da Vida definitiva. Esta certeza deve colorir o nosso caminho de todos os dias com as cores da esperan\u00e7a. Somos homens e mulheres de esperan\u00e7a?<\/li>\n<li>Mergulhados no mist\u00e9rio insond\u00e1vel desse Deus omnipotente, por vezes desconcertante e incompreens\u00edvel, resta-nos entregarmo-nos nas suas m\u00e3os com humildade e confian\u00e7a. H\u00e1 desafios que Deus nos coloca e que parecem n\u00e3o fazer sentido \u00e0 luz de uma l\u00f3gica puramente humana; h\u00e1 caminhos que Deus nos aponta que subvertem absolutamente as nossas certezas e os nossos projetos pessoais ou comunit\u00e1rios; h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es da nossa vida para as quais n\u00e3o encontramos respostas nem sentido\u2026 Atrevemo-nos a saltar confiadamente para os bra\u00e7os de Deus, acreditando que Ele n\u00e3o nos deixa cair? \u00c9 assim a nossa f\u00e9? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 Salmo 106 (107)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Dai gra\u00e7as ao Senhor, porque \u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Cantai ao Senhor, porque \u00e9 eterno o seu amor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os que se fizeram ao mar em seus navios,<br \/>\na fim de labutar na imensid\u00e3o das \u00e1guas,<br \/>\nesses viram os prod\u00edgios do Senhor<br \/>\ne as suas maravilhas no alto mar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 sua palavra, soprou um vento de tempestade,<br \/>\nque fez encapelar as ondas:<br \/>\nsubiam at\u00e9 aos c\u00e9us, desciam at\u00e9 ao abismo,<br \/>\nlutavam entre a vida e a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sua ang\u00fastia invocaram o Senhor<br \/>\ne Ele salvou-os da afli\u00e7\u00e3o.<br \/>\nTransformou o temporal em brisa suave<br \/>\ne as ondas do mar amainaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alegraram-se ao v\u00ea-las acalmadas,<br \/>\ne Ele conduziu-os ao porto desejado.<br \/>\nGra\u00e7as ao Senhor pela sua miseric\u00f3rdia,<br \/>\npelos seus prod\u00edgios em favor dos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>2 Cor\u00edntios 5,14-17<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nO amor de Cristo nos impele,<br \/>\nao pensarmos que um s\u00f3 morreu por todos<br \/>\ne que todos, portanto, morreram.<br \/>\nCristo morreu por todos,<br \/>\npara que os vivos deixem de viver para si pr\u00f3prios,<br \/>\nmas vivam para Aquele que morreu e ressuscitou por eles.<br \/>\nAssim, daqui em diante,<br \/>\nj\u00e1 n\u00e3o conhecemos ningu\u00e9m segundo a carne.<br \/>\nAinda que tenhamos conhecido a Cristo segundo a carne,<br \/>\nagora j\u00e1 n\u00e3o O conhecemos assim.<br \/>\nSe algu\u00e9m est\u00e1 em Cristo, \u00e9 uma nova criatura.<br \/>\nAs coisas antigas passaram: tudo foi renovado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Primeira Carta aos Cor\u00edntios, Paulo tinha criticado alguns membros da comunidade por viverem de forma pouco condizente com os valores crist\u00e3os. Ora, a cr\u00edtica de Paulo provocara uma rea\u00e7\u00e3o extremada de algumas pessoas da comunidade e uma campanha organizada no sentido de desacreditar o ap\u00f3stolo. \u00c9 prov\u00e1vel que essa campanha tenha sido instigada por mission\u00e1rios itinerantes procedentes das comunidades crist\u00e3s da Palestina, que se consideravam representantes dos Doze e que minimizavam o trabalho apost\u00f3lico de Paulo (afirmavam, inclusive, que Paulo era inferior aos outros ap\u00f3stolos, por n\u00e3o ter convivido com Jesus enquanto Ele andou pela Palestina com os seus disc\u00edpulos). Paulo, informado de tudo, dirigiu-se apressadamente para Corinto e teve um violento confronto com os seus detratores. Depois, retirou-se para \u00c9feso. Tito, amigo de Paulo, fino negociador e h\u00e1bil diplomata, partiu para Corinto, a fim de tentar compor as coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo, entretanto, partiu para Tr\u00f3ade. Foi a\u00ed que reencontrou Tito, regressado de Corinto. As not\u00edcias trazidas por Tito eram animadoras: o diferendo fora ultrapassado e os cor\u00edntios estavam, outra vez, em comunh\u00e3o com Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reconfortado, Paulo escreveu novamente aos cor\u00edntios, fazendo uma tranquila apologia do seu apostolado e apresentando os princ\u00edpios que sempre nortearam o seu minist\u00e9rio apost\u00f3lico. Juntou ainda, nesse escrito, um apelo a que os cor\u00edntios colaborassem numa coleta em favor dos pobres da Igreja de Jerusal\u00e9m, que por essa altura viviam com bastante dificuldade. Al\u00e9m da ajuda econ\u00f3mica, esse gesto solid\u00e1rio pretendia fomentar a unidade e a comunh\u00e3o entre as Igrejas. Esse escrito \u00e9 a nossa Segunda Carta de Paulo aos Cor\u00edntios. Estamos nos anos 56\/57.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como segunda leitura neste d\u00e9cimo segundo domingo comum integra a primeira parte da Carta (cf. 2 Cor 1,3-7,16), onde Paulo analisa as suas rela\u00e7\u00f5es com a comunidade de Corinto e explica os valores que ele sempre procurou seguir enquanto mission\u00e1rio e testemunha de Jesus. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Paulo convida-nos a olhar para a cruz e a contemplar o amor de Jesus. A cruz n\u00e3o pode apenas ser um enfeite de ouro que trazemos ao pesco\u00e7o; mas tem de ser um programa de vida, um programa que o pr\u00f3prio Jesus nos deixou. Aquele Homem que est\u00e1 na cruz, que ama sem medida e que se d\u00e1 completamente \u2013 at\u00e9 \u00e0 \u00faltima gota de sangue \u2013 para mudar as nossas vidas convida-nos a repensar o nosso estilo de vida, os nossos modelos de constru\u00e7\u00e3o do mundo, os nossos valores\u2026 O \u201camor at\u00e9 ao extremo\u201d que Jesus mostra na cruz \u00e9 uma violenta den\u00fancia da nossa indiferen\u00e7a diante dos desprezados, dos marginalizados, dos que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es para viver com dignidade; o despojamento total de Jesus na cruz, por amor, questiona a nossa apatia diante de tantos nossos irm\u00e3os que n\u00e3o t\u00eam p\u00e3o, nem casa, nem acesso \u00e0 instru\u00e7\u00e3o ou \u00e0 sa\u00fade; a entrega de Jesus \u201cpor todos\u201d p\u00f5e em causa o nosso ego\u00edsmo diante de tantos e tantos irm\u00e3os que olhamos sem ver e que todos os dias deixamos abandonados e perdidos nas estradas da vida\u2026 Quando contemplamos a cruz de Jesus, o que \u00e9 que vemos? O que \u00e9 que sentimos? O amor de Jesus de que a cruz fala t\u00e3o eloquentemente, inspira-nos a amar, a cuidar, a salvar os nossos irm\u00e3os?<\/li>\n<li>O objetivo de Deus \u00e9 fazer aparecer o Homem Novo e a Nova Humanidade. Aos homens, \u00e9 pedido que aceitem a proposta de Deus, que aceitem renunciar \u00e0 vida velha do ego\u00edsmo e da escravid\u00e3o e que aceitem nascer, livres e transformados, para o amor que nos torna livres. Como \u00e9 que acolhemos esta proposta de Deus? Ela conta alguma coisa para n\u00f3s?<\/li>\n<li>Paulo, depois de ter encontrado Jesus, de ter aderido \u00e0 sua proposta e de ter feito a experi\u00eancia da liberdade e da Vida nova, tornou-se testemunha, diante dos homens, do projeto salvador e libertador de Deus para os homens. Cada homem e cada mulher que se encontra com Jesus e que faz a mesma experi\u00eancia de Paulo, tem de tornar-se arauto das propostas de Deus e de anunciar aos seus irm\u00e3os, com gestos concretos, essa oferta de Vida nova e verdadeira que Deus nos faz. N\u00f3s, os que somos \u201cde Jesus\u201d, somos testemunhas, com palavras e gestos concretos, da Vida nova e da salva\u00e7\u00e3o de Deus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Marcos 4,35-41<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele dia, ao cair da tarde,<br \/>\nJesus disse aos seus disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abPassemos \u00e0 outra margem do lago\u00bb.<br \/>\nEles deixaram a multid\u00e3o<br \/>\ne levaram Jesus consigo na barca em que estava sentado.<br \/>\nIam com Ele outras embarca\u00e7\u00f5es.<br \/>\nLevantou-se ent\u00e3o uma grande tormenta<br \/>\ne as ondas eram t\u00e3o altas que enchiam a barca de \u00e1gua.<br \/>\nJesus, \u00e0 popa, dormia com a cabe\u00e7a numa almofada.<br \/>\nEles acordaram-n\u2019O e disseram:<br \/>\n\u00abMestre, n\u00e3o Te importas que pere\u00e7amos?\u00bb<br \/>\nJesus levantou-Se,<br \/>\nfalou ao vento imperiosamente e disse ao mar:<br \/>\n\u00abCala-te e est\u00e1 quieto\u00bb.<br \/>\nO vento cessou e fez-se grande bonan\u00e7a.<br \/>\nDepois disse aos disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abPorque estais t\u00e3o assustados? Ainda n\u00e3o tendes f\u00e9?\u00bb<br \/>\nEles ficaram cheios de temor e diziam uns para os outros:<br \/>\n\u00abQuem \u00e9 este homem,<br \/>\nque at\u00e9 o vento e o mar Lhe obedecem?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus est\u00e1 junto do Mar da Galileia (cf. Mc 4,1), talvez ao lado da cidade de Cafarnaum. Acabou de apresentar \u00e0 multid\u00e3o que o rodeia o seu an\u00fancio, em par\u00e1bolas, sobre o Reino de Deus (cf. Mc 4,2-34). Com o dia a terminar (\u201cao entardecer\u201d), Jesus decidiu passar \u201c\u00e0 outra margem\u201d. Do ponto de vista geogr\u00e1fico, a \u201coutra margem\u201d do Mar da Galileia \u00e9 o territ\u00f3rio pag\u00e3o da \u201cDec\u00e1pole\u201d: era o nome dado a uma regi\u00e3o situada na Palestina oriental, que se estendia desde Damasco, ao norte, at\u00e9 Filad\u00e9lfia, ao sul. As \u201cdez cidades\u201d (\u201cDec\u00e1pole\u201d) situadas nesse territ\u00f3rio (Damasco, Filad\u00e9lfia, Rafana, Beth Shean, Gadara, Hipos, Diom, Pela, Gerasa e Canata) formavam uma confedera\u00e7\u00e3o, constitu\u00edda ap\u00f3s a conquista da Palestina pelos romanos, no ano 63 a.C&#8230; Eram cidades de cultura grega, n\u00e3o sujeitas \u00e0s leis judaicas. Estavam sob a administra\u00e7\u00e3o direta do legado romano da S\u00edria. Os judeus consideravam os habitantes da \u201cDec\u00e1pole\u201d como pag\u00e3os, que viviam completamente \u00e0 margem dos caminhos da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio que Marcos nos narra, no Evangelho deste domingo, passa-se durante a travessia do \u201cMar da Galileia\u201d. Na realidade, o designado \u201cMar da Galileia\u201d n\u00e3o \u00e9 um \u201cmar\u201d, mas antes um lago de \u00e1gua doce, alimentado sobretudo pelas \u00e1guas do rio Jord\u00e3o, com cerca de 12 quil\u00f3metros de largura e 21 quil\u00f3metros de comprimento. As tempestades que se levantavam neste \u201cmar\u201d, causadas pelo cruzamento dos ventos que v\u00eam do Mar Mediterr\u00e2neo com os ventos que v\u00eam do deserto, podiam aparecer subitamente e ser especialmente violentas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para entendermos melhor o que est\u00e1 em causa no epis\u00f3dio que hoje Marcos nos prop\u00f5e, conv\u00e9m ter presente o que dissemos na primeira leitura a prop\u00f3sito do que o \u201cmar\u201d significava para a mentalidade judaica: era uma realidade assustadora, indom\u00e1vel, orgulhosa, desordenada, onde residiam os poderes ca\u00f3ticos que o homem n\u00e3o conseguia controlar e onde estavam os poderes mal\u00e9ficos que queriam destruir os homens\u2026 S\u00f3 Deus, com o seu poder e majestade, podia p\u00f4r limites ao mar, dar-lhe ordens e libertar os homens dessas for\u00e7as descontroladas do caos que o mar encerrava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que uma cr\u00f3nica fiel de uma viagem de Jesus com os disc\u00edpulos atrav\u00e9s do Mar da Galileia, a narra\u00e7\u00e3o que Marcos nos apresenta deve ser vista como uma p\u00e1gina de catequese. Usando elementos com uma forte carga simb\u00f3lica (o mar, o barco, a tempestade, a noite, o sono de Jesus), Marcos apresenta-nos uma reflex\u00e3o sobre a comunidade dos disc\u00edpulos em marcha pela hist\u00f3ria. Marcos escreve numa \u00e9poca em que a Igreja de Jesus enfrenta s\u00e9rias \u201ctempestades\u201d (persegui\u00e7\u00e3o de Nero, problemas internos causados pela diferen\u00e7a de perspetivas entre judeo-crist\u00e3os e pagano-crist\u00e3os, dificuldades sentidas pelas comunidades em encontrar o caminho para o futuro\u2026); e prop\u00f5e-se, com a sua narrativa, apresentar aos crentes indica\u00e7\u00f5es sobre a forma de viverem a sua f\u00e9 e o seu compromisso com Jesus.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A imagem de um barco onde os disc\u00edpulos viajam, na companhia de Jesus, \u00e9 uma bela e feliz imagem da Igreja. H\u00e1 vinte e um s\u00e9culos que a comunidade de Jesus viaja pela hist\u00f3ria; ao longo desta longa e atribulada viagem tem-se confrontado, permanentemente, com imp\u00e9rios hostis, com projetos contr\u00e1rios, com ideologias desafiantes, com a incompreens\u00e3o do mundo\u2026 De vez em quando, ou por imper\u00edcia dos marinheiros, ou por falhas na navega\u00e7\u00e3o, ou porque as borrascas s\u00e3o especialmente violentas, parece que o barco de Jesus perdeu o rumo e vai naufragar\u2026 Mas Jesus vai nele, cuidando de tudo, presidindo a tudo e transmitindo aos disc\u00edpulos que o acompanham a sua serenidade e a sua paz. Confiamos em Jesus e sentimos que Ele \u00e9 mais forte do que todos os ventos e mar\u00e9s que temos de enfrentar? Viajamos tranquilos, com a certeza de que o barco de Jesus chegar\u00e1 a bom porto? Vemos e entendemos a Igreja como uma comunidade fraterna que avan\u00e7a na hist\u00f3ria conduzida por Jesus?<\/li>\n<li>Esta imagem de uma viagem onde Jesus tamb\u00e9m vai poder\u00e1 servir-nos para ler, ainda, as nossas \u201cviagens\u201d pessoais, durante as quais temos de enfrentar medos, conflitos, persegui\u00e7\u00f5es, incompreens\u00f5es e vicissitudes de todo o tipo. Em certos momentos da \u201cviagem\u201d podemos enfrentar uma tremenda solid\u00e3o, um medo paralisante, um des\u00e2nimo angustiante, e perder a no\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de Jesus ao nosso lado. Perguntamo-nos, ent\u00e3o, se Deus nos abandonou e se Jesus, o nosso companheiro de viagem, adormeceu e nos deixou entregues \u00e0 nossa sorte\u2026 Ora, o Evangelho deste domingo garante-nos que Jesus nunca abandona os seus. O que talvez necessitemos \u00e9 de tomar verdadeira consci\u00eancia da presen\u00e7a d\u2019Ele ao nosso lado. Na \u201cviagem\u201d da nossa vida encontramos tempo, espa\u00e7o e disponibilidade para nos sentarmos ao lado de Jesus, para falarmos com Ele, para escutarmos as suas palavras, para acolhermos a paz que Ele nos oferece, ou s\u00f3 temos olhos e ouvidos para a voz do vento, o rugido do mar, a f\u00faria da tempestade, o tumulto ensurdecedor de um mundo que nos rouba a paz?<\/li>\n<li>Jesus convida os disc\u00edpulos convida os disc\u00edpulos a entrarem no barco com Ele e a irem at\u00e9 \u201c\u00e0 outra margem\u201d, ao territ\u00f3rio dos pag\u00e3os que ainda n\u00e3o escutaram a Boa not\u00edcia da salva\u00e7\u00e3o de Deus. A comunidade que nasce de Jesus \u00e9 uma comunidade mission\u00e1ria, cuja tarefa \u00e9 ir ao encontro dos homens e mulheres prisioneiros do ego\u00edsmo e do pecado para lhes apresentar a Boa Nova da salva\u00e7\u00e3o. A \u201coutra margem\u201d de que Marcos fala no seu Evangelho \u00e9 hoje qualquer lugar onde haja homens e mulheres abandonados, feridos, injusti\u00e7ados, que necessitam de se encontrar com a proposta libertadora de Jesus; a \u201coutra margem\u201d \u00e9 qualquer lugar onde haja pessoas que s\u00e3o violentadas nos seus direitos e na sua dignidade e que precisam que lhes seja aberta a porta da esperan\u00e7a; a outra margem \u00e9 esse mundo indiferente e hostil que olha com desconfian\u00e7a o testemunho que damos sobre Jesus, mas que necessita de se encontrar com a proposta de salva\u00e7\u00e3o de Deus. Estamos conscientes de que fazemos parte de uma Igreja \u201cmission\u00e1ria\u201d, que n\u00e3o se limita a celebrar liturgias solenes dentro de igrejas ou catedrais imponentes, mas que \u00e9 enviada por Jesus \u00e0s periferias da vida para a\u00ed testemunhar a salva\u00e7\u00e3o de Deus?<\/li>\n<li>\u201cPorque estais t\u00e3o assustados? Ainda n\u00e3o tendes f\u00e9?\u201d \u2013 pergunta Jesus aos disc\u00edpulos\u2026 N\u00e3o, se eles est\u00e3o com medo, \u00e9 porque n\u00e3o confiam incondicionalmente em Jesus. Al\u00e9m disso, eles ainda est\u00e3o na fase em que, diante das dificuldades, acham que a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 pedir a Deus que fa\u00e7a uma interven\u00e7\u00e3o milagrosa para os livrar dos perigos. Ainda n\u00e3o chegaram \u00e0quele \u201cestado\u201d (que \u00e9 o da verdadeira f\u00e9), que os leva a dizer: \u201cSenhor, entregamo-nos nas tuas m\u00e3os de Pai; que a tua vontade se realize, pois estamos dispon\u00edveis para a aceitar, seja ela qual for. Fa\u00e7a-se a tua vontade, cumpra-se o teu projeto\u201d. Como \u00e9 e como se expressa a nossa f\u00e9? Enfrentamos as crises da vida com total confian\u00e7a no amor de Deus, dispostos a acolher com o cora\u00e7\u00e3o em paz a vontade de Deus?<\/li>\n<li>A interven\u00e7\u00e3o de Jesus provoca o \u201ctemor\u201d dos disc\u00edpulos. No contexto do relato evang\u00e9lico que escutamos neste domingo, o \u201ctemor\u201d n\u00e3o significa o medo que paralisa, mas significa o reconhecimento de que Jesus \u00e9 o Deus presente no meio dos homens e a quem os homens s\u00e3o convidados a aderir, a confiar, a obedecer com total entrega. Este \u201ctemor\u201d \u00e9 um \u201ctemor\u201d bom, que \u00e9 caminho para a f\u00e9. Tamb\u00e9m n\u00f3s, como os disc\u00edpulos que iam naquele barco, temos o cora\u00e7\u00e3o tomado por esse santo \u201ctemor\u201d que nos leva confiar totalmente em Jesus e a segui-l\u2019O no caminho do amor at\u00e9 ao extremo, no caminho do dom da vida? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Que a brevidade da <strong>primeira leitura<\/strong> n\u00e3o fa\u00e7a descurar a sua prepara\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 um texto que requer bastante cuidado na sua proclama\u00e7\u00e3o. A leitura \u00e9 constitu\u00edda pela resposta do Senhor a Job e mais de metade do texto \u00e9 composto por uma \u00fanica interroga\u00e7\u00e3o. Pede-se o cuidado de n\u00e3o deixar a entoa\u00e7\u00e3o interrogativa para o final da frase, mas ter presente logo no in\u00edcio na part\u00edcula interrogativa \u00ab<em>quem<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> deve ser marcada por um tom exortativo com especial aten\u00e7\u00e3o para as pausas e respira\u00e7\u00f5es para uma leitura articulada do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/06\/18\/jesus-a-popa-dormia-sobre-uma-almofada-2\/\"><strong>JESUS, \u00c0 POPA, DORMIA SOBRE UMA\u00a0ALMOFADA<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale a pena abrir a p\u00e1gina com a serenidade do bel\u00edssimo epis\u00f3dio do Evangelho deste <strong>Domingo XII do Tempo Comum (Marcos 4,35-41):<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abE diz-lhes naquele dia, \u00e0 tardinha: \u201cPassemos para a outra margem\u201d. E tendo eles deixado a multid\u00e3o, tomam-n\u2019O consigo (paralamb\u00e1nousin aut\u00f3n), assim como estava (h\u00f4s \u00ean), na Barca (en t\u00f4 plo\u00ed\u00f4), e outras barcas estavam com ELE. E acontece uma grande tempestade de vento, e as ondas atiravam-se para dentro da Barca, de maneira a ficar cheia a Barca. E ELE estava \u00e0 popa (pr\u00fdmna), dormindo (kathe\u00fad\u00f4n) sobre a almofada (ep\u00ec t\u00f4 proskeph\u00e1laion). E acordam-n\u2019O e dizem-LHE: \u201cMestre, Tu n\u00e3o Te importas que pere\u00e7amos?\u201d. E, tendo acordado, ordenou ao vento e disse ao mar: \u201cCala-te! Acalma-te!\u201d. E cessou o vento, e aconteceu grande bonan\u00e7a. E disse-lhes: \u201cPor que tendes medo? Ainda n\u00e3o tendes f\u00e9?\u201d. E foram amedrontados (ephob\u00eath\u00easan) de um medo grande (ph\u00f3bos m\u00e9gas), e diziam uns para os outros: \u201cQuem \u00e9 este, a quem at\u00e9 o vento e o mar obedecem?\u201d\u00bb.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um Evangelho de excel\u00eancia o deste <strong>Domingo XII do Tempo Comum<\/strong>. Um luxo. Em pleno mar da Galileia, os disc\u00edpulos de Jesus lutam, aflitos, contra a tempestade que amea\u00e7a desfazer a pequena e fr\u00e1gil embarca\u00e7\u00e3o no meio do mar encapelado (Marcos 4,35-41). A arqueologia p\u00f4s a descoberto as pequenas embarca\u00e7\u00f5es de pesca do tempo de Jesus. Tinham cerca de 8 metros de comprimento por 2,5 metros de largura, tornando-se, portanto, presa f\u00e1cil das ondas. E em claro e sereno contraponto, narra o Evangelho, \u00abJesus, \u00e0 popa, dormia deitado sobre uma almofada\u00bb (Marcos 4,38). N\u00e3o nos esque\u00e7amos que a popa, a traseira do barco, \u00e9 o lugar de comando da embarca\u00e7\u00e3o. A dianteira \u00e9 a proa. Jesus permanece, portanto, no comando da nossa barca, da nossa vida, ainda que muitas vezes nem nos apercebamos da serenidade da sua condu\u00e7\u00e3o. A presen\u00e7a da almofada na pobre embarca\u00e7\u00e3o e do sono sereno de Jesus marcam bem o tom doce e tranquilo deste condutor diferente da nossa vida agitada. N\u00e3o \u00e9 a nossa agita\u00e7\u00e3o que conta. \u00c9 o seu sono tranquilo. Ainda que algumas vezes n\u00f3s caiamos na tenta\u00e7\u00e3o, como, de resto, sucede com aqueles disc\u00edpulos, de julgar o sono de Jesus como indiferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s (Marcos 4,38).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Canta bem a Liturgia das Horas da Igreja:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abSe me colhe a tempestade,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E Jesus vai a dormir na minha barca,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nada temo porque a Paz est\u00e1 comigo\u00bb.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor, Tu falas, tu fazes, tu chamas, tu ordenas. Todos os caminhos v\u00eam de ti, v\u00e3o para ti. \u00c9s tu o Senhor de todos os chamados, de todos os reunidos, de todos os enviados. Tu \u00e9s a casa, a mesa, o caminho, o vinho, o p\u00e3o, o peixe. Velas por todos: pelos pais, pelos filhos, pelos irm\u00e3os, pelos desfilhados, pelos \u00f3rf\u00e3os, pelos desirmanados. Vela por n\u00f3s, Senhor, orienta a nossa barca, deita-te tranquilamente \u00e0 popa (Marcos 4,38): o teu sono sereno h\u00e1 de certamente serenar as nossas tempestades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcos descreve tr\u00eas travessias do mar da Galileia. Al\u00e9m da de hoje (Marcos 4,35-41), veja-se tamb\u00e9m Marcos 6,45-52 e 8,13-21. Carateriza-as sempre o facto de a preced\u00ea-las estar o afastamento das multid\u00f5es. Por outro lado, estas travessias do mar na barca deixam Jesus a s\u00f3s com os seus disc\u00edpulos, possibilitando-lhes uma experi\u00eancia pessoal com Ele. A barca (<em>t\u00f2 plo\u00eeon<\/em>) demarca, de resto, um espa\u00e7o privilegiado que Jesus partilha unicamente com os seus disc\u00edpulos. Mais ningu\u00e9m entra nessa barca, ainda que o solicite (veja-se Marcos 5,18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na travessia de hoje, levantou-se uma violenta tempestade, que encheu de \u00e1gua a pequena barca e de medo aqueles disc\u00edpulos. Como Jesus dormia tranquilamente deitado sobre a almofada, os disc\u00edpulos correram a acord\u00e1-lo, deixando no ar um certo tom acusat\u00f3rio por aquilo que julgavam ser o desinteresse de Jesus pela vida dos que seguiam com Ele: \u00abTu n\u00e3o te importas que pere\u00e7amos?\u00bb (Marcos 4,38).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus levanta-se e mostra um modo novo de fazer, bem diferente dos seus disc\u00edpulos. Dirige-se primeiro ao vento e ao mar, dando duas ordens: \u00abCala-te! Acalma-te!\u00bb (Marcos 4,39). E parou o vento, e fez-se bonan\u00e7a no mar (Marcos 4,39). S\u00f3 depois disto, Jesus se dirige aos seus disc\u00edpulos, n\u00e3o com duas ordens, mas com duas perguntas: \u00abPor que tendes medo? Ainda n\u00e3o tendes f\u00e9?\u00bb (Marcos 4,40). Os disc\u00edpulos n\u00e3o responderam, mas expressam a sua rea\u00e7\u00e3o perante tudo o que viram Jesus fazer e ouviram Jesus dizer: \u00abQuem \u00e9 este, que at\u00e9 o vento e o mar lhe obedecem?\u00bb (Marcos 4,41).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 l\u00e1 atr\u00e1s, em Cafarnaum, Jesus tinha dado ordens a um esp\u00edrito impuro, e ele obedeceu (Marcos 1,26-27). Fica ent\u00e3o claro que os esp\u00edritos impuros e as for\u00e7as da natureza, que n\u00e3o reagem a palavras humanas, seguem \u00e0 letra as ordens de Jesus. Os disc\u00edpulos saem ent\u00e3o de um temor para outro ainda maior. \u00c9 o temor que resulta da experi\u00eancia do poder divino, sobre humano (cf. \u00caxodo 14,31). Tal como o perigo, tamb\u00e9m a salva\u00e7\u00e3o do perigo \u00e9 superior ao homem e vence a humana impot\u00eancia. O temor novo daqueles disc\u00edpulos mostra o sentido que come\u00e7am a ver nascer do fazer divino de Jesus. Mas expressa tamb\u00e9m o seu espanto diante da pergunta de Jesus, que deixa supor que os devia habitar uma f\u00e9 sem medida. Em rela\u00e7\u00e3o a um homem, uma tal f\u00e9 seria imposs\u00edvel e sem sentido. A pergunta que os disc\u00edpulos se fazem entre si \u00e9, portanto, dupla: \u00abQuem \u00e9 este que faz tais coisas e que pede uma f\u00e9 sem medida\u00bb? Esta pergunta n\u00e3o exprime d\u00favida, mas espanto sagrado e pesquisa nova. Acompanh\u00e1-los-\u00e1 daqui para a frente no seu caminho com Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Note-se que, no epis\u00f3dio hoje diante de n\u00f3s estendido, a iniciativa de entrar na Barca \u00e9 de Jesus (Marcos 4,35), mas tamb\u00e9m \u00e9 dito que os disc\u00edpulos \u00abpegam em Jesus, assim como estava, na Barca\u00bb (Marcos 4,36). Fica ent\u00e3o claro que \u00abn\u00f3s pegamos nele assim como estava, do mesmo modo que Ele, que nos fez entrar na Barca, \u00abpega em n\u00f3s assim como estamos\u00bb: impotentes, desarmados, cheios de medo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A li\u00e7\u00e3o do Livro de Job, de hoje (Job 38,1.8-11), faz boa companhia \u00e0 soberba p\u00e1gina do Evangelho. Antes de mais, mostra um Deus absolutamente soberano, incontrol\u00e1vel, que n\u00e3o surge na ponta das nossas perguntas ou pedidos. \u00c9 um Deus absolutamente livre, que irrompe do seio da tempestade, isto \u00e9, do seio da liberdade, como nas antigas teofanias. N\u00e3o vem para responder \u00e0s muitas perguntas de Job. Vem, antes, para mostrar as maravilhas da cria\u00e7\u00e3o que nos rodeiam, e fazer-nos perguntas, para as quais n\u00e3o temos resposta nenhuma. Apenas a adora\u00e7\u00e3o e o louvor. \u00c9 assim que Deus faz passar diante de Job as p\u00e1ginas de um \u00e1lbum repleto de maravilhas impenetr\u00e1veis. E Job fica maravilhado, at\u00f3nito, e reconhece que nada sabe, ou que apenas sabe decifrar um ou outro fragmento deste mapa deslumbrante. Uma das p\u00e1ginas deste \u00e1lbum, a de hoje, \u00e9 dedicada ao mar, de acordo com o Evangelho. As tintas s\u00e3o excecionais: o ventre de que irrompe, as faixas em que \u00e9 envolvido como uma crian\u00e7a quando nasce, as portas e ferrolhos que o seguram\u2026 S\u00f3 pode tudo isto ser afazer de Deus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a\u00ed est\u00e1 S. Paulo na Segunda Carta aos Cor\u00edntios (5,14-17), que continuamos a ter a gra\u00e7a de escutar. A chave da vida de Paulo e da nossa \u00e9 o amor de Cristo por n\u00f3s, que deve desencadear em n\u00f3s o nosso amor por Cristo, de modo a vivermos, n\u00e3o j\u00e1 para n\u00f3s mesmos, em clave ego\u00edsta, egoc\u00eantrica e autorreferencial, mas para Cristo que por n\u00f3s morreu e ressuscitou. E a\u00ed est\u00e1 uma nova e bela criatura, nascida da gra\u00e7a, chamada a dar gra\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje temos a gra\u00e7a de sermos postos a cantar o Salmo 107, que, na sua estrutura, se apresenta como que composto por quatro ex-votos de pessoas libertadas no meio das diferentes dificuldades que as assolavam. O primeiro ex-voto \u00e9 de um viajante que se perde e \u00e9 salvo no deserto (v. 4-9). O segundo vem de um prisioneiro, salvo das cadeias que o oprimiam (v. 10-16). O terceiro vem de um doente libertado das suas dores e da morte (vv. 17-22). O quarto e o mais original, que ser\u00e1 a parte cantada hoje, vem de um marinheiro libertado no meio de uma tempestade. De forma significativa, Santo Agostinho, na sua exegese espiritual e aleg\u00f3rica, aplica esta \u00faltima parte do Salmo aos timoneiros da barca da Igreja, isto \u00e9, aos pastores que, diz ele, \u00abquanto mais honras t\u00eam, mais perigos t\u00eam\u00bb. E eu digo: \u00e9 de ter a peito esta leitura sapiencial e profunda, que perfura a superf\u00edcie das coisas, e nos deixa ocupados num s\u00e9rio exame de consci\u00eancia. Diga-se ainda, que o Salmo apresenta duas palavras dominantes: uma \u00e9 a\u00a0<em>hesed<\/em>\u00a0divina, o amor de Deus sempre fiel; a outra \u00e9 a\u00a0<em>t\u00f4dah<\/em>\u00a0humana, a humana gratid\u00e3o a Deus pelos seus feitos maravilhosos em nosso favor. As duas formam um belo abra\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pega em n\u00f3s, Senhor,<\/strong><br \/>\n<strong>Pega em n\u00f3s assim como somos,<\/strong><br \/>\n<strong>Assim como estamos,<\/strong><br \/>\n<strong>Perdidos e cansados<\/strong><br \/>\n<strong>Neste mar imenso em que nos afogamos!<\/strong><br \/>\n<strong>Concede-nos, Senhor Jesus,<\/strong><br \/>\n<strong>Que neste tempo de dor e desalento,<\/strong><br \/>\n<strong>Nos ajoelhemos aqui,<\/strong><br \/>\n<strong>Nos refugiemos aqui,<\/strong><br \/>\n<strong>Ao p\u00e9 da tua Cruz de Luz,<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c0 espera de encontrar algum alento.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Leitura-I-do-Domingo-XII-do-Tempo-Comum-Ano-B-23.06.2024-Job-38-1.8-11.pdf\">Leitura I do Domingo XII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 23.06.2024 (Job 38, 1.8-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Leitura-II-do-Domingo-XII-do-Tempo-Comum-Ano-B-23.06.2024-2Cor-5-14-17.pdf\">Leitura II do Domingo XII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 23.06.2024 (2Cor 5, 14-17)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Domingo-XII-do-Tempo-Comum-Ano-B-23.06.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 23.06.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Domingo-XII-do-Tempo-Comum-Ano-B-23.06.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XII do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 23.06.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/A-Homilia.v1.pdf\">A Homilia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Anselmo-Borges-A-Eucaristia.-A-vida-antes-do-dogma.pdf\">Anselmo Borges &#8211; A Eucaristia. A vida antes do dogma<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XI do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 16.06.2024&#8243; tab_id=&#8221;1719220085907-f44246d5-23ad&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo XI do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 16.06.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Domingo-XI.jpg\" alt=\"\" width=\"619\" height=\"310\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 todos fizemos a experi\u00eancia de estar a escutar algu\u00e9m e n\u00e3o conseguir perceber o alcance das suas palavras e o seguimento do seu racioc\u00ednio. \u00c9 uma experi\u00eancia exigente e desconcertante, pois muitas vezes \u00e9 exigente para n\u00f3s interpelar constantemente a pessoa para que se fa\u00e7a entender. Pelo contr\u00e1rio, todos guardamos na mem\u00f3ria aquele professor que era capaz de descer ao nosso n\u00edvel de entendimento, fazer-se entender mesmo quando falava das mat\u00e9rias mais complexas e profundas. A capacidade de se tornar percet\u00edvel \u00e9 sinal de empatia e da aptid\u00e3o para sintonizar com a experi\u00eancia e a realidade do outro, para que possamos ser eficazes na mensagem que queremos transmitir. Deste modo, esta miss\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s de um real interesse pela realidade concreta do nosso interlocutor e uma consci\u00eancia acurada da import\u00e2ncia da mensagem que queremos dirigir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim nos aparece Jesus no evangelho deste Domingo! Ele conhece bem a realidade concreta dos seus interlocutores e est\u00e1 consciente da import\u00e2ncia da mensagem que tem para lhes dirigir. Jesus \u00e9 o Verbo Incarnado, o Rosto da Miseric\u00f3rdia do Pai, Deus eterno e omnipotente dito em carne humana. Vem ao encontro da humanidade para anunciar o Reino de Deus. Este \u00e9 o centro de toda a Sua miss\u00e3o. Tudo aquilo que disse, fez e ensinou foi para instaurar no mundo o Reino do Pai. Esse Reino est\u00e1 j\u00e1 no meio de n\u00f3s, mas ainda n\u00e3o se realizou em plenitude: \u00ab<em>n\u00f3s estamos sempre cheios de confian\u00e7a, sabendo que, enquanto habitarmos neste corpo, vivemos como exilados, longe do Senhor, pois caminhamos \u00e0 luz da f\u00e9 e n\u00e3o da vis\u00e3o clara<\/em>\u00bb. Vemos este Reino ainda entre as trevas e sombras do tempo presente, mas vislumbrando e saboreando j\u00e1 o Reino que se faz semente a germinar, mesmo quando dormimos, pois, ele n\u00e3o \u00e9 um reino a conquistar ou a merecer, mas um dom a saber acolher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus fala da profundidade e da beleza deste Reino por meio de linguagem parab\u00f3lica, sapiencial e concreta. Jesus sabe dizer e dizer-se utilizando as palavras que o nosso entendimento pode acolher. Utiliza as imagens que o quotidiano dos Seus interlocutores est\u00e1 acostumado a contemplar e assim faz-se percet\u00edvel, acolhido e compreendido. Jesus fala de Deus atrav\u00e9s do quotidiano concreto e n\u00e3o de um silogismo filos\u00f3fico ou um exuberante e enigm\u00e1tico racioc\u00ednio teol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como ainda temos tanto a aprender com Jesus\u2026. Temos ainda tanta estrada a percorrer para entrar na verdadeira sabedoria da comunica\u00e7\u00e3o do Evangelho do amor! Quantas vezes nos fazemos detentores de um conhecimento profundo de Deus, comunicando-O de modo complexo, fazendo jus da profundidade dogm\u00e1tica e exeg\u00e9tica do conhecimento teol\u00f3gico, falando dos mist\u00e9rios do Reino de modo elevado e abstrato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Reino dos C\u00e9us \u00e9 como uma semente, um pequeno gr\u00e3o de mostarda! O Reino de Deus diz-se na simplicidade e concretude de algo insignificante, banal e quotidiano. Assim h\u00e1-de ser o nosso modo de falar de Deus: deve estar presente no mais insignificante e banal do nosso quotidiano. Na normal sucess\u00e3o dos nossos dias, nos mais pequenos gestos e partilhas, na nossa vida concreta e real, sem malabarismos nem m\u00e1scaras, dizer Deus que se faz presente nas nossas vidas quando criamos disponibilidade para que a semente do Evangelho possa germinar e crescer. Quando deixamos esta semente crescer e somos d\u00f3ceis \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Deus em n\u00f3s, a nossa vida alarga-se, rasgam-se novos horizontes e o arco da nossa vida torna-se uma frondosa \u00e1rvore onde outros se podem acolher e saborear connosco a alegria de sermos profundamente amados por Deus e chamados a tomar parte na mesa do Seu Reino. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proclama\u00e7\u00e3o e an\u00fancio do Reino de Deus ocupa o centro da prega\u00e7\u00e3o de Jesus. O Reino de Deus n\u00e3o \u00e9 apenas o Reino que se inaugura para l\u00e1 da vida sobre esta terra, mas o Reino j\u00e1 inaugurado por Jesus Cristo, que somos chamados a construir no aqui e agora do tempo e da hist\u00f3ria, para que se realize em plenitude no c\u00e9u. Este Domingo \u00e9 a oportunidade para exortar os fi\u00e9is a se sentirem protagonistas ativos da constru\u00e7\u00e3o eclesial e da transforma\u00e7\u00e3o do mundo, para que o Reino dos C\u00e9us se comece a construir sobre a terra e, assim, os homens e mulheres possam experimentar j\u00e1 o desejo do c\u00e9u e acolher a salva\u00e7\u00e3o que o Senhor lhes oferece.<strong><em> in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Ezequiel 17, 22-24<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eis o que diz o Senhor Deus:<br \/>\n\u00abDo cimo do cedro frondoso, dos seus ramos mais altos,<br \/>\nEu pr\u00f3prio arrancarei um ramo novo<br \/>\ne vou plant\u00e1-lo num monte muito alto.<br \/>\nNa excelsa montanha de Israel o plantarei<br \/>\ne ele lan\u00e7ar\u00e1 ramos e dar\u00e1 frutos<br \/>\ne tornar-se-\u00e1 um cedro majestoso.<br \/>\nNele far\u00e3o ninho todas as aves,<br \/>\ntoda a esp\u00e9cie de p\u00e1ssaros habitar\u00e1 \u00e0 sombra dos seus ramos.<br \/>\nE todas as \u00e1rvores do campo h\u00e3o de saber<br \/>\nque Eu sou o Senhor;<br \/>\nhumilho a \u00e1rvore elevada e elevo a \u00e1rvore modesta,<br \/>\nfa\u00e7o secar a \u00e1rvore verde e reverde\u00e7o a \u00e1rvore seca.<br \/>\nEu, o Senhor, digo e fa\u00e7o\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano de 609 a. C., o fara\u00f3 Necao derrotou o rei Josias e colocou no trono de Jud\u00e1 Joaquim, que durante algum tempo foi vassalo do Egipto. Contudo, em 605 a.C., Nabucodonosor derrotou as tropas ass\u00edrias e eg\u00edpcias em Carquemish, prosseguiu a sua campanha em dire\u00e7\u00e3o ao Egipto e assumiu o controlo da S\u00edria e da Palestina. Joaquim ficou a pagar tributo aos babil\u00f3nios. Quando, em 601, Nabucodonosor n\u00e3o conseguiu conquistar o Egipto, Joaquim julgou chegada a hora de se libertar do dom\u00ednio babil\u00f3nico. Contudo, Nabucodonosor reagiu sitiando Jerusal\u00e9m, em 598 a. C., e Joaquim morreu durante o cerco, ou foi deportado para a Babil\u00f3nia. Sucedeu-lhe Jeconias que, ao fim de tr\u00eas meses de resist\u00eancia, se rendeu aos babil\u00f3nios (597 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nabucodonosor instalou, ent\u00e3o, no trono de Jud\u00e1 um tal Sedecias. Durante algum tempo, Jud\u00e1 manteve-se tranquilo, pagando pontualmente os tributos devidos aos babil\u00f3nios; mas, ao fim de algum tempo, aproveitando a conjuntura pol\u00edtica favor\u00e1vel, Sedecias aliou-se com os eg\u00edpcios e deixou de pagar o tributo. Nabucodonosor enviou imediatamente um ex\u00e9rcito que cercou Jerusal\u00e9m. Apesar do socorro de um ex\u00e9rcito eg\u00edpcio, Jerusal\u00e9m teve de se render aos babil\u00f3nios (586 a.C.). Sedecias tentou fugir da cidade; mas foi feito prisioneiro, viu os seus filhos serem assassinados e ele pr\u00f3prio foi levado prisioneiro para a Babil\u00f3nia, onde acabou os seus dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ezequiel, o \u201cprofeta da esperan\u00e7a\u201d, exerceu o seu minist\u00e9rio na Babil\u00f3nia no meio dos exilados judeus. O profeta fez parte do primeiro grupo de exilados que, em 597 a.C., foram levados para Babil\u00f3nia, ap\u00f3s a derrota de Jeconias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira fase do minist\u00e9rio de Ezequiel decorreu entre 593 a.C. (data do seu chamamento \u00e0 voca\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica) e 586 a.C. (data em que Jerusal\u00e9m foi conquistada uma segunda vez pelos ex\u00e9rcitos de Nabucodonosor). Nesta fase, o profeta preocupou-se em destruir as falsas esperan\u00e7as dos exilados (convencidos de que o ex\u00edlio terminaria em breve e que iam poder regressar rapidamente \u00e0 sua terra) e em denunciar a multiplica\u00e7\u00e3o das infidelidades a Jav\u00e9 por parte desses membros do Povo judeu que escaparam ao primeiro ex\u00edlio e que ficaram em Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 precisamente neste contexto que Ezequiel prop\u00f5e uma par\u00e1bola, que nos \u00e9 apresentada ao longo do cap\u00edtulo 17 do seu livro. Fala de uma \u201c\u00e1guia\u201d (provavelmente o rei Nabucodonosor), que \u201cveio do L\u00edbano comer a ponta do cedro (a \u201ccasa de David\u201d). Apanhou o ramo mais elevado\u201d (o rei Jeconias) e levou-o \u201cpara o pa\u00eds dos comerciantes\u201d (a Babil\u00f3nia). Em seu lugar, plantou outra \u00e1rvore (provavelmente Sedecias). Esta \u00e1rvore, uma \u201cvideira\u201d, n\u00e3o ir\u00e1, contudo, prosperar, apesar das tentativas de alian\u00e7a com o Egipto. Essa \u201cvideira\u201d ser\u00e1, por sua vez, levada para a Babil\u00f3nia, para o Ex\u00edlio, e a\u00ed morrer\u00e1 (Ez 17,16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A par\u00e1bola \u00e9 dirigida aos exilados da primeira leva que, na Babil\u00f3nia, se entusiasmam com as alian\u00e7as pol\u00edticas entre Sedecias e os eg\u00edpcios. Convencidos de que os babil\u00f3nios ir\u00e3o ser derrotados, eles esperam poder voltar muito em breve \u00e0 sua terra. Ezequiel, que v\u00ea as coisas com mais realismo, convida-os a n\u00e3o terem ilus\u00f5es: as jogadas pol\u00edticas de Sedecias n\u00e3o significar\u00e3o a liberdade dos exilados, mas, pelo contr\u00e1rio, conduzir\u00e3o a uma nova deporta\u00e7\u00e3o e \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estar\u00e1 ent\u00e3o tudo terminado? J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a? Deus abandonou definitivamente o seu Povo e esqueceu as suas promessas de salva\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 precisamente aqui que, subitamente, Ezequiel encaixa o or\u00e1culo de salva\u00e7\u00e3o que a primeira leitura deste domingo nos apresenta: n\u00e3o, apesar das dram\u00e1ticas circunst\u00e2ncias do tempo presente, Deus n\u00e3o abandonou o seu Povo; mas ir\u00e1 construir com ele uma hist\u00f3ria nova, de salva\u00e7\u00e3o e de gra\u00e7a. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Ezequiel, nas condi\u00e7\u00f5es terr\u00edveis do Ex\u00edlio, transmite ao seu Povo uma mensagem de esperan\u00e7a. Ele garante aos exilados que Deus n\u00e3o os abandonou nem esqueceu. Deus \u00e9 o Senhor do Universo, que conduz a Hist\u00f3ria humana de acordo com o seu projeto de salva\u00e7\u00e3o; Ele \u00e9 o Deus fiel em quem podemos sempre colocar a nossa confian\u00e7a, com a certeza de que n\u00e3o ficaremos desiludidos. Esta mensagem tamb\u00e9m \u00e9 para n\u00f3s, homens e mulheres do s\u00e9c. XXI, que viajamos pela Hist\u00f3ria sob a amea\u00e7a de guerras, de conflitos, de injusti\u00e7as, de maldades, de ego\u00edsmos que ferem a nossa dignidade e a dignidade de tantos dos nossos companheiros de caminho\u2026 N\u00e3o estamos abandonados \u00e0 nossa sorte; Deus n\u00e3o desistiu desta humanidade que Ele ama e continua a querer salvar. A \u00faltima palavra \u2013 uma palavra que n\u00e3o pode deixar de ser de salva\u00e7\u00e3o e de gra\u00e7a \u2013 ser\u00e1 sempre de Deus. Ancorados nessa certeza, temos de vencer o medo e o pessimismo que, por vezes, nos paralisam e dar aos homens nossos irm\u00e3os um testemunho de esperan\u00e7a, de serena confian\u00e7a. Confiamos em Deus, o Senhor da Hist\u00f3ria, que tem um des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o e de gra\u00e7a para todos os seus filhos e filhas? Cientes do amor e da fidelidade de Deus, somos testemunhas e arautos da esperan\u00e7a no meio dos irm\u00e3os que caminham ao nosso lado?<\/li>\n<li>Ezequiel tamb\u00e9m lembra aos exilados que os modelos de interven\u00e7\u00e3o de Deus na Hist\u00f3ria n\u00e3o s\u00e3o exatamente coincidentes com os modelos e esquemas dos homens. Enquanto os homens apostam em interven\u00e7\u00f5es \u201cmusculadas\u201d e poderosas para levar em frente os seus planos, Deus serve-se do que \u00e9 d\u00e9bil e fr\u00e1gil para concretizar os seus projetos de salva\u00e7\u00e3o. A l\u00f3gica de Deus convida-nos a repensar a nossa forma de ver, de julgar, de atuar; convida-nos a mudar os nossos crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o e a nossa atitude face ao mundo e face aos que nos rodeiam. Por um lado, ensina-nos a valorizar aquilo e aquelas pessoas simples e humildes que o mundo, por vezes, marginaliza ou despreza; ensina-nos, por outro lado, que as grandes realiza\u00e7\u00f5es de Deus n\u00e3o est\u00e3o dependentes das grandes capacidades dos homens, mas antes da vontade amorosa de Deus; ensina-nos ainda que o fundamental, para sermos agentes de Deus, n\u00e3o \u00e9 possuir brilhantes qualidades humanas, mas uma atitude de disponibilidade humilde que nos leve a acolher os apelos e desafios de Deus. A nossa forma de \u201cabordar\u201d o mundo e a vida tem em conta essa \u201cl\u00f3gica de Deus\u201d? Somos capazes de \u201cler\u201d os sinais de Deus na simplicidade, na humildade, na pequenez que se faz dom a todos? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 Salmo 91 (92)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: \u00c9 bom louvar-Vos, Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 bom louvar o Senhor<br \/>\ne cantar salmos ao vosso nome, \u00f3 Alt\u00edssimo,<br \/>\nproclamar pela manh\u00e3 a vossa bondade<br \/>\ne durante a noite a vossa fidelidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O justo florescer\u00e1 como a palmeira,<br \/>\ncrescer\u00e1 como o cedro do L\u00edbano;<br \/>\nplantado na casa do Senhor,<br \/>\nflorescer\u00e1 nos \u00e1trios do nosso Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo na velhice dar\u00e1 o seu fruto,<br \/>\ncheio de seiva e de vigor,<br \/>\npara proclamar que o Senhor \u00e9 justo:<br \/>\nn\u2019Ele, que \u00e9 o meu ref\u00fagio, n\u00e3o h\u00e1 iniquidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>2 Cor\u00edntios 5, 6-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nN\u00f3s estamos sempre cheios de confian\u00e7a,<br \/>\nsabendo que, enquanto habitarmos neste corpo,<br \/>\nvivemos como exilados, longe do Senhor,<br \/>\npois caminhamos \u00e0 luz da f\u00e9 e n\u00e3o da vis\u00e3o clara.<br \/>\nE com esta confian\u00e7a, prefer\u00edamos exilar-nos do corpo,<br \/>\npara irmos habitar junto do Senhor.<br \/>\nPor isso nos empenhamos em ser-Lhe agrad\u00e1veis,<br \/>\nquer continuemos a habitar no corpo,<br \/>\nquer tenhamos de sair dele.<br \/>\nTodos n\u00f3s devemos comparecer perante o tribunal de Cristo,<br \/>\npara que receba cada qual o que tiver merecido,<br \/>\nenquanto esteve no corpo,<br \/>\nquer o bem, quer o mal.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por volta de 56\/57, chegam a Corinto mission\u00e1rios itinerantes que se apresentam como ap\u00f3stolos e criticam Paulo, lan\u00e7ando a confus\u00e3o na comunidade. Trata-se, provavelmente, de \u201cjudaizantes\u201d que queriam impor aos pag\u00e3os convertidos as pr\u00e1ticas da Lei de Mois\u00e9s; ou ent\u00e3o de crist\u00e3os que condenam a severidade de Paulo e que apoiam o laxismo da vida dos cor\u00edntios. Em qualquer caso, trata-se de gente que p\u00f5e em causa a validade do minist\u00e9rio de Paulo. O ap\u00f3stolo, informado do que estava a acontecer, dirige-se a toda a pressa para Corinto, disposto a enfrentar o problema. O confronto \u00e9 violento e Paulo \u00e9 gravemente injuriado por um membro da comunidade (cf. 2 Cor 2,5-11; 7,11). Na sequ\u00eancia, Paulo abandona Corinto e parte para \u00c9feso. Passado algum tempo, Paulo envia Tito a Corinto, a fim de tentar a reconcilia\u00e7\u00e3o. Quando Tito regressa, traz not\u00edcias animadoras: o diferendo foi ultrapassado e os cor\u00edntios est\u00e3o, outra vez, em comunh\u00e3o com Paulo. \u00c9 nessa altura que Paulo, aliviado e com o cora\u00e7\u00e3o em paz, escreve esta Carta aos Cor\u00edntios, explicando os princ\u00edpios que norteiam o seu trabalho apost\u00f3lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto est\u00e1 inclu\u00eddo na primeira parte da Carta (2 Cor 1,3-7,16), onde Paulo reflete sobre a grandeza e as dificuldades, os riscos e as compensa\u00e7\u00f5es do minist\u00e9rio apost\u00f3lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho pastoral \u00e9 extremamente exigente e est\u00e1 marcado por grandes tribula\u00e7\u00f5es (cf. 2 Cor 4,7-12). Paulo est\u00e1 cansado; mas, como homem de f\u00e9, \u201cacredita e por isso fala\u201d (cf. 2 Cor 14,13-15). Considera que, apesar de tudo, vale a pena acolher os desafios de Deus: no final do caminho percorrido nesta terra, espera-nos uma vida nova, uma Vida plena e eterna. Para pintar o contraste entre a vida nesta terra e a Vida futura, Paulo utiliza (cf. 2 Cor 5,1-4) a imagem da tenda que se monta e desmonta (que representa a vida transit\u00f3ria e corrupt\u00edvel desta terra) e da casa solidamente constru\u00edda (que representa a vida plena e eterna). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O quadro civilizacional em que nos inserimos est\u00e1 fortemente marcado por uma cultura do provis\u00f3rio, que d\u00e1 prioridade ao que \u00e9 ef\u00e9mero sobre as realidades perenes com a marca da eternidade. Tendemos a viver ao sabor do imediato e do momento, subalternizando as op\u00e7\u00f5es definitivas e os valores duradouros. \u00c9 tamb\u00e9m uma cultura do bem-estar material: ao seduzir os homens com o brilho dos bens perec\u00edveis, ao potenciar o reinado do \u201cter\u201d sobre o \u201cser\u201d, escraviza o homem e relativiza a sua busca de eternidade. \u00c9 ainda uma cultura da facilidade, que ensina a evitar tudo o que exige esfor\u00e7o, sofrimento e compromisso: produz pessoas incapazes de lutar por objetivos exigentes e por realizar projetos que exijam esfor\u00e7o, fidelidade, compromisso, sacrif\u00edcio. Neste contexto, a palavra de Paulo aos crist\u00e3os de Corinto soa a desafio prof\u00e9tico: \u00e9 necess\u00e1rio que tenhamos sempre diante dos olhos a nossa condi\u00e7\u00e3o de \u201cperegrinos\u201d nesta terra e que aprendamos a dar valor \u00e0quilo que tem a marca da eternidade. \u00c9 nos valores duradouros \u2013 e n\u00e3o nos valores ef\u00e9meros e passageiros \u2013 que encontramos a Vida plena. O fim \u00faltimo da nossa exist\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 nesta terra; o nosso horizonte e as nossas apostas devem apontar sempre para o mais al\u00e9m, para a Vida plena e definitiva. Como \u00e9 que nos situamos perante a vida: como algu\u00e9m que se limita a \u201caproveitar o momento\u201d, ou como algu\u00e9m que caminha de olhos postos na eternidade? Quais s\u00e3o as nossas prioridades?<\/li>\n<li>No entanto, o facto de vivermos a olhar para o mais al\u00e9m n\u00e3o pode levar-nos a ignorar as realidades terrenas e os compromissos com a constru\u00e7\u00e3o da cidade dos homens. O Reino de Deus \u2013 que atingir\u00e1 a sua plena matura\u00e7\u00e3o quando tivermos ultrapassado o transit\u00f3rio e o ef\u00e9mero da vida presente \u2013 come\u00e7a a ser constru\u00eddo nesta terra e exige o nosso compromisso pleno com a constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo, mais fraterno, mais verdadeiro, mais humano. N\u00e3o h\u00e1 comunh\u00e3o com Cristo se nos demitimos das nossas responsabilidades em testemunhar os gestos e os valores de Cristo. Sentimo-nos plenamente envolvidos na constru\u00e7\u00e3o da \u201ccidade\u201d dos homens? As alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, s\u00e3o tamb\u00e9m as alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos disc\u00edpulos de Cristo, como diz a Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral \u201cGaudium et Spes\u201d, do Conc\u00edlio Vaticano II. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Marcos 4, 26-34<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\ndisse Jesus \u00e0 multid\u00e3o:<br \/>\n\u00abO reino de Deus \u00e9 como um homem<br \/>\nque lan\u00e7ou a semente \u00e0 terra.<br \/>\nDorme e levanta-se, noite e dia,<br \/>\nenquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como.<br \/>\nA terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga,<br \/>\npor fim o trigo maduro na espiga.<br \/>\nE quando o trigo o permite, logo mete a foice,<br \/>\nporque j\u00e1 chegou o tempo da colheita\u00bb.<br \/>\nJesus dizia ainda:<br \/>\n\u00abA que havemos de comparar o reino de Deus?<br \/>\nEm que par\u00e1bola o havemos de apresentar?<br \/>\n\u00c9 como um gr\u00e3o de mostarda, que, ao ser semeado na terra,<br \/>\n\u00e9 a menor de todas as sementes que h\u00e1 sobre a terra;<br \/>\nmas, depois de semeado, come\u00e7a a crescer,<br \/>\ne torna-se a maior de todas as plantas da horta,<br \/>\nestendendo de tal forma os seus ramos<br \/>\nque as aves do c\u00e9u podem abrigar-se \u00e0 sua sombra\u00bb.<br \/>\nJesus pregava-lhes a palavra de Deus<br \/>\ncom muitas par\u00e1bolas como estas,<br \/>\nconforme eram capazes de entender.<br \/>\nE n\u00e3o lhes falava sen\u00e3o em par\u00e1bolas;<br \/>\nmas, em particular, tudo explicava aos seus disc\u00edpulos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos na Galileia, nas margens do lago de Tiber\u00edades, certamente junto da cidade de Cafarnaum. Uma grande multid\u00e3o est\u00e1 com Jesus, interessada em escutar os seus ensinamentos (cf. Mc 3,7.20.32; 4,1). Ent\u00e3o, Jesus \u201csobe para um barco e senta-se nele\u201d, ficando a multid\u00e3o na margem, a escut\u00e1-l\u2019O (Mc 4,1-2). Para que o an\u00fancio do Reino de Deus chegue ao cora\u00e7\u00e3o dos que O seguem, Jesus usa uma linguagem acess\u00edvel, viva, interpeladora, concreta, pedag\u00f3gica\u2026 As suas hist\u00f3rias curtas, incisivas, recamadas de imagens, podem ser catalogadas na categoria das \u201cpar\u00e1bolas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As \u201cpar\u00e1bolas\u201d s\u00e3o uma linguagem habitual na literatura dos povos do M\u00e9dio Oriente: o g\u00e9nio oriental gosta mais de falar e instruir atrav\u00e9s de imagens, de compara\u00e7\u00f5es, de alegorias, do que atrav\u00e9s de um discurso mais l\u00f3gico, mais frio, mais racional. De resto, a linguagem parab\u00f3lica tem v\u00e1rias vantagens em rela\u00e7\u00e3o a um discurso mais racional e expositivo. Que vantagens?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, \u00e9 uma excelente arma de controv\u00e9rsia. A linguagem figurada permite levar o interlocutor a admitir certos pontos que, de outro modo, nunca mereceriam a sua concord\u00e2ncia. A par\u00e1bola \u00e9, pois, um bom instrumento de di\u00e1logo, sobretudo em contextos pol\u00e9micos (como era, quase sempre, o contexto em que Jesus pregava).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em segundo lugar, a imagem ou compara\u00e7\u00e3o que caracteriza a linguagem parab\u00f3lica \u00e9 muito mais rica em for\u00e7a de comunica\u00e7\u00e3o e em poder de evoca\u00e7\u00e3o, do que a simples exposi\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. Talvez seja uma linguagem mais vaga e imprecisa, do ponto de vista racional; mas \u00e9 mais profunda, mais carregada de sentido, mais evocadora e, por isso, \u201cmexe\u201d mais com os ouvintes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em terceiro lugar, porque a linguagem parab\u00f3lica \u2013 muito mais do que outro tipo de linguagem \u2013 espica\u00e7a a curiosidade e incita \u00e0 busca. Na sua simplicidade, torna-se um verdadeiro m\u00e9todo pedag\u00f3gico, que leva as pessoas a pensar por si, a medir os pr\u00f3s e os contras, a tirar conclus\u00f5es, a interiorizar solu\u00e7\u00f5es e a integr\u00e1-las na pr\u00f3pria vida. \u00c9 uma linguagem que, mais do que injetar nas pessoas solu\u00e7\u00f5es feitas, as leva a refletir e a tirar da\u00ed as devidas consequ\u00eancias. Trata-se, pois, de linguagem altamente subversiva: ensina o povo a pensar, a ser cr\u00edtico, a descobrir onde est\u00e1 a verdade. Ora, isso \u00e9 altamente inc\u00f3modo para os defensores do mundo velho e da ordem estabelecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma linguagem t\u00e3o sugestiva n\u00e3o podia ser ignorada por Jesus no seu an\u00fancio do reino de Deus. O evangelho deste d\u00e9cimo primeiro domingo do tempo comum apresenta-nos precisamente duas das mais conhecidas par\u00e1bolas de Jesus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A cada instante os meios de comunica\u00e7\u00e3o social colocam \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o um volume consider\u00e1vel de informa\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma boa coisa estarmos informados sobre o que acontece \u00e0 nossa volta; mas, muitas vezes, aquilo que ouvimos e lemos traz-nos preocupa\u00e7\u00e3o e ang\u00fastia. Todos os dias somos submersos por uma avalanche de hist\u00f3rias de viol\u00eancia, de injusti\u00e7a, de explora\u00e7\u00e3o dos mais fracos, de gan\u00e2ncia, de orgulho, de ambi\u00e7\u00e3o, de ego\u00edsmo. Perguntamo-nos, diante do quadro com que nos deparamos, se Deus perdeu o controle da Hist\u00f3ria e se desistiu de n\u00f3s\u2026 Ficamos com a impress\u00e3o de que o nosso mundo \u00e9 um barco desgovernado que caminha para um desastre anunciado. Jesus n\u00e3o tinha essa perspetiva das coisas. Ele achava que Deus semeou no mundo uma semente boa \u2013 a semente do Reino de Deus \u2013 e que essa semente est\u00e1 todos os dias a germinar, a crescer, a desenvolver-se, a dar fruto. E \u00e9 verdade: os gestos de amor, de partilha, de servi\u00e7o, de perd\u00e3o que acontecem no nosso mundo s\u00e3o mil vezes mais do que os gestos de maldade, os gestos que causam sofrimento e dor. Como \u00e9 que \u201clemos\u201d aquilo que vemos acontecer \u00e0 nossa volta? Como uma hist\u00f3ria de fracasso, ou como uma hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o onde Deus, sem dar nas vistas, est\u00e1 a atuar? Somos capazes de ver os sinais do Reino de Deus na vida e na hist\u00f3ria do nosso tempo?<\/li>\n<li>Jesus veio lan\u00e7ar nos cora\u00e7\u00f5es a semente do Reino de Deus. F\u00ea-lo, com palavras e gestos, por toda a Galileia e Judeia, at\u00e9 dar a vida na cruz. Depois, quando voltou para o Pai, deixou aos seus disc\u00edpulos a miss\u00e3o de continuarem a sementeira do Reino. Talvez n\u00e3o nos sejam pedidas coisas grandes capazes de transformar, de um instante para o outro a face do mundo; mas \u00e9-nos pedido que espalhemos \u00e0 nossa volta pequenas sementes de Evangelho, que depois crescem e mudam o mundo e as vidas: um gesto amistoso dirigido a algu\u00e9m que vive desorientado, um sorriso acolhedor oferecido a algu\u00e9m que se sente abandonado, um sinal de proximidade acenado a algu\u00e9m que est\u00e1 desesperado\u2026 Somos, de facto, \u201csemeadores do Reino? As nossas palavras e os nossos gestos d\u00e3o testemunho desse mundo novo que Jesus veio propor?<\/li>\n<li>Os que, continuando a miss\u00e3o de Jesus, anunciam a Palavra (que lan\u00e7am a semente) n\u00e3o devem preocupar-se com a forma como ela cresce e se desenvolve. Devem, apenas, confiar na efic\u00e1cia da Palavra anunciada, conformar-se com o tempo e o ritmo de Deus, confiar na a\u00e7\u00e3o de Deus e no dinamismo intr\u00ednseco da Palavra semeada. Isso equivale a respeitar o crescimento de cada pessoa, o seu processo de matura\u00e7\u00e3o, a sua busca de caminhos de Vida e de plenitude. N\u00e3o nos compete exigir que os outros caminhem ao nosso ritmo, que pensem como n\u00f3s, que passem pelas mesmas experi\u00eancias e exig\u00eancias que para n\u00f3s s\u00e3o v\u00e1lidas. Preocupamo-nos em respeitar a consci\u00eancia e o ritmo de caminhada de cada homem ou mulher, como Deus sempre faz?<\/li>\n<li>A refer\u00eancia \u00e0 pequenez da semente (segunda par\u00e1bola) convida-nos \u2013 como j\u00e1 o havia feito a primeira leitura deste domingo \u2013 a rever os nossos crit\u00e9rios de atua\u00e7\u00e3o e a nossa forma de olhar o mundo e os nossos irm\u00e3os. Os exemplos que a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o nos revela n\u00e3o deixam margem para qualquer d\u00favida: \u00e9 naquilo que \u00e9 pequeno, d\u00e9bil e aparentemente insignificante que Deus Se revela. Deus est\u00e1 nos pequenos, nos humildes, nos pobres, nos que renunciaram a esquemas de triunfalismo e de ostenta\u00e7\u00e3o; e \u00e9 atrav\u00e9s deles que Deus transforma o mundo e faz acontecer a salva\u00e7\u00e3o. Sempre que nos deixamos levar por tenta\u00e7\u00f5es de grandeza, de orgulho, de prepot\u00eancia, de vaidade, estamos a ir em sentido contr\u00e1rio ao do Reino de Deus e estamos a frustrar o projeto de Deus. Temos consci\u00eancia disto? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, ler a frase inicial consciente de que ela abre e prepara o discurso que se segue \u2013 \u00e9 Deus quem se dirige ao povo. Ter em aten\u00e7\u00e3o as express\u00f5es \u00abEu sou o Senhor\u00bb e \u00abEu, o Senhor, digo e fa\u00e7o\u00bb. Estas express\u00f5es fazem parte do modo como Deus se apresenta e se identifica, por isso, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o a sua proclama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, deve ter-se presente o tom exortativo presente ao longo de todo o texto. Al\u00e9m disso, deve aproveitar-se a expressividade presente na repeti\u00e7\u00e3o da conjun\u00e7\u00e3o disjuntiva \u00abquer\u2026 quer\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/06\/12\/uma-semente-pequenina-4\/\"><strong>UMA SEMENTE PEQUENINA<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste <strong>Domingo XI do Tempo Comum (Marcos 4,26-34)<\/strong> p\u00f5e-nos na m\u00e3o, nos olhos e no cora\u00e7\u00e3o duas par\u00e1bolas singulares: a da semente que germina e cresce sozinha (v. 26-29), e a do gr\u00e3o de mostarda (v. 30-32). As par\u00e1bolas s\u00e3o pequenas, porque falam do que h\u00e1 de mais pequeno: a semente. A semente \u00e9 a palavra (Marcos 4,14; Lucas 8,11). Ora, a semente \u2013 semente de planta, semente de animal, semente de homem \u2013 \u00e9 a vida. Jesus ensina que \u00e9 a palavra que semeia a vida, pois \u00e9 o seu come\u00e7o. Entenda-se por este prisma o come\u00e7o da vida nova do Reino de Deus que pode sempre nascer em n\u00f3s, quando temos a gra\u00e7a de ver chegar at\u00e9 n\u00f3s a palavra do Evangelho, o pr\u00f3prio Evangelho em pessoa, Jesus Cristo, que nos faz nascer do alto e nos faz nascer de novo (<em>\u00e1n\u00f4then<\/em>) (Jo\u00e3o 3,3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m pequeninos s\u00e3o os passarinhos que v\u00eam abrigar-se nos ramos das \u00e1rvores (Marcos 4,32). As coisas pequeninas \u2013 plantas, animais, crian\u00e7as \u2013 requerem uma maior aten\u00e7\u00e3o. Toda a aten\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e0 palavra de Jesus, que nos \u00e9 magistralmente repartida aos bocadinhos, como migalhas de p\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem entendido, o texto das duas pequenas, mas belas par\u00e1bolas hoje expostas diante de n\u00f3s, vem depois da chamada \u00abpar\u00e1bola do semeador\u00bb ou \u00abda semente\u00bb, que \u00e9 narrada em Marcos 4,1-9, e explicada em Marcos 4,13-20, mas que devemos ter bem presente para compreendermos melhor as duas pequenas par\u00e1bolas de hoje. A par\u00e1bola do \u00absemeador\u00bb ou da \u00absemente\u00bb segue o esquema \u00ab3 + 1\u00bb [caminho, terreno pedregoso, espinhos + terra boa], que \u00e9 j\u00e1, de per si, ilustrativo, pois nos obriga a esperar at\u00e9 ao fim para ver o correto e lento percurso desde a sementeira [novembro\/dezembro] at\u00e9 \u00e0 colheita [abril\/maio]. \u00c9 mesmo dito, na par\u00e1bola, pedagogicamente, que a semente que germina depressa tamb\u00e9m seca depressa (Marcos 4,5-6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 not\u00f3rio que a semente \u00e9 coisa bem pequenina. \u00c9 o que h\u00e1 de mais pequeno. Mas cont\u00e9m inscrito no seu ADN um percurso semelhante ao de Jesus. De facto, uma vez ca\u00edda \u00e0 terra, dar\u00e1 o gr\u00e3o e o p\u00e3o. Ca\u00edda \u00e0 terra, morre para nascer de outra maneira. \u00c9 a Paix\u00e3o. Da semente \u00e0 Paix\u00e3o e ao P\u00e3o: \u00e9 todo o processo ou par\u00e1bola de JESUS a passar diante dos nossos olhos at\u00f3nitos! Portanto, se n\u00e3o entendemos a semente, o in\u00edcio do processo, pergunta Jesus, como entenderemos o inteiro processo e o seu final? (Marcos 4,13). Como entenderemos a gl\u00f3ria sem a humildade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De forma significativa, as duas par\u00e1bolas de hoje, situadas ainda no cone de luz da par\u00e1bola da \u00absemente\u00bb, s\u00f3 reclamam a a\u00e7\u00e3o humana em dois momentos distanciados no tempo: quando \u00e9 lan\u00e7ada a semente \u00e0 terra (Marcos 4,26), e quando chega o tempo da colheita (Marcos 4,29). Entre estes dois momentos, sucedem-se os dias e as noites, o homem dorme e acorda, e a semente lan\u00e7ada na terra germina, cresce e produz o seu fruto \u00abautomaticamente\u00bb (<em>autom\u00e1t\u00ea<\/em>), sem que o homem saiba \u00abcomo\u00bb (Marcos 4,27-28). N\u00e3o o sabia, e n\u00e3o o sabe, o homem simples, do campo, de ent\u00e3o e de hoje, embora o saiba hoje a biogen\u00e9tica. Hoje, a ci\u00eancia sabe o \u00abcomo\u00bb, mas tamb\u00e9m n\u00e3o sabe responder ao \u00abporqu\u00ea\u00bb. Temos todos de come\u00e7ar mesmo pela atitude sublime da admira\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E no que ao gr\u00e3o de mostarda diz respeito, a a\u00e7\u00e3o humana s\u00f3 \u00e9 evocada quando o pequeno gr\u00e3o, que \u00e9 a menor de todas as sementes, \u00e9 semeado na terra (Marcos 4,31). Depois, s\u00f3 lhe \u00e9 dado constatar que uma \u00e1rvore cresce e deita grandes ramos, em que at\u00e9 os p\u00e1ssaros do c\u00e9u se v\u00eam abrigar (Marcos 4,32).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 que isto quer dizer? Quer dizer com certeza que o Reino de Deus tem o seu dinamismo pr\u00f3prio, e que \u00e9 de crescimento. E mais do que querer saber qual \u00e9 esse dinamismo, porventura para dele se apoderar e controlar e at\u00e9 empenhar-se no seu desenvolvimento, a rea\u00e7\u00e3o do homem deve ser, antes de mais, de admira\u00e7\u00e3o, adora\u00e7\u00e3o, louvor e gratid\u00e3o. Jesus, o Filho de Deus, Deus Ele mesmo, atravessa o nosso mundo na condi\u00e7\u00e3o humilde da nossa humana natureza, utilizando a cultura hebraica em que nasceu, falando a l\u00edngua ent\u00e3o popular nessa cultura, o aramaico, servindo-se das imagens mais simples e pr\u00f3ximas, ao alcance de todos: os campos, a semente, as \u00e1rvores, as aves\u2026 Tamb\u00e9m passar\u00e1 pelo sofrimento e pela morte. S\u00f3 depois vir\u00e1 a gl\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o. E o Ap\u00f3stolo Paulo dir\u00e1: o que aconteceu a Ele, tamb\u00e9m nos acontecer\u00e1 a n\u00f3s; como aconteceu a Ele, tamb\u00e9m nos acontecer\u00e1 a n\u00f3s! Dito por Jesus: a eles (v. 34a), aos de fora (v. 11b), tudo chega em par\u00e1bolas, mas a v\u00f3s (v. 11a), \u00abaos pr\u00f3prios disc\u00edpulos\u00bb (<em>to\u00ees id\u00edois matheta\u00ees<\/em>) (v. 34b), \u00e9 dado o mist\u00e9rio do Reino de Deus (v. 11a), e explicava-lhes tudo (v. 34b). De notar que a express\u00e3o \u00abos pr\u00f3prios disc\u00edpulos\u00bb s\u00f3 se encontra nesta passagem, e mostra a particular\u00edssima rela\u00e7\u00e3o que os une a Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A par\u00e1bola do pequeno rebento do cedro, apresentada por Ezequiel (17,22-24), est\u00e1 em perfeita sintonia com as par\u00e1bolas do Evangelho de hoje. Um pequeno rebento plantado por Deus em Israel crescer\u00e1 tanto que servir\u00e1 de abrigo a todas as aves do c\u00e9u. E al\u00e9m disso servir\u00e1 ainda de aviso a todas as grandes \u00e1rvores do campo, pois, na verdade, Deus derruba a \u00e1rvore grande e exalta a pequena, seca a \u00e1rvore verde e reverdece a seca. Esta pequena par\u00e1bola ganha ainda mais relevo se posta em confronto com a par\u00e1bola da videira luxuriante, que \u00e9 o rei Sedecias, plantada por Nabucodonosor em 597, e que volta os seus ramos quer para a Babil\u00f3nia quer para o Egito, as duas grandes \u00e1guias, os dois senhores do tempo. N\u00e3o ter\u00e1 sucesso Sedecias, pois ser\u00e1 apanhada nas malhas da rede de Deus, e n\u00e3o vingar\u00e1 (Ezequiel 17,1-21). Na verdade, embora tendo fugido, \u00e9 alcan\u00e7ado por Nabucodonosor perto de Jeric\u00f3, em 587. Antes de lhe serem vazados os olhos e de ser levado cego para a Babil\u00f3nia, ter\u00e1 de ver ainda, com os seus olhos, serem mortos os seus filhos e a sua mulher. Li\u00e7\u00e3o: assim caem as \u00e1rvores grandes! Mas a \u00e1rvore pequenina, plantada por Deus continuar\u00e1 a crescer sem sobressaltos e servir\u00e1 de morada aos passarinhos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Ap\u00f3stolo Paulo continua, na li\u00e7\u00e3o cont\u00ednua ou semi-cont\u00ednua da Segunda Carta aos Cor\u00edntios (5,6-10), a encorajar-nos a habitar sempre na Casa do Senhor, mesmo quando habitamos ainda neste corpo, aparentemente longe do Senhor. Os verbos a que Paulo mais recorre nestes poucos vers\u00edculos s\u00e3o os verbos\u00a0<em>end\u00eam\u00e9\u00f4<\/em>\u00a0e\u00a0<em>ekd\u00eam\u00e9\u00f4<\/em>\u00a0(tr\u00eas vezes cada um). O termo chave, que explica as duas formas verbais, \u00e9\u00a0<em>d\u00eamos<\/em>\u00a0[= povo], com as duas part\u00edculas\u00a0<em>en<\/em>\u00a0[= em] e\u00a0<em>ek<\/em>\u00a0[= fora de].\u00a0<em>End\u00eam\u00e9\u00f4<\/em>\u00a0significa ent\u00e3o habitar junto do seu povo, sentir-se em casa, enquanto\u00a0<em>ekd\u00eam\u00e9\u00f4<\/em>\u00a0significa habitar fora do seu povo, distante de casa. A nossa casa verdadeira \u00e9 estar em Casa com o Senhor. Mas enquanto estamos distantes dele, sabemos, pela f\u00e9, que \u00e9 para a sua Casa que caminhamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O belo Salmo 92 continua a fazer vibrar em n\u00f3s a m\u00fasica da semente, das \u00e1rvores, das aves e dos dias breves e belos, da eternidade. O orante real\u00e7a a imagem vegetal, fresca e verdejante, da palmeira e do cedro, verdadeiro bras\u00e3o do justo. Quer a palmeira quer o cedro evocam uma vitalidade contra a qual em v\u00e3o atenta o deserto. Al\u00e9m disso, o cedro, com a sua altura, simboliza a longevidade: pode durar um mil\u00e9nio. E a palmeira,\u00a0<em>pho\u00ednix<\/em>\u00a0no texto grego, com o seu duplo significado de palmeira e f\u00e9nix, a ave da imortalidade, servir\u00e1 \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 para celebrar a vit\u00f3ria da vida nova e eterna. No culto sinagogal, este Salmo \u00e9 cantado \u00e0 entrada do S\u00e1bado, ao p\u00f4r-do-sol de sexta-feira. L\u00ea-se na Mishna: \u00abAo s\u00e1bado canta-se o C\u00e2ntico do dia de s\u00e1bado (Salmo 92), C\u00e2ntico para o tempo que h\u00e1 de vir, para o dia que ser\u00e1 inteiramente s\u00e1bado e repouso para a vida eterna. Mas \u00e9 o Senhor que est\u00e1 por detr\u00e1s de tudo isto. \u00c9 por isso que \u00e9 bom e belo louv\u00e1-lo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deita com ternura a semente na terra<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 o seu ber\u00e7o natural<\/strong><br \/>\n<strong>E adormece suavemente<\/strong><br \/>\n<strong>Tu e a semente<\/strong><br \/>\n<strong>A semente n\u00e3o erra<\/strong><br \/>\n<strong>A semente n\u00e3o mente<\/strong><br \/>\n<strong>Adormece na terra<\/strong><br \/>\n<strong>Aparece depois um fiozinho de erva<\/strong><br \/>\n<strong>Nasce e cresce<\/strong><br \/>\n<strong>Uma flor floresce<\/strong><br \/>\n<strong>Um fruto amadurece<\/strong><br \/>\n<strong>Um p\u00e1ssaro desce<\/strong><br \/>\n<strong>E reza e canta e dan\u00e7a e debica e agradece<\/strong><br \/>\n<strong>Ao Senhor da messe.<\/strong><br \/>\n<strong>Senhor Jesus,<\/strong><br \/>\n<strong>D\u00e1-me um cora\u00e7\u00e3o puro e transparente<\/strong><br \/>\n<strong>Como uma nascente,<\/strong><br \/>\n<strong>Como uma semente,<\/strong><br \/>\n<strong>E ensina-me a ser simples e leve<\/strong><br \/>\n<strong>Como aquele p\u00e1ssaro que do c\u00e9u desce,<\/strong><br \/>\n<strong>E reza e canta e come e agradece.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Leitua-I-do-Domingo-XI-do-Tempo-Comum-Ano-B-16.06.2024-Ez-17-22-24.pdf\">Leitua I do Domingo XI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 16.06.2024 (Ez 17, 22-24)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Leitura-II-do-Domingo-XI-do-Tempo-Comum-Ano-B-16.06.2024-2Cor-5-6-10.pdf\">Leitura II do Domingo XI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 16.06.2024 (2Cor 5, 6-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Domingo-XI-do-Tempo-Comum-Ano-B-16.06.2024-Lecionario.pdf\">Domingo XI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 16.06.2024- Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Domingo-XI-do-Tempo-Comum-Ano-B-16.06.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 16.06.2024- Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/A-Homilia.pdf\">A Homilia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Anselmo-Borges-A-Eucaristia.-A-vida-antes-do-dogma.pdf\">Anselmo Borges &#8211; A Eucaristia. A vida antes do dogma<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo X do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 09.06.2024&#8243; tab_id=&#8221;1718571091041-4b8bfa2b-d209&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo X do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 09.06.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Domingo-X.jpg\" alt=\"\" width=\"715\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Onde est\u00e1s?<\/em>\u00bb: esta \u00e9 a primeira pergunta que Deus dirige \u00e0 humanidade. O primeiro casal humano, ouvindo os passos de Deus, depois de terem transgredido as ordens dadas pelo Criador, esconde-se pela vergonha de se sentirem nus. A nossa fragilidade e o nosso pecado despem as m\u00e1scaras e adornos com que tantas vezes camuflamos o que verdadeiramente somos. Contudo, \u00e9 necess\u00e1rio amadurecer a capacidade de integrar na nossa vida os nossos limites e fracassos e aprender a encontrar neles pontos de esfor\u00e7o onde somos chamados a investir para crescer na estrada da santidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Evitar a pergunta decisiva \u2013 \u00ab<em>onde est\u00e1s?<\/em>\u00bb \u2013 n\u00e3o nos permite amadurecer nem crescer porque nos bloqueia e nos faz ficar escondidos apenas a lamentar a nossa pobre condi\u00e7\u00e3o. Somos barro fr\u00e1gil e d\u00e9bil que permanentemente precisa de ser visitado pelo Criador para se situar no tempo e na hist\u00f3ria, na rela\u00e7\u00e3o com Deus e com os irm\u00e3os. O itiner\u00e1rio crente escreve-se no devir do tempo, percorrendo a estrada que nos conduz de onde estamos e daquilo que somos, para onde Deus nos quer e para aquilo que Ele nos chama a ser. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio enfrentar os medos e a vergonha que nos paralisa e nos faz esconder, para que possamos caminhar com renovada confian\u00e7a na m\u00e3o firme e segura Daquele que nos aponta o caminho da verdadeira liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 sempre tentador encontrar algu\u00e9m a quem jogar a culpa e desculpabilizar o nosso erro: \u00ab<em>a mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da \u00e1rvore e eu comi<\/em>\u00bb. Ad\u00e3o consegue culpabilizar a mulher, culpabilizando Deus de lha ter dado como companheira. Mas se, por um lado, \u00e9 apetec\u00edvel lan\u00e7ar fora a nossa culpa projetando-a em algu\u00e9m, mais reconfortante e libertador \u00e9 assumir a verdade do que somos, situar-nos no tempo e na hist\u00f3ria com as nossas m\u00e3os vazias e avan\u00e7ar cofiando na fragilidade que se faz for\u00e7a quando assumida e integrada com verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Contrasta com a figura de Ad\u00e3o e Eva o testemunho de Maria, aquela que diante da Sua pequenez se colocou diante de Deus dispon\u00edvel para o seu acontecer. A Virgem de Nazar\u00e9 encontrou no cumprimento da Palavra de Deus o caminho que a fez avan\u00e7ar do receio e dos temores iniciais para a confian\u00e7a e a ousadia da ades\u00e3o total e dispon\u00edvel \u00e0 vontade de Deus. Confrontado com a presen\u00e7a da sua m\u00e3e e dos seus irm\u00e3os, Jesus proclama a alta voz que Sua M\u00e3e e Seus irm\u00e3os s\u00e3o aqueles que encontram na vontade de Deus a norma orientadora do Seu agir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Maria ensina-nos a responder \u00e0 pergunta \u2013 \u00ab<em>onde est\u00e1s?<\/em>\u00bb \u2013 com um sim pronto e dispon\u00edvel: \u00ab<em>Eis a serva do Senhor, fa\u00e7a-se em mim segundo a tua palavra<\/em>\u00bb. O cumprimento da Palavra de Deus e o seguimento da Sua vontade unificam a vida e transformam o cora\u00e7\u00e3o, ao inv\u00e9s do pecado e da desconfian\u00e7a que d\u00e3o lugar \u00e0 divis\u00e3o e ru\u00edna: \u00ab<em>se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino n\u00e3o pode aguentar-se<\/em>\u00bb. O pecado fere a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus e com os irm\u00e3os, destr\u00f3i a harmonia e a comunh\u00e3o e faz despontar a vergonha e o escondimento. S\u00f3 a verdade nos liberta e s\u00f3 a vontade de Deus nos conduz \u00e0 verdadeira liberdade. Efetivamente, a liberdade verdadeira n\u00e3o se define como um \u00e1trio largo e vasto onde todas as coisas nos s\u00e3o poss\u00edveis, mas na consci\u00eancia de que sou verdadeiramente livre quando podendo fazer a escolha decisiva entre o bem e o mal, escolho o bem supremo que \u00e9 Jesus Cristo e o Seu Evangelho.<strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Este m\u00eas de junho \u00e9 marcado pelas festas dos Santos Populares que enchem as nossas terras de alegria, m\u00fasica e comemora\u00e7\u00f5es t\u00edpicas. Na verdade, a celebra\u00e7\u00e3o das festas dos santos deve ser sempre marcada pela alegria e pela festa, pois recordamos o testemunho gaudioso daqueles que seguiram a Cristo de todo o cora\u00e7\u00e3o. A Liturgia da Palavra deste Domingo recorda que o seguimento de Jesus se faz abra\u00e7ando a nova l\u00f3gica do Reino, assumindo as nossas fragilidades e limita\u00e7\u00f5es, encontrando no fiel cumprimento da vontade de Deus o caminho da verdadeira liberdade.<strong><em> in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Continuamos no ciclo &#8211; Ano B &#8211; do Ano Lit\u00fargico. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>G\u00e9nesis 3,9-15<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois de Ad\u00e3o ter comido da \u00e1rvore,<br \/>\no Senhor Deus chamou-o e disse-lhe:<br \/>\n\u00abOnde est\u00e1s?\u00bb<br \/>\nEle respondeu:<br \/>\n\u00abOuvi o rumor dos vossos passos no jardim<br \/>\ne, como estava nu, tive medo e escondi-me\u00bb.<br \/>\nDisse Deus:<br \/>\n\u00abQuem te deu a conhecer que estavas nu?<br \/>\nTerias tu comido dessa \u00e1rvore, da qual te proibira comer?\u00bb<br \/>\nAd\u00e3o respondeu:<br \/>\n\u00abA mulher que me destes por companheira<br \/>\ndeu-me do fruto da \u00e1rvore e eu comi\u00bb.<br \/>\nO Senhor Deus perguntou \u00e0 mulher:<br \/>\n\u00abQue fizeste?\u00bb<br \/>\nE a mulher respondeu:<br \/>\n\u00abA serpente enganou-me e eu comi\u00bb.<br \/>\nDisse ent\u00e3o o Senhor Deus \u00e0 serpente:<br \/>\n\u00abPor teres feito semelhante coisa,<br \/>\nmaldita sejas entre todos os animais dom\u00e9sticos<br \/>\ne todos os animais selvagens.<br \/>\nH\u00e1s de rastejar e comer do p\u00f3 da terra<br \/>\ntodos os dias da tua vida.<br \/>\nEstabelecerei inimizade entre ti e a mulher,<br \/>\nentre a tua descend\u00eancia e a descend\u00eancia dela.<br \/>\nEla h\u00e1 de atingir-te na cabe\u00e7a<br \/>\ne tu a atingir\u00e1s no calcanhar\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como indica a palavra G\u00e9nesis (que significa \u00aborigem\u00bb), que intitula o primeiro livro da Sagrada Escritura, este \u00e9 o livro das origens, n\u00e3o apenas porque narra o in\u00edcio da cria\u00e7\u00e3o e do mundo (cf. Gn 1,1: \u00abNo princ\u00edpio, Deus criou\u2026\u00bb), mas porque vem ao encontro das perguntas existenciais de todos os homens e mulheres: \u00abQuem sou eu? Donde venho? Para onde vou?\u00bb. Assim, mesmo na divis\u00e3o cl\u00e1ssica em duas partes, o primeiro livro da B\u00edblia responde \u00e0 pergunta sobre as origens: primeiro, as origens da cria\u00e7\u00e3o e do ser humano (cf. Gn 1,1\u201311,26); depois, as origens de Israel, com os chamados ciclos dos patriarcas (cf. Gn 11,27\u201350,26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sobretudo no que diz respeito \u00e0 primeira parte, n\u00e3o se deve procurar uma hist\u00f3ria factual (cada vez mais, as tradu\u00e7\u00f5es da B\u00edblia traduzem \u00ab\u2019adam\u00bb como \u00abhomem\u00bb, em vez de \u00abAd\u00e3o\u00bb, mostrando como, naquele primeiro homem, est\u00e1 presente o drama de cada ser humano); deve ler-se a\u00ed uma hist\u00f3ria po\u00e9tico-simb\u00f3lica, em que a poesia e o s\u00edmbolo abra\u00e7am a realidade, mas ultrapassam-na. O autor sagrado condensa, com certeza, v\u00e1rias tradi\u00e7\u00f5es que foram sendo transmitidas oralmente e que respondem \u00e0 pergunta sobre as origens da cria\u00e7\u00e3o, do ser humano na sua diferencia\u00e7\u00e3o e complementaridade homem-mulher, do mal, das v\u00e1rias l\u00ednguas, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esta primeira leitura faz parte do segundo relato da cria\u00e7\u00e3o (cf. Gn 2,4b\u20133,24), o \u00fanico a narrar a transgress\u00e3o, n\u00e3o como um facto hist\u00f3rico, mas como um modo de perceber as origens do mal \u2013 que, como veremos, n\u00e3o se encontra em Deus, nem no ser humano, mas \u00e9 externa \u2013 e da luta intr\u00ednseca dos homens e mulheres contra o autor do mal. Leva-nos at\u00e9 ao relato do encontro de Deus com o homem e a mulher, depois de estes terem comido do fruto da \u00e1rvore do conhecimento do bem e do mal (cf. Gn 3,1-7), transgredindo a ordem que lhes tinha sido expressamente dada, de n\u00e3o comer de duas \u00e1rvores, da \u00e1rvore do conhecimento do bem e do mal e da \u00e1rvore da vida (cf. Gn 2,16-17).<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O estilo do texto da primeira leitura, de di\u00e1logo entre Deus e os personagens deste relato, ajuda a colocar-se na narrativa, escutando as perguntas de Deus ao homem: \u00abOnde est\u00e1s?\u00bb (v. 9), \u00abTerias tu comido dessa \u00e1rvore, da qual te proibira comer?\u00bb (v. 11), e \u00e0 mulher: \u00abQue fizeste?\u00bb (v. 13). Uma vez que todas estas quest\u00f5es t\u00eam um sentido existencial, poder\u00e1 ser bom voltar \u00e0s origens, poder localizar-nos no espa\u00e7o de Deus, responder pelas nossas a\u00e7\u00f5es e verificar se as nossas respostas diferem das dos personagens deste relato.<\/li>\n<li>Diz-se que \u00e9 comum a tend\u00eancia para desculpabilizar, desresponsabilizar e autojustificar-se. Tamb\u00e9m neste relato se v\u00ea um cont\u00ednuo passar da culpa para os outros personagens. Retomando as quest\u00f5es anteriores, poder\u00e1 ser hora de assumir as nossas responsabilidades diante de Deus, sabendo que, como dir\u00e1 o Salmo 129 (130), \u00abno Senhor est\u00e1 a miseric\u00f3rdia e a abundante reden\u00e7\u00e3o\u00bb. A autojustifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 caminho; o caminho passa pela justifica\u00e7\u00e3o trazida por Cristo na sua morte de cruz, para nos reconciliar com o Pai. Como lido com a culpa? Sou capaz de assumir a minha culpa diante de Deus, confiando na sua miseric\u00f3rdia?<\/li>\n<li>A origem \u00faltima de toda a complica\u00e7\u00e3o remonta ao facto de se ter dado ouvidos \u00e0 serpente: \u00abA serpente enganou-me e eu comi\u00bb (v. 13). Se este r\u00e9ptil \u00e9 uma imagem do diabo e do poder do mal, \u00e9 importante estar de sobreaviso diante da tenta\u00e7\u00e3o do maligno. Como v\u00e1rias vezes tem ensinado o Papa Francisco: \u00abN\u00e3o se dialoga com o dem\u00f3nio\u00bb. \u00c9 ainda o Pont\u00edfice a dizer: \u00abA vida crist\u00e3 \u00e9 uma luta permanente. Requer-se for\u00e7a e coragem para resistir \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es do dem\u00f3nio e anunciar o Evangelho. [\u2026] N\u00e3o pensemos que \u00e9 um mito, uma representa\u00e7\u00e3o, um s\u00edmbolo, uma figura ou uma ideia. Este engano leva-nos a diminuir a vigil\u00e2ncia, a descuidar-nos e a ficar mais expostos. O dem\u00f3nio n\u00e3o precisa de nos possuir. Envenena-nos com o \u00f3dio, a tristeza, a inveja, os v\u00edcios. E assim, enquanto abrandamos a vigil\u00e2ncia, ele aproveita para destruir a nossa vida, as nossas fam\u00edlias e as nossas comunidades, porque, \u201ccomo um le\u00e3o a rugir, anda a rondar-vos, procurando a quem devorar\u201d (1Pd 5,8)\u00bb (<em>Gaudete et Exsultate<\/em>161). Como vivo a ren\u00fancia ao dem\u00f3nio e \u00e0s suas sedu\u00e7\u00f5es, prometida no ato do meu Batismo? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 Salmo 129 (130)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:\u00a0 No Senhor est\u00e1 a miseric\u00f3rdia e abundante reden\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ou:\u00a0 No Senhor est\u00e1 a miseric\u00f3rdia,<br \/>\nno Senhor est\u00e1 a plenitude da reden\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Do profundo abismo chamo por V\u00f3s, Senhor,<br \/>\nSenhor, escutai a minha voz.<br \/>\nEstejam os vossos ouvidos atentos<br \/>\n\u00e0 voz da minha s\u00faplica.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se tiverdes em conta os nossos pecados,<br \/>\nSenhor, quem poder\u00e1 salvar-se?<br \/>\nMas em V\u00f3s est\u00e1 o perd\u00e3o<br \/>\npara Vos servirmos com rever\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu confio no Senhor,<br \/>\na minha alma confia na sua palavra.<br \/>\nA minha alma espera pelo Senhor<br \/>\nmais do que as sentinelas pela aurora.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Porque no Senhor est\u00e1 a miseric\u00f3rdia<br \/>\ne com Ele abundante reden\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEle h\u00e1 de libertar Israel<br \/>\nde todas as suas faltas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>2 Cor\u00edntios 4,13\u20135,1<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nDiz a Escritura: \u00abAcreditei, por isso falei\u00bb.<br \/>\nCom este mesmo esp\u00edrito de f\u00e9,<br \/>\ntamb\u00e9m n\u00f3s acreditamos, e por isso falamos,<br \/>\nsabendo que Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus<br \/>\ntamb\u00e9m nos h\u00e1 de ressuscitar com Jesus<br \/>\ne nos levar\u00e1 convosco para junto d\u2019Ele.<br \/>\nTudo isto \u00e9 por vossa causa,<br \/>\npara que uma gra\u00e7a mais abundante<br \/>\nmultiplique as a\u00e7\u00f5es de gra\u00e7as de um maior n\u00famero de crist\u00e3os<br \/>\npara gl\u00f3ria de Deus.<br \/>\nPor isso, n\u00e3o desanimamos.<br \/>\nAinda que em n\u00f3s o homem exterior se v\u00e1 arruinando,<br \/>\no homem interior vai-se renovando de dia para dia.<br \/>\nPorque a ligeira afli\u00e7\u00e3o dum momento<br \/>\nprepara-nos, para al\u00e9m de toda e qualquer medida,<br \/>\num peso eterno de gl\u00f3ria.<br \/>\nN\u00e3o olhamos para as coisas vis\u00edveis,<br \/>\nolhamos para as invis\u00edveis:<br \/>\nas coisas vis\u00edveis s\u00e3o passageiras,<br \/>\nao passo que as invis\u00edveis s\u00e3o eternas.<br \/>\nBem sabemos que,<br \/>\nse esta tenda, que \u00e9 a nossa morada terrestre, for desfeita,<br \/>\nrecebemos nos C\u00e9us uma habita\u00e7\u00e3o eterna,<br \/>\nque \u00e9 obra de Deus<br \/>\ne n\u00e3o \u00e9 feita pela m\u00e3o dos homens.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Segunda Carta aos Cor\u00edntios \u00e9, em grande parte, uma apologia do Ap\u00f3stolo Paulo em favor do seu minist\u00e9rio apost\u00f3lico, diante de quem n\u00e3o o reconhece. Numa primeira apologia, em 2Cor 2,14\u20134,6, Paulo tinha-se baseado muito na autoridade do Antigo Testamento, para provar a verdade da sua atividade apost\u00f3lica, t\u00e3o gloriosa a ponto de ofuscar o minist\u00e9rio de Mois\u00e9s. O nosso texto situa-se na segunda apologia de Paulo (2Cor 4,7\u20135,10), desta feita baseada n\u00e3o tanto sobre os textos sagrados do Antigo Testamento, mas sobre uma antropologia em perspetiva escatol\u00f3gica, que ser\u00e1 bem vis\u00edvel no nosso texto. Esta segunda apologia responde a algumas quest\u00f5es que os seus advers\u00e1rios poderiam colocar-se: uma delas \u00e9 perceber como \u00e9 que o minist\u00e9rio apost\u00f3lico, por ele defendido na primeira apologia, pode ser t\u00e3o provado e atribulado (cf. 2Cor 4,8-9.17). A resposta apolog\u00e9tica de Paulo pautar-se-\u00e1 por uma estrat\u00e9gia muito particular de ler toda a situa\u00e7\u00e3o presente, claramente marcada pelas tribula\u00e7\u00f5es, \u00e0 luz do futuro, do mundo que h\u00e1 de vir, das coisas \u00faltimas (escatologia). Nesta releitura, Paulo acentuar\u00e1 a comunh\u00e3o: a comunh\u00e3o que o une a Jesus Ressuscitado e a comunh\u00e3o com os crentes, inclu\u00eddos muito provavelmente tamb\u00e9m os destinat\u00e1rios desta Carta.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A atitude de Paulo diante das tribula\u00e7\u00f5es serve de modelo para os crist\u00e3os de todos os tempos, como atitude a conservar diante das provas e tribula\u00e7\u00f5es, quer derivem do exerc\u00edcio dos diversos minist\u00e9rios na comunidade eclesial, quer se refiram a tantas outras situa\u00e7\u00f5es que derivam do pr\u00f3prio \u201cser crist\u00e3os\u201d no mundo contempor\u00e2neo. \u00c9 antes de mais uma atitude de f\u00e9 e de confian\u00e7a que tem a eternidade como fim bem vis\u00edvel. A ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo abriu caminho, para mostrar que a vida humana n\u00e3o se confina \u00e0 vida terrena, mas \u00e9 chamada \u00e0 vida de comunh\u00e3o com Jesus ressuscitado, sentado \u00e0 direita do Pai. A f\u00e9 na vida eterna deve continuar a iluminar o momento presente dos crist\u00e3os. Que influ\u00eancia tem a f\u00e9 na forma como olho o mundo?<\/li>\n<li>A comunh\u00e3o eclesial \u00e9 certamente uma das marcas distintivas do que significa ser crist\u00e3os. Jesus d\u00e1 forma a essa comunh\u00e3o atrav\u00e9s do mandamento novo do amor e reza para que esta comunh\u00e3o se mantenha e seja imagem da sua comunh\u00e3o com o Pai. Paulo d\u00e1 mostras de a viver, porque espera continuar unido aos crist\u00e3os, a quem se dirige, tamb\u00e9m na vida eterna. Al\u00e9m disso, todo o seu minist\u00e9rio apost\u00f3lico se destina a gerar novos crist\u00e3os. Paulo \u00e9 exemplo do desempenho do minist\u00e9rio como servi\u00e7o \u00e0 Igreja, n\u00e3o para a sua gl\u00f3ria pessoal, n\u00e3o para se servir a si mesmo, mas estar verdadeiramente ao servi\u00e7o dos outros. Que peso tem a comunh\u00e3o eclesial na minha exist\u00eancia crente? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Marcos 3,20-35<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus chegou a casa com os seus disc\u00edpulos.<br \/>\nE de novo acorreu tanta gente,<br \/>\nde modo que nem sequer podiam comer.<br \/>\nAo saberem disto, os parentes de Jesus<br \/>\npuseram-se a caminho para O deter,<br \/>\npois diziam: \u00abest\u00e1 fora de Si\u00bb.<br \/>\nOs escribas que tinham descido de Jerusal\u00e9m diziam:<br \/>\n\u00abEst\u00e1 possesso de Belzebu,<br \/>\ne ainda:<br \/>\n\u00ab\u00c9 pelo chefe dos dem\u00f3nios que Ele expulsa os dem\u00f3nios\u00bb.<br \/>\nMas Jesus chamou-os e come\u00e7ou a falar-lhes em par\u00e1bolas:<br \/>\n\u00abComo pode Satan\u00e1s expulsar Satan\u00e1s?\u00bb<br \/>\nSe um reino estiver dividido contra si mesmo,<br \/>\ntal reino n\u00e3o pode aguentar-se.<br \/>\nE se uma casa estiver dividida contra si mesma,<br \/>\nessa casa n\u00e3o pode aguentar-se.<br \/>\nPortanto, se Satan\u00e1s se levanta contra si mesmo e se divide,<br \/>\nn\u00e3o pode subsistir: est\u00e1 perdido.<br \/>\nNingu\u00e9m pode entrar em casa de um homem forte<br \/>\ne roubar-lhe os bens, sem primeiro o amarrar:<br \/>\ns\u00f3 ent\u00e3o poder\u00e1 saquear a casa.<br \/>\nEm verdade vos digo:<br \/>\nTudo ser\u00e1 perdoado aos filhos dos homens:<br \/>\nos pecados e blasf\u00e9mias que tiverem proferido;<br \/>\nmas quem blasfemar contra o Esp\u00edrito Santo<br \/>\nnunca ter\u00e1 perd\u00e3o: ser\u00e1 r\u00e9u de pecado eterno\u00bb.<br \/>\nReferia-Se aos que diziam:<br \/>\n\u00abEst\u00e1 possesso dum esp\u00edrito impuro\u00bb.<br \/>\nEntretanto, chegaram sua M\u00e3e e seus irm\u00e3os,<br \/>\nque, ficando fora, mandaram-n\u2019O chamar.<br \/>\nA multid\u00e3o estava sentada em volta d\u2019Ele,<br \/>\nquando Lhe disseram:<br \/>\n\u00abTua M\u00e3e e teus irm\u00e3os est\u00e3o l\u00e1 fora \u00e0 tua procura\u00bb.<br \/>\nMas Jesus respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abQuem \u00e9 minha M\u00e3e e meus irm\u00e3os?\u00bb<br \/>\nE, olhando para aqueles que estavam \u00e0 sua volta, disse:<br \/>\n\u00abEis minha M\u00e3e e meus irm\u00e3os.<br \/>\nQuem fizer a vontade de Deus<br \/>\nesse \u00e9 meu irm\u00e3o, minha irm\u00e3 e minha M\u00e3e\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em Mc 3,6, tinha terminado a sec\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias controv\u00e9rsias de Jesus com diversas institui\u00e7\u00f5es do mundo judaico. N\u00e3o quer dizer que tenha terminado o confronto com essas institui\u00e7\u00f5es; o nosso texto ser\u00e1 uma boa prova desse confronto. Dentro da grande sec\u00e7\u00e3o de Mc 3,7\u20138,26, a per\u00edcope de Mc 3,7\u20136,6 em que se encontra o nosso texto ser\u00e1 dominada pelo contraste entre a rejei\u00e7\u00e3o e a aceita\u00e7\u00e3o de Jesus como mestre e agente de a\u00e7\u00f5es miraculosas: por um lado, o grupo dos doze ap\u00f3stolos (cf. 3,13-19) e todos os que aceitam e fazem a vontade do Pai (3,33-35); por outro, a dificuldade da fam\u00edlia de Jesus (cf. 3,21), dos escribas (cf. 3,22) e dos habitantes de Nazar\u00e9 (cf. 6,1-6) em aceitar o minist\u00e9rio de Jesus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O tema principal do texto do Evangelho deste domingo \u2013 sobre a identidade de Jesus \u2013 mostra que desde os in\u00edcios do cristianismo os crist\u00e3os sentiram necessidade de responder \u00e0 pergunta: \u201cQuem \u00e9 Jesus?\u201d. Ainda hoje, na a\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja, sobretudo nas catequeses, \u00e9 importante que todos os crist\u00e3os conhe\u00e7am a identidade de Jesus, at\u00e9 mesmo para poderem estabelecer com ele uma rela\u00e7\u00e3o personalizada. Que import\u00e2ncia tem o conhecimento de Jesus na minha vida espiritual?<\/li>\n<li>Fazer parte da fam\u00edlia de Jesus \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o fundamental dos crist\u00e3os de todos os tempos. Por isso, s\u00e3o chamados a formar comunidade, que est\u00e1 centrada na pessoa de Jesus e que tem como \u00fanica miss\u00e3o fazer a vontade de Deus em todas as circunst\u00e2ncias da vida. \u00c9 a isso que chama o Evangelho quando Jesus apresenta a sua verdadeira fam\u00edlia: \u00e9 quem faz a vontade de Deus e toma lugar ao redor de Jesus. Sinto que vivo em comunh\u00e3o com Jesus? Quais os sinais dessa familiaridade?<\/li>\n<li>O m\u00e9todo para estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de familiaridade com Jesus passa necessariamente por seguir o seu exemplo: \u00e9 Ele o primeiro a fazer a vontade de Deus, mesmo quando isso acarreta incompreens\u00e3o e rejei\u00e7\u00e3o do seu minist\u00e9rio. O crist\u00e3o continua no mundo a miss\u00e3o de Jesus e tem como \u00fanico horizonte fazer a vontade de Deus; esta \u00e9 uma das peti\u00e7\u00f5es do Pai Nosso, a ora\u00e7\u00e3o que Jesus ensina a rezar: \u00abFa\u00e7a-se a tua vontade, assim na terra como no c\u00e9u\u00bb. De que modo deixo que a minha vida seja modelada pelo cumprimento da vontade de Deus?<\/li>\n<li>Quando o crist\u00e3o se decide a seguir Jesus, isso implica necessariamente que renuncie ao mal e ao dem\u00f3nio. Tal como Jesus estabelece uma clara separa\u00e7\u00e3o entre o seu servi\u00e7o e o poder de Satan\u00e1s, desde o primeiro momento da vida crist\u00e3, os crist\u00e3os s\u00e3o chamados a renunciar a Satan\u00e1s e a fazer a sua profiss\u00e3o de f\u00e9 em Deus. Na vida ordin\u00e1ria, isso implica que se tenha claro que algumas pr\u00e1ticas de bruxaria, feiti\u00e7aria e cartomancia n\u00e3o s\u00e3o pr\u00e1ticas pr\u00f3prias de um crist\u00e3o, mas aprisionam; Jesus vem libertar-nos desse aprisionamento de Satan\u00e1s e \u00e9 necess\u00e1rio deixar-se libertar. Na minha vida crist\u00e3 h\u00e1 lugar para estas pr\u00e1ticas d\u00fabias? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, ter especial cuidado na articula\u00e7\u00e3o das diversas interven\u00e7\u00f5es do di\u00e1logo entre Deus, Ad\u00e3o e a mulher, de modo particular, nas frases interrogativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na <strong>segunda leitura<\/strong>, encontramos frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es intercaladas com frases muito curtas. Deve preparar-se a leitura com aten\u00e7\u00e3o \u00e0s diversas pausas e respira\u00e7\u00f5es para uma leitura bem articulada do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/06\/05\/a-verdadeira-familia-de-jesus-3\/\"><strong>A VERDADEIRA FAM\u00cdLIA DE\u00a0JESUS<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9-nos dado neste <strong>Domingo X do Tempo Comum<\/strong> escutar o <strong>Evangelho de Marcos 3,20-35.<\/strong> \u00c9 um texto considerado dif\u00edcil, em que s\u00e3o facilmente identific\u00e1veis tr\u00eas cenas organizadas em crescendo.\u00a0<em>Primeira cena<\/em>: Marcos 3,20-21: Jesus em \u00abcasa\u00bb, em Cafarnaum (cf. Marcos 1,29.32; 2,1-2), procurado por todos, e sem tempo sequer para comer. Nestas condi\u00e7\u00f5es, os \u00abseus\u00bb (familiares), de Nazar\u00e9, saem para tomar conta dele, pois\u00a0<em>se dizia<\/em>: \u00abest\u00e1 fora de si\u00bb (<em>ex\u00e9st\u00ea<\/em>).\u00a0<em>Segunda cena<\/em>: Marcos 3,22-30: descem os escribas de Jerusal\u00e9m para verem tamb\u00e9m o que se passa com Jesus. Ao verem as maravilhas que realiza, concluem que \u00abest\u00e1 possu\u00eddo por Belzebu\u00bb (Marcos 3,22) ou \u00abpor um esp\u00edrito impuro\u00bb (Marcos 3,30), e que \u00ab\u00e9 pelo pr\u00edncipe dos dem\u00f3nios que Ele expulsa os dem\u00f3nios\u00bb (Marcos 3,22).\u00a0<em>Terceira cena<\/em>: Marcos 3,31-35: o pr\u00f3prio Jesus indica quem s\u00e3o os seus verdadeiros familiares: n\u00e3o os que est\u00e3o\u00a0<em>fora<\/em>\u00a0e\u00a0<em>de p\u00e9<\/em>, mas os que est\u00e3o\u00a0<em>dentro<\/em>\u00a0e\u00a0<em>sentados<\/em>\u00a0\u00e0 sua volta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A primeira cena requer alguma aten\u00e7\u00e3o. A \u00abcasa\u00bb de que se fala \u00e9 claramente a casa de Sim\u00e3o e de Andr\u00e9, em Cafarnaum (Marcos 1,29). \u00c9 a\u00ed que as multid\u00f5es procuram Jesus (Marcos 3,20), como j\u00e1 tinha sido anotado antes em Marcos 1,33 e 2,2. N\u00e3o eram, ao contr\u00e1rio do que algumas vers\u00f5es deixam entender, os familiares de Jesus, vindos de Nazar\u00e9, que \u00abdiziam: est\u00e1 fora de si\u00bb, ou, por outras palavras, \u00abenlouqueceu\u00bb. Todo o problema reside em identificar o sujeito daquele \u00abdiziam\u00bb. A forma verbal grega \u00e9\u00a0<em>\u00e9legon<\/em>, que \u00e9 um imperfeito impessoal, 3.\u00aa pessoa do plural, do verbo\u00a0<em>l\u00e9g\u00f4<\/em>. Deve, pois, traduzir-se, n\u00e3o que os familiares de Jesus\u00a0<em>diziam<\/em>, mas que \u00ab<em>se dizi<\/em>a\u00bb, isto \u00e9, as pessoas diziam. Muda tudo na compreens\u00e3o do texto. Os mais c\u00e9ticos podem sempre ver, acerca deste acerto exeg\u00e9tico, M. Zerwich, M. Grosvenor,\u00a0<em>A Grammatical Analisis of vthe Greek New Testament<\/em>, Roma, Biblical Institute Press, ed. rev., 1981, p. 109. E porque era isto que corria acerca de Jesus, os seus familiares s\u00e3o os primeiros que devem intervir (Deuteron\u00f3mio 13,2-12; Zacarias 13,2-5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na segunda cena, os escribas, representantes do saber oficial de Jerusal\u00e9m, afirmam logo que Jesus faz o que faz, porque est\u00e1 em colabora\u00e7\u00e3o com as for\u00e7as do mal. Este racioc\u00ednio viciado \u00e9 completamente desmontado por Jesus, que faz ver aos escribas que se algu\u00e9m luta contra si mesmo entra em dissolu\u00e7\u00e3o, autodestruindo-se. N\u00e3o pode, portanto, ser o mal a lutar e vencer o mal. O mal s\u00f3 pode ser vencido pelo bem (cf. Romanos 12,21). S\u00f3 a cegueira de cora\u00e7\u00f5es empedernidos pode recusar evid\u00eancia t\u00e3o evidente: de facto, quem estiver postado do lado do mal, n\u00e3o se por\u00e1 a combater o mal, pois uma tal atitude equivaleria a destruir-se a si mesmo. Confundir a fonte do bem, operado por Jesus, com a fonte do mal, \u00e9 n\u00e3o querer reconhecer a a\u00e7\u00e3o de Deus, e reconhecer o mal como \u00fanico poder, \u00fanico deus. E o mal n\u00e3o perdoa. Conta-se que Hillel, um dos grandes Mestres do juda\u00edsmo do tempo de Jesus, ao ver um cad\u00e1ver a ser arrastado por uma corrente, sentenciou: \u00abFoste morto porque mataste, mas quem te matou tamb\u00e9m ser\u00e1 morto!\u00bb. Portanto, o mal n\u00e3o perdoa, e funciona em cadeia. Prender Jesus, operador s\u00f3 do Bem, a este cadeado do mal, \u00e9 contradizer a verdade reconhecida como tal. \u00c9 confundir o Bem com o mal. \u00c9 neste ponto preciso que n\u00e3o tem perd\u00e3o o pecado contra o Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A terceira cena \u00e9 uma bela c\u00fapula do texto. P\u00f5e em contraponto a \u00abcasa\u00bb nova e a \u00abcasa\u00bb antiga. A casa antiga permanece vinculada ao velho livro anagr\u00e1fico, que nos prende \u00e0 terra, e n\u00e3o nos deixa ver o c\u00e9u. Que nos enreda em la\u00e7os familiares antigos ligados \u00e0 casa antiga, e n\u00e3o nos deixa ver tantos novos irm\u00e3os e irm\u00e3s, pais e m\u00e3es, filhos e filhas, que Deus nos d\u00e1. A fam\u00edlia antiga, assente na terra e no sangue, fica fora e de p\u00e9. A fam\u00edlia nova, assente no c\u00e9u e na gra\u00e7a, fica dentro e sentada a escutar a Palavra de Jesus, para aprender a fazer a vontade de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abOnde est\u00e1s?\u00bb \u00e9 a pergunta que Deus faz todos os dias a cada um de n\u00f3s, e que abre hoje a narrativa exemplar de G\u00e9nesis 3,9-15. Vale a pena inserir aqui uma hist\u00f3ria guardada por Martin Buber nos seus escritos. Conta Buber que o Rabino Shneur Zalman foi levado pelos seus advers\u00e1rios para a pris\u00e3o de S. Petersburgo. Um dia, enquanto aguardava o julgamento, o comandante da guarda entrou na cela do Rabino. Vendo o seu ar pensativo e s\u00e9rio, o comandante p\u00f4s-se a falar com ele, e aproveitou para lhe colocar algumas das perguntas que se tinham levantado no seu esp\u00edrito ao ler a Escritura. Por fim, perguntou: \u00abComo se deve interpretar que o Deus Omnisciente pergunte a Adam: \u201cOnde est\u00e1s\u201d\u00bb (G\u00e9nesis 3,9). \u00abAcredita o senhor\u00bb, respondeu o Rabino, \u00abque a Escritura \u00e9 eterna e que diz respeito a todos os tempos, a todas as gera\u00e7\u00f5es e a todos os homens?\u00bb. \u00abSim, acredito\u00bb, respondeu o guarda. \u00abEnt\u00e3o\u00bb, retomou o Rabino, \u00abem cada tempo Deus interpela cada homem: \u201cOnde est\u00e1s no teu mundo? Dos dias e anos que te foram atribu\u00eddos, j\u00e1 passaram muitos. Entretanto, at\u00e9 onde j\u00e1 chegaste no teu mundo?\u201d. Deus disse, por exemplo: \u201cRepara, j\u00e1 h\u00e1 quarenta e seis anos que est\u00e1s nesta vida. Onde te encontras?\u201d\u00bb. Ao ouvir o n\u00famero exato dos seus anos, o comandante teve dificuldade em controlar-se, p\u00f4s a m\u00e3o no ombro do Rabino, e exclamou: \u00abMuito bem, muito bem!\u00bb. Mas o cora\u00e7\u00e3o estremecia-lhe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Depois da hist\u00f3ria incisiva que acab\u00e1mos de transcrever, voltemos \u00e0 narrativa exemplar de G\u00e9nesis 3,9-15. \u00abOnde est\u00e1s?\u00bb, pergunta o Deus-Que-Vem por amor ao encontro da sua criatura dileta. \u00abTive medo e escondi-me\u00bb, respondemos n\u00f3s, amedrontados. A narrativa que hoje lemos, e que tamb\u00e9m nos l\u00ea, desvenda todas as nossas in\u00fateis estrat\u00e9gias de defesa, e faz-nos ver como n\u00f3s nos escondemos de n\u00f3s mesmos e de Deus, e como alijamos facilmente as nossas culpas sobre os outros. Correto, limpo, terap\u00eautico, salvador, era assumirmos e confessarmos humildemente as nossas culpas. Mas n\u00e3o. Fugimos, escondemo-nos de n\u00f3s, e respondemos: \u00abFoi a mulher\u00bb, \u00abfoi aquele\u00bb, \u00abfoi aquela\u00bb, e, em \u00faltima an\u00e1lise, \u00abfoste Tu, foste Tu, Deus\u00bb, porque foste Tu que me deste a maravilha de um irm\u00e3o, de uma irm\u00e3, e foi esse irm\u00e3o dado por Ti, essa irm\u00e3 dada por Ti, que me deu a comer aquele fruto, fruto de um furto! \u00c9s Tu, portanto e em \u00faltima an\u00e1lise, o culpado. A\u00ed estamos n\u00f3s a fugir de n\u00f3s mesmos, e a acusar os outros! E se n\u00e3o assumimos as nossas culpas, como podemos corrigir os nossos erros, e como podemos chegar a descobrir a realidade humana e divina do perd\u00e3o? Sim, porque quando nos escondemos de Deus, estamos tamb\u00e9m a esconder Deus e os seus dons, a Alegria, o Amor, o Perd\u00e3o. \u00c9 assim que chegamos a Cristo, que veio (e tinha que vir) por amor \u00e0 nossa procura. \u00c0 procura da ovelha perdida e escondida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 assim, continua S. Paulo na li\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da Segunda Carta aos Cor\u00edntios (4,13-5,1), a afirmar que n\u00e3o seremos abandonados nesta tenda em ru\u00ednas, que \u00e9 a nossa vida mortal. Deus vela por n\u00f3s, e salva a nossa vida da ru\u00edna. \u00c9 esta a experi\u00eancia do orante do Salmo 116, a cuja f\u00e9 e a\u00e7\u00e3o da f\u00e9 Paulo se refere: \u00abTamb\u00e9m n\u00f3s acreditamos, e por isso falamos (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>) (2 Cor\u00edntios 4,13). Falar o Evangelho nunca sai de cor, mas da experi\u00eancia da a\u00e7\u00e3o de Deus em n\u00f3s. Por isso tamb\u00e9m n\u00e3o devemos fixar-nos na lama. Os olhos do nosso cora\u00e7\u00e3o j\u00e1 devem estar postos na tenda nova e maior, no c\u00e9u, onde Deus acolhe os seus filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Neste sentido, o Salmo 130 surge hoje como um grito desde o abismo profundo em que muitas vezes jazemos atolados. S\u00e3o apenas 52 palavras hebraicas que atiramos a Deus, Senhor do Amor fiel (<em>hesed<\/em>) da Reden\u00e7\u00e3o (<em>ped\u00fbt<\/em>). Cada orante que grita este Salmo sabe em que grau ou degrau de profundidade est\u00e1. Sim, este \u00e9 um dos 15 Salmos graduais ou das subidas ou das peregrina\u00e7\u00f5es (120-134). \u00c9 uma voz que se levanta e sobe at\u00e9 \u00e0quele Senhor que n\u00e3o desprezou as nossas profundezas, mas at\u00e9 elas desceu, e at\u00e9 elas desce, para nos ajudar a subir!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Leitura-I-do-Domingo-X-do-Tempo-Comum-Ano-B-09.06.2024-Gen-3-9-15.pdf\">Leitura I do Domingo X do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 09.06.2024 (Gen 3, 9-15)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Leitura-II-do-Domingo-X-do-Tempo-Comum-Ano-B-09.06.2024-2Cor-4-13-51.pdf\">Leitura II do Domingo X do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 09.06.2024 (2Cor 4, 13-5,1)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Domingo-X-do-Tempo-Comum-Ano-B-09.06.2024-Lecionario.pdf\">Domingo X do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 09.06.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Domingo-X-do-Tempo-Comum-Ano-B-09.06.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo X do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 09.06.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/A-Homilia.pdf\">A Homilia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo IX do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 02.06.2024&#8243; tab_id=&#8221;1718096815812-b99277d1-ac0c&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo IX do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 02.06.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><sup>27<\/sup><\/strong><strong>E disse-lhes: \u00abO s\u00e1bado foi feito para o homem e n\u00e3o o homem para o s\u00e1bado.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><sup>28<\/sup><\/strong><strong>O Filho do Homem at\u00e9 do s\u00e1bado \u00e9 Senhor.\u00bb<\/strong> <strong><em>Mc 2, 27-28<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Domingo-IX-1.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O descanso sab\u00e1tico \u00e9, por diversas vezes, objeto de discuss\u00e3o entre Jesus e os fariseus. Para os fariseus, o S\u00e1bado deve ser observado para l\u00e1 de todas as necessidades e urg\u00eancias. \u00c9 o dia aben\u00e7oado e santificado pelo Senhor no s\u00e9timo dia da cria\u00e7\u00e3o e, por isso, nada nem ningu\u00e9m o poder\u00e1 diminuir ou subverter. Na verdade, como regista o livro do G\u00e9nesis: \u00ab<em>Deus aben\u00e7oou o s\u00e9timo dia e santificou-o, visto ter sido nesse dia que Ele repousou de toda a obra da cria\u00e7\u00e3o<\/em>\u00bb (Gn 2,3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imagem e semelhan\u00e7a de Deus, o homem e a mulher s\u00e3o chamados a viver o ritmo dos dias na sublime articula\u00e7\u00e3o entre o trabalho e o descanso, entre a a\u00e7\u00e3o e a contempla\u00e7\u00e3o. Como afirma Ermes Ronchi: \u00ab<em>o S\u00e1bado \u00e9 o dom mais precioso que Deus concedeu a todos os outros povos. S\u00f3 a partir de ent\u00e3o, se tornou norma para todos este ritmo de trabalho e de festa, o ritmo septen\u00e1rio do homem e de Deus, que articulam juntos, a vida de ambos<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O descanso, mais do que uma conquista, \u00e9 um dom de Deus que resgata a humanidade do trabalho escravo que n\u00e3o conhece descanso, mas oferece um tempo para a comunh\u00e3o com Deus e com os irm\u00e3os, para a vida em comunidade, em fam\u00edlia e em sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, os fariseus observando estritamente a lei herdada, fixaram o seu cora\u00e7\u00e3o na letra da lei, ignorando que a lei deve servir o homem e que toda e qualquer lei que n\u00e3o respeite a dignidade humana e n\u00e3o a promova contradiz o des\u00edgnio do Criador. Jesus inscreve a vida humana na esteira da verdadeira liberdade, porque, para os fariseus, at\u00e9 o descanso era um lugar herm\u00e9tico e de escravid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus vem para estabelecer um novo modo de ser e de estar, que se traduz num modo novo de servir e amar. Jesus vem para levantar a humanidade deca\u00edda e restabelecer-lhe uma nova dignidade e centralidade: \u00ab<em>levanta-te e vem aqui para o meio<\/em>\u00bb. Jesus liberta e cura aquele homem, erguendo-o da sua condi\u00e7\u00e3o e colocando-o no meio. Como crist\u00e3os, o nosso amor absolutamente centrado em Deus, deve viver-se num amor universalmente alargado aos irm\u00e3os. A verdadeira f\u00e9 em Jesus Cristo n\u00e3o permite que ningu\u00e9m seja relegado para segundo plano ou possa ficar \u00e0 margem, muito menos se essa secundariza\u00e7\u00e3o e marginaliza\u00e7\u00e3o acontecer seguindo um conjunto de regras ou preceitos que t\u00eam uma aparente capa religiosa, mas que n\u00e3o passam de regras r\u00edgidas que oferecem uma falsa garantia de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqueles que seguem Jesus Cristo libertam-se de quanto endurece o seu cora\u00e7\u00e3o e os impede de viver a verdadeira liberdade. A verdadeira cura de cora\u00e7\u00e3o opera-se pela capacidade de estender a m\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a Deus e aos irm\u00e3os. Aquele homem foi restabelecido da sua doen\u00e7a, estendendo a m\u00e3o para Jesus: \u00ab<em>ele estendeu-a e a m\u00e3o ficou curada<\/em>\u00bb. Quando oferecemos a Deus tudo quanto temos e somos, mais seremos para os outros, porque na vida crist\u00e3 o amor que devotamos a Deus transforma-se em amor oferecido, em gestos concretos de bondade e de ternura, para quantos se cruzam connosco na estrada da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 certo que somos pecadores e como S. Paulo podemos afirmar \u00ab<em>n\u00f3s trazemos em vasos de barro o tesouro do nosso minist\u00e9rio, para que se reconhe\u00e7a que um poder t\u00e3o sublime vem de Deus e n\u00e3o de n\u00f3s<\/em>\u00bb. Contudo, quanto mais nos soubermos instrumentos nas m\u00e3os de Deus e deixarmos que a nossa fragilidade seja testemunho da miseric\u00f3rdia de Deus, tanto mais se manifestar\u00e1 a grandeza Daquele que atua em n\u00f3s.<strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 7 de junho, Sexta-feira depois do segundo Domingo depois do Pentecostes, celebramos a Solenidade do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. Neste dia, assinala-se tamb\u00e9m o\u00a0<em>Dia de Ora\u00e7\u00e3o pela Santifica\u00e7\u00e3o dos Sacerdotes<\/em>. Esta solenidade est\u00e1 muito enraizada na devo\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is e em muitos lugares s\u00e3o diversas as formas de piedade popular que assinalam este m\u00eas e este dia. \u00c9 importante lembrar as palavras do Papa Francisco, nos n\u00fameros 122-126 da\u00a0<em>Evangelii Gaudium<\/em>, onde o Santo Padre apresenta a for\u00e7a evangelizadora da piedade popular e dinamizar este m\u00eas e este dia ajudando os fi\u00e9is a encontrar no Cora\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo a revela\u00e7\u00e3o do rosto misericordioso de Deus. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos num novo ciclo do Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Deut 5,12-15<\/strong><strong><br \/>\nLeitura do Livro do Deuteron\u00f3mio<br \/>\nEis o que diz o Senhor:<br \/>\n\u00abGuarda o dia de s\u00e1bado, para o santificares,<br \/>\ncomo te mandou o Senhor, teu Deus.<br \/>\nTrabalhar\u00e1s durante seis dias<br \/>\ne neles far\u00e1s todas as tuas obras.<br \/>\nO s\u00e9timo, por\u00e9m, \u00e9 o s\u00e1bado do Senhor, teu Deus.<br \/>\nN\u00e3o far\u00e1s nele qualquer trabalho,<br \/>\nnem tu, nem o teu filho, nem a tua filha,<br \/>\nnem o teu escravo, nem a tua escrava,<br \/>\nnem o teu boi, nem o teu jumento,<br \/>\nnem nenhum dos teus animais,<br \/>\nnem o estrangeiro que mora contigo.<br \/>\nAssim, o teu escravo e a tua escrava<br \/>\npoder\u00e3o descansar como tu.<br \/>\nRecorda-te que foste escravo na terra do Egipto<br \/>\ne que o Senhor, teu Deus, te fez sair de l\u00e1<br \/>\ncom m\u00e3o forte e bra\u00e7o estendido.<br \/>\nPor isso, o Senhor, teu Deus,<br \/>\nte mandou guardar o dia de s\u00e1bado\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O livro do Deuteron\u00f3mio, mesmo que de reda\u00e7\u00e3o posterior ao tempo da narra\u00e7\u00e3o (que seria o tempo do caminho deserto, sob a guia de Mois\u00e9s) e com not\u00f3rias influ\u00eancias de textos extra-b\u00edblicos de culturas vizinhas do Povo de Israel (nomeadamente dos tratados de vassalagem neo-ass\u00edrios), \u00e9 importante para as reformas de Ezequias (725-697 a.C.; cf. 2Rs 18,4.22) e sobretudo de Josias (640-609 a.C.; cf. 2Rs 23,4-20), uma vez que as centra no evento fundador de Israel como Povo, com a celebra\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a no Sinai-Horeb. Os elementos fundamentais que d\u00e3o corpo \u00e0s reformas s\u00e3o: o monote\u00edsmo (um s\u00f3 Deus), a centralidade do curso num s\u00f3 lugar (Jerusal\u00e9m), a Alian\u00e7a de Deus-YHWH com o povo, que faz do Povo propriedade de Deus-YHWH e, portanto, a unidade do povo, demostrando a insensatez da constitui\u00e7\u00e3o de dois reinos no per\u00edodo p\u00f3s-salom\u00f3nico e afirmando o ideal de regressar \u00e0 unidade pol\u00edtica das 12 tribos de Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro do Deuteron\u00f3mio \u00e9 tradicionalmente dividido em tr\u00eas grandes sec\u00e7\u00f5es, que corresponderiam a tr\u00eas grandes discursos de Mois\u00e9s; o nosso texto situa-se no in\u00edcio do segundo discurso (cf. Dt 4,44 &#8211; 26,19), depois de uma breve introdu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que o situa no contexto da teofania do Sinai-Horeb (Dt 4,44 &#8211; 5,5) e \u00e9 parte da vers\u00e3o deuteron\u00f3mica do dec\u00e1logo (Dt 5,6-21). Quanto \u00e0 sua forma liter\u00e1ria, sendo parte do dec\u00e1logo (dez mandamentos), \u00e9 um texto de car\u00e1cter legislativo, sem perder, por\u00e9m, a sua componente did\u00e1tica como se v\u00ea pelo in\u00edcio do discurso de Mois\u00e9s. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Uma compreens\u00e3o an\u00e1rquica da realidade poderia relativizar os preceitos do Dec\u00e1logo do Deuteron\u00f3mio e, mais concretamente, de \u00abguardar o dia de s\u00e1bado para o santificar\u00bb. H\u00e1 que ter em conta que a Lei \u00e9 sobretudo instru\u00e7\u00e3o paternal de Deus, uma oferta para o seu Povo, para regular as rela\u00e7\u00f5es em sociedade. O texto da primeira leitura convida-nos a regressar aos fundamentos da celebra\u00e7\u00e3o do Dia do Senhor, tomando a s\u00e9rio o valor do verbo \u00absantificar\u00bb.<\/li>\n<li>Destac\u00e1mos para o s\u00e1bado e podemos faz\u00ea-lo para o domingo crist\u00e3o as duas fundamenta\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas expressas no livro do \u00caxodo e do Deuteron\u00f3mio, respetivamente, fazendo mem\u00f3ria do repouso do Senhor, depois da obra da cria\u00e7\u00e3o, e da sua obra de liberta\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o do Egito. \u00c9 importante voltar aos fundamentos da celebra\u00e7\u00e3o do Dia do Senhor, vivendo-o como memorial da liberta\u00e7\u00e3o do Pecado na P\u00e1scoa de Cristo que atualiza a obra libertadora de Deus da escravid\u00e3o do Egito.<\/li>\n<li>Not\u00e1mos que a celebra\u00e7\u00e3o do Dia do Senhor &#8211; s\u00e1bado para os judeus e domingo para os crist\u00e3os &#8211; tem uma grande dimens\u00e3o social, sendo dia de descanso para todos, garantindo esse direito sobretudo aos pobres que se veem assim protegidos pela Lei divina. Como ensina o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica: \u00abO agir de Deus \u00e9 o modelo do agir humano. Se Deus &#8220;descansou&#8221; no s\u00e9timo dia, o homem deve tamb\u00e9m &#8220;descansar&#8221; e deixar que os outros, sobretudo os pobres, &#8220;tomem f\u00f4lego&#8221;. O s\u00e1bado faz cessar os trabalhos quotidianos e concede uma folga. \u00c9 um dia de protesto contra as servid\u00f5es do trabalho e o culto do dinheiro\u00bb (n. 2172).<\/li>\n<li>O texto do Deuteron\u00f3mio socorre-se de uma tradi\u00e7\u00e3o antiga, que est\u00e1 na origem de Israel como Povo, para redefinir a pr\u00f3pria identidade em tempo de crise, concretamente no tempo do ex\u00edlio e p\u00f3s-ex\u00edlio. A celebra\u00e7\u00e3o do Dia do Senhor pode ser um bom recurso para recuperar a identidade crist\u00e3. De facto, se no passado irm\u00e3os nossos deram a vida para defender o domingo (\u00abN\u00e3o podemos passar sem o domingo\u00bb, diziam diante do c\u00f4nsul que os condenaria \u00e0 morte, como quem diz, \u00absem nos reunirmos em assembleia ao domingo para celebrar a Eucaristia n\u00e3o podemos viver\u00bb). Como ensinou Bento XVI, a experi\u00eancia dos m\u00e1rtires de Abitene pode ser paradigm\u00e1tica para n\u00f3s crist\u00e3os do s\u00e9c. XXI: \u00abPrecisamos do p\u00e3o da vida para enfrentar as fadigas e o cansa\u00e7o da viagem. O Domingo, Dia do Senhor, \u00e9 a ocasi\u00e3o prop\u00edcia para haurir a for\u00e7a d&#8217;Ele, que \u00e9 o Senhor da vida. Por conseguinte, o preceito festivo n\u00e3o \u00e9 um dever imposto pelo exterior, um peso sobre os nossos ombros. Ao contr\u00e1rio, participar na Celebra\u00e7\u00e3o dominical, alimentar-se do P\u00e3o eucar\u00edstico e experimentar a comunh\u00e3o dos irm\u00e3os e irm\u00e3s em Cristo \u00e9 uma necessidade para o crist\u00e3o, \u00e9 uma alegria, e assim pode encontrar a energia necess\u00e1ria para o caminho que devemos percorrer todas as semanas. Um caminho, ali\u00e1s, n\u00e3o arbitr\u00e1rio: a via que Deus nos indica na sua Palavra vai na dire\u00e7\u00e3o inscrita na pr\u00f3pria ess\u00eancia do homem, a Palavra de Deus e a raz\u00e3o caminham juntas. Seguir a Palavra de Deus e caminhar com Cristo significa para o homem realizar-se a si mesmo; perd\u00ea-la equivale a perder-se a si pr\u00f3prio.\u00bb <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>2Cor 4,6-11<br \/>\n<\/strong><strong>Leitura da Segunda Ep\u00edstola do ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo aos Cor\u00edntios<br \/>\nIrm\u00e3os:<br \/>\nDeus, que disse: \u00abDas trevas brilhar\u00e1 a luz\u00bb<br \/>\nfez brilhar a luz em nossos cora\u00e7\u00f5es,<br \/>\npara que se conhe\u00e7a em todo o seu esplendor<br \/>\na gl\u00f3ria de Deus, que se reflete no rosto de Cristo.<br \/>\nN\u00f3s trazemos em vasos de barro o tesouro do nosso minist\u00e9rio,<br \/>\npara que se reconhe\u00e7a que um poder t\u00e3o sublime<br \/>\nvem de Deus e n\u00e3o de n\u00f3s.<br \/>\nEm tudo somos oprimidos, mas n\u00e3o esmagados;<br \/>\nandamos perplexos, mas n\u00e3o desesperados;<br \/>\nperseguidos, mas n\u00e3o abandonados;<br \/>\nabatidos, mas n\u00e3o aniquilados.<br \/>\nLevamos sempre e em toda a parte no nosso corpo<br \/>\nos sofrimentos da morte de Jesus,<br \/>\na fim de que se manifeste tamb\u00e9m no nosso corpo<br \/>\na vida de Jesus.<br \/>\nPorque, estando ainda vivos,<br \/>\nsomos constantemente entregues \u00e0 morte por causa de Jesus,<br \/>\npara que se manifeste tamb\u00e9m na nossa carne mortal<br \/>\na vida de Jesus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A rela\u00e7\u00e3o de Paulo com as comunidades crist\u00e3s por ele fundadas ou pelo menos solidificadas \u00e9 semelhante \u00e0 de um pai que se ocupa da educa\u00e7\u00e3o dos filhos: ao verificar comportamentos pouco condizentes com a f\u00e9 crist\u00e3, Paulo interv\u00e9m indicando o caminho a seguir. Esta atitude n\u00e3o ser\u00e1 certamente estranha a quem conhece a Primeira Carta aos Cor\u00edntios, em que o ap\u00f3stolo das gentes individua v\u00e1rios comportamentos reprov\u00e1veis e mostra o caminho a seguir, oferecendo tamb\u00e9m, normalmente, um fundamento teol\u00f3gico. A Segunda Carta de S\u00e3o Paulo aos Cor\u00edntios insere-se nestas rela\u00e7\u00f5es paternas de Paulo com aquela comunidade, que se fazem atrav\u00e9s de visitas presenciais e de correspond\u00eancia epistolar. Uma vez que o seu minist\u00e9rio apost\u00f3lico \u00e9 posto em causa, muito provavelmente pelo grupo dos &#8220;Homens Espirituais&#8221; a que se refere a Primeira Carta aos Cor\u00edntios (cf. 2,6-16; 4,8-10) e nem sequer os seus crist\u00e3os v\u00eam em sua defesa, Paulo faz a sua apologia, uma esp\u00e9cie de defesa do seu minist\u00e9rio apost\u00f3lico, mostrando que nele se verificam os crit\u00e9rios que permitem identificar um verdadeiro ap\u00f3stolo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste contexto que se insere este texto proposto pela liturgia, que se esfor\u00e7a por demonstrar que o minist\u00e9rio apost\u00f3lico de Paulo \u00e9 condizente com o mist\u00e9rio de Cristo e, sobretudo, n\u00e3o o ofusca com pretens\u00f5es de protagonismo, uma vez que \u00e9 o conte\u00fado da mensagem transmitida por Paulo que assume o verdadeiro papel de protagonista na sua miss\u00e3o apost\u00f3lica. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><br \/>\n\u2022 S\u00e3o Paulo \u00e9 um modelo de servidor do Evangelho para todos os que, na Igreja, se posicionam ao servi\u00e7o humilde do Povo de Deus. Dele aprendemos que a grande caracter\u00edstica do apostolado, mais que as a\u00e7\u00f5es pastorais inovadoras ou n\u00e3o, \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com Cristo, a ponto de trazer na pr\u00f3pria vida as marcas dessa uni\u00e3o, seja nas tribula\u00e7\u00f5es que se sofre por causa de Cristo e do Evangelho, seja porque se incarna na pr\u00f3pria vida aquilo que se ensina.<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Para se exercer um servi\u00e7o na Igreja, mais concretamente ao servi\u00e7o do an\u00fancio e da evangeliza\u00e7\u00e3o, sem excluir nenhum dos outros servi\u00e7os e minist\u00e9rios, \u00e9 necess\u00e1rio p\u00f4r de parte todo e qualquer desejo de ser protagonista, para dar protagonismo ao Evangelho, verdadeiro \u00abtesouro\u00bb que transportamos \u00abem vasos de barro\u00bb, fr\u00e1geis, da nossa fragilidade humana. Mesmo quando o Senhor fortalece a nossa fragilidade, \u00e9 importante que seja claro para n\u00f3s, como era para Paulo, que o verdadeiro tesouro \u00e9 o Evangelho que n\u00e3o depende de n\u00f3s, mas de Deus que no-lo deu a conhecer na pessoa de Jesus Cristo.<\/li>\n<li>A vida do evangelizador deve conformar-se cada vez mais \u00e0 vida de Cristo a ponto de se tornar um espelho de Cristo, um livro aberto do Evangelho, onde se pode ler os sinais da vida oferecida de Jesus. S\u00f3 uma grande intimidade com Jesus Cristo, como a que teve Paulo, poder\u00e1 dar-nos a possibilidade de sermos pessoas identificadas com o Evangelho que anunciamos. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mc 2,23\u20133,6<\/strong><strong><br \/>\nEvangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S\u00e3o Marcos<br \/>\nPassava Jesus atrav\u00e9s das searas, num dia de s\u00e1bado,<br \/>\ne os disc\u00edpulos, enquanto caminhavam,<br \/>\ncome\u00e7aram a apanhar espigas.<br \/>\nDisseram-Lhe ent\u00e3o os fariseus:<br \/>\n\u00abV\u00ea como eles fazem ao s\u00e1bado o que n\u00e3o \u00e9 permitido\u00bb.<br \/>\nRespondeu-lhes Jesus:<br \/>\n\u00abNunca lestes o que fez David,<br \/>\nquando ele e os seus companheiros<br \/>\ntiveram necessidade e sentiram fome?<br \/>\nEntrou na casa de Deus,<br \/>\nno tempo do sumo sacerdote Abiatar,<br \/>\ne comeu dos p\u00e3es da proposi\u00e7\u00e3o,<br \/>\nque s\u00f3 os sacerdotes podiam comer,<br \/>\ne os deu tamb\u00e9m aos companheiros\u00bb.<br \/>\nE acrescentou:<br \/>\n\u00abO s\u00e1bado foi feito para o homem<br \/>\ne n\u00e3o o homem para o s\u00e1bado.<br \/>\nPor isso, o Filho do homem \u00e9 tamb\u00e9m Senhor do s\u00e1bado\u00bb.<br \/>\nJesus entrou de novo na sinagoga,<br \/>\nonde estava um homem com uma das m\u00e3os atrofiada.<br \/>\nOs fariseus observavam Jesus,<br \/>\npara verem se Ele ia cur\u00e1-lo ao s\u00e1bado<br \/>\ne poderem assim acus\u00e1-l&#8217;O.<br \/>\nJesus disse ao homem que tinha a m\u00e3o atrofiada:<br \/>\n\u00abLevanta-te e vem aqui para o meio\u00bb.<br \/>\nDepois perguntou-lhes:<br \/>\n\u00abSer\u00e1 permitido ao s\u00e1bado fazer bem ou fazer mal,<br \/>\nsalvar a vida ou tir\u00e1-la?\u00bb.<br \/>\nMas eles ficaram calados.<br \/>\nEnt\u00e3o, olhando-os com indigna\u00e7\u00e3o<br \/>\ne entristecido com a dureza dos seus cora\u00e7\u00f5es,<br \/>\ndisse ao homem:<br \/>\n\u00abEstende a m\u00e3o\u00bb.<br \/>\nEle estendeu-a e a m\u00e3o ficou curada.<br \/>\nOs fariseus, por\u00e9m, logo que sa\u00edram dali,<br \/>\nreuniram-se com os herodianos<br \/>\npara deliberarem como haviam de acabar com Ele.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><br \/>\nO texto evang\u00e9lico deste domingo conclui a primeira sec\u00e7\u00e3o do Evangelho de Marcos, que descreve a fase inicial do minist\u00e9rio de Jesus (cf. 1,14-3,6), e \u00e9 a \u00faltima das controv\u00e9rsias de Jesus com os seus opositores acerca de algumas pr\u00e1ticas rituais judaicas, no caso sobre o s\u00e1bado judaico. \u00c9 de notar que estes dois textos que formam Mc 1,23 &#8211; 3,6 s\u00e3o os \u00fanicos dois textos de Marcos em que Jesus se contrap\u00f5e ao s\u00e1bado; no resto do Evangelho, tanto Jesus como quem est\u00e1 com Ele observam as pr\u00e1ticas judaicas a respeito do mandamento de guardar o s\u00e1bado. Recapitulando, Jesus tinha-se j\u00e1 confrontado com os escribas a respeito do perd\u00e3o dos pecados ao paral\u00edtico (cf. 2,1-13), do estar \u00e0 mesa com os publicamos e pecadores (cf. 2,14-17); depois, com os disc\u00edpulos de Jo\u00e3o Batista e os fariseus sobre as pr\u00e1ticas do jejum, n\u00e3o observado pelos disc\u00edpulos de Jesus (cf. 2,18-22); confronta-se agora com os fariseus sobre o respeito pelo dia de s\u00e1bado em dois epis\u00f3dios (2,23-28; 3,1-6), sendo que, neste \u00faltimo epis\u00f3dio, pela primeira vez os seus opositores se reuniam com os herodianos para encontrar maneira de condenar Jesus \u00e0 morte (3,6), funcionando esta decis\u00e3o como conclus\u00e3o de todos os confrontos.<br \/>\nSer\u00e1 bom ter em conta o objetivo desta primeira sec\u00e7\u00e3o do Evangelho de Marcos; o evangelista pretende mostrar a novidade trazida pelo movimento de Jesus, bem diferente do ambiente judaico e rab\u00ednico, mostrando o amor de Deus pelos que estavam marginalizados (os publicamos e pecadores), uma mensagem que toma corpo no perd\u00e3o dos pecados (na cura do paral\u00edtico) e a total rejei\u00e7\u00e3o de leituras rigoristas da Lei de Mois\u00e9s, demonstrando que o formalismo pode aniquilar a experi\u00eancia de f\u00e9, que deve estar sempre orientada para o bem do outro. Como se ver\u00e1 o crit\u00e9rio que Jesus deixa para interpretar o s\u00e1bado judaico, mas tamb\u00e9m outros preceitos \u00e9 o amor ao outro. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES <\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jesus ensina-nos a posicionar-nos com verdadeira liberdade diante da Lei de Mois\u00e9s, ou melhor, diante da Lei de Deus, que nos chegou por Mois\u00e9s, sem perder nunca de vista o seu objetivo de regular a nossa vida em sociedade e em Igreja, protegendo os mais fr\u00e1geis e evitando toda e qualquer opress\u00e3o por parte de quem exerce o poder. Interpreta\u00e7\u00f5es rigoristas da Lei &#8211; como s\u00e3o as dos fariseus no nosso texto &#8211; cegam e n\u00e3o deixam ver as necessidades humanas que, na perspetiva de Jesus, s\u00e3o o verdadeiro crit\u00e9rio para manter uma atitude livre diante da Lei.<\/li>\n<li>O nosso texto n\u00e3o coloca em causa a celebra\u00e7\u00e3o do culto no dia de s\u00e1bado, mas reposiciona-a de modo que possa coabitar com o servi\u00e7o dos necessitados, na pessoa dos disc\u00edpulos com fome e de uma pessoa com uma m\u00e3o atrofiada. A celebra\u00e7\u00e3o do Dia do Senhor, ao domingo, pode ser cada vez mais express\u00e3o desta dupla faceta do s\u00e1bado reinterpretado com Jesus que, em dia de s\u00e1bado entra na sinagoga, lugar onde se realiza o culto, mas n\u00e3o pactua com a necessidade de quem sofre, indo em seu aux\u00edlio, dando conforto e, no caso, mesmo a cura. Se o crist\u00e3o prolonga na exist\u00eancia a vida de Cristo, \u00e9 importante que no dia maior, a Ele consagrado, n\u00e3o se perca de vista aqueles que foram os seus prediletos.<\/li>\n<li>A regra hermen\u00eautica que Jesus d\u00e1 para saber o que se pode fazer ou n\u00e3o ao domingo pode ser transposta para outros campos da nossa vida: \u00e9 importante saber que queremos estar ao servi\u00e7o do bem e da salva\u00e7\u00e3o da vida humana, em linha com o desejo de Deus, tal como se manifesta na vida e mensagem de Jesus; a par disso, sabemos que as institui\u00e7\u00f5es, sejam elas religiosas ou civis, devem estar ao servi\u00e7o da vida humana, para que possam realizar a miss\u00e3o para a qual nasceram. <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, ter em aten\u00e7\u00e3o o tom exortativo do texto, valorizando as formas verbais no imperativo. Al\u00e9m disso, o leitor deve dedicar especial cuidado \u00e0 enumera\u00e7\u00e3o que aparece acompanhada pela part\u00edcula \u00abnem\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, devem ser tidas em aten\u00e7\u00e3o as frases mais longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es que exigem uma acurada prepara\u00e7\u00e3o nas pausas e respira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2018\/06\/02\/e-permitido-ao-sabado-fazer-o-bem-ou-fazer-o-mal\/\"><strong>\u00c9 PERMITIDO AO S\u00c1BADO FAZER O BEM OU FAZER O\u00a0MAL?<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>Evangelho deste Domingo IX do Tempo Comum<\/strong> faz-nos escutar as \u00faltimas duas (Marcos 2,23-3,6) das cinco controv\u00e9rsias reunidas em Marcos 2,1-3,6. Depois do jejum e do Esposo (Marcos 2,18-22), que ocupa o centro da estrutura, e que s\u00e3o escutadas no Domingo VIII, eis-nos agora perante dois epis\u00f3dios que nos mostram Jesus como Senhor do s\u00e1bado e sob o olhar acusador de fariseus e herodianos, que come\u00e7am a tramar a forma como o h\u00e3o de matar (Marcos 3,6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro epis\u00f3dio (Marcos 2,23-28) mostra Jesus e os seus disc\u00edpulos, em dia de s\u00e1bado, a atravessar os campos. E dos disc\u00edpulos de Jesus, diz-nos o narrador, que, atravessando os campos, colhiam espigas (Marcos 2,23), sob o olhar judicioso e acusador dos fariseus, que interrogam Jesus acerca deste incumprimento da Lei por parte dos seus disc\u00edpulos (Marcos 2,24). Colher espigas em dia de s\u00e1bado, naturalmente com o intuito de comerem os gr\u00e3os, eis o que n\u00e3o era permitido fazer. Duplo, ou mesmo triplo, incumprimento da Lei. Ao s\u00e1bado era proibido colher fosse o que fosse (\u00caxodo 34,21), bem como preparar qualquer tipo de refei\u00e7\u00e3o. E era apenas permitido percorrer, entre ida e volta 1892 metros. Dado que andavam pelos campos, \u00e9 prov\u00e1vel que tamb\u00e9m este \u00faltimo preceito estivesse a ser violado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus responde chamando a aten\u00e7\u00e3o dos fariseus para o epis\u00f3dio narrado no Primeiro Livro de Samuel 21,2-7. A\u00ed, David, que andava fugido de Saul, que o perseguia, dirigiu-se a Aquimelec, sacerdote do santu\u00e1rio de Nob, e pediu-lhe cinco p\u00e3es para si e para os combatentes que o acompanhavam. Aquimelec apenas disp\u00f5e dos chamados \u00abP\u00e3es do Rosto\u00bb (<em>lehem pan\u00eem<\/em>), que s\u00e3o colocados, de s\u00e1bado a s\u00e1bado, diante do Rosto de Deus, em n\u00famero de Doze, tantos quantas as tribos de Israel, dispostos em duas filas de seis sobre uma mesa revestida de ouro colocada diante do Santo dos Santos. Trata-se de p\u00e3o consagrado a Deus, renovado todos os s\u00e1bados. Ao s\u00e1bado, colocavam-se sobre a mesa doze p\u00e3es novos, e os doze p\u00e3es antigos eram comidos ou consumidos apenas pelos sacerdotes e dentro do santu\u00e1rio. A mais ningu\u00e9m era permitido comer aqueles p\u00e3es (Lev\u00edtico 24,5-9; cf. \u00caxodo 25,23-30). Todavia, dadas as condi\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria e de fome de David e dos seus companheiros, Aquimelec d\u00e1-lhes para comer os p\u00e3es consagrados. Esta remiss\u00e3o para a Escritura, este \u00abNunca lestes\u2026\u00bb, serve a Jesus para mostrar aos fariseus que o seu rigor est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com as pr\u00f3prias Escrituras que querem citar a seu favor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas h\u00e1 mais. Depois de referir aos fariseus este epis\u00f3dio (Marcos 2,25-26), Jesus d\u00e1 por subentendido, tendo em conta a conhecida argumenta\u00e7\u00e3o rab\u00ednica \u00abdo menor para o maior\u00bb, que, se foi permitido a David e aos seus companheiros comer os p\u00e3es consagrados, por causa da fome, quanto mais \u00e9 permitido ao Filho de David e aos seus companheiros arrancar e comer espigas profanas. E quanto ao facto de as espigas terem sido colhidas em dia de s\u00e1bado, Jesus aproveita a embalagem da subentendida argumenta\u00e7\u00e3o rab\u00ednica, para declarar logo ali que \u00abo s\u00e1bado foi feito para o homem, e n\u00e3o o homem para o s\u00e1bado\u00bb, e que, \u00abportanto, o Filho do Homem \u00e9 Senhor tamb\u00e9m do s\u00e1bado\u00bb (Marcos 2,27-28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com estas declara\u00e7\u00f5es conclusivas, fica claro que Jesus tem do s\u00e1bado uma no\u00e7\u00e3o bem diferente da que t\u00eam os fariseus. Estes tamb\u00e9m admitiam algumas exce\u00e7\u00f5es no que se refere \u00e0 pr\u00e1tica das prescri\u00e7\u00f5es sab\u00e1ticas. Por exemplo, era permitido fugir para salvar a vida, ajudar uma pessoa em perigo de vida, ajudar uma mulher com dores de parto, ajudar a apagar um inc\u00eandio, e coisas semelhantes. Mas eram sempre vistas como exce\u00e7\u00f5es \u00e0 regra. Em rela\u00e7\u00e3o ao entendimento dos fariseus, Jesus n\u00e3o \u00e9 apenas mais liberal, alargando, por assim dizer, o leque das exce\u00e7\u00f5es \u00e0 regra. N\u00e3o. Jesus muda pr\u00f3pria a regra, apresentando uma diferente conce\u00e7\u00e3o de Deus e da rever\u00eancia que lhe \u00e9 devida. A diferen\u00e7a reside sobretudo nisto: o amor devido a Deus n\u00e3o colide com o bem do homem. Deus est\u00e1 do lado do homem. E n\u00e3o h\u00e1 mais um peda\u00e7o de tempo para dedicar a Deus e outro peda\u00e7o para dedicar ao homem. Agora, o tempo \u00e9 todo de Deus, e \u00e9 por ser todo de Deus, que \u00e9 tamb\u00e9m todo para o homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A controv\u00e9rsia sobre o s\u00e1bado continua no segundo epis\u00f3dio do Evangelho de hoje (Marcos 3,1-6), em que Jesus assume todo o protagonismo. Entra na sinagoga, em dia de s\u00e1bado. N\u00e3o nos \u00e9 dito de que sinagoga se trate: se da de Cafarnaum (cf. 1,21-28) ou de alguma das sinagogas da Galileia (cf. 1,39). Mas \u00e9-nos dito que na sinagoga em que Jesus entra est\u00e1 um homem (<em>\u00e1nthr\u00f4pos<\/em>) com uma m\u00e3o paralisada (Marcos 3,1). E \u00e9-nos dito igualmente que est\u00e3o l\u00e1 outros a ver se Jesus o curaria em dia de s\u00e1bado, para o poderem acusar (Marcos 3,2). Se o homem aparece apenas com a determina\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica de \u00abser humano\u00bb (<em>\u00e1ntr\u00f4pos<\/em>), os outros n\u00e3o passam de \u00abeles\u00bb, que est\u00e3o l\u00e1 apenas como observadores que desejam poder transformar-se em acusadores. S\u00f3 Jesus tem nome. S\u00f3 Jesus entra. O homem e \u00abeles\u00bb j\u00e1 l\u00e1 est\u00e3o. O homem n\u00e3o pede nada; \u00abeles\u00bb n\u00e3o perguntam nada. S\u00f3 Jesus tem nome, s\u00f3 Jesus fala, s\u00f3 Jesus age. Ele \u00e9 verdadeiramente o Senhor do S\u00e1bado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desenhado e preenchido o cen\u00e1rio, Jesus diz (<em>l\u00e9gei<\/em>), no presente, ao homem: \u00abLevanta-te (<em>ege\u00edr\u00f4<\/em>), e vem para o meio!\u00bb (Marcos 3,3). E diz (<em>l\u00e9gei<\/em>), no presente, para \u00abeles\u00bb: \u00ab\u00c9 permitido, ao s\u00e1bado, fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou mat\u00e1-la?\u00bb (Marcos 3,4a). N\u00e3o \u00e9 dito, no texto, que o homem se tenha movimentado, mas \u00e9 dito que \u00abeles\u00bb se calavam (<em>esi\u00f4p\u00f4n<\/em>: imperfeito de dura\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>si\u00f4p\u00e1\u00f4<\/em>) (Marcos 3,4b).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Note-se bem a voz de Jesus a ecoar no presente e no sil\u00eancio. Note-se tamb\u00e9m a for\u00e7a da pergunta que formula, e que tem resposta demasiado \u00f3bvia. Na verdade, o bem deve fazer-se sempre, n\u00e3o apenas ao s\u00e1bado, mas em todos os dias da semana! E o mal nunca se deve fazer, nem ao s\u00e1bado nem em dia nenhum da semana! Quanto a matar, \u00e9 proibido pela Lei sem mais detalhes (\u00caxodo 20,13). E, portanto, n\u00e3o salvar uma vida \u00e9 violar a Lei, pois \u00e9 demasiado \u00f3bvio que matamos sempre que n\u00e3o salvamos algu\u00e9m da morte. Neste momento, o narrador mostra-nos um dos gestos mais fortes de Jesus: olha ao redor (<em>peribl\u00e9p\u00f4<\/em>) para \u00abeles\u00bb, com ira e tristeza, por causa da dureza do cora\u00e7\u00e3o \u00abdeles\u00bb (Marcos 3,5a). E diz (<em>l\u00e9gei<\/em>), no presente, para o homem: \u00abEstende a m\u00e3o!\u00bb. \u00abEstendeu-a, e ficou restabelecida a sua m\u00e3o\u00bb (Marcos 3,5b).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta \u00e9, nos Evangelhos, a \u00fanica vez que Jesus opera uma cura por sua pr\u00f3pria iniciativa. Note-se, por\u00e9m, que \u00abaqueles\u00bb que estavam l\u00e1 para verificar se Jesus curaria ao s\u00e1bado, ficaram sem nenhum registo no bloco-notas. Na verdade, Jesus nada fez que se visse no que \u00e0 a\u00e7\u00e3o de curar diz respeito. Mas note-se agora tamb\u00e9m que Jesus tudo fez para que \u00abeles\u00bb pudessem ver bem a sua soberania. Ao fazer vir o homem para o meio, deixou-o claramente \u00e0 vista de todos. N\u00e3o o tomou \u00e0 parte, como referem outros relatos (cf. Marcos 7,33; 8,23). Ao dirigir-se ao homem por duas vezes (Marcos 3,3 e 5), Jesus quer que todos vejam que ele se interessa pessoalmente por aquele homem. Sim, Jesus \u00e9 a transpar\u00eancia de Deus-Pai, que n\u00e3o quer nunca ficar confinado na lonjura e impessoalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto do Deuteron\u00f3mio 5,12-15, que hoje fica a retinir nos nossos ouvidos, constitui o contraponto ideal de quanto vimos e ouvimos no Evangelho. O s\u00e1bado transporta consigo a mem\u00f3ria da liberdade. N\u00e3o para alguns, mas para todos: para ti, para os teus filhos e as tuas filhas, para o teu escravo e a tua escrava, para o teu boi, para o teu jumento, para todos os teus animais, para o estrangeiro que reside no teu meio. Extraordin\u00e1ria li\u00e7\u00e3o de liberdade! O grande fil\u00f3sofo e m\u00edstico hebreu, Abraham Joshua Heschel (1907-1972), via o S\u00e1bado como uma p\u00e9rola de Israel oferecida a toda a humanidade, um Templo de tempo, e n\u00e3o de espa\u00e7o. Israel constr\u00f3i o tempo onde outros povos constroem o espa\u00e7o. Novidade arquitet\u00f3nica de Israel. Por isso, n\u00e3o se pode reduzir o s\u00e1bado a um preceito. Digamos n\u00f3s: o nosso Domingo n\u00e3o pode reduzir-se a um preceito sob pena de pecado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E S. Paulo, na li\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da Segunda Carta aos Cor\u00edntios (4,6-11), diz, com finura e verdade, que levamos este tesouro em vasos de barro. Ele \u00e9 a Luz, faz luzir a luz, tudo alumia. A nossa luz \u00e9 reflexa, e reside a\u00ed a sua beleza. Assim, n\u00e3o h\u00e1 motivo para vangl\u00f3rias, mas fica claro que somos apenas (e tanto!) pura transpar\u00eancia de Cristo, deixando que se manifeste no nosso corpo a sua vida. Noutro lugar dir\u00e1: \u00abLevo no meu corpo os estigmas de Jesus\u00bb (G\u00e1latas 6,17). Belo programa de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, e sempre, ressoa no nosso pobre cora\u00e7\u00e3o comovido e agradecido, o belo canto do Salmo 81. Sim, Deus colocou-se ao lado de Israel e ao nosso lado para nos aliviar das cargas pesadas que nos oprimem, desde o Egito at\u00e9 aos nossos dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Leitura-I-da-Solenidade-do-Corpo-de-deus-Ano-B-30.05.2024-Ex-24-3-8.pdf\">Leitura I da Solenidade do Corpo de Deus &#8211; Ano B &#8211; 30.05.2024 (Ex 24, 3-8)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Leitura-II-da-Solenidade-do-Corpo-de-Deus-Ano-B-30.05.2024-Heb-9-11-15.pdf\">Leitura II da Solenidade do Corpo de Deus &#8211; Ano B &#8211; 30.05.2024 (Heb 9, 11-15)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Solenidade-do-Corpo-de-Deus-Ano-B-30.05.2024-Lecionario.pdf\">Solenidade do Corpo de Deus &#8211; Ano B &#8211; 30.05.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Solenidade-do-Corpo-de-Deus-Ano-B-30.05.2024-Oracao-Universal.pdf\">Solenidade do Corpo de Deus &#8211; Ano B &#8211; 30.05.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Leitura-I-do-Domingo-IX-do-Tempo-Comum-Ano-B-02.06.2024-Deut-5-12-15.pdf\">Leitura I do Domingo IX do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 02.06.2024 (Deut 5, 12-15)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Leitura-II-do-Domingo-IX-do-Tempo-Comum-Ano-B-02.06.2024-2-Cor-4-6-11.pdf\">Leitura II do Domingo IX do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 02.06.2024 (2 Cor 4, 6-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Domingo-IX-do-Tempo-Comum-Ano-B-02.06.2024-Lecionario.pdf\">Domingo IX do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 02.06.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Domingo-IX-do-Tempo-Comum-Ano-B-02.06.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo IX do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 02.06.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Solenidade da Sant\u00edssima Trindade&#8221; tab_id=&#8221;1717419777102-adf403d6-8845&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Solenidade da Sant\u00edssima Trindade<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia Diocesano da Fam\u00edlia<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Fim de semana da I Jornada Mundial das Crian\u00e7as \u2013 Roma \u2013 25 e 26.05.2024<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Domingo-IX.jpg\" alt=\"\" width=\"524\" height=\"410\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DEUS!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com toda a certeza, esta \u00e9 a palavra sobre a qual mais se escreveu ao longo da hist\u00f3ria: grandes tratados demonstrando a sua exist\u00eancia e in\u00fameros escritos que negam, quer a necessidade do divino, quer a necessidade de rela\u00e7\u00e3o com ele. Mas como \u00e9 Deus em si mesmo? Como \u00e9 que Deus se relaciona connosco?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 ineg\u00e1vel que no mais \u00edntimo do cora\u00e7\u00e3o humano reside um desejo de plenitude e de transcend\u00eancia. Na verdade, como nos recorda S. Agostinho, o cora\u00e7\u00e3o humano \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o inquieto que n\u00e3o se satisfaz com nada menos do que Deus e \u00e9, precisamente assim, que se torna um cora\u00e7\u00e3o que ama. O nosso cora\u00e7\u00e3o vive inquieto por Deus e n\u00e3o pode ser doutro modo, ainda que hoje o ser humano procure de tantos modos libertar-se desta inquieta\u00e7\u00e3o. Contudo, como afirmou o Papa Bento XVI na homilia da Solenidade da Epifania, a 6 de janeiro de 2012: \u00ab<em>n\u00e3o somos s\u00f3 n\u00f3s, seres humanos, que vivemos inquietos relativamente a Deus. Tamb\u00e9m o cora\u00e7\u00e3o de Deus vive inquieto relativamente ao homem. Deus espera-nos. Anda \u00e0 nossa procura. Tamb\u00e9m Ele n\u00e3o descansa enquanto n\u00e3o nos tiver encontrado. O cora\u00e7\u00e3o de Deus vive inquieto, e foi por isso que se p\u00f4s a caminho at\u00e9 junto de n\u00f3s \u2013 at\u00e9 Bel\u00e9m, at\u00e9 ao Calv\u00e1rio, de Jerusal\u00e9m at\u00e9 \u00e0 Galileia e aos confins do mundo. Deus vive inquieto connosco!<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este Deus inquieto, que nos ama com amor infinito, que nos criou por amor e, por amor, nos acompanha nos caminhos da hist\u00f3ria, revela-se em Jesus Cristo e, na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, d\u00e1-nos a conhecer o Seu rosto terno e misericordioso. Deste modo, a Solenidade da Sant\u00edssima Trindade \u00e9 a oportunidade de olharmos o cora\u00e7\u00e3o de Deus, de entrarmos no Seu mist\u00e9rio de amor e comunh\u00e3o para nos deixarmos envolver por esta corrente de gra\u00e7a que transforma a vida e o cora\u00e7\u00e3o humano. A miss\u00e3o dos Ap\u00f3stolos foi precisamente esta: acolher a inquieta\u00e7\u00e3o de Deus por cada homem e mulher e levar o pr\u00f3prio Deus ao cora\u00e7\u00e3o dos homens. Como disc\u00edpulos mission\u00e1rios, tamb\u00e9m n\u00f3s hoje somos chamados a deixar-nos tocar por esta inquieta\u00e7\u00e3o de Deus, a fim de que o anseio de Deus pelo homem possa ser satisfeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para entrar neste dinamismo de amor \u00e9 necess\u00e1rio como os disc\u00edpulos regressar \u00e0 Galileia. Impressiona-me sempre que em diferentes relatos da Ressurrei\u00e7\u00e3o Jesus d\u00ea aos disc\u00edpulos indica\u00e7\u00e3o de voltarem ali. Regressar \u00e0 Galileia significa voltar ao encontro primeiro com Jesus, ao momento em que deixaram que o Seu cora\u00e7\u00e3o fosse tocado pelo incisivo convite de Jesus para partirem com Ele. \u00c9 verdade que apesar da experi\u00eancia que fizeram de Jesus Ressuscitado \u00ab<em>alguns ainda duvidaram<\/em>\u00bb, mas isso n\u00e3o foi impedimento para que Jesus lhes confiasse a miss\u00e3o de partir e anunciar o Evangelho a todos os povos. A \u00faltima palavra n\u00e3o pertence \u00e0s nossas d\u00favidas ou receios. Eles fazem parte do caminho e devermos aprender a enfrent\u00e1-los. A \u00faltima palavra pertence a Jesus que nos garante: \u00ab<em>Eu estou sempre convosco at\u00e9 ao fim dos tempos<\/em>\u00bb. Acompanhados por esta certeza, os nossos medos dissipam-se, as nossas d\u00favidas desvanecem e diante de n\u00f3s rasgam-se horizontes de esperan\u00e7a que na for\u00e7a do Esp\u00edrito nos permitem olhar o c\u00e9u e invocar \u00ab<em>Ab\u00e1, Pai<\/em>\u00bb. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No <strong>Domingo da Sant\u00edssima Trindade<\/strong> somos convidados pela liturgia a viver como art\u00edfices da comunh\u00e3o e da unidade. A Igreja \u00e9 Povo de Deus reunido na unidade do Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo (LG 4) e, por isso, chamada a testemunhar esta comunh\u00e3o de amor. Deste modo, ao celebrar esta solenidade, cada fam\u00edlia e cada comunidade crist\u00e3 s\u00e3o desafiadas a renovar o seu compromisso de ser testemunhas da alegria da comunh\u00e3o e da beleza de caminhar juntos. No contexto desta celebra\u00e7\u00e3o, podem ser apresentadas alguns desafios concretos e a\u00e7\u00f5es de sa\u00edda mission\u00e1ria que em fam\u00edlia ou em comunidade se podem levar a cabo para que a comunh\u00e3o e unidade que somos chamados a testemunhar n\u00e3o sejam apenas um conjunto de boas inten\u00e7\u00f5es, mas uma realidade concreta na vida e na miss\u00e3o de cada batizado.<strong><em> in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo ciclo do Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Deuteron\u00f3mio 4,32-34.39-40<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mois\u00e9s falou ao povo, dizendo:<br \/>\n\u00abInterroga os tempos antigos que te precederam,<br \/>\ndesde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra.<br \/>\nDum extremo ao outro dos c\u00e9us,<br \/>\nsucedeu alguma vez coisa t\u00e3o prodigiosa?<br \/>\nOuviu-se porventura palavra semelhante?<br \/>\nQue povo escutou como tu a voz de Deus<br \/>\na falar do meio do fogo<br \/>\ne continuou a viver?<br \/>\nQual foi o deus que formou para si<br \/>\numa na\u00e7\u00e3o no seio de outra na\u00e7\u00e3o,<br \/>\npor meio de provas, sinais, prod\u00edgios e combates,<br \/>\ncom m\u00e3o forte e bra\u00e7o estendido,<br \/>\njuntamente com tremendas maravilhas,<br \/>\ncomo fez por v\u00f3s o Senhor vosso Deus no Egipto,<br \/>\ndiante dos vossos olhos?<br \/>\nConsidera hoje e medita no teu cora\u00e7\u00e3o<br \/>\nque o Senhor \u00e9 o \u00fanico Deus,<br \/>\nno alto dos c\u00e9us e c\u00e1 em baixo na terra,<br \/>\ne n\u00e3o h\u00e1 outro.<br \/>\nCumprir\u00e1s as suas leis e os seus mandamentos,<br \/>\nque hoje te prescrevo,<br \/>\npara seres feliz, tu e os teus filhos depois de ti,<br \/>\ne tenhas longa vida<br \/>\nna terra que o Senhor teu Deus te vai dar para sempre\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro do Deuteron\u00f3mio (\u201csegunda Lei\u201d) \u00e9 o \u201clivro da Lei\u201d ou \u201clivro da Alian\u00e7a\u201d, cujo achamento no Templo de Jerusal\u00e9m, na \u00e9poca do rei Josias, \u00e9 referido no segundo livro dos Reis (cf. 2 Re 22,3-13). Este livro teve origem no reino do Norte (Israel), em pleno s\u00e9c. VIII a.C., quando alguns te\u00f3logos de Israel, descontentes com os cultos religiosos estrangeiros que pululavam por todo o lado, se dedicaram a uma reflex\u00e3o sobre os compromissos de Israel no \u00e2mbito da Alian\u00e7a. Dessa reflex\u00e3o saiu a primeira vers\u00e3o do livro do Deuteron\u00f3mio. Mais tarde, quando a Samaria estava para cair nas m\u00e3os dos Ass\u00edrios (722\/721 a.C.), esses te\u00f3logos refugiaram-se no sul (Reino de Jud\u00e1) e levaram com eles as suas ideias religiosas. O livro do Deuteron\u00f3mio, enquanto express\u00e3o dessas ideias, despertou algum interesse nos ambientes religiosos de Jerusal\u00e9m; mas alguns dec\u00e9nios depois, na altura em que Jud\u00e1 foi governado pelos reis \u00edmpios Manass\u00e9s (687 a 642 a.C.) e Amon (642 a 640 a.C.), o livro do Deuteron\u00f3mio foi retirado de circula\u00e7\u00e3o. S\u00f3 em 622 a.C. foi encontrado em Jerusal\u00e9m, a tempo de servir de motor \u00e0 grande reforma religiosa levada a cabo pelo rei Josias (cf. 2 Re 23,1-14). A teologia deste livro gira \u00e0 volta de algumas coordenadas fundamentais: h\u00e1 um s\u00f3 Deus, que deve ser adorado por todo o Povo num \u00fanico local de culto (Jerusal\u00e9m); esse Deus amou e elegeu Israel e fez com Ele uma alian\u00e7a eterna; e o Povo de Deus deve ser um \u00fanico Povo, a propriedade pessoal de Jav\u00e9. A partir das ideias e da teologia do livro do Deuteron\u00f3mio constituiu-se uma \u201cescola\u201d de reflex\u00e3o e de pensamento teol\u00f3gico, a que os modernos biblistas chamam \u201cescola deuteronomista\u201d. Diversos livros do Antigo Testamento nasceram a partir das ideias desta \u201cescola\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Literariamente, o livro do Deuteron\u00f3mio apresenta-se como um conjunto de tr\u00eas discursos de Mois\u00e9s, pronunciados nas plan\u00edcies de Moab, antes de o Povo atravessar o rio Jord\u00e3o e entrar na Terra Prometida. Pressentindo a proximidade da sua morte, Mois\u00e9s deixa ao Povo uma esp\u00e9cie de \u201ctestamento espiritual\u201d: lembra aos hebreus os compromissos assumidos para com Deus e convida-os a renovar a sua Alian\u00e7a com Jav\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto \u00e9 parte do primeiro desses discursos (cf. Dt 1,6-4,43). \u00a0Mois\u00e9s come\u00e7a, no referido discurso, por fazer um resumo da hist\u00f3ria do Povo, desde a estadia no Horeb\/Sinai, at\u00e9 \u00e0 chegada ao monte Nebo, na Transjord\u00e2nia, em frente a Jeric\u00f3 (cf. Dt 1,6-3,29); depois, Mois\u00e9s prop\u00f5e ao Povo um resumo da Alian\u00e7a e das suas exig\u00eancias (cf. Dt 4,1-43). Os te\u00f3logos deuteronomistas pretendem sugerir, com esta sequ\u00eancia, que o compromisso pedido a Israel se apoia nos acontecimentos hist\u00f3ricos anteriormente expostos. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A a\u00e7\u00e3o de Deus ao longo da caminhada do Povo pelo deserto deve conduzir ao compromisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 prov\u00e1vel que o cap\u00edtulo quatro do Livro do Deuteron\u00f3mio n\u00e3o fizesse parte das primeiras edi\u00e7\u00f5es da obra. A maior parte dos estudiosos veem-no como um texto redigido na fase final do Ex\u00edlio na Babil\u00f3nia. Mergulhado numa cultura estranha, hostilizado quando tentava afirmar a sua f\u00e9 em Jav\u00e9 e celebr\u00e1-la atrav\u00e9s do culto, impressionado com o esplendor ritual e as solenidades do culto babil\u00f3nico, o Povo de Deus corria o risco de trocar Jav\u00e9 pelos deuses babil\u00f3nicos. \u00c9 neste contexto que os te\u00f3logos da escola deuteronomista v\u00e3o convidar o Povo, pela boca de Mois\u00e9s, a olhar para a sua hist\u00f3ria, a redescobrir nela a presen\u00e7a salvadora e amorosa de Jav\u00e9 e a comprometer-se de novo com Deus e com a Alian\u00e7a. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>\u00c9 frequente falar-se do nosso tempo, a prop\u00f3sito da prolifera\u00e7\u00e3o de certas experi\u00eancias religiosas, como um tempo de redescoberta do sagrado, de regresso do espiritual, de reencontro com o divino; e n\u00f3s falamos disso com um certo ar de triunfo e de contentamento. Por detr\u00e1s desse discurso est\u00e1, muitas vezes, o nosso desejo de voltarmos a encher as nossas igrejas e de regressarmos ao tempo em que o fen\u00f3meno religioso era estruturante na constru\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio social. Mas, ser\u00e1 que todas as experi\u00eancias religiosas ajudam a fazer uma descoberta positiva de Deus? Certas imagens de Deus apresentadas nos discursos das seitas religiosas s\u00e3o verdadeiramente libertadoras? O deus fundamentalista dos fan\u00e1ticos, que exige que se mate em nome dele ter\u00e1 algo a ver com o Deus verdadeiro? O vago aroma espiritual que alguns encontram em determinadas experi\u00eancias isot\u00e9ricas conduzem a uma experi\u00eancia profunda e verdadeira de Deus? A \u201conda espiritual\u201d que nos d\u00e1 tanta esperan\u00e7a n\u00e3o ter\u00e1 por base, em muitos casos, uma imagem profundamente deturpada de Deus? A Solenidade da Sant\u00edssima Trindade \u00e9, antes de mais, um convite a descobrirmos o verdadeiro rosto de Deus. Quem \u00e9 Deus para n\u00f3s? Como O vemos? Como O entendemos?<\/li>\n<li>No texto do livro do Deuteron\u00f3mio que hoje nos \u00e9 proposto como primeira leitura, os catequistas de Israel referem-se a Jav\u00e9, o Deus em quem acreditam, como um Deus compassivo, misericordioso, que vem ao encontro dos homens, que est\u00e1 permanentemente atento aos problemas dos homens, que interv\u00e9m no mundo para libertar os seus filhos de tudo aquilo que os oprime, que nunca desiste de oferecer aos homens perspetivas de Vida plena e verdadeira. Como \u00e9 que os catequistas de Israel chegaram a esta \u201cdefini\u00e7\u00e3o\u201d de Deus? Foi a partir da vida, da contempla\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o de Deus na hist\u00f3ria. A forma de Deus atuar mostra, claramente, a sua ess\u00eancia, o seu ADN, o seu rosto, o seu cora\u00e7\u00e3o: Jav\u00e9 \u00e9 o Deus da Alian\u00e7a, da rela\u00e7\u00e3o, da comunh\u00e3o, do amor nunca desmentido. Esta \u201cretrato\u201d de Deus que a catequese de Israel nos oferece diz-nos alguma coisa? Podemos confirm\u00e1-la a partir da nossa pr\u00f3pria experi\u00eancia?<\/li>\n<li>Os catequistas de Israel garantem-nos que mais nenhum \u201cdeus\u201d \u00e9 capaz de fazer por algu\u00e9m aquilo que Jav\u00e9 faz pelo seu Povo. Esta garantia convida-nos a refletir sobre o papel que outros \u201cdeuses\u201d (bem mais fal\u00edveis, bem menos dignos de confian\u00e7a) desempenham nas nossas apostas e no nosso percurso de vida. Em quem \u00e9 que pomos a nossa esperan\u00e7a? Esses \u201cdeuses\u201d que tantas vezes nos seduzem (o dinheiro, o poder, a fama, o sucesso, o reconhecimento social, os valores da moda), s\u00e3o verdadeiramente garantia de Vida e de felicidade? Esses \u201cdeuses\u201d trazem-nos liberdade e esperan\u00e7a ou escravid\u00e3o e aliena\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>Os catequistas de Israel convidam o Povo a responder a Deus cumprindo as leis e os mandamentos que Ele prop\u00f5e. Faz sentido: n\u00e3o servir\u00e1 de muito que Deus se interesse por n\u00f3s e que nos aponte caminhos de Vida e de felicidade se depois n\u00f3s ignoramos as suas indica\u00e7\u00f5es e escolhemos caminhos de ego\u00edsmo e de autossufici\u00eancia que nos levam ao encontro de uma vida completamente falhada. Os mandamentos n\u00e3o s\u00e3o propostas destinadas a limitar a nossa liberdade e a prender-nos a um deus ciumento e castrador; mas s\u00e3o sugest\u00f5es de um Deus que nos ama, que quer a nossa felicidade e que, no respeito absoluto pela nossa liberdade, n\u00e3o desiste de nos indicar o caminho para a verdadeira Vida. Estamos dispon\u00edveis para escutar as indica\u00e7\u00f5es de Deus e para conduzir a nossa vida na dire\u00e7\u00e3o que Deus nos sugere? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 32 (33)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua heran\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A palavra do Senhor \u00e9 reta,<br \/>\nda fidelidade nascem as suas obras.<br \/>\nEle ama a justi\u00e7a e a retid\u00e3o:<br \/>\na terra est\u00e1 cheia da bondade do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A palavra do Senhor criou os c\u00e9us,<br \/>\no sopro da sua boca os adornou.<br \/>\nEle disse e tudo foi feito,<br \/>\nEle mandou e tudo foi criado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os olhos do Senhor est\u00e3o voltados para os que O temem,<br \/>\npara os que esperam na sua bondade,<br \/>\npara libertar da morte as suas almas<br \/>\ne os alimentar no tempo da fome.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A nossa alma espera o Senhor:<br \/>\nEle \u00e9 o nosso amparo e protetor.<br \/>\nVenha sobre n\u00f3s a vossa bondade,<br \/>\nporque em V\u00f3s esperamos, Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 Romanos 8,14-17<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nTodos os que s\u00e3o conduzidos pelo Esp\u00edrito de Deus<br \/>\ns\u00e3o filhos de Deus.<br \/>\nV\u00f3s n\u00e3o recebestes um esp\u00edrito de escravid\u00e3o<br \/>\npara recair no temor,<br \/>\nmas o Esp\u00edrito de ado\u00e7\u00e3o filial,<br \/>\npelo qual exclamamos: \u00abAbba, Pai\u00bb.<br \/>\nO pr\u00f3prio Esp\u00edrito d\u00e1 testemunho,<br \/>\nem uni\u00e3o com o nosso esp\u00edrito,<br \/>\nde que somos filhos de Deus.<br \/>\nSe somos filhos, tamb\u00e9m somos herdeiros,<br \/>\nherdeiros de Deus e herdeiros com Cristo;<br \/>\nse sofrermos com Ele,<br \/>\ntamb\u00e9m com ele seremos glorificados.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta aos Romanos \u00e9 um texto sereno e amadurecido, escrito por Paulo por volta do ano 57\/58, no final da sua terceira viagem mission\u00e1ria, e no qual o ap\u00f3stolo apresenta uma s\u00edntese do seu pensamento teol\u00f3gico. O motivo invocado por Paulo para o envio desta carta \u00e9 comunicar aos crist\u00e3os de Roma a sua pr\u00f3xima passagem pela cidade, a caminho de Espanha (cf. Rm 15,23-24): o ap\u00f3stolo sente que terminou a sua miss\u00e3o no oriente e quer anunciar o Evangelho de Jesus no ocidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito provavelmente esse \u201cmotivo\u201d \u00e9 apenas um pretexto a que Paulo recorre para se dirigir aos Romanos e para lhes expor as suas ideias acerca da salva\u00e7\u00e3o. Na comunidade crist\u00e3 de Roma \u2013 como, ali\u00e1s, em quase todas as comunidades crist\u00e3s de ent\u00e3o \u2013 havia diverg\u00eancias entre crist\u00e3os vindos do juda\u00edsmo e crist\u00e3os vindos do paganismo acerca do caminho crist\u00e3o. Para os judeo-crist\u00e3os, a salva\u00e7\u00e3o dependia, al\u00e9m da f\u00e9 em Cristo, da pr\u00e1tica da Lei de Mois\u00e9s; para os pagano-crist\u00e3os, a ades\u00e3o a Cristo bastava. Cada um dos grupos evocava as suas ra\u00edzes e considerava que o caminho que propunha era a \u00fanica via para aceder \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. A uns e a outros, Paulo vai apresentar o essencial da mensagem crist\u00e3. Insiste, sobretudo, no facto de a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser uma conquista do homem (que resulta dos atos ou dos m\u00e9ritos do homem), mas um dom do amor de Deus. Na verdade, todos os homens \u2013 judeus e romanos \u2013 vivem mergulhados no pecado, pois o pecado \u00e9 uma realidade universal (cf. Rm 1,18-3,20); mas Deus, na sua bondade, a todos \u201cjustifica\u201d e salva (cf. Rm 3,1-5,11); e essa salva\u00e7\u00e3o \u00e9 oferecida por Deus ao homem atrav\u00e9s de Jesus Cristo; ao homem, resta aderir a essa proposta de salva\u00e7\u00e3o, na f\u00e9 (cf. Rm 5,12-8,39). Se os crist\u00e3os de Roma tiverem sempre isto em mente, n\u00e3o deixar\u00e3o que as diferen\u00e7as de perspetiva os ponham uns contra os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 oferecido como segunda leitura faz parte de um cap\u00edtulo em que Paulo reflete sobre a Vida nova que Deus oferece ao batizado e \u00e0 qual Paulo chama \u201ca vida no Esp\u00edrito\u201d. O pensamento teol\u00f3gico de Paulo atinge, neste cap\u00edtulo, um dos seus pontos culminantes, pois todos os grandes temas paulinos (o projeto salvador de Deus em favor dos homens; a a\u00e7\u00e3o libertadora de Cristo, atrav\u00e9s da sua vida de doa\u00e7\u00e3o, da sua morte e da sua ressurrei\u00e7\u00e3o; a nova vida que faz dos crentes Homens Novos e os torna filhos de Deus), se cruzam aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo procura, de forma especial, mostrar que os crist\u00e3os, libertos da Lei, do pecado e da morte por Jesus Cristo, deixaram a vida velha da \u201ccarne\u201d (que \u00e9 viver em oposi\u00e7\u00e3o a Deus, numa vida de ego\u00edsmo, de autossufici\u00eancia, de orgulho, de fechamento) para viverem a vida nova do Esp\u00edrito (que \u00e9 viver em comunh\u00e3o com Deus, escutando as suas propostas e acolhendo os seus projetos).<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Paulo de Tarso era judeu. Conhecia bem a hist\u00f3ria do seu Povo e aquilo que a catequese de Israel contava sobre a a\u00e7\u00e3o libertadora e salvadora de Deus, concretizada na hist\u00f3ria em tantos gestos inesquec\u00edveis. Ele, como os outros judeus piedosos, ouvira falar de Jav\u00e9 como o Deus da Alian\u00e7a, da rela\u00e7\u00e3o, da comunh\u00e3o; e acreditava n\u2019Ele. Mas, no texto da Carta aos Romanos que a liturgia deste dia nos prop\u00f5e como segunda leitura, Paulo vai bem mais longe do que a f\u00e9 tradicional do seu Povo e fala de Deus como um \u201cAbb\u00e1\u201d, um Pai querido, cheio de ternura e amor, preocupado em reunir \u00e0 sua volta todos os seus filhos para lhes dar Vida. Provavelmente foi com Jesus que Paulo aprendeu a ver Deus como \u201cAbb\u00e1\u201d. Jesus e Paulo convidam-nos a olhar para Deus com a confian\u00e7a, a familiaridade, o carinho, a admira\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a pequenina que se sente profundamente amada, cuidada e protegida pelo seu pai. \u00c9 deste jeito que n\u00f3s vemos Deus? \u00c9 desta forma que falamos de Deus aos nossos irm\u00e3os que O procuram?<\/li>\n<li>Deus n\u00e3o se limitou a criar-nos. Ele continua a acompanhar-nos ao longo do caminho e a dar-nos Vida a cada instante. No entanto, n\u00e3o se imp\u00f5e nem nos obriga a aceitar o seu dom; respeita sempre a nossa liberdade, as nossas op\u00e7\u00f5es. Cabe-nos a n\u00f3s responder \u00e0 oferta de Vida que Deus nos faz. \u00c9 claro que, se preferirmos viver \u201csegundo a carne\u201d e trilhar caminhos de ego\u00edsmo, de orgulho e de autossufici\u00eancia, estamos a recusar os dons de Deus e a construir uma vida sem sentido e sem objetivo; mas se optarmos por viver \u201csegundo o Esp\u00edrito\u201d, tornamo-nos herdeiros da vida eterna. Em que situa\u00e7\u00e3o \u00e9 que nos colocamos, perante a oferta de Vida que Deus nos faz?<\/li>\n<li>Fazer parte de uma fam\u00edlia que tem Deus como Pai, como \u201cAbb\u00e1\u201d, \u00e9 frequentar a escola do amor. Com Deus aprendemos a amar os nossos irm\u00e3os, a amar sem condi\u00e7\u00f5es, a amar de forma ilimitada. A rela\u00e7\u00e3o que temos com os outros homens e mulheres que caminham connosco deve espelhar o amor, a ternura, a miseric\u00f3rdia, a bondade, o perd\u00e3o, o servi\u00e7o, que aprendemos com o nosso Pai do c\u00e9u e com Jesus, nosso irm\u00e3o mais velho. \u00c9 isso que acontece? As nossas rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias refletem esse amor que \u00e9 a marca da \u201cfam\u00edlia de Deus\u201d?<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mateus 28,16-20<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nos onze disc\u00edpulos partiram para a Galileia,<br \/>\nem dire\u00e7\u00e3o ao monte que Jesus lhes indicara.<br \/>\nQuando O viram, adoraram-n\u2019O;<br \/>\nmas alguns ainda duvidaram.<br \/>\nJesus aproximou-Se e disse-lhes:<br \/>\n\u00abTodo o poder Me foi dado no C\u00e9u e na terra.<br \/>\nIde e fazei disc\u00edpulos de todas as na\u00e7\u00f5es,<br \/>\nbatizando-as em nome do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo,<br \/>\nensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei.<br \/>\nEu estou sempre convosco at\u00e9 ao fim dos tempos\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto situa-nos na Galileia, ap\u00f3s a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus (embora n\u00e3o se diga se \u00e9 muito ou pouco tempo ap\u00f3s a descoberta do t\u00famulo vazio). De acordo com Mateus, Jesus, pouco antes de ser preso, havia marcado encontro com os disc\u00edpulos na Galileia (cf. Mt 26,32); e na manh\u00e3 da P\u00e1scoa, tanto o anjo que apareceu \u00e0s mulheres no sepulcro (cf. Mt 28,7), como o pr\u00f3prio Jesus, vivo e ressuscitado (cf. Mt 28,10), renovam o convite para que os disc\u00edpulos se dirijam \u00e0 Galileia, a fim de l\u00e1 encontrar o Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Galileia, territ\u00f3rio setentrional da Palestina, era uma regi\u00e3o pr\u00f3spera e bem povoada, de solo f\u00e9rtil e bem cultivado. A sua situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica fazia desta regi\u00e3o o ponto de encontro de muitos povos; por isso, um n\u00famero importante de pag\u00e3os fazia parte da sua popula\u00e7\u00e3o. A coabita\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es pag\u00e3s e n\u00e3o pag\u00e3s fazia com que os judeus da Galileia vivessem a religi\u00e3o de uma maneira diferente dos judeus da Judeia, e de Jerusal\u00e9m em particular: a presen\u00e7a di\u00e1ria dos pag\u00e3os levava os galileus a suavizar a sua pr\u00e1tica da Lei e a interpretar de forma menos r\u00edgida as regras que se referiam, por exemplo, \u00e0s impurezas rituais contra\u00eddas pelo contacto com os n\u00e3o judeus. No entanto, isto fazia com que os judeus de Jerusal\u00e9m desprezassem os galileus e considerassem que da Galileia \u201cn\u00e3o podia sair nada de bom\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, foi na Galileia que Jesus come\u00e7ou a anunciar o Reino de Deus (cf. Mt 4,12-17); foi na Galileia que Ele reuniu \u00e0 sua volta um grupo de disc\u00edpulos (cf. Mt 4,12-22); foi na Galileia que Ele, ao longo de quase tr\u00eas anos, prop\u00f4s o Reino com palavras e gestos. Depois, Jesus foi at\u00e9 Jerusal\u00e9m para enfrentar as autoridades e para morrer; mas, vencida a viol\u00eancia do sistema e vencida a morte, voltou \u00e0 Galileia para retomar o projeto do Reino. Ao atribuir esta centralidade \u00e0 Galileia, Mateus est\u00e1 provavelmente a sugerir que o an\u00fancio libertador de Jesus tem uma dimens\u00e3o universal: destina-se a judeus e pag\u00e3os. De acordo com a conce\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica de Mateus, \u00e9 na Galileia e a partir da Galileia que o Evangelho de Jesus ir\u00e1 ao encontro do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O encontro final entre Jesus ressuscitado e os disc\u00edpulos acontece num \u201cmonte que Jesus lhes indicara\u201d. No entanto, Mateus n\u00e3o identifica o \u201cmonte\u201d em quest\u00e3o. O \u201cmonte\u201d \u00e9 sempre, na cultura b\u00edblica, o lugar onde Deus se revela aos homens. No entanto, o \u201cmonte\u201d tamb\u00e9m aparece, nos Evangelhos sin\u00f3ticos, como o lugar onde Jesus re\u00fane os disc\u00edpulos para lhes dar a sua \u201clei\u201d ou para lhes apresentar as suas diretrizes, como aconteceu no \u201cmonte das Bem-aventuran\u00e7as\u201d (cf. Mt 5-7) ou no \u201cmonte da Transfigura\u00e7\u00e3o\u201d (cf. Mt 17,1-13). Esse \u201cmonte\u201d n\u00e3o identificado para onde Jesus ressuscitado convoca os disc\u00edpulos ser\u00e1 o \u201cmonte do Envio\u201d: aqui os disc\u00edpulos recebem o mandato de ir anunciar o Reino ao mundo inteiro.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Esta p\u00e1gina final do Evangelho segundo Mateus, lida em contexto da celebra\u00e7\u00e3o da Solenidade da Sant\u00edssima Trindade, tem um sabor especial. Convida-nos a levantar os olhos daquelas quest\u00f5es rasteiras e materiais que todos os dias atraem a nossa aten\u00e7\u00e3o e a contemplar aquilo que est\u00e1 no final do nosso caminho: a comunh\u00e3o plena com Deus, a integra\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia de Deus. Jesus veio ao nosso encontro, enviado pelo Pai, para nos convidar a integrar a fam\u00edlia de Deus; e, quando concluiu a sua miss\u00e3o entre n\u00f3s e voltou para o Pai, confiou aos seus disc\u00edpulos a miss\u00e3o de levarem a todos os homens e mulheres esse mesmo convite. A proposta de Jesus tamb\u00e9m nos chegou; e n\u00f3s aceitamos o convite que nos foi feito e fomos batizados em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo. Ficamos vinculados \u00e0 fam\u00edlia trinit\u00e1ria. A nossa vida tem sido coerente com o compromisso que assumimos no momento do nosso batismo? Como \u00e9 que sentimos, vivemos e testemunhamos esse privil\u00e9gio de integrar a fam\u00edlia de Deus?<\/li>\n<li>O papel dos disc\u00edpulos \u00e9 continuar a miss\u00e3o de Jesus, testemunhar o amor de Deus pelos homens e convidar os homens a integrar a fam\u00edlia de Deus. Os irm\u00e3os e irm\u00e3s com quem nos cruzamos diariamente recebem essa mensagem? As nossas palavras e os nossos gestos testemunham esse amor com que Deus ama todos os homens? As nossas comunidades s\u00e3o a imagem viva da fam\u00edlia de Deus e apresentam um convite cred\u00edvel e convincente aos homens para que integrem a comunidade do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo?<\/li>\n<li>A miss\u00e3o que Jesus confiou aos disc\u00edpulos \u2013 introduzir todos os homens na fam\u00edlia de Deus \u2013 \u00e9 uma miss\u00e3o universal: as fronteiras, as ra\u00e7as, a diversidade de culturas, n\u00e3o podem ser obst\u00e1culo para a presen\u00e7a da proposta libertadora de Jesus no mundo. Todos os homens e mulheres, sem exce\u00e7\u00e3o, t\u00eam lugar na fam\u00edlia de Deus. Temos consci\u00eancia de que Jesus nos envia a todos os homens \u2013 sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7as, de etnias, de diferen\u00e7as religiosas, sociais ou econ\u00f3micas \u2013 a anunciar-lhes o amor de Deus e a convoc\u00e1-los para integrar a comunidade trinit\u00e1ria? As nossas comunidades crist\u00e3s s\u00e3o \u201ccasa de acolhimento\u201d onde todos t\u00eam lugar e onde todos podem fazer a experi\u00eancia de integrar a fam\u00edlia de Deus?<\/li>\n<li>Num mundo onde Deus nem sempre faz parte dos planos e das preocupa\u00e7\u00f5es dos homens, testemunhar o amor de Deus e apresentar aos homens o convite para integrar a fam\u00edlia de Deus \u00e9 um enorme desafio. O confronto com um mundo indiferente a Deus gera muitas vezes, nos disc\u00edpulos, desilus\u00e3o, sofrimento, frustra\u00e7\u00e3o e desencanto. Jesus sabia isso quando enviou os disc\u00edpulos. Por isso garantiu-lhes: \u201cEu estarei convosco at\u00e9 ao fim dos tempos\u201d. Estamos conscientes da presen\u00e7a vivificante e reconfortante de Jesus ao nosso lado nesses caminhos cheios de obst\u00e1culos que temos de percorrer? A certeza de que Jesus vai ao nosso lado sustenta o nosso testemunho e transparece nas nossas palavras e gestos?<\/li>\n<li>A celebra\u00e7\u00e3o da Solenidade da Trindade convida-nos a mergulhar no mist\u00e9rio de Deus. Fala-nos de um Deus que \u00e9 amor. Diz-nos que Deus n\u00e3o \u00e9 um ente solit\u00e1rio, afastado dos homens, apenas ocupado em dirigir a m\u00e1quina do universo; mas \u00e9 uma fam\u00edlia onde o amor est\u00e1 sempre presente. Em Deus coexistem a unidade e a comunh\u00e3o de pessoas. N\u00f3s dizemos, na nossa linguagem imperfeita, que Deus \u00e9 um em tr\u00eas pessoas. Mas Deus escapa a todas as f\u00f3rmulas dos te\u00f3logos para ser, apenas, um mist\u00e9rio de amor, uma fam\u00edlia de tr\u00eas Pessoas em perfeita comunh\u00e3o. E, melhor que tudo, Deus convida-nos a integrar essa comunidade de amor que Ele forma com o Filho e com o Esp\u00edrito: a fam\u00edlia de Deus, a Trindade, est\u00e1 sempre aberta para acolher novos filhos. Muitas vezes dizemos, pessoal e comunitariamente, \u201ceu creio em Deus\u201d: qual \u00e9 e como \u00e9 o Deus em que acreditamos? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 constitu\u00edda pelo discurso de Mois\u00e9s ao povo e, por isso, deve ser proclamada com tom solene. A maior dificuldade na proclama\u00e7\u00e3o desta leitura s\u00e3o as quatro interroga\u00e7\u00f5es presentes no texto, sobretudo a quarta interroga\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma longa frase e com diversas ora\u00e7\u00f5es. Na leitura das frases interrogativas deve dar-se a entoa\u00e7\u00e3o interrogativa nas part\u00edculas interrogativas ou nas formas verbais, evitando deixar a entoa\u00e7\u00e3o para o final da frase.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong> ter aten\u00e7\u00e3o a palavra \u00abAb\u00e1\u00bb que deve ler-se \u00ab\u00c1b\u00e1\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00c3O ADORES NUNCA NINGU\u00c9M MAIS\u2026<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mateus 28,16-20: \u00faltima p\u00e1gina do Evangelho de Mateus, que hoje, Solenidade da Sant\u00edssima Trindade, \u00e9 solenemente proclamada para n\u00f3s. Encerra o Evangelho de Mateus, condensa-o e resume-o, e abre aos Disc\u00edpulos e Irm\u00e3os do Ressuscitado novos e insuspeitados horizontes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas notas surpreendentes enchem a p\u00e1gina, o p\u00e1tio, o \u00e1trio sempre entreaberto do Evangelho para o mundo: a autoridade soberana e nova de Jesus, assente, n\u00e3o na dist\u00e2ncia, mas na proximidade e familiaridade (1); a miss\u00e3o universal confiada a uma Igreja discipular, toda reunida \u00e0 volta de um \u00fanico Mestre e Senhor (2); s\u00f3 nesta p\u00e1gina \u00e9 dito que os Disc\u00edpulos devem, por sua vez, ensinar, n\u00e3o se tornando, todavia, Mestres, mas permanecendo Disc\u00edpulos (3); n\u00e3o ensinam, por isso, nada de pr\u00f3prio nem por conta pr\u00f3pria, mas apenas \u00abtudo o que Ele mandou\u00bb (4); a Presen\u00e7a nova e permanente [= \u00abtodos os dias\u00bb] do Ressuscitado na comunidade dos disc\u00edpulos (5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A soberania nova, pr\u00f3xima e familiar, \u00e9 j\u00e1 preparada pela cena anterior em que o anjo reorienta os passos das mulheres do t\u00famulo para a Galileia, dizendo-lhes: \u00abIndo depressa, dizei\u00a0<em>aos seus disc\u00edpulos<\/em>\u00a0que Ele ressuscitou dos mortos e vos precede (<em>pro\u00e1gei hym\u00e2s<\/em>) na Galileia\u00bb (Mateus 28,7). De forma grandemente significativa, Jesus apresenta-se \u00e0s mulheres no caminho, e reformula assim o dizer do anjo: \u00abIde e anunciai\u00a0<em>aos meus irm\u00e3os<\/em>\u00a0que partam para a Galileia, e l\u00e1 me ver\u00e3o\u00bb (Mateus 28,10). A\u00ed est\u00e1 a nascer a nova e indestrut\u00edvel familiaridade:\u00a0<em>meus irm\u00e3os<\/em>, diz Jesus, apontando para n\u00f3s e envolvendo-nos num imenso abra\u00e7o fraternal. E chegados \u00e0 Galileia, de acordo com o dizer de Jesus, e \u00e0 montanha indicada por Jesus (Mateus 28,16), \u00e9 ainda Jesus que toma a dianteira e\u00a0<em>se aproxima<\/em>\u00a0deles e de n\u00f3s (Mateus 28,18). \u00c9 sempre d\u2019Ele a iniciativa. A montanha lembra e re\u00fane em analepse todas as montanhas que atravessam o Evangelho de Mateus: a montanha da tenta\u00e7\u00e3o (Mateus 4,8), a das bem-aventuran\u00e7as (Mateus 5,1), a da ora\u00e7\u00e3o (Mateus 14,23), a das curas (Mateus 15,29) e a da Transfigura\u00e7\u00e3o (Mateus 17,1), em que \u00e9 sempre Ele que abra\u00e7a e abre caminhos \u00e0 nossa fr\u00e1gil humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquele \u00abIndo (<em>poreuth\u00e9ntes<\/em>), fazei disc\u00edpulos (<em>math\u00eate\u00fasate<\/em>) de todas as na\u00e7\u00f5es\u00bb (Mateus 28,19), \u00e9 a miss\u00e3o sem fim que \u00e9 colocada diante dos nossos olhos, pois todas as na\u00e7\u00f5es s\u00e3o todos os cora\u00e7\u00f5es. E \u00abIr\u00bb \u00e9 n\u00e3o ficar aqui ou ali \u00e0 espera. \u00c9 a estrada sem medida de Abra\u00e3o que se abre \u00e0 nossa frente. E se medida tem \u00e9 a medida sem medida da elei\u00e7\u00e3o, da b\u00ean\u00e7\u00e3o e da miss\u00e3o. Mas n\u00e3o estamos sozinhos nessa estrada. Ele est\u00e1 connosco todos os dias. O seu nome, a sua identidade, \u00e9 estar connosco. \u00c9 assim a terminar o Evangelho: \u00abEu convosco sou todos os dias at\u00e9 ao fim dos tempos\u00bb (Mateus 28,20). Note-se a intensidade e a beleza da sandu\u00edche: \u00abEu convosco sou\u00bb (<em>Eg\u00f4 meth\u2019 hym\u00f4n eimi<\/em>). \u00c9 assim a abrir o Evangelho: \u00abEis que a Virgem conceber\u00e1 e dar\u00e1 \u00e0 luz um Filho, e cham\u00e1-lo-\u00e3o Emanuel, que se traduz: \u201cDeus connosco\u201d\u00bb (Mateus 1,23). Ent\u00e3o \u00e9 assim todo o Evangelho, como indica a figura da inclus\u00e3o liter\u00e1ria. Mas a inclus\u00e3o liter\u00e1ria em paralelismo ou em confronto vai ainda da Galileia (Mateus 4,12-17) \u00e0 Galileia (Mateus 28,16), da vis\u00e3o (Mateus 2,11) \u00e0 vis\u00e3o (Mateus 28,17), da adora\u00e7\u00e3o (Mateus 2,11; 4,9) \u00e0 adora\u00e7\u00e3o (Mateus 28,17), do poder dado (Mateus 4,9) ao poder dado (Mateus 28,18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E aquele \u00abensinando\u00bb (<em>did\u00e1skontes<\/em>) discipular, e n\u00e3o magistral, apela mais \u00e0 nossa fidelidade do que \u00e0 nossa autoridade e criatividade. De resto, para evitar d\u00favidas e deixar tudo claro, l\u00e1 est\u00e1 bem expresso o conte\u00fado deste ensinamento novo: \u00abtudo o que Eu vos mandei\u00bb (Mateus 28,20). \u00c9 s\u00f3 permanecendo Disc\u00edpulos fi\u00e9is que se pode ensinar. Disc\u00edpulo define o estilo de vida de quem segue com fidelidade o Senhor que nos preside e nos precede sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atente-se tamb\u00e9m neste discurso em dois tempos de Mois\u00e9s no Livro do Deuteron\u00f3mio (4,32-40), salientando a iniciativa gratuita de Deus e exortando-nos \u00e0 verdadeira Sabedoria b\u00edblica: SABE HOJE! N\u00e3o se trata de um saber assente naquilo que fizemos, fazemos ou faremos, centrado em n\u00f3s, mas naquilo que, por amor, nos foi feito, nos \u00e9 feito e nos ser\u00e1 feito. P\u00e1ginas admir\u00e1veis, em que a consci\u00eancia do homem n\u00e3o \u00e9 a autoconsci\u00eancia daquilo que eu fiz, mas a h\u00e9tero-consci\u00eancia daquilo que me \u00e9 feito e que eu sou HOJE chamado a reconhecer: \u00abSABE HOJE e volta-o no teu cora\u00e7\u00e3o: sim, o Senhor, teu Deus, \u00e9 o \u00fanico Deus nos c\u00e9us, no alto, e sobre a terra, em baixo, e n\u00e3o h\u00e1 outro\u00bb (Deuteron\u00f3mio 4,39).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SABE hoje e VOLTA-O NO TEU CORA\u00c7\u00c3O! Outra Sabedoria, outro saber, outro sabor. \u00c0 outra luz do cora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 onde arde o dom de Deus, Sabedoria de Deus, escrita nova de Deus no cora\u00e7\u00e3o, viagem de Jeremias 17,1 a Jeremias 31,33, lume novo no cora\u00e7\u00e3o dos dois Disc\u00edpulos de Ema\u00fas (Lucas 24,32), em todos os que estavam reunidos em Jerusal\u00e9m (Atos 2,3), e que Paulo quer acender no cora\u00e7\u00e3o de Tim\u00f3teo e no nosso (2 Tim\u00f3teo 1,6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tamb\u00e9m o Esp\u00edrito Santo, ensina-nos Paulo na Carta aos Romanos 8,14-17, hoje lida, escutada e meditada, opera em n\u00f3s, tornando-nos de tal modo participantes da vida do Filho, que nos capacita a tratar a Deus por\u00a0<em>\u02bcAbba\u02bc<\/em>, Pai, com a mesma intimidade de Jesus (Romanos 8,15). \u00c9 a ado\u00e7\u00e3o filial, a\u00a0<em>hyiothes\u00eda<\/em>, termo jur\u00eddico grego, desconhecido no mundo hebraico, com o qual Paulo quer indicar a gra\u00e7a divina que constitui o homem na dignidade de filho de Deus de modo totalmente imprevis\u00edvel e gratuito. Oh admir\u00e1vel ci\u00eancia do amor e da gra\u00e7a, que nos p\u00f5e a n\u00f3s, filhos acabados de nascer, a balbuciar o mais belo nome de Deus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, o Salmo 33, que hoje cantamos, \u00e9 um verdadeiro \u00abcanto novo\u00bb (<em>sh\u00eer hadash<\/em>) a fazer vibrar as fibras do nosso cora\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 tamb\u00e9m m\u00fasica sem palavras (<em>t<sup>e<\/sup>r\u00fb\u02bdah<\/em>) (Salmo 33,2), jubila\u00e7\u00e3o, exulta\u00e7\u00e3o, lala\u00e7\u00e3o de radical confian\u00e7a da crian\u00e7a que em n\u00f3s sorri e dan\u00e7a, porque Deus vela por n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E n\u00e3o nos esque\u00e7amos que \u00abadorar\u00bb \u00e9 \u00aborientar a vida toda para\u2026\u00bb. Adorar Jesus \u00e9 orientar a vida toda para Jesus. Adoremos hoje o Pai e o Filho e o Esp\u00edrito Santo, unidos no mesmo Nome (Mateus 28,19). N\u00e3o adores nunca ningu\u00e9m mais\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Filho e o Esp\u00edrito Santo s\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>No dizer de Santo Ireneu de Li\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>As duas m\u00e3os do Pai,<\/strong><br \/>\n<strong>Enviadas em miss\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong>Para junto dos seus filhos de ado\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c0 semelhan\u00e7a, claro,<\/strong><br \/>\n<strong>Daquelas m\u00e3os de amor,<\/strong><br \/>\n<strong>Que, no alvor da Cria\u00e7\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>Modelaram da terra pura o nosso cora\u00e7\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>E de miseric\u00f3rdia o vestiram.<\/strong><br \/>\n<strong>Filhos no Filho, divina\u00a0<em>hyiothes\u00eda<\/em>,<\/strong><br \/>\n<strong>Hemorragia de gra\u00e7a e de alegria:<\/strong><br \/>\n<strong>Jesus, o Filho, assume a nossa humana condi\u00e7\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>E d\u00e1-nos em heran\u00e7a a sua divina filia\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\n<strong>E o Esp\u00edrito, que une e distingue o Pai e o Filho,<\/strong><br \/>\n<strong>Divina comunh\u00e3o, sem confus\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>Toma conta do nosso cora\u00e7\u00e3o de filhos rec\u00e9m-nascidos,<\/strong><br \/>\n<strong>E faz circular em n\u00f3s, j\u00e1 hoje, j\u00e1 esta manh\u00e3,<\/strong><br \/>\n<strong>A mais bela lala\u00e7\u00e3o que h\u00e1, o nome novo\u00a0<em>Ab-ba<\/em>!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Leitura-I-da-Solenidade-da-Santissima-Trindade-Ano-B-26.05.2024-Dt-4-32-34.39-40.pdf\">Leitura I da Solenidade da Sant\u00edssima Trindade &#8211; Ano B &#8211; 26.05.2024 (Dt 4, 32-34.39-40)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Leitura-II-da-Solenidade-da-Santissima-Trindade-Ano-B-26.05.2024-Rom-8-14-17.pdf\">Leitura II da Solenidade da Sant\u00edssima Trindade &#8211; Ano B &#8211; 26.05.2024 (Rom 8, 14-17)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Solenidade-da-Santissima-Trindade-Ano-B-26.05.2024-Lecionario.pdf\">Solenidade da Sant\u00edssima Trindade &#8211; Ano B &#8211; 26.05.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Solenidade-da-Santissima-Trindade-Ano-B-26.05.2024-Oracao-Universal.pdf\">Solenidade da Sant\u00edssima Trindade &#8211; Ano B &#8211; 26.05.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Mensagem-Papa-Francisco-para-I-JORNADA-MUNDIAL-DAS-CRIANCAS-25-e-26-maio-2024.pdf\">Mensagem Papa Francisco para I JORNADA MUNDIAL DAS CRIAN\u00c7AS &#8211; 25 e 26 maio 2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo de Pentecostes \u2013 Ano B \u2013 19.05.2024&#8243; tab_id=&#8221;1716800331773-5c8bb9f5-7edd&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo de Pentecostes &#8211; Ano B \u2013 19.05.2024<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Domingo-de-Pentecostes.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"525\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cinquenta dias depois da P\u00e1scoa os Ap\u00f3stolos continuam fechados com medo. N\u00e3o est\u00e3o em isolamento social recomendado pelas autoridades sanit\u00e1rias, mas como disc\u00edpulos de Jesus de Nazar\u00e9 que foi crucificado est\u00e3o recolhidos em casa e, com certeza, come\u00e7am a pensar o que far\u00e3o para vencer o temor e avan\u00e7ar para o desconfinamento. Contudo, algo de surpreendente e inesperado acontece. No lugar onde se encontravam \u00ab<em>fez-se ouvir, vindo do C\u00e9u, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este grupo que estava fechado, amedrontado e barricado em casa, subitamente encontra a aud\u00e1cia para enfrentar a multid\u00e3o e corajosamente sai para a rua, proclamando as maravilhas de Deus nas mais variadas l\u00ednguas, conforme o Esp\u00edrito lhes inspirava. Estes homens n\u00e3o estavam habituados a fazer discursos, nem eram profissionais da palavra. S\u00e3o homens simples que n\u00e3o apoiavam os seus discursos na eloqu\u00eancia humana, mas em qualquer coisa de novo e diferente que os fazia anunciar de modo apaixonado e desassombrado as maravilhas de Deus. \u00c9 o Esp\u00edrito Santo, o Par\u00e1clito que o Mestre prometera e que agora desce sobre eles para os enviar em miss\u00e3o. Cheios do Esp\u00edrito Santo, o medo deu lugar \u00e0 coragem e o sil\u00eancio e o recolhimento deram lugar \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o da Palavra na pra\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura situa estes acontecimentos no dia de Pentecostes, isto \u00e9, cinquenta dias ap\u00f3s a P\u00e1scoa. Por seu lado, a narrativa evang\u00e9lica situa a descida do Esp\u00edrito Santo \u00ab<em>na tarde daquele dia, o primeiro da semana<\/em>\u00bb, isto \u00e9, no dia de P\u00e1scoa. Na verdade, a aparente contradi\u00e7\u00e3o na descri\u00e7\u00e3o temporal destes acontecimentos permite-nos unir a P\u00e1scoa e o Pentecostes, recordando que o Esp\u00edrito Santo \u00e9 dom de Jesus Ressuscitado \u00e0 Sua Igreja para que iluminados e guiados pelo Seu Esp\u00edrito possam continuar no tempo e na hist\u00f3ria a Sua obra redentora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Recebei o Esp\u00edrito Santo<\/em>\u00bb. O Esp\u00edrito Santo \u00e9 dom gratuito do amor de Deus que nos faz participar na Sua obra de amor. Deste modo, o Esp\u00edrito Santo \u00e9 um dom a invocar e a agradecer. Mas juntamente com o Seu Esp\u00edrito, o Ressuscitado concede tamb\u00e9m a Sua paz e envia os disc\u00edpulos em miss\u00e3o para que sejam anunciadores da Boa Nova da Paz e da reconcilia\u00e7\u00e3o. Jesus une \u00e0 miss\u00e3o que o Pai lhe confiou a miss\u00e3o de cada um de n\u00f3s: \u00ab<em>Assim como o Pai Me enviou, tamb\u00e9m Eu vos envio a v\u00f3s<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos enviados tal como o Pai enviou o Seu Filho muito amado e unimo-nos assim \u00e0 miss\u00e3o de Jesus para que o rosto de miseric\u00f3rdia e perd\u00e3o do Pai continue a brilhar no mundo. Jesus envia os disc\u00edpulos mostrando-lhes as m\u00e3os e o lado, confiando-lhes a miss\u00e3o de perdoar os pecados. Perdoar \u00e9 dar atrav\u00e9s das feridas recebidas, \u00e9 fazer do mal sofrido uma oportunidade para o amor e a reconcilia\u00e7\u00e3o, \u00e9 criar paz com uma superabund\u00e2ncia de amor que vence o \u00f3dio e a viol\u00eancia sofridos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Unido ao Esp\u00edrito Santo, o perd\u00e3o \u00e9 um acontecimento muito mais escatol\u00f3gico do que \u00e9tico, porque nos faz participar no aqui e agora do tempo e da hist\u00f3ria da comunh\u00e3o e da paz que se viver\u00e1 em plenitude no c\u00e9u. Vinde Esp\u00edrito Santo! Vinde e rasgai horizontes de esperan\u00e7am e tornai-nos anunciadores da nova civiliza\u00e7\u00e3o do amor para que o mundo possa ser esse lugar que Deus sonhou para n\u00f3s. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Diret\u00f3rio Lit\u00fargico indica que o Domingo de Pentecostes \u00e9 Dia do Apostolado Organizado dos Leigos e do contributo para o mesmo Apostolado por decis\u00e3o da Confer\u00eancia Episcopal. Apesar da escassez de informa\u00e7\u00e3o sobre esta efem\u00e9ride indicada no diret\u00f3rio, \u00e9 importante valorizar o apostolado dos leigos e, sobretudo, valorizar a diversidade de minist\u00e9rios, dons e carismas que o Esp\u00edrito Santo oferece \u00e0 Igreja. Como afirmou o Papa Francisco: \u00ab<em>na Igreja, a variedade, que \u00e9 uma grande riqueza, sempre se funde na harmonia da unidade, como um grande mosaico onde todos os ladrilhos concorrem para formar o \u00fanico grande des\u00edgnio de Deus<\/em>\u00bb.<strong><em> in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo ciclo do Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Atos dos Ap\u00f3stolos 2,1-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando chegou o dia de Pentecostes,<br \/>\nos Ap\u00f3stolos estavam todos reunidos no mesmo lugar.<br \/>\nSubitamente, fez-se ouvir, vindo do C\u00e9u,<br \/>\num rumor semelhante a forte rajada de vento,<br \/>\nque encheu toda a casa onde se encontravam.<br \/>\nViram ent\u00e3o aparecer uma esp\u00e9cie de l\u00ednguas de fogo,<br \/>\nque se iam dividindo,<br \/>\ne poisou uma sobre cada um deles.<br \/>\nTodos ficaram cheios do Esp\u00edrito Santo<br \/>\ne come\u00e7aram a falar outras l\u00ednguas,<br \/>\nconforme o Esp\u00edrito lhes concedia que se exprimissem.<br \/>\nResidiam em Jerusal\u00e9m judeus piedosos,<br \/>\nprocedentes de todas as na\u00e7\u00f5es que h\u00e1 debaixo do c\u00e9u.<br \/>\nAo ouvir aquele ru\u00eddo, a multid\u00e3o reuniu-se<br \/>\ne ficou muito admirada,<br \/>\npois cada qual os ouvia falar na sua pr\u00f3pria l\u00edngua.<br \/>\nAt\u00f3nitos e maravilhados, diziam:<br \/>\n\u00abN\u00e3o s\u00e3o todos galileus os que est\u00e3o a falar?<br \/>\nEnt\u00e3o, como \u00e9 que os ouve cada um de n\u00f3s<br \/>\nfalar na sua pr\u00f3pria l\u00edngua?<br \/>\nPartos, medos, elamitas,<br \/>\nhabitantes da Mesopot\u00e2mia, da Judeia e da Capad\u00f3cia,<br \/>\ndo Ponto e da \u00c1sia, da Fr\u00edgia e da Panf\u00edlia,<br \/>\ndo Egipto e das regi\u00f5es da L\u00edbia, vizinha de Cirene,<br \/>\ncolonos de Roma, tanto judeus como pros\u00e9litos,<br \/>\ncretenses e \u00e1rabes,<br \/>\nouvimo-los proclamar nas nossas l\u00ednguas<br \/>\nas maravilhas de Deus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A obra de Lucas abarca dois \u201ctempos\u201d diferentes, duas etapas da \u201chist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o\u201d: o \u201ctempo de Jesus\u201d (Evangelho), e o \u201ctempo da Igreja\u201d (Atos dos Ap\u00f3stolos). O \u201ctempo de Jesus\u201d \u00e9 o \u201ctempo\u201d em que Jesus estava fisicamente presente no meio dos seus disc\u00edpulos e andava com eles pelas vilas e aldeias da Palestina a anunciar o Reino de Deus; o \u201ctempo da Igreja\u201d \u00e9 o tempo em que Jesus j\u00e1 voltou para o Pai e s\u00e3o os disc\u00edpulos que assumem a miss\u00e3o de dar testemunho da salva\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Atos dos Ap\u00f3stolos situam-nos, portanto, no \u201ctempo da Igreja\u201d. O livro apresenta-nos os momentos principais dessa aventura mission\u00e1ria que leva a proposta de Jesus desde Jerusal\u00e9m at\u00e9 aos confins do mundo (At 1,8). Os disc\u00edpulos, no entanto, n\u00e3o percorrer\u00e3o sozinhos este caminho: ser\u00e3o ajudados e orientados pelo Esp\u00edrito Santo, conforme a promessa de Jesus (cf. At 1,5.8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201ctempo da Igreja\u201d come\u00e7a em Jerusal\u00e9m, logo depois da ressurrei\u00e7\u00e3o\/ascens\u00e3o de Jesus. De acordo com o plano teol\u00f3gico de Lucas, foi em Jerusal\u00e9m que a salva\u00e7\u00e3o de Deus irrompeu na hist\u00f3ria dos homens; e ser\u00e1 a partir de Jerusal\u00e9m que essa salva\u00e7\u00e3o se vai espalhar pelo mundo inteiro. O \u201cpontap\u00e9 de sa\u00edda\u201d nessa aventura que vai levar o Evangelho de Jesus ao encontro do mundo foi dado com a rece\u00e7\u00e3o, pelos disc\u00edpulos, do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro dos Atos, Lucas diz-nos que a comunidade de Jesus se encontrou com o Esp\u00edrito Santo no dia em que os judeus celebravam a festa judaica do Pentecostes (em hebraico \u201cShavu\u2019ot\u201d). Essa festa (tamb\u00e9m chamada \u201cfesta das semanas\u201d e \u201cfesta das prim\u00edcias\u201d) ocorria cinquenta dias ap\u00f3s a P\u00e1scoa e era, antes de mais, uma festa agr\u00edcola: terminada a colheita dos cereais, os agricultores dirigiam-se ao Templo, ao som de m\u00fasica de flautas, para entregar a Deus os primeiros frutos da colheita (\u201cbicurim\u201d). Eram acolhidos com c\u00e2nticos de boas-vindas, entravam no templo e entregavam nas m\u00e3os dos sacerdotes os cestos com os frutos que tinham trazido. Mais tarde, contudo, a tradi\u00e7\u00e3o rab\u00ednica ligou esta festa \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da \u201calian\u00e7a\u201d e ao dom da Lei, no Sinai; e, no s\u00e9c. I, esta dimens\u00e3o tinha um lugar importante na celebra\u00e7\u00e3o do Pentecostes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que diz respeito ao texto que nos \u00e9 proposto neste domingo como primeira leitura e que descreve os acontecimentos do dia do Pentecostes, n\u00e3o existem d\u00favidas de que \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o artificial, criada por Lucas com uma clara inten\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. Para apresentar a sua catequese, Lucas recorre a imagens, a s\u00edmbolos, \u00e0 linguagem po\u00e9tica das met\u00e1foras. Temos de descodificar os s\u00edmbolos para chegarmos \u00e0 interpela\u00e7\u00e3o essencial que a catequese primitiva, pela palavra de Lucas, quis deixar-nos. Uma interpreta\u00e7\u00e3o literal deste relato seria, portanto, uma boa forma de passarmos ao lado do essencial da mensagem; far-nos-ia reparar na roupagem exterior, no folclore, e ignorar o fundamental. O interesse fundamental de Lucas, o nosso catequista, \u00e9 apresentar a Igreja como a comunidade que nasce de Jesus, que \u00e9 assistida pelo Esp\u00edrito e que \u00e9 chamada a testemunhar aos homens o projeto libertador do Pai. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Hoje, para o bem e para o mal, toda a gente fala da \u201cIgreja\u201d e tem opini\u00e3o sobre a vida da \u201cIgreja\u201d. O que \u00e9 a \u201cIgreja\u201d? Qual \u00e9 a ess\u00eancia, a \u201calma\u201d dessa realidade a que chamamos \u201cIgreja\u201d? O que \u00e9 que ela pretende? Qual o seu papel no mundo? Temos, nesta catequese sobre os acontecimentos do dia de Pentecostes, os elementos essenciais para responder a estas quest\u00f5es. Segundo o autor dos Atos, a Igreja \u00e9 uma comunidade de homens e de mulheres convocados por Jesus, que aderiram a Jesus e \u00e0 sua Boa Nova; s\u00e3o animados, sustentados e dirigidos pelo Esp\u00edrito Santo ao longo de todo o caminho que percorrem na hist\u00f3ria; t\u00eam por miss\u00e3o continuar no mundo a obra de Jesus: anunciar o Reino de Deus, lutar contra o mal, curar os que sofrem, testemunhar em palavras e gestos o amor de Deus, levar a todos os cantos da terra a salva\u00e7\u00e3o de Deus. Da escuta e do acolhimento da proposta que, em nome de Jesus, a Igreja apresenta ao mundo, resulta a comunidade universal da salva\u00e7\u00e3o, que vive no amor e na partilha, apesar das diferen\u00e7as culturais e \u00e9tnicas. Sentimo-nos, efetivamente, membros desta fam\u00edlia? Identificamo-nos com ela? A \u201cIgreja\u201d de que fazemos parte \u00e9 uma comunidade de irm\u00e3os que se amam, apesar das diferen\u00e7as? Est\u00e1 reunida por causa de Jesus e \u00e0 volta de Jesus? Tem consci\u00eancia de que o Esp\u00edrito est\u00e1 presente e que a anima? Testemunha, de forma efetiva e coerente, a proposta libertadora que Jesus deixou?<\/li>\n<li>O relato do autor dos Atos dos Ap\u00f3stolos quer claramente afirmar que o Esp\u00edrito Santo foi o respons\u00e1vel pela mudan\u00e7a de atitude dos disc\u00edpulos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tarefa que lhes foi confiada por Jesus. Antes do Pentecostes, o grupo dos disc\u00edpulos estava fechado dentro de quatro paredes, incapaz de superar o medo e de arriscar, sem iniciativa e sem a coragem de dar testemunho; depois do Pentecostes, aparece-nos uma comunidade unida, sem medo, que ultrapassa as suas limita\u00e7\u00f5es humanas e testemunha bem alto a sua f\u00e9 em Jesus ressuscitado. O Esp\u00edrito clarifica as coisas, varre o medo, abre as portas, limpa as teias de aranha que a passagem do tempo deixa acumular, aponta os caminhos que devem ser percorridos, esbate as diferen\u00e7as e apresenta ao mundo uma Igreja com um rosto belo, renovado e corajoso. As nossas comunidades crist\u00e3s t\u00eam consci\u00eancia do papel do Esp\u00edrito na constru\u00e7\u00e3o e na anima\u00e7\u00e3o da Igreja? Damos suficiente espa\u00e7o \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, em n\u00f3s e nas nossas comunidades?<\/li>\n<li>A Igreja re\u00fane na sua \u201ccasa\u201d gente muito diversa, vinda de realidades culturais, pol\u00edticas e sociol\u00f3gicas muito diversas. Essa diversidade nunca deve ser vista como um problema, mas sim como uma imensa riqueza. Para se tornar crist\u00e3o, ningu\u00e9m deve ser espoliado da pr\u00f3pria cultura ou da sua identidade: nem os africanos, nem os europeus, nem os sul-americanos, nem os negros, nem os brancos; mas todos s\u00e3o convidados, com as suas diferen\u00e7as, a acolher esse projeto libertador de Deus, que faz os homens deixarem de viver de costas voltadas, para viverem no amor. A Igreja de que fazemos parte \u00e9 esse espa\u00e7o de liberdade e de fraternidade? Nela todos encontram lugar e s\u00e3o acolhidos com amor e com respeito \u2013 mesmo os de outras ra\u00e7as, mesmo aqueles de quem n\u00e3o gostamos, mesmo aqueles que n\u00e3o fazem parte do nosso c\u00edrculo, mesmo aqueles que a sociedade marginaliza e afasta? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 103 (104)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Enviai, Senhor, o vosso Esp\u00edrito, e renovai a face da terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Mandai, Senhor, o vosso Esp\u00edrito, e renovai a terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 3: Aleluia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bendiz, \u00f3 minha alma, o Senhor.<br \/>\nSenhor, meu Deus, como sois grande!<br \/>\nComo s\u00e3o grandes, Senhor, as vossas obras!<br \/>\nA terra est\u00e1 cheia das vossas criaturas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se lhes tirais o alento, morrem<br \/>\ne voltam ao p\u00f3 donde vieram.<br \/>\nSe mandais o vosso esp\u00edrito, retomam a vida<br \/>\ne renovais a face da terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gl\u00f3ria a Deus para sempre!<br \/>\nRejubile o Senhor nas suas obras.<br \/>\nGrato Lhe seja o meu canto<br \/>\ne eu terei alegria no Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 1 Cor\u00edntios 12,3b-7.12-13<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nNingu\u00e9m pode dizer: \u00abJesus \u00e9 o Senhor\u00bb,<br \/>\na n\u00e3o ser pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo.<br \/>\nDe facto, h\u00e1 diversidade de dons espirituais,<br \/>\nmas o Esp\u00edrito \u00e9 o mesmo.<br \/>\nH\u00e1 diversidade de minist\u00e9rios,<br \/>\nmas o Senhor \u00e9 o mesmo.<br \/>\nH\u00e1 diversas opera\u00e7\u00f5es,<br \/>\nmas \u00e9 o mesmo Deus que opera tudo em todos.<br \/>\nEm cada um se manifestam os dons do Esp\u00edrito<br \/>\npara o bem comum.<br \/>\nAssim como o corpo \u00e9 um s\u00f3 e tem muitos membros,<br \/>\ne todos os membros, apesar de numerosos,<br \/>\nconstituem um s\u00f3 corpo,<br \/>\nassim tamb\u00e9m sucede com Cristo.<br \/>\nNa verdade, todos n\u00f3s<br \/>\n\u2013 judeus e gregos, escravos e homens livres \u2013<br \/>\nfomos batizados num s\u00f3 Esp\u00edrito,<br \/>\npara constituirmos um s\u00f3 Corpo.<br \/>\nE a todos nos foi dado a beber um \u00fanico Esp\u00edrito.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho mission\u00e1rio de Paulo de Tarso, em meados do s\u00e9c. I, levou o cristianismo ao encontro do mundo grego. Paulo, depois de um certo discernimento, tinha conclu\u00eddo que a proposta de Jesus era para todos os povos da terra e n\u00e3o exclusivamente para os judeus. No entanto, o contexto judaico \u2013 de onde o cristianismo era origin\u00e1rio \u2013 e o contexto grego eram realidades culturais e religiosas bastante diferentes. Como \u00e9 que a proposta crist\u00e3 se aguentaria quando mergulhasse num mundo que funcionava com dinamismos que lhe eram estranhos? Iria a brilhante cultura grega absorver ou desvirtuar os valores crist\u00e3os? Como \u00e9 que os crist\u00e3os de origem grega integrariam a sua f\u00e9 na realidade cultural em que estavam inseridos? A comunidade crist\u00e3 de Corinto sentiu toda esta problem\u00e1tica de forma especial. Na Primeira Carta aos Corintos, Paulo aborda diversas quest\u00f5es que lhe foram colocadas pelos crist\u00e3os de Corinto e onde, como \u201cpano de fundo\u201d, est\u00e1 a quest\u00e3o do encaixe dos valores crist\u00e3os nos valores da cultura grega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das quest\u00f5es onde esta problem\u00e1tica, de alguma forma, est\u00e1 presente \u00e9 a quest\u00e3o dos \u201ccarismas\u201d. A palavra \u201ccarisma\u201d tem a sua origem no campo religioso crist\u00e3o, especialmente na teologia paulina. Designa dons especiais do Esp\u00edrito, concedidos a determinado indiv\u00edduo \u2013 independentemente do posto que ocupa na institui\u00e7\u00e3o eclesial \u2013 para o bem das pessoas, para as necessidades do mundo e, em particular, para a edifica\u00e7\u00e3o da Igreja. Nas cartas de Paulo fala-se insistentemente em \u201ccarismas\u201d que animavam a vida e o dinamismo das comunidades crist\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns crist\u00e3os de Corinto, no entanto, influenciados por determinadas experi\u00eancias religiosas que existiam na religi\u00e3o grega tradicional, entenderam os \u201ccarismas\u201d de uma forma bem peculiar. Eles conheciam, por exemplo, os \u201cor\u00e1culos\u201d, atrav\u00e9s dos quais os deuses, servindo-se de intermedi\u00e1rios humanos, transmitiam as suas indica\u00e7\u00f5es (santu\u00e1rio de Delfos, sacerdotisas de Dodona); conheciam tamb\u00e9m certos rituais em que os crentes, atrav\u00e9s do transe, de experi\u00eancia orgi\u00e1sticas, de excessos de v\u00e1rios tipos, se \u201cfundiam\u201d com o deus a quem prestavam culto (mist\u00e9rios de Dion\u00edsio, culto de Cibele). Confundiram, portanto, os \u201ccarismas\u201d crist\u00e3os com algumas dessas pr\u00e1ticas pag\u00e3s; e, possivelmente, chegaram a fazer uso dos dons carism\u00e1ticos em ambiente semelhante ao de certas cerim\u00f3nias religiosas pag\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais ainda: considerando-se a si pr\u00f3prios \u201cescolhidos de Deus\u201d, alguns destes carism\u00e1ticos reivindicavam um protagonismo que danificava a comunh\u00e3o fraterna. Apresentando-se como \u201ciluminados\u201d, mensageiros incontestados das coisas divinas, assumiam atitudes de autoritarismo e de prepot\u00eancia que n\u00e3o favoreciam a fraternidade; desprezavam os que n\u00e3o tinham sido dotados destes dons, considerando-os como \u201ccrist\u00e3os de segunda\u201d, limitados a um lugar subalterno no contexto comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isto causou natural alarme na comunidade crist\u00e3 de Corinto. Paulo, informado da situa\u00e7\u00e3o, entendeu intervir para evitar abusos e mal-entendidos. Na Primeira Carta aos Cor\u00edntios, ele corrige, d\u00e1 conselhos, mostra a incoer\u00eancia destes comportamentos, incompat\u00edveis com o Evangelho de Jesus. A sua interven\u00e7\u00e3o neste campo aparece nos cap\u00edtulos 12 a 14 da referida Carta. A nossa segunda leitura deste domingo insere-se neste contexto. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Todos aqueles que integram a comunidade crist\u00e3 s\u00e3o membros de um \u00fanico \u201ccorpo\u201d, o \u201ccorpo de Cristo\u201d; todos aqueles que s\u00e3o membros do \u201ccorpo de Cristo\u201d vivem e alimentam-se do mesmo Esp\u00edrito; todos aqueles que se alimentam do mesmo Esp\u00edrito formam uma fam\u00edlia de irm\u00e3os e de irm\u00e3s, iguais em dignidade. Podem, naturalmente, desempenhar fun\u00e7\u00f5es diversas, como acontece com os membros de um corpo; mas todos eles s\u00e3o igualmente importantes enquanto membros do \u201ccorpo de Cristo\u201d. Tudo isto parece incontest\u00e1vel, \u00e0 luz da doutrina de Paulo. No entanto encontramos, com alguma frequ\u00eancia, crist\u00e3os com uma consci\u00eancia viva da sua superioridade e da sua situa\u00e7\u00e3o \u201c\u00e0 parte\u201d na comunidade (seja em raz\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o que desempenham, seja em raz\u00e3o das suas \u201cqualidades\u201d humanas), que gostam de se fazer notar e de afirmar a sua autoridade ou o seu \u201cestatuto\u201d. \u00c0s vezes, veem-se atitudes de prepot\u00eancia e de autoritarismo por parte daqueles que se consideram deposit\u00e1rios de dons especiais; por vezes, ficamos com a sensa\u00e7\u00e3o de que a estrutura eclesial funciona em modelo piramidal, com uma elite que preside e toma as decis\u00f5es instalada no topo, e um \u201crebanho\u201d silencioso que obedece instalado na base. Isto faz algum sentido, \u00e0 luz da doutrina que Paulo exp\u00f5e? Como entendemos o nosso lugar e o nosso papel na comunidade crist\u00e3?<\/li>\n<li>Os dons que o Esp\u00edrito concede, por mais pessoais que sejam, s\u00e3o para servir o bem comum e para refor\u00e7ar a viv\u00eancia comunit\u00e1ria. Quem os recebe deve p\u00f4-los ao servi\u00e7o de todos, com humildade e simplicidade. N\u00e3o faz sentido escondermos os \u201cdons\u201d que recebemos, guardando-os s\u00f3 para n\u00f3s e deixando que eles fiquem est\u00e9reis; tamb\u00e9m n\u00e3o faz sentido usar os \u201cdons\u201d que recebemos de tal forma que eles se tornem fator de conflitos ou de divis\u00f5es. Os \u201cdons\u201d que nos foram concedidos s\u00e3o postos ao servi\u00e7o da comunidade? S\u00e3o fonte de encontro, de comunh\u00e3o, de partilha, de Vida, para a comunidade de que fazemos parte?<\/li>\n<li>O Esp\u00edrito Santo \u00e9 uma presen\u00e7a imprescind\u00edvel no caminho que a Igreja vai percorrendo todos os dias: \u00e9 Ele que alimenta, que anima, que fortalece, que d\u00e1 Vida ao Povo de Deus peregrino; \u00e9 Ele que distribui os dons conforme as necessidades e que, com esses dons, continuamente recria a Igreja; \u00e9 Ele que conduz a marcha, que indica os caminhos a percorrer, que ajuda a tomar as decis\u00f5es que se imp\u00f5em para que a \u201cbarca de Pedro\u201d chegue a bom porto. Temos consci\u00eancia da presen\u00e7a do Esp\u00edrito, procuramos ouvir a sua voz e perceber as suas indica\u00e7\u00f5es?<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SEQU\u00caNCIA DO PENTECOSTES<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vinde, \u00f3 santo Esp\u00edrito,<br \/>\nvinde, Amor ardente,<br \/>\nacendei na terra<br \/>\nvossa luz fulgente.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vinde, Pai dos pobres:<br \/>\nna dor e afli\u00e7\u00f5es,<br \/>\nvinde encher de gozo<br \/>\nnossos cora\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Benfeitor supremo<br \/>\nem todo o momento,<br \/>\nhabitando em n\u00f3s<br \/>\nsois o nosso alento.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Descanso na luta<br \/>\ne na paz encanto,<br \/>\nno calor sois brisa,<br \/>\nconforto no pranto.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Luz de santidade,<br \/>\nque no C\u00e9u ardeis,<br \/>\nabrasai as almas<br \/>\ndos vossos fi\u00e9is.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sem a vossa for\u00e7a<br \/>\ne favor clemente,<br \/>\nnada h\u00e1 no homem<br \/>\nque seja inocente.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lavai nossas manchas,<br \/>\na aridez regai,<br \/>\nsarai os enfermos<br \/>\ne a todos salvai.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Abrandai durezas<br \/>\npara os caminhantes,<br \/>\nanimai os tristes,<br \/>\nguiai os errantes.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vossos sete dons<br \/>\nconcedei \u00e0 alma<br \/>\ndo que em V\u00f3s confia:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Virtude na vida,<br \/>\namparo na morte,<br \/>\nno C\u00e9u alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 20,19-23<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,<br \/>\nestando fechadas as portas da casa<br \/>\nonde os disc\u00edpulos se encontravam,<br \/>\ncom medo dos judeus,<br \/>\nveio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes:<br \/>\n\u00abA paz esteja convosco\u00bb.<br \/>\nDito isto, mostrou-lhes as m\u00e3os e o lado.<br \/>\nOs disc\u00edpulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.<br \/>\nJesus disse-lhes de novo:<br \/>\n\u00abA paz esteja convosco.<br \/>\nAssim como o Pai Me enviou,<br \/>\ntamb\u00e9m Eu vos envio a v\u00f3s\u00bb.<br \/>\nDito isto, soprou sobre eles e disse lhes:<br \/>\n\u00abRecebei o Esp\u00edrito Santo:<br \/>\n\u00e0queles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-\u00e3o perdoados;<br \/>\ne \u00e0queles a quem os retiverdes ser-lhes-\u00e3o retidos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus foi crucificado na manh\u00e3 de uma sexta-feira \u2013 dia da \u201cprepara\u00e7\u00e3o\u201d da P\u00e1scoa \u2013 e morreu pelas tr\u00eas horas da tarde desse dia. J\u00e1 depois de morto, um soldado trespassou-lhe o cora\u00e7\u00e3o com uma lan\u00e7a; e do cora\u00e7\u00e3o aberto de Jesus saiu sangue e \u00e1gua (cf. Jo 19,31-37). O evangelista Jo\u00e3o v\u00ea no sangue que sai do lado aberto de Jesus o sinal do seu amor dado at\u00e9 ao extremo (cf. Jo 13,1); e v\u00ea na \u00e1gua que sai do cora\u00e7\u00e3o trespassado de Jesus o sinal do Esp\u00edrito (cf. Jo 3,5), desse Esp\u00edrito que Jesus \u201centregou\u201d aos seus e que \u00e9 fonte de Vida nova. Da \u00e1gua e do sangue, do batismo e da eucaristia, nascer\u00e1 a nova comunidade, a comunidade da Nova Alian\u00e7a. Contudo, os disc\u00edpulos que tinham subido com Jesus a Jerusal\u00e9m e que seriam o embri\u00e3o dessa comunidade da Nova Alian\u00e7a, desapareceram sem deixar rasto. Est\u00e3o escondidos, algures na cidade de Jerusal\u00e9m, paralisados pelo medo. O projeto de Jesus falhou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final da tarde dessa sexta-feira, o corpo morto de Jesus foi sepultado \u00e0 pressa num t\u00famulo novo, situado num horto ao lado do lugar onde se tinha dado a crucifica\u00e7\u00e3o (cf. Jo 19,38-42). Depois veio o s\u00e1bado, o \u00faltimo dia da semana, o dia da celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa judaica. Durante todo aquele s\u00e1bado o t\u00famulo de Jesus continuou cerrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir daqui a narra\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o muda de tempo e de registo. Chegamos ao \u201cprimeiro dia da semana\u201d. \u00c9 o primeiro dia de um tempo novo, o tempo da humanidade nova, nascida da a\u00e7\u00e3o criadora e vivificadora de Jesus. \u201cNo primeiro dia da semana\u201d, Maria Madalena, a mulher que representa a nova comunidade, vai ao t\u00famulo e vem de l\u00e1 confusa e desorientada porque o t\u00famulo est\u00e1 vazio (cf. Jo 20,1-2). Logo depois, ainda \u201cno primeiro dia da semana\u201d, Pedro e outro disc\u00edpulo correm ao t\u00famulo e constatam aquilo que Maria Madalena tinha afirmado: Jesus j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 encerrado no dom\u00ednio da morte (cf. Jo 20,3-10). A comunidade de Jesus come\u00e7a a despertar do seu letargo; come\u00e7a a viver um tempo novo. Mas \u00e9 preciso mais qualquer coisa para que os disc\u00edpulos ven\u00e7am o medo e assumam o seu papel enquanto comunidade da Nova Alian\u00e7a. O que falta? Ao entardecer do \u201cprimeiro dia da semana\u201d (ou seja, ao concluir-se este primeiro dia da nova cria\u00e7\u00e3o) Jesus encontra-se com toda a comunidade reunida na casa onde se escondiam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto do evangelho que a liturgia da Solenidade do Pentecostes nos apresenta descreve esse encontro entre Jesus ressuscitado e a sua comunidade.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Nos relatos pascais aparece sempre, em pano de fundo, a convic\u00e7\u00e3o profunda de que a comunidade dos disc\u00edpulos nunca estar\u00e1 sozinha, abandonada \u00e0 sua sorte: Jesus ressuscitado, Aquele que venceu a morte, a injusti\u00e7a, o ego\u00edsmo, o pecado, acompanh\u00e1-la-\u00e1 em cada passo do seu caminho hist\u00f3rico. \u00c9 verdade que os disc\u00edpulos de Jesus n\u00e3o vivem num mundo \u00e0 parte, onde a fragilidade e a debilidade dos humanos n\u00e3o os tocam. Como os outros homens e mulheres, eles experimentam o sofrimento, o desalento, a frustra\u00e7\u00e3o, o des\u00e2nimo; t\u00eam medo quando o mundo escolhe caminhos de guerra e de viol\u00eancia; sofrem quando s\u00e3o atingidos pela injusti\u00e7a, pela opress\u00e3o, pelo \u00f3dio do mundo; conhecem a persegui\u00e7\u00e3o, a incompreens\u00e3o e a morte\u2026 Mas, apesar de tudo isso, n\u00e3o se deixam vencer pelo pessimismo e pelo desespero pois sabem que Jesus vai \u201cno meio deles\u201d, oferecendo-lhes a sua paz e apontando-lhes o horizonte da Vida definitiva. \u00c9 com esta certeza que caminhamos e que enfrentamos as tempestades da vida? Os outros homens e mulheres que partilham o caminho connosco descobrem Jesus, vivo e ressuscitado, atrav\u00e9s do testemunho de esperan\u00e7a que damos?<\/li>\n<li>O Esp\u00edrito Santo \u00e9 o grande dom que Jesus ressuscitado faz \u00e0 comunidade dos disc\u00edpulos. Ele \u00e9 o sopro de Vida que nos recria e que nos transforma, a cada instante, em pessoas novas. Sem o Esp\u00edrito, seremos barro inerte e n\u00e3o imagem viva de Deus; sem o Esp\u00edrito, ficaremos paralisados pelos nossos medos e pelos nossos comodismos, incapazes de ter uma atitude construtiva e transformadora; sem o Esp\u00edrito, ficaremos instalados no ceticismo e na desilus\u00e3o, sem a aud\u00e1cia prof\u00e9tica que transforma o mundo; sem o Esp\u00edrito, esconder-nos-emos atr\u00e1s de leis, de rituais, de doutrinas, e n\u00e3o passaremos de funcion\u00e1rios med\u00edocres de uma religi\u00e3o sem alma e sem amor; sem o Esp\u00edrito recairemos continuamente nos esquemas velhos e nos h\u00e1bitos velhos, incapazes de nos deixarmos questionar pelos desafios sempre novos de Deus; sem o Esp\u00edrito, ficaremos cada vez mais fechados dentro das paredes dos nossos templos, incapazes de ir ao encontro do mundo e de lhe levar a proposta de Jesus\u2026 Sem o Esp\u00edrito, nunca teremos a coragem para continuar no mundo a obra de Jesus. No entanto, o Esp\u00edrito s\u00f3 atua em n\u00f3s se estivermos dispon\u00edveis para o acolher. Ele n\u00e3o se imp\u00f5e nem desrespeita a nossa liberdade. Estamos dispon\u00edveis para acolher o Esp\u00edrito? O nosso cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 aberto aos desafios que o Esp\u00edrito constantemente nos lan\u00e7a?<\/li>\n<li>S\u00e3o bem sugestivos os nomes com que Jesus, na \u00faltima ceia, designa o Esp\u00edrito prometido: \u201cEsp\u00edrito da Verdade\u201d e \u201cPar\u00e1clito\u201d. Ele \u00e9 \u201cEsp\u00edrito da Verdade\u201d porque nos traz, a cada passo a Verdade de Deus, uma Verdade que o mundo precisa escutar e que os disc\u00edpulos de Jesus devem testemunhar sem tibiezas; Ele \u00e9 \u201cPar\u00e1clito\u201d (\u201caquele que consola ou conforta\u201d; \u201caquele que encoraja\u201d; \u201caquele que intercede\u201d; \u201caquele que defende\u201d) porque nos d\u00e1 a for\u00e7a e a coragem para enfrentar as tempestades e as incompreens\u00f5es do mundo. N\u00e3o caminhamos \u201csem rede\u201d e sem rumo, entregues \u00e0 nossa sorte, trope\u00e7ando a cada passo na obscuridade e na incerteza; caminhamos com o Esp\u00edrito que nos aponta a Verdade, que nos mostra o caminho, que nos encoraja e fortalece a cada passo. Confiamos no Esp\u00edrito da Verdade que Jesus nos deixou e deixamo-nos guiar por Ele? Sentimo-nos confiantes e serenos no caminho, certos de que o Par\u00e1clito nos defender\u00e1 e nos dar\u00e1 a for\u00e7a para vencer a maldade e a morte?<\/li>\n<li>A a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo n\u00e3o se circunscreve \u00e0s fronteiras institucionais da Igreja. Ele est\u00e1 presente nos cora\u00e7\u00f5es de todos os homens e mulheres de boa vontade, crentes ou n\u00e3o crentes, que se disp\u00f5em a lutar por um mundo mais belo, mais justo e mais humano. Podemos perceber a presen\u00e7a e a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito em tantos e tantos gestos de bondade, de amor, de partilha, de servi\u00e7o, de perd\u00e3o, de cuidado, de acolhimento que v\u00e3o acontecendo por todo o lado e s\u00e3o sementes de um mundo novo. A contempla\u00e7\u00e3o desses gestos, sinais vivos do Esp\u00edrito, deve ser, para n\u00f3s, fonte de alegria e de esperan\u00e7a. Temos reparado nos sinais de vida nova que v\u00e3o brotando por todo o lado e que sinalizam a presen\u00e7a e a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito no mundo? Sentimo-nos gratos a Deus por tudo o que Ele vai fazendo no mundo, mesmo quando a sua a\u00e7\u00e3o se concretiza atrav\u00e9s de homens e mulheres que t\u00eam uma posi\u00e7\u00e3o diferente da nossa quanto \u00e0 f\u00e9 ou quanto \u00e0 forma de encarar a vida?<strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> al\u00e9m de extensa possui palavras inusuais e de dif\u00edcil pronuncia\u00e7\u00e3o quando refere os diversos lugares de proveni\u00eancia dos judeus residentes em Jerusal\u00e9m: \u00abPartos\u00bb deve ler-se \u00ab<em>P\u00e1rtos<\/em>\u00bb; \u00abmedos\u00bb deve ler-se \u00ab<em>m\u00e9dus<\/em>\u00bb; \u00abelamitas\u00bb deve ler-se \u00ab<em>elam\u00edtas<\/em>\u00bb. As restantes devem seguir a acentua\u00e7\u00e3o colocada no texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> possui diversos pormenores a ter em aten\u00e7\u00e3o: a dualidade das frases introduzidas pelas express\u00f5es \u00ab<em>H\u00e1 diversidade<\/em>\u00bb ou \u00ab<em>h\u00e1 diversas<\/em>\u00bb; a frase que possui as conjun\u00e7\u00f5es \u00abassim\u00bb. Nestas frases, as express\u00f5es e conjun\u00e7\u00f5es devem ser proclamadas de modo a explorar toda a expressividade do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/05\/22\/o-espirito-santo-e-nos-7\/\"><strong>O ESP\u00cdRITO SANTO E\u00a0N\u00d3S!<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho da Solenidade deste Dia Grande de Pentecostes (Jo\u00e3o 20,19-23) mostra-nos os disc\u00edpulos de Jesus fechados num lugar, por medo dos judeus. O Ressuscitado, vida nova e modo novo de estar presente, que nada nem ningu\u00e9m pode reter ou impedir de entrar ou de sair, nem as portas fechadas daquele lugar fechado, Vem e fica de p\u00e9 no MEIO deles, o lugar da Presid\u00eancia, e por duas vezes os sa\u00fada: \u00abA paz convosco!\u00bb,\u00a0<em>Shal\u00f4m<\/em>. Mostra-lhes, n\u00e3o o rosto, mas as m\u00e3os e o lado, bilhete de identidade de Jesus, sinais que identificam o Ressuscitado com o Crucificado, Vida dada por amor, para sempre e para todos, e vincula os seus disc\u00edpulos \u00e0 sua miss\u00e3o de dar a vida por amor: \u00ab<em>Como<\/em>\u00a0o Pai me enviou (<em>ap\u00e9stalken<\/em>: perf. de\u00a0<em>apost\u00e9ll\u00f4<\/em>), tamb\u00e9m Eu vos mando ir (<em>p\u00e9mp\u00f4<\/em>)\u00bb. O envio d\u2019Ele est\u00e1 no tempo perfeito (\u00e9 para sempre): a sua miss\u00e3o come\u00e7ou e continua. N\u00e3o terminou nem termina. Ele continua em miss\u00e3o. A nossa miss\u00e3o est\u00e1 no presente. O presente da nossa miss\u00e3o aparece, portanto, vinculado e agrafado \u00e0 miss\u00e3o de Jesus, e n\u00e3o faz sentido sem ela e sem Ele. N\u00f3s implicados e imbricados n\u2019Ele e na miss\u00e3o d\u2019Ele, sabendo n\u00f3s que Ele est\u00e1 connosco todos os dias (cf. Mateus 28,20). \u00ab<em>Como<\/em>\u00a0o Pai me enviou, tamb\u00e9m Eu vos mando ir\u00bb. Este\u00a0<em>como<\/em>\u00a0define o estilo da nossa miss\u00e3o de acordo com o estilo e a miss\u00e3o de Jesus. \u00c9-nos dito ainda que os disc\u00edpulos ficaram cheios de alegria (o medo foi dissipado) ao\u00a0<em>verem<\/em>\u00a0(<em>id\u00f3ntes<\/em>: part. aor<sup>2\u00a0<\/sup>de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) o Senhor. Tal como o Outro Disc\u00edpulo, tamb\u00e9m eles v\u00eam com um olhar hist\u00f3rico (tempo aoristo) a\u00a0<em>identidade<\/em>\u00a0do Senhor. O sopro de Jesus sobre eles \u00e9 o sopro criador (<em>emphys\u00e1\u00f4<\/em>), com o Esp\u00edrito Santo, para a miss\u00e3o fr\u00e1gil-forte do Perd\u00e3o, Jubileu Divino do Esp\u00edrito. Este sopro, este vento, este alento, s\u00f3 aparece neste lugar em todo o Novo Testamento! Mas n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil construir uma bela ponte para G\u00e9nesis 2,7, para o sopro ou alento (<em>naphah<\/em>\u00a0TM \/\u00a0<em>emphys\u00e1\u00f4<\/em>\u00a0LXX) criador de Deus no rosto do homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abRecebei o Esp\u00edrito Santo\u00bb (Jo\u00e3o 20,22). \u00c9 o Esp\u00edrito Santo que nos faz \u00abfilhos de Deus\u00bb, \u00abfilhos no Filho\u00bb, irm\u00e3os de Jesus e seus contempor\u00e2neos, e impede que sejamos catalogados, como reza a hist\u00f3ria emp\u00edrica, em simples continuadores de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto luminoso do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos 2,1-11 mostra-nos o vento impetuoso do Esp\u00edrito a recriar e renovar a nossa face e a face da terra, em duas vagas sucessivas: primeiro, no cen\u00e1culo, onde est\u00e1vamos todos reunidos (v. 1-4); depois na rua, onde est\u00e1 a multid\u00e3o das gentes oriundas do mundo inteiro (v. 5-11). Num e noutro lugar, em toda a parte, o vento impetuoso do Esp\u00edrito varre as teias de aranha que ainda nos tolhem, e purifica os nossos cora\u00e7\u00f5es com o seu fogo ardente. O Esp\u00edrito, irrompendo em l\u00ednguas como de fogo, n\u00e3o poisa, mas\u00a0<em>senta-se<\/em>\u00a0(<em>kath\u00edz\u00f4<\/em>) \u2013 bela e significativa express\u00e3o! \u2013 sobre n\u00f3s (v. 3), Mestre novo dos tempos novos, que viria para orientar e guiar a nossa vida, como Jesus tinha prometido e anunciado, por cinco vezes, no Evangelho de Jo\u00e3o: 14,15-17; 14,25-26; 15,26; 16,7; 16,13-15. Verifica\u00e7\u00e3o: eis-nos a falar outras l\u00ednguas, d\u00e1diva do Esp\u00edrito! Milagre: cessam incompreens\u00f5es, divis\u00f5es, invejas, ci\u00fames, \u00f3dios e indiferen\u00e7as, e nasce um mundo novo de comunh\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o plenas, pois todos nos entendemos t\u00e3o bem como se se tratasse da nossa l\u00edngua materna no seu sentido mais puro, da palavra antes das palavras, divina e humana lala\u00e7\u00e3o, aquele balbuciar, repetindo sons, entre a m\u00e3e e o seu beb\u00e9. Chame-se-lhe confian\u00e7a, intimidade, ternura, amor. Imp\u00f5e-se, nesta bela comunidade, uma atitude de vigil\u00e2ncia permanente, pois ser\u00e1 sempre grande a tenta\u00e7\u00e3o de querer levar o Esp\u00edrito \u00e0 letra! E a\u00ed est\u00e1 a advert\u00eancia vinda dos Cor\u00edntios, cujo falar em l\u00ednguas ningu\u00e9m entende (1 Cor\u00edntios 14,2), sendo preciso o recurso a int\u00e9rpretes (1 Cor\u00edntios 14,28). Todos considerar\u00edamos um absurdo a exist\u00eancia de um int\u00e9rprete entre a m\u00e3e e o seu beb\u00e9 para traduzir aquela lala\u00e7\u00e3o que os dois t\u00e3o bem entendem!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esta divina lala\u00e7\u00e3o (<em>al\u00e1l\u00eatos<\/em>) (Romanos 8,26) \u2013 \u00fanica vez no Novo Testamento \u2013, do Esp\u00edrito que nos ensina a compreender que \u00abJesus \u00e9 Senhor\u00bb (1 Cor\u00edntios 12,3) e que Deus \u00e9 Pai (<em>\u02bcAbba\u02bc<\/em>) (G\u00e1latas 4,6; Romanos 8,15). Anote-se tamb\u00e9m a importante afirma\u00e7\u00e3o de que \u00aba cada um \u00e9 dada a manifesta\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito para proveito comum\u00bb (1 Cor\u00edntios 12,7) e \u00abn\u00e3o para proveito pr\u00f3prio\u00bb (1 Cor\u00edntios 10,33), sendo que o que define o proveito comum \u00e9 a edifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de si mesmo, mas dos outros (1 Cor\u00edntios 10,23-24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o situa no Cen\u00e1culo e \u00e0 sua volta, em frequ\u00eancias cada vez mais alargadas, as duas cenas acima descritas (Jo\u00e3o 20,19-23 e Atos 2,1-11). \u00c9 a sala da Ceia Primeira, do \u00faltimo ser\u00e3o de Jesus com os seus disc\u00edpulos, da Apari\u00e7\u00e3o do Senhor aos seus Ap\u00f3stolos, da elei\u00e7\u00e3o de Matias, da descida do Esp\u00edrito Santo no Pentecostes, enfim, o primeiro lugar de encontro da primeira comunidade crist\u00e3 reunida em ora\u00e7\u00e3o com Maria (Atos 1,13-14), a primeira sede da Igreja nascente, a m\u00e3e de todas as Igrejas, a primeira\u00a0<em>domus-ecclesia<\/em>\u00a0[\u00abcasa-igreja\u00bb] do mundo, situada uns duzentos metros a sul da muralha de Jerusal\u00e9m, em local muito pr\u00f3ximo da Porta de Si\u00e3o. O atual edif\u00edcio remonta ao trabalho dos Padres Franciscanos no s\u00e9culo XIV, e sucedeu a outras constru\u00e7\u00f5es sucessivamente edificadas e destru\u00eddas, desde a bas\u00edlica de Santa Si\u00e3o [<em>Hag\u00eda Sion<\/em>], do s\u00e9culo IV. Sintomaticamente, por se encontrar no quarteir\u00e3o sul de Jerusal\u00e9m, o primitivo Cen\u00e1culo resistiu \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o romana da guerra de 70, pois os romanos atacaram e destru\u00edram a cidade a partir da parte norte, mais facilmente expugn\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Associada \u00e0s cenas acima identificadas, a sala superior do Cen\u00e1culo [15,30 metros por 9,40 metros] assemelha-se ao Sinai com os fen\u00f3menos ent\u00e3o l\u00e1 registados. Veja-se, a prop\u00f3sito, a bela descri\u00e7\u00e3o que deles faz F\u00edlon de Alexandria (\u00b1 20 a.C.-50 d.C.): \u00abDeus n\u00e3o tinha boca ou l\u00edngua, mas, com um prod\u00edgio, fez que um rombo se produzisse no ar, que um sopro se articulasse em palavras pondo o ar em movimento. Este transformou-se em fogo que tinha forma de chamas [\u2026], e uma voz ressoava do meio do fogo e descia do c\u00e9u, e esta voz articulava-se no idioma pr\u00f3prio dos ouvintes\u00bb. Mas tamb\u00e9m Babel \u00e9 evocada em contraponto: em G\u00e9nesis 11,7, \u00abningu\u00e9m compreendia mais a l\u00edngua do seu pr\u00f3ximo\u00bb, mas em Atos 2,6, \u00abcada um compreendia na sua pr\u00f3pria l\u00edngua materna\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito Santo \u00e9 tamb\u00e9m enviado em miss\u00e3o. E \u00e9 Aquele que recebe o que \u00e9 do Filho (Jo\u00e3o 16,14 e 15), e que o Filho recebeu do Pai. O Filho \u00e9 a transpar\u00eancia do Pai. O Esp\u00edrito Santo \u00e9 a transpar\u00eancia do Filho. O ensinamento do Esp\u00edrito Santo \u00e9 o mesmo que Jesus fez e que recebeu do Pai, mas vem depois do de Jesus (Jo\u00e3o 14,26), e processa-se, ao contr\u00e1rio do de Jesus, n\u00e3o com palavras sens\u00edveis que tocam os \u00f3rg\u00e3os da audi\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico determinado, mas na interioridade da intelig\u00eancia e do cora\u00e7\u00e3o de cada ser humano. Este ensinamento interior do Esp\u00edrito Santo \u00e9 comparado \u00e0 un\u00e7\u00e3o de \u00f3leo (<em>chr\u00edsma<\/em>) que penetra lentamente, como diz o Ap\u00f3stolo: \u00abV\u00f3s recebestes a un\u00e7\u00e3o (<em>chr\u00edsma<\/em>) que vem do Santo e todos sabeis (<em>o\u00eddate<\/em>)\u00bb (1 Jo\u00e3o 2,20); ou ent\u00e3o: \u00aba un\u00e7\u00e3o (<em>chr\u00edsma<\/em>) dele vos ensina (<em>did\u00e1skei<\/em>) acerca de todas as coisas\u00bb (1 Jo\u00e3o 2,27). \u00c9 a un\u00e7\u00e3o que lentamente penetra em n\u00f3s, ocupa o nosso interior, suaviza as nossas asperezas, cura as nossas dores e faz nascer entre n\u00f3s comunidade e comunh\u00e3o. Maravilhoso saber que nos assemelha a Deus, que sabe de n\u00f3s (\u00caxodo 2,25), e nos p\u00f5e em confronto com Caim, que n\u00e3o sabe do seu irm\u00e3o (G\u00e9nesis 4,9), e com Pedro, que n\u00e3o sabe de Jesus (Mateus 26,70.72.74).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ensinamento novo. N\u00e3o exterior, com sons e palavras, mas diretamente nas pregas da intelig\u00eancia e do cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 assim que a linguagem nova do Esp\u00edrito afeta ao mesmo tempo o portugu\u00eas e o chin\u00eas, o ingl\u00eas e o russo, o cat\u00f3lico, o mu\u00e7ulmano e o hebreu. \u00c9 como quando, em vez de se porem a falar cada um a sua l\u00edngua incompreens\u00edvel para o outro, o portugu\u00eas e o chin\u00eas entregassem uma flor um ao outro! \u00c9 assim que fala o Esp\u00edrito, \u00e9 assim que age o Esp\u00edrito, Pessoa-Dom, fonte de dons (1 Cor\u00edntios 12,3-13).<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"9\">\n<li>Escrevendo aos Romanos (8,9-13) e a n\u00f3s, S. Paulo adverte-nos que n\u00e3o \u00e9 \u00abna carne\u00bb (<em>en sark\u00ed<\/em>), mas \u00abno Esp\u00edrito\u00bb (<em>en pne\u00famati<\/em>), que devemos viver. E ele insiste em dizer como \u00e9 importante Cristo estar \u00abem v\u00f3s\u00bb (<em>en hym\u00een<\/em>), e o Esp\u00edrito, Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos, habitar (<em>oik\u00e9\u00f4<\/em>) \u00abem v\u00f3s\u00bb (<em>en hym\u00een<\/em>). A carne tem a ver com o curr\u00edculo, o\u00a0<em>status<\/em>, a import\u00e2ncia, a gan\u00e2ncia\u2026 Para nossa instru\u00e7\u00e3o e mapa de vida, podemos sempre socorrer-nos do vasto elenco, sempre atualizado, das \u00abobras da carne\u00bb, que S. Paulo faz na Carta aos G\u00e1latas: \u00abS\u00e3o manifestas as obras da carne, que s\u00e3o: fornica\u00e7\u00e3o, impureza, devassid\u00e3o, idolatria, magia, inimizades, rixa, ci\u00fame, iras, ambi\u00e7\u00f5es, dissens\u00f5es, divis\u00f5es, invejas, bebedeiras, orgias, e coisas semelhantes a estas, sobre as quais vos previno, como j\u00e1 preveni, que os que tais coisas fizerem n\u00e3o herdar\u00e3o o Reino de Deus\u00bb (G\u00e1latas 5,19-21). E podemos tamb\u00e9m ver o confronto que ele faz com os \u00abfrutos do Esp\u00edrito\u00bb, que s\u00e3o: \u00abamor, alegria, paz, paci\u00eancia, benevol\u00eancia, bondade, fidelidade, mansid\u00e3o, autodom\u00ednio\u00bb (G\u00e1latas 5,22-23).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 104 p\u00f5e-nos a contemplar hoje as obras maravilhosas de Deus, cheias do seu alento, que s\u00e3o a alegria de Deus (Salmo 104,31), e a alegria de Deus \u00e9 a nossa alegria (Salmo 104,34). \u00abA alegria de Deus \u00e9 a nossa for\u00e7a\u00bb (Neemias 8,10). De notar que a tem\u00e1tica de Deus que se alegra \u00e9 muito rara na Escritura. Aparece hoje no meio deste mundo novo e maravilhoso. Tema, portanto, para recuperar, pois \u00e9 tamb\u00e9m a fonte da nossa alegria!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s somos do tempo da miss\u00e3o do Esp\u00edrito, Aquele que vem para n\u00f3s da humanidade glorificada do Filho de Deus e de Maria, Jesus. Note-se a fort\u00edssima e ousada vincula\u00e7\u00e3o: \u00abO Esp\u00edrito Santo e n\u00f3s\u00bb (Atos 15,28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus habitando em n\u00f3s (Jo\u00e3o 14,24). Deus connosco (Apocalipse 21). Cidade nova, Consola\u00e7\u00e3o nova, B\u00ean\u00e7\u00e3o nova, Paz nova, n\u00e3o com a medida do mundo, mas de Deus (Jo\u00e3o 14,27; Salmo 67).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todas as tuas criaturas, Senhor,<\/strong><br \/>\n<strong>respiram, vivem, sorriem,<\/strong><br \/>\n<strong>cantam,<\/strong><br \/>\n<strong>por causa do teu alento criador.<\/strong><br \/>\n<strong>O teu p\u00e3o de mil sabores<\/strong><br \/>\n<strong>sacia todas as fomes e todas as dores,<\/strong><br \/>\n<strong>a tua Palavra bela e plena de harmonia<\/strong><br \/>\n<strong>a todos envolve e alumia,<\/strong><br \/>\n<strong>irmana, aconchega e alivia.<\/strong><br \/>\n<strong>Por isso,<\/strong><br \/>\n<strong>ainda que espalhados pelos quatro cantos do mundo,<\/strong><br \/>\n<strong>continuamos todos reunidos no Cen\u00e1culo,<\/strong><br \/>\n<strong>a primeira Catedral da Igreja nascente,<\/strong><br \/>\n<strong>mas com ramifica\u00e7\u00f5es em todas as casas,<\/strong><br \/>\n<strong>em todos os cora\u00e7\u00f5es,<\/strong><br \/>\n<strong>bem assente em quatro colunas:<\/strong><br \/>\n<strong>o ensino dos Ap\u00f3stolos,<\/strong><br \/>\n<strong>a comunh\u00e3o fraterna,<\/strong><br \/>\n<strong>a fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong>e a ora\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\n<strong>Com a boca cheia de louvor,<\/strong><br \/>\n<strong>os olhos de gra\u00e7a,<\/strong><br \/>\n<strong>as m\u00e3os de paz e de p\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>as entranhas de miseric\u00f3rdia e de perd\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>a comunidade bela crescia, crescia, crescia.<\/strong><br \/>\n<strong>N\u00e3o admira.<\/strong><br \/>\n<strong>era t\u00e3o jovem, leve e bela,<\/strong><br \/>\n<strong>que as pessoas lutavam por entrar nela!<\/strong><br \/>\n<strong>Envia, Senhor,<\/strong><br \/>\n<strong>sobre n\u00f3s,<\/strong><br \/>\n<strong>o teu vento,<\/strong><br \/>\n<strong>o teu alento,<\/strong><br \/>\n<strong>o teu Esp\u00edrito,<\/strong><br \/>\n<strong>e renova por favor,<\/strong><br \/>\n<strong>renova por amor<\/strong><br \/>\n<strong>a nossa face<\/strong><br \/>\n<strong>e a face da terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Leitura-I-Solenidade-de-Pentecostes-Ano-B-19.05.2024-Act-2-1-11.pdf\">Leitura I &#8211; Solenidade de Pentecostes &#8211; Ano B &#8211; 19.05.2024 (Act 2, 1-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Leitura-II-Solenidade-de-Pentecostes-Ano-B-19.05.2024-1-Cor-123b-7.12-13.pdf\">Leitura II &#8211; Solenidade de Pentecostes &#8211; Ano B &#8211; 19.05.2024 (1 Cor 12,3b-7.12-13)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Solenidade-de-Pentecostes-Ano-B-19.05.2024-Lecionario.pdf\">Solenidade de Pentecostes &#8211; Ano B &#8211; 19.05.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Solenidade-de-Pentecostes-Ano-B-19.05.2024-Oracao-Universal.pdf\">Solenidade de Pentecostes &#8211; Ano B &#8211; 19.05.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Uma-reflexao-sobre-a-transmissao-online-da-Missa.pdf\">Uma reflex\u00e3o sobre a transmiss\u00e3o online da Missa<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo VII da P\u00e1scoa \u2013 Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor \u2013 Ano B \u2013 12.05.2024 58.\u00ba Dia Mundial dos Meios de Comunica\u00e7\u00e3o Social.&#8221; tab_id=&#8221;1716199369907-f9b5e2f2-c7ca&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo VII da P\u00e1scoa \u2013 Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor &#8211; Ano B \u2013 12.05.2024<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>58.\u00ba Dia Mundial dos Meios de Comunica\u00e7\u00e3o Social.<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Domingo-VII-da-Pascoa.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"450\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo deste Domingo convida-nos a entoar cheios de alegria \u00ab<em>Ergue-Se Deus, o Senhor, em j\u00fabilo e ao som da trombeta<\/em>\u00bb. Parece paradoxal rejubilar e exultar porque vemos o Senhor partir. Contudo, bem sabemos que a ascens\u00e3o do Senhor n\u00e3o \u00e9 uma fuga nem um abandono porque os homens e mulheres n\u00e3o acolheram a Sua mensagem. A ascens\u00e3o do Senhor atesta a verdade da Ressurrei\u00e7\u00e3o e faz-nos compreender que Jesus vive agora na gl\u00f3ria do Pai, revelando assim o sentido pleno da P\u00e1scoa como entrada no Reino dos C\u00e9us e como participa\u00e7\u00e3o da vida nova e eterna que s\u00f3 Jesus e o Seu amor nos podem oferecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Ascens\u00e3o do Senhor recorda-nos, em primeiro lugar, a meta da nossa exist\u00eancia, tal como rezamos na ora\u00e7\u00e3o coleta: \u00ab<em>a ascens\u00e3o de Cristo, vosso Filho, \u00e9 a nossa esperan\u00e7a: tendo-nos precedido na gl\u00f3ria como nossa Cabe\u00e7a, para a\u00ed nos chama como membros do seu Corpo<\/em>\u00bb. A Ascens\u00e3o de Cristo recorda que cada homem e cada mulher s\u00e3o chamados a peregrinar sobre a terra, mas de olhos fitos no c\u00e9u onde reside a meta das suas vidas. Somos peregrinos a caminho do c\u00e9u, percorrendo com alegria, coragem e radicalidade a estrada da santidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celebrar esta solenidade n\u00e3o nos pode deixar apenas de olhos fitos no C\u00e9u, pasmados, a olhar esse Jesus que subiu aos C\u00e9us:\u00a0\u00ab<em>Homens da Galileia, porque estais a olhar para o C\u00e9u?<\/em>\u00bb. Caminhamos de olhar fito no C\u00e9u e com os p\u00e9s bem assentes no caminho que o Senhor nos chama a percorrer. Cristo parte para o C\u00e9u, mas permanece muito vivo e atuante na hist\u00f3ria pela for\u00e7a do Seu Esp\u00edrito e convoca-nos para a miss\u00e3o, recomendando a cada um de n\u00f3s que sejamos continuadores da Sua obra de amor: \u00ab<em>Ide por todo o mundo\u00bb.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celebrar a Ascens\u00e3o do Senhor \u00e9 tomar verdadeiramente consci\u00eancia da nossa miss\u00e3o de crist\u00e3os: \u00ab<em>sereis minhas testemunhas em Jerusal\u00e9m e em toda a Judeia e na Samaria e at\u00e9 aos confins da terra<\/em>\u00bb. Uma testemunha, tal como indica o dicion\u00e1rio da l\u00edngua portuguesa, \u00e9 uma \u00ab<em>pessoa que presenciou ou ouviu algum fato ou dito e que dele pode dar pormenores<\/em>\u00bb. Ser testemunha significa ser portador da alegria da ressurrei\u00e7\u00e3o pela experi\u00eancia pessoal, \u00edntima e decisiva de encontro com Jesus Cristo, apresentando os pormenores, isto \u00e9, narrando com a vida, em gestos concretos de amor e miseric\u00f3rdia, a ternura e a bondade de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Subindo ao C\u00e9u, Jesus recorda os Seus disc\u00edpulos que eles ter\u00e3o de ser os continuadores da Sua obra redentora, que no mundo eles ser\u00e3o os bra\u00e7os que continuar\u00e3o a abra\u00e7ar como Jesus, que eles ser\u00e3o os p\u00e9s que percorrer\u00e3o com os homens as estradas da hist\u00f3ria, que eles ser\u00e3o os l\u00e1bios portadores do Evangelho do amor, que eles ser\u00e3o presen\u00e7a e companhia junto de quantos est\u00e3o s\u00f3s e abandonados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, dizia Jesus: \u00ab<em>Eis os milagres que acompanhar\u00e3o os que acreditarem: expulsar\u00e3o os dem\u00f3nios em meu nome; falar\u00e3o novas l\u00ednguas; se pegarem em serpentes ou beberem veneno, n\u00e3o sofrer\u00e3o nenhum mal; e quando impuserem as m\u00e3os sobre os doentes, eles ficar\u00e3o curados<\/em>\u00bb. Ainda que pare\u00e7am excessivas estas palavras s\u00e3o para n\u00f3s: sempre que afastamos o mal da nossa vida e da vida daqueles que nos rodeiam estamos a expulsar os dem\u00f3nios que nos dividem e separam; sempre que com os nossos gestos e palavras anunciamos o amor, estamos a pronunciar com os nossos l\u00e1bios e com a nossa vida a nova linguagem que Jesus nos veio ensinar; sempre que abra\u00e7amos as dificuldades e os desafios com coragem e ousadia, estamos a pegar em serpentes e beber veneno e a ser capazes de resistir com a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo; sempre que visitamos os doentes e os reconfortamos com as nossas palavras e a nossa presen\u00e7a estamos a impor as m\u00e3os e a curar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Eles partiram a pregar por toda a parte e o Senhor cooperava com eles, confirmando a sua palavra com os milagres que a acompanhavam<\/em>\u00bb. Foi assim com os disc\u00edpulos; h\u00e1-de ser assim connosco sempre que formos capazes de disponibilizar o nosso cora\u00e7\u00e3o para o acontecer de Deus. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No <strong>Domingo da Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor<\/strong> celebramos o <strong>58.\u00ba Dia Mundial dos Meios de Comunica\u00e7\u00e3o Social.<\/strong> O Papa Francisco em diversas ocasi\u00f5es, sobretudo nas suas viagens apost\u00f3licas, faz quest\u00e3o de agradecer pessoalmente aos jornalistas e meios de comunica\u00e7\u00e3o social o seu trabalho e dedica\u00e7\u00e3o. No contexto atual, onde a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 abundante e tantas vezes at\u00e9 excessiva e os meios de comunica\u00e7\u00e3o habitam diferentes plataformas, precisamos de uma comunica\u00e7\u00e3o que promova o bem comum, a dignidade humana e ajude cada homem e cada mulher a caminhar na verdade, num clima de harmonia social. Para este ano, o Papa Francisco escreveu uma mensagem intitulada:\u00a0<em>\u00abIntelig\u00eancia artificial e sabedoria do cora\u00e7\u00e3o: para uma comunica\u00e7\u00e3o plenamente humana\u00bb<\/em>. Esta mensagem (<strong>ver anexo<\/strong>) pode ser um bom recurso para dinamizar alguma atividade ou iniciativa neste Domingo ou nesta semana.<strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Atos dos Ap\u00f3stolos 1,1-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No meu primeiro livro, \u00f3 Te\u00f3filo,<br \/>\nnarrei todas as coisas que Jesus come\u00e7ou a fazer e a ensinar,<br \/>\ndesde o princ\u00edpio at\u00e9 ao dia em que foi elevado ao C\u00e9u,<br \/>\ndepois de ter dado, pelo Esp\u00edrito Santo,<br \/>\nas suas instru\u00e7\u00f5es aos Ap\u00f3stolos que escolhera.<br \/>\nFoi tamb\u00e9m a eles que, depois da sua paix\u00e3o,<br \/>\nSe apresentou vivo, com muitas provas,<br \/>\naparecendo-lhes durante quarenta dias<br \/>\ne falando-lhes do reino de Deus.<br \/>\nUm dia em que estava com eles \u00e0 mesa,<br \/>\nmandou-lhes que n\u00e3o se afastassem de Jerusal\u00e9m,<br \/>\nmas que esperassem a promessa do Pai,<br \/>\n\u00abda Qual \u2013 disse Ele \u2013 Me ouvistes falar.<br \/>\nNa verdade, Jo\u00e3o batizou com \u00e1gua;<br \/>\nv\u00f3s, por\u00e9m, sereis batizados no Esp\u00edrito Santo,<br \/>\ndentro de poucos dias\u00bb.<br \/>\nAqueles que se tinham reunido come\u00e7aram a perguntar:<br \/>\n\u00abSenhor, \u00e9 agora que vais restaurar o reino de Israel?\u00bb<br \/>\nEle respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abN\u00e3o vos compete saber os tempos ou os momentos<br \/>\nque o Pai determinou com a sua autoridade;<br \/>\nmas recebereis a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo,<br \/>\nque descer\u00e1 sobre v\u00f3s,<br \/>\ne sereis minhas testemunhas<br \/>\nem Jerusal\u00e9m e em toda a Judeia e na Samaria<br \/>\ne at\u00e9 aos confins da terra\u00bb.<br \/>\nDito isto, elevou-Se \u00e0 vista deles<br \/>\ne uma nuvem escondeu-O a seus olhos.<br \/>\nE estando de olhar fito no C\u00e9u, enquanto Jesus Se afastava,<br \/>\napresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco,<br \/>\nque disseram:<br \/>\n\u00abHomens da Galileia, porque estais a olhar para o C\u00e9u?<br \/>\nEsse Jesus, que do meio de v\u00f3s foi elevado para o C\u00e9u,<br \/>\nvir\u00e1 do mesmo modo que O vistes ir para o C\u00e9u\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro dos \u201cAtos dos Ap\u00f3stolos\u201d constitui a segunda parte da obra de Lucas. Depois de ter apresentado, na primeira parte (o \u201cEvangelho de Jesus Cristo segundo Lucas\u201d), \u201co tempo de Jesus\u201d, Lucas completa a sua obra apresentando \u201co tempo da Igreja\u201d: \u00e9 o \u201ctempo\u201d em que a proposta de salva\u00e7\u00e3o de Deus \u00e9 levada ao encontro do mundo pela comunidade de Jesus (a \u201cIgreja\u201d), animada e conduzida pelo Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro dos Atos aparece algum tempo depois do terceiro Evangelho, nos \u00faltimos anos da d\u00e9cada de 80 do primeiro s\u00e9culo. Dirige-se a comunidades crist\u00e3s de l\u00edngua grega, provavelmente comunidades que nasceram do trabalho mission\u00e1rio de Paulo de Tarso. S\u00e3o comunidades que, por essa altura, passam algumas dificuldades quanto ao compromisso com a f\u00e9: passou j\u00e1 a fase da expetativa pela vinda iminente do Cristo glorioso para instaurar o \u201cReino\u201d e h\u00e1 uma certa desilus\u00e3o porque essa vinda n\u00e3o se concretizou; as quest\u00f5es doutrinais causam confus\u00f5es e conflitos internos; a monotonia favorece uma vida crist\u00e3 pouco comprometida\u2026 Resultado: h\u00e1 j\u00e1 algum tempo que as comunidades crist\u00e3s se instalaram na mediocridade, falta-lhes o entusiasmo e o empenho na constru\u00e7\u00e3o e no testemunho do Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos Atos dos Ap\u00f3stolos, Lucas procura deixar claro que o projeto de salva\u00e7\u00e3o que Jesus veio apresentar n\u00e3o pode ficar parado. Enquanto Jesus n\u00e3o volta, s\u00e3o os seus disc\u00edpulos que t\u00eam de continuar a propor ao mundo a salva\u00e7\u00e3o de Deus. Eles devem, com alegria e entusiasmo, ser testemunhas de Jesus e do seu Evangelho em todos os cantos da terra. Foi essa a tarefa de que Jesus os incumbiu quando voltou para o Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia do Domingo da Ascens\u00e3o nos prop\u00f5e como primeira leitura, \u00e9 precisamente o in\u00edcio do livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos. Apresenta a despedida de Jesus, o seu regresso ao Pai, e a entrega da miss\u00e3o aos disc\u00edpulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A despedida de Jesus teria acontecido em Jerusal\u00e9m, ap\u00f3s uma refei\u00e7\u00e3o com os disc\u00edpulos (cf. At 1,4.9). No Evangelho, Lucas \u00e9 ainda mais expl\u00edcito: foi em Bet\u00e2nia, uma localidade situada no cimo do Monte das Oliveiras, mesmo em frente da cidade de Jerusal\u00e9m, que Jesus se despediu dos disc\u00edpulos e, \u00e0 vista deles, subiu ao c\u00e9u (cf. Lc 24,50). De acordo com o esquema teol\u00f3gico de Lucas, Jerusal\u00e9m \u00e9 o lugar onde a salva\u00e7\u00e3o irrompe (de acordo com a mentalidade judaica, \u00e9 em Jerusal\u00e9m que o Messias deve manifestar-se e que a sua proposta libertadora se h\u00e1 de concretizar na vida de Israel), e tamb\u00e9m o lugar de onde a salva\u00e7\u00e3o de Jesus parte para ir ao encontro do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, em Jerusal\u00e9m, uma pequena capela em formato octogonal, situada no cimo do Monte das Oliveiras, faz mem\u00f3ria da Ascens\u00e3o de Jesus ao c\u00e9u. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A ascens\u00e3o de Jesus deve ser vista no contexto de toda a sua vida. Ele veio ao encontro dos homens, caminhou no meio deles, procurou viver na fidelidade ao projeto do Pai, pagou com a pr\u00f3pria vida o seu compromisso com a constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. Mas Deus n\u00e3o aceitou que a maldade vencesse e libertou Jesus da escravid\u00e3o da morte; e Jesus, glorificado por Deus, entrou definitivamente na gl\u00f3ria do Pai. A ascens\u00e3o de Jesus diz-nos qual \u00e9 o destino final daqueles que, como Ele, vivem na fidelidade aos projetos de Deus: est\u00e3o destinados \u00e0 glorifica\u00e7\u00e3o, \u00e0 comunh\u00e3o definitiva com Deus. Contemplando a ascens\u00e3o de Jesus, percebemos qual \u00e9 a meta do nosso caminho: a Vida plena junto do Pai. Isto d\u00e1 um novo sentido \u00e0 nossa vida, \u00e0s nossas lutas, ao nosso compromisso, \u00e0 nossa entrega \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. N\u00e3o caminhamos ao encontro do vazio, do nada, mas caminhamos ao encontro da Vida definitiva nos bra\u00e7os de Deus, como Jesus. Temos consci\u00eancia disso? Essa consci\u00eancia alimenta a nossa entrega, o nosso compromisso, a nossa fidelidade ao projeto de Deus?<\/li>\n<li>\u00c9 bem significativo que a \u201cpartida\u201d de Jesus apare\u00e7a associada ao envio dos disc\u00edpulos. Jesus, terminada a sua miss\u00e3o, foi ter com o Pai; mas aquilo que Ele come\u00e7ou n\u00e3o est\u00e1 conclu\u00eddo. Agora a miss\u00e3o que o Pai tinha confiado a Jesus passa para as m\u00e3os dos seus disc\u00edpulos. Como Jesus, eles t\u00eam a tarefa de ir pelo mundo curar, dar Vida, lutar contra o sofrimento e a morte, testemunhar com palavras e gestos a salva\u00e7\u00e3o de Deus. \u201cSereis minhas testemunhas em Jerusal\u00e9m, por toda a Judeia e Samaria e at\u00e9 aos confins do mundo\u201d \u2013 disse-lhes Jesus ao partir para o Pai. A comunidade dos disc\u00edpulos \u00e9 uma comunidade \u201cmission\u00e1ria\u201d: todos os disc\u00edpulos s\u00e3o \u201cenviados\u201d a dar testemunho de Jesus e do seu projeto, em todo o tempo e em todos os lugares. Sentimo-nos \u201cmission\u00e1rios\u201d de Jesus no nosso mundo, mensageiros da salva\u00e7\u00e3o de Deus em todos os lugares onde a vida nos leva?<\/li>\n<li>Jesus garantiu aos disc\u00edpulos que iriam receber uma for\u00e7a, a do Esp\u00edrito Santo, que os capacitaria para serem testemunhas da salva\u00e7\u00e3o de Deus em toda a terra. Trata-se de uma \u201cpromessa\u201d decisiva. N\u00e3o estamos sozinhos, entregues \u00e0 nossa sorte, \u00e0s nossas decis\u00f5es fal\u00edveis, aos nossos medos e contradi\u00e7\u00f5es. Atrav\u00e9s do Esp\u00edrito \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus que nos acompanha, que nos orienta, que nos d\u00e1 for\u00e7a para levar para a frente a miss\u00e3o. Estamos conscientes da presen\u00e7a do Esp\u00edrito nas nossas vidas e na vida das nossas comunidades crist\u00e3s? Procuramos escutar o Esp\u00edrito e discernir os desafios de Deus que Ele nos traz?<\/li>\n<li>\u201cPorque estais assim a olhar para o c\u00e9u?\u201d \u2013 perguntam os \u201cdois homens vestidos de branco\u201d aos disc\u00edpulos de Jesus, ap\u00f3s a ascens\u00e3o. \u00c9 frequente ouvirmos dizer que os seguidores de Jesus passam muito tempo a olhar para o c\u00e9u e negligenciam o seu compromisso com a transforma\u00e7\u00e3o do mundo. Estamos, efetivamente, atentos aos problemas e \u00e0s ang\u00fastias dos homens, ou vivemos de olhos postos no c\u00e9u, num espiritualismo alienado? Sentimo-nos questionados pelas inquieta\u00e7\u00f5es, pelas mis\u00e9rias, pelos sofrimentos, pelos sonhos, pelas esperan\u00e7as que enchem o cora\u00e7\u00e3o dos que nos rodeiam? Sentimo-nos solid\u00e1rios com todos os homens, particularmente com aqueles que sofrem? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 46 (47)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1:\u00a0 Por entre aclama\u00e7\u00f5es e ao som da trombeta,<br \/>\nergue-Se Deus, o Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Ergue-se, Deus, o Senhor,<br \/>\nem j\u00fabilo e ao som da trombeta.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Povos todos, batei palmas,<br \/>\naclamai a Deus com brados de alegria,<br \/>\nporque o Senhor, o Alt\u00edssimo, \u00e9 terr\u00edvel,<br \/>\no Rei soberano de toda a terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus subiu entre aclama\u00e7\u00f5es,<br \/>\no Senhor subiu ao som da trombeta.<br \/>\nCantai hinos a Deus, cantai,<br \/>\ncantai hinos ao nosso Rei, cantai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus \u00e9 Rei do universo:<br \/>\ncantai os hinos mais belos.<br \/>\nDeus reina sobre os povos,<br \/>\nDeus est\u00e1 sentado no seu trono sagrado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 Ef\u00e9sios 1,17-23<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nO Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da gl\u00f3ria,<br \/>\nvos conceda um esp\u00edrito de sabedoria e de luz<br \/>\npara O conhecerdes plenamente<br \/>\ne ilumine os olhos do vosso cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\npara compreenderdes a esperan\u00e7a a que fostes chamados,<br \/>\nos tesouros de gl\u00f3ria da sua heran\u00e7a entre os santos<br \/>\ne a incomensur\u00e1vel grandeza do seu poder<br \/>\npara n\u00f3s os crentes.<br \/>\nAssim o mostra a efic\u00e1cia da poderosa for\u00e7a<br \/>\nque exerceu em Cristo,<br \/>\nque Ele ressuscitou dos mortos<br \/>\ne colocou \u00e0 sua direita nos C\u00e9us,<br \/>\nacima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania,<br \/>\nacima de todo o nome que \u00e9 pronunciado, n\u00e3o s\u00f3 neste mundo,<br \/>\nmas tamb\u00e9m no mundo que h\u00e1 de vir.<br \/>\nTudo submeteu aos seus p\u00e9s e p\u00f4-l\u2019O acima de todas as coisas<br \/>\ncomo Cabe\u00e7a de toda a Igreja, que \u00e9 o seu Corpo,<br \/>\na plenitude d\u2019Aquele que preenche tudo em todos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9feso era uma cidade situada na costa da J\u00f3nia, a cerca de tr\u00eas quil\u00f3metros da moderna Sel\u00e7uk, prov\u00edncia de Esmirna, na atual Turquia. Durante o per\u00edodo romano chegou a ser a segunda cidade do imp\u00e9rio, logo a seguir a Roma. Era famosa pelo Templo de \u00c1rtemis, uma das sete maravilhas do mundo antigo, e pelo seu enorme teatro, com capacidade para cerca de 25.000 espetadores. Era tamb\u00e9m conhecida pela excel\u00eancia das suas escolas filos\u00f3ficas, pela sua vida cultural e por ser o principal centro comercial do Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo passou em \u00c9feso durante a sua terceira viagem mission\u00e1ria e permaneceu na cidade durante um longo per\u00edodo (mais de dois anos, segundo At 19,10). Reuniu \u00e0 sua volta um n\u00famero consider\u00e1vel de pessoas convertidas ao \u201cCaminho\u201d (At 19,9.23); e assim, \u00e0 volta da sua prega\u00e7\u00e3o e do seu testemunho, desenvolveu-se uma comunidade crist\u00e3 numerosa e entusiasta. Foi aos anci\u00e3os da Igreja de \u00c9feso que Paulo confiou, em Mileto (cf. At 20,17-38), o seu testamento espiritual, apost\u00f3lico e pastoral antes de ir a Jerusal\u00e9m, onde acabaria por ser preso. Tudo isto faz supor uma rela\u00e7\u00e3o muito estreita entre Paulo e a comunidade crist\u00e3 de \u00c9feso.\u00a0Estranhamente, a Carta aos Ef\u00e9sios n\u00e3o reflete essa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, a carta est\u00e1 escrita num tom impessoal, sem refer\u00eancias a pessoas ou a circunst\u00e2ncias concretas. Parece estranho que Paulo, depois de ter passado um tempo relativamente longo em \u00c9feso, escrevesse uma carta sem deixar transparecer a rela\u00e7\u00e3o estreita que o unia aos Ef\u00e9sios. Alguns duvidam, por essa raz\u00e3o, da autenticidade paulina da Carta aos Ef\u00e9sios; mas outros consideram que o texto que chegou at\u00e9 n\u00f3s com a designa\u00e7\u00e3o de \u201cCarta aos Ef\u00e9sios\u201d, poderia ser um dos exemplares de uma \u201ccarta circular\u201d enviada a v\u00e1rias igrejas da \u00c1sia Menor (tamb\u00e9m \u00e0 Igreja de \u00c9feso), numa altura em que Paulo estava na pris\u00e3o, talvez em Roma. Ora, uma carta desse tipo n\u00e3o poderia ser uma carta muito pessoal. T\u00edquico, o portador da carta, t\u00ea-la-ia distribu\u00eddo pelas Igrejas da zona. Estar\u00edamos, provavelmente, pelos anos 58\/60.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema central da Carta aos Ef\u00e9sios \u00e9 o projeto salvador de Deus (aquilo a que Paulo chama \u201co mist\u00e9rio\u201d): definido desde toda a eternidade, permaneceu oculto ao entendimento dos homens durante s\u00e9culos, at\u00e9 que foi dado a conhecer em Jesus e revelado aos ap\u00f3stolos. O projeto salvador de Deus concretiza-se, agora, na Igreja, Corpo de Cristo, sacramento de salva\u00e7\u00e3o, onde judeus e pag\u00e3os se encontram e vivem em unidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto da Carta aos Ef\u00e9sios que nos \u00e9 proposto como segunda leitura neste domingo da Ascens\u00e3o, integra a primeira parte da carta, que reflete sobre o \u201cMist\u00e9rio\u201d de Cristo e da Igreja (cf. Ef 1,3-3,21). Ao hino de louvor a Deus pelo seu plano de salva\u00e7\u00e3o, concretizado em Cristo (cf. Ef 1,3-14), segue-se uma a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pela f\u00e9 dos ef\u00e9sios e pela caridade que eles manifestam para com todos os irm\u00e3os na f\u00e9 (cf. Ef 1,15-23). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>No dia em que celebramos a ascens\u00e3o de Jesus ao c\u00e9u, Paulo pede a Deus que \u201cilumine os olhos\u201d do nosso cora\u00e7\u00e3o para termos sempre presente \u201ca esperan\u00e7a a que fomos chamados\u201d. \u00c9 um pedido que faz sentido. Curvados pelo cansa\u00e7o do caminho, seduzidos pelos apelos de um mundo que vive \u201ca prazo\u201d, encandeados pelo brilho falso dos valores passageiros, podemos ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de caminhar de olhos postos no ch\u00e3o, limitando-nos a seguir a corrente e a aproveitar algumas migalhas de felicidade ef\u00e9mera. Mas a ascens\u00e3o de Jesus fala-nos de um projeto de vida com dimens\u00e3o de eternidade e de plenitude. Qual o cen\u00e1rio de fundo que domina a nossa caminhada: o da terra, sempre muito rasteiro e limitado, ou o horizonte largo do mundo de Deus, de onde o nosso irm\u00e3o Jesus nos chama?<\/li>\n<li>\u00c9 bela e sugestiva a imagem da Igreja como um \u201ccorpo\u201d do qual Cristo \u00e9 a \u201ccabe\u00e7a\u201d. Todos n\u00f3s, membros vivos desse \u201ccorpo\u201d, estamos ligados a Cristo. \u00c9 Ele o nosso \u201ccentro\u201d, a nossa refer\u00eancia, a nossa fonte de Vida. A imagem tamb\u00e9m nos lembra a comunh\u00e3o, a solidariedade, os la\u00e7os fraternos que unem todos aqueles que integram esse \u201ccorpo\u201d, apesar das diferen\u00e7as e dist\u00e2ncias que possam existir entre n\u00f3s. Estas duas coordenadas est\u00e3o presentes na nossa experi\u00eancia de f\u00e9? Procuramos manter permanentemente a nossa liga\u00e7\u00e3o a Jesus e fazer d\u2019Ele o centro \u00e0 volta do qual constru\u00edmos toda a nossa exist\u00eancia? Sentimo-nos ligados aos nossos irm\u00e3os na f\u00e9 e procuramos, com eles e junto deles, viver o mandamento do amor que Jesus nos deixou?<\/li>\n<li>A Igreja \u00e9 a \u201cplenitude\u201d de Cristo. Nela Cristo reside no mundo e nela Cristo continua a oferecer ao mundo a plenitude da salva\u00e7\u00e3o de Deus. Os homens e mulheres do nosso tempo, quando olham para a Igreja, encontram Cristo e a proposta de salva\u00e7\u00e3o que Cristo veio trazer? N\u00f3s, membros da Igreja, damos testemunho coerente e verdadeiro de Cristo e do Evangelho?<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Nota: em vez desta leitura, pode-se escolher a seguinte leitura facultativa: Ef 4,1-13). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Marcos 16,15-20<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus apareceu aos Doze e disse-lhes:<br \/>\n\u00abIde por todo o mundo<br \/>\ne pregai o Evangelho a toda a criatura.<br \/>\nQuem acreditar e for batizado ser\u00e1 salvo;<br \/>\nmas quem n\u00e3o acreditar ser\u00e1 condenado.<br \/>\nEis os milagres que acompanhar\u00e3o os que acreditarem:<br \/>\nexpulsar\u00e3o os dem\u00f3nios em meu nome;<br \/>\nfalar\u00e3o novas l\u00ednguas;<br \/>\nse pegarem em serpentes ou beberem veneno,<br \/>\nn\u00e3o sofrer\u00e3o nenhum mal;<br \/>\ne quando impuserem as m\u00e3os sobre os doentes,<br \/>\neles ficar\u00e3o curados\u00bb.<br \/>\nE assim o Senhor Jesus, depois de ter falado com eles,<br \/>\nfoi elevado ao C\u00e9u e sentou-Se \u00e0 direita de Deus.<br \/>\nEles partiram a pregar por toda a parte<br \/>\ne o Senhor cooperava com eles,<br \/>\nconfirmando a sua palavra<br \/>\ncom os milagres que a acompanhavam.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 consenso entre os biblistas em admitir que o texto original do Evangelho segundo Marcos terminava em 16,8 com a refer\u00eancia ao sil\u00eancio e ao medo das mulheres que, na manh\u00e3 de P\u00e1scoa, encontraram vazio o t\u00famulo de Jesus. Parece uma forma estranha de concluir a hist\u00f3ria de Jesus; mas, ao terminar o seu evangelho com este \u201cfinal aberto\u201d, Marcos estaria a deixar os seus leitores um convite impl\u00edcito a que eles pr\u00f3prios completassem o relato com a sua pr\u00f3pria experi\u00eancia pessoal de ades\u00e3o e de seguimento de Jesus ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A per\u00edcope de Mc 16,9-20, conhecida como \u201cconclus\u00e3o longa\u201d, parece ter sido acrescentada posteriormente ao texto de Marcos. Apresenta um estilo e um vocabul\u00e1rio que a distinguem nitidamente do resto do evangelho. Ali\u00e1s, essa \u201cconclus\u00e3o longa\u201d n\u00e3o aparece nos manuscritos mais importantes e mais antigos, como sejam os c\u00f3dices Vaticano e Sina\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Provavelmente, a forma como Marcos concluiu o seu evangelho deixou os seus leitores insatisfeitos e, rapidamente, apareceram tentativas de lhe dar um final mais satisfat\u00f3rio. Algumas dessas tentativas est\u00e3o, ali\u00e1s, atestadas em diversos documentos antigos que nos transmitiram o texto do segundo Evangelho. De entre os diversos \u201cfinais\u201d que apareceram, houve um que se imp\u00f4s aos outros. Trata-se de um texto de meados do s\u00e9c. II, que apresenta um resumo das apari\u00e7\u00f5es de Jesus ressuscitado contadas por outros evangelistas. Assim, a apari\u00e7\u00e3o de Jesus ressuscitado aos Onze (cf. Mc 16,14) depende de Lc 24,36-43 e de Jo 20,19-29; a defini\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o dos ap\u00f3stolos (cf. Mc 16,15-18) depende de Mt 28,16-20 e de Lc 24,44-49; o relato da Ascens\u00e3o (cf. Mc 16,19) depende de Lc 24,50-53 e de At 1,4-11. Embora tardio e n\u00e3o redigido por Marcos, este \u201cfinal\u201d \u00e9, contudo, parte integrante da Escritura Sagrada. A Igreja reconhece-o como can\u00f3nico, como inspirado por Deus e como Palavra de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O quadro tra\u00e7ado pelo autor dessa \u201cconclus\u00e3o longa\u201d apresenta os disc\u00edpulos a reagir de uma forma muito negativa ao facto de Jesus j\u00e1 n\u00e3o estar com eles. Na manh\u00e3 da ressurrei\u00e7\u00e3o, eles estavam \u201cem luto e em pranto\u201d (Mc 16,10); depois, receberam o testemunho das mulheres que encontraram Jesus ressuscitado com incredulidade e com um cora\u00e7\u00e3o obstinado (cf. Mc 16,14). \u00c9 uma comunidade que n\u00e3o ousa sair para enfrentar a hostilidade do mundo; prefere ficar dentro de portas, prisioneira dos seus medos, a \u201clamber as feridas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, depois de aparecer a Maria Madalena (cf. Mc 16,9) e a dois disc\u00edpulos \u201cque iam a caminho do campo\u201d (cf. Mc 16,12), Jesus ressuscitado apresentou-se aos \u201conze\u201d quando estes estavam \u00e0 mesa (cf. Mc 16,14). \u00c9 precisamente aqui que o evangelho proclamado na Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor nos situa. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A partida de Jesus, a sua entrada definitiva no mist\u00e9rio do Pai, marca uma etapa nova na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. Nesse dia come\u00e7a o tempo da Igreja, o tempo em que a responsabilidade de testemunhar a salva\u00e7\u00e3o de Deus fica nas m\u00e3os dos disc\u00edpulos de Jesus. Eles acolheram o convite de Jesus, dispuseram-se a segui-l\u2019O, ouviram as suas palavras, viram os seus gestos, aprenderam as suas li\u00e7\u00f5es, foram formados na sua \u201cescola\u201d. Conhecem o projeto de Jesus e adotaram-no como projeto de vida. \u00c9 altura de se mostrarem adultos e respons\u00e1veis na viv\u00eancia da f\u00e9. N\u00e3o podem continuar \u201c\u00e1 boleia\u201d de Jesus, \u00e0 espera que Jesus fa\u00e7a tudo. Compete-lhes agora continuarem no mundo, com alegria, criatividade e compromisso, a obra libertadora e salvadora de Jesus. Sentimos esta responsabilidade? Somos capazes de vencer os nossos medos e as nossas hesita\u00e7\u00f5es, a nossa pregui\u00e7a e o nosso comodismo, para nos assumirmos como testemunhas coerentes e comprometidas de Jesus e do seu projeto?<\/li>\n<li>No Evangelho segundo Marcos Jesus define a miss\u00e3o dos disc\u00edpulos como pregar o Evangelho, combater o mal que oprime os homens, curar os doentes e dar Vida a todos aqueles que sofrem. \u00c9 a mesma tarefa que Jesus cumpriu, por mandato do Pai. O nosso an\u00fancio \u00e9 uma \u201cboa not\u00edcia\u201d que liberta do medo e que acende a esperan\u00e7a? Anunciamos e testemunhamos o amor misericordioso de Deus? Estamos empenhados em combater a injusti\u00e7a, a viol\u00eancia, o ego\u00edsmo, a indiferen\u00e7a, tudo aquilo que gera escravid\u00e3o e opress\u00e3o? Os doentes, os prisioneiros, os que a todo o momento veem pisados os seus direitos e a sua dignidade, os que vivem ignorados e abandonados, os que s\u00e3o privados do acesso \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, os que s\u00e3o \u201cmarcados\u201d e exclu\u00eddos por serem \u201cdiferentes\u201d, podem contar com a nossa solidariedade ativa, com o nosso amor, com o nosso esfor\u00e7o para lhes levar Vida?<\/li>\n<li>A miss\u00e3o que Jesus confiou aos disc\u00edpulos \u00e9 uma miss\u00e3o universal: as fronteiras, as ra\u00e7as, as diferen\u00e7as culturais, as diferen\u00e7as ideol\u00f3gicas, as diferen\u00e7as de estatuto social, as marcas da vida, os \u201cacidentes\u201d pessoais que tornam cada pessoa \u00fanica e diferente, n\u00e3o podem ser obst\u00e1culos para a presen\u00e7a da proposta libertadora de Jesus no mundo. Temos consci\u00eancia de que Jesus nos envia a todas as pessoas, independentemente daquilo que as torna diferentes, \u201cestranhas\u201d, singulares? Nas nossas comunidades crist\u00e3s h\u00e1 lugar para todos, sejam quais forem as situa\u00e7\u00f5es de vida ou as feridas que cada um carrega?<\/li>\n<li>De acordo com Jesus, o Evangelho \u00e9 uma proposta libertadora n\u00e3o apenas para os seres humanos, mas para \u201ctoda a criatura\u201d. A tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica ensina que Deus, depois de concluir a sua obra criadora, a confiou ao Homem (cf. Gn 1,28-30); mas o Homem, ferido pelo ego\u00edsmo e pela autossufici\u00eancia, tratou mal a natureza e os outros seres criados por Deus. Relacionou-se com o resto da cria\u00e7\u00e3o com \u201ctiques\u201d de ambi\u00e7\u00e3o, de cobi\u00e7a, de gan\u00e2ncia, tornando-a ref\u00e9m do seu ego\u00edsmo. Destruiu florestas, provocou o desaparecimento de esp\u00e9cies animais e vegetais, introduziu desequil\u00edbrios na natureza, envenenou as terras e os rios, criou a polui\u00e7\u00e3o que mata, explorou de forma descontrolada os recursos naturais, potenciou a difus\u00e3o de doen\u00e7as, destruiu a harmonia desse \u201cmundo bom\u201d que Deus lhe tinha confiado. A terra, a natureza, os outros seres criados, precisam de ser libertados da escravid\u00e3o que lhes vem do pecado do Homem. Sim, \u00e9 verdade que o Evangelho \u00e9 uma proposta libertadora para \u201ctoda a criatura\u201d: se \u201ccurar\u201d o cora\u00e7\u00e3o do Homem, far\u00e1 nascer um mundo novo, tamb\u00e9m no que \u00e0 natureza e aos outros seres criados diz respeito. O nosso apre\u00e7o pelo Evangelho e pela proposta de Jesus traduz-se, tamb\u00e9m, no respeito pela natureza e por todos os outros seres que Deus criou?<\/li>\n<li>Jesus nunca se cansou de dizer aos seus disc\u00edpulos que n\u00e3o os abandonaria, que n\u00e3o os deixaria sozinhos no mundo. Responsabilizou-os por dar testemunho da salva\u00e7\u00e3o de Deus; mas garantiu-lhes que os acompanharia e que os ajudaria a cada passo a discernir os caminhos que deveriam percorrer. De facto, Ele continua a caminhar ao nosso lado, a sentar-se \u00e0 mesa connosco, a oferecer-nos a sua Palavra, a corrigir os nossos passos mal dados, a sustentar com a sua for\u00e7a as nossas indecis\u00f5es, a levantar-nos depois das nossas quedas. Sentimos essa presen\u00e7a reconfortante de Jesus ao nosso lado no caminho de todos os dias? Notamos a sua presen\u00e7a quando nos reunimos com os outros irm\u00e3os \u00e0 mesa da eucaristia? Procuramos manter a liga\u00e7\u00e3o com Ele? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, deve haver um especial cuidado nas frases mais longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es, tendo aten\u00e7\u00e3o \u00e0s diversas pausa e respira\u00e7\u00f5es. No in\u00edcio da leitura, deve haver cuidado na pronuncia\u00e7\u00e3o do vocativo \u00ab\u00f3 Te\u00f3filo\u00bb. Na proclama\u00e7\u00e3o de um vocativo, n\u00e3o se deve empregar a mesma dura\u00e7\u00e3o na pausa das v\u00edrgulas. A primeira deve ser praticamente omitida para que se fa\u00e7a a pausa na segunda de modo a n\u00e3o parecer existir uma interrup\u00e7\u00e3o no texto. Al\u00e9m disso, deve haver especial aten\u00e7\u00e3o com as frases em discurso direto e a sua articula\u00e7\u00e3o com todo o texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, insisto na extens\u00e3o das frases que exige uma leitura pausada e articulada do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/05\/15\/ascencao-do-senhor\/\"><strong>ASCENS\u00c3O DO SENHOR<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m hoje, Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor, dada a riqueza e a delicadeza da filigrana do texto do Evangelho de Marcos 16,15-20, que constitui a sua conclus\u00e3o, e que vamos ter a gra\u00e7a de escutar, parece-me importante come\u00e7ar por colocar o texto diante dos nossos olhos, come\u00e7ando com o v. 14:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00ab16,<sup>14<\/sup>Em \u00faltimo lugar fez-se ver aos Onze, enquanto estavam \u00e0 mesa, e\u00a0reprovou\u00a0a sua\u00a0incredulidade\u00a0e\u00a0dureza de cora\u00e7\u00e3o, porque\u00a0n\u00e3o acreditaram\u00a0naqueles que o tinham visto ressuscitado.\u00a0<sup>15<\/sup>E disse-lhes: \u201cIndo por todo o mundo, anunciai o Evangelho\u00a0a toda a criatura\u201d.\u00a0<sup>16<\/sup>Quem acreditar e for batizado, ser\u00e1 salvo, mas quem n\u00e3o acreditar, ser\u00e1 condenado.\u00a0<sup>17<\/sup>S\u00e3o estes os sinais que acompanhar\u00e3o\u00a0os que acreditarem: no\u00a0meu nome, expulsar\u00e3o dem\u00f3nios, falar\u00e3o l\u00ednguas novas,\u00a0<sup>18<\/sup>e, se pegarem em cobras nas m\u00e3os e beberem veneno mortal, n\u00e3o lhes far\u00e1 mal; impor\u00e3o as m\u00e3os aos doentes, e ficar\u00e3o\u00a0bem.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em><sup>19<\/sup><\/em><\/strong><strong><em>O\u00a0Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, foi elevado ao c\u00e9u, e sentou-se \u00e0 direita de Deus.\u00a0<sup>20<\/sup>Eles, ent\u00e3o,\u00a0tendo sa\u00eddo, anunciaram o Evangelho\u00a0por toda a parte, enquanto o Senhor\u00a0cooperava\u00a0e\u00a0confirmava\u00a0a Palavra com os sinais que a acompanhavam\u00bb (Marcos 16,14-20).<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se da \u00faltima p\u00e1gina do Evangelho de Marcos, certamente tardia, talvez do s\u00e9c. II, mas grandiosa e imponente, e cheia de refer\u00eancias significativas para a vida crist\u00e3 de qualquer tempo e lugar. Esta p\u00e1gina fecha o Evangelho de Marcos, condensa-o e encerra-o numa grande inclus\u00e3o liter\u00e1ria e teol\u00f3gica atrav\u00e9s dos termos \u00abanunciar\u00bb, \u00abacreditar\u00bb e \u00abEvangelho\u00bb, usados a abrir o Evangelho (1,14-15) e a fechar o Evangelho (16,15-16). Mas o an\u00fancio do Evangelho a\u00a0<em>toda a criatura<\/em>\u00a0(16,15) reclama tamb\u00e9m o in\u00edcio da inteira Escritura, a p\u00e1gina da Cria\u00e7\u00e3o, com o ser humano a receber de Deus o mandato de dominar a\u00a0<em>cria\u00e7\u00e3o inteira<\/em>\u00a0(G\u00e9nesis 1,26 e 28). \u00c9 ainda nesse sentido de inclus\u00e3o liter\u00e1ria e teol\u00f3gica com a Cria\u00e7\u00e3o, que as cobras, uma das quais dominou ent\u00e3o o ser humano (G\u00e9nesis 3,1-5), s\u00e3o agora dominadas (16,18), do mesmo modo que \u00e9 o\u00a0<em>bem<\/em>\u00a0(<em>kal\u00f4s<\/em>), em vez da\u00a0<em>cura<\/em>, que agora se estabelece sobre os doentes (16,18). \u00c9 outra vez o eco intertextual da Cria\u00e7\u00e3o, onde, no texto grego dos LXX, o\u00a0<em>bem<\/em>,\u00a0<em>bom<\/em>\u00a0e\u00a0<em>belo<\/em>\u00a0(<em>kal\u00f3s<\/em>) impregna por completo a Cria\u00e7\u00e3o inteira, atravessando-a por oito vezes (G\u00e9nesis 1,4.8.10.12.18.21.25.31 LXX). No texto hebraico, \u00e9 por sete vezes que soa esta nota com o termo\u00a0<em>t\u00f4b<\/em>, que passa o mesmo significado de\u00a0<em>bem<\/em>,\u00a0<em>bom<\/em>\u00a0e\u00a0<em>belo<\/em>\u00a0(G\u00e9nesis 1,4.10.12.18.21.25.31).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abO\u00a0<em>Senhor Jesus<\/em>\u00bb (<em>ho K\u00fdrios I\u00easo\u00fbs<\/em>) (16,19), \u00fanica men\u00e7\u00e3o em todos os Evangelhos, enche a cena, quer para recriminar a nossa incredulidade e dureza de cora\u00e7\u00e3o (16,14), quer para continuar a manifestar a sua confian\u00e7a em n\u00f3s, dado que, n\u00e3o obstante a nossa incredulidade, e, talvez por isso mesmo, insiste em enviar-nos e acompanhar-nos na miss\u00e3o \u00abtotal\u00bb do Evangelho que agora nos confia (16,15 e 20). Cai aqui por terra uma certa ret\u00f3rica de santidade, que falsamente defende que s\u00f3 os santos s\u00e3o id\u00f3neos para a miss\u00e3o de anunciar o Evangelho! E ganham espa\u00e7o os que fracassaram, como os Onze e n\u00f3s com eles e como eles, que anunciam a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, que continua vivo e atuante no meio de n\u00f3s, e a prova somos n\u00f3s, pois Ele mudou a nossa vida de fracassados e desistentes para testemunhas fi\u00e9is e transparentes! E esta mudan\u00e7a operada em n\u00f3s tem de fazer parte do relato que fazemos do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cinco temas enchem a p\u00e1gina, o p\u00e1tio, o \u00e1trio sempre entreaberto do Evangelho:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong><em>a)<\/em><\/strong><strong><em> a autoridade soberana e nova de Jesus assente, n\u00e3o na dist\u00e2ncia e tirania, mas na proximidade e familiaridade; <\/em><\/strong><\/li>\n<li><strong><em> b) a miss\u00e3o total a n\u00f3s confiada; <\/em><\/strong><\/li>\n<li><strong><em> c) o mundo novo e bom, sadio e otimizado que brota da pr\u00e1tica do Evangelho; <\/em><\/strong><\/li>\n<li><strong><em> d) o envolvimento de todos; <\/em><\/strong><\/li>\n<li><strong><em> e) a Presen\u00e7a nova e sempre ativa e comprometida do Ressuscitado connosco<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a<\/strong>). A soberania nova, pr\u00f3xima e familiar de Jesus fica registada no facto de toda a opera\u00e7\u00e3o ser realizada no \u00abnome de Jesus\u00bb (16,17), mediante envio seu (16,15), com a sua Presen\u00e7a cooperante (<em>synerg\u00e9\u00f4<\/em>) (16,20) e confirmante (<em>bebai\u00f3\u00f4<\/em>) (16,20), o mesmo verbo da Confirma\u00e7\u00e3o sacramental (<em>beba\u00ed\u00f4sis<\/em>). Etimologicamente, deriva do verbo\u00a0<em>ba\u00edn\u00f4<\/em>, que significa \u00abcaminhar\u00bb, e sup\u00f5e terreno firme e s\u00f3lido (<em>b\u00e9baios<\/em>) sobre o qual se pode caminhar com destreza e seguran\u00e7a. \u00c9 esta destreza e solidez que a Confirma\u00e7\u00e3o confere aos confirmados. Sem esquecer nunca que firmeza e solidez, em ch\u00e3o b\u00edblico, remetem sempre para fidelidade e confian\u00e7a no dom\u00ednio interpessoal. A n\u00e3o esquecer tamb\u00e9m, neste contexto, que s\u00f3 um verdadeiro soberano confia a sua hist\u00f3ria e a sua miss\u00e3o a gente como n\u00f3s, que s\u00f3 deu at\u00e9 agora sinais de fraqueza e de pouca ou nula fiabilidade. Um grande tema b\u00edblico desde a Cria\u00e7\u00e3o: a omnipot\u00eancia de Deus como que limitada pela nossa liberdade, concedendo-nos aqui a imensa dignidade de partilhar connosco a sua autoridade, deixando tamb\u00e9m nas nossas m\u00e3os a capacidade de fazer surgir um mundo novo, cheio de\u00a0<em>bem<\/em>, de\u00a0<em>bondade<\/em>\u00a0e de\u00a0<em>beleza<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>b<\/strong>). A miss\u00e3o total a n\u00f3s confiada, que deve envolver \u00abtodos, tudo e sempre\u00bb (Bento XVI, Mensagem para o 85.\u00ba Dia Mission\u00e1rio Mundial 2011), \u00e9 retratada com tinta excecional em Marcos, ao usar as express\u00f5es \u00abindo\u00a0<em>por todo o mundo<\/em>\u00bb (16,15), \u00abanunciai o Evangelho\u00a0<em>a toda a criatura<\/em>\u00bb (16,15), e \u00abtendo sa\u00eddo, anunciaram\u00a0<em>por toda a parte<\/em>\u00bb (16,20). \u00c9 a miss\u00e3o total, e n\u00e3o por etapas. Jesus n\u00e3o recomenda: \u00aba come\u00e7ar pela rua tal, ou pela cidade tal\u2026\u00bb. Portanto, esta miss\u00e3o total tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 para levar a cabo ao sabor das emerg\u00eancias (ver a decis\u00e3o de Jesus em Marcos 1,38-39; Lucas 4,42-43). A ventania do Pentecostes ou o vento suav\u00edssimo do Esp\u00edrito deve levar alento a toda a criatura, da mesma forma que a semente do Evangelho \u00e9 para ser lan\u00e7ada por toda a parte, em todo o tipo de terreno, como na par\u00e1bola do semeador, sem qualquer estudo pr\u00e9vio de rentabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>c<\/strong>). Mundo novo e bom, salvo, sadio e saud\u00e1vel, otimizado, sem for\u00e7as demon\u00edacas e sem ponta de veneno. Esta liga\u00e7\u00e3o e eco intertextual das narrativas da Cria\u00e7\u00e3o faz ver a miss\u00e3o como nova cria\u00e7\u00e3o, em que o homem, finalmente transpar\u00eancia do Deus criador e senhor, sem raivas nem \u00f3dios, ci\u00fames e viol\u00eancias, \u00abdomina\u00bb a terra e os animais, isto \u00e9, estabelece a mansid\u00e3o, a do\u00e7ura da palavra e a harmonia sobre a terra (G\u00e9nesis 1,26-31). At\u00e9 a cobra perde a ast\u00facia e o veneno mortal que ostenta em G\u00e9nesis 3,1-5, e mostra-se mansa e sujeita ao dom\u00ednio das m\u00e3os do homem. \u00c0 luz da miss\u00e3o salutar e salvadora, nenhuma criatura \u00e9 portadora de veneno (cf. Sabedoria 1,14), e a doen\u00e7a \u00e9 vencida pela b\u00ean\u00e7\u00e3o que sai das m\u00e3os e do cora\u00e7\u00e3o do mission\u00e1rio, outra vez \u00e0 imagem de Deus, que enche este mundo de\u00a0<em>bem<\/em>\u00a0(<em>kal\u00f4s<\/em>\u00a0LXX) (16,18), que \u00e9 uma nota que atravessa o texto da Cria\u00e7\u00e3o, vincando ainda mais a inclus\u00e3o liter\u00e1ria e teol\u00f3gica j\u00e1 atr\u00e1s acenada. Note-se que, em vez da presen\u00e7a do\u00a0<em>bem<\/em>, em situa\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a, seria de esperar, n\u00e3o o adv\u00e9rbio\u00a0<em>bem<\/em>\u00a0(<em>kal\u00f4s<\/em>), mas o verbo\u00a0<em>curar<\/em>, que se usa habitualmente em situa\u00e7\u00f5es id\u00eanticas, dito com o verbo\u00a0<em>therape\u00fa\u00f4<\/em>\u00a0(cf. Mateus 4,24; 8,16; 10,1.8; Marcos 1,34; 3,10; 6,13; Lucas 4,40; 6,18b; 9,1.6) ou\u00a0<em>i\u00e1omai<\/em>\u00a0(Marcos 5,29; Lucas 6,18a.19; 9,2). De notar que a nossa Eucaristia, que \u00e9 com certeza a mais alta forma de ora\u00e7\u00e3o, catequese e evangeliza\u00e7\u00e3o, assenta as suas ra\u00edzes mais fundas na\u00a0<em>b\u00ean\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0e em\u00a0<em>bendizer<\/em>,sendo a sua express\u00e3o mais antiga \u00abO c\u00e1lice da\u00a0<em>b\u00ean\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0que\u00a0<em>bendizemos<\/em>\u00bb (1 Cor\u00edntios 10,16). Celebrar a Eucaristia \u00e9, pois, sempre um grande exerc\u00edcio de \u00abbendizer\u00bb, isto \u00e9, de dizer bem, e n\u00e3o mal, e implica mudar a nossa vida toda da clave do mal para a clave do bem. O mal divide. O bem une. Levar uma comunidade a celebrar a Eucaristia \u00e9 sempre transmitir aos seus membros uma nova cultura. N\u00e3o de maledic\u00eancia, mas de aprendermos a pensar, querer, ver, falar e fazer bem, belo e bom, que \u00e9 a fonte da comunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>d<\/strong>). N\u00f3s j\u00e1 sabemos, s\u00e3o muitos os documentos a diz\u00ea-lo, que esta miss\u00e3o do an\u00fancio do Evangelho de Jesus compete a todos. \u00c9 por natureza que a Igreja \u00e9 mission\u00e1ria, diz-nos o Decreto Conciliar\u00a0<em>Ad gentes<\/em>, n.\u00ba 2, e \u00abevangelizar constitui, de facto, a gra\u00e7a e a voca\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria da Igreja, a sua identidade mais profunda\u00bb, insiste Paulo VI, na feliz Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>Evangelii nuntiandi<\/em>\u00a0[1975], n.\u00ba 14. Por isso, \u00aba prega\u00e7\u00e3o do Evangelho n\u00e3o \u00e9 para a Igreja um contributo facultativo, mas um dever que lhe incumbe\u00bb (Paulo VI,\u00a0<em>Evangelii nuntiandi<\/em>, n.\u00ba 5; Bento XVI,\u00a0<em>Mensagem para o Dia Mission\u00e1rio Mundial<\/em>, 2012). \u00c9 a maneira de ser da Igreja, e \u00e9 a nossa maneira de ser, dado que \u00e9 a sua e a nossa identidade, voca\u00e7\u00e3o e gra\u00e7a. Mas de entre todos os Evangelhos, s\u00f3 esta p\u00e1gina seleta de Marcos diz expressamente que os belos e maravilhosos \u00absinais\u00bb que acompanham o an\u00fancio do Evangelho s\u00e3o realizados por todos os que acreditam (Marcos 16,17-18). Esta extraordin\u00e1ria \u00abdemocratiza\u00e7\u00e3o\u00bb das maravilhas operadas por Deus por interm\u00e9dio de todos os que acreditam serve para datar este texto do s\u00e9culo II. No s\u00e9culo I, estes prod\u00edgios estavam confinados aos Ap\u00f3stolos, e, a partir do s\u00e9culo III, ser\u00e1 o clero o seu propriet\u00e1rio. Magn\u00edfico texto este, que p\u00f5e todo o povo de Deus a realizar maravilhas! Portanto, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, sede o que sois, sempre e em toda a parte, e n\u00e3o deixeis por m\u00e3os e cora\u00e7\u00f5es alheios, as maravilhas do Evangelho que Deus vos d\u00e1 para v\u00f3s realizardes! \u00c9 este o combust\u00edvel do \u00abEvangelho da alegria\u00bb, que Deus deposita largamente no cora\u00e7\u00e3o de todos os seus filhos e filhas, para consola\u00e7\u00e3o nossa e de todos os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e<\/strong>). Chegados aqui, \u00e0 \u00faltima p\u00e1gina do Evangelho de Marcos, ainda podemos verificar dois gestos opostos e significativos. Jesus terminou o seu caminho, \u00e9 elevado ao c\u00e9u, e senta-se \u00e0 direita de Deus (16,19), sinal de proemin\u00eancia e de b\u00ean\u00e7\u00e3o. E os disc\u00edpulos de Jesus, que t\u00eam agora o mundo inteiro pela frente, levantam-se, saem, e anunciam o Evangelho (16,20). \u00abSair\u00bb, hebraico\u00a0<em>yatsa\u055a<\/em>, \u00e9 o verbo cl\u00e1ssico do \u00caxodo, mas \u00e9 tamb\u00e9m, de forma muito significativa, o verbo do nascimento. \u00abSair de si\u00bb \u00e9 um dos dinamismos mais poderosos do Evangelho, que o Papa Francisco lembrou e pediu \u00e0 Igreja (<em>Evangelii gaudium<\/em>\u00a0[2013], n.<sup>os<\/sup>\u00a020.23.27.97.259.261. A Evangeliza\u00e7\u00e3o, que implica este dinamismo, continua a ser a tarefa central e sempre nova dos disc\u00edpulos de Jesus de todos os tempos. \u00abA Igreja existe para evangelizar\u00bb (<em>Evangelii nuntiandi\u00a0<\/em>[1975], n.\u00ba 14). Fica ainda claro que a Ascens\u00e3o de Jesus n\u00e3o o retira do nosso conv\u00edvio, pois Ele continua connosco, cooperando e confirmando a miss\u00e3o da Evangeliza\u00e7\u00e3o que nos confiou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos retoma esta li\u00e7\u00e3o. \u00abE estas coisas tendo dito,\u00a0<em>vendo<\/em>\u00a0(<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>) eles, ELE foi Elevado (<em>ep\u00earth\u00ea<\/em>), e uma nuvem O subtraiu (<em>hypolamb\u00e1no<\/em>)\u00a0<em>dos olhos deles<\/em>\u00a0(<em>ap\u00f2 t\u00f4n ophthalm\u00f4n aut\u00f4n<\/em>). E como\u00a0<em>tinham o olhar fixo<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edzontes<\/em>) no c\u00e9u para onde ELE ia,\u00a0<em>eis<\/em>\u00a0(<em>ido\u00fa<\/em>) dois homens que estavam ao lado deles, em vestes brancas, e DISSERAM: \u201cHomens Galileus, por que estais de p\u00e9,\u00a0<em>perscrutando<\/em>\u00a0(<em>embl\u00e9pontes<\/em>) o c\u00e9u? Este JESUS que foi arrebatado (<em>anal\u00eamphthe\u00eds<\/em>) diante de v\u00f3s para o c\u00e9u, assim VIR\u00c1 (<em>ele\u00fasetai<\/em>) do modo (<em>tr\u00f3pos<\/em>) que O\u00a0<em>vistes<\/em>\u00a0(<em>ethe\u00e1sthe<\/em>) IR para o c\u00e9u\u201d\u00bb (Atos 1,9-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto VER. Da pan\u00f3plia de verbos registados (<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>,\u00a0<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>,\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>,\u00a0<em>embl\u00e9p\u00f4<\/em>,\u00a0<em>the\u00e1omai<\/em>), os mais fortes e intensos s\u00e3o, com certeza,\u00a0<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>\u00a0[= \u00abolhar fixamente\u00bb] e\u00a0<em>embl\u00e9p\u00f4<\/em>\u00a0[= \u00abperscrutar\u00bb, \u00abver dentro\u00bb]. Ambos exprimem a observa\u00e7\u00e3o profunda e prolongada, para al\u00e9m das apar\u00eancias: VER o invis\u00edvel (cf. Hebreus 11,27), VER o c\u00e9u, VER a gl\u00f3ria de Deus. Mas mais ainda do que\u00a0<em>o que<\/em>\u00a0se v\u00ea, estes verbos acentuam\u00a0<em>o modo como<\/em>\u00a0se v\u00ea. \u00c9 para a\u00ed que apontam os dois homens vestidos de branco, de rompante surgidos na cena, para entregar um importante DIZER que interpreta e orienta tanto VER. J\u00e1 os t\u00ednhamos encontrado no t\u00famulo reorientando os olhos entristecidos das mulheres: \u00ab<em>Por que<\/em>\u00a0(<em>t\u00ed<\/em>) procurais entre os mortos Aquele que est\u00e1 Vivo? N\u00e3o est\u00e1 aqui. Ressuscitou!\u00bb (Lucas 24,5-6). Dizem agora: \u00ab<em>Por que<\/em>\u00a0(<em>t\u00ed<\/em>) estais de p\u00e9,\u00a0<em>perscrutando<\/em>\u00a0(<em>embl\u00e9pontes<\/em>) o c\u00e9u? Este JESUS que foi arrebatado (<em>anal\u00eamphthe\u00eds<\/em>) diante de v\u00f3s para o c\u00e9u, assim VIR\u00c1 (<em>ele\u00fasetai<\/em>) do modo (<em>tr\u00f3pos<\/em>) que O\u00a0<em>vistes<\/em>\u00a0(<em>ethe\u00e1sthe<\/em>) IR para o c\u00e9u\u00bb (Atos 1,11). Ao Arrebatamento de JESUS para o c\u00e9u, os dois homens vestidos de branco agrafam a\u00a0<em>Vinda<\/em>\u00a0de JESUS. Importante colagem da Ascens\u00e3o com a Vinda. E importante passo em frente para quem estava ali simplesmente especado. N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel\u00a0<em>Ver<\/em>\u00a0a Ascens\u00e3o sem\u00a0<em>Ver<\/em>\u00a0a Vinda. Sim,\u00a0<em>Ver<\/em>. Porque ELE Vir\u00e1 do mesmo modo que O\u00a0<em>Vistes<\/em>\u00a0IR. \u00c9, pois, importante guardar este Ver, viver este Ver, Ver com este Ver. Porque \u00e9 Vendo assim que o SENHOR Vir\u00e1. Vinda que n\u00e3o tem de ser relegada para uma Parusia distante e espetacular, mas que come\u00e7a,\u00a0<em>hic et nunc<\/em>, neste Olhar novo e significativo de quem V\u00ea o SENHOR JESUS. Vinda que n\u00e3o \u00e9 tanto um regresso, mas o desvelamento de uma presen\u00e7a permanente. Vinda j\u00e1 em curso, portanto, ainda que n\u00e3o plenamente realizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Verifica\u00e7\u00e3o. Eis-nos no primeiro ATO propriamente dito dos Atos dos Ap\u00f3stolos depois do Pentecostes: a cura de um coxo de nascen\u00e7a, descrita em Atos 3,1-10: \u00abEnt\u00e3o Pedro e Jo\u00e3o subiam ao Templo para a ora\u00e7\u00e3o da hora nona [= 15h00]. E um certo homem, que era coxo (<em>ch\u00f4l\u00f3s<\/em>) desde o ventre da sua m\u00e3e, era trazido e posto todos os dias diante da Porta do Templo, dita a Bela, para pedir esmola \u00e0queles que entravam no Templo.\u00a0<em>Vendo<\/em>\u00a0(<em>id\u00f4n<\/em>) Pedro e Jo\u00e3o, que estavam a entrar no Templo, pedia esmola para receber. Ent\u00e3o,\u00a0<em>fixando o olhar<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edsas<\/em>) nele, Pedro, com Jo\u00e3o, disse: \u201c<em>Olha<\/em>\u00a0para n\u00f3s\u201d (<em>bl\u00e9pson eis hem\u00e2s<\/em>). Ent\u00e3o ele\u00a0<em>observava-os<\/em>\u00a0(<em>epe\u00eechen<\/em>), esperando receber deles alguma coisa. Disse ent\u00e3o Pedro: \u201cPrata e ouro n\u00e3o tenho, mas o que tenho, isso te dou: no nome de JESUS CRISTO, o Nazareno, [levanta-te e] caminha. E, tomando-o pela m\u00e3o direita, levantou-o. Imediatamente se firmaram os seus p\u00e9s e os calcanhares. Com um salto, p\u00f4s-se em p\u00e9, e caminhava, e entrou com eles no Templo caminhando e saltando e louvando a Deus. E todo o povo o\u00a0<em>viu<\/em>\u00a0(<em>e\u00eeden<\/em>) a caminhar e a louvar a Deus. E reconheciam que era aquele que, sentado, pedia esmola \u00e0 Porta Bela do Templo, e ficaram cheios de admira\u00e7\u00e3o e de assombro por aquilo que lhe aconteceu\u00bb (Atos 3,1-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se v\u00ea, h\u00e1 tamb\u00e9m um impressionante condensado de olhares a marcar este primeiro ATO dos Atos dos Ap\u00f3stolos. Soam no texto cinco notas visuais, servidas por quatro verbos:\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>,\u00a0<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>,\u00a0<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>,\u00a0<em>ep\u00e9ch\u00f4<\/em>.\u00a0<em>Aten\u00edz\u00f4<\/em>\u00a0desenha o Olhar de Pedro e Jo\u00e3o fixado no coxo de nascen\u00e7a.\u00a0<em>Bl\u00e9p\u00f4<\/em>\u00a0retrata o Ver com que o coxo \u00e9 mandado olhar o Olhar dos Ap\u00f3stolos. Significativo agrafo: estes dois Olhares, com\u00a0<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>\u00a0e\u00a0<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>, s\u00f3 tinham sido usados antes, no Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, uma \u00fanica vez, precisamente no relato da Ascens\u00e3o (Atos 1,9-10). De resto,\u00a0<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>\u00a0conhecer\u00e1 apenas mais quatro men\u00e7\u00f5es no Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos: duas no relato da voca\u00e7\u00e3o de Paulo (Atos 9,8-9), a terceira no discurso de Paulo na sinagoga de Antioquia da Pis\u00eddia (Atos 13,41; cit. de Habacuc 1,5), e a quarta e \u00faltima no decurso da viagem mar\u00edtima de Paulo para Roma (Atos 27,12).\u00a0<em>Aten\u00edz\u00f4<\/em>, por sua vez, far-se-\u00e1 notar em lugares de relevo, sempre para expressar um Ver novo e significativo, um Ver sem haver: os membros do Sin\u00e9drio\u00a0<em>fixam os olhos<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) em Est\u00eav\u00e3o, e veem-no semelhante a um anjo (Atos 6,15); Est\u00eav\u00e3o, por sua vez,\u00a0<em>fixa os olhos<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) no c\u00e9u, e v\u00ea a gl\u00f3ria de Deus e JESUS, de p\u00e9, \u00e0 direita de Deus (Atos 7,55); Corn\u00e9lio\u00a0<em>fixa<\/em>\u00a0<em>os olhos<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) no anjo do Senhor, que o interpela (Atos 10,4); Pedro\u00a0<em>fixa os olhos<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) na vis\u00e3o, vinda do c\u00e9u, dos animais impuros (Atos 11,6); Paulo\u00a0<em>fixa os olhos<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edz\u00f4<\/em>) no mago Elimas, de Chipre, para o fulminar pela sua falsidade e mal\u00edcia (Atos 13,9), e o mesmo faz no Sin\u00e9drio, dando testemunho de JESUS (Atos 23,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 este Ver JESUS, Ver sem haver, sem poder, sem ouro nem prata (Atos 3,6), que\u00a0<em>se fixa<\/em>\u00a0sobre o coxo de nascen\u00e7a, mandado, por sua vez, olhar para este Olhar, Ver desta maneira. Como Abra\u00e3o e Mois\u00e9s, convidados a Ver para receber, e n\u00e3o para haver, a Terra Prometida: \u00aba terra que Eu te farei Ver\u00bb (G\u00e9nesis 12,1), \u00abque YHWH lhe fez Ver\u00bb (Deuteron\u00f3mio 34,1), \u00abEu a fiz Ver aos teus olhos\u00bb (Deuteron\u00f3mio 34,4). O narrador anota mais \u00e0 frente que o coxo de nascen\u00e7a, agora curado, tinha mais de 40 anos (Atos 4,22), tipologia do povo perdido no deserto antes de entrar na Terra Prometida. Como o homem doente havia 38 anos, que Jesus encontra junto da piscina de Bezetha, e que ser\u00e1 curado (Jo\u00e3o 5,1-9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 sintom\u00e1tico que o Ver da Ascens\u00e3o e da Vinda do SENHOR JESUS seja o Ver que preenche por inteiro o primeiro ATO dos Atos dos Ap\u00f3stolos, com realce para Pedro. Mas \u00e9 ainda grandemente sintom\u00e1tico que o primeiro ATO de Paulo, descrito em Atos 14,8-10, que \u00e9 tamb\u00e9m o primeiro passo da miss\u00e3o perante o paganismo popular, em Listra, quase copie o primeiro ATO dos Ap\u00f3stolos e de Pedro, certamente com o intuito de p\u00f4r em paralelo os dois grandes Ap\u00f3stolos e os dois tempos da miss\u00e3o. Eis o texto referido de Atos 14,8-10: \u00abE em Listra um homem estava sentado, sem for\u00e7a nos p\u00e9s, coxo desde o ventre da sua m\u00e3e, e que nunca tinha andado. Este ouviu falar Paulo, o qual, tendo\u00a0<em>fixado os olhos<\/em>\u00a0(<em>aten\u00edsas<\/em>) nele, e tendo visto que tinha f\u00e9 para ser salvo, diz com voz forte: \u201cLevanta-te direito sobre os teus p\u00e9s!\u201d. E ele deu um salto e caminhava\u00bb (Atos 14,8-10). Aqui temos o mesmo coxo de nascen\u00e7a, o mesmo Olhar significativo e diaconal, sem poder, sem ouro nem prata, Ver JESUS, o mesmo levantamento do coxo. E tamb\u00e9m aqui, na sequ\u00eancia do texto, temos o aceno \u00e0 multid\u00e3o que disperdia o olhar, vendo em Paulo e Barnab\u00e9 deuses em forma humana, e a mesma corre\u00e7\u00e3o, feita por Paulo, apontando JESUS (Atos 14,11-18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importante agrafo da Ascens\u00e3o com a Vinda do Senhor. Tanto Ver. N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel Ver a Ascens\u00e3o sem Ver a Vinda. Guardemos este Olhar cheio de Jesus e olhemos agora para esta terra \u00e1rida e cinzenta, para tantos cora\u00e7\u00f5es tristes e perdidos. Nascer\u00e1 um mundo muito mais belo, novos cora\u00e7\u00f5es pulsar\u00e3o nas pessoas. Os olhos do cora\u00e7\u00e3o iluminados, como diz o Ap\u00f3stolo \u00e0 comunidade-m\u00e3e da \u00c1sia Menor, \u00c9feso (Ef\u00e9sios 1,18). Um Olhar cheio de Jesus faz Ver Jesus, faz Vir Jesus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ponhamos tudo isto em imagem, como conv\u00e9m neste Domingo em que a Igreja celebra o Dia das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, institui\u00e7\u00e3o que tem as suas ra\u00edzes diretamente no Conc\u00edlio Vaticano II (Decreto\u00a0<em>Inter Mirifica<\/em>, n.\u00ba 18), e que foi celebrado pela primeira vez, com mensagem de Paulo VI, em 7 de maio de 1967. Eis ent\u00e3o diante de n\u00f3s, no cume do Monte das Oliveiras, um pequeno Templo, arredondado, chamado\u00a0<em>Imbomon<\/em>\u00a0[= \u00absobre o cume\u00bb], greciza\u00e7\u00e3o do hebraico\u00a0<em>bamah<\/em>\u00a0[= \u00ablugar alto\u00bb], a 818 metros de altitude, um pouco acima da\u00a0<em>Ecclesia in Eleona<\/em>\u00a0[= \u00abno Olival\u00bb], que remonta a Santa Helena, hoje\u00a0<em>Pater Noster<\/em>, e a curta dist\u00e2ncia de Jerusal\u00e9m, a dist\u00e2ncia do caminho de um s\u00e1bado (Atos 1,12), que corresponde a 1892 metros. As constru\u00e7\u00f5es crist\u00e3s do\u00a0<em>Imbomon<\/em>\u00a0remontam ao long\u00ednquo ano de 376, com reconstru\u00e7\u00e3o dos Cruzados em 1152, ocupadas depois, em 1187, pelos mu\u00e7ulmanos. A constru\u00e7\u00e3o dos Cruzados, que respeitava a primitiva constru\u00e7\u00e3o, tinha no centro um tambor encimado por uma c\u00fapula aberta no centro, justamente para servir de suporte \u00e0 imagem da Ascens\u00e3o patente em Atos 1,9-11. Em 1200, os mu\u00e7ulmanos fecharam esse ponto de luz com uma c\u00fapula de estilo \u00e1rabe, escondendo assim a vis\u00e3o de Atos 1,11: \u00abPorque estais a\u00ed a olhar para o c\u00e9u?\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto de hoje da Carta aos Ef\u00e9sios 1,17-23 completa maravilhosamente as passagens da Escritura que j\u00e1 vimos. Depois do grande hino (v. 3-14), em que se bendiz o Pai, mediante o Filho, no Esp\u00edrito Santo a n\u00f3s dado, cantamos agora, guiados sempre por S\u00e3o Paulo, o primado da Humanidade do Senhor, obra admir\u00e1vel do Pai, para proveito nosso. E come\u00e7amos com a epiclese ao Pai para que nos d\u00ea o dom do Esp\u00edrito, que \u00e9 a Sabedoria divina, o \u00abconhecimento profundo\u00bb (<em>ep\u00edgn\u00f4sis<\/em>) das Realidades divinas (v. 17). Tudo prov\u00e9m do \u00fanico e omnipotente Acontecimento divino: Jesus Cristo Ressuscitado e Sentado \u00e0 direita nos C\u00e9us (v. 19-20). \u00c9 assim que, da sua Humanidade glorificada, vem para n\u00f3s, por gra\u00e7a, o Esp\u00edrito Santo, a verdadeira plenitude (v. 23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 47 \u00e9 um Salmo da realeza de YHWH, que canta, com grande energia, a soberania de Deus sobre todos os povos (v. 1-3.7-10), sem deixar tamb\u00e9m de particularizar Israel (v. 4-5), \u00aba mais bela entre todas as na\u00e7\u00f5es\u00bb (Ezequiel 20,6). Ajusta-se tamb\u00e9m perfeitamente, no mundo cat\u00f3lico, \u00e0 Festa da Ascens\u00e3o do Senhor, sobretudo por causa do v. 6, em que lemos que \u00abDeus se eleva por entre aclama\u00e7\u00f5es\u00bb. Devido ao seu tom geral, Israel canta este Salmo sete vezes antes de soar o toque do\u00a0<em>sh\u00f4phar<\/em>\u00a0para assinalar a entrada do Ano Novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando a Palavra de Deus,<\/strong><br \/>\n<strong>Como uma enchente,<\/strong><br \/>\n<strong>Encheu o tempo,<\/strong><br \/>\n<strong>Dando ao homem a necess\u00e1ria oportunidade de ter de responder<\/strong><br \/>\n<strong>E de n\u00e3o poder n\u00e3o responder,<\/strong><br \/>\n<strong>O Filho de Deus,<\/strong><br \/>\n<strong>Sem deixar de ser Deus,<\/strong><br \/>\n<strong>Fez-se tamb\u00e9m filho de Maria,<\/strong><br \/>\n<strong>Jesus,<\/strong><br \/>\n<strong>Assumindo assim tamb\u00e9m a nossa fr\u00e1gil natureza humana.<\/strong><br \/>\n<strong>Com a sua Ressurrei\u00e7\u00e3o e Ascens\u00e3o aos C\u00e9us,<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 glorificada a humanidade do Filho de Deus e de Maria,<\/strong><br \/>\n<strong>Jesus,<\/strong><br \/>\n<strong>E \u00e9 desta humanidade glorificada,<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c0 direita de Deus sentada,<\/strong><br \/>\n<strong>Que vem o Esp\u00edrito Santo para n\u00f3s.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9, portanto, do vosso interesse, diz Jesus, que Eu v\u00e1,<\/strong><br \/>\n<strong>Pois se Eu n\u00e3o for,<\/strong><br \/>\n<strong>O Esp\u00edrito Santo n\u00e3o vir\u00e1 para v\u00f3s.<\/strong><br \/>\n<strong>Com a Ressurrei\u00e7\u00e3o, a Ascens\u00e3o e o Pentecostes,<\/strong><br \/>\n<strong>Celebramos, pois, a humanidade glorificada de Jesus,<\/strong><br \/>\n<strong>Da qual,<\/strong><br \/>\n<strong>Por cont\u00e1gio sacramental,<\/strong><br \/>\n<strong>Recebemos o Dom de Deus, o Esp\u00edrito Santo.<\/strong><br \/>\n<strong>Senhor Jesus,<\/strong><br \/>\n<strong>Enche a nossa fr\u00e1gil humanidade da riqueza da tua divindade,<\/strong><br \/>\n<strong>E derrama no nosso humano cora\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong>O Esp\u00edrito da consola\u00e7\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>Da paz e da alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Leitura-I-do-Domingo-VII-do-Tempo-Pascal-Solenidade-da-Ascensao-do-Senhor-Ano-B-12.05.2024-Act-1-1-11.pdf\">Leitura I do Domingo VII do Tempo Pascal &#8211; Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor &#8211; Ano B &#8211; 12.05.2024 (Act 1, 1-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Resto-Leitura-I-e-Leitura-II-do-Domingo-VII-do-Tempo-Pascal-Solenidade-da-Ascensao-do-Senhor-Ano-B-12.05.2024-Ef-1-17-23.pdf\">Resto Leitura I e Leitura II do Domingo VII do Tempo Pascal &#8211; Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor &#8211; Ano B &#8211; 12.05.2024 (Ef 1, 17-23)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Domingo-da-Ascensao-do-Senhor-Ano-B-12.05.2024-Lecionario.pdf\">Domingo da Ascens\u00e3o do Senhor &#8211; Ano B &#8211; 12.05.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Domingo-da-Ascensao-do-Senhor-Ano-B-12.05.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo da Ascens\u00e3o do Senhor &#8211; Ano B &#8211; 12.05.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Mensagem-do-Papa-Francisco-para-o-LVIII-Dia-Mundial-das-Comunicacoes-Sociais-12.05.2024-Solenidade-da-Ascensao-do-Senhor.pdf\">Mensagem do Papa Francisco para o LVIII Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais &#8211; 12.05.2024 &#8211; Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Uma-reflexao-sobre-a-transmissao-online-da-Missa.pdf\">Uma reflex\u00e3o sobre a transmiss\u00e3o online da Missa<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo VI da P\u00e1scoa \u2013 Ano B \u2013 05.05.2024 &#8211; Dia da M\u00e3e&#8221; tab_id=&#8221;1715588037941-1f17d657-eada&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo VI da P\u00e1scoa &#8211; Ano B \u2013 05.05.2024<br \/>\nDia da M\u00e3e<br \/>\n<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Domingo-VI-da-Pascoa.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"350\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho que escutamos neste Domingo \u00e9 a resposta acabada \u00e0quilo que \u00e9 a ess\u00eancia do cristianismo: o amor superabundante de Deus, revelado em Jesus Cristo, torna-se norma do nosso agir, pois a nossa miss\u00e3o como disc\u00edpulos encontra-se unida \u00e0 vida de Jesus, como Jesus est\u00e1 unido ao Pai: \u00ab<em>assim como o Pai Me amou, tamb\u00e9m Eu vos ame<\/em>i\u00bb. Deste modo, podemos afirmar que a liturgia da Palavra deste Domingo \u00e9 uma janela aberta com vista direta para o cora\u00e7\u00e3o de Deus, pois como afirma S. Jo\u00e3o: \u00ab<em>Deus \u00e9 amor<\/em>\u00bb. Esta \u00e9 a imagem de marca de Deus, esta \u00e9 a ess\u00eancia da vida de Deus e configura o Seu modo de agir no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor corre sempre o risco de ser uma palavra banal da qual se usa e abusa e os discursos constru\u00eddos a partir dele facilmente se convertem em discursos bem-intencionados, mas inconsequentes. Aquele que se encontra com Jesus Ressuscitado, Rosto da miseric\u00f3rdia do Pai, faz a experi\u00eancia de que o amor n\u00e3o \u00e9 mera afei\u00e7\u00e3o nem um sentimento fugaz ou banal, mas uma experi\u00eancia de encontro que me faz sentir profundamente amado e chamado a construir a nova civiliza\u00e7\u00e3o do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdadeira experi\u00eancia de amar n\u00e3o \u00e9 autorreferencial nem egoc\u00eantrica, mas alarga os meus horizontes, abre os meus olhos e o meu cora\u00e7\u00e3o para que todos aqueles que se cruzam comigo fa\u00e7am a experi\u00eancia de ser profundamente amados por Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus ama-nos com um amor unilateral e assim\u00e9trico, pois Ele revelou o Seu amor enviando o Seu Filho unig\u00e9nito que se entregou todo e para sempre por cada um de n\u00f3s: \u00ab<em>ningu\u00e9m tem maior amor do que aquele que d\u00e1 a vida pelos amigos<\/em>\u00bb. Na verdade, na vida crist\u00e3 o verbo amar conjuga-se com o verbo dar e de modo particular e radical na sua forma reflexa \u00abdar-se\u00bb. Em Jesus Cristo, Deus n\u00e3o nos d\u00e1 algo exterior a si pr\u00f3prio, mas o Seu pr\u00f3prio Filho. Se existe um princ\u00edpio econ\u00f3mico que afirma que uma determinada coisa vale o que estamos dispostos a dar por ela, ent\u00e3o n\u00f3s somos profundamente valiosos aos olhos de Deus, pois Ele esteve disposto a entregar o Seu \u00fanico filho para a salva\u00e7\u00e3o de todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este amor infinito de Deus eleva a nossa condi\u00e7\u00e3o de servos e converte a nossa vida num lugar de experi\u00eancia da amizade profunda que Deus tem por cada um de n\u00f3s: \u00ab<em>j\u00e1 n\u00e3o vos chamo servos, porque o servo n\u00e3o sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai<\/em>\u00bb. A nossa condi\u00e7\u00e3o de fragilidade e pecado n\u00e3o tem mais a \u00faltima palavra, porque Jesus Cristo, o Ressuscitado, nos faz Seus amigos e participantes da Sua vida divina. O amor que Deus derrama em nossos cora\u00e7\u00f5es concede-nos a verdadeira alegria, que n\u00e3o se contenta com contentamentos fugazes, mas se abre \u00e0 alegria verdadeira e completa que s\u00f3 o amor de Deus pode oferecer e garantir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor de Deus revelado na vida de Jesus por meio de palavras e gestos intimamente ligados entre si (DV 2) deve manifestar-se tamb\u00e9m assim na vida de cada um de n\u00f3s. Apesar dos nossos limites e fragilidades, somos convidados a seguir Jesus na escola da arte de amar. Escutando a Sua palavra, alimentados pelo P\u00e3o da Eucaristia e contemplando os Seus gestos cheios de ternura e bondade, somos chamados a construir uma nova humanidade que tem consci\u00eancia que o amor n\u00e3o \u00e9 mais uma coisa a fazer, mas o modo de fazer todas as coisas. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O primeiro Domingo de Maio \u00e9 dedicado \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o do Dia da M\u00e3e<\/strong>. Para que este dia se possa tamb\u00e9m viver em comunidade e n\u00e3o fique ref\u00e9m da l\u00f3gica comercial, na Eucaristia deste Domingo pode dirigir-se uma palavra especial a todas as m\u00e3es, acompanhada de algum gesto que assinale este dia. Pode dirigir-se uma b\u00ean\u00e7\u00e3o especial \u00e0s m\u00e3es presentes na celebra\u00e7\u00e3o, bem como um envolvimento da catequese e da pastoral familiar para que este dia seja valorizado como lugar de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pelo dom da maternidade.<strong><em> in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Atos dos Ap\u00f3stolos 10,25-26.34-35.44-48<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nPedro chegou a casa de Corn\u00e9lio.<br \/>\nEste veio-lhe ao encontro<br \/>\ne prostrou-se a seus p\u00e9s.<br \/>\nMas Pedro levantou-o, dizendo:<br \/>\n\u00abLevanta-te, que eu tamb\u00e9m sou um simples homem\u00bb.<br \/>\nPedro disse-lhe ainda:<br \/>\n\u00abNa verdade, eu reconhe\u00e7o<br \/>\nque Deus n\u00e3o faz ace\u00e7\u00e3o de pessoas,<br \/>\nmas, em qualquer na\u00e7\u00e3o,<br \/>\naquele que O teme e pratica a justi\u00e7a \u00e9-Lhe agrad\u00e1vel\u00bb.<br \/>\nAinda Pedro falava,<br \/>\nquando o Esp\u00edrito desceu<br \/>\nsobre todos os que estavam a ouvir a palavra.<br \/>\nE todos os fi\u00e9is convertidos do juda\u00edsmo,<br \/>\nque tinham vindo com Pedro,<br \/>\nficaram maravilhados ao verem que o Esp\u00edrito Santo<br \/>\nse difundia tamb\u00e9m sobre os gentios,<br \/>\npois ouviam-nos falar em diversas l\u00ednguas e glorificar a Deus.<br \/>\nPedro ent\u00e3o declarou:<br \/>\n\u00abPoder\u00e1 algu\u00e9m recusar a \u00e1gua do Batismo<br \/>\naos que receberam o Esp\u00edrito Santo, como n\u00f3s?\u00bb<br \/>\nE ordenou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo.<br \/>\nEnt\u00e3o, pediram-lhe que ficasse alguns dias com eles.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste sexto domingo da P\u00e1scoa nos prop\u00f5e como primeira leitura integra uma sec\u00e7\u00e3o do livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos (cf. 9,32-11,18) cujo protagonista \u00e9 o ap\u00f3stolo Pedro. Essa sec\u00e7\u00e3o refere a atividade mission\u00e1ria de Pedro no litoral da costa palestina, entre Jope e Cesareia Mar\u00edtima, onde Pedro, assumindo o papel de pregador itinerante, vai visitando diversas comunidades crist\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio que nos \u00e9 proposto situa-nos em Cesareia Mar\u00edtima, uma cidade constru\u00edda por Herodes, o Grande, no s\u00e9c. I a. C., num lugar antigamente designado por \u201cTorre de Estraton\u201d. Cesareia era a sede do poder romano na Palestina, pois era a\u00ed que residiam os procuradores romanos da Judeia. No centro da cena est\u00e1 um centuri\u00e3o romano, chamado Corn\u00e9lio, que era \u201cpiedoso e temente a Deus\u201d (At 10,2). Pedro estava em Jope (atual Jafa), um pouco mais a sul, hospedado em casa de Sim\u00e3o, o curtidor (cf. At 9,43); mas, convidado por Corn\u00e9lio, vai at\u00e9 Cesareia, dirige-se \u00e0 casa do centuri\u00e3o romano e, encontrando-o reunido com diversos familiares e amigos (cf. At 10,24), anuncia-lhes Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atitude de Pedro deve ter gerado alguma pol\u00e9mica nas comunidades crist\u00e3s primitivas, particularmente na comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m (cf. At 11,2-3). Para os primeiros crist\u00e3os, oriundos do mundo judaico, n\u00e3o era claro que os pag\u00e3os pudessem entrar na comunidade crist\u00e3. O pag\u00e3o era considerado um ser impuro, em casa de quem o bom judeu estava proibido de entrar, a fim de n\u00e3o se contaminar. Quereria Deus que a salva\u00e7\u00e3o fosse tamb\u00e9m anunciada aos pag\u00e3os?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o autor dos Atos dos Ap\u00f3stolos, \u00e9 perfeitamente claro que Deus tamb\u00e9m quer oferecer a salva\u00e7\u00e3o aos pag\u00e3os. Para deixar isso bem claro, ele p\u00f5e Deus a dirigir toda a trama: \u00e9 Deus que, numa vis\u00e3o, pede a Corn\u00e9lio que mande chamar Pedro (cf. At 10,1-8); e \u00e9 Deus que arrebata Pedro \u201cem \u00eaxtase\u201d e lhe sugere que poder\u00e1 ir ao encontro de Corn\u00e9lio sem ficar contaminado pelo contacto com um pag\u00e3o (cf. At 10,9-23). A decis\u00e3o de Pedro de apresentar a proposta de Jesus a uma fam\u00edlia pag\u00e3 ser\u00e1, pouco depois, aprovada pela Igreja de Jerusal\u00e9m (cf. At 11,18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este epis\u00f3dio tem uma especial import\u00e2ncia no esquema imaginado por Lucas para a expans\u00e3o da Igreja\u2026 Corn\u00e9lio \u00e9 o primeiro pag\u00e3o oficialmente admitido na comunidade de Jesus. A convers\u00e3o de Corn\u00e9lio marca uma viragem decisiva na proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho que, a partir deste momento, se abre tamb\u00e9m aos pag\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A convers\u00e3o de Corn\u00e9lio ser\u00e1, basicamente, hist\u00f3rica; as \u201cvis\u00f5es\u201d e os detalhes s\u00e3o, provavelmente, o cen\u00e1rio que Lucas monta para apresentar a sua catequese. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Deus v\u00ea todos os homens e mulheres como seus filhos e suas filhas muito queridos. Ele n\u00e3o os discrimina pela cor da pele, pela ra\u00e7a, pela na\u00e7\u00e3o a que pertencem, pela posi\u00e7\u00e3o de que disfrutam na sociedade: Ele ama a todos por igual, com um amor sem limites. O seu grande desejo \u00e9 v\u00ea-los caminhar pela vida, livres e felizes, at\u00e9 ao encontro final com Ele. Por isso, Ele oferece-lhes a salva\u00e7\u00e3o: chama-os, fala-lhes, abra\u00e7a-os, indica-lhes os caminhos que devem percorrer, apoia-os e sustenta-os ao longo da caminhada, mostra-lhes a meta a alcan\u00e7ar\u2026 A salva\u00e7\u00e3o que Ele oferece s\u00f3 n\u00e3o chega \u00e0queles que se fecham no orgulho e na autossufici\u00eancia, recusando os dons de Deus. O Batismo foi, para todos n\u00f3s, o momento do nosso \u201csim\u201d a Deus e \u00e0 sua oferta de salva\u00e7\u00e3o; mas \u00e9 preciso que, em cada instante, renovemos esse primeiro \u201csim\u201d e que vivamos numa permanente disponibilidade para acolher Deus, as suas propostas, os seus dons, o seu amor. Depois do nosso \u201csim\u201d inicial, continuamos dispon\u00edveis para acolher a salva\u00e7\u00e3o que Deus nos oferece? Procuramos escutar as indica\u00e7\u00f5es que Ele nos d\u00e1 e caminhar de acordo com elas? Acreditamos firmemente que as propostas de Deus nos conduzem na dire\u00e7\u00e3o da Vida verdadeira, da Vida eterna, da felicidade sem fim?<\/li>\n<li>A ideia de que Deus n\u00e3o exclui ningu\u00e9m da salva\u00e7\u00e3o e n\u00e3o faz ace\u00e7\u00e3o de pessoas parece-nos um dado perfeitamente l\u00f3gico e evidente. Mas, aceitar essa l\u00f3gica, traz consequ\u00eancias \u00e0 nossa vida, particularmente \u00e0 forma como vemos os outros homens e mulheres com quem nos cruzamos nos caminhos da vida. O Deus que ama todos os seus filhos e filhas, sem exce\u00e7\u00e3o, convida-nos a acolher todos os irm\u00e3os \u2013 mesmo os \u201cdiferentes\u201d, mesmo os inc\u00f3modos \u2013 com bondade, com compreens\u00e3o, com amor; o Deus que derrama sobre todos a sua salva\u00e7\u00e3o convida-nos a n\u00e3o discriminar \u201cbons\u201d e \u201cmaus\u201d, \u201csantos\u201d e \u201cpecadores\u201d (frequentemente, os nossos ju\u00edzos acerca da \u201cbondade\u201d ou da \u201cmaldade\u201d dos outros falham redondamente); o Deus que convida cada homem e cada mulher a integrar a comunidade da salva\u00e7\u00e3o diz-nos que temos de acolher e amar todos, independentemente da sua ra\u00e7a, da cor da sua pele, da sua origem, da sua prepara\u00e7\u00e3o cultural, do seu lugar na escala social. N\u00e3o apenas em teoria, mas sobretudo nos nossos gestos concretos, somos chamados a anunciar esse mundo de Deus, sem exclus\u00e3o, sem marginaliza\u00e7\u00e3o, sem intoler\u00e2ncia, sem preconceitos. Como vemos e como lidamos com os \u201cdiferentes\u201d? N\u00f3s, filhos amados de um Deus que n\u00e3o faz ace\u00e7\u00e3o de pessoas, alinhamos em preconceitos, em conclus\u00f5es precipitadas, em ju\u00edzos defeituosos, em posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas que dividem, que marginalizam, que segregam pessoas ou grupos humanos?<\/li>\n<li>Quando Pedro chega a casa de Corn\u00e9lio, este veio-lhe ao encontro e prostrou-se a seus p\u00e9s\u2026 Mas Pedro disse-lhe imediatamente: \u201clevanta-te, que eu tamb\u00e9m sou um simples homem\u201d (vers. 25-26). A atitude humilde de Pedro faz-nos pensar como s\u00e3o rid\u00edculas e desprovidas de sentido certas tentativas de afirma\u00e7\u00e3o pessoal diante dos irm\u00e3os, certas poses de superioridade, a busca de privil\u00e9gios e de honras, as lutas pelos primeiros lugares\u2026 Aqueles a quem, numa comunidade \u2013 civil ou religiosa \u2013 foi confiada a responsabilidade de presidir, de coordenar, de organizar, de animar, devem sentir-se \u201csimples homens\u201d, humildes instrumentos de Deus. A sua miss\u00e3o \u00e9 servir, ajudar, cuidar, n\u00e3o procurar privil\u00e9gios, honrarias, situa\u00e7\u00f5es que satisfa\u00e7am as suas ambi\u00e7\u00f5es pessoais. Quando sou chamado a uma determinada miss\u00e3o na comunidade, como a encaro? Como \u00e9 que trato aqueles a quem devo servir no contexto da miss\u00e3o que me foi confiada? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 97 (98)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: O Senhor manifestou a salva\u00e7\u00e3o a todos os povos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Diante dos povos manifestou Deus a salva\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cantai ao Senhor um c\u00e2ntico novo<br \/>\npelas maravilhas que Ele operou.<br \/>\nA sua m\u00e3o e o seu santo bra\u00e7o<br \/>\nLhe deram a vit\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Senhor deu a conhecer a salva\u00e7\u00e3o,<br \/>\nrevelou aos olhos das na\u00e7\u00f5es a sua justi\u00e7a.<br \/>\nRecordou-Se da sua bondade e fidelidade<br \/>\nem favor da casa de Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os confins da terra puderam ver<br \/>\na salva\u00e7\u00e3o do nosso Deus.<br \/>\nAclamai o Senhor, terra inteira,<br \/>\nexultai de alegria e cantai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 1 Jo\u00e3o 4,7-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Car\u00edssimos:<br \/>\nAmemo-nos uns aos outros,<br \/>\nporque o amor vem de Deus<br \/>\ne todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus.<br \/>\nQuem n\u00e3o ama n\u00e3o conhece a Deus,<br \/>\nporque Deus \u00e9 amor.<br \/>\nAssim se manifestou o amor de Deus para connosco:<br \/>\nDeus enviou ao mundo o seu Filho Unig\u00e9nito,<br \/>\npara que vivamos por Ele.<br \/>\nNisto consiste o amor:<br \/>\nn\u00e3o fomos n\u00f3s que am\u00e1mos a Deus,<br \/>\nmas foi Ele que nos amou<br \/>\ne enviou o seu Filho<br \/>\ncomo v\u00edtima de expia\u00e7\u00e3o pelos nossos pecados.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como vimos nos domingos anteriores, a Primeira Carta de Jo\u00e3o \u00e9 uma instru\u00e7\u00e3o escrita destinada a algumas Igrejas da \u00c1sia Menor nascidas em contexto jo\u00e2nico (quer dizer, ligadas \u00e0 figura do ap\u00f3stolo Jo\u00e3o, que passou os \u00faltimos anos da sua vida em \u00c9feso, cidade situada na costa da J\u00f3nia, junto da moderna Sel\u00e7uk, na atual Turquia). Combate as doutrinas her\u00e9ticas de seitas pr\u00e9-gn\u00f3sticas que, pelo final do s\u00e9c. I, lan\u00e7avam a confus\u00e3o nas comunidades crist\u00e3s; e define os princ\u00edpios fundamentais da vida crist\u00e3 aut\u00eantica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto de confronto com as heresias pr\u00e9-gn\u00f3sticas, uma das quest\u00f5es mais controversas (e \u00e0 qual o autor da Primeira Carta de Jo\u00e3o d\u00e1 uma import\u00e2ncia fundamental) era a quest\u00e3o do amor ao pr\u00f3ximo. Os hereges pr\u00e9-gn\u00f3sticos afirmavam que o essencial da f\u00e9 residia na vida de comunh\u00e3o com Deus e negligenciavam as realidades do mundo. Achavam que se podia descobrir \u201ca luz\u201d e estar pr\u00f3ximo de Deus, mesmo odiando o pr\u00f3ximo (cf. 1 Jo 2,9). Ora, de acordo com o autor da Primeira Carta de Jo\u00e3o, o amor ao pr\u00f3ximo \u00e9 uma exig\u00eancia central da experi\u00eancia crist\u00e3. A ess\u00eancia de Deus \u00e9 amor; e ningu\u00e9m pode dizer que est\u00e1 em comunh\u00e3o com Ele se n\u00e3o se deixou contagiar e embeber pelo amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto pertence \u00e0 terceira parte da carta (cf. 1 Jo 4,7-5,12). A\u00ed, o autor estabelece como crit\u00e9rio da vida crist\u00e3 aut\u00eantica a rela\u00e7\u00e3o entre o amor a Deus e o amor aos irm\u00e3os. \u00c9 nessa dupla dimens\u00e3o que os crist\u00e3os devem encontrar a sua identidade. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>\u201cDeus \u00e9 amor\u201d \u2013 diz o autor da Primeira Carta de Jo\u00e3o. N\u00e3o se trata de uma defini\u00e7\u00e3o abstrata ou de uma tese acad\u00e9mica; \u00e9 uma constata\u00e7\u00e3o que se imp\u00f5e a partir da contempla\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es e das interven\u00e7\u00f5es de Deus na hist\u00f3ria e na vida dos homens. Deus come\u00e7ou por criar o universo, o mundo e os seres humanos com amor e cuidado de artista. Depois, ao longo da hist\u00f3ria humana, Ele procurou sempre fazer-se presente no caminho dos seus filhos e dar-lhes o seu amor: revelou-lhes o seu rosto, comprometeu-se com eles numa alian\u00e7a, indicou-lhes os caminhos que eles deviam percorrer para encontrar Vida, avisou-os repetidamente para n\u00e3o enveredarem por caminhos de morte\u2026. Chegou mesmo a enviar o seu Filho Unig\u00e9nito ao encontro dos homens para lhes oferecer a salva\u00e7\u00e3o. \u00c9 verdade: a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o \u00e9 uma extraordin\u00e1ria hist\u00f3ria de amor que tem Deus como protagonista. E esta hist\u00f3ria n\u00e3o est\u00e1 terminada, pois o amor de Deus pelos seus filhos nunca se esgota. N\u00f3s continuamos hoje, a cada passo do caminho, a experimentar a realidade desse amor. E \u00e9 com a certeza do amor sempre fiel de Deus que avan\u00e7amos, enfrentando as crises, as incertezas, as tempestades e as vicissitudes que marcam a hist\u00f3ria do nosso tempo. Estamos conscientes disto? Sentimo-nos amparados pelo amor de Deus ao longo do caminho que todos os dias percorremos? Damos testemunho diante dos outros homens e mulheres que caminham ao nosso lado da nossa confian\u00e7a inquebrant\u00e1vel num Deus que nos ama?<\/li>\n<li>\u201cTodo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus\u201d. \u00c9 uma afirma\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria, que talvez nos obrigue a rever alguns dos nossos esquemas mentais. Convida-nos a ver como nossos irm\u00e3os, membros da fam\u00edlia de Deus, todos aqueles que, por amor, fazem o bem. Os seus nomes podem nem constar nos livros de registos dos batizados que guardamos nos nossos cart\u00f3rios paroquiais; mas eles \u201cconhecem a Deus\u201d, est\u00e3o muito pr\u00f3ximos de Deus, s\u00e3o de Deus. Como vemos os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s que est\u00e3o fora da comunidade crist\u00e3 ou que levam vidas conden\u00e1veis do ponto de vista da moral vigente, mas que procuram servir, amar e cuidar os seres humanos que sofrem? Como consideramos aqueles que, dizendo-se ateus ou agn\u00f3sticos, defendem os mais fracos, lutam pelos direitos e pela dignidade dos seus irm\u00e3os?<\/li>\n<li>Se somos \u201cfilhos\u201d desse Deus que \u00e9 amor, \u201camemo-nos uns aos outros\u201d com um amor igual ao de Deus \u2013 amor incondicional, gratuito, desinteressado. Ser \u201cfilho de Deus\u201d n\u00e3o significa passar a vida a olhar para o c\u00e9u, ignorando as dores, as necessidades e as lutas dos irm\u00e3os que caminham ao nosso lado; ser \u201cfilho de Deus\u201d n\u00e3o \u00e9 ter apre\u00e7o pelas \u201ccoisas da religi\u00e3o\u201d e ignorar os dramas dos pobres, dos oprimidos, dos marginalizados; ser \u201cfilho de Deus\u201d n\u00e3o \u00e9 tratar bem algumas pessoas que nos \u201ccalham bem\u201d ou com as quais nos identificamos mais, e passar ao lado daqueles que n\u00e3o nos agradam ou com as quais n\u00e3o nos identificamos. A vida de Deus que enche os cora\u00e7\u00f5es dos crentes deve manifestar-se em gestos concretos de solidariedade, de servi\u00e7o, de dom, em benef\u00edcio de todos os irm\u00e3os. \u00c9 assim que eu vivo a minha filia\u00e7\u00e3o divina, amando todos, sem distin\u00e7\u00e3o, em gestos concretos de servi\u00e7o, de entrega, de doa\u00e7\u00e3o? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 15,9-17<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nDisse Jesus aos seus disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abAssim como o Pai Me amou, tamb\u00e9m Eu vos amei.<br \/>\nPermanecei no meu amor.<br \/>\nSe guardardes os meus mandamentos,<br \/>\npermanecereis no meu amor,<br \/>\nassim como Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai<br \/>\ne permane\u00e7o no seu amor.<br \/>\nDisse-vos estas coisas,<br \/>\npara que a minha alegria esteja em v\u00f3s<br \/>\ne a vossa alegria seja completa.<br \/>\n\u00c9 este o meu mandamento:<br \/>\nque vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei.<br \/>\nNingu\u00e9m tem maior amor<br \/>\ndo que aquele que d\u00e1 a vida pelos amigos.<br \/>\nV\u00f3s sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando.<br \/>\nJ\u00e1 n\u00e3o vos chamo servos,<br \/>\nporque o servo n\u00e3o sabe o que faz o seu senhor;<br \/>\nmas chamo-vos amigos,<br \/>\nporque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai.<br \/>\nN\u00e3o fostes v\u00f3s que Me escolhestes;<br \/>\nfui eu que vos escolhi e destinei,<br \/>\npara que vades e deis fruto<br \/>\ne o vosso fruto permane\u00e7a.<br \/>\nE assim, tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome,<br \/>\nEle vo-lo conceder\u00e1.<br \/>\nO que vos mando \u00e9 que vos ameis uns aos outros\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho do sexto domingo da P\u00e1scoa situa-nos, outra vez, em Jerusal\u00e9m, numa noite de quinta-feira do m\u00eas de Nisan do ano trinta, um dia antes da celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa judaica. Jesus est\u00e1 \u00e0 mesa com os seus disc\u00edpulos, numa inolvid\u00e1vel ceia de despedida. \u00c9 o mesmo cen\u00e1rio do Evangelho que escutamos no passado domingo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre Jesus e o seu grupo de disc\u00edpulos paira a sombra da cruz. Nessa noite, ap\u00f3s a ceia, Jesus atravessar\u00e1 o Vale do Cedron, a oriente da cidade, e dirigir-se-\u00e1 ao Getsemani (\u201clagar de azeite\u201d), um jardim situado no sop\u00e9 do Monte das Oliveiras, onde estar\u00e1 alguns momentos em ora\u00e7\u00e3o. A\u00ed ser\u00e1 preso pelos soldados do Templo. Durante essa noite comparecer\u00e1 diante do Sin\u00e9drio, ser\u00e1 julgado e condenado \u00e0 morte. Na manh\u00e3 do dia seguinte, depois de a senten\u00e7a ser confirmada pelo governador romano, ser\u00e1 crucificado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto convive, \u00e0 mesa, com os disc\u00edpulos, Jesus est\u00e1 perfeitamente consciente do que o espera nas pr\u00f3ximas horas. N\u00e3o est\u00e1 preocupado com o que lhe vai acontecer: quando aceitou o projeto do Pai e come\u00e7ou a anunciar o Reino, Ele sabia os riscos que iria correr; mas preocupa-se com aqueles disc\u00edpulos que est\u00e3o com Ele \u00e0 mesa nessa noite de quinta-feira\u2026 Que ser\u00e1 deles quando o seu Mestre lhes for tirado? Poder\u00e3o, sem Jesus a mostrar-lhes o caminho a cada passo, levar para a frente o projeto do Reino? Saber\u00e3o discernir, no meio das crises e tempestades que ter\u00e3o de enfrentar, o que \u00e9 importante e o que \u00e9 secund\u00e1rio? Conseguir\u00e3o manter-se em rela\u00e7\u00e3o com Jesus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da ceia, Jesus fala longamente com os disc\u00edpulos e deixa-lhes as suas \u00faltimas indica\u00e7\u00f5es. Relembra-lhes o essencial da mensagem que procurou transmitir-lhes enquanto percorria com eles os caminhos da Galileia e da Judeia; anima-os com a promessa do Esp\u00edrito; diz-lhes como \u00e9 que poder\u00e3o, pelo tempo fora, manter a liga\u00e7\u00e3o a Ele e continuar a receber d\u2019Ele Vida. Tudo o que foi dito nessa noite, \u00e0 volta da mesa, soa a \u201ctestamento final\u201d. Os disc\u00edpulos nunca mais esquecer\u00e3o aquilo que Jesus disse nessa ceia de despedida. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A primeira grande certeza que fica para os disc\u00edpulos na sequ\u00eancia do que Jesus lhes disse naquela memor\u00e1vel ceia de despedida \u00e9 que eles n\u00e3o v\u00e3o andar sozinhos na sua marcha pela hist\u00f3ria. Jesus acompanh\u00e1-los-\u00e1 em cada peda\u00e7o do caminho, sustentando-os com o seu amor, com a sua presen\u00e7a amiga, com as suas palavras luminosas e reconfortantes. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para n\u00f3s, homens e mulheres do s\u00e9c. XXI, fazermos caminho carregando \u00e0s costas o fardo pesado dos desafios e dos obst\u00e1culos que o nosso tempo nos traz; n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, num contexto hostil e cr\u00edtico, sentirmo-nos um \u201cpequeno rebanho\u201d, sem influ\u00eancia e sem poder, ignorados pelo mundo e aparentemente incapazes de mudar o rumo da hist\u00f3ria\u2026 Mas h\u00e1 uma coisa que n\u00e3o podemos esquecer: Jesus caminha ao nosso lado, dando-nos coragem e esperan\u00e7a, lutando connosco para vencer as for\u00e7as da opress\u00e3o, da injusti\u00e7a, da viol\u00eancia e da morte. Sentimos que Jesus, vivo e ressuscitado, nos acompanha no caminho e alimenta a nossa esperan\u00e7a? Sentimo-nos pessoalmente ligados a Ele e alimentados pelo seu amor?<\/li>\n<li>\u201c\u00c9 este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei\u201d \u2013 disse Jesus aos disc\u00edpulos ao despedir-se deles. Jesus deu testemunho do amor de Deus em cada gesto que fez e diante de cada homem ou mulher que com Ele se cruzou; por amor aos seus irm\u00e3os, Jesus lutou contra tudo aquilo que os fazia sofrer e os impedia de ter Vida; por amor a todos os homens e mulheres de ontem, de hoje e de amanh\u00e3, Jesus deu a vida at\u00e9 \u00e0 \u00faltima gota de sangue\u2026 Ele amou \u201cat\u00e9 ao extremo\u201d, numa doa\u00e7\u00e3o total. Quem \u00e9 \u201cde Jesus\u201d \u00e9 convidado a viver do mesmo jeito, amando e doando a pr\u00f3pria vida como Ele fez. \u00c9 isto que fazemos, \u00e9 assim que vivemos? Os homens e as mulheres que se cruzam connosco na estrada da vida veem brilhar em n\u00f3s o amor de Jesus? As nossas comunidades, nascidas do amor de Jesus, s\u00e3o, realmente, cartazes vivos que anunciam e testemunham o amor, ou s\u00e3o espa\u00e7os de conflito, de divis\u00e3o, de luta pelos pr\u00f3prios interesses, de realiza\u00e7\u00e3o de projetos ego\u00edstas? As pessoas feridas e magoadas que se aproximam das nossas comunidades crist\u00e3s s\u00e3o acolhidas com o amor que aprendemos de Jesus, ou s\u00e3o tratadas com indiferen\u00e7a e arrog\u00e2ncia?<\/li>\n<li>H\u00e1 quem ache que o caminho apontado por Jesus aos seus disc\u00edpulos \u00e9 um caminho de ren\u00fancia, de sofrimento, de sacrif\u00edcio, que obriga a viver alheado de tudo aquilo que \u00e9 belo, interessante e agrad\u00e1vel. Mas n\u00e3o \u00e9 assim. Tudo o que Jesus prop\u00f4s aos disc\u00edpulos vai no sentido de os ajudar a serem felizes: \u201cDisse-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em v\u00f3s e a vossa alegria seja completa\u201d \u2013 disse-lhes Ele. Segundo Jesus, a verdadeira alegria n\u00e3o est\u00e1 nos bens ef\u00e9meros, nos valores f\u00fateis que n\u00e3o matam a sede de felicidade do ser humano; mas est\u00e1 no dom de si mesmo, no servi\u00e7o simples e humilde aos irm\u00e3os, no cuidado dos mais fr\u00e1geis, na vida oferecida por amor. Acreditamos nisto? J\u00e1 fizemos a compara\u00e7\u00e3o entre a alegria titubeante que resulta dos valores ef\u00e9meros e a alegria profunda e duradoura que brota de gestos aut\u00eanticos de doa\u00e7\u00e3o, de servi\u00e7o, de cuidado aos irm\u00e3os?<\/li>\n<li>Os disc\u00edpulos s\u00e3o os \u201camigos\u201d de Jesus. Jesus escolheu-os, chamou-os, partilhou com eles o conhecimento e o projeto do Pai, associou-os \u00e0 sua miss\u00e3o; estabeleceu com eles uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a, de proximidade, de intimidade, de comunh\u00e3o. A comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma comunidade de \u201camigos\u201d reunidos \u00e0 volta de Jesus. Pode ter irm\u00e3os a quem foi confiado o servi\u00e7o da autoridade; mas n\u00e3o \u00e9 uma comunidade de \u201csenhores\u201d e de \u201cservos\u201d, de \u201cgente que manda\u201d e \u201cgente que obedece\u201d, de \u201csuperiores\u201d e de \u201cs\u00fabditos\u201d. \u00c9 a comunidade dos \u201camigos\u201d de Jesus, uma comunidade de \u201ciguais\u201d. E Jesus continua, apesar de tudo, a ser o centro e a refer\u00eancia, \u00e0 volta da qual se constr\u00f3i a comunidade dos disc\u00edpulos. A Igreja de Jesus funciona realmente como uma fam\u00edlia de \u201camigos\u201d que se amam, que se ajudam mutuamente no caminho, que partilham projetos e ideais? A Igreja \u00e9 uma comunidade de \u201cirm\u00e3os\u201d, onde todos t\u00eam voz, onde a opini\u00e3o de todos conta e onde todos colaboram na descoberta dos caminhos apontados pelo Esp\u00edrito? Jesus \u00e9, de facto, o centro \u00e0 volta do qual se articula a vida dos seus \u201camigos\u201d? Como \u00e9 que no dia a dia n\u00f3s, amigos de Jesus, desenvolvemos e aprofundamos o nosso encontro e a nossa comunh\u00e3o com Ele?<\/li>\n<li>\u201cFui eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permane\u00e7a\u201d \u2013 disse Jesus aos disc\u00edpulos. Jesus n\u00e3o chamou os disc\u00edpulos para os fechar nas sacristias; mas chamou-os para que dessem testemunho no mundo do projeto salvador de Deus. Os \u201camigos\u201d de Jesus s\u00e3o chamados a mostrar em gestos concretos que Deus ama cada homem e cada mulher \u2013 e de forma especial os pobres, os marginalizados, os d\u00e9beis, os pequenos, os oprimidos; os \u201camigos\u201d de Jesus s\u00e3o convidados a eliminar o sofrimento, o ego\u00edsmo, a mis\u00e9ria, a injusti\u00e7a, tudo o que oprime e escraviza os irm\u00e3os e desfeia o mundo; os \u201camigos\u201d de Jesus s\u00e3o desafiados a ser arautos da justi\u00e7a, da paz, da reconcilia\u00e7\u00e3o, do amor; os \u201camigos\u201d de Jesus t\u00eam como tarefa denunciar os pseudovalores que oprimem e escravizam os homens\u2026 Os membros da comunidade do Reino de Deus, transformados em Homens Novos pelo amor de Jesus, t\u00eam como miss\u00e3o testemunhar esse mundo novo que Deus quer oferecer aos homens e que Jesus anunciou na sua pessoa, nas suas palavras e nos seus gestos. Estamos, de facto, dispon\u00edveis para colaborar com Jesus nessa miss\u00e3o? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, devem ter em aten\u00e7\u00e3o as diversas interven\u00e7\u00f5es em discurso direto. Sem dramatizar exageradamente devem respeitar a forma dial\u00f3gica do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> apesar de breve e sem palavras de maior exig\u00eancia na sua pronuncia\u00e7\u00e3o, requer um especial cuidado devido \u00e0s frases curtas. \u00c9 necess\u00e1ria uma boa articula\u00e7\u00e3o das diferentes frases para evitar uma leitura telegr\u00e1fica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/05\/08\/como-eu-vos-amei-6\/\"><strong>COMO EU VOS\u00a0AMEI<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sendo o Evangelho deste Domingo VI da P\u00e1scoa (Jo\u00e3o 15,9-17) a continua\u00e7\u00e3o imediata do Evangelho do Domingo V (Jo\u00e3o 15,1-8), e porque a sua rede terminol\u00f3gica continua a ser fin\u00edssima, vamos come\u00e7ar tamb\u00e9m por observar atentamente a sua paisagem textual:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abComo me amou (agap\u00e1\u00f4) o Pai, tamb\u00e9m eu vos amei. Permanecei no meu amor (ag\u00e1p\u00ea). Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permane\u00e7o no seu amor. Falei-vos (lal\u00e9\u00f4) estas coisas, para que a minha alegria esteja em v\u00f3s, e a vossa alegria seja plenificada (pl\u00ear\u00f3\u00f4).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00c9 este o meu mandamento (entol\u00ea): que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. Ningu\u00e9m tem maior amor do que aquele que d\u00e1 (t\u00edth\u00eami) a sua vida (t\u00ean psych\u00ean auto\u00fb) pelos seus amigos (ph\u00edloi). V\u00f3s sois meus amigos, se fizerdes as coisas que eu vos mando (ent\u00e9llomai). N\u00e3o mais vos chamo servos, porque o servo n\u00e3o sabe o que faz o seu senhor, mas chamei-vos amigos, porque todas as coisas que ouvi do meu Pai vo-las dei a conhecer (gn\u00f4r\u00edz\u00f4). N\u00e3o fostes v\u00f3s que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos constitu\u00ed para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permane\u00e7a, para que tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos d\u00ea. Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros\u00bb (Jo\u00e3o 15,9-17).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As notas mais vezes ouvidas nesta melodia s\u00e3o: \u00abAmar\/Amor\u00bb (9 vezes), \u00abmandar\/mandamento\u00bb (5 vezes), \u00abPai\u00bb (4 vezes), \u00abpermanecer\u00bb (4 vezes), \u00abamigos\u00bb (3 vezes), \u00abalegria\u00bb (2 vezes), \u00abfruto\u00bb (2 vezes). Mas a raiz, o tronco e a seiva do texto, isto \u00e9, a sua verdadeira linha mel\u00f3dica, reside na rede exposta do amor: a fonte do amor \u00e9 o Pai, que o comunica ao Filho, o qual, por sua vez, o comunica aos seus disc\u00edpulos e amigos (Jo\u00e3o 15,9-10), para que estes o vivam e, por cont\u00e1gio, a outros o comuniquem, fazendo-o frutificar (Jo\u00e3o 15,16). O modo \u00e9 sempre o mesmo e \u00fanico: guardar os mandamentos. Jesus guarda os mandamentos do Pai (Jo\u00e3o 15,10), e entrega o seu mandamento aos seus disc\u00edpulos fi\u00e9is: \u00abAmai-vos uns aos outros como Eu vos amei\u00bb (Jo\u00e3o 15,12; cf. 13,34), para que estes o guardem tamb\u00e9m (Jo\u00e3o 15,10.14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda se define claramente em que consiste este amor: amar assim \u00e9 dar a pr\u00f3pria vida (<em>t\u00ean psych\u00ean auto\u00fb<\/em>) (Jo\u00e3o 15,13). Este \u00abdar\u00bb aparece no texto grego expresso com o verbo\u00a0<em>t\u00edth\u00eami<\/em>, \u00abp\u00f4r\u00bb, \u00abapostar\u00bb a vida. Tudo fica ainda mais claro se lermos com aten\u00e7\u00e3o o grande dito de Jesus no contexto do Bom e Belo Pastor: \u00abPor isto o Pai me ama: porque Eu ponho (<em>t\u00edth\u00eami<\/em>) a minha vida, para de novo a receber (<em>lamb\u00e1n\u00f4<\/em>). Ningu\u00e9m ma retira (<em>a\u00edr\u00f4<\/em>) de mim; sou Eu que a ponho (<em>t\u00edth\u00eami<\/em>) por mim mesmo. Tenho autoridade de a p\u00f4r (<em>t\u00edth\u00eami<\/em>), e tenho autoridade de a receber (<em>lamb\u00e1n\u00f4<\/em>) de novo. Este foi o mandamento (<em>entol\u00ea<\/em>) que recebi (<em>lamb\u00e1n\u00f4<\/em>) do meu Pai\u00bb (Jo\u00e3o 10,17-18). Sem qualquer equ\u00edvoco agora: amar \u00e9 dar a pr\u00f3pria vida. E este amor novo, que consiste em dar a pr\u00f3pria vida, \u00e9 tudo o que o Pai manda fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode parecer estranho, \u00e0 primeira vista, que o Amor seja objeto de um mandamento. Mas prestando um pouco mais de aten\u00e7\u00e3o, acabamos por perceber que amar n\u00e3o \u00e9 estar apaixonado. E estar apaixonado n\u00e3o significa necessariamente amar. Estar apaixonado \u00e9 um estado; amar \u00e9 um ato. Sofre-se um estado; decide-se um ato. \u00c9, por isso, que o Deus da Escritura manda amar. Se amar fosse simplesmente apaixonar-se, tal mandamento seria um absurdo, pois ningu\u00e9m pode exigir a algu\u00e9m que se apaixone. Amar \u00e9 uma sucess\u00e3o de atos em cadeia: uma guerra, portanto. N\u00e3o \u00e9 por acaso que\u00a0<em>ag\u00e1p\u00ea<\/em>\u00a0(amor) e\u00a0<em>ag\u00f4n<\/em>\u00a0(luta) t\u00eam a mesma etimologia. Paradoxo do amor, que \u00e9 uma luta, a luta do amor (<em>ag\u00f4n t\u00eas \u00e1gap\u00eas<\/em>), do amor novo, que n\u00e3o \u00e9 contra algu\u00e9m, mas a favor de todos: o amor faz-te feliz, matando-te! Quanto mais amas, lutas, e te matas a amar, mais te encontras: \u00abQuem quiser salvar a sua vida, perd\u00ea-la-\u00e1; ao contr\u00e1rio, quem perder a sua vida por causa de mim, salv\u00e1-la-\u00e1\u00bb (Lucas 9,24). Neste sentido, o amor (<em>ag\u00e1p\u00ea<\/em>) verdadeiro \u00e9 ag\u00f3nico. Implica luta (<em>ag\u00f4n<\/em>), porque implica decis\u00f5es a todo o momento. Quando o amor n\u00e3o \u00e9 ag\u00f3nico, ent\u00e3o \u00e9 ego\u00edsta. No mundo b\u00edblico, a nascente do mal n\u00e3o reside na paix\u00e3o, no cora\u00e7\u00e3o que bate forte; est\u00e1, antes, no cora\u00e7\u00e3o duro, empedernido, empedrado, esclerosado, um \u00abcora\u00e7\u00e3o de pedra\u00bb (<em>leb ha\u055aeben<\/em>), ox\u00edmoro vertiginoso que o profeta Ezequiel usou para classificar o cora\u00e7\u00e3o empedernido e embotado de Israel (Ezequiel 36,26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, portanto, tudo o que Jesus, o Filho, faz por n\u00f3s. E nos manda fazer tamb\u00e9m, dado que nos manda amar\u00a0<em>como Ele nos amou<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 13,34; 15,12), nova e paradoxal, desmesurada medida do amor, que plenifica e subverte a antiga equa\u00e7\u00e3o nivelada: \u00abAma o teu pr\u00f3ximo\u00a0<em>como a ti mesmo<\/em>\u00bb (Lev\u00edtico 19,18). Para tanto, d\u00e1-nos a conhecer, por gra\u00e7a, tudo o que ouviu do Pai (Jo\u00e3o 15,15), o divino col\u00f3quio, habilitando-nos assim a rezar ao Pai (Jo\u00e3o 15,16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Ap\u00f3stolo refor\u00e7a, na sua Primeira Carta (1 Jo\u00e3o 4,7-10), a insist\u00eancia no horizonte novo do amor, repetindo que \u00abquem ama, nasceu de Deus, e conhece-o (<em>gin\u00f4sk\u00f4<\/em>) (1 Jo\u00e3o 4,7), ao contr\u00e1rio de quem n\u00e3o ama, que n\u00e3o conhece Deus (1 Jo\u00e3o 4,8). Se Deus \u00e9 amor (1 Jo\u00e3o 4,8 e 16), e se \u00abs\u00f3 o semelhante conhece o semelhante\u00bb, \u00e9 decisivo que este amor chegue at\u00e9 n\u00f3s, para que, sendo feitos por amor semelhantes a Deus, possamos tamb\u00e9m conhecer Deus. E exp\u00f5e de novo a rede do amor, desde a sua fonte, que \u00e9 o Pai, que nos amou e enviou o seu Filho Unig\u00e9nito para nos dar a vida mediante a oferta propiciat\u00f3ria (<em>hilasm\u00f3s<\/em>) da sua vida pelos nossos pecados, que Ele absorve e absolve (1 Jo\u00e3o 4,9-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aten\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, que o amor de Deus n\u00e3o \u00e9 um patrim\u00f3nio restrito e limitado, um exclusivo s\u00f3 acess\u00edvel a alguns privilegiados, mediante inscri\u00e7\u00f5es, quotas pagas, registos, determinadas ra\u00e7as ou grupos. Chega a todos aqueles que o acolhem. Tamb\u00e9m esses nascem de Deus. O amor \u00e9 de Deus; n\u00e3o \u00e9 sequer prerrogativa dos disc\u00edpulos de Jesus. Se quem ama nasceu de Deus, foi gerado por Deus (<em>genn\u00e1\u00f4<\/em>), ent\u00e3o o amor n\u00e3o \u00e9 nosso; \u00e9 de Deus. Esta imensa afirma\u00e7\u00e3o implica que nunca nos podemos julgar donos do amor, pois n\u00e3o \u00e9 nossa a patente do amor. Tem outro registo. Apenas nos \u00e9 dado humildemente reconhecer que \u00ab\u00e9 gerado por Deus\u00bb quem j\u00e1 vive no amor. A\u00ed est\u00e1, a prov\u00e1-lo, na leitura de hoje do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos 10,25-48, o pag\u00e3o Corn\u00e9lio a entrar de pleno direito na comunidade dos filhos de Deus, perante o espanto dos judeo-crist\u00e3os de Jerusal\u00e9m, que julgavam que Deus e o Amor de Deus eram s\u00f3 para eles!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 sempre importante que tomemos consci\u00eancia de que temos o dever de entregar este amor a outros, e n\u00e3o de nos fecharmos dentro de uma cerca, ainda que de rosas seja a cerca! Escreveu bem e rezou bem, em \u00ab<em>As idades da vida espiritual<\/em>\u00bb, o conhecido te\u00f3logo ortodoxo russo Pavel Evdokimov (1901-1970): \u00abN\u00e3o permitas, Senhor, que o teu Amor e a tua Palavra sejam na minha vida como um santu\u00e1rio, que uma veda\u00e7\u00e3o separa da casa e da estrada\u00bb. Um tal fechamento seria pecar contra o Amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Levantar-se-\u00e1 sempre, desde o santu\u00e1rio do nosso cora\u00e7\u00e3o emocionado, o hino coral e universal, que \u00e9 o Salmo 98. Tudo e todos s\u00e3o chamados a formar uma bela orquestra, que nunca deixe de cantar os louvores de Deus. Desde o Templo (harpa, c\u00edtara,\u00a0<em>sh\u00f4phar<\/em>) at\u00e9 \u00e0 inteira cria\u00e7\u00e3o: mar e terra, rios (que s\u00e3o os bra\u00e7os e as m\u00e3os do mar, e, por isso, batem palmas), montes e colinas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passa tamb\u00e9m no ano em curso, neste Domingo VI da P\u00e1scoa, o Dia da M\u00e3e. Sobre esta terra dorida, mas tamb\u00e9m anestesiada e tantas vezes indiferente, uma M\u00e3e verdadeira ainda \u00e9 o \u00edcone mais belo deste amor imenso e sem pauta nem medida, que n\u00e3o \u00e9 meu, nem \u00e9 teu, nem \u00e9 nosso. \u00c9 de Deus. N\u00f3s sabemos isso. Mas uma M\u00e3e sabe isso melhor. \u00c9 por isso que \u00e9 f\u00e1cil, neste Dia da M\u00e3e, ver cair pelo rosto de cada M\u00e3e uma l\u00e1grima de tristeza ou de alegria! Melhor assim, Mulher e M\u00e3e: sentir\u00e1s, com certeza, a m\u00e3o carinhosa de Deus a afagar o teu rosto e a enxugar essa l\u00e1grima, de acordo com a li\u00e7\u00e3o da Leitura do Livro do Apocalipse 21,4<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Mensagem para o Dia da M\u00e3e<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Comiss\u00e3o Episcopal do Laicado e Fam\u00edlia<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/mae.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No primeiro Domingo deste m\u00eas de maio celebramos o Dia da M\u00e3e. A todas as M\u00e3es levamos o nosso apre\u00e7o e a nossa gratid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para n\u00f3s crist\u00e3os cat\u00f3licos, o Dom da Maternidade surge do cora\u00e7\u00e3o de Deus, Ele que \u00e9 Pai e M\u00e3e, e modelou na Virgem Maria de Nazar\u00e9 toda a beleza e ternura da Maternidade Divina. Atrav\u00e9s d\u2019Ela, Deus tornou-se pr\u00f3ximo de cada um de n\u00f3s, fez-se um de n\u00f3s. Por isso, na maternidade de cada mulher podemo-nos encontrar com a nascente da vida e com o autor da Vida. No Amor de cada M\u00e3e aproximamo-nos de modo eloquente do Amor de Deus por cada um de n\u00f3s. N\u00e3o duvidamos que o Amor de M\u00e3e \u00e9 a mais perfeita met\u00e1fora do Amor de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celebrar o Dia da M\u00e3e, no m\u00eas de maio, m\u00eas das flores e do cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 lembrar Maria, aquela que acolheu sempre as preces de todas as M\u00e3es sofridas pelos desgostos da vida \u2013 dias de sal \u2013 ou exultantes pelas alegrias que ao longo do caminho surgem como flores de Esperan\u00e7a \u2013 dias de sol! Todas as M\u00e3es t\u00eam direito ao apoio de todos. Se tiv\u00e9ssemos de sublinhar o acr\u00e9scimo de apoio a algumas M\u00e3es, evidenciar\u00edamos as mais pobres, as mais s\u00f3s, aquelas que t\u00eam de ser m\u00e3e e pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como n\u00e3o admirar as M\u00e3es que tiveram de enfrentar todas as dificuldades sem a presen\u00e7a respons\u00e1vel e comprometida dos Pais? Como n\u00e3o valorizar a M\u00e3es que por ado\u00e7\u00e3o deram vida por filhos n\u00e3o biol\u00f3gicos, mas de cora\u00e7\u00e3o? Como n\u00e3o exaltar a heroicidade das M\u00e3es que pela morte de seu c\u00f4njuge ou companheiro, enfrentaram na solid\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o dos seus filhos? Em tempos de Paz fr\u00e1gil ou mesmo de pa\u00edses em guerra, lembramos com intensa solidariedade, todas as M\u00e3es em territ\u00f3rios exacerbados de viol\u00eancia, em campos de refugiados, em fugas de emerg\u00eancia, em migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e, pior ainda, em luto por filhos perdidos neste contexto desumano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao celebrarmos os cinquenta anos da \u201cRevolu\u00e7\u00e3o dos Cravos\u201d, com todas a M\u00e3es crentes, agradecemos a Deus, por meio da M\u00e3e de Jesus, pelo Dom da Paz que continuamos a experimentar no nosso Pa\u00eds. Que as M\u00e3es renovem nos cora\u00e7\u00f5es valores de respeito, toler\u00e2ncia e Paz, e que nos demostrem pelo seu exemplo e afeto que todos somos filhos, portanto, irm\u00e3os. Que prossigam na defesa da dignidade de cada Ser Humano na riqueza das suas diferen\u00e7as e na diversidade das suas ra\u00e7as, culturas, credos e talentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A todas as M\u00e3es a nossa renovada gratid\u00e3o. Pedimos \u00e0 M\u00e3e das M\u00e3es a sua intercess\u00e3o a fim de as auxiliar na grandeza da sua Miss\u00e3o e para que em todos os filhos desperte a correspond\u00eancia do reconhecimento e do compromisso no Bem das suas extremosas M\u00e3es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Leitura-I-do-Domingo-VI-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-05.05.2024-Act-10-25-26.34-35.44-48.pdf\">Leitura I do Domingo VI do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 05.05.2024 (Act 10, 25-26.34-35.44-48)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Leitura-II-do-Domingo-VI-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-05.05.2024-1-Jo4-7-10.pdf\">Leitura II do Domingo VI do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 05.05.2024 (1 Jo4, 7-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Domingo-VI-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-05.05.2024-Lecionario.pdf\">Domingo VI do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 05.05.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Domingo-VI-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-05.05.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo VI do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 05.05.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Uma-reflexao-sobre-a-transmissao-online-da-Missa.pdf\">Uma reflex\u00e3o sobre a transmiss\u00e3o online da Missa<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo V da P\u00e1scoa \u2013 Ano B \u2013 28.04.2024&#8243; tab_id=&#8221;1714984839628-db8c47d2-65a5&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo V da P\u00e1scoa &#8211; Ano B \u2013 28.04.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Domingo-V-da-Pascoa.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"466\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Liberdade e comunh\u00e3o, entrega e fecundidade s\u00e3o coordenadas fundamentais da vida crist\u00e3. A ades\u00e3o livre e libertadora \u00e0 vontade de Deus abre o meu cora\u00e7\u00e3o \u00e0 comunh\u00e3o com Deus e os irm\u00e3os e desafia-me a uma entrega fecunda que difunde ao longe e ao largo a suave fragr\u00e2ncia do amor de Deus. Jesus Cristo \u00e9 a \u00ab<em>a verdadeira vide<\/em>\u00bb que nos revela o cora\u00e7\u00e3o misericordioso do Pai, \u00ab<em>agricultor<\/em>\u00bb paciente que semeia, cuida e espera o tempo da fecunda frutifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fascina-me sempre ver Jesus apresentar o Pai como agricultor. Na verdade, \u00e9 a \u00fanica profiss\u00e3o que vemos Jesus atribuir ao Pai: \u00ab<em>Eu sou a verdadeira vide e meu Pai \u00e9 o agricultor<\/em>\u00bb. Tendo nascido num ambiente rural e tendo sido habituado a ver os meus av\u00f3s trabalhar a terra, compreendo bem a for\u00e7a destas palavras de Jesus. O agricultor tem um amor apaixonado \u00e0 terra que lhe est\u00e1 confiada, trabalha afincada e esfor\u00e7adamente, vive atento aos perigos e adversidades que podem amea\u00e7ar a sementeira e procura defend\u00ea-la e proteg\u00ea-la dos perigos que a assaltam, n\u00e3o se resigna a um hor\u00e1rio das nove \u00e0s cinco, mas labuta incansavelmente de sol a sol. O agricultor poda, arranca as ervas e sacha o terreno, uma e outra vez, para que a sementeira possa germinar e crescer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, como \u00e9 belo poder ver Deus como um agricultor que ama e cuida de mim com paci\u00eancia e desvelo, com uma aten\u00e7\u00e3o, cuidado e prote\u00e7\u00e3o permanentes para que eu possa crescer e frutificar. Zeloso pela obra das suas m\u00e3os, este Agricultor \u00ab<em>corta todo o ramo que est\u00e1 em Mim e n\u00e3o d\u00e1 fruto e limpa todo aquele que d\u00e1 fruto, para que d\u00ea ainda mais fruto<\/em>\u00bb. Quem faz a experi\u00eancia de ver uma vinha abandonada e n\u00e3o podada percebe como \u00e9 assaltada pelas ervas e silvas, emaranha-se sobre si pr\u00f3pria e adoece, os seus ramos tornam-se cada vez mais esguios e enredados, d\u00e1 pouqu\u00edssimas uvas e de fraco sabor e as folhas desbotam. Bem diferente \u00e9 a vide podada e cuidada que se tona bela e vi\u00e7osa, com frutos abundantes e de delicioso sabor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Palavra que Deus nos dirige limpa os nossos ramos, a seiva que a uni\u00e3o com Cristo nos comunica fortalece e d\u00e1 vida e assim podemos crescer firmes e fortes, prontos e dispon\u00edveis para frutificar e encher o mundo da alegria e da felicidade que s\u00f3 o amor de Jesus nos pode oferecer e garantir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Permanecer \u00e9 imperativo para que possamos dar fruto. Estar unidos a Jesus e, por Ele e Nele, aos nossos irm\u00e3os \u00e9 condi\u00e7\u00e3o fundamental para que a nossa vida se liberte da autorreferencialidade e alargue os nossos horizontes \u00e0 comunh\u00e3o, partilha e fraternidade que converte a vida num lugar mais fecundo e generoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se Jesus \u00e9 a verdadeira vide \u00e0 qual a nossa vida se une como os ramos \u00e0 videira, unidos a Cristo estamos tamb\u00e9m unidos aos irm\u00e3os que se alimentam da mesma seiva e se nutrem da mesma vida. A diversidade daquilo que somos e realizamos muitas vezes cria dificuldades e resist\u00eancias na comunh\u00e3o que estabelecemos. Na primeira leitura, vemos a dificuldade da comunidade de Jerusal\u00e9m em acolher Paulo, vendo nele um advers\u00e1rio e uma amea\u00e7a. Sempre que olhamos para o outro como uma amea\u00e7a e um concorrente a comunh\u00e3o rompe-se e a unidade torna-se imposs\u00edvel. Como ramos unidos \u00e0 videira que \u00e9 Cristo, somos chamados a cultivar uma atitude de acolhimento e disponibilidade, capaz de instaurar no mundo uma nova fraternidade que rasga horizontes de paz e esperan\u00e7a. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Atos dos Ap\u00f3stolos 9,26-31<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nSaulo chegou a Jerusal\u00e9m e procurava juntar-se aos disc\u00edpulos.<br \/>\nMas todos os temiam, por n\u00e3o acreditarem que fosse disc\u00edpulo.<br \/>\nEnt\u00e3o, Barnab\u00e9 tomou-o consigo, levou-o aos Ap\u00f3stolos<br \/>\ne contou-lhes como Saulo, no caminho,<br \/>\ntinha visto o Senhor, que lhe tinha falado,<br \/>\ne como em Damasco tinha pregado com firmeza<br \/>\nem nome de Jesus.<br \/>\nA partir desse dia, Saulo ficou com eles em Jerusal\u00e9m<br \/>\ne falava com firmeza no nome do Senhor.<br \/>\nConversava e discutia tamb\u00e9m com os helenistas,<br \/>\nmas estes procuravam dar-lhe a morte.<br \/>\nAo saberem disto, os irm\u00e3os levaram-no para Cesareia<br \/>\ne fizeram-no seguir para Tarso.<br \/>\nEntretanto, a Igreja gozava de paz<br \/>\npor toda a Judeia, Galileia e Samaria,<br \/>\nedificando-se e vivendo no temor do Senhor<br \/>\ne ia crescendo com a assist\u00eancia do Esp\u00edrito Santo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sec\u00e7\u00e3o de At 9,1-30 \u00e9 dedicada a um acontecimento que marcar\u00e1 a hist\u00f3ria do cristianismo: a voca\u00e7\u00e3o\/convers\u00e3o de Paulo. Foi depois de se encontrar com Jesus ressuscitado que Paulo, convertido \u00e0 Boa Nova de Jesus, abra\u00e7ou a miss\u00e3o de levar a Boa Nova da salva\u00e7\u00e3o ao encontro de outras culturas e realidades; e o projeto de Jesus \u201cviajou\u201d com Paulo desde as fronteiras do mundo judaico at\u00e9 ao cora\u00e7\u00e3o do mundo greco-romano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com At 9,1 Paulo, pouco depois da morte do di\u00e1cono Estev\u00e3o, p\u00f4s-se a caminho de Damasco, mandatado pelo Sin\u00e9drio, para prender e trazer algemados para Jerusal\u00e9m os membros da comunidade judaica que tivessem aderido a Jesus; mas, no caminho, viu-se \u201cenvolvido por uma luz intensa\u201d e fez a experi\u00eancia do encontro com Jesus ressuscitado. Percebeu, ent\u00e3o, que estava a perseguir o pr\u00f3prio Jesus. Isso abalou todas as suas certezas e levou-o a questionar o caminho que estava a seguir (cf. At 9,1-9). Entrando em Damasco, Paulo encontrou-se com Ananias, membro da comunidade crist\u00e3 dessa cidade, que o ajudou a situar as coisas, a esclarecer as d\u00favidas que tinha e a posicionar-se face a Jesus (cf. At 9,10-19a). Paulo ficou em Damasco, integrado na comunidade crist\u00e3, dando testemunho de Jesus (cf. At 9,20-22); mas, ao fim de algum tempo, os judeus da cidade conspiraram para o matar e Paulo teve que fugir (cf. At 9,23-25). Dirigiu-se, ent\u00e3o, para Jerusal\u00e9m, indo apresentar-se \u00e0 comunidade crist\u00e3 da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensa-se que a convers\u00e3o de Paulo ter\u00e1 acontecido por volta do ano 36 e que ele permaneceu em Damasco cerca de tr\u00eas anos. O regresso de Paulo a Jerusal\u00e9m deve ter acontecido, portanto, por volta do ano 39 (cf. Gal 1,18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como primeira leitura neste quinto domingo da P\u00e1scoa situa-nos em Jerusal\u00e9m, logo ap\u00f3s o regresso do regresso de Paulo. Inclui, al\u00e9m disso, num vers\u00edculo final, um breve sum\u00e1rio da vida da Igreja: \u00e9 um dos tantos sum\u00e1rios t\u00edpicos de Lucas, atrav\u00e9s dos quais o autor dos Atos faz um balan\u00e7o da situa\u00e7\u00e3o e prepara os temas que vai tratar nas sec\u00e7\u00f5es seguintes.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m colocou algumas retic\u00eancias ao acolhimento de Paulo. Trata-se de uma \u201cprecau\u00e7\u00e3o\u201d que podemos compreender, considerando o historial de Paulo. Mas a verdade \u00e9 que a comunidade crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 um condom\u00ednio fechado, com direito de admiss\u00e3o reservado; mas \u00e9 uma casa de portas abertas, onde todos podem entrar, onde todos s\u00e3o acolhidos como irm\u00e3os e onde todos podem fazer uma experi\u00eancia de encontro com Jesus ressuscitado. Como \u00e9 a nossa comunidade crist\u00e3? \u00c9 uma comunidade fechada, pouco acolhedora, cheia de preconceitos, criadora de exclus\u00e3o, ou \u00e9 uma comunidade aberta, fraterna, solid\u00e1ria, disposta a acolher?<\/li>\n<li>Paulo, mal chega a Jerusal\u00e9m, procura imediatamente a comunidade crist\u00e3. J\u00e1 tinha, ent\u00e3o, percebido, que a viv\u00eancia da f\u00e9 \u00e9 uma experi\u00eancia comunit\u00e1ria. \u00c9 no di\u00e1logo e na partilha com os irm\u00e3os que a nossa f\u00e9 nasce, cresce e amadurece; \u00e9 na comunidade, unida por la\u00e7os de amor e de fraternidade, que a nossa voca\u00e7\u00e3o se realiza plenamente; \u00e9 na comunidade e sempre em refer\u00eancia comunit\u00e1ria que celebramos ritualmente a f\u00e9. Como \u00e9 que n\u00f3s vivemos a f\u00e9? Como experi\u00eancia isolada (\u201ceu c\u00e1 tenho a minha f\u00e9\u201d), ou como experi\u00eancia comunit\u00e1ria? Consideramos que a comunidade, apesar das tens\u00f5es e conflitos que possa ter, \u00e9 a \u201ccasa de fam\u00edlia\u201d onde nos sentimos bem e onde podemos fazer, de forma privilegiada, a experi\u00eancia do encontro com o nosso irm\u00e3o Jesus?<\/li>\n<li>Barnab\u00e9 assume, na comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m, o papel de questionar os preconceitos, o fechamento, a atitude defensiva da comunidade em rela\u00e7\u00e3o a Paulo. Faz-nos pensar no papel que Deus reserva a cada um de n\u00f3s, no sentido de ajudarmos a nossa comunidade crist\u00e3 a crescer, a sair de si pr\u00f3pria, a viver com mais coer\u00eancia o seu compromisso com Jesus Cristo e com o Evangelho. Nenhum membro da comunidade \u00e9 detentor de verdades absolutas; mas todos os membros da comunidade devem sentir-se respons\u00e1veis para que a comunidade d\u00ea, no meio do mundo, um verdadeiro testemunho de Jesus e do seu projeto de salva\u00e7\u00e3o. Somos, nas nossas comunidades crist\u00e3s, pessoas envolvidas e comprometidas, que questionam, que prop\u00f5em caminhos, que colaboram na procura comum da verdade de Deus e do Esp\u00edrito?<\/li>\n<li>O encontro com Jesus ressuscitado no caminho de Damasco foi um momento transformador. A partir desse encontro, Paulo tornou-se o arauto entusiasta e impar\u00e1vel do projeto libertador de Jesus. A persegui\u00e7\u00e3o dos judeus, a oposi\u00e7\u00e3o das autoridades, a indiferen\u00e7a dos n\u00e3o crentes, a incompreens\u00e3o dos irm\u00e3os na f\u00e9, os perigos dos caminhos, as incomodidades das viagens, n\u00e3o conseguiram desencoraj\u00e1-lo e desarmar o seu testemunho. O exemplo de Paulo recorda-nos que ser crist\u00e3o \u00e9 dar testemunho de Jesus e do Evangelho. A experi\u00eancia que fazemos de Jesus e do seu projeto libertador n\u00e3o pode ser calada ou guardada apenas para n\u00f3s; mas tem de se tornar um an\u00fancio libertador que, atrav\u00e9s de n\u00f3s, chega a todos os nossos irm\u00e3os. Procuramos assumir, no dia a dia, este papel de \u201cmission\u00e1rios\u201d (\u201cenviados\u201d), de testemunhas da Boa Not\u00edcia de Jesus?<\/li>\n<li>A Igreja \u00e9 uma comunidade formada por homens e mulheres e, portanto, marcada pela debilidade e fragilidade; mas \u00e9, sobretudo, uma comunidade que marcha pela hist\u00f3ria assistida, animada e conduzida pelo Esp\u00edrito Santo. O \u201ccaminho\u201d que percorremos como Igreja pode ter avan\u00e7os e recuos, infidelidades, quedas e vicissitudes v\u00e1rias; mas \u00e9 um caminho que conduz a Deus, \u00e0 Vida definitiva \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. A presen\u00e7a do Esp\u00edrito dirigindo a caminhada d\u00e1-nos essa garantia. Confiamos na a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito? Acreditamos que a Igreja, apesar da fragilidade dos seus membros, ser\u00e1 sempre \u201csacramento universal de salva\u00e7\u00e3o\u201d, pois \u00e9 conduzida pelo Esp\u00edrito de Deus? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 21 (22)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Eu Vos louvo, Senhor, na assembleia dos justos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Eu Vos louvo, Senhor, no meio da multid\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cumprirei a minha promessa na presen\u00e7a dos vossos fi\u00e9is.<br \/>\nOs pobres h\u00e3o de comer e ser\u00e3o saciados,<br \/>\nlouvar\u00e3o o Senhor os que O procuram:<br \/>\nvivam para sempre os seus cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e3o de lembrar-se do Senhor e converter-se a Ele<br \/>\ntodos os confins da terra;<br \/>\ne diante d\u2019Ele vir\u00e3o prostrar-se<br \/>\ntodas as fam\u00edlias das na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 a Ele h\u00e3o de adorar<br \/>\ntodos os grandes do mundo,<br \/>\ndiante d\u2019Ele se h\u00e3o de prostrar<br \/>\ntodos os que descem ao p\u00f3 da terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Ele viver\u00e1 a minha alma,<br \/>\nH\u00e1 de servi-l\u2019O a minha descend\u00eancia.<br \/>\nFalar-se-\u00e1 do Senhor \u00e0s gera\u00e7\u00f5es vindouras<br \/>\ne a sua justi\u00e7a ser\u00e1 revelada ao povo que h\u00e1 de vir:<br \/>\n\u00abEis o que fez o Senhor\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 1 Jo\u00e3o 3,18-24<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Meus filhos,<br \/>\nn\u00e3o amemos com palavras e com a l\u00edngua,<br \/>\nmas com obras e em verdade.<br \/>\nDeste modo saberemos que somos da verdade<br \/>\ne tranquilizaremos o nosso cora\u00e7\u00e3o diante de Deus;<br \/>\nporque, se o nosso cora\u00e7\u00e3o nos acusar,<br \/>\nDeus \u00e9 maior que o nosso cora\u00e7\u00e3o<br \/>\ne conhece todas as coisas.<br \/>\nCar\u00edssimos, se o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o nos acusa,<br \/>\ntenhamos confian\u00e7a diante de Deus<br \/>\ne receberemos d\u2019Ele tudo o que Lhe pedirmos,<br \/>\nporque cumprimos os seus mandamentos<br \/>\ne fazemos o que Lhe \u00e9 agrad\u00e1vel.<br \/>\n\u00c9 este o seu mandamento:<br \/>\nacreditar no nome de seu Filho, Jesus Cristo,<br \/>\ne amar-nos uns aos outros, como Ele nos mandou.<br \/>\nQuem observa os seus mandamentos<br \/>\npermanece em Deus e Deus nele.<br \/>\nE sabemos que permanece em n\u00f3s<br \/>\npelo Esp\u00edrito que nos concedeu.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 vimos, nos domingos anteriores, que a Primeira Carta de Jo\u00e3o \u00e9 um escrito dirigido \u00e0s Igrejas jo\u00e2nicas da \u00c1sia Menor, destinado a intervir na controv\u00e9rsia levantada por hereges pr\u00e9-gn\u00f3sticos a prop\u00f3sito de pontos fundamentais da teologia crist\u00e3. Nesse contexto, o autor da Carta procura fornecer aos crist\u00e3os (algo confusos diante das proposi\u00e7\u00f5es her\u00e9ticas) uma s\u00edntese da vida crist\u00e3 aut\u00eantica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma quest\u00e3o que tem um tratamento desenvolvido na Primeira Carta de Jo\u00e3o \u00e9 a quest\u00e3o do amor ao pr\u00f3ximo. Os hereges pr\u00e9-gn\u00f3sticos afirmavam que o essencial da f\u00e9 residia na vida de comunh\u00e3o com Deus; mas, ocupados a olhar para o c\u00e9u, negligenciavam o amor ao pr\u00f3ximo (cf. 1 Jo 2,9). Ora, de acordo com o autor da Primeira Carta de Jo\u00e3o, o amor ao pr\u00f3ximo \u00e9 uma exig\u00eancia central da experi\u00eancia crist\u00e3. A ess\u00eancia de Deus \u00e9 amor; e ningu\u00e9m pode dizer que est\u00e1 em comunh\u00e3o com Ele se n\u00e3o se deixou contagiar e embeber pelo amor. Jesus demonstrou isso mesmo ao amar os homens at\u00e9 ao extremo de dar a vida por eles, na cruz; e exigiu que os seus disc\u00edpulos O seguissem no caminho do amor e do dom da vida aos irm\u00e3os (cf. 1 Jo 3,16). Em \u00faltima an\u00e1lise, \u00e9 o amor aos irm\u00e3os que decide o acesso \u00e0 Vida: s\u00f3 quem ama alcan\u00e7a a Vida verdadeira e eterna (cf. 1 Jo 3,13-15). A realiza\u00e7\u00e3o plena do homem depende da sua capacidade de amar os irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste quinto domingo da P\u00e1scoa nos apresenta como segunda leitura pertence a uma sec\u00e7\u00e3o que poder\u00edamos intitular \u201cviver como filhos de Deus\u201d (3,1-24). Conclui a reflex\u00e3o sobre o tema do amor aos irm\u00e3os, que \u00e9 apresentado como consequ\u00eancia da filia\u00e7\u00e3o divina. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O autor da primeira Carta de Jo\u00e3o define a vida crist\u00e3 aut\u00eantica como \u201cacreditar no Nome\u201d de Jesus Cristo e amar os irm\u00e3os \u201ccomo Jesus nos mandou\u201d. Ali\u00e1s, parece evidente que uma coisa n\u00e3o \u201cvai\u201d sem a outra. \u00c9 poss\u00edvel \u201cacreditar\u201d em Jesus e aceitar a marginaliza\u00e7\u00e3o dos \u201cdiferentes\u201d, dos que n\u00e3o t\u00eam voz nem vez no nosso mundo? \u00c9 poss\u00edvel \u201cacreditar\u201d em Jesus e n\u00e3o nos sentirmos profundamente comovidos quando encontramos algu\u00e9m ca\u00eddo e abandonado na berma da estrada (cf. Lc 10,33)? \u00c9 poss\u00edvel \u201cacreditar\u201d em Jesus sem nos dispormos a servir, com simplicidade e humildade, os nossos irm\u00e3os (cf. Jo 13,13-17)? \u00c9 poss\u00edvel \u201cacreditar\u201d em Jesus e recusar o perd\u00e3o a quem fez op\u00e7\u00f5es erradas, mas busca uma vida nova, um recome\u00e7o (cf. Lc 19,8-10)? \u00c9 poss\u00edvel \u201cacreditar\u201d em Jesus e vivermos fechados na nossa vida c\u00f3moda, ignorando a sorte daqueles que t\u00eam fome, ou que n\u00e3o conseguem garantir uma vida digna aos seus filhos? A minha ades\u00e3o a Jesus traduz-se em gestos semelhantes aos que Ele fazia e que levavam Vida e esperan\u00e7a aos pobres, aos doentes, aos abandonados, aos condenados que Ele encontrava pelos caminhos da Galileia e da Judeia? Como \u00e9 que vivemos o mandamento do amor? Com declara\u00e7\u00f5es inconsequentes de boas inten\u00e7\u00f5es, ou com a\u00e7\u00f5es concretas que d\u00e3o significado \u00e0s vidas?<\/li>\n<li>Por vezes, apesar do nosso esfor\u00e7o e da nossa vontade em acertar, sentimo-nos indignos e longe de Deus. Como \u00e9 que sabemos se estamos no caminho certo? Qual \u00e9 o crit\u00e9rio para avaliarmos a for\u00e7a da nossa rela\u00e7\u00e3o e da nossa proximidade com Deus? A vida de uma \u00e1rvore v\u00ea-se pelos frutos que ela d\u00e1\u2026 Se realizamos obras de amor, se os nossos gestos de bondade e de solidariedade curam o sofrimento dos nossos irm\u00e3os, se a nossa a\u00e7\u00e3o torna o mundo um pouco melhor, \u00e9 porque estamos em comunh\u00e3o com Deus e a vida de Deus circula em n\u00f3s. O nosso amor a Deus v\u00ea-se nos nossos gestos? Os nossos gestos reproduzem e anunciam o amor e a bondade de Deus na vida daqueles que caminham ao nosso lado?<\/li>\n<li>Muitas vezes somos testemunhas de espantosos gestos prof\u00e9ticos realizados por pessoas que fizeram op\u00e7\u00f5es religiosas diferentes das nossas ou at\u00e9 por parte de pessoas que assumem uma aparente atitude de indiferen\u00e7a face a Deus\u2026 No entanto, n\u00e3o tenhamos d\u00favidas: onde h\u00e1 amor, a\u00ed est\u00e1 Deus. O Esp\u00edrito de Deus est\u00e1 presente at\u00e9 fora das fronteiras da Igreja e atua no cora\u00e7\u00e3o de todos os homens de boa vontade. De resto, certos testemunhos de amor e de solidariedade que vemos surgir nos mais variados quadrantes constituem uma poderosa interpela\u00e7\u00e3o aos crentes, convidando-os a uma maior fidelidade a Jesus e ao seu projeto. Sou capaz de reconhecer e de agradecer o \u201ctoque\u201d de Deus nos gestos de amor, de bondade, de miseric\u00f3rdia que vejo acontecer \u00e0 minha volta? Deixo-me interpelar pelo exemplo e testemunho daqueles que procuram tornar o mundo mais belo e mais humano, mesmo quando se trata de pessoas que n\u00e3o se consideram membros da minha Igreja ou da minha fam\u00edlia crist\u00e3? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 15,1-8<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\ndisse Jesus aos seus disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abEu sou a verdadeira vide e meu Pai \u00e9 o agricultor.<br \/>\nEle corta todo o ramo que est\u00e1 em Mim e n\u00e3o d\u00e1 fruto<br \/>\ne limpa todo aquele que d\u00e1 fruto,<br \/>\npara que d\u00ea ainda mais fruto.<br \/>\nV\u00f3s j\u00e1 estais limpos, por causa da palavra que vos anunciei.<br \/>\nPermanecei em Mim e Eu permanecerei em v\u00f3s.<br \/>\nComo o ramo n\u00e3o pode dar fruto por si mesmo,<br \/>\nse n\u00e3o permanecer na videira,<br \/>\nassim tamb\u00e9m v\u00f3s, se n\u00e3o permanecerdes em Mim.<br \/>\nEu sou a videira, v\u00f3s sois os ramos.<br \/>\nSe algu\u00e9m permanece em Mim e Eu nele,<br \/>\nesse d\u00e1 muito fruto,<br \/>\nporque sem Mim nada podeis fazer.<br \/>\nSe algu\u00e9m n\u00e3o permanece em Mim,<br \/>\nser\u00e1 lan\u00e7ado fora, como o ramo, e secar\u00e1.<br \/>\nEsses ramos, apanham-nos, lan\u00e7am-nos ao fogo e eles ardem.<br \/>\nSe permanecerdes em Mim<br \/>\ne as minhas palavras permanecerem em v\u00f3s,<br \/>\npedireis o que quiserdes e ser-vos-\u00e1 concedido.<br \/>\nA gl\u00f3ria de meu Pai \u00e9 que deis muito fruto.<br \/>\nEnt\u00e3o vos tornareis meus disc\u00edpulos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho do quinto domingo da P\u00e1scoa situa-nos em Jerusal\u00e9m, numa noite de quinta-feira, um dia antes da celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa judaica, por volta do ano 30. Jesus est\u00e1 reunido com os seus disc\u00edpulos \u00e0 volta de uma mesa. Consciente de que os dirigentes judaicos tinham decidido dar-Lhe a morte e que a cruz estava no seu horizonte pr\u00f3ximo, Jesus organizou uma ceia especial de despedida. Queria preparar os seus disc\u00edpulos para os acontecimentos dram\u00e1ticos que se avizinhavam. N\u00e3o queria que a sua morte lan\u00e7asse os disc\u00edpulos num desespero sem esperan\u00e7a. Naquela hora, de certeza que algumas perguntas pairavam no ar\u2026 Que iria acontecer \u00e0quele grupo de disc\u00edpulos quando Jesus lhes fosse tirado? O projeto do Reino seria vi\u00e1vel sem Jesus? Os disc\u00edpulos conseguiriam, sozinhos no mundo, viver e testemunhar aquilo que tinham aprendido enquanto caminhavam atr\u00e1s de Jesus? Como \u00e9 que os disc\u00edpulos poderiam manter uma liga\u00e7\u00e3o a Jesus e continuar a receber d\u2019Ele a Vida de que necessitavam para continuar o caminho?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa noite, Jesus conversou longamente com os disc\u00edpulos e deu-lhes indica\u00e7\u00f5es para o caminho\u2026 Lembrou-lhes que deviam ser sempre uma comunidade de servi\u00e7o (cf. Jo 13,3-17), recomendou-lhes que colocassem no centro de tudo o mandamento do amor (cf. Jo 13,33-35), deixou-lhes a promessa do Esp\u00edrito (cf. Jo 14,15-6. 25-26; 15,26-27; 16,5-15), transmitiu-lhes a sua paz (cf. Jo 14,27-31), prometeu-lhes que nunca os abandonaria e que n\u00e3o os deixaria \u00f3rf\u00e3os (cf. Jo 14,18-21), pediu-lhes que continuassem unidos a Ele (cf. Jo 15,1-8). Os gestos e as palavras de Jesus, nessa noite, foram o seu \u201ctestamento\u201d. No Quarto Evangelho, o \u201cdiscurso de despedida\u201d de Jesus vai de 13,1 a 17,26.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste domingo nos prop\u00f5e integra esse \u201cdiscurso de despedida\u201d. \u00c9 designado como a \u201calegoria da videira e dos ramos\u201d. Diz aos disc\u00edpulos o que devem fazer para que, pelo tempo fora, se mantenham em comunh\u00e3o com Jesus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jesus \u00e9 \u201ca verdadeira videira\u201d; \u00e9 n\u2019Ele e nas suas propostas que os homens podem encontrar a Vida. Ele permanece sempre no centro, como nossa refer\u00eancia fundamental, como fonte inesgot\u00e1vel de Vida; e n\u00f3s dispomo-nos \u00e0 volta d\u2019Ele, atentos \u00e0 suas palavras, aos seus gestos, \u00e0s suas indica\u00e7\u00f5es. \u00c0 nossa volta ecoam, a cada instante, mil e uma outras propostas que nos oferecem acesso r\u00e1pido ao sucesso, \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o, aos triunfos humanos, \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o de todos os nossos sonhos e anseios\u2026 Mas, quase sempre, essas outras propostas deixam-nos frustrados e insatisfeitos: s\u00e3o ef\u00e9meras e f\u00fateis e n\u00e3o matam a nossa sede de Vida aut\u00eantica. O Evangelho deste domingo, atrav\u00e9s da alegoria da videira e dos ramos, garante-nos: na nossa busca de uma vida com sentido, \u00e9 para Cristo que devemos olhar. Temos consci\u00eancia de que \u00e9 em Cristo que podemos encontrar uma proposta de Vida aut\u00eantica? Ele \u00e9, para n\u00f3s, a verdadeira \u201c\u00e1rvore da Vida\u201d, ou preferimos trilhar caminhos de autossufici\u00eancia e colocamos a nossa confian\u00e7a e a nossa esperan\u00e7a noutras \u201c\u00e1rvores\u201d, noutras propostas, noutras sugest\u00f5es?<\/li>\n<li>Hoje Jesus, \u201ca verdadeira videira\u201d, continua a oferecer ao mundo e aos homens os seus frutos; e f\u00e1-lo atrav\u00e9s dos seus disc\u00edpulos. A miss\u00e3o da comunidade de Jesus \u00e9 produzir esses mesmos frutos de justi\u00e7a, de amor, de verdade, de paz, de reconcilia\u00e7\u00e3o que Ele produzia quando andava pela Galileia a proclamar a Boa Nova do Reino e a curar os que sofriam. Jesus n\u00e3o criou um gueto fechado onde os seus disc\u00edpulos podem viver tranquilamente sem \u201cincomodarem\u201d os outros homens e mulheres; mas criou uma comunidade viva e din\u00e2mica, que tem como miss\u00e3o testemunhar em gestos concretos o amor e a salva\u00e7\u00e3o de Deus. Se ficamos indiferentes diante das injusti\u00e7as, se n\u00e3o procuramos curar as feridas dos que sofrem, se n\u00e3o abra\u00e7amos aqueles que a sociedade abandonou e condenou, se n\u00e3o somos arautos da paz e da reconcilia\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o defendemos a verdade contra todas as formas de mentira e de manipula\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o lutamos com todas as nossas for\u00e7as para construir um mundo mais s\u00e3o e mais humano, estamos a trair Jesus e a miss\u00e3o que Ele nos confiou. A Vida de Jesus \u2013 essa Vida de que se alimentam os que est\u00e3o unidos a Ele \u2013 transparece nos nossos gestos, nas nossas causas, nas nossas apostas, na nossa vida?<\/li>\n<li>No entanto, o disc\u00edpulo s\u00f3 pode produzir bons frutos se permanecer unido a Jesus. No dia do nosso Batismo, opt\u00e1mos por Jesus e assumimos o compromisso de O seguir no caminho do amor e da entrega; quando celebramos a Eucaristia, acolhemos e assimilamos a vida de Jesus \u2013 vida partilhada com os homens, feita entrega e doa\u00e7\u00e3o total por amor, at\u00e9 \u00e0 morte. O crist\u00e3o identifica-se com Jesus, vive em comunh\u00e3o com Ele, segue-O a cada instante. Nunca interrompe a sua liga\u00e7\u00e3o a Jesus. O crist\u00e3o vive de Cristo, vive com Cristo e vive para Cristo. Reavivamos e alimentamos a cada passo a nossa uni\u00e3o a Cristo atrav\u00e9s da escuta da Palavra, da ora\u00e7\u00e3o, dos sacramentos?<\/li>\n<li>A comunidade crist\u00e3 \u00e9 o lugar privilegiado para o encontro com Cristo, \u201ca verdadeira videira\u201d da qual somos os \u201cramos\u201d. \u00c9 no \u00e2mbito da comunidade que celebramos, experimentamos e acolhemos \u2013 no Batismo, na Eucaristia, na Reconcilia\u00e7\u00e3o \u2013 a Vida nova que brota de Cristo. A comunidade crist\u00e3 \u00e9 o Corpo de Cristo; e um membro amputado do Corpo \u00e9 um membro condenado \u00e0 morte\u2026 Por vezes, a comunidade crist\u00e3, com as suas mis\u00e9rias, fragilidades e incompreens\u00f5es, dececiona-nos e magoa-nos; por vezes sentimos que a comunidade segue caminhos onde n\u00e3o nos revemos\u2026 Sentimos, ent\u00e3o, a tenta\u00e7\u00e3o de nos afastarmos e de vivermos a nossa rela\u00e7\u00e3o com Cristo \u00e0 margem da comunidade. Contudo, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel continuar unido a Cristo e a receber vida de Cristo, em rutura com os nossos irm\u00e3os na f\u00e9. \u00c9 a mesma Vida de Cristo que nos alimenta a todos e que nos une a todos. Como \u00e9 que sentimos e vivemos a liga\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade crist\u00e3 de que fazemos parte?<\/li>\n<li>O que \u00e9 que pode interromper a nossa uni\u00e3o com Cristo e tornar-nos ramos secos e est\u00e9reis? Tudo aquilo que nos impede de responder positivamente ao desafio de Jesus no sentido do O seguir provoca em n\u00f3s esterilidade e priva\u00e7\u00e3o de Vida: o ego\u00edsmo, a autossufici\u00eancia, o orgulho, a vaidade, a arrog\u00e2ncia, a pregui\u00e7a, o comodismo, a gan\u00e2ncia, a instala\u00e7\u00e3o, o amor ao dinheiro ou aos aplausos\u2026 O que \u00e9 que, na minha maneira de ser ou no meu estilo de vida constitui obst\u00e1culo para que eu permane\u00e7a unido a Jesus?<\/li>\n<li>A escuta da Palavra de Deus tem um papel decisivo no processo (de convers\u00e3o) destinado a eliminar tudo aquilo que impede a nossa uni\u00e3o com Cristo. Precisamos de escutar a Palavra de Jesus, de a meditar, de confrontar a nossa vida com ela, de olhar para os desafios que ela nos deixa\u2026 Ent\u00e3o, por contraste, v\u00e3o tornar-se n\u00edtidas as nossas op\u00e7\u00f5es erradas, os valores falsos e essas mil e uma pequenas infidelidades que nos impedem de ter acesso pleno \u00e0 Vida que Jesus oferece. Que espa\u00e7o \u00e9 que tem na minha vida a escuta da Palavra de Deus? Ela \u00e9, para mim, crit\u00e9rio para afinar e redimensionar as minhas op\u00e7\u00f5es e apostas? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, \u00e9 necess\u00e1rio ter em aten\u00e7\u00e3o o car\u00e1cter descritivo do texto, esfor\u00e7ando-se para que a proclama\u00e7\u00e3o se torne flu\u00edda e evite a transmiss\u00e3o de um conjunto de informa\u00e7\u00f5es telegr\u00e1ficas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, o leitor deve ter presente o car\u00e1cter exortativo do texto expresso nas formas verbais no imperativo, bem como o tom de esperan\u00e7a que permeia toda a leitura e deve estar presente na proclama\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/04\/30\/a-videira-verdadeira\/\"><strong>A VIDEIRA VERDADEIRA<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora, neste espa\u00e7o, n\u00e3o o possamos fazer sempre, \u00e9 sempre oportuno visitar e revisitar o texto do Evangelho, v\u00ea-lo, l\u00ea-lo, acarici\u00e1-lo, sabore\u00e1-lo. Hoje, Domingo V da P\u00e1scoa, entramos por a\u00ed:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00abEu sou (Eg\u00f4 eimi) a videira (h\u00ea \u00e1mpelos), a verdadeira (h\u00ea al\u00eathin\u00ea), e o meu Pai \u00e9 o agricultor. Todo o ramo (t\u00f2 kl\u00eama) em mim (en emo\u00ed) n\u00e3o dando fruto (m\u00ea ph\u00e9r\u00f4 karp\u00f3s), ele corta-o, e todo o que d\u00e1 fruto, limpa-o, para que d\u00ea mais fruto. V\u00f3s j\u00e1 estais limpos pela palavra que vos falei (lal\u00e9\u00f4). Permanecei (m\u00e9n\u00f4) em mim, e eu em v\u00f3s (en hym\u00een). Como o ramo n\u00e3o pode dar fruto por si mesmo, se n\u00e3o permanecer na videira, assim tamb\u00e9m v\u00f3s, se n\u00e3o permanecerdes em mim. Eu sou a videira; v\u00f3s os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele, esse d\u00e1 muito fruto, porque sem mim n\u00e3o podeis fazer nada. Se algu\u00e9m n\u00e3o permanecer em mim, \u00e9 lan\u00e7ado fora, como o ramo, e seca, e recolhem-nos, e lan\u00e7am-nos no fogo, e arde. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em v\u00f3s, pedi o que quiserdes, e ser-vos-\u00e1 feito. Nisto \u00e9 glorificado o meu Pai: que deis muito fruto e vos torneis meus disc\u00edpulos\u00bb (Jo\u00e3o 15,1-8).<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Servindo-se da estrat\u00e9gia da repeti\u00e7\u00e3o, e articulando muito bem, numa rede fin\u00edssima, voc\u00e1bulos e locu\u00e7\u00f5es, o Evangelho deste Domingo V da P\u00e1scoa (Jo\u00e3o 15,1-8) serve-nos a vida verdadeira, divina comunh\u00e3o, que, do Pai, mediante o Filho, no Esp\u00edrito, vem at\u00e9 n\u00f3s, e nos \u00e9 oferecida e dada. A rede terminol\u00f3gica \u00e9 imponente: \u00abpermanecer\u00bb (7 vezes), \u00abem mim\u00bb (6 vezes), \u00abdar fruto\u00bb (6 vezes), \u00abramo\u00bb (4 vezes), \u00abvideira\u00bb (3 vezes).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cen\u00e1rio do Evangelho do passado Domingo (Jo\u00e3o 10,11-18) era a Festa da Dedica\u00e7\u00e3o (<em>han\u00fbkkah<\/em>), perfeitamente ajustada ao amor dedicado do Bom e Belo Pastor. O cen\u00e1rio do Evangelho de hoje (Jo\u00e3o 15,1-8) \u00e9 a Festa da P\u00e1scoa (desde Jo\u00e3o 13,1-2), do Fruto novo a n\u00f3s dado, da Vida nova a n\u00f3s dada, da passagem de Jesus deste mundo para o Pai, do vinho novo do Reino a chegar. A\u00ed est\u00e1, portanto, em sintonia e em primeiro plano, \u00aba videira, a verdadeira\u00bb, que \u00e9 Jesus (Jo\u00e3o 15,1). Note-se bem o adjetivo \u00abverdadeira\u00bb, com artigo (<em>he al\u00eathin\u00ea<\/em>), colocado enfaticamente no final da afirma\u00e7\u00e3o inicial. Esta afirma\u00e7\u00e3o remete analepticamente para tantas passagens do Antigo Testamento que apresentavam Israel como a videira com carinho transplantada do Egito para a Terra Prometida, tratada sempre com amor, mas depois abandonada e queimada no fogo (Salmo 80,9-17), amada e cantada, mas depois entregue aos animais para que a devastassem (Isa\u00edas 5,1-7), guardada, regada, cuidada, mas depois pisada e queimada (Isa\u00edas 27,2-4; Jeremias 2,21; Ezequiel 19,10-14). Videira antiga, fracassada, que d\u00e1 lugar \u00e0 Videira nova, a verdadeira, que \u00e9 Jesus. Salta \u00e0 vista que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para esta videira brava, que \u00e9 Israel e que somos n\u00f3s tamb\u00e9m, passa por uma enxertia em \u00aba videira, a verdadeira\u00bb, que \u00e9 Jesus. E pela poda ou limpeza levada a cabo pela Palavra de Jesus (Jo\u00e3o 15,2-3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A videira que era Israel produziu uvas azedas em vez de uvas boas e doces, porque abandonou o Deus verdadeiro, para ir atr\u00e1s dos \u00eddolos. Mas \u00aba videira, a verdadeira\u00bb, que \u00e9 Jesus, est\u00e1 agora plantada no meio de n\u00f3s. E n\u00f3s podemos ser os seus ramos, enxertados nele, e dar assim uvas boas e doces, Bom e Belo fruto. Basta, para tanto, \u00abpermanecer\u00bb nele, que \u00e9 \u00aba videira, a verdadeira\u00bb, e deixar a sua vida, a sua seiva, vivificar os ramos. Trata-se, para n\u00f3s, de permanecer em Jesus, como ele permanece em n\u00f3s (Jo\u00e3o 15,4), pois veio habitar em n\u00f3s (Jo\u00e3o 14,23). Ele habita \u00abem homem\u00bb, em n\u00f3s, pela sua incarna\u00e7\u00e3o; n\u00f3s somos chamados a habitar nele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Habitar nele \u00e9 fazer dele a nossa casa, o nosso ch\u00e3o, a nossa porta, as nossas janelas, a nossa mesa, o lugar em que nos alimentamos, repousamos, amansamos, depois das nossas agita\u00e7\u00f5es complicadas, dece\u00e7\u00f5es, fracassos, lutas e incompreens\u00f5es. O lugar onde nos reunimos, para repartir e saborear o p\u00e3o e o vinho da alegria, para partir depois com nova alegria e energia ao encontro de mais irm\u00e3os. Boa Nova em movimento. Seara ondulante ao sabor do vento do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 Jesus o \u00fanico indispens\u00e1vel para que haja fruto: \u00abSem mim, nada podeis fazer\u00bb (Jo\u00e3o 15,5). \u00c9 bom e belo que a Igreja inteira compreenda bem que a seguran\u00e7a, a paz e os frutos n\u00e3o nascem de t\u00e9cnicas cada vez mais apuradas nem de mecanismos pol\u00edtico-econ\u00f3micos cada vez mais sofisticados, mas do seu abandono seguro na Palavra de Deus, aprendendo a viver, por assim dizer, \u00abdentro da Palavra, para se deixar guardar e nutrir dela como de um ventre materno\u00bb, belo dizer de S. Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Pastores gregis<\/em>\u00a0[2003], n.\u00ba 15, retomado por Bento XVI,\u00a0<em>Verbum Domini<\/em>\u00a0[2010], n.\u00ba 79. S\u00f3 assim, nutridos pela Palavra de Deus, pela vida de Deus, que corre na Videira e nos seus ramos, daremos fruto abundante, que \u00e9 a miss\u00e3o mission\u00e1ria de que somos incumbidos. \u00abDar fruto\u00bb \u00e9 uma locu\u00e7\u00e3o que se repete por seis vezes no texto do Evangelho de hoje. Claramente para vincar a sua import\u00e2ncia. Esta refer\u00eancia ao fruto s\u00f3 se encontra em mais duas circunst\u00e2ncias do IV Evangelho, sempre com pendor mission\u00e1rio: Jo\u00e3o 4,36-38 e 12,24.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A li\u00e7\u00e3o do Livro do Atos dos Ap\u00f3stolos, hoje recebida (9,26-31), e que nos faz bem saborear, aviva as tintas do retrato de fam\u00edlia da Igreja primitiva, que vivia ao sabor da Palavra de Deus, da comunh\u00e3o, da fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e da ora\u00e7\u00e3o, e que, n\u00e3o obstante os problemas, que sabia delicadamente resolver, \u00abvivia em paz, edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e crescia com a consola\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo\u00bb (9,31). Forte provoca\u00e7\u00e3o para tamb\u00e9m n\u00f3s, Igreja de hoje, tirarmos o nosso retrato de fam\u00edlia, pondo os dois lado-a-lado, e retirarmos da\u00ed as li\u00e7\u00f5es que se imp\u00f5em.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Primeira Carta de S. Jo\u00e3o, no extrato hoje lido (3,18-24), volta a insistir, retomando a rede terminol\u00f3gica do Evangelho, na import\u00e2ncia do m\u00fatuo permanecer: de n\u00f3s em Deus, e de Deus em n\u00f3s. S\u00e3o esta a fonte e o modo da verdadeira fecundidade do Evangelho. N\u00e3o se trata de t\u00e9cnicas, mas de vida. E do manto de afeto de que se deve revestir qualquer verdadeira comunidade crist\u00e3: \u00abMeus filhos\u00bb, \u00e9 assim, em acentuada toada familiar, que abre a li\u00e7\u00e3o de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem podia ser de outra maneira, pois n\u00f3s sabemos bem que \u00abo seu jugo \u00e9 suave e a sua carga \u00e9 leve\u00bb (Mateus 11,30). Se nos parecer pesada, ent\u00e3o \u00e9 porque lhe estamos a pegar mal! Reflitamos e rezemos, pois, para podermos entender ainda melhor esta melodia de \u00aba videira, a verdadeira\u00bb, os ramos sadios e vi\u00e7osos, a Casa onde moramos, a Mesa onde comemos, as uvas Boas e Belas carregadas de Alegria. E, em confronto, tamb\u00e9m se entende melhor a secura, os ramos secos, a vinha abandonada, a vida ao abandono.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Leitura-I-do-Domingo-V-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-28.04.2024-Act-9-26-31.pdf\">Leitura I do Domingo V do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 28.04.2024 (Act 9, 26-31)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Leitura-II-do-Domingo-V-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-28.04.2024-1-Jo-3-18-24.pdf\">Leitura II do Domingo V do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 28.04.2024 (1 Jo 3, 18-24)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Domingo-V-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-28.04.2024-Lecionario.pdf\">Domingo V do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 28.04.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Domingo-V-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-28.04.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo V do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 28.04.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Uma-reflexao-sobre-a-transmissao-online-da-Missa.pdf\">Uma reflex\u00e3o sobre a transmiss\u00e3o online da Missa<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo IV da P\u00e1scoa \u2013 Ano B \u2013 21.04.2024 Domingo do Bom Pastor&#8221; tab_id=&#8221;1714379144904-deb4ffeb-90e8&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo IV da P\u00e1scoa &#8211; Ano B \u2013 21.04.2024<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo do Bom Pastor<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Domingo-IV-da-Pascoa.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"424\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em cada ano, no IV Domingo da P\u00e1scoa, somos convidados a colocar o nosso olhar em Jesus, Bom, Belo, Perfeito e Verdadeiro Pastor. A imagem buc\u00f3lica do pastor fazia parte do quotidiano dos que escutavam Jesus e manifestava a solicitude, o desvelo, a dedica\u00e7\u00e3o e o cuidado do pastor para com o seu rebanho. Hoje, nos nossos ambientes mais industrializados e urbanizados, esta imagem pode perder a sua for\u00e7a evangelizadora. Na verdade, a figura do pastor transmitia uma proximidade e aten\u00e7\u00e3o desconcertantes que contrasta com o mercen\u00e1rio que n\u00e3o sente as ovelhas como suas e quando v\u00ea abeirar-se o perigo, coloca-se em fuga. N\u00e3o se pode ser pastor de segunda a sexta, com folgas e feriados. Ser pastor implica uma disponibilidade e aten\u00e7\u00e3o constantes, uma ternura e desvelo que cuida, ama, conhece, nutre e protege.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus \u00e9 \u00ab<em>o Bom Pastor<\/em>\u00bb. Ele n\u00e3o se apresenta apenas como um pastor, mas \u00abo bom\u00bb Pastor. A bondade \u00e9 marca caracter\u00edstica do Seu ser e agir. De olhar fixo em Jesus, Bom e Belo Pastor, tamb\u00e9m n\u00f3s queremos aprender a arte de ser \u00abbom\u00bb, tomando consci\u00eancia que a bondade n\u00e3o \u00e9 mais uma coisa a fazer, mas o modo como fazemos todas as coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Conhe\u00e7o as minhas ovelhas, e as minhas ovelhas conhecem-Me<\/em>\u00bb. O verdadeiro pastor n\u00e3o cuida do rebanho em abstrato nem trata das ovelhas como uma massa indiscriminada, mas d\u00e1 a cada uma um nome, conhece as suas qualidades e limites e protege-as de acordo com as suas necessidades e car\u00eancias. Como recorda o biblista Raymond E. Brown no seu coment\u00e1rio ao Evangelho de Jo\u00e3o, os rebanhos que pastavam nas montanhas da Judeia pertenciam a diversos propriet\u00e1rios e, assim, cada pastor fazia-se reconhecer junto das suas ovelhas atrav\u00e9s da sua voz e pelo nome com que as chamava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo que o rebanho possa j\u00e1 ser numeroso, o pastor n\u00e3o descansa enquanto n\u00e3o reunir todas as ovelhas e, por isso, escutamos Jesus afirmar: \u00ab<em>tenho ainda outras ovelhas que n\u00e3o s\u00e3o deste redil e preciso de as reunir<\/em>\u00bb. Para Jesus, ningu\u00e9m \u00e9 dispens\u00e1vel, nem \u00e9 admiss\u00edvel desistir seja de quem for, pois cada um de n\u00f3s \u00e9 precioso e necess\u00e1rio para que o rebanho possa estar completo. Acolher, procurar e ir ao encontro \u00e9 palavra de ordem numa Igreja que queira ser fiel ao mandato de Jesus Cristo e que caminha animada pela for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Vede que admir\u00e1vel amor o Pai nos consagrou em nos chamarmos filhos de Deus<\/em>\u00bb. Somos filhos muito amados de Deus e, por isso, irm\u00e3os uns dos outros. Pertencemo-nos porque somos perten\u00e7a de Deus pela filia\u00e7\u00e3o divina. Filia\u00e7\u00e3o e fraternidade caminham indissociavelmente e impelem-nos a construir uma cultura da ternura e do cuidado. \u00c9 muito curioso que apesar de Jesus sublinhar esta aten\u00e7\u00e3o e cuidado no conhecimento das suas ovelhas, chamando cada uma pelo seu nome, os evangelhos falam sempre de rebanhos e n\u00e3o de ovelhas isoladas. Quando se fala de uma ovelha sozinha ou separada \u00e9 para descrever uma situa\u00e7\u00e3o negativa de uma ovelha perdida que se afastou do rebanho, que deixou de seguir o pastor e ouvir a sua voz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos permitir que ningu\u00e9m se possa perder, ficar \u00e0 margem ou ser descartado. Podemos e devemos respeitar a liberdade e as op\u00e7\u00f5es de cada um, mas temos de oferecer sempre o acolhimento e o acompanhamento que n\u00e3o deixa ningu\u00e9m para tr\u00e1s, apontando sempre Jesus Cristo e o Seu Evangelho como \u00fanico caminho de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas at\u00e9 onde deve ir a nossa entrega e dedica\u00e7\u00e3o? Jesus \u00e9 muito claro: \u00ab<em>Eu dou a vida pelas minhas ovelhas<\/em>\u00bb. Enquanto n\u00e3o dermos tudo, damos muito pouco. Enquanto n\u00e3o oferecermos a nossa vida toda, a nossa entrega estar\u00e1 incompleta.<strong><em>in Voz Portucalense (adaptado)<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dia 21 de abril<strong>, IV Domingo da P\u00e1scoa<\/strong>, \u00e9 o <strong>Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es e Domingo do Bom Pastor. <\/strong>Neste Domingo, as comunidades crist\u00e3s s\u00e3o convidadas a rezar pelas voca\u00e7\u00f5es, pedindo ao Senhor que cada homem e cada mulher, fazendo a experi\u00eancia do infinito amor com que Deus os cumula, respondam afirmativamente ao chamamento que o Senhor lhes dirige. No site da Comiss\u00e3o Episcopal Voca\u00e7\u00f5es e Minist\u00e9rios est\u00e3o dispon\u00edveis diversos materiais para a dinamiza\u00e7\u00e3o desta semana (<a href=\"http:\/\/www.ecclesia.pt\/cevm\/\"><strong>http:\/\/www.ecclesia.pt\/cevm\/<\/strong><\/a>). Contudo, a proposta vocacional feita a todos atrav\u00e9s de diversas din\u00e2micas e iniciativas, n\u00e3o pode deixar descurar o acompanhamento pessoal e personalizado que a tarefa vocacional exige. Esta \u00e9 uma miss\u00e3o de todos, em especial dos pastores, catequistas e demais agentes evangelizadores. Ver, em anexo, Mensagem do Papa Francisco para este dia, (<strong><em>in Voz Portucalense &#8211; adaptado).<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Atos dos Ap\u00f3stolos 4,8-12<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nPedro, cheio do Esp\u00edrito Santo, disse-lhes:<br \/>\n\u00abChefes do povo e anci\u00e3os,<br \/>\nj\u00e1 que hoje somos interrogados<br \/>\nsobre um benef\u00edcio feito a um enfermo<br \/>\ne o modo como ele foi curado,<br \/>\nficai sabendo todos v\u00f3s e todo o povo de Israel:<br \/>\n\u00c9 em nome de Jesus Cristo, o Nazareno,<br \/>\nque v\u00f3s crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos,<br \/>\n\u00e9 por Ele que este homem<br \/>\nse encontra perfeitamente curado na vossa presen\u00e7a.<br \/>\nJesus \u00e9 a pedra que v\u00f3s, os construtores, desprezastes<br \/>\ne que veio a tornar-se pedra angular.<br \/>\nE em nenhum outro h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o,<br \/>\npois n\u00e3o existe debaixo do c\u00e9u outro nome, dado aos homens,<br \/>\npelo qual possamos ser salvos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O testemunho sobre Jesus e sobre a liberta\u00e7\u00e3o que Ele veio oferecer aos homens, manifestado nos gestos (cura de um paral\u00edtico junto da Porta Formosa, \u00e0 entrada do Templo de Jerusal\u00e9m \u2013 cf. At 3,1-11) e nas palavras de Pedro (discurso \u00e0 multid\u00e3o, no P\u00f3rtico de Salom\u00e3o \u2013 cf. At 3,12-26), provoca a imediata rea\u00e7\u00e3o das autoridades judaicas e a consequente pris\u00e3o de Pedro e de Jo\u00e3o. \u00c9 a rea\u00e7\u00e3o l\u00f3gica dos l\u00edderes judaicos, ainda convencidos de que podiam silenciar a proposta libertadora de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia seguinte, Pedro e Jo\u00e3o s\u00e3o conduzidos diante do Sin\u00e9drio \u2013 a autoridade que superintendia \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o da vida religiosa, jur\u00eddica e econ\u00f3mica dos judeus. Presidido pelo sumo-sacerdote em fun\u00e7\u00f5es, o Sin\u00e9drio era constitu\u00eddo por 70 membros, oriundos das principais fam\u00edlias do pa\u00eds. Na \u00e9poca de Jesus, o Sin\u00e9drio era, ao que parece, dominado pelo grupo dos saduceus, os quais negavam a ressurrei\u00e7\u00e3o. No Sin\u00e9drio havia, tamb\u00e9m, um grupo significativo de fariseus, os quais aceitavam a ressurrei\u00e7\u00e3o\u2026 No entanto, os dois grupos v\u00e3o p\u00f4r de lado as suas diverg\u00eancias particulares para fazerem causa comum contra os disc\u00edpulos de Jesus. Referem-se, neste contexto, duas figuras sacerdotais: Caif\u00e1s e An\u00e1s. Josefo ben Caif\u00e1s era o sumo-sacerdote em exerc\u00edcio \u00e0 data dos factos narrados neste epis\u00f3dio (exerceu o sumo-sacerd\u00f3cio entre os anos 18 e 36); An\u00e1s ben Sete tinha exercido o sumo-sacerd\u00f3cio algum tempo antes (anos 6 a 15), era sogro de Caif\u00e1s, e continuava a ser uma figura muito influente nos c\u00edrculos sacerdotais de Jerusal\u00e9m. Um e outro tinham estado na primeira linha no processo de condena\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e0 morte (cf. Mt 26,57; Jo 18,12-14.19-24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pergunta posta aos ap\u00f3stolos pelos membros do Sin\u00e9drio \u00e9: \u201ccom que poder ou em nome de quem fizestes isto?\u201d (At 4,7). O texto que a nossa primeira leitura nos apresenta \u00e9 a resposta de Pedro \u00e0 quest\u00e3o que lhe foi posta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 mais do que prov\u00e1vel que o epis\u00f3dio assente, em geral, em bases hist\u00f3ricas\u2026 O testemunho sobre esse Messias crucificado pouco antes pelas autoridades constitu\u00eddas devia aparecer como uma provoca\u00e7\u00e3o e provocar uma natural rea\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes judaicos. No entanto, o epis\u00f3dio, tal como nos \u00e9 apresentado, sofreu retoques de Lucas, empenhado em demonstrar que a rea\u00e7\u00e3o negativa do \u201cmundo\u201d n\u00e3o pode nem deve calar o testemunho dos disc\u00edpulos de Jesus.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>De acordo com o testemunho de Pedro, Jesus \u00e9 o \u00fanico salvador, j\u00e1 que \u201cn\u00e3o existe debaixo do c\u00e9u outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos\u201d. N\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, sabemos isso; mas, apesar de tudo, somos frequentemente convidados a correr atr\u00e1s de l\u00edderes humanos que se apresentam como \u201csalvadores\u201d e que acabam por se revelar amargas dece\u00e7\u00f5es. Mais ainda: muitas vezes as propostas que esses l\u00edderes humanos nos apresentam est\u00e3o em flagrante contradi\u00e7\u00e3o com as propostas e os valores de Jesus. Na hora de optar, n\u00e3o esque\u00e7amos que a proposta de Jesus tem o selo de garantia de Deus; n\u00e3o esque\u00e7amos que o caminho proposto por Jesus (e que, tantas vezes, \u00e0 luz da l\u00f3gica humana, parece um caminho de fracasso e de derrota) \u00e9 o caminho que nos conduz ao encontro da Vida plena e definitiva. Onde est\u00e1 a nossa melhor hip\u00f3tese de encontrar a salva\u00e7\u00e3o? Em Jesus, ou nos nossos fal\u00edveis l\u00edderes humanos? Em quem tenho eu apostado, na minha incessante procura de Vida?<\/li>\n<li>Mesmo depois de dois mil anos de cristianismo, parece que a proposta de Jesus ainda n\u00e3o se tornou decisiva na constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do nosso tempo. O verniz crist\u00e3o de que revestimos a nossa civiliza\u00e7\u00e3o ocidental n\u00e3o tem impedido a corrida aos armamentos, os genoc\u00eddios, os atos b\u00e1rbaros de terrorismo, as guerras religiosas, a explora\u00e7\u00e3o dos mais fracos, o desprezo pelos direitos e pela dignidade dos seres humanos, o abandono dos que n\u00e3o t\u00eam voz ou influ\u00eancia, a indiferen\u00e7a face \u00e0 sorte de tanta gente que n\u00e3o tem a possibilidade de satisfazer as suas necessidades b\u00e1sicas\u2026 Os crit\u00e9rios que presidem \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do mundo est\u00e3o, demasiadas vezes, longe dos valores do Evangelho. Porque \u00e9 que isto acontece? Podemos dizer que Cristo \u00e9, para os crist\u00e3os, a refer\u00eancia fundamental? N\u00f3s crist\u00e3os fizemos d\u2019Ele, efetivamente, a \u201cpedra angular\u201d sobre a qual constru\u00edmos a nossa vida e a hist\u00f3ria do nosso tempo?<\/li>\n<li>Atrav\u00e9s do exemplo de Pedro, Lucas sugere que o testemunho dos disc\u00edpulos deve ser desassombrado, mesmo em condi\u00e7\u00f5es hostis e adversas. A preocupa\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos n\u00e3o deve ser apresentar um testemunho politicamente correto, que n\u00e3o incomode os poderes institu\u00eddos e n\u00e3o traga persegui\u00e7\u00f5es \u00e0 comunidade do Reino; mas deve ser um discurso corajoso e coerente, que tem como preocupa\u00e7\u00e3o fundamental apresentar com fidelidade a proposta de salva\u00e7\u00e3o que Jesus veio fazer. Como \u00e9 o nosso testemunho? \u00c9 um testemunho de \u201cmeias tintas\u201d, calculado, que n\u00e3o incomoda nem agita, ou \u00e9 um discurso corajoso, verdadeiro, prof\u00e9tico?<\/li>\n<li>Os disc\u00edpulos de Jesus n\u00e3o est\u00e3o sozinhos, entregues a si pr\u00f3prios, nessa luta contra as for\u00e7as que oprimem e escravizam os homens. O Esp\u00edrito de Jesus ressuscitado est\u00e1 com eles, ajudando-os, animando-os, protegendo-os em cada passo desse caminho que Deus lhes mandou percorrer. Nos momentos de crise, de des\u00e2nimo, de frustra\u00e7\u00e3o, os disc\u00edpulos devem tomar consci\u00eancia da presen\u00e7a amorosa de Deus a seu lado e retomar a esperan\u00e7a. Sinto a presen\u00e7a do Esp\u00edrito e sinto-me confortado por essa presen\u00e7a?<\/li>\n<li>Os l\u00edderes judaicos s\u00e3o, mais uma vez, apresentados como modelos de cegueira e de fechamento face aos desafios de Deus. S\u00e3o \u201cmaus pastores\u201d, preocupados com os seus interesses pessoais e corporativos, que impedem que o seu Povo adira \u00e0s propostas de salva\u00e7\u00e3o que Deus faz. O seu exemplo mostra-nos como a autossufici\u00eancia, os preconceitos, o comodismo, levam o homem a fechar-se aos desafios de Deus e a recusar os dons de Deus. Independentemente do papel que desempenhamos na sociedade ou na Igreja, alguma vez deixamos que os nossos interesses pessoais ou de grupo tenham sido obst\u00e1culo ao projeto de Deus para o mundo e para os homens? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 117 (118)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Aleluia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dai gra\u00e7as ao Senhor, porque Ele \u00e9 bom,<br \/>\nporque \u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<br \/>\nMais vale refugiar-se no Senhor,<br \/>\ndo que fiar-se nos homens.<br \/>\nMais vale refugiar-se no Senhor,<br \/>\ndo que fiar-se nos poderosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu Vos darei gra\u00e7as porque me ouvistes<br \/>\ne fostes o meu Salvador.<br \/>\nA pedra que os construtores rejeitaram<br \/>\ntornou-se pedra angular.<br \/>\nTudo isto veio do Senhor:<br \/>\n\u00e9 admir\u00e1vel aos nossos olhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bendito o que vem em nome do Senhor,<br \/>\nda casa do Senhor n\u00f3s vos bendizemos.<br \/>\nV\u00f3s sois o meu Deus: eu Vos darei gra\u00e7as.<br \/>\nV\u00f3s sois o meu Deus: eu Vos exaltarei.<br \/>\nDai gra\u00e7as ao Senhor, porque Ele \u00e9 bom,<br \/>\nporque \u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 1 Jo\u00e3o 3,1-2<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Car\u00edssimos:<br \/>\nVede que admir\u00e1vel amor o Pai nos consagrou<br \/>\nem nos chamarmos filhos de Deus.<br \/>\nE somo-lo de facto.<br \/>\nSe o mundo n\u00e3o nos conhece,<br \/>\n\u00e9 porque n\u00e3o O conheceu a Ele.<br \/>\nCar\u00edssimos, agora somos filhos de Deus<br \/>\ne ainda n\u00e3o se manifestou o que havemos de ser.<br \/>\nMas sabemos que, na altura em que se manifestar,<br \/>\nseremos semelhantes a Deus,<br \/>\nporque O veremos tal como Ele \u00e9.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira Carta de Jo\u00e3o \u00e9, como j\u00e1 dissemos nos domingos anteriores, um escrito pol\u00e9mico, dirigido a comunidades crist\u00e3s nascidas no mundo jo\u00e2nico, provavelmente situadas \u00e0 volta de \u00c9feso, na parte ocidental da \u00c1sia Menor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa altura em que as heresias pr\u00e9-gn\u00f3sticas come\u00e7avam a lan\u00e7ar a confus\u00e3o entre os crentes e amea\u00e7avam subverter a identidade crist\u00e3, um \u201cpresb\u00edtero\u201d (\u201canci\u00e3o\u201d) ligado \u00e0 escola jo\u00e2nica (constitu\u00edda \u00e0 volta da figura e da teologia do ap\u00f3stolo Jo\u00e3o), decidiu escrever \u00e0s comunidades crist\u00e3s da sua zona, denunciando as doutrinas her\u00e9ticas e reavivando a f\u00e9 da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As principais quest\u00f5es postas pelos hereges eram de ordem cristol\u00f3gica e \u00e9tica. Em termos de doutrina cristol\u00f3gica, negavam que o Filho de Deus tivesse encarnado atrav\u00e9s de Maria e que tivesse morrido na cruz: Jesus era um simples homem, de quem o Cristo celeste se tinha apropriado, na altura do Batismo, para levar a cabo a revela\u00e7\u00e3o; mas, imediatamente antes da paix\u00e3o, o Cristo celeste tinha-se retirado (porque n\u00e3o podia padecer), deixando o homem Jesus enfrentar sozinho a Paix\u00e3o e a morte. Do ponto de vista \u00e9tico e moral, esses hereges n\u00e3o cumpriam os mandamentos e desprezavam especialmente o mandamento do amor ao irm\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como segunda leitura neste terceiro domingo da P\u00e1scoa integra a segunda parte da carta (cf. 1 Jo 3,1-24). A\u00ed, o autor lembra aos crentes a sua condi\u00e7\u00e3o de filhos de Deus e exorta-os a viver no dia a dia de forma coerente com essa filia\u00e7\u00e3o. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O autor da primeira Carta de Jo\u00e3o garante que Deus ama-nos com um amor \u201cadmir\u00e1vel\u201d, um amor que se traduz no dom da Vida nova e que nos coloca na situa\u00e7\u00e3o de filhos queridos de Deus. Neste 4\u00ba Domingo da P\u00e1scoa, o Domingo do Bom Pastor, somos, portanto, convidados a contemplar a bondade, a ternura, a miseric\u00f3rdia, o amor de um Deus apostado em levar os seres humanos a superarem a sua condi\u00e7\u00e3o de debilidade, a fim de chegarem \u00e0 Vida nova e eterna, \u00e0 plenitudiza\u00e7\u00e3o das suas capacidades, at\u00e9 se tornarem \u201csemelhantes\u201d ao pr\u00f3prio Deus. Isso corresponde, afinal, ao grande objetivo que todos n\u00f3s temos: encontrar a felicidade, a Vida verdadeira\u2026 E tudo isso \u00e9 um dom de Deus, um dom que n\u00e3o depende dos nossos m\u00e9ritos mas que \u00e9 fruto exclusivo do amor que Deus tem por n\u00f3s. Sentimo-nos, verdadeiramente, filhos queridos e amados de Deus? Que impacto tem isso na nossa forma de encarar a vida? Sentimo-nos gratos a Deus pelo seu amor e por tudo aquilo que Ele faz no sentido de nos proporcionar Vida em abund\u00e2ncia?<\/li>\n<li>Como \u00e9 que os \u201cfilhos de Deus\u201d respondem ao dom que Deus lhes faz? No texto que nos \u00e9 hoje proposto, esta quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 desenvolvida; contudo, outras passagens da primeira Carta de Jo\u00e3o lembram que ser \u201cfilho de Deus\u201d significa viver de forma coerente com as propostas de Deus (cf. 1 Jo 5,1-3), cumprindo os mandamentos e amando os irm\u00e3os, a exemplo de Jesus Cristo. Como \u00e9 que se processa a nossa resposta ao amor de Deus? Como \u201cfilhos de Deus\u201d, procuramos conduzir a nossa vida de acordo com os valores e as propostas de Deus?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O autor da carta avisa tamb\u00e9m os crist\u00e3os para o inevit\u00e1vel choque com a incompreens\u00e3o do \u201cmundo\u201d. Viver como \u201cfilho de Deus\u201d implica fazer op\u00e7\u00f5es que, muitas vezes, est\u00e3o em contradi\u00e7\u00e3o com os valores que o mundo considera priorit\u00e1rios; por isso, os crentes s\u00e3o frequentemente objeto do desprezo, da irris\u00e3o, dos ataques daqueles que n\u00e3o est\u00e3o dispostos a acolher os valores e propostas de Deus. Jesus Cristo conheceu e enfrentou a mesma realidade; mas viveu sempre na obedi\u00eancia ao Pai e nunca se deixou condicionar pela opini\u00e3o do \u201cmundo\u201d. Como Jesus, aguentamos os embates do mundo e mantemo-nos coerentes com a nossa condi\u00e7\u00e3o de \u201cfilhos de Deus\u201d? O que \u00e9 que \u201cdirige\u201d e condiciona a nossa forma de viver: as propostas de Deus, ou as propostas do \u201cmundo\u201d? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 10,11-18<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo, disse Jesus.<br \/>\n\u00abEu sou o Bom Pastor.<br \/>\nO bom pastor d\u00e1 a vida pelas suas ovelhas.<br \/>\nO mercen\u00e1rio, como n\u00e3o \u00e9 pastor, nem s\u00e3o suas as ovelhas,<br \/>\nlogo que v\u00ea vir o lobo, deixa as ovelhas e foge,<br \/>\nenquanto o lobo as arrebata e dispersa.<br \/>\nO mercen\u00e1rio n\u00e3o se preocupa com as ovelhas.<br \/>\nEu sou o Bom Pastor:<br \/>\nconhe\u00e7o as minhas ovelhas<br \/>\ne as minhas ovelhas conhecem-Me,<br \/>\ndo mesmo modo que o Pai Me conhece e Eu conhe\u00e7o o Pai;<br \/>\nEu dou a minha vida pelas minhas ovelhas.<br \/>\nTenho ainda outras ovelhas que n\u00e3o s\u00e3o deste redil<br \/>\ne preciso de as reunir;<br \/>\nelas ouvir\u00e3o a minha voz<br \/>\ne haver\u00e1 um s\u00f3 rebanho e um s\u00f3 Pastor.<br \/>\nPor isso o Pai Me ama:<br \/>\nporque dou a minha vida, para poder retom\u00e1-la.<br \/>\nNingu\u00e9m Ma tira, sou Eu que a dou espontaneamente.<br \/>\nTenho o poder de a dar e de a retomar:<br \/>\nfoi este o mandamento que recebi de meu Pai\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cap\u00edtulo 10 do 4\u00ba Evangelho \u00e9 dedicado \u00e0 catequese do \u201cBom Pastor\u201d. O autor utiliza esta imagem para propor uma catequese sobre a miss\u00e3o de Jesus: a obra do \u201cMessias\u201d consiste em conduzir o homem \u00e0s pastagens verdejantes e \u00e0s fontes cristalinas de onde brota a Vida em plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem do \u201cBom Pastor\u201d n\u00e3o foi inventada pelo autor do 4\u00ba Evangelho. Literariamente falando, este discurso simb\u00f3lico est\u00e1 constru\u00eddo com materiais provenientes do Antigo Testamento. Em especial, este discurso tem presente o texto de Ez 34, onde se encontra a chave para compreender a met\u00e1fora do \u201cpastor\u201d e do \u201crebanho\u201d. Falando aos exilados da Babil\u00f3nia, Ezequiel constata que os l\u00edderes de Israel foram, ao longo da hist\u00f3ria, maus \u201cpastores\u201d, que conduziram o Povo por caminhos de sofrimento, de injusti\u00e7a e de morte; mas \u2013 diz tamb\u00e9m Ezequiel \u2013 o pr\u00f3prio Deus vai agora assumir a condu\u00e7\u00e3o do seu Povo; Ele ir\u00e1 colocar \u00e0 frente do seu \u201crebanho\u201d um \u201cBom Pastor\u201d (o \u201cMessias\u201d), que o livrar\u00e1 da escravid\u00e3o e o conduzir\u00e1 \u00e0 Vida. A catequese que o 4\u00ba Evangelho nos oferece sobre o \u201cBom Pastor\u201d sugere que a promessa de Deus \u2013 veiculada por Ezequiel \u2013 se cumpre em Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o Evangelho de Jo\u00e3o, Jesus teria pronunciado o \u201cdiscurso do Bom Pastor\u201d (cf. Jo 10) em Jerusal\u00e9m, em contexto da \u201cfesta da Dedica\u00e7\u00e3o do Templo\u201d (cf. Jo 10,22). Esta festa (chamada, em hebraico, \u201cHan\u00fbkkah\u201d) celebra a purifica\u00e7\u00e3o do Templo de Jerusal\u00e9m (164 a.C.), por Judas Macabeu, depois de o rei sel\u00eaucida Ant\u00edoco IV Epif\u00e2nio o ter profanado (167 a.C.), construindo um altar em honra de Zeus dentro do espa\u00e7o sagrado. \u00c9 a festa da Luz. O s\u00edmbolo por excel\u00eancia dessa festa \u00e9 um candelabro de oito bra\u00e7os (\u201chan\u00fbkkiyyah\u201d), que v\u00e3o sendo progressivamente acesos durante os oito dias que a festa dura. Jesus tinha, pouco antes, curado um cego de nascen\u00e7a, assumindo-se como \u201ca Luz\u201d que veio para iluminar as trevas do mundo (cf. Jo 8,12; 9,1-41).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do ambiente festivo, a rela\u00e7\u00e3o entre Jesus e os l\u00edderes judaicos \u00e9 de grande tens\u00e3o (cf. Jo 9,40; 10,19-21.24.31-39). Depois de ver a press\u00e3o que esses l\u00edderes colocaram sobre um cego de nascen\u00e7a para que ele n\u00e3o abra\u00e7asse a luz (cf. Jo 9,1-41), Jesus denuncia a forma como eles tratam a comunidade: est\u00e3o apenas interessados em proteger os seus interesses pessoais e usam o Povo em benef\u00edcio pr\u00f3prio; s\u00e3o, pois, \u201cladr\u00f5es e salteadores\u201d (Jo 10,1.8.10), que tomaram de assalto o rebanho que lhes foi confiado e roubam ao Povo a oportunidade de encontrar Vida.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Todos n\u00f3s temos os nossos her\u00f3is, os nossos mestres, os nossos modelos. S\u00e3o figuras que consideramos como refer\u00eancias, figuras que respeitamos e de quem esperamos orienta\u00e7\u00f5es, figuras cujas opini\u00f5es acolhemos e seguimos. Os povos antigos, ainda muito ligados a contextos agr\u00e1rios e pastoris, facilmente designavam uma figura dessas como \u201co Pastor\u201d (n\u00f3s hoje utilizamos outras palavras: \u201cpresidente\u201d, \u201crei\u201d, \u201cdiretor\u201d, \u201csuperior\u201d, \u201cchefe\u201d, \u201cprofessor\u201d, \u201cguru\u201d\u2026). Ser\u00e1 que todas essas figuras que admiramos e cujas opini\u00f5es seguimos merecem a nossa confian\u00e7a? Todas elas estar\u00e3o interessadas no nosso bem?<\/li>\n<li>O Evangelho deste domingo diz-nos que, para o crist\u00e3o, o \u201cPastor\u201d por excel\u00eancia \u00e9 Jesus. \u00c9 n\u2019Ele que devemos confiar, \u00e9 \u00e0 volta d\u2019Ele que nos devemos juntar, s\u00e3o as suas indica\u00e7\u00f5es e propostas que devemos seguir. O nosso \u201cPastor\u201d \u00e9, de facto, Cristo, ou temos outros \u201cpastores\u201d que nos arrastam e que s\u00e3o as refer\u00eancias fundamentais \u00e0 volta das quais constru\u00edmos a nossa exist\u00eancia? Quem \u00e9 que nos dita os caminhos em que andamos e os valores em que apostamos: Jesus Cristo? O patr\u00e3o que nos paga o sal\u00e1rio? O presidente do nosso partido pol\u00edtico ou da nossa equipa desportiva? Um qualquer l\u00edder da moda ou um qualquer \u201cinfluencer\u201d? O her\u00f3i mais bonito da telenovela? A conta banc\u00e1ria? O comodismo e a instala\u00e7\u00e3o? O \u00eaxito e o triunfo profissional a qualquer custo?<\/li>\n<li>No cumprimento da sua miss\u00e3o de \u201cPastor\u201d, Jesus n\u00e3o atua por interesse, mas por amor. Ele n\u00e3o foge quando as ovelhas est\u00e3o em perigo, mas defende-as e at\u00e9 \u00e9 capaz de dar a vida por elas; Ele preocupa-se com as suas ovelhas e mant\u00e9m com cada uma delas uma rela\u00e7\u00e3o \u00fanica, especial, pessoal; Ele n\u00e3o se serve das suas ovelhas, mas serve-as e condu-las onde h\u00e1 alimento em abund\u00e2ncia; Ele cuida de cada uma delas, particularmente das mais fr\u00e1geis e necessitadas. Ora, esta forma de atuar de Jesus deve ser uma refer\u00eancia para aqueles que t\u00eam responsabilidades na condu\u00e7\u00e3o e anima\u00e7\u00e3o da comunidade, quer em \u00e2mbito civil, quer em \u00e2mbito religioso. Quando somos chamados \u00e0 miss\u00e3o de presidir a um grupo, de animar uma comunidade, de exercer o servi\u00e7o da autoridade, cumprimos a nossa miss\u00e3o no dom total, no amor incondicional, no servi\u00e7o desinteressado, a exemplo de Jesus?<\/li>\n<li>No \u201crebanho\u201d de Jesus, n\u00e3o se entra por convite especial, nem h\u00e1 um n\u00famero restrito de vagas a partir do qual mais ningu\u00e9m pode entrar. A proposta de salva\u00e7\u00e3o que Jesus faz destina-se a todos os homens e mulheres, sem exce\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 decisivo para entrar a fazer parte do rebanho de Deus \u00e9 \u201cescutar a voz\u201d de Jesus, aceitar as suas indica\u00e7\u00f5es, tornar-se seu disc\u00edpulo\u2026 Isso significa, concretamente, ir atr\u00e1s de Jesus, aderir ao projeto de salva\u00e7\u00e3o que Ele veio apresentar, percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu, na entrega total aos projetos de Deus e na doa\u00e7\u00e3o total aos irm\u00e3os. Atrevemo-nos a seguir o nosso \u201cPastor\u201d (Jesus) no caminho exigente do dom da vida, ou estamos convencidos que esse caminho \u00e9 apenas um caminho de derrota e de fracasso, que n\u00e3o leva aonde n\u00f3s pretendemos ir?<\/li>\n<li>O nosso texto acentua a identifica\u00e7\u00e3o total de Jesus com a vontade do Pai e a sua disponibilidade para colocar toda a sua vida ao servi\u00e7o do projeto de Deus. Garante-nos tamb\u00e9m que \u00e9 dessa entrega livre, consciente, assumida, que resulta Vida eterna, verdadeira e definitiva. O exemplo de Jesus convida-nos a aderir, com a mesma liberdade, mas tamb\u00e9m com a mesma disponibilidade, \u00e0s propostas de Deus e ao cumprimento do projeto de Deus para n\u00f3s e para o mundo. Procuramos, como Jesus, discernir a vontade do Pai e obedecer ao projeto que Ele tem para n\u00f3s, mesmo que isso signifique abandonar os nossos esquemas pessoais, as nossas conveni\u00eancias, os nossos caminhos particulares?<\/li>\n<li>Nas nossas comunidades crist\u00e3s, temos pessoas que presidem e que animam, pessoas a quem foi confiado o servi\u00e7o da autoridade. Podemos aceitar, sem problemas, que elas receberam essa miss\u00e3o de Jesus e da Igreja, apesar dos seus limites e imperfei\u00e7\u00f5es. Mas conv\u00e9m igualmente ter presente que o \u00fanico \u201cPastor verdadeiro\u201d, aquele que nunca falha, aquele que somos convidados a escutar e a seguir sem condi\u00e7\u00f5es, \u00e9 Jesus. Procuremos escutar e acolher, com humildade, mas tamb\u00e9m com consci\u00eancia cr\u00edtica, as indica\u00e7\u00f5es que nos s\u00e3o dadas pelos l\u00edderes das nossas comunidades; mas n\u00e3o nos esque\u00e7amos de as confrontar, para aquilatar da sua validade, com as indica\u00e7\u00f5es que nos foram deixadas por Jesus, o Bom Pastor, o nosso \u00fanico Pastor. Como me posiciono diante daqueles a quem foi confiado, na comunidade crist\u00e3, o servi\u00e7o da autoridade?<\/li>\n<li>Para que distingamos a \u201cvoz\u201d de Jesus de outros apelos, de propostas enganadoras, de \u201ccantos de sereia\u201d que n\u00e3o conduzem \u00e0 vida plena, \u00e9 preciso um permanente di\u00e1logo \u00edntimo com \u201co Pastor\u201d (Jesus), um confronto permanente com a sua Palavra e a participa\u00e7\u00e3o ativa nos sacramentos onde se nos comunica essa vida que \u201co Pastor\u201d nos oferece. Procuro manter um di\u00e1logo frequente com Jesus, a fim de ter sempre vivas as suas indica\u00e7\u00f5es? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A brevidade das duas leituras e a inexist\u00eancia de palavras mais incomuns n\u00e3o pode permitir descurar a prepara\u00e7\u00e3o dos textos. Ambos os textos exigem uma acurada prepara\u00e7\u00e3o nas pausas e respira\u00e7\u00f5es e ambos s\u00e3o marcados por um tom alegre e jubiloso pela ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo <strong>(1.\u00aa leitura)<\/strong> e pela boa not\u00edcia de que em Jesus Cristo somos filhos muito amados de Deus <strong>(2.\u00aa leitura).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/04\/24\/vida-recebida-dedicada-dada-4\/\"><strong>BOM PASTOR<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Domingo IV da P\u00e1scoa. Domingo do Bom, Belo, Perfeito e Verdadeiro Pastor. \u00c9 este o significado largo do adjetivo grego\u00a0<em>kal\u00f3s<\/em>\u00a0e do hebraico\u00a0<em>t\u00f4b<\/em>, que qualifica o nome Pastor. Por isso, hoje \u00e9 tamb\u00e9m o Dia do Bom e Belo Pastor, e Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o sempre um dom do amor de Deus \u00e0 sua Igreja e ao mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho que marca o ritmo deste Dia Grande \u00e9 Jo\u00e3o 10,11-18, que surge enquadrado na Festa judaica anual da Dedica\u00e7\u00e3o do Templo (ver Jo\u00e3o 10,22). Situemo-nos. O sel\u00eaucida Ant\u00edoco IV Epif\u00e2nio tinha profanado o Templo de Jerusal\u00e9m, introduzindo l\u00e1 cultos pag\u00e3os. Isto aconteceu em 167 a. C. Contra esta heleniza\u00e7\u00e3o e paganiza\u00e7\u00e3o do juda\u00edsmo lutaram os Macabeus, e, em 164 a. C., Judas Macabeu procedeu \u00e0 Purifica\u00e7\u00e3o do Templo e \u00e0 sua Dedica\u00e7\u00e3o ao Deus Vivo. \u00c9 este importante acontecimento que deve ser celebrado todos os anos, durante oito dias, com a Festa da Dedica\u00e7\u00e3o, a partir do dia 25 do m\u00eas de Kisleu, que, no ano em curso de 2021, corresponde ao nosso dia 29 de novembro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Festa da Dedica\u00e7\u00e3o, em hebraico\u00a0<em>han\u00fbkkah<\/em>, celebra-se durante oito dias, e tem como s\u00edmbolo o candelabro de oito bra\u00e7os. Relata o Talmude que, quando os judeus fi\u00e9is entraram no Templo profanado pelos pag\u00e3os helenistas, encontraram uma \u00fanica \u00e2mbula de azeite puro (<em>kasher<\/em>) de oliveira para reacender o candelabro de sete bra\u00e7os, em hebraico\u00a0<em>m<sup>e<\/sup>n\u00f4rah<\/em>, que \u00e9 um dos s\u00edmbolos de Israel, e que deve arder em perman\u00eancia, noite e dia, diante do Deus Vivo. Todavia, uma \u00e2mbula de azeite duraria apenas um dia, e eram precisos oito dias para preparar novo azeite puro. Pois bem, o azeite daquela \u00fanica \u00e2mbula durou milagrosamente oito dias! Da\u00ed que, na Festa da Dedica\u00e7\u00e3o, se acenda um candelabro de oito bra\u00e7os, chamado\u00a0<em>han\u00fbkkiyyah<\/em>. Mas acende-se apenas uma luz por dia, depois do p\u00f4r-do-sol, aumentando progressivamente at\u00e9 estarem acesas as oito luzes. Al\u00e9m disso, e ao contr\u00e1rio das luzes da\u00a0<em>m<sup>e<\/sup>n\u00f4rah<\/em>\u00a0e do S\u00e1bado, que alumiam o interior do Santu\u00e1rio e da casa de fam\u00edlia respetivamente, as Luzes do candelabro da Dedica\u00e7\u00e3o, refere o ritual, devem ser vistas c\u00e1 fora: devem alumiar o ambiente social, pol\u00edtico, comercial e cultural. E tamb\u00e9m ao contr\u00e1rio das luzes da\u00a0<em>m<sup>e<\/sup>n\u00f4rah<\/em>\u00a0e do S\u00e1bado, n\u00e3o se acendem todas de uma vez, mas progressivamente, uma por dia, porque, quando as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o adversas (paganismo helenista, paganismos modernos, escuro), n\u00e3o basta acender uma luz e mant\u00ea-la. \u00c9 preciso aumentar constantemente a luz. Mais luz. Mais. Mais luz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como este simbolismo \u00e9 importante para os dias de hoje e para o tempo que atravessamos! Est\u00e1 escuro c\u00e1 dentro e l\u00e1 fora, o mundo parece desconstruir-se, o paganismo \u00e9 galopante! Mais do que nunca, \u00e9 preciso, portanto, n\u00e3o apenas manter a luz, mas aument\u00e1-la progressivamente. E est\u00e1 em maravilhosa sintonia com a Luz Grande que deve alumiar este Domingo do Bom e Belo Pastor, que \u00e9 Jesus, verdadeira Luz do mundo, Dom do Amor de Deus ao nosso cora\u00e7\u00e3o. Atear esta Luz de Jesus no nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre o segredo maior do Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resto \u00e9 a for\u00e7a e a beleza da imagem do Bom Pastor, que d\u00e1 a Vida Eterna \u00e0s suas ovelhas, que as segura pela m\u00e3o, que as conhece, que as ama, enquanto elas escutam a voz do Bom Pastor e o seguem. Maravilhosa Comunh\u00e3o. M\u00fasica encantat\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura do Pastor Bom e Belo como que salta da p\u00e1gina selada, para surgir em pessoa \u00e0 nossa frente. Ao dizer \u00abEu sou\u00bb, est\u00e1 tamb\u00e9m, ao mesmo tempo, a dizer \u00abv\u00f3s sois\u00bb. Est\u00e1, portanto, a estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o pessoal de proximidade, confian\u00e7a e intimidade connosco, bem expressa, de resto, pelas articula\u00e7\u00f5es verbais \u00abchamar pelo nome\u00bb, \u00abconhecer\u00bb, \u00abouvir a voz\u00bb, \u00abdar a vida\u00bb. Note-se que, no mundo b\u00edblico, o \u00abconhecimento\u00bb n\u00e3o exprime teoria ou teorias, mas \u00e9 a express\u00e3o viva, quase corp\u00f3rea, do contacto pessoal e do di\u00e1logo amoroso. O bocadinho da Primeira Carta de S. Jo\u00e3o, hoje lido (3,1-2), mostra tamb\u00e9m a maravilha deste conhecimento novo, que faz de n\u00f3s \u00abfilhos de Deus\u00bb (<em>t\u00e9kna Theo\u00fb<\/em>) e \u00absemelhantes a Ele\u00bb (<em>h\u00f3moioi aut\u00f4<\/em>). Em boa verdade, \u00abs\u00f3 o semelhante conhece o semelhante\u00bb. Por isso e para isso, Deus se fez primeiro semelhante a n\u00f3s, homem verdadeiro, para nos tornar depois semelhantes a Ele, \u00abdeuses por gra\u00e7a\u00bb (cf. Jo\u00e3o 10,34-35). Por isso tamb\u00e9m, Jesus, o Filho, nos d\u00e1 a conhecer tudo o que ouviu do Pai (Jo\u00e3o 15,15), o divino col\u00f3quio. E se, na inteira hist\u00f3ria humana, se pode afirmar, como faz a Escritura Santa, que \u00abnunca ningu\u00e9m viu Deus\u00bb (Jo\u00e3o 1,18; cf. 6,46), essa vis\u00e3o, em vers\u00e3o transformante, fica, todavia, em aberto, para o cume da nossa vida de filhos de Deus, como diz o Ap\u00f3stolo, hoje: \u00absemelhantes a Ele seremos, porque o veremos como Ele \u00e9\u00bb (1 Jo\u00e3o 3,2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas esta vida livre, verdadeira, plena e bela, assente na verdade e na confian\u00e7a, sem mentiras nem imposturas nem malabarismos, deixa ver em expresso contraponto o seu oposto. \u00c9 que tamb\u00e9m saltam da p\u00e1gina os ladr\u00f5es, os salteadores, os mercen\u00e1rios que, em vez de conjugarem os verbos acima indicados para traduzir a rela\u00e7\u00e3o do Pastor Bom e Belo com o seu rebanho, conjugam antes os verbos \u00abroubar\u00bb, \u00abmatar\u00bb, \u00abdestruir\u00bb, \u00ababandonar\u00bb, \u00abfugir\u00bb. Como esta p\u00e1gina antiga e sempre nova de Jo\u00e3o 10,11-18 l\u00ea e desvenda os tempos de hoje! Pedro j\u00e1 tinha montado este cen\u00e1rio no Sin\u00e9drio (Atos 4,8-12), apresentando outra vez aos chefes do povo e anci\u00e3os (Atos 4,8), membros do Sin\u00e9drio, este Jesus, que v\u00f3s crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos (Atos 4,10), como o \u00fanico em que h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o (Atos 4,12). Ele \u00e9 o Bom e Belo Pastor, dador de vida, face ao qual os membros do Sin\u00e9drio fazem claramente a figura de mercen\u00e1rios, impostores e ladr\u00f5es! Mas esta hist\u00f3ria seriada vem j\u00e1 da primeira p\u00e1gina do G\u00e9nesis, desde aquele\u00a0<em>fruto<\/em>\u00a0a n\u00f3s dado (G\u00e9nesis 1,29), ou por n\u00f3s\u00a0<em>furtado<\/em>\u00a0(cf. G\u00e9nesis 3,6) \u2013\u00a0<em>fruto<\/em>\u00a0de um\u00a0<em>furto<\/em>! \u2013, hist\u00f3ria que emerge novamente nas \u00faltimas p\u00e1ginas de Mateus, que nos mostram ainda melhor o verdadeiro\u00a0<em>fruto<\/em>\u00a0a n\u00f3s dado na Eucaristia (Mateus 26,26-29) e no Ressuscitado,\u00a0<em>Fruto<\/em>\u00a0novo que deve ser dado a toda a gente (Mateus 28,1-10.16-20), vendo-se, todavia, j\u00e1 no escuro, em contraluz, os impostores que congeminam e propagam, para tentar anular a for\u00e7a daquele\u00a0<em>Fruto<\/em>, a lenda de um\u00a0<em>furto<\/em>\u00a0(Mateus 27,62-66; 28,11-15). Leitura admir\u00e1vel, mas tamb\u00e9m implac\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o texto grandioso de Jo\u00e3o 10,11-18 passa tamb\u00e9m mensagens intemporais que, em cada tempo e lugar, devem interpelar a comunidade crist\u00e3. Assim, quando Jesus diz: \u00abEu sou a porta\u00bb, n\u00e3o est\u00e1 a usar uma linguagem da ordem da arquitetura e da carpintaria. \u00c9 de uma porta pessoal que se trata. E esta porta pessoal tem um nome e um rosto: Jesus de Nazar\u00e9, Jesus de Deus. E esta porta serve para \u00abentrar e sair\u00bb. \u00abEntrar e sair\u00bb \u00e9 um merisma [= figura liter\u00e1ria que diz o todo acostando duas extremidades] que traduz a nossa vida toda. \u00c9 a nossa vida toda sempre em refer\u00eancia a Jesus Cristo. Entende-se, n\u00e3o com a atual cria\u00e7\u00e3o industrial de gado, em que os animais est\u00e3o quase sempre em clausura e o pasto lhes \u00e9 fornecido em manjedouras apropriadas, visando sempre uma maior produtividade, mas com os \u00abapriscos\u00bb [= mais abrir do que fechar, como indica o \u00e9timo latino \u00ab<em>aprire<\/em>\u00bb] antigos, em que os animais se recolhiam apenas para se protegerem do frio da noite e dos assaltos das feras ou dos ladr\u00f5es, e procuravam fora o seu alimento, sempre conduzidos pelo pastor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Note-se ainda que os Evangelhos falam sempre de rebanho, e n\u00e3o de ovelhas separadas. Quando falam de uma ovelha sozinha, \u00e9 para descrever a situa\u00e7\u00e3o negativa de uma ovelha desgarrada ou perdida, que se perdeu do rebanho ou da comunidade, e deixou de seguir o pastor e de ouvir a sua voz. Note-se tamb\u00e9m que as ovelhas \u00abentram pela porta\u00bb, mas n\u00e3o \u00e9 para ficarem descansadas e recolhidas, fechadas sobre si mesmas. \u00c9 para sair, pois \u00e9 fora que encontrar\u00e3o pastagem. Li\u00e7\u00e3o para a comunidade dos disc\u00edpulos de Jesus de hoje e de sempre: o trabalho belo e o alimento bom que nos alimenta e nos mant\u00e9m saud\u00e1veis espera-nos l\u00e1 fora! Que Deus nos d\u00ea ent\u00e3o sempre um grande apetite!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cantemos por isso o Salmo 118, que \u00e9 o \u00faltimo canto do chamado \u00abPequeno Hallel da P\u00e1scoa\u00bb (113-118), mas que era seguramente cantado noutras festividades de Israel, nomeadamente na Festa das Tendas, tendo em conta o seu teor processional, e at\u00e9 a sua distribui\u00e7\u00e3o por coros. Este Salmo levanta-se do meio da alegria pr\u00f3pria da Festa (\u00abEste \u00e9 o dia que o Senhor fez, \/ nele nos alegremos e exultemos!\u00bb: v. 24) e eleva ao Deus sempre fiel uma grande A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as por todas as maravilhas que Ele tem realizado em favor do seu povo. Sim, toda a nossa energia e toda a alegria que nos habita \u00e9 o pr\u00f3prio Senhor, conforme o bel\u00edssimo v. 14: \u00abMinha for\u00e7a e meu canto YAH!\u00bb, que soa assim em hebraico:\u00a0<em>\u2018azz\u00ee w<sup>e<\/sup>zimrat YAH<\/em>. Al\u00e9m do nosso Salmo, a express\u00e3o densa e impressiva encontra-se ainda em \u00caxodo 15,2 e Isa\u00edas 12,2. YAH est\u00e1 por YHWH. O refr\u00e3o que vamos cantar faz-nos olhar para Jesus, pedra rejeitada pelos construtores, que veio a tornar-se, na verdade, pedra angular na constru\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio espiritual, novo, que se constr\u00f3i a partir do cume, e n\u00e3o \u00e0 nossa maneira, desde baixo, sobre pesados alicerces. Ele \u00e9 o nosso \u00fanico Salvador. Por isso, este grande Salmo transborda de A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concede-nos, Senhor, Belo e Bom Pastor, que nunca nos tresmalhemos do teu imenso amor, e que saibamos sempre levar o tom e o sabor da tua voz que chama e ama a cada irm\u00e3o perdido em casa ou numa estrada de lama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Senhor Jesus Cristo, \/ \u00danico Senhor da minha vida, \/ Bom Pastor dos meus passos inseguros\/ E do sil\u00eancio inquieto do meu cora\u00e7\u00e3o, \/ Cheio de sonhos, anseios, d\u00favidas, inquieta\u00e7\u00f5es. \/\/<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Senhor Jesus, \/ Faz ressoar em mim a tua voz de paz e de ternura. \/ Eu sei que pronuncias o meu nome com do\u00e7ura, \/ E me envias ao encontro daquele meu irm\u00e3o que Te procura. \/\/<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fico contigo sentado junto ao po\u00e7o. \/ Alumia o meu pobre cora\u00e7\u00e3o. \/ Vejo que, de toda a parte, chega gente de c\u00e2ntaro na m\u00e3o. \/ Disp\u00f5e de mim, Senhor, \/ Nesta hora de Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o. \/\/<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que eu saiba, Senhor, \/ Interpretar bem a tua melodia. \/ Que eu saiba, Senhor, \/ Dizer sempre SIM como Maria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Leitura-I-do-Domingo-IV-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-21.04.202-Act-4-8-12.pdf\">Leitura I do Domingo IV do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 21.04.202 (Act 4, 8-12)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Leitura-II-do-Domingo-IV-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-21.04.2024-1-Jo-3-1-2.pdf\">Leitura II do Domingo IV do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 21.04.2024 (1 Jo 3, 1-2)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Domingo-IV-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-21.04.2024-Lecionario.pdf\">Domingo IV do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 21.04.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Domingo-IV-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-21.04.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo IV do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 21.04.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Mensagem-Papa-Francisco-para-o-LXI-Dia-Mundial-de-Oracao-pelas-Vocacoes-21.04.2024.pdf\">Mensagem Papa Francisco para o LXI Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es &#8211; 21.04.2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo III da P\u00e1scoa \u2013 Ano B \u2013 14.04.2024&#8243; tab_id=&#8221;1713774178961-a71e4a4b-de5d&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo III da P\u00e1scoa &#8211; Ano B \u2013 14.04.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Domingo-III-da-Pascoa.jpg\" alt=\"\" width=\"598\" height=\"415\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Apesar da liturgia da Semana Santa e mais concretamente do Tr\u00edduo Pascal nos oferecerem um relato detalhado de todo o processo da paix\u00e3o e crucifix\u00e3o de Jesus, a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus acontece durante o sil\u00eancio da madrugada, na intimidade de Jesus com o Pai. Deste modo, o testemunho da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus n\u00e3o chega at\u00e9 n\u00f3s pela descri\u00e7\u00e3o do modo como ela aconteceu, mas pelo testemunho daqueles que se encontraram com o ressuscitado. Um testemunho cheio de for\u00e7a e entusiasmo, de convic\u00e7\u00e3o e ousadia que contrasta com o medo que os assaltou durante o processo da condena\u00e7\u00e3o e crucifix\u00e3o de Jesus. Basta pensar no testemunho destemido de Pedro, na primeira leitura deste Domingo. Pedro corajosamente diante da multid\u00e3o proclama a boa not\u00edcia da ressurrei\u00e7\u00e3o. Acusando a multid\u00e3o de ter agido por ignor\u00e2ncia no processo da morte de Jesus, convida-os ao arrependimento e \u00e0 convers\u00e3o para que tamb\u00e9m eles confessem a sua f\u00e9 em Jesus Ressuscitado e se tornem tamb\u00e9m testemunhas da alegria da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como contrasta este discurso de Pedro com as palavras titubeantes com que negava conhecer Jesus no p\u00e1tio da casa do Sumo Sacerdote! O encontro com o ressuscitado transforma de tal modo a vida e o cora\u00e7\u00e3o que nada nem ningu\u00e9m os far\u00e1 recuar e temer no an\u00fancio da vida nova que Jesus ressuscitado oferece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A novidade da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus irrompe no tempo e na hist\u00f3ria como garantia de que o bem trinfa sobre o mal e que pela ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus tamb\u00e9m a nossa vida se inscreve no horizonte de vida e ressurrei\u00e7\u00e3o que a P\u00e1scoa de Jesus nos oferece. Como \u00e9 sempre belo e reconfortante ler as palavras do Papa Francisco na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal\u00a0<em>Christus Vivit<\/em>: \u00ab<em>Contempla Jesus feliz, transbordando de alegria. Alegra-te com o teu Amigo que triunfou. Mataram o Santo, o Justo, o Inocente, mas Ele venceu. O mal n\u00e3o tem a \u00faltima palavra. Tamb\u00e9m na tua vida, o mal n\u00e3o ter\u00e1 a \u00faltima palavra, porque o teu Amigo, que te ama, quer triunfar em ti.\u00a0O teu Salvador vive<\/em>\u00bb (CV 126).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A afirma\u00e7\u00e3o de que a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus se vive e experimenta como encontro \u00edntimo e pessoal com Aquele que por mim se entregou \u00e0 morte e ressuscitou glorioso, n\u00e3o me desliga da comunidade nem me permite uma experi\u00eancia isolada da f\u00e9, mas recorda-me como o ressuscitado se faz presente no meio dos disc\u00edpulos e lhes comunica o seu amor e a sua paz: \u00ab<em>A paz esteja convosco<\/em>\u00bb. A experi\u00eancia pascal \u00e9 comunit\u00e1ria e o testemunho da ressurrei\u00e7\u00e3o ganha consist\u00eancia, for\u00e7a e concretiza\u00e7\u00e3o na alegria e na beleza de caminhar juntos, estabelecendo la\u00e7os fraternos e comunit\u00e1rios que permitem ver, tocar e comer juntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na verdade, para dissipar os medos e as d\u00favidas, Jesus pronuncia os verbos mais simples e familiares: vede, tocai, comamos juntos\u2026 Os disc\u00edpulos rendem-se \u00e0 evid\u00eancia da ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o pelos sinais teof\u00e2nicos mais espetaculares, mas pela contempla\u00e7\u00e3o das marcas da paix\u00e3o, por poder tocar o corpo do ressuscitado e saborearem juntos uma refei\u00e7\u00e3o. Jesus entra na nossa vida, n\u00e3o como uma ideologia ou uma formula\u00e7\u00e3o intelectual e abstrata, mas plasmando a nossa vida concreta: a nossa a\u00e7\u00e3o, o nosso toque, a nossa comunh\u00e3o e partilha fraterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Somos convidados a continuar hoje a experi\u00eancia de Jesus ressuscitado vendo o rosto de tantos irm\u00e3os nossos que atravessam o limiar da dor e do sofrimento, tocando as suas feridas que nos recordam as marcas da paix\u00e3o do ressuscitado e participando da mesa da comunh\u00e3o e da partilha que perpetua no tempo e na hist\u00f3ria a presen\u00e7a Daquele que por n\u00f3s morreu e ressuscitou.<strong><em>in Voz Portucalense (adaptado)<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No terceiro Domingo da P\u00e1scoa, dia 14 de abril, tem in\u00edcio a 61.\u00aa Semana de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, celebrando-se no dia 21 de abril o Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es. Para este ano, o Santo Padre escreveu uma mensagem intitulada: <strong><em>Chamados a semear a esperan\u00e7a e a construir a paz. <\/em><\/strong>Ficar\u00e1 em anexo nesta e pr\u00f3xima semana. <strong><em>in Voz Portucalense (adaptado)<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Atos dos Ap\u00f3stolos 3,13-15.17 -19<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias, Pedro disse ao povo:<br \/>\n\u00abO Deus de Abra\u00e3o, de Isaac e de Jacob, o Deus de nossos pais,<br \/>\nglorificou o seu Servo Jesus,<br \/>\nque v\u00f3s entregastes e negastes na presen\u00e7a de Pilatos,<br \/>\nestando ele resolvido a solt\u00e1-I\u2019O.<br \/>\nNegastes o Santo e o Justo<br \/>\ne pedistes a liberta\u00e7\u00e3o dum assassino;<br \/>\nmatastes o autor da vida,<br \/>\nmas Deus ressuscitou-O dos mortos, e n\u00f3s somos testemunhas disso.<br \/>\nAgora, irm\u00e3os, eu sei que agistes por ignor\u00e2ncia,<br \/>\ncomo tamb\u00e9m os vossos chefes.<br \/>\nFoi assim que Deus cumpriu<br \/>\no que de antem\u00e3o tinha anunciado pela boca de todos os Profetas:<br \/>\nque o seu Messias havia de padecer.<br \/>\nPortanto, arrependei-vos e convertei-vos,<br \/>\npara que os vossos pecados sejam perdoados\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A primeira leitura do terceiro Domingo da P\u00e1scoa situa-nos em Jerusal\u00e9m, na \u201cPorta Formosa\u201d, uma porta situada no lado oriental da cidade, que dava acesso ao Templo para quem vinha do Monte das Oliveiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pedro e Jo\u00e3o (esta \u201cdupla\u201d aparece, frequentemente associada na primeira parte do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos \u2013 cf. At 4,7-8.13.19) tinham subido ao Templo para a ora\u00e7\u00e3o da \u201chora nona\u201d (tr\u00eas horas da tarde). Junto da Porta Formosa estava um homem, coxo de nascen\u00e7a, a mendigar. As portas que davam acesso ao Templo eram consideradas \u201cs\u00edtios estrat\u00e9gicos\u201d pelos mendigos, uma vez que um crente que ia encontrar-se com Deus tinha tend\u00eancia para ser generoso com os que solicitavam ajuda. O homem dirigiu-se a Pedro e a Jo\u00e3o e pediu-lhes esmola. Pedro avisou-o de que n\u00e3o tinha \u201couro nem prata\u201d para lhe dar; mas, \u201cem nome de Jesus Cristo Nazareno\u201d, curou-o. \u201cCheia de assombro e estupefacta\u201d, as pessoas que tinham testemunhado o acontecimento reuniram-se \u201csob o chamado p\u00f3rtico de Salom\u00e3o\u201d (espa\u00e7o coberto, situado a leste, no p\u00e1tio externo do Templo) para ouvir da boca de Pedro uma explica\u00e7\u00e3o (cf. At 3,1- 11). O \u201cassombro\u201d e a \u201cestupefa\u00e7\u00e3o\u201d traduzem o estado daqueles que testemunham a a\u00e7\u00e3o de Deus manifestada atrav\u00e9s dos ap\u00f3stolos; \u00e9 a mesma rea\u00e7\u00e3o com que as multid\u00f5es acolheram os gestos libertadores realizados por Jesus. A a\u00e7\u00e3o dos ap\u00f3stolos aparece, assim, na continuidade da a\u00e7\u00e3o de Jesus. O nosso texto \u00e9 parte do discurso que, segundo o autor dos Atos, Pedro teria feito \u00e0 multid\u00e3o (cf. At 3,12-26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nas figuras de Pedro e Jo\u00e3o, \u00e9-nos apresentado o testemunho da primitiva comunidade de Jerusal\u00e9m, apostada em continuar a miss\u00e3o de Jesus e em apresentar aos homens o projeto salvador de Deus. O autor dos Atos est\u00e1 convencido de que esse testemunho se concretiza, n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s da prega\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m da a\u00e7\u00e3o dos ap\u00f3stolos. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Para os crist\u00e3os, Jesus n\u00e3o \u00e9 uma figura do passado, que a morte venceu e que ficou sepultado no museu da hist\u00f3ria; mas \u00e9 algu\u00e9m que continua vivo, sempre presente nos caminhos do mundo, oferecendo aos homens uma proposta de Vida verdadeira, plena, eterna. Como \u00e9 que os nossos irm\u00e3os que caminham ao nosso lado podem descobrir que Jesus est\u00e1 vivo e fazer uma experi\u00eancia de encontro com Cristo ressuscitado? Para o autor dos Atos, o fator decisivo para que os homens descubram que Cristo est\u00e1 vivo \u00e9 o testemunho dos disc\u00edpulos. Jesus est\u00e1 vivo e apresenta-se aos homens do nosso tempo nos gestos de amor, de partilha, de solidariedade, de perd\u00e3o, de acolhimento que os crist\u00e3os s\u00e3o capazes de fazer; Jesus est\u00e1 vivo e atua hoje no mundo, quando os crist\u00e3os se comprometem na luta pela paz, pela justi\u00e7a, pela liberdade, pelo nascimento de um mundo mais humano, mais fraterno, mais solid\u00e1rio; Jesus est\u00e1 vivo e continua a realizar aqui e agora o projeto de salva\u00e7\u00e3o de Deus, quando os seus crist\u00e3os oferecem aos coxos a possibilidade de avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o a um futuro de esperan\u00e7a, aos que vivem nas trevas a capacidade de encontrar a luz e a verdade, aos prisioneiros a possibilidade de ter voz e de decidir livremente o seu futuro. Os meus gestos anunciam aos irm\u00e3os com quem me cruzo nos caminhos deste mundo que Cristo est\u00e1 vivo?<\/li>\n<li>A exist\u00eancia humana \u00e9 uma busca incessante de Vida. Essa busca, contudo, nem sempre se desenrola em caminhos f\u00e1ceis e lineares. Por vezes \u00e9 cumprida num caminho onde o homem trope\u00e7a com equ\u00edvocos, com falhas, com op\u00e7\u00f5es erradas. Aquilo que parece ser garantia de vida gera morte; e aquilo que parece ser fracasso e frustra\u00e7\u00e3o \u00e9, afinal, o verdadeiro caminho para a Vida. Pedro garante-nos, no seu testemunho, que a proposta que Jesus veio apresentar \u00e9 uma proposta geradora de vida, apesar de passar pelo aparente fracasso da cruz. Acredito firmemente que \u00e9 da doa\u00e7\u00e3o, da entrega, do amor total a Deus e aos irm\u00e3os, a exemplo de Jesus, que brota a Vida eterna e verdadeira para mim e para aqueles que caminham ao meu lado?<\/li>\n<li>O apelo ao arrependimento e \u00e0 convers\u00e3o que aparece no discurso de Pedro lembra-nos essa necessidade cont\u00ednua de reequacionarmos as nossas op\u00e7\u00f5es, de deixarmos os caminhos de ego\u00edsmo, de orgulho, de comodismo, de autossufici\u00eancia em que, por vezes, se desenrola a nossa exist\u00eancia. \u00c9 preciso que, em cada instante da nossa vida, nos convertamos a Jesus e aos seus valores, numa disponibilidade total para acolhermos os desafios de Deus e a sua proposta de salva\u00e7\u00e3o. Procuro viver em estado de convers\u00e3o permanente? Esfor\u00e7o-me, ao longo do meu caminho, por recentrar continuamente a minha vida em Jesus? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Fazei brilhar sobre n\u00f3s, Senhor, A luz do vosso rosto.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Vos invocar, ouvi-me, \u00f3 Deus de justi\u00e7a.<br \/>\nV\u00f3s que na tribula\u00e7\u00e3o me tendes protegido,<br \/>\ncompadecei-vos de mim<br \/>\ne ouvi a minha s\u00faplica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabei que o Senhor faz maravilhas pelos seus amigos,<br \/>\no Senhor me atende quando O invoco.<br \/>\nMuitos dizem: \u00abQuem nos far\u00e1 felizes?\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazei brilhar sobre n\u00f3s, Senhor, a luz da vossa face.<br \/>\nEm paz me deito e adorme\u00e7o tranquilo,<br \/>\nporque s\u00f3 V\u00f3s, Senhor, me fazeis repousar em seguran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Jo\u00e3o 2,1-5a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Meus filhos,<br \/>\nescrevo-vos isto, para que n\u00e3o pequeis.<br \/>\nMas se algu\u00e9m pecar,<br \/>\nn\u00f3s temos Jesus Cristo, o Justo, como advogado junto do Pai.<br \/>\nEle \u00e9 a v\u00edtima de propicia\u00e7\u00e3o pelos nossos pecados,<br \/>\ne n\u00e3o s\u00f3 pelos nossos, mas tamb\u00e9m pelos do mundo inteiro.<br \/>\nE n\u00f3s sabemos que O conhecemos,<br \/>\nse guardamos os seus mandamentos.<br \/>\nAquele que diz conhec\u00ea-l\u2019O<br \/>\ne n\u00e3o guarda os seus mandamentos<br \/>\n\u00e9 mentiroso e a verdade n\u00e3o est\u00e1 nele.<br \/>\nMas se algu\u00e9m guardar a sua palavra,<br \/>\nnesse o amor de Deus \u00e9 perfeito.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 J\u00e1 vimos no passado domingo que este escrito de tom pol\u00e9mico \u2013 destinado provavelmente \u00e0s comunidades crist\u00e3s da parte ocidental da \u00c1sia Menor \u2013 procura combater doutrinas her\u00e9ticas pr\u00e9-gn\u00f3sticas e apresentar aos crist\u00e3os o caminho da aut\u00eantica vida crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O autor da carta, logo depois de um pr\u00f3logo inicial (cf. 1 Jo 1,1-4) que faz lembrar o do Quarto Evangelho, retoma um tema eminentemente jo\u00e2nico para expor a realidade de Deus: \u201cDeus \u00e9 luz\u201d; n\u2019Ele n\u00e3o h\u00e1 qualquer esp\u00e9cie de treva, de mentira ou de erro (cf. 1 Jo 1,5). A luz de Deus brilha e orienta os homens no caminho que eles s\u00e3o chamados a percorrer. Quem \u00e9 de Deus deixa-se iluminar pela luz de Deus, adere a Jesus e \u00e0 sua proposta e vive em comunh\u00e3o com os irm\u00e3os (cf. 1 Jo 1,7). Mas os adeptos das heresias, que espalham a confus\u00e3o nas comunidades crist\u00e3s, n\u00e3o s\u00e3o de Deus e n\u00e3o se deixam guiar pela luz de Deus. Dizem que est\u00e3o em comunh\u00e3o com Deus; mas, na realidade, andam nas trevas, pois mentem e n\u00e3o praticam a verdade (cf. 1 Jo 1,6); dizem que n\u00e3o t\u00eam pecados (cf. 1 Jo 1,8.10); mas, ao faz\u00ea-lo enganam-se a si mesmos e fazem de Deus um mentiroso. Que necessidade teria Deus de enviar ao mundo o seu Filho com uma proposta de salva\u00e7\u00e3o, se o pecado n\u00e3o fosse uma realidade universal (cf. 1 Jo 1,8-10)? Esses hereges andam nas trevas; o seu caminho n\u00e3o \u00e9, decididamente, o caminho da vida aut\u00eantica. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Uma das quest\u00f5es que o nosso texto coloca \u00e9 a da coer\u00eancia de vida. No momento da nossa op\u00e7\u00e3o por Deus, dispusemo-nos a viver na luz e comprometemo-nos a acolher as indica\u00e7\u00f5es de Deus, seguindo os passos de Jesus; renunci\u00e1mos a optar por caminhos de ego\u00edsmo, de orgulho, de autossufici\u00eancia, de indiferen\u00e7a face a Deus e \u00e0s suas propostas. No entanto, ao longo da viagem, o cansa\u00e7o, a monotonia do caminho, o arrefecimento do entusiasmo, a desilus\u00e3o, a acomoda\u00e7\u00e3o, os apelos do mundo que nos rodeia, podem ter minado as nossas convic\u00e7\u00f5es e afetado a seriedade do nosso compromisso. Na minha vida procuro viver, com coer\u00eancia e honestidade, os meus compromissos com Deus e com os meus irm\u00e3os, ou deixo-me levar ao sabor da corrente, das situa\u00e7\u00f5es, das oportunidades?<\/li>\n<li>Viver de forma coerente significa, tamb\u00e9m, reconhecer a fragilidade e a debilidade que s\u00e3o inerentes \u00e0 nossa condi\u00e7\u00e3o humana. Para o crente, o pecado n\u00e3o \u00e9 algo \u201cnormal\u201d (o pecado \u00e9 sempre um \u201cn\u00e3o\u201d a Deus e \u00e0s suas propostas e isso deve ser visto pelos crentes como uma \u201canormalidade\u201d); mas \u00e9 uma realidade que o crente reconhece e que sabe que est\u00e1 sempre presente ao longo da sua caminhada pela vida. O autor da Carta de Jo\u00e3o convida-nos a tomar consci\u00eancia da nossa condi\u00e7\u00e3o de pecadores, a acolher a salva\u00e7\u00e3o que Deus nos oferece, a confiar em Jesus, o \u201cadvogado\u201d que nos entende (porque veio ao nosso encontro, partilhou a nossa natureza, experimentou a nossa fragilidade) e que nos defende. Reconhecer a nossa realidade pecadora n\u00e3o pode levar-nos ao desespero; tem de levar-nos a abrir o cora\u00e7\u00e3o aos dons de Deus, a acolher humildemente a sua salva\u00e7\u00e3o e a caminhar com esperan\u00e7a ao encontro do Deus da bondade e da miseric\u00f3rdia que nos ama e que nos oferece, sem condi\u00e7\u00f5es, a vida eterna. Reconhe\u00e7o a minha condi\u00e7\u00e3o de pecador, que por vezes diz \u201cn\u00e3o\u201d a Deus e opta por caminhos de ego\u00edsmo e de autossufici\u00eancia? Estou disposto a aproximar-me novamente de Deus e a acolher as suas propostas?<\/li>\n<li>A coer\u00eancia que o autor da primeira Carta de Jo\u00e3o nos pede deve manifestar-se, tamb\u00e9m, na identifica\u00e7\u00e3o entre a f\u00e9 e a vida. A nossa f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma bela teoria que caminha separada da vida concreta. Mentimos quando dizemos que amamos a Deus e depois, na vida concreta, abra\u00e7amos valores que contradizem de forma absoluta a l\u00f3gica de Deus. Um crente que diz amar Deus e, no dia a dia, cria \u00e0 sua volta injusti\u00e7a, conflito, opress\u00e3o, sofrimento, vive na mentira; um crente que diz \u201cconhecer Deus\u201d e fomenta uma l\u00f3gica de guerra, de \u00f3dio, de intransig\u00eancia, de intoler\u00e2ncia, est\u00e1 bem distante de Deus; um crente que diz ter \u201ca sua f\u00e9\u201d e recusa o amor, a partilha, o servi\u00e7o, a comunidade, est\u00e1 muito longe dos caminhos onde se revela a vida e a salva\u00e7\u00e3o de Deus; um crente que se preocupa em oferecer a Deus muitas rezas e solenes rituais lit\u00fargicos, mas n\u00e3o se compadece dos filhos e filhas de Deus feridos e abandonados nas bermas da estrada da vida, n\u00e3o sabe nada de Deus. A minha vida concreta, as minhas atitudes para com os irm\u00e3os que me rodeiam, os sentimentos que enchem o meu cora\u00e7\u00e3o, os valores que condicionam as minhas a\u00e7\u00f5es, s\u00e3o coerentes com a minha f\u00e9? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Lucas 24,35-48<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nos disc\u00edpulos de Ema\u00fas<br \/>\ncontaram o que tinha acontecido no caminho<br \/>\ne como tinham reconhecido Jesus ao partir do p\u00e3o.<br \/>\nEnquanto diziam isto,<br \/>\nJesus apresentou-Se no meio deles e disse-lhes:<br \/>\n\u00abA paz esteja convosco\u00bb.<br \/>\nEspantados e cheios de medo, julgavam ver um esp\u00edrito.<br \/>\nDisse-lhes Jesus:<br \/>\n\u00abPorque estais perturbados<br \/>\ne porque se levantam esses pensamentos nos vossos cora\u00e7\u00f5es?<br \/>\nVede as minhas m\u00e3os e os meus p\u00e9s: sou Eu mesmo;<br \/>\ntocai-Me e vede: um esp\u00edrito n\u00e3o tem carne nem ossos,<br \/>\nComo vedes que Eu tenho\u00bb.<br \/>\nDito isto, mostrou-lhes as m\u00e3os e os p\u00e9s.<br \/>\nE como eles, na sua alegria e admira\u00e7\u00e3o,<br \/>\nn\u00e3o queriam ainda acreditar, perguntou-lhes:<br \/>\n\u00abTendes a\u00ed alguma coisa para comer?\u00bb<br \/>\nDeram-Lhe uma posta de peixe assado,<br \/>\nque Ele tomou e come\u00e7ou a comer diante deles.<br \/>\nDepois disse-lhes:<br \/>\n\u00abForam estas as palavras que vos dirigi, quando ainda estava convosco:<br \/>\n\u2018Tem de se cumprir tudo o que est\u00e1 escrito a meu respeito<br \/>\nna Lei de Mois\u00e9s, nos Profetas e nos Salmos\u2019\u00bb.<br \/>\nAbriu-lhes ent\u00e3o o entendimento<br \/>\npara compreenderem as Escrituras<br \/>\ne disse-lhes:<br \/>\n\u00abAssim est\u00e1 escrito que o Messias havia de sofrer<br \/>\ne de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia,<br \/>\ne que havia de ser pregado em seu nome<br \/>\no arrependimento e o perd\u00e3o dos pecados<br \/>\na todas as na\u00e7\u00f5es, come\u00e7ando por Jerusal\u00e9m.<br \/>\nV\u00f3s sois as testemunhas de todas estas coisas\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O epis\u00f3dio que Lucas nos relata no Evangelho deste terceiro domingo do tempo pascal situa-nos em Jerusal\u00e9m, pouco depois da ressurrei\u00e7\u00e3o. Os onze disc\u00edpulos est\u00e3o reunidos; j\u00e1 conhecem uma apari\u00e7\u00e3o de Jesus a Pedro (cf. Lc 24,34), bem como o relato do encontro de Jesus ressuscitado com os disc\u00edpulos de Ema\u00fas (cf. Lc 24,35). Mas \u00e9 bem prov\u00e1vel que, apesar das not\u00edcias que lhes chegaram nas \u00faltimas horas sobre as apari\u00e7\u00f5es de Jesus, se sintam com medo, confusos, perturbados e cheios de d\u00favidas. Afinal, a maior parte deles ainda n\u00e3o tinha feito a experi\u00eancia do encontro pessoal com Jesus ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O evangelista Lucas, nestes relatos p\u00f3s-pascais, procura mostrar como os disc\u00edpulos descobrem, progressivamente, Jesus vivo e ressuscitado. N\u00e3o lhe interessa fazer uma descri\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica e fotogr\u00e1fica das apari\u00e7\u00f5es de Jesus aos disc\u00edpulos, mas interessa-lhe, sobretudo, afirmar aos crist\u00e3os que Cristo continua vivo e presente, acompanhando a sua Igreja, e que os disc\u00edpulos de todas as \u00e9pocas, reunidos em comunidade, podem fazer uma experi\u00eancia de encontro verdadeiro com Jesus ressuscitado. Estamos no \u00e2mbito da catequese, mais do que no \u00e2mbito da descri\u00e7\u00e3o pormenorizada de acontecimentos reais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De acordo com Lucas, os onze n\u00e3o est\u00e3o sozinhos; com eles est\u00e3o \u201coutros companheiros\u201d (Lc 24,33). Lucas estar\u00e1 a referir-se a n\u00f3s? Estar\u00e1 a convidar-nos para nos reunirmos aos onze para fazermos, com eles, a experi\u00eancia de encontro com Jesus ressuscitado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para a sua catequese, Lucas vai utilizar diversas imagens que n\u00e3o devem ser tomadas \u00e0 letra nem absolutizadas. Elas s\u00e3o, apenas, o inv\u00f3lucro que apresenta a mensagem. O que devemos procurar, neste texto, \u00e9 algo que est\u00e1 para al\u00e9m dos pormenores, por muito reais que eles pare\u00e7am: \u00e9 a catequese da comunidade crist\u00e3 primitiva sobre a sua experi\u00eancia de encontro com Jesus vivo e ressuscitado. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jesus ressuscitou verdadeiramente, ou a ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto da imagina\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos? Como \u00e9 poss\u00edvel ter a certeza da ressurrei\u00e7\u00e3o? Como encontrar Jesus ressuscitado? Lucas diz-nos que n\u00f3s, como os primeiros disc\u00edpulos, temos de percorrer o nem sempre claro caminho da f\u00e9, at\u00e9 chegarmos \u00e0 certeza da ressurrei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se chega l\u00e1 atrav\u00e9s de dedu\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas, de constru\u00e7\u00f5es de car\u00e1cter intelectual ou de teorias vagas e et\u00e9reas; mas chega-se \u00e0 descoberta de Jesus ressuscitado quando se faz a experi\u00eancia de um verdadeiro encontro com Ele e se sente a sua presen\u00e7a viva ao nosso lado. Essa experi\u00eancia, essa descoberta, pode ter uma dimens\u00e3o pessoal; mas acontece, de forma privilegiada, em \u00e2mbito comunit\u00e1rio. Jesus, vivo e ressuscitado, est\u00e1 sempre presente \u201cno meio\u201d da comunidade quando os irm\u00e3os se re\u00fanem em seu nome; \u00e9 a refer\u00eancia fundamental desse grupo de irm\u00e3os e de irm\u00e3s que \u00e9 a nossa comunidade crist\u00e3. Ele manifesta-se no encontro comunit\u00e1rio, no di\u00e1logo com os irm\u00e3os que partilham a mesma f\u00e9, na escuta comunit\u00e1ria da Palavra de Deus, no amor partilhado em gestos de fraternidade e de servi\u00e7o. O que \u00e9 que isto me diz? Tenho feito esta experi\u00eancia da presen\u00e7a de Jesus, ressuscitado e cheio de vida, no caminho que vou percorrendo? Como \u00e9 que a minha comunidade crist\u00e3 me tem ajudado a fazer esta experi\u00eancia?<\/li>\n<li>A catequese de Lucas p\u00f5e Jesus ressuscitado no meio dos disc\u00edpulos, como centro vital da comunidade. Os disc\u00edpulos est\u00e3o reunidos \u00e0 volta de Jesus pois Ele \u00e9, para eles, a refer\u00eancia fundamental, a fonte de Vida onde todos v\u00e3o beber. Qual \u00e9 o centro vital, a refer\u00eancia fundamental nas nossas comunidades crist\u00e3s? Estamos todos voltados para Jesus, ou andamos distra\u00eddos com outras pessoas, outras figuras, outros temas, outros interesses, outras prioridades, outros valores?<\/li>\n<li>O \u201cdocumento\u201d que Jesus apresenta para que os disc\u00edpulos o identifiquem \u00e9 as m\u00e3os e os p\u00e9s marcados pelos sinais da crucifica\u00e7\u00e3o. Aquelas feridas s\u00e3o o sinal da sua entrega e da sua vida dada em favor dos seus irm\u00e3os. Naquelas marcas est\u00e1 o ser profundo de Jesus, aquilo que o identifica. A n\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, o que \u00e9 que nos identifica? A verdade profunda da nossa vida est\u00e1 na forma como servimos, como cuidamos, como perdoamos, como praticamos o amor que Jesus nos ensinou? Reconhecemos os sinais de Jesus ressuscitado nos gestos de amor e de bondade que vemos acontecer \u00e0 nossa volta, mesmo quando s\u00e3o praticados por pessoas que n\u00e3o pertencem \u00e0 comunidade crist\u00e3?<\/li>\n<li>Jesus ressuscitado abriu aos disc\u00edpulos \u201co entendimento para compreenderem as Escrituras\u201d. Quando a comunidade se re\u00fane para escutar a Palavra, Ele est\u00e1 presente e fala-nos; atrav\u00e9s da Palavra, Ele oferece-nos a Boa Not\u00edcia de Deus, questiona-nos sobre as nossas op\u00e7\u00f5es, aponta-nos caminhos, deixa-nos desafios, abre-nos horizontes novos\u2026 N\u00e3o sentimos, tantas vezes, a presen\u00e7a de Cristo a indicar-nos caminhos de Vida nova e a encher o nosso cora\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7a quando escutamos, lemos e meditamos a Palavra de Deus?<\/li>\n<li>Na presen\u00e7a dos disc\u00edpulos, Jesus tomou uma posta de peixe assado e \u201ccome\u00e7ou a comer diante deles\u201d. O catequista Lucas pretende que este gesto seja, para os disc\u00edpulos, uma \u201cprova de vida\u201d: Ele n\u00e3o \u00e9 um fantasma, mas esse mesmo Jesus que tantas vezes se tinha sentado com os disc\u00edpulos \u00e0 mesa para aquelas refei\u00e7\u00f5es inolvid\u00e1veis que anunciavam e antecipavam o Reino de Deus. Mas podemos tamb\u00e9m ver neste gesto uma indica\u00e7\u00e3o de que o Ressuscitado continuar\u00e1, pelo tempo fora, a \u201csentar-se \u00e0 mesa\u201d com os seus disc\u00edpulos, a estabelecer la\u00e7os com eles, a partilhar as suas inquieta\u00e7\u00f5es, anseios, dificuldades e esperan\u00e7as, sempre solid\u00e1rio com os seus. N\u00e3o sentimos a presen\u00e7a viva de Jesus, de forma especial, quando nos sentamos com Ele \u00e0 mesa da eucaristia?<\/li>\n<li>Jesus deixa aos disc\u00edpulos a miss\u00e3o de serem \u201ctestemunhas de todas estas coisas\u201d junto de \u201ctodos os povos, come\u00e7ando por Jerusal\u00e9m\u201d. A comunidade de Jesus \u00e9 precisamente isto: uma comunidade de testemunhas. Isto significa, apenas, que os crist\u00e3os devem ir contar a todos os homens, com lindas palavras, com racioc\u00ednios l\u00f3gicos e inatac\u00e1veis que Jesus ressuscitou e est\u00e1 vivo? O testemunho que Cristo nos pede passa pelo nosso estilo de vida, pelos nossos valores, pela forma como amamos e servimos, pela forma como vemos o mundo. A minha vida, os meus gestos, os meus valores d\u00e3o testemunho de que Jesus est\u00e1 vivo e a dar Vida ao mundo? A minha vida \u00e9, como foi a de Jesus, uma luta contra o ego\u00edsmo, a maldade, a viol\u00eancia, o pecado? A minha vida \u00e9, como foi a de Jesus, uma luta pela justi\u00e7a, pela verdade, pela dignidade dos meus irm\u00e3os, especialmente dos mais fr\u00e1geis e desprezados? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 constitu\u00edda por um discurso em que Pedro proclama a ressurrei\u00e7\u00e3o e acusa os que o ouvem de terem agido por ignor\u00e2ncia no processo da condena\u00e7\u00e3o de Jesus. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ser marcada pelo tom alegre e jubiloso da proclama\u00e7\u00e3o da ressurrei\u00e7\u00e3o e ter um especial cuidado para evitar um severo tom acusativo e condenat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A brevidade da <strong>segunda leitura<\/strong> n\u00e3o deve permitir descurar a sua prepara\u00e7\u00e3o e requer sobretudo uma acurada prepara\u00e7\u00e3o das pausas e respira\u00e7\u00f5es, sobretudo na articula\u00e7\u00e3o entre as diversas frases que iniciam com a conjuga\u00e7\u00e3o adversativa, \u00abmas\u00bb ou copulativa \u00abe\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/04\/17\/jesus-surpresa-permanente\/\"><strong>JESUS: SURPRESA PERMANENTE<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9-nos dada hoje, <strong>Domingo III da P\u00e1scoa<\/strong>, a gra\u00e7a de escutar a p\u00e1gina sublime do Evangelho de Lucas 24,35-48, em que Jesus Ressuscitado se faz ver aos seus disc\u00edpulos reunidos, que n\u00e3o s\u00e3o apenas os Onze, mas \u00abos Onze e os outros com eles\u00bb (Lucas 24,33), dissipa as suas d\u00favidas e os seus medos, e lhes indica o sentido da Escritura, enquanto abre diante dos seus olhos o sentido obrigat\u00f3rio da miss\u00e3o. Podem assaltar-nos quest\u00f5es como estas: a) o que ter\u00e1 acontecido \u00e0queles disc\u00edpulos depois da morte de Jesus?; b) como chegaram ao ponto de afirmar a sua ressurrei\u00e7\u00e3o?; c) ter\u00e3o sido v\u00edtimas de alguma desmedida ilus\u00e3o?; d) autoconvenceram-se de que a obra de Jesus n\u00e3o podia terminar com aquela morte?; e) \u00e9 a partir de si mesmos que chegam \u00e0 f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o, e que come\u00e7am a anunciar convictamente que Jesus est\u00e1 vivo? A p\u00e1gina do Evangelho de hoje ajuda-nos a compreender melhor os acontecimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ainda os dois disc\u00edpulos de Ema\u00fas faziam exegese demorada (<em>exego\u00fbnto<\/em>: impf. de\u00a0<em>ex\u00eag\u00e9omai<\/em>) das coisas acontecidas no caminho e de como Jesus se deu a conhecer (<em>egn\u00f4sth\u00ea<\/em>: aor. pass. de\u00a0<em>gin\u00f4sk\u00f4<\/em>) a eles (<em>auto\u00ees<\/em>), dativo do benefici\u00e1rio, no partir do p\u00e3o (<em>en t\u00ea kl\u00e1sei to\u00fb \u00e1rtou<\/em>) (Lucas 24,35), quando o pr\u00f3prio Ressuscitado irrompeu e ficou de p\u00e9 no MEIO deles (o lugar da presid\u00eancia), e saudou-os, dizendo: \u00abA Paz convosco!\u00bb (Lucas 24,36). O leitor estaria \u00e0 espera de uma rece\u00e7\u00e3o apote\u00f3tica, do rebentamento de recalcadas emo\u00e7\u00f5es, de incontidos gritos de j\u00fabilo e de alegria. E, em vez disso, assistimos ao extravasar de medos, perturba\u00e7\u00e3o e d\u00favidas, pois o que pensavam estar a ver diante deles, no MEIO deles, era um esp\u00edrito, um fantasma! (Lucas 24,37 e 39).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esta rea\u00e7\u00e3o \u00e9 importante, e manifesta que estes disc\u00edpulos de Jesus, ap\u00f3s aquela morte de Jesus, j\u00e1 tinham desistido de Jesus e nada mais esperavam dele (Lucas 24,21). Qualquer novo in\u00edcio s\u00f3 poderia vir de fora, s\u00f3 poderia vir de Deus. Naqueles disc\u00edpulos n\u00e3o se vislumbrava nenhuma r\u00e9stia de esperan\u00e7a, nenhuma acha ainda fumegava. Tudo cinza do mais cinzento que h\u00e1. \u00c9 a maneira de a B\u00edblia inteira real\u00e7ar a interven\u00e7\u00e3o de Deus. Deus n\u00e3o interv\u00e9m como consequ\u00eancia de um pedido ou desejo nosso, para satisfazer os nossos anseios ou proje\u00e7\u00f5es mais insistentes. \u00c9 sempre pura iniciativa sua, do nosso lado impens\u00e1vel, imprevis\u00edvel e incontrol\u00e1vel. Ao mostrar as coisas desta maneira, a B\u00edblia, toda a B\u00edblia, antecipa-se em muitos s\u00e9culos aos \u00abmestres da suspeita\u00bb (Feuerbach, Marx, Nietzsche e Freud) e dissolve\u00a0<em>avant la lettre<\/em>\u00a0a sua den\u00fancia de um Deus produzido ou projetado pelos nossos anseios e desejos. \u00c9, portanto, de assinalar que estes disc\u00edpulos de Jesus deem o \u201cdossier Jesus\u201d, que os encantou, por encerrado, e comecem \u00e0s apalpadelas a planear \u00e0 sua maneira o \u201cp\u00f3s-Jesus\u201d, mais ou menos como n\u00f3s vamos estudando e planeando agora o p\u00f3s-pandemia. Como se Jesus n\u00e3o estivesse aqui, no MEIO de n\u00f3s! E como se n\u00e3o houvesse mais nenhuma surpresa para engolir! N\u00e3o nos esque\u00e7amos da verdade escondida aos olhos dos dois disc\u00edpulos de Ema\u00fas: \u00abTu \u00e9s o \u00fanico que n\u00e3o sabe as coisas que aconteceram em Jerusal\u00e9m nestes dias?\u00bb (Lucas 24,18). Sim, Ele \u00e9 o \u00fanico que n\u00e3o sabe aquelas coisas, estas coisas, como n\u00f3s as sabemos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 assim que Jesus vem sem ser esperado e sem se fazer anunciar. E porque n\u00e3o era poss\u00edvel, da nossa parte, acreditar que fosse Ele, Ele tem mesmo de se identificar, coisa estranha. Para o fazer, n\u00e3o exibe, por\u00e9m, qualquer fotografia ou documento. Mostra as m\u00e3os e os p\u00e9s (Lucas 24,39-40), como em Jo\u00e3o 20,20 e 27 mostra as m\u00e3os e o lado, que levam a reconhecer o Ressuscitado como o Crucificado, sendo as m\u00e3os e os p\u00e9s, como as m\u00e3os e o lado, as marcas da sua vida dada. Note-se uma vez mais que n\u00e3o \u00e9 pelo rosto que identificamos Jesus Ressuscitado. Sen\u00e3o aqueles disc\u00edpulos, que com Ele tinham convivido de perto, t\u00ea-lo-iam identificado sem demora. \u00c9 a sua maneira de ser que diz Quem Ele \u00e9. E a sua maneira de ser \u00e9 dar a vida. Maneira de ser e de estar connosco. No meio de n\u00f3s (Lucas 24,36) e \u00e0 nossa frente (Lucas 24,43), presidindo-nos e precedendo-nos e surpreendendo-nos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sintom\u00e1tico que aqueles disc\u00edpulos, vendo o que veem, nada digam. Permanecem mudos. Eles que antes estavam cheios de palavras\u2026 Mas Jesus continua a ser, \u00e9 sempre, n\u00e3o o simples orador \u00e0 maneira dos escribas, mas Aquele que fala com autoridade (Marcos 1,22). Ele \u00e9 a Palavra criadora de mundos novos e de cora\u00e7\u00f5es novos (Jo\u00e3o 1,3). Quando Ele surge, um mundo novo come\u00e7a a acontecer. Dentro e fora de n\u00f3s. E como \u00e9 que podemos falar se ainda estamos a nascer?! Portanto, Ele\u00a0<em>fala<\/em>\u00a0(<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>): \u00ab<em>\u00c9 necess\u00e1rio<\/em>\u00a0(<em>de\u00ee<\/em>) que se cumpram todas as coisas\u00a0<em>escritas<\/em>\u00a0(<em>gegramm\u00e9na<\/em>) na Lei de Mois\u00e9s e nos Profetas e nos Salmos\u00a0<em>acerca de mim<\/em>\u00a0(<em>per\u00ec emo\u00fb<\/em>). [\u2026] Assim\u00a0<em>foi escrito<\/em>\u00a0(<em>g\u00e9graptai<\/em>) que o Cristo havia de sofrer (1) e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia (2) e de ser\u00a0<em>anunciada<\/em>\u00a0(<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>) (3) no seu nome a convers\u00e3o para a remiss\u00e3o dos pecados a todas as na\u00e7\u00f5es\u00bb (Lucas 24,44-47). E acrescenta com autoridade: \u00abV\u00f3s sois\u00a0<em>testemunhas<\/em>\u00a0(<em>m\u00e1rtyres<\/em>) destas coisas\u00bb (Lucas 24,48).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A partir deste luminoso\u00a0<em>falar<\/em>\u00a0revelat\u00f3rio (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>) de Jesus fica claro, para n\u00f3s, que a Miss\u00e3o do an\u00fancio do Evangelho n\u00e3o \u00e9 facultativa, mas insere-se na\u00a0<em>necessidade<\/em>\u00a0do plano de Deus, ao mesmo n\u00edvel da morte e da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. De forma clara, o crist\u00e3o \u00e9 batizado na morte de Cristo e vive a vida nova da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, mas tem de viver tamb\u00e9m do\/e para o an\u00fancio do Evangelho. \u00c9 este o \u00fanico lugar do Novo Testamento que guarda esta tripla\u00a0<em>necessidade<\/em>: sofrimento e morte de Jesus (1), ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus (2), an\u00fancio do Evangelho a todas as na\u00e7\u00f5es (3). Nos outros lugares do Novo Testamento, esta\u00a0<em>necessidade<\/em>\u00a0afeta apenas as duas primeiras realidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esta\u00a0<em>necessidade<\/em>\u00a0teol\u00f3gica fica registada no uso do verbo grego\u00a0<em>de\u00ee<\/em>\u00a0e das coisas para sempre\u00a0<em>escritas<\/em>\u00a0em todas as Escrituras. O para sempre\u00a0<em>escritas<\/em>\u00a0fica gravado no uso dos dois perfeitos (<em>gegramm\u00e9na<\/em>\u00a0e\u00a0<em>g\u00e9graptai<\/em>, respetivamente partic\u00edpio perfeito passivo e perfeito passivo do verbo\u00a0<em>gr\u00e1ph\u00f4<\/em>). Se o uso do perfeito indica o \u00abpara sempre\u00bb, o uso da forma passiva aponta para Deus, tratando-se, como \u00e9 usual classificar-se, de um passivo divino ou teol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Importa ainda precisar que este\u00a0<em>necess\u00e1rio<\/em>\u00a0an\u00fancio do Evangelho n\u00e3o afeta apenas os Onze, mas \u00abos Onze e os outros com eles\u00bb (Lucas 24,33), entenda-se, todos os disc\u00edpulos de Jesus, pois \u00e9 perante todos [\u00abos Onze e os outros com eles\u00bb] \u2013 n\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7a de cen\u00e1rio \u2013 que Jesus pronuncia o luminoso\u00a0<em>falar<\/em>\u00a0revelat\u00f3rio de Lucas 24,44-47. Sem equ\u00edvocos ent\u00e3o: esta miss\u00e3o afeta-nos a todos, todos os disc\u00edpulos de Jesus de todos os tempos. Fica ainda claro que o\u00a0<em>an\u00fancio<\/em>\u00a0(<em>k\u00earygma<\/em>) do Evangelho n\u00e3o decorre por conta e risco do\u00a0<em>anunciador<\/em>\u00a0(<em>k\u00earyx<\/em>), que n\u00e3o o faz em seu pr\u00f3prio nome; antes, apresenta-se sempre vinculado a Jesus Cristo, pois o\u00a0<em>an\u00fancio<\/em>\u00a0\u00e9 feito \u00abem seu nome\u00bb (Lucas 24,47), \u00e9 Ele que envia o\u00a0<em>anunciador<\/em>. E este\u00a0<em>an\u00fancio<\/em>\u00a0do Evangelho n\u00e3o fica circunscrito a um horizonte limitado, paroquial, diocesano, nacional, continental, pois o seu verdadeiro horizonte s\u00e3o \u00abtodas as na\u00e7\u00f5es\u00bb (Lucas 24,47), \u00abtodos os lugares\u00bb, todos os cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Bem se v\u00ea que \u00e9, neste ponto preciso e nesta\u00a0<em>necessidade<\/em>, que S. Paulo, \u00abo maior mission\u00e1rio de todos os tempos\u00bb (Bento XVI) e \u00abmodelo de cada evangelizador\u00bb (S. Paulo VI), enxerta a sua vida e se entende a si mesmo, pois confessa: \u00abEvangelizar n\u00e3o \u00e9 para mim um t\u00edtulo de gl\u00f3ria, mas uma\u00a0<em>necessidade<\/em>\u00a0que se me imp\u00f5e desde fora (<em>ep\u00edkeitai<\/em>). Ai de mim se n\u00e3o Evangelizar!\u00bb (1 Cor\u00edntios 9,16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Imp\u00f5e-se ainda uma anota\u00e7\u00e3o sobre aquela importante afirma\u00e7\u00e3o final de Jesus, que nos designa como\u00a0<em>testemunhas<\/em>\u00a0(<em>m\u00e1rtyres<\/em>). \u00c9 a primeira vez que os disc\u00edpulos s\u00e3o designados como\u00a0<em>testemunhas<\/em>. No mundo de hoje, tal como o conhecemos, falar de\u00a0<em>testemunhas<\/em>\u00a0\u00e9 falar de algu\u00e9m que, tendo presenciado um acidente ou um crime, se compromete depois, no tribunal, a apresentar o seu ponto de vista sobre o sucedido. Algu\u00e9m, portanto, que \u00e9 chamado a comprometer-se com uma hist\u00f3ria que n\u00e3o \u00e9 a dele. Para evitar chatices, acabamos muitas vezes por dizer logo \u00e0 partida que n\u00e3o vimos nada. Mas, aqui, \u00e9 Jesus que nos designa como\u00a0<em>testemunhas<\/em>. Convenhamos que esta designa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os como\u00a0<em>testemunhas<\/em>\u00a0n\u00e3o tem sido nem \u00e9 habitual. A linguagem corrente cataloga-nos mais depressa como \u00abpraticantes\u00bb ou \u00abn\u00e3o-praticantes\u00bb. Mas aqui somos designados como \u00ab<em>testemunhas<\/em>\u00bb dos acontecimentos de Jesus Cristo. Aquando da necess\u00e1ria substitui\u00e7\u00e3o de Judas no col\u00e9gio apost\u00f3lico, Pedro tra\u00e7a assim os requisitos necess\u00e1rios que devem presidir \u00e0 escolha do novo membro que venha a entrar no grupo dos Doze: \u00ab\u00c9 necess\u00e1rio (<em>de\u00ee<\/em>), pois, que, dos homens que vieram connosco (<em>syn\u00e9rchomai<\/em>) durante todo o tempo em que entrou e saiu \u00e0 nossa frente o Senhor Jesus, tendo come\u00e7ado desde o Batismo de Jo\u00e3o at\u00e9 ao dia em que Ele foi arrebatado (<em>anel\u00eamphth\u00ea<\/em>) diante de n\u00f3s, um destes se torne connosco\u00a0<em>testemunha<\/em>\u00a0(<em>m\u00e1rtys<\/em>) da sua Ressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb (Atos 1,21-22). Somos, portanto, chamados a envolver-nos de tal modo na hist\u00f3ria e na vida de Jesus, a ponto de a fazermos nossa, para a transmitir aos outros, n\u00e3o com discursos inflamados ou esgotados, mas com a vida! Sim, aquela hist\u00f3ria e aquela vida s\u00e3o a nossa hist\u00f3ria e a nossa vida. A\u00ed est\u00e1 o estilo da testemunha e do evangelizador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A\u00ed est\u00e1, ent\u00e3o, o importante acerto com a narrativa do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos (3,13-19), que nos mostra Pedro no papel de\u00a0<em>testemunha<\/em>\u00a0(<em>m\u00e1rtys<\/em>) (v. 15) envolvendo-se e envolvendo outros na hist\u00f3ria \u00abdeste Jesus, que v\u00f3s entregastes\u00bb (v. 13), \u00abmas que Deus ressuscitou dos mortos\u00bb (v. 15). E a Primeira Carta de S. Jo\u00e3o (1,1-5) mostra-nos Jesus Cristo como nosso Advogado (<em>par\u00e1kl\u00eatos<\/em>) e v\u00edtima de expia\u00e7\u00e3o (<em>hilasm\u00f3s<\/em>) pelos pecados de todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O canto sereno, \u00e0 serena luz da vela, do Salmo 4, que \u00e9 um canto noturno, enche-nos de paz e de confian\u00e7a e ensina-nos a viver serenamente, dia e noite, na companhia daquele Deus que se envolveu e envolve na nossa hist\u00f3ria e na nossa vida, realizando prod\u00edgios e reduzindo a fumo os \u00eddolos e as insensatas e orgulhosas manobras humanas. O poeta franc\u00eas Paul Claudel, que muitas vezes passeava pela B\u00edblia, parafraseou assim: \u00abH\u00e1 em mim esta paz que me leva ao sono. H\u00e1 em mim este tesouro da esperan\u00e7a que me deste\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor Jesus,\/ h\u00e1 tanta gente que Te procura \u00e0 pressa e Te quer ver.\/ Mas quando dizem que Te querem ver,\/ n\u00e3o \u00e9 para Te conhecer.\/ \u00c9 o teu rosto, a cor dos teus olhos e cabelos,\/ a tez da tua pele, a tua forma de vestir que os atrai e contagia.\/ Querem ver-te como se fosse numa fotografia.\/\/<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Tu, Senhor Jesus Ressuscitado,\/ quando Te d\u00e1s a conhecer a n\u00f3s,\/ n\u00e3o mostras o rosto,\/ uma fotografia,\/ o cart\u00e3o de cidad\u00e3o.\/ Se fosse assim,\/ mal seria que os teus amigos Te n\u00e3o reconhecessem.\/\/<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o facto \u00e9 que,\/ quando surges no meio deles,\/ n\u00e3o Te reconhecem.\/ E em vez do rosto,\/ s\u00e3o, afinal, as m\u00e3os e o lado,\/ ou as m\u00e3os e os p\u00e9s que apresentas.\/ Entenda-se: \u00e9 a tua maneira de viver que nos queres fazer ver.\/ Na verdade, a tua identidade \u00e9 dar a vida,\/ \u00e9 dar a m\u00e3o e o cora\u00e7\u00e3o.\/ \u00c9 essa a tua li\u00e7\u00e3o,\/ a tua paix\u00e3o,\/ a tua ressurrei\u00e7\u00e3o.\/\/<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor, d\u00e1-nos sempre desse p\u00e3o!\/\/<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Leitura-I-do-Domingo-III-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-14.04.2024-Act-3-13-15.17-19.pdf\">Leitura I do Domingo III do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 14.04.2024 (Act 3, 13-15.17-19)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Leitura-II-do-Domingo-III-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-14.04.2024-1-Jo-2-1-5a.pdf\">Leitura II do Domingo III do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 14.04.2024 (1 Jo 2, 1-5a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Domingo-III-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-14.04.2024-Lecionario.pdf\">Domingo III do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 14.04.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Domingo-III-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-14.04.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo III do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 14.04.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Mensagem-Papa-Francisco-para-o-LXI-Dia-Mundial-de-Oracao-pelas-Vocacoes-21.04.2024.pdf\">Mensagem Papa Francisco para o LXI Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es &#8211; 21.04.2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo II da P\u00e1scoa \u2013 Ano B \u2013 07.04.2024&#8243; tab_id=&#8221;1713178426794-a1d77075-6bc1&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo II da P\u00e1scoa &#8211; Ano B \u2013 07.04.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Domingo-II-da-Pascoa.jpg\" alt=\"\" width=\"755\" height=\"369\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>O Evangelho deste Domingo situa-se: \u00ab<em>na tarde daquele dia, o primeiro da semana<\/em>\u00bb. Os disc\u00edpulos estavam reunidos com medo dos judeus, mas Jesus coloca-se no meio deles e sa\u00fada-os com a Sua Paz, mostra-lhes as marcas da Paix\u00e3o e concede-lhes o dom do Esp\u00edrito Santo para que eles sejam sinal de reconcilia\u00e7\u00e3o e de paz junto daqueles a quem s\u00e3o enviados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Tom\u00e9, aquele a quem chamavam D\u00eddimo, n\u00e3o estava com o grupo neste momento e, tendo regressado, afirma que s\u00f3 acreditar\u00e1 se vir com os seus pr\u00f3prios olhos e tocar com as suas m\u00e3os. Por isso, Jesus volta a aparecer aos Seus disc\u00edpulos e o Evangelho indica que tudo isto aconteceu \u00ab<em>oito dias depois<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As indica\u00e7\u00f5es temporais que o Evangelho nos apresenta n\u00e3o s\u00e3o apenas as anota\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas para situar a a\u00e7\u00e3o descrita. Nestas indica\u00e7\u00f5es temporais encontramos o ritmo da vida da Igreja:<em>\u00a0\u00abo primeiro da semana<\/em>\u00bb e \u00ab<em>oito dias depois<\/em>\u00bb. Este \u00e9 o ritmo da assembleia crist\u00e3 que hebdomadariamente, isto \u00e9, semanalmente, se re\u00fane, Domingo ap\u00f3s Domingo, para celebrar a sua f\u00e9 e proclamar a certeza de que o Ressuscitado acompanha a Sua Igreja, oferecendo-lhe a Sua Paz e concedendo-lhe o dom do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, cada Domingo \u00e9 o Dia do Senhor, dia de festa e de alegria, onde a comunidade crist\u00e3 reunida \u00e0 volta da mesa do altar, escutando a Palavra do Senhor e partilhando o Seu p\u00e3o, renova a certeza desse amor maior que se faz entrega total e plena na Cruz. Ningu\u00e9m est\u00e1 dispensado desta reuni\u00e3o festiva dos filhos de Deus. A aventura da F\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma aventura isolada \u00e0 qual nos propomos sozinhos. Como Tom\u00e9, quando nos afastamos da comunidade, o desafio de acreditar torna-se mais dif\u00edcil e exigente. Aquele que se afasta da comunidade afasta-se da experi\u00eancia comunit\u00e1ria de Jesus, do lugar privilegiado onde Deus se revela e manifesta como Rosto da miseric\u00f3rdia do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho apresenta Tom\u00e9 como D\u00eddimo, isto \u00e9, g\u00e9meo. Na verdade, Tom\u00e9 n\u00e3o est\u00e1 sozinho. Tamb\u00e9m n\u00f3s duvidamos, vacilamos e titubeamos, sobretudo quando nos propomos a caminhar sozinhos, quando nos afastamos da comunidade ou quando ferimos a comunh\u00e3o e unidade pelas divis\u00f5es e disc\u00f3rdias que nos afastam dos outros e que afastam os outros. O melhor testemunho que a Igreja pode oferecer ao mundo \u00e9 a sua comunh\u00e3o e unidade, com comunidades acolhedoras, geradoras de rela\u00e7\u00f5es fraternas, para que guiadas e iluminadas pelo Esp\u00edrito Santo se tornem lugares da Paz que s\u00f3 o Ressuscitado e o Seu infinito amor podem oferecer e garantir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Assim como o Pai Me enviou, tamb\u00e9m Eu vos envio a v\u00f3s<\/em>\u00bb. O Ressuscitado identifica-se diante dos disc\u00edpulos mostrando-lhes \u00ab<em>as m\u00e3os e o lado<\/em>\u00bb. As marcas da paix\u00e3o identificam Jesus e revelam que o Ressuscitado \u00e9 Aquele que oferece a Sua vida por n\u00f3s. Mas tamb\u00e9m hoje, Jesus continua a revelar as marcas da Sua paix\u00e3o e do Seu sofrimento nas chagas dolorosas dos que se cruzam connosco. Confessar a f\u00e9 em Jesus Cristo Ressuscitado \u00e9 viver atento ao sofrimento dos irm\u00e3os e procurar responder com gestos concretos de proximidade e miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos disc\u00edpulos mission\u00e1rios. Somos enviados ao jeito de Jesus, para que as nossas vidas se tornem feliz an\u00fancio da miseric\u00f3rdia de Deus. N\u00e3o basta sermos crentes, precisamos ser cred\u00edveis, proclamando com a vida aquilo que os nossos l\u00e1bios professam.<strong><em>in Voz Portucalense (adaptado)<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano 2000, o Papa S. Jo\u00e3o Paulo II canonizou Santa Faustina e declarou que daquele dia em diante, o <strong>segundo Domingo da P\u00e1scoa<\/strong> seria tamb\u00e9m designado como <strong>Domingo da Miseric\u00f3rdia<\/strong>. Al\u00e9m disso, S. Jo\u00e3o Paulo II \u00ab<em>estabeleceu que o citado Domingo seja enriquecido com a Indulg\u00eancia Plen\u00e1ria, para que os fi\u00e9is possam receber mais amplamente o dom do conforto do Esp\u00edrito Santo e desta forma alimentar uma caridade crescente para com Deus e o pr\u00f3ximo e, obtendo eles mesmos o perd\u00e3o de Deus, sejam por sua vez induzidos a perdoar imediatamente aos irm\u00e3os<\/em>\u00bb (Decreto da Penitenciaria Apost\u00f3lica, 2002). Que este momento peculiar da hist\u00f3ria que estamos a atravessar nos estimule a recordar a miseric\u00f3rdia infinita do Pai, revelada em Jesus Cristo na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. Neste Domingo da Miseric\u00f3rdia aliada \u00e0 pr\u00e1tica das diversas devo\u00e7\u00f5es deixadas por Santa Faustina como o Ter\u00e7o da Miseric\u00f3rdia, poder\u00e1 ser oportuna a medita\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia de uma das Par\u00e1bolas da Miseric\u00f3rdia. Al\u00e9m disso, podemos usar as redes sociais e os nossos meios de comunica\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia para agradecer \u00e0queles que s\u00e3o para n\u00f3s sinal pr\u00f3ximo da miseric\u00f3rdia de Deus. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Atos dos Ap\u00f3stolos 4,32-35<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A multid\u00e3o dos que haviam abra\u00e7ado a f\u00e9<br \/>\ntinha um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e uma s\u00f3 alma;<br \/>\nningu\u00e9m chamava seu ao que lhe pertencia,<br \/>\nmas tudo entre eles era comum.<br \/>\nOs Ap\u00f3stolos davam testemunho da ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor Jesus<br \/>\ncom grande poder<br \/>\ne gozavam todos de grande simpatia.<br \/>\nN\u00e3o havia entre eles qualquer necessitado,<br \/>\nporque todos os que possu\u00edam terras ou casas<br \/>\nvendiam-nas e traziam o produto das vendas,<br \/>\nque depunham aos p\u00e9s dos Ap\u00f3stolos.<br \/>\nDistribu\u00eda-se ent\u00e3o a cada um conforme a sua necessidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, logo depois da introdu\u00e7\u00e3o inicial (cf. At 1,1-11), oferece-nos um conjunto de hist\u00f3rias sobre a comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m (cf. At 1,12-6,7). Mas o objetivo primordial de Lucas, o autor dos Atos, n\u00e3o \u00e9 fornecer-nos um relato real e pormenorizado dos primeiros dias do cristianismo, ap\u00f3s a ascens\u00e3o de Jesus ao c\u00e9u; o que ele pretende \u00e9 propor-nos uma catequese sobre a forma como a Igreja de Jesus se deve estruturar e apresentar ao mundo. A comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m \u00e9, de certo modo, a m\u00e3e e o modelo de todas as Igrejas. Lucas, ao falar dela, vai idealiz\u00e1-la e \u201cembelez\u00e1-la\u201d, a fim de que ela funcione como exemplo para todas as Igrejas que depois ir\u00e3o surgir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesses cap\u00edtulos dedicados \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o da Igreja de Jerusal\u00e9m Lucas insere, a certa altura, tr\u00eas breves sum\u00e1rios que p\u00f5em em relevo dimens\u00f5es particularmente importantes da vida eclesial. No primeiro desses sum\u00e1rios sublinha-se especialmente a unidade, a fidelidade \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e ao ensino dos ap\u00f3stolos, o esp\u00edrito fraterno e o testemunho que a comunidade dava aos habitantes de Jerusal\u00e9m (cf. At 2,42-47); no segundo (e que \u00e9 exatamente o texto que nos \u00e9 proposto como primeira leitura neste segundo domingo do tempo pascal) a \u00eanfase \u00e9 posta na partilha dos bens e na solidariedade dos membros da comunidade (cf. At 4,32-35); no terceiro, real\u00e7a-se a atividade curadora dos ap\u00f3stolos, que despertava o interesse da cidade e atra\u00eda novos membros \u00e0 comunidade (cf. At 5,12-16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para entendermos todo o alcance da reflex\u00e3o de Lucas precisamos de ter em conta a situa\u00e7\u00e3o das comunidades crist\u00e3s no final da d\u00e9cada de 80 do primeiro s\u00e9culo. O entusiasmo inicial dos crist\u00e3os estava um tanto dilu\u00eddo: Jesus ainda n\u00e3o tinha vindo para instaurar definitivamente o \u201cReino de Deus\u201d e, em contrapartida, posicionavam-se no horizonte pr\u00f3ximo as primeiras grandes persegui\u00e7\u00f5es. Muitos dos crentes tinham-se instalado numa f\u00e9 \u201cmorna\u201d e inconsequente. Havia desleixo, falta de entusiasmo, acomoda\u00e7\u00e3o, divis\u00e3o, conflitos e confus\u00e3o (at\u00e9 porque come\u00e7avam a aparecer falsos mestres, com doutrinas estranhas e pouco crist\u00e3s). Neste contexto, Lucas recorda o essencial da experi\u00eancia crist\u00e3 e tra\u00e7a o quadro daquilo que a comunidade deve ser e testemunhar.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma \u201cmultid\u00e3o\u201d que abra\u00e7ou a mesma f\u00e9 \u2013 quer dizer, que aderiu a Jesus, aos seus valores, \u00e0 sua proposta. A Igreja n\u00e3o \u00e9 um grupo unido por uma ideologia, ou por uma mesma vis\u00e3o do mundo, ou pela simpatia pessoal dos seus membros; mas \u00e9 uma comunidade que re\u00fane pessoas de diferentes ra\u00e7as e culturas \u00e0 volta de Jesus e do seu projeto de vida. Que lugar e que papel Jesus e as suas propostas ocupam na minha vida pessoal? Jesus \u00e9 uma refer\u00eancia distante e pouco real, ou \u00e9 uma presen\u00e7a constante que me questiona e que me aponta caminhos? Que lugar ocupa Jesus na vida e na programa\u00e7\u00e3o da minha comunidade crist\u00e3? Ele \u00e9 o centro, a refer\u00eancia a partir da qual se articula a liturgia, a vida sacramental, a catequese, a caridade da comunidade crist\u00e3 onde eu fa\u00e7o a minha caminhada de f\u00e9?<\/li>\n<li>A comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma fam\u00edlia unida, onde os irm\u00e3os t\u00eam \u201cum s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e uma s\u00f3 alma\u201d. Tal facto resulta da ades\u00e3o a Jesus: seria um absurdo aderir a Jesus e ao seu projeto e, depois, conduzir a vida de acordo com mecanismos de divis\u00e3o, de fechamento, de ego\u00edsmo, de orgulho, de autossufici\u00eancia\u2026 A minha comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma comunidade de irm\u00e3os que vivem no amor, ou \u00e9 um grupo de pessoas isoladas, em que cada um procura defender os seus interesses, mesmo que para isso tenha de magoar e de espezinhar os outros? No que me diz respeito, esfor\u00e7o-me por amar todos, por respeitar a liberdade e a dignidade de todos, por potenciar os contributos e as qualidades de todos?<\/li>\n<li>A comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma comunidade de partilha. No centro dessa comunidade est\u00e1 o Cristo do amor, da partilha, do servi\u00e7o, do dom da vida\u2026 O crist\u00e3o n\u00e3o pode, portanto, viver fechado no seu ego\u00edsmo, indiferente \u00e0 sorte dos outros irm\u00e3os. Em concreto, o nosso texto fala na partilha dos bens\u2026 Uma comunidade onde alguns esbanjam os bens e onde outros n\u00e3o t\u00eam o suficiente para viver dignamente, ser\u00e1 uma comunidade que testemunha, diante dos homens, esse mundo novo de amor que Jesus veio propor? Ser\u00e1 crist\u00e3o aquele que, embora indo \u00e0 igreja, s\u00f3 pensa em acumular bens materiais, recusando-se a escutar os dramas e sofrimentos dos irm\u00e3os mais pobres? Ser\u00e1 crist\u00e3o aquele que, embora contribuindo com donativos para as necessidades da par\u00f3quia, comete injusti\u00e7as ou explora os seus servidores?<\/li>\n<li>A comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma comunidade que testemunha o Senhor ressuscitado. Como? Atrav\u00e9s de teorias bem elaboradas ou de discursos teol\u00f3gicos bem constru\u00eddos, mas que passam ao lado da vida e dos problemas dos homens? Atrav\u00e9s de rituais solenes e majestosos, mas est\u00e9reis e vazios? O testemunho mais impressionante e mais convincente ser\u00e1 sempre o testemunho de vida dos disc\u00edpulos de Jesus\u2026 Se conseguirmos criar verdadeiras comunidades fraternas, que vivam no amor e na partilha, que sejam sinais no mundo dessa vida nova que Jesus veio propor, estaremos a anunciar que Jesus est\u00e1 vivo, que est\u00e1 a atuar em n\u00f3s e que, atrav\u00e9s de n\u00f3s, continua a apresentar ao mundo uma proposta de vida verdadeira. As nossas comunidades crist\u00e3s s\u00e3o lugares onde se sente pulsar, ao vivo e a cores, a Vida nova de Jesus? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 117 (118)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Dai gra\u00e7as ao Senhor, porque Ele \u00e9 bom,<br \/>\nporque \u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Aclamai o senhor, porque Ele \u00e9 bom:<br \/>\no seu amor \u00e9 para sempre.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 3:\u00a0 Aleluia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diga a casa de Israel:<br \/>\n\u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<br \/>\nDiga a casa de Aar\u00e3o:<br \/>\n\u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<br \/>\nDigam os que temem o Senhor:<br \/>\n\u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00e3o do Senhor fez prod\u00edgios,<br \/>\nA m\u00e3o do Senhor foi magn\u00edfica.<br \/>\nN\u00e3o morrerei, mas hei de viver,<br \/>\npara anunciar as obras do Senhor.<br \/>\nCom dureza me castigou o Senhor,<br \/>\nmas n\u00e3o me deixou morrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pedra que os construtores rejeitaram<br \/>\ntornou-se pedra angular.<br \/>\nTudo isto veio do Senhor:<br \/>\n\u00e9 admir\u00e1vel aos nossos olhos.<br \/>\nEste \u00e9 o dia que o Senhor fez:<br \/>\nexultemos e cantemos de alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 1 Jo\u00e3o 5,1-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Car\u00edssimos:<br \/>\nQuem acredita que Jesus \u00e9 o Messias,<br \/>\nnasceu de Deus,<br \/>\ne quem ama Aquele que gerou<br \/>\nama tamb\u00e9m Aquele que nasceu d\u2019Ele.<br \/>\nN\u00f3s sabemos que amamos os filhos de Deus<br \/>\nquando amamos a Deus e cumprimos os seus mandamentos,<br \/>\nporque o amor de Deus<br \/>\nconsiste em guardar os seus mandamentos.<br \/>\nE os seus mandamentos n\u00e3o s\u00e3o pesados,<br \/>\nporque todo o que nasceu de Deus vence o mundo.<br \/>\nEsta \u00e9 a vit\u00f3ria que vence o mundo: a nossa f\u00e9.<br \/>\nQuem \u00e9 o vencedor do mundo<br \/>\nsen\u00e3o aquele que acredita que Jesus \u00e9 o Filho de Deus?<br \/>\nEste \u00e9 o que veio pela \u00e1gua e pelo sangue: Jesus Cristo;<br \/>\nn\u00e3o s\u00f3 com a \u00e1gua, mas com a \u00e1gua e o sangue.<br \/>\n\u00c9 o Esp\u00edrito que d\u00e1 testemunho,<br \/>\nporque o Esp\u00edrito \u00e9 a verdade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A opini\u00e3o tradicional atribu\u00eda a autoria da primeira Carta de Jo\u00e3o (como tamb\u00e9m a segunda e a terceira) ao ap\u00f3stolo Jo\u00e3o, irm\u00e3o de Tiago; no entanto, essa hip\u00f3tese foi praticamente descartada pelos biblistas. Discute-se se o seu autor ser\u00e1 o mesmo autor do Quarto Evangelho, atendendo \u00e0 semelhan\u00e7a de vocabul\u00e1rio, de estilo e de doutrina entre os dois documentos; mas nem isso \u00e9 consensual. H\u00e1 ainda quem se questione se o autor desta carta (e das outras: a segunda e a terceira) n\u00e3o ser\u00e1 um tal \u201cJo\u00e3o, o Presb\u00edtero\u201d (cf. 2 Jo 1,1; 3 Jo 1,1), conhecido da tradi\u00e7\u00e3o primitiva e que, aparentemente, era uma personagem distinta do \u201cJo\u00e3o, o ap\u00f3stolo\u201d. Seja como for, o autor da primeira Carta de Jo\u00e3o \u00e9 algu\u00e9m que pertence ao mundo jo\u00e2nico e que conhece bem a teologia jo\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1, na primeira Carta de Jo\u00e3o, qualquer refer\u00eancia a um destinat\u00e1rio (pessoa ou comunidade) concreto. A missiva parece dirigir-se a um grupo de igrejas amea\u00e7adas pelo mesmo problema: as heresias. Trata-se, provavelmente, de igrejas da \u00c1sia Menor (\u00e0 volta de \u00c9feso), onde est\u00e3o a ser difundidas doutrinas incompat\u00edveis com a revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3, que amea\u00e7am comprometer a pureza da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem s\u00e3o os autores dessas doutrinas her\u00e9ticas? O autor da Carta chama-lhes \u201canticristos\u201d (1 Jo 2,18.22; 4,3), \u201cprofetas da mentira\u201d (1 Jo 4,1), \u201cmentirosos\u201d (1 Jo 2,22). Diz que eles \u201cs\u00e3o do mundo\u201d (1 Jo 4,5) e deixam-se levar pelo esp\u00edrito do erro (1 Jo 4,6). At\u00e9 h\u00e1 pouco tempo pertenciam \u00e0 comunidade crist\u00e3 (1 Jo 2,19); mas agora sa\u00edram e procuram desencaminhar os crentes que permaneceram fi\u00e9is (cf. 1 Jo 2,26; 3,7). Muito provavelmente s\u00e3o pessoas ligadas a grupos pr\u00e9-gn\u00f3sticos, cujas ideias come\u00e7avam a circular, no final do s\u00e9c. I, e a causar confus\u00e3o e divis\u00e3o nas comunidades jo\u00e2nicas. Estes \u201cprofetas da mentira\u201d pretendiam \u201cconhecer Deus\u201d (1 Jo 2,4) e viver em comunh\u00e3o com Deus (1 Jo 2,3); mas apresentavam uma doutrina e uma conduta em flagrante contradi\u00e7\u00e3o com a revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Recusavam-se a ver em Jesus o Messias (cf. 1 Jo 2,22) e o Filho de Deus (cf. 1 Jo 4,15), recusavam a encarna\u00e7\u00e3o (cf. 1 Jo 4,2) e ensinavam que o Cristo celeste tinha-Se apropriado do homem Jesus de Nazar\u00e9 na altura do Batismo (cf. Jo 1,32-33), tinha-o utilizado para levar a cabo a revela\u00e7\u00e3o e tinha-o abandonado antes da paix\u00e3o, porque o Cristo celeste n\u00e3o podia padecer. O comportamento moral destes hereges n\u00e3o era menos repreens\u00edvel: pretendiam n\u00e3o ter pecados (cf. 1 Jo 1,8.10) e n\u00e3o guardavam os mandamentos (cf. 1 Jo 2,4), em particular o mandamento do amor fraterno (cf. 1 Jo 2,9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor da Primeira Carta de Jo\u00e3o adverte os crist\u00e3os contra as pretens\u00f5es destes pregadores her\u00e9ticos e explica-lhes os crit\u00e9rios da vida crist\u00e3 aut\u00eantica.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Amar a Deus significa cumprir os seus mandamentos \u2013 diz-nos o autor da primeira Carta de Jo\u00e3o. O amor a Deus n\u00e3o se diz em belas declara\u00e7\u00f5es, em palavras cheias de eleva\u00e7\u00e3o, em solenes afirma\u00e7\u00f5es de princ\u00edpios; diz-se, muito simplesmente, acolhendo as indica\u00e7\u00f5es de Deus e pautando por elas o nosso caminho de vida. Amamos a Deus quando o vemos como um Pai que nos ama e que s\u00f3 quer o nosso bem; amamos a Deus quando o levamos t\u00e3o a s\u00e9rio que estamos dispostos a fazer a sua vontade, mesmo que isso afete os nossos projetos; amamos a Deus quando tudo o que vem dEle \u201cconta\u201d para n\u00f3s; amamos a Deus quando caminhamos confiantes no caminho que Ele nos aponta, certos de que chegaremos a um porto seguro e feliz. \u00c9 desta forma que eu amo a Deus?<\/li>\n<li>De acordo com o autor da primeira Carta de Jo\u00e3o, amar a Deus implica amar tamb\u00e9m Jesus, o Filho de Deus. Tamb\u00e9m neste caso o nosso amor expressa-se mais em atitudes do que em palavras. Amamos a Jesus quando respondemos ao seu convite, tornamo-nos seus disc\u00edpulos, acolhemos a sua Palavra, seguimo-Lo incondicionalmente no caminho do amor, do servi\u00e7o, do dom da vida; amamos a Jesus quando, como Ele, lutamos contra tudo aquilo que suja o mundo e destr\u00f3i a vida. \u00c9 desta forma que eu amo Jesus?<\/li>\n<li>Amar a Deus e aderir a Jesus implica amar os irm\u00e3os. Quem n\u00e3o ama os irm\u00e3os, n\u00e3o cumpre os mandamentos de Deus e n\u00e3o segue Jesus. Como Jesus, somos chamados a testemunhar o amor de Deus a todos os que caminham ao nosso lado, especialmente aos mais pobres, aos mais humildes, aos mais fr\u00e1geis, aos que a sociedade e a religi\u00e3o condenam, aos que os senhores do mundo e da hist\u00f3ria humilham e desvalorizam. O amor total e sem fronteiras, o amor que nos leva a oferecer integralmente a nossa vida aos irm\u00e3os, o amor que se revela nos gestos simples de servi\u00e7o, de perd\u00e3o, de solidariedade, de doa\u00e7\u00e3o, de aten\u00e7\u00e3o, de cuidado, est\u00e1 no nosso programa de vida?<\/li>\n<li>Quem nasce de Deus e confia em Deus, quem acredita em Jesus e O segue \u2013 diz o autor da primeira Carta de Jo\u00e3o \u2013 \u201cvence o mundo\u201d. Os crist\u00e3os n\u00e3o se conformam com a l\u00f3gica de ego\u00edsmo, de \u00f3dio, de injusti\u00e7a, de viol\u00eancia que governa o mundo; a esta l\u00f3gica, eles contrap\u00f5em a l\u00f3gica do amor, a l\u00f3gica de Jesus. O amor \u00e9 um dinamismo que vence tudo aquilo que oprime o homem e que o impede de chegar \u00e0 vida verdadeira e definitiva, \u00e0 felicidade total. Ainda que o amor pare\u00e7a, por vezes, significar fragilidade, debilidade, fracasso, frente \u00e0 viol\u00eancia dos poderosos e dos senhores do mundo, a verdade \u00e9 que o amor ter\u00e1 sempre a \u00faltima e definitiva palavra. S\u00f3 ele assegura a vida verdadeira e eterna, s\u00f3 ele \u00e9 caminho para o mundo novo e melhor com que os homens sonham. Conformo-me com o mundo e os seus valores ef\u00e9meros, ou sou dos que t\u00eam a ousadia de dar testemunho dos valores de Deus e de Jesus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 20,19-31<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,<br \/>\nestando fechadas as portas da casa<br \/>\nonde os disc\u00edpulos se encontravam,<br \/>\ncom medo dos judeus,<br \/>\nveio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes:<br \/>\n\u00abA paz esteja convosco\u00bb.<br \/>\nDito isto, mostrou-lhes as m\u00e3os e o lado.<br \/>\nOs disc\u00edpulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.<br \/>\nJesus disse-lhes de novo:<br \/>\n\u00abA paz esteja convosco.<br \/>\nAssim como o Pai Me enviou, tamb\u00e9m Eu vos envio a v\u00f3s\u00bb.<br \/>\nDito isto, soprou sobre eles e disse-lhes:<br \/>\n\u00abRecebei o Esp\u00edrito Santo:<br \/>\n\u00e0queles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-\u00e3o perdoados;<br \/>\ne \u00e0queles a quem os retiverdes ser\u00e3o retidos\u00bb.<br \/>\nTom\u00e9, um dos Doze, chamado D\u00eddimo,<br \/>\nn\u00e3o estava com eles quando veio Jesus.<br \/>\nDisseram-lhe os outros disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abVimos o Senhor\u00bb.<br \/>\nMas ele respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abSe n\u00e3o vir nas suas m\u00e3os o sinal dos cravos,<br \/>\nse n\u00e3o meter o dedo no lugar dos cravos e a m\u00e3o no seu lado,<br \/>\nn\u00e3o acreditarei\u00bb.<br \/>\nOito dias depois,<br \/>\nestavam os disc\u00edpulos outra vez em casa,<br \/>\ne Tom\u00e9 com eles.<br \/>\nVeio Jesus, estando as portas fechadas,<br \/>\napresentou-Se no meio deles e disse:<br \/>\n\u00abA paz esteja convosco\u00bb.<br \/>\nDepois disse a Tom\u00e9:<br \/>\n\u00abP\u00f5e aqui o teu dedo e v\u00ea as minhas m\u00e3os;<br \/>\naproxima a tua m\u00e3o e mete-a no meu lado;<br \/>\ne n\u00e3o sejas incr\u00e9dulo, mas crente\u00bb.<br \/>\nTom\u00e9 respondeu-Lhe:<br \/>\n\u00abMeu Senhor e meu Deus!\u00bb<br \/>\nDisse-lhe Jesus:<br \/>\n\u00abPorque Me viste acreditaste:<br \/>\nfelizes os que acreditam sem terem visto\u00bb.<br \/>\nMuitos outros milagres fez Jesus na presen\u00e7a dos seus disc\u00edpulos,<br \/>\nque n\u00e3o est\u00e3o escritos neste livro.<br \/>\nEstes, por\u00e9m, foram escritos<br \/>\npara acreditardes que Jesus \u00e9 o Messias, o Filho de Deus,<br \/>\ne para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus foi crucificado na manh\u00e3 de uma sexta-feira \u2013 dia da \u201cprepara\u00e7\u00e3o\u201d da P\u00e1scoa \u2013 e morreu pelas tr\u00eas horas da tarde desse dia. J\u00e1 depois de morto, um soldado trespassou-lhe o cora\u00e7\u00e3o com uma lan\u00e7a; e do cora\u00e7\u00e3o aberto de Jesus saiu sangue e \u00e1gua (cf. Jo 19,31-37). O evangelista Jo\u00e3o v\u00ea no sangue que sai do lado aberto de Jesus o sinal do seu amor dado at\u00e9 ao extremo (cf. Jo 13,1): do amor do pastor que d\u00e1 a vida pelas suas ovelhas (cf. Jo 10,11), do amor do amigo que d\u00e1 a vida pelos seus amigos (cf. Jo 15,13); e v\u00ea na \u00e1gua que sai do cora\u00e7\u00e3o trespassado de Jesus o sinal do Esp\u00edrito (cf. Jo 3,5), desse Esp\u00edrito que Jesus \u201centregou\u201d aos seus e que \u00e9 fonte de Vida nova. Da \u00e1gua e do sangue, do batismo e da eucaristia, nascer\u00e1 a nova comunidade, a comunidade da Nova Alian\u00e7a. Contudo, os disc\u00edpulos que tinham subido com Jesus a Jerusal\u00e9m e que seriam o embri\u00e3o dessa comunidade da Nova Alian\u00e7a, desapareceram sem deixar rasto. Est\u00e3o escondidos, algures na cidade de Jerusal\u00e9m, paralisados pelo medo. O projeto de Jesus falhou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final da tarde dessa sexta-feira, o corpo morto de Jesus foi sepultado \u00e0 pressa num t\u00famulo novo, situado num horto ao lado do lugar onde se tinha dado a crucifica\u00e7\u00e3o (cf. Jo 19,38-42). Depois veio o s\u00e1bado, o \u00faltimo dia da semana, o dia da celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa judaica. Durante todo aquele s\u00e1bado o t\u00famulo de Jesus continuou cerrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir daqui a narra\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o muda de tempo e de registo. Chegamos ao \u201cprimeiro dia da semana\u201d. \u00c9 o primeiro dia de um tempo novo, o tempo da humanidade nova, nascida da a\u00e7\u00e3o criadora e vivificadora de Jesus. \u201cNo primeiro dia da semana\u201d, Maria Madalena, a mulher que representa a nova comunidade, vai ao t\u00famulo e vem de l\u00e1 confusa e desorientada porque o t\u00famulo est\u00e1 vazio (cf. Jo 20,1-2). Logo depois, ainda \u201cno primeiro dia da semana\u201d, Pedro e outro disc\u00edpulo correm ao t\u00famulo e constatam aquilo que Maria Madalena tinha afirmado: Jesus j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 encerrado no dom\u00ednio da morte (cf. Jo 20,3-10). A comunidade de Jesus come\u00e7a a despertar do seu letargo; come\u00e7a a viver um tempo novo. \u201cAo entardecer do primeiro dia da semana\u201d (\u201cou seja, ao concluir-se este primeiro dia da nova cria\u00e7\u00e3o) a comunidade dos disc\u00edpulos faz a experi\u00eancia do encontro com Jesus, vivo e ressuscitado (cf. Jo 20,19-29).<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Nos relatos pascais aparece sempre, em pano de fundo, a convic\u00e7\u00e3o profunda de que a comunidade dos disc\u00edpulos nunca estar\u00e1 sozinha, abandonada \u00e0 sua sorte: Jesus ressuscitado, Aquele que venceu a morte, a injusti\u00e7a, o ego\u00edsmo, o pecado, acompanh\u00e1-la-\u00e1 em cada passo do seu caminho hist\u00f3rico. \u00c9 verdade que os disc\u00edpulos de Jesus n\u00e3o vivem num mundo \u00e0 parte, onde a fragilidade e a debilidade dos humanos n\u00e3o os tocam. Como os outros homens e mulheres, eles experimentam o sofrimento, o desalento, a frustra\u00e7\u00e3o, o des\u00e2nimo; t\u00eam medo quando o mundo escolhe caminhos de guerra e de viol\u00eancia; sofrem quando s\u00e3o atingidos pela injusti\u00e7a, pela opress\u00e3o, pelo \u00f3dio do mundo; conhecem a persegui\u00e7\u00e3o, a incompreens\u00e3o e a morte\u2026 Mas, apesar de tudo isso, n\u00e3o se deixam vencer pelo pessimismo e pelo desespero pois sabem que Jesus vai \u201cno meio deles\u201d, oferecendo-lhes a sua paz e apontando-lhes o horizonte da Vida definitiva. \u00c9 com esta certeza que caminhamos e que enfrentamos as tempestades da vida? Os outros homens e mulheres que partilham o caminho connosco descobrem Jesus, vivo e ressuscitado, atrav\u00e9s do testemunho de esperan\u00e7a que damos?<\/li>\n<li>O Esp\u00edrito Santo \u00e9 o grande dom que Jesus ressuscitado faz \u00e0 comunidade dos disc\u00edpulos. \u00c9 Ele que nos transforma, que nos anima, que faz de n\u00f3s pessoas novas, que nos capacita para sermos testemunhas e sinais da Vida de Deus; \u00e9 Ele que nos d\u00e1 a coragem e a generosidade para continuarmos no mundo a obra de Jesus. No entanto, o Esp\u00edrito s\u00f3 atua em n\u00f3s se estivermos dispon\u00edveis para o acolher. Ele n\u00e3o se imp\u00f5e nem desrespeita a nossa liberdade. Estamos dispon\u00edveis para acolher o Esp\u00edrito? O nosso cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 aberto aos desafios que o Esp\u00edrito constantemente nos lan\u00e7a?<\/li>\n<li>A comunidade crist\u00e3 gira em torno de Jesus, \u00e9 constru\u00edda \u00e0 volta de Jesus e \u00e9 de Jesus que recebe Vida, amor e paz. Sem Jesus, seremos um rebanho de gente assustada, incapaz de enfrentar o mundo e de ter uma atitude construtiva e transformadora; sem Jesus, seremos um grupo de gente que se apoia em leis, que vive de ritos, que defende doutrinas e n\u00e3o a comunidade que vive e testemunha o amor de Deus; sem Jesus, estaremos divididos, mergulhados em conflitos est\u00e9reis, e n\u00e3o seremos uma comunidade de irm\u00e3os e de irm\u00e3s; sem Jesus, cairemos facilmente em caminhos errados e iremos beber a fontes que n\u00e3o matam a nossa sede de Vida\u2026 Na nossa comunidade, Cristo \u00e9 verdadeiramente o centro? \u00c9 para Ele que tudo tende e \u00e9 d\u2019Ele que tudo parte? Escutamos as suas palavras, alimentamo-nos d\u2019Ele, vivemos d\u2019Ele, estamos ligados a Ele como os ramos est\u00e3o ligados \u00e0 videira?<\/li>\n<li>N\u00e3o \u00e9 em experi\u00eancias pessoais, \u00edntimas, fechadas, ego\u00edstas, que encontramos Jesus ressuscitado; mas encontramo-l\u2019O sempre que nos reunimos em seu nome, em comunidade. \u00c9 no di\u00e1logo comunit\u00e1rio, na Palavra partilhada, no p\u00e3o repartido, no amor que une os irm\u00e3os em comunidade de vida, que fazemos a experi\u00eancia da presen\u00e7a de Jesus vivo no meio de n\u00f3s. O que \u00e9 que a comunidade crist\u00e3 significa para mim? Sinto-me bem a caminhar em comunidade, ou a minha experi\u00eancia de f\u00e9 \u00e9 uma experi\u00eancia isolada, \u00e0 margem da riqueza e dos desafios que a comunidade me oferece? E, neste \u00e2mbito, o que \u00e9 que significa, para mim, a participa\u00e7\u00e3o na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, no \u201cprimeiro dia da semana\u201d, o dia do encontro comunit\u00e1rio \u00e0 volta da mesa de Jesus?<\/li>\n<li>\u00c9 nos gestos de amor, de partilha, de servi\u00e7o, de encontro, de fraternidade, que encontramos Jesus vivo, a transformar e a renovar o mundo; \u00e9 com gestos de bondade, de miseric\u00f3rdia, de compaix\u00e3o, de perd\u00e3o que testemunhamos diante do mundo a Vida nova do Ressuscitado. Quem procura Cristo ressuscitado, encontra-O em n\u00f3s? O amor de Jesus \u2013 amor total, universal e sem medida \u2013 transparece nos nossos gestos e na nossa vida? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o da vitalidade e comunh\u00e3o vivida na comunidade nascente. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter presente o tom narrativo, mas tamb\u00e9m o entusiasmo e a maravilha do modo como cresciam em n\u00famero e santidade os primeiros crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 um hino de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as ao Pai pela salva\u00e7\u00e3o revelada em Jesus Cristo. Ao tom de louvor e a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as que deve caracterizar a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura, junta-se a recomenda\u00e7\u00e3o de uma acurada prepara\u00e7\u00e3o das pausas e respira\u00e7\u00f5es sobretudo nas frases mais longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/04\/10\/tome-chamado-gemeo-3\/\"><strong>TOM\u00c9, CHAMADO \u00abG\u00c9MEO\u00bb<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novos percursos se abrem, e \u00e9 aqui que se inicia o Evangelho do Domingo II da P\u00e1scoa (Jo\u00e3o 20,19-31), que o Papa Jo\u00e3o Paulo II, em 30 de abril do ano 2000, consagrou como \u00abDomingo da Divina Miseric\u00f3rdia\u00bb. Os disc\u00edpulos est\u00e3o em um lugar, com as portas fechadas, por medo dos judeus. O Ressuscitado, Vida vivente e modo novo de estar presente, que nada nem ningu\u00e9m pode reter ou derreter, vem e fica no MEIO deles, o lugar da Presid\u00eancia, e sa\u00fada-os: \u00ab<em>Shal\u00f4m<\/em>!\u00bb, \u00abA paz convosco!\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta Sauda\u00e7\u00e3o, este\u00a0<em>Shal\u00f4m<\/em>, esta Paz, a Bondade deste \u201cBom-Dia\u201d, que ressoa desde a Cria\u00e7\u00e3o, entra em n\u00f3s, enche-nos de Bondade e de Alegria, e faz-nos encontrar um modo novo de encarar a vida. Esta Sauda\u00e7\u00e3o, este\u00a0<em>Shal\u00f4m<\/em>, esta Paz, este \u201cBom-Dia\u201d estabelece connosco uma rela\u00e7\u00e3o nova e boa, e inverte por completo a nossa velha maneira de ver e de viver. Na verdade, estamos habituados a pensar, a decidir e a escolher o que vamos fazer, comprar ou vender. Sou eu que penso, decido, escolho. Como se o mundo inteiro come\u00e7asse em mim e a partir de mim. Como se eu fosse (porque penso que sou) o senhor do mundo. Ora, o imenso texto do Evangelho de hoje, como, de resto, a Escritura inteira, come\u00e7a com Algu\u00e9m que vem de fora do meu alcance, e me surpreende, e me sa\u00fada, deixando-me na condi\u00e7\u00e3o nova e in\u00e9dita, n\u00e3o de senhor que pensa e escolhe, mas de respondedor que \u00e9 pensado e acolhe. Quando \u00abeu penso\u00bb, decido e escolho, escolho sempre um\u00a0<em>alter ego<\/em>, isto \u00e9, algo ou algu\u00e9m igual a mim, que venha ao encontro do meu mundo desiderativo e projetual, e o encha e satisfa\u00e7a. Quando \u00abeu sou pensado\u00bb e escolhido e saudado, cabe-me acolher aquela Sauda\u00e7\u00e3o, aquela \u00abPaz\u00bb, aquele\u00a0<em>Shal\u00f4m<\/em>, e responder, responder, responder. O \u201cBom-Dia\u201d precede o\u00a0<em>cogito<\/em>. Precede, inverte e investe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus mostra-lhes as m\u00e3os e o lado, sinais que identificam o Ressuscitado com o Crucificado, e agrafa-os \u00e0 sua miss\u00e3o: \u00abComo o Pai me enviou (<em>ap\u00e9stalken<\/em>: perf. de\u00a0<em>apost\u00e9ll\u00f4<\/em>), tamb\u00e9m Eu vos mando ir (<em>p\u00e9mp\u00f4<\/em>)\u00bb. O envio d\u2019Ele est\u00e1 no tempo perfeito (\u00e9 para sempre): est\u00e1 sempre em miss\u00e3o; o nosso est\u00e1 no presente, e passa. O presente da nossa miss\u00e3o aparece, portanto, agrafado \u00e0 miss\u00e3o de Jesus, e n\u00e3o faz sentido sem ela e sem Ele. N\u00f3s implicados e imbricados n\u2019Ele e na miss\u00e3o d\u2019Ele, sabendo n\u00f3s que Ele est\u00e1 connosco todos os dias (cf. Mateus 28,20). \u00c9-nos dito que os disc\u00edpulos ficaram cheios de alegria ao verem (<em>id\u00f3ntes<\/em>: part. aor<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) com um olhar hist\u00f3rico (tempo aoristo) o Senhor. Tal como o Outro Disc\u00edpulo (cf. Jo\u00e3o 20,8), tamb\u00e9m eles veem com um olhar hist\u00f3rico (tempo aoristo) a identidade do Senhor. O sopro de Jesus sobre eles \u00e9 o sopro criador (<em>emphys\u00e1\u00f4<\/em>), com o Esp\u00edrito, para a miss\u00e3o fr\u00e1gil-forte do Perd\u00e3o. Este sopro s\u00f3 aparece aqui em todo o Novo Testamento! Mas n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil construir uma bela ponte para outras passagens, nomeadamente para G\u00e9nesis 2,7, para o sopro ou alento (<em>naphah<\/em>\u00a0TM \/\u00a0<em>emphys\u00e1\u00f4<\/em>\u00a0LXX) criador de Deus no rosto do homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A identidade do Senhor Ressuscitado est\u00e1 para al\u00e9m do rosto. Por isso, v\u00ea-lo n\u00e3o implica necessariamente reconhec\u00ea-lo, como sucede em n\u00e3o poucas p\u00e1ginas dos Evangelhos. A identidade do Ressuscitado n\u00e3o \u00e9 do dom\u00ednio da fotografia. Vem de dentro. Reside na sua vida a n\u00f3s dada por amor at\u00e9 ao fim, aponta para a Cruz. Por isso, Jesus mostra as m\u00e3os e o lado, sinais abertos para entrar no sacr\u00e1rio da sua intimidade, d\u00e1diva infinita que rebenta as paredes dos nossos olhos embotados e do nosso cora\u00e7\u00e3o empedernido. Entenda-se tamb\u00e9m que a miss\u00e3o que nos \u00e9 confiada \u00e9 mostrar Jesus. Est\u00e1 bom de ver que n\u00e3o basta exibir as capas do catecismo que mostram um Jesus de olhos azuis e cabelo louro encaracolado. S\u00f3 o podemos mostrar com a nossa vida dele recebida, e igualmente dada e comprometida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O narrador informa-nos logo a seguir que, afinal, Tom\u00e9 (<em>Toma\u2019<\/em>), chamado G\u00e9meo (<em>D\u00eddymos<\/em>),\u00a0<em>n\u00e3o estava com eles<\/em>\u00a0quando veio Jesus.\u00a0<em>D\u00eddymos<\/em>\u00a0\u00e9, na verdade, a tradu\u00e7\u00e3o literal, em grego, do aramaico\u00a0<em>Toma\u2019<\/em>\u00a0[= \u00abG\u00e9meo\u00bb]. Mas os outros diziam-lhe repetidamente (<em>\u00e9legon<\/em>: imperf. de\u00a0<em>l\u00e9g\u00f4<\/em>), imperfeito de dura\u00e7\u00e3o, com a mesma linguagem da Madalena, mas no plural: \u00abVimos (<em>he\u00f4r\u00e1kamen<\/em>: perf. de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) o Senhor!\u00bb (Jo\u00e3o 20,25). Portanto, tamb\u00e9m eles s\u00e3o testemunhas, pois viram e continuam a ver o Senhor, de acordo com o tempo perfeito do verbo grego. Mas Tom\u00e9 quer tudo controlado e verificado, ponto por ponto, e refere: \u00abSe eu n\u00e3o vir (<em>\u00edd\u00f4<\/em>: conj. aor<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) com um\u00a0<em>olhar hist\u00f3rico<\/em>\u00a0(tempo aoristo) nas suas m\u00e3os a marca dos cravos, e n\u00e3o meter o meu dedo na marca dos cravos e n\u00e3o meter a minha m\u00e3o no seu lado, n\u00e3o acreditarei\u00bb (Jo\u00e3o 20,25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novo desarme: oito dias depois, estavam outra vez os disc\u00edpulos com as portas fechadas (mas o medo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mencionado), e Tom\u00e9\u00a0<em>estava com eles<\/em>. Veio Jesus, ficou no MEIO, saudou-os com a paz, e dirigiu-se logo a Tom\u00e9 desta maneira: \u00abTraz o teu dedo aqui e v\u00ea (<em>\u00edde<\/em>: imper. aor<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) com um olhar hist\u00f3rico (tempo aoristo) as minhas m\u00e3os, e traz a tua m\u00e3o e mete-a no meu lado, e n\u00e3o sejas incr\u00e9dulo, mas crente!\u00bb (Jo\u00e3o 20,27). A\u00ed est\u00e1 Tom\u00e9 adivinhado, desvendado e desarmado! Tamb\u00e9m ele podia ter pensado: \u00abE como \u00e9 que ele sabia que eu queria fazer aquilo?\u00bb. Tom\u00e9 cai aqui, adivinhado e antecipado, precedido por Aquele que nos precede sempre! N\u00e3o quer tirar mais provas. Diz de imediato: \u00abMeu Senhor e meu Deus!\u00bb (Jo\u00e3o 20,28), uma das mais belas profiss\u00f5es de f\u00e9 de toda a Escritura. E Jesus diz para ele: \u00abPorque me viste e continuas a ver (<em>he\u00f4rak\u00e1s me<\/em>), tempo perfeito de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>, acreditaste e continuas a acreditar (<em>pep\u00edsteukas<\/em>), tempo perfeito de\u00a0<em>piste\u00fa\u00f4<\/em>; felizes (<em>mak\u00e1rioi<\/em>) os que, n\u00e3o tendo visto (<em>id\u00f3ntes<\/em>: part. aor<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) com um olhar hist\u00f3rico (tempo aoristo), acreditaram (<em>piste\u00fasantes<\/em>: part. aor. de\u00a0<em>piste\u00fa\u00f4<\/em>)!\u00bb (Jo\u00e3o 20,29), tempo aoristo. Esta felicita\u00e7\u00e3o \u00e9 para n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Not\u00e1vel o percurso dos Disc\u00edpulos. Fechados e com medo, viram Jesus entrar e ficar no MEIO deles, sem que as portas e as paredes constitu\u00edssem obst\u00e1culo. Trocaram o medo pela alegria, e tamb\u00e9m eles come\u00e7aram a ver de forma continuada o Senhor e a diz\u00ea-lo repetidamente. Not\u00e1vel e exemplar para n\u00f3s o percurso de Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo:\u00a0<em>n\u00e3o estava com<\/em>\u00a0a comunidade, t\u00e3o-pouco aceitou o seu testemunho; queria provas. Mas quando veio Jesus e o adivinhou, precedendo-o e presidindo-o, entregou-se completamente! Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo! Irm\u00e3o g\u00e9meo! Irm\u00e3o g\u00e9meo de quem? Meu e teu, assim pretende o narrador. De vez em quando, tamb\u00e9m n\u00f3s\u00a0<em>n\u00e3o estamos com<\/em>\u00a0a comunidade. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo. Por vezes, tamb\u00e9m duvidamos e queremos provas. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo. Salta \u00e0 vista que tamb\u00e9m devemos\u00a0<em>estar com<\/em>\u00a0a comunidade. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo. E professar convictamente a nossa f\u00e9 no Ressuscitado que nos preside (no MEIO) e nos precede sempre. Como Tom\u00e9, chamado G\u00e9meo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A li\u00e7\u00e3o do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos (4,32-35, mas ver tamb\u00e9m 2,42-47 e 5,12-16) deste Domingo II da P\u00e1scoa \u00e9 outra vez soberba. Trata-se de uma visita guiada ao Cen\u00e1culo, a primeira Catedral da Igreja nascente, mas com ramifica\u00e7\u00f5es em todas as casas, em todos os cora\u00e7\u00f5es, bem assente em quatro colunas: o ensino dos Ap\u00f3stolos (1), a comunh\u00e3o fraterna (2), a fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o (3) e a ora\u00e7\u00e3o (4). Com a boca cheia de louvor, os olhos de gra\u00e7a, as m\u00e3os de paz e de p\u00e3o, as entranhas de miseric\u00f3rdia, a comunidade bela crescia, crescia, crescia. N\u00e3o admira. Era t\u00e3o jovem, leve e bela, que as pessoas lutavam por entrar nela!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascer de Deus, amar a Deus e o Filho Unig\u00e9nito de Deus, amar no Filho os filhos de Deus, \u00e9 a li\u00e7\u00e3o da Primeira Carta de S\u00e3o Jo\u00e3o 5,1-6. O crit\u00e9rio \u00e9: se nascemos de Deus, ent\u00e3o somos filhos de Deus, e, sendo filhos de Deus, somos irm\u00e3os. E, se nascemos de Deus, tamb\u00e9m o amor que nos vincula aos irm\u00e3os \u00e9 de Deus. Amar a Deus \u00e9, ent\u00e3o, o crit\u00e9rio \u00faltimo da f\u00e9 e da caridade. A vida de Deus em n\u00f3s, amar como Deus nos ama, permanece, portanto, o \u00fanico crit\u00e9rio verdadeiro. Na Primeira Carta de S\u00e3o Jo\u00e3o 4,20-21, t\u00ednhamos anotado o crit\u00e9rio de que o nosso amor a Deus \u00e9 verific\u00e1vel no nosso amor ao pr\u00f3ximo. Mas S\u00e3o Paulo adverte-nos com sabedoria que o amor ao pr\u00f3ximo pode fingir-se, pois podemos dar todos os nossos bens aos pobres, e n\u00e3o ter a caridade verdadeira (1 Cor\u00edntios 13,3). Neste sentido, diz acertadamente S\u00e3o M\u00e1ximo Confessor (580-662) que \u00aba P\u00e1scoa gera a f\u00e9 e a f\u00e9 gera o amor\u00bb. A miseric\u00f3rdia \u00e9 a chama divina com que devemos acender e purificar o nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cantemos por isso o Salmo 118, que \u00e9 o \u00faltimo canto do chamado \u00abPequeno Hallel da P\u00e1scoa\u00bb (113-118), mas que era seguramente cantado noutras festividades de Israel, nomeadamente na Festa das Tendas, tendo em conta o seu teor processional, e at\u00e9 a sua distribui\u00e7\u00e3o por coros. Este Salmo levanta-se do meio da alegria pr\u00f3pria da Festa (\u00abEste \u00e9 o dia que o Senhor fez,\/ nele nos alegremos e exultemos!\u00bb: v. 24) e eleva ao Deus sempre fiel uma grande A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as por todas as maravilhas que Ele tem realizado em favor do seu povo. Sim, toda a nossa energia e toda a melodia que nos habita \u00e9 o pr\u00f3prio Senhor, conforme o bel\u00edssimo v. 14: \u00abMinha for\u00e7a e meu canto YAH!\u00bb, que soa assim em hebraico:\u00a0<em>\u2018azz\u00ee w<sup>e<\/sup>zimrat YAH<\/em>. Al\u00e9m do nosso Salmo, a express\u00e3o densa e impressiva encontra-se ainda em \u00caxodo 15,2 e Isa\u00edas 12,2. YAH est\u00e1 por YHWH. O refr\u00e3o que vamos cantar aparece a abrir e a fechar este grande Salmo, e constitui como que o envelope onde guardamos a bela melodia que cantamos. Soa assim: \u00abLouvai o Senhor porque Ele \u00e9 bom, \/ porque para sempre \u00e9 o seu amor!\u00bb (v. 1 e 29).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em tudo e sempre nos precede o nosso bom Deus com a iniciativa do seu amor primeiro e misericordioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO lugar para onde Eu vou,<\/strong><br \/>\n<strong>V\u00f3s sabeis o caminho para l\u00e1\u00bb, diz Jesus.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00abN\u00f3s n\u00e3o sabemos para onde vais,<\/strong><br \/>\n<strong>Como podemos saber o caminho para l\u00e1?\u00bb,<\/strong><br \/>\n<strong>Retorquiu Tom\u00e9.<\/strong><br \/>\n<strong>Tom\u00e9 \u00e9 como n\u00f3s:<\/strong><br \/>\n<strong>N\u00e3o sabe trabalhar sem metas e objetivos.<\/strong><br \/>\n<strong>E \u00e9 em fun\u00e7\u00e3o das metas e objetivos,<\/strong><br \/>\n<strong>Que escolhe caminhos e metodologias.<\/strong><br \/>\n<strong>Deus disse a Abra\u00e3o: \u00abVai do teu pa\u00eds<\/strong><br \/>\n<strong>Para o pa\u00eds que Eu te fizer ver\u00bb.<\/strong><br \/>\n<strong>E o narrador diz-nos que \u00abAbra\u00e3o foi\u00bb.<\/strong><br \/>\n<strong>Para onde? Para qual pa\u00eds?<\/strong><br \/>\n<strong>N\u00e3o interessa.<\/strong><br \/>\n<strong>Interessa \u00e9 saber que uma m\u00e3o segura nos guia,<\/strong><br \/>\n<strong>E que o caminho que trilhamos nos conduz sempre ao destino.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 assim que faz Jesus tamb\u00e9m.<\/strong><br \/>\n<strong>N\u00e3o nos indica no mapa o lugar do destino,<\/strong><br \/>\n<strong>Mas mostra-nos o caminho para chegar l\u00e1.<\/strong><br \/>\n<strong>Por isso nos diz: \u00abVinde atr\u00e1s de Mim\u2026\u00bb.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 assim a prociss\u00e3o e a peregrina\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\n<strong>Ele vai connosco e \u00e0 nossa frente.<\/strong><br \/>\n<strong>Ele \u00e9 o caminho, a m\u00e3o segura,<\/strong><br \/>\n<strong>A \u00e1gua pura,<\/strong><br \/>\n<strong>O p\u00e3o de trigo.<\/strong><br \/>\n<strong>Ensina-nos, Senhor,<\/strong><br \/>\n<strong>A caminhar contigo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Leitura-I-do-Domingo-II-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-07.04.2024-Act-4-32-35.pdf\">Leitura I do Domingo II do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 07.04.2024 (Act 4, 32-35)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Leitura-II-do-Domingo-II-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-07.04.2024-1-Jo-5-1-6.pdf\">Leitura II do Domingo II do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 07.04.2024 (1 Jo 5, 1-6)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Domingo-II-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-07.04.2024-Lecionario.pdf\">Domingo II do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 07.04.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Domingo-II-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-B-07.04.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo II do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano B &#8211; 07.04.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo de P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor \u2013 Ano B \u2013 31.03.2024 Missa do Dia&#8221; tab_id=&#8221;1712567790132-cb630864-1da0&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo de P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor &#8211; Ano B \u2013 31.03.2024<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Missa do Dia<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/pascoa.jpg\" alt=\"\" width=\"880\" height=\"411\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>\u00ab<em>Jesus Cristo ressuscitou! Aleluia! Aleluia!<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 madrugada! Est\u00e1 escuro l\u00e1 fora, mas tamb\u00e9m no cora\u00e7\u00e3o de Maria Madalena. Por\u00e9m, nem a penumbra da noite nem a tristeza que invade o seu cora\u00e7\u00e3o a det\u00eam. Sai de manh\u00e3zinha e vai apressadamente ao sepulcro. Testemunhou com os seus olhos os milagres e prod\u00edgios do Mestre, contemplou a for\u00e7a dos Seus bra\u00e7os que levantavam os ca\u00eddos e ressuscitavam os mortos, maravilhou-se com tantas vidas transformadas pela suave ternura da Sua palavra doadora de sentido que n\u00e3o se conforma com a Sua morte. Como escreveu Gabriel Marcel: \u00ab<em>amar \u00e9 dizer: tu n\u00e3o morrer\u00e1s!<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao contr\u00e1rio das narrativas de Marcos e de Lucas que indicam que as mulheres que se dirigem ao sepulcro levam perfumes e aromas, seguindo assim as tradi\u00e7\u00f5es funer\u00e1rias pr\u00f3prias da sua cultura, nesta narrativa, Maria Madalena nada leva consigo. No crep\u00fasculo daquela jornada que marcar\u00e1 indelevelmente o curso da hist\u00f3ria, ela dirige-se ao sepulcro, transportando apenas a hist\u00f3ria de liberta\u00e7\u00e3o e de vida que o crucificado lhe ofereceu quando outrora a acolheu e renovou no seu cora\u00e7\u00e3o a esperan\u00e7a e a confian\u00e7a. Como pode morrer Aquele que lhe ofereceu um horizonte novo de vida? Como pode estar ausente Aquele cuja presen\u00e7a transformou o seu cora\u00e7\u00e3o e a sua hist\u00f3ria?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Chegada ao sepulcro e vendo a pedra removida, dirige-se apressadamente ao encontro de Pedro e do disc\u00edpulo amado e, como anota Ermes Ronchi, n\u00e3o afirma que levaram o corpo do Senhor, mas apenas \u00ab<em>levaram o Senhor do sepulcro<\/em>\u00bb, como se Ele ainda estivesse vivo. Maria Madalena entrev\u00ea desde j\u00e1 o cumprimento das palavras do C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos: \u00ab<em>o amor \u00e9 mais forte do que a morte<\/em>\u00bb (Ct 8,6). Maria sabe que um amor maior n\u00e3o pode morrer e que os gestos e palavras de Jesus preenchiam de eternidade os limites e fragilidades da humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As multid\u00f5es que seguiam Jesus, bem como os Seus disc\u00edpulos e seguidores mais pr\u00f3ximos, ficaram presos ao fracasso da Sua paix\u00e3o e crucifix\u00e3o e esqueceram rapidamente as palavras que Jesus lhes houvera dito: \u00ab<em>O Filho do Homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anci\u00e3os, pelos sumos sacerdotes e pelos doutores da Lei, tem de ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar<\/em>\u00bb (Lc 9,22). Ouviram que Ele haveria de morrer, sofrer e ser crucificado, mas n\u00e3o escutaram nem compreenderam que Ele haveria de ressuscitar. Prenderam o seu cora\u00e7\u00e3o ao provis\u00f3rio e esqueceram o que \u00e9 pleno e definitivo. Na vida de Jesus, como na vida de quantos O seguem, a morte e o sofrimento t\u00eam car\u00e1cter de transitoriedade e de provisoriedade porque s\u00f3 a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida nova que brota da Sua P\u00e1scoa \u00e9 verdadeiramente plena e definitiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus ressuscitou e a boa not\u00edcia que brotou do sepulcro vazio, mas cheio de sinais, ecoa de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o renovando o cora\u00e7\u00e3o e a vida de quantos se deixam iluminar pela luz nova e plena da P\u00e1scoa. Diante das trevas e sombras que pairam no nosso tempo, a Igreja \u00e9 chamada a ser portadora da luminosa not\u00edcia da manh\u00e3 de P\u00e1scoa para que o mundo saiba e acredite que o amor venceu a morte, que a gra\u00e7a venceu o pecado e que a cruz de Cristo nos abriu as portas da eternidade. As dificuldades, os desafios e at\u00e9 os sofrimentos, que tantas vezes assolam a nossa vida, s\u00e3o provis\u00f3rios e transit\u00f3rios como provis\u00f3ria e transit\u00f3ria foi a paix\u00e3o e morte de Jesus. Plena e definitiva \u00e9 a gl\u00f3ria. Total e duradoira \u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida nova que Jesus Ressuscitado nos oferece. Por isso, caminhemos com renovada esperan\u00e7a os trilhos da hist\u00f3ria fazendo ecoar no cora\u00e7\u00e3o de cada homem e de cada mulher a mais bela not\u00edcia: \u00ab<em>Jesus Cristo ressuscitou! Aleluia! Aleluia!<\/em>\u00bb.<strong><em>in Voz Portucalense (adaptado)<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A alegria que brota da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor prolonga-se ao longo de cinquenta dias na celebra\u00e7\u00e3o do Tempo Pascal. Os diversos sinais lit\u00fargicos, como o c\u00edrio pascal, os ritos da aspers\u00e3o, entre outros sinais e gestos, favorecem a tomada de consci\u00eancia de que o Tempo Pascal se prolonga at\u00e9 ao Pentecostes. Por\u00e9m, ao contr\u00e1rio do Tempo Quaresmal onde se prop\u00f5em tantas atividades e din\u00e2micas, frequentemente o Tempo Pascal aparece desprovido de uma proposta de reflex\u00e3o e viv\u00eancia al\u00e9m da Eucaristia Dominical. Por isso, seria de grande proveito para os fi\u00e9is, a valoriza\u00e7\u00e3o deste tempo com a proposta de momentos de ora\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o como a\u00a0<em>Via Lucis<\/em>, as Catequeses ou celebra\u00e7\u00f5es mistag\u00f3gicas, entre outras propostas criativas e din\u00e2micas, em jeito de sa\u00edda mission\u00e1ria, que estimulem a comunidade a testemunhar a alegria do Ressuscitado.<strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Atos dos Ap\u00f3stolos 10,34.37-43<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nPedro tomou a palavra e disse:<br \/>\n\u00abV\u00f3s sabeis o que aconteceu em toda a Judeia,<br \/>\na come\u00e7ar pela Galileia,<br \/>\ndepois do batismo que Jo\u00e3o pregou:<br \/>\nDeus ungiu com a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo a Jesus de Nazar\u00e9,<br \/>\nque passou fazendo o bem<br \/>\ne curando a todos os que eram oprimidos pelo Dem\u00f3nio,<br \/>\nporque Deus estava com Ele.<br \/>\nN\u00f3s somos testemunhas de tudo o que Ele fez<br \/>\nno pa\u00eds dos judeus e em Jerusal\u00e9m;<br \/>\ne eles mataram-n\u2019O, suspendendo-O na cruz.<br \/>\nDeus ressuscitou-O ao terceiro dia<br \/>\ne permitiu-Lhe manifestar-Se, n\u00e3o a todo o povo,<br \/>\nmas \u00e0s testemunhas de antem\u00e3o designadas por Deus,<br \/>\na n\u00f3s que comemos e bebemos com Ele,<br \/>\ndepois de ter ressuscitado dos mortos.<br \/>\nJesus mandou-nos pregar ao povo<br \/>\ne testemunhar que Ele foi constitu\u00eddo por Deus<br \/>\njuiz dos vivos e dos mortos.<br \/>\n\u00c9 d\u2019Ele que todos os profetas d\u00e3o o seguinte testemunho:<br \/>\nquem acredita n\u2019Ele<br \/>\nrecebe pelo seu nome a remiss\u00e3o dos pecados.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Todos os anos a liturgia prop\u00f5e-nos, ao longo dos domingos do tempo pascal, a leitura dos Atos dos Ap\u00f3stolos. Obra de Lucas (que tamb\u00e9m foi o autor do 3.\u00ba Evangelho), os Atos \u00e9 o livro \u201cpascal\u201d por excel\u00eancia: conta-nos como os disc\u00edpulos, depois de terem feito a experi\u00eancia de encontro com o Ressuscitado e animados pelo Esp\u00edrito que lhes foi enviado, abriram as portas da casa onde se encontravam escondidos e tornaram-se testemunhas de Jesus e do seu projeto. Deram assim cumprimento ao mandato que Jesus lhes tinha deixado quando se despediu deles e partiu ao encontro do Pai (cf. At 1,8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O \u201ctempo\u201d dos Atos \u00e9 o \u201ctempo\u201d da Igreja (a comunidade que nasceu de Jesus e que continua a viver de Jesus) e o \u201ctempo\u201d do Esp\u00edrito. Nesta nova fase da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, compete aos disc\u00edpulos, animados e conduzidos pelo mesmo Esp\u00edrito que ungiu Jesus e o acompanhava na sua miss\u00e3o, levarem ao mundo a salva\u00e7\u00e3o de Deus. Os disc\u00edpulos s\u00e3o nesta nova fase, como Jesus o tinha sido enquanto andou pelas aldeias e vilas da Galileia, o rosto vis\u00edvel do Deus salvador e libertador. O seu testemunho deve percorrer um \u201ccaminho\u201d que vai de Jerusal\u00e9m \u2013 no Antigo Testamento, o lugar onde devia manifestar-se definitivamente a salva\u00e7\u00e3o de Deus \u2013 at\u00e9 \u201caos confins da terra\u201d. \u00c9 esse, precisamente, o \u201cpercurso\u201d que o livro dos Atos nos apresenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A execu\u00e7\u00e3o de Estev\u00e3o (um dos di\u00e1conos da Igreja de Jerusal\u00e9m) e a persegui\u00e7\u00e3o que se abateu, logo depois, sobre os crist\u00e3os de Jerusal\u00e9m fez com que diversos membros da comunidade sa\u00edssem da cidade e buscassem ref\u00fagio nas regi\u00f5es vizinhas (cf. At 8,1). Assim, o Evangelho de Jesus chegou \u00e0 Samaria, a Damasco e a Antioquia da S\u00edria. Mais tarde, sobretudo por a\u00e7\u00e3o de Paulo, a Boa Nova de Jesus foi anunciada na \u00c1sia Menor e na Gr\u00e9cia. Os Atos terminam com Paulo a chegar a Roma: o an\u00fancio da salva\u00e7\u00e3o de Deus tinha alcan\u00e7ado o cora\u00e7\u00e3o do mundo gentio; era uma proposta de salva\u00e7\u00e3o para todos os homens e mulheres que a quisessem acolher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Um dos epis\u00f3dios importantes desta saga mission\u00e1ria aconteceu em Cesareia Mar\u00edtima (cf. At 10,24-48), a cidade da costa mediterr\u00e2nica que era a sede do poder romano na Palestina. Os protagonistas desse epis\u00f3dio foram o ap\u00f3stolo Pedro e um centuri\u00e3o romano chamado Corn\u00e9lio. Pedro, convocado pelo Esp\u00edrito (cf. At 10,19-20) e respondendo a um pedido de Corn\u00e9lio (cf. At 10,22), foi a Cesareia, entrou em casa do centuri\u00e3o, exp\u00f4s-lhe o essencial da f\u00e9 crist\u00e3 e batizou-o, bem como a toda a sua fam\u00edlia (cf. At 10,23b-48). Corn\u00e9lio foi o primeiro pag\u00e3o a ser acolhido na Igreja de Jesus. \u00c9 a primeira vez que um dos membros proeminentes da comunidade crist\u00e3 (Pedro) admite que o Evangelho de Jesus \u00e9 uma Boa Not\u00edcia destinada a todos os homens e mulheres, de todas as ra\u00e7as e culturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que, neste dia de P\u00e1scoa, nos \u00e9 proposto como primeira leitura, \u00e9 parte da \u201cinstru\u00e7\u00e3o\u201d de Pedro a Corn\u00e9lio e sua fam\u00edlia. Trata-se de uma composi\u00e7\u00e3o de Lucas onde aparecem os elementos fundamentais do kerigma crist\u00e3o sobre Jesus.<strong><em>in Dehoniano<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 a consequ\u00eancia de uma vida gasta a \u201cfazer o bem e a libertar os oprimidos\u201d. Isso significa que, sempre que algu\u00e9m \u2013 na linha de Jesus \u2013 se esfor\u00e7a por vencer o ego\u00edsmo, a mentira, a injusti\u00e7a e por fazer triunfar o amor, est\u00e1 a ressuscitar; significa que, sempre que algu\u00e9m \u2013 na linha de Jesus \u2013 se d\u00e1 aos outros e manifesta, em gestos concretos, a sua entrega aos irm\u00e3os, est\u00e1 a construir vida nova e plena. Estamos a ressuscitar, porque caminhamos pelo mundo fazendo o bem e libertando os oprimidos, ou a nossa vida \u00e9 um repisar os velhos esquemas do ego\u00edsmo, do orgulho, do comodismo?<\/li>\n<li>A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus significa tamb\u00e9m que o medo, a morte, o sofrimento e a injusti\u00e7a deixam de ter poder sobre a pessoa que ama, que se d\u00e1, que partilha a vida. Ela tem assegurada a Vida plena \u2013 essa Vida que os poderes do mundo n\u00e3o podem destruir, atingir ou restringir. Ela pode, assim, enfrentar o mundo com a serenidade que lhe vem da f\u00e9. Estamos conscientes disto, ou deixamo-nos dominar pelo medo, sempre que temos de agir para combater aquilo que rouba a vida e a dignidade, a n\u00f3s e a cada um dos nossos irm\u00e3os?<\/li>\n<li>Aos disc\u00edpulos pede-se que sejam as testemunhas da ressurrei\u00e7\u00e3o. N\u00f3s n\u00e3o vimos o sepulcro vazio; mas fazemos, todos os dias, a experi\u00eancia do Senhor ressuscitado, que est\u00e1 vivo e caminha ao nosso lado nos caminhos da hist\u00f3ria. A nossa miss\u00e3o \u00e9 testemunhar essa realidade; no entanto, o nosso testemunho ser\u00e1 oco e vazio se n\u00e3o for comprovado pelo amor e pela doa\u00e7\u00e3o, as marcas da vida nova de Jesus. O nosso testemunho da ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 coerente e cred\u00edvel e traduz-se em gestos concretos de amor, de partilha, de servi\u00e7o? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 117 (118)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refr\u00e3o 1<strong>: Este \u00e9 o dia que o Senhor fez:<br \/>\nexultemos e cantemos de alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refr\u00e3o 2:<strong> Aleluia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dai gra\u00e7as ao Senhor, porque Ele \u00e9 bom,<br \/>\nporque \u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diga a casa de Israel:<br \/>\n\u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A m\u00e3o do Senhor fez prod\u00edgios,<br \/>\na m\u00e3o do Senhor foi magn\u00edfica.<br \/>\nN\u00e3o morrerei, mas hei de viver<br \/>\npara anunciar as obras do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A pedra que os construtores rejeitaram<br \/>\ntornou-se pedra angular.<br \/>\nTudo isto veio do Senhor:<br \/>\n\u00e9 admir\u00e1vel aos nossos olhos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 Colossenses 3,1-4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nSe ressuscitastes com Cristo,<br \/>\naspirai \u00e0s coisas do alto,<br \/>\nonde est\u00e1 Cristo, sentado \u00e0 direita de Deus.<br \/>\nAfei\u00e7oai-vos \u00e0s coisas do alto e n\u00e3o \u00e0s da terra.<br \/>\nPorque v\u00f3s morrestes<br \/>\ne a vossa vida est\u00e1 escondida com Cristo em Deus.<br \/>\nQuando Cristo, que \u00e9 a vossa vida, Se manifestar,<br \/>\ntamb\u00e9m v\u00f3s vos haveis de manifestar com Ele na gl\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Colossos era uma cidade da antiga Fr\u00edgia (\u00c1sia Menor), situada a cerca de cento e oitenta quil\u00f3metros de \u00c9feso, a dezasseis de Laodiceia e a vinte de Hier\u00e1polis. Pertencia \u00e0 Prov\u00edncia romana da \u00c1sia. Em tempos recuados tinha sido cidade rica e populosa; mas no tempo de Paulo tinha perdido o seu esplendor e import\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi Paulo que evangelizou Colossos. Durante a longa estadia de Paulo em \u00c9feso, no decurso da sua terceira viagem, Epafras, disc\u00edpulo de Paulo e colossense de origem (cf. Col 4,12), fundou a comunidade (cf. Col 1,7), enquanto as de Hier\u00e1polis e Laodiceia (cf. Col 4,13). A maior parte dos membros da comunidade crist\u00e3 de Colossos tinham vindo do paganismo; mas havia tamb\u00e9m um bom grupo de judeo-crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando escreveu a Carta aos Colossenses, Paulo estava na pris\u00e3o (em Roma?). Epafras visitou-o e falou-lhe da \u201ccrise\u201d por que estava a passar a Igreja de Colossos. Alguns doutores locais ensinavam doutrinas estranhas, que misturavam elementos crist\u00e3os, judaicos e pag\u00e3os: especula\u00e7\u00f5es acerca dos anjos (cf. Col 2,18), pr\u00e1ticas asc\u00e9ticas, rituais legalistas, prescri\u00e7\u00f5es sobre os alimentos e a observ\u00e2ncia de determinadas festas (cf. Col 2,16.21). Tudo isso deveria (na opini\u00e3o desses \u201cmestres\u201d) completar a f\u00e9 em Cristo, comunicar aos crentes um conhecimento superior de Deus e dos mist\u00e9rios crist\u00e3os e possibilitar uma vida religiosa mais aut\u00eantica. Contra este sincretismo religioso, Paulo afirma a absoluta sufici\u00eancia de Cristo: Ele \u00e9 a imagem do Deus invis\u00edvel, o primog\u00e9nito de toda a criatura, o mediador da Cria\u00e7\u00e3o, aquele que Deus enviou para reconciliar todas as coisas, a cabe\u00e7a do Corpo que \u00e9 a Igreja, o Senhor de todos os poderes e domina\u00e7\u00f5es (cf. Cl 1,15-20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que a liturgia deste domingo de P\u00e1scoa nos prop\u00f5e como segunda leitura \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 reflex\u00e3o moral da carta (cf. Col 3,1-4,6). Depois de apresentar a centralidade de Cristo no projeto salvador de Deus (cf. Col 1,13-2,23), Paulo recorda aos crist\u00e3os de Colossos que \u00e9 preciso viver de forma coerente e verdadeira o compromisso assumido com Cristo. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O Batismo introduz-nos numa din\u00e2mica de comunh\u00e3o com Cristo ressuscitado. A partir do Batismo, Cristo passa a ser o centro e a refer\u00eancia fundamental \u00e0 volta da qual se constr\u00f3i toda a vida do crente. Qual o lugar que Cristo ocupa na nossa vida? Temos consci\u00eancia de que o nosso Batismo significou um compromisso com Cristo e uma identifica\u00e7\u00e3o com Cristo?<\/li>\n<li>A identifica\u00e7\u00e3o com Cristo implica o assumir uma din\u00e2mica de Vida nova, despojada do pecado e feita doa\u00e7\u00e3o a Deus e aos irm\u00e3os. O crist\u00e3o torna-se ent\u00e3o, verdadeiramente, algu\u00e9m que \u201caspira \u00e0s coisas do alto\u201d \u2013 quer dizer, algu\u00e9m que, embora vivendo nesta terra e desfrutando das realidades deste mundo, tem como refer\u00eancia \u00faltima os valores de Deus. N\u00e3o se pede ao crente que seja um alienado, algu\u00e9m que viva a olhar para o c\u00e9u e que se demita do compromisso com o mundo e com os irm\u00e3os; mas pede-se-lhe que n\u00e3o fa\u00e7a dos valores do mundo a sua prioridade, a sua refer\u00eancia \u00faltima. A nossa vida tem sido uma caminhada coerente com essa din\u00e2mica de Vida nova que come\u00e7ou no dia em que fomos batizados? Esfor\u00e7amo-nos, realmente, por nos despojarmos do \u201chomem velho\u201d e por nos revestirmos do \u201cHomem Novo\u201d, do homem que se identifica com Cristo e que vive no amor, no servi\u00e7o, na doa\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os?<\/li>\n<li>Paulo, a partir do exemplo de Cristo, garante-nos que esse caminho de despojamento do \u201chomem velho\u201d n\u00e3o \u00e9 um caminho de derrota e de fracasso; mas \u00e9 um caminho de gl\u00f3ria, no qual se manifesta a realidade da Vida eterna, da Vida verdadeira. Neste dia de P\u00e1scoa, diante do t\u00famulo vazio e da certeza de que Jesus triunfou da morte e do pecado, reconhecemos a verdade do testemunho de Paulo?<\/li>\n<li>Quando, de alguma forma, estou envolvido na prepara\u00e7\u00e3o ou na celebra\u00e7\u00e3o do sacramento do Batismo, tenho consci\u00eancia \u2013 e procuro passar essa mensagem \u2013 de que o sacramento n\u00e3o \u00e9 um ato tradicional ou social (que, por acaso, at\u00e9 proporciona fotografias bonitas), mas um compromisso s\u00e9rio e exigente com Cristo? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SEQU\u00caNCIA PASCAL<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c0 V\u00edtima pascal<br \/>\nofere\u00e7am os crist\u00e3os<br \/>\nsacrif\u00edcios de louvor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Cordeiro resgatou as ovelhas:<br \/>\nCristo, o Inocente,<br \/>\nreconciliou com o Pai os pecadores.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A morte e a vida<br \/>\ntravaram um admir\u00e1vel combate:<br \/>\nDepois de morto,<br \/>\nvive e reina o Autor da vida.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diz-nos, Maria:<br \/>\nQue viste no caminho?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vi o sepulcro de Cristo vivo<br \/>\ne a gl\u00f3ria do Ressuscitado.<br \/>\nVi as testemunhas dos Anjos,<br \/>\nvi o sud\u00e1rio e a mortalha.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ressuscitou Cristo, minha esperan\u00e7a:<br \/>\npreceder\u00e1 os seus disc\u00edpulos na Galileia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sabemos e acreditamos:<br \/>\nCristo ressuscitou dos mortos:<br \/>\n\u00d3 Rei vitorioso,<br \/>\ntende piedade de n\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 20,1-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No primeiro dia da semana,<br \/>\nMaria Madalena foi de manh\u00e3zinha, ainda escuro, ao sepulcro<br \/>\ne viu a pedra retirada do sepulcro.<br \/>\nCorreu ent\u00e3o e foi ter com Sim\u00e3o Pedro<br \/>\ne com o disc\u00edpulo predileto de Jesus<br \/>\ne disse-lhes:<br \/>\n\u00abLevaram o Senhor do sepulcro<br \/>\ne n\u00e3o sabemos onde O puseram\u00bb.<br \/>\nPedro partiu com o outro disc\u00edpulo<br \/>\ne foram ambos ao sepulcro.<br \/>\nCorriam os dois juntos,<br \/>\nmas o outro disc\u00edpulo antecipou-se,<br \/>\ncorrendo mais depressa do que Pedro,<br \/>\ne chegou primeiro ao sepulcro.<br \/>\nDebru\u00e7ando-se, viu as ligaduras no ch\u00e3o, mas n\u00e3o entrou.<br \/>\nEntretanto, chegou tamb\u00e9m Sim\u00e3o Pedro, que o seguira.<br \/>\nEntrou no sepulcro<br \/>\ne viu as ligaduras no ch\u00e3o<br \/>\ne o sud\u00e1rio que tinha estado sobre a cabe\u00e7a de Jesus,<br \/>\nn\u00e3o com as ligaduras, mas enrolado \u00e0 parte.<br \/>\nEntrou tamb\u00e9m o outro disc\u00edpulo<br \/>\nque chegara primeiro ao sepulcro:<br \/>\nviu e acreditou.<br \/>\nNa verdade, ainda n\u00e3o tinham entendido a Escritura,<br \/>\nsegundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Quarto Evangelho (cf. Jo 4,1-19,42) apresenta duas partes. Na primeira, Jo\u00e3o descreve a atividade criadora e vivificadora do Messias, no sentido de dar vida e de criar um Homem Novo \u2013 um homem livre da escravid\u00e3o do ego\u00edsmo, do pecado e da morte (para Jo\u00e3o, o \u00faltimo passo dessa atividade destinada a fazer surgir o Homem Novo foi, precisamente, a morte na cruz: a\u00ed, Jesus apresentou a \u00faltima e definitiva li\u00e7\u00e3o \u2013 a li\u00e7\u00e3o do amor total, que n\u00e3o guarda nada para si, mas faz da vida um dom radical ao Pai e aos irm\u00e3os). Na segunda parte do Evangelho (cf. Jo 20,1-31), Jo\u00e3o apresenta o resultado da a\u00e7\u00e3o de Jesus e mostra essa comunidade de Homens Novos, recriados e vivificados por Jesus, que com Ele aprenderam a amar com radicalidade e a quem Jesus abriu as portas da Vida definitiva. Trata-se dessa comunidade de homens e mulheres que se converteram e aderiram a Jesus e que, em cada dia \u2013 mesmo diante do sepulcro vazio \u2013 s\u00e3o convidados a manifestar a sua f\u00e9 no Filho de Deus que \u201cergueu a sua tenda no meio dos homens\u201d para lhes dar Vida em abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus tinha sido crucificado na manh\u00e3 de sexta-feira (por volta das nove horas) e tinha morrido na cruz por volta das tr\u00eas horas da tarde desse mesmo dia. No final da tarde, o seu corpo morto tinha sido descido da cruz e depositado, \u00e0 pressa, num \u201ct\u00famulo novo\u201d, situado num horto, perto do lugar da crucifica\u00e7\u00e3o (cf. Jo 19,41). Como era habitual, na tradi\u00e7\u00e3o judaica, uma pedra redonda tinha sido rolada para tapar a entrada do sepulcro. Os rituais f\u00fanebres n\u00e3o tinham sido observados em pormenor, uma vez que nesse dia, ao p\u00f4r do sol, come\u00e7ava o s\u00e1bado e tamb\u00e9m a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa judaica (cf. Jo 19,42). Aqueles que lidaram com o sepultamento de Jesus queriam voltar a casa, rapidamente, porque queriam \u201ccomer a P\u00e1scoa\u201d, nessa noite, em fam\u00edlia. Precisavam de se afastar do corpo morto de Jesus para n\u00e3o ficarem \u201cimpuros\u201d e serem ritualmente impedidos de celebrar a P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Passado o dia festivo da P\u00e1scoa, no \u201cyom rishon\u201d, o primeiro dia da semana, Maria Madalena \u2013 uma das mulheres que tinha seguido Jesus desde a Galileia at\u00e9 Jerusal\u00e9m e que tinha estado junto da cruz de Jesus at\u00e9 \u00e0 sua morte \u2013 dirigiu-se ao t\u00famulo. Presumivelmente levava perfumes para ungir o corpo morto de Jesus (cf. Mc 16,1). Perguntava-se como iria conseguir afastar a enorme pedra que tinha sido rolada, na sexta-feira, para tapar a entrada do sepulcro de Jesus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 a resposta de Deus aos que pretenderam, de forma injusta e criminosa, calar Jesus e banir da hist\u00f3ria o seu projeto do Reino de Deus. Deus n\u00e3o permitiu que o mal vencesse; Deus n\u00e3o permitiu que a viol\u00eancia, a injusti\u00e7a, a maldade e a morte tivessem a \u00faltima palavra; Deus n\u00e3o aceitou que o mundo ficasse ref\u00e9m daqueles que queriam continuar a viver na escurid\u00e3o. Ao ressuscitar Jesus, Deus deu-Lhe raz\u00e3o; afirmou, alto e bom som, que o caminho proposto por Jesus \u2013 o do amor que se d\u00e1 at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, o do servi\u00e7o simples e humilde aos irm\u00e3os, o do perd\u00e3o sem limites \u2013 \u00e9 o caminho que leva \u00e0 Vida. Neste dia de P\u00e1scoa, diante do t\u00famulo de Jesus vazio, tenho alguma d\u00favida em abra\u00e7ar tudo aquilo que Jesus me disse, com as suas palavras e com os seus gestos, sobre a forma de chegar \u00e0 Vida definitiva, \u00e0 Vida eterna?<\/li>\n<li>A vit\u00f3ria de Jesus sobre o ego\u00edsmo, a viol\u00eancia, a maldade e a morte muda a nossa perspetiva sobre a forma de encarar tudo aquilo que, de forma objetiva, faz sofrer os homens e mulheres que caminham ao nosso lado. Ficar do lado dos que s\u00e3o magoados e crucificados, combater a injusti\u00e7a e a opress\u00e3o nas suas mil e uma formas, gastar a vida a servir os mais fr\u00e1geis e abandonados, recusar um mundo que se constr\u00f3i sobre viol\u00eancia e prepot\u00eancia, lutar at\u00e9 ao dom da pr\u00f3pria vida para vencer tudo o que gera morte n\u00e3o \u00e9 algo absurdo. \u00c9, segundo Deus, o caminho que far\u00e1 com que a nossa vida valha a pena e tenha pleno sentido. Talvez essa op\u00e7\u00e3o nos deixe cheios de feridas e cicatrizes; mas ser\u00e3o feridas e cicatrizes que Deus curar\u00e1. Estamos dispostos a dar a vida para que outros tenham Vida? Estamos dispostos a correr riscos para levar a liberta\u00e7\u00e3o ao mundo e aos nossos irm\u00e3os? Cremos firmemente, com toda a nossa alma e com todas as nossas for\u00e7as, que uma vida gasta a servir n\u00e3o \u00e9 uma vida fracassada, mas \u00e9 uma vida que termina em ressurrei\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>Pedro parece ter sentido dificuldade, diante do t\u00famulo vazio, em \u201cacreditar\u201d que Jesus estivesse vivo e que aquele caminho de cruz tivesse conduzido \u00e0 Vida. Na verdade, em muitos passos do caminho que percorreu com Jesus, Pedro manifestou dificuldade em sintonizar com Jesus e com a sua l\u00f3gica. Ele estava habituado a funcionar de acordo com outros valores e padr\u00f5es, numa l\u00f3gica muito \u201cdo mundo\u201d. Os interesses de Pedro nem sempre coincidiam com a vis\u00e3o de Jesus. Parece estranho, para algu\u00e9m que andava com Jesus? Teoricamente, sim. Na pr\u00e1tica, talvez reconhe\u00e7amos, nas hesita\u00e7\u00f5es e recusas de Pedro, as nossas indecis\u00f5es, a nossa dificuldade em arriscar, a nossa dificuldade em abandonarmos os crit\u00e9rios \u201cdo mundo\u201d para abra\u00e7armos a l\u00f3gica de Deus. Ser\u00e1 assim? O que podemos fazer para sermos menos \u201cPedro\u201d e mais disc\u00edpulos que v\u00e3o, sem hesitar, atr\u00e1s de Jesus?<\/li>\n<li>A fotografia que o evangelista Jo\u00e3o nos apresenta do \u201cdisc\u00edpulo predileto\u201d \u00e9 a fotografia de um disc\u00edpulo que vive em comunh\u00e3o com Jesus, que se identifica com Jesus e com os seus valores, que interiorizou e absorveu a l\u00f3gica da entrega incondicional, do dom da vida, do amor total. Por isso, n\u00e3o tem qualquer problema em aceitar que o caminho seguido por Jesus conduz \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00e0 Vida nova. Ele \u201cacredita\u201d em Jesus. Revemo-nos nesta figura? Vemo-la como uma proposta com a qual gostar\u00edamos de nos identificar? O que podemos fazer para sermos verdadeiramente \u201cdisc\u00edpulo predileto\u201d?<\/li>\n<li>A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 a vit\u00f3ria da Vida sobre a morte, da verdade sobre a mentira, da esperan\u00e7a sobre o desespero, da justi\u00e7a sobre a injusti\u00e7a, da alegria sobre a tristeza, da luz sobre as trevas. Abre-nos perspetivas completamente novas e garante-nos o triunfo de Deus sobre as for\u00e7as que querem destruir o mundo e os homens. N\u00f3s, que acreditamos e celebramos a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, somos testemunhas da vit\u00f3ria da Vida junto dos nossos irm\u00e3os paralisados pelo medo e pelo pessimismo? A mensagem que levamos ao mundo \u00e9 uma mensagem de alegria e de esperan\u00e7a que tem as cores da manh\u00e3 de P\u00e1scoa? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 um longo discurso de Pedro em casa de Corn\u00e9lio. A proclama\u00e7\u00e3o deste discurso deve ter em conta o tom alegre e jubiloso do an\u00fancio da vit\u00f3ria de Cristo sobre a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para a <strong>segunda leitura<\/strong> existem duas possibilidades. Ambas as possibilidades s\u00e3o breves, mas a brevidade do texto n\u00e3o deve fazer descurar a sua prepara\u00e7\u00e3o. Deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o as pausas e respira\u00e7\u00f5es. Na Carta aos Colossenses deve haver um especial cuidado com as formas verbais no imperativo que oferecem ao texto um caracter exortativo e na Primeira Carta aos Cor\u00edntios ter em aten\u00e7\u00e3o a entoa\u00e7\u00e3o da frase na forma interrogativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/04\/03\/o-senhor-ressuscitou-alleluiah\/\"><strong>O SENHOR RESSUSCITOU.\u00a0ALLELUIAH!<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abEsta \u00e9 a Obra do Senhor!\u00bb, assim gritava com \u00abvoz forte\u00bb (grito de Vit\u00f3ria e de Revela\u00e7\u00e3o) Jesus na Cruz, deci\u00adfrando a Cruz, recitando o Salmo 22 todo (entenda\u2011se a meto\u00adn\u00edmia de Mateus 27,46 e Marcos 15,34, citando apenas o in\u00edcio). Par\u00adticularmente ao longo da Semana Santa, dita \u00abGrande\u00bb ou \u00abdos Mist\u00e9rios\u00bb pela Igreja do Oriente, Deus exp\u00f4s (<em>pro\u00e9theto<\/em>) diante dos nossos olhos at\u00f3nitos \u2013 e logo a partir do Domingo de Ramos \u2013 o Rei Vitorioso no seu Trono de Gra\u00e7a e de Gl\u00f3ria, que \u00e9 a Cruz (veja\u2011se aqui demoradamente Romanos 3,24\u201125), tomando posse da sua Igreja\u2011Esposa para o efeito redimida na \u00ab\u00e1gua e no sangue\u00bb (Jo\u00e3o 19,34; Ef\u00e9sios 5,25\u201127), isto \u00e9, no Esp\u00edrito Santo, conforme ensina Jesus com \u00abvoz forte\u00bb (!) no grande texto de Jo\u00e3o 7,37-39. Para aqui apontava tamb\u00e9m a \u00abcaminhada\u00bb quaresmal, a qual \u2013 v\u00ea\u2011se agora claramente \u2013 s\u00f3 daqui podia afinal ter partido. \u00c9 este \u00abo Mist\u00e9rio Grande\u00bb (Ef\u00e9sios 5,32) que nos foi dado a conhecer por Deus (Romanos 16,25\u201126; 1 Cor\u00edntios 2,7\u201110; Ef\u00e9sios 3,3\u201111; Colossenses 1,26\u201127). E s\u00f3 Deus pode dar tanto a conhecer (veja\u2011se agora o texto espantoso de Ef\u00e9sios 3,14\u201121). \u00c9 quanto Deus operou na Cruz! Por isso, exultamos e nos alegramos (com a\u00a0<em>Char\u00e1<\/em>, a alegria grande da P\u00e1scoa), pois \u00abeste \u00e9 o Dia que o Senhor fez\u00bb (Salmo 118,24) e em que o Senhor nos fez! \u00c9 o \u00abPrimeiro Dia\u00bb (Mateus 28,1; Marcos 16,2 e 9; Lucas 24,1; Jo\u00e3o 20,1 e 19; Atos 20,7; 1 Cor\u00edntios 16,2), e tal permanecer\u00e1 para sempre (!), o \u00abDia do Senhor, o Dia Grande\u00bb (Atos 2,20; Apocalipse 1,10), o Domingo, todos os Domingos, o Ano Lit\u00fargico todo, o Ano da Gra\u00e7a do Senhor, em que a Igreja\u2011Esposa, redi\u00admida, santificada, bela (apresentada no Apocalipse com voz forte), celebra jubilosamente o seu Senhor, \u00e0 volta do al\u00adtar, do amb\u00e3o, do batist\u00e9rio: tudo \u00absinais\u00bb do t\u00famulo aberto do Senhor Ressuscitado, donde emerge continuamente a mensagem da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Aleluia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Domingo de P\u00e1scoa na Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor oferece-nos o grande texto de Jo\u00e3o 20,1-10, com a descoberta do t\u00famulo aberto, mas n\u00e3o vazio! T\u00famulo aberto: a pedra muito grande (Marcos 16,4) do poder da morte tinha sido retirada, e o Anjo do Senhor sentou-se sobre ela (Mateus 28,2), impressionante imagem de soberania e vit\u00f3ria! Mas n\u00e3o vazio: est\u00e1, na verdade, cheio de sinais, que \u00e9 preciso ler com aten\u00e7\u00e3o: um jovem sentado \u00e0 direita com uma t\u00fanica branca (Marcos 16,4), dois homens com vestes fulgurantes (Lucas 24,4), as faixas de linho no ch\u00e3o e o sud\u00e1rio enrolado noutro lugar (Jo\u00e3o 20,6-7). \u00c9 importante ler os sinais e ouvir as mensagens! Se o t\u00famulo estivesse vazio, como vulgarmente e inadvertidamente dizemos, est\u00e1vamos perante uma aus\u00eancia cega e muda. Na verdade, os sinais e as mensagens mostram uma presen\u00e7a nova que somos convidados a descobrir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto imenso de Jo\u00e3o 20,1-10 coloca-nos ainda diante dos olhos o in\u00edcio de diferentes percursos por parte de diferentes figuras face aos sinais encontrados ou ainda n\u00e3o, lidos ou ainda n\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Madalena vai de manh\u00e3 cedo, ainda escuro, ao t\u00famulo, e v\u00ea, com um olhar normal (verbo grego\u00a0<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>) que at\u00e9 causa afli\u00e7\u00e3o a pedra retirada (<em>\u00earm\u00e9nos<\/em>) para sempre e por Deus(Jo\u00e3o 20,1), tal \u00e9 o significado imposto por\u00a0<em>\u00earm\u00e9nos<\/em>, partic\u00edpio perfeito passivo de\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>. De facto, at\u00e9 d\u00f3i e aflige que se veja o inef\u00e1vel como quem v\u00ea uma coisa qualquer, cegos como estamos tantas vezes pelos nossos preconceitos! Esta pedra para sempre retirada por Deus reclama e estabelece contraponto com a pedra por algum tempo retirada (aoristo de\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>) pelos homens do t\u00famulo de L\u00e1zaro (Jo\u00e3o 11,39 e 41). Cega pelos seus preconceitos, a Madalena falha a vis\u00e3o do inef\u00e1vel, e corre logo, equivocada, a levar uma falsa not\u00edcia: \u00abRetiraram (<em>\u00earan<\/em>: aor. de\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>) o Senhor do t\u00famulo, e n\u00e3o sabemos onde o puseram\u00bb (Jo\u00e3o 20,2). Mas o leitor atento e competente do IV Evangelho n\u00e3o estranha esta cegueira da Madalena. \u00c9 que o narrador informa-nos que ela anda ainda no escuro (Jo\u00e3o 20,1), e, no IV Evangelho, quem anda na noite e no escuro, anda perdido na incompreens\u00e3o e na cegueira, e nada entende ou d\u00e1 bom resultado. A oposi\u00e7\u00e3o luz \u2013 trevas atravessa de l\u00e9s-a-l\u00e9s o inteiro texto do IV Evangelho. A Luz verdadeira que vem a este mundo para iluminar todos os homens \u00e9 Jesus (Jo\u00e3o 1,9). Sem esta Luz que \u00e9 Jesus, andamos \u00e0s escuras, na noite, na cegueira, na dor, no fracasso, na incompreens\u00e3o. \u00c9 assim, narrativamente \u2013 e, portanto, exemplarmente, para n\u00f3s, leitores \u2013, que somos levados a constatar como Nicodemos, que anda de noite (Jo\u00e3o 3,2) e nada entende, como os disc\u00edpulos, que nada pescam de noite (Jo\u00e3o 21,3) e no meio do escuro andam perdidos (Jo\u00e3o 6,17-18), como o homem da noite na noite perdido, que \u00e9 Judas (Jo\u00e3o 13,30; 18,3), enfim, como Pedro, perdido na noite e no meio dos guardas (Jo\u00e3o 18,17-18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A not\u00edcia levada pela Madalena p\u00f5e em movimento Sim\u00e3o Pedro e o \u00abdisc\u00edpulo amado\u00bb. Anote\u2011se a progress\u00e3o e repare-se atentamente nos verbos utilizados: 1) Maria Madale\u00adna vai ao t\u00famulo, e v\u00ea (<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>) a pedra (da morte) retirada. 2) O outro disc\u00edpulo, \u00abo disc\u00edpulo amado\u00bb, corria juntamente com Pedro, mas chegou primeiro (!), inclina-se e v\u00ea (<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>) as faixas de linho no ch\u00e3o. 3) Pedro, que corria juntamente com \u00abo disc\u00edpulo amado\u00bb, mas SEGUINDO-O e chegando depois\u2026 Na verdade, ainda em Jo\u00e3o 18,15, os dois SEGUIAM Jesus, que \u00e9 a correta postura do disc\u00edpulo. Pedro, por\u00e9m, n\u00e3o SEGUIU Jesus at\u00e9 ao fim: ficou ali estacionado no p\u00e1tio do Sumo-Sacerdote! Mais do que isso e pior do que isso, em vez de estar com Jesus, Pedro ficou com os guardas, a aquecer-se com os guardas! (Jo\u00e3o 18,18). Pedro, portanto, n\u00e3o fez o curso ou o percurso de disc\u00edpulo de Jesus at\u00e9 ao fim! Deixou por fazer umas quantas unidades curriculares. \u00c9 por isso que agora tem de SEGUIR algu\u00e9m que tenha SEGUIDO Jesus at\u00e9 ao fim. \u00c9 por isso, e s\u00f3 por isso \u2013 nada tem a ver com idades (Pedro mais idoso, o \u00abdisc\u00edpulo amado\u00bb mais jovem!) \u2013 que Pedro tem agora de SEGUIR o \u00abdisc\u00edpulo amado\u00bb, chegando naturalmente ao t\u00famulo atr\u00e1s dele. Note-se ainda que, n\u00e3o obstante um ir \u00e0 frente e o outro atr\u00e1s, correm os dois juntos. \u00c9 aquilo que ainda hoje vemos na catequese e na mistagogia crist\u00e3s: corremos sempre juntos, mas algu\u00e9m vai \u00e0 frente, para ensinar o caminho aos outros! Bel\u00edssima comunh\u00e3o em corrida!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pedro, que corria juntamente com o \u00abdisc\u00edpulo amado\u00bb, mas SEGUINDO-O, entra no t\u00famulo que o \u00abdisc\u00edpulo amado\u00bb cuidadosamente sinaliza e lhe aponta (ele \u00e9 o grande sinalizador de Jesus: veja-se Jo\u00e3o 13,24 e 21,7), e v\u00ea (<em>the\u00f4r\u00e9\u00f4<\/em>: um ver que d\u00e1 que pensar e que abre para a f\u00e9: cf. Jo\u00e3o 2,23; 4,19; 6,2.19.40.62) as faixas de linho no ch\u00e3o e o sud\u00e1rio que cobrira o Rosto de Jesus, \u00e0 parte, dobrado cuidadosamente, como \u00absinal\u00bb do Corpo ausente do Ressuscitado! Conclus\u00e3o: o corpo de Jesus n\u00e3o foi roubado, como sup\u00f4s a Madalena equivocada! Os ladr\u00f5es n\u00e3o costumam deixar a casa roubada t\u00e3o em ordem! Por isso, Pedro v\u00ea com o olhar de quem fica a pensar no que se ter\u00e1 passado\u2026 Talvez seja coisa de Deus\u2026 Com a indica\u00ad\u00e7\u00e3o preciosa de que o v\u00e9u foi cuidadosamente retirado do seu Rosto, a Revela\u00e7\u00e3o convida agora a contemplar o Rosto divino no Rosto humano do Ressuscitado: vendo\u2011o a Ele, v\u00ea\u2011se o Pai (cf. Jo\u00e3o 14,9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abO disc\u00edpulo amado\u00bb entrou, viu com um olhar hist\u00f3rico (tempo aoristo) de quem v\u00ea por dentro a identidade (verbo grego\u00a0<em>ide\u00een<\/em>), e acreditou (v. 8). \u00c9 o olhar de quem v\u00ea o inef\u00e1vel, verdadeiro cl\u00edmax do relato: anote\u2011se a passagem do verbo ver do presente para o aoristo, e de fora para dentro: \u00abo disc\u00edpulo amado\u00bb viu na hist\u00f3ria a identidade dos \u00absinais\u00bb: toda a Economia divina realizada! O relato evang\u00e9lico \u00e9 s\u00f3brio, mas rico e denso. Fiel a esta intensa sobriedade, a arte crist\u00e3 nunca se atreveu a representar a ressurrei\u00e7\u00e3o antes dos s\u00e9culos X-XI. \u00c9 tal o fulgor da Luz deste mist\u00e9rio, que ficar\u00e1 sempre no dom\u00ednio do inef\u00e1vel, que simultaneamente ilumina e esconde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A narrativa de Jo\u00e3o 20 abre com a Madalena, que vai de manh\u00e3 cedo, ainda escuro, ao t\u00famulo, e v\u00ea, com um olhar normal (verbo grego\u00a0<em>bl\u00e9p\u00f4<\/em>) a pedra\u00a0<em>retirada<\/em>\u00a0(<em>\u00earm\u00e9nos<\/em>) para sempre e por Deus (Jo\u00e3o 20,1), tal \u00e9 o significado imposto por\u00a0<em>\u00earm\u00e9nos<\/em>, partic\u00edpio perfeito passivo de\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>. Conforme a grandiosa narrativa, a Madalena tem diante dos olhos o inef\u00e1vel. Mas cega como est\u00e1 pelos seus preconceitos, a Madalena falha a vis\u00e3o do inef\u00e1vel, e corre logo, equivocada, a levar uma falsa not\u00edcia: \u00abRetiraram (aoristo de\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>) o Senhor do t\u00famulo, e n\u00e3o sabemos onde o puseram\u00bb (Jo\u00e3o 20,2). N\u00e3o \u00e9 de admirar, dado que a Madalena anda pelo escuro, e, no IV Evangelho, quem anda no escuro ou na noite, n\u00e3o v\u00ea a Luz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ainda que n\u00e3o fa\u00e7a parte do Evangelho deste Dia Grande, vale a pena, para que n\u00e3o fique perdido, acostar aqui o percurso que a Madalena continua a fazer em Jo\u00e3o 20,11-18. Mudou de olhar. Aparece agora junto do t\u00famulo a chorar, inclina-se e v\u00ea, agora tamb\u00e9m (como Pedro) com um ver que d\u00e1 que pensar (verbo grego\u00a0<em>the\u00f4r\u00e9\u00f4<\/em>), dois anjos vestidos de branco (cor divina), estrategicamente colocados no t\u00famulo, como sinais. Perguntam \u00e0 Madalena: \u00abMulher, por que choras?\u00bb. Na verdade, ela ainda est\u00e1 do lado da morte, do escuro, da dor, da tristeza. A paisagem em que se move ou a p\u00e1gina que a move ainda \u00e9 o Cap\u00edtulo 19 de Jo\u00e3o, daquele Jesus morto por m\u00e3os humanas retirado (Jo\u00e3o 19,38), daquele Rei por m\u00e3os humanas retirado (Jo\u00e3o 19,15[2x]), ou at\u00e9 daquela pedra por m\u00e3os humanas retirada do t\u00famulo de L\u00e1zaro (Jo\u00e3o 11,39 e 41) \u2013 em todos os casos o verbo\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>\u00a0no aoristo \u2013, n\u00e3o sabendo ainda ler a pedra para sempre retirada por Deus, de Jo\u00e3o 20,1. \u00c9 ainda \u00e0 procura de um corpo morto que ela anda. De um corpo morto a que ela se acha com direito de posse. Talvez seja este o preconceito que lhe tolhe o olhar e a impede de ver o inef\u00e1vel. Na verdade, responde assim \u00e0 pergunta feita pelos dois anjos: \u00abRetiraram o meu Senhor, e n\u00e3o sei onde o puseram\u00bb (Jo\u00e3o 20,13). Note-se outra vez o aoristo do verbo\u00a0<em>a\u00edr\u00f4<\/em>, e note-se agora tamb\u00e9m o possessivo \u00abmeu\u00bb afeto a Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Voltando-se para o jardim, v\u00ea, outra vez com um ver que d\u00e1 que pensar (<em>the\u00f4r\u00e9\u00f4<\/em>), um homem de p\u00e9, que ela pensa ser o jardineiro, mas que, na verdade, \u00e9 Jesus, que a deixa espantada com a segunda pergunta que lhe faz: \u00abMulher, por que choras? (normal, pois ela continuava a chorar); a quem procuras?\u00bb. Esta segunda pergunta desvenda a Madalena, retirando-a dos preconceitos que a cegam. Precedendo-a, antecipando-se a ela, adivinhando-a com aquela pergunta direita ao cora\u00e7\u00e3o, Jesus d\u00e1-se a conhecer \u00e0 Madalena, deixando-a a pensar mais ou menos assim: \u00abE como \u00e9 que este desconhecido sabe que eu ando \u00e0 procura de algu\u00e9m neste jardim?\u00bb. Compreendendo-se compreendida, a Madalena come\u00e7a a sair aqui da sua cegueira, mas ainda precisa de algum tempo para mudar de paisagem, de margem, de p\u00e1gina, do Cap\u00edtulo 19 para o Cap\u00edtulo 20. A resposta que d\u00e1 \u00e9 elucidativa: \u00abSe foste tu que\u00a0<em>o<\/em>\u00a0levaste, diz-me onde\u00a0<em>o<\/em>\u00a0puseste, e eu\u00a0<em>o<\/em>\u00a0retirarei\u00bb (Jo\u00e3o 20,15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao responder com um pronome tr\u00eas vezes repetido, que esconde o nome, v\u00ea-se bem que a Madalena sabe que aquele desconhecido bem sabe quem ela procura. E confessa aqui o intento que desde aquela madrugada, ainda escuro, a movia: retirar para si aquele corpo morto! Manifesta que anda ainda perdida no Cap\u00edtulo 19, quando responde \u00abem hebraico\u00bb (<em>hebra\u00efst\u00ed<\/em>) a Jesus que acabava de pronunciar o nome dela: \u00abMaria!\u00bb (Jo\u00e3o 20,16). A locu\u00e7\u00e3o adverbial \u00abem hebraico\u00bb (<em>hebra\u00efst\u00ed<\/em>) \u00e9 uma ponte para Jo\u00e3o 19,13 e 17. Equivocada como anda, ainda quer reter o Ressuscitado, mas n\u00e3o pode: aprende ainda que nada nem ningu\u00e9m pode reter o Ressuscitado, aquela vida nova, aquele modo novo de estar presente! Leva tempo at\u00e9 passar da margem da morte para a margem da vida verdadeira! E finalmente vai anunciar aos disc\u00edpulos, que Jesus significativamente chama \u00abmeus irm\u00e3os\u00bb (Jo\u00e3o 20,17), enviada pelo Ressuscitado: \u00abVi (<em>he\u00f4raka<\/em>) o Senhor!\u00bb (Jo\u00e3o 20,18). Nova mudan\u00e7a de olhar. O que ela diz agora \u00e9: Vi e continuo a ver o Senhor! \u00c9 o que significa o verbo grego\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>, no tempo perfeito. \u00c9 o olhar da testemunha que v\u00ea o inef\u00e1vel! Aqui termina a Madalena o seu longo e belo percurso, e sai de cena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os primeiros crist\u00e3os rapidamente fizeram do Santo Sepulcro o seu primeiro e mais venerado lugar de culto, que o Imperador Adriano (117-138) soterrou e paganizou, estabelecendo ali cultos pag\u00e3os (no lugar da Ressurrei\u00e7\u00e3o, colocou a est\u00e1tua de J\u00fapiter, e, no Calv\u00e1rio, p\u00f4s uma est\u00e1tua de V\u00e9nus em m\u00e1rmore), com o intuito de desviar deles os crist\u00e3os. O mesmo fez em todos os lugares santos da Palestina. Todavia, Em 326, Santa Helena, m\u00e3e do imperador Constantino, que a\u00ed ter\u00e1 descoberto a Cruz do Senhor, mandou demolir as constru\u00e7\u00f5es pag\u00e3s, e vieram \u00e0 luz outra vez os primitivos e venerados lugares crist\u00e3os, que foram ent\u00e3o englobados num magn\u00edfico edif\u00edcio Constantiniano, consagrado no dia 13 de Setembro do ano 335, e que era formado pela\u00a0<em>An\u00e1stasis<\/em>, grandioso mausol\u00e9u que guardava no centro o Santo Sepulcro, o Triplo P\u00f3rtico, que abrigava o rochedo do G\u00f3lgota, e o\u00a0<em>Martyrium<\/em>, que guardava o lugar da crucifix\u00e3o e morte do Senhor. No dia imediatamente a seguir \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o da Bas\u00edlica, 14 de setembro desse ano 335, teve lugar e origem a venera\u00e7\u00e3o da Cruz de Cristo, hoje, Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz. Esta comemora\u00e7\u00e3o ganhou novo relevo quando, em 630, o imperador Er\u00e1clio derrotou os Persas, e as rel\u00edquias da Cruz foram trazidas processionalmente para Jerusal\u00e9m. Esta bela Bas\u00edlica Constantiniana foi danificada por diversas invas\u00f5es e ocupa\u00e7\u00f5es. A atual Bas\u00edlica do Santo Sepulcro, que os ortodoxos e os \u00e1rabes chamam\u00a0<em>An\u00e1stasis<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Qiyama<\/em>, termos que em grego e \u00e1rabe significam \u00abRessurrei\u00e7\u00e3o\u00bb, \u00e9 fruto de cinquenta anos de trabalho dos Cruzados (1099-1149). Aqui est\u00e3o guardadas as mais fundas ra\u00edzes da nossa vida crist\u00e3, hoje quase uma esp\u00e9cie de \u00abcondom\u00ednio\u00bb de tr\u00eas Igrejas crist\u00e3s, infelizmente separadas entre si: a igreja greco-ortodoxa, a romano-cat\u00f3lica e a armena. Aqui se sente ao vivo a mesma e comum f\u00e9 pascal, mas tamb\u00e9m o drama da separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na Leitura que hoje escutamos do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos (10,34-43), os Ap\u00f3stolos d\u00e3o testemunho do que viram. Foi\u2011lhes dado ver exatamente para dar teste\u00admunho. Viram e testemunham o Batismo de Jesus, a execu\u00e7\u00e3o da sua miss\u00e3o filial batismal, a sua Morte na Cruz, a sua Ressurrei\u00ad\u00e7\u00e3o Gloriosa, a sua Vinda Gloriosa. Mas os Ap\u00f3stolos insistem que tamb\u00e9m os Profetas [= Antigo Testamento] d\u00e3o testemunho d\u2019Ele Ressuscitado, no qual se cumpre para n\u00f3s a \u00abremiss\u00e3o dos pecados\u00bb, o Jubileu divino do Esp\u00edrito Santo (v. 43). A base prof\u00e9tica \u00e9 imponente: Jeremias 31,34; Isa\u00edas 33,24; 53,5\u20116; 61,1; Ezequiel 34,16; Daniel 9,24. Ver depois Jo\u00e3o 20,19\u201123. \u00abAs Escrituras\u00bb (ent\u00e3o o Antigo Testamento) apontam para o Ressuscitado! O Ressuscitado remete para \u00abas Escrituras\u00bb. Cumplicidade entre o Ressuscitado e \u00abas Escrituras\u00bb. Na verdade, o Ressuscitado cumpre e enche as \u00abEscrituras\u00bb. N\u00e3o est\u00e1 depois delas ou no fim delas. Est\u00e1 no meio delas, f\u00e1-las transbordar, transborda delas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Cap\u00edtulo III da Carta aos Colossenses (3,1-4) trata a \u00abvida nova\u00bb em Cristo, que \u00e9 vida batismal, operada pelo Esp\u00edrito Santo que faz morrer e renascer na Fonte da Gra\u00e7a. Por isso, adverte solenemente Paulo: \u00abprocurai as coi\u00adsas do alto\u00bb (v. 1), \u00abpensai as coisas do alto\u00bb (v. 2), exorta\u00ad\u00e7\u00e3o que ecoa ainda no Di\u00e1logo que antecede o Pref\u00e1cio: \u00abCora\u00e7\u00f5es ao alto!\u00bb, a que respondemos com a alegria e a sabedoria do Esp\u00edrito: \u00abO nosso cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 em Deus!\u00bb, enquanto ecoa ainda em cada cora\u00e7\u00e3o habitado pelo Esp\u00edrito o \u00abGl\u00f3ria a Deus nas alturas!\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em alternativa a Colossenses 3,1-4, pode ler-se e escutar-se 1 Cor\u00edntios 5,6-8. A sua linguagem \u00e9 da cor da P\u00e1scoa (grego\u00a0<em>p\u00e1scha<\/em>, hebraico\u00a0<em>pesah<\/em>). O Novo Testamento usa o termo grego\u00a0<em>p\u00e1scha<\/em>\u00a0[= P\u00e1scoa] por 28 vezes, assim distribu\u00eddas: 24 vezes nos Evangelhos + Atos 12,4 e Hebreus 11,28, todas em refer\u00eancia exclusiva \u00e0 P\u00e1scoa hebraica do Antigo Testamento; as duas men\u00e7\u00f5es que faltam s\u00e3o precisamente 1 Cor\u00edntios 5,7 e Lucas 22,15, esta com o precioso\u00a0<em>l\u00f3gion<\/em>\u00a0de Jesus: \u00abDesejei ardentemente esta P\u00e1scoa (<em>to\u00fbto t\u00f2 p\u00e1scha<\/em>) comer convosco\u00bb. Em 1 Cor\u00edntios 5,7, lemos a express\u00e3o\u00a0<em>t\u00f2 p\u00e1scha h\u00eam\u00f4n et\u00fdth\u00ea Christ\u00f3s<\/em>, cuja tradu\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser \u00abCristo, a nossa P\u00e1scoa, foi imolado\u00bb, como se v\u00ea habitualmente, mas \u00abdurante a nossa P\u00e1scoa (hebraica), foi imolado Cristo\u00bb. Os motivos s\u00e3o gramaticais (<em>t\u00f2 p\u00e1scha h\u00eam\u00f4n<\/em>\u00a0\u00e9 um acusativo adverbial) e teol\u00f3gicos: o cordeiro da P\u00e1scoa n\u00e3o \u00e9 um sacrif\u00edcio imolado; n\u00e3o \u00e9 queimado sobre o altar; n\u00e3o \u00e9 oferecido ao Senhor (s\u00f3 o que \u00e9 oferecido ao Senhor \u00e9 sacrif\u00edcio); \u00e9 convivialmente comido em fam\u00edlia. Sacrif\u00edcio da P\u00e1scoa era a\u00a0<em>\u02bd\u00f4lat-tamid<\/em>, o holocausto perp\u00e9tuo, di\u00e1rio, o sacrif\u00edcio de dois cordeiros, filhos de um ano, um de manh\u00e3 e outro de tarde, conforme \u00caxodo 29,38-42 e N\u00fameros 28,3-8, e que, sendo di\u00e1rio, precedia qualquer celebra\u00e7\u00e3o festiva. S\u00f3 depois deste sacrif\u00edcio quotidiano, se procedia, em dias de festa, como \u00e9 a P\u00e1scoa, ao sacrif\u00edcio da festa propriamente dito, sacrif\u00edcio suplementar, e que, na P\u00e1scoa, consistia num \u00absacrif\u00edcio de ovelhas e bois\u00bb, este sim, \u00abP\u00e1scoa imolada para o Senhor\u00bb (Deuteron\u00f3mio 16,2). De notar tamb\u00e9m que o Novo Testamento desconhece em absoluto o adjetivo \u00abpascal\u00bb, de que n\u00f3s fazemos uso indiscriminado, e n\u00e3o pensado. A restante linguagem da cor da P\u00e1scoa que 1 Cor\u00edntios 5,6-8 mostra \u00e9 o fermento (<em>hamets<\/em>) e os p\u00e3es \u00e1zimos (<em>matsts\u00f4t<\/em>). Servem os termos para Paulo reclamar dos crist\u00e3os vida nova (p\u00e3es \u00e1zimos), sem mal\u00edcia (fermento velho).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Leitura-I-do-Domingo-de-Pascoa-Missa-do-Dia-Ano-B-31.03.2024-Act-10-34.37-43.pdf\">Leitura I do Domingo de P\u00e1scoa &#8211; Missa do Dia &#8211; Ano B &#8211; 31.03.2024 (Act 10, 34.37-43)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Leitura-II-do-Domingo-de-Pascoa-Missa-do-Dia-Ano-B-31.03.2024-Col-3-1-4.pdf\">Leitura II do Domingo de P\u00e1scoa &#8211; Missa do Dia &#8211; Ano B &#8211; 31.03.2024 (Col 3, 1-4)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Triduo-Pascal-e-Pascoa-da-Ressurreicao-Ano-B-28-29-30-e-31-Marco-2024.pdf\">Tr\u00edduo Pascal e P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o &#8211; Ano B &#8211; 28, 29, 30 e 31 Mar\u00e7o 2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Triduo-Pascal-e-Pascoa-da-Ressurreicao-Ano-B-28-2930-e-31-Marco-2024-Oracao-Universal.pdf\">Tr\u00edduo Pascal e P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o &#8211; Ano B &#8211; 28, 29,30 e 31 Mar\u00e7o 2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Mensagem-do-Papa-Francisco-para-a-Quaresma-de-2024-1.pdf\">Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Mensagem-da-Quaresma-2024-Bispos-do-Porto.pdf\">Mensagem Bispos do Porto para Quaresma 2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor \u2013 Ano B \u2013 24.03.2024&#8243; tab_id=&#8221;1711961171705-21a3cc13-c311&#8243;][vc_column_text]Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor &#8211; Ano B \u2013 24.03.2024<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Domingo-de-Ramos.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos a contar os 40 dias da Quaresma desde a Quarta-Feira de Cinzas at\u00e9 \u00e0 P\u00e1scoa. Mas ao Domingo n\u00e3o \u00e9 Quaresma. \u00c9 P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a celebra\u00e7\u00e3o do Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor damos in\u00edcio \u00e0 Semana Santa onde somos convidados a fixar o nosso olhar na Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. A Semana Santa inicia e termina com um evangelho de festa, marcado pela alegria. Iniciamos a celebra\u00e7\u00e3o deste Domingo com a proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho que narra a entrada de Jesus em Jerusal\u00e9m onde \u00e9 aclamado com brados de alegria e de j\u00fabilo que ainda hoje repetimos na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia: \u00ab<em>Hossana!\u00a0Bendito O que vem em nome do Senhor! Bendito o reino que vem, o reino do nosso pai David! Hossana nas alturas!<\/em>\u00bb e na solen\u00edssima noite de P\u00e1scoa haveremos de escutar o solene an\u00fancio da Ressurrei\u00e7\u00e3o gloriosa. Contudo, esta moldura de alegria e de festa encerra no seu interior a paix\u00e3o e morte, o duro caminho da paix\u00e3o que escutamos no Evangelho da missa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sofrimento e a morte, a paix\u00e3o e a crucifix\u00e3o n\u00e3o t\u00eam a \u00faltima palavra. Com Jesus somos chamados a percorrer o caminho da Cruz mas conscientes que caminhamos do transit\u00f3rio para o pleno e definitivo. S\u00f3 a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 plena e definitiva! Apesar da inevitabilidade do sofrimento e da morte na nossa peregrina\u00e7\u00e3o terrena, tomamos consci\u00eancia de que o sofrimento e a morte t\u00eam car\u00e1cter de provisoriedade, enquanto a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida eterna se revestem de plenitude e eternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso Deus n\u00e3o \u00e9 indiferente \u00e0s nossas dores e ang\u00fastias, dores e sofrimentos, mas assumiu a nossa condi\u00e7\u00e3o humana fazendo suas as dores da humanidade: \u00ab<em>Cristo Jesus, que era de condi\u00e7\u00e3o divina, n\u00e3o Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si pr\u00f3prio. Assumindo a condi\u00e7\u00e3o de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo at\u00e9 \u00e0 morte e morte de cruz<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nunca ser\u00e1 demais ler, meditar e contemplar estas palavras da Carta de S. Paulo aos Filipenses. Em Jesus Cristo, Deus cheio de amor vem ao nosso encontro, assume a nossa fr\u00e1gil humanidade para nos elevar com Ele \u00e0 gl\u00f3ria da divindade. Assume a natureza fr\u00e1gil e provis\u00f3ria para nos fazer tomar parte da promessa total, plena e definitiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus desce para que juntos possamos subir. O caminho quaresmal que percorremos \u00e9 express\u00e3o concreta deste caminho como nos recorda o Papa Francisco: \u00ab<em>Hoje inclinamos a cabe\u00e7a para receber as cinzas. No termo da Quaresma, abaixar-nos-emos ainda mais para lavar os p\u00e9s dos irm\u00e3os. A Quaresma \u00e9 uma descida humilde dentro de n\u00f3s e rumo aos outros. \u00c9 compreender que a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma escalada para a gl\u00f3ria, mas um abaixamento por amor<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contemplando o caminho da cruz entramos nesta nova l\u00f3gica da vida crist\u00e3: a vida \u00e9 tanto mais nossa, quanto mais for dos outros; a vida \u00e9 verdadeiramente vida quando entregue sem medida. Um novo modo de ser e de estar que se traduz numa nova forma de servir e amar. O p\u00e3o partido e repartido e o c\u00e1lice partilhado \u00e0 volta da mesa perpetuam no tempo e na hist\u00f3ria a entrega da cruz e, por isso, reunidos para celebrar a Eucaristia no<em>\u00a0Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor<\/em>\u00a0celebramos a paix\u00e3o e morte de Jesus, mas aclamando a gl\u00f3ria da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Como aquela multid\u00e3o de outrora, queremos sair \u00e0 rua para acolher e aclamar Jesus que continua a visitar-nos no rosto sofredor dos nossos irm\u00e3os, em tantas situa\u00e7\u00f5es de car\u00eancia e debilidade que silenciosamente continuam a gritar e a reclamar a nossa presen\u00e7a. <strong><em>in Voz Portucalense (adaptado)<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor iniciamos a Semana Santa. Acolhendo o desafio \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 penit\u00eancia, devemos ter presente que a convers\u00e3o pessoal a que somos chamados na contempla\u00e7\u00e3o da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo nos deve conduzir a uma sa\u00edda mission\u00e1ria que se manifeste de modo concreto na nossa vida quotidiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este Domingo deve ser marcado pelo convite \u00e0 participa\u00e7\u00e3o no Tr\u00edduo Pascal, centro de todo o ano lit\u00fargico. N\u00e3o nos devemos limitar a um an\u00fancio dos hor\u00e1rios e locais da celebra\u00e7\u00e3o, mas, por exemplo, elaborar um pequeno folheto com uma apelativa descri\u00e7\u00e3o de cada uma das celebra\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, pode apontar-se como a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria para esta semana o convite aos vizinhos e amigos para a participa\u00e7\u00e3o nas diversas celebra\u00e7\u00f5es pascais. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 50, 4-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor deu-me a gra\u00e7a de falar como um disc\u00edpulo,<br \/>\npara que eu saiba dizer uma palavra de alento<br \/>\naos que andam abatidos.<br \/>\nTodas as manh\u00e3s Ele desperta os meus ouvidos,<br \/>\npara eu escutar, como escutam os disc\u00edpulos.<br \/>\nO Senhor Deus abriu-me os ouvidos<br \/>\ne eu n\u00e3o resisti nem recuei um passo.<br \/>\nApresentei as costas \u00e0queles que me batiam<br \/>\ne a face aos que me arrancavam a barba;<br \/>\nn\u00e3o desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam.<br \/>\nMas o Senhor Deus veio em meu aux\u00edlio,<br \/>\ne, por isso, n\u00e3o fiquei envergonhado;<br \/>\ntornei o meu rosto duro como pedra,<br \/>\ne sei que n\u00e3o ficarei desiludido.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro do Deutero-Isa\u00edas (Is 40-55), encontramos quatro poemas (cf. Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12) que se diferenciam um tanto da tem\u00e1tica desenvolvida pelo profeta no resto do livro. Referem-se a uma figura enigm\u00e1tica, que o pr\u00f3prio Deus apresenta como \u201co meu Servo\u201d (Is 42,1). O nome \u201cservo de Jav\u00e9\u201d \u00e9, na B\u00edblia, um t\u00edtulo honor\u00edfico. Refere-se, habitualmente, a algu\u00e9m a quem Deus chama a colaborar no seu projeto salvador. De facto, o \u201cservo de Jav\u00e9\u201d que nos \u00e9 apresentado pelo Deutero-Isa\u00edas, foi eleito por Deus e recebeu de Deus uma miss\u00e3o (cf. Is 42,1a; 49,1.5). Essa miss\u00e3o tem a ver com a Palavra de Deus e tem car\u00e1cter universal, pois deve concretizar-se no meio das na\u00e7\u00f5es (cf. Is 42,1b; 49,6); ser\u00e1 vivida pelo \u201cservo\u201d na humildade, no sofrimento e na obedi\u00eancia incondicional ao projeto de Deus (cf. Is 42,2-3). Apesar de a miss\u00e3o terminar num aparente insucesso (cf. Is 53,2-3.7-9), a dor do profeta n\u00e3o foi em v\u00e3o: ela tem um valor expiat\u00f3rio e redentor; do seu sofrimento resulta o perd\u00e3o para o pecado do Povo (cf. Is 53,6.10). Deus aprecia o sacrif\u00edcio do profeta e recompens\u00e1-lo-\u00e1, elevando-o \u00e0 vista de todos, fazendo-o triunfar dos seus detratores e advers\u00e1rios (cf. Is 53,11-12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem \u00e9 este profeta? \u00c9 Jeremias, o paradigma do profeta que sofre por causa da Palavra? \u00c9 o pr\u00f3prio Deutero-Isa\u00edas, chamado a dar testemunho da Palavra no ambiente hostil do Ex\u00edlio? \u00c9 um profeta desconhecido? \u00c9 uma figura coletiva, que representa o Povo exilado, humilhado, esmagado, mas que continua a dar testemunho de Deus, no meio das outras na\u00e7\u00f5es? \u00c9 uma figura representativa, que une a recorda\u00e7\u00e3o de personagens hist\u00f3ricas (patriarcas, Mois\u00e9s, David, profetas) com figuras m\u00edticas, de forma a representar o Povo de Deus na sua totalidade? N\u00e3o sabemos; no entanto, a figura apresentada nesses poemas vai receber uma outra ilumina\u00e7\u00e3o \u00e0 luz de Jesus Cristo, da sua vida, do seu destino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto \u00e9 parte do terceiro c\u00e2ntico do \u201cservo de Jav\u00e9\u201d. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>N\u00e3o sabemos, efetivamente, quem \u00e9 este \u201cservo de Jav\u00e9\u201d; no entanto, os primeiros crist\u00e3os v\u00e3o utilizar este texto como grelha para interpretar o mist\u00e9rio de Jesus: Ele \u00e9 a Palavra de Deus feita carne, que oferece a sua vida para trazer a salva\u00e7\u00e3o\/liberta\u00e7\u00e3o aos homens\u2026 A vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e de entrega da vida em favor de todos; e a sua glorifica\u00e7\u00e3o mostra que uma vida vivida deste jeito n\u00e3o termina no fracasso, mas na ressurrei\u00e7\u00e3o que gera Vida nova. No entanto, talvez esta conce\u00e7\u00e3o da vida nos pare\u00e7a estranha e incongruente face \u00e0quilo que vemos acontecer todos os dias \u00e0 nossa volta\u2026 Como \u00e9 que me situo face a isto? Acredito que uma vida gasta como a de Jesus ou a do profeta\/servo da primeira leitura deste domingo \u00e9 uma vida com sentido e que conduz \u00e0 Vida nova?<\/li>\n<li>O profeta\/servo que, sem hesitar, p\u00f5e a sua palavra e a sua vida ao servi\u00e7o da liberta\u00e7\u00e3o dos seus irm\u00e3os \u2013 mesmo que isso implique para si pr\u00f3prio sofrimento, persegui\u00e7\u00e3o e humilha\u00e7\u00e3o \u2013 deixa-nos um desafio que n\u00e3o podemos ignorar\u2026 Vivemos cercados por ilhas de mis\u00e9ria e de dor onde tantos e tantos irm\u00e3os nossos permanecem prisioneiros; passamos a cada passo por homens e mulheres abandonados, esquecidos, atirados para as margens da hist\u00f3ria, privados dos seus direitos e dignidade; assistimos diariamente \u00e0 crucifix\u00e3o de tanta gente que luta contra os sistemas de opress\u00e3o e de morte\u2026 O que fazemos? Permanecemos indiferentes e viramos a cara para outro lado para n\u00e3o ver e para n\u00e3o sermos incomodados, ou levantamos a voz para denunciar o ego\u00edsmo, a viol\u00eancia, a injusti\u00e7a, as mil formas de maldade que desfeiam o mundo e destroem a Vida?<\/li>\n<li>Temos consci\u00eancia de que a nossa miss\u00e3o prof\u00e9tica passa por sermos Palavra viva de Deus que ecoa no mundo dos homens? Nas nossas palavras, nos nossos gestos, no nosso testemunho, a proposta libertadora de Deus alcan\u00e7a o mundo e o cora\u00e7\u00e3o dos homens?<\/li>\n<li>O profeta\/servo da nossa leitura garante-nos que nunca desistir\u00e1 da miss\u00e3o que lhe foi confiada porque confia em Deus: sabe que Deus estar\u00e1 sempre com ele e que nunca o desiludir\u00e1. Que fant\u00e1stica express\u00e3o de confian\u00e7a e de f\u00e9! Seremos capazes de dizer, com convic\u00e7\u00e3o, a mesma coisa? Acreditamos que Deus nunca nos desiludir\u00e1? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 21 (22)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os que me veem escarnecem de mim,<br \/>\nestendem os meus l\u00e1bios e meneiam a cabe\u00e7a:<br \/>\n\u00abConfiou no Senhor, Ele que o livre,<br \/>\nEle que o salve, se \u00e9 meu amigo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matilhas de c\u00e3es me rodearam,<br \/>\ncercou-me um bando de malfeitores.<br \/>\nTrespassaram as minhas m\u00e3os e os meus p\u00e9s,<br \/>\nposso contar todos os meus ossos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Repartiram entre si as minhas vestes<br \/>\ne deitaram sortes sobre a minha t\u00fanica.<br \/>\nMas V\u00f3s, Senhor, n\u00e3o Vos afasteis de mim,<br \/>\nsois a minha for\u00e7a, apressai-Vos a socorrer-me.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hei de falar do vosso nome aos meus irm\u00e3os,<br \/>\nHei de louvar-Vos no meio da assembleia.<br \/>\nV\u00f3s, que temeis o Senhor, louvai-O,<br \/>\nglorificai-O, v\u00f3s todos os filhos de Jacob,<br \/>\nreverenciai-O, v\u00f3s todos os filhos de Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 Filipenses 2, 6-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cristo Jesus, que era de condi\u00e7\u00e3o divina,<br \/>\nn\u00e3o Se valeu da sua igualdade com Deus,<br \/>\nmas aniquilou-Se a Si pr\u00f3prio.<br \/>\nAssumindo a condi\u00e7\u00e3o de servo,<br \/>\ntornou-Se semelhante aos homens.<br \/>\nAparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais,<br \/>\nobedecendo at\u00e9 \u00e0 morte e morte de cruz.<br \/>\nPor isso Deus O exaltou<br \/>\ne Lhe deu um nome que est\u00e1 acima de todos os nomes,<br \/>\npara que ao nome de Jesus todos se ajoelhem<br \/>\nno c\u00e9u, na terra e nos abismos,<br \/>\ne toda a l\u00edngua proclame que Jesus Cristo \u00e9 o Senhor,<br \/>\npara gl\u00f3ria de Deus Pai.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade de Filipos, situada na Maced\u00f3nia oriental, era uma cidade pr\u00f3spera, com uma popula\u00e7\u00e3o constitu\u00edda maioritariamente por veteranos romanos do ex\u00e9rcito. Organizada \u00e0 maneira de Roma, estava fora da jurisdi\u00e7\u00e3o dos governantes das prov\u00edncias locais e dependia diretamente do imperador. Gozava dos mesmos privil\u00e9gios das cidades de It\u00e1lia e os seus habitantes tinham cidadania romana. Paulo chegou a Filipos pelo ano 49 ou 50, no decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria, acompanhado de Silvano, Tim\u00f3teo e Lucas (cf. At 16,1-40). Da sua prega\u00e7\u00e3o nasceu a primeira comunidade crist\u00e3 em solo europeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 de Filipos era uma comunidade entusiasta, generosa, comprometida, sempre atenta \u00e0s necessidades de Paulo e do resto da Igreja (como no caso da coleta em favor da Igreja de Jerusal\u00e9m \u2013 cf. 2 Cor 8,1-5). Paulo nutria pelos crist\u00e3os de Filipos um afeto especial; e os filipenses, por seu turno, tinham Paulo em grande apre\u00e7o. Apesar de tudo, a comunidade crist\u00e3 de Filipos n\u00e3o era perfeita: os altivos patr\u00edcios romanos de Filipos tinham alguma dificuldade em assumir certos valores como o desprendimento, a humildade e a simplicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo escreve aos Filipenses numa altura em que estava na pris\u00e3o (n\u00e3o sabemos se em Cesareia, em Roma, ou em \u00c9feso). Os filipenses tinham-lhe enviado, por um membro da comunidade chamado Epafrodito, uma certa quantia em dinheiro, a fim de que Paulo pudesse prover \u00e0s suas necessidades. Na carta, Paulo agradece a preocupa\u00e7\u00e3o dos filipenses com a sua pessoa (cf. Fl 4,10-20); exorta-os a manterem-se fi\u00e9is a Cristo e a incarnarem os valores que marcaram a vida de Cristo (\u201ctende entre v\u00f3s os mesmos sentimentos que est\u00e3o em Cristo Jesus\u201d \u2013 Fl 2,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia do domingo de Ramos nos apresenta como segunda leitura \u00e9 o texto mais not\u00e1vel da carta aos filipenses. Trata-se de um antigo hino, provavelmente pr\u00e9-paulino, que era recitado nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas crist\u00e3s (h\u00e1 quem fale, a prop\u00f3sito deste hino, na catequese primitiva de Sim\u00e3o Pedro, conservada na comunidade crist\u00e3 de Antioquia da S\u00edria). Lembra aos crist\u00e3os de Filipos o exemplo de Cristo, a sua humildade e despojamento.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>N\u00e3o h\u00e1 mesmo volta a dar: a l\u00f3gica de Deus funciona em sentido contr\u00e1rio \u00e0 nossa l\u00f3gica humana. Quanto mais nos despojamos da nossa superioridade, quanto mais renunciamos \u00e0 capa da import\u00e2ncia, quanto mais gastamos a nossa vida a fazer o bem, quanto mais nos fazemos \u201cservos\u201d dos nossos irm\u00e3os, quanto mais amamos sem esperar nada em troca, mais subimos na \u201cescala\u201d de Deus. Deus disse-nos isto, com todas as letras, atrav\u00e9s do seu Filho Jesus. De forma inequ\u00edvoca, de forma irrefut\u00e1vel, com uma linguagem que s\u00f3 n\u00e3o entende quem n\u00e3o quer. Porque \u00e9 que, depois de dois mil anos a olhar para a cruz de Jesus, isto ainda n\u00e3o \u00e9 claro para n\u00f3s? O que mais tem Deus de fazer para nos mostrar o caminho que conduz \u00e0 Vida verdadeira?<\/li>\n<li>Estamos a chegar ao fim deste caminho quaresmal. Este caminho foi efetivamente, para n\u00f3s, um caminho de convers\u00e3o, de mudan\u00e7a, de nascimento para uma vida nova? Ao longo deste caminho em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 P\u00e1scoa transformamos a arrog\u00e2ncia em humildade, a atitude de superioridade em respeito pelo outro, o orgulho em simplicidade, a soberba em delicadeza?<\/li>\n<li>Este hino constitui uma excelente chave de leitura para interpretar, sentir e viver, na \u201cSemana Maior\u201d em que estamos a entrar, os acontecimentos centrais da nossa f\u00e9. Ao \u201csom\u201d deste bel\u00edssimo hino podemos compreender o caminho de Jesus, o significado das suas op\u00e7\u00f5es, o sentido da sua vida, da sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. Iremos procurar, nesta semana, acompanhar os passos de Jesus? E, ao revivermos o seu amor e a sua entrega, renovaremos a nossa ades\u00e3o a Ele e ao caminho que Ele prop\u00f5e? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Marcos 14, 1 \u2013 15,47<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00a0\u00a0 Faltavam dois dias para a festa da P\u00e1scoa e dos \u00c1zimos<br \/>\ne os pr\u00edncipes dos sacerdotes e os escribas<br \/>\nprocuravam maneira de se apoderarem de Jesus \u00e0 trai\u00e7\u00e3o<br \/>\npara Lhe darem a morte.<br \/>\nMas diziam:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R\u00a0 \u00abDurante a festa, n\u00e3o,<br \/>\npara que n\u00e3o haja algum tumulto entre o povo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Jesus encontrava-Se em Bet\u00e2nia,<br \/>\nem casa de Sim\u00e3o o Leproso,<br \/>\ne, estando \u00e0 mesa,<br \/>\nveio uma mulher que trazia um vaso de alabastro<br \/>\ncom perfume de nardo puro de alto pre\u00e7o.<br \/>\nPartiu o vaso de alabastro<br \/>\ne derramou-o sobre a cabe\u00e7a de Jesus.<br \/>\nAlguns indignaram-se e diziam entre si:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R\u00a0\u00a0 \u00abPara que foi esse desperd\u00edcio de perfume?<br \/>\nPodia vender-se por mais de duzentos den\u00e1rios<br \/>\ne dar o dinheiro aos pobres\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 E censuravam a mulher com aspereza.<br \/>\nMas Jesus disse:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J \u00a0\u00a0 \u00abDeixai-a. Porque estais a importun\u00e1-la?<br \/>\nEla fez uma boa a\u00e7\u00e3o para comigo.<br \/>\nNa verdade, sempre tereis os pobres convosco<br \/>\ne, quando quiserdes, podereis fazer-lhes bem;<br \/>\nMas a Mim, nem sempre Me tereis.<br \/>\nEla fez o que estava ao seu alcance:<br \/>\nungiu de antem\u00e3o o meu corpo para a sepultura.<br \/>\nEm verdade vos digo:<br \/>\nOnde quer que se proclamar o Evangelho, pelo mundo inteiro,<br \/>\ndir-se-\u00e1 tamb\u00e9m em sua mem\u00f3ria, o que ela fez\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Ent\u00e3o, Judas Iscariotes, um dos Doze,<br \/>\nfoi ter com os pr\u00edncipes dos sacerdotes<br \/>\npara lhes entregar Jesus.<br \/>\nQuando o ouviram, alegraram-se<br \/>\ne prometeram dar-lhe dinheiro.<br \/>\nE ele procurava uma oportunidade para entregar Jesus.<br \/>\nNo primeiro dia dos \u00c1zimos,<br \/>\nem que se imolava o cordeiro pascal,<br \/>\nos disc\u00edpulos perguntaram a Jesus:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abOnde queres que fa\u00e7amos os preparativos<br \/>\npara comer a P\u00e1scoa?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Jesus enviou dois disc\u00edpulos e disse-lhes:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J \u00a0\u00a0\u00a0 \u00abIde \u00e0 cidade.<br \/>\nVir\u00e1 ao vosso encontro um homem com uma bilha de \u00e1gua.<br \/>\nSegui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa:<br \/>\n\u2018O Mestre pergunta: Onde est\u00e1 a sala,<br \/>\nem que hei de comer a P\u00e1scoa com os meus disc\u00edpulos?\u2019<br \/>\nEle vos mostrar\u00e1 uma grande sala no andar superior,<br \/>\nalcatifada e pronta.<br \/>\nPreparai-nos l\u00e1 o que \u00e9 preciso\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Os disc\u00edpulos partiram e foram \u00e0 cidade.<br \/>\nEncontraram tudo como Jesus lhes tinha dito<br \/>\ne prepararam a P\u00e1scoa.<br \/>\nAo cair da tarde, chegou Jesus com os Doze.<br \/>\nEnquanto estavam \u00e0 mesa e comiam,<br \/>\nJesus disse:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J \u00a0\u00a0\u00a0 \u00abEm verdade vos digo:<br \/>\nUm de v\u00f3s, que est\u00e1 comigo \u00e0 mesa, h\u00e1 de entregar-Me\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Eles come\u00e7aram a entristecer-se e a dizer um ap\u00f3s outro:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abSerei eu?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Jesus respondeu-lhes:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J \u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab\u00c9 um dos Doze, que mete comigo a m\u00e3o no prato.<br \/>\nO Filho do homem vai partir,<br \/>\ncomo est\u00e1 escrito a seu respeito,<br \/>\nmas ai daquele por quem o Filho do homem vai ser tra\u00eddo!<br \/>\nTeria sido melhor para esse homem n\u00e3o ter nascido\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Enquanto comiam, Jesus tomou o p\u00e3o,<br \/>\nrecitou a b\u00ean\u00e7\u00e3o e partiu-o,<br \/>\ndeu-o aos disc\u00edpulos e disse:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J \u00a0\u00a0\u00a0 \u00abTomai: isto \u00e9 o meu Corpo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Depois tomou um c\u00e1lice, deu gra\u00e7as e entregou-lho.<br \/>\nE todos beberam dele.<br \/>\nDisse Jesus:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J \u00a0\u00a0\u00a0 \u00abEste \u00e9 o meu Sangue, o Sangue da nova alian\u00e7a,<br \/>\nderramado pela multid\u00e3o dos homens.<br \/>\nEm verdade vos digo:<br \/>\nN\u00e3o voltarei a beber do fruto da videira,<br \/>\nat\u00e9 ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Cantaram os salmos e sa\u00edram para o Monte das Oliveiras.<br \/>\nDisse-lhes Jesus:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J \u00a0\u00a0\u00a0 \u00abTodos v\u00f3s Me abandonareis, como est\u00e1 escrito:<br \/>\n\u2018Ferirei o pastor e dispersar-se-\u00e3o as ovelhas\u2019.<br \/>\nMas depois de ressuscitar,<br \/>\nIrei \u00e0 vossa frente para a Galileia\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Disse-Lhe Pedro:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abEmbora todos te abandonem, eu n\u00e3o\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00a0\u00a0 Jesus respondeu-lhe:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J \u00a0\u00a0\u00a0 \u00abEm verdade te digo:<br \/>\nHoje, esta mesma noite, antes do galo cantar duas vezes,<br \/>\ntr\u00eas vezes Me negar\u00e1s\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Mas Pedro continuava a insistir:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abAinda que tenha de morrer contigo, n\u00e3o Te negarei\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 E todos afirmaram o mesmo.<br \/>\nEntretanto, chegaram a uma propriedade chamada Gets\u00e9mani<br \/>\ne Jesus disse aos seus disc\u00edpulos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J \u00a0\u00a0\u00a0 \u00abFicai aqui, enquanto Eu vou orar\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Tomou consigo Pedro, Tiago e Jo\u00e3o<br \/>\ne come\u00e7ou a sentir pavor e ang\u00fastia.<br \/>\nDisse-lhes ent\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J \u00a0\u00a0\u00a0 \u00abA minha alma est\u00e1 numa tristeza de morte.<br \/>\nFicai aqui e vigiai\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Adiantando-Se um pouco, caiu por terra<br \/>\ne orou para que, se fosse poss\u00edvel,<br \/>\nse afastasse d\u2019Ele aquela hora.<br \/>\nJesus dizia:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J \u00a0\u00a0\u00a0 \u00abAbba, Pai, tudo Te \u00e9 poss\u00edvel:<br \/>\nafasta de Mim este c\u00e1lice.<br \/>\nContudo, n\u00e3o se fa\u00e7a o que Eu quero,<br \/>\nmas o que Tu queres\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Depois, foi ter com os disc\u00edpulos, encontrando-os dormindo<br \/>\ne disse a Pedro:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J \u00a0\u00a0\u00a0 \u00abSim\u00e3o, est\u00e1s a dormir? N\u00e3o pudeste vigiar uma hora?<br \/>\nVigiai e orai, para n\u00e3o entrardes em tenta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO esp\u00edrito est\u00e1 pronto, mas a carne \u00e9 fraca\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Afastou-Se de novo e orou, dizendo as mesmas palavras.<br \/>\nVoltou novamente e encontrou-os dormindo,<br \/>\nporque tinham os olhos pesados<br \/>\ne n\u00e3o sabiam que responder.<br \/>\nJesus voltou pela terceira vez e disse-lhes:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J \u00a0\u00a0\u00a0 \u00abDormi agora e descansai\u2026<br \/>\nChegou a hora:<br \/>\no Filho do homem vai ser entregue \u00e0s m\u00e3os dos pecadores.<br \/>\nLevantai-vos. Vamos.<br \/>\nJ\u00e1 se aproxima aquele que Me vai entregar\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Ainda Jesus estava a falar,<br \/>\nquando apareceu Judas, um dos Doze,<br \/>\ne com ele uma grande multid\u00e3o, com espadas e varapaus,<br \/>\nenviada pelos pr\u00edncipes dos sacerdotes,<br \/>\npelos escribas e os anci\u00e3os.<br \/>\nO traidor tinha-lhes dado este sinal:<br \/>\n\u00abAquele que eu beijar, \u00e9 esse mesmo.<br \/>\nPrendei-O e levai-O bem seguro\u00bb.<br \/>\nLogo que chegou, aproximou-se de Jesus e beijou-O, dizendo:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abMestre\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Ent\u00e3o deitaram-Lhe as m\u00e3os e prenderam-n\u2019O.<br \/>\nUm dos presentes puxou da espada<br \/>\ne feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha.<br \/>\nJesus tomou a palavra e disse-lhes:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J \u00a0\u00a0\u00a0 \u00abV\u00f3s sa\u00edstes com espadas e varapaus para Me prender,<br \/>\ncomo se fosse um salteador.<br \/>\nTodos os dias Eu estava no meio de v\u00f3s,<br \/>\na ensinar no templo,<br \/>\ne n\u00e3o Me prendestes!<br \/>\nMas \u00e9 para se cumprirem as Escrituras\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Ent\u00e3o os disc\u00edpulos deixaram-n\u2019O e fugiram todos.<br \/>\nSeguiu-O um jovem, envolto apenas num len\u00e7ol.<br \/>\nAgarraram-no, mas ele, largando o len\u00e7ol, fugiu nu.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Levaram ent\u00e3o Jesus \u00e0 presen\u00e7a do sumo sacerdote,<br \/>\nonde se reuniram todos os pr\u00edncipes dos sacerdotes,<br \/>\nos anci\u00e3os e os escribas.<br \/>\nPedro, que O seguira de longe,<br \/>\nat\u00e9 ao interior do pal\u00e1cio do sumo sacerdote,<br \/>\nestava sentado com os guardas, a aquecer-se ao lume.<br \/>\nEntretanto, os pr\u00edncipes dos sacerdotes e todo o Sin\u00e9drio<br \/>\nprocuravam um testemunho contra Jesus<br \/>\npara Lhe dar a morte,<br \/>\nmas n\u00e3o o encontravam.<br \/>\nMuitos testemunhavam falsamente contra Ele,<br \/>\nmas os seus depoimentos n\u00e3o eram concordes.<br \/>\nLevantaram-se ent\u00e3o alguns,<br \/>\npara proferir contra Ele este falso testemunho:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abOuvimo-l\u2019O dizer:<br \/>\n\u2018Destruirei este templo feito pelos homens<br \/>\ne em tr\u00eas dias construirei outro<br \/>\nque n\u00e3o ser\u00e1 feito pelos homens\u2019\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Mas nem assim o depoimento deles era concorde.<br \/>\nEnt\u00e3o o sumo sacerdote levantou-se no meio de todos<br \/>\ne perguntou a Jesus:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abN\u00e3o respondes nada ao que eles dep\u00f5em contra Ti?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Mas Jesus continuava calado e nada respondeu.<br \/>\nO sumo sacerdote voltou a interrog\u00e1-l\u2019O:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00ab\u00c9s Tu o Messias, Filho do Deus Bendito?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Jesus respondeu:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J \u00a0\u00a0\u00a0 \u00abEu Sou. E v\u00f3s vereis o Filho do homem<br \/>\nsentado \u00e0 direita do Todo-poderoso<br \/>\nvir sobre as nuvens do c\u00e9u\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 O sumo sacerdote rasgou as vestes e disse:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abQue necessidade temos ainda de testemunhas?<br \/>\nOuvistes a blasf\u00e9mia. Que vos parece?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Todos sentenciaram que Jesus era r\u00e9u de morte.<br \/>\nDepois, alguns come\u00e7aram a cuspir-Lhe,<br \/>\na tapar-Lhe o rosto com um v\u00e9u<br \/>\ne a dar-Lhe punhadas, dizendo:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abAdivinha\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 E os guardas davam-Lhe bofetadas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Pedro estava em baixo, no p\u00e1tio,<br \/>\nquando chegou uma das criadas do sumo sacerdote.<br \/>\nAo v\u00ea-lo a aquecer-se, olhou-o de frente e disse-lhe:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abTu tamb\u00e9m estavas com Jesus, o Nazareno\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Mas ele negou:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abN\u00e3o sei nem entendo o que dizes\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Depois saiu para o vest\u00edbulo e o galo cantou.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A\u00a0\u00a0\u00a0 criada, vendo-o de novo, come\u00e7ou a dizer aos presentes:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abEste \u00e9 um deles\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Mas ele negou segunda vez.<br \/>\nPouco depois, os presentes diziam tamb\u00e9m a Pedro:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abNa verdade, tu \u00e9s deles, pois tamb\u00e9m \u00e9s galileu\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Mas ele come\u00e7ou a dizer impreca\u00e7\u00f5es e a jurar:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abN\u00e3o conhe\u00e7o esse homem de quem falais\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 E logo o galo cantou pela segunda vez.<br \/>\nEnt\u00e3o Pedro lembrou-se do que Jesus lhe tinha dito:<br \/>\n\u00abAntes do galo cantar duas vezes,<br \/>\ntr\u00eas vezes Me negar\u00e1s\u00bb.<br \/>\nE desatou a chorar.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Logo de manh\u00e3,<br \/>\nos pr\u00edncipes dos sacerdotes reuniram-se em conselho,<br \/>\ncom os anci\u00e3os e os escribas e todo o Sin\u00e9drio.<br \/>\nDepois de terem manietado Jesus,<br \/>\nforam entreg\u00e1-l\u2019O a Pilatos.<br \/>\nPilatos perguntou-Lhe:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abTu \u00e9s o Rei dos judeus?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Jesus respondeu:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J \u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab\u00c9 como dizes\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 E os pr\u00edncipes dos sacerdotes<br \/>\nfaziam muitas acusa\u00e7\u00f5es contra Ele.<br \/>\nPilatos interrogou-O de novo:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abN\u00e3o respondes nada? V\u00ea de quantas coisas Te acusam\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Mas Jesus nada respondeu,<br \/>\nde modo que Pilatos estava admirado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Pela festa da P\u00e1scoa,<br \/>\nPilatos costumava soltar-lhes um preso \u00e0 sua escolha.<br \/>\nHavia um, chamado Barrab\u00e1s, preso com os insurretos,<br \/>\nque numa revolta tinham cometido um assass\u00ednio.<br \/>\nA multid\u00e3o, subindo,<br \/>\ncome\u00e7ou a pedir o que era costume conceder-lhes.<br \/>\nPilatos respondeu:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abQuereis que vos solte o Rei dos judeus?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Ele sabia que os pr\u00edncipes dos sacerdotes<br \/>\nO tinham entregado por inveja.<br \/>\nEntretanto, os pr\u00edncipes dos sacerdotes incitaram a multid\u00e3o<br \/>\na pedir que lhes soltasse antes Barrab\u00e1s.<br \/>\nPilatos, tomando de novo a palavra, perguntou-lhes:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abEnt\u00e3o, que hei de fazer d\u2019Aquele<br \/>\nque chamais o Rei dos judeus?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Eles gritaram de novo:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abCrucifica-O!\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Pilatos insistiu:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abQue mal fez Ele?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Mas eles gritaram ainda mais:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abCrucifica-O!\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Ent\u00e3o Pilatos, querendo contentar a multid\u00e3o,<br \/>\nsoltou-lhes Barrab\u00e1s<br \/>\ne, depois de ter mandado a\u00e7oitar Jesus,<br \/>\nentregou-O para ser crucificado.<br \/>\nOs soldados levaram-n\u2019O para dentro do pal\u00e1cio,<br \/>\nque era o pret\u00f3rio,<br \/>\ne convocaram toda a coorte.<br \/>\nRevestiram-n\u2019O com um mando de p\u00farpura<br \/>\ne puseram-Lhe na cabe\u00e7a uma coroa de espinhos<br \/>\nque haviam tecido.<br \/>\nDepois come\u00e7aram a saud\u00e1-l\u2019O:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abSalv\u00e9, Rei dos judeus!\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Batiam-lhe na cabe\u00e7a com uma cana, cuspiam-Lhe<br \/>\ne, dobrando os joelhos, prostravam-se diante d\u2019Ele.<br \/>\nDepois de O terem escarnecido,<br \/>\ntiraram-Lhe o manto de p\u00farpura<br \/>\ne vestiram-Lhe as suas roupas.<br \/>\nEm seguida levaram-n\u2019O dali para O crucificarem.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Requisitaram, para Lhe levar a cruz,<br \/>\num homem que passava, vindo do campo,<br \/>\nSim\u00e3o de Cirene, pai de Alexandre e Rufo.<br \/>\nE levaram Jesus ao lugar do G\u00f3lgota,<br \/>\nquer dizer, lugar do Calv\u00e1rio.<br \/>\nQueriam dar-Lhe vinho misturado com mirra,<br \/>\nmas Ele n\u00e3o o quis beber.<br \/>\nDepois crucificaram-n\u2019O.<br \/>\nE repartiram entre si as suas vestes,<br \/>\ntirando-as \u00e0 sorte, para verem o que levaria cada um.<br \/>\nEram nove horas da manh\u00e3 quando O crucificaram.<br \/>\nO letreiro que indicava a causa da condena\u00e7\u00e3o tinha escrito:<br \/>\n\u00abRei dos Judeus\u00bb.<br \/>\nCrucificaram com Ele dois salteadores,<br \/>\num \u00e0 direita e outro \u00e0 esquerda.<br \/>\nOs que passavam insultavam-n\u2019O<br \/>\ne abanavam a cabe\u00e7a, dizendo:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abTu que destru\u00edas o templo e o reedificavas em tr\u00eas dias,<br \/>\nsalva-Te a Ti mesmo e desce da cruz\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Os pr\u00edncipes dos sacerdotes e os escribas<br \/>\ntro\u00e7avam uns com os outros, dizendo:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abSalvou os outros e n\u00e3o pode salvar-se a Si mesmo!<br \/>\nEsse Messias, o Rei de Israel, des\u00e7a agora da cruz,<br \/>\npara n\u00f3s vermos e acreditarmos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 At\u00e9 os que estavam crucificados com ele o injuriavam.<br \/>\nQuando chegou o meio-dia,<br \/>\nas trevas envolveram toda a terra at\u00e9 \u00e0s tr\u00eas horas da tarde.<br \/>\nE \u00e0s tr\u00eas horas da tarde, Jesus clamou com voz forte:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J \u00a0\u00a0\u00a0 \u00abElo\u00ed, Elo\u00ed, lam\u00e1 sabachth\u00e1ni?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 que quer dizer:<br \/>\n\u00abMeu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abEst\u00e1 a chamar por Elias\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Algu\u00e9m correu a embeber uma esponja em vinagre<br \/>\ne, pondo-a na ponta duma cana, deu-Lhe a beber e disse:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abDeixa ver se Elias vem tir\u00e1-l\u2019O dali\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Ent\u00e3o Jesus, soltando um grande brado, expirou.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 O v\u00e9u do templo rasgou-se em duas partes de alto a baixo.<br \/>\nO centuri\u00e3o que estava em frente de Jesus,<br \/>\nao v\u00ea-l\u2019O expirar daquela maneira, exclamou:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R \u00a0\u00a0 \u00abNa verdade, este homem era Filho de Deus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N \u00a0 Estavam tamb\u00e9m ali umas mulheres a observar de longe,<br \/>\nentre elas Maria Madalena,<br \/>\nMaria, m\u00e3e de Tiago e de Jos\u00e9, e Salom\u00e9,<br \/>\nque acompanhavam e serviam Jesus,<br \/>\nquando estava na Galileia,<br \/>\ne muitas outras que tinham subido com ele a Jerusal\u00e9m.<br \/>\nAo cair da tarde<br \/>\n\u2013 visto ser a Prepara\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, a v\u00e9spera do s\u00e1bado \u2013<br \/>\nJos\u00e9 de Arimateia, ilustre membro do Sin\u00e9drio,<br \/>\nque tamb\u00e9m esperava o reino de Deus,<br \/>\nfoi corajosamente \u00e0 presen\u00e7a de Pilatos<br \/>\ne pediu-lhe o corpo de Jesus.<br \/>\nPilatos ficou admirado de Ele j\u00e1 estar morto<br \/>\ne, mandando chamar o centuri\u00e3o,<br \/>\nordenou que o corpo fosse entregue e Jos\u00e9.<br \/>\nJos\u00e9 comprou um len\u00e7ol,<br \/>\ndesceu o corpo de Jesus e envolveu-O no len\u00e7ol;<br \/>\ndepois depositou-O num sepulcro escavado na rocha<br \/>\ne rolou uma pedra para a entrada do sepulcro.<br \/>\nEntretanto, Maria Madalena e Maria, m\u00e3e de Jos\u00e9,<br \/>\nobservavam onde Jesus tinha sido depositado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao iniciarmos a Semana Santa, a Semana Maior, a liturgia convida-nos a escutar o impressionante relato da Paix\u00e3o e Morte de Jesus. O relato, inegavelmente fundamentado em acontecimentos concretos, n\u00e3o \u00e9 uma simples reportagem jornal\u00edstica da condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte de um inocente; mas \u00e9, sobretudo, uma catequese destinada a apresentar Jesus como o Filho de Deus que aceita cumprir o projeto do Pai, mesmo quando esse projeto passa por um destino de cruz. Marcos pretende que os crentes a quem a catequese se destina concluam, como o centuri\u00e3o romano que est\u00e1 junto da cruz e que v\u00ea como Jesus cumpriu o plano do Pai at\u00e9 \u00e0 \u00faltima gota de sangue: \u201cna verdade, este homem era Filho de Deus\u201d (Mc 15,39). Fica assim demonstrada a tese que Marcos, desde o in\u00edcio do Evangelho (cf. Mc 1,1), se prop\u00f4s apresentar: Jesus, o Messias que anunciou o Reino de Deus e que os homens mataram na cruz, \u00e9 o Filho de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bet\u00e2nia (onde Jesus foi ungido com perfume por uma mulher e de onde saiu para se dirigir a Jerusal\u00e9m), o Cen\u00e1culo (o edif\u00edcio com \u201cuma grande sala no andar de cima, mobilada e pronta\u201d, onde Jesus fez com os disc\u00edpulos aquela inolvid\u00e1vel ceia de despedida), o Gets\u00e9mani (o nome significa \u201clagar de azeite\u201d e designava o jardim cheio de oliveiras para onde Jesus, ap\u00f3s a \u00faltima ceia, se retirou para rezar, e onde foi preso pelos guardas do Templo), o pal\u00e1cio do sumo-sacerdote Caif\u00e1s (onde Jesus foi julgado, condenado pelo Sin\u00e9drio e ficou preso o resto da noite antes de ser levado diante das autoridades romanas), o pret\u00f3rio romano da Torre Ant\u00f3nia (onde estava a guarni\u00e7\u00e3o romana que vigiava o Templo, onde Jesus, na manh\u00e3 de sexta-feira, foi torturado e coroado de espinhos e onde o governador Pilatos confirmou a sua condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte), as ruas da cidade de Jerusal\u00e9m (por onde Jesus passou, carregando com a trave transversal da cruz, segundo o ritual pr\u00f3prio das crucifix\u00f5es), o G\u00f3lgota o (\u201clugar do cr\u00e2nio\u201d, a pequena colina, fora da cidade onde Jesus, por volta das 9 horas de sexta-feira, foi crucificado), e o t\u00famulo novo (situado num jardim ao lado do G\u00f3lgota, onde o corpo morto de Jesus foi depositado antes do p\u00f4r do sol de sexta-feira) s\u00e3o os cen\u00e1rios onde se desenrola a a\u00e7\u00e3o que o Evangelho deste dia nos apresenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em que data e em que contexto ocorreram os acontecimentos narrados no relato da paix\u00e3o de Jesus? Todos os evangelistas concordam que Jesus celebrou uma ceia depois do p\u00f4r do sol de uma quinta-feira (quando, segundo o calend\u00e1rio religioso judaico j\u00e1 era sexta-feira) e que morreu na cruz por volta das tr\u00eas horas da tarde dessa sexta-feira. Para Marcos, Mateus e Lucas, contudo, essa sexta-feira era o dia da celebra\u00e7\u00e3o da festa judaica da P\u00e1scoa. Assim, a \u00faltima ceia de Jesus com os disc\u00edpulos teria sido uma Ceia Pascal. Jo\u00e3o, no entanto, considera que a sexta-feira (dia em que Jesus morreu) n\u00e3o foi dia de P\u00e1scoa, mas sim o dia da prepara\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa (o dia de P\u00e1scoa, nesse ano, come\u00e7ou na sexta-feira ao p\u00f4r do sol, quando Jesus j\u00e1 tinha morrido na cruz). Nesse caso, a \u00faltima ceia de Jesus com os disc\u00edpulos n\u00e3o teria sido uma Ceia Pascal, mas sim uma ceia de despedida. \u00c9 dif\u00edcil aceitar o calend\u00e1rio dos sin\u00f3ticos, pois n\u00e3o parece prov\u00e1vel que, em pleno dia de P\u00e1scoa, os judeus desenvolvessem o processo contra Jesus, o levassem pelas ruas de Jerusal\u00e9m at\u00e9 ao G\u00f3lgota e o crucificassem. Sendo assim, Jesus teria sido crucificado na v\u00e9spera da celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa judaica. Estar\u00edamos, muito provavelmente, na primavera do ano 30. Jesus teria, ent\u00e3o, 35-37 anos. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Celebrar a paix\u00e3o e a morte de Jesus \u00e9 abismar-se na contempla\u00e7\u00e3o de um Deus a quem o amor tornou fr\u00e1gil\u2026 Por amor, Ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites e fragilidades, experimentou a fome, o sono, o cansa\u00e7o, conheceu a mordedura das tenta\u00e7\u00f5es, experimentou a ang\u00fastia e o pavor diante da morte; e, estendido no ch\u00e3o, esmagado contra a terra, atrai\u00e7oado, abandonado, incompreendido, continuou a amar, at\u00e9 ao \u00faltimo suspiro, at\u00e9 \u00e0 \u00faltima gota de sangue. Esta \u00e9 a mais espantosa hist\u00f3ria de amor que \u00e9 poss\u00edvel contar; ela \u00e9 a boa not\u00edcia que enche de alegria o cora\u00e7\u00e3o dos crentes. \u00c9 esse amor ilimitado e inacredit\u00e1vel que vemos quando olhamos para a cruz de Jesus? E o amor de Jesus, expresso na cruz, torna-se li\u00e7\u00e3o que n\u00f3s acolhemos e que transformamos em gestos concretos de dom e de servi\u00e7o aos que \u201cviajam\u201d connosco?<\/li>\n<li>Contemplar a cruz onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus significa assumir a mesma atitude que Ele assumiu e solidarizar-se com aqueles que s\u00e3o crucificados neste mundo: os que sofrem viol\u00eancia, os que s\u00e3o explorados, os que s\u00e3o exclu\u00eddos, os que s\u00e3o privados de direitos e de dignidade. Olhar a cruz de Jesus significa denunciar tudo o que gera \u00f3dio, divis\u00e3o, medo, em termos de estruturas, valores, pr\u00e1ticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor\u2026 Viver deste modo pode conduzir \u00e0 morte; mas o crist\u00e3o sabe que amar como Jesus \u00e9 viver a partir de uma din\u00e2mica que a morte n\u00e3o pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne os dinamismos da ressurrei\u00e7\u00e3o. A contempla\u00e7\u00e3o da cruz de Jesus leva-nos ao compromisso com a transforma\u00e7\u00e3o do mundo? A contempla\u00e7\u00e3o da cruz de Jesus faz com que nos sintamos solid\u00e1rios com todos os nossos irm\u00e3os que todos os dias s\u00e3o crucificados e injusti\u00e7ados? A contempla\u00e7\u00e3o da cruz de Jesus d\u00e1-nos a coragem para lutarmos contra tudo aquilo que gera sofrimento e morte, mesmo que isso implique correr riscos, ser incompreendido e condenado?<\/li>\n<li>Um dos elementos mais destacados no relato marciano da paix\u00e3o \u00e9 a forma como Jesus Se comporta ao longo de todo o processo que conduz \u00e0 sua morte\u2026 Ele nunca Se descontrola, nunca recua, nunca resiste, mas mant\u00e9m-Se sempre sereno e digno, enfrentando o seu destino de cruz. Tal n\u00e3o significa que Jesus seja um her\u00f3i inconsciente a quem o sofrimento e a morte n\u00e3o assustam, ou que Ele Se coloque na pele de um fraco que desistiu de lutar e que aceita passivamente aquilo que os outros Lhe imp\u00f5em\u2026 A atitude de Jesus \u00e9 a atitude de quem sabe que o Pai Lhe confiou uma miss\u00e3o e est\u00e1 decidido a cumprir essa miss\u00e3o, custe o que custar. Temos a mesma disponibilidade de Jesus para escutar os desafios de Deus e a mesma determina\u00e7\u00e3o que Jesus tinha para concretizar esses desafios no mundo?<\/li>\n<li>A \u201cang\u00fastia\u201d e o \u201cpavor\u201d de Jesus diante da morte tornam-n\u2019O muito \u201chumano\u201d, muito pr\u00f3ximo das nossas debilidades e fragilidades. Dessa forma, \u00e9 mais f\u00e1cil identificarmo-nos com Ele, confiar n\u2019Ele, segui-l\u2019O no seu caminho do amor e da entrega. A humanidade de Jesus mostra-nos, tamb\u00e9m, que o caminho da obedi\u00eancia ao Pai n\u00e3o \u00e9 um caminho imposs\u00edvel, reservado a super-her\u00f3is ou a deuses, mas \u00e9 um caminho de homens fr\u00e1geis, chamados por Deus a percorrerem, com esfor\u00e7o, o caminho que conduz \u00e0 vida definitiva. Quais s\u00e3o as fragilidades que sentimos e que s\u00e3o obst\u00e1culo no nosso seguimento de Jesus? Deixamos que as limita\u00e7\u00f5es \u2013 reais ou imagin\u00e1rias \u2013 que sentimos sejam decisivas quando chega a hora de optarmos?<\/li>\n<li>A solid\u00e3o de Jesus diante do sofrimento e da morte anuncia j\u00e1 a solid\u00e3o do disc\u00edpulo que percorre o caminho da cruz. Quando o disc\u00edpulo procura cumprir o projeto de Deus, recusa os valores do mundo, enfrenta as for\u00e7as da opress\u00e3o e da morte, recebe a indiferen\u00e7a e o desprezo do mundo e tem de percorrer o seu caminho na mais dram\u00e1tica solid\u00e3o. O disc\u00edpulo tem de saber, no entanto, que o caminho da cruz, apesar de dif\u00edcil, doloroso e solit\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 um caminho de fracasso e de morte, mas \u00e9 um caminho de liberta\u00e7\u00e3o e de vida plena. Estamos conscientes de que, quanto mais somos fi\u00e9is a Jesus e ao seu projeto, mais teremos de remar contra a corrente e de experimentar a solid\u00e3o, o abandono e at\u00e9 a incompreens\u00e3o dos que nos rodeiam? Estamos determinados, apesar disso, a seguir o caminho que Jesus nos aponta?<\/li>\n<li>A figura do jovem que, no jardim das Oliveiras, deixou o len\u00e7ol que o cobria nas m\u00e3os dos soldados e fugiu pode ser figura do disc\u00edpulo que, amedrontado e desiludido, abandonou Jesus. J\u00e1 alguma vez vir\u00e1mos as costas a Jesus e ao seu projeto, seduzidos por outras propostas? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> n\u00e3o apresenta nenhuma dificuldade aparente na sua proclama\u00e7\u00e3o. Requer uma leitura pausada e atenta que exprima toda a densidade e intensidade dram\u00e1tica do texto. A \u00faltima frase exige uma especial aten\u00e7\u00e3o para que se possa transmitir a confian\u00e7a e esperan\u00e7a que o aux\u00edlio de Deus oferece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 um hino lit\u00fargico e po\u00e9tico e apresenta duas partes distintas: uma primeira mais dram\u00e1tica e uma segunda mais jubilosa e marcada pela exalta\u00e7\u00e3o de Jesus. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter presente todos estes elementos. A narrativa evang\u00e9lica da Paix\u00e3o do Senhor, na aus\u00eancia de di\u00e1conos, pode ser lida por mais dois leitores, reservando a parte de Cristo ao sacerdote. Tendo em conta os diversos di\u00e1logos e a dimens\u00e3o do texto, aqueles que participam na leitura devem fazer uma acurada prepara\u00e7\u00e3o das diversas interven\u00e7\u00f5es ao longo do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/03\/27\/um-rei-novo-nos-nossos-caminhos\/\"><strong>UM REI NOVO NOS NOSSOS\u00a0CAMINHOS<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Domingo de Ramos: Is 50,4-7, Sl 22; Fl 2,6-11; Mc 14,1-15,47<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Batizado com o Esp\u00edrito Santo no Jord\u00e3o, confirmado com o Esp\u00edrito Santo no Tabor, Jesus realizou a sua miss\u00e3o filial batismal anunciando o Evangelho do Reino de Deus e fazendo as suas \u00abobras\u00bb. A sua \u00abviagem\u00bb chega agora ao fim, em Jerusal\u00e9m, onde o seu Batismo\u00a0<em>deve<\/em>\u00a0(plano divino)\u00a0<em>ser consumado<\/em>\u00a0(ainda Lucas 12,49\u201150) na sua Morte Gloriosa: \u00fanica Fonte do Esp\u00edrito Santo para n\u00f3s, porque \u00fanica Fonte da Vida Eterna verdadeiramente Dada (sempre Atos 2,32-33; Jo\u00e3o 19,30 e 34; 7,38-39). De facto, n\u00e3o se alcan\u00e7a atrav\u00e9s da nossa planifica\u00e7\u00e3o. As coisas supremas n\u00e3o s\u00e3o planific\u00e1veis. J\u00e1 est\u00e3o prontas para receber. A miss\u00e3o filial batismal do Filho de Deus finalmente consumada! \u00c9 que fomos, de facto, batizados na sua Morte (Romanos 6,3), e, com Ele, fomos\u00a0<em>j\u00e1<\/em>\u00a0<em>com\u2011sepultados<\/em>,\u00a0<em>com\u2011ressuscitados<\/em>,\u00a0<em>com\u2011vivificados<\/em>\u00a0e\u00a0<em>com\u2011sentados<\/em>\u00a0na G1\u00f3ria! (Ef\u00e9sios 2,5\u20116; Colossenses 2,12\u201113: tudo ver\u00adbos cunhados por Paulo e postos em aoristo hist\u00f3rico!). For\u00admamos, por isso, \u00aba Igreja que Ele\u00a0<em>amou<\/em>\u00bb (Ef\u00e9sios 2,25). A este amor de Cristo pela Igreja chama Paulo \u00abo mist\u00e9rio grande\u00bb (Ef\u00e9sios 5,32). N\u00f3s, a Igreja do amor de Cristo, somos, portan\u00adto, a esposa bela, a nova Jerusal\u00e9m (Apocalipse 19,7\u20119; 21,2.9-27) que, juntamente com o Esp\u00edrito, diz ao Senhor Jesus: Vem! (Apocalipse 22,17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tom deste Domingo de Ramos \u00e9 dado pela p\u00e1gina preciosa de Marcos 11,1-10, que nos mostra o Rei messi\u00e2nico a tomar posse da sua Cidade, a \u00abCidade do Grande Rei\u00bb (Salmo 45,5; 47,2-3; Tobias 13,11; Mateus 5,35), a Esposa bela que nascer\u00e1 do seu Sangue: Esposa c\u00famplice da Morte do Esposo, e benefici\u00e1ria da Morte do Esposo! Esposa, portanto, e no entanto! Que ao encontro do Esposo desce em vestido de noiva, n\u00e3o de vi\u00fava! (Apocalipse 21,2). O Rei messi\u00e2nico toma posse da sua Cidade, a Filha de Si\u00e3o, a Esposa; vem montado sobre o jumento da paz, e n\u00e3o sobre cavalos de guerra, cumprindo Zacarias 9,9. De notar que Zacarias escreveu esta p\u00e1gina deslumbrante de um Rei diferente, pobre, manso e humilde, em contraponto com o imponente espet\u00e1culo do grande Alexandre Magno, porventura o maior imperador que algum dia o mundo conheceu, quando este, em finais do s\u00e9culo IV a. C., descia a costa palestinense a caminho do Egito, com todo o seu arsenal de riqueza e de prepot\u00eancia militar! Estendem-se as capas e ramos de \u00e1rvores no caminho: assim se procedia quando era ungido o rei e como tal aclamado, como se pode ver no caso de Je\u00fa (cf. 2 Reis 9,13). A multid\u00e3o canta \u00abHossana\u00bb [= \u00abSalva, por favor!\u00bb] (Salmo 118,5), saudando o Rei-que-Vem, \u00abAquele-que-Vem\u00bb (t\u00edtulo divino) (Salmo 118,26), com o Reino de David, o novo David!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dado o ins\u00f3lito da situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel n\u00e3o reparar que Jesus n\u00e3o entra em Jerusal\u00e9m como Peregrino ou Mestre ou Taumaturgo. Mas como o Rei futuro prometido, pobre e humilde, anunciado em Zacarias 9,9. Por isso, nesta \u00faltima etapa do seu caminho, desde Betfag\u00e9 e Bet\u00e2nia, perto do Monte das Oliveiras, at\u00e9 \u00e0 Cidade de Jerusal\u00e9m, Jesus n\u00e3o vai a p\u00e9, como sempre andou nos caminhos das cidades e aldeias da Palestina, ou de barco, quando se tratava de atravessar o mar da Galileia. Agora, neste \u00faltimo tro\u00e7o da sua viagem, Jesus faz quest\u00e3o de o percorrer, n\u00e3o a p\u00e9, mas montado num jumento, ainda n\u00e3o montado por ningu\u00e9m (Marcos 11,2): o Rei \u00e9 o primeiro em tudo! E toda a tem\u00e1tica relativa ao jumento montado por Jesus torna-se t\u00e3o evidente, que n\u00e3o pode passar despercebida a ningu\u00e9m. Basta reparar na distribui\u00e7\u00e3o dos dez vers\u00edculos desta passagem (Marcos 11,1-10): sete ocupam-se com a meticulosa procura do jumento e com o modo simples e novo, sem arreios, como Jesus o monta!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda hoje, no domingo de Ramos, n\u00e3o obstante o ambiente abertamente hostil aos crist\u00e3os que se respira, se faz, desde Betfag\u00e9, uma pequena aldeia hoje totalmente mu\u00e7ulmana com um pequeno santu\u00e1rio \u00e0 guarda dos Franciscanos, uma impressionante prociss\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o de f\u00e9 que, descendo o Monte das Oliveiras, termina na Igreja de Santa Ana, junto da porta de Santo Est\u00eav\u00e3o (ou dos Le\u00f5es).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho que enche este Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor \u00e9 o imenso e impressionante relato da Paix\u00e3o de Marcos 14,1-15,47 (note-se que o texto soma 119 dos 677 vers\u00edculos que contabiliza o inteiro Evangelho de Marcos), que marca o ritmo da \u00abSemana Santa\u00bb, que as Igrejas do Oriente chamam \u00abSemana Grande\u00bb, e que o antigo rito da Igreja de Mil\u00e3o conhecia por \u00abSemana Aut\u00eantica\u00bb. Somos n\u00f3s, portanto, carregando os nossos \u00f3dios, raivas, mentiras, invejas e viol\u00eancias, seguindo a par e passo o Rei manso e obediente que a n\u00f3s e por n\u00f3s se entrega por amor, absorvendo, absolvendo e dissolvendo assim o nosso lado sombrio e pecaminoso. Momentos decisivos em que a Esposa bela, por gra\u00e7a tornada bela, segue o Esposo passo a passo: a un\u00e7\u00e3o para a sepultura em Bet\u00e2nia (Marcos 14,3-9), a Ceia Primeira (e n\u00e3o \u00faltima!) (Marcos 14,12-31), o abismo do Gets\u00e9mani (Marcos 14,32-42), a pris\u00e3o (Marcos 14,43-52): todos o abandonam (Marcos 14,50); Jesus fica sozinho, verdadeiro \u00abResto de Israel\u00bb, os processos e a condena\u00e7\u00e3o (Jesus afirma\u2011se como \u00abo Bendito\u00bb, \u00abo Filho de Deus\u00bb, \u00abo Messias\u00bb, \u00abo Rei\u00bb), a en\u00adtrega \u00e0 morte de cruz por Pilatos (Marcos 15,15), mas, na verda\u00adde, por Deus (1 Cor\u00edntios 11,23:\u00a0<em>pared\u00eddeto<\/em>: passivo divino!), a coroa de espinhos, a Cruz santa e gloriosa, as tr\u00eas tenta\u00e7\u00f5es por parte dos que passavam, dos sacerdotes, dos demais cruci\u00adficados: \u00absalva\u2011te a ti mesmo\u00bb, \u00abdesce da cruz\u00bb (Marcos 15,29\u201132), a ora\u00e7\u00e3o do Salmo 22 (todo): come\u00e7a \u00abMeu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?\u00bb, e termina \u00abesta \u00e9 a obra do Senhor!\u00bb, a ago\u00adnia e a Morte precedida do\u00a0<em>grande grito<\/em>\u00a0(Marcos 15,33 e 37), que indica a Vit\u00f3ria de Deus, enfim, a sepultura. Proclama\u00e7\u00e3o da m\u00e1xima Obra de Deus no mundo, a indiz\u00edvel Economia divina na vida terrena do Filho de Deus! A proclama\u00e7\u00e3o deve seguir\u2011se com a convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, e, sobretudo, com o louvor no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem atravessa com extremosa aten\u00e7\u00e3o este imenso texto, h\u00e1 de por for\u00e7a reparar no sil\u00eancio prolongado de Jesus perante testemunhas e acusa\u00e7\u00f5es falsas. Este sil\u00eancio aparece condensado e referido em dois momentos, que s\u00e3o tamb\u00e9m os \u00fanicos em que Jesus quebra o sil\u00eancio para responder a duas perguntas. Primeira anota\u00e7\u00e3o: \u00abLevantando-se ent\u00e3o o sumo-sacerdote no meio deles, interrogou Jesus, dizendo: \u201cNada respondes a estes que testemunham contra ti?\u201d. Ele, por\u00e9m, ficou calado, e nada respondeu. O sumo-sacerdote interrogou-o de novo: \u201c\u00c9s tu o Cristo, o Filho do Bendito?\u201d. Ent\u00e3o Jesus disse: \u201cEu sou!\u201d\u00bb (Marcos 14,60-62). Segunda anota\u00e7\u00e3o: \u00abPilatos interrogou-o: \u201cTu \u00e9s o Rei dos judeus?\u201d. Ele ent\u00e3o respondeu e disse-lhe: \u201cTu o dizes!\u201d. E acusavam-no os sumo-sacerdotes de muitas maneiras. Ent\u00e3o Pilatos interrogou-o novamente e disse-lhe: \u201cN\u00e3o respondes nada? V\u00eas de quantas coisas te acusam!\u201d. Jesus, por\u00e9m, nada mais respondeu\u00bb (Marcos 15,2-5). V\u00ea-se bem que Jesus apenas quebra o sil\u00eancio por duas vezes, para responder a duas perguntas sobre a sua identidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vendo bem, somos todos levados a percorrer e a reviver as \u00faltimas decisivas vinte e quatro horas de Jesus, sensivelmente desde as 15h00 de Quinta-Feira Santa at\u00e9 perto das 18h00 de Sexta-Feira Santa:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>15h00 = Prepara\u00e7\u00e3o da Ceia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 18h00 = Ceia Primeira!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 21h00 = Gets\u00e9mani<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 24h00 = Pris\u00e3o de Jesus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 03h00 = Pedro nega e o galo canta<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 06h00 = Jesus diante de Pilatos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 09h00 = Crucifix\u00e3o de Jesus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 12h00 = as trevas em vez da Luz!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 15h00 = Morte de Jesus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 18h00 = Sepultamento de Jesus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Note-se que, na cronologia dos Evangelhos Sin\u00f3ticos (Mateus, Marcos e Lucas), esta Quinta-Feira \u00e9 o dia da Prepara\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa, comendo-se a Ceia Pascal logo ap\u00f3s o p\u00f4r-do-sol (no calend\u00e1rio religioso hebraico j\u00e1 \u00e9 Sexta-Feira, dado que o dia come\u00e7a com o p\u00f4r-do-sol). Como se v\u00ea, esta cronologia v\u00ea na Ceia de Jesus com os seus Disc\u00edpulos uma Ceia Pascal. Tamb\u00e9m de acordo com esta cronologia, Jesus \u00e9 preso, julgado, condenado, crucificado, morto e sepultado em Sexta-Feira, Dia da P\u00e1scoa dos judeus, o que seria muito estranho! O Evangelho de S. Jo\u00e3o apresenta outra cronologia, hoje defendida pela maioria dos estudiosos, segundo a qual Jesus ter\u00e1 comido uma Ceia, a sua Ceia Nova em Quinta-Feira, mas n\u00e3o a Ceia ritual da P\u00e1scoa dos judeus, e foi preso, julgado, condenado, crucificado, morto e sepultado, em Sexta-Feira, dia da Prepara\u00e7\u00e3o, antes da Ceia ritual da P\u00e1scoa dos judeus, que Jo\u00e3o coloca no S\u00e1bado, e n\u00e3o na Sexta-Feira. No seu Livro sobre Jesus de Nazar\u00e9, Bento XVI defende tamb\u00e9m esta cronologia joanina. De resto, as Igrejas do Ocidente seguem a cronologia dos Sin\u00f3ticos: por isso, a nossa Eucaristia \u00e9 com p\u00e3o \u00c1zimo, derivado do ritual da Ceia da P\u00e1scoa dos judeus. Por seu lado, as Igrejas do Oriente seguem a cronologia joanina, sendo a sua Eucaristia com p\u00e3o comum, dado n\u00e3o derivar do ritual da P\u00e1scoa dos judeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Antigo Testamento serve-nos hoje o chamado \u00abterceiro canto do Servo\u00bb (Isa\u00edas 50,4-7). Gerado na dor de Israel como verdadeiro filho do milagre (Isa\u00edas 49,21), ergue-se esta singular figura de \u00abServo\u00bb (<em>\u2018ebed<\/em>), totalmente nas m\u00e3os de Deus, desde a sua predestina\u00e7\u00e3o desde o seio materno (Isa\u00edas 49,1 e 5), passando pela sua entrega \u00e0 morte (Isa\u00edas 53,12), at\u00e9 \u00e0 sua exalta\u00e7\u00e3o e glorifica\u00e7\u00e3o (Isa\u00edas 52,13), de tal modo que Deus o pode chamar \u00abmeu Servo\u00bb (<em>\u2018abd\u00ee<\/em>). Na li\u00e7\u00e3o de hoje, o \u00abServo\u00bb \u00e9 um Disc\u00edpulo a quem Deus abre os ouvidos at\u00e9 ao cora\u00e7\u00e3o, para ouvir bem a m\u00fasica de Deus, e poder levar uma palavra de consolo aos dela necessitados. \u00abTornando o seu rosto duro como uma pedra\u00bb (Isa\u00edas 50,7), apresenta-se como um Servo, n\u00e3o insens\u00edvel e indiferente, mas decidido a levar at\u00e9 ao fim a miss\u00e3o que lhe \u00e9 confiada. A mesma express\u00e3o ser\u00e1 dita acerca de Jesus em Lucas 9,51, quando toma a decis\u00e3o inabal\u00e1vel de se dirigir para Jerusal\u00e9m. O Novo Testamento passa por aqui!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em claro paralelismo com o \u00abServo\u00bb, cantado por Isa\u00edas, a\u00ed est\u00e1 Jesus apresentado por Paulo aos Filipenses (2,6-11). Mas aqui, o \u00abServo\u00bb tem um Rosto e um Nome: Jesus recebeu, na sua Humanidade, o Nome divino (ver tamb\u00e9m Hebreus 1,1-4), Nome incompar\u00e1vel (Filipenses 2,9). Por isso, agora, todos os seres criados adoram o Nome-Jesus (Filipenses 2,10), e \u00abtoda a l\u00edngua\u00bb, isto \u00e9, todo o ser humano racional, professa: \u00abSenhor \u00e9 Jesus Cristo!\u00bb. Notar a ordem dos tr\u00eas termos, errada nas vers\u00f5es modernas: Senhor, isto \u00e9, Deus eterno, \u00e9 o Homem-Jesus Cristo. O acento cai, pois, sobre Senhor. O fim em vista: a Gl\u00f3ria do Pai com o Esp\u00edrito (Filipenses 2,11). \u00c9 quanto Deus operou na Cruz e semeou no nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltamos \u00e0 m\u00fasica do Salmo 22, uma ora\u00e7\u00e3o que nasce na Paix\u00e3o e termina na P\u00e1scoa! \u00c9 belo tomarmos consci\u00eancia de que Jesus nos pediu estas palavras emprestadas, para no-las devolver a transbordar de sentido. J\u00e1 se sabe que aquele \u00abMeu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?\u00bb, que Jesus reza na Cruz, e que s\u00e3o as primeiras palavras do Salmo, implica, segundo a praxe judaica, a recita\u00e7\u00e3o do Salmo inteiro, que tem uma primeira parte de fort\u00edssima lamenta\u00e7\u00e3o (v. 2-22), passando logo para uma segunda parte que expressa consola\u00e7\u00e3o por ver Deus ao nosso lado, t\u00e3o pr\u00f3ximo de n\u00f3s (v. 23-27), e terminando em verdadeira exulta\u00e7\u00e3o (v. 28-32). O grande pregador franc\u00eas Jacques Bossuet (1627-1704) declarava bem-aventurados aqueles que, recitando este Salmo, se encontram com Jesus, t\u00e3o santamente tristes e t\u00e3o divinamente felizes!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Senhor Jesus,<\/strong><br \/>\n<strong>Senhor dos Passos<\/strong><br \/>\n<strong>Serenos e seguros no caminho da vida e da Paix\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>Da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\n<strong>Senhor Jesus,<\/strong><br \/>\n<strong>Senhor dos Passos<\/strong><br \/>\n<strong>Sossegados e firmes,<\/strong><br \/>\n<strong>Resolutos,<\/strong><br \/>\n<strong>At\u00e9 \u00e0 porta do meu cora\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\n<strong>Senhor Jesus,<\/strong><br \/>\n<strong>Senhor dos Passos,<\/strong><br \/>\n<strong>Dos meus e dos teus,<\/strong><br \/>\n<strong>Finalmente harmonizados,<\/strong><br \/>\n<strong>Finalmente lado a lado:<\/strong><br \/>\n<strong>Os meus, imprecisos, indecisos,<\/strong><br \/>\n<strong>Atravessados pelo teu Perd\u00e3o;<\/strong><br \/>\n<strong>Os teus, sossegados e firmes,<\/strong><br \/>\n<strong>Sincronizados pelo pulsar do meu cora\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\n<strong>Sim,<\/strong><br \/>\n<strong>Eu sei que foi por mim que desceste a este ch\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong>Pesado, \u00edngreme, irregular,<\/strong><br \/>\n<strong>De longil\u00edneas lajes em que \u00e9 f\u00e1cil escorregar.<\/strong><br \/>\n<strong>Mas os teus bra\u00e7os sempre abertos ajudam-me a levantar.<\/strong><br \/>\n<strong>Senhor Jesus,<\/strong><br \/>\n<strong>Deixa-me chegar um pouco mais junto de ti,<\/strong><br \/>\n<strong>Chega-te tu tamb\u00e9m mais junto de mim.<\/strong><br \/>\n<strong>Segura-me.<\/strong><br \/>\n<strong>D\u00e1-me a tua m\u00e3o firme, nodosa e corajosa.<\/strong><br \/>\n<strong>Agarro-me.<\/strong><br \/>\n<strong>Sinto sulcos gravados nessa m\u00e3o.<\/strong><br \/>\n<strong>Sigo-os com o dedo devagar.<\/strong><br \/>\n<strong>Percebo que s\u00e3o as letras do meu nome.<\/strong><br \/>\n<strong>Foi ent\u00e3o por mim que desceste a este ch\u00e3o.<\/strong><br \/>\n<strong>O amor verdadeiro est\u00e1 l\u00e1 sempre primeiro.<\/strong><br \/>\n<strong>Senhora das Dores, Maria, minha M\u00e3e,<\/strong><br \/>\n<strong>Que seguiste at\u00e9 ao fim os passos do teu Filho,<\/strong><br \/>\n<strong>Acompanha e protege os meus passos tamb\u00e9m.<\/strong><br \/>\n<strong>Obrigado, Senhor Jesus,<\/strong><br \/>\n<strong>Meu Senhor, meu Irm\u00e3o e companheiro.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Leitura-I-do-Domingo-de-Ramos-na-Paixao-do-Senhor-Ano-B-24.03.2024-Is-50-4-7.pdf\">Leitura I do Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor &#8211; Ano B &#8211; 24.03.2024 (Is 50, 4-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Leitura-II-do-Domingo-de-Ramos-na-Paixao-do-Senhor-Ano-B-24.03.2024-Filip-2-6-11.pdf\">Leitura II do Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor &#8211; Ano B &#8211; 24.03.2024 (Filip 2, 6-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Domingo-de-Ramos-na-Paixao-do-Senhor-Ano-B-24.03.2024-Lecionario.pdf\">Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor &#8211; Ano B &#8211; 24.03.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Domingo-de-Ramos-na-Paixao-do-Senhor-Ano-B-24.03.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor &#8211; Ano B &#8211; 24.03.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Mensagem-do-Papa-Francisco-para-a-Quaresma-de-2024-1.pdf\">Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Mensagem-da-Quaresma-2024-Bispos-do-Porto.pdf\">Mensagem Bispos do Porto para Quaresma 2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<br \/>\n<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo V da Quaresma \u2013 Ano B \u2013 17.03.2024&#8243; tab_id=&#8221;1711364936360-fb0d237d-ef59&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo V da Quaresma &#8211; Ano B \u2013 17.03.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Domingo-V.jpg\" alt=\"\" width=\"569\" height=\"427\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fama de Jesus estendia-se ao longe e ao largo e a not\u00edcia dos milagres, sinais e prod\u00edgios que realizava difundia-se por toda a regi\u00e3o. Jesus n\u00e3o era mais um profeta que falava das coisas de Deus, mas na Sua prega\u00e7\u00e3o palavras e gestos, intimamente ligados entre si, falavam de Deus e irrompiam no tempo e na hist\u00f3ria revestidos de uma novidade que a todos desconcertava. Deste modo, n\u00e3o nos surpreende que as multid\u00f5es acorram a Jesus e que de toda a parte surjam homens e mulheres que querem ver com os seus pr\u00f3prios olhos tudo quanto se diz deste Jesus de Nazar\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho que escutamos neste quinto Domingo da Quaresma apresenta \u00ab<em>alguns gregos<\/em>\u00bb que tendo vindo a Jerusal\u00e9m se aproximam de Filipe para lhe fazer um pedido: \u00ab<em>Senhor, n\u00f3s quer\u00edamos ver Jesus<\/em>\u00bb. Analisando o grego em que este texto foi escrito, encontramos o verbo\u00a0<em>ide\u00een<\/em>\u00a0(ver) que \u00e9 muito mais que um ver f\u00edsico e curioso, mas a procura da verdadeira identidade de Jesus. Estes homens n\u00e3o querem apenas\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0Jesus, mas sobretudo ver\u00a0<em>quem \u00e9 Jesus<\/em>. Este conhecimento est\u00e1 para l\u00e1 de uma vis\u00e3o exterior ou de uma an\u00e1lise comportamental, porque implica uma rela\u00e7\u00e3o de intimidade que permite ir para l\u00e1 do que v\u00eaem os olhos e do que ouvem os ouvidos, para entrar no conhecimento \u00edntimo e pessoal Daquele que veio para revelar o rosto misericordioso do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 curioso o modo como o desejo daqueles gregos chega a Jesus: v\u00e3o ter com Filipe, Filipe vai ter com Andr\u00e9 e os dois juntos v\u00e3o ter com Jesus. \u00c9 a din\u00e2mica eclesial do encontro com Jesus Cristo. Os disc\u00edpulos que seguem e acompanham Jesus s\u00e3o interpelados por aqueles que O procuram e estes, por sua vez, procuram que aconte\u00e7a o verdadeiro encontro com Jesus. Filipe poderia fazer uma breve apresenta\u00e7\u00e3o de Jesus, falar-lhes daquilo que o Mestre diz e faz, comunicando a mensagem que Ele veio trazer. Contudo, Filipe opera de modo diverso. Em primeiro lugar, n\u00e3o age sozinho, pois a resposta \u00e0 pergunta e ao pedido \u00ab<em>quem \u00e9 Jesus?<\/em>\u00bb n\u00e3o se responde isoladamente, cada um por si, mas em comunh\u00e3o e comunidade. Filipe e Andr\u00e9, que levam a Jesus os pedidos daqueles homens, s\u00e3o figura da Igreja, chamada a viver e a caminhar na unidade e na comunh\u00e3o, levando a Jesus os pedidos e inten\u00e7\u00f5es da humanidade inteira e fazendo presente no tempo e na hist\u00f3ria o rosto misericordioso de Jesus Cristo que revela o amor e a ternura do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus poderia limitar-se a uma apresenta\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria da sua biografia ou a um belo discurso sobre a sua miss\u00e3o. Contudo, Jesus escolhe fazer a revela\u00e7\u00e3o da Sua mais plena e verdadeira identidade: o gr\u00e3o de trigo lan\u00e7ado \u00e0 terra e o crucificado elevado da terra que atrair\u00e1 todos a si. Jesus n\u00e3o pretende um conhecimento fugaz que faz acumular conhecimentos e informa\u00e7\u00f5es, mas uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima e pessoal que transforma a vida e ensina um novo modo de rela\u00e7\u00e3o dos homens e mulheres entre si e deles todos juntos com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tantos s\u00e9culos depois continuamos a dizer como os gregos \u00ab<em>Senhor, n\u00f3s quer\u00edamos ver Jesus<\/em>\u00bb. Queremos conhecer a Sua verdadeira identidade e entrar em rela\u00e7\u00e3o com Ele. Conhecer algu\u00e9m apenas por aquilo que dizem dela, ainda que possa ser um bom ponto de partida, \u00e9 sempre insuficiente, pois conhecer implica rela\u00e7\u00e3o, proximidade e encontro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontramos a verdadeira identidade de Jesus numa vida feita gr\u00e3o de trigo lan\u00e7ada \u00e0 terra que germina, cresce e d\u00e1 fruto, pois a vida, quanto mais se d\u00e1, mais se recebe e quanto mais se entrega aos outros, mais se torna nossa e de Deus: a vida \u00e9 verdadeiramente vida quando entregue sem medida. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho proposto para este Domingo apresenta o desejo de alguns gregos de ver Jesus. S\u00e3o muitos os homens e mulheres e hoje que querem ver Jesus, ainda que o modo de expressar esse desejo se manifeste nas suas mais diversas formas. A Semana Santa e o Tr\u00edduo Pascal que vamos viver s\u00e3o um lugar privilegiado para o encontro com Jesus. Percorrer os passos de Jesus desde a Sua entrada triunfal em Jerusal\u00e9m at\u00e9 \u00e0 Sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o permite ver Jesus que por amor oferece a sua vida para nossa salva\u00e7\u00e3o. Como agentes evangelizadores, somos chamados a convidar quantos querem e precisam ver Jesus a participar nas celebra\u00e7\u00f5es da Semana Santa. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Jeremias 31, 31-34<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dias vir\u00e3o, diz o Senhor,<br \/>\nem que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Jud\u00e1<br \/>\numa alian\u00e7a nova.<br \/>\nN\u00e3o ser\u00e1 como a alian\u00e7a que firmei com os seus pais,<br \/>\nno dia em que os tomei pela m\u00e3o<br \/>\npara os tirar da terra do Egipto,<br \/>\nalian\u00e7a que eles violaram,<br \/>\nembora Eu exercesse o meu dom\u00ednio sobre eles, diz o Senhor.<br \/>\nEsta \u00e9 a alian\u00e7a que estabelecerei com a casa de Israel,<br \/>\nnaqueles dias, diz o senhor:<br \/>\nHei-de imprimir a minha lei no \u00edntimo da sua alma<br \/>\ne grav\u00e1-la-ei no seu cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEu serei o seu Deus e eles ser\u00e3o o meu povo.<br \/>\nN\u00e3o ter\u00e3o j\u00e1 de se instruir uns aos outros,<br \/>\nnem de dizer cada um a seu irm\u00e3o:<br \/>\n\u00abAprendei a conhecer o Senhor\u00bb.<br \/>\nTodos eles Me conhecer\u00e3o,<br \/>\ndesde o maior ao mais pequeno, diz o Senhor.<br \/>\nPorque vou perdoar os seus pecados<br \/>\ne n\u00e3o mais recordarei as suas faltas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jeremias exerceu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica desde 627\/626 a.C. at\u00e9 depois da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m pelos Babil\u00f3nios (586 a.C.). O cen\u00e1rio da atividade do profeta \u00e9, em geral, o reino de Jud\u00e1 e, sobretudo, a cidade de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira fase da prega\u00e7\u00e3o de Jeremias abrange parte do reinado de Josias. Este rei leva a cabo, a partir de 632 a.C., uma reforma religiosa destinada a banir do pa\u00eds os cultos aos deuses estrangeiros. Jeremias empenha-se nesta reforma. A sua mensagem, neste per\u00edodo, traduz-se num constante apelo \u00e0 convers\u00e3o, \u00e0 fidelidade a Jav\u00e9 e \u00e0 Alian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, em 609 a.C., Josias \u00e9 morto, em combate contra os eg\u00edpcios. Joaquim sucede-lhe no trono. A segunda fase da atividade prof\u00e9tica de Jeremias abrange o tempo de reinado de Joaquim (609-597 a.C.). \u00c9 um tempo de desgra\u00e7a e de pecado para Jud\u00e1. Nesta fase, o profeta aparece a criticar as injusti\u00e7as sociais e a infidelidade religiosa (a alian\u00e7a pol\u00edtica que Joaquim faz, por esta altura, com os eg\u00edpcios significa que Jud\u00e1 confia mais num ex\u00e9rcito estrangeiro do que em Jav\u00e9). Convencido de que Jud\u00e1 ultrapassou todas as marcas, Jeremias anuncia a imin\u00eancia de uma invas\u00e3o babil\u00f3nica que ir\u00e1 castigar os pecados do Povo. As previs\u00f5es funestas de Jeremias concretizam-se: em 597 a.C., Nabucodonosor invade Jud\u00e1 e deporta para a Babil\u00f3nia uma parte da popula\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No trono de Jud\u00e1 fica, ent\u00e3o, Sedecias (597-586 a.C.). A terceira fase da miss\u00e3o prof\u00e9tica de Jeremias desenrola-se, precisamente, durante este reinado. Ap\u00f3s alguns anos de calma submiss\u00e3o \u00e0 Babil\u00f3nia, Sedecias volta a experimentar a velha pol\u00edtica das alian\u00e7as com o Egipto. Jeremias n\u00e3o est\u00e1 de acordo que se confie em ex\u00e9rcitos estrangeiros mais do que em Deus; mas nem o rei nem os not\u00e1veis prestam aten\u00e7\u00e3o \u00e0 opini\u00e3o do profeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 587 a.C., Nabucodonosor p\u00f5e cerco a Jerusal\u00e9m; no entanto, um ex\u00e9rcito eg\u00edpcio vem em socorro de Jud\u00e1 e os babil\u00f3nios retiram-se. Nesse momento de euforia nacional, Jeremias anuncia o recome\u00e7o do cerco e a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m (cf. Jr 32,2-5). Acusado de trai\u00e7\u00e3o, o profeta \u00e9 encarcerado (cf. Jr 37,11-16) e corre, inclusive, perigo de vida (cf. Jr 38,11-13). Enquanto Jeremias continua a pregar a rendi\u00e7\u00e3o, Nabucodonosor apossa-se, de facto, de Jerusal\u00e9m, destr\u00f3i a cidade e deporta a sua popula\u00e7\u00e3o para a Babil\u00f3nia (586 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 imposs\u00edvel dizer com seguran\u00e7a em qual destes per\u00edodos de atividade do profeta encaixa o texto que a primeira leitura deste domingo nos apresenta. Para alguns, tratar-se de um or\u00e1culo da primeira fase da atividade prof\u00e9tica de Jeremias (reinado de Josias), dirigido aos israelitas do Reino do Norte. Seria uma mensagem de esperan\u00e7a, destinada a animar esse povo que h\u00e1 cerca de cem anos tinha perdido a independ\u00eancia e estava sob o dom\u00ednio ass\u00edrio. Para outros, contudo, este texto ser\u00e1 da \u00e9poca de Sedecias, algures entre a primeira e a segunda deporta\u00e7\u00e3o do Povo para a Babil\u00f3nia (597-586 a.C.). \u00c9 a \u00e9poca em que Jeremias descobre perspetivas teol\u00f3gicas novas e come\u00e7a a refletir sobre um tempo novo que Deus ir\u00e1 oferecer ao seu Povo: ap\u00f3s a cat\u00e1strofe, ser\u00e1 poss\u00edvel recome\u00e7ar tudo, pois Deus tem em mente fazer uma nova Alian\u00e7a com Jud\u00e1. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Detenhamo-nos na palavra \u201cAlian\u00e7a\u201d. Ela serviu aos te\u00f3logos de Israel para expressar o compromisso de Deus com o seu Povo, a sua decis\u00e3o de descer ao encontro do seu Povo, de o acompanhar em cada passo da hist\u00f3ria e de lhe oferecer a Vida e a salva\u00e7\u00e3o. Esse Deus que faz \u201cAlian\u00e7a\u201d com os homens \u00e9 o Deus da comunh\u00e3o e da rela\u00e7\u00e3o, que olha para n\u00f3s com amor, que nos convida a fazer parte da sua fam\u00edlia e que nunca desiste de n\u00f3s. \u00c9 verdade: n\u00e3o andamos \u00e0 deriva e sem rumo por caminhos sombrios, n\u00e3o somos criaturas sem valor perdidas num universo cujos contornos nos escapam, n\u00e3o somos seres \u201cdescart\u00e1veis\u201d que podem ser deixados para tr\u00e1s e triturados pela hist\u00f3ria; somos criaturas que Deus conhece pessoalmente, por quem Deus se interessa infinitamente, que Deus acompanha e cuida com ternura de pai e de m\u00e3e. Que impacto tem esta \u201cboa not\u00edcia\u201d na nossa vida?<\/li>\n<li>O profeta Jeremias revela que Deus, fiel ao seu amor e \u00e0 sua decis\u00e3o de nos levar ao encontro da Vida plena, se disp\u00f5e a gravar as suas propostas diretamente nos nossos cora\u00e7\u00f5es. Ali, na raiz do nosso ser, as indica\u00e7\u00f5es de Deus tocar\u00e3o os nossos sentimentos, as nossas decis\u00f5es e as nossas a\u00e7\u00f5es, fazendo com que a nossa vida seja um reflexo da vida e dos valores de Deus. Conduzidos pelo Esp\u00edrito de Deus age em n\u00f3s, seremos dotados da capacidade de escolher o Bem, a Verdade, a Justi\u00e7a, o Amor. Esta iniciativa de Deus refletir\u00e1, uma vez mais, o apre\u00e7o que Ele tem por n\u00f3s. Da nossa parte, estamos dispon\u00edveis para acolher o dom de Deus, para abra\u00e7ar os seus desafios, para nos deixarmos transformar pelo seu Esp\u00edrito? Estamos dispostos, neste tempo de Quaresma, a dar mais tempo ao encontro com Deus, ao di\u00e1logo com Deus, \u00e0 escuta de Deus, ao acolhimento das suas propostas?<\/li>\n<li>Essa Nova Alian\u00e7a que Jeremias anunciou come\u00e7a a concretizar-se em Jesus. Com a sua vida, com os seus gestos, com as suas palavras, com o seu amor, Ele veio inscrever nos nossos cora\u00e7\u00f5es as propostas de Deus; e deixou-nos o seu Esp\u00edrito, aquele \u201calento de Vida\u201d que nos transforma, que nos renova e que nos capacita para viver segundo Deus. Somos verdadeiramente disc\u00edpulos que seguem Jesus, que se deixam tocar pela sua Palavra e que aceitam o seu convite para integrar a comunidade da Nova Alian\u00e7a? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL &#8211; <\/strong><strong>Salmo 50 (51)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Dai-me, Senhor, um cora\u00e7\u00e3o puro.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compadecei-Vos de mim, \u00f3 Deus, pela vossa bondade,<br \/>\npela vossa grande miseric\u00f3rdia, apagai os meus pecados.<br \/>\nLavai-me de toda a iniquidade<br \/>\ne purificai-me de todas as faltas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Criai em mim, \u00f3 Deus, um cora\u00e7\u00e3o puro<br \/>\ne fazei nascer dentro de mim um esp\u00edrito firme.<br \/>\nN\u00e3o queirais repelir-me da vossa presen\u00e7a<br \/>\ne n\u00e3o retireis de mim o vosso esp\u00edrito de santidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dai-me de novo a alegria da vossa salva\u00e7\u00e3o<br \/>\ne sustentai-me com esp\u00edrito generoso.<br \/>\nEnsinarei aos pecadores os vossos caminhos<br \/>\ne os transviados h\u00e3o-de voltar para V\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 Hebreus 5, 7-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos dias da sua vida mortal,<br \/>\nCristo dirigiu preces e s\u00faplicas,<br \/>\ncom grandes clamores e l\u00e1grimas,<br \/>\n\u00c0quele que O podia livrar da morte<br \/>\ne foi atendido por causa da sua piedade.<br \/>\nApesar de ser Filho,<br \/>\naprendeu a obedi\u00eancia no sofrimento<br \/>\ne, tendo atingido a sua plenitude,<br \/>\ntornou-Se para todos os que Lhe obedecem<br \/>\ncausa de salva\u00e7\u00e3o eterna.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta aos Hebreus \u00e9 um escrito (alguns preferem dizer \u201cum serm\u00e3o\u201d) de autor an\u00f3nimo e cujos destinat\u00e1rios, em concreto, desconhecemos (o t\u00edtulo \u201caos hebreus\u201d prov\u00e9m das m\u00faltiplas refer\u00eancias ao Antigo Testamento e ao ritual dos \u201csacrif\u00edcios\u201d que a obra apresenta). \u00c9 poss\u00edvel que se dirija a uma comunidade crist\u00e3 constitu\u00edda maioritariamente por crist\u00e3os vindos do juda\u00edsmo; mas nem isso \u00e9 totalmente seguro, uma vez que o Antigo Testamento era um patrim\u00f3nio comum, assumido por todos os crist\u00e3os, quer os vindos do juda\u00edsmo, quer os vindos do paganismo. Trata-se, em qualquer caso, de crist\u00e3os em situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, expostos a persegui\u00e7\u00f5es e que vivem num ambiente hostil \u00e0 f\u00e9\u2026 S\u00e3o, tamb\u00e9m, crist\u00e3os que facilmente se deixam vencer pelo desalento, que perderam o fervor inicial e que cedem \u00e0s sedu\u00e7\u00f5es de doutrinas n\u00e3o muito coerentes com a f\u00e9 recebida dos ap\u00f3stolos\u2026 O objetivo do autor \u00e9 estimular a viv\u00eancia do compromisso crist\u00e3o e levar os crentes a crescer na f\u00e9. Para isso, ele exp\u00f5e o mist\u00e9rio de Cristo (apresentado, sobretudo, como \u201co sacerdote\u201d da Nova Alian\u00e7a) e recorda a f\u00e9 tradicional da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 hoje proposto como segunda leitura deste quinto domingo da Quaresma \u00e9 parte de uma longa reflex\u00e3o (cf. Heb 3,1-9,28) sobre o sacerd\u00f3cio de Cristo. Em concreto, a per\u00edcope de Heb 5,1-10 desenvolve o tema do sacerd\u00f3cio de Cristo por compara\u00e7\u00e3o com o sumo-sacerdote do Antigo Testamento, apresentando uma s\u00e9rie de aspetos semelhantes e opostos. Come\u00e7a por apontar tr\u00eas aspetos que definem a miss\u00e3o do sumo-sacerdote: o sumo-sacerdote \u00e9 um homem que, pela sua fragilidade, \u00e9 capaz de entender as fragilidades (pecado) dos seus irm\u00e3os (vers. 2); o sumo-sacerdote tem como miss\u00e3o oferecer sacrif\u00edcios a Deus, a fim de refazer a comunh\u00e3o entre Deus e o homem (vers. 3); o sumo-sacerdote desempenha esta miss\u00e3o por escolha de Deus, tal como aconteceu com o sacerdote Aar\u00e3o (vers. 4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, estes tr\u00eas elementos tamb\u00e9m est\u00e3o bem patentes no sumo-sacerd\u00f3cio de Cristo.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jesus desceu at\u00e9 n\u00f3s, \u201cvestiu\u201d a nossa humanidade, conheceu as nossas fragilidades, partilhou as nossas dores, medos e incertezas, experimentou as dificuldades do caminho que temos de fazer todos os dias. Tornou-se, verdadeiramente, nosso irm\u00e3o. P\u00f4de, assim, compreender as fraquezas dos homens e propor-lhes uma forma de as superar. Com a sua pr\u00f3pria vida, com a sua entrega completa nas m\u00e3os do Pai, com o seu testemunho de uma vida dada por amor at\u00e9 ao extremo, Ele mostrou-nos como derrotar tudo aquilo que nos impede de aceder \u00e0 Vida plena, \u00e0 Vida verdadeira. Dispomo-nos a seguir Jesus nesse caminho, sem hesita\u00e7\u00f5es nem desculpas, confiando completamente n\u2019Ele?<\/li>\n<li>A ora\u00e7\u00e3o, o di\u00e1logo com o Pai, \u00e9 uma dimens\u00e3o sempre presente na vida de Jesus. Os Evangelhos contam que, ap\u00f3s jornadas intensas de an\u00fancio do Reino, Ele retirava-se para lugares isolados para falar com o Pai. Era nesse di\u00e1logo que Ele discernia a vontade de Deus e encontrava a for\u00e7a para concretizar os planos do Pai. Foi tamb\u00e9m no di\u00e1logo sempre renovado com o Pai que Ele aprendeu a fazer de toda a sua vida um dom, uma entrega ao Pai e aos homens. Na nossa vida, temos espa\u00e7o para dialogar com o Pai, para perceber os seus projetos para n\u00f3s e para o mundo, para escutar os desafios que Deus nos faz? A nossa vida cumpre-se na indiferen\u00e7a para com Deus e para com os seus projetos, ou numa procura sincera e empenhada da vontade de Deus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 12, 20-33<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nalguns gregos que tinha vindo a Jerusal\u00e9m<br \/>\npara adorar nos dias da festa,<br \/>\nforam ter com Filipe, de Betsaida da Galileia,<br \/>\ne fizeram-lhe este pedido:<br \/>\n\u00abSenhor, n\u00f3s quer\u00edamos ver Jesus\u00bb.<br \/>\nFilipe foi diz\u00ea-lo a Andr\u00e9;<br \/>\ne ent\u00e3o Andr\u00e9 e Filipe foram diz\u00ea-lo a Jesus.<br \/>\nJesus respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abChegou a hora em que o Filho do homem vai ser glorificado.<br \/>\nEm verdade, em verdade vos digo:<br \/>\nSe o gr\u00e3o de trigo, lan\u00e7ado \u00e0 terra, n\u00e3o morrer, fica s\u00f3;<br \/>\nmas se morrer, dar\u00e1 muito fruto.<br \/>\nQuem ama a sua vida, perd\u00ea-la-\u00e1,<br \/>\ne quem despreza a sua vida neste mundo<br \/>\nconserv\u00e1-la-\u00e1 para a vida eterna.<br \/>\nSe algu\u00e9m Me quiser servir, que Me siga,<br \/>\ne onde Eu estiver, ali estar\u00e1 tamb\u00e9m o meu servo.<br \/>\nE se algu\u00e9m Me servir, meu Pai o honrar\u00e1.<br \/>\nAgora a minha alma est\u00e1 perturbada.<br \/>\nE que hei de dizer? Pai, salva-Me desta hora?<br \/>\nMas por causa disto \u00e9 que Eu cheguei a esta hora.<br \/>\nPai, glorifica o teu nome\u00bb.<br \/>\nVeio ent\u00e3o uma voz do c\u00e9u que dizia:<br \/>\n\u00abJ\u00e1 O glorifiquei e tornarei a glorific\u00e1-l\u2019O\u00bb.<br \/>\nA multid\u00e3o que estava presente e ouvira<br \/>\ndizia ter sido um trov\u00e3o.<br \/>\nOutros afirmavam: \u00abFoi um Anjo que Lhe falou\u00bb.<br \/>\nDisse Jesus:<br \/>\n\u00abN\u00e3o foi por minha causa que esta voz se fez ouvir;<br \/>\nfoi por vossa causa.<br \/>\nChegou a hora em que este mundo vai ser julgado.<br \/>\nChegou a hora em que vai ser expulso o pr\u00edncipe deste mundo.<br \/>\nE quando Eu for elevado da terra,<br \/>\natrairei todos a Mim\u00bb.<br \/>\nFalava deste modo,<br \/>\npara indicar de que morte ia morrer.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O evangelho que a liturgia do 5.\u00ba Domingo da Quaresma nos prop\u00f5e situa-nos em Jerusal\u00e9m, talvez no pr\u00f3prio dia da entrada solene de Jesus na cidade santa (cf. Jo 12,12-19). As multid\u00f5es \u201cque tinham chegado para a Festa\u201d haviam aclamado Jesus como o rei\/messias, encenando um rito de entroniza\u00e7\u00e3o e aclamando-o como aquele \u201cque vem em nome do Senhor, o rei de Israel\u201d (Jo 12,12-13). No entanto, no horizonte pr\u00f3ximo paira a sombra da cruz: aproxima-se a \u201chora\u201d h\u00e1 muito anunciada e esperada (cf. Jo 2,4; 7,30; 8,20), a \u201chora\u201d do dom da vida at\u00e9 ao extremo, a \u201chora\u201d da passagem deste mundo para o Pai, a \u201chora\u201d da glorifica\u00e7\u00e3o de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O evangelista Jo\u00e3o coloca em cena \u201calguns gregos\u201d que \u201ctinham subido a Jerusal\u00e9m para adorar\u201d e que queriam ver Jesus. \u201cGregos\u201d significa, provavelmente, \u201cn\u00e3o judeus\u201d. Podem ser pros\u00e9litos (estrangeiros convertidos ao juda\u00edsmo) ou simples simpatizantes do juda\u00edsmo. Esses \u201cgregos\u201d dirigem-se a Filipe. Filipe, por sua vez, vai apresentar a quest\u00e3o a Andr\u00e9. Os dois tinham nomes gregos e os dois eram naturais de Betsaida (que significa \u201ccasa da pesca\u201d), uma povoa\u00e7\u00e3o situada na tetrarquia de Herodes Filipe, j\u00e1 fora do territ\u00f3rio judeu propriamente dito, a nordeste do Mar da Galileia. Filipe e Andr\u00e9 decidem levar a Jesus a pretens\u00e3o dos \u201cgregos\u201d. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A primeira leitura deste domingo d\u00e1 conta da preocupa\u00e7\u00e3o de Deus em oferecer aos homens uma nova Alian\u00e7a, capaz de fazer nascer um Homem Novo. Como \u00e9 que chegamos a essa realidade do Homem Novo, de cora\u00e7\u00e3o transformado, isto \u00e9, com um cora\u00e7\u00e3o que sente, que decide e que age segundo os esquemas e a l\u00f3gica de Deus? O Evangelho responde: \u00e9 olhando para Jesus, identificando-nos com Ele, aprendendo com Ele a p\u00f4r a nossa vida ao servi\u00e7o do projeto de Deus, seguindo-O no caminho da cruz. Jesus \u00e9 o modelo, a refer\u00eancia, o exemplo para quem quer aceitar o desafio de Deus e viver na comunidade da nova Alian\u00e7a. Estamos verdadeiramente decididos a conhecer Jesus, a abra\u00e7ar as suas propostas, a caminhar atr\u00e1s d\u2019Ele, como disc\u00edpulos, no caminho do amor, do servi\u00e7o, do dom da vida?<\/li>\n<li>O caminho que Jesus nos aponta \u2013 o caminho da obedi\u00eancia a Deus, do amor at\u00e9 ao extremo, da entrega total da pr\u00f3pria vida ao servi\u00e7o de Deus e dos irm\u00e3os \u2013 parece, em pleno s\u00e9c. XXI, um caminho pouco atraente, pouco l\u00f3gico, pouco moderno, desligado da realidade do mundo, que nos coloca \u00e0 margem dos valores e realiza\u00e7\u00f5es que marcam a hist\u00f3ria do nosso tempo. Sentimo-nos com coragem para remar contra a mar\u00e9 e para dar testemunho \u2013 com as nossas palavras, com os nossos gestos, com a nossa vida \u2013 do caminho de Jesus? Somos capazes de afirmar, mesmo que nos ridicularizem, persigam e condenem, a nossa profunda convic\u00e7\u00e3o de que a proposta de Jesus faz sentido e pode fazer nascer um mundo mais humano, mais justo, mais fraterno, mais s\u00e3o, mais feliz?<\/li>\n<li>Jesus rejeita absolutamente o caminho da autossufici\u00eancia, do fechamento em si pr\u00f3prio, do ego\u00edsmo est\u00e9ril, dos valores ef\u00e9meros. Ele sabe bem que, na l\u00f3gica de Deus, esse caminho \u00e9 um caminho que produz vidas vazias e sem sentido, sofrimento e frustra\u00e7\u00e3o, desilus\u00e3o e des\u00e2nimo. Quem vive exclusivamente para si pr\u00f3prio, quem se preocupa apenas em defender os seus interesses e perspetivas, quem se apega excessivamente a uma realiza\u00e7\u00e3o pessoal cumprida em circuitos fechados, \u201ccompra\u201d uma exist\u00eancia infecunda e que n\u00e3o vale a pena ser vivida. Perde a oportunidade de chegar ao Homem Novo, \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o plena, \u00e0 vida verdadeira, \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Nesta \u201cjanela de convers\u00e3o\u201d que \u00e9 o tempo quaresmal, que temos de mudar na nossa vida, nos nossos valores, nos nossos comportamentos, na nossa hist\u00f3ria, para estarmos plenamente alinhados com as propostas de Jesus?<\/li>\n<li>Filipe e Andr\u00e9, homens nascidos na \u201ccasa da pesca\u201d e chamados por Jesus a serem \u201cpescadores de homens\u201d, servem de intermedi\u00e1rios entre Jesus e os \u201cgregos\u201d que o querem conhecer. \u00c9 atrav\u00e9s da comunidade dos disc\u00edpulos que os homens \u201cveem Jesus\u201d, descobrem o seu projeto, encontram esse caminho de amor e de doa\u00e7\u00e3o que conduz \u00e0 vida nova do Homem Novo, \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Isto recorda-nos a nossa responsabilidade de testemunhas de Jesus e da sua salva\u00e7\u00e3o no meio dos homens do nosso tempo\u2026 Aqueles irm\u00e3os que se cruzam connosco nos caminhos da vida descobrem no nosso testemunho o rosto de Jesus? Todos aqueles que v\u00eam ao encontro de Jesus \u00e0 procura da vida plena encontram na forma como nos doamos, como servimos e como amamos a proposta libertadora que, atrav\u00e9s de n\u00f3s, Jesus quer passar a todos os homens? Somos realmente a ponte entre Jesus e aqueles que O querem \u201cconhecer\u201d? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> n\u00e3o apresenta nenhuma dificuldade aparente na sua proclama\u00e7\u00e3o, contudo, deve ler-se com um tom alegre e feliz como quem anuncia uma bela e boa not\u00edcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A brevidade da <strong>segunda leitura<\/strong> n\u00e3o deve fazer descurar a sua prepara\u00e7\u00e3o. Apesar de breve, apresenta dois par\u00e1grafos com diversas ora\u00e7\u00f5es, pelo que \u00e9 essencial uma prepara\u00e7\u00e3o das pausas e respira\u00e7\u00f5es do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/03\/20\/o-mundo-veio-atras-dele-3\/\"><strong>O MUNDO VEIO ATR\u00c1S\u00a0DELE!<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Domingo V da Quaresma: Jeremias 31,31-34; Salmo 51; Hebreus 5,7-9; Jo\u00e3o 12,20-33<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00abcaminhada\u00bb quaresmal aproxima\u2011se da sua meta e do seu verdadeiro ponto de partida: a Cruz Gloriosa, onde resplandece para sempre o Rosto do imenso, indiz\u00edvel amor de Deus por n\u00f3s. Nesta\u00a0<em>altura<\/em>\u00a0do percurso (sup\u00f5e\u2011se que encet\u00e1mos uma subida \u00abespiritual\u00bb: entenda\u2011se no Esp\u00edrito Santo e com o Esp\u00edrito Santo), batizados e catec\u00famenos devem estar j\u00e1 a ser Iluminados por essa Luz, a ponto de se desfazerem das \u00abobras das trevas\u00bb e de abra\u00e7arem as \u00abobras da luz\u00bb, como verdadeiros disc\u00edpulos que seguem o Mestre at\u00e9 ao fim, que \u00e9 tamb\u00e9m o princ\u00edpio, a Fonte da Vida verdadeira donde jorra o Esp\u00edrito Santo para n\u00f3s (sempre Atos 2,32-33; Jo\u00e3o 19,30 e 34; 7,38-39). Os catec\u00famenos t\u00eam neste Domingo V da Quaresma os seus terceiros \u00abescru\u00adt\u00ednios\u00bb: \u00faltima \u00abchamada\u00bb para a Liberdade antes da Noite Pascal Batismal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste Domingo V da Quaresma (Jo\u00e3o 12,20-33) apresenta-nos o \u00faltimo discurso e a \u00faltima apari\u00e7\u00e3o de Jesus em p\u00fablico, aos olhos da \u00abmulti\u00add\u00e3o\u00bb (Jo\u00e3o 12,29 e 34), antes da narrativa da Ceia e da Paix\u00e3o. Pouco depois, o evangelista diz\u2011nos que \u00abJesus se retirou e\u00a0<em>se escondeu<\/em>\u00a0deles\u00bb (Jo\u00e3o 12,36). A n\u00f3s, por\u00e9m, foi\u2011nos dado conhecer o Mist\u00e9rio deste\u00a0<em>escondimento<\/em>, que o n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o para se vir a\u00a0<em>manifestar<\/em>\u00a0(leia\u00ad\u2011se de novo inteligentemente o\u00a0<em>l\u00f3gion<\/em>\u00a0de Jesus no Evange\u00adlho de Marcos: \u00abnada est\u00e1\u00a0<em>escondido<\/em>\u00a0que n\u00e3o seja para\u00a0<em>se manifestar<\/em>\u00bb (Marcos 4,22), e que esclarece o Mist\u00e9rio da Luz-que-vem (!), que \u00e9 Ele, no vers\u00edculo anterior). Em boa verdade, este Jesus que agora\u00a0<em>se esconde<\/em>\u00a0da multid\u00e3o\u00a0<em>manifestar-se-\u00e1<\/em>\u00a0definitivamente, aos olhos de todos (tamb\u00e9m aos nossos!), na Cruz Gloriosa, \u00faltimo e \u00fanico sinal dado (por Deus) a esta gera\u00e7\u00e3o (Mateus 12,39\u201140; 1 Cor\u00edntios 1,20\u201124): \u00ab<em>olhar\u00e3o<\/em>\u00a0para aquele que trespassaram\u00bb (Jo\u00e3o 19,37).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste contexto que \u00abuns gregos\u00bb (Jo\u00e3o 12,20) querem\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0(<em>ide\u00een<\/em>) Jesus (Jo\u00e3o 12,21). S\u00e3o gregos de nascimento (<em>hell\u00eanes<\/em>), mas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o pag\u00e3os. S\u00e3o \u00abpros\u00e9litos\u00bb ou \u00abtementes a Deus\u00bb, que receberam o dom do \u00abtemor de Deus\u00bb (cf. At 10,2.22.35; 13,16.26), e se converteram dos \u00eddolos ao Deus \u00fanico, aderindo ao monote\u00edsmo de Israel e \u00e0 pr\u00e1tica dos mandamentos. T\u00e3o-pouco s\u00e3o os chamados \u00abhelenistas\u00bb (<em>hell\u00eanistai<\/em>), hebreus na di\u00e1spora, que falavam a l\u00edngua grega e tinham aderido \u00e0 cultura grega. Note-se, desde j\u00e1, o verdadeiro alcance deste desejo de\u00a0<em>ver<\/em>, formulado com o verbo\u00a0<em>ide\u00een<\/em>. De\u00a0<em>ide\u00een<\/em>\u00a0deriva, em portugu\u00eas,\u00a0<em>ideia<\/em>\u00a0e\u00a0<em>identidade<\/em>. A formula\u00e7\u00e3o deste\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0com o verbo\u00a0<em>ide\u00een<\/em>\u00a0implica, portanto, que aqueles gregos n\u00e3o s\u00e3o movidos por mera curiosidade, n\u00e3o pretendem ver apenas Jesus por fora, isto \u00e9, ver o aspeto ou o rosto de Jesus. Eles pretendem ver a\u00a0<em>identidade<\/em>\u00a0de Jesus, ou seja, pretendem\u00a0<em>ver quem<\/em>\u00a0\u00e9 Jesus. Ora,\u00a0<em>ver quem<\/em>\u00a0\u00e9 Jesus n\u00e3o se resolve em cinco minutos, num simples relance de olhos. Implica uma longa e intensa conviv\u00eancia com Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comunicam este seu desejo a Filipe, o qual, por sua vez, o comunica a Andr\u00e9. Filipe e Andr\u00e9 s\u00e3o conterr\u00e2neos, naturais de\u00a0<em>Betsaida Julia<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 1,44), situada nos confins da Galileia e no limiar do mundo hel\u00e9nico, e s\u00e3o os dois \u00fanicos Ap\u00f3stolos com nome claramente grego. Contam-se tamb\u00e9m entre os primeiros disc\u00edpulos que, querendo saber quem era Jesus, se dirigiram a Ele, e que logo comunicaram a sua experi\u00eancia a outros, e os conduziram a Jesus (cf. Jo\u00e3o 1,35-46). Pelos vistos, n\u00e3o se cansaram nem esqueceram esse jeito de fazer, e \u00e9 assim que os vemos no epis\u00f3dio de hoje a desempenhar com dilig\u00eancia o seu papel de fazer de ponte entre a humanidade e Jesus. Os dois levam a mensagem a Je\u00adsus (Jo\u00e3o 12,22). E Jesus marca a hora da entrevista: desde agora e pa\u00adra sempre. \u00c9 este o sentido do\u00a0<em>a hora veio<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 12,23).\u00a0<em>Veio<\/em>\u00a0(<em>el\u00ealuthen<\/em>: perf<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>\u00e9rchomai<\/em>) e fica para sempre: assim o indica o\u00a0<em>perfeito<\/em>\u00a0usado no texto grego. Esta\u00a0<em>hora que veio<\/em>\u00a0\u00e9 a hora da morte, ressurrei\u00e7\u00e3o, glorifica\u00e7\u00e3o (um \u00fanico acontecimento), \u00e9 a hora da Cruz Gloriosa, \u00faltimo e \u00fanico sinal dado (por Deus) a \u00abjudeus\u00bb e a \u00abgregos\u00bb, portanto, a todos. A entrevista come\u00e7ou e n\u00e3o termina mais, pois o futuro anunciado do disc\u00edpulo \u00e9 o presente do Mestre, a Gl\u00f3ria celestial em que est\u00e1: \u00abonde eu\u00a0<em>estou<\/em>\u00a0(<em>eim\u00ed<\/em>), a\u00ed\u00a0<em>estar\u00e1<\/em>\u00a0(<em>\u00e9stai<\/em>) tamb\u00e9m o meu servo\u00bb (Jo\u00e3o 12,26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o leitor atento do IV Evangelho, esta\u00a0<em>hora<\/em>\u00a0(<em>h\u00f4ra<\/em>) de Jesus de h\u00e1 muito era esperada, dado que, em epis\u00f3dios sucessivos, Jesus e o narrador v\u00e3o orientando para ela o olhar dos seus disc\u00edpulos. Acontece logo nas bodas de Can\u00e1, quando Jesus diz: \u00abainda n\u00e3o chegou a minha\u00a0<em>hora<\/em>\u00bb (Jo\u00e3o 2,4). E, em Jerusal\u00e9m, no decurso da Festa das Tendas, o narrador informa-nos por duas vezes que os judeus bem queriam prend\u00ea-lo, mas n\u00e3o o fazem \u00abporque ainda n\u00e3o tinha chegado a sua\u00a0<em>hora<\/em>\u00bb (Jo\u00e3o 7,30; 8,20). Sempre durante a Festa das Tendas, o pr\u00f3prio Jesus enche esta\u00a0<em>hora<\/em>\u00a0com conte\u00fado novo e significativo, quando diz: \u00abO meu tempo (<em>kair\u00f3s<\/em>) ainda n\u00e3o chegou\u00bb (Jo\u00e3o 7,6).\u00a0<em>Kair\u00f3s<\/em>\u00a0n\u00e3o \u00e9 o mero tempo cronol\u00f3gico, mas o tempo gr\u00e1vido da Palavra de Deus, verdadeira enchente da Palavra de Deus a que temos de responder, e n\u00e3o podemos n\u00e3o responder, dado que a Palavra de Deus se apodera de n\u00f3s at\u00e9 transbordar. Sem Deus e a sua Palavra primeira e criadora, que est\u00e1 antes das coisas e do homem, antes de n\u00f3s, que faz acontecer as coisas e o homem, n\u00e3o h\u00e1 kair\u00f3s nem <em>chr\u00f3nos<\/em>.\u00a0<em>Chr\u00f3nos<\/em>\u00a0\u00e9 o segmento de tempo que nos \u00e9 dado viver.\u00a0<em>Kair\u00f3s<\/em>\u00a0\u00e9 este segmento de tempo com relevo, o tempo gr\u00e1vido de amor novo e pleno, que exige a nossa resposta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed est\u00e1 a inaudita hist\u00f3ria nova do gr\u00e3o de trigo: \u00abSe o gr\u00e3o de trigo, ca\u00eddo na terra, n\u00e3o morrer, fica s\u00f3; mas se morrer, produz (<em>ph\u00e9r\u00f4<\/em>) muito fruto\u00bb (Jo\u00e3o 12,24). \u00c9 f\u00e1cil ver neste \u00fanico gr\u00e3o de trigo, e neste gr\u00e3o de trigo \u00fanico, e na sua hist\u00f3ria de produ\u00e7\u00e3o nova e incalcul\u00e1vel, o pr\u00f3prio Jesus. Sim, esta \u00e9 a sua hist\u00f3ria, mas v\u00ea-se tamb\u00e9m, olhando em contraluz o gr\u00e3o de trigo e o seu percurso, a inteira hist\u00f3ria humana, em que do abaixamento, do sangue inocente, da humildade e da humilha\u00e7\u00e3o, brota sempre vida nova. Paradoxal: a morte a produzir fruto abundante! A morte a produzir a vida! O v. 25, logo a seguir, esclarece e amplia este paradoxo, com Jesus a dizer bem alto: \u00abquem se agarra \u00e0 sua vida, perde-a\u00bb. Portanto, \u00e9 for\u00e7oso que o disc\u00edpulo de Jesus olhe para o ch\u00e3o, e aprenda a li\u00e7\u00e3o do gr\u00e3o de trigo semeado. Mas \u00e9 igualmente necess\u00e1rio, e em simult\u00e2neo, olhar para o c\u00e9u, para o alto, para o cume, para a Cruz, para poder ser, por gra\u00e7a,\u00a0<em>arrastado<\/em>\u00a0por Jesus (v. 32). S\u00f3 assim se pode perceber e receber a vida eterna (<em>z\u00f4\u00ea<\/em>\u00a0<em>ai\u00f4nios<\/em>, e n\u00e3o\u00a0<em>b\u00edos<\/em>) (v. 25), a vida divina. Fora deste paradigma, nada. Apenas agarrar-se a esta vida (<em>b\u00edos<\/em>) e \u00abreceber gl\u00f3ria uns dos outros\u00bb (Jo\u00e3o 5,44).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquele \u00abveio a hora\u00bb enche o tempo, leva-o e eleva-o \u00e0 sua plenitude, e v\u00ea-se toda a latitude aberta diante dos nossos olhos at\u00f3nitos. \u00c9 a hora da Cruz Gloriosa, avenida para sempre aberta entre Deus e o nosso mundo. Gra\u00e7a a transbordar. Tempo novo. \u00c9 importante acentuar que s\u00e3o \u00abuns gregos\u00bb, tamb\u00e9m os gregos, que querem\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0Jesus (Jo\u00e3o 12,20-21). Cen\u00e1rio grandioso, muito para al\u00e9m do imaginado, mas que mostra bem a largueza da ambi\u00eancia desta\u00a0<em>hora<\/em>\u00a0e da audi\u00eancia que segue Jesus para escutar esta cena alt\u00edssima da Revela\u00e7\u00e3o de Jesus acerca da chegada da sua\u00a0<em>hora<\/em>, que \u00e9 a Cruz Gloriosa. Jesus terminar\u00e1 a suprema Revela\u00e7\u00e3o desta\u00a0<em>hora<\/em>, dizendo: \u00abQuando eu for\u00a0<em>levantado<\/em>\u00a0da terra,\u00a0<em>arrastarei<\/em>\u00a0(<em>h\u00e9lk\u00f4<\/em>)\u00a0<em>todos<\/em>\u00a0a mim\u00bb (Jo\u00e3o 12,32). E os pr\u00f3prios fariseus tinham confessado imediatamente antes do in\u00edcio do nosso texto: \u00abO mundo (<em>ho k\u00f3smos<\/em>) veio atr\u00e1s dele (<em>op\u00eds\u00f4 auto\u00fb<\/em>)!\u00bb (Jo\u00e3o 12,19).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para fazer acorde musical com o imenso texto do Evangelho de hoje, a\u00ed est\u00e1 a escolha perfeita: a \u00abalian\u00e7a nova\u00bb de Jeremias 31,31-34. \u00c9 a alian\u00e7a nova prometida para os \u00faltimos tempos, e realizada neste Jesus que Deus ressus\u00adcitou, o qual \u00abrecebeu do Pai o Esp\u00edrito Santo prometido e o derramou\u00bb (Atos 2,32\u201133). Este Jesus \u00e9, portanto, a \u00fani\u00adca Fonte do Esp\u00edrito Santo para n\u00f3s, a Vida nova de Deus derramada nos nossos cora\u00e7\u00f5es (Romanos 2,29; 5,5; 7,6; 8,14\u201127; 2 Cor\u00edntios 3,6; G\u00e1latas 3,14; 4,6; Ef\u00e9sios 1,13\u2026), com o dom do Jubileu divino do perd\u00e3o dos pe\u00adcados (Jo\u00e3o 20,19\u201123). Deus \u00abpeca\u00bb sempre por excesso: \u00e9 anu\u00adlada at\u00e9 a \u00abmem\u00f3ria divina dos pecados\u00bb! Deus tinha antes escrito no nosso cora\u00e7\u00e3o os nossos pecados (Jeremias 17,1). Eis que apaga agora essa escrita, para escrever no nosso cora\u00e7\u00e3o o perd\u00e3o, n\u00e3o apenas repetido ou indefinido, mas infinito, sem causa nem motivo nem suporte, que \u00e9 a chave que abre todas as avenidas do humano cora\u00e7\u00e3o (Jeremias 31,33-34).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra m\u00fasica igualmente intensa vem hoje da Carta aos Hebreus 5,7-9, para ajudar a compor a linha mel\u00f3dica que Deus toca diante de n\u00f3s e dentro de n\u00f3s, nas cordas mais sens\u00edveis do nosso cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 um dos passos mais densos do Novo Testamento. O pr\u00f3prio Cristo, sendo embora o Filho de Deus, Deus Ele mes\u00admo, enquanto Homem verdadeiro, treme perante a Morte. Por\u00e9m, no momento central da sua vida (central para ele e para n\u00f3s), ele aceita a morte, submetendo a sua vontade humana \u00e0 sua \u2013 e do Pai e do Esp\u00edrito Santo \u2013 Vontade divina (conferir a Ora\u00e7\u00e3o do Gets\u00e9mani e do \u00abPai Nosso\u00bb). On\u00adde toda a Humanidade, desde\u00a0<em>Adam<\/em>, fracassou, ele venceu, ofe\u00adrecendo a Deus incondicionalmente a sua liberdade e a n\u00f3s a gra\u00e7a do amor e do perd\u00e3o. Por isso, o Pai pode lev\u00e1\u2011lo \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o, verbo\u00a0<em>telei\u00f3\u00f4<\/em>, que n\u00e3o in\u00addica perfei\u00e7\u00e3o moral (!), mas \u00abser feito sacerdote,\u00a0<em>perfei\u00adto<\/em>\u00a0no servi\u00e7o sacerdotal\u00bb, por nossa causa. Perante tanta e quase insuport\u00e1vel riqueza, n\u00e3o nos resta sen\u00e3o cair de joe\u00adlhos e adorar em sil\u00eancio \u00abno Esp\u00edrito e na Verdade\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cantamos hoje o Salmo 51, a s\u00faplica penitencial por excel\u00eancia, que constitui a ossatura espiritual de Agostinho, de Charles de Foucauld, de Joana D\u2019Arc, que inspirou a pena de muit\u00edssimos Padres da Igreja, e ecoa na m\u00fasica de Bach, Lulli, Donizetti, Honegger\u2026 Hoje \u00e9 a nossa vez de nos sentarmos um pouco a trautear a m\u00fasica que nos atravessa e nos p\u00f5e de p\u00e9. Est\u00e1 aqui a letra e a m\u00fasica do homem, de qualquer homem, seja ele quem for, de que ra\u00e7a for, de que religi\u00e3o for. Enxerto aqui as palavras preciosas que constituem a introdu\u00e7\u00e3o: \u00ab<em>Faz-me gra\u00e7a<\/em>, \u00f3 Deus, segundo o Teu\u00a0<em>amor<\/em>! Segundo a multid\u00e3o das Tuas\u00a0<em>miseric\u00f3rdias<\/em>, apaga as\u00a0<em>minhas transgress\u00f5es<\/em>! Lava-me e relava-me da\u00a0<em>minha iniquidade<\/em>, e do\u00a0<em>meu pecado<\/em>\u00a0purifica-me!\u00bb (Salmo 51,3-4). Quem \u00e9 Deus? Gra\u00e7a, amor, miseric\u00f3rdias. Quem sou eu? Transgress\u00f5es, iniquidade, pecado. Quem sair\u00e1 vencedor desta luta: serei eu ou ser\u00e1 Deus? Claro que \u00e9 Deus. Deixo aqui, a fechar, as palavras alt\u00edssimas da grande m\u00edstica mu\u00e7ulmana do s\u00e9culo VIII, Rabi\u02bda, de seu nome: \u00abUm homem disse a Rabi\u02bda: \u201cCometi muitos pecados e muitas transgress\u00f5es; se me arrepender, Deus perdoar-me-\u00e1?\u201d. Disse Rabi\u02bda: \u201cN\u00e3o. Tu arrepender-te-\u00e1s, se Ele te perdoar\u201d\u00bb (<em>I detti di Rabi\u02bda<\/em>, XII, 2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda agora abri a p\u00e1gina em branco do deve-e-haver<\/strong><br \/>\n<strong>Desta \u00faltima etapa da Quaresma.<\/strong><br \/>\n<strong>N\u00e3o sei ainda os registos que nela se far\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>Mas j\u00e1 sei que, ao terminar o dia,<\/strong><br \/>\n<strong>A p\u00e1gina agora aberta transbordar\u00e1 de perd\u00e3o e de alegria.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 essa a li\u00e7\u00e3o que se recebe do grande Salmo deste dia:<\/strong><br \/>\n<strong>\u00abFaz-me\u00a0<em>gra\u00e7a<\/em>, \u00f3 Deus, segundo o teu\u00a0<em>amor<\/em>,<\/strong><br \/>\n<strong>Segundo a multid\u00e3o das tuas\u00a0<em>miseric\u00f3rdias<\/em>!<\/strong><br \/>\n<strong>Apaga as minhas\u00a0<em>transgress\u00f5es<\/em>,<\/strong><br \/>\n<strong>Lava-me e relava-me da minha\u00a0<em>iniquidade<\/em>,<\/strong><br \/>\n<strong>E do meu\u00a0<em>pecado<\/em>\u00a0purifica-me!\u00bb.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Gra\u00e7a, amor, miseric\u00f3rdias<\/em><\/strong><strong>:<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 a tua bondade aqui tr\u00eas vezes dita.<\/strong><br \/>\n<strong><em>Transgress\u00f5es<\/em><\/strong><strong>,\u00a0<em>iniquidade<\/em>,\u00a0<em>pecado<\/em>:<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 a minha maldade aqui tamb\u00e9m tr\u00eas vezes repetida.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tu e eu sempre frente-a-frente,<\/strong><br \/>\n<strong>Sempre lado-a-lado:<\/strong><br \/>\n<strong>Teu \u00e9 o amor, meu \u00e9 o pecado.<\/strong><br \/>\n<strong>Mas v\u00ea-se bem que esta luta tem um vencedor antecipado:<\/strong><br \/>\n<strong>Sim, o teu amor acaba sempre por vencer o meu pecado!<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Leitura-I-do-Domingo-V-da-Quaresma-Ano-B-17.03.2024-Jer-31-31-34.pdf\">Leitura I do Domingo V da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 17.03.2024 (Jer 31, 31-34)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Leitura-II-do-Domingo-V-da-Quaresma-Ano-B-17.03.2024-Heb-5-7-9.pdf\">Leitura II do Domingo V da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 17.03.2024 (Heb 5, 7-9)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Domingo-V-da-Quaresma-Ano-B-17.03.2024-Lecionario.pdf\">Domingo V da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 17.03.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Domingo-V-da-Quaresma-Ano-B-17.03.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo V da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 17.03.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Mensagem-do-Papa-Francisco-para-a-Quaresma-de-2024-1.pdf\">Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Mensagem-da-Quaresma-2024-Bispos-do-Porto.pdf\">Mensagem Bispos do Porto para Quaresma 2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo IV da Quaresma \u2013 Ano B \u2013 10.03.2024&#8243; tab_id=&#8221;1710780796979-daa43671-141d&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo IV da Quaresma &#8211; Ano B \u2013 10.03.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0IV Domingo da Quaresma designado como Domingo\u00a0<em>Laetare<\/em>\u00a0(Domingo da Alegria)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Domingo-IV.jpg\" alt=\"\" width=\"663\" height=\"373\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos a contar os 40 dias da Quaresma desde a Quarta-Feira de Cinzas at\u00e9 \u00e0 P\u00e1scoa. Mas ao Domingo n\u00e3o \u00e9 Quaresma. \u00c9 P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abO que \u00e9 a Quaresma?\u00bb. Esta \u00e9 uma pergunta frequente que os catequistas gostam de dirigir aos seus catequizandos. Com a exce\u00e7\u00e3o de um ou outro coment\u00e1rio mais destabilizador afirmando ser um conhecido jogador de futebol, a resposta das crian\u00e7as, adolescentes ou jovens \u00e9 un\u00e2nime: \u00ab<em>a Quaresma \u00e9 o tempo de prepara\u00e7\u00e3o para a P\u00e1scoa<\/em>\u00bb. Na verdade, a Quaresma \u00e9 o tempo que nos conduz \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o e, por isso, tempo de prepara\u00e7\u00e3o para a celebra\u00e7\u00e3o da mais importante solenidade do calend\u00e1rio lit\u00fargico. Contudo, \u00e9 tempo de prepara\u00e7\u00e3o para a verdadeira P\u00e1scoa, aquela que nos liberta do pecado e da morte e nos faz entrar na vida nova e ressuscitada que Jesus nos oferece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, a Quaresma \u00e9 tempo de convers\u00e3o e penit\u00eancia e abre o nosso cora\u00e7\u00e3o para a alegria nova da renova\u00e7\u00e3o de vida e transforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o. A Quaresma \u00e9 o tempo feliz de experimentar o amor superabundante de Deus que envia o Seu Filho n\u00e3o para condenar o mundo, mas para o redimir, salvar e levar \u00e0 sua plena realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas vezes a Quaresma parece um \u00ab<em>puxar a fita atr\u00e1s<\/em>\u00bb e percorrer o caminho da condena\u00e7\u00e3o, paix\u00e3o e crucifix\u00e3o de Jesus at\u00e9 \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o. Contudo, a Quaresma n\u00e3o \u00e9 um recuar no tempo para reviver o sofrimento e entrega de Jesus. A Quaresma que atravessamos para chegar \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa faz-se sempre depois da P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Nosso Senhor Jesus Cristo, porque Ele ressuscitou e est\u00e1 vivo e, por isso, vivemos a Quaresma como tempo alegre e feliz da presen\u00e7a do Ressuscitado que nos convida \u00e0 convers\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste itiner\u00e1rio de penit\u00eancia e renova\u00e7\u00e3o de vida, emerge o IV Domingo da Quaresma, Domingo\u00a0<em>Laetare<\/em>, que sublinha a alegria que a convers\u00e3o oferece \u00e0 vida e com as palavras de Isa\u00edas cantamos na ant\u00edfona de entrada: \u00ab<em>Alegra-te, Jerusal\u00e9m; rejubilai, todos os seus amigos. Exultai de alegria, todos v\u00f3s que participastes no seu luto e podereis beber e saciar-vos na abund\u00e2ncia das suas consola\u00e7\u00f5es<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Liturgia da Palavra deste Domingo sublinha a estreita rela\u00e7\u00e3o entre alegria e amor, recordando que a verdadeira alegria nasce da certeza de que Deus nos ama e nos chama a participar da Sua vida divina entrando neste dinamismo de amor. Como recorda o Segundo Livro das Cr\u00f3nicas, Deus envia sem cessar os Seus mensageiros para recordar o amor de Deus que converte e quer salvar o homem e a mulher do seu mau caminho. Este amor revelado de modo pleno e definitivo em Jesus Cristo, como nos recorda S. Paulo, \u00ab<em>restituiu-nos \u00e0 vida com Cristo<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas noites escuras da nossa exist\u00eancia, onde o medo e a vergonha tantas vezes nos invadem como aconteceu com Nicodemos, podemos sentir a voz de Jesus que dissipa o medo e afasta o temor: \u00ab<em>Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unig\u00e9nito, para que todo o homem que acredita n\u2019Ele n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna<\/em>\u00bb. O mundo e a cria\u00e7\u00e3o, cada homem e cada mulher s\u00e3o desmedidamente amados por Deus, ao ponto de Ele lhe enviar o Seu \u00fanico Filho para o redimir e salvar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta gra\u00e7a que Deus nos concede, fazendo de cada um de n\u00f3s filhos muito amados de Deus, desafia-nos a entrar neste dinamismo de amor, fazendo de cada um de n\u00f3s verdadeiros instrumentos e sinais de que o mundo n\u00e3o \u00e9 para ser julgado e condenado, mas amado, salvo e redimido e, por isso, como afirmou o Padre Virginio Rotondi: \u00ab<em>o mundo amado apaixonadamente por Deus n\u00e3o pode deixar de ser amado por n\u00f3s<\/em>\u00bb. <strong><em>in Voz Portucalense (adaptado)<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O IV Domingo da Quaresma \u00e9 designado como Domingo\u00a0<em>Laetare<\/em>\u00a0(Domingo da Alegria). Esta designa\u00e7\u00e3o \u00e9 retirada da primeira palavra da ant\u00edfona de entrada da missa: \u00ab<em>Laetare, Ierusalem, et conventum facite omnes qui diligites eam<\/em>\u00bb. (<em>Alegra-te Jerusal\u00e9m! Reuni-vos, v\u00f3s todos que a\u00a0<\/em>amais). Este Domingo deve recordar os fi\u00e9is que o tempo da Quaresma \u00e9 \u00ab<em>tempo de cantar a alegria do perd\u00e3o<\/em>\u00bb (Ir. Roger). Deste modo, a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica deste Domingo \u00e9 a oportunidade de uma reflex\u00e3o sobre a alegria crist\u00e3 e que est\u00e1 t\u00e3o ligada ao magist\u00e9rio do Papa Francisco (<em>Evangelii Gaudium<\/em>,\u00a0<em>Amoris Laetitia<\/em>,\u00a0<em>Gaudete et Exsultate<\/em>), onde podemos encontrar bel\u00edssimos textos e contributos sobre a alegria do Evangelho, a alegria do amor que se vive na fam\u00edlia ou a alegria de percorrer a estrada da santidade. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>2 Cr\u00f3nicas 36,14-16.19-23<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\ntodos os pr\u00edncipes dos sacerdotes e o povo<br \/>\nmultiplicaram as suas infidelidades,<br \/>\nimitando os costumes abomin\u00e1veis das na\u00e7\u00f5es pag\u00e3s,<br \/>\ne profanaram o templo<br \/>\nque o Senhor tinha consagrado para Si em Jerusal\u00e9m.<br \/>\nO Senhor, Deus de seus pais,<br \/>\ndesde o princ\u00edpio e sem cessar, enviou-lhes mensageiros,<br \/>\npois queria poupar o povo e a sua pr\u00f3pria morada.<br \/>\nMas eles escarneciam dos mensageiros de Deus,<br \/>\ndesprezavam as suas palavras e riam-se dos profetas,<br \/>\na tal ponto que deixou de haver rem\u00e9dio,<br \/>\nperante a indigna\u00e7\u00e3o do Senhor contra o seu povo.<br \/>\nOs caldeus incendiaram o templo de Deus,<br \/>\ndemoliram as muralhas de Jerusal\u00e9m.<br \/>\nLan\u00e7aram fogo aos seus pal\u00e1cios<br \/>\ne destru\u00edram todos os objetos preciosos.<br \/>\nO rei dos caldeus deportou para Babil\u00f3nia<br \/>\ntodos os que tinham escapado ao fio da espada;<br \/>\ne foram escravos deles e de seus filhos,<br \/>\nat\u00e9 que se estabeleceu o reino dos persas.<br \/>\nAssim se cumpriu o que o Senhor anunciara pela boca de Jeremias:<br \/>\n\u00abEnquanto o pa\u00eds n\u00e3o descontou os seus s\u00e1bados,<br \/>\nesteve num s\u00e1bado cont\u00ednuo,<br \/>\ndurante todo o tempo da sua desola\u00e7\u00e3o,<br \/>\nat\u00e9 que se completaram setenta anos\u00bb.<br \/>\nNo primeiro ano do reinado de Ciro, rei da P\u00e9rsia,<br \/>\npara se cumprir a palavra do Senhor,<br \/>\npronunciada pela boca de Jeremias,<br \/>\no Senhor inspirou Ciro, rei da P\u00e9rsia,<br \/>\nque mandou publicar, em todo o seu reino,<br \/>\nde viva voz e por escrito,<br \/>\na seguinte proclama\u00e7\u00e3o:<br \/>\n\u00abAssim fala Ciro, rei da P\u00e9rsia:<br \/>\nO Senhor, Deus do C\u00e9u, deu-me todos os reinos da terra<br \/>\ne Ele pr\u00f3prio me confiou o encargo<br \/>\nde Lhe construir um templo em Jerusal\u00e9m, na terra de Jud\u00e1.<br \/>\nQuem de entre v\u00f3s fizer parte do seu povo ponha-se a caminho<br \/>\ne que Deus esteja com ele\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro das Cr\u00f3nicas (dividido em duas partes) \u00e9 uma obra de um autor an\u00f3nimo, que se prop\u00f5e contar a hist\u00f3ria de Israel, desde a cria\u00e7\u00e3o do mundo, at\u00e9 \u00e0 \u00e9poca do Ex\u00edlio. O livro faz parte de um bloco com alguma unidade (em conjunto com os livros de Esdras e de Neemias) que se costuma designar como \u201cObra do Cronista\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor privilegia, na sua obra, a hist\u00f3ria do reino do Sul (Jud\u00e1), dando um especial destaque ao rei David e seus descendentes. Tamb\u00e9m d\u00e1 algum relevo \u00e0 tribo de Levi, pelo facto de esta tribo estar ligada \u00e0s quest\u00f5es de \u00e2mbito lit\u00fargico. Em contrapartida, ignora deliberadamente a hist\u00f3ria do reino do Norte (Israel).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os estudiosos n\u00e3o est\u00e3o de acordo no que diz respeito \u00e0 data\u00e7\u00e3o da obra do Cronista. No entanto, muitos falam de um processo de reda\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias etapas: por volta de 515 a.C. teria aparecido uma primeira edi\u00e7\u00e3o da obra, com a finalidade de legitimar o culto no \u201csegundo Templo\u201d (isto \u00e9, no Templo reconstru\u00eddo pelos judeus regressados do Ex\u00edlio na Babil\u00f3nia); entre 400 e 375 a.C., teria aparecido uma segunda edi\u00e7\u00e3o, destinada a sublinhar a autoridade de Esdras como legislador e int\u00e9rprete da Tora; entre 350 e 300 a.C., teria aparecido uma terceira edi\u00e7\u00e3o, destinada a animar e a fortalecer e a consolidar a comunidade judaica frente \u00e0 hostilidade dos vizinhos, particularmente dos samaritanos. O objetivo fundamental do autor parece ser o de propor a fidelidade a Deus e \u00e0 Alian\u00e7a. Essa fidelidade deve manifestar-se, segundo o Cronista, no cumprimento da Lei e no ritual do culto do Templo de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como primeira leitura neste quarto domingo da Quaresma aparece na parte final do segundo volume do Livro das Cr\u00f3nicas. Neste texto, o Cronista refere dois factos hist\u00f3ricos separados por quase 50 anos: a queda de Jerusal\u00e9m nas m\u00e3os de Nabucodonosor (586 a.C.) e a autoriza\u00e7\u00e3o dada pelo rei persa Ciro para o regresso dos exilados a Jerusal\u00e9m, ap\u00f3s a queda da Babil\u00f3nia (538 a.C.). Pelo meio, o Povo de Deus conheceu a dram\u00e1tica experi\u00eancia do Ex\u00edlio na Babil\u00f3nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, o autor est\u00e1 muito mais interessado em dar-nos uma interpreta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica dos factos do que em oferecer-nos uma descri\u00e7\u00e3o pormenorizada dos acontecimentos hist\u00f3ricos. N\u00e3o \u00e9 um historiador ou um analista pol\u00edtico a falar, mas sim um crente preocupado em ler a hist\u00f3ria \u00e0 luz da f\u00e9 e em tirar da\u00ed as conclus\u00f5es que se imp\u00f5em.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Embora usando elementos teol\u00f3gicos e formas de express\u00e3o t\u00edpicas da sua \u00e9poca, o Cronista recorda-nos algo que \u00e9 indesment\u00edvel: quando a pessoa prescinde de Deus e escolhe caminhos de ego\u00edsmo e de autossufici\u00eancia, est\u00e1 a construir um futuro sem horizontes e sem esperan\u00e7a. Na verdade, a nossa experi\u00eancia de todos os dias mostra como a indiferen\u00e7a da pessoa face a Deus e \u00e0s suas propostas gera viol\u00eancia, opress\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o, exclus\u00e3o, solid\u00e3o, sofrimento. Ent\u00e3o, a culpa de muitos dos males que nos afligem n\u00e3o \u00e9 de Deus, mas sim das op\u00e7\u00f5es erradas que fazemos. Estamos conscientes disto? Estamos dispon\u00edveis, neste tempo de Quaresma, para fazer um caminho de \u201cconvers\u00e3o\u201d que nos leve de regresso a Deus, dispostos a escut\u00e1-l\u2019O e a acolher as indica\u00e7\u00f5es que Ele nunca desiste de nos dar?<\/li>\n<li>A perspetiva de que a liberta\u00e7\u00e3o do cativeiro \u00e9 comandada por Deus e de que Deus oferece ao seu Povo a oportunidade de um novo come\u00e7o aponta no sentido da esperan\u00e7a. Deus nunca desiste dos seus filhos. Ele abomina o pecado que destr\u00f3i o nosso mundo e as nossas vidas, mas continua a amar-nos, apesar das nossas op\u00e7\u00f5es erradas. D\u00e1-nos a possibilidade, continuamente renovada, de recome\u00e7ar, de refazer tudo, de reconstruir as nossas vidas. A certeza do amor de Deus deve iluminar cada instante da nossa vida nesta terra; e deve tamb\u00e9m ser um incentivo a abra\u00e7armos uma vida nova: mais livre, mais fraterna, mais solid\u00e1ria, mais humana. Confiamos no amor de Deus? Estamos dispostos a aceitar, neste caminho que estamos a percorrer em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 P\u00e1scoa, as oportunidades de renova\u00e7\u00e3o que esse amor nos oferece? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 136 (137)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refr\u00e3o:<strong>\u00a0 Se eu me n\u00e3o lembrar de ti, Jerusal\u00e9m, fique presa a minha l\u00edngua.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre os rios de Babil\u00f3nia nos sent\u00e1mos a chorar,<br \/>\ncom saudades de Si\u00e3o.<br \/>\nNos salgueiros das suas margens,<br \/>\ndependur\u00e1mos nossas harpas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aqueles que nos levaram cativos<br \/>\nqueriam ouvir os nossos c\u00e2nticos<br \/>\ne os nossos opressores uma can\u00e7\u00e3o de alegria:<br \/>\n\u00abCantai-nos um c\u00e2ntico de Si\u00e3o\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como poder\u00edamos n\u00f3s cantar um c\u00e2ntico do Senhor<br \/>\nem terra estrangeira?<br \/>\nSe eu me esquecer de ti, Jerusal\u00e9m,<br \/>\nesquecida fique a minha m\u00e3o direita.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apegue-se-me a l\u00edngua ao paladar,<br \/>\nse n\u00e3o me lembrar de ti,<br \/>\nse n\u00e3o fizer de Jerusal\u00e9m<br \/>\na maior das minhas alegrias.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 Ef\u00e9sios 2, 4-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nDeus, que \u00e9 rico em miseric\u00f3rdia,<br \/>\npela grande caridade com que nos amou,<br \/>\na n\u00f3s, que est\u00e1vamos mortos por causa dos nossos pecados,<br \/>\nrestituiu-nos \u00e0 vida em Cristo<br \/>\n\u2013 \u00e9 pela gra\u00e7a que fostes salvos \u2013<br \/>\ne com Ele nos ressuscitou<br \/>\ne nos fez sentar nos C\u00e9us com Cristo Jesus,<br \/>\npara mostrar aos s\u00e9culos futuros<br \/>\na abundante riqueza da sua gra\u00e7a<br \/>\ne da sua bondade para connosco, em Cristo Jesus.<br \/>\nDe facto, \u00e9 pela gra\u00e7a que fostes salvos, por meio da f\u00e9.<br \/>\nA salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o vem de v\u00f3s: \u00e9 dom de Deus.<br \/>\nN\u00e3o se deve \u00e0s obras: ningu\u00e9m se pode gloriar.<br \/>\nNa verdade, n\u00f3s somos obra sua, criados em Cristo Jesus,<br \/>\nem vista das boas obras que Deus de antem\u00e3o preparou,<br \/>\ncomo caminho que devemos seguir.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade de \u00c9feso estava situada na costa ocidental da \u00c1sia Menor. Era uma cidade grande e pr\u00f3spera, capital da Prov\u00edncia Romana da \u00c1sia. O seu porto de mar ligava o interior da \u00c1sia Menor com todas as cidades do Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Paulo chegou a \u00c9feso (cf. At 19,1), durante a sua terceira viagem mission\u00e1ria, encontrou alguns crist\u00e3os escassamente preparados. Paulo procurou instru\u00ed-los e dar-lhes uma adequada forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3. De acordo com o Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, Paulo permaneceu na cidade durante um longo per\u00edodo (mais de dois anos, segundo At 19,10), ensinando na sinagoga e, depois, na \u201cescola de Tirano\u201d (At 19,9). Assim, reuniu \u00e0 sua volta um n\u00famero consider\u00e1vel de pessoas convertidas ao \u201cCaminho\u201d (At 19,9.23). Ainda de acordo com o autor dos Atos, foi aos anci\u00e3os da Igreja de \u00c9feso que Paulo confiou, em Mileto (cf. At 20,17-38), o seu testamento espiritual, apost\u00f3lico e pastoral, antes de ir a Jerusal\u00e9m, onde acabaria por ser preso. Tudo isto faz supor uma rela\u00e7\u00e3o muito estreita entre Paulo e a comunidade crist\u00e3 de \u00c9feso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Curiosamente, a carta aos Ef\u00e9sios \u00e9 bastante impessoal e n\u00e3o reflete essa rela\u00e7\u00e3o. Alguns dos comentadores dos textos paulinos duvidam, por isso, que esta carta venha de Paulo. Outros, por\u00e9m, acreditam que o texto que chegou at\u00e9 n\u00f3s com o nome de \u201cCarta aos Ef\u00e9sios\u201d \u00e9 um dos exemplares de uma \u201ccarta circular\u201d enviada a v\u00e1rias igrejas da \u00c1sia Menor, inclusive \u00e0 comunidade crist\u00e3 de \u00c9feso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em qualquer caso, a Carta aos Ef\u00e9sios apresenta-se como uma carta escrita por Paulo, numa altura em que o ap\u00f3stolo est\u00e1 na pris\u00e3o (em Roma?). O seu portador teria sido um tal T\u00edquico. Estamos por volta dos anos 58\/60. Trata-se de um texto com uma grande riqueza tem\u00e1tica, de uma reflex\u00e3o amadurecida e completa onde o autor apresenta uma esp\u00e9cie de s\u00edntese da teologia paulina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste quarto domingo da Quaresma nos prop\u00f5e como segunda leitura integra a parte dogm\u00e1tica da carta (cf. Ef 1,3-3,21). Prop\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre o papel de Cristo na salva\u00e7\u00e3o do homem. O autor come\u00e7a por constatar a situa\u00e7\u00e3o de pecado em que o homem vive e da qual, por si s\u00f3, n\u00e3o pode sair (cf. Ef 2,1-3). O homem estar\u00e1, portanto, condenado \u00e0 escravid\u00e3o do pecado e \u00e0 morte?<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A vida do ser humano sobre a terra est\u00e1 marcada pela debilidade, pela finitude, pelas limita\u00e7\u00f5es inerentes \u00e0 nossa condi\u00e7\u00e3o humana. A doen\u00e7a, o sofrimento, o ego\u00edsmo, o pecado s\u00e3o realidades que acompanham a nossa exist\u00eancia, que nos mant\u00eam prisioneiros e que nos roubam a esperan\u00e7a. Parece que, por n\u00f3s pr\u00f3prios, nunca conseguiremos superar os nossos limites e alcan\u00e7ar essa realidade de vida plena, de felicidade total com que permanentemente sonhamos. Por isso, certos fil\u00f3sofos contempor\u00e2neos referem-se \u00e0 futilidade da exist\u00eancia, \u00e0 n\u00e1usea que acompanha a vida da pessoa, \u00e0 inutilidade da busca da felicidade, ao fracasso que \u00e9 a vida condenada \u00e0 morte\u2026 Este quadro seria desesperante se n\u00e3o existisse o amor de Deus. \u00c9 precisamente isso que o autor da Carta aos Ef\u00e9sios nos recorda: Deus ama-nos com um amor total, incondicional, desmedido; e \u00e9 esse amor que nos levanta da nossa condi\u00e7\u00e3o, que nos faz vencer os nossos limites, que nos oferece esse mundo novo de vida plena e de felicidade sem fim a que aspiramos. N\u00e3o somos pobres criaturas derrotadas, condenadas ao fracasso, limitadas por um horizonte sem sentido, mas somos filhos amados a quem Deus oferece a vida plena, a salva\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, crentes, que conhecemos e confiamos no amor de Deus, somos capazes de oferecer aos nossos irm\u00e3os \u2013 cansados, desiludidos e magoados pelas feridas da vida \u2013 um testemunho de esperan\u00e7a?<\/li>\n<li>Segundo o autor da Carta aos Ef\u00e9sios, Deus introduziu na nossa realidade humana dinamismos de supera\u00e7\u00e3o e de vida nova que apontam para o Homem Novo, livre das limita\u00e7\u00f5es, da debilidade e da fragilidade. Aqueles homens e mulheres que acolheram o dom de Deus s\u00e3o chamados a dar testemunho de um mundo novo, livre do sofrimento, da injusti\u00e7a, do ego\u00edsmo, do pecado. Por isso, os crentes t\u00eam de anunciar e de construir um mundo mais justo, mais fraterno, mais humano. Eles s\u00e3o testemunhas, nesta terra, de uma realidade nova de felicidade sem fim e de vida eterna. N\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, procuramos ser arautos desse mundo novo?<\/li>\n<li>A vida nova de Deus manifesta-se nas nossas palavras, nos nossos gestos de partilha e de servi\u00e7o, nas nossas atitudes de toler\u00e2ncia e de perd\u00e3o, na nossa solidariedade com os irm\u00e3os esquecidos e abandonados, nos nossos esfor\u00e7os para construir pontes de entendimento e de di\u00e1logo\u2026 Conv\u00e9m, no entanto, n\u00e3o esquecer este facto essencial: \u00e9 Deus que, atrav\u00e9s de n\u00f3s, age no mundo e na vida dos homens. O m\u00e9rito das coisas boas que fazemos n\u00e3o \u00e9 nosso, mas sim de Deus. Temos consci\u00eancia de que somos apenas os instrumentos fr\u00e1geis atrav\u00e9s dos quais Deus manifesta ao mundo e aos homens a sua miseric\u00f3rdia e o seu amor? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 3, 14-21<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\ndisse Jesus a Nicodemos:<br \/>\n\u00abAssim como Mois\u00e9s elevou a serpente no deserto,<br \/>\ntamb\u00e9m o Filho do homem ser\u00e1 elevado,<br \/>\npara que todo aquele que acredita<br \/>\ntenha n\u2019Ele a vida eterna.<br \/>\nDeus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unig\u00e9nito,<br \/>\npara que todo o homem que acredita n\u2019Ele<br \/>\nn\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna.<br \/>\nPorque Deus n\u00e3o enviou o Filho ao mundo<br \/>\npara condenar o mundo,<br \/>\nmas para que o mundo seja salvo por Ele.<br \/>\nQuem acredita n\u2019Ele n\u00e3o \u00e9 condenado,<br \/>\nmas quem n\u00e3o acredita j\u00e1 est\u00e1 condenado,<br \/>\nporque n\u00e3o acreditou no nome do Filho Unig\u00e9nito de Deus.<br \/>\nE a causa da condena\u00e7\u00e3o \u00e9 esta:<br \/>\na luz veio ao mundo<br \/>\ne os homens amaram mais as trevas do que a luz,<br \/>\nporque eram m\u00e1s as suas obras.<br \/>\nTodo aquele que pratica m\u00e1s a\u00e7\u00f5es<br \/>\nodeia a luz e n\u00e3o se aproxima dela,<br \/>\npara que as suas obras n\u00e3o sejam denunciadas.<br \/>\nMas quem pratica a verdade aproxima-se da luz,<br \/>\npara que as suas obras sejam manifestas,<br \/>\npois s\u00e3o feitas em Deus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus tinha ido a Jerusal\u00e9m para a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa (cf. Jo 2,13). Foi l\u00e1 que se encontrou e conversou com um fariseu chamado Nicodemos, que era \u201cuma autoridade entre os judeus\u201d (Jo 3,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizer que Nicodemos era fariseu \u00e9 dizer que ele era um homem da Lei. Os fariseus distinguiam-se pela sua ades\u00e3o e fidelidade \u00e0 Lei de Mois\u00e9s. Os membros deste partido tinham grande influ\u00eancia entre o povo pela sua fama de observ\u00e2ncia e de pr\u00e1tica religiosa. Mas Jo\u00e3o diz-nos tamb\u00e9m que Nicodemos era uma autoridade entre os judeus. Isso significa, provavelmente, que era membro do Sin\u00e9drio, um representante do juda\u00edsmo oficial. O encontro de Nicodemos com Jesus d\u00e1-se \u201cde noite\u201d. A indica\u00e7\u00e3o pode significar que ele n\u00e3o queria ser visto com Jesus para n\u00e3o prejudicar a sua posi\u00e7\u00e3o, ou pode ter a ver com o h\u00e1bito que os fariseus tinham de estudar a Lei \u00e0 noite. Tamb\u00e9m pode significar que, nessa altura, Nicodemos ainda est\u00e1 \u00e0s escuras, pois ainda n\u00e3o foi iluminado pela luz de Jesus. \u00c9 bem poss\u00edvel que Nicodemos fizesse parte de um grupo, dentro do juda\u00edsmo erudito, que se interessava por Jesus e que queria compreend\u00ea-lo. Nicodemos aparecer\u00e1, mais tarde, a defender Jesus, perante os chefes dos fariseus (cf. Jo 7,50-52). Tamb\u00e9m estar\u00e1 presente na altura em que Jesus foi descido da cruz e colocado no t\u00famulo (cf. Jo 19,39).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conversa daquela noite entre Jesus e Nicodemos apresenta tr\u00eas momentos significativos. No primeiro (cf. Jo 3,1-3), Nicodemos reconhece a autoridade de Jesus, gra\u00e7as \u00e0s obras poderosas que Ele faz; mas Jesus acrescenta que isso n\u00e3o \u00e9 suficiente, pois o essencial \u00e9 reconhec\u00ea-l\u2019O como o enviado do Pai, como aquele que veio do alto para revelar Deus. No segundo (cf. Jo 3,4-8), Jesus explica a Nicodemos que, para entender a proposta que Ele traz, \u00e9 preciso \u201cnascer de Deus\u201d; e explica-lhe que esse novo nascimento \u00e9 o nascimento \u201cda \u00e1gua e do Esp\u00edrito\u201d. No terceiro (cf. Jo 3,9-21), Jesus descreve a Nicodemos o projeto de salva\u00e7\u00e3o de Deus: \u00e9 uma iniciativa do Pai, tornada presente no mundo e na vida dos homens atrav\u00e9s do Filho e que se concretizar\u00e1 pela cruz\/exalta\u00e7\u00e3o de Jesus. O extrato da conversa que escutamos neste quarto domingo da Quaresma pertence a esta terceira parte. \u00c9 um texto carregado de densidade teol\u00f3gica. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jo\u00e3o \u00e9 o evangelista abismado na contempla\u00e7\u00e3o do amor de um Deus que n\u00e3o hesitou em enviar ao mundo o seu Filho, o seu \u00fanico Filho, para apresentar aos homens uma proposta de felicidade plena, de vida definitiva. O Evangelho deste domingo convida-nos a contemplar, com Jo\u00e3o, esta incr\u00edvel hist\u00f3ria de amor e a espantar-nos com o peso que n\u00f3s \u2013 seres limitados e finitos, pequenos gr\u00e3os de p\u00f3 na imensid\u00e3o das gal\u00e1xias \u2013 adquirimos nos esquemas, nos projetos e no cora\u00e7\u00e3o de Deus. Temos consci\u00eancia desse amor, estamos gratos por esse amor, aceitamos que esse amor nos indique o caminho que devemos percorrer e a forma como devemos viver?<\/li>\n<li>O amor de Deus traduz-se na oferta ao homem de Vida plena e definitiva. \u00c9 uma oferta gratuita, incondicional, absoluta, v\u00e1lida para sempre e que n\u00e3o discrimina ningu\u00e9m. Aos homens \u2013 dotados de liberdade e de capacidade de op\u00e7\u00e3o \u2013 compete decidir se aceitam ou se rejeitam o dom de Deus. \u00c0s vezes, os homens acusam Deus pelas guerras, pelas injusti\u00e7as, pelas arbitrariedades que trazem sofrimento e morte que pintam as paredes do mundo com a cor do desespero\u2026 O texto, contudo, \u00e9 claro: Deus ama a pessoa e oferece-lhe a vida. O sofrimento e a morte n\u00e3o v\u00eam de Deus, mas s\u00e3o o resultado das escolhas erradas feitas pelo ser humano que se obstina na autossufici\u00eancia e que prescinde dos dons de Deus. Temos consci\u00eancia de que alguns dos males do nosso mundo poder\u00e3o resultar do nosso ego\u00edsmo, do nosso orgulho, do nosso comodismo, dos nossos preconceitos, da nossa recusa em ouvir Deus e em seguir caminhos que Ele nos aponta? O que \u00e9 que precisamos de mudar, nas nossas vidas, para sermos sinais e arautos do amor de Deus?<\/li>\n<li>O evangelista Jo\u00e3o define claramente o caminho que todo o homem deve seguir para chegar \u00e0 vida eterna: trata-se de \u201cacreditar\u201d em Jesus. \u201cAcreditar\u201d em Jesus n\u00e3o \u00e9 uma mera ades\u00e3o intelectual ou te\u00f3rica a certas verdades da f\u00e9; mas \u00e9 escutar Jesus, acolher a sua mensagem e os seus valores, segui-l\u2019O no caminho do amor e da entrega ao Pai e aos irm\u00e3os. \u201cAcreditar\u201d significa olhar para aquele homem levantado na cruz e aprender com Ele o amor at\u00e9 ao extremo, o amor que ultrapassa todo o ego\u00edsmo e \u00e9 dom total. Jesus \u00e9 para n\u00f3s essa refer\u00eancia fundamental, que procuramos seguir a cada instante e que nos aponta o caminho? Estamos dispostos a confiar incondicionalmente n\u2019Ele, mesmo quando as suas indica\u00e7\u00f5es parecem estar contra a cultura ambiente, os ditames da moda, as doutrinas vigentes, ou as regras do socialmente correto?<\/li>\n<li>Alguns crist\u00e3os vivem obcecados e assustados com esse momento final em que Deus vai julgar a pessoa, depois de pesar na balan\u00e7a as suas a\u00e7\u00f5es boas e as suas a\u00e7\u00f5es m\u00e1s\u2026 Jo\u00e3o garante-nos que Deus n\u00e3o \u00e9 um contabilista, a somar os d\u00e9bitos e os cr\u00e9ditos da pessoa para lhes pagar em conformidade\u2026 O crist\u00e3o n\u00e3o vive no medo, pois ele sabe que Deus \u00e9 esse Pai cheio de amor que oferece a todos os seus filhos a vida eterna. N\u00e3o \u00e9 Deus que nos condena; somos n\u00f3s que escolhemos entre a vida eterna que Deus nos oferece ou a eterna infelicidade. Vivemos no medo de Deus, ou temos consci\u00eancia de que somos n\u00f3s que, com liberdade, fazemos as nossas op\u00e7\u00f5es? E, quando optamos, sabemos o que estamos a construir e para onde caminhamos? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> exige uma acurada prepara\u00e7\u00e3o quer pela extens\u00e3o do texto, quer por algum vocabul\u00e1rio menos usual. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio ter em aten\u00e7\u00e3o as frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este mesmo cuidado deve ser tido em conta na prepara\u00e7\u00e3o da<strong> segunda leitura<\/strong>, onde \u00e9 necess\u00e1rio preparar bem as pausas e respira\u00e7\u00f5es para uma proclama\u00e7\u00e3o mais eficaz do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/03\/12\/a-luz-veio-ao-mundo-3\/\"><strong>A LUZ VEIO AO\u00a0MUNDO<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Domingo IV da Quaresma: 2 Cr\u00f3nicas 36,14-16.19-23; Salmo 137; Ef\u00e9sios 2,4-10; Jo\u00e3o 3,14-21<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o olhar cada vez mais fixo na Cruz Gloriosa, em que foi entronizada a Luz que d\u00e1 a Vida verdadeira, bati\u00adzados e catec\u00famenos continuam a sua \u00abcaminhada\u00bb quaresmal:\u00a0<em>mem\u00f3ria<\/em>\u00a0do batismo [= execu\u00e7\u00e3o do programa filial batis\u00admal] para os batizados,\u00a0<em>prepara\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0para o batismo por parte dos catec\u00famenos (<em>Sacrosanctum Concilium<\/em>, n.\u00ba 109), que t\u00eam neste IV Domingo da Quaresma os seus segundos \u00abescrut\u00ednios\u00bb: segunda \u00abcha\u00admada\u00bb para a Liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste Domingo IV da Quaresma (Jo\u00e3o 3,14-21) mostra-nos a toda a luz o \u00abFilho do Homem\u00bb, que\u00a0<em>deve<\/em>\u00a0(<em>de\u00ee<\/em>)\u00a0<em>ser levantado<\/em>\u00a0[= crucificado\/exaltado\/glorificado] como o verda\u00addeiro \u00abServo do Senhor\u00bb (Isa\u00edas 52,13), logo identificado com Cristo Jesus (Filipenses 2,9), o Filho Unig\u00e9nito de Deus, \u00aba Luz que\u00a0<em>veio<\/em>\u00a0ao mundo\u00bb (Jo\u00e3o 3,19; 12,46), para dar a Vida ao mun\u00addo (Jo\u00e3o 1,4; 3,15\u201116).\u00a0<em>Veio<\/em>\u00a0(<em>el\u00ealythen<\/em>: perf<sup>2<\/sup>\u00a0de\u00a0<em>\u00e9rchomai<\/em>) ao mundo e permanece acesa no mundo, como indica o\u00a0<em>perfeito<\/em>\u00a0usado no texto grego. Marcos recorre \u00e0 crueza da linguagem para nos fazer compreender melhor o Mist\u00e9rio desta Luz-que-vem: \u00abVem a Luz (!) para ser colocada debaixo do alqueire ou debaixo da cama? N\u00e3o, antes, para ser colo\u00adcada sobre o candelabro? Na verdade, nada est\u00e1 escondido que n\u00e3o seja para se manifestar\u00bb (Marcos 4,21\u201122). Tendo vindo na humildade da condi\u00e7\u00e3o humana, esta Luz foi\u00a0<em>entronizada<\/em>\u00a0na Cruz onde arde para sempre: suprema manifesta\u00e7\u00e3o do infinito, insond\u00e1vel, impenetr\u00e1vel, incompreens\u00edvel, indi\u00adz\u00edvel amor de Deus: \u00abDeus\u00a0<em>amou<\/em>\u00a0(<em>\u00eag\u00e1p\u00easen<\/em>: aoristo hist\u00f3ri\u00adco!) tanto o mundo\u00bb! (Jo\u00e3o 3,16). Assim manifestada na Cruz Gloriosa, esta Luz d\u00e1 a Vida verdadeira a quem para ela olhar como a imagem da cobra levantada no deserto (N\u00fameros 21,8\u20119). \u00abH\u00e3o\u2011de olhar para aquele que trespassaram\u00bb (Jo\u00e3o 19,37). \u00abQuando eu for\u00a0<em>levantado<\/em>\u00a0da terra,\u00a0<em>arrastarei<\/em>\u00a0(<em>h\u00e9lk\u00f4<\/em>) todos a mim\u00bb (Jo\u00e3o 12,32). \u00abQuando tiverdes\u00a0<em>levantado<\/em>\u00a0o Filho do Homem, ent\u00e3o sabereis que \u201cEu Sou\u201d\u00bb (t\u00edtulo divino) (Jo\u00e3o 8,28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0 for\u00e7a daquele\u00a0<em>arrasto<\/em>\u00a0operado por Jesus, continua Jesus a ensinar-nos, em outra li\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m pode ser levado a cabo pelo Pai: \u00abNingu\u00e9m pode vir a Mim (<em>elthe\u00een pr\u00f3s me<\/em>), se o Pai, que me enviou, n\u00e3o o\u00a0<em>arrastar<\/em>\u00a0(<em>h\u00e9lk\u00f4<\/em>)\u00bb (Jo\u00e3o 6,44). V\u00ea-se bem, por debaixo do falar de Jesus, o teclado do Antigo Testamento, nomeadamente Jeremias 31,3 [38,3 LXX], que refere textualmente, pondo Deus a falar: \u00abCom um amor eterno Eu te amei; por isso te\u00a0<em>arrastei<\/em>\u00a0(<em>mashak<\/em>\u00a0TM;\u00a0<em>h\u00e9lk\u00f4<\/em>\u00a0LXX)\u00a0<em>com carinho<\/em>\u00a0(<em>hesed<\/em>\u00a0TM;\u00a0<em>oikt\u00edr\u00eam\u00f4n<\/em>\u00a0LXX)\u00bb. \u00c9 demasiado pobre n\u00e3o reparar nisto. \u00c9 demasiado belo reparar nisto. H\u00e1 neste amor de Deus por n\u00f3s uma paix\u00e3o declarada, for\u00e7a ou coa\u00e7\u00e3o que o verbo\u00a0<em>arrastar<\/em>\u00a0traduz bem. Mas a express\u00e3o completa \u00e9: \u00abarrastar com carinho\u00bb. Entendamos ent\u00e3o, se Deus nos der a gra\u00e7a e o dom do entendimento, que Deus luta por n\u00f3s,\u00a0<em>arrasta-nos<\/em>\u00a0tantas vezes, mas sempre\u00a0<em>com carinho<\/em>! Tomar consci\u00eancia desta realidade: estupendo programa quaresmal!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ter a Vida verdadeira, \u00e9 necess\u00e1rio\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0[= acre\u00additar] o Filho (Jo\u00e3o 3,36; 6,40), Luz da Luz, que brilha sobre a Cruz, novo e \u00faltimo candelabro do amor de Deus (Atos 2,36).\u00a0<em>Ver<\/em>\u00a0o Filho \u00e9 obra do Esp\u00edrito Santo em n\u00f3s (1 Cor\u00edntios 12,3). Para O ver \u00e9 necess\u00e1rio ter nascido da \u00e1gua e do Esp\u00edrito (cf. Jo\u00e3o 3,5), clar\u00edssima alus\u00e3o ao batismo, a grande ilumina\u00e7\u00e3o que abre os nossos olhos para o divi\u00adno (Hebreus 6,4\u20115: texto espantoso!) e nos faz \u00abfilhos da luz\u00bb, operadores das \u00abobras da luz\u00bb, que n\u00e3o t\u00eam parte com as \u00abobras das trevas\u00bb (Ef\u00e9sios 5,8\u201114).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ver<\/em>\u00a0o Filho do Homem\u00a0<em>levantado<\/em>\u00a0na Cruz \u00e9 ver passar dois filmes: 1) o da nossa viol\u00eancia e malvadez, postas a descoberto naquele rosto desfigurado, naquelas chagas abertas, naquele sangue a escorrer ou j\u00e1 coalhado: est\u00e1 ali, bem diante de n\u00f3s, a imagem do pecado que est\u00e1 em n\u00f3s; 2) ali passa tamb\u00e9m o filme do imenso amor de Deus, que n\u00e3o faz frente \u00e0 minha viol\u00eancia, mas a abra\u00e7a, \u00fanica maneira de a absorver, dissolver e absolver. A cura n\u00e3o \u00e9 m\u00e1gica. Exibida a imagem da cobra escondida que h\u00e1 em n\u00f3s e que de n\u00f3s se alimenta como um parasita ou um \u00eddolo \u2013 de facto, alimenta-se de n\u00f3s, vive \u00e0 nossa custa: leia-se, com o dom do entendimento, G\u00e9nesis 3,14, em que se l\u00ea que a cobra se alimenta de p\u00f3 [<em>\u0559aphar<\/em>], sendo que s\u00f3 o homem \u00e9 modelado do \u00abp\u00f3 da terra\u00bb (G\u00e9nesis 2,7) \u2013, conhecemos agora a doen\u00e7a de que padecemos. Podemos, portanto, come\u00e7ar a tratar-nos. E o rem\u00e9dio tamb\u00e9m est\u00e1 ali posto bem diante dos nossos olhos: \u00e9 o amor subversivo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande \u00abteologia da hist\u00f3ria\u00bb expressa no 2 Livro das Cr\u00f3nicas 36,14-23 deixa bem claro que, abandonando a Palavra de Deus, que \u00e9 a nossa luz (Salmo 119,105) e a nossa vida (Deuteron\u00f3mio 32,47), ca\u00edmos inevitavelmente nas trevas e na morte de um \u00abex\u00edlio\u00bb qualquer. Por\u00e9m, o caminho \u00e9 revers\u00edvel: aproximando\u2011nos de Deus e da sua Palavra, podemos recuperar de novo a luz e a vida. \u00c9, na verdade, \u00aba tua Palavra, Senhor, que tudo cura\u00bb (Sabedoria 16,12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O extrato da Carta de S. Paulo aos Ef\u00e9sios (2,4-10) acentua hoje o nosso movimento da morte para a vida\u00a0<em>em Cristo Je\u00adsus<\/em>: movimento batismal (da morte para a vida) e f\u00f3rmula batismal (\u00abem Cristo Jesus\u00bb). Nisto se manifestou \u00abo gran\u00adde amor com que Deus nos\u00a0<em>amou<\/em>\u00bb (<em>\u00eag\u00e1p\u00easen<\/em>: de novo o inaudi\u00adto aoristo hist\u00f3rico!) (Ef\u00e9sios 2,4). Mas h\u00e1 muito mais \u00abcoisas\u00bb inauditas de que Paulo tem de se socorrer, inovando at\u00e9 o vocabul\u00e1rio grego (!), num esfor\u00e7o supremo para tentar tra\u00adduzir este indiz\u00edvel \u00abgrande amor\u00bb de Deus por n\u00f3s: com Cristo nos\u00a0<em>com-vivificou<\/em>\u00a0(Ef\u00e9sios 2,5), nos\u00a0<em>com\u2011ressuscitou<\/em>\u00a0e nos\u00a0<em>com\u00ad\u2011sentou<\/em>\u00a0nos C\u00e9us (Ef\u00e9sios 2,6). Tudo aoristos hist\u00f3ricos!!! Com\u00adpreenda\u2011se, portanto, o incompreens\u00edvel: tudo isto\u00a0<em>j\u00e1<\/em>\u00a0nos aconteceu! Somos, de facto, obra de Deus! (Ef\u00e9sios 2,10). Demos Gra\u00e7as a Deus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande e sentida s\u00faplica que atravessa o Salmo 137 atravessa tamb\u00e9m as nossas m\u00e3os, l\u00edngua, c\u00e9u da boca, voz, mente, alegria, l\u00e1grimas. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel cantar na Babil\u00f3nia. Os C\u00e2nticos de Si\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o folclore, mas ora\u00e7\u00e3o a ferver sa\u00edda das entranhas! N\u00e3o se d\u00e3o naquele \u00abl\u00e1\u00bb (<em>sham<\/em>) estrangeiro e in\u00f3spito da Babil\u00f3nia. A p\u00e1tria da m\u00fasica e da alegria \u00e9 o \u00abl\u00e1\u00bb (<em>sham<\/em>) de Jerusal\u00e9m, cidade-m\u00e3e, que faz de Deus-Pai, Casa materna e paterna, onde reina a liberdade e a fraternidade, e n\u00e3o a escravid\u00e3o e a tirania. No decurso da segunda guerra mundial, o poeta italiano Salvatore Quasimodo glosou assim este imenso Salmo: \u00abE como pod\u00edamos n\u00f3s cantar\/ com o p\u00e9 estrangeiro sobre o cora\u00e7\u00e3o,\/ entre os mortos abandonados nas pra\u00e7as,\/ sobre a erva dura do gelo,\/ com o lamento de cordeiro das crian\u00e7as,\/ com o urlo negro da m\u00e3e\/ que ia ao encontro do filho\/ crucificado sobre o poste do tel\u00e9grafo?\/ Nos ramos dos salgueiros, por voto,\/ tamb\u00e9m as nossa harpas estavam dependuradas:\/ oscilavam leves sob o vento triste\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00f3s, que atravessamos a Quaresma, sabemos bem que todo o gelo glaciar \u00e9 derretido pelo sopro do amor que at\u00e9 n\u00f3s vem daquele que est\u00e1 naquela Cruz erguido!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irei, Senhor,<\/strong><br \/>\n<strong>Em prociss\u00e3o de amor,<\/strong><br \/>\n<strong>Beijar a tua Cruz.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quando eu olhar para ti,<\/strong><br \/>\n<strong>Para o teu rosto ferido e desfigurado,<\/strong><br \/>\n<strong>Para as tuas muitas chagas a sangrar,<\/strong><br \/>\n<strong>D\u00e1-me a gra\u00e7a de a\u00ed ver bem o meu pecado.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quando Tu, Senhor, olhares para mim,<\/strong><br \/>\n<strong>Com esse meigo olhar de serena compaix\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>D\u00e1-me a gra\u00e7a de a\u00ed ver o teu perd\u00e3o nunca poupado,<\/strong><br \/>\n<strong>E de sair com o cora\u00e7\u00e3o transfigurado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Leitura-I-do-Domingo-IV-da-Quaresma-Ano-B-10.03.2024-2-Cr-36-14-16.19-23.pdf\">Leitura I do Domingo IV da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 10.03.2024 (2 Cr 36, 14-16.19-23)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Resto-Leitura-I-e-Leitura-II-do-Domingo-IV-da-Quaresma-Ano-B-10.03.2024-Ef-2-4-10.pdf\">Resto Leitura I e Leitura II do Domingo IV da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 10.03.2024 (Ef 2, 4-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Domingo-IV-da-Quaresma-Ano-B-10.03.2024-Lecionario.pdf\">Domingo IV da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 10.03.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Domingo-IV-da-Quaresma-Ano-B-10.03.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo IV da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 10.03.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Mensagem-do-Papa-Francisco-para-a-Quaresma-de-2024-1.pdf\">Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Mensagem-da-Quaresma-2024-Bispos-do-Porto.pdf\">Mensagem Bispos do Porto para Quaresma 2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo III da Quaresma \u2013 Ano B \u2013 03.03.2024&#8243; tab_id=&#8221;1710158822460-01f56d43-cafa&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo III da Quaresma &#8211; Ano B \u2013 03.03.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Domingo-III.jpg\" alt=\"\" width=\"725\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem \u00e9 este Jesus de que nos fala o Evangelho? Onde est\u00e1 o Jesus manso e humilde, doce e compassivo a que nos habituamos? Tendo subido a Jerusal\u00e9m, na proximidade da P\u00e1scoa judaica, Jesus entrou no templo e indignou-se com tudo aquilo que viu: \u00ab<em>os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados \u00e0s bancas<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acredito que algumas pessoas, se tivessem oportunidade, retirariam esta passagem dos Evangelhos. Nela encontramos um Jesus frontal, bem diferente do Jesus que proclamou sobre o monte \u00ab<em>Bem-aventurados\u00a0os mansos, porque possuir\u00e3o a terra<\/em>\u00bb ou se dirigia aos mais pequenos, dizendo \u00ab<em>Deixai vir a mim as crian\u00e7as e n\u00e3o as impe\u00e7ais de vir ter comigo, pois delas \u00e9 o Reino do C\u00e9u<\/em>\u00bb. Porventura, outros aproveitam esta passagem para justificar os seus atos mais violentos. Contudo, qualquer uma das atitudes ser\u00e1 sempre abusiva e desproporcionada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mercado de ovelhas e bois, bem como os cambistas facilitava a vida daqueles que vinham ao tempo apresentar as suas ofertas. N\u00e3o era pr\u00e1tico, sobretudo para os que vinham de mais longe, trazer as ovelhas, as pombas, os cordeiros ou os bois que desejavam oferecer a Deus. Um outro problema era a quest\u00e3o da moeda: as pessoas traziam consigo as suas moedas locais e no templo a moeda que se usava era o siglo. Deste modo, a presen\u00e7a dos cambistas facilitava a vida daqueles que desejavam deixar a sua oferta no templo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, importa pensar que quer na nossa vida pessoal, quer na vida comunit\u00e1ria devemos ter cuidado com a absolutiza\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio do mais pr\u00e1tico. Se absolutizamos o pragmatismo, pode haver muitas coisas importantes que se perdem e outras que se pervertem. A vida crist\u00e3 implica abra\u00e7ar o caminho exigente da rela\u00e7\u00e3o \u00edntima e pessoal com o Deus revelado em Jesus Cristo. Evidentemente que n\u00e3o estou a afirmar a necessidade de optar sempre pelo caminho mais dif\u00edcil ou por aquilo que \u00e9 mais exigente por capricho ou masoquismo, pois, em diversas circunst\u00e2ncias da nossa hist\u00f3ria, a vida \u00e9 j\u00e1 suficientemente dif\u00edcil e exigente pelas dificuldades e sofrimentos do caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus \u00e9 frontal, mas n\u00e3o \u00e9 violento. Jesus toma um chicote de cordas, mas n\u00e3o bate em ningu\u00e9m nem em nenhum animal. Deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou as mesas, mas n\u00e3o feriu ningu\u00e9m. Jesus assumiu, neste acontecimento, um gesto prof\u00e9tico na linha do profetismo de Israel. Um gesto prof\u00e9tico \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica que transmite uma mensagem clara que atinge o cora\u00e7\u00e3o de cada homem e cada mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta frontalidade de Jesus, num gesto prof\u00e9tico t\u00e3o radical e ousado, convida-nos a viver tamb\u00e9m esta frontalidade na nossa vida: frontais connosco mesmos na luta contra o pecado; frontais com situa\u00e7\u00f5es \u00e0 nossa volta que est\u00e3o erradas e n\u00e3o devemos pactuar; frontais com aqueles que se cruzam connosco, abra\u00e7ando com ternura a dureza das rela\u00e7\u00f5es humanas. Seguir Jesus, implica seguir a radicalidade e a verdade que o Evangelho reclama das nossas vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>N\u00e3o fa\u00e7ais da casa de meu Pai casa de com\u00e9rcio!<\/em>\u00bb. Como \u00e9 urgente e necess\u00e1rio fazer ecoar estas palavras de Jesus. Quantas vezes a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus e os irm\u00e3os se faz na l\u00f3gica comercial dos ganhos a obter e dos bens a alcan\u00e7ar. A rela\u00e7\u00e3o com Deus e os outros ser\u00e1 tanto mais verdadeira quanto mais se contruir na l\u00f3gica da gratuidade que rasga novos horizontes de esperan\u00e7a e transforma o cora\u00e7\u00e3o de cada homem e de cada mulher num lugar de bondade, ternura e miseric\u00f3rdia. <strong><em>in Voz Portucalense <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dia 8 de mar\u00e7o \u00e9 dedicado pela sociedade civil \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o do Dia Internacional da Mulher. Enquanto comunidade eclesial que habita o tempo e a hist\u00f3ria e procura iluminar os diversos \u00e2mbitos da vida humana, a Igreja n\u00e3o deve ficar \u00e0 margem da comemora\u00e7\u00e3o deste dia. Cada comunidade pode pensar um modo criativo de assinalar este dia. A mulher assume um papel fundamental na sociedade e na vida da Igreja e este dia pode ser a ocasi\u00e3o para o reconhecer e valorizar. Contudo, como recorda o Papa Francisco na sua exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal\u00a0<em>Querida Amaz\u00f3nia<\/em>, \u00e9 necess\u00e1rio pensar o lugar da mulher na Igreja sem o reduzir ao funcionalismo, mas no horizonte da corresponsabilidade eclesial onde cada um tem lugar na edifica\u00e7\u00e3o da comunidade e na a\u00e7\u00e3o evangelizadora da Igreja.<strong><em> in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>\u00caxodo 20,1-17<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias, Deus pronunciou todas estas palavras:<br \/>\n\u00abEu sou o senhor teu Deus,<br \/>\nque te tirei da terra do Egipto, dessa casa da escravid\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o ter\u00e1s outros deuses perante Mim.<br \/>\nN\u00e3o far\u00e1s para ti qualquer imagem esculpida,<br \/>\nnem figura do que j\u00e1 existe l\u00e1 no alto dos c\u00e9us<br \/>\nou c\u00e1 em baixo na terra ou nas \u00e1guas debaixo da terra.<br \/>\nN\u00e3o adorar\u00e1s outros deuses nem lhes prestar\u00e1s culto.<br \/>\nEu, o senhor teu Deus, sou um Deus cioso:<br \/>\ncastigo a ofensa dos pais nos filhos<br \/>\nat\u00e9 \u00e0 terceira e quarta gera\u00e7\u00e3o daqueles que Me ofendem;<br \/>\nmas uso de miseric\u00f3rdia at\u00e9 \u00e0 mil\u00e9sima gera\u00e7\u00e3o<br \/>\npara com aqueles que Me amam<br \/>\ne guardam os meus mandamentos.<br \/>\nN\u00e3o invocar\u00e1s em v\u00e3o o nome do Senhor teu Deus,<br \/>\nporque o Senhor n\u00e3o deixa sem castigo<br \/>\naquele que invoca o seu nome em v\u00e3o.<br \/>\nLembrar-te-\u00e1s do dia de s\u00e1bado, para o santificares.<br \/>\nDurante seis dias trabalhar\u00e1s<br \/>\ne levar\u00e1s a cabo todas as tuas tarefas.<br \/>\nMas o s\u00e9timo dia \u00e9 o s\u00e1bado do Senhor teu Deus.<br \/>\nN\u00e3o far\u00e1s nenhum trabalho,<br \/>\nnem tu, nem o teu filho, nem a tua filha,<br \/>\nnem o teu servo nem a tua serva,<br \/>\nnem os teus animais dom\u00e9sticos,<br \/>\nnem o estrangeiro que vive na tua cidade.<br \/>\nPorque em seis dias<br \/>\no Senhor fez o c\u00e9u, a terra, o mar e tudo o que eles cont\u00eam;<br \/>\nmas no s\u00e9timo dia descansou.<br \/>\nPor isso, o Senhor aben\u00e7oou e consagrou o dia de s\u00e1bado.<br \/>\nHonra pai e m\u00e3e,<br \/>\na fim de prolongares os teus dias<br \/>\nna terra que o Senhor teu Deus te vai dar.<br \/>\nN\u00e3o matar\u00e1s.<br \/>\nN\u00e3o cometer\u00e1s adult\u00e9rio.<br \/>\nN\u00e3o furtar\u00e1s.<br \/>\nN\u00e3o levantar\u00e1s falso testemunho contra o teu pr\u00f3ximo.<br \/>\nN\u00e3o cobi\u00e7ar\u00e1s a casa do teu pr\u00f3ximo;<br \/>\nn\u00e3o desejar\u00e1s a mulher do teu pr\u00f3ximo,<br \/>\nnem o seu servo nem a sua serva, o seu boi ou o seu jumento,<br \/>\nnem coisa alguma que lhe perten\u00e7a\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto como primeira leitura faz parte de um conjunto de tradi\u00e7\u00f5es sobre uma Alian\u00e7a entre Deus e os hebreus libertados da escravid\u00e3o do Egito (cf. Ex 19-40). De acordo com o livro do \u00caxodo, essa Alian\u00e7a teria sido celebrada num monte, algures no deserto do Sinai, o mesmo monte onde Jav\u00e9 se tinha revelado a Mois\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto b\u00edblico n\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas suficientes para conseguirmos identificar o \u201cmonte da Alian\u00e7a\u201d. Em si, o nome \u201cSinai\u201d designa uma enorme pen\u00ednsula de forma triangular, com mais ou menos 420 quil\u00f3metros de extens\u00e3o norte\/sul, estendendo-se entre o Mediterr\u00e2neo e o Mar Vermelho. A norte, junto do Mediterr\u00e2neo, o Sinai apresenta uma faixa arenosa de cerca de 25 quil\u00f3metros de largura; mas \u00e0 medida que se desce para sul, o territ\u00f3rio torna-se mais acidentado, com montanhas que chegam a atingir 2400 metros de altura. A pen\u00ednsula inteira \u00e9 um deserto \u00e1rido; n\u00e3o h\u00e1, praticamente, vegeta\u00e7\u00e3o (exceto em alguns pequenos o\u00e1sis) e as comunica\u00e7\u00f5es s\u00e3o dif\u00edceis. Nesta enorme extens\u00e3o de areia e rochas, \u00e9 dif\u00edcil situar o \u201cmonte da Alian\u00e7a\u201d. Contudo, uma tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 tardia (s\u00e9c. IV) identifica o \u201cmonte\u201d com o Jebel Musa (o \u201cmonte de Mois\u00e9s\u201d), um monte com 2244 metros de altitude, situado a sul da pen\u00ednsula sina\u00edtica. Embora a identifica\u00e7\u00e3o do \u201cmonte da Alian\u00e7a\u201d com este lugar levante problemas, o Jebel Musa \u00e9, ainda hoje, um lugar de peregrina\u00e7\u00e3o para judeus e crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Alian\u00e7a entre Jav\u00e9 e Israel, celebrada no Sinai, vai ser apresentada pelos catequistas de Israel atrav\u00e9s de uma estrutura liter\u00e1ria que \u00e9 muito semelhante aos formul\u00e1rios jur\u00eddicos conhecidos no mundo antigo para apresentar os acordos pol\u00edticos entre duas partes, nomeadamente entre um \u201csenhor\u201d e o seu \u201cvassalo\u201d. Nesses formul\u00e1rios, depois de recordar ao \u201cvassalo\u201d a sua a\u00e7\u00e3o, a sua generosidade, os seus benef\u00edcios, o \u201csenhor\u201d apresentava as \u201ccl\u00e1usulas da Alian\u00e7a\u201d \u2013 isto \u00e9, a lista das obriga\u00e7\u00f5es que o \u201cvassalo\u201d assumia para com o seu \u201csenhor\u201d (obriga\u00e7\u00f5es que o \u201cvassalo\u201d devia cumprir fielmente).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De entre as \u201ccl\u00e1usulas da Alian\u00e7a\u201d do Sinai, sobressai um bloco especial, onde s\u00e3o apresentadas as dez obriga\u00e7\u00f5es fundamentais que Israel vai assumir diante do seu Deus: os \u201cdez mandamentos\u201d ou as \u201cdez palavras\u201d. \u00c9 esse texto que a primeira leitura deste domingo nos apresenta. A\u00ed est\u00e1, verdadeiramente, o cora\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a; a\u00ed se define o caminho que Israel deve percorrer para ser o Povo de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lista dos \u201cdez mandamentos\u201d \u00e9 uma lista irregular, com mandamentos enunciados com brevidade e secura, sem nenhuma justifica\u00e7\u00e3o (\u201cn\u00e3o matar\u00e1s\u201d; n\u00e3o roubar\u00e1s\u201d) e outros mais desenvolvidos, contendo um coment\u00e1rio explicativo (cf. Ex 20,4.17), uma motiva\u00e7\u00e3o (cf. Ex 20,7) ou uma promessa (cf. Ex 20,12). Por vezes Deus fala em primeira pessoa (cf. Ex 20,2.5-6); noutras, fala-se de Deus em terceira pessoa (cf. Ex 20,7.11.12). Dois mandamentos s\u00e3o formulados positivamente (cf. Ex 20,8: \u201clembra-te\u201d; Ex 20,12: \u201chonra\u201d); todos os outros s\u00e3o formulados negativamente (\u201cn\u00e3o matar\u00e1s\u201d; \u201cn\u00e3o roubar\u00e1s\u201d). Estas irregularidades significam que o \u201cdec\u00e1logo\u201d sofreu, atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, por motivos pastorais e catequ\u00e9ticos, retoques, acrescentos, coment\u00e1rios, modifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 bastante prov\u00e1vel que Mois\u00e9s tenha uma certa rela\u00e7\u00e3o com estas leis que est\u00e3o no centro da Alian\u00e7a entre Deus e o seu Povo; mas o texto, na sua forma atual, n\u00e3o vem de Mois\u00e9s. \u00c9, certamente, um texto muito trabalhado, que sofreu muitas elabora\u00e7\u00f5es ao longo dos s\u00e9culos. Ainda que esta lista de preceitos possa lembrar algumas listas de proibi\u00e7\u00f5es encontradas na Babil\u00f3nia e no Egipto, ocupa um lugar \u00e0 parte no conjunto dos formul\u00e1rios legais dos povos do Crescente F\u00e9rtil: \u00e9 um n\u00facleo legal s\u00f3brio e equilibrado, despojado de tudo aquilo que nos outros povos \u00e9 magia, supersti\u00e7\u00e3o ou \u201ctabu\u201d.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os mandamentos do Dec\u00e1logo que se referem \u00e0 rela\u00e7\u00e3o do homem com Deus sublinham a centralidade que Deus deve assumir no cora\u00e7\u00e3o e na vida dos seus filhos. No entanto, nem sempre Deus tem lugar determinante na vida dos homens e mulheres do nosso tempo\u2026 Para muitos dos nossos contempor\u00e2neos, Deus \u00e9 uma realidade que os deixa indiferentes. N\u00e3o aquece nem arrefece; n\u00e3o conta para nada. O que os move \u00e9 o dinheiro, o poder, os afetos humanos, a realiza\u00e7\u00e3o profissional, o reconhecimento social, os projetos pessoais, as ideologias, os valores da moda, as coisas materiais que tornam a vida mais c\u00f3moda e mais f\u00e1cil. Esta op\u00e7\u00e3o, no entanto, mais cedo ou mais tarde, vai trazer vazio, insatisfa\u00e7\u00e3o, frustra\u00e7\u00e3o e desencanto. N\u00e3o podemos sufocar indefinidamente essa sede de infinito que est\u00e1 viva no mais profundo do nosso ser. Por outro lado, quando optamos por prescindir de Deus e escolher caminhos de autossufici\u00eancia, acabamos facilmente por privilegiar solu\u00e7\u00f5es ego\u00edstas, que geram sofrimento e infelicidade para n\u00f3s e para aqueles que caminham ao nosso lado\u2026 Neste tempo de Quaresma, interroguemo-nos: que lugar ocupa Deus na nossa vida? H\u00e1 na nossa vida \u201cdeuses\u201d que ocuparam o lugar de Deus e que condicionam as nossas tomadas de posi\u00e7\u00e3o e as nossas op\u00e7\u00f5es?<\/li>\n<li>Os mandamentos do Dec\u00e1logo que se referem \u00e0 forma de tratarmos os nossos irm\u00e3os convidam-nos a banir das nossas rela\u00e7\u00f5es qualquer tipo de viol\u00eancia, de ego\u00edsmo, de agressividade, de cobi\u00e7a, de intoler\u00e2ncia, de escravid\u00e3o, de indiferen\u00e7a. Dizem-nos que tudo aquilo que atenta contra a vida, a dignidade e os direitos daqueles que caminham ao nosso lado subverte o projeto de Deus para o mundo e para os homens. Contudo, todos os dias vemos multiplicarem-se no nosso mundo as situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a, de viol\u00eancia e de maldade que mergulham milh\u00f5es de homens e mulheres numa noite sem sa\u00edda e sem esperan\u00e7a. O que podemos fazer para que os valores de Deus prevale\u00e7am sobre a maldade dos homens? O que \u00e9 que, nos nossos gestos, nas nossas atitudes, nos nossos valores, \u00e9 gerador de injusti\u00e7a, de sofrimento, de explora\u00e7\u00e3o, de escravid\u00e3o, de morte, para n\u00f3s e para todos aqueles que nos rodeiam?<\/li>\n<li>H\u00e1 quem considere os \u201cmandamentos\u201d propostas de uma moral obsoleta e antiquada, f\u00f3rmulas inventadas pela religi\u00e3o e destinadas a impor aos crentes comportamentos religiosamente corretos, ou at\u00e9 mesmo diretrizes para limitar a nossa liberdade e autonomia\u2026 No entanto, para aqueles que t\u00eam Deus como refer\u00eancia, os \u201cmandamentos\u201d s\u00e3o indica\u00e7\u00f5es de Deus para sermos mais felizes e para construirmos um mundo mais humano, mais fraterno, mais solid\u00e1rio. N\u00e3o s\u00e3o uma pris\u00e3o, mas uma porta para a verdadeira liberdade. Como \u00e9 que eu vejo e acolho essas indica\u00e7\u00f5es de Deus? Levo-as a s\u00e9rio e aceito que elas definam as fronteiras do meu caminho? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 18 (19)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Senhor, V\u00f3s tendes palavras de vida eterna.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A lei do Senhor \u00e9 perfeita,<br \/>\nela reconforta a alma;<br \/>\nas ordens do Senhor s\u00e3o firmes,<br \/>\nd\u00e3o sabedoria aos simples.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os preceitos do Senhor s\u00e3o retos<br \/>\ne alegram o cora\u00e7\u00e3o<br \/>\nos mandamentos do Senhor s\u00e3o claros<br \/>\ne iluminam os olhos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O temor do senhor \u00e9 puro<br \/>\ne permanece para sempre;<br \/>\nos ju\u00edzos do Senhor s\u00e3o verdadeiros,<br \/>\ntodos eles s\u00e3o retos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e3o mais preciosos que o ouro,<br \/>\no ouro mais fino;<br \/>\ns\u00e3o mais doces que o mel,<br \/>\no puro mel dos favos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 1 Cor\u00edntios 1,22-25<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nOs judeus pedem milagres<br \/>\ne os gregos procuram a sabedoria.<br \/>\nQuanto a n\u00f3s, pregamos Cristo crucificado,<br \/>\nesc\u00e2ndalo para os judeus e loucura para os gentios;<br \/>\nmas para aqueles que s\u00e3o chamados,<br \/>\ntanto judeus como gregos,<br \/>\nCristo \u00e9 poder e sabedoria de Deus.<br \/>\nPois o que \u00e9 loucura de Deus<br \/>\n\u00e9 mais s\u00e1bio do que os homens<br \/>\ne o que \u00e9 fraqueza de Deus<br \/>\n\u00e9 mais forte do que os homens.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria, Paulo chegou a Corinto, depois de atravessar boa parte da Gr\u00e9cia, e ficou por l\u00e1 cerca de 18 meses (anos 50-52). Como resultado da prega\u00e7\u00e3o de Paulo, nasceu a comunidade crist\u00e3 de Corinto. De uma forma geral, a comunidade era viva, fervorosa e empenhada; no entanto, n\u00e3o era imune aos valores da cultura ambiente, que nem sempre coincidiam com os valores de evangelho de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Corinto, cidade cosmopolita e com pretens\u00f5es culturais, estavam representadas todas as escolas filos\u00f3ficas da Gr\u00e9cia antiga. Cada uma delas contava com os seus mestres e os seus fi\u00e9is adeptos. As rivalidades entre mestres e escolas traduziam-se, frequentemente, em conflitos e divis\u00f5es que, extravasando para as ruas da cidade, punham em causa a coes\u00e3o e a paz social. Ora, os crist\u00e3os de Corinto transplantaram para a vida da comunidade crist\u00e3 esses modelos. Viam determinadas figuras proeminentes do cristianismo como mestres de uma doutrina e aderiam a essas figuras, esperando encontrar nelas uma proposta filos\u00f3fica cred\u00edvel, que os conduzisse \u00e0 plenitude da sabedoria e da realiza\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 de crer que os adeptos desses v\u00e1rios mestres se confrontassem na comunidade, procurando demonstrar a excel\u00eancia e a superior sabedoria da sua figura de refer\u00eancia. Paulo soube isto no decurso da sua terceira viagem mission\u00e1ria, quando estava em \u00c9feso (por volta do ano 56). Tomou ent\u00e3o a decis\u00e3o de escrever aos cor\u00edntios avisando-os de que isto era bastante grave, pois punha em causa a unidade da f\u00e9. A reflex\u00e3o de Paulo sobre esta quest\u00e3o aparece em 1 Co 1,10-4,21.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sua reflex\u00e3o, Paulo vai demonstrar aos cor\u00edntios que entre os crist\u00e3os n\u00e3o h\u00e1 sen\u00e3o um mestre, que \u00e9 Jesus Cristo; e a experi\u00eancia crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 a busca de uma filosofia coerente, brilhante, elegante, que conduza \u00e0 sabedoria, entendida \u00e0 maneira dos gregos. Quem procura na mensagem crist\u00e3 um sistema l\u00f3gico, coerente, inquestion\u00e1vel \u00e0 luz da l\u00f3gica humana, \u00e9 porque n\u00e3o percebeu nada do Evangelho e do dinamismo da salva\u00e7\u00e3o. O texto da segunda leitura deste terceiro domingo da Quaresma deve ser enquadrado neste cen\u00e1rio. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Andamos h\u00e1 dois mil anos a olhar para a cruz e a meditar naquilo a que Paulo chamou \u201ca loucura de Deus\u201d. No entanto, ainda n\u00e3o interiorizamos plenamente a l\u00f3gica de Deus. Ainda achamos que a nossa plena realiza\u00e7\u00e3o passa pela acumula\u00e7\u00e3o de bens materiais, pelos triunfos humanos, pelas conquistas da ci\u00eancia ou da t\u00e9cnica, pela for\u00e7a das ideologias, pelas palavras sedutoras dos nossos l\u00edderes, pelos aplausos daqueles que viajam connosco\u2026. Usamos a cruz como enfeite ou como distintivo de um grupo religioso, mas esquecemo-nos do crucificado e de tudo aquilo que Ele nos disse ao entregar a vida at\u00e9 \u00e0 morte, por amor. Talvez esta Quaresma seja uma oportunidade para nos aproximarmos de Jesus, para irmos com Ele, para aprendermos com Ele que s\u00f3 o amor salva; talvez este caminho de Quaresma que estamos a percorrer nos ajude a libertar do orgulho, da vaidade, da autossufici\u00eancia, dos valores est\u00e9reis, para acolhermos a sabedoria de Deus e para fazermos da nossa vida um dom de amor a Deus e aos nossos irm\u00e3os, particularmente aos mais fr\u00e1geis e esquecidos\u2026 Estamos conscientes que \u00e9 na sabedoria de Deus, expressa no amor e na entrega do Crucificado, que est\u00e1 a nossa realiza\u00e7\u00e3o plena, a nossa salva\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>Segundo Paulo, a for\u00e7a e a sabedoria de Deus manifestam-se na fragilidade, na pequenez, na pobreza, na humildade, na vida entregue por amor\u2026 Sendo assim, n\u00e3o nos parecem rid\u00edculas, descabidas e pretensiosas as nossas poses de import\u00e2ncia, de autoridade, de protagonismo, de \u00eaxito humano, que tantas vezes magoam e humilham os irm\u00e3os e irm\u00e3s com quem nos cruzamos?<\/li>\n<li>Paulo, enquanto testemunha de Jesus, recusa-se a \u201cdourar a p\u00edlula\u201d e a suavizar as exig\u00eancias do Evangelho. Ele prega \u201cCristo crucificado, esc\u00e2ndalo para os judeus e loucura para os gentios\u201d. N\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, que temos a responsabilidade de anunciar o Evangelho, fazemo-lo com verdade e radicalidade, renunciando \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de suavizar a Palavra, de a tornar menos radical e interpelativa? \u00c0s vezes o inv\u00f3lucro \u201cbrilhante\u201d com que envolvemos a Palavra pode torn\u00e1-la mais atrativa, mas tamb\u00e9m menos questionante e, portanto, menos transformadora. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 2, 13-25<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estava pr\u00f3xima a P\u00e1scoa dos judeus<br \/>\ne Jesus subiu a Jerusal\u00e9m.<br \/>\nEncontrou no templo<br \/>\nos vendedores de bois, de ovelhas e de pombas<br \/>\ne os cambistas sentados \u00e0s bancas.<br \/>\nFez ent\u00e3o um chicote de cordas<br \/>\ne expulsou-os a todos do templo, com as ovelhas e os bois;<br \/>\ndeitou por terra o dinheiro dos cambistas<br \/>\ne derrubou-lhes as mesas;<br \/>\ne disse aos que vendiam pombas:<br \/>\n\u00abTirai tudo isto daqui;<br \/>\nn\u00e3o fa\u00e7ais da casa de meu Pai casa de com\u00e9rcio\u00bb.<br \/>\nOs disc\u00edpulos recordaram-se do que estava escrito:<br \/>\n\u00abDevora-me o zelo pela tua casa\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o os judeus tomaram a palavra e perguntaram-Lhe:<br \/>\n\u00abQue sinal nos d\u00e1s de que podes proceder deste modo?\u00bb<br \/>\nJesus respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abDestru\u00ed este templo e em tr\u00eas dias o levantarei\u00bb.<br \/>\nDisseram os judeus:<br \/>\n\u00abForam precisos quarenta e seis anos para se construir este templo<br \/>\ne Tu vais levant\u00e1-lo em tr\u00eas dias?\u00bb<br \/>\nJesus, por\u00e9m, falava do templo do seu corpo.<br \/>\nPor isso, quando Ele ressuscitou dos mortos,<br \/>\nos disc\u00edpulos lembraram-se do que tinha dito<br \/>\ne acreditaram na Escritura e nas palavras que Jesus dissera.<br \/>\nEnquanto Jesus permaneceu em Jerusal\u00e9m pela festa da P\u00e1scoa,<br \/>\nmuitos, ao verem os milagres que fazia,<br \/>\nacreditaram no seu nome.<br \/>\nMas Jesus n\u00e3o se fiava deles, porque os conhecia a todos<br \/>\ne n\u00e3o precisava de que Lhe dessem informa\u00e7\u00f5es sobre ningu\u00e9m:<br \/>\nEle bem sabia o que h\u00e1 no homem.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O evangelho deste terceiro domingo da Quaresma integra a sec\u00e7\u00e3o introdut\u00f3ria do Evangelho de Jo\u00e3o (cf. Jo 1,19-3,36). \u00c9 nessa sec\u00e7\u00e3o que Jo\u00e3o nos apresenta Jesus e as grandes linhas program\u00e1ticas do seu minist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio decorre no Templo de Jerusal\u00e9m. Trata-se do majestoso Templo constru\u00eddo pelo rei Herodes para \u201ccomprar\u201d a benevol\u00eancia dos judeus. A constru\u00e7\u00e3o do Templo herodiano iniciou-se em 19 a.C. e ficou essencialmente pronta no ano 9 d.C. (embora os trabalhos s\u00f3 tivessem sido conclu\u00eddos em 63 d.C.). No ano 27 d.C., efetivamente, o Templo estava a ser constru\u00eddo h\u00e1 46 anos e ainda n\u00e3o estava terminado, conforme a observa\u00e7\u00e3o que os dirigentes judeus fizeram a Jesus (cf. Jo 2,20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o situa o epis\u00f3dio nos dias que antecedem a festa da P\u00e1scoa. Era a \u00e9poca em que as grandes multid\u00f5es se concentravam em Jerusal\u00e9m para celebrar a festa principal do calend\u00e1rio religioso judaico. Jerusal\u00e9m, que normalmente teria \u00e0 volta de 55.000 habitantes, chegava a albergar cerca de 125.000 peregrinos nesta altura. No Templo sacrificavam-se cerca de 18.000 cordeiros, destinados \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o pascal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ambiente, o com\u00e9rcio relacionado com o Templo sofria um enorme incremento. Tr\u00eas semanas antes da P\u00e1scoa, come\u00e7ava a emiss\u00e3o de licen\u00e7as para a instala\u00e7\u00e3o dos postos comerciais \u00e0 volta do Templo. O dinheiro arrecadado com a emiss\u00e3o dessas licen\u00e7as revertia para o sumo-sacerdote. Havia tendas de venda que pertenciam, diretamente, \u00e0 fam\u00edlia do sumo-sacerdote. Vendiam-se os animais para os sacrif\u00edcios e v\u00e1rios outros produtos destinados \u00e0 liturgia do Templo. Havia tamb\u00e9m as tendas dos cambistas que trocavam as moedas romanas correntes por moedas judaicas (os tributos dos fi\u00e9is para o Templo eram pagos em moeda judaica, pois n\u00e3o era permitido que moedas com a ef\u00edgie de imperadores pag\u00e3os conspurcassem o tesouro do Templo). Este com\u00e9rcio constitu\u00eda uma mais-valia para a cidade e sustentava a nobreza sacerdotal, o clero e os empregados do Templo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vai ser neste contexto que Jesus vai realizar o seu gesto prof\u00e9tico. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Como \u00e9 que podemos encontrar Deus e chegar at\u00e9 Ele? Como podemos perceber as propostas de Deus e descobrir os seus caminhos? O Evangelho deste domingo responde: \u00e9 olhando para Jesus. Nas palavras e nos gestos de Jesus, Deus revela-Se aos homens e manifesta-lhes o seu amor, faz-Se companheiro de caminhada dos homens e aponta-lhes caminhos de salva\u00e7\u00e3o. Neste tempo de Quaresma \u2013 tempo de convers\u00e3o, de renova\u00e7\u00e3o, de caminhada em dire\u00e7\u00e3o ao Homem Novo \u2013 somos convidados a olhar para Jesus, a aproximar-nos dele, a ir atr\u00e1s dele, a descobrir nas suas indica\u00e7\u00f5es, no seu an\u00fancio, no seu \u201cEvangelho\u201d essa proposta de vida nova que Deus nos quer apresentar. \u00c9 isso que acontece connosco?<\/li>\n<li>Jesus \u00e9, agora, o Novo Templo onde Deus reside e onde os homens podem encontrar Deus e a sua proposta de salva\u00e7\u00e3o. E os crist\u00e3os, membros do Corpo de Cristo, s\u00e3o pedras vivas desse Templo. Esta realidade sup\u00f5e, para os disc\u00edpulos de Jesus, uma grande responsabilidade\u2026 Os homens do nosso tempo t\u00eam de ver no rosto dos crist\u00e3os o rosto bondoso e terno de Deus; t\u00eam de experimentar, nos gestos de partilha, de solidariedade, de servi\u00e7o, de perd\u00e3o dos crist\u00e3os, a vida nova de Deus; t\u00eam de encontrar, na preocupa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os com a justi\u00e7a e com a paz, o an\u00fancio desse mundo novo que Deus quer oferecer a todos os homens. Talvez o facto de Deus parecer t\u00e3o ausente da vida, das preocupa\u00e7\u00f5es e dos valores dos homens do nosso tempo tenha a ver com a tibieza do nosso testemunho. O nosso testemunho pessoal \u00e9 um sinal de Deus para os irm\u00e3os que caminham ao nosso lado? A vida das nossas comunidades d\u00e1 testemunho da Vida de Deus? A Igreja \u2013 comunidade dos disc\u00edpulos de Jesus \u2013 \u00e9 essa \u201ccasa de Deus\u201d de portas sempre abertas onde qualquer pessoa, sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, de estatuto social, de estado civil, de op\u00e7\u00e3o sexual, pode encontrar a proposta de liberta\u00e7\u00e3o e de salva\u00e7\u00e3o que Deus oferece a todos?<\/li>\n<li>Qual \u00e9 o verdadeiro culto que Deus espera? Evidentemente, n\u00e3o s\u00e3o os ritos solenes e pomposos, mas vazios, est\u00e9reis e balofos. O culto que Deus aprecia \u00e9 uma vida vivida na escuta das suas propostas e traduzida em gestos concretos de doa\u00e7\u00e3o, de entrega, de servi\u00e7o simples e humilde aos irm\u00e3os. Quando somos capazes de sair do nosso comodismo e da nossa autossufici\u00eancia para ir ao encontro do pobre, do marginalizado, do estrangeiro, do doente, estamos a dar a resposta \u201clit\u00fargica\u201d adequada ao amor e \u00e0 generosidade de Deus para connosco.<\/li>\n<li>Ao gesto prof\u00e9tico de Jesus, os l\u00edderes judaicos respondem com incompreens\u00e3o e arrog\u00e2ncia. Consideram-se os donos da verdade e os \u00fanicos int\u00e9rpretes aut\u00eanticos da vontade divina. Instalados nas suas certezas e preconceitos, nem sequer admitem que a den\u00fancia que Jesus faz esteja correta. A sua autossufici\u00eancia impede-os de ver para al\u00e9m dos seus projetos pessoais e de descobrir os projetos de Deus. Trata-se de uma atitude que, mais uma vez, nos questiona\u2026 Estamos conscientes de que, quando nos barricamos atr\u00e1s de certezas absolutas e de atitudes intransigentes, podemos estar a fechar o nosso cora\u00e7\u00e3o aos desafios e \u00e0 novidade de Deus?<\/li>\n<li>Como aqueles vendedores e cambistas que transformaram o Templo de Deus numa casa de com\u00e9rcio, tamb\u00e9m n\u00f3s podemos, quase sem nos darmos conta, estar a converter toda a nossa vida num neg\u00f3cio, onde tudo \u00e9 pesado em favor do nosso interesse e do nosso ganho. At\u00e9 a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus pode tornar-se uma troca comercial, em que cumprimos os ritos para termos Deus a nosso favor, \u201cpagamos missas\u201d ou \u201cpromessas\u201d para obter algum benef\u00edcio, evitamos o pecado para que Deus n\u00e3o tenha raz\u00f5es para nos condenar\u2026 O gesto prof\u00e9tico de Jesus no Templo de Jerusal\u00e9m denuncia o sem sentido de uma vida vivida em registo de gan\u00e2ncia e de lucro ego\u00edsta; lembra-nos que Deus \u00e9 amor, amor que n\u00e3o se compra nem vende e que \u00e9 puro dom; lembra-nos a import\u00e2ncia dos gestos gratuitos de amor, da partilha solid\u00e1ria, da fraternidade desinteressada, do dom sem recompensa; lembra-nos que devemos dar testemunho, com a nossa vida, de um Deus que ama os seus filhos \u2013 todos \u2013 com um amor sem limites e \u201ca fundo perdido\u201d. Estou consciente de tudo isto? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na<strong> primeira leitura<\/strong>, ter em aten\u00e7\u00e3o a extens\u00e3o do texto na proclama\u00e7\u00e3o da forma longa. Al\u00e9m disso, deve haver um especial cuidado nas diversas repeti\u00e7\u00f5es no in\u00edcio de cada frase, sobretudo da conjun\u00e7\u00e3o coordenativa correlativa \u00abnem\u00bb e do adv\u00e9rbio \u00abn\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong>, apesar da sua brevidade, reclama uma especial aten\u00e7\u00e3o com as frases mais longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>O NOVO SANTU\u00c1RIO QUE \u00c9\u00a0JESUS<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Domingo III da Quaresma: Ex 20,1-17; Sl 19; 1 Cor 1,22-25; Jo 2,13-25<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No programa de \u00abprepara\u00e7\u00e3o\u00bb para a Noite Pascal Batis\u00admal, in\u00edcio e meta da vida crist\u00e3, o Domingo III da Quaresma est\u00e1 marcado pelos primeiros \u00abescrut\u00ednios\u00bb para os catec\u00fame\u00adnos: primeira \u00abchamada\u00bb para a liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto do Evangelho deste Domingo III da Quaresma constitui uma importante passagem no tecido do IV Evangelho (Jo\u00e3o 2,13-25). Jesus apresenta-se como tempo novo e Templo novo, novo espa\u00e7o relacional, caminho novo aberto para o PAI, nova pagina\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o das Escrituras. Da P\u00e1scoa dos judeus (A) \u00e0 P\u00e1scoa de Jesus (A\u2019), do Templo antigo (B) ao Santu\u00e1rio novo (B\u2019), tendo no meio o caminho da mem\u00f3ria que come\u00e7am a fazer os disc\u00edpulos de Jesus (C), como podemos constatar no texto a seguir transcrito:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab2,<sup>13<\/sup>E estava pr\u00f3xima a P\u00e1scoa dos judeus, e JESUS subiu a Jerusal\u00e9m. (A)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><sup>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 14<\/sup><\/strong><strong>E ENCONTROU no TEMPLO (<em>hier\u00f3n<\/em>) os vendedores de bois e ovelhas e pombas, e os cambistas sentados. <sup>15<\/sup>E, tendo feito um chicote de cordas, expulsou todos do TEMPLO (<em>hier\u00f3n<\/em>), as ovelhas e os bois, bem como os cambistas, espalhou as moedas, derrubou as mesas, <sup>16<\/sup>e disse aos que vendiam as pombas: \u201cTirai isto daqui! N\u00e3o fa\u00e7ais da CASA DO MEU PAI (<em>o\u00edkos to\u00fb patr\u00f3s mou<\/em>) CASA de COM\u00c9RCIO (<em>o\u00edkos empor\u00edou<\/em>)\u201d. (B)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><sup>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 17<\/sup><\/strong><strong>Recordaram-se os disc\u00edpulos d\u2019ELE que est\u00e1 escrito: \u201cO zelo da tua CASA (<em>to\u00fb o\u00edkou sou<\/em>) me devorar\u00e1\u201d. (C)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><sup>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 18<\/sup><\/strong><strong>Responderam ent\u00e3o os judeus e disseram-LHE: \u201cQue sinal nos mostras de que podes fazer estas coisas?\u201d <sup>19<\/sup>Respondeu JESUS e disse-lhes: \u201cDestru\u00ed este SANTU\u00c1RIO (<em>na\u00f3s<\/em>), e em tr\u00eas dias o levantarei (<em>ege\u00edr\u00f4<\/em>)\u201d.\u00a0<sup>20<\/sup>Disseram ent\u00e3o os judeus: \u201cEm quarenta e seis anos foi edificado este SANTU\u00c1RIO (<em>na\u00f3s<\/em>), e tu em tr\u00eas dias o levantar\u00e1s (<em>ege\u00edr\u00f4<\/em>)?\u201d (B\u2019)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><sup>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 21<\/sup><\/strong><strong>Isto, por\u00e9m, dizia do SANTU\u00c1RIO do seu corpo (<em>to\u00fb nao\u00fb to\u00fb s\u00f4matos auto\u00fb<\/em>).\u00a0<sup>22<\/sup>Quando, pois, foi ressuscitado dos mortos (<em>\u00eag\u00e9rth\u00ea<\/em>), recordaram-se os disc\u00edpulos d\u2019ELE que tinha dito isto, e acreditaram na Escritura e na palavra que JESUS tinha dito\u00bb (Jo\u00e3o 2,13-22). (A\u2019)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio aparece situado e datado. O lugar \u00e9 Jerusal\u00e9m e o seu Templo. O tempo \u00e9 a Festa da P\u00e1scoa. Ora, uma FESTA \u00e9, na tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, um ENCONTRO marcado (<em>m\u00f4\u2018ed<\/em>), plural\u00a0<em>m\u00f4\u2018<sup>a<\/sup>d\u00eem<\/em>, de\u00a0<em>ya\u2018ad<\/em>\u00a0[= marcar um encontro]. Um ENCONTRO marcado com Deus e com os outros. Sendo um ENCONTRO marcado com Deus e com os outros, ent\u00e3o \u00e9 sempre um espa\u00e7o de alegria, de filialidade e de fraternidade. E se a FESTA \u00e9 de peregrina\u00e7\u00e3o, como \u00e9 a P\u00c1SCOA, aqui referida [as outras duas s\u00e3o as SEMANAS ou PENTECOSTES e as TENDAS], ent\u00e3o a alegria, a filialidade e a fraternidade s\u00e3o ainda mais intensas, dado que FESTA de peregrina\u00e7\u00e3o se diz, na l\u00edngua hebraica,\u00a0<em>hag<\/em>, plural\u00a0<em>hag\u00eem<\/em>. E o nome\u00a0<em>hag<\/em>\u00a0remete para o verbo\u00a0<em>hag<\/em>\u00a0[= dan\u00e7ar], e deriva de\u00a0<em>h\u00fbg<\/em>, que significa \u201cc\u00edrculo\u201d, e, portanto, fam\u00edlia, lareira, encontro, alegria, m\u00fasica, roda, dan\u00e7a, vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ENCONTRO, filialidade, fraternidade: marcas acentuadas por JESUS que, em vez de Templo de pedra (<em>hier\u00f3n<\/em>), diz CASA (<em>o\u00edkos<\/em>) \u2013 com particular afeto, CASA DO MEU PAI \u2013, sendo a CASA paterna o lugar do ENCONTRO e da intimidade, e n\u00e3o das coisas, da superficialidade, da banalidade, do consumismo, do mercado. Nos paralelos de Mateus, Marcos e Lucas, citando Isa\u00edas 56,7, JESUS fala do Templo usando a express\u00e3o forte \u00abA MINHA CASA\u00bb (<em>ho o\u00eek\u00f3s mou<\/em>) (Mateus 21,13; Marcos 11,17; Lucas 19,46).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste sentido que o Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos nos mostra a comunidade-m\u00e3e de Jerusal\u00e9m a frequentar assiduamente o Templo, salientando, no entanto, que a sua maneira de prestar culto a Deus acontecia nas CASAS. Do Templo para as CASAS (Atos 2,46). N\u00e3o se trata de uma simples mudan\u00e7a de lugar, mas de uma diferente conce\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o: n\u00e3o se trata de um espa\u00e7o local, mas relacional. O novo espa\u00e7o cultual \u00e9 a comunidade que vive filial e fraternalmente, verdadeira transpar\u00eancia de Jesus. A extens\u00e3o deste espa\u00e7o chama-se comunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sintom\u00e1tico \u00e9 que, postos estes pressupostos, o texto refira, n\u00e3o que JESUS ENCONTROU filhos e irm\u00e3os, mas que ENCONTROU vendedores, banqueiros e comerciantes, contra a profecia de Zacarias 14,21, que refere que \u00abN\u00e3o haver\u00e1 mais vendedor na CASA de YHWH dos ex\u00e9rcitos naquele dia\u00bb. \u00abA CASA DO MEU PAI\u00bb, \u00abA MINHA CASA\u00bb, por um lado, e o MERCADO, por outro lado, s\u00e3o lugares incompat\u00edveis. S\u00e3o maneiras diferentes de conceber e ocupar o espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto que estamos cuidadosamente a ler, o Templo \u00e9 dito com tr\u00eas voc\u00e1bulos diferentes \u2013\u00a0<em>hier\u00f3n<\/em>,\u00a0<em>o\u00edkos<\/em>\u00a0e\u00a0<em>na\u00f3s<\/em>\u00a0\u2013 com significa\u00e7\u00f5es diferentes: edif\u00edcio de pedra, casa familiar, santu\u00e1rio (ou lugar da presen\u00e7a de Deus).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando, num dos t\u00edpicos \u201cmal-entendidos\u201d do IV Evangelho, JESUS diz: \u00abDestru\u00ed este SANTU\u00c1RIO (<em>na\u00f3s<\/em>), e em tr\u00eas dias o levantarei (<em>ege\u00edr\u00f4<\/em>)\u00bb (Jo\u00e3o 2,19), os judeus n\u00e3o conseguem distinguir entre o\u00a0<em>na\u00f3s<\/em>\u00a0pessoal que JESUS levantar\u00e1 em tr\u00eas dias e o\u00a0<em>hier\u00f3n<\/em>\u00a0feito de pedra que demorou 46 anos a construir (Jo\u00e3o 2,20). Em claro contraponto, o narrador explica bem, num genitivo epexeg\u00e9tico, que JESUS \u00abdizia isto do SANTU\u00c1RIO do seu corpo\u00bb (<em>to\u00fb nao\u00fb to\u00fb s\u00f4matos auto\u00fb<\/em>) (Jo\u00e3o 2,21). Entenda-se: do SANTU\u00c1RIO que \u00e9 o seu corpo. Com esta explica\u00e7\u00e3o do narrador, fica claro que \u00e9 JESUS o \u00ablugar\u00bb da adora\u00e7\u00e3o de Deus, a verdadeira \u00abCasa de Deus\u00bb (cf. Jo\u00e3o 1,51), o SANTU\u00c1RIO de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A anota\u00e7\u00e3o do narrador, em Jo\u00e3o 2,22, faz-nos ver ainda que foi tamb\u00e9m assim que entenderam os disc\u00edpulos a partir da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Li\u00e7\u00e3o para os leitores: num tempo em que j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 Templo em Jerusal\u00e9m, os leitores crentes do IV Evangelho experimentam a PRESEN\u00c7A de JESUS Ressuscitado como o seu verdadeiro \u00abTemplo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro do \u00caxodo (20,1-17) serve-nos hoje a Palavra de Deus que alimenta a vida nova dos seus filhos. O texto abre assim: \u00abE falou Deus\u00a0<em>todas estas palavras<\/em>\u00a0dizen\u00addo\u00bb (\u00caxodo 20,1).\u00a0<em>Estas palavras<\/em>\u00a0constituem o Dec\u00e1logo, um con\u00adjunto de mandamentos que cobrem todo o \u00e2mbito da a\u00e7\u00e3o moral. \u00c9 de privilegiar o nome \u201cmandamento\u201d, em detrimento da mais vulgar \u201clei\u201d. \u00c9 f\u00e1cil perceber a raz\u00e3o: o mandamento sup\u00f5e um rosto, neste caso o rosto de Deus, um Deus com rosto, que\u00a0<em>me<\/em>\u00a0chama e ama e ordena e suplica, e\u00a0<em>me<\/em>\u00a0institui; de modo diferente, a lei sup\u00f5e um legislador sem rosto, que nada tem a ver com o Deus do Livro do \u00caxodo e da Escritura Santa. Sa\u00ed\u00addos diretamente da boca de Deus,\u00a0<em>estas palavras<\/em>\u00a0constituem o alimento de que deve nutrir\u2011se o Povo santo de Deus do Antigo Testamento (Deuteron\u00f3mio 8,3), mas tamb\u00e9m o Povo santo dos batizados (Mateus 4,4) que, \u00e0 luz da Ressurrei\u00e7\u00e3o, faz anamnese da vida his\u00adt\u00f3rica de Jesus e acredita na Palavra da Escritura [= Antigo Testamento] e do Evangelho.\u00a0<em>Palavra<\/em>\u00a0que h\u00e1 que guardar s\u00e1bia e amorosa\u00admente, pois ela \u00e9 a nossa vida (Deuteron\u00f3mio 32,47).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E S\u00e3o Paulo continua esta li\u00e7\u00e3o sobre a nova Sabedoria (1 Cor\u00edntios 1,22-25). Enquanto os judeus pedem\u00a0<em>sinais<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 2,18;1 Cor\u00edntios 1,22) e os gregos procuram a\u00a0<em>sabedoria des\u00adte mundo<\/em>\u00a0(1 Cor\u00edntios 1,22), os batizados, confirmados, chamados, continuam de olhos postos no \u00fanico sinal da Cruz Gloriosa, sem d\u00favida a mais bela p\u00e1gina que Deus escreveu na hist\u00f3ria dos homens, embora a letra seja ainda ileg\u00edvel para muita gente!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 19 \u00e9 uma estupenda \u00abm\u00fasica teol\u00f3gica\u00bb, como dizia Hermann Gunkel. Na verdade, Deus ilumina e aquece o universo com o fulgor do sol, e ilumina e acalenta o homem com o fulgor da sua Palavra contida nos seus mandamentos dados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O caminho da Quaresma leva-nos \u00e0 cripta,<\/strong><br \/>\n<strong>Ao miolo,<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c0quele lugar \u00edntimo e \u00edntegro, inteiro,<\/strong><br \/>\n<strong>Onde eu sou verdadeiro,<\/strong><br \/>\n<strong>Sem dolo<\/strong><br \/>\n<strong>Nem tijolo<\/strong><br \/>\n<strong>Nem roupeiro.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Chegar l\u00e1 implica desfazer-se do barulho<\/strong><br \/>\n<strong>E do entulho,<\/strong><br \/>\n<strong>Arredar a cali\u00e7a e o reboco,<\/strong><br \/>\n<strong>Aprender com os p\u00e1ssaros do c\u00e9u,<\/strong><br \/>\n<strong>Com os l\u00edrios do campo,<\/strong><br \/>\n<strong>Ir at\u00e9 ao fundo,<\/strong><br \/>\n<strong>At\u00e9 ao toco,<\/strong><br \/>\n<strong>E deixar Deus a trabalhar no fundo desse po\u00e7o,<\/strong><br \/>\n<strong>Onde s\u00f3 Ele sabe semear semente santa,<\/strong><br \/>\n<strong>Que depois h\u00e1 de florir e dar fruto<\/strong><br \/>\n<strong>A seu tempo e a seu campo.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que rebento pode brotar de um toco seco?<\/strong><br \/>\n<strong>Que sucesso pode ter uma semente<\/strong><br \/>\n<strong>Na aridez do deserto semeada?<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 mesmo s\u00f3 com Deus essa empreitada.<\/strong><br \/>\n<strong>E Jesus explica bem,<\/strong><br \/>\n<strong>No meio do serm\u00e3o da montanha,<\/strong><br \/>\n<strong>Que s\u00e3o tamb\u00e9m assim<\/strong><br \/>\n<strong>A esmola, a\u00a0ora\u00e7\u00e3o e o jejum,<\/strong><br \/>\n<strong>Frutos que s\u00f3 Deus pode fazer brotar em mim.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Quaresma \u00e9 tempo de deixar de fazer tantas coisas<\/strong><br \/>\n<strong>Por mim e ao meu jeito,<\/strong><br \/>\n<strong>E para mim e em meu proveito,<\/strong><br \/>\n<strong>Nas ruas,<\/strong><br \/>\n<strong>Nas pra\u00e7as,<\/strong><br \/>\n<strong>Nas igrejas,<\/strong><br \/>\n<strong>S\u00f3 para que as pessoas vejam e aplaudam.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Quaresma \u00e9 tempo de deixar Deus<\/strong><br \/>\n<strong>Fazer nascer<\/strong><br \/>\n<strong>Dentro de mim<\/strong><br \/>\n<strong>Um jardim,<\/strong><br \/>\n<strong>Uma maneira nova de viver.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Leitura-I-do-Domingo-III-da-Quaresma-Ano-B-03.03.2024-Ex-20-1-17.pdf\">Leitura I do Domingo III da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 03.03.2024 (Ex 20, 1-17)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Resto-Leitura-I-e-Leitura-II-do-Domingo-III-da-Quaresma-Ano-B-03.03.2024-1-Cor-1-22-25.pdf\">Resto Leitura I e Leitura II do Domingo III da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 03.03.2024 (1 Cor 1, 22-25)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Domingo-III-da-Quaresma-Ano-B-03.03.2024-Lecionario.pdf\">Domingo III da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 03.03.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Domingo-III-da-Quaresma-Ano-B-03.03.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo III da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 03.03.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Mensagem-do-Papa-Francisco-para-a-Quaresma-de-2024-1.pdf\">Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Mensagem-da-Quaresma-2024-Bispos-do-Porto.pdf\">Mensagem Bispos do Porto para Quaresma 2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo II da Quaresma \u2013 Ano B \u2013 25.02.2024&#8243; tab_id=&#8221;1709544268062-4144acdf-2094&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo II da Quaresma &#8211; Ano B \u2013 25.02.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Domingo-II.jpg\" alt=\"\" width=\"591\" height=\"401\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos a caminhar com Jesus rumo \u00e0 P\u00e1scoa. Depois de termos ido com Ele ao deserto, somos agora convidados a subir com Ele ao monte: \u00ab<em>Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e Jo\u00e3o e subiu s\u00f3 com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles<\/em>\u00bb. Com Jesus, somos conduzidos ao Pai que pela for\u00e7a do Esp\u00edrito nos faz entrar nesta comunh\u00e3o de amor que envolve as Pessoas da Trindade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cimo do monte, as vestes resplandecentes, Mois\u00e9s e Elias, a nuvem que os cobre e a voz vinda do c\u00e9u proporcionam a Pedro, Tiago e Jo\u00e3o uma verdadeira teofania que os faz ver cumpridas as promessas veterotestament\u00e1rias e lhes antecipa a gl\u00f3ria do Ressuscitado. Hoje a humanidade tamb\u00e9m se sente envolvida por um tempo de incerteza e escurid\u00e3o que clama pela luz do Ressuscitado e faz de n\u00f3s testemunhas de que mesmo diante das trevas e inseguran\u00e7as do nosso tempo, a luz de Jesus Cristo continua a brilhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, subamos ao monte com Jesus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O monte \u00e9 na longa tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica lugar de encontro com Deus, at\u00e9 porque subir a um lugar elevado faz-nos estar geograficamente mais pr\u00f3ximos do C\u00e9u. Desde a antiguidade que os s\u00edtios geograficamente elevados eram assinalados como lugar de espiritualidade e encontro com o divino. Al\u00e9m disso, subir a um lugar elevado tamb\u00e9m permite olhar a plan\u00edcie e o vale de um modo novo e diferente. Deste modo, ao subirmos com Jesus ao monte, somos convidados a olhar a nossa vida, o mundo e os outros de um modo renovado. Olhar o tempo e a hist\u00f3ria com o olhar de Jesus permite-nos adquirir um novo horizonte de esperan\u00e7a, pois somos capazes de libertar o nosso olhar do imediatismo do nosso metro quadrado para uma vis\u00e3o maior e mais larga da hist\u00f3ria que tende e caminha para a plenitude da eternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contemplamos Mois\u00e9s e Elias que atestam como Jesus \u00e9 o enviado do Pai para cumprir as promessas da antiga alian\u00e7a. Mois\u00e9s e Elias ainda que entre sombras puderam ver a Deus: Mois\u00e9s contemplou o Senhor revelado na sara\u00e7a ardente (Ex 3,1-4,17) e Elias, escondido na caverna foi convidado a ver o Senhor passar na brisa suave (1 Rs 19,9-18). Junto de Jesus no monte, eles testemunham que o Transfigurado \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o plena e definitiva do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nuvem que os envolve com a sua sombra faz ressoar uma voz vinda do c\u00e9u: \u00ab<em>Este \u00e9 o meu Filho muito amado: escutai-O<\/em>\u00bb. As nuvens que tantas vezes nos cobrem continuam a trazer dentro de si a certeza de que as dificuldades e as tribula\u00e7\u00f5es do tempo e da hist\u00f3ria n\u00e3o t\u00eam a \u00faltima palavra, pois a \u00fanica palavra plena e definitiva \u00e9 a Palavra de Jesus que o Pai nos convida a escutar. \u00c9 certo que a fragilidade da nossa exist\u00eancia e a conting\u00eancia do tempo que atravessamos nos abala e nos faz tantas vezes vacilar. Por isso, nunca nos podemos cansar de escutar as palavras que S. Paulo dirigiu aos romanos e que hoje dirige a cada um de n\u00f3s: \u00ab<em>Se Deus est\u00e1 por n\u00f3s, quem estar\u00e1 contra n\u00f3s? Deus, que n\u00e3o poupou o seu pr\u00f3prio Filho, mas O entregou \u00e0 morte por todos n\u00f3s, como n\u00e3o havia de nos dar, com Ele, todas as coisas?<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Subamos com Jesus ao monte! Percorramos com esperan\u00e7a este tempo da Quaresma, e fa\u00e7amos dele um tempo de alegre convers\u00e3o. Como os disc\u00edpulos, ainda somos aprendizes sobre o que significa ressuscitar dos mortos, mas a luz resplandecente do Ressuscitado rasga para n\u00f3s horizontes de esperan\u00e7a e conduz-nos \u00e0 verdade plena e definitiva que s\u00f3 o Senhor Jesus nos pode revelar.<strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 14 de fevereiro, com a celebra\u00e7\u00e3o da Quarta-feira de Cinzas, demos in\u00edcio ao sagrado tempo da Quaresma. O Irm\u00e3o Roger, fundador da comunidade de Taiz\u00e9, recordava em cada ano aos seus irm\u00e3os que a Quaresma \u00e9 \u00ab<em>tempo<\/em>\u00a0<em>de cantar a alegria do perd\u00e3o\u00bb<\/em>. Esta consci\u00eancia deve animar a vida das comunidades crist\u00e3s e ajudar a preparar os fi\u00e9is para viverem o tempo quaresmal como oportunidade de convers\u00e3o e proposta alegre de renova\u00e7\u00e3o de vida. Os tr\u00eas exerc\u00edcios espirituais pr\u00f3prios da Quaresma \u2013 ora\u00e7\u00e3o, jejum e esmola \u2013 devem ser propostos em cada ano com renovada criatividade para levar a uma renovada pr\u00e1tica. O Papa Francisco escreveu para esta Quaresma uma mensagem intitulada: \u00ab<em>Atrav\u00e9s do deserto, Deus guia-nos para a liberdade<\/em>\u00bb. A medita\u00e7\u00e3o e aprofundamento desta mensagem \u00e9 uma oportunidade para viver e celebrar melhor este tempo da Quaresma.<strong><em>in Voz Portucalense <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>G\u00e9nesis 22,1-2.9a.10-13.15-18<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nDeus quis p\u00f4r \u00e0 prova Abra\u00e3o e chamou-o:<br \/>\n\u00abAbra\u00e3o!\u00bb<br \/>\nEle respondeu: \u00abAqui estou\u00bb.<br \/>\nDeus disse: \u00abToma o teu filho,<br \/>\no teu \u00fanico filho, a quem tanto amas, Isaac,<br \/>\ne vai \u00e0 terra de Mori\u00e1,<br \/>\nonde o oferecer\u00e1s em holocausto,<br \/>\nnum dos montes que Eu te indicar.<br \/>\nQuando chegaram ao local designado por Deus,<br \/>\nAbra\u00e3o levantou um altar e colocou a lenha sobre ele.<br \/>\nDepois, estendendo a m\u00e3o, puxou do cutelo para degolar o filho.<br \/>\nMas o Anjo do Senhor gritou-lhe do alto do C\u00e9u:<br \/>\n\u00abAbra\u00e3o, Abra\u00e3o!\u00bb<br \/>\n\u00abAqui estou, Senhor\u00bb, respondeu ele.<br \/>\nO Anjo prosseguiu:<br \/>\n\u00abN\u00e3o levantes a m\u00e3o contra o menino,<br \/>\nn\u00e3o lhe fa\u00e7as mal algum.<br \/>\nAgora sei que na verdade temes a Deus,<br \/>\numa vez que n\u00e3o Me recusaste o teu filho, o teu \u00fanico filho\u00bb.<br \/>\nAbra\u00e3o ergueu os olhos<br \/>\ne viu atr\u00e1s de si um carneiro, preso pelos chifres num silvado.<br \/>\nFoi busc\u00e1-lo e ofereceu-o em holocausto, em vez do filho.<br \/>\nO Anjo do Senhor chamou Abra\u00e3o do C\u00e9u pela segunda vez<br \/>\ne disse-lhe:<br \/>\n\u00abPor Mim pr\u00f3prio te juro \u2013 or\u00e1culo do Senhor \u2013<br \/>\nj\u00e1 que assim procedeste<br \/>\ne n\u00e3o Me recusaste o teu filho, o teu \u00fanico filho,<br \/>\naben\u00e7oar-te-ei e multiplicarei a tua descend\u00eancia<br \/>\ncomo as estrelas do c\u00e9u e como a areia das praias do mar,<br \/>\ne a tua descend\u00eancia conquistar\u00e1 as portas das cidades inimigas.<br \/>\nPorque obedeceste \u00e0 minha voz,<br \/>\nna tua descend\u00eancia ser\u00e3o aben\u00e7oadas todas as na\u00e7\u00f5es da terra\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura de hoje faz parte de um bloco de textos a que se d\u00e1 o nome gen\u00e9rico de \u201ctradi\u00e7\u00f5es patriarcais\u201d (cf. Gn 12-36). Trata-se de um conjunto de relatos singulares, originalmente independentes uns dos outros, sem grande unidade e sem car\u00e1cter de documento hist\u00f3rico. Nesses cap\u00edtulos aparecem, de forma indiferenciada, \u201cmitos de origem\u201d (descreviam a \u201ctomada de posse\u201d de um lugar pelo patriarca do cl\u00e3), \u201clendas cultuais\u201d (narravam como um deus tinha aparecido nesse lugar ao patriarca do cl\u00e3), indica\u00e7\u00f5es mais ou menos concretas sobre a vida dos cl\u00e3s n\u00f3madas que circularam pela Palestina durante o segundo mil\u00e9nio e reflex\u00f5es teol\u00f3gicas posteriores destinadas a apresentar aos crentes israelitas modelos de vida e de f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato do sacrif\u00edcio de Isaac (Gn 22) \u00e9 aquilo a que os biblistas chamam uma \u201clenda cultual\u201d. Nasceu, provavelmente, num santu\u00e1rio do sul do pa\u00eds, muito antes de os patriarcas b\u00edblicos se terem instalado na zona. A lenda primitiva contava como num lugar sagrado o deus a\u00ed adorado tinha salvo uma crian\u00e7a destinada a ser oferecida em sacrif\u00edcio (no mundo dos cananeus, os sacrif\u00edcios humanos eram frequentes). A partir da\u00ed, nesse lugar, os sacrif\u00edcios de crian\u00e7as tinham sido substitu\u00eddos por sacrif\u00edcios de animais. Foi essa a primeira etapa da tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa segunda fase, esta hist\u00f3ria primitiva foi aplicada \u00e0 figura de Abra\u00e3o, quando o cl\u00e3 de Abra\u00e3o se instalou na zona. O pai cananeu da primitiva hist\u00f3ria, que levava o filho para ser oferecido em sacrif\u00edcio, foi identificado com o patriarca Abra\u00e3o. A tradi\u00e7\u00e3o acabou por englobar um cl\u00e3 ligado ao de Abra\u00e3o, o cl\u00e3 de Isaac. Isaac tornou-se, assim, o filho destinado ao sacrif\u00edcio de que falava a velha lenda pr\u00e9-israelita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa terceira fase (talvez por volta do s\u00e9c. VIII a.C.), os te\u00f3logos de Israel pegaram na antiga lenda cultual e utilizaram-na para ilustrar a catequese que queriam apresentar. Serviu para dizer que o crente ideal \u00e9 aquele que, como Abra\u00e3o, n\u00e3o hesita em acolher a vontade e os desafios de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, um redator posterior acrescentou ao texto outros elementos de car\u00e1cter teol\u00f3gico. Foi ele que ligou a lenda do sacrif\u00edcio de Isaac com o monte santo dos sacrif\u00edcios do Templo de Jerusal\u00e9m; foi ele, tamb\u00e9m, que acrescentou \u00e0 hist\u00f3ria a ideia de que o comportamento de Abra\u00e3o para com Deus mereceu uma recompensa e que essa recompensa iria, no futuro, derramar-se sobre todos os descendentes de Abra\u00e3o.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O comportamento de Abra\u00e3o nesta \u201ccrise\u201d revela, antes de mais, o lugar absolutamente central que Deus ocupa na sua exist\u00eancia. Deus \u00e9, para Abra\u00e3o, o valor m\u00e1ximo, a prioridade fundamental; por isso, Abra\u00e3o mostra-se disposto a fazer a Deus um dom total de si pr\u00f3prio, da sua fam\u00edlia, do seu futuro, dos seus sonhos, das suas aspira\u00e7\u00f5es, dos seus projetos, dos seus interesses. Para Abra\u00e3o, nada mais conta quando est\u00e3o em jogo os planos de Deus\u2026 Na vida do homem do s\u00e9c. XXI, contudo, nem sempre Deus ocupa o lugar que Lhe \u00e9 devido. Com frequ\u00eancia, o dinheiro, o poder, a carreira profissional, o reconhecimento social, o sucesso, a influ\u00eancia dos l\u00edderes de opini\u00e3o, ocupam o lugar de Deus e determinam as nossas op\u00e7\u00f5es, os nossos interesses, os valores que priorizamos. \u00c0 luz da figura de Abra\u00e3o, procuramos, nesta Quaresma, rever as nossas prioridades e a dar a Deus, no cen\u00e1rio da nossa vida, o lugar que Ele merece?<\/li>\n<li>Na sua rela\u00e7\u00e3o com Deus, o crente Abra\u00e3o manifesta uma vasta gama de \u201cqualidades\u201d \u2013 a rever\u00eancia, o respeito, a humildade, a disponibilidade, a obedi\u00eancia, a confian\u00e7a, o amor, a f\u00e9 \u2013 que o definem como o crente \u201cideal\u201d, o modelo para os crentes de todas as \u00e9pocas. Neste tempo de prepara\u00e7\u00e3o para a P\u00e1scoa (para a Vida nova), s\u00e3o estas \u201cqualidades\u201d que nos s\u00e3o propostas, tamb\u00e9m. Estamos dispon\u00edveis para concretizar um processo de convers\u00e3o que nos torne cada vez mais atentos e dispon\u00edveis para acolher e para viver na fidelidade aos planos de Deus?<\/li>\n<li>O crente Abra\u00e3o ensina-nos, ainda, a confiar em Deus, mesmo quando tudo parece cair \u00e0 nossa volta e quando os caminhos de Deus se revelam estranhos e incompreens\u00edveis. Quando os nossos projetos se desmoronam, quando as nuvens negras da guerra, da viol\u00eancia, da opress\u00e3o, se acastelam no horizonte da nossa exist\u00eancia, quando o sofrimento nos leva ao desespero, \u00e9 preciso continuar a caminhar serenamente, confiando nesse Deus que \u00e9 a nossa esperan\u00e7a e que tem um projeto de Vida plena para n\u00f3s e para o mundo. Deus \u00e9, para n\u00f3s, esse rochedo firme que nos suporta nas crises e vicissitudes com que a vida, tantas vezes, nos surpreende?<\/li>\n<li>Quando os catequistas de Israel p\u00f5em Deus a dizer que a obedi\u00eancia de Abra\u00e3o \u00e9 fonte de vida para ele, para a sua fam\u00edlia e para \u201ctodas as na\u00e7\u00f5es da terra\u201d, est\u00e3o a afirmar a validade do caminho que Abra\u00e3o escolheu. Fazemos de Deus o centro da pr\u00f3pria exist\u00eancia e renunciamos aos pr\u00f3prios crit\u00e9rios e interesses para cumprir os planos de Deus, n\u00e3o como uma escravid\u00e3o que coarta a liberdade do homem, mas como uma op\u00e7\u00e3o que nos abre novas e que nos proporciona o acesso \u00e0 Vida plena e verdadeira? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 115 (116)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refr\u00e3o 1:\u00a0\u00a0<strong>Andarei na presen\u00e7a do Senhor sobre a terra dos vivos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refr\u00e3o 2:\u00a0<strong>Caminharei na terra dos vivos na presen\u00e7a do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confiei no Senhor, mesmo quando disse:<br \/>\n\u00abSou um homem de todo infeliz\u00bb.<br \/>\n\u00c9 preciosa aos olhos do Senhor<br \/>\na morte dos seus fi\u00e9is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva:<br \/>\nquebrastes as minhas cadeias.<br \/>\nOferecer-Vos-ei um sacrif\u00edcio de louvor,<br \/>\ninvocando, Senhor, o vosso nome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cumprirei as minhas promessas ao Senhor<br \/>\nna presen\u00e7a de todo o povo,<br \/>\nnos \u00e1trios da casa do Senhor,<br \/>\ndentro dos teus muros, Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 Romanos 8,31b-34<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nSe Deus est\u00e1 por n\u00f3s, quem estar\u00e1 contra n\u00f3s?<br \/>\nDeus, que n\u00e3o poupou o seu pr\u00f3prio Filho,<br \/>\nmas O entregou \u00e0 morte por todos n\u00f3s,<br \/>\ncomo n\u00e3o havia de nos dar, com Ele, todas as coisas?<br \/>\nQuem acusar\u00e1 os eleitos de Deus?<br \/>\nDeus, que os justifica?<br \/>\nE quem os condenar\u00e1?<br \/>\nCristo Jesus, que morreu, e mais ainda, que ressuscitou<br \/>\ne que est\u00e1 \u00e0 direita de Deus e intercede por n\u00f3s?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Paulo escreve aos Romanos, est\u00e1 a terminar a sua terceira viagem mission\u00e1ria e prepara-se para partir para Jerusal\u00e9m. Tinha terminado a sua miss\u00e3o no oriente (cf. Rm 15,19-20) e queria levar o Evangelho ao ocidente. Dirigindo-se por carta aos crist\u00e3os de Roma, Paulo aproveita para estabelecer la\u00e7os com eles e para lhes apresentar os principais problemas que o ocupavam (entre os quais sobressa\u00eda a quest\u00e3o da unidade, um problema bem presente na comunidade crist\u00e3 de Roma, afetada por alguns problemas de relacionamento entre judeo-crist\u00e3os e pagano-crist\u00e3os). Estamos no ano 57 ou 58.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira parte da Carta (cf. Rm 1,18-11,36), Paulo vai fazer notar aos crist\u00e3os divididos que o Evangelho \u00e9 a for\u00e7a que congrega e que salva todo o crente, sem distin\u00e7\u00e3o de judeu, grego ou romano. Embora o pecado seja uma realidade universal, que afeta todos os homens (cf. Rm 1,18-3,20), a \u201cjusti\u00e7a de Deus\u201d d\u00e1 vida a todos, sem distin\u00e7\u00e3o (cf. Rm 3,1-5,11); e \u00e9 em Jesus Cristo que essa vida se comunica e que transforma o homem (cf. Rm 5,12-8,39). Batizados em Cristo, os crist\u00e3os morrem para o pecado e nascem para uma vida nova. Passam a ser conduzidos pelo Esp\u00edrito e tornam-se filhos de Deus; libertados do pecado e da morte, produzem frutos de santifica\u00e7\u00e3o e caminham para a Vida eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 depois de desenvolver esta reflex\u00e3o que Paulo entende celebrar o amor salvador de Deus com um hino (cf. Rm 8,31-39): \u00e9 nesse amor que os filhos e filhas de Deus podem fundamentar a sua esperan\u00e7a no triunfo final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda leitura deste dia \u00e9 parte desse hino (Rm 8,31b-34).<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Para Paulo, h\u00e1 uma constata\u00e7\u00e3o incr\u00edvel, que n\u00e3o cessa de o espantar: Deus ama-nos com um amor profundo, total, radical, que nada nem ningu\u00e9m consegue apagar ou eliminar. Esse amor veio ao nosso encontro em Jesus Cristo, atingiu a nossa exist\u00eancia e transformou-a, capacitando-nos para caminharmos ao encontro da vida eterna. Ora, antes de mais, \u00e9 esta descoberta que Paulo nos convida a fazer\u2026 Nos momentos de crise, de desilus\u00e3o, de persegui\u00e7\u00e3o, de orfandade, quando parece que todo o mundo est\u00e1 contra n\u00f3s e que n\u00e3o entende a nossa luta e o nosso compromisso, a Palavra de Deus grita: \u201cn\u00e3o tenhais medo; Deus ama-vos\u201d. Esta certeza reside no nosso cora\u00e7\u00e3o e anima todos os nossos passos?<\/li>\n<li>Descobrir o amor de Deus por n\u00f3s d\u00e1-nos a coragem necess\u00e1ria para enfrentar a vida com serenidade, com tranquilidade e com o cora\u00e7\u00e3o cheio de paz. O crente \u00e9 aquele homem ou mulher que n\u00e3o tem medo de nada porque est\u00e1 consciente de que Deus o ama e que lhe oferece, aconte\u00e7a o que acontecer, a vida em plenitude. Procuramos entregar a nossa vida como dom, correr riscos na luta pela paz e pela justi\u00e7a, enfrentar os poderes da opress\u00e3o e da morte, porque confiamos no Deus que nos ama e nos salva? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Marcos 9,2-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus tomou consigo Pedro, Tiago e Jo\u00e3o<br \/>\ne subiu s\u00f3 com eles<br \/>\npara um lugar retirado num alto monte<br \/>\ne transfigurou-Se diante deles.<br \/>\nAs suas vestes tornaram-se resplandecentes,<br \/>\nde tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra<br \/>\nas poderia assim branquear.<br \/>\nApareceram-lhes Mois\u00e9s e Elias, conversando com Jesus.<br \/>\nPedro tomou a palavra e disse a Jesus:<br \/>\n\u00abMestre, como \u00e9 bom estarmos aqui!<br \/>\nFa\u00e7amos tr\u00eas tendas:<br \/>\numa para Ti, outra para Mois\u00e9s, outra para Elias\u00bb.<br \/>\nN\u00e3o sabia o que dizia, pois estavam atemorizados.<br \/>\nVeio ent\u00e3o uma nuvem que os cobriu com a sua sombra<br \/>\ne da nuvem fez-se ouvir uma voz:<br \/>\n\u00abEste \u00e9 o meu Filho muito amado: escutai-O\u00bb.<br \/>\nDe repente, olhando em redor,<br \/>\nn\u00e3o viram mais ningu\u00e9m,<br \/>\na n\u00e3o ser Jesus, sozinho com eles.<br \/>\nAo descerem do monte,<br \/>\nJesus ordenou-lhes que n\u00e3o contassem a ningu\u00e9m<br \/>\no que tinham visto,<br \/>\nenquanto o Filho do homem n\u00e3o ressuscitasse dos mortos.<br \/>\nEles guardaram a recomenda\u00e7\u00e3o,<br \/>\nmas perguntavam entre si o que seria ressuscitar dos mortos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcos situa o epis\u00f3dio da transfigura\u00e7\u00e3o num momento charneira da atividade de Jesus. Estamos na fase final da etapa da Galileia, antes de Jesus se dirigir para Jerusal\u00e9m. \u00c9 um momento decisivo para o projeto do Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do \u00eaxito inicial da sua prega\u00e7\u00e3o, Jesus vinha sentindo cada vez mais resist\u00eancia, por parte dos l\u00edderes religiosos locais, ao seu an\u00fancio. Pouco antes do epis\u00f3dio da transfigura\u00e7\u00e3o, os fariseus e alguns doutores da Lei tinham criticado a liberdade de Jesus face \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es religiosas judaicas; e, em resposta, Jesus tinha-os acusado de se preocuparem com ritos externos e de n\u00e3o terem em conta o essencial (cf. Mc 7,1-23). Depois, os fariseus tinham exigido que Jesus lhes desse um sinal de que atuava em nome de Deus; e Jesus tinha recusado (cf. Mc 8,11-13). Parecia cada vez mais claro que o juda\u00edsmo oficial nunca iria aceitar Jesus e o seu projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os disc\u00edpulos de Jesus, isto levantava quest\u00f5es inquietantes\u2026 Eles viam Jesus como \u201co Messias\u201d que Israel esperava ansiosamente (cf. Mc 8,29-30); mas as autoridades judaicas estavam contra Ele e n\u00e3o lhe davam cr\u00e9dito. Teriam os disc\u00edpulos feito um erro de c\u00e1lculo quando acreditaram em Jesus e se dispuseram a andar com Ele?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As coisas ficaram ainda mais complicadas quando Jesus comunicou aos disc\u00edpulos a sua decis\u00e3o de se dirigir para Jerusal\u00e9m e os avisou de que l\u00e1 iria sofrer muito e ser morto pelas autoridades (Ele tinha acrescentado que iria ressuscitar depois de tr\u00eas dias; mas, nessa altura, os disc\u00edpulos n\u00e3o sabiam bem o que \u00e9 que isso queria dizer \u2013 cf. Mc 8,31). Pedro atreveu-se a contestar a decis\u00e3o de Jesus; e Jesus convidou-o a p\u00f4r-se no seu lugar de disc\u00edpulo e a n\u00e3o ser obst\u00e1culo ao projeto de Deus (cf. Mc 8,32-33). Mais ainda: antes de come\u00e7ar a caminhar para Jerusal\u00e9m, Jesus convidou os disc\u00edpulos a renegar-se a si mesmos, a \u201ctomar a cruz\u201d e a segui-l\u2019O no caminho do dom da vida at\u00e9 \u00e0 morte (cf. Mc 8,34-38). Valeria a pena seguir um Mestre que s\u00f3 tinha a cruz para oferecer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Face a este estado de coisas, Jesus achou que tinha chegado a hora de revitalizar o \u00e2nimo dos disc\u00edpulos. Chamou, ent\u00e3o, Pedro, Tiago e Jo\u00e3o \u2013 o \u201cn\u00facleo duro\u201d daquele grupo \u2013 e convidou-os a subir com Ele a um monte. Nesse dia e nesse monte eles iriam ser confrontados com o princ\u00edpio e o fundamento do caminho proposto por Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto n\u00e3o identifica o \u201cmonte elevado\u201d para onde Jesus, Pedro, Tiago e Jo\u00e3o se dirigiram. Contudo, a tradi\u00e7\u00e3o fala do Monte Tabor, uma montanha com 588 metros de altura, situada no meio da plan\u00edcie de Jezreel, coberta de carvalhos, pinheiros, ciprestes, aroeiras e plantas silvestres. O Tabor tinha sido, nos tempos antigos, um lugar sagrado para os povos cananeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Literariamente, a narra\u00e7\u00e3o da transfigura\u00e7\u00e3o \u00e9 uma teofania \u2013 quer dizer, uma manifesta\u00e7\u00e3o de Deus. Portanto, o autor do relato vai colocar no quadro todos os ingredientes que, no imagin\u00e1rio judaico, acompanham as manifesta\u00e7\u00f5es de Deus (e que encontramos quase sempre presentes nos relatos teof\u00e2nicos do Antigo Testamento): o monte, as apari\u00e7\u00f5es, as vestes brilhantes, a nuvem, a voz que vem do c\u00e9u e mesmo o medo e a perturba\u00e7\u00e3o daqueles que presenciam o encontro com o divino. Isto quer dizer o seguinte: n\u00e3o estamos diante de um relato exato de acontecimentos, mas de uma catequese (constru\u00edda de acordo com o imagin\u00e1rio judaico) destinada a confirmar a verdade da proposta de Jesus.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.capuchinhos.org\/biblia-e-liturgia\/icones\/transfiguracao-icone\"><strong>Transfigura\u00e7\u00e3o (\u00cdcone)<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/icone.jpg\" alt=\"\" width=\"269\" height=\"373\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Transfigura\u00e7\u00e3o \u2013 Teofania da divindade de Cristo e da Sant\u00edssima Trindade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo os relatos neotestament\u00e1rios (Mt 17,1-9; Mc 9,2-8; Lc 9,28-36; e 2 Pe 1,16-19), as personagens deste \u00edcone aparecem j\u00e1 no mosaico que ornamenta o quarto de esfera da abside da bas\u00edlica justiniana do monte Sinai (ano 565-566), reproduzido na revista B\u00edblica, n\u00ba 375, p. 45\/93.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso \u00edcone (cerca de 1403) \u00e9 atribu\u00eddo ao c\u00e9lebre icon\u00f3grafo bizantino, ativo na R\u00fassia, Te\u00f3fano ou Te\u00f3fanes o grego \u2013 Theoph\u00e1n\u0113s, em grego; Feof\u00e1n, em russo \u2013, ou a um dos seus alunos. Esta pintura sobre madeira foi realizada para a catedral da Transfigura\u00e7\u00e3o do Nosso Salvador, em Peresl\u00e1vlh-Zal\u00e9sskiy (principado de Moscovo); trazida para Moscovo em 1923, encontra-se desde 1930 na Galeria do Estado Tretiak\u00f3v, em Moscovo (R\u00fassia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A composi\u00e7\u00e3o \u00e9 formada por\u00a0<strong>tr\u00eas zonas horizontais<\/strong>\u00a0de altura desigual. A mais alta \u00e9 a superior, onde se representa Jesus transfigurado, ladeado por dois personagens ligeiramente inclinados para Ele: Mois\u00e9s \u00e0 sua esquerda e Elias \u00e0 sua direita; os quais foram transportados por anjos sobre nuvens (segundo uma antiga tradi\u00e7\u00e3o mantida sobretudo em ambiente eslavo), como se figura, nos cantos superiores, dentro de dois \u2018quadrinhos\u2019 redondos em forma precisamente de nuvem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus<\/strong>, ao centro da zona superior, todo Ele \u00e9 luz (cf. Jo 1, 4), iluminando todo o \u00edcone. Por tr\u00e1s dele, veem-se dois c\u00edrculos luminosos sobrepostos, que representam os c\u00e9us, o de fora semeado de pequenas estrelas. O interior do c\u00edrculo mais pequeno \u00e9 escuro, e representa a \u00abluz inacess\u00edvel\u00bb, em que Deus habita (cf. pref\u00e1cio da\u00a0<em>Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica IV<\/em>). Nos \u00edcones russos desta \u00e9poca \u00e9 habitual figurar um tri\u00e2ngulo em forma de ponta lan\u00e7a, cuja base \u00e9 substitu\u00edda por outras tr\u00eas pontas do mesmo formato, simbolizando a Sant\u00edssima Trindade, dirigindo-se as tr\u00eas pontas da base em dire\u00e7\u00e3o a cada um dos tr\u00eas ap\u00f3stolos escolhidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No nosso \u00edcone, aparece a duplica\u00e7\u00e3o deste g\u00e9nero de tri\u00e2ngulo (um para cima e outro para baixo), que se interpenetram, formando uma estrela de seis pontas (cf. Ap 22,16), tendo tr\u00eas pontas dirigidas para o alto, para os seres ang\u00e9licos e celestes, e tr\u00eas pontas dirigidas para baixo, para o mundo e os seres terrestres; sobrepondo Jesus o losango central de interce\u00e7\u00e3o dos dois tri\u00e2ngulos, significando as suas duas naturezas, divina e humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mois\u00e9s<\/strong>, \u00e0 nossa direita, \u00e9 figurado como jovem (cf. Dt 34, 7) e sustenta nas m\u00e3os o c\u00f3dice da Lei (Torah), cujas pontas inferiores se sobrep\u00f5em aos dois c\u00edrculos luminosos. O c\u00edrculo interior est\u00e1 descentrado em rela\u00e7\u00e3o ao exterior, tendo o centro na m\u00e3o esquerda de Jesus, a qual sustenta um rolo \u2013 Jesus vem dar pleno cumprimento \u00e0 lei antiga, levando-a \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o (cf. Mt 5,17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta\u00a0<strong>Elias<\/strong>, com longos cabelos e barbas, cruza os bra\u00e7os, formado um T (cf. Mt 5, 18: \u1fd6 = iota e til), designando com a m\u00e3o direita o Salvador. Ali\u00e1s, a Festa da transfigura\u00e7\u00e3o (a 6 de agosto) foi colocada 40 dias antes da Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz (a 14 de setembro), que fora institu\u00edda antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na zona\u00a0<strong>inferior<\/strong>, um pouco mais pequena em altura, est\u00e3o figurados os tr\u00eas ap\u00f3stolos que tiveram a vis\u00e3o; da esquerda para a direita: Pedro, Jo\u00e3o e Tiago. Tr\u00eas raios azuis partem de Cristo em dire\u00e7\u00e3o a estes, indicando que a transfigura\u00e7\u00e3o (em grego,\u00a0<em>metam\u00f3rphosis<\/em>) n\u00e3o foi tanto de Cristo como dos olhos dos ap\u00f3stolos (ver, a este prop\u00f3sito, o meu artigo \u201cMetamorfose do olhar\u201d, na revista\u00a0<em>Brot\u00e9ria<\/em>, vol. 142, pp.413-424).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os disc\u00edpulos caem por terra. Despertando,\u00a0<strong>Pedro<\/strong>, ajoelhado, dirige a Jesus o seu discurso errado, pois n\u00e3o se devem fazer tendas distintas \u2013 a Lei, os Profetas e o Evangelho \u2013, mas, porque todas fazem par-te da Revela\u00e7\u00e3o divina consignada na mesma Sagrada Escritura, s\u00e3o guardadas na mesma tenda, que \u00e9 a Igreja de Deus [cf. Or\u00edgenes].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na\u00a0<strong>zona interm\u00e9dia<\/strong>, de altura mais pequena, v\u00ea-se, dentro de \u2018quadrinhos\u2019 em forma de grutas, Jesus seguido pelos tr\u00eas ap\u00f3stolos escolhidos, a subir e a descer o monte, respetivamente \u00e0 nossa esquerda e \u00e0 nossa direita. \u00abContemplar e transmitir as coisas contempladas\u00bb (<em>S. Tom\u00e1s de Aquino<\/em>) \u00e9 o ideal do Pregador. A ora\u00e7\u00e3o est\u00e1 na base do an\u00fancio integral do Evangelho, com a vida, as palavras e a\u00e7\u00f5es poderosas (cf. Mt 5,16; Mc 9,29).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pela gra\u00e7a todos n\u00f3s podemos ser divinizados, ou seja, metamorfoseados na imagem de Cristo, pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (cf. 2 Cor 3,18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>frei Ant\u00f3nio-Jos\u00e9 d\u2019Almeida, OP \/ Convento de Cristo Rei, Porto<br \/>\nin<span style=\"color: #000000;\">\u00a0<\/span><\/em><\/strong><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/difusorabiblica.com\/revista-biblica\/290-revista-biblica.html\"><strong><em>revista B\u00edblica<\/em><\/strong><\/a><\/span><strong><em><span style=\"color: #000000;\">\u00a0<\/span>377 (julho-agosto 2018), pp. 40-41.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Neste segundo domingo da Quaresma fa\u00e7amos, tamb\u00e9m n\u00f3s, a experi\u00eancia de subir com Jesus ao monte\u2026 Enquanto subimos, podemos conversar com Ele e, com toda a sinceridade, dizer-Lhe as nossas d\u00favidas e inquieta\u00e7\u00f5es. Podemos dizer-Lhe que, por vezes, nos sentimos perdidos e desanimados diante da forma como o nosso mundo se constr\u00f3i; podemos dizer-lhe que o caminho que Ele aponta \u00e9 duro e exigente e que n\u00e3o sabemos se teremos a coragem de o percorrer at\u00e9 ao fim; podemos at\u00e9 dizer-lhe, talvez com alguma vergonha, que \u00e0s vezes duvidamos dele e corremos atr\u00e1s de outras apostas, mais c\u00f3modas, mais atraentes e menos arriscadas\u2026 E, depois de lhe dizermos isso tudo, deixemos que Jesus nos fale, nos explique o seu projeto, nos renove o seu desafio\u2026 E vamos, tamb\u00e9m, prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 voz de Deus que nos garante: \u201colhem que esse Jesus que Eu enviei ao vosso encontro \u00e9 o meu Filho amado, aquele a quem Eu entreguei o projeto de um mundo mais humano e mais fraterno\u2026 Confirmo a verdade do caminho que Ele vos prop\u00f5e. Escutai-O, ide com Ele, acolhei as suas propostas e indica\u00e7\u00f5es, mesmo que tenhais de remar contra a mar\u00e9. O caminho que Ele vos aponta pode passar pela cruz, mas conduz \u00e0 Vida verdadeira, \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 com estas atitudes que somos seguidores de Jesus Cristo?<\/li>\n<li>\u201cEste \u00e9 o meu Filho amado. Escutai-o\u201d. \u00c9 verdade: precisamos de escutar Jesus mais e melhor. Quando o \u201cescutamos\u201d \u2013 quer dizer, quando ouvimos o que Ele nos diz, quando acolhemos no cora\u00e7\u00e3o as suas indica\u00e7\u00f5es e quando procuramos concretiz\u00e1-las na vida \u2013 come\u00e7amos a ver tudo com uma luz mais clara. Come\u00e7amos a perceber qual \u00e9 a maneira mais humana de enfrentar os problemas da vida e os males do nosso mundo; damos conta dos grandes erros que os seres humanos podem cometer e descobrimos as solu\u00e7\u00f5es que Deus nos aponta\u2026 Escutar Jesus pode curar-nos das nossas cegueiras seculares, dos preconceitos que nos impedem de acolher a novidade de Deus, dos medos que nos paralisam; escutar Jesus pode libertar-nos de desalentos e cobardias, e abrir o nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0 esperan\u00e7a. A escuta de Jesus est\u00e1 no centro da nossa experi\u00eancia de f\u00e9? Nas nossas comunidades crist\u00e3s damos espa\u00e7o suficiente \u00e0 escuta de Jesus?<\/li>\n<li>O tempo de Quaresma \u00e9 um tempo favor\u00e1vel de convers\u00e3o, de transforma\u00e7\u00e3o, de renova\u00e7\u00e3o. Traz-nos um convite a questionarmos a nossa forma de encarar a vida, os valores que priorizamos, as op\u00e7\u00f5es que vamos fazendo, as nossas certezas e apostas, os nossos interesses e projetos\u2026 O que \u00e9 que eu, pessoalmente, necessito de mudar, na minha forma de pensar e de agir, a fim de me tornar um disc\u00edpulo coerente e comprometido, que segue Jesus no caminho do amor levado at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, at\u00e9 ao dom total de si pr\u00f3prio?<\/li>\n<li>\u00c9 verdade que, para muitos dos nossos contempor\u00e2neos, o caminho proposto por Jesus n\u00e3o parece muito entusiasmante\u2026 N\u00e3o assegura bem-estar, nem bens materiais, nem triunfos, nem reconhecimento, nem fama, nem poder, nem tranquilidade, nem qualquer outro valor que muitos dos homens e mulheres do nosso tempo consideram fundamentais para que as suas vidas tenham algum sentido. Contudo, n\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, acreditamos que s\u00f3 o amor \u2013 o amor vivido como servi\u00e7o, como dom de si pr\u00f3prio, ao estilo de Jesus \u2013 d\u00e1 sentido \u00e0 vida; acreditamos que a constru\u00e7\u00e3o de um mundo novo \u2013 mais humano, mais s\u00e3o, mais verdadeiro \u2013 depende de acolhermos e vivermos as propostas de Jesus. O que poderemos fazer para contagiar os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s com o nosso entusiasmo por Jesus e pelo seu projeto de um mundo novo?<\/li>\n<li>Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, testemunhas da transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus, parecem n\u00e3o ter muita vontade de \u201cdescer \u00e0 terra\u201d e de enfrentar o mundo e os problemas dos homens. Prop\u00f5em fazer tr\u00eas tendas e ficar no cimo daquele monte, onde tudo parece t\u00e3o f\u00e1cil e t\u00e3o indolor. Representam aqueles que vivem de olhos postos no c\u00e9u, alheados da realidade concreta do mundo, sem vontade de intervir para o renovar e transformar. No entanto, ser seguidor de Jesus obriga-nos a \u201cregressar ao mundo\u201d para testemunhar aos homens, mesmo contra a corrente, que a realiza\u00e7\u00e3o aut\u00eantica est\u00e1 no dom da vida; obriga a atolarmo-nos no mundo, nos seus problemas e dramas, a fim de dar o nosso contributo para o aparecimento de um mundo mais justo e mais feliz. Assumimos a nossa liga\u00e7\u00e3o a Deus, n\u00e3o como uma droga que nos adormece, mas como compromisso com Deus que se concretiza no esfor\u00e7o de construirmos um mundo mais justo, mais humano, mais cheio de amor? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> deve ter-se em conta as v\u00e1rias interven\u00e7\u00f5es em discurso direto que dominam todo o texto. Os diversos di\u00e1logos devem ser bem articulados para uma melhor compreens\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong>, apesar da sua brevidade, exige uma acurada prepara\u00e7\u00e3o uma vez que \u00e9 composta apenas por frases interrogativas. Deve evitar-se dar a entoa\u00e7\u00e3o interrogativa unicamente no final das frases, aproveitando as part\u00edculas interrogativas e as formas verbais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/02\/26\/a-solene-exposicao-do-filho-3\/\"><strong>A SOLENE EXPOSI\u00c7\u00c3O DO\u00a0FILHO<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Batizado com o Esp\u00edrito Santo (Marcos 1,9-10), chamado pelo Pai \u00abo Filho meu\u00bb, \u00abo Amado\u00bb (Marcos 1,11), tentado durante quarenta dias no nosso deserto, mas superando a prova, dominando pela do\u00e7ura os animais e a nossa selvagem animalidade, Jesus, totalmente vinculado ao Pai, pois d\u2019Ele \u00e9 o Filho, o Amado, vincula-se tamb\u00e9m \u00e0 nossa humana condi\u00e7\u00e3o e vincula-nos a Si (\u00abVamos\u00bb [<em>\u00e1g\u00f4men<\/em>]: o mesmo dizer vinculativo em Marcos 1,38, na hora da Miss\u00e3o, e Marcos 14,42, na hora da Paix\u00e3o), refazendo os nossos caminhos h\u00e1 muito por n\u00f3s abandonados. O seu caminho filial batismal \u00e9 agora tamb\u00e9m o nosso caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho de Marcos refere, de facto, que Jesus nos fez deixar para tr\u00e1s os nossos planos (Marcos 1,37), e nos levou consigo, na hora da Miss\u00e3o, a Anunciar o Evangelho de Deus pelos caminhos da Galileia (Marcos 1,38), prolepse fant\u00e1stica da inteira vida crist\u00e3, discipular e apost\u00f3lica: com Jesus nos caminhos da sua Miss\u00e3o, que passam tamb\u00e9m pelo caminho da sua Paix\u00e3o (Marcos 14,42). A locu\u00e7\u00e3o \u00abno caminho\u00bb (<em>en t\u00ea hod\u00f4<\/em>), usada sobretudo na importante sec\u00e7\u00e3o do seguimento de Jesus \u00abno caminho\u00bb (Marcos 8,27-10,52), fazendo-se a\u00ed ouvir por cinco vezes (Marcos 8,27; 9,33.34; 10,32.52), ajuda-nos a compreender ainda melhor que o disc\u00edpulo de Jesus deve aprender a \u00abdizer vigorosamente n\u00e3o\u00bb (<em>apern\u00e9omai<\/em>) a si mesmo (Marcos 8,34), express\u00e3o fort\u00edssima empregada no texto grego de Isa\u00edas para dizer \u00abdesfazer-se dos seus \u00eddolos de ouro e prata\u00bb (Isa\u00edas 31,7), para fazer completamente seu o mesmo caminho de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 assim que chegamos ao Evangelho deste Domingo II da Quaresma (Marcos 9,2-10), em que nos \u00e9 mostrada, no meio do caminho de Jesus, a cena extraordin\u00e1ria da Transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus. A iniciativa come\u00e7a por ser de Jesus, que toma consigo (<em>paralamb\u00e1n\u00f4<\/em>) Pedro, Tigo e Jo\u00e3o, e os faz subir (<em>anaph\u00e9r\u00f4<\/em>) a um monte alto, mas passa logo para Deus com o passivo divino ou teol\u00f3gico \u00abfoi transfigurado\u00bb (<em>metemorph\u00f4th\u00ea<\/em>: aoristo passivo de\u00a0<em>metamorph\u00e9\u00f4<\/em>) (Marcos 9,2). \u00c9 a segunda vez que Jesus toma consigo apenas Pedro, Tiago e Jo\u00e3o (a primeira foi aquando da ressuscita\u00e7\u00e3o da filha de Jairo: 5,35-43). O facto de os levar para um monte alto, significa que o que se vai passar cai fora da agita\u00e7\u00e3o da vida quotidiana; a transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus n\u00e3o se realiza na pra\u00e7a p\u00fablica ou perante uma grande multid\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 narrada a figura de Jesus transfigurado. Apenas se fala das suas vestes brancas de uma brancura n\u00e3o terrena (Marcos 9,3). Fala-se tamb\u00e9m da \u00abapari\u00e7\u00e3o\u00bb de Elias com Mois\u00e9s (Marcos 9,4). A \u00abapari\u00e7\u00e3o\u00bb de Mois\u00e9s e Elias faz-nos compreender que Jesus n\u00e3o surge de improviso, mas se insere numa longa hist\u00f3ria que retrata a solicitude de Deus com o seu povo. \u00abApari\u00e7\u00e3o\u00bb: literalmente \u00abfez-se ver\u00bb (<em>\u00f4pth\u00ea<\/em>: aoristo passivo de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) \u00aba eles\u00bb (<em>auto\u00ees<\/em>). Trata-se de um passivo intransitivo, isto \u00e9, s\u00e3o Mois\u00e9s e Elias que se fazem ver a eles, isto \u00e9, a Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, e n\u00e3o s\u00e3o estes que veem Mois\u00e9s e Elias. De per si, os nossos olhos n\u00e3o t\u00eam capacidade de ver tanto. Por isso tamb\u00e9m aquele \u00aba eles\u00bb \u00e9 gramaticalmente chamado um dativo do benefici\u00e1rio. Eles beneficiam desta vis\u00e3o. \u00c9 tamb\u00e9m desta maneira que s\u00e3o apresentadas as apari\u00e7\u00f5es de Deus no Antigo Testamento e as do Ressuscitado no Novo Testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Marcos 9,5, Pedro reage a tanto ver. Mas o seu dizer n\u00e3o se ajusta ao contexto, \u00e9 manifestamente desapropriado. Tendas terrenas n\u00e3o podem abrigar seres celestes. Por isso, certeiramente nos diz o narrador que \u00abn\u00e3o sabia o que dizia\u00bb (Marcos 9,6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eis o cl\u00edmax do relato, com a introdu\u00e7\u00e3o de dois elementos divinos: a nuvem e a voz, s\u00edmbolos respetivamente da presen\u00e7a velada de Deus e da sua transcend\u00eancia (\u00caxodo 24,16). Da nuvem uma voz, a voz de Deus, o \u00fanico que sabe dizer bem o que se passa: \u00abEste \u00e9 o Filho meu, o Amado\u00bb (Marcos 9,8). Notem-se duas pequenas diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o ao cen\u00e1rio do Batismo. A\u00ed, a voz de Deus prov\u00e9m do c\u00e9u (n\u00e3o da nuvem), e dirige-se a Jesus, em 2.\u00aa pessoa: \u00abTu \u00e9s o Filho meu, o Amado\u00bb (Marcos 1,11). Aqui, a voz prov\u00e9m da nuvem, e dirige-se a n\u00f3s, em 3.\u00aa pessoa. \u00c9, portanto, a apresenta\u00e7\u00e3o que Deus nos faz do Seu pr\u00f3prio Filho. Tanto que, acrescenta logo o imperativo: \u00abEscutai-O\u00bb (Marcos 9,8). Com este divino dizer, o Pai vincula a Si o Seu Filho do modo mais profundo: Deus n\u00e3o se revela a si mesmo, como no \u00caxodo, mas revela o Filho, e vincula-nos a n\u00f3s tamb\u00e9m ao Seu Filho, sendo Ele a Palavra que devemos escutar todos os dias, a Pessoa a quem devemos prestar aten\u00e7\u00e3o todos os dias. Note-se que o Filho \u00e9, antes de mais, aquele que recebe a vida, e s\u00f3 depois aquele que tem uma miss\u00e3o para cumprir. Est\u00e1 aqui o esc\u00e2ndalo da revela\u00e7\u00e3o: Deus n\u00e3o se qualifica apenas como Criador e Pai que d\u00e1 a vida, mas tamb\u00e9m como Filho que a recebe, para a dar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis-nos, portanto, outra vez a s\u00f3s com Jesus (Marcos 9,8), que p\u00f5e a Transfigura\u00e7\u00e3o em linha com a Ressurrei\u00e7\u00e3o, abrindo-nos j\u00e1 proleticamente os caminhos da Miss\u00e3o depois da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Que a Transfigura\u00e7\u00e3o deve ser vista \u00e0 luz da Ressurrei\u00e7\u00e3o, fica bem patente no dizer das Igrejas do Oriente que chamam \u00e0 Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o, que se celebra no dia 6 de agosto, \u00aba P\u00e1scoa do ver\u00e3o\u00bb. Mas est\u00e1 tamb\u00e9m claro na ordem dada por Jesus ao descer do monte de \u00abA ningu\u00e9m narrarem (<em>di\u00eag\u00e9omai<\/em>) o que viram sen\u00e3o quando o Filho do Homem ressuscitar dos mortos\u00bb (Marcos 9,9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus imp\u00f5e, portanto, na nossa pauta musical pausa e bemol. Na verdade, n\u00e3o podemos dizer a Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor, antes da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor e independentemente da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor. E n\u00e3o podemos, porque n\u00e3o sabemos. E n\u00e3o sabemos, porque \u00e9 s\u00f3 o Ressuscitado que faz vir o Esp\u00edrito Santo sobre n\u00f3s. Veja-se a li\u00e7\u00e3o do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos: \u00abEste Jesus, Deus o Ressuscitou, e disto todos n\u00f3s somos testemunhas. Exaltado \u00e0 direita de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Esp\u00edrito Santo, derramou-o, e \u00e9 o que vedes e ouvis\u00bb (2,32-33). E o coment\u00e1rio preciso e precioso do narrador \u00e0s palavras que Jesus acabava de proferir: \u00abIsto disse do Esp\u00edrito que haviam de receber os que tinham acreditado n\u2019Ele, pois n\u00e3o havia ainda Esp\u00edrito [para n\u00f3s], porque Jesus ainda n\u00e3o tinha sido glorificado\u00bb (Jo\u00e3o 7,39). Pausa e bemol, porque importa que n\u00e3o sejamos n\u00f3s a falar, porque n\u00f3s falamos sempre antes do tempo! Importa que seja o Esp\u00edrito Santo a falar em n\u00f3s. Toda a aten\u00e7\u00e3o, neste sentido, para o grande dizer de Jesus: \u00abQuando vos conduzirem, entregando-vos, n\u00e3o vos preocupeis com o que ides falar (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>); mas o que vos for dado (<em>doth\u00ea<\/em>: conj. aor. pass. de\u00a0<em>d\u00edd\u00f4mi<\/em>) nessa hora, isso falai (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>); na verdade, n\u00e3o sois v\u00f3s que falais (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>), mas o ESP\u00cdRITO SANTO\u00bb (Marcos 13,11). Falar, com o verbo\u00a0<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>, \u00e9 linguagem de revela\u00e7\u00e3o e ultrapassa os n\u00edveis da nossa compet\u00eancia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o situa o \u00abmonte alto\u00bb, que abre o epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o (Marcos 9,2), no Tabor, um monte de forma arredondada que se ergue nos seus 582 metros no meio da plan\u00edcie galilaica de Jesrael ou Esdrelon. No sop\u00e9 do Tabor ainda hoje se encontra a aldeia palestiniana de\u00a0<em>Daburiyya<\/em>, cujo eco evoca a personagem b\u00edblica mais importante desta regi\u00e3o, a profetisa D\u00e9bora. As Igrejas do Oriente conhecem este epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o por \u00abMetamorfose\u00bb (<em>Metam\u00f3rph\u00f4sis<\/em>), a partir das palavras do texto: \u00abE transformou-se (<em>metemorph\u00f4th\u00ea<\/em>) diante deles [= Pedro, Tiago e Jo\u00e3o], e as suas vestes tornaram-se resplandecentes, grandemente brancas\u00bb (Marcos 9,2-3). O branco \u00e9 a cor divina. E a luz \u00e9 o seu vestido, conforme o dizer do Salmo 104,2: \u00abVestido de Luz como de um manto\u00bb. E, nesse cone de luz, o Ap\u00f3stolo exorta-nos: \u00abCaminhai como filhos da luz\u00bb, e lembra-nos que \u00abo fruto da luz \u00e9 toda a bondade, justi\u00e7a e verdade\u00bb (Ef\u00e9sios 5,8 e 9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Li\u00e7\u00e3o do Livro do G\u00e9nesis 22,1-18 apresenta-nos a figura de Abra\u00e3o, tamb\u00e9m ele vencedor da prova da sempre idol\u00e1trica posse que se apega a n\u00f3s e a que n\u00f3s nos apegamos. Na verdade, h\u00e1 ainda uma \u00faltima posse de que Abra\u00e3o tem de ser libertado: em rela\u00e7\u00e3o a Abra\u00e3o, o narrador insiste em chamar a Isaac \u00abseu\u00bb filho (G\u00e9nesis 22,3.6.9.10.13), e o pr\u00f3prio Abra\u00e3o diz para Isaac \u00abmeu\u00bb filho (G\u00e9nesis 22,7 e 8). Um refr\u00e3o os re\u00fane por duas vezes: \u00abE iam os dois juntos\u00bb (G\u00e9nesis 22,6 e 8). Ora, Isaac \u00e9 o filho da promessa, \u00e9 um dom, e um dom n\u00e3o \u00e9 para se reter ou possuir. Segundo o dizer autorizado do anjo do Senhor que se faz ouvir dos c\u00e9us por duas vezes, Abra\u00e3o passa a prova exatamente porque \u00abn\u00e3o retiveste o teu filho, o teu \u00fanico, longe de mim\u00bb (G\u00e9nesis 22,12 e 16). Abra\u00e3o n\u00e3o o reteve. Deu-o. Desapossou-se dele. Deu-o a Deus e deu-se a Deus na sua paternidade, \u00abfazendo subir em holocausto\u00bb, n\u00e3o um\u00a0<em>cordeiro<\/em>\u00a0(<em>seh<\/em>) (G\u00e9nesis 22,7-8), mas um\u00a0<em>carneiro<\/em>\u00a0(<em>\u02bcayil<\/em>) (Gn 22,13). Neste epis\u00f3dio imenso, intenso e nebuloso, n\u00f3s podemos, todavia, compreender que, em vez de sacrificar Isaac, Abra\u00e3o dever\u00e1 sacrificar a sua vontade de o possuir como propriedade: \u00e9 esta vontade que \u00e9 mortal. Procedendo assim, Abra\u00e3o \u00e9 o anti-<em>Adam<\/em>. \u00c9 preciso testemunhas desta liberta\u00e7\u00e3o imensa, incr\u00edvel, dram\u00e1tica, divina. S\u00e3o os dois jovens deposit\u00e1rios do dizer de Abra\u00e3o: \u00abVamos l\u00e1 acima adorar, e\u00a0<em>voltaremos<\/em>\u00a0para v\u00f3s\u00bb (G\u00e9nesis 22,5. Importante dizer, dado que, ap\u00f3s a a\u00e7\u00e3o de adora\u00e7\u00e3o l\u00e1 em cima, o narrador dir\u00e1: \u00ab<em>Voltou<\/em>\u00a0Abra\u00e3o para os jovens\u00bb (G\u00e9nesis 22,19). Deposit\u00e1rios de um dizer que afirmava o regresso de Abra\u00e3o e Isaac, as duas testemunhas podem constatar agora, n\u00e3o o regresso dos dois, mas somente de Abra\u00e3o. Li\u00e7\u00e3o de insuper\u00e1vel liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro imenso texto de S\u00e3o Paulo atravessa este Domingo II da Quaresma: Romanos 8,31\u201134. \u00abDeus entregou o seu Filho por n\u00f3s\u00bb (Romanos 8,32). Eis o\u00a0<em>Des\u00edgnio\u00a0<\/em>(<em>Mist\u00e9rio<\/em>) de Deus anunciado no Antigo Testamento, realizado em Cristo, batizado para a Morte, confirmado para a Morte, entregue por Deus \u00e0 Morte. Nesta Morte Gloriosa fomos n\u00f3s batizados e confirmados com o Esp\u00edrito Santo e com o fogo, e foi\u2011nos dado a conhecer esse\u00a0<em>Des\u00edgnio\u00a0<\/em>(<em>Mist\u00e9rio conhecido!<\/em>) (Romanos 16,25\u201126; 1 Cor\u00edntios 2,7\u2011l0; Ef\u00e9sios 3,3\u201111; Colossenses 1,26\u201127).\u00a0<em>Des\u00edgnio\u00a0<\/em>(<em>Mist\u00e9rio<\/em>)de Deus anunciado, realizado, e dado a conhecer. A nossa miss\u00e3o filial batismal \u00e9 proclam\u00e1\u2011lo e testemunh\u00e1\u2011lo como o Ap\u00f3stolo o proclama e testemunha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 116 \u00e9 o quarto canto do chamado \u00abHallel Pascal\u00bb, que re\u00fane os Salmos 113-118. O Salmo 116 enche de m\u00fasica e de cor a Ceia Pascal hebraica. Na verdade, neste Salmo, canta-se a liberdade e a alegria confiante de vermos a nossa vida segura nas m\u00e3os de Deus, que nos retira do esquecimento do t\u00famulo, e reacende a chama que se extingue. Entre os admiradores deste Salmo conta-se, com algum espanto nosso, o fil\u00f3sofo franc\u00eas Voltaire (1694-1778), que privilegiava o v. 12: \u00abComo restituirei (<em>hesh\u00eeb<\/em>) ao Senhor por todos os seus benef\u00edcios (<em>g<sup>e<\/sup>m\u00fbl\u00f4t<\/em>) que me deu?\u00bb. O Salmo fornece logo a seguir a resposta: \u00abO c\u00e1lice da salva\u00e7\u00e3o erguerei,\/ e o Nome do Senhor invocarei.\/ Os meus votos ao Senhor cumprirei,\/ diante de todo o seu povo\u00bb (vv. 13-14). Este c\u00e1lice erguido e partilhado assinala, no ritual (<em>seder<\/em>) da Ceia Pascal hebraica, o momento em que ia passando entre os comensais a terceira ta\u00e7a de vinho, a da A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as. De resto, o orante sabe bem que n\u00e3o pode \u00abrestituir\u00bb a Deus. Por isso, no Salt\u00e9rio, o sujeito do verbo \u00abrestituir\u00bb (<em>hesh\u00eeb<\/em>: hiphil de\u00a0<em>sh\u00fbb<\/em>) \u00e9, por norma, Deus (21 sobre 28 vezes). Mas o orante pode sempre agradecer a Deus e anunciar a todos que Deus atua em favor do seu povo, a\u00e7\u00e3o de evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Quaresma \u00e9 uma estrada<\/strong><br \/>\n<strong>Entrecortada<\/strong><br \/>\n<strong>Por esta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o de paz e de perd\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>Uma avenida<\/strong><br \/>\n<strong>Florida<\/strong><br \/>\n<strong>De ora\u00e7\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>Uma pra\u00e7a<\/strong><br \/>\n<strong>De gra\u00e7a<\/strong><br \/>\n<strong>E contempla\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Quaresma \u00e9 uma escada,<\/strong><br \/>\n<strong>Que do c\u00e9u desce,<\/strong><br \/>\n<strong>Trazendo at\u00e9 n\u00f3s a m\u00e3o de Deus,<\/strong><br \/>\n<strong>E ao c\u00e9u se eleva,<\/strong><br \/>\n<strong>Levando at\u00e9 Deus a nossa prece.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Quaresma \u00e9 um caminho<\/strong><br \/>\n<strong>Direitinho<\/strong><br \/>\n<strong>Ao cora\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 preciso limp\u00e1-lo<\/strong><br \/>\n<strong>De todo o lixo acumulado.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 preciso entreg\u00e1-lo a Deus,<\/strong><br \/>\n<strong>Limpo e cultivado.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Senhor desta estrada deserta,<\/strong><br \/>\n<strong>Que vai de Jerusal\u00e9m a Gaza,<\/strong><br \/>\n<strong>Mant\u00e9m a minha alma sempre alerta,<\/strong><br \/>\n<strong>Conduz nesta viagem os meus passos,<\/strong><br \/>\n<strong>Pegada a pegada,<\/strong><br \/>\n<strong>At\u00e9 ao limiar da tua casa<\/strong><br \/>\n<strong>Iluminada.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Leitura-I-do-Domingo-II-da-Quaresma-Ano-B-25.02.2024-Gen-22-1-2.9a.10-13.15-18.pdf\">Leitura I do Domingo II da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 25.02.2024 (Gen 22, 1-2.9a.10-13.15-18)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Leitura-II-do-Domingo-II-da-Quaresma-Ano-B-25.02.2024-Rom-8-31b-34.pdf\">Leitura II do Domingo II da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 25.02.2024 (Rom 8, 31b-34)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Domingo-II-da-Quaresma-Ano-B-25.02.2024-Lecionario.pdf\">Domingo II da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 25.02.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Domingo-II-da-Quaresma-Ano-B-25.02.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo II da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 25.02.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Mensagem-do-Papa-Francisco-para-a-Quaresma-de-2024-1.pdf\">Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Mensagem-da-Quaresma-2024-Bispos-do-Porto.pdf\">Mensagem Bispos do Porto para Quaresma 2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo I da Quaresma \u2013 Ano B \u2013 18.02.2024&#8243; tab_id=&#8221;1708864535177-aa4f98f7-2575&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo I da Quaresma &#8211; Ano B \u2013 18.02.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Domingo-I.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"333\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>O Esp\u00edrito Santo impeliu Jesus para o deserto<\/em>\u00bb. No in\u00edcio deste tempo da Quaresma, o Evangelho convida-nos a contemplar Jesus que \u00e9\u00a0<em>impelido<\/em>\u00a0para o deserto, onde ser\u00e1 tentado por Satan\u00e1s. Jesus \u00e9 o Homem Novo na plenitude do Esp\u00edrito. Ungido pela for\u00e7a do Esp\u00edrito de Deus vem para cumprir a vontade do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Batizados em Cristo, tamb\u00e9m n\u00f3s somos enviados pela for\u00e7a do Esp\u00edrito para percorrer os caminhos da miss\u00e3o. Parece sempre paradoxal e at\u00e9 estranho que o Esp\u00edrito conduza Jesus ao deserto para ser tentado. Recordando o caminho percorrido pelo Povo de Israel a caminho da terra da promessa, percebemos como o deserto \u00e9 lugar de tribula\u00e7\u00e3o e prova\u00e7\u00e3o. Quantas vezes o Povo se afastou da Lei de Deus, se revoltou contra o Senhor e at\u00e9 adorou outras divindades. Contudo, tamb\u00e9m sabemos como foram tantas as manifesta\u00e7\u00f5es da solicitude e do poder de Deus ao logo do caminho do deserto e como Deus, apesar da infidelidade do Povo, saciou a sua sede com a \u00e1gua que jorrou do rochedo, lhes fez chegar o man\u00e1 e a carne para comer, lhes ofereceu a Lei, os acompanhou durante o dia numa coluna de nuvem e de noite numa coluna de fogo para os iluminar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, o deserto pode ser um lugar de perdi\u00e7\u00e3o e afastamento de Deus, mas pode ser tamb\u00e9m uma oportunidade para um renovado encontro com o Senhor. As tenta\u00e7\u00f5es s\u00e3o isto mesmo! S\u00e3o lugares de confronto com a nossa fragilidade e liberdade e o importante \u00e9 fazer de cada tenta\u00e7\u00e3o a oportunidade para renovar o nosso sim a Deus e \u00e0 Sua vontade. Conduzido pelo Esp\u00edrito ao deserto e sendo tentado por Satan\u00e1s, Jesus mant\u00e9m-se firme na fidelidade ao projeto do Pai. Cada batizado, diante de cada tenta\u00e7\u00e3o, revestido da for\u00e7a do Esp\u00edrito, \u00e9 chamado a renovar a Sua op\u00e7\u00e3o por Deus e pelo Seu amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, o deserto, tal como as tenta\u00e7\u00f5es da nossa vida s\u00e3o um lugar provis\u00f3rio, por isso, depois da pris\u00e3o de Jo\u00e3o, Jesus partiu para a Galileia e iniciou a Sua prega\u00e7\u00e3o, fazendo ecoar as Suas primeiras palavras: \u00ab<em>Cumpriu-se o tempo e est\u00e1 pr\u00f3ximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre que escuto as palavras de Jesus \u00ab<em>cumpriu-se o tempo<\/em>\u00bb, n\u00e3o consigo deixar de pensar como tantas vezes empregamos esta express\u00e3o para falar sobre o final do tempo da gravidez e o momento de uma mulher dar \u00e0 luz. Efetivamente, o an\u00fancio do Reino \u00e9 an\u00fancio alegre e jubiloso de uma vida nova que est\u00e1 a despontar. O Reino de Deus est\u00e1 pr\u00f3ximo e j\u00e1 se pode saborear na presen\u00e7a terna e amorosa de Jesus Cristo. Por isso, \u00e9 tempo de arrependimento e de convers\u00e3o, tempo da alegre transforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o que torna a vida num lugar mais belo e o mundo num lugar mais feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A convers\u00e3o e o arrependimento s\u00f3 se podem conjugar com a plena e consciente ades\u00e3o ao Evangelho. Aquele que se encontrou com Jesus e acolheu o Seu Evangelho como Palavra de Vida abra\u00e7a uma nova forma de ser e de estar que se caracteriza por um modo novo de servir e amar. Assim, a convers\u00e3o transforma-se num lugar feliz de aperfei\u00e7oamento permanente, que nos permite reconhecer na nossa fragilidade e no nosso pecado uma oportunidade de crescimento e de renova\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o e da vida. A vida de quantos entram neste dinamismo de convers\u00e3o transforma-se num arco-\u00edris luminoso que continua a irradiar no tempo e na hist\u00f3ria a certeza de que Deus n\u00e3o nos abandona. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O diret\u00f3rio lit\u00fargico oferece duas indica\u00e7\u00f5es importantes para o primeiro Domingo da Quaresma: \u00ab<em>No caso de n\u00e3o o ter recordado na Quarta-Feira de Cinzas, lembrar aos fi\u00e9is que, em uni\u00e3o com a Paix\u00e3o do Senhor e em esp\u00edrito de penit\u00eancia mais vis\u00edvel, nas sextas-feiras da Quaresma se deve escolher uma alimenta\u00e7\u00e3o simples e pobre, que poder\u00e1 concretizar-se na absten\u00e7\u00e3o de carne<\/em>\u00bb e \u00ab<em>Lembrar-lhes tamb\u00e9m a finalidade das Ren\u00fancias Quaresmais deste ano, proposta pelo Bispo da Diocese<\/em>\u00bb. Deste modo, neste Domingo, deve recordar-se os fi\u00e9is da import\u00e2ncia de fazer deste tempo da Quaresma um tempo diferente, marcando o tempo e o ritmo dos dias com o apelo \u00e0 convers\u00e3o que abre \u00e0 renova\u00e7\u00e3o de vida. Al\u00e9m disso, deve comunicar-se a finalidade das ren\u00fancias quaresmais, recordando como penit\u00eancia e caridade est\u00e3o unidas. <strong><em>in Voz Portucalense <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>G\u00e9nesis 9,8-15<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus disse a No\u00e9 e a seus filhos:<br \/>\n\u00abEstabelecerei a minha alian\u00e7a convosco,<br \/>\ncom a vossa descend\u00eancia<br \/>\ne com todos os seres vivos que vos acompanham:<br \/>\nas aves, os animais dom\u00e9sticos,<br \/>\nos animais selvagens que est\u00e3o convosco,<br \/>\ntodos quantos sa\u00edram da arca e agora vivem na terra.<br \/>\nEstabelecerei convosco a minha alian\u00e7a:<br \/>\nde hoje em diante<br \/>\nnenhuma criatura ser\u00e1 exterminada pelas \u00e1guas do dil\u00favio<br \/>\ne nunca mais um dil\u00favio devastar\u00e1 a terra\u00bb.<br \/>\nDeus disse ainda:<br \/>\n\u00abEste \u00e9 o sinal da alian\u00e7a que estabele\u00e7o convosco<br \/>\ne com todos os animais que vivem entre v\u00f3s,<br \/>\npor todas as gera\u00e7\u00f5es futuras:<br \/>\nfarei aparecer o meu arco sobre as nuvens<br \/>\ne aparecer nas nuvens o arco,<br \/>\nrecordarei a minha alian\u00e7a convosco<br \/>\ne com todos os seres vivos<br \/>\ne nunca mais as \u00e1guas formar\u00e3o um dil\u00favio<br \/>\npara destruir todas as criaturas\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os primeiros onze cap\u00edtulos do Livro do G\u00e9nesis apresentam um conjunto de tradi\u00e7\u00f5es sobre as origens do mundo e dos homens. A inten\u00e7\u00e3o dos autores destes textos (os te\u00f3logos de Israel) nunca foi apresentar factos hist\u00f3ricos concretos ocorridos na aurora da humanidade, mas sim expor as suas convic\u00e7\u00f5es e descobertas sobre Deus, sobre o mundo e sobre os seres humanos. Recorreram, para o efeito, a uma linguagem pr\u00f3pria, comum aos povos da regi\u00e3o do denominado \u201cCrescente F\u00e9rtil\u201d (a zona geogr\u00e1fica que se estende desde a plan\u00edcie Mesopot\u00e2mia at\u00e9 ao Egipto, tornada f\u00e9rtil pelos rios Tigre e Eufrates a norte, e o Nilo a sul). \u00c9 por isso que estes relatos b\u00edblicos apresentam not\u00e1veis semelhan\u00e7as liter\u00e1rias com certas lendas e mitos de outros povos da zona, nomeadamente os da Mesopot\u00e2mia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste domingo da Quaresma nos apresenta como primeira leitura faz parte de uma sec\u00e7\u00e3o que abrange Gn 6,1-9,17. \u00c9 a hist\u00f3ria de um cataclismo de \u00e1guas, que teria eliminado toda a humanidade, exceto No\u00e9 e a sua fam\u00edlia. Como ter\u00e1 aparecido esta hist\u00f3ria?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns estudiosos consideram que o dil\u00favio b\u00edblico poderia estar relacionado com o fim da era glaciar, quando a fus\u00e3o dos gelos provocou not\u00e1veis avalanchas de \u00e1gua que invadiram as terras habitadas e deixaram profundos sinais na mem\u00f3ria coletiva dos povos. Mas o mais prov\u00e1vel \u00e9 que o dil\u00favio descrito no livro do G\u00e9nesis (e que \u00e9 contado em moldes semelhantes em certos textos mesopot\u00e2micos) se refira a uma das in\u00fameras inunda\u00e7\u00f5es dos rios Tigre e Eufrates\u2026 A arqueologia d\u00e1, ali\u00e1s, conta de v\u00e1rias inunda\u00e7\u00f5es especialmente catastr\u00f3ficas nessa parte do mundo entre 4000 e 2800 a.C&#8230; \u00c9 prov\u00e1vel que o texto b\u00edblico evoque essa realidade. N\u00e3o se tratou, evidentemente, de um dil\u00favio que submergiu a terra inteira; mas a fantasia popular, a partir de uma das in\u00fameras inunda\u00e7\u00f5es registadas na plan\u00edcie mesopot\u00e2mica, expandiu as dimens\u00f5es do acontecimento e apresentou-o como um \u201ccastigo\u201d que atingiu toda a humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os catequistas de Israel quiseram dizer ao seu Povo que Deus n\u00e3o fica de bra\u00e7os cruzados quando os homens se lan\u00e7am por caminhos de corrup\u00e7\u00e3o e de pecado\u2026 Com esse prop\u00f3sito, lan\u00e7aram m\u00e3o da velha lenda mesopot\u00e2mica do dil\u00favio, apresentando essa cat\u00e1strofe como um castigo enviado por Deus para punir o pecado dos homens\u2026 Mas, porque Deus n\u00e3o castiga \u00e0s cegas bons e maus, justos e injustos, os autores v\u00e3o propor a hist\u00f3ria do justo No\u00e9 e da sua fam\u00edlia, salvos por Deus da cat\u00e1strofe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto situa-nos na fase imediatamente posterior ao dil\u00favio, quando j\u00e1 tinha deixado de chover e quando No\u00e9 e a sua fam\u00edlia j\u00e1 tinham desembarcado em terra seca. Os sobreviventes constru\u00edram um altar e ofereceram holocaustos sobre o altar. Por sua vez, Deus comprometeu-Se a n\u00e3o mais castigar os seres vivos de forma t\u00e3o radical (cf. Gn 8,13-22), aben\u00e7oou No\u00e9 e a sua fam\u00edlia e entregou-lhes o cuidado da cria\u00e7\u00e3o (cf. Gn 9,1-7). No\u00e9 e a sua fam\u00edlia s\u00e3o a nova humanidade, nascida da \u00e1gua purificadora do dil\u00favio. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Todos os dias vemos a maldade que desfeia o mundo\u2026 E esta n\u00e3o \u00e9 uma realidade s\u00f3 deste nosso tempo, mas \u00e9 uma realidade de sempre. Deus fica indiferente diante do ego\u00edsmo, do \u00f3dio, da viol\u00eancia, da injusti\u00e7a, do orgulho, da prepot\u00eancia que destroem a vida dos seus filhos e que estragam esse mundo bom e belo que Ele nos encarregou de continuamente recriar? Deus finge que n\u00e3o v\u00ea tudo aquilo que atenta contra o seu projeto de um mundo onde os homens e as mulheres podem viver felizes e em paz? H\u00e1 2600 anos os catequistas de Israel, recorrendo a velhas, mas expressivas linguagens, quiseram dizer que o pecado \u00e9 algo incompat\u00edvel com Deus e com os projetos de Deus para o mundo e para o homem. Fizeram-no atrav\u00e9s da hist\u00f3ria de um dil\u00favio purificador, que limpou o mundo de toda a maldade. Esta catequese recorda-nos, no in\u00edcio da nossa caminhada quaresmal, que o pecado n\u00e3o \u00e9 uma realidade que possa coexistir com essa vida nova que Deus nos quer oferecer e que \u00e9 a nossa voca\u00e7\u00e3o fundamental. O pecado, nas suas mil e uma formas, destr\u00f3i a vida e arru\u00edna a felicidade do homem; por isso, tem de ser combatido em cada passo. Estamos dispon\u00edveis para lutar contra tudo aquilo que, dentro ou fora de n\u00f3s, potencia o dom\u00ednio do pecado?<\/li>\n<li>Deus odeia o pecado, mas n\u00e3o odeia os seus filhos pecadores. Conscientes disso, os catequistas de Israel falaram-nos de um Deus que vem ao encontro dos homens, aben\u00e7oa-os e abra\u00e7a-os, mesmo quando eles, no seu ego\u00edsmo e autossufici\u00eancia, teimam em trilhar caminhos de pecado e de infidelidade. Nesta Quaresma, procuramos fazer esta experi\u00eancia de um Deus que nos ama apesar das nossas infidelidades e deixar que o amor de Deus nos transforme e nos fa\u00e7a renascer para a vida nova?<\/li>\n<li>A l\u00f3gica do amor de Deus \u2013 amor incondicional, total, universal, que se derrama at\u00e9 sobre os que o n\u00e3o merecem \u2013 convida-nos a repensar a nossa forma de abordar a vida e de tratar os nossos irm\u00e3os. Podemos sentir-nos filhos deste Deus quando utilizamos uma l\u00f3gica de vingan\u00e7a, de intoler\u00e2ncia, de incompreens\u00e3o perante as fragilidades e limita\u00e7\u00f5es dos irm\u00e3os? Podemos sentir-nos filhos deste Deus quando respondemos com uma viol\u00eancia maior \u00e0queles que consideramos maus e violentos? Procuramos viver este tempo de Quaresma como tempo prop\u00edcio para repensarmos as nossas atitudes e para nos convertermos \u00e0 l\u00f3gica do amor incondicional, \u00e0 l\u00f3gica de Deus? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 24 (25)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong>\u00a0\u00a0Todos os vossos caminhos, Senhor, s\u00e3o amor e verdade<br \/>\npara os que s\u00e3o fi\u00e9is \u00e0 vossa alian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,<br \/>\nensinai-me as vossas veredas.<br \/>\nGuiai-me na vossa verdade e ensinai-me,<br \/>\nporque V\u00f3s sois Deus, meu Salvador.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lembrai-Vos, Senhor, das vossas miseric\u00f3rdias<br \/>\ne das vossas gra\u00e7as que s\u00e3o eternas.<br \/>\nLembrai-Vos de mim segundo a vossa clem\u00eancia,<br \/>\npor causa da vossa bondade, Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor \u00e9 bom e reto,<br \/>\nensina o caminho aos pecadores.<br \/>\nOrienta os humildes na justi\u00e7a<br \/>\ne d\u00e1-lhes a conhecer a sua alian\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Pedro 3,18-22<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Car\u00edssimos:<br \/>\nCristo morreu uma s\u00f3 vez pelos pecados<br \/>\n\u2013 o Justo pelos injustos \u2013<br \/>\npara vos conduzir a Deus.<br \/>\nMorreu segundo a carne,<br \/>\nmas voltou \u00e0 vida pelo Esp\u00edrito.<br \/>\nFoi por este Esp\u00edrito que Ele foi pregar<br \/>\naos esp\u00edritos que estavam na pris\u00e3o da morte<br \/>\ne tinham sido outrora rebeldes,<br \/>\nquando, nos dias de No\u00e9, Deus esperava com paci\u00eancia,<br \/>\nenquanto se constru\u00eda a arca,<br \/>\nna qual poucas pessoas, oito apenas,<br \/>\nse salvaram atrav\u00e9s da \u00e1gua.<br \/>\nEsta \u00e1gua \u00e9 figura do Batismo que agora vos salva,<br \/>\nque n\u00e3o \u00e9 uma purifica\u00e7\u00e3o da imund\u00edcie corporal,<br \/>\nmas o compromisso para com Deus de uma boa consci\u00eancia;<br \/>\nele vos salva pela ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo,<br \/>\nque subiu ao c\u00e9u e est\u00e1 \u00e0 direita de Deus,<br \/>\ntendo sob o seu dom\u00ednio os Anjos,<br \/>\nas Domina\u00e7\u00f5es e as Potestades.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Primeira Carta de Pedro \u00e9 uma carta dirigida aos crist\u00e3os de cinco prov\u00edncias romanas da \u00c1sia Menor (a carta cita explicitamente a Bit\u00ednia, o Ponto, a Gal\u00e1cia, a \u00c1sia e a Capad\u00f3cia \u2013 cf. 1 Pe 1,1). O seu autor apresenta-se com o nome do ap\u00f3stolo Pedro; no entanto, a an\u00e1lise liter\u00e1ria e teol\u00f3gica n\u00e3o confirma que Pedro seja o autor deste texto: em termos liter\u00e1rios, a qualidade liter\u00e1ria da carta n\u00e3o corresponde \u00e0 maneira de escrever de um pescador pouco instru\u00eddo, como seria o caso de Pedro; a teologia apresentada demonstra uma reflex\u00e3o e uma catequese bem posteriores \u00e0 \u00e9poca de Pedro; e o \u201cambiente\u201d descrito na carta corresponde, claramente, \u00e0 situa\u00e7\u00e3o da comunidade crist\u00e3 no final do s\u00e9c. I, quando Pedro j\u00e1 tinha desaparecido (Pedro, muito provavelmente, foi morto em Roma durante a persegui\u00e7\u00e3o de Nero, por volta do ano 67). O autor da carta ser\u00e1, portanto, um crist\u00e3o an\u00f3nimo \u2013 provavelmente um respons\u00e1vel de alguma comunidade crist\u00e3 \u2013, culto e que conhece profundamente a situa\u00e7\u00e3o das comunidades crist\u00e3s da \u00c1sia Menor. Ele escreve em finais do s\u00e9c. I (nunca antes dos anos 80), provavelmente a partir de uma comunidade crist\u00e3 n\u00e3o identificada da \u00c1sia Menor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As comunidades a que esta carta se destina s\u00e3o comunidades rurais que vivem \u00e0 margem das grandes cidades. A maioria dos seus membros s\u00e3o pastores ou camponeses que trabalham propriedades que n\u00e3o lhes pertencem; mas tamb\u00e9m h\u00e1 entre eles alguns pequenos propriet\u00e1rios de terras. Trata-se, em geral, de gente economicamente d\u00e9bil, vulner\u00e1vel a um ambiente que come\u00e7a a manifestar uma crescente hostilidade para com o cristianismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor da carta conhece as prova\u00e7\u00f5es que estes crist\u00e3os sofrem todos os dias. Exorta-os, no entanto, a manterem-se fi\u00e9is \u00e0 sua f\u00e9, apesar das dificuldades. Convida-os a olharem para Cristo, que passou pela experi\u00eancia da paix\u00e3o e da cruz, antes de chegar \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o; e exorta-os a manterem a esperan\u00e7a, o amor, a solidariedade, vivendo com alegria, coer\u00eancia e fidelidade a sua op\u00e7\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto \u00e9 a parte final de uma per\u00edcope (cf. 1 Pe 3,13-4,11) na qual o autor da carta explica qual deve ser a atitude dos crentes, confrontados com as provoca\u00e7\u00f5es, as injusti\u00e7as e a hostilidade do mundo. Depois de pedir aos crentes que mesmo no meio do sofrimento n\u00e3o se cansem de fazer o bem (cf. 1 Pe 3,13-17), o autor da carta apresenta a raz\u00e3o fundamental pela qual os crentes devem agir desta forma t\u00e3o \u201cil\u00f3gica\u201d: esse foi o exemplo que Cristo deixou. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jesus, \u201co justo\u201d, depois de uma vida cumprida em modo de dom e entrega ao Pai e aos homens, foi preso, julgado, torturado, condenado e morto na cruz. Talvez aqueles que o viram atravessar as ruas de Jerusal\u00e9m com a cruz \u00e0s costas a caminho do calv\u00e1rio, tenham pensado que Ele tinha fracassado e que toda a sua luta tinha sido em v\u00e3o. No entanto, Deus ressuscitou-O; e, ao ressuscit\u00e1-l\u2019O, deu-lhe raz\u00e3o. Ao ressuscitar Jesus, Deus garantiu-nos que uma vida feita dom e servi\u00e7o, mesmo que termine numa morte injusta, n\u00e3o \u00e9 uma vida fracassada ou sem sentido. Empenhamo-nos na luta pela justi\u00e7a, pela verdade e pela paz, quando somos confrontados com a incompreens\u00e3o, a maledic\u00eancia, a cr\u00edtica, a provoca\u00e7\u00e3o, talvez at\u00e9 o \u00f3dio de alguns dos nossos irm\u00e3os?<\/li>\n<li>Diante dos ataques \u2013 \u00e0s vezes incoerentes e irracionais \u2013 daqueles que n\u00e3o se reveem nos valores de Jesus, como reagimos? Com a mesma agressividade com que nos tratam? Com a mesma intoler\u00e2ncia dos nossos advers\u00e1rios? Fechando janelas de di\u00e1logo e de entendimento com o mundo que nos rodeia e ao qual devemos anunciar o Evangelho?<\/li>\n<li>Quando fomos batizados, escolhemos Jesus e fomos vivificados pelo Esp\u00edrito. Assumimos a responsabilidade de caminhar com Jesus e de sermos semente de uma humanidade nova. Temos vivido com coer\u00eancia esse compromisso? As nossas palavras e os nossos gestos s\u00e3o an\u00fancio e testemunho, ao vivo e a cores, daquilo que aprendemos com Jesus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Marcos 1,12-15<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\no Esp\u00edrito Santo impeliu Jesus para o deserto.<br \/>\nJesus esteve no deserto quarenta dias<br \/>\ne era tentado por Satan\u00e1s.<br \/>\nVivia com os animais selvagens<br \/>\ne os Anjos serviam-n\u2019O.<br \/>\nDepois de Jo\u00e3o ter sido preso,<br \/>\nJesus partiu para a Galileia<br \/>\ne come\u00e7ou a pregar o Evangelho, dizendo:<br \/>\n\u00abCumpriu-se o tempo<br \/>\ne est\u00e1 pr\u00f3ximo o reino de Deus.<br \/>\nArrependei-vos e acreditai no Evangelho\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho de Marcos come\u00e7a com uma introdu\u00e7\u00e3o (cf. Mc 1,2-13) destinada a apresentar Jesus. Essa introdu\u00e7\u00e3o aparece em forma de tr\u00edptico. No primeiro quadro (cf. Mc 1,2-8), Jo\u00e3o Batista, \u201ca voz que clama no deserto\u201d, testemunha que Jesus \u00e9 Aquele que vem \u201cbatizar no Esp\u00edrito Santo\u201d (cf. Mc 1,2-8); no segundo quadro (cf. Mc 1,9-11), \u00e9 Deus que apresenta Jesus como o Seu \u201cFilho amado\u201d, sobre quem repousa o Esp\u00edrito; no terceiro quadro, \u00e9 Marcos, o nosso catequista, que nos fala de Jesus como o Messias que enfrenta e vence o mal, criando as condi\u00e7\u00f5es para o nascimento de um mundo novo (cf. Mc 1,12-13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira parte do Evangelho deste primeiro domingo da Quaresma apresenta-nos, precisamente, o terceiro destes quadros. Situa-nos num \u201cdeserto\u201d n\u00e3o identificado, mas n\u00e3o longe do lugar onde Jesus foi batizado por Jo\u00e3o Batista. \u00c9 o momento em que Jesus faz a sua op\u00e7\u00e3o fundamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o texto evang\u00e9lico deste dia tem uma segunda parte. A\u00ed Marcos apresenta-nos um \u201csum\u00e1rio-an\u00fancio\u201d da prega\u00e7\u00e3o inaugural de Jesus sobre o \u201cReino\u201d (cf. Mc 1,14-15). Agora j\u00e1 n\u00e3o estamos \u201cno deserto\u201d, mas sim na Galileia, regi\u00e3o setentrional da Palestina, terra em permanente contato com o mundo pag\u00e3o e, portanto, considerada \u00e0 margem da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 precisamente a\u00ed que a proposta de Deus ecoa no mundo dos homens. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jesus, ao longo do caminho que percorreu entre n\u00f3s, foi confrontado com op\u00e7\u00f5es. Ele desceu ao terreno movedi\u00e7o onde a vida de cada dia acontece e teve de escolher entre viver na fidelidade aos projetos do Pai, ou frustrar os planos de Deus e enveredar por um caminho de ego\u00edsmo, de poder, de autossufici\u00eancia. Mas Jesus escolheu viver \u2013 de forma total, absoluta \u2013 na obedi\u00eancia \u00e0s propostas do Pai. Nem o espectro da cruz lhe tirou o \u00e2nimo para percorrer o caminho que Deus lhe apontava. N\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, somos confrontados a todos os instantes com as mesmas op\u00e7\u00f5es. Qual tem sido a nossa resposta? Na hora cr\u00edtica de optar, t\u00eam prevalecido os nossos interesses pessoais, o nosso desejo de uma vida c\u00f3moda e instalada, a nossa vontade de realiza\u00e7\u00e3o e de triunfos, os nossos medos paralisantes, ou a vontade de Deus a nosso respeito?<\/li>\n<li>Ao dispor-se a cumprir integralmente o projeto de salva\u00e7\u00e3o que o Pai tinha para os homens, Jesus come\u00e7ou a construir um mundo novo, de harmonia, de justi\u00e7a, de reconcilia\u00e7\u00e3o, de amor e de paz. A esse mundo novo, Jesus chamava \u201cReino de Deus\u201d. N\u00f3s aderimos a esse projeto e comprometemo-nos com ele no dia em que escolhemos ser seguidores de Jesus. O nosso empenho na constru\u00e7\u00e3o do \u201cReino de Deus\u201d tem sido coerente e consequente? Mesmo contra a corrente, temos procurado ser profetas do amor, testemunhas da justi\u00e7a, servidores da reconcilia\u00e7\u00e3o, construtores da paz?<\/li>\n<li>Para que o \u201cReino de Deus\u201d se torne uma realidade, o que \u00e9 necess\u00e1rio fazer? Na perspetiva de Jesus, o \u201cReino de Deus\u201d exige, antes de mais, a \u201cconvers\u00e3o\u201d. \u201cConverter-se\u201d \u00e9 renunciar a caminhos de ego\u00edsmo e de autossufici\u00eancia e recentrar a pr\u00f3pria vida em Deus, de forma que Deus e os seus projetos sejam sempre a nossa prioridade m\u00e1xima. Implica, naturalmente, modificar a nossa mentalidade, os nossos valores, as nossas atitudes, a nossa forma de encarar Deus, o mundo e os outros; exige que sejamos capazes de renunciar ao ego\u00edsmo, ao orgulho, \u00e0 autossufici\u00eancia, ao comodismo e que voltemos a escutar Deus e as suas propostas. O que \u00e9 que temos de \u201cconverter\u201d \u2013 quer em termos pessoais, quer em termos institucionais \u2013 para que aconte\u00e7a, realmente, esse mundo novo t\u00e3o esperado?<\/li>\n<li>A constru\u00e7\u00e3o do \u201cReino de Deus\u201d exige, tamb\u00e9m, o \u201cacreditar\u201d no Evangelho. \u201cAcreditar\u201d n\u00e3o \u00e9, na linguagem neotestament\u00e1ria, a aceita\u00e7\u00e3o de certas verdades afirmadas pelo discurso teol\u00f3gico ou a concord\u00e2ncia com um conjunto de defini\u00e7\u00f5es a prop\u00f3sito de Deus, de Jesus ou da Igreja; mas \u00e9, sobretudo, uma ades\u00e3o total \u00e0 pessoa de Jesus e ao seu projeto de vida. Com a sua pessoa, com as suas palavras, com os seus gestos e atitudes, Jesus prop\u00f4s aos homens \u2013 a todos os homens \u2013 uma vida de amor total, de doa\u00e7\u00e3o incondicional, de servi\u00e7o simples e humilde, de perd\u00e3o sem limites. N\u00f3s \u201cacreditamos\u201d em Jesus, incondicionalmente, e estamos dispostos a ir atr\u00e1s dele no \u201ccaminho do disc\u00edpulo\u201d?<\/li>\n<li>O chamamento a integrar a comunidade do \u201cReino\u201d n\u00e3o \u00e9 algo reservado a uma elite privilegiada, a pessoas que t\u00eam uma miss\u00e3o especial no mundo e na Igreja; mas \u00e9 algo que Deus dirige a cada homem e a cada mulher, sem exce\u00e7\u00e3o. Todos os batizados s\u00e3o chamados a ser disc\u00edpulos de Jesus, a \u201cconverter-se\u201d, a \u201cacreditar no Evangelho\u201d, a seguir Jesus nesse caminho de amor e de dom da vida. Aceitamos que o \u201cReino\u201d se torne o valor fundamental, a grande prioridade, o principal objetivo da nossa vida?<\/li>\n<li>O \u201cReino\u201d \u00e9 uma realidade que Jesus come\u00e7ou e que j\u00e1 est\u00e1, decisivamente, implantada na nossa hist\u00f3ria. N\u00e3o tem fronteiras materiais e definidas; mas est\u00e1 a acontecer e a concretizar-se atrav\u00e9s dos gestos de bondade, de servi\u00e7o, de doa\u00e7\u00e3o, de amor gratuito que acontecem \u00e0 nossa volta (muitas vezes, at\u00e9 fora das fronteiras institucionais da \u201cIgreja\u201d) e que s\u00e3o um sinal vis\u00edvel do amor de Deus nas nossas vidas. Sabemos olhar para o mundo com olhos de ver e conseguimos reconhecer, nos gestos de bondade e de amor que n\u00e3o cessam de acontecer, os sinais da presen\u00e7a do \u201cReino\u201d na vida e na hist\u00f3ria dos homens? A presen\u00e7a do \u201cReino\u201d neste mundo onde a nossa vida se cumpre \u00e9 para n\u00f3s fonte de alegria e de esperan\u00e7a? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, Deus dirige-se ao povo estabelecendo uma alian\u00e7a. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ser marcada pela alegria que nasce da certeza de que Deus n\u00e3o abandona o Seu povo. Al\u00e9m disso, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o as longas frases com diversas ora\u00e7\u00f5es que requerem uma acurada prepara\u00e7\u00e3o nas pausas e respira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mesmo cuidado deve ser tido na <strong>segunda leitura<\/strong>, pois algumas das quebras do texto no lecion\u00e1rio n\u00e3o correspondem \u00e0s pausas e respira\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/02\/20\/deserto-lugar-de-prova-e-de-graca-4\/\"><strong>DESERTO, LUGAR DE PROVA E DE\u00a0GRA\u00c7A<\/strong><\/a><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 secundariamente a Quaresma \u00abprepara\u00bb para a Ressur\u00adrei\u00e7\u00e3o do Senhor. Na verdade, todos os \u00abTempos\u00bb e todos os Domingos do Ano Lit\u00fargico \u2013 portanto, tamb\u00e9m a Quaresma e os seus Domingos \u2013 est\u00e3o\u00a0<em>depois<\/em>\u00a0da Ressurrei\u00e7\u00e3o e\u00a0<em>por causa<\/em>\u00a0da Ressurrei\u00e7\u00e3o. E \u00e9 s\u00f3 sob a intensa luz do Senhor Ressusci\u00adtado com o Esp\u00edrito Santo (Batismo consumado: Lucas 12,49\u201150) que a Igreja \u2013 e cada um de n\u00f3s \u2013 pode celebrar autenti\u00adcamente a sua f\u00e9, proceder \u00e0 correta \u00ableitura\u00bb das Escri\u00adturas e encetar a \u00abcaminhada\u00bb quaresmal. Neste sentido, todos os batizados s\u00e3o chamados a refazer com Cristo bati\u00adzado o seu programa batismal, cujo conte\u00fado e itiner\u00e1rio conhecemos: desde o Batismo no Jord\u00e3o, passando pela Trans\u00adfigura\u00e7\u00e3o \/ Confirma\u00e7\u00e3o no Tabor, at\u00e9 \u00e0 Cruz e\u00e0 Gl\u00f3ria da Ressurrei\u00e7\u00e3o (Batismo consumado!), escutando e anunciando sempre e cada vez mais intensamente o Evangelho do Reino e fazendo sempre e cada vez mais intensamente as \u00abobras\u00bb do Reino (Atos dos Ap\u00f3stolos 10,37-43: texto emblem\u00e1tico). Os catec\u00famenos, acompanhados sempre pela Assembleia dos batizados, \u00abpre\u00adparam\u2011se\u00bb intensamente para a Noite Pascal Batismal, in\u00edcio e meta da vida crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste Domingo I da Quaresma (Marcos 1,12-15) oferece-nos a figura de Jesus, acabado de apresentar pelo Pai como \u00abo Filho meu, o amado, em quem est\u00e1 o meu comprazimento\u00bb (Marcos 1,11), como sintetizador perfeito da vida do povo de Israel e da nossa. Eis, portanto, Jesus impelido pelo Esp\u00edrito no deserto, durante quarenta dias tentado por satan\u00e1s, em harmonia com os animais selvagens, servido pelos anjos (Marcos 1,12-13). Excelente analepse em que o narrador faz Jesus descer ao ch\u00e3o de Israel, para assumir as suas fragilidades, elevando a dura realidade do pecado do povo no deserto, e do nosso pecado, a um registo de salva\u00e7\u00e3o. O deserto foi lugar de tenta\u00e7\u00e3o e de queda para o povo de Israel durante quarenta anos, o tempo de uma gera\u00e7\u00e3o, uma vida inteira, o tempo todo. Mas o deserto era tamb\u00e9m o lugar da gra\u00e7a, pois era Deus que no deserto conduzia o seu povo, como se recita no velho \u00abcredo\u00bb de Israel. Esquecendo a gra\u00e7a de Deus que nos conduz, facilmente nos atolamos na areia do deserto, e n\u00e3o se passa a prova. Eis, ent\u00e3o, que Jesus desce a esse ch\u00e3o arenoso, ao nosso ch\u00e3o, experimenta a nossa condi\u00e7\u00e3o. Atravessa e supera a prova, impelido pelo Esp\u00edrito da gra\u00e7a. Novo aceno. O homem, eu e tu, n\u00f3s, recebemos de Deus o mandato do dom\u00ednio manso da terra e dos animais (G\u00e9nesis 1,26 e 28). Sem sucesso. Mas tamb\u00e9m aqui, neste ch\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o, Jesus desce ao nosso n\u00edvel, e salva o nosso fracasso, soberanamente convivendo com os animais selvagens. Mensagem de Paz e Harmonia. O texto de Marcos n\u00e3o perde tempo a descrever o conte\u00fado das tenta\u00e7\u00f5es, nem a a\u00e7\u00e3o dos atores, como vemos em Mateus (4,1-11) e Lucas (4,1-13). Marcos apenas faz descer o Filho de Deus ao nosso ch\u00e3o arenoso e escorregadio, mostrando bem a sua comunh\u00e3o connosco e o seu dom\u00ednio manso, novo e seguro. Do mesmo modo que, pouco depois, estando n\u00f3s atarefados e aflitos em pleno mar encapelado, filmar\u00e1 Jesus a dormir serenamente na nossa barca, \u00e0 popa (lugar de comando), com a cabe\u00e7a suavemente deitada numa almofada (Marcos 4,35-41).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Note-se tamb\u00e9m que o \u00abdeserto\u00bb b\u00edblico, mencionado no texto, n\u00e3o se ajusta ao que dizem os dicion\u00e1rios ou enciclop\u00e9dias. At\u00e9 contradiz esses dizeres. Na verdade, n\u00e3o \u00e9 um lugar geogr\u00e1fico, mas teol\u00f3gico, pois \u00e9 apresentado com\u00a0<em>muita \u00e1gua<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o 3,23), cumprindo Isa\u00edas 35,6-7, 41,18 e 43,19-20, com\u00a0<em>\u00e1rvores\u00a0<\/em>(<em>canas<\/em>) (Mateus 11,7; Lucas 7,24) e\u00a0<em>relva verde<\/em>\u00a0(Marcos 6,39), cumprindo Isa\u00edas 35,1 e 7 e 41,19. \u00c9 um lugar provis\u00f3rio e preliminar, preambular, longe do que \u00e9 nosso, onde se est\u00e1 \u00aba c\u00e9u aberto\u00bb com Deus, onde troar\u00e1 a voz do seu mensageiro (Isa\u00edas 40,3), de Jo\u00e3o Batista (Mateus 3,1-3), do pr\u00f3prio Messias segundo uma tradi\u00e7\u00e3o judaica recolhida em Mateus 24,26. O deserto \u00e9 o lugar onde se pode come\u00e7ar a ver a \u00abobra\u00bb nova de Deus (Isa\u00edas 43,19). Mas \u00e9 um lugar provis\u00f3rio, onde estamos de passagem, e n\u00e3o definitivo, para se habitar l\u00e1 (\u00e0 maneira dos Ess\u00e9nios). Sendo um lugar provis\u00f3rio e de passagem, aponta para o definitivo, que \u00e9 a Terra Prometida, onde Deus far\u00e1 habitar e descansar o seu povo fiel. Este deserto \u00e9 uma met\u00e1fora da nossa vida, onde sabemos que estamos de passagem. O deserto \u00e9 todo igual: n\u00e3o tem pontos de refer\u00eancia nem marcos de sinaliza\u00e7\u00e3o. Quer dizer que s\u00f3 podemos prosseguir rumo \u00e0 Terra Prometida e \u00e0 Vida verdadeira, se tivermos um bom guia. A\u00ed est\u00e1 o deserto como lugar onde temos de saber escutar a \u00abVoz do fino sil\u00eancio\u00bb de Deus e ler atentamente o mapa da sua Palavra. Agora temos a companhia do Filho, que veio em nosso aux\u00edlio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, aten\u00e7\u00e3o. Depois do pequeno, mas consolador filme a que acab\u00e1mos de assistir, em que vimos Jesus a descer ao nosso ch\u00e3o, assumindo e salvando os nossos fracassos, preparemo-nos para ouvir pela primeira vez a sua voz. Sendo os seus primeiros dizeres, s\u00e3o, naturalmente, prol\u00e9pticos e program\u00e1ticos para o inteiro Evangelho de Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas antes de ouvirmos, pela primeira vez, a voz de Jesus, anotemos desde j\u00e1 dois not\u00e1veis dizeres do narrador, que atravessam em filigrana o inteiro Evangelho de Marcos, unindo os caminhos e os destinos de Jo\u00e3o Batista, de Jesus e dos seus disc\u00edpulos, portanto, tamb\u00e9m os nossos. O primeiro \u00e9 este: \u00abDepois de Jo\u00e3o\u00a0<em>ter sido entregue<\/em>\u00a0(<em>paradoth\u00eanai<\/em>: inf. aor. pass. de\u00a0<em>parad\u00edd\u00f4mi<\/em>)\u00bb (Marcos 1,14). Trata-se de uma prolepse, que serve para ver j\u00e1 o que ir\u00e1 suceder a Jesus, acerca de quem o verbo ser\u00e1 usado 13 vezes (Marcos 3,19; 9,31; 10,33; 14,10.11.18.21.41.42.44; 15,1.10.15), e aos seus disc\u00edpulos (Marcos 13,9.11.12). O segundo \u00e9 o uso do verbo\u00a0<em>anunciar<\/em>\u00a0(<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>) para traduzir o afazer primeiro de Jesus (Marcos 1,14). E, mais uma vez, este verbo \u00e9 um fio condutor que une Jesus (Marcos 1,14.38.39), Jo\u00e3o Batista (Marcos 1,4.7), os Doze (Marcos 3,14; 6,12), algumas pessoas curadas por Jesus (Marcos 1,45; 5,20; 7,36) e a Igreja de Jesus (Marcos 13,10; 14,9). Fica, portanto, claro que, antes de pregar, ensinar e curar, Jesus, os seus disc\u00edpulos, a sua Igreja, s\u00e3o mensageiros, s\u00e3o constitu\u00eddos mensageiros, isto \u00e9, s\u00e3o pessoas enviadas e estreitamente vinculadas a quem as envia, em nome de quem anunciam em voz alta e clara a mensagem de que s\u00e3o incumbidos. A clara vincula\u00e7\u00e3o a quem os envia e nos envia \u00e9 mesmo mais importante do que a mensagem a transmitir. E \u00e9 dito o conte\u00fado da mensagem: \u00abO Evangelho de Deus\u00bb (Marcos 1,14). Sem equ\u00edvocos ent\u00e3o: a primeira coisa que fica expressa com esta linguagem, \u00e9 que Jesus, o seu precursor (Jo\u00e3o Batista) e seguidores (disc\u00edpulos), se apresentam completamente vinculados a Deus e ao seu Evangelho [= \u00abNot\u00edcia Feliz\u00bb], vivem de Deus e da Sua Not\u00edcia Boa, n\u00e3o agem por conta pr\u00f3pria, n\u00e3o s\u00e3o emissores da sua pr\u00f3pria sabedoria ou opini\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a\u00ed est\u00e1 ent\u00e3o o primeiro dizer de Jesus, articulado em duas declara\u00e7\u00f5es insepar\u00e1veis: \u00abFoi cumprido (<em>pepl\u00earotai<\/em>: perf. pass. de\u00a0<em>pl\u00ear\u00f3\u00f4<\/em>) o tempo (<em>ho kair\u00f3s<\/em>),\/ e fez-se pr\u00f3ximo (<em>\u00eaggiken<\/em>: perf. de\u00a0<em>egg\u00edz\u00f4<\/em>) o Reino de Deus (<em>he basile\u00eda to\u00fb theo\u00fb<\/em>)\u00bb (Marcos 1,15). O acento cai sobre os dois perfeitos que abrem enfaticamente as declara\u00e7\u00f5es de Jesus, e revelam que o Evangelho \u00e9 em primeiro lugar o an\u00fancio da iniciativa divina, Deus em a\u00e7\u00e3o, que abre ao homem novas e belas perspetivas. O perfeito passivo (<em>pepl\u00earotai<\/em>), que qualifica o\u00a0<em>kair\u00f3s<\/em>, indica bem que Jesus n\u00e3o se refere a qualquer segmento de tempo cronol\u00f3gico, mas \u00e0quele espec\u00edfico do cumprimento, posto expressamente sob a interven\u00e7\u00e3o definitiva de Deus. S\u00f3 Deus pode agir sobre o tempo cronol\u00f3gico, tornando-o\u00a0<em>kair\u00f3s<\/em>, tempo gr\u00e1vido de alegria e de esperan\u00e7a, entenda-se, da Palavra amante de Deus que, entrando em n\u00f3s, reclama a nossa resposta amante que transforma a nossa vida. Uma vez mais, o an\u00fancio precede a ordem: Jesus n\u00e3o come\u00e7a com normas e exig\u00eancias, mas assinala quanto Deus j\u00e1 fez e est\u00e1 a fazer, por sua gratuita iniciativa, em nosso favor. S\u00f3 depois, e como normal consequ\u00eancia, surgem na boca de Jesus dois imperativos: \u00abConvertei-vos\u00bb (<em>matanoe\u00eete<\/em>) e acreditai (<em>piste\u00faete<\/em>) no Evangelho\u00bb (Marcos 1,15), que traduzem o que compete aos homens fazer. Jesus n\u00e3o \u00e9 um moralista, mas um Evangelizador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o drama do dil\u00favio (G\u00e9nesis 9,8-15), Deus fala a No\u00e9 e aos seus filhos (G\u00e9nesis 9,8), portanto, a toda a humanidade, anunciando que vai estabelecer a sua alian\u00e7a de PAZ, n\u00e3o apenas com No\u00e9 e os seus filhos, mas tamb\u00e9m com todo o universo criado (G\u00e9nesis 9,9-11), inclusive com os animais selvagens (G\u00e9nesis 9,10): grandiosa abertura para o Evangelho de hoje. Com os animais selvagens, mas tamb\u00e9m com as aves e os animais dom\u00e9sticos. Sinal desta nova era de paz: Deus dep\u00f5e o seu \u00abarco-de-guerra\u00bb (arco-\u00edris) nas nuvens (G\u00e9nesis 9,12-17). O Des\u00edgnio de Deus anunciado ser\u00e1 inexoravelmente cumprido. A paz para todos e para sempre, inaugurada em Cristo e sempre presente no seu programa filial batismal, tem de estar igualmente presente no programa filial batismal de cada batizado. O texto do G\u00e9nesis que hoje cai nos nossos ouvidos cont\u00e9m por duas vezes \u00abE Deus disse!\u00bb. Conta-se que um disc\u00edpulo de um rabino hass\u00eddico, sempre que ouvia o seu mestre ler na B\u00edblia \u00abE Deus disse\u00bb, ficava de tal modo entusiasmado, que sa\u00eda da escola e dan\u00e7ava a gritar: \u00abE Deus disse! E Deus disse!\u00bb. A\u00ed est\u00e1 um bom motivo para estarmos mais atentos \u00e0 B\u00edblia, mas tamb\u00e9m a tantos homens e mulheres em cuja boca se vai ouvindo: \u00abE Deus disse!\u00bb. Mas compreendamos ainda que, na B\u00edblia, este \u00abE Deus disse!\u00bb n\u00e3o \u00e9 apenas coisa de Deus e dos homens. Tamb\u00e9m dos anjos, das aves, dos animais dom\u00e9sticos e selvagens, todos parceiros de Deus na sua alian\u00e7a, como hoje ouvimos, mas tamb\u00e9m das plantas e das \u00e1rvores (Deuteron\u00f3mio 20,19), dos passarinhos nos seus ninhos (Deuteron\u00f3mio 22,6-7), do cabrito no leite da sua m\u00e3e (\u00caxodo 23,10), e at\u00e9 da carism\u00e1tica burra de Bala\u00e3o (N\u00fameros 22,25.28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abNa f\u00e9 todos estes morreram, sem terem obtido a realiza\u00e7\u00e3o da promessa. Mas viram-na e acenaram-lhe de longe\u00bb (Hebreus 11,13). Bel\u00edssimo cen\u00e1rio de esperan\u00e7a! Todo o Antigo Testamento acena para Cristo, sua esperan\u00e7a, sua vida espiritual (<em>zo\u00ea<\/em>, e n\u00e3o\u00a0<em>b\u00edos<\/em>) (1 Pedro 3,18) e salva\u00e7\u00e3o (1 Pedro 3,20). E como Deus n\u00e3o desilude, Cristo acena agora a todo o Antigo Testamento, levando a salva\u00e7\u00e3o de Deus a todos os homens e a todos os lugares, iluminando tamb\u00e9m a at\u00e9 ent\u00e3o impenetr\u00e1vel regi\u00e3o da morte (1 Pedro 3,18-20). Verdadeiramente acreditar em Cristo \u00e9 sermos seus contempor\u00e2neos e seus irm\u00e3os, \u00abfilhos no Filho\u00bb, obra do Esp\u00edrito em n\u00f3s, que faz de n\u00f3s filhos, e n\u00e3o netos, contempor\u00e2neos e irm\u00e3os do Ressuscitado, e n\u00e3o meros continuadores. Todos: os de ontem, os de hoje e os de amanh\u00e3, para que \u00absem n\u00f3s\u00bb n\u00e3o se chegue \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o (Hebreus 11,40). Pedro d\u00e1 testemunho desta for\u00e7a do Evangelho e da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo que nos constitui em \u00abnova cria\u00e7\u00e3o\u00bb pelo Batismo (1 Pedro 3,21-22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os acordes do Salmo 25, que hoje cantamos, trazem \u00e0 tona os rumos e os caminhos de Deus, que s\u00e3o sempre bondade, verdade, ternura e miseric\u00f3rdia \u2013 caminhos intransitivos, entenda-se \u2013, que se v\u00e3o insinuando mansamente dentro de n\u00f3s, mais ou menos como deixou escrito, no seu Di\u00e1rio, com data de 23 de janeiro de 1948, o grande escritor franc\u00eas George Bernanos: \u00abQue do\u00e7ura pensar que, embora ofendendo-o, n\u00e3o deixamos de desejar, desde o mais profundo santu\u00e1rio da alma, aquilo que Ele deseja\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao entrarmos no tempo santo da Quaresma,<\/strong><br \/>\n<strong>Devemos ter a coragem de atravessar a poeira dos caminhos<\/strong><br \/>\n<strong>Intransitivos do nosso cora\u00e7\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>Isto \u00e9, de limpar as mentiras, \u00f3dios, raivas, viol\u00eancias, banalidades,<\/strong><br \/>\n<strong>Que tantas vezes preenchem os nossos dias.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Quaresma \u00e9 tempo de nos expormos<\/strong><br \/>\n<strong>Ao vendaval criador e purificador do Esp\u00edrito,<\/strong><br \/>\n<strong>Sem termos a pretens\u00e3o de o querer transformar em ar condicionado.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Toma em tuas m\u00e3os, Senhor,<\/strong><br \/>\n<strong>A nossa terra ardida.<\/strong><br \/>\n<strong>Beija-a.<\/strong><br \/>\n<strong>Sopra nela outra vez o teu alento,<\/strong><br \/>\n<strong>A tua aragem,<\/strong><br \/>\n<strong>E veremos nela outra vez impressa a tua imagem.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Quarta-feira-de-Cinzas-Ano-B-14.02.2024-Lecionario.pdf\">Quarta-feira de Cinzas &#8211; Ano B &#8211; 14.02.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Leitura-I-do-Domingo-I-da-Quaresma-Ano-B-18.02.2024-Gn-9-8-15.pdf\">Leitura I do Domingo I da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 18.02.2024 (Gn 9, 8-15)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Leitura-II-do-Domingo-I-da-Quaresma-Ano-B-18.02.2024-1-Pe-3-18-22.pdf\">Leitura II do Domingo I da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 18.02.2024 (1 Pe 3, 18-22)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Domingo-I-da-Quaresma-Ano-B-18.02.2024-Lecionario.pdf\">Domingo I da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 18.02.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Quarta-feira-Cinzas-e-Domingo-I-da-Quaresma-Ano-B-14.02-e-18.02.2024-Oracao-Universal.pdf\">Quarta-feira Cinzas e Domingo I da Quaresma &#8211; Ano B &#8211; 14.02 e 18.02.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Mensagem-do-Papa-Francisco-para-a-Quaresma-de-2024-1.pdf\">Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Mensagem-da-Quaresma-2024-Bispos-do-Porto.pdf\">Mensagem Bispos do Porto para Quaresma 2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo VI do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 11.02.2024 XXXII DIA MUNDIAL DO DOENTE&#8221; tab_id=&#8221;1708336103250-22e5bd3a-17cc&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 11.02.2024<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>XXXII DIA MUNDIAL DO DOENTE<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Domingo-VI.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"430\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Ao ler os textos que a Liturgia da Palavra deste Domingo nos prop\u00f5e, recordei-me de um epis\u00f3dio narrado pelo Padre Ermes Ronchi numa visita a um lepros\u00e1rio na Amaz\u00f3nia. Quando estavam na Eucaristia e cada um colocava as suas inten\u00e7\u00f5es, um dos leprosos pediu o seguinte: \u00abpe\u00e7amos ao Senhor que ajude o padre Ermes, porque na Europa \u00e9 muito dif\u00edcil manter a f\u00e9\u00bb. O padre Ermes n\u00e3o conseguiu ficar indiferente \u00e0quele homem que ao inv\u00e9s de pedir por si pr\u00f3prio, pediu pela Europa e pela evangeliza\u00e7\u00e3o que ele era chamado a fazer. Curioso com a f\u00e9 daquele homem, no final da Eucaristia foi falar com ele e perguntou-lhe: \u00abquando te encontrares com o Senhor, vais perguntar-lhe por que raz\u00e3o eras leproso?\u00bb e eles respondeu-lhe: \u00abn\u00e3o lhe vou perguntar nada, porque sempre confiei Nele\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surpreendentemente, os tempos dif\u00edceis e exigentes de prova\u00e7\u00e3o e doen\u00e7a s\u00e3o muitas vezes uma ocasi\u00e3o para renovar a confian\u00e7a em Deus e encontrar um sentido para a vida. A doen\u00e7a que atingia aquele homem n\u00e3o era capaz de lhe retirar a sua f\u00e9 nem fazer vacilar a confian\u00e7a que depositava em Deus. Sabemos que este processo n\u00e3o \u00e9 imediato e muitas vezes requer um caminho de aprofundamento e amadurecimento da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O leproso que se abeira de Jesus no Evangelho deste Domingo acredita que Jesus o pode curar: \u00ab<em>Se quiseres, podes curar-me<\/em>\u00bb. Contudo, aquele homem \u00e9 ainda um aprendiz na arte de compreender a vontade de Deus e acredita que essa pode n\u00e3o ser a Sua vontade. Creio que muitas vezes tamb\u00e9m n\u00f3s estamos ainda longe de compreender que a vontade de Deus a nosso respeito \u00e9 algo de bom e de belo, que Deus nos ama e quer o nosso bem. Recordo que na minha inf\u00e2ncia me surpreendia ouvir, diante da morte de algu\u00e9m que partia inesperadamente ou at\u00e9 v\u00edtima de uma cat\u00e1strofe: \u00ab<em>foi a vontade de Deus<\/em>\u00bb. A vontade de Deus n\u00e3o pode ser o bode expiat\u00f3rio para aquilo que n\u00e3o compreendemos e, na verdade, como afirma S. Paulo, a vontade de Deus \u00e9 \u00ab<em>que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus quer que aquele homem se cure e, mais do que isso, f\u00e1-lo voltar ao conv\u00edvio social. Como escutamos na primeira leitura aquele que contra\u00eda a lepra devia afastar-se e ficar isolado de todos. Com Jesus aquele homem restabelece a sa\u00fade do corpo e integra-se de novo na vida social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se as marcas da lepra o faziam afastar-se de todos, a marca que Jesus deixou na vida daquele homem fazem-no partir para comunicar a todos o que Jesus lhe fez. O encontro com Jesus gera uma felicidade que \u00e9 de tal modo transbordante que nos impele a partir para levar a todos a for\u00e7a transformadora do Seu amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, a a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria da Igreja s\u00f3 ser\u00e1 verdadeiramente frutuosa e fecunda quando estiver revestida desta alegria libertadora que Jesus oferece. Quando anunciamos Jesus n\u00e3o somos meramente portadores de uma doutrina ou moral, mas comunicamos a vida de Jesus, que est\u00e1 vivo e que se faz presente e atuante na hist\u00f3ria. Por isso, aquilo que temos para comunicar n\u00e3o \u00e9 algo exterior a n\u00f3s, mas a experi\u00eancia alegre e libertadora que fizemos Dele:\u00a0\u00ab<em>todos somos chamados a dar aos outros o testemunho expl\u00edcito do amor salv\u00edfico do Senhor, que, sem olhar \u00e0s nossas imperfei\u00e7\u00f5es, nos oferece a sua proximidade, a sua Palavra, a sua for\u00e7a, e d\u00e1 sentido \u00e0 nossa vida. O teu cora\u00e7\u00e3o sabe que a vida n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa sem Ele; pois bem, aquilo que descobriste, o que te ajuda a viver e te d\u00e1 esperan\u00e7a, isso \u00e9 o que deves comunicar aos outros<\/em>\u00bb (EG 121). <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 11 de fevereiro, mem\u00f3ria de Nossa Senhora de Lourdes, celebra-se o Dia Mundial do Doente. Para este ano, o Santo Padre deixou-nos uma mensagem intitulada<strong> \u00ab<em>\u2018N\u00e3o \u00e9 conveniente que o homem esteja s\u00f3\u2019. Cuidar do doente, cuidando das rela\u00e7\u00f5es<\/em>\u00bb<\/strong>. Este dia \u00e9 uma oportunidade para as comunidades para uma celebra\u00e7\u00e3o ou algum momento de conv\u00edvio com os doentes da comunidade, ou qualquer outro gesto de proximidade com quantos se encontram numa situa\u00e7\u00e3o de fragilidade. Inspirados nas palavras do Papa Francisco ser\u00e1 importante sensibilizar os fi\u00e9is para uma renovada cultura do cuidado: \u00ab<em>o primeiro cuidado de que necessitamos na doen\u00e7a \u00e9 uma proximidade cheia de compaix\u00e3o e ternura. Por isso, cuidar do doente significa, antes de mais nada, cuidar das suas rela\u00e7\u00f5es, de todas as suas rela\u00e7\u00f5es: com Deus, com os outros \u2013 familiares, amigos, profissionais de sa\u00fade \u2013, com a cria\u00e7\u00e3o, consigo mesmo<\/em>\u00bb. <strong><em>in Voz Portucalense <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Lev\u00edtico 13,1-2.44-46<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor falou a Mois\u00e9s e a Aar\u00e3o, dizendo:<br \/>\n\u00abQuando um homem tiver na sua pele<br \/>\nalgum tumor, impigem ou mancha esbranqui\u00e7ada,<br \/>\nque possa transformar-se em chaga de lepra,<br \/>\ndevem lev\u00e1-lo ao sacerdote Aar\u00e3o<br \/>\nou a algum dos sacerdotes, seus filhos.<br \/>\nO leproso com a doen\u00e7a declarada<br \/>\nusar\u00e1 vestu\u00e1rio andrajoso e o cabelo em desalinho,<br \/>\ncobrir\u00e1 o rosto at\u00e9 ao bigode e gritar\u00e1:<br \/>\n\u2018Impuro, impuro!\u2019<br \/>\nTodo o tempo que lhe durar a lepra,<br \/>\ndeve considerar-se impuro<br \/>\ne, sendo impuro, dever\u00e1 morar \u00e0 parte,<br \/>\nfora do acampamento\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro do Lev\u00edtico trata, sobretudo, de quest\u00f5es relacionadas com o culto (que era incumb\u00eancia dos sacerdotes, considerados membros da tribo de Levi). Literariamente, o livro apresenta-se como um conjunto de discursos que Jav\u00e9 teria proferido diante de Mois\u00e9s no Sinai e nos quais teria explicado ao Povo o que este deveria fazer para viver sempre em comunh\u00e3o com Deus, no \u00e2mbito da Alian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na realidade, o livro apresenta um conjunto de leis, de preceitos, de ritos de \u00e9pocas e proveni\u00eancias diversas, reunidos ao longo de v\u00e1rios s\u00e9culos e reelaborados pelos te\u00f3logos da \u201cescola sacerdotal\u201d (uma \u201cescola\u201d que, sobretudo a partir da \u00e9poca do Ex\u00edlio na Babil\u00f3nia, se empenhou em coligir e ordenar diversos materiais da tradi\u00e7\u00e3o religiosa de Israel, particularmente os que diziam respeito \u00e0 \u00e1rea de interven\u00e7\u00e3o da classe sacerdotal). A grande maioria dessas leis, ritos e preceitos dizem respeito \u00e0 vida cultual e pretendem ensinar os israelitas a viver como Povo de Deus e a responder, de forma adequada, ao amor e \u00e0 solicitude do Deus da Alian\u00e7a. Fundamentalmente, o Lev\u00edtico preocupa-se em instilar na consci\u00eancia dos fi\u00e9is que a comunh\u00e3o com o Deus vivo \u00e9 a verdadeira voca\u00e7\u00e3o do homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto pertence \u00e0 terceira parte do Livro do Lev\u00edtico (cf. Lv 11-16), conhecida como \u201clei da pureza\u201d. A\u00ed, apresentam-se os v\u00e1rios g\u00e9neros de \u201cimpureza\u201d que impedem o homem de se aproximar do santu\u00e1rio, bem como os ritos destinados a \u201cpurificar\u201d o homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A no\u00e7\u00e3o de \u201cimpureza\u201d que aparece no Livro do Lev\u00edtico est\u00e1 muito pr\u00f3xima da no\u00e7\u00e3o de \u201ctabu\u201d que os especialistas da hist\u00f3ria das religi\u00f5es conhecem bem. Sup\u00f5e-se que o homem deseja a sua vida balizada por regras bem definidas, que o protejam da ang\u00fastia e do risco do desconhecido. Ora, nesta compreens\u00e3o da exist\u00eancia, tudo o que \u00e9 excecional, anormal, ins\u00f3lito, misterioso, \u00e9 considerado como algo suscet\u00edvel de libertar for\u00e7as incontrol\u00e1veis que o homem n\u00e3o domina e que podem destruir a harmonia e o equil\u00edbrio pretendidos. Portanto, o mais seguro \u00e9 erguer uma barreira que mantenha o homem afastado dessas realidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde tempos imemoriais, certos \u201ctabus\u201d interditavam aos israelitas o contacto com determinadas realidades (o sangue, um cad\u00e1ver, certos tipos de alimentos, etc.). Se o homem entrava em contacto com elas, ficava \u201cimpuro\u201d. O contacto com a \u201cimpureza\u201d n\u00e3o era pecado; mas o homem devia \u201climpar\u201d a \u201cimpureza\u201d contra\u00edda, logo que poss\u00edvel, a fim de reencontrar o equil\u00edbrio e a harmonia. S\u00f3 depois de purificado (isto \u00e9, de eliminado o estado de indignidade em que se encontrava), podia voltar a aproximar-se do Deus santo e a estabelecer comunh\u00e3o com Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso mais grave de \u201cimpureza\u201d era causado por uma doen\u00e7a \u2013 a lepra. \u00c9 a essa realidade que o texto se refere. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A legisla\u00e7\u00e3o lev\u00edtica sobre os leprosos e a forma de lidar com eles mostra como o medo ou a repulsa podem gerar mecanismos de indiferen\u00e7a e de afastamento face a irm\u00e3os que, em contexto de doen\u00e7a e fragilidade, necessitam de amor e cuidado. Como lido com as pessoas doentes, idosas ou de qualquer outro modo feridas de fragilidade, que Deus colocou no meu caminho? Procuro que o amor que lhes devo fale mais alto do que o meu medo, a minha repugn\u00e2ncia, o meu comodismo, o meu ego\u00edsmo, na hora de lhes prestar os cuidados de que necessitam?<\/li>\n<li>A legisla\u00e7\u00e3o religiosa de Israel determinou, em nome de Deus e da santidade de Deus, a exclus\u00e3o e a marginaliza\u00e7\u00e3o de pessoas sem culpa especial. Marcou-as, cortou-lhes o acesso \u00e0 comunidade, determinou que elas eram malditas \u00e0 face de Deus, condenou-as \u00e0 morte em vida. A n\u00f3s, homens e mulheres do s\u00e9c. XXI, formados na escola de Jesus, esse quadro deixa-nos inquietos. Mas talvez essa inquieta\u00e7\u00e3o seja um bom ponto de partida para repensarmos algumas das nossas atitudes e comportamentos face aos nossos irm\u00e3os. N\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel que os nossos preconceitos, a nossa preocupa\u00e7\u00e3o com o legalismo, a nossa obsess\u00e3o pelo politicamente correto estejam a criar marginaliza\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o para alguns \u201cdiferentes\u201d que se cruzam connosco? N\u00e3o pode acontecer que, em nome de Deus, dos \u201cs\u00e3os princ\u00edpios\u201d, da \u201cverdadeira doutrina\u201d, das exig\u00eancias de radicalidade, estejamos a afastar as pessoas, a conden\u00e1-las, a catalog\u00e1-las, a impedi-las de fazer uma verdadeira experi\u00eancia de Deus e de comunidade?<\/li>\n<li>Embora de forma indireta, o texto denuncia a atitude daqueles que, instalados nas suas certezas e seguran\u00e7as, constroem um Deus \u00e0 medida da pessoa e que atua segundo uma l\u00f3gica humana, injusta, prepotente, criadora de exclus\u00e3o e de marginaliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o faz qualquer sentido criarmos um Deus que atue de acordo com os nossos esquemas mentais, com as nossas l\u00f3gicas e preconceitos. Percebemos e acolhemos verdadeiramente a l\u00f3gica de Deus na nossa vida <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 31 (32)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refr\u00e3o:<strong>\u00a0 Sois o meu ref\u00fagio, Senhor;<br \/>\ndai-me a alegria da vossa salva\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Feliz daquele a quem foi perdoada a culpa<br \/>\ne absolvido o pecado.<br \/>\nFeliz o homem a quem o Senhor n\u00e3o acusa de iniquidade<br \/>\ne em cujo esp\u00edrito n\u00e3o h\u00e1 engano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confessei-vos o meu pecado<br \/>\ne n\u00e3o escondi a minha culpa.<br \/>\nDisse: Vou confessar ao Senhor a minha falta<br \/>\ne logo me perdoastes a culpa do pecado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00f3s sois o meu ref\u00fagio, defendei-me dos perigos,<br \/>\nfazei que \u00e0 minha volta s\u00f3 haja hinos de vit\u00f3ria.<br \/>\nAlegrai-vos, justos, e regozijai-vos no Senhor,<br \/>\nexultai, v\u00f3s todos os que sois retos de cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 1 Cor\u00edntios 10,31-11,1<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nQuer comais, quer bebais, ou fa\u00e7ais qualquer coisa,<br \/>\nfazei tudo para gl\u00f3ria de Deus.<br \/>\nPortai-vos de modo que n\u00e3o deis esc\u00e2ndalo<br \/>\nnem aos judeus, nem aos gregos, nem \u00e0 Igreja de Deus.<br \/>\nFazei como eu, que em tudo procuro agradar a toda a gente,<br \/>\nn\u00e3o buscando o pr\u00f3prio interesse, mas o de todos,<br \/>\npara que possam salvar-se.<br \/>\nSede meus imitadores, como eu o sou de Cristo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda leitura que a liturgia deste 6.\u00ba domingo comum nos prop\u00f5e \u00e9 a conclus\u00e3o do ensinamento de Paulo sobre o consumo da carne dos animais sacrificados nos santu\u00e1rios religiosos de Corinto (cf. 1 Cor 8-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prop\u00f3sito da segunda leitura do passado domingo, j\u00e1 vimos a defini\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o: uma parte da carne dos animais imolados em honra dos deuses, nos templos pag\u00e3os da cidade, era comercializada. Os crist\u00e3os, bem como os outros cidad\u00e3os de Corinto, compravam essa carne e usavam-na na alimenta\u00e7\u00e3o do dia a dia. No entanto, alguns dos membros da comunidade crist\u00e3 sentiam escr\u00fapulos quanto a isto: comprar essas carnes e com\u00ea-las \u2013 como toda a gente fazia \u2013 n\u00e3o seria, de alguma forma, comprometer-se com os cultos idol\u00e1tricos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vimos tamb\u00e9m a resposta de Paulo: dado que os \u00eddolos n\u00e3o s\u00e3o nada, comer dessa carne \u00e9 indiferente; contudo, deve-se evitar escandalizar os mais d\u00e9beis na f\u00e9. Se houver o perigo de ofender os sentimentos de algum irm\u00e3o, evite-se comer da carne sacrificada nos santu\u00e1rios pag\u00e3os, a fim de n\u00e3o faltar \u00e0 caridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conclus\u00e3o da sua reflex\u00e3o sobre o tema, Paulo retoma e enuncia os elementos que apresentou anteriormente. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>\u201cFazei tudo para a gl\u00f3ria de Deus\u201d \u2013 pede Paulo aos crist\u00e3os de Corinto; mas logo acrescenta que a \u201cgl\u00f3ria de Deus\u201d exige que fa\u00e7amos tudo para o bem dos filhos e filhas de Deus que caminham ao nosso lado. Santo Ireneu de Li\u00e3o resumia admiravelmente tudo isto quando dizia: \u201ca gl\u00f3ria de Deus \u00e9 o homem vivo\u201d. Estou consciente de que a minha resposta de amor ao Deus que me ama passa pelo respeito, pelo cuidado, pelo amor aos meus irm\u00e3os, particularmente aos mais desgra\u00e7ados? Estou convicto de que o meu melhor ato de culto \u00e9 \u201cp\u00f4r em liberdade os oprimidos, quebrar toda a esp\u00e9cie de opress\u00e3o, repartir o p\u00e3o com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa, vestir os nus e n\u00e3o desprezar nenhum irm\u00e3o\u201d (Is 58,6-7)?<\/li>\n<li>Paulo revela aos cor\u00edntios que aquele Jesus que lhe apareceu no caminho de Damasco \u00e9 a sua refer\u00eancia suprema. A grande preocupa\u00e7\u00e3o do ap\u00f3stolo, na hora de decidir as suas prioridades, \u00e9 imitar aquele que n\u00e3o viveu para si, mas fez da sua vida um dom de amor ao Pai e aos homens, at\u00e9 ao dom total da vida. Cristo \u00e9 a minha refer\u00eancia? Na hora cr\u00edtica das escolhas, para onde me inclino: para o exemplo de Cristo, ou para os meus interesses e projetos pessoais? Procuro ter sempre diante dos meus olhos aquilo que Jesus disse e fez, mesmo quando as suas propostas v\u00e3o contra a corrente e s\u00e3o ridicularizadas pelos modernos \u201c<em>influencers<\/em>\u201d? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Marcos 1,40-45<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nveio ter com Jesus um leproso.<br \/>\nProstrou-se de joelhos e suplicou-Lhe:<br \/>\n\u00abSe quiseres, podes curar-me\u00bb.<br \/>\nJesus, compadecido, estendeu a m\u00e3o, tocou-lhe e disse:<br \/>\n\u00abQuero: fica limpo\u00bb.<br \/>\nNo mesmo instante o deixou a lepra<br \/>\ne ele ficou limpo.<br \/>\nAdvertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem:<br \/>\n\u00abN\u00e3o digas nada a ningu\u00e9m,<br \/>\nmas vai mostrar-te ao sacerdote<br \/>\ne oferece pela tua cura o que Mois\u00e9s ordenou,<br \/>\npara lhes servir de testemunho\u00bb.<br \/>\nEle, por\u00e9m, logo que partiu,<br \/>\ncome\u00e7ou a apregoar e a divulgar o que acontecera,<br \/>\ne assim, Jesus j\u00e1 n\u00e3o podia entrar abertamente<br \/>\nem nenhuma cidade.<br \/>\nFicava fora, em lugares desertos,<br \/>\ne vinham ter com Ele de toda a parte.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus anda a percorrer as vilas e aldeias da Galileia, a propor o Reino de Deus (cf. Mc 1,39). No seu vaiv\u00e9m cruza-se com todo o tipo de pessoas e conhece todo o tipo de homens e mulheres com vidas fragilizadas. Muitos vivem marginalizados e esquecidos, pelas raz\u00f5es mais diversas. Para esses, o an\u00fancio da proximidade do Reino de Deus \u00e9 uma \u201cBoa Not\u00edcia\u201d que acende a esperan\u00e7a numa vida mais humana e mais feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No epis\u00f3dio que o Evangelho deste domingo nos prop\u00f5e, Jesus cruza-se com um leproso. N\u00e3o se identifica o homem pelo nome, nem se diz o lugar onde se desenrola a cena. \u00c9 como se aquele leproso sem nome e sem liga\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica fosse o prot\u00f3tipo de todos os marginalizados que Jesus encontrou ao percorrer os caminhos da Galileia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pela primeira leitura deste domingo, j\u00e1 conhecemos a situa\u00e7\u00e3o social e religiosa dos leprosos. Para a ideologia oficial, o leproso era um pecador e um maldito, v\u00edtima de um particularmente doloroso castigo de Deus. A sua condi\u00e7\u00e3o exclu\u00eda-o da comunidade e impedia-o de frequentar a assembleia do Povo de Deus. Tinha que viver isolado, apresentar-se andrajoso e avisar, aos gritos, o seu estado de impureza, a fim de que ningu\u00e9m se aproximasse dele. N\u00e3o tinha acesso ao Templo, nem sequer \u00e0 cidade santa de Jerusal\u00e9m, a fim de n\u00e3o conspurcar, com a sua impureza, o lugar sagrado. O leproso era o prot\u00f3tipo do marginalizado, do exclu\u00eddo, do segregado. A sua condi\u00e7\u00e3o afastava-o, n\u00e3o s\u00f3 da comunidade dos homens, mas tamb\u00e9m do pr\u00f3prio Deus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jesus, profundamente comovido diante daquele leproso abandonado pela sociedade e pela religi\u00e3o, revela-nos que Deus tem um cora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e, um cora\u00e7\u00e3o que transborda de amor pelos seus filhos magoados e esmagados pelos acidentes da vida. O amor maternal de Deus n\u00e3o exclui, n\u00e3o condena, n\u00e3o sente repulsa; o amor de Deus purifica, cura as feridas, humaniza, salva. O Deus que Jesus revela nas suas palavras e nos seus gestos, n\u00e3o \u00e9 o Deus intolerante, severo, distante, incapaz de compreender os limites e as fragilidades dos seres humanos; \u00e9 o Deus do amor nunca desmentido, do amor que ultrapassa todos os limites, do amor excessivo que tudo cura e tudo purifica. Qual \u00e9 o Deus em que acreditamos: o Deus de Jesus que \u00e9 amor e miseric\u00f3rdia, ou o Deus intransigente e severo que alguns teimam em propor?<\/li>\n<li>A atitude de Jesus em rela\u00e7\u00e3o ao leproso (bem como a outros exclu\u00eddos da sociedade do seu tempo) \u00e9 uma atitude de proximidade, de solidariedade, de aceita\u00e7\u00e3o, de acolhimento. Jesus n\u00e3o est\u00e1 preocupado com o que \u00e9 pol\u00edtica ou religiosamente correto, ou com a indignidade da pessoa, ou com o perigo que ela representa para uma certa ordem social\u2026 Ele apenas v\u00ea em cada pessoa um irm\u00e3o que Deus ama e a quem \u00e9 preciso estender a m\u00e3o e amar, tamb\u00e9m. Como \u00e9 que lidamos com os exclu\u00eddos da sociedade ou da Igreja? Procuramos integrar e acolher os estrangeiros, os marginais, os pecadores, os \u201cdiferentes\u201d ou, com a nossa intransig\u00eancia, ajudamos a perpetuar os mecanismos de exclus\u00e3o e de discrimina\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>O gesto de Jesus de estender a m\u00e3o e tocar o leproso \u00e9 um gesto provocador, verdadeiramente prof\u00e9tico, que denuncia uma Lei in\u00edqua, geradora de discrimina\u00e7\u00e3o, de exclus\u00e3o e de sofrimento. Com a autoridade de Deus, Ele retira qualquer valor a essa Lei e garante que Deus n\u00e3o discrimina ningu\u00e9m. Apesar de todos os nossos progressos civilizacionais, continuamos a ter leis (umas escritas nos nossos c\u00f3digos legais civis ou religiosos, outras que n\u00e3o est\u00e3o escritas mas que s\u00e3o consagradas pela moda, pelo politicamente correto ou at\u00e9 por uma ideia deturpada da santidade de Deus) que s\u00e3o geradoras de marginaliza\u00e7\u00e3o, de exclus\u00e3o e de sofrimento. Como disc\u00edpulos de Jesus, temos feito tudo o que est\u00e1 ao nosso alcance para construir, a n\u00edvel da legisla\u00e7\u00e3o e dos comportamentos, a civiliza\u00e7\u00e3o do amor e n\u00e3o a civiliza\u00e7\u00e3o do ego\u00edsmo, da exclus\u00e3o, da condena\u00e7\u00e3o dos \u201cdiferentes\u201d?<\/li>\n<li>Mais uma vez, o Evangelho deste domingo prop\u00f5e \u00e0 nossa considera\u00e7\u00e3o a atitude dos l\u00edderes judaicos. Comodamente instalados no alto das suas certezas e preconceitos, eles perpetuam, em nome de Deus, um sistema religioso que gera sofrimento e mis\u00e9ria e n\u00e3o se deixam questionar nem desafiar pela novidade de Deus. Est\u00e3o t\u00e3o seguros e convictos das suas verdades particulares que fecham totalmente o cora\u00e7\u00e3o a Jesus e n\u00e3o se reveem nas suas propostas. Estamos sempre em alerta para a necessidade de nos desinstalarmos e de abrirmos o cora\u00e7\u00e3o aos desafios de Deus?<\/li>\n<li>O leproso, apesar da proibi\u00e7\u00e3o de Jesus, \u201ccome\u00e7ou a apregoar e a divulgar o que acontecera\u201d. Marcos sugere, desta forma, que o encontro com Jesus transforma de tal forma a vida da pessoa que ela n\u00e3o pode calar a alegria pela novidade que Cristo introduziu na sua vida e tem de dar testemunho. Somos capazes de testemunhar, no meio dos nossos irm\u00e3os, a liberta\u00e7\u00e3o que Cristo nos trouxe? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, \u00e9 necess\u00e1rio ter em aten\u00e7\u00e3o as diversas frases em discurso direto, bem como as frases que as introduzem. Al\u00e9m disso, deve ter-se em conta a correta pronuncia\u00e7\u00e3o das palavras menos usuais como: \u00ab<em>esbranqui\u00e7ada<\/em>\u00bb e \u00ab<em>andrajoso<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A brevidade da <strong>segunda leitura<\/strong> n\u00e3o deve fazer descurar a prepara\u00e7\u00e3o do texto. Deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o o tom exortativo do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/02\/12\/imitadores-de-cristo-2\/\"><strong>IMITADORES DE CRISTO<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho de Marcos 1,40-45, que neste Domingo VI do Tempo Comum temos a gra\u00e7a de\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0e de\u00a0<em>escutar<\/em>, continua a mostrar que Jesus, que \u00e9 \u00abo Reino de Deus em pessoa\u00bb (<em>autobasile\u00eda<\/em>, como bem refere Or\u00edgenes [185-254], insigne mestre das escolas de Alexandria e de Cesareia Mar\u00edtima), Aquele que se fez nosso pr\u00f3ximo para sempre (Marcos 1,15), continua a passar pelos nossos caminhos, a cruzar-se com as nossas dores e a assumi-las sobre si, curando a nossa pele chagada e o nosso esclerosado cora\u00e7\u00e3o. Sim, o Evangelho de hoje n\u00e3o \u00e9 apenas para\u00a0<em>ouvir<\/em>. \u00c9 tamb\u00e9m para\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0atenta e demoradamente, pois oferece aos nossos olhos, sobretudo ao olhar do cora\u00e7\u00e3o, o cen\u00e1rio extraordin\u00e1rio de um leproso ajoelhado aos p\u00e9s de Jesus, que provoca a como\u00e7\u00e3o visceral de Jesus, entenda-se o amor maternal de Jesus, levando-o a estender a sua m\u00e3o soberana sobre o leproso, como fez Deus em a\u00e7\u00e3o de condescend\u00eancia e de liberta\u00e7\u00e3o no Livro do \u00caxodo, e a tocar no leproso sem receio de qualquer cont\u00e1gio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena evang\u00e9lica \u00e9 comovente e surpreendente, desarmante, como \u00e9 sempre, para a pobre e aplanada esquadria do nosso olhar, para os nossos trejeitos e preconceitos, a not\u00edcia ousada, boa e feliz que se chama Evangelho. Contra todas as regras estabelecidas, que impunham aos leprosos o isolamento e a dist\u00e2ncia de Deus (n\u00e3o podiam frequentar o Templo ou a sinagoga) e dos homens (n\u00e3o podiam entrar nas povoa\u00e7\u00f5es), a que se associava o facto de terem de andar com o rosto escondido por qualquer trapo de mis\u00e9ria, e ainda o grito de \u00abimpuro, impuro\u00bb, que deviam trazer sempre nos l\u00e1bios (Lev\u00edtico 13,45), para que as pessoas ditas boas e saud\u00e1veis, ao ver um homem sem rosto e ao ouvir o seu grito, dele se pudessem distanciar o mais poss\u00edvel, pondo-se a seguro do impuro. Deixando tudo isto na penumbra, eis hoje um leproso que ousa aproximar-se de Jesus e colocar-se de joelhos diante dele, implorando dele a cura (Marcos 1,40). \u00c9, nos Evangelhos, o \u00fanico doente que se coloca de joelhos diante de Jesus, implorando a sua cura. O gesto \u00e9 o seu verdadeiro pedido, que as palavras que diz apenas iluminam. Ele sabe que a sua cura s\u00f3 pode ser um dom de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um leproso, diziam os rabinos, era como um morto em vida. Separado de Deus e da comunidade do louvor de Deus, isto \u00e9, da comunh\u00e3o de vida com Deus, o leproso em tudo se assemelhava aos mortos, que tamb\u00e9m estavam separados de Deus e fora do louvor de Deus, que \u00e9 a verdadeira nascente da vida (Salmo 6,6; 88,6; Isa\u00edas 38,18). Neste sentido, o Livro de Job define a lepra como o \u00abprimog\u00e9nito entre os mortos\u00bb (Job 18,13). Tanto assim era que uma eventual cura da lepra suscitava ent\u00e3o o mesmo efeito, o mesmo espanto, de uma ressuscita\u00e7\u00e3o da morte!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As v\u00edsceras maternais de Jesus comovem-se (<em>splagchn\u00edzomai<\/em>) quando v\u00ea o estado miser\u00e1vel deste seu filho (Marcos 1,41). O verbo\u00a0<em>splagchn\u00edzomai<\/em>\u00a0indica o desarranjo interior, nas v\u00edsceras (<em>spl\u00e1gchna<\/em>), e v\u00edsceras maternais (hebraico\u00a0<em>rah<sup>a<\/sup>m\u00eem<\/em>). Por isso, Jesus n\u00e3o pode repelir o seu filho necessitado. Pelo contr\u00e1rio, estende a sua m\u00e3o sobre ele, gesto de divina condescend\u00eancia e soberania (\u00caxodo 3,20; 7,5; Salmo 138,7), e toca-lhe na pele chagada, e estabelece comunica\u00e7\u00e3o com ele, falando para ele (Marcos 1,41). Para Jesus, n\u00e3o h\u00e1 gente para acolher, e gente para evitar ou repelir. A todos acolhe, sobretudo aos piores e aos que est\u00e3o em pior estado. Tocando-lhe, Jesus assume sobre si a lepra daquele pobre homem. \u00c9 assim que o salva e nos salva. Jesus n\u00e3o passa por n\u00f3s apenas \u00e0 dist\u00e2ncia ou \u00e0 tangente; desce ao nosso mundo, ao nosso fundo, e assume e paga a conta por inteiro. Nunca deixemos de cravar os olhos naquela Cruz, at\u00e9 percebermos bem que aquelas chagas s\u00e3o as nossas chagas, e que aquelas dores s\u00e3o as nossas dores, umas e outras assumidas, e, por isso, salvas, como lembram os antigos Padres da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com este seu comportamento de radical proximidade f\u00edsica e afetiva e salutar, Jesus diz-nos que nos devemos abeirar de todas as pessoas, nomeadamente dos doentes e marginalizados ou descartados, sempre incluindo e nunca excluindo, com uma atitude pr\u00f3xima, compassiva, calorosa e familiar, no polo oposto de qualquer comportamento indiferente, c\u00e9tico ou ass\u00e9tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abQuero, fica limpo!\u00bb, diz Jesus (Marcos 1,41), e nasce um homem novo, com o rosto destapado, por Deus descoberto, para ser visto e admirado, sa\u00eddo das m\u00e3os puras de Deus e da sua Palavra mansa e criadora (G\u00e9nesis 1; Jo\u00e3o 15,3). Um grito se calou: \u00abimpuro, impuro!\u00bb. Um novo grito nasceu: o do AN\u00daNCIO (<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>) do Evangelho (Marcos 1,45). \u00c9 o terceiro ANUNCIADOR, depois de Jo\u00e3o Batista (Marcos 1,4.7) e de Jesus (Marcos 1,14.38.39). Outros se seguir\u00e3o (Marcos 3,14; 5,20; 6,12; 7,36; 16,15). Tamb\u00e9m n\u00f3s. Sim, \u00e9 a\u00ed que nos enxertamos n\u00f3s tamb\u00e9m, porque tamb\u00e9m n\u00f3s estamos depois do milagre em n\u00f3s realizado. Por isso, temos, antes de mais, de entender que a m\u00e3o estendida, soberana e carinhosa de Deus tocou em n\u00f3s, e nos curou, e nos levantou, e rebentou os nossos odres velhos, ressequidos, carcomidos, e nos enviou com uma not\u00edcia ousada, boa e feliz, ardente, explosiva, comovente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atirai fora os odres, velhos e novos. H\u00e1 muito que acabaram os almocreves! A not\u00edcia boa e feliz, isto \u00e9, o Evangelho, n\u00e3o se leva em vasilha nenhuma. Levai-o nas entranhas, nos p\u00e9s, nas m\u00e3os, no rosto, no cora\u00e7\u00e3o. Ah!, antes que me esque\u00e7a: atirai tamb\u00e9m fora o ouro, a prata, o cobre, a outra t\u00fanica, o bast\u00e3o, as sand\u00e1lias. E aproveitai para virar tamb\u00e9m os bolsos do avesso! Deve haver por l\u00e1 algum cot\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao mais, aceitai a provoca\u00e7\u00e3o de Paulo, na sua li\u00e7\u00e3o de hoje aos Cor\u00edntios (1 Cor 10,31-11,1). Sede imitadores (<em>mim\u00eat\u00eas<\/em>) de Cristo (1 Cor\u00edntios 11,1); sede \u00abmimos\u00bb (<em>m\u00eemos<\/em>) de Cristo, fazei como Cristo fez e faz, como vistes hoje Cristo fazer!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto do Livro do Lev\u00edtico 13,1-2.44-46, que serve de pano de fundo ao Evangelho de hoje, mostra-nos o caminho estreito e triste do leproso, que abre, todavia, para a larga e feliz avenida do Evangelho deste dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 32 n\u00e3o \u00e9 uma abstrata li\u00e7\u00e3o de moral, mas o testemunho autobiogr\u00e1fico de um convertido, que canta a felicidade do perd\u00e3o. A liturgia crist\u00e3 colocou este Salmo, desde o s\u00e9culo VI, na lista dos sete \u00abSalmos penitenciais\u00bb (juntamente com os salmos 6; 38; 51; 102; 103; 143). Logo no primeiro vers\u00edculo, o Salmo diz admiravelmente: \u00abFeliz aquele a quem foi retirada (<em>nasa\u02bc<\/em>) a culpa,\/ coberto (<em>kasah<\/em>) o pecado\u00bb (Salmo 32,1). \u00abRetirada a culpa\u00bb alude \u00e0 imagem de um fardo, de um peso, de que somos aliviados, para podermos respirar de al\u00edvio. \u00abCoberto o pecado\u00bb: Lutero, comentando a Carta aos Romanos 4,7, que cita o vers\u00edculo do Salmo que estamos a apresentar, serviu-se deste verbo (<em>kasah<\/em>, cobrir) para argumentar que o pecado n\u00e3o \u00e9 perdoado, mas apenas \u00abcoberto\u00bb pela justifica\u00e7\u00e3o pela gra\u00e7a. Em boa verdade, o valor simb\u00f3lico do \u00abcobrir\u00bb b\u00edblico traduz, sem qualquer d\u00favida, a anula\u00e7\u00e3o efetiva e eficaz do pecado por parte de Deus. Biblicamente falando, \u00abcobrir\u00bb ou \u00abperdoar\u00bb o pecado n\u00e3o significa simplesmente \u00abesquecer\u00bb o pecado, passar por cima do pecado, mas, mais intensamente, \u00abarrancar\u00bb o homem ao pecado, o que constitui um milagre s\u00f3 ao alcance do poder de Deus. Santo Agostinho tinha em grande apre\u00e7o este Salmo. Afixou uma c\u00f3pia na parede do seu quarto, diante do seu leito. E lia-a entre l\u00e1grimas, o que lhe trazia grande paz e conforto, sobretudo durante os \u00faltimos tempos da sua doen\u00e7a de que veio a falecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Leitura-I-do-Domingo-VI-do-Tempo-Comum-Ano-B-11.02.2024-Lev-13-1-2.44-46.pdf\">Leitura I do Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 11.02.2024 (Lev 13, 1-2.44-46)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Leitura-II-do-Domingo-VI-do-Tempo-Comum-Ano-B-11.02.2024-1-Cor-10-31-111.pdf\">Leitura II do Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 11.02.2024 (1 Cor 10, 31-11,1)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Domingo-VI-do-TEMPO-COMUM-ANO-B-11.02.2024-Lecionario.pdf\">Domingo VI do TEMPO COMUM &#8211; ANO B &#8211; 11.02.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Domingo-VI-do-TEMPO-COMUM-ANO-B-11.02.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo VI do TEMPO COMUM &#8211; ANO B &#8211; 11.02.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/XXXII-DIA-MUNDIAL-DO-DOENTE-11-fevereiro-2024.pdf\">XXXII DIA MUNDIAL DO DOENTE &#8211; 11 fevereiro 2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Mensagem-para-o-XXXII-Dia-Mundial-do-Doente-11.02.2024.pdf\">Mensagem do Papa Francisco para o XXXII Dia Mundial do Doente &#8211; 11.02.2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo V do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 04.02.2024&#8243; tab_id=&#8221;1707730970301-4f7a76d1-c5f9&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 04.02.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><sup>29<\/sup><\/strong><strong>Saindo da sinagoga, foram para casa de Sim\u00e3o e Andr\u00e9, com Tiago e Jo\u00e3o.\u00a0<sup>30<\/sup>A sogra de Sim\u00e3o estava de cama com febre, e logo lhe falaram dela.\u00a0<sup>31<\/sup>Aproximando-se, tomou-a pela m\u00e3o e levantou-a. A febre deixou-a e ela come\u00e7ou a servi-los. <em>Mc 1, 29-31<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Domingo-V.jpg\" alt=\"\" width=\"625\" height=\"310\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>O tempo \u00e9 um dom precioso que Deus coloca em nossas m\u00e3os e geri-lo bem \u00e9 um grande desafio para cada um de n\u00f3s. Quantas vezes fazemos a experi\u00eancia de chegar ao final do dia e sentir que dev\u00edamos ter aproveitado melhor o tempo, dedicado mais aten\u00e7\u00e3o a alguns aspetos que foram descurados e ter saboreado a oportunidade de mais um dia que o Senhor nos deu a viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A nossa vida e o frenesim do nosso quotidiano muitas vezes envolvem-nos de tal maneira que nos impedem de viver e aproveitar convenientemente cada momento. Contudo, importa impor ritmos e tempos que nos ajudem a aproveitar e a saborear a beleza da vida. O tempo e a hist\u00f3ria s\u00e3o o lugar no qual se inscreve a nossa breve exist\u00eancia e, por isso, diante de n\u00f3s coloca-se o desafio de viver o tempo aproveitando-o como oportunidade \u00fanica de encontro e reencontro. Cada dia, cada semana, cada ano s\u00e3o uma nova oportunidade de ser mais, de ser melhor, de fazer diferente, saboreando aquilo que a vida nos oferece e transformando o lugar em que vivemos, trabalhamos ou nos divertimos naquilo que o Senhor sonhou para n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No Evangelho deste Domingo acompanhamos uma jornada t\u00edpica de Jesus. S. Marcos apresenta-nos o ritmo de um dia da vida de Jesus com as suas diversas ocupa\u00e7\u00f5es, prioridades e encontros. Jesus, o Verbo Eterno, habita o nosso tempo e faz dele lugar da manifesta\u00e7\u00e3o do amor do Pai. A consci\u00eancia de que o Seu alimento \u00e9 fazer a vontade Daquele que O enviou, imprime no Seu quotidiano um ritmo e uma marca diferente. Jesus n\u00e3o se deixa levar pelo ativismo das muitas coisas a fazer, nem se demora na an\u00e1lise e programa\u00e7\u00e3o est\u00e9ril das v\u00e1rias coisas a realizar. Jesus articula sabiamente contempla\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o, proximidade e encontro, an\u00fancio e miss\u00e3o. Faz e ensina a fazer, realiza com as Suas pr\u00f3prias m\u00e3os e convida a colaborar na Sua obra. Parte ao encontro de todos e acolhe os que Dele se aproximam, mas tamb\u00e9m tem necessidade de se recolher na intimidade com o Pai para renovar a consci\u00eancia da miss\u00e3o e dar sentido aos passos percorridos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus, procurado por todos, procura a intimidade com o Pai e ao romper da jornada retira-se para um lugar ermo para rezar. Como \u00e9 inspirador e salutar come\u00e7ar a jornada, n\u00e3o com o corre-corre de quem vai atrasado e tem tantas coisas para fazer, mas com a serenidade do encontro com o Pai que d\u00e1 sentido e plenitude aos nossos dias e aos nossos afazeres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus cura aqueles de quem se aproxima, realiza milagres, oferece a sa\u00fade corporal e aponta caminhos de plenitude e totalidade. N\u00e3o se deixa confinar e parte, fazendo-nos partir com Ele: \u00ab<em>vamos a outros lugares, \u00e0s povoa\u00e7\u00f5es vizinhas, a fim de pregar a\u00ed tamb\u00e9m, porque foi para isso que Eu vim<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nos relatos das curas e milagres de Jesus h\u00e1 sempre um aspeto que me impressiona: a capacidade de Jesus de nos erguer da nossa situa\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas para nos tornar protagonistas. Nesta passagem vemos a sogra de Pedro, que uma vez restabelecida, levanta-se e come\u00e7a a servi-los. Ser protagonista e construtor ativo da nova civiliza\u00e7\u00e3o do amor \u00e9 o caminho que somos chamados a encetar, contudo, tantas vezes, a vitimiza\u00e7\u00e3o impede-nos de progredir, crescer e chegar mais alto. Por isso, como Paulo queremos assumir a urg\u00eancia da evangeliza\u00e7\u00e3o e dizer com a nossa vida: \u00ab<em>fiz-me tudo para todos, a fim de ganhar alguns a todo o custo. E tudo fa\u00e7o por causa do Evangelho, para me tornar participante dos seus bens<\/em>\u00bb.<strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>No dia 2 de fevereiro celebramos a Festa da Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor e o Dia do Consagrado<\/strong>. Em Roma, este ano, o Santo Padre ir\u00e1 presidir \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da Santa Missa, enriquecida pela presen\u00e7a dos participantes do Encontro Internacional de consagradas e consagrados em prepara\u00e7\u00e3o para o Jubileu de 2025. De 1 a 4 de fevereiro, cerca de trezentos representantes das diferentes formas de vida consagrada se reunir\u00e3o em Roma para refletir sobre o tema \u00abPeregrinos de esperan\u00e7a no caminho da paz\u00bb. Este dia constitui-se como uma oportunidade privilegiada para recordar a import\u00e2ncia dos consagrados na vida da Igreja mas tamb\u00e9m para apresentar a vida consagrada como proposta vocacional para quantos se interrogam acerca do projeto de Deus para as suas vidas.<strong><em>in Voz Portucalense <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Job 7,1-4.6-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Job tomou a palavra, dizendo:<br \/>\n\u00abN\u00e3o vive o homem sobre a terra como um soldado?<br \/>\nN\u00e3o s\u00e3o os seus dias como os de um mercen\u00e1rio?<br \/>\nComo o escravo que suspira pela sombra<br \/>\ne o trabalhador que espera pelo seu sal\u00e1rio,<br \/>\nassim eu recebi em heran\u00e7a meses de desilus\u00e3o<br \/>\ne couberam-me em sorte noites de amargura.<br \/>\nSe me deito, digo: \u2018Quando \u00e9 que me levanto?\u2019<br \/>\nSe me levanto: \u2018Quando chegar\u00e1 a noite?\u2019<br \/>\ne agito-me angustiado at\u00e9 ao crep\u00fasculo.<br \/>\nOs meus dias passam mais velozes que uma lan\u00e7adeira de tear<br \/>\ne desvanecem-se sem esperan\u00e7a.<br \/>\n\u2013 Recordai-Vos que a minha vida n\u00e3o passa de um sopro<br \/>\ne que os meus olhos nunca mais ver\u00e3o a felicidade\u00bb.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Livro de Job, uma das p\u00e9rolas da literatura universal, apresenta uma reflex\u00e3o sobre algumas das grandes quest\u00f5es que se colocam aos seres humanos: qual o sentido da vida? Qual a situa\u00e7\u00e3o do homem diante de Deus? Qual o papel de Deus na vida e nos dramas do ser humano? Qual o sentido do sofrimento?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Job, a figura principal deste livro, \u00e9 apresentado como um homem piedoso, bom, generoso e cheio de \u201ctemor de Deus\u201d. Possu\u00eda muitos bens e uma fam\u00edlia numerosa\u2026 Mas, repentinamente, viu-se privado de todos os seus bens, perdeu a fam\u00edlia e foi atingido por uma grave doen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O drama de Job, apresentado em pormenor nos dois primeiros cap\u00edtulos do livro, serve para introduzir uma reflex\u00e3o sobre um dos grandes dogmas da f\u00e9 israelita: o dogma da retribui\u00e7\u00e3o. Para a catequese tradicional de Israel, Jav\u00e9 recompensava os bons pelas suas boas obras e castigava os maus pelas injusti\u00e7as e arbitrariedades que praticavam. A justi\u00e7a de Deus era linear, l\u00f3gica, imut\u00e1vel. De acordo com os te\u00f3logos de Israel, Jav\u00e9 \u00e9 um Deus previs\u00edvel, que Se limita a fazer a contabilidade das a\u00e7\u00f5es do homem e a pagar-lhe em consequ\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto, a vida nem sempre confirmava esta vis\u00e3o de Deus e da sua forma de atuar. Constatava-se, com frequ\u00eancia, que os maus possu\u00edam bens em abund\u00e2ncia e viviam vidas longas e felizes, enquanto os justos eram pobres e sofriam por causa da injusti\u00e7a e da viol\u00eancia dos poderosos. Mais ainda: o dogma n\u00e3o respondia ao problema do sofrimento do inocente. Se um homem bom, piedoso, que teme o Senhor e que vive na observ\u00e2ncia dos mandamentos sofre, como explicar esse sofrimento?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Job discorda da teologia tradicional e, a partir da sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, denuncia uma f\u00e9 instalada em preconceitos e em teorias que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com a vida. Ele n\u00e3o aceita as falsas imagens de Deus fabricadas pelos te\u00f3logos de Israel, para quem Deus n\u00e3o passa de um comerciante que paga conforme a qualidade da mercadoria que recebe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como n\u00e3o pode aceitar esse deus falso, Job parte em demanda do verdadeiro rosto de Deus. Numa busca apaixonada, emotiva, dram\u00e1tica, temperada pelo sofrimento, marcada pela rebeldia e, \u00e0s vezes, pela revolta, Job chega ao \u201cface a face\u201d com Deus. Descobre um Deus omnipotente, desconcertante, incompreens\u00edvel, que ultrapassa infinitamente as l\u00f3gicas humanas; mas que ama, com amor de Pai, cada uma das suas criaturas. A Job nada resta sen\u00e3o reconhecer a sua pequenez e finitude, a sua incapacidade para compreender os projetos de Deus, a vacuidade da sua pretens\u00e3o de julgar Deus e de entend\u00ea-l\u2019O \u00e0 luz da l\u00f3gica dos homens. Job decide, finalmente, trilhar o \u00fanico caminho que faz sentido: vai entregar-se totalmente nas m\u00e3os desse Deus incompreens\u00edvel, mas cheio de amor, e vai confiar plenamente n\u2019Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que a liturgia deste dia nos prop\u00f5e como primeira leitura integra o corpo central do livro (Jb 3,1 -31,40). A\u00ed encontramos um di\u00e1logo entre Job (o crente inconformado, pol\u00e9mico, contestat\u00e1rio) e quatro \u201camigos\u201d (os defensores da teologia tradicional). Nesse di\u00e1logo, Job vai desfazendo os argumentos da catequese oficial de Israel; e vai, tamb\u00e9m, derramando a sua insatisfa\u00e7\u00e3o e revolta, num desafio a esse deus falso que os amigos lhe apresentam e que Job se recusa a aceitar. O primeiro dos \u201camigos\u201d a falar \u00e9 um tal Elifaz de Teman (Jb 4,1-5,27); Job responde-lhe com uma reflex\u00e3o sobre o sentido da vida (Jb 6,1-7,21).<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O sofrimento \u2013 sobretudo o sofrimento do inocente \u2013 \u00e9 o drama mais inexplic\u00e1vel que atinge o homem ao longo da sua caminhada pela hist\u00f3ria. Que raz\u00f5es h\u00e1 para o sofrimento de uma crian\u00e7a ou de uma pessoa boa e justa? Porque \u00e9 que algumas vidas est\u00e3o marcadas por um sofrimento atroz e sem esperan\u00e7a? Como \u00e9 que um Deus bom, cheio de amor, preocupado com a felicidade dos seus filhos, Se situa face ao drama do sofrimento humano? A \u00fanica resposta honesta \u00e9 admitir que n\u00e3o temos explica\u00e7\u00f5es definitivas para realidades que nos ultrapassam absolutamente. O \u201cs\u00e1bio\u201d autor do livro de Job lembra-nos, a este prop\u00f3sito, a nossa pequenez, os nossos limites, a nossa finitude, a nossa incapacidade para entender os mist\u00e9rios e os caminhos de Deus; mas deixa-nos tamb\u00e9m uma certeza fundamental: d\u00ea a vida as voltas que der, Deus ama-nos com amor de pai e de m\u00e3e e quer conduzir-nos ao encontro da vida verdadeira e definitiva, da felicidade sem fim\u2026 O nosso mundo est\u00e1 cheio de dramas que nos deixam sem palavras\u2026 Talvez nem sempre sejamos capazes de entender os caminhos de Deus; mas, mesmo quando as coisas n\u00e3o fazem sentido do ponto de vista da nossa l\u00f3gica humana, resta-nos confiar no amor e na bondade do nosso Deus e entregarmo-nos confiadamente nas suas m\u00e3os. Como \u00e9 que lidamos com as quest\u00f5es que nos ultrapassam e p\u00f5em em causa a nossa vis\u00e3o do mundo e da vida? Somos capazes de confiar em Deus, a fundo perdido, mesmo quando n\u00e3o compreendemos a l\u00f3gica das suas decis\u00f5es?<\/li>\n<li>Ao longo do livro de Job, multiplicam-se os desabafos magoados de um homem a quem o sofrimento tornou duro, exigente, amargo, agressivo, inconformado, revoltado at\u00e9. No entanto, Deus nunca condena o seu amigo Job pela viol\u00eancia das suas cr\u00edticas e das suas exig\u00eancias\u2026 Deus sabe que as vicissitudes da vida podem levar o homem ao desespero; por isso, entende o seu drama e n\u00e3o leva demasiado a s\u00e9rio as suas express\u00f5es menos pr\u00f3prias e menos respeitosas. A atitude compreensiva e tolerante de Deus convida-nos a uma atitude semelhante face aos lamentos de revolta e de incompreens\u00e3o vindos do cora\u00e7\u00e3o daqueles irm\u00e3os que a vida maltratou\u2026 Que resson\u00e2ncia tem no nosso cora\u00e7\u00e3o o lamento sentido dos nossos irm\u00e3os, mesmo quando esse lamento assume express\u00f5es mais contundentes e mais chocantes?<\/li>\n<li>Job \u00e9, tamb\u00e9m, o crente honesto e livre, que n\u00e3o aceita certas imagens pr\u00e9-fabricadas de Deus, apresentadas pelos profissionais do sagrado. Recusa-se a acreditar num Deus constru\u00eddo \u00e0 imagem dos esquemas mentais do ser humano, que funciona de acordo com a l\u00f3gica humana da recompensa e do castigo, que Se limita a fazer a contabilidade do bem e do mal do ser humano e a responder com a mesma l\u00f3gica. Com coragem, correndo o risco de n\u00e3o ser compreendido, Job recusa esse Deus e parte \u00e0 procura do verdadeiro rosto de Deus \u2013 esse rosto que n\u00e3o se descobre nos livros ou nas discuss\u00f5es teol\u00f3gicas abstratas, mas apenas no encontro \u201cface a face\u201d, na aventura da procura arriscada, na novidade infinita do mist\u00e9rio. Estamos dispostos, tamb\u00e9m n\u00f3s, a percorrer esse caminho de descoberta e de encontro com Deus? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 146 (147)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:\u00a0\u00a0<\/strong>Louvai o Senhor, que salva os cora\u00e7\u00f5es atribulados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Louvai o Senhor, porque \u00e9 bom cantar,<br \/>\n\u00e9 agrad\u00e1vel e justo celebrar o seu louvor.<br \/>\nO Senhor edificou Jerusal\u00e9m,<br \/>\ncongregou os dispersos de Israel.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sarou os cora\u00e7\u00f5es dilacerados<br \/>\ne ligou as suas feridas.<br \/>\nFixou o n\u00famero das estrelas<br \/>\ne deu a cada uma o seu nome.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Grande \u00e9 o nosso Deus e todo-poderoso,<br \/>\n\u00e9 sem limites a sua sabedoria.<br \/>\nO Senhor conforta os humildes<br \/>\ne abate os \u00edmpios at\u00e9 ao ch\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 1 Cor\u00edntios 9,16-19.22-23<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nAnunciar o Evangelho n\u00e3o \u00e9 para mim um t\u00edtulo de gl\u00f3ria,<br \/>\n\u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o que me foi imposta.<br \/>\nAi de mim se n\u00e3o anunciar o Evangelho!<br \/>\nSe o fizesse por minha iniciativa,<br \/>\nteria direito a recompensa.<br \/>\nMas, como n\u00e3o o fa\u00e7o por minha iniciativa,<br \/>\ndesempenho apenas um cargo que me est\u00e1 confiado.<br \/>\nEm que consiste, ent\u00e3o, a minha recompensa?<br \/>\nEm anunciar gratuitamente o Evangelho,<br \/>\nsem fazer valer os direitos que o Evangelho me confere.<br \/>\nLivre como sou em rela\u00e7\u00e3o a todos,<br \/>\nde todos me fiz escravo,<br \/>\npara ganhar o maior n\u00famero poss\u00edvel.<br \/>\nCom os fracos tornei-me fraco,<br \/>\na fim de ganhar os fracos.<br \/>\nFiz-me tudo para todos,<br \/>\na fim de ganhar alguns a todo o custo.<br \/>\nE tudo fa\u00e7o por causa do Evangelho,<br \/>\npara me tornar participante dos seus bens.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No mundo grego, os templos eram os principais matadouros de gado. Os animais eram oferecidos aos deuses e imolados nos templos. Uma parte do animal era queimada e outra parte pertencia aos sacerdotes. Havia ainda sobras, que o pessoal do templo comercializava. Essas sobras encontravam-se \u00e0 venda nas bancas dos mercados, eram compradas pela popula\u00e7\u00e3o e entravam na cadeia alimentar. No entanto, tal situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixava de suscitar algumas quest\u00f5es aos crist\u00e3os: comprar essas carnes e com\u00ea-las \u2013 como toda a gente fazia \u2013 n\u00e3o seria, de alguma forma, comprometer-se com os cultos idol\u00e1tricos? E que fazer quando se recebia um convite para comer em casa de um amigo e eram servidas carnes que provinham dos templos pag\u00e3os?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Paulo foi questionado pelos cor\u00edntios sobre estas quest\u00f5es; e respondeu-lhes em 1 Cor 8-10. Concretamente, a resposta de Paulo aparece em vinte vers\u00edculos (cf. 1 Cor 8,1-13 e 10,22-29): dado que os \u00eddolos n\u00e3o existem, comer dessa carne n\u00e3o tem qualquer problema; contudo, o mais importante \u00e9 n\u00e3o escandalizar os mais d\u00e9beis. Se houver esse perigo, evite-se comer a carne de animais imolados aos \u00eddolos, a fim de n\u00e3o faltar \u00e0 caridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Contudo, Paulo vai mais al\u00e9m da quest\u00e3o concreta posta pelos cor\u00edntios e enuncia um princ\u00edpio geral que vale para este caso e vale em qualquer outra situa\u00e7\u00e3o: o que \u00e9 fundamental n\u00e3o \u00e9 o que eu tenho o direito de fazer (aqui, em concreto, comer da carne imolada aos \u00eddolos), mas \u00e9 que os meus comportamentos sejam guiados pelo amor. Ora, o amor pode, em certas circunst\u00e2ncias, exigir que eu renuncie aos meus direitos e \u00e0 minha liberdade, em benef\u00edcio de um bem maior. Para ilustrar esta \u201cdoutrina\u201d, Paulo d\u00e1 o seu pr\u00f3prio exemplo: ele renunciou muitas vezes aos seus direitos, por causa do amor aos irm\u00e3os. Em concreto, Paulo foi escolhido por Deus para ser ap\u00f3stolo e, como ap\u00f3stolo, podia reivindicar viver \u00e0 custa do Evangelho\u2026 Mas nunca exigiu nada porque o que o preocupa, mais do que tudo, \u00e9 o benef\u00edcio das comunidades e dos irm\u00e3os (cf. 1 Cor 9,1-15). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Para Paulo, o valor realmente absoluto e ao qual tudo o resto se deve subordinar \u00e9 o amor. S\u00f3 assim seremos dignos filhos desse Deus que, por amor, desceu ao encontro dos homens, partilhou as suas dores, enfrentou as for\u00e7as do \u00f3dio e da injusti\u00e7a, e at\u00e9 sofreu morte maldita numa colina fora da cidade santa de Jerusal\u00e9m. No concreto do nosso dia a dia, \u00e9 o amor \u2013 vivido ao jeito de Jesus, como ren\u00fancia ao ego\u00edsmo, como entrega total, como servi\u00e7o simples e humilde \u2013 que conduz as nossas op\u00e7\u00f5es? E isso traduz-se no respeito pela vida, pela dignidade, pelos direitos dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s?<\/li>\n<li>A nossa sociedade \u00e9 muito sens\u00edvel aos direitos individuais e valoriza muito a liberdade. Trata-se, sem d\u00favida, de uma das dimens\u00f5es mais significativas e mais positivas da cultura do nosso tempo\u2026 Contudo, a afirma\u00e7\u00e3o intransigente dos pr\u00f3prios direitos e da pr\u00f3pria liberdade pode, por vezes, traduzir-se em preju\u00edzo para os outros irm\u00e3os\u2026 Quando est\u00e1 em jogo o bem dos meus irm\u00e3os, onde come\u00e7a e onde acaba a nossa liberdade?<\/li>\n<li>A express\u00e3o \u201cai de mim se n\u00e3o anunciar o Evangelho\u201d traduz a atitude de quem descobriu Jesus Cristo e a sua proposta e sente a responsabilidade por passar essa proposta libertadora aos outros homens. Implica o dom de si, o esquecimento dos seus interesses e esquemas pessoais, para fazer da pr\u00f3pria vida um dom a Cristo, ao Reino e aos outros irm\u00e3os. Que eco \u00e9 que esta exig\u00eancia encontra no nosso cora\u00e7\u00e3o? O amor a Cristo e aos irm\u00e3os sobrep\u00f5e-se aos nossos esquemas e programas pessoais e obriga-nos a sentirmo-nos comprometidos com o Evangelho e com o testemunho do Reino?<\/li>\n<li>O servi\u00e7o do Evangelho e dos irm\u00e3os n\u00e3o pode ser, nunca, uma instala\u00e7\u00e3o numa vida f\u00e1cil, descomprometida, c\u00f3moda, pouco exigente. Aquele que dedica a sua vida ao servi\u00e7o do Reino n\u00e3o \u00e9 um mero funcion\u00e1rio que resolve os problemas \u201cburocr\u00e1ticos\u201d que a \u201cprofiss\u00e3o\u201d exige e que se retira comodamente para o seu mundo isolado, em paz com a sua consci\u00eancia\u2026 Mas \u00e9 algu\u00e9m que p\u00f5e o amor aos irm\u00e3os e \u00e0 comunidade acima de tudo, que est\u00e1 sempre dispon\u00edvel para servir, que \u00e9 capaz de renunciar at\u00e9 aos seus tempos de descanso para acompanhar os irm\u00e3os, para os escutar, para os acolher. Como disc\u00edpulos de Jesus, o amor est\u00e1 sempre acima dos nossos pr\u00f3prios interesses e faz da nossa vida dom, servi\u00e7o, entrega total? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO &#8211; <\/strong><strong>Marcos 1,29-39<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus saiu da sinagoga<br \/>\ne foi, com Tiago e Jo\u00e3o, a casa de Sim\u00e3o e Andr\u00e9.<br \/>\nA sogra de Sim\u00e3o estava de cama com febre<br \/>\ne logo Lhe falaram dela.<br \/>\nJesus aproximou-Se, tomou-a pela m\u00e3o e levantou-a.<br \/>\nA febre deixou-a e ela come\u00e7ou a servi-los.<br \/>\nAo cair da tarde, j\u00e1 depois do sol-posto,<br \/>\ntrouxeram-Lhe todos os doentes e possessos<br \/>\ne a cidade inteira ficou reunida diante da porta.<br \/>\nJesus curou muitas pessoas,<br \/>\nque eram atormentadas por v\u00e1rias doen\u00e7as,<br \/>\ne expulsou muitos dem\u00f3nios.<br \/>\nMas n\u00e3o deixava que os dem\u00f3nios falassem,<br \/>\nporque sabiam qual Ele era.<br \/>\nDe manh\u00e3, muito cedo, levantou-Se e saiu.<br \/>\nRetirou-Se para um s\u00edtio ermo<br \/>\ne a\u00ed come\u00e7ou a orar.<br \/>\nSim\u00e3o e os companheiros foram \u00e0 procura d\u2019Ele<br \/>\ne, quando O encontraram, disseram-Lhe:<br \/>\n\u00abTodos Te procuram\u00bb.<br \/>\nEle respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abVamos a outros lugares, \u00e0s povoa\u00e7\u00f5es vizinhas,<br \/>\na fim de pregar a\u00ed tamb\u00e9m,<br \/>\nporque foi para isso que Eu vim\u00bb.<br \/>\nE foi por toda a Galileia,<br \/>\npregando nas sinagogas e expulsando os dem\u00f3nios.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos na primeira parte (cf. Mc 1,14-8,30) do Evangelho segundo Marcos. Nesta parte, Jesus \u00e9 apresentado como o Messias que proclama o \u201cReino de Deus\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No texto do Evangelho que escutamos no passado domingo (Mc 1,21-28), Marcos tinha-nos levado at\u00e9 \u00e0 sinagoga de Cafarnaum, num s\u00e1bado de manh\u00e3, para testemunharmos como Jesus curou \u201cum homem com um esp\u00edrito impuro\u201d, deixando as pessoas presentes a questionar-se sobre a origem da sua autoridade. Agora Marcos prop\u00f5e-se descrever o seguimento desse dia (Mc 1,29-39). Convida-nos, antes de mais, a acompanhar Jesus at\u00e9 \u00e0 casa de Pedro onde est\u00e1 preparada, para Ele, a refei\u00e7\u00e3o de s\u00e1bado. A casa de Pedro ficava a uns 40 metros da sinagoga de Cafarnaum, segundo os dados arqueol\u00f3gicos. Mas, na \u201cagenda\u201d de Jesus para esse dia, ainda havia mais um \u201ccompromisso\u201d: j\u00e1 ao anoitecer, Ele encontra-se com \u201ca cidade inteira\u201d, reunida \u201c\u00e0 porta\u201d da \u201ccasa de Pedro\u201d. Estes diversos quadros fazem parte do que se convencionou chamar \u201ca jornada de Cafarnaum\u201d (Mc 1,21-39): \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o de um dia t\u00edpico de Jesus, no cumprimento da miss\u00e3o que o Pai lhe confiou. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A presen\u00e7a de Jesus na nossa hist\u00f3ria, as suas palavras e os seus gestos libertadores atestam, at\u00e9 ao infinito, a preocupa\u00e7\u00e3o de Deus com a vida e a felicidade dos seus filhos. \u00c9 verdade: os dias de Jesus foram preenchidos, de fio a pavio, com a luta contra tudo aquilo que destr\u00f3i e desumaniza os filhos e filhas de Deus. Deus sonhou, para n\u00f3s, um mundo de onde est\u00e3o ausentes o sofrimento, a maldi\u00e7\u00e3o e a exclus\u00e3o, e onde cada pessoa tem acesso \u00e0 vida verdadeira, \u00e0 felicidade definitiva, \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Talvez nem sempre entendamos o sentido do sofrimento que nos espera em cada esquina da vida; talvez nem sempre sejam claros, para n\u00f3s, os caminhos por onde se desenrolam os projetos de Deus\u2026 Mas Jesus veio garantir-nos absolutamente o empenho de Deus na felicidade e na liberta\u00e7\u00e3o do homem. Resta-nos confiar em Deus e entregarmo-nos ao seu amor. \u00c9 essa a perspetiva que n\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, temos de Deus e do seu projeto salvador?<\/li>\n<li>O encontro com Jesus e com o \u201cReino\u201d \u00e9 sempre uma experi\u00eancia libertadora. Pedro, Andr\u00e9, Tiago e Jo\u00e3o fizeram essa experi\u00eancia. Aceitar o convite de Jesus para O seguir e para se tornar \u201cdisc\u00edpulo\u201d significa a rutura com as cadeias de ego\u00edsmo, de orgulho, de comodismo, de autossufici\u00eancia, de injusti\u00e7a, de pecado que impedem a nossa felicidade e que geram sofrimento, opress\u00e3o e morte nas nossas vidas e nas vidas dos nossos irm\u00e3os. Quem se encontra com Jesus, escuta e acolhe a sua mensagem, assume o compromisso de conduzir a sua vida pelos valores do Evangelho e passa a viver no amor, no perd\u00e3o, na toler\u00e2ncia, no servi\u00e7o aos irm\u00e3os. Na perspetiva da catequese que o Evangelho de hoje nos apresenta, \u00e9 um \u201clevantar-se\u201d, um ressuscitar para uma vida nova e eterna. N\u00f3s que nos encontramos com Jesus e decidimos segui-l\u2019O, temos procurado viver e testemunhar os valores do Reino?<\/li>\n<li>O exemplo da sogra de Pedro que, depois de ter sido curada da sua enfermidade, \u201ccome\u00e7ou a servir\u201d os que estavam na casa, lembra-nos que do encontro libertador com Jesus deve resultar o compromisso com a liberta\u00e7\u00e3o dos nossos irm\u00e3os. Quem encontra Jesus e aceita inserir-se na din\u00e2mica do \u201cReino\u201d compromete-se com a transforma\u00e7\u00e3o do mundo: com generosidade, p\u00f5e-se ao servi\u00e7o dos irm\u00e3os fr\u00e1geis, necessitados, abandonados, perseguidos e leva-lhes a ternura e a bondade de Deus em gestos concretos de amor e cuidado. Os nossos gestos s\u00e3o sinais da vida de Deus para os irm\u00e3os que caminham ao nosso lado?<\/li>\n<li>Na multid\u00e3o que se concentra \u00e0 porta da \u201ccasa de Pedro\u201d, podemos ver a imensa multid\u00e3o de seres humanos que, \u00e0 nossa volta, todos os dias grita a sua frustra\u00e7\u00e3o pela guerra, pela viol\u00eancia, pela injusti\u00e7a, pela mis\u00e9ria, pela exclus\u00e3o, pela solid\u00e3o, pela falta de amor\u2026 A Igreja de Jesus Cristo (a \u201ccasa de Pedro\u201d) tem nas m\u00e3os a proposta libertadora que recebeu do pr\u00f3prio Jesus e que deve ser oferecida a todos estes irm\u00e3os que vivem prisioneiros de um sofrimento sem esperan\u00e7a. O que \u00e9 que n\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, temos feito no sentido de transformar as exist\u00eancias sofridas desses nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s? Ao olhar para a Igreja de Jesus, os imigrantes clandestinos que chegam \u00e0s nossas praias, os homens e as mulheres v\u00edtimas do preconceito e da condena\u00e7\u00e3o social ou religiosa encontram solidariedade, ajuda, fraternidade, preocupa\u00e7\u00e3o real com os seus dramas e mis\u00e9rias, ou apenas discursos teol\u00f3gicos abstratos e virados para o c\u00e9u? Os nossos irm\u00e3os idosos, doentes, esquecidos encontram nos nossos gestos o amor libertador de Jesus que d\u00e1 esperan\u00e7a e que aponta no sentido de um mundo mais fraterno e mais humano, ou encontram ego\u00edsmo, indiferen\u00e7a, solid\u00e3o, abandono?<\/li>\n<li>O exemplo de Jesus mostra que o aparecimento do \u201cReino de Deus\u201d est\u00e1 ligado a uma vida de comunh\u00e3o e de di\u00e1logo com Deus. Rezar n\u00e3o \u00e9 fugir do mundo ou alienar-se dos problemas do mundo e dos dramas dos homens\u2026 Mas \u00e9 uma tomada de consci\u00eancia dos projetos de Deus para o mundo e um ponto de partida para o compromisso com o \u201cReino\u201d. S\u00f3 na comunh\u00e3o e no di\u00e1logo \u00edntimo com Deus percebemos os seus projetos e recebemos a for\u00e7a de Deus para nos empenharmos na transforma\u00e7\u00e3o do mundo. No meio da az\u00e1fama do dia a dia, conseguimos reservar momentos para o encontro e o di\u00e1logo com o Pai? Estamos conscientes da import\u00e2ncia de escutar o Pai, de tentar entender e acolher os seus projetos para n\u00f3s e para o mundo? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> apresenta a ang\u00fastia e inquieta\u00e7\u00e3o que invade o cora\u00e7\u00e3o de Job. A proclama\u00e7\u00e3o deste texto deve ter em aten\u00e7\u00e3o as diversas interroga\u00e7\u00f5es presentes no texto, bem como a interpela\u00e7\u00e3o que Job dirige a cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>segunda leitura<\/strong> apesar de n\u00e3o apresentar nenhuma dificuldade aparente exige um especial cuidado nas pausas e respira\u00e7\u00f5es para uma melhor articula\u00e7\u00e3o do texto. Al\u00e9m disso, este texto deve ser marcado por um tom de esperan\u00e7a e alegria, testemunhando a urg\u00eancia e a necessidade de me envolver no an\u00fancio do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/02\/05\/ainda-a-jornada-de-cafarnaum-e-job-o-homem-que-doi-4\/\"><strong>AINDA A \u00abJORNADA DE CAFARNAUM\u00bb, E JOB, O HOMEM QUE\u00a0D\u00d3I<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A\u00ed est\u00e1 diante de n\u00f3s o Evangelho do Domingo V do Tempo Comum, Marcos 1,29-39, no seguimento imediato da proclama\u00e7\u00e3o feita no Domingo passado (Marcos 1,21-28). De madrugada a madrugada. Depois de entrarem [Jesus e os seus disc\u00edpulos; ningu\u00e9m como Marcos vincula Jesus aos seus disc\u00edpulos] em Cafarnaum, na manh\u00e3 de s\u00e1bado entra Jesus na sinagoga de Cafarnaum e ensinava (Marcos 1,21). Ei-los agora que saem [Jesus e os seus disc\u00edpulos: verbo no plural] da sinagoga, e entram na casa de Sim\u00e3o e de Andr\u00e9 (Marcos 1,29). Trata-se de um \u00abrelato de come\u00e7o\u00bb. Saindo da casa antiga, entram, uns 30 metros a sul, na casa nova, de Pedro. A sogra de Sim\u00e3o est\u00e1 deitada com febre. Jesus segura-lhe (<em>krat\u00e9\u00f4<\/em>) na m\u00e3o (Marcos 1,31), express\u00e3o lind\u00edssima que indica no Antigo Testamento o gesto protetor com que Deus protege o orante (Salmo 73,23), Israel (Isa\u00edas 41,13), o seu servo (Isa\u00edas 42,6). E a sogra de Sim\u00e3o \u00ablevantou-se\u00bb (<em>\u00eage\u00edr\u00f4<\/em>), verbo da ressurrei\u00e7\u00e3o, e p\u00f4s-se a servi-los (<em>di\u00eak\u00f3nei<\/em>: imperfeito de\u00a0<em>diakon\u00e9\u00f4<\/em>) de forma continuada, como indica o uso do verbo no imperfeito. A sogra de Sim\u00e3o \u00e9 uma das sete mulheres que, nos Evangelhos, \u00abservem\u00bb Jesus e os outros. Ela \u00e9 bem a figura da comunidade crist\u00e3 nascente, que passa da escravid\u00e3o \u00e0 liberdade, da morte \u00e0 vida, gerada, protegida, guardada e edificada por Jesus no lugar seguro da casa de Pedro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c0 tardinha, j\u00e1 sol-posto, primeiro dia da semana [o dia muda com o p\u00f4r do sol], toda a cidade de Cafarnaum est\u00e1 reunida diante da porta daquela casa, para ouvir Jesus e ver curados por Ele os seus doentes. Note-se que os dem\u00f3nios continuam impedidos de falar, exatamente porque sabiam quem Ele era (Marcos 1,34). Pode parecer estranho este silenciamento de quem sabe! Mas \u00e9 exatamente para ficar claro que acreditar em Jesus n\u00e3o \u00e9 isolar uma defini\u00e7\u00e3o exata de Jesus, mas aderir a Ele e \u00e0 sua maneira de viver. E este afazer \u00e9 trabalho nosso, n\u00e3o dos dem\u00f3nios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na madrugada do mesmo primeiro dia da semana, muito cedo, de madrugada a madrugada, tendo-se levantado (<em>an\u00edst\u00eami<\/em>), outra prolepse da madrugada da Ressurrei\u00e7\u00e3o que j\u00e1 se avista no horizonte, Jesus sai sozinho para rezar (Marcos 1,35), mas os disc\u00edpulos correm logo a procur\u00e1-lo para o trazer de volta a Cafarnaum, pois, dizem eles, todas as pessoas o querem ver e ter. Ningu\u00e9m o quer perder (Marcos 1,36-37).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas Jesus desconcerta os seus disc\u00edpulos, e abre-lhes j\u00e1 os futuros caminhos da miss\u00e3o: \u00abVAMOS, diz Jesus, a outros lugares, \u00e0s aldeias vizinhas, para que TAMB\u00c9M (<em>ka\u00ed<\/em>\u00a0usado adverbialmente) ali ANUNCIE (<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>) o Evangelho\u00bb (Marcos 1,38). Importante e intenso dizer. ANUNCIAR, verbo grego\u00a0<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>, \u00e9 todo o afazer de Jesus, enche por completo o seu programa e o seu caminho. Ora, ANUNCIAR,\u00a0<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>, \u00e9 dizer em voz alta a MENSAGEM que outro nos encarregou de transmitir. Aqui, o outro \u00e9 Deus. Jesus \u00e9, ent\u00e3o, o MENSAGEIRO de Deus. O ANUNCIADOR, o MENSAGEIRO, n\u00e3o fala em seu pr\u00f3prio nome, n\u00e3o emite opini\u00f5es. Fala em nome de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Prossigamos. Com aquele\u00a0<em>vamos<\/em>\u00a0[\u00ab<em>vamos<\/em>\u00a0a outros lugares\u00bb], Jesus desinstala e agrafa a si os seus disc\u00edpulos, apontando-lhes j\u00e1 o seu futuro trabalho de ANUNCIADORES do Evangelho pelo mundo inteiro. Mas \u00e9 igualmente importante aquele TAMB\u00c9M inclusivo [\u00abpara que\u00a0<em>tamb\u00e9m<\/em>\u00a0ali anuncie o Evangelho\u00bb]. \u00c9 como uma ponte que une duas margens. Se, por um lado, proleticamente, aponta o futuro, por outro lado, analepticamente, classifica como AN\u00daNCIO do Evangelho todos os afazeres da inteira \u00abjornada de Cafarnaum\u00bb, em que o verbo ANUNCIAR (<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>) nunca apareceu. Ficamos, portanto, a saber que a toada do AN\u00daNCO do Evangelho \u00e9 ensinar, libertar, acolher, curar, recriar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus, o M\u00e9dico divino, curou a sogra de Pedro e muitos doentes. Eis o contraponto vindo hoje do Livro de Job (7,1-7), o homem que d\u00f3i e grita por socorro. Em nome do homem, Job procura um sentido para a vida humana breve, fr\u00e1gil e nem sempre feliz e gratificante. Pede a gra\u00e7a de uma m\u00e3o. Os amigos aparecem, mas, em vez de servirem de consolo, entret\u00eam-se \u00e0 procura de raz\u00f5es que expliquem a desgra\u00e7a ca\u00edda sobre Job. E assim, em vez de consolarem Job, atiram-no para a vala do lixo do pecado sem reden\u00e7\u00e3o e sem rem\u00e9dio. J\u00e1 se v\u00ea que tamb\u00e9m s\u00f3 Deus poder\u00e1 curar Job e todo o humano fr\u00e1gil e dorido que ele representa. \u00c9 para ele tamb\u00e9m o salutar EVANGELHO de hoje. Para ele, e para n\u00f3s. Bem vistas as coisas, todos somos eleitos de Deus. E o eleito \u00e9 sempre algu\u00e9m que abre livremente a m\u00e3o para receber um dom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por causa de Jesus e \u00e0 maneira de Jesus, cai sobre Paulo tamb\u00e9m a gra\u00e7a e a miss\u00e3o de EVANGELIZAR (1 Cor\u00edntios 9,16-23). \u00c9 neste caminho belo de EVANGELIZADOR que Paulo anda, mas n\u00e3o \u00e9 por sua iniciativa ou gosto. \u00c9 \u00abuma necessidade (<em>anagk\u00ea<\/em>) que lhe \u00e9 imposta desde fora (<em>ep\u00edkeitai<\/em>)\u00bb (1 Cor\u00edntios 9,16). Desde fora, isto \u00e9, desde Deus, contra quem n\u00e3o vale a pena lutar (Atos 26,14). Sim, a vida nova de Paulo assenta nessa derrota sofrida (<em>katel\u00eamphthen<\/em>: aor. passivo de\u00a0<em>katalamb\u00e1n\u00f4<\/em>) no caminho de Damasco (Filipenses 3,12), que lhe \u00e9 imposta por Jesus, que desequilibra para a frente, e para sempre, a vida de Paulo (Filipenses 3,13-14). Sem esse desequil\u00edbrio para a frente, para o Evangelho, para Cristo, a vida de Paulo come\u00e7aria a arruinar-se, como indica a \u00abf\u00f3rmula de desgra\u00e7a\u00bb, introduzida por aquela interjei\u00e7\u00e3o \u00abAi\u00bb (<em>h\u00f4y<\/em>\u00a0hebraico;\u00a0<em>oua\u00ed<\/em>\u00a0grego), que fecha o v. 16. Esta inclina\u00e7\u00e3o para a frente traduz tamb\u00e9m a devota\u00e7\u00e3o de Paulo a todos (1 Cor\u00edntios 9,19-23), \u00abtudo para todos\u00bb (1 Cor\u00edntios 9,22), \u00abpor causa do Evangelho\u00bb (1 Cor\u00edntios 9,23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Salmo 147 mant\u00e9m-nos atentos e fi\u00e9is cantores das obras boas de Deus, que opera sempre em nosso favor, debru\u00e7ando-se sobre n\u00f3s com amor providente, curando todas as nossas feridas, as do cora\u00e7\u00e3o e as do nosso corpo chagado. Mas sobretudo porque nos p\u00f5e a cantar, e cantar a Deus \u00e9 bom e faz bem!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Leitura-I-do-Domingo-V-do-Tempo-Comum-Ano-B-04.02.2024-Job-7-1-4.6-7-1.pdf\">Leitura I do Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 04.02.2024 (Job 7, 1-4.6-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Leitura-II-do-Domingo-V-do-Tempo-Comum-Ano-B-04.02.2024-1-Cor-9-16-19.22-23.pdf\">Leitura II do Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 04.02.2024 (1 Cor 9, 16-19.22-23)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Domingo-V-do-Tempo-Comum-Ano-B-04.02.2024-Lecionario.pdf\">Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 04.02.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Domingo-V-do-Tempo-Comum-Ano-B-04.02.2024-Oracao-Uniiversal.pdf\">Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 04.02.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Uniiversal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo IV do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 28.01.2024&#8243; tab_id=&#8221;1707126284373-5968f7d6-4fdb&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo IV do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 28.01.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Encontrava-se na sinagoga um homem com um esp\u00edrito impuro, que come\u00e7ou a gritar: \u00abQue tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno? Vieste para nos perder? Sei quem Tu \u00e9s: o Santo de Deus\u00bb. Jesus repreendeu-o, dizendo: \u00abCala-te e sai desse homem\u00bb. O esp\u00edrito impuro, agitando-o violentamente, soltou um forte grito e saiu dele. <em>Mc 1, 23-26<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Domingo-IV.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"350\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Precisamos de homens e mulheres cujas palavras n\u00e3o sejam somente lugares-comuns ou palavras est\u00e9reis e vazias que preencham apenas sil\u00eancios sem gerarem vida, nem oferecerem sentido. Atravessamos um tempo onde o nosso quotidiano \u00e9 preenchido por tantas palavras desde as redes sociais aos mais tradicionais meios de comunica\u00e7\u00e3o como os jornais, a r\u00e1dio ou a televis\u00e3o. Contudo, parece que estas palavras apenas nos distraem do essencial e n\u00e3o s\u00e3o capazes de ir ao \u00e2mago das nossas inquieta\u00e7\u00f5es e interroga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acredito que esta perce\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja apenas dos tempos hodiernos e que cada tempo e \u00e9poca da hist\u00f3ria sintam a necessidade de palavras revestidas de uma autoridade nova e diferente que ofere\u00e7a sentido e rasgue novos horizontes de confian\u00e7a e esperan\u00e7a. Seguramente, os contempor\u00e2neos de Jesus alimentavam tamb\u00e9m esta esperan\u00e7a e ao ouvirem, naquele S\u00e1bado, na sinagoga de Cafarnaum, as palavras de Jesus, n\u00e3o conseguiram esconder o entusiasmo e estupor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maravilhados, elogiavam a autoridade que brotava das palavras de Jesus e despontam em n\u00f3s a curiosidade de conhecer sobre o que falava Jesus naquele dia. Sabemos apenas que a autoridade de Jesus n\u00e3o brotava meramente da eloqu\u00eancia das suas palavras, nem dos seus doutos conhecimentos acerca da Lei e dos Profetas, pois ela contrasta com a dos escribas que apesar de saberem muitas coisas e de serem especialistas nas coisas de Deus, \u00ab<em>dizem, mas n\u00e3o fazem<\/em>\u00bb (cf. Mt 23,3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, a autoridade de Jesus brota da coer\u00eancia das Suas palavras. Em Jesus dizer e fazer s\u00e3o coincidentes e a palavra e a a\u00e7\u00e3o comunicam a mesma realidade, revelando o amor do Pai: \u00ab<em>esta \u2018economia\u2019 da revela\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0<em>realiza-se por meio de a\u00e7\u00f5es e palavras intimamente relacionadas entre si, de tal maneira que as obras, realizadas por Deus na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, manifestam e confirmam a doutrina e as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram as obras e esclarecem o mist\u00e9rio nelas contido<\/em>\u00bb (DV 2). \u00c9 esta coer\u00eancia que espanta quantos escutam Jesus, pois a Sua vida constr\u00f3i-se em conson\u00e2ncia com aquilo que as Suas palavras anunciam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, esta autoridade manifesta-se tamb\u00e9m na relev\u00e2ncia que a Sua mensagem representa para a nossa vida. Jesus incarnou, percorreu os caminhos da Judeia e da Galileia partilhando das alegrias e esperan\u00e7as, ang\u00fastias e sofrimentos dos homens e mulheres do Seu tempo. Jesus n\u00e3o \u00e9 indiferente \u00e0s dores e desesperan\u00e7as dos que se cruzam consigo, mas toca as chagas dos que Dele se aproximam e transforma a dor e o sofrimento em cura e vida. N\u00e3o se limita a um olhar compadecido e a palavras mais ou menos consoladoras, mas toca as feridas, cura-as e oferece um sentido novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquele homem absolutamente perturbado que aparece possu\u00eddo por um esp\u00edrito impuro grita: \u00ab<em>Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno?<\/em>\u00bb. Na verdade, Jesus \u00e9 o \u00ab<em>Santo de Deus<\/em>\u00bb e, por isso, tem tudo que ver connosco. A grande novidade da revela\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica \u00e9 a certeza de que Jesus tem tudo que ver com a nossa exist\u00eancia e que a nossa vida \u00e9 preciosa aos olhos de Deus, de tal modo, que Ele enviou o Seu Filho ao mundo, para que morrendo na cruz nos libertasse do pecado e da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, vivemos alimentados por uma renovada esperan\u00e7a e mesmo atravessando momentos dif\u00edceis e exigentes, como a pandemia que estamos a viver, queremos acolher no cora\u00e7\u00e3o e na vida as palavras de S. Paulo: \u00ab<em>n\u00e3o queria que and\u00e1sseis preocupados<\/em>\u00bb. O amor de Jesus e a Sua presen\u00e7a viva e ressuscitada s\u00e3o garante de esperan\u00e7a e fonte da nossa confian\u00e7a. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos at\u00e9 25 de janeiro o Oitav\u00e1rio de Ora\u00e7\u00f5es pela Unidade dos Crist\u00e3os.\u00a0Em cada ano o Pontif\u00edcio Conselho para a Promo\u00e7\u00e3o da Unidade dos Crist\u00e3os e a Comiss\u00e3o F\u00e9 e Constitui\u00e7\u00e3o do Conselho Mundial de Igrejas prop\u00f5e um conjunto de materiais para ajudar a viver esta semana de ora\u00e7\u00e3o para que a unidade desejada por Cristo seja uma realizada e esteja presente no cora\u00e7\u00e3o de todos os crist\u00e3os. O tema para este ano \u00e9 retirado do Evangelho de Lucas: \u00abAmar\u00e1s ao Senhor teu Deus\u2026 e ao teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u00bb (Lc 10,27). Na internet podem ser encontrados os diferentes materiais e subs\u00eddios, que poder\u00e3o ser utilizados lit\u00fargico-pastoralmente ajudar os fi\u00e9is a viver melhor esta semana e a fazer da unidade dos crist\u00e3os n\u00e3o apenas um desejo, mas uma realidade (<a href=\"http:\/\/www.christianunity.va\/\"><strong>http:\/\/www.christianunity.va\/<\/strong><\/a>).<strong><em> in Voz Portucalense (adaptado)<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Marcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso. <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Deuteron\u00f3mio 18,15-20<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mois\u00e9s falou ao povo, dizendo:<br \/>\n\u00abO Senhor teu Deus far\u00e1 surgir<br \/>\nno meio de ti, de entre os teus irm\u00e3os,<br \/>\num profeta como eu; a ele deveis escutar.<br \/>\nFoi isto mesmo que pediste ao Senhor teu Deus<br \/>\nno Horeb, no dia da assembleia:<br \/>\n\u2018N\u00e3o ouvirei jamais a voz do Senhor meu Deus,<br \/>\nnem verei este grande fogo, para n\u00e3o morrer\u2019.<br \/>\nO Senhor disse-me:<br \/>\n\u2018Eles t\u00eam raz\u00e3o;<br \/>\nfarei surgir para eles, do meio dos seus irm\u00e3os,<br \/>\num profeta como tu.<br \/>\nPorei as minhas palavras na sua boca<br \/>\ne ele lhes dir\u00e1 tudo o que Eu lhe ordenar.<br \/>\nSe algu\u00e9m n\u00e3o escutar as minhas palavras<br \/>\nque esse profeta disser em meu nome,<br \/>\nEu pr\u00f3prio lhe pedirei contas.<br \/>\nMas se um profeta tiver a ousadia<br \/>\nde dizer em meu nome o que n\u00e3o lhe mandei,<br \/>\nou de falar em nome de outros deuses,<br \/>\ntal profeta morrer\u00e1\u2019\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro do Deuteron\u00f3mio \u00e9 aquele \u201clivro da Lei\u201d ou \u201clivro da Alian\u00e7a\u201d descoberto no Templo de Jerusal\u00e9m (cf. 2 Re 22,3-13) no 18.\u00ba ano do reinado de Josias (622 a.C.). Neste livro, os te\u00f3logos deuteronomistas \u2013 origin\u00e1rios do Norte (Israel) mas, entretanto, refugiados no sul (Jud\u00e1) ap\u00f3s as derrotas dos reis do norte frente aos ass\u00edrios \u2013 apresentam os dados fundamentais da sua teologia: h\u00e1 um s\u00f3 Deus, que deve ser adorado por todo o Povo num \u00fanico local de culto (Jerusal\u00e9m); esse Deus amou e elegeu Israel, libertou-o da escravid\u00e3o do Egito e fez com Ele uma alian\u00e7a eterna, acompanhou-o na sua caminhada pelo deserto, deu-lhe a Terra Prometida\u2026 O Povo de Deus \u2013 esse povo com quem Deus se comprometeu \u2013 \u00e9 o Povo eleito, a propriedade pessoal de Jav\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A finalidade fundamental dos catequistas deuteronomistas, ao formular esta teologia, \u00e9 levar o Povo de Deus a um compromisso firme e exigente com a Lei de Deus, proclamada no Sinai. \u00c9 um convite firme ao Povo de Deus no sentido de abra\u00e7ar a alian\u00e7a com Jav\u00e9 e de viver na fidelidade aos compromissos assumidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Literariamente, o livro apresenta-se como um conjunto de tr\u00eas discursos de Mois\u00e9s, pronunciados nas plan\u00edcies de Moab, antes da entrada do Povo na Terra Prometida. Pressentindo a proximidade da morte, Mois\u00e9s deixa ao Povo uma esp\u00e9cie de \u201ctestamento espiritual\u201d: lembra aos hebreus os compromissos assumidos para com Deus e convida-os a renovar a sua alian\u00e7a com Jav\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste dia nos prop\u00f5e apresenta-se como parte do segundo discurso de Mois\u00e9s (cf. Dt 4,44-28,68). Trata-se de um texto que integra um conjunto legislativo sobre as estruturas de governo do Povo de Deus (cf. Dt 16,18-18,22). Em concreto, o texto refere-se a uma dessas estruturas: o profetismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fen\u00f3meno prof\u00e9tico n\u00e3o \u00e9 exclusivo de Israel, mas \u00e9 um fen\u00f3meno relativamente conhecido entre os povos do Crescente F\u00e9rtil. Entre os cananeus, os movimentos prof\u00e9ticos apareciam com relativa frequ\u00eancia, normalmente ligados \u00e0 adivinha\u00e7\u00e3o, ao \u00eaxtase, a convuls\u00f5es, a del\u00edrios (habitualmente provocados por instrumentos sonoros, gritos, dan\u00e7as, etc.). A multiplicidade de experi\u00eancias prof\u00e9ticas obriga, exatamente, a p\u00f4r o problema do discernimento entre a verdadeira e a falsa profecia\u2026 O que \u00e9 que carateriza o verdadeiro profeta? Quando \u00e9 que um profeta fala, realmente, em nome de Deus? Este problema devia p\u00f4r-se, particularmente, no Reino do Norte, na \u00e9poca de Acab (874-853 a.C.) e de Jezabel, quando os profetas de Baal dominavam. As tradi\u00e7\u00f5es sobre o profeta Elias (cf. 1 Re 17-2 Re 13,21) tra\u00e7am esse quadro de confronto di\u00e1rio entre a verdadeira e a falsa profecia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O catequista deuteronomista refere-se, precisamente, a esta quest\u00e3o. Ele apresenta, aqui, os crit\u00e9rios para que o Povo possa distinguir o verdadeiro e o falso profeta.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Mois\u00e9s exerceu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica no s\u00e9c. XIII a.C.; mas os profetas n\u00e3o s\u00e3o figuras extintas de um passado que n\u00e3o volta. Deus, para se fazer presente na hist\u00f3ria dos homens, sempre chamou e enviou pessoas para serem sinais vivos da sua presen\u00e7a na vida do mundo. E isto continua a acontecer no nosso tempo e na nossa hist\u00f3ria. No momento do nosso Batismo fomos ungidos com o \u00f3leo do crisma, que nos constituiu profetas. Recebemos, nesse dia, a miss\u00e3o de sermos sinais vivos de Deus no meio dos nossos irm\u00e3os. Estou consciente deste compromisso? Tenho procurado ser um profeta de Deus no meio dos homens e mulheres que caminham comigo?<\/li>\n<li>O profeta \u00e9 a voz de Deus que ecoa no mundo dos homens. Ele tem a responsabilidade de dizer aos homens aquilo que Deus pretende transmitir-lhes. Por isso, o profeta deve viver em permanente escuta de Deus. S\u00f3 assim saber\u00e1 o que deve, em nome de Deus, dizer \u00e0queles a quem \u00e9 enviado. Procuro escutar Deus, dialogar com Ele, acolher as suas indica\u00e7\u00f5es, ler os seus sinais, antes de ir ao encontro dos meus irm\u00e3os para lhes testemunhar as indica\u00e7\u00f5es de Deus?<\/li>\n<li>Consciente de que \u00e9 um instrumento de Deus no meio da comunidade humana, o profeta deve levar muito a s\u00e9rio a miss\u00e3o que lhe foi confiada. A miss\u00e3o prof\u00e9tica n\u00e3o \u00e9 um passatempo ou um compromisso para as horas vagas; tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 algo que posso levar a s\u00e9rio ou deitar fora, conforme a minha disposi\u00e7\u00e3o de momento. Trata-se de um compromisso que decorre da minha voca\u00e7\u00e3o batismal e que eu tenho de assumir com fidelidade absoluta e total empenho.<\/li>\n<li>Se o profeta \u00e9 designado para tornar presente no meio dos homens o projeto de Deus, ele n\u00e3o pode utilizar a miss\u00e3o em benef\u00edcio pr\u00f3prio. O profeta n\u00e3o deve ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de se vender aos poderes do mundo e pactuar com eles, a fim de concretizar a sua sede de poder; n\u00e3o pode \u201cvender a alma ao diabo\u201d para da\u00ed tirar algum benef\u00edcio; n\u00e3o deve utilizar o seu minist\u00e9rio para conseguir sucesso, para promover a sua imagem e obter os aplausos das multid\u00f5es. A miss\u00e3o prof\u00e9tica tem de estar sempre ao servi\u00e7o de Deus, dos planos de Deus, da verdade de Deus, e n\u00e3o ao servi\u00e7o de esquemas pessoais, interesseiros e ego\u00edstas. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL &#8211; <\/strong><strong>Salmo 94 (95)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refr\u00e3o:\u00a0\u00a0<strong>Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,<br \/>\nn\u00e3o fecheis os vossos cora\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vinde, exultemos de alegria no Senhor,<br \/>\naclamemos a Deus, nosso Salvador.<br \/>\nVamos \u00e0 sua presen\u00e7a e d\u00eamos gra\u00e7as,<br \/>\nao som de c\u00e2nticos aclamemos o Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vinde, prostremo-nos em terra,<br \/>\nadoremos o Senhor que nos criou;<br \/>\npois Ele \u00e9 o nosso Deus<br \/>\ne n\u00f3s o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem dera ouv\u00edsseis hoje a sua voz:<br \/>\n\u00abN\u00e3o endure\u00e7ais os vossos cora\u00e7\u00f5es,<br \/>\ncomo em Meriba, como no dia de Massa no deserto,<br \/>\nonde vossos pais Me tentaram e provocaram,<br \/>\napesar de terem visto as minhas obras\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 1 Cor\u00edntios 7,32-35<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nN\u00e3o queria que and\u00e1sseis preocupados.<br \/>\nQuem n\u00e3o \u00e9 casado preocupa-se com as coisas do Senhor,<br \/>\ncom o modo de agradar ao Senhor.<br \/>\nMas aquele que se casou preocupa-se com as coisas do mundo,<br \/>\ncom a maneira de agradar \u00e0 esposa,<br \/>\ne encontra-se dividido.<br \/>\nDa mesma forma, a mulher solteira e a virgem<br \/>\npreocupam-se com os interesses do Senhor,<br \/>\npara serem santas de corpo e esp\u00edrito.<br \/>\nMas a mulher casada preocupa-se com as coisas do mundo,<br \/>\ncom a forma de agradar ao marido.<br \/>\nDigo isto no vosso pr\u00f3prio interesse<br \/>\ne n\u00e3o para vos armar uma cilada.<br \/>\nTenho em vista o que mais conv\u00e9m<br \/>\ne vos pode unir ao Senhor sem desvios.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto da Carta aos Cor\u00edntios que nos \u00e9 dado escutar neste 4.\u00ba domingo comum \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o de um outro \u2013 da mesma carta \u2013 que ouvimos no 3.\u00ba domingo comum. \u00c9 o mesmo contexto e a mesma problem\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo havia sido questionado pelos crist\u00e3os de Corinto sobre o melhor estado de vida, do ponto de vista crist\u00e3o: o do matrim\u00f3nio ou o do celibato. Era uma quest\u00e3o pertinente, para uma comunidade que oscilava, nas quest\u00f5es relativas \u00e0 viv\u00eancia da sexualidade, entre uma moral laxista (t\u00edpica de uma cidade portu\u00e1ria, onde chegavam marinheiros de todo o Mediterr\u00e2neo e onde pontificava Afrodite, a deusa grega do amor) e uma moral marcada por tend\u00eancias filos\u00f3ficas que propunham o desprezo pelas realidades materiais, nomeadamente o casamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sua resposta, Paulo explica que n\u00e3o tem \u201cnenhum preceito do Senhor\u201d sobre esta quest\u00e3o, e que tanto o casamento como o celibato s\u00e3o caminhos poss\u00edveis, perfeitamente aceit\u00e1veis, para o crist\u00e3o. Mas lembra que \u201co tempo \u00e9 breve\u201d (o tempo entre a primeira vinda de Jesus e a sua segunda vinda); e, nesse cen\u00e1rio, o mais importante \u00e9 que os crentes n\u00e3o absolutizem as realidades passageiras e vivam de olhos postos no encontro com o Senhor, que n\u00e3o tarda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste enquadramento que Paulo apresenta o elogio da virgindade.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Por detr\u00e1s das afirma\u00e7\u00f5es que Paulo faz neste texto est\u00e1 a convic\u00e7\u00e3o de que as realidades terrenas s\u00e3o passageiras e ef\u00e9meras e n\u00e3o devem, em nenhum caso, ser absolutizadas. N\u00e3o se trata de propor uma evas\u00e3o do mundo e uma espiritualidade descarnada, insens\u00edvel, alheia ao amor, \u00e0 partilha, \u00e0 ternura; mas trata-se de avisar que as realidades desta terra n\u00e3o podem ser o objetivo final e \u00fanico da vida da pessoa. Esta reflex\u00e3o convida-nos a repensar as nossas prioridades e a n\u00e3o ancorar a nossa vida em realidades transit\u00f3rias.<\/li>\n<li>Paulo v\u00ea na castidade por amor do Reino uma forma de vida que liberta o cora\u00e7\u00e3o do homem para o servi\u00e7o de Deus e dos irm\u00e3os. E na verdade, hoje como ontem, muitos homens e mulheres sentem-se chamados por Deus a viverem deste jeito para serem mais livres na sua doa\u00e7\u00e3o e no seu servi\u00e7o. Nem sempre o mundo os aprecia e entende. Muitas vezes s\u00e3o mesmo criticados e ridicularizados pela sua op\u00e7\u00e3o. Mas essas pessoas generosas, de cora\u00e7\u00e3o livre, que colocaram o servi\u00e7o de Deus e dos irm\u00e3os como prioridade absoluta, s\u00e3o um dom de Deus \u00e0 Igreja e ao mundo. Estamos conscientes disso e agradecemos a Deus esse dom?<\/li>\n<li>Os irm\u00e3os e as irm\u00e3s que optaram pela castidade para se entregarem ao servi\u00e7o de Deus e dos irm\u00e3os devem viver a sua voca\u00e7\u00e3o sem amargura, sem frustra\u00e7\u00e3o, sem tristeza. Eles n\u00e3o \u201cperderam\u201d irremediavelmente as coisas bonitas da vida; mas, de forma livre e consciente, escolheram um amor maior e mais universal. Essa escolha \u00e9 fonte inesgot\u00e1vel de alegria e de paz. E eles devem dar testemunho, no meio do mundo, dessa alegria e dessa paz.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO &#8211; <\/strong><strong>Marcos 1,21-28<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jesus chegou a Cafarnaum<br \/>\ne quando, no s\u00e1bado seguinte, entrou na sinagoga<br \/>\ne come\u00e7ou a ensinar,<br \/>\ntodos se maravilhavam com a sua doutrina,<br \/>\nporque os ensinava com autoridade<br \/>\ne n\u00e3o como os escribas.<br \/>\nEncontrava-se na sinagoga um homem com um esp\u00edrito impuro,<br \/>\nque come\u00e7ou a gritar:<br \/>\n\u00abQue tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno?<br \/>\nVieste para nos perder?<br \/>\nSei quem Tu \u00e9s: o Santo de Deus\u00bb.<br \/>\nJesus repreendeu-o, dizendo:<br \/>\n\u00abCala-te e sai desse homem\u00bb.<br \/>\nO esp\u00edrito impuro, agitando-o violentamente,<br \/>\nsoltou um forte grito e saiu dele.<br \/>\nFicaram todos t\u00e3o admirados, que perguntavam uns aos outros:<br \/>\n\u00abQue vem a ser isto?<br \/>\nUma nova doutrina, com tal autoridade,<br \/>\nque at\u00e9 manda nos esp\u00edritos impuros e eles obedecem-Lhe!\u00bb<br \/>\nE logo a fama de Jesus se divulgou por toda a parte,<br \/>\nem toda a regi\u00e3o da Galileia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira parte do Evangelho que escreveu (cf. Mc 1,14-8,30), Marcos leva-nos numa viagem pela Galileia \u00e0 descoberta de Jesus como o Messias que proclama o Reino de Deus. Ao longo de um percurso que \u00e9 mais catequ\u00e9tico do que geogr\u00e1fico, os leitores de Marcos s\u00e3o convidados a acompanhar o dia a dia de Jesus, a escutar as suas palavras e o seu an\u00fancio, a notar os seus gestos libertadores, a aderir \u00e0 sua proposta de salva\u00e7\u00e3o. Este percurso de descoberta do Messias que o catequista Marcos nos prop\u00f5e atinge o seu momento culminante em Mc 8,29-30, com a confiss\u00e3o messi\u00e2nica de Pedro, em Cesareia de Filipe (que \u00e9, evidentemente, a confiss\u00e3o que se espera de cada crente, depois de ter acompanhado o percurso de Jesus a par e passo): \u201cTu \u00e9s o Messias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 hoje proposto aparece, exatamente, no princ\u00edpio desta caminhada de encontro com o Messias e com o seu an\u00fancio de salva\u00e7\u00e3o. Rodeado j\u00e1 pelos primeiros disc\u00edpulos, Jesus come\u00e7a a revelar-Se como o Messias-libertador, que est\u00e1 no meio dos homens para lhes apresentar a proposta de salva\u00e7\u00e3o que Deus Lhe confiou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena situa-nos em Cafarnaum (em hebraico Kfar Nahum, a \u201caldeia de Naum\u201d), uma pequena cidade situada na costa noroeste do Lago Kineret (o Mar da Galileia). A sua import\u00e2ncia advinha de estar ao lado da estrada onde passavam as caravanas provenientes da S\u00edria. De acordo com os Evangelhos Sin\u00f3pticos, \u00e9 a\u00ed que Jesus se vai instalar durante o tempo do seu minist\u00e9rio na Galileia. V\u00e1rios dos disc\u00edpulos \u2013 Sim\u00e3o e seu irm\u00e3o Andr\u00e9, Tiago e seu irm\u00e3o Jo\u00e3o \u2013 viviam em Cafarnaum.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Aquele homem \u201ccom um esp\u00edrito impuro\u201d que interpela Jesus na sinagoga de Cafarnaum representa todos os homens e mulheres, de todas as \u00e9pocas, que s\u00e3o ref\u00e9ns do ego\u00edsmo, do orgulho, da autossufici\u00eancia, do medo, da explora\u00e7\u00e3o, da exclus\u00e3o, da injusti\u00e7a, do \u00f3dio, da viol\u00eancia, do pecado; representa essa humanidade que percorre um caminho \u00e0 margem de Deus e das suas propostas, que aposta em valores ef\u00e9meros e escravizantes ou que procura a vida em propostas fal\u00edveis ou ef\u00e9meras. Para todos n\u00f3s que, de uma forma ou de outra, vivemos mergulhados nesta realidade desumanizadora, o relato de Marcos deixa uma Boa Not\u00edcia: Deus n\u00e3o Se conforma com o facto de os homens trilharem caminhos de morte, e vir\u00e1 sempre ter connosco para nos oferecer a liberdade e a salva\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Para Marcos, a proposta de Deus chega torna-se realidade viva e atuante em Jesus. Ele \u00e9 o Messias libertador que, com a sua vida, com a sua palavra, com os seus gestos, com as suas a\u00e7\u00f5es, vem propor aos homens um caminho novo de liberdade e de vida. Ao ego\u00edsmo, Ele contrap\u00f5e a doa\u00e7\u00e3o e a partilha; ao orgulho e \u00e0 autossufici\u00eancia, Ele contrap\u00f5e o servi\u00e7o simples e humilde a Deus e aos irm\u00e3os; \u00e0 exclus\u00e3o, Ele prop\u00f5e a toler\u00e2ncia e a miseric\u00f3rdia; \u00e0 injusti\u00e7a, ao \u00f3dio, \u00e0 viol\u00eancia, Ele contrap\u00f5e o amor sem limites; ao medo, Ele contrap\u00f5e a liberdade; \u00e0 morte, Ele contrap\u00f5e a vida. Estou dispon\u00edvel para caminhar com Jesus, para acolher as suas propostas, para abra\u00e7ar o seu projeto, para acolher a liberta\u00e7\u00e3o que Ele me veio oferecer?<\/li>\n<li>Os disc\u00edpulos de Jesus s\u00e3o as testemunhas, aqui e agora, da sua proposta libertadora. Eles t\u00eam de continuar a miss\u00e3o de Jesus e de assumir a mesma luta de Jesus contra todos os \u201cdem\u00f3nios\u201d que introduzem no mundo din\u00e2micas criadoras de sofrimento e de morte. Ser disc\u00edpulo de Jesus \u00e9 percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu e lutar, se necess\u00e1rio at\u00e9 ao dom total da vida, por um mundo mais humano, mais livre, mais solid\u00e1rio, mais justo, mais fraterno. Os seguidores de Jesus n\u00e3o podem ficar de bra\u00e7os cruzados, a olhar para o c\u00e9u, enquanto o mundo \u00e9 constru\u00eddo e dirigido por aqueles que prop\u00f5em uma l\u00f3gica de ego\u00edsmo e de morte; mas t\u00eam a grave responsabilidade de lutar, objetivamente, contra tudo aquilo que desumaniza os filhos e filhas de Deus. Essa \u00e9 tamb\u00e9m a minha luta?<\/li>\n<li>O texto refere o inc\u00f3modo do \u201chomem com um esp\u00edrito impuro\u201d, diante da presen\u00e7a libertadora de Jesus. O pormenor faz-nos pensar nas rea\u00e7\u00f5es agressivas e intolerantes \u2013 por parte daqueles que pretendem perpetuar situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a e de escravid\u00e3o \u2013 diante do testemunho e do an\u00fancio dos valores do Evangelho. Apesar da incompreens\u00e3o e da intoler\u00e2ncia de que s\u00e3o, por vezes, v\u00edtimas, os disc\u00edpulos de Jesus n\u00e3o devem deixar-se encerrar nas sacristias, ficando \u00e0 margem da hist\u00f3ria por medo ou comodismo; mas devem assumir corajosamente e de forma bem vis\u00edvel o seu empenho na transforma\u00e7\u00e3o das realidades pol\u00edticas, econ\u00f3micas, sociais, laborais, familiares.<\/li>\n<li>Aquele homem dominado \u201cpor um esp\u00edrito impuro\u201d n\u00e3o deve ter entrado pela primeira vez na sinagoga de Cafarnaum naquele s\u00e1bado. Provavelmente participava habitualmente na liturgia sinagogal, escutava a Palavra de Deus que era lida e as explica\u00e7\u00f5es dos escribas. Mas s\u00f3 nesse dia se sentiu questionado e incomodado pela Palavra que escutou. Porqu\u00ea? Porque Jesus proclamou e explicou a Palavra de uma forma nova, \u201ccom autoridade\u201d, com aquela autoridade que lhe vinha da sua experi\u00eancia de Deus? \u00c9 poss\u00edvel. E a Palavra de Deus que ecoa todos os dias nas nossas celebra\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias? Transmite uma experi\u00eancia de Deus e faz-nos sentir a presen\u00e7a de Deus? Provoca alguma transforma\u00e7\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o dos que a escutam? Interroga-nos, desafia-nos, provoca-nos, inquieta-nos ou deixa-nos imp\u00e1vidos, indiferentes e sempre adormecidos?<\/li>\n<li>A luta contra os \u201cdem\u00f3nios\u201d que desfeiam o mundo e escravizam os homens nossos irm\u00e3os \u00e9 sempre um processo doloroso, que gera conflitos, divis\u00f5es, sofrimento; mas \u00e9, tamb\u00e9m, uma aventura que vale a pena ser vivida e uma luta que vale a pena travar. Embarcar nessa aventura \u00e9 tornar-se c\u00famplice de Deus na constru\u00e7\u00e3o de um mundo de homens livres.<strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 composta pelas palavras que Mois\u00e9s dirige ao povo. Contudo, \u00e9 necess\u00e1rio ter em aten\u00e7\u00e3o que nas suas palavras Mois\u00e9s evoca as palavras do povo a Deus no Horeb e as palavras que Deus lhe dirige. Estas interven\u00e7\u00f5es devem ser tidas em conta na proclama\u00e7\u00e3o da leitura, para uma correta articula\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, \u00e9 necess\u00e1rio ter em conta o tom exortativo do texto<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/01\/29\/eis-que-faco-novas-todas-as-coisas-4\/\"><strong>EIS QUE FA\u00c7O NOVAS TODAS AS\u00a0COISAS!<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abEis que fa\u00e7o novas todas as coisas\u00bb (Apocalipse 21,5), diz Deus. De tal modo novas, diz Deus, que ningu\u00e9m pode dizer: \u00abJ\u00e1 o sabia\u00bb (Isa\u00edas 48,7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 assim tamb\u00e9m o Evangelho deste Domingo IV do Tempo Comum (Marcos 1,21-28). Eis Jesus a entrar com os seus disc\u00edpulos em Cafarnaum, na sinagoga deles, e ensinava e ordenava tudo de forma nova. T\u00e3o nova que inutilizava todas as compara\u00e7\u00f5es e cataloga\u00e7\u00f5es (Marcos 1,22). N\u00e3o era membro de nenhuma confraria, academia, partido, ordem profissional ou institui\u00e7\u00e3o, que \u00e0 partida lhe conferisse algum cr\u00e9dito, alguma autoridade. Nenhum cr\u00e9dito, nenhum curr\u00edculo, nenhum diploma, o precedia. A sua autoridade come\u00e7ava ali, no pr\u00f3prio ato de dizer ou de fazer. E as pessoas de Cafarnaum foram tomadas de tanto espanto, que tiveram de constatar logo ali que sa\u00eda dos seus l\u00e1bios e das suas m\u00e3os um mundo novo, belo e bom, ordenado segundo as pautas da Cria\u00e7\u00e3o (Marcos 1,22 e 27). Um vendaval manso de gra\u00e7a e de bondade encheu Cafarnaum, e transvazava como um perfume novo de amor e de louvor por toda a regi\u00e3o da Galileia e da miss\u00e3o (Marcos 1,28). Saltava \u00e0 vista que Cafarnaum n\u00e3o podia conter ou reter tamanha vaga de perfume e lume novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas de Cafarnaum sabiam bem\u00a0<em>o que<\/em>\u00a0diziam os escribas, e\u00a0<em>como<\/em>\u00a0diziam os escribas. N\u00e3o eram sen\u00e3o repetidores, talvez mesmo apenas repetentes de pesadas e cansadas doutrinas que se arrastavam na torrente de uma velha e gasta tradi\u00e7\u00e3o. Os escribas diziam, diziam, diziam, recitavam o vazio (Salmo 2,1), compraziam-se na sua pr\u00f3pria boca, nas suas pr\u00f3prias palavras (Salmo 49,14), e nada, nada, nada acontecia: nenhum calafrio na alma, nenhum rio nascia no deserto, ningu\u00e9m estremecia ou renascia. Mas Jesus come\u00e7ou a falar, e as pessoas de Cafarnaum sentem um fr\u00e9mito, um estremecimento novo (Isa\u00edas 66,2 e 5), assalta-as uma comovida emo\u00e7\u00e3o, uma l\u00e1grima de alegria lhes acaricia o cora\u00e7\u00e3o. Era como se acabassem de escutar aquela palavra \u00fanica que h\u00e1 tanto tempo se procura, palavra criadora que nos vai direitinha ao cora\u00e7\u00e3o, a ternura e a surpresa permanente de quem leva uma crian\u00e7a pela m\u00e3o! N\u00e3o deixa de espantar que o narrador nos diga que Jesus ensinava, e que nada nos diga acerca do conte\u00fado desse ensinamento. Reporta apenas a impress\u00e3o que as palavras de Jesus suscitam nos ouvintes. Um tal modo de proceder serve para nos fazer entender, desde o princ\u00edpio, que o que verdadeiramente interessa \u00e9 a pessoa de Jesus, e n\u00e3o a sua doutrina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas de Cafarnaum sabiam bem\u00a0<em>o que<\/em>\u00a0eram os exorcismos, e\u00a0<em>como<\/em>\u00a0se faziam os exorcismos. Estavam muito em voga naquele tempo. Eram longos, estranhos, complicados, cheios de f\u00f3rmulas m\u00e1gicas e ritos esot\u00e9ricos. Mas Jesus diz uma palavra criadora: \u00abCala-te e sai desse homem\u00bb, e tudo fica de imediato resolvido! (Marcos 1,25-26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abre-se um debate. O primeiro de muitos que o Evangelho de Marcos vai abrir. \u00ab<em>O que \u00e9 isto?<\/em>\u00bb (Marcos 1,27), perguntam as pessoas de Cafarnaum, que nunca tinham visto tanto e t\u00e3o novo e t\u00e3o prodigioso ensinamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 apenas o come\u00e7o da jornada deste maravilhoso ANUNCIADOR do Evangelho de Deus (Marcos 1,14). Logo a abrir o seu Evangelho, Marcos ensina-nos que a jornada iniciada naquele primeiro s\u00e1bado em Cafarnaum salta os clich\u00e9s habituais, e vai de madrugada a madrugada, de modo a deixar j\u00e1 bem \u00e0 vista aquela outra sempre primeira madrugada da Ressurrei\u00e7\u00e3o! Jesus come\u00e7a de manh\u00e3 na sinagoga (Marcos 1,21); caminha depois 30 metros para sul, e entra, pelo meio-dia, na casa de Pedro e levanta da febre para o servi\u00e7o do Evangelho a sogra de Pedro (Marcos 1,29-31); \u00e0 tardinha, j\u00e1 sol-posto, primeiro dia da semana, toda a cidade de Cafarnaum est\u00e1 reunida diante da porta daquela casa, para ouvir Jesus e ver curados por Ele os seus doentes (Marcos 1,32-34); de madrugada, muito cedo, Jesus sai sozinho para rezar (Marcos 1,35), e os disc\u00edpulos correm a procur\u00e1-lo para o trazer de volta a Cafarnaum, pois, dizem eles, todas as pessoas o querem ver e ter (Marcos 1,36-37). Ningu\u00e9m o quer perder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desconcertante reviravolta. Jesus diz aos seus disc\u00edpulos at\u00f3nitos: \u00abVAMOS a outros lugares, \u00e0s aldeias vizinhas, para que TAMB\u00c9M (<em>ka\u00ed<\/em>\u00a0usado adverbialmente) ali ANUNCIE (<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>) o Evangelho\u00bb (Marcos 1,38). Com este gr\u00e1vido dizer, Jesus deixa claro que ANUNCIAR o Evangelho enche por completo o seu programa e o seu caminho. Com aquele\u00a0<em>vamos<\/em>\u00a0[\u00ab<em>vamos<\/em>\u00a0a outros lugares\u00bb], Jesus desinstala e agrafa a si os seus disc\u00edpulos para este trabalho de AN\u00daNCIO do Evangelho seja a quem for, seja onde for. Com aquele\u00a0<em>tamb\u00e9m<\/em>\u00a0inclusivo [\u00abpara que\u00a0<em>tamb\u00e9m<\/em>\u00a0ali anuncie o Evangelho\u00bb], Jesus classifica como AN\u00daNCIO do Evangelho todos os afazeres da inteira jornada de Cafarnaum: ensinar, libertar, acolher, curar, recriar: \u00e9 esta a toada do AN\u00daNCIO do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ANUNCIAR (<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>) \u00e9 ent\u00e3o o afazer de Jesus. E qual \u00e9 a primeira nota que soa quando Jesus\u00a0<em>se diz<\/em>\u00a0com o verbo ANUNCIAR? \u00c9, sem d\u00favida, a sua completa vincula\u00e7\u00e3o ao Pai, de quem \u00e9 o arauto, o mensageiro, o ANUNCIADOR. Pura transpar\u00eancia do Pai, de quem diz o que ouviu dizer (Jo\u00e3o 7,16-17; 8,26.38.40; 14,24; 17,8) e faz o que viu fazer (Jo\u00e3o 5,19; 17,4). Recebendo todo o amor fontal do Pai, bebendo da torrente cristalina do amor fontal do Pai (Salmo 110,7; cf. 1 Reis 17,4), Jesus, o Filho, \u00e9 pura transpar\u00eancia do Pai, e pode, com toda a verdade dizer a Filipe: Filipe, \u00abquem me v\u00ea, v\u00ea o Pai\u00bb (Jo\u00e3o 14,9). \u00c9 mesmo aqui que reside a sua verdadeira AUTORIDADE e a verdadeira NOVIDADE do seu MODO novo de dizer e de fazer, que se chama ANUNCIAR.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira nota de todo o ANUNCIADOR ou Arauto ou Mensageiro n\u00e3o assenta na capacidade deste, mas na sua fidelidade \u00c0quele que lhe confia a mensagem que deve anunciar. \u00c9 em Seu nome que diz\u00a0<em>o que<\/em>\u00a0diz, que diz\u00a0<em>como<\/em>\u00a0diz. No Enviado \u00e9 o Rosto do Enviante que se deve ver em contraluz ou filigrana pura. No Enviado ou Mensageiro ou Anunciador \u00e9 verdadeiramente Deus que visita o seu povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pertinho de Deus, cheio de Deus, Jesus leva Deus aos seus irm\u00e3os. \u00c9 esta a Autoridade de Jesus. A li\u00e7\u00e3o do Livro do Deuteron\u00f3mio de hoje (18,15-20) anuncia um profeta novo, como Mois\u00e9s. \u00c9 Jesus o profeta \u00abcomo Mois\u00e9s\u00bb, mais do que Mois\u00e9s, com a boca repleta das palavras de Deus (Deuteron\u00f3mio 18,18). E n\u00e3o s\u00f3 a boca, mas tamb\u00e9m as m\u00e3os e o cora\u00e7\u00e3o. Bem diferente dos escribas e dos falsos profetas e do povo rebelde no deserto. Estes dispensam a Palavra de Deus. O que querem ter na boca \u00e9 p\u00e3o e carne. O que recolheu menos, no deserto, diz-nos o extraordin\u00e1rio relato do Livro dos N\u00fameros 11,31-35, recolheu 4500 kg de carne de codorniz (N\u00fameros 11,32). E come\u00e7aram a meter a carne \u00e0 boca com tamanha avidez, que morreram de n\u00e1usea! Foram encontrados mortos, ainda com a carne entre os dentes, por mastigar (N\u00fameros 11,33). V\u00ea-se que \u00e9 urgente libertar o cora\u00e7\u00e3o, as m\u00e3os, a boca. Vive-se da Palavra. Morre-se de n\u00e1usea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa p\u00e1gina sublime do Livro dos N\u00fameros (17,17-26), Deus ordena a Mois\u00e9s que recolha as varas de comando dos chefes das doze tribos de Israel, para, de entre eles, escolher um que exer\u00e7a o sacerd\u00f3cio em Israel. Em cada vara foi escrito o nome da respetiva tribo. Por ordem de Deus, o nome de Levi foi substitu\u00eddo pelo de Aar\u00e3o. As doze varas foram colocadas, ao entardecer, na presen\u00e7a de Deus, na Tenda do Encontro. Na manh\u00e3 seguinte, todos puderam ver que da vara de Aar\u00e3o tinham desabrochado folhas verdes, flores em bot\u00e3o, flores abertas e frutos maduros (N\u00fameros 17,23). Dos frutos \u00e9 dito o nome: am\u00eandoas! Vara de amendoeira em flor e fruto, que, por ordem de Deus, ficar\u00e1 para sempre na sua presen\u00e7a, diante do Propiciat\u00f3rio (cf. Hebreus 9,4), entre Deus e o povo, para impedir que o pecado do povo chegue a Deus, e para facilitar que o perd\u00e3o de Deus chegue ao povo. J\u00e1 ningu\u00e9m estranhar\u00e1 agora que o candelabro (<em>m<sup>e<\/sup>n\u00f4rah<\/em>) que, noite e dia, \/ ardia\/ na presen\u00e7a de Deus, estivesse ornamentado com flores de amendoeira (\u00caxodo 25,31-35; 37,20-22). E tamb\u00e9m j\u00e1 ningu\u00e9m estranhar\u00e1 que a tradi\u00e7\u00e3o judaica tardia refira que a vara do Messias havia de ser de madeira\u2026 de amendoeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed est\u00e3o as coordenadas exatas do lugar do sacerdote e do bispo: entre Deus e o povo. Mais concretamente: pertinho de Deus, mas de um Deus que faz car\u00edcias ao seu povo, um Deus que ama e que perdoa; pertinho do povo, o suficiente para lhe entregar esta car\u00edcia de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Face a esta urg\u00eancia, esta grandeza, esta beleza Primeira e \u00daltima, Nov\u00edssima, tudo o resto deve ser relativizado. Uma \u00fanica grande devo\u00e7\u00e3o, dedica\u00e7\u00e3o, amor, deve nortear a nossa vida: a nossa total dedica\u00e7\u00e3o a Cristo, sem oscila\u00e7\u00e3o nem distra\u00e7\u00e3o. Grande ensinamento de S. Paulo, hoje, na sua Primeira Carta aos Cor\u00edntios 7,32-35.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, n\u00e3o nos \u00e9 permitido adormecer ou entorpecer, de modo a ficarmos inativos, infecundos, indiferentes, insens\u00edveis, tipo \u00abtanto faz!\u00bb. O Salmo 95, que hoje cantamos, e que \u00e9, para os judeus fi\u00e9is, a ora\u00e7\u00e3o de ingresso ou de entrada no s\u00e1bado (reza-se sexta-feira ao p\u00f4r-do-sol), e para n\u00f3s, crist\u00e3os, o Salmo invitat\u00f3rio recitado todas as manh\u00e3s, \u00e9 o mais quotidiano dos Salmos. E deve ser um permanente despertador para n\u00e3o nos deixarmos andar ao sabor de qualquer m\u00fasica, mas apenas e sempre ao sabor da m\u00fasica de Deus. Sim, n\u00e3o \u00e9 tempo de nos instalarmos aqui, em qualquer \u00abaqui\u00bb. \u00c9 necess\u00e1rio levar a todos os lugares e a todas as pessoas este vendaval manso de gra\u00e7a e de bondade que um dia Jesus desencadeou em Cafarnaum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tu, Senhor, Tu passas, Tu amas, Tu falas,<\/strong><br \/>\n<strong>E um caminho novo se abre a nossos p\u00e9s,<\/strong><br \/>\n<strong>Uma luz nova em nossos olhos arde,<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c1trio de luminosidade,<\/strong><br \/>\n<strong>P\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong>De trigo e de liberdade,<\/strong><br \/>\n<strong>Claridade que se ateia ao cora\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lume novo, lareira acesa na cidade,<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9s Tu, Senhor, o clar\u00e3o da tarde,<\/strong><br \/>\n<strong>A not\u00edcia, a car\u00edcia, a ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Passa outra vez, Senhor, d\u00e1-nos a m\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>Levanta-nos,<\/strong><br \/>\n<strong>N\u00e3o nos deixes presos no nev\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong>Do Montemuro ou de Cafarnaum.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 necess\u00e1rio que o zum-zum<\/strong><br \/>\n<strong>Do Evangelho<\/strong><br \/>\n<strong>Atravesse outras aldeias e cidades,<\/strong><br \/>\n<strong>Corra de rua em rua,<\/strong><br \/>\n<strong>De quelho em quelho,<\/strong><br \/>\n<strong>Entre em cada cora\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong>Novo ou velho,<\/strong><br \/>\n<strong>E fa\u00e7a nascer uma teia de irm\u00e3os,<\/strong><br \/>\n<strong>Que se d\u00e3o as m\u00e3os.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Leitura-I-do-Domingo-IV-do-Tempo-Comum-Ano-B-28.01.2024-Deut-18-15-20.pdf\">Leitura I do Domingo IV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 28.01.2024 (Deut 18, 15-20)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Leitura-II-do-Domingo-IV-do-Tempo-Comum-Ano-B-28.01.2024-1-Cor-7-32-35.pdf\">Leitura II do Domingo IV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 28.01.2024 (1 Cor 7, 32-35)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Domingo-IV-do-Tempo-Comum-Ano-B-28.01.2024-Lecionario.pdf\">Domingo IV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 28.01.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Domingo-IV-do-Tempo-Comum-Ano-B-28.01.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo IV do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 28.01.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo III do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 21.01.2024&#8243; tab_id=&#8221;1706522233231-20c17109-fa45&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo III do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 21.01.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Domingo-III.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"350\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 belo e reconfortante ver Jesus a percorrer os caminhos da Galileia. O Verbo faz-se carne e, revestido da nossa natureza, percorre os trilhos deste mundo, colocando-se no meio dos homens e mulheres, partilhando a sua humana condi\u00e7\u00e3o, anunciando a proximidade do Reino e o convite a viver a radicalidade evang\u00e9lica que abre a nossa vida \u00e0 convers\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na per\u00edcope evang\u00e9lica deste Domingo, escutamos as primeiras palavras que Jesus profere no Evangelho de Marcos: \u00ab<em>Cumpriu-se o tempo e est\u00e1 pr\u00f3ximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho<\/em>\u00bb. Chegou o tempo da gra\u00e7a em que Deus visita o Seu Povo enviando o Seu Filho Jesus. Em Jesus Cristo, Deus faz-se pr\u00f3ximo. T\u00e3o pr\u00f3ximo que assume a nossa natureza humana e convida-nos a entrar nesta din\u00e2mica de proximidade: aproxima-se de n\u00f3s, para que aprendamos a viver a verdadeira proximidade que tem o nome de fraternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao escutar as palavras de Jesus \u2013 \u00ab<em>cumpriu-se o tempo<\/em>\u00bb \u2013 recordo-me do modo como nos referimos tantas vezes ao nascimento de uma crian\u00e7a, quando se afirma que se cumpriu o tempo para uma mulher dar \u00e0 luz. Efetivamente, \u00e9 de vida nova que nos falam estas palavras! \u00c9 a novidade do Reino a irromper no tempo e na hist\u00f3ria e a apontar o horizonte novo da vida eterna para onde todos somos chamados. O Reino de Deus est\u00e1 pr\u00f3ximo e, no aqui e agora do tempo, somos chamados a viver a perene tens\u00e3o entre o \u00abj\u00e1\u00bb e o \u00abainda n\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Reino de Deus est\u00e1 pr\u00f3ximo e reclama um cora\u00e7\u00e3o livre e despojado para que possa acolher a novidade trazida por Jesus. O aqui e agora que nos \u00e9 dado viver s\u00e3o o lugar e o tempo concreto onde somos chamados a construir a nova civiliza\u00e7\u00e3o do amor. Contudo, bem sabemos que n\u00e3o temos morada permanente sobre a terra e acreditamos que este Reino s\u00f3 se realizar\u00e1 em plenitude no C\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nestas primeiras palavras de Jesus encontramos o movimento descendente e ascendente que caracterizam o dinamismo da salva\u00e7\u00e3o. Jesus que assume a nossa condi\u00e7\u00e3o humana para nos elevar \u00e0 participa\u00e7\u00e3o da sua natureza divina. O Reino de Deus que vem at\u00e9 n\u00f3s para que possamos pela convers\u00e3o e ades\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o ao Evangelho subir at\u00e9 Deus e entrar na comunh\u00e3o plena com Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acreditar no Evangelho \u00e9 muito mais do que reconhecer a veracidade das suas palavras e informa\u00e7\u00f5es. Acreditar no Evangelho significa aderir com a vida \u00e0quilo que os nossos ouvidos escutam e transformar o cora\u00e7\u00e3o para que a f\u00e9 professada com os l\u00e1bios se transforme em gestos concretos de amor e miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, acolher o Evangelho significa abrir espa\u00e7o no cora\u00e7\u00e3o para que a Boa Nova de Jesus tenha lugar na nossa vida. Muitas vezes, nas nossas medita\u00e7\u00f5es e prega\u00e7\u00f5es reclamamos a necessidade de nos libertarmos do nosso ego\u00edsmo, da nossa autossufici\u00eancia, da nossa maldade\u2026 Contudo, criar espa\u00e7o para acolher a Boa Nova de Jesus significa tamb\u00e9m libertarmo-nos dos nossos projetos, das nossas expectativas, das nossas seguran\u00e7as e disponibilizar a vida para o acontecer de Deus. Avan\u00e7ar sem medo de levar apenas como bast\u00e3o de apoio a Palavra de Jesus e a certeza da Sua presen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim\u00e3o, Andr\u00e9, Tiago e Jo\u00e3o s\u00e3o refer\u00eancias fundamentais desta capacidade de deixar a normalidade da vida para abrir o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 iniciativa de Jesus: \u00ab<em>eles deixaram logo as redes e seguiram Jesus<\/em>\u00bb. Deixar as redes que nos prendem pela seguran\u00e7a que nos oferecem para nos abrir \u00e0 confian\u00e7a que liberta e oferece vida nova e plena de sentido \u00e9 o desafio que somos chamados a abra\u00e7ar permanentemente para que a nossa vida se torne verdadeiramente crist\u00e3. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em> (adaptado)<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 30 de setembro de 2019, o Papa Francisco instituiu o Domingo da Palavra de Deus pedindo que se celebre em cada ano no III Domingo do Tempo Comum. Deste modo, este Domingo \u00e9 uma oportunidade para valorizar a import\u00e2ncia da Palavra de Deus na vida da Igreja e na vida de cada batizado. A Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publicou, no dia de 17 de dezembro de 2020, uma nota sobre este Domingo. O texto encontra-se dispon\u00edvel na p\u00e1gina oficial do Vaticano e nele podem encontrar-se orienta\u00e7\u00f5es que ajudam as comunidades a valorizar e viver este Domingo. Como proposta sublinho o que vem indicado no n. 9: \u00ab<em>na proximidade ou nos dias sucessivos ao Domingo da Palavra de Deus \u00e9 conveniente promover encontros formativos para real\u00e7ar o valor da Sagrada Escritura nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas; pode ser uma oportunidade para aprender mais sobre como a Igreja em ora\u00e7\u00e3o l\u00ea a Sagrada Escritura<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fica em <strong>anexo <\/strong>um documento atualizado para melhor viver este <strong>V DOMINGO DA PALAVRA DE DEUS.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso. <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Jonas 3,1-5.10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas nos seguintes termos:<br \/>\n\u00abLevanta-te, vai \u00e0 grande cidade de N\u00ednive<br \/>\ne apregoa nela a mensagem que Eu te direi\u00bb.<br \/>\nJonas levantou-se e foi a N\u00ednive,<br \/>\nconforme a palavra do Senhor.<br \/>\nN\u00ednive era uma grande cidade aos olhos de Deus;<br \/>\nlevava tr\u00eas dias a atravessar.<br \/>\nJonas entrou na cidade, caminhou durante um dia<br \/>\ne come\u00e7ou a pregar nestes termos:<br \/>\n\u00abDaqui a quarenta dias, N\u00ednive ser\u00e1 destru\u00edda\u00bb.<br \/>\nOs habitantes de N\u00ednive acreditaram em Deus,<br \/>\nproclamaram um jejum<br \/>\ne revestiram-se de saco, desde o maior ao mais pequeno.<br \/>\nQuando Deus viu as suas obras<br \/>\ne como se convertiam do seu mau caminho,<br \/>\ndesistiu do castigo com que os amea\u00e7ara<br \/>\ne n\u00e3o o executou.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cLivro de Jonas\u201d foi, muito provavelmente, escrito na segunda metade do s\u00e9c. V a.C., entre 440 e 410 a.C. Conta-nos uma hist\u00f3ria bonita e edificante, mas que provavelmente n\u00e3o \u00e9 real. Trata-se de um texto que poder\u00edamos classificar no g\u00e9nero \u201cfic\u00e7\u00e3o did\u00e1tica\u201d. Dito de outra forma: o Livro de Jonas n\u00e3o \u00e9 uma cole\u00e7\u00e3o de or\u00e1culos prof\u00e9ticos proferidos por um homem chamado Jonas, nem sequer um relato de car\u00e1ter hist\u00f3rico; mas \u00e9 uma obra de fic\u00e7\u00e3o, escrita com a finalidade de ensinar e educar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos nos anos posteriores ao Ex\u00edlio na Babil\u00f3nia. A pol\u00edtica dos l\u00edderes judaicos \u2013 especialmente Esdras e Neemias \u2013 favorecia o nacionalismo e o fechamento do Povo de Deus aos outros povos. Por um lado, sublinhava-se o facto de Jud\u00e1 ser o Povo Eleito de Deus, o povo preferido de Deus, um povo diferente de todos os outros; por outro, considerava-se que todos os outros povos eram inimigos de Deus, odiados por Deus, que deviam ser inapelavelmente condenados e destru\u00eddos por Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reagindo contra a ideologia dominante, o autor do \u201cLivro de Jonas\u201d apresenta Jav\u00e9 como um Deus universal, cuja bondade e miseric\u00f3rdia se estendem a todos os povos, sem exce\u00e7\u00e3o. A escolha de N\u00ednive como a cidade destinat\u00e1ria da a\u00e7\u00e3o salvadora de Deus n\u00e3o \u00e9 casual: N\u00ednive, situada na margem oriental do rio Tigre, capital do imp\u00e9rio ass\u00edrio a partir de Senaquerib, tinha ficado na consci\u00eancia dos habitantes de Jud\u00e1 como s\u00edmbolo do imperialismo e da mais cruel agressividade contra o Povo de Deus (cf. Is 10,5-15; Sof 2,13-15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 precisamente esta cidade que Jav\u00e9 quer salvar. Por isso, chama Jonas e convida-o a ir a N\u00ednive pregar a convers\u00e3o. No entanto, Jonas, como os outros seus contempor\u00e2neos, n\u00e3o est\u00e1 interessado em que Jav\u00e9 perdoe aos opressores do Povo de Deus e recusa-se a cumprir o mandato divino. Em lugar de se dirigir para N\u00ednive, no Oriente, toma o barco para T\u00e1rsis, no Ocidente. Na sequ\u00eancia de uma tempestade, Jonas \u00e9 atirado ao mar e engolido por um peixe. Mais tarde, o peixe vai deposit\u00e1-lo em terra firme. Jonas \u00e9, de novo, chamado por Deus para a miss\u00e3o em N\u00ednive.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Nesta catequese que nos \u00e9 oferecida pelo autor do Livro de Jonas tomemos nota, antes de mais, daquilo que se sugere sobre Deus. Segundo o nosso catequista, Deus ama todos os homens e mulheres, sem exce\u00e7\u00e3o e de forma incondicional. Ele ama at\u00e9 os maus e os opressores; no seu cora\u00e7\u00e3o de Pai, todos t\u00eam lugar. Esta l\u00f3gica exclui, naturalmente, a elimina\u00e7\u00e3o do pecador: Deus n\u00e3o quer a morte de nenhum dos seus filhos; o que quer \u00e9 que eles se convertam e percorram, de m\u00e3os dadas com Ele, o caminho que conduz \u00e0 Vida plena, \u00e0 felicidade sem fim. \u00c9 este Deus que somos chamados a descobrir, a aceitar e a amar. O nosso caminho \u00e9 mais leve e mais feliz quando sabemos que, seja qual for a amplitude dos nossos fracassos, o nosso Deus nunca nos descartar\u00e1.<\/li>\n<li>N\u00f3s temos, por vezes, alguma dificuldade em aceitar esta l\u00f3gica de Deus. Em certas circunst\u00e2ncias, prefer\u00edamos um Deus mais duro e exigente, que se impusesse decisivamente aos maus, que frustrasse os seus projetos de viol\u00eancia e de injusti\u00e7a, que n\u00e3o desse qualquer hip\u00f3tese \u00e0queles que amea\u00e7am o nosso bem-estar e a nossa seguran\u00e7a, que condenasse ostensivamente aqueles que n\u00e3o partilham a nossa vis\u00e3o da f\u00e9\u2026 A Palavra de Deus que hoje nos \u00e9 servida apresenta-nos um Deus de cora\u00e7\u00e3o misericordioso, que escancara as portas a todos e que ama at\u00e9 aqueles que consideramos maus. Deus deve converter-se \u00e0 nossa l\u00f3gica, ou seremos n\u00f3s que devemos converter-nos \u00e0 l\u00f3gica de Deus? Diante desse Deus que nunca fecha a porta a ningu\u00e9m, far\u00e1 algum sentido olharmos para o mundo que est\u00e1 para al\u00e9m das portas das nossas igrejas como um mundo que nos amea\u00e7a e diante do qual temos de assumir uma atitude defensiva e condenat\u00f3ria?<\/li>\n<li>O texto sugere tamb\u00e9m que aqueles que consideramos \u201cmaus\u201d est\u00e3o, por vezes, mais dispon\u00edveis para acolher os desafios de Deus e para escutar o seu chamamento, do que os \u201cbons\u201d. Muitas vezes, aqueles que t\u00eam comportamentos \u201ccertinhos\u201d, religiosamente corretos, podem estar de tal forma instalados nas suas certezas, que j\u00e1 n\u00e3o tenham espa\u00e7o para se deixarem questionar por Deus. Teremos disponibilidade para p\u00f4r em causa as nossas seguran\u00e7as e as nossas certezas inabal\u00e1veis para nos deixarmos desafiar pela cont\u00ednua novidade de Deus e pelo seu sempre renovado convite \u00e0 convers\u00e3o?<\/li>\n<li>H\u00e1 tamb\u00e9m neste texto uma severa den\u00fancia do racismo, da exclus\u00e3o, da marginaliza\u00e7\u00e3o, da xenofobia. A Palavra de Deus alerta-nos para a necessidade de ver em cada pessoa que caminha ao nosso lado um irm\u00e3o, independentemente da sua ra\u00e7a, da cor da sua pele, da sua cultura, das suas diferen\u00e7as, ou at\u00e9 da sua bondade ou maldade. Como vemos e como acolhemos os nossos irm\u00e3os imigrantes que a vida trouxe at\u00e9 n\u00f3s e que colaboram connosco na constru\u00e7\u00e3o do mundo: como inimigos, culpados por todos os males do universo, ou como irm\u00e3os por quem somos respons\u00e1veis e que Deus nos convida a acolher e a amar? Como nos situamos face aos nossos irm\u00e3os diferentes \u2013 pela ra\u00e7a, pela cultura, pelos valores, pelos h\u00e1bitos de vida: como gente que nos incomoda e que temos de afastar para o mais longe poss\u00edvel, ou como irm\u00e3os que nos podem ajudar a questionar as nossas c\u00f3modas certezas, as nossas seguran\u00e7as absolutas, os nossos preconceitos inabal\u00e1veis?<\/li>\n<li>Jonas, o homem que Deus chamou, mas que procurou evitar comprometer-se na miss\u00e3o, convida-nos a reflectir sobre a resposta que temos dado ao chamamento de Deus. O nosso comodismo, o nosso bem-estar, os nossos medos, o nosso ego\u00edsmo, a nossa miopia, alguma vez nos impediram de acolher o chamamento de Deus e de abra\u00e7ar a miss\u00e3o que Deus nos entregou? E temos consci\u00eancia de que ignorar os desafios de Deus \u00e9, em boa parte, falhar o sentido da nossa vida? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL &#8211; <\/strong><strong>Salmo 24 (25)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong>\u00a0Ensinai-me, Senhor, os vossos caminhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,<br \/>\nensinai-me as vossas veredas.<br \/>\nGuiai-me na vossa verdade e ensinai-me,<br \/>\nporque V\u00f3s sois Deus, meu Salvador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembrai-Vos, Senhor, das vossas miseric\u00f3rdias<br \/>\ne das vossas gra\u00e7as, que s\u00e3o eternas.<br \/>\nLembrai-Vos de mim segundo a vossa clem\u00eancia,<br \/>\npor causa da vossa bondade, Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Senhor \u00e9 bom e reto,<br \/>\nensina o caminho aos pecadores.<br \/>\nOrienta os humildes na justi\u00e7a<br \/>\ne d\u00e1-lhes a conhecer os seus caminhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Cor\u00edntios 7,29-31<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que tenho a dizer-vos, irm\u00e3os,<br \/>\n\u00e9 que o tempo \u00e9 breve.<br \/>\nDoravante,<br \/>\nos que t\u00eam esposas procedam como se as n\u00e3o tivessem;<br \/>\nos que choram, como se n\u00e3o chorassem;<br \/>\nos que andam alegres, como se n\u00e3o andassem;<br \/>\nos que compram, como se n\u00e3o possu\u00edssem;<br \/>\nos que utilizam este mundo, como se realmente n\u00e3o o utilizassem.<br \/>\nDe facto, o cen\u00e1rio deste mundo \u00e9 passageiro.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Cartas de Paulo aos Cor\u00edntios \u2013 e particularmente a primeira \u2013 refletem a realidade de uma comunidade jovem, viva e entusiasta, mas com problemas e dificuldades muito particulares\u2026 As luzes e sombras da comunidade crist\u00e3 de Corinto resultam, em parte, de ser uma comunidade que prov\u00e9m do mundo grego \u2013 isto \u00e9, de um mundo animado e estruturado por dinamismos muito pr\u00f3prios, com uma grande vitalidade, mas ao mesmo tempo com valores e din\u00e2micas que tornam dif\u00edcil o acolhimento dos valores de Jesus. Na comunidade crist\u00e3 de Corinto, vemos as dificuldades da f\u00e9 crist\u00e3 em se inserir num ambiente hostil, marcado por uma cultura pag\u00e3 e por um conjunto de valores que est\u00e3o em profunda contradi\u00e7\u00e3o com a pureza da mensagem evang\u00e9lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos sectores onde se nota particularmente o choque entre a f\u00e9 crist\u00e3 e a cultura hel\u00e9nica \u00e9 nas quest\u00f5es de \u00e9tica sexual. Neste \u00e2mbito, a cultura cor\u00edntia balou\u00e7ava entre dois extremos: por um lado, um grande laxismo (como era normal numa cidade mar\u00edtima, onde chegavam marinheiros de todo o mundo e onde reinava Afrodite, a deusa grega do amor); por outro lado, um desprezo absoluto pela sexualidade (t\u00edpico de certas escolas influenciadas pela filosofia plat\u00f3nica, que consideravam a mat\u00e9ria um mal e que faziam do n\u00e3o casar um ideal absoluto).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desejo de Paulo \u00e9 o de apresentar um caminho equilibrado, face a estes exageros: condena\u00e7\u00e3o sem apelo de todas as formas de desordem sexual, defesa do valor do casamento, elogio do celibato (cf. 1 Cor 7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Provavelmente, os cor\u00edntios tinham consultado Paulo acerca do melhor caminho a seguir \u2013 o do matrim\u00f3nio ou o do celibato. Paulo responde-lhes na primeira carta que lhes dirige (cf. 1 Cor 7). O texto da segunda leitura deste domingo \u00e9 parte dessa resposta. Paulo considera que n\u00e3o tem, a este prop\u00f3sito, \u201cnenhum preceito do Senhor\u201d; no entanto, o seu parecer \u00e9 que quem n\u00e3o est\u00e1 comprometido com o casamento deve continuar assim e quem est\u00e1 comprometido n\u00e3o deve \u201cromper o v\u00ednculo\u201d (1 Cor 7,25-28).<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A todo o instante somos colocados diante de realidades diversas e contrastantes e temos de fazer as nossas escolhas. A mentalidade dominante, a moda, o politicamente correto, os nossos preconceitos e interesses ego\u00edstas interferem frequentemente com as nossas op\u00e7\u00f5es e imp\u00f5em-nos valores que nem sempre s\u00e3o geradores de liberdade, de paz, de vida verdadeira. Mais grave, ainda: muitas vezes, endeusamos determinados valores ef\u00e9meros e passageiros, que nos fazem perder de vista os valores aut\u00eanticos, verdadeiros, definitivos. O texto sugere um princ\u00edpio a ter em conta, a prop\u00f3sito desta quest\u00e3o: os valores deste mundo, por mais importantes e interessantes que sejam, n\u00e3o devem ser absolutizados. N\u00e3o se trata de desprezar as coisas boas que o mundo coloca \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o; mas trata-se de n\u00e3o colocar nelas, de forma incondicional, a nossa esperan\u00e7a, a nossa seguran\u00e7a, o objetivo \u00faltimo da nossa vida. Como me situo face a isto? At\u00e9 que ponto os valores ef\u00e9meros a que dou import\u00e2ncia me condicionam e me impedem de olhar para horizontes mais vastos e mais puros?<\/li>\n<li>Na verdade, o crist\u00e3o deve viver com a consci\u00eancia de que \u201co tempo \u00e9 breve\u201d. Ele sabe que a sua vida n\u00e3o encontra sentido pleno e absoluto nesta terra e que a sua passagem por este mundo \u00e9 uma peregrina\u00e7\u00e3o ao encontro dessa vida verdadeira e definitiva que s\u00f3 se encontra na comunh\u00e3o plena com Deus. Para chegar a atingir esse objetivo \u00faltimo, o crist\u00e3o deve converter-se a Cristo e segui-l\u2019O no caminho do amor, da entrega, do servi\u00e7o aos irm\u00e3os. Tudo aquilo que deixa um espa\u00e7o maior para essa ades\u00e3o a Cristo e ao seu caminho deve ser valorizado e potenciado. \u00c9 a\u00ed que deve ser colocada a nossa aposta. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO &#8211; <\/strong><strong>Marcos 1,14-20<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois de Jo\u00e3o ter sido preso,<br \/>\nJesus partiu para a Galileia<br \/>\ne come\u00e7ou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo:<br \/>\n\u00abCumpriu-se o tempo e est\u00e1 pr\u00f3ximo o reino de Deus.<br \/>\nArrependei-vos e acreditai no Evangelho\u00bb.<br \/>\nCaminhando junto ao mar da Galileia,<br \/>\nviu Sim\u00e3o e seu irm\u00e3o Andr\u00e9,<br \/>\nque lan\u00e7avam as redes ao mar, porque eram pescadores.<br \/>\nDisse-lhes Jesus:<br \/>\n\u00abVinde comigo e farei de v\u00f3s pescadores de homens\u00bb.<br \/>\nEles deixaram logo as redes e seguiram-n\u2019O.<br \/>\nUm pouco mais adiante,<br \/>\nviu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irm\u00e3o Jo\u00e3o,<br \/>\nque estavam no barco a consertar as redes;<br \/>\ne chamou-os.<br \/>\nEles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados<br \/>\ne seguiram Jesus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira parte do Evangelho segundo Marcos (cf. Mc 1,14-8,30) tem como objetivo fundamental levar \u00e0 descoberta de Jesus como o Messias que proclama o Reino de Deus. Ao longo de um percurso que \u00e9 mais catequ\u00e9tico do que geogr\u00e1fico, os leitores do Evangelho s\u00e3o convidados a acompanhar a revela\u00e7\u00e3o de Jesus, a escutar as suas palavras e o seu an\u00fancio, a fazerem-se disc\u00edpulos que aderem \u00e0 sua proposta de salva\u00e7\u00e3o. Este percurso de descoberta do Messias que o catequista Marcos nos prop\u00f5e termina em Mc 8,29-30, com a confiss\u00e3o messi\u00e2nica de Pedro, em Cesareia de Filipe (que \u00e9, evidentemente, a confiss\u00e3o que se espera de cada crente, depois de ter acompanhado o percurso de Jesus a par e passo): \u201cTu \u00e9s o Messias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 hoje proposto aparece, exatamente, no princ\u00edpio desta caminhada de encontro com o Messias e com o seu an\u00fancio de salva\u00e7\u00e3o. Neste texto, Marcos apresenta aos seus leitores os primeiros passos da a\u00e7\u00e3o do Messias libertador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lugar geogr\u00e1fico em que o texto nos situa \u00e9 a Galileia: uma regi\u00e3o situada a norte da Palestina, em permanente contacto com os territ\u00f3rios pag\u00e3os e, por isso, considerada pelas autoridades religiosas de Jerusal\u00e9m uma terra de onde \u201cn\u00e3o podia vir nada de bom\u201d. Terra insignificante e sem especial relevo na hist\u00f3ria religiosa do Povo de Deus, a \u201cGalileia dos gentios\u201d parecia condenada a continuar uma regi\u00e3o esquecida, marginalizada, por onde nunca passariam os caminhos de Deus e a proposta libertadora do Messias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma refer\u00eancia ainda ao \u201cmar\u201d, chamado \u201cda Galileia\u201d, em cujas margens Jesus encontrou os seus primeiros disc\u00edpulos: trata-se de um lago de \u00e1gua doce, com cerca de 21 km de comprimento e 11 de largura m\u00e1xima, na \u00e9poca de Jesus rico em peixe e com as margens cobertas de vegeta\u00e7\u00e3o abundante, incluindo vinhedos. Era tamb\u00e9m chamado \u201cmar de Kineret\u201d, ou \u201cmar de Tiber\u00edades\u201d. Nas suas margens situavam-se diversas cidades referidas nos evangelhos: Magdala, Corozaim, Betsaida e Cafarnaum<strong>. <\/strong><strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A nossa experi\u00eancia de todos os dias mostra-nos a exist\u00eancia de sombras que desfeiam o mundo e que amea\u00e7am a nossa exist\u00eancia tranquila. E n\u00f3s, amea\u00e7ados por essas sombras, deixamos que a ang\u00fastia, a desilus\u00e3o e o desespero se apossem de n\u00f3s. Para onde caminhamos? Para um beco sem sa\u00edda? Para um qualquer final dram\u00e1tico e infeliz? Jesus veio dizer-nos que, no projeto de Deus, est\u00e1 um mundo diferente \u2013 um mundo de harmonia, de justi\u00e7a, de reconcilia\u00e7\u00e3o, de amor e de paz. A esse mundo novo, Jesus chamava o \u201cReino de Deus\u201d. E foi essa a realidade que Ele colocou no horizonte da hist\u00f3ria dos homens. Ora, esse Reino n\u00e3o morreu naquela cruz onde tentaram calar Jesus e o seu projeto. Reparemos nos sinais da presen\u00e7a do Reino de Deus na nossa hist\u00f3ria do s\u00e9c. XXI. Por cada gesto de viol\u00eancia e de maldade que desfeia o nosso mundo, h\u00e1 mil outros gestos de amor, de partilha, de perd\u00e3o, de cuidado que tornam o mundo mais bonito, mais humano e mais feliz. O Reino est\u00e1 a fazer-se, todos os dias. Somos testemunhas desse Reino? Somos arautos da esperan\u00e7a?<\/li>\n<li>Para que o \u201cReino de Deus\u201d se torne uma realidade cada vez mais impactante, o que \u00e9 necess\u00e1rio fazer? Na perspetiva de Jesus, o \u201cReino de Deus\u201d exige, antes de mais, a \u201cconvers\u00e3o\u201d. Converter-se implica alterar as nossas atitudes de ego\u00edsmo, de orgulho, de autossufici\u00eancia, de comodismo e de voltar a escutar Deus e as suas propostas, para que aconte\u00e7a, na nossa vida e \u00e0 nossa volta, uma transforma\u00e7\u00e3o radical \u2013 uma transforma\u00e7\u00e3o no sentido do amor, da justi\u00e7a e da paz. Pessoalmente, o que devo mudar na minha maneira de pensar e de agir para que o Reino de Deus seja uma realidade mais presente na minha vida e na vida dos que me rodeiam? E, no que diz respeito aos valores que a sociedade de que fa\u00e7o parte cultiva, quais favorecem e quais impedem a constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus?<\/li>\n<li>Para que o Reino aconte\u00e7a \u00e9 preciso tamb\u00e9m \u201cacreditar\u201d no Evangelho. Em concreto, isso significa aderir a Jesus, acolher o seu projeto, escutar as suas palavras, aprender com os seus gestos de amor, de servi\u00e7o, de doa\u00e7\u00e3o, de perd\u00e3o. As palavras e os gestos de Jesus est\u00e3o integrados na minha vida e transparecem na minha forma de tratar, de servir e de cuidar aqueles irm\u00e3os e irm\u00e3s que caminham ao meu lado? Os meus gestos e palavras d\u00e3o testemunho desse mundo mais humano e mais fraterno que Jesus nos veio ensinar a construir?<\/li>\n<li>Desde que come\u00e7ou a anunciar o Reino de Deus, Jesus rodeou-se de disc\u00edpulos. Pedro, Andr\u00e9, Tiago, Jo\u00e3o e alguns outros cruzaram-se com Jesus, ouviram o seu chamamento e foram com Ele. Eram homens simples, com defeitos e virtudes, como qualquer um de n\u00f3s; mas tiveram a coragem de corresponder ao convite de Jesus e de embarcar com Ele na aventura de construir o Reino de Deus. A n\u00f3s, Jesus lan\u00e7a todos os dias o mesmo convite. Estamos dispostos a fazer da constru\u00e7\u00e3o do Reino a nossa prioridade? Estamos dispostos a ir atr\u00e1s de Jesus, mesmo que isso implique deixarmos para tr\u00e1s certos projetos pessoais? Aquele compromisso que, no dia do nosso batismo, assumimos com Jesus, est\u00e1 a ser concretizado na nossa vida?<\/li>\n<li>Jesus confia aos seus disc\u00edpulos \u2013 quer \u00e0queles que chamou nas margens do mar da Galileia, quer a n\u00f3s \u2013 a miss\u00e3o de serem \u201cpescadores de homens\u201d. \u00c9 uma miss\u00e3o que n\u00e3o passou de moda: hoje, como ontem, h\u00e1 muitos irm\u00e3os nossos que vivem mergulhados nas \u00e1guas revoltas do ego\u00edsmo, da viol\u00eancia, da explora\u00e7\u00e3o, da solid\u00e3o, da doen\u00e7a\u2026 E Jesus conta connosco para lhes dar a m\u00e3o, para aliviar o seu sofrimento, para lhes levar esperan\u00e7a, para humanizar as suas vidas. Sentimos a responsabilidade desta miss\u00e3o? Sentimo-nos respons\u00e1veis por levar al\u00edvio e esperan\u00e7a a cada homem ou a cada mulher que sofre? Sabemos que tamb\u00e9m por a\u00ed passa a constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, devem ter em aten\u00e7\u00e3o as duas interven\u00e7\u00f5es em discurso direto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, devem ter cuidado na leitura da frase central do texto n\u00e3o apenas pela sua grande extens\u00e3o, mas na dicotomia que descreve cada ora\u00e7\u00e3o e que deve ser sublinhada na proclama\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/01\/22\/jesus-vem-ama-faz-e-chama\/\"><strong>QUANDO DEUS VEM, V\u00ca, FAZ E\u00a0CHAMA\u2026<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste Domingo III do Tempo Comum \u00e9-nos dada a gra\u00e7a de escutar o <strong>Evangelho de Marcos 1,14-20.<\/strong> N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que Jesus surge em cena. J\u00e1 o t\u00ednhamos contemplado a dirigir-se da Galileia para o Rio Jord\u00e3o, para ser batizado por Jo\u00e3o Batista (Marcos 1,9). Mas ainda n\u00e3o t\u00ednhamos ouvido a sua voz. Ouvimo-la agora pela primeira vez. Ser\u00e3o, portanto, dizeres importantes e program\u00e1ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas antes de ouvirmos, pela primeira vez, a voz de Jesus, anotemos desde j\u00e1 dois not\u00e1veis dizeres do narrador, que atravessam em filigrana o inteiro Evangelho de Marcos, unindo os caminhos e os destinos de Jo\u00e3o Batista, de Jesus e dos seus disc\u00edpulos. O primeiro \u00e9 este: \u00abDepois de Jo\u00e3o\u00a0<em>ter sido entregue<\/em>\u00a0(<em>paradoth\u00eanai<\/em>: inf. aor. pass. de\u00a0<em>parad\u00edd\u00f4mi<\/em>)\u00bb (Marcos 1,14). Trata-se de uma prolepse, que serve para ver j\u00e1 o que ir\u00e1 suceder a Jesus, acerca de quem o verbo ser\u00e1 usado 13 vezes (Marcos 3,19; 9,31; 10,33; 14,10.11.18.21.41.42.44; 15,1.10.15), e aos seus disc\u00edpulos (Marcos 13,9.11.12). O segundo \u00e9 o uso do verbo\u00a0<em>anunciar<\/em>\u00a0(<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>) para traduzir o afazer primeiro de Jesus (Marcos 1,14). E, mais uma vez, este verbo \u00e9 um fio condutor que une Jesus (Marcos 1,14.38.39), Jo\u00e3o Batista (Marcos 1,4.7), os Doze (Marcos 3,14; 6,12), algumas pessoas curadas por Jesus (Marcos 1,45; 5,20; 7,36) e a Igreja de Jesus (Marcos 13,10; 14,9). Mas o verbo grego\u00a0<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>\u00a0(anunciar), antes de nos fazer dizer ou escutar mensagens, implica a radical fidelidade do anunciador ou mensageiro em rela\u00e7\u00e3o a quem lhe confia a mensagem e o envia a anunci\u00e1-la. Fica, portanto, claro que, antes de pregar, ensinar e curar, Jesus, os seus disc\u00edpulos, a sua Igreja, s\u00e3o mensageiros fi\u00e9is, sempre vinculados a Deus, e a sua primeira miss\u00e3o \u00e9 testemunhar esta proximidade e compromisso. E percebe-se agora bem o conte\u00fado da mensagem: \u00abO Evangelho de Deus\u00bb (Marcos 1,14). Sem equ\u00edvocos ent\u00e3o: a primeira coisa que fica expressa com esta linguagem, \u00e9 que Jesus, o seu precursor (Jo\u00e3o Batista) e seguidores (disc\u00edpulos), se apresentam completamente vinculados a Deus e ao seu Evangelho [= \u00abNot\u00edcia Feliz\u00bb], vivem de Deus e da Sua Not\u00edcia Boa, n\u00e3o agem por conta pr\u00f3pria, n\u00e3o s\u00e3o emissores da sua pr\u00f3pria sabedoria ou opini\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a\u00ed est\u00e1 ent\u00e3o o primeiro dizer de Jesus, articulado em duas declara\u00e7\u00f5es insepar\u00e1veis: \u00abFoi cumprido (<em>pepl\u00earotai<\/em>: perf. pass. de\u00a0<em>pl\u00ear\u00f3\u00f4<\/em>) o tempo (<em>ho kair\u00f3s<\/em>),\/ e fez-se pr\u00f3ximo (<em>\u00eaggiken<\/em>: perf. de\u00a0<em>egg\u00edz\u00f4<\/em>) o Reino de Deus (<em>he basile\u00eda to\u00fb theo\u00fb<\/em>)\u00bb (Marcos 1,15). O acento cai sobre os dois perfeitos que abrem enfaticamente as declara\u00e7\u00f5es, e revelam que o Evangelho \u00e9 em primeiro lugar o an\u00fancio da iniciativa divina, Deus em a\u00e7\u00e3o, que abre ao homem novas e belas perspetivas. O perfeito passivo (<em>pepl\u00earotai<\/em>), que qualifica o\u00a0<em>kair\u00f3s<\/em>, indica bem que Jesus n\u00e3o se refere a qualquer segmento de tempo cronol\u00f3gico, mas \u00e0quele espec\u00edfico do cumprimento, posto expressamente sob a interven\u00e7\u00e3o definitiva de Deus. S\u00f3 Deus pode agir sobre o tempo cronol\u00f3gico, tornando-o\u00a0<em>kair\u00f3s<\/em>, tempo gr\u00e1vido de alegria e de esperan\u00e7a. Uma vez mais, o an\u00fancio precede a ordem: Jesus n\u00e3o come\u00e7a com normas e exig\u00eancias, mas assinala quanto Deus j\u00e1 fez e est\u00e1 a fazer, por sua gratuita iniciativa, em nosso favor. S\u00f3 depois, e como normal consequ\u00eancia, surgem na boca de Jesus dois imperativos: \u00abConvertei-vos\u00bb (<em>matanoe\u00eete<\/em>) e acreditai (<em>piste\u00faete<\/em>) no Evangelho\u00bb (Marcos 1,15), que traduzem o que compete aos homens fazer. Jesus n\u00e3o \u00e9 um moralista, mas um Evangelizador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vem logo, para n\u00e3o se afastar da fonte, o tempo de chamar, de romper amarras, de \u00abir atr\u00e1s de\u00bb (Marcos 1,16-20). Mas tudo come\u00e7a ainda com o\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0e o\u00a0<em>fazer<\/em>\u00a0primeiros e criadores de Jesus. Jesus\u00a0<em>viu<\/em>\u00a0Sim\u00e3o e Andr\u00e9, Tiago e Jo\u00e3o, e chamou-os: \u00abVinde atr\u00e1s de mim, e\u00a0<em>farei<\/em>\u00a0de v\u00f3s\u2026\u00bb. \u00c9 o ver e o fazer do Criador (G\u00e9nesis 1). Est\u00e1 em cena um verdadeiro chamamento de Jesus. \u00c9 dele toda a iniciativa. N\u00e3o s\u00e3o os disc\u00edpulos que se apresentam a Jesus, pedindo trabalho. E n\u00e3o \u00e9 como colaboradores, com remunera\u00e7\u00e3o e f\u00e9rias asseguradas, que Jesus os assume. Jesus apenas v\u00ea e chama. Espanta aquele \u00abimediatamente\u00bb deixaram\u2026 e foram \u00abatr\u00e1s de\u00bb Jesus. Sem retic\u00eancias nem calculismos. E nem sequer sabem onde os conduzir\u00e1 o caminho em que agora entram. Confian\u00e7a total em Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perante o que nos \u00e9 dado ver, uma primeira pergunta nos assalta, irrompendo sobre n\u00f3s como uma onda s\u00fabita: Quem pode dar uma ordem assim absoluta? Mas, ainda antes de esbo\u00e7armos a resposta, j\u00e1 uma segunda vaga, que tempera a primeira, cai sobre n\u00f3s: Quem merece uma tal confian\u00e7a?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos hoje a gra\u00e7a de ouvir um bocadinho da profecia de Jonas e dos trejeitos que o chamamento de Deus desencadeia na sua vida <strong>(Jonas 3,1-5.10).<\/strong> \u00abJonas, o hebreu\u00bb (Jonas 1,9), bem ouve o chamamento e a ordem de Deus para ir pregar contra N\u00ednive, a cidade inimiga (Jonas 1,1-2). \u00c0 primeira vista, devia Jonas levar por diante a sua miss\u00e3o com prazer, pois tratava-se de ir dizer \u00e0 cidade inimiga que Deus tinha decretado o seu fim. Mas Jonas n\u00e3o quer ir, e n\u00e3o \u00e9 por sentir piedade de N\u00ednive. Bem pelo contr\u00e1rio. Jonas sabe que Deus \u00e9 um Deus gracioso e misericordioso (<em>hann\u00fbn w<sup>e<\/sup>rah\u00fbm<\/em>), que se arrepende do mal (Jonas 4,2). E Jonas sabe tamb\u00e9m que, indo dizer a N\u00ednive: \u00abAinda quarenta dias e N\u00ednive ser\u00e1 destru\u00edda\u00bb (Jonas 3,4), os habitantes de N\u00ednive mudar\u00e3o a sua vida, o que levar\u00e1 Deus a mudar tamb\u00e9m o seu plano e a n\u00e3o destruir a cidade. \u00c9 porque sabe tudo isto e quer mesmo que N\u00ednive seja castigada, que Jonas n\u00e3o quer ir l\u00e1 pregar. Na verdade, apanha, no porto de Jafa, um navio que vai para T\u00e1rsis, para ocidente e n\u00e3o para oriente, para fugir de Deus e da miss\u00e3o que Deus lhe confiou (Jonas 1,3). Mas Deus \u00e9 mais forte, e Jonas acaba, por vias travessas, por ir parar a N\u00ednive. \u00c9 a contragosto que prega. E quando verifica que os ninivitas se converteram, o que ele j\u00e1 sabia que iria acontecer, e que Deus tamb\u00e9m amava N\u00ednive, Jonas foi tomado por grande desgosto (Jonas 4,1), e pede mesmo a Deus que lhe d\u00ea a morte (Jonas 4,3), pois a vida assim deixou de ter sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vendo melhor as coisas, \u00abJonas, o hebreu\u00bb, est\u00e1 com certeza na viragem do s\u00e9culo V para o s\u00e9culo IV, \u00e9poca de Esdras, que manda dissolver os matrim\u00f3nios mistos contra\u00eddos pelos exilados durante o Ex\u00edlio ou ap\u00f3s o regresso a Si\u00e3o (Esdras 10; cf. Deuteron\u00f3mio 7,3). Com esta medida, que deve ter tido um enorme impacto na consci\u00eancia judaica, os conservadores como que cancelavam da sua hist\u00f3ria o catastr\u00f3fico epis\u00f3dio do Ex\u00edlio, lan\u00e7ando uma ponte que ligava a nova \u00e9poca judaica diretamente ao antes do Ex\u00edlio. A personagem Jonas incarna bem este Israel particularista e m\u00edope, ao contr\u00e1rio do autor do Livro, que testemunha admiravelmente um universalismo salv\u00edfico pr\u00f3ximo j\u00e1 do esp\u00edrito do NT. Jonas representa o juda\u00edsmo fechado, que pensa que se salvar\u00e1, fechando-se sobre si mesmo. Esta tenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m afeta a Igreja, e tamb\u00e9m a n\u00f3s, de tempos a tempos. \u00c0s vezes s\u00f3 vemos inimigos ao redor, e amuralhamo-nos. Vistas as coisas do lado de um Deus que ama a todos, s\u00f3 nos \u00e9 permitido abrir todas as portas e a todos escancarar o cora\u00e7\u00e3o. Um cora\u00e7\u00e3o inquinado asfixia e morre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A li\u00e7\u00e3o do Ap\u00f3stolo \u00e9 hoje breve e intensa (1 Cor\u00edntios 7,29-31). S\u00e3o Paulo come\u00e7a por dizer, em tradu\u00e7\u00e3o literal: \u00abO tempo (<em>ho kair\u00f3s<\/em>) j\u00e1 est\u00e1 a enrolar as velas (<em>synestalm\u00e9nos<\/em>: perf. pass. de\u00a0<em>sy(v)-st\u00e9ll\u00f4<\/em>)\u00bb (1 Cor\u00edntios 7,29). Entenda-se: o tempo da oportunidade dada, da enchente da Palavra de Deus por n\u00f3s j\u00e1 respondida ou ainda n\u00e3o, est\u00e1 a acabar; j\u00e1 est\u00e1 a enrolar as velas, como fazem os marinheiros quando a embarca\u00e7\u00e3o se aproxima da terra. E termina, afirmando: \u00abPassa, na verdade, o esquema (<em>t\u00f2 sch\u00eama<\/em>) deste mundo\u00bb (1 Cor\u00edntios 7,31). Bem entendido: \u00abO (filme) que passa na tela \u00e9 este mundo!\u00bb. Se assim \u00e9, devemos aprender a saber relativizar a maneira como habitualmente nos agarramos \u00e0s nossas ideias feitas e \u00e0s coisas deste mundo, desde o casamento, aos bens possu\u00eddos, aos neg\u00f3cios, aos curr\u00edculos, aos primeiros lugares. Grande li\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo em <strong>1 Cor\u00edntios 7,29-31<\/strong>. A nossa voca\u00e7\u00e3o traduz-se na ades\u00e3o ao \u00daltimo, que reclama o desprendimento do pen\u00faltimo e um amor desmedido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>Salmo 25,<\/strong> que hoje fica a ecoar no nosso pobre cora\u00e7\u00e3o, mostra-nos um fino e delicado jogo de olhares entre o orante fiel e um Deus sensibil\u00edssimo, que olha para n\u00f3s sempre com ternura paternal, ref\u00fagio permanente para os pobres e pecadores. Deixo aqui a ressoar as palavras da grande m\u00edstica mu\u00e7ulmana do s\u00e9culo VIII, Rabi\u02bda, que viveu em Bassor\u00e1, no Iraque, e que, para responder \u00e0 pergunta: \u00abComo chegaste a um grau t\u00e3o elevado na vida espiritual?\u00bb, respondeu: \u00abRepetindo ininterruptamente: \u201cMeu Deus, refugio-me em ti para me defender de tudo o que me distrai de ti, e de todo o obst\u00e1culo que se interp\u00f5e entre mim e ti\u201d\u00bb (<em>I detti di Rabi\u02bda<\/em>, IV).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jesus \u00e9 Deus que desce ao nosso mundo,<\/strong><br \/>\n<strong>Caminha pelas nossas estradas,<\/strong><br \/>\n<strong>Percorre as nossas praias,<\/strong><br \/>\n<strong>Visita as nossas casas,<\/strong><br \/>\n<strong>Vem ter connosco aos nossos lugares de trabalho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>Jesus \u00e9 Deus que passa, ama e chama.<\/strong><br \/>\n<strong>Mas n\u00e3o nos chama a responder a um inqu\u00e9rito,<\/strong><br \/>\n<strong>A preencher uma ficha,<\/strong><br \/>\n<strong>Responder a uma entrevista,<\/strong><br \/>\n<strong>Fazer uma inscri\u00e7\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>Pagar a matr\u00edcula,<\/strong><br \/>\n<strong>Aprender uma doutrina.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>N\u00e3o \u00e9 como os escribas que Jesus ensina ou examina.<\/strong><br \/>\n<strong>Nem sequer nos entrega um projeto de vida,<\/strong><br \/>\n<strong>Uns apontamentos, um gui\u00e3o, caneta, tinta, mata-borr\u00e3o.<\/strong><br \/>\n<strong>Chama-nos apenas a segui-lo no caminho:<\/strong><br \/>\n<strong>\u00abVinde atr\u00e1s de Mim!\u00bb,<\/strong><br \/>\n<strong>E partilha logo connosco a sua vida toda,<\/strong><br \/>\n<strong>Como uma boda.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>N\u00e3o nos p\u00f5e primeiro a fazer um teste,<\/strong><br \/>\n<strong>N\u00e3o nos ama nem chama \u00e0 condi\u00e7\u00e3o,<\/strong><br \/>\n<strong>N\u00e3o tem lista de espera,<\/strong><br \/>\n<strong>N\u00e3o nos p\u00f5e num est\u00e1gio,<\/strong><br \/>\n<strong>Num estado,<\/strong><br \/>\n<strong>Num estrado,<\/strong><br \/>\n<strong>Numa estante,<\/strong><br \/>\n<strong>Mas num caminho!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>E um dia mais tarde,<\/strong><br \/>\n<strong>Ouvi-lo-emos dizer ainda: \u00abIde!\u00bb.<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c9 sempre no caminho que nos deixa.<\/strong><br \/>\n<strong>Nunca se desleixa,<\/strong><br \/>\n<strong>N\u00e3o apresenta queixa,<\/strong><br \/>\n<strong>N\u00e3o paga ao fim do m\u00eas,<\/strong><br \/>\n<strong>Pede e d\u00e1 tudo de uma vez.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>Vem, Senhor Jesus!<\/strong><br \/>\n<strong>Vem e ama!<\/strong><br \/>\n<strong>Vem e chama por mim outra vez!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Leitura-I-do-Domingo-III-do-Tempo-Comum-Ano-B-21.01.2024-Jonas-3-1-5.10.pdf\">Leitura I do Domingo III do Tempo Comum &#8211; Ano B -21.01.2024 (Jonas 3, 1-5.10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Leitura-II-do-Domingo-III-do-Tempo-Comum-Ano-B-21.01.2024-1-Cor-7-29-3.pdf\">Leitura II do Domingo III do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 21.01.2024 (1 Cor 7, 29-3)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Domingo-III-do-Tempo-Comum-Ano-B-21.01.2024-Lecionario.pdf\">Domingo III do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 21.01.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Domingo-III-do-Tempo-Comum-Ano-B-21.01.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo III do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 21.01.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Propostas-do-Dicasterio-para-a-Evangelizacao_-Domingo-da-Palavra-2024_portugues.pdf\">Propostas do Dicast\u00e9rio para a Evangeliza\u00e7\u00e3o &#8211; Domingo da Palavra 2024 &#8211; portugu\u00eas<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo II do Tempo Comum \u2013 Ano B \u2013 14.01.2024&#8243; tab_id=&#8221;1705919016834-5f124bad-ec8e&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo II do Tempo Comum &#8211; Ano B \u2013 14.01.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Domingo-II.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"350\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclu\u00eddo o tempo das Festas de Natal com a celebra\u00e7\u00e3o da Festa da Epifania e celebrada a Festa do Batismo de Jesus entramos no Tempo Comum. A liturgia do 2.\u00ba Domingo do Tempo Comum convida-nos a descobrir que Deus conta connosco para concretizar, no mundo e na hist\u00f3ria, o seu projeto; e prop\u00f5e-nos acolher, com disponibilidade e generosidade, os desafios de Deus.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><strong><em> (adaptado)<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso. <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>1 Samuel 3,3b-10.19<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nSamuel dormia no templo do Senhor,<br \/>\nonde se encontrava a arca de Deus.<br \/>\nO Senhor chamou Samuel<br \/>\ne ele respondeu: \u00abAqui estou\u00bb.<br \/>\nE, correndo para junto de Heli, disse:<br \/>\n\u00abAqui estou, porque me chamaste\u00bb.<br \/>\nMas Heli respondeu:<br \/>\n\u00abEu n\u00e3o te chamei; torna a deitar-te\u00bb.<br \/>\nE ele foi deitar-se.<br \/>\nO Senhor voltou a chamar Samuel.<br \/>\nSamuel levantou-se, foi ter com Heli e disse:<br \/>\n\u00abAqui estou, porque me chamaste\u00bb.<br \/>\nHeli respondeu:<br \/>\n\u00abN\u00e3o te chamei, meu filho; torna a deitar-te\u00bb.<br \/>\nSamuel ainda n\u00e3o conhecia o Senhor,<br \/>\nporque, at\u00e9 ent\u00e3o,<br \/>\nnunca se lhe tinha manifestado a palavra do Senhor.<br \/>\nO Senhor chamou Samuel pela terceira vez.<br \/>\nEle levantou-se, foi ter com Heli e disse:<br \/>\n\u00abAqui estou, porque me chamaste\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o Heli compreendeu que era o Senhor<br \/>\nque chamava pelo jovem.<br \/>\nDisse Heli a Samuel:<br \/>\n\u00abVai deitar-te; e se te chamarem outra vez, responde:<br \/>\n\u2018Falai, Senhor, que o vosso servo escuta\u2019\u00bb.<br \/>\nSamuel voltou para o seu lugar e deitou-se.<br \/>\nO Senhor veio, aproximou-Se e chamou como das outras vezes:<br \/>\n\u00abSamuel! Samuel!\u00bb<br \/>\nE Samuel respondeu:<br \/>\n\u00abFalai, Senhor, que o vosso servo escuta\u00bb.<br \/>\nSamuel foi crescendo;<br \/>\no Senhor estava com ele<br \/>\ne nenhuma das suas palavras deixou de cumprir-se.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro de Samuel situa-nos no per\u00edodo hist\u00f3rico que vai de meados do s\u00e9c. XI a.C. at\u00e9 ao final do reinado de David (972 a.C.). \u00c9 durante esse arco temporal que diversas tribos da regi\u00e3o \u2013 quer as que tinham regressado do Egito com Mois\u00e9s, quer outras que h\u00e1 v\u00e1rios s\u00e9culos habitavam a terra de Cana\u00e3 \u2013 v\u00e3o estreitar la\u00e7os, de forma a constitu\u00edrem uma unidade pol\u00edtica. Nos \u00faltimos anos do s\u00e9c. XI a.C., essas tribos v\u00e3o unir-se \u00e0 volta da realeza dav\u00eddica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os primeiros cap\u00edtulos do Livro de Samuel situam-nos ainda na fase pr\u00e9-mon\u00e1rquica. Nessa fase observa-se, por um lado, um processo crescente de sedentariza\u00e7\u00e3o, de consolida\u00e7\u00e3o e de unifica\u00e7\u00e3o das tribos no territ\u00f3rio de Cana\u00e3, a partir de determinados elementos unificadores, como sejam os \u201cju\u00edzes\u201d, os pactos de defesa diante dos inimigos comuns, as federa\u00e7\u00f5es de tribos vizinhas e os santu\u00e1rios que periodicamente acolhem a Arca da Alian\u00e7a e assentam as bases da f\u00e9 monote\u00edsta; por outro lado, observa-se tamb\u00e9m a precariedade das coliga\u00e7\u00f5es defensivas diante dos ataques inimigos, a escassa consci\u00eancia unit\u00e1ria, o descr\u00e9dito de alguns \u201cju\u00edzes\u201d, todo um conjunto de debilidades que geram instabilidade e incerteza\u2026 As institui\u00e7\u00f5es tribais revelam-se inadequadas para responder aos novos desafios, nomeadamente \u00e0 press\u00e3o militar exercida pelos filisteus. O modelo mon\u00e1rquico dos povos vizinhos parece ser a solu\u00e7\u00e3o ideal para abordar os novos desafios da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samuel aparece nesse tempo de transi\u00e7\u00e3o da vida tribal para a monarquia. Pertence \u00e0 tribo de Efraim, uma tribo instalada no centro do pa\u00eds, na montanha de Efraim (onde, ali\u00e1s, Samuel exerce o seu minist\u00e9rio). O Livro de Samuel apresenta-o como um \u201cjuiz\u201d (narra-se o seu nascimento maravilhoso nos mesmos moldes que o nascimento de Sans\u00e3o \u2013 1 Sm 1; cf. Jz 13); mas logo se diz que ele foi educado no templo de Silo, onde estava depositada a Arca da Alian\u00e7a (1 Sm 2,18-21) \u2013 o que pode significar que exercia igualmente fun\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas. Mais tarde ir\u00e1 ser chamado, num per\u00edodo de desola\u00e7\u00e3o, a conduzir o Povo no combate contra os filisteus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Samuel \u00e9, portanto, uma figura complexa e multifacetada, simultaneamente juiz, sacerdote e chefe dos ex\u00e9rcitos. Faz a ponte entre uma \u00e9poca de confus\u00e3o e de escassa consci\u00eancia unit\u00e1ria, para uma \u00e9poca onde come\u00e7a a estruturar-se uma organiza\u00e7\u00e3o mais centralizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia de hoje nos prop\u00f5e como primeira leitura apresenta a voca\u00e7\u00e3o de Samuel. A cena coloca-nos no santu\u00e1rio de Silo, onde estava a Arca da Alian\u00e7a. Samuel, consagrado a Deus por sua m\u00e3e, era servidor do santu\u00e1rio (cf. 1 Sm 1,11.22-28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que um relato fidedigno de acontecimentos concretos, este texto deve ser visto como uma catequese sobre o chamamento de Deus e a resposta do homem, redigida de acordo com o esquema t\u00edpico dos\u00a0<em>relatos de voca\u00e7\u00e3o<\/em>.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A voca\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre uma iniciativa, misteriosa e gratuita, de Deus. O profeta deve ter plena consci\u00eancia de que na origem da sua voca\u00e7\u00e3o est\u00e1 Deus e que a sua miss\u00e3o s\u00f3 se entende e s\u00f3 se realiza em refer\u00eancia a Deus. Um profeta n\u00e3o se torna profeta por iniciativa pr\u00f3pria, para realizar sonhos pessoais, ou porque entende ter as \u201cqualidades profissionais\u201d requeridas para o cargo\u2026 O profeta torna-se profeta porque um dia escutou Deus a cham\u00e1-lo pelo nome e a confiar-lhe uma miss\u00e3o. Todos n\u00f3s, chamados por Deus a uma miss\u00e3o no mundo, n\u00e3o podemos esquecer isto: a nossa miss\u00e3o vem de Deus e tem de se desenvolver em refer\u00eancia a Deus. Como profetas, n\u00e3o nos anunciamos a n\u00f3s pr\u00f3prios, n\u00e3o vendemos os nossos sonhos, n\u00e3o impomos aos outros a nossa vis\u00e3o pessoal das coisas; mas anunciamos e testemunhamos Deus e os seus projetos no meio dos nossos irm\u00e3os.<\/li>\n<li>O relato da voca\u00e7\u00e3o de Samuel situa-nos num quadro temporal pr\u00f3prio: de noite, quando j\u00e1 terminaram as tarefas do dia e quando o santu\u00e1rio de Silo est\u00e1 envolvido na tranquilidade, na calma e no sil\u00eancio\u2026 Provavelmente, o catequista autor deste texto n\u00e3o escolheu este enquadramento por acaso. Ele quis sugerir que \u00e9 mais f\u00e1cil detetar a presen\u00e7a de Deus e ouvir a sua voz nesse ambiente favor\u00e1vel de sil\u00eancio que favorece a escuta. Quando corremos de um lado para o outro, afadigados em mil e uma atividades, preocupados em responder \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es que nos chegam de todos os lados, dificilmente temos espa\u00e7o e disponibilidade para ouvir a voz de Deus e para detetar esses sinais discretos atrav\u00e9s dos quais Ele nos indica os seus caminhos. O profeta necessita de tempo e de espa\u00e7o para rezar, para falar com Deus, para interrogar o seu cora\u00e7\u00e3o sobre o sentido do que est\u00e1 a fazer, para ouvir esse Deus que fala nas \u201cpequenas coisas\u201d a que nem sempre damos import\u00e2ncia. Procuro reservar tempo para interiorizar a Palavra de Deus, para dialogar com Ele e para responder aos desafios que Ele me lan\u00e7a? Estou dispon\u00edvel para escutar o Esp\u00edrito, como exige o modo sinodal de ser Igreja?<\/li>\n<li>S\u00e3o muitas as \u201cvozes\u201d que ouvimos todos os dias, vendendo propostas de vida e de felicidade. Muitas vezes, essas \u201cvozes\u201d confundem-nos, alienam-nos e conduzem-nos por caminhos onde a felicidade n\u00e3o est\u00e1. Como identificar a voz de Deus no meio das vozes que dia a dia escutamos e que nos sugerem uma colorida multiplicidade de caminhos e de propostas? Samuel n\u00e3o identificou a voz de Deus sozinho, mas recorreu \u00e0 ajuda do sacerdote Heli\u2026 Na verdade, aqueles que partilham connosco a mesma f\u00e9 e que percorrem o mesmo caminho podem ajudar-nos, com as suas palavras e com o seu testemunho, a identificar a voz de Deus. A nossa comunidade crist\u00e3 desafia-nos, interpela-nos, questiona-nos, ajuda-nos a purificar as nossas op\u00e7\u00f5es e a perceber os caminhos que Deus nos prop\u00f5e.<\/li>\n<li>Depois de identificar essa \u201cvoz\u201d misteriosa que se lhe dirigia, Samuel respondeu: \u201cfala, Senhor; o teu servo escuta\u201d. \u00c9 a express\u00e3o de uma total disponibilidade, abertura e entrega face aos desafios e aos apelos de Deus. \u00c9 evidente que, na figura de Samuel, o catequista b\u00edblico prop\u00f5e a atitude paradigm\u00e1tica que devem assumir todos aqueles a quem Deus chama. Como \u00e9 que me situo face aos apelos e aos desafios de Deus? Com uma obstinada recusa, com um \u201csim\u201d reticente, ou com total disponibilidade e entrega? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 39 (40)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>:\u00a0Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esperei no Senhor com toda a confian\u00e7a<br \/>\ne Ele atendeu-me.<br \/>\nP\u00f4s em meus l\u00e1bios um c\u00e2ntico novo,<br \/>\num hino de louvor ao nosso Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o Vos agradaram sacrif\u00edcios nem obla\u00e7\u00f5es,<br \/>\nmas abristes-me os ouvidos;<br \/>\nn\u00e3o pedistes holocaustos nem expia\u00e7\u00f5es,<br \/>\nent\u00e3o clamei: \u00abAqui estou\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abDe mim est\u00e1 escrito no livro da Lei<br \/>\nque fa\u00e7a a vossa vontade.<br \/>\nAssim o quero, \u00f3 meu Deus,<br \/>\na vossa lei est\u00e1 no meu cora\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abProclamei a justi\u00e7a na grande assembleia,<br \/>\nn\u00e3o fechei os meus l\u00e1bios, Senhor, bem o sabeis.<br \/>\nN\u00e3o escondi a justi\u00e7a no fundo do cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\nproclamei a vossa bondade e fidelidade\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Cor\u00edntios 6,13c-15a.17-20<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nO corpo n\u00e3o \u00e9 para a imoralidade, mas para o Senhor,<br \/>\ne o Senhor \u00e9 para o corpo.<br \/>\nDeus, que ressuscitou o Senhor,<br \/>\ntamb\u00e9m nos ressuscitar\u00e1 a n\u00f3s pelo seu poder.<br \/>\nN\u00e3o sabeis que os vossos corpos s\u00e3o membros de Cristo?<br \/>\nAquele que se une ao Senhor<br \/>\nconstitui com Ele um s\u00f3 Esp\u00edrito.<br \/>\nFugi da imoralidade.<br \/>\nQualquer outro pecado que o homem cometa<br \/>\n\u00e9 exterior ao seu corpo;<br \/>\nmas o que pratica a imoralidade peca contra o pr\u00f3prio corpo.<br \/>\nN\u00e3o sabeis que o vosso corpo \u00e9 templo do Esp\u00edrito Santo,<br \/>\nque habita em v\u00f3s e vos foi dado por Deus?<br \/>\nN\u00e3o pertenceis a v\u00f3s mesmos,<br \/>\nporque fostes resgatados por grande pre\u00e7o:<br \/>\nglorificai a Deus no vosso corpo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria, Paulo chegou a Corinto, depois de atravessar boa parte da Gr\u00e9cia, e ficou por l\u00e1 cerca de 18 meses (anos 50-52). De acordo com At 18,2-4, Paulo come\u00e7ou a trabalhar em casa de Priscila e \u00c1quila, um casal de judeo-crist\u00e3os. Ao s\u00e1bado, usava da palavra na sinagoga. Com a chegada a Corinto de Silvano e Tim\u00f3teo (2 Cor 1,19; At 18,5), Paulo consagrou-se inteiramente ao an\u00fancio do Evangelho. Mas n\u00e3o tardou a entrar em conflito com os l\u00edderes da comunidade judaica e foi expulso da sinagoga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corinto, cidade nova e pr\u00f3spera, era a capital da Prov\u00edncia romana da Acaia e a sede do proc\u00f4nsul romano. Servida por dois portos de mar, nela se cruzavam pessoas de todas as ra\u00e7as e religi\u00f5es. Era a cidade do desregramento para os marinheiros que cruzavam o Mediterr\u00e2neo e que, ap\u00f3s semanas de navega\u00e7\u00e3o, chegavam com vontade de se divertir. Na \u00e9poca de Paulo, a cidade comportava cerca de 500.000 pessoas, das quais dois ter\u00e7os eram escravos. A riqueza escandalosa de alguns contrastava com a mis\u00e9ria da maioria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como resultado da prega\u00e7\u00e3o de Paulo, nasceu a comunidade crist\u00e3 de Corinto. A maioria dos membros da comunidade era de origem grega, embora de condi\u00e7\u00e3o humilde (cf. 1 Cor 11,26-29; 8,7; 10,14.20; 12,2); mas tamb\u00e9m havia elementos de origem hebraica (cf. At 18,8; 1 Cor 1,22-24; 10,32; 12,13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De uma forma geral, a comunidade era viva e fervorosa; no entanto, estava exposta aos perigos de um ambiente corrupto: moral dissoluta (cf. 1 Cor 6,12-20; 5,1-2), querelas, disputas, lutas (cf. 1 Cor 1,11-12), sedu\u00e7\u00e3o da sabedoria filos\u00f3fica de origem pag\u00e3 que se introduzia na Igreja revestida de um superficial verniz crist\u00e3o (cf. 1 Cor 1,19-2,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tratava-se de uma comunidade forte e vigorosa, mas que mergulhava as suas ra\u00edzes em terreno adverso. No centro da cidade, o templo de Afrodite, a deusa grega do amor, atra\u00eda os peregrinos e favorecia os desregramentos e a libertinagem sexual. Os crist\u00e3os, naturalmente, viviam envolvidos por este mundo e acabavam por transportar para a comunidade alguns dos v\u00edcios da cultura ambiente. Na comunidade de Corinto, vemos as dificuldades da f\u00e9 crist\u00e3 em inserir-se num ambiente hostil, marcado por uma cultura pag\u00e3 e por um conjunto de valores que est\u00e3o em profunda contradi\u00e7\u00e3o com a pureza da mensagem evang\u00e9lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1 Cor 6,12 aparece uma frase \u2013 possivelmente do pr\u00f3prio Paulo \u2013 que servia a alguns crist\u00e3os de Corinto para justificar os seus excessos: \u201cTudo me \u00e9 permitido\u201d \u2026 Paulo explica que \u201ctudo me \u00e9 permitido, mas nem tudo \u00e9 conveniente; tudo me \u00e9 permitido, mas eu n\u00e3o me farei escravo de nada\u201d. Na sequ\u00eancia, Paulo recorda aos membros da comunidade as exig\u00eancias da sua ades\u00e3o a Cristo. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Somos todos chamados a integrar o \u201ccorpo\u201d de Cristo. No dia do nosso Batismo respondemos positivamente ao convite que, nesse sentido, nos foi feito; e depois, ao longo do caminho, reiter\u00e1mos vezes sem conta esse compromisso\u2026 Vivemos conscientes disso? Essa op\u00e7\u00e3o fundamental \u00e9 uma realidade que temos sempre presente em todos os passos do nosso percurso de vida?<\/li>\n<li>A ades\u00e3o a Cristo implica assumirmos comportamentos coerentes com o que Jesus nos disse em palavras e em gestos; implica segui-l\u2019O no caminho do amor incondicional, do servi\u00e7o simples e gratuito, da doa\u00e7\u00e3o total a Deus e aos nossos irm\u00e3os. Assim, nada do que \u00e9 ego\u00edsmo, explora\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, prepot\u00eancia, mentira, abuso dos direitos e dignidade do outro, procura desordenada do bem pr\u00f3prio \u00e0 custa do outro, poder\u00e1 entrar, como normalidade, na vida do disc\u00edpulo de Jesus. O meu comportamento no contexto familiar, no espa\u00e7o onde exer\u00e7o a minha vida profissional, no meu c\u00edrculo de rela\u00e7\u00f5es \u00e9 condizente com a minha qualidade de disc\u00edpulo de Jesus?<\/li>\n<li>A prop\u00f3sito, Paulo coloca o problema da viv\u00eancia da sexualidade\u2026 Essa importante dimens\u00e3o da nossa realiza\u00e7\u00e3o como pessoas n\u00e3o pode concretizar-se em a\u00e7\u00f5es ego\u00edstas, que nos escravizam a n\u00f3s e que instrumentalizam os outros; mas tem de concretizar-se num quadro de amor verdadeiro, de rela\u00e7\u00e3o, de entrega m\u00fatua, de compromisso, de respeito absoluto pelo outro e pela sua dignidade. Neste campo surgem, com alguma frequ\u00eancia, den\u00fancias de comportamentos e atitudes, dentro e fora da Igreja, que afetam e magoam pessoas fr\u00e1geis e indefesas. Devemos ter sempre isto bem claro: qualquer comportamento abusivo que desrespeite a dignidade e a autonomia dos outros irm\u00e3os e irm\u00e3s que se cruzam connosco constitui uma grave subvers\u00e3o dos valores de Jesus.<\/li>\n<li>\u201cTudo me \u00e9 permitido\u201d \u2013 dizia-se no tempo de Paulo e repete-se hoje\u2026 Ser\u00e1 a liberdade um valor absoluto? Para os disc\u00edpulos de Jesus, a liberdade n\u00e3o pode traduzir-se em comportamentos e op\u00e7\u00f5es que neguem a nossa op\u00e7\u00e3o fundamental por Cristo. H\u00e1 quem ache que s\u00f3 nos realizaremos plenamente se pudermos fazer tudo o que nos apetecer\u2026 Contudo, o crist\u00e3o sabe que \u201cnem tudo lhe conv\u00e9m\u201d. Ali\u00e1s, certas op\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias aos valores do Evangelho n\u00e3o conduzem \u00e0 liberdade, mas \u00e0 depend\u00eancia e \u00e0 escravid\u00e3o.<\/li>\n<li>Qual \u00e9 o verdadeiro \u201cculto\u201d que Deus pede? Como \u00e9 que traduzimos, em gestos concretos, a nossa ades\u00e3o a Deus? Paulo sugere que o verdadeiro culto, o culto que Deus espera, \u00e9 uma vida coerente com os compromissos que assumimos com Ele, traduzida em gestos concretos de amor, de entrega, de doa\u00e7\u00e3o, de respeito pelo outro e pela sua dignidade.<strong><em> in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 1,35-42<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nestava Jo\u00e3o Baptista com dois dos seus disc\u00edpulos<br \/>\ne, vendo Jesus que passava, disse:<br \/>\n\u00abEis o Cordeiro de Deus\u00bb.<br \/>\nOs dois disc\u00edpulos ouviram-no dizer aquelas palavras<br \/>\ne seguiram Jesus.<br \/>\nEntretanto, Jesus voltou-Se;<br \/>\ne, ao ver que O seguiam, disse-lhes:<br \/>\n\u00abQue procurais?\u00bb<br \/>\nEles responderam:<br \/>\n\u00abRabi \u2013 que quer dizer \u2018Mestre\u2019 \u2013 onde moras?\u00bb<br \/>\nDisse-lhes Jesus: \u00abVinde ver\u00bb.<br \/>\nEles foram ver onde morava<br \/>\ne ficaram com Ele nesse dia.<br \/>\nEra por volta das quatro horas da tarde.<br \/>\nAndr\u00e9, irm\u00e3o de Sim\u00e3o Pedro,<br \/>\nfoi um dos que ouviram Jo\u00e3o e seguiram Jesus.<br \/>\nFoi procurar primeiro seu irm\u00e3o Sim\u00e3o e disse-lhe:<br \/>\n\u00abEncontr\u00e1mos o Messias\u00bb \u2013 que quer dizer \u2018Cristo\u2019 \u2013;<br \/>\ne levou-o a Jesus.<br \/>\nFitando os olhos nele, Jesus disse-lhe:<br \/>\n\u00abTu \u00e9s Sim\u00e3o, filho de Jo\u00e3o.<br \/>\nChamar-te-\u00e1s Cefas\u00bb \u2013 que quer dizer \u2018Pedro\u2019.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este trecho integra a sec\u00e7\u00e3o introdut\u00f3ria do Quarto Evangelho (cf. Jo 1,19-3,36). Nessa sec\u00e7\u00e3o, a principal preocupa\u00e7\u00e3o do autor \u00e9 apresentar a figura de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o, o autor do Quarto Evangelho, convida-nos a participar numa montagem c\u00e9nica. Diante dos nossos olhos, diversas personagens v\u00e3o entrando no palco e apresentam-nos Jesus. As declara\u00e7\u00f5es que lhes s\u00e3o postas na boca n\u00e3o s\u00e3o palavras de circunst\u00e2ncia, mas s\u00e3o afirma\u00e7\u00f5es categ\u00f3ricas, carregadas de significado teol\u00f3gico, que nos convidam a mergulhar no mist\u00e9rio de Jesus. O quadro final que resulta destas diversas interven\u00e7\u00f5es apresenta Jesus como o Messias, Filho de Deus, que possui o Esp\u00edrito e que veio ao encontro dos homens para fazer aparecer o Homem Novo, nascido da \u00e1gua e do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Baptista tem um lugar especial neste contexto de apresenta\u00e7\u00e3o de Jesus. O seu testemunho aparece no in\u00edcio e no fim da sec\u00e7\u00e3o \u2013 cf. Jo 1,19-37; 3,22-36), como se ele tivesse mais a dizer do que qualquer outro. De facto, a catequese crist\u00e3 sempre o viu como \u201co percursor do Messias\u201d, aquele que Deus enviou para preparar os homens para acolherem Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto p\u00f5e ainda em cena tr\u00eas disc\u00edpulos: Andr\u00e9, um outro disc\u00edpulo n\u00e3o identificado e Sim\u00e3o Pedro. Os dois primeiros s\u00e3o apresentados como disc\u00edpulos de Jo\u00e3o e \u00e9 por indica\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o que seguem Jesus. Trata-se de um quadro de voca\u00e7\u00e3o que difere substancialmente dos relatos de chamamento dos primeiros disc\u00edpulos apresentados pelos sin\u00f3pticos (cf. Mt 4,18-22; Mc 1,16-20; Lc 5,1-11). Em todo o caso, estamos diante de um modelo de chamamento e de seguimento de Jesus, mais do que uma reportagem sobre um acontecimento real. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Come\u00e7amos h\u00e1 poucos dias um novo ano. Que programa temos para o caminho? O autor do Quarto Evangelho tem uma proposta irrecus\u00e1vel a fazer-nos para este ano\u2026 Convida-nos a redescobrir Jesus que passa, a ir atr\u00e1s dele, a entrar na casa dele, a partilhar a sua vida e o seu projeto, a interiorizar as suas atitudes fundamentais\u2026 Se aceitarmos, espera-nos uma aventura inolvid\u00e1vel, uma experi\u00eancia profundamente libertadora, um percurso que nos conduzir\u00e1 a uma Vida de plena realiza\u00e7\u00e3o. Aceitamos o convite?<\/li>\n<li>\u201cQue procurais?\u201d \u2013 pergunta Jesus \u00e0queles dois disc\u00edpulos que ousaram ir atr\u00e1s dele\u2026 A todos n\u00f3s que nos sentimos insatisfeitos, que n\u00e3o nos conformamos com a mediocridade, que temos sede de mais humanidade e de mais paz, que n\u00e3o estamos dispostos a passar o nosso tempo de vida comodamente refugiados na nossa est\u00e9ril zona de conforto, que nos questionamos sobre a forma como o nosso mundo est\u00e1 a ser constru\u00eddo, Jesus pergunta tamb\u00e9m: \u201cQue procurais?\u201d Estamos conscientes de que Jesus \u00e9 a fonte que pode saciar a nossa sede de Vida? E estamos dispon\u00edveis para dar testemunho de Jesus a todos os homens e mulheres que vivem perdidos no labirinto da vida e que n\u00e3o sabem como dar sentido \u00e0 sua exist\u00eancia?<\/li>\n<li>De acordo com esta bela p\u00e1gina do Evangelho segundo Jo\u00e3o, a ades\u00e3o a Jesus s\u00f3 pode ser radical e absoluta, sem meias tintas nem hesita\u00e7\u00f5es. Os dois primeiros disc\u00edpulos n\u00e3o discutiram o \u201cordenado\u201d que iam ganhar, se a aventura tinha futuro ou se estava condenada ao fracasso, se o abandono de um mestre para seguir outro representava uma promo\u00e7\u00e3o ou uma despromo\u00e7\u00e3o, se o que deixavam para tr\u00e1s era importante ou n\u00e3o era importante; simplesmente \u201cseguiram Jesus\u201d, sem garantias, sem condi\u00e7\u00f5es, sem explica\u00e7\u00f5es sup\u00e9rfluas, sem \u201cseguros de vida\u201d, sem se preocuparem em salvaguardar o futuro se a aventura n\u00e3o desse certo. A aventura da voca\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre \u2013 e para n\u00f3s tamb\u00e9m \u2013 um salto, decidido e sereno, para os bra\u00e7os de Deus.<\/li>\n<li>Andr\u00e9 e o outro disc\u00edpulo contaram com a ajuda de Jo\u00e3o Batista para encontrar Jesus e se decidirem a ir atr\u00e1s dele. Este pormenor lembra-nos o papel dos irm\u00e3os da nossa comunidade na nossa caminhada de f\u00e9 e na nossa descoberta de Jesus. A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um caminho solit\u00e1rio, que cada um percorre isoladamente; mas \u00e9 uma experi\u00eancia comunit\u00e1ria, vivida no di\u00e1logo e na partilha com os irm\u00e3os e irm\u00e3s que caminham ao nosso lado e com quem nos reunimos, ao menos no \u201cdia do Senhor\u201d, para rezar e celebrar. A comunidade crist\u00e3 \u00e9 o espa\u00e7o habitual onde a minha f\u00e9 se expressa, se concretiza, se confronta e se desenvolve?<\/li>\n<li>O encontro com Jesus \u00e9 um caminho que tem de me levar ao encontro dos irm\u00e3os e que deve tornar-se, em qualquer tempo e em qualquer circunst\u00e2ncia, an\u00fancio e testemunho. Quem experimenta a vida e a liberdade que Cristo oferece, n\u00e3o pode calar essa descoberta; mas deve sentir a necessidade de a partilhar com os outros, a fim de que tamb\u00e9m eles possam encontrar o verdadeiro sentido para a sua exist\u00eancia. \u201cEncontr\u00e1mos o Messias\u201d deve ser o an\u00fancio jubiloso de quem encontrou Jesus, fez com Ele uma verdadeira experi\u00eancia de vida nova e anseia por levar os irm\u00e3os a uma descoberta semelhante.<\/li>\n<li>Jo\u00e3o Baptista nunca procurou apontar os holofotes para a sua pr\u00f3pria pessoa e criar um grupo de adeptos ou seguidores que satisfizessem a sua vaidade ou a sua \u00e2nsia de protagonismo\u2026 A sua preocupa\u00e7\u00e3o foi apenas preparar o cora\u00e7\u00e3o dos seus concidad\u00e3os para acolher Jesus. Depois, retirou-se discretamente para a sombra, deixando que os projetos de Deus seguissem o seu curso. Jo\u00e3o ensina-nos a nunca nos tornarmos protagonistas ou a atrair sobre n\u00f3s as aten\u00e7\u00f5es; a sermos testemunhas de Jesus, n\u00e3o de n\u00f3s pr\u00f3prios. <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/01\/22\/vinde-e-vede-4\/\"><strong>VINDE E VEDE!<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste Domingo II do Tempo Comum (Jo\u00e3o 1,35-42) faz-nos ver no primeiro plano Jo\u00e3o Batista e Jesus. Jo\u00e3o Batista permanece l\u00e1 \u00abestacado\u00bb (<em>eist\u00eakei<\/em>), em\u00a0<em>Bethabara<\/em>\u00a0[= \u00abCasa de passagem\u00bb], desde Jo\u00e3o 1,28, im\u00f3vel e sereno e atento. O lugar em que permanece parado, define-o e define-nos: \u00e9 um umbral ou limiar. Todo o umbral ou limiar \u00e9 um lugar de passagem. Estamos de passagem. Jo\u00e3o Batista ocupa, portanto, o seu lugar estreito e aberto entre o des-lugar e a casa, o deserto e a Terra Prometida, entre o Antigo e o Novo Testamento. Jo\u00e3o coloca-se estrategicamente do outro lado do Jord\u00e3o, onde um dia o povo do \u00caxodo parou tamb\u00e9m, para preparar a entrada na Terra Prometida, atravessando o Jord\u00e3o (Josu\u00e9 3). \u00c9 desse lugar de passagem, mas em que est\u00e1 parado como um guarda ou sentinela vigilante, que Jo\u00e3o v\u00ea bem (<em>embl\u00e9p\u00f4<\/em>) Jesus a passar (<em>peripato\u00fbnti<\/em>). Perfil exato: Jesus a passar: Ele \u00e9 o caminho (Jo 14,6); Jo\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o caminho: est\u00e1 parado. E logo Jo\u00e3o aponta Jesus como o Cordeiro de Deus. Aponta-o e apresenta-o a n\u00f3s, e p\u00f5e-nos em movimento atr\u00e1s d\u2019Ele. Riqu\u00edssima apresenta\u00e7\u00e3o de Jesus. Na verdade, Cordeiro diz-se na l\u00edngua aramaica, l\u00edngua comum ent\u00e3o falada,\u00a0<em>talya\u2019<\/em>. Mas\u00a0<em>talya\u2019<\/em>\u00a0significa, n\u00e3o s\u00f3 \u00abcordeiro\u00bb, mas tamb\u00e9m \u00abservo\u00bb, \u00abfilho\u00bb e \u00abp\u00e3o\u00bb. A\u00ed est\u00e1 tra\u00e7ada, com uma pincelada de mestre, a identidade de Jesus: Cordeiro, Servo, Filho e P\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja qual for o perfil adotado, deparamo-nos sempre com a verdadeira identidade de Jesus, na sua verdade e simplicidade. O \u00abCordeiro\u00bb \u00e9 manso e d\u00f3cil, e Jesus n\u00e3o vem ter connosco com um fulgor que cega ou um poder que esmaga. Vem como quem ama e serve com radical humildade e mansid\u00e3o. Entenda-se bem ainda que este Cordeiro \u00e9 de Deus, pertence a Deus, \u00e9 Deus o seu pastor (cf. Salmo 22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a\u00ed vamos n\u00f3s a segui-l\u2019O, agora no Caminho. Ele \u00e9 o caminho. Sem caminho, temos de ficar parados. Jesus pergunta: \u00abO que procurais?\u00bb (Jo\u00e3o 1,38). Jesus n\u00e3o faz uma afirma\u00e7\u00e3o, mas uma pergunta. N\u00e3o come\u00e7a uma aula, mas um col\u00f3quio vital. Reconhece neles e em n\u00f3s homens \u00e0 procura, que ainda n\u00e3o sabem dizer o que procuram, mas desejam saborear o p\u00e3o que s\u00f3 Jesus pode dar na sua Casa. \u00abOnde moras?\u00bb, \u00e9, portanto, a quest\u00e3o que os move e nos move (Jo\u00e3o 1,38). E a resposta-convite de Jesus: \u00abVinde e vede\u00bb (Jo\u00e3o 1,39) aviva e sacia a nossa sede. Uma vez mais, Jesus n\u00e3o nos entrega um livro ou um gui\u00e3o com doutrinas e preceitos para n\u00f3s estudarmos e sabermos, mas chama-nos a viver uma rela\u00e7\u00e3o pessoal de comunh\u00e3o com Ele. Assim, tamb\u00e9m eles, e n\u00f3s com eles, n\u00e3o podemos manter-nos a uma dist\u00e2ncia de seguran\u00e7a, n\u00e3o comprometida, como meros turistas ou espectadores. A indica\u00e7\u00e3o da hora pelo narrador pode querer dizer-nos que, para aqueles dois, e para n\u00f3s tamb\u00e9m, aquela hora foi e ser\u00e1 sempre uma hora decisiva. Fomos e vimos quem era (<em>ide\u00een<\/em>) e mor\u00e1mos com Ele um dia (Jo\u00e3o 1,39), simbolismo para indicar de agora em diante, sempre. Percebemos logo que era aquela a nossa Casa. Por isso, Andr\u00e9, um de n\u00f3s, o\u00a0<em>Pr\u00f4t\u00f3kl\u00eatos Andr\u00e9as<\/em>, o \u00abprimeiro chamado\u00bb, como o qualifica ainda hoje a Tradi\u00e7\u00e3o Oriental, foi logo procurar, encontrar (o uso do verbo grego\u00a0<em>eur\u00edsk\u00f4<\/em>\u00a0sup\u00f5e um encontro depois de uma busca; n\u00e3o um encontro por acaso) e chamar, \u00abprimeiro chamante\u00bb, o seu irm\u00e3o Sim\u00e3o, e trouxe-o de casa para a Casa, para Jesus (Jo\u00e3o 1,40-42). O resto \u00e9 com Jesus. \u00abOlhando-o por dentro (<em>embl\u00e9p\u00f4 aut\u00f4<\/em>), Jesus disse: \u201cTu \u00e9s Sim\u00e3o, o filho de Jo\u00e3o; ser\u00e1s chamado\u00a0<em>K\u00eaph\u00e2s<\/em>, que se traduz Pedro\u201d\u00bb (Jo\u00e3o 1,42). Depois \u00e9 Filipe que \u00e9 chamado por Jesus, sem introdu\u00e7\u00e3o ou explica\u00e7\u00e3o (Jo\u00e3o 1,43). E Filipe conduz a Jesus Natanael, tamb\u00e9m sem qualquer explica\u00e7\u00e3o ou demonstra\u00e7\u00e3o convincente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante precisar que a demonstra\u00e7\u00e3o \u00e9 fr\u00e1gil face \u00e0 experi\u00eancia que implica a vida. Na verdade, a efic\u00e1cia do testemunho acontece, n\u00e3o quando a testemunha incita o destinat\u00e1rio a inclinar-se ou a render-se perante as provas, mas quando o incita a fazer, por sua vez, a experi\u00eancia, levando-o a implicar a pr\u00f3pria vida. A experi\u00eancia da testemunha \u00e9 sempre mais forte e mais radical do que as provas que eventualmente queira dar. \u00c9 por isso que Filipe fala de Jesus a Natanael, mas face \u00e0s obje\u00e7\u00f5es deste, n\u00e3o lhe dissipa as d\u00favidas (Jo\u00e3o 1,45-46), mas diz-lhe simplesmente: \u00abVem e v\u00ea!\u00bb (Jo\u00e3o 1,46).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas voltemos ao chamamento decisivo, aquele que muda o nome, isto \u00e9, segundo a mentalidade b\u00edblica, a pessoa e a sua vida. Diz Jesus: \u00abTu \u00e9s Sim\u00e3o, o filho de Jo\u00e3o; ser\u00e1s chamado\u00a0<em>K\u00eaph\u00e2s<\/em>, que se traduz Pedro\u00bb (Jo\u00e3o 1,42). O termo hebraico normal para dizer \u00abrocha\u00bb, \u00abrochedo\u00bb, \u00abpedra firme\u00bb \u00e9\u00a0<em>ts\u00fbr<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>sela\u2018<\/em>, que designa mesmo Deus no AT por 33 vezes. Mas o hebraico tamb\u00e9m conhece o termo\u00a0<em>keph<\/em>, aramaico\u00a0<em>k\u00eapha\u2019<\/em>, que designa a rocha, n\u00e3o tanto na sua solidez, mas a rocha escavada, oca, esp\u00e9cie de gruta que serve de lugar de ref\u00fagio e acolhimento, onde os p\u00e1ssaros fazem os seus ninhos, os animais guardam as suas crias e os homens se refugiam em caso de guerra: n\u00e3o \u00e9 s\u00f3lido, mas d\u00e1 solidez e prote\u00e7\u00e3o a uma vida nova. Este segundo veio de termos, que traduzem a ideia de guardar, proteger, abra\u00e7ar, envolver, alarga-se num vasto campo onomatopaico:\u00a0<em>kaph<\/em>, palma da m\u00e3o;\u00a0<em>keph<\/em>, rochedo esburacado (grutas);\u00a0<em>k\u00eapha\u2019<\/em>\u00a0(aramaico), rochedo esburacado;\u00a0<em>k\u00eaph\u00e3s<\/em>\u00a0(grego), rochedo esburacado e acolhedor, nome dado por Jesus a Pedro em Jo\u00e3o 1,42, \u00fanica vez nos Evangelhos;\u00a0<em>kipah<\/em>, folha de palmeira, que serve para proteger do sol, que diz tamb\u00e9m a cobertura que os judeus ortodoxos usam na cabe\u00e7a, para indicar a prote\u00e7\u00e3o de Deus;\u00a0<em>kaphar<\/em>, cobrir, perdoar;\u00a0<em>kaporet<\/em>, cobertura, perd\u00e3o. Sendo de teor onomatopaico, este som existe na composi\u00e7\u00e3o de voc\u00e1bulos em todas as l\u00ednguas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nasce aqui, portanto, um Sim\u00e3o Pedro novo, casa aberta e acolhedora, atento, pr\u00f3ximo, cuidadoso e carinhoso, fr\u00e1gil, com a miss\u00e3o pastoral de alimentar e cuidar de todos os filhos de Deus. Mas, entenda-se sempre bem, a casa \u00e9 Deus, e s\u00e3o de Deus os filhos que nela s\u00e3o gerados, acolhidos, alimentados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O contraponto musical vem hoje do Primeiro Livro de Samuel 3,3-19, com Deus a chamar uma e outra vez o jovem Samuel, que \u00abainda n\u00e3o conhecia o Senhor\u00bb (1 Samuel 3,7), e Eli, sacerdote do santu\u00e1rio de Silo, a fazer bem o papel de Guia Espiritual. Depois de discernir a Voz de Deus que chamava Samuel, \u00e9 para Deus que Eli remete Samuel, com a indica\u00e7\u00e3o precisa: \u00abFala, Senhor, que o teu servo escuta\u00bb (1 Samuel 3,9). E o texto termina com o belo resumo do narrador: \u00abE Samuel crescia, o Senhor estava com ele, e nenhuma das suas palavras deixou cair por terra\u00bb (1 Samuel 3,19). Extraordin\u00e1rio programa de vida para a Igreja inteira e cada crist\u00e3o em particular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E S\u00e3o Paulo, na Primeira Carta aos Cor\u00edntios 6,13-20, tra\u00e7a em contraluz a radiografia da grande cidade de Corinto, capital da prov\u00edncia romana da Acaia, com muitas divis\u00f5es, distra\u00e7\u00f5es, idolatrias e imoralidades, coisas em tudo semelhantes ao que se v\u00ea hoje nas grandes metr\u00f3poles modernas. E aponta aos crist\u00e3os de Corinto e de hoje o caminho do Evangelho: o corpo que, no mundo b\u00edblico, diz a pessoa toda, integral, \u00e9 para o Senhor, e o Senhor \u00e9 para o corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A toada musical que hoje embala a nossa vida est\u00e1 em conson\u00e2ncia com a docilidade e o rumo novo, para o Senhor, que devemos empreender. Na verdade, canta assim o Salmo Responsorial de hoje: \u00abSacrif\u00edcio e obla\u00e7\u00e3o n\u00e3o Te agradaram, mas escavaste-me os ouvidos\u00bb (Salmo 40,7), express\u00e3o forte que a Carta aos Hebreus cita atualizando assim: \u00abSacrif\u00edcio e obla\u00e7\u00e3o Tu n\u00e3o quiseste, mas formaste-me um corpo\u00bb (Hebreus 10,5). Sim, d\u00e1 para entender, que o corpo \u00e9 para oferecer ao bom Deus, num culto novo de todos os dias (cf. Romanos 12,1). Mas, para que a melodia chegue ao cora\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m \u00e9 verdade, como diz o Salmo e nos lembra poeticamente Nelly Sachs, talvez seja necess\u00e1rio\u00a0<em>escavar<\/em>\u00a0bem os ouvidos. Nelly Sachs (1891-1970), de origem judaica, nascida em Berlim, refugiada em Estocolmo a partir de 1940, recebeu o pr\u00e9mio Nobel de literatura em 1966.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixamos aqui um extrato de um poema:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSe os profetas irrompessem<\/strong><br \/>\n<strong>pelas portas da noite<\/strong><br \/>\n<strong>com as suas palavras abrindo feridas<\/strong><br \/>\n<strong>nas rotinas do nosso quotidiano<\/strong><br \/>\n<strong>(\u2026)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se os profetas irrompessem<\/strong><br \/>\n<strong>pelas portas da noite<\/strong><br \/>\n<strong>\u00e0 procura de um ouvido como p\u00e1tria<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ouvido humano<\/strong><br \/>\n<strong>obstru\u00eddo por mato e por silvas<\/strong><br \/>\n<strong>ser\u00e1 que saberias escutar?\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Leitura-I-do-Domingo-II-do-Tempo-Comum-Ano-B-14.01.2024-1-Sam-3-3b-10.19.pdf\">Leitura I do Domingo II do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 14.01.2024 (1 Sam 3, 3b-10.19)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Leitura-II-do-Domingo-II-do-Tempo-Comum-Ano-B-14.01.2024-1-Cor-6-13c-15a.17-20.pdf\">Leitura II do Domingo II do Tempo Comum- Ano B &#8211; 14.01.2024 (1 Cor 6, 13c-15a.17-20)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Domingo-II-do-Tempo-Comum-Ano-B-14.01.2024-Lecionario.pdf\">Domingo II do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 14.01.2024- Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Domingo-II-do-Tempo-Comum-Ano-B-14.01.2024-Oracao-Universal.pdf\">Domingo II do Tempo Comum &#8211; Ano B &#8211; 14.01.2024- Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Solenidade do Batismo do Senhor \u2013 Ano B \u2013 07.01.2024&#8243; tab_id=&#8221;1705312729878-b2e92100-87a8&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Solenidade do Batismo do Senhor &#8211; Ano B \u2013 07.01.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/batismo.jpg\" alt=\"\" width=\"637\" height=\"354\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A liturgia deste dia celebra o Batismo de Jesus. Evoca o momento em que Jesus, ungido pelo Esp\u00edrito Santo e apresentado aos homens como \u201cFilho Amado\u201d de Deus, abra\u00e7ou a miss\u00e3o que o Pai lhe entregou: recriar o mundo, fazer nascer um Homem Novo. E prop\u00f5e-nos, a todos n\u00f3s que fomos batizados em Cristo, que tiremos desse facto as consequ\u00eancias que se imp\u00f5em. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso. <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Isa\u00edas 42,1-4.6-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diz o Senhor:<br \/>\n\u00abEis o meu servo, a quem Eu protejo,<br \/>\no meu eleito, enlevo da minha alma.<br \/>\nSobre ele fiz repousar o meu esp\u00edrito,<br \/>\npara que leve a justi\u00e7a \u00e0s na\u00e7\u00f5es.<br \/>\nN\u00e3o gritar\u00e1, nem levantar\u00e1 a voz,<br \/>\nnem se far\u00e1 ouvir nas pra\u00e7as;<br \/>\nn\u00e3o quebrar\u00e1 a cana fendida,<br \/>\nnem apagar\u00e1 a torcida que ainda fumega:<br \/>\nproclamar\u00e1 fielmente a justi\u00e7a.<br \/>\nN\u00e3o desfalecer\u00e1 nem desistir\u00e1,<br \/>\nenquanto n\u00e3o estabelecer a justi\u00e7a na terra,<br \/>\na doutrina que as ilhas long\u00ednquas esperam.<br \/>\nFui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justi\u00e7a;<br \/>\ntomei-te pela m\u00e3o, formei-te<br \/>\ne fiz de ti a alian\u00e7a do povo e a luz das na\u00e7\u00f5es,<br \/>\npara abrires os olhos aos cegos,<br \/>\ntirares do c\u00e1rcere os prisioneiros<br \/>\ne da pris\u00e3o os que habitam nas trevas\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contexto:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto pertence ao \u201cLivro da Consola\u00e7\u00e3o\u201d do Deutero-Isa\u00edas (cf. Is 40-55). Este profeta an\u00f3nimo cumpriu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica na Babil\u00f3nia, na fase final do Ex\u00edlio (entre 550 e 539 a.C.). Tinham passado algumas dezenas de anos desde que Nabucodonosor havia destru\u00eddo Jerusal\u00e9m e arrastado para o cativeiro a maior parte dos habitantes de Jud\u00e1. Os judeus cativos desesperam porque o tempo vai passando e a liberta\u00e7\u00e3o (anunciada por Ezequiel, um outro profeta do tempo do Ex\u00edlio) nunca mais acontece. Ser\u00e1 que Deus se esqueceu das suas promessas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Deutero-Isa\u00edas sente que Deus o envia a dizer aos seus concidad\u00e3os, exilados e desanimados, palavras de esperan\u00e7a. Cumprindo o mandato de Deus, o profeta fala da imin\u00eancia da liberta\u00e7\u00e3o, comparando-a ao antigo \u00eaxodo, quando Deus salvou o seu Povo da escravid\u00e3o do Egipto (cf. Is 40-48); e anuncia-lhes, tamb\u00e9m, a reconstru\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, a cidade que a guerra reduziu a cinzas, mas \u00e0 qual Deus vai fazer regressar a alegria e a paz sem fim (cf. Is 49-55).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No meio desta proposta \u201cconsoladora\u201d do Deutero-Isa\u00edas aparecem, contudo, quatro textos (cf. Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12) que fogem um tanto a esta tem\u00e1tica. S\u00e3o c\u00e2nticos que falam de um personagem misterioso e enigm\u00e1tico, que os biblistas designam como o \u201cServo de Jav\u00e9\u201d. Esse personagem ser\u00e1 Jeremias, o profeta que tanto sofreu por causa da miss\u00e3o? Ser\u00e1 o pr\u00f3prio Deutero-Isa\u00edas, chamado a dar testemunho de Deus num cen\u00e1rio t\u00e3o dif\u00edcil? Ser\u00e1 Ciro, rei dos persas, que alguns anos depois libertar\u00e1 os judeus exilados e autorizar\u00e1 o seu regresso a Jerusal\u00e9m? N\u00e3o sabemos ao certo. Mas esse \u201cServo de Jav\u00e9\u201d \u00e9 apresentado como um predileto de Jav\u00e9, chamado para o servi\u00e7o de Deus, enviado por Deus aos homens de todo o mundo. A sua miss\u00e3o cumpre-se no sofrimento e numa entrega incondicional \u00e0 Palavra. O sofrimento do profeta tem, contudo, um valor expiat\u00f3rio e redentor, pois dele resulta o perd\u00e3o para o pecado do Povo. Deus aprecia o sacrif\u00edcio deste \u201cServo\u201d e recompens\u00e1-lo-\u00e1, fazendo-o triunfar diante dos seus detratores e advers\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto \u00e9 parte do primeiro c\u00e2ntico do \u201cServo\u201d (cf. Is 42,1-9). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A hist\u00f3ria do \u201cServo de Jav\u00e9\u201d, que recebeu a plenitude do Esp\u00edrito para ser \u201cluz das na\u00e7\u00f5es\u201d, abrir \u201cos olhos aos cegos\u201d, tirar \u201cdo c\u00e1rcere os prisioneiros\u201d e \u201cda pris\u00e3o os que habitam nas trevas\u201d, lembra-nos, desde logo, que Deus age atrav\u00e9s de \u201cprofetas\u201d a quem confia a transforma\u00e7\u00e3o do mundo e a liberta\u00e7\u00e3o dos homens. No dia em que fomos batizados, recebemos, tamb\u00e9m n\u00f3s, o Esp\u00edrito que nos capacitou para uma miss\u00e3o semelhante \u00e0 desse \u201cServo\u201d. Tenho consci\u00eancia de que cada batizado \u00e9 um instrumento de Deus na renova\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o do mundo? Estou disposto a corresponder ao chamamento de Deus e a assumir a minha responsabilidade prof\u00e9tica? Os pobres, os oprimidos, os que \u201cjazem nas trevas e nas sombras da morte\u201d, os que n\u00e3o t\u00eam eira nem beira, nem voz nem vez, nem convite para se sentar \u00e0 mesa da humanidade podem contar com a minha solidariedade ativa, com a minha ajuda fraterna, com o meu abra\u00e7o, com a minha partilha generosa?<\/li>\n<li>A miss\u00e3o prof\u00e9tica s\u00f3 faz sentido \u00e0 luz de Deus: \u00e9 sempre Ele que toma a iniciativa, que escolhe, que chama, que envia e que capacita para a miss\u00e3o\u2026 Aquilo que fazemos, por mais v\u00e1lido que seja, n\u00e3o \u00e9 obra nossa, mas sim de Deus; o nosso \u00eaxito na miss\u00e3o n\u00e3o resulta das nossas qualidades, mas da iniciativa de Deus que age em n\u00f3s e atrav\u00e9s de n\u00f3s. Somos apenas colaboradores de Deus, \u201chumildes trabalhadores da vinha do Senhor\u201d. \u00c9 sempre Deus que projeta e que age, atrav\u00e9s da nossa fragilidade, para oferecer ao mundo a Vida e a salva\u00e7\u00e3o. Esquecer isto pode conduzir-nos \u00e0 arrog\u00e2ncia, \u00e0 autossufici\u00eancia, \u00e0 vaidade, ao convencimento; e, sempre que isso acontece, a nossa interven\u00e7\u00e3o no mundo acaba por desvirtuar o projeto de Deus.<\/li>\n<li>Atentemos ainda na forma de atuar do \u201cServo\u201d: ele n\u00e3o se imp\u00f5e pela for\u00e7a, pela viol\u00eancia, pelo dinheiro, ou pelos amigos poderosos; mas atua com suavidade, com mansid\u00e3o, com humildade, no respeito pela liberdade dos irm\u00e3os e irm\u00e3s a quem \u00e9 enviado\u2026 \u00c9 esta l\u00f3gica \u2013 a l\u00f3gica de Deus \u2013 que eu utilizo no desempenho da miss\u00e3o prof\u00e9tica que Deus me confiou? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 28 (29)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>:\u00a0O Senhor aben\u00e7oar\u00e1 o seu povo na paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Atos 10,34-38<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nPedro tomou a palavra e disse:<br \/>\n\u00abNa verdade,<br \/>\neu reconhe\u00e7o que Deus n\u00e3o faz ace\u00e7\u00e3o de pessoas,<br \/>\nmas, em qualquer na\u00e7\u00e3o,<br \/>\naquele que O teme e pratica a justi\u00e7a \u00e9-Lhe agrad\u00e1vel.<br \/>\nEle enviou a sua palavra aos filhos de Israel,<br \/>\nanunciando a paz por Jesus Cristo, que \u00e9 o Senhor de todos.<br \/>\nV\u00f3s sabeis o que aconteceu em toda a Judeia,<br \/>\na come\u00e7ar pela Galileia,<br \/>\ndepois do batismo que Jo\u00e3o pregou:<br \/>\nDeus ungiu com a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo a Jesus de Nazar\u00e9,<br \/>\nque passou fazendo o bem<br \/>\ne curando todos os que eram oprimidos pelo dem\u00f3nio,<br \/>\nporque Deus estava com Ele\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contexto:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os \u201cAtos dos Ap\u00f3stolos\u201d s\u00e3o uma catequese sobre a \u201cetapa da Igreja\u201d, isto \u00e9, sobre a forma como os disc\u00edpulos assumiram ou continuaram o projeto salvador do Pai e o levaram \u2013 ap\u00f3s a partida de Jesus deste mundo \u2013 a todos os homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro divide-se em duas partes. Na primeira (cf. At 1-12), a reflex\u00e3o centra-se na difus\u00e3o do Evangelho dentro das fronteiras palestinas, por a\u00e7\u00e3o de Pedro e dos Doze; na segunda (cf. At 13-28), conta-se a expans\u00e3o do Evangelho fora da Palestina (sobretudo por a\u00e7\u00e3o de Paulo): no Mediterr\u00e2neo, na \u00c1sia Menor, na Gr\u00e9cia, at\u00e9 atingir Roma, o cora\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto de hoje est\u00e1 integrado na primeira parte dos \u201cAtos\u201d. Insere-se numa per\u00edcope que descreve a atividade mission\u00e1ria de Pedro na plan\u00edcie do Sharon (cf. At 9,32-11,18) \u2013 isto \u00e9, na plan\u00edcie junto da orla mediterr\u00e2nica palestina. Em concreto, o texto prop\u00f5e-nos o testemunho e a catequese de Pedro em Cesareia Mar\u00edtima, em casa do centuri\u00e3o romano Corn\u00e9lio. Convocado pelo Esp\u00edrito (cf. At 10,19-20), Pedro entra em casa de Corn\u00e9lio, exp\u00f5e-lhe o essencial da f\u00e9 e batiza-o, bem como a toda a sua fam\u00edlia (cf. At 10,23b-48). O epis\u00f3dio \u00e9 importante porque Corn\u00e9lio \u00e9 a primeira pessoa completamente pag\u00e3 (o et\u00edope evangelizado e convertido por Filipe e de que se fala em At 8,26-40 era \u201cpros\u00e9lito\u201d e por isso j\u00e1 estava ligado ao juda\u00edsmo) admitida na comunidade crist\u00e3 por um dos Doze. Admite-se, assim, que o Evangelho de Jesus n\u00e3o deve ficar circunscrito \u00e0s fronteiras \u00e9tnicas judaicas, mas \u00e9 uma Boa Not\u00edcia destinada a todos os homens e mulheres, de todas as ra\u00e7as e culturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cesareia Mar\u00edtima, cidade reconstru\u00edda por Herodes, o Grande, ficava na costa palestina. Era a sede do poder romano, pois era a\u00ed que residiam os governadores romanos da Judeia (como P\u00f4ncio Pilatos, o governador que, pelo ano 30, autorizou a morte de Jesus). A cidade foi evangelizada pelo di\u00e1cono Filipe (cf. At 8,40).<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jesus recebeu o Batismo e foi ungido com a for\u00e7a do Esp\u00edrito; depois, \u201cpassou pelo mundo fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo dem\u00f3nio\u201d. Em cada passo do caminho que percorreu, Ele distribuiu, em gestos concretos, bondade, miseric\u00f3rdia, perd\u00e3o, solidariedade, amor\u2026 N\u00f3s, crist\u00e3os, que \u201cacreditamos\u201d em Jesus, que nos comprometemos com Ele e O seguimos, assumimos este \u201cprograma\u201d? N\u00f3s, que fomos batizados e ungidos com a for\u00e7a do Esp\u00edrito, testemunhamos tamb\u00e9m, em gestos concretos, a bondade, a miseric\u00f3rdia, o perd\u00e3o e o amor de Deus pelos homens? Empenhamo-nos em libertar todos os que s\u00e3o oprimidos pelo dem\u00f3nio do ego\u00edsmo, da injusti\u00e7a, da explora\u00e7\u00e3o, da exclus\u00e3o, da solid\u00e3o, da doen\u00e7a, do analfabetismo, do sofrimento?<\/li>\n<li>\u201cReconhe\u00e7o que Deus n\u00e3o faz ace\u00e7\u00e3o de pessoas\u201d \u2013 diz Pedro no seu discurso em casa de Corn\u00e9lio. E n\u00f3s, filhos desse Deus que ama a todos da mesma forma e que a todos oferece igualmente a salva\u00e7\u00e3o, aceitamos todos os irm\u00e3os da mesma forma, reconhecendo a igualdade fundamental de todos os homens em direitos e dignidade? Temos consci\u00eancia de que a discrimina\u00e7\u00e3o de pessoas por causa da cor da pele, da ra\u00e7a, do sexo, da orienta\u00e7\u00e3o sexual ou do estatuto social \u00e9 uma grave subvers\u00e3o da l\u00f3gica de Deus?<strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 Marcos<\/strong><strong> 1,7-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJo\u00e3o come\u00e7ou a pregar, dizendo:<br \/>\n\u00abVai chegar depois de mim<br \/>\nquem \u00e9 mais forte do que eu,<br \/>\ndiante do qual eu n\u00e3o sou digno de me inclinar<br \/>\npara desatar as correias das suas sand\u00e1lias.<br \/>\nEu batizo na \u00e1gua,<br \/>\nmas Ele batizar-vos-\u00e1 no Esp\u00edrito Santo\u00bb.<br \/>\nSucedeu que, naqueles dias,<br \/>\nJesus veio de Nazar\u00e9 da Galileia<br \/>\ne foi batizado por Jo\u00e3o no rio Jord\u00e3o.<br \/>\nAo subir da \u00e1gua, viu os c\u00e9us rasgarem-se<br \/>\ne o Esp\u00edrito, como uma pomba, descer sobre Ele.<br \/>\nE dos c\u00e9us ouviu-se uma voz:<br \/>\n\u00abTu \u00e9s o meu Filho muito amado,<br \/>\nem Ti pus toda a minha complac\u00eancia\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contexto:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Evangelho deste domingo refere o encontro entre Jesus e Jo\u00e3o Batista, nas margens do rio Jord\u00e3o. Na circunst\u00e2ncia, Jesus foi batizado por Jo\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o foi o guia carism\u00e1tico de um movimento de cariz popular, que anunciava a proximidade do \u201cju\u00edzo de Deus\u201d. No final do ano 27 ou princ\u00edpio do ano 28, a sua voz come\u00e7ou a ouvir-se l\u00e1 para os lados do deserto de Jud\u00e1, nas margens do rio Jord\u00e3o, num lugar que a tradi\u00e7\u00e3o identifica com o atual Qasr El Yahud, a cerca de 10 quil\u00f3metros do Mar Morto. A mensagem proposta por Jo\u00e3o estava centrada na urg\u00eancia da convers\u00e3o (pois, na opini\u00e3o de Jo\u00e3o, a interven\u00e7\u00e3o definitiva de Deus na hist\u00f3ria para destruir o mal estava iminente) e inclu\u00eda um rito de purifica\u00e7\u00e3o pela \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O juda\u00edsmo conhecia ritos diversos de imers\u00e3o na \u00e1gua, sempre ligados a contextos de purifica\u00e7\u00e3o ou de mudan\u00e7a de vida. Era, inclusive, um ritual usado na integra\u00e7\u00e3o dos \u201cpros\u00e9litos\u201d (os pag\u00e3os que aderiam ao juda\u00edsmo) na comunidade do Povo de Deus. A imers\u00e3o na \u00e1gua sugeria a rutura com a vida passada e o ressurgir para uma vida nova, um novo nascimento, um novo come\u00e7o. No que diz respeito ao Batismo proposto por Jo\u00e3o, estamos provavelmente diante de um rito de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade messi\u00e2nica: quem aceitava este \u201cbatismo\u201d, renunciava ao pecado, convertia-se a uma vida nova e passava a integrar a comunidade que esperava o Messias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto faz parte de um tr\u00edptico (cf. Mc 1,2-8; 1,9-11; 1,12-13) onde Marcos define, logo no in\u00edcio do seu Evangelho, a identidade e a miss\u00e3o espec\u00edfica de Jesus: Ele \u00e9 o Messias, o Filho de Deus enviado ao mundo para oferecer aos homens a salva\u00e7\u00e3o de Deus. Marcos ir\u00e1, nos cap\u00edtulos seguintes, desenvolver estas coordenadas.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O epis\u00f3dio do batismo de Jesus coloca-nos frente a frente com um Deus que aceitou identificar-Se com o homem, partilhar a sua humanidade e fragilidade, a fim de oferecer ao homem um caminho de liberdade e de vida plena. Eu, filho deste Deus, aceito ir ao encontro dos meus irm\u00e3os mais desfavorecidos e estender-lhes a m\u00e3o? Partilho a sorte dos pobres, dos sofredores, dos injusti\u00e7ados, sofro na alma as suas dores, aceito identificar-me com eles e participar dos seus sofrimentos, a fim de melhor os ajudar a conquistar a liberdade e a vida plena? N\u00e3o tenho medo de me sujar ao lado dos pecadores, dos marginalizados, se isso contribuir para os promover e para lhes dar mais dignidade e mais esperan\u00e7a?<\/li>\n<li>Jesus, o Filho Amado de Deus, veio ao encontro dos homens, solidarizou-se com as suas dores e limita\u00e7\u00f5es e quebrou o muro que nos separava de Deus. Ao ser batizado no rio Jord\u00e3o, foi ungido pelo Esp\u00edrito de Deus e abra\u00e7ou, sem retic\u00eancias, a miss\u00e3o que o Pai lhe confiava: propor e construir o Reino de Deus. Todos n\u00f3s que fomos batizados em Cristo recebemos o mesmo Esp\u00edrito de Deus que Ele recebeu e entramos na comunidade do Reino. No dia do nosso batismo recebemos a miss\u00e3o de colaborar com Jesus na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais fraterno e mais humano. Temos sido fi\u00e9is a essa miss\u00e3o? O nosso compromisso batismal \u00e9 uma realidade que procuramos renovar a cada passo, ou \u00e9 letra morta que n\u00e3o toca a forma como vivemos? Somos batizados \u201cde assinatura\u201d (porque o nosso nome aparece num qualquer livro de registos de Batismo), ou somos crist\u00e3os de facto, que procuram seguir Jesus em cada passo do caminho e colaborar com Ele no sentido de curar o mundo das suas feridas?<\/li>\n<li>Jesus sempre levou muito a s\u00e9rio aquela declara\u00e7\u00e3o de Deus que se escutou junto do rio Jord\u00e3o: \u201cTu \u00e9s o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complac\u00eancia\u201d. Esse amor que o Pai lhe dedicava sempre sustentou as op\u00e7\u00f5es de Jesus e sempre iluminou o caminho que Ele ia percorrendo (mesmo quando no horizonte estava a cruz, o abandono dos amigos, o aparente fracasso da miss\u00e3o). Sustentado pelo amor de Deus, Jesus assumiu incondicionalmente o projeto do Pai de dar vida \u00e0 humanidade. Obedeceu em tudo ao Pai, sem retic\u00eancias de qualquer esp\u00e9cie. \u00c9 esta mesma atitude de obedi\u00eancia radical, de entrega incondicional, de confian\u00e7a absoluta que eu \u2013 filho amado de Deus \u2013 assumo na minha rela\u00e7\u00e3o com o Pai? O projeto de Deus \u00e9, para mim, mais importante de que os meus projetos pessoais ou do que os desafios que o mundo me lan\u00e7a? Como Jesus, confio plenamente no Pai, nas suas propostas, no seu cuidado, no seu amor?<\/li>\n<li>Depois de batizado e de ser ungido pelo Esp\u00edrito, Jesus n\u00e3o se instalou numa cren\u00e7a religiosa de meias tintas ou de servi\u00e7os m\u00ednimos. Animado pela for\u00e7a do Esp\u00edrito, partiu para a Galileia a anunciar o Reino de Deus e a testemunhar \u2013 com palavras e com gestos \u2013 o projeto libertador do Pai. \u00c9 dessa forma \u2013 coerente, comprometida, apaixonada \u2013 que eu procuro viver a miss\u00e3o que Deus me confiou no dia em que eu fui batizado? Os meus irm\u00e3os e irm\u00e3s maltratados pela vida e pelos homens podem contar com o meu empenho em levar-lhes a car\u00edcia do Deus que cura e que d\u00e1 Vida? <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2021\/01\/14\/festa-do-batismo-do-senhor-2\/\"><strong>FESTA DO BATISMO DO\u00a0SENHOR<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Passado o Advento e as Festas Natal\u00edcias, estamos agora no umbral do chamado \u00abTempo Comum\u00bb do Ano Lit\u00fargico que, ao contr\u00e1rio do que se possa pensar, n\u00e3o \u00e9 um \u00abTempo secund\u00e1rio\u00bb, mas fundamental na vida celebrativa da Igreja Una e Santa. Na verdade, ao longo deste \u00abTempo Comum\u00bb, Domingo ap\u00f3s Domingo, a Igreja Una e Santa, Batizada e Confirmada, Esposa Amada de Cristo, \u00e9 chamada a contemplar de perto, epis\u00f3dio ap\u00f3s epis\u00f3dio, toda a vida hist\u00f3rica do seu Senhor, desde o Batismo no Jord\u00e3o at\u00e9 \u00e0 Cruz e \u00e0 Gl\u00f3ria da Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esta apresenta\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque, em cada um dos Anos Lit\u00fargicos, \u00e9 proclamado, Domingo ap\u00f3s Domingo, praticamente em li\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, um Evangelho inteiro. Neste Ano B, \u00e9-nos dada a gra\u00e7a de ouvir o Evangelho segundo Marcos, por todos considerado o mais antigo dos Evangelhos, escrito, com certeza, durante a guerra judaica (66-70), mas antes da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m e do Templo no ano 70. Em termos formais, \u00e9 um Evangelho em que se sucedem os epis\u00f3dios, como num filme, sendo diminuta a parte discursiva. O leitor ou ouvinte v\u00ea passar diante de si uma s\u00e9rie de epis\u00f3dios em rede, sendo constantemente convidado a implicar-se no que v\u00ea, perguntando, interpretando, fazendo seu o programa das personagens ou dele se distanciando, ou simplesmente manifestando o seu espanto e encanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Primeiro Domingo do \u00abTempo Comum\u00bb coloca ent\u00e3o diante de n\u00f3s o epis\u00f3dio do Batismo de Jesus no Jord\u00e3o, que acontece logo a abrir o Evangelho segundo Marcos 1,7-11. O texto apresenta-se em duas vagas: Marcos 1,7-8, apontando para Jo\u00e3o Batista, e Marcos 1,9-11, apontando para Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Deixamos aqui algumas anota\u00e7\u00f5es para facilitar a compreens\u00e3o da figura de Jo\u00e3o Batista, apresentada na primeira vaga do texto: 1) Jo\u00e3o Batista surge em cena, em pleno deserto, sem qualquer apresenta\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, sem pai nem m\u00e3e, como se tivesse chovido do c\u00e9u (Marcos 1,4); 2) atravessa-o uma dupla tarefa: anunciar Aquele-que-Vem (<em>\u00e9rchetai<\/em>), \u00abO mais-forte-do-que eu\u00bb (<em>ho ischyr\u00f3ter\u00f3s mou<\/em>) (Marcos 1,7), e, porque se trata de Algu\u00e9m muito importante, advertir o povo de Israel que n\u00e3o basta ficar \u00e0 espera dele, mas que \u00e9 necess\u00e1rio preparar-se para a sua chegada (Marcos 1,2-5.7-8); 3) esta prepara\u00e7\u00e3o requer quatro coisas: convers\u00e3o, confiss\u00e3o dos pecados, obter o batismo e a remiss\u00e3o dos pecados (Marcos 1,4-5); 4) a miss\u00e3o de Jo\u00e3o Batista reveste-se de algumas particularidades: a regi\u00e3o da Judeia e\u00a0<em>todos<\/em>\u00a0os habitantes de Jerusal\u00e9m <em>sa\u00edam<\/em>\u00a0(<em>ezepore\u00faeto<\/em>: imperf. de\u00a0<em>ekpore\u00faomai<\/em>) ao encontro de Jo\u00e3o Batista (Marcos 1,5); 5) curiosamente n\u00e3o \u00e9 Jo\u00e3o que vai ao encontro das pessoas, como tinham feito os profetas antes dele, e como far\u00e1 tamb\u00e9m Jesus, que sai e percorre as cidades e aldeias ao encontro das pessoas; \u00e9 este, de resto, o estilo dos Evangelizadores: ir ao encontro das pessoas, e n\u00e3o ficar \u00e0 espera delas; 6) Jo\u00e3o parece um ponto fixo no deserto: \u00e9 l\u00e1 que vive, \u00e9 l\u00e1 que prega, e as pessoas v\u00e3o l\u00e1 escut\u00e1-lo; 7) \u00e9 descrita a forma como anda vestido e o que come (Marcos 1,6), quer para mostrar a sua austeridade, quer para o vincular \u00e0 figura de Elias (2 Reis 1,8); 8) contra o ritual habitual, n\u00e3o s\u00e3o as pessoas que tomam o banho lustral de purifica\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 Jo\u00e3o que as batiza na \u00e1gua do Jord\u00e3o; 9) Este gesto \u00e9 t\u00e3o ins\u00f3lito e caracter\u00edstico de Jo\u00e3o, que lhe vale o t\u00edtulo de Batista, n\u00e3o s\u00f3 no NT, mas tamb\u00e9m em Fl\u00e1vio Josefo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 dito ainda que Jo\u00e3o\u00a0<em>proclamava<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>anunciava<\/em>\u00a0(<em>ek\u00earyssen<\/em>: imperf. de\u00a0<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>) (Marcos 1,7). O verbo est\u00e1 no imperfeito, o que implica uma proclama\u00e7\u00e3o repetida e prolongada, mas o narrador n\u00e3o se alonga sobre o conte\u00fado da referida prega\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m se diz, de forma quase telegr\u00e1fica, que Jo\u00e3o batiza com \u00e1gua, e Aquele-que-Vem batizar\u00e1 com o Esp\u00edrito Santo (Marcos 1,8), omitindo-se a men\u00e7\u00e3o do fogo e outros elementos de julgamento presentes em Mateus e Lucas. Marcos pretende apenas mostrar os dois batismos como prepara\u00e7\u00e3o e cumprimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E a anota\u00e7\u00e3o da incompet\u00eancia (<em>ikan\u00f3s<\/em>) de Jo\u00e3o para desatar a correia das sand\u00e1lias d\u2019Aquele-que-Vem (Marcos 1,7), o que significa? Ser\u00e1 simplesmente uma confiss\u00e3o de humildade por parte de Jo\u00e3o face a Algu\u00e9m que lhe \u00e9 incomparavelmente superior? Esta tonalidade est\u00e1 certamente presente, mas n\u00e3o esgota a met\u00e1fora das sand\u00e1lias. Trata-se, desde logo, de um dizer importante, pois encontramo-lo por cinco vezes no NT: Mateus 3,11; Marcos 1,7; Lucas 3,16; Jo\u00e3o 1,27; Atos 13,25. Num c\u00e9lebre artigo, intitulado \u00abAs sand\u00e1lias do Messias noivo\u00bb, o insigne exegeta hispano-germ\u00e2nico e grande amigo de Portugal, Lu\u00eds Alonso Schoekel, levou este dizer e esta met\u00e1fora para o dom\u00ednio da esponsalidade do Messias. Explica ele: de acordo com o referido nos Salmos 60,10 e 108,9, \u00abp\u00f4r a sand\u00e1lia sobre\u00bb significa \u00abtomar posse de\u00bb; \u00e9, portanto, linguagem jur\u00eddica de posse. Em Deuteron\u00f3mio 25,5-9, o n\u00e3o-cumprimento da lei do levirato implica que seja retirada a sand\u00e1lia ao cunhado n\u00e3o cumpridor da lei, gesto que garante a sua perda de posse no dom\u00ednio matrimonial. Aqui j\u00e1 se trata de direito matrimonial. Em Rute 4,7-10, temos um caso jur\u00eddico concreto, em que o que tem o direito de resgatar o patrim\u00f3nio e de desposar Rute, prescinde desse direito. Para o dizer juridicamente, em reuni\u00e3o p\u00fablica realizada \u00e0 porta da cidade (Rute 4,1), o homem em causa tira a sand\u00e1lia e entrega-a a Booz, que fica assim com o direito de resgatar o patrim\u00f3nio e de desposar Rute. A met\u00e1fora da sand\u00e1lia em Marcos 1,7 e nos demais dizeres do NT que anot\u00e1mos significa tamb\u00e9m que \u00e9 Jesus o noivo, a quem assiste o direito de desposar Israel, e que a Jo\u00e3o n\u00e3o assiste esse direito ou compet\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A segunda vaga do relato (Marcos 1,9-11) assinala o ponto alto do texto. Jo\u00e3o tinha anunciado a Vinda de Algu\u00e9m incomparavelmente superior a ele. As expetativas est\u00e3o no auge. Quando vir\u00e1 e de onde vir\u00e1? Primeira surpresa: eis que vem Jesus, diz o narrador, de Nazar\u00e9 da Galileia, terra desconhecida do interior da prov\u00edncia e do mundo rural, nunca referida no AT. Natanael tem raz\u00e3o quando pergunta: \u00abDe Nazar\u00e9 poder\u00e1 vir alguma coisa boa?\u00bb (Jo\u00e3o 1,46). Vem do povo, e vem com o povo, no meio do povo, solid\u00e1rio com o povo. Na verdade, nova surpresa, n\u00e3o come\u00e7a logo a batizar, mas \u00e9 batizado por Jo\u00e3o no rio Jord\u00e3o (Marcos 1,9). Com o povo, no meio do povo, n\u00e3o ao lado do povo. Jesus vem, portanto, no meio do povo pecador que se submete a um batismo de convers\u00e3o para a remiss\u00e3o dos pecados. Entenda-se bem que Jesus se submete ao mesmo batismo a que o povo se submete, n\u00e3o por\u00e9m para a remiss\u00e3o dos pr\u00f3prios pecados, mas os dos outros. Grande gesto de solidariedade connosco, prolepse j\u00e1 da sua vida inteira e do batismo de sangue da Cruz (Marcos 10,38).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Se este Jesus est\u00e1 no meio de n\u00f3s, completamente solid\u00e1rio connosco, o texto mostra-o tamb\u00e9m completamente unido a Deus, a quem tem livre acesso. \u00c9 para significar esta sua perfeita uni\u00e3o com Deus, que os c\u00e9us se abrem, cumprindo Isa\u00edas 63,19, e o Esp\u00edrito desce, n\u00e3o \u00absobre ele\u00bb, mas \u00abpara dentro dele\u00bb (<em>eis aut\u00f3n<\/em>) (Marcos 1,10), para permanecer nele de modo \u00edntimo e est\u00e1vel. O Esp\u00edrito n\u00e3o transforma Jesus, mas torna transparente a sua identidade. Esta nota da sua uni\u00e3o com Deus sai logo refor\u00e7ada pela voz que vem dos c\u00e9us, portanto, autorizada e reveladora: \u00abTu \u00e9s (<em>S\u00fd e\u00ee<\/em>) o Filho Meu (<em>ho hyi\u00f3s mou<\/em>), o Amado (<em>ho agap\u00eat\u00f3s<\/em>), em Ti (<em>en so\u00ed<\/em>) o meu Enlevo (<em>eudok\u00e9\u00f4<\/em>) (Marcos 1,11), deixando ver em filigrana a figura do Rei messi\u00e2nico do Salmo 2,7 e do Servo do Senhor de Isa\u00edas 42,1. Mas \u00e9 sobre Jesus que recai toda a aten\u00e7\u00e3o, pois desde que entra em cena, \u00e9 ele o sujeito ou o destinat\u00e1rio de todas as a\u00e7\u00f5es: \u00abvem de Nazar\u00e9\u00bb, \u00ab\u00e9 batizado por Jo\u00e3o\u00bb, \u00absai da \u00e1gua\u00bb, \u00abv\u00ea os c\u00e9us abrirem-se e o Esp\u00edrito descer\u00bb, \u00aba voz que vem dos c\u00e9us \u00e9 dirigida a Ele e fala para Ele\u00bb. Jesus, por seu lado, permanece em completo sil\u00eancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diante dos olhos at\u00f3nitos de Jo\u00e3o, e tamb\u00e9m dos nossos, fica, portanto, Jesus que, connosco e no meio de n\u00f3s, como um de n\u00f3s, desce ao rio Jord\u00e3o para ser connosco batizado. Extraordin\u00e1ria a ep\u00edgrafe que Pedro, na li\u00e7\u00e3o de hoje do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, p\u00f5e sobre a vida de Jesus: \u00abPassou fazendo o bem e curando todos\u00bb (Atos 10,38). Para nos curar, \u00e9 preciso passar pelo meio de n\u00f3s. O Jord\u00e3o \u00e9 o rio de Cristo e dos crist\u00e3os. Rasga, de alto-a-baixo, a terra de Israel, mas atravessa tamb\u00e9m as p\u00e1ginas dos dois Testamentos! Desce do sop\u00e9 do Hermon e vai desaguar no Mar Morto, fazendo um percurso sinuoso de mais de 300 km (104 km em linha reta), e o seu nome ouve-se por 179 vezes nas p\u00e1ginas do Antigo Testamento e 15 vezes no Novo Testamento. As suas \u00e1guas curam (2 Reis 5,14: Naam\u00e3) e d\u00e3o acesso \u00e0 vida nova: \u00e9 atravessando-o que o Povo entra na Terra Prometida (Josu\u00e9 3,14-4,24). \u00c9 ainda belo ver que, depois de um percurso de mais de 300 km, o Jord\u00e3o entra no Mar Morto, onde, atrav\u00e9s de uma intensa evapora\u00e7\u00e3o, parece subir ao c\u00e9u, lembrando Elias que sobe ao c\u00e9u desde o leito do Jord\u00e3o (2 Reis 2,8-11). \u00c9 lembrando estes cen\u00e1rios, sobretudo o do Batismo que tamb\u00e9m cura e d\u00e1 acesso \u00e0 vida nova, que muitas Igrejas Orientais chamam \u00abJord\u00e3o\u00bb ao canal que conduz a \u00e1gua para a fonte batismal, que todos os anos \u00e9 benzida precisamente neste Dia da Festa do Batismo do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ilustra bem o epis\u00f3dio do Batismo de Jesus no Jord\u00e3o o chamado \u00abPrimeiro Canto do Servo do Senhor\u00bb (Isa\u00edas 42,1-7), hoje tamb\u00e9m lido, que p\u00f5e em cena Deus e o seu Servo. Deus chama este Servo \u00abmeu Servo\u00bb, diz que o segura e sustenta e que lhe d\u00e1 o seu Esp\u00edrito, e confia-lhe uma miss\u00e3o em ordem \u00e0 verdade e \u00e0 justi\u00e7a, \u00e0 mansid\u00e3o e ao ensino, \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o e \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o, entenda-se, \u00e0 vida em plenitude, de todas as na\u00e7\u00f5es. Verdadeiramente, Deus \u00e9 a vida deste Servo, que Ele ampara, leva pela m\u00e3o e modela. Linguagem de cria\u00e7\u00e3o, confid\u00eancia e provid\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 H\u00e1 ainda a registar uma express\u00e3o forte para dizer a miss\u00e3o de mansid\u00e3o confiada por Deus a este seu Servo: \u00abN\u00e3o far\u00e1 ouvir desde fora a sua voz\u00bb (Isa\u00edas 42,2). Ora, se n\u00e3o faz ouvir a sua voz desde fora, ent\u00e3o \u00e9 porque a faz ouvir desde dentro. O grande pensador do s\u00e9culo XX, de origem hebraica, Emmanuel Levinas, glosava, nas suas li\u00e7\u00f5es talm\u00fadicas, este texto em sentido messi\u00e2nico, dizendo que \u00abo Messias \u00e9 o \u00fanico Rei que n\u00e3o reina desde fora\u00bb. Se n\u00e3o reina desde fora, ent\u00e3o n\u00e3o reina com poder, dinheiro, impostos, armas ou decretos. Se n\u00e3o reina desde fora, reina desde dentro, aproximando-se das pessoas, descendo ao n\u00edvel das pessoas, amando as pessoas. Est\u00e1 bom de ver que Jesus vai assumir a identidade deste Servo e vai cumprir por inteiro a sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para n\u00e3o esquecer: esta bela miss\u00e3o de Jesus, Batizado com o Esp\u00edrito no Jord\u00e3o e declarado o Filho Amado, deve ser a nossa bela miss\u00e3o de Batizados com o Esp\u00edrito Santo e filhos amados de Deus. \u00c9 ainda como filhos que devemos hoje entoar tamb\u00e9m as notas deste\u00a0<em>Gloria in excelsis Deo<\/em>\u00a0do Antigo Testamento, que \u00e9 o bel\u00edssimo Salmo 29. A voz (<em>q\u00f4l<\/em>) que por sete vezes se ouve no Salmo bem pode ser a Voz do Pai que se dirige ao Filho no Batismo do Jord\u00e3o e continua a ressoar na prega\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica como se do seten\u00e1rio dos dons do Esp\u00edrito Santo ou dos Sacramentos se tratasse. Escreveu S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno: \u00abA voz de Deus troa admiravelmente porque, como for\u00e7a escondida, penetra nos nossos cora\u00e7\u00f5es\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Leitura-I-da-Solenidade-do-Batismo-do-Senhor-Ano-B-07.01.2024-Is-42-1-4.6-7.pdf\">Leitura I da Solenidade do Batismo do Senhor &#8211; Ano B &#8211; 07.01.2024 (Is 42, 1-4.6-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Leitura-II-da-Solenidade-do-Batismo-do-Senhor-Ano-B-07.01.2024-Act-10-34-38.pdf\">Leitura II da Solenidade do Batismo do Senhor &#8211; Ano B &#8211; 07.01.2024 (Act 10, 34-38)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Solenidade-do-Batismo-do-Senhor-Ano-B-07.01.2024-Lecionario.pdf\">Solenidade do Batismo do Senhor &#8211; Ano B &#8211; 07.01.2024- Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Solenidade-do-Batismo-do-Senhor-Ano-B-07.01.2024-Oracao-Universal.pdf\">Solenidade do Batismo do Senhor &#8211; Ano B &#8211; 07.01.2024- Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Solenidade da M\u00e3e de Deus \u2013 Ano B \u2013 01.01.2024&#8243; tab_id=&#8221;1704710857942-58cdb84a-324e&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo da Sagrada Fam\u00edlia de Jesus, Maria e Jos\u00e9 &#8211; Ano B \u2013 31.12.2023<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Solenidade da M\u00e3e de Deus \u2013 Ano B \u2013 01.01.2024<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/sf.jpg\" alt=\"\" width=\"675\" height=\"425\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De olhos postos no Pres\u00e9pio de Bel\u00e9m, contemplamos Maria, Jos\u00e9 e o Menino: a Sagrada Fam\u00edlia de Nazar\u00e9. O mist\u00e9rio da incarna\u00e7\u00e3o \u2013 evento, princ\u00edpio e crit\u00e9rio da revela\u00e7\u00e3o de Deus \u2013 n\u00e3o \u00e9 apenas uma circunst\u00e2ncia a partir da qual Deus se revela, mas o modo que Deus escolheu para se manifestar e dar a conhecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>O Verbo fez-se carne e habitou no meio de n\u00f3s<\/em>\u00bb (Jo 1,14). A incarna\u00e7\u00e3o \u00e9 um acontecimento fundamental atrav\u00e9s do qual Deus feito homem se d\u00e1 a conhecer. Este acontecimento que marca indelevelmente e definitivamente a hist\u00f3ria constitui tamb\u00e9m o princ\u00edpio a partir do qual Deus se relaciona com os homens e mulheres: Deus salva o homem atrav\u00e9s do homem e assumindo a nossa humanidade \u00ab<em>por meio de palavras e gestos intimamente unidos entre si<\/em>\u00bb (DV 2) revela o amor misericordioso do Pai. Deste modo, o mist\u00e9rio da incarna\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m chamado a ser crit\u00e9rio para a nossa a\u00e7\u00e3o pastoral. Contemplando o Verbo feito carne, queremos fazer presente o evangelho no mundo, habitando cada cultura e cada tempo, transformando cada realidade humana para que possa ser elevada \u00e0 plenitude do amor divino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus quis que Jesus nascesse numa fam\u00edlia e que assumindo a nossa natureza humana revelasse o lugar fundamental que a fam\u00edlia ocupa no tempo e na hist\u00f3ria como c\u00e9lula fundamental da sociedade, lugar de afeto e rela\u00e7\u00e3o e primeiro \u00e2mbito de socializa\u00e7\u00e3o. Deste modo, no Domingo dentro da Oitava do Natal, somos convidados a contemplar a fam\u00edlia de Nazar\u00e9 para encontrar nela uma escola da arte de ser fam\u00edlia e do modo de ser Igreja: \u00ab<em>Nazar\u00e9 \u00e9 a escola em que se come\u00e7a a compreender a vida de Jesus, \u00e9 a escola em que se inicia o conhecimento do Evangelho<\/em>\u00bb (Papa S. Paulo VI).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O evangelho deste Domingo situa-nos nos dias da purifica\u00e7\u00e3o, em que, segundo a Lei de Mois\u00e9s, o filho primog\u00e9nito deve ser consagrado ao Senhor. Nas figuras de Sime\u00e3o e Ana, que recebem Jesus no Templo, esta passagem evang\u00e9lica apresenta-nos duas coordenadas fundamentais na arte de ser fam\u00edlia crist\u00e3 e tamb\u00e9m na arte de ser Igreja ao servi\u00e7o do evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sime\u00e3o \u00e9 descrito como \u00ab<em>homem justo e piedoso, que esperava a consola\u00e7\u00e3o de Israel; e o Esp\u00edrito Santo estava nele<\/em>\u00bb. Este homem guiado e iluminado pelo Esp\u00edrito que lhe tinha revelado que ele n\u00e3o morreria sem contemplar o Messias, acolhe Jesus em seus bra\u00e7os, bendizendo a Deus. Ele \u00e9 figura da fam\u00edlia e da Igreja chamada a viver guiada e iluminada pelo Esp\u00edrito Santo e que dia ap\u00f3s dia deve crescer na arte de acolher Jesus. A fam\u00edlia, bem como a Igreja enquanto fam\u00edlia das fam\u00edlias crist\u00e3s, realizar\u00e1 plenamente a sua miss\u00e3o se for capaz de ser um lugar da presen\u00e7a de Jesus, um \u00e1trio de fraternidade e comunh\u00e3o que vive alegre e jubilosamente a sua voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ana apresentada como uma mulher de \u00ab<em>idade muito avan\u00e7ada<\/em>\u00bb que \u00ab<em>n\u00e3o se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e ora\u00e7\u00f5es<\/em>\u00bb, tamb\u00e9m est\u00e1 presente naquela ocasi\u00e3o e come\u00e7ou a louvar a Deus e a falar a todos daquele Menino e da esperan\u00e7a da liberta\u00e7\u00e3o que Ele era portador. Deste modo, Ana \u00e9 modelo para a fam\u00edlia e para Igreja da arte de levar Jesus aos outros e proclamar a liberta\u00e7\u00e3o que s\u00f3 a Sua presen\u00e7a no meio de n\u00f3s pode oferecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que cada fam\u00edlia, iluminada e conduzida pelo Esp\u00edrito Santo, saiba viver inspirada pelo exemplo da fam\u00edlia de Nazar\u00e9 e ao jeito de Sime\u00e3o e Ana saibam reconhecer os sinais da presen\u00e7a de Jesus no tempo e na hist\u00f3ria e cres\u00e7am na arte de O levar aos irm\u00e3os, louvando, bendizendo e proclamando as maravilhas que s\u00f3 o Seu amor pode operar em n\u00f3s. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num novo Ano Lit\u00fargico &#8211; o Ano B. Durante todo este ano lit\u00fargico \u2013 2023\/2024 -, acompanhamos o evangelista S. Marcos em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso. <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Marcos<\/strong>. Tamb\u00e9m poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 do Novo Testamento, mas tamb\u00e9m do Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I &#8211; <\/strong><strong>Sir 3,3-7.14-17a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abQuem honra seu pai obt\u00e9m o perd\u00e3o dos pecados, e acumula um tesouro quem honra sua m\u00e3e\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contexto:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro de Ben Sir\u00e1 (chamado, na sua vers\u00e3o grega, \u201cEclesi\u00e1stico\u201d) \u00e9 um livro de car\u00e1cter sapiencial que, como todos os livros sapienciais, tem por objetivo deixar aos aspirantes a \u201cs\u00e1bios\u201d indica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas sobre a arte de bem viver e de ser feliz. O seu autor \u00e9 um tal Jesus Ben Sir\u00e1, um \u201cs\u00e1bio\u201d israelita que viveu na primeira metade do s\u00e9c. II a.C.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00e9poca de Jesus Ben Sir\u00e1 \u00e9 uma \u00e9poca conturbada para o Povo de Deus. Os sel\u00eaucidas (uma fam\u00edlia descendente de Seleuco Nicator, general de Alexandre Magno, que herdou parte do imp\u00e9rio de Alexandre, o Grande, quando este morreu, em 323 a.C.) dominavam a Palestina e procuravam impor aos judeus, mesmo pela for\u00e7a, a cultura hel\u00e9nica. Muitos judeus, seduzidos pelo brilho da cultura grega, abandonavam os valores tradicionais e a f\u00e9 dos pais e assumiam comportamentos mais consent\u00e2neos com a \u201cmodernidade\u201d. A identidade cultural e religiosa do Povo de Deus corria, assim, s\u00e9rios riscos\u2026 Neste contexto, Jesus Ben Sir\u00e1, um \u201cs\u00e1bio\u201d judeu apegado \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es dos seus antepassados, escreve para preservar as ra\u00edzes do seu Povo. No seu livro, apresenta uma s\u00edntese da religi\u00e3o tradicional e da \u201csabedoria\u201d de Israel e procura demonstrar que \u00e9 no respeito pela sua f\u00e9, pelos seus valores, pela sua identidade que os judeus podem descobrir o caminho seguro para serem um Povo livre e feliz. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os nossos pais foram, em nosso favor, instrumentos do Deus criador. Atrav\u00e9s deles, Deus chamou-nos \u00e0 vida. Sentimo-nos gratos aos nossos pais por eles terem aceitado colaborar com Deus, dando-nos vida e cuidando de n\u00f3s ao longo do caminho que temos vindo a percorrer? Lembramo-nos de lhes demonstrar, com ternura e amor, a nossa gratid\u00e3o?<\/li>\n<li>Apesar da sensibilidade moderna aos direitos humanos e \u00e0 dignidade das pessoas, a nossa civiliza\u00e7\u00e3o cria, com frequ\u00eancia, situa\u00e7\u00f5es de abandono, de marginaliza\u00e7\u00e3o, de solid\u00e3o, cujas v\u00edtimas s\u00e3o, muitas vezes, aqueles que j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam uma vida considerada produtiva, ou aqueles a quem a idade ou a doen\u00e7a trouxeram limita\u00e7\u00f5es. No entanto, do ponto de vista de Deus, nenhum ser humano \u00e9 \u201cdescart\u00e1vel\u201d, ou estar\u00e1 alguma vez fora do prazo de validade. N\u00e3o podemos admitir \u2013 com a nossa indiferen\u00e7a ou com o nosso sil\u00eancio c\u00famplice \u2013 que as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de fragilidade sejam abandonadas na berma da estrada, sempre que o mundo caminha a um ritmo que elas n\u00e3o podem acompanhar. Tenho consci\u00eancia disto?<\/li>\n<li>\u00c9 verdade que a vida de hoje \u00e9 muito exigente a n\u00edvel profissional e que nem sempre \u00e9 poss\u00edvel a um filho estar presente ao lado de um pai que precisa de cuidados continuados ou de acompanhamento especializado. No entanto, se alguma vez as circunst\u00e2ncias impuserem a necessidade de afastamento de um pai idoso ou descapacitado do ambiente familiar, isso n\u00e3o pode significar abandono e condena\u00e7\u00e3o \u00e0 solid\u00e3o. Seremos sempre respons\u00e1veis por aqueles que cativamos, e ainda mais por aqueles que foram, para n\u00f3s, instrumentos do Deus criador e fonte de vida.<\/li>\n<li>O capital de maturidade e de sabedoria de vida que os mais idosos possuem \u00e9 considerado por n\u00f3s uma riqueza ou um desafio rid\u00edculo \u00e0 nossa modernidade e \u00e0s nossas certezas?<\/li>\n<li>Face \u00e0 invas\u00e3o cont\u00ednua de valores estranhos que, tantas vezes, p\u00f5em em causa a nossa identidade cultural e religiosa (quando n\u00e3o a nossa humanidade), o que significam os valores que recebemos dos nossos pais? Avaliamos com maturidade a perenidade desses valores, ou estamos dispostos a reneg\u00e1-los ao primeiro aceno dos \u201cvalores da moda\u201d? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 127 (128<\/strong><strong>)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong>: Ditosos os que temem o Senhor, ditosos os que seguem os seus caminhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Col 3,12-21<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSuportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se algum tiver raz\u00e3o de queixa contra outro\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contexto:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja de Colossos, destinat\u00e1ria desta carta, foi fundada por Epafras, um amigo de Paulo, pelos anos 56\/57. Tanto quanto sabemos, Paulo nunca visitou a comunidade\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, n\u00e3o \u00e9 claro para todos que Paulo tenha escrito esta carta (o vocabul\u00e1rio utilizado e o estilo do autor est\u00e3o longe das cartas indiscutivelmente paulinas; tamb\u00e9m a teologia apresenta elementos novos, nunca usados nas outras cartas atribu\u00eddas a Paulo); por isso, \u00e9 um pouco dif\u00edcil definirmos o ambiente em que este texto apareceu\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os defensores da autoria paulina, contudo, a carta foi escrita quando Paulo estava prisioneiro, possivelmente em Roma (anos 61\/63). Epafras teria visitado o ap\u00f3stolo na pris\u00e3o e deixado not\u00edcias alarmantes: os Colossenses corriam o risco de se afastar da verdade do Evangelho, por causa das doutrinas ensinadas por certos doutores de Colossos. Essas doutrinas misturavam pr\u00e1ticas legalistas (o que parece indicar tend\u00eancias judaizantes) com especula\u00e7\u00f5es acerca do culto dos anjos e do seu papel na salva\u00e7\u00e3o; exigiam um ascetismo r\u00edgido e o cumprimento de certos ritos de inicia\u00e7\u00e3o, destinados a comunicar aos crentes um conhecimento mais adequado dos mist\u00e9rios ocultos e lev\u00e1-los, atrav\u00e9s dos v\u00e1rios graus de inicia\u00e7\u00e3o, \u00e0 viv\u00eancia de uma vida religiosa mais aut\u00eantica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem refutar essas doutrinas de modo direto, o autor da carta afirma a absoluta sufici\u00eancia de Cristo e assinala o seu lugar proeminente na cria\u00e7\u00e3o e na reden\u00e7\u00e3o dos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 hoje proposto pertence \u00e0 segunda parte da carta. Depois de constatar a supremacia de Cristo na cria\u00e7\u00e3o e na reden\u00e7\u00e3o (primeira parte), o autor avisa os Colossenses de que a uni\u00e3o com Cristo traz consequ\u00eancias a n\u00edvel de viv\u00eancia pr\u00e1tica (segunda parte): implica a ren\u00fancia ao \u201chomem velho\u201d do ego\u00edsmo e do pecado e o \u201crevestir-se do Homem Novo\u201d (Cl 3,9-11). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A nossa vida de todos os dias \u00e9, a cada instante, marcada por tens\u00f5es, ansiedades, conflitos e problemas que mexem com o nosso equil\u00edbrio e a nossa harmonia. Perdemos o controlo, tornamo-nos quezilentos e conflituosos, criticamos os outros com palavras que magoam, assumimos poses de arrog\u00e2ncia e de superioridade, enchemos as redes sociais com coment\u00e1rios infelizes\u2026 Talvez nos fa\u00e7a bem cada dia, em jeito de exame de consci\u00eancia, reservar um momento para olhar para Jesus e para confrontar os nossos gestos, as nossas palavras, as nossas escolhas com os gestos, as palavras e as suas op\u00e7\u00f5es. Esse \u201cconfronto\u201d pode ajudar-nos a situar as perspetivas e a recentrar a nossa vida nesse viver \u201cem Cristo\u201d que \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o.<\/li>\n<li>A nossa primeira responsabilidade vai, evidentemente, para aqueles que connosco partilham, de forma mais chegada, a vida do dia a dia (a nossa fam\u00edlia). Esse amor, que deve revestir-nos sempre, traduz-se numa aten\u00e7\u00e3o cont\u00ednua \u00e0quele que est\u00e1 ao nosso lado, \u00e0s suas necessidades e preocupa\u00e7\u00f5es, \u00e0s suas alegrias e tristezas, aos seus sorrisos e \u00e0s suas l\u00e1grimas? Traduz-se em gestos sentidos e partilhados de carinho e de ternura? Traduz-se num respeito absoluto pela liberdade e pelo espa\u00e7o do outro, por deixar o outro crescer sem o sufocar? Traduz-se na vontade de servir o outro, sem nos servirmos dele?<\/li>\n<li>A express\u00e3o \u201cesposas, sede submissas aos vossos maridos\u201d \u00e9, evidentemente, uma express\u00e3o anacr\u00f3nica, que deve ser devidamente contextualizada no universo cultural e social do s\u00e9c. I, mas que hoje n\u00e3o faz sentido. Para os que vivem \u201cem Cristo\u201d, o valor que preside \u00e0s rela\u00e7\u00f5es \u00e9 o amor\u2026 E o amor n\u00e3o comporta submiss\u00e3o ou superioridade, mas igualdade fundamental em dignidade e direitos. O mesmo Paulo dir\u00e1, noutras circunst\u00e2ncias, que para os que vivem \u201cem Cristo\u201d \u201cn\u00e3o h\u00e1 judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher\u201d, porque todos s\u00e3o um s\u00f3 em Cristo Jesus (Gl 3,28). \u00c9 este o horizonte que deve estar sempre diante dos nossos olhos. <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO &#8211; <\/strong><strong>Lc 2,22-40<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abAo chegarem os dias da purifica\u00e7\u00e3o, segundo a Lei de Mois\u00e9s, Maria e Jos\u00e9 levaram Jesus a Jerusal\u00e9m, para O apresentarem ao Senhor\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO Menino crescia, tornava-Se robusto e enchia-Se de sabedoria\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contexto:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O interesse fundamental dos primeiros crist\u00e3os n\u00e3o se centrou na inf\u00e2ncia de Jesus, mas na sua mensagem e proposta; por isso, a catequese crist\u00e3 dos primeiros tempos interessou-se, de forma especial, por conservar as mem\u00f3rias da vida p\u00fablica e da paix\u00e3o do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 num est\u00e1dio posterior houve uma certa curiosidade acerca dos primeiros anos da vida de Jesus. Coligiram-se, ent\u00e3o, algumas informa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas sobre a inf\u00e2ncia de Jesus; e esse material foi, depois, amassado e trabalhado, de forma a transmitir aquilo que a catequese primitiva ensinava sobre Jesus e o seu mist\u00e9rio. O chamado \u201cEvangelho da Inf\u00e2ncia\u201d (de que faz parte o texto que nos \u00e9 hoje proposto) assenta nessa base; parte de algumas indica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e desenvolve uma reflex\u00e3o teol\u00f3gica para explicar quem \u00e9 Jesus. Nesta sec\u00e7\u00e3o do Evangelho, Lucas est\u00e1 muito mais interessado em dizer quem \u00e9 Jesus, do que em contar-nos factos memor\u00e1veis da sua inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas prop\u00f5e-nos, hoje, o quadro da apresenta\u00e7\u00e3o de Jesus no Templo. Segundo a Lei de Mois\u00e9s, todos os primog\u00e9nitos (tanto dos homens como dos animais) pertenciam a Jav\u00e9 e deviam ser oferecidos a Jav\u00e9 (cf. Ex 13,1-2.11-16). O costume de oferecer aos deuses os primog\u00e9nitos \u00e9 um costume cananeu que, no entanto, Israel transformou no que dizia respeito aos primog\u00e9nitos humanos: estes n\u00e3o deviam ser oferecidos em sacrif\u00edcio, mas resgatados por um animal, que seria imolado ao Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Lv 12,6-8, quarenta dias ap\u00f3s o nascimento de uma crian\u00e7a, esta devia ser apresentada no Templo, onde a m\u00e3e oferecia um ritual de purifica\u00e7\u00e3o. Nessa cerim\u00f3nia, devia ser oferecido um cordeiro de um ano (para as fam\u00edlias mais abastadas) ou ent\u00e3o duas pombas ou duas rolas (para as fam\u00edlias de menores recursos). \u00c9 precisamente neste cen\u00e1rio que o Evangelho de hoje nos situa.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Lucas apresenta-nos uma fam\u00edlia \u2013 a Sagrada Fam\u00edlia \u2013 em que Deus \u00e9 a refer\u00eancia fundamental. Por quatro vezes (vers. 22.23.24.27), Lucas refere, a prop\u00f3sito da fam\u00edlia de Jesus, o cumprimento da Lei de Mois\u00e9s, da Lei do Senhor ou da Palavra do Senhor. A fam\u00edlia de Jesus, Maria e Jos\u00e9 \u00e9, portanto, uma fam\u00edlia que escuta a Palavra de Deus e que constr\u00f3i a sua exist\u00eancia ao ritmo da Palavra de Deus e dos desafios de Deus. Maria e Jos\u00e9 sabiam que uma fam\u00edlia que escuta a Palavra de Deus e que procura responder aos desafios postos por essa Palavra \u00e9 uma fam\u00edlia com um projeto de vida com sentido; e sabiam que uma fam\u00edlia que se deixa guiar pela Palavra de Deus \u00e9 uma fam\u00edlia que se constr\u00f3i sobre a rocha firme dos valores eternos. Que import\u00e2ncia \u00e9 que Deus assume na vida das nossas fam\u00edlias? Procuramos que cada membro das nossas fam\u00edlias cres\u00e7a numa progressiva sensibilidade \u00e0 Palavra de Deus e aos desafios de Deus? Encontramos tempo para reunir a fam\u00edlia \u00e0 volta da Palavra de Deus e para partilhar, em fam\u00edlia, a Palavra de Deus?<\/li>\n<li>Quando numa fam\u00edlia Deus \u201cconta\u201d, os valores de Deus passam a ser, para todos os membros daquela comunidade familiar, as marcas que definem o sentido da exist\u00eancia. O espa\u00e7o familiar torna-se, ent\u00e3o, a escola onde se aprende o amor, a solidariedade, a partilha, o servi\u00e7o, o di\u00e1logo, o respeito, o cuidado, o perd\u00e3o, a fraternidade universal, o cuidado da cria\u00e7\u00e3o, a aten\u00e7\u00e3o aos mais fr\u00e1geis, o sentido do compromisso, do sacrif\u00edcio, da entrega e da doa\u00e7\u00e3o\u2026 S\u00e3o esses valores \u2013 os valores de Deus \u2013 que procuramos cultivar na nossa comunidade familiar?<\/li>\n<li>Segundo a Lei judaica, todo o primog\u00e9nito devia ser consagrado e dedicado ao Senhor. Tamb\u00e9m Jesus \u00e9 apresentado no Templo e consagrado ao Senhor. Nas nossas fam\u00edlias crist\u00e3s h\u00e1 normalmente uma leg\u00edtima preocupa\u00e7\u00e3o com o proporcionar a cada crian\u00e7a condi\u00e7\u00f5es \u00f3timas de vida, de educa\u00e7\u00e3o, de acesso \u00e0 instru\u00e7\u00e3o e aos cuidados essenciais\u2026 Haver\u00e1 sempre uma preocupa\u00e7\u00e3o semelhante no que diz respeito \u00e0 forma\u00e7\u00e3o para a f\u00e9 e em proporcionar aos filhos uma verdadeira educa\u00e7\u00e3o para a vida crist\u00e3 e para os valores de Jesus Cristo? Os pais crist\u00e3os preocupam-se sempre em proporcionar aos seus filhos um exemplo de coer\u00eancia com os compromissos assumidos no dia do Batismo? Preocupam-se em ser os primeiros catequistas dos pr\u00f3prios filhos, transmitindo-lhes os valores do Evangelho? Preocupam-se em acompanhar e em potenciar a forma\u00e7\u00e3o e a caminhada catequ\u00e9tica dos pr\u00f3prios filhos, em inseri-los numa comunidade de f\u00e9, em integr\u00e1-los na fam\u00edlia de Jesus, em consagr\u00e1-los ao servi\u00e7o de Deus?<\/li>\n<li>Sime\u00e3o e Ana, os dois anci\u00e3os que acolhem Jesus no Templo de Jerusal\u00e9m, n\u00e3o s\u00e3o pessoas desiludidas da vida, que vivem voltadas para o passado sonhando com um tempo ideal que j\u00e1 n\u00e3o volta; mas s\u00e3o pessoas voltadas para o futuro, atentas ao Deus libertador que vem ao seu encontro, que sabem ler os sinais de Deus naquele menino que chega e que testemunham diante dos seus conterr\u00e2neos a presen\u00e7a salvadora e redentora de Deus no meio do seu Povo. Os anci\u00e3os \u2013 quer pela sua maturidade, sabedoria e equil\u00edbrio, quer pelo tempo de que normalmente disp\u00f5em \u2013 podem ser testemunhas privilegiadas dos valores de Deus, int\u00e9rpretes dos sinais de Deus, profetas cred\u00edveis que obrigam o mundo a confrontar-se com os desafios de Deus. \u00c9 preciso que n\u00e3o vivam voltados para o passado, refugiados numa realidade que aliena, transformados em \u201cest\u00e1tuas de sal\u201d, mas que vivam de olhos postos no futuro, de esp\u00edrito aberto e livre, pondo a sua sabedoria e experi\u00eancia ao servi\u00e7o da comunidade humana e crist\u00e3, ensinando os mais jovens a distinguir entre o que \u00e9 eterno e importante e o que \u00e9 passageiro e acess\u00f3rio. <strong><em>in <\/em><\/strong><strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, \u00e9 importante ter em conta as repeti\u00e7\u00f5es que surgem no texto (<em>Quem honra seu pai<\/em>), bem como a forma exortativa marcada pela presen\u00e7a de verbos no modo imperativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, deve haver especial cuidado na proclama\u00e7\u00e3o das enumera\u00e7\u00f5es e ter sempre presente o tom exortativo que atravessa todo o texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sagrada Fam\u00edlia de Jesus, Maria e Jos\u00e9 \u2013 31.12.2023<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/12\/26\/com-o-menino-nos-bracos-e-no-coracao-4\/\"><strong>COM O MENINO NOS BRA\u00c7OS E NO\u00a0CORA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atravessamos ainda a Solenidade do Natal do Senhor, dado que esta Solenidade se prolonga durante oito dias (Oitava) at\u00e9 \u00e0 Solenidade de Santa Maria M\u00e3e de Deus, que se celebra no primeiro Dia de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Natal do Senhor p\u00f5e diante do nosso olhar contemplativo uma Fam\u00edlia humilde e bela, Jesus, Maria e Jos\u00e9, mas traz tamb\u00e9m consigo uma forte sensibilidade Familiar, tornando-se o tempo forte da reuni\u00e3o festiva das nossas Fam\u00edlias. Estes dois acertos s\u00e3o importantes para se compreender a raz\u00e3o pela qual, no Domingo dentro da Oitava do Natal, a Igreja celebra a Festa da Sagrada Fam\u00edlia de Jesus, Maria e Jos\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho que temos Hoje a gra\u00e7a de escutar vem de Lucas 2,22-40. Comp\u00f5e a cena um velhinho chamado Sime\u00e3o, nome que significa \u00abEscutador\u00bb, que vive atentamente \u00e0 escuta, em\u00a0<em>Hi-Fi<\/em>, alta-fidelidade, alta frequ\u00eancia, alta defini\u00e7\u00e3o, alto amor, e que o Evangelho apresenta como um homem justo e piedoso, que esperava a consola\u00e7\u00e3o de Israel. Ora, esse velhinho que vivia \u00e0 espera e \u00e0 escuta, com carinhosa aten\u00e7\u00e3o e cora\u00e7\u00e3o vigilante, veio ao Templo sob o impulso do Esp\u00edrito (<em>en t\u00f4 pne\u00famati<\/em>). Fica aqui declarada a qualidade da energia e da alegria que move o velho e querido Sime\u00e3o: n\u00e3o \u00e9 movido a carv\u00e3o, nem a \u00e1gua, nem a vento, nem a petr\u00f3leo e seus derivados, nem a eletricidade, nem sequer a energia nuclear. Sime\u00e3o \u00e9 movido pelo Esp\u00edrito Santo. Maneira nov\u00edssima de viver, pausa e bemol na nossa impetuosidade, na nossa vontade de aparecer e de fazer, pausa e bemol nos nossos protagonismos e vontade de poder. Falamos quase sempre antes do tempo, e n\u00e3o chegamos a dar lugar \u00e0 suave voz do Esp\u00edrito. Na verdade, adverte-nos Jesus: \u00abN\u00e3o sois v\u00f3s que falais, mas o Esp\u00edrito Santo\u00bb (Marcos 13,11; cf. Mateus 10,20; Lucas 12,12). Portanto, \u00e9 urgente esperar! Regressemos, pois, \u00e0 beleza de Sime\u00e3o. Ao ver aquele Menino, recebeu-o carinhosamente nos bra\u00e7os. Por isso, os Padres gregos d\u00e3o a Sime\u00e3o o t\u00edtulo belo de\u00a0<em>Theod\u00f3chos<\/em>\u00a0[= \u00abrecebedor de Deus\u00bb]. \u00c9 ent\u00e3o que Sime\u00e3o entoa o canto feliz do entardecer da sua vida, um dos mais belos cantos que a B\u00edblia regista: \u00abAgora, Senhor, podes deixar o teu servo partir em paz, porque os meus olhos viram a tua salva\u00e7\u00e3o, que preparaste diante de todos os povos, Luz que vem iluminar as na\u00e7\u00f5es e gl\u00f3ria do teu povo, Israel!\u00bb (Lucas 2,29-32).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, na circunst\u00e2ncia, tamb\u00e9m uma velhinha chegou carregada de Gra\u00e7a e de Esperan\u00e7a. Chamava-se Ana, que significa \u00abGra\u00e7a\u00bb. \u00c9 dita \u00abProfetisa\u00bb, isto \u00e9, que anda, tamb\u00e9m ela, sintonizada em\u00a0<em>Hi-Fi<\/em>, alta-fidelidade, alta defini\u00e7\u00e3o, alto amor, com a Palavra de Deus escutada, vivida e anunciada. Diz ainda o texto que era filha de\u00a0<em>Fanue<\/em>l, nome que significa \u00abRosto de Deus\u00bb, e que era da tribo de\u00a0<em>Aser<\/em>, que quer dizer \u00abFelicidade\u00bb. Tanta intimidade com Deus! Tamb\u00e9m esta velhinha, serena e feliz, com 84 anos, n\u00famero perfeito de n\u00fameros perfeitos (7 x 12), teve a Gra\u00e7a de ver aquele Menino. E diz bem o texto do Evangelho que Ana \u00abfalava daquele Menino a todos os que esperavam a liberta\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m\u00bb (Lucas 2,38). Outra vez a beleza inteira do d\u00edptico do Evangelho de Lucas: Sime\u00e3o e Ana. Sime\u00e3o esperava e Ana anunciava. Eis aqui presente, nestes dois maravilhosos velhinhos, a inteira Escritura dos dois Testamentos, e o retrato a corpo inteiro do Consagrado, que, na B\u00edblia hebraica, se diz\u00a0<em>Naz\u00eer<\/em>, um nome passivo e recetivo, totalmente dedicado a Deus, conduzido por Deus, \u00abcompondo\u00bb com emo\u00e7\u00e3o os acontecimentos de Deus no seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sime\u00e3o e Ana viram a Luz e exultaram de Alegria. Hoje somos n\u00f3s que nos chamamos Sime\u00e3o e Ana. Somos n\u00f3s que recebemos esta Luz nos bra\u00e7os, e que ficamos a fazer parte da fam\u00edlia da Felicidade e a viver pertinho de Deus, Rosto a Rosto com Deus, Escutadores atentos do bater do cora\u00e7\u00e3o de Deus, movidos pelo Esp\u00edrito de Deus, Recebedores de Deus, Anunciadores de Deus. Rezamos hoje para que, nesta sociedade de coisas e de n\u00fameros (cf. Isa\u00edas 5,8), os filhos e filhas de Deus vivam cada vez mais Rosto a Rosto com Deus, e deem testemunho no mundo deste Dom maravilhoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro da tem\u00e1tica da Fam\u00edlia, o Antigo Testamento traz-nos hoje um extrato sapiencial retirado do Livro de Ben Sira (ou Eclesi\u00e1stico) 3,2-6.12-14, e que nos convida ao amor dedicado aos nossos pais sempre, para que o Senhor ponha sobre n\u00f3s o seu olhar de bondade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo 128 \u00e9 a m\u00fasica suave, de teor did\u00e1tico-sapiencial, que canta uma fam\u00edlia feliz e nos mostra a fonte dessa felicidade: a b\u00ean\u00e7\u00e3o paternal do Senhor. \u00abFelizes os que esperam no Senhor, e seguem os seus caminhos\u00bb, \u00e9 a bela litania em que o refr\u00e3o nos faz entrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, o Ap\u00f3stolo Paulo, na Carta aos Colossenses 3,12-21, exorta esposos, pais e filhos ao amor m\u00fatuo, mostrando ainda de que sentimentos nos devemos vestir por dentro e de que m\u00fasica devemos encher o nosso cora\u00e7\u00e3o. Salta \u00e0 vista que a miseric\u00f3rdia, a bondade, a humildade, a mansid\u00e3o, a longanimidade, o amor, o perd\u00e3o s\u00e3o vestidos importantes para a festa, mas n\u00e3o se compram nem vendem por a\u00ed em nenhum pronto-a-vestir. De resto, v\u00ea-se bem que andamos todos bem vestidos por fora, mas andamos muitas vezes nus por dentro! E \u00e9 para aqui que aponta a exorta\u00e7\u00e3o de S. Paulo. Nesta \u00e9poca de bastante consumismo, conv\u00e9m que nunca nos esque\u00e7amos de Deus, pois \u00e9 Ele, e s\u00f3 Ele, que veste carinhosamente o cora\u00e7\u00e3o e as entranhas dos seus filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste Domingo da Festa da Sagrada Fam\u00edlia \u00e9 naturalmente a Fam\u00edlia que est\u00e1 no centro da cena. Nos tempos conturbados que vivemos, atravessados por pandemias v\u00e1rias, \u00e9 decisivo que a Fam\u00edlia seja cada vez mais vista como esteio da sociedade, e, como tal, respeitada, protegida e promovida, e n\u00e3o vilipendiada, triste realidade a que vamos assistindo dia ap\u00f3s dia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Santa Maria de um amor maior,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Do tamanho do Menino que levas ao colo,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diante de ti me ajoelho e esmolo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A gra\u00e7a de um lar unido ao teu redor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Protege, Senhora, as nossas fam\u00edlias,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todos os casais, os filhos e os pais,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E enche de alegria, mais e mais e mais,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todos os seus dias, manh\u00e3s, tardes, noites e vig\u00edlias.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vela, Senhora, por cada crian\u00e7a,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por cada m\u00e3e, por cada pai, por cada irm\u00e3o,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A todos os velhinhos, Senhora, d\u00e1 a m\u00e3o,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E deixa em cada rosto um afago de esperan\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para acompanhar a Liturgia da Palavra \/ a Mesa da Palavra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/mesadepalavras.wordpress.com\/2020\/12\/31\/santa-maria-mae-de-deus-2\/\"><strong>SANTA MARIA, M\u00c3E DE\u00a0DEUS<\/strong><\/a><strong> \u2013 01.01.2024<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oito dias depois da Solenidade do Natal do Senhor, que a liturgia oriental designa significativamente por \u00aba P\u00e1scoa do Natal\u00bb, eis-nos no Primeiro Dia do Ano Civil de 2024, tradicionalmente designado como Dia de \u00abAno Bom\u00bb, a celebrar a Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura que enche este Dia, e que motiva a nossa Alegria, \u00e9, portanto, a figura de Maria, na sua fisionomia mais alta, a de M\u00e3e de Deus, como foi solenemente proclamada no Conc\u00edlio de \u00c9feso, em 431, mas j\u00e1 assim luminosamente desenhada nas p\u00e1ginas do Novo Testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 assim que a encontramos no Lecion\u00e1rio de hoje. Desde logo naquela men\u00e7\u00e3o s\u00f3bria, e ousamos mesmo dizer pobre, com que Paulo se refere \u00e0 M\u00e3e de Jesus, escrevendo aos G\u00e1latas: \u00abDeus mandou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito \u00e0 Lei\u00bb (G\u00e1latas 4,4). Nesta linha breve e densa aparece compendiado o mist\u00e9rio da Incarna\u00e7\u00e3o, enquanto se sente j\u00e1 pulsar o cora\u00e7\u00e3o da Mariologia: Maria n\u00e3o \u00e9 grande em si mesma; \u00e9, na verdade, uma \u00abmulher\u00bb, verdadeiramente nossa irm\u00e3 na sua condi\u00e7\u00e3o de humana criatura. N\u00e3o \u00e9 grande em si mesma, mas \u00e9 grande por ser a M\u00e3e do Filho de Deus, e \u00e9 aqui que ela nos ultrapassa, imaculada por gra\u00e7a, bem-aventurada, nossa m\u00e3e na f\u00e9 e na esperan\u00e7a. Maria n\u00e3o \u00e9 grande em si mesma; vem-lhe de Deus essa grandeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste Dia de Maria (Lucas 2,16-21) guarda tamb\u00e9m uma preciosidade, quando Lucas nos diz que \u00abtodos os que tinham escutado as coisas faladas pelos pastores ficaram maravilhados, mas Maria GUARDAVA (<em>synet\u00earei<\/em>) todas estas Palavras que aconteceram (<em>t\u00e0 rh\u00eamata<\/em>), COMPONDO-as (<em>symb\u00e1llousa<\/em>) no seu cora\u00e7\u00e3o\u00bb (Lucas 2,18-19). Em contraponto com o espanto de todos os que ouviram as palavras dos pastores, Lucas pinta um quadro mariano de extraordin\u00e1ria beleza: \u00abMaria, ao contr\u00e1rio, GUARDAVA todas estas Palavras que aconteceram, COMPONDO-as no seu cora\u00e7\u00e3o\u00bb. H\u00e1 o espanto e a maravilha que se exprimem no louvor e no canto, e h\u00e1 o espanto e a maravilha que se exprimem no sil\u00eancio e na escuta qualificada e comovida. Maria, a Senhora deste Dia, aparece a GUARDAR com enlevado carinho todas estas Palavras que acontecem, todos estes acontecimentos que falam e n\u00e3o esquecem. O verbo GUARDAR implica uma aten\u00e7\u00e3o extremada e carinhosa, como quem leva nas suas m\u00e3os uma coisa preciosa. Este GUARDAR atencioso e carinhoso n\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, o ato de um momento, mas a atitude de uma vida, uma vez que o verbo grego est\u00e1 no imperfeito, que implica dura\u00e7\u00e3o. O outro verbo belo mostra-nos Maria como que a COMPOR, isto \u00e9, a \u00abp\u00f4r em conjunto\u00bb (<em>symb\u00e1ll\u00f4<\/em>), a simbolizar, a organizar, para melhor compreender e se fazer compreender. \u00c9 como quem, com aquelas Palavras, COMP\u00d5E um Poema, uma Sinfonia, e se entret\u00e9m a vida toda a trautear essa melodia e a conjugar novos acordes de alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta solicitude maternal de Maria, habitada por esta imensa melodia que nos vem de Deus e nos reconcilia, levou o Papa Paulo VI, a associar, desde 1968, \u00e0 Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus, a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz. Basta fazer bem as contas para nos apercebermos que celebramos hoje o 57.\u00ba Dia Mundial da Paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Deus vem sempre um mundo novo, belo, maravilhoso. T\u00e3o novo, belo e maravilhoso, que nos cega, a n\u00f3s que vamos arrastando os olhos cansados pela lama. Que o nosso Deus fa\u00e7a chegar at\u00e9 n\u00f3s tempo e modo para ouvir outra vez a extraordin\u00e1ria b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal, que o Livro dos N\u00fameros guarda na sua forma tripartida: \u00abO Senhor te aben\u00e7oe e te guarde. \/ O Senhor fa\u00e7a brilhar sobre ti a sua face e te seja favor\u00e1vel. \/ O Senhor dirija para ti o seu olhar e te conceda a paz\u00bb (N\u00fameros 6,24-26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, bem podemos hoje, com o Salmo 67, juntar as nossas vozes \u00e0s vozes dos povos de toda a terra no mesmo louvor ao Deus que a todos faz gra\u00e7a e miseric\u00f3rdia. O Salmo 67 \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o de b\u00ean\u00e7\u00e3o em forma de peti\u00e7\u00e3o. Em termos t\u00e9cnicos, equivale a uma epiclese: n\u00e3o \u00abeu Te bendigo\u00bb, mas \u00abDeus nos bendiga\u00bb. O nosso Salmo 67 recolhe os temas da b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal de N\u00fameros 6,24-26, como a gra\u00e7a, a luz, a benevol\u00eancia, a paz, pondo o plural onde estava o singular, por assim dizer, \u00abdemocratizando\u00bb a b\u00ean\u00e7\u00e3o, agora dirigida a todos, onde, na b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal do Livro dos N\u00fameros, se dirigia apenas a Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhada por Deus com singular olhar de Gra\u00e7a foi Maria, tamb\u00e9m Pobre, tamb\u00e9m Feliz, Bem-aventurada, Santa Maria, M\u00e3e de Deus, que hoje celebramos em un\u00edssono com a Igreja inteira. Para ela elevamos hoje os nossos olhos de filhos enlevados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e3e de Deus, Senhora da Alegria, M\u00e3e igual ao Dia, Maria. A primeira p\u00e1gina do ano \u00e9 toda tua, Mulher do sol, das estrelas e da lua, Rainha da Paz, Aurora de Luz, Estrela matutina, M\u00e3e de Jesus e tamb\u00e9m minha, Senhora de janeiro, do Dia primeiro e do Ano inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aben\u00e7oa, M\u00e3e, os nossos dias breves. Ensina-nos a viv\u00ea-los todos como tu viveste os teus, sempre sob o olhar de Deus, sempre a olhar por Deus. \u00c9 verdade. A grande verdade da tua vida, o teu segredo de ouro. Tu soubeste sempre que Deus velava por ti, enchendo-te de gra\u00e7a. Mas tu soubeste sempre olhar por Deus, porque tu soubeste bem que Deus tamb\u00e9m \u00e9 pequenino. Acariciada por Deus, viveste acariciando Deus. Por isso, todas as gera\u00e7\u00f5es te proclamam \u00abBem-aventurada\u00bb! Por isso, n\u00f3s te proclamamos \u00abBem-aventurada\u00bb!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhora e M\u00e3e de Janeiro, do Dia Primeiro e do Ano inteiro. Acaricia-nos. Senta-nos em casa ao redor do amor, do cora\u00e7\u00e3o. Somos t\u00e3o modernos e t\u00e3o cheios de coisas estes teus filhos de hoje! T\u00e3o cheios de coisas e t\u00e3o vazios de n\u00f3s mesmos e de humanidade e divindade! Temos tudo. Mas falta-nos, se calhar, o essencial: a tua simplicidade e alegria. Faz-nos sentir, M\u00e3e, o calor da tua m\u00e3o no nosso rosto frio, insens\u00edvel, enrugado, e faz-nos correr, com alegria, ao encontro dos pobres e necessitados.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"12\">\n<li>Que seja, e pode ser, Deus o quer, e n\u00f3s tamb\u00e9m podemos querer, um Ano Bom, cheio de Paz, P\u00e3o e Amor, para todos os irm\u00e3os que Deus nos deu! E que Santa Maria, M\u00e3e de Deus e nossa M\u00e3e nos aben\u00e7oe tamb\u00e9m. \u00c1men!<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que Deus nos aben\u00e7oe e nos guarde,<\/strong><br \/>\n<strong>Que nos acompanhe, nos acorde e nos incomode,<\/strong><br \/>\n<strong>Que os nossos p\u00e9s calcorreiem as montanhas,<\/strong><br \/>\n<strong>Cheios de amor, de paz e de alegria,<\/strong><br \/>\n<strong>Que a tua Palavra nos arda nas entranhas,<\/strong><br \/>\n<strong>E nos ponha no caminho de Maria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>O amor verdadeiro est\u00e1 l\u00e1 sempre primeiro.<\/strong><br \/>\n<strong>O\u00a0<em>fiat<\/em>\u00a0que disseste, Maria, \u00e9 de quem se fia<\/strong><br \/>\n<strong>Num amor maior do que um letreiro.<\/strong><br \/>\n<strong>Vela por n\u00f3s, Maria, em cada dia<\/strong><br \/>\n<strong>Deste ano inteiro,<\/strong><br \/>\n<strong>Para que levemos a cada enfermaria,<\/strong><br \/>\n<strong>A cada periferia,<\/strong><br \/>\n<strong>Um amor como o teu, primeiro e verdadeiro.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Santa Maria da Paz,<\/strong><br \/>\n<strong>Ensina-nos como se faz.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ant\u00f3nio Couto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Leitura-I-da-Festa-da-Sagrada-Familia-de-Jesus-Maria-e-Jose-Ano-B-31.12.2023-Sir-3-3-7.14-17a.pdf\">Leitura I da Festa da Sagrada Fam\u00edlia de Jesus, Maria e Jos\u00e9 &#8211; Ano B &#8211; 31.12.2023 (Sir 3, 3-7.14-17a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Leitura-II-da-Festa-da-Sagrada-Familia-de-Jesus-Masria-e-Jose-Ano-B-31.12.2023-Col-3-12-21.pdf\">Leitura II da Festa da Sagrada Fam\u00edlia de Jesus, Masria e Jos\u00e9 &#8211; Ano B &#8211; 31.12.2023 (Col 3, 12-21)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Festa-da-Sagrada-Familia-de-Jesus-Maria-e-Jose-Ano-B-31.12.2023-Lecionario.pdf\">Festa da Sagrada Familia de Jesus, Maria e Jos\u00e9 &#8211; Ano B &#8211; 31.12.2023 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Festa-da-Sagrada-Familia-de-Jesus-Maria-e-Jose-Ano-B-31.12.2023-Oracao-Universal.pdf\">Festa da Sagrada Familia de Jesus, Maria e Jos\u00e9 &#8211; Ano B &#8211; 31.12.2023 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Festa-de-Santa-Maria-Mae-de-Deus-Ano-B-01.01.2024-Lecionario.pdf\">Festa de Santa Maria M\u00e3e de Deus &#8211; Ano B &#8211; 01.01.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Festa-de-Santa-Maria-Mae-de-Deus-Ano-B-01.01.2024-Oracao-Universal.pdf\">Festa de Santa Maria M\u00e3e de Deus &#8211; Ano B &#8211; 01.01.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Mensagem-do-Papa-Francisco-para-o-57o-Dia-Mundial-da-Paz-01.01.2024.pdf\">Mensagem do Papa Francisco para o 57\u00ba Dia Mundial da Paz &#8211; 01.01.2024<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ANO-B-O-ano-do-evangelista-Marcos.pdf\">ANO B &#8211; O ano do evangelista Marcos<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][\/vc_tta_accordion][\/vc_column][\/vc_row][vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1596131586623{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 100px !important;}&#8221;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1540304338338{padding-right: 27px !important;padding-left: 27px !important;}&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_text_separator title=&#8221;Eucaristia pelo Facebook&#8221; title_align=&#8221;separator_align_left&#8221;][vc_column_text][\/vc_column_text][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row][vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1596131586623{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 100px !important;}&#8221;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1540304338338{padding-right: 27px !important;padding-left: 27px !important;}&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_text_separator title=&#8221;Agenda&#8221; title_align=&#8221;separator_align_left&#8221;][vc_column_text][\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Agenda-de-Novembro-de-2024-Paroquia-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de novembro de 2024 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Agenda-de-Outubro-de-2024-Paroquia-de-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de outubro de 2024 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Agenda-Setembro-2024-Paroquia-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de setembro de 2024 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Agenda-agosto-2024-Paroquia-Vilar-de-Andorinho-v1.xlsx\">Descarregar agenda de agosto de 2024 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Agenda-Julho-2024-Paroquia-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de julho de 2024 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Agenda-Junho-2024-Paroquia-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de junho de 2024 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Agenda-Maio-2024-Paroquia-Vilar-de-Andorinho-.v1.xlsx\">Descarregar agenda de maio de 2024 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Agenda-Abril-2024-Paroquia-Vilar-de-Andorinho-v2.xlsx\">Descarregar agenda de abril de 2024 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Agenda-Marco-2024-Paroquia-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de mar\u00e7o de 2024 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Agenda-Fevereiro-2024-Paroquia-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de fevereiro de 2024 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Agenda-Janeiro-2024-Paroquia-Vilar-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de janeiro de 2024 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1596131586623{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 100px !important;}&#8221;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1540304338338{padding-right: 27px !important;padding-left: 27px !important;}&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_text_separator title=&#8221;\u00daltimas&#8221; title_align=&#8221;separator_align_left&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row][vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1596131586623{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 100px !important;}&#8221;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1540304338338{padding-right: 27px !important;padding-left: 27px !important;}&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_text_separator title=&#8221;S\u00ednodo 2021-2024&#8243; title_align=&#8221;separator_align_left&#8221; css=&#8221;&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row][vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"class_list":["post-12942","page","type-page","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/12942","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=12942"}],"version-history":[{"count":56,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/12942\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14074,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/12942\/revisions\/14074"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=12942"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}