{"id":14454,"date":"2025-01-06T18:38:09","date_gmt":"2025-01-06T18:38:09","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=14454"},"modified":"2026-01-12T14:25:38","modified_gmt":"2026-01-12T14:25:38","slug":"atualidade2025","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=14454","title":{"rendered":"Atualidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1596131586623{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 100px !important;}&#8221;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1540304338338{padding-right: 27px !important;padding-left: 27px !important;}&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_text_separator title=&#8221;\u00daltimas&#8221; title_align=&#8221;separator_align_left&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row][vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1596131586623{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 100px !important;}&#8221;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1540304338338{padding-right: 27px !important;padding-left: 27px !important;}&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_text_separator title=&#8221;Liturgia da Palavra&#8221; title_align=&#8221;separator_align_left&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_tta_accordion style=&#8221;modern&#8221; active_section=&#8221;&#8221; collapsible_all=&#8221;true&#8221;][vc_tta_section title=&#8221;Domingo da Sagrada Fam\u00edlia de Jesus, Maria e Jos\u00e9 &#8211; Ano A \u2013 28.12.2025&#8243; tab_id=&#8221;1767604697627-fc8b5bcc-e5d7&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 16.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo da Sagrada Fam\u00edlia de Jesus, Maria e Jos\u00e9 &#8211; Ano A \u2013 28.12.2025<br \/>\n<\/span><\/h4>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-12653 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-da-Sagrada-Familia.jpg\" alt=\"\" width=\"659\" height=\"316\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como os Pastores e os Magos, acorremos ao Pres\u00e9pio de Bel\u00e9m e contemplamos o \u00ab<em>sinal admir\u00e1vel<\/em>\u00bb de Deus que se faz homem, do eterno e imut\u00e1vel que assume a nossa conting\u00eancia e fragilidade. Aquele rec\u00e9m-nascido fr\u00e1gil e necessitado de cuidados \u00e9 acalentado pelo desvelo maternal de Maria e protegido pela solicitude paterna de Jos\u00e9. Eis a fam\u00edlia escolhida por Deus para que o Eterno se fizesse uma crian\u00e7a! Eis a Sagrada Fam\u00edlia que hoje celebramos em festa neste Domingo dentro da Oitava do Natal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Festa da Sagrada Fam\u00edlia \u00e9 uma das festas mais recentes do calend\u00e1rio lit\u00fargico, mas uma refer\u00eancia fundamental para compreender e aprofundar o que significa ser fam\u00edlia crist\u00e3 na Igreja e no Mundo. Ensina-nos a arte de entrela\u00e7ar o tempo e a eternidade, a humanidade e a divindade, para que o nosso quotidiano tenha sabor de C\u00e9u pela for\u00e7a transformadora do amor. Deus aproxima-se de n\u00f3s e ensina-nos a arte de nos aproximarmos uns dos outros. \u00c9 este o modo de Deus se relacionar connosco e que nos desafia a viver de um modo novo a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus e os irm\u00e3os, a nossa vida familiar e os seus desafios. Isso mesmo nos recorda o Papa Francisco na sua Carta Apost\u00f3lica\u00a0<em>Admirabile Signum\u00a0<\/em>quando afirma: \u00ab<em>o modo de agir de Deus quase cria vertigens, pois parece imposs\u00edvel que Ele renuncie \u00e0 sua gl\u00f3ria para Se fazer homem como n\u00f3s. Que surpresa ver Deus adotar os nossos pr\u00f3prios comportamentos: dorme, mama ao peito da m\u00e3e, chora e brinca, como todas as crian\u00e7as. Como sempre, Deus gera perplexidade, \u00e9 imprevis\u00edvel, aparece continuamente fora dos nossos esquemas. Assim o Pres\u00e9pio, enquanto nos mostra Deus tal como entrou no mundo, desafia-nos a imaginar a nossa vida inserida na de Deus; convida a tornar-nos seus disc\u00edpulos, se quisermos alcan\u00e7ar o sentido \u00faltimo da vida<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na Sagrada Fam\u00edlia este surpreendente agir de Deus desafia-nos a ler a realidade familiar de um modo novo. Maria, Jos\u00e9 e o Menino, na sua vida familiar, s\u00e3o para n\u00f3s uma escola da arte de amar onde o divino se faz homem e onde a quotidianidade ganha a marca da transcend\u00eancia. Importa n\u00e3o fazer da Sagrada Fam\u00edlia um modelo abstrato e ut\u00f3pico. A partir do relato evang\u00e9lico que escutamos nesta festa percebemos que a fam\u00edlia de Nazar\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um modelo pela aus\u00eancia de dificuldades, mas porque acolhendo os desafios e sonhos de Deus, procurou responder com fidelidade ao projeto de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Maria e Jos\u00e9 ainda envolvidos pela surpresa da visita dos pastores e dos magos recebem a not\u00edcia de que devem partir para o Egipto porque Herodes amea\u00e7a matar o menino. Contemplando a Sagrada Fam\u00edlia em fuga para o Egipto conseguimos vislumbrar o drama de tantas fam\u00edlias refugiadas que v\u00edtimas da viol\u00eancia e da guerra abandonam os seus pa\u00edses procurando um lugar seguro para viver. Mas vemos tamb\u00e9m aqui as dificuldades e desafios que cada fam\u00edlia atravessa no atual contexto cultural e social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Igreja quer ser M\u00e3e que acolhe cada realidade familiar, apontando o modelo do lar de Nazar\u00e9 como meta para onde caminhamos na prontid\u00e3o para dizer sim como Maria e na docilidade para acolher os sonhos de Deus como Jos\u00e9. Mas sabemos como a realidade familiar \u00e9 exigente e, por isso, deixemos que as palavras de Paulo ecoem no nosso cora\u00e7\u00e3o e fa\u00e7amos delas oportunidade de reflex\u00e3o em fam\u00edlia, para que possamos encontrar as coordenadas fundamentais para a nossa vida familiar: \u00ab<em>revesti-vos de sentimentos de miseric\u00f3rdia, de bondade, humildade, mansid\u00e3o e paci\u00eancia. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente<\/em>\u00bb. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong><em>\u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>Nesta celebra\u00e7\u00e3o do <strong>Domingo da Sagrada Fam\u00edlia de Jesus, Maria e Jos\u00e9<\/strong>, pode fazer-se a b\u00ean\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias, rezar uma ora\u00e7\u00e3o por todas as fam\u00edlias ou, porventura, uma consagra\u00e7\u00e3o de todas as fam\u00edlias da par\u00f3quia \u00e0 Sagrada Fam\u00edlia. Nesta celebra\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 fazer-se uma men\u00e7\u00e3o especial aos casais que ao longo deste ano cumpriram jubileus matrimoniais. A criatividade pastoral dever\u00e1 ajudar a fazer deste momento um lugar de acolhimento para todos, cumprindo o desafio de acompanhar, discernir e integrar as situa\u00e7\u00f5es fragilidade. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estamos j\u00e1 no Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanh\u00e1mos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Ben Sir\u00e1 3,3-7.14-17a\u00a0[vers\u00e3o grega: 3,2-6.12-14]<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus quis honrar os pais nos filhos<br \/>\ne firmou sobre eles a autoridade da m\u00e3e.<br \/>\nQuem honra seu pai obt\u00e9m o perd\u00e3o dos pecados,<br \/>\ne acumula um tesouro quem honra sua m\u00e3e.<br \/>\nQuem honra o pai encontrar\u00e1 alegria nos seus filhos<br \/>\ne ser\u00e1 atendido na sua ora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nQuem honra seu pai ter\u00e1 longa vida,<br \/>\ne quem lhe obedece ser\u00e1 o conforto de sua m\u00e3e.<br \/>\nFilho, ampara a velhice do teu pai<br \/>\ne n\u00e3o o desgostes durante a sua vida.<br \/>\nSe a sua mente enfraquece, s\u00ea indulgente para com ele<br \/>\ne n\u00e3o o desprezes, tu que est\u00e1s no vigor da vida,<br \/>\nporque a tua caridade para com teu pai nunca ser\u00e1 esquecida<br \/>\ne converter-se-\u00e1 em desconto dos teus pecados.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Livro de Ben Sir\u00e1 (chamado, na sua vers\u00e3o grega, \u201cEclesi\u00e1stico\u201d) \u00e9 um livro de car\u00e1cter sapiencial que, como todos os livros sapienciais, tem por objetivo deixar aos aspirantes a \u201cs\u00e1bios\u201d indica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas sobre a arte de bem viver e de ser feliz. O seu autor \u00e9 um tal Jesus Ben Sir\u00e1, um \u201cs\u00e1bio\u201d israelita que viveu na primeira metade do s\u00e9c. II a.C.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u00e9poca de Jesus Ben Sir\u00e1 \u00e9 uma \u00e9poca conturbada para o Povo de Deus. Os sel\u00eaucidas (uma fam\u00edlia descendente de Seleuco Nicator, general de Alexandre Magno, que herdou parte do imp\u00e9rio de Alexandre, o Grande, quando este morreu, em 323 a.C.) dominavam a Palestina e procuravam impor aos judeus, mesmo pela for\u00e7a, a cultura hel\u00e9nica. Muitos judeus, seduzidos pelo brilho da cultura grega, abandonavam os valores tradicionais e a f\u00e9 dos pais e assumiam comportamentos mais consent\u00e2neos com a \u201cmodernidade\u201d. A identidade cultural e religiosa do Povo de Deus corria, assim, s\u00e9rios riscos\u2026 Neste contexto, Jesus Ben Sir\u00e1, um \u201cs\u00e1bio\u201d judeu apegado \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es dos seus antepassados, escreve para preservar as ra\u00edzes do seu Povo. No seu livro, apresenta uma s\u00edntese da religi\u00e3o tradicional e da \u201csabedoria\u201d de Israel e procura demonstrar que \u00e9 no respeito pela sua f\u00e9, pelos seus valores, pela sua identidade que os judeus podem descobrir o caminho seguro para serem um Povo livre e feliz. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os nossos pais foram, em nosso favor, instrumentos do Deus criador. Atrav\u00e9s deles, Deus chamou-nos \u00e0 vida. Sentimo-nos gratos aos nossos pais por eles terem aceitado colaborar com Deus, dando-nos vida e cuidando de n\u00f3s ao longo do caminho que temos vindo a percorrer? Lembramo-nos de lhes demonstrar, com ternura e amor, a nossa gratid\u00e3o?<\/li>\n<li>Apesar da sensibilidade moderna aos direitos humanos e \u00e0 dignidade das pessoas, a nossa civiliza\u00e7\u00e3o cria, com frequ\u00eancia, situa\u00e7\u00f5es de abandono, de marginaliza\u00e7\u00e3o, de solid\u00e3o, cujas v\u00edtimas s\u00e3o, muitas vezes, aqueles que j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam uma vida considerada produtiva, ou aqueles a quem a idade ou a doen\u00e7a trouxeram limita\u00e7\u00f5es. No entanto, do ponto de vista de Deus, nenhum ser humano \u00e9 \u201cdescart\u00e1vel\u201d, ou estar\u00e1 alguma vez fora do prazo de validade. N\u00e3o podemos admitir \u2013 com a nossa indiferen\u00e7a ou com o nosso sil\u00eancio c\u00famplice \u2013 que as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de fragilidade sejam abandonadas na berma da estrada, sempre que o mundo caminha a um ritmo que elas n\u00e3o podem acompanhar. Temos consci\u00eancia disto?<\/li>\n<li>\u00c9 verdade que a vida de hoje \u00e9 muito exigente a n\u00edvel profissional e que nem sempre \u00e9 poss\u00edvel a um filho estar presente ao lado de um pai que precisa de cuidados continuados ou de acompanhamento especializado. No entanto, se alguma vez as circunst\u00e2ncias impuserem a necessidade de afastamento de um pai idoso ou descapacitado do ambiente familiar, isso n\u00e3o pode significar abandono e condena\u00e7\u00e3o \u00e0 solid\u00e3o. Seremos sempre respons\u00e1veis por aqueles que cativamos, e ainda mais por aqueles que foram, para n\u00f3s, instrumentos do Deus criador e fonte de vida. Sentimo-nos respons\u00e1veis pelo bem-estar dos nossos pais, dos nossos av\u00f3s, das pessoas idosas ou doentes que fazem parte da nossa hist\u00f3ria de vida?<\/li>\n<li>O capital de maturidade e de sabedoria de vida que os mais idosos possuem \u00e9 considerado por n\u00f3s uma riqueza ou um desafio rid\u00edculo \u00e0 nossa modernidade e \u00e0s nossas certezas?<\/li>\n<li>Face \u00e0 invas\u00e3o cont\u00ednua de valores estranhos que, tantas vezes, p\u00f5em em causa a nossa identidade cultural e religiosa (quando n\u00e3o a nossa humanidade), o que significam os valores que recebemos dos nossos pais? Avaliamos com maturidade a perenidade desses valores, ou estamos dispostos a reneg\u00e1-los ao primeiro aceno dos \u201cvalores da moda\u201d? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 127 (128)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Felizes os que esperam no Senhor,<br \/>\ne seguem os seus caminhos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Ditosos os que temem o Senhor,<br \/>\nditosos os que seguem os seus caminhos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Feliz de ti, que temes o Senhor<br \/>\ne andas nos seus caminhos.<br \/>\nComer\u00e1s do trabalho das tuas m\u00e3os,<br \/>\nser\u00e1s feliz e tudo te correr\u00e1 bem.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tua esposa ser\u00e1 como videira fecunda<br \/>\nno \u00edntimo do teu lar;<br \/>\nteus filhos ser\u00e3o como ramos de oliveira<br \/>\nao redor da tua mesa.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assim ser\u00e1 aben\u00e7oado o homem que teme o Senhor.<br \/>\nDe Si\u00e3o te aben\u00e7oe o Senhor:<br \/>\nvejas a prosperidade de Jerusal\u00e9m<br \/>\ntodos os dias da tua vida.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Colossenses 3,12-21<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nComo eleitos de Deus, santos e prediletos,<br \/>\nrevesti-vos de sentimentos de miseric\u00f3rdia,<br \/>\nde bondade, humildade, mansid\u00e3o e paci\u00eancia.<br \/>\nSuportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente,<br \/>\nse algum tiver raz\u00e3o de queixa contra outro.<br \/>\nTal como o Senhor vos perdoou,<br \/>\nassim deveis fazer v\u00f3s tamb\u00e9m.<br \/>\nAcima de tudo, revesti-vos da caridade,<br \/>\nque \u00e9 o v\u00ednculo da perfei\u00e7\u00e3o.<br \/>\nReine em vossos cora\u00e7\u00f5es a paz de Cristo,<br \/>\n\u00e0 qual fostes chamados para formar um s\u00f3 corpo.<br \/>\nE vivei em a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as.<br \/>\nHabite em v\u00f3s com abund\u00e2ncia a palavra de Cristo,<br \/>\npara vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros<br \/>\ncom toda a sabedoria;<br \/>\ne com salmos, hinos e c\u00e2nticos inspirados,<br \/>\ncantai de todo o cora\u00e7\u00e3o a Deus a vossa gratid\u00e3o.<br \/>\nE tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras,<br \/>\nseja tudo em nome do Senhor Jesus,<br \/>\ndando gra\u00e7as, por Ele, a Deus Pai.<br \/>\nEsposas, sede submissas aos vossos maridos,<br \/>\ncomo conv\u00e9m no Senhor.<br \/>\nMaridos, amai as vossas esposas<br \/>\ne n\u00e3o as trateis com aspereza.<br \/>\nFilhos, obedecei em tudo a vossos pais,<br \/>\nporque isto agrada ao Senhor.<br \/>\nPais, n\u00e3o exaspereis os vossos filhos,<br \/>\npara que n\u00e3o caiam em des\u00e2nimo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Igreja de Colossos, destinat\u00e1ria desta carta, foi fundada por Epafras, um amigo de Paulo, pelos anos 56\/57. Tanto quanto sabemos, Paulo nunca visitou a comunidade\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Hoje, n\u00e3o \u00e9 claro para todos que Paulo tenha escrito esta carta (o vocabul\u00e1rio utilizado e o estilo do autor est\u00e3o longe das cartas indiscutivelmente paulinas; tamb\u00e9m a teologia apresenta elementos novos, nunca usados nas outras cartas atribu\u00eddas a Paulo); por isso, \u00e9 um pouco dif\u00edcil definirmos o ambiente em que este texto apareceu\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para os defensores da autoria paulina, contudo, a carta foi escrita quando Paulo estava prisioneiro, possivelmente em Roma (anos 61\/63). Epafras teria visitado o ap\u00f3stolo na pris\u00e3o e deixado not\u00edcias alarmantes: os Colossenses corriam o risco de se afastar da verdade do Evangelho, por causa das doutrinas ensinadas por certos doutores de Colossos. Essas doutrinas misturavam pr\u00e1ticas legalistas (o que parece indicar tend\u00eancias judaizantes) com especula\u00e7\u00f5es acerca do culto dos anjos e do seu papel na salva\u00e7\u00e3o; exigiam um ascetismo r\u00edgido e o cumprimento de certos ritos de inicia\u00e7\u00e3o, destinados a comunicar aos crentes um conhecimento mais adequado dos mist\u00e9rios ocultos e lev\u00e1-los, atrav\u00e9s dos v\u00e1rios graus de inicia\u00e7\u00e3o, \u00e0 viv\u00eancia de uma vida religiosa mais aut\u00eantica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sem refutar essas doutrinas de modo direto, o autor da carta afirma a absoluta sufici\u00eancia de Cristo e assinala o seu lugar proeminente na cria\u00e7\u00e3o e na reden\u00e7\u00e3o dos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que nos \u00e9 hoje proposto pertence \u00e0 segunda parte da carta. Depois de constatar a supremacia de Cristo na cria\u00e7\u00e3o e na reden\u00e7\u00e3o (primeira parte), o autor avisa os Colossenses de que a uni\u00e3o com Cristo traz consequ\u00eancias a n\u00edvel de viv\u00eancia pr\u00e1tica (segunda parte): implica a ren\u00fancia ao \u201chomem velho\u201d do ego\u00edsmo e do pecado e o \u201crevestir-se do Homem Novo\u201d (Cl 3,9-11. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A nossa vida de todos os dias \u00e9, a cada instante, marcada por tens\u00f5es, ansiedades, conflitos e problemas que mexem com o nosso equil\u00edbrio e a nossa harmonia. Perdemos o controlo, tornamo-nos quezilentos e conflituosos, criticamos os outros com palavras que magoam, assumimos poses de arrog\u00e2ncia e de superioridade, enchemos as redes sociais com coment\u00e1rios infelizes\u2026 Talvez nos fa\u00e7a bem cada dia, em jeito de exame de consci\u00eancia, reservar um momento para olhar para Jesus e para confrontar os nossos gestos, as nossas palavras, as nossas escolhas com os gestos, as palavras e as suas op\u00e7\u00f5es. Admitimos que esse \u201cconfronto\u201d pode ajudar-nos a situar as perspetivas e a recentrar a nossa vida \u201cem Cristo\u201d?<\/li>\n<li>A nossa primeira responsabilidade vai, evidentemente, para aqueles que connosco partilham, de forma mais chegada, a vida do dia a dia (a nossa fam\u00edlia). Esse amor, que deve revestir-nos sempre, traduz-se numa aten\u00e7\u00e3o cont\u00ednua \u00e0quele que est\u00e1 ao nosso lado, \u00e0s suas necessidades e preocupa\u00e7\u00f5es, \u00e0s suas alegrias e tristezas, aos seus sorrisos e \u00e0s suas l\u00e1grimas? Traduz-se em gestos sentidos e partilhados de carinho e de ternura? Traduz-se num respeito absoluto pela liberdade e pelo espa\u00e7o do outro, por deixar o outro crescer sem o sufocar? Traduz-se na vontade de servir o outro, sem nos servirmos dele?<\/li>\n<li>A express\u00e3o \u201cesposas, sede submissas aos vossos maridos\u201d \u00e9, evidentemente, uma express\u00e3o anacr\u00f3nica, que deve ser devidamente contextualizada no universo cultural e social do s\u00e9c. I, mas que hoje n\u00e3o faz sentido. Para os que vivem \u201cem Cristo\u201d, o valor que preside \u00e0s rela\u00e7\u00f5es \u00e9 o amor\u2026 E o amor n\u00e3o comporta submiss\u00e3o ou superioridade, mas igualdade fundamental em dignidade e direitos. O mesmo Paulo dir\u00e1, noutras circunst\u00e2ncias, que para os que vivem \u201cem Cristo\u201d \u201cn\u00e3o h\u00e1 judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher\u201d, porque todos s\u00e3o um s\u00f3 em Cristo Jesus (Gl 3,28). \u00c9 este o horizonte em que vivemos e caminhamos? Alguma vez tratamos com sobranceria e superioridade as pessoas que caminham ao nosso lado? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mateus 2,13-15.19-23<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois de os Magos partirem,<br \/>\no Anjo do Senhor apareceu em sonhos a Jos\u00e9 e disse-lhe:<br \/>\n\u00abLevanta-te, toma o Menino e sua M\u00e3e e foge para o Egipto<br \/>\ne fica l\u00e1 at\u00e9 que eu te diga,<br \/>\npois Herodes vai procurar o Menino para O matar\u00bb.<br \/>\nJos\u00e9 levantou-se de noite,<br \/>\ntomou o Menino e sua M\u00e3e e partiu para o Egipto<br \/>\ne ficou l\u00e1 at\u00e9 \u00e0 morte de Herodes,<br \/>\npara se cumprir o que o Senhor anunciara pelo profeta:<br \/>\n\u00abDo Egipto chamei o meu filho\u00bb.<br \/>\nQuando Herodes morreu,<br \/>\no Anjo apareceu em sonhos a Jos\u00e9 no Egipto e disse-lhe:<br \/>\n\u00abLevanta-te, toma o Menino e sua M\u00e3e<br \/>\ne vai para a terra de Israel,<br \/>\npois aqueles que atentavam contra a vida do Menino<br \/>\nj\u00e1 morreram\u00bb.<br \/>\nJos\u00e9 levantou-se, tomou o Menino e sua M\u00e3e,<br \/>\ne voltou para a terra de Israel.<br \/>\nMas, quando ouviu dizer que Arquelau reinava na Judeia,<br \/>\nem lugar de seu pai, Herodes,<br \/>\nteve receio de ir para l\u00e1.<br \/>\nE, avisado em sonhos, retirou-se para a regi\u00e3o da Galileia<br \/>\ne foi morar numa cidade chamada Nazar\u00e9,<br \/>\npara se cumprir o que fora anunciado pelos Profetas:<br \/>\n\u00abH\u00e1 de chamar-Se Nazareno\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O interesse fundamental das primeiras gera\u00e7\u00f5es crist\u00e3s n\u00e3o se centrou na inf\u00e2ncia de Jesus, mas sim na Sua prega\u00e7\u00e3o e na Sua proposta de salva\u00e7\u00e3o; por isso, a primeira catequese crist\u00e3 conservou especialmente as recorda\u00e7\u00f5es sobre a vida p\u00fablica e a paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor. S\u00f3 num est\u00e1dio posterior houve uma certa curiosidade acerca dos primeiros anos da vida de Jesus. Recolheram-se e ordenaram-se, ent\u00e3o, algumas informa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas sobre a inf\u00e2ncia de Jesus. Esse material serviu de base aos evangelistas Mateus e a Lucas para, a partir dele, tecerem as suas reflex\u00f5es sobre o mist\u00e9rio de Jesus: a sua pessoa, a sua origem, a sua miss\u00e3o, a raz\u00e3o da sua presen\u00e7a no meio dos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto, a preocupa\u00e7\u00e3o fundamental de Mateus e de Lucas \u2013 ao redigirem o \u201cEvangelho da Inf\u00e2ncia de Jesus \u2013 n\u00e3o era de \u00e2mbito hist\u00f3rico e factual, mas sim teol\u00f3gico e catequ\u00e9tico. Um e outro recorreram, para construir as suas narrativas, a m\u00e9todos que os rabis da \u00e9poca utilizavam para explorar e comentar o texto b\u00edblico e que inclu\u00edam hist\u00f3rias fantasiosas, reflex\u00f5es, interpreta\u00e7\u00f5es, compara\u00e7\u00f5es, tudo isso enla\u00e7ado com tipologias (correspond\u00eancia entre factos e pessoas do Antigo Testamento e outros factos e pessoas do Novo Testamento), manifesta\u00e7\u00f5es apocal\u00edpticas (anjos, apari\u00e7\u00f5es, sonhos) e outros recursos liter\u00e1rios utilizados pelos \u201ccomunicadores\u201d da \u00e9poca. O resultado desse trabalho \u00e9 um texto muito belo, talvez um tanto ing\u00e9nuo, artificioso e com base hist\u00f3rica discut\u00edvel, mas que nos faz mergulhar profundamente no mist\u00e9rio de Jesus, o Deus que veio ao encontro dos homens e encontrou o seu \u201clar\u201d numa humilde fam\u00edlia de Nazar\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mateus situa nos dias do rei Herodes, o Grande, o epis\u00f3dio narrado no evangelho deste dia. Herodes nasceu por volta de 73 a.C. e morreu no ano 4 a.C., cerca de dois anos ap\u00f3s o nascimento de Jesus. Tornou-se rei da Judeia no ano 40 a.C.; mas, a partir dessa data, foi recebendo das autoridades romanas jurisdi\u00e7\u00e3o sobre outros territ\u00f3rios, at\u00e9 reinar sobre toda a Palestina. Embora se tenha distinguido pelas grandes obras que levou a cabo, Herodes foi um rei cruel e desp\u00f3tico, que para defender o seu trono cometeu atos de extrema viol\u00eancia, inclusive contra membros da sua pr\u00f3pria fam\u00edlia. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Nestes dias de celebra\u00e7\u00e3o natal\u00edcia, tempo por excel\u00eancia de reuni\u00e3o familiar e de fortalecimento dos la\u00e7os familiares, a Igreja convida-nos a contemplar a Fam\u00edlia de Jesus, Maria e Jos\u00e9. Que vemos? Com que cores nos aparece desenhado este quadro familiar? Sobretudo com as cores da unidade, da solidariedade, da fraternidade, da comunh\u00e3o. A Fam\u00edlia de Nazar\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma fam\u00edlia \u201csem problemas\u201d, onde a vida n\u00e3o \u201cd\u00f3i\u201d e onde tudo \u00e9 um mar de rosas: \u00e9 uma fam\u00edlia perseguida e amea\u00e7ada, que tem de abandonar a comodidade do seu lar para viver na clandestinidade, que enfrenta a pobreza, a priva\u00e7\u00e3o, a precariedade, talvez a hostilidade da gente da terra onde procurou ref\u00fagio\u2026 No entanto, \u00e9 uma fam\u00edlia que as vicissitudes e crises n\u00e3o conseguem derrotar. Os membros desta fam\u00edlia mant\u00eam-se unidos, solid\u00e1rios, dispostos a enfrentar juntos os riscos e perigos, dispon\u00edveis para qualquer sacrif\u00edcio quando a vida de algum deles est\u00e1 em causa. N\u00e3o vivem em compartimentos estanques, onde a dor do outro n\u00e3o chega; n\u00e3o se fecham nos seus mundos pessoais, surdos e indiferentes \u00e0quilo que se passa \u00e0 volta\u2026. Sentem-se respons\u00e1veis pela vida do outro, est\u00e3o dispostos a dar a vida pelo outro, amam-se verdadeiramente. S\u00e3o assim as nossas fam\u00edlias? Nas nossas fam\u00edlias h\u00e1 solidariedade, uni\u00e3o e fraternidade? Sentimos os problemas do outro e empenhamo-nos seriamente em ajud\u00e1-lo a superar as dores que a vida traz? A nossa fam\u00edlia \u00e9, apenas, um hotel onde temos (por pre\u00e7o m\u00f3dico) casa, mesa e roupa lavada, ou \u00e9 um verdadeiro espa\u00e7o de encontro, de partilha, de constru\u00e7\u00e3o, de solidariedade, de comunh\u00e3o, de amor?<\/li>\n<li>A Sagrada Fam\u00edlia \u00e9 uma fam\u00edlia onde Deus est\u00e1 quotidianamente presente e \u00e9 refer\u00eancia fundamental. Ali escuta-se a Palavra de Deus, aprende-se a ler os sinais de Deus, faz-se a experi\u00eancia do amor de Deus. \u00c9 na escuta da Palavra de Deus que a fam\u00edlia de Nazar\u00e9 encontra for\u00e7a para vencer as crises e contrariedades; \u00e9 na escuta de Deus que a fam\u00edlia de Jesus, Maria e Jos\u00e9 consegue discernir os caminhos a percorrer; \u00e9 na experi\u00eancia de Deus que a Sagrada Fam\u00edlia descobre e acolhe os valores que est\u00e3o na base do seu projeto familiar\u2026 As nossas fam\u00edlias s\u00e3o fam\u00edlias constru\u00eddas \u00e0 volta de Deus? S\u00e3o fam\u00edlias onde se aprende a dialogar com Deus e a ver Deus como um Pai bom e cheio de amor? S\u00e3o fam\u00edlias onde se escuta a Palavra de Deus, onde se aprende a ler os sinais de Deus, onde se procura perceber o que Deus diz? Na organiza\u00e7\u00e3o do nosso projeto familiar, encontramos tempo, espa\u00e7o e vontade para reunir a fam\u00edlia \u00e0 volta da Palavra de Deus e para partilhar, em fam\u00edlia, a Palavra de Deus?<\/li>\n<li>A Fam\u00edlia de Jesus, Maria e Jos\u00e9 \u00e9, tamb\u00e9m, uma fam\u00edlia que obedece a Deus\u2026 Depois de escutar as indica\u00e7\u00f5es de Deus, simplesmente age em conformidade. N\u00e3o discute, n\u00e3o argumenta, n\u00e3o exige explica\u00e7\u00f5es suplementares, n\u00e3o pede garantias. Confia incondicionalmente em Deus e disp\u00f5e-se a concretizar os des\u00edgnios de Deus. Abandona o espa\u00e7o onde se sente confort\u00e1vel e enfrenta o desconhecido com a confian\u00e7a de quem est\u00e1 seguro da fiabilidade de Deus. Ora, \u00e9 precisamente o cumprimento obediente dos projetos de Deus que assegura a esta fam\u00edlia um futuro de vida, de tranquilidade e de paz. A nossa fam\u00edlia aceita com serenidade os esquemas e a l\u00f3gica de Deus \u2013 mesmo quando eles parecem incompreens\u00edveis e estranhos \u00e0 luz da l\u00f3gica dos homens \u2013 e percorre, com confian\u00e7a, os caminhos de Deus?<\/li>\n<li>Quando numa fam\u00edlia Deus \u201cconta\u201d, os valores de Deus passam a ser, para todos os membros daquela comunidade familiar, as marcas que definem o sentido da exist\u00eancia. O espa\u00e7o familiar torna-se, ent\u00e3o, a escola onde se aprende o amor, a solidariedade, a partilha, o servi\u00e7o, o di\u00e1logo, o respeito, o perd\u00e3o, a fraternidade universal, o cuidado da cria\u00e7\u00e3o, a aten\u00e7\u00e3o aos mais fr\u00e1geis, o sentido do compromisso, do sacrif\u00edcio, da entrega e da doa\u00e7\u00e3o\u2026 Procuramos que a nossa comunidade familiar seja uma \u201cescola de valores\u201d onde todos possam aprender os valores que d\u00e3o sentido \u00e0 exist\u00eancia? Procuramos, no contexto da nossa comunidade familiar, preparar cada um dos seus membros para ser um cidad\u00e3o respons\u00e1vel e consciente, capaz de se comprometer na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo, mais verdadeiro, mais fraterno, mais humano?<\/li>\n<li>Vivemos num tempo dif\u00edcil, que n\u00e3o favorece a constru\u00e7\u00e3o de um projeto familiar coerente com os valores de Deus. Muitos pais, afundados em mil dificuldades, ultrapassados por uma sociedade de ego\u00edsmo, de bem-estar, de indiferen\u00e7a, de incredulidade, n\u00e3o sabem como agir no sentido de oferecer aos filhos uma educa\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel, s\u00e3, solid\u00e1ria, coerente com a f\u00e9 crist\u00e3. Esses pais n\u00e3o poderiam e n\u00e3o deveriam receber, no exerc\u00edcio da sua miss\u00e3o de educadores, uma ajuda mais concreta e eficaz a partir das comunidades crist\u00e3s? Que apoio \u00e9 que a comunidade crist\u00e3 poder\u00e1 dar aos pais crentes que encontram dificuldades no projeto de educar responsavelmente os seus filhos?<\/li>\n<li>A fam\u00edlia de Jesus foi obrigada a abandonar a sua terra para procurar seguran\u00e7a e paz numa terra estrangeira. Conheceu o mundo dos exilados, dos refugiados, dos \u201csem pap\u00e9is\u201d, dos perseguidos, dos rejeitados, dos que t\u00eam de lutar para terem um lugar onde se sintam \u201chumanos\u201d e onde possam viver com a dignidade que merecem. Vinte e um s\u00e9culos depois, h\u00e1 fam\u00edlias que continuam a percorrer um caminho id\u00eantico: atravessam os mares em embarca\u00e7\u00f5es fr\u00e1geis e sobrelotadas e arriscam a vida para tentar escapar da mis\u00e9ria, da viol\u00eancia, da fome; percorrem continentes a p\u00e9, enfrentam o p\u00f3 dos caminhos e a viol\u00eancia das m\u00e1fias, s\u00e3o detidos por muros que delimitam fronteiras e que os separam do sonho de uma vida melhor; conhecem todos os cantos e esquinas da clandestinidade, da mis\u00e9ria, da rejei\u00e7\u00e3o, do sofrimento\u2026 Como acolhemos e tratamos essas pessoas que chegam \u00e0s nossas portas e nos estendem a m\u00e3o? Como irm\u00e3os e irm\u00e3s por quem somos respons\u00e1veis? Temos consci\u00eancia que fechar as portas a quem foge da viol\u00eancia ou da mis\u00e9ria \u00e9 fechar as portas a Jesus, a Maria e a Jos\u00e9?<\/li>\n<li>No relato da fuga da Sagrada Fam\u00edlia para o Egito, o evangelista Mateus estabelece uma correspond\u00eancia entre as figuras de Jesus e de Mois\u00e9s. Mois\u00e9s foi chamado por Deus e enviado para libertar os hebreus da escravid\u00e3o do fara\u00f3, rei do Egito; Jesus, o Messias de Deus, foi enviado por Deus ao mundo para libertar os homens da viol\u00eancia, da injusti\u00e7a, do ego\u00edsmo, da maldade, de tudo aquilo que produz sofrimento e morte. Os escravos hebreus confiaram em Mois\u00e9s e seguiram-no no caminho que levava \u00e0 terra da liberdade; estamos n\u00f3s, de igual maneira, dispon\u00edveis para acolher Jesus como o nosso libertador, para escut\u00e1-l\u2019O, para confiar nas suas indica\u00e7\u00f5es, para O seguir no caminho que conduz \u00e0 vida e \u00e0 salva\u00e7\u00e3o? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 de f\u00e1cil proclama\u00e7\u00e3o e exige apenas uma boa prepara\u00e7\u00e3o com um tom exortativo que valorize as express\u00f5es que se repetem: \u00ab<em>quem honra seu pai<\/em>\u00bb. O leitor deve proclamar este texto como um s\u00e1bio que transmite os seus conselhos sapienciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na <strong>segunda leitura,<\/strong> \u00e9 necess\u00e1rio ter em aten\u00e7\u00e3o as enumera\u00e7\u00f5es presentes no texto: \u00ab<em>sentimentos de miseric\u00f3rdia, de bondade, humildade, mansid\u00e3o e paci\u00eancia<\/em>\u00bb e \u00ab<em>com salmos, hinos e c\u00e2nticos inspirados<\/em>\u00bb. Al\u00e9m disso, devem ter em aten\u00e7\u00e3o os vocativos finais a quem se dirige o ap\u00f3stolo: \u00ab<em>Esposas<\/em>\u00bb; \u00ab<em>Maridos<\/em>\u00bb; \u00ab<em>Filhos<\/em>\u00bb; \u00ab<em>Pais<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Natal-2025-Ano-A-25.12.2025-Lecionario.pdf\">Natal 2025 &#8211; Ano A &#8211; 25.12.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Natal-2025-Ano-A-25.12.2025-Oracao-Universal.pdf\">Natal 2025 &#8211; Ano A &#8211; 25.12.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Leitura-I-do-Domingo-da-Sagrada-Familia-Ano-A-28.12.2025-Ben-Sira-3-3-7.14-17a.pdf\">Leitura I do Domingo da Sagrada Fam\u00edlia &#8211; Ano A &#8211; 28.12.2025 (Ben-Sir\u00e1 3, 3-7.14-17a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Leitura-II-do-Domingo-da-Sagrada-Familia-Ano-A-28.12.2025-Colossenses-3-12-21.pdf\">Leitura II do Domingo da Sagrada Fam\u00edlia &#8211; Ano A &#8211; 28.12.2025 (Colossenses 3, 12-21)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-da-Sagrada-Familia-de-Jesus-Maria-e-Jose-Ano-A-28.12.2025-Lecionario.pdf\">Domingo da Sagrada Fam\u00edlia de Jesus, Maria e Jos\u00e9 &#8211; Ano A &#8211; 28.12.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-da-Sagrada-Familia-de-Jesus-Maria-e-Jose-Ano-A-28.12.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo da Sagrada Fam\u00edlia de Jesus, Maria e Jos\u00e9 &#8211; Ano A &#8211; 28.12.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-da-Sagrada-Familia-de-Jesus-Maria-e-Jose-Ano-A-28.12.2025-refletindo.pdf\">Domingo da Sagrada Fam\u00edlia de Jesus, Maria e Jos\u00e9 &#8211; Ano A &#8211; 28.12.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-da-Sagrada-Familia-de-Jesus-Maria-e-Jose-Ano-A-28.12.2025.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo da Sagrada Fam\u00edlia de Jesus, Maria e Jos\u00e9 &#8211; Ano A &#8211; 28.12.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Bispo-do-Porto-Mensagem-de-Natal.pdf\">Bispo do Porto &#8211; Mensagem de Natal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Uma-historia-de-Natal.pdf\">Uma hist\u00f3ria de Natal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo IV do Tempo do Advento \u2013 Ano A \u2013 21.12.2025&#8243; tab_id=&#8221;1767016901737-0523e534-85bb&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 16.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo IV do Tempo do Advento \u2013 Ano A \u2013 21.12.2025<\/span><\/h4>\n<figure id=\"attachment_12653\" aria-describedby=\"caption-attachment-12653\" style=\"width: 486px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12653 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-IV.jpg\" alt=\"\" width=\"486\" height=\"538\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12653\" class=\"wp-caption-text\">Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: \u00abJos\u00e9, filho de David, n\u00e3o temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou \u00e9 fruto do Esp\u00edrito Santo. Ela dar\u00e1 \u00e0 luz um Filho e tu p\u00f4r-Lhe-\u00e1s o nome de Jesus, porque Ele salvar\u00e1 o povo dos seus pecados\u00bb.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Tempo de Advento \u00e9 um tempo paradigm\u00e1tico para a nossa exist\u00eancia crist\u00e3: viver em atitude de espera vigilante, renovar no cora\u00e7\u00e3o a esperan\u00e7a de que o Senhor vem e se faz presente na nossa vida e escutar a voz de Deus que nos comunica os seus sonhos e projetos. O crist\u00e3o, batizado em Cristo e sustentado pela for\u00e7a transformadora do Seu amor, \u00e9 aquele que vive a certeza de que, em Jesus Cristo, Deus veio ao nosso encontro, assumindo a nossa natureza humana, mas que tamb\u00e9m continua a visitar-nos e a vir ao nosso encontro, no quotidiano da nossa exist\u00eancia, para renovar no nosso cora\u00e7\u00e3o a certeza de que um dia vir\u00e1 para instaurar os novos c\u00e9us e a nova terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos na imin\u00eancia da celebra\u00e7\u00e3o do Natal do Senhor e o Tempo de Advento vai adiantado, \u00e9 tempo de pararmos para nos perguntarmos como estamos a viver este tempo e como exercitamos esta atitude de espera confiante que nos forja na arte de descobrir os sinais de Deus no nosso dia-a-dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A profecia de Isa\u00edas que escut\u00e1mos na primeira leitura j\u00e1 se cumpriu. A Virgem de Nazar\u00e9 concebeu e deu \u00e0 luz um filho, o Emanuel, o Deus connosco, Aquele que n\u00e3o \u00e9 indiferente \u00e0s nossas dores e ang\u00fastias, alegrias e esperan\u00e7as, mas que se faz um de n\u00f3s e trilha connosco os caminhos da hist\u00f3ria. \u00c9 Ele, Aquele por quem Paulo recebe a miss\u00e3o de Ap\u00f3stolo e que conta com cada um de n\u00f3s para que a Boa Nova da salva\u00e7\u00e3o possa ecoar no tempo e na hist\u00f3ria, chegando ao cora\u00e7\u00e3o de cada homem e de cada mulher: \u00ab<em>por Ele recebemos a gra\u00e7a e a miss\u00e3o de ap\u00f3stolo, a fim de levarmos todos os gentios a obedecerem \u00e0 f\u00e9, para honra do seu nome, dos quais fazeis parte tamb\u00e9m v\u00f3s, chamados por Jesus Cristo<\/em>\u00bb. Somos disc\u00edpulos porque aprendizes na escola da arte de amar, mas tamb\u00e9m ap\u00f3stolos, porque n\u00e3o podemos calar as maravilhas que Deus opera e porque o amor tem de ser anunciado como for\u00e7a transformadora na constru\u00e7\u00e3o de um mundo novo e diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 verdade, que muitas vezes os desafios da sociedade contempor\u00e2nea, os medos, as limita\u00e7\u00f5es e fragilidades habitam o nosso cora\u00e7\u00e3o e nos conduzem a resolu\u00e7\u00f5es humanas que nos afastam do projeto de Deus. Por isso, devemos aprender a contemplar a figura de Jos\u00e9 que n\u00e3o cede de modo tempestivo \u00e0s surpresas da vida, mas que as procura acolher no cora\u00e7\u00e3o pela arte da escuta e do sil\u00eancio. Diante de Maria, sua noiva, que se encontra gr\u00e1vida antes de viverem em comum, Jos\u00e9 pensa repudi\u00e1-la em segredo. Ele n\u00e3o come\u00e7a por fazer longos discursos e prele\u00e7\u00f5es. Curiosamente, n\u00e3o escutamos uma \u00fanica palavra de Jos\u00e9, nem nesta ocasi\u00e3o, nem em qualquer outra das poucas p\u00e1ginas evang\u00e9licas onde ele aparece. Jos\u00e9 \u00e9 um homem justo, simples e bom, discreto e humilde, que nos recorda que a verdadeira riqueza n\u00e3o est\u00e1 tanto nas coisas que dizemos, mas na atitude de escuta que nos coloca a caminho com determina\u00e7\u00e3o e confian\u00e7a para realizar os sonhos de Deus e colaborar na Sua obra de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No sil\u00eancio do sono, Jos\u00e9 recebe, num sonho, a certeza de que tudo o que est\u00e1 a acontecer \u00e9 obra de Deus pela for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo e o filho que h\u00e1 de nascer do seio de Maria \u00e9 Jesus \u00ab<em>porque Ele salvar\u00e1 o povo dos seus pecados<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ele confia e \u00ab<em>quando despertou do sono, Jos\u00e9 fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa<\/em>\u00bb. Ao contr\u00e1rio da anuncia\u00e7\u00e3o a Maria, Jos\u00e9 n\u00e3o profere qualquer resposta, mas toma uma atitude e age de acordo com o plano de Deus. Como ele, somos chamados acolher os sonhos de Deus e agir com determina\u00e7\u00e3o e confian\u00e7a. Deus conta connosco, com a nossa disponibilidade e prontid\u00e3o, para que sejamos verdadeiros ap\u00f3stolos que percorrem com alegria a estrada da santidade, aceitando o desafio de fazer do nosso cora\u00e7\u00e3o espa\u00e7o onde os sonhos possam habitar. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong><em>\u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>No IV Domingo do Tempo de Advento estamos j\u00e1 na imin\u00eancia da celebra\u00e7\u00e3o do Natal do Senhor e s\u00e3o muitas as coisas a preparar e ultimar para a celebra\u00e7\u00e3o familiar desta quadra natal\u00edcia. Este Domingo \u00e9 uma oportunidade para convidar cada fam\u00edlia a fazer da Ceia de Natal um verdadeiro lugar de viv\u00eancia crist\u00e3, de modo particular pela ora\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia. Por isso, deve convidar-se cada fam\u00edlia a valorizar o momento de ora\u00e7\u00e3o no in\u00edcio da Ceia Natal\u00edcia, acendendo uma vela ou valorizando as figuras do Pres\u00e9pio, porventura com o beijar do Menino no in\u00edcio da Ceia. Poder\u00e1 ser \u00fatil a distribui\u00e7\u00e3o de uma proposta de ora\u00e7\u00e3o nas eucaristias dominicais deste Domingo. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estamos j\u00e1 no Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanh\u00e1mos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 7,10-14<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\no Senhor mandou ao rei Acaz a seguinte mensagem:<br \/>\n\u00abPede um sinal ao Senhor teu Deus,<br \/>\nquer nas profundezas do abismo,<br \/>\nquer l\u00e1 em cima nas alturas\u00bb.<br \/>\nAcaz respondeu:<br \/>\n\u00abN\u00e3o pedirei, n\u00e3o porei o Senhor \u00e0 prova\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o Isa\u00edas disse:<br \/>\n\u00abEscutai, casa de David:<br \/>\nN\u00e3o vos basta que andeis a molestar os homens<br \/>\npara quererdes tamb\u00e9m molestar o meu Deus?<br \/>\nPor isso, o pr\u00f3prio Senhor vos dar\u00e1 um sinal:<br \/>\na virgem conceber\u00e1 e dar\u00e1 \u00e0 luz um filho<br \/>\ne o seu nome ser\u00e1 Emanuel\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No ano 745 a.C. Tiglat-Pileser III sobe ao trono ass\u00edrio. Inicia imediatamente uma pol\u00edtica imperialista que conduz \u00e0 anexa\u00e7\u00e3o de diversos reinos da regi\u00e3o. Alguns anos depois, em 738 a.C., as tropas ass\u00edrias invadem os reinos de Tiro, Damasco e Israel. Esses reinos ficam submetidos a Tiglat-Pileser III e s\u00e3o obrigados a pagar-lhe um pesado tributo. Tiglat-Pileser III, contudo, obrigado a enfrentar problemas militares no Norte do seu imp\u00e9rio, n\u00e3o avan\u00e7a para a conquista do reino de Jud\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em 736 a.C., Acaz sobe ao trono de Jud\u00e1. Pouco depois Pecah, rei de Israel, toma a decis\u00e3o de rebelar-se contra o dom\u00ednio ass\u00edrio. Convida Acaz, rei de Jud\u00e1, a entrar numa coliga\u00e7\u00e3o anti-ass\u00edria com Rezin, rei da S\u00edria. Acaz, prevendo que uma aventura desse tipo acabaria mal, recusa. Ent\u00e3o Pecah e Rezin lan\u00e7am as suas tropas contra Jerusal\u00e9m, com o objetivo de derrubar Acaz e instalar no trono de Jud\u00e1 um rei disposto a participar numa rebeli\u00e3o contra a Ass\u00edria. Acaz receia n\u00e3o poder opor-se \u00e0s tropas de Pecah e Rezin. Decide ent\u00e3o pedir a ajuda dos ass\u00edrios para resistir aos invasores. O profeta Isa\u00edas n\u00e3o est\u00e1 de acordo com a decis\u00e3o de Acaz: para ele, Jud\u00e1 deve contar unicamente com Deus; confiar a seguran\u00e7a da na\u00e7\u00e3o a pot\u00eancias e a ex\u00e9rcitos estrangeiros \u00e9, na perspetiva de Isa\u00edas, abandonar Deus e expor o pa\u00eds a depend\u00eancias que s\u00f3 podem trazer sofrimento e opress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Isa\u00edas, acompanhado do seu filho Chear-Yachub, vai encontrar-se com o rei Acaz junto do aqueduto de Guijon, uma fonte de \u00e1gua que abastecia Jerusal\u00e9m. Pede-lhe que confie em Deus, pois Deus ir\u00e1 livr\u00e1-lo dos ex\u00e9rcitos de Pecah e Rezin (cf. Is 7,3-9). N\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio pedir a interven\u00e7\u00e3o da Ass\u00edria. Acaz, no entanto, mant\u00e9m-se firme na sua decis\u00e3o pol\u00edtica de pedir aux\u00edlio aos ass\u00edrios. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Para aqueles que s\u00e3o capazes de observar a hist\u00f3ria dos homens com os olhos da f\u00e9, h\u00e1 uma realidade incontorn\u00e1vel, que se vai manifestando a cada momento e das mais variadas formas: a \u201cvinda\u201d de Deus ao encontro dos homens para os acompanhar e guiar, a presen\u00e7a decisiva de Deus em cada curva do caminho que a humanidade est\u00e1 a percorrer, o cuidado e a ternura de Deus pelos seus queridos filhos que peregrinam no mundo ao encontro da vida verdadeira. O \u201ccaso\u201d referido na primeira leitura deste quarto domingo do Advento encaixa-se bem neste molde: num tempo de desnorte e de crise, quando o rei Acaz insiste em arrastar Jud\u00e1 para caminhos sem sa\u00edda, Deus vem ao encontro do Seu povo para lhe apontar o caminho que leva \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Desde Acaz at\u00e9 aos nossos dias muita \u00e1gua correu sob as pontes da hist\u00f3ria; mas Deus, felizmente, ainda n\u00e3o perdeu essa bela \u201cmania\u201d de se meter connosco, de vir ao nosso encontro, de nos apontar caminhos, de ser o \u201cDeus connosco\u201d. A celebra\u00e7\u00e3o do nascimento de Jesus \u2013 que ocorrer\u00e1 dentro de poucos dias \u2013 coloca-nos frente a essa realidade. Estamos dispon\u00edveis para acolher o Deus que, em Jesus, vem ter connosco? Estamos dispostos a p\u00f4r de lado as nossas velhas ideias e preconceitos, os nossos interesses mesquinhos, as nossas certezas absolutas, para acolher as propostas e indica\u00e7\u00f5es de Deus?<\/li>\n<li>Acaz disse ao profeta Isa\u00edas que n\u00e3o queria pedir a Deus um sinal porque n\u00e3o queria colocar Deus \u00e0 prova. Tratava-se de uma desculpa esfarrapada. A verdade \u00e9 que Acaz confiava mais nas alian\u00e7as com os poderosos, na for\u00e7a do ex\u00e9rcito ass\u00edrio, no poder das armas, na l\u00f3gica da viol\u00eancia, do que em Deus. Acaz representa bem uma certa mentalidade \u201cmoderna\u201d, racional e concreta, que prefere apostar em l\u00f3gicas terrenas e humanas do que em l\u00f3gicas que nos colocam na \u00e1rea da transcend\u00eancia e do mist\u00e9rio insond\u00e1vel de Deus. O problema, no entanto, \u00e9 que os alicerces humanos sobre os quais constru\u00edmos os nossos projetos se revelam, quase sempre, pouco fi\u00e1veis. Desmoronam-se rapidamente, traem a nossa confian\u00e7a, desiludem-nos a cada passo. Acaz fez rapidamente essa experi\u00eancia. E Deus, tamb\u00e9m nos desilude e nos trai? Talvez nem sempre entendamos a Sua l\u00f3gica e os Seus \u201ctempos\u201d de interven\u00e7\u00e3o; mas Deus alguma vez nos deixou cair ou se voltou contra n\u00f3s? Onde est\u00e1 a nossa \u201crocha segura\u201d que n\u00e3o falha: em Deus ou nas estruturas humanas?<\/li>\n<li>Deus, para tornar mais claro o caminho certo, enviou a Acaz um sinal. Acaz, no entanto, n\u00e3o quis ou n\u00e3o soube \u201cler\u201d o sinal que Deus colocou diante dos seus olhos; por isso, n\u00e3o conseguiu fazer a escolha acertada e acabou por conduzir o seu povo por caminhos de morte e de desgra\u00e7a. O exemplo de Acaz pode servir de base para nos questionarmos sobre a forma como encaramos os sinais que Deus coloca diante dos nossos olhos. Caminhamos atentos aos \u201csinais\u201d que Deus posta na estrada da nossa vida e atrav\u00e9s dos quais nos indica o caminho que conduz \u00e0 vida verdadeira, ou caminhamos numa alegre inconsci\u00eancia, ao sabor da corrente e dos momentos, desviando-nos por atalhos que nos afastam do objetivo e nos fazem sofrer. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 23 (24)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Venha o Senhor: \u00e9 Ele o rei glorioso.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: O Senhor vir\u00e1: Ele \u00e9 o rei da gl\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Do Senhor \u00e9 a terra e o que nela existe,<br \/>\no mundo e quantos nele habitam.<br \/>\nEle a fundou sobre os mares<br \/>\ne a consolidou sobre as \u00e1guas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem poder\u00e1 subir \u00e0 montanha do Senhor?<br \/>\nQuem habitar\u00e1 no seu santu\u00e1rio?<br \/>\nO que tem as m\u00e3os inocentes e o cora\u00e7\u00e3o puro,<br \/>\nque n\u00e3o invocou o seu nome em v\u00e3o nem jurou falso.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Este ser\u00e1 aben\u00e7oado pelo Senhor<br \/>\ne recompensado por Deus, seu Salvador.<br \/>\nEsta \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o dos que O procuram,<br \/>\nque procuram a face do Deus de Jacob.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Romanos 1,1-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Paulo, servo de Jesus Cristo,<br \/>\nap\u00f3stolo por chamamento divino,<br \/>\nescolhido para o Evangelho<br \/>\nque Deus tinha de antem\u00e3o prometido pelos profetas<br \/>\nnas Sagradas Escrituras, acerca de seu Filho,<br \/>\nnascido da descend\u00eancia de David, segundo a carne,<br \/>\nmas, pelo Esp\u00edrito que santifica,<br \/>\nconstitu\u00eddo Filho de Deus em todo o seu poder<br \/>\npela sua ressurrei\u00e7\u00e3o de entre os mortos:<br \/>\nEle \u00e9 Jesus Cristo, Nosso Senhor.<br \/>\nPor Ele recebemos a gra\u00e7a e a miss\u00e3o de ap\u00f3stolo,<br \/>\na fim de levarmos todos os gentios a obedecerem \u00e0 f\u00e9,<br \/>\npara honra do seu nome,<br \/>\ndos quais fazeis parte tamb\u00e9m v\u00f3s,<br \/>\nchamados por Jesus Cristo.<br \/>\nA todos os que habitam em Roma,<br \/>\namados por Deus e chamados a serem santos,<br \/>\na gra\u00e7a e a paz de Deus nosso Pai<br \/>\ne do Senhor Jesus Cristo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em meados do s\u00e9c. I, Roma era a maior cidade do mundo, com aproximadamente um milh\u00e3o de habitantes. Neste n\u00famero estavam inclu\u00eddos cerca de 50.000 judeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Provavelmente, o cristianismo chegou a Roma levado por judeus palestinos convertidos ao Evangelho de Jesus. Uma antiga tradi\u00e7\u00e3o diz que foi Pedro quem anunciou o Evangelho em Roma, por volta do ano 42, e que da sua prega\u00e7\u00e3o resultou uma florescente comunidade crist\u00e3. No entanto, n\u00e3o temos evid\u00eancias que comprovem esta tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Paulo escreveu a sua Carta aos Romanos por volta do ano 57 ou 58. Estava, por essa altura, prestes a terminar a sua terceira viagem mission\u00e1ria. Sentia que tinha conclu\u00eddo a sua miss\u00e3o no Mediterr\u00e2neo oriental, pois as igrejas que fundara e acompanhara nessas paragens estavam organizadas e j\u00e1 podiam caminhar por si pr\u00f3prias. O olhar de Paulo dirigia-se agora para ocidente. O ap\u00f3stolo pensava passar por Roma, deter-se algum tempo nessa cidade e viajar depois para a Espanha para a\u00ed anunciar o Evangelho (cf. Rm 15,24-28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao dirigir-se por carta aos crist\u00e3os de Roma, Paulo pretendia estabelecer la\u00e7os com eles; mas tamb\u00e9m aproveitou a oportunidade para lhes apresentar os principais problemas que ent\u00e3o o preocupavam, entre os quais sobressa\u00eda a quest\u00e3o da unidade. Tratava-se de um problema que se sentia um pouco por todo o lado e que tamb\u00e9m inquietava a jovem comunidade crist\u00e3 de Roma, afetada por dificuldades de relacionamento entre crist\u00e3os de origem judaica e crist\u00e3os vindos do mundo greco-romano. Com serenidade e lucidez, evitando qualquer pol\u00e9mica, Paulo exp\u00f4s aos crist\u00e3os de Roma as linhas mestras do Evangelho que anunciava. A Carta aos Romanos \u00e9 uma esp\u00e9cie de resumo da teologia paulina e, do ponto de vista teol\u00f3gico, o escrito mais completo de Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na primeira parte da Carta (cf. Rm 1,18-11,36), Paulo vai fazer notar aos crist\u00e3os divididos que o Evangelho \u00e9 a for\u00e7a que congrega e que salva todo o crente, sem distin\u00e7\u00e3o de judeu, grego ou romano. Embora o pecado seja uma realidade universal, que afeta todos os homens (cf. Rm 1,18-3,20), a \u201cjusti\u00e7a de Deus\u201d d\u00e1 vida a todos, sem distin\u00e7\u00e3o (cf. Rm 3,1-5,11); e \u00e9 em Jesus Cristo que essa vida se comunica e que transforma o homem (cf. Rm 5,12-8,39). Batizado em Cristo, o crist\u00e3o morre para o pecado e nasce para uma vida nova. Passa a ser conduzido pelo Esp\u00edrito e torna-se filho de Deus; libertado do pecado e da morte, produz frutos de santifica\u00e7\u00e3o e caminha para a Vida eterna. Na segunda parte da carta (cf. Rm 12,1-15,13) Paulo, de uma forma bastante pr\u00e1tica, exorta os crist\u00e3os a viverem de acordo com o Evangelho de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que nos \u00e9 hoje proposto \u00e9 parte da introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 carta. Sabendo que se trata de uma comunidade que n\u00e3o foi fundada por ele, Paulo adota singulares precau\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, a fim de n\u00e3o melindrar os crist\u00e3os de Roma. Come\u00e7a por se apresentar e por definir a miss\u00e3o que Deus lhe confiou.<strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Paulo n\u00e3o fez parte daquele grupo que acompanhou Jesus desde a Galileia a Jerusal\u00e9m e que foi testemunha ocular do que Jesus disse e fez. Descobriu Jesus mais tarde, precisamente quando ia a caminho de Damasco, com um mandato do Sin\u00e9drio para descobrir os crist\u00e3os dessa cidade e traz\u00ea-los algemados para Jerusal\u00e9m (cf. At 9,2). No entanto, esse encontro com Jesus na estrada de Damasco foi absolutamente decisivo na vida de Paulo. Mudou completamente o horizonte sobre o qual ele pensava construir o seu projeto de vida. Desde o primeiro instante em que conheceu Jesus, Paulo acolheu-O; e acolheu-O de tal maneira que passou a dizer: \u201cj\u00e1 n\u00e3o sou eu que vivo, mas \u00e9 Cristo que vive em mim\u201d (Gl 2,20). O Evangelho de Jesus passou a ser, para Paulo, a norma suprema, a sua refer\u00eancia fundamental. Numa altura em que estamos a poucos dias da celebra\u00e7\u00e3o do nascimento de Jesus, talvez Paulo possa mostrar-nos como se acolhe Jesus. Vamos, uma vez mais, encontrar-nos com o Senhor Jesus que vem ter connosco. Estamos dispon\u00edveis para o acolher (como Paulo o acolheu quando se encontrou com Ele na estrada de Damasco) e para deixar que Ele nos transforme? Estamos dispon\u00edveis para caminhar com Ele e para fazer do Seu Evangelho o nosso \u201cprograma\u201d de vida?<\/li>\n<li>Paulo, depois de se encontrar com Jesus, tornou-se \u201cap\u00f3stolo\u201d. Aceitou o chamamento de Deus e fez-se \u201ctestemunha\u201d de Jesus e do Seu projeto por todos os lugares onde a vida o levou. N\u00e3o podia ser de outra forma: quando algu\u00e9m faz uma verdadeira experi\u00eancia de Jesus, percebe que n\u00e3o pode ficar calado; tem de partilhar com o mundo inteiro a Boa Not\u00edcia que descobriu. O an\u00fancio do Evangelho torna-se ent\u00e3o, n\u00e3o apenas um imperativo, mas uma miss\u00e3o plenamente assumida, necess\u00e1ria, incontorn\u00e1vel. \u00c9 por isso que Paulo dizia: \u201cai de mim se eu n\u00e3o evangelizar\u201d (1Cor 9,16). Vamos, nestes dias, celebrar o nascimento de Jesus. Vamos acolh\u00ea-l\u2019O e acolher a Boa Not\u00edcia de Deus que Ele nos traz. Depois de ouvirmos Jesus, vem o momento do testemunho. Aceitamos ser arautos do Evangelho de Jesus neste mundo que t\u00e3o necessitado est\u00e1 de escutar a proposta de salva\u00e7\u00e3o que Deus faz aos homens? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mateus 1,18-24<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo:<br \/>\nMaria, sua M\u00e3e, noiva de Jos\u00e9,<br \/>\nantes de terem vivido em comum,<br \/>\nencontrara-se gr\u00e1vida por virtude do Esp\u00edrito Santo.<br \/>\nMas Jos\u00e9, seu esposo,<br \/>\nque era justo e n\u00e3o queria difam\u00e1-la,<br \/>\nresolveu repudi\u00e1-la em segredo.<br \/>\nTinha ele assim pensado,<br \/>\nquando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor,<br \/>\nque lhe disse:<br \/>\n\u00abJos\u00e9, filho de David,<br \/>\nn\u00e3o temas receber Maria, tua esposa,<br \/>\npois o que nela se gerou \u00e9 fruto do Esp\u00edrito Santo.<br \/>\nEla dar\u00e1 \u00e0 luz um Filho<br \/>\ne tu p\u00f4r-Lhe-\u00e1s o nome de Jesus,<br \/>\nporque Ele salvar\u00e1 o povo dos seus pecados\u00bb.<br \/>\nTudo isto aconteceu para se cumprir o que o senhor anunciara<br \/>\npor meio do Profeta, que diz:<br \/>\n\u00abA Virgem conceber\u00e1 e dar\u00e1 \u00e0 luz um Filho,<br \/>\nque ser\u00e1 chamado \u2018Emanuel\u2019,<br \/>\nque quer dizer \u2018Deus connosco\u2019\u00bb.<br \/>\nQuando despertou do sono,<br \/>\nJos\u00e9 fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara<br \/>\ne recebeu sua esposa.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que nos \u00e9 hoje proposto pertence ao \u201cEvangelho da Inf\u00e2ncia\u201d, na vers\u00e3o de Mateus. Os \u201cEvangelhos da Inf\u00e2ncia de Jesus\u201d (quer o de Mateus, quer o de Lucas) enquadram-se num g\u00e9nero liter\u00e1rio pr\u00f3prio, que utiliza t\u00e9cnicas do\u00a0<em>midrash hagg\u00e1dico<\/em>\u00a0(um m\u00e9todo de abordagem do texto b\u00edblico utilizado pelos rabis judaicos com o objetivo de captar o significado pleno do referido texto) para nos apresentar o mist\u00e9rio de Jesus. A preocupa\u00e7\u00e3o dos evangelistas que nos legaram os \u201cEvangelhos da Inf\u00e2ncia\u201d n\u00e3o \u00e9 apresentar um relato factual dos acontecimentos dos primeiros anos de Jesus, mas sim oferecer \u00e0s suas comunidades uma catequese que proclame determinadas realidades salv\u00edficas: que Jesus \u00e9 o Messias, que Ele vem de Deus, que Ele \u00e9 o \u201cDeus connosco\u201d. Com recurso a tipologias (correspond\u00eancia entre factos e pessoas do Antigo Testamento e outros factos e pessoas do Novo Testamento), a manifesta\u00e7\u00f5es apocal\u00edpticas (anjos, apari\u00e7\u00f5es, sonhos) e a outros recursos liter\u00e1rios, Mateus e Lucas tecem as suas catequeses sobre Jesus, o Filho de Deus que veio ao encontro dos homens. O Evangelho que nos \u00e9 hoje proposto deve ser entendido a esta luz e neste enquadramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para entendermos a \u201cnarra\u00e7\u00e3o do nascimento de Jesus\u201d que Mateus nos apresenta, devemos enquadr\u00e1-la no contexto dos costumes matrimoniais em vigor na sociedade palestina da \u00e9poca. Mateus diz-nos, logo no in\u00edcio do relato, que Maria e Jos\u00e9 estavam noivos, mas ainda n\u00e3o viviam em comum. O casamento hebraico considerava o compromisso matrimonial em duas etapas: havia uma primeira fase, na qual os noivos se prometiam um ao outro (os \u201cesponsais\u201d); s\u00f3 depois, numa segunda fase, surgia o compromisso definitivo, selado com as cerim\u00f3nias do matrim\u00f3nio propriamente dito. Entre os \u201cesponsais\u201d e a celebra\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio, passava um tempo mais ou menos longo, durante o qual qualquer uma das partes podia voltar atr\u00e1s, ainda que sofrendo uma penalidade. Durante esse tempo, os noivos n\u00e3o viviam em comum; mas o compromisso que os dois assumiam tinha j\u00e1 um car\u00e1cter est\u00e1vel e vinculativo, de tal forma que, se surgia um filho, este era considerado filho leg\u00edtimo de ambos. A Lei de Mois\u00e9s considerava a infidelidade da noiva \u201cprometida\u201d como uma ofensa semelhante \u00e0 infidelidade da esposa (cf. Dt 22,23-27). A uni\u00e3o entre os dois \u201cprometidos\u201d s\u00f3 podia dissolver-se com a f\u00f3rmula jur\u00eddica do div\u00f3rcio. Ora, segundo o texto que nos \u00e9 proposto, Jos\u00e9 e Maria estavam na situa\u00e7\u00e3o de \u201cprometidos\u201d: ainda n\u00e3o tinham celebrado o matrim\u00f3nio, mas j\u00e1 tinham celebrado os \u201cesponsais\u201d.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Mateus parece fascinado com esse facto extraordin\u00e1rio que \u00e9 Deus acercar-se dos homens para estar com eles e para fazer caminho com eles. Recupera mesmo uma antiga profecia de Isa\u00edas para nos apresentar o Menino que vai nascer de Maria como o \u201cEmanuel\u201d, o \u201cDeus connosco\u201d. H\u00e1, efetivamente, algo de absolutamente maravilhoso nesta hist\u00f3ria de um Deus que se despe de todas as suas prerrogativas divinas e se \u201cveste\u201d do barro d\u00e9bil de que somos feitos, que entra no nosso mundo pela porta da humildade e se aproxima de n\u00f3s com a ternura de uma crian\u00e7a, que aceita sofrer lado a lado connosco as dores que marcam o caminho dos homens e que enfrenta a morte para nos dar vida\u2026 E porque \u00e9 que Deus se disp\u00f5e a fazer esse caminho descendente e a incarnar na nossa hist\u00f3ria? Simplesmente porque nos ama e quer oferecer-nos a sua salva\u00e7\u00e3o. Preparamo-nos para celebrar, nos pr\u00f3ximos dias, o nascimento desse Menino, do Emanuel, do Deus que vem ter connosco para ficar connosco e para caminhar connosco. Estamos preparados para o acolher? Ele tem lugar na nossa vida, n\u00e3o apenas no dia de Natal, mas em todos os dias do ano? Estamos dispostos a acolher a salva\u00e7\u00e3o que Ele nos traz?<\/li>\n<li>Vivemos nestes dias imersos num ru\u00eddo de fundo que nos deixa pouco espa\u00e7o para preparar o encontro com o Senhor\u2026 \u00c9 o folclore das prendas \u201cobrigat\u00f3rias\u201d, as luzes que piscam nas ruas e nas nossas \u201c\u00e1rvores de natal\u201d, as m\u00fasicas natal\u00edcias mil vezes repetidas, as tradi\u00e7\u00f5es familiares que fazemos quest\u00e3o de respeitar, os petiscos tradicionais que \u00e9 necess\u00e1rio preparar, os artefactos que a sociedade de consumo nos imp\u00f5e, o cen\u00e1rio superficial e manipulado que nos espera sempre que entramos num centro comercial\u2026 Como conseguiremos descobrir, por detr\u00e1s de tanta superficialidade e aturdimento o mist\u00e9rio do Deus que vem ter connosco, do beb\u00e9 chamado Jesus (\u201cDeus salva\u201d) que vem amorosamente trazer-nos uma proposta de salva\u00e7\u00e3o? Passaremos ao lado do Natal de Jesus se n\u00e3o conseguirmos fazer sil\u00eancio no nosso cora\u00e7\u00e3o, abrir o cora\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio de um Deus que se aproxima de n\u00f3s, saborear profundamente a chegada desse Deus Amigo que vem visitar-nos e quer encontrar lugar na nossa vida e no nosso cora\u00e7\u00e3o. Ainda estamos a tempo: queremos, neste Natal, atirar para segundo plano as coisas sup\u00e9rfluas e abra\u00e7ar o essencial, o Menino de Bel\u00e9m?<\/li>\n<li>Jos\u00e9 \u00e9 uma das grandes figuras do Advento. Ao narrar-nos a \u201canuncia\u00e7\u00e3o do anjo a Jos\u00e9\u201d, Mateus convida-nos a contemplar esse homem humilde e generoso, humano e discreto, bom e \u201cjusto\u201d, que acolhe num sil\u00eancio respeitoso as indica\u00e7\u00f5es de Deus e se disponibiliza totalmente para colaborar no projeto de Deus. Sem reivindicar nada, sem fazer espalhafato, sem questionar os caminhos misteriosos de Deus, sem apontar para si pr\u00f3prio as luzes que iluminam o palco onde se desenrola a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, Jos\u00e9 sintoniza plenamente com Deus e assume a miss\u00e3o paternal de cuidar do Filho de Deus. Contando com a humilde colabora\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9, Deus p\u00f4de vir ao encontro dos homens para lhes oferecer a sua salva\u00e7\u00e3o. A nossa disponibilidade para colaborar no projeto de Deus \u00e9 semelhante \u00e0 do \u201cjusto\u201d Jos\u00e9?<\/li>\n<li>H\u00e1 outra figura incontorn\u00e1vel para todos aqueles que est\u00e3o empenhados em preparar o Natal do Senhor: Maria, a m\u00e3e de Jesus. Ela, a jovem humilde de Nazar\u00e9, com a sua disponibilidade para escutar os apelos de Deus, com o seu \u201csim\u201d incondicional ao projeto de Deus, abriu as portas da hist\u00f3ria humana ao Deus que queria vir ter connosco e fazer caminho connosco. Vemos em Maria um modelo de disponibilidade para acolher os desafios de Deus? Como ela, somos capazes de dizer todos os dias \u201csim\u201d, de forma que, atrav\u00e9s de n\u00f3s, Deus possa nascer na vida dos homens? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 marcada pelo di\u00e1logo com o Rei Acaz. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter em conta este di\u00e1logo, tendo aten\u00e7\u00e3o a quest\u00e3o colocada por Isa\u00edas, introduzindo-a com as palavras \u00ab<em>Escutai, casa de David<\/em>\u00bb, mas tamb\u00e9m evitando dar a entoa\u00e7\u00e3o final apenas no final da frase interrogativa, mas sublinhando a express\u00e3o inicial \u00ab<em>N\u00e3o vos basta\u2026<\/em>\u00bb. Esta leitura conclui com um feliz an\u00fancio que deve ser destacado na proclama\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 o in\u00edcio desta carta e por isso, come\u00e7a com a apresenta\u00e7\u00e3o que faz de si o ap\u00f3stolo. Deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o as frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es e que exige uma prepara\u00e7\u00e3o com aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pausas e respira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Leitura-I-do-Domingo-IV-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-21.12.2025-Isaias-7-10-14.pdf\">Leitura I do Domingo IV do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 21.12.2025 (Isa\u00edas 7, 10-14)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Leitura-II-do-Domingo-IV-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-21.12.2025-Romanos-1-1-7.pdf\">Leitura II do Domingo IV do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 21.12.2025 (Romanos 1, 1-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-IV-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-21.12.2025-Lecionario.pdf\">Domingo IV do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 21.12.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-IV-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-21.12.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo IV do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 21.12.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-IV-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-21.12.2025-refletindo.pdf\">Domingo IV do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 21.12.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-IV-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-21.12.2025.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo IV do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 21.12.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo III do Tempo do Advento \u2013 Ano A \u2013 14.12.2025&#8243; tab_id=&#8221;1766399381453-80b0bdc2-def8&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 16.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo III do Tempo do Advento \u2013 Ano A \u2013 14.12.2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 16.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo <i>Gaudete<\/i> \u2013 Domingo da Alegria<\/span><\/h4>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-12653 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-III.jpg\" alt=\"\" width=\"561\" height=\"333\" \/><\/p>\n<p><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O itiner\u00e1rio proposto pela Liturgia da Palavra em Tempo de Advento faz ecoar uma mensagem de esperan\u00e7a e alegria pela certeza de um Deus pr\u00f3ximo e presente na vida da humanidade pela incarna\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, o Filho muito amado do Pai, que assume a nossa natureza humana e revela a proximidade do Reino de Deus. Ao longo deste tempo lit\u00fargico, desfilam diante de n\u00f3s um conjunto de figuras como Isa\u00edas, Jo\u00e3o Baptista, a Virgem Maria, entre outras, que nos testemunham esta certeza alegre e jubilosa que o Senhor n\u00e3o abandona o Seu povo e que envia o Messias esperado para operar a salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O terceiro Domingo de Advento, Domingo\u00a0<em>Gaudete<\/em>\u00a0(Domingo da Alegria), refor\u00e7a esta nota da alegria e, por isso, a ant\u00edfona de entrada da missa faz-nos cantar com as palavras de Paulo: \u201c<em>Gaudete in Domino semper<\/em>\u201d (<em>Alegrai-vos sempre no Senhor<\/em>, cf. Flp 4,4.5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A alegria que ressoa neste Domingo nas nossas assembleias n\u00e3o \u00e9 um mero sentimento superficial de contentamento ou uma aliena\u00e7\u00e3o da realidade, convidando a um otimismo desencarnado ou a uma ingenuidade balofa de que tudo est\u00e1 bem. \u00c9 a certeza que n\u00e3o obstante as dificuldades e os desafios da nossa vida pessoal e do contexto pol\u00edtico e social em que vivemos, o nosso Deus est\u00e1 pr\u00f3ximo, caminha connosco e nos convida a levantar a cabe\u00e7a para que n\u00e3o percamos a esperan\u00e7a diante dos dramas da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para n\u00f3s crist\u00e3os, disc\u00edpulos mission\u00e1rios de Jesus Cristo, esta alegria n\u00e3o \u00e9 um conceito abstrato, mas tem um rosto, o rosto misericordioso de Jesus Cristo. Por isso, o Papa Francisco afirma no in\u00edcio da sua exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica\u00a0<em>Evangelii Gaudium<\/em>: \u00ab<em>a Alegria do Evangelho\u00a0enche o cora\u00e7\u00e3o e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele s\u00e3o libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria<\/em>\u00bb (EG 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus \u00e9 fonte perene de esperan\u00e7a e alegria para aqueles que depositam nele a sua confian\u00e7a e o an\u00fancio que Ele vir\u00e1 para salvar o Seu povo \u00e9 a mais efusiva manifesta\u00e7\u00e3o de j\u00fabilo e louvor como nos testemunha Isa\u00edas na primeira leitura: \u00ab<em>Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e flores\u00e7a a terra \u00e1rida, cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. (\u2026) \u2018Tende coragem, n\u00e3o temais: A\u00ed est\u00e1 o vosso Deus, vem para fazer justi\u00e7a e dar a recompensa. Ele pr\u00f3prio vem salvar-vos\u2019<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os profetas anunciaram e a profecia realiza-se. Jo\u00e3o Baptista, estando preso ouve falar das obras de Cristo e envia mensageiros para lhe perguntarem:\u00a0<em>\u00ab\u00c9s Tu Aquele que h\u00e1 de vir, ou devemos esperar outro?\u00bb.<\/em>\u00a0E como \u00e9 belo o modo como Jesus responde. N\u00e3o se perde em explica\u00e7\u00f5es abstratas, mas apresenta um elenco de factos: \u00ab<em>os cegos veem, os coxos andam, os leprosos s\u00e3o curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova \u00e9 anunciada aos pobres<\/em>\u00bb. Jesus \u00e9 Aquele que podemos ver e ouvir, isto \u00e9, Aquele que se experimenta pelo encontro \u00fanico e irrepet\u00edvel que produz uma verdadeira transforma\u00e7\u00e3o na vida daqueles que se encontram com Ele. A for\u00e7a transformadora do Seu amor \u00e9 verdadeiro esc\u00e2ndalo porque entre n\u00f3s est\u00e1 o pr\u00f3prio Deus revelado na nossa natureza humana e adverte-nos: \u00ab<em>bem-aventurado aquele que n\u00e3o encontrar em Mim motivo de esc\u00e2ndalo<\/em>\u00bb. Seremos bem-aventurados, isto \u00e9, felizes, se encontrarmos em Jesus a fonte da nossa alegria e se no meio das nossas dificuldades e desafios soubermos viver a paciente esperan\u00e7a que anuncia S. Paulo: \u00ab<em>sede pacientes, v\u00f3s tamb\u00e9m, e fortalecei os vossos cora\u00e7\u00f5es, porque a vinda do Senhor est\u00e1 pr\u00f3xima<\/em>\u00bb. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong><em>\u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>O terceiro Domingo de Advento \u00e9 designado como Domingo\u00a0<em>Gaudete<\/em>\u00a0(Domingo da Alegria). Esta designa\u00e7\u00e3o \u00e9 retirada da primeira palavra da ant\u00edfona de entrada da missa: \u201c<em>Gaudete in Domino semper<\/em>\u201d (<em>Alegrai-vos sempre no Senhor<\/em>). A celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica deste Domingo \u00e9 a oportunidade de uma reflex\u00e3o sobre a alegria crist\u00e3 e que est\u00e1 t\u00e3o ligada ao magist\u00e9rio do Papa Francisco (<em>Evangelii Gaudium<\/em>,\u00a0<em>Amoris Laetitia<\/em>,\u00a0<em>Gaudete et Exsultate, Christus Vivit<\/em>), onde podemos encontrar bel\u00edssimos textos e contributos sobre a alegria do Evangelho, a alegria do amor que se vive na fam\u00edlia ou a alegria de percorrer a estrada da santidade. Inspirados nestes textos, poder\u00e1 ser tamb\u00e9m oportuno nestes dias que antecedem o Natal dinamizar uma celebra\u00e7\u00e3o ou momento de reflex\u00e3o inspirado nesta tem\u00e1tica da alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Inspirados na Caminhada Diocesana do Advento e Natal, pode ser oportuno preparar um momento de ora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1rio que sintonize a alegria e a esperan\u00e7a como lugar inspirador da nossa caridade. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estamos j\u00e1 no novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanhamos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 35, 1-6a.10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alegrem-se o deserto e o descampado,<br \/>\nrejubile e flores\u00e7a a terra \u00e1rida,<br \/>\ncubra-se de flores como o narciso,<br \/>\nexulte com brados de alegria.<br \/>\nSer-lhe-\u00e1 dada a gl\u00f3ria do L\u00edbano,<br \/>\no esplendor do Carmelo e do S\u00e1ron.<br \/>\nVer\u00e3o a gl\u00f3ria do Senhor,<br \/>\no esplendor do nosso Deus.<br \/>\nFortalecei as m\u00e3os fatigadas<br \/>\ne robustecei os joelhos vacilantes.<br \/>\nDizei aos cora\u00e7\u00f5es perturbados:<br \/>\n\u00abTende coragem, n\u00e3o temais:<br \/>\nA\u00ed est\u00e1 o vosso Deus,<br \/>\nvem para fazer justi\u00e7a e dar a recompensa.<br \/>\nEle pr\u00f3prio vem salvar-nos\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o se abrir\u00e3o os olhos dos cegos<br \/>\ne se desimpedir\u00e3o os ouvidos dos surdos.<br \/>\nEnt\u00e3o o coxo saltar\u00e1 como um veado<br \/>\ne a l\u00edngua do mudo cantar\u00e1 de alegria.<br \/>\nVoltar\u00e3o os que o Senhor libertar,<br \/>\nh\u00e3o de chegar a Si\u00e3o com brados de alegria,<br \/>\ncom eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto.<br \/>\nReinar\u00e3o o prazer e o contentamento<br \/>\ne acabar\u00e3o a dor e os gemidos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os cap\u00edtulos 34 e 35 de Isa\u00edas \u2013 designados como \u201cpequeno apocalipse de Isa\u00edas\u201d, para distinguir do \u201cgrande apocalipse de Isa\u00edas\u201d dos cap\u00edtulos 24-27 \u2013 s\u00e3o um caso particular no conjunto do livro. Os comentadores consideram que estes dois cap\u00edtulos n\u00e3o v\u00eam do primeiro Isa\u00edas (o profeta que atuou em Jerusal\u00e9m entre 740 e 685 a.C., nos reinados de Jotam, Acaz e Ezequias), mas talvez do Deutero-Isa\u00edas, um profeta que exerceu a sua miss\u00e3o entre os exilados na Babil\u00f3nia (entre 550 e 539 a.C.) e do qual prov\u00eam tamb\u00e9m os cap\u00edtulos 40 a 55 do livro de Isa\u00edas. Por que raz\u00e3o os cap\u00edtulos 34 e 35 de Isa\u00edas se apresentam separados do seu \u201cambiente natural\u201d (Is 40-55)? Provavelmente, foram atra\u00eddos pelas pe\u00e7as escatol\u00f3gicas soltas de Is 28-33, em particular pelo cap\u00edtulo 33.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em meados do s\u00e9c. VI a.C., a situa\u00e7\u00e3o dos exilados na Babil\u00f3nia era bem dif\u00edcil. Crescia por todo o lado o des\u00e2nimo e a frustra\u00e7\u00e3o. Os anos iam passando e o ex\u00edlio n\u00e3o terminava. Parecia-lhes que Deus os tinha esquecido. Nesse contexto, um profeta que conhecemos pelo nome de Deutero-Isa\u00edas prop\u00f5e-se revitalizar a esperan\u00e7a de Jud\u00e1 e \u201cconsolar\u201d aquele povo desanimado. Na sua mensagem, esse profeta garante aos exilados que, num futuro j\u00e1 n\u00e3o muito distante, Deus vai intervir. Como? Antes de mais, vai julgar e condenar as na\u00e7\u00f5es inimigas de Jud\u00e1 (cf. Is 34,1-4), especialmente os edomitas (cf. Is 34,5-15); em seguida, Deus vai derramar a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o sobre o Seu povo e ordenar o regresso triunfal a Si\u00e3o dos habitantes de Jud\u00e1 exilados na Babil\u00f3nia (cf. Is 35,1-10). Esta tem\u00e1tica ser\u00e1 desenvolvida em profundidade pelo mesmo profeta nos cap\u00edtulos 40-55 do Livro de Isa\u00edas. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehoniano<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>H\u00e1 formas diversas de olharmos para este extraordin\u00e1rio tempo hist\u00f3rico que nos tocou viver. Para os otimistas, o nosso tempo \u00e9 um tempo de realiza\u00e7\u00f5es not\u00e1veis, de descobertas maravilhosas, de conquistas inacredit\u00e1veis; \u00e9 um tempo em que o ser humano parece estar a superar todos os limites e a preparar um futuro melhor. Para os pessimistas, no entanto, o nosso tempo \u00e9 um tempo de superaquecimento do planeta, de subida do n\u00edvel do mar, de destrui\u00e7\u00e3o da camada do ozono, de elimina\u00e7\u00e3o das florestas, de risco de holocausto nuclear, de crise de valores fundamentais, de indiferen\u00e7a generalizada para com os sem voz e sem vez; \u00e9 um tempo em que a humanidade, com total inconsci\u00eancia, caminha a passos largos para a cat\u00e1strofe\u2026 Para uns e para outros, o nosso tempo \u00e9 um tempo paradoxal, cheio de interpela\u00e7\u00f5es, de desafios, de incertezas e de riscos. Como \u00e9 que n\u00f3s nos relacionamos com este mundo? Vemo-lo com os olhos da esperan\u00e7a, ou com as lentes negras do medo e da ang\u00fastia?<\/li>\n<li>Os crentes, contudo, atravessam a vida ancorados numa certeza fundamental: \u201cDeus est\u00e1 a\u00ed\u201d, presidindo \u00e0 hist\u00f3ria dos homens e conduzindo-a de acordo com o seu projeto de salva\u00e7\u00e3o. Ele conhece os sofrimentos e ang\u00fastias dos seus filhos e n\u00e3o lhes vira as costas; Ele, quase sempre de forma discreta e sem espalhafato, aponta caminhos, desenha planos, faz nascer flores no deserto \u00e1rido, infunde coragem aos fracos, abre os olhos aos cegos, desimpede os ouvidos dos surdos, faz o coxo saltar com desenvoltura e o mudo cantar a plenos pulm\u00f5es; Ele coloca-se ao lado do pobre e do fraco para o sustentar no caminho, acolhe o condenado pela sociedade e pelas igrejas, bate \u00e0 porta e entra na casa daquele que todos evitam e abandonam\u2026 Estamos conscientes da presen\u00e7a de Deus na nossa hist\u00f3ria? \u00c9 com esta certeza da presen\u00e7a de Deus e com a convic\u00e7\u00e3o de que Ele n\u00e3o nos deixar\u00e1 abandonados nas m\u00e3os das for\u00e7as da morte que caminhamos pela vida e que a enfrentamos os obst\u00e1culos que aparecem no caminho?<\/li>\n<li>O Advento \u00e9 o tempo da espera do Senhor que vem. \u00c9 um tempo de \u201cgravidez\u201d, durante o qual esperamos ansiosamente o nascimento do Deus-Menino que vem trazer uma esperan\u00e7a nova ao nosso mundo e \u00e0s nossas vidas. Sabemos, no entanto, que o Deus-Menino s\u00f3 vem ter connosco se tivermos lugar para Ele, se estivermos dispostos a acolh\u00ea-l\u2019O. Temos aproveitado esta \u201ccaminhada de advento\u201d para limpar a nossa vida de toda a \u201ctralha\u201d in\u00fatil que se acumula no nosso cora\u00e7\u00e3o e que n\u00e3o deixa espa\u00e7o para o Amor, para o Perd\u00e3o, para a Bondade, para a Justi\u00e7a, para a Paz, para todos esses dons que o Deus-Menino traz para nos oferecer?<\/li>\n<li>No cen\u00e1rio desolador do ex\u00edlio da Babil\u00f3nia, o Deutero-Isa\u00edas \u00e9 enviado por Deus para remar contra a mar\u00e9. Por isso, apresenta-se no meio de um povo desanimado e descrente como a sentinela da esperan\u00e7a. O profeta, sinal vivo de Deus e voz de Deus no mundo dos homens, tem por miss\u00e3o ajudar os seus irm\u00e3os a ver, para al\u00e9m do sol que se p\u00f5e, o novo amanh\u00e3 que ir\u00e1 surgir. \u00c9 este o testemunho prof\u00e9tico que damos aos homens e mulheres que caminham ao nosso lado nos caminhos da hist\u00f3ria e da vida? Temos consci\u00eancia de que somos enviados aos homens e mulheres do nosso tempo como testemunhas da alegria e da esperan\u00e7a de Deus? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 145 (146)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Vinde, Senhor e salvai-nos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Vinde salvar-nos, Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor faz justi\u00e7a aos oprimidos,<br \/>\nd\u00e1 p\u00e3o aos que t\u00eam fome<br \/>\ne a liberdade aos cativos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor ilumina os olhos dos cegos,<br \/>\no Senhor levanta ao abatidos,<br \/>\no Senhor ama os justos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor protege os peregrinos,<br \/>\nampara o \u00f3rf\u00e3o e a vi\u00fava<br \/>\ne entrava o caminho aos pecadores.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor reina eternamente.<br \/>\nO teu Deus, \u00f3 Si\u00e3o,<br \/>\n\u00e9 rei por todas as gera\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Tiago 5, 7-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nEsperai com paci\u00eancia a vinda do Senhor.<br \/>\nVede como o agricultor espera pacientemente<br \/>\no precioso fruto da terra,<br \/>\naguardando a chuva tempor\u00e3 e a tardia.<br \/>\nSede pacientes, v\u00f3s tamb\u00e9m,<br \/>\ne fortalecei os vossos cora\u00e7\u00f5es,<br \/>\nporque a vinda do Senhor est\u00e1 pr\u00f3xima.<br \/>\nN\u00e3o vos queixeis uns dos outros,<br \/>\na fim de n\u00e3o serdes julgados.<br \/>\nEis que o Juiz est\u00e1 \u00e0 porta.<br \/>\nIrm\u00e3os, tomai como modelos de sofrimento e de paci\u00eancia<br \/>\nos profetas, que falaram em nome do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O autor da Carta de onde foi extra\u00edda a segunda leitura deste terceiro domingo do advento apresenta-se a si pr\u00f3prio como \u201cTiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo\u201d (cf. Tg 1,1). A tradi\u00e7\u00e3o liga-o ao Tiago \u201cirm\u00e3o\u201d (parente) do Senhor, que presidiu \u00e0 Igreja de Jerusal\u00e9m e do qual os Evangelhos falam acidentalmente como filho de Maria (cf. Mt 13,55; 27,56). De acordo com Fl\u00e1vio Josefo, teria sido martirizado em Jerusal\u00e9m no ano 62. No entanto, a atribui\u00e7\u00e3o deste escrito a tal personagem levanta bastantes dificuldades. O mais certo \u00e9 estarmos perante um outro qualquer Tiago, desconhecido at\u00e9 agora (o \u201cTiago, filho de Alfeu\u201d \u2013 de que se fala em Mc 3,18 \u2013 e o \u201cTiago, filho de Zebedeu\u201d e irm\u00e3o de Jo\u00e3o \u2013 de que se fala em Mc 1,19 \u2013 tamb\u00e9m n\u00e3o se encaixam neste perfil). \u00c9, de qualquer forma, um autor que escreve em excelente grego, recorrendo at\u00e9 a recursos ret\u00f3ricos como a \u201cdiatribe\u201d (um g\u00e9nero muito usado pela filosofia popular hel\u00e9nica), a perguntas ret\u00f3ricas e a jogos de paradoxos e contrastes. Inspira-se particularmente na literatura sapiencial, para extrair dela li\u00e7\u00f5es de moral pr\u00e1tica; mas depende tamb\u00e9m profundamente dos ensinamentos do Evangelho. Trata-se de um s\u00e1bio judeo-crist\u00e3o que repensa, de maneira original, as m\u00e1ximas da sabedoria judaica, em fun\u00e7\u00e3o do cumprimento que elas encontraram nas palavras e no ensinamento de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A carta de Tiago foi enviada \u201c\u00e0s doze tribos que vivem na Di\u00e1spora\u201d (Tg 1,1). Provavelmente, a express\u00e3o alude a crist\u00e3os de origem judaica, dispersos no mundo greco-romano, sobretudo nas regi\u00f5es pr\u00f3ximas da Palestina \u2013 como a S\u00edria ou o Egipto; mas, tamb\u00e9m pode referir-se, em termos metaf\u00f3ricos, \u00e0 totalidade da comunidade de Jesus, dispersa pelo mundo greco-romano. Exorta os crentes a que n\u00e3o percam os valores crist\u00e3os aut\u00eanticos herdados do juda\u00edsmo atrav\u00e9s dos ensinamentos de Cristo. Apela a que os crist\u00e3os vivam com coer\u00eancia e verdade a pr\u00f3pria f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O nosso texto pertence \u00e0 terceira parte da carta (Tg 3,14-5,20). A\u00ed, o autor apresenta, num conjunto de desenvolvimentos e de senten\u00e7as aparentemente sem ordem nem l\u00f3gica, indica\u00e7\u00f5es concretas destinadas a favorecer uma vida crist\u00e3 mais aut\u00eantica. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Como acontecia no tempo de Tiago, tamb\u00e9m hoje muitos homens e mulheres continuam a ser v\u00edtimas da injusti\u00e7a, da explora\u00e7\u00e3o, das humilha\u00e7\u00f5es, das agress\u00f5es, da prepot\u00eancia dos grandes da terra. Privados dos seus direitos e da sua indignidade, sentem-se impotentes, desvalorizados, abandonados, incapazes de sair da sua triste situa\u00e7\u00e3o. Alguns sentem a tenta\u00e7\u00e3o do des\u00e2nimo; quem poder\u00e1 salv\u00e1-los? Tiago, o \u201cservo de Deus e do Senhor Jesus Cristo\u201d (Tg 1,1), diz-lhes: \u201cTende esperan\u00e7a. Deus conhece a vossa situa\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o vos abandonou nem esqueceu. Ele vai libertar-vos. Aproxima-se o dia da interven\u00e7\u00e3o salvadora de Deus em vosso favor\u201d. Neste tempo de Advento, esta \u201cpromessa\u201d de Deus tem um sabor especial. A pr\u00f3xima celebra\u00e7\u00e3o do nascimento de Jesus \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de Deus na hist\u00f3ria e na vida dos homens para lhes oferecer a Sua salva\u00e7\u00e3o. Vivemos este tempo de Advento como um tempo de esperan\u00e7a? Acreditamos que Jesus vem libertar-nos de tudo aquilo que nos rouba a vida e a dignidade? Estamos dispon\u00edveis para acolher a liberta\u00e7\u00e3o que Jesus nos vem oferecer?<\/li>\n<li>Tiago pede aos destinat\u00e1rios da Carta por si enviada \u00e0s \u201cdoze tribos da Dispers\u00e3o\u201d (Tg 1,1) que esperem \u201ccom paci\u00eancia a vinda do Senhor\u201d. \u201cEsperar com paci\u00eancia\u201d n\u00e3o \u00e9, na perspetiva de Tiago, instalar-se numa resigna\u00e7\u00e3o que aliena e numa passividade que \u00e9 ren\u00fancia \u00e0 pr\u00f3pria dignidade humana. \u201cEsperar com paci\u00eancia\u201d \u00e9 continuar a caminhar, com coer\u00eancia e verdade, sem se deixar abater ou afundar no desespero; \u00e9 enfrentar serenamente as vicissitudes e manter-se fiel a Deus, confiando sempre no amor de Deus e acreditando que Deus ir\u00e1 derrotar o mal e oferecer a salva\u00e7\u00e3o aos seus queridos filhos. \u00c9 com essa confian\u00e7a inquebrant\u00e1vel em Deus que enfrentamos as injusti\u00e7as e as maldades que nos atingem ao longo do caminho?<\/li>\n<li>Tiago recomenda aos crist\u00e3os que n\u00e3o respondam com a viol\u00eancia, a agressividade, o \u00f3dio, o rancor, a vingan\u00e7a, as queixas, \u00e0s injusti\u00e7as e arbitrariedades que os atingem. Esses sentimentos violentos s\u00e3o destrutivos para quem os cultiva: envenenam o cora\u00e7\u00e3o, roubam a paz, impedem de ter um olhar positivo e construtivo sobre a vida. Quando esses sentimentos tomam posse de algu\u00e9m, destroem-no. N\u00e3o deixam qualquer espa\u00e7o na pessoa para o encontro com a a\u00e7\u00e3o libertadora e salvadora de Deus. Temos algum desse \u201clixo\u201d a ocupar espa\u00e7o no nosso cora\u00e7\u00e3o? Estamos dispostos a livrar-nos dele a fim de arranjar espa\u00e7o para o Senhor que vem ao nosso encontro? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mateus 11, 2-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJo\u00e3o Baptista ouviu falar, na pris\u00e3o, das obras de Cristo<br \/>\ne mandou-Lhe dizer pelos disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00ab\u00c9s Tu Aquele que h\u00e1 de vir ou devemos esperar outro?\u00bb<br \/>\nJesus respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abIde contar a Jo\u00e3o o que vedes e ouvis:<br \/>\nos cegos veem, os coxos andam, os leprosos s\u00e3o curados,<br \/>\nos surdos ouvem, os mortos ressuscitam<br \/>\ne a boa nova \u00e9 anunciada aos pobres.<br \/>\nE bem-aventurado aquele que n\u00e3o encontrar em Mim<br \/>\nmotivo de esc\u00e2ndalo\u00bb.<br \/>\nQuando os mensageiros partiram,<br \/>\nJesus come\u00e7ou a falar de Jo\u00e3o \u00e0s multid\u00f5es:<br \/>\n\u00abQue fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento?<br \/>\nEnt\u00e3o que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas?<br \/>\nMas aqueles que usam roupas delicadas<br \/>\nencontram-se nos pal\u00e1cios dos reis.<br \/>\nQue fostes ver ent\u00e3o? Um profeta?<br \/>\nSim \u2013 Eu vo-lo digo \u2013 e mais que profeta.<br \/>\n\u00c9 dele que est\u00e1 escrito:<br \/>\n\u2018Vou enviar \u00e0 tua frente o meu mensageiro,<br \/>\npara te preparar o caminho\u2019.<br \/>\nEm verdade vos digo:<br \/>\nEntre os filhos de mulher,<br \/>\nn\u00e3o apareceu ningu\u00e9m maior do que Jo\u00e3o Baptista.<br \/>\nMas o menor no reino dos C\u00e9us \u00e9 maior do que ele\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Depois de ter sido batizado por Jo\u00e3o, o \u201cBatista\u201d, nas \u00e1guas do rio Jord\u00e3o (cf. Mt 3,13-17), Jesus come\u00e7ou a \u201cver\u201d claramente a miss\u00e3o que o Pai lhe confiava. Deixando Jo\u00e3o nas margens do rio Jord\u00e3o, Jesus voltou para a Galileia e instalou-se em Cafarnaum, uma cidade situada na costa noroeste do Mar da Galileia. A cidade era ponto de passagem entre v\u00e1rias rotas comerciais, oferecendo um acesso f\u00e1cil a todas as aldeias e cidades da regi\u00e3o. A partir de Cafarnaum, Jesus passou a percorrer as aldeias e vilas da Galileia, dizendo a todos os que queriam escut\u00e1-l\u2019O: \u201cconvertei-vos, porque est\u00e1 perto o Reino do C\u00e9u\u201d (Mt 4,17). O Seu an\u00fancio era completado por gestos poderosos (cf. Mt 8,1-4. 5-13. 14-17. 28-34; 9,1-8. 18-26. 27-31. 32-34), que mostravam como seria esse mundo cheio de vida que, na perspetiva de Jesus, Deus queria oferecer aos seus filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entretanto Jo\u00e3o, o \u201cBatista\u201d, continuou nas margens do rio Jord\u00e3o a propor a sua mensagem de convers\u00e3o e o seu batismo purificador. Com ousadia prof\u00e9tica denunciava o pecado de todos, inclusive do pr\u00f3prio rei Herodes Antipas, tetrarca da Galileia e da Pereia, que tinha repudiado a sua esposa leg\u00edtima e vivia com Herod\u00edade, mulher do seu irm\u00e3o Filipe. Jo\u00e3o denunciou publicamente a atitude de Antipas, considerando-a contr\u00e1ria \u00e0 Lei. Herodes Antipas, com medo de que as palavras de Jo\u00e3o incendiassem os \u00e2nimos da popula\u00e7\u00e3o e causassem uma revolta, mandou prender o \u201cBatista\u201d na fortaleza de Maqueronte, situada a 24 quil\u00f3metros a sudeste da foz do rio Jord\u00e3o, na costa leste do Mar Morto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Foi de Maqueronte que Jo\u00e3o, o Batista\u201d, enviou alguns dos seus disc\u00edpulos a Jesus com uma quest\u00e3o que o incomodava e que ele desejava ver esclarecida: \u201c\u00e9s Tu Aquele que h\u00e1 de vir ou devemos esperar outro?\u201d A pergunta sugere d\u00favida; mas n\u00e3o \u00e9 desprovida de sentido\u2026 Jo\u00e3o esperava um Messias que viesse lan\u00e7ar fogo \u00e0 terra, castigar os maus e os pecadores, dar in\u00edcio ao \u201cju\u00edzo de Deus\u201d (cf. Mt 3,11-12); mas, ao contr\u00e1rio, Jesus aproximou-Se dos pecadores, dos marginais, dos impuros, estendeu-lhes a m\u00e3o, mostrou-lhes o amor de Deus, ofereceu-lhes a salva\u00e7\u00e3o (cf. Mt 9,10-13). Jo\u00e3o e os seus disc\u00edpulos sentiam-se desconcertados: Jesus era o Messias esperado, ou seria preciso esperar um outro que viesse atuar de uma forma mais decidida, mais severa e mais justiceira?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mateus tem um interesse especial pela figura de Jo\u00e3o Baptista. Apresenta-o como o precursor que veio preparar os homens para acolher Jesus. Mateus tinha deixado j\u00e1 claro, na cena do batismo (cf. Mt 3,14), qual dos dois era o mais importante; mas aqui regressa ao tema, exaltando Jo\u00e3o, mas, ao mesmo tempo, colocando-o no seu devido lugar. \u00c9 prov\u00e1vel que, ao fazer esta apresenta\u00e7\u00e3o, o evangelista queira dirigir-se aos disc\u00edpulos de Jo\u00e3o que, na segunda metade do s\u00e9c. I, ainda mantinham viva a \u201cmem\u00f3ria\u201d do \u201cBatista\u201d. Mateus pretenderia \u201cpiscar o olho\u201d aos disc\u00edpulos de Jo\u00e3o, convidando-os a aderir \u00e0 proposta crist\u00e3 e a entrar na Igreja de Jesus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>No belo texto de Mateus que a liturgia deste terceiro domingo do Advento nos prop\u00f5e, o pr\u00f3prio Jesus apresenta-se como o Messias que veio ao mundo para cumprir as promessas de Deus, para derrotar o mal e para abrir para os homens um caudal de vida abundante. A sua presen\u00e7a inaugura uma nova era, um mundo onde se rasgam caminhos novos para os deserdados, os abandonados, os injusti\u00e7ados, os que n\u00e3o conhecem a alegria, os que vivem mergulhados nas trevas, os que caminham sem esperan\u00e7a, os que n\u00e3o t\u00eam voz nem vez. Esta maravilhosa hist\u00f3ria do Messias de Deus, contada por Mateus, n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria vivida e cumprida num tempo j\u00e1 fechado, com princ\u00edpio, meio e fim h\u00e1 mais de dois mil anos; mas \u00e9 uma hist\u00f3ria que continua a escrever-se hoje, para n\u00f3s que vivemos no s\u00e9c. XXI. Jesus continua a vir ao nosso encontro, a inundar de vida nova o nosso mundo velho, a curar as nossas feridas, a oferecer-nos generosamente a salva\u00e7\u00e3o de Deus. Estamos dispon\u00edveis para O acolher? Estamos efetivamente interessados em romper as velhas cadeias que nos prendem para abra\u00e7ar essa vida nova e plena que Jesus nos vem oferecer?<\/li>\n<li>Jesus, depois de ter terminado o Seu caminho na terra, reentrou na gl\u00f3ria do Pai. No entanto, quando se despediu daqueles homens e mulheres que o tinham acompanhado desde a Galileia a Jerusal\u00e9m e que tinham sido testemunhas de tudo o que Ele disse e fez, pediu-lhes que fossem, no mundo, os arautos da salva\u00e7\u00e3o de Deus. Hoje, mais de dois mil anos depois, isto \u00e9, connosco. N\u00f3s, disc\u00edpulos e testemunhas de Jesus, dedicamo-nos a fazer as obras que Ele fazia? Os \u201ccegos\u201d, encerrados nas trevas do ego\u00edsmo e do erro, podem contar connosco para sa\u00edrem da escurid\u00e3o e encontrarem a luz libertadora de Deus? Os \u201ccoxos\u201d, incapazes de caminhar sozinhos, podem contar connosco para se verem livres daquilo que os limita e os impede de ir em frente, em dire\u00e7\u00e3o a uma vida com sentido? Os \u201cleprosos\u201d, marginalizados e exclu\u00eddos por uma sociedade que n\u00e3o tem lugar para todos, podem contar connosco para serem novamente acolhidos \u00e0 mesa familiar dos filhos de Deus? Os \u201csurdos\u201d, fechados no seu mundo de autossufici\u00eancia e de sil\u00eancio, podem contar connosco para descobrirem a beleza do di\u00e1logo e da comunh\u00e3o? Os \u201cmortos\u201d, os que vivem mergulhados no desespero e j\u00e1 desistiram de viver, podem contar connosco para aprenderem a sonhar com um amanh\u00e3 de esperan\u00e7a? Os \u201cpobres\u201d, privados de recursos necess\u00e1rios para terem uma vida digna, podem contar connosco para se defenderem da mis\u00e9ria que lhes rouba a dignidade? Deus pode contar connosco para curar as feridas do mundo?<\/li>\n<li>Jo\u00e3o, o \u201cBatista\u201d, aquele de quem Jesus disse que era \u201co maior entre os filhos de mulher\u201d, reaparece-nos todos os anos neste tempo de Advento para nos ajudar a preparar a chegada do Messias. A sua verticalidade e coer\u00eancia, a sua integridade e fortaleza, o seu compromisso firme com a verdade, o seu estilo de vida simples e desprendido, o seu desprezo pelos bens materiais, a sua indiferen\u00e7a pela vida c\u00f3moda e f\u00e1cil, o seu \u201cjeito\u201d de remar contra a corrente, a sua decis\u00e3o irrevog\u00e1vel de fazer a voz de Deus ecoar no mundo dos homens, interpelam-nos fortemente. Jo\u00e3o \u00e9 um profeta, que recebeu de Deus uma miss\u00e3o e que procura cumpri-la com fidelidade. A nossa vida e o nosso testemunho prof\u00e9tico cumprem-se com a mesma verticalidade e honestidade de Jo\u00e3o? Sentimos que o \u201cestilo\u201d de vida de Jo\u00e3o nos pode inspirar a viver de uma forma mais verdadeira? Captando a mensagem de Jo\u00e3o, estamos dispostos a uma mudan\u00e7a radical na nossa forma de estar na vida, a fim de que Jesus possa \u201ccaber\u201d no nosso projeto?<\/li>\n<li>Talvez resulte um pouco chocante ouvirmos dizer que, a certa altura, Jo\u00e3o teve d\u00favidas sobre a messianidade de Jesus. Aquele Jesus que antes queria falar da miseric\u00f3rdia de Deus do que da Sua ira, que acolhia os pecadores e se sentava com eles \u00e0 mesa, que n\u00e3o condenava ningu\u00e9m nem amea\u00e7ava com castigos terr\u00edveis, n\u00e3o encaixava na conce\u00e7\u00e3o que Jo\u00e3o tinha do \u201cungido de Deus\u201d. No entanto, ao questionar Jesus (\u201c\u00e9s Tu Aquele que h\u00e1 de vir ou devemos esperar outro?\u201d), Jo\u00e3o assumiu uma posi\u00e7\u00e3o de profunda honestidade. Quis saber, quis perceber o projeto de Jesus. Devemos ter mais medo daqueles que t\u00eam certezas inamov\u00edveis, que est\u00e3o absolutamente certos das suas verdades e dos seus dogmas, do que daqueles que procuram honestamente, em di\u00e1logo com os seus irm\u00e3os, as respostas \u00e0s quest\u00f5es que a vida todos os dias coloca. Como nos comportamos quando vemos que a realidade que nos cerca n\u00e3o coincide exatamente com as nossas ideias feitas? Entrincheiramo-nos atr\u00e1s das nossas certezas e disparamos contra o mundo, ou procuramos sinceramente escutar aqueles que nos rodeiam, compreender as vis\u00f5es diferentes e encontrar, a partir da\u00ed, o caminho que conduz \u00e0 verdade? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na prepara\u00e7\u00e3o da <strong>primeira leitura<\/strong> deve ter-se cuidado com a pronuncia\u00e7\u00e3o dos nomes pr\u00f3prios das cidades presentes no texto: \u00ab<em>L\u00edbano<\/em>\u00bb, \u00ab<em>Carmelo<\/em>\u00bb e \u00ab<em>S\u00e1ron<\/em>\u00bb. Este texto possui um conjunto de imagens que evocam a alegria e \u00e9 um convite ao j\u00fabilo e ao regozijo. Por isso, a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ser marcada pelo tom alegre e exortativo de quem convida ao louvor e \u00e0 festa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 um texto fortemente exortativo marcado por um conjunto de formas verbais no modo imperativo. A proclama\u00e7\u00e3o deste texto deve ter em aten\u00e7\u00e3o as formas verbais no imperativo e aproveitar a for\u00e7a expressiva que elas possuem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Leitura-I-do-Domingo-III-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-14.12.2025-Isaias-35-1-6a.10.pdf\">Leitura I do Domingo III do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 14.12.2025 (Isa\u00edas 35, 1-6a.10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Leitura-II-do-Domingo-III-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-14.12.2025-Tiago-5-7-10.pdf\">Leitura II do Domingo III do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 14.12.2025 (Tiago 5, 7-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-III-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-14.12.2025-Lecionario.pdf\">Domingo III do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 14.12.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-III-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-14.12.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo III do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 14.12.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-III-do-Tempo-do-Advento-Domingo-Gaudete-Ano-A-14.12.2025-refletindo.pdf\">Domingo III do Tempo do Advento &#8211; Domingo Gaudete-Ano A &#8211; 14.12.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo II do Tempo do Advento \u2013 Ano A \u2013 07.12.2025&#8243; tab_id=&#8221;1765798016603-1677c9d9-4c31&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 16.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo II do Tempo do Advento \u2013 Ano A \u2013 07.12.2025<\/span><\/h4>\n<figure id=\"attachment_12653\" aria-describedby=\"caption-attachment-12653\" style=\"width: 880px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12653 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-II.jpg\" alt=\"\" width=\"880\" height=\"578\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12653\" class=\"wp-caption-text\">Naqueles dias, apareceu Jo\u00e3o Baptista a pregar no deserto da Judeia, dizendo: \u00abArrependei-vos, porque est\u00e1 perto o reino dos C\u00e9us\u00bb. Foi dele que o profeta Isa\u00edas falou, ao dizer: \u00abUma voz clama no deserto: \u2018Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas\u2019\u00bb.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Liturgia da Palavra deste Domingo \u00e9 marcada por um conjunto de formas verbais no modo imperativo: \u00abacolhei-vos\u00bb, \u00abpreparai\u00bb, \u00abendireitai\u00bb, \u00abarrependei-vos\u00bb, \u00abpraticai\u00bb, entre outras. O tom exortativo presente nas leituras que a liturgia nos oferece neste segundo Domingo de Advento impele-nos a rasgar horizontes de esperan\u00e7a na nossa vida pessoal e comunit\u00e1ria atrav\u00e9s de um dinamismo de convers\u00e3o que nos coloca permanentemente a caminho e nos desafia a abrir o nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0 perene novidade que brota do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entrar na aventura de ser crist\u00e3o, abra\u00e7ando com alegria e generosidade o sonho de amor que Deus tem para cada um de n\u00f3s, \u00e9 entrar em estado permanente de tens\u00e3o entre aquilo que eu somos e aquilo que O Senhor nos chama a ser, procurando em cada dia afinar o nosso cora\u00e7\u00e3o com o cora\u00e7\u00e3o de Jesus, para que a nossa vida seja cada vez mais aquilo que Deus sonha para n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste Domingo abre com a desconcertante indica\u00e7\u00e3o de que Jo\u00e3o Baptista apareceu a pregar no deserto da Judeia. N\u00e3o posso deixar de manifestar a minha estranheza, pois, se algu\u00e9m tem uma boa not\u00edcia e quer ser escutado deve procurar os grandes are\u00f3pagos, as pra\u00e7as movimentadas e as ruas mais frequentadas. Por seu lado, Jo\u00e3o Baptista retira-se para o deserto da Judeia, aparecendo como sinal prof\u00e9tico, n\u00e3o apenas por palavras, mas tamb\u00e9m por gestos e a\u00e7\u00f5es concretas. A Boa Not\u00edcia que Jo\u00e3o Baptista proclama implica uma mudan\u00e7a permanente de perspetiva. Escutar a voz que nos conduz \u00e0 felicidade plena e verdadeira implica, muitas vezes, atravessar o deserto e implicar\u00e1 sempre a capacidade de nos retirarmos do frenesim do nosso quotidiano, do tumulto ruidoso da nossa marcha agitada, para escutarmos a Palavra que transforma o cora\u00e7\u00e3o e a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Arrependei-vos, porque est\u00e1 perto o reino dos C\u00e9us<\/em>\u00bb. A proximidade do Reino que Deus quer estabelecer em n\u00f3s e a partir de n\u00f3s no mundo, para que um dia sejamos participantes da sua plenitude, faz-nos entrar numa fecunda revis\u00e3o de vida. O exame de consci\u00eancia que denuncia quanto h\u00e1 ainda a mudar no nosso cora\u00e7\u00e3o e na nossa vida \u00e9 a porta para a verdadeira felicidade. Identificando quanto em n\u00f3s \u00e9 ainda estraga pedregosa, abrimos o nosso cora\u00e7\u00e3o ao aperfei\u00e7oamento permanente e propomo-nos a uma transforma\u00e7\u00e3o que oferece \u00e0 nossa vida um novo horizonte e uma nova esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Baptista torna-se ainda mais incisivo diante dos fariseus e saduceus que se aproximam do batismo: \u00ab<em>praticai a\u00e7\u00f5es que se conformem ao arrependimento que manifestais<\/em>\u00bb. O arrependimento e a convers\u00e3o n\u00e3o podem ser apenas uma inclina\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o e um manifesto de boa vontade: t\u00eam necessariamente de se traduzir numa vida conforme o Evangelho. \u00c9 o esfor\u00e7o permanente para que a aquilo que eu sou coincida cada vez mais e melhor com aquilo que o Senhor me chama ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, importa ainda sublinhar que o esfor\u00e7o que colocamos na nossa convers\u00e3o \u00e9 acompanhado pela gra\u00e7a de Deus que nos sustenta e fortalece neste caminho de renova\u00e7\u00e3o. O Esp\u00edrito do Senhor que Isa\u00edas profetiza \u00e9 \u00ab<em>esp\u00edrito de sabedoria e de intelig\u00eancia, esp\u00edrito de conselho e de fortaleza, esp\u00edrito de conhecimento e de temor de Deus<\/em>\u00bb. S\u00e3o os dons do Esp\u00edrito que, derramados sobre n\u00f3s, reclamam a docilidade de cora\u00e7\u00e3o para que a convers\u00e3o seja eficaz e fecunda. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong><em>\u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prega\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Baptista convida ao arrependimento e \u00e0 convers\u00e3o. O tempo de Advento, enquanto espera atenta e vigilante do Senhor que vem, deve ser marcado por uma atitude de renova\u00e7\u00e3o e convers\u00e3o. Por isso, este segundo Domingo de Advento \u00e9 uma oportunidade para recordar os fi\u00e9is da necessidade de preparar o Natal do Senhor com o Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o. Os p\u00e1rocos e demais pastores devem empenhar-se em encontrar tempos e lugares de celebra\u00e7\u00e3o deste sacramento adaptadas \u00e0s circunst\u00e2ncias profissionais e familiares dos fi\u00e9is <em>\u00a0<\/em><strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estamos j\u00e1 no novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanh\u00e1mos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 11, 1-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele dia,<br \/>\nsair\u00e1 um ramo do tronco de Jess\u00e9<br \/>\ne um rebento brotar\u00e1 das suas ra\u00edzes.<br \/>\nSobre ele repousar\u00e1 o esp\u00edrito do Senhor:<br \/>\nesp\u00edrito de sabedoria e de intelig\u00eancia,<br \/>\nesp\u00edrito de conselho e de fortaleza,<br \/>\nesp\u00edrito de conhecimento e de temor de Deus.<br \/>\nAnimado assim do temor de Deus,<br \/>\nn\u00e3o julgar\u00e1 segundo as apar\u00eancias,<br \/>\nnem decidir\u00e1 pelo que ouvir dizer.<br \/>\nJulgar\u00e1 os infelizes com justi\u00e7a<br \/>\ne com senten\u00e7as retas os humildes do povo.<br \/>\nCom o chicote da sua palavra atingir\u00e1 o violento<br \/>\ne com o sopro dos seus l\u00e1bios exterminar\u00e1 o \u00edmpio.<br \/>\nA justi\u00e7a ser\u00e1 a faixa dos seus rins<br \/>\ne a lealdade a cintura dos seus flancos.<br \/>\nO lobo viver\u00e1 com o cordeiro<br \/>\ne a pantera dormir\u00e1 com o cabrito;<br \/>\no bezerro e o le\u00e3ozinho andar\u00e3o juntos<br \/>\ne um menino os poder\u00e1 conduzir.<br \/>\nA vitela e a ursa pastar\u00e3o juntamente,<br \/>\nsuas crias dormir\u00e3o lado a lado;<br \/>\ne o le\u00e3o comer\u00e1 feno como o boi.<br \/>\nA crian\u00e7a de leite brincar\u00e1 junto ao ninho da cobra<br \/>\ne o menino meter\u00e1 a m\u00e3o na toca da v\u00edbora.<br \/>\nN\u00e3o mais praticar\u00e3o o mal nem a destrui\u00e7\u00e3o<br \/>\nem todo o meu santo monte:<br \/>\no conhecimento do Senhor encher\u00e1 o pa\u00eds,<br \/>\ncomo as \u00e1guas enchem o leito do mar.<br \/>\nNesse dia, a raiz de Jess\u00e9 surgir\u00e1 como bandeira dos povos;<br \/>\nas na\u00e7\u00f5es vir\u00e3o procur\u00e1-la e a sua morada ser\u00e1 gloriosa.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta Isa\u00edas (autor dos cap\u00edtulos. 1-39 do Livro de Isa\u00edas) nasceu por volta do ano 760 a. C., no tempo do rei Ozias. De origem nobre, parece ter vivido em Jerusal\u00e9m e frequentado o ambiente da corte. Culto e respeitado, fazia parte dos not\u00e1veis do pa\u00eds: participava nas decis\u00f5es relativas ao Reino, falando com autoridade aos altos funcion\u00e1rios (cf. Is 22,15) e mesmo aos reis (cf. 7,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi por volta de 740 a.C. (cf. Is 6,1), quando tinha cerca de vinte anos, que Isa\u00edas sentiu o chamamento de Deus e iniciou a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica. Essa miss\u00e3o prolongou-se durante os reinados de Jotam (740-736 a.C.), Acaz (736-716 a.C.) e Ezequias (716-687 a.C.), reis de Jud\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00e9poca em que Isa\u00edas exerceu o seu minist\u00e9rio prof\u00e9tico \u00e9 uma \u00e9poca agitada, do ponto de vista pol\u00edtico, marcada pelo expansionismo do imp\u00e9rio ass\u00edrio. No ano 745 a.C., Tiglat-Pileser III sobe ao trono ass\u00edrio e envia os seus ex\u00e9rcitos para submeter os povos da zona. Os pequenos reinos da regi\u00e3o, assustados com a pol\u00edtica militar agressiva dos ass\u00edrios, procuraram resistir constituindo coliga\u00e7\u00f5es defensivas anti-ass\u00edrias. Jud\u00e1, apesar dos esfor\u00e7os de Acaz, n\u00e3o conseguiu evitar envolver-se nesses jogos de pol\u00edtica internacional, acabando por cair na zona de influ\u00eancia dos ass\u00edrios. Isa\u00edas nunca aprovou a participa\u00e7\u00e3o de Jud\u00e1 nesses jogos da pol\u00edtica internacional. Para o profeta, Jud\u00e1 devia abster-se das alian\u00e7as pol\u00edticas com pot\u00eancias estrangeiras, sempre perigosas e geradoras de instabilidade. A \u00fanica pol\u00edtica aceit\u00e1vel, para o povo da Alian\u00e7a, era colocar a sua seguran\u00e7a e esperan\u00e7a nas m\u00e3os de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais tarde, j\u00e1 no reinado de Ezequias, Jud\u00e1 procurou libertar-se da influ\u00eancia ass\u00edria entrando numa coliga\u00e7\u00e3o anti-ass\u00edria com o Egito, a Fen\u00edcia e a Babil\u00f3nia. Isa\u00edas, uma vez mais, condenou essa iniciativa. Para o profeta, colocar a seguran\u00e7a e a esperan\u00e7a da na\u00e7\u00e3o no poder de ex\u00e9rcitos estrangeiros n\u00e3o poderia conduzir sen\u00e3o \u00e0 ru\u00edna de Jud\u00e1. De facto, as previs\u00f5es funestas de Isa\u00edas realizaram-se quando Senaquerib invadiu Jud\u00e1, cercou Jerusal\u00e9m e obrigou Ezequias a submeter-se ao poderio ass\u00edrio (701 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u00faltimos or\u00e1culos de Isa\u00edas s\u00e3o de 701 ou, talvez, de 689 a. C. Isa\u00edas deve ter morrido poucos anos depois, embora n\u00e3o saibamos ao certo quando. Um ap\u00f3crifo judeu do s\u00e9c. I d. C. \u2013 \u201cAscens\u00e3o de Isa\u00edas\u201d \u2013 afirma que foi assassinado pelo rei \u00edmpio Manass\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura que a liturgia deste domingo nos prop\u00f5e apresenta-nos um poema cujo enquadramento hist\u00f3rico n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de definir. Para alguns autores, contudo, este poema (e outros semelhantes) surge na fase final da atividade prof\u00e9tica de Isa\u00edas, talvez nos \u00faltimos anos do reinado de Ezequias. Por essa altura, desiludido com o aventureirismo pol\u00edtico dos reis de Jud\u00e1, o profeta teria come\u00e7ado a sonhar com um tempo novo, sem armas e sem guerras, de justi\u00e7a e de paz sem fim. Tal \u201creino\u201d s\u00f3 poderia surgir da iniciativa de Jav\u00e9 (os reis humanos de h\u00e1 muito que se haviam revelado incapazes de conduzir o Povo em dire\u00e7\u00e3o a um futuro de paz); e o instrumento de Jav\u00e9 na implementa\u00e7\u00e3o desse \u201creino\u201d seria, na opini\u00e3o do profeta, um descendente de David. Este texto ser\u00e1, talvez, dessa \u00e9poca em que a profecia e o sonho de um mundo melhor se combinam. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>\u00c9 muito belo o \u201cmundo\u201d sonhado pelo profeta-poeta Isa\u00edas. No entanto, mais de 2.700 anos depois, essa bela utopia parece continuar infinitamente distante da realidade com que lidamos todos os dias. Guerras infind\u00e1veis, de uma viol\u00eancia inaudita, deixam por todo o lado um rasto de sofrimento e morte; os poderosos, os donos do mundo, multiplicam as injusti\u00e7as e as arbitrariedades sobre os mais fr\u00e1geis e moldam as leis de acordo com os seus interesses; o consumismo, a ambi\u00e7\u00e3o desmedida, a explora\u00e7\u00e3o descontrolado dos recursos naturais, a procura do bem-estar a qualquer custo, t\u00eam-nos levado a excessos impens\u00e1veis na rela\u00e7\u00e3o que mantemos com a natureza e colocam a humanidade sob a amea\u00e7a de cat\u00e1strofes devastadoras; uma boa parte da humanidade vive muito abaixo do limiar da pobreza e n\u00e3o tem acesso ao p\u00e3o de cada dia, a cuidados b\u00e1sicos de sa\u00fade, \u00e0 instru\u00e7\u00e3o, a uma vida digna\u2026 Como lidamos com tudo isto? Que valor damos \u00e0 promessa feita por Deus atrav\u00e9s de Isa\u00edas, uma promessa tantas e tantas vezes reiterada, ao longo da hist\u00f3ria dos homens, por outras vozes prof\u00e9ticas? Ainda alimentamos a esperan\u00e7a nesse mundo novo prometido por Deus?<\/li>\n<li>Para n\u00f3s, crist\u00e3os, Jesus Cristo \u00e9 o \u201cMessias\u201d, o \u201crebento que brotou das ra\u00edzes\u201d de Jess\u00e9, o descendente de David que Deus ungiu com o Esp\u00edrito e enviou ao mundo para propor aos homens o prometido \u201creino\u201d de justi\u00e7a, de paz, de fraternidade, de vida abundante. Jesus, com palavras e com gestos, falou-nos do \u201cReino de Deus\u201d e lan\u00e7ou a semente desse \u201creino\u201d no cora\u00e7\u00e3o dos homens. Temos levado a s\u00e9rio a proposta que Jesus nos veio trazer? A semente que Jesus veio lan\u00e7ar \u00e0 terra foi acolhida nos nossos cora\u00e7\u00f5es e tem dado frutos abundantes? Sentimo-nos verdadeiramente comprometidos com a constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus? Lutamos objetivamente contra tudo aquilo que, nestes dias que nos tocou viver, gera injusti\u00e7a, viol\u00eancia, mentira, maldade, sofrimento e morte? Somos n\u00f3s tamb\u00e9m \u2013 tal como Jesus foi \u2013 anunciadores desse mundo novo de justi\u00e7a e de fraternidade que Deus quer continuar a propor aos homens?<\/li>\n<li>Neste tempo de advento \u2013 o tempo em que nos preparamos para celebrar a vinda de Jesus \u00e0 hist\u00f3ria dos homens \u2013 faz sentido questionarmo-nos sobre aquilo que ainda nos impede de acolher Jesus e a proposta que Ele, por mandato de Deus, nos veio trazer. O que \u00e9 que temos de mudar na nossa mentalidade, na nossa forma de ver o mundo e os outros, na nossa forma de atuar, nos valores sobre os quais vamos edificando a nossa exist\u00eancia, para que se torne realidade o mundo sonhado por Deus? H\u00e1 alguma coisa na nossa vida que esteja a ser obst\u00e1culo para que Jesus chegue at\u00e9 n\u00f3s e para que possamos acolher a Sua proposta? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 71 (72)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Nos dias do Senhor nascer\u00e1 a justi\u00e7a e a paz para sempre.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00d3 Deus, dai ao rei o poder de julgar<br \/>\ne a vossa justi\u00e7a ao filho do rei.<br \/>\nEle governar\u00e1 o vosso povo com justi\u00e7a<br \/>\ne os vossos pobres com equidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Florescer\u00e1 a justi\u00e7a nos seus dias<br \/>\ne uma grande paz at\u00e9 ao fim dos tempos.<br \/>\nEle dominar\u00e1 de um ao outro mar,<br \/>\ndo grande rio at\u00e9 aos confins da terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Socorrer\u00e1 o pobre que pede aux\u00edlio<br \/>\ne o miser\u00e1vel que n\u00e3o tem amparo.<br \/>\nTer\u00e1 compaix\u00e3o dos fracos e dos pobres<br \/>\ne defender\u00e1 a vida dos oprimidos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O seu nome ser\u00e1 eternamente bendito<br \/>\ne durar\u00e1 tanto como a luz do sol;<br \/>\nnele ser\u00e3o aben\u00e7oadas todas as na\u00e7\u00f5es,<br \/>\ntodos os povos da terra o h\u00e3o de bendizer.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Romanos 15, 4-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nTudo o que foi escrito no passado<br \/>\nfoi escrito para nossa instru\u00e7\u00e3o,<br \/>\na fim de que, pela paci\u00eancia e consola\u00e7\u00e3o que v\u00eam das Escrituras,<br \/>\ntenhamos esperan\u00e7a.<br \/>\nO Deus da paci\u00eancia e da consola\u00e7\u00e3o vos conceda<br \/>\nque alimenteis os mesmos sentimentos uns para com os outros,<br \/>\nsegundo Cristo Jesus,<br \/>\npara que, numa s\u00f3 alma e com uma s\u00f3 voz,<br \/>\nglorifiqueis a Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo.<br \/>\nAcolhei-vos, portanto, uns aos outros,<br \/>\ncomo Cristo vos acolheu,<br \/>\npara gl\u00f3ria de Deus.<br \/>\nPois Eu vos digo que Cristo Se fez servidor dos judeus,<br \/>\npara mostrar a fidelidade de Deus<br \/>\ne confirmar as promessas feitas aos nossos antepassados.<br \/>\nPor sua vez, os gentios d\u00e3o gl\u00f3ria a Deus pela sua miseric\u00f3rdia,<br \/>\ncomo est\u00e1 escrito:<br \/>\n\u00abPor isso eu Vos bendirei entre as na\u00e7\u00f5es<br \/>\ne cantarei a gl\u00f3ria do vosso nome\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sabemos em pormenor como surgiu a comunidade crist\u00e3 de Roma. Pensa-se que o cristianismo ter\u00e1 chegado \u00e0 capital do imp\u00e9rio levado por judeus palestinos convertidos a Jesus. Por essa altura, havia em Roma uma importante col\u00f3nia judaica, constitu\u00edda por cerca de 50.000 pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo, na altura em que decidiu escrever aos crist\u00e3os de Roma, n\u00e3o tinha ainda tido contactos diretos com a comunidade. O seu esfor\u00e7o mission\u00e1rio tinha sido, at\u00e9 ent\u00e3o, direcionado para o Mediterr\u00e2neo oriental, especialmente para as regi\u00f5es da \u00c1sia Menor e da Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, talvez no inverno de 55-56, prestes a concluir a sua terceira viagem mission\u00e1ria, Paulo come\u00e7ou a pensar em novos horizontes de miss\u00e3o. Preparava-se, ent\u00e3o, para retornar \u00e0 Palestina, a fim de entregar pessoalmente aos crist\u00e3os de Jerusal\u00e9m os donativos recolhidos em favor deles nas igrejas do oriente. As igrejas que ele tinha fundado e acompanhado na Gr\u00e9cia e na \u00c1sia Menor estavam organizadas e pareciam preparadas para caminhar sozinhas. Paulo sentia-se livre para partir para onde o an\u00fancio do Evangelho o levasse. Planeava dirigir-se para ocidente e, talvez, ir at\u00e9 \u00e0 Espanha para a\u00ed proclamar o Evangelho (cf. Rm 15,24-28). A visita a Roma seria um antigo sonho de Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste enquadramento que Paulo resolve dirigir-se por carta aos crist\u00e3os de Roma. Apresenta-se (\u201cPaulo, servo de Cristo Jesus, chamado a ser ap\u00f3stolo, escolhido para anunciar o Evangelho de Deus\u201d \u2013 Rm 1,1) e prop\u00f5e-lhes uma reflex\u00e3o sobre os principais problemas que o preocupam, entre os quais sobressai a quest\u00e3o da unidade (um problema que a comunidade crist\u00e3 de Roma, afetada por dificuldades de relacionamento entre judeo-crist\u00e3os e pagano-crist\u00e3os, conhecia bem). Com serenidade e lucidez, evitando qualquer pol\u00e9mica, exp\u00f5e-lhes as linhas mestras do Evangelho que anuncia. A Carta aos Romanos \u00e9 uma esp\u00e9cie de resumo da teologia paulina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta tem duas partes, uma mais de car\u00e1cter doutrinal e a outra de car\u00e1cter mais pr\u00e1tico. Na primeira parte da Carta (cf. Rm 1,18-11,36), Paulo vai fazer notar aos crist\u00e3os divididos que o Evangelho \u00e9 a for\u00e7a que congrega e que salva todo o crente, sem distin\u00e7\u00e3o de judeu, grego ou romano. Embora o pecado seja uma realidade universal, que afeta todos os homens (cf. Rm 1,18-3,20), a \u201cjusti\u00e7a de Deus\u201d d\u00e1 vida a todos, sem distin\u00e7\u00e3o (cf. Rm 3,1-5,11); e \u00e9 em Jesus Cristo que essa vida se comunica e que transforma o homem (cf. Rm 5,12-8,39). Batizado em Cristo, o crist\u00e3o morre para o pecado e nasce para uma vida nova. Passa a ser conduzido pelo Esp\u00edrito e torna-se filho de Deus; libertado do pecado e da morte, produz frutos de santifica\u00e7\u00e3o e caminha para a Vida eterna. Na segunda parte da carta (cf. Rm 12,1-15,13) Paulo, de uma forma bastante pr\u00e1tica, exorta os crist\u00e3os a viverem de acordo com o Evangelho de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto pertence \u00e0 segunda parte da carta. Depois de exortar os crist\u00e3os que pertencem \u00e0 comunidade de Roma ao amor m\u00fatuo (cf. Rm 13,8-10), Paulo deixa-lhes uma recomenda\u00e7\u00e3o sobre a forma de esperar o Senhor que vem.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Paulo de Tarso, desde que encontrou Cristo na estrada de Damasco (cf. At 9,1-19; 22,4-21; 26,9-18) passou a ver o mundo e a vida com o olhar de Cristo. Cristo passou a ser a sua refer\u00eancia absoluta. Com Cristo, Paulo descobriu que o caminho que leva \u00e0 vida \u00e9 o caminho da cruz, o caminho da vida dada at\u00e9 ao extremo, o caminho do amor e do servi\u00e7o; com Cristo, Paulo aprendeu a acolher toda a gente, independentemente das ra\u00e7as, das diferen\u00e7as culturais ou de classe. Cristo \u00e9 verdadeiramente o centro a partir do qual Paulo alicer\u00e7a o edif\u00edcio da sua vida. \u00c9 precisamente essa experi\u00eancia que ele procura passar aos crist\u00e3os de Roma e aos crist\u00e3os de todos os tempos e lugares. Cristo Jesus \u00e9, de facto, a nossa refer\u00eancia? Procuramos ver a vida, o mundo e os homens com o mesmo olhar de Cristo? Os valores sobre os quais a nossa vida est\u00e1 assente s\u00e3o os valores do Evangelho?<\/li>\n<li>Para Paulo, a comunidade crist\u00e3, nascida de Cristo e rosto vis\u00edvel de Cristo no mundo, tem de ser o lugar do amor, da comunh\u00e3o, da partilha fraterna, da harmonia, do acolhimento, da miseric\u00f3rdia, do perd\u00e3o; tem de ser a \u201ccasa de fam\u00edlia\u201d onde todos t\u00eam lugar e onde todos se sentem irm\u00e3os queridos e amados. Os conflitos, as divis\u00f5es, a arrog\u00e2ncia, a prepot\u00eancia, o ressentimento, as lutas pelos lugares de honra, os gestos agressivos, as atitudes discriminat\u00f3rias, n\u00e3o \u201ccabem\u201d no horizonte comunit\u00e1rio dos crist\u00e3os. As nossas comunidades crist\u00e3s mostram ao mundo o rosto de Cristo? As nossas comunidades crist\u00e3s s\u00e3o a \u201ccasa familiar\u201d onde todos se sentem irm\u00e3os? As nossas comunidades crist\u00e3s s\u00e3o an\u00fancio, ao vivo e a cores, desse mundo novo de paz, de justi\u00e7a, de fraternidade que Cristo nos veio propor? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mateus 3, 1-12<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\napareceu Jo\u00e3o Baptista a pregar no deserto da Judeia, dizendo:<br \/>\n\u00abArrependei-vos, porque est\u00e1 perto o reino dos C\u00e9us\u00bb.<br \/>\nFoi dele que o profeta Isa\u00edas falou, ao dizer:<br \/>\n\u00abUma voz clama no deserto:<br \/>\n\u2018Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas\u2019\u00bb.<br \/>\nJo\u00e3o tinha uma veste tecida com pelos de camelo<br \/>\ne uma cintura de cabedal \u00e0 volta dos rins.<br \/>\nO seu alimento eram gafanhotos e mel silvestre.<br \/>\nAcorria a ele gente de Jerusal\u00e9m,<br \/>\nde toda a Judeia e de toda a regi\u00e3o do Jord\u00e3o;<br \/>\ne eram batizados por ele no rio Jord\u00e3o,<br \/>\nconfessando os seus pecados.<br \/>\nAo ver muitos fariseus e saduceus que vinham ao seu batismo,<br \/>\ndisse-lhes:<br \/>\n\u00abRa\u00e7a de v\u00edboras,<br \/>\nquem vos ensinou a fugir da ira que est\u00e1 para vir?<br \/>\nPraticai a\u00e7\u00f5es<br \/>\nque se conformem ao arrependimento que manifestais.<br \/>\nN\u00e3o penseis que basta dizer:<br \/>\n\u2018Abra\u00e3o \u00e9 o nosso pai\u2019,<br \/>\nporque eu vos digo:<br \/>\nDeus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abra\u00e3o.<br \/>\nO machado j\u00e1 est\u00e1 posto \u00e0 raiz das \u00e1rvores.<br \/>\nPor isso, toda a \u00e1rvore que n\u00e3o d\u00e1 fruto<br \/>\nser\u00e1 cortada e lan\u00e7ada ao fogo.<br \/>\nEu batizo-vos com \u00e1gua,<br \/>\npara vos levar ao arrependimento.<br \/>\nMas Aquele que vem depois de mim \u00e9 mais forte do que eu<br \/>\ne n\u00e3o sou digno de levar as suas sand\u00e1lias.<br \/>\nEle batizar-vos-\u00e1 no Esp\u00edrito Santo e no fogo.<br \/>\nTem a p\u00e1 na sua m\u00e3o:<br \/>\nh\u00e1 de limpar a eira e recolher o trigo no celeiro.<br \/>\nMas a palha, queim\u00e1-la-\u00e1 num fogo que n\u00e3o se apaga\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do \u201cEvangelho da Inf\u00e2ncia de Jesus\u201d (cf. Mt 1-2), Mateus apresenta aos seus leitores a figura de Jo\u00e3o, o \u201cBatista\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi no final do ano 27 ou no princ\u00edpio do ano 28 que Jo\u00e3o, um profeta original e independente, come\u00e7ou a pregar nas margens do rio Jord\u00e3o, nas franjas do deserto de Jud\u00e1. O local onde Jo\u00e3o se instalou seria, provavelmente, o atual Qasr El Yahud, um lugarejo situado perto de Jeric\u00f3, a cerca de dez quil\u00f3metros do Mar Morto. Era um local de passagem para os peregrinos que vinham da Galileia para Jerusal\u00e9m. A prega\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o atraiu multid\u00f5es e provocou um certo alvoro\u00e7o no cen\u00e1rio religioso palestino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mensagem que Jo\u00e3o propunha estava centrada na urg\u00eancia da convers\u00e3o pois, segundo Jo\u00e3o, o \u201cju\u00edzo de Deus\u201d estava iminente; e inclu\u00eda um ritual de purifica\u00e7\u00e3o pela \u00e1gua (\u201cbatismo\u201d), a confiss\u00e3o dos pecados e uma mudan\u00e7a de vida. \u00c9 poss\u00edvel que Jo\u00e3o estivesse, de alguma forma, relacionado com a comunidade ess\u00e9nia, uma \u201cseita\u201d judaica dissidente instalada ali ao lado, na localidade de Qumran, nas margens do Mar Morto: o tema do ju\u00edzo de Deus e os rituais de purifica\u00e7\u00e3o pela \u00e1gua faziam parte do cen\u00e1rio de vida em que os ess\u00e9nios se moviam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a mais antiga tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, Jesus manteve contactos, antes de iniciar a sua vida p\u00fablica, com o movimento de Jo\u00e3o; e alguns disc\u00edpulos de Jo\u00e3o tornaram-se, a partir de certa altura, disc\u00edpulos de Jesus (cf. Jo 1,35-42).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os primeiros crist\u00e3os identificaram Jo\u00e3o, o Batista, com o mensageiro de Deus referido em Is 40,3, apresentado como \u201cuma voz que clama no deserto\u201d e que convida o povo a preparar \u201co caminho do Senhor\u201d. Tamb\u00e9m o ligaram com o profeta Elias (2 Re 1,8), aquele que, segundo a tradi\u00e7\u00e3o judaica, viria anunciar a Israel a chegada do Messias (cf. Mt 11,14; 17,11; Ml 3,23-24). Para a catequese crist\u00e3 Jo\u00e3o seria, portanto, o precursor de Jesus. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jo\u00e3o, o \u201cBatista\u201d, o profeta que veio preparar os homens para a chegada de Jesus coloca-nos hoje diante de um desafio fundamental: \u201cconvertei-vos\u201d. Esta \u00e9, segundo Jo\u00e3o, a forma adequada de preparar o caminho para que Jesus possa vir encontrar-se connosco. O que significa exatamente converter-se? Sentir arrependimento por ter procedido mal? Fazer penit\u00eancia para \u201creparar\u201d os pr\u00f3prios pecados? Cumprir com mais fidelidade as pr\u00e1ticas religiosas tradicionais? Dedicar mais tempo \u00e0 ora\u00e7\u00e3o? \u201cConverter-se\u201d, no seu mais genu\u00edno sentido b\u00edblico, \u00e9 abandonar os caminhos que nos levam para longe de Deus (os caminhos do ego\u00edsmo, da autossufici\u00eancia, do orgulho, da preocupa\u00e7\u00e3o com os bens materiais) e voltar para tr\u00e1s, ao encontro de Deus; \u00e9 aproximar-se novamente de Deus, voltar a escutar Deus, passar a viver de acordo com as indica\u00e7\u00f5es de Deus; \u00e9 tomar a decis\u00e3o de viver ao estilo de Jesus, no amor, na partilha, no servi\u00e7o, no perd\u00e3o, no dom de si pr\u00f3prio a Deus e aos irm\u00e3os; \u00e9 acolher o Reino de Deus e procurar torn\u00e1-lo uma realidade no mundo. S\u00f3 quem est\u00e1 disposto a percorrer este \u201ccaminho\u201d pode acolher o Senhor que vem. Todos n\u00f3s precisamos, mais ou menos, de redirecionar a nossa vida: abandonar os caminhos que n\u00e3o nos levam a lado nenhum e a dirigir-nos novamente para Deus. Estamos dispon\u00edveis, neste tempo de advento, para percorrer este caminho de convers\u00e3o?<\/li>\n<li>A interpela\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o, o \u201cBatista\u201d, n\u00e3o resulta apenas das palavras que ele diz; mas resulta, tamb\u00e9m, da forma como ele se apresenta, do seu estilo de vida, dos valores que transparecem na sua pessoa. Jo\u00e3o traja uma veste tecida com pelos de camelo e um cinto de cabedal \u00e0 volta dos rins; o seu vestu\u00e1rio n\u00e3o tem nada a ver com as roupas finas dos sacerdotes que frequentam o templo ou dos cortes\u00e3os que circulam pelo pal\u00e1cio de Herodes Antipas. Jo\u00e3o alimenta-se de gafanhotos e mel silvestre, desses pobres alimentos que encontra nos lugares desolados que frequenta, e que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com as iguarias delicadas servidas nos banquetes da gente rica. Jo\u00e3o \u00e9 um homem austero, desprendido das realidades materiais, que n\u00e3o d\u00e1 demasiada import\u00e2ncia \u00e0s coisas f\u00fateis e ef\u00e9meras, que vive voltado para o essencial e para os valores perenes. A sua prioridade \u00e9 o an\u00fancio da chegada iminente do \u201cReino dos c\u00e9us\u201d. Ora, o \u201cReino\u201d \u00e9 despojamento, simplicidade, amor total, partilha, dom da vida\u2026 S\u00e3o esses valores que ele procura anunciar, com palavras e com atitudes. E n\u00f3s, quais s\u00e3o os valores que nos fazem \u201ccorrer\u201d? Quais s\u00e3o as nossas prioridades? Os nossos valores s\u00e3o os valores do \u201cReino\u201d ou s\u00e3o esses valores ef\u00e9meros e f\u00fateis a que a sociedade d\u00e1 tanta import\u00e2ncia, mas que n\u00e3o trazem nada de duradouro e de verdadeiro \u00e0 vida dos homens?<\/li>\n<li>Os fariseus e os saduceus consideravam que o desafio da convers\u00e3o apresentado por Jo\u00e3o, o \u201cBatista\u201d, n\u00e3o lhes dizia respeito. Eles eram \u201cfilhos de Abra\u00e3o\u201d, membros do povo eleito, viviam de acordo com a Lei e, portanto, n\u00e3o precisavam de mudar nada nas suas vidas: tinham a salva\u00e7\u00e3o assegurada. Jo\u00e3o, no entanto, avisa-os de que essa falsa confian\u00e7a n\u00e3o lhes servir\u00e1 de nada se n\u00e3o estiverem permanentemente dispostos a acolher os desafios de Deus. A salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um \u201cdireito\u201d conquistado pelo nascimento ou por um qualquer ato institucional; n\u00e3o \u00e9 algo que \u00e9 garantido pelo facto de termos o nosso nome inscrito no livro de registos de batismo de uma qualquer par\u00f3quia\u2026 A salva\u00e7\u00e3o \u00e9 um dom gratuito de Deus, mas implica da nossa parte uma ades\u00e3o a Deus e \u00e0 oferta que Ele nos faz. Implica, portanto, uma vida coerente com os valores de Deus e com a gra\u00e7a que nos foi dada no dia do nosso batismo. Estamos conscientes disso? Vivemos e caminhamos atentos aos desafios de Deus?<\/li>\n<li>Jo\u00e3o anuncia a chegada pr\u00f3xima de Algu\u00e9m mais forte do que ele, que vem batizar \u201cno Esp\u00edrito Santo e no fogo\u201d. A catequese crist\u00e3 sempre entendeu que esse \u201cAlgu\u00e9m\u201d \u00e9 Jesus. Ser batizado em Cristo \u00e9 aceitar o convite para integrar a fam\u00edlia de Deus, revestir-se de Cristo e identificar-se com Ele, receber o Esp\u00edrito e deixar-se conduzir por Ele, passar a integrar a comunidade da salva\u00e7\u00e3o e comprometer-se a dar testemunho da vida de Deus. N\u00f3s, os que fomos batizados em Cristo, levamos isto a s\u00e9rio? Vivemos de forma coerente com a nossa condi\u00e7\u00e3o de batizados? Sentimo-nos fam\u00edlia de Deus? Identificamo-nos com Jesus e seguimo-l\u2019O no caminho que Ele nos aponta? Vivemos atentos \u00e0s indica\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito? Somos membros de uma Igreja viva e colocamos ao servi\u00e7o da comunidade os dons que recebemos? Damos testemunho da vida de Deus no meio dos outros homens e mulheres com os quais nos cruzamos todos os dias? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura,<\/strong> \u00e9 necess\u00e1rio um especial cuidado na proclama\u00e7\u00e3o da lista de caracter\u00edsticas do Esp\u00edrito do Senhor, pois trata-se de uma enumera\u00e7\u00e3o que deve ser lida aos pares. Al\u00e9m disso, nesta leitura \u00e9 importante ter uma particular aten\u00e7\u00e3o ao tom buc\u00f3lico e po\u00e9tico da segunda parte da leitura onde se proclama a harmonia da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> n\u00e3o apresenta nenhuma dificuldade aparente na proclama\u00e7\u00e3o do texto, contudo, importa estar atento \u00e0s pausas e respira\u00e7\u00f5es para uma eficaz transmiss\u00e3o da mensagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Leitura-I-do-Domingo-II-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-07.12.2025-Isaias-11-1-10.pdf\">Leitura I do Domingo II do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 07.12.2025 (Isa\u00edas 11, 1-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Leitura-II-do-Domingo-II-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-07.12.2025-Romanos-15-4-9.pdf\">Leitura II do Domingo II do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 07.12.2025 (Romanos 15, 4-9)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-II-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-07.12.2025-Lecionario.pdf\">Domingo II do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 07.12.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-II-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-07.12.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo II do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 07.12.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-II-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-07.12.2025-refletindo.pdf\">Domingo II do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 07.12.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-II-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-07.12.2025.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo II do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 07.12.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Imaculada-Conceicao-da-Virgem-Santa-Maria-08.12.2025-Lecionario.pdf\">Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria &#8211; 08.12.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Imaculada-Conceicao-da-Virgem-Santa-Maria-08.12.2025-Oracao-Universal.pdf\">Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria &#8211; 08.12.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo I do Tempo do Advento \u2013 Ano A \u2013 30.11.2025&#8243; tab_id=&#8221;1765276157845-c4c86c76-e77f&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 16.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo I do Tempo do Advento \u2013 Ano A \u2013 30.11.2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 16.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">In\u00edcio do novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-12653 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Domingo-I.jpg\" alt=\"\" width=\"791\" height=\"445\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab<em>Chegou a hora de nos levantarmos do sono, porque a salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 agora mais perto de n\u00f3s do que quando abra\u00e7\u00e1mos a f\u00e9<\/em>\u00bb. A urg\u00eancia do tempo que passa convida-nos a colocar os p\u00e9s ao caminho, a despertar da letargia que tantas vezes nos envolve e a abra\u00e7ar a f\u00e9 com redobrado vigor e renovada esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com este primeiro Domingo de Advento abre-se diante de n\u00f3s um novo Ano Lit\u00fargico e com ele a celebra\u00e7\u00e3o do \u00fanico Mist\u00e9rio de Cristo ao ritmo dos Tempos Lit\u00fargicos, nas Solenidades e Festas do Senhor, na venera\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria e dos Santos. Iniciar uma etapa nova \u00e9 sempre ocasi\u00e3o para dar gra\u00e7as a Deus pelo dom do tempo que nos \u00e9 oferecido como oportunidade de sermos mais e melhor, mas tamb\u00e9m tempo para estabelecer prop\u00f3sitos e compromissos. Por isso, louvemos o Senhor pelas maravilhas que Ele opera na nossa hist\u00f3ria e pensemos naquilo que nos queremos propor e comprometer neste percurso que somos chamados a percorrer na celebra\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios da nossa f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Vamos com alegria para a casa do Senhor<\/em>\u00bb. Somos convidados pelo salmista a caminhar na alegria e na esperan\u00e7a este tempo de Advento. O Senhor vem! Esta esperan\u00e7a \u00e9 uma certeza, pois Ele veio, vem e vir\u00e1. J\u00e1 veio na humildade e na fragilidade da nossa natureza, assumindo a nossa humanidade no rec\u00e9m-nascido do pres\u00e9pio de Bel\u00e9m. Vem, porque em cada dia n\u00e3o cessa de vir ao nosso encontro e de operar as maravilhas do Seu amor. Vir\u00e1 no esplendor da Sua gl\u00f3ria, como proclamamos no Credo da nossa f\u00e9, para instaurar os novos c\u00e9us e a nova terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alegremo-nos e exultemos porque o Senhor vem. Fa\u00e7amo-lo com a vigil\u00e2ncia a que nos desafia Jesus no Evangelho: \u00ab<em>Vigiai, porque n\u00e3o sabeis em que dia vir\u00e1 o vosso Senhor<\/em>\u00bb. \u00c9 muito curioso o modo como Jesus se dirige aos seus disc\u00edpulos no in\u00edcio do Evangelho: \u00ab<em>Nos dias que precederam o dil\u00favio, comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, at\u00e9 ao dia em que No\u00e9 entrou na arca; e n\u00e3o deram por nada, at\u00e9 que veio o dil\u00favio, que a todos levou<\/em>\u00bb. Aparentemente nada vemos de mal: comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento. N\u00e3o se fala de maldade nem viol\u00eancia, mas h\u00e1 um pormenor que n\u00e3o nos pode escapar: \u00ab<em>n\u00e3o deram por nada<\/em>\u00bb. Jesus alerta-nos para o perigo da indiferen\u00e7a. N\u00e3o basta n\u00e3o fazer o mal, n\u00e3o podemos viver indiferentes, devemos ter os olhos e o cora\u00e7\u00e3o abertos ao mundo \u00e0 nossa volta e agir em conformidade com os desafios que nos s\u00e3o colocados. Por isso, tempo de Advento \u00e9 tempo de vigil\u00e2ncia, tempo \u00ab<em>de nos levantarmos do sono<\/em>\u00bb, tempo de despertar para viver animados pela verdadeira esperan\u00e7a que est\u00e1 fundada na fidelidade de Deus, mas que implica tamb\u00e9m a nossa responsabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinar\u00e1 os seus caminhos, e n\u00f3s andaremos pelas suas veredas<\/em>\u00bb. Caminhemos animados pela esperan\u00e7a que nasce do encontro com Deus e que abre diante de n\u00f3s caminhos novos onde a Sua Palavra s\u00e3o a luz que orienta os nossos passos tantas vezes vacilantes e titubeantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atentos e vigilantes queremos despertar do sono, pois n\u00e3o esperamos um ladr\u00e3o que vem para roubar, mas o Deus das surpresas que nada tira, mas tudo potencia e nos cumula de dons e de gra\u00e7as. Mas se queremos viver bem nesta atitude de espera vigilante, haveremos de o fazer como humanamente o fazemos tantas vezes, preparando a casa para aquele que queremos acolher. Que o tempo de Advento seja tempo de preparar o cora\u00e7\u00e3o para acolher o Deus que vem para fazer dos nossos cora\u00e7\u00f5es lugares de irradia\u00e7\u00e3o do Seu amor e da Sua gra\u00e7a. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong><em>\u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>Com o <strong>primeiro Domingo de Advento<\/strong> damos in\u00edcio a um novo ano lit\u00fargico em que seremos acompanhados pelo Evangelista S. Mateus. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o para o novo ano lit\u00fargico poderia ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. Uma catequese b\u00edblica que ajudasse a entrar na estrutura e mensagem deste Evangelho, proporcionando a todos os fi\u00e9is um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. Como guia de apoio nesta forma\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser \u00fatil o livro de D. Ant\u00f3nio Couto:\u00a0<em>Introdu\u00e7\u00e3o ao Evangelho Segundo Mateus. <\/em><strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Iniciamos em 30.11.2025 o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanhamos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 2, 1-5<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vis\u00e3o de Isa\u00edas, filho de Am\u00f3s,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>acerca de Jud\u00e1 e de Jerusal\u00e9m:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Suceder\u00e1, nos dias que h\u00e3o de vir,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>que o monte do templo do Senhor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>se h\u00e1 de erguer no cimo das montanhas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e se elevar\u00e1 no alto das colinas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali afluir\u00e3o todas as na\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e muitos povos ocorrer\u00e3o, dizendo:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abVinde, subamos ao monte do Senhor,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ao templo do Deus de Jacob.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele nos ensinar\u00e1 os seus caminhos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e n\u00f3s andaremos pelas suas veredas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De Si\u00e3o h\u00e1 de vir a lei<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e de Jerusal\u00e9m a palavra do Senhor\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele ser\u00e1 juiz no meio das na\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e \u00e1rbitro de povos sem n\u00famero.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Converter\u00e3o as espadas em relhas de arado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e as lan\u00e7as em foices.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o levantar\u00e1 a espada na\u00e7\u00e3o contra na\u00e7\u00e3o,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>nem mais se h\u00e3o de preparar para a guerra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vinde, \u00f3 casa de Jacob,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>caminhemos \u00e0 luz do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta Isa\u00edas (autor dos cap\u00edtulos. 1-39 do Livro de Isa\u00edas) nasceu por volta do ano 760 a. C., no tempo do rei Ozias. De origem nobre, parece ter vivido em Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isa\u00edas sentiu-se chamado por Deus \u00e0 voca\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica quando tinha cerca de vinte anos. Sabemos tamb\u00e9m que casou e teve filhos. Desconhecemos o nome da esposa, conhecida somente como \u201ca profetiza\u201d (Is 8,3). Quanto aos filhos, receberam nomes simb\u00f3licos: Sear Yasub (\u201cum resto voltar\u00e1\u201d &#8211; Is 7,3) e Maher Salal Hash Baz (\u201ctoma despojos, apanha velozmente a presa\u201d &#8211; Is 8,3). Neste pormenor, Isa\u00edas identifica-se com o profeta Oseias: toda a sua exist\u00eancia, inclusive no \u00e2mbito familiar, est\u00e1 ao servi\u00e7o da mensagem que Deus lhe confia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O car\u00e1cter de Isa\u00edas pode conhecer-se suficientemente atrav\u00e9s da sua obra. \u00c9 um homem decidido, sem falsa mod\u00e9stia, que se oferece voluntariamente a Deus no momento do seu chamamento vocacional. Seguramente, faz parte dos not\u00e1veis do pa\u00eds: participa nas decis\u00f5es relativas ao Reino, falando com autoridade aos altos funcion\u00e1rios (cf. Is 22,15) e mesmo aos reis (Is 7,10). \u00c9 en\u00e9rgico e nunca se deixa desanimar. \u00c9 inimigo da anarquia (cf. Is 3,1-9); mas isso n\u00e3o significa que apoie as classes altas. Na verdade, os seus maiores ataques s\u00e3o dirigidos aos grupos dominantes: autoridades, ju\u00edzes, latifundi\u00e1rios, pol\u00edticos. \u00c9 duro e ir\u00f3nico com as mulheres da classe alta de Jerusal\u00e9m (cf. Is 3,16-24; 32,9-14). Defende com paix\u00e3o os oprimidos, os \u00f3rf\u00e3os, as vi\u00favas (cf. Is 1,17), o povo explorado e desencaminhado pelos governantes (cf. Is 3,12-15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u00faltimos or\u00e1culos de Isa\u00edas s\u00e3o de 701 ou, talvez, de 689 a. C., alturas em que o rei ass\u00edrio Senaquerib invadiu Jud\u00e1 e p\u00f4s cerco a Jerusal\u00e9m. Isa\u00edas deve ter morrido poucos anos depois, embora n\u00e3o saibamos ao certo quando. Um ap\u00f3crifo judeu do s\u00e9c. I d. C. \u2013 \u201cAscens\u00e3o de Isa\u00edas\u201d \u2013 afirma que foi assassinado pelo rei \u00edmpio Manass\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto de Is 2,2-4 encontra-se \u2013 com algumas variantes e uma adi\u00e7\u00e3o \u2013 em Mi 4,1-3, o que parece favorecer a hip\u00f3tese de uma fonte comum, anterior a Isa\u00edas e a Miqueias, na qual os redatores dos dois livros se teriam inspirado (embora haja quem defenda, mais simplesmente, que o texto original \u00e9 de Isa\u00edas e que Miqueias apenas o reproduziu com ligeiras varia\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo conte\u00fado estamos, provavelmente, diante de um or\u00e1culo inspirado nas grandes movimenta\u00e7\u00f5es de peregrinos que, por alturas das festas, sobem para Jerusal\u00e9m. Imaginemos, como hip\u00f3tese, que o poeta contempla, a partir do monte Si\u00e3o, a chegada das caravanas que acorrem em peregrina\u00e7\u00e3o para celebrar uma festa popular \u2013 por exemplo, a festa das Tendas\u2026 Ele nota que essas caravanas procedem de todas as partes do territ\u00f3rio habitado pelo Povo de Deus; v\u00ea-as convergir para a cidade santa, subir pela colina em dire\u00e7\u00e3o ao Templo onde reside Deus; \u00e0 medida que se aproximam, o poeta ouve distintamente os \u201cc\u00e2nticos de ascens\u00e3o\u201d com que os peregrinos sa\u00fadam o Senhor e pedem a paz para Jerusal\u00e9m e para toda a na\u00e7\u00e3o\u2026 Subitamente, na fantasia do poeta, a cena transforma-se: ele v\u00ea, num futuro sem data definida, uma multid\u00e3o de povos de todas as ra\u00e7as e na\u00e7\u00f5es que, atra\u00eddas por Jav\u00e9, se dirigem ao encontro da salva\u00e7\u00e3o de Deus. \u00c9, provavelmente, um \u201csonho\u201d destes que d\u00e1 origem a este or\u00e1culo escatol\u00f3gico. Estamos diante de um dos or\u00e1culos mais inspirados e mais belos de todo o Antigo Testamento. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A utopia sonhada pelo profeta Isa\u00edas come\u00e7a a realizar-se em Jesus. Ele \u00e9 a Palavra viva de Deus, que Se fez carne e veio habitar no meio de n\u00f3s (cf. Jo 1,14), a fim de trazer a \u201cpaz aos homens\u201d amados por Deus (cf. Lc 2,14). Da escuta dessa Palavra, nasce a comunidade universal da salva\u00e7\u00e3o, animada pelo Esp\u00edrito e aberta a todos os povos da terra (cf. At 2,5-11). Se \u00e9 verdade que esta \u201chist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o\u201d tem a marca da iniciativa divina, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que o homem tem de responder positivamente \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Deus: o profeta alude a gentes de todo o lado que, correspondendo ao apelo de Deus, se p\u00f5em a caminho em dire\u00e7\u00e3o ao \u201cmonte do Senhor\u201d. Sim, Deus chama; mas aqueles que escutam esse chamamento t\u00eam de abandonar a vida c\u00f3moda em que est\u00e3o instalados e partir ao encontro de Deus, dispostos a acolher a Palavra de Deus e a deixarem-se transformar por ela. N\u00f3s estamos precisamente a come\u00e7ar a nossa caminhada de advento. O caminho que temos \u00e0 frente, nestes dias, leva-nos ao encontro de Jesus. Estamos dispostos a deixar para tr\u00e1s as nossas certezas, as nossas seguran\u00e7as, os nossos c\u00f3modos espa\u00e7os de conforto, os nossos velhos h\u00e1bitos e preconceitos, para ir ao encontro de Jesus? Estamos dispostos a acolher Jesus na nossa vida, a escutar a sua Palavra, a aderir a essa proposta de vida que Jesus nos veio fazer? O que tencionamos fazer, nesta caminhada de advento, para que no nosso cora\u00e7\u00e3o e na nossa vida haja espa\u00e7o para Jesus?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A verdade \u00e9 que, mais de dois mil anos depois de Jesus, a utopia sonhada pelo profeta Isa\u00edas, parece absurdamente distante\u2026 A hist\u00f3ria dos homens continua a ser manchada pela viol\u00eancia, pelo \u00f3dio e pelo sangue derramado; a humanidade continua a recorrer \u00e0 guerra e ao conflito para resolver os diferendos; a ambi\u00e7\u00e3o dos grandes do mundo continua a lan\u00e7ar as na\u00e7\u00f5es umas contra as outras; o di\u00e1logo entre as na\u00e7\u00f5es e os acordos de paz parecem, tantas e tantas vezes, contaminados por um cinismo atroz; a injusti\u00e7a e a explora\u00e7\u00e3o continuam a fazer crescer, a cada momento, o n\u00famero de homens e mulheres condenados a uma vida sem sentido e sem esperan\u00e7a; milh\u00f5es e milh\u00f5es de homens e mulheres continuam todos os dias a ser atirados para fora da hist\u00f3ria e abandonados nas bermas da estrada que a humanidade percorre\u2026 Jesus falhou, ou somos n\u00f3s que nos recusamos a acolher as indica\u00e7\u00f5es que Ele nos veio dar? O que \u00e9 que est\u00e1 a impedir ou a atrapalhar a chegada desse mundo de justi\u00e7a e de paz que Isa\u00edas anunciou? Qual a nossa responsabilidade pessoal no \u201cadiamento\u201d desse mundo novo de paz, de justi\u00e7a e de fraternidade? Que podemos fazer para que o sonho de Isa\u00edas \u2013 o sonho de todos os homens de boa vontade \u2013 se concretize? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 121 (122)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Vamos com alegria para a casa do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Alegrei-me quando me disseram:<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00abVamos para a casa do Senhor\u00bb.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Detiveram-se os nossos passos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00e0s tuas portas, Jerusal\u00e9m.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Para l\u00e1 sobem as tribos, as tribos do Senhor,<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>segundo costume de Israel, para celebrar o nome do Senhor;<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>ali est\u00e3o os tribunais da justi\u00e7a,<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>os tribunais da casa de David.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Pedi a paz para Jerusal\u00e9m:<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00abVivam seguros quantos te amam.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Haja paz dentro dos teus muros,<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>tranquilidade em teus pal\u00e1cios\u00bb.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Por amor de meus irm\u00e3os e amigos,<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>pedirei a paz para ti.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Por amor da casa do Senhor,<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>pedirei para ti todos os bens.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Romanos 13, 11-14<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>V\u00f3s sabeis em que tempo estamos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Chegou a hora de nos levantarmos do sono,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>porque a salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 agora mais perto de n\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>do que quando abra\u00e7\u00e1mos a f\u00e9.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A noite vai adiantada e o dia est\u00e1 pr\u00f3ximo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Abandonemos as obras das trevas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e revistamo-nos das armas da luz.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andemos dignamente, como em pleno dia,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>evitando comezainas e excessos de bebida,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>as devassid\u00f5es e libertinagens, as disc\u00f3rdias e os ci\u00fames;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>n\u00e3o vos preocupeis com a natureza carnal,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>para satisfazer os seus apetites,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Roma, a capital do imp\u00e9rio, era, na \u00e9poca de Paulo, uma cidade com cerca de um milh\u00e3o de habitantes. Neste n\u00famero estavam inclu\u00eddos cerca de 50.000 judeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se conhece, com pormenor, a origem da comunidade crist\u00e3 de Roma. Provavelmente, o cristianismo chegou a Roma levado por judeus palestinos convertidos a Cristo. Uma antiga tradi\u00e7\u00e3o diz que foi Pedro quem anunciou o Evangelho em Roma, por volta do ano 42, e que da sua prega\u00e7\u00e3o resultou uma florescente comunidade crist\u00e3. No entanto, essa informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 certa. Paulo, na carta que escreve aos crist\u00e3os de Roma, n\u00e3o lhe faz qualquer refer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo decide escrever aos crist\u00e3os da comunidade de Roma quando est\u00e1 prestes a terminar a sua terceira viagem mission\u00e1ria. Prepara-se para retornar \u00e0 Palestina, onde vai entregar os donativos recolhidos em diversas igrejas do oriente, destinados a ajudar financeiramente os crist\u00e3os de Jerusal\u00e9m. Sente, contudo, que terminou a sua miss\u00e3o no Mediterr\u00e2neo oriental, pois as igrejas que fundou e acompanhou est\u00e3o organizadas e j\u00e1 podem caminhar sozinhas. Tem planos para se dirigir para ocidente, pensando inclusive em ir at\u00e9 \u00e0 Espanha para a\u00ed anunciar o Evangelho (cf. Rm 15,24-28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dirigindo-se por carta aos crist\u00e3os de Roma, Paulo aproveita para estabelecer la\u00e7os com eles e para lhes apresentar os principais problemas que o preocupam, entre os quais sobressai a quest\u00e3o da unidade (um problema que a comunidade crist\u00e3 de Roma, afetada por dificuldades de relacionamento entre judeo-crist\u00e3os e pagano-crist\u00e3os, conhecia bem). Com serenidade e lucidez, evitando qualquer pol\u00e9mica, exp\u00f5e-lhes as linhas mestras do Evangelho que anuncia. A Carta aos Romanos \u00e9 uma esp\u00e9cie de resumo da teologia paulina. Estamos no ano 57 ou 58.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira parte da Carta (cf. Rm 1,18-11,36), Paulo vai fazer notar aos crist\u00e3os divididos que o Evangelho \u00e9 a for\u00e7a que congrega e que salva todo o crente, sem distin\u00e7\u00e3o de judeu, grego ou romano. Embora o pecado seja uma realidade universal, que afeta todos os homens (cf. Rm 1,18-3,20), a \u201cjusti\u00e7a de Deus\u201d d\u00e1 vida a todos, sem distin\u00e7\u00e3o (cf. Rm 3,1-5,11); e \u00e9 em Jesus Cristo que essa vida se comunica e que transforma o homem (cf. Rm 5,12-8,39). Batizado em Cristo, o crist\u00e3o morre para o pecado e nasce para uma vida nova. Passa a ser conduzido pelo Esp\u00edrito e torna-se filho de Deus; libertado do pecado e da morte, produz frutos de santifica\u00e7\u00e3o e caminha para a Vida eterna. Na segunda parte da carta (cf. Rm 12,1-15,13) Paulo, de uma forma bastante pr\u00e1tica, exorta os crist\u00e3os a viverem de acordo com o Evangelho de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto pertence \u00e0 segunda parte da carta. Depois de exortar os crist\u00e3os que pertencem \u00e0 comunidade de Roma ao amor m\u00fatuo (cf. Rm 13,8-10), Paulo deixa-lhes uma recomenda\u00e7\u00e3o sobre a forma de esperar o Senhor que vem.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O ap\u00f3stolo Paulo deixa aos crist\u00e3os de Roma diversas recomenda\u00e7\u00f5es para o caminho\u2026 Numa delas pede-lhes que abandonem \u201cas obras das trevas\u201d e se revistam das \u201carmas da luz\u201d. As sugest\u00f5es de Paulo continuam v\u00e1lidas, vinte s\u00e9culos depois. Em pleno s\u00e9c. XXI h\u00e1 diversas nuvens sombrias a pairar sobre o mundo, a amea\u00e7ar as nossas vidas e p\u00f4r em causa o nosso futuro. Recorremos \u00e0 guerra para resolver os conflitos e as diferen\u00e7as entre os homens; continuamos a produzir armas de destrui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a para \u201cgarantir a paz\u201d; exploramos a natureza at\u00e9 limites imposs\u00edveis, degradamos o ambiente, colocamos em risco a sustentabilidade do planeta; multiplicamos as estruturas que produzem mentira, injusti\u00e7a, explora\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o, sofrimento, morte; alimentamos vis\u00f5es ego\u00edstas da vida e deixamos para tr\u00e1s, abandonados na berma do caminho que a humanidade percorre, os mais fr\u00e1geis, os mais necessitados, os mais pobres\u2026 Queremos mesmo continuar a construir uma hist\u00f3ria onde as \u201cobras das trevas\u201d t\u00eam tanta preponder\u00e2ncia? Sentimo-nos, de algum modo, respons\u00e1veis pelo poder que as \u201cobras das trevas\u201d t\u00eam no nosso mundo e no destino de tantos homens e mulheres? Da nossa parte, o que podemos fazer para que as \u201cobras das trevas\u201d n\u00e3o atirem a humanidade para um beco sem sa\u00edda?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Paulo, a prop\u00f3sito de \u201cabandonar as obras das trevas\u201d tamb\u00e9m nos alerta para o nosso estilo pessoal de vida, para os nossos valores pessoais, para os \u201cdeuses\u201d que colocamos no centro das nossas vidas, para as coisas a que damos import\u00e2ncia primordial\u2026 Pede-nos, por exemplo, para evitarmos \u201cas comezainas e os excessos de bebida, as devassid\u00f5es e libertinagens, as disc\u00f3rdias e os ci\u00fames\u201d. Ele est\u00e1 convicto de que tudo isso \u00e9 incompat\u00edvel com o viver \u201cem Cristo\u201d. Quando algu\u00e9m opta por Jesus e se torna seu disc\u00edpulo \u2013 Paulo chama a isso \u201crevestir-se de Cristo\u201d \u2013 afasta-se de tudo aquilo que contradiz a simplicidade, a integridade, a verdade do Evangelho. Na nossa vida pessoal praticamos as \u201cobras da luz\u201d? Quais s\u00e3o as nossas prioridades, os valores fundamentais que colocamos na base da nossa exist\u00eancia? O nosso estilo pessoal de vida \u00e9 compat\u00edvel com as exig\u00eancias do Evangelho que Jesus nos deixou?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Talvez sejamos pessoas generosas, de boa inten\u00e7\u00e3o e de boa vontade, que acolheram o chamamento de Jesus e que optaram por abra\u00e7ar o projeto que Ele veio apresentar aos homens\u2026 No entanto, por mais verdadeira e sincera que tenha sido a nossa ades\u00e3o a Jesus, temos que reencontrar-nos a cada passo com essa nossa op\u00e7\u00e3o inicial. Com o passar do tempo, com a monotonia, com o cansa\u00e7o que a vida traz, com a pregui\u00e7a que sempre nos espreita, temos uma tend\u00eancia natural para \u201cadormecer\u201d, para cair no comodismo, na passividade, na in\u00e9rcia. Ent\u00e3o, deixamos correr as coisas e o nosso compromisso com Jesus e o Evangelho vai-se esbatendo. \u00c9 uma tend\u00eancia natural, que \u00e9 preciso contrariar. Por isso, Paulo diz-nos: \u201cacordai!: renovai o vosso entusiasmo pelos valores do Evangelho; \u00e9 preciso estar preparado \u2013 sempre preparado \u2013 para acolher o Senhor que vem\u201d. Mantemo-nos atentos, despertos, vigilantes, a fim de que a nossa vida seja coerente com os compromissos que assumimos, enquanto disc\u00edpulos de Jesus?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Paulo, com os p\u00e9s bem assentes na terra, reconhece as sombras que cobrem o mundo. No entanto, o olhar que ele lan\u00e7a sobre a hist\u00f3ria dos homens \u00e9 um olhar de esperan\u00e7a: \u201co Senhor vem! A noite vai adiantada e o dia est\u00e1 pr\u00f3ximo\u201d. Deus n\u00e3o nos abandona; Ele vem ao nosso encontro para nos libertar e para construir connosco um mundo novo de justi\u00e7a e de paz. Neste tempo de advento, preparamo-nos para celebrar a vinda de Jesus \u00e0 hist\u00f3ria dos homens. Por muito que nos inquietem as trevas que envolvem o mundo, a presen\u00e7a do Filho de Deus no meio de n\u00f3s garante-nos que a injusti\u00e7a, a explora\u00e7\u00e3o, o sofrimento, a morte n\u00e3o s\u00e3o o final inevit\u00e1vel deste caminho que estamos a percorrer. O mal n\u00e3o triunfar\u00e1; a \u00faltima palavra que a hist\u00f3ria vai ouvir \u00e9 a Palavra libertadora e salvadora de Deus. Somos sustentados por esta esperan\u00e7a? Damos ao mundo e aos homens um testemunho de esperan\u00e7a? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mateus 24, 37-44<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>disse Jesus aos seus disc\u00edpulos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abComo aconteceu nos dias de No\u00e9,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>assim suceder\u00e1 na vinda do Filho do homem.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos dias que precederam o dil\u00favio,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>comiam e bebiam, casavam e davam em casamento,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>at\u00e9 ao dia em que No\u00e9 entrou na arca;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e n\u00e3o deram por nada,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>at\u00e9 que veio o dil\u00favio, que a todos levou.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assim ser\u00e1 tamb\u00e9m na vinda do Filho do homem.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o, de dois que estiverem no campo,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>um ser\u00e1 tomado e outro deixado;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>de duas mulheres que estiverem a moer com a m\u00f3,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>uma ser\u00e1 tomada e outra deixada.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Portanto, vigiai,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>porque n\u00e3o sabeis em que dia vir\u00e1 o vosso Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Compreendei isto:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladr\u00e3o,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>estaria vigilante e n\u00e3o deixaria arrombar a sua casa.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por isso, estai v\u00f3s tamb\u00e9m preparados,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>porque na hora em que menos pensais,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>vir\u00e1 o Filho do homem.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cap\u00edtulos 24 e 25 do Evangelho segundo Mateus apresentam o \u00faltimo grande discurso de Jesus antes da sua paix\u00e3o e morte. Para comp\u00f4-lo, Mateus reelaborou o chamado \u201cdiscurso escatol\u00f3gico\u201d de Marcos (cf. Mc 13), ampliando-o e mudando substancialmente o tema central: se no discurso transmitido por Marcos a quest\u00e3o principal \u00e9 a dos sinais que preceder\u00e3o a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m e do Templo, no discurso reelaborado por Mateus a tem\u00e1tica central \u00e9 a vinda do Filho do homem e a forma como os disc\u00edpulos de Jesus devem preparar essa vinda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta mudan\u00e7a de perspetiva pode explicar-se a partir da situa\u00e7\u00e3o da comunidade de Mateus no in\u00edcio da d\u00e9cada de 80 do primeiro s\u00e9culo (a \u00e9poca em que o Evangelho de Mateus \u00e9 composto). Havia dez anos que Jerusal\u00e9m tinha sido destru\u00edda pelas tropas de Tito e ainda n\u00e3o tinha acontecido a segunda vinda de Jesus. Os crentes estavam desanimados, desiludidos e acomodados\u2026 Mateus via com preocupa\u00e7\u00e3o os sinais de relaxamento, de desleixo, de esmorecimento que iam aparecendo por todo o lado e sentia que era preciso reavivar a f\u00e9, a paix\u00e3o por Jesus e pelo Evangelho, o compromisso com o Reino de Deus. Nas palavras que Jesus um dia dirigiu aos disc\u00edpulos em Jerusal\u00e9m, pouco antes da sua morte, a prop\u00f3sito do final dos tempos, Mateus encontrou uma mensagem desafiante, capaz de acordar os crist\u00e3os e de os motivar para uma vida mais comprometida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A linguagem destes cap\u00edtulos \u00e9 estranha e enigm\u00e1tica\u2026 Trata-se, no entanto, de um g\u00e9nero frequentemente usado por alguns grupos judeus e crist\u00e3os da \u00e9poca de Jesus. \u00c9 a linguagem \u201capocal\u00edptica\u201d, porque o seu objetivo \u00e9 \u201crevelar algo escondido\u201d (\u201capocalipt\u00f4\u201d). Dirigido a comunidades que vivem numa situa\u00e7\u00e3o de sofrimento, de desespero, de persegui\u00e7\u00e3o, o discurso apocal\u00edptico prop\u00f5e-se animar os crentes, dar-lhes esperan\u00e7a, mostrar-lhes que a vit\u00f3ria final ser\u00e1 de Deus e dos que souberem manter-se fi\u00e9is at\u00e9 ao fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uns dias antes da sua paix\u00e3o e morte, Jesus e os disc\u00edpulos tinham sa\u00eddo do Templo de Jerusal\u00e9m e tinham parado a ver \u201cas constru\u00e7\u00f5es do Templo\u201d (Mt 24,1). Por essa altura, as obras de amplia\u00e7\u00e3o e de restaura\u00e7\u00e3o do templo, iniciadas no ano 19 a.C. pelo rei Herodes, continuavam (s\u00f3 foram conclu\u00eddos por volta do ano 63 d.C.) e enchiam de admira\u00e7\u00e3o todos os que por ali passavam. A \u00e1rea do templo ocupava uma superf\u00edcie de mil e quinhentos metros quadrados e as pedras utilizadas na constru\u00e7\u00e3o chegavam a ter vinte metros de comprimento. Coberto de m\u00e1rmore branco, o templo refletia os raios do sol e brilhava como uma joia preciosa. As portas tinham incrusta\u00e7\u00f5es de ouro e no interior havia tape\u00e7arias de linho fin\u00edssimo de cor azul, escarlate e p\u00farpura. Jesus comentou: \u201cvedes tudo isto? Em verdade vos digo que n\u00e3o ficar\u00e1 aqui pedra sobre pedra: tudo ser\u00e1 destru\u00eddo\u201d (Mt 24,2). Depois, Jesus e os disc\u00edpulos atravessaram o vale do Cedron e subiram o Monte das Oliveiras. A\u00ed sentaram-se por um momento a descansar e a contemplar a cidade. Os disc\u00edpulos, impressionados pelo coment\u00e1rio de Jesus, pediram-Lhe: \u201cdiz-nos quando acontecer\u00e1 tudo isto e qual o sinal da tua vinda e do fim do mundo\u201d (Mt 24,3). O \u201cdiscurso escatol\u00f3gico\u201d surge na sequ\u00eancia desse pedido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trecho que a liturgia deste domingo nos convida a escutar integra a segunda parte do \u201cdiscurso escatol\u00f3gico\u201d (cf. Mt 24,36-25,46). A\u00ed Jesus refere-se, sobretudo, \u00e0 forma como os seus disc\u00edpulos devem viver enquanto esperam a vida definitiva do Senhor.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os evangelhos registaram, de diversas formas, uma das mais profundas preocupa\u00e7\u00f5es de Jesus em rela\u00e7\u00e3o aos seus disc\u00edpulos: que eles, com o decorrer do tempo, deixassem enfraquecer o entusiasmo inicial, perdessem a capacidade de se sentirem provocados pelo Evangelho, se instalassem numa f\u00e9 \u201cmorna\u201d e numa religi\u00e3o rotineira, se acomodassem numa \u201czona de conforto\u201d sem exig\u00eancia nem risco, cedessem ao facilitismo e ao \u201cdeixa andar\u201d da maioria. Por isso, Jesus n\u00e3o se cansava de recomendar-lhes: \u201cvigiai\u201d, \u201cvivei despertos\u201d, \u201cestai sempre preparados\u201d. Jesus tinha raz\u00e3o: o grande perigo que nos espreita \u00e9 precisamente essa conforma\u00e7\u00e3o e esse adormecimento que nos roubam a capacidade de sermos \u201csal da terra e luz do mundo\u201d. O cansa\u00e7o, a monotonia, a pregui\u00e7a, o conformismo v\u00e3o enfraquecendo a nossa decis\u00e3o, o nosso compromisso, a nossa capacidade de dar testemunho prof\u00e9tico e de nos empenharmos na constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. Enquanto disc\u00edpulos de Jesus, enviados por Ele a anunciar e a construir o Reino de Deus, como nos sentimos: entusiasmados e comprometidos, ou acomodados e desanimados? Continuamos atra\u00eddos por Jesus e pelo seu projeto, ou vivemos distra\u00eddos por todo o tipo de quest\u00f5es secund\u00e1rias? Ainda temos vontade de seguir atr\u00e1s de Jesus e de viver ao seu estilo, ou vivemos tranquilamente e sem exig\u00eancia, vogando simplesmente ao sabor da corrente?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>\u201cVigiar\u201d \u00e9, antes de mais, vivermos atentos a Deus. \u00c9 procurarmos a cada instante escutar o seu chamamento, os apelos que Ele nos faz, os desafios que Ele constantemente nos deixa; \u00e9 encontrarmos tempo e espa\u00e7o para dialogarmos com Deus; \u00e9 procurarmos compreender a vontade de Deus a nosso respeito e obedecermos \u00e0quilo que Ele nos pede; \u00e9 n\u00e3o permitirmos que outros deuses tomem conta do nosso cora\u00e7\u00e3o e da nossa vida. \u201cVigiar\u201d \u00e9 n\u00e3o perdermos de vista Jesus, esfor\u00e7armo-nos por viver ao seu estilo, segui-l\u2019O sem hesita\u00e7\u00f5es no caminho do amor e do dom da vida; \u00e9 insistirmos em ver a vida como Jesus a via, em olhar os nossos irm\u00e3os com o olhar de Jesus, em compreender o mundo com a compreens\u00e3o de Jesus; \u00e9 nunca desistirmos de sonhar com Jesus o \u201csonho\u201d do Reino de Deus e empenharmo-nos a cada instante em torn\u00e1-lo realidade; \u00e9 deixarmo-nos interpelar constantemente pelo Evangelho, assentarmos a nossa vida de todos os dias sobre os valores que ele aponta. Deus \u00e9, a cada instante, o centro da nossa exist\u00eancia? Vivemos constantemente atentos ao caminho que Jesus nos aponta?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>\u201cVigiar\u201d \u00e9, tamb\u00e9m, \u201colhar com olhos de ver\u201d o mundo que nos rodeia. Muitas vezes vivemos numa alegre inconsci\u00eancia, anestesiados pelo nosso conforto e bem-estar, isolados no nosso pequeno mundo, sem repararmos nas realidades que nos cercam e sem nos preocuparmos com os problemas que afligem os nossos irm\u00e3os. Concentramo-nos apenas nos nossos interesses particulares, nas nossas preocupa\u00e7\u00f5es pessoais, nos nossos projetos estreitos. Caminhamos indiferentes \u00e0 sorte dos pobres, dos abandonados, dos \u201cpequeninos\u201d, daqueles cuja voz nunca se faz ouvir, daqueles que os acidentes da vida e a maldade dos homens atiraram para a berma da estrada da vida. Para n\u00e3o nos desgastarmos nem incomodarmos, preferimos ignorar tudo aquilo que desfeia o mundo e que traz sofrimento \u00e0 vida dos homens. Jesus aprovaria uma op\u00e7\u00e3o deste tipo? Podemos alhear-nos das realidades do mundo e do sofrimento dos nossos irm\u00e3os como se isso n\u00e3o nos dissesse respeito?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Come\u00e7amos hoje a nossa caminhada de advento. N\u00e3o se trata de um \u201ccaminho\u201d geogr\u00e1fico, mas sim de um \u201ccaminho\u201d espiritual. Ao longo deste \u201ccaminho\u201d preparamo-nos para acolher o Senhor que vem. Nesta primeira etapa do caminho do advento, a palavra-chave que a liturgia nos prop\u00f5e \u00e9 \u201cvigiai\u201d. N\u00e3o podemos continuar distra\u00eddos, a perder tempo com coisas sem valor, a enterrarmo-nos na lama dos caminhos que n\u00e3o levam a nenhum lado, a deixar-nos enredar em interesses mesquinhos e f\u00fateis. Se insistirmos em continuar a olhar para o ch\u00e3o, provavelmente iremos passar pelo Senhor que vem ao nosso encontro sem o reconhecer e sem o acolher. Talvez seja boa ideia fazermos uma lista das coisas que tolhem os nossos passos, que nos roubam a liberdade, que n\u00e3o deixam espa\u00e7o no nosso cora\u00e7\u00e3o para o Senhor que vem\u2026. Comprometemo-nos a elaborar essa lista? Iremos cortar da nossa vida tudo aquilo que nos impede de caminhar ao encontro de Jesus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong>, embora n\u00e3o apresente nenhuma dificuldade aparente nas suas palavras e express\u00f5es, requer uma boa prepara\u00e7\u00e3o para que a proclama\u00e7\u00e3o deste texto seja marcada pelo an\u00fancio de esperan\u00e7a e pela promessa messi\u00e2nica que nele est\u00e1 contido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o as descri\u00e7\u00f5es com enumera\u00e7\u00f5es e o tom exortativo marcado pela presen\u00e7a de formas verbais no imperativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Leitura-I-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-30.11.2025-Isaias-2-1-5.pdf\">Leitura I do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 30.11.2025 (Isa\u00edas 2, 1-5)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Leitura-II-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-30.11.2025-Romanos-13-11-14.pdf\">Leitura II do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 30.11.2025 (Romanos 13, 11-14)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Domingo-I-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-30.11.2025-Lecionario.pdf\">Domingo I do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 30.11.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Domingo-I-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-30.11.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo I do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 30.11.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Domingo-I-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-30.11.2025-refletindo.pdf\">Domingo I do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 30.11.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-I-do-Tempo-do-Advento-Ano-A-30.11.2025.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo I do Tempo do Advento &#8211; Ano A &#8211; 30.11.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXXIV do Tempo Comum-Ano C \u2013 23 novembro 2025&#8243; tab_id=&#8221;1764583956469-aefcac34-6fdb&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 16.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XXXIV do Tempo Comum-Ano C \u2013 23 novembro 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 16.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo<\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-12653 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Domingo-XXXIV.jpg\" alt=\"\" width=\"508\" height=\"392\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao celebrarmos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo com que encerramos o Ano Lit\u00fargico, o nosso olhar volta-se para Jesus, nosso Deus, Rei e Messias. Contudo, para contemplar Jesus como Rei \u00e9 necess\u00e1rio recordar as Suas palavras: \u00abos reis das na\u00e7\u00f5es exercem dom\u00ednio sobre elas, e os que t\u00eam sobre elas autoridade s\u00e3o chamados benfeitores. V\u00f3s n\u00e3o deveis proceder desse modo. O maior entre v\u00f3s seja como o menor, e aquele que manda seja como quem serve\u00bb (Lc 22,25-26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus apresenta um novo modo de reinar que n\u00e3o se define pela l\u00f3gica de dom\u00ednio, autoritarismo, viol\u00eancia ou despotismo, mas pela capacidade de amar, de ser manso e humilde, numa atitude de servi\u00e7o que inaugura um Reino Novo de amor, justi\u00e7a e miseric\u00f3rdia. Por isso, nesta solenidade somos convidados a contemplar Jesus crucificado, contado entre os malfeitores, insultado e desprezado por aqueles que dele se aproximam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A novidade do Reino manifesta-se pelo modo como se apresenta este Rei que n\u00e3o est\u00e1 sentado num trono dourado, n\u00e3o possui faustosas vestes, nem uma coroa de ouro e pedras preciosas. Pelo contr\u00e1rio, foi despojado das suas vestes, o seu trono \u00e9 o madeiro da Cruz e a sua coroa foi tecida com espinhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquele que S. Paulo nos descreve na Carta aos Colossenses como \u00ab<em>a imagem de Deus invis\u00edvel, o Primog\u00e9nito de toda a criatura\u00bb, Aquele atrav\u00e9s do qual \u00abforam criadas todas as coisas no c\u00e9u e na terra, vis\u00edveis e invis\u00edveis<\/em>\u00bb, foi condenado \u00e0 morte e est\u00e1 pregado numa cruz como um malfeitor. Mas, precisamente aqui, reina de um modo absolutamente novo, porque assume a natureza humana at\u00e9 \u00e0s suas \u00faltimas consequ\u00eancias, atravessando o limiar do sofrimento e da morte porque \u00ab<em>aprouve a Deus que n\u2019Ele residisse toda a plenitude e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas, estabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz, com todas as criaturas na terra e nos c\u00e9us\u00bb.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universos foi institu\u00edda pelo Papa Pio XI em 1925. Depois da primeira grande guerra, em tempos marcados pela viol\u00eancia e pela falta de esperan\u00e7a. O papa Pio XI quer recordar aos crist\u00e3os que as desventuras e desgra\u00e7as deste mundo s\u00e3o passageiras e n\u00e3o podem reinar sobre n\u00f3s. S\u00f3 Jesus, Rei do Universo, pode reinar sobre n\u00f3s, pois Ele testemunha com a sua pr\u00f3pria vida que o sofrimento e a morte n\u00e3o t\u00eam a \u00faltima palavra. S\u00f3 o amor pode reinar para que um mundo novo possa despontar e o Reino de Deus se possa estabelecer entre n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Filho de Deus, Messias e Senhor, reina pela capacidade de se entregar, de se dar todo e at\u00e9 ao fim, para que cada homem e cada mulher possam encontrar Nele a fonte da Sua esperan\u00e7a. Na verdade, aqueles que olham o crucificado acusam-no de n\u00e3o se salvar a si mesmo. Mas Jesus n\u00e3o veio para se salvar a si mesmo, veio para cumprir a vontade do Pai, salvando e redimindo a humanidade inteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, contemplando Jesus Crucificado, nosso Rei e Senhor, somos convidados a contemplar Jesus como aquele malfeitor que n\u00e3o interroga a Cruz, mas se deixa interrogar por ela e clama: \u00abJesus, lembra-Te de Mim, quando vieres com a tua realeza<em>\u00bb. Este condenado como afirma S. Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo em Jesus Crucificado encontra a porta da salva\u00e7\u00e3o: \u00abeste ladr\u00e3o roubou o para\u00edso. Ningu\u00e9m antes dele ouviu uma promessa semelhante: nem Abra\u00e3o, nem Isaac, nem Jacob, nem Mois\u00e9s, nem os profetas, nem os ap\u00f3stolos. O ladr\u00e3o entrou \u00e0 frente deles todos. Mas tamb\u00e9m a sua f\u00e9 ultrapassou a deles. Ele viu Jesus atormentado, e adorou-o como se estivesse na gl\u00f3ria. Viu-o pregado a uma cruz, e suplicou-lhe como se o tivesse visto no trono. Viu-o condenado, e pediu-lhe uma gra\u00e7a como se faz a um rei. \u00d3 admir\u00e1vel malfeitor! Viste um homem crucificado, e proclamaste-o Deus<\/em>!\u00bb.<strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclu\u00edmos com a<strong> Festa de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo <\/strong>em 23.11.2025 o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C \u2013 onde fomos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanh\u00e1mos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, foi, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficou dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>A partir do pr\u00f3ximo Domingo \u2013 30.11.2025 \u2013 iniciaremos um novo Ano Lit\u00fargico (o ANO A<\/strong>) com o I Domingo do Advento. Iremos acompanhar o evangelista Mateus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>2Samuel 5,1-3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\ntodas as tribos de Israel<br \/>\nforam ter com David a Hebron e disseram-lhe:<br \/>\n\u00abN\u00f3s somos dos teus ossos e da tua carne.<br \/>\nJ\u00e1 antes, quando Saul era o nosso rei,<br \/>\neras tu quem dirigia as entradas e sa\u00eddas de Israel.<br \/>\nE o Senhor disse-te:<br \/>\n\u201cTu apascentar\u00e1s o meu povo de Israel,<br \/>\ntu ser\u00e1s rei de Israel\u201d\u00bb.<br \/>\nTodos os anci\u00e3os de Israel foram \u00e0 presen\u00e7a do rei, a Hebron.<br \/>\nO rei David concluiu com eles uma alian\u00e7a diante do Senhor<br \/>\ne eles ungiram David como rei de Israel.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro de Samuel (dividido em duas partes \u2013 1Samuel e 2Samuel) situa-nos no per\u00edodo hist\u00f3rico que vai de meados do s\u00e9c. XI a.C. at\u00e9 ao final do reinado de David (972 a.C.). Depois de apresentar diversas tradi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas relativas ao per\u00edodo pr\u00e9-mon\u00e1rquico (o tempo da instala\u00e7\u00e3o e da consolida\u00e7\u00e3o das tribos do Povo de Deus na terra de Canaan \u2013 cf. 1 Sm 1,1 \u2013 7,17), narra-nos o in\u00edcio da experi\u00eancia mon\u00e1rquica (elei\u00e7\u00e3o do rei Saul, os seus feitos militares, a derrota de Saul \u00e0s m\u00e3os dos filisteus \u2013 cf. 1Sm 8,1 \u2013 15,35) e a ascens\u00e3o do rei David ao trono de Israel e de Jud\u00e1 (cf. 1Sm 16,1 \u2013 2Sm 5,25). Na parte final da obra, o autor deuteronomista oferece-nos um conjunto de tradi\u00e7\u00f5es sobre a realeza dav\u00eddica (2Sm 6,1 \u2013 24,25), incluindo o longo e conturbado processo de sucess\u00e3o de David.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por volta do ano 1007 a.C., o reino de Saul (que agrupava as tribos instaladas no Norte e no centro da terra de Canaan) sofreu um rude golpe, com a morte do rei e de J\u00f3natas (filho e natural sucessor de Saul) \u00e0s m\u00e3os dos filisteus, numa batalha travada junto do monte Guilbo\u00e1 (cf. 1Sm 31). Por esta altura, em contrapartida, David j\u00e1 reinava (desde 1012 a.C.) sobre as tribos instaladas no sul do pa\u00eds (cf. 2Sm 2,1-4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ishboshet, um outro filho de Saul, foi escolhido para suceder a seu pai no trono de Israel; e ainda reinou dois anos sobre as tribos do Norte e do centro (cf. 2Sm 2,8-11). Contudo, acabou por ter a oposi\u00e7\u00e3o de Abner, chefe dos ex\u00e9rcitos do Norte, que ofereceu a David a autoridade sobre as tribos que formavam o reino de Saul (cf. 2Sm 3,12-21). Abner foi, entretanto, assassinado por Joab, general de David (cf. 2Sm 3,26-27). Pouco depois, tamb\u00e9m Ishboshet, o filho de Saul, foi assassinado (os te\u00f3logos deuteronomistas, respons\u00e1veis pela reda\u00e7\u00e3o do livro de Samuel, garantem, no entanto, que David n\u00e3o teve nada a ver com esses atos violentos \u2013 cf. 2Sm 3,28-39; 4,1-12). Finalmente, os anci\u00e3os do Norte \u2013 apostados em encontrar uma lideran\u00e7a forte que lhes permitisse resistir \u00e0 press\u00e3o militar dos filisteus \u2013 decidiram propor a David que, al\u00e9m de ser rei de Jud\u00e1, no Sul, tamb\u00e9m aceitasse dirigir os destinos das tribos do Norte e do centro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 diante deste quadro hist\u00f3rico que a leitura de hoje nos coloca. David est\u00e1 em Hebron, o lugar onde est\u00e1 instalada a capital das tribos do sul. \u00c9 a\u00ed que, pelo ano 1005 a.C., os representantes das tribos do Norte e do centro se encontram com David e o convidam a reinar sobre todo o Israel. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Porque \u00e9 que, na Solenidade de Jesus Cristo, rei do universo, a liturgia nos traz a mem\u00f3ria de David, o rei ideal de Israel e de Jud\u00e1? Porque a catequese crist\u00e3 sempre viu em Jesus o \u201cungido de Deus\u201d (o \u201cMessias\u201d), o descendente de David que Israel esperava ansiosamente para ocupar o trono de seu pai e inaugurar uma \u00e9poca nova de felicidade e de paz sem fim. De facto, depois de ter recebido o batismo no rio Jord\u00e3o e de ter sido ungido pelo Esp\u00edrito (cf. Mc 1,9-11), Jesus apareceu na Galileia a anunciar a chegada do \u201cReino de Deus\u201d (cf. Mc 1,14-15), uma realidade que Ele parecia ligar \u00e0 Sua pessoa e \u00e0 Sua atividade. Durante o tempo em que andou pela Galileia e pela Judeia, Jesus evitou que o vissem como \u201crei\u201d para evitar equ\u00edvocos perigosos; mas, nos \u00faltimos instantes da sua vida, quando estava a ser interrogado pelo governador romano P\u00f4ncio Pilatos, Jesus admitiu a sua realeza (cf. Mc 15,2; Jo 18,33-38). Talvez hoje, no entanto, o t\u00edtulo de \u201crei\u201d nos pare\u00e7a pouco adequado para \u201ccolar\u201d \u00e0 pessoa de Jesus. Para n\u00f3s, o que significa dizer que Jesus \u00e9 \u201crei\u201d? Imaginamo-lo \u00e0 imagem dos reis que presidem aos destinos dos povos e que desenham a hist\u00f3ria das na\u00e7\u00f5es? At\u00e9 que ponto vemos em Jesus a nossa refer\u00eancia e estamos dispostos a deixar-nos conduzir por Ele?<\/li>\n<li>A escolha de David para reinar sobre as tribos que constitu\u00edam o antigo reino de Saul pareceu, aos anci\u00e3os de Israel que se apresentaram em Hebron, uma escolha \u00f3bvia, do ponto de vista humano e pol\u00edtico. No entanto, a catequese de Israel vai mais al\u00e9m e faz quest\u00e3o de lembrar que David \u00e9 o \u201cescolhido de Jav\u00e9\u201d, aquele que Deus designou para \u201capascentar\u201d o seu povo. Na B\u00edblia deparamo-nos a cada passo com a ideia de que Deus chama pessoas, confia-lhes determinadas tarefas, age atrav\u00e9s delas para moldar a hist\u00f3ria dos homens e concretizar o seu projeto de salva\u00e7\u00e3o. N\u00f3s tamb\u00e9m fazemos parte desta hist\u00f3ria. Como fez com David, tamb\u00e9m a n\u00f3s Deus chama para desempenhar uma determinada miss\u00e3o no mundo. Estamos conscientes disso? Como encaramos e como concretizamos a miss\u00e3o que Deus nos confiou? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 121 (122)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Vamos com alegria para a casa do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alegrei-me quando me disseram:<br \/>\n\u00abVamos para a casa do Senhor\u00bb.<br \/>\nDetiveram-se os nossos passos<br \/>\n\u00e0s tuas portas, Jerusal\u00e9m.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jerusal\u00e9m, cidade bem edificada,<br \/>\nque forma t\u00e3o belo conjunto!<br \/>\nPara l\u00e1 sobem as tribos,<br \/>\nas tribos do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para celebrar o nome do Senhor,<br \/>\nsegundo o costume de Israel;<br \/>\nali est\u00e3o os tribunais da justi\u00e7a,<br \/>\nos tribunais da casa de David.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Colossenses 1,12-20<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nDamos gra\u00e7as a Deus Pai,<br \/>\nque nos fez dignos de tomar parte<br \/>\nna heran\u00e7a dos santos, na luz divina.<br \/>\nEle nos libertou do poder das trevas<br \/>\ne nos transferiu para o reino do seu Filho muito amado,<br \/>\nno qual temos a reden\u00e7\u00e3o, o perd\u00e3o dos pecados.<br \/>\nCristo \u00e9 a imagem de Deus invis\u00edvel,<br \/>\no Primog\u00e9nito de toda a criatura;<br \/>\nPorque n\u2019Ele foram criadas todas as coisas<br \/>\nno c\u00e9u e na terra, vis\u00edveis e invis\u00edveis,<br \/>\nTronos e Domina\u00e7\u00f5es, Principados e Potestades:<br \/>\nEle \u00e9 anterior a todas as coisas<br \/>\ne n\u2019Ele tudo subsiste.<br \/>\nEle \u00e9 a cabe\u00e7a da Igreja, que \u00e9 o seu corpo.<br \/>\nEle \u00e9 o Princ\u00edpio, o Primog\u00e9nito de entre os mortos;<br \/>\nem tudo Ele tem o primeiro lugar.<br \/>\nAprouve a Deus que n\u2019Ele residisse toda a plenitude<br \/>\ne por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas,<br \/>\nestabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz,<br \/>\ncom todas as criaturas na terra e nos c\u00e9us.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Colossos era uma cidade da Fr\u00edgia (\u00c1sia Menor), situada a cerca de 180 quil\u00f3metros a Este de \u00c9feso, no vale do rio Lico. Tinha sido, em tempos mais recuados, uma cidade rica e populosa; mas, no tempo de Paulo, tinha perdido a sua antiga import\u00e2ncia e estava reduzida a uma pequena povoa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 dessa cidade n\u00e3o foi fundada por Paulo, mas por Epafras, disc\u00edpulo de Paulo e colossense de origem (cf. Cl 4,12). A maior parte dos membros da comunidade eram de origem pag\u00e3; mas havia tamb\u00e9m alguns de origem judaica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carta aos Colossenses ter\u00e1 sido escrita numa altura em que Paulo estava na pris\u00e3o (provavelmente em Roma). Estar\u00edamos entre os anos 61 e 63. Epafras visitou Paulo e levou-lhe not\u00edcias pouco satisfat\u00f3rias sobre a comunidade crist\u00e3 de Colossos. Alguns \u201cdoutores\u201d locais (talvez membros de um movimento de \u00edndole sincretista, que misturava cristianismo com elementos de religi\u00f5es mist\u00e9ricas em voga no mundo helenista) propunham aos Colossenses um sistema religioso que inclu\u00eda, al\u00e9m do Evangelho de Jesus, pr\u00e1ticas asc\u00e9ticas rigorosas, prescri\u00e7\u00f5es sobre os alimentos (cf. Cl 2,16.21), doutrinas especulativas sobre os anjos (cf. Cl 2,18), celebra\u00e7\u00f5es que n\u00e3o faziam parte do universo crist\u00e3o (cf. Cl 2,16). Na opini\u00e3o desses \u201cdoutores\u201d, tudo isto devia comunicar aos crentes um conhecimento superior dos mist\u00e9rios e uma maior perfei\u00e7\u00e3o. Paulo desmonta toda esta confus\u00e3o doutrinal e afirma que nenhum destes elementos tem qualquer import\u00e2ncia para a salva\u00e7\u00e3o: Cristo basta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto deve ser enquadrado nesta perspetiva. Inclui um hino de duas estrofes, que provavelmente Paulo tomou da liturgia crist\u00e3 primitiva, mas que est\u00e1 perfeitamente integrado no conte\u00fado geral da carta. Este hino crist\u00e3o de inspira\u00e7\u00e3o sapiencial celebra a grandeza universal de Cristo. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Existem quest\u00f5es decisivas que, mais tarde ou mais cedo, se nos colocam: como dar significado pleno \u00e0 nossa exist\u00eancia? Como construir uma vida que valha a pena? Por que caminhos devemos andar, na viagem da vida, para n\u00e3o ficarmos atolados em becos sem sa\u00edda? O que \u00e9 que \u00e9 essencial e o que \u00e9 que \u00e9 secund\u00e1rio, quando se trata de definir o eixo fundamental da nossa exist\u00eancia? Os crist\u00e3os de Colossos tamb\u00e9m se debatiam com estas quest\u00f5es; e, na sua \u00e2nsia de encontrar respostas, abriam portas a doutrinas estranhas e a propostas incompat\u00edveis com o Evangelho de Jesus. Hoje, em pleno s\u00e9c. XXI, numa altura em que vivemos \u201cem rede\u201d e somos confrontados a cada instante com mil e uma propostas e sugest\u00f5es, esta quest\u00e3o adquire uma particular relev\u00e2ncia. Confundidos e baralhados por tanta informa\u00e7\u00e3o, tornamo-nos perme\u00e1veis a propostas mais ou menos exc\u00eantricas, mais ou menos esot\u00e9ricas, mais ou menos ecl\u00e9ticas, por vezes pouco condizentes com a pureza e a autenticidade da proposta crist\u00e3. Por outro lado, muitos crist\u00e3os continuam a colocar a sua esperan\u00e7a de realiza\u00e7\u00e3o em \u201cpoderes\u201d, em figuras, em supersti\u00e7\u00f5es, em institui\u00e7\u00f5es, em rituais \u201cm\u00e1gicos\u201d, que n\u00e3o libertam e que n\u00e3o ajudam a encontrar caminhos de plena realiza\u00e7\u00e3o. Como nos situamos face a isto? Procuramos definir claramente, em coer\u00eancia com a nossa f\u00e9, o caminho que devemos seguir?<\/li>\n<li>A festa de Cristo Rei celebra, antes de mais, a soberania e o poder de Cristo sobre toda a cria\u00e7\u00e3o. Neste contexto, o autor da Carta aos Colossenses lembra-nos que, em Cristo, Deus revela-Se; que Ele tem a supremacia e autoridade sobre todos os seres criados; que Ele \u00e9 o centro de todo o universo e que tudo tende e converge para Ele\u2026 Isto equivale a definir Cristo como o centro da vida e da hist\u00f3ria, a coordenada fundamental \u00e0 volta da qual tudo se constr\u00f3i. Cristo tem, de facto, esta centralidade na vida dos homens e mulheres do nosso tempo, ou h\u00e1 outros deuses e refer\u00eancias que usurparam o seu lugar? Quais s\u00e3o esses outros \u201creis\u201d que ocuparam o \u201ctrono\u201d que pertence a Cristo? Esses \u201creis\u201d trouxeram alguma \u201cmais-valia\u201d \u00e0 vida dos homens, ou apenas criaram escravid\u00e3o e desumaniza\u00e7\u00e3o? O que podemos fazer para que a nossa sociedade reconhe\u00e7a em Cristo o seu \u201crei\u201d? Cristo \u00e9 o centro, a refer\u00eancia fundamental \u00e0 volta da qual a nossa vida se articula e se constr\u00f3i? O que \u00e9 que Cristo significa para n\u00f3s, n\u00e3o em termos de defini\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, mas em termos existenciais?<\/li>\n<li>A Festa de Cristo Rei \u00e9, tamb\u00e9m, a festa da soberania de Cristo sobre a comunidade crist\u00e3. A Igreja \u00e9 um corpo, do qual Cristo \u00e9 a cabe\u00e7a. \u00c9 Cristo que re\u00fane os v\u00e1rios membros da Igreja numa comunidade de irm\u00e3os que vivem no amor; \u00e9 Cristo que a todos alimenta e d\u00e1 vida; \u00e9 Cristo o termo dessa caminhada que os crentes fazem ao encontro da vida em plenitude. Esta centralidade de Cristo tem estado sempre presente na reflex\u00e3o, na catequese e na vida da Igreja? N\u00e3o \u00e9 verdade que, muitas vezes falamos mais de autoridade e de obedi\u00eancia do que de Cristo, de castidade e de leis can\u00f3nicas do que do Evangelho, de poder e de direitos da Igreja do que do Reino de Deus que Cristo veio propor? Cristo \u00e9 \u2013 n\u00e3o em teoria, mas de facto \u2013 o centro de refer\u00eancia da Igreja no seu todo e de cada uma das nossas comunidades crist\u00e3s em particular? N\u00e3o damos, \u00e0s vezes, mais import\u00e2ncia \u00e0s leis feitas pelos homens do que a Cristo? N\u00e3o h\u00e1, tantas vezes, \u201csantos\u201d e \u201csantinhos\u201d que assumem um valor cimeiro na experi\u00eancia de f\u00e9 de muitos crist\u00e3os, deixando em plano secund\u00e1rio Cristo e o Seu Evangelho? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Lucas 23,35-43<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nos chefes dos judeus zombavam de Jesus, dizendo:<br \/>\n\u00abSalvou os outros: salve-Se a Si mesmo,<br \/>\nse \u00e9 o Messias de Deus, o Eleito\u00bb.<br \/>\nTamb\u00e9m os soldados tro\u00e7avam d\u2019Ele;<br \/>\naproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam:<br \/>\n\u00abSe \u00e9s o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo\u00bb.<br \/>\nPor cima d\u2019Ele havia um letreiro:<br \/>\n\u00abEste \u00e9 o Rei dos judeus\u00bb.<br \/>\nEntretanto, um dos malfeitores que tinham sido crucificados<br \/>\ninsultava-O, dizendo:<br \/>\n\u00abN\u00e3o \u00e9s Tu o Messias?<br \/>\nSalva-Te a Ti mesmo e a n\u00f3s tamb\u00e9m\u00bb.<br \/>\nMas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o:<br \/>\n\u00abN\u00e3o temes a Deus,<br \/>\ntu que sofres o mesmo supl\u00edcio?<br \/>\nQuanto a n\u00f3s, fez-se justi\u00e7a,<br \/>\npois recebemos o castigo das nossas m\u00e1s a\u00e7\u00f5es.<br \/>\nMas Ele nada praticou de conden\u00e1vel\u00bb.<br \/>\nE acrescentou:<br \/>\n\u00abJesus, lembra-Te de Mim, quando vieres com a tua realeza\u00bb.<br \/>\nJesus respondeu-lhe:<br \/>\n\u00abEm verdade te digo: Hoje estar\u00e1s comigo no Para\u00edso\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus foi preso no jardim das Oliveiras pelos soldados do templo (cf. Lc 22,47-53) numa noite de quinta-feira do m\u00eas de Nisan do ano 30. Logo de seguida, foi conduzido pelos soldados ao pal\u00e1cio do sumo sacerdote, onde foi maltratado e insultado durante uma boa parte da noite (cf. Lc 22,63-65). De manh\u00e3, Jesus foi apresentado diante de um Conselho de not\u00e1veis, formado por anci\u00e3os do povo, sumo sacerdotes e doutores da Lei. Os membros do Conselho interrogaram-no e procuraram definir a sua culpa (cf. Lc 22,66-71). Quando acharam que j\u00e1 tinham os dados necess\u00e1rios, fizeram Jesus comparecer diante do procurador romano P\u00f4ncio Pilatos. Acusavam-no de sublevar o povo contra C\u00e9sar e de se apresentar como o Messias-Rei (cf. Lc 23,1-5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pilatos n\u00e3o ficou convencido da culpabilidade do r\u00e9u (cf. Lc 23,4. 13-16). Tentou, de diversas formas, libertar Jesus; mas, pressionado pelos dirigentes judeus, acabou por ceder e por decretar a condena\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e0 morte na cruz (cf. Lc 23,20-25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cortejo com os condenados (havia mais dois, al\u00e9m de Jesus \u2013 cf. Lc 23,32) saiu do pal\u00e1cio de P\u00f4ncio Pilatos e dirigiu-se, atrav\u00e9s das ruas da cidade, para o local das execu\u00e7\u00f5es, uma pequena colina situada fora das muralhas, mas que era um lugar de passagem para os que entravam e sa\u00edam da cidade. Dessa forma, todos os que passavam por ali podiam ver o que acontecia a quem afrontava o poder romano. O tra\u00e7ado que Jesus e os outros condenados tinham de percorrer era relativamente curto, talvez de uns quinhentos metros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, como os outros condenados, levava \u00e0s costas uma trave, a trave transversal da cruz. As fontes dizem que Jesus, enfraquecido pela tortura, n\u00e3o conseguiu levar a trave at\u00e9 ao fim. Os soldados, com medo que ele morresse antes de a senten\u00e7a ter sido executada, tiveram de requisitar um tal Sim\u00e3o de Cirene, um homem que vinha do campo, para carregar a trave que Jesus transportava \u00e0s costas (cf. Lc 23,26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o tardaram a chegar ao G\u00f3lgota, o lugar das execu\u00e7\u00f5es de Jerusal\u00e9m. Era um local sinistro. \u201cG\u00f3lgota\u201d (do arameu \u201cgulgult\u00e1\u201d) significa \u201clugar do cr\u00e2nio, ou da caveira\u201d. Era uma pequena colina de dez ou doze metros de altura. No cimo dessa pequena colina podiam ver-se, espetados na terra, os paus verticais onde iriam ser penduradas as traves que os condenados transportavam \u00e0s costas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Procedeu-se ent\u00e3o \u00e0 crucifix\u00e3o dos condenados. Despiram-nos, para lhes degradar a dignidade. Depois, os soldados deitaram sortes para ver quem ficava com as vestes dos condenados (cf. Lc 23,34). Estenderam Jesus e os outros dois no ch\u00e3o e pregaram-nos ao travess\u00e3o lateral pelos pulsos; depois elevaram o travess\u00e3o com o corpo de cada condenado e fixaram-no no pau vertical. Com cravos, fixaram os p\u00e9s dos condenados ao pau vertical. Na parte superior da cruz de Jesus havia um letreiro identificando o condenado e dizendo a raz\u00e3o da sua condena\u00e7\u00e3o: \u201co basileus t\u00f4n Ioudai\u00f4n outos\u201d (\u201ceste \u00e9 o rei dos judeus\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o final da \u201ccaminhada\u201d terrena de Jesus: estamos perante o \u00faltimo quadro de uma vida gasta ao servi\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. As bases do Reino j\u00e1 est\u00e3o lan\u00e7adas e Jesus \u00e9 apresentado como \u201co Rei\u201d que preside a esse \u201cestranho\u201d Reino cujos contornos n\u00e3o foram desenhados pelos homens, mas sim por Deus. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Faz sentido, em pleno s\u00e9c. XXI, encerrar o ano lit\u00fargico com a celebra\u00e7\u00e3o da Solenidade de Cristo Rei do Universo? O t\u00edtulo de \u201crei\u201d que atribu\u00edmos a Jesus n\u00e3o ser\u00e1, nestes tempos \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d, um t\u00edtulo ultrapassado e com forte conota\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, que nos conviria evitar? Tratar Jesus como \u201crei\u201d n\u00e3o ser\u00e1 p\u00f4-lo ao n\u00edvel dos grandes e poderosos do nosso mundo? Ver em Jesus um \u201crei\u201d n\u00e3o poder\u00e1 contribuir para que fiquemos com uma ideia errada d\u2019Ele e do projeto que Ele nos veio propor? Todas estas perguntas s\u00e3o leg\u00edtimas; mas conv\u00e9m desde logo ter em conta que o pr\u00f3prio Jesus, questionado por Pilatos sobre a sua realeza, confirmou que era \u201crei\u201d (cf. Lc 23,3). Na vers\u00e3o do evangelista Jo\u00e3o, Jesus diz mesmo a Pilatos que \u00e9 um \u201crei\u201d que veio ao mundo \u201cpara dar testemunho da verdade\u201d e que todos os que s\u00e3o da verdade devem escutar a sua voz (Jo 18,37). Sim, podemos celebrar a realeza de Jesus, n\u00f3s que escutamos a Sua voz, que queremos viver na verdade e que o temos como a refer\u00eancia fundamental \u00e0 volta da qual constru\u00edmos a nossa exist\u00eancia. Conv\u00e9m, no entanto, entender a \u201crealeza\u201d de Jesus na perspetiva certa: Ele \u00e9 um rei que veio oferecer aos homens a verdade que liberta; Ele reina atrav\u00e9s da for\u00e7a desarmada do amor; o seu estilo \u00e9 o do servi\u00e7o simples e humilde; a sua for\u00e7a \u00e9 a que resulta da miseric\u00f3rdia e do perd\u00e3o; o trono de onde Ele exerce o seu poder \u00e9 a cruz onde oferece a sua pr\u00f3pria vida em benef\u00edcio de todos. \u00c9 dessa forma que vemos e entendemos a \u201crealeza\u201d de Jesus? Estamos dispostos a fazer desse \u201crei\u201d a nossa refer\u00eancia?<\/li>\n<li>Ao longo do seu caminho pela hist\u00f3ria a Igreja nem sempre entendeu bem a realeza de Jesus. Julgou, em diversos momentos, que essa realeza lhe dava um mandato para se impor, para dominar, para condenar, para coagir, at\u00e9 mesmo para matar. Montou estruturas decalcadas dos imp\u00e9rios; enviou ex\u00e9rcitos para combater os \u201cinfi\u00e9is\u201d; imp\u00f4s convers\u00f5es for\u00e7adas; condenou e queimou muitos \u201cdiferentes\u201d que n\u00e3o se reviam na \u201cordem crist\u00e3\u201d ou que tinham uma vis\u00e3o do mundo e da f\u00e9 n\u00e3o coincidente com a da hierarquia\u2026 \u00c9 evidente que temos de olhar para muitos desses \u201cequ\u00edvocos\u201d como \u201cdatados\u201d, como acontecimentos que devem ser vistos e avaliados \u00e0 luz de um determinado contexto hist\u00f3rico. No entanto, em pleno s\u00e9c. XXI faz sentido perguntar: j\u00e1 nos livramos de toda essa mentalidade triunfalista, inquisitiva, intolerante, do esp\u00edrito de cruzadas e de guerras santas contra o mundo e contra os que n\u00e3o pensam como n\u00f3s? Faz sentido, depois de o nosso \u201crei\u201d se ter apresentado ao mundo no trono da cruz, reivindicar dos poderes pol\u00edticos honras e privil\u00e9gios para a Igreja nascida de Jesus? Necessitamos de continuar a reproduzir, na Igreja, as estruturas de poder que a sociedade cultiva e que funcionam segundo l\u00f3gicas que nem sempre coincidem com os valores do Evangelho? O que pensamos de tudo isto?<\/li>\n<li>A maneira como Jesus exerce a sua realeza sobre o mundo e sobre os homens poder\u00e1 tamb\u00e9m deixar-nos uma poderosa interpela\u00e7\u00e3o sobre o nosso estilo de vida, os valores que privilegiamos, a forma como nos situamos diante dos nossos irm\u00e3os. O sil\u00eancio digno daquele \u201crei\u201d pregado na cruz, despojado das suas vestes, abandonado pelos amigos, que sofre sem revolta as zombarias dos l\u00edderes judaicos e os insultos dos soldados, n\u00e3o faz parecer absolutamente rid\u00edculas as nossas pretens\u00f5es de honras, de t\u00edtulos, de aplausos, de reconhecimentos, de vaidades pessoais? A atitude daquele \u201crei\u201d que, por amor aos seus irm\u00e3os, oferece a sua vida at\u00e9 \u00e0 \u00faltima gota de sangue, n\u00e3o constitui uma den\u00fancia eloquente das nossas manias de grandeza, das nossas invejas mesquinhas, das nossas rivalidades, das nossas ambi\u00e7\u00f5es desmedidas, das nossas vaidades est\u00fapidas, dos nossos ego\u00edsmos estreitos e cegos? Diante deste \u201crei\u201d que se d\u00e1 completamente, sem guardar nada para si, n\u00e3o nos sentimos convidados a fazer da vida um dom a Deus e aos irm\u00e3os que caminham ao nosso lado?<\/li>\n<li>\u00c9 extraordin\u00e1rio que, de entre todos os que estavam presentes no momento da crucifica\u00e7\u00e3o de Jesus, s\u00f3 um \u201cmalfeitor\u201d tenha visto naquele justo que todos desprezaram, \u201co rei dos judeus\u201d. \u00c9 admir\u00e1vel que s\u00f3 um \u201cmalfeitor\u201d condenado \u00e0 morte tenha entendido o mist\u00e9rio daquele justo que ofereceu a vida por amor e que, amando at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, libertou os seus irm\u00e3os da viol\u00eancia, da injusti\u00e7a, da mentira, das trevas, da morte. \u00c9 singular que s\u00f3 um \u201cmalfeitor\u201d em fim de linha, prestes a ser eliminado por uma sociedade que o considerara irrecuper\u00e1vel, tenha percebido que, do mart\u00edrio daquele justo, ia nascer um mundo novo, um reino de justi\u00e7a, de amor e de vida. Porque \u00e9 que, tantas e tantas vezes, s\u00e3o os mais distantes que melhor compreendem Jesus e o seu mist\u00e9rio? Porque \u00e9 que tantas e tantas vezes s\u00e3o os mais \u201cimprov\u00e1veis\u201d que entendem e abra\u00e7am os desafios que Jesus deixa ao mundo e aos homens? N\u00f3s, que h\u00e1 tanto tempo caminhamos atr\u00e1s de Jesus e que nos dizemos seus disc\u00edpulos, j\u00e1 percebemos o Seu mist\u00e9rio? Estamos dispon\u00edveis para viver ao estilo de Jesus e para colaborar com Ele na constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus?<\/li>\n<li>O evangelista Lucas convida-nos, na Solenidade de Cristo Rei do Universo, a olhar para a cruz onde agoniza Jesus, o \u201crei dos judeus\u201d. Contemplar a cruz onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus significa assumir a mesma atitude que Ele assumiu e solidarizar-se com aqueles que s\u00e3o crucificados neste mundo: os que sofrem viol\u00eancia, os que s\u00e3o explorados, os que s\u00e3o exclu\u00eddos, os que s\u00e3o privados de direitos e de dignidade. Olhar a cruz de Jesus significa denunciar tudo o que gera \u00f3dio, divis\u00e3o, medo, em termos de estruturas, valores, pr\u00e1ticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor\u2026 Viver deste modo pode conduzir \u00e0 morte; mas o crist\u00e3o sabe que amar como Jesus \u00e9 viver a partir de uma din\u00e2mica que a morte n\u00e3o pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne os dinamismos da ressurrei\u00e7\u00e3o. A contempla\u00e7\u00e3o da cruz de Jesus leva-nos ao compromisso com a transforma\u00e7\u00e3o do mundo? A contempla\u00e7\u00e3o da cruz de Jesus faz com que nos sintamos solid\u00e1rios com todos os nossos irm\u00e3os que todos os dias s\u00e3o crucificados e injusti\u00e7ados? A contempla\u00e7\u00e3o da cruz de Jesus d\u00e1-nos a coragem para lutarmos contra tudo aquilo que gera sofrimento e morte, mesmo que isso implique correr riscos, ser incompreendido e condenado? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A\u00a0<strong>primeira leitura<\/strong>\u00a0\u00e9 breve e de f\u00e1cil proclama\u00e7\u00e3o, pede-se apenas o cuidado na pronuncia\u00e7\u00e3o da palavra \u00abHebron\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A\u00a0<strong>segunda leitura<\/strong>\u00a0exige uma acurada prepara\u00e7\u00e3o porque \u00e9 um texto com frases longas e diversas ora\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m porque \u00e9 um texto de grande densidade teol\u00f3gica. Este texto requer uma leitura calma e cuidada nas pausas e respira\u00e7\u00f5es e com aten\u00e7\u00e3o para algumas express\u00f5es como <em>\u00abvis\u00edveis e invis\u00edveis<\/em>\u00bb e <em>\u00abPrincipados e Potestades\u00bb.<\/em> Uma leitura apressada impede a correta compreens\u00e3o das palavras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Leitura-I-do-Domingo-XXXIV-do-Tempo-Comum-Ano-C-23.11.2025-2-Samuel-n5-1-3.pdf\">Leitura I do Domingo XXXIV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 23.11.2025 (2 Samuel n5, 1-3)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Leitura-II-do-Domingo-XXXIV-do-Tempo-Comum-Ano-C-23.11.2025-Colossenses-1-12-20.pdf\">Leitura II do Domingo XXXIV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 23.11.2025 (Colossenses 1, 12-20)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Domingo-XXXIV-do-Tempo-Comum-Ano-C-23.11.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XXXIV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 23.11.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Domingo-XXXIV-do-Tempo-Comum-Ano-C-23.11.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXXIV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 23.11.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Domingo-XXXIV-do-Tempo-Comum-Nosso-Senhor-Jesus-Cristo-Rei-do-Universo-Ano-C-23.11.2025-refletindo.pdf\">Domingo XXXIV do Tempo Comum-Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo &#8211; Ano C -23.11.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-XXXIV-do-Tempo-Comum-23.11.2025.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo XXXIV do Tempo Comum &#8211; 23.11.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Dia-Diocesano-da-Juventude-22.11.2025.pdf\">Dia Diocesano da Juventude &#8211; 22.11.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Jubileu-dos-Coros.-Bispo-do-Porto-23.11.2025.pdf\">Jubileu dos Coros. Bispo do Porto &#8211; 23.11.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXXIII do Tempo Comum-Ano C \u2013 16 novembro 2025&#8243; tab_id=&#8221;1763979289133-84a92642-ffa2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 16.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XXXIII do Tempo Comum-Ano C \u2013 16 novembro 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 16.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">IX Dia Mundial dos Pobres<\/span><\/h4>\n<figure id=\"attachment_12653\" aria-describedby=\"caption-attachment-12653\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12653 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Domingo-XXXIII.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12653\" class=\"wp-caption-text\">\u201c17e sereis odiados por todos, por causa do meu nome. 18Mas n\u00e3o se perder\u00e1 um s\u00f3 cabelo da vossa cabe\u00e7a. 19Pela vossa const\u00e2ncia \u00e9 que sereis salvos.\u00bb Lucas 21, 17-19.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A mensagem escatol\u00f3gica deste Domingo \u00e9 um apelo \u00e0 esperan\u00e7a e \u00e0 confian\u00e7a, mas tamb\u00e9m um apelo \u00e0 vigil\u00e2ncia e \u00e0 perseveran\u00e7a. Jesus, Mestre da ternura e da bondade, n\u00e3o nos quer alarmar, e, por isso, dirige-se a cada um de n\u00f3s para n\u00e3o nos deixarmos tomar pelo medo e pela ang\u00fastia diante de tantas cat\u00e1strofes e persegui\u00e7\u00f5es que h\u00e3o-de acompanhar a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus convida-nos a lan\u00e7ar um olhar novo sobre as realidades presentes, quer sejam belas e preciosas como as ornamenta\u00e7\u00f5es do Templo, quer sejam dram\u00e1ticas e exigentes como as guerras e persegui\u00e7\u00f5es que h\u00e3o-de acompanhar aqueles que aderem ao Seu projeto de amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diante do olhar contemplativo daqueles que admiravam \u00ab<em>as belas pedras e piedosas ofertas<\/em>\u00bb do Templo, Jesus parece iniciar um discurso pessimista e catastr\u00f3fico: \u00ab<em>dias vir\u00e3o em que, de tudo o que estais a ver, n\u00e3o ficar\u00e1 pedra sobre pedra: tudo ser\u00e1 destru\u00eddo<\/em>\u00bb. Contudo, bem diferente \u00e9 a Sua inten\u00e7\u00e3o. Ele recorda-nos que as mais belas constru\u00e7\u00f5es, tais como as maiores desgra\u00e7as s\u00e3o passageiras, caducas e fr\u00e1geis e convida-nos a fazer uma leitura nova do tempo e da hist\u00f3ria, desafiando-nos a tomar consci\u00eancia que a par destas realidades ef\u00e9meras, h\u00e1 algo que permanece como garante de eternidade: o amor que oferecemos e recebemos, o amor que \u00e9 sinal da presen\u00e7a de Deus na vida de cada homem e de cada mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os an\u00fancios catastr\u00f3ficos do fim do mundo n\u00e3o s\u00e3o novos e percorrem a hist\u00f3ria, sobretudo nas mudan\u00e7as de mil\u00e9nio ou de s\u00e9culo, onde as profecias do fim do mundo, pr\u00f3ximo e iminente s\u00e3o recorrentes. Recordo, por exemplo, aquele epis\u00f3dio em que os disc\u00edpulos de S. Agostinho se aproximaram dele lamentando a viol\u00eancia, as desgra\u00e7as e as cat\u00e1strofes e perguntavam: \u00ab<em>estar\u00e1 a chegar o fim do mundo?<\/em>\u00bb e S. Agostinho, cheio da esperan\u00e7a que brota do Evangelho, respondeu-lhes: \u00ab<em>n\u00e3o \u00e9 o mundo que est\u00e1 a acabar, mas um mundo novo que quer nascer<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na verdade, \u00e9 precisamente esta a mensagem que brota do Evangelho deste Domingo. Jesus, consciente da caducidade e fragilidade das nossas vidas e conhecendo a viol\u00eancia e a maldade que pode brotar das nossas a\u00e7\u00f5es, prop\u00f5e a perseveran\u00e7a no amor como caminho a seguir para uma transforma\u00e7\u00e3o do mundo em que vivemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o percorremos sozinhos os trilhos da hist\u00f3ria e quando as dificuldades surgirem, quando as divis\u00f5es acontecerem, quando formos tra\u00eddos e desprezados at\u00e9 por aqueles que nos s\u00e3o mais pr\u00f3ximos, haveremos de recordar que \u00ab<em>nenhum cabelo da vossa cabe\u00e7a se perder\u00e1<\/em>\u00bb, isto \u00e9, que h\u00e1 um Deus que cuida de n\u00f3s at\u00e9 ao mais \u00ednfimo pormenor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Todavia, a caducidade e fragilidade da nossa exist\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o um convite \u00e0 quietude ou \u00e0 ociosidade. Como nos recorda S. Paulo, \u00e9 necess\u00e1rio o empenho e a dedica\u00e7\u00e3o para que trabalhando tranquilamente sejamos merecedores do p\u00e3o que comemos e possamos ser construtores desse mundo novo que Deus quer fazer irromper no tempo e na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 efetivamente necess\u00e1rio o fim do mundo, mas o fim de um mundo marcado pelo \u00f3dio, pela vingan\u00e7a, pela inveja e pelo ego\u00edsmo, para nascer um mundo novo, marcado pelo amor, pelo perd\u00e3o, pela partilha e pela miseric\u00f3rdia. Cada dia e cada momento que Deus coloca em nossas m\u00e3os s\u00e3o uma oportunidade para nos tornamos construtores audazes da nova civiliza\u00e7\u00e3o do amor, semeadores de esperan\u00e7a num tempo de desencanto e testemunhas da perseveran\u00e7a quando tudo parece ef\u00e9mero e passageiro. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong><em>\u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estamos quase a concluir<\/strong> o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C \u2013 onde somos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Malaquias 3,19-20a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 de vir o dia do Senhor,<br \/>\nardente como uma fornalha;<br \/>\ne ser\u00e3o como a palha todos os soberbos e malfeitores.<br \/>\nO dia que h\u00e1 de vir os abrasar\u00e1<br \/>\n\u2013 diz o Senhor do Universo \u2013<br \/>\ne n\u00e3o lhes deixar\u00e1 raiz nem ramos.<br \/>\nMas para v\u00f3s que temeis o meu nome,<br \/>\nnascer\u00e1 o sol de justi\u00e7a,<br \/>\ntrazendo nos seus raios a salva\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O nome &#8220;Malaquias&#8221; n\u00e3o \u00e9 um nome pr\u00f3prio. A palavra significa &#8220;o meu enviado&#8221;. \u00c9 o t\u00edtulo tomado por um profeta an\u00f3nimo, sobre o qual praticamente nada sabemos e que se apresenta como &#8220;enviado&#8221; de Jav\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esse profeta exerceu a sua miss\u00e3o em Jerusal\u00e9m, no per\u00edodo p\u00f3s-ex\u00edlico. O Templo j\u00e1 havia sido reconstru\u00eddo (cf. Ml 1,10) e o culto j\u00e1 funcionava \u2014 ainda que mal (cf. Ml 1,7-9. 12-13). No entanto, o entusiasmo pela reconstru\u00e7\u00e3o estava apagado. Desanimado ao ver que as antigas promessas de Deus (veiculadas por Ezequiel e pelo Deutero-Isa\u00edas) n\u00e3o se tinham cumprido, o Povo tinha ca\u00eddo na apatia religiosa e na absoluta falta de confian\u00e7a em Deus. Duvidava do amor de Deus, da sua justi\u00e7a, do seu interesse por Jud\u00e1. Todo este ceticismo tinha repercuss\u00f5es no culto (cada vez mais desleixado) e na \u00e9tica (multiplicavam-se as falhas, as injusti\u00e7as, as arbitrariedades). Este quadro situa-nos na primeira metade do s\u00e9c. V a.C. (entre 480 e 450 a.C.), muito pr\u00f3ximo da \u00e9poca de Esdras e Neemias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Malaquias, o &#8220;mensageiro de Jav\u00e9&#8221; reage vigorosamente contra a situa\u00e7\u00e3o em que o Povo de Jud\u00e1 est\u00e1 a cair. Defende intransigentemente os valores judaicos e a f\u00e9 dos antepassados; aponta o dedo aos sacerdotes, aos levitas e a outros respons\u00e1veis pelo culto, denunciando o seu desleixo e venalidade; profetiza a chegada do tempo em que se oferecer\u00e1 a Deus um culto puro e santo; coloca cada pessoa diante das suas responsabilidades para com Jav\u00e9 e para com o pr\u00f3ximo; exige a convers\u00e3o do Povo e o afastamento da idolatria; condena veementemente os casamentos mistos (entre judeus e n\u00e3o judeus), que fazem perigar a fidelidade a Jav\u00e9. A sua l\u00f3gica \u00e9 a l\u00f3gica deuteronomista: se o Povo se obstinar em percorrer caminhos de infidelidade \u00e0 Alian\u00e7a, voltar\u00e1 a conhecer a morte e a infelicidade, como aconteceu num passado recente; mas se o Povo se voltar para Jav\u00e9 e cumprir os mandamentos, voltar\u00e1 a gozar da vida e da felicidade que Deus oferece \u00e0queles que seguem os seus caminhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por detr\u00e1s do texto que a liturgia deste domingo nos oferece como primeira leitura, est\u00e1 o ceticismo dos habitantes de Jud\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 justi\u00e7a de Deus, ao interesse de Deus em intervir na ordem do mundo. Eles sentem-se desiludidos, pois parece-lhes que Deus assume uma atitude de perfeita indiferen\u00e7a diante da sorte dos justos: \u201cde que vale servir a Deus? Que lucr\u00e1mos em ter observado os seus preceitos e em ter andado de luto diante do Senhor do universo? E agora temos de chamar ditosos aos arrogantes, pois eles fazem o mal e prosperam; p\u00f5em Deus \u00e0 prova e ficam impunes\u201d (Ml 3,14-15). \u00c9 a eterna interroga\u00e7\u00e3o sobre o sentido do mal que cobre a terra, sobre a prosperidade dos pecadores em contraste com o sofrimento dos justos. Deus n\u00e3o quer saber? Deus n\u00e3o faz nada para restabelecer a justi\u00e7a? Ele alheou-se dos problemas dos homens e deixa que cada um fa\u00e7a o que quer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Malaquias procura responder a estas quest\u00f5es. Garante que Deus n\u00e3o esquece os justos, os que constam do livro onde est\u00e3o inscritos \u201cos que temem o Senhor e prezam o seu nome\u201d (Ml 3,16). Mais: Deus ter\u00e1 compaix\u00e3o deles \u201ccomo um pai que se compadece do filho que o serve\u201d (Ml 3,17). Por isso, Deus vai atuar. Ent\u00e3o, todos ver\u00e3o \u201cde novo a diferen\u00e7a entre o justo e o \u00edmpio, entre quem serve a Deus e quem n\u00e3o O serve\u201d (Ml 3,18). <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Em 1947 uma organiza\u00e7\u00e3o fundada por cientistas que trabalharam no Projeto Manhattan durante a Segunda Guerra Mundial, criou o \u201cRel\u00f3gio do Ju\u00edzo Final\u201d, ou \u201cRel\u00f3gio do Apocalipse\u201d. \u00c9 uma ferramenta simb\u00f3lica onde est\u00e1 representado o risco da destrui\u00e7\u00e3o global, com a meia-noite simbolizando a hora da aniquila\u00e7\u00e3o da humanidade. O ponteiro desse rel\u00f3gio \u00e9 ajustado periodicamente por um grupo de cientistas e especialistas, com base em diversos fatores de risco. Atualmente, considerando tudo aquilo que constitui uma amea\u00e7a para a humanidade \u2013 a prolifera\u00e7\u00e3o das armas nucleares, a instabilidade pol\u00edtica internacional, o aumento da temperatura, a frequ\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos extremos, o desenvolvimento de tecnologias como a intelig\u00eancia artificial, a biologia sint\u00e9tica e outras tecnologias emergentes com potencial para usos destrutivos, o aparecimento de epidemias e doen\u00e7as infeciosas globais \u2013 os cientistas colocaram os ponteiros do referido rel\u00f3gio muito perto da meia-noite, a \u201chora\u201d fat\u00eddica em que a humanidade ser\u00e1 destru\u00edda. J\u00e1 n\u00e3o haver\u00e1 esperan\u00e7a? Estamos condenados a acabar num inevit\u00e1vel cataclismo? E Deus? Fica indiferente ao ver os seus filhos a caminhar para um beco sem sa\u00edda? H\u00e1 2450 anos um profeta an\u00f3nimo garantia aos habitantes de Jud\u00e1: Deus nunca nos abandona; Ele h\u00e1 de destruir, n\u00e3o a humanidade, mas sim aquilo que amea\u00e7a a vida dos seus filhos; o mal n\u00e3o triunfar\u00e1, n\u00e3o ter\u00e1 a \u00faltima palavra; a hist\u00f3ria que Deus est\u00e1 a construir connosco n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria de destrui\u00e7\u00e3o, mas sim uma hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o. A nossa caminhada pela terra \u00e9 ancorada nesta esperan\u00e7a?<\/li>\n<li>A hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o escreve-se todos os dias. A cada instante Deus apresenta-se na nossa vida, d\u00e1-nos as suas indica\u00e7\u00f5es, convida-nos a \u201cqueimar\u201d tudo aquilo que nos impede de caminhar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 vida plena, chama-nos \u00e0 convers\u00e3o, \u00e0 renova\u00e7\u00e3o, \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma vida mais feliz e mais realizada. Da nossa parte, temos de andar atentos \u00e0s indica\u00e7\u00f5es de Deus, escutar os seus apelos, ter a coragem de cortar da nossa vida tudo o que nos paralisa e nos impede de caminhar, atirar ao \u201cfogo\u201d purificador todos os lixos que obscurecem a nossa condi\u00e7\u00e3o de filhos e de filhas de Deus. Estamos dispon\u00edveis para acolher as interpela\u00e7\u00f5es e desafios purificadores que Deus nos traz? Quais s\u00e3o as coisas que Deus nos convida a \u201cqueimar\u201d para que em n\u00f3s possa concretizar-se a salva\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>O discurso sobre o fim do mundo e as cat\u00e1strofes que esperam a humanidade pecadora \u00e9 um discurso que alguns pregadores \u2013 muitas vezes da \u00e1rea das seitas, outras vezes de grupos ditos \u201ccrist\u00e3os\u201d, mas que se movimentam em terrenos e conce\u00e7\u00f5es muito pr\u00f3ximas das seitas \u2013 gostam de usar para incutir medo. Independentemente das boas ou m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es desses pregadores, o medo n\u00e3o \u00e9 uma boa base para construirmos a nossa experi\u00eancia de f\u00e9 e para nos aproximarmos do Deus que Jesus nos veio revelar. Usar certos textos \u2013 como este que a liturgia nos prop\u00f5e hoje como primeira leitura \u2013 para fomentar o medo e para \u201cfor\u00e7ar\u201d \u00e0 convers\u00e3o poder\u00e1 constituir uma grave distor\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus. Como \u00e9 que \u201couvimos\u201d discursos desse tipo? S\u00e3o discursos que nos impressionam e que condicionam a nossa vis\u00e3o de Deus e do seu projeto?<\/li>\n<li>A profecia de Malaquias come\u00e7ou a concretizar-se quando Jesus entrou na nossa hist\u00f3ria e se apresentou no meio de n\u00f3s. Jesus \u00e9 o \u201csol de justi\u00e7a\u201d de cujos raios colhemos a salva\u00e7\u00e3o. As palavras que Ele nos disse convidam-nos \u00e0 mudan\u00e7a, \u00e0 renova\u00e7\u00e3o, \u00e0 vida nova; os seus gestos prop\u00f5em-nos uma maneira de viver radicalmente nova; o Seu amor at\u00e9 ao extremo, at\u00e9 ao dom total de si pr\u00f3prio, mostra-nos como devemos amar; o Esp\u00edrito que Ele deixou aos seus d\u00e1-nos a for\u00e7a para testemunharmos Evangelho e para renovarmos a face da terra. Com Jesus come\u00e7ou a tornar-se realidade o Reino de Deus, esse mundo de justi\u00e7a e de paz que, no entanto, s\u00f3 se concretizar\u00e1 plenamente no final dos tempos, quando a humanidade tiver ultrapassado a etapa terrena da finitude e da conting\u00eancia. Jesus \u00e9, para n\u00f3s, o \u201csol de justi\u00e7a\u201d que ilumina a nossa vida e que nos mostra o caminho? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 97 (98)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: O Senhor vir\u00e1 governar com justi\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: O Senhor julgar\u00e1 o mundo com justi\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cantai ao Senhor ao som da c\u00edtara,<br \/>\nao som da c\u00edtara e da lira;<br \/>\nao som da tuba e da trombeta,<br \/>\naclamai o Senhor, nosso Rei.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ressoe o mar e tudo o que ele encerra,<br \/>\na terra inteira e tudo o que nela habita;<br \/>\naplaudam os rios<br \/>\ne as montanhas exultem de alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diante do Senhor que vem,<br \/>\nque vem para julgar a terra;<br \/>\njulgar\u00e1 o mundo com justi\u00e7a<br \/>\ne os povos com equidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>2Tessalonicenses 3, 7-12<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nV\u00f3s sabeis como deveis imitar-nos,<br \/>\npois n\u00e3o vivemos entre v\u00f3s desordenadamente,<br \/>\nnem comemos de gra\u00e7a o p\u00e3o de ningu\u00e9m.<br \/>\nTrabalh\u00e1mos dia e noite, com esfor\u00e7o e fadiga,<br \/>\npara n\u00e3o sermos pesados a nenhum de v\u00f3s.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o tiv\u00e9ssemos esse direito,<br \/>\nmas quisemos ser para v\u00f3s exemplo a imitar.<br \/>\nQuando ainda est\u00e1vamos convosco,<br \/>\nj\u00e1 vos d\u00e1vamos esta ordem:<br \/>\nquem n\u00e3o quer trabalhar, tamb\u00e9m n\u00e3o deve comer.<br \/>\nOuvimos dizer que alguns de v\u00f3s vivem na ociosidade,<br \/>\nsem fazerem trabalho algum,<br \/>\nmas ocupados em futilidades.<br \/>\nA esses ordenamos e recomendamos,<br \/>\nem nome do Senhor Jesus Cristo,<br \/>\nque trabalhem tranquilamente,<br \/>\npara ganharem o p\u00e3o que comem.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tessal\u00f3nica (a atual Sal\u00f3nica) era, em meados do s\u00e9c. I, a cidade mais importante da Maced\u00f3nia. . Tendo obtido do imperador Augusto o privil\u00e9gio de \u201ccidade livre\u201d, era administrada por um conselho eleito pela assembleia do povo (cf. Act 17,5) e presidida por magistrados denominados \u201cpolitarcas\u201d (cf. Act 17,6-8). Importante porto mar\u00edtimo e cidade de intenso com\u00e9rcio, Tessal\u00f3nica era uma encruzilhada religiosa, na qual os cultos locais e as religi\u00f5es vindas do estrangeiro coexistiam lado a lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A cidade foi evangelizada por Paulo durante a sua segunda viagem mission\u00e1ria, muito provavelmente no Inverno do ano 49 ou 50. Paulo chegou a Tessal\u00f3nica acompanhado por Silvano e Tim\u00f3teo, depois de ter sido for\u00e7ado a deixar a cidade de Filipos. Essa primeira estadia de Paulo em Tessal\u00f3nica foi curta, talvez de cerca de tr\u00eas meses; no entanto, do labor apost\u00f3lico de Paulo nasceu uma comunidade crist\u00e3 numerosa e entusiasta, constitu\u00edda maioritariamente por pag\u00e3os convertidos. De acordo com a informa\u00e7\u00e3o dos Atos dos Ap\u00f3stolos, a obra mission\u00e1ria de Paulo teve a oposi\u00e7\u00e3o de alguns membros da comunidade judaica. Na sequ\u00eancia, alguns crist\u00e3os da cidade foram acusados de agir contra os decretos do imperador e levados diante das autoridades da cidade (cf. At 17,5-9). Paulo foi obrigado a deixar a cidade \u00e0 pressa, durante a noite. Dirigiu-se para a Bereia e, de seguida, para Atenas (cf. At 17,10-15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto, o ap\u00f3stolo estava preocupado com a situa\u00e7\u00e3o da comunidade que tinha deixado em Tessal\u00f3nica. Pressionados pelas autoridades da cidade, conseguiriam eles manterem-se fi\u00e9is ao Evangelho? Por isso, Paulo enviou Tim\u00f3teo a Tessal\u00f3nica para saber informa\u00e7\u00f5es e para encorajar os tessalonicenses na f\u00e9 (cf. 1 Ts 3,2-5). Tim\u00f3teo, depois de cumprir a miss\u00e3o que lhe fora confiada, reencontrou Paulo em Corinto. As not\u00edcias trazidas por Tim\u00f3teo eram boas: os crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica enfrentavam as adversidades e mantinham-se fi\u00e9is \u00e0 f\u00e9 recebida. Confortado pelas informa\u00e7\u00f5es trazidas por Tim\u00f3teo, Paulo decidiu escrever aos crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica, felicitando-os pela sua fidelidade ao Evangelho. Aproveitou tamb\u00e9m para esclarecer algumas d\u00favidas doutrinais que inquietavam os tessalonicenses \u2013 nomeadamente sobre a segunda vinda do Senhor \u2013 e para corrigir alguns aspetos menos exemplares da vida da comunidade. A Primeira Carta aos Tessalonicenses \u00e9, com toda a probabilidade, o primeiro escrito do Novo Testamento. Apareceu na Primavera-Ver\u00e3o do ano 50 ou 51.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uns meses depois dessa primeira Carta \u00e0 comunidade crist\u00e3 de Tessal\u00f3nica, Paulo escreveu uma outra. O objetivo seria corrigir algumas interpreta\u00e7\u00f5es erradas que a primeira Carta tinha suscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto da Carta aos Tessalonicenses que a liturgia deste domingo nos oferece como segunda leitura refere-se \u00e0 forma como alguns crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica viviam, apenas ocupados em atividades in\u00fateis. N\u00e3o fica claro, pelo texto, se se trata de simples parasitismo e instala\u00e7\u00e3o numa vida f\u00e1cil, ou se se trata de uma exalta\u00e7\u00e3o espiritualista resultante da convic\u00e7\u00e3o de que a segunda vinda de Jesus estava pr\u00f3xima e n\u00e3o valeria a pena preocupar-se com a luta di\u00e1ria pela exist\u00eancia. Mas Paulo, com uma dureza inesperada, chama \u00e0 raz\u00e3o os crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Poder\u00e1 a experi\u00eancia religiosa favorecer uma certa evas\u00e3o do mundo e afastar as pessoas do seu compromisso com a hist\u00f3ria? O \u201chomem\u201d religioso poder\u00e1 ser tentado a viver de olhos postos no c\u00e9u, num espiritualismo alienado e inconsequente, negligenciando os seus deveres na terra e os desafios que a vida quotidiana lhe traz? S\u00f3 uma compreens\u00e3o deturpada da religi\u00e3o levar\u00e1 algu\u00e9m a voltar as costas ao mundo e a viver desconectado com as realidades do dia a dia. Na verdade, quem vive de olhos postos em Deus e na verdade de Deus, rapidamente percebe que Deus lhe confia a miss\u00e3o de transformar o mundo. At\u00e9 aqueles e aquelas que s\u00e3o chamados por Deus a uma voca\u00e7\u00e3o mais contemplativa t\u00eam a responsabilidade de serem sinais e testemunhas de um mundo novo. O cristianismo vivido com verdade, seriedade e coer\u00eancia potencia um empenhamento sincero na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo, mais fraterno, mais humano. O Reino de Deus \u00e9 uma realidade que atingir\u00e1 o ponto culminante na vida futura; mas come\u00e7a a construir-se aqui e agora e exige o esfor\u00e7o e o empenho de todos. A nossa atitude, enquanto disc\u00edpulos de Jesus, \u00e9 a de quem se comprometeu com o Reino e se esfor\u00e7a por torn\u00e1-lo uma realidade no mundo?<\/li>\n<li>Paulo fala tamb\u00e9m de crist\u00e3os que \u201cvivem na ociosidade, sem fazerem trabalho algum, mas ocupados em futilidades\u201d. Trata-se de gente pregui\u00e7osa e acomodada, avessa a qualquer esfor\u00e7o, que se aproveita da bondade dos irm\u00e3os para viver \u00e0 custa deles. Paulo n\u00e3o est\u00e1 a referir-se, aqui, \u00e0s pessoas fragilizadas e em dificuldades, \u00e0queles que as circunst\u00e2ncias da vida privaram de bens de subsist\u00eancia e que t\u00eam o direito de serem ajudados e cuidados pela comunidade; mas est\u00e1 a referir-se \u00e0queles que n\u00e3o querem esfor\u00e7ar-se, que vivem de esquemas, que se instalam na pedinchice, que se habituaram a depender dos outros e que n\u00e3o mexem um dedo para tomar nas pr\u00f3prias m\u00e3os as r\u00e9deas da sua vida. Paulo diz, a prop\u00f3sito: \u201cquem n\u00e3o quer trabalhar, tamb\u00e9m n\u00e3o deve comer\u201d. O que pensamos disto?<\/li>\n<li>Nas nossas comunidades crist\u00e3s encontramos com frequ\u00eancia pessoas que, independentemente da sua condi\u00e7\u00e3o, das suas qualifica\u00e7\u00f5es, das suas qualidades, se limitam a ser \u201cconsumidores passivos\u201d da religi\u00e3o: usufruem daquilo que a comunidade constr\u00f3i, participam de alguns momentos celebrativos que lhes interessam, mas n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis para colaborar na comunidade, para ajudar a construir a comunidade, para p\u00f4r ao servi\u00e7o da comunidade os dons que Deus lhes concedeu. Acabam por n\u00e3o estar envolvidos na vida da comunidade e por n\u00e3o fazer uma verdadeira experi\u00eancia de viv\u00eancia comunit\u00e1ria da f\u00e9. Como \u00e9 que nos situamos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade crist\u00e3? Damos o nosso contributo na constru\u00e7\u00e3o da comunidade? Pomos a render os nossos dons, colocando-os ao servi\u00e7o da comunidade? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Lucas 21,5-19<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\ncomentavam alguns que o templo estava ornado<br \/>\ncom belas pedras e piedosas ofertas.<br \/>\nJesus disse-lhes:<br \/>\n\u00abDias vir\u00e3o em que, de tudo o que estais a ver,<br \/>\nn\u00e3o ficar\u00e1 pedra sobre pedra:<br \/>\ntudo ser\u00e1 destru\u00eddo\u00bb.<br \/>\nEles perguntaram-lhe:<br \/>\n\u00abMestre, quando suceder\u00e1 isso?<br \/>\nQue sinal haver\u00e1 de que est\u00e1 para acontecer?\u00bb<br \/>\nJesus respondeu:<br \/>\n\u00abTende cuidado; n\u00e3o vos deixeis enganar,<br \/>\npois muitos vir\u00e3o em meu nome<br \/>\ne dir\u00e3o: \u201csou eu\u201d; e ainda: \u201cO tempo est\u00e1 pr\u00f3ximo\u201d.<br \/>\nN\u00e3o os sigais.<br \/>\nQuando ouvirdes falar de guerras e revoltas,<br \/>\nn\u00e3o vos alarmeis:<br \/>\n\u00e9 preciso que estas coisas aconte\u00e7am primeiro,<br \/>\nmas n\u00e3o ser\u00e1 logo o fim\u00bb.<br \/>\nDisse-lhes ainda:<br \/>\n\u00abH\u00e1 de erguer-se povo e reino contra reino.<br \/>\nHaver\u00e1 grandes terramotos<br \/>\ne, em diversos lugares, fomes e epidemias.<br \/>\nHaver\u00e1 fen\u00f3menos espantosos e grandes sinais no c\u00e9u.<br \/>\nMas antes de tudo isto,<br \/>\ndeitar-vos-\u00e3o as m\u00e3os e h\u00e3o de perseguir-vos,<br \/>\nentregando-vos \u00e0s sinagogas e \u00e0s pris\u00f5es,<br \/>\nconduzindo-vos \u00e0 presen\u00e7a de reis e governadores,<br \/>\npor causa do meu nome.<br \/>\nAssim tereis ocasi\u00e3o de dar testemunho.<br \/>\nTende presente em vossos cora\u00e7\u00f5es<br \/>\nque n\u00e3o deveis preparar a vossa defesa.<br \/>\nEu vos darei l\u00edngua e sabedoria<br \/>\na que nenhum dos vossos advers\u00e1rios<br \/>\npoder\u00e1 resistir ou contradizer.<br \/>\nSereis entregues at\u00e9 pelos vossos pais,<br \/>\nirm\u00e3os, parentes e amigos.<br \/>\nCausar\u00e3o a morte a alguns de v\u00f3s<br \/>\ne todos vos odiar\u00e3o por causa do meu nome;<br \/>\nmas nenhum cabelo da vossa cabe\u00e7a se perder\u00e1.<br \/>\nPela vossa perseveran\u00e7a salvareis as vossas almas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Evangelho do trig\u00e9simo terceiro domingo comum situa-nos em Jerusal\u00e9m, num dos dias que precedem a pris\u00e3o, condena\u00e7\u00e3o e morte de Jesus na cruz. O programa de Jesus, nestes dias, \u00e9 sempre igual: de manh\u00e3 dirige-se ao templo e passa a\u00ed o dia, \u201ca ensinar\u201d; ao final da tarde sai da cidade, atravessa o vale do Cedron e vai at\u00e9 ao Monte das Oliveiras, onde passa a noite (cf. Lc 21,37).\u00a0 Esses dias tamb\u00e9m v\u00e3o ser marcados por diversas controv\u00e9rsias entre Jesus e os l\u00edderes judaicos. A sombra da cruz paira, a cada instante, no horizonte pr\u00f3ximo de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tudo come\u00e7a com os coment\u00e1rios \u201cde alguns\u201d sobre a beleza e a riqueza do templo de Jerusal\u00e9m (cf. Lc 21,5). O templo era, na verdade, uma constru\u00e7\u00e3o magn\u00edfica. Herodes, o Grande, tinha come\u00e7ado as obras de amplia\u00e7\u00e3o e de restaura\u00e7\u00e3o do templo no ano 19 a.C.; mas, na \u00e9poca em que Jesus andava por Jerusal\u00e9m, os trabalhos continuavam (s\u00f3 foram conclu\u00eddos por volta do ano 63 d.C.).\u00a0 A \u00e1rea do templo ocupava uma superf\u00edcie de mil e quinhentos metros quadrados e as pedras utilizadas na constru\u00e7\u00e3o chegavam a ter vinte metros de comprimento. Coberto de m\u00e1rmore branco, o templo refletia os raios do sol e brilhava como uma joia preciosa. As portas tinham incrusta\u00e7\u00f5es de ouro e no interior havia tape\u00e7arias de linho fin\u00edssimo de cor azul, escarlate e p\u00farpura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em resposta aos coment\u00e1rios sobre a grandiosidade e a beleza do templo, Jesus avisa que, um dia, toda essa constru\u00e7\u00e3o desaparecer\u00e1 (cf. Lc 21,6). Muito impressionados, os interlocutores de Jesus pedem-lhe explica\u00e7\u00f5es: quando ser\u00e1 isso (cf. Lc 21,7)? Em resposta, Jesus deixa-lhes uma longa instru\u00e7\u00e3o que \u00e9 conhecida como o \u201cdiscurso escatol\u00f3gico\u201d (cf. Lc 21,8-38).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na vers\u00e3o do evangelista Lucas, o \u201cdiscurso escatol\u00f3gico\u201d de Jesus refere tr\u00eas momentos, ou temas, da hist\u00f3ria futura: a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m (que veio a concretizar-se no ano 70, quando as tropas romanas sob o comando de Tito tomaram Jerusal\u00e9m e destru\u00edram o templo), as vicissitudes que os disc\u00edpulos ir\u00e3o enfrentar ao longo do seu caminho hist\u00f3rico e, por fim, a vinda definitiva do Filho do Homem. De acordo com o texto de Lucas, Jesus recorre, para falar de tudo isto, a imagens estereotipadas de que os pregadores escatol\u00f3gicos da \u00e9poca se serviam quando discorriam sobre o fim dos tempos. A finalidade de Lucas, ao oferecer-nos o \u201cdiscurso escatol\u00f3gico de Jesus\u201d, n\u00e3o \u00e9 tanto descrever os acontecimentos da hist\u00f3ria futura dos homens, mas sim transmitir aos crentes \u2013 aos crentes da d\u00e9cada de oitenta do primeiro s\u00e9culo e aos crentes de todas as \u00e9pocas \u2013 a for\u00e7a para viverem o seu compromisso com Jesus no meio das dificuldades, incompreens\u00f5es e persegui\u00e7\u00f5es que a hist\u00f3ria os obrigar\u00e1 a enfrentar. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Para onde caminha a hist\u00f3ria humana? Este universo que Deus criou com amor e que entregou nas nossas m\u00e3os ter\u00e1 um fim? Quando chegar\u00e1 ao seu termo essa magn\u00edfica aventura que a humanidade tem vindo a viver desde h\u00e1 milh\u00f5es de anos? O que acontecer\u00e1 quando a hist\u00f3ria dos homens j\u00e1 n\u00e3o tiver mais estrada para andar? Que acontecimentos catastr\u00f3ficos ir\u00e3o p\u00f4r um ponto final na hist\u00f3ria dos homens e nas conquistas de que tanto nos orgulhamos? A nossa curiosidade leva-nos a cada passo a colocar estas ou outras perguntas semelhantes. Certo dia, em Jerusal\u00e9m, Jesus conversou com os seus disc\u00edpulos sobre estas quest\u00f5es. N\u00e3o deu pormenores, n\u00e3o se preocupou em saciar a curiosidade que devorava os disc\u00edpulos. Garantiu-lhes que, aconte\u00e7a o que acontecer, no final do caminho estar\u00e1 Deus \u00e0 espera; pediu-lhes que caminhassem de olhos postos em Deus e que nunca se deixassem vencer pelo medo ou pelo des\u00e2nimo; ensinou-os a viver com esperan\u00e7a. N\u00e3o caminhamos em dire\u00e7\u00e3o ao nada; caminhamos para os bra\u00e7os amorosos de Deus. N\u2019Ele encontraremos vida definitiva, vida plena, vida verdadeira. Como \u00e9 que n\u00f3s vivemos e sentimos estas coisas? O \u201cfim\u201d \u00e9 algo que nos preocupa e angustia, ou caminhamos serenamente, com o cora\u00e7\u00e3o em paz, colocando em Deus a nossa confian\u00e7a e a nossa esperan\u00e7a?<\/li>\n<li>O caminho que os homens percorrem pela hist\u00f3ria ser\u00e1 f\u00e1cil e indolor? \u00c9 claro que n\u00e3o. Ser\u00e1 sempre um caminho marcado pela fragilidade do homem e, portanto, pela presen\u00e7a do mal. Sim, a hist\u00f3ria dos homens conhecer\u00e1 a cada passo a viol\u00eancia, a guerra, a injusti\u00e7a, a mentira, a ambi\u00e7\u00e3o, a prepot\u00eancia, as trevas. Mas nessa hist\u00f3ria tamb\u00e9m est\u00e1 Deus a apontar aos homens o caminho que leva ao mundo novo. Por isso, a hist\u00f3ria dos homens tamb\u00e9m conhecer\u00e1 a justi\u00e7a, a bondade, a verdade, o amor, a luz. Jesus lan\u00e7ou \u00e0 terra a semente do mundo novo, do Reino de Deus; e todos os dias essa semente desenvolve-se e produz frutos abundantes. Esses frutos \u2013 os gestos que tantos homens e mulheres fazem, muitas vezes sem \u201cdar nas vistas\u201d, e que tornam o nosso mundo mais justo, mais humano, mais feliz \u2013 s\u00e3o os sinais da presen\u00e7a do Reino de Deus na hist\u00f3ria e na vida dos homens. Aos disc\u00edpulos de Jesus pede-se que reconhe\u00e7am os sinais do Reino de Deus, que se alegrem porque o Reino est\u00e1 presente e que se esforcem, todos os dias, por constru\u00ed-lo. Quais s\u00e3o os sinais de esperan\u00e7a que vemos brilhar no mundo e que nos fazem acreditar na presen\u00e7a do Reino de Deus no meio de n\u00f3s? O que podemos fazer, no dia a dia, para apressar a chegada do Reino de Deus?<\/li>\n<li>Jesus avisou os seus disc\u00edpulos que deveriam contar, ao longo da sua caminhada pela terra, com a contesta\u00e7\u00e3o, a rejei\u00e7\u00e3o, as acusa\u00e7\u00f5es injustas, as trai\u00e7\u00f5es, o sofrimento, a persegui\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9 estranho e inesperado? N\u00e3o. O pr\u00f3prio Jesus n\u00e3o foi rejeitado, preso, condenado e crucificado pelos l\u00edderes pol\u00edticos e religiosos do Seu povo? A nossa experi\u00eancia de todos os dias diz-nos que quem procura ser sinal de Deus e dar testemunho da justi\u00e7a e da verdade sofrer\u00e1 inevitavelmente a oposi\u00e7\u00e3o dos que pretendem perpetuar as estruturas do mundo velho. O medo da persegui\u00e7\u00e3o, a perspetiva do mart\u00edrio, o desejo de n\u00e3o perder benesses, a vida c\u00f3moda, ser\u00e3o raz\u00f5es suficientes para desistirmos do nosso testemunho? Estaremos sozinhos numa luta ingl\u00f3ria contra os \u201csenhores do mundo\u201d? Jesus garantiu-nos que estaria sempre ao nosso lado e que cuidaria de n\u00f3s (\u201cnenhum cabelo da vossa cabe\u00e7a se perder\u00e1\u201d). Essa certeza motiva-nos a ser testemunhas e arautos do mundo novo?<\/li>\n<li>Jesus recomendou aos disc\u00edpulos que n\u00e3o se deixassem enganar pelos falsos messias nem contaminar pelos discursos sem nexo dos pregadores afetados pela \u201cfebre escatol\u00f3gica\u201d. Jesus deu a entender que os discursos aterradores sobre o fim do mundo e sobre os \u201ccastigos\u201d que Deus teria \u201cem agenda\u201d para lidar com os maus \u00e9 conversa de gente um tanto desequilibrada. Sobre esses \u201cprofetas da desgra\u00e7a\u201d, Jesus disse: \u201cn\u00e3o os sigais\u201d; e, sobre as suas prega\u00e7\u00f5es delirantes, disse: \u201cn\u00e3o vos alarmeis\u201d. Entretanto, passaram-se mais de dois mil anos\u2026. Era suposto termos aprendido a lidar com tudo isto. Mas, em pleno s\u00e9c. XXI, continuamos a difundir e a escutar discursos aterradores sobre cataclismos pavorosos que, segundo alguns \u201ciluminados\u201d ir\u00e3o p\u00f4r um ponto final na hist\u00f3ria dos homens e castigar a humanidade pecadora. O Deus da bondade do amor alguma vez utilizaria o medo para controlar os seus filhos queridos que caminham no mundo? Queremos escutar Jesus, ou queremos escutar discursos irracionais de gente que recorre ao medo para nos submeter? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>As leituras propostas para este Domingo s\u00e3o de f\u00e1cil proclama\u00e7\u00e3o, contudo, n\u00e3o devemos descurar a prepara\u00e7\u00e3o de modo a um exerc\u00edcio mais eficaz do minist\u00e9rio do leitor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na <strong>primeira leitura,<\/strong> deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o a express\u00e3o \u00ab<em>diz o Senhor do Universo<\/em>\u00bb que se encontra entre travess\u00f5es e uma vez que \u00e9 indica\u00e7\u00e3o do autor da mensagem deve ser lido num tom diferente do resto do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na <strong>segunda leitura<\/strong>, \u00e9 necess\u00e1rio ter em conta o tom exortativo do texto com o cuidado para que n\u00e3o se torne um tom acusat\u00f3rio. Al\u00e9m disso, recomenda-se uma cuidada prepara\u00e7\u00e3o das pausas e respira\u00e7\u00f5es sobretudo nas frases mais longas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Leitura-I-do-Domingo-XXXIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-16.11.2025-Malaquias-3-19-20a.pdf\">Leitura I do Domingo XXXIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 16.11.2025 (Malaquias 3, 19-20a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Leitura-II-do-Domingo-XXXIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-16.11.2025-2-Tessalonicenses-3-7-12.pdf\">Leitura II do Domingo XXXIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 16.11.2025 (2 Tessalonicenses 3, 7-12)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Domingo-XXXIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-16.11.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XXXIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 16.11.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Domingo-XXXIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-16.11.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXXIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 16.11.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Domingo-XXXIII-do-Tempo-Comum-IX-Dia-Mundial-dos-Pobres-Ano-C-16.11.2025-refletindo.pdf\">Domingo XXXIII do Tempo Comum- IX Dia Mundial dos Pobres &#8211; Ano C &#8211; 16.11.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-XXXIII-do-Tempo-Comum-IX-Dia-Mundial-dos-Pobres-Ano-C-16.11.2025.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo XXXIII do Tempo Comum &#8211; IX Dia Mundial dos Pobres &#8211; Ano C &#8211; 16.11.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Diocese-do-Porto-IX-Dia-Mundial-dos-Pobres.pdf\">Diocese do Porto &#8211; IX Dia Mundial dos Pobres<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Mensagem-Papa-Leao-XIV-IX-Dia-Mundial-dos-Pobres-16.11.2025.pdf\">Mensagem Papa Le\u00e3o XIV &#8211; IX Dia Mundial dos Pobres &#8211; 16.11.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXXII do Tempo Comum-Ano C \u2013 09 novembro 2025&#8243; tab_id=&#8221;1763373687028-2e1515fa-4420&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 16.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XXXII do Tempo Comum-Ano C \u2013 09 novembro 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 16.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Dedica\u00e7\u00e3o da Bas\u00edlica de S. Jo\u00e3o de Latr\u00e3o<\/span><\/h4>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-12653 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Domingo-XXXII.jpg\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"379\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Celebrar a Festa da Dedica\u00e7\u00e3o da Bas\u00edlica de S. Jo\u00e3o de Latr\u00e3o \u00e9 celebrar a universalidade da Igreja na comunh\u00e3o com o Bispo de Roma. O Evangelho deste Domingo desafia-nos a uma nova rela\u00e7\u00e3o com o tempo e o espa\u00e7o para a comunh\u00e3o e intimidade com Deus. Jesus \u00e9 o Novo Templo, revelado entre as na\u00e7\u00f5es, como lugar de comunh\u00e3o com o Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas, quem \u00e9 este Jesus de que nos fala o Evangelho? Onde est\u00e1 o Jesus manso e humilde, doce e compassivo a que nos habituamos? Tendo subido a Jerusal\u00e9m, na proximidade da P\u00e1scoa judaica, Jesus entrou no templo e indignou-se com tudo aquilo que viu: \u00ab<em>os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados \u00e0s bancas<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Acredito que algumas pessoas, se tivessem oportunidade, retirariam esta passagem dos Evangelhos. Nela encontramos um Jesus frontal, bem diferente do Jesus que proclamou sobre o monte \u00ab<em>Bem-aventurados\u00a0os mansos, porque possuir\u00e3o a terra<\/em>\u00bb ou se dirigia aos mais pequenos, dizendo \u00ab<em>Deixai vir a mim as crian\u00e7as e n\u00e3o as impe\u00e7ais de vir ter comigo, pois delas \u00e9 o Reino do C\u00e9u<\/em>\u00bb. Porventura, outros aproveitam esta passagem para justificar os seus atos mais violentos. Contudo, qualquer uma das atitudes ser\u00e1 sempre abusiva e desproporcionada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O mercado de ovelhas e bois, bem como os cambistas facilitava a vida daqueles que vinham ao Templo apresentar as suas ofertas. N\u00e3o era pr\u00e1tico, sobretudo para os que vinham de mais longe, trazer as ovelhas, as pombas, os cordeiros ou os bois que desejavam oferecer a Deus. Um outro problema era a quest\u00e3o da moeda: as pessoas traziam consigo as suas moedas locais e no templo a moeda que se usava era o siglo. Deste modo, a presen\u00e7a dos cambistas facilitava a vida daqueles que desejavam deixar a sua oferta no templo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em primeiro lugar, importa pensar que quer na nossa vida pessoal, quer na vida comunit\u00e1ria devemos ter cuidado com a absolutiza\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio do mais pr\u00e1tico. Se absolutizamos o pragmatismo, pode haver muitas coisas importantes que se perdem e outras que se pervertem. A vida crist\u00e3 implica abra\u00e7ar o caminho exigente da rela\u00e7\u00e3o \u00edntima e pessoal com o Deus revelado em Jesus Cristo. Evidentemente que n\u00e3o estou a afirmar a necessidade de optar sempre pelo caminho mais dif\u00edcil ou por aquilo que \u00e9 mais exigente por capricho ou masoquismo, pois, em diversas circunst\u00e2ncias da nossa hist\u00f3ria, a vida \u00e9 j\u00e1 suficientemente dif\u00edcil e exigente pelas dificuldades e sofrimentos do caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus \u00e9 frontal, mas n\u00e3o \u00e9 violento. Jesus toma um chicote de cordas, mas n\u00e3o bate em ningu\u00e9m nem em nenhum animal. Deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou as mesas, mas n\u00e3o feriu ningu\u00e9m. Jesus assumiu, neste acontecimento, um gesto prof\u00e9tico na linha do profetismo de Israel. Um gesto prof\u00e9tico \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica que transmite uma mensagem clara que atinge o cora\u00e7\u00e3o de cada homem e cada mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esta frontalidade de Jesus, num gesto prof\u00e9tico t\u00e3o radical e ousado, convida-nos a viver tamb\u00e9m esta frontalidade na nossa vida: frontais connosco mesmos na luta contra o pecado; frontais com situa\u00e7\u00f5es \u00e0 nossa volta que est\u00e3o erradas e n\u00e3o devemos pactuar; frontais com aqueles que se cruzam connosco, abra\u00e7ando com ternura a dureza das rela\u00e7\u00f5es humanas. Seguir Jesus, implica seguir a radicalidade e a verdade que o Evangelho reclama das nossas vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab<em>N\u00e3o fa\u00e7ais da casa de meu Pai casa de com\u00e9rcio!<\/em>\u00bb. Como \u00e9 urgente e necess\u00e1rio fazer ecoar estas palavras de Jesus. Quantas vezes a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus e os irm\u00e3os se faz na l\u00f3gica comercial dos ganhos a obter e dos bens a alcan\u00e7ar. A rela\u00e7\u00e3o com Deus e os outros ser\u00e1 tanto mais verdadeira quanto mais se contruir na l\u00f3gica da gratuidade que rasga novos horizontes de esperan\u00e7a e transforma o cora\u00e7\u00e3o de cada homem e de cada mulher num lugar de bondade, ternura e miseric\u00f3rdia. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong><em>\u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>De <strong>2 a 9 de novembro<\/strong> <strong>decorre em Portugal a Semana dos Semin\u00e1rios<\/strong> com o tema <strong>\u00ab<em>Precisamos de ti\u00bb<\/em>.<\/strong> A Comiss\u00e3o Episcopal Voca\u00e7\u00f5es e Minist\u00e9rios j\u00e1 disponibilizou\u00a0<em>online\u00a0<\/em>os v\u00e1rios subs\u00eddios de apoio para esta semana (http:\/\/www.ecclesia.pt\/cevm\/): cartaz, nota pastoral, uma pagela com a ora\u00e7\u00e3o, catequeses, preces para a liturgia e uma vig\u00edlia de ora\u00e7\u00e3o. Cada comunidade paroquial \u00e9 chamada a dinamizar de diferentes formas e nos mais diversos momentos comunit\u00e1rios esta importante dimens\u00e3o da a\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja, sublinhando-se as atividades de dinamiza\u00e7\u00e3o vocacional junto dos jovens e os momentos de ora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1rios pelos semin\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ver no final a ora\u00e7\u00e3o enviada aos crist\u00e3os de Portugal para ser presente durante esta semana.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estamos quase a concluir<\/strong> o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C \u2013 onde somos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Ezequiel 47,1-2.8-9.12<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\no Anjo reconduziu-me \u00e0 entrada do templo.<br \/>\nDepois do limiar da porta sa\u00eda \u00e1gua em direc\u00e7\u00e3o ao Oriente,<br \/>\npois a fachada do templo estava voltada para o Oriente.<br \/>\nAs \u00e1guas corriam da parte inferior,<br \/>\ndo lado direito do templo, ao sul do altar.<br \/>\nO Anjo fez-me sair pela porta setentrional<br \/>\ne contornar o templo por fora,<br \/>\nat\u00e9 \u00e0 porta exterior que est\u00e1 voltada para o Oriente.<br \/>\nAs \u00e1guas corriam do lado direito.<br \/>\nO Anjo disse-me:<br \/>\n\u00abEsta \u00e1gua corre para a regi\u00e3o oriental,<br \/>\ndesce para Arab\u00e1 e entra no mar,<br \/>\npara que as suas \u00e1guas se tornem salubres.<br \/>\nTodo o ser vivo que se move na \u00e1gua onde chegar esta torrente<br \/>\nter\u00e1 novo alento<br \/>\ne o peixe ser\u00e1 mais abundante.<br \/>\nPorque aonde esta \u00e1gua chegar,<br \/>\ntornar-se-\u00e3o s\u00e3s as outras \u00e1guas<br \/>\ne haver\u00e1 vida por toda a parte aonde chegar esta torrente.<br \/>\n\u00c0 beira da torrente, nas duas margens,<br \/>\ncrescer\u00e1 toda a esp\u00e9cie de \u00e1rvores de fruto;<br \/>\na sua folhagem n\u00e3o murchar\u00e1, nem acabar\u00e3o os seus frutos.<br \/>\nTodos os meses dar\u00e3o frutos novos,<br \/>\nporque as \u00e1guas v\u00eam do santu\u00e1rio.<br \/>\nOs frutos servir\u00e3o de alimento e as folhas de rem\u00e9dio\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ezequiel integrava o grupo de jerusalimitanos que o rei babil\u00f3nio Nabucodonosor, depois de derrotar Joaquin, rei de Jud\u00e1, e de conquistar pela primeira vez Jerusal\u00e9m, em 597 a.C., deportou para a Babil\u00f3nia. Foi a\u00ed, entre os seus concidad\u00e3os exilados, que Ezequiel exerceu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A\u00a0<em>primeira fase<\/em>\u00a0<em>do minist\u00e9rio de Ezequiel<\/em>\u00a0decorre entre 593 a.C. (altura em que sentiu o chamamento de Deus) e 586 a.C. (data em que Jerusal\u00e9m \u00e9 novamente conquistada pelas tropas de Nabucodonosor e uma nova leva de exilados \u00e9 encaminhada para a Babil\u00f3nia). Nesta fase, muitos dos exilados acreditavam que o cativeiro terminaria dentro de pouco tempo e que iriam ser autorizados a retornar a Jerusal\u00e9m. Ezequiel, por mandato de Deus, procura destruir essas falsas esperan\u00e7as: o cativeiro est\u00e1 para durar. Ali\u00e1s, o que vai acontecer \u00e9 precisamente o contr\u00e1rio: Jerusal\u00e9m vai ser novamente tomada pelos babil\u00f3nios e muitos dos que escaparam da primeira deporta\u00e7\u00e3o ser\u00e3o levados para a Babil\u00f3nia e ir\u00e3o fazer companhia aos que j\u00e1 l\u00e1 est\u00e3o. De facto, assim aconteceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A segunda fase do minist\u00e9rio de Ezequiel<\/em>\u00a0desenrola-se a partir de 586 a.C., at\u00e9 cerca de 570 a.C. Instalados numa terra estrangeira, sem Templo, sem sacerd\u00f3cio, sem culto, os exilados est\u00e3o desesperados. Duvidam da fidelidade de Deus, da Sua bondade e do Seu amor. Nessa fase, Ezequiel assume um discurso diferente. Com a sua palavra e os seus gestos prof\u00e9ticos procura alimentar a esperan\u00e7a dos exilados e transmitir-lhes a certeza de que Deus n\u00e3o os abandonou. O texto que hoje nos \u00e9 proposto pertence a esta segunda fase.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para dar corpo \u00e0 esperan\u00e7a, Ezequiel anuncia aos exilados a chegada de uma nova era, de felicidade e de paz sem fim\u2026 Ser\u00e1 o tempo em que Deus ir\u00e1, Ele pr\u00f3prio, assumir a condu\u00e7\u00e3o do seu Povo, como um \u201cBom Pastor\u201d que cuida das suas ovelhas (cf. Ez 34,11-16); ser\u00e1 o tempo em que Deus vai tornar de novo fecundos os campos sobre os quais se abateu a guerra e a desola\u00e7\u00e3o e reconstruir e repovoar as cidades abandonadas e calcinadas (cf. Ez 36,8-11); ser\u00e1 o tempo em que Deus vai operar uma mudan\u00e7a no interior dos homens, substituindo os \u201ccora\u00e7\u00f5es de pedra\u201d, duros e insens\u00edveis, por \u201ccora\u00e7\u00f5es de carne\u201d, capazes de acolher os preceitos da Alian\u00e7a e de viver no amor a Deus e aos irm\u00e3os (cf. Ez 36,25-28); ser\u00e1 o tempo em que o Templo de Jerusal\u00e9m ser\u00e1 reconstru\u00eddo e Deus ir\u00e1 voltar a residir no meio do seu Povo (cf. Ez 40,1-47,12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com a promessa de que Deus vai voltar a residir no meio do seu Povo, chegamos ao ponto culminante dessa \u201cteologia da esperan\u00e7a\u201d que Ezequiel, por indica\u00e7\u00e3o de Deus, prop\u00f5e aos seus concidad\u00e3os. Mais do que o pr\u00f3prio Ex\u00edlio numa terra estrangeira, Israel lamentava o desaparecimento do Templo (a \u201cresid\u00eancia de Deus\u201d) e da \u201cGl\u00f3ria de Jav\u00e9\u201d (a \u201cGl\u00f3ria\u201d equivalia \u00e0 presen\u00e7a gloriosa de Deus no meio do seu Povo, oferecendo a Jud\u00e1 a salva\u00e7\u00e3o e a vida). Mas Ezequiel garante aos exilados que Deus vai construir um Novo Templo (cf. Ez 40-42), do qual sair\u00e1 vida em abund\u00e2ncia (\u201c\u00e1gua\u201d: Ez 47,1-12) e no qual a \u201cGl\u00f3ria de Jav\u00e9\u201d voltar\u00e1 a habitar (cf. Ez 43,1-5). <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A amarga experi\u00eancia do cativeiro na Babil\u00f3nia foi, para as gentes de Jud\u00e1, um terr\u00edvel tempo de prova. Longe da sua terra, humilhados pelos vencedores, sentindo que todas as suas certezas tinham ca\u00eddo por terra, viviam desanimados e sem esperan\u00e7a; mas, mais do que tudo, do\u00eda-lhes sentirem-se tra\u00eddos e abandonados por Deus. Onde estava Deus? Tinha-se ausentado para parte incerta? Tinha desistido do seu povo? O profeta Ezequiel recebeu a miss\u00e3o de dizer a esse povo sofrido: \u201cN\u00e3o, Deus n\u00e3o vos abandonou. Ele vai voltar a residir no meio do Seu povo. Da Sua morada sair\u00e1 um rio de vida que inundar\u00e1 toda a terra e vos trar\u00e1 b\u00ean\u00e7\u00e3os infinitas\u201d. Talvez n\u00f3s, homens e mulheres do s\u00e9c. XXI, nos sintamos numa situa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 dos exilados judeus na Babil\u00f3nia. As guerras, as injusti\u00e7as, as convuls\u00f5es sociais, os esc\u00e2ndalos que abalam a sociedade e que nos fazem desconfiar das institui\u00e7\u00f5es, a fal\u00eancia dos l\u00edderes em quem colocamos a nossa confian\u00e7a, a crise de valores, a falta de respeito pela vida humana, abalam o nosso mundo e mergulham-nos na ang\u00fastia, na frustra\u00e7\u00e3o, na inseguran\u00e7a, no medo. Onde est\u00e1 Deus? Podemos contar com Ele? Outra vez ecoa no mundo a Boa not\u00edcia trazida por Ezequiel: \u201cn\u00e3o, o mundo n\u00e3o caminha para um beco sem sa\u00edda; Deus n\u00e3o virou as costas aos seus queridos filhos; Ele faz quest\u00e3o de residir no meio de v\u00f3s. D\u2019Ele brota continuamente um rio de \u00e1gua refrescante que rega a vossa terra e que sacia a vossa sede de vida\u201d. Somos capazes de reconhecer a vida que Deus a cada instante derrama sobre o mundo e sobre os homens? Isso \u00e9 para n\u00f3s fonte de serenidade, de confian\u00e7a e de esperan\u00e7a?<\/li>\n<li>Se Deus reside no meio dos homens e derrama sobre eles vida em abund\u00e2ncia, porque \u00e9 que existem na hist\u00f3ria do nosso tempo tantos pontos negros de mis\u00e9ria, de injusti\u00e7a, de explora\u00e7\u00e3o, de sofrimento? Dificilmente conseguiremos, alguma vez, encontrar uma resposta totalmente satisfat\u00f3ria para esta quest\u00e3o\u2026 Conv\u00e9m, no entanto, ter presente que uma parte significativa dos males da humanidade resulta do facto de os homens serem indiferentes \u00e0s propostas de vida que Deus continuamente lhes faz\u2026 N\u00e3o \u00e9 Deus que falha; s\u00e3o os homens que, utilizando a sua liberdade, recusam a vida que Deus lhes oferece e preferem construir a hist\u00f3ria humana de acordo com esquemas de ego\u00edsmo e de pecado. Para que a presen\u00e7a de Deus na nossa hist\u00f3ria tenha um impacto real na forma como, dia a dia, se constr\u00f3i o nosso mundo, \u00e9 necess\u00e1rio que a humanidade abandone os caminhos do orgulho e da autossufici\u00eancia e aprenda a escutar, com humildade e simplicidade, as propostas e os desafios de Deus. No que nos diz respeito, estamos dispostos a isso? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 45 (46)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os bra\u00e7os dum rio alegram a cidade de Deus,<br \/>\na morada santa do Alt\u00edssimo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus \u00e9 o nosso ref\u00fagio e a nossa for\u00e7a,<br \/>\naux\u00edlio sempre pronto na adversidade.<br \/>\nPor isso nada receamos ainda que a terra vacile<br \/>\ne os montes se precipitem no fundo do mar.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os bra\u00e7os dum rio alegram a cidade de Deus,<br \/>\na mais santa das moradas do Alt\u00edssimo.<br \/>\nDeus est\u00e1 no meio dela e a torna inabal\u00e1vel,<br \/>\nDeus a protege desde o romper da aurora.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor dos Ex\u00e9rcitos est\u00e1 connosco,<br \/>\no Deus de Jacob \u00e9 a nossa fortaleza.<br \/>\nVinde e contemplai as obras do Senhor,<br \/>\nas maravilhas que realizou na terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Cor\u00edntios 3,9c-11.16-17<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nV\u00f3s sois edif\u00edcio de Deus.<br \/>\nSegundo a gra\u00e7a de Deus que me foi dada,<br \/>\neu, como s\u00e1bio arquiteto, coloquei o alicerce<br \/>\ne outro levanta o edif\u00edcio.<br \/>\nVeja cada um como constr\u00f3i:<br \/>\nningu\u00e9m pode colocar outro alicerce<br \/>\nal\u00e9m do que est\u00e1 posto, que \u00e9 Jesus Cristo.<br \/>\nN\u00e3o sabeis que sois templo de Deus<br \/>\ne que o Esp\u00edrito de Deus habita em v\u00f3s?<br \/>\nSe algu\u00e9m destr\u00f3i o templo de Deus, Deus o destruir\u00e1.<br \/>\nPorque o templo de Deus \u00e9 santo<br \/>\ne v\u00f3s sois esse templo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No s\u00e9c. I Corinto era uma cidade pr\u00f3spera e um centro cultural importante. Servida por dois portos de mar, nela se cruzavam diariamente pessoas de todas as ra\u00e7as e de todas as religi\u00f5es. Era a cidade do desregramento para todos os marinheiros que cruzavam o Mediterr\u00e2neo, \u00e1vidos de prazer, ap\u00f3s meses de navega\u00e7\u00e3o. Na cidade pontificava a deusa Afrodite, em cujo templo se praticava a prostitui\u00e7\u00e3o sagrada. Na \u00e9poca de Paulo, Corinto comportava cerca de 500.000 pessoas, das quais dois ter\u00e7os eram escravos. A riqueza escandalosa de alguns contrastava com a mis\u00e9ria da maioria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria, Paulo chegou a Corinto, depois de atravessar boa parte da Gr\u00e9cia, e ficou por l\u00e1 cerca 18 meses (anos 50-52). De acordo com At 18,2-4, Paulo come\u00e7ou a trabalhar em casa de Priscila e \u00c1quila, um casal de judeo-crist\u00e3os recentemente chegados de It\u00e1lia. No s\u00e1bado, usava da palavra na sinagoga. Com a chegada a Corinto de Silvano e Tim\u00f3teo (2 Cor 1,19; At 18,5), Paulo consagrou-se inteiramente ao an\u00fancio do Evangelho. No entanto, n\u00e3o tardou a entrar em conflito com os judeus e foi expulso da sinagoga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como resultado da prega\u00e7\u00e3o de Paulo, nasceu a comunidade crist\u00e3 de Corinto. A maior parte dos membros da comunidade eram de origem grega, embora, em geral, de condi\u00e7\u00e3o humilde (cf. 1 Cor 11,26-29; 8,7; 10,14.20; 12,2); mas havia tamb\u00e9m elementos de origem hebraica (cf. At 18,8; 1 Cor 1,22-24; 10,32; 12,13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De uma forma geral, a comunidade era viva e fervorosa; no entanto, estava exposta aos perigos de um ambiente corrupto: moral dissoluta (cf. 1 Cor 6,12-20; 5,1-2), querelas, disputas, lutas (cf. 1 Cor 1,11-12), sedu\u00e7\u00e3o da sabedoria filos\u00f3fica de origem pag\u00e3 que se introduzia na Igreja revestida de um superficial verniz crist\u00e3o (cf. 1 Cor 1,19-2,10). Tratava-se de uma comunidade forte e vigorosa, mas que mergulhava as suas ra\u00edzes em terreno adverso. Em Corinto est\u00e3o bem representadas as dificuldades da f\u00e9 crist\u00e3 em inserir-se num ambiente hostil, marcado por uma cultura pag\u00e3 e por um conjunto de valores em profunda contradi\u00e7\u00e3o com a pureza da mensagem evang\u00e9lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que hoje nos \u00e9 proposto como segunda leitura est\u00e1 inserido num contexto de pol\u00e9mica. Depois de Paulo ter deixado a cidade, apareceu por l\u00e1 um crist\u00e3o de origem judaica com o nome de Apolo. Era um brilhante pregador e foi de grande utilidade para a comunidade nas pol\u00e9micas doutrinais com os judeus de Corinto. Formaram-se partidos (embora Apolo n\u00e3o favorecesse essa divis\u00e3o, segundo parece): uns admiravam Paulo, outros Pedro, outros Apolo (cf. 1 Cor 1,12). \u00c9 de crer que os v\u00e1rios partidos manifestassem uma certa rivalidade, \u00e0 imagem das escolas filos\u00f3ficas gregas que estavam espalhadas por toda a cidade de Corinto. De qualquer forma, a comunidade estava dividida e, dia a dia, acentuavam-se os conflitos, os ci\u00fames, as lutas, as rivalidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Este estado alarmante da comunidade chegou ao conhecimento de Paulo quando o ap\u00f3stolo se encontrava em \u00c9feso, no decurso da sua terceira viagem apost\u00f3lica. Imediatamente, Paulo escreveu aos Cor\u00edntios questionando a op\u00e7\u00e3o dos membros da comunidade pela\u00a0<em>sabedoria do mundo<\/em>, em detrimento da\u00a0<em>sabedoria de Deus<\/em>. Depois de apresentar a \u201csabedoria de Deus\u201d, revelada em Jesus Cristo (sobretudo atrav\u00e9s da \u201cloucura da cruz\u201d) e oferecida aos homens (cf. 1 Cor 1,18-2,16), Paulo constata que os cor\u00edntios ainda n\u00e3o acolheram essa sabedoria: mant\u00eam-se na dimens\u00e3o do homem carnal (isto \u00e9, do homem fraco, pecador, escravo das suas paix\u00f5es e apetites), imaturos na f\u00e9; cultivam as divis\u00f5es e os conflitos; correm atr\u00e1s de mestres humanos como se eles tivessem a chave da felicidade e da realiza\u00e7\u00e3o plena, esquecendo que, por detr\u00e1s de Paulo ou de Apolo, est\u00e1 Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As fraturas comunit\u00e1rias ser\u00e3o o testemunho que Deus espera dos crist\u00e3os de Corinto? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A Igreja \u00e9 obra de Deus. Deus, no momento hist\u00f3rico que entendeu adequado, enviou ao mundo o Seu Filho Jesus para propor aos homens a salva\u00e7\u00e3o; e, do an\u00fancio de Jesus, surgiu uma comunidade de homens e mulheres empenhados em acolher a salva\u00e7\u00e3o oferecida por Deus. Essa comunidade \u00e9 a Igreja, a comunidade da salva\u00e7\u00e3o. Depois de ter conclu\u00edda a sua miss\u00e3o na terra dos homens, Jesus voltou para o Pai. No entanto, deixou os seus disc\u00edpulos no mundo e enviou-os a propor a salva\u00e7\u00e3o a todos os povos e na\u00e7\u00f5es. Hoje s\u00e3o os membros dessa comunidade que d\u00e3o testemunho da salva\u00e7\u00e3o de Deus no mundo (como o fizeram, h\u00e1 dois mil anos, Paulo, Pedro, Apolo e tantos outros membros da comunidade da salva\u00e7\u00e3o). \u00c9 atrav\u00e9s deles que a Igreja de Deus continua a edificar-se e a ser presen\u00e7a no mundo da salva\u00e7\u00e3o de Deus. Temos consci\u00eancia disto? Sentimo-nos \u2013 como S\u00e3o Paulo \u2013 cooperadores de Deus na obra da salva\u00e7\u00e3o? Fazemos tudo aquilo que est\u00e1 ao nosso alcance \u2013 de acordo com a nossa voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o espec\u00edfica \u2013 para que a Igreja possa continuar a cumprir o seu papel enquanto testemunha da salva\u00e7\u00e3o que Deus oferece a todos os homens?<\/li>\n<li>Segundo a bela express\u00e3o de Paulo, a Igreja \u00e9 agora no mundo o\u00a0<em>Templo de Deus, onde reside o Esp\u00edrito<\/em>. \u00c9 na comunidade crist\u00e3 que Deus reside no mundo; \u00e9 atrav\u00e9s da comunidade crist\u00e3 que Deus se encontra com o mundo e oferece ao mundo a salva\u00e7\u00e3o. Ora, isto configura uma enorme responsabilidade para a comunidade crist\u00e3 e para cada um dos crentes em particular. Temos consci\u00eancia dessa responsabilidade? Sentimo-nos dignos dela? Levamo-la a s\u00e9rio? Que rosto de Deus testemunhamos junto dos nossos contempor\u00e2neos? A Igreja,\u00a0<em>Templo de Deus onde reside o Esp\u00edrito<\/em>, \u00e9 verdadeiro sacramento e sinal da salva\u00e7\u00e3o de Deus? Quem, do lado de fora, olha para a Igreja, descobre no rosto e nos gestos dos crist\u00e3os a miseric\u00f3rdia e a ternura de Deus? Os pobres, os marginalizados, os que o mundo considera \u201cfracassados\u201d, os que a m\u00e1quina trituradora da injusti\u00e7a deixa ca\u00eddos nas bermas do caminho que a humanidade vai fazendo, encontram nos crentes a bondade e o amor de Deus?<\/li>\n<li>O ap\u00f3stolo Paulo v\u00ea nos conflitos, divis\u00f5es, ci\u00fames, contradi\u00e7\u00f5es, vaidades, dos membros da comunidade crist\u00e3 de Corinto sinais evidentes da preponder\u00e2ncia daquilo a que ele chama \u201ca sabedoria do mundo\u201d. Essa \u201csabedoria do mundo\u201d op\u00f5e-se \u00e0 \u201cloucura da cruz\u201d. A \u201csabedoria do mundo\u201d \u00e9 a l\u00f3gica de quem ainda vive de forma ego\u00edsta, entrincheirado atr\u00e1s do seu orgulho e da sua autossufici\u00eancia e ainda n\u00e3o se revestiu de Cristo. A nossa comunidade paroquial ou religiosa \u00e9 uma comunidade fraterna, solid\u00e1ria, e que d\u00e1 testemunho da \u201cloucura da cruz\u201d com gestos concretos de amor, de partilha, de doa\u00e7\u00e3o, de servi\u00e7o, ou \u00e9 uma comunidade fragmentada, dividida, cheia de contradi\u00e7\u00f5es, onde cada membro puxa para o seu lado, ao sabor dos interesses pessoais? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 2,13-22<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estava pr\u00f3xima a P\u00e1scoa dos judeus<br \/>\ne Jesus subiu a Jerusal\u00e9m.<br \/>\nEncontrou no templo<br \/>\nos vendedores de bois, de ovelhas e de pombas<br \/>\ne os cambistas sentados \u00e0s bancas.<br \/>\nFez ent\u00e3o um chicote de cordas<br \/>\ne expulsou-os a todos do templo, com as ovelhas e os bois;<br \/>\ndeitou por terra o dinheiro dos cambistas<br \/>\ne derrubou-lhes as mesas;<br \/>\ne disse aos que vendiam pombas:<br \/>\n\u00abTirai tudo isto daqui;<br \/>\nn\u00e3o fa\u00e7ais da casa de meu Pai casa de com\u00e9rcio\u00bb.<br \/>\nOs disc\u00edpulos recordaram-se do que estava escrito:<br \/>\n\u00abDevora-me o zelo pela tua casa\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o os judeus tomaram a palavra e perguntaram-Lhe:<br \/>\n\u00abQue sinal nos d\u00e1s de que podes proceder deste modo?\u00bb.<br \/>\nJesus respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abDestru\u00ed este templo e em tr\u00eas dias o levantarei\u00bb.<br \/>\nDisseram os judeus:<br \/>\n\u00abForam precisos quarenta e seis anos para construir este templo<br \/>\ne Tu vais levant\u00e1-lo em tr\u00eas dias?\u00bb.<br \/>\nJesus, por\u00e9m, falava do templo do seu Corpo<br \/>\nPor isso, quando Ele ressuscitou dos mortos,<br \/>\nos disc\u00edpulos lembraram-se do que tinha dito<br \/>\ne acreditaram na Escritura e na palavra de Jesus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O autor do Quarto Evangelho apresenta, na sec\u00e7\u00e3o introdut\u00f3ria do seu livro, um gesto prof\u00e9tico de Jesus, realizado logo no in\u00edcio do Seu minist\u00e9rio: a expuls\u00e3o dos vendilh\u00f5es do templo de Jerusal\u00e9m. Ao situar o epis\u00f3dio nesse enquadramento, o evangelista Jo\u00e3o est\u00e1 provavelmente a sugerir que o gesto de Jesus \u00e9 um an\u00fancio program\u00e1tico do minist\u00e9rio que, a partir dali, Ele vai desenvolver, por mandato de Deus: apresentar-se Ele pr\u00f3prio como o Novo templo, o \u201clugar\u201d onde os homens podem encontrar-se com Deus e ter acesso a Deus. Mateus, Marcos e Lucas, por seu turno, t\u00eam outro entendimento e situam o mesmo epis\u00f3dio nos \u00faltimos dias do minist\u00e9rio de Jesus, poucos dias antes da sua morte (cf. Mt 21,12-17; Mc 11,15-19; Lc 19,45-48).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A cena descrita no Evangelho deste dia situa-nos, portanto, no \u00e1trio externo do templo de Jerusal\u00e9m, nos dias que antecedem a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa. Era a \u00e9poca em que as grandes multid\u00f5es se concentravam em Jerusal\u00e9m para celebrar a festa principal do calend\u00e1rio religioso judaico. Jerusal\u00e9m, que normalmente teria \u00e0 volta de 55.000 habitantes, chegava a albergar, por essa altura, cerca de 125.000 peregrinos. No templo sacrificavam-se cerca de 18.000 cordeiros, destinados \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o pascal. Neste ambiente, o com\u00e9rcio relacionado com o Templo sofria um espantoso incremento. Tr\u00eas semanas antes da P\u00e1scoa, come\u00e7ava a emiss\u00e3o de licen\u00e7as para a instala\u00e7\u00e3o dos postos comerciais \u00e0 volta do Templo. O dinheiro arrecadado com a emiss\u00e3o dessas licen\u00e7as revertia para o sumo sacerdote. Havia tendas de venda que pertenciam, directamente, \u00e0 fam\u00edlia do sumo sacerdote. Vendiam-se os animais para os sacrif\u00edcios e v\u00e1rios outros produtos destinados \u00e0 liturgia do Templo. Havia, tamb\u00e9m, as tendas dos cambistas que trocavam as moedas romanas correntes por moedas judaicas (os tributos dos fi\u00e9is para o Templo eram pagos em moeda judaica, pois n\u00e3o era permitido que moedas com a ef\u00edgie de imperadores pag\u00e3os conspurcassem o tesouro do Templo). Este com\u00e9rcio constitu\u00eda uma mais-valia para a cidade e sustentava a nobreza sacerdotal, o clero e os empregados do templo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O templo, cen\u00e1rio deste epis\u00f3dio, era, na verdade, uma constru\u00e7\u00e3o magn\u00edfica. Herodes, o Grande, para demonstrar as suas boas disposi\u00e7\u00f5es para com o culto a Jav\u00e9 e para conseguir a benevol\u00eancia dos judeus, tinha come\u00e7ado as obras de amplia\u00e7\u00e3o e de restaura\u00e7\u00e3o do templo no ano 19 a.C.; mas, na \u00e9poca em que Jesus andava por Jerusal\u00e9m, os trabalhos continuavam (s\u00f3 foram conclu\u00eddos por volta do ano 63 d.C.). A \u00e1rea do templo ocupava uma superf\u00edcie de mil e quinhentos metros quadrados e as pedras utilizadas na constru\u00e7\u00e3o chegavam a ter vinte metros de comprimento. Coberto de m\u00e1rmore branco, o templo refletia os raios do sol e brilhava como uma joia preciosa. As portas tinham incrusta\u00e7\u00f5es de ouro e no interior havia tape\u00e7arias de linho fin\u00edssimo de cor azul, escarlate e p\u00farpura. O templo, \u201ccasa de Deus\u201d, lugar sagrado por excel\u00eancia, era o orgulho de Israel. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Como \u00e9 que podemos encontrar Deus e chegar at\u00e9 Ele? Como podemos perceber as propostas de Deus e descobrir os seus caminhos? O Evangelho que nos \u00e9 proposto na Festa da Dedica\u00e7\u00e3o da Bas\u00edlica de Latr\u00e3o responde: \u00e9 olhando para Jesus. Nas palavras e nos gestos de Jesus, Deus revela-Se aos homens e manifesta-lhes o seu amor, oferece aos homens a vida plena, faz-Se companheiro de caminhada dos homens e aponta-lhes caminhos de salva\u00e7\u00e3o. \u201cQuem me v\u00ea, v\u00ea o Pai\u201d (Jo 14,9) \u2013 disse um dia Jesus a Filipe, quando este Lhe pediu que \u201cmostrasse o Pai\u201d aos Seus disc\u00edpulos. Somos, assim, convidados a olhar para Jesus e a descobrir nas suas indica\u00e7\u00f5es, no seu an\u00fancio, no seu \u201cEvangelho\u201d, aquela proposta de vida e de salva\u00e7\u00e3o que Deus nunca desistiu de nos apresentar; somos convidados a tornarmo-nos disc\u00edpulos, a seguir Jesus a par e passo. Jesus \u00e9 o Caminho que nos leva at\u00e9 Deus (\u201cEu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ningu\u00e9m pode ir at\u00e9 ao Pai sen\u00e3o por Mim\u201d \u2013 Jo 14,6). Estamos dispostos a deixarmo-nos conduzir por Jesus?<\/li>\n<li>Os crist\u00e3os s\u00e3o aqueles que aderiram a Cristo, que aceitaram integrar a sua comunidade, que comem a sua carne e bebem o seu sangue, que se identificam com Ele. Fazem parte de um Corpo do qual Cristo \u00e9 a cabe\u00e7a (cf. Rm 12,5; 1 Cor 12,27; Ef 1,22-23). S\u00e3o pedras vivas do novo Templo onde Deus Se manifesta ao mundo e vem ao encontro dos homens para lhes oferecer a vida e a salva\u00e7\u00e3o. Os homens do nosso tempo devem poder ver no rosto dos crist\u00e3os o rosto bondoso e terno de Deus; devem poder experimentar, nos gestos de partilha, de solidariedade, de servi\u00e7o, de perd\u00e3o dos crist\u00e3os, a vida nova de Deus; devem poder encontrar, na preocupa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os com a justi\u00e7a e com a paz o an\u00fancio desse mundo novo que Deus quer oferecer a todos os homens. Talvez o facto de Deus parecer t\u00e3o ausente da vida, das preocupa\u00e7\u00f5es e dos valores dos homens do nosso tempo tenha a ver com o facto de os disc\u00edpulos de Jesus se demitirem da sua miss\u00e3o e da sua responsabilidade\u2026 O nosso testemunho pessoal \u00e9 um sinal de Deus para os irm\u00e3os que caminham ao nosso lado? A vida das nossas comunidades d\u00e1 testemunho da vida de Deus? A Igreja \u00e9 essa \u201ccasa de Deus\u201d onde qualquer homem ou qualquer mulher pode encontrar essa proposta de liberta\u00e7\u00e3o e de salva\u00e7\u00e3o que Deus oferece a todos? Somos no mundo \u201ca casa\u201d onde Deus reside e onde Ele se encontra com os homens?<\/li>\n<li>Jesus denunciou, nos \u00e1trios externos do templo de Jerusal\u00e9m, uma religi\u00e3o est\u00e9ril e mentirosa, constru\u00edda \u00e0 volta de um folclore de gestos que Deus n\u00e3o apreciava e que, afinal, n\u00e3o mudavam o cora\u00e7\u00e3o dos crentes. Qual \u00e9 o verdadeiro culto que Deus espera de n\u00f3s? Ao contr\u00e1rio do que possamos pensar, Deus n\u00e3o aprecia os nossos rituais lit\u00fargicos cheios de pompa e circunst\u00e2ncia que, no entanto, acabam por ser \u201cuma m\u00e3o cheia de nada e outra de coisa nenhuma\u201d, pois n\u00e3o t\u00eam implica\u00e7\u00f5es na nossa vida nem alteram a nossa forma de estar no mundo. O culto que Deus aprecia \u00e9 uma vida vivida na escuta das suas propostas e traduzida em gestos concretos de doa\u00e7\u00e3o, de entrega, de servi\u00e7o simples e humilde aos irm\u00e3os. Quando somos capazes de sair do nosso comodismo e da nossa autossufici\u00eancia para ir ao encontro do pobre, do marginalizado, do estrangeiro, do doente, estamos a dar a resposta \u201clit\u00fargica\u201d adequada ao amor e \u00e0 generosidade de Deus para connosco. Que culto prestamos a Deus?<\/li>\n<li>Ao gesto prof\u00e9tico de Jesus, os l\u00edderes judaicos respondem com incompreens\u00e3o e arrog\u00e2ncia. Consideram-se os donos da verdade e os \u00fanicos int\u00e9rpretes aut\u00eanticos da vontade divina. Instalados nas suas certezas e preconceitos, nem sequer admitem que a den\u00fancia que Jesus faz esteja correta. A sua autossufici\u00eancia impede-os de ver para al\u00e9m dos seus projetos pessoais e de descobrir os projetos de Deus. Trata-se de uma atitude que, mais uma vez, nos questiona\u2026 Estamos conscientes de que, quando nos barricamos atr\u00e1s de certezas e de atitudes intransigentes, podemos estar a fechar o nosso cora\u00e7\u00e3o aos desafios e \u00e0 novidade de Deus?<\/li>\n<li>Como aqueles vendedores e cambistas que transformaram o Templo de Deus numa casa de com\u00e9rcio, tamb\u00e9m n\u00f3s podemos, quase sem nos darmos conta, estar a converter toda a nossa vida num neg\u00f3cio, onde tudo \u00e9 pesado em favor do nosso interesse e do nosso ganho. At\u00e9 a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus pode tornar-se uma troca comercial, em que cumprimos os ritos para termos Deus a nosso favor, \u201cpagamos missas\u201d ou \u201cpromessas\u201d para obter algum benef\u00edcio, evitamos o pecado para que Deus n\u00e3o tenha raz\u00f5es para nos condenar\u2026 O gesto prof\u00e9tico de Jesus no Templo de Jerusal\u00e9m denuncia o sem sentido de uma vida vivida em registo de gan\u00e2ncia e de lucro ego\u00edsta; lembra-nos que Deus \u00e9 amor, amor que n\u00e3o se compra nem vende e que \u00e9 puro dom; lembra-nos a import\u00e2ncia dos gestos gratuitos de amor, da partilha solid\u00e1ria, da fraternidade desinteressada, do dom sem recompensa; lembra-nos que devemos dar testemunho, com a nossa vida, de um Deus que ama os seus filhos \u2013 todos \u2013 com um amor sem limites e \u201ca fundo perdido\u201d. Estamos conscientes de tudo isto? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, al\u00e9m das palavras de mais dif\u00edcil pronuncia\u00e7\u00e3o \u2013 \u00absetentrional\u00bb; \u00abArab\u00e1\u00bb \u2013 o leitor deve ter consci\u00eancia que est\u00e1 a narrar uma vis\u00e3o ao povo e que a proclama\u00e7\u00e3o deve ter um tom contemplativo e progressivo. \u00c0 medida que o texto fala da \u00e1gua que se espalha e d\u00e1 vida, o leitor pode elevar ligeiramente o tom, transmitindo esperan\u00e7a e vitalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>segunda leitura<\/strong> tem um tom exortativo que deve estar presente na proclama\u00e7\u00e3o do texto, servindo-se da for\u00e7a das formas verbais no imperativo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16176\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/precisamos.jpg\" alt=\"\" width=\"625\" height=\"459\" srcset=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/precisamos.jpg 625w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/precisamos-300x220.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 625px) 100vw, 625px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16177\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/oracao.jpg\" alt=\"\" width=\"613\" height=\"919\" srcset=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/oracao.jpg 613w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/oracao-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 613px) 100vw, 613px\" \/>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Domingo-XXXII-do-Tempo-Comum-Ano-C-09.11.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XXXII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 09.11.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Domingo-XXXII-do-Tempo-Comum-Ano-C-09.11.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXXII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 09.11.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Dedicacao-Basilica-S.-Joao-Latrao-Ano-C-09.11.2024-Lecionario.pdf\">Dedica\u00e7\u00e3o Bas\u00edlica S. Jo\u00e3o Latr\u00e3o &#8211; Ano C &#8211; 09.11.2024 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Dedicacao-Basilica-S.-Joao-Latrao-Ano-C-09.11.2024-Oracao-Universal.pdf\">Dedica\u00e7\u00e3o Bas\u00edlica S. Jo\u00e3o Latr\u00e3o &#8211; Ano C &#8211; 09.11.2024 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Domingo-XXXII-do-Tempo-Comum-Dedicacao-da-Basilica-de-S.-Joao-de-Latrao-Ano-C-09.11.2025-refletindo.pdf\">Domingo XXXII do Tempo Comum-Dedica\u00e7\u00e3o da Basilica de S. Jo\u00e3o de Latr\u00e3o &#8211; Ano C &#8211; 09.11.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-XXXII-do-Tempo-Comum-Ano-C-09.11.2025.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo XXXII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 09.11.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXXI do Tempo Comum-Ano C \u2013 02 novembro 2025 &#8211; Comemora\u00e7\u00e3o de Todos os Fi\u00e9is Defuntos&#8221; tab_id=&#8221;1762769791503-5ac036e1-709a&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XXXI do Tempo Comum-Ano C \u2013 02 novembro 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Comemora\u00e7\u00e3o de Todos os Fi\u00e9is Defuntos<\/span><\/h4>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-12653 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Domingo-XXXI.jpg\" alt=\"\" width=\"544\" height=\"232\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Depois de termos celebrado a 1 de novembro a Solenidade de Todos os Santos, a Igreja convida-nos a rezar por todos os fi\u00e9is defuntos. Se a saudade invade o nosso cora\u00e7\u00e3o ao recordar os que j\u00e1 partiram, que cruzaram a nossa vida e nos ajudaram a crescer na vida e na f\u00e9, conforta-nos a esperan\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o. Por isso, \u00e0 saudade juntamos a mem\u00f3ria agradecida pela vida de tantos e tantas que foram sinal e presen\u00e7a de Deus na nossa vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A nossa ora\u00e7\u00e3o pelos que j\u00e1 partiram reaviva em n\u00f3s a esperan\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o, porque nasce da certeza de que em Deus as nossas vidas n\u00e3o se perdem, porque foram sonhas para a eternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na verdade, a celebra\u00e7\u00e3o deste dia recorda-nos a certeza da morte enquanto heran\u00e7a comum de todos os mortais e coloca-nos diante da dura realidade da partida daqueles que amamos. Mas a evid\u00eancia da morte nunca habituar\u00e1 o nosso cora\u00e7\u00e3o a esta dura realidade e olharemos sempre para a morte como a maior ladra da hist\u00f3ria que nos rouba aqueles que amamos. Humanamente iremos sempre sentir impotentes diante de t\u00e3o dura realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quantas vezes ecoam no nosso cora\u00e7\u00e3o as perguntas: Porqu\u00ea a morte? Porqu\u00ea o sofrimento? Qual o sentido da nossa exist\u00eancia? Bem sabemos que se nos detemos a dar resposta a estas quest\u00f5es unicamente com a nossa raz\u00e3o ficamos aqu\u00e9m de uma resposta que satisfa\u00e7a o nosso cora\u00e7\u00e3o. Por isso, nos abeiramos de Cristo, colocamo-nos em torno da mesa do altar e da mesa da Palavra, pois bem sabemos que em Cristo os nossos olhos se abrem para a esperan\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o e a morte n\u00e3o tem a \u00faltima palavra sobre a nossa vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por isso, a ora\u00e7\u00e3o pelos fi\u00e9is defuntos deve ser acompanhada pelo louvor e agradecimento ao Deus da Vida e da Hist\u00f3ria por tantas vidas semeadas na terra que foram lugar de carinho, ternura e bondade. Mas, porque a nossa vida \u00e9 tamb\u00e9m marcada pela fragilidade do pecado, unimos a nossa ora\u00e7\u00e3o \u00e0 miseric\u00f3rdia infinita de Deus que \u00e9 a nossa \u00fanica fonte de salva\u00e7\u00e3o. Efetivamente, o nosso Deus \u00e9 clemente e cheio de compaix\u00e3o, como cantamos no salmo desta missa e a sua bondade e ternura devem ser para n\u00f3s uma escola da arte de amar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Amados por Deus, que \u00e9 clemente e cheio de compaix\u00e3o, partimos com renovado entusiasmo para dizer a todos que este amor que salva e redime nos compromete como anunciadores e construtores do Reino de Deus. Enquanto peregrinamos sobre a terra, temos consci\u00eancia que o Reino que um dia esperamos habitar em plenitude no c\u00e9u, somos chamados a constru\u00ed-los no aqui e agora do tempo e da hist\u00f3ria para que um dia o possamos habitar em plenitude no c\u00e9u. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><strong><em> (adaptado)<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong><em>\u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>O <strong>Domingo XXXI do Tempo Comum<\/strong> este ano ocorre no <strong>dia 2 de novembro<\/strong> em que a Igreja celebra a <strong>Comemora\u00e7\u00e3o de Todos os Fi\u00e9is Defuntos<\/strong>. Depois de ter celebrado no dia 1 de novembro a Solenidade de Todos os Santos, recordando aqueles que j\u00e1 participam da gl\u00f3ria celeste, a Igreja recorda todos aqueles que j\u00e1 partiram marcados com o sinal da f\u00e9 e dormem na esperan\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o. Para este dia, a liturgia prev\u00ea tr\u00eas formul\u00e1rios de leituras, que iluminam o mist\u00e9rio da morte e da ressurrei\u00e7\u00e3o e ajudam os fi\u00e9is a adentrar no mist\u00e9rio da nossa reden\u00e7\u00e3o. Importa que, partindo das leituras propostas os fi\u00e9is possam renovar no seu cora\u00e7\u00e3o a esperan\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o a que somos chamados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong><em>Deixamos, em anexo, a proposta do Lecion\u00e1rio para:<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Solenidade de Todos os Santos;<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>Leitura do Apocalipse de S\u00e3o Jo\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>Ap 7,2-4.9-14<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>Salmo0 Responsorial<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Salmo 23 (24)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Refr\u00e3o: Esta \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o dos que procuram o Senhor<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>Leitura da Primeira Ep\u00edstola de S\u00e3o Jo\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>1Jo 3,1-3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><strong>Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S\u00e3o Mateus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Mt 5,1-12a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; Comemora\u00e7\u00e3o de Todos os Fi\u00e9is Defuntos:<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>Leitura do Segundo Livro dos Macabeus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>2 Mac 12, 43-46<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abPraticando assim uma a\u00e7\u00e3o muito digna e nobre, inspirada na esperan\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Salmo Responsorial<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Salmo 102 (103)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abO Senhor \u00e9 clemente e cheio de compaix\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Leitura da Segunda Ep\u00edstola do ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo aos Cor\u00edntios\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>2 Cor 5,1.6-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abN\u00f3s sabemos que, se esta tenda, que \u00e9 a nossa morada terrestre, for desfeita, recebemos nos C\u00e9us \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 uma habita\u00e7\u00e3o eterna\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S\u00e3o Jo\u00e3o\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Jo 11, 21-27<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abSenhor, se estivesses aqui, meu irm\u00e3o n\u00e3o teria morrido\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abEu sou a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viver\u00e1; e todo aquele \u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 que vive e acredita em Mim nunca morrer\u00e1. Acreditas nisto?\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abAcredito, Senhor, que Tu \u00e9s o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8211; XXXI Domingo do Tempo Comum.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>Leitura do Livro da Sabedoria<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Sab 11, 22-12, 2<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Salmo Responsorial<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Salmo 144 (145)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abLouvarei para sempre o vosso nome, Senhor meu Deus e meu Rei\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Leitura da Segunda Ep\u00edstola do ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo aos Tessalonicenses\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>2 Tessalonicenses 1,11-2,2<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S\u00e3o Lucas\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Lucas 19,1-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Trabalhamos, abaixo, a reflex\u00e3o dos textos do XXXI Domingo do Tempo Comum- Ano C<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Continuamos no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C \u2013 onde somos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Sabedoria 11,22-12,2<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diante de V\u00f3s, Senhor, o mundo inteiro<br \/>\n\u00e9 como um gr\u00e3o de areia na balan\u00e7a,<br \/>\ncomo a gota de orvalho que de manh\u00e3 cai sobre a terra.<br \/>\nDe todos V\u00f3s compadeceis, porque sois omnipotente,<br \/>\ne n\u00e3o olhais para os seus pecados,<br \/>\npara que se arrependam.<br \/>\nV\u00f3s amais tudo o que existe<br \/>\ne n\u00e3o odiais nada do que fizestes;<br \/>\nporque, se odi\u00e1sseis alguma coisa,<br \/>\nn\u00e3o a ter\u00edeis criado.<br \/>\ne como poderia subsistir,<br \/>\nse V\u00f3s n\u00e3o a quis\u00e9sseis?<br \/>\nComo poderia durar,<br \/>\nse n\u00e3o a tiv\u00e9sseis chamado \u00e0 exist\u00eancia?<br \/>\nMas a todos perdoais,<br \/>\nporque tudo \u00e9 vosso, Senhor, que amais a vida.<br \/>\nO vosso esp\u00edrito incorrupt\u00edvel est\u00e1 em todas as coisas.<br \/>\nPor isso castigais brandamente aqueles que caem<br \/>\ne advertis os que pecam, recordando-lhes os seus pecados,<br \/>\npara que se afastem do mal<br \/>\ne acreditem em V\u00f3s, Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O \u201cLivro da Sabedoria\u201d \u00e9 o mais recente de todos os livros do Antigo Testamento. Pensa-se que ter\u00e1 sido redigido durante o s\u00e9c. I a.C., em l\u00edngua grega (por ser escrito em grego, nunca chegou a integrar o c\u00e2none judaico). O seu autor ter\u00e1 sido um judeu culto, provavelmente nascido e educado na Di\u00e1spora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O \u201cber\u00e7o\u201d do livro da Sabedoria poder\u00e1 ter sido Alexandria (no Egito). A brilhante cultura hel\u00e9nica marcava o ritmo de vida e impunha aos habitantes da cidade os valores dominantes. As outras culturas \u2013 nomeadamente a judaica \u2013 eram desvalorizadas e hostilizadas. A col\u00f3nia judaica que vivia em Alexandria tinha sido obrigada a lidar, sobretudo nos reinados de Ptolomeu Alexandre (106-88 a.C.) e de Ptolomeu Dion\u00edsio (80-52 a.C.), com duras persegui\u00e7\u00f5es. Os s\u00e1bios hel\u00e9nicos procuravam demonstrar, por um lado, a superioridade da cultura grega e, por outro, a incongru\u00eancia do juda\u00edsmo e da sua proposta de vida\u2026 Os judeus eram encorajados a deixar a sua f\u00e9, a \u201cmodernizar-se\u201d e a abrir-se aos brilhantes valores da cultura hel\u00e9nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Foi neste ambiente que o s\u00e1bio autor do Livro da Sabedoria decidiu defender os valores da f\u00e9 e da cultura do seu Povo. O seu objetivo era duplo: dirigindo-se aos seus compatriotas judeus (mergulhados no paganismo, na idolatria, na imoralidade), exortava-os a redescobrirem a f\u00e9 dos pais e os valores judaicos; dirigindo-se aos pag\u00e3os, convidava-os a constatar o absurdo da idolatria e a aderir a Jav\u00e9, o verdadeiro e \u00fanico Deus\u2026 Para uns e para outros, o autor pretendia deixar esta ideia fundamental: s\u00f3 Jav\u00e9 garante a verdadeira \u201csabedoria\u201d e a verdadeira felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que neste domingo nos \u00e9 proposto como primeira leitura integra a terceira parte do livro da Sabedoria (Sb 10,1-19,22). Nesses cap\u00edtulos, recorrendo sobretudo, ao g\u00e9nero\u00a0<em>midrash hagg\u00e1dico<\/em>\u00a0(uma t\u00e9cnica de leitura do texto b\u00edblico que \u201cexpande\u201d o texto original acrescentando-lhe interpreta\u00e7\u00f5es, narrativas edificantes, ensinamentos \u00e9ticos, considera\u00e7\u00f5es homili\u00e9ticas), o autor vai destacar os personagens e epis\u00f3dios da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o em que foi not\u00f3ria a a\u00e7\u00e3o da sabedoria. No cap. 11, em concreto, o autor det\u00e9m-se a meditar sobre o acontecimento fundamental do \u00caxodo: a maravilhosa aventura da liberta\u00e7\u00e3o do Povo de Deus da escravid\u00e3o no Egito. \u00c9 claro que a sabedoria de Deus salvou Israel e castigou o Egito; mas, contra todas as expetativas, o castigo aplicado por Deus ao Egito n\u00e3o foi excessivamente duro. Porqu\u00ea? \u00c9 a esta quest\u00e3o que o nosso texto se prop\u00f5e responder. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A catequese de Israel ensina que, desde o in\u00edcio, a humanidade criada por Deus escolheu ignorar as indica\u00e7\u00f5es do Criador e percorrer caminhos de orgulho, de autossufici\u00eancia, de ego\u00edsmo, de viol\u00eancia, de pecado. Como \u00e9 que Deus encara isso? N\u00e3o se cansar\u00e1 das nossas repetidas infidelidades? N\u00e3o se arrepender\u00e1 de nos ter criado? N\u00e3o se sentir\u00e1 tentado a destruir uma humanidade que insiste em inventar a cada passo esquemas de injusti\u00e7a, de explora\u00e7\u00e3o, de maldade, de morte? Deus alguma vez ter\u00e1 pensado que o seu projeto criador foi um projeto falhado? No s\u00e9c. I a.C., um \u201cs\u00e1bio\u201d judeu de Alexandria responde a estas quest\u00f5es, dizendo: \u201cn\u00e3o, Deus nunca desistiu de n\u00f3s, pois o seu amor \u00e9 infinitamente mais forte do que o nosso pecado; Ele \u00e9 um pai bom que ama infinitamente os filhos que chamou \u00e0 vida; o que Lhe interessa n\u00e3o \u00e9 destruir o pecador, mas sim conduzi-lo ao encontro de uma vida nova\u201d. O que pensamos disto? \u00c9 tamb\u00e9m esta a ideia que fazemos de Deus? O Deus que testemunhamos \u00e9 o Deus do amor, ou o deus dos castigos e das vingan\u00e7as?<\/li>\n<li>A experi\u00eancia de sermos profundamente amados por Deus \u00e9 uma experi\u00eancia deslumbrante e transformadora. N\u00e3o nos deixa indiferentes; liberta-nos do nosso ego\u00edsmo, do nosso fechamento, da nossa autossufici\u00eancia. Ensina-nos olhar os nossos irm\u00e3os com o mesmo olhar de amor com que Deus nos olha; inspira-nos a aproximarmo-nos dos nossos irm\u00e3os com a mesma bondade que Deus manifesta por n\u00f3s; mostra-nos o \u201clado bom\u201d, o lado \u201cam\u00e1vel\u201d que existe em cada homem ou em cada mulher. \u201cEmpapados\u201d pelo amor de Deus, tornamo-nos testemunhas desse amor no mundo. \u00c9 esta a nossa experi\u00eancia? O amor de Deus tem sido a \u201cescola\u201d onde aprendemos a amar os irm\u00e3os e as irm\u00e3s que caminham ao nosso lado?<\/li>\n<li>Muitas vezes, percebemos certos males que nos incomodam como \u201ccastigos\u201d de Deus pelo nosso mau proceder. A pr\u00f3pria B\u00edblia, em numerosas passagens, fala de \u201ccastigos\u201d com que Deus \u201cataca\u201d o homem pecador. No entanto, o texto que a liturgia nos prop\u00f5e neste domingo como primeira leitura afirma que Deus n\u00e3o est\u00e1 interessado em castigar o pecador, mas sim em conduzi-lo a uma vida nova, a uma vida mais verdadeira e feliz. Talvez Deus nos deixe simplesmente, em certas ocasi\u00f5es, \u201cprovar o nosso pr\u00f3prio veneno\u201d e experimentar o resultado das nossas op\u00e7\u00f5es erradas. Se isso acontecer, n\u00e3o \u00e9 por vingan\u00e7a ou vontade de castigar; mas \u00e9 para nos mostrar onde nos podem conduzir os caminhos errados que, \u00e0 revelia d\u2019Ele, teimamos em percorrer. Temos consci\u00eancia disso? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 144(145)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Louvarei para sempre o vosso nome,<br \/>\nSenhor meu Deus e meu Rei.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quero exaltar-Vos meu Deus e meu Rei<br \/>\ne bendizer o vosso nome para sempre.<br \/>\nQuero bendizer-vos, dia ap\u00f3s dia,<br \/>\ne louvar o vosso nome para sempre.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor \u00e9 clemente e compassivo,<br \/>\npaciente e cheio de bondade.<br \/>\nO Senhor \u00e9 bom para com todos<br \/>\ne a sua miseric\u00f3rdia se estende a todas as criaturas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gra\u00e7as Vos deem, Senhor, todas as criaturas<br \/>\ne bendigam-Vos os vossos fi\u00e9is.<br \/>\nProclamem a gl\u00f3ria do vosso Reino<br \/>\ne anunciem os vossos feitos gloriosos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor \u00e9 fiel \u00e0 sua palavra<br \/>\ne perfeito em todas as suas obras.<br \/>\nO Senhor ampara os que vacilam<br \/>\ne levanta todos os oprimidos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>2 Tessalonicenses 1,11-2,2<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nOramos continuamente por v\u00f3s,<br \/>\npara que Deus vos considere dignos do seu chamamento<br \/>\ne, pelo seu poder,<br \/>\nse realizem todos os vossos bons prop\u00f3sitos<br \/>\ne se confirme o trabalho da vossa f\u00e9.<br \/>\nAssim o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo<br \/>\nser\u00e1 glorificado em v\u00f3s, e v\u00f3s n\u2019Ele,<br \/>\nsegundo a gra\u00e7a do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.<br \/>\nN\u00f3s vos pedimos, irm\u00e3os,<br \/>\na prop\u00f3sito da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo<br \/>\ne do nosso encontro com Ele:<br \/>\nN\u00e3o vos deixeis abalar facilmente nem alarmar<br \/>\npor qualquer manifesta\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica,<br \/>\npor palavras ou por cartas,<br \/>\nque se digam vir de n\u00f3s,<br \/>\npretendendo que o dia do Senhor est\u00e1 iminente.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No s\u00e9culo I da nossa era, Tessal\u00f3nica era a cidade mais importante da Maced\u00f3nia. Porto mar\u00edtimo e cidade de intenso com\u00e9rcio, era uma encruzilhada religiosa, na qual os cultos locais coexistiam lado a lado com todo o tipo de propostas religiosas vindas de todo o Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A cidade foi evangelizada por Paulo durante a sua segunda viagem mission\u00e1ria, muito provavelmente no Inverno do ano 49 ou 50. Paulo chegou a Tessal\u00f3nica acompanhado por Silvano e Tim\u00f3teo, depois de ter sido for\u00e7ado a deixar a cidade de Filipos. O tempo de evangeliza\u00e7\u00e3o foi curto, talvez uns tr\u00eas meses; mas foi o suficiente para fazer nascer uma comunidade crist\u00e3 numerosa e entusiasta, constitu\u00edda maioritariamente por pag\u00e3os convertidos. No entanto, a obra de Paulo foi brutalmente interrompida pela rea\u00e7\u00e3o da col\u00f3nia judaica. Os judeus acusaram Paulo de agir contra os decretos do imperador e levaram alguns crist\u00e3os diante dos magistrados da cidade (cf. At 17,5-9). Paulo teve de deixar a cidade \u00e0 pressa, de noite, indo para Bereia e, depois, para Atenas (cf. At 17,10-15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entretanto, Paulo tinha a consci\u00eancia de que a forma\u00e7\u00e3o doutrinal da comunidade crist\u00e3 de Tessal\u00f3nica ainda deixava muito a desejar. A jovem comunidade, fundada h\u00e1 pouco tempo e ainda insuficientemente catequizada, estava quase desarmada nesse contexto adverso de persegui\u00e7\u00e3o e de prova\u00e7\u00e3o (cf. 1 Ts 3,1-10). Preocupado, Paulo enviou Tim\u00f3teo a Tessal\u00f3nica, a fim de saber not\u00edcias e encorajar os tessalonicenses na f\u00e9 (cf. 1 Ts 3,2-5). Quando Tim\u00f3teo voltou para apresentar o seu relat\u00f3rio, encontrou Paulo em Corinto. Confortado pelas informa\u00e7\u00f5es dadas por Tim\u00f3teo, o ap\u00f3stolo decidiu escrever aos crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica, felicitando-os pela sua fidelidade ao Evangelho. Aproveitou tamb\u00e9m para esclarecer algumas d\u00favidas doutrinais que inquietavam os tessalonicenses \u2013 nomeadamente sobre a segunda vinda do Senhor e o destino dos que morrem (cf. 1 Ts 4,13-5,11) \u2013 e para corrigir alguns aspetos menos exemplares da vida da comunidade. A Primeira Carta aos Tessalonicenses \u00e9, com toda a probabilidade, o primeiro escrito do Novo Testamento. Apareceu na Primavera-Ver\u00e3o do ano 50 ou 51.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uns meses depois dessa primeira Carta \u00e0 comunidade crist\u00e3 de Tessal\u00f3nica, Paulo escreveu uma outra. O objetivo seria corrigir algumas interpreta\u00e7\u00f5es erradas que a primeira Carta tinha suscitado.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica s\u00e3o gente boa, animada de boa vontade e das melhores das inten\u00e7\u00f5es. Talvez como n\u00f3s. Mas o ap\u00f3stolo Paulo sabe que os bons prop\u00f3sitos do homem nem sempre se aguentam. H\u00e1 demasiadas coisas, ao longo do caminho, que distraem, que atraem, que seduzem e que fazem perder o rumo. N\u00f3s tamb\u00e9m j\u00e1 experimentamos isto, n\u00e3o \u00e9 verdade? Por isso, Paulo pede a Deus que fortale\u00e7a a f\u00e9 e o compromisso dos tessalonicenses, a fim de que eles n\u00e3o falhem o alvo e se fiquem por caminhos que n\u00e3o levam a lado nenhum. Faz sentido. Sem a ajuda de Deus, dificilmente conseguiremos alcan\u00e7ar a meta sonhada; sem a ajuda de Deus facilmente podemos gastar a vida a correr atr\u00e1s de valores f\u00fateis e ef\u00e9meros, que n\u00e3o proporcionam vida em abund\u00e2ncia. Estamos conscientes disto? Lembramo-nos de pedir a Deus que fortale\u00e7a os nossos bons prop\u00f3sitos e que nunca cesse de nos apontar o caminho que conduz \u00e0 vida verdadeira?<\/li>\n<li>Paulo tamb\u00e9m pede aos crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica que n\u00e3o deem ouvidos a not\u00edcias fantasiosas sobre o fim do mundo, espalhadas por fan\u00e1ticos com \u00e2nsia de protagonismo. Algu\u00e9m poder\u00e1 pensar que n\u00f3s, homens e mulheres do s\u00e9c. XXI, somos mais esclarecidos do que os tessalonicenses do s\u00e9c. I e que nunca nos deixaremos enganar por discursos desse tipo. No entanto, as redes sociais (e, por vezes, at\u00e9 certos discursos pretensamente \u201creligiosos\u201d) prop\u00f5em-nos teorias mirabolantes sobre o fim do mundo, as \u201cdesgra\u00e7as\u201d que Deus prepara para fulminar a humanidade pecadora, ou as \u201cconspira\u00e7\u00f5es\u201d tenebrosas das \u201cfor\u00e7as do mal\u201d contra Deus. Conv\u00e9m que mantenhamos, frente a estas fantasias, uma atitude cr\u00edtica, que separe o trigo do joio e que nos ajude a caminhar serenamente no caminho que Deus nos aponta. O contacto frequente com a Palavra de Deus poder\u00e1 iluminar-nos e ajudar-nos a distinguir aquilo que vem de Deus e aquilo que vem da fantasia de mentes perturbadas. Como nos situamos diante de tudo isto? Que impacto t\u00eam na nossa vida e no nosso equil\u00edbrio, certas \u201cteorias da conspira\u00e7\u00e3o\u201d ou certas not\u00edcias fantasiosas destinadas a criar medo e inquieta\u00e7\u00e3o? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Lucas 19,1-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus entrou em Jeric\u00f3 e come\u00e7ou a atravessar a cidade.<br \/>\nVivia ali um homem rico chamado Zaqueu,<br \/>\nque era chefe de publicanos.<br \/>\nProcurava ver quem era Jesus,<br \/>\nmas, devido \u00e0 multid\u00e3o, n\u00e3o podia v\u00ea-l\u2019O,<br \/>\nporque era de pequena estatura.<br \/>\nEnt\u00e3o correu mais \u00e0 frente e subiu a um sic\u00f3moro,<br \/>\npara ver Jesus,<br \/>\nque havia de passar por ali.<br \/>\nQuando Jesus chegou ao local,<br \/>\nolhou para cima e disse-lhe:<br \/>\n\u00abZaqueu, desce depressa,<br \/>\nque Eu hoje devo ficar em tua casa\u00bb.<br \/>\nEle desceu rapidamente<br \/>\ne recebeu Jesus com alegria.<br \/>\nAo verem isto, todos murmuravam, dizendo:<br \/>\n\u00abFoi hospedar-Se em cada dum pecador\u00bb.<br \/>\nEntretanto, Zaqueu apresentou-se ao Senhor, dizendo:<br \/>\n\u00abSenhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens<br \/>\ne, se causei qualquer preju\u00edzo a algu\u00e9m,<br \/>\nrestituirei quatro vezes mais\u00bb.<br \/>\nDisse-lhe Jesus:<br \/>\n\u00abHoje entrou a salva\u00e7\u00e3o nesta casa,<br \/>\nporque Zaqueu tamb\u00e9m \u00e9 filho de Abra\u00e3o.<br \/>\nCom efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar<br \/>\no que estava perdido\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus, acompanhado pelos disc\u00edpulos, dirige-se para Jerusal\u00e9m. No caminho, passa por Jeric\u00f3, um o\u00e1sis situado no vale do rio Jord\u00e3o, nas margens do mar Morto, a cerca de 34 quil\u00f3metros de Jerusal\u00e9m. Era ponto de passagem para os peregrinos que, vindos da Galileia e da Pereia, se dirigiam a Jerusal\u00e9m para celebrar as grandes festividades do culto judaico. Situada a cerca de 270 metros abaixo do n\u00edvel do mar, \u00e9 tamb\u00e9m a cidade mais baixa do planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os arque\u00f3logos consideram Jeric\u00f3 a cidade mais antiga do mundo ainda existente, habitada h\u00e1 onze mil anos. No s\u00e9c. XIII a.C. os hebreus, vindos do Egito, chefiados por Josu\u00e9, atravessaram o rio Jord\u00e3o e acamparam nas plan\u00edcies de Jeric\u00f3; logo a seguir, conquistaram a cidade (cf. Js 6). No s\u00e9c. I a.C., o rei Herodes dotou a cidade de importantes constru\u00e7\u00f5es, incluindo um aqueduto, um hip\u00f3dromo, diversos pal\u00e1cios e jardins. Construiu tamb\u00e9m a\u00ed o seu pal\u00e1cio de inverno, onde ali\u00e1s veio a falecer (ano 4 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No tempo de Jesus, Jeric\u00f3 era uma cidade pr\u00f3spera, sobretudo devido \u00e0 importante produ\u00e7\u00e3o de b\u00e1lsamo. A aristocracia de Jerusal\u00e9m tinha em Jeric\u00f3 as suas resid\u00eancias de Inverno. Situada na encruzilhada de importantes vias de comunica\u00e7\u00e3o, Jeric\u00f3 era um lugar de oportunidades, que devia proporcionar neg\u00f3cios significativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Numa das ruas de Jeric\u00f3, Jesus cruza-se com um homem chamado Zaqueu, que era \u201cchefe de publicanos\u201d. Os romanos entregavam a cobran\u00e7a dos impostos a agentes privados. A esses agentes (os \u201cpublicanus\u201d) as autoridades exigiam a entrega de uma soma fixa anual, determinada a partir da estimativa das rendas. Aquilo que os publicanos conseguissem faturar al\u00e9m da quantia estabelecida, revertia em se pr\u00f3prio benef\u00edcio. Este sistema favorecia os abusos destes funcion\u00e1rios, que procuravam faturar o mais poss\u00edvel. Por isso, eram vistos pelo povo como ladr\u00f5es e exploradores dos seus concidad\u00e3os. Os c\u00edrculos rab\u00ednicos sustentavam que os publicanos estavam permanentemente afetados de impureza e n\u00e3o podiam sequer fazer penit\u00eancia, pois eram incapazes de conhecer todos aqueles a quem tinham defraudado e a quem deviam uma repara\u00e7\u00e3o. Os fariseus n\u00e3o os aceitavam nas suas fileiras. Quem exercia of\u00edcio de cobrador de impostos, estava privado de diversos direitos c\u00edvicos, pol\u00edticos e religiosos; n\u00e3o podia ser juiz nem prestar testemunho em tribunal, sendo equiparado ao escravo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A hist\u00f3ria do encontro entre Jesus e o publicano Zaqueu \u00e9 exclusiva de Lucas<strong>. <\/strong><strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">Que sabemos de Deus? Como \u00e9 Ele? Como \u00e9 que Ele olha para n\u00f3s? Sendo n\u00f3s, naturalmente, fr\u00e1geis e pecadores, como \u00e9 que Deus nos v\u00ea? Ele condena-nos quando, na nossa \u201cpequenez\u201d, fazemos op\u00e7\u00f5es erradas? Ele rejeita-nos quando, na nossa insensatez, lhe viramos as costas e escolhemos caminhos que n\u00e3o levam a lado nenhum? Na hist\u00f3ria do publicano Zaqueu, \u201cchefe de publicanos\u201d na cidade de Jeric\u00f3, encontramos a resposta de Jesus a estas quest\u00f5es. Ao deter-se na rua e ao dirigir o olhar para aquele homem \u201cpequeno\u201d que se esconde no meio dos ramos de um sic\u00f3moro, ao dizer-lhe que \u201cprecisa\u201d de entrar na sua casa e ficar com ele, Jesus est\u00e1 a anunciar a Jeric\u00f3 e ao mundo um Deus que \u00e9 amor. O Deus de Jesus \u2013 o Deus cujo rosto e cujo cora\u00e7\u00e3o Jesus nos veio desvelar \u2013 \u00e9 um Deus que ama todos os seus filhos sem exce\u00e7\u00e3o e que nem sequer exclui do seu amor os marginalizados, os \u201cimpuros\u201d, os pecadores p\u00fablicos, os \u201cmalditos\u201d. Todos, todos, todos t\u00eam lugar \u00e0 mesa de Deus. Al\u00e9m disso, o amor de Deus n\u00e3o \u00e9 condicional: Ele ama, apesar do pecado; e \u00e9 precisamente esse amor nunca desmentido que, uma vez experimentado pelos pobres \u201czaqueus\u201d que somos n\u00f3s, provoca a convers\u00e3o e o regresso do filho pecador. Temos estas verdades sempre bem presentes no horizonte da nossa vida? \u00c9 esse Deus de amor que n\u00f3s testemunhamos no meio dos nossos irm\u00e3os, particularmente junto daqueles que se sentem culpados e desanimados pelas suas fragilidades?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Aquele encontro com Jesus numa rua da cidade de Jeric\u00f3 muda completamente a vida e os horizontes do publicano Zaqueu: aquilo que at\u00e9 ent\u00e3o o fazia correr, j\u00e1 n\u00e3o lhe interessa mais; aquilo que at\u00e9 ali n\u00e3o lhe interessava minimamente, passa a ser decisivo nas contas da sua vida. Aquele homem \u201cpequeno\u201d que desceu do sic\u00f3moro e recebeu Jesus em sua casa, de repente cresceu, come\u00e7ou a ver a vida e as pessoas de outro \u00e2ngulo. Com Jesus, Zaqueu aprendeu a olhar os outros com amor. O encontro com Jesus transforma-nos, faz-nos crescer, d\u00e1-nos uma outra perspetiva do mundo e das coisas, mostra-nos o sem sentido do nosso ego\u00edsmo e da nossa ambi\u00e7\u00e3o, ensina-nos a generosidade, a solidariedade, a partilha, a bondade, a miseric\u00f3rdia. Se isso n\u00e3o acontecer, \u00e9 porque n\u00e3o chegamos a encontrar-nos verdadeiramente com Jesus\u2026 Que efeitos produzem os nossos numerosos encontros com Jesus? Todos os domingos nos sentamos com Jesus \u00e0 mesa da Eucaristia: isso transforma a nossa vida, o nosso olhar sobre o mundo e sobre os irm\u00e3os que se cruzam connosco? Depois de estarmos com Jesus tornamo-nos mais generosos, mais fraternos, mais solid\u00e1rios, mais atentos aos que caminham ao nosso lado?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Zaqueu esteve quase a perder a oportunidade de \u201cver\u201d Jesus. \u00c0 volta de Jesus os \u201cgrandes\u201d, os \u201cpuros\u201d, os \u201cbons\u201d, os \u201csantos\u201d, os \u201cdignos\u201d, formavam uma barreira \u201cprotetora\u201d, uma barreira que impedia os \u201cpequenos\u201d, os condenados pela sociedade e pelas igrejas, os \u201cdesprez\u00edveis\u201d, os \u201cmalditos\u201d, de conspurcarem a santidade de Jesus com a sua indignidade. Esses \u201cgrandes\u201d, esses \u201cpuros\u201d, tinham boa inten\u00e7\u00e3o: queriam evitar que Jesus fosse confrontado com uma situa\u00e7\u00e3o confrangedora. Ainda n\u00e3o sabiam (ou recusavam-se a saber) algo decisivo: que Jesus \u201cveio procurar e salvar o que estava perdido\u201d. A\u00ed est\u00e1 uma coisa que deve ficar bem clara para todos n\u00f3s: Jesus n\u00e3o fica incomodado diante do pecador, do condenado, do \u201cmaldito\u201d; Ele fica feliz quando pode olhar nos olhos \u201caquele que estava perdido\u201d e dizer-lhe que Deus o ama profundamente, com um amor sem limites. Alguma vez fomos uma barreira para que os \u201cpequenos\u201d, os desprezados, os amaldi\u00e7oados, os muitos \u201czaqueus\u201d deste mundo, se aproximassem de Jesus e fizessem a experi\u00eancia do amor de Deus? Como acolhemos os irm\u00e3os \u201cdiferentes\u201d, os que t\u00eam comportamentos que consideramos inaceit\u00e1veis, os indesej\u00e1veis e inc\u00f3modos, os que a sociedade e a religi\u00e3o condenam e repudiam?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">A atitude de Jesus para com o pecador Zaqueu proclama bem alto o imenso amor de Deus por todos os seus filhos, mesmo por aqueles que escolheram caminhos errados e se colocaram a si pr\u00f3prios em situa\u00e7\u00f5es sem sa\u00edda. Isto n\u00e3o significa, contudo, o branqueamento do pecado. O ego\u00edsmo, a injusti\u00e7a, a opress\u00e3o, a mentira, a ambi\u00e7\u00e3o desmedida, geram inevitavelmente sofrimento e morte. N\u00e3o cabem no projeto que Deus tem para os seus filhos. Devem ser combatidos e vencidos. Deus distingue claramente entre o pecador e o pecado. Ao pecador, Deus ama-o sempre; ao pecado, Deus abomina-o sempre. Contudo n\u00f3s, seres humanos, nem sempre conseguimos distinguir claramente os dois campos: misturamos pecado e pecador, embrulhamos tudo no mesmo papel e atiramos tudo para a mesma fogueira. Seremos capazes de aprender com Deus a distinguir entre a pessoa e os seus atos? Seremos capazes de lutar contra a maldade sem sentir a tenta\u00e7\u00e3o de eliminar a pessoa fr\u00e1gil que, por qualquer raz\u00e3o, fez uma escolha errada e cometeu um ato que consideramos mau? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Solenidade-de-Todos-os-Santos-01.11.2025-Ano-C-Lecionario.pdf\">Solenidade de Todos os Santos &#8211; 01.11.2025- Ano C &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Solenidade-de-Todos-os-Santos-01.11.2025-Ano-C-Oracao-Universal.pdf\">Solenidade de Todos os Santos &#8211; 01.11.2025- Ano C &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Comemoracao-de-Todos-os-Fieis-Defuntos-Ano-C-02.11.2025-Lecionario.pdf\">Comemora\u00e7\u00e3o de Todos os Fi\u00e9is Defuntos &#8211; Ano C &#8211; 02.11.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Comemoracao-de-Todos-os-Fieis-Defuntos-Ano-C-02.11.2025-Oracao-Universal.pdf\">Comemora\u00e7\u00e3o de Todos os Fi\u00e9is Defuntos &#8211; Ano C &#8211; 02.11.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Domingo-XXXI-do-Tempo-Comum-Ano-C-02.11.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XXXI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 02.11.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Domingo-XXXI-do-Tempo-Comum-Ano-C-02.11.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXXI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 02.11.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Domingo-XXXI-do-Tempo-Comum-Ano-C-02.11.2025-refletindo.pdf\">Domingo XXXI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 02.11.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Solenidade-de-Todos-os-Santos-Ano-C-01.11.2025.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Solenidade de Todos os Santos &#8211; Ano C &#8211; 01.11.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-XXXI-do-TC-e-Comemoracao-de-Todos-os-Fieis-Defuntos-Ano-C-02.11.2025.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo XXXI do TC e Comemora\u00e7\u00e3o de Todos os Fi\u00e9is Defuntos &#8211; Ano C &#8211; 02.11.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXX do Tempo Comum-Ano C \u2013 26 outubro 2025&#8243; tab_id=&#8221;1762162505944-fad27326-c943&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XXX do Tempo Comum-Ano C \u2013 26 outubro 2025<\/span><\/h4>\n<figure id=\"attachment_12653\" aria-describedby=\"caption-attachment-12653\" style=\"width: 544px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12653 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Domingo-XXX.jpg\" alt=\"\" width=\"544\" height=\"232\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12653\" class=\"wp-caption-text\">O fariseu e o publicano \u2013 Lucas 18, 9-14<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus continua a Sua longa viagem at\u00e9 Jerusal\u00e9m, fazendo de cada encontro uma oportunidade para anunciar a novidade do Evangelho que \u00e9 Ele pr\u00f3prio e para comunicar este jeito novo de ser disc\u00edpulo que se traduz num modo novo de ser e de estar, porque \u00e9 um modo novo de servir e amar. Seguir Jesus Cristo significa colocar-se com Ele a caminho, assumindo um novo modo de se relacionar com Deus e com os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cada batizado \u00e9 chamado a viver o mandamento novo do amor, num amor absolutamente centrado em Deus e universalmente alargado aos irm\u00e3os, afinando o Seu cora\u00e7\u00e3o com o Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, para que a Sua vida fa\u00e7a ecoar no tempo e na hist\u00f3ria a mais bela melodia do amor e da ternura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab<em>Estar sempre com Jesus, este \u00e9 o meu programa de Vida<\/em>\u00bb, assim afirmava o jovem S. Carlo Acutis que assumindo desde tenra idade o desejo de seguir Jesus, depressa percebeu que tudo isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel numa vida de intimidade e rela\u00e7\u00e3o com Deus atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Liturgia da Palavra deste Domingo convida-nos a pensar no modo como rezamos e no modo como nos situamos diante de Deus e dos irm\u00e3os: \u00ab<em>Jesus disse a seguinte par\u00e1bola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros<\/em>\u00bb. Jesus conta esta par\u00e1bola para mim e para ti, para que sejamos capazes de nos libertar do ego\u00edsmo e da arrog\u00e2ncia que tantas vezes nos habitam e que necessariamente influenciam a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus e com os irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A verdadeira ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 chamada a ser lugar de verdade e de autenticidade. Efetivamente, diante de Deus n\u00e3o pode ser de outra forma, pois estamos diante Daquele que tudo sabe, que conhece bem a nossa vida e que, n\u00e3o obstante tudo isto, nos ama e nos acolhe para nos apontar o caminho da verdadeira felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quer a primeira leitura quer o Evangelho afirmam com toda a clareza que a Deus agrada a ora\u00e7\u00e3o do pobre e do humilde, daquele que se reconhece pecador e n\u00e3o teme apresentar os seus fracassos e fragilidades, para que o bom Deus tomando tudo em Suas m\u00e3os nos possa moldar pela for\u00e7a transformadora da Sua ternura e da Sua miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab<em>Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano<\/em>\u00bb. Estes dois homens dirigem-se para o mesmo lugar e levam consigo o mesmo objetivo: orar. Contudo, como \u00e9 diferente a atitude e a postura de cada um: \u00ab<em>o fariseu, de p\u00e9<\/em>\u00bb e \u00ab<em>o publicano ficou \u00e0 dist\u00e2ncia e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao C\u00e9u; mas batia no peito<\/em>\u00bb. Como \u00e9 diferente o conte\u00fado da ora\u00e7\u00e3o de cada um: o fariseu apresenta os seus cr\u00e9ditos diante de Deus e a fatura de tudo quanto tem feito, por seu lado, o publicano de cora\u00e7\u00e3o arrependido apresenta os seus fracassos e fragilidades e invoca a compaix\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na nossa ora\u00e7\u00e3o, tal como na ora\u00e7\u00e3o do fariseu e do publicano, revela-se a nossa imagem de Deus, de n\u00f3s pr\u00f3prios e dos outros. Por isso, parafraseando um prov\u00e9rbio popular, poder\u00edamos dizer: \u00abdiz-me como rezas e dir-te-ei quem \u00e9s\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A nossa vida orante deve ser o lugar da verdade daquilo que n\u00f3s somos e daquilo que o Senhor nos chama a ser. Diante de Deus, somos todos mendigos e pecadores, mas reconhecemos como afirmava Pascal que \u00ab<em>a grandeza do homem est\u00e1 na consci\u00eancia da pr\u00f3pria mis\u00e9ria<\/em>\u00bb. A nossa fragilidade e pecado n\u00e3o s\u00e3o um obst\u00e1culo \u00e0 nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus, mas o lugar oportuno onde Deus manifesta o Seu amor e a Sua miseric\u00f3rdia e, assim, somos chamados a colocar-nos diante de Deus de m\u00e3os estendidas, ainda que vazias e sujas, para serem preenchidas pela gra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 S\u00f3 as m\u00e3os vazias podem receber, s\u00f3 o cora\u00e7\u00e3o que se libertou do ego\u00edsmo e da arrog\u00e2ncia se pode preencher do amor e da gra\u00e7a e s\u00f3 os bra\u00e7os abertos podem abra\u00e7ar o irm\u00e3o que se cruza connosco na estrada da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Batizados em Cristo, fa\u00e7amos da nossa vida um lugar de intimidade e encontro verdadeiro com Deus para que nos saibamos situar de um modo novo diante dos irm\u00e3os. Assim a nossa ora\u00e7\u00e3o deixar\u00e1 de ser um momento isolado, para se tornar o compasso que marca o ritmo da nossa exist\u00eancia. <strong><em>in Voz Portucalense. <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong><em>\u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>O m\u00eas de outubro \u00e9 um m\u00eas dedicado \u00e0s miss\u00f5es. Deste modo, este m\u00eas constitui-se como uma oportunidade para refletir na dimens\u00e3o mission\u00e1ria da Igreja que faz parte da sua identidade enquanto anunciadora do mist\u00e9rio redentor de Jesus Cristo, o Enviado do Pai. Para este ano o Santo Padre escreveu uma mensagem intitulada \u00ab<em>Mission\u00e1rios de esperan\u00e7a entre os povos<\/em>\u00bb. Cada comunidade crist\u00e3 \u00e9 convidada a encontrar momentos de ora\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e partilha sobre esta dimens\u00e3o t\u00e3o importante da vida crist\u00e3. S\u00e3o v\u00e1rios os subs\u00eddios j\u00e1 publicados, de modo particular, o\u00a0<em>Gui\u00e3o Mission\u00e1rio 2025\/<\/em>2026 das Obras Mission\u00e1rias Pontif\u00edcias (<a href=\"https:\/\/www.opf.pt\/guiao-missionario\/\"><strong>https:\/\/www.opf.pt\/guiao-missionario\/<\/strong><\/a>). Para al\u00e9m das celebra\u00e7\u00f5es e ora\u00e7\u00f5es para os diversos tempos do calend\u00e1rio lit\u00fargico, este ano, tamb\u00e9m conta com diversas reflex\u00f5es entre as quais uma reflex\u00e3o da Palavra de Deus para cada Domingo e Festas do Ano Lit\u00fargico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Continuamos no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C \u2013 onde somos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Ben Sir\u00e1 35,15b-17.20-22a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor \u00e9 um juiz<br \/>\nque n\u00e3o faz ace\u00e7\u00e3o de pessoas.<br \/>\nN\u00e3o favorece ningu\u00e9m em preju\u00edzo do pobre<br \/>\ne atende a prece do oprimido.<br \/>\nN\u00e3o despreza a s\u00faplica do \u00f3rf\u00e3o<br \/>\nnem os gemidos da vi\u00fava.<br \/>\nQuem adora a Deus ser\u00e1 bem acolhido<br \/>\ne a sua prece sobe at\u00e9 \u00e0s nuvens.<br \/>\nA ora\u00e7\u00e3o do humilde atravessa as nuvens<br \/>\ne n\u00e3o descansa enquanto n\u00e3o chega ao seu destino.<br \/>\nN\u00e3o desiste, at\u00e9 que o Alt\u00edssimo o atenda,<br \/>\npara estabelecer o direito dos justos e fazer justi\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Livro de Ben Sir\u00e1 (chamado, na sua vers\u00e3o grega, \u201cEclesi\u00e1stico\u201d) \u00e9 um livro de car\u00e1cter sapiencial que, como todos os livros sapienciais, tem por objetivo deixar aos aspirantes a \u201cs\u00e1bios\u201d indica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas sobre a arte de bem viver e de ser feliz. O seu autor ter\u00e1 sido um tal Jesus Ben Sir\u00e1, um \u201cs\u00e1bio\u201d israelita que viveu na primeira metade do s\u00e9c. II a.C. (cf. Sir 51,30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u00e9poca de Jesus Ben Sir\u00e1 \u00e9 uma \u00e9poca conturbada para o Povo de Deus. Quando Alexandre da Maced\u00f3nia morreu, em 323 a.C., o seu imp\u00e9rio foi dividido por duas fam\u00edlias: os Ptolomeus e os Sel\u00eaucidas. Inicialmente, a Palestina ficou nas m\u00e3os dos Ptolomeus; e, nos anos de dom\u00ednio Ptolomeu, o Povo de Deus p\u00f4de, em geral, viver na fidelidade \u00e0 sua f\u00e9 e aos seus valores ancestrais. Em 198 a.C., contudo, depois da batalha de P\u00e2nias, a Palestina passou para o dom\u00ednio dos Sel\u00eaucidas (uma fam\u00edlia descendente de Seleuco Nicanor, general de Alexandre). Os Sel\u00eaucidas, sobretudo com Ant\u00edoco IV Ep\u00edfanes, procuraram impor, por vezes pela for\u00e7a, a cultura hel\u00e9nica. Nesse contexto muitos judeus, seduzidos pelo brilho da cultura grega, abandonavam os valores tradicionais e a f\u00e9 dos pais e assumiam comportamentos mais consent\u00e2neos com a \u201cmodernidade\u201d e com a press\u00e3o exercida pelas autoridades sel\u00eaucidas. A identidade cultural e religiosa do Povo de Deus corria, assim, s\u00e9rios riscos\u2026 Jesus Ben Sir\u00e1, um \u201cs\u00e1bio\u201d judeu apegado \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es dos seus antepassados, entendeu desenvolver uma reflex\u00e3o que ajudasse os seus concidad\u00e3os a manterem-se fi\u00e9is aos valores tradicionais. No livro que escreveu para esse efeito, Jesus Ben Sira apresenta uma s\u00edntese da religi\u00e3o tradicional e da \u201csabedoria\u201d de Israel e procura demonstrar que \u00e9 no respeito pela sua f\u00e9, pelos seus valores, pela sua identidade que os judeus podem descobrir o caminho seguro para serem um povo livre e feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que nos \u00e9 oferecido neste domingo como primeira leitura integra um conjunto de senten\u00e7as do s\u00e1bio Ben Sir\u00e1 sobre a justi\u00e7a de Deus (cf. Sir 35,11-24).<strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Numa sociedade de direito, a justi\u00e7a \u00e9 um princ\u00edpio fundamental que orienta a organiza\u00e7\u00e3o e o funcionamento do sistema legal e social. Ela envolve a aplica\u00e7\u00e3o equitativa de leis, a garantia dos direitos individuais e coletivos, a busca pela igualdade e equidade entre todos os cidad\u00e3os. \u00c9 esta a experi\u00eancia que temos? Na pr\u00e1tica, todos os membros da sociedade \u2013 independentemente do seu estatuto social, da sua forma\u00e7\u00e3o intelectual, do seu poder econ\u00f3mico, da sua ra\u00e7a, ideologia ou religi\u00e3o \u2013 t\u00eam acesso \u00e0 justi\u00e7a e s\u00e3o tratados de forma igual por aqueles que t\u00eam como miss\u00e3o aplicar as leis e fazer justi\u00e7a? Na sociedade israelita do s\u00e9c. II a.C., os pobres queixavam-se frequentemente de discrimina\u00e7\u00e3o na aplica\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, da corrup\u00e7\u00e3o dos ju\u00edzes, do desprezo pelos direitos dos que n\u00e3o tinham poder social. E Deus? Como \u00e9 que Deus exerce a justi\u00e7a? Tamb\u00e9m se deixar\u00e1 corromper? Tamb\u00e9m negligenciar\u00e1 os direitos dos mais pobres e fr\u00e1geis? Deixar-se-\u00e1 \u201ccomprar\u201d pelos ricos que pagam um culto esplendoroso e caro? Jesus ben Sira, um s\u00e1bio do s\u00e9c. II a.C., diz: \u201cN\u00e3o. Deus exerce a sua justi\u00e7a sem fazer ace\u00e7\u00e3o de pessoas. No exerc\u00edcio da sua justi\u00e7a, Ele n\u00e3o discrimina o pobre em benef\u00edcio do rico. Pelo contr\u00e1rio, Deus tem sempre diante de si o sofrimento dos mais fr\u00e1geis, daqueles que muitas vezes n\u00e3o encontram justi\u00e7a nos tribunais humanos. Deus faz-lhes justi\u00e7a, sem qualquer d\u00favida\u201d. Aqueles que no nosso mundo por vezes \u201ctorcem\u201d a justi\u00e7a para defender os seus pr\u00f3prios interesses, est\u00e3o conscientes da \u201cposi\u00e7\u00e3o\u201d de Deus? A atitude de Deus n\u00e3o nos responsabilizar\u00e1 na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade onde os pobres que gritam por justi\u00e7a n\u00e3o sejam ignorados nem discriminados? Esfor\u00e7amo-nos por construir uma sociedade justa, onde todos \u2013 especialmente os pobres, os que n\u00e3o t\u00eam voz nem vez \u2013 vejam os seus direitos respeitados e protegidos?<\/li>\n<li>Embora isso n\u00e3o seja claramente afirmado neste texto, \u00e9 doutrina corrente na B\u00edblia que Deus tem um fraco pelos mais desprezados e humildes, por aqueles que n\u00e3o s\u00e3o admitidos \u00e0 mesa dos poderosos, por aqueles que s\u00e3o deixados abandonados nas periferias da vida e da hist\u00f3ria. Mais do que \u201cdiscrimina\u00e7\u00e3o positiva\u201d, a atitude de Deus \u00e9 a atitude de amor de um pai ou de uma m\u00e3e que tem um cuidado especial pelos seus filhos mais necessitados de cuidado. A especial ternura que Deus sente pelos seus filhos mais fr\u00e1geis insere-se na defini\u00e7\u00e3o daquilo a que chamamos \u201ca justi\u00e7a de Deus\u201d. Ora, n\u00f3s somos chamados a dar testemunho do amor de Deus no meio dos nossos irm\u00e3os. Aqueles que s\u00e3o marginalizados e abandonados, aqueles que ningu\u00e9m quer, aqueles que a sociedade ignora e despreza, aqueles que n\u00e3o t\u00eam direitos ou, tendo-os, nem sabem reivindic\u00e1-los, encontram, atrav\u00e9s da nossa solidariedade, do nosso cuidado, da nossa solicitude, o rosto misericordioso e bondoso do Deus que os ama infinitamente?<\/li>\n<li>Jesus Ben Sira garante-nos que \u201ca ora\u00e7\u00e3o do humilde atravessa as nuvens\u201d e chega a Deus. Porqu\u00ea? Porque Deus est\u00e1 especialmente atento ao pobre, ao desvalido, aos que o mundo despreza? Sem d\u00favida. Deus est\u00e1 sempre atento \u00e0s s\u00faplicas dos seus filhos mais fr\u00e1geis. Mas \u00e9 prov\u00e1vel que Ben Sira esteja a insinuar outra coisa: que a ora\u00e7\u00e3o do humilde \u201ctoca\u201d o cora\u00e7\u00e3o de Deus e agrada a Deus; e que a ora\u00e7\u00e3o do rico n\u00e3o \u201ctoca\u201d o cora\u00e7\u00e3o de Deus e n\u00e3o agrada a Deus. Expliquemos isto\u2026 O pobre apresenta-se diante de Deus com humildade e simplicidade e coloca-se confiante nas m\u00e3os de Deus; sente-se pequeno, fr\u00e1gil indigno, e v\u00ea em Deus aquele que o pode salvar; com gratid\u00e3o, entrega toda a sua vida nas m\u00e3os de Deus e confia no Seu amor; a sua atitude e a sua ora\u00e7\u00e3o agradam a Deus. O rico, pelo contr\u00e1rio, apresenta-se diante de Deus seguro da sua import\u00e2ncia, do seu estatuto, do seu poder; petulante e autossuficiente, sente-se mais como um \u201cparceiro\u201d de Deus, do que um \u201cfilho\u201d que tudo deve ao amor de Deus; a sua atitude e a sua ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o agradam a Deus. E n\u00f3s, como \u00e9 que nos apresentamos diante de Deus? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 33 (34)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: O pobre clamou e o Senhor ouviu a sua voz.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: O Senhor ouviu o clamor do pobre.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A toda a hora bendirei o Senhor,<br \/>\no seu louvor estar\u00e1 sempre na minha boca.<br \/>\nA minha alma gloria-se no Senhor:<br \/>\nescutem e alegrem-se os humildes.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A face do Senhor volta-se contra os que fazem o mal,<br \/>\npara apagar da terra a sua mem\u00f3ria.<br \/>\nOs justos clamaram e o Senhor os ouviu,<br \/>\nlivrou-os de todas as ang\u00fastias.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor est\u00e1 perto dos que t\u00eam o cora\u00e7\u00e3o atribulado<br \/>\ne salva os de \u00e2nimo abatido.<br \/>\nO Senhor defende a vida dos seus servos,<br \/>\nn\u00e3o ser\u00e3o castigados os que n\u2019Ele confiam.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>2 Tim\u00f3teo 4,6-8.16-18<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Car\u00edssimo:<br \/>\nEu j\u00e1 estou oferecido em liba\u00e7\u00e3o<br \/>\ne o tempo da minha partida est\u00e1 iminente.<br \/>\nCombati o bom combate,<br \/>\nterminei a minha carreira,<br \/>\nguardei a f\u00e9.<br \/>\nE agora j\u00e1 me est\u00e1 preparada a coroa da justi\u00e7a,<br \/>\nque o Senhor, justo juiz, me h\u00e1 de dar naquele dia;<br \/>\ne n\u00e3o s\u00f3 a mim, mas a todos aqueles<br \/>\nque tiverem esperado com amor a sua vinda.<br \/>\nNa minha primeira defesa, ningu\u00e9m esteve a meu lado:<br \/>\ntodos me abandonaram.<br \/>\nQueira Deus que esta falta n\u00e3o lhes seja imputada.<br \/>\nO Senhor esteve a meu lado e deu-me for\u00e7a,<br \/>\npara que, por meu interm\u00e9dio,<br \/>\na mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada<br \/>\ne todas as na\u00e7\u00f5es a ouvissem;<br \/>\ne eu fui libertado da boca do le\u00e3o.<br \/>\nO Senhor me livrar\u00e1 de todo o mal<br \/>\ne me dar\u00e1 a salva\u00e7\u00e3o no seu reino celeste.<br \/>\nGl\u00f3ria a Ele pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos. Amen.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tim\u00f3teo era natural de Listra, uma cidade da regi\u00e3o da Lica\u00f3nia, na \u00c1sia Menor (atual Turquia). O pai de Tim\u00f3teo era grego e a m\u00e3e, de nome Eunice, era judeo-crist\u00e3. A av\u00f3 de Tim\u00f3teo, chamada Loide, tamb\u00e9m teve influ\u00eancia na sua educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 (cf. At 16,1-3; 2 Tm 1,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Foi ao passar por Listra durante a sua segunda viagem mission\u00e1ria (anos 50-52) que o ap\u00f3stolo Paulo encontrou Tim\u00f3teo. Mandou-o circuncidar \u201cpor causa dos judeus existentes naquela regi\u00e3o\u201d, e levou-o consigo para o servi\u00e7o do Evangelho. Pouco depois Tim\u00f3teo aparecer\u00e1 junto de Paulo na Bereia, em Atenas (cf. At 17,14-15), em Corinto (cf. At 18,5) e em \u00c9feso (cf. At 19,22). Paulo confiava totalmente em Tim\u00f3teo e encarregou-o de miss\u00f5es delicadas junto de comunidades crist\u00e3s que se defrontavam com problemas (cf. 1 Ts 3,2.6; 1 Cor 4,17; 16,10-11). Na sua primeira Carta aos Tessalonicenses, Paulo referir-se-\u00e1 a Tim\u00f3teo como \u201cnosso irm\u00e3o e colaborador de Deus no Evangelho de Cristo\u201d (1 Ts 3,2). A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 apresenta Tim\u00f3teo como o primeiro bispo de \u00c9feso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Embora encontremos na segunda Carta a Tim\u00f3teo bastantes pormenores pessoais sobre Paulo, a maior parte dos estudiosos duvida que ela tenha origem no ap\u00f3stolo. Antes de mais, porque a linguagem e a teologia parecem significativamente distantes de outras cartas reconhecidamente paulinas. Mas, mais do que isso, a carta refere-se a um modelo de organiza\u00e7\u00e3o eclesial que parece claramente posterior \u00e0 \u00e9poca de Paulo (Paulo teria sido martirizado em Roma por volta do ano 66\/67, durante a persegui\u00e7\u00e3o de Nero). A grande preocupa\u00e7\u00e3o que transparece nas duas Cartas a Tim\u00f3teo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a difus\u00e3o do Evangelho (que era a problem\u00e1tica que estava em cima da mesa na \u00e9poca paulina), mas sim a organiza\u00e7\u00e3o e a conserva\u00e7\u00e3o do \u201cdep\u00f3sito da f\u00e9\u201d. A tem\u00e1tica tratada nas cartas a Tim\u00f3teo incide fundamentalmente sobre a organiza\u00e7\u00e3o da comunidade, a necessidade de combater as heresias nascentes, o incremento da vida crist\u00e3 dos fi\u00e9is. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Paulo de Tarso marcou de forma decisiva a hist\u00f3ria do cristianismo pela sua vis\u00e3o larga do projeto de Deus e pela forma como abriu ao Evangelho as portas do mundo greco-romano. Mas, para al\u00e9m disso, deixou aos crist\u00e3os de todas as \u00e9pocas um impressionante testemunho pessoal de compromisso total com Jesus e com o Evangelho. O seu encontro com Jesus no caminho de Damasco marcou a sua vida de uma forma t\u00e3o decisiva que ele dizia: \u201cj\u00e1 n\u00e3o sou eu que vivo, mas \u00e9 Cristo que vive em mim\u201d (Gl 2,20). Passou a viver para Cristo, apenas para Cristo. A sua paix\u00e3o por Cristo levou-o a dar testemunho do Evangelho em todo o mundo antigo, sem vacilar perante as dificuldades, os perigos, o cansa\u00e7o, a contesta\u00e7\u00e3o, a tortura, a pris\u00e3o e at\u00e9 mesmo a morte. N\u00f3s, crist\u00e3os, encontramo-nos frequentemente com Jesus no caminho da nossa vida: escutamos a sua Palavra, conversamos com Ele, sentamo-nos com Ele \u00e0 mesa e comemos do P\u00e3o que Ele oferece, dizemos que somos seus disc\u00edpulos e que estamos em comunh\u00e3o com Ele\u2026 O nosso compromisso com Cristo \u00e9 t\u00e3o profundo e t\u00e3o decisivo como o de Paulo? Cristo \u00e9 para n\u00f3s \u2013 como foi para Paulo \u2013 a refer\u00eancia decisiva \u00e0 volta da qual se constr\u00f3i a nossa exist\u00eancia?<\/li>\n<li>Paulo experimentou, no seu caminho de testemunho mission\u00e1rio, o abandono, a solid\u00e3o, a trai\u00e7\u00e3o, a incompreens\u00e3o de muita gente, inclusive de alguns irm\u00e3os na f\u00e9. Por outro lado, sentiu sempre que o Senhor estava com ele, o animava e lhe dava for\u00e7as para que \u201ca mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todos os pag\u00e3os a ouvissem\u201d. A experi\u00eancia de Paulo \u00e9, afinal, a experi\u00eancia de todos os \u201cprofetas\u201d que Deus envia ao mundo para serem arautos da sua salva\u00e7\u00e3o no meio dos homens: de um lado est\u00e1 o \u00f3dio do mundo, que desgasta e traz des\u00e2nimo; do outro est\u00e1 a solicitude de Deus que conforta, sustenta, defende, anima e renova as for\u00e7as dos seus enviados. \u00c9 esta tamb\u00e9m a nossa experi\u00eancia? A certeza da presen\u00e7a de Deus ao nosso lado d\u00e1-nos a for\u00e7a necess\u00e1ria para cumprirmos fielmente a miss\u00e3o que nos foi confiada?<\/li>\n<li>Quase a chegar ao fim da sua vida, Paulo avalia desta forma a maneira como viveu: \u201ccombati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a f\u00e9\u201d. Pelo que sabemos da vida de Paulo, esta avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 honesta e verdadeira. \u00c9 muito bom chegar ao fim da vida e concluir que a vida valeu a pena e que se deixou uma marca positiva no mundo e na vida dos outros homens e mulheres. Se tiv\u00e9ssemos, neste preciso instante, de avaliar o sentido da nossa vida, o que dir\u00edamos? A nossa vida tem feito sentido? H\u00e1 alguma coisa que possamos mudar ou acrescentar para sentirmos que a nossa vida est\u00e1 a valer a pena? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Lucas 18,9-14<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus disse a seguinte par\u00e1bola<br \/>\npara alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros:<br \/>\n\u00abDois homens subiram ao templo para orar;<br \/>\num era fariseu e o outro publicano.<br \/>\nO fariseu, de p\u00e9, orava assim:<br \/>\n\u2018Meu Deus, dou-Vos gra\u00e7as<br \/>\npor n\u00e3o ser como os outros homens,<br \/>\nque s\u00e3o ladr\u00f5es, injustos e ad\u00falteros,<br \/>\nnem como este publicano.<br \/>\nJejuo duas vezes por semana<br \/>\ne pago o d\u00edzimo de todos os meus rendimentos\u2019.<br \/>\nO publicano ficou a dist\u00e2ncia<br \/>\ne nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao C\u00e9u;<br \/>\nMas batia no peito e dizia:<br \/>\n\u2018Meu Deus, tende compaix\u00e3o de mim,<br \/>\nque sou pecador\u2019.<br \/>\nEu vos digo que este desceu justificado para sua casa<br \/>\ne o outro n\u00e3o.<br \/>\nPorque todo aquele que se exalta ser\u00e1 humilhado<br \/>\ne quem se humilha ser\u00e1 exaltado\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus e os seus disc\u00edpulos est\u00e3o a caminho de Jerusal\u00e9m. Aproxima-se a hora em que Jesus, rejeitado e condenado pelas autoridades judaicas, vai ser crucificado. Depois, os disc\u00edpulos ficar\u00e3o s\u00f3s no mundo e ter\u00e3o como miss\u00e3o dar testemunho do Reino de Deus. Jesus aproveita o caminho para preparar os disc\u00edpulos para a miss\u00e3o que os espera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A certa altura, Jesus quis propor aos disc\u00edpulos uma li\u00e7\u00e3o sobre orgulho e arrog\u00e2ncia. Nesse sentido, contou-lhes uma par\u00e1bola onde entram um fariseu e um publicano. No dizer de Lucas, a par\u00e1bola tem como alvos aqueles \u201cque se consideravam justos e desprezavam os outros\u201d (vers. 9). Esta par\u00e1bola s\u00f3 aparece no Evangelho de Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os \u201cfariseus\u201d eram um grupo leigo (em oposi\u00e7\u00e3o aos saduceus, o partido sacerdotal), com bastante influ\u00eancia entre o povo. O historiador Fl\u00e1vio Josefo diz que, no tempo de Herodes, os fariseus eram cerca de 6.000. Descendentes daqueles \u201cpiedosos\u201d (\u201chassidim\u201d) que apoiaram o heroico Matatias na luta contra Ant\u00edoco IV Ep\u00edfanes e a heleniza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada (cf. 1 Mac 2,42), os fariseus eram os defensores intransigentes da Lei, quer a Lei escrita, quer a Lei oral (a Lei oral constava de uma cole\u00e7\u00e3o de leis n\u00e3o escritas, mas que os mestres da escola farisaica tinham deduzido a partir da \u201cTora\u201d escrita). Mantinham uma estreita liga\u00e7\u00e3o com os \u201cescribas\u201d, os mestres e int\u00e9rpretes da Lei. Esfor\u00e7avam-se por cumprir escrupulosamente a Lei e procuravam ensin\u00e1-la ao Povo. Acreditavam que, quando todos cumprissem a Lei, o Messias chegaria para trazer a liberta\u00e7\u00e3o a Israel. Convencidos da sua superioridade religiosa e moral, tratavam com desprezo o \u201cpovo da terra\u201d (\u201cam ha-aretz\u201d), os ignorantes que n\u00e3o conheciam a Lei nem se importavam com o cumprimento dos preceitos que a Lei impunha. A sua insist\u00eancia no cumprimento integral da Lei contribu\u00eda para criar no povo simples uma sensa\u00e7\u00e3o latente de pecado e de indignidade que oprimia as consci\u00eancias e fazia o crente sentir-se longe de Deus. Estavam genuinamente interessados na santifica\u00e7\u00e3o do Povo de Deus; mas, absolutizando a Lei, acabavam por colocar em segundo plano o amor e a miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os \u201cpublicanos\u201d (\u201cpublicanus\u201d) eram agentes comerciais privados que executavam a recolha dos impostos. Considerados servidores do governo imperial romano, eram desprezados pelos seus concidad\u00e3os. O publicano recebia do governo, por uma soma fixa anual (determinada a partir de uma estimativa das rendas), o direito de recolher os impostos. A soma fixada e que o publicano devia entregar era inferior \u00e0 entrada prevista. O publicano retinha para si um eventual excedente. Este sistema favorecia os abusos destes funcion\u00e1rios, que procuravam faturar o mais poss\u00edvel a fim de garantir ganhos convenientes para eles pr\u00f3prios. Por isso, eram vistos pelo povo como ladr\u00f5es e exploradores dos seus concidad\u00e3os. De acordo com a Mishna, estavam afetados permanentemente de impureza e n\u00e3o podiam sequer fazer penit\u00eancia, pois eram incapazes de conhecer todos aqueles a quem tinham defraudado e a quem deviam uma repara\u00e7\u00e3o. Se um publicano, antes de aceitar o cargo, fazia parte de uma comunidade farisaica, era imediatamente expulso dela e n\u00e3o podia ser reabilitado, a n\u00e3o ser depois de abandonar esse cargo. Quem exercia tal of\u00edcio, estava privado de certos direitos c\u00edvicos, pol\u00edticos e religiosos; por exemplo, n\u00e3o podia ser juiz nem prestar testemunho em tribunal, sendo equiparado ao escravo <strong><em>In Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A par\u00e1bola do fariseu e do publicano n\u00e3o \u00e9 sobre viver bem ou viver mal, realizar boas obras ou realizar m\u00e1s obras, ter comportamentos corretos ou ter comportamentos incorretos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Lei religiosa ou civil; mas \u00e9 sobre a atitude do homem \u2013 de qualquer homem, independentemente das suas a\u00e7\u00f5es \u2013 face a Deus. Um dos protagonistas \u2013 aquele que pertence ao partido dos fariseus \u2013 apresenta-se diante de Deus cheio de si pr\u00f3prio, seguro dos seus m\u00e9ritos, plenamente satisfeito com aquilo que \u00e9. A sua atitude diante de Deus \u00e9 de orgulho e de autossufici\u00eancia: ele n\u00e3o precisa dos favores de Deus, pois tem feito tudo aquilo que lhe compete fazer e ainda mais&#8230; O outro \u2013 o cobrador de impostos \u2013 sente-se indigno e pecador, pois sabe que a sua vida est\u00e1 marcada pela gan\u00e2ncia e pelas in\u00fameras injusti\u00e7as que cometeu contra os seus irm\u00e3os. Est\u00e1 consciente de que s\u00f3 a miseric\u00f3rdia de Deus o poder\u00e1 resgatar de uma vida suja e maldita. Reconhece a sua fraqueza e coloca-se humildemente nas m\u00e3os de Deus. Jesus, ao contar esta par\u00e1bola, deixa claro qual \u00e9 a atitude que o verdadeiro crente deve assumir diante de Deus. Independentemente das nossas boas ou m\u00e1s a\u00e7\u00f5es, com qual destes homens nos identificamos? Quando nos apresentamos diante de Deus e Lhe falamos da nossa vida, o que Lhe dizemos? Sentimos que a balan\u00e7a que cont\u00e9m os nossos m\u00e9ritos e os nossos d\u00e9bitos est\u00e1 claramente inclinada a nosso favor? Ousamos lembrar a Deus o nosso \u201ccomportamento exemplar\u201d (que nem sempre \u00e9 assim t\u00e3o exemplar) e ficamos \u00e0 espera que Ele nos pague convenientemente?<\/li>\n<li>A par\u00e1bola do fariseu e do publicano serve tamb\u00e9m para nos questionarmos sobre a imagem que temos de Deus. Garante-nos que Deus n\u00e3o \u00e9 a um contabilista eficiente e rigoroso, com o cora\u00e7\u00e3o cheio de n\u00fameros exatos, empenhado em elaborar uma tabela minuciosa do \u201cdeve\u201d e do \u201chaver\u201d de cada um dos seus filhos para lhes atribuir os castigos e as recompensas a que t\u00eam direito; mas \u00e9 um pai cheio de bondade e de miseric\u00f3rdia, sempre disposto a derramar sobre os seus queridos filhos, como puro dom, um veredito de amor, de salva\u00e7\u00e3o e de gra\u00e7a. A \u00fanica condi\u00e7\u00e3o que Deus p\u00f5e para que sejamos \u201cjustificados\u201d (como aquele publicano que foi rezar ao templo de Jerusal\u00e9m) \u00e9 que nos entreguemos humildemente nas suas m\u00e3os e que aceitemos a oferta de salva\u00e7\u00e3o que Ele faz. O Deus que nos habita \u00e9 esse Pai cheio de bondade e de amor que quer salvar-nos sempre, mesmo quando o n\u00e3o merecemos? \u00c9 esse o Deus que testemunhamos no meio dos nossos irm\u00e3os?<\/li>\n<li>A certeza de possuir qualidades e m\u00e9ritos em abund\u00e2ncia pode conduzir ao orgulho. Do orgulho nasce a arrog\u00e2ncia e o desprezo por aqueles que n\u00e3o s\u00e3o como n\u00f3s. Ora, isto \u00e9 perigoso. Entrincheirados atr\u00e1s da nossa import\u00e2ncia e da nossa pretensa autoridade moral, julgamo-nos melhores do que os outros; e sentimo-nos no direito de avaliar, de criticar, de julgar e de condenar aqueles que nos rodeiam. O passo seguinte \u00e9 erguermos muros de separa\u00e7\u00e3o: do nosso lado colocamos os \u201cbons\u201d (aqueles com os quais nos identificamos, os que t\u00eam uma vis\u00e3o do mundo e da vida semelhante \u00e0 nossa) e no lado oposto colocamos os \u201cpecadores\u201d (aqueles com os quais n\u00e3o nos identificamos, os que t\u00eam vis\u00f5es \u201cdiferentes\u201d, os que t\u00eam comportamentos que reprovamos). Onde \u00e9 que isto nos conduz? N\u00e3o servir\u00e1 para criar exclus\u00e3o e marginaliza\u00e7\u00e3o? Ajudar\u00e1 a potenciar a fraternidade, a inclus\u00e3o, a comunh\u00e3o? Temos o direito de nos considerarmos melhores do que um agn\u00f3stico, ou do que um ateu? Poderemos continuar, de forma ligeira, a alimentar a nossa ilus\u00e3o de inoc\u00eancia, a condenar os outros \u00e0 luz dos nossos crit\u00e9rios, e a esquecer a compaix\u00e3o de Deus por todos os seus filhos?<\/li>\n<li>O fariseu da par\u00e1bola foi conversar com Deus, mas n\u00e3o estava convencido de precisar de Deus. Ele n\u00e3o foi ao encontro de Deus para receber e abra\u00e7ar os dons de Deus, mas para se gabar das suas brilhantes escolhas e concretiza\u00e7\u00f5es. N\u00e3o precisava da salva\u00e7\u00e3o que Deus oferecia, porque ele tinha conquistado essa salva\u00e7\u00e3o \u00e0 for\u00e7a do seu bom comportamento. A doen\u00e7a da autossufici\u00eancia \u2013 que era a doen\u00e7a da qual este fariseu padecia \u2013 \u00e9 uma doen\u00e7a que ainda hoje deixa muitas feridas nos homens. Nos \u00faltimos s\u00e9culos os homens desenvolveram, a par de uma consci\u00eancia muito profunda da sua dignidade, uma consci\u00eancia muito viva das suas capacidades e possibilidades. Isto, em sim, nada tem de mal; mas, no limite, conduziu \u00e0 presun\u00e7\u00e3o da autossufici\u00eancia do homem, da sua autonomia total em rela\u00e7\u00e3o a Deus. Os desenvolvimentos da tecnologia, da medicina, da qu\u00edmica, dos sistemas pol\u00edticos e ideol\u00f3gicos, convenceram o homem de que podia prescindir de Deus pois, por si s\u00f3, podia ser feliz. Onde nos tem conduzido esta presun\u00e7\u00e3o? Podemos chegar \u00e0 salva\u00e7\u00e3o, \u00e0 felicidade plena, apenas pelos nossos pr\u00f3prios meios? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 constitu\u00edda por um conjunto de senten\u00e7as sapienciais e, por isso, a sua proclama\u00e7\u00e3o deve ser preparada de modo que as diversas frases, respeitando as pausas e respira\u00e7\u00f5es, n\u00e3o apare\u00e7am como afirma\u00e7\u00f5es isoladas, mas encadeadas e articuladas entre si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na <strong>segunda leitura<\/strong>, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o as frases mais longas e sobretudo aquelas divididas com o sinal de pontua\u00e7\u00e3o ponto e v\u00edrgula, para que se possam fazer as pausas adequadas e a proclama\u00e7\u00e3o expresse toda a for\u00e7a do texto que S. Paulo apresenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Leitura-I-do-Domingo-XXX-do-Tempo-Comum-Ano-C-26.10.2025-Ben-Sira-35-15b-17.20-22a.pdf\">Leitura I do Domingo XXX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 26.10.2025 (Ben-Sir\u00e1 35, 15b-17.20-22a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Leitura-II-do-Domingo-XXX-do-Tempo-Comum-Ano-C-26.10.2025-2-Timoteo-4-6-8.16-18.pdf\">Leitura II do Domingo XXX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 26.10.2025 (2 Tim\u00f3teo 4, 6-8.16-18)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Domingo-XXX-do-Tempo-Comum-Ano-C-26.10.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XXX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 26.10.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Domingo-XXX-do-Tempo-Comum-Ano-C-26.10.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 26.10.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Domingo-XXX-do-Tempo-Comum-Ano-C-26.10.2025-refletindo.pdf\">Domingo XXX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 26.10.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-XXX-do-Tempo-Comum-Ano-C-26.10.2025.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo XXX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 26.10.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXIX do Tempo Comum-Ano C \u2013 19 outubro 2025&#8243; tab_id=&#8221;1761562624521-880c0ad5-d9f3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XXIX do Tempo Comum-Ano C \u2013 19 outubro 2025<\/span><\/h4>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-12653 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Domingo-XXIX.jpg\" alt=\"\" width=\"486\" height=\"486\" \/><\/p>\n<p><em><sup>6<\/sup><\/em><em>E o Senhor continuou: \u00abReparai no que diz este juiz in\u00edquo.\u00a0<sup>7<\/sup>E Deus n\u00e3o far\u00e1 justi\u00e7a aos seus eleitos, que a Ele clamam dia e noite, e h\u00e1-de faz\u00ea-los esperar?\u00a0<sup>8<\/sup><\/em><em><sup>*<\/sup><\/em><em>Eu vos digo que lhes vai fazer justi\u00e7a prontamente. Mas, quando o Filho do Homem voltar, encontrar\u00e1 a f\u00e9 sobre a terra?\u00bb Lucas 18, 6-8<\/em><\/p>\n<h1><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde pequeno, que sempre me fascinou a imagem que a primeira leitura coloca \u00e0 nossa reflex\u00e3o. Recordo os desenhos animados de Domingo que contavam \u201c<em>As mais belas hist\u00f3rias da B\u00edblia<\/em>\u201d e que num dos seus programas falava sobre esta batalha do Povo de Israel contra Amelec e como me impressionava ver que n\u00e3o eram apenas as for\u00e7as do Povo de Israel que lhes trazia a vit\u00f3ria, mas a ora\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s, auxiliado por Aar\u00e3o e Hur, sobre o monte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A beleza deste quadro b\u00edblico que evoca a minha inf\u00e2ncia revelou-me sempre a certeza de que Deus luta connosco nas batalhas de cada dia e nos auxilia nos desafios e aventuras que a vida nos oferece. \u00c9 verdade, que muitas vezes as batalhas a travar s\u00e3o dif\u00edceis e que os nossos bra\u00e7os come\u00e7am a vacilar, os nossos p\u00e9s tornam-se titubeantes\u2026 Mas n\u00e3o caminhamos sozinhos! Quantas vezes como Mois\u00e9s, na estrada da vida, encontramos m\u00e3os prontas e dispon\u00edveis como Aar\u00e3o e Hur para nos ajudar a orar sem desfalecer, a manter as m\u00e3os erguidas para o alto e a reconhecer que \u201cEle est\u00e1 connosco\u201d e \u00e9 a fonte da nossa for\u00e7a e coragem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o salmista somos convidados a cantar: \u00ab<em>o nosso aux\u00edlio vem do Senhor que fez o C\u00e9u e a Terra<\/em>\u00bb. Como \u00e9 belo conceber a aventura da vida de p\u00e9s bem assentes na terra, para nos fazermos aos caminhos da miss\u00e3o, mas simultaneamente de olhos postos no C\u00e9u recordando a meta da nossa vida. Assim, de bra\u00e7os levantados em ora\u00e7\u00e3o podemos recordar sempre que \u00ab<em>o Senhor \u00e9 quem te guarda, o Senhor est\u00e1 a teu lado, Ele \u00e9 o teu abrigo<\/em>\u00bb. Temos como aux\u00edlio o Deus de Israel, o Deus das vit\u00f3rias, o Pai do Senhor Jesus Cristo e, por isso, caminhamos confortados e animados por esta for\u00e7a que fortalece os nossos passos vacilantes. N\u00e3o h\u00e1 nada a temer porque o Senhor \u00e9 o meu aux\u00edlio e a minha confian\u00e7a<em>.<\/em>\u00a0Aquele que me d\u00e1 for\u00e7a e caminha comigo nos trilhos da vida e da hist\u00f3ria \u00e9 o Senhor que fez o C\u00e9u e a Terra. \u00c9 este Deus grande e forte para quem os imposs\u00edveis se tornam poss\u00edveis pela certeza do Seu infinito amor e da sua incomensur\u00e1vel miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, ent\u00e3o, o que devo fazer, consciente de que o amor de Deus me envolve e protege? Devo rezar sempre, sem desfalecer nem desanimar! Permanecer de bra\u00e7os levantados invocando o aux\u00edlio do Senhor, mesmo quando tudo parece perdido, pois para Jesus n\u00e3o h\u00e1 caminhos sem sa\u00edda. Devo estar atento a quantos parecem desanimar na estrada da vida e ser como Aar\u00e3o ou Hur uma m\u00e3o que ampara os seus bra\u00e7os e os ajuda a rezar. Devo rezar por aqueles que n\u00e3o sabem rezar, por aqueles que perderam a vontade de o fazer, por aqueles que mais precisam da minha ora\u00e7\u00e3o. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais antiga e universal rede social, pois nos coloca em uni\u00e3o e liga\u00e7\u00e3o, uns com os outros e todos unidos com Jesus. Unidos uns com os outros e todos juntos ao Deus e Senhor das nossas vidas que nos aponta o caminho da eternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Iluminados pela Palavra de Deus que como afirma S. Paulo \u00ab<em>\u00e9 \u00fatil para ensinar, persuadir, corrigir e formar segundo a justi\u00e7a<\/em>\u00bb, percorramos os caminhos da nossa exist\u00eancia, guiados pela Palavra da Escritura, alimentados pelo P\u00e3o da Eucaristia e animados pela for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rezemos sempre! Rezemos sem desanimar! De bra\u00e7os levantados, sabemo-nos portadores da mais bela certeza: \u00ab<em>o meu aux\u00edlio vem do Senhor que fez o C\u00e9u e a Terra<\/em>\u00bb. Pequenos, fr\u00e1geis e d\u00e9beis como a vi\u00fava do Evangelho, sabemos que s\u00f3 em Deus podemos encontrar abrigo e, por isso, lhe batemos \u00e0 porta insistentemente, porque a porta que Deus nos abre nos aponta o caminho da Ressurrei\u00e7\u00e3o e da Vida, o caminho do Amor e da Miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o obstante tudo isto, \u00ab<em>quando voltar o Filho do homem, encontrar\u00e1 f\u00e9 sobre a terra?<\/em>\u00bb. <strong><em>in Voz Portucalense. <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Continuamos no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C \u2013 onde somos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>\u00caxodo 17,8-13a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nAmalec veio a Refidim atacar Israel.<br \/>\nMois\u00e9s disse a Josu\u00e9:<br \/>\n\u00abEscolhe alguns homens<br \/>\ne amanh\u00e3 sai a combater Amalec.<br \/>\nEu irei colocar-me no cimo da colina,<br \/>\ncom a vara de Deus na m\u00e3o\u00bb.<br \/>\nJosu\u00e9 fez o que Mois\u00e9s lhe ordenara e atacou Amalec,<br \/>\nenquanto Mois\u00e9s, Aar\u00e3o e Hur subiram ao cimo da colina.<br \/>\nQuando Mois\u00e9s tinha as m\u00e3os levantadas,<br \/>\nIsrael ganhava vantagem;<br \/>\nmas quando as deixava cair, tinha vantagem Amalec.<br \/>\nComo as m\u00e3os de Mois\u00e9s se iam tornando pesadas,<br \/>\ntrouxeram uma pedra e colocaram-no por debaixo<br \/>\npara que ele se sentasse,<br \/>\nenquanto Aar\u00e3o e Hur, um de cada lado,<br \/>\nlhe seguravam as m\u00e3os.<br \/>\nAssim se mantiveram firmes as suas m\u00e3os at\u00e9 ao p\u00f4r do sol<br \/>\ne Josu\u00e9 desbaratou Amalec e o seu povo ao fio da espada.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sec\u00e7\u00e3o de Ex 15,22-18,27 desenvolve um dos grandes temas do Pentateuco: a marcha pelo deserto dos hebreus libertados da escravid\u00e3o no Egito. Aqui estamos, ainda, na primeira etapa dessa marcha, a que vai desde a passagem do mar (cf. Ex 14,15-31), at\u00e9 ao Sinai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo da caminhada, Israel confrontou-se com as mais diversas contrariedades. Algumas \u2013 por exemplo, a sede (cf. Ex 15,22-27; 17,1-7) e a fome (cf. Ex 16,1-36) \u2013 resultaram das condi\u00e7\u00f5es naturais que o ambiente desolado e hostil do deserto impunha; mas outras advieram de fatores humanos, nomeadamente da oposi\u00e7\u00e3o de grupos inimigos. O epis\u00f3dio que a primeira leitura deste domingo nos apresenta refere-se a um confronto com um grupo inimigo designado no texto por \u201cAmalek\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os amalecitas eram uma tribo n\u00f3mada, violenta e agressiva, que circulava pela zona do Neguev (\u201csul\u201d), entre o Sinai e Canaan. O or\u00e1culo de Bala\u00e3o (cf. Nm 24,20) refere-se aos amalecitas como \u201co mais antigo dos povos\u201d. Descendentes de Esa\u00fa (cf. Gn 36,12), os amalecitas eram aparentados com Israel. Provavelmente viram os hebreus que atravessavam o deserto como uma amea\u00e7a e quiseram opor-se \u00e0 sua passagem. Mais tarde aparecer\u00e3o como advers\u00e1rios de Saul (cf. 1 Sm 15) e de David (cf. 1 Sm 30). Ficar\u00e3o na hist\u00f3ria como os inimigos por excel\u00eancia dos israelitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma informa\u00e7\u00e3o suplementar, fornecida por Dt 25,17-19, permite-nos entender este primeiro confronto entre amalecitas e israelitas a que o nosso texto se refere: os amalecitas, emboscados no deserto perto de um lugar chamado Refidim, atacaram o grupo de Mois\u00e9s e mataram alguns dos mais sedentos e extenuados que se arrastavam na retaguarda da caravana. Em resposta, Mois\u00e9s mandou Josu\u00e9 reunir um grupo de guerreiros e dar uma resposta ao brutal ataque dos amalecitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Josu\u00e9, o chefe que Mois\u00e9s p\u00f4s \u00e0 frente do grupo armado de hebreus enviado a combater os amalecitas, \u00e9 aqui nomeado pela primeira vez. Tamb\u00e9m \u00e9 referido com o nome de Oseias (cf. Nm 13,8). A tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica diz que foi Mois\u00e9s que lhe mudou o nome para Josu\u00e9 (cf. Nm 13,16), um nome que significa \u201cJav\u00e9 salva\u201d (a mudan\u00e7a de nome est\u00e1 muitas vezes ligada, no contexto b\u00edblico, \u00e0 escolha de uma pessoa para uma determinada miss\u00e3o). Josu\u00e9 aparecer\u00e1 em diversas situa\u00e7\u00f5es como ajudante de Mois\u00e9s (cf. Ex 24,13; 32,17; Nm 11,28). Foi um dos homens que Mois\u00e9s enviou a Canaan em miss\u00e3o explorat\u00f3ria, antes da penetra\u00e7\u00e3o do povo na terra (cf. Nm 13,1-24.30). Josu\u00e9 receber\u00e1 o encargo de suceder a Mois\u00e9s na condu\u00e7\u00e3o do Povo de Deus (cf. Nm 27,1223) e ser\u00e1 ele que levar\u00e1 o povo a entrar na Terra Prometida (cf. Js 1,1-9). <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Uma leitura superficial do relato que descreve a vit\u00f3ria dos hebreus sobre os amalecitas pode causar-nos alguma perplexidade e alimentar ideias erradas sobre Deus. Deus \u00e9 parcial? Deus toma partido por um determinado lado quando h\u00e1 dois povos desavindos? Deus luta por um povo contra o outro e ajuda um povo a massacrar o outro? \u00c9 claro que n\u00e3o. No entanto h\u00e1 quase tr\u00eas mil anos, de uma forma algo simplista, era dessa forma que os te\u00f3logos de Israel \u201cliam\u201d a hist\u00f3ria do seu povo: \u201csempre que os nossos inimigos quiseram oprimir-nos e esmagar-nos, Deus interveio para nos salvar; Deus n\u00e3o fica de bra\u00e7os cruzados diante do sofrimento que \u00e9 infligido ao Seu povo\u201d. \u00c9 poss\u00edvel que hoje, com uma compreens\u00e3o diferente de Deus (afinal frequentamos a escola de Jesus e temos uma ideia mais definida de Deus e da sua justi\u00e7a), cont\u00e1ssemos a hist\u00f3ria de uma forma diferente. Seja como for, h\u00e1 uma mensagem que \u00e9 incontorn\u00e1vel: o Deus de hoje \u2013 como o Deus de ontem \u2013 n\u00e3o suporta a injusti\u00e7a, a opress\u00e3o e a maldade; Ele nunca fica do lado do opressor e n\u00e3o aceita ser c\u00famplice do injusto e do violento. Mais: Deus est\u00e1 presente e atuante nos gestos e nas palavras de todos aqueles que lutam pela liberta\u00e7\u00e3o dos seus irm\u00e3os e procuram fazer nascer um mundo mais justo e mais livre. Temos consci\u00eancia disso? Somos capazes de reconhecer a presen\u00e7a e a a\u00e7\u00e3o de Deus naqueles que se esfor\u00e7am por construir um mundo mais humano e mais pac\u00edfico?<\/li>\n<li>A atribui\u00e7\u00e3o de toda a responsabilidade a Deus, na vit\u00f3ria de Israel sobre os amalecitas, p\u00f5e em relevo uma realidade que a catequese de Israel n\u00e3o se cansa de sublinhar: n\u00e3o \u00e9 pelo seu poder militar ou pela superior coragem dos seus guerreiros que Israel pode ultrapassar as crises e oposi\u00e7\u00f5es que encontra no seu caminho; quem protege e salva Israel \u00e9 Deus. Tudo aquilo que Israel conseguiu, ao longo do seu caminho hist\u00f3rico, deve-se \u00e0 bondade, ao amor e ao cuidado de Deus. Ao sublinhar esta ideia, a catequese de Israel pretendia evitar qualquer atitude de orgulho e de autossufici\u00eancia e potenciar uma entrega confiada do povo nas m\u00e3os de Deus. Talvez n\u00f3s, homens e mulheres do s\u00e9c. XXI, dev\u00eassemos recuperar esta li\u00e7\u00e3o. As brilhantes conquistas cient\u00edficas e t\u00e9cnicas de que nos orgulhamos, os extraordin\u00e1rios avan\u00e7os civilizacionais que temos conseguido, t\u00eam contribu\u00eddo para nos instalarmos numa certa arrog\u00e2ncia e autoconvencimento. Sentimo-nos invenc\u00edveis e dominadores. N\u00e3o nos faria bem constatarmos os nossos limites e redescobrirmos o amor de Deus, a sua bondade, o seu cuidado, a sua preocupa\u00e7\u00e3o em indicar-nos os caminhos que nos conduzem \u00e0 vida?<\/li>\n<li>Num momento de crise nacional, os te\u00f3logos de Israel p\u00f5em Mois\u00e9s a invocar Deus e a pedir-lhe que ajude o seu povo no combate contra o inimigo. Talvez por detr\u00e1s de tudo isto estejam perspetivas algo primitivas e simplistas sobre o papel de Deus e o sentido da sua interven\u00e7\u00e3o no mundo; mas h\u00e1 tamb\u00e9m uma intui\u00e7\u00e3o que muitos crentes t\u00eam experimentado, nas mais diversas circunst\u00e2ncias: o di\u00e1logo com Deus d\u00e1-lhes a for\u00e7a de que necessitam para superarem as duras batalhas que a vida os obriga a enfrentar. Precisamos da for\u00e7a de Deus para lutar contra aquilo que nos faz mal e nos destr\u00f3i; necessitamos da ajuda de Deus para n\u00e3o baixarmos os bra\u00e7os diante das dificuldades de todos os dias; precisamos da for\u00e7a que s\u00f3 Deus pode dar para derrotarmos o ego\u00edsmo, a inveja, o \u00f3dio, a ambi\u00e7\u00e3o, o orgulho que tomam conta de n\u00f3s e nos levam por caminhos errados\u2026 Quando falamos com Deus, sentimo-nos mais fortes, mais decididos, mais esclarecidos, mais capazes de escolher o bem e a verdade. Quem mant\u00e9m um di\u00e1logo profundo e frequente com Deus, percebe por onde deve ir, descobre como dar sentido \u00e0 sua vida, sente-se com for\u00e7as para caminhar na dire\u00e7\u00e3o certa. Mantemos um di\u00e1logo frequente com Deus? Sentimos que a ora\u00e7\u00e3o nos faz bem e nos ajuda a encontrar caminhos certos, caminhos definitivos? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 120 (121)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: O nosso aux\u00edlio vem do Senhor,<br \/>\nque fez o c\u00e9u e a terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Levanto os meus olhos para os montes:<br \/>\ndonde me vir\u00e1 o aux\u00edlio?<br \/>\nO meu aux\u00edlio vem do Senhor,<br \/>\nque fez o c\u00e9u e a terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o permitir\u00e1 que vacilem os teus passos,<br \/>\nn\u00e3o dormir\u00e1 Aquele que te guarda.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 de dormir nem adormecer<br \/>\naquele que guarda Israel.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor \u00e9 quem te guarda,<br \/>\no Senhor est\u00e1 a teu lado, Ele \u00e9 o teu abrigo.<br \/>\nO sol n\u00e3o te far\u00e1 mal durante o dia,<br \/>\nnem a luz durante a noite.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor te defende de todo o mal,<br \/>\no Senhor vela pela tua vida.<br \/>\nEle te protege quando vais e quando vens,<br \/>\nagora e para sempre.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>2 Tim\u00f3teo 3,14-4,2<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Car\u00edssimo:<br \/>\nPermanece firme no que aprendeste<br \/>\ne aceitaste como certo,<br \/>\nsabendo de quem o aprendeste.<br \/>\nDesde a inf\u00e2ncia conheces as Sagradas Escrituras;<br \/>\nelas podem dar-te a sabedoria que leva \u00e0 salva\u00e7\u00e3o,<br \/>\npela f\u00e9 em Cristo Jesus.<br \/>\nToda a Escritura, inspirada por Deus,<br \/>\n\u00e9 \u00fatil para ensinar, persuadir, corrigir<br \/>\ne formar segundo a justi\u00e7a.<br \/>\nAssim o homem de Deus ser\u00e1 perfeito,<br \/>\nbem preparado para todas as boas obras.<br \/>\nConjuro-te diante de Deus e de Jesus Cristo,<br \/>\nque h\u00e1 de julgar os vivos e os mortos,<br \/>\npela sua manifesta\u00e7\u00e3o e pelo seu reino:<br \/>\nProclama a palavra,<br \/>\ninsiste a prop\u00f3sito e fora de prop\u00f3sito,<br \/>\nargumenta, amea\u00e7a e exorta,<br \/>\ncom toda a paci\u00eancia e doutrina.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem \u00e9 este Tim\u00f3teo, o destinat\u00e1rio deste texto? Trata-se de um crist\u00e3o oriundo da cidade de Listra, nascido de pai grego e de m\u00e3e judeo-crist\u00e3. O ap\u00f3stolo Paulo teria encontrado Tim\u00f3teo quando passou por Listra, no decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria (anos 50-52). Quando Paulo seguiu viagem, Tim\u00f3teo acompanhou-o, aparecendo junto dele na Bereia, em Atenas (cf. At 17,14-15), em Corinto (cf. At 18,5) e em \u00c9feso (cf. At 19,22). Paulo confiava plenamente em Tim\u00f3teo, chegando a encarreg\u00e1-lo de algumas interven\u00e7\u00f5es delicadas junto de comunidades crist\u00e3s que se defrontavam com problemas diversos (cf. 1 Ts 3,2.6; 1 Cor 4,17; 16,10-11). A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 refere Tim\u00f3teo como o primeiro bispo de \u00c9feso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda Carta a Tim\u00f3teo apresenta-se como uma carta escrita por Paulo enquanto est\u00e1 na pris\u00e3o (provavelmente em Roma). Sentindo aproximar-se o tempo da sua partida deste mundo, Paulo teria escrito ao seu disc\u00edpulo e amigo Tim\u00f3teo, exortando-o a manter-se fiel ao dom recebido de Deus e \u00e0 miss\u00e3o que lhe foi confiada. \u00c9 uma carta carregada de sentimento, uma verdadeira carta de despedida. O testemunho de Paulo, que viveu sempre fiel \u00e0 miss\u00e3o que Deus lhe confiou, \u00e9 apresentado como encorajamento para Tim\u00f3teo e para todos os que s\u00e3o chamados a animar e orientar as comunidades crist\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, os especialistas consideram que dificilmente esta carta poder\u00e1 ser atribu\u00edda ao ap\u00f3stolo Paulo. As problem\u00e1ticas tratadas e a estrutura eclesial que \u00e9 suposta na carta s\u00e3o, muito provavelmente, do final do s\u00e9c. I, numa altura em que a comunidade eclesial se debatia com o problema dos falsos mestres que, com doutrinas falsas, lan\u00e7avam a confus\u00e3o entre os crist\u00e3os. Paulo teria sido martirizado em Roma muito antes de tudo isto, por volta do ano 65, na altura da persegui\u00e7\u00e3o ordenada por Nero contra os crist\u00e3os. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>No final do s\u00e9c. I, as comunidades crist\u00e3s deparavam-se, frequentemente, com \u201cmestres\u201d que se diziam crist\u00e3os, mas que ensinavam doutrinas que n\u00e3o coincidiam exatamente com a f\u00e9 recebida da tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica e da Sagrada Escritura. Isto provocava, naturalmente, alarme e confus\u00e3o: por onde passa a verdade da f\u00e9? Que crit\u00e9rios dever\u00e3o ser tidos em conta para n\u00e3o sermos enganados e n\u00e3o nos afastarmos do caminho certo? Hoje, no s\u00e9c. XXI, numa \u00e9poca de relativismo e de opini\u00f5es desencontradas, toda esta problem\u00e1tica acaba por fazer-se bem presente na nossa experi\u00eancia de vida e de f\u00e9: h\u00e1 verdades absolutas e universais, \u00e0s quais n\u00e3o podemos renunciar, ou \u00e9 tudo uma quest\u00e3o de opini\u00e3o e de perspetiva? Os valores e padr\u00f5es morais dependem de contextos particulares contexto e das \u201cvis\u00f5es\u201d de cada cultura, ou s\u00e3o exig\u00eancias inelud\u00edveis que brotam do Evangelho e do seguimento de Jesus? Em que verdades devemos basear-nos para delinearmos a nossa hist\u00f3ria de vida? O autor da segunda Carta a Tim\u00f3teo tem uma perspetiva bem definida: em mat\u00e9ria de f\u00e9, o crist\u00e3o tem de construir o edif\u00edcio da sua exist\u00eancia a partir da Sagrada Escritura e da doutrina transmitida pela tradi\u00e7\u00e3o viva da Igreja. \u00c9 sobre esses alicerces que temos constru\u00eddo a nossa f\u00e9? Por vezes encontramos pessoas que dizem, para justificar certas op\u00e7\u00f5es ou comportamentos: \u201ceu c\u00e1 tenho a minha f\u00e9\u201d. De que f\u00e9 se trata? De uma \u201cf\u00e9\u201d particular, constru\u00edda ao sabor de interesses e vis\u00f5es pessoais, ou da f\u00e9 da Igreja, da f\u00e9 que une todos os disc\u00edpulos de Jesus e que os faz caminhar em comunidade, sendo uma \u00fanica fam\u00edlia?<\/li>\n<li>O autor da segunda Carta a Tim\u00f3teo exorta o destinat\u00e1rio (ou os destinat\u00e1rios) da Carta a ter sempre em conta, na constru\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio da sua f\u00e9, a Escritura Sagrada. Ela ajuda a formar o \u201chomem de Deus\u201d, o homem \u201cperfeito\u201d, \u201cbem preparado para todas as boas obras\u201d. No s\u00e9c. XIX, o papa Le\u00e3o XIII dizia isto de uma forma muito bela: a Escritura \u00e9 \u201cuma carta outorgada pelo Pai do c\u00e9u ao g\u00e9nero humano, em peregrina\u00e7\u00e3o longe da sua p\u00e1tria, e transmitida pelos autores sagrados\u201d (Carta Enc\u00edclica\u00a0<em>Providentissimus Deus<\/em>, n\u00ba 1). Nessa \u201ccarta\u201d, Deus \u201cdiz-nos\u201d o seu amor e mostra-nos como devemos viver para caminharmos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 vida. Ignorar essa \u201ccarta\u201d de amor que Deus nos escreveu e construir a nossa f\u00e9 \u00e0 margem dela, tornaria a nossa vida e a nossa experi\u00eancia de f\u00e9 consideravelmente mais pobres. Que lugar ocupa a leitura, a reflex\u00e3o e a partilha da Palavra de Deus na nossa vida pessoal? Que lugar ocupa a Palavra de Deus na vida e na experi\u00eancia das nossas comunidades crist\u00e3s? O que \u00e9 que assume um valor mais determinante na experi\u00eancia crist\u00e3: as pr\u00e1ticas rituais, as devo\u00e7\u00f5es particulares, as leis e os c\u00f3digos, ou a Palavra de Deus?<\/li>\n<li>\u00c9 verdade que Deus, para nos fazer chegar a sua \u201ccarta\u201d em linguagem percet\u00edvel para n\u00f3s, nos \u201cescreveu\u201d atrav\u00e9s de homens. Esses homens viveram em determinada \u00e9poca e usaram a linguagem da sua \u00e9poca. Serviram-se de g\u00e9neros liter\u00e1rios, de formas de express\u00e3o, de imagens e de s\u00edmbolos pr\u00f3prios do seu tempo e da sua cultura. Talvez essas formas de express\u00e3o nos soem, em pleno s\u00e9c. XXI, distantes, estranhas, longe da nossa realidade, do nosso mundo e da nossa vida. Para compreendermos a \u201ccarta de Deus\u201d, precisamos de conhecer o mundo b\u00edblico, o tempo, o contexto, o \u201cambiente\u201d em que o redator de determinado livro viveu; e, s\u00f3 depois de termos \u201cdescascado\u201d aquilo que \u00e9 acess\u00f3rio, encontraremos o essencial: a mensagem eterna de Deus para n\u00f3s. Estamos verdadeiramente interessados em conhecer, em estudar, em compreender a Palavra de Deus? As nossas atividades de evangeliza\u00e7\u00e3o assentam na Palavra de Deus? Nas comunidades crist\u00e3s h\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o de organizar cursos e encontros que permitam a todos conhecer e compreender a Sagrada Escritura?<\/li>\n<li>Tim\u00f3teo \u00e9 exortado a servir a Palavra e a proclam\u00e1-la \u201ca prop\u00f3sito e fora de prop\u00f3sito\u201d, em todas as circunst\u00e2ncias, sem medo, sem vergonha, sem atenuar a radicalidade e a exig\u00eancia da Palavra de Deus, sem ced\u00eancias aos interesses dos que se sentem incomodados pelos desafios de Deus. \u00c9 assim que procedem aqueles e aquelas a quem a Igreja confia o servi\u00e7o da Palavra? Os que t\u00eam a miss\u00e3o de proclamar a Palavra e de a explicar aos irm\u00e3os, procuram faz\u00ea-lo de forma clara e cativante, a fim de que a Palavra chegue ao cora\u00e7\u00e3o dos que a escutam? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Lucas 18,1-8<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus disse aos seus disc\u00edpulos uma par\u00e1bola<br \/>\nsobre a necessidade de orar sempre sem desanimar:<br \/>\n\u00abEm certa cidade vivia um juiz<br \/>\nque n\u00e3o temia a Deus nem respeitava os homens.<br \/>\nHavia naquela cidade uma vi\u00fava<br \/>\nque vinha ter com ele e lhe dizia:<br \/>\n\u2018Faz-me justi\u00e7a contra o meu advers\u00e1rio\u2019.<br \/>\nDurante muito tempo ele n\u00e3o quis atend\u00ea-la.<br \/>\nMas depois disse consigo:<br \/>\n\u2018\u00c9 certo que eu n\u00e3o temo a Deus nem respeito os homens;<br \/>\nmas, porque esta vi\u00fava me importuna,<br \/>\nvou fazer-lhe justi\u00e7a,<br \/>\npara que n\u00e3o venha incomodar-me indefinidamente\u2019\u00bb.<br \/>\nE o Senhor acrescentou:<br \/>\n\u00abEscutai o que diz o juiz in\u00edquo!\u2026<br \/>\nE Deus n\u00e3o havia de fazer justi\u00e7a aos seus eleitos,<br \/>\nque por Ele clamam dia e noite,<br \/>\ne iria faz\u00ea-los esperar muito tempo?<br \/>\nEu vos digo que lhes far\u00e1 justi\u00e7a bem depressa.<br \/>\nMas quando voltar o Filho do homem,<br \/>\nencontrar\u00e1 f\u00e9 sobre esta terra?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus e os disc\u00edpulos est\u00e3o a caminho a Jerusal\u00e9m. O tempo come\u00e7a a esgotar-se, pois cada passo nesse caminho aproxima mais Jesus do seu destino de cruz. Quando Jesus, pela morte na cruz, reentrar na gl\u00f3ria do Pai, os disc\u00edpulos ficar\u00e3o sozinhos no mundo. Ter\u00e3o como miss\u00e3o continuar, pelo tempo fora, a obra de Jesus. Conseguir\u00e3o faz\u00ea-lo? Parecem ainda t\u00e3o distantes da l\u00f3gica do Reino de Deus! Ser\u00e3o capazes de perceber o projeto de Deus, de acolher as indica\u00e7\u00f5es de Deus, de confiar suficientemente em Deus, de esperar pacientemente que Deus aja no mundo e na hist\u00f3ria? N\u00e3o ir\u00e3o impacientar-se e desanimar enquanto esperam que o Reino de Deus se concretize? N\u00e3o ir\u00e3o desistir quando lhes parecer que Deus fica em sil\u00eancio diante da maldade, da viol\u00eancia, da injusti\u00e7a? Jesus sabia, por experi\u00eancia pr\u00f3pria, que o di\u00e1logo frequente com Deus \u2013 a ora\u00e7\u00e3o \u2013 era fundamental para compreender, para acolher e para abra\u00e7ar o projeto de Deus. Ele pr\u00f3prio, antes de tomar decis\u00f5es importantes, retirava-se para s\u00edtios isolados e passava longas horas a dialogar com o Pai, a escutar o Pai, a procurar discernir a vontade do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas refere a ora\u00e7\u00e3o de Jesus em diversas situa\u00e7\u00f5es, nomeadamente no Batismo (cf. Lc 3,21), antes da elei\u00e7\u00e3o dos Doze (cf. Lc 6,12), antes do primeiro an\u00fancio da paix\u00e3o (cf. Lc 9,18), no contexto da transfigura\u00e7\u00e3o (cf. Lc 9,28-29), ap\u00f3s o regresso dos disc\u00edpulos da miss\u00e3o (cf. Lc 10,21), na \u00faltima ceia (cf. Lc 22,32), no Gets\u00e9mani (cf. Lc 22,40-46) e na cruz (cf. Lc 23,34.46). O di\u00e1logo com o Pai pacificava Jesus, ajudava-O a ver as coisas mais claras, a confiar plenamente em Deus, a entregar-se plenamente nas m\u00e3os de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus queria que os disc\u00edpulos fizessem esta experi\u00eancia. Por isso, contou aos disc\u00edpulos uma par\u00e1bola \u201csobre a necessidade de orar sempre sem desanimar\u201d (vers. 1). Este texto \u00e9 exclusivo de Lucas. <strong><em>In Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Porque \u00e9 que Deus permite que tantos milh\u00f5es dos seus filhos sobrevivam em condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o degradantes, despojados da sua dignidade e dos seus direitos b\u00e1sicos? Porque \u00e9 que os maus, os injustos e os violentos praticam arbitrariedades sem conta contra os mais d\u00e9beis e, aparentemente, nenhum mal lhes acontece? Como \u00e9 que Deus aceita que quase dez por cento da popula\u00e7\u00e3o mundial passe fome? Onde est\u00e1 Deus quando as ditaduras ou os imperialismos maltratam povos inteiros? Porque \u00e9 que Deus deixa que determinadas doen\u00e7as continuem a ceifar tantas vidas? Porque \u00e9 que Deus n\u00e3o evita que as cat\u00e1strofes naturais deixem por todo o lado um rasto de sofrimento e de morte? Ser\u00e1 Deus insens\u00edvel ao sofrimento que atinge os seus filhos que peregrinam no mundo e na hist\u00f3ria? O evangelista Lucas est\u00e1 convicto de que Deus n\u00e3o fica indiferente aos dramas e sofrimentos dos homens. Mais tarde ou mais cedo, no tempo oportuno, Ele ir\u00e1 intervir para fazer justi\u00e7a aos seus filhos. Talvez a nossa impaci\u00eancia tenha dificuldade em compreender o ritmo e o tempo de Deus; mas Deus acompanha a nossa vida, escuta os nossos gritos de afli\u00e7\u00e3o, sabe de que necessitamos e, na altura certa, ir\u00e1 atuar. Seremos capazes de confiar em Deus, de acreditar no seu amor, de nos fiarmos na sua bondade, de deixarmos a nossa vida nas suas m\u00e3os? Mesmo quando Deus n\u00e3o vai ao ritmo da nossa impaci\u00eancia, confiamos n\u2019Ele?<\/li>\n<li>Como podemos manter a confian\u00e7a em Deus? Como podemos acreditar n\u2019Ele quando a l\u00f3gica dos Seus planos nos escapa completamente? Jesus, a partir da sua pr\u00f3pria experi\u00eancia de Deus, propunha aos seus disc\u00edpulos uma forma de chegarmos ao cora\u00e7\u00e3o de Deus: \u00e9 necess\u00e1rio viver em cont\u00ednuo di\u00e1logo com Deus, numa constante escuta de Deus. Quando dialogamos com Deus, aprofundamos os la\u00e7os com Ele, consolidamos a comunh\u00e3o com Ele, aprendemos a confiar completamente n\u2019Ele; quando escutamos Deus, come\u00e7amos a perceber o seu projeto para o mundo e para os homens e sentimos vontade de nos envolvermos na concretiza\u00e7\u00e3o desse projeto; quando falamos com Deus descobrimos que Ele se interessa pelas nossas quest\u00f5es e que n\u00e3o fica indiferente diante daquilo que nos inquieta; quando questionamos Deus encontramos respostas para a maior parte das nossas d\u00favidas e incertezas; quando \u201ctocamos\u201d o amor e a miseric\u00f3rdia de Deus percebemos que Ele nunca nos abandonar\u00e1 e que nunca ficar\u00e1 indiferente \u00e0 nossa sorte. Estamos dispostos a acolher a indica\u00e7\u00e3o de Jesus e a manter um di\u00e1logo frequente com Deus? Que lugar ocupa a ora\u00e7\u00e3o na nossa vida? Sentimos que a ora\u00e7\u00e3o nos aproxima de Deus e nos ajuda a entender o projeto de Deus para n\u00f3s e para o mundo?<\/li>\n<li>Como se processa o nosso di\u00e1logo com Deus? \u00c9 um mon\u00f3logo em que nos limitamos a atirar a Deus, de rajada, as nossas reivindica\u00e7\u00f5es e as nossas listas de pedidos, porque n\u00e3o temos tempo ou disposi\u00e7\u00e3o para mais, ou \u00e9 um di\u00e1logo franco, sincero, sem pressas, que \u00e9 simultaneamente escuta e partilha, agradecimento e prece, obedi\u00eancia e confian\u00e7a, conversa de Pai para filho e de filho para Pai? A nossa ora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma simples descarga de palavras e de f\u00f3rmulas que temos gravadas na nossa mente e que reproduzimos de forma mec\u00e2nica para acalmar a nossa consci\u00eancia, ou \u00e9 uma partilha com Deus daquilo que nos preocupa e inquieta, daquilo que nos assusta e desafia, e tamb\u00e9m daquilo que enche a nossa vida de felicidade e de encanto? No nosso di\u00e1logo com Deus damos-Lhe espa\u00e7o para falar, para nos contar os seus projetos, para nos dizer o que espera de n\u00f3s? O nosso di\u00e1logo com Deus \u00e9 constante, ou depende da nossa disposi\u00e7\u00e3o, do nosso tempo dispon\u00edvel, dos interesses que temos em agenda?<\/li>\n<li>Muitas vezes ficamos com a impress\u00e3o de que Deus n\u00e3o d\u00e1 import\u00e2ncia aos nossos pedidos. Porque ser\u00e1? Ser\u00e1 porque Deus n\u00e3o quer saber, ou ser\u00e1 porque os nossos pedidos n\u00e3o fazem sentido \u00e0 luz da Sua l\u00f3gica? \u00c0s vezes pedimos a Deus coisas que nos compete a n\u00f3s conseguir; dever\u00e1 Ele favorecer a nossa pregui\u00e7a? \u00c0s vezes pedimos a Deus coisas que nos parecem boas, mas que, em \u00faltima an\u00e1lise, t\u00eam efeitos negativos na constru\u00e7\u00e3o da nossa vida; far\u00e1 sentido Deus conceder-no-las? \u00c0s vezes pedimos a Deus coisas que s\u00e3o boas para n\u00f3s, mas que implicam sofrimento e injusti\u00e7a para os nossos irm\u00e3os; poder\u00e1 Deus beneficiar-nos em preju\u00edzo de outras pessoas? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> apresenta apenas alguma dificuldade na pronuncia\u00e7\u00e3o de alguns nomes pr\u00f3prios que exigem uma correta prepara\u00e7\u00e3o para uma correta proclama\u00e7\u00e3o: \u00abAmalec\u00bb, \u00abRefidim\u00bb e \u00abHur\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 marcada pelo tom exortativo do discurso de Paulo a Tim\u00f3teo pelo que esta natureza do texto deve ser tida em conta na proclama\u00e7\u00e3o para transmitir toda a for\u00e7a liter\u00e1ria da mensagem veiculada. As formas verbais no imperativo, proclamadas com expressividade, ajudar\u00e3o a uma maior efic\u00e1cia da leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"color: inherit; font-family: inherit; font-size: inherit;\"><strong>II Leitura: (ver anexo) \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/strong>\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Leitura-I-do-Domingo-XXIX-do-Tempo-Comum-Ano-C-19.10.2025-Exodo-17-8-13.pdf\">Leitura I do Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 19.10.2025 (\u00caxodo 17, 8-13)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Leitura-II-do-Domingo-XXIX-do-Tempo-Comum-Ano-C-19.10.2025-2Timoteo-3-14-42.pdf\">Leitura II do Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 19.10.2025 (2Tim\u00f3teo 3, 14 &#8211; 4,2)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Domingo-XXIX-do-Tempo-Comum-Ano-C-19.10.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 19.10.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Domingo-XXIX-do-Tempo-Comum-Ano-C-19.10.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 19.10.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Domingo-XXIX-do-Tempo-Comum-Ano-C-19.10.2025-refletindo.pdf\">Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 19.10.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-XXIX-do-Tempo-Comum-Ano-C-19.10.2025.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 19.10.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXVIII do Tempo Comum-Ano C \u2013 12 outubro 2025&#8243; tab_id=&#8221;1760949084226-4bfe684b-8d92&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XXVIII do Tempo Comum-Ano C \u2013 12 outubro 2025<\/span><\/h4>\n<figure id=\"attachment_12653\" aria-describedby=\"caption-attachment-12653\" style=\"width: 544px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12653 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Domingo-XXVIII.jpg\" alt=\"\" width=\"544\" height=\"232\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12653\" class=\"wp-caption-text\">A cura dos dez leprosos<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab<em>Permite ao menos que se d\u00ea a este teu servo uma por\u00e7\u00e3o de terra para um altar<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Este \u00e9 o pedido do general s\u00edrio Naam\u00e3, na primeira leitura deste Domingo, que diante da recusa de Eliseu em aceitar um presente de reconhecimento pela sua cura, pede ao menos uma por\u00e7\u00e3o de terra para um altar para louvar o Deus de Israel pelas maravilhas que realizou na sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como \u00e9 belo este pedido! Deseja assinalar um lugar, que seja sinal do louvor e da gratid\u00e3o pelo bem que Deus realizou na sua vida. \u00ab<em>A vida \u00e9 para ser cantada apesar de todos os imponder\u00e1veis\u00bb<\/em>\u00a0(Jo\u00e3o Guerra), e na verdade, Naam\u00e3 ainda n\u00e3o fez a descoberta que ser\u00e1 plena e total em Jesus Cristo: \u00ab<em>o grande templo \u00e9 o Cora\u00e7\u00e3o do Homem<\/em>\u00bb. Somos convidados a descobrir e redescobrir em cada dia a beleza de uma vida que se faz lugar das maravilhas de Deus. Esta deveria ser a primeira ora\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s: \u00ab<em>permite ao menos que se d\u00ea a este teu servo uma por\u00e7\u00e3o de terra para um altar<\/em>\u00bb. Permite ao menos, que em cada dia eu saiba ter um cora\u00e7\u00e3o agradecido ao Deus do Amor e da Vida, ao Deus da Ternura e da Bondade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Evangelho de hoje diz-nos que dos dez leprosos que invocam a cura para a sua doen\u00e7a, apenas um voltou para agradecer. Na verdade, esta \u00e9 a hist\u00f3ria da nossa vida. S\u00f3 um dos dez leprosos curados voltaram para agradecer! S\u00f3 10%! E como \u00e9 a nossa vida e a nossa ora\u00e7\u00e3o? Ser\u00e1 que mais de 10% da nossa vida e da nossa ora\u00e7\u00e3o s\u00e3o gastos para agradecer o bem que Deus faz na nossa vida?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Papa Francisco, comentando este texto, interpela-nos: \u00ab<em>como \u00e9 importante saber agradecer, saber louvar por tudo aquilo que o Senhor faz por n\u00f3s! Assim podemos perguntar-nos: somos capazes de dizer obrigado? Quantas vezes dizemos obrigado em fam\u00edlia, na comunidade, na Igreja? Quantas vezes dizemos obrigado a quem nos ajuda, a quem est\u00e1 ao nosso lado, a quem nos acompanha na vida? Muitas vezes consideramos tudo como se nos fosse devido! E isto acontece tamb\u00e9m com Deus. \u00c9 f\u00e1cil ir ter com o Senhor para Lhe pedir qualquer coisa, mas voltar para Lhe agradecer\u2026<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O desafio que a Liturgia da Palavra de hoje nos lan\u00e7a \u00e9 precisamente este: ter um cora\u00e7\u00e3o humilde e agradecido. Na verdade, s\u00f3 o cora\u00e7\u00e3o plasmado e preenchido de humildade pode ser um cora\u00e7\u00e3o verdadeiramente agradecido, pois s\u00f3 quem humildemente reconhece que \u00e9 Deus o protagonista de todo o bem que se realiza na sua vida, pode cantar o mais belo hino pelas maravilhas que o Senhor opera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Fa\u00e7amos da nossa ora\u00e7\u00e3o de hoje uma ora\u00e7\u00e3o diferente! Fa\u00e7amos sil\u00eancio e pensemos em quantas coisas boas o Senhor nos oferece! \u00c9 verdade, come\u00e7amos a fazer sil\u00eancio e pensamos, n\u00e3o h\u00e1 nada de bom, as coisas nem sempre correm bem, h\u00e1 tantas coisas menos boas e at\u00e9 m\u00e1s a acontecer em cada dia\u2026 Mas n\u00e3o h\u00e1 apenas nuvens e trevas diante de n\u00f3s, tamb\u00e9m h\u00e1 rasgos de luz e de ternura, de bondade e miseric\u00f3rdia. Eduquemos o nosso cora\u00e7\u00e3o para saborear o que Deus realiza de belo, pois gastamos tanto tempo da nossa vida a lamentar o que \u00e9 mau e n\u00e3o nos lembramos de agradecer quanto de bom acontece. Como o salmista cantemos: \u00ab<em>diante dos povos manifestou Deus a salva\u00e7\u00e3o<\/em>\u00bb e fa\u00e7amos da nossa vida um hino de louvor e gratid\u00e3o, mesmo quando as dificuldades e obst\u00e1culos assaltam a nossa vida, pois, como afirma o Ap\u00f3stolo: \u00ab<em>se morremos com Cristo, tamb\u00e9m com Ele viveremos; se sofremos com Cristo, tamb\u00e9m com Ele reinaremos<\/em>\u00bb. <strong><em>in Voz Portucalense. <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Continuamos no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C \u2013 onde somos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>2 Reis 5,14-17<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura do Segundo Livro dos Reis<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\no general s\u00edrio Naam\u00e3 desceu ao Jord\u00e3o<br \/>\ne a\u00ed mergulhou sete vezes,<br \/>\ncomo lhe mandara Eliseu, o homem de Deus.<br \/>\nA sua carne tornou-se tenra como a de uma crian\u00e7a<br \/>\ne ficou purificado da lepra.<br \/>\nNaam\u00e3 foi ter novamente com o homem de Deus,<br \/>\nacompanhado de toda a sua comitiva.<br \/>\nAo chegar diante dele, exclamou:<br \/>\n\u00abAgora reconhe\u00e7o que em toda a terra<br \/>\nn\u00e3o h\u00e1 outro Deus sen\u00e3o o de Israel.<br \/>\nPe\u00e7o-te que aceites um presente deste teu servo\u00bb.<br \/>\nEliseu respondeu-lhe:<br \/>\n\u00abPela vida do Senhor que eu sirvo,<br \/>\nnada aceitarei\u00bb.<br \/>\nE apesar das insist\u00eancias, ele recusou.<br \/>\nDisse ent\u00e3o Naam\u00e3:<br \/>\n\u00abSe n\u00e3o aceitas,<br \/>\npermite ao menos que se d\u00ea a este teu servo<br \/>\numa por\u00e7\u00e3o de terra para um altar,<br \/>\ntanto quanto possa carregar uma parelha de mulas,<br \/>\nporque o teu servo nunca mais h\u00e1-de oferecer<br \/>\nholocausto ou sacrif\u00edcio a quaisquer outros deuses,<br \/>\nmas apenas ao Senhor, Deus de Israel\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A primeira leitura deste domingo situa-nos no reino do Norte (Israel), durante o reinado de Jor\u00e3o (853-842 a.C.). Os reis de Israel &#8211; preocupados em fazer do seu pa\u00eds um estado moderno e em marcar o seu lugar no xadrez pol\u00edtico do antigo M\u00e9dio Oriente &#8211; mant\u00eam, por esta altura, um interc\u00e2mbio muito vivo com os povos da zona. Em termos religiosos, essa pol\u00edtica traduz-se numa invas\u00e3o de deuses, de cultos e de valores estrangeiros, que amea\u00e7am a integridade da f\u00e9 jahwista. Apesar de Jor\u00e3o ter tirado &#8220;as est\u00e1tuas que seu pai tinha erigido a Baal&#8221; (2 Re 3,2), \u00e9 uma \u00e9poca em que os deuses cananeus assumem um grande protagonismo e Baal substitui Jahw\u00e9h no cora\u00e7\u00e3o e na vida de muitos israelitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesta fase, o profeta Eliseu assume-se como o grande defensor da f\u00e9 jahwista continuando, ali\u00e1s, a obra do seu antecessor Elias. Eliseu fazia parte de uma comunidade de &#8220;filhos dos profetas&#8221; (2 Re 2,3; 4,1)&#8230; Trata-se, provavelmente, de um c\u00edrculo prof\u00e9tico cujos membros eram os seguidores incondicionais de Jahw\u00e9h e aqueles em quem o Povo buscava apoio, face aos abusos dos poderosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No cap\u00edtulo 5 do segundo Livro dos Reis, os autores deuteronomistas contam-nos a hist\u00f3ria do general s\u00edrio Naam\u00e3: considerado um dos her\u00f3is da S\u00edria, era leproso; mas, informado por uma serva de que em Israel havia um profeta que podia cur\u00e1-lo do seu mal, veio ao encontro de Eliseu, carregado de presentes. Eliseu mandou, apenas, que Naam\u00e3 se banhasse sete vezes no rio Jord\u00e3o (cf. 2 Re 5,1-13). <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>A reflex\u00e3o e partilha podem fazer-se considerando os seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A leitura convida-nos, antes de mais, a tomar consci\u00eancia de que \u00e9 de Deus &#8211; desse Deus que tem um projeto de salva\u00e7\u00e3o para o homem &#8211; que recebemos a vida plena. A constata\u00e7\u00e3o desse facto atinge uma import\u00e2ncia primordial, numa \u00e9poca em que somos diariamente convidados a colocar a nossa esperan\u00e7a e a nossa seguran\u00e7a em \u00eddolos de p\u00e9s de barro (para alguns, podem ser o &#8220;poderoso m\u00e9dium&#8221; ou a &#8220;vidente\/ tar\u00f3loga\/esp\u00edrita&#8221; que garantem a solu\u00e7\u00e3o para o mau olhado, a inveja, os males de amor, o insucesso nos neg\u00f3cios, etc.; para a maioria, s\u00e3o o dinheiro, o poder, a moda, o comodismo, o \u00eaxito, a casa com piscina, o Ferrari ou o \u00faltimo programa de televis\u00e3o que faz ganhar vinte mil contos e abrir a janela da fama&#8230;). \u00c9 em Deus que eu coloco a minha esperan\u00e7a de vida plena, ou h\u00e1 outros deuses que me seduzem, que dirigem a minha vida e que s\u00e3o a minha esperan\u00e7a de realiza\u00e7\u00e3o e de felicidade?<\/li>\n<li>Conv\u00e9m tamb\u00e9m n\u00e3o esquecer que a proposta de salva\u00e7\u00e3o que Deus faz se destina a todos os homens e mulheres, sem exce\u00e7\u00e3o. O nosso Deus n\u00e3o \u00e9 um Deus dos &#8220;bonzinhos&#8221;, dos bem-comportados, dos brancos, dos politicamente corretos ou dos que t\u00eam o nome no livro de registos da par\u00f3quia&#8230; O nosso Deus \u00e9 o Deus que oferece a vida a todos e que a todos ama como filhos; o que \u00e9 decisivo \u00e9 aceitar a sua oferta de salva\u00e7\u00e3o e acolher o seu dom. Daqui resultam duas coisas importantes: a primeira \u00e9 que n\u00e3o basta ser batizado (e depois prescindir d&#8217;Ele e viver \u00e0 margem das suas propostas); a segunda \u00e9 que n\u00e3o podemos marginalizar ou excluir qualquer irm\u00e3o nosso.<\/li>\n<li>A hist\u00f3ria do s\u00edrio Naam\u00e3 levanta, ainda, a quest\u00e3o da gratid\u00e3o&#8230; \u00c9 preciso que nos apercebamos que tudo \u00e9 dom do amor de Deus e n\u00e3o uma conquista nossa ou a recompensa pelos nossos m\u00e9ritos ou pelas nossas boas obras. Estou consciente de que \u00e9 de Deus que recebo tudo e manifesto-Lhe a minha gratid\u00e3o pela sua presen\u00e7a, pelos seus dons, pelo seu amor?<\/li>\n<li>Aqueles que recebem de Deus carismas para p\u00f4r ao servi\u00e7o dos irm\u00e3os: sentem-se apenas instrumentos de Deus e procuram dirigir os olhares e a gratid\u00e3o dos irm\u00e3os para Deus, ou est\u00e3o preocupados em sublinhar os seus m\u00e9ritos e em concentrar em si pr\u00f3prios a gratid\u00e3o que brota dos cora\u00e7\u00f5es daqueles a quem servem? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 97 (98)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: O Senhor manifestou a salva\u00e7\u00e3o a todos os povos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Diante dos povos manifestou Deus a salva\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cantai ao Senhor um c\u00e2ntico novo<br \/>\npelas maravilhas que Ele operou.<br \/>\nA sua m\u00e3o e o seu Santo Bra\u00e7o<br \/>\nLhe deram a vit\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor deu a conhecer a salva\u00e7\u00e3o,<br \/>\nrevelou aos olhos das na\u00e7\u00f5es a sua justi\u00e7a.<br \/>\nRecordou-Se da sua bondade e fidelidade<br \/>\nem favor da casa de Israel.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os confins da terra puderam ver<br \/>\na salva\u00e7\u00e3o do nosso Deus.<br \/>\nAclamai o Senhor, terra inteira,<br \/>\nexultai de alegria e cantai.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>2 Tim 2,8-13<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura da Segunda Ep\u00edstola do ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo a Tim\u00f3teo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Car\u00edssimo:<br \/>\nLembra-te de que Jesus Cristo, descendente de David,<br \/>\nressuscitou dos mortos, segundo o meu Evangelho,<br \/>\npelo qual eu sofro,<br \/>\nat\u00e9 ao ponto de estar preso a estas cadeias como um malfeitor.<br \/>\nMas a palavra de Deus n\u00e3o est\u00e1 encadeada.<br \/>\nPor isso, tudo suporto por causa dos eleitos,<br \/>\npara que obtenham a salva\u00e7\u00e3o que est\u00e1 em Cristo Jesus,<br \/>\ncom a gl\u00f3ria eterna.<br \/>\n\u00c9 digna de f\u00e9 esta palavra:<br \/>\nSe morremos com Cristo, tamb\u00e9m com Ele viveremos;<br \/>\nse sofremos com Cristo, tamb\u00e9m com ele reinaremos;<br \/>\nse O negarmos, tamb\u00e9m Ele nos negar\u00e1;<br \/>\nse Lhe formos infi\u00e9is, Ele permanece fiel,<br \/>\nporque n\u00e3o pode negar-Se a Si mesmo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos a ler a segunda Carta a Tim\u00f3teo&#8230; Para percebermos a mensagem que o texto nos prop\u00f5e, conv\u00e9m recordar que esta carta (escrita por um autor desconhecido que, no entanto, se identifica com o ap\u00f3stolo Paulo) nos coloca, provavelmente, no contexto dos finais do s\u00e9c. I ou in\u00edcios do s\u00e9c. II, numa altura em as comunidades crist\u00e3s sentiam arrefecido o entusiasmo dos in\u00edcios, conheciam a persegui\u00e7\u00e3o e estavam a ser perturbadas pelas heresias e pelas falsas doutrinas. O autor exorta Tim\u00f3teo (e, na pessoa de Tim\u00f3teo, todos os crentes, em geral) a perseverar na f\u00e9, a conservar a s\u00e3 doutrina recebida de Jesus e a dedicar-se totalmente ao servi\u00e7o do Evangelho. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Considerar os seguintes dados para a reflex\u00e3o e partilha<\/strong>:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O autor da Segunda Carta a Tim\u00f3teo recorda, aqui, algo de central para a experi\u00eancia crist\u00e3: a ess\u00eancia do cristianismo \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o de cada crente com Cristo. Isto traduz-se, concretamente, no entregar a pr\u00f3pria vida em favor dos irm\u00e3os, se necess\u00e1rio at\u00e9 ao dom total. Identifico-me de tal forma com Cristo que sou capaz de O seguir no caminho do amor e da entrega?<\/li>\n<li>A opini\u00e3o p\u00fablica do nosso tempo est\u00e1 convencida de que uma vida gasta no servi\u00e7o simples e humilde em favor dos irm\u00e3os \u00e9 uma vida fracassada; mas o autor da Segunda Carta a Tim\u00f3teo garante que uma vida de amor e de servi\u00e7o \u00e9 uma vida plenamente realizada, pois no final da caminhada espera-nos a ressurrei\u00e7\u00e3o, a vida plena (s\u00e3o os efeitos da nossa identifica\u00e7\u00e3o com Cristo). O que \u00e9 que, para mim, faz mais sentido? No meu dia a dia domina o ego\u00edsmo e a autossufici\u00eancia, ou o amor, a partilha, o dom da vida? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Lc 17,11-19<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S\u00e3o Lucas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nindo Jesus a caminho de Jerusal\u00e9m,<br \/>\npassava entre a Samaria e a Galileia.<br \/>\nAo entrar numa povoa\u00e7\u00e3o,<br \/>\nvieram ao seu encontro dez leprosos.<br \/>\nConservando-se a dist\u00e2ncia, disseram em alta voz:<br \/>\n\u00abJesus, Mestre, tem compaix\u00e3o de n\u00f3s\u00bb.<br \/>\nAo v\u00ea-los, Jesus disse-lhes:<br \/>\n\u00abIde mostrar-vos aos sacerdotes\u00bb.<br \/>\nE sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra.<br \/>\nUm deles, ao ver-se curado,<br \/>\nvoltou atr\u00e1s, glorificando a Deus em alta voz,<br \/>\ne prostrou-se de rosto por terra aos p\u00e9s de Jesus<br \/>\npara Lhe agradecer.<br \/>\nEra um samaritano.<br \/>\nJesus, tomando a palavra, disse:<br \/>\n\u00abN\u00e3o foram dez que ficaram curados?<br \/>\nOnde est\u00e3o os outros nove?<br \/>\nN\u00e3o se encontrou quem voltasse para dar gl\u00f3ria a Deus<br \/>\nsen\u00e3o este estrangeiro?\u00bb<br \/>\nE disse ao homem:<br \/>\n\u00abLevanta-te e segue o teu caminho;<br \/>\na tua f\u00e9 te salvou\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mais uma vez Lucas apresenta um epis\u00f3dio situado no &#8220;caminho de Jerusal\u00e9m&#8221; (esse &#8220;caminho espiritual&#8221;, ao longo do qual os disc\u00edpulos v\u00e3o aprendendo e interiorizando os valores e a realidade do &#8220;Reino&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No &#8220;caminho&#8221; de Jesus e dos disc\u00edpulos aparecem, portanto, dez leprosos. O leproso \u00e9, no tempo de Jesus, o prot\u00f3tipo do marginalizado&#8230; Al\u00e9m de causar naturalmente repugn\u00e2ncia pela sua apar\u00eancia e de infundir medo de cont\u00e1gio, o leproso \u00e9 um impuro ritual (cf. Lev 13-14), a quem a teologia oficial atribu\u00eda pecados especialmente gravosos (a lepra era o castigo de Deus para esses pecados); por isso, o leproso n\u00e3o podia sequer entrar na cidade de Jerusal\u00e9m, a fim de n\u00e3o despurificar a cidade santa. Devia afastar-se de qualquer conv\u00edvio humano para que n\u00e3o contaminasse os outros com a sua impureza f\u00edsica e religiosa. Em caso de cura, devia apresentar-se diante de um sacerdote, a fim de que ele comprovasse a cura e lhe permitisse a reintegra\u00e7\u00e3o na vida normal (cf. Lev 14). Podia, ent\u00e3o, voltar a participar nas celebra\u00e7\u00f5es do culto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Um dos leprosos (precisamente aquele que vai desempenhar o papel principal, neste epis\u00f3dio) \u00e9 samaritano. Os samaritanos eram desprezados pelos judeus de Jerusal\u00e9m, por causa do seu sincretismo religioso. A desconfian\u00e7a religiosa dos judeus em rela\u00e7\u00e3o aos samaritanos come\u00e7ou quando, em 721 a.C. (ap\u00f3s a queda do reino do Norte), os colonos ass\u00edrios invadiram a Samaria e come\u00e7aram a misturar-se com a popula\u00e7\u00e3o local. Para os judeus, os habitantes da Samaria come\u00e7aram, ent\u00e3o, a paganizar-se&#8230;. Ap\u00f3s o regresso do ex\u00edlio da Babil\u00f3nia, os habitantes de Jerusal\u00e9m recusaram qualquer ajuda dos samaritanos na reconstru\u00e7\u00e3o do Templo e evitaram os contactos com esses hereges, &#8220;ra\u00e7a misturada com pag\u00e3os&#8221;. A constru\u00e7\u00e3o de um santu\u00e1rio samaritano no monte Garizim consumou a separa\u00e7\u00e3o e, na perspetiva judaica, lan\u00e7ou definitivamente os samaritanos nos caminhos da infidelidade a Jahw\u00e9h. Algumas picardias m\u00fatuas nos s\u00e9culos seguintes consolidaram a inimizade entre judeus e samaritanos. Na \u00e9poca de Jesus, a rela\u00e7\u00e3o entre as duas comunidades era marcada por uma grande hostilidade. <strong><em>In Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>A reflex\u00e3o e partilha podem tocar as seguintes quest\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A &#8220;lepra&#8221; que rouba a vida a esses &#8220;dez&#8221; homens que a leitura de hoje nos apresenta representa o infort\u00fanio que atinge a totalidade da humanidade e que gera exclus\u00e3o, marginalidade, opress\u00e3o, injusti\u00e7a. \u00c9 a condi\u00e7\u00e3o de uma humanidade marcada pelo sofrimento, pela mis\u00e9ria, pelo afastamento de Deus e dos irm\u00e3os, que aqui nos \u00e9 pintada&#8230; Lucas garante, no entanto, que Deus tem um projeto de salva\u00e7\u00e3o para todos os homens, sem exce\u00e7\u00e3o; e que \u00e9 em Jesus e atrav\u00e9s de Jesus que esse projeto atinge todos os que se sentem &#8220;leprosos&#8221; e os faz encontrar a vida plena, a reintegra\u00e7\u00e3o total na fam\u00edlia de Deus e na comunidade humana.<\/li>\n<li>\u00c9 preciso ter uma resposta de gratid\u00e3o e de ades\u00e3o \u00e0 proposta de salva\u00e7\u00e3o que Deus faz. Aten\u00e7\u00e3o: muitas vezes s\u00e3o aqueles que parecem mais fora da \u00f3rbita de Deus que primeiro reconhecem o seu dom, que o acolhem e que aderem \u00e0 proposta de vida nova que lhes \u00e9 feita. \u00c0s vezes, aqueles que lidam diariamente com o mundo do sagrado est\u00e3o demasiado cheios de autossufici\u00eancia e de orgulho para acolherem com humildade e simplicidade os dons de Deus, para manifestarem gratid\u00e3o e para aceitarem ser transformados pela gra\u00e7a&#8230; Conv\u00e9m pensar na atitude que, dia a dia, eu assumo diante de Deus: se \u00e9 uma atitude de autossufici\u00eancia, ou se \u00e9 uma atitude de ades\u00e3o humilde e de gratid\u00e3o.<\/li>\n<li>Como lidamos com aqueles que a sociedade de hoje considera &#8220;leprosos&#8221; e que, muitas vezes, se encontram numa situa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o e de marginalidade (os sem abrigo, os drogados, os deficientes, os doentes terminais, os idosos abandonados em lares, os analfabetos, os que vivem abaixo do limiar da pobreza, os que n\u00e3o t\u00eam telem\u00f3vel nem internet, os que n\u00e3o vestem de acordo com a moda, os que n\u00e3o pactuam com certos valores politicamente corretos, os que n\u00e3o consomem produtos &#8220;light&#8221; e n\u00e3o t\u00eam uma silhueta moderna, os que n\u00e3o frequentam as festas sociais nem aparecem nos programas televisivos de sucesso&#8230;): com desprezo, com indiferen\u00e7a, com medo de ficar contaminados ou como testemunhas da bondade e do amor de Deus?<\/li>\n<li>Curiosamente, os dez &#8220;leprosos&#8221; n\u00e3o s\u00e3o curados imediatamente por Jesus, mas a &#8220;lepra&#8221; desaparece &#8220;no caminho&#8221;, quando iam mostrar-se aos sacerdotes. Isto sugere que a a\u00e7\u00e3o libertadora de Jesus n\u00e3o \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o m\u00e1gica, ca\u00edda repentinamente do c\u00e9u, mas um processo progressivo (o &#8220;caminho&#8221; define, neste contexto, a caminhada crist\u00e3), no qual o crente vai descobrindo e interiorizando os valores de Jesus, at\u00e9 \u00e0 ades\u00e3o plena \u00e0s suas propostas e \u00e0 efetiva transforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o. Assim, a nossa &#8220;cura&#8221; n\u00e3o \u00e9 um momento m\u00e1gico que acontece quando somos batizados, ou fazemos a primeira comunh\u00e3o ou nos crismamos; mas \u00e9 uma caminhada progressiva, durante a qual descobrimos Cristo e nascemos para a vida nova. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong> recomenda-se o cuidado na pronuncia\u00e7\u00e3o do nome do profeta \u00ab<em>Naam\u00e3<\/em>\u00bb e na articula\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo entre Naam\u00e3 e o Eliseu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 marcada pelo tom exortativo de Paulo a Tim\u00f3teo e que deve estar presente na proclama\u00e7\u00e3o deste texto. Al\u00e9m disso, pede-se um especial cuidado na proclama\u00e7\u00e3o das frases condicionais da \u00faltima frase para que se aproveite toda a riqueza presente no texto<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"color: inherit; font-family: inherit; font-size: inherit;\"><strong>II Leitura: (ver anexo)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong> \u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Leitura-I-do-Domingo-XXVIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-12.10.2025-2-Reis-5-14-17.pdf\">Leitura I do Domingo XXVIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 12.10.2025 (2 Reis 5, 14-17)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Leitura-II-do-Domingo-XXVIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-12.10.2025-2-Tim-2-8-13.pdf\">Leitura II do Domingo XXVIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 12.10.2025 (2 Tim 2, 8-13)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Domingo-XXVIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-12.10.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XXVIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 12.10.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Domingo-XXVIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-12.10.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXVIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 12.10.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Domingo-XXVIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-12.10.2025-refletindo.pdf\">Domingo XXVIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 12.10.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-XXVIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-12.10.2025.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo XXVIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 12.10.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXVII do Tempo Comum e Festa de N\u00aa S\u00aa do Ros\u00e1rio \u2013 Ano C \u2013 05 outubro 2025&#8243; tab_id=&#8221;1760344341259-1e4e420b-8114&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XXVII do Tempo Comum e <strong>Festa de N\u00aa S\u00aa do Ros\u00e1rio <\/strong>&#8211; Ano C \u2013 05 outubro 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Domingo-XXVII.jpg\" alt=\"\" width=\"487\" height=\"420\" \/><\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abAt\u00e9 quando, Senhor, chamarei por V\u00f3s e n\u00e3o me ouvis?<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esta pergunta que abre a primeira leitura da Liturgia da Palavra deste Domingo parece refletir os nossos sentimentos em tantas circunst\u00e2ncias da nossa vida. Quantas vezes, diante do drama do mal e do sofrimento, diante de dificuldades e dores pessoais ou alheias, colocamos esta pergunta: \u00ab<em>at\u00e9 quando, Senhor?<\/em>\u00bb. Com estas ou outras palavras semelhantes, elevamos at\u00e9 Deus as nossas d\u00favidas e incertezas e imploramos de Deus uma luz, uma resposta, um sentido. Esta interroga\u00e7\u00e3o exprime o mist\u00e9rio da nossa pequenez, diante da grandeza de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por isso, o drama e o mist\u00e9rio do sofrimento, do mal e das dificuldades da nossa vida conduzem-nos \u00e0 confian\u00e7a em Deus, abrem-nos \u00e0 esperan\u00e7a no Senhor do Tempo e da Hist\u00f3ria e desafiam-nos \u00e0 verdadeira f\u00e9 que nasce da certeza de que n\u00e3o caminhamos sozinhos. Confiamos Naquele que tudo sabe e depositamos Nele toda a nossa esperan\u00e7a pois sabemos que o Seu amor e a Sua paz brilham na nossa vida, mesmo quando as nuvens e as sombras parecem esconder o Sol da Esperan\u00e7a que brilha sobre n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como os Ap\u00f3stolos, queremos dizer: \u00ab<em>aumenta a nossa f\u00e9<\/em>\u00bb. Senhor, somos fr\u00e1geis e pequenos, por isso, aumenta a nossa f\u00e9, fortalece a nossa confian\u00e7a e conduz-nos pelas sendas do Teu amor. Mesmo quando o nosso cora\u00e7\u00e3o se parece tolher diante das dificuldades, fazei-nos recordar sempre as palavras do Salmo: \u00ab<em>se hoje ouvirdes a voz do Senhor,\u00a0n\u00e3o fecheis os vossos cora\u00e7\u00f5es<\/em>\u00bb. Queremos um cora\u00e7\u00e3o aberto \u00e0 bondade e \u00e0 miseric\u00f3rdia de Deus que nos faz ver na f\u00e9 e no servi\u00e7o o caminho que nos abre \u00e0 verdadeira confian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab<em>Se tiv\u00e9sseis f\u00e9 como um gr\u00e3o de mostarda!<\/em>\u00bb. A f\u00e9, tal como os homens,\u00a0<em>n\u00e3o se mede aos palmos<\/em>. Por mais pequena e fr\u00e1gil que possa ser a nossa vida, pelo poder e pela for\u00e7a do amor de Deus ela poder\u00e1 ser sempre lugar das mais belas maravilhas do amor de Deus. Por isso, dizia S Ambr\u00f3sio de Mil\u00e3o a prop\u00f3sito desta passagem: \u00ab<em>Foi num jardim que Cristo foi preso e sepultado; Ele cresceu neste jardim e at\u00e9 foi a\u00ed que ressuscitou. E assim se tornou uma \u00e1rvore. V\u00f3s tamb\u00e9m, semeai Cristo no vosso jardim. Com Cristo moei o gr\u00e3o de mostarda, prensai-o e semeai a f\u00e9<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Acolhamos este desafio! Diante do sofrimento ou das realidades das quais tantas vezes desconhecemos o sentido, fa\u00e7amos como Maria que \u00ab<em>conservava todas estas coisas, meditando-as no seu cora\u00e7\u00e3o<\/em>\u00bb (Lc 2,19). A confian\u00e7a Naquele cujo amor nunca falha, h\u00e1-de conduzir-nos ao caminho certo e abrir a nossa vida a esse horizonte maior de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade que s\u00f3 Deus, em Jesus Cristo e na for\u00e7a do Seu Esp\u00edrito conhece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na Igreja da Imaculada em Baku, no Azerbaij\u00e3o, a 2 de outubro de 2016, o Papa Francisco, comentando esta passagem do Evangelho, afirmava que neste texto est\u00e3o presentes duas dimens\u00f5es fundamentais da vida crist\u00e3: a f\u00e9 e o servi\u00e7o. O papa usava a imagem dos tapetes tradicionais daquele povo e dizia-lhes que assim como os seus belos tapetes, confecionados artesanalmente, precisavam da trama e da urdidura para fazer t\u00e3o belas obras-primas, tamb\u00e9m a vida crist\u00e3, para que se torne uma bela obra-prima deve ser constru\u00edda com a trama da f\u00e9 e a urdidura do servi\u00e7o. Deste modo, a f\u00e9 e o servi\u00e7o, unidos na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, ser\u00e3o o caminho que nos conduzem \u00e0 santidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Animados pela alegria de servir por amor, caminhamos conscientes que somos servos in\u00fateis porque o mundo j\u00e1 est\u00e1 salvo, mas, desafiados pelas palavras de S. Paulo, queremos reavivar a consci\u00eancia dos dons que o Senhor deposita em nossas m\u00e3os para que sejamos testemunhas audazes do servi\u00e7o por amor com gestos corajosos e prof\u00e9ticos que anunciem a grandeza do amor de Deus nos pequenos gr\u00e3os de mostarda que semeamos na estrada da vida. <strong><em>in Voz Portucalense. <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No <strong>Domingo XXVII do Tempo Comum, dia 5 de outubro de 2025<\/strong>, tem in\u00edcio a <strong>Semana Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3<\/strong>. A Comiss\u00e3o Episcopal da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 e Doutrina da F\u00e9 publica habitualmente uma nota pastoral para esta semana que pode ser consultada no\u00a0<em>site<\/em>\u00a0desta comiss\u00e3o. Esta semana \u00e9 uma oportunidade para recordar a a\u00e7\u00e3o da Igreja no \u00e2mbito educativo nas diversas val\u00eancias: a Catequese, a disciplina de Educa\u00e7\u00e3o Moral Religiosa Cat\u00f3lica e as Escolas Cat\u00f3licas. A Igreja Cat\u00f3lica em Portugal prop\u00f5e anualmente a Semana Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 como tempo forte de reflex\u00e3o e dinamismo em torno da tarefa da educa\u00e7\u00e3o pensada e vivida \u00e0 luz do Evangelho. Neste Domingo, Dia Mundial do Professor, realiza-se a peregrina\u00e7\u00e3o do Jubileu da Educa\u00e7\u00e3o, ao Santu\u00e1rio de F\u00e1tima e que est\u00e1 a ser organizado em colabora\u00e7\u00e3o com o Secretariado Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 (SNEC) e a Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Escolas Cat\u00f3licas (APEC). <strong><em>in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Continuamos no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C \u2013 onde somos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong> <strong>\u2013 <\/strong><strong>&#8211; <\/strong><strong>Habacuc 1,2-3; 2,2-4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura da Profecia de Habacuc<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abAt\u00e9 quando, Senhor, chamarei por V\u00f3s<br \/>\ne n\u00e3o Me ouvis?<br \/>\nAt\u00e9 quando clamarei contra a viol\u00eancia<br \/>\ne n\u00e3o me enviais a salva\u00e7\u00e3o?<br \/>\nPorque me deixais ver a iniquidade<br \/>\ne contemplar a injusti\u00e7a?<br \/>\nDiante de mim est\u00e1 a opress\u00e3o e a viol\u00eancia,<br \/>\nlevantam-se contendas e reina a disc\u00f3rdia?\u00bb<br \/>\nO Senhor respondeu-me:<br \/>\n\u00abP\u00f5e por escrito esta vis\u00e3o<br \/>\ne grava-as em t\u00e1buas com toda a clareza,<br \/>\nde modo que a possam ler facilmente.<br \/>\nEmbora esta vis\u00e3o s\u00f3 se realize na devida altura,<br \/>\nela h\u00e1-de cumprir-se com certeza e n\u00e3o falhar\u00e1.<br \/>\nSe parece demorar, deves esper\u00e1-la,<br \/>\nporque ela h\u00e1-de vir e n\u00e3o tardar\u00e1.<br \/>\nVede como sucumbe aquele que n\u00e3o tem alma recta;<br \/>\nmas o justo viver\u00e1 pela sua fidelidade\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sobre a vida e a personalidade de Habacuc, n\u00e3o sabemos nada: o t\u00edtulo do livro n\u00e3o indica o lugar do nascimento do profeta, nem o tempo hist\u00f3rico em que o profeta viveu. A men\u00e7\u00e3o dos &#8220;caldeus&#8221; (Hab 1,6) parece situar a proclama\u00e7\u00e3o de Habacuc na \u00e9poca em que os babil\u00f3nios, depois de desmembrarem o imp\u00e9rio ass\u00edrio, procuravam impor o seu dom\u00ednio aos povos de Canaan. Estar\u00edamos, pois, nos finais do s\u00e9c. VII a.C&#8230;.<br \/>\nO rei de Jud\u00e1 \u00e9, nesta altura, Joaquim (609-598 a.C.). Trata-se de um rei fraco, incompetente, que explora o povo, que deixa aumentar as injusti\u00e7as e cavar um fosso cada vez maior entre ricos e pobres; al\u00e9m disso, o rei desenvolve uma pol\u00edtica aventureirista de alian\u00e7as com as superpot\u00eancias da \u00e9poca&#8230; Apesar das simpatias pr\u00f3-eg\u00edpcias de Joaquim, Jud\u00e1 sente j\u00e1 o peso do imperialismo babil\u00f3nio e v\u00ea-se obrigado a pagar um pesado tributo a Nabucodonosor. Prepara-se a queda de Jerusal\u00e9m nas m\u00e3os dos babil\u00f3nios, a morte de Joaquim, a deporta\u00e7\u00e3o do seu filho e sucessor Joaquin (que reinou apenas tr\u00eas meses &#8211; cf. 2 Re 24,8) e a partida para o ex\u00edlio de uma parte significativa da classe dirigente de Jud\u00e1 (primeira deporta\u00e7\u00e3o: 597 a.C.). <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong><em>A reflex\u00e3o e partilha podem fazer-se de acordo com as seguintes linhas:<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a8 Com frequ\u00eancia encontramos pessoas que nos questionam acerca da rela\u00e7\u00e3o entre Deus, a sua justi\u00e7a e a situa\u00e7\u00e3o do mundo: se Deus existe, como \u00e9 que Ele pode pactuar com a injusti\u00e7a e a opress\u00e3o? Se Deus existe, porque \u00e9 que h\u00e1 crian\u00e7as a morrer de cancro ou de fome? Se Deus existe, porque \u00e9 que os bons sofrem e os maus s\u00e3o compensados com gl\u00f3ria, honras e triunfos? Se Deus existe, porqu\u00ea o sofrimento inocente? Estas s\u00e3o as quest\u00f5es que, hoje, mais obstaculizam a cren\u00e7a em Deus&#8230; A nossa resposta tem de ser o reconhecimento humilde de que os projetos de Deus ultrapassam infinitamente a nossa pequenez e finitude e que n\u00f3s nunca conseguiremos explicar e abarcar os esquemas de Deus&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a8 Sobretudo, importa perceber que os caminhos de Deus n\u00e3o s\u00e3o iguais aos nossos. Deus tem o seu pr\u00f3prio ritmo; e o ritmo de Deus n\u00e3o \u00e9 o ritmo da nossa impaci\u00eancia, da nossa correria, do nosso ego\u00edsmo, dos nossos interesses&#8230; Do ponto de vista de Deus, as coisas integram-se num &#8220;todo&#8221; que n\u00f3s, na nossa pequenez, n\u00e3o podemos abarcar. Resta-nos respeitar &#8211; mesmo sem entender &#8211; o ritmo de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a8Al\u00e9m disso, precisamos de aprender a confiar em Deus, a entregarmo-nos nas suas m\u00e3os, a sentir que Ele \u00e9 um Pai que nos ama e que, aconte\u00e7a o que acontecer, est\u00e1 a escrever a hist\u00f3ria por caminhos direitos (embora os caminhos pelos quais Deus conduz o mundo nos pare\u00e7am, tantas vezes, estranhos, misteriosos, enigm\u00e1ticos, incompreens\u00edveis). H\u00e1 que confiar na bondade e na magnanimidade desse Deus que nos ama como filhos e que tudo far\u00e1, sempre, para nos oferecer vida e felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a8 Mesmo sem entender, a nossa miss\u00e3o \u00e9 continuar a dar testemunho&#8230; Deus chama-nos a denunciar tudo o que impede a realiza\u00e7\u00e3o plena do projeto de felicidade que Ele tem para o homem (a injusti\u00e7a, a viol\u00eancia, a repress\u00e3o, o ego\u00edsmo, o medo&#8230;); mas quanto ao tempo exato e aos moldes da interven\u00e7\u00e3o salvadora e libertadora de Deus no mundo e na hist\u00f3ria pessoal de cada homem ou mulher, isso s\u00f3 a Deus diz respeito. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Salmo 94 (95)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,<br \/>\nn\u00e3o fecheis os vossos cora\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vinde, exultemos de alegria no Senhor,<br \/>\naclamemos a Deus, nosso Salvador.<br \/>\nVamos \u00e0 sua presen\u00e7a e d\u00eamos gra\u00e7as,<br \/>\nao som de c\u00e2nticos aclamemos o Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vinde, prostremo-nos em terra,<br \/>\nadoremos o Senhor que nos criou.<br \/>\nO Senhor \u00e9 o nosso Deus<br \/>\ne n\u00f3s o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem dera ouv\u00edsseis hoje a sua voz:<br \/>\n\u00abN\u00e3o endure\u00e7ais os vossos cora\u00e7\u00f5es,<br \/>\ncomo em Meriba, como no dia de Massa no deserto,<br \/>\nonde vossos pais Me tentaram e provocaram,<br \/>\napesar de terem visto as minhas obras\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>2 Tim 1,6-8.13-14<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura da Segunda Ep\u00edstola do ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo a Tim\u00f3teo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Car\u00edssimo:<br \/>\nExorto-te a que reanimes o dom de Deus<br \/>\nque recebeste pela imposi\u00e7\u00e3o das minhas m\u00e3os.<br \/>\nDeus n\u00e3o nos deu um esp\u00edrito de timidez,<br \/>\nmas de fortaleza, de caridade e modera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor,<br \/>\nnem te envergonhes de mim, seu prisioneiro.<br \/>\nMas sofre comigo pelo Evangelho,<br \/>\nconfiando no poder de Deus.<br \/>\nToma como norma as s\u00e3s palavras que me ouviste,<br \/>\nsegundo a f\u00e9 e a caridade que temos em Jesus Cristo.<br \/>\nGuarda a boa doutrina que nos foi confiada,<br \/>\ncom o aux\u00edlio do Esp\u00edrito Santo, que habita em n\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONTEXTO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Segunda Carta a Tim\u00f3teo cont\u00e9m, como a primeira, conselhos pastorais de Paulo para o seu grande colaborador e sucessor na anima\u00e7\u00e3o das Igrejas da \u00c1sia: esse Tim\u00f3teo que acompanhou Paulo nas suas viagens mission\u00e1rias e que, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, foi bispo de \u00c9feso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tamb\u00e9m aqui, \u00e9 muito duvidoso que seja Paulo o autor deste texto. Os argumentos s\u00e3o os mesmos que vimos, a prop\u00f3sito da Primeira Carta a Tim\u00f3teo: linguagem diferente da utilizada habitualmente por Paulo, estilo diferente, doutrinas diferentes e, sobretudo, um contexto eclesial que nos situa mais no final do s\u00e9c. I ou princ\u00edpios do s\u00e9c. II do que na \u00e9poca de Paulo (o grande problema destas cartas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o anunciar o Evangelho, mas o &#8220;conservar a f\u00e9&#8221;, frente aos falsos mestres que se infiltram nas comunidades e que ensinam falsas doutrinas).<br \/>\nDe qualquer forma, quem escreve a carta (e que se apresenta na pele de Paulo) diz encontrar-se na pris\u00e3o e pressentir a proximidade da morte. Exorta insistentemente Tim\u00f3teo a perseverar no minist\u00e9rio e a conservar a s\u00e3 doutrina. \u00c9 uma esp\u00e9cie de &#8220;testamento&#8221;, no qual Tim\u00f3teo (que aqui representa todos os animadores das comunidades crist\u00e3s) \u00e9 convidado a manter-se fiel ao minist\u00e9rio e \u00e0 doutrina recebidos dos ap\u00f3stolos. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong><em>A reflex\u00e3o e partilha podem partir dos seguintes dados:<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a8 A interpela\u00e7\u00e3o do autor da Segunda Carta a Tim\u00f3teo dirige-se, antes de mais, a todos aqueles que um dia aceitaram o Batismo e optaram por Cristo&#8230; Na verdade, o mundo que nos rodeia apresenta imensos desafios que, muitas vezes, nos desmobilizam do servi\u00e7o do Evangelho e dos valores de Jesus. \u00c9 por isso que \u00e9 preciso redescobrir os fundamentos do nosso compromisso. Quais s\u00e3o os interesses que influenciam a minha vida e que condicionam as minhas op\u00e7\u00f5es: os meus gostos pessoais, as indica\u00e7\u00f5es da moda, as sugest\u00f5es da sociedade, ou as exig\u00eancias e os valores do Evangelho de Jesus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a8 Como \u00e9 que eu revitalizo, dia a dia, o meu compromisso com Cristo e com os irm\u00e3os? H\u00e1 muitos caminhos para a\u00ed chegar&#8230; Mas a comunh\u00e3o com Deus, a ora\u00e7\u00e3o, a escuta e partilha da Palavra de Deus, os sacramentos s\u00e3o formas privilegiadas para redescobrir o sentido das minhas op\u00e7\u00f5es e do meu compromisso com Deus. Isto faz sentido, para mim? \u00c9 este o caminho que venho procurando seguir? Mantenho com Deus esse di\u00e1logo necess\u00e1rio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a8 O nosso texto interpela de forma direta os animadores das comunidades crist\u00e3s. Convida-os a redescobrir, cada dia, esse entusiasmo que lhes enchia o cora\u00e7\u00e3o no dia em que optaram pela entrega da pr\u00f3pria vida a Cristo e aos irm\u00e3os. Convida-os a despirem-se da pregui\u00e7a, da in\u00e9rcia, do comodismo e a fazerem da sua vida, em cada dia, um dom corajoso ao &#8220;Reino&#8221;. \u00c9 isso que acontece comigo? Sou forte, corajoso, sem medo, quando se trata de vencer as dificuldades que me impedem de me dar a Cristo e aos outros? O que me impulsiona \u00e9 o amor, ou s\u00e3o interesses pr\u00f3prios e ego\u00edstas? Sou uma pessoa moderada e de bom senso, que n\u00e3o trata os irm\u00e3os da comunidade de forma<br \/>\nagressiva e prepotente?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a8 No texto h\u00e1, ainda, um convite a conservar a doutrina verdadeira&#8230; O que \u00e9 que isto significa: um conservar inalteradas as f\u00f3rmulas e os ritos, ou um redescobrir cada dia o essencial, adaptando-o sempre \u00e0s novas realidades e aos novos desafios que o mundo p\u00f5e? Como \u00e9 que sabemos se estamos em conson\u00e2ncia com a proposta de Jesus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>LUCAS 17,5-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S\u00e3o Lucas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nos Ap\u00f3stolos disseram ao Senhor:<br \/>\n\u00abAumenta a nossa f\u00e9\u00bb.<br \/>\nO Senhor respondeu:<br \/>\n\u00abSe tiv\u00e9sseis f\u00e9 como um gr\u00e3o de mostarda,<br \/>\ndir\u00edeis a esta amoreira:<br \/>\n&#8216;Arranca-te da\u00ed e vai plantar-te no mar&#8217;,<br \/>\ne ela obedecer-vos-ia.<br \/>\nQuem de v\u00f3s, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado,<br \/>\nlhe dir\u00e1 quando ele volta do campo:<br \/>\n&#8216;Vem depressa sentar-te \u00e0 mesa&#8217;?<br \/>\nN\u00e3o lhe dir\u00e1 antes:<br \/>\n&#8216;Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires,<br \/>\nat\u00e9 que eu tenha comido e bebido.<br \/>\nDepois comer\u00e1s e beber\u00e1s tu.<br \/>\nTer\u00e1 de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou?<br \/>\nAssim tamb\u00e9m v\u00f3s,<br \/>\nquando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei:<br \/>\n&#8216;Somos in\u00fateis servos:<br \/>\nfizemos o que dev\u00edamos fazer&#8217;\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Continuamos a percorrer o &#8220;caminho de Jerusal\u00e9m&#8221; e a deparar com as &#8220;li\u00e7\u00f5es&#8221; que preparam os disc\u00edpulos para o desafio de compreender e de dar testemunho do &#8220;Reino&#8221;. Desta vez, o nosso texto junta um &#8220;dito&#8221; de Jesus sobre a f\u00e9 e uma par\u00e1bola que convida \u00e0 humildade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nas &#8220;etapas&#8221; anteriores, Jesus tinha avisado os disc\u00edpulos da dificuldade de percorrer o &#8220;caminho do Reino&#8221; (disse-lhes que entrar no &#8220;Reino&#8221; \u00e9 &#8220;entrar pela porta estreita&#8221; &#8211; Lc 13,24; convidou-os \u00e0 humildade e \u00e0 gratuidade &#8211; cf. Lc 14,7-14; avisou-os de que \u00e9 preciso amar mais o &#8220;Reino&#8221; do que a pr\u00f3pria fam\u00edlia, os pr\u00f3prios interesses ou os pr\u00f3prios bens &#8211; cf. Lc 14,26-33; exigiu-lhes o perd\u00e3o como atitude permanente &#8211; cf. Lc 17,5-6); agora, s\u00e3o os disc\u00edpulos que, preocupados com a exig\u00eancia do &#8220;Reino&#8221;, pedem mais &#8220;f\u00e9&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O &#8220;dito&#8221; sobre a f\u00e9 que ocupa a primeira parte do Evangelho que hoje nos \u00e9 proposto aparece numa forma um pouco diferente em Mt 17,20 (um &#8220;dito&#8221; an\u00e1logo l\u00ea-se tamb\u00e9m em Mc 11,23 e Mt 21,21, a prop\u00f3sito da figueira seca). No estado atual do texto, \u00e9 muito dif\u00edcil definir o contexto original do &#8220;dito&#8221; de Jesus, o seu enquadramento e o seu significado&#8230; Aqui, no entanto, ele serve a Lucas para manifestar a preocupa\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos com a dificuldade em percorrer esse dif\u00edcil &#8220;caminho do Reino&#8221;. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong><em>A reflex\u00e3o pode fazer-se a partir das seguintes coordenadas:<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a8 A &#8220;f\u00e9&#8221; \u00e9, antes de mais, a ades\u00e3o \u00e0 pessoa de Jesus Cristo e ao seu projeto. Posso dizer, de facto, que \u00e9 a &#8220;f\u00e9&#8221; que conduz e que anima a minha vida? Jesus \u00e9 o eixo central \u00e0 volta do qual se constr\u00f3i a minha exist\u00eancia? \u00c9 Jesus que marca o ritmo e a cor das minhas op\u00e7\u00f5es e dos meus projetos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a8 O &#8220;Reino&#8221; \u00e9 uma realidade sempre &#8220;a fazer-se&#8221;; mas apresentam-se, com frequ\u00eancia, situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a, de viol\u00eancia, de ego\u00edsmo, de sofrimento, de morte, que impedem a concretiza\u00e7\u00e3o do &#8220;Reino&#8221;. Como \u00e9 que eu &#8211; homem ou mulher de f\u00e9 &#8211; ajo, nessas circunst\u00e2ncias? A minha &#8220;f\u00e9&#8221; em Jesus conduz-me a um empenho concreto pelo &#8220;Reino&#8221; e entusiasma-me a lutar contra tudo o que impede a concretiza\u00e7\u00e3o do &#8220;Reino&#8221;? A minha &#8220;f\u00e9&#8221; nota-se nos meus gestos? H\u00e1 algo de novo \u00e0 minha volta pelo facto de eu ter aderido a Jesus e pelo facto de eu estar a percorrer o &#8220;caminho do Reino&#8221;? Quais s\u00e3o os &#8220;milagres&#8221; que a minha &#8220;f\u00e9&#8221; pode fazer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a8 N\u00f3s, homens, somos, com frequ\u00eancia, muito ciosos dos nossos direitos, dos nossos cr\u00e9ditos, daquilo que nos devem pelas nossas boas a\u00e7\u00f5es. Quando transportamos isto para a rela\u00e7\u00e3o com Deus, constru\u00edmos um deus que n\u00e3o \u00e9 mais do que um contabilista, que escreve nos seus livros os nossos cr\u00e9ditos e os nossos d\u00e9bitos, a fim de nos pagar religiosamente, de acordo com os nossos merecimentos&#8230; Na realidade &#8211; diz-nos o Evangelho de hoje &#8211; n\u00e3o podemos exigir nada de Deus: existimos para cumprir, humildemente, o papel que Ele nos confia, para acolher os seus dons e para O louvar pelo seu amor. \u00c9 nesta atitude que o disc\u00edpulo de Jesus deve estar sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a8 De certas pessoas diz-se que &#8220;n\u00e3o d\u00e3o ponto sem n\u00f3&#8221;, para descrever o seu ego\u00edsmo e as suas atitudes interesseiras. Porque \u00e9 que fazemos as coisas? O que \u00e9 que motiva as nossas a\u00e7\u00f5es e gestos: o amor desinteressado, ou o interesse pela retribui\u00e7\u00e3o. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> abre com um conjunto de perguntas dirigidas ao Senhor. Estas perguntas traduzem o clamor do profeta diante da injusti\u00e7a e iniquidade. Deste modo, a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter aten\u00e7\u00e3o o tom interrogativo e interpelador com o texto inicia. Na leitura das frases interrogativas, deve evitar-se a excessiva entoa\u00e7\u00e3o no final da frase, no ponto interrogativo, mas aproveitar a part\u00edcula interrogativa como lugar da entoa\u00e7\u00e3o (\u201cat\u00e9 quando\u201d; \u201cporque\u201d). Em contraponto com a interpela\u00e7\u00e3o interrogativa do profeta est\u00e1 a resposta de Deus que anuncia a certeza da sua a\u00e7\u00e3o salvadora no tempo oportuno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na <strong>segunda leitura,<\/strong> Paulo exorta a Tim\u00f3teo a reavivar o dom de Deus que lhe foi concedido. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ser marcada pelo tom exortativo, tendo em aten\u00e7\u00e3o as diversas formas verbais no imperativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: (ver anexo)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Leitura-I-do-Domingo-XXVII-do-Tempo-Comum-Ano-C-05.10.2025-Habacuc-1-2-3_2-2-4.pdf\">Leitura I do Domingo XXVII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 05.10.2025 (Habacuc 1, 2-3_2, 2-4)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Leitura-II-do-Domingo-XXVII-do-Tempo-Comum-Ano-C-05.10.2025-2-Timoteo-1-6-8.13-14.pdf\">Leitura II do Domingo XXVII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 05.10.2025 (2 Tim\u00f3teo 1, 6-8.13-14)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Domingo-XXVII-do-Tempo-Comum-Ano-C-05.10.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XXVII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 05.10.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Domingo-XXVII-do-Tempo-Comum-Ano-C-05.10.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXVII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 05.10.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Festa-de-Nossa-Senhora-do-Rosario-Inicio-Ano-Pastoral-2025-2026.pdf\">Festa de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio &#8211; In\u00edcio Ano Pastoral 2025-2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Domingo-XXVII-do-Tempo-Comum-Ano-C-05.10.2025-refletindo.pdf\">Domingo XXVII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 05.10.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-XXVII-TC-Ano-C-05.10.2025.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo XXVII TC- Ano C &#8211; 05.10.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Festa-de-Na-Sa-do-Rosario-Ano-C-05.10.2025.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Festa de N\u00aa S\u00aa do Ros\u00e1rio &#8211; Ano C &#8211; 05.10.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXVI do Tempo Comum-Ano C \u2013 28 setembro 2025&#8243; tab_id=&#8221;1759739205622-e51fa39c-351b&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XXVI do Tempo Comum-Ano C \u2013 28 setembro 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Domingo-XXVI.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"507\" \/><\/strong><\/h4>\n<p><em><sup>19<\/sup><\/em><em>\u00abHavia um homem rico que se vestia de p\u00farpura e linho fino e fazia todos os dias espl\u00eandidos banquetes.\u00a0<sup>20<\/sup>Um pobre, chamado L\u00e1zaro, jazia ao seu port\u00e3o, coberto de chagas.\u00a0<sup>21<\/sup>Bem desejava ele saciar-se com o que ca\u00eda da mesa do rico; mas eram os c\u00e3es que vinham lamber-lhe as chagas<\/em><em>. Lc 16, 19-21<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Viver com os olhos e o cora\u00e7\u00e3o abertos sobre mundo: eis o desafio que a Liturgia da Palavra deste Domingo nos coloca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Seguir Jesus e abra\u00e7ar a proposta de amor que Ele nos lan\u00e7a implica viver atento ao mundo \u00e0 nossa volta, vencendo a globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a que parece assolar o mundo em que vivemos. Na verdade, aquele que quer partir na aventura do servi\u00e7o por amor deve procurar conhecer e amar o mundo, pois, \u00ab<em>o mundo amado apaixonadamente por Deus n\u00e3o pode deixar de ser amado por n\u00f3s<\/em>\u00bb (P. Virg\u00ednio Rotondi).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus conta-nos a par\u00e1bola conhecida como \u00ab<em>o rico avarento e o pobre L\u00e1zaro<\/em>\u00bb. Esta par\u00e1bola apresenta um n\u00edtido contraponto entre um rico e um pobre. Um rico que se veste sumptuosamente com p\u00farpura e linho fino e um pobre vestido de chagas. Um rico que se banqueteava esplendidamente e um pobre que desejava apenas saciar-se das migalhas da faustosa mesa do rico. E depois de um destino comum \u2013 a morte \u2013 eis que este contraponto continua, mas agora invertendo-se a sorte: um pobre colocado pelos Anjos ao lado de Abra\u00e3o e um rico, na mans\u00e3o dos mortos, em tormentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Este rico aparece an\u00f3nimo, definido apenas pelas suas pr\u00f3prias riquezas, que ao inv\u00e9s de serem possu\u00eddas por ele, j\u00e1 possu\u00edram de tal modo o seu cora\u00e7\u00e3o que o fazem viver indiferente ao mundo \u00e0 sua volta. Mas este pobre tem nome pr\u00f3prio, chama-se L\u00e1zaro. Curiosamente, \u00e9 a \u00fanica par\u00e1bola onde uma personagem tem nome pr\u00f3prio. Este nome evoca a casa de Bet\u00e2nia, casa da amizade e da ressurrei\u00e7\u00e3o, a casa do nardo puro. Na verdade, o pobre tem o nome do amigo de Jesus e o seu rosto e o seu nome est\u00e3o gravados no cora\u00e7\u00e3o de Deus. N\u00e3o podemos esquecer as palavras de Jesus quando afirmava: \u00abs<em>empre que fizestes isto a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes<\/em>\u00bb (Mt 25,40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Efectivamente, o rico n\u00e3o fez mal a L\u00e1zaro, n\u00e3o o tratou mal, n\u00e3o o afastou, n\u00e3o o agrediu nem o expulsou. Este rico ignorou L\u00e1zaro e o seu pecado \u00e9 a indiferen\u00e7a. Como afirma Ermes Ronchi: \u00ab<em>o verdadeiro contr\u00e1rio do amor n\u00e3o \u00e9 o \u00f3dio, mas a indiferen\u00e7a, para a qual o outro nem sequer existe, \u00e9 apenas uma sombra entre os c\u00e3es<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Este homem rico, atolado pelos seus in\u00fameros pertences e haveres, n\u00e3o consegue ver al\u00e9m de si pr\u00f3prio e dos seus bens. Contudo, ap\u00f3s a morte, destino comum para ricos e pobres, aquele rico, nas profundezas do abismo, v\u00ea L\u00e1zaro. \u00c9 a primeira vez que nesta par\u00e1bola este rico v\u00ea alguma coisa para al\u00e9m de si pr\u00f3prio. Mas o que v\u00ea \u00e9 ainda para colocar ao seu servi\u00e7o: \u00ab<em>Pai Abra\u00e3o, tem compaix\u00e3o de mim. Envia L\u00e1zaro, para que molhe em \u00e1gua a ponta do dedo e me refresque a l\u00edngua, porque estou atormentado nestas chamas<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As riquezas n\u00e3o s\u00e3o um mal em si mesmas. Bem sabemos que os bens materiais s\u00e3o necess\u00e1rios para a nossa subsist\u00eancia e at\u00e9 conhecemos o drama daqueles que n\u00e3o t\u00eam as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para uma vida digna. Contudo, \u00e9 necess\u00e1rio libertarmo-nos de tudo aquilo que nos impede de ver a realidade \u00e0 nossa volta e nos torna indiferentes ao mundo e aos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Outra importante protagonista desta par\u00e1bola \u00e9 a morte, preciosa mem\u00f3ria dos limites que marcam o tempo da aventura humana. Ela \u00e9 frequentemente removida pela consci\u00eancia com comportamentos e atitudes que nos d\u00e3o uma ilus\u00e3o de imortalidade. Possuir muitos bens, um estilo de vida luxuoso, que se manifesta na qualidade do que se veste, do carro que se possui e no quotidiano banquetear-se lautamente sem nada partilhar, eis uma tentativa, t\u00e3o sedutora quanto ilus\u00f3ria de evitar a ang\u00fastia da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Contudo, como nos recorda Paulo, apenas \u00ab<em>a justi\u00e7a e a piedade, a f\u00e9 e a caridade, a perseveran\u00e7a e a mansid\u00e3o<\/em>\u00bb nos podem sintonizar com a vida de Deus e rasgar horizontes de esperan\u00e7a que inauguram no aqui e agora do tempo e da hist\u00f3ria, a vida plena que um dia esperamos saborear no C\u00e9u. <strong><em>in Voz Portucalense. <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Neste <strong>Domingo XXVI do Tempo Comum<\/strong>, o diret\u00f3rio lit\u00fargico assinala o <strong>111.\u00ba Dia Mundial do Migrante e do Refugiado<\/strong>, ainda que neste ano jubilar, em Roma, o <strong>Dia Mundial do Migrante e Refugiado ser\u00e1 vivido nos dias 4 e 5 de outubro, no Jubileu dos Migrantes e do Mundo Mission\u00e1rio<\/strong>. Para este ano, o Papa Le\u00e3o XIV escreveu uma mensagem intitulada: \u00abMigrantes, mission\u00e1rios de esperan\u00e7a\u00bb. Sendo uma mensagem breve<strong>, (ver anexo)<\/strong> pode ser distribu\u00edda pelos fi\u00e9is ou divulgada nas redes sociais pelas comunidades. <strong><em>in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Continuamos no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C \u2013 onde somos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong> <strong>\u2013 <\/strong><strong>Am\u00f3s 6,1a.4-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eis o que diz o Senhor omnipotente:<br \/>\n\u00abAi daqueles que vivem comodamente em Si\u00e3o<br \/>\ne dos que se sentem tranquilos no monte da Samaria.<br \/>\nDeitados em leitos de marfim,<br \/>\nestendidos nos seus div\u00e3s,<br \/>\ncomem os cordeiros do rebanho<br \/>\ne os vitelos do est\u00e1bulo.<br \/>\nImprovisam ao som da lira<br \/>\ne cantam como David as suas pr\u00f3prias melodias.<br \/>\nBebem o vinho em grandes ta\u00e7as<br \/>\ne perfumam-se com finos unguentos,<br \/>\nmas n\u00e3o os aflige a ru\u00edna de Jos\u00e9.<br \/>\nPor isso, agora partir\u00e3o para o ex\u00edlio \u00e0 frente dos deportados<br \/>\ne acabar\u00e1 esse bando de voluptuosos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Am\u00f3s era natural de T\u00e9cua, uma pequena localidade situada a cerca de oito quil\u00f3metros a sudeste de Bel\u00e9m, no reino de Jud\u00e1. N\u00e3o pertencia a um grupo organizado de profetas, nem se movia nos c\u00edrculos religiosos tradicionais. Era \u201cpastor e cultivava frutos de sic\u00f3moros\u201d (Am 7,14) quando Deus o chamou a exercer a miss\u00e3o prof\u00e9tica e o enviou para o Reino do Norte (Israel). Jerobo\u00e3o II (782-753 a.C.) era, por essa altura, o rei de Israel. Estar\u00edamos por volta de 760 a.C.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Israel conhecia, por essa altura, uma grande prosperidade econ\u00f3mica. As conquistas militares de Jerobo\u00e3o II tinham ampliado os limites do reino e feito entrar no pa\u00eds riquezas consider\u00e1veis, resultantes dos tributos pagos pelos povos vencidos. A classe dirigente, rica e poderosa, vivia em festas intermin\u00e1veis; o com\u00e9rcio e a ind\u00fastria (mineira e t\u00eaxtil) asseguravam bem-estar e riqueza; as habita\u00e7\u00f5es da burguesia urbana atingiram um luxo e magnific\u00eancia at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto, a prosperidade das classes favorecidas contrastava com a mis\u00e9ria de uma parte significativa da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. O sistema de distribui\u00e7\u00e3o de bens essenciais estava nas m\u00e3os de comerciantes sem escr\u00fapulos que, aproveitando o bem-estar econ\u00f3mico, especulavam com os pre\u00e7os. Com o aumento dos pre\u00e7os, as fam\u00edlias de menores recursos endividavam-se e acabavam por se ver espoliadas das suas terras em favor dos grandes latifundi\u00e1rios. Os poderosos dominavam os tribunais, subornavam os ju\u00edzes e utilizavam o aparelho judicial para proteger os seus interesses de classe. Os mais pobres, espoliados dos seus direitos, n\u00e3o tinham quem os defendesse face \u00e0s injusti\u00e7as de que eram alvo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por outro lado, a religi\u00e3o florescia num esplendor ritual nunca visto. Magn\u00edficas festas, abundantes sacrif\u00edcios de animais, um culto esplendoroso, marcavam a vida religiosa dos israelitas\u2026 O problema \u00e9 que esse culto n\u00e3o tinha nada a ver com a vida: no dia a dia, os mesmos que participavam nesses ritos cultuais majestosos praticavam injusti\u00e7as contra os pobres e cometiam toda a esp\u00e9cie de atropelos ao direito. Mais ainda: os ricos ofereciam a Deus abundantes ofertas, a fim de serenar as suas consci\u00eancias culpadas e assegurar a cumplicidade de Deus para os seus neg\u00f3cios escuros\u2026 Al\u00e9m disso, a influ\u00eancia da religi\u00e3o cananeia estava a levar os israelitas para o sincretismo religioso: o culto a Jav\u00e9 misturava-se com rituais pag\u00e3os provenientes dos cultos a Baal e Astarte. Essa confus\u00e3o religiosa punha em s\u00e9rios riscos a pureza da f\u00e9 javista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 neste contexto que Am\u00f3s, o \u201cprofeta da justi\u00e7a social\u201d, vai fazer ouvir a sua den\u00fancia prof\u00e9tica. O seu discurso, rude e sincero, traz algo da dureza do deserto; a sua mensagem, desafiadora e inquietante, avisa que Deus est\u00e1 cansado de ver injusti\u00e7as e arbitrariedades. Israel est\u00e1 em grave perigo, pois Deus n\u00e3o est\u00e1 disposto a suportar por mais tempo aquilo que est\u00e1 a acontecer. Se Israel continuar neste caminho, espera-o o castigo e a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que hoje nos \u00e9 proposto pertence ao g\u00e9nero liter\u00e1rio dos \u201cais\u201d (vers. 1). Come\u00e7a com uma interjei\u00e7\u00e3o (\u201chwy\u201d) que \u00e9, habitualmente, usada em lamenta\u00e7\u00f5es f\u00fanebres. A palavra corresponde ao grito com que as carpideiras acompanham o cortejo f\u00fanebre\u2026. \u00c9 o terceiro \u201cai\u201d de Am\u00f3s; os outros dois aparecem em Am 5,7 (a prop\u00f3sito da justi\u00e7a e dos tribunais) e em Am 5,18 (a prop\u00f3sito do culto). No discurso prof\u00e9tico esta palavra aparece como introdu\u00e7\u00e3o a um or\u00e1culo que anuncia o castigo: indica que certas pessoas ou grupos se encontram \u00e0s portas da morte por causa dos seus pecados. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O mundo de Am\u00f3s parece-nos substancialmente diferente daquele que conhecemos nos nossos dias? \u00c9 claro que n\u00e3o. Tamb\u00e9m hoje h\u00e1 pessoas que vivem comodamente instaladas numa vida f\u00e1cil e despreocupada, sem querer saber do imenso cortejo de homens e mulheres que n\u00e3o t\u00eam o necess\u00e1rio para viver dignamente; tamb\u00e9m hoje h\u00e1 pessoas que ganham fortunas com o trabalho escravo, mas que pagam sal\u00e1rios de mis\u00e9ria aos seus empregados; tamb\u00e9m hoje h\u00e1 pessoas que malbaratam fortunas em festas espl\u00eandidas, cuja finalidade \u00e9 apenas ter visibilidade social; tamb\u00e9m hoje h\u00e1 pessoas que se apossam indevidamente de dinheiros p\u00fablicos e que nunca s\u00e3o responsabilizados porque encontram sempre maneira de fazer com que os seus crimes prescrevam\u2026 E, por contraste, h\u00e1 homens e mulheres que trabalham duramente e que nem sempre conseguem assegurar o p\u00e3o de cada dia para os seus filhos; h\u00e1 pessoas de idade que passaram toda a vida a trabalhar e que, nos \u00faltimos anos das suas vidas enfrentam dificuldades porque a sua magra reforma mal d\u00e1 para pagar os medicamentos de que necessitam; h\u00e1 imigrantes que v\u00eam \u00e0 procura de uma vida mais digna e acabam por ser obrigados a contentar-se com condi\u00e7\u00f5es que os degradam. Podemos conformar-nos com estes quadros? Que podemos fazer para que o nosso mundo seja mais justo e mais humano? Como reivindicar, com coragem prof\u00e9tica, um mundo mais parecido com o projeto de Deus?<\/li>\n<li>N\u00e3o nos contentemos, contudo, em condenar simplesmente uma sociedade ego\u00edsta e injusta, que n\u00e3o se importa com as fraturas sociais e que cultiva a indiferen\u00e7a\u2026 Atrevamo-nos tamb\u00e9m a olhar para n\u00f3s, para o nosso estilo de vida, para os valores que nos governam, para a forma como utilizamos os bens que Deus nos confiou\u2026 \u00c9 poss\u00edvel que n\u00e3o frequentemos festas que re\u00fanem os colun\u00e1veis da nossa pra\u00e7a; \u00e9 poss\u00edvel que n\u00e3o usemos dinheiros p\u00fablicos para pagar os nossos divertimentos e esbanjamentos; \u00e9 poss\u00edvel que remuneremos com justi\u00e7a as pessoas que nos servem\u2026 Mas o nosso estilo de vida \u00e9 simples, s\u00f3brio, equilibrado, sem excessos? Cedemos \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o do consumismo, vivemos voltados para as coisas f\u00fateis e sup\u00e9rfluas? Os valores que privilegiamos s\u00e3o os valores consistentes e duradouros, ou s\u00e3o os valores ef\u00e9meros, impostos pela moda ou pelos \u201cfazedores\u201d de opini\u00e3o? Tratamos com respeito as pessoas mais pobres, mais humildes, aquelas que nos servem?<\/li>\n<li>Am\u00f3s contempla o quadro da sociedade do seu tempo e n\u00e3o tem d\u00favidas: Deus n\u00e3o aprova, de forma nenhuma, uma situa\u00e7\u00e3o que degrada a dignidade dos seus queridos filhos. Por isso, diz Am\u00f3s, Deus vai p\u00f4r um ponto final na maldade e na injusti\u00e7a: esses que n\u00e3o se afligem com o sofrimento dos seus irm\u00e3os, \u201cpartir\u00e3o para o ex\u00edlio \u00e0 frente dos deportados e acabar\u00e1 esse bando de voluptuosos\u201d. S\u00e3o palavras arrepiantes, que nos devem fazer pensar. Talvez nos choque \u2013 a n\u00f3s que frequentamos a \u201cescola de Jesus\u201d e que aprendemos com Jesus a ver em Deus um Pai benevolente e misericordioso \u2013 esta \u201cvers\u00e3o\u201d de um Deus justiceiro, que castiga duramente os injustos e os maus\u2026 Mas a radical afirma\u00e7\u00e3o do profeta, fruto da sua indigna\u00e7\u00e3o, serve para nos fazer perceber que Deus nunca estar\u00e1 do lado daqueles que n\u00e3o se importam com o sofrimento dos seus irm\u00e3os. A afirma\u00e7\u00e3o de Am\u00f3s \u00e9 a condena\u00e7\u00e3o radical de um estilo de vida que fere a dignidade dos filhos de Deus, particularmente dos mais fr\u00e1geis e humildes. O que sentimos diante disto? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 145 (146)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: \u00d3 minha alma, louva o Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Aleluia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor faz justi\u00e7a aos oprimidos,<br \/>\nd\u00e1 p\u00e3o aos que t\u00eam fome<br \/>\ne a liberdade aos cativos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor ilumina os olhos dos cegos,<br \/>\no Senhor levanta os abatidos,<br \/>\no Senhor ama os justos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor protege os peregrinos,<br \/>\nampara o \u00f3rf\u00e3o e a vi\u00fava<br \/>\ne entrava o caminho aos pecadores.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor reina eternamente.<br \/>\nO teu Deus, \u00f3 Si\u00e3o,<br \/>\n\u00e9 Rei por todas as gera\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Tim\u00f3teo 6,11-16<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Car\u00edssimo:<br \/>\nTu, homem de Deus, pratica a justi\u00e7a e a piedade,<br \/>\na f\u00e9 e a caridade, a perseveran\u00e7a e a mansid\u00e3o.<br \/>\nCombate o bom combate da f\u00e9,<br \/>\nconquista a vida eterna, para a qual foste chamado<br \/>\ne sobre a qual fizeste t\u00e3o bela profiss\u00e3o de f\u00e9<br \/>\nperante numerosas testemunhas.<br \/>\nOrdeno-te na presen\u00e7a de Deus,<br \/>\nque d\u00e1 a vida a todas as coisas,<br \/>\ne de Cristo Jesus,<br \/>\nque deu testemunho da verdade diante de P\u00f4ncio Pilatos:<br \/>\nguarda este mandamento sem mancha<br \/>\ne acima de toda a censura,<br \/>\nat\u00e9 \u00e0 apari\u00e7\u00e3o de Nosso Senhor Jesus Cristo,<br \/>\na qual manifestar\u00e1 a seu tempo<br \/>\no venturoso e \u00fanico soberano,<br \/>\nRei dos reis e Senhor dos senhores,<br \/>\no \u00fanico que possui a imortalidade e habita uma luz inacess\u00edvel,<br \/>\nque nenhum homem viu nem pode ver.<br \/>\nA Ele a honra e o poder eterno. Amen.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tim\u00f3teo era uma figura bem conhecida nas comunidades crist\u00e3s ligadas ao ap\u00f3stolo Paulo. Filho de pai grego e de m\u00e3e judeo-crist\u00e3, Tim\u00f3teo era natural da cidade de Listra, situada na regi\u00e3o da Lica\u00f3nia, a cerca de trinta quil\u00f3metros a sul de Ic\u00f3nio. Paulo encontrou-se com Tim\u00f3teo quando passou em Listra, no decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria. Tim\u00f3teo acompanhou Paulo a partir da\u00ed. O livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos refere a presen\u00e7a de Tim\u00f3teo junto de Paulo na Bereia, em Atenas (cf. At 17,14-15), em Corinto (cf. At 18,5) e em \u00c9feso (cf. At 19,22). Paulo confiava plenamente em Tim\u00f3teo, chegando mesmo a confiar-lhe algumas miss\u00f5es delicadas junto de comunidades crist\u00e3s que se defrontavam com problemas (cf. 1 Ts 3,2.6; 1 Cor 4,17; 16,10-11). A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 apresenta Tim\u00f3teo como o primeiro bispo de \u00c9feso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Discute-se se a primeira Carta a Tim\u00f3teo \u00e9 de autoria paulina. A maior parte dos biblistas pensa que n\u00e3o. A linguagem e a teologia parecem significativamente distantes de outras cartas reconhecidamente paulinas. Al\u00e9m disso, a carta refere-se a um modelo de organiza\u00e7\u00e3o eclesial que parece bem posterior \u00e0 \u00e9poca de Paulo (Paulo teria sido martirizado em Roma por volta do ano 66\/67, durante a persegui\u00e7\u00e3o de Nero). A grande preocupa\u00e7\u00e3o que transparece na primeira Carta a Tim\u00f3teo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a difus\u00e3o do Evangelho, mas sim a organiza\u00e7\u00e3o e a conserva\u00e7\u00e3o do \u201cdep\u00f3sito da f\u00e9\u201d. Parece ser um escrito de uma \u00e9poca tardia, de um tempo em que a comunidade crist\u00e3 come\u00e7a a sofrer a influ\u00eancia de \u201cmestres\u201d que difundem doutrinas estranhas \u00e0 f\u00e9 apost\u00f3lica. O autor da carta deixa-nos o perfil desses \u201cfalsos mestres\u201d: s\u00e3o orgulhosos e ignorantes, fomentam a disc\u00f3rdia, os insultos, as suspeitas injustas, as invejas e os ci\u00fames, discutem quest\u00f5es sem import\u00e2ncia, s\u00e3o gananciosos e preocupam-se com o lucro pessoal (cf. 1 Tm 6,4-6). A comunidade crist\u00e3 deve desconfiar deles e n\u00e3o lhes dar cr\u00e9dito. A esses \u201cfalsos mestres\u201d, o autor da Carta contrap\u00f5e o \u201chomem de Deus\u201d: aquele em quem a comunidade crist\u00e3 pode confiar, pois transmite sem falhas a f\u00e9 apost\u00f3lica. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O autor da primeira Carta a Tim\u00f3teo tra\u00e7a, neste breve trecho que a liturgia deste domingo nos prop\u00f5e como segunda leitura, o perfil daquele a quem chama o \u201chomem de Deus\u201d. O que \u00e9 um \u201chomem de Deus\u201d? \u00c9 algu\u00e9m que faz coisas transcendentes e que vive a meio caminho entre o c\u00e9u e a terra? N\u00e3o. O \u201chomem de Deus\u201d \u00e9, simplesmente, aquele que \u00e9 no mundo um sinal vivo de Deus; \u00e9 aquele que \u00e9, no meio dos seus irm\u00e3os, um an\u00fancio da bondade e do amor de Deus; \u00e9 aquele que, pela forma como age, torna Deus presente na vida de todos aqueles que com ele se cruzam. Talvez hoje, nesta \u00e9poca um tanto peculiar em que nos toca viver, ser \u201chomem de Deus\u201d n\u00e3o pare\u00e7a uma \u201ccarreira\u201d muito atrativa: exige compromisso, entrega, coer\u00eancia, verdade, sacrif\u00edcio, dom de si pr\u00f3prio; exige um estilo de vida que leva, por vezes, a \u201cremar contra a corrente\u201d, a \u201ccircular em contram\u00e3o\u201d, a prescindir de valores que a maioria aprecia e cultiva. Ser \u201chomem de Deus\u201d ou \u201cmulher de Deus\u201d faz parte do nosso programa de vida?<\/li>\n<li>Detenhamo-nos um pouco mais nas implica\u00e7\u00f5es de ser \u201chomem de Deus\u201d: de acordo com o autor da primeira Carta a Tim\u00f3teo, o \u201chomem de deus\u201d \u00e9 algu\u00e9m que \u201cpratica a justi\u00e7a e a piedade, a f\u00e9 e a caridade, a perseveran\u00e7a e a mansid\u00e3o\u201d; \u00e9 algu\u00e9m que leva muito a s\u00e9rio a sua f\u00e9, que a vive em todas as circunst\u00e2ncias, mesmo em contextos de incompreens\u00e3o e de persegui\u00e7\u00e3o; \u00e9 algu\u00e9m que, como Jesus, d\u00e1 testemunho da verdade, sem medo nem respeito humano. Ou seja: ser \u201chomem de Deus\u201d \u00e9 viver de acordo com os compromissos que assumimos quando aderimos a Cristo, no dia do nosso batismo. Temos procurado viver de acordo com os compromissos que resultam do nosso batismo? Seguimos Jesus, como disc\u00edpulos, no caminho da entrega, do servi\u00e7o, do dom da vida? Praticamos a caridade, a mansid\u00e3o, a miseric\u00f3rdia? Damos testemunho da verdade de Deus, seja em que circunst\u00e2ncias forem?<\/li>\n<li>Embora isso n\u00e3o apare\u00e7a de forma expl\u00edcita no texto que escutamos hoje, o autor da primeira Carta a Tim\u00f3teo denuncia a \u201cgan\u00e2ncia do dinheiro\u201d que levou muitos \u201cfalsos mestres\u201d a desviarem-se da f\u00e9 e a enveredarem por caminhos equ\u00edvocos (cf. 1 Tm 6,10). A Tim\u00f3teo, o autor da Carta pede: \u201cfoge dessas coisas\u201d (1 Tm 6,11a). Este aviso \u2013 que antecede imediatamente o texto que escutamos \u2013 encaixa perfeitamente na tem\u00e1tica que domina a liturgia deste domingo: o perigo de nos apegarmos ao dinheiro e de sacrificarmos toda a nossa vida ao deus dinheiro. A advert\u00eancia vale para todos os \u201chomens de Deus\u201d, inclusive os \u201cpastores\u201d das comunidades crist\u00e3s\u2026 Quando nos deixamos dominar pelo amor do dinheiro, perdemos o controle da nossa vida, esquecemos os nossos valores, passamos a ser mercen\u00e1rios que trabalham por interesse, fazemos da f\u00e9 um neg\u00f3cio, esquecemos o significado da caridade, tornamo-nos escravos da mentira, subvertemos o Evangelho. Os bens materiais s\u00e3o o nosso horizonte dominante? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 16,19-31<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\ndisse Jesus aos fariseus:<br \/>\n\u00abHavia um homem rico,<br \/>\nque se vestia de p\u00farpura e linho fino<br \/>\ne se banqueteava esplendidamente todos os dias.<br \/>\nUm pobre, chamado L\u00e1zaro,<br \/>\njazia junto do seu port\u00e3o, coberto de chagas.<br \/>\nBem desejava saciar-se do que ca\u00eda da mesa do rico,<br \/>\nmas at\u00e9 os c\u00e3es vinham lamber-lhe as chagas.<br \/>\nOra sucedeu que o pobre morreu<br \/>\ne foi colocado pelos Anjos ao lado de Abra\u00e3o.<br \/>\nMorreu tamb\u00e9m o rico e foi sepultado.<br \/>\nNa mans\u00e3o dos mortos, estando em tormentos,<br \/>\nlevantou os olhos e viu Abra\u00e3o com L\u00e1zaro a seu lado.<br \/>\nEnt\u00e3o ergueu a voz e disse:<br \/>\n\u2018Pai Abra\u00e3o, tem compaix\u00e3o de mim.<br \/>\nEnvia L\u00e1zaro, para que molhe em \u00e1gua a ponta do dedo<br \/>\ne me refresque a l\u00edngua,<br \/>\nporque estou atormentado nestas chamas\u2019.<br \/>\nAbra\u00e3o respondeu-lhe:<br \/>\n\u2018Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em vida<br \/>\ne L\u00e1zaro apenas os males.<br \/>\nPor isso, agora ele encontra-se aqui consolado,<br \/>\nenquanto tu \u00e9s atormentado.<br \/>\nAl\u00e9m disso, h\u00e1 entre n\u00f3s e v\u00f3s um grande abismo,<br \/>\nde modo que se algu\u00e9m quisesse passar daqui para junto de v\u00f3s,<br \/>\nou da\u00ed para junto de n\u00f3s,<br \/>\nn\u00e3o poderia faz\u00ea-lo\u2019.<br \/>\nO rico insistiu:<br \/>\n\u2018Ent\u00e3o pe\u00e7o-te, \u00f3 pai,<br \/>\nque mandes L\u00e1zaro \u00e0 minha casa paterna<br \/>\n\u2013 pois tenho cinco irm\u00e3os \u2013<br \/>\npara que os previna,<br \/>\na fim de que n\u00e3o venham tamb\u00e9m para este lugar de tormento\u2019.<br \/>\nDisse-lhe Abra\u00e3o:<br \/>\n\u2018Eles t\u00eam Mois\u00e9s e os Profetas.<br \/>\nQue os oi\u00e7am\u2019.<br \/>\nMas ele insistiu:<br \/>\n\u2018N\u00e3o, pai Abra\u00e3o. Se algum dos mortos for ter com eles,<br \/>\narrepender-se-\u00e3o\u2019.<br \/>\nAbra\u00e3o respondeu-lhe:<br \/>\n\u2018Se n\u00e3o d\u00e3o ouvidos a Mois\u00e9s nem aos Profetas,<br \/>\nmesmo que algu\u00e9m ressuscite dos mortos,<br \/>\nn\u00e3o se convencer\u00e3o\u2019.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus vai a caminho de Jerusal\u00e9m, acompanhado pelos disc\u00edpulos. Enquanto caminham, Jesus vai desvelando aos disc\u00edpulos os mist\u00e9rios do Reino de Deus. O tempo de Jesus junto dos disc\u00edpulos est\u00e1 a esgotar-se, pois a cruz est\u00e1 a espera d\u2019Ele em Jerusal\u00e9m, no final desse \u201ccaminho\u201d. \u00c9 necess\u00e1rio preparar os disc\u00edpulos para que, ap\u00f3s a partida de Jesus, assumam a miss\u00e3o de dar testemunho do Reino de Deus por todo o lado, \u201cat\u00e9 aos confins do mundo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A hist\u00f3ria de um rico an\u00f3nimo e de um mendigo chamado L\u00e1zaro \u00e9 mais uma das \u201cli\u00e7\u00f5es\u201d que Jesus oferece enquanto caminha para Jerusal\u00e9m. Trata-se de um epis\u00f3dio exclusivo de Lucas, que mais nenhum dos evangelistas refere. Desta vez, a \u201cli\u00e7\u00e3o\u201d de Jesus n\u00e3o se destina apenas aos disc\u00edpulos: destina-se tamb\u00e9m aos fariseus (cf. Lc 16,14), que representam todos aqueles que amam o dinheiro e vivem em fun\u00e7\u00e3o dos bens materiais. Poucos antes esses fariseus tinham tro\u00e7ado de Jesus por Ele dizer: \u201cn\u00e3o podeis servir a Deus e ao dinheiro\u201d. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A hist\u00f3ria do rico e do pobre L\u00e1zaro poder\u00e1 ser vista como uma par\u00e1bola sobre o nosso mundo\u2026. H\u00e1 gente que vive comodamente instalada numa sociedade de bem-estar, cercada de luxo e de abund\u00e2ncia, com h\u00e1bitos consumistas e com preocupa\u00e7\u00f5es f\u00fateis, cuja vida \u00e9 uma festa intermin\u00e1vel e um esbanjamento sem medida. E h\u00e1 gente \u2013 muita, muita gente \u2013 sem recursos e sem futuro, abandonada nas bermas do caminho que a humanidade percorre, afundada na mis\u00e9ria mais sombria, que vive privada de p\u00e3o, de instru\u00e7\u00e3o, de cuidados m\u00e9dicos, de dignidade e de amor. Podemos arranjar mil e uma raz\u00f5es para justificar este estado de coisas; podemos inventar todas as culpas e desculpas que quisermos para explicar este quadro\u2026 Mas tratar-se-\u00e1 sempre de um esc\u00e2ndalo intoler\u00e1vel, que subverte completamente o projeto de vida que Deus tem para os seus queridos filhos. Jesus di-lo claramente na hist\u00f3ria que contou a caminho de Jerusal\u00e9m e que o Evangelho deste domingo nos traz: Deus n\u00e3o concorda, de forma nenhuma, que o mundo seja constru\u00eddo desta forma; Deus n\u00e3o pode aceitar que um quarto da humanidade a\u00e7ambarque oitenta por cento dos recursos que Ele p\u00f4s \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos e que tr\u00eas quartos da humanidade tenham de viver com os vinte por cento restantes. E n\u00f3s, aceitamos? Podemos viver tranquilos sabendo que em tantos lugares do nosso mundo h\u00e1 pessoas que n\u00e3o t\u00eam o necess\u00e1rio para viver? Que podemos fazer?<\/li>\n<li>O grande pecado do \u201crico\u201d da par\u00e1bola \u00e9 ficar completamente indiferente \u00e0 sorte do pobre L\u00e1zaro. L\u00e1zaro est\u00e1 todos os dias deitado junto do port\u00e3o da casa do homem rico, derrotado e necessitado; mas o \u201crico\u201d n\u00e3o o v\u00ea, ou n\u00e3o o quer ver, ou v\u00ea-o e acha que aquilo n\u00e3o lhe diz respeito. O pobre L\u00e1zaro, cheio de fome e com o corpo cheio de chagas, n\u00e3o conta, n\u00e3o interessa, n\u00e3o tem voz nem vez, n\u00e3o atrai um olhar, n\u00e3o suscita compaix\u00e3o, vale tanto como uma pedra muda e insens\u00edvel. A indiferen\u00e7a desumaniza: desumaniza o \u201cpobre\u201d que perde, aos olhos dos seus irm\u00e3os o estatuto de pessoa; desumaniza o \u201crico\u201d, aquele que vive apenas voltado para os seus interesses e que deixa de ter sentimentos de humanidade pelo seu irm\u00e3o. Fala-se hoje muito da \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a\u201d. \u00c9 uma realidade. Somos uma sociedade que esqueceu a experi\u00eancia de sentir compaix\u00e3o, de chorar com os que choram e de rir com os que riem; passamos pelo irm\u00e3o que sofre sem ver, ou como se o sofrimento do outro n\u00e3o nos dissesse respeito. Encolhemos os ombros diante da mis\u00e9ria, levantamos barreiras para que os pobres n\u00e3o entrem no nosso pa\u00eds e n\u00e3o batam \u00e0 porta da nossa casa, criamos institui\u00e7\u00f5es onde escondemos aqueles que, pelo seu sofrimento, nos questionam e incomodam, reduzimos a fome e a enfermidade a n\u00fameros e estat\u00edsticas que n\u00e3o nos tocam. Se continuarmos a viver assim, sem sentir compaix\u00e3o, n\u00e3o estaremos a desumanizar-nos? Onde \u00e9 que nos leva a globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a?<\/li>\n<li>H\u00e1 uma coisa que Jesus deixa bem claro na par\u00e1bola: Deus n\u00e3o est\u00e1 de acordo com a nossa insensibilidade diante do sofrimento, com a nossa indiferen\u00e7a face ao irm\u00e3o necessitado, com o ego\u00edsmo que nos leva a olhar apenas para o nosso bem-estar, com o esbanjamento dos bens que pertencem a todos os homens. Com uma linguagem dura, muito pr\u00f3pria dos pregadores da \u00e9poca, Jesus declara solenemente que uma vida vivida em chave de ego\u00edsmo e autossufici\u00eancia \u00e9 uma vida completamente perdida, falhada, sem sentido. Os \u201ctormentos\u201d que o \u201crico\u201d da par\u00e1bola sofre, no final da sua vida, s\u00e3o a maneira de representar a situa\u00e7\u00e3o daqueles que, chegados ao fim do seu caminho, descobrem que a sua exist\u00eancia ego\u00edsta foi um total fracasso e que j\u00e1 n\u00e3o lhes \u00e9 poss\u00edvel voltar atr\u00e1s. Para n\u00f3s, que ainda caminhamos na terra, a vida n\u00e3o est\u00e1 ainda fechada: \u00e9 poss\u00edvel retrocedermos, \u00e9 poss\u00edvel dar sentido \u00e0 nossa vida, \u00e9 poss\u00edvel construirmos um mundo mais humano, mais fraterno e mais feliz. Ousaremos faz\u00ea-lo?<\/li>\n<li>\u00c0s vezes, diante da maldade e do ego\u00edsmo que desfeiam o mundo e que fazem sofrer os homens, interpelamos Deus, duvidamos da sua justi\u00e7a e do seu amor, criticamos a sua indiferen\u00e7a face aos homens, garantimos que n\u00e3o compreendemos o sil\u00eancio que Ele mant\u00e9m face \u00e0s desgra\u00e7as que acontecem no mundo e na hist\u00f3ria dos homens\u2026 Quando tecemos essas cr\u00edticas, estaremos a ser justos? Desde o in\u00edcio da humanidade, Deus anda a avisar-nos, a propor-nos caminhos, a indicar-nos como devemos viver para construir um mundo mais humano e mais feliz. A certa altura, Deus at\u00e9 nos enviou o seu filho, o seu Jesus, para nos ensinar a construir a civiliza\u00e7\u00e3o do amor. Se os homens continuam a caminhar por caminhos de ego\u00edsmo e de maldade, a culpa ser\u00e1 de Deus? N\u00e3o ouvimos a cada passo a Palavra de Deus, uma Palavra que nos aponta inequivocamente o caminho que conduz \u00e0 vida? Vivemos atentos a essa Palavra? Levamo-la a s\u00e9rio? Deixamo-nos conduzir por ela? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, com a exce\u00e7\u00e3o da palavra \u00ab<em>voluptuosos<\/em>\u00bb, n\u00e3o existe nenhuma palavra dif\u00edcil ou uma constru\u00e7\u00e3o fr\u00e1sica mais exigente. Deste modo, pede-se apenas a aten\u00e7\u00e3o no tom da proclama\u00e7\u00e3o da leitura onde o Profeta Am\u00f3s, em nome de Deus, denuncia violentamente uma classe dirigente ociosa, que vive no luxo \u00e0 custa da explora\u00e7\u00e3o dos pobres. Sem exageros, este tom condenat\u00f3rio, deve estar presente na proclama\u00e7\u00e3o da leitura. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na <strong>segunda leitura<\/strong>, S. Paulo exorta o seu interlocutor na pr\u00e1tica da caridade e das boas obras. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio ter em aten\u00e7\u00e3o o vocativo presente no in\u00edcio da leitura, bem como as diversas formas verbais no imperativo \u2013 \u00ab<em>combate<\/em>\u00bb, \u00ab<em>conquista<\/em>\u00bb, \u00ab<em>ordeno-te<\/em>\u00bb e \u00ab<em>guarda<\/em>\u00bb \u2013 para que toda a riqueza do texto esteja presente na proclama\u00e7\u00e3o da leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Leitura-I-do-Domingo-XXVI-do-Tempo-Comum-Ano-C-28.09.2025-Amos-1a.4-7.pdf\">Leitura I do Domingo XXVI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 28.09.2025 (Am\u00f3s 1a.4-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Leitura-II-do-Domingo-XXVI-do-Tempo-Comum-Ano-C-28.09.2025-1-Timoteo-6-11-16.pdf\">Leitura II do Domingo XXVI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 28.09.2025 (1 Tim\u00f3teo 6, 11-16)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Domingo-XXVI-do-Tempo-Comum-Ano-C-28.09.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XXVI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 28.09.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Domingo-XXVI-do-Tempo-Comum-Ano-C-28.09.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXVI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 28.09.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Domingo-XXVI-do-Tempo-Comum-Ano-C-28.09.2025-refletindo.pdf\">Domingo XXVI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 28.09.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-XXVI-TC-Ano-C-28.09.2025-.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo XXVI TC- Ano C &#8211; 28.09.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Mensagem-do-Papa-Leao-XIV-para-o-111o-Dia-Mundial-do-Migrante-e-do-Refugiado-2025.pdf\">Mensagem do Papa Le\u00e3o XIV para o 111\u00ba Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXV do Tempo Comum &#8211; Ano C \u2013 21 setembro 2025&#8243; tab_id=&#8221;1759134999168-09e125b0-5929&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XXV do Tempo Comum &#8211; Ano C \u2013 21 setembro 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Domingo-XXV.jpg\" alt=\"\" width=\"514\" height=\"525\" \/><\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 poss\u00edvel que o Evangelho proponha como modelo a imitar um administrador desonesto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na verdade, ao lermos o Evangelho proposto para este Domingo encontramos uma par\u00e1bola que nos deixa sempre um pouco perplexos e nos faz inquirir qual a raz\u00e3o pela qual Jesus escolhe um administrador que \u00e9 acusado de desperdi\u00e7ar os bens do seu senhor para narrar esta par\u00e1bola. Mais, este administrador \u00e9 elogiado precisamente pelo seu senhor, n\u00e3o pela sua danosa administra\u00e7\u00e3o, mas pela esperteza e prontid\u00e3o com que reagiu ao despedimento do qual foi alvo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Alguns exegetas, tentando reduzir o impacto e estranheza causados pela narrativa, recordam o costume palestinense dos grandes propriet\u00e1rios de confiarem as suas propriedades a administradores locais, dando-lhes grande margem de manobra, desde que, no final do ano, entregassem ao senhor o que tinham acordado. Deste modo, este administrador a \u00fanica coisa que fez foi retirar aos devedores do seu senhor aquela que seria a sua parte do lucro, garantindo assim que uma vez despedido, tivesse quem o acolhesse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Contudo, Jesus n\u00e3o centra a sua par\u00e1bola na desonestidade deste homem e nem a recomenda, nem a censura. O administrador desta par\u00e1bola e o disc\u00edpulo de Jesus pertencem a duas formas bem distintas de olhar a vida e os outros: um obedece \u00e0 logica do mundo e o outro \u00e0 logica do Reino. Por\u00e9m, o disc\u00edpulo de Jesus \u00e9 convidado a aprender do administrador n\u00e3o a ser desonesto, mas a forjar a capacidade de decidir com prontid\u00e3o, intelig\u00eancia e largueza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Neste momento dif\u00edcil em que \u00e9 descoberto, este administrador demonstra sobretudo capacidade de aceita\u00e7\u00e3o da realidade (\u00ab<em>que hei-de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administra\u00e7\u00e3o?<\/em>\u00bb), o reconhecimento dos seus pr\u00f3prios limites, das suas capacidades e impot\u00eancias (\u00ab<em>para cavar n\u00e3o tenho for\u00e7a, de mendigar tenho vergonha<\/em>\u00bb) e, por fim, toma uma decis\u00e3o e faz uma escolha, preparando um futuro para si, efetuando gestos que lhe abrem novas possibilidades no futuro. Por isso, a exemplaridade deste homem n\u00e3o est\u00e1 no seu mau proceder como administrador, mas em discernir realisticamente a situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica em que se encontra e agir em conformidade, com prontid\u00e3o e intelig\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os \u00ab<em>filhos da luz<\/em>\u00bb devem aprender a discernir o tempo e a hora, devem reconhecer a proximidade do Reino e construir a sua exist\u00eancia com gestos prontos de convers\u00e3o que preparam o nosso cora\u00e7\u00e3o para a vida eterna para a qual somos chamados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O administrador que engana e rouba, que faz saldos de \u00faltima hora, \u00e9 tamb\u00e9m capaz de transformar os seus bens em amizade. Aflito, aquele homem oferece trigo e azeite, serve-se do dinheiro para ser acolhido e amado. Ao desperd\u00edcio sucede o dom. A riqueza, habitualmente, fecha as casas, constr\u00f3i muros, p\u00f5e alarmes e portas blindadas. Agora, pelo contr\u00e1rio, o dom abre aquele homem \u00e0 rela\u00e7\u00e3o com os outros, colocando o dinheiro ao servi\u00e7o da amizade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os bens deste mundo, necess\u00e1rios \u00e0 nossa sobreviv\u00eancia, n\u00e3o devem ser um fim em si mesmos. N\u00e3o devem ser eles a possu\u00edrem-nos, mas n\u00f3s a possuirmos os bens para que os possamos colocar ao servi\u00e7o do bem, do amor e da verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab<em>Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas<\/em>\u00bb. \u00c9 mais feliz quem tem mais amigos e n\u00e3o quem tem mais dinheiro. A nossa capacidade de amar transforma o mundo em que vivemos num lugar melhor e mais feliz e prepara o nosso cora\u00e7\u00e3o para o Reino que esperamos saborear um dia em plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na verdade, os bons administradores s\u00e3o os que imitam a gratuidade divina e o perd\u00e3o do Pai, semeando o bem, a bondade e a ternura e assim, como recorda uma das f\u00f3rmulas de b\u00ean\u00e7\u00e3o do rito do matrim\u00f3nio: \u00ab<em>sede testemunhas do amor de Deus no mundo, socorrendo os pobres e todos os que sofrem, para que eles vos recebam um dia, agradecidos, na eterna morada de Deus<\/em>\u00bb. <strong><em>in Voz Portucalense. <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Continuamos no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C \u2013 onde somos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>. Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong> <strong>\u2013 <\/strong><strong>Am\u00f3s 8,4-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Escutai bem, v\u00f3s que espezinhais o pobre<br \/>\ne quereis eliminar os humildes da terra.<br \/>\nV\u00f3s dizeis:<br \/>\n\u00abQuando passar\u00e1 a lua nova,<br \/>\npara podermos vender o nosso gr\u00e3o?<br \/>\nQuando chegar\u00e1 o fim de s\u00e1bado,<br \/>\npara podermos abrir os celeiros de trigo?<br \/>\nFaremos a medida mais pequena,<br \/>\naumentaremos o pre\u00e7o,<br \/>\narranjaremos balan\u00e7as falsas.<br \/>\nCompraremos os necessitados por dinheiro<br \/>\ne os indigentes por um par de sand\u00e1lias.<br \/>\nVenderemos at\u00e9 as cascas do nosso trigo\u00bb.<br \/>\nMas o Senhor jurou pela gl\u00f3ria de Jacob:<br \/>\n\u00abNunca esquecerei nenhuma das suas obras\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Am\u00f3s, o \u201cprofeta da justi\u00e7a social\u201d, exerceu o seu minist\u00e9rio prof\u00e9tico no reino do Norte (Israel) em meados do s\u00e9c. VIII a.C. (talvez por volta de 760 a. C.), durante o reinado de Jerobo\u00e3o II. \u00c9 uma \u00e9poca de prosperidade econ\u00f3mica e de estabilidade pol\u00edtica: as conquistas de Jerobo\u00e3o II alargaram consideravelmente os limites do reino e permitiram a entrada de tributos dos povos vencidos; o com\u00e9rcio e a ind\u00fastria (mineira e t\u00eaxtil) desenvolveram-se significativamente. As habita\u00e7\u00f5es da burguesia urbana atingiram um luxo e magnific\u00eancia at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prosperidade e o bem-estar das classes favorecidas contrastavam, por\u00e9m, com a mis\u00e9ria de uma parte significativa da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. O sistema de distribui\u00e7\u00e3o estava nas m\u00e3os de comerciantes sem escr\u00fapulos que, aproveitando o bem-estar econ\u00f3mico, especulavam com os pre\u00e7os. Com o aumento dos pre\u00e7os dos bens essenciais, as fam\u00edlias de menores recursos endividavam-se e acabavam por se ver espoliadas das suas terras em favor dos grandes latifundi\u00e1rios. A classe dirigente, rica e poderosa, dominava os tribunais e subornava os ju\u00edzes, impedindo que o tribunal fizesse justi\u00e7a aos mais pobres e defendesse os direitos dos menos poderosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, a religi\u00e3o florescia num esplendor ritual nunca visto. Magn\u00edficas festas, abundantes sacrif\u00edcios de animais, um culto esplendoroso, marcavam a vida religiosa dos israelitas\u2026 O problema \u00e9 que esse culto n\u00e3o tinha nada a ver com a vida: no dia a dia, os mesmos que participavam nesses ritos cultuais majestosos praticavam injusti\u00e7as contra o pobre e cometiam toda a esp\u00e9cie de atropelos ao direito. Mais ainda: os ricos ofereciam a Deus abundantes ofertas, a fim de serenar as suas consci\u00eancias culpadas e assegurar a cumplicidade de Deus para os seus neg\u00f3cios escuros\u2026 Al\u00e9m disso, a influ\u00eancia da religi\u00e3o cananeia estava a levar os israelitas para o sincretismo religioso: o culto a Jav\u00e9 misturava-se com rituais pag\u00e3os provenientes dos cultos a Baal e Astarte. Essa confus\u00e3o religiosa punha em s\u00e9rios riscos a pureza da f\u00e9 javista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste contexto que aparece o profeta Am\u00f3s. Natural de T\u00e9cua (uma pequena aldeia situada no deserto de Jud\u00e1), Am\u00f3s n\u00e3o \u00e9 profeta de profiss\u00e3o; mas, chamado por Deus, deixa a sua terra, o seu trabalho e a sua fam\u00edlia e parte para o reino vizinho (Israel) para gritar \u00e0 classe dirigente a sua den\u00fancia prof\u00e9tica. A rudeza do seu discurso, aliada \u00e0 integridade e afoiteza da sua f\u00e9, traz algo do ambiente duro do deserto e contrasta com a indol\u00eancia e o luxo da sociedade israelita da \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O or\u00e1culo que a liturgia nos prop\u00f5e como primeira leitura neste vig\u00e9simo quinto domingo comum denuncia veementemente o com\u00e9rcio injusto.<strong><em> i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Muitos s\u00e9culos nos separam do mundo do profeta Am\u00f3s; contudo, a sua den\u00fancia parece-nos bem atual. Ele descreve uma sociedade que, como a nossa, est\u00e1 profundamente marcada pela doen\u00e7a do ego\u00edsmo. Os sintomas dessa doen\u00e7a veem-se na explora\u00e7\u00e3o dos mais pobres, na especula\u00e7\u00e3o com os bens de primeira necessidade, na fraude, na adultera\u00e7\u00e3o da verdade, na corrup\u00e7\u00e3o, na tenta\u00e7\u00e3o do lucro f\u00e1cil, na explora\u00e7\u00e3o do trabalho escravo, no desrespeito pela dignidade dos outros seres humanos\u2026 N\u00e3o \u00e9 exatamente isto que continuamos a ver acontecer todos os dias \u00e0 nossa volta? Talvez a \u00fanica diferen\u00e7a do mundo de Am\u00f3s para o nosso mundo do s\u00e9c. XXI seja que hoje utilizamos t\u00e9cnicas mais sofisticadas e elaboradas para sustentar os mecanismos de injusti\u00e7a, de explora\u00e7\u00e3o e de morte. O que pensamos dos lucros indecentes de tantas multinacionais sem rosto nem moral, cuja \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o \u201csocial\u201d \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o de dividendos chorudos pelos seus acionistas? Contribu\u00edmos pessoalmente, de alguma forma, para alimentar sistemas de explora\u00e7\u00e3o e de injusti\u00e7a? Como profetas, como filhos de um Deus que n\u00e3o pactua com a injusti\u00e7a, o que fazemos para que o mundo n\u00e3o funcione de acordo com valores ego\u00edstas, injustos e desumanos?<\/li>\n<li>Am\u00f3s diz uma coisa inquietante: \u201cDeus nunca esquecer\u00e1\u201d as obras daqueles que, dominados pela gan\u00e2ncia, multiplicam as injusti\u00e7as e deixam atr\u00e1s de si um cortejo de v\u00edtimas. Talvez tenhamos ignorado demasiadas vezes este aviso; talvez achemos que Deus n\u00e3o se mete em quest\u00f5es de pol\u00edtica social; talvez estejamos convencidos de que \u00e9 poss\u00edvel acalmar a indigna\u00e7\u00e3o de Deus repartindo com Ele alguns dos nossos lucros; talvez pensemos que, se cumprirmos as nossas \u201cobriga\u00e7\u00f5es\u201d religiosas, Deus n\u00e3o ter\u00e1 raz\u00f5es de queixa contra n\u00f3s; talvez consideremos que h\u00e1 pecados mais graves, do ponto de vista de Deus, do que algumas \u201chabilidades\u201d que fazemos para engrossar a conta banc\u00e1ria; talvez achemos que Deus nos desculpa tudo por causa dos cargos importantes que temos na nossa comunidade paroquial\u2026 Mas, depois de todos esses \u201ctalvez\u201d, fica a afirma\u00e7\u00e3o decisiva e arrepiante que o profeta Am\u00f3s nos lan\u00e7a: \u201cDeus nunca esquecer\u00e1 nenhuma das obras\u201d de quem defraudou os seus irm\u00e3os e atirou o pobre para a mis\u00e9ria. N\u00e3o h\u00e1 desculpas nem meios termos, nem explica\u00e7\u00f5es razo\u00e1veis: \u201cDeus nunca esquecer\u00e1\u201d. Medimos bem o alcance de tudo isto? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Salmo 112 (113)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Louvai o Senhor, que levanta os fracos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Louvai o Senhor, que exalta os humildes.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 3: Aleluia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Louvai, servos do Senhor,<br \/>\nlouvai o nome do Senhor.<br \/>\nBendito seja o nome do Senhor,<br \/>\nagora e para sempre.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor domina sobre todos os povos,<br \/>\na sua gl\u00f3ria est\u00e1 acima dos c\u00e9us.<br \/>\nQuem se compara ao Senhor nosso Deus, que tem o seu trono nas alturas<br \/>\ne Se inclina l\u00e1 do alto a olhar o c\u00e9u e a terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Levanta do p\u00f3 o indigente<br \/>\ne tira o pobre da mis\u00e9ria,<br \/>\npara o fazer sentar com os grandes,<br \/>\ncom os grandes do seu povo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Tim\u00f3teo 2,1-8<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Car\u00edssimo:<br \/>\nRecomendo, antes de tudo,<br \/>\nque se fa\u00e7am preces, ora\u00e7\u00f5es, s\u00faplicas e a\u00e7\u00f5es de gra\u00e7as<br \/>\npor todos os homens, pelos reis e por todas as autoridades,<br \/>\npara que possamos levar uma vida tranquila e pac\u00edfica,<br \/>\ncom toda a piedade e dignidade.<br \/>\nIsto \u00e9 bom e agrad\u00e1vel aos olhos de Deus, nosso Salvador;<br \/>\nEle quer que todos os homens se salvem<br \/>\ne cheguem ao conhecimento da verdade.<br \/>\nH\u00e1 um s\u00f3 Deus<br \/>\ne um s\u00f3 mediador entre Deus e os homens,<br \/>\no homem Jesus Cristo,<br \/>\nque Se entregou \u00e0 morte pela reden\u00e7\u00e3o de todos.<br \/>\nTal \u00e9 o testemunho que foi dado a seu tempo<br \/>\ne do qual fui constitu\u00eddo arauto e ap\u00f3stolo<br \/>\n\u2013 digo a verdade, n\u00e3o minto \u2013<br \/>\nmestre dos gentios na f\u00e9 e na verdade.<br \/>\nQuero, portanto, que os homens rezem em toda a parte,<br \/>\nerguendo para o C\u00e9u as m\u00e3os santas,<br \/>\nsem ira nem contenda.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Paulo encontrou pela primeira vez Tim\u00f3teo em Listra, cidade da Lica\u00f3nia, no decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria. O pai de Tim\u00f3teo era grego e a m\u00e3e, de nome Eunice, era judeo-crist\u00e3. A av\u00f3 de Tim\u00f3teo, chamada Loide, tamb\u00e9m teve influ\u00eancia na sua educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 (cf. At 16,1-3; 2 Tm 1,5). Tim\u00f3teo, depois de ser circuncidado \u201cpor causa dos judeus existentes naquela regi\u00e3o\u201d, acompanhou Paulo, aparecendo junto dele na Bereia, em Atenas (cf. At 17,14-15), Corinto (cf. At 18,5) e \u00c9feso (cf. At 19,22). Paulo referir-se-\u00e1 a Tim\u00f3teo como \u201cnosso irm\u00e3o e colaborador de Deus no Evangelho de Cristo\u201d (1 Ts 3,2) e confiou-lhe algumas miss\u00f5es delicadas junto de comunidades crist\u00e3s que se defrontavam com alguns problemas (cf. 1 Ts 3,2.6; 1 Cor 4,17; 16,10-11). Tudo isto sugere uma grande proximidade entre Paulo e Tim\u00f3teo. A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 apresenta Tim\u00f3teo como o primeiro bispo de \u00c9feso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A maior parte dos estudiosos duvida que a primeira Carta a Tim\u00f3teo tenha sido escrita por Paulo. A linguagem e a teologia parecem significativamente distantes de outras cartas reconhecidamente paulinas. Al\u00e9m disso, a carta refere-se a um modelo de organiza\u00e7\u00e3o eclesial que parece claramente posterior \u00e0 \u00e9poca de Paulo (Paulo teria sido martirizado em Roma por volta do ano 66\/67, durante a persegui\u00e7\u00e3o de Nero). A grande preocupa\u00e7\u00e3o que transparece na primeira Carta a Tim\u00f3teo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a difus\u00e3o do Evangelho, mas sim a organiza\u00e7\u00e3o e a conserva\u00e7\u00e3o do \u201cdep\u00f3sito da f\u00e9\u201d. A tem\u00e1tica tratada incide fundamentalmente sobre a organiza\u00e7\u00e3o da comunidade, a necessidade de combater as heresias nascentes, o incremento da vida crist\u00e3 dos fi\u00e9is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No texto que a liturgia deste domingo nos prop\u00f5e como segunda leitura, o autor da Carta deixa a Tim\u00f3teo indica\u00e7\u00f5es sobre a ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O autor da primeira Carta a Tim\u00f3teo v\u00ea a comunidade crist\u00e3 como um espa\u00e7o de universalidade e de comunh\u00e3o. Nela Deus concretiza a Sua oferta de salva\u00e7\u00e3o a todos os homens e mulheres, sem exce\u00e7\u00e3o. A comunidade crist\u00e3 \u00e9 chamada a dar testemunho no mundo de um Deus que \u00e9 Pai de todos; e deve anunciar Jesus como o mediador entre Deus e a humanidade inteira. Isto exclui, naturalmente, qualquer compreens\u00e3o da comunidade crist\u00e3 como realidade voltada exclusivamente para si pr\u00f3pria, que recusa dialogar com o \u201cmundo\u201d e que desconfia de tudo aquilo que \u00e9 diferente ou que ultrapassa as fronteiras da f\u00e9 e da doutrina. A comunidade crist\u00e3 \u00e9 a \u201ccasa\u201d de Deus no mundo, o \u201clugar\u201d aberto onde todos, independentemente das suas diferen\u00e7as, podem fazer a experi\u00eancia de viverem como filhos amados de Deus. As nossas comunidades crist\u00e3s s\u00e3o, de facto, lugares de comunh\u00e3o, onde todos podem encontrar-se com o amor de Deus? Enquanto crentes, estamos abertos ao mundo e aos seus desafios? Estamos preparados para reconhecer a parcela de verdade e de honestidade que existe em tantas experi\u00eancias de vida diferentes das nossas? No nosso testemunho propomos ao mundo um Deus que \u00e9 Pai de todos e que abra\u00e7a com amor todos os seus filhos, sem exce\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>O entendimento da Igreja como uma fam\u00edlia de irm\u00e3os e de irm\u00e3s que tem Deus como Pai de todos, leva-nos \u00e0 exig\u00eancia da solidariedade e \u00e0 descoberta da nossa responsabilidade para com todos aqueles que caminham ao nosso lado. Como o profeta Am\u00f3s (que escutamos na primeira leitura deste domingo) avaliamos como intoler\u00e1veis as injusti\u00e7as que ferem os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s; passamos a abominar tudo aquilo que atenta contra a dignidade de qualquer ser humano; sentimos vontade de lutar contra os mecanismos que geram explora\u00e7\u00e3o, mis\u00e9ria, mentira, sofrimento e morte; propomo-nos lutar por um mundo mais justo, mais digno, mais humano\u2026 Sentimo-nos, verdadeiramente, irm\u00e3os de todos, respons\u00e1veis por todos? As dores e as esperan\u00e7as de todos os homens \u2013 mesmo aqueles que nunca vimos \u2013 s\u00e3o as nossas dores e esperan\u00e7as? Inquieta-nos o sofrimento, as injusti\u00e7as, as necessidades dos irm\u00e3os e das irm\u00e3s que partilham connosco o caminho da vida?<\/li>\n<li>Para o autor da primeira Carta a Tim\u00f3teo, a universalidade, a solidariedade, a fraternidade, a consci\u00eancia da nossa responsabilidade por todos, tamb\u00e9m devem transparecer nos momentos em que dialogamos com Deus. A nossa ora\u00e7\u00e3o ser\u00e1 muito pobre e muito ego\u00edsta se for apenas o momento em que n\u00f3s tentamos p\u00f4r Deus ao nosso servi\u00e7o exclusivo e Lhe recomendamos que n\u00e3o se esque\u00e7a de cuidar dos nossos interesses, dos nossos projetos, das nossas car\u00eancias, enfim, de tudo o que \u00e9 \u201cnosso\u201d\u2026 Como \u00e9 que Deus ver\u00e1 a ora\u00e7\u00e3o de quem s\u00f3 fala de si e s\u00f3 quer saber de si pr\u00f3prio? No di\u00e1logo com o nosso Pai do c\u00e9u n\u00e3o dever\u00edamos mostrar que o nosso cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 fechado aos outros, exclusivamente virado para n\u00f3s pr\u00f3prios? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 16,1-13<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\ndisse Jesus aos seus disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abUm homem rico tinha um administrador,<br \/>\nque foi denunciado por andar a desperdi\u00e7ar os seus bens.<br \/>\nMandou cham\u00e1-lo e disse-lhe:<br \/>\n\u2018Que \u00e9 isto que ou\u00e7o dizer de ti?<br \/>\nPresta contas da tua administra\u00e7\u00e3o,<br \/>\nporque j\u00e1 n\u00e3o podes continuar a administrar\u2019.<br \/>\nO administrador disse consigo:<br \/>\n\u2018Que hei de fazer,<br \/>\nagora que o meu senhor me vai tirar a administra\u00e7\u00e3o?<br \/>\nPara cavar n\u00e3o tenho for\u00e7a,<br \/>\nde mendigar tenho vergonha.<br \/>\nJ\u00e1 sei o que hei de fazer,<br \/>\npara que, ao ser despedido da administra\u00e7\u00e3o,<br \/>\nalgu\u00e9m me receba em sua casa\u2019.<br \/>\nMandou chamar um por um os devedores do seu senhor e disse ao primeiro:<br \/>\n\u2018Quanto deves ao meu senhor?\u2019.<br \/>\nEle respondeu: \u2018Cem talhas de azeite\u2019.<br \/>\nO administrador disse-lhe:<br \/>\n\u2018Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta\u2019.<br \/>\nA seguir disse a outro: \u2018E tu quanto deves?\u2019.<br \/>\nEle respondeu: \u2018Cem medidas de trigo\u2019.<br \/>\nDisse-lhe o administrador:<br \/>\n\u2018Toma a tua conta e escreve oitenta\u2019.<br \/>\nE o senhor elogiou o administrador desonesto,<br \/>\npor ter procedido com esperteza.<br \/>\nDe facto, os filhos deste mundo s\u00e3o mais espertos do que os filhos da luz,<br \/>\nno trato com os seus semelhantes.<br \/>\nOra Eu digo-vos:<br \/>\nArranjai amigos com o vil dinheiro,<br \/>\npara que, quando este vier a faltar,<br \/>\neles vos recebam nas moradas eternas.<br \/>\nQuem \u00e9 fiel nas coisas pequenas tamb\u00e9m \u00e9 fiel nas grandes;<br \/>\ne quem \u00e9 injusto nas coisas pequenas tamb\u00e9m \u00e9 injusto nas grandes.<br \/>\nSe n\u00e3o fostes fi\u00e9is no que se refere ao vil dinheiro,<br \/>\nquem vos confiar\u00e1 o verdadeiro bem?<br \/>\nE se n\u00e3o fostes fi\u00e9is no bem alheio,<br \/>\nquem vos entregar\u00e1 o que \u00e9 vosso?<br \/>\nNenhum servo pode servir a dois senhores,<br \/>\nporque, ou n\u00e3o gosta de um deles e estima o outro,<br \/>\nou se dedica a um e despreza o outro.<br \/>\nN\u00e3o podeis servir a Deus e ao dinheiro\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Enquanto caminha com os disc\u00edpulos em dire\u00e7\u00e3o a Jerusal\u00e9m, Jesus prepara-os para serem testemunhas do Reino de Deus. Sob a orienta\u00e7\u00e3o de Jesus, os disc\u00edpulos v\u00e3o-se progressivamente despindo das suas l\u00f3gicas ego\u00edstas, dos seus valores f\u00fateis, dos seus sonhos de grandeza; \u00e0 medida que caminham com Jesus, eles v\u00e3o aprendendo a abra\u00e7ar a l\u00f3gica e os valores do Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma vez mais, Lucas n\u00e3o indica em que momento do \u201ccaminho para Jerusal\u00e9m\u201d aconteceu esta \u201cconversa\u201d. Mais do que situar geograficamente os acontecimentos, Lucas est\u00e1 interessado em \u201csentar-nos\u201d aos p\u00e9s de Jesus a escutar a sua \u201cinstru\u00e7\u00e3o\u201d, a receber o seu ensinamento. Desta vez, a \u201cinstru\u00e7\u00e3o\u201d de Jesus \u2013 que se destina aos disc\u00edpulos de todas as \u00e9pocas \u2013 incide sobre a maneira de lidar com os bens materiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O nosso texto consta de duas partes. Na primeira (vers. 1-9), temos uma par\u00e1bola sobre um administrador sagaz, que administra de forma peculiar os bens de um homem rico; na segunda (vers. 10-13), temos um conjunto de \u201cditos\u201d de Jesus sobre os bens materiais. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que esses \u201cditos\u201d tenham aparecido em contextos diversos, n\u00e3o vinculados com a par\u00e1bola em quest\u00e3o; contudo, Lucas achou que eles poderiam ser um bom coment\u00e1rio \u00e0 tem\u00e1tica abordada na par\u00e1bola e colocou-os nesse enquadramento. Quer a par\u00e1bola, quer os \u201cditos\u201d sobre a riqueza s\u00e3o exclusivos de Lucas. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O que \u00e9 que d\u00e1 sentido \u00e0 nossa vida? Quais s\u00e3o as coisas das quais n\u00e3o podemos absolutamente prescindir? Quais s\u00e3o as apostas que priorizamos? Ser\u00e1 boa ideia apostarmos todos os nossos esfor\u00e7os na procura de bens materiais? H\u00e1 gente para quem o dinheiro \u00e9 a prioridade fundamental; h\u00e1 gente que acredita que o dinheiro lhe pode proporcionar bem-estar, seguran\u00e7a, poder, import\u00e2ncia, influ\u00eancia; h\u00e1 gente que considera que o dinheiro lhe facilitar\u00e1 a vida e lhe assegurar\u00e1 uma felicidade sem estorvos. Jesus, no entanto, tem outra perspetiva das coisas. Ele considera que, quando se trata de dar sentido \u00e0 vida, h\u00e1 valores mais seguros, mais importantes, mais duradouros do que o dinheiro. Jesus acha que \u201cfazer amigos\u201d \u00e9 bem mais importante do que ter contas banc\u00e1rias recheadas; estabelecer pontes de di\u00e1logo e entendimento \u00e9 mais compensador do que viver fechado num mundo pessoal de bem-estar e de autossufici\u00eancia; partilhar o que temos com os nossos irm\u00e3os necessitados traz-nos mais felicidade do que a acumula\u00e7\u00e3o ego\u00edsta da riqueza. Para Jesus, os valores do Reino de Deus \u2013 o amor, a fraternidade, a solidariedade, a generosidade, a partilha, o servi\u00e7o, o cuidado, a simplicidade, a humildade \u2013 \u00e9 que s\u00e3o os valores que nos completam, que nos realizam, e que devem sustentar o edif\u00edcio da nossa vida. O que pensamos disto? Concordamos com Jesus?<\/li>\n<li>Na \u201cinstru\u00e7\u00e3o\u201d que o Evangelho de hoje nos traz, Jesus diz aos disc\u00edpulos: \u201cnenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou n\u00e3o gosta de um deles e estima o outro, ou se dedica a um e despreza o outro. N\u00e3o podeis servir a Deus e ao dinheiro\u201d. \u00c9 uma advert\u00eancia muito grave. Jesus n\u00e3o estar\u00e1 a exagerar? Ser\u00e1 verdade que o dinheiro nos incompatibiliza com Deus? A verdade \u00e9 que o dinheiro \u00e9 um \u201csenhor\u201d extremamente exigente, que toma conta de n\u00f3s, que nos absorve completamente e que n\u00e3o nos deixa grande espa\u00e7o de manobra. Se o permitirmos, ele pode tornar-se o dono absoluto das nossas vidas e obrigar-nos a colocar em segundo plano todas as nossas outras refer\u00eancias: Deus, a fam\u00edlia, os amigos, a nossa dignidade, a nossa liberdade, a nossa consci\u00eancia, os nossos princ\u00edpios mais sagrados. O dinheiro promete-nos horizontes ilimitados, \u00eaxitos inequ\u00edvocos, felicidade sem fim; mas, fatalmente, acaba por nos dececionar e por nos deixar mergulhados no vazio e na desilus\u00e3o. Talvez toda esta \u201cpreven\u00e7\u00e3o\u201d nos pare\u00e7a excessiva; mas n\u00e3o conhecemos tantos casos, \u00e0 nossa volta, de gente que colocou toda a sua esperan\u00e7a e seguran\u00e7a no dinheiro e que acabou por perder as coisas mais belas da vida? Que papel e que lugar ocupa o dinheiro na nossa vida?<\/li>\n<li>Jesus dizia que o dinheiro, convertido em \u00eddolo absoluto, era o grande obst\u00e1culo para construirmos um mundo mais justo, mais fraterno e mais feliz. N\u00e3o o levamos a s\u00e9rio. Deixamos que o dinheiro se tornasse o verdadeiro motor que impulsiona a hist\u00f3ria dos homens; e as consequ\u00eancias est\u00e3o \u00e0 vista: lan\u00e7amo-nos na explora\u00e7\u00e3o criminosa e descontrolada dos recursos naturais, deixamos feridas irrepar\u00e1veis na \u201ccasa comum\u201d que Deus ofereceu a todos os homens, aumentamos as clivagens e os desequil\u00edbrios sociais, condenamos \u00e0 mis\u00e9ria tantos e tantos dos nossos irm\u00e3os, multiplicamos as injusti\u00e7as e os sofrimentos, colocamos os interesses dos grandes do mundo acima da dignidade dos pobres, criamos um mundo desumano e cruel que subverte completamente o projeto que Deus tinha para os seus filhos\u2026 Onde nos leva a obsess\u00e3o pelo dinheiro? Que hist\u00f3ria estamos a construir? \u00c9 este o mundo que queremos? O que podemos fazer para inverter esta l\u00f3gica e construir um mundo mais humano?<\/li>\n<li>Talvez o \u201cadministrador\u201d da par\u00e1bola contada por Jesus nem sempre tenha feito uma gest\u00e3o adequada dos bens que o seu senhor lhe confiou; mas a verdade \u00e9 que, feitas as contas, ele soube utilizar esses bens para, de forma inteligente, \u201ccomprar\u201d valores duradouros. Todos n\u00f3s somos \u201cadministradores\u201d dos bens que Deus colocou \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o. Como os temos gerido? Usamo-los para nosso benef\u00edcio exclusivo, ou partilhamo-los generosamente com os nossos irm\u00e3os? Gastamo-los apenas em nosso proveito pessoal, ou servimo-nos deles para fazer o bem? Malbaratamo-los em projetos inconsequentes e ego\u00edstas, ou usamo-los para arranjar \u201cum tesouro inesgot\u00e1vel no c\u00e9u, onde o ladr\u00e3o n\u00e3o chega e a tra\u00e7a n\u00e3o r\u00f3i\u201d (Lc 12,33)? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> da profecia de Am\u00f3s \u00e9 a condena\u00e7\u00e3o daqueles que colocando a sua seguran\u00e7a nos bens deste mundo espezinham e oprimem os pobres. Deste modo, a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter em conta este tom, tendo em aten\u00e7\u00e3o as frases interrogativas e o tom ambicioso de quem pela gan\u00e2ncia tudo quer. Al\u00e9m disso, \u00e9 importante ler com um tom diferente a frase final onde Deus promete n\u00e3o esquecer as obras do Seu Povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na <strong>segunda leitura,<\/strong> deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o as frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias da literatura paulina. Deste modo, deve haver um especial cuidado nas respira\u00e7\u00f5es e nas pausas para uma eficaz proclama\u00e7\u00e3o da leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Leitura-I-do-Domingo-XXV-do-Tempo-Comum-Ano-C-21.09.2025-Amos-8-4-7.pdf\">Leitura I do Domingo XXV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 21.09.2025 (Am\u00f3s 8, 4-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Leitura-II-do-Domingo-XXV-do-Tempo-Comum-Ano-C-21.09.2025-1-Timoteo-2-1-8.pdf\">Leitura II do Domingo XXV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 21.09.2025 (1 Tim\u00f3teo 2, 1-8)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Domingo-XXV-do-Tempo-Comum-Ano-C-21.09.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XXV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 21.09.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Domingo-XXV-do-Tempo-Comum-Ano-C-21.09.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 21.09.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Domingo-XXV-do-Tempo-Comum-Ano-C-21.09.2025-refletindo.pdf\">Domingo XXV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 21.09.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-XXV-TC-Ano-C-21.09.2025-.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo XXV TC- Ano C &#8211; 21.09.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz \u2013 Domingo XXIV do Tempo Comum-Ano C \u2013 14 setembro 2025&#8243; tab_id=&#8221;1758530129394-c989c484-4fde&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz &#8211; Domingo XXIV do Tempo Comum-Ano C \u2013 14 setembro 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Domingo-XXIV.jpg\" alt=\"\" width=\"456\" height=\"456\" \/><\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No <strong>Domingo XXIV do Tempo Comum<\/strong>, somos convidados a colocar o nosso olhar na cruz de Jesus e a celebrar com toda a Igreja a Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz. Num contexto sociocultural, marcado pela ideologia do sucesso e do bem-estar, falar de uma vida desenhada em forma de cruz, parece n\u00e3o s\u00f3 paradoxal, mas insensato, fazendo-me recordar as palavras de S. Paulo aos cor\u00edntios: \u00abn\u00f3s pregamos um Messias crucificado, esc\u00e2ndalo para os judeus e loucura para os gentios\u00bb (1 Cor 1,23). Mas que esc\u00e2ndalo \u00e9 este e que loucura \u00e9 esta que merece ser contemplada? Mais, o Papa Bento XVI, na enc\u00edclica\u00a0<em>Deus caritas est<\/em>, afirma que \u00e9 na contempla\u00e7\u00e3o deste lado aberto de Cristo na cruz que \u00abo crist\u00e3o encontra o caminho do seu viver e amar\u00bb (DCE 12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 o esc\u00e2ndalo dos que n\u00e3o se contentam com alegrias fugazes e a loucura dos que se sabem portadores de uma vida maior do que aquela que os olhos deste mundo podem ver. \u00c9 o esc\u00e2ndalo de um Deus que sendo omnipotente, omnisciente, omnipresente e tudo mais que podemos dizer Dele para sublinhar a sua grandeza e que n\u00e3o hesita em fazer-se homem e assumir a loucura de percorrer por amor os caminhos deste mundo, at\u00e9 aos trilhos mais dram\u00e1ticos que conduzem ao G\u00f3lgota.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na Cruz, Jesus coloca a descoberto o amor maior e revela de modo escandaloso e louco que a vida s\u00f3 \u00e9 plena e reveladora de um horizonte de eternidade quando entregue sem medida: \u00ab<em>Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unig\u00e9nito, para que todo o homem que acredita n\u2019Ele n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna<\/em>\u00bb. Jesus n\u00e3o vai para a cruz porque quer sofrer muito! Jesus vai para a cruz porque nos ama muito e, assim, que aquilo que o prendeu na cruz n\u00e3o foram os cravos, mas o amor incondicional pela humanidade inteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na contempla\u00e7\u00e3o da cruz de Cristo, somos chamados a reconhecer o alto valor e dignidade que tem a vida de cada um de n\u00f3s. Se, de acordo com um princ\u00edpio econ\u00f3mico b\u00e1sico, uma realidade tem o valor que algu\u00e9m estiver disposto a dar por ela, na cruz, Deus revela que temos um alto valor, pois, por cada um de n\u00f3s, o Filho de Deus ofereceu a sua vida. Por isso, contemplemos a Cruz de Cristo, mas, sobretudo, deixemo-nos contemplar por aquele olhar de amor e interpelar pela sua entrega generosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na cruz, Jesus oferece a Sua vida pela humanidade inteira e esta entrega n\u00e3o \u00e9 algo de abstrato ou gen\u00e9rico. Nesta humanidade inteira, est\u00e1 cada um de n\u00f3s. Como recordava Jesus \u00e0 Serva de Deus Ana de Jesus Maria Jos\u00e9 de Magalh\u00e3es, quando ela contemplava a sua paix\u00e3o: \u00ab<em>Tamb\u00e9m foi por ti, filha<\/em>\u00bb. Qu\u00e3o bom seria que este dia da exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz nos permitisse entrar nesta comunh\u00e3o \u00edntima e pessoal com o Senhor, porque aqueles que se sentem amados incondicionalmente por Deus, partem na aventura do amor, desenhando a sua vida em forma de cruz, abra\u00e7ando um novo modo de ser e de estar, que se traduz numa nova forma de servir e amar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A cruz \u00e9 o estandarte erguido sobre o monte como horizonte de esperan\u00e7a e salva\u00e7\u00e3o, porque nos conduz \u00e0 luz nova da P\u00e1scoa. Assim como os israelitas mordidos pela serpente encontravam cura na contempla\u00e7\u00e3o da serpente de bronze, o Novo Israel, encontra a salva\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a na contempla\u00e7\u00e3o de Cristo crucificado e ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Contemplemos a geometria da cruz: a haste vertical, assente na terra, aponta para o c\u00e9u; na haste horizontal, Jesus est\u00e1 de bra\u00e7os abertos para abra\u00e7ar cada um de n\u00f3s. Assim, a Cruz \u00e9 o grande abra\u00e7o de Deus \u00e0 humanidade, para que envolvidos por este amor, possamos partir para anunciar com a vida: \u00ab<em>a linguagem da cruz \u00e9 certamente loucura para os que se perdem, mas, para os que se salvam, para n\u00f3s, \u00e9 for\u00e7a de Deus<\/em>\u00bb (1 Cor 1,18<strong>). <em>in Voz Portucalense. <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nota Hist\u00f3rica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Festa<br \/>\n<\/strong>A cruz, outrora sinal do mais terr\u00edvel dos supl\u00edcios, \u00e9 para os crist\u00e3os a \u00e1rvore da vida, o t\u00e1lamo, o trono, o altar da nova alian\u00e7a. A festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz \u00e9 celebrada no dia seguinte \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o da bas\u00edlica da Ressurrei\u00e7\u00e3o, erigida sobre o sepulcro de Cristo. Exalta e honra a cruz como trof\u00e9u da vit\u00f3ria pascal de Cristo e sinal que h\u00e1 de aparecer no c\u00e9u para anunciar a todos a segunda vinda do Senhor. <strong><em>In Secretariado Nacional da Liturgia.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>\u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O dia 14 de setembro \u00e9 dia do anivers\u00e1rio natal\u00edcio do Papa Le\u00e3o XIV<\/strong>. Ao assinalar o septuag\u00e9simo anivers\u00e1rio do Romano Pont\u00edfice, neste dia da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz, a celebra\u00e7\u00e3o dominical constitui-se como uma oportunidade para dar gra\u00e7as a Deus pelo dom da sua vida e do seu minist\u00e9rio petrino. Pode acrescentar-se uma prece ao formul\u00e1rio da ora\u00e7\u00e3o universal ou at\u00e9 mesmo cantar no momento p\u00f3s-comunh\u00e3o o\u00a0<em>Te Deum<\/em>.<strong><em> in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Continuamos no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C \u2013 onde somos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong> <strong>\u2013 <\/strong><strong>N\u00fameros 21,4b-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\no povo de Israel impacientou-se<br \/>\ne falou contra Deus e contra Mois\u00e9s:<br \/>\n\u00abPorque nos fizestes sair do Egipto,<br \/>\npara morrermos neste deserto?<br \/>\nAqui n\u00e3o h\u00e1 p\u00e3o nem \u00e1gua<br \/>\ne j\u00e1 nos causa fastio este alimento miser\u00e1vel\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas<br \/>\nque mordiam nas pessoas<br \/>\ne morreu muita gente de Israel.<br \/>\nO povo dirigiu-se a Mois\u00e9s, dizendo:<br \/>\n\u00abPec\u00e1mos, ao falar contra o Senhor e contra ti.<br \/>\nIntercede junto do Senhor,<br \/>\npara que afaste de n\u00f3s as serpentes\u00bb.<br \/>\nE Mois\u00e9s intercedeu pelo povo.<br \/>\nEnt\u00e3o o Senhor disse a Mois\u00e9s:<br \/>\n\u00abFaz uma serpente de bronze e coloca-a sobre um poste.<br \/>\nTodo aquele que for mordido e olhar para ela<br \/>\nficar\u00e1 curado\u00bb.<br \/>\nMois\u00e9s fez uma serpente de bronze e fixou-a num poste.<br \/>\nQuando algu\u00e9m era mordido por uma serpente,<br \/>\nolhava para a serpente de bronze e ficava curado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O \u201cLivro dos N\u00fameros\u201d \u00e9 assim designado na vers\u00e3o grega da B\u00edblia Hebraica pelas frequentes listas de censos, de registos e de listas, que aparecem ao longo do livro (come\u00e7ando inclusive com os n\u00fameros do recenseamento do Povo de Deus, tribo por tribo, feito por Mois\u00e9s por mandato de Deus \u2013 cf. Nm 1,1-47). Apresenta, sem grande preocupa\u00e7\u00e3o de coer\u00eancia e de l\u00f3gica, um conjunto de tradi\u00e7\u00f5es sobre a estadia no deserto dos hebreus libertados do Egipto. S\u00e3o tradi\u00e7\u00f5es de origem diversa, que os te\u00f3logos das escolas javista, elohista e sacerdotal utilizaram com fins catequ\u00e9ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No seu estado atual, o livro est\u00e1 dividido em tr\u00eas partes. A primeira narra os \u00faltimos dias da estadia do Povo de Deus no Sinai, junto do \u201cmonte da Alian\u00e7a\u201d (cf. Nm 1,1-10,10); a segunda descreve a caminhada do Povo pelo deserto, em diversas etapas, desde o Sinai at\u00e9 \u00e0 plan\u00edcie de Moab, num trajeto geogr\u00e1fico dif\u00edcil de seguir e de identificar (cf. Nm 10,11-21,35); a terceira apresenta a comunidade dos filhos de Israel instalada na plan\u00edcie de Moab, preparando a sua entrada na Terra Prometida (cf. Nm 22,1-36,13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mais do que uma cr\u00f3nica de viagem do Povo de Deus desde o Sinai, at\u00e9 \u00e0s portas da Terra Prometida, o Livro dos N\u00fameros \u00e9 um livro de catequese. Pretende mostrar que a ess\u00eancia de Israel \u00e9 ser um Povo santo, reunido \u00e0 volta de Deus e da Alian\u00e7a. Com algum idealismo, os autores do Livro dos N\u00fameros v\u00e3o descrevendo como esse grupo informe de n\u00f3madas libertados do Egipto foi ganhando progressivamente uma consci\u00eancia nacional e religiosa, at\u00e9 chegar a formar a \u201cassembleia santa de Deus\u201d. O autor mostra como, ao longo do caminho, por a\u00e7\u00e3o de Deus, Israel vai progressivamente amadurecendo, renovando-se, transformando-se, alargando os horizontes, tornando-se um Povo mais respons\u00e1vel, mais consciente, mais adulto e mais santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O epis\u00f3dio que hoje nos \u00e9 proposto situa-nos no deserto do Neguev, no sul da Palestina. Impedidos de atravessar o territ\u00f3rio dos Edomitas (cf. Nm 20,14-21), os hebreus dirigiram-se para o sul pelo \u201ccaminho do mar dos Juncos\u201d (Nm 21,4), a fim de contornarem a fronteira de Edom, em dire\u00e7\u00e3o ao golfo da Aqaba <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O livro dos N\u00fameros, ao contar a caminhada dos israelitas desde a montanha do Sinai at\u00e9 \u00e0s portas da Terra Prometida, define um percurso que \u00e9 mais espiritual do que geogr\u00e1fico. As vicissitudes que v\u00e3o aparecendo ao longo do caminho ajudam o povo de Deus a libertar-se de uma mentalidade mesquinha, ego\u00edsta, comodista, e a adquirir uma mentalidade mais madura, mais desprendida, mais respons\u00e1vel, mais consciente e mais santa. Deus l\u00e1 est\u00e1, ao longo de todo o percurso, intervindo e atuando, demonstrando ao Povo o sem sentido das suas op\u00e7\u00f5es comodistas e convidando-o a ver mais longe, a n\u00e3o se deixar prender por cadeias de ego\u00edsmo e de escravid\u00e3o. A caminhada dos hebreus pelo deserto reflete a caminhada da nossa vida. Ao longo do nosso percurso de vida vem ao de cima, a cada passo, a nossa fragilidade, a nossa pregui\u00e7a, a nossa apatia; instalados na nossa zona de conforto, contentamo-nos com valores ef\u00e9meros e recusamo-nos a ir mais al\u00e9m, a arriscar, a abra\u00e7ar os valores que exigem mais de n\u00f3s. Mas, hoje como ontem, Deus aparece-nos em cada curva do caminho, insiste connosco, desafia-nos a nunca parar na busca da verdadeira liberdade. Revemo-nos nesta hist\u00f3ria? Estamos atentos e recetivos \u00e0s indica\u00e7\u00f5es que Deus nos vai dando em cada passo do caminho?<\/li>\n<li>A hist\u00f3ria da serpente de bronze que proporciona vida e salva\u00e7\u00e3o ao povo de Deus sinaliza, de forma muito particular, uma preocupa\u00e7\u00e3o que Deus nunca deixou de manifestar ao longo da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: oferecer aos seus queridos filhos que caminham na terra vida em abund\u00e2ncia. A solicitude de Deus, o seu cuidado, a sua miseric\u00f3rdia infinita, a sua preocupa\u00e7\u00e3o em curar as feridas que a vida nos inflige, s\u00e3o as marcas de um amor incomensur\u00e1vel e incondicional. A serpente do ego\u00edsmo, da viol\u00eancia, da injusti\u00e7a, da explora\u00e7\u00e3o, do orgulho, da ambi\u00e7\u00e3o, da mentira, do medo, da maldade, espera-nos oculta nas pedras do nosso caminho e procura envenenar-nos; mas se, mesmo atingidos pelo veneno dessa serpente, levantarmos o olhar para o alto, seremos curados e salvos. \u201cOlhar para o alto\u201d \u00e9 confiar em Deus, acolher o seu amor, viver de acordo com as suas indica\u00e7\u00f5es, optar pelos valores eternos; \u201colhar para o alto\u201d \u00e9 escolher a justi\u00e7a, a verdade, a paz, a solidariedade, a partilha, o servi\u00e7o, o perd\u00e3o, a liberdade, o amor aos irm\u00e3os; \u201colhar para o alto\u201d \u00e9 viver de olhos postos na vida verdadeira e eterna; \u201colhar para o alto\u201d \u00e9 apostar em tudo o que d\u00e1 sentido pleno \u00e0 nossa vida. Vivemos de olhos postos no alto?<\/li>\n<li>A catequese tradicional de Israel considera como \u201ccastigos\u201d de Deus determinados acontecimentos que trouxeram sofrimento aos israelitas. A perspetiva, no entanto, \u00e9 que esses \u201ccastigos\u201d n\u00e3o s\u00e3o pura vingan\u00e7a divina contra o pecado do homem, mas sim um meio a que Deus recorre para educar o seu Povo e para o fazer perceber o sem sentido de certas op\u00e7\u00f5es. N\u00f3s, depois de termos frequentado a \u201cescola de Jesus\u201d e iluminados pela vis\u00e3o que Jesus nos oferece do Pai, acreditamos que o castigo n\u00e3o faz parte da l\u00f3gica de Deus. Deus ama-nos com um amor verdadeiro e apenas quer a nossa felicidade e a nossa plena realiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 verdade que, muitas vezes, as nossas op\u00e7\u00f5es erradas t\u00eam consequ\u00eancias que nos fazem sofrer; esse sofrimento, no entanto, n\u00e3o deve ser atribu\u00eddo a Deus, mas sim \u00e0s nossas escolhas ego\u00edstas e aos efeitos que elas t\u00eam na nossa vida. Como \u00e9 que \u201clemos\u201d e sentimos os males que nos atingem? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<li><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 77 (78)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong><strong>: N\u00e3o esque\u00e7ais as obras do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Escuta, meu povo, a minha instru\u00e7\u00e3o,<br \/>\npresta ouvidos \u00e0s palavras da minha boca.<br \/>\nVou falar em forma de prov\u00e9rbio,<br \/>\nvou revelar os mist\u00e9rios dos tempos antigos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando deus castigava os antigos, eles O procuravam,<br \/>\ntornavam a voltar-se para Ele<br \/>\ne recordavam-se de que Deus era o seu protetor,<br \/>\no Alt\u00edssimo o seu redentor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eles, por\u00e9m, enganavam-n\u2019O com a boca<br \/>\ne mentiam-Lhe com a l\u00edngua;<br \/>\no seu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o era sincero,<br \/>\nnem eram fi\u00e9is \u00e0 sua alian\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas Deus, compadecido, perdoava o pecado<br \/>\ne n\u00e3o os exterminava.<br \/>\nMuitas vezes reprimia a sua c\u00f3lera<br \/>\ne n\u00e3o executava toda a sua ira.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Filipenses 2,6-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cristo Jesus, que era de condi\u00e7\u00e3o<\/strong><strong> divina,<br \/>\nn\u00e3o Se valeu da sua igualdade com Deus,<br \/>\nmas aniquilou-Se a Si pr\u00f3prio.<br \/>\nAssumindo a condi\u00e7\u00e3o de servo,<br \/>\ntornou-Se semelhante aos homens.<br \/>\nAparecendo como homem,<br \/>\nhumilhou-Se ainda mais,<br \/>\nobedecendo at\u00e9 \u00e0 morte<br \/>\ne morte de cruz.<br \/>\nPor isso Deus O exaltou<br \/>\ne Lhe deu um nome que est\u00e1 acima de todos os nomes,<br \/>\npara que ao nome de Jesus todos se ajoelhem<br \/>\nno c\u00e9u, na terra e nos abismos,<br \/>\ne toda a l\u00edngua proclame que Jesus Cristo \u00e9 o Senhor,<br \/>\npara gl\u00f3ria de Deus Pai.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A cidade de Filipos, situada na Maced\u00f3nia oriental, era uma cidade pr\u00f3spera, com uma popula\u00e7\u00e3o constitu\u00edda maioritariamente por veteranos romanos do ex\u00e9rcito. Organizada \u00e0 maneira de Roma, estava fora da jurisdi\u00e7\u00e3o dos governantes das prov\u00edncias locais e dependia diretamente do imperador. Gozava dos mesmos privil\u00e9gios das cidades de It\u00e1lia e os seus habitantes tinham cidadania romana. Paulo chegou a Filipos pelo ano 49 ou 50, no decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria, acompanhado de Silvano, Tim\u00f3teo e Lucas (cf. At 16,1-40). Da sua prega\u00e7\u00e3o nasceu a primeira comunidade crist\u00e3 em solo europeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A comunidade crist\u00e3 de Filipos era uma comunidade entusiasta, generosa, comprometida, sempre atenta \u00e0s necessidades de Paulo e do resto da Igreja (como no caso da coleta em favor da Igreja de Jerusal\u00e9m \u2013 cf. 2 Cor 8,1-5). Paulo nutria pelos crist\u00e3os de Filipos um afeto especial; e os filipenses, por seu turno, tinham Paulo em grande apre\u00e7o. Apesar de tudo, a comunidade crist\u00e3 de Filipos n\u00e3o era perfeita: os altivos patr\u00edcios romanos de Filipos tinham alguma dificuldade em assumir certos valores como o desprendimento, a humildade e a simplicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Paulo escreve aos Filipenses numa altura em que estava na pris\u00e3o (n\u00e3o sabemos se em Cesareia, em Roma, ou em \u00c9feso). Os filipenses tinham-lhe enviado, por um membro da comunidade chamado Epafrodito, uma certa quantia em dinheiro, a fim de que Paulo pudesse prover \u00e0s suas necessidades. Na carta, Paulo agradece a preocupa\u00e7\u00e3o dos filipenses com a sua pessoa (cf. Fl 4,10-20); exorta-os a manterem-se fi\u00e9is a Cristo e a incarnarem os valores que marcaram a vida de Cristo (\u201ctende entre v\u00f3s os mesmos sentimentos que est\u00e3o em Cristo Jesus\u201d \u2013 Fl 2,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que a liturgia do domingo de Ramos nos apresenta como segunda leitura \u00e9 o texto mais not\u00e1vel da carta aos filipenses. Trata-se de um antigo hino, provavelmente pr\u00e9-paulino, que era recitado nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas crist\u00e3s (h\u00e1 quem fale, a prop\u00f3sito deste hino, na catequese primitiva de Sim\u00e3o Pedro, conservada na comunidade crist\u00e3 de Antioquia da S\u00edria). Lembra aos crist\u00e3os de Filipos o exemplo de Cristo, a sua humildade e despojamento. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O hino cristol\u00f3gico de Flp 2,6-11 constitui uma excelente chave de leitura para interpretar, sentir e viver a Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz. Ao \u201csom\u201d deste bel\u00edssimo hino podemos compreender o caminho de Jesus, o significado das suas op\u00e7\u00f5es, o sentido da sua vida, da sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. Jesus veio ao encontro dos homens e entrou no mundo pela porta da pobreza e da humildade; fez-se da estatura dos homens para nos elevar \u00e0 grandeza de Deus. Caminhou no meio dos homens, teve fome e frio, experimentou o cansa\u00e7o e a dor, chorou e irritou-se, aproximou-se dos pecadores e malditos. Foi condenado como subversivo e sofreu o supl\u00edcio reservado aos piores, ao \u201clixo\u201d da sociedade. Abra\u00e7ou o mundo, n\u00e3o a partir de um trono, mas dessa cruz maldita onde morriam os que a sociedade da \u00e9poca queria humilhar especialmente. No final, contudo, Deus ressuscitou-O e exaltou-O, dando-lhe raz\u00e3o e confirmando a verdade da vida que Ele viveu e da proposta que Ele veio fazer-nos. N\u00f3s, que somos gente t\u00e3o ciente da nossa import\u00e2ncia, das nossas prerrogativas, dos nossos direitos, como \u00e9 que avaliamos esse caminho que Jesus percorreu? A cruz foi fracasso, ou foi vit\u00f3ria? Estamos dispon\u00edveis para seguir atr\u00e1s de Jesus, para abra\u00e7ar a cruz e para fazer da nossa vida um dom de amor?<\/li>\n<li>N\u00e3o h\u00e1 mesmo volta a dar: a l\u00f3gica de Deus funciona em sentido contr\u00e1rio \u00e0 nossa l\u00f3gica humana. Quanto mais nos despojamos da nossa superioridade, quanto mais renunciamos \u00e0 capa da import\u00e2ncia e da autoridade, quanto mais gastamos a nossa vida a fazer o bem, quanto mais nos fazemos \u201cservos\u201d dos nossos irm\u00e3os, quanto mais amamos sem esperar nada em troca, mais subimos na \u201cescala\u201d de Deus. Deus disse-nos isto, com todas as letras, atrav\u00e9s do seu Filho Jesus. De forma inequ\u00edvoca, de forma irrefut\u00e1vel, com uma linguagem que s\u00f3 n\u00e3o entende quem n\u00e3o quer. Porque \u00e9 que, depois de dois mil anos a olhar para a cruz de Jesus, isto ainda n\u00e3o \u00e9 claro para n\u00f3s? O que mais tem Deus de fazer para nos mostrar o caminho que conduz \u00e0 Vida verdadeira?<\/li>\n<li>Apesar de tudo aquilo que Jesus nos disse, n\u00f3s continuamos a afirmar, gloriosamente convencidos, que \u201cdos fracos n\u00e3o reza a hist\u00f3ria\u201d. Queremos dizer com isto que, segundo a nossa experi\u00eancia, os grandes vencedores do jogo da vida s\u00e3o os poderosos e autossuficientes, os ambiciosos e arrogantes, os que imp\u00f5em aos outros a sua pr\u00f3pria vontade, os que enfrentam o mundo com agressividade, os que fazem por ser melhores mesmo que isso signifique passar por cima dos mais fr\u00e1geis. Os outros \u2013 os fracos, os humildes, os pequenos, os que vivem para servir, os que n\u00e3o amea\u00e7am ningu\u00e9m, os que n\u00e3o gritam para impor a sua vontade \u2013 s\u00e3o gente que n\u00e3o deixa registo no grande livro da mem\u00f3ria dos homens. \u00c0 luz do que sabemos da l\u00f3gica de Deus, quais ser\u00e3o os nomes que aparecem em primeiro lugar no grande livro da vida, no grande livro de Deus? E o que \u00e9 que isso nos sugere? Por outro lado, como \u00e9 que n\u00f3s, os seguidores do Crucificado, nos situamos num mundo onde \u00e9 preciso impor-se aos outros e ser competitivo? Teremos de prescindir do \u201cestilo de Jesus\u201d para cumprir o papel que a sociedade espera de n\u00f3s? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 3,13-17<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos:<br \/>\n\u00abNingu\u00e9m subiu ao C\u00e9u<br \/>\nsen\u00e3o Aquele que desceu do C\u00e9u: o Filho do homem.<br \/>\nAssim como Mois\u00e9s elevou a serpente no deserto,<br \/>\ntamb\u00e9m o Filho do homem ser\u00e1 elevado,<br \/>\npara que todo aquele que acredita<br \/>\ntenha n\u2019Ele a vida eterna.<br \/>\nDeus amou tanto o mundo<br \/>\nque entregou o seu Filho Unig\u00e9nito,<br \/>\npara que todo o homem que acredita n\u2019Ele<br \/>\nn\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna.<br \/>\nPorque Deus n\u00e3o enviou o seu Filho ao mundo<br \/>\npara condenar o mundo,<br \/>\nmas para que o mundo seja salvo por Ele\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus tinha ido a Jerusal\u00e9m para a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa (cf. Jo 2,13). Foi l\u00e1 que se encontrou e conversou com um fariseu chamado Nicodemos, que era \u201cuma autoridade entre os judeus\u201d (Jo 3,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dizer que Nicodemos era fariseu \u00e9 dizer que ele era um homem da Lei. Os fariseus distinguiam-se pela sua ades\u00e3o e fidelidade \u00e0 Lei de Mois\u00e9s. Os membros deste partido tinham grande influ\u00eancia entre o povo pela sua fama de observ\u00e2ncia e de pr\u00e1tica religiosa. Mas Jo\u00e3o diz-nos tamb\u00e9m que Nicodemos era uma autoridade entre os judeus. Isso significa, provavelmente, que era membro do Sin\u00e9drio, um representante do juda\u00edsmo oficial. O encontro de Nicodemos com Jesus d\u00e1-se \u201cde noite\u201d. A indica\u00e7\u00e3o pode significar que ele n\u00e3o queria ser visto com Jesus para n\u00e3o prejudicar a sua posi\u00e7\u00e3o, ou pode ter a ver com o h\u00e1bito que os fariseus tinham de estudar a Lei \u00e0 noite. Tamb\u00e9m pode significar que, nessa altura, Nicodemos ainda est\u00e1 \u00e0s escuras, pois ainda n\u00e3o foi iluminado pela luz de Jesus. \u00c9 bem poss\u00edvel que Nicodemos fizesse parte de um grupo, dentro do juda\u00edsmo erudito, que se interessava por Jesus e que queria compreend\u00ea-lo. Nicodemos aparecer\u00e1, mais tarde, a defender Jesus, perante os chefes dos fariseus (cf. Jo 7,50-52). Tamb\u00e9m estar\u00e1 presente na altura em que Jesus foi descido da cruz e colocado no t\u00famulo (cf. Jo 19,39).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A conversa daquela noite entre Jesus e Nicodemos apresenta tr\u00eas momentos significativos. No primeiro (cf. Jo 3,1-3), Nicodemos reconhece a autoridade de Jesus, gra\u00e7as \u00e0s obras poderosas que Ele faz; mas Jesus acrescenta que isso n\u00e3o \u00e9 suficiente, pois o essencial \u00e9 reconhec\u00ea-l\u2019O como o enviado do Pai, como aquele que veio do alto para revelar Deus. No segundo (cf. Jo 3,4-8), Jesus explica a Nicodemos que, para entender a proposta que Ele traz, \u00e9 preciso \u201cnascer de Deus\u201d; e explica-lhe que esse novo nascimento \u00e9 o nascimento \u201cda \u00e1gua e do Esp\u00edrito\u201d. No terceiro (cf. Jo 3,9-21), Jesus descreve a Nicodemos o projeto de salva\u00e7\u00e3o de Deus: \u00e9 uma iniciativa do Pai, tornada presente no mundo e na vida dos homens atrav\u00e9s do Filho e que se concretizar\u00e1 pela cruz\/exalta\u00e7\u00e3o de Jesus. O extrato da conversa que escutamos na Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz pertence a esta terceira parte. \u00c9 um texto carregado de densidade teol\u00f3gica. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jo\u00e3o \u00e9 o evangelista abismado na contempla\u00e7\u00e3o do amor de um Deus que n\u00e3o hesitou em enviar ao mundo o seu Filho, o seu \u00fanico Filho, para apresentar aos homens uma proposta de felicidade plena, de vida definitiva; e Jesus, o Filho, cumprindo o mandato do Pai, fez da sua vida um dom, at\u00e9 \u00e0 morte na cruz, para mostrar aos homens o \u201ccaminho\u201d da vida eterna\u2026 O Evangelho que escutamos na Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz convida-nos a contemplar, com Jo\u00e3o, esta incr\u00edvel hist\u00f3ria de amor e a espantar-nos com o peso que n\u00f3s \u2013 seres limitados e finitos, pequenos gr\u00e3os de p\u00f3 na imensid\u00e3o das gal\u00e1xias \u2013 adquirimos nos esquemas, nos projetos e no cora\u00e7\u00e3o de Deus. Temos consci\u00eancia desse amor, estamos gratos por esse amor, aceitamos que esse amor nos indique o caminho que devemos percorrer e a forma como devemos viver?<\/li>\n<li>O amor de Deus traduz-se na oferta ao homem de Vida plena e definitiva. \u00c9 uma oferta gratuita, incondicional, absoluta, v\u00e1lida para sempre e que n\u00e3o discrimina ningu\u00e9m. Aos homens \u2013 dotados de liberdade e de capacidade de op\u00e7\u00e3o \u2013 compete decidir se aceitam ou se rejeitam o dom de Deus. \u00c0s vezes, os homens acusam Deus pelas guerras, pelas injusti\u00e7as, pelas arbitrariedades que trazem sofrimento e que pintam as paredes do mundo com a cor do desespero\u2026 Mas o texto evang\u00e9lico que hoje escutamos \u00e9 claro: Deus ama cada pessoa e a todos oferece a vida. O sofrimento e a morte n\u00e3o v\u00eam de Deus, mas s\u00e3o o resultado das escolhas erradas feitas pelo ser humano que se obstina na autossufici\u00eancia e que prescinde dos dons de Deus. Temos consci\u00eancia de que alguns dos males do nosso mundo poder\u00e3o resultar do nosso ego\u00edsmo, do nosso orgulho, do nosso comodismo, dos nossos preconceitos, da nossa recusa em ouvir Deus e em seguir os caminhos que Ele nos aponta? O que \u00e9 que precisamos de mudar, nas nossas vidas, para sermos sinais e arautos do amor de Deus?<\/li>\n<li>O evangelista Jo\u00e3o define claramente o caminho que todo o homem deve seguir para chegar \u00e0 vida eterna: trata-se de \u201cacreditar\u201d em Jesus. \u201cAcreditar\u201d em Jesus n\u00e3o \u00e9 uma mera ades\u00e3o intelectual ou te\u00f3rica a certas verdades da f\u00e9; mas \u00e9 escutar Jesus, acolher a sua mensagem e os seus valores, segui-l\u2019O no caminho do amor e da entrega ao Pai e aos irm\u00e3os. \u201cAcreditar\u201d significa olhar para aquele homem levantado na cruz e aprender com Ele o amor at\u00e9 ao extremo, o amor que ultrapassa todo o ego\u00edsmo e \u00e9 dom total; \u201cacreditar\u201d passa por despir o ego\u00edsmo, o orgulho, a autossufici\u00eancia, os preconceitos, para realizar gestos concretos de dom, de entrega, de servi\u00e7o que tragam alegria, vida e esperan\u00e7a aos irm\u00e3os que caminham lado a lado connosco. A liturgia da Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz convida-nos a percorrer, com Jesus, esse caminho de amor, de dom, de entrega total que Ele percorreu. Jesus \u00e9 para n\u00f3s essa refer\u00eancia fundamental, que procuramos seguir a cada instante e que nos aponta o caminho? Estamos dispostos a confiar incondicionalmente n\u2019Ele, mesmo quando as suas indica\u00e7\u00f5es parecem estar contra a cultura ambiente, os ditames da moda, as doutrinas vigentes, ou as regras do socialmente correto?<\/li>\n<li>Contemplar a cruz onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus significa assumir a mesma atitude que Ele assumiu e solidarizar-se com aqueles que s\u00e3o crucificados neste mundo: os que sofrem viol\u00eancia, os que s\u00e3o explorados, os que s\u00e3o exclu\u00eddos, os que s\u00e3o privados de direitos e de dignidade. Olhar a cruz de Jesus significa denunciar tudo o que gera \u00f3dio, divis\u00e3o, medo, em termos de estruturas, valores, pr\u00e1ticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor\u2026 Viver deste modo pode conduzir \u00e0 morte; mas o crist\u00e3o sabe que amar como Jesus \u00e9 viver a partir de uma din\u00e2mica que a morte n\u00e3o pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne os dinamismos da ressurrei\u00e7\u00e3o. A contempla\u00e7\u00e3o da cruz de Jesus leva-nos ao compromisso com a transforma\u00e7\u00e3o do mundo? A contempla\u00e7\u00e3o da cruz de Jesus faz com que nos sintamos solid\u00e1rios com todos os nossos irm\u00e3os que todos os dias s\u00e3o crucificados e injusti\u00e7ados? A contempla\u00e7\u00e3o da cruz de Jesus d\u00e1-nos a coragem para lutarmos contra tudo aquilo que gera sofrimento e morte, mesmo que isso implique correr riscos, ser incompreendido e condenado? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><strong>Na primeira leitura<\/strong>, \u00e9 necess\u00e1rio ter em aten\u00e7\u00e3o as frases em discurso direto, que devem ser bem articuladas com a narrativa. Sem excessiva dramatiza\u00e7\u00e3o, mas salvaguardando a altern\u00e2ncia das interven\u00e7\u00f5es e o tom do texto. Al\u00e9m disso, deve cuidar-se a proclama\u00e7\u00e3o da \u00faltima frase que surge como conclus\u00e3o da narrativa e an\u00fancio da cura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 um hino cristol\u00f3gico que possui um crescendo de intensidade ao longo do texto. Este crescendo deve ser tido em conta na proclama\u00e7\u00e3o desta leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Festa-da-Exaltacao-da-Santa-Cruz-XXIV-DTC-Ano-C-14.09.2025-Lecionario.pdf\">Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz &#8211; XXIV DTC &#8211; Ano C &#8211; 14.09.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Festa-da-Exaltacao-da-Santa-Cruz-XXIV-DTC-Ano-C-14.09.2025-Oracao-Universal.pdf\">Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz &#8211; XXIV DTC &#8211; Ano C &#8211; 14.09.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Festa-da-Exaltacao-da-Santa-Cruz-Domingo-XXIV-do-Tempo-Comum-Ano-C-14.09.2025-refletindo.pdf\">Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz &#8211; Domingo XXIV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 14.09.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXIII do Tempo Comum \u2013 Ano C \u2013 07 setembro 2025&#8243; tab_id=&#8221;1757924523497-3ed7003e-24ab&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XXIII do Tempo Comum &#8211; Ano C \u2013 07 setembro 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Domingo-XXIII.jpg\" alt=\"\" width=\"465\" height=\"291\" \/><\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><sup>26<\/sup><\/em><em>\u00abSe algu\u00e9m vem ter comigo e n\u00e3o me tem mais amor que ao seu pai, \u00e0 sua m\u00e3e, \u00e0 sua esposa, aos seus filhos, aos seus irm\u00e3os, \u00e0s suas irm\u00e3s e at\u00e9 \u00e0 pr\u00f3pria vida, n\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo.\u00a0<sup>27<\/sup>Quem n\u00e3o tomar a sua cruz para me seguir n\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo. Lc 14, 26-27<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas leituras que a liturgia deste domingo nos prop\u00f5e sobressai a tem\u00e1tica do \u201ccaminho\u201d: a nossa vida \u00e9 um caminho, nem sempre linear, nem sempre f\u00e1cil, que nos leva at\u00e9 \u00e0 meta final da nossa exist\u00eancia, a vida verdadeira e eterna. O que devemos fazer e que precau\u00e7\u00f5es devemos tomar para n\u00e3o nos desviarmos e falharmos o alvo? Quem nos conduzir\u00e1 e nos apontar\u00e1 a dire\u00e7\u00e3o certa? <strong><em>in Dehonianos. <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Continuamos no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C \u2013 onde somos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a><span style=\"color: inherit; font-family: inherit; font-size: inherit;\">.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong> <strong>\u2013 <\/strong><strong>Sabedoria 9,13-18<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual o homem que pode conhecer os des\u00edgnios de Deus?<br \/>\nQuem pode sondar as inten\u00e7\u00f5es do Senhor?<br \/>\nOs pensamentos dos mortais s\u00e3o mesquinhos<br \/>\ne inseguras as nossas reflex\u00f5es,<br \/>\nporque o corpo corrupt\u00edvel deprime a alma<br \/>\ne a morada terrestre oprime o esp\u00edrito que pensa.<br \/>\nMal podemos compreender o que est\u00e1 sobre a terra<br \/>\ne com dificuldade encontramos o que temos ao alcance da m\u00e3o.<br \/>\nQuem poder\u00e1 ent\u00e3o descobrir o que h\u00e1 nos c\u00e9us?<br \/>\nQuem poder\u00e1 conhecer, Senhor, os vossos des\u00edgnios,<br \/>\nse V\u00f3s n\u00e3o lhe dais a sabedoria<br \/>\ne n\u00e3o lhe enviais o vosso esp\u00edrito santo?<br \/>\nDeste modo foi corrigido o procedimento dos que est\u00e3o em terra,<br \/>\nos homens aprenderam as coisas que Vos agradam<br \/>\ne pela sabedoria foram salvos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cLivro da Sabedoria\u201d \u00e9 o mais recente de todos os livros do Antigo Testamento. Foi escrito na primeira metade do s\u00e9c. I a. C., muito provavelmente. O seu autor ter\u00e1 sido um judeu piedoso, de l\u00edngua grega, nascido e educado na Di\u00e1spora (fala-se, em concreto, de Alexandria como o \u201cber\u00e7o\u201d deste escrito). Ele conhece bem a hist\u00f3ria e a f\u00e9 de Israel; mas, por outro lado, tamb\u00e9m conhece as correntes filos\u00f3ficas gregas e sabe a atra\u00e7\u00e3o que elas exercem sobre os seus irm\u00e3os na f\u00e9. Inquieta-o a tenta\u00e7\u00e3o da idolatria que amea\u00e7a os judeus das comunidades da Di\u00e1spora, seduzidos pelo brilho da cultura hel\u00e9nica. Pondo em di\u00e1logo a f\u00e9 tradicional de Israel com a cultura grega o autor deste escrito pretende mostrar a superioridade da sabedoria de Israel \u2013 que brota da f\u00e9 ancestral do seu povo \u2013 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sabedoria que inspira a cultura e o estilo de vida gregos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exprimindo-se em termos e conce\u00e7\u00f5es do mundo hel\u00e9nico, o autor faz o elogio da \u201csabedoria\u201d israelita, tra\u00e7a o quadro da sorte que espera o justo e o \u00edmpio no mais-al\u00e9m e descreve, com exemplos tirados da hist\u00f3ria do \u00caxodo, as sortes diversas que tiveram os pag\u00e3os (id\u00f3latras) e os hebreus (fi\u00e9is a Jav\u00e9). Aos seus compatriotas judeus, mergulhados no paganismo, na idolatria, na imoralidade, o autor convida a redescobrirem a f\u00e9 dos pais e os valores judaicos; aos pag\u00e3os, convida, por outro lado, a constatar o absurdo da idolatria e a aderir a Jav\u00e9, o verdadeiro e \u00fanico Deus\u2026 Judeus e pag\u00e3os devem estar cientes de que s\u00f3 Jav\u00e9 garante a verdadeira \u201csabedoria\u201d e a verdadeira felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia do vig\u00e9simo terceiro domingo comum nos prop\u00f5e como primeira leitura integra a segunda parte do livro (cf. Sb 6,1-9,19). Nesses cap\u00edtulos o autor coloca na boca de um rei (presumivelmente Salom\u00e3o, embora esse nome nunca seja referido explicitamente) considera\u00e7\u00f5es elevadas sobre a sabedoria, a sua import\u00e2ncia e o seu papel na vida dos homens. Concretamente, esse rei exorta os outros reis a adquirir a sabedoria, a fim de governarem retamente (cf. Sb 6,1-21); faz o elogio da sabedoria, sublinhando a sua origem, natureza, qualidades e benef\u00edcios (cf. Sb 6,22-8,21); pede a Deus que lhe conceda o dom da sabedoria pois, sem a sabedoria que vem de Deus, nenhum homem poder\u00e1 saber como conduzir-se para ter \u00eaxito e construir uma vida com sentido (cf. Sb 9,1-19). <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>As modernas tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o revolucionaram a nossa forma de nos relacionarmos uns com os outros. Fizeram com que todos os habitantes da \u201caldeia global\u201d ficassem em rede e pudessem partilhar ideias, opini\u00f5es, perspetivas, teorias, aprecia\u00e7\u00f5es, observa\u00e7\u00f5es, cr\u00edticas positivas e negativas\u2026 Tudo isto pode ser profundamente enriquecedor: pode aproximar-nos de pessoas com outras experi\u00eancias e viv\u00eancias, ajudar-nos a entender a verdade do outro, tornar-nos mais tolerantes, mostrar-nos o sem sentido dos nossos preconceitos, abrir-nos \u00e0 partilha e \u00e0 comunh\u00e3o, oferecer-nos conhecimentos a que de outro modo n\u00e3o ter\u00edamos acesso. Mas, em contrapartida, todo esse ru\u00eddo de fundo de ideias e opini\u00f5es que a cada instante invade a nossa vida, pode confundir-nos e interferir com a nossa capacidade de fazermos escolhas convenientes. Levados pela \u201conda\u201d, vamos assumindo acriticamente, sem nos darmos conta, a ideologia dominante, os \u201cvalores\u201d que os l\u00edderes de opini\u00e3o procuram impor, as vis\u00f5es da maioria\u2026 Ser\u00e1 que tudo isso que a \u201cvaga\u201d tecnol\u00f3gica traz at\u00e9 \u00e0 nossa \u201cpraia\u201d nos conduz no sentido da vida plena, da realiza\u00e7\u00e3o total, da verdadeira felicidade?<\/li>\n<li>Aquele \u201cs\u00e1bio\u201d do s\u00e9c. I a.C. que ouvimos na primeira leitura deste domingo lembra-nos as limita\u00e7\u00f5es que s\u00e3o inerentes \u00e0 nossa condi\u00e7\u00e3o de seres humanos: a nossa intelig\u00eancia limitada, a nossa dificuldade em levantarmos os olhos da terra para vermos as realidades de Deus, a nossa depend\u00eancia de valores materiais e f\u00fateis, a nossa dificuldade em nos apercebermos daquilo que d\u00e1 sentido pleno \u00e0 nossa vida. Ele acredita que a \u00fanica forma de descobrirmos o caminho que leva \u00e0 vida verdadeira \u00e9 deixarmo-nos guiar pela sabedoria de Deus. Ora, s\u00f3 se deixa conduzir pela sabedoria de Deus aquele que abandonou qualquer caminho de orgulho e de autossufici\u00eancia, a fim de se entregar completamente nas m\u00e3os de Deus, disposto a acolher com total confian\u00e7a e com inteira obedi\u00eancia as indica\u00e7\u00f5es de Deus. Como \u00e9 que nos situamos face a Deus? Que valor e que lugar t\u00eam as indica\u00e7\u00f5es de Deus na constru\u00e7\u00e3o da nossa vida? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 89 (90)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<br \/>\nSenhor, tendes sido o nosso ref\u00fagio<br \/>\natrav\u00e9s das gera\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>V\u00f3s reduzis o homem ao p\u00f3 da terra<br \/>\ne dizeis: \u00abVoltai, filhos de Ad\u00e3o\u00bb.<br \/>\nMil anos a vossos olhos s\u00e3o como o dia de ontem que passou<br \/>\ne como uma vig\u00edlia da noite.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>V\u00f3s os arrebatais como um sonho,<br \/>\ncomo a erva que de manh\u00e3 reverdece;<br \/>\nde manh\u00e3 floresce e viceja,<br \/>\n\u00e0 tarde ela murcha e seca.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ensinai-nos a contar os nossos dias,<br \/>\npara chegarmos \u00e0 sabedoria do cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nVoltai, Senhor! At\u00e9 quando\u2026<br \/>\nTende piedade dos vossos servos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Saciai-nos desde a manh\u00e3 com a vossa bondade,<br \/>\npara nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.<br \/>\nDes\u00e7a sobre n\u00f3s a gra\u00e7a do Senhor nosso Deus.<br \/>\nConfirmai, Senhor, a obra das nossas m\u00e3os.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Fil\u00e9mon 9b-10.12-17<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Car\u00edssimo:<br \/>\nEu, Paulo, prisioneiro por amor de Cristo Jesus,<br \/>\nrogo-te por este meu filho, On\u00e9simo, que eu gerei na pris\u00e3o.<br \/>\nMando-o de volta para ti, como se fosse o meu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nQuisera conserv\u00e1-lo junto de mim,<br \/>\npara que me servisse, em teu lugar,<br \/>\nenquanto estou preso por causa do Evangelho.<br \/>\nMas, sem o teu consentimento, nada quis fazer,<br \/>\npara que a tua boa a\u00e7\u00e3o n\u00e3o parecesse for\u00e7ada,<br \/>\nmas feita de livre vontade.<br \/>\nTalvez ele se tenha afastado de ti durante algum tempo,<br \/>\na fim de o recuperares para sempre,<br \/>\nn\u00e3o j\u00e1 como escravo, mas muito melhor do que escravo:<br \/>\ncomo irm\u00e3o muito querido.<br \/>\n\u00c9 isto que ele \u00e9 para mim<br \/>\ne muito mais para ti, n\u00e3o s\u00f3 pela natureza,<br \/>\nmas tamb\u00e9m aos olhos do Senhor.<br \/>\nSe me consideras teu amigo,<br \/>\nrecebe-o como a mim pr\u00f3prio.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta a Fil\u00e9mon \u00e9 a mais breve e pessoal das cartas de Paulo. \u00c9 endere\u00e7ada a Fil\u00e9mon, um homem de elevada posi\u00e7\u00e3o social convertido por Paulo, aparentemente um membro destacado da comunidade crist\u00e3 da cidade de Colossos, na \u00c1sia Menor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dos dados da carta, podemos reconstruir as circunst\u00e2ncias em que o texto aparece. On\u00e9simo, um escravo de Fil\u00e9mon, fugiu de casa do seu senhor. Sem que saibamos pormenores, o fugitivo chegou at\u00e9 Paulo, ligou-se a ele e tornou-se crist\u00e3o. Paulo, que nessa altura estava na pris\u00e3o (n\u00e3o sabemos se em \u00c9feso ou se em Roma), f\u00ea-lo seu colaborador e manteve-o junto de si. No entanto, a situa\u00e7\u00e3o podia tornar-se delicada se Fil\u00e9mon se ofendesse com Paulo; e, do ponto de vista legal, ao dar guarida a um escravo fugitivo, Paulo era c\u00famplice de uma grave infra\u00e7\u00e3o ao direito privado. Enfim, On\u00e9simo corria o risco de ser preso, devolvido ao seu senhor e severamente castigado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo, consciente de tudo isto, resolve enviar On\u00e9simo a Fil\u00e9mon. On\u00e9simo, o escravo que volta para o seu senhor, \u00e9 portador de uma carta de Paulo em que este explica a Fil\u00e9mon a situa\u00e7\u00e3o e lhe pede que acolha novamente On\u00e9simo, j\u00e1 n\u00e3o como um escravo, mas como um irm\u00e3o muito querido. Com delicadeza Paulo insinua mesmo a Fil\u00e9mon que, sendo poss\u00edvel, lhe devolva On\u00e9simo, j\u00e1 que este lhe vem sendo de grande utilidade. Contudo, Paulo n\u00e3o imp\u00f5e nada: deixa a decis\u00e3o nas m\u00e3os de Fil\u00e9mon.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta carta particular \u00e9 um texto muito belo. Nela podemos ver, ao vivo e a cores, o cora\u00e7\u00e3o de Paulo. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>On\u00e9simo \u00e9 um escravo; pertence aos \u00faltimos da sociedade, ao enorme contingente dos que n\u00e3o t\u00eam direitos nem voz. Fugiu da casa do seu senhor; quem o acolher pode ser condenado como seu c\u00famplice. Apesar de tudo isso, Paulo acolhe On\u00e9simo, interessa-se pela sua sorte, anuncia-lhe a Boa Not\u00edcia de Jesus, f\u00e1-lo nascer para a f\u00e9, trata-o como \u201co filho\u201d que gerou na pris\u00e3o. Paulo consegue ver naquele escravo sem direitos civis um ser humano revestido de dignidade. S\u00e3o muitos os \u201con\u00e9simos\u201d que todos os dias se cruzam connosco. Talvez tenham o rosto de um sem abrigo, ou de um imigrante sem pap\u00e9is, ou de um idoso sem fam\u00edlia, ou de um doente em fase terminal, ou de um ex-recluso que tenta integrar-se novamente na sociedade, ou de um \u201cagarrado\u201d pela droga ou pelo \u00e1lcool\u2026 Conseguimos \u201cver\u201d a dignidade desses irm\u00e3os e dessas irm\u00e3s que jazem na berma dos caminhos que percorremos? O que fazemos por eles? Tratamo-los como irm\u00e3os?<\/li>\n<li>Paulo pede a Fil\u00e9mon que acolha On\u00e9simo n\u00e3o como escravo, mas \u201ccomo irm\u00e3o muito querido\u201d. O projeto de Deus para o mundo e para os homens n\u00e3o previa senhores e escravos; previa a igualdade fundamental de todos, previa uma comunidade de \u201cirm\u00e3os\u201d com direitos iguais e igual dignidade. N\u00f3s conhecemos o projeto de Deus; mas ainda n\u00e3o o levamos a s\u00e9rio. Continuamos a construir o nosso bem-estar a partir de pr\u00e1ticas e estruturas que geram escravid\u00e3o e sofrimento. No nosso \u201ccivilizado\u201d s\u00e9c. XXI, temos redes organizadas de tr\u00e1fico de pessoas; exploram-se imigrantes clandestinos, obrigando-os a trabalhar por sal\u00e1rios miser\u00e1veis e dando-lhes condi\u00e7\u00f5es de alojamento infra-humanas; comerciamos e consumimos sem problemas de consci\u00eancia produtos que resultam do trabalho escravo; aceitamos como uma inevitabilidade que muitos trabalhadores humildes sejam tratados com arrog\u00e2ncia e prepot\u00eancia pelos seus \u201cpatr\u00f5es\u201d; distinguimos, quanto \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o, o trabalho dos homens e das mulheres\u2026 Como vemos tudo isto? Qual a nossa responsabilidade em tudo isto? Como tratamos aqueles que est\u00e3o sob a nossa depend\u00eancia, incluindo as pessoas da nossa fam\u00edlia: s\u00e3o, para n\u00f3s, \u201ciguais\u201d, ou os nossos \u201cescravos\u201d?<\/li>\n<li>Paulo p\u00f5e o amor no centro de toda a experi\u00eancia crist\u00e3. Ele acredita, na linha de Jesus, que o amor \u00e9 o valor fundamental na constru\u00e7\u00e3o de um mundo renovado. A injusti\u00e7a, a explora\u00e7\u00e3o dos seres humanos, a escravatura, a guerra, n\u00e3o desaparecer\u00e3o atrav\u00e9s do recurso a m\u00e9todos violentos. Os m\u00e9todos violentos s\u00f3 servir\u00e3o para substituir uns senhores por outros senhores, uns escravos por outros escravos, uns sofredores por outros sofredores. A constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais feliz e fraterno s\u00f3 acontecer\u00e1 com a convers\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es ao amor. Quando essa convers\u00e3o se der e nascer a civiliza\u00e7\u00e3o do amor, teremos finalmente um mundo mais humano, mais justo, mais pac\u00edfico. \u00c9 esta tamb\u00e9m a nossa convic\u00e7\u00e3o? Estamos dispon\u00edveis para nos convertermos ao amor e sermos arautos \u2013 com palavras e gestos \u2013 de um mundo mais fraterno? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 14,25-33<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nseguia Jesus uma grande multid\u00e3o.<br \/>\nJesus voltou-Se e disse-lhes:<br \/>\n\u00abSe algu\u00e9m vem ter comigo,<br \/>\nsem Me preferir ao pai, \u00e0 m\u00e3e,<br \/>\n\u00e0 esposa, aos filhos, aos irm\u00e3os, \u00e0s irm\u00e3s<br \/>\ne at\u00e9 \u00e0 pr\u00f3pria vida,<br \/>\nn\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo.<br \/>\nQuem n\u00e3o toma a sua cruz para Me seguir,<br \/>\nn\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo.<br \/>\nQuem de entre v\u00f3s, que, desejando construir uma torre,<br \/>\nN\u00e3o se senta primeiro a calcular a despesa,<br \/>\npara ver se tem com que termin\u00e1-la?<br \/>\nN\u00e3o suceda que, depois de assentar os alicerces,<br \/>\nse mostre incapaz de a concluir<br \/>\ne todos os que olharem comecem a fazer tro\u00e7a, dizendo:<br \/>\n\u2018Esse homem come\u00e7ou a edificar,<br \/>\nmas n\u00e3o foi capaz de concluir\u2019.<br \/>\nE qual \u00e9 o rei que parte para a guerra contra outro rei<br \/>\ne n\u00e3o se senta primeiro a considerar<br \/>\nse \u00e9 capaz de se opor, com dez mil soldados,<br \/>\n\u00e0quele que vem contra com ele com vinte mil?<br \/>\nAli\u00e1s, enquanto o outro ainda est\u00e1 longe,<br \/>\nmanda-lhe uma delega\u00e7\u00e3o a pedir as condi\u00e7\u00f5es de paz.<br \/>\nAssim, quem de entre v\u00f3s n\u00e3o renunciar a todos os seus bens,<br \/>\nn\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus est\u00e1 a percorrer a caminho que leva da Galileia a Jerusal\u00e9m, rodeado pelos seus disc\u00edpulos. Prepara-se para encontrar os l\u00edderes judaicos da capital e para os confrontar com a proposta do Reino de Deus. Ao longo do caminho, muitas pessoas v\u00eam ter com Ele e demoram-se a escut\u00e1-l\u2019O. Algumas, entusiasmadas com a sua prega\u00e7\u00e3o sobre o Reino de Deus e com os seus gestos poderosos, querem segui-l\u2019O, prop\u00f5em-se integrar o Seu grupo de disc\u00edpulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus quer assegurar que esses candidatos a disc\u00edpulos sabem no que se v\u00e3o meter. Ele n\u00e3o est\u00e1 interessado em gente que adere por um impulso moment\u00e2neo de entusiasmo, mas que depois n\u00e3o tem a for\u00e7a e a persist\u00eancia necess\u00e1rias para levar at\u00e9 ao fim o desafio do Reino de Deus. Para evitar mal-entendidos, Jesus indica um conjunto de condi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o necess\u00e1rias para O seguir. S\u00e3o condi\u00e7\u00f5es bastante duras, plenas de radicalidade, pois o caminho do Reino \u00e9 um caminho bem dif\u00edcil. Jesus em nenhum momento \u201cvende\u201d otimismos f\u00e1ceis ou suaviza as suas exig\u00eancias. Ele n\u00e3o est\u00e1 preocupado com o n\u00famero dos que O seguem; mas quer que todos os que decidem ir atr\u00e1s d\u2019Ele tenham, desde o in\u00edcio, as coisas bem claras. H\u00e1 quem chame a este texto o \u201cdiscurso sobre o discipulado\u201d. A maioria dos \u201cditos\u201d que entram na sua composi\u00e7\u00e3o s\u00e3o exclusivos de Lucas. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Talvez o mais impressionante neste texto seja a absoluta primazia que, na perspetiva de Jesus, o Reino deve assumir na vida dos disc\u00edpulos. Ser disc\u00edpulo de Jesus \u00e9 ir atr\u00e1s d\u2019Ele no caminho do Reino, sem desculpas, sem ced\u00eancias, sem condicionantes, sem transig\u00eancias, sem meias tintas, sem \u201cpaninhos quentes\u201d, sem acomoda\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis. O Reino de Deus deve ser, para os disc\u00edpulos de Jesus, a prioridade m\u00e1xima, a p\u00e9rola mais preciosa, o \u201ctesouro escondido\u201d pelo qual vale a pena deixar tudo o resto. \u00c9 poss\u00edvel que esta radicalidade nos fa\u00e7a hesitar. N\u00f3s n\u00e3o estamos habituados a tal exig\u00eancia, nem gostamos que nos coloquem sobre os ombros tanta press\u00e3o. Gostamos de caminhos que n\u00e3o exijam muito de n\u00f3s, de solu\u00e7\u00f5es de compromisso, de propostas que n\u00e3o ponham em causa o nosso bem-estar, de indica\u00e7\u00f5es que n\u00e3o nos tirem da nossa zona de conforto, de dire\u00e7\u00f5es que n\u00e3o nos obriguem a passar pela cruz. Como nos situamos face a tudo isto? Estamos, apesar de tudo, decididos a apostar em Jesus e na sua proposta? Sentimo-nos disc\u00edpulos que caminham incondicionalmente atr\u00e1s de Jesus? Que lugar ocupa o Reino de Deus e a sua justi\u00e7a na nossa lista de prioridades?<\/li>\n<li>Tudo isto nos faz pensar na forma como, no dia a dia, os crist\u00e3os vivem a sua f\u00e9 e como, nas nossas comunidades crist\u00e3s, se faz pastoral. Talvez o nosso exerc\u00edcio pastoral esteja, muitas vezes, mais direcionado para congregar grandes massas, do que para fazer disc\u00edpulos de Jesus. Entusiasmamo-nos com acontecimentos religiosos que re\u00fanem grandes multid\u00f5es; ficamos orgulhosos quando podemos apresentar n\u00fameros elevados de batismos, de comunh\u00f5es, de casamentos, de crismas, de confiss\u00f5es; sentimo-nos felizes com o n\u00famero de pessoas que enchem as ruas das nossas cidades quando organizamos solenes prociss\u00f5es\u2026 Tudo isso tem, sem d\u00favida, o seu lugar nas nossas concretiza\u00e7\u00f5es pastorais; mas a nossa preocupa\u00e7\u00e3o primordial n\u00e3o deveria ser ajudar as pessoas a encontrar-se com Jesus, a conhec\u00ea-l\u2019O, a segui-l\u2019O, a colaborar com Ele na constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus? Quando algu\u00e9m se apresenta num dos nossos cart\u00f3rios paroquiais para \u201cmarcar\u201d um batizado ou um casamento, temos o cuidado de a ajudar a perceber que a rece\u00e7\u00e3o do sacramento s\u00f3 faz sentido se ela est\u00e1 disposta a comprometer-se no seguimento de Jesus?<\/li>\n<li>Dentro do quadro de exig\u00eancias que Jesus apresenta \u00e0queles que querem percorrer o caminho do discipulado, sobressai a exig\u00eancia de O preferir \u00e0 pr\u00f3pria fam\u00edlia (\u201cse algu\u00e9m vem ter comigo, sem Me preferir ao pai, \u00e0 m\u00e3e, \u00e0 esposa, aos filhos, aos irm\u00e3os, \u00e0s irm\u00e3s e at\u00e9 \u00e0 pr\u00f3pria vida, n\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo\u201d). N\u00e3o \u00e9 de \u00e2nimo leve que ouvimos isto. Sentimos at\u00e9 que Jesus, ao pedir-nos tal coisa, est\u00e1 a pedir demais, est\u00e1 a esticar demasiado a corda. O amor que sentimos pelas pessoas que nos s\u00e3o mais queridas parece-nos algo do qual n\u00e3o podemos nem devemos prescindir. Na verdade, Jesus n\u00e3o est\u00e1 a exigir que, sem mais, cortemos os la\u00e7os com aqueles que amamos; est\u00e1, com a linguagem peculiar dos pregadores da \u00e9poca, a dizer-nos que os la\u00e7os afetivos, por mais sagrados que sejam, n\u00e3o devem afastar-nos dos valores do Reino de Deus. Pode acontecer que, em algum caso, algu\u00e9m a quem estamos ligados por la\u00e7os de fam\u00edlia ou de amizade pretenda afastar-nos dos valores do Reino de Deus; nesse caso, segundo Jesus, devemos dar a primazia ao Reino de Deus. J\u00e1 nos aconteceu, em alguma circunst\u00e2ncia, termos de optar entre os valores de Jesus e as exig\u00eancias de pessoas a quem estamos ligados por la\u00e7os de afeto? Qual foi a nossa escolha?<\/li>\n<li>Outra exig\u00eancia que Jesus faz aos candidatos a disc\u00edpulos \u00e9 a ren\u00fancia a si pr\u00f3prio e o tomar a cruz do amor, do servi\u00e7o, do dom da vida (\u201cquem n\u00e3o toma a sua cruz para Me seguir, n\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo\u201d). Trata-se de uma exig\u00eancia que toca o \u00e2mago do nosso ser e que muda radicalmente o \u00e2ngulo a partir do qual n\u00f3s entendemos e constru\u00edmos a nossa exist\u00eancia. \u201cTomar a cruz\u201d \u00e9 viver como Jesus. Ora, \u201cviver como Jesus\u201d \u00e9 renunciar a construir a vida com chave de ego\u00edsmo, de autossufici\u00eancia, de ambi\u00e7\u00e3o, de preocupa\u00e7\u00e3o exclusiva com o pr\u00f3prio interesse pessoal; \u201cviver como Jesus\u201d \u00e9 entregar a pr\u00f3pria vida nas m\u00e3os de Deus, obedecer-Lhe, dar prioridade absoluta \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o do projeto que Ele tem para o mundo e para cada homem; \u201cviver como Jesus\u201d \u00e9 fazer da pr\u00f3pria vida um dom de amor e amar, servir, cuidar dos irm\u00e3os que a cada instante se cruzam connosco nos caminhos da vida, especialmente os mais fr\u00e1geis, os mais pequenos, os mais abandonados. Talvez o \u201cviver como Jesus\u201d n\u00e3o seja, para muitos dos nossos contempor\u00e2neos, um sentido de vida muito popular; mas \u00e9 ainda hoje, como o foi sempre, o \u00fanico caminho que os disc\u00edpulos de Jesus devem percorrer. \u00c9 nesta dire\u00e7\u00e3o que temos andado a caminhar?<\/li>\n<li>Uma terceira exig\u00eancia de Jesus pede aos candidatos a disc\u00edpulos a ren\u00fancia aos bens (\u201cquem de entre v\u00f3s n\u00e3o renunciar a todos os seus bens, n\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo\u201d). Mas Jesus n\u00e3o sabe que necessitamos dos bens para viver? Ele n\u00e3o quer que vivamos dignamente, sem cairmos numa mis\u00e9ria que nos rouba a dignidade? Jesus sabe que necessitamos dos bens materiais para termos uma vida digna; mas tamb\u00e9m sabe que, com facilidade, nos apegamos aos bens materiais e nos tornarmos escravos deles. Quando isso acontece, perdemos o controle da nossa vida. Os bens materiais tornam-se o nosso \u201cdeus\u201d. Esquecemo-nos de que os bens que Deus colocou \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o se destinam a todos os nossos irm\u00e3os; tornamo-nos indiferentes \u00e0 sorte dos pobres; interessamo-nos apenas em juntar mais e mais, numa hist\u00f3ria de ambi\u00e7\u00e3o e de avareza que nos isola, nos embrutece e nos desumaniza. A obsess\u00e3o com os bens materiais subverte completamente a l\u00f3gica do Reino de Deus, que \u00e9 uma l\u00f3gica de partilha, de dom, de fraternidade. Por isso, o apego aos bens materiais nunca poder\u00e1 ser um elemento constitutivo do caminho do disc\u00edpulo. Que lugar \u00e9 que os bens materiais desempenham na nossa vida?<\/li>\n<li>Segundo parece, Jesus nunca se preocupou em ter um grande n\u00famero de seguidores. O que Ele queria \u00e9 que os seus disc\u00edpulos \u2013 muitos ou poucos \u2013 interiorizassem os valores do Reino e que os vivessem de forma coerente e comprometida. Para Jesus, n\u00e3o valia tudo; o caminho do discipulado n\u00e3o \u00e9 um caminho de facilidade. Por isso, Ele at\u00e9 pedia aos candidatos a disc\u00edpulos que pensassem bem se se sentiam com for\u00e7as para embarcar na aventura do Reino de Deus. Entretanto, passaram-se dois mil anos; o mundo mudou e n\u00f3s temos uma outra compreens\u00e3o das coisas. N\u00e3o ser\u00e1 altura de afrouxarmos algumas das exig\u00eancias de Jesus para facilitarmos o envolvimento de mais pessoas no caminho da f\u00e9? A verdade \u00e9 que as exig\u00eancias de Jesus continuam v\u00e1lidas. Suaviz\u00e1-las, atenu\u00e1-las, apresent\u00e1-las numa vers\u00e3o \u201clight\u201d poder\u00e1 significar trairmos o Evangelho de Jesus. Ali\u00e1s, nem sequer \u00e9 certo que o afrouxamento das exig\u00eancias se traduza numa maior ades\u00e3o ao Evangelho: o que tantas vezes desanima as pessoas e as afasta da comunidade do Reino, n\u00e3o \u00e9 a exig\u00eancia, mas \u00e9 o comodismo, a vulgaridade, o pouco compromisso, a falta de seriedade que veem na Igreja de Jesus. Como vemos isto e como nos situamos face a isto? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Leitura-I-do-Domingo-XXIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-07.09.2025-Sabedoria-9-13-19-gr.-13-18b.pdf\">Leitura I do Domingo XXIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 07.09.2025 (Sabedoria 9, 13-19 (gr. 13-18b)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Leitura-II-do-Domingo-XXIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-07.09.2025-Filemon-9b-10.12-17.pdf\">Leitura II do Domingo XXIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 07.09.2025 (Fil\u00e9mon 9b-10.12-17)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Domingo-XXIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-07.09.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XXIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 07.09.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Domingo-XXIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-07.09.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 07.09.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Domingo-XXIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-07.09.2025-refletindo.pdf\">Domingo XXIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 07.09.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/A-Mesa-da-Palavra-TC-Domingo-XXIII.pdf\">A Mesa da Palavra TC Domingo XXIII<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXII do Tempo Comum \u2013 Ano C \u2013 31 agosto 2025&#8243; tab_id=&#8221;1757279588728-809c2fe4-7ddf&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XXII do Tempo Comum &#8211; Ano C \u2013 31 agosto 2025<\/span><\/h4>\n<p><em><sup>8<\/sup><\/em><em>\u00abQuando fores convidado para um banquete, n\u00e3o ocupes o primeiro lugar; n\u00e3o suceda que tenha sido convidado algu\u00e9m mais digno do que tu,\u00a0<sup>9<\/sup>venha o que vos convidou, a ti e ao outro, e te diga: \u2018Cede o teu lugar a este.\u2019 Ficarias envergonhado e passarias a ocupar o \u00faltimo lugar.\u00a0<sup>10<\/sup>Mas, quando fores convidado, senta-te no \u00faltimo lugar; e assim, quando vier o que te convidou, h\u00e1-de dizer-te: \u2018Amigo, vem mais para cima.\u2019 Ent\u00e3o, isto ser\u00e1 uma honra para ti, aos olhos de todos os que estiverem contigo \u00e0 mesa.\u00a0<sup>11<\/sup>Porque todo aquele que se exalta ser\u00e1 humilhado, e o que se humilha ser\u00e1 exaltado.\u00bb Lc 14, 8-11<\/em><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Domingo-XXII.jpg\" alt=\"\" width=\"534\" height=\"530\" \/><\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre que valores devemos alicer\u00e7ar a nossa vida?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A soberba, a ambi\u00e7\u00e3o, a gan\u00e2ncia, a arrog\u00e2ncia, a obsess\u00e3o pelas honrarias, as apostas interesseiras, ser\u00e3o bons companheiros de caminho?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Palavra de Deus que nos \u00e9 servida neste dia convida-nos a optar por valores que nos humanizem, que deem profundidade \u00e0 nossa vida, que nos abram \u00e0 fraternidade, que nos tornem testemunhas e arautos do mundo novo sonhado por Deus.<strong><em>in Dehonianos. <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Continuamos no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C \u2013 onde somos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong> <strong>\u2013 <\/strong><strong>Ben Sira 3,19-21.30-31 (Eclesi\u00e1stico)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Filho, em todas as tuas obras procede com humildade<br \/>\ne ser\u00e1s mais estimado do que o homem generoso.<br \/>\nQuanto mais importante fores, mais deves humilhar-te<br \/>\ne encontrar\u00e1s gra\u00e7a diante do Senhor.<br \/>\nPorque \u00e9 grande o poder do Senhor<br \/>\ne os humildes cantam a sua gl\u00f3ria.<br \/>\nA desgra\u00e7a do soberbo n\u00e3o tem cura,<br \/>\nporque a \u00e1rvore da maldade criou nele ra\u00edzes.<br \/>\nO cora\u00e7\u00e3o do s\u00e1bio compreende as m\u00e1ximas do s\u00e1bio<br \/>\ne o ouvido atento alegra-se com a sabedoria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro de Ben Sira (chamado, na sua vers\u00e3o grega, \u201cEclesi\u00e1stico\u201d) \u00e9 um livro de car\u00e1cter sapiencial que, como todos os livros sapienciais, tem por objetivo deixar aos aspirantes a \u201cs\u00e1bios\u201d indica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas sobre a arte de bem viver e de ser feliz. O seu autor parece ter sido um tal Jesus Ben Sira, um \u201cs\u00e1bio\u201d israelita que viveu na primeira metade do s\u00e9c. II a.C. (cf. Sir 51,30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00e9poca de Jesus Ben Sira \u00e9 uma \u00e9poca conturbada para o Povo de Deus. Quando Alexandre da Maced\u00f3nia morreu, em 323 a.C., o seu imp\u00e9rio foi dividido por duas fam\u00edlias: os Ptolomeus e os Sel\u00eaucidas. Inicialmente, a Palestina ficou nas m\u00e3os dos Ptolomeus; e, nos anos de dom\u00ednio Ptolomeu, o Povo de Deus p\u00f4de, em geral, viver na fidelidade \u00e0 sua f\u00e9 e aos seus valores ancestrais. Em 198 a.C., contudo, depois da batalha de P\u00e2nias, a Palestina passou para o dom\u00ednio dos Sel\u00eaucidas (uma fam\u00edlia descendente de Seleuco Nicanor, general de Alexandre). Os Sel\u00eaucidas, sobretudo com Ant\u00edoco IV Epifanes, procuraram impor, por vezes pela for\u00e7a, os valores hel\u00e9nicos. Nesse contexto muitos judeus, seduzidos pelo brilho da cultura grega, abandonavam os valores tradicionais e a f\u00e9 dos pais e assumiam comportamentos mais consent\u00e2neos com a \u201cmodernidade\u201d e com a press\u00e3o exercida pelas autoridades sel\u00eaucidas. A identidade cultural e religiosa do Povo de Deus estava a ser posta em causa. Jesus Ben Sira, um \u201cs\u00e1bio\u201d judeu apegado \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es dos seus antepassados, entendeu desenvolver uma reflex\u00e3o que ajudasse os seus concidad\u00e3os a manterem-se fi\u00e9is aos valores tradicionais. No livro que escreveu para esse efeito, Jesus Ben Sira apresenta uma s\u00edntese da religi\u00e3o tradicional e da \u201csabedoria\u201d de Israel e procura demonstrar que \u00e9 no respeito pela sua f\u00e9, pelos seus valores, pela sua identidade que os judeus podem descobrir o caminho seguro para serem um Povo livre e feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto pertence \u00e0 primeira parte do livro (cf. Sir 1,1-23,38). A\u00ed fala-se da \u201csabedoria\u201d, criada por Deus e oferecida a todos os homens. Nesta parte, dominam os \u201cditos\u201d e \u201cprov\u00e9rbios\u201d que ensinam a arte de bem viver e de ser feliz. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>H\u00e1 gente para quem a soberba \u00e9 uma forma de estar na vida. S\u00e3o pessoas que t\u00eam um alto conceito de si pr\u00f3prias e que se julgam superiores aos outros. Tratam os outros com desd\u00e9m e sobranceria, t\u00eam tiques incur\u00e1veis de autoritarismo e vaidade, procuram impor aos outros as suas vis\u00f5es pessoais, nunca se enganam e raramente t\u00eam d\u00favidas, gostam de se ouvir falar, esfor\u00e7am-se por atrair a aten\u00e7\u00e3o de todos, fazem \u201cposes\u201d de gente importante, n\u00e3o s\u00e3o capazes de \u201cdescer\u201d at\u00e9 ao irm\u00e3o ca\u00eddo na berma da estrada, n\u00e3o t\u00eam tempo a perder com aqueles que est\u00e3o abaixo do seu n\u00edvel social, jamais d\u00e3o o bra\u00e7o a torcer. Talvez dominem o mundo e controlem os centros de poder; mas ajudar\u00e3o a tornar mais humano o nosso mundo? Talvez sejam temidas e invejadas; mas ser\u00e3o apreciadas por aqueles que com eles se cruzam nos caminhos da vida? E n\u00f3s, reconhecemo-nos em algum destes itens?<\/li>\n<li>H\u00e1 gente para quem a humildade \u00e9 uma forma de estar na vida. S\u00e3o pessoas que n\u00e3o t\u00eam qualquer pretens\u00e3o de se apresentar como superiores aos outros e respeitam todos aqueles que com eles se cruzam. N\u00e3o t\u00eam qualquer problema em \u201csujar as m\u00e3os\u201d a levantar do ch\u00e3o os irm\u00e3os e as irm\u00e3s que encontram ca\u00eddos nas bermas da estrada da vida. Est\u00e3o sempre dispon\u00edveis para servir, transmitem paz, s\u00e3o capazes de gestos cheios de humanidade e de ternura. Escutam mais do que falam, n\u00e3o se imp\u00f5em a ningu\u00e9m, reconhecem humildemente as suas falhas e s\u00e3o capazes de pedir desculpa. Quase sempre vivem ignorados e os seus nomes n\u00e3o aparecem nas cr\u00f3nicas sociais; mas fazem nascer sorrisos por onde passam e tornam o mundo mais luminoso. Deixam uma marca indel\u00e9vel nos cora\u00e7\u00f5es de todos aqueles que s\u00e3o capazes de reparar no seu servi\u00e7o, na sua disponibilidade, na sua entrega em favor de todos. Conhecemos algu\u00e9m assim? Estamos interessados em viver assim?<\/li>\n<li>A humildade n\u00e3o deve marcar apenas a rela\u00e7\u00e3o entre os seres humanos, mas tamb\u00e9m deve estar presente na atitude do homem face a Deus. De acordo com a catequese de Israel, o homem soberbo prescinde de Deus, coloca-se numa atitude de autossufici\u00eancia, descarta as indica\u00e7\u00f5es de Deus, deixa-se guiar pelo orgulho e avan\u00e7a por caminhos onde Deus n\u00e3o est\u00e1; entregue a si pr\u00f3prio, acaba por construir uma hist\u00f3ria de infelicidade, de dor e de morte. \u00c9 essa a origem de uma boa fatia do \u201cpecado\u201d que desfeia o mundo. Em contrapartida, o homem humilde reconhece a soberania do Criador, acolhe agradecido as indica\u00e7\u00f5es de Deus, confia totalmente em Deus e entrega-se totalmente nas Suas m\u00e3os, constr\u00f3i a sua vida de acordo com as indica\u00e7\u00f5es de Deus; seguindo as orienta\u00e7\u00f5es de Deus, constr\u00f3i uma hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o e de gra\u00e7a, torna-se para os seus irm\u00e3os um sinal vivo do amor e da bondade de Deus. \u00c9 essa a origem de muitas coisas bonitas que trazem esperan\u00e7a ao nosso mundo. Como nos apresentamos diante de Deus? Com soberba, ou com humildade? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 67 (68)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: <\/strong><strong>Na vossa bondade, Senhor,<br \/>\npreparastes uma casa para o pobre.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os justos alegram-se na presen\u00e7a de Deus,<br \/>\nexultam e transbordam de alegria.<br \/>\nCantai a Deus, entoai um c\u00e2ntico ao seu nome;<br \/>\no seu nome \u00e9 Senhor: exultai na sua presen\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pai dos \u00f3rf\u00e3os e defensor das vi\u00favas,<br \/>\n\u00e9 Deus na sua morada santa.<br \/>\nAos abandonados Deus prepara uma casa,<br \/>\nconduz os cativos \u00e0 liberdade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Derramastes, \u00f3 Deus, uma chuva de b\u00ean\u00e7\u00e3os,<br \/>\nrestaurastes a vossa heran\u00e7a enfraquecida.<br \/>\nA vossa grei estabeleceu-se numa terra<br \/>\nque a vossa bondade, \u00f3 Deus, preparara ao oprimido.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Hebreus 12,18-19.22-24a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nV\u00f3s n\u00e3o vos aproximastes de uma realidade sens\u00edvel,<br \/>\ncomo os israelitas no monte Sinai:<br \/>\no fogo ardente, a nuvem escura,<br \/>\nas trevas densas ou a tempestade,<br \/>\no som da trombeta e aquela voz t\u00e3o retumbante<br \/>\nque os ouvintes suplicaram que n\u00e3o lhes falasse mais.<br \/>\nV\u00f3s aproximastes-vos do monte Si\u00e3o,<br \/>\nda cidade do Deus vivo, a Jerusal\u00e9m celeste,<br \/>\nde muitos milhares de Anjos em reuni\u00e3o festiva,<br \/>\nde uma assembleia de primog\u00e9nitos inscritos no C\u00e9u,<br \/>\nde Deus, juiz do universo,<br \/>\ndos esp\u00edritos dos justos que atingiram a perfei\u00e7\u00e3o<br \/>\ne de Jesus, mediador da nova alian\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escrito que a tradi\u00e7\u00e3o consagrou com o nome \u201cCarta aos Hebreus\u201d parece ser, na sua origem, um \u201cserm\u00e3o\u201d destinado a ser pronunciado oralmente. N\u00e3o se sabe quem foi o seu autor. A tradi\u00e7\u00e3o, sobretudo das igrejas do oriente, atribui-o a Paulo de Tarso; mas as igrejas do ocidente h\u00e1 muito que descartaram a autoria paulina deste texto. \u00c9 poss\u00edvel, no entanto, que o seu autor tenha sido algu\u00e9m ligado a Paulo, talvez um disc\u00edpulo do ap\u00f3stolo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto n\u00e3o h\u00e1 qualquer indica\u00e7\u00e3o que nos permita identificar claramente os destinat\u00e1rios deste escrito. O designativo \u201caos Hebreus\u201d \u00e9 muito antigo, mas n\u00e3o fazia parte do texto original. O facto de o texto conter m\u00faltiplas cita\u00e7\u00f5es e tipologias do Antigo Testamento, levou os comentadores antigos a deduzir que os seus destinat\u00e1rios seriam crist\u00e3os de origem judaica, que residiam na Palestina e que falavam hebraico; mas isso n\u00e3o \u00e9 seguro. Na altura em que este escrito apareceu \u2013 pouco antes do ano 70 do primeiro s\u00e9culo \u2013 o Antigo Testamento era j\u00e1 um patrim\u00f3nio comum das comunidades crist\u00e3s espalhadas pelo espa\u00e7o geogr\u00e1fico da bacia mediterr\u00e2nica. O que parece claro \u00e9 que o texto se dirige a comunidades crist\u00e3s que j\u00e1 existem h\u00e1 algum tempo, mas que vivem em situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, quer devido a raz\u00f5es externas, quer devido a raz\u00f5es internas. S\u00e3o comunidades que perderam o entusiasmo inicial pelo Evangelho de Jesus e que vivem uma f\u00e9 \u201cmorna\u201d e pouco consequente. S\u00e3o tamb\u00e9m comunidades que lidam com a hostilidade do mundo e que t\u00eam de enfrentar desvios doutrinais que amea\u00e7am desvirtuar a sua ortodoxia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Procurando fazer face a tudo isto, o autor desta reflex\u00e3o convida os crentes a apreciar o mist\u00e9rio de Cristo, o sacerdote por excel\u00eancia, que o Pai enviou ao mundo com a miss\u00e3o de convidar todos os homens a integrar a comunidade do Povo sacerdotal. Uma vez comprometidos com Cristo, os crentes \u2013 membros desse Povo sacerdotal \u2013 devem fazer da sua vida um cont\u00ednuo sacrif\u00edcio de louvor, de entrega e de amor. Ao lembrar aos crentes o seu compromisso com Cristo e com a comunidade do Povo sacerdotal, o autor oferece aos crist\u00e3os a base para revitalizarem a sua experi\u00eancia de f\u00e9, enfraquecida pela hostilidade do ambiente, pela acomoda\u00e7\u00e3o e pela monotonia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que, neste domingo, nos \u00e9 proposto como segunda leitura, integra a quarta parte da Carta aos Hebreus (cf. Heb 10,19-12,29). Temos a\u00ed uma reflex\u00e3o sobre a f\u00e9 perseverante. Depois de lembrar a f\u00e9 exemplar dos antepassados (cf. Heb 11,1-40) e o exemplo de Cristo (cf. Heb 12,1-13), o pregador pede aos destinat\u00e1rios da Carta que n\u00e3o se deixem adormecer numa religi\u00e3o morna e acomodada, mas se mantenham fi\u00e9is \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 (cf. Heb 12,14-29). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Cerca de quarenta anos ap\u00f3s a morte de Jesus, os destinat\u00e1rios da Carta aos Hebreus tinham esquecido o seu entusiasmo inicial pelo Evangelho e viviam instalados numa f\u00e9 pouco exigente, sem chama nem alegria. O cansa\u00e7o, a monotonia, a pregui\u00e7a, a desilus\u00e3o, as crises da vida, o medo dos problemas e das persegui\u00e7\u00f5es, tinham sido mais fortes do que a \u201cpaix\u00e3o\u201d por Jesus e pelo seu projeto do Reino de Deus. Trata-se de um quadro que n\u00e3o nos \u00e9 completamente estranho. N\u00e3o vivemos tamb\u00e9m n\u00f3s, tantas vezes, instalados num cristianismo de fachada, pouco exigente, que n\u00e3o nos compromete nem nos obriga a op\u00e7\u00f5es arriscadas? N\u00e3o nos limitamos, tantas vezes, a um conjunto de pr\u00e1ticas religiosas que nos sossegam a consci\u00eancia, mas que n\u00e3o implicam uma \u201cconvers\u00e3o\u201d, uma transforma\u00e7\u00e3o que desinstala e que nos obriga a uma efetiva mudan\u00e7a dos nossos valores e das nossas apostas? O autor da Carta aos Hebreus prop\u00f5e-nos uma redescoberta da beleza da f\u00e9, das exig\u00eancias do nosso batismo, da alegria que brota do encontro com o Evangelho de Jesus. Estamos dispon\u00edveis para redescobrir a ess\u00eancia da f\u00e9, aquilo que um dia acendeu a nossa paix\u00e3o por Jesus e pelo seu projeto?<\/li>\n<li>O autor da Carta aos Hebreus p\u00f5e frente a frente a \u201creligi\u00e3o do monte Sinai\u201d e a \u201creligi\u00e3o do monte Si\u00e3o\u201d, a religi\u00e3o de Mois\u00e9s e a religi\u00e3o de Jesus, a religi\u00e3o do Deus distante e a religi\u00e3o do Deus pr\u00f3ximo, a religi\u00e3o do medo e a religi\u00e3o do amor. Ele desafia-nos a optar definitivamente pela religi\u00e3o de Jesus. S\u00f3 a religi\u00e3o de Jesus \u00e9 uma experi\u00eancia libertadora, festiva, humanizante, capaz de nos encher o cora\u00e7\u00e3o de paz; s\u00f3 a religi\u00e3o de Jesus nos oferece a experi\u00eancia gozosa de vivermos como filhos amados de Deus. Mesmo depois de vinte e um s\u00e9culos de cristianismo, h\u00e1 muita gente que ainda n\u00e3o se encontrou com o Deus pr\u00f3ximo, o Deus do amor que Jesus nos veio revelar. Vivem prisioneiros da religi\u00e3o do medo, relacionam-se com Deus atrav\u00e9s de um intrincado sistema de temores e dist\u00e2ncias, n\u00e3o conseguem compreender que Deus os ame com amor de pai e de m\u00e3e. Como \u00e9 a nossa experi\u00eancia de Deus? O Deus em que acreditamos e que experimentamos \u00e9 o Deus de Jesus, o \u201cabb\u00e1\u201d que nos ama como filhos muito queridos? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 14,1.7-14<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus entrou, a um s\u00e1bado,<br \/>\nem casa de um dos principais fariseus<br \/>\npara tomar uma refei\u00e7\u00e3o.<br \/>\nTodos O observavam.<br \/>\nAo notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares,<br \/>\nJesus disse-lhes esta par\u00e1bola:<br \/>\n\u00abQuando fores convidado para um banquete nupcial,<br \/>\nn\u00e3o tomes o primeiro lugar.<br \/>\nPode acontecer que tenha sido convidado<br \/>\nalgu\u00e9m mais importante que tu;<br \/>\nent\u00e3o, aquele que vos convidou a ambos, ter\u00e1 que te dizer:<br \/>\n\u2018D\u00e1 o lugar a este\u2019;<br \/>\ne ficar\u00e1s depois envergonhado,<br \/>\nse tiveres de ocupar o \u00faltimo lugar.<br \/>\nPor isso, quando fores convidado,<br \/>\nvai sentar-te no \u00faltimo lugar;<br \/>\ne quando vier aquele que te convidou, dir\u00e1:<br \/>\n\u2018Amigo, sobe mais para cima\u2019;<br \/>\nficar\u00e1s ent\u00e3o honrado aos olhos dos outros convidados.<br \/>\nQuem se exalta ser\u00e1 humilhado<br \/>\ne quem se humilha ser\u00e1 exaltado\u00bb.<br \/>\nJesus disse ainda a quem O tinha convidado:<br \/>\n\u00abQuando ofereceres um almo\u00e7o ou um jantar,<br \/>\nn\u00e3o convides os teus amigos nem os teus irm\u00e3os,<br \/>\nnem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos,<br \/>\nn\u00e3o seja que eles por sua vez te convidem<br \/>\ne assim ser\u00e1s retribu\u00eddo.<br \/>\nMas quando ofereceres um banquete,<br \/>\nconvida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos;<br \/>\ne ser\u00e1s feliz por eles n\u00e3o terem com que retribuir-te:<br \/>\nser-te-\u00e1 retribu\u00eddo na ressurrei\u00e7\u00e3o dos justos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus est\u00e1 a caminho de Jerusal\u00e9m. Desta vez, Lucas n\u00e3o refere o grupo de disc\u00edpulos que acompanha Jesus. Refere somente que Jesus entrou, num s\u00e1bado, \u201cem casa de um dos principais fariseus para tomar uma refei\u00e7\u00e3o\u201d (vers. 1). N\u00e3o se identifica o fariseu que O convidou, nem o lugar geogr\u00e1fico onde ocorreu o epis\u00f3dio. A referida refei\u00e7\u00e3o deve ser a refei\u00e7\u00e3o solene de s\u00e1bado, que se tomava por volta do meio-dia, ao voltar da sinagoga. Era frequente convidar-se, para essa refei\u00e7\u00e3o, as pessoas que estavam de passagem. Enquanto comiam, o dono da casa e os seus h\u00f3spedes costumavam comentar e discutir as leituras que tinham sido lidas durante o of\u00edcio sinagogal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas \u00e9 o \u00fanico evangelista que mostra os fariseus t\u00e3o pr\u00f3ximos de Jesus que at\u00e9 o convidam para casa e se sentam com Ele \u00e0 mesa (cf. Lc 7,36; 11,37). \u00c9 prov\u00e1vel que se trate de uma realidade hist\u00f3rica: apesar das diverg\u00eancias que tinha com os fariseus, Jesus apreciava o \u201czelo\u201d que eles mostravam pela Lei de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os fariseus formavam um dos principais grupos religioso-pol\u00edticos da sociedade palestina desta \u00e9poca. Dominavam os of\u00edcios sinagogais e marcavam presen\u00e7a em todos os momentos significativos da vida religiosa do seu povo. A sua preocupa\u00e7\u00e3o fundamental era transmitir a todos o amor pela Lei (a \u201cTora\u201d), quer escrita, quer oral. Em geral eram gente profundamente religiosa, verdadeiramente empenhada na santifica\u00e7\u00e3o do Povo de Deus. Acreditavam que o Messias viria libertar Israel quando todo o povo cumprisse a Lei de Deus; e, nesse sentido, procuravam ensinar a Lei e levar a comunidade israelita a cumprir a Lei. Daqui resultava, no entanto, alguma intransig\u00eancia dos fariseus em rela\u00e7\u00e3o a todos aqueles que n\u00e3o cumpriam a Lei. Desprezavam os \u201cpecadores\u201d e o \u201cpovo da terra\u201d (o \u201cam ha-aretz\u201d), a gente simples que, por causa da ignor\u00e2ncia e da vida dura que levava n\u00e3o conseguia cumprir integralmente os preceitos da Lei. Viam-se a si pr\u00f3prios como gente \u00edntegra, superior, santa, uma vez que cumpriam a Lei. Jesus, no entanto, censurava-lhes a intransig\u00eancia e a rigidez: absolutizando a Lei, demonstravam para com as pessoas \u2013 os pecadores, os ignorantes, a gente simples, os doentes \u2013 uma gritante falta de amor e de miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cbanquete\u201d \u00e9, no mundo semita, o espa\u00e7o do encontro fraterno, onde os convivas partilham do mesmo alimento e estabelecem la\u00e7os de comunh\u00e3o, de proximidade, de familiaridade, de irmandade. Jesus gostava de banquetes. N\u00e3o porque fosse \u201ccomil\u00e3o e b\u00eabedo\u201d (cf. Mt 11,19), mas porque o \u201cbanquete\u201d lhe parecia uma imagem bem expressiva do Reino de Deus (cf. Lc 14,15-24). Apontava para o mundo futuro, para esse mundo em que os filhos e filhas de Deus estariam todos sentados \u00e0 mesa do Pai, numa festa sem fim. Jesus vai utilizar o cen\u00e1rio de um \u201cbanquete\u201d, em dia de s\u00e1bado, em casa de um fariseu importante, para propor mais uma das suas li\u00e7\u00f5es sobre o Reino de Deus. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">Naquela refei\u00e7\u00e3o de s\u00e1bado, \u201cem casa de um dos principais fariseus\u201d, Jesus viu os convidados disputarem os lugares mais honrosos da mesa. Aquela cena pode ser encarada como uma par\u00e1bola do nosso mundo contempor\u00e2neo: somos desafiados, desde muito cedo, a lutar pelos primeiros lugares, a conquistar e a defender o nosso espa\u00e7o, a fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para ter sucesso. Tornamo-nos competitivos, para n\u00e3o ficarmos para tr\u00e1s e para correspondermos \u00e0quilo que a sociedade espera de n\u00f3s. Na verdade, a competitividade \u00e9 um fator fundamental no progresso e no desenvolvimento das sociedades, impulsionando a inova\u00e7\u00e3o, a efici\u00eancia, a busca por melhores resultados, o avan\u00e7o civilizacional; mas pode tamb\u00e9m, quando toma conta de n\u00f3s, ter efeitos perversos. Torna-nos ambiciosos, agressivos, ego\u00edstas, prepotentes, vaidosos; faz-nos querer triunfar a todo o custo, independentemente dos meios que temos de utilizar e das pessoas que temos de pisar; ensina-nos a ver no \u201coutro\u201d, n\u00e3o um irm\u00e3o, mas um concorrente que amea\u00e7a o nosso \u00eaxito\u2026 Al\u00e9m disso, a competitividade deixa frequentemente abandonados na berma dos caminhos da hist\u00f3ria os \u201cperdedores\u201d, os \u201cfracassados\u201d, os menos preparados, os que n\u00e3o foram talhados para a luta, para o confronto, para a competi\u00e7\u00e3o. Como vemos tudo isto? Um mundo alicer\u00e7ado sobre estes valores \u00e9 uma inevitabilidade? Sentimo-nos bem num mundo que funciona assim?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Jesus considera que a conquista dos primeiros lugares, o sucesso, as gl\u00f3rias humanas, os triunfos, podem n\u00e3o significar a constru\u00e7\u00e3o de uma vida com sentido. Convencido de que \u201cquem se exalta ser\u00e1 humilhado e quem se humilha ser\u00e1 exaltado\u201d, Jesus parece considerar que os \u201cprimeiros lugares\u201d, os \u00eaxitos humanos, as honras e t\u00edtulos de gl\u00f3ria, s\u00e3o valores ef\u00e9meros, com prazo curto de validade, que n\u00e3o podem servir de suporte \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma vida com sentido. Por isso, Ele convida os seus disc\u00edpulos a constru\u00edrem as suas vidas numa l\u00f3gica de simplicidade e de humildade, sem terem medo dos \u201c\u00faltimos lugares\u201d. Para Jesus, o amor gratuito e desinteressado, a preocupa\u00e7\u00e3o com o bem dos irm\u00e3os, o cuidado dos mais fr\u00e1geis e pequenos, a alegria que brota das coisas simples, a capacidade de olhar o \u201coutro\u201d com um olhar fraterno, a bondade e a miseric\u00f3rdia, s\u00e3o bem mais importantes do que os triunfos e as gl\u00f3rias humanas. O que pensamos da \u201clinha\u201d de Jesus? O que Ele prop\u00f5e \u00e9 ing\u00e9nuo e impratic\u00e1vel, ou \u00e9 uma forma de tornar o nosso mundo mais humano e mais feliz? \u00c0 luz da compreens\u00e3o da vida que Jesus prop\u00f5e, que sentido \u00e9 que faz a nossa apet\u00eancia pelas honras, pelos t\u00edtulos, pelos lugares de destaque?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">No final daquela refei\u00e7\u00e3o de s\u00e1bado \u201cem casa de um dos principais fariseus\u201d, Jesus desafiou o seu anfitri\u00e3o a n\u00e3o ficar ref\u00e9m de um c\u00edrculo de rela\u00e7\u00f5es marcado por interesses de classe, por redes de conveni\u00eancias, por privil\u00e9gios de castas. Rodearmo-nos apenas daqueles com quem temos afinidade ou com quem partilhamos determinados interesses, construir \u00e0 nossa volta \u201cmuros sanit\u00e1rios\u201d que nos protejam dos \u201cindesej\u00e1veis\u201d e dos \u201cdiferentes\u201d, pode ser c\u00f3modo e conveniente; mas impedir-nos-\u00e1, por outro lado, de descobrir uma maneira mais humana e mais misericordiosa de viver. Por isso, Jesus pede \u00e0quele fariseu que, quando oferecer um banquete, convide para sua casa os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos: isso f\u00e1-lo-\u00e1 descobrir horizontes novos e bem mais desafiantes. Ganharemos infinitamente mais se abrirmos o cora\u00e7\u00e3o a todos, do que se nos encerrarmos num pequeno c\u00edrculo de interesses, de favoritismos e de cumplicidades. Vivemos comodamente instalados num c\u00edrculo restrito de pessoas com quem partilhamos alguns interesses e afinidades, ou estamos abertos \u00e0 universalidade, \u00e0 fraternidade, \u00e0 comunh\u00e3o com todos aqueles que caminham ao nosso lado?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Naquela refei\u00e7\u00e3o de s\u00e1bado \u201cem casa de um dos principais fariseus\u201d, Jesus foi inconveniente e politicamente incorreto. Denunciou, com ironia aqueles que lutavam pelos primeiros lugares, e atreveu-se a dar conselhos ao anfitri\u00e3o sobre os convidados que ele devia convidar para sua casa. Quando a refei\u00e7\u00e3o terminou, de certeza que alguns dos convidados lamentaram, junto do dono da casa, que aquele rabi galileu que pensava t\u00e3o \u201cfora da caixa\u201d tivesse estado naquela refei\u00e7\u00e3o a estragar o consenso e a harmonia. Na verdade, Jesus nunca se preocupou em dizer coisas agrad\u00e1veis; preocupou-se em cumprir a miss\u00e3o que o Pai lhe confiou e em propor a todos o Reino de Deus. Foi o que Ele fez nesse s\u00e1bado em casa do fariseu importante. N\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, somos testemunhas do Reino de Deus e dos seus valores, mesmo que isso incomode os instalados, os que n\u00e3o querem problemas, os que preferem a \u201cpaz podre\u201d e a hipocrisia que reina no mundo? Como vemos e como tratamos aqueles que t\u00eam a coragem de propor, contra a corrente, a verdade do Evangelho?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca de Jesus, a religi\u00e3o do Templo considerava os aleijados, os cegos e os coxos gente indigna, castigada por Deus, que vivia \u00e0 margem da comunidade da salva\u00e7\u00e3o. Apesar disso, Jesus recomenda ao dono da casa onde comeu naquele s\u00e1bado que, quando der um banquete, os convide para a sua mesa. Para Jesus n\u00e3o h\u00e1 gente indigna, maldita, que deva ficar de fora do banquete do Reino de Deus. A Igreja nascida de Jesus \u00e9 a comunidade da salva\u00e7\u00e3o onde \u201ctodos, todos, todos\u201d os filhos e filhas de Deus t\u00eam lugar garantido. Os que erraram na vida, os que trope\u00e7aram e ca\u00edram uma e outra e outra vez, os que se magoaram e magoaram os outros, os que levam vidas \u201cirregulares\u201d do ponto de vista can\u00f3nico, s\u00e3o plenamente acolhidos na comunidade de Jesus? Que apoio se procura dar-lhes? Como se procura ajud\u00e1-los? Evitamos, criticamos, condenamos os \u201cdiferentes\u201d, ou tratamo-los como irm\u00e3os, filhos queridos e amados de Deus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Leitura-I-do-Domingo-XXII-do-Tempo-Comum-Ano-C-31.08.2025-Ben-Sira-3-19-21.30-31.pdf\">Leitura I do Domingo XXII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 31.08.2025 (Ben-Sira 3, 19-21.30-31)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Leitura-II-do-Domindo-XXII-do-Tempo-Comum-Ano-C-31.08.2025-Hebreus-12-18-19.22-24a.pdf\">Leitura II do Domindo XXII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 31.08.2025 (Hebreus 12, 18-19.22-24a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Domingo-XXII-do-Tempo-Comum-Ano-C-31.08.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XXII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 31.08.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Domingo-XXII-do-Tempo-Comum-Ano-C-31.08.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 31.08.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Domingo-XXII-do-Tempo-Comum-Ano-C-31.08.2025-refletindo-.pdf\">Domingo XXII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 31.08.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/A-Mesa-da-Palavra-TC-Domingo-XXII.pdf\">A Mesa da Palavra TC Domingo XXII<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XXI do Tempo Comum \u2013 Ano C \u2013 24 agosto 2025&#8243; tab_id=&#8221;1756714394073-56b86f9d-28d9&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XXI do Tempo Comum &#8211; Ano C \u2013 24 agosto 2025<\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>24\u00abEsfor\u00e7ai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentar\u00e3o entrar sem o conseguir.\u00a025Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta, ficareis fora e batereis, dizendo: \u2018Abre-nos, Senhor!\u2019 Mas ele h\u00e1-de responder-vos: \u2018N\u00e3o sei de onde sois. Lc 13, 24-25<\/em><\/strong><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Domingo-XXI.jpg\" alt=\"\" width=\"542\" height=\"695\" \/><\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para onde caminhamos? O que nos espera no final do caminho? Como devemos viver para que a nossa vida n\u00e3o termine num fracasso? A Palavra de Deus que nos \u00e9 proposta neste <strong>vig\u00e9simo primeiro domingo comum<\/strong> pretende responder a estas quest\u00f5es. Convida-nos a caminhar de olhos postos na salva\u00e7\u00e3o que Deus nos quer oferecer. Diz-nos em que dire\u00e7\u00e3o devemos caminhar para l\u00e1 chegar. <strong><em>in Dehonianos. <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Continuamos no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C \u2013 onde somos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong> <strong>\u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 66,18-21<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eis o que diz o Senhor:<br \/>\n\u00abEu virei reunir todas as na\u00e7\u00f5es e todas as l\u00ednguas,<br \/>\npara que venham contemplar a minha gl\u00f3ria.<br \/>\nEu lhes darei um sinal<br \/>\ne de entre eles enviarei sobreviventes \u00e0s na\u00e7\u00f5es:<br \/>\na T\u00e1rsis, a Fut, a Luc, a Mosoc, a R\u00f3s, a Tubal e a Java,<br \/>\n\u00e0s ilhas remotas que n\u00e3o ouviram falar de Mim<br \/>\nnem contemplaram ainda a minha gl\u00f3ria,<br \/>\npara que anunciem a minha gl\u00f3ria entre as na\u00e7\u00f5es.<br \/>\nDe todas as na\u00e7\u00f5es, como oferenda ao Senhor,<br \/>\neles h\u00e3o de reconduzir todos os vossos irm\u00e3os,<br \/>\nem cavalos, em carros, em liteiras,<br \/>\nem mulas e em dromed\u00e1rios,<br \/>\nat\u00e9 ao meu santo monte, em Jerusal\u00e9m \u2013 diz o Senhor \u2013<br \/>\ncomo os filhos de Israel trazem a sua obla\u00e7\u00e3o<br \/>\nem vaso puro ao templo do Senhor.<br \/>\nTamb\u00e9m escolherei alguns deles para sacerdotes e levitas\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nos cap\u00edtulos 56 a 66 do livro de Isa\u00edas (o \u201cTrito-Isa\u00edas\u201d) temos uma cole\u00e7\u00e3o de textos, provavelmente de autores diversos, redigidos em Jerusal\u00e9m na \u00e9poca p\u00f3s-ex\u00edlica (talvez nos \u00faltimos anos do s\u00e9c. VI e princ\u00edpios do s\u00e9c. V a.C). O texto que a liturgia deste segundo domingo comum nos apresenta como primeira leitura pertence a essa cole\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dentro das fronteiras do antigo reino de Jud\u00e1 temos, por esta \u00e9poca, uma comunidade heterodoxa, que agrupa judeus regressados do Ex\u00edlio na Babil\u00f3nia, judeus que n\u00e3o foram \u00e0 Babil\u00f3nia pois conseguiram ficar em Jud\u00e1 mesmo ap\u00f3s a cat\u00e1strofe de 586 a.C., estrangeiros que se estabeleceram em Jerusal\u00e9m durante o Ex\u00edlio e outros que, ap\u00f3s o regresso dos exilados, vieram oferecer a sua m\u00e3o-de-obra para a reconstru\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m. A forte presen\u00e7a de estrangeiros dentro das fronteiras de Jud\u00e1 levanta algumas quest\u00f5es. Como \u00e9 que a comunidade judaica deve encar\u00e1-los? Deve acolh\u00ea-los e integr\u00e1-los, ou deve evitar quaisquer contactos com eles? As respostas a estas quest\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis, pois a comunidade regressada do Ex\u00edlio, amea\u00e7ada por inimigos internos (as gentes que ficaram no pa\u00eds e que n\u00e3o entendem o zelo religioso dos retornados) e por inimigos externos (sobretudo os samaritanos), tem tend\u00eancia a desconfiar e a fechar-se. Esdras e Neemias, os grandes l\u00edderes judaicos desta fase, apostados em evitar influ\u00eancias negativas na \u201csantidade\u201d do Povo de Deus, favorecem uma pol\u00edtica xen\u00f3foba, proibindo at\u00e9 os casamentos mistos (cf. Esd 9-10; Ne 13,23-27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as diversas quest\u00f5es abordadas pelos textos do Trito-Isa\u00edas est\u00e1 tamb\u00e9m o problema dos estrangeiros. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tratando-se de uma colet\u00e2nea de textos de autores e pregadores diversos, \u00e9 natural que nela constem vis\u00f5es contradit\u00f3rias sobre essa tem\u00e1tica: a par de apelos ao aniquilamento das na\u00e7\u00f5es que se obstinam no mal (cf. Is 63,3-6; 64,1; 66,15-16), aparecem propostas de admiss\u00e3o e de integra\u00e7\u00e3o de estrangeiros no seio do Povo de Deus. No geral domina, apesar de tudo, a perspetiva universalista. \u00c9, ali\u00e1s, nessa perspetiva aberta e tolerante para com os outros povos que a primeira leitura deste vig\u00e9simo primeiro domingo comum nos coloca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Desde que come\u00e7ou a dar os primeiros passos na sua caminhada pela hist\u00f3ria, a comunidade nascida de Jesus sempre se viu como uma comunidade universal de salva\u00e7\u00e3o, aberta a homens e mulheres de todas as ra\u00e7as, na\u00e7\u00f5es e culturas. Paulo de Tarso dir\u00e1 isto de uma forma bem clara e sugestiva: \u201ctodos os que fostes batizados em Cristo, revestistes-vos de Cristo mediante a f\u00e9. N\u00e3o h\u00e1 judeu nem grego; n\u00e3o h\u00e1 escravo nem livre; n\u00e3o h\u00e1 homem e mulher, porque todos sois um s\u00f3 em Cristo Jesus\u201d. No novo Povo de Deus, o que \u00e9 decisivo \u00e9 a ades\u00e3o a Jesus e o compromisso com o projeto de salva\u00e7\u00e3o que Deus oferece, em Jesus. Em geral, resulta-nos f\u00e1cil aceitar que a salva\u00e7\u00e3o de Deus se destina a todos, sem exce\u00e7\u00e3o; mais dif\u00edcil \u00e9, contudo, olharmos como iguais todos aqueles com quem partilhamos o caminho crist\u00e3o e que vemos como \u201cdiferentes\u201d. As nossas comunidades crist\u00e3s s\u00e3o, de facto, comunidades fraternas, onde toda a gente \u00e9 igualmente acolhida, independentemente da ra\u00e7a, do sexo, da posi\u00e7\u00e3o social, da prepara\u00e7\u00e3o intelectual, do estatuto econ\u00f3mico? Como tratamos, nas nossas comunidades crist\u00e3s, aqueles que t\u00eam experi\u00eancias religiosas e formas de sentir a f\u00e9 n\u00e3o coincidentes com as nossas, aqueles cujas vidas est\u00e3o marcadas por feridas que consideramos reprov\u00e1veis?<\/li>\n<li>O autor do texto que nos \u00e9 proposto como primeira leitura anuncia o envio, por Deus, de \u201cmission\u00e1rios\u201d que v\u00e3o levar a luz de Deus aos povos que habitam nos confins da terra. Ser\u00e1 o an\u00fancio feito por esses \u201cenviados\u201d que trar\u00e1 para Jerusal\u00e9m pessoas de todas as ra\u00e7as para integrarem o Povo de Deus, para servirem o Senhor, para experimentarem a salva\u00e7\u00e3o oferecida por Deus. A comunidade do Povo de Deus \u00e9, essencialmente, uma comunidade mission\u00e1ria, chamada a dar testemunho no meio dos homens da proposta de salva\u00e7\u00e3o de Deus. Temos consci\u00eancia disso? At\u00e9 que ponto nos sentimos \u201cmission\u00e1rios\u201d de Deus, testemunhas e arautos da salva\u00e7\u00e3o de Deus? A \u201cmiss\u00e3o\u201d est\u00e1 no horizonte da nossa vida?<\/li>\n<li>Falar da universalidade da salva\u00e7\u00e3o, \u00e9 falar de um Deus que v\u00ea cada ser humano como um filho muito querido. Ele cuida de todos e a todos ama, sem discriminar ningu\u00e9m; Ele insiste em sentar \u00e0 sua mesa todos os seus filhos, mesmo aqueles que o ignoram ou que se p\u00f5em decididamente contra Ele. \u00c9 estranho e dececionante que n\u00f3s, seres humanos, ainda n\u00e3o tenhamos assimilado a l\u00f3gica de Deus. \u00c0s vezes defendemos tenazmente o nosso bem-estar e recusamo-nos a partilhar com os nossos irm\u00e3os os bens que Deus ofereceu para todos; \u00e0s vezes recusamo-nos a acolher aqueles que v\u00eam bater \u00e0 nossa porta, \u00e0 procura de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida; \u00e0s vezes tratamos os nossos irm\u00e3os como se eles n\u00e3o tivessem a mesma dignidade e os mesmos direitos que n\u00f3s temos; \u00e0s vezes privilegiamos o nosso comodismo em detrimento da justi\u00e7a e da fraternidade; \u00e0s vezes marcamos como inimigos determinados grupos, pessoas e comunidades, simplesmente para defender os nossos interesses ou a nossa vida acomodada. O racismo, a xenofobia, a discrimina\u00e7\u00e3o de pessoas ou grupos, a indiferen\u00e7a face \u00e0 sorte dos imigrantes, ser\u00e3o compat\u00edveis com a perten\u00e7a \u00e0 fam\u00edlia de Deus? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 116 (117)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ide por todo o mundo, anunciai a boa nova.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Louvai o Senhor, todas as na\u00e7\u00f5es,<br \/>\naclamai-O, todos os povos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 firme a sua miseric\u00f3rdia para connosco,<br \/>\na fidelidade do Senhor permanece para sempre<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Hebreus 12,5-7.11-13<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nJ\u00e1 esquecestes a exorta\u00e7\u00e3o que vos \u00e9 dirigida,<br \/>\ncomo a filhos que sois:<br \/>\n\u00abMeu filho, n\u00e3o desprezes a corre\u00e7\u00e3o do Senhor,<br \/>\nnem desanimes quando Ele te repreende;<br \/>\nporque o Senhor corrige aquele que ama<br \/>\ne castiga aquele que reconhece como filho\u00bb.<br \/>\n\u00c9 para vossa corre\u00e7\u00e3o que sofreis.<br \/>\nDeus trata-vos como filhos.<br \/>\nQual \u00e9 o filho a quem o pai n\u00e3o corrige?<br \/>\nNenhuma corre\u00e7\u00e3o, quando se recebe,<br \/>\n\u00e9 considerada como motivo de alegria, mas de tristeza.<br \/>\nMais tarde, por\u00e9m,<br \/>\nd\u00e1 \u00e0queles que assim foram exercitados<br \/>\num fruto de paz e de justi\u00e7a.<br \/>\nPor isso, levantai as vossas m\u00e3os fatigadas<br \/>\ne os vossos joelhos vacilantes<br \/>\ne dirigi os vossos passos por caminhos direitos,<br \/>\npara que o coxo n\u00e3o se extravie,<br \/>\nmas antes seja curado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A chamada \u201cCarta aos Hebreus\u201d parece mais ser uma homilia destinada \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o oral do que propriamente uma carta. O tom \u00e9 solene, expositivo, doutrinal, carregado de erudi\u00e7\u00e3o e de refer\u00eancias teol\u00f3gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o oriental atribuiu o texto a S\u00e3o Paulo. No entanto, cedo come\u00e7aram a surgir argumentos contra a autenticidade paulina da Carta aos Hebreus. As diferen\u00e7as de linguagem, de estilo e mesmo de ideias em rela\u00e7\u00e3o a outros textos autenticamente paulinos levaram os biblistas a descartar a possibilidade de S\u00e3o Paulo ter sido o seu autor. Admite-se, no entanto, que esse autor tenha sido algu\u00e9m relacionado com S\u00e3o Paulo, talvez um disc\u00edpulo do ap\u00f3stolo. Muito provavelmente a Carta aos Hebreus ter\u00e1 sido redigida alguns anos antes do ano setenta, quando o Templo de Jerusal\u00e9m ainda n\u00e3o tinha sido destru\u00eddo pelas tropas romanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o foi poss\u00edvel apurar quem s\u00e3o os destinat\u00e1rios concretos desta reflex\u00e3o. Para alguns, o designativo \u201caos hebreus\u201d poderia indicar que os seus destinat\u00e1rios seriam judeus convertidos ao cristianismo; mas, para outros, essa indica\u00e7\u00e3o \u2013 que apareceu tardiamente \u2013 n\u00e3o \u00e9 decisiva. \u00c9 verdade que o autor refere frequentemente factos, figuras e tipologias do Antigo Testamento; mas isso n\u00e3o nos autoriza a concluir que os destinat\u00e1rios da Carta provenham exclusivamente do mundo judaico, uma vez que, pelo ano setenta, o Antigo Testamento era j\u00e1 refer\u00eancia fundamental para todas as comunidades crist\u00e3s, quer as oriundas do mundo judaico, quer as que provinham do mundo greco-romano. Seja como for, o que parece claro \u00e9 que os destinat\u00e1rios da Carta aos Hebreus s\u00e3o crist\u00e3os que vivem numa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, num ambiente hostil \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3; perderam o entusiasmo inicial e instalaram-se numa f\u00e9 rotineira, morna e pouco exigente. O autor procura fortalec\u00ea-los na viv\u00eancia do compromisso crist\u00e3o e ajud\u00e1-los a crescer na f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A figura de Cristo \u00e9 central na \u201cCarta aos Hebreus\u201d. Apresentado como sumo sacerdote, Ele \u00e9 o mediador entre Deus e os homens. A sua entrega sacrificial na cruz substitui todos os sacrif\u00edcios do antigo culto judaico, estabelece uma nova Alian\u00e7a entre Deus e os homens e inaugura um culto novo. Pelo sacerd\u00f3cio de Cristo, os crentes s\u00e3o inseridos no Povo sacerdotal que \u00e9 a comunidade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que a liturgia do d\u00e9cimo primeiro domingo comum nos prop\u00f5e como segunda leitura integra uma parte da carta onde o autor faz um veemente apelo \u00e0 const\u00e2ncia e \u00e0 perseveran\u00e7a na f\u00e9 (cf. Heb 12,1-13). Jesus, \u201cautor e consumador da f\u00e9\u201d, aquele que \u201crenunciando \u00e0 alegria que lhe fora proposta, sofreu a cruz, mas que depois se sentou \u00e0 direita do trono de Deus\u201d (Heb 12,2), \u00e9 o modelo que os crist\u00e3os devem ter sempre diante dos olhos. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Ao longo dos s\u00e9culos, a quest\u00e3o do sofrimento tem sido, para muitos homens e mulheres um \u201cobst\u00e1culo\u201d intranspon\u00edvel na sua aproxima\u00e7\u00e3o a Deus: se Deus existe, porque \u00e9 que deixa que o sofrimento marque a vida do homem, inclusive a vida dos justos e dos inocentes? Porque \u00e9 que tantas pessoas que optam por caminhos de viol\u00eancia e de maldade parecem ter tanta sorte e sucesso, enquanto outras pessoas, boas e generosas, s\u00e3o atingidas por males em catadupa? Nem os te\u00f3logos, nem os fil\u00f3sofos conseguiram, at\u00e9 hoje, encontrar respostas satisfat\u00f3rias para estas quest\u00f5es. O mais honesto \u00e9 reconhecer, simplesmente, que se trata de algo que ultrapassa a nossa \u201cpobre\u201d compreens\u00e3o dos grandes mist\u00e9rios da vida. A catequese crist\u00e3, sem explicar cabalmente o sentido do sofrimento, convida-nos a constatar uma realidade: embora n\u00e3o seja algo bom em si mesmo, o sofrimento pode dar-nos a possibilidade de crescermos, de amadurecermos, de alcan\u00e7armos uma compreens\u00e3o superior do sentido da exist\u00eancia, de nos purificarmos de certas vis\u00f5es mesquinhas que s\u00f3 ultrapassamos quando mergulhamos no mist\u00e9rio do amor de Deus. Como lidamos com o sofrimento? Que sentido lhe damos?<\/li>\n<li>O \u201ccatequista\u201d que escreveu a Carta aos Hebreus considera que o sofrimento pode ajudar-nos a perceber o sem sentido de muitas das nossas op\u00e7\u00f5es. Deus n\u00e3o quer ver-nos sofrer. Ele nunca desiste de nos apontar os caminhos que levam \u00e0 vida verdadeira. Mas n\u00f3s, frequentemente, ignoramos as indica\u00e7\u00f5es de Deus e agimos de acordo com as nossas perspetivas, os nossos interesses, as nossas ilus\u00f5es. O orgulho e a autossufici\u00eancia enganam-nos e levam-nos a avan\u00e7ar em caminhos que n\u00e3o levam a nenhum lado. Ent\u00e3o, como consequ\u00eancia das nossas op\u00e7\u00f5es irrespons\u00e1veis, descobrimos o sofrimento. Chegados \u201cao fundo do po\u00e7o\u201d, percebemos finalmente que temos vindo a caminhar na dire\u00e7\u00e3o errada. Nesses casos, o sofrimento pode ajudar-nos a reformular o sentido da nossa exist\u00eancia, a voltar atr\u00e1s e a enveredar por caminhos que nos conduzam na dire\u00e7\u00e3o certa. O sofrimento ter\u00e1, aqui, um sentido pedag\u00f3gico. J\u00e1 fizemos esta experi\u00eancia?<\/li>\n<li>O \u201ccatequista\u201d que nos ofereceu a Carta aos Hebreus, apesar de todos os sofrimentos e contrariedades que pontuam o caminho dos seres humanos, acredita no amor de Deus. Deus s\u00f3 quer o nosso bem. Deus nunca far\u00e1 nada para nos prejudicar ou para nos magoar; e quando a nossa fragilidade ou a nossa debilidade nos fizerem experimentar o sofrimento, Deus vir\u00e1 ao nosso encontro e ficar\u00e1 ao nosso lado. Mais: Deus \u201cescreve direito por linhas tortas\u201d e encontrar\u00e1 maneira de tirar de algo mau (o sofrimento) coisas que nos far\u00e3o bem. Acreditamos no amor de Deus, mesmo quando a vida nos fere e nos obriga a conhecer a dor? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 13,22-30<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus dirigia-Se para Jerusal\u00e9m<br \/>\ne ensinava nas cidades e aldeias por onde passava.<br \/>\nAlgu\u00e9m Lhe perguntou:<br \/>\n\u00abSenhor, s\u00e3o poucos os que se salvam?\u00bb<br \/>\nEle respondeu:<br \/>\n\u00abEsfor\u00e7ai-vos por entrar pela porta estreita,<br \/>\nporque Eu vos digo<br \/>\nque muitos tentar\u00e3o entrar sem o conseguir.<br \/>\nUma vez que o dono da casa se levante e feche a porta,<br \/>\nv\u00f3s ficareis fora e batereis \u00e0 porta, dizendo:<br \/>\n\u2018Abre-nos, senhor\u2019;<br \/>\nmas ele responder-vos-\u00e1: \u2018N\u00e3o sei donde sois\u2019.<br \/>\nEnt\u00e3o come\u00e7areis a dizer:<br \/>\n\u2018Comemos e bebemos contigo<br \/>\ne tu ensinaste nas nossas pra\u00e7as\u2019.<br \/>\nMas ele responder\u00e1:<br \/>\n\u2018Repito que n\u00e3o sei donde sois.<br \/>\nAfastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade\u2019.<br \/>\nA\u00ed haver\u00e1 choro e ranger de dentes,<br \/>\nquando virdes no reino de Deus<br \/>\nAbra\u00e3o, Isaac e Jacob e todos os Profetas,<br \/>\ne v\u00f3s a serdes postos fora.<br \/>\nH\u00e3o de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul,<br \/>\ne sentar-se-\u00e3o \u00e0 mesa do reino de Deus.<br \/>\nH\u00e1 \u00faltimos que ser\u00e3o dos primeiros<br \/>\ne primeiros que ser\u00e3o dos \u00faltimos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cJesus dirigia-se para Jerusal\u00e9m e ensinava nas cidades e aldeias por onde passava\u201d (vers. 22). \u00c9 a segunda men\u00e7\u00e3o direta que Lucas faz (a primeira tinha sido em Lc 9,51) a essa \u201cviagem\u201d que leva Jesus da Galileia a Jerusal\u00e9m para enfrentar as autoridades religiosas judaicas e lhes apresentar o projeto de salva\u00e7\u00e3o que Deus lhe confiou. Os disc\u00edpulos caminham atr\u00e1s de Jesus. Em cada passo do caminho, Jesus det\u00e9m-se a explicar o \u201cmapa\u201d do Reino de Deus. Embora as li\u00e7\u00f5es de Jesus se destinem a toda a gente, elas t\u00eam como destinat\u00e1rios privilegiados os disc\u00edpulos: eles devem assimilar a l\u00f3gica do Reino, para serem depois, ap\u00f3s a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, as testemunhas do Evangelho em todo o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que Lucas nos prop\u00f5e (cf. Lc 13,22-30) \u00e9 constitu\u00eddo por materiais de distintas proced\u00eancias, aqui agrupados por raz\u00f5es de interesse tem\u00e1tico. Estes materiais seriam, inicialmente, \u201cditos\u201d de Jesus \u2013 pronunciados em contextos distintos \u2013 sobre a entrada no Reino de Deus (o evangelista Mateus apresenta os mesmos \u201cditos\u201d sob formas e em contextos diferentes \u2013 cf. Lc 13,23-24 e Mt 7,13-14; Lc 13,25 e Mt 25,10-12; Lc 13,26-27 e Mt 7,22-23; Lc 13,28-29 e Mt 8,12; Lc 13,30 e Mt 19,30). Lucas utiliza-os para mostrar as diferen\u00e7as entre a teologia dos judeus e a de Jesus, a prop\u00f3sito da salva\u00e7\u00e3o. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Como devemos viver para que a nossa vida n\u00e3o seja perdida? No caminho para Jerusal\u00e9m, Jesus deixa a sua resposta: \u201cEsfor\u00e7ai-vos por entrar pela porta estreita\u201d. Talvez esta frase dita assim, sem explica\u00e7\u00f5es, nos pare\u00e7a estranha e enigm\u00e1tica. Contudo, o Evangelho de Jesus, no seu conjunto, explica-a bastante bem: \u201centrar pela porta estreita\u201d \u00e9 n\u00e3o viver de forma irrespons\u00e1vel, sem agarrar a vida e sem se comprometer; \u00e9 recusar a mediocridade, a acomoda\u00e7\u00e3o, a aliena\u00e7\u00e3o; \u00e9 n\u00e3o ceder ao facilitismo, \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o do bem-estar, aos valores que n\u00e3o t\u00eam qualquer valor; \u00e9 n\u00e3o viver exclusivamente voltado para os pr\u00f3prios interesses pessoais, alheado dos problemas do mundo e da sorte dos irm\u00e3os; \u00e9 n\u00e3o se conformar com uma vida oca, de meias tintas, indolor, sem metas elevadas; \u00e9 n\u00e3o confiar em falsas seguran\u00e7as vindas do dinheiro ou de uma religi\u00e3o vazia e ritualista; \u00e9 fazer-se pequeno, simples, humilde, servo, capaz de amar at\u00e9 ao dom total de si pr\u00f3prio\u2026 Como \u00e9 que estamos a construir a nossa vida? Confundimos \u201cfelicidade\u201d com \u201cfacilidade\u201d? Apostamos na \u201cporta estreita\u201d, que implica esfor\u00e7o, ren\u00fancia, sacrif\u00edcio, coer\u00eancia, risco, luta, compromisso, ou procuramos a \u201cporta larga\u201d da facilidade, da superficialidade, do bem-estar, da popularidade, do \u00eaxito ef\u00e9mero, de tudo aquilo que n\u00e3o exige muito, mas tamb\u00e9m n\u00e3o sacia a nossa fome e a nossa sede de vida verdadeira?<\/li>\n<li>A par\u00e1bola do banquete em que a porta se fechou, impedindo a entrada daqueles que chegaram tarde e a m\u00e1s horas, n\u00e3o \u00e9 sobre a intransig\u00eancia de Deus para com os seus filhos que \u00e0s vezes se equivocam na escolha das prioridades; mas \u00e9 um veemente apelo a que n\u00e3o nos deixemos adormecer numa vida f\u00e1cil e acomodada, negligenciando as oportunidades que nos s\u00e3o dadas para construirmos uma vida com sentido. A nossa passagem pela terra \u00e9 ef\u00e9mera. Tem um tempo que rapidamente se esgota. Se, no tempo que nos \u00e9 dado, formos apostando tudo em coisas rasteiras e f\u00fateis, n\u00e3o conseguiremos ter espa\u00e7o para as coisas decisivas, as que d\u00e3o sentido a tudo. Sem darmos conta, o tempo que temos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o esvazia-se, a porta fecha-se e acabamos por n\u00e3o viver verdadeiramente. Como gastamos o tempo que Deus nos concede? Apostamos em escolhas que nos realizam? Procuramos a cada instante encher de sentido a nossa vida, esfor\u00e7ando-nos por concretizar o projeto que Deus tem para n\u00f3s?<\/li>\n<li>Na par\u00e1bola contada por Jesus h\u00e1 pessoas, vindas \u201cdo oriente e do ocidente, do Norte e do Sul\u201d que t\u00eam acesso ao banquete; e h\u00e1 outras pessoas que pensavam ter acesso garantido ao banquete, talvez at\u00e9 em lugar de destaque, mas que n\u00e3o conseguem entrar na sala onde o banquete se realiza. Segundo Jesus, sentar-se \u00e0 mesa do Reino de Deus n\u00e3o depende de direitos adquiridos por nascimento, ou de um qualquer ato formal de ades\u00e3o a uma institui\u00e7\u00e3o; mas depende de uma decis\u00e3o pessoal por Jesus e pela sua proposta: uma decis\u00e3o assumida sem hesita\u00e7\u00e3o, renovada em cada dia, confirmada em cada passo do caminho. Segundo Jesus, pode haver gente que se senta \u00e0 mesa da eucaristia, que em cada domingo escuta a Palavra de Jesus, que tem todos os pap\u00e9is em ordem do ponto de vista da perten\u00e7a institucional \u00e0 Igreja, que at\u00e9 exerce um cargo de destaque na comunidade eclesial, mas que n\u00e3o se deu ao trabalho de \u201centrar pela porta estreita\u201d e que n\u00e3o ter\u00e1 lugar \u00e0 mesa do Reino de Deus. A esses, o \u201cdono da casa\u201d dir\u00e1: \u201cn\u00e3o sei donde sois\u201d. Como \u00e9 que vemos isto? Como \u00e9 que, pessoalmente, isto nos toca? Ser\u00e1 que reunimos os crit\u00e9rios necess\u00e1rios para sermos admitidos ao banquete do Reino de Deus?<\/li>\n<li>O Evangelho deste domingo termina com um prov\u00e9rbio \u201cinc\u00f3modo\u201d, pronunciado por Jesus, que nos desafia e faz pensar: \u201ch\u00e1 \u00faltimos que ser\u00e3o dos primeiros e primeiros que ser\u00e3o dos \u00faltimos\u201d. O que \u00e9 que Jesus est\u00e1 a dizer? Talvez esteja a dizer que h\u00e1 te\u00f3logos que escrevem tratados cheios de eleva\u00e7\u00e3o sobre Deus, mas que nunca comunicam com Deus nem se abrem aos Seus apelos; e que h\u00e1 crentes simples, iletrados, que n\u00e3o sabem falar sobre Deus, mas que dialogam com Ele com a confian\u00e7a de filhos que se sentem queridos e amados. Talvez Jesus esteja a dizer que h\u00e1 pregadores e mestres de moral que exigem dos outros o cumprimento de uma longa lista de pr\u00e1ticas e de valores \u00e9ticos, embora n\u00e3o se sintam obrigados a conduzir a sua vida de forma coerente com esses valores; e que h\u00e1 homens e mulheres humildes, que n\u00e3o sabem justificar aquilo em que acreditam, mas que escutam a voz da sua consci\u00eancia e que atuam de acordo com ela. Talvez Jesus esteja a dizer que h\u00e1 crentes muito preocupados em cumprir \u201ca doutrina\u201d e em viver de acordo com as leis da Igreja, mas que passam ao lado Evangelho; e que h\u00e1 crist\u00e3os que n\u00e3o s\u00e3o capazes de explicar as verdades da f\u00e9, mas que procuram sinceramente viver de acordo com a verdade de Deus\u2026 Sim, por vezes os \u201cprimeiros\u201d do mundo n\u00e3o s\u00e3o os \u201cprimeiros\u201d de Deus; e os \u201cprimeiros\u201d de Deus n\u00e3o s\u00e3o os \u201cprimeiros\u201d do mundo. Em qual destes grupos nos situamos? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Leitura-I-do-Domingo-XXI-do-Tempo-Comum-Ano-C-24.08.2025-Isaias-66-18-21.pdf\">Leitura I do Domingo XXI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 24.08.2025 (Isa\u00edas 66, 18-21)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Leitura-II-do-Domingo-XXI-do-Tempo-Comum-Ano-C-24.08.2025-Hebreus-12-5-7.11-13.pdf\">Leitura II do Domingo XXI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 24.08.2025 (Hebreus 12, 5-7.11-13)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Domingo-XXI-do-Tempo-Comum-Ano-C-24.08.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XXI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 24.08.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Domingo-XXI-do-Tempo-Comum-Ano-C-24.08.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 24.08.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Domingo-XXI-do-Tempo-Comum-Ano-C-24.08.2025-refletindo.pdf\">Domingo XXI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 24.08.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/A-Mesa-da-Palavra-TC-Domingo-XXI.pdf\">A Mesa da Palavra TC Domingo XXI<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XX do Tempo Comum \u2013 Ano C \u2013 17 agosto 2025&#8243; tab_id=&#8221;1756114118865-6b6c7199-0d0b&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XX do Tempo Comum &#8211; Ano C \u2013 17 agosto 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/vim_trazer_fogo.jpg\" alt=\"\" width=\"478\" height=\"647\" \/><\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Viver a Palavra<\/h5>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cAbre assim a extraordin\u00e1ria li\u00e7\u00e3o do Evangelho deste Domingo XX do Tempo Comum (Lucas 12,49-57): \u00abO fogo Eu vim trazer sobre a terra, e como Eu desejo que j\u00e1 tivesse sido aceso (an\u00eaphth\u00ea: aoristo passivo de\u00a0an\u00e1pt\u00f4)! Tenho um batismo para ser batizado, e como estou sob\u00a0stress\u00a0(syn\u00e9ch\u00f4mai) at\u00e9 que ele seja consumado (telesth\u00ea: aoristo conjuntivo passivo de\u00a0tel\u00e9\u00f4\u00a0[= levar \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o]\u00bb! (Lucas 12,49-50<strong><em>). \u00a0<\/em><\/strong><strong><em>D. Ant\u00f3nio Couto<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como vivemos, no dia a dia da nossa vida, a op\u00e7\u00e3o que fizemos quando fomos batizados? A monotonia, o cansa\u00e7o, a acomoda\u00e7\u00e3o, tomaram conta de n\u00f3s e caminhamos sem chama, sem alegria e sem paix\u00e3o? A Palavra de Deus que hoje nos \u00e9 servida convida-nos a acordar, a escutar novamente o chamamento de Deus, a redescobrir a miss\u00e3o prof\u00e9tica a que somos chamados, a retomar o nosso caminho atr\u00e1s de Jesus, a reafirmar o nosso compromisso com a constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. <strong><em>in Dehonianos. <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Continuamos no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C \u2013 onde somos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong> <strong>\u2013 <\/strong><strong>Jeremias 38,4-6.8-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nos ministros disseram ao rei de Jud\u00e1:<br \/>\n\u00abEsse Jeremias deve morrer,<br \/>\nporque semeia o des\u00e2nimo entre os combatentes<br \/>\nque ficaram na cidade e tamb\u00e9m todo o povo<br \/>\ncom as palavras que diz.<br \/>\nEste homem n\u00e3o procura o bem do povo,<br \/>\nmas a sua perdi\u00e7\u00e3o\u00bb.<br \/>\nO rei Sedecias respondeu:<br \/>\n\u00abEle est\u00e1 nas vossas m\u00e3os;<br \/>\no rei n\u00e3o tem poder para vos contrariar\u00bb.<br \/>\nApoderaram-se ent\u00e3o de Jeremias<br \/>\ne, por meio de cordas,<br \/>\nfizeram-no descer \u00e0 cisterna do pr\u00edncipe Melquias,<br \/>\nsituada no p\u00e1tio da guarda.<br \/>\nNa cisterna n\u00e3o havia \u00e1gua, mas apenas lodo,<br \/>\ne Jeremias atolou-se no lodo.<br \/>\nEntretanto, Ebed-Melec, o et\u00edope,<br \/>\nsaiu do pal\u00e1cio e falou ao rei:<br \/>\n\u00ab\u00d3 rei, meu senhor, esses homens procederam muito mal<br \/>\ntratando assim o profeta Jeremias:<br \/>\nmeteram-no na cisterna, onde vai morrer de fome,<br \/>\npois j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 p\u00e3o na cidade\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o o rei ordenou a Ebed-Melec, o et\u00edope:<br \/>\n\u00abLeva daqui contigo tr\u00eas homens<br \/>\ne retira da cisterna o profeta Jeremias,<br \/>\nantes que ele morra\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jeremias nasceu em Anatot, uma pequena cidade situada nas proximidades de Jerusal\u00e9m, por volta de 650 a.C.; e exerceu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica desde 627\/626 a.C., at\u00e9 depois da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m pelos Babil\u00f3nios (586 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u00e9poca de Jeremias \u00e9 uma \u00e9poca de grande instabilidade pol\u00edtica e social. Quando Jeremias assumiu a miss\u00e3o prof\u00e9tica, o rei Josias estava a concretizar uma grande reforma religiosa destinada a banir do pa\u00eds os cultos aos deuses estrangeiros, depois de d\u00e9cadas de infidelidade a Deus e de sincretismo religioso. Jeremias, nessa fase, envolveu-se na reforma religiosa de Josias, exortando os habitantes de Jud\u00e1 a converterem-se e a serem fi\u00e9is a Jav\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Contudo, em 609 a.C. Josias foi morto em Megido, em combate contra os eg\u00edpcios. Depois de uns meses de instabilidade, o trono de Jud\u00e1 foi ocupado por Joaquim (609-597 a.C.). Jud\u00e1 voltou a trilhar caminhos de incerteza e inseguran\u00e7a. As injusti\u00e7as sociais, \u00e0s vezes fomentadas pelo pr\u00f3prio rei, fragilizavam irremediavelmente o tecido social de Jud\u00e1; a pol\u00edtica de alian\u00e7as militares com pot\u00eancias estrangeiras, punha em risco a independ\u00eancia nacional. Jeremias entendia, al\u00e9m disso, que ao colocarem a esperan\u00e7a da na\u00e7\u00e3o em ex\u00e9rcitos estrangeiros, os l\u00edderes de Jud\u00e1 estavam a mostrar que n\u00e3o confiavam em Deus. Convencido de que Jud\u00e1 tinha ultrapassado todas as marcas, Jeremias anunciou, a dada altura, a imin\u00eancia de uma invas\u00e3o babil\u00f3nica que castigaria os pecados da na\u00e7\u00e3o. As previs\u00f5es funestas de Jeremias concretizaram-se: em 597 a.C., Nabucodonosor invadiu Jud\u00e1 e deportou para a Babil\u00f3nia uma parte da popula\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No trono de Jud\u00e1 ficou, ent\u00e3o, Sedecias (597-586 a.C.). Inicialmente, Sedecias manteve-se \u00e0 margem das convuls\u00f5es pol\u00edticas que agitavam os povos da regi\u00e3o; mas, ap\u00f3s alguns anos de calma submiss\u00e3o \u00e0 Babil\u00f3nia, Sedecias voltou a experimentar a velha pol\u00edtica das alian\u00e7as com pot\u00eancias regionais, buscando a ajuda do Egito contra a Babil\u00f3nia. Jeremias, uma vez mais, manifestou o seu desacordo, prevendo o desastre da na\u00e7\u00e3o; mas, nem o rei, nem os not\u00e1veis do pa\u00eds prestaram qualquer aten\u00e7\u00e3o \u00e0 opini\u00e3o do profeta. Considerado por toda a gente um amargo \u201cprofeta da desgra\u00e7a\u201d, Jeremias apenas consegue criar o vazio \u00e0 sua volta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em 587 a.C. Nabucodonosor, rei da Babil\u00f3nia, p\u00f5e cerco a Jerusal\u00e9m; no entanto, um ex\u00e9rcito eg\u00edpcio vem em socorro de Jud\u00e1 e os babil\u00f3nios retiram-se. Nesse momento de euforia nacional, Jeremias anuncia o recome\u00e7o do cerco e a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m (cf. Jr 32,2-5). Acusado de trai\u00e7\u00e3o, o profeta \u00e9 encarcerado (cf. Jr 37,11-16). \u00c9 neste contexto que decorre a cena narrada na primeira leitura deste dia. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A hist\u00f3ria do profeta Jeremias \u00e9 a hist\u00f3ria de todos os profetas que levam a s\u00e9rio a miss\u00e3o que Deus lhes confia. O profeta \u00e9 o homem da Palavra de Deus, da Palavra da verdade; e a Palavra de Deus incomoda, desinstala, denuncia, desafia os donos do mundo. Mais tarde ou mais cedo o testemunho prof\u00e9tico entra em choque com aqueles que colocam na base das suas vidas o ego\u00edsmo, a prepot\u00eancia, a ambi\u00e7\u00e3o, a gan\u00e2ncia, a mentira; mais tarde ou mais cedo o testemunho prof\u00e9tico questiona aqueles que est\u00e3o acomodados, escondidos atr\u00e1s do seu bem-estar, instalados numa vida sem exig\u00eancias e sem compromissos. Ent\u00e3o, o profeta come\u00e7a a ser criticado, ridicularizado, caluniado, maltratado, amea\u00e7ado\u2026 Em muitos casos o caminho do profeta leva ao mart\u00edrio, \u00e0 morte violenta. Na hist\u00f3ria recente do nosso mundo temos diversos exemplos de profetas que pagaram com a vida a sua fidelidade \u00e0 verdade de Deus: D. \u00d3scar Romero, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Dietrich Bonhoeffer, Maximiliano Maria Kolbe\u2026 Temos consci\u00eancia de que a verdade de Deus continua a escrever-se na hist\u00f3ria dos homens com sacrif\u00edcio, com sangue, com o dom da vida? Na nossa opini\u00e3o, valer\u00e1 a pena entregar a vida at\u00e9 ao dom total de si mesmo para que os valores de Deus continuem a ser propostos no nosso mundo?<\/li>\n<li>Quem s\u00e3o os profetas? Pessoas de uma ra\u00e7a especial, diferentes dos outros homens e mulheres? N\u00e3o. Os profetas s\u00e3o simplesmente pessoas que, enquanto caminham pela vida, d\u00e3o testemunho de Deus no meio dos seus irm\u00e3os. Ora, essa \u00e9 a miss\u00e3o que foi confiada a todos aqueles que optaram por Deus e que, no dia do seu batismo, se comprometeram com Deus. Ali\u00e1s, no momento do nosso batismo fomos ungidos com o \u00f3leo do crisma e constitu\u00eddos profetas \u00e0 imagem de Jesus. Comprometemo-nos, nesse dia, a continuar a obra de Jesus: anunciar a todos os homens o amor de Deus, testemunhar e construir o Reino de Deus. Sentimo-nos profetas, investidos por Deus da miss\u00e3o de construir um mundo de justi\u00e7a e de paz? Somos coerentes com a nossa voca\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica e procuramos, com fidelidade, ser testemunhas de Deus no meio dos nossos irm\u00e3os?<\/li>\n<li>Num momento cr\u00edtico da vida de Jeremias, Deus veio ao seu encontro para o salvar, atrav\u00e9s de um escravo estrangeiro. O facto mostra que Deus n\u00e3o abandona os seus profetas perseguidos, humilhados, atirados para o lodo pelos poderosos do mundo. Isso n\u00e3o quer dizer que Deus os livre da morte; quer dizer que Deus estar\u00e1 sempre ao lado deles, como presen\u00e7a amiga e reconfortante, dando-lhes a for\u00e7a necess\u00e1ria para levarem at\u00e9 ao fim a miss\u00e3o que lhes foi confiada. \u00c9 poss\u00edvel que, no exerc\u00edcio da nossa miss\u00e3o prof\u00e9tica, sejamos incompreendidos, magoados, caluniados, maltratados; \u00e9 poss\u00edvel que, pelo nosso compromisso com a verdade, nos sintamos abandonados por todos e experimentemos uma profunda solid\u00e3o\u2026 De uma coisa, contudo, podemos estar certos: Deus nunca abandonar\u00e1 os seus profetas; estar\u00e1 ao lado deles, apoi\u00e1-los-\u00e1, cuidar\u00e1 deles, ainda que seja atrav\u00e9s de algu\u00e9m t\u00e3o improv\u00e1vel como aquele escravo estrangeiro que salvou Jeremias da morte. Temos consci\u00eancia de que Deus est\u00e1 sempre ao nosso lado e luta connosco para derrotar o mal? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 39 (40)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong><strong>: Senhor, socorrei-me sem demora.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esperei no Senhor com toda a confian\u00e7a<br \/>\ne Ele atendeu-me.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ouviu o meu clamor<br \/>\ne retirou-me do abismo e do lama\u00e7al,<br \/>\nassentou os meus p\u00e9s na rocha<br \/>\ne firmou os meus passos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P\u00f4s em meus l\u00e1bios um c\u00e2ntico novo,<br \/>\num hino de louvor ao nosso Deus.<br \/>\nVendo isto, muitos h\u00e3o de temer<br \/>\ne p\u00f4r a sua confian\u00e7a no Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu sou pobre e infeliz:<br \/>\nSenhor, cuidai de mim.<br \/>\nSois o meu protetor e libertador:<br \/>\n\u00f3 meu Deus, n\u00e3o tardeis.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Hebreus 12,1-4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nEstando n\u00f3s rodeados de t\u00e3o grande n\u00famero de testemunhas,<br \/>\nponhamos de parte todo o fardo e pecado que nos cerca<br \/>\ne corramos com perseveran\u00e7a para o combate<br \/>\nque se apresenta diante de n\u00f3s,<br \/>\nfixando os olhos em Jesus,<br \/>\nguia da nossa f\u00e9 e autor da sua perfei\u00e7\u00e3o.<br \/>\nRenunciando \u00e0 alegria que tinha ao seu alcance,<br \/>\nEle suportou a cruz, desprezando a sua ignom\u00ednia,<br \/>\ne est\u00e1 sentado \u00e0 direita do trono de Deus.<br \/>\nPensai n\u2019Aquele que suportou contra Si<br \/>\nt\u00e3o grande hostilidade da parte dos pecadores,<br \/>\npara n\u00e3o vos deixardes abater pelo des\u00e2nimo.<br \/>\nV\u00f3s ainda n\u00e3o resististes at\u00e9 ao sangue,<br \/>\nna luta contra o pecado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u201cCarta aos Hebreus\u201d (mais do que uma \u201ccarta\u201d, \u00e9 uma \u201chomilia\u201d) destina-se a comunidades crist\u00e3s que vivem dias complicados\u2026 \u00c0 falta de entusiasmo de muitos dos seus membros na viv\u00eancia do compromisso crist\u00e3o, junta-se a hostilidade dos inimigos e as confus\u00f5es causadas \u00e0 f\u00e9 comunit\u00e1ria por certos pregadores pouco ortodoxos que ensinam doutrinas estranhas. S\u00e3o, portanto, comunidades fragilizadas, cansadas e desalentadas, que necessitam de redescobrir o seu entusiasmo inicial, de revitalizar o seu compromisso com Cristo e de apostar numa f\u00e9 mais coerente e mais empenhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesse sentido, um \u201cmestre\u201d crist\u00e3o (talvez um disc\u00edpulo do ap\u00f3stolo Paulo) disp\u00f5e-se a apresenta-lhes o mist\u00e9rio de Cristo, o sacerdote por excel\u00eancia, cuja miss\u00e3o \u00e9 p\u00f4r os crentes em rela\u00e7\u00e3o com o Pai e inseri-los nesse Povo sacerdotal que \u00e9 a comunidade crist\u00e3. Uma vez comprometidos com Cristo, os crentes s\u00e3o chamados a fazer da sua vida um cont\u00ednuo sacrif\u00edcio de louvor, de entrega e de amor. Desta forma, o autor oferece aos crist\u00e3os um aprofundamento e uma amplia\u00e7\u00e3o da f\u00e9 primitiva, capaz de revitalizar uma experi\u00eancia de f\u00e9 enfraquecida pela hostilidade do ambiente, pela acomoda\u00e7\u00e3o, pela monotonia e pelo arrefecimento do entusiasmo inicial. As refer\u00eancias ao culto praticado no templo de Jerusal\u00e9m como uma realidade ainda vigente parecem sugerir que esta \u201cCarta\u201d foi escrita antes de o templo ser destru\u00eddo pelos romanos, no ano 70.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que nos \u00e9 proposto pertence \u00e0 quarta parte da carta (cf. Heb 11,1-12,13). A\u00ed, temos um apelo \u00e0 f\u00e9 e \u00e0 const\u00e2ncia ou perseveran\u00e7a. Depois de apresentar uma aut\u00eantica galeria de personagens do Antigo Testamento que foram exemplos de f\u00e9 (Abel, Henoc, No\u00e9, Abra\u00e3o, Sara, Isaac, Jacob, Mois\u00e9s, Raab, Gede\u00e3o, Barac, Sans\u00e3o, Jeft\u00e9, David, Samuel, os profetas), o \u201cmestre\u201d que elaborou esta reflex\u00e3o exorta os crist\u00e3os a viverem fielmente o seu compromisso com Jesus. \u00c9 um pedido que faz todo o sentido no cen\u00e1rio de pouco compromisso em que viviam as comunidades crist\u00e3s a que a Carta se destina. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os destinat\u00e1rios da Carta aos Hebreus conheciam bem as dificuldades que o caminho crist\u00e3o apresenta. Conheciam a hostilidade e a incompreens\u00e3o do mundo, as lutas fraturantes no seio da comunidade, a arrog\u00e2ncia de alguns \u201cmestres\u201d que pretendiam impor a todos as suas vis\u00f5es pessoais; conheciam tamb\u00e9m o des\u00e2nimo, a acomoda\u00e7\u00e3o, o cansa\u00e7o, o desalento, a monotonia, a fragilidade, tudo aquilo que impede de viver na fidelidade ao Evangelho\u2026 Trata-se de um quadro que, para n\u00f3s crentes do s\u00e9c. XXI, n\u00e3o nos \u00e9 estranho. Confrontamo-nos a cada passo com os ataques injustificados dos que n\u00e3o entendem a nossa op\u00e7\u00e3o por Jesus; somos ridicularizados a cada momento por aqueles que n\u00e3o apreciam a verdade e que se sentem incomodados pelo nosso testemunho; envergonhamo-nos tantas vezes com as divis\u00f5es da Igreja, com o testemunho negativo que muitos crist\u00e3os d\u00e3o ao mundo, com a falta de compreens\u00e3o e de miseric\u00f3rdia no acolhimento dos \u201cpequenos\u201d e humildes; sentimo-nos a cada instante mal com a nossa pr\u00f3pria falta de compromisso, com a nossa superficialidade, com a nossa incoer\u00eancia\u2026 O que fazer, diante de tudo isto? Desanimar? Desistir? O autor da Carta aos Hebreus convida os crist\u00e3os a continuarem a correr, sem desanimar, sempre de olhos postos na meta. O pr\u00e9mio que nos espera \u2013 a vida verdadeira \u2013 \u00e9 demasiado valioso; n\u00e3o podemos desistir de o alcan\u00e7ar. O que sentimos diante de tudo isto?<\/li>\n<li>O \u201cmestre\u201d crist\u00e3o que nos legou a Carta aos Hebreus recomendava que, durante a nossa \u201ccorrida\u201d, n\u00e3o tir\u00e1ssemos os olhos de Cristo, \u201cguia da nossa f\u00e9 e autor da sua perfei\u00e7\u00e3o\u201d. De facto, Cristo, ao longo da sua \u201ccorrida\u201d, nunca cedeu \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o, nunca escolheu o caminho que exigia menos esfor\u00e7o, nunca foi atr\u00e1s dos seus gostos pessoais; mas procurou obedecer em tudo ao Pai, mesmo que o caminho que o Pai lhe apontava tivesse de passar pela vergonha da cruz, pelo dom da vida at\u00e9 ao extremo. A verdade \u00e9 que, no final desse caminho, Cristo encontrou a vit\u00f3ria, a glorifica\u00e7\u00e3o; e, por isso, \u201cest\u00e1 sentado \u00e0 direita de Deus\u201d. Na \u201ccorrida\u201d da vida, Cristo \u00e9 a nossa refer\u00eancia? Temos sempre diante de n\u00f3s o exemplo de Cristo? Estamos dispostos a \u201carriscar\u201d percorrer o mesmo \u201ccaminho\u201d que Ele percorreu, o caminho da cruz, do dom total de si por amor?<\/li>\n<li>O autor da Carta aos Hebreus convida os crentes a libertarem-se do fardo pesado que carregam e que os impede de correr livremente para a meta onde os espera a vit\u00f3ria. Na verdade, ao longo do nosso percurso de vida carregamos, muitas vezes, pesos insuport\u00e1veis \u2013 hist\u00f3rias de vida, feridas que nunca cicatrizaram, culpas n\u00e3o resolvidas, preconceitos e preven\u00e7\u00f5es, apegos a pessoas e a coisas \u2013 que nos impedem de caminhar livremente em dire\u00e7\u00e3o a uma vida com sentido. Quais s\u00e3o os pesos que carregamos, que limitam os nossos movimentos e que condicionam as nossas op\u00e7\u00f5es e a nossa liberdade? O que podemos fazer para nos libertarmos de tudo isso? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 12,49-53<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\ndisse Jesus aos seus disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abEu vim trazer o fogo \u00e0 terra<br \/>\ne que quero Eu sen\u00e3o que ele se acenda?<br \/>\nTenho de receber um batismo<br \/>\ne estou ansioso at\u00e9 que ele se realize.<br \/>\nPensais que Eu vim estabelecer a paz na terra?<br \/>\nN\u00e3o. Eu vos digo que vim trazer a divis\u00e3o.<br \/>\nA partir de agora, estar\u00e3o cinco divididos numa casa:<br \/>\ntr\u00eas contra dois e dois contra tr\u00eas.<br \/>\nEstar\u00e3o divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai,<br \/>\na m\u00e3e contra a filha e a filha contra a m\u00e3e,<br \/>\na sogra contra a nora e a nora contra a sogra\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Enquanto caminha em dire\u00e7\u00e3o a Jerusal\u00e9m, Jesus vai \u201cformando\u201d os seus disc\u00edpulos (cf. Lc 9,51-19,28). Quer que eles, \u00e0 medida que caminham, v\u00e3o deixando para tr\u00e1s as suas vis\u00f5es pessoais, os seus interesses rasteiros, as suas ilus\u00f5es de poder e grandeza, para assumirem a l\u00f3gica de Deus, os valores do Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, cada passo do caminho para Jerusal\u00e9m \u00e9 marcado com uma \u201cli\u00e7\u00e3o\u201d de Jesus. Os disc\u00edpulos, confrontados com o que v\u00e3o ouvindo, v\u00e3o crescendo na f\u00e9, amadurecendo a sua ades\u00e3o ao \u201cMestre\u201d, aprofundando a l\u00f3gica do Evangelho. Quando chegarem ao final dessa \u201cviagem\u201d estar\u00e3o mais preparados para dar testemunho do Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Lucas colocou no cen\u00e1rio da caminhada para Jerusal\u00e9m diversos materiais que os outros sin\u00f3pticos situam em contextos diversos. Por vezes, esses materiais aparecem em forma de \u201cditos\u201d, ao estilo sapiencial, segundo o modelo do paralelismo judaico. Esses \u201cditos\u201d, que originalmente n\u00e3o estavam relacionados uns com os outros, aparecem agora ligados de acordo com as conveni\u00eancias teol\u00f3gicas de Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os tr\u00eas \u201cditos\u201d que o Evangelho de hoje nos apresenta s\u00e3o dos textos mais enigm\u00e1ticos todo o Novo Testamento. Particular dificuldade oferece Lc 12,49, formado com palavras estranhas ao vocabul\u00e1rio de Lucas. Talvez provenha, originalmente, de uma qualquer conversa de \u00e2mbito apocal\u00edtico, como sugest\u00e3o de que o mundo antigo iria desaparecer para dar lugar ao Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na forma como Lucas os disp\u00f4s no seu texto, estes tr\u00eas \u201cditos\u201d servem para falar da miss\u00e3o e do destino de Jesus, segundo o esquema \u201cmiss\u00e3o (Lc 12,49), destino (Lc 12,50), miss\u00e3o (Lc 12,51-53)\u201d. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Desde muito cedo Jesus soube que o Pai lhe tinha confiado uma miss\u00e3o. Essa miss\u00e3o passava por dar testemunho do amor de Deus e propor aos homens um mundo novo, um mundo constru\u00eddo sobre os valores de Deus. Jesus abra\u00e7ou essa miss\u00e3o com todas as for\u00e7as do seu cora\u00e7\u00e3o. Numa imagem bastante expressiva, Jesus dizia-se animado pelo \u201cfogo\u201d de Deus. A sua paix\u00e3o por Deus e pelo Reino brilhava em cada palavra que Ele dizia ou em cada gesto que ele fazia. Essa paix\u00e3o contagiava todos aqueles que com Ele se cruzavam e trazia uma esperan\u00e7a nova a todos aqueles que viviam afogados nas sombras da morte: os pobres da Galileia que n\u00e3o tinham p\u00e3o para dar aos filhos, os doentes desalentados e sem perspetivas, os pecadores condenados pela sociedade e pela religi\u00e3o do Templo, os crentes sinceros que n\u00e3o se reviam numa religi\u00e3o vazia e est\u00e9ril\u2026 Os donos do mundo tentaram apagar o \u201cfogo\u201d de Jesus, mergulhando-O na morte e atirando-O para o sil\u00eancio de um sepulcro; mas Jesus voltou a aparecer vivo aos seus disc\u00edpulos, derramou sobre eles o \u201cfogo\u201d do Esp\u00edrito e enviou-os pelo mundo a dar testemunho do que tinham visto e escutado. Assim, o \u201cfogo\u201d de Jesus atravessou o tempo e a hist\u00f3ria e chegou at\u00e9 n\u00f3s. Vivemos contagiados pelo \u201cfogo\u201d de Jesus, pela sua paix\u00e3o por Deus e pelo Reino?<\/li>\n<li>O \u201cfogo\u201d que Jesus trouxe \u00e0 terra \u00e9 tamb\u00e9m um \u201cfogo\u201d purificador, que se prop\u00f5e \u201cqueimar\u201d o lixo que suja o mundo e que estraga a vida dos homens: o ego\u00edsmo, a injusti\u00e7a, a escravid\u00e3o, a opress\u00e3o, a autossufici\u00eancia, a prepot\u00eancia, a ambi\u00e7\u00e3o, a gan\u00e2ncia, a viol\u00eancia, a mentira, o medo, o conformismo, a indiferen\u00e7a, a maldade nas suas mil e uma formas. Jesus queria que das cinzas desse mundo velho, destru\u00eddo pelo \u201cfogo\u201d purificador da sua proposta, emergisse o Reino de Deus: um mundo de amor, de justi\u00e7a, de paz, de reconcilia\u00e7\u00e3o, de fraternidade, de solidariedade, de respeito pela dignidade de cada ser humano e da cria\u00e7\u00e3o. Sentimo-nos \u201chabitados\u201d pelo \u201cfogo\u201d de Jesus e, como Ele, estamos dispon\u00edveis para combater tudo aquilo que estraga o nosso mundo e que traz sofrimento aos homens? Haver\u00e1 na nossa vida pessoal algum \u201clixo\u201d que necessita de ser queimado para que surja em n\u00f3s o Homem Novo?<\/li>\n<li>Jesus disse estar ansioso por receber \u201cum batismo\u201d que o levou a mergulhar na morte para emergir para a vida nova da ressurrei\u00e7\u00e3o. No dia do nosso batismo n\u00f3s tamb\u00e9m fomos mergulhados na \u00e1gua e emergimos como pessoas novas, comprometidas com Jesus e com o seu projeto. Morremos para a vida velha do pecado e ressuscitamos para a vida nova. Depois, fomos fazendo caminho, no meio das consola\u00e7\u00f5es de Deus e das vicissitudes da vida. No entanto, com o passar do tempo, a rotina, o cansa\u00e7o, a monotonia, a habitua\u00e7\u00e3o, a banaliza\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia, foram apagando o \u201cfogo de Deus\u201d que ardia em n\u00f3s e que nos tinha sido dado no dia do nosso batismo. Acomodamo-nos na viv\u00eancia de uma f\u00e9 rotineira, feita de ritos externos, de tradi\u00e7\u00f5es velhas, de palavras ocas, de uma \u201cdoutrina\u201d que passa ao lado das exig\u00eancias da vida. Instalados, acomodados, arrefecidos, vamos atravessando a vida sem chama, apegados a valores ef\u00e9meros, navegando \u00e0 vista de terra, sem nos arriscarmos e sem nos empenharmos verdadeiramente na constru\u00e7\u00e3o de um mundo segundo Deus. O que podemos fazer para reavivar em n\u00f3s o \u201cfogo de Deus\u201d que recebemos no dia do nosso compromisso batismal?<\/li>\n<li>Jesus reconhece que a sua proposta poder\u00e1 causar divis\u00f5es e conflitos, inclusive dentro da pr\u00f3pria comunidade familiar. Na realidade, a proposta de Jesus \u00e9 uma proposta exigente, que p\u00f5e em causa valores, estilos de vida, zonas de conforto, tradi\u00e7\u00f5es vener\u00e1veis, h\u00e1bitos consagrados, atitudes timoratas\u2026 Por isso, nem todos estar\u00e3o dispon\u00edveis para a abra\u00e7ar. Hoje, vinte e um s\u00e9culos depois de Jesus, as coisas n\u00e3o mudaram: a proposta de Jesus continua a \u201cincomodar\u201d e a desafiar os homens, a suscitar tomadas de posi\u00e7\u00e3o contradit\u00f3rias, a p\u00f4r em causa a \u201cpaz podre\u201d que muitos escolhem para que as suas vidas decorram sem arestas e sem inc\u00f3modos. Como nos situamos face a isto? Estamos dispostos a abra\u00e7ar a radicalidade do Evangelho de Jesus, mesmo que isso implique choques, tens\u00f5es, incompreens\u00f5es? Quando a cultura dominante prop\u00f5e caminhos que est\u00e3o abertamente contra os valores do Evangelho, vamos na onda para n\u00e3o ter problemas, ou mantemo-nos coerentes com a nossa f\u00e9? Acomodamo-nos e resignamo-nos diante da ordem injusta e opressora, ou assumimos uma atitude prof\u00e9tica, denunciadora de tudo aquilo que amea\u00e7a a dignidade e a vida dos seres humanos? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Solenidade-da-Assuncao-da-Virgem-Santa-Maria-Ano-C-15.08.2025-Lecionario.pdf\">Solenidade da Assun\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria &#8211; Ano C &#8211; 15.08.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Solenidade-da-Assuncao-da-Virgem-Santa-Maria-Ano-C-15.08.2025-Oracao-Universal.pdf\">Solenidade da Assun\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria &#8211; Ano C &#8211; 15.08.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Solenidade-da-Assuncao-da-Virgem-Santa-Maria-Ano-C-15.08.2025-refletindo.pdf\">Solenidade da Assun\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria &#8211; Ano C &#8211; 15.08.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Leitura-I-do-Domingo-XX-do-Tempo-Comum-Ano-C-17.08.2025-Jeremias-38-4-6.8-10.pdf\">Leitura I do Domingo XX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 17.08.2025 (Jeremias 38, 4-6.8-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Leitura-II-do-Domingo-XX-do-Tempo-Comum-Ano-C-17.08.2025-Hebreus-121-4.pdf\">Leitura II do Domingo XX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 17.08.2025 (Hebreus 12,1-4)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Domingo-XX-do-Tempo-Comum-Ano-C-17.08.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 17.08.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Domingo-XX-do-Tempo-Comum-Ano-C-17.08.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 17.08.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Domingo-XX-do-Tempo-Comum-Ano-C-17.08.2025-refletindo.pdf\">Domingo XX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 17.08.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-XX-TC-Ano-C-17.08.2025.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo XX TC- Ano C &#8211; 17.08.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XIX do Tempo Comum \u2013 Ano C \u2013 10 agosto 2025&#8243; tab_id=&#8221;1755505893664-92ea7b67-893e&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XIX do Tempo Comum &#8211; Ano C \u2013 10 agosto 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Domingo-XIX.jpg\" alt=\"\" width=\"617\" height=\"347\" \/><\/strong><\/h4>\n<p><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus tomou a firma decis\u00e3o de subir para Jerusal\u00e9m (Lc 9,51) e prossegue o seu caminho, apontando as coordenadas fundamentais da nossa exist\u00eancia crist\u00e3. Ao contr\u00e1rio dos mestres de Israel que ensinam sentados e acomodados, Jesus \u00e9 o Mestre que ensina no caminho. Peregrino pelos trilhos da vida e da hist\u00f3ria, Jesus continua a cruzar a Sua vida com a nossa vida e a fazer dos nossos caminhos lugares de encontro com Deus e com os irm\u00e3os. O caminho \u00e9 a met\u00e1fora por excel\u00eancia da vida crist\u00e3. Somos homens e mulheres a caminho com os olhos fixos na meta: a Jerusal\u00e9m celeste, a comunh\u00e3o plena e perfeita com o Pai. Se para quem n\u00e3o sabe para onde vai, qualquer caminho serve, para n\u00f3s, que sabemos a meta para a qual o Pai nos chama, n\u00e3o podemos abra\u00e7ar qualquer caminho ou atalho. N\u00e3o podemos viver de improviso, nem ao sabor de qualquer vento ou mar\u00e9. Queremos estar vigilantes e despertos, \u00ab<em>porque onde estiver o vosso tesouro, a\u00ed estar\u00e1 o vosso cora\u00e7\u00e3o<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na verdade, esta \u00e9 a primeira pergunta que cada um de n\u00f3s deve fazer a si pr\u00f3prio: onde est\u00e1 o meu cora\u00e7\u00e3o? O que \u00e9 que ocupa o centro da minha vida e se constitui como o tesouro mais precioso onde invisto as minhas for\u00e7as e capacidades?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diante do ritmo quotidiano, no frenesim dos nossos dias, \u00e9 f\u00e1cil dispersar e apontar em tantas dire\u00e7\u00f5es. S\u00e3o tantas as fadigas e receios que invadem o nosso cora\u00e7\u00e3o e que distraem a nossa vida do verdadeiramente essencial que unifica a vida e lhe oferece um horizonte de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade que est\u00e1 para l\u00e1 da frui\u00e7\u00e3o imediatista. Por isso, queremos acolher o tesouro inesgot\u00e1vel que nos oferece a felicidade que se inscreve nesse horizonte de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade que s\u00f3 Jesus e o Seu amor nos podem oferecer e garantir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab<em>N\u00e3o temas, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o reino<\/em>\u00bb. N\u00e3o tememos as dificuldades e desafios porque caminhamos como filhos muito amados de Deus a quem \u00e9 oferecido o Reino. N\u00e3o somos os mais fortes, mas somos filhos do Deus da for\u00e7a e esta consci\u00eancia faz-nos percorrer a nossa vida com uma renovada esperan\u00e7a e uma revigorada confian\u00e7a. A f\u00e9 que dissipa os nossos medos e nos permite avan\u00e7ar, mesmo no meio de inseguran\u00e7as e fragilidades, \u00e9, efetivamente, \u00ab<em>garantia dos bens que se esperam e a certeza das realidades que n\u00e3o se veem<\/em>\u00bb. Acreditar nas realidades que se veem \u00e9 render-se \u00e0 evid\u00eancia dos dias, mas esperar e confiar como Abra\u00e3o \u00e9 depositar toda a esperan\u00e7a, n\u00e3o no caminho a percorrer ou no lugar geogr\u00e1fico para onde se caminha, mas na m\u00e3o que sustenta a nossa caminhada e aponta o nosso peregrinar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A f\u00e9 rasga novos horizontes e permite-nos vislumbrar no aqui e agora do tempo e da hist\u00f3ria a realiza\u00e7\u00e3o das promessas que Deus fez a nossos pais. Pela f\u00e9, os imposs\u00edveis da nossa vida tornam-se poss\u00edveis, porque \u00e9 Deus quem conduz a hist\u00f3ria. Cabe-nos estar despertos e vigilantes para que possamos viver de olhos e cora\u00e7\u00e3o abertos sobre a humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 esta a verdadeira sabedoria: acolher a vontade de Deus e encontrar no querer do Pai o nosso querer, para que a nossa vida encontre o caminho da verdadeira felicidade. Em Jesus Cristo, Deus revela-se como o Senhor que se faz servo e que encontrando espa\u00e7o na nossa vida desperta e vigilante, senta-nos \u00e0 mesa, passa diante de n\u00f3s e ensina-nos a arte de nos tornarmos grandes fazendo-nos servos de todos. A alegria do servi\u00e7o por amor rasga caminhos novos de felicidade e faz da Igreja sinal prof\u00e9tico da bondade, da ternura e da miseric\u00f3rdia. O muito depositado em nossas m\u00e3os reclama uma vida consent\u00e2nea com a f\u00e9, para que se torne um lugar de fecundidade que difunde ao longe e ao largo a suave fragr\u00e2ncia do Evangelho. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste tempo estival onde tantos iniciaram ou v\u00e3o iniciar as suas f\u00e9rias, a Liturgia deste Domingo pode ser a oportunidade para exortar a um tempo de repouso com a marca da vida crist\u00e3: viver atentos e vigilantes, saboreando a presen\u00e7a de Deus e acolhendo os homens e mulheres nossos irm\u00e3os. A leitura espiritual, a ora\u00e7\u00e3o mais serena e prolongada, a dedica\u00e7\u00e3o a obras de voluntariado e miseric\u00f3rdia s\u00e3o ingredientes fundamentais para saborear as f\u00e9rias como um tempo de gra\u00e7a<strong><em>. i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Continuamos no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C \u2013 onde somos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong> <strong>\u2013 <\/strong><strong>Sabedoria 18,6-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A noite em que foram mortos os primog\u00e9nitos do Egipto<br \/>\nfoi dada previamente a conhecer aos nossos antepassados,<br \/>\npara que, sabendo com certeza<br \/>\na que juramentos tinham dado cr\u00e9dito,<br \/>\nficassem cheios de coragem.<br \/>\nEla foi esperada pelo vosso povo,<br \/>\ncomo salva\u00e7\u00e3o dos justos e perdi\u00e7\u00e3o dos \u00edmpios,<br \/>\npois da mesma forma que castigastes os advers\u00e1rios,<br \/>\nnos cobristes de gl\u00f3ria, chamando-nos para V\u00f3s.<br \/>\nPor isso os piedosos filhos dos justos<br \/>\nofereciam sacrif\u00edcios em segredo<br \/>\ne de comum acordo estabeleceram esta lei divina:<br \/>\nque os justos seriam solid\u00e1rios nos bens e nos perigos;<br \/>\ne come\u00e7aram a cantar os hinos de seus antepassados.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O \u201cLivro da Sabedoria\u201d \u00e9 o mais recente de todos os livros do Antigo Testamento. Pensa-se que ter\u00e1 sido redigido durante o s\u00e9c. I, em l\u00edngua grega (por ser escrito em grego, nunca chegou a integrar o c\u00e2none judaico). O seu autor ter\u00e1 sido um judeu culto, provavelmente nascido e educado na Di\u00e1spora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O \u201cber\u00e7o\u201d do livro da Sabedoria poder\u00e1 ter sido Alexandria (no Egito). A brilhante cultura hel\u00e9nica marcava o ritmo de vida e impunha aos habitantes da cidade os valores dominantes. As outras culturas \u2013 nomeadamente a judaica \u2013 eram desvalorizadas e hostilizadas. A col\u00f3nia judaica que vivia em Alexandria tinha sido obrigada a lidar, sobretudo nos reinados de Ptolomeu Alexandre (106-88 a.C.) e de Ptolomeu Dion\u00edsio (80-52 a.C.), com duras persegui\u00e7\u00f5es. Os s\u00e1bios hel\u00e9nicos procuravam demonstrar, por um lado, a superioridade da cultura grega e, por outro, a incongru\u00eancia do juda\u00edsmo e da sua proposta de vida\u2026 Os judeus eram encorajados a deixar a sua f\u00e9, a \u201cmodernizar-se\u201d e a abrir-se aos brilhantes valores da cultura hel\u00e9nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Foi neste ambiente que o s\u00e1bio autor do Livro da Sabedoria decidiu defender os valores da f\u00e9 e da cultura do seu Povo. O seu objetivo era duplo: dirigindo-se aos seus compatriotas judeus (mergulhados no paganismo, na idolatria, na imoralidade), exortava-os a redescobrirem a f\u00e9 dos pais e os valores judaicos; dirigindo-se aos pag\u00e3os, convidava-os a constatar o absurdo da idolatria e a aderir a Jav\u00e9, o verdadeiro e \u00fanico Deus\u2026 Para uns e para outros, o autor pretendia deixar esta ideia fundamental: s\u00f3 Jav\u00e9 garante a verdadeira \u201csabedoria\u201d e a verdadeira felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que neste domingo nos \u00e9 proposto como primeira leitura integra a terceira parte do livro da Sabedoria (Sb 10,1-19,22). A\u00ed, recorrendo a factos concretos e a exemplos de figuras tiradas da hist\u00f3ria, o autor exalta as maravilhas operadas pela \u201csabedoria\u201d na hist\u00f3ria do Povo de Deus. Nos \u00faltimos cap\u00edtulos desta terceira parte (Sb 16-19), passando do geral ao particular, o autor mostra como a pr\u00f3pria natureza divinizada pelos \u00edmpios se volta contra eles, enquanto que essa mesma natureza colabora com Deus na salva\u00e7\u00e3o dos israelitas: as pragas de animais castigaram os eg\u00edpcios, mas as codornizes foram alimento para os israelitas (cf. Sb 16,1-4); as moscas e os gafanhotos atormentaram os eg\u00edpcios, mas a serpente de bronze erguida por Mois\u00e9s no deserto salvou o Povo de perecer (cf. Sb 16,5-15); as chuvas e a saraiva destru\u00edram as culturas eg\u00edpcias, mas o man\u00e1 alimentou o Povo de Deus (cf. Sb 16,15-29); as trevas cegaram os eg\u00edpcios que perseguiam os israelitas, mas a coluna de fogo iluminou a caminhada do Povo de Deus para a liberdade (cf. Sb 17,1-18,4); os primog\u00e9nitos dos eg\u00edpcios foram mortos, mas Deus salvou a vida do seu Povo (cf. Sb 18,5-25). <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A reflex\u00e3o que a sabedoria de Israel nos prop\u00f5e nesta leitura coloca-nos, talvez de uma forma algo arcaica, diante de uma quest\u00e3o bem atual: num mundo que gira a uma velocidade estonteante e onde a cada instante surgem novas modas, novas teorias, novos valores, novas propostas de realiza\u00e7\u00e3o e de felicidade, que papel tem e que lugar ocupa Deus nas nossas vidas? O homem do s\u00e9c. XXI sente alguma relut\u00e2ncia em incluir a transcend\u00eancia no seu cen\u00e1rio de vida. Vive indiferente a Deus e olha para as propostas de Deus como algo que n\u00e3o cabe numa compreens\u00e3o moderna da exist\u00eancia. Substitui Deus por \u201cdeuses\u201d ef\u00e9meros, define como meta da sua vida objetivos f\u00fateis e contenta-se com ilus\u00f5es de felicidade. Corre atr\u00e1s de bens materiais que lhe asseguram bem-estar material e que lhe d\u00e3o uma sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, mas sente a cada momento uma sede de vida e de realiza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o consegue saciar. Como construir uma vida que valha a pena? O \u201cs\u00e1bio\u201d que escutamos na primeira leitura deste d\u00e9cimo nono domingo comum, garante-nos que s\u00f3 Deus pode encher de significado a nossa exist\u00eancia e oferecer-nos a salva\u00e7\u00e3o que ansiosamente procuramos. Que sentido faz isto para n\u00f3s? Deus tem um lugar primordial na nossa vida? Vemos as propostas de Deus como indica\u00e7\u00f5es imprescind\u00edveis para chegarmos \u00e0 vida eterna?<\/li>\n<li>Os escravos hebreus que foram salvos por Deus da escravid\u00e3o do Egito, sentiram que essa experi\u00eancia foi o marco fundamental das suas vidas. Passaram a identificar-se como o \u201cPovo eleito\u201d de Deus. Sentiram que tinham de viver em comunh\u00e3o com esse Deus e de caminhar sempre de acordo com as suas indica\u00e7\u00f5es. Por outro lado, essa experi\u00eancia cimentou os la\u00e7os que os uniam entre eles. Tornaram-se \u201cirm\u00e3os\u201d, membros de uma mesma fam\u00edlia, uma comunidade solid\u00e1ria e cordial onde cada um se sentia respons\u00e1vel pelo seu \u201cirm\u00e3o\u201d. Hoje, esta comunidade salva por Deus e que se identifica como \u201cPovo de Deus\u201d, chama-se \u201cIgreja\u201d. Todos n\u00f3s que fomos batizados em Cristo, passamos a integrar esta fam\u00edlia. Como o povo salvo da escravid\u00e3o do Egito, tamb\u00e9m n\u00f3s nos sentimos \u201cPovo de Deus\u201d, procuramos viver em comunh\u00e3o com Deus, constru\u00edmos a nossa hist\u00f3ria de vida \u00e0 volta de Deus, deixamo-nos conduzir por Deus? N\u00f3s que partilhamos a experi\u00eancia de ter sido salvos por Deus, sentimo-nos membros de uma comunidade de \u201cirm\u00e3os\u201d? A forma como nos relacionamos uns com os outros, constitui um \u201cEvangelho vivo\u201d que d\u00e1 testemunho da miseric\u00f3rdia e do amor de Deus?<\/li>\n<li>Na ceia ritual da P\u00e1scoa, os israelitas faziam mem\u00f3ria da liberta\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o do Egito. O \u201cs\u00e1bio\u201d v\u00ea no sacrif\u00edcio do cordeiro pascal, comido durante a ceia, e na recita\u00e7\u00e3o dos salmos tradicionais (o \u201cHallel\u201d \u2013 Sl 113-118), uma forma de agradecer a Deus pela sua interven\u00e7\u00e3o libertadora em favor do seu Povo. Tamb\u00e9m n\u00f3s, novo Povo de Deus, nos reunimos \u00e0 volta de uma mesa, no \u201cdia do Senhor\u201d, com Jesus (o \u201ccordeiro\u201d) no meio de n\u00f3s, rezamos, agradecemos e celebramos a nossa liberta\u00e7\u00e3o. A participa\u00e7\u00e3o na eucaristia faz parte da nossa vida e da nossa experi\u00eancia de f\u00e9? Sentimos que a eucaristia constr\u00f3i a comunidade dos que foram \u201csalvos\u201d por Deus e fortalece os la\u00e7os que nos unem a todos os membros da comunidade? Lembramo-nos de agradecer a Deus por tudo o que Ele faz por n\u00f3s, pela liberta\u00e7\u00e3o que nos oferece, pela vida que nos d\u00e1? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Salmo 32 (33)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua heran\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Justos, aclamai o Senhor,<br \/>\nos cora\u00e7\u00f5es retos devem louv\u00e1-l\u2019O.<br \/>\nFeliz a na\u00e7\u00e3o que tem o Senhor por seu Deus,<br \/>\no povo que Ele escolheu para sua heran\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os olhos do Senhor est\u00e3o voltados para os que O temem,<br \/>\npara os que esperam na sua bondade,<br \/>\npara libertar da morte as suas almas<br \/>\ne os alimentar no tempo da fome.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A nossa alma espera o Senhor,<br \/>\nEle \u00e9 o nosso amparo e protetor.<br \/>\nVenha sobre n\u00f3s a vossa bondade,<br \/>\nporque em V\u00f3s esperamos, Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Hebreus 11,1-2.8-19<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nA f\u00e9 \u00e9 a garantia dos bens que se esperam<br \/>\ne a certeza das realidades que n\u00e3o se veem.<br \/>\nEla valeu aos antigos um bom testemunho.<br \/>\nPela f\u00e9, Abra\u00e3o obedeceu ao chamamento<br \/>\ne partiu para uma terra que viria a receber como heran\u00e7a;<br \/>\ne partiu sem saber para onde ia.<br \/>\nPela f\u00e9, morou como estrangeiro na terra prometida,<br \/>\nhabitando em tendas, com Isaac e Jacob,<br \/>\nherdeiros, como ele, da mesma promessa,<br \/>\nporque esperava a cidade de s\u00f3lidos fundamentos,<br \/>\ncujo arquiteto e construtor \u00e9 Deus.<br \/>\nPela f\u00e9, tamb\u00e9m Sara recebeu o poder de ser m\u00e3e<br \/>\nj\u00e1 depois de passada a idade,<br \/>\nporque acreditou na fidelidade d\u2019Aquele que lho prometeu.<br \/>\n\u00c9 por isso tamb\u00e9m que de um s\u00f3 homem<br \/>\n\u2013 um homem que a morte j\u00e1 espreitava \u2013<br \/>\nnasceram descendentes t\u00e3o numerosos como as estrelas do c\u00e9u<br \/>\ne como a areia que h\u00e1 na praia do mar.<br \/>\nTodos eles morreram na f\u00e9,<br \/>\nsem terem obtido a realiza\u00e7\u00e3o das promessas.<br \/>\nMas vendo-as e saudando-as de longe,<br \/>\nconfessaram que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra.<br \/>\nAqueles que assim falam<br \/>\nmostram claramente que procuram uma p\u00e1tria.<br \/>\nSe pensassem na p\u00e1tria de onde tinham sa\u00eddo,<br \/>\nteriam tempo de voltar para l\u00e1.<br \/>\nMas eles aspiravam a uma p\u00e1tria melhor,<br \/>\nque era a p\u00e1tria celeste.<br \/>\nE como Deus lhes tinha preparado uma cidade,<br \/>\nn\u00e3o Se envergonha de Se chamar seu Deus.<br \/>\nPela f\u00e9, Abra\u00e3o, submetido \u00e0 prova,<br \/>\nofereceu o seu filho \u00fanico Isaac,<br \/>\nque era o deposit\u00e1rio das promessas,<br \/>\ncomo lhe tinha sido dito:<br \/>\n\u00abPor Isaac ser\u00e1 assegurada a tua descend\u00eancia\u00bb.<br \/>\nEle considerava que Deus pode ressuscitar os mortos;<br \/>\npor isso, numa esp\u00e9cie de prefigura\u00e7\u00e3o,<br \/>\nele recuperou o seu filho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O escrito a que chamamos \u201cCarta aos Hebreus\u201d parece ser, mais do que uma carta, um serm\u00e3o ou discurso destinado a ser proclamado oralmente. N\u00e3o sabemos quem foi o seu autor. A tradi\u00e7\u00e3o das Igrejas do oriente atribui-o a Paulo; mas as Igrejas do ocidente h\u00e1 muito que descartaram a autoria paulina deste documento: a forma liter\u00e1ria, a linguagem, o estilo, a maneira de citar o Antigo Testamento e mesmo a doutrina exposta, est\u00e3o bastante longe de qualquer outro escrito paulino. Pensa-se que teria sido elaborado por um crist\u00e3o an\u00f3nimo, talvez um disc\u00edpulo de Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A tradi\u00e7\u00e3o antiga p\u00f5e os \u201chebreus\u201d como destinat\u00e1rios deste escrito; por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 qualquer indica\u00e7\u00e3o, ao longo do escrito, de que o texto se destinasse especificamente a crist\u00e3os oriundos do mundo judaico. \u00c9 verdade que refere constantemente o Antigo Testamento; mas o Antigo Testamento j\u00e1 era, por essa altura, patrim\u00f3nio comum de todos os crist\u00e3os, seja os de origem judaica, seja os de origem pag\u00e3. Tratava-se, em qualquer caso, de comunidades crist\u00e3s em situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, expostas a persegui\u00e7\u00f5es e que viviam num ambiente hostil \u00e0 f\u00e9\u2026 Os membros dessas comunidades tinham perdido o fervor inicial pelo Evangelho, estavam desanimados e come\u00e7avam a ceder \u00e0 sedu\u00e7\u00e3o de certas doutrinas n\u00e3o muito coerentes com a f\u00e9 recebida dos ap\u00f3stolos\u2026 O objetivo do autor deste \u201cdiscurso\u201d \u00e9 estimular a viv\u00eancia do compromisso crist\u00e3o e levar os crentes a crescer na f\u00e9. A Carta aos Hebreus foi provavelmente escrita nos anos que antecederam a destrui\u00e7\u00e3o da cidade de Jerusal\u00e9m (que ocorreu no ano 70), uma vez que o autor se refere \u00e0 liturgia do Templo como uma realidade ainda atual. \u00c9 prov\u00e1vel, portanto, que tenha aparecido por volta do ano 67, muito perto da altura em que Paulo e Pedro foram martirizados em Roma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Carta aos Hebreus apresenta \u2013 recorrendo \u00e0 linguagem da teologia judaica \u2013 o mist\u00e9rio de Cristo, o sacerdote por excel\u00eancia \u2013 atrav\u00e9s de quem os homens t\u00eam acesso livre a Deus e s\u00e3o inseridos na comunh\u00e3o real e definitiva com Deus. O autor aproveita, na sequ\u00eancia, para refletir nas implica\u00e7\u00f5es desse facto: postos em rela\u00e7\u00e3o com o Pai por Cristo\/sacerdote, os crentes s\u00e3o inseridos nesse Povo sacerdotal que \u00e9 a comunidade crist\u00e3 e devem fazer da sua vida um cont\u00ednuo sacrif\u00edcio de louvor, de entrega e de amor. Desta forma, o autor oferece aos crist\u00e3os um aprofundamento e uma amplia\u00e7\u00e3o da f\u00e9 primitiva, capaz de revitalizar a sua experi\u00eancia de f\u00e9, enfraquecida pela acomoda\u00e7\u00e3o e pela persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que nos \u00e9 proposto est\u00e1 inclu\u00eddo na quarta parte da ep\u00edstola (cf. Heb 11,1-12,13). Nessa parte, o autor insiste em dois aspetos b\u00e1sicos da vida crist\u00e3: a f\u00e9 e a const\u00e2ncia ou perseveran\u00e7a. No que diz respeito \u00e0 f\u00e9, o autor convida a olhar para o testemunho dos \u201cantigos\u201d (cf. Heb 11,1-40); no que diz respeito \u00e0 const\u00e2ncia, exorta a aceitar com paci\u00eancia os sofrimentos que a vida do crist\u00e3o comporta, pois, esses sofrimentos fazem parte das provas pedag\u00f3gicas atrav\u00e9s das quais Deus nos faz chegar \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o (cf. Heb 12,1-13). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>No caminho da nossa vida, fazemos a cada instante uma experi\u00eancia de precariedade, de debilidade, de incerteza. Confiamos nas pessoas e as pessoas desiludem-nos; apoiamo-nos nas institui\u00e7\u00f5es e as institui\u00e7\u00f5es defraudam as nossas expetativas; sentimo-nos seguros pela abund\u00e2ncia dos bens materiais e eles fogem-nos como areia por entre as m\u00e3os; acreditamos em verdades que rapidamente ficam fora de prazo de validade; sentimo-nos cheios de vida e de sa\u00fade e, de um instante para o outro, experimentamos a doen\u00e7a ou temos de enfrentar a morte\u2026 Haver\u00e1 na nossa vida alguma realidade fi\u00e1vel, que n\u00e3o nos desiluda e sobre a qual possamos construir uma vida com sentido? Abra\u00e3o e Sara confiaram incondicionalmente em Deus. Arriscaram tudo para correr atr\u00e1s das indica\u00e7\u00f5es de Deus. Deus pareceu-lhes sempre \u201cfi\u00e1vel\u201d, mesmo quando as suas promessas pareciam \u201cimprov\u00e1veis\u201d. Para n\u00f3s, Deus \u00e9 fi\u00e1vel? Estamos dispostos a \u201cpormo-nos a caminho\u201d para seguir as indica\u00e7\u00f5es de Deus, mesmo que isso signifique abandonar a nossa zona de conforto, enfrentar a incomodidade dos caminhos ou a hostilidade dos homens?<\/li>\n<li>Quando decidimos que Deus \u00e9 fi\u00e1vel, passamos a caminhar de olhos postos em realidades que ultrapassam a nossa debilidade, a nossa finitude, e at\u00e9 mesmo a nossa compreens\u00e3o. O nosso olhar dirige-se para os bens futuros, para a vida eterna, para o encontro com Deus. Compreendemos, sem dramas nem ang\u00fastias, que o tempo que vivemos na terra \u00e9 um tempo de passagem a caminho da nossa p\u00e1tria definitiva. Isso d\u00e1-nos uma outra perspetiva das coisas. Ajuda-nos a relativizar os bens materiais, a repensar as nossas apostas, a rever os nossos valores, a refazer o nosso olhar sobre as coisas, a ter uma outra perspetiva dos nossos \u00eaxitos e dos nossos fracassos, talvez at\u00e9 a aproveitar de uma forma diferente a nossa exist\u00eancia terrena. Temos consci\u00eancia de que a vida verdadeira, a vida eterna, n\u00e3o \u00e9 aqui? Que consequ\u00eancias \u00e9 que isso tem na forma como vivemos? A consci\u00eancia de que caminhamos ao encontro da p\u00e1tria celeste \u00e9 para n\u00f3s motivo de ang\u00fastia e medo, ou de alegria e paz? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 12,32-48<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo, disse Jesus aos seus disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abN\u00e3o temas, pequenino rebanho,<br \/>\nporque aprouve ao vosso Pai dar-vos o reino.<br \/>\nVendei o que possu\u00eds e dai-o em esmola.<br \/>\nFazei bolsas que n\u00e3o envelhe\u00e7am,<br \/>\num tesouro inesgot\u00e1vel nos C\u00e9us,<br \/>\nonde o ladr\u00e3o n\u00e3o chega nem a tra\u00e7a r\u00f3i.<br \/>\nPorque onde estiver o vosso tesouro,<br \/>\na\u00ed estar\u00e1 tamb\u00e9m o vosso cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nTende os rins cingidos e as l\u00e2mpadas acesas.<br \/>\nSede como homens<br \/>\nque esperam o seu senhor voltar do casamento,<br \/>\npara lhe abrirem logo a porta, quando chegar e bater.<br \/>\nFelizes esses servos, que o senhor, ao chegar,<br \/>\nencontrar vigilantes.<br \/>\nEm verdade vos digo:<br \/>\ncingir-se-\u00e1 e mandar\u00e1 que se sentem \u00e0 mesa<br \/>\ne, passando diante deles, os servir\u00e1.<br \/>\nSe vier \u00e0 meia-noite ou de madrugada,<br \/>\nfelizes ser\u00e3o se assim os encontrar.<br \/>\nCompreendei isto:<br \/>\nse o dono da casa soubesse a que hora viria o ladr\u00e3o,<br \/>\nn\u00e3o o deixaria arrombar a sua casa.<br \/>\nEstai v\u00f3s tamb\u00e9m preparados,<br \/>\nporque na hora em que n\u00e3o pensais<br \/>\nvir\u00e1 o Filho do homem\u00bb.<br \/>\nDisse Pedro a Jesus:<br \/>\n\u00abSenhor, \u00e9 para n\u00f3s que dizes esta par\u00e1bola,<br \/>\nou tamb\u00e9m para todos os outros?\u00bb<br \/>\nO Senhor respondeu:<br \/>\n\u00abQuem \u00e9 o administrador fiel e prudente<br \/>\nque o senhor estabelecer\u00e1 \u00e0 frente da sua casa,<br \/>\npara dar devidamente a cada um a sua ra\u00e7\u00e3o de trigo?<br \/>\nFeliz o servo a quem o senhor, ao chegar,<br \/>\nencontrar assim ocupado.<br \/>\nEm verdade vos digo<br \/>\nque o por\u00e1 \u00e0 frente de todos os seus bens.<br \/>\nMas se aquele servo disser consigo mesmo:<br \/>\n\u2018o meu senhor tarda em vir\u2019;<br \/>\ne come\u00e7ar a bater em servos e servas,<br \/>\na comer, a beber e a embriagar-se,<br \/>\no senhor daquele servo<br \/>\nchegar\u00e1 no dia em que menos espera<br \/>\ne a horas que ele n\u00e3o sabe;<br \/>\nele o expulsar\u00e1 e far\u00e1 que tenha a sorte dos infi\u00e9is.<br \/>\nO servo que, conhecendo a vontade do seu senhor,<br \/>\nn\u00e3o se preparou ou n\u00e3o cumpriu a sua vontade,<br \/>\nlevar\u00e1 muitas vergastadas.<br \/>\nAquele, por\u00e9m, que, sem a conhecer,<br \/>\ntenha feito a\u00e7\u00f5es que mere\u00e7am vergastadas,<br \/>\nlevar\u00e1 apenas algumas.<br \/>\nA quem muito foi dado, muito ser\u00e1 exigido;<br \/>\na quem muito foi confiado, mais se lhe pedir\u00e1\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus, acompanhado pelos disc\u00edpulos, dirige-se para Jerusal\u00e9m. Vai confrontar as autoridades judaicas da capital. Est\u00e1 consciente de que os l\u00edderes judaicos n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis para acolher a Boa Not\u00edcia do Reino de Deus. Conhecendo a sorte habitual dos profetas, perseguidos e assassinados por causa da sua fidelidade a Deus, Jesus adivinha aquilo que o espera em Jerusal\u00e9m. A sombra da cruz paira sobre todo o caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus aproveita a viagem para ir preparando os disc\u00edpulos, ensinando-os a funcionar segundo a l\u00f3gica do Reino de Deus. Eles dever\u00e3o, ap\u00f3s a morte de Jesus, ser os arautos da salva\u00e7\u00e3o de Deus em todos os lugares do mundo aonde a vida os levar. A miss\u00e3o que o Pai confiou a Jesus ficar\u00e1, ent\u00e3o, na m\u00e3o dos disc\u00edpulos; e eles devem estar preparados para a concretizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A viagem para Jerusal\u00e9m torna-se, mais do que uma viagem geogr\u00e1fica, uma \u201cviagem\u201d de amadurecimento espiritual, de aprendizagem na \u201cescola de Jesus\u201d. Ao longo do caminho, Jesus vai deixando aos disc\u00edpulos as mais diversas li\u00e7\u00f5es. \u00c0 medida que se aproximam de Jerusal\u00e9m, os disc\u00edpulos v\u00e3o \u201cdespindo\u201d as suas vis\u00f5es pessoais, as suas ilus\u00f5es e projetos ego\u00edstas, os seus sonhos de grandeza e poder, para \u201cvestir\u201d os valores de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Lucas reuniu, neste relato de \u201cviagem\u201d materiais muito diversos e que noutros evangelhos aparecem ligados a outros ambientes e situa\u00e7\u00f5es. A diversidade de materiais, por vezes artificialmente colados uns aos outros, \u00e9 evidente. Os temas sucedem-se: o texto assume, por vezes, o aspeto de uma cole\u00e7\u00e3o de \u201cditos\u201d ou m\u00e1ximas sapienciais, apresentados segundo o modelo do paralelismo judio. Isso est\u00e1 bem evidente no texto que a liturgia nos prop\u00f5e neste domingo. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Vivemos numa \u00e9poca da hist\u00f3ria particularmente exigente. Sombras escuras pairam no horizonte e amea\u00e7am o futuro do nosso mundo: as guerras, as injusti\u00e7as, a crise clim\u00e1tica, o atropelo dos mais elementares direitos humanos, as pol\u00edticas que ignoram as necessidades dos mais desfavorecidos, a indiferen\u00e7a face ao sofrimento das pessoas abandonadas nas bermas da sociedade, a desumaniza\u00e7\u00e3o dos homens transformados em simples m\u00e1quinas de produ\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o dos interesses materialistas dos senhores do mundo, o desencanto de tantos homens e mulheres que n\u00e3o encontram sentido para as suas vidas\u2026 Poderemos cruzar os bra\u00e7os, assumir uma atitude de resigna\u00e7\u00e3o e de passividade e deixar que o mundo continue a ser constru\u00eddo sobre injusti\u00e7as e sofrimentos? Jesus convida os seus disc\u00edpulos a estar preparados, a cada instante, para fazer aquilo que Deus lhes pede para fazer. \u00c9 hora de viver com responsabilidade e lucidez, sentindo-nos construtores de uma nova hist\u00f3ria e imprimindo ao nosso mundo um dinamismo de amor, de vida nova, de miseric\u00f3rdia, de compaix\u00e3o. Como vivemos? Adormecidos e despreocupados, comodamente instalados no nosso conforto e seguran\u00e7a, ou como servidores humildes, atentos e comprometidos do Reino de Deus e da sua justi\u00e7a?<\/li>\n<li>Tamb\u00e9m na forma de viver a f\u00e9 pode haver passividade, resigna\u00e7\u00e3o, superficialidade. Podemos instalar-nos numa f\u00e9 rotineira, que nos leva a repetir sempre os mesmos gestos, as mesmas ora\u00e7\u00f5es, os mesmos ritos, as mesmas tradi\u00e7\u00f5es, mas que n\u00e3o tem qualquer impacto na nossa vida e no nosso compromisso com a constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus; podemos andar t\u00e3o ocupados com os nossos trabalhos que n\u00e3o consigamos encontrar tempo para escutar Deus, para dialogar com Ele, para tentar perceber os projetos que Ele tem para n\u00f3s e para o mundo; podemos instalar-nos comodamente numa pr\u00e1tica religiosa \u201cmorna\u201d e de \u201cmeias tintas\u201d, que nos tranquiliza a consci\u00eancia e nos faz sentir \u201cem regra\u201d com Deus, mas n\u00e3o nos leva a \u201csujar as m\u00e3os\u201d com os nossos irm\u00e3os que necessitam do nosso cuidado, da nossa compaix\u00e3o, do nosso amor. A nossa forma de viver a f\u00e9 \u00e9 marcada pela passividade e pelo conformismo, ou pelo compromisso com Deus e com os irm\u00e3os? Vivemos a nossa ades\u00e3o a Cristo e \u00e0 Igreja de forma ativa, l\u00facida e respons\u00e1vel? Somos meros \u201cconsumidores\u201d de atos de culto, ou disc\u00edpulos comprometidos com a constru\u00e7\u00e3o de uma Igreja viva, mission\u00e1ria, fraterna, acolhedora, sinal e an\u00fancio do amor de Deus no mundo?<\/li>\n<li>Aos disc\u00edpulos que v\u00e3o com Ele no caminho para Jerusal\u00e9m, Jesus diz: \u201cN\u00e3o temas, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino\u201d. Aquele grupo de galileus que ia atr\u00e1s de Jesus era, de facto, um grupo pequeno, aparentemente incapaz de interferir nos mecanismos de poder e de \u201ccausar mossa\u201d nos interesses instalados; aqueles disc\u00edpulos que Jesus tinha chamado n\u00e3o tinham perfil de influenciadores da opini\u00e3o p\u00fablica ou de figuras capazes de impor modas ou tend\u00eancias. No entanto, Deus confiou-lhes o testemunho e a constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. Hoje, depois de s\u00e9culos de \u201cregime crist\u00e3o\u201d, n\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, sentimo-nos uma minoria sem privil\u00e9gios nem poder, um pouco perdidos num mundo que nem sempre entende a proposta que abra\u00e7amos. Por vezes, sentimos nostalgia dos tempos passados, quando a Igreja era uma for\u00e7a social reverenciada pelos grandes do mundo. Estamos pior agora? N\u00e3o. Estamos melhor: livres de compromissos com o poder, podemos testemunhar o Evangelho de Jesus sem amarras nem ced\u00eancias. O Evangelho n\u00e3o se imp\u00f5e pela for\u00e7a. A nossa miss\u00e3o \u00e9 viver ao estilo de Jesus, com simplicidade, contagiando o mundo; a nossa miss\u00e3o \u00e9 sermos fermento que ningu\u00e9m v\u00ea, mas que transforma e melhora o p\u00e3o. Mesmo em minoria, mesmo lidando com a hostilidade e a incompreens\u00e3o, dispomo-nos a testemunhar, com simplicidade e sem medo, o Evangelho de Jesus?<\/li>\n<li>Jesus tinha uma ideia muito clara sobre o mal que o dinheiro pode fazer ao homem. Por isso dizia aos seus disc\u00edpulos: \u201cvendei o que possu\u00eds e dai-o em esmola. Fazei bolsas que n\u00e3o envelhe\u00e7am, um tesouro inesgot\u00e1vel nos C\u00e9us, onde o ladr\u00e3o n\u00e3o chega nem a tra\u00e7a r\u00f3i. Porque onde estiver o vosso tesouro, a\u00ed estar\u00e1 tamb\u00e9m o vosso cora\u00e7\u00e3o\u201d. O dinheiro, uma vez que pode oferecer-nos seguran\u00e7a, bem-estar, import\u00e2ncia social, prende o nosso cora\u00e7\u00e3o e torna-se um \u201cdeus\u201d; passamos a correr atr\u00e1s dele, sentindo a necessidade de ter sempre mais e mais. Escravos do dinheiro, acabamos por subalternizar todos os outros valores. Tornamo-nos insens\u00edveis \u00e0 sorte dos homens e mulheres que caminham connosco, at\u00e9 mesmo da nossa fam\u00edlia e amigos. Ignoramos o convite de Deus para sermos solid\u00e1rios, fraternos, misericordiosos, humanos; e fechamo-nos num ego\u00edsmo que seca e destr\u00f3i toda a nossa vida. Como lidamos com os bens materiais? A cobi\u00e7a, a ambi\u00e7\u00e3o, a avareza, alguma vez nos impediram de acolher os valores do Reino de Deus? Vivendo no meio de uma sociedade que tem o cora\u00e7\u00e3o posto nos bens materiais, somos capazes de dar testemunho de uma vida mais austera, mais simples, mais desprendida, mais fraterna, mais solid\u00e1ria?<\/li>\n<li>As palavras de Jesus que o Evangelho deste domingo nos trouxe cont\u00eam uma interpela\u00e7\u00e3o especial a todos aqueles que desempenham fun\u00e7\u00f5es de responsabilidade, quer na Igreja, quer no governo central do pa\u00eds, quer nas autarquias, quer nas empresas, quer nas reparti\u00e7\u00f5es\u2026 Convida cada um a assumir as suas responsabilidades e a desempenhar, com aten\u00e7\u00e3o e empenho as fun\u00e7\u00f5es que lhe foram confiadas. A todos aqueles a quem foi confiado o servi\u00e7o da autoridade, a Palavra de Deus pergunta sobre o modo como se comportam: como servos que, com humildade e simplicidade cumprem as tarefas que lhes foram confiadas, ou como ditadores que manipulam os outros e que tratam com prepot\u00eancia os pequenos e os humildes? Sempre que nos s\u00e3o confiadas tarefas de responsabilidade e de coordena\u00e7\u00e3o, entendemos a miss\u00e3o que nos foi confiada como servi\u00e7o e acolhemos as pessoas com delicadeza, com do\u00e7ura, com compaix\u00e3o? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A brevidade da <strong>primeira leitura<\/strong> n\u00e3o pode permitir que se descure a sua prepara\u00e7\u00e3o e reclama um especial cuidado nas frases longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es para uma articulada e assertiva proclama\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>segunda leitura<\/strong> possui um tom narrativo que oferece ritmo \u00e0 leitura e que deve ser aproveitado para uma proclama\u00e7\u00e3o mais eficaz e frutuosa. A express\u00e3o \u00abpela f\u00e9\u00bb, repetidas v\u00e1rias vezes ao longo do texto, deve ser proclamada de tal modo que se sinta a for\u00e7a do testemunho de quantos se deixam guiar e conduzir pela f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Leitura-I-do-Domingo-XIX-do-Tempo-Comum-Ano-C-10.08.2025-Sabedoria-18-6-9.pdf\">Leitura I do Domingo XIX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 10.08.2025 (Sabedoria 18, 6-9)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Leitura-II-do-Domingo-XIX-do-Tempo-Comum-Ano-C-10.08.2025-Hebreus-11-1-2.8-19.pdf\">Leitura II do Domingo XIX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 10.08.2025 (Hebreus 11, 1-2.8-19)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Resto-da-Leitura-II-do-Domingo-XIX-do-Tempo-Comum-Ano-C-10.08.2025-Hebreus-11-1-2.8-19.pdf\">Resto da Leitura II do Domingo XIX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 10.08.2025 (Hebreus 11, 1-2.8-19)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Domingo-XIX-do-Tempo-Comum-Ano-C-10.08.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XIX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 10.08.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Domingo-XIX-do-Tempo-Comum-Ano-C-10.08.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XIX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 10.08.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Domingo-XIX-do-Tempo-Comum-Ano-C-03.08.2025-refletindo.pdf\">Domingo XIX do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 10.08.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Menos-missas-e-melhor-missa-D.-Jose-Cordeiro.pdf\">Menos missas e melhor missa &#8211; D. Jos\u00e9 Cordeiro<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/A-Mesa-da-Palavra-TC-Domingo-XIX.pdf\">A Mesa da Palavra TC Domingo XIX<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XVIII do Tempo Comum \u2013 Ano C \u2013 03 agosto 2025&#8243; tab_id=&#8221;1754900989412-2cbdd696-587e&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XVIII do Tempo Comum &#8211; Ano C \u2013 03 agosto 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Domingo-XVIII.jpg\" alt=\"\" width=\"578\" height=\"434\" \/><\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Somos homens e mulheres chamados a percorrer com alegria e generosidade os trilhos da hist\u00f3ria, mas convidados a viver de olhos postos no C\u00e9u, na medida alta da santidade: \u00ab<em>se ressuscitastes com Cristo, aspirai \u00e0s coisas do alto, onde Cristo est\u00e1 sentado \u00e0 direita de Deus<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A p\u00e1tria celeste \u00e9 a meta do nosso caminho e este horizonte configura os nossos passos. Popularmente \u00e9 habitual escutarmos que para quem n\u00e3o sabe para onde vai, qualquer caminho lhe serve. Contudo, n\u00f3s sabemos para onde vamos e qual a meta do nosso caminho e, por isso, somos convidados a contruir a nossa exist\u00eancia a partir desse horizonte de santidade para o qual somos chamados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como Coelet, sabemos que \u00e9 f\u00e1cil que aquilo que fazemos n\u00e3o passe de \u00ab<em>vaidade<\/em>\u00bb, de um sopro, de uma fuma\u00e7a encantadora, mas oca e vazia. Temos consci\u00eancia que, viver radicalmente a proposta de santidade que o Senhor nos prop\u00f5e, implica depositar a nossa esperan\u00e7a naquilo que realmente pode oferecer garantias de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade e uma felicidade que tenha sabor de eternidade e nos projete para a eternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus confrontado com a quest\u00e3o t\u00e3o dram\u00e1tica das partilhas familiares adverte: \u00ab<em>vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa n\u00e3o depende da abund\u00e2ncia dos seus bens<\/em>\u00bb. Jesus n\u00e3o condena os bens materiais nem rejeita a clara necessidade deles para a nossa subsist\u00eancia e exist\u00eancia. Jesus alerta-nos para o perigo de fazer deles a garantia da nossa vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aquele que foi enviado pelo Pai para anunciar um Reino de justi\u00e7a e de paz n\u00e3o \u00e9 juiz de partilhas familiares. \u00c9 verdade que escutar Jesus, o modo como fala do amor e da justi\u00e7a, levaria a pensar que Ele seria a pessoa mais indicada para arbitrar aquele conflito familiar. Contudo, Jesus \u00e9 claro: Ele n\u00e3o \u00e9 juiz nem \u00e1rbitro de partilhas que geram divis\u00e3o e conflito. O Mestre da comunh\u00e3o e da unidade convida-nos a gastar as nossas for\u00e7as na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo e fraterno, depositando a nossa confian\u00e7a nos bens que oferecem verdadeiras garantias de felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Caminhar, aspirando \u00e0s coisas do alto, implica estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o nova com os bens materiais. Implica passar da l\u00f3gica da posse \u00e0 nova l\u00f3gica do dom, onde possuir n\u00e3o significa conjugar de modo ego\u00edsta o verbo ter, mas viver agradecido com aquilo que nos \u00e9 confiado. Foi essa a \u201cinsensatez\u201d do homem rico da par\u00e1bola narrada por Jesus. Ele n\u00e3o \u00e9 \u00ab<em>insensato<\/em>\u00bb por ter muitos bens ou uma colheita abundante, mas pelo modo como se relaciona com tantos bens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Curiosamente, n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m em torno deste homem. Ele n\u00e3o tem nenhum interlocutor. N\u00e3o tem ningu\u00e9m em casa. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m com quem dialogar sobre estas abundantes riquezas. Nenhum cora\u00e7\u00e3o, nenhum rosto, nenhum amigo. Este homem aparece a falar consigo mesmo e voltado para si mesmo: \u00ab<em>que hei-de fazer, pois n\u00e3o tenho onde guardar a\u00a0<strong>minha<\/strong>\u00a0colheita? Vou fazer assim: Deitarei abaixo os\u00a0<strong>meus\u00a0<\/strong>celeiros para construir outros maiores, onde guardarei todo o\u00a0<strong>meu<\/strong>\u00a0trigo e os\u00a0<strong>meus\u00a0<\/strong>bens. Ent\u00e3o poderei dizer a\u00a0<strong>mim<\/strong>\u00a0mesmo:\u00a0<strong>Minha<\/strong>\u00a0alma, tens muitos bens em dep\u00f3sito para longos anos<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os bens que acumulou n\u00e3o lhe permitem olhar o outro, mas encerram-no em si mesmo. Mesmo quando enuncia o seu programa de vida, pensa em si isoladamente:\u00a0<em>descansa, come, bebe, regala-te<\/em>. Este homem investiu no produto errado, pois investiu no dinheiro, ao inv\u00e9s de investir no amor, nas rela\u00e7\u00f5es e na capacidade de sair de si mesmo para descobrir o precioso tesouro que \u00e9 o outro, alcan\u00e7ando o totalmente Outro que d\u00e1 sentido \u00e0 nossa exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escutemos como S. Bas\u00edlio responde a este homem: \u00ab<em>e depois quando encheres esses celeiros que far\u00e1s? Demolir\u00e1s ainda e de novo reconstruir\u00e1s? Com preocupa\u00e7\u00e3o construir, com preocupa\u00e7\u00e3o demolir: que h\u00e1 de mais est\u00fapido, de mais in\u00fatil? Se quiseres, h\u00e1 celeiros, est\u00e3o nas casas dos pobres<\/em>\u00bb. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>pr\u00f3xima semana<\/strong>, <strong>Domingo XIX do Tempo Comum<\/strong>, tem in\u00edcio a <strong>Semana Nacional da Mobilidade Humana. <\/strong>Este ano o <strong>Dia Mundial do Migrante e do Refugiado<\/strong> n\u00e3o coincidir\u00e1 com o \u00faltimo domingo de setembro, como de costume, mas ser\u00e1 celebrado nos dias 4 e 5 de outubro, conforme o programa do Jubileu. Cada comunidade \u00e9 chamada a dinamizar esta semana e a ter presente esta realidade na sua ora\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria. O tema para este ano ser\u00e1: \u00abMigrantes, mission\u00e1rios de esperan\u00e7a\u00bb <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong> <strong>&#8211; <\/strong><strong>Cohelet (Eclesiastes) 1,2; 2,21-23<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vaidade das vaidades \u2013 diz Cohelet \u2013<br \/>\nvaidade das vaidades: tudo \u00e9 vaidade.<br \/>\nQuem trabalhou com sabedoria, ci\u00eancia e \u00eaxito,<br \/>\ntem de deixar tudo a outro que nada fez.<br \/>\nTamb\u00e9m isto \u00e9 vaidade e grande desgra\u00e7a.<br \/>\nMas ent\u00e3o, que aproveita ao homem todo o seu trabalho<br \/>\ne a \u00e2nsia com que se afadigou debaixo do sol?<br \/>\nNa verdade, todos os seus dias s\u00e3o cheios de dores<br \/>\ne os seus trabalhos cheios de cuidados e preocupa\u00e7\u00f5es;<br \/>\ne nem de noite o seu cora\u00e7\u00e3o descansa.<br \/>\nTamb\u00e9m isto \u00e9 vaidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Livro de Cohelet (designado tamb\u00e9m como \u201clivro do \u201cEclesiastes\u201d) \u00e9 um escrito estranho, enigm\u00e1tico, pol\u00e9mico, pouco ortodoxo, que se apresenta como uma reflex\u00e3o sobre o sentido da exist\u00eancia. Pertence \u00e0 chamada \u201cliteratura sapiencial\u201d. O seu autor autointitula-se \u201cCohelet\u201d. O nome \u201cCohelet\u201d (assim como o nome grego \u201cEkklesiast\u00e9s\u201d) significa \u201caquele que participa na assembleia\u201d ou, numa perspetiva mais ativa, \u201caquele que fala na assembleia\u201d. O autor diz ainda, sobre si pr\u00f3prio, que \u00e9 \u201cfilho de David, rei de Jerusal\u00e9m\u201d (Co 1,1). Ora, o \u00fanico filho de David que reinou em Jerusal\u00e9m foi Salom\u00e3o, o \u201crei s\u00e1bio\u201d (cf. 1 Re 3,5-28); no entanto, a linguagem pr\u00f3xima do hebreu rab\u00ednico (que apresenta tra\u00e7os tardios) e as ideias apresentadas mostram claramente que a reda\u00e7\u00e3o do livro \u00e9 bem posterior \u00e0 \u00e9poca do rei Salom\u00e3o. Pensa-se que o autor do livro ter\u00e1 sido um judeu conhecedor da cultura e dos valores religiosos do seu povo, talvez dos c\u00edrculos intelectuais de Jerusal\u00e9m. A maior parte dos especialistas situam a sua composi\u00e7\u00e3o pelos finais do s\u00e9c. III a.C., na primeira fase do processo de heleniza\u00e7\u00e3o da Palestina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Apesar de se apresentar como uma reflex\u00e3o de um s\u00e1bio sobre o sentido da exist\u00eancia, este livro pol\u00e9mico n\u00e3o fornece respostas para as grandes quest\u00f5es da vida. Pelo contr\u00e1rio, o seu grande objetivo parece ser a destrui\u00e7\u00e3o das certezas e seguran\u00e7as que servem de \u00e2ncora \u00e0 sabedoria e a catequese tradicionais de Israel. Sempre em tom amargo e pessimista, o autor do livro constata que o homem \u00e9 incapaz de ter acesso \u00e0 \u201csabedoria\u201d, que n\u00e3o h\u00e1 qualquer novidade e que estamos fatalmente condenados a repetir os mesmos desafios, que o esfor\u00e7o humano \u00e9 v\u00e3o e in\u00fatil, que \u00e9 imposs\u00edvel conhecer Deus, que nada vale a pena porque a morte est\u00e1 sempre no horizonte e iguala-nos com os ignorantes e os animais. N\u00e3o \u00e9 um livro onde se v\u00e3o procurar respostas; \u00e9 um livro onde se denuncia o fracasso da sabedoria tradicional e onde ecoa o grito de ang\u00fastia de uma humanidade ferida e perdida, que n\u00e3o compreende a raz\u00e3o de viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que a liturgia deste domingo nos prop\u00f5e como primeira leitura pertence \u00e0 primeira parte do livro. A\u00ed, pondo-se na pele do rei Salom\u00e3o, desiludido e amargurado depois de uma vida de gl\u00f3rias e prazeres, o autor constata a inutilidade de todos os esfor\u00e7os do homem e conclui que tudo na vida \u00e9 \u201cvanidade\u201d ou \u201cilus\u00e3o\u201d (Co 1,2).<strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehoniano<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Para onde caminhamos? Qual o sentido da nossa vida? Vale a pena viver? Que proveito tira o homem desse enorme esfor\u00e7o que constitui a luta di\u00e1ria pela exist\u00eancia? Alguns fil\u00f3sofos existencialistas recentes, no contexto da reflex\u00e3o sobre o sentido da vida, falam da futilidade da exist\u00eancia, da n\u00e1usea que o homem moderno sente diante de realidades que lhe escapam, do absurdo de uma vida que se dirige inexoravelmente ao encontro da morte, da sensa\u00e7\u00e3o de vazio e de ang\u00fastia que acompanha os passos do homem sobre a terra. N\u00e3o andamos longe da reflex\u00e3o feita pelo Cohelet h\u00e1 muitos s\u00e9culos sobre a \u201cvanidade\u201d do esfor\u00e7o humano e sobre o sentido \u2013 ou a falta de sentido \u2013 da vida. As conclus\u00f5es, quer do Cohelet, quer das filosofias existencialistas agn\u00f3sticas, seriam desesperantes se n\u00e3o existisse a f\u00e9. Para os crentes, a vida n\u00e3o \u00e9 absurda porque ela n\u00e3o termina nem se encerra neste mundo. A nossa caminhada nesta terra est\u00e1, de facto, cheia de limita\u00e7\u00f5es, de desilus\u00f5es, de imperfei\u00e7\u00f5es; mas n\u00f3s estamos convictos de que a vida que conhecemos aqui desemboca numa realidade totalmente \u201coutra\u201d, naquilo a que chamamos \u201ca vida eterna\u201d. S\u00f3 a\u00ed encontraremos o sentido pleno do nosso ser e da nossa exist\u00eancia. \u00c9 com esta certeza que vivemos e caminhamos?<\/li>\n<li>A reflex\u00e3o do Cohelet p\u00f5e a nu a fal\u00eancia de uma vida virada apenas para as coisas materiais, os interesses mais b\u00e1sicos, as preocupa\u00e7\u00f5es mais rasteiras, os valores mais f\u00fateis; e convida-nos a n\u00e3o colocar a nossa esperan\u00e7a e a nossa seguran\u00e7a em coisas fal\u00edveis e passageiras. Quem vive, apenas, para trabalhar, para acumular, para aumentar a conta banc\u00e1ria, para \u201ccomprar\u201d todas as possibilidades de conforto e de luxo, para gozar de um n\u00edvel de vida que o imponha na hierarquia da sociedade do bem-estar, cedo ou tarde perceber\u00e1 o absurdo da sua exist\u00eancia: \u201cilus\u00e3o das ilus\u00f5es, tudo isso \u00e9 ilus\u00e3o\u201d; e uma vida constru\u00edda sobre \u201cilus\u00e3o\u201d, \u00e9 uma vida constru\u00edda sobre areia. Para que \u00e9 que vivemos? O que \u00e9 que d\u00e1 pleno sentido \u00e0 nossa vida? Quais s\u00e3o os valores sobre os quais procuramos alicer\u00e7ar a nossa exist\u00eancia? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 89 (90)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Senhor, tendes sido o nosso ref\u00fagio atrav\u00e9s das gera\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>V\u00f3s reduzis o homem ao p\u00f3 da terra<br \/>\ne dizeis: \u00abVoltai, filhos de Ad\u00e3o\u00bb.<br \/>\nMil anos a vossos olhos s\u00e3o como o dia de ontem que passou<br \/>\ne como uma vig\u00edlia da noite.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>V\u00f3s os arrebatais como um sonho,<br \/>\ncomo a erva que de manh\u00e3 reverdece;<br \/>\nde manh\u00e3 floresce e viceja,<br \/>\nde tarde ela murcha e seca.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ensinai-nos a contar os nossos dias,<br \/>\npara chegarmos \u00e0 sabedoria do cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nVoltai, Senhor! At\u00e9 quando\u2026<br \/>\nTende piedade dos vossos servos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Saciai-nos desde a manh\u00e3 com a vossa bondade,<br \/>\npara nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.<br \/>\nDes\u00e7a sobre n\u00f3s a gra\u00e7a do Senhor nosso Deus.<br \/>\nConfirmai, Senhor, a obra das nossas m\u00e3os.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Colossenses 3,1-5.9-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nSe ressuscitastes com Cristo,<br \/>\naspirai \u00e0s coisas do alto,<br \/>\nonde Cristo est\u00e1 sentado \u00e0 direita de Deus.<br \/>\nAfei\u00e7oai-vos \u00e0s coisas do alto e n\u00e3o \u00e0s da terra.<br \/>\nPorque v\u00f3s morrestes<br \/>\ne a vossa vida est\u00e1 escondida com Cristo em Deus.<br \/>\nQuando Cristo, que \u00e9 a vossa vida, Se manifestar,<br \/>\ntamb\u00e9m v\u00f3s vos haveis de manifestar com Ele na gl\u00f3ria.<br \/>\nPortanto, fazei morrer o que em v\u00f3s \u00e9 terreno:<br \/>\nimoralidade, impureza, paix\u00f5es, maus desejos e avareza,<br \/>\nque \u00e9 uma idolatria.<br \/>\nN\u00e3o mintais uns aos outros,<br \/>\nv\u00f3s que vos despojastes do homem velho com as suas a\u00e7\u00f5es<br \/>\ne vos revestistes do homem novo,<br \/>\nque, para alcan\u00e7ar a verdadeira ci\u00eancia,<br \/>\nse vai renovando \u00e0 imagem do seu Criador.<br \/>\nA\u00ed n\u00e3o h\u00e1 grego ou judeu, circunciso ou incircunciso,<br \/>\nb\u00e1rbaro ou cita, escravo ou livre;<br \/>\no que h\u00e1 \u00e9 Cristo,<br \/>\nque \u00e9 tudo e est\u00e1 em todos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o foi Paulo que evangelizou a cidade de Colossos, situada na \u00c1sia Menor, ao sul da antiga Fr\u00edgia, no vale do rio Lico. De acordo com os dados que constam da Carta aos Colossenses, foi Epafras, disc\u00edpulo de Paulo, quem anunciou o Evangelho de Jesus na cidade (cf. Cl 2,1; 4,1-2). Do esfor\u00e7o mission\u00e1rio de Epafras nasceu uma comunidade viva e empenhada, constitu\u00edda maioritariamente por crist\u00e3os vindos do paganismo, embora tamb\u00e9m contasse com alguns crist\u00e3os de origem judaica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na altura em que escreve a Carta aos Colossenses, Paulo est\u00e1 na pris\u00e3o. Recebendo a visita de Epafras, Paulo soube que tinham chegado a Colossos pregadores crist\u00e3os que ensinavam doutrinas err\u00f3neas. Esses pregadores, de tend\u00eancia judaizante, mas influenciados por ideias gn\u00f3sticas, procuravam convencer os Colossenses a acolher um conjunto de pr\u00e1ticas, tradi\u00e7\u00f5es e doutrinas que os levariam a uma maior perfei\u00e7\u00e3o, a um grau superior da experi\u00eancia crist\u00e3. Exigiam a circuncis\u00e3o, o respeito pelo s\u00e1bado, a observ\u00e2ncia de certas festas judaicas, a abstin\u00eancia de alguns alimentos; difundiam o culto dos anjos e de certos \u201cpoderes\u201d c\u00f3smicos que governavam os astros; pregavam a necessidade da submiss\u00e3o a rituais de inicia\u00e7\u00e3o em voga no mundo hel\u00e9nico e a pr\u00e1ticas r\u00edgidas de ascetismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Paulo reconheceu, na informa\u00e7\u00e3o que Epafras lhe trouxe, que havia motivos de preocupa\u00e7\u00e3o. O Evangelho estava a ser desvirtuado em Colossos, pois as doutrinas que esses pregadores difundiam acabavam por deixar na sombra Cristo e a proposta de salva\u00e7\u00e3o que Ele veio trazer. Paulo decidiu ent\u00e3o escrever aos Colossenses, acentuando o papel e o lugar de Cristo no projeto salvador de Deus. A Carta poderia ser dos anos 61-63, altura em que Paulo esteve preso em Roma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que a liturgia deste domingo nos prop\u00f5e como segunda leitura integra a parte moral da carta (cf. Cl 3,1-4,1). A\u00ed Paulo tira conclus\u00f5es pr\u00e1ticas daquilo que afirmou na primeira parte (que Cristo basta para a salva\u00e7\u00e3o) e convoca os Colossenses a viverem, no dia a dia, de acordo com essa vida nova que os identificou com Cristo<strong><em>. in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Usamos frequentemente as express\u00f5es \u201ccrist\u00e3o praticante\u201d e \u201ccrist\u00e3o n\u00e3o praticante\u201d para definir a nossa forma de viver a f\u00e9. O que \u00e9 que elas traduzem? A nossa frequ\u00eancia dos sacramentos? A nossa participa\u00e7\u00e3o nos rituais lit\u00fargicos previstos no calend\u00e1rio religioso? A nossa obedi\u00eancia \u00e0s leis da Igreja e \u00e0s indica\u00e7\u00f5es vindas da hierarquia eclesi\u00e1stica? Paulo prop\u00f5e-nos uma categoria diferente para aferirmos o nosso envolvimento com a f\u00e9: a forma como vivemos os compromissos que assumimos no dia do nosso batismo. Nesse dia, comprometemo-nos a renunciar ao pecado, \u00e0 escravid\u00e3o que o ego\u00edsmo traz, \u00e0 maldade que \u00e9 incompat\u00edvel com viver como filho de Deus. Temos \u201cpraticado\u201d essa ren\u00fancia? Nesse dia comprometemo-nos tamb\u00e9m a escutar Jesus, a segui-lo no caminho do amor, do dom da vida, do servi\u00e7o humilde a Deus e aos irm\u00e3os. Temos \u201cpraticado\u201d esses \u201cpassos\u201d? Temos procurado viver com coer\u00eancia as exig\u00eancias do nosso batismo? Optamos claramente pelas \u201ccoisas do alto\u201d, ou as \u201ccoisas da terra\u201d (brilhantes e sugestivas, mas tamb\u00e9m ef\u00e9meras e f\u00fateis) t\u00eam prioridade, condicionam a nossa forma de estar no mundo e de nos relacionarmos com os irm\u00e3os?<\/li>\n<li>Paulo define, para os que aderiram a Cristo pelo batismo, um objetivo \u201cobrigat\u00f3rio\u201d: renovarmo-nos continuamente at\u00e9 nos tornarmos \u201cimagem\u201d de Deus. Talvez isto nos soe demasiado ambicioso e nos pare\u00e7a miss\u00e3o imposs\u00edvel. No entanto, todos n\u00f3s conhecemos homens e mulheres que, pela forma como vivem, pela paz que transmitem, pelo testemunho de amor e de servi\u00e7o que d\u00e3o, pelo seu desprendimento e simplicidade, pela maneira como acolhem todos aqueles que se cruzam com eles, pelo seu alheamento dos jogos de ambi\u00e7\u00e3o e de poder, pela sua generosidade e alegria, nos fazem sonhar com uma vida diferente, com um mundo novo. Sentimos que eles nos trazem algo de Deus. N\u00e3o poderemos, n\u00f3s tamb\u00e9m, ser \u201cimagem\u201d de Deus? Aqueles que nos rodeiam, que convivem connosco, conseguem detetar em n\u00f3s algo de Deus?<\/li>\n<li>Paulo convida os colossenses \u2013 e todos aqueles que se encontraram com Cristo e aderiram a Ele \u2013 a despojarem-se do homem velho e a revestirem-se do homem novo. Detenhamo-nos um pouco nesta imagem e avaliemos a nossa vida a partir dela\u2026 Quais s\u00e3o as coisas da \u201cvida velha\u201d que arrastamos connosco, que nos impedem de caminhar livres e que dever\u00edamos abandonar? Quais s\u00e3o as ideias, os valores, os comportamentos, as atitudes que dever\u00edamos \u201cvestir\u201d para sermos pessoas novas e para darmos mais sentido \u00e0 nossa exist\u00eancia? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 12,13-21<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nalgu\u00e9m, do meio da multid\u00e3o, disse a Jesus:<br \/>\n\u00abMestre, diz a meu irm\u00e3o que reparta a heran\u00e7a comigo\u00bb.<br \/>\nJesus respondeu-lhe:<br \/>\n\u00abAmigo, quem Me fez juiz ou \u00e1rbitro das vossas partilhas?\u00bb<br \/>\nDepois disse aos presentes:<br \/>\n\u00abVede bem, guardai-vos de toda a avareza:<br \/>\na vida de uma pessoa n\u00e3o depende da abund\u00e2ncia dos seus bens\u00bb.<br \/>\nE disse-lhes esta par\u00e1bola:<br \/>\n\u00abO campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita.<br \/>\nEle pensou consigo:<br \/>\n\u2018Que hei de fazer,<br \/>\npois n\u00e3o tenho onde guardar a minha colheita?<br \/>\nVou fazer assim:<br \/>\nDeitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores,<br \/>\nonde guardarei todo o meu trigo e os meus bens.<br \/>\nEnt\u00e3o poderei dizer a mim mesmo:<br \/>\nMinha alma, tens muitos bens em dep\u00f3sito para longos anos.<br \/>\nDescansa, come, bebe, regala-te\u2019.<br \/>\nMas Deus respondeu-lhe:<br \/>\n\u2018Insensato! Esta noite ter\u00e1s de entregar a tua alma.<br \/>\nO que preparaste, para quem ser\u00e1?\u2019<br \/>\nAssim acontece a quem acumula para si,<br \/>\nem vez de se tornar rico aos olhos de Deus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Enquanto percorre o caminho que leva da Galileia a Jerusal\u00e9m, Jesus aproveita todos os pretextos para ir formando os seus disc\u00edpulos nos valores do Reino de Deus. Dessa forma prepara-os para serem, mais tarde, no \u201ctempo da Igreja\u201d, as testemunhas do Reino diante de todos os povos e na\u00e7\u00f5es. Com as li\u00e7\u00f5es que, a cada passo, v\u00e3o recebendo de Jesus, os disc\u00edpulos crescem na l\u00f3gica do Evangelho; v\u00e3o-se despindo das suas l\u00f3gicas pessoais, ego\u00edstas e interesseiras, e interiorizando a proposta de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u201cli\u00e7\u00e3o\u201d de Jesus que o Evangelho deste domingo evoca \u00e9 exclusiva de Lucas. \u00c9 despoletada por uma quest\u00e3o relacionada com partilhas\u2026 Um homem n\u00e3o identificado pede a Jesus que intervenha como \u00e1rbitro numa quest\u00e3o de reparti\u00e7\u00e3o da heran\u00e7a familiar. Segundo as tradi\u00e7\u00f5es judaicas, o filho primog\u00e9nito de uma fam\u00edlia de dois irm\u00e3os recebia dois ter\u00e7os das possess\u00f5es paternas (cf. Dt 21,17). O homem que interpela Jesus ser\u00e1 o irm\u00e3o mais novo, que ainda n\u00e3o tinha recebido a sua parte da heran\u00e7a? Ser\u00e1 um irm\u00e3o descontente com a avalia\u00e7\u00e3o dos bens feita pelo outro irm\u00e3o? Estar\u00e1 a requer a intercess\u00e3o de Jesus para que o seu irm\u00e3o seja mais generoso na reparti\u00e7\u00e3o dos bens familiares? O texto de Lucas n\u00e3o nos esclarece sobre estes pormenores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Era frequente, no tempo de Jesus, que os escribas e doutores da lei, versados nas escrituras, assumissem o papel de ju\u00edzes em casos similares. Competia-lhes, a partir da Lei, indicar como resolver situa\u00e7\u00f5es discut\u00edveis. O homem que solicita a interven\u00e7\u00e3o de Jesus chama-lhe \u201cmestre\u201d (\u201cdidaskale\u201d), reconhecendo-lhe uma autoridade semelhante \u00e0 dos escribas e doutores da Lei. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Deus confiou-nos um capital de valor inestim\u00e1vel: a nossa vida. N\u00e3o podemos dar-nos ao luxo de desperdi\u00e7ar esse dom, de o malbaratar em apostas falhadas. Apesar disso, nem sempre conseguimos perceber em que caminhos andar, que valores privilegiar, que op\u00e7\u00f5es tomar, para dar pleno significado \u00e0 nossa exist\u00eancia. Deixamo-nos arrastar pelo movimento do rebanho, pela press\u00e3o social, pelos ditames do politicamente correto, pelos gritos estridentes dos influenciadores de servi\u00e7o, pela tenta\u00e7\u00e3o da acomoda\u00e7\u00e3o e do bem-estar, pelo medo que nos impede de arriscar, at\u00e9 chegarmos a becos sem sa\u00edda e mergulharmos no vazio, na frustra\u00e7\u00e3o, na desilus\u00e3o. O que podemos fazer para encher de significado a nossa vida? Como devemos viver? Que apostas devemos privilegiar?<\/li>\n<li>No caminho para Jerusal\u00e9m, Jesus contou a hist\u00f3ria de um homem que vivia encerrado no seu pequeno mundo, apostado em acumular bens, em armazenar mais e mais, em aumentar o seu bem-estar material, em garantir uma vida c\u00f3moda e confort\u00e1vel. \u00c9 uma hist\u00f3ria que reproduz muitas hist\u00f3rias de vida que conhecemos bem: hist\u00f3rias de gente fr\u00edvola e superficial, que vive para o \u201cter\u201d, que constr\u00f3i a vida sobre valores ef\u00e9meros, que reduz a exist\u00eancia \u00e0 busca do bem-estar material, que se contenta com horizontes limitados, que caminha de olhos postos no ch\u00e3o. Jesus avisa que uma op\u00e7\u00e3o desse tipo \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o \u201cinsensata\u201d, escravizante, vazia, sem futuro, que desumaniza o homem e o impede de chegar \u00e0 vida verdadeira. Quais s\u00e3o os valores sobre os quais constru\u00edmos a nossa exist\u00eancia? Quais s\u00e3o as grandes preocupa\u00e7\u00f5es que nos habitam e os interesses que priorizamos?<\/li>\n<li>O protagonista da par\u00e1bola contada por Jesus nunca se refere \u00e0 sua fam\u00edlia, aos seus amigos, aos seus vizinhos ou aos seus trabalhadores. Tamb\u00e9m nunca se refere a Deus. O seu mundo, \u00e9 o pequeno mundo do \u201ceu\u201d; vive numa \u201cbolha\u201d onde n\u00e3o cabe mais ningu\u00e9m. Est\u00e1 exclusivamente virado para as suas coisas: a sua colheita, os seus celeiros, o seu trigo, os seus bens. Parece n\u00e3o ter qualquer relacionamento com ningu\u00e9m ou, ent\u00e3o, n\u00e3o ter tempo para gastar com as pessoas que fazem parte da sua vida. Para ele, os bens materiais e o bem-estar que eles podem proporcionar valem mais do que o amor e a amizade. N\u00e3o se d\u00e1 conta de que vive prisioneiro de uma l\u00f3gica que o desumaniza e que o esvazia de toda a dignidade. Como vemos uma vida vivida neste registo? \u00c9 uma vida que vale a pena? O que \u00e9 que nos realiza mais: as coisas materiais que nos oferecem um certo grau de conforto e de seguran\u00e7a, ou o amor, a amizade, a solidariedade, a partilha, a comunh\u00e3o?<\/li>\n<li>Jesus parece, em tantas p\u00e1ginas do Evangelho, ter uma qualquer preven\u00e7\u00e3o contra os ricos e as riquezas. Em certa ocasi\u00e3o Ele chegou a dizer que \u201c\u00e9 mais f\u00e1cil um camelo passar pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no Reino dos C\u00e9us\u201d (Mt 19,24). N\u00e3o estaria a exagerar? Os bens materiais ser\u00e3o algo intrinsecamente mau? A simples posse dos bens materiais \u00e9, por si s\u00f3, um bilhete direto para o fracasso da exist\u00eancia? O problema n\u00e3o reside nos bens materiais em si, mas sim na forma como os vemos e nos relacionamos com eles. Conscientes de que o dinheiro pode servir para pagar fama, prest\u00edgio, seguran\u00e7a, conforto, bem-estar, absolutizamos a sua import\u00e2ncia e come\u00e7amos a construir a nossa vida \u00e0 volta dele. Aos poucos, o amor do dinheiro domina-nos. A ambi\u00e7\u00e3o, a cobi\u00e7a, a avareza, tomam conta de n\u00f3s e atiram para lugares secund\u00e1rios todos os nossos valores de refer\u00eancia. Por causa dos bens materiais, torn\u00e1mo-nos injustos, prepotentes, insens\u00edveis, ego\u00edstas. Passamos a ignorar os nossos irm\u00e3os e as priva\u00e7\u00f5es que eles passam. Embora sabendo que um quinto da humanidade passa fome, consideramos que isso n\u00e3o \u00e9 connosco. Para Jesus, construir a vida \u00e0 volta deste cen\u00e1rio \u00e9 uma \u201cinsensatez\u201d, n\u00e3o leva a lado nenhum. E n\u00f3s, que achamos disto?<\/li>\n<li>A hist\u00f3ria do rico insensato, que pretendia instalar-se no seu mundo de bem-estar e de abund\u00e2ncia, sem se preocupar com mais nada, \u00e9 uma par\u00e1bola bem expressiva para descrever o cen\u00e1rio do nosso Primeiro Mundo: uma sociedade fr\u00edvola e insens\u00edvel, que vive para o \u201cter\u201d, que ergue muros para se defender dos pobres, que expulsa os imigrantes ilegais, que atira para as bermas dos caminhos da hist\u00f3ria os mais fr\u00e1geis e necessitados, que constr\u00f3i as suas ilhas de conforto \u00e0 custa de trabalho escravo, que faz dos centros comerciais as catedrais onde vai adorar os seus deuses, que cria continuamente necessidades artificiais e faz tudo para as satisfazer, que vive para os sentidos e para o imediato, que se recusa a aprofundar o sentido da exist\u00eancia, que tem dificuldade em lidar com tudo aquilo que implica sacrif\u00edcio, esfor\u00e7o e compromisso. Qual a nossa responsabilidade na constru\u00e7\u00e3o de um mundo com estas cores? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na <strong>primeira leitura<\/strong>, um primeiro cuidado a ter em conta \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o da palavra \u00ab<em>vaidade<\/em>\u00bb. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio ter uma especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 pergunta ret\u00f3rica que est\u00e1 presente no texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>segunda leitura<\/strong>, tal como nos habituamos nos textos de S. Paulo, possui frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es que pede uma especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s respira\u00e7\u00f5es e \u00e0s pausas para uma correta proclama\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Leitura-I-do-Domingo-XVIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-03.08.2025-Coelet-Eclesiastes-1-22-21-23.pdf\">Leitura I do Domingo XVIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 03.08.2025 (Coelet (Eclesiastes) 1, 2;2, 21-23)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Leitura-II-do-Domingo-XVIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-03.08.2025-Colossenses-3-1-5.9-11.pdf\">Leitura II do Domingo XVIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 03.08.2025 (Colossenses 3, 1-5.9-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Domingo-XVIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-03.08.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XVIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 03.08.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Domingo-XVIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-03.08.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XVIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 03.08.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Domingo-XVIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-03.08.2025-refletindo.pdf\">Domingo XVIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 03.08.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-XVIII-TC-Ano-C-03.08.2025-JL.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo XVIII TC- Ano C &#8211; 03.08.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XVII do Tempo Comum \u2013 Ano C \u2013 27 julho 2025&#8243; tab_id=&#8221;1754296064001-c5b2103e-67f5&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XVII do Tempo Comum &#8211; Ano C \u2013 27 julho 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">V Dia Mundial dos Av\u00f3s e dos Idosos<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Domingo-XVII.jpg\" alt=\"\" width=\"433\" height=\"309\" \/><\/strong><\/h4>\n<p><span style=\"font-size: 16px;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Senhor, ensina-nos a orar<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que bela ora\u00e7\u00e3o! Um pedido que \u00e9 j\u00e1 atitude orante: colocar-se diante de Deus como aprendiz na escola da arte de amar, criando rela\u00e7\u00e3o e intimidade para que a nossa vida se torne verdadeiro lugar de encontro com Deus e com os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este bel\u00edssimo quadro que abre o texto evang\u00e9lico deste Domingo \u00e9 uma oportuna resposta aos educadores da f\u00e9, aos pais e catequistas que tantas vezes perguntam: como ensinar os nossos mais novos a rezar? Como educar para a vida de ora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que longos discursos e formas criativas de educar para a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que a nossa vida orante seja de tal modo decisiva na nossa vida que desperte no cora\u00e7\u00e3o dos outros este desejo de entrar em di\u00e1logo com Deus e experimentar a beleza da ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ora\u00e7\u00e3o tem a capacidade de moldar o crente, tornando-o num pobre que encontra em Deus a sua grande riqueza. Assumir a nossa fragilidade e pobreza diante de Deus, em nada nos enfraquece ou inferioriza, pelo contr\u00e1rio, permite enriquecer a nossa humana condi\u00e7\u00e3o da grandeza de um Deus que faz poss\u00edveis os imposs\u00edveis da nossa vida e nos permite olhar os nossos limites como oportunidade de crescimento e amadurecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedir, procurar e bater s\u00e3o os gestos pr\u00f3prios do mendigo que com humildade se coloca diante de algu\u00e9m que pode socorrer as suas necessidades. \u00c9 pr\u00f3prio do pobre a atitude de confian\u00e7a naquele que o pode ajudar. Deste modo, a ora\u00e7\u00e3o sintoniza o nosso cora\u00e7\u00e3o com o cora\u00e7\u00e3o de Deus gerando esta rela\u00e7\u00e3o de amizade e confian\u00e7a que nos permite caminhar com um renovado alento os trilhos da hist\u00f3ria. Mesmo diante das dificuldades e exig\u00eancias do nosso caminho, sabemo-nos amados por um Deus que n\u00e3o \u00e9 indiferente \u00e0s nossas dores, ang\u00fastias e sofrimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus ensina-nos que a verdadeira ora\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela que come\u00e7a por invocar a Deus como \u00ab<em>Pai<\/em>\u00bb. Na vida crist\u00e3 \u00e9 decisiva esta rela\u00e7\u00e3o filial que nos faz sentir filhos muito amados de Deus e nos responsabiliza como irm\u00e3os uns dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ora\u00e7\u00e3o do Pai-nosso, ensinada por Jesus a pedido dos Seus disc\u00edpulos, como afirma Tertuliano, \u00e9 norma da ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e s\u00edntese do Evangelho (<em>lex orationis et breviarium totius evangelii<\/em>). Al\u00e9m disso, nesta ora\u00e7\u00e3o encontramos resposta para as quest\u00f5es acerca do sentido da nossa exist\u00eancia: quem sou eu? De onde venho? Para onde vou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu sou um filho muito amado de Deus, que entrando em rela\u00e7\u00e3o de intimidade com o Pai, descubro uma multid\u00e3o de irm\u00e3os com quem sou chamado a partilhar o p\u00e3o quotidiano, para que diante das fragilidades uns dos outros, saibamos perdoar como o Pai nos perdoa a cada um de n\u00f3s e assim, haveremos de santificar o nome de Deus, fazendo presente no aqui e agora do tempo e da hist\u00f3ria o Reino que ser\u00e1 um dia em plenitude no C\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Figura orante \u00e9 tamb\u00e9m Abra\u00e3o que negoceia com Deus a salva\u00e7\u00e3o de Sodoma. Abra\u00e3o deixou a sua terra para acolher a promessa de Deus de uma descend\u00eancia numerosa como as areias da terra e como as estrelas do C\u00e9u. Mesmo sendo de idade avan\u00e7ada, confia na promessa de Deus e ver\u00e1 nascer um filho onde parecia humanamente imposs\u00edvel. O Deus da promessa, o Deus que faz gerar vida onde ela parece j\u00e1 n\u00e3o poder ser gerada, quer destruir a cidade. Abra\u00e3o coloca-se humildemente diante de Deus e faz seis tentativas de negocia\u00e7\u00e3o, baixando o n\u00famero de justos necess\u00e1rios para que a cidade n\u00e3o seja destru\u00edda. Por\u00e9m, a cidade foi destru\u00edda, pois n\u00e3o foi encontrado nenhum justo. Foi necess\u00e1rio esperar pelo verdadeiro Justo, Jesus Cristo, para que por meio Dele a humanidade inteira fosse salva e redimida. O Seu amor feito entrega na Cruz venceu a morte e o pecado e reconciliou-nos de modo novo com o Pai: \u00ab<em>Quando est\u00e1veis mortos nos vossos pecados e na incircuncis\u00e3o da vossa carne, Deus fez que volt\u00e1sseis \u00e0 vida com Cristo e perdoou-nos todas as nossas faltas<\/em>\u00bb. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Quando orardes, dizei: Pai<\/em>\u00bb. Jesus ensina-nos a entrar em di\u00e1logo de amor com Deus, invocando-O como nosso Pai. Contudo, s\u00e3o muitas as pessoas que partilham a sua dificuldade em manter um ritmo perseverante de ora\u00e7\u00e3o pessoal quotidiana, quer pela dificuldade em encontrar tempo para a ora\u00e7\u00e3o, quer pela sua dificuldade no modo de orar. A Liturgia da Palavra deste Domingo convida a fazer da ora\u00e7\u00e3o um lugar de intimidade com Deus. Deste modo, este Domingo constitui-se como uma oportunidade para falar da import\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o na vida crist\u00e3, apresentando diferentes modos e formas de ora\u00e7\u00e3o que ajudem os fi\u00e9is a fazer a experi\u00eancia feliz do encontro com o Pai. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong> <strong>&#8211; <\/strong><strong>G\u00e9nesis 18,20-32<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias, disse o Senhor:<br \/>\n\u00abO clamor contra Sodoma e Gomorra \u00e9 t\u00e3o forte,<br \/>\no seu pecado \u00e9 t\u00e3o grave<br \/>\nque Eu vou descer para verificar<br \/>\nse o clamor que chegou at\u00e9 Mim<br \/>\ncorresponde inteiramente \u00e0s suas obras.<br \/>\nSe sim ou n\u00e3o, hei de sab\u00ea-lo\u00bb.<br \/>\nOs homens que tinham vindo \u00e0 resid\u00eancia de Abra\u00e3o<br \/>\ndirigiram-se ent\u00e3o para Sodoma,<br \/>\nenquanto o Senhor continuava junto de Abra\u00e3o.<br \/>\nEste aproximou-se e disse:<br \/>\n\u00abIr\u00e1s destruir o justo com o pecador?<br \/>\nTalvez haja cinquenta justos na cidade.<br \/>\nMat\u00e1-los-\u00e1s a todos?<br \/>\nN\u00e3o perdoar\u00e1s a essa cidade,<br \/>\npor causa dos cinquenta justos que nela residem?<br \/>\nLonge de Ti fazer tal coisa:<br \/>\ndar a morte ao justo e ao pecador,<br \/>\nde modo que o justo e o pecador tenham a mesma sorte!<br \/>\nLonge de Ti!<br \/>\nO juiz de toda a terra n\u00e3o far\u00e1 justi\u00e7a?\u00bb<br \/>\nO Senhor respondeu-lhe:<br \/>\n\u00abSe encontrar em Sodoma cinquenta justos,<br \/>\nperdoarei a toda a cidade por causa deles\u00bb.<br \/>\nAbra\u00e3o insistiu:<br \/>\n\u00abAtrevo-me a falar ao meu Senhor,<br \/>\neu que n\u00e3o passo de p\u00f3 e cinza:<br \/>\ntalvez para cinquenta justos faltem cinco.<br \/>\nPor causa de cinco, destruir\u00e1s toda a cidade?\u00bb<br \/>\nO Senhor respondeu:<br \/>\n\u00abN\u00e3o a destruirei se l\u00e1 encontrar quarenta e cinco justos\u00bb.<br \/>\nAbra\u00e3o insistiu mais uma vez:<br \/>\n\u00abTalvez n\u00e3o se encontrem nela mais de quarenta\u00bb.<br \/>\nO Senhor respondeu:<br \/>\n\u00abN\u00e3o a destruirei em aten\u00e7\u00e3o a esses quarenta\u00bb.<br \/>\nAbra\u00e3o disse ainda:<br \/>\n\u00abSe o meu Senhor n\u00e3o levar a mal, falarei mais uma vez:<br \/>\ntalvez haja l\u00e1 trinta justos\u00bb.<br \/>\nO Senhor respondeu:<br \/>\n\u00abN\u00e3o farei a destrui\u00e7\u00e3o, se l\u00e1 encontrar esses trinta\u00bb.<br \/>\nAbra\u00e3o insistiu novamente:<br \/>\n\u00abAtrevo-me ainda a falar ao meu Senhor:<br \/>\ntalvez n\u00e3o se encontrem l\u00e1 mais de vinte justos\u00bb.<br \/>\nO Senhor respondeu:<br \/>\n\u00abN\u00e3o destruirei a cidade em aten\u00e7\u00e3o a esses vinte\u00bb.<br \/>\nAbra\u00e3o prosseguiu:<br \/>\n\u00abSe o meu Senhor n\u00e3o levar a mal,<br \/>\nfalarei ainda esta vez:<br \/>\ntalvez l\u00e1 n\u00e3o se encontrem sen\u00e3o dez\u00bb.<br \/>\nO Senhor respondeu:<br \/>\n\u00abEm aten\u00e7\u00e3o a esses dez, n\u00e3o destruirei a cidade\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Designados genericamente como \u201ctradi\u00e7\u00f5es patriarcais\u201d, os cap\u00edtulos 12 a 36 do livro do G\u00e9nesis apresentam diversos relatos singulares, originalmente independentes uns dos outros e sem car\u00e1cter de exatid\u00e3o hist\u00f3rica. Nas \u201ctradi\u00e7\u00f5es patriarcais encontramos \u201cmitos de origem\u201d (relatos que contam como um qualquer \u201cpatriarca\u201d chegou a um determinado lugar e tomou posse daquela terra), \u201clendas cultuais\u201d (lendas ligadas a \u201clugares sagrados\u201d que contam como um deus ali apareceu) e mem\u00f3rias diversas relativas \u00e0 luta di\u00e1ria pela exist\u00eancia das tribos n\u00f3madas que circulavam pela Palestina no segundo mil\u00e9nio antes de Cristo. Os te\u00f3logos de Israel, muitos s\u00e9culos mais tarde, soldaram esses materiais uns aos outros, enriqueceram-nos com as suas reflex\u00f5es teol\u00f3gicas e apresentaram-nos aos crentes israelitas com o objetivo de fazer catequese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os materiais que comp\u00f5em as \u201ctradi\u00e7\u00f5es patriarcais\u201d est\u00e1 a mem\u00f3ria de um cataclismo que atingiu e destruiu diversas povoa\u00e7\u00f5es situadas nas margens do Mar Morto (cf. Gn 19). Sodoma foi uma das cidades destru\u00eddas (as outras teriam sido Gomorra, Adama, Seboim e Segor). Alguns estudiosos modernos t\u00eam procurado uma explica\u00e7\u00e3o para essa cat\u00e1strofe na geologia da \u00e1rea: a regi\u00e3o fica situada na falha do vale do Jord\u00e3o, numa zona sujeita a terramotos e a atividades vulc\u00e2nicas. Dep\u00f3sitos de betume e de petr\u00f3leo t\u00eam sido descobertos nesta regi\u00e3o; e alguns escritores antigos atestam a presen\u00e7a de gases que, uma vez inflamados, poderiam causar uma terr\u00edvel destrui\u00e7\u00e3o, do tipo relatado em Gn 19.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As marcas desse cataclismo ainda eram vis\u00edveis muitos s\u00e9culos depois (como, ali\u00e1s, s\u00e3o vis\u00edveis ainda hoje); por isso, \u00e9 natural que os israelitas se interrogassem sobre as raz\u00f5es de uma t\u00e3o terr\u00edvel devasta\u00e7\u00e3o. Os te\u00f3logos israelitas compreenderam que essa mem\u00f3ria oferecia uma oportunidade para fazer catequese. A destrui\u00e7\u00e3o de Sodoma e das cidades \u00e0 volta do Mar Morto foi ent\u00e3o apresentada, pela catequese de Israel, como o castigo de Deus para o pecado dos homens. Os crentes israelitas eram assim convidados a descobrir que o pecado leva o homem por caminhos sem sa\u00edda e sem futuro. Simultaneamente, os te\u00f3logos de Israel aproveitaram o \u201cdi\u00e1logo\u201d entre Deus e Abra\u00e3o sobre Sodoma para propor aos crentes um ensinamento sobre o \u201cpeso\u201d do justo nas \u201ccontas\u201d de Deus (cf. Gn 18,16-33). <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O di\u00e1logo entre Deus e Abra\u00e3o sobre a sorte dos \u201cjustos\u201d que habitavam na cidade de Sodoma, exp\u00f5e um \u201cdogma\u201d que a catequese de Israel muito cedo percebeu e integrou na sua reflex\u00e3o: Deus \u00e9 clemente e compassivo; a sua miseric\u00f3rdia \u00e9 muito maior do que a sua vontade de castigar a maldade. Deus at\u00e9 \u2013 diz a catequese de Israel \u2013 est\u00e1 disposto a perdoar uma cidade pecadora se nela houver apenas dez \u201cjustos\u201d! Contudo, trinta s\u00e9culos depois, ainda h\u00e1 quem acredite num Deus cuja principal ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201ctomar nota\u201d das maldades dos homens e retaliar contra aqueles que desafiaram as suas \u201cordens\u201d. Como vemos e entendemos Deus? Caminhamos pela vida esmagados pelo medo da \u201cvingan\u00e7a\u201d de um deus justiceiro e castigador, ou confiantes na miseric\u00f3rdia e na compaix\u00e3o de um Deus que ama os seus filhos com amor de pai?<\/li>\n<li>O Deus que conta a Abra\u00e3o os seus planos para a cidade de Sodoma n\u00e3o \u00e9 um Deus distante e inacess\u00edvel, que vive alheado da realidade e da hist\u00f3ria dos homens; mas \u00e9 um Deus que se atreve a vir ao encontro do homem, que aceita a hospitalidade que o homem lhe oferece e que at\u00e9 discute com o homem os projetos que tem para o mundo. Esse Deus da rela\u00e7\u00e3o, do di\u00e1logo, do encontro, da comunh\u00e3o, \u00e9 um Deus com quem podemos falar, com quem podemos partilhar as nossas d\u00favidas, inquieta\u00e7\u00f5es, sonhos e esperan\u00e7as. Quando vemos Deus desta forma, o nosso encontro com Ele torna-se di\u00e1logo de amigos ou, noutra dimens\u00e3o, di\u00e1logo de um filho com o seu pai. Ent\u00e3o, come\u00e7amos a perceber que esse Deus nos \u201cfaz falta\u201d. Sentimos continuamente vontade de \u201cconversar\u201d com Ele, de lhe dizer o que nos vai no cora\u00e7\u00e3o, de escutar os seus conselhos e indica\u00e7\u00f5es, de passar tempo com Ele. \u00c9 essa a \u201cexperi\u00eancia de Deus\u201d que fazemos?<\/li>\n<li>O di\u00e1logo de Abra\u00e3o com Deus poderia servir de modelo para a ora\u00e7\u00e3o de qualquer crente: \u00e9 um di\u00e1logo humilde, reverente, respeitoso, mas tamb\u00e9m confiante, ousado, verdadeiro. N\u00e3o \u00e9 uma repeti\u00e7\u00e3o de palavras ocas ou de f\u00f3rmulas estereotipadas, gravadas e repetidas por um qualquer aparelho mec\u00e2nico ou uma mente acr\u00edtica, mas um di\u00e1logo espont\u00e2neo e sincero, no qual o crente se exp\u00f5e e coloca diante de Deus tudo aquilo que lhe enche o cora\u00e7\u00e3o. As nossas ora\u00e7\u00f5es s\u00e3o um di\u00e1logo espont\u00e2neo, vivo, confiante com Deus, ou s\u00e3o repeti\u00e7\u00f5es fastidiosas de f\u00f3rmulas fixas, mastigadas \u00e0 pressa, sem significado e sem alma? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 137 (138)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Quando Vos invoco, sempre me atendeis, Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De todo o cora\u00e7\u00e3o, Senhor, eu Vos dou gra\u00e7as,<br \/>\nporque ouvistes as palavras da minha boca.<br \/>\nNa presen\u00e7a dos Anjos hei de cantar-Vos<br \/>\ne adorar-Vos, voltando para o vosso templo santo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hei de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,<br \/>\nporque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.<br \/>\nQuando Vos invoquei, me respondestes,<br \/>\naumentastes a fortaleza da minha alma.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor \u00e9 excelso e olha para o humilde,<br \/>\nao soberbo conhece-o de longe.<br \/>\nNo meio da tribula\u00e7\u00e3o V\u00f3s me conservais a vida,<br \/>\nV\u00f3s me ajudais contra os meus inimigos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A vossa m\u00e3o direita me salvar\u00e1,<br \/>\no Senhor completar\u00e1 o que em meu aux\u00edlio come\u00e7ou.<br \/>\nSenhor, a vossa bondade \u00e9 eterna,<br \/>\nn\u00e3o abandoneis a obra das vossas m\u00e3os.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Colossenses 2,12-14<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nSepultados com Cristo no batismo,<br \/>\ntamb\u00e9m com Ele fostes ressuscitados<br \/>\npela f\u00e9 que tivestes no poder de Deus<br \/>\nque O ressuscitou dos mortos.<br \/>\nQuando est\u00e1veis mortos nos vossos pecados<br \/>\ne na incircuncis\u00e3o da vossa carne,<br \/>\nDeus fez que volt\u00e1sseis \u00e0 vida com Cristo<br \/>\ne perdoou-nos todas as nossas faltas.<br \/>\nAnulou o documento da nossa d\u00edvida,<br \/>\ncom as suas disposi\u00e7\u00f5es contra n\u00f3s;<br \/>\nsuprimiu-o, cravando-o na cruz.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade de Colossos pertencia \u00e0 prov\u00edncia romana da \u00c1sia e estava situada na Fr\u00edgia, a leste de \u00c9feso, a poucos quil\u00f3metros de Hier\u00e1polis e Laodiceia. A comunidade crist\u00e3 de Colossos nasceu do trabalho mission\u00e1rio de Epafras, disc\u00edpulo de Paulo (cf. Cl 1,7; 4,12-13). Era constitu\u00edda maioritariamente por crist\u00e3os vindos do paganismo, embora tamb\u00e9m inclu\u00edsse um certo n\u00famero de judeo-crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando escreveu esta carta, Paulo estava na pris\u00e3o (talvez em Roma, nos anos 61 a 63). Epafras tinha ido visit\u00e1-lo e tinha-lhe falado dos problemas que a comunidade crist\u00e3 de Colossos estava a enfrentar. Esses problemas resultavam da presen\u00e7a em Colossos de pregadores crist\u00e3os que propunham doutrinas pouco consent\u00e2neas com o Evangelho de Jesus. Misturando elementos judaicos com elementos sincretistas de origem diversa, esses pregadores exigiam a circuncis\u00e3o (Cf. Cl 2,11-13), a observ\u00e2ncia do s\u00e1bado, a celebra\u00e7\u00e3o de certas festas religiosas (cf. Cl 2,16), a abstin\u00eancia de determinados alimentos (cf. Cl 2,16.20-22); sublinhavam o papel e o lugar dos poderes c\u00f3smicos que governavam os astros; recomendavam o culto dos anjos; propunham rituais de inicia\u00e7\u00e3o e o exerc\u00edcio de diversas pr\u00e1ticas asc\u00e9ticas destinadas a comunicar aos fi\u00e9is um conhecimento superior dos mist\u00e9rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo percebeu que estes erros eram graves, pois amea\u00e7avam subalternizar o lugar central de Cristo, \u00fanico salvador e redentor do homem. Paulo, procurando esclarecer os crist\u00e3os de Colossos, exorta-os a n\u00e3o darem ouvidos a esses pregadores e a n\u00e3o se deixarem enredar em filosofias vazias e enganadoras, fundadas em tradi\u00e7\u00f5es humanas e n\u00e3o em Cristo (cf. Cl 2,8). Garante-lhes que Cristo basta, pois \u00e9 n\u2019Ele que reside a plenitude da divindade; Cristo \u00e9 a cabe\u00e7a de todo o principado e potestade e foi Ele que nos redimiu com a sua morte (cf. Col 2,9-15). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>\u00c9 frequente termos, nas nossas experi\u00eancias de vida, momentos que consideramos decisivos, que marcam e definem o sentido do nosso caminho. Para Paulo, o momento decisivo da sua vida foi o seu encontro com Cristo na estrada de Damasco (cf. At 9,1-18; 22,4-21; 26,9-18). Desde esse instante, Paulo percebeu que queria Cristo no centro da sua vida. Passou a construir toda a sua exist\u00eancia \u00e0 volta de Cristo e da sua proposta de salva\u00e7\u00e3o. Considerou fundamental tudo aquilo que o aproximava de Cristo e o punha em comunh\u00e3o com Cristo, e secund\u00e1rio tudo aquilo que n\u00e3o o ajudava a chegar a Cristo. Tudo isso aparece bem evidente na reflex\u00e3o e nos desafios que Paulo deixa aos crist\u00e3os de Colossos. Tamb\u00e9m n\u00f3s, como Paulo de Tarso, nos encontramos com Cristo num determinado momento do nosso caminho; tamb\u00e9m n\u00f3s aderimos a Cristo e nos dispusemos a caminhar com Ele; tamb\u00e9m n\u00f3s vimos no Evangelho anunciado por Cristo uma proposta de salva\u00e7\u00e3o capaz de mudar o mundo e de dar um sentido pleno \u00e0s nossas vidas. Cristo tem-se mantido no centro das nossas vidas, ou substitu\u00edmo-lo por outras figuras e interesses? O Evangelho proposto por Cristo \u00e9 a lei fundamental \u00e0 volta da qual constru\u00edmos o nosso projeto de vida?<\/li>\n<li>O nosso batismo foi, para cada um de n\u00f3s, o momento do compromisso com Cristo. Nesse dia, renunci\u00e1mos ao pecado e comprometemo-nos a caminhar sempre atr\u00e1s de Cristo no caminho da doa\u00e7\u00e3o, do servi\u00e7o simples e humilde, da entrega da vida por amor; fomos ungidos com o \u00f3leo do crisma e enviados ao mundo como testemunhas da salva\u00e7\u00e3o de Deus; recebemos a luz de Cristo e fomos desafiados a iluminar o mundo com a verdade de Cristo. \u00c9 este \u201ccaminho\u201d que temos vindo a percorrer? A nossa vida, as nossas op\u00e7\u00f5es, as nossas palavras, os nossos gestos e o nosso testemunho t\u00eam sido coerentes com os compromissos que assumimos no dia em que fomos batizados e come\u00e7amos a caminhar com Cristo?<\/li>\n<li>Paulo fala de um \u201cdocumento da nossa d\u00edvida\u201d que Cristo \u201csuprimiu, cravando-o na cruz\u201d. \u00c9 uma imagem muito expressiva para dizer que Cristo, oferecendo a sua vida at\u00e9 ao dom total de si mesmo, nos libertou do ego\u00edsmo, do orgulho, da ambi\u00e7\u00e3o, da viol\u00eancia, da autossufici\u00eancia, da maldade, do medo, de tudo o que leva \u00e0 morte. Agora, libertos de todo esse \u201clastro\u201d que nos prendia e nos impedia de dar sentido pleno \u00e0 nossa exist\u00eancia, podemos viver como Homens Novos, que caminham decididos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 vida verdadeira. A consci\u00eancia de que Cristo nos libertou \u00e9 para n\u00f3s fonte de alegria e de esperan\u00e7a ao longo do caminho que vamos fazendo todos os dias? Estamos decididos a mantermo-nos livres, seguindo os passos e as indica\u00e7\u00f5es de Cristo? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 11,1-13<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nEstava Jesus em ora\u00e7\u00e3o em certo lugar.<br \/>\nAo terminar, disse-Lhe um dos disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abSenhor, ensina-nos a orar,<br \/>\ncomo Jo\u00e3o Baptista ensinou tamb\u00e9m os seus disc\u00edpulos\u00bb.<br \/>\nDisse-lhes Jesus:<br \/>\n\u00abQuando orardes, dizei:<br \/>\n\u2018Pai,<br \/>\nsantificado seja o vosso nome;<br \/>\nvenha o vosso reino;<br \/>\ndai-nos em cada dia o p\u00e3o da nossa subsist\u00eancia;<br \/>\nperdoai-nos os nossos pecados,<br \/>\nporque tamb\u00e9m n\u00f3s perdoamos a todo aquele que nos ofende;<br \/>\ne n\u00e3o nos deixeis cair em tenta\u00e7\u00e3o\u2019\u00bb.<br \/>\nDisse-lhes ainda:<br \/>\n\u00abSe algum de v\u00f3s tiver um amigo,<br \/>\npoder\u00e1 ter de ir a sua casa \u00e0 meia-noite, para lhe dizer:<br \/>\n\u2018Amigo, empresta-me tr\u00eas p\u00e3es,<br \/>\nporque chegou de viagem um dos meus amigos<br \/>\ne n\u00e3o tenho nada para lhe dar\u2019.<br \/>\nEle poder\u00e1 responder l\u00e1 de dentro:<br \/>\n\u2018N\u00e3o me incomodes;<br \/>\na porta est\u00e1 fechada,<br \/>\neu e os meus filhos estamos deitados<br \/>\ne n\u00e3o posso levantar-me para te dar os p\u00e3es\u2019.<br \/>\nEu vos digo:<br \/>\nSe ele n\u00e3o se levantar por ser amigo,<br \/>\nao menos, por causa da sua insist\u00eancia,<br \/>\nlevantar-se-\u00e1 para lhe dar tudo aquilo de que precisa.<br \/>\nTamb\u00e9m vos digo:<br \/>\nPedi e dar-se-vos-\u00e1;<br \/>\nprocurai e encontrareis;<br \/>\nbatei \u00e0 porta e abrir-se-vos-\u00e1.<br \/>\nPorque quem pede recebe;<br \/>\nquem procura encontra<br \/>\ne a quem bate \u00e0 porta, abrir-se-\u00e1.<br \/>\nSe um de v\u00f3s for pai e um filho lhe pedir peixe,<br \/>\nem vez de peixe dar-lhe-\u00e1 uma serpente?<br \/>\nE se lhe pedir um ovo, dar-lhe-\u00e1 um escorpi\u00e3o?<br \/>\nSe v\u00f3s, que sois maus,<br \/>\nsabeis dar coisas boas aos vossos filhos,<br \/>\nquanto mais o Pai do C\u00e9u<br \/>\ndar\u00e1 o Esp\u00edrito Santo \u00e0queles que Lho pedem!\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus percorre com os disc\u00edpulos o caminho que leva da Galileia a Jerusal\u00e9m (cf. Lc 9,51-19,28). No esquema teol\u00f3gico de Lucas esse caminho \u00e9, mais do que um caminho geogr\u00e1fico, um caminho espiritual, ao longo do qual os disc\u00edpulos v\u00e3o interiorizando os valores do Reino de Deus e crescendo na ades\u00e3o a Jesus. No caminho para Jerusal\u00e9m, os disc\u00edpulos recebem as li\u00e7\u00f5es que os habilitam para continuarem, no \u201ctempo da Igreja\u201d, a obra de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta vez, a li\u00e7\u00e3o \u00e9 sobre a ora\u00e7\u00e3o. O narrador leva-nos at\u00e9 um lugar \u2013 possivelmente isolado \u2013 onde Jesus est\u00e1 em ora\u00e7\u00e3o. Os disc\u00edpulos est\u00e3o um pouco afastados. N\u00e3o ousam interromp\u00ea-lo, mas est\u00e3o impressionados com a forma como Ele se relaciona com Deus. Quando Jesus termina a sua ora\u00e7\u00e3o, pedem-lhe que que os ensine a rezar, pois tamb\u00e9m eles querem seguir o seu exemplo e aproximar-se desse Pai bom do qual tanto ouvem falar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas d\u00e1 grande import\u00e2ncia \u00e0 ora\u00e7\u00e3o de Jesus. Ele refere a ora\u00e7\u00e3o de Jesus em diversas situa\u00e7\u00f5es, nomeadamente no Batismo (cf. Lc 3,21), antes da elei\u00e7\u00e3o dos Doze (cf. Lc 6,12), antes do primeiro an\u00fancio da paix\u00e3o (cf. Lc 9,18), no contexto da transfigura\u00e7\u00e3o (cf. Lc 9,28-29), ap\u00f3s o regresso dos disc\u00edpulos da miss\u00e3o (cf. Lc 10,21), na \u00faltima ceia (cf. Lc 22,32), no Getsemani (cf. Lc 22,40-46) e na cruz (cf. Lc 23,34.46). Lucas pretende insinuar que Jesus, antes de tomar decis\u00f5es fundamentais, fala com o Pai e procura, pela ora\u00e7\u00e3o, discernir a vontade do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ora\u00e7\u00e3o do \u201cPai nosso\u201d \u2013 a ora\u00e7\u00e3o que Jesus ensinou aos seus disc\u00edpulos \u2013 aparece tamb\u00e9m, embora noutro contexto, no Evangelho de Mateus (cf. Mt 6,9-13). As f\u00f3rmulas usadas por um e outro evangelista apresentam significativas diferen\u00e7as. Isso significa, provavelmente, que Lucas e Mateus colheram as suas f\u00f3rmulas do \u201cPai nosso\u201d em tradi\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas distintas. A vers\u00e3o de Mateus condiz com um meio judeo-crist\u00e3o, enquanto a de Lucas \u2013 mais breve e com menos embelezamentos lit\u00fargicos \u2013 poder\u00e1 estar mais pr\u00f3xima da f\u00f3rmula original proposta por Jesus. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Lucas faz quest\u00e3o de nos dizer que Jesus manteve, ao longo de toda a sua vida, um constante di\u00e1logo com o Pai. Depois de cada jornada gasta a percorrer as aldeias da Galileia, a curar as feridas dos homens, a contar par\u00e1bolas que anunciavam a chegada iminente de um mundo novo, a experimentar a oposi\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes judaicos, a constatar a falta de f\u00e9 dos habitantes das cidades do lago, a verificar a dificuldade dos disc\u00edpulos em aceitar os valores do Reino, Jesus sentia necessidade de se afastar para um s\u00edtio isolado para passar tempo de qualidade com o Pai. Era nesse tempo que Ele contava ao Pai o que lhe ia no cora\u00e7\u00e3o, experimentava a ternura do Pai, procurava discernir os projetos do Pai, recebia do Pai a for\u00e7a para enfrentar as oposi\u00e7\u00f5es e servir o Reino de Deus. E n\u00f3s, formados na \u201cescola de Jesus\u201d, tamb\u00e9m procuramos encontrar espa\u00e7o, no final de cada dia, para dialogar com Deus? No meio da agita\u00e7\u00e3o e dos problemas que todos os dias nos visitam, encontramos tempo para \u201csentirmos o pulso\u201d de Deus, para contarmos a Deus as nossas d\u00favidas e inquieta\u00e7\u00f5es, para tentarmos perceber o projeto de Deus tem para n\u00f3s e para o mundo?<\/li>\n<li>Jesus sentia Deus como um pai bom, que acolhe com ternura e bondade os seus filhos, que os escuta interessadamente, que partilha com eles os seus projetos, que os apoia e abra\u00e7a, que lhes d\u00e1 a for\u00e7a necess\u00e1ria para enfrentarem os ventos e mar\u00e9s da vida e da hist\u00f3ria. Quando se experimenta Deus desse jeito, sentimo-nos bem a dialogar com Deus, a contar-lhe o que nos vai no cora\u00e7\u00e3o, a procurar discernir o que Ele quer de n\u00f3s, a fazer a sua vontade. Como vemos Deus? Ele \u00e9 para n\u00f3s, como o era para Jesus, o \u201cpap\u00e1\u201d a quem amamos e por quem nos sentimos amados, em quem confiamos incondicionalmente, a quem recorremos confiadamente, com quem partilhamos tudo o que nos acontece, ou \u00e9 o Deus distante, inacess\u00edvel, indiferente, que facilmente deixamos de lado porque n\u00e3o tem qualquer lugar especial no nosso projeto de vida?<\/li>\n<li>Jesus pede aos seus disc\u00edpulos que, sempre que falarem com Deus, tenham presente o projeto de Deus para o mundo e para os homens. Para Jesus, a ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o momento para tentarmos p\u00f4r Deus ao servi\u00e7o das nossas negociatas pessoais e dos nossos interesses mesquinhos; mas \u00e9 o momento de olharmos para al\u00e9m de n\u00f3s, para as necessidades do mundo e dos irm\u00e3os que partilham connosco o caminho da vida; \u00e9 o momento de procurarmos perceber o que \u00e9 que Deus quer de n\u00f3s e qual o papel que nos destina na concretiza\u00e7\u00e3o dos seus planos. Quando falamos com Deus, o que lhe dizemos? Que quest\u00f5es pomos em cima da mesa? A nossa ora\u00e7\u00e3o cinge-se ao \u00e2mbito restrito dos nossos interesses pessoais, ou contempla os interesses de Deus e dos homens nossos irm\u00e3os?<\/li>\n<li>Dialogarmos com o nosso Pai do c\u00e9u \u00e9 tomarmos consci\u00eancia de que fazemos parte de uma grande fam\u00edlia, de uma fam\u00edlia constitu\u00edda por homens e mulheres de todas as ra\u00e7as e culturas. Tratar a Deus por \u201cPai\u201d leva-nos \u00e0 descoberta da fraternidade. A melhor forma de rezar o \u201cPai nosso\u201d \u00e9 de m\u00e3os dadas com os nossos irm\u00e3os. Quando rezamos o \u201cPai nosso\u201d, temos consci\u00eancia dos la\u00e7os fraternos que nos unem a todos os homens e mulheres que se cruzam connosco nos caminhos da vida? Quando rezamos o \u201cPai nosso\u201d sentimo-nos respons\u00e1veis por todos os nossos irm\u00e3os, sobretudo pelos mais fr\u00e1geis, por aqueles que necessitam dos nossos cuidados, por aqueles que tantas vezes s\u00e3o abandonados nas bermas da estrada da vida?<\/li>\n<li>Jesus n\u00e3o v\u00ea inconveniente que, no di\u00e1logo com Deus, lhe pe\u00e7amos que cuide do \u201cnosso p\u00e3o\u201d de cada dia. N\u00e3o do \u201cmeu p\u00e3o\u201d, mas do \u201cnosso p\u00e3o\u201d. N\u00e3o fazemos este pedido para Deus n\u00e3o se esquecer de nos providenciar as coisas necess\u00e1rias \u00e0 subsist\u00eancia dos seus filhos e filhas. Deus nunca poderia esquecer isso. Jesus convida-nos a fazer este pedido para nos lembrarmos, n\u00f3s pr\u00f3prios, que tudo aquilo que Deus nos d\u00e1 para a nossa subsist\u00eancia pertence a todos os filhos e filhas de Deus e deve ser partilhado com todos os nossos irm\u00e3os. Como consideramos os bens que Deus coloca \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o? Como conquistas pessoais, que se destinam apenas a alimentar o nosso bem-estar pessoal, ou como \u201cprendas\u201d de Deus destinadas a todos os seus filhos e filhas, sem exce\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>Jesus convida os disc\u00edpulos a pedir a Deus que compreenda as faltas que s\u00e3o inerentes \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana e perdoe os pecados que tiverem cometido. Mas tamb\u00e9m vincula, de algum modo, o perd\u00e3o de Deus ao perd\u00e3o que os seus disc\u00edpulos devem oferecer uns aos outros. Aquele que se recusa a perdoar as fragilidades do seu irm\u00e3o, n\u00e3o tem moral para pedir a Deus que lhe perdoe as suas pr\u00f3prias fragilidades. Poderemos rezar o \u201cPai nosso\u201d e pedir a Deus que nos perdoe quando nos recusamos a abra\u00e7ar um irm\u00e3o que nos magoou ou a quem magoamos?<\/li>\n<li>Jesus pede aos seus disc\u00edpulos: \u201cpedi e dar-se-vos-\u00e1; procurai e encontrareis; batei \u00e0 porta e abrir-se-vos-\u00e1. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate \u00e0 porta, abrir-se-\u00e1\u201d. No entanto, parece-nos muitas vezes que Deus n\u00e3o atende as nossas preces ou que as atende \u201cfora de prazo\u201d; e perguntamo-nos porqu\u00ea\u2026 Ser\u00e1 que Deus n\u00e3o \u00e9 \u201cfi\u00e1vel\u201d? Ser\u00e1 que, afinal, Deus se \u201cest\u00e1 nas tintas\u201d para aquilo que lhe pedimos? Jesus estava convicto de que Deus acolhe cada um dos nossos pedidos. Talvez o \u201ctempo\u201d de Deus n\u00e3o coincida com o \u201ctempo\u201d dos homens; talvez algumas das coisas que pedimos n\u00e3o encaixem nos projetos de Deus; talvez Deus tenha uma forma diferente da nossa de ver as coisas; talvez Deus saiba melhor do que n\u00f3s aquilo que nos conduz \u00e0 vida\u2026 Seja qual for a raz\u00e3o da (aparente) indiferen\u00e7a de Deus \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es que lhe fazemos, somos convidados por Jesus a confiar em Deus, no seu amor de Pai, no seu interesse pela nossa salva\u00e7\u00e3o. Estamos dispostos a confiar incondicionalmente em Deus, mesmo quando Ele parece ignorar a nossa vontade? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>primeira leitura<\/strong>, encontramos um longo di\u00e1logo entre Deus e Abra\u00e3o. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ser bem preparada tendo em conta a articula\u00e7\u00e3o entre as interven\u00e7\u00f5es de Deus que manifesta autoridade, mas simultaneamente condescend\u00eancia e miseric\u00f3rdia e as interven\u00e7\u00f5es de Abra\u00e3o que humildemente toma a ousadia de invocar a benevol\u00eancia de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> apesar de ser breve n\u00e3o \u00e9 de f\u00e1cil proclama\u00e7\u00e3o e exige uma boa prepara\u00e7\u00e3o para que os ouvintes possam compreender bem o texto. Uma leitura pausada, com aten\u00e7\u00e3o \u00e0s paragens e respira\u00e7\u00f5es, articulando as diversas frases, ajudar\u00e1 a uma leitura mais eficaz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Leitura-I-do-Domingo-XVII-do-Tempo-Comum-Ano-C-27.07.2025-Genesis-18-20-32.pdf.pdf\">Leitura I do Domingo XVII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 27.07.2025 (G\u00e9nesis 18, 20-32).pdf<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Resto-da-Leitura-I-do-Domingo-XVII-do-Tempo-Comum-Ano-C-27.07.2025-Genesis-18-20-32.pdf.pdf\">Resto da Leitura I do Domingo XVII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 27.07.2025 (G\u00e9nesis 18, 20-32).pdf<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Leitura-II-do-Domingo-XVII-do-Tempo-Comum-Ano-C-27.07.2025-Colossenses-2-12-14.pdf-1.pdf\">Leitura II do Domingo XVII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 27.07.2025 (Colossenses 2, 12-14).pdf<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Domingo-XVII-do-Tempo-Comum-Ano-C-27.07.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XVII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 27.07.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Domingo-XVII-do-Tempo-Comum-Ano-C-27.07.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XVII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 27.07.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Domingo-XVII-do-Tempo-Comum-Ano-C-27.07.2025-refletindo.pdf\">Domingo XVII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 27.07.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/A-Mesa-da-Palavra-TC-Domingo-XVII-.pdf\">A Mesa da Palavra TC Domingo XVII<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Mensagem-do-Papa-Leao-XIV-V-Dia-Mundial-dos-Avos-e-dos-Idosos-27.07.2025.pdf\">Mensagem do Papa Le\u00e3o XIV &#8211; V Dia Mundial dos Av\u00f3s e dos Idosos &#8211; 27.07.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XVI do Tempo Comum \u2013 Ano C \u2013 20 julho 2025&#8243; tab_id=&#8221;1753690275005-dd24ecaa-b18b&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XVI do Tempo Comum &#8211; Ano C \u2013 20 julho 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Domingo-XVI.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"357\" \/><\/strong><\/h4>\n<p><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>N\u00e3o tenho tempo para nada!<\/em>\u00bb.<br \/>\n\u00ab<em>O dia devia ter mais horas!<\/em>\u00bb.<br \/>\n\u00ab<em>Passei o dia a correr e n\u00e3o fiz nada do que queria!<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas e muitas outras frases saem da nossa boca, no nosso quotidiano, e n\u00e3o nos permitem olhar para este Evangelho sem que nos identifiquemos com Marta, a mulher atarefada e preocupada que procura acolher e servir o Senhor e todos aqueles que o acompanham. Tamb\u00e9m n\u00f3s, tantas vezes, transcorremos os nossos dias, dispersos e numa constante az\u00e1fama, cheios de m\u00faltiplos afazeres que nos ocupam e sobretudo preocupam. E quando reivindicamos do Senhor aux\u00edlio e ajuda, Ele dirige-se a n\u00f3s, como outrora a Marta: \u00ab<em>Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma s\u00f3 \u00e9 necess\u00e1ria. Maria escolheu a melhor parte, que n\u00e3o lhe ser\u00e1 tirada<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, importa n\u00e3o fazer leituras apressadas deste bel\u00edssimo texto que neste Domingo nos \u00e9 oferecido e n\u00e3o ver nestas palavras de Jesus uma repreens\u00e3o ou condena\u00e7\u00e3o pelo trabalho e dedica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Maria escolheu a melhor parte<\/em>!\u00bb. Escolheu essa \u00ab<em>uma s\u00f3 coisa necess\u00e1ria<\/em>\u00bb que n\u00e3o \u00e9, de modo nenhum, apenas sentar-se diante do Mestre, numa simples escuta, evitando o trabalho. Maria escolheu aquilo que \u00e9 fundamental e urgente: distinguir o necess\u00e1rio do sup\u00e9rfluo, o ilus\u00f3rio do permanente, o ef\u00e9mero do eterno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comos seria diferente a nossa vida e o modo como enfrentamos as ocupa\u00e7\u00f5es e os desafios quotidianos, se aprend\u00eassemos esta arte de distinguir o necess\u00e1rio do sup\u00e9rfluo e aprend\u00eassemos a viver ocupados e n\u00e3o preocupados, numa vida que se unifica pela intimidade com Jesus e pela escuta da Sua Palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa vida de ora\u00e7\u00e3o e de intimidade com Deus n\u00e3o \u00e9 apenas mais uma coisa a fazer entre os m\u00faltiplos afazeres quotidianos, mas o lugar fundamental onde podemos unificar a nossa vida, encontrar a estabilidade e a for\u00e7a necess\u00e1rias para que tudo aquilo que temos de fazer se realize de acordo com o projeto de Deus e com a serenidade e tranquilidade necess\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, n\u00e3o podemos permitir nenhuma dicotomia entre Marta e Maria e estabelecer uma contraposi\u00e7\u00e3o entre contempla\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o. Ambas as atitudes constituem duas faces de um \u00fanico amor e s\u00e3o essenciais para a configura\u00e7\u00e3o de uma hospitalidade aut\u00eantica que nos permite viver com verdade a nossa voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de amar a Deus e o pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Marta, como para n\u00f3s hoje, h\u00e1 sempre a possibilidade de um servi\u00e7o que se torna totalizante, que distrai do essencial, que fecha a porta \u00e0 escuta da Palavra e nos desvia dela. O primeiro servi\u00e7o a prestar a Deus e aos outros \u00e9 a escuta: uma escuta aut\u00eantica, sem preconceitos, que acolhe o outro como ele se coloca diante de n\u00f3s. Uma escuta e acolhimento do outro que nos permitem acolher o totalmente Outro que d\u00e1 sentido \u00e0 nossa vida e que passa \u00e0 nossa porta como passou \u00e0 porta de Abra\u00e3o e de Marta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atitude de Maria recorda-nos que n\u00e3o basta servir, mas que \u00e9 preciso ser servo. Maria, ficando aos p\u00e9s de Jesus, deixa-se plasmar pela Sua palavra, fazendo-se serva como outrora Maria, M\u00e3e de Jesus, que visitada pelo Anjo declarou: \u00ab<em>Eis a serva do Senhor, fa\u00e7a-se em mim segundo a Sua Palavra<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cultivando esta atitude de docilidade e escuta, deixamos que seja Jesus o Senhor das nossas vidas e que seja Ele a conduzir a nossa hist\u00f3ria, evitando o ativismo fren\u00e9tico que faz de n\u00f3s protagonistas e donos da nossa vida. Colocando a nossa vida com todos os seus afazeres e preocupa\u00e7\u00f5es nas m\u00e3os de Deus, haveremos de percorrer a estrada da vida com mais confian\u00e7a, renovando em cada dia a certeza de que \u00e9 Deus o Senhor e condutor da nossa exist\u00eancia. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo de Ver\u00e3o traz consigo as merecidas f\u00e9rias que permitem um tempo de descontra\u00e7\u00e3o e repouso. Aproveitando o contexto que o Evangelho deste Domingo nos oferece, pode desafiar-se os crist\u00e3os a fazerem deste tempo de f\u00e9rias n\u00e3o apenas um tempo de descanso e repouso l\u00fadico, mas uma oportunidade para um tempo de ora\u00e7\u00e3o pessoal e familiar mais consistente. Al\u00e9m disso, tendo em conta que muitas pessoas aproveitam o tempo de f\u00e9rias para se dedicarem \u00e0 leitura, pode ser tamb\u00e9m a oportunidade para sugerir alguns t\u00edtulos que ajudem na forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3, bem como no enriquecimento da vida espiritual. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong> <strong>&#8211; <\/strong><strong>G\u00e9nesis 18,1-10a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\no Senhor apareceu a Abra\u00e3o junto do carvalho de Mambr\u00e9.<br \/>\nAbra\u00e3o estava sentado \u00e0 entrada da sua tenda,<br \/>\nno maior calor do dia.<br \/>\nErgueu os olhos e viu tr\u00eas homens de p\u00e9 diante dele.<br \/>\nLogo que os viu, deixou a entrada da tenda<br \/>\ne correu ao seu encontro;<br \/>\nprostrou-se por terra e disse:<br \/>\n\u00abMeu Senhor, se agradei aos vossos olhos,<br \/>\nn\u00e3o passeis adiante sem parar em casa do vosso servo.<br \/>\nMandarei vir \u00e1gua, para que possais lavar os p\u00e9s<br \/>\ne descansar debaixo desta \u00e1rvore.<br \/>\nVou buscar um bocado de p\u00e3o, para restaurardes as for\u00e7as<br \/>\nantes de continuardes o vosso caminho,<br \/>\npois n\u00e3o foi em v\u00e3o que passastes diante da casa do vosso servo\u00bb.<br \/>\nEles responderam: \u00abFaz como disseste\u00bb.<br \/>\nAbra\u00e3o apressou-se a ir \u00e0 tenda onde estava Sara e disse-lhe:<br \/>\n\u00abToma depressa tr\u00eas medidas de flor da farinha,<br \/>\namassa-a e coze uns p\u00e3es no borralho\u00bb.<br \/>\nAbra\u00e3o correu ao rebanho e escolheu um vitelo tenro e bom<br \/>\ne entregou-o a um servo que se apressou a prepar\u00e1-lo.<br \/>\nTrouxe manteiga e leite e o vitelo j\u00e1 pronto<br \/>\ne colocou-o diante deles;<br \/>\ne, enquanto comiam, ficou de p\u00e9 junto deles debaixo da \u00e1rvore.<br \/>\nDepois eles disseram-lhe:<br \/>\n\u00abOnde est\u00e1 Sara, tua esposa?\u00bb.<br \/>\nAbra\u00e3o respondeu: \u00abEst\u00e1 ali na tenda\u00bb.<br \/>\nE um deles disse:<br \/>\n\u00abPassarei novamente pela tua casa daqui a um ano<br \/>\ne ent\u00e3o Sara tua esposa ter\u00e1 um filho\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura de hoje faz parte de um bloco de textos a que se d\u00e1 o nome gen\u00e9rico de \u201ctradi\u00e7\u00f5es patriarcais\u201d (cf. Gn 12-36). Trata-se de um conjunto de relatos singulares, originalmente independentes uns dos outros, sem grande unidade e sem car\u00e1cter de documento hist\u00f3rico. Nesses cap\u00edtulos aparecem, de forma indiferenciada, \u201cmitos de origem\u201d (descreviam a \u201ctomada de posse\u201d de um lugar pelo patriarca do cl\u00e3), \u201clendas cultuais\u201d (narravam como um deus tinha aparecido nesse lugar ao patriarca do cl\u00e3), hist\u00f3rias sobre as vicissitudes di\u00e1rias dos cl\u00e3s n\u00f3madas que circularam pela Palestina durante o segundo mil\u00e9nio, e ainda reflex\u00f5es teol\u00f3gicas posteriores destinadas a apresentar aos crentes israelitas modelos de vida e de f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cl\u00e3s referenciados nas \u201ctradi\u00e7\u00f5es patriarcais\u201d \u2013 nomeadamente os de Abra\u00e3o, de Isaac e de Jacob, grupos vagamente aparentados que mais tarde, numa fase posterior da hist\u00f3ria, aparecem ligados por la\u00e7os \u201cfamiliares\u201d \u2013 viajavam de lugar em lugar \u00e0 procura de pastos para os seus rebanhos. Transportavam consigo diversos sonhos e expetativas. Sonhavam encontrar uma terra f\u00e9rtil e com \u00e1gua abundante, onde pudessem instalar-se e descansar, fugindo aos perigos e \u00e0s incertezas da vida n\u00f3mada. Sonhavam tamb\u00e9m possuir uma fam\u00edlia forte e numerosa que perpetuasse a \u201cmem\u00f3ria\u201d da tribo e se impusesse aos inimigos. O deus ancestral que protegia a tribo e a conduzia ao longo das suas deambula\u00e7\u00f5es era o potencial concretizador desse ideal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato que a liturgia do d\u00e9cimo sexto domingo comum nos prop\u00f5e como primeira leitura deve situar-se neste cen\u00e1rio. Na sua origem est\u00e1, provavelmente, uma antiga \u201clenda cultual\u201d que narrava como tr\u00eas figuras divinas tinham aparecido a um cananeu an\u00f3nimo junto do carvalho sagrado de Mambr\u00e9, como esse cananeu as tinha acolhido na sua tenda e como tinha sido recompensado com um filho pelos deuses. Mambr\u00e9, perto de Hebron, era o local onde, j\u00e1 no terceiro mil\u00e9nio a.C., muito antes de Abra\u00e3o a\u00ed ter chegado, existia um importante santu\u00e1rio cananeu. Mais tarde, quando Abra\u00e3o se estabeleceu nesse lugar, a antiga lenda cananaica foi-lhe aplicada e ele passou a ser o her\u00f3i desse encontro com as figuras divinas. Alguns s\u00e9culos mais tarde, no reinado de Salom\u00e3o (s\u00e9c. X a.C.), os autores javistas recuperaram essa velha lenda para, atrav\u00e9s dela, propor Abra\u00e3o como um modelo de hospitalidade e de bondade. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A forma como Abra\u00e3o acolhe aqueles tr\u00eas viajantes que, de surpresa, se apresentam \u00e0 entrada da sua tenda, p\u00f5e-nos a pensar no lugar que \u201co outro\u201d \u2013 qualquer homem ou qualquer mulher \u2013 tem na nossa vida. Abra\u00e3o n\u00e3o conhece nenhum daqueles homens, nem tem com eles qualquer neg\u00f3cio pendente; n\u00e3o espera ganhar seja o que for ao acolh\u00ea-los e ao disponibilizar-lhes tudo o que possui; n\u00e3o sabe ao certo a que \u00e9 que eles v\u00eam e se s\u00e3o de confian\u00e7a\u2026 Mas, desde que se apercebe da sua presen\u00e7a, trata-os com se eles fossem enviados de Deus e tivessem direito a toda a considera\u00e7\u00e3o e a todos os cuidados. Como \u00e9 que vemos as pessoas que, a cada passo, se cruzam connosco? Que valor lhes atribu\u00edmos? Vemos o \u201coutro\u201d \u2013 aquele ou aquela que Deus envia ao nosso encontro \u2013 como uma \u201cprenda\u201d de Deus ou como uma amea\u00e7a ao nosso bem-estar, \u00e0 nossa seguran\u00e7a, ao nosso comodismo?<\/li>\n<li>Todos os dias se apresentam pessoas \u00e0 entrada da nossa \u201ctenda\u201d, ao espa\u00e7o onde vivemos ou onde trabalhamos. Muitas vezes \u00e9 mesmo nossa miss\u00e3o ou nossa responsabilidade acolh\u00ea-las, dar resposta \u00e0s suas solicita\u00e7\u00f5es, esclarecer as suas d\u00favidas, desbloquear situa\u00e7\u00f5es que as impedem de ter acesso a mecanismos de ajuda e de solidariedade. Como as tratamos? Como \u00e9 que as pessoas s\u00e3o acolhidas nas nossas reparti\u00e7\u00f5es dos servi\u00e7os p\u00fablicos, nas urg\u00eancias dos nossos hospitais, nas secretarias dos nossos centros de sa\u00fade, nas rece\u00e7\u00f5es das nossas igrejas, nas portarias das nossas casas religiosas?<\/li>\n<li>Consideremos, especialmente, um dos \u201cquadros\u201d que marca o tempo hist\u00f3rico que estamos a viver: o dos imigrantes que v\u00eam de longe \u00e0 procura de condi\u00e7\u00f5es dignas de vida para si e para as suas fam\u00edlias. Em geral os imigrantes (mesmo quando n\u00e3o t\u00eam os \u201cpap\u00e9is\u201d em ordem) n\u00e3o s\u00e3o criminosos, nem gente que chega para se apropriar dos recursos que nos pertencem; s\u00e3o irm\u00e3os nossos, que apenas querem uma oportunidade de trabalhar e de ganhar com dignidade o p\u00e3o de cada dia. Como os vemos, como os valorizamos? Sentimo-nos respons\u00e1veis por eles? Acolhemo-los com indiferen\u00e7a, com agressividade, ou com a atitude humana e sol\u00edcita que Abra\u00e3o teve para com os seus h\u00f3spedes? Temos consci\u00eancia de que, em cada homem sem documentos, sem p\u00e3o, sem casa, sem trabalho, sem futuro, que chega \u00e0s nossas fronteiras, est\u00e1 Deus que vem visitar-nos?<\/li>\n<li>Atrav\u00e9s daquela velha lenda que narra a \u201cvisita\u201d de Deus a Abra\u00e3o, a catequese de Israel apresenta um Deus que vem ao encontro do homem, que aceita o convite do homem e entra na sua casa, que se senta \u00e0 mesa com o homem e que estabelece com ele la\u00e7os familiares, que conhece perfeitamente os sonhos do homem e os realiza. \u00c9 esse Deus, o Deus da comunh\u00e3o e do encontro, em quem acreditamos? \u00c9 esse o Deus com quem caminhamos? Estamos dispon\u00edveis para o acolher na nossa vida, para lhe abrir as portas do nosso cora\u00e7\u00e3o e para mergulharmos no seu amor? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 14 (15)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Quem habitar\u00e1, Senhor, no vosso santu\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Ensinai-nos, Senhor: quem habitar\u00e1 em vossa casa?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que vive sem mancha e pratica a justi\u00e7a<br \/>\ne diz a verdade que tem no seu cora\u00e7\u00e3o<br \/>\ne guarda a sua l\u00edngua da cal\u00fania.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que n\u00e3o faz mal ao seu pr\u00f3ximo,<br \/>\nnem ultraja o seu semelhante,<br \/>\no que tem por desprez\u00edvel o \u00edmpio,<br \/>\nmas estima os que temem o Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que n\u00e3o falta ao juramento mesmo em seu preju\u00edzo<br \/>\ne n\u00e3o empresta dinheiro com usura,<br \/>\nnem aceita presentes para condenar o inocente.<br \/>\nQuem assim proceder jamais ser\u00e1 abalado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Colossenses 1,24-28<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nAgora alegro-me com os sofrimentos que suporto por v\u00f3s<br \/>\ne completo na minha carne o que falta \u00e0 paix\u00e3o de Cristo,<br \/>\nem benef\u00edcio do seu corpo que \u00e9 a Igreja.<br \/>\nDela me tornei ministro,<br \/>\nem virtude do cargo que Deus me confiou a vosso respeito,<br \/>\nisto \u00e9, anunciar em plenitude a palavra de Deus,<br \/>\no mist\u00e9rio que ficou oculto ao longo dos s\u00e9culos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e que foi agora manifestado aos seus santos.<br \/>\nDeus quis dar-lhes a conhecer<br \/>\nas riquezas e a gl\u00f3ria deste mist\u00e9rio entre os gentios:<br \/>\nCristo no meio de v\u00f3s, esperan\u00e7a da gl\u00f3ria.<br \/>\nE n\u00f3s O anunciamos, advertindo todos os homens<br \/>\ne instruindo-os em toda a sabedoria,<br \/>\na fim de os apresentarmos todos perfeitos em Cristo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade de Colossos estava situada no interior da regi\u00e3o da Fr\u00edgia (\u00c1sia Menor, atual Turquia), no vale do rio Lico, a cerca de quinze quil\u00f3metros de Laodiceia. Tinha sido, nos s\u00e9cs. V-IV a.C., uma cidade pr\u00f3spera e populosa; mas, na \u00e9poca de Paulo, tinha perdido uma grande parte do seu esplendor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi o ap\u00f3stolo Paulo que evangelizou a cidade. Pelos dados que constam da Carta aos Colossenses, foi um tal Epafras, convertido ao cristianismo por Paulo, que levou o Evangelho a Colossos (cf. Cl 1,7-8; 4,12-13). A maior parte dos membros da comunidade crist\u00e3 de Colossos provinham do paganismo; mas havia tamb\u00e9m na comunidade um bom n\u00famero de crist\u00e3os de origem judaica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando escreve a carta, Paulo parece estar na pris\u00e3o. Poderia ser, talvez, a pris\u00e3o que Paulo sofreu em Roma, entre os anos 61 e 63. Epafras est\u00e1 com Paulo, talvez de visita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As not\u00edcias que Epafras transmitiu a Paulo sobre a comunidade crist\u00e3 de Colossos n\u00e3o eram boas. A Colossos tinham chegado pregadores crist\u00e3os, talvez de tend\u00eancia judaizante, que procuravam induzir os Colossenses \u00e0 observ\u00e2ncia de certas pr\u00e1ticas judaicas, nomeadamente a circuncis\u00e3o (cf. Cl 2,11), a abstin\u00eancia de determinados alimentos, o cumprimento do s\u00e1bado e de outras festas judaicas (cf. Cl 2,16.20-23). Havia tamb\u00e9m, na doutrina pregada por esses \u201cmestres\u201d judeo-crist\u00e3os, refer\u00eancias ao culto dos anjos, considerados guardi\u00f5es da Lei, e a outros \u201cpoderes\u201d c\u00f3smicos que governavam os astros; e os Colossenses eram exortados a enquadrar na sua vis\u00e3o de f\u00e9 todos esses \u201cpoderes\u201d. Paulo achava que as doutrinas ensinadas por esses \u201cmestres\u201d eram gravemente desviantes, pois punham em causa o papel e o lugar \u00fanico de Cristo. A essas doutrinas, Paulo contrap\u00f5e a primazia de Cristo, Senhor da hist\u00f3ria, \u00fanico mediador entre Deus e os homens, cabe\u00e7a da Igreja, \u201clugar\u201d onde habita a plenitude da divindade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como segunda leitura deste domingo inicia a parte pol\u00e9mica da carta. Paulo fala aos crist\u00e3os de Colossos sobre o papel que lhe foi destinado enquanto testemunha do mist\u00e9rio de Cristo. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Paulo de Tarso, o \u201cap\u00f3stolo dos gentios\u201d, \u00e9 uma figura \u00edmpar da hist\u00f3ria do cristianismo. Devemos-lhe o ter levado o Evangelho ao encontro do mundo greco-romano, fazendo com que a proposta de salva\u00e7\u00e3o quer Jesus veio trazer saltasse todas as fronteiras e chegasse a todos os homens. Mas devemos-lhe, especialmente, o exemplo de compromisso pleno, de doa\u00e7\u00e3o total, de entrega completa a Jesus e ao Evangelho (\u201cj\u00e1 n\u00e3o sou eu que vivo, mas \u00e9 Cristo que vive em mim\u201d \u2013 Gl 2,20). Temos consci\u00eancia \u2013 como Paulo tinha \u2013 que a Igreja nascida de Jesus \u00e9, fundamentalmente, uma comunidade mission\u00e1ria? \u00c9 com o mesmo empenho e decis\u00e3o de Paulo que n\u00f3s \u201cagarramos\u201d a miss\u00e3o que Cristo nos confiou e que damos testemunho de Cristo em todos os lugares onde a vida nos leva? Como \u00e9 que a nossa comunidade crist\u00e3 considera e valoriza os homens e as mulheres que dedicam toda a sua vida \u00e0 causa do Evangelho?<\/li>\n<li>Paulo de Tarso soube sempre discernir o essencial do secund\u00e1rio. Ele sabia que o essencial \u00e9 para ser preservado a todo o custo e colocado no centro da nossa vida, enquanto o secund\u00e1rio pode ser dispensado. Para Paulo, o essencial \u00e9 Cristo e o seu Evangelho. Tudo o resto s\u00f3 interessa enquanto conduz a Cristo. Mais: devemos ter cuidado para que o secund\u00e1rio n\u00e3o tome o lugar de Cristo e n\u00e3o nos oculte Cristo ou nos distraia de Cristo. Para os crist\u00e3os de Colossos, as \u201cdistra\u00e7\u00f5es\u201d que impediam de \u201cver\u201d Cristo eram as pr\u00e1ticas judaicas, as doutrinas que enalteciam o lugar e o papel dos anjos, as reflex\u00f5es sobre os \u201cpoderes c\u00f3smicos\u201d que governavam os astros (\u201cos Tronos e as Domina\u00e7\u00f5es, os Poderes e as Autoridades\u201d (Col 1,16); para n\u00f3s poder\u00e3o ser certas pr\u00e1ticas de piedade que colocamos no centro da nossa experi\u00eancia de f\u00e9, a fixa\u00e7\u00e3o em rituais antigos e est\u00e9reis, as imagens e figuras religiosas que dizemos \u201cadorar\u201d, as \u201capari\u00e7\u00f5es\u201d e \u201crevela\u00e7\u00f5es\u201d que pretendem falar mais alto do que o Evangelho anunciado por Jesus, as pr\u00e1ticas supersticiosas por vezes apresentadas com um verniz crist\u00e3o\u2026 Que lugar ocupa Cristo na nossa experi\u00eancia de f\u00e9? Quais s\u00e3o os valores e as figuras que sustentam o edif\u00edcio religioso que vamos construindo? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 10,38-42<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus entrou em certa povoa\u00e7\u00e3o<br \/>\ne uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa.<br \/>\nEla tinha uma irm\u00e3 chamada Maria,<br \/>\nque, sentada aos p\u00e9s de Jesus,<br \/>\nouvia a sua palavra.<br \/>\nEntretanto, Marta atarefava-se com muito servi\u00e7o.<br \/>\nInterveio ent\u00e3o e disse:<br \/>\n\u00abSenhor, n\u00e3o Te importas<br \/>\nque minha irm\u00e3 me deixe sozinha a servir?<br \/>\nDiz-lhe que venha ajudar-me\u00bb.<br \/>\nO Senhor respondeu-lhe:<br \/>\n\u00abMarta, Marta,<br \/>\nandas inquieta e preocupada com muitas coisas,<br \/>\nquando uma s\u00f3 \u00e9 necess\u00e1ria.<br \/>\nMaria escolheu a melhor parte,<br \/>\nque n\u00e3o lhe ser\u00e1 tirada\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus vai com os disc\u00edpulos a caminho de Jerusal\u00e9m. A cada passo det\u00e9m-se a instru\u00ed-los. Na \u201cescola de Jesus\u201d, os disc\u00edpulos v\u00e3o interiorizando os valores do Reino e preparando-se para serem, ap\u00f3s a ressurrei\u00e7\u00e3o, os arautos da salva\u00e7\u00e3o que Jesus veio propor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio que a liturgia deste domingo nos prop\u00f5e como Evangelho \u00e9 exclusivo de Lucas: n\u00e3o aparece em mais nenhum dos Evangelhos. A hist\u00f3ria passa-se numa casa de fam\u00edlia onde vivem duas irm\u00e3s: Marta e Maria. O nome \u201cMarta\u201d \u00e9 a forma feminina da palavra aramaica \u201cmar\u201d, que significa \u201csenhor\u201d. Marta \u00e9 a \u201csenhora\u201d daquela casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marta e Maria s\u00e3o referidas em Jo 12,1-12 como irm\u00e3s de L\u00e1zaro, aquele que Jesus ressuscitou dos mortos (cf. Jo 11,144). No Evangelho de Jo\u00e3o, o lugar de resid\u00eancia desta fam\u00edlia amiga de Jesus \u00e9 Bet\u00e2nia (a atual \u201cal-Azariye\u201d), uma pequena povoa\u00e7\u00e3o situada na encosta oriental do Monte das Oliveiras, a cerca de tr\u00eas quil\u00f3metros de Jerusal\u00e9m. Lucas, no entanto, n\u00e3o faz qualquer refer\u00eancia ao nome do lugar onde vivem estas irm\u00e3s (\u201cJesus entrou em certa povoa\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 vers. 38). No esquema de Lucas, o epis\u00f3dio parece at\u00e9 situar-se numa localidade longe de Jerusal\u00e9m, pois Jesus tinha iniciado h\u00e1 pouco a sua caminhada em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade santa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mais prov\u00e1vel, para explicar estas incongru\u00eancias, \u00e9 que Lucas tivesse recolhido este epis\u00f3dio da tradi\u00e7\u00e3o e o tivesse enquadrado no seu esquema teol\u00f3gico sem se preocupar com o seu enquadramento geogr\u00e1fico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que uma hist\u00f3ria de acolhimento ou de hospitalidade, esta narra\u00e7\u00e3o parece ser, sobretudo, uma catequese sobre o discipulado. Quem \u00e9 o verdadeiro disc\u00edpulo de Jesus? Qual deve ser a preocupa\u00e7\u00e3o primordial daquele que se disp\u00f5e a seguir Jesus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os nossos dias vivem-se a um ritmo sufocante. A sobrecarga de trabalho, a press\u00e3o para corresponder \u00e0s expetativas, a obriga\u00e7\u00e3o de fazer tudo para ontem, o cumprimento dos objetivos que nos imp\u00f5em, obrigam-nos a uma correria sem fim. Dizemos estupidamente que \u201ctempo \u00e9 dinheiro\u201d e procuramos aproveitar avidamente cada instante, n\u00e3o percebendo que a vida nos vai escapando por entre as m\u00e3os e que nos vamos desumanizando sempre mais. Mudamos de fila no tr\u00e2nsito da manh\u00e3 vezes incont\u00e1veis para ganhar uns metros, arriscamos a vida passando sem\u00e1foros vermelhos, comemos de p\u00e9 ao lado de pessoas para quem nem sequer olhamos, chegamos a casa tarde, extenuados, enervados, vencidos pelo cansa\u00e7o e pelo stress, sem tempo e sem vontade de brincar com os filhos ou de lhes ler uma hist\u00f3ria e dormimos algumas horas com a consci\u00eancia de que o dia a seguir vai ser exatamente igual\u2026 Temos \u00f3timas desculpas: s\u00e3o as exig\u00eancias da vida moderna; temos de viver a este ritmo para n\u00e3o ficar para tr\u00e1s; n\u00e3o podemos perder a batalha di\u00e1ria pela exist\u00eancia. Contudo, mesmo que tudo isso seja verdade, acabamos por transigir com o sistema e por prescindir de coisas essenciais. Que espa\u00e7o fica para nos encontrarmos com Deus? Que tempo fica para nos encontrarmos com Jesus, para O escutarmos, para acolhermos as suas propostas? Que tempo e que espa\u00e7o ficam para a fam\u00edlia, para os amigos, para tudo isso que torna a nossa vida mais humana e mais feliz?<\/li>\n<li>Marta e Maria, respetivamente a disc\u00edpula que vive para servir e a disc\u00edpula que se senta aos p\u00e9s de Jesus para escutar a Palavra, n\u00e3o representam duas realidades opostas; mas representam duas facetas que, no conjunto, \u201ccomp\u00f5em\u201d a figura do verdadeiro disc\u00edpulo. Viver como disc\u00edpulo de Jesus n\u00e3o se resume simplesmente em \u201cfazer coisas\u201d, ainda que boas e \u00fateis; um ativismo que n\u00e3o parte do encontro com Jesus e da escuta da Palavra de Jesus, acaba a m\u00e9dio prazo por se tornar um \u201ccumprir calend\u00e1rio\u201d sem sentido e sem objetivo. Por outro lado, viver como disc\u00edpulo de Jesus tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 ficar simplesmente sentado a \u201colhar para o c\u00e9u\u201d, desligado das realidades da terra, alheio \u00e0s necessidades, aos sofrimentos e \u00e0s alegrias dos homens. O disc\u00edpulo de Jesus senta-se primeiro aos p\u00e9s de Jesus, como Maria, a fim de escutar as indica\u00e7\u00f5es de Jesus e receber as indica\u00e7\u00f5es que Ele d\u00e1; depois, como Marta, disp\u00f5e-se a servir os irm\u00e3os, com dedica\u00e7\u00e3o e generosidade. \u00c9 desta forma que procuramos viver o nosso seguimento de Jesus? Nas nossas comunidades crist\u00e3s, onde h\u00e1 sempre tanta coisa a fazer, a a\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre precedida da escuta de Jesus?<\/li>\n<li>H\u00e1 alturas do ano que, no calend\u00e1rio das sociedades, s\u00e3o tradicionalmente \u00e9pocas privilegiadas de f\u00e9rias, de descanso, de liberta\u00e7\u00e3o da rigidez dos hor\u00e1rios e da tens\u00e3o que resulta das responsabilidades laborais\u2026 \u00c9 prov\u00e1vel que muitos de n\u00f3s estejamos, nesta altura, a viver esta experi\u00eancia. Se assim for, procuremos que este tempo n\u00e3o seja mais uma corrida desenfreada para lugar nenhum, mas um tempo de reencontro connosco, com a nossa fam\u00edlia, com os nossos amigos, com Deus e com as nossas prioridades. A ora\u00e7\u00e3o e a escuta da Palavra podem ajudar-nos a recentrar a nossa vida e a redescobrir o sentido da nossa exist\u00eancia. O espa\u00e7o para Deus, a escuta de Jesus, o tempo para a fam\u00edlia, o encontro com os amigos, a leitura de um bom livro, a preocupa\u00e7\u00e3o com a cultura, o contacto com a natureza, a reflex\u00e3o sobre o sentido da nossa vida e das nossas op\u00e7\u00f5es, fazem parte do nosso \u201ccalend\u00e1rio\u201d de f\u00e9rias?<\/li>\n<li>Qual \u00e9 a nossa perspetiva da hospitalidade e do acolhimento? Como \u00e9 que acolhemos as pessoas que entram na nossa vida e na nossa casa? Ao narrar-nos uma \u201cvisita\u201d de Jesus a casa de uma fam\u00edlia amiga, Lucas sugere-nos delicadamente que o verdadeiro acolhimento n\u00e3o se limita a abrir a porta, a instalar a pessoa no sof\u00e1 mais c\u00f3modo, a ligar a televis\u00e3o para que ela se entretenha sozinha enquanto corremos para a cozinha para lhe preparar uma refei\u00e7\u00e3o memor\u00e1vel; mas o verdadeiro acolhimento passa por dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0quele que veio ao nosso encontro, por escut\u00e1-lo, por partilhar com ele a nossa vida, por faz\u00ea-lo sentir o quanto nos preocupamos com aquilo que ele sente\u2026 Temos consci\u00eancia de que, muitas vezes, o \u201cestar com\u201d a pessoa \u00e9 muito mais expressivo do que o \u201cfazer coisas\u201d para ela?<\/li>\n<li>Jesus, contra os costumes da \u00e9poca, aceita hospitalidade na casa de duas mulheres; Jesus, contra o costume da \u00e9poca aceita que uma das mulheres \u2013 Maria \u2013 assuma o lugar de sua disc\u00edpula. Nas mais diversas situa\u00e7\u00f5es Jesus mostrou, com gestos bem concretos, que no projeto de Deus n\u00e3o h\u00e1 lugar para a discrimina\u00e7\u00e3o de seja quem for. Estamos conscientes disso? N\u00e3o ser\u00e1 j\u00e1 altura de eliminarmos da sociedade e da Igreja atitudes discriminat\u00f3rias que n\u00e3o v\u00eam de Deus ou do Evangelho, mas sim do nosso ego\u00edsmo, da nossa prepot\u00eancia, dos nossos preconceitos? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Liturgia da Palavra deste Domingo n\u00e3o apresenta nenhuma dificuldade aparente. Contudo, ambas as leituras requerem uma acurada prepara\u00e7\u00e3o devido \u00e0s frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es. Deve preparar-se bem as pausas e as respira\u00e7\u00f5es para uma mais eficaz proclama\u00e7\u00e3o da leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>primeira leitura<\/strong>, deve ainda haver um especial cuidado nas diversas frases em discurso direto, articulando bem o di\u00e1logo entre os diversos intervenientes.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Leitura-I-do-Domingo-XVI-do-Tempo-Comum-Ano-C-20.07.2025-Genesis-18-1-10a.pdf\">Leitura I do Domingo XVI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 20.07.2025 (G\u00e9nesis 18, 1-10a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Resto-Leitura-I-e-Leitura-II-do-Domingo-XVI-do-Tempo-Comum-Ano-C-20.07.20025-Colossenses-1-24-28.pdf\">Resto Leitura I e Leitura II do Domingo XVI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 20.07.20025 (Colossenses 1, 24-28)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Domingo-XVI-do-Tempo-Comum-Ano-C-20.07.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XVI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 20.07.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Domingo-XVI-do-Tempo-Comum-Ano-C-20.07.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XVI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 20.07.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Domingo-XVI-do-Tempo-Comum-Ano-C-20.07.2025-refletindo.pdf\">Domingo XVI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 20.07.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-XVI-TC-Ano-C-20.07.2025.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo XVI TC- Ano C &#8211; 20.07.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XV do Tempo Comum \u2013 Ano C \u2013 13 julho 2025&#8243; tab_id=&#8221;1753085392328-350d2575-47bf&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XV do Tempo Comum &#8211; Ano C \u2013 13 julho 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Domingo-XV.jpg\" alt=\"\" width=\"516\" height=\"291\" \/><\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mais profundo do cora\u00e7\u00e3o de cada homem e de cada mulher reside um desejo de vida em plenitude, um horizonte de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade que tenha sabor de eternidade e nos ofere\u00e7a a alegria nova que se constr\u00f3i a partir do amor oferecido e recebido de modo pleno, total e dispon\u00edvel. Por isso, colocamo-nos a caminho com Jesus e queremos descobrir os tra\u00e7os do disc\u00edpulo que nos far\u00e3o entrar na nova l\u00f3gica do Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, caminhando decididamente para Jerusal\u00e9m, ensina-nos o modo novo de ser disc\u00edpulo pela pr\u00e1tica concreta da caridade, num amor absolutamente centrado em Deus e universalmente alargado aos irm\u00e3os. \u00c9 urgente aprender a arte de se fazer pr\u00f3ximo, promovendo uma verdadeira cultura do encontro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos no centro do Evangelho de Lucas e contemplamos uma par\u00e1bola absolutamente decisiva para compreender o nosso ser crist\u00e3o. No centro da par\u00e1bola est\u00e1 um homem e um apelo absolutamente decisivo: \u00abamar\u00e1s\u00bb. Amar\u00e1s a Deus e ao pr\u00f3ximo, amar\u00e1s a Deus no pr\u00f3ximo e far\u00e1s a experi\u00eancia do Deus pr\u00f3ximo que em Jesus Cristo se faz Bom Samaritano para curar a humanidade ferida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus narra esta par\u00e1bola interpelado por um doutor da lei que se aproxima dele para O experimentar. Por\u00e9m, para Jesus \u00e9 indiferente a motiva\u00e7\u00e3o pela qual este doutor da lei o interroga. Para Ele, o mais importante \u00e9 n\u00e3o deixar escapar esta oportunidade de acolhimento e encontro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como seria bem diferente a nossa a\u00e7\u00e3o pastoral, sobretudo diante daqueles que se aproximam de n\u00f3s procurando qualquer servi\u00e7o ou favor eclesial, se ao inv\u00e9s de perdermos tempo a pensar sobre a sua inten\u00e7\u00e3o, fiz\u00e9ssemos dessa aproxima\u00e7\u00e3o uma decisiva oportunidade de acolhimento e encontro. Jesus n\u00e3o julga a pergunta daquele homem, mas desafia-o a colocar-se a caminho e a colocar-se em quest\u00e3o. Jesus come\u00e7a por se fazer pr\u00f3ximo daquele doutor da lei, compadece-se dele, liga-lhe as feridas da sua presun\u00e7\u00e3o e verte-lhe o vinho de uma nova interpreta\u00e7\u00e3o do amor e da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 muito curioso o modo como este doutor da lei formula a sua pergunta: \u00ab<em>Mestre, que hei-de fazer para receber como heran\u00e7a a vida eterna?<\/em>\u00bb. Ele n\u00e3o pergunta o que devo saber, mas o que devo fazer e situa a pergunta precisamente na nova l\u00f3gica do amor que se deve traduzir numa ac\u00e7\u00e3o concreta: \u00ab<em>faz isso e viver\u00e1s<\/em>\u00bb. Al\u00e9m disso, ele pergunta o que deve fazer para \u00ab<em>receber<\/em>\u00bb como heran\u00e7a a vida eterna. Na verdade, a vida eterna, a felicidade que tem sabor de eternidade, n\u00e3o se conquista pelos nossos m\u00e9ritos, mas acolhe-se como dom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, ser disc\u00edpulo \u00e9 sentir-se amado de modo \u00fanico e irrepet\u00edvel e n\u00e3o permanecer indiferente a esse amor que transforma a nossa vida. \u00c9 deixar-se fascinar por este modo ternurento de Deus se relacionar connosco e colocar-se a caminho para que ningu\u00e9m fique esquecido na beira do caminho. O amor a Deus e ao pr\u00f3ximo que somos chamados a viver inaugura um novo dec\u00e1logo. Nos dez verbos encontrados nesta par\u00e1bola encontramos o caminho a seguir:\u00a0<em>viu-o, compadeceu-se, aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitou, colou-o na montada, levou-o, cuidou, pagou\u00a0<\/em>e por fim afirmou: no regresso\u00a0<em>pagarei<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00e9 o caminho novo da felicidade que nos permite inaugurar no tempo e na hist\u00f3ria uma nova fraternidade, onde as dores e sofrimentos do outro n\u00e3o me s\u00e3o alheios, mas reclamam de mim, aten\u00e7\u00e3o, compaix\u00e3o, presen\u00e7a e cuidado. Importa nunca esquecer que na estrada que percorremos de Jerusal\u00e9m para Jeric\u00f3, posso ser o sacerdote, o levita, o desvalido do caminho, o samaritano ou at\u00e9 mesmo um dos salteadores. Quem quero ser neste caminho? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Liturgia da Palavra deste Domingo aponta uma dimens\u00e3o fundamental da vida crist\u00e3: a caridade. Para os batizados a caridade n\u00e3o \u00e9 mais uma coisa a fazer, mas o modo como fazem e realizam todas as coisas. O amor crist\u00e3o vive-se na realidade concreta dos nossos dias, num amor absolutamente centrado em Deus e universalmente alargado aos irm\u00e3os. O Evangelho recorda-nos que como crist\u00e3os, n\u00e3o podemos viver indiferentes \u00e0s dores e sofrimentos daqueles que connosco se cruzam na estrada da vida. Deste modo, este Domingo constitui-se como uma oportunidade para desafiar os fi\u00e9is a viverem com os olhos e o cora\u00e7\u00e3o abertos sobre o mundo e sobre a realidade para responder com generosidade e solicitude. Al\u00e9m disso, a celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria pode ser uma oportuna ocasi\u00e3o para recordar os diferentes grupos e iniciativas comunit\u00e1rias de apoio aos mais carenciados da comunidade. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">.<\/a>Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> &#8211; <\/strong><strong>Deuteron\u00f3mio 30,10-14<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mois\u00e9s falou ao povo, dizendo:<br \/>\n\u00abEscutar\u00e1s a voz do Senhor teu Deus,<br \/>\ncumprindo os seus preceitos e mandamentos<br \/>\nque est\u00e3o escritos no Livro da Lei,<br \/>\ne converter-te-\u00e1s ao Senhor teu Deus<br \/>\ncom todo o teu cora\u00e7\u00e3o e com toda a tua alma.<br \/>\nEste mandamento que hoje te imponho<br \/>\nn\u00e3o est\u00e1 acima das tuas for\u00e7as nem fora do teu alcance.<br \/>\nN\u00e3o est\u00e1 no c\u00e9u, para que precises de dizer:<br \/>\n\u2018Quem ir\u00e1 por n\u00f3s subir ao c\u00e9u,<br \/>\npara no-lo buscar e fazer ouvir,<br \/>\na fim de o pormos em pr\u00e1tica?\u2019.<br \/>\nN\u00e3o est\u00e1 para al\u00e9m dos mares,<br \/>\npara que precises de dizer:<br \/>\n\u2018Quem ir\u00e1 por n\u00f3s transpor os mares,<br \/>\npara no-lo buscar e fazer ouvir,<br \/>\na fim de o pormos em pr\u00e1tica?\u2019.<br \/>\nEsta palavra est\u00e1 perto de ti,<br \/>\nest\u00e1 na tua boca e no teu cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\npara que a possas p\u00f4r em pr\u00e1tica\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ber\u00e7o do livro do Deuteron\u00f3mio costuma ser colocado no Reino do Norte (Israel), alguns anos antes da conquista da Samaria por Sarg\u00e3o II (721 a.C.). Descontentes com a divis\u00e3o do Povo de Deus (consumada ap\u00f3s a morte de Salom\u00e3o, em 732 a.C.) e com a pol\u00edtica religiosa dos reis do Norte, alguns te\u00f3logos elaboraram um documento que recordava aos israelitas a Alian\u00e7a e os compromissos assumidos pelo povo em rela\u00e7\u00e3o a Deus. Pretendiam, com esse documento, reconduzir o povo \u00e0 fidelidade ao Deus com o qual Israel se tinha comprometido no Sinai. As linhas fundamentais da teologia deuteronomista, apresentadas nesse escrito, s\u00e3o claras: h\u00e1 um s\u00f3 Deus, que deve ser adorado por todo o povo num \u00fanico local de culto (Jerusal\u00e9m); esse Deus amou e elegeu Israel e fez com ele uma Alian\u00e7a eterna; e o Povo de Deus deve ser um povo \u00fanico, uma fam\u00edlia unida que tem Deus como a sua grande refer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco antes da queda da Samaria nas m\u00e3os de Sarg\u00e3o II, alguns te\u00f3logos deuteronomistas abandonaram Israel e procuraram ref\u00fagio a sul, no reino de Jud\u00e1. Trouxeram consigo o livro que tinham elaborado e que resumia a sua vis\u00e3o teol\u00f3gica da Alian\u00e7a. Em Jerusal\u00e9m, as propostas religiosas desses te\u00f3logos do Norte tiveram um \u00eaxito fulgurante; mas, durante os reinados dos \u00edmpios Manass\u00e9s (687-642 a.C.) e Amon (642-640 a.C.), a teologia deuteronomista tornou-se inc\u00f3moda e teve de conservar-se escondida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi por volta de 622 a.C., que o livro do Deuteron\u00f3mio (designado como \u201clivro da Lei, ou \u201clivro da Alian\u00e7a\u201d) foi descoberto no Templo de Jerusal\u00e9m (cf. 2 Re 22,3-13). Serviu de motor \u00e0 grande reforma religiosa promovida por Josias (640-609 a.C.), o rei de Jud\u00e1 que se empenhou em purificar a f\u00e9 do Povo de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Literariamente, o livro do Deuteron\u00f3mio apresenta-se como um conjunto de tr\u00eas discursos de Mois\u00e9s, pronunciados nas plan\u00edcies de Moab, pouco antes de o Povo libertado do Egito atravessar o Jord\u00e3o para tomar posse da Terra Prometida (cf. Dt 1,6-4,43; 4,44-28,68; 28,69-30,20). Pressentindo a proximidade da morte, Mois\u00e9s deixa ao Povo uma esp\u00e9cie de \u201ctestamento espiritual\u201d: lembra aos hebreus os compromissos assumidos para com Deus e convida-os a renovar a sua Alian\u00e7a com Jav\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia do d\u00e9cimo quinto domingo do tempo comum nos prop\u00f5e como primeira leitura faz parte do terceiro discurso de Mois\u00e9s. Os biblistas pensam que esse discurso \u00e9, na realidade, uma homilia redigida na fase final do ex\u00edlio da Babil\u00f3nia, alertando a comunidade do Povo de Deus para as consequ\u00eancias da fidelidade ou da infidelidade face aos compromissos assumidos para com Deus. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A reflex\u00e3o que o te\u00f3logo deuteronomista nos apresenta neste texto tem por detr\u00e1s uma das convic\u00e7\u00f5es mais firmes do credo israelita: Deus est\u00e1, desde sempre e para sempre, empenhado em mostrar ao seu povo os caminhos que o levam em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 vida em abund\u00e2ncia; e, nesse sentido, prop\u00f5e-lhe uma Lei, um conjunto de indica\u00e7\u00f5es que devem balizar o caminho que os crentes v\u00e3o percorrendo todos os dias. A \u201cLei\u201d de Deus n\u00e3o \u00e9 um empecilho, uma maneira de limitar a liberdade ou a autonomia do ser humano; mas \u00e9 a indica\u00e7\u00e3o \u201cinteressada\u201d de um Pai cheio de amor, cuja preocupa\u00e7\u00e3o essencial \u00e9 ver os seus filhos caminhar rumo a uma felicidade completa. \u00c9 frequente, nos nossos dias, olharmos para os mandamentos de Deus como express\u00f5es de uma moral ultrapassada ou de valores obsoletos, que n\u00e3o correspondem \u00e0 realidade do nosso tempo, da nossa cultura, da nossa vis\u00e3o do mundo e da vida. Ser\u00e1 assim? O caminho que os mandamentos de Deus apontam j\u00e1 n\u00e3o far\u00e1 sentido? Vemos os mandamentos de Deus como uma forma de Deus nos \u201ccontrolar\u201d e prender, ou como sinais v\u00e1lidos que indicam como podemos contruir uma vida com sentido?<\/li>\n<li>A nossa vida de todos os dias decorre no meio de muito ru\u00eddo, de muita confus\u00e3o, de uma infinidade de \u201cvozes\u201d divergentes que nos apontam caminhos contradit\u00f3rios. Por vezes temos dificuldade em distinguir a voz de Deus de outras \u201cvozes\u201d que procuram captar a nossa aten\u00e7\u00e3o e tomar conta da nossa vida. Conv\u00e9m estarmos atentos: nem todas as \u201cvozes\u201d que soam \u00e0 nossa volta, \u00e0s vezes numa gritaria estridente e manipuladora, est\u00e3o interessadas em apontar-nos caminhos com sentido; nem todas as indica\u00e7\u00f5es que nos s\u00e3o dadas t\u00eam como objetivo a nossa plena realiza\u00e7\u00e3o. Quais s\u00e3o as \u201cvozes\u201d que escutamos e que seguimos? Em que medida elas contribuem para definir o sentido essencial da nossa exist\u00eancia?<\/li>\n<li>O te\u00f3logo deuteronomista, pedindo emprestada a voz de Mois\u00e9s, convida o povo a \u201cconverter-se\u201d ao Senhor \u201ccom todo o cora\u00e7\u00e3o e com toda a alma\u201d. \u201cConverter-se\u201d \u00e9 regressar ao encontro de Deus, dispor-se a escutar novamente as indica\u00e7\u00f5es de Deus, refazer a pr\u00f3pria exist\u00eancia de forma a que Deus volte a ocupar o primeiro lugar nas prioridades e interesses do homem. \u00c9 f\u00e1cil, no meio de tantas preocupa\u00e7\u00f5es e de tantas solicita\u00e7\u00f5es, perdermos o rumo e come\u00e7armos a caminhar por caminhos que n\u00e3o nos levam a lado nenhum. De vez em quando precisamos de parar e de repensar o sentido da nossa exist\u00eancia. \u201cConverter-se\u201d \u00e9 ter a possibilidade de refazer a vida, de a encarreirar na dire\u00e7\u00e3o certa, de lhe dar um sentido pleno. Estamos dispon\u00edveis para essa \u201cconvers\u00e3o\u201d, mesmo que ela implique abandonarmos a nossa acomoda\u00e7\u00e3o, a nossa seguran\u00e7a, as nossas velhas apostas j\u00e1 consolidadas?<\/li>\n<li>Quando o crente escuta e acolhe as indica\u00e7\u00f5es de Deus, a Lei de Deus passa a residir no seu cora\u00e7\u00e3o. Os pensamentos e as a\u00e7\u00f5es do homem passam a ser orientados pela Lei de Deus. O te\u00f3logo deuteronomista est\u00e1 plenamente convencido disso. Sendo assim, aquele que procura sinceramente o caminho que conduz \u00e0 verdade e \u00e0 vida plena, deve interrogar o seu cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 l\u00e1 que Deus lhe fala e lhe indica as op\u00e7\u00f5es corretas, os valores verdadeiros, as atitudes que fazem sentido. Quando nos confrontamos com aquilo que est\u00e1 no mais \u00edntimo de n\u00f3s mesmos, caem as nossas pequenas e grandes mentiras, as nossas inverdades, os nossos preconceitos, os nossos ego\u00edsmos, os nossos interesses rasteiros; ficamos apenas diante da verdade que Deus inscreveu na nossa consci\u00eancia e na nossa alma. Procuramos escutar essa verdade, mesmo quando ela se apresenta como inc\u00f3moda para os nossos interesses e projetos pessoais? Estamos decididos, para nos tornarmos melhores pessoas, a escutar o que Deus nos diz no cora\u00e7\u00e3o? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 68 (69)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong><strong>: Procurai, pobres, o Senhor e encontrareis a vida.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A V\u00f3s, Senhor, elevo a minha s\u00faplica,<br \/>\npela vossa imensa bondade respondei-me.<br \/>\nOuvi-me, Senhor, pela bondade da vossa gra\u00e7a,<br \/>\nvoltai-Vos para mim pela vossa grande miseric\u00f3rdia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu sou pobre e miser\u00e1vel:<br \/>\ndefendei-me com a vossa prote\u00e7\u00e3o.<br \/>\nLouvarei com c\u00e2nticos o nome de Deus<br \/>\ne em a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as O glorificarei.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>V\u00f3s, humildes, olhai e alegrai-vos,<br \/>\nbuscai o Senhor e o vosso cora\u00e7\u00e3o se reanimar\u00e1.<br \/>\nO Senhor ouve os pobres<br \/>\ne n\u00e3o despreza os cativos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus proteger\u00e1 Si\u00e3o,<br \/>\nreconstruir\u00e1 as cidades de Jud\u00e1.<br \/>\nOs seus servos a receber\u00e3o em heran\u00e7a<br \/>\ne nela h\u00e3o de morar os que amam o seu nome.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 18B,8-11<br \/>\n<\/strong><strong>(em alternativa ao anterior)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong><strong> Os preceitos do Senhor alegram o cora\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A lei do Senhor \u00e9 perfeita,<br \/>\nela reconforta a alma.<br \/>\nAs ordens do Senhor s\u00e3o firmes<br \/>\ne d\u00e3o sabedoria aos simples.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os preceitos do Senhor s\u00e3o retos<br \/>\ne alegram o cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOs mandamentos do Senhor s\u00e3o claros<br \/>\ne iluminam os olhos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O temor do Senhor \u00e9 puro<br \/>\ne permanece eternamente.<br \/>\nOs ju\u00edzos do Senhor s\u00e3o verdadeiros,<br \/>\ntodos eles s\u00e3o retos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e3o mais preciosos que o ouro,<br \/>\no ouro mais fino;<br \/>\ns\u00e3o mais doces que o mel,<br \/>\no puro mel dos favos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Colossenses 1,15-20<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cristo Jesus \u00e9 a imagem de Deus invis\u00edvel,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>o Primog\u00e9nito de toda a criatura;<br \/>\nporque n\u2019Ele foram criadas todas as coisas<br \/>\nno c\u00e9u e na terra, vis\u00edveis e invis\u00edveis,<br \/>\nTronos e Domina\u00e7\u00f5es, Principados e Potestades:<br \/>\npor Ele e para Ele tudo foi criado.<br \/>\nEle \u00e9 anterior a todas as coisas<br \/>\ne n\u2019Ele tudo subsiste.<br \/>\nEle \u00e9 a cabe\u00e7a da Igreja, que \u00e9 o seu corpo.<br \/>\nEle \u00e9 o Princ\u00edpio, o Primog\u00e9nito de entre os mortos;<br \/>\nem tudo Ele tem o primeiro lugar.<br \/>\nAprouve a Deus que n\u2019Ele residisse toda a plenitude<br \/>\ne por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas,<br \/>\nestabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz,<br \/>\ncom todas as criaturas na terra e nos c\u00e9us.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Colossos era uma cidade da Fr\u00edgia (\u00c1sia Menor), situada a cerca de 180 quil\u00f3metros a Este de \u00c9feso, no vale do rio Lico. Tinha sido, em tempos mais recuados, uma cidade rica e populosa; mas, no tempo de Paulo, tinha perdido a sua antiga import\u00e2ncia e estava reduzida a uma pequena povoa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 dessa cidade n\u00e3o foi fundada por Paulo, mas por Epafras, disc\u00edpulo de Paulo e colossense de origem (cf. Cl 4,12). A maior parte dos membros da comunidade eram de origem pag\u00e3; mas havia tamb\u00e9m alguns de origem judaica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carta aos Colossenses ter\u00e1 sido escrita numa altura em que Paulo estava na pris\u00e3o (provavelmente em Roma). Estar\u00edamos entre os anos 61 e 63. Epafras visitou Paulo e levou-lhe not\u00edcias pouco satisfat\u00f3rias sobre a comunidade crist\u00e3 de Colossos. Alguns \u201cdoutores\u201d locais (talvez membros de um movimento de \u00edndole sincretista, que misturava cristianismo com elementos de religi\u00f5es mist\u00e9ricas em voga no mundo helenista) propunham aos Colossenses um sistema religioso que inclu\u00eda, al\u00e9m do Evangelho de Jesus, pr\u00e1ticas asc\u00e9ticas rigorosas, prescri\u00e7\u00f5es sobre os alimentos (cf. Cl 2,16.21), doutrinas especulativas sobre os anjos (cf. Cl 2,18), celebra\u00e7\u00f5es que n\u00e3o faziam parte do universo crist\u00e3o (cf. Cl 2,16). Na opini\u00e3o desses \u201cdoutores\u201d, tudo isto devia comunicar aos crentes um conhecimento superior dos mist\u00e9rios e uma maior perfei\u00e7\u00e3o. Paulo desmonta toda esta confus\u00e3o doutrinal e afirma que nenhum destes elementos tem qualquer import\u00e2ncia para a salva\u00e7\u00e3o: Cristo basta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto \u00e9 um hino de duas estrofes, que provavelmente Paulo tomou da liturgia crist\u00e3 primitiva, mas que est\u00e1 perfeitamente integrado no conte\u00fado geral da carta. Este hino crist\u00e3o de inspira\u00e7\u00e3o sapiencial celebra a grandeza universal de Cristo.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Existem quest\u00f5es decisivas que, mais tarde ou mais cedo, se nos colocam: como dar significado pleno \u00e0 nossa exist\u00eancia? Como construir uma vida que valha a pena? Por que caminhos devemos andar, na viagem da vida, para n\u00e3o ficarmos atolados em becos sem sa\u00edda? O que \u00e9 que \u00e9 essencial e o que \u00e9 que \u00e9 secund\u00e1rio, quando se trata de definir o eixo fundamental da nossa exist\u00eancia? Os crist\u00e3os de Colossos tamb\u00e9m se debatiam com estas quest\u00f5es; e, na sua \u00e2nsia de encontrar respostas, abriam portas a doutrinas estranhas e a propostas incompat\u00edveis com o Evangelho de Jesus. Hoje, em pleno s\u00e9c. XXI, numa altura em que vivemos \u201cem rede\u201d e somos confrontados a cada instante com mil e uma propostas e sugest\u00f5es, esta quest\u00e3o adquire uma particular relev\u00e2ncia. Confundidos e baralhados por tanta informa\u00e7\u00e3o, tornamo-nos perme\u00e1veis a propostas mais ou menos exc\u00eantricas, mais ou menos esot\u00e9ricas, mais ou menos ecl\u00e9ticas, por vezes pouco condizentes com a pureza e a autenticidade da proposta crist\u00e3. Por outro lado, muitos crist\u00e3os continuam a colocar a sua esperan\u00e7a de realiza\u00e7\u00e3o em \u201cpoderes\u201d, em figuras, em supersti\u00e7\u00f5es, em institui\u00e7\u00f5es, em rituais \u201cm\u00e1gicos\u201d, que n\u00e3o libertam e que n\u00e3o ajudam a encontrar caminhos de plena realiza\u00e7\u00e3o. Como nos situamos face a isto? Procuramos definir claramente, em coer\u00eancia com a nossa f\u00e9, o caminho que devemos seguir?<\/li>\n<li>Paulo lembra aos crist\u00e3os de Colossos (e aos crist\u00e3os de todos os tempos e lugares) que s\u00f3 Cristo \u00e9 capaz de lhes fornecer as pistas certas para que possam construir vidas repletas de sentido. Rosto vis\u00edvel de Deus no mundo, Palavra eterna do Pai, \u201cprimog\u00e9nito\u201d de todos os homens, \u201ccabe\u00e7a\u201d da Igreja, \u201cCaminho, Verdade e Vida\u201d, Cristo \u00e9 o eixo \u00e0 volta do qual podemos construir e articular toda a nossa exist\u00eancia. Cristo est\u00e1 bem vivo nas nossas comunidades crist\u00e3s? Ele \u00e9 o centro \u00e0 volta do qual se organiza e estrutura toda a vida da Igreja? Cristo \u00e9 a refer\u00eancia fundamental \u00e0 volta da qual constru\u00edmos as nossas vidas? As palavras e os gestos de Jesus s\u00e3o \u201cverdades\u201d que d\u00e3o forma \u00e0s nossas op\u00e7\u00f5es e que procuramos concretizar no nosso dia a dia? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 10,25-37<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nlevantou-se um doutor da lei<br \/>\ne perguntou a Jesus para O experimentar:<br \/>\n\u00abMestre,<br \/>\nque hei de fazer para receber como heran\u00e7a a vida eterna?\u00bb<br \/>\nJesus disse-lhe:<br \/>\n\u00abQue est\u00e1 escrito na lei? Como l\u00eas tu?\u00bb<br \/>\nEle respondeu:<br \/>\n\u00abAmar\u00e1s o Senhor teu Deus<br \/>\ncom todo o teu cora\u00e7\u00e3o e com toda a tua alma,<br \/>\ncom todas as tuas for\u00e7as e com todo o teu entendimento;<br \/>\ne ao pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u00bb.<br \/>\nDisse-lhe Jesus:<br \/>\n\u00abRespondeste bem. Faz isso e viver\u00e1s\u00bb.<br \/>\nMas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus:<br \/>\n\u00abE quem \u00e9 o meu pr\u00f3ximo?\u00bb<br \/>\nJesus, tomando a palavra, disse:<br \/>\n\u00abUm homem descia de Jerusal\u00e9m para Jeric\u00f3<br \/>\ne caiu nas m\u00e3os dos salteadores.<br \/>\nRoubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no<br \/>\ne foram-se embora, deixando-o meio morto.<br \/>\nPor coincid\u00eancia, descia pelo mesmo caminho um sacerdote;<br \/>\nviu-o e passou adiante.<br \/>\nDo mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar,<br \/>\nviu-o e passou adiante.<br \/>\nMas um samaritano, que ia de viagem,<br \/>\npassou junto dele e, ao v\u00ea-lo, encheu-se de compaix\u00e3o.<br \/>\nAproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho,<br \/>\ncolocou-o sobre a sua pr\u00f3pria montada,<br \/>\nlevou-o para uma estalagem e cuidou dele.<br \/>\nNo dia seguinte, tirou duas moedas,<br \/>\ndeu-as ao estalajadeiro e disse:<br \/>\n\u2018Trata bem dele; e o que gastares a mais<br \/>\neu to pagarei quando voltar\u2019.<br \/>\nQual destes tr\u00eas te parece ter sido o pr\u00f3ximo<br \/>\ndaquele homem que caiu nas m\u00e3os dos salteadores?\u00bb<br \/>\nO doutor da lei respondeu:<br \/>\n\u00abO que teve compaix\u00e3o dele\u00bb.<br \/>\nDisse-lhe Jesus:<br \/>\n\u00abEnt\u00e3o vai e faz o mesmo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus e os disc\u00edpulos caminham para Jerusal\u00e9m. Ao longo desse percurso, mais espiritual do que geogr\u00e1fico, Jesus prepara os disc\u00edpulos para serem, pelos tempos fora, testemunhas e arautos do Reino de Deus. A \u201cpar\u00e1bola do bom samaritano\u201d deve ser enquadrada neste contexto \u201cpedag\u00f3gico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O interlocutor de Jesus, nesta cena, \u00e9 um \u201cdoutor da Lei\u201d. Lucas sugere que, ao interrogar Jesus, esse \u201cdoutor da Lei\u201d n\u00e3o \u00e9 movido por boas inten\u00e7\u00f5es: pretendia experiment\u00e1-lo, talvez arrancar-lhe alguma afirma\u00e7\u00e3o pol\u00e9mica, ou apanh\u00e1-lo nalguma contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura central da par\u00e1bola que Jesus vai contar \u00e9 um samaritano. Para percebermos o alcance real da par\u00e1bola, conv\u00e9m tamb\u00e9m ter presente o quadro da rela\u00e7\u00e3o entre judeus e samaritanos. Trata-se de dois grupos que as vicissitudes hist\u00f3ricas tinham separado e cujas rela\u00e7\u00f5es eram, no tempo de Jesus, bastante conflituosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 932 a.C., as tribos do povo de Deus instaladas no norte e centro da Palestina recusaram-se a aceitar como rei Robo\u00e3o, filho de Salom\u00e3o, e separaram-se da dinastia dav\u00eddica. Constitu\u00edram um reino (Israel) que, durante algum tempo viveu em conflito com as tribos do sul (Jud\u00e1). Mais tarde, ap\u00f3s um longo per\u00edodo de instabilidade pol\u00edtica, o reino de Israel foi derrotado pelos ass\u00edrios: em 721 a.C., a Samaria caiu nas m\u00e3os dos invasores e uma parte da sua popula\u00e7\u00e3o foi deportada para a Ass\u00edria. O reino de Israel, enquanto entidade pol\u00edtica, deixou de existir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Samaria instalaram-se, ent\u00e3o, colonos ass\u00edrios que se misturaram com a popula\u00e7\u00e3o local. Para os judeus, os habitantes da Samaria come\u00e7aram, ent\u00e3o, a paganizar-se (cf. 2 Re 17,29-41): viam-nos como gente contaminada com sangue estrangeiro, que vivia completamente \u00e0 margem da f\u00e9 javista. A rela\u00e7\u00e3o entre as duas comunidades deteriorou-se ainda mais quando, ap\u00f3s o regresso do ex\u00edlio, os judeus recusaram a ajuda dos samaritanos (cf. Esd 4,1-5) para a reconstru\u00e7\u00e3o do templo de Jerusal\u00e9m (ano 437) e denunciaram os casamentos mistos. Os samaritanos, em resposta, procuraram por todos os meios dificultar a reconstru\u00e7\u00e3o da cidade de Jerusal\u00e9m pelos judeus retornados da Babil\u00f3nia (cf. Ne 3,33-4,17). Por volta de 333 a.C., os samaritanos constru\u00edram um templo no monte Garizim. Os judeus consideraram essa constru\u00e7\u00e3o um desvio intoler\u00e1vel da f\u00e9 javista. Mais tarde, no ano 128 a.C., as tropas de Jo\u00e3o Hircano destru\u00edram o templo do Monte Garizim; no entanto, o lugar continuou a ser um local de culto para os samaritanos. As picardias entre os dois grupos continuaram: a mais famosa aconteceu no ano 19 d.C., quando os samaritanos profanaram o templo de Jerusal\u00e9m espalhando ossos humanos sobre o altar. Este ato causou revolta e uma profunda indigna\u00e7\u00e3o entre os judeus. Na \u00e9poca de Jesus, as ora\u00e7\u00f5es na sinagoga inclu\u00edam quase sempre uma maldi\u00e7\u00e3o contra os samaritanos. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>H\u00e1 perguntas que fazemos e que resultam do desejo indiscreto de nos metermos na vida dos outros. H\u00e1 perguntas que colocamos e que se destinam apenas a satisfazer a nossa curiosidade m\u00f3rbida. H\u00e1 perguntas que nos inquietam e que correspondem \u00e0 nossa leg\u00edtima sede de saber, mas que n\u00e3o afetam o sentido geral da nossa vida. Mas h\u00e1 perguntas absolutamente decisivas, que determinam a forma como vivemos e como nos situamos no mundo. A pergunta que o mestre da Lei do relato evang\u00e9lico faz a Jesus pertence \u00e0 categoria das perguntas fundamentais, que nos ajudam a determinar o sentido da nossa exist\u00eancia: que hei de fazer para receber como heran\u00e7a a vida eterna? Ou: como devo viver para que a minha vida n\u00e3o fracasse e eu tenha acesso \u00e0 vida verdadeira? Para um crente, h\u00e1 uma resposta \u00f3bvia (t\u00e3o \u00f3bvia que o tal mestre da Lei n\u00e3o tem qualquer dificuldade em encontr\u00e1-la): \u201cfaz de Deus o centro da tua vida, ama-O e ama tamb\u00e9m os teus irm\u00e3os\u201d. Notemos, no entanto, que n\u00e3o basta saber responder acertadamente a esta pergunta. Jesus diz ao mestre da Lei: \u201cfaz isso e viver\u00e1s\u201d. \u00c9 preciso \u201cfazer\u201d; \u00e9 preciso escutar Deus e viver de acordo com as suas indica\u00e7\u00f5es; \u00e9 preciso acolher os projetos de Deus e viver em comunh\u00e3o com Ele; \u00e9 preciso ver em cada \u201cpr\u00f3ximo\u201d um irm\u00e3o ou uma irm\u00e3 de quem devemos cuidar e a quem devemos amar. Quem vive pondo em pr\u00e1tica estas indica\u00e7\u00f5es d\u00e1 sentido pleno \u00e0 sua exist\u00eancia e encontra a vida eterna. Estamos tamb\u00e9m n\u00f3s interessados na vida eterna? Estamos dispostos a construir desta forma a nossa exist\u00eancia?<\/li>\n<li>O mestre da Lei que interpelou Jesus n\u00e3o sabia bem identificar esse \u201cpr\u00f3ximo\u201d que deveria amar como a si mesmo. Seriam os membros do seu Povo, ou os da sua classe social? Seriam aqueles por quem tinha alguma simpatia, ou os amigos que com ele se sentavam \u00e0 mesa? Jesus oferece-lhe uma resposta muito simples, que n\u00e3o contempla barreiras ou limites de qualquer esp\u00e9cie: aproxima-te de todo todo aquele que necessita da tua ajuda, da tua solicitude, do teu amor; det\u00e9m-te junto daquele que a vida magoou, daquele que encontras na estrada da vida ca\u00eddo, abandonado, carente, com dores, com fome, com sede; cuida daquele que precisa de ti, mesmo que ele seja ma\u00e7ador, conte sempre as mesmas hist\u00f3rias insuport\u00e1veis, seja desagrad\u00e1vel ou antip\u00e1tico, nunca concorde contigo, tenha valores diferentes dos teus, tenha comportamentos que consideras incorretos\u2026 Como \u00e9 que vivemos isto? Procuramos \u201caproximar-nos\u201d de todos aqueles que precisam do nosso cuidado e do nosso amor?<\/li>\n<li>Na par\u00e1bola que contou, Jesus p\u00f5e duas pessoas com responsabilidades na estrutura religiosa judaica (um sacerdote e um levita) a ignorarem o homem ferido ca\u00eddo na berma da estrada. A escolha destes dois personagens para descrever uma atitude de indiferen\u00e7a face ao sofrimento de um homem n\u00e3o acontece por acaso. Jesus conhecia bem o culto que se praticava no Templo de Jerusal\u00e9m; e, como os antigos profetas de Israel, sentia que era sua miss\u00e3o denunciar esse culto feito de gestos vazios, de rituais est\u00e9reis, de formalismos sem conte\u00fado, de celebra\u00e7\u00f5es majestosas, mas inconsequentes. Ele sentia que uma religi\u00e3o que n\u00e3o levava a um compromisso com a constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais humano e mais fraterno, era uma religi\u00e3o que n\u00e3o servia para nada. Deus n\u00e3o estava interessado num sistema religioso que olhava com indiferen\u00e7a para o sofrimento dos pobres, dos infelizes, daqueles que eram abandonados na estrada da vida. Para que serve uma religi\u00e3o se n\u00e3o \u00e9 capaz de gerar sentimentos e atitudes de compaix\u00e3o para com o ser humano que sofre? A religi\u00e3o que vivemos e praticamos \u00e9 a religi\u00e3o dos ritos e das manifesta\u00e7\u00f5es piedosas, ou \u00e9 a religi\u00e3o do amor e da compaix\u00e3o?<\/li>\n<li>Nas atitudes daquele \u201cbom samaritano\u201d a Igreja de todos os tempos (a comunidade dos que caminham ao encontro da salva\u00e7\u00e3o, da vida plena) reconhece o programa que Jesus lhe pediu que concretizasse: cuidar, tratar, curar todos os homens e mulheres que a vida maltrata ou que a sociedade rejeita e que se encontram ca\u00eddos nas bermas da estrada que a humanidade percorre. A nossa comunidade crist\u00e3 rev\u00ea-se nesta miss\u00e3o? A Igreja de Jesus esfor\u00e7a-se realmente por ser um \u201chospital de campanha\u201d onde s\u00e3o acolhidos e tratados os \u201cferidos\u201d que a marcha inexor\u00e1vel da hist\u00f3ria vai deixando para tr\u00e1s? Os homens e mulheres que a vida magoou encontram lugar \u00e0 mesa da nossa comunidade paroquial ou religiosa, mesmo que tenham hist\u00f3rias de vida que n\u00e3o est\u00e3o exatamente de acordo com as leis can\u00f3nicas? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 constitu\u00edda pelo discurso de Mois\u00e9s ao povo, exortando-os a escutar a voz de Deus e a colocar em pr\u00e1tica os seus desafios. Deste modo, a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter presente este tom exortativo e exige uma particular aten\u00e7\u00e3o \u00e0s duas interroga\u00e7\u00f5es que s\u00e3o introduzidas pela express\u00e3o: \u00ab<em>para que precises de dizer<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 um hino cristol\u00f3gico, provavelmente tomado por Paulo da liturgia das primeiras comunidades crist\u00e3s. Este texto n\u00e3o apresenta nenhuma dificuldade aparente, mas \u00e9 necess\u00e1ria uma cuidada prepara\u00e7\u00e3o das pausas e respira\u00e7\u00f5es sobretudo nas frases mais longas que possuem diversas ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Leitura-I-do-Domingo-XV-do-Tempo-Comum-Ano-C-13.07.2025-Deuteronomio-30-10-14.pdf\">Leitura I do Domingo XV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 13.07.2025 (Deuteron\u00f3mio 30, 10-14)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Leitura-II-do-Domingo-XV-do-Tempo-Comum-Ano-C-13.07.2025-Colossenses-1-15-20.pdf\">Leitura II do Domingo XV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 13.07.2025 (Colossenses 1, 15-20)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Domingo-XV-do-Tempo-Comum-Ano-C-13.07.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 13.07.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Domingo-XV-do-Tempo-Comum-Ano-C-13.07.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 13.07.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Domingo-XV-do-Tempo-Comum-Ano-C-13.07.2025-refletindo.pdf\">Domingo XV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 13.07.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/A-Mesa-da-Palavra-TC-Domingo-XV.pdf\">A Mesa da Palavra TC Domingo XV<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XIV do Tempo Comum \u2013 Ano C \u2013 06 julho 2025&#8243; tab_id=&#8221;1752482139541-b5d11a17-97b5&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XIV do Tempo Comum &#8211; Ano C \u2013 06 julho 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Domingo-XIV.jpg\" alt=\"\" width=\"475\" height=\"357\" \/><\/strong><\/h4>\n<h1 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Playfair Display SC'; color: white; letter-spacing: 3.4pt; background: #222222; font-weight: normal;\">A miss\u00e3o dos 72 disc\u00edpulos<\/span><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Povo que regressa do ex\u00edlio da Babil\u00f3nia recebe, pela boca do profeta, a an\u00fancio da paz, da salva\u00e7\u00e3o e da justi\u00e7a que se manifestar\u00e1 numa Si\u00e3o apresentada como m\u00e3e, pois Jerusal\u00e9m se tornar\u00e1 um lugar de consola\u00e7\u00e3o e j\u00fabilo. Contudo, este feliz an\u00fancio confiado ao Povo de Israel deve ecoar em todos os lugares e deve chegar a todos os cora\u00e7\u00f5es, por isso, na plenitude dos tempos, na revela\u00e7\u00e3o operada por Jesus Cristo, Ele envia setenta e dois disc\u00edpulos como mensageiros da paz e da alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O envio dos setenta e dois disc\u00edpulos \u00e9 um exclusivo do Evangelho de S. Lucas e sublinha a qualidade mission\u00e1ria deste Evangelho, que faz mission\u00e1rios n\u00e3o apenas os Doze, mas todos os disc\u00edpulos de Jesus. O n\u00famero setenta e dois representa a totalidade das na\u00e7\u00f5es da terra, pois na tradi\u00e7\u00e3o hebraica era este o n\u00famero das na\u00e7\u00f5es que ocupavam a superf\u00edcie da Terra. Deste modo, a miss\u00e3o confiada por Jesus, que deve chegar a todos os povos e na\u00e7\u00f5es, envolve todos os homens e mulheres e constitui cada batizado como um disc\u00edpulo mission\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, a imensa seara que somos chamados a evangelizar ser\u00e1 sempre maior do que os trabalhadores dispon\u00edveis para a miss\u00e3o, contudo, esta consci\u00eancia n\u00e3o pode ser lugar de des\u00e2nimo, mas a certeza de que a nossa fragilidade e debilidade quando colocadas ao servi\u00e7o do Evangelho realizar\u00e3o muito mais do que aquilo que as nossas for\u00e7as humanas, por si pr\u00f3prias, seriam capazes de realizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os disc\u00edpulos n\u00e3o partem sozinhos, mas s\u00e3o enviados dois a dois porque a sua comunh\u00e3o e fraternidade s\u00e3o j\u00e1 an\u00fancio do Reino. Juntos testemunham que a alegria da comunh\u00e3o e a riqueza da fraternidade s\u00e3o a marca distintiva do Evangelho que os seus l\u00e1bios anunciam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus envia-os \u00ab<em>como cordeiros para o meio de lobos<\/em>\u00bb. O cordeiro \u00e9 um animal d\u00f3cil e pac\u00edfico e \u00e9 precisamente nesta atitude que Jesus os envia, para que a mansid\u00e3o e a ternura sejam o mais belo sinal da novidade do Evangelho que eles v\u00e3o anunciar. Al\u00e9m disso, na riqueza sem\u00e2ntica do aramaico\u00a0<em>talya\u2019<\/em>\u00a0significa cordeiro, mas tamb\u00e9m servo, p\u00e3o e filho. Nestas quatro palavras encontramos um bel\u00edssimo programa de vida para a nossa miss\u00e3o ao servi\u00e7o da Igreja e do Mundo. Ser cordeiro manso e d\u00f3cil que coloca o Seu olhar em Jesus, o Bom Pastor, reconhecendo-O como \u00fanico Senhor da sua vida. Ser servo, reconhecendo que a nossa miss\u00e3o se constitui como servi\u00e7o humilde para que no mundo possa despontar a alegria do Evangelho. Ser p\u00e3o, ao jeito de Jesus que se fez p\u00e3o partido e repartido para a salva\u00e7\u00e3o de todos. Ser filho, testemunhando a alegria de invocar a Deus como nosso Pai, inaugurando no tempo e na hist\u00f3ria uma nova fraternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, mais do que uma doutrina ou um discurso a proclamar, Jesus confia aos Seus disc\u00edpulos um novo estilo de vida que ser\u00e1 anunciador da novidade do Reino. Jesus n\u00e3o envia mission\u00e1rios a levar alimentos, roupa e dinheiro aos necessitados, mas envia homens sem dinheiro, sem provis\u00e3o de alimentos e despojados. A \u00fanica coisa que devem levar \u00e9 o an\u00fancio da proximidade do Reino e a urg\u00eancia da convers\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Ide: Eu vos envio<\/em>\u00bb. Hoje, estas palavras s\u00e3o dirigidas a cada um de n\u00f3s. Batizados em Cristo, ungidos pela for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo e alimentados pelo P\u00e3o da Eucaristia somos enviados como disc\u00edpulos mission\u00e1rios para comunicar a alegria do encontro com Jesus Cristo: \u00ab<em>aquilo que descobriste, o que te ajuda a viver e te d\u00e1 esperan\u00e7a, isso \u00e9 o que deves comunicar aos outros<\/em>\u00bb (EG 121). <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na nossa diocese, <strong>o segundo Domingo de Julho<\/strong> <strong>(o pr\u00f3ximo)<\/strong> \u00e9 dia de ordena\u00e7\u00f5es e, por isso, dia de celebrar a gra\u00e7a do minist\u00e9rio ordenado que o Senhor oferece \u00e0 Sua Igreja como lugar de servi\u00e7o aos irm\u00e3os. Deste modo, o Domingo XIV do Tempo Comum, que antecede o Domingo das ordena\u00e7\u00f5es, constitui-se como uma oportunidade para rezar por aqueles que ser\u00e3o ordenados no dia 13 de julho e desafiar os fi\u00e9is a ter esta inten\u00e7\u00e3o na sua ora\u00e7\u00e3o ao longo desta semana. Acolhendo o pedido de Jesus no Evangelho deste Domingo \u2013 \u00ab<em>pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara<\/em>\u00bb \u2013 cada comunidade paroquial poder\u00e1 organizar ao longo desta semana um momento comunit\u00e1rio de ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es e de modo particular por aqueles que ser\u00e3o ordenados para o servi\u00e7o da nossa diocese. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 66,10-14c<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alegrai-vos com Jerusal\u00e9m,<br \/>\nexultai com ela, todos v\u00f3s que a amais.<br \/>\nCom ela enchei-vos de j\u00fabilo,<br \/>\ntodos v\u00f3s que participastes no seu luto.<br \/>\nAssim podereis beber e saciar-vos<br \/>\ncom o leite das suas consola\u00e7\u00f5es,<br \/>\npodereis deliciar-vos no seio da sua magnific\u00eancia.<br \/>\nPorque assim fala o Senhor:<br \/>\n\u00abFarei correr para Jerusal\u00e9m a paz como um rio<br \/>\ne a riqueza das na\u00e7\u00f5es como torrente transbordante.<br \/>\nOs seus meninos de peito ser\u00e3o levados ao colo<br \/>\ne acariciados sobre os joelhos.<br \/>\nComo a m\u00e3e que anima o seu filho,<br \/>\ntamb\u00e9m Eu vos confortarei:<br \/>\nem Jerusal\u00e9m sereis consolados.<br \/>\nQuando o virdes, alegrar-se-\u00e1 o vosso cora\u00e7\u00e3o<br \/>\ne, como a verdura, retomar\u00e3o vigor os vossos membros.<br \/>\nA m\u00e3o do Senhor manifestar-se-\u00e1 aos seus servos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos cap\u00edtulos 56 a 66 do livro de Isa\u00edas (o \u201cTrito-Isa\u00edas\u201d) temos uma cole\u00e7\u00e3o de textos, provavelmente de autores diversos, redigidos em Jerusal\u00e9m na \u00e9poca p\u00f3s-ex\u00edlica. O poema que a liturgia deste segundo domingo comum nos apresenta como primeira leitura pertence a essa cole\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para aqueles que retornaram do Ex\u00edlio na Babil\u00f3nia, s\u00e3o tempos dif\u00edceis e incertos. A popula\u00e7\u00e3o da cidade \u00e9 pouco numerosa e pobre; a reconstru\u00e7\u00e3o \u00e9 lenta, modesta e exige um grande esfor\u00e7o; os inimigos est\u00e3o \u00e0 espreita e fazem continuamente sentir a sua hostilidade; h\u00e1 tens\u00f5es no ar entre os que regressaram da Babil\u00f3nia e aqueles que ficaram na cidade. Aos poucos, com a reorganiza\u00e7\u00e3o da estrutura social, voltam as injusti\u00e7as dos poderosos sobre os fracos e os pobres, bem como a corrup\u00e7\u00e3o, a venalidade e a prepot\u00eancia dos chefes. O clima \u00e9 de frustra\u00e7\u00e3o e de des\u00e2nimo. As promessas de Deus, escutadas na fase final do Ex\u00edlio, parecem bem distantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os profetas que desenvolvem a sua miss\u00e3o nesta fase procuram renovar a esperan\u00e7a do Povo de Jud\u00e1 num futuro de vida plena e de salva\u00e7\u00e3o definitiva. Nesse sentido, v\u00e3o falar de uma \u00e9poca em que Deus vai voltar a residir em Jerusal\u00e9m, oferecendo em cada dia ao seu Povo a vida e a salva\u00e7\u00e3o. Essa \u201csalva\u00e7\u00e3o\u201d implicar\u00e1, n\u00e3o s\u00f3 a reconstru\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m e a restaura\u00e7\u00e3o das gl\u00f3rias passadas, mas tamb\u00e9m a liberta\u00e7\u00e3o dos pobres, dos oprimidos, dos fracos, dos marginalizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste ambiente que podemos situar o bel\u00edssimo poema de Is 66,7-14, do qual o nosso texto faz parte. O profeta pronuncia palavras de consola\u00e7\u00e3o e convida os habitantes de Jerusal\u00e9m a alegrarem-se, pois vai chegar, por iniciativa de Deus, um tempo novo.<strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>As palavras de consola\u00e7\u00e3o que Deus, neste texto, dirige aos filhos de Jerusal\u00e9m chegam aos destinat\u00e1rios pela voz de um profeta cujo nome ignoramos, mas que foi um sinal vivo de Deus no meio do seu povo. Esta forma que Deus tem de chegar ao cora\u00e7\u00e3o dos seus filhos repete-se infinitamente na hist\u00f3ria dos homens: \u00e9 atrav\u00e9s dos seus profetas que Ele enxuga as l\u00e1grimas, consola os cora\u00e7\u00f5es feridos, sacia os famintos, liberta do medo, salva da morte, mostra a sua solicitude e o seu amor. Hoje, neste tempo de tantos desencantos e de tantos desconcertos, s\u00e3o muitos os filhos de Deus que caminham na escurid\u00e3o e se julgam abandonados por Deus e pelos homens. Eles necessitam de escutar a Boa not\u00edcia da salva\u00e7\u00e3o e de experimentar o amor materno e paterno de Deus. Poder\u00e1 Deus contar connosco para sermos profetas do seu amor junto dos nossos irm\u00e3os? Estamos dispon\u00edveis para testemunhar, com palavras e com gestos concretos, a grandeza do amor de Deus por todos os seus filhos?<\/li>\n<li>Como \u00e9 que vemos Deus? Que imagem fazemos d\u2019Ele? H\u00e1 muitos homens e mulheres que veem Deus como uma entidade distante, misteriosa, severa, da qual temos de nos aproximar com infinitos cuidados, fazendo tudo para evitar desrespeitar a sua grandeza e omnipot\u00eancia\u2026 No entanto, na primeira leitura que a liturgia deste domingo nos oferece, Deus apresenta-se como uma m\u00e3e que ama enternecidamente os seus filhos, que pega neles ao colo, que os acaricia sobre os joelhos, que os anima e conforta. Ora, um amor assim n\u00e3o tem nada de distante, de severo, de austero, de castigador, de exigente\u2026 \u00c9 um amor inquebrant\u00e1vel, infinito, que se expressa em ternura e carinho, como o amor de m\u00e3e; \u00e9 um amor que p\u00f5e acima de tudo a vida e a felicidade dos seus filhos. \u00c9 nesse Deus que acreditamos? \u00c9 esse Deus que n\u00f3s anunciamos e testemunhamos aos irm\u00e3os que se cruzam connosco nos caminhos que todos os dias percorremos?<\/li>\n<li>Deus, pela boca do profeta, convida os \u201cfilhos de Jerusal\u00e9m\u201d \u00e0 alegria. Quem \u00e9 amado como eles, n\u00e3o pode deixar-se abater pela tristeza, pela ang\u00fastia e pelo medo. O amor de Deus pelos seus filhos \u00e9 infinitamente mais forte do que a maldade, a mentira, o sofrimento, as desgra\u00e7as que nos atingem em alguns passos mais escuros do caminho que percorremos. N\u00f3s, filhos queridos e amados de Deus, vivemos iluminados pela alegria, ou acabrunhados sob o peso da ang\u00fastia? Testemunhamos alegria e esperan\u00e7a no meio dos nossos irm\u00e3os? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 65 (66)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o<\/strong><strong>: A terra inteira aclame o Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aclamai a Deus, terra inteira,<br \/>\ncantai a gl\u00f3ria do seu nome,<br \/>\ncelebrai os seus louvores, dizei a Deus:<br \/>\n\u00abMaravilhosas s\u00e3o as vossas obras\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A terra inteira Vos adore e celebre,<br \/>\nentoe hinos ao vosso nome.<br \/>\nVinde contemplar as obras de Deus,<br \/>\nadmir\u00e1vel na sua ac\u00e7\u00e3o pelos homens.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mudou o mar em terra firme,<br \/>\natravessaram o rio a p\u00e9 enxuto.<br \/>\nAlegremo-nos n\u2019Ele:<br \/>\ndomina eternamente com o seu poder.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todos os que temeis a Deus, vinde e ouvi,<br \/>\nvou narrar-vos quanto Ele fez por mim.<br \/>\nBendito seja Deus que n\u00e3o rejeitou a minha prece,<br \/>\nnem me retirou a sua miseric\u00f3rdia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>G\u00e1latas 6,14-18<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nLonge de mim gloriar-me,<br \/>\na n\u00e3o ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo,<br \/>\npela qual o mundo est\u00e1 crucificado para mim<br \/>\ne eu para o mundo.<br \/>\nPois nem a circuncis\u00e3o nem a incircuncis\u00e3o valem alguma coisa:<br \/>\no que tem valor \u00e9 a nova criatura.<br \/>\nPaz e miseric\u00f3rdia para quantos seguirem esta norma,<br \/>\nbem como para o Israel de Deus.<br \/>\nDoravante ningu\u00e9m me importune,<br \/>\nporque eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus.<br \/>\nIrm\u00e3os, a gra\u00e7a de Nosso Senhor Jesus Cristo<br \/>\nesteja com o vosso esp\u00edrito. Amen.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Gal\u00e1cia era uma regi\u00e3o da Anat\u00f3lia central, na atual Turquia. A regi\u00e3o tinha esse nome por causa dos imigrantes gauleses que, nos come\u00e7os do s\u00e9c. III a.C. a\u00ed se instalaram. Na \u00e9poca de Paulo, a Gal\u00e1cia era uma prov\u00edncia do imp\u00e9rio romano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, Paulo cruzou mais do que uma vez as terras da Gal\u00e1cia. Na sua primeira viagem apost\u00f3lica, Paulo e Barnab\u00e9 evangelizaram o sul da prov\u00edncia romana da Gal\u00e1cia: Pis\u00eddia, Lica\u00f3nia, Fr\u00edgia (cf. At 13,14-25). Foi, contudo, nas suas segunda e terceira viagem mission\u00e1ria que Paulo estabeleceu la\u00e7os com as gentes do norte da Gal\u00e1cia (cf. At 16,6; 18,23), resultando da\u00ed o nascimento de diversas comunidades crist\u00e3s na regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta aos G\u00e1latas d\u00e1 a entender que o ap\u00f3stolo, numa das suas passagens pela Gal\u00e1cia, se deteve algum tempo na regi\u00e3o, afetado por um problema de sa\u00fade (cf. Gl 4,13). Acolhido pela generosa hospitalidade das gentes da regi\u00e3o, Paulo anunciou-lhes o Evangelho. Do an\u00fancio de Paulo nasceram diversas comunidades crist\u00e3s. No entanto, Paulo n\u00e3o teve ent\u00e3o oportunidade de ficar entre os g\u00e1latas muito tempo, deixando-lhes uma prepara\u00e7\u00e3o crist\u00e3 insuficiente. Teria sido no decurso da sua terceira viagem mission\u00e1ria que Paulo escreveu aos g\u00e1latas, instruindo-os sobre diversas quest\u00f5es da f\u00e9. Estar\u00edamos a\u00ed pelos anos 56-57, pouco antes da reda\u00e7\u00e3o da Carta aos Romanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo estava em \u00c9feso ou em Corinto quando soube que alguns pregadores crist\u00e3os tinham passado nas comunidades crist\u00e3s da Gal\u00e1cia e tinham insistido na necessidade de todos os crist\u00e3os se submeterem a diversas pr\u00e1ticas da Lei de Mois\u00e9s (cf. Gl 3,2; 4,21; 5,4), nomeadamente \u00e0 circuncis\u00e3o (cf. Gl 2,3-4; 5,2; 6,12). Paulo, apoiado nas decis\u00f5es do \u201cConc\u00edlio de Jerusal\u00e9m\u201d (cf. At 15,22-29), considerava que o cumprimento das tradi\u00e7\u00f5es judaicas n\u00e3o era necess\u00e1rio para a ades\u00e3o a Cristo. A Lei moisaica tinha sido superada pela novidade de Jesus. Para ser crist\u00e3o bastava acreditar em Jesus e no seu Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi essa a raz\u00e3o fundamental que levou Paulo a escrever a carta de Paulo aos g\u00e1latas. Nessa carta Paulo pedia os seus queridos filhos da Gal\u00e1cia que n\u00e3o se deixassem enganar pelos \u201cjudaizantes\u201d; e exortava-os a n\u00e3o se deixarem cair na escravid\u00e3o da Lei de Mois\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto integra a conclus\u00e3o da carta (cf. Gl 6,11-18). \u00c9 uma esp\u00e9cie de remate, no qual Paulo resume toda a sua argumenta\u00e7\u00e3o anterior a prop\u00f3sito de Cristo, da Lei e da salva\u00e7\u00e3o. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Paulo de Tarso, apaixonado por Cristo, apostou toda a sua vida em dar testemunho do Evangelho. Viveu a miss\u00e3o com radicalidade, numa entrega total. Enfrentou todas as oposi\u00e7\u00f5es e todas as incompreens\u00f5es, pois Cristo tornou-se, para ele, \u201co tesouro mais valioso\u201d, pelo qual vale a pena renunciar a tudo o resto. N\u00f3s estamos habituados a ver Paulo como um caso excecional, \u00edmpar, irrepet\u00edvel; sentimos que uma aposta t\u00e3o radical e t\u00e3o completa em Cristo n\u00e3o \u00e9 exatamente para n\u00f3s\u2026 \u00c9 verdade que cada crist\u00e3o ter\u00e1 a sua forma pr\u00f3pria de concretizar o seguimento de Jesus; mas, sejam quais forem as \u201cpaisagens\u201d e os enquadramentos onde a nossa vida se concretiza, somos chamados a testemunhar o Evangelho de Jesus e a dizer aos homens que s\u00f3 do dom da vida, do amor at\u00e9 ao extremo, nasce o Homem Novo. Sentimos que \u00e9 esse o nosso caminho, a nossa voca\u00e7\u00e3o fundamental? Como Paulo, estamos dispostos a enfrentar a incompreens\u00e3o do mundo, a fim de que a proposta de Jesus chegue ao cora\u00e7\u00e3o e \u00e0 vida dos nossos contempor\u00e2neos?<\/li>\n<li>Paulo refere, na carta aos g\u00e1latas, o caso de pregadores crist\u00e3os (os \u201cjudaizantes\u201d) que se gabavam da sua fidelidade \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es judaicas e \u00e0 Lei de Mois\u00e9s. Consideravam que, entre outras coisas, a circuncis\u00e3o era a marca da sua perten\u00e7a ao povo de Deus. Contavam ser apreciados e elogiados por esses sinais externos que, segundo eles, mostrava a f\u00e9 que os animava. Diante disto, Paulo declara que a \u00fanica coisa de que se gloria \u00e9 a cruz de Cristo. S\u00f3 lhe interessa ser arauto daquele homem que, morrendo na cruz, ensinou os seus disc\u00edpulos a fazerem das suas vidas um dom de amor. Este quadro pode constituir um convite a que reflitamos sobre aquilo que constitui a ess\u00eancia da nossa experi\u00eancia de f\u00e9, da nossa identidade enquanto crist\u00e3os. O disc\u00edpulo de Cristo \u00e9 algu\u00e9m que se distingue pela roupa que veste, pela cruz que traz ao pesco\u00e7o, pelo papel que algu\u00e9m assinou por ele no dia do batismo, pelos rituais que cumpre, pela observ\u00e2ncia de determinadas leis can\u00f3nicas, ou \u00e9 algu\u00e9m que se distingue pela sua identifica\u00e7\u00e3o com Cristo \u2013 com o Cristo do amor, da entrega, do dom da vida?<\/li>\n<li>A prop\u00f3sito da reflex\u00e3o feita por Paulo sobre os \u201ct\u00edtulos de gl\u00f3ria\u201d que devem interessar a um disc\u00edpulo de Jesus, podemos questionar-nos sobre os valores sobre os quais constru\u00edmos o nosso projeto de vida. Os influenciadores e os l\u00edderes da opini\u00e3o p\u00fablica dizem-nos todos os dias a que valores devemos agarrar-nos para ter \u00eaxito, para ser socialmente considerado, para triunfar\u2026 Sabemos, no entanto, que em muitos casos esses valores est\u00e3o em flagrante contradi\u00e7\u00e3o com o Evangelho de Jesus. Quais s\u00e3o os \u201ct\u00edtulos de gl\u00f3ria\u201d a que damos apre\u00e7o? Quais os valores sobre os quais alicer\u00e7amos a constru\u00e7\u00e3o da nossa vida? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013\u00a0\u00a0 \u00a0<\/strong><strong>Lucas 10,1-12.17-20<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\ndesignou o Senhor setenta e dois disc\u00edpulos<br \/>\ne enviou-os dois a dois \u00e0 sua frente,<br \/>\na todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir.<br \/>\nE dizia-lhes:<br \/>\n\u00abA seara \u00e9 grande, mas os trabalhadores s\u00e3o poucos.<br \/>\nPedi ao dono da seara<br \/>\nque mande trabalhadores para a sua seara.<br \/>\nIde: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos.<br \/>\nN\u00e3o leveis bolsa nem alforge nem sand\u00e1lias,<br \/>\nnem vos demoreis a saudar algu\u00e9m pelo caminho.<br \/>\nQuando entrardes nalguma casa,<br \/>\ndizei primeiro: \u2018Paz a esta casa\u2019.<br \/>\nE se l\u00e1 houver gente de paz,<br \/>\na vossa paz repousar\u00e1 sobre eles:<br \/>\nsen\u00e3o, ficar\u00e1 convosco.<br \/>\nFicai nessa casa, comei e bebei do que tiverem,<br \/>\nque o trabalhador merece o seu sal\u00e1rio.<br \/>\nN\u00e3o andeis de casa em casa.<br \/>\nQuando entrardes nalguma cidade e vos receberem,<br \/>\ncomei do que vos servirem,<br \/>\ncurai os enfermos que nela houver<br \/>\ne dizei-lhes: \u2018Est\u00e1 perto de v\u00f3s o reino de Deus\u2019.<br \/>\nMas quando entrardes nalguma cidade e n\u00e3o vos receberem,<br \/>\nsa\u00ed \u00e0 pra\u00e7a p\u00fablica e dizei:<br \/>\n\u2018At\u00e9 o p\u00f3 da vossa cidade que se pegou aos nossos p\u00e9s<br \/>\nsacudimos para v\u00f3s.<br \/>\nNo entanto, ficai sabendo:<br \/>\nEst\u00e1 perto o reino de Deus\u2019.<br \/>\nEu vos digo:<br \/>\nHaver\u00e1 mais toler\u00e2ncia, naquele dia, para Sodoma<br \/>\ndo que para essa cidade\u00bb.<br \/>\nOs setenta e dois disc\u00edpulos voltaram cheios de alegria, dizendo:<br \/>\n\u00abSenhor, at\u00e9 os dem\u00f3nios nos obedeciam em teu nome\u00bb.<br \/>\nJesus respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abEu via Satan\u00e1s cair do c\u00e9u como um rel\u00e2mpago.<br \/>\nDei-vos o poder de pisar serpentes e escorpi\u00f5es<br \/>\ne dominar toda a for\u00e7a do inimigo;<br \/>\nnada poder\u00e1 causar-vos dano.<br \/>\nContudo, n\u00e3o vos alegreis porque os esp\u00edritos vos obedecem;<br \/>\nalegrai-vos antes<br \/>\nporque os vossos nomes est\u00e3o escritos nos C\u00e9us\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste domingo situa-nos no cen\u00e1rio da caminhada de Jesus para Jerusal\u00e9m. No entanto, n\u00e3o se identifica o lugar exato onde a cena descrita se ter\u00e1 desenrolado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante algum tempo, Jesus tinha anunciado o Reino de Deus pelas aldeias e vilas da Galileia. Essa etapa estava conclu\u00edda. Para que o projeto de Deus se concretizasse, era preciso dar o passo seguinte. Ora, esse passo seria ir a Jerusal\u00e9m, confrontar as autoridades religiosas judaicas e desafi\u00e1-las a acolher o Reino de Deus. De acordo com as tradi\u00e7\u00f5es judaicas, era em Jerusal\u00e9m que o Messias se iria manifestar a Israel e apresentar ao povo de Deus a sua proposta libertadora. Jerusal\u00e9m era, portanto, o \u201clugar\u201d onde a salva\u00e7\u00e3o de Deus iria irromper na hist\u00f3ria dos homens. Ali\u00e1s, na segunda parte da sua obra (os \u201cAtos dos Ap\u00f3stolos\u201d), Lucas ir\u00e1 contar como essa salva\u00e7\u00e3o, levada pelos disc\u00edpulos, alcan\u00e7ar\u00e1 todas as na\u00e7\u00f5es e de todos os povos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto Jesus, rodeado pelos disc\u00edpulos, p\u00f4s-se a caminho de Jerusal\u00e9m. O caminho para Jerusal\u00e9m, t\u00e3o importante no projeto teol\u00f3gico de Lucas (cf. Lc 9,51-19,28), mais do que um caminho geogr\u00e1fico, \u00e9 um caminho espiritual e teol\u00f3gico. Ao longo desse caminho, Jesus vai confrontando os disc\u00edpulos com a l\u00f3gica do Reino de Deus e desafiando-os a aderir plenamente a esse projeto. \u00c0 medida que caminham, os disc\u00edpulos v\u00e3o crescendo na f\u00e9 e consolidando a sua ades\u00e3o a Jesus. Aprendem a despir-se dos seus projetos pessoais e dos seus sonhos de grandeza humana, a fim de abra\u00e7ar os valores do Reino. A caminhada para Jerusal\u00e9m foi a \u201cescola\u201d que preparou os disc\u00edpulos para serem, ap\u00f3s a morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, as testemunhas do Reino de Deus em toda a terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do envio dos setenta e dois disc\u00edpulos em miss\u00e3o, referida neste contexto da caminhada para Jerusal\u00e9m, \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o exclusiva de Lucas. Seria uma hist\u00f3ria estranha e inesperada, se a v\u00edssemos como um relato factual de acontecimentos: de onde v\u00eam estes setenta e dois disc\u00edpulos, que n\u00e3o s\u00e3o nomeados nem por Mateus nem por Marcos e que aqui aparecem de repente, surgidos do nada? O mais prov\u00e1vel \u00e9 que devamos entender este texto como uma catequese. Lucas teria representado, neste grupo, os disc\u00edpulos de todas as \u00e9pocas, que caminham com Jesus e que Jesus envia ao mundo a anunciar o Evangelho. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Lucas procura dizer-nos, na \u201ccatequese\u201d que nos deixa no Evangelho deste dia, que a Igreja nascida de Jesus \u00e9, na sua ess\u00eancia, uma Igreja mission\u00e1ria, uma Igreja \u201cem sa\u00edda\u201d. Aqueles que caminham com Jesus s\u00e3o enviados \u201ca todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir\u201d, para anunciar e propor a salva\u00e7\u00e3o de Deus. Se olharmos \u00e0 nossa volta poderemos constatar como esse an\u00fancio \u00e9 necess\u00e1rio e urgente. Muitos dos homens e mulheres com quem nos cruzamos todos os dias sentem-se amarrados a vidas sem sentido e sem esperan\u00e7a; navegam \u00e0 vista, sem conseguirem ver para al\u00e9m das banais preocupa\u00e7\u00f5es do dia a dia; os valores sobre os quais constroem a sua exist\u00eancia s\u00e3o valores ef\u00e9meros, que n\u00e3o conseguem saciar a fome de eternidade que existe no cora\u00e7\u00e3o de cada pessoa. Necessitam de escutar a Boa Nova da salva\u00e7\u00e3o, de acolher no cora\u00e7\u00e3o a paz de Deus, de serem curados dos ferimentos dolorosos que as injusti\u00e7as, as maldades, as viol\u00eancias de todos os tipos lhes gravaram na alma. Estamos conscientes de que o nosso nome consta daquela lista de \u201csetenta e dois disc\u00edpulos\u201d que Jesus envia \u201ca todas as cidades e lugares\u201d onde a Boa Not\u00edcia da salva\u00e7\u00e3o deve chegar? Inquieta-nos a escravid\u00e3o em que tantos dos nossos irm\u00e3os vivem, ou limitamo-nos a seguir Jesus \u00e0 dist\u00e2ncia, comodamente instalados numa pr\u00e1tica religiosa ritualista, indolor e descomprometida?<\/li>\n<li>Os enviados de Jesus n\u00e3o v\u00e3o individualmente, cada um por si, mas v\u00e3o dois a dois. O testemunho da Boa Nova da salva\u00e7\u00e3o tem uma dimens\u00e3o comunit\u00e1ria. O enviado n\u00e3o parte por iniciativa pessoal, a fim de transmitir opini\u00f5es pessoais ou doutrinas pr\u00f3prias; n\u00e3o atua de acordo com as regras que ele pr\u00f3prio define, \u00e0 revelia da comunidade ou contra a comunidade; ao dar testemunho, n\u00e3o dirige o foco para si pr\u00f3prio, nem se coloca sob as luzes da ribalta para que todos o vejam e admirem\u2026 O \u201cmission\u00e1rio\u201d de Jesus deve estar em comunh\u00e3o com a Igreja, dar testemunho da f\u00e9 da Igreja e fazer com que os destinat\u00e1rios do an\u00fancio se liguem a Jesus atrav\u00e9s da Igreja. Como \u00e9 o testemunho que damos? Anunciamos a f\u00e9 que recebemos da comunidade e que vivemos em comunidade, ou impingimos aos outros as nossas teorias e vis\u00f5es pessoais? No centro do nosso testemunho est\u00e1 Jesus e o seu Evangelho, ou est\u00e1 a nossa pessoa?<\/li>\n<li>Jesus pede aos seus enviados que, quando partem em miss\u00e3o, n\u00e3o levem \u201cbolsa, nem alforge, nem sand\u00e1lias\u201d. Talvez o pedido de Jesus nos pare\u00e7a excessivo; mas, por detr\u00e1s deste excesso, est\u00e1 uma realidade incontorn\u00e1vel: h\u00e1 coisas que arrastamos continuamente atr\u00e1s de n\u00f3s e que nos impedem de dar aten\u00e7\u00e3o ao essencial. Jesus quer ver os seus disc\u00edpulos livres, sem \u201cbagagem\u201d que os distraia e atrase, apenas preocupados com o an\u00fancio do Reino de Deus. Tamb\u00e9m quer que os seus disc\u00edpulos n\u00e3o coloquem a sua esperan\u00e7a nas seguran\u00e7as humanas, nas tecnologias de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, nas estrat\u00e9gias de marketing, na prote\u00e7\u00e3o dos poderosos, nos jogos de influ\u00eancia\u2026 Fundamentalmente, o disc\u00edpulo de Jesus confia em Deus, na sua bondade, no seu amor de Pai; confia na for\u00e7a renovadora e transformadora do Evangelho, que \u00e9 uma pequena semente lan\u00e7ada \u00e0 terra mas que produz um fruto abundante. Como nos situamos face a isto? Chamados a dar testemunho da salva\u00e7\u00e3o de Deus diante dos nossos irm\u00e3os, em que realidades colocamos a nossa confian\u00e7a e a nossa esperan\u00e7a?<\/li>\n<li>\u201cEu vos envio como cordeiros para o meio de lobos\u201d \u2013 diz Jesus aos seus enviados. Os disc\u00edpulos, \u201carmados\u201d apenas com a for\u00e7a do Evangelho, ter\u00e3o frequentemente de enfrentar um mundo hostil, agressivo, que rejeitar\u00e1 a mensagem, que ridicularizar\u00e1 as propostas de que eles s\u00e3o arautos; e ser\u00e3o perseguidos, humilhados, maltratados, condenados pelas for\u00e7as da injusti\u00e7a, da maldade, da mentira, do pecado. Apesar disso, os disc\u00edpulos de Jesus devem abordar o mundo com bondade, com mansid\u00e3o, com paci\u00eancia, com compreens\u00e3o, com amor. A hist\u00f3ria j\u00e1 demonstrou muitas vezes que, sempre que os disc\u00edpulos de Jesus utilizam os m\u00e9todos dos \u201clobos\u201d para lidar com o mundo, perdem toda a credibilidade e subvertem a l\u00f3gica do Evangelho. Como \u00e9 que n\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, reagimos diante da incompreens\u00e3o e da agressividade do mundo?<\/li>\n<li>O an\u00fancio do \u201cReino\u201d n\u00e3o se esgota em palavras, mas deve ser acompanhado de gestos concretos. \u201cQuando entrardes nalguma cidade, curai os doentes que nela houver\u201d \u2013 pede Jesus aos disc\u00edpulos. \u201cCurar\u201d \u00e9 libertar os homens e mulheres que s\u00e3o prisioneiros da injusti\u00e7a, da prepot\u00eancia dos grandes, da explora\u00e7\u00e3o dos poderosos; \u201ccurar\u201d \u00e9 limpar, atrav\u00e9s do amor, as feridas que deixaram marcas no corpo e no esp\u00edrito dos sofredores; \u201ccurar\u201d \u00e9 acolher aqueles que s\u00e3o desprezados, ignorados e abandonados pela sociedade e pelas igrejas; \u201ccurar\u201d \u00e9 tratar como irm\u00e3os os \u201cdiferentes\u201d, os desadaptados, os que assumem atitudes ou comportamentos pouco ortodoxos; \u201ccurar\u201d \u00e9 cuidar de cada homem ou cada mulher que encontrarmos ca\u00eddo na berma da estrada da vida. Sentimo-nos enviados de Jesus a \u201ccurar\u201d as feridas dos irm\u00e3os e das irm\u00e3s com quem nos cruzamos todos os dias?<\/li>\n<li>Jesus garante aos seus enviados que o testemunho que eles v\u00e3o dar ter\u00e1 resultados extraordin\u00e1rios: \u201cEu via Satan\u00e1s cair do c\u00e9u como um rel\u00e2mpago. Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpi\u00f5es e dominar toda a for\u00e7a do inimigo; nada poder\u00e1 causar-vos dano\u201d. Talvez concluamos, a partir destas palavras, que o caminho que os disc\u00edpulos s\u00e3o chamados a percorrer ser\u00e1 f\u00e1cil c\u00f3modo, indolor, sem crises nem obst\u00e1culos. Na realidade, ser\u00e1 sempre um caminho dif\u00edcil, duro, exigente, muitas vezes percorrido no meio de l\u00e1grimas, de incompreens\u00f5es e de persegui\u00e7\u00f5es. As palavras de Jesus referem-se, sobretudo ao resultado final: apesar da presen\u00e7a do mal na hist\u00f3ria e na vida dos homens e do mundo, a vit\u00f3ria ser\u00e1 de Deus e dos seus mensageiros. O mal ir\u00e1 \u201ccair\u201d, ir\u00e1 perder o seu poder. Do an\u00fancio do Evangelho nascer\u00e1 um mundo novo, um mundo desenhado de acordo como o projeto de Deus. Acreditamos nisso? Essa certeza alimenta a nossa vida e a nossa luta? Somos testemunhas desta esperan\u00e7a junto dos nossos irm\u00e3os desiludidos e desanimados? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 um convite \u00e0 alegria e ao j\u00fabilo, por isso, a proclama\u00e7\u00e3o deste texto deve ser marcada pelo tom alegre e gaudioso de que o Senhor salvar\u00e1 o Seu povo e manifestar\u00e1 as Suas maravilhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> n\u00e3o apresenta nenhuma dificuldade aparente na sua proclama\u00e7\u00e3o, mas requer uma acurada prepara\u00e7\u00e3o para que toda a expressividade do texto esteja presente na sua leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Leitura-I-do-Domingo-XIV-do-Tempo-Comum-Ano-C-06.07.2025-Isaias-66-10-14c.pdf\">Leitura I do Domingo XIV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 06.07.2025 (Isaias 66, 10-14c)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Leitura-II-do-Domingo-XIV-do-Tempo-Comum-Ano-C-06.07.2025-Galatas-5-1.13-18.pdf\">Leitura II do Domingo XIV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 06.07.2025 (G\u00e1latas 5, 1.13-18)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Domingo-XIV-do-Tempo-Comum-Ano-C-06.07.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XIV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 06.07.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Domingo-XIV-do-Tempo-Comum-Ano-C-06.07.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XIV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 06.07.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Domingo-XIV-do-Tempo-Comum-Ano-C-06.07.2025-refletindo.pdf\">Domingo XIV do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 06.07.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/A-Mesa-da-Palavra-TC-Domingo-XIV.pdf\">A Mesa da Palavra TC Domingo XIV<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XIII do Tempo Comum \u2013 Ano C \u2013 29 junho 2025&#8243; tab_id=&#8221;1751879289017-3f55230c-0a3c&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XIII do Tempo Comum &#8211; Ano C \u2013 29 junho 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Solenidade de S. Pedro e S. Paulo<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Domingo-XIII.jpg\" alt=\"\" width=\"468\" height=\"293\" \/><\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celebramos hoje a Solenidade de S. Pedro e S. Paulo, dois homens t\u00e3o diferentes no caminho de encontro com Cristo, na resposta que deram ao Seu chamamento, mas duas corajosas testemunhas do Evangelho de Jesus Cristo. Como recorda o pref\u00e1cio desta solenidade: \u00abv\u00f3s nos concedeis a alegria de celebrar hoje a festa dos santos ap\u00f3stolos Pedro e Paulo: Pedro, que foi o primeiro a confessar a f\u00e9 em Cristo, e Paulo, que a ilustrou com a sua doutrina; Pedro, que estabeleceu a Igreja nascente entre os filhos de Israel, e Paulo, que anunciou o Evangelho a todos os povos; ambos trabalharam, cada um segundo a sua gra\u00e7a, para formar a \u00fanica fam\u00edlia de Cristo; agora, associados na mesma coroa de gl\u00f3ria, recebem do povo fiel a mesma venera\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No evangelho proclamado nesta solenidade, Jesus faz dirige uma pergunta a Pedro, mas, hoje, tamb\u00e9m a cada um de n\u00f3s. Uma pergunta feita com a do\u00e7ura de quem n\u00e3o imp\u00f5e respostas, mas deseja encontros verdadeiros: \u00ab<em>E v\u00f3s, quem dizeis que Eu sou?<\/em>\u00bb. Uma pergunta desarmada, sem exig\u00eancias, colocada no sil\u00eancio de um caminho, em Cesareia de Filipe, longe das multid\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro ousa quebrar o sil\u00eancio deixado pelos doze e afirma: \u00ab<em>Tu \u00e9s o Messias, o Filho de Deus vivo<\/em>\u00bb. No gesto de um homem fr\u00e1gil, que arrisca acreditar, Jesus v\u00ea uma pedra firme: \u00abTu \u00e9s Pedro\u00bb. Deus constr\u00f3i com pedras imperfeitas. Pedro \u00e9 o da f\u00e9 impulsiva e da queda vergonhosa, o da espada no horto e das l\u00e1grimas amargas. Mas \u00e9 tamb\u00e9m o que volta sempre, o que ama tr\u00eas vezes depois de ter negado outras tr\u00eas. Com Pedro aprendemos que Deus n\u00e3o se escandaliza com as nossas fraquezas: Ele edifica sobre elas, transforma-as, faz delas funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo, por sua vez, \u00e9 o homem derrubado pela luz. N\u00e3o o procurava, mas foi encontrado. Perseguia crist\u00e3os, mas foi ferido por Cristo. E, ferido, come\u00e7ou a ver. Descobriu que o verdadeiro Messias n\u00e3o \u00e9 o da gl\u00f3ria triunfante, mas o crucificado que ama at\u00e9 ao fim e, com esse amor, partiu para que a ningu\u00e9m faltasse este amor que salva e oferece um novo sentido \u00e0 hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro e Paulo n\u00e3o s\u00e3o her\u00f3is sem m\u00e1cula, mas homens conquistados pela miseric\u00f3rdia de Deus. S\u00e3o testemunhas de que ningu\u00e9m \u00e9 demasiado fr\u00e1gil para ser escolhido, ningu\u00e9m \u00e9 t\u00e3o culpado que n\u00e3o possa ser enviado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro representa a f\u00e9 que reconhece e ama. Paulo, a paix\u00e3o que anuncia e se gasta. E ambos apontam para uma Igreja que n\u00e3o \u00e9 uma fortaleza de santos, mas um caminho de pecadores em constru\u00e7\u00e3o. Uma Igreja firme na confiss\u00e3o de f\u00e9 e ousada no an\u00fancio da gra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus diz: \u00absobre esta pedra edificarei a minha Igreja\u00bb. Mas que Igreja \u00e9 esta? \u00c9 a Igreja Sinodal e Mission\u00e1ria, que parte para levar o Evangelho de Jesus Cristo a todos. \u00c9 a Igreja que aponta a radicalidade da proposta evang\u00e9lica, anunciando um evangelho sem glosas nem descontos. Uma Igreja feita de pessoas que dizem \u00abTu \u00e9s o Messias, o Filho de Deus vivo\u00bb com a vida, mesmo quando n\u00e3o sabem diz\u00ea-lo com todas as palavras. Uma Igreja com lugar para o Pedro que nega e para o Paulo que muda de estrada. Uma Igreja de portas abertas, porque nasceu do amor que n\u00e3o exclui. Uma Igreja que n\u00e3o vive encerrada si mesma, mas se gasta por amor de cada homem e de cada mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, nesta solenidade, Jesus pergunta de novo a cada um: \u00abe tu, quem dizes que Eu sou?\u00bb. N\u00e3o responde por n\u00f3s. Espera. Espera o sil\u00eancio, a coragem, o amor. E com cada resposta sincera, ainda que tremida, Ele faz novamente a Sua obra: edifica, envia, ama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro e Paulo n\u00e3o nos dizem que \u00e9 f\u00e1cil seguir Cristo, mas gritam com o seu testemunho que Jesus n\u00e3o vale a pena, mas vale a vida e, por isso, foram at\u00e9 ao fim dando a vida pelo evangelho. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O diret\u00f3rio lit\u00fargico prev\u00ea que os ofert\u00f3rios da missa desta solenidade se destinam \u00e0 Santa S\u00e9 ou \u00e0 Cadeira de S. Pedro. Esta coleta, al\u00e9m do sentido monet\u00e1rio, tem tamb\u00e9m um car\u00e1ter eclesial de comunh\u00e3o e unidade com a Igreja de Roma, cujo bispo preside na caridade, \u00e0 comunh\u00e3o da Igreja Universal. Esta solenidade \u00e9 a primeira que celebramos, tendo como Sucessor de Pedro, o Papa Le\u00e3o XVI. Esta solenidade e o contexto desta celebra\u00e7\u00e3o poder\u00e3o ser a oportunidade para organizar um momento de ora\u00e7\u00e3o pelo Papa ou para um momento de reflex\u00e3o sobre a catolicidade e universalidade da Igreja e o papel e miss\u00e3o do Romano Pont\u00edfice <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">.<\/a>Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Atos 12,1-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\no rei Herodes come\u00e7ou a perseguir alguns membros da Igreja.<br \/>\nMandou matar \u00e0 espada Tiago, irm\u00e3o de Jo\u00e3o,<br \/>\ne, vendo que tal procedimento agradava aos Judeus,<br \/>\nmandou prender tamb\u00e9m Pedro.<br \/>\nEra nos dias dos \u00c1zimos.<br \/>\nMandou-o prender e meter na cadeia,<br \/>\nentregando-o \u00e0 guarda<br \/>\nde quatro piquetes de quatro soldados cada um,<br \/>\ncom a inten\u00e7\u00e3o de o fazer comparecer perante o povo,<br \/>\ndepois das festas da P\u00e1scoa.<br \/>\nEnquanto Pedro era guardado na pris\u00e3o,<br \/>\na Igreja orava instantemente a Deus por ele.<br \/>\nNa noite anterior ao dia em que Herodes<br \/>\npensava faz\u00ea-lo comparecer,<br \/>\nPedro dormia entre dois soldados,<br \/>\npreso a duas correntes,<br \/>\nenquanto as sentinelas, \u00e0 porta, guardavam a pris\u00e3o.<br \/>\nDe repente, apareceu o Anjo do Senhor,<br \/>\ne uma luz iluminou a cela da cadeia.<br \/>\nO Anjo acordou Pedro, tocando-lhe no ombro, e disse-lhe:<br \/>\n\u00abLevanta-te depressa\u00bb.<br \/>\nE as correntes ca\u00edram-lhe das m\u00e3os.<br \/>\nEnt\u00e3o, o Anjo disse-lhe:<br \/>\n\u00abP\u00f5e o cinto e cal\u00e7a as sand\u00e1lias\u00bb.<br \/>\nEle assim fez.<br \/>\nDepois, acrescentou:<br \/>\n\u00abEnvolve-te no teu manto e segue-me\u00bb.<br \/>\nPedro saiu e foi-o seguindo,<br \/>\nsem perceber a realidade do que estava a acontecer<br \/>\npor meio do Anjo;<br \/>\njulgava que era uma vis\u00e3o.<br \/>\nDepois de atravessarem o primeiro e o segundo posto da guarda,<br \/>\nchegaram \u00e0 porta de ferro, que d\u00e1 para a cidade,<br \/>\ne a porta abriu-se por si mesma diante deles.<br \/>\nSa\u00edram, avan\u00e7ando por uma rua,<br \/>\ne subitamente o Anjo desapareceu.<br \/>\nEnt\u00e3o, Pedro, voltando a si, exclamou:<br \/>\n\u00abAgora sei realmente que o Senhor enviou o Seu Anjo<br \/>\ne me libertou das m\u00e3os de Herodes<br \/>\ne de toda a expetativa do povo judeu\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos Lucas prop\u00f4s-se narrar-nos a maravilhosa aventura mission\u00e1ria que levou o Evangelho desde Jerusal\u00e9m at\u00e9 Roma, o cora\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio. Nesta fase s\u00e3o os disc\u00edpulos que, guiados pelo Esp\u00edrito Santo, s\u00e3o as testemunhas de Jesus e do seu projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia nos prop\u00f5e como primeira leitura na Solenidade de S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo, praticamente encerra a primeira parte do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos \u2013 a hist\u00f3ria da expans\u00e3o do cristianismo dentro das fronteiras palestinas (cf. At 1-12). O Evangelho de Jesus, levado pelos mission\u00e1rios crist\u00e3os j\u00e1 tinha chegado \u00e0 Samaria e a toda a faixa costeira palestina, incluindo Ashdod, Cesareia Mar\u00edtima (cf. At 8,4-40), Lida e Jope (cf. At 9,31-35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por esta altura (por volta do ano 42) Herodes Agripa I, neto de Herodes, o Grande, refizera praticamente o reino do seu av\u00f4. No ano 37, o imperador Cal\u00edgula deu-lhe o t\u00edtulo de rei e confiou-lhe os antigos territ\u00f3rios da tetrarquia de Herodes Filipe (a Itureia, a Tracon\u00edtide, a Bataneia, a Gaulan\u00edtide e a Auran\u00edtide); mais tarde, no ano 40, o mesmo Cal\u00edgula acrescentou ao reino de Herodes Agripa os territ\u00f3rios da antiga tetrarquia de Herodes Antipas (a Galileia e a Pereia); finalmente, no ano 41, o imperador Cl\u00e1udio (que sucedeu a Cal\u00edgula) colocou sob a autoridade de Herodes Agripa a Samaria e a Judeia. Herodes Agripa reinou sobre este vasto territ\u00f3rio at\u00e9 ao ano 44, altura em que morreu repentinamente em Cesareia, durante uma cerim\u00f3nia p\u00fablica (cf. At 12,20-23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Herodes Agripa I procurou sempre estar em boas rela\u00e7\u00f5es com os l\u00edderes judaicos. Observava as prescri\u00e7\u00f5es da Lei de Mois\u00e9s, cumpria os rituais de purifica\u00e7\u00e3o dos judeus e diariamente oferecia os sacrif\u00edcios prescritos no templo de Jerusal\u00e9m. Fazia-o, no entanto, mais por c\u00e1lculo pol\u00edtico do que por convic\u00e7\u00e3o pessoal, pois quando estava fora do territ\u00f3rio judaico vivia \u00e0 maneira hel\u00e9nica. Foi certamente para agradar aos l\u00edderes judaicos que Herodes Antipas mandou matar \u00e0 espada o ap\u00f3stolo Tiago, filho de Zebedeu, irm\u00e3o de Jo\u00e3o. Este Tiago era uma figura proeminente da comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m. Jesus tinha-lhe predito, certa vez, que ele iria beber o mesmo c\u00e1lice que Jesus ia beber \u2013 quer dizer, iria partilhar do destino do pr\u00f3prio Jesus (cf. Mc 10,38-39). <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A proposta de salva\u00e7\u00e3o que Deus fez aos homens atrav\u00e9s de Jesus continua v\u00e1lida? Como \u00e9 que ela chega ao mundo em cada \u00e9poca e em cada passo da turbulenta hist\u00f3ria dos homens? O livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos tem uma resposta clara para estas quest\u00f5es: sim, Deus continua a oferecer aos homens e mulheres de cada \u00e9poca a sua salva\u00e7\u00e3o; e s\u00e3o os disc\u00edpulos que Jesus deixou no mundo que t\u00eam a miss\u00e3o de tornar realidade, em cada tempo, em cada \u201choje\u201d, a proposta libertadora de Deus. A Igreja nascida de Jesus n\u00e3o \u00e9 uma comunidade de homens e mulheres que vivem apenas de olhos postos no c\u00e9u, a murmurar ora\u00e7\u00f5es e a contemplar a majestade de Deus; nem \u00e9 uma comunidade de te\u00f3logos que gasta o tempo a discutir doutrinas elevadas e transcendentes\u2026 Mas \u00e9 uma comunidade de disc\u00edpulos de Jesus que, com gestos concretos de amor, de miseric\u00f3rdia, de partilha, de servi\u00e7o, de perd\u00e3o, leva ao mundo \u2013 inclusive \u00e0s periferias, aos s\u00edtios onde ningu\u00e9m vai, aos lugares do choro e do desespero \u2013 a Boa not\u00edcia da salva\u00e7\u00e3o de Deus. Pedro e Paulo, os ap\u00f3stolos que a liturgia de hoje nos convida a celebrar, fizeram-no. Seremos capazes de o fazer tamb\u00e9m n\u00f3s, neste tempo hist\u00f3rico t\u00e3o exigente e t\u00e3o desafiante que nos tocou viver?<\/li>\n<li>A hist\u00f3ria que o autor dos Atos dos Ap\u00f3stolos nos conta sobre a pris\u00e3o do ap\u00f3stolo Pedro, lembra-nos uma realidade incontorn\u00e1vel: o testemunho do projeto de Jesus gera sempre incompreens\u00e3o e oposi\u00e7\u00e3o. O Evangelho de Jesus incomoda, ainda hoje. Incomoda especialmente aqueles que est\u00e3o apostados em perpetuar mecanismos de explora\u00e7\u00e3o, de injusti\u00e7a, de morte; mas tamb\u00e9m incomoda aqueles que est\u00e3o comodamente instalados na escravid\u00e3o e n\u00e3o t\u00eam a coragem de questionar as cadeias que os prendem. A rea\u00e7\u00e3o de quem se sente incomodado com o an\u00fancio da Boa nova de Jesus traduz-se muitas vezes na oposi\u00e7\u00e3o, nas cal\u00fanias, nos sarcasmos, nas piadas est\u00fapidas que tanto custam a aceitar. \u00c9 necess\u00e1rio, contudo, que a incompreens\u00e3o e a persegui\u00e7\u00e3o n\u00e3o nos desanimem e n\u00e3o nos impe\u00e7am de dar testemunho dos valores em que acreditamos. N\u00e3o temos diante de n\u00f3s o exemplo de Jesus, morto na cruz por ser fiel ao projeto do Pai? E n\u00e3o temos tamb\u00e9m o exemplo de Pedro e de Paulo, mortos em Roma, por causa do Evangelho de Jesus durante a persegui\u00e7\u00e3o ordenada pelo imperador Nero? Estamos dispostos a dar testemunho dos valores do Reino, com sinceridade e verticalidade, independentemente da forma como o nosso testemunho \u00e9 acolhido?<\/li>\n<li>A forma como o autor dos Atos dos Ap\u00f3stolos descreve a liberta\u00e7\u00e3o de Pedro da pris\u00e3o onde Herodes Agripa o tinha mandado encerrar, pretende sugerir que Deus sempre far\u00e1 tudo para salvar os seus enviados das m\u00e3os daqueles que os perseguem e amea\u00e7am. \u00c9 uma mensagem consoladora, que fortalece o \u00e2nimo daqueles que aceitam o risco de dar testemunho da salva\u00e7\u00e3o de Deus no meio dos seus irm\u00e3os. Os enviados de Deus n\u00e3o s\u00e3o imunes ao sofrimento, \u00e0 adversidade, \u00e0 contesta\u00e7\u00e3o, \u00e0 maledic\u00eancia, ao esc\u00e1rnio, \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o; mas s\u00e3o, como os outros homens e mulheres, pessoas fr\u00e1geis, que no decurso da sua miss\u00e3o experimentam a cada passo a solid\u00e3o, o abandono, o des\u00e2nimo, a desilus\u00e3o, a ang\u00fastia. A hist\u00f3ria do ap\u00f3stolo Pedro diz-lhes, contudo, que podem confiar no amor e na solicitude de Deus, pois Deus nunca dececiona aqueles que n\u2019Ele p\u00f5em a sua confian\u00e7a. Temos feito esta experi\u00eancia? Quando caminhamos \u201csem rede\u201d, amea\u00e7ados por todo o tipo de perigos, conscientes da nossa fragilidade, sentimo-nos tranquilos nas m\u00e3os de Deus? Acreditamos mesmo que Deus nunca nos abandona, aconte\u00e7a o que acontecer?<\/li>\n<li>\u00c9 muito sugestiva, na hist\u00f3ria que o autor dos Atos dos Ap\u00f3stolos hoje nos conta, a indica\u00e7\u00e3o de que a comunidade crist\u00e3 \u201corava insistentemente a Deus\u201d por Pedro, prisioneiro por causa do Evangelho. Mostra uma comunidade solid\u00e1ria, fraterna, unida, atenta, que se coloca ao lado dos irm\u00e3os que sofrem e que s\u00e3o injusti\u00e7ados por causa do seu testemunho, da sua coer\u00eancia, do seu compromisso com a verdade. As nossas comunidades crist\u00e3s s\u00e3o comunidades onde cada um sente as dores e os sofrimentos dos seus irm\u00e3os? Sentimos que \u00e9 nossa responsabilidade fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para \u201cconsolar\u201d e para \u201clibertar\u201d os irm\u00e3os que s\u00e3o v\u00edtimas da injusti\u00e7a, da maldade, da prepot\u00eancia? Lembramo-nos de pedir a Deus que cuide dos nossos irm\u00e3os que, por qualquer raz\u00e3o, est\u00e3o prisioneiros do sofrimento? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 33 (34)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong><strong> O Senhor libertou-me de toda a ansiedade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A toda a hora bendirei o Senhor,<br \/>\no Seu louvor estar\u00e1 sempre na minha boca.<br \/>\nA minha alma gloria-se no Senhor;<br \/>\nescutem e alegrem-se os humildes.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Enaltecei comigo ao Senhor,<br \/>\ne exaltemos juntos o Seu nome.<br \/>\nProcurei o Senhor e Ele atendeu-me,<br \/>\nlibertou-me de toda a ansiedade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes:<br \/>\no vosso rosto n\u00e3o se cobrir\u00e1 de vergonha.<br \/>\nEste pobre clamou e o Senhor o ouviu,<br \/>\nsalvou-o de todas as ang\u00fastias.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O anjo do Senhor protege os que O temem<br \/>\ne defende-os dos perigos.<br \/>\nSaboreai e vede como o Senhor \u00e9 bom:<br \/>\nfeliz o homem que n\u2019Ele se refugia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>2 Tim\u00f3teo 4,6-8.17-18<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Car\u00edssimo:<br \/>\nEu j\u00e1 estou oferecido em liba\u00e7\u00e3o<br \/>\ne o tempo da minha partida est\u00e1 iminente.<br \/>\nCombati o bom combate,<br \/>\nterminei a minha carreira,<br \/>\nguardei a f\u00e9.<br \/>\nE agora j\u00e1 me est\u00e1 preparada a coroa da justi\u00e7a,<br \/>\nque o Senhor, justo Juiz, me h\u00e1 de dar naquele dia;<br \/>\ne n\u00e3o s\u00f3 a mim, mas a todos aqueles<br \/>\nque tiverem esperado com amor a Sua vinda.<br \/>\nO Senhor esteve a meu lado e deu-me for\u00e7a,<br \/>\npara que, por meu interm\u00e9dio,<br \/>\na mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada<br \/>\ne todos os pag\u00e3os a ouvissem;<br \/>\ne eu fui libertado da boca do le\u00e3o.<br \/>\nO Senhor me livrar\u00e1 de todo o mal<br \/>\ne me dar\u00e1 a salva\u00e7\u00e3o no Seu Reino celeste.<br \/>\nGl\u00f3ria a Ele pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos. \u00c1men.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Tim\u00f3teo cujo nome aparece no endere\u00e7o desta carta (cf. 2Tm 1,2) \u00e9 um crist\u00e3o nascido em Listra (\u00c1sia Menor), de pai grego e de m\u00e3e judeo-crist\u00e3 (cf. At 16,1-3). Paulo encontrou-o no decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria (cf. At 16,2) e associou-o \u00e0 aventura do an\u00fancio do Evangelho. Tim\u00f3teo tornou-se, a partir de ent\u00e3o, companheiro insepar\u00e1vel de Paulo. Aparece ao lado de Paulo em Atenas (cf. At 17,14-15), em Corinto (cf. At 18,5), em \u00c9feso (cf. At 19,22), colaborando no esfor\u00e7o mission\u00e1rio. Paulo confiava plenamente nele e encarregou-o de algumas miss\u00f5es delicadas junto das igrejas (cf. 1 Cor 4,17; 16,10-11; Fil 2,19-24; 1 Ts 3,2-3). Segundo a tradi\u00e7\u00e3o, foi o primeiro bispo da comunidade crist\u00e3 de \u00c9feso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 problem\u00e1tico que Paulo seja o autor das duas cartas \u201ca Tim\u00f3teo\u201d: a linguagem, o estilo e mesmo a doutrina apresentam diferen\u00e7as consider\u00e1veis em rela\u00e7\u00e3o a outras cartas paulinas. Al\u00e9m disso, o contexto eclesial em que estas cartas nos situam \u2013 a estrutura das comunidades crist\u00e3s, os problemas que as comunidades t\u00eam de enfrentar \u2013 parece mais do final do s\u00e9c. I, ou at\u00e9 mesmo de princ\u00edpios do s\u00e9c. II, do que da \u00e9poca de Paulo. Enquanto na \u00e9poca de Paulo a preocupa\u00e7\u00e3o essencial era anunciar o Evangelho, na \u00e9poca em que estas cartas foram escritas a grande preocupa\u00e7\u00e3o parece ser \u201cconservar a f\u00e9\u201d, uma vez que o tesouro da f\u00e9 crist\u00e3 estava amea\u00e7ado pela acomoda\u00e7\u00e3o dos crentes e pelas falsas doutrinas que alguns \u201cmestres\u201d difundiam nas comunidades crist\u00e3s. \u00c9 poss\u00edvel que um disc\u00edpulo de Paulo, inspirando-se na teologia paulina, tenha composto estas cartas para responder \u00e0s novas problem\u00e1ticas que, no final do s\u00e9c. I, a Igreja tinha de enfrentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais concretamente, a segunda Carta a Tim\u00f3teo apresenta diversos conselhos pastorais que Paulo destina ao seu grande colaborador (Tim\u00f3teo) na obra da evangeliza\u00e7\u00e3o. O autor da carta estaria, pretensamente, na pris\u00e3o. Numa esp\u00e9cie de \u201ctestamento final\u201d, recorda a Tim\u00f3teo o minist\u00e9rio que recebeu (2 Tm 2,1-7), convida-o a manter-se fiel \u00e0 gra\u00e7a recebida (cf. 2 Tm 1,6-18), alerta-o para os perigos dos novos tempos (cf. 2 Tm 3,1-17) e deixa-lhe as suas \u00faltimas recomenda\u00e7\u00f5es (cf. 2 Tm 4,9-18). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Paulo de Tarso marcou de forma decisiva a hist\u00f3ria do cristianismo pela sua vis\u00e3o larga do projeto de Deus e pela forma como abriu ao Evangelho as portas do mundo greco-romano. Mas, para al\u00e9m disso, deixou aos crist\u00e3os de todas as \u00e9pocas um impressionante testemunho pessoal de compromisso total com Jesus e com o Evangelho. O seu encontro com Jesus no caminho de Damasco marcou a sua vida de uma forma t\u00e3o decisiva que ele dizia: \u201cj\u00e1 n\u00e3o sou eu que vivo, mas \u00e9 Cristo que vive em mim\u201d (Gl 2,20). Passou a viver para Cristo, apenas para Cristo. A sua paix\u00e3o por Cristo levou-o a dar testemunho do Evangelho em todo o mundo antigo, sem vacilar perante as dificuldades, os perigos, o cansa\u00e7o, a contesta\u00e7\u00e3o, a tortura, a pris\u00e3o e at\u00e9 mesmo a morte. N\u00f3s, crist\u00e3os, encontramo-nos frequentemente com Jesus no caminho da nossa vida: escutamos a sua Palavra, conversamos com Ele, sentamo-nos com Ele \u00e0 mesa e comemos do P\u00e3o que Ele oferece, dizemos que somos seus disc\u00edpulos e que estamos em comunh\u00e3o com Ele\u2026 O nosso compromisso com Cristo \u00e9 t\u00e3o profundo e t\u00e3o decisivo como o de Paulo? Cristo \u00e9 para n\u00f3s \u2013 como foi para Paulo \u2013 a refer\u00eancia decisiva \u00e0 volta da qual se constr\u00f3i a nossa exist\u00eancia?<\/li>\n<li>Paulo experimentou, no seu caminho de testemunho mission\u00e1rio, o abandono, a solid\u00e3o, a trai\u00e7\u00e3o, a incompreens\u00e3o de muita gente, inclusive de alguns irm\u00e3os na f\u00e9. Por outro lado, sentiu sempre que o Senhor estava com ele, o animava e lhe dava for\u00e7as para que \u201ca mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todos os pag\u00e3os a ouvissem\u201d. A experi\u00eancia de Paulo \u00e9, afinal, a experi\u00eancia de todos os \u201cprofetas\u201d que Deus envia ao mundo para serem arautos da sua salva\u00e7\u00e3o no meio dos homens: de um lado est\u00e1 o \u00f3dio do mundo, que desgasta e traz des\u00e2nimo; do outro est\u00e1 a solicitude de Deus que conforta, sustenta, defende, anima e renova as for\u00e7as dos seus enviados. \u00c9 esta tamb\u00e9m a nossa experi\u00eancia? A certeza da presen\u00e7a de Deus ao nosso lado d\u00e1-nos a for\u00e7a necess\u00e1ria para cumprirmos fielmente a miss\u00e3o que nos foi confiada?<\/li>\n<li>Quase a chegar ao fim da sua vida, Paulo avalia desta forma a maneira como viveu: \u201ccombati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a f\u00e9\u201d. Pelo que sabemos da vida de Paulo, esta avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 honesta e verdadeira. \u00c9 muito bom chegar ao fim da vida e concluir que a vida valeu a pena e que se deixou uma marca positiva no mundo e na vida dos outros homens e mulheres. Se tiv\u00e9ssemos, neste preciso instante, de avaliar o sentido da nossa vida, o que dir\u00edamos? A nossa vida tem feito sentido? H\u00e1 alguma coisa que possamos mudar ou acrescentar para sentirmos que a nossa vida est\u00e1 a valer a pena? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013\u00a0\u00a0 <\/strong><strong>Mateus 16,13-19<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus foi para os lados de Cesareia de Filipe<br \/>\ne perguntou aos seus disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abQuem dizem os homens que \u00e9 o Filho do Homem?\u00bb<br \/>\nEles responderam:<br \/>\n\u00abUns dizem que \u00e9 Jo\u00e3o Baptista,<br \/>\noutros que \u00e9 Elias,<br \/>\noutros que \u00e9 Jeremias ou algum dos profetas\u00bb.<br \/>\nJesus perguntou:<br \/>\n\u00abE v\u00f3s, quem dizeis que Eu sou?\u00bb<br \/>\nEnt\u00e3o, Sim\u00e3o Pedro tomou a palavra e disse:<br \/>\n\u00abTu \u00e9s o Messias, o Filho de Deus vivo!\u00bb.<br \/>\nJesus respondeu-lhe:<br \/>\n\u00abFeliz de ti, Sim\u00e3o, filho de Jonas,<br \/>\nporque n\u00e3o foram a carne e o sangue que to revelaram,<br \/>\nmas sim meu Pai que est\u00e1 nos C\u00e9us.<br \/>\nTamb\u00e9m Eu te te digo: Tu \u00e9s Pedro;<br \/>\nsobre esta pedra edificarei a minha Igreja<br \/>\ne as for\u00e7as do inferno n\u00e3o prevalecer\u00e3o contra ela.<br \/>\nDar-te-ei as chaves do Reino dos C\u00e9us:<br \/>\ntudo o que ligares na terra ser\u00e1 ligado nos C\u00e9us,<br \/>\ne tudo o que desligares na terra ser\u00e1 desligado nos C\u00e9us\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio que o texto evang\u00e9lico da Solenidade de S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo nos prop\u00f5e ocupa um lugar central no Evangelho de Mateus. Marca um momento de viragem no caminho de Jesus. A partir daqui come\u00e7a a perfilar-se no horizonte de Jesus um destino de cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos primeiros tempos do seu minist\u00e9rio, Jesus conhece um sucesso fulgurante. A sua fama espalha-se e re\u00fanem-se \u00e0 volta d\u2019Ele \u201cgrandes multid\u00f5es vindas da Galileia, da Dec\u00e1pole, da Judeia e de al\u00e9m Jord\u00e3o\u201d (Mt 4,25). Mas, passado o entusiasmo inicial, Jesus come\u00e7a a encontrar sinais crescentes de resist\u00eancia \u00e0 proposta que traz: os fariseus e os doutores da Lei contestam-no abertamente (cf. Mt 9,3-6; 9,34; 12,1-8; 12,9-14; 12,24-32; 15,1-9; 16,1-12); e em muitas povoa\u00e7\u00f5es da Galileia h\u00e1 gente que n\u00e3o acredita n\u2019Ele e que recusa a sua mensagem (cf. Mt 8,34; 11,16-19; 11,20-24; 13,53-58). O an\u00fancio que Jesus prop\u00f5e sobre o Reino de Deus s\u00f3 encontra um acolhimento incondicional por parte daquele pequeno grupo de disc\u00edpulos que o seguem passo a passo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus tem consci\u00eancia de que est\u00e1 a aproximar-se a passos largos a altura de se dirigir a Jerusal\u00e9m para enfrentar as autoridades judaicas. Ele sabe que, em Jerusal\u00e9m, vai ser condenado e vai ser morto na cruz. Mas o sonho do Reino n\u00e3o pode morrer nessa cruz que vai ser erguida fora das muralhas da cidade santa: os disc\u00edpulos ficar\u00e3o no mundo e ter\u00e3o a miss\u00e3o de levar a todos os homens a Boa not\u00edcia do Reino. Antes, \u00e9 necess\u00e1rio prepar\u00e1-los: eles devem entender e acolher os valores do Reino, devem comprometer-se totalmente no seguimento de Jesus, devem manifestar a sua disponibilidade para integrar a comunidade do Reino. A conversa que Jesus um dia teve com os disc\u00edpulos, nas proximidades de Cesareia de Filipe, aponta nesse sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cesareia de Filipe, o cen\u00e1rio geogr\u00e1fico onde a narra\u00e7\u00e3o de Mateus nos coloca, era uma cidade situada no Norte da Galileia, no sop\u00e9 do Monte Hermon, junto de uma das nascentes do rio Jord\u00e3o, na zona da atual B\u00e2nias. Durante o per\u00edodo helen\u00edstico, a cidade tinha tomado o nome de Panion, em virtude de haver l\u00e1 um santu\u00e1rio dedicado ao deus grego Pan; mas, no ano 2 ou 3 a.C., Herodes Filipe (filho de Herodes o Grande) reconstruiu-a e deu-lhe o nome de Cesareia, em honra de C\u00e9sar Augusto, imperador de Roma. Era, portanto, uma cidade marcada pelo paganismo e pelo culto ao imperador. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Quem \u00e9 Jesus? Como \u00e9 que os homens do s\u00e9c. XXI o veem? Muitos dos nossos contempor\u00e2neos \u2013 crentes, agn\u00f3sticos ou mesmo ateus \u2013 veem em Jesus um homem bom, generoso, atento aos sofrimentos dos outros, que sonhou com um mundo diferente; outros veem em Jesus um admir\u00e1vel \u201cmestre\u201d de moral, que tinha uma proposta de vida \u201cinteressante\u201d, mas que n\u00e3o conseguiu impor os seus valores; alguns veem em Jesus um admir\u00e1vel condutor de massas, que acendeu a esperan\u00e7a nos cora\u00e7\u00f5es das multid\u00f5es carentes e \u00f3rf\u00e3s, mas que passou de moda quando as multid\u00f5es deixaram de se interessar pelo fen\u00f3meno; outros, ainda, veem em Jesus um revolucion\u00e1rio, ing\u00e9nuo e inconsequente, preocupado em construir uma sociedade mais justa e mais livre, que procurou promover os pobres e os marginais e que foi eliminado pelos poderosos, preocupados em manter o \u201cstatus quo\u201d. Que achamos destas \u201cvis\u00f5es\u201d sobre Jesus? Consideramo-las redutoras, ou exatas? Jesus ter\u00e1 sido apenas um \u201chomem\u201d que deixou a sua pegada na hist\u00f3ria humana, como tantos outros que a hist\u00f3ria absorveu e digeriu?<\/li>\n<li>\u201cE v\u00f3s, quem dizeis que Eu sou?\u201d \u2013 perguntou Jesus diretamente aos seus disc\u00edpulos nos arredores de Cesareia de Filipe. \u00c9 uma pergunta decisiva, que deve ecoar, de forma constante, nos ouvidos e no cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos de Jesus de todas as \u00e9pocas. A nossa resposta a esta quest\u00e3o n\u00e3o pode ficar-se pela repeti\u00e7\u00e3o papagueada de velhas f\u00f3rmulas que aprendemos na catequese, ou pela reprodu\u00e7\u00e3o impessoal de uma defini\u00e7\u00e3o tirada de um qualquer tratado de teologia. A quest\u00e3o vai dirigida ao \u00e2mago do nosso ser e exige uma tomada de posi\u00e7\u00e3o pessoal, um pronunciamento sincero, sobre a forma como Jesus toca a nossa vida. A resposta a esta quest\u00e3o \u00e9 o passo mais importante e decisivo na vida de cada crente. Quem \u00e9 Jesus para n\u00f3s? Que lugar ocupa Ele na nossa exist\u00eancia? Que valor damos \u00e0s suas propostas? Que import\u00e2ncia assumem os seus valores nas nossas op\u00e7\u00f5es de vida? Jesus \u00e9, para n\u00f3s, a grande refer\u00eancia, o vetor \u00e0 volta do qual o nosso mundo se constr\u00f3i? Ele \u00e9 para n\u00f3s, de facto, \u201ccaminho, verdade e vida\u201d?<\/li>\n<li>Pedro, em nome da comunidade dos disc\u00edpulos, proclama a f\u00e9 de todos em Jesus, Messias e salvador, o Filho que Deus enviou ao mundo para apresentar aos homens uma proposta de vida eterna e verdadeira. A Igreja assenta nesta f\u00e9 e constr\u00f3i-se a partir desta f\u00e9. A Igreja de Jesus \u00e9 uma comunidade de disc\u00edpulos reunida \u00e0 volta de Jesus (\u201co Messias, o Filho de Deus vivo\u201d), que vive da escuta de Jesus, que se alimenta de Jesus, que caminha incondicionalmente atr\u00e1s de Jesus e que d\u00e1 testemunho no mundo da proposta que Jesus deixou. Jesus \u00e9 a grande refer\u00eancia das nossas vidas e ocupa o centro da nossa comunidade crist\u00e3? \u00c9 n\u2019Ele que assenta a nossa f\u00e9? Estamos completamente dispon\u00edveis para o escutar, para acolher as suas indica\u00e7\u00f5es, para o seguir no caminho que Ele nos aponta?<\/li>\n<li>N\u00e3o esque\u00e7amos, no entanto, que a Igreja de Jesus n\u00e3o existe para ficar a olhar para o c\u00e9u, numa contempla\u00e7\u00e3o est\u00e9ril e inconsequente do \u201cMessias, Filho de Deus vivo\u201d; mas existe para dar testemunho de Jesus, para continuar a obra de Jesus e para oferecer a cada homem e a cada mulher a proposta de salva\u00e7\u00e3o que Jesus veio trazer. Paulo, o grande mission\u00e1rio, estava plenamente consciente disto. Por isso, desde o momento em que se encontrou com Jesus, tornou-se arauto do Evangelho. Temos consci\u00eancia desta dimens\u00e3o \u201cprof\u00e9tica\u201d e mission\u00e1ria da Igreja? Os homens e as mulheres com quem contactamos no dia a dia \u2013 no nosso espa\u00e7o familiar, no emprego, na escola, na rua, no pr\u00e9dio, nos acontecimentos sociais \u2013 s\u00e3o contagiados pelo nosso entusiasmo por Jesus e recebem de n\u00f3s o convite para integrar a comunidade da salva\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>A comunidade dos disc\u00edpulos \u00e9 uma comunidade organizada e estruturada, onde existem pessoas a quem foi confiada a miss\u00e3o de presidir, de coordenar e de desempenhar o servi\u00e7o da autoridade. Essa autoridade que lhes \u00e9 confiada n\u00e3o \u00e9, no entanto, absoluta e inquestion\u00e1vel; \u00e9 uma autoridade que deve ser exercida em benef\u00edcio da comunidade, como amor e servi\u00e7o. O modelo dessa autoridade \u00e9 o bom pastor, que orienta o rebanho, que cuida das suas ovelhas, que as defende dos perigos e que d\u00e1 a vida por elas. Como vemos e entendemos, na Igreja de Jesus, o servi\u00e7o da autoridade? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 um\u00a0<strong>relato dram\u00e1tico e milagroso<\/strong>, narrando a pris\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o de Pedro. O leitor deve manter um\u00a0<strong>tom narrativo envolvente<\/strong>, com\u00a0<strong>clareza<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>pausas expressivas<\/strong>, respeitando a tens\u00e3o da hist\u00f3ria e o sentido de liberta\u00e7\u00e3o. Comece com tom firme, mas n\u00e3o teatral, adotando um ritmo pausado ao descrever a pris\u00e3o e a vigil\u00e2ncia. Deve dar destaque \u00e0 a\u00e7\u00e3o do anjo, aumentando ligeiramente a intensidade no discurso direto e nas a\u00e7\u00f5es descritas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 uma confiss\u00e3o pessoal e final de S\u00e3o Paulo, com um tom solene, confiante e sereno. H\u00e1 aqui uma dimens\u00e3o de testamento espiritual e vit\u00f3ria na f\u00e9. Deve ler-se com tom sereno e contemplativo, transmitindo confian\u00e7a e esperan\u00e7a, tendo aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pausas e respira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Solenidade-S.-Pedro-e-S.-Paulo-29.06.2025-Ano-C-Lecionario.pdf\">Solenidade S. Pedro e S. Paulo &#8211; 29.06.2025 &#8211; Ano C &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Solenidade-S.-Pedro-e-S.-Paulo-29.06.2025-Ano-C-Oracao-Universal.pdf\">Solenidade S. Pedro e S. Paulo &#8211; 29.06.2025 &#8211; Ano C &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Domingo-XIII-do-Tempo-Comum-Solenidade-de-S.-Pedro-e-S.-Paulo-Ano-C-22.06.2025-refletindo.pdf\">Domingo XIII do Tempo Comum &#8211; Solenidade de S. Pedro e S. Paulo &#8211; Ano C &#8211; 29.06.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/A-Mesa-da-Palavra-S.-Pedro-e-S.-Paulo.pdf\">A Mesa da Palavra S. Pedro e S. Paulo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo XII do Tempo Comum \u2013 Ano C \u2013 22 junho 2025&#8243; tab_id=&#8221;1751274118748-a8915b5d-7720&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XII do Tempo Comum &#8211; Ano C \u2013 22 junho 2025<\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Domingo-XII.jpg\" alt=\"\" width=\"433\" height=\"375\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Um dia, Jesus orava sozinho, estando com Ele apenas os disc\u00edpulos<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho de S. Lucas coloca muitas vezes Jesus em ora\u00e7\u00e3o, de tal modo que alguns autores o intitulam de \u00abEvangelho da ora\u00e7\u00e3o\u00bb. A comunh\u00e3o de amor que Ele vive com o Pai manifesta-se de tal modo na sua ora\u00e7\u00e3o, que os disc\u00edpulos h\u00e3o de pedir a Jesus que lhes ensine a rezar. Deveria ser fascinante ver Jesus a rezar. Contemplar aquele di\u00e1logo de amor que na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, Amor que envolve o Pai e o Filho, se tornava como que epifania da Trindade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta comunh\u00e3o de amor torna-se assim o ambiente onde a nossa ora\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1rio se deve desenvolver. A verdadeira ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 aquela que se dirige ao Pai, pelo Filho, no Esp\u00edrito Santo. Deste modo, rezar \u00e9 frequentar a escola do amor e ler a vida, o tempo e a hist\u00f3ria com o olhar misericordioso de Deus que se revela de modo pleno na entrega do Filho e se perpetua pela for\u00e7a do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Repetidas vezes escutamos que Jesus aparece em ora\u00e7\u00e3o nos momentos mais decisivos da Sua vida, contudo, como afirma Luciano Manicardi, \u00ab<em>a ora\u00e7\u00e3o de Jesus torna decisivos os momentos do seu viver<\/em>\u00bb. Assim h\u00e1 de suceder connosco: deixaremos de olhar para a ora\u00e7\u00e3o como um rito m\u00e1gico onde apresentamos a Deus os motivos do nosso orar e haveremos de converter a nossa vida crist\u00e3 numa vida orante, que torna decisivos os diversos momentos do nosso viver, na totalidade da nossa vida, tal qual ela se apresenta. A verdadeira ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 aquela que se realiza at\u00e9 que Deus nos ou\u00e7a, mas aquela que se desenvolve para que em n\u00f3s ressoe a voz de Deus e possamos escutar o silencioso sussurrar do Seu amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois deste momento de ora\u00e7\u00e3o e intimidade, Jesus dirige-se aos Seus disc\u00edpulos e interpela-os sobre a Sua identidade. Inicialmente parece uma sondagem da opini\u00e3o p\u00fablica: \u00ab<em>Quem dizem as multid\u00f5es que Eu sou?<\/em>\u00bb. Por\u00e9m, as interpela\u00e7\u00f5es de Jesus s\u00e3o muito mais profundas e na revela\u00e7\u00e3o da Sua identidade como Aquele que deve sofrer e dar a vida, Jesus revela tamb\u00e9m aquela que h\u00e1 de ser a miss\u00e3o e a identidade daqueles que O querem seguir: \u00ab<em>Se algu\u00e9m quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida, h\u00e1 de perd\u00ea-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, salv\u00e1-la-\u00e1<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como publicit\u00e1rio estava reprovado, pois ao inv\u00e9s de anunciar um conjunto de solu\u00e7\u00f5es imediatas e sucessos aparentes, Jesus, com os p\u00e9s bem assentes na realidade e consciente da fragilidade e conting\u00eancia da nossa humanidade, convida-nos a abra\u00e7ar os desafios e obst\u00e1culos da vida a partir desta nova l\u00f3gica do Evangelho de que a vida \u00e9 tanto mais nossa quanto mais for dos outros, de que a vida \u00e9 verdadeiramente vida quando entregue sem medida. Jesus n\u00e3o \u00e9 um masoquista que nos convida a abra\u00e7ar o sofrimento pelo sofrimento, mas convida-nos a abra\u00e7ar o amor que o fez ir at\u00e9 \u00e0 Cruz! Jesus n\u00e3o abra\u00e7a a cruz porque quer sofrer muito, mas porque nos ama muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta passagem de Lucas, diversamente das outras passagens paralelas deste texto, Jesus junta ao desafio de tomar a cruz a express\u00e3o \u00ab<em>todos os dias<\/em>\u00bb, para fazer ecoar no nosso cora\u00e7\u00e3o a certeza de que o amor de que a cruz \u00e9 sinal deve plasmar todos os nossos dias e configurar toda a nossa exist\u00eancia. Deste modo, como Paulo j\u00e1 n\u00e3o nos saberemos dizer sem dizer Jesus Cristo e sem recordar que a Sua vida ressuscitada \u00e9 a chave de leitura de toda a nossa vida: \u00ab<em>todos v\u00f3s sois filhos de Deus pela f\u00e9 em Jesus Cristo, porque todos v\u00f3s, que fostes batizados em Cristo, fostes revestidos de Cristo<\/em>\u00bb. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este m\u00eas de junho \u00e9 marcado pelas festas dos Santos Populares que enchem as nossas terras de alegria, m\u00fasica e comemora\u00e7\u00f5es t\u00edpicas. Na verdade, a celebra\u00e7\u00e3o das festas dos santos deve ser sempre marcada pela alegria e pela festa, pois recordamos o testemunho gaudioso daqueles que seguiram a Cristo de todo o cora\u00e7\u00e3o. Contudo, a Liturgia da Palavra deste Domingo recorda que o seguimento de Jesus se faz abra\u00e7ando a nova l\u00f3gica do Reino, abra\u00e7ando a cruz e oferecendo generosamente a nossa vida. A alegria e a felicidade crist\u00e3 n\u00e3o se constroem pela aus\u00eancia de dificuldades e obst\u00e1culos, mas abra\u00e7ando a totalidade da nossa vida como lugar de seguimento do Mestre. Deste modo, acolhendo os desafios da Liturgia da Palavra deste Domingo, esta celebra\u00e7\u00e3o pode constituir-se como oportunidade para recordar que os santos que celebramos entre gestos e tradi\u00e7\u00f5es festivas s\u00e3o homens que souberam viver a partir da sabedoria da cruz. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 no Tempo Comum, <\/strong>continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Zacarias 12,10-11;13,1<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eis o que diz o Senhor:<br \/>\n\u00abSobre a casa de David e os habitantes de Jerusal\u00e9m<br \/>\nderramarei um esp\u00edrito de piedade e de s\u00faplica.<br \/>\nAo olhar para Mim, a quem trespassaram,<br \/>\nlamentar-se-\u00e3o como se lamenta um filho \u00fanico,<br \/>\nchorar\u00e3o como se chora o primog\u00e9nito.<br \/>\nNaquele dia, haver\u00e1 grande pranto em Jerusal\u00e9m,<br \/>\ncomo houve em Hadad-Rimon, na plan\u00edcie de Megido.<br \/>\nNaquele dia, jorrar\u00e1 uma nascente para a casa de David<br \/>\ne para os habitantes de Jerusal\u00e9m,<br \/>\na fim de lavar o pecado e a impureza.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelos dados que nos \u00e9 poss\u00edvel apurar, a partir do livro que a tradi\u00e7\u00e3o lhe atribui, o profeta Zacarias, filho de Baraquias (cf. Zc 1,1.7), exerceu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica em Jerusal\u00e9m, no p\u00f3s-ex\u00edlio, na \u00e9poca do rei persa Dario. A miss\u00e3o de Zacarias prolongou-se por cerca de dois anos (entre 520 e 518 a.C.). Foi contempor\u00e2neo do profeta Ageu. Teve um papel preponderante na reconstru\u00e7\u00e3o do Templo de Jerusal\u00e9m, juntamente com Ageu (cf. Esd 5,1; 6,14). Na linha dos grandes profetas, prega a convers\u00e3o, formula exig\u00eancia \u00e9ticas, critica o culto vazio e injusto. Refere-se \u00e0 vinda de um enviado, a que chama \u201cG\u00e9rmen\u201d (cf. Zc 3,8), atrav\u00e9s do qual Deus afastar\u00e1 a iniquidade do pa\u00eds \u201cnum \u00fanico dia\u201d. O Templo ir\u00e1 ser reconstru\u00eddo (cf. Zc 1,16-17), a Terra ser\u00e1 purificada e Jerusal\u00e9m voltar\u00e1 a ser a cidade onde Deus reside no meio do seu Povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a mensagem \u201cdeste\u201d Zacarias apareceria apenas nos cap. 1 a 8. Os cap. 9 a 14 parecem ser uma outra cole\u00e7\u00e3o de textos, que prov\u00eam de um ou, mais provavelmente, de v\u00e1rios autores tardios. Costuma falar-se deste conjunto de textos usando a designa\u00e7\u00e3o \u201cDeutero-Zacarias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns situam este bloco na \u00e9poca de Alexandre Magno (332-300 a. C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como primeira leitura neste d\u00e9cimo segundo domingo comum integra o bloco do Deutero-Zacarias (cf. Zc 9,1-14,21). Mais especificamente, faz parte de um conjunto de or\u00e1culos (cf. Zc 12,1-14,21) que se referem \u00e0 salva\u00e7\u00e3o e gl\u00f3ria de Jerusal\u00e9m. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehoniano<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil determinar, a partir do texto de Zacarias, quem \u00e9 esse misterioso \u201ctrespassado\u201d de cuja morte o povo de Jud\u00e1 \u00e9 respons\u00e1vel. No entanto, essa figura faz-nos pensar em tantos e tantos \u201cprofetas\u201d que, ao longo dos s\u00e9culos, t\u00eam dado testemunho da verdade de Deus no mundo e que, por causa do seu testemunho inc\u00f3modo, s\u00e3o incompreendidos, contestados, ridicularizados, condenados e at\u00e9 mesmo assassinados. Em muitos casos, s\u00f3 tarde de mais os homens conseguem perceber a verdade das palavras e do testemunho desses arautos de Deus. At\u00e9 na comunidade crist\u00e3 temos por vezes dificuldade em perceber que essas figuras inc\u00f3modas que abalam a nossa \u201cordem\u201d, que p\u00f5em em causa as nossas certezas e seguran\u00e7as, que mexem com a nossa \u201cf\u00e9\u201d certinha e morna, muitas vezes s\u00e3o-nos enviados por Deus para nos pedir uma maior fidelidade ao Evangelho. Conhecemos figuras destas? Como as tratamos e como acolhemos as suas interpela\u00e7\u00f5es? Deixamo-nos questionar pelos desafios que elas nos trazem, mesmo quando isso p\u00f5e em causa o estilo de vida que levamos e os valores sobre os quais assentamos a nossa exist\u00eancia?<\/li>\n<li>No texto de Zacarias, Deus parece identificar-se com este \u201ctrespassado\u201d (\u201cao olhar para Mim, a quem trespassaram\u201d). Os que trataram mal o \u201cprofeta\u201d trataram mal a Deus; os que ignoraram o \u201cprofeta\u201d ignoraram o pr\u00f3prio Deus; os que rejeitaram o \u201cprofeta\u201d rejeitaram o pr\u00f3prio Deus. Temos consci\u00eancia de que recusar os desafios que o \u201cprofeta\u201d nos traz \u00e9 recusar as propostas e as indica\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio Deus? Por outro lado, a identifica\u00e7\u00e3o de Deus com o \u201cprofeta\u201d significa que este nunca estar\u00e1 s\u00f3 face ao \u00f3dio do mundo. Deus est\u00e1 do lado dele e far\u00e1 com que a maldade, a mentira e a morte n\u00e3o tenham a \u00faltima palavra. Acreditamos que o testemunho prof\u00e9tico, mesmo quando cumprido na dor e na incompreens\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 um fracasso, mas \u00e9 fonte de vida nova para os homens e para o mundo?<\/li>\n<li>Quem, \u00e9 chamado a ser \u201cprofeta\u201d? Todos os homens e mulheres a quem Deus pede que sejam no mundo testemunhas do Bem e da Verdade. Isto inclui naturalmente todos aqueles que, no dia do seu batismo, foram ungidos com o \u00f3leo do Crisma e constitu\u00eddos \u201cprofetas\u201d \u00e0 imagem de Jesus. Eles receberam, nesse dia, a miss\u00e3o de serem no mundo sinais de Deus, da verdade de Deus, da luz de Deus. Como temos \u201ccumprido\u201d e vivido a nossa miss\u00e3o prof\u00e9tica? Na fidelidade e no compromisso, ou na pregui\u00e7a e no comodismo? No medo que paralisa, ou na inquebrant\u00e1vel confian\u00e7a no Deus que est\u00e1 ao nosso lado? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 62 (63)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:<\/strong><strong> A minha alma tem sede de V\u00f3s, meu Deus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Senhor, sois o meu Deus: desde a autora Vos procuro.<br \/>\nA minha alma tem sede de V\u00f3s.<br \/>\nPor V\u00f3s suspiro,<br \/>\ncomo terra \u00e1rida, sequiosa, sem \u00e1gua.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quero contemplar-Vos no santu\u00e1rio,<br \/>\npara ver o vosso poder e a vossa gl\u00f3ria.<br \/>\nA vossa gra\u00e7a vale mais que a vida:<br \/>\npor isso os meus l\u00e1bios h\u00e3o de cantar-Vos louvores.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assim Vos bendirei toda a minha vida<br \/>\ne em vosso louvor levantarei as m\u00e3os.<br \/>\nSerei saciado com saborosos manjares<br \/>\ne com vozes de j\u00fabilo Vos louvarei.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Porque Vos tornastes o meu ref\u00fagio,<br \/>\nexulto \u00e0 sombra das vossas asas.<br \/>\nUnido a V\u00f3s estou, Senhor,<br \/>\na vossa m\u00e3o me serve de amparo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>G\u00e1latas 3,26-29<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todos v\u00f3s sois filhos de Deus<br \/>\npela f\u00e9 em Jesus Cristo,<br \/>\nporque todos v\u00f3s, que fostes batizados em Cristo,<br \/>\nfostes revestidos de Cristo.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 judeu nem grego, n\u00e3o h\u00e1 escravo nem livre,<br \/>\nn\u00e3o h\u00e1 homem nem mulher;<br \/>\ntodos v\u00f3s sois um s\u00f3 em Cristo Jesus.<br \/>\nMas, se pertenceis a Cristo,<br \/>\nsois ent\u00e3o descend\u00eancia de Abra\u00e3o,<br \/>\nherdeiros segundo a promessa.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os g\u00e1latas eram um povo de origem c\u00e9ltica que, nos come\u00e7os do s\u00e9c. III a.C., se dirigiu para oriente, atravessou a Maced\u00f3nia e chegou \u00e0 \u00c1sia Menor (atual Turquia). Depois de algumas vicissitudes, os g\u00e1latas fixaram-se nos planaltos da Anat\u00f3lia, no cora\u00e7\u00e3o da \u00c1sia Menor, na regi\u00e3o de Ancira (atual Ancara), que se tornou a capital do reino g\u00e1lata. Em 189 a.C., os g\u00e1latas instalados nessa regi\u00e3o foram derrotados pelos romanos; mas foi-lhes concedida ampla autonomia. O rei G\u00e1lata Amintas, ao morrer (ano 25 a.C.), legou a Roma os seus territ\u00f3rios. Desde ent\u00e3o, a Gal\u00e1cia ficou sendo prov\u00edncia romana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos refere-se a mais do que uma passagem de Paulo na regi\u00e3o da Gal\u00e1cia. No decurso da sua primeira viagem apost\u00f3lica, Paulo evangelizara j\u00e1 o sul da prov\u00edncia romana da Gal\u00e1cia: Pis\u00eddia, Lica\u00f3nia, Fr\u00edgia (cf. At 13,14-25); mas foi nas suas segunda e terceira viagem mission\u00e1ria que ele passou pelo norte da regi\u00e3o da Gal\u00e1cia (cf. At 16,6; 18,23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta aos G\u00e1latas sugere que o ap\u00f3stolo, ao atravessar a Gal\u00e1cia, se deteve algum tempo na regi\u00e3o, afetado por um problema de sa\u00fade (cf. Gl 4,13). Acolhido pela generosa hospitalidade das gentes da regi\u00e3o, Paulo anunciou-lhes o Evangelho. Do an\u00fancio de Paulo nasceram diversas comunidades crist\u00e3s. No entanto, Paulo n\u00e3o teve ent\u00e3o oportunidade de ficar entre os g\u00e1latas muito tempo, deixando-lhes uma prepara\u00e7\u00e3o crist\u00e3 incipiente. Teria sido no decurso da sua terceira viagem mission\u00e1ria que Paulo escreveu aos g\u00e1latas, instruindo-os sobre diversas quest\u00f5es da f\u00e9. Estar\u00edamos a\u00ed pelos anos 56-57, pouco antes da reda\u00e7\u00e3o da Carta aos Romanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 que motivou Paulo a escrever esta carta? O ap\u00f3stolo soube, a dada altura, que alguns pregadores crist\u00e3os tinham passado nas comunidades crist\u00e3s da Gal\u00e1cia e deixado um rasto de confus\u00e3o. Por aquilo que Paulo diz na Carta, percebe-se perfeitamente que se trata de \u201cjudaizantes\u201d: crist\u00e3os de origem judaica que procuravam impor a pr\u00e1tica da Lei de Mois\u00e9s (cf. Gl 3,2; 4,21; 5,4) e, em particular, a circuncis\u00e3o (cf. Gl 2,3-4; 5,2; 6,12). Esses \u201cjudaizantes\u201d condenavam Paulo e afirmavam que ele n\u00e3o estava em comunh\u00e3o com os outros ap\u00f3stolos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo estava convencido de que a circuncis\u00e3o n\u00e3o era importante para a ades\u00e3o a Cristo. A Lei moisaica tinha sido superada pela novidade de Jesus Cristo. Os g\u00e1latas n\u00e3o deviam deixar-se enganar por aqueles que queriam impor-lhes a observ\u00e2ncia da Lei de Mois\u00e9s. Paulo avisa que, tanto os ritos judaizantes, como os rituais laxistas do paganismo, apenas prender\u00e3o os g\u00e1latas numa escravatura da qual Cristo j\u00e1 os tinha libertado. O tom de Paulo \u00e9 firme e veemente: era a liberdade dos g\u00e1latas que estava em causa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste domingo nos prop\u00f5e como segunda leitura integra a segunda parte da Carta aos G\u00e1latas (cf. Gl 2,15-4,31). Nesta sec\u00e7\u00e3o, Paulo desenvolve o tema central da carta: a salva\u00e7\u00e3o chega-nos por Jesus Cristo, que deu a sua vida para libertar os homens do pecado. Quem salva \u00e9 Cristo e n\u00e3o a Lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos vers\u00edculos que antecedem o nosso texto, Paulo comparara a Lei a um \u201ccarcereiro\u201d (cf. Gl 3,23) e a um \u201cpedagogo\u201d greco-romano (cf. Gl 3,24). Estas duas imagens s\u00e3o bem elucidativas: o carcereiro da \u00e9poca era, com muita frequ\u00eancia, exemplo de crueldade; o pedagogo (geralmente um escravo pouco instru\u00eddo que acompanhava a crian\u00e7a \u00e0 escola e a mantinha disciplinada) tamb\u00e9m n\u00e3o era muito apreciado e evocava a imagem de reprimendas e castigos. \u00c9 verdade, considera Paulo (cf. Gl 3,25), que \u00e9 melhor ser conduzido pela m\u00e3o do que perder-se no caminho; mas seria uma estupidez aspirar a viver sempre no c\u00e1rcere ou considerar como um ideal ser sempre conduzido pela m\u00e3o de um tutor, sem experimentar a liberdade. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O que \u00e9 um \u201ccrist\u00e3o\u201d? \u00c9 algu\u00e9m cujo nome consta do livro de registos de batismo de uma determinada par\u00f3quia? \u00c9 algu\u00e9m que, uma vez por semana, no \u201cdia do Senhor\u201d, \u201cassiste\u201d \u00e0 eucaristia e depois considera a sua viv\u00eancia crist\u00e3 \u201carrumada\u201d por toda a semana? \u00c9 algu\u00e9m que \u201ccumpre\u201d regularmente os mandamentos da Igreja? \u00c9 algu\u00e9m com liga\u00e7\u00e3o direta a alguns \u201csantinhos\u201d que s\u00e3o a grande refer\u00eancia da sua f\u00e9? Para Paulo, o \u201ccrist\u00e3o\u201d \u00e9 simplesmente aquele que, no dia do seu batismo, se \u201crevestiu\u201d de Cristo e nunca mais despiu essa \u201cveste\u201d; \u00e9 aquele que faz de Cristo a sua refer\u00eancia: vive de Cristo e em comunh\u00e3o com Cristo, escuta as palavras de Cristo, caminha ao ritmo de Cristo, cultiva os valores de Cristo, faz da vida um dom de amor a Deus e aos homens, como Cristo fez. Como \u00e9 que eu sou \u201ccrist\u00e3o\u201d? Que lugar ocupa Jesus Cristo no quadro da minha f\u00e9?<\/li>\n<li>\u201cRevestir-se de Cristo\u201d \u00e9 libertar-se de tudo aquilo que nos torna escravos: o ego\u00edsmo, o orgulho, a autossufici\u00eancia, a gan\u00e2ncia, o comodismo, a ambi\u00e7\u00e3o desmedida, a viol\u00eancia, o \u00f3dio, as m\u00e1s a\u00e7\u00f5es\u2026 Numa das suas cartas, Paulo convida os crist\u00e3os a despirem-se \u201cdo homem velho, com as suas a\u00e7\u00f5es\u201d, e a revestirem-se \u201cdo Homem novo\u201d, isto \u00e9, o homem que vive revestido \u201cde sentimentos de miseric\u00f3rdia, de bondade, de humildade, de mansid\u00e3o, de paci\u00eancia\u201d (Cl 3,9-12). De que estamos vestidos? Aqueles que caminham ao nosso lado e que lidam connosco a cada instante, que dizem de n\u00f3s? Reconhecem Cristo em n\u00f3s, no que fazemos, no que dizemos, no que sentimos, no que testemunhamos?<\/li>\n<li>A identifica\u00e7\u00e3o com Cristo faz de todos os batizados iguais em dignidade. Na comunidade de Jesus, portanto, n\u00e3o faz sentido qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o h\u00e1 judeu nem grego, n\u00e3o h\u00e1 escravo nem livre, n\u00e3o h\u00e1 homem ou mulher\u201d; todos s\u00e3o \u201cum s\u00f3 em Cristo Jesus\u201d. N\u00f3s crist\u00e3os temos sabido tirar as consequ\u00eancias deste facto? Como acolhemos os mais humildes, os estrangeiros, os divorciados recasados, os desprezados, os sem voz e sem vez na sociedade ou nas Igrejas? Como acolhemos e como integramos os \u201cdiferentes\u201d, aqueles que t\u00eam vidas consideradas \u201cirregulares\u201d, aqueles que a sociedade condena? A nossa comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma casa \u201cde todos\u201d e \u201cpara todos\u201d?<\/li>\n<li>Paulo, por diversas vezes, entrou em pol\u00e9mica com os crist\u00e3os de origem judaica que viviam agarrados a pr\u00e1ticas herdadas da lei de Mois\u00e9s e que consideravam que, sem elas, ningu\u00e9m podia ter acesso \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Para Paulo, a salva\u00e7\u00e3o era um puro dom de Deus, oferecido aos homens atrav\u00e9s de Jesus Cristo; e, na viv\u00eancia da f\u00e9, ficar agarrado a h\u00e1bitos enraizados, a preconceitos descabidos, a tradi\u00e7\u00f5es datadas, a rituais obsoletos, era algo que n\u00e3o fazia sentido nem ajudava a viver a f\u00e9 como uma experi\u00eancia de liberdade e de vida plena. Como \u00e9 que Paulo consideraria hoje algumas das nossas formas de viver a f\u00e9, algumas das nossas pr\u00e1ticas de piedade, algumas das nossas tradi\u00e7\u00f5es religiosas? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 9,18-24<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um dia, Jesus orava sozinho,<br \/>\nestando com Ele apenas os disc\u00edpulos.<br \/>\nEnt\u00e3o perguntou-lhes:<br \/>\n\u00abQuem dizem as multid\u00f5es que Eu sou?\u00bb<br \/>\nEles responderam:<br \/>\n\u00abUns, Jo\u00e3o Baptista; outros, que \u00e9s Elias;<br \/>\ne outros, que \u00e9s um dos antigos<br \/>\nprofetas que ressuscitou\u00bb.<br \/>\nDisse-lhes Jesus:<br \/>\n\u00abE v\u00f3s, quem dizeis que Eu sou?\u00bb<br \/>\nPedro tomou a palavra e respondeu:<br \/>\n\u00ab\u00c9s o Messias de Deus\u00bb.<br \/>\nEle, por\u00e9m, proibiu-lhes severamente<br \/>\nde o dizerem fosse a quem fosse<br \/>\ne acrescentou:<br \/>\n\u00abO Filho do homem tem de sofrer muito,<br \/>\nser rejeitado pelos anci\u00e3os,<br \/>\npelos pr\u00edncipes dos sacerdotes e pelos escribas;<br \/>\ntem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia\u00bb.<br \/>\nDepois, dirigindo-Se a todos, disse:<br \/>\n\u00abSe algu\u00e9m quiser vir comigo,<br \/>\nrenuncie a si mesmo,<br \/>\ntome a sua cruz todos os dias e siga-Me.<br \/>\nPois quem quiser salvar a sua vida, h\u00e1 de perd\u00ea-la;<br \/>\nmas quem perder a sua vida por minha causa,<br \/>\nsalv\u00e1-la-\u00e1\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio que o Evangelho deste domingo nos apresenta \u00e9 comum aos tr\u00eas Sin\u00f3ticos. Mateus e Marcos situam-no na regi\u00e3o de Cesareia de Filipe (cf. Mt 16,13-20; Mc 8,27-30), a cidade constru\u00edda por Herodes Filipe no in\u00edcio da era crist\u00e3, localizada no Norte da Galileia, no sop\u00e9 do Monte Hermon, junto de uma das nascentes do rio Jord\u00e3o (na zona da atual B\u00e2nias); Lucas, contudo, n\u00e3o se preocupa em indicar o lugar geogr\u00e1fico onde decorreu este di\u00e1logo entre Jesus e os disc\u00edpulos. Refere somente que Jesus tinha ido orar e que os disc\u00edpulos estavam com Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos na fase final da etapa da Galileia. At\u00e9 agora Jesus tinha andado pelas vilas e aldeias da Galileia a cumprir o seu programa e a levar a Boa Nova aos pobres, aos marginalizados, aos oprimidos (cf. Lc 4,16-21). Rodeavam-no alguns disc\u00edpulos, gente que se tinha encontrado com Ele, que tinha escutado o seu an\u00fancio do Reino de Deus e que tinha decidido embarcar nessa aventura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cumprida a etapa da Galileia, o projeto devia avan\u00e7ar para uma nova fase. Jesus tinha agora a inten\u00e7\u00e3o de se dirigir a Jerusal\u00e9m e de enfrentar as autoridades judaicas. Era em Jerusal\u00e9m que tudo se ia decidir; era l\u00e1 que se consumaria o \u00eaxito ou o fracasso do Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de come\u00e7ar a caminhar para Jerusal\u00e9m, Jesus questiona os disc\u00edpulos. Depois de tudo o que tinham testemunhado, que pensavam eles de Jesus e do seu projeto? Como \u00e9 que eles viam Jesus? Estariam dispon\u00edveis para O seguir at\u00e9 Jerusal\u00e9m e para ficar ao lado d\u2019Ele quando chegasse o momento de enfrentar a cruz? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Quem \u00e9 Jesus? Como \u00e9 que os homens do s\u00e9c. XXI o veem? Muitos dos nossos contempor\u00e2neos \u2013 crentes, agn\u00f3sticos ou mesmo ateus \u2013 veem em Jesus um homem bom, generoso, atento aos sofrimentos dos outros, que sonhou com um mundo diferente; outros veem em Jesus um admir\u00e1vel \u201cmestre\u201d de moral, que tinha uma proposta de vida \u201cinteressante\u201d, mas que n\u00e3o conseguiu impor os seus valores; alguns veem em Jesus um admir\u00e1vel condutor de massas, que acendeu a esperan\u00e7a nos cora\u00e7\u00f5es das multid\u00f5es carentes e \u00f3rf\u00e3s, mas que passou de moda quando as multid\u00f5es deixaram de se interessar pelo fen\u00f3meno; outros, ainda, veem em Jesus um revolucion\u00e1rio, ing\u00e9nuo e inconsequente, preocupado em construir uma sociedade mais justa e mais livre, que procurou promover os pobres e os marginais e que foi eliminado pelos poderosos, preocupados em manter o \u201cstatus quo\u201d. Que achamos destas \u201cvis\u00f5es\u201d sobre Jesus? Consideramo-las redutoras, ou exatas? Jesus ter\u00e1 sido apenas um \u201chomem\u201d que deixou a sua pegada na hist\u00f3ria humana, como tantos outros que a hist\u00f3ria absorveu e digeriu?<\/li>\n<li>\u201cE v\u00f3s, quem dizeis que Eu sou?\u201d \u2013 perguntou Jesus diretamente aos seus disc\u00edpulos nos arredores de Cesareia de Filipe. \u00c9 uma pergunta decisiva, que deve ecoar, de forma constante, nos ouvidos e no cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos de Jesus de todas as \u00e9pocas. A nossa resposta a esta quest\u00e3o n\u00e3o pode ficar-se pela repeti\u00e7\u00e3o papagueada de velhas f\u00f3rmulas que aprendemos na catequese, ou pela reprodu\u00e7\u00e3o impessoal de uma defini\u00e7\u00e3o tirada de um qualquer tratado de teologia. A quest\u00e3o vai dirigida ao \u00e2mago do nosso ser e exige uma tomada de posi\u00e7\u00e3o pessoal, um pronunciamento sincero, sobre a forma como Jesus toca a nossa vida. A resposta a esta quest\u00e3o \u00e9 o passo mais importante e decisivo na vida de cada crist\u00e3o. Quem \u00e9 Jesus para n\u00f3s? Que lugar ocupa Ele na nossa exist\u00eancia? Que valor damos \u00e0s suas propostas? Que import\u00e2ncia assumem os seus valores nas nossas op\u00e7\u00f5es de vida? Jesus \u00e9, para n\u00f3s, a grande refer\u00eancia, o vetor \u00e0 volta do qual o nosso mundo se constr\u00f3i? Ele \u00e9 para n\u00f3s, de facto, \u201ccaminho, verdade e vida\u201d?<\/li>\n<li>Jesus veio ter connosco para concretizar os planos do Pai e propor aos homens \u2013 atrav\u00e9s do amor, do servi\u00e7o, do dom da vida \u2013 o caminho da salva\u00e7\u00e3o. Plenamente identificado e conformado com o projeto do Pai, Jesus n\u00e3o d\u00e1 mostras de querer fugir ao seu destino de cruz; disp\u00f5e-se, com consci\u00eancia plena do que O espera, a caminhar para Jerusal\u00e9m, a enfrentar as autoridades civis e religiosas, a dar a pr\u00f3pria vida para que seja poss\u00edvel o nascimento do Reino de Deus. Que significado e que lugar ocupam na nossa vida os projetos de Deus? Esfor\u00e7amo-nos, como Jesus, por descobrir a vontade de Deus a nosso respeito e a respeito do mundo? Mantemo-nos atentos, em cada passo do nosso caminho, a esses \u201csinais dos tempos\u201d atrav\u00e9s dos quais Deus nos interpela? Somos capazes de acolher e de viver com fidelidade e radicalidade as propostas de Deus, mesmo quando elas s\u00e3o exigentes e v\u00e3o contra os nossos interesses e projetos pessoais?<\/li>\n<li>O que \u00e9 que faz de n\u00f3s verdadeiros disc\u00edpulos de Jesus? Muitos de n\u00f3s receberam uma catequese que insistia em ritos, em f\u00f3rmulas, em pr\u00e1ticas de piedade, em determinadas obriga\u00e7\u00f5es legais, mas que nem sempre punha em relevo o essencial do cristianismo: o seguimento de Jesus. No entanto, a identidade crist\u00e3 constr\u00f3i-se \u00e0 volta de Jesus, do seu Evangelho, da sua proposta de vida. Sentimo-nos verdadeiramente disc\u00edpulos de Jesus? Estamos dispon\u00edveis, de alma e cora\u00e7\u00e3o, para ir atr\u00e1s d\u2019Ele no caminho da doa\u00e7\u00e3o da vida e do amor at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias?<\/li>\n<li>Jesus convida os seus disc\u00edpulos a renunciarem a si mesmos\u2026 O que \u00e9 \u201crenunciar a si mesmo\u201d? \u00c9 n\u00e3o deixar que o ego\u00edsmo, o orgulho, o comodismo, a autossufici\u00eancia, a ambi\u00e7\u00e3o, a mentira, dominem a nossa vida. O seguidor de Jesus n\u00e3o vive fechado na sua zona de seguran\u00e7a, a olhar para si mesmo, indiferente aos dramas que se passam \u00e0 sua volta, insens\u00edvel \u00e0s necessidades dos irm\u00e3os, alheado das lutas e reivindica\u00e7\u00f5es dos outros homens; mas vive para Deus e na solidariedade, na partilha e no servi\u00e7o aos irm\u00e3os. At\u00e9 que ponto estamos dispon\u00edveis para renunciar a n\u00f3s mesmos e para colocar a nossa vida ao servi\u00e7o do projeto de Deus?<\/li>\n<li>Jesus tamb\u00e9m convida os seus disc\u00edpulos a tomarem a cruz\u2026 O que \u00e9 \u201ctomar a cruz\u201d? \u00c9 amar at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, at\u00e9 \u00e0 morte, se for necess\u00e1rio; \u00e9 gastar cada instante da vida a servir, a amar, a cuidar, a fazer o bem\u2026 O seguidor de Jesus \u00e9 aquele que est\u00e1 disposto a dar a vida para que os seus irm\u00e3os sejam mais livres e mais felizes. Por isso, o crist\u00e3o n\u00e3o tem medo de lutar contra a injusti\u00e7a, a explora\u00e7\u00e3o, a mis\u00e9ria, o pecado, mesmo que isso signifique enfrentar a morte, a tortura, as repres\u00e1lias dos poderosos. Aceitamos tomar cada dia a nossa cruz e a viver para os outros, como Jesus?<\/li>\n<li>De acordo com o testemunho de Lucas, Jesus mantinha um di\u00e1logo frequente e pr\u00f3ximo com o Pai. Era nesses momentos de ora\u00e7\u00e3o que Ele sentia especialmente o amor do Pai, tomava consci\u00eancia do projeto do Pai e adquiria a for\u00e7a para obedecer incondicionalmente ao Pai. \u00c9 na ora\u00e7\u00e3o que n\u00f3s procuramos perceber a vontade de Deus e encontrar o caminho do amor e do dom da vida? Nos momentos das decis\u00f5es importantes da nossa vida, sentimos a necessidade de dialogar com Deus e de escutar o que Ele tem para nos dizer? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora breves, as leituras deste Domingo n\u00e3o devem permitir que se descuide a sua prepara\u00e7\u00e3o, mas, pelo contr\u00e1rio, exigem um acurado cuidado para uma adequada proclama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>primeira leitura<\/strong>, o Senhor dirige-se ao Seu Povo por meio do profeta. \u00c9 o an\u00fancio de que o dia de pranto e lamento ser\u00e1 tamb\u00e9m o dia em que Deus ir\u00e1 lavar o pecado do Seu Povo. Por isso, a proclama\u00e7\u00e3o deste texto deve ser marcada pelo tom prof\u00e9tico de an\u00fancio deste dia tremendo e glorioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> exige uma leitura pausada e uma especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pausas e respira\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, neste curto texto, a palavra Cristo aparece por cinco vezes. Na proclama\u00e7\u00e3o de um texto, as repeti\u00e7\u00f5es devem ser valorizadas pois \u00e9 intencional a sua coloca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Leitura-I-do-Domingo-XXII-do-Tempo-Comum-Ano-C-22.06.2025-Zacarias-12-10-11_131.pdf\">Leitura I do Domingo XXII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 22.06.2025 (Zacarias 12, 10-11_13,1)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Leitura-II-do-Domingo-XII-do-Tempo-Comum-Ano-C-22.06.2025-Galatas-3-26-29.pdf\">Leitura II do Domingo XII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 22.06.2025 (G\u00e1latas 3, 26-29)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Santissimo-Corpo-e-Sangue-de-Cristo-Ano-C-19.06.2025-Lecionario.pdf\">Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo &#8211; Ano C &#8211; 19.06.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Santissimo-Corpo-e-Sangue-de-Cristo-Ano-C-19.06.2025-Oracao-Universal.pdf\">Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo &#8211; Ano C &#8211; 19.06.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Domingo-XII-do-Tempo-Comum-Ano-C-22.06.2025-Lecionario.pdf\">Domingo XII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 22.06.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Domingo-XII-do-Tempo-Comum-Ano-C-22.06.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 22.06.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Domingo-XII-do-Tempo-Comum-Ano-C-22.06.2025-refletindo.pdf\">Domingo XII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 22.06.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/A-Mesa-da-Palavra-TC-Domingo-XII.pdf\">A Mesa da Palavra TC Domingo XII<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Solenidade da Sant\u00edssima Trindade \u2013 Ano C \u2013 15 junho 2025&#8243; tab_id=&#8221;1750667971684-bbf039d9-ae3b&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Solenidade da Sant\u00edssima Trindade &#8211; Ano C \u2013 15 junho 2025<\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/sstrindade.jpg\" alt=\"\" width=\"548\" height=\"308\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DEUS!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com toda a certeza, esta \u00e9 a palavra sobre a qual mais se escreveu ao longo da hist\u00f3ria. Grandes tratados demonstrando a sua exist\u00eancia. In\u00fameros escritos que negam quer a necessidade do divino, quer a necessidade de rela\u00e7\u00e3o com ele. Mas como \u00e9 Deus em si mesmo? Como \u00e9 que Deus se relaciona connosco?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 ineg\u00e1vel que no mais \u00edntimo do cora\u00e7\u00e3o humano reside um desejo de plenitude e de transcend\u00eancia. Na verdade, como nos recorda S. Agostinho, o cora\u00e7\u00e3o humano \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o inquieto que n\u00e3o se satisfaz com nada menos do que Deus e \u00e9, precisamente assim, que se torna um cora\u00e7\u00e3o que ama. O nosso cora\u00e7\u00e3o vive inquieto por Deus e n\u00e3o pode ser doutro modo, ainda que hoje o ser humano procure de tantos modos libertar o homem desta inquieta\u00e7\u00e3o. Contudo, como afirmou o Papa Bento XVI na homilia da Solenidade da Epifania, a 6 de janeiro de 2012: \u00ab<em>n\u00e3o somos s\u00f3 n\u00f3s, seres humanos, que vivemos inquietos relativamente a Deus. Tamb\u00e9m o cora\u00e7\u00e3o de Deus vive inquieto relativamente ao homem. Deus espera-nos. Anda \u00e0 nossa procura. Tamb\u00e9m Ele n\u00e3o descansa enquanto n\u00e3o nos tiver encontrado. O cora\u00e7\u00e3o de Deus vive inquieto, e foi por isso que se p\u00f4s a caminho at\u00e9 junto de n\u00f3s \u2013 at\u00e9 Bel\u00e9m, at\u00e9 ao Calv\u00e1rio, de Jerusal\u00e9m at\u00e9 \u00e0 Galileia e aos confins do mundo. Deus vive inquieto connosco!<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este Deus inquieto, que nos ama com amor infinito, que nos criou por amor e por amor nos acompanha nos caminhos da hist\u00f3ria, revela-se em Jesus Cristo e na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo d\u00e1-nos a conhecer o Seu rosto terno e misericordioso. Deste modo, a Solenidade da Sant\u00edssima Trindade \u00e9 a oportunidade de olharmos o cora\u00e7\u00e3o de Deus, de entrarmos no Seu mist\u00e9rio de amor e comunh\u00e3o para nos deixarmos envolver por esta corrente de gra\u00e7a que transforma a vida e o cora\u00e7\u00e3o humano. A miss\u00e3o dos Ap\u00f3stolos foi precisamente esta: acolher a inquieta\u00e7\u00e3o de Deus por cada homem e mulher e levar o pr\u00f3prio Deus ao cora\u00e7\u00e3o dos homens. Como disc\u00edpulos mission\u00e1rios, tamb\u00e9m n\u00f3s hoje somos chamados a deixar-nos tocar por esta inquieta\u00e7\u00e3o de Deus, a fim de que o anseio de Deus pelo homem possa ser satisfeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta solenidade contemplamos o mist\u00e9rio de Deus como mist\u00e9rio de amor e comunh\u00e3o: \u00ab<em>tudo o que o Pai tem \u00e9 meu. Por isso vos disse que Ele [o Esp\u00edrito Santo] receber\u00e1 do que \u00e9 meu e vo-lo anunciar\u00e1<\/em>\u00bb. Para compreender os vers\u00edculos de S. Jo\u00e3o proclamados no Evangelho desta solenidade, \u00e9 necess\u00e1rio l\u00ea-los no contexto de todo o Evangelho de S. Jo\u00e3o. Desde os primeiros vers\u00edculos, no Pr\u00f3logo, revela-se o desejo de Deus de se comunicar aos homens, revelando-se em Jesus Cristo, a Palavra feita carne pelo poder do Esp\u00edrito Santo, o Sopro Divino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta comunh\u00e3o de amor torna-se para n\u00f3s uma escola na arte de construir e promover a comunh\u00e3o e a fraternidade. Contemplando o Mist\u00e9rio Trinit\u00e1rio, somos convidados a viver como art\u00edfices da unidade e da comunh\u00e3o, na diversidade e pluralidade pr\u00f3pria da nossa condi\u00e7\u00e3o humana. As nossas fam\u00edlias, a Igreja, o Mundo tem muito a aprender e crescer na arte de viver em comunh\u00e3o e estabelecer rela\u00e7\u00f5es harmoniosas e fraternas. Bem sabemos como a solid\u00e3o nos pesa e atemoriza! Ao inv\u00e9s, quando estamos com quem nos quer bem, quando acolhemos e somos acolhidos, sentimo-nos bem e felizes, realizando a nossa voca\u00e7\u00e3o de comunh\u00e3o e fraternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta esperan\u00e7a de um mundo novo, transformado pela \u00ab<em>m\u00edstica de viver juntos<\/em>\u00bb (EG 87), n\u00e3o \u00e9 uma esperan\u00e7a inconsistente ou vazia, mas a certeza de que o Esp\u00edrito Santo promove a comunh\u00e3o e unidade e nos desafia a ser, no mundo e para o mundo, testemunhas da comunh\u00e3o: \u00ab<em>a esperan\u00e7a n\u00e3o engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos cora\u00e7\u00f5es pelo Esp\u00edrito Santo que nos foi dado<\/em>\u00bb. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No <strong>Domingo da Sant\u00edssima Trindade<\/strong> somos convidados pela Liturgia da Palavra a viver como art\u00edfices da comunh\u00e3o e da unidade. A Igreja \u00e9 Povo de Deus reunido na unidade do Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo (LG 4) e, por isso, chamada a testemunhar esta comunh\u00e3o de amor. Deste modo, ao celebrar esta solenidade, cada fam\u00edlia e cada comunidade crist\u00e3 s\u00e3o desafiadas a renovar o seu compromisso de ser testemunhas da alegria da comunh\u00e3o e da beleza de caminhar juntos. No contexto desta celebra\u00e7\u00e3o, podem ser apresentadas alguns desafios concretos e a\u00e7\u00f5es de sa\u00edda mission\u00e1ria que em fam\u00edlia ou em comunidade se podem levar a cabo para que a comunh\u00e3o e unidade que somos chamados a testemunhar n\u00e3o sejam apenas um conjunto de boas inten\u00e7\u00f5es, mas uma realidade concreta na vida e na miss\u00e3o de cada batizado. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 no Tempo Comum, hoje Solenidade da Sant\u00edssima Trindade,<\/strong> continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Prov\u00e9rbios 8,22-31<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura do Livro dos Prov\u00e9rbios<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eis o que diz a Sabedoria de Deus:<br \/>\n\u00abO Senhor me criou como prim\u00edcias da sua actividade,<br \/>\nantes das suas obras mais antigas.<br \/>\nDesde a eternidade fui formada,<br \/>\ndesde o princ\u00edpio, antes das origens da terra.<br \/>\nAntes de existirem os abismos e de brotarem as fontes das \u00e1guas,<br \/>\nj\u00e1 eu tinha sido concebida.<br \/>\nAntes de se implantarem as montanhas e as colinas,<br \/>\nj\u00e1 eu tinha nascido;<br \/>\nainda o Senhor n\u00e3o tinha feito a terra e os campos,<br \/>\nnem os primeiros elementos do mundo.<br \/>\nQuando Ele consolidava os c\u00e9us,<br \/>\neu estava presente;<br \/>\nQuando tra\u00e7ava sobre o abismo a linha do horizonte,<br \/>\nquando condensava as nuvens nas alturas,<br \/>\nquando fortalecia as fontes dos abismos,<br \/>\nquando impunha ao mar os seus limites<br \/>\npara que as \u00e1guas n\u00e3o ultrapassassem o seu termo,<br \/>\nquando lan\u00e7ava os fundamentos da terra,<br \/>\neu estava a seu lado como arquitecto,<br \/>\ncheia de j\u00fabilo, dia ap\u00f3s dia,<br \/>\ndeleitando-me continuamente na sua presen\u00e7a.<br \/>\nDeleitava-me sobre a face da terra<br \/>\ne as minhas del\u00edcias eram estar com os filhos dos homens\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro dos Prov\u00e9rbios apresenta uma cole\u00e7\u00e3o de \u201cditos\u201d, de \u201csenten\u00e7as\u201d, de \u201cm\u00e1ximas\u201d, de \u201cprov\u00e9rbios\u201d (\u201cmashal\u201d), onde se cristaliza o resultado da reflex\u00e3o e da experi\u00eancia (\u201csabedoria\u201d) dos \u201cs\u00e1bios\u201d antigos (israelitas e alguns n\u00e3o israelitas), empenhados em definir as regras para viver bem, para ter \u00eaxito, para ser feliz. Alguns dos materiais a\u00ed apresentados podem ser do s\u00e9c. X a. C.; outros, no entanto, s\u00e3o bem mais recentes.<br \/>\nO texto que nos \u00e9 hoje proposto faz parte de um bloco de \u201cinstru\u00e7\u00f5es\u201d e \u201cadvert\u00eancias\u201d que vai de 1,8 a 9,6. Trata-se da parte mais recente do \u201cLivro dos Prov\u00e9rbios\u201d (segundo os especialistas, n\u00e3o pode ser anterior ao s\u00e9c. IV ou III a. C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cap\u00edtulo 8 do \u201cLivro dos Prov\u00e9rbios\u201d (do qual \u00e9 retirado o texto que hoje nos \u00e9 proposto) apresenta-nos um discurso posto na boca da pr\u00f3pria \u201csabedoria\u201d, como se ela fosse uma pessoa: trata-se de um artif\u00edcio liter\u00e1rio, atrav\u00e9s do qual o autor pretende dar for\u00e7a e intensidade dram\u00e1tica ao convite que ele lan\u00e7a no sentido de acolher e amar a \u201csabedoria\u201d. Na primeira parte desse discurso (vers. 1-11), o autor apresenta o \u201cp\u00falpito\u201d de onde a \u201csabedoria\u201d vai discursar (o cume das montanhas, a encruzilhada dos caminhos, as entradas das cidades, os umbrais das casas), os destinat\u00e1rios da mensagem (todos os homens) e apela \u00e0 escuta das palavras que ela vai pronunciar; na segunda parte (vers. 12-21), o autor apresenta as \u201ccredenciais\u201d da \u201csabedoria\u201d (ela possui a ci\u00eancia, a reflex\u00e3o, o conselho, a equidade, a for\u00e7a) e o pr\u00e9mio reservado \u00e0queles que a acolhem; na terceira parte (vers. 8,22-31) \u2013 que \u00e9 a que nos interessa diretamente \u2013 o autor reflete sobre a origem da sabedoria e a sua fun\u00e7\u00e3o no plano de Deus. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehoniano<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ter em conta, na reflex\u00e3o, os seguintes desenvolvimentos:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A refer\u00eancia ao Deus que tudo criou para n\u00f3s com sabedoria faz-nos pensar num Pai providente e cuidadoso, que tem um projeto bem definido para os homens e para o mundo. Contemplar a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 descobrir, na beleza e na harmonia das obras criadas, esse Pai cheio de bondade e de amor. Somos capazes de nos sentirmos \u201cprovocados\u201d pela cria\u00e7\u00e3o de forma que, atrav\u00e9s dela, descubramos o amor e a bondade de Deus?<\/li>\n<li>Olhando para a obra de Deus, aprendemos que o homem n\u00e3o \u00e9 um concorrente de Deus, nem Deus um advers\u00e1rio do homem. Ao homem compete reconhecer o poder e a grandeza de Deus e entregar-se, confiante, nas m\u00e3os desse Pai que tudo criou com cuidado e que tudo nos entrega com amor. Entregamo-nos nas m\u00e3os d\u2019Ele, n\u00e3o como advers\u00e1rios, mas como crian\u00e7as que confiam incondicionalmente no seu pai?<\/li>\n<li>O desenvolvimento desordenado e a explora\u00e7\u00e3o descontrolada dos recursos da natureza p\u00f5em em causa a harmonia desse \u201cmundo bom\u201d que Deus criou e que nos confiou. Temos o direito de p\u00f4r em causa, por ego\u00edsmo, a obra de Deus?<\/li>\n<li>A contempla\u00e7\u00e3o da obra criada leva ao espanto e ao louvor. Somos capazes de nos extasiarmos diante das coisas que Deus nos oferece e de deixarmos que a nossa admira\u00e7\u00e3o se derrame em louvor e agradecimento? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 8<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Como sois grande em toda a terra,<br \/>\nSenhor, nosso Deus!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando contemplo os c\u00e9us, obra das vossas m\u00e3os,<br \/>\na lua e as estrelas que l\u00e1 colocastes,<br \/>\nque \u00e9 o homem para que Vos lembreis dele,<br \/>\no filho do homem para dele Vos ocupardes?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fizestes dele quase um ser divino,<br \/>\nde honra e gl\u00f3ria o coroastes;<br \/>\ndestes-lhes poder sobre a obra das vossas m\u00e3os,<br \/>\ntudo submetestes a seus p\u00e9s:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ovelhas e bois, todos os rebanhos,<br \/>\ne at\u00e9 os animais selvagens,<br \/>\nas aves do c\u00e9u e os peixes do mar,<br \/>\ntudo o que se move nos oceanos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Romanos 5,1-5<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nTendo sido justificados pela f\u00e9,<br \/>\nestamos em paz com Deus,<br \/>\npor Nosso Senhor Jesus Cristo,<br \/>\npelo qual temos acesso, na f\u00e9,<br \/>\na esta gra\u00e7a em que permanecemos e nos gloriamos,<br \/>\napoiados na esperan\u00e7a da gl\u00f3ria de Deus.<br \/>\nMais ainda, gloriamo-nos nas nossas tribula\u00e7\u00f5es,<br \/>\nporque sabemos que a tribula\u00e7\u00e3o produz a const\u00e2ncia,<br \/>\na const\u00e2ncia a virtude s\u00f3lida,<br \/>\na virtude s\u00f3lida a esperan\u00e7a.<br \/>\nOra a esperan\u00e7a n\u00e3o engana,<br \/>\nporque o amor de Deus foi derramado em nossos cora\u00e7\u00f5es<br \/>\npelo Esp\u00edrito Santo que nos foi dado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Paulo escreve aos romanos, est\u00e1 a terminar a sua terceira viagem mission\u00e1ria e prepara-se para partir para Jerusal\u00e9m. Tinha terminado a sua miss\u00e3o no oriente (cf. Rom 15,19-20) e queria levar o Evangelho ao ocidente. Sobretudo, Paulo aproveita a carta para contactar a comunidade de Roma e apresentar aos romanos e a todos os crentes os principais problemas que o ocupavam (entre os quais sobressa\u00eda a quest\u00e3o da unidade \u2013 um problema bem presente na comunidade de Roma, afetada por alguma dificuldade de relacionamento entre judeo-crist\u00e3os e pagano-crist\u00e3os). Estamos no ano 57 ou 58.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo aproveita, ent\u00e3o, para sublinhar que o Evangelho \u00e9 a for\u00e7a que congrega e que salva todo o crente, sem distin\u00e7\u00e3o de judeu, grego ou romano. Depois de notar que todos os homens vivem mergulhados no pecado (cf. Rom 1,18-3,20), Paulo acentua que \u00e9 a \u201cjusti\u00e7a de Deus\u201d que d\u00e1 vida a todos sem distin\u00e7\u00e3o (cf. Rom 3,1-5,11). Neste texto, que a segunda leitura de hoje nos prop\u00f5e, Paulo refere-se \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Deus, por Cristo e pelo Esp\u00edrito, no sentido de \u201cjustificar\u201d todo o homem. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a reflex\u00e3o da Palavra, considerar as seguintes coordenadas:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Na Solenidade da Sant\u00edssima Trindade, somos convidados a contemplar o amor de um Deus que nunca desistiu dos homens e que sempre soube encontrar formas de vir ao nosso encontro, de fazer caminho connosco. Apesar de os homens insistirem, tantas vezes, no ego\u00edsmo, no orgulho, na autossufici\u00eancia, no pecado, Deus continua a amar e a fazer-nos propostas de vida. Trata-se de um amor gratuito e incondicional, que se traduz em dons n\u00e3o merecidos, mas que, uma vez acolhidos, nos conduzem \u00e0 felicidade plena.<\/li>\n<li>A vinda de Jesus Cristo ao encontro dos homens \u00e9 a express\u00e3o plena do amor de Deus e o sinal de que Deus n\u00e3o nos abandonou nem esqueceu, mas quis at\u00e9 partilhar connosco a precariedade e a fragilidade da nossa exist\u00eancia para nos mostrar como nos tornarmos \u201cfilhos de Deus\u201d e herdeiros da vida em plenitude.<\/li>\n<li>A presen\u00e7a do Esp\u00edrito acentua no nosso tempo \u2013 o tempo da Igreja \u2013 essa realidade de um Deus que continua presente e atuante, derramando o seu amor ao longo do caminho que dia a dia vamos percorrendo e impelindo-nos \u00e0 renova\u00e7\u00e3o, \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o, at\u00e9 chegarmos \u00e0 vida plena do Homem Novo.<\/li>\n<li>Est\u00e1 em moda uma certa atitude de indiferen\u00e7a face a Deus, ao seu amor e \u00e0s suas propostas. Em geral, os homens de hoje preocupam-se mais com os resultados da \u00faltima jornada do campeonato de futebol, ou com as \u00faltimas perip\u00e9cias da \u201ctelenovela das nove\u201d do que com Deus ou com o seu amor. N\u00e3o ser\u00e1 tempo de redescobrirmos o Deus que nos ama, de reconhecermos o seu empenho em conduzir-nos rumo \u00e0 felicidade plena e de aceitarmos essa proposta de caminho que Ele nos faz? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 16,12-15<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S\u00e3o Jo\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\ndisse Jesus aos seus disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abTenho ainda muitas coisas para vos dizer,<br \/>\nmas n\u00e3o as podeis compreender agora.<br \/>\nQuando vier o Esp\u00edrito da verdade,<br \/>\nEle vos guiar\u00e1 para a verdade plena;<br \/>\nporque n\u00e3o falar\u00e1 de Si mesmo,<br \/>\nmas dir\u00e1 tudo o que tiver ouvido<br \/>\ne vos anunciar\u00e1 o que est\u00e1 para vir.<br \/>\nEle Me glorificar\u00e1,<br \/>\nporque receber\u00e1 do que \u00e9 meu<br \/>\ne vo-lo anunciar\u00e1.<br \/>\nTudo o que o Pai tem \u00e9 meu.<br \/>\nPor isso vos disse<br \/>\nque Ele receber\u00e1 do que \u00e9 meu<br \/>\ne vo-lo anunciar\u00e1\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos no contexto da \u00faltima ceia e do discurso de despedida que antecede a \u201chora\u201d de Jesus.<br \/>\nDepois de constituir a comunidade do amor e do servi\u00e7o (cf. Jo 13,1-17) e de apresentar o mandamento fundamental que deve dar corpo \u00e0 vida dessa comunidade (cf. Jo 15,9-17), Jesus vai definir a miss\u00e3o da comunidade no mundo: testemunhar acerca de Jesus, com a ajuda do Esp\u00edrito (cf. Jo 15,26-27).<br \/>\nJesus avisa, no entanto, que o caminho do testemunho deparar\u00e1 com a oposi\u00e7\u00e3o decidida da religi\u00e3o estabelecida e dos poderes de morte que dominam o mundo (cf. Jo 16,1-4a); mas os disc\u00edpulos contar\u00e3o com o Esp\u00edrito: Ele ajud\u00e1-los-\u00e1 e dar-lhes-\u00e1 seguran\u00e7a no meio da persegui\u00e7\u00e3o (cf. Jo 16,8-11). De resto, a comunidade em marcha pela hist\u00f3ria encontrar-se-\u00e1 muitas vezes diante de circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas novas, diante das quais ter\u00e1 de tomar decis\u00f5es pr\u00e1ticas: tamb\u00e9m a\u00ed se ver\u00e1 a presen\u00e7a do Esp\u00edrito, que ajudar\u00e1 a responder aos novos desafios e a interpretar as circunst\u00e2ncias \u00e0 luz da mensagem de Jesus (cf. Jo 16,12-15). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerar os seguintes desenvolvimentos:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O Esp\u00edrito aparece, aqui, como presen\u00e7a divina na caminhada da comunidade crist\u00e3, como essa realidade que potencia a fidelidade din\u00e2mica dos crentes \u00e0s propostas que o Pai, atrav\u00e9s de Jesus, fez aos homens. A Igreja de que fazemos parte tem sabido estar atenta, na sua caminhada hist\u00f3rica, \u00e0s interpela\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito? Ela tem procurado, com a ajuda do Esp\u00edrito, captar a Palavra eterna de Jesus e deixar-se guiar por ela? Tem sabido, com a ajuda do Esp\u00edrito, continuar em comunh\u00e3o com Jesus? Tem-se esfor\u00e7ado, com a ajuda do Esp\u00edrito, por responder \u00e0s interpela\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria e por atualizar, face aos novos desafios que o mundo lhe coloca, a proposta de Jesus?<\/li>\n<li>Sobretudo, somos convidados a contemplar o mist\u00e9rio de um Deus que \u00e9 amor e que, atrav\u00e9s do plano de salva\u00e7\u00e3o\/liberta\u00e7\u00e3o do Pai, tornado realidade viva e humana em Jesus, e continuado pelo Esp\u00edrito presente na caminhada dos crentes, nos conduz para a vida plena do amor e da felicidade total \u2013 a vida do Homem Novo, a vida da comunh\u00e3o e do amor em plenitude.<\/li>\n<li>A celebra\u00e7\u00e3o da Solenidade da Trindade n\u00e3o pode ser a tentativa de compreender e decifrar essa estranha charada de \u201cum em tr\u00eas\u201d. Mas deve ser, sobretudo, a contempla\u00e7\u00e3o de um Deus que \u00e9 amor e que \u00e9, portanto, comunidade. Dizer que h\u00e1 tr\u00eas pessoas em Deus, como h\u00e1 tr\u00eas pessoas numa fam\u00edlia \u2013 pai, m\u00e3e e filho \u2013 \u00e9 afirmar tr\u00eas deuses e \u00e9 negar a f\u00e9; inversamente, dizer que o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito s\u00e3o tr\u00eas formas de apresentar o mesmo Deus, como tr\u00eas fotografias do mesmo rosto, \u00e9 negar a distin\u00e7\u00e3o das tr\u00eas pessoas e \u00e9, tamb\u00e9m, negar a f\u00e9. A natureza divina de um Deus amor, de um Deus fam\u00edlia, de um Deus comunidade, expressa-se na nossa linguagem imperfeita das tr\u00eas pessoas. O Deus fam\u00edlia torna-se trindade de pessoas distintas, por\u00e9m unidas. Chegados aqui, temos de parar, porque a nossa linguagem finita e humana n\u00e3o consegue \u201cdizer\u201d o mist\u00e9rio de Deus.<\/li>\n<li>As nossas comunidades crist\u00e3s s\u00e3o, realmente, a express\u00e3o desse Deus que \u00e9 amor e que \u00e9 comunidade \u2013 onde a unidade significa amor verdadeiro, que respeita a identidade e a especificidade do outro, numa experi\u00eancia verdadeira de amor, de partilha, de fam\u00edlia, de comunidade? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 marcada por um tom po\u00e9tico, carregado de imagens e simbolismo, que exige uma acurada prepara\u00e7\u00e3o para uma melhor compreens\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quer <strong>a primeira, quer a segunda leitura<\/strong>, s\u00e3o constitu\u00eddas por frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es que exigem aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pausas e \u00e0 respira\u00e7\u00e3o, para uma melhor articula\u00e7\u00e3o do texto e uma mais eficaz proclama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Leitura-I-da-Solenidade-da-Santissima-Trindade-Ano-C-15.06.2025-Proverbios-8-22-31.pdf\">Leitura I da Solenidade da Sant\u00edssima Trindade &#8211; Ano C &#8211; 15.06.2025 (Prov\u00e9rbios 8, 22-31)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Leitura-II-da-Solenidade-da-Santissima-Trindade-Ano-C-15.06.2025-Romanos-5-1-5.pdf\">Leitura II da Solenidade da Santissima Trindade &#8211; Ano C &#8211; 15.06.2025 (Romanos 5, 1-5)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Solenidade-da-Santissima-Trindade-Ano-C-15.06.2025-Lecionario.pdf\">Solenidade da Sant\u00edssima Trindade &#8211; Ano C &#8211; 15.06.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Solenidade-da-Santissima-Trindade-Ano-C-15.06.2025-Oracao-Universal.pdf\">Solenidade da Sant\u00edssima Trindade &#8211; Ano C &#8211; 15.06.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Solenidade-da-Santissima-Trindade-Ano-C-15.06.2025-refletindo.pdf\">Solenidade da Sant\u00edssima Trindade &#8211; Ano C &#8211; 15.06.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/A-Mesa-da-Palavra-explicada.-Solenidade-da-Santissima-Trindade-Ano-C-15.06.2025-JL.pdf\">A Mesa da Palavra explicada&#8230; Solenidade da Sant\u00edssima Trindade &#8211; Ano C &#8211; 15.06.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Solenidade de Pentecostes \u2013 Ano C \u2013 08 junho 2025&#8243; tab_id=&#8221;1750060935159-8e430754-93ea&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Solenidade de Pentecostes &#8211; Ano C \u2013 08 junho 2025<\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/pentecostes.jpg\" alt=\"\" width=\"596\" height=\"373\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Liturgia da Palavra deste Domingo situa temporalmente a descida do Esp\u00edrito Santo em dois momentos diferentes: a primeira leitura, do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, indica que tudo aconteceu no dia de Pentecostes, isto \u00e9, cinquenta dias depois da P\u00e1scoa e o texto do Evangelho afirma que os disc\u00edpulos se encontravam fechados com medo dos judeus \u00ab<em>na tarde daquele dia, o primeiro da semana<\/em>\u00bb. Sabemos que os textos b\u00edblicos n\u00e3o s\u00e3o relatos jornal\u00edsticos preocupados em situar exatamente cada acontecimento no tempo e no espa\u00e7o, mas escritos para comunicar o acontecimento de Cristo e, assim, cada tempo e cada lugar traduzem a experi\u00eancia do encontro com Jesus e possuem uma inten\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. Contudo, evitando qualquer tentativa for\u00e7ada de harmoniza\u00e7\u00e3o para superar esta aparente contradi\u00e7\u00e3o, estas indica\u00e7\u00f5es temporais manifestam a estreita liga\u00e7\u00e3o entre a P\u00e1scoa e o Pentecostes, entre a Ressurrei\u00e7\u00e3o e o dom do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito Santo \u00e9 dom do Senhor Jesus Ressuscitado. Antes de partir, Jesus garante que n\u00e3o nos deixar\u00e1 sozinhos (cf. Mt 28,20) e, tendo subido ao C\u00e9u, cumprindo a Sua promessa, acompanha a vida e a miss\u00e3o dos Seus disc\u00edpulos pela for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. O Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, descrevendo a vida da Igreja Nascente, apresenta de modo muito claro como o Esp\u00edrito precede, acompanha e confirma a miss\u00e3o da comunidade primitiva. O Esp\u00edrito Santo \u00e9 for\u00e7a vital da Igreja que assegura a continuidade da obra redentora de Cristo e atua na hist\u00f3ria como protagonista da miss\u00e3o que a comunidade crist\u00e3 \u00e9 chamada a realizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, mostrando as m\u00e3os e o lado, sinais que identificam Ressuscitado com o Crucificado, vincula \u00e0 Sua vida a miss\u00e3o dos disc\u00edpulos: \u00ab<em>assim como o Pai Me enviou, tamb\u00e9m Eu vos envio a v\u00f3s<\/em>\u00bb. A vida crist\u00e3 \u00e9 dom acolhido livremente e a nossa miss\u00e3o est\u00e1 indelevelmente unida \u00e0 miss\u00e3o de Jesus e n\u00e3o faz sentido sem Ele. Por isso, a nossa miss\u00e3o desenvolve-se de olhos postos em Jesus, escutando a Sua palavra, contemplando os Seus gestos e saboreando a Sua ternura e o Seu amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A garantia da continuidade entre a miss\u00e3o de Jesus e a nossa miss\u00e3o, entre a obra redentora de Cristo e a a\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e9 oferecido pelo dom do Esp\u00edrito Santo: \u00ab<em>h\u00e1 diversidade de dons espirituais, mas o Esp\u00edrito \u00e9 o mesmo. H\u00e1 diversidade de minist\u00e9rios, mas o Senhor \u00e9 o mesmo. H\u00e1 diversas opera\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 o mesmo Deus que opera tudo em todos<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, o Esp\u00edrito \u00e9 dom \u2013 \u00ab<em>recebei o Esp\u00edrito Santo<\/em>\u00bb \u2013 e exige de n\u00f3s a docilidade de cora\u00e7\u00e3o para que nos deixemos guiar e conduzir. Ele n\u00e3o se imp\u00f5e, mas prop\u00f5e caminhos de vida nova, exigindo a coragem e a humildade de deixar os nossos esquemas e comodismos para nos abrirmos \u00e0 permanente novidade que \u00e9 dom do Seu amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito Santo, como art\u00edfice da comunh\u00e3o, promovendo a unidade na diversidade, \u00e9 o grande protagonista da a\u00e7\u00e3o da Igreja. Como afirmou o Patriarca Ignace Hazim, In\u00e1cio IV de Antioquia: \u00ab<em>Sem o Esp\u00edrito Santo, Deus est\u00e1 longe; Cristo permanece no passado; o Evangelho \u00e9 letra morta; a Igreja, uma simples organiza\u00e7\u00e3o; a autoridade, despotismo; a miss\u00e3o, propaganda; o culto uma evoca\u00e7\u00e3o; e a vida crist\u00e3, uma moral de escravos. Mas no Esp\u00edrito Santo o cosmos fica elevado e geme na gesta\u00e7\u00e3o do Reino; o homem luta contra a carne; Cristo ressuscitado est\u00e1 presente, o Evangelho \u00e9 poder de vida, a Igreja \u00e9 \u00edcone da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria; a autoridade, um servi\u00e7o libertador; a miss\u00e3o, um novo Pentecostes; a liturgia \u00e9 memorial e antecipa\u00e7\u00e3o; e toda a vida crist\u00e3 fica deificada<\/em>\u00bb. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a celebra\u00e7\u00e3o da <strong>Solenidade do Pentecostes<\/strong>, terminamos o Tempo Pascal. A Solenidade de Pentecostes prev\u00ea a celebra\u00e7\u00e3o de uma Vig\u00edlia prolongada que usualmente n\u00e3o \u00e9 celebrada nas nossas comunidades. Deste modo, no t\u00e9rmino do Tempo Pascal, celebrando o dom do Esp\u00edrito Santo \u00e0 Igreja, a celebra\u00e7\u00e3o desta Vig\u00edlia com as quatro leituras do Antigo Testamento e as duas do Novo Testamento (Ep\u00edstola aos Romanos e Evangelho) ser\u00e3o uma importante oportunidade para em comunidade aprofundar a beleza de sermos um Povo que caminha animado pela for\u00e7a do Esp\u00edrito. Por exemplo, pode ser uma ocasi\u00e3o para envolver os jovens que se preparam para o Crisma ou receberam recentemente o Sacramento da Confirma\u00e7\u00e3o. Envolver, acompanhar e integrar na vida comunit\u00e1ria realiza-se de modo particular na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, onde a comunidade crist\u00e3 reunida para celebrar o Mist\u00e9rio Pascal de Cristo, louva o Seu Senhor e renova a sua consci\u00eancia de Povo Sacerdotal chamado a percorrer com alegria a estrada da santidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito Santo \u00e9 o grande protagonista da miss\u00e3o da Igreja que atua no cora\u00e7\u00e3o dos crentes, promovendo a unidade na diversidade e sublinhando que cada batizado, na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, se constitui como disc\u00edpulo mission\u00e1rio ao servi\u00e7o da Igreja e do Mundo. Ao celebrar o Domingo de Pentecostes \u00e9 fundamental recordar aos fi\u00e9is que esta convic\u00e7\u00e3o deve manifestar-se na vida das comunidades pela participa\u00e7\u00e3o ativa e concreta dos fi\u00e9is na a\u00e7\u00e3o eclesial. Deste modo, este Domingo constitui-se como uma oportunidade para exortar os fi\u00e9is \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma Igreja cada vez mais sinodal e como lugar de forma\u00e7\u00e3o para uma cultura da sinodalidade e comunh\u00e3o que \u00e9 indispens\u00e1vel para o atual contexto eclesial e cultural. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Chegados ao Pentecostes,<\/strong> continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Atos dos Ap\u00f3stolos 2,1-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando chegou o dia de Pentecostes,<br \/>\nos Ap\u00f3stolos estavam todos reunidos no mesmo lugar.<br \/>\nSubitamente, fez-se ouvir, vindo do C\u00e9u,<br \/>\num rumor semelhante a forte rajada de vento,<br \/>\nque encheu toda a casa onde se encontravam.<br \/>\nViram ent\u00e3o aparecer uma esp\u00e9cie de l\u00ednguas de fogo,<br \/>\nque se iam dividindo,<br \/>\ne poisou uma sobre cada um deles.<br \/>\nTodos ficaram cheios do Esp\u00edrito Santo<br \/>\ne come\u00e7aram a falar outras l\u00ednguas,<br \/>\nconforme o Esp\u00edrito lhes concedia que se exprimissem.<br \/>\nResidiam em Jerusal\u00e9m judeus piedosos,<br \/>\nprocedentes de todas as na\u00e7\u00f5es que h\u00e1 debaixo do c\u00e9u.<br \/>\nAo ouvir aquele ru\u00eddo, a multid\u00e3o reuniu-se<br \/>\ne ficou muito admirada,<br \/>\npois cada qual os ouvia falar na sua pr\u00f3pria l\u00edngua.<br \/>\nAt\u00f3nitos e maravilhados, diziam:<br \/>\n\u00abN\u00e3o s\u00e3o todos galileus os que est\u00e3o a falar?<br \/>\nEnt\u00e3o, como \u00e9 que os ouve cada um de n\u00f3s<br \/>\nfalar na sua pr\u00f3pria l\u00edngua?<br \/>\nPartos, medos, elamitas,<br \/>\nhabitantes da Mesopot\u00e2mia, da Judeia e da Capad\u00f3cia,<br \/>\ndo Ponto e da \u00c1sia, da Fr\u00edgia e da Panf\u00edlia,<br \/>\ndo Egipto e das regi\u00f5es da L\u00edbia, vizinha de Cirene,<br \/>\ncolonos de Roma, tanto judeus como pros\u00e9litos,<br \/>\ncretenses e \u00e1rabes,<br \/>\nouvimo-los proclamar nas nossas l\u00ednguas<br \/>\nas maravilhas de Deus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A obra de Lucas abarca dois \u201ctempos\u201d diferentes, duas etapas da \u201chist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o\u201d: o \u201ctempo de Jesus\u201d (Evangelho), e o \u201ctempo da Igreja\u201d (Atos dos Ap\u00f3stolos). O \u201ctempo de Jesus\u201d \u00e9 o \u201ctempo\u201d em que Jesus estava fisicamente presente no meio dos seus disc\u00edpulos e andava com eles pelas vilas e aldeias da Palestina a anunciar o Reino de Deus; o \u201ctempo da Igreja\u201d \u00e9 o tempo em que Jesus j\u00e1 voltou para o Pai e s\u00e3o os disc\u00edpulos que assumem a miss\u00e3o de dar testemunho da salva\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Atos dos Ap\u00f3stolos situam-nos, portanto, no \u201ctempo da Igreja\u201d. O livro apresenta-nos os momentos principais dessa aventura mission\u00e1ria que leva a proposta de Jesus desde Jerusal\u00e9m at\u00e9 aos confins do mundo (At 1,8). Os disc\u00edpulos, no entanto, n\u00e3o percorrer\u00e3o sozinhos este caminho: ser\u00e3o ajudados e orientados pelo Esp\u00edrito Santo, conforme a promessa de Jesus (cf. At 1,5.8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201ctempo da Igreja\u201d come\u00e7a em Jerusal\u00e9m, logo depois da ressurrei\u00e7\u00e3o\/ascens\u00e3o de Jesus. De acordo com o plano teol\u00f3gico de Lucas, foi em Jerusal\u00e9m que a salva\u00e7\u00e3o de Deus irrompeu na hist\u00f3ria dos homens; e ser\u00e1 a partir de Jerusal\u00e9m que essa salva\u00e7\u00e3o se vai espalhar pelo mundo inteiro. O \u201cpontap\u00e9 de sa\u00edda\u201d nessa aventura que vai levar o Evangelho de Jesus ao encontro do mundo foi dado com a rece\u00e7\u00e3o, pelos disc\u00edpulos, do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro dos Atos, Lucas diz-nos que a comunidade de Jesus se encontrou com o Esp\u00edrito Santo no dia em que os judeus celebravam a festa judaica do Pentecostes (em hebraico \u201cShavu\u2019ot\u201d). Essa festa (tamb\u00e9m chamada \u201cfesta das semanas\u201d e \u201cfesta das prim\u00edcias\u201d) ocorria cinquenta dias ap\u00f3s a P\u00e1scoa e era, antes de mais, uma festa agr\u00edcola: terminada a colheita dos cereais, os agricultores dirigiam-se ao Templo, ao som de m\u00fasica de flautas, para entregar a Deus os primeiros frutos da colheita (\u201cbicurim\u201d). Eram acolhidos com c\u00e2nticos de boas-vindas, entravam no templo e entregavam nas m\u00e3os dos sacerdotes os cestos com os frutos que tinham trazido. Mais tarde, contudo, a tradi\u00e7\u00e3o rab\u00ednica ligou esta festa \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da \u201calian\u00e7a\u201d e ao dom da Lei, no Sinai; e, no s\u00e9c. I, esta dimens\u00e3o tinha um lugar importante na celebra\u00e7\u00e3o do Pentecostes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que diz respeito ao texto que nos \u00e9 proposto neste domingo como primeira leitura e que descreve os acontecimentos do dia do Pentecostes, n\u00e3o existem d\u00favidas de que \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o artificial, criada por Lucas com uma clara inten\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. Para apresentar a sua catequese, Lucas recorre a imagens, a s\u00edmbolos, \u00e0 linguagem po\u00e9tica das met\u00e1foras. Temos de descodificar os s\u00edmbolos para chegarmos \u00e0 interpela\u00e7\u00e3o essencial que a catequese primitiva, pela palavra de Lucas, quis deixar-nos. Uma interpreta\u00e7\u00e3o literal deste relato seria, portanto, uma boa forma de passarmos ao lado do essencial da mensagem; far-nos-ia reparar na roupagem exterior, no folclore, e ignorar o fundamental. O interesse fundamental de Lucas, o nosso catequista, \u00e9 apresentar a Igreja como a comunidade que nasce de Jesus, que \u00e9 assistida pelo Esp\u00edrito e que \u00e9 chamada a testemunhar aos homens o projeto libertador do Pai <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Hoje, para o bem e para o mal, toda a gente fala da \u201cIgreja\u201d e tem opini\u00e3o sobre a vida da \u201cIgreja\u201d. O que \u00e9 a \u201cIgreja\u201d? Qual \u00e9 a ess\u00eancia, a \u201calma\u201d dessa realidade a que chamamos \u201cIgreja\u201d? O que \u00e9 que ela pretende? Qual o seu papel no mundo? Temos, nesta catequese sobre os acontecimentos do dia de Pentecostes, os elementos essenciais para responder a estas quest\u00f5es. Segundo o autor dos Atos, a Igreja \u00e9 uma comunidade de homens e de mulheres convocados por Jesus, que aderiram a Jesus e \u00e0 sua Boa Nova; s\u00e3o animados, sustentados e dirigidos pelo Esp\u00edrito Santo ao longo de todo o caminho que percorrem na hist\u00f3ria; t\u00eam por miss\u00e3o continuar no mundo a obra de Jesus: anunciar o Reino de Deus, lutar contra o mal, curar os que sofrem, testemunhar em palavras e gestos o amor de Deus, levar a todos os cantos da terra a salva\u00e7\u00e3o de Deus. Da escuta e do acolhimento da proposta que, em nome de Jesus, a Igreja apresenta ao mundo, resulta a comunidade universal da salva\u00e7\u00e3o, que vive no amor e na partilha, apesar das diferen\u00e7as culturais e \u00e9tnicas. Sentimo-nos, efetivamente, membros desta fam\u00edlia? Identificamo-nos com ela? A \u201cIgreja\u201d de que fazemos parte \u00e9 uma comunidade de irm\u00e3os que se amam, apesar das diferen\u00e7as? Est\u00e1 reunida por causa de Jesus e \u00e0 volta de Jesus? Tem consci\u00eancia de que o Esp\u00edrito est\u00e1 presente e que a anima? Testemunha, de forma efetiva e coerente, a proposta libertadora que Jesus deixou?<\/li>\n<li>O relato do autor dos Atos dos Ap\u00f3stolos quer claramente afirmar que o Esp\u00edrito Santo foi o respons\u00e1vel pela mudan\u00e7a de atitude dos disc\u00edpulos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tarefa que lhes foi confiada por Jesus. Antes do Pentecostes, o grupo dos disc\u00edpulos estava fechado dentro de quatro paredes, incapaz de superar o medo e de arriscar, sem iniciativa e sem a coragem de dar testemunho; depois do Pentecostes, aparece-nos uma comunidade unida, sem medo, que ultrapassa as suas limita\u00e7\u00f5es humanas e testemunha bem alto a sua f\u00e9 em Jesus ressuscitado. O Esp\u00edrito clarifica as coisas, varre o medo, abre as portas, limpa as teias de aranha que a passagem do tempo deixa acumular, aponta os caminhos que devem ser percorridos, esbate as diferen\u00e7as e apresenta ao mundo uma Igreja com um rosto belo, renovado e corajoso. As nossas comunidades crist\u00e3s t\u00eam consci\u00eancia do papel do Esp\u00edrito na constru\u00e7\u00e3o e na anima\u00e7\u00e3o da Igreja? Damos suficiente espa\u00e7o \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, em n\u00f3s e nas nossas comunidades?<\/li>\n<li>A Igreja re\u00fane na sua \u201ccasa\u201d gente muito diversa, vinda de realidades culturais, pol\u00edticas e sociol\u00f3gicas muito diversas. Essa diversidade nunca deve ser vista como um problema, mas sim como uma imensa riqueza. Para se tornar crist\u00e3o, ningu\u00e9m deve ser espoliado da pr\u00f3pria cultura ou da sua identidade: nem os africanos, nem os europeus, nem os sul-americanos, nem os negros, nem os brancos; mas todos s\u00e3o convidados, com as suas diferen\u00e7as, a acolher esse projeto libertador de Deus, que faz os homens deixarem de viver de costas voltadas, para viverem no amor. A Igreja de que fazemos parte \u00e9 esse espa\u00e7o de liberdade e de fraternidade? Nela todos encontram lugar e s\u00e3o acolhidos com amor e com respeito \u2013 mesmo os de outras ra\u00e7as, mesmo aqueles de quem n\u00e3o gostamos, mesmo aqueles que n\u00e3o fazem parte do nosso c\u00edrculo, mesmo aqueles que a sociedade marginaliza e afasta? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 103 (104)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Enviai, Senhor, o vosso Esp\u00edrito, e renovai a face da terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Mandai, Senhor, o vosso Esp\u00edrito, e renovai a terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 3: Aleluia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bendiz, \u00f3 minha alma, o Senhor.<br \/>\nSenhor, meu Deus, como sois grande!<br \/>\nComo s\u00e3o grandes, Senhor, as vossas obras!<br \/>\nA terra est\u00e1 cheia das vossas criaturas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se lhes tirais o alento, morrem<br \/>\ne voltam ao p\u00f3 donde vieram.<br \/>\nSe mandais o vosso esp\u00edrito, retomam a vida<br \/>\ne renovais a face da terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gl\u00f3ria a Deus para sempre!<br \/>\nRejubile o Senhor nas suas obras.<br \/>\nGrato Lhe seja o meu canto<br \/>\ne eu terei alegria no Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Cor\u00edntios 12,3b-7.12-13<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nNingu\u00e9m pode dizer: \u00abJesus \u00e9 o Senhor\u00bb,<br \/>\na n\u00e3o ser pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo.<br \/>\nDe facto, h\u00e1 diversidade de dons espirituais,<br \/>\nmas o Esp\u00edrito \u00e9 o mesmo.<br \/>\nH\u00e1 diversidade de minist\u00e9rios,<br \/>\nmas o Senhor \u00e9 o mesmo.<br \/>\nH\u00e1 diversas opera\u00e7\u00f5es,<br \/>\nmas \u00e9 o mesmo Deus que opera tudo em todos.<br \/>\nEm cada um se manifestam os dons do Esp\u00edrito<br \/>\npara o bem comum.<br \/>\nAssim como o corpo \u00e9 um s\u00f3 e tem muitos membros,<br \/>\ne todos os membros, apesar de numerosos,<br \/>\nconstituem um s\u00f3 corpo,<br \/>\nassim tamb\u00e9m sucede com Cristo.<br \/>\nNa verdade, todos n\u00f3s<br \/>\n\u2013 judeus e gregos, escravos e homens livres \u2013<br \/>\nfomos batizados num s\u00f3 Esp\u00edrito,<br \/>\npara constituirmos um s\u00f3 Corpo.<br \/>\nE a todos nos foi dado a beber um \u00fanico Esp\u00edrito.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho mission\u00e1rio de Paulo de Tarso, em meados do s\u00e9c. I, levou o cristianismo ao encontro do mundo grego. Paulo, depois de um certo discernimento, tinha conclu\u00eddo que a proposta de Jesus era para todos os povos da terra e n\u00e3o exclusivamente para os judeus. No entanto, o contexto judaico \u2013 de onde o cristianismo era origin\u00e1rio \u2013 e o contexto grego eram realidades culturais e religiosas bastante diferentes. Como \u00e9 que a proposta crist\u00e3 se aguentaria quando mergulhasse num mundo que funcionava com dinamismos que lhe eram estranhos? Iria a brilhante cultura grega absorver ou desvirtuar os valores crist\u00e3os? Como \u00e9 que os crist\u00e3os de origem grega integrariam a sua f\u00e9 na realidade cultural em que estavam inseridos? A comunidade crist\u00e3 de Corinto sentiu toda esta problem\u00e1tica de forma especial. Na Primeira Carta aos Corintos, Paulo aborda diversas quest\u00f5es que lhe foram colocadas pelos crist\u00e3os de Corinto e onde, como \u201cpano de fundo\u201d, est\u00e1 a quest\u00e3o do encaixe dos valores crist\u00e3os nos valores da cultura grega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das quest\u00f5es onde esta problem\u00e1tica, de alguma forma, est\u00e1 presente \u00e9 a quest\u00e3o dos \u201ccarismas\u201d. A palavra \u201ccarisma\u201d tem a sua origem no campo religioso crist\u00e3o, especialmente na teologia paulina. Designa dons especiais do Esp\u00edrito, concedidos a determinado indiv\u00edduo \u2013 independentemente do posto que ocupa na institui\u00e7\u00e3o eclesial \u2013 para o bem das pessoas, para as necessidades do mundo e, em particular, para a edifica\u00e7\u00e3o da Igreja. Nas cartas de Paulo fala-se insistentemente em \u201ccarismas\u201d que animavam a vida e o dinamismo das comunidades crist\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns crist\u00e3os de Corinto, no entanto, influenciados por determinadas experi\u00eancias religiosas que existiam na religi\u00e3o grega tradicional, entenderam os \u201ccarismas\u201d de uma forma bem peculiar. Eles conheciam, por exemplo, os \u201cor\u00e1culos\u201d, atrav\u00e9s dos quais os deuses, servindo-se de intermedi\u00e1rios humanos, transmitiam as suas indica\u00e7\u00f5es (santu\u00e1rio de Delfos, sacerdotisas de Dodona); conheciam tamb\u00e9m certos rituais em que os crentes, atrav\u00e9s do transe, de experi\u00eancia orgi\u00e1sticas, de excessos de v\u00e1rios tipos, se \u201cfundiam\u201d com o deus a quem prestavam culto (mist\u00e9rios de Dion\u00edsio, culto de Cibele). Confundiram, portanto, os \u201ccarismas\u201d crist\u00e3os com algumas dessas pr\u00e1ticas pag\u00e3s; e, possivelmente, chegaram a fazer uso dos dons carism\u00e1ticos em ambiente semelhante ao de certas cerim\u00f3nias religiosas pag\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais ainda: considerando-se a si pr\u00f3prios \u201cescolhidos de Deus\u201d, alguns destes carism\u00e1ticos reivindicavam um protagonismo que danificava a comunh\u00e3o fraterna. Apresentando-se como \u201ciluminados\u201d, mensageiros incontestados das coisas divinas, assumiam atitudes de autoritarismo e de prepot\u00eancia que n\u00e3o favoreciam a fraternidade; desprezavam os que n\u00e3o tinham sido dotados destes dons, considerando-os como \u201ccrist\u00e3os de segunda\u201d, limitados a um lugar subalterno no contexto comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isto causou natural alarme na comunidade crist\u00e3 de Corinto. Paulo, informado da situa\u00e7\u00e3o, entendeu intervir para evitar abusos e mal-entendidos. Na Primeira Carta aos Cor\u00edntios, ele corrige, d\u00e1 conselhos, mostra a incoer\u00eancia destes comportamentos, incompat\u00edveis com o Evangelho de Jesus. A sua interven\u00e7\u00e3o neste campo aparece nos cap\u00edtulos 12 a 14 da referida Carta. A nossa segunda leitura deste domingo insere-se neste contexto. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Todos aqueles que integram a comunidade crist\u00e3 s\u00e3o membros de um \u00fanico \u201ccorpo\u201d, o \u201ccorpo de Cristo\u201d; todos aqueles que s\u00e3o membros do \u201ccorpo de Cristo\u201d vivem e alimentam-se do mesmo Esp\u00edrito; todos aqueles que se alimentam do mesmo Esp\u00edrito formam uma fam\u00edlia de irm\u00e3os e de irm\u00e3s, iguais em dignidade. Podem, naturalmente, desempenhar fun\u00e7\u00f5es diversas, como acontece com os membros de um corpo; mas todos eles s\u00e3o igualmente importantes enquanto membros do \u201ccorpo de Cristo\u201d. Tudo isto parece incontest\u00e1vel, \u00e0 luz da doutrina de Paulo. No entanto encontramos, com alguma frequ\u00eancia, crist\u00e3os com uma consci\u00eancia viva da sua superioridade e da sua situa\u00e7\u00e3o \u201c\u00e0 parte\u201d na comunidade (seja em raz\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o que desempenham, seja em raz\u00e3o das suas \u201cqualidades\u201d humanas), que gostam de se fazer notar e de afirmar a sua autoridade ou o seu \u201cestatuto\u201d. \u00c0s vezes, veem-se atitudes de prepot\u00eancia e de autoritarismo por parte daqueles que se consideram deposit\u00e1rios de dons especiais; por vezes, ficamos com a sensa\u00e7\u00e3o de que a estrutura eclesial funciona em modelo piramidal, com uma elite que preside e toma as decis\u00f5es instalada no topo, e um \u201crebanho\u201d silencioso que obedece instalado na base. Isto faz algum sentido, \u00e0 luz da doutrina que Paulo exp\u00f5e? Como entendemos o nosso lugar e o nosso papel na comunidade crist\u00e3?<\/li>\n<li>Os dons que o Esp\u00edrito concede, por mais pessoais que sejam, s\u00e3o para servir o bem comum e para refor\u00e7ar a viv\u00eancia comunit\u00e1ria. Quem os recebe deve p\u00f4-los ao servi\u00e7o de todos, com humildade e simplicidade. N\u00e3o faz sentido escondermos os \u201cdons\u201d que recebemos, guardando-os s\u00f3 para n\u00f3s e deixando que eles fiquem est\u00e9reis; tamb\u00e9m n\u00e3o faz sentido usar os \u201cdons\u201d que recebemos de tal forma que eles se tornem fator de conflitos ou de divis\u00f5es. Os \u201cdons\u201d que nos foram concedidos s\u00e3o postos ao servi\u00e7o da comunidade? S\u00e3o fonte de encontro, de comunh\u00e3o, de partilha, de Vida, para a comunidade de que fazemos parte?<\/li>\n<li>O Esp\u00edrito Santo \u00e9 uma presen\u00e7a imprescind\u00edvel no caminho que a Igreja vai percorrendo todos os dias: \u00e9 Ele que alimenta, que anima, que fortalece, que d\u00e1 Vida ao Povo de Deus peregrino; \u00e9 Ele que distribui os dons conforme as necessidades e que, com esses dons, continuamente recria a Igreja; \u00e9 Ele que conduz a marcha, que indica os caminhos a percorrer, que ajuda a tomar as decis\u00f5es que se imp\u00f5em para que a \u201cbarca de Pedro\u201d chegue a bom porto. Temos consci\u00eancia da presen\u00e7a do Esp\u00edrito, procuramos ouvir a sua voz e perceber as suas indica\u00e7\u00f5es? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SEQU\u00caNCIA DO PENTECOSTES<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vinde, \u00f3 santo Esp\u00edrito,<br \/>\nvinde, Amor ardente,<br \/>\nacendei na terra<br \/>\nvossa luz fulgente.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vinde, Pai dos pobres:<br \/>\nna dor e afli\u00e7\u00f5es,<br \/>\nvinde encher de gozo<br \/>\nnossos cora\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Benfeitor supremo<br \/>\nem todo o momento,<br \/>\nhabitando em n\u00f3s<br \/>\nsois o nosso alento.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Descanso na luta<br \/>\ne na paz encanto,<br \/>\nno calor sois brisa,<br \/>\nconforto no pranto.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Luz de santidade,<br \/>\nque no C\u00e9u ardeis,<br \/>\nabrasai as almas<br \/>\ndos vossos fi\u00e9is.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sem a vossa for\u00e7a<br \/>\ne favor clemente,<br \/>\nnada h\u00e1 no homem<br \/>\nque seja inocente.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lavai nossas manchas,<br \/>\na aridez regai,<br \/>\nsarai os enfermos<br \/>\ne a todos salvai.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Abrandai durezas<br \/>\npara os caminhantes,<br \/>\nanimai os tristes,<br \/>\nguiai os errantes.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vossos sete dons<br \/>\nconcedei \u00e0 alma<br \/>\ndo que em V\u00f3s confia:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Virtude na vida,<br \/>\namparo na morte,<br \/>\nno C\u00e9u alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 20,19-23<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,<br \/>\nestando fechadas as portas da casa<br \/>\nonde os disc\u00edpulos se encontravam,<br \/>\ncom medo dos judeus,<br \/>\nveio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes:<br \/>\n\u00abA paz esteja convosco\u00bb.<br \/>\nDito isto, mostrou-lhes as m\u00e3os e o lado.<br \/>\nOs disc\u00edpulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.<br \/>\nJesus disse-lhes de novo:<br \/>\n\u00abA paz esteja convosco.<br \/>\nAssim como o Pai Me enviou,<br \/>\ntamb\u00e9m Eu vos envio a v\u00f3s\u00bb.<br \/>\nDito isto, soprou sobre eles e disse lhes:<br \/>\n\u00abRecebei o Esp\u00edrito Santo:<br \/>\n\u00e0queles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-\u00e3o perdoados;<br \/>\ne \u00e0queles a quem os retiverdes ser-lhes-\u00e3o retidos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus foi crucificado na manh\u00e3 de uma sexta-feira \u2013 dia da \u201cprepara\u00e7\u00e3o\u201d da P\u00e1scoa \u2013 e morreu pelas tr\u00eas horas da tarde desse dia. J\u00e1 depois de morto, um soldado trespassou-lhe o cora\u00e7\u00e3o com uma lan\u00e7a; e do cora\u00e7\u00e3o aberto de Jesus saiu sangue e \u00e1gua (cf. Jo 19,31-37). O evangelista Jo\u00e3o v\u00ea no sangue que sai do lado aberto de Jesus o sinal do seu amor dado at\u00e9 ao extremo (cf. Jo 13,1); e v\u00ea na \u00e1gua que sai do cora\u00e7\u00e3o trespassado de Jesus o sinal do Esp\u00edrito (cf. Jo 3,5), desse Esp\u00edrito que Jesus \u201centregou\u201d aos seus e que \u00e9 fonte de Vida nova. Da \u00e1gua e do sangue, do batismo e da eucaristia, nascer\u00e1 a nova comunidade, a comunidade da Nova Alian\u00e7a. Contudo, os disc\u00edpulos que tinham subido com Jesus a Jerusal\u00e9m e que seriam o embri\u00e3o dessa comunidade da Nova Alian\u00e7a, desapareceram sem deixar rasto. Est\u00e3o escondidos, algures na cidade de Jerusal\u00e9m, paralisados pelo medo. O projeto de Jesus falhou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final da tarde dessa sexta-feira, o corpo morto de Jesus foi sepultado \u00e0 pressa num t\u00famulo novo, situado num horto ao lado do lugar onde se tinha dado a crucifica\u00e7\u00e3o (cf. Jo 19,38-42). Depois veio o s\u00e1bado, o \u00faltimo dia da semana, o dia da celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa judaica. Durante todo aquele s\u00e1bado o t\u00famulo de Jesus continuou cerrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir daqui a narra\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o muda de tempo e de registo. Chegamos ao \u201cprimeiro dia da semana\u201d. \u00c9 o primeiro dia de um tempo novo, o tempo da humanidade nova, nascida da a\u00e7\u00e3o criadora e vivificadora de Jesus. \u201cNo primeiro dia da semana\u201d, Maria Madalena, a mulher que representa a nova comunidade, vai ao t\u00famulo e vem de l\u00e1 confusa e desorientada porque o t\u00famulo est\u00e1 vazio (cf. Jo 20,1-2). Logo depois, ainda \u201cno primeiro dia da semana\u201d, Pedro e outro disc\u00edpulo correm ao t\u00famulo e constatam aquilo que Maria Madalena tinha afirmado: Jesus j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 encerrado no dom\u00ednio da morte (cf. Jo 20,3-10). A comunidade de Jesus come\u00e7a a despertar do seu letargo; come\u00e7a a viver um tempo novo. Mas \u00e9 preciso mais qualquer coisa para que os disc\u00edpulos ven\u00e7am o medo e assumam o seu papel enquanto comunidade da Nova Alian\u00e7a. O que falta? Ao entardecer do \u201cprimeiro dia da semana\u201d (ou seja, ao concluir-se este primeiro dia da nova cria\u00e7\u00e3o) Jesus encontra-se com toda a comunidade reunida na casa onde se escondiam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto do evangelho que a liturgia da Solenidade do Pentecostes nos apresenta descreve esse encontro entre Jesus ressuscitado e a sua comunidade. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Nos relatos pascais aparece sempre, em pano de fundo, a convic\u00e7\u00e3o profunda de que a comunidade dos disc\u00edpulos nunca estar\u00e1 sozinha, abandonada \u00e0 sua sorte: Jesus ressuscitado, Aquele que venceu a morte, a injusti\u00e7a, o ego\u00edsmo, o pecado, acompanh\u00e1-la-\u00e1 em cada passo do seu caminho hist\u00f3rico. \u00c9 verdade que os disc\u00edpulos de Jesus n\u00e3o vivem num mundo \u00e0 parte, onde a fragilidade e a debilidade dos humanos n\u00e3o os tocam. Como os outros homens e mulheres, eles experimentam o sofrimento, o desalento, a frustra\u00e7\u00e3o, o des\u00e2nimo; t\u00eam medo quando o mundo escolhe caminhos de guerra e de viol\u00eancia; sofrem quando s\u00e3o atingidos pela injusti\u00e7a, pela opress\u00e3o, pelo \u00f3dio do mundo; conhecem a persegui\u00e7\u00e3o, a incompreens\u00e3o e a morte\u2026 Mas, apesar de tudo isso, n\u00e3o se deixam vencer pelo pessimismo e pelo desespero pois sabem que Jesus vai \u201cno meio deles\u201d, oferecendo-lhes a sua paz e apontando-lhes o horizonte da Vida definitiva. \u00c9 com esta certeza que caminhamos e que enfrentamos as tempestades da vida? Os outros homens e mulheres que partilham o caminho connosco descobrem Jesus, vivo e ressuscitado, atrav\u00e9s do testemunho de esperan\u00e7a que damos?<\/li>\n<li>O Esp\u00edrito Santo \u00e9 o grande dom que Jesus ressuscitado faz \u00e0 comunidade dos disc\u00edpulos. Ele \u00e9 o sopro de Vida que nos recria e que nos transforma, a cada instante, em pessoas novas. Sem o Esp\u00edrito, seremos barro inerte e n\u00e3o imagem viva de Deus; sem o Esp\u00edrito, ficaremos paralisados pelos nossos medos e pelos nossos comodismos, incapazes de ter uma atitude construtiva e transformadora; sem o Esp\u00edrito, ficaremos instalados no ceticismo e na desilus\u00e3o, sem a aud\u00e1cia prof\u00e9tica que transforma o mundo; sem o Esp\u00edrito, esconder-nos-emos atr\u00e1s de leis, de rituais, de doutrinas, e n\u00e3o passaremos de funcion\u00e1rios med\u00edocres de uma religi\u00e3o sem alma e sem amor; sem o Esp\u00edrito recairemos continuamente nos esquemas velhos e nos h\u00e1bitos velhos, incapazes de nos deixarmos questionar pelos desafios sempre novos de Deus; sem o Esp\u00edrito, ficaremos cada vez mais fechados dentro das paredes dos nossos templos, incapazes de ir ao encontro do mundo e de lhe levar a proposta de Jesus\u2026 Sem o Esp\u00edrito, nunca teremos a coragem para continuar no mundo a obra de Jesus. No entanto, o Esp\u00edrito s\u00f3 atua em n\u00f3s se estivermos dispon\u00edveis para o acolher. Ele n\u00e3o se imp\u00f5e nem desrespeita a nossa liberdade. Estamos dispon\u00edveis para acolher o Esp\u00edrito? O nosso cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 aberto aos desafios que o Esp\u00edrito constantemente nos lan\u00e7a?<\/li>\n<li>S\u00e3o bem sugestivos os nomes com que Jesus, na \u00faltima ceia, designa o Esp\u00edrito prometido: \u201cEsp\u00edrito da Verdade\u201d e \u201cPar\u00e1clito\u201d. Ele \u00e9 \u201cEsp\u00edrito da Verdade\u201d porque nos traz, a cada passo a Verdade de Deus, uma Verdade que o mundo precisa escutar e que os disc\u00edpulos de Jesus devem testemunhar sem tibiezas; Ele \u00e9 \u201cPar\u00e1clito\u201d (\u201caquele que consola ou conforta\u201d; \u201caquele que encoraja\u201d; \u201caquele que intercede\u201d; \u201caquele que defende\u201d) porque nos d\u00e1 a for\u00e7a e a coragem para enfrentar as tempestades e as incompreens\u00f5es do mundo. N\u00e3o caminhamos \u201csem rede\u201d e sem rumo, entregues \u00e0 nossa sorte, trope\u00e7ando a cada passo na obscuridade e na incerteza; caminhamos com o Esp\u00edrito que nos aponta a Verdade, que nos mostra o caminho, que nos encoraja e fortalece a cada passo. Confiamos no Esp\u00edrito da Verdade que Jesus nos deixou e deixamo-nos guiar por Ele? Sentimo-nos confiantes e serenos no caminho, certos de que o Par\u00e1clito nos defender\u00e1 e nos dar\u00e1 a for\u00e7a para vencer a maldade e a morte?<\/li>\n<li>A a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo n\u00e3o se circunscreve \u00e0s fronteiras institucionais da Igreja. Ele est\u00e1 presente nos cora\u00e7\u00f5es de todos os homens e mulheres de boa vontade, crentes ou n\u00e3o crentes, que se disp\u00f5em a lutar por um mundo mais belo, mais justo e mais humano. Podemos perceber a presen\u00e7a e a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito em tantos e tantos gestos de bondade, de amor, de partilha, de servi\u00e7o, de perd\u00e3o, de cuidado, de acolhimento que v\u00e3o acontecendo por todo o lado e s\u00e3o sementes de um mundo novo. A contempla\u00e7\u00e3o desses gestos, sinais vivos do Esp\u00edrito, deve ser, para n\u00f3s, fonte de alegria e de esperan\u00e7a. Temos reparado nos sinais de vida nova que v\u00e3o brotando por todo o lado e que sinalizam a presen\u00e7a e a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito no mundo? Sentimo-nos gratos a Deus por tudo o que Ele vai fazendo no mundo, mesmo quando a sua a\u00e7\u00e3o se concretiza atrav\u00e9s de homens e mulheres que t\u00eam uma posi\u00e7\u00e3o diferente da nossa quanto \u00e0 f\u00e9 ou quanto \u00e0 forma de encarar a vida? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A descida do Esp\u00edrito Santo narrada pela <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 marcada por um conjunto de sinais que devem ser sublinhados ao longo da leitura. Os adv\u00e9rbios como \u00ab<em>subitamente<\/em>\u00bb ou indica\u00e7\u00f5es como \u00ab<em>um rumor semelhante a forte rajada de vento<\/em>\u00bb ou \u00ab<em>At\u00f3nitos e maravilhados<\/em>\u00bb devem ser lidas de modo que a expressividade que o texto apresenta esteja presente na proclama\u00e7\u00e3o. Uma aten\u00e7\u00e3o especial deve estar presente na enumera\u00e7\u00e3o das diversas proveni\u00eancias daqueles que se encontravam em Jerusal\u00e9m. Al\u00e9m da dificuldade de algumas das palavras, trata-se de uma longa enumera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na <strong>segunda leitura<\/strong>, um primeiro especto a ter em conta \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o do texto, onde a dicotomia entre a diversidade e a unidade deve ser bem proclamada porque \u00e9 central para compreender a leitura: \u00ab<em>h\u00e1 diversidade\u2026 mas\u2026<\/em>\u00bb. A sec\u00e7\u00e3o final introduzida pela conjun\u00e7\u00e3o \u00ab<em>na verdade<\/em>\u00bb deve ser proclamada com uma especial aten\u00e7\u00e3o pois apresenta a conclus\u00e3o e s\u00edntese de todo o texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Leitura-I-da-Solenidade-de-Pentecostes-Ano-C-08.06.2025-Atos-2-1-11.pdf\">Leitura I da Solenidade de Pentecostes &#8211; Ano C &#8211; 08.06.2025 (Atos 2, 1-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Leitura-II-da-Solenidade-de-Pentecostes-Ano-C-08.06.2025-1-Corintios-12-3b-7.12-13.pdf\">Leitura II da Solenidade de Pentecostes &#8211; Ano C &#8211; 08.06.2025 (1 Corintios 12, 3b-7.12-13)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Solenidade-de-Pentecostes-Ano-C-08.06.2025-Lecionario.pdf\">Solenidade de Pentecostes &#8211; Ano C &#8211; 08.06.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Solenidade-de-Pentecostes-Ano-C-08.06.2025-Oracao-Universal.pdf\">Solenidade de Pentecostes &#8211; Ano C &#8211; 08.06.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Solenidade-de-Pentecostes-Ano-C-08.06.2025-refletindo.pdf\">Solenidade de Pentecostes &#8211; Ano C &#8211; 08.06.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/A-Mesa-da-Palavra-Pentecostes.pdf\">A Mesa da Palavra Pentecostes<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor \u2013 Ano C \u2013 01 junho 2025&#8243; tab_id=&#8221;1749476346709-de9376f2-03d5&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor &#8211; Ano C \u2013 01 junho 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">59\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Ascensao-do-Senhor.jpg\" alt=\"\" width=\"715\" height=\"481\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de ter ressuscitado e se ter manifestado aos Seus disc\u00edpulos, Jesus \u00ab<em>levou os disc\u00edpulos at\u00e9 junto de Bet\u00e2nia<\/em>\u00bb. Este local ser\u00e1 sempre lugar de acolhimento, amizade e intimidade. Lugar para servir o Mestre com a dedica\u00e7\u00e3o ativa de Marta e com a escuta contemplativa de Maria. E \u00e9, precisamente neste lugar, que Jesus renova no cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos o amor e a intimidade e \u00ab<em>erguendo as m\u00e3os, aben\u00e7oou-os<\/em>\u00bb e \u00ab<em>enquanto os aben\u00e7oava, afastou-Se deles e foi elevado ao C\u00e9u<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos esta b\u00ean\u00e7\u00e3o \u00e9 acompanhada por uma promessa: \u00ab<em>esse Jesus, que do meio de v\u00f3s foi elevado para o C\u00e9u, vir\u00e1 do mesmo modo que O vistes ir para o C\u00e9u<\/em>\u00bb. E esta promessa possui como garantia o dom do Esp\u00edrito que os constitui testemunhas: \u00ab<em>recebereis a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, que descer\u00e1 sobre v\u00f3s, e sereis minhas testemunhas em Jerusal\u00e9m e em toda a Judeia e na Samaria e at\u00e9 aos confins da terra<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Ascens\u00e3o de Jesus coloca-nos de olhar fito no C\u00e9u contemplando o dom da Sua b\u00ean\u00e7\u00e3o. Na Sagrada Escritura, a b\u00ean\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre lugar de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, de fecundidade e de vida. Ao partir para ficar connosco de um modo novo, Jesus n\u00e3o deixa um ju\u00edzo ou um lamento, mas uma palavra bela sobre n\u00f3s e sobre o mundo, uma palavra de enorme desafio e confian\u00e7a sobre a nossa hist\u00f3ria. E n\u00e3o tenho d\u00favidas que a ter\u00e1 proferido com um sorriso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como os disc\u00edpulos, olhando o C\u00e9u, recordamos a meta da nossa caminhada. Somos peregrinos a caminho do C\u00e9u, chamados \u00e0 santidade tal como nos recorda a ora\u00e7\u00e3o coleta da missa: \u00ab<em>a ascens\u00e3o de Cristo, vosso Filho, \u00e9 a nossa esperan\u00e7a: tendo-nos precedido na gl\u00f3ria como nossa Cabe\u00e7a, para a\u00ed nos chama como membros do seu Corpo<\/em>\u00bb. Por\u00e9m, curiosamente a narrativa da Ascens\u00e3o no Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos estabelece uma continuidade entre a vinda gloriosa do Senhor e o seu caminhar hist\u00f3rico, pois o verbo grego usado para designar a partida de Jesus para o C\u00e9u \u00e9 o mesmo que indica o caminho que Ele realiza pelas estradas da Judeia e da Galileia. Deste modo, a vinda escatol\u00f3gica de Jesus est\u00e1 em estreita liga\u00e7\u00e3o com o Seu caminho quotidiano. O Jesus, que sobe ao C\u00e9u e que vir\u00e1 um dia na gl\u00f3ria, \u00e9 Aquele que percorreu os caminhos da Palestina, anunciando uma mensagem de Paz e Perd\u00e3o, estabelecendo gestos de proximidade, bondade e miseric\u00f3rdia. Por isso, para conhecer Jesus, confess\u00e1-lo e testemunh\u00e1-lo com a vida n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio olhar o C\u00e9u, mas recordar os Seus passos, contemplar os Seus gestos e deixar-se apaixonar pelo amor depositado na Sua entrega. Testemunhar \u00e9 dar rosto \u00c0quele que n\u00e3o est\u00e1 vis\u00edvel, mas que se faz tang\u00edvel nos gestos concretos de amor e miseric\u00f3rdia que os Seus disc\u00edpulos s\u00e3o chamados a realizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Ascens\u00e3o de Jesus inaugura o tempo da Igreja e estabelece os disc\u00edpulos como continuadores da obra redentora de Cristo, para que o an\u00fancio do arrependimento e do perd\u00e3o possa chegar a todos os lugares, a todas as pessoas e todas as situa\u00e7\u00f5es. O arrependimento e a convers\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o um imperativo, mas uma oferta, n\u00e3o s\u00e3o um dever, mas uma oportunidade para que a nossa vida possa ser um lugar de beleza e o mundo um lugar mais feliz. O perd\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um apagar ing\u00e9nuo do passado, mas sinal e prova do amor criador que renova todas as coisas, cura as feridas e inaugura um tempo novo. Deste modo, como anunciadores da convers\u00e3o e do perd\u00e3o, os disc\u00edpulos de Jesus tornam-se testemunhas do amor misericordioso do Pai e na for\u00e7a do Esp\u00edrito fazem ecoar no mundo a certeza de que Jesus est\u00e1 vivo e acompanha a Sua Igreja na miss\u00e3o evangelizadora. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Neste Domingo, Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor, assinala-se o 59.\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/strong>. Para este ano, o Santo Padre, o Papa Francisco deixou uma mensagem intitulada: \u00ab<em>Partilhai com mansid\u00e3o a esperan\u00e7a que est\u00e1 nos vossos cora\u00e7\u00f5es (cf. 1 Pd 3,15-16)<\/em>\u00bb <strong>(ver anexo)<\/strong>. Para que este dia n\u00e3o seja assinalado apenas com o ofert\u00f3rio para os Meios de Comunica\u00e7\u00e3o Social, pastoralmente ser\u00e1 muito \u00fatil apresentar a import\u00e2ncia das comunica\u00e7\u00f5es sociais como lugar de an\u00fancio e comunica\u00e7\u00e3o da verdade, como instrumento de servi\u00e7o e de constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor. Al\u00e9m disso, poder\u00e1 ser importante a realiza\u00e7\u00e3o de um encontro de reflex\u00e3o e aprofundamento desta mensagem do Papa Francisco que apresenta um conjunto de desafios e interpela\u00e7\u00f5es acerca da arte da escuta<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>caminho do Pentecostes,<\/strong> continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Atos dos Ap\u00f3stolos 1,1-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No meu primeiro livro, \u00f3 Te\u00f3filo,<br \/>\nnarrei todas as coisas que Jesus come\u00e7ou a fazer e a ensinar,<br \/>\ndesde o princ\u00edpio at\u00e9 ao dia em que foi elevado ao C\u00e9u,<br \/>\ndepois de ter dado, pelo Esp\u00edrito Santo,<br \/>\nas suas instru\u00e7\u00f5es aos Ap\u00f3stolos que escolhera.<br \/>\nFoi tamb\u00e9m a eles que, depois da sua paix\u00e3o,<br \/>\nSe apresentou vivo, com muitas provas,<br \/>\naparecendo-lhes durante quarenta dias<br \/>\ne falando-lhes do reino de Deus.<br \/>\nUm dia em que estava com eles \u00e0 mesa,<br \/>\nmandou-lhes que n\u00e3o se afastassem de Jerusal\u00e9m,<br \/>\nmas que esperassem a promessa do Pai,<br \/>\n\u00abda Qual \u2013 disse Ele \u2013 Me ouvistes falar.<br \/>\nNa verdade, Jo\u00e3o batizou com \u00e1gua;<br \/>\nv\u00f3s, por\u00e9m, sereis batizados no Esp\u00edrito Santo,<br \/>\ndentro de poucos dias\u00bb.<br \/>\nAqueles que se tinham reunido come\u00e7aram a perguntar:<br \/>\n\u00abSenhor, \u00e9 agora que vais restaurar o reino de Israel?\u00bb<br \/>\nEle respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abN\u00e3o vos compete saber os tempos ou os momentos<br \/>\nque o Pai determinou com a sua autoridade;<br \/>\nmas recebereis a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo,<br \/>\nque descer\u00e1 sobre v\u00f3s,<br \/>\ne sereis minhas testemunhas<br \/>\nem Jerusal\u00e9m e em toda a Judeia e na Samaria<br \/>\ne at\u00e9 aos confins da terra\u00bb.<br \/>\nDito isto, elevou-Se \u00e0 vista deles<br \/>\ne uma nuvem escondeu-O a seus olhos.<br \/>\nE estando de olhar fito no C\u00e9u, enquanto Jesus Se afastava,<br \/>\napresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco,<br \/>\nque disseram:<br \/>\n\u00abHomens da Galileia, porque estais a olhar para o C\u00e9u?<br \/>\nEsse Jesus, que do meio de v\u00f3s foi elevado para o C\u00e9u,<br \/>\nvir\u00e1 do mesmo modo que O vistes ir para o C\u00e9u\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro dos \u201cAtos dos Ap\u00f3stolos\u201d constitui a segunda parte da obra de Lucas. Depois de ter apresentado, na primeira parte (o \u201cEvangelho de Jesus Cristo segundo Lucas\u201d), \u201co tempo de Jesus\u201d, Lucas completa a sua obra apresentando \u201co tempo da Igreja\u201d: \u00e9 o \u201ctempo\u201d em que a proposta de salva\u00e7\u00e3o de Deus \u00e9 levada ao encontro do mundo pela comunidade de Jesus (a \u201cIgreja\u201d), animada e conduzida pelo Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro dos Atos aparece algum tempo depois do terceiro Evangelho, nos \u00faltimos anos da d\u00e9cada de 80 do primeiro s\u00e9culo. Dirige-se a comunidades crist\u00e3s de l\u00edngua grega, provavelmente comunidades que nasceram do trabalho mission\u00e1rio de Paulo de Tarso. S\u00e3o comunidades que, por essa altura, passam algumas dificuldades quanto ao compromisso com a f\u00e9: passou j\u00e1 a fase da expetativa pela vinda iminente do Cristo glorioso para instaurar o \u201cReino\u201d e h\u00e1 uma certa desilus\u00e3o porque essa vinda n\u00e3o se concretizou; as quest\u00f5es doutrinais causam confus\u00f5es e conflitos internos; a monotonia favorece uma vida crist\u00e3 pouco comprometida\u2026 Resultado: h\u00e1 j\u00e1 algum tempo que as comunidades crist\u00e3s se instalaram na mediocridade, falta-lhes o entusiasmo e o empenho na constru\u00e7\u00e3o e no testemunho do Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos Atos dos Ap\u00f3stolos, Lucas procura deixar claro que o projeto de salva\u00e7\u00e3o que Jesus veio apresentar n\u00e3o pode ficar parado. Enquanto Jesus n\u00e3o volta, s\u00e3o os seus disc\u00edpulos que t\u00eam de continuar a propor ao mundo a salva\u00e7\u00e3o de Deus. Eles devem, com alegria e entusiasmo, ser testemunhas de Jesus e do seu Evangelho em todos os cantos da terra. Foi essa a tarefa de que Jesus os incumbiu quando voltou para o Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia do Domingo da Ascens\u00e3o nos prop\u00f5e como primeira leitura, \u00e9 precisamente o in\u00edcio do livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos. Apresenta a despedida de Jesus, o seu regresso ao Pai, e a entrega da miss\u00e3o aos disc\u00edpulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A despedida de Jesus teria acontecido em Jerusal\u00e9m, ap\u00f3s uma refei\u00e7\u00e3o com os disc\u00edpulos (cf. At 1,4.9). No Evangelho, Lucas \u00e9 ainda mais expl\u00edcito: foi em Bet\u00e2nia, uma localidade situada no cimo do Monte das Oliveiras, mesmo em frente da cidade de Jerusal\u00e9m, que Jesus se despediu dos disc\u00edpulos e, \u00e0 vista deles, subiu ao c\u00e9u (cf. Lc 24,50). De acordo com o esquema teol\u00f3gico de Lucas, Jerusal\u00e9m \u00e9 o lugar onde a salva\u00e7\u00e3o irrompe (de acordo com a mentalidade judaica, \u00e9 em Jerusal\u00e9m que o Messias deve manifestar-se e que a sua proposta libertadora se h\u00e1 de concretizar na vida de Israel), e tamb\u00e9m o lugar de onde a salva\u00e7\u00e3o de Jesus parte para ir ao encontro do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, em Jerusal\u00e9m, uma pequena capela em formato octogonal, situada no cimo do Monte das Oliveiras, faz mem\u00f3ria da Ascens\u00e3o de Jesus ao c\u00e9u. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A ascens\u00e3o de Jesus deve ser vista no contexto de toda a sua vida. Ele veio ao encontro dos homens, caminhou no meio deles, procurou viver na fidelidade ao projeto do Pai, pagou com a pr\u00f3pria vida o seu compromisso com a constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. Mas Deus n\u00e3o aceitou que a maldade vencesse e libertou Jesus da escravid\u00e3o da morte; e Jesus, glorificado por Deus, entrou definitivamente na gl\u00f3ria do Pai. A ascens\u00e3o de Jesus diz-nos qual \u00e9 o destino final daqueles que, como Ele, vivem na fidelidade aos projetos de Deus: est\u00e3o destinados \u00e0 glorifica\u00e7\u00e3o, \u00e0 comunh\u00e3o definitiva com Deus. Contemplando a ascens\u00e3o de Jesus, percebemos qual \u00e9 a meta do nosso caminho: a Vida plena junto do Pai. Isto d\u00e1 um novo sentido \u00e0 nossa vida, \u00e0s nossas lutas, ao nosso compromisso, \u00e0 nossa entrega \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. N\u00e3o caminhamos ao encontro do vazio, do nada, mas caminhamos ao encontro da Vida definitiva nos bra\u00e7os de Deus, como Jesus. Temos consci\u00eancia disso? Essa consci\u00eancia alimenta a nossa entrega, o nosso compromisso, a nossa fidelidade ao projeto de Deus?<\/li>\n<li>\u00c9 bem significativo que a \u201cpartida\u201d de Jesus apare\u00e7a associada ao envio dos disc\u00edpulos. Jesus, terminada a sua miss\u00e3o, foi ter com o Pai; mas aquilo que Ele come\u00e7ou n\u00e3o est\u00e1 conclu\u00eddo. Agora a miss\u00e3o que o Pai tinha confiado a Jesus passa para as m\u00e3os dos seus disc\u00edpulos. Como Jesus, eles t\u00eam a tarefa de ir pelo mundo curar, dar Vida, lutar contra o sofrimento e a morte, testemunhar com palavras e gestos a salva\u00e7\u00e3o de Deus. \u201cSereis minhas testemunhas em Jerusal\u00e9m, por toda a Judeia e Samaria e at\u00e9 aos confins do mundo\u201d \u2013 disse-lhes Jesus ao partir para o Pai. A comunidade dos disc\u00edpulos \u00e9 uma comunidade \u201cmission\u00e1ria\u201d: todos os disc\u00edpulos s\u00e3o \u201cenviados\u201d a dar testemunho de Jesus e do seu projeto, em todo o tempo e em todos os lugares. Sentimo-nos \u201cmission\u00e1rios\u201d de Jesus no nosso mundo, mensageiros da salva\u00e7\u00e3o de Deus em todos os lugares onde a vida nos leva?<\/li>\n<li>Jesus garantiu aos disc\u00edpulos que iriam receber uma for\u00e7a, a do Esp\u00edrito Santo, que os capacitaria para serem testemunhas da salva\u00e7\u00e3o de Deus em toda a terra. Trata-se de uma \u201cpromessa\u201d decisiva. N\u00e3o estamos sozinhos, entregues \u00e0 nossa sorte, \u00e0s nossas decis\u00f5es fal\u00edveis, aos nossos medos e contradi\u00e7\u00f5es. Atrav\u00e9s do Esp\u00edrito \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus que nos acompanha, que nos orienta, que nos d\u00e1 for\u00e7a para levar para a frente a miss\u00e3o. Estamos conscientes da presen\u00e7a do Esp\u00edrito nas nossas vidas e na vida das nossas comunidades crist\u00e3s? Procuramos escutar o Esp\u00edrito e discernir os desafios de Deus que Ele nos traz?<\/li>\n<li>\u201cPorque estais assim a olhar para o c\u00e9u?\u201d \u2013 perguntam os \u201cdois homens vestidos de branco\u201d aos disc\u00edpulos de Jesus, ap\u00f3s a ascens\u00e3o. \u00c9 frequente ouvirmos dizer que os seguidores de Jesus passam muito tempo a olhar para o c\u00e9u e negligenciam o seu compromisso com a transforma\u00e7\u00e3o do mundo. Estamos, efetivamente, atentos aos problemas e \u00e0s ang\u00fastias dos homens, ou vivemos de olhos postos no c\u00e9u, num espiritualismo alienado? Sentimo-nos questionados pelas inquieta\u00e7\u00f5es, pelas mis\u00e9rias, pelos sofrimentos, pelos sonhos, pelas esperan\u00e7as que enchem o cora\u00e7\u00e3o dos que nos rodeiam? Sentimo-nos solid\u00e1rios com todos os homens, particularmente com aqueles que sofrem? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 46 (47)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1:<br \/>\nPor entre aclama\u00e7\u00f5es e ao som da trombeta,<br \/>\nergue-Se Deus, o Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2:<br \/>\nErgue-se, Deus, o Senhor,<br \/>\nem j\u00fabilo e ao som da trombeta.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Povos todos, batei palmas,<br \/>\naclamai a Deus com brados de alegria,<br \/>\nporque o Senhor, o Alt\u00edssimo, \u00e9 terr\u00edvel,<br \/>\no Rei soberano de toda a terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus subiu entre aclama\u00e7\u00f5es,<br \/>\no Senhor subiu ao som da trombeta.<br \/>\nCantai hinos a Deus, cantai,<br \/>\ncantai hinos ao nosso Rei, cantai.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus \u00e9 Rei do universo:<br \/>\ncantai os hinos mais belos.<br \/>\nDeus reina sobre os povos,<br \/>\nDeus est\u00e1 sentado no seu trono sagrado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Ef\u00e9sios 1,17-23<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nO Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da gl\u00f3ria,<br \/>\nvos conceda um esp\u00edrito de sabedoria e de luz<br \/>\npara O conhecerdes plenamente<br \/>\ne ilumine os olhos do vosso cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\npara compreenderdes a esperan\u00e7a a que fostes chamados,<br \/>\nos tesouros de gl\u00f3ria da sua heran\u00e7a entre os santos<br \/>\ne a incomensur\u00e1vel grandeza do seu poder<br \/>\npara n\u00f3s os crentes.<br \/>\nAssim o mostra a efic\u00e1cia da poderosa for\u00e7a<br \/>\nque exerceu em Cristo,<br \/>\nque Ele ressuscitou dos mortos<br \/>\ne colocou \u00e0 sua direita nos C\u00e9us,<br \/>\nacima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania,<br \/>\nacima de todo o nome que \u00e9 pronunciado,<br \/>\nn\u00e3o s\u00f3 neste mundo,<br \/>\nmas tamb\u00e9m no mundo que h\u00e1 de vir.<br \/>\nTudo submeteu aos seus p\u00e9s<br \/>\ne p\u00f4-l\u2019O acima de todas as coisas<br \/>\ncomo Cabe\u00e7a de toda a Igreja, que \u00e9 o seu Corpo,<br \/>\na plenitude d\u2019Aquele que preenche tudo em todos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9feso era uma cidade situada na costa da J\u00f3nia, a cerca de tr\u00eas quil\u00f3metros da moderna Sel\u00e7uk, prov\u00edncia de Esmirna, na atual Turquia. Durante o per\u00edodo romano chegou a ser a segunda cidade do imp\u00e9rio, logo a seguir a Roma. Era famosa pelo Templo de \u00c1rtemis, uma das sete maravilhas do mundo antigo, e pelo seu enorme teatro, com capacidade para cerca de 25.000 espetadores. Era tamb\u00e9m conhecida pela excel\u00eancia das suas escolas filos\u00f3ficas, pela sua vida cultural e por ser o principal centro comercial do Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo passou em \u00c9feso durante a sua terceira viagem mission\u00e1ria e permaneceu na cidade durante um longo per\u00edodo (mais de dois anos, segundo At 19,10). Reuniu \u00e0 sua volta um n\u00famero consider\u00e1vel de pessoas convertidas ao \u201cCaminho\u201d (At 19,9.23); e assim, \u00e0 volta da sua prega\u00e7\u00e3o e do seu testemunho, desenvolveu-se uma comunidade crist\u00e3 numerosa e entusiasta. Foi aos anci\u00e3os da Igreja de \u00c9feso que Paulo confiou, em Mileto (cf. At 20,17-38), o seu testamento espiritual, apost\u00f3lico e pastoral antes de ir a Jerusal\u00e9m, onde acabaria por ser preso. Tudo isto faz supor uma rela\u00e7\u00e3o muito estreita entre Paulo e a comunidade crist\u00e3 de \u00c9feso.\u00a0Estranhamente, a Carta aos Ef\u00e9sios n\u00e3o reflete essa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, a carta est\u00e1 escrita num tom impessoal, sem refer\u00eancias a pessoas ou a circunst\u00e2ncias concretas. Parece estranho que Paulo, depois de ter passado um tempo relativamente longo em \u00c9feso, escrevesse uma carta sem deixar transparecer a rela\u00e7\u00e3o estreita que o unia aos Ef\u00e9sios. Alguns duvidam, por essa raz\u00e3o, da autenticidade paulina da Carta aos Ef\u00e9sios; mas outros consideram que o texto que chegou at\u00e9 n\u00f3s com a designa\u00e7\u00e3o de \u201cCarta aos Ef\u00e9sios\u201d, poderia ser um dos exemplares de uma \u201ccarta circular\u201d enviada a v\u00e1rias igrejas da \u00c1sia Menor (tamb\u00e9m \u00e0 Igreja de \u00c9feso), numa altura em que Paulo estava na pris\u00e3o, talvez em Roma. Ora, uma carta desse tipo n\u00e3o poderia ser uma carta muito pessoal. T\u00edquico, o portador da carta, t\u00ea-la-ia distribu\u00eddo pelas Igrejas da zona. Estar\u00edamos, provavelmente, pelos anos 58\/60.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema central da Carta aos Ef\u00e9sios \u00e9 o projeto salvador de Deus (aquilo a que Paulo chama \u201co mist\u00e9rio\u201d): definido desde toda a eternidade, permaneceu oculto ao entendimento dos homens durante s\u00e9culos, at\u00e9 que foi dado a conhecer em Jesus e revelado aos ap\u00f3stolos. O projeto salvador de Deus concretiza-se, agora, na Igreja, Corpo de Cristo, sacramento de salva\u00e7\u00e3o, onde judeus e pag\u00e3os se encontram e vivem em unidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto da Carta aos Ef\u00e9sios que nos \u00e9 proposto como segunda leitura neste domingo da Ascens\u00e3o, integra a primeira parte da carta, que reflete sobre o \u201cMist\u00e9rio\u201d de Cristo e da Igreja (cf. Ef 1,3-3,21). Ao hino de louvor a Deus pelo seu plano de salva\u00e7\u00e3o, concretizado em Cristo (cf. Ef 1,3-14), segue-se uma a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pela f\u00e9 dos ef\u00e9sios e pela caridade que eles manifestam para com todos os irm\u00e3os na f\u00e9 (cf. Ef 1,15-23). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>No dia em que celebramos a ascens\u00e3o de Jesus ao c\u00e9u, Paulo pede a Deus que \u201cilumine os olhos\u201d do nosso cora\u00e7\u00e3o para termos sempre presente \u201ca esperan\u00e7a a que fomos chamados\u201d. \u00c9 um pedido que faz sentido. Curvados pelo cansa\u00e7o do caminho, seduzidos pelos apelos de um mundo que vive \u201ca prazo\u201d, encandeados pelo brilho falso dos valores passageiros, podemos ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de caminhar de olhos postos no ch\u00e3o, limitando-nos a seguir a corrente e a aproveitar algumas migalhas de felicidade ef\u00e9mera. Mas a ascens\u00e3o de Jesus fala-nos de um projeto de vida com dimens\u00e3o de eternidade e de plenitude. Qual o cen\u00e1rio de fundo que domina a nossa caminhada: o da terra, sempre muito rasteiro e limitado, ou o horizonte largo do mundo de Deus, de onde o nosso irm\u00e3o Jesus nos chama?<\/li>\n<li>\u00c9 bela e sugestiva a imagem da Igreja como um \u201ccorpo\u201d do qual Cristo \u00e9 a \u201ccabe\u00e7a\u201d. Todos n\u00f3s, membros vivos desse \u201ccorpo\u201d, estamos ligados a Cristo. \u00c9 Ele o nosso \u201ccentro\u201d, a nossa refer\u00eancia, a nossa fonte de Vida. A imagem tamb\u00e9m nos lembra a comunh\u00e3o, a solidariedade, os la\u00e7os fraternos que unem todos aqueles que integram esse \u201ccorpo\u201d, apesar das diferen\u00e7as e dist\u00e2ncias que possam existir entre n\u00f3s. Estas duas coordenadas est\u00e3o presentes na nossa experi\u00eancia de f\u00e9? Procuramos manter permanentemente a nossa liga\u00e7\u00e3o a Jesus e fazer d\u2019Ele o centro \u00e0 volta do qual constru\u00edmos toda a nossa exist\u00eancia? Sentimo-nos ligados aos nossos irm\u00e3os na f\u00e9 e procuramos, com eles e junto deles, viver o mandamento do amor que Jesus nos deixou?<\/li>\n<li>A Igreja \u00e9 a \u201cplenitude\u201d de Cristo. Nela Cristo reside no mundo e nela Cristo continua a oferecer ao mundo a plenitude da salva\u00e7\u00e3o de Deus. Os homens e mulheres do nosso tempo, quando olham para a Igreja, encontram Cristo e a proposta de salva\u00e7\u00e3o que Cristo veio trazer? N\u00f3s, membros da Igreja, damos testemunho coerente e verdadeiro de Cristo e do Evangelho?<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Nota: em vez desta leitura, pode-se escolher a seguinte leitura facultativa: Ef 4,1-13)<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 24,46-53<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\ndisse Jesus aos seus disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abEst\u00e1 escrito que o Messias havia de sofrer<br \/>\ne de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia<br \/>\ne que havia de ser pregado em seu nome<br \/>\no arrependimento e o perd\u00e3o dos pecados<br \/>\na todas as na\u00e7\u00f5es, come\u00e7ando por Jerusal\u00e9m.<br \/>\nV\u00f3s sois testemunhas disso.<br \/>\nEu vos enviarei Aquele que foi prometido por meu Pai.<br \/>\nPor isso, permanecei na cidade,<br \/>\nat\u00e9 que sejais revestidos com a for\u00e7a do alto\u00bb.<br \/>\nDepois Jesus levou os disc\u00edpulos at\u00e9 junto de Bet\u00e2nia<br \/>\ne, erguendo as m\u00e3os, aben\u00e7oou-os.<br \/>\nEnquanto os aben\u00e7oava,<br \/>\nafastou-Se deles e foi elevado ao C\u00e9u.<br \/>\nEles prostraram-se diante de Jesus,<br \/>\ne depois voltaram para Jerusal\u00e9m com grande alegria.<br \/>\nE estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da pris\u00e3o de Jesus (cf. Lc 22,4753), os disc\u00edpulos tinham praticamente desaparecido de circula\u00e7\u00e3o. Pedro ainda tinha seguido os soldados do Templo que levavam Jesus para o pal\u00e1cio do sumo sacerdote, mas tinha negado qualquer liga\u00e7\u00e3o ao seu Mestre (cf. Lc 22,54-62). Quando Jesus morreu na cruz, \u201cos seus conhecidos e as mulheres que o tinham acompanhado desde a Galileia mantinham-se \u00e0 dist\u00e2ncia, observando estas coisas\u201d (Lc 23,49).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, na manh\u00e3 de P\u00e1scoa, as mulheres que tinham vindo com Jesus desde a Galileia e que tinham visto onde o corpo de Jesus fora depositado (cf. Lc 23,55-56), foram ao sepulcro, mas encontraram o t\u00famulo vazio e receberam o an\u00fancio de que Jesus estava vivo. Foram contar a novidades aos outros disc\u00edpulos de Jesus, \u201cmas as suas palavras pareceram-lhes um desvario, e eles n\u00e3o acreditaram nelas\u201d (Lc 24,11). Contudo, nesse mesmo dia, Jesus fez-se companheiro de caminho de dois disc\u00edpulos que iam a caminho de uma povoa\u00e7\u00e3o chamada Ema\u00fas (cf. Lc 24,13-35); e, logo depois, apareceu aos Onze (cf. Lc 24,36-43). \u00c9 a reentrada em cena do grupo dos disc\u00edpulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto evang\u00e9lico que a liturgia do domingo da Ascens\u00e3o nos convida a escutar, Jesus ressuscitado est\u00e1 com os disc\u00edpulos e deixa-lhes as suas \u00faltimas instru\u00e7\u00f5es (cf. Lc 24,44-49). Depois sobe ao c\u00e9u, ao encontro do Pai (cf. Lc 24,50-53). A cena da Ascens\u00e3o de Jesus \u00e9 colocada \u201cjunto de Bet\u00e2nia\u201d. Bet\u00e2nia (a atual al-Azariye) \u00e9 uma pequena aldeia situada no lado oriental do Monte das Oliveiras, a cerca de tr\u00eas quil\u00f3metros de Jerusal\u00e9m. Era em Bet\u00e2nia que viviam L\u00e1zaro, Marta e Maria, amigos de Jesus (cf. Jo 11; Lc 10,38-42).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, Lucas refere-se \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o, apari\u00e7\u00f5es de Jesus ressuscitado aos disc\u00edpulos e ascens\u00e3o ao c\u00e9u como acontecimentos separados no tempo, vivenciados ao longo de quarenta dias (cf. At 1,3). No Evangelho, por\u00e9m, todos esses acontecimentos s\u00e3o colocados no espa\u00e7o de um dia, o que parece mais correto do ponto de vista teol\u00f3gico: ressurrei\u00e7\u00e3o e ascens\u00e3o n\u00e3o se podem diferenciar; s\u00e3o apenas formas humanas de falar da passagem da morte \u00e0 vida definitiva junto de Deus. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A partida de Jesus, a sua entrada definitiva no mist\u00e9rio do Pai, marca uma etapa nova na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. Nesse dia come\u00e7a o tempo da Igreja, o tempo em que a responsabilidade de testemunhar a salva\u00e7\u00e3o de Deus fica nas m\u00e3os dos disc\u00edpulos. Eles acolheram o convite de Jesus, dispuseram-se a segui-l\u2019O, ouviram as suas palavras, viram os seus gestos, aprenderam as suas li\u00e7\u00f5es, foram formados na sua \u201cescola\u201d. Conhecem o projeto de Jesus e adotaram-no como projeto de vida. \u00c9 altura de se mostrarem adultos e respons\u00e1veis na viv\u00eancia da f\u00e9. N\u00e3o podem continuar \u201c\u00e1 boleia\u201d de Jesus, \u00e0 espera de que Jesus fa\u00e7a tudo. Compete-lhes agora continuarem no mundo, com alegria, criatividade e compromisso, a obra libertadora e salvadora de Jesus. Sentimos esta responsabilidade? Somos capazes de vencer os nossos medos e as nossas hesita\u00e7\u00f5es, a nossa pregui\u00e7a e o nosso comodismo, para nos assumirmos como testemunhas coerentes e comprometidas de Jesus e do seu projeto?<\/li>\n<li>No Evangelho segundo Lucas, Jesus envia os disc\u00edpulos a pregar em seu nome \u201ca convers\u00e3o e o perd\u00e3o dos pecados a todas as na\u00e7\u00f5es, come\u00e7ando por Jerusal\u00e9m\u201d. A miss\u00e3o dos disc\u00edpulos \u00e9 a mesma que Jesus cumpriu, por mandato do Pai: libertar os homens das cadeias do ego\u00edsmo e do pecado e anunciar-lhes o amor, a bondade, a miseric\u00f3rdia, a ternura de Deus por todos os seus filhos. Desde o momento em que Jesus se despediu dos disc\u00edpulos at\u00e9 hoje, passaram-se cerca de dois mil anos; mas a tarefa dos disc\u00edpulos de Jesus continua a ser a mesma. O nosso an\u00fancio \u00e9 uma \u201cboa not\u00edcia\u201d que liberta do medo e que acende a esperan\u00e7a? Anunciamos e testemunhamos o amor misericordioso de Deus? Estamos empenhados em combater a injusti\u00e7a, a viol\u00eancia, o ego\u00edsmo, a indiferen\u00e7a, tudo aquilo que gera escravid\u00e3o e opress\u00e3o? Os doentes, os prisioneiros, os que a todo o momento veem pisados os seus direitos e a sua dignidade, os que s\u00e3o \u201cmarcados\u201d e exclu\u00eddos por serem \u201cdiferentes\u201d, podem contar com a nossa solidariedade ativa, com o nosso amor, com o nosso esfor\u00e7o para os libertar da opress\u00e3o do \u201cpecado\u201d e para lhes levar Vida?<\/li>\n<li>A miss\u00e3o que Jesus confiou aos disc\u00edpulos \u00e9 uma miss\u00e3o universal: as fronteiras, as ra\u00e7as, as diferen\u00e7as culturais, as diferen\u00e7as ideol\u00f3gicas, as diferen\u00e7as de estatuto social, as marcas da vida, os \u201cacidentes\u201d pessoais que tornam cada pessoa \u00fanica e diferente, n\u00e3o podem ser obst\u00e1culos para a presen\u00e7a da proposta libertadora de Jesus no mundo. Temos consci\u00eancia de que Jesus nos envia a todas as pessoas, independentemente daquilo que as torna diferentes, \u201cestranhas\u201d, singulares? Nas nossas comunidades crist\u00e3s h\u00e1 lugar para todos, sejam quais forem as situa\u00e7\u00f5es de vida ou as feridas que cada um carrega?<\/li>\n<li>Ao chegar o momento da sua partida para o Pai, Jesus prometeu aos disc\u00edpulos que iria enviar-lhes o prometido do Pai, o Esp\u00edrito Santo, que os revestiria da \u201cfor\u00e7a do alto\u201d. Portanto, os disc\u00edpulos de Jesus n\u00e3o foram deixados sozinhos frente a uma obra colossal, que os esmaga pela sua dificuldade e amplitude. Os disc\u00edpulos de Jesus s\u00e3o, em cada passo do caminho que percorrem, animados e guiados pelo Esp\u00edrito de Deus, o mesmo Esp\u00edrito que animava Jesus e lhe dava a for\u00e7a para cumprir o plano salvador do Pai em favor dos homens. Embora conscientes da nossa fragilidade, enfrentamos as dificuldades com a certeza da presen\u00e7a em n\u00f3s do Esp\u00edrito de Deus, que nos mostra o caminho a percorrer, que nos anima e que nos fortalece. Sentimos a presen\u00e7a reconfortante do Esp\u00edrito nos momentos em que a d\u00favida, o medo e o des\u00e2nimo nos batem \u00e0 porta e amea\u00e7am submergir-nos? Procuramos escutar a voz do Esp\u00edrito e caminhar na dire\u00e7\u00e3o que Ele nos aponta?<\/li>\n<li>Depois de testemunharem a partida de Jesus, os disc\u00edpulos \u201cvoltaram para Jerusal\u00e9m com grande alegria\u201d. A alegria que brilha nos olhos e nos cora\u00e7\u00f5es desses disc\u00edpulos que testemunham a entrada definitiva de Jesus na vida de Deus tem de ser uma realidade que transparece na nossa vida e que contagia o nosso testemunho. Os seguidores de Jesus, iluminados pela f\u00e9, s\u00e3o chamados a testemunhar, com a sua alegria, que Jesus venceu a morte e o pecado e foi glorificado por Deus; s\u00e3o convidados a testemunhar, com a sua alegria, a certeza de que os espera, no final do caminho, a vida em plenitude, essa mesma vida onde Jesus j\u00e1 est\u00e1; s\u00e3o chamados a testemunhar, com a sua alegria, que o projeto salvador e libertador de Deus est\u00e1 a atuar no mundo, est\u00e1 a transformar os cora\u00e7\u00f5es e as mentes, est\u00e1 a fazer nascer, dia a dia, o Homem Novo. Somos testemunhas jubilosas de tudo isto no meio dos nossos irm\u00e3os? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 marcada pelo tom narrativo da Ascens\u00e3o de Jesus ao C\u00e9u diante dos Seus disc\u00edpulos. Al\u00e9m do tom narrativo que deve marcar a proclama\u00e7\u00e3o da leitura, \u00e9 necess\u00e1ria uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0s diversas interven\u00e7\u00f5es de discurso direto, de modo particular \u00e0 primeira \u2013 \u00ab<em>da qual \u2013 disse Ele \u2013 Me ouvistes falar<\/em>\u00a0(\u2026)\u00bb \u2013 pois logo ap\u00f3s iniciar o discurso direto se indica o autor daquela interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na <strong>segunda leitura,<\/strong> al\u00e9m das frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es que s\u00e3o habituais na literatura paulina e que exigem um especial cuidado nas pausas e na respira\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio ter em aten\u00e7\u00e3o as duas enumera\u00e7\u00f5es presentes no texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Leitura-I-do-Domingo-da-Ascencao-do-Senhor-Ano-C-01.06.2025-Atos-1-1-11.pdf\">Leitura I do Domingo da Ascen\u00e7\u00e3o do Senhor &#8211; Ano C &#8211; 01.06.2025 (Atos 1, 1-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Resto-da-leitura-I-e-leitura-II-do-Domingo-da-Ascensao-do-Senhor-Ano-C-01.06.2025-Efesios-1-17-23.pdf\">Resto da leitura I e leitura II do Domingo da Ascens\u00e3o do Senhor &#8211; Ano C &#8211; 01.06.2025 (Ef\u00e9sios 1, 17-23)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Domingo-da-Ascensao-do-Senhor-Ano-C-01.06.2025-Lecionario.pdf\">Domingo da Ascens\u00e3o do Senhor &#8211; Ano C &#8211; 01.06.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Domingo-da-Ascensao-do-Senhor-Ano-C-01.06.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo da Ascens\u00e3o do Senhor &#8211; Ano C &#8211; 01.06.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Solenidade-da-Ascensao-do-Senhor-Ano-C-01.06.2025-refletindo.pdf\">Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor &#8211; Ano C &#8211; 01.06.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-da-Ascensao.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo da Ascens\u00e3o<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Mensagem-do-Papa-Francisco-para-o-LIX-DIA-MUNDIAL-DAS-COMUNICACOES-SOCIAIS-01.06.2025.pdf\">Mensagem do Papa Francisco para o LIX DIA MUNDIAL DAS COMUNICA\u00c7\u00d5ES SOCIAIS &#8211; 01.06.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo VI do Tempo Pascal \u2013 Ano C \u2013 25 maio 2025&#8243; tab_id=&#8221;1748852406193-d460651e-5cee&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo VI do Tempo Pascal &#8211; Ano C \u2013 25 maio 2025<\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Domingo-VI.jpg\" alt=\"\" width=\"541\" height=\"508\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida crist\u00e3 \u00e9 revestida da grande certeza de que Jesus est\u00e1 vivo e de que a Sua vida ressuscitada anima a vida dos crentes na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. Como nos recorda o livro do Apocalipse, os novos c\u00e9us e a nova terra, a cidade santa de Jerusal\u00e9m, n\u00e3o precisa mais de um templo constru\u00eddo \u00e0 maneira dos homens, porque o verdadeiro Templo \u00e9 \u00ab<em>o Senhor Deus omnipotente e o Cordeiro<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus Cristo, que por n\u00f3s morreu e ressuscitou, \u00e9 o caminho que nos conduz ao Pai, o \u00fanico Mediador entre Deus e os homens, porque Ele \u00e9 a l\u00e2mpada que ilumina os trilhos que somos chamados a percorrer. Deste modo, como disc\u00edpulos mission\u00e1rios, batizados em Cristo e guiados pelo Esp\u00edrito Santo, somos chamados a ler as dificuldades e sofrimentos \u00e0 luz do Senhor ressuscitado para que vida de cada homem e de cada mulher se transfigure pela luz nova que brota da P\u00e1scoa de Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Evangelho deste Domingo, escutamos parte do discurso de despedida de Jesus e nele apresentam-se as coordenadas que definem a vida crist\u00e3: o amor, a escuta da Palavra e uma vida animada pelo Esp\u00edrito Santo que se torna lugar de Paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Quem Me ama guardar\u00e1 a minha palavra, e meu Pai o amar\u00e1; N\u00f3s viremos a ele e faremos nele a nossa morada<\/em>\u00bb. Deus \u00e9 amor e s\u00f3 poderemos entrar em rela\u00e7\u00e3o com Ele numa din\u00e2mica de enamoramento que transforma a nossa vida numa resposta amorosa \u00c0quele que nos amou primeiro. Contudo, o amor a Deus que se concretiza no amor aos irm\u00e3os, n\u00e3o \u00e9 uma mera afei\u00e7\u00e3o, mas um lugar de di\u00e1logo que pressup\u00f5e em primeiro lugar uma verdadeira atitude de escuta da Palavra que transforma a nossa vida num lugar que Deus habita. Deus quer habitar a nossa fr\u00e1gil humanidade e preench\u00ea-la com o Seu amor, para que o nosso querer e agir se moldem pela for\u00e7a evangelizadora da Sua bondade e ternura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, fazer da nossa vida um lugar que Deus habita \u00e9 uma tarefa permanente da nossa vida crist\u00e3 e realiza-se pela for\u00e7a do Par\u00e1clito que o Pai envia para que no nosso cora\u00e7\u00e3o se reavivem em cada dia as palavras de amor que Jesus nos dirige.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Animados pelo Esp\u00edrito Santo, reconhecemos que n\u00e3o caminhamos sozinhos e recordamos o compromisso de abra\u00e7ar juntos a constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. Somos Igreja a caminho e diante das dificuldades, desafios, d\u00favidas e incertezas do tempo e da hist\u00f3ria, devemos juntos discernir a vontade de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim contemplamos a comunidade primitiva, que levando a cabo a miss\u00e3o evangelizadora, encontra novos desafios que precisam de novas respostas. As primeiras comunidades crist\u00e3s fazem a experi\u00eancia daquilo que hoje chamamos sinodalidade, palavra que traduz a necessidade de caminhar juntos, de operar juntos, de tomar juntos as decis\u00f5es. Aqueles que fazem parte da comunidade re\u00fanem-se com os Ap\u00f3stolos sob o olhar de Cristo, iluminados pela Escritura e solicitam a ajuda do Esp\u00edrito Santo. Em conjunto discutem os problemas colocados \u00e0 Igreja, em conjunto decidem e em conjunto alegram-se pelo progresso do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00e9 o caminho que devemos trilhar diante das dificuldades que surgem na vida das nossas comunidades: caminhar juntos, valorizando a diversidade de dons, carismas, minist\u00e9rios e servi\u00e7os. Guiados pelo Esp\u00edrito Santo, a diversidade sublinha e fortalece a comunh\u00e3o e unidade, e torna-se lugar da Paz nova que o Ressuscitado oferece.<strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>No pr\u00f3ximo Domingo, Solenidade da Ascens\u00e3o do Senhor, assinala-se o 59.\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/strong>. Para este ano, o Santo Padre, o Papa Francisco deixou uma mensagem intitulada: \u00ab<em>Partilhai com mansid\u00e3o a esperan\u00e7a que est\u00e1 nos vossos cora\u00e7\u00f5es (cf. 1 Pd 3,15-16)<\/em>\u00bb. Para que este dia n\u00e3o seja assinalado apenas com o ofert\u00f3rio para os Meios de Comunica\u00e7\u00e3o Social, pastoralmente ser\u00e1 muito \u00fatil apresentar a import\u00e2ncia das comunica\u00e7\u00f5es sociais como lugar de an\u00fancio e comunica\u00e7\u00e3o da verdade, como instrumento de servi\u00e7o e de constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor. Al\u00e9m disso, poder\u00e1 ser importante a realiza\u00e7\u00e3o de um encontro de reflex\u00e3o e aprofundamento desta mensagem do Papa Francisco que apresenta um conjunto de desafios e interpela\u00e7\u00f5es acerca da arte da escuta<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>caminho do Pentecostes,<\/strong> continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Atos dos Ap\u00f3stolos 15,1-2.22-29<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nalguns homens que desceram da Judeia<br \/>\nensinavam aos irm\u00e3os de Antioquia:<br \/>\n\u00abSe n\u00e3o receberdes a circuncis\u00e3o,<br \/>\nsegundo a Lei de Mois\u00e9s,<br \/>\nn\u00e3o podereis salvar-vos\u00bb.<br \/>\nIsto provocou muita agita\u00e7\u00e3o e uma discuss\u00e3o intensa<br \/>\nque Paulo e Barnab\u00e9 tiveram com eles.<br \/>\nEnt\u00e3o decidiram que Paulo e Barnab\u00e9 e mais alguns disc\u00edpulos<br \/>\nsubissem a Jerusal\u00e9m<br \/>\npara tratarem dessa quest\u00e3o com os Ap\u00f3stolos e os anci\u00e3os.<br \/>\nOs Ap\u00f3stolos e os anci\u00e3os, de acordo com toda a Igreja,<br \/>\ndecidiram escolher alguns irm\u00e3os<br \/>\ne mand\u00e1-los a Antioquia com Barnab\u00e9 e Paulo.<br \/>\nEram Judas, a quem chamavam Barsab\u00e1s,<br \/>\ne Silas, homens de autoridade entre os irm\u00e3os.<br \/>\nMandaram por eles esta carta:<br \/>\n\u00abOs Ap\u00f3stolos e os anci\u00e3os, irm\u00e3os vossos,<br \/>\nsa\u00fadam os irm\u00e3os de origem pag\u00e3<br \/>\nresidentes em Antioquia, na S\u00edria e na Cil\u00edcia.<br \/>\nTendo sabido que, sem nossa autoriza\u00e7\u00e3o,<br \/>\nalguns dos nossos vos foram inquietar,<br \/>\nperturbando as vossas almas com as suas palavras,<br \/>\nresolvemos, de comum acordo,<br \/>\nescolher delegados para vo-los enviarmos<br \/>\njuntamente com os nossos queridos Barnab\u00e9 e Paulo,<br \/>\nhomens que expuseram a sua vida<br \/>\npelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.<br \/>\nPor isso vos mandamos Judas e Silas,<br \/>\nque vos transmitir\u00e3o de viva voz as nossas decis\u00f5es.<br \/>\nO Esp\u00edrito Santo e n\u00f3s<br \/>\ndecidimos n\u00e3o vos impor mais nenhuma obriga\u00e7\u00e3o,<br \/>\nal\u00e9m destas que s\u00e3o indispens\u00e1veis:<br \/>\nabster-se da carne imolada aos \u00eddolos,<br \/>\ndo sangue, das carnes sufocadas e das rela\u00e7\u00f5es imorais.<br \/>\nProcedereis bem, evitando tudo isso. Adeus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Antioquia da Pis\u00eddia, durante a sua primeira viagem mission\u00e1ria, Paulo pregou primeiro aos judeus na sinagoga da cidade; mas, diante da resist\u00eancia e do desinteresse dos judeus, Paulo manifestou abertamente a sua inten\u00e7\u00e3o de dirigir-se, da\u00ed em diante, preferencialmente aos gentios cf. At 13,44-48). Os pag\u00e3os, ao saberem dessa decis\u00e3o, \u201cencheram-se de alegria e glorificavam a palavra do Senhor\u201d. Esta not\u00edcia espelha uma realidade: muitos pag\u00e3os, tendo conhecimento da proposta crist\u00e3, manifestaram-se dispon\u00edveis para abra\u00e7\u00e1-la. Quando chegou a Antioquia da S\u00edria (a Igreja que o tinha enviado em miss\u00e3o), Paulo apresentou aos respons\u00e1veis dessa comunidade o relat\u00f3rio da miss\u00e3o e contou como Deus \u201cabrira aos pag\u00e3os a porta da f\u00e9\u201d (At 14,27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse facto, contudo, colocava a Igreja de Jesus diante de novos desafios e levantava algumas quest\u00f5es at\u00e9 agora n\u00e3o equacionadas. A circuncis\u00e3o -pr\u00e1tica habitual dos judeus \u2013 era obrigat\u00f3ria, como defendiam os crist\u00e3os que provinham do juda\u00edsmo? A observ\u00e2ncia da Lei de Mois\u00e9s era obrigat\u00f3ria? As prescri\u00e7\u00f5es farisaicas relativas aos alimentos eram obrigat\u00f3rias? N\u00e3o se trata, aqui, de algo acidental ou secund\u00e1rio, de simples medidas disciplinares ou de puros costumes, mas de algo t\u00e3o fundamental como saber se a salva\u00e7\u00e3o vem atrav\u00e9s da circuncis\u00e3o e da observ\u00e2ncia da Lei judaica, ou \u00fanica e exclusivamente por Cristo. Dito de outra forma: Jesus Cristo \u00e9 o \u00fanico Senhor e salvador, ou s\u00e3o precisas outras coisas al\u00e9m d\u2019Ele para chegar a Deus e para receber d\u2019Ele a gra\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo e Barnab\u00e9 tinham ideias definidas quanto a isto. Achavam que Cristo e o seu Evangelho eram suficientes e que n\u00e3o deviam ser impostos aos crist\u00e3os de origem greco-romana obriga\u00e7\u00f5es que n\u00e3o eram essenciais; mas outros crist\u00e3os pensavam de maneira diferente. Como proceder? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A quest\u00e3o do cumprimento ou do n\u00e3o cumprimento dos rituais previstos pela Lei de Mois\u00e9s \u00e9 uma quest\u00e3o que hoje n\u00e3o preocupa nenhum crist\u00e3o. Contudo, evoca quest\u00f5es que afetam a nossa forma de viver a f\u00e9 e, sobretudo, de traduzir a f\u00e9 de uma forma que os homens e as mulheres do s\u00e9c. XXI a possam entender e acolher. Que valor e que import\u00e2ncia devemos dar a certos rituais lit\u00fargicos, a determinadas pr\u00e1ticas de piedade, a algumas f\u00f3rmulas teol\u00f3gicas que s\u00e3o decididamente datadas e que se tornam dif\u00edceis de entender no mundo da p\u00f3s-modernidade? Ser\u00e1 leg\u00edtimo impormos \u2013 como os \u201cjudaizantes\u201d do tempo de Paulo queriam impor a circuncis\u00e3o \u2013 os nossos esquemas culturais ou a nossa maneira de exprimirmos a f\u00e9 a gentes de culturas e de viv\u00eancias t\u00e3o diferentes das nossas? N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que temos de formular o discurso da f\u00e9 numa linguagem \u201chumana\u201d; mas todas as linguagens \u201chumanas\u201d t\u00eam os seus limites e est\u00e3o marcadas pela finitude. A linguagem \u00e9 o acess\u00f3rio, o conte\u00fado da mensagem \u00e9 o essencial; o essencial deve ser preservado, o acess\u00f3rio deve ser constantemente atualizado. Quais s\u00e3o os ritos e as pr\u00e1ticas decididamente obsoletos, que impedem o homem de hoje de redescobrir o n\u00facleo central da mensagem crist\u00e3? Ser\u00e1 que hoje n\u00e3o estamos a impedir, como outrora, o nascimento de Cristo para o mundo, mantendo-nos presos a esquemas, a modos de pensar e de viver que t\u00eam pouco a ver com a realidade do mundo que nos rodeia?<\/li>\n<li>Os \u201cjudaizantes\u201d consideravam que a salva\u00e7\u00e3o dependia, n\u00e3o apenas da ades\u00e3o a Cristo, mas tamb\u00e9m do cumprimento da Lei de Mois\u00e9s; Paulo, por seu lado, afirmava a absoluta sufici\u00eancia de Cristo, \u201ccaminho, verdade e vida\u201d para todos os interessados em acolher a salva\u00e7\u00e3o de Deus. Cristo \u00e9 o essencial na nossa experi\u00eancia de f\u00e9. Tudo o resto s\u00f3 tem import\u00e2ncia na medida em que nos conduz a Cristo e ao seu Evangelho. Estamos conscientes disto? Em que \u00e9 que assenta o edif\u00edcio da nossa f\u00e9? Qual o lugar de Cristo na nossa vida? A sua Palavra \u00e9 decisiva na defini\u00e7\u00e3o do nosso estilo de vida e na defini\u00e7\u00e3o dos nossos valores? Cristo est\u00e1 no centro da vida das nossas comunidades crist\u00e3s?<\/li>\n<li>Os crist\u00e3os dos primeiros tempos estavam conscientes de que era o Esp\u00edrito quem conduzia a Igreja de Jesus no seu caminho pela hist\u00f3ria. Sentiram isso, de uma forma especial, no momento em que tiveram de decidir sobre o n\u00facleo fundamental da proposta crist\u00e3. Ao comunicar ao mundo, ap\u00f3s o \u201cconc\u00edlio de Jerusal\u00e9m\u201d, o resultado do discernimento a\u00ed feito sobre o essencial da f\u00e9, disseram: \u201co Esp\u00edrito Santo e n\u00f3s decidimos\u2026\u201d. \u00c9 bela esta imagem de uma comunidade que marcha pela hist\u00f3ria conduzida e animada pelo Esp\u00edrito de Deus, que procura escutar a voz do Esp\u00edrito e discernir, com a ajuda do Esp\u00edrito, os caminhos a percorrer. Sentimos que a Igreja \u00e9, tamb\u00e9m nos nossos dias, conduzida e animada pelo Esp\u00edrito? Procuramos estar atentos aos apelos e indica\u00e7\u00f5es que o Esp\u00edrito nos deixa? Temos consci\u00eancia que, muitas vezes, o Esp\u00edrito nos interpela atrav\u00e9s dos \u201csinais dos tempos\u201d e dos desafios que est\u00e3o constantemente a surgir?<\/li>\n<li>Paulo, Barnab\u00e9 e os l\u00edderes das primeiras comunidades crist\u00e3s, confrontados com desafios dos novos tempos, n\u00e3o responderam com posturas defensivas, conservadoras, intransigentes, paralisantes, temerosas. Encararam a realidade com aud\u00e1cia, com imagina\u00e7\u00e3o, com liberdade, com desprendimento e, acima de tudo, com a escuta do Esp\u00edrito. Dessa forma, a Igreja de Jesus superou a mentalidade de \u201cghetto\u201d e tornou-se uma proposta de salva\u00e7\u00e3o ao alcance de todos os homens e mulheres. \u00c9 assim que a Igreja de Jesus hoje enfrenta os apelos e os desafios que o mundo lhe coloca? Somos uma Igreja escondida atr\u00e1s de barreiras protetoras, apenas preocupada em n\u00e3o se sujar, ou somos uma Igreja audaz, sem medo, que vai ao encontro do mundo e que testemunha a todos a miseric\u00f3rdia de Deus? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 66 (67)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Louvado sejais, Senhor, pelos povos de toda a terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Aleluia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus Se compade\u00e7a de n\u00f3s e nos d\u00ea a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o,<br \/>\nresplande\u00e7a sobre n\u00f3s a luz do seu rosto.<br \/>\nNa terra se conhecer\u00e3o os vossos caminhos<br \/>\ne entre os povos a vossa salva\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alegrem-se e exultem as na\u00e7\u00f5es,<br \/>\nporque julgais os povos com justi\u00e7a e<br \/>\ngovernais as na\u00e7\u00f5es sobre a terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os povos Vos louvem, \u00f3 Deus,<br \/>\ntodos os povos Vos louvem.<br \/>\nDeus nos d\u00ea a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o<br \/>\ne chegue o seu louvor aos confins da terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Apocalipse 21,10-14.22-23<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um Anjo transportou-me em esp\u00edrito<br \/>\nao cimo de uma alta montanha<br \/>\ne mostrou-me a cidade santa de Jerusal\u00e9m,<br \/>\nque descia do C\u00e9u, da presen\u00e7a de Deus,<br \/>\nresplandecente da gl\u00f3ria de Deus.<br \/>\nO seu esplendor era como o de uma pedra precios\u00edssima,<br \/>\ncomo uma pedra de jaspe cristalino.<br \/>\nTinha uma grande e alta muralha,<br \/>\ncom doze portas e, junto delas, doze Anjos;<br \/>\ntinha tamb\u00e9m nomes gravados,<br \/>\nos nomes das doze tribos dos filhos de Israel:<br \/>\ntr\u00eas portas a nascente, tr\u00eas portas ao norte,<br \/>\ntr\u00eas portas ao sul e tr\u00eas portas a poente.<br \/>\nA muralha da cidade tinha na base doze refor\u00e7os salientes<br \/>\ne neles doze nomes: os doze Ap\u00f3stolos do Cordeiro.<br \/>\nNa cidade n\u00e3o vi nenhum templo,<br \/>\nporque o seu templo \u00e9 o Senhor Deus omnipotente e o Cordeiro.<br \/>\nA cidade n\u00e3o precisa da luz do sol nem da lua,<br \/>\nporque a gl\u00f3ria de Deus a ilumina<br \/>\ne a sua l\u00e2mpada \u00e9 o Cordeiro.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro do Apocalipse foi escrito por volta do ano 95, numa altura em que o imperador romano Domiciano ordenara uma violenta persegui\u00e7\u00e3o contra os crist\u00e3os. Nas comunidades crist\u00e3s da \u00c1sia Menor, o des\u00e2nimo era generalizado. Haveria futuro para a f\u00e9 crist\u00e3, ou estaria destinada a desaparecer, afogada no sangue dos m\u00e1rtires? Quem manda no mundo e tem a \u00faltima palavra na hist\u00f3ria dos homens: Deus ou as for\u00e7as que combatem contra Deus e que Domiciano de alguma forma corporiza?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto Jo\u00e3o, um crist\u00e3o exilado na ilha de Patmos, no mar Egeu, por causa da sua f\u00e9, entendeu oferecer aos crist\u00e3os perseguidos uma mensagem de esperan\u00e7a. No livro que comp\u00f4s, reflete longamente sobre o que est\u00e1 a acontecer no mundo e alarga depois a sua reflex\u00e3o a toda a hist\u00f3ria dos homens. Garante aos crentes perseguidos que o Mal que eles conhecem n\u00e3o ter\u00e1 a \u00faltima palavra e que a vit\u00f3ria final ser\u00e1 de Deus e dos seus \u201csantos\u201d. Jesus, o \u201cCordeiro\u201d que os homens imolaram na cruz, mas que derrotou a morte, vencer\u00e1 a batalha contra as for\u00e7as que se op\u00f5em \u00e0 vida e \u00e0 felicidade dos filhos de Deus. A hist\u00f3ria humana n\u00e3o caminha para um beco sem sa\u00edda, mas para o \u201cnovo c\u00e9u\u201d e a \u201cnova terra\u201d preparados por Deus para aqueles que aceitarem o Seu convite \u00e0 salva\u00e7\u00e3o e se mantiverem fi\u00e9is ao \u201cCordeiro\u201d. Tudo isto \u00e9 expresso atrav\u00e9s de uma simbologia muito rica e muito expressiva, que os crist\u00e3os entendiam, mas que os perseguidores n\u00e3o conheciam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final do livro, o \u201cprofeta\u201d Jo\u00e3o apresenta, sempre em imagens, a conclus\u00e3o da hist\u00f3ria: o mundo novo que Deus vai oferecer ao seu Povo (cf. Ap 21). Chama-lhe \u201ca nova Jerusal\u00e9m\u201d. Ser\u00e1 l\u00e1 que os \u201csantos\u201d, libertos da morte, do luto, do pranto, da dor, viver\u00e3o para sempre com Deus. Jo\u00e3o descreve essa \u201ccidade nova\u201d em dois quadros (cf. At 21,2-8; 21,9-22,5). A segunda leitura deste sexto domingo pascal apresenta-nos precisamente o segundo desses quadros. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Este \u201cgrande domingo da ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d que \u00e9 o tempo de P\u00e1scoa convida-nos a levantar os olhos do ch\u00e3o e a olhar para al\u00e9m do horizonte limitado e finito em que decorre a nossa vida de todos os dias. Trope\u00e7amos continuamente na maldade, sentimo-nos impotentes diante da viol\u00eancia, vivemos asfixiados pelo medo, ficamos sem for\u00e7as ao enfrentar as crises que nos esperam a cada esquina; mas a vit\u00f3ria de Jesus que temos andado a celebrar neste tempo diz-nos que a injusti\u00e7a n\u00e3o derrotar\u00e1 a equidade, que a mentira n\u00e3o se sobrepor\u00e1 \u00e0 verdade, que o ego\u00edsmo n\u00e3o vencer\u00e1 o amor, que a morte n\u00e3o ser\u00e1 mais forte do que a vida. Neste domingo, o quadro da \u201cnova Jerusal\u00e9m\u201d, a \u201ccidade\u201d perfeita e harmoniosa para onde caminhamos e onde os \u201csantos\u201d de Deus viver\u00e3o para sempre numa felicidade sem fim, lado a lado com Deus, ajuda a renovar as nossas for\u00e7as, a nossa alegria, a nossa convic\u00e7\u00e3o, a nossa esperan\u00e7a, o nosso compromisso. \u00c9 neste quadro que vivemos, que caminhamos e que enfrentamos as vicissitudes, as conting\u00eancias e os reveses que a vida nos traz?<\/li>\n<li>A Igreja que peregrina na hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9, ainda, essa comunidade messi\u00e2nica da vida plena, bela como uma \u201cnoiva adornada para o seu esposo\u201d, de que fala a vis\u00e3o do \u201cprofeta\u201d de Patmos. O caminho que ela vai fazendo todos os dias est\u00e1 marcado pela debilidade, pela fragilidade e pelo pecado dos seus membros. Mesmo assim, ela tem de ser j\u00e1, aqui e agora, um an\u00fancio e uma prefigura\u00e7\u00e3o da comunidade escatol\u00f3gica da salva\u00e7\u00e3o, uma comunidade viva que d\u00e1 testemunho da utopia e que acende no mundo a luz de Deus. A humanidade necessita desse testemunho. A Igreja de Jesus que caminha na hist\u00f3ria, entre cansa\u00e7os e esperan\u00e7as, fracassos e vit\u00f3rias, sombras e luzes, constitui, para os homens e mulheres do s\u00e9c. XXI, um an\u00fancio do mundo que h\u00e1 de vir? O que podemos fazer, n\u00f3s que somos membros desta Igreja, para tornar mais vivo, mais atraente, mais efetivo, esse an\u00fancio e esse testemunho?<\/li>\n<li>\u00c9 algo de que todos temos consci\u00eancia, mas que nunca \u00e9 demais lembrar: ainda que a vida verdadeira e definitiva s\u00f3 se concretize plenamente na \u201cnova Jerusal\u00e9m\u201d, ela pode e deve come\u00e7ar a ser constru\u00edda desde j\u00e1 nesta terra. N\u00f3s n\u00e3o vivemos apenas de olhos postos nesse mundo que h\u00e1 de vir, alheados das realidades do mundo transit\u00f3rio onde caminhamos todos os dias; mas, enquanto andamos aqui, temos a responsabilidade de construir um mundo de justi\u00e7a, de amor e de paz, que seja, o mais poss\u00edvel, um reflexo do mundo futuro que nos espera. Jesus, o Filho de Deus que veio ao nosso encontro e que \u201cvestiu\u201d a nossa humanidade, n\u00e3o nos falou apenas do mundo de Deus e do encontro com Deus; mas lutou at\u00e9 \u00e0 morte para construir, j\u00e1 aqui na terra, um mundo mais justo e mais humano. Estamos empenhados na constru\u00e7\u00e3o de um mundo \u201csegundo Deus\u201d, onde todos os homens e mulheres possam viver com dignidade e em paz? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 14,23-29<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\ndisse Jesus aos seus disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abQuem Me ama guardar\u00e1 a minha palavra<br \/>\ne meu Pai o amar\u00e1;<br \/>\nN\u00f3s viremos a ele<br \/>\ne faremos nele a nossa morada.<br \/>\nQuem Me n\u00e3o ama n\u00e3o guarda a minha palavra.<br \/>\nOra a palavra que ouvis n\u00e3o \u00e9 minha,<br \/>\nmas do Pai que Me enviou.<br \/>\nDisse-vos estas coisas, estando ainda convosco.<br \/>\nMas o Par\u00e1clito, o Esp\u00edrito Santo,<br \/>\nque o Pai enviar\u00e1 em meu nome,<br \/>\nvos ensinar\u00e1 todas as coisas<br \/>\ne vos recordar\u00e1 tudo o que Eu vos disse.<br \/>\nDeixo-vos a paz, dou-vos a minha paz.<br \/>\nN\u00e3o vo-la dou como a d\u00e1 o mundo.<br \/>\nN\u00e3o se perturbe nem se intimide o vosso cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOuvistes o que Eu vos disse:<br \/>\nVou partir, mas voltarei para junto de v\u00f3s.<br \/>\nSe Me am\u00e1sseis,<br \/>\nficar\u00edeis contentes por Eu ir para o Pai,<br \/>\nporque o Pai \u00e9 maior do que Eu.<br \/>\nDisse-vo-lo agora, antes de acontecer,<br \/>\npara que, quando acontecer, acrediteis\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era uma noite de quinta-feira do m\u00eas de Nisan do ano trinta. De acordo com o calend\u00e1rio do autor do Quarto Evangelho, faltava um dia para a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa judaica. Jesus estava \u00e0 mesa com os disc\u00edpulos, na sala de uma casa de Jerusal\u00e9m. Da\u00ed a poucas horas seria preso pelos soldados do Templo, levado diante do Sin\u00e9drio e condenado \u00e0 morte. Na manh\u00e3 do dia seguinte, depois de o governador romano P\u00f4ncio Pilatos ter confirmado a senten\u00e7a, Jesus seria conduzido pelas ruas da cidade at\u00e9 uma pequena colina fora das muralhas, no chamado \u201cLugar da Caveira, que em hebraico se diz G\u00f3lgota\u201d (Jo 19,17), para a\u00ed ser crucificado. Para Jesus, aquela refei\u00e7\u00e3o com os disc\u00edpulos comida depois do p\u00f4r-do-sol \u00e9 uma ceia de despedida. A sombra da cruz paira sobre tudo o que vai ser dito \u00e0 volta daquela mesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que com o seu destino imediato, nessa noite Jesus est\u00e1 preocupado com os seus disc\u00edpulos, aqueles que est\u00e3o com Ele \u00e0 volta da mesa: s\u00e3o pessoas fr\u00e1geis, com ideias pouco claras, que ainda n\u00e3o interiorizaram suficientemente os valores do Reino. Como reagir\u00e3o \u00e0 morte de Jesus? Ao verem o seu Mestre ser-lhes tirado, fraquejar\u00e3o e abandonar\u00e3o o projeto do Reino de Deus? Ou acolher\u00e3o o Esp\u00edrito Santo e assumir\u00e3o a miss\u00e3o de dar testemunho de Jesus e do seu projeto em todos os lugares por onde andarem? Jesus, consciente de que lhe resta pouco tempo, procura lembrar aos disc\u00edpulos o essencial da proposta que lhes transmitiu enquanto andava com eles pelos caminhos da Galileia e da Judeia; e procura tamb\u00e9m faz\u00ea-los entender a import\u00e2ncia de se manterem em comunh\u00e3o com Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poucos antes de lhes dizer as palavras que o Evangelho deste sexto domingo da P\u00e1scoa nos apresenta, Jesus tinha afirmado que era \u201co caminho, a verdade e a vida\u201d (Jo 14,6); e tinha convidado os disc\u00edpulos a percorrerem, sem hesita\u00e7\u00f5es, esse \u201ccaminho\u201d. Tinha-lhes mesmo garantido que quem percorre esse \u201ccaminho\u201d \u2013 o \u201ccaminho\u201d do amor e do dom da vida \u2013 vai ao encontro do Pai. Contudo, os disc\u00edpulos ouviram Jesus com algum ceticismo: ser\u00e1 poss\u00edvel percorrer esse \u201ccaminho\u201d se Jesus n\u00e3o caminhar ao lado deles? Como poder\u00e3o, pelo tempo fora, manter a comunh\u00e3o com Jesus e receber dele a for\u00e7a para doar, dia a dia, a pr\u00f3pria vida? Como \u00e9 que eles, sem Jesus a gui\u00e1-los, encontrar\u00e3o o \u201ccaminho\u201d para o Pai?\u00a0 As palavras que o Evangelho deste dia nos convida a escutar cont\u00eam a resposta de Jesus a estas quest\u00f5es. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jesus, naquela inolvid\u00e1vel ceia de despedida comida na v\u00e9spera da sua morte, prometeu aos disc\u00edpulos que n\u00e3o os deixaria sozinhos a percorrer os caminhos do mundo e da hist\u00f3ria. S\u00e3o palavras que podem mudar completamente a nossa perspetiva das coisas. \u00c9 verdade que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, nos nossos dias, seguir os passos de Jesus. Para a maior parte dos nossos contempor\u00e2neos, os valores de Jesus n\u00e3o despertam um interesse significativo; soam at\u00e9 a algo il\u00f3gico, obsoleto, desfasado da realidade do nosso tempo. Nesse cen\u00e1rio, muitos disc\u00edpulos de Jesus sentem-se perdidos, desanimados, com vontade de baixar os bra\u00e7os e de se deixar levar pela onda do facilitismo, do relativismo, da indiferen\u00e7a, da press\u00e3o social, do \u201cdeixar correr\u201d. No entanto Jesus \u2013 esse mesmo Jesus que todos os dias se senta connosco \u00e0 mesa para nos alimentar com a sua Palavra e o seu P\u00e3o \u2013 diz-nos: \u201cquem me ama guardar\u00e1 a minha palavra e o meu Pai o amar\u00e1; N\u00f3s viremos a ele e faremos nele a nossa morada\u201d. Afinal, os disc\u00edpulos de Jesus n\u00e3o est\u00e3o por sua conta, abandonados \u00e0 sua sorte num cen\u00e1rio desencorajador. Caminhamos com Jesus, abra\u00e7ados pelo Pai; e Jesus continua a apontar-nos, a par e passo, o caminho que leva \u00e0 vida. Temos tudo isto presente, sempre que sentimos dificuldade em entrever o sentido dos nossos passos?<\/li>\n<li>A comunh\u00e3o do crente com o Pai e com Jesus \u2013 fonte de vida e de esperan\u00e7a \u2013 n\u00e3o resulta de empatias rebuscadas, de constru\u00e7\u00f5es intelectuais, de especiais pr\u00e1ticas de piedade, da execu\u00e7\u00e3o de determinados ritos no decorrer dos quais a vida de Deus inunda inesperadamente o cora\u00e7\u00e3o do crente; mas resulta do \u201cguardar a Palavra\u201d de Jesus e do percorrer com Jesus o caminho do amor e da entrega, numa doa\u00e7\u00e3o total a Deus e aos irm\u00e3os. Como \u00e9 que cultivamos a nossa comunh\u00e3o com Jesus e com o Pai? Procuramos todos os dias, neste tempo que nos tocou viver e com as condi\u00e7\u00f5es que marcam o nosso caminho di\u00e1rio, escutar Jesus, entender e acolher as suas propostas, ir atr\u00e1s d\u2019Ele, viver ao seu estilo?<\/li>\n<li>Jesus garante aos disc\u00edpulos que o Pai lhes enviar\u00e1 \u201co par\u00e1clito\u201d e que este os defender\u00e1 do risco de desviar-se do caminho que conduz \u00e0 vida. O Esp\u00edrito ser\u00e1, para os disc\u00edpulos, a mem\u00f3ria viva de Jesus. Uma das fun\u00e7\u00f5es do \u201cpar\u00e1clito\u201d ser\u00e1, segundo Jesus, \u201censinar\u201d aos disc\u00edpulos \u201ctodas as coisas\u201d. Jesus esqueceu-se de nos dizer alguma coisa fundamental? N\u00e3o. Jesus disse-nos tudo o que precis\u00e1vamos escutar. Mas o Esp\u00edrito ensinar-nos-\u00e1 a compreender plenamente o Evangelho, a aplicar corretamente as palavras e os ensinamentos de Jesus aos desafios novos que a vida nos traz a todos os instantes. O Esp\u00edrito tamb\u00e9m nos recordar\u00e1 tudo o que Jesus disse. \u00c0s vezes n\u00e3o recordamos tudo porque a nossa mem\u00f3ria \u00e9 fraca e n\u00e3o ret\u00e9m tudo o que ouvimos; mas, mais vezes ainda, \u201cn\u00e3o recordamos\u201d porque n\u00e3o nos interessa, porque o que Jesus diz s\u00e3o coisas que nos incomodam, que nos desinstalam e que abalam as nossas certezas e as nossas seguran\u00e7as. Procuramos escutar o Esp\u00edrito para encontrar o caminho que somos chamados a percorrer na hist\u00f3ria? Temos a coragem de seguir as indica\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito, mesmo quando Ele nos convida a mudan\u00e7as radicais, a ruturas dolorosas, a compromissos exigentes, a op\u00e7\u00f5es radicais?<\/li>\n<li>Jesus deixa aos disc\u00edpulos \u201ca paz\u201d. A \u201cpaz\u201d \u00e9 um grande dom, um dom que s\u00f3 Jesus pode dar. \u00c9 essa \u201cpaz\u201d que nos permite encarar com serenidade as vicissitudes e as tempestades que surgem ao longo do caminho; \u00e9 essa \u201cpaz\u201d que nos ajuda a vencer o medo, esse medo que paralisa e que nos impede de lutar por um mundo mais justo e mais humano; \u00e9 essa \u201cpaz\u201d que nos faz vencer o ego\u00edsmo, o fechamento em n\u00f3s pr\u00f3prios, a cegueira que n\u00e3o nos deixa ver as necessidades dos nossos irm\u00e3os; \u00e9 essa \u201cpaz\u201d que nos leva a construir pontes de di\u00e1logo e de entendimento com os irm\u00e3os e irm\u00e3s que caminham ao nosso lado; \u00e9 essa \u201cpaz\u201d que nos d\u00e1 a for\u00e7a para enfrentar o \u00f3dio, a viol\u00eancia, a agress\u00e3o, a mentira que desfeiam o mundo; \u00e9 essa \u201cpaz\u201d que nos liberta do ressentimento, da intoler\u00e2ncia, da prepot\u00eancia, do dogmatismo; \u00e9 essa \u201cpaz\u201d que nos capacita para sermos no mundo sinal da bondade, da miseric\u00f3rdia, da ternura, do amor de Deus\u2026 A \u201cpaz\u201d de Jesus reside em n\u00f3s? Testemunhamos essa \u201cpaz\u201d na maneira como vivemos e como nos relacionamos com os homens e mulheres que caminham connosco? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>primeira leitura<\/strong> apresenta um tom fortemente narrativo, contendo uma frase em discurso direto e uma carta enviada aos \u00ab<em>irm\u00e3os de origem pag\u00e3 residentes em Antioquia, na S\u00edria e na Cil\u00edcia<\/em>\u00bb. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura, al\u00e9m do cuidado com as frases longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es, deve ter presente a articula\u00e7\u00e3o entre os diversos elementos que comp\u00f5e o texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>segunda leitura<\/strong> n\u00e3o apresenta nenhuma dificuldade aparente, contudo, isto n\u00e3o deve descurar uma acurada prepara\u00e7\u00e3o tendo em aten\u00e7\u00e3o as pausas e as respira\u00e7\u00f5es sobretudo nas frases mais longas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Leitura-I-do-Domingo-VI-do-Tempo-Pascal-Ano-C-25.05.2025-Atos-15-1-2.22-29.pdf\">Leitura I do Domingo VI do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 25.05.2025 (Atos 15, 1-2.22-29)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Leitura-II-do-Domingo-VI-do-Tempo-Pascal-Ano-C-25.05.2025-Apocalipse-21-10-14.22-23.pdf\">Leitura II do Domingo VI do Tempo Pascal &#8211; Ano C -25.05.2025 (Apocalipse 21, 10-14.22-23)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Domingo-VI-do-Tempo-Pascal-Ano-C-25.05.2025-Lecionario.pdf\">Domingo VI do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 25.05.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Domingo-VI-do-Tempo-Pascal-Ano-C-25.05.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo VI do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 25.05.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Domingo-VI-do-Tempo-Pascal-Ano-C-25.05.2025-refletindo.pdf\">Domingo VI do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 25.05.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-VI-TP.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo VI TP<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo V do Tempo Pascal &#8211; Ano C \u2013 18 maio 2025&#8243; tab_id=&#8221;1748250278987-20beb4b1-0423&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo V do Tempo Pascal &#8211; Ano C \u2013 18 maio 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: justify;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Missa do in\u00edcio do Pontificado do Papa Le\u00e3o XIV<\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Domingo-V.jpg\" alt=\"\" width=\"818\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus Cristo, o Ressuscitado, irrompe no tempo e na hist\u00f3ria como absoluta e eterna novidade, fazendo novas todas as coisas: \u00ab<em>eu, Jo\u00e3o, vi um novo c\u00e9u e uma nova terra, porque o primeiro c\u00e9u e a primeira terra tinham desaparecido, e o mar j\u00e1 n\u00e3o existia<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquele que vive e que nos faz viver de um modo novo oferece-nos a certeza de que a Sua presen\u00e7a no meio de n\u00f3s transforma toda a nossa exist\u00eancia, enxugando as l\u00e1grimas dos nossos olhos e convertendo o nosso luto e dor em alegria e esperan\u00e7a. Ele garante-nos: \u00ab<em>vou renovar todas as coisas<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Renovados e transfigurados pela Sua gra\u00e7a, reconhecemos que o nosso desejo de vida em plenitude s\u00f3 encontra realiza\u00e7\u00e3o na alegria do Ressuscitado. Como Paulo e Barnab\u00e9, reconhecemos que a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus e a certeza do Seu infinito amor nos impelem a sair de n\u00f3s pr\u00f3prios e comunicar a todos a certeza da vida nova que Dele recebemos. Deste modo, como eles, haveremos de contemplar de modo novo as maravilhas de Deus e caminharemos com renovada esperan\u00e7a, mesmo entre as desgra\u00e7as e mis\u00e9rias do nosso tempo: \u00ab<em>se Ele vive, isso \u00e9 uma garantia de que o bem pode triunfar na nossa vida e de que as nossas fadigas servir\u00e3o para qualquer coisa. Ent\u00e3o podemos deixar de nos lamentar e podemos olhar em frente, porque com Ele \u00e9 poss\u00edvel sempre olhar em frente. Esta \u00e9 a certeza que temos: Jesus \u00e9 o vivente eterno; agarrados a Ele, viveremos e atravessaremos, ilesos, todas as formas de morte e viol\u00eancia que se escondem no caminho<\/em>\u00bb (Christus Vivit, 127).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas este Reino, que ser\u00e1 em plenitude apenas no C\u00e9u, deve come\u00e7ar a ser constru\u00eddo no aqui e agora do tempo e da hist\u00f3ria. Deus conta connosco para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo novo e envia-nos como testemunhas do Seu amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste Domingo oferece-nos as coordenadas fundamentais para a constru\u00e7\u00e3o dos novos c\u00e9us e da nova terra, desse mundo novo, que Deus quer instaurar em n\u00f3s e, atrav\u00e9s de n\u00f3s, no mundo. Sentado \u00e0 mesa com os Seus disc\u00edpulos, no Seu discurso de despedida, Jesus confia-lhes o mandamento novo do amor, assegurando que esse ser\u00e1 o Seu ADN crist\u00e3o: \u00ab<em>nisto conhecer\u00e3o todos que sois meus disc\u00edpulos: se vos amardes uns aos outros<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor \u00e9 a imagem de marca de Deus e ser\u00e1 a marca dos gestos e a\u00e7\u00f5es daqueles que desejam ser Seus disc\u00edpulos! Se queremos reconhecer se uma obra tem a marca de Deus, ela tem de ter a marca do amor, pois esse \u00e9 todo o Seu ser e agir. Deste modo, assim h\u00e1 de ser com todos aqueles s\u00e3o batizados em Cristo. Configurados com a vida nova do Ressuscitado, h\u00e3o de configurar toda a sua vida a partir do amor, acolhendo o mandamento novo como norma de todo o seu agir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A novidade deste mandamento consiste precisamente no \u00ab<em>como<\/em>\u00bb: \u00ab<em>como Eu vos amei, amai-vos tamb\u00e9m uns aos outros<\/em>\u00bb. Jesus n\u00e3o foi um te\u00f3rico do amor, apresentando belos discursos sobre o modo de amar. Jesus afirmou \u00ab<em>quem entre v\u00f3s quiser fazer-se grande, seja o vosso servo<\/em>\u00bb (Mt 20,26) e na \u00daltima Ceia assumindo a condi\u00e7\u00e3o de servo lavou os p\u00e9s aos Seus disc\u00edpulos. Declarando \u00ab<em>ningu\u00e9m tem mais amor do que quem d\u00e1 a vida pelos seus amigos<\/em>\u00bb (Jo 13,15), entregou-se at\u00e9 ao fim, dando a vida por n\u00f3s na Cruz. Jesus acompanha as suas palavras com gestos concretos de amor e miseric\u00f3rdia, mansid\u00e3o e humildade e por isso, nos exorta a amar os irm\u00e3os como Ele pr\u00f3prio nos amou. Ensina-nos que na l\u00f3gica da vida crist\u00e3 o verbo amar se conjuga sempre com o verbo \u00abdar\u00bb e \u00abdar-se\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, na vida crist\u00e3, amar n\u00e3o \u00e9 mais uma coisa a fazer, mas o modo como fazemos todas as coisas. Contudo, a radicalidade deste convite n\u00e3o nos deve desanimar. Olhando as nossas fragilidades, reconhecemos que amar ao jeito de Jesus nos coloca sempre a caminho, numa tarefa inacabada e, por isso, em estado permanente de miss\u00e3o.<strong><em> i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>Liturgia da Palavra deste V Domingo da P\u00e1scoa<\/strong> apresenta o mandamento novo do amor como distintivo do nosso ser crist\u00e3o: \u00ab<em>nisto conhecer\u00e3o todos que sois meus disc\u00edpulos: se vos amardes uns aos outros<\/em>\u00bb. Este amor que constitui a nossa identidade e molda o nosso agir n\u00e3o \u00e9 mais uma coisa a fazer, mas o modo como fazemos todas as coisas. A caridade crist\u00e3 n\u00e3o pode resumir-se a boas inten\u00e7\u00f5es ou um epid\u00e9rmico sentimento de compaix\u00e3o, mas atitudes concretas que exprimem o amor oblativo que contemplamos em Jesus. Deste modo, a caridade constitui a identidade da comunidade crist\u00e3 que deve ser um lugar de acolhimento e exerc\u00edcio do amor que recebemos de Jesus. Por isso, a convers\u00e3o pastoral e mission\u00e1ria a que cada comunidade crist\u00e3 \u00e9 chamada deve encontrar lugares concretos exerc\u00edcio da caridade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>caminho do Pentecostes,<\/strong> continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Atos 14,21b-27<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nPaulo e Barnab\u00e9 voltaram a Listra, a Ic\u00f3nio e a Antioquia.<br \/>\nIam fortalecendo as almas dos disc\u00edpulos<br \/>\ne exortavam-nos a permanecerem firmes na f\u00e9,<br \/>\n\u00abporque \u2013 diziam eles \u2013 temos de sofrer muitas tribula\u00e7\u00f5es<br \/>\npara entrarmos no reino de Deus\u00bb.<br \/>\nEstabeleceram anci\u00e3os em cada Igreja,<br \/>\ndepois de terem feito ora\u00e7\u00f5es acompanhadas de jejum,<br \/>\ne encomendaram-nos ao Senhor, em quem tinham acreditado.<br \/>\nAtravessaram ent\u00e3o a Pis\u00eddia e chegaram \u00e0 Panf\u00edlia;<br \/>\ndepois, anunciaram a palavra em Perga e desceram at\u00e9 Atalia.<br \/>\nDe l\u00e1 embarcaram para Antioquia,<br \/>\nde onde tinham partido, confiados na gra\u00e7a de Deus,<br \/>\npara a obra que acabavam de realizar.<br \/>\n\u00c0 chegada, convocaram a Igreja,<br \/>\ncontaram tudo o que Deus fizera com eles<br \/>\ne como abrira aos gentios a porta da f\u00e9.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir de 13,1 o livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos descreve a grande aventura mission\u00e1ria que levou o Evangelho a ser anunciado no mundo greco-romano, at\u00e9 atingir Roma, o cora\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio romano. Os primeiros grandes agentes da miss\u00e3o foram Paulo e Barnab\u00e9. Lucas acredita que, quando a comunidade crist\u00e3 de Antioquia da S\u00edria decidiu enviar Paulo e Barnab\u00e9 em miss\u00e3o, o fez para corresponder a uma indica\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (cf. At 13,2). A Igreja, guiada pelo Esp\u00edrito, \u00e9 chamada a dar testemunho no mundo de Jesus e do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo e Barnab\u00e9 partiram para a sua primeira grande viagem mission\u00e1ria por volta do ano 46. Depois de deixarem Antioquia da S\u00edria dirigiram-se, por barco, para a ilha de Chipre, at\u00e9 \u00e0 cidade de Pafos. Acompanhava-os Jo\u00e3o Marcos. De Pafos, os mission\u00e1rios continuaram, tamb\u00e9m por barco, para a costa da \u00c1sia (atual Turquia), onde Jo\u00e3o Marcos os abandonou. Da\u00ed seguiram para Antioquia da Pis\u00eddia, e depois para Ic\u00f3nio, Listra e Derbe. O esquema era sempre o mesmo: chegados a determinada cidade, Paulo e Barnab\u00e9 dirigiam-se \u00e0 sinagoga e falavam de Jesus \u00e0 comunidade judaica. Frequentemente eram mal recebidos e tinham de deixar a cidade apressadamente. Em Antioquia da Pis\u00eddia aconteceu um facto relevante: face \u00e0 contesta\u00e7\u00e3o dos judeus, Paulo e Barnab\u00e9 resolveram apresentar a proposta de Jesus aos pag\u00e3os: estes pareciam mais dispon\u00edveis para acolher o Evangelho (cf. At 13,4452).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste domingo nos prop\u00f5e como primeira leitura conta-nos os \u00faltimos passos de Paulo e Barnab\u00e9 antes de regressarem a Antioquia da S\u00edria, de onde tinham partido. Esta primeira viagem mission\u00e1ria de Paulo durou cerca de tr\u00eas anos. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Notemos, antes de mais, a forma como a comunidade crist\u00e3 de Antioquia da S\u00edria primeiro, e Paulo e Barnab\u00e9 depois sentem e abra\u00e7am o desafio mission\u00e1rio. Tinham encontrado Jesus e tinham experimentado como Jesus lhes abrira horizontes novos. Apaixonados por Jesus e pelo seu projeto, sentiam necessidade de o levar a todos os homens e mulheres, para que todos pudessem fazer uma experi\u00eancia libertadora semelhante \u00e0 que eles tinham feito. \u201cAi de mim se eu n\u00e3o evangelizar!\u201d (1Cor 9,16) \u2013 dizia Paulo. Se n\u00e3o nos apetece falar daquilo que nos apaixona, \u00e9 porque n\u00e3o estamos apaixonados; se n\u00e3o sentimos necessidade de falar aos nossos irm\u00e3os do projeto de Jesus, \u00e9 porque n\u00e3o estamos agarrados por ele; se n\u00e3o anunciamos Jesus ressuscitado, com as nossas palavras e com a nossa vida, \u00e9 porque Jesus n\u00e3o tem um lugar determinante no caminho que percorremos. O nosso mundo precisa de escutar a Boa nova de Jesus. N\u00e3o apenas nos pa\u00edses onde o Evangelho ainda n\u00e3o chegou, mas tamb\u00e9m nos pa\u00edses onde o Evangelho est\u00e1 esquecido. H\u00e1, nas nossas comunidades crist\u00e3s, este ardor mission\u00e1rio? Sentimo-nos enviados de Jesus a qualquer lado onde a vida nos leva? Somos testemunhas entusiastas de Jesus, que espalham por toda a parte o cont\u00e1gio do Evangelho?<\/li>\n<li>Paulo e Barnab\u00e9 tinham consci\u00eancia de que a decis\u00e3o por Jesus tem de ser renovada e alimentada a cada passo. Por isso, decidiram, no final da sua primeira viagem mission\u00e1ria, rever as jovens comunidades crist\u00e3s nascidas nos lugares onde tinham pregado e anim\u00e1-las na sua ades\u00e3o a Jesus. Isto recorda-nos a necessidade de, a cada passo, renovarmos a nossa ades\u00e3o a Jesus. N\u00e3o basta termos, um dia, sido batizados; nem basta termos feito a primeira comunh\u00e3o ou o crisma; nem basta termos celebrado na igreja o nosso matrim\u00f3nio; nem sequer basta \u201cde vez em quando\u201d, de forma relutante, reunirmo-nos com a nossa comunidade crist\u00e3 para celebrar a eucaristia. A f\u00e9 renova-se e alimenta-se caminhando todos os dias atr\u00e1s de Jesus, escutando continuamente as suas palavras, aprendendo a cada momento com os seus gestos, abra\u00e7ando a cada instante o seu estilo de vida, os seus valores, as suas propostas. Como \u00e9 que vivemos o nosso compromisso crist\u00e3o? \u00c9 um compromisso que renovamos todos os dias? Alimentamo-lo a cada passo com a escuta de Jesus e a partir de um di\u00e1logo constante com Jesus?<\/li>\n<li>Lucas sugere, neste texto, que o an\u00fancio do Evangelho n\u00e3o \u00e9 uma obra da comunidade de Antioquia da S\u00edria, de Paulo ou de Barnab\u00e9, mas \u00e9 obra de Deus. \u00c9 Deus que age por interm\u00e9dio de uma comunidade ou de determinadas pessoas para oferecer ao mundo e aos homens o seu projeto de salva\u00e7\u00e3o. Paulo e Barnab\u00e9 s\u00e3o pessoas que receberam de Deus uma miss\u00e3o; mas a miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 deles. Aqueles que Deus envia a anunciar a Boa nova n\u00e3o t\u00eam \u201ccarta branca\u201d para propor ao mundo as suas pr\u00f3prias ideias, uma determinada ideologia, uma vis\u00e3o pessoal do mundo e da vida; eles s\u00e3o simplesmente testemunhas de Jesus e do projeto de Jesus. Estamos convencidos de que a miss\u00e3o \u00e9 obra de Deus e que por detr\u00e1s do nosso trabalho e do nosso testemunho est\u00e1 Deus? Anunciamos a Cristo libertador, ou anunciamo-nos a n\u00f3s?<\/li>\n<li>No seu labor mission\u00e1rio, Paulo e Barnab\u00e9 nunca se subtra\u00edram a esfor\u00e7os. Deram tudo, trabalharam dia e noite, afrontaram todos os perigos e canseiras, a fim de que Jesus pudesse chegar ao cora\u00e7\u00e3o das gentes. Movia-os a paix\u00e3o pelo Evangelho, mas tamb\u00e9m a solicitude pelos homens e mulheres que aguardavam a salva\u00e7\u00e3o de Deus. \u00c9 dessa forma que procedem hoje aqueles a quem Deus confiou o cuidado pastoral das nossas comunidades crist\u00e3s? Aqueles que procuram Jesus encontram, nos animadores das nossas comunidades crist\u00e3s, um acolhimento sol\u00edcito e fraterno? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 144<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Louvarei para sempre o vosso nome, Senhor, meu Deus e meu Rei.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Aleluia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor \u00e9 clemente e compassivo,<br \/>\npaciente e cheio de bondade.<br \/>\nO Senhor \u00e9 bom para com todos<br \/>\ne a sua miseric\u00f3rdia se estende a todas as criaturas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gra\u00e7as Vos deem, senhor, todas as criaturas<br \/>\ne bendigam-Vos os vossos fi\u00e9is.<br \/>\nProclamem a gl\u00f3ria do vosso reino<br \/>\ne anunciem os vossos feitos gloriosos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para darem a conhecer aos homens o vosso poder,<br \/>\na gl\u00f3ria e o esplendor do vosso reino.<br \/>\nO vosso reino \u00e9 um reino eterno,<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Apocalipse 21,1-5a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu, Jo\u00e3o, vi um novo c\u00e9u e uma nova terra,<br \/>\nporque o primeiro c\u00e9u e a primeira terra tinham desaparecido<br \/>\ne o mar j\u00e1 n\u00e3o existia.<br \/>\nVi tamb\u00e9m a cidade santa, a nova Jerusal\u00e9m,<br \/>\nque descia do C\u00e9u, da presen\u00e7a de Deus,<br \/>\nbela como noiva adornada para o seu esposo.<br \/>\nDo trono ouvi uma voz forte que dizia:<br \/>\n\u00abEis a morada de Deus com os homens.<br \/>\nDeus habitar\u00e1 com os homens:<br \/>\neles ser\u00e3o o seu povo<br \/>\ne o pr\u00f3prio Deus, no meio deles, ser\u00e1 o seu Deus.<br \/>\nEle enxugar\u00e1 todas as l\u00e1grimas dos seus olhos;<br \/>\nnunca mais haver\u00e1 morte nem luto, nem gemidos nem dor,<br \/>\nporque o mundo antigo desapareceu\u00bb.<br \/>\nDisse ent\u00e3o Aquele que estava sentado no trono:<br \/>\n\u00abVou renovar todas as coisas\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201ccorpo\u201d central do livro do Apocalipse (cf. Ap 4,1-22,5) apresenta uma reflex\u00e3o sobre o sentido da hist\u00f3ria humana. Nela, um \u201cprofeta\u201d crist\u00e3o chamado Jo\u00e3o, exilado na ilha de Patmos durante a persegui\u00e7\u00e3o movida pelo imperador Domiciano, interpreta a hist\u00f3ria dos homens \u00e0 luz do projeto de Deus. Recorrendo \u00e0 linguagem sempre expressiva dos s\u00edmbolos, Jo\u00e3o descreve a luta entre o Bem e o Mal, as for\u00e7as de Deus e as for\u00e7as que se op\u00f5em ao projeto de Deus. Trata-se, afinal, das vicissitudes e dificuldades que n\u00f3s conhecemos bem, os problemas e contrariedades que o Povo de Deus enfrenta todos os dias ao longo do seu caminho hist\u00f3rico. Jo\u00e3o tem a certeza que o Mal n\u00e3o prevalecer\u00e1; a vit\u00f3ria final ser\u00e1 de Deus e dos seus \u201csantos\u201d. Os imp\u00e9rios humanos desaparecer\u00e3o, os ditadores arrogantes ficar\u00e3o pelo caminho, os grandes do mundo n\u00e3o determinar\u00e3o o sentido da hist\u00f3ria dos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final do longo caminho hist\u00f3rico dos homens, est\u00e1 Deus e o seu projeto de salva\u00e7\u00e3o plenamente realizado. A humanidade n\u00e3o caminha para um beco sem sa\u00edda e sem esperan\u00e7a; caminha ao encontro de uma nova terra e de um novo c\u00e9u, onde habitam a justi\u00e7a e a paz. \u00c9 essa a realidade que espera todos os filhos de Deus que, apesar da persegui\u00e7\u00e3o e dos obst\u00e1culos, se mantiveram fi\u00e9is ao Cordeiro (a Jesus).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse mundo novo que \u00e9 a meta \u00faltima da hist\u00f3ria dos homens, \u00e9 simbolicamente apresentado em dois quadros (cf. Ap 21,1-8 e 21,9-22,5). O texto que a liturgia deste quinto domingo pascal nos apresenta como segunda leitura traz-nos o primeiro desses quadros. A imagem de um novo c\u00e9u e de uma nova terra, aqui utilizada por Jo\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 totalmente original: aparece j\u00e1 em Is 65,17 e em 66,22. A mesma ideia aparece tamb\u00e9m na literatura apocal\u00edptica (cf. Henoch, 45,4-5; 91,16; 4 Esd 7,75) e em certos textos do Novo Testamento (cf. Mt 19,28; 2 Pe 3,13). Contudo Jo\u00e3o apresenta-a, neste quadro, de uma forma absolutamente genial. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Para onde caminha a comunidade nascida de Jesus e que, por Jesus, enfrenta a incompreens\u00e3o e a persegui\u00e7\u00e3o do mundo? Onde est\u00e1 o seu horizonte \u00faltimo, a sua meta final? Jo\u00e3o, o autor do livro do Apocalipse, deixa-nos uma bela perspetiva do futuro que nos espera: depois de conclu\u00eddo o nosso caminho nesta terra, estamos destinados a encontrar-nos com Deus numa \u201ccidade\u201d renovada, de onde a sofrimento, a debilidade, o luto, a lamenta\u00e7\u00e3o e a morte estar\u00e3o definitivamente banidos. Deus residir\u00e1 connosco. Seremos uma humanidade recriada, conheceremos a vida em plenitude. Os maus, os violentos, os injustos, os opressores, os que todos os dias derramam o sangue de tantas v\u00edtimas inocentes, n\u00e3o ter\u00e3o a \u00faltima palavra sobre o nosso destino; a nossa peregrina\u00e7\u00e3o pela terra n\u00e3o terminar\u00e1 no fracasso e no sem sentido; aqueles que desfeiam o mundo com o seu ego\u00edsmo n\u00e3o sair\u00e3o vencedores. Sabemos para onde caminhamos e estamos convictos de que, no final do caminho, nos espera a vida verdadeira? Essa \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d fortalece a nossa esperan\u00e7a e d\u00e1-nos a for\u00e7a para vencer os obst\u00e1culos que encontramos todos os dias?<\/li>\n<li>Houve quem acusasse os disc\u00edpulos de Jesus de viverem de olhos postos no c\u00e9u, alheados das realidades do dia a dia, descomprometidos com a constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo. \u00c9 poss\u00edvel que, num ou noutro caso, esta acusa\u00e7\u00e3o tenha raz\u00e3o de ser; mas, na verdade, n\u00e3o \u00e9 esse o sentido da proposta crist\u00e3. Jesus combateu todas as estruturas do mundo velho que geravam pecado e morte; e quis que os seus disc\u00edpulos, pelo tempo fora, vivessem comprometidos com a constru\u00e7\u00e3o do reino de Deus. \u201cSeguir Jesus\u201d \u00e9 lutar objetivamente contra tudo aquilo que gera injusti\u00e7a, viol\u00eancia, mentira e sofrimento; \u201cseguir Jesus\u201d \u00e9 combater as estruturas de pecado que roubam a dignidade e a vida a tantos e tantos dos nossos irm\u00e3os. Embora acreditando no \u201cnovo c\u00e9u\u201d e na nova terra\u201d que nos esperam no final do nosso caminho, estamos comprometidos com a constru\u00e7\u00e3o, aqui e agora, desse mundo mais justo, mais pac\u00edfico e mais humano que Jesus nos pediu?<\/li>\n<li>A Igreja, comunidade nascida de Jesus, \u00e9 chamada a ser, no meio do mundo, um an\u00fancio dessa comunidade escatol\u00f3gica, bela e sem mancha, de que fala o autor do livro do Apocalipse. \u00c9-o de facto? Sabemos que a Igreja que peregrina na terra \u00e9, ao mesmo tempo, santa e pecadora; mas todos compreendemos, por outro lado, que as divis\u00f5es, os conflitos, as discuss\u00f5es est\u00e9reis, as vaidades, as ambi\u00e7\u00f5es, as faltas de miseric\u00f3rdia, a indiferen\u00e7a face aos mais fr\u00e1geis, s\u00e3o chagas que desfeiam o rosto da Igreja e a impedem de dar testemunho do mundo novo que nos espera. O que \u00e9 preciso fazer para que a nossa comunidade crist\u00e3 possa ser testemunha cred\u00edvel da comunidade de \u201csantos\u201d que se reunir\u00e1 \u00e0 volta de Deus no mundo que h\u00e1 de vir? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 13,31-33a.34-35<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando Judas saiu do cen\u00e1culo,<br \/>\ndisse Jesus aos seus disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abAgora foi glorificado o Filho do homem<br \/>\ne Deus glorificado n\u2019Ele.<br \/>\nSe Deus foi glorificado n\u2019Ele,<br \/>\nDeus tamb\u00e9m O glorificar\u00e1 em Si mesmo<br \/>\ne glorific\u00e1-l\u2019O-\u00e1 sem demora.<br \/>\nMeus filhos,<br \/>\n\u00e9 por pouco tempo que ainda estou convosco.<br \/>\nDou-vos um mandamento novo:<br \/>\nque vos ameis uns aos outros.<br \/>\nComo Eu vos amei,<br \/>\namai-vos tamb\u00e9m uns aos outros.<br \/>\nNisto conhecer\u00e3o todos que sois meus disc\u00edpulos:<br \/>\nse vos amardes uns aos outros\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho do quinto domingo da P\u00e1scoa situa-nos em Jerusal\u00e9m, numa noite de quinta-feira do m\u00eas de Nisan do ano trinta, um dia antes da celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa judaica. Jesus est\u00e1 \u00e0 mesa com os seus disc\u00edpulos, numa inolvid\u00e1vel ceia de despedida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre Jesus e o seu grupo de disc\u00edpulos paira a sombra da cruz. Nessa noite, ap\u00f3s a ceia, Jesus atravessar\u00e1 o Vale do Cedron, a oriente da cidade, e dirigir-se-\u00e1 ao Getsemani (\u201clagar de azeite\u201d), um jardim situado no sop\u00e9 do Monte das Oliveiras, onde estar\u00e1 alguns momentos em ora\u00e7\u00e3o. A\u00ed ser\u00e1 preso pelos soldados do Templo. Durante essa noite comparecer\u00e1 diante do Sin\u00e9drio, ser\u00e1 julgado e condenado \u00e0 morte. Na manh\u00e3 do dia seguinte, depois de a senten\u00e7a ser confirmada pelo governador romano, ser\u00e1 crucificado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto convive, \u00e0 mesa, com os disc\u00edpulos, Jesus est\u00e1 perfeitamente consciente do que o espera nas pr\u00f3ximas horas. N\u00e3o est\u00e1 preocupado com o que lhe vai acontecer: quando aceitou o projeto do Pai e come\u00e7ou a anunciar o Reino, Ele sabia os riscos que iria correr; mas preocupa-se com aqueles disc\u00edpulos que est\u00e3o com Ele \u00e0 mesa nessa noite de quinta-feira\u2026 Que ser\u00e1 deles quando o seu Mestre lhes for tirado? Poder\u00e3o, sem Jesus a mostrar-lhes o caminho a cada passo, levar para a frente o projeto do Reino? Saber\u00e3o discernir, no meio das crises e tempestades que ter\u00e3o de enfrentar, o que \u00e9 importante e o que \u00e9 secund\u00e1rio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ambiente dram\u00e1tico dessa ceia \u00e9 acentuado pela presen\u00e7a de um disc\u00edpulo traidor, que combinou entregar o seu Mestre \u00e0s autoridades judaicas. Jesus sabe-o e, durante a ceia, alude a isso. A dada altura Judas, o disc\u00edpulo traidor, abandona a sala. \u00c9 de noite, hora de trevas e de temores. Jesus permanece ainda mais algum tempo \u00e0 mesa a conversar com os outros disc\u00edpulos. O tempo come\u00e7a a esgotar-se. Jesus aproveita o pouco tempo que lhe resta para relembrar aos disc\u00edpulos o essencial da mensagem que procurou transmitir-lhes enquanto percorria com eles os caminhos da Galileia e da Judeia. Tudo o que foi dito nessa noite, \u00e0 volta da mesa, soa a \u201ctestamento final\u201d. Os disc\u00edpulos nunca mais o esquecer\u00e3o. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Naquela hora decisiva em que se despediu dos disc\u00edpulos, a hora da verdade absoluta, a hora de p\u00f4r todas as cartas na mesa, Jesus disse-lhes: \u201cdou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos tamb\u00e9m uns aos outros. Nisto conhecer\u00e3o todos que sois meus disc\u00edpulos\u201d. Este \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do testamento de Jesus, o seu \u201cmandamento\u201d \u00fanico, a sua proposta mais decisiva. Desde aquela ceia de despedida, passaram-se mais de dois mil anos. Ao longo desse tempo, a comunidade de Jesus que caminha na hist\u00f3ria foi acumulando um enorme tesouro de experi\u00eancias e viv\u00eancias, de teorias e doutrinas, de leis e preceitos, de palavras decisivas e de palavras dispens\u00e1veis, de valores eternos e de valores datados, de coisas belas com a marca da eternidade e de coisas feias que t\u00eam e ferrugem do tempo. A tudo isso juntou-se o p\u00f3 acumulado pelos s\u00e9culos que, por vezes, cobre tudo e n\u00e3o deixa ver o essencial. O Evangelho deste domingo convida-nos a redescobrir o essencial da proposta de Jesus. O que \u00e9 que est\u00e1 no centro da nossa experi\u00eancia crist\u00e3? Que valor tem, na nossa maneira de viver a f\u00e9, o mandamento de Jesus sobre o amor? A nossa religi\u00e3o \u00e9 a religi\u00e3o do amor, ou \u00e9 a religi\u00e3o das leis, das exig\u00eancias, dos ritos externos, do cumprimento de preceitos? Com que for\u00e7a nos impomos no mundo: com a for\u00e7a do amor e do servi\u00e7o simples e humilde, ou com a for\u00e7a da autoridade prepotente e dos privil\u00e9gios?<\/li>\n<li>A palavra \u201camor\u201d tem, hoje, muitos significados e pode ser equ\u00edvoca. Tanto \u00e9 usada para falar de algo muito belo, como para definir comportamentos ego\u00edstas, interesseiros e s\u00f3rdidos, que usam o outro, que fazem mal, que limitam horizontes, que roubam a liberdade, que destroem a vida do outro\u2026 O amor de que Jesus fala quando se dirige aos disc\u00edpulos naquela ceia de despedida, \u00e9 o amor que acolhe, que cuida, que se faz servi\u00e7o simples e humilde, que respeita absolutamente a dignidade e a liberdade do outro, que n\u00e3o discrimina nem marginaliza seja quem for, que n\u00e3o fica indiferente ao sofrimento do outro, que se faz dom total para que o outro tenha mais vida, que gera comunh\u00e3o e fraternidade. O epis\u00f3dio do lava-p\u00e9s, na \u00faltima ceia de Jesus com os disc\u00edpulos, poderia perfeitamente ser o \u00edcone do amor, tal como Jesus o entendeu e o viveu. \u00c9 este o amor que vivemos e que testemunhamos?<\/li>\n<li>Para Jesus, \u00e9 o amor que identifica os seus disc\u00edpulos: \u201cnisto conhecer\u00e3o todos que sois meus disc\u00edpulos, se vos amardes uns aos outros\u201d. As nossas comunidades crist\u00e3s t\u00eam de ser o\u00e1sis de amor, de comunh\u00e3o, de fraternidade, no meio de um mundo onde a viol\u00eancia, a agressividade, a indiferen\u00e7a e a prepot\u00eancia procuram impor-se. O amor, o servi\u00e7o, o acolhimento e a miseric\u00f3rdia t\u00eam de ser a marca que nos identifica. Na realidade, \u00e9 isso que acontece? Nos nossos comportamentos e atitudes uns para com os outros, os homens descobrem a presen\u00e7a do amor de Deus no mundo? Amamos mais do que os outros e interessamo-nos mais do que eles pelos pobres e pelos que sofrem? Aqueles que a sociedade discrimina e deixa abandonados nas margens dos caminhos do mundo s\u00e3o acolhidos, integrados, defendidos, nas nossas comunidades crist\u00e3s? Os \u201cdiferentes\u201d s\u00e3o tratados por n\u00f3s como irm\u00e3os quando se aproximam da comunidade crist\u00e3? Os espa\u00e7os onde nos reunimos para rezar e para programar a vida das nossas comunidades s\u00e3o casas de comunh\u00e3o, ou lugares de intriga e de conflito? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura apresenta um conjunto de nomes de cidades que exigem uma boa prepara\u00e7\u00e3o para uma correta pronuncia\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o tom descritivo da leitura exige uma leitura pausada e articulada. Deve cuidar-se a entoa\u00e7\u00e3o da frase final, pois indica a conclus\u00e3o de todo o texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda leitura n\u00e3o apresenta nenhuma dificuldade aparente, pelo que uma leitura pausada, com aten\u00e7\u00e3o \u00e0s diferentes frases em discurso direto ajudar\u00e3o a uma adequada proclama\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"color: inherit; font-family: inherit; font-size: inherit;\"><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong> \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Leitura-I-do-Domingo-V-do-Tempo-Pascal-Ano-C-18.05.2025-Atos-14-21b-27.pdf\">Leitura I do Domingo V do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 18.05.2025 (Atos 14, 21b-27)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Leitura-II-do-Domingo-V-do-Tempo-Pascal-Ano-C-18.05.2025-Apocalipse-21-1-5a.pdf\">Leitura II do Domingo V do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 18.05.2025 (Apocalipse 21, 1-5a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Domingo-V-do-Tempo-Pascal-Ano-C-18.05.2025-Lecionario.pdf\">Domingo V do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 18.05.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Domingo-V-do-Tempo-Pascal-Ano-C-18.05.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo V do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 18.05.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Domingo-V-do-Tempo-Pascal-Ano-C-18.05.2025-refletindo.pdf\">Domingo V do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 18.05.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/A-Mesa-da-Palavra-explicada.-Domingo-V-do-Tempo-Pascal-Ano-C-18.05.2025.pdf\">A Mesa da Palavra explicada&#8230; Domingo V do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 18.05.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Nota-Pastoral-Liturgia-Viva-da-Igreja-Abril-2025.pdf\">Nota Pastoral &#8211; Liturgia Viva da Igreja &#8211; Abril 2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo IV do Tempo Pascal \u2013 Ano C \u2013 11 maio 2025 Domingo do Bom Pastor 62\u00ba Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es&#8221; tab_id=&#8221;1747642779727-44fef9a8-ee94&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 16.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo IV do Tempo Pascal &#8211; Ano C \u2013 11 maio 2025<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 16.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo do Bom Pastor<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: 16.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">62\u00ba Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es<\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Domingo-IV.jpg\" alt=\"\" width=\"526\" height=\"336\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>IV Domingo do Tempo Pascal<\/strong> coloca no nosso horizonte a imagem buc\u00f3lica do pastor: <strong>Jesus o Bom, Belo e Verdadeiro Pastor<\/strong>. Jesus \u00e9 Aquele que cuida de n\u00f3s com o desvelo e o cuidado de quem ama, alimenta e protege. Em terras montanhosas, onde as ovelhas e os pastores s\u00e3o abundantes, Jesus utiliza esta imagem para ajudar os seus ouvintes a compreender o modo como Deus se relaciona connosco, mas tamb\u00e9m para nos desafiar a viver de um modo novo as rela\u00e7\u00f5es entre n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste Domingo possui tanto de profundo e sublime, quanto de curto e incisivo. A medita\u00e7\u00e3o deste texto exige que nos detenhamos nos verbos presentes nesta passagem evang\u00e9lica para descobrir quais as atitudes de Cristo que fazem Dele o Verdadeiro e Belo Pastor e quais as atitudes que caracterizam aqueles e aquelas que guiados por Ele s\u00e3o perten\u00e7a deste rebanho que Ele quer conduzir ao cora\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Eu conhe\u00e7o as minhas ovelhas!<\/em>\u00bb. Jesus conhece cada um de n\u00f3s pelo nome. Jesus conhece cada um de n\u00f3s e ama-nos com um amor eterno. Por isso, Ele n\u00e3o cessa de velar por n\u00f3s e, por isso, nos protege: \u00ab<em>Ningu\u00e9m as arrebatar\u00e1 da minha m\u00e3o<\/em>!\u00bb. Jesus n\u00e3o se limita a dar-nos qualquer coisa, nem tampouco aquilo que n\u00e3o lhe faz falta, Ele oferece-nos uma vida cheia de sentido e que nos projeta para a eternidade: \u00ab<em>Eu dou-lhes a vida eterna!<\/em>\u00bb. Jesus quer oferecer uma vida plena e que tem sabor de eternidade e, para isso, oferece-se a si mesmo, ensinando-nos a arte de amar at\u00e9 \u00e0 entrega de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes tra\u00e7os de Jesus, Bom e Belo Pastor, que ama, protege, conhece e oferece uma vida nova caracterizam todo o Seu ser e agir e permitem-nos conhecer o rosto misericordioso do Pai, que Ele veio revelar. Somos amados por Deus, protegidos e amparados pelo Seu amor, salvos e redimidos pela Sua entrega e, por isso, somos convidados a configurar a nossa vida pela contempla\u00e7\u00e3o deste amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus afirma: \u00ab<em>as minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conhe\u00e7o as minhas ovelhas e elas seguem-Me<\/em>\u00bb. Escuta e seguimento s\u00e3o duas atitudes fundamentais que devem caracterizar a vida de todos os batizados. Configurados com Cristo pelo Batismo, reconhecendo Nele o Bom, Belo e Verdadeiro Pastor, queremos ser verdadeiros disc\u00edpulos mission\u00e1rios acolhendo a Sua voz de amor e seguindo o caminho que Ele nos aponta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m a n\u00f3s hoje, o Senhor nos diz como disse a Paulo e Barnab\u00e9: \u00ab<em>Fiz de ti a luz das na\u00e7\u00f5es, para levares a salva\u00e7\u00e3o at\u00e9 aos confins da terra<\/em>!\u00bb. Mas quais s\u00e3o os confins da terra onde somos desafiados a levar a Boa Nova da salva\u00e7\u00e3o? Na geografia de Paulo e Barnab\u00e9 eram Roma, a Pen\u00ednsula Hisp\u00e2nica! Hoje os confins da terra s\u00e3o muitas vezes o nosso lugar de trabalho, a nossa casa, os nossos vizinhos: s\u00e3o os lugares que precisam de n\u00f3s e de uma presen\u00e7a nova e transfiguradora. Estes confins da terra s\u00e3o as periferias existenciais que nos refere tantas vezes o Papa Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sair de n\u00f3s pr\u00f3prios e do nosso comodismo para ir ao encontro do outro, \u00e9 assumir a coragem acolher os sonhos de Deus e ser testemunhas de um Deus que n\u00e3o cessa de chamar cada homem e cada mulher para o seguir. Celebramos neste Domingo o 62.\u00ba Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, por isso, de olhos fixos em Jesus, o Bom Pastor, somos chamados a colocar em Jesus as nossas vidas e a comunicar a todos e, de modo especial, aos mais jovens, a alegria de seguir Jesus, descobrindo o projeto de amor e felicidade que Ele tem para cada um de n\u00f3s. <em><strong>in Dehonianos<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No <strong>IV Domingo da P\u00e1scoa celebra-se o 62.\u00ba Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es.<\/strong> <strong>Abaixo fica a Mensagem deixada pelo Papa Francisco para este Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es<\/strong>. Para este ano, o Papa Francisco escreveu uma mensagem intitulada <strong>\u00abPeregrinos de esperan\u00e7a: o dom da vida\u00bb.<\/strong> A Comiss\u00e3o Episcopal Voca\u00e7\u00f5es e Minist\u00e9rios preparou v\u00e1rios recursos para a dinamiza\u00e7\u00e3o desta semana e que ser\u00e3o bastante \u00fateis para fazer desta semana uma oportunidade de comunicar a alegria de um Deus que ama e, por isso, chama cada homem e cada mulher a colaborar nas v\u00e1rias voca\u00e7\u00f5es e minist\u00e9rios ao servi\u00e7o da miss\u00e3o da Igreja. Estes materiais est\u00e3o dispon\u00edveis na p\u00e1gina de internet da Comiss\u00e3o Episcopal Voca\u00e7\u00f5es e Minist\u00e9rios (http:\/\/www.ecclesia.pt\/cevm\/). Cada comunidade far\u00e1 desta semana uma oportunidade para uma verdadeira dinamiza\u00e7\u00e3o vocacional, sobretudo junto dos mais jovens. <strong><em>In Voz Portucalense com adapta\u00e7\u00e3o.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>caminho do Pentecostes,<\/strong> continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Atos dos Ap\u00f3stolos 13,14.43-52<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nPaulo e Barnab\u00e9 seguiram de Perga at\u00e9 Antioquia da Pis\u00eddia.<br \/>\nA um s\u00e1bado, entraram na sinagoga e sentaram-se.<br \/>\nTerminada a reuni\u00e3o da sinagoga,<br \/>\nmuitos judeus e pros\u00e9litos piedosos<br \/>\nseguiram Paulo e Barnab\u00e9,<br \/>\nque nas suas conversas com eles<br \/>\nos exortavam a perseverar na gra\u00e7a de Deus.<br \/>\nNo s\u00e1bado seguinte,<br \/>\nreuniu-se quase toda a cidade para ouvir a palavra do Senhor.<br \/>\nAo verem a multid\u00e3o, os judeus encheram-se de inveja<br \/>\ne responderam com blasf\u00e9mias.<br \/>\nCorajosamente, Paulo e Barnab\u00e9 declararam:<br \/>\n\u00abEra a v\u00f3s<br \/>\nque devia ser anunciada primeiro a palavra de Deus.<br \/>\nUma vez, por\u00e9m, que a rejeitais<br \/>\ne n\u00e3o vos julgais dignos da vida eterna,<br \/>\nvoltamo-nos para os gentios,<br \/>\npois assim nos mandou o Senhor:<br \/>\n\u2018Fiz de ti a luz das na\u00e7\u00f5es,<br \/>\npara levares a salva\u00e7\u00e3o at\u00e9 aos confins da terra\u2019\u00bb.<br \/>\nAo ouvirem estas palavras,<br \/>\nos gentios encheram-se de alegria<br \/>\ne glorificavam a palavra do Senhor.<br \/>\nTodos os que estavam destinados \u00e0 vida eterna<br \/>\nabra\u00e7aram a f\u00e9<br \/>\ne a palavra do Senhor divulgava-se por toda a regi\u00e3o.<br \/>\nMas os judeus,<br \/>\ninstigando algumas senhoras piedosas mais distintas<br \/>\ne os homens principais da cidade,<br \/>\ndesencadearam uma persegui\u00e7\u00e3o contra Paulo e Barnab\u00e9<br \/>\ne expulsaram-nos do seu territ\u00f3rio.<br \/>\nEstes, sacudindo contra eles o p\u00f3 dos seus p\u00e9s,<br \/>\nseguiram para Ic\u00f3nio.<br \/>\nEntretanto, os disc\u00edpulos<br \/>\nestavam cheios de alegria e do Esp\u00edrito Santo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, Lucas centra a sua reflex\u00e3o no \u201ctempo da Igreja\u201d: o \u201ctempo\u201d em que a proposta da salva\u00e7\u00e3o de Deus era apresentada ao mundo pelos disc\u00edpulos de Jesus, animados e orientados pelo Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas primeiras p\u00e1ginas do livro dos Atos (cf. At 1,12-6,7), o olhar de Lucas det\u00e9m-se sobre a comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m e sobre o testemunho que os crist\u00e3os dessa cidade d\u00e3o diante dos seus concidad\u00e3os. Depois, com a morte de Estev\u00e3o e as dificuldades cada vez maiores que os crist\u00e3os de Jerusal\u00e9m encontravam para testemunhar a sua f\u00e9, a comunidade dispersou-se pela Samaria e pelas regi\u00f5es vizinhas, fazendo com que o Evangelho chegasse a outras paragens (cf. At 6,8-12,25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir daqui, rapidamente o an\u00fancio crist\u00e3o ultrapassou as fronteiras palestinas e come\u00e7ou a chegar ao mundo greco-romano. O grande \u201crespons\u00e1vel\u201d por essa maravilhosa gesta foi um crist\u00e3o de origem judaica, chamado Paulo. Nascido em Tarso (cf. At 21,39), na regi\u00e3o da Cil\u00edcia (atual Turquia), Paulo era filho de judeus, da tribo de Benjamim (cf. Rm 11,1; Flp 3,5). Foi educado em Jerusal\u00e9m e teve como mestre Gamaliel (cf. At 22,3), um famoso mestre judeu que ensinou em Jerusal\u00e9m entre os anos 20 e 50. Paulo, judeu convicto, depois de perseguir os crist\u00e3os de Jerusal\u00e9m, encontrou-se com Jesus, quando ia para Damasco para prender os crist\u00e3os dessa cidade. A sua vida mudou totalmente, depois desse encontro. Convertido a Jesus, Paulo foi para Jerusal\u00e9m e da\u00ed, a convite de Barnab\u00e9, foi para Antioquia da S\u00edria, onde existia uma numerosa comunidade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande aventura mission\u00e1ria de Paulo come\u00e7a por volta do ano 46, quando a comunidade crist\u00e3 de Antioquia da S\u00edria, ansiosa por fazer chegar mais longe a Boa Nova de Jesus, decidiu enviar dois mission\u00e1rios (Barnab\u00e9 e Paulo) a evangelizar. Entre 13,1 e 15,35, o autor dos \u201cAtos\u201d descreve o \u201cenvio\u201d dos mission\u00e1rios, a viagem, a evangeliza\u00e7\u00e3o de Chipre e da \u00c1sia Menor (Perga, Antioquia da Pis\u00eddia, Ic\u00f3nio, Listra, Derbe) e os problemas colocados \u00e0 jovem Igreja pela entrada maci\u00e7a de gentios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste quarto domingo pascal nos prop\u00f5e como primeira leitura refere-se a um epis\u00f3dio da primeira viagem mission\u00e1ria de Paulo e Barnab\u00e9. Chegados a Antioquia da Pis\u00eddia, uma cidade situada no interior da \u00c1sia Menor, os dois ap\u00f3stolos dirigem-se \u00e0 comunidade judaica reunida na sinagoga. Convidado a falar, Paulo pronunciou um longo discurso no qual apresentou aos judeus ali reunidos a proposta de Jesus (cf. At 13,16-41). As suas palavras surpreenderam toda a gente; e os presentes pediram-lhe que, no s\u00e1bado seguinte, voltasse \u00e0 sinagoga para continuar a explicar o an\u00fancio que trazia. O nosso texto refere a chegada de Paulo e Barnab\u00e9 \u00e0 cidade (vers. 14) e a rea\u00e7\u00e3o ao discurso de Paulo naquele primeiro s\u00e1bado (vers. 43). Descreve depois a rea\u00e7\u00e3o dos judeus quando Paulo e Barnab\u00e9 se apresentaram novamente na sinagoga no s\u00e1bado seguinte (vers. 44-52). <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os l\u00edderes da comunidade judaica de Antioquia da Pis\u00eddia, apesar da sua hist\u00f3ria e da sua tradi\u00e7\u00e3o religiosa, manifestaram total indisponibilidade para se deixar interpelar por Deus. Comodamente instalados atr\u00e1s das suas verdades imut\u00e1veis, presos \u00e0s suas leis e tradi\u00e7\u00f5es, agarrados ao seu orgulho e autossufici\u00eancia, convencidos das suas prerrogativas como \u201cpovo eleito\u201d, acharam que j\u00e1 tinham a salva\u00e7\u00e3o assegurada. Quando Deus lhes apareceu no caminho para lhes apresentar novos desafios e para lhes propor mudan\u00e7as, n\u00e3o reconheceram a sua voz. Tornaram-se surdos \u00e0s indica\u00e7\u00f5es de Deus. N\u00f3s, crentes do s\u00e9c. XXI, n\u00e3o estamos livres de cair em algo semelhante: instalados uma f\u00e9 \u201cmorna\u201d e pouco exigente, embalados por uma religi\u00e3o feita de ritos externos e de f\u00f3rmulas que n\u00e3o mudam nada na nossa vida de todos os dias, paralisados pelo receio de pormos em causa o nosso conforto e a nossa seguran\u00e7a, vamos perdendo a capacidade de ouvir Deus. E quando Deus nos \u201cvisita\u201d, ignoramos os seus apelos e indica\u00e7\u00f5es, pois n\u00e3o queremos mudar, converter o nosso cora\u00e7\u00e3o, arriscar caminhos novos. Isto nunca se passou connosco? Como reagimos aos apelos que Deus faz \u00e0 convers\u00e3o, a um compromisso mais s\u00e9rio, a uma vida mais coerente com o Evangelho?<\/li>\n<li>Os \u201cpag\u00e3os\u201d de que se fala nesta leitura est\u00e3o totalmente dispon\u00edveis para acolher a salva\u00e7\u00e3o. S\u00e3o pessoas sedentas de Deus, que buscam uma vida mais aut\u00eantica e que aceitam o desafio de caminhar atr\u00e1s de Jesus. De alguma forma representam todos aqueles que se sentem profundamente gratos pelo amor e pela miseric\u00f3rdia de Deus, os que est\u00e3o dispostos a abra\u00e7ar com todas as suas for\u00e7as os desafios que Deus lhes apresenta. Tamb\u00e9m representam aqueles que, mesmo tendo uma hist\u00f3ria pessoal complicada e uma caminhada de f\u00e9 nem sempre exemplar, est\u00e3o abertos \u00e0 novidade de Deus e se deixam questionar por Ele. Representam ainda os que n\u00e3o t\u00eam medo de se desinstalar, de arriscar partir para uma vida nova, de percorrer caminhos exigentes, de seguir Jesus no seu percurso de amor e de entrega, mesmo que isso implique a cruz e o dom da vida. Sentimo-nos dispon\u00edveis para abra\u00e7ar a eterna novidade de Deus que nos espreita em cada curva da estrada da vida? Aceitamos viver numa din\u00e2mica de convers\u00e3o nunca terminada? Estamos dispostos a deixar que em cada \u201choje\u201d Deus reprograme a nossa vida conforme o seu projeto?<\/li>\n<li>Paulo e Barnab\u00e9, expulsos da cidade por causa do seu testemunho sobre Jesus, n\u00e3o amuaram nem se deixaram abater pelo des\u00e2nimo. Estavam convencidos que que traziam em m\u00e3os um tesouro do qual n\u00e3o podiam desistir. \u201cSacudindo o p\u00f3 dos seus p\u00e9s\u201d contra aqueles que os rejeitavam, foram imediatamente levar o Evangelho a outras gentes, a pessoas dispon\u00edveis para acolher o projeto de Jesus. Como lidamos com as dificuldades, as incompreens\u00f5es, as rejei\u00e7\u00f5es que encontramos quando damos testemunho de Jesus? Desistimos, ou renovamos a nossa decis\u00e3o de sermos arautos de Jesus e da proposta de salva\u00e7\u00e3o que Ele veio trazer a todos os homens e mulheres? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 99 (100)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00f3s somos o povo de Deus,<br \/>\nsomos as ovelhas do seu rebanho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00f3s somos o povo do Senhor;<br \/>\nEle \u00e9 o nosso alimento.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 3: Aleluia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aclamai o Senhor, terra inteira,<br \/>\nservi o Senhor com alegria,<br \/>\nvinde a Ele com c\u00e2nticos de j\u00fabilo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sabei que o Senhor \u00e9 Deus,<br \/>\nEle nos fez, a Ele pertencemos,<br \/>\nsomos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor \u00e9 bom,<br \/>\neterna \u00e9 a sua miseric\u00f3rdia,<br \/>\na sua fidelidade estende-se de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Apocalipse 7,9.14b-17<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu, Jo\u00e3o, vi uma multid\u00e3o imensa,<br \/>\nque ningu\u00e9m podia contar,<br \/>\nde todas as na\u00e7\u00f5es, tribos, povos e l\u00ednguas.<br \/>\nEstavam de p\u00e9, diante do trono e na presen\u00e7a do Cordeiro,<br \/>\nvestidos com t\u00fanicas brancas e de palmas na m\u00e3o.<br \/>\nUm dos Anci\u00e3os tomou a palavra para me dizer:<br \/>\n\u00abEstes s\u00e3o os que vieram da grande tribula\u00e7\u00e3o,<br \/>\nos que lavaram as t\u00fanicas<br \/>\ne as branquearam no sangue do Cordeiro.<br \/>\nPor isso est\u00e3o diante do trono de Deus,<br \/>\nservindo-O dia e noite no seu templo.<br \/>\nAquele que est\u00e1 sentado no trono<br \/>\nabrig\u00e1-los-\u00e1 na sua tenda.<br \/>\nNunca mais ter\u00e3o fome nem sede,<br \/>\nnem o sol ou o vento ardente cair\u00e3o sobre eles.<br \/>\nO Cordeiro, que est\u00e1 no meio do trono, ser\u00e1 o seu pastor<br \/>\ne os conduzir\u00e1 \u00e0s fontes da \u00e1gua viva.<br \/>\nE Deus enxugar\u00e1 todas as l\u00e1grimas dos seus olhos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos anos do s\u00e9c. I, as comunidades crist\u00e3s da \u00c1sia menor viviam numa situa\u00e7\u00e3o bastante prec\u00e1ria. As heresias \u2013 como a dos nicola\u00edtas (cf. Ap 2,6.15) \u2013 traziam essas comunidades em sobressalto e criavam um clima de confus\u00e3o generalizada; por outro lado, a persegui\u00e7\u00e3o ordenada pelo imperador Domiciano traduzia-se diariamente num grande sofrimento para as comunidades crist\u00e3s espelhadas pelos territ\u00f3rios do imp\u00e9rio romano. na pris\u00e3o e na morte de um grande n\u00famero de crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto, um tal Jo\u00e3o, exilado na ilha de Patmos por causa da sua f\u00e9 (cf. Ap 1,9), entendeu escrever um livro que ajudasse os seus irm\u00e3os a enfrentar as dificuldades internas e externas que os faziam sofrer t\u00e3o duramente. Esse livro apresentava, antes de mais, um convite \u00e0 convers\u00e3o e a um empenho renovado na viv\u00eancia fiel do Evangelho (cf. Ap 2,1-3,22); propunha, tamb\u00e9m, uma leitura prof\u00e9tica da hist\u00f3ria, garantindo aos crist\u00e3os perseguidos a vit\u00f3ria final de Deus e dos \u201csantos\u201d sobre as for\u00e7as do mal (cf. Ap 4,1-22,5). Os crentes que todos os dias enfrentavam as dificuldades do caminho crist\u00e3o recebiam, deste modo, uma mensagem de alento e de esperan\u00e7a. O autor do livro escolheu um g\u00e9nero liter\u00e1rio especial, que privilegia a utiliza\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos e imagens para expor a mensagem. Essa mensagem, percet\u00edvel para os crentes, tornava-se praticamente incompreens\u00edvel para os perseguidores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste quarto domingo pascal nos prop\u00f5e como segunda leitura, pertence \u00e0 segunda parte do livro. Integra uma vis\u00e3o em que \u201co Cordeiro\u201d (Jesus) revela a todos os seres criados, reunidos \u00e0 volta de Deus, o conte\u00fado de um livro onde est\u00e3o os segredos da hist\u00f3ria humana. Esse livro est\u00e1 fechado com sete selos. \u00c0 medida que os selos v\u00e3o sendo abertos, vai ficando patente a todos os presentes a realidade do mundo. A abertura do primeiro selo mostra um cavaleiro branco, que \u00e9 Cristo vitorioso, continuamente em combate contra tudo aquilo que escraviza e destr\u00f3i o mundo e os filhos de Deus; a abertura do segundo selo mostra a presen\u00e7a de um cavaleiro vermelho, s\u00edmbolo da guerra e da viol\u00eancia que atordoam o mundo; a abertura do terceiro selo traz um cavaleiro negro, s\u00edmbolo da fome e da mis\u00e9ria; a abertura do quarto selo revela um cavaleiro esverdeada, s\u00edmbolo da morte, da doen\u00e7a e da decomposi\u00e7\u00e3o; a abertura do quinto selo mostra os m\u00e1rtires que sofrem persegui\u00e7\u00e3o por causa da sua f\u00e9 e que imploram a Deus por justi\u00e7a; a abertura do sexto selo anuncia o \u201cgrande dia da ira\u201d de Deus e a interven\u00e7\u00e3o final de Deus na hist\u00f3ria para destruir o mal que oprime os seus filhos; a abertura do s\u00e9timo selo mostra o combate em que as for\u00e7as de Deus derrotar\u00e3o definitivamente as for\u00e7as do mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em concreto, a nossa leitura situa-nos no contexto do sexto selo, aquele que anuncia o \u201cdia do Senhor\u201d (cf. Ap 6,12-7,17). Aos m\u00e1rtires que clamam por justi\u00e7a, o autor do \u201cApocalipse\u201d descreve o que vai resultar da interven\u00e7\u00e3o de Deus: a liberta\u00e7\u00e3o definitiva, a vida em plenitude. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Muitos homens e mulheres passam pela vida perante a indiferen\u00e7a de toda a gente. Ignorados e desprezados, vivem humildemente e os seus nomes n\u00e3o ficam registados nos livros que contam a hist\u00f3ria dos povos. As suas vidas ter\u00e3o feito sentido, ou ter\u00e3o fracassado? Deus conhece os seus nomes, os seus padecimentos, os seus sonhos, as suas obras, os seus cora\u00e7\u00f5es? Jo\u00e3o, o profeta de Patmos, fala-nos de um \u201clivro\u201d onde Deus tem registada a hist\u00f3ria do mundo. Nesse livro est\u00e3o os nomes, os rostos de todos os homens e mulheres, mesmo aqueles que, aparentemente, passaram ao lado da vida. As suas vidas n\u00e3o foram perdidas, pois Deus conhece-os e tomou nota de tudo aquilo que passaram. Quando, depois das suas vidas sofridas, se apresentarem diante de Deus, Deus \u201cenxugar-lhes-\u00e1 todas as l\u00e1grimas\u201d e oferecer-lhes-\u00e1 vida em abund\u00e2ncia. Todos os filhos e filhas de Deus est\u00e3o registados no livro da vida, mesmo os mais humildes, os mais pobres, os que nunca t\u00eam voz, aqueles que n\u00e3o entram na contabilidade da hist\u00f3ria que os homens escrevem, aqueles que o mundo despreza e deixa abandonados na berma da estrada da vida. Sabemos que constamos do livro de Deus, mesmo que os homens com quem nos cruzamos n\u00e3o nos conhe\u00e7am, n\u00e3o reparem em n\u00f3s, nos tratem com desprezo, apaguem qualquer sinal da nossa passagem pelo mundo?<\/li>\n<li>No final do s\u00e9c. I os crist\u00e3os sofriam duramente pela sua fidelidade a Jesus e ao Evangelho. O mundo n\u00e3o os compreendia e o imperador Domiciano queria elimin\u00e1-los da face da terra. Hoje, vinte s\u00e9culos depois, no tempo da liberdade e dos direitos humanos, muitos crist\u00e3os continuam a sofrer todos os dias por causa da sua f\u00e9 e do testemunho que insistem em dar. Algumas vezes a incompreens\u00e3o que o mundo lhes dedica traduz-se em derramamento de sangue; outras vezes em esc\u00e1rnio, tro\u00e7a, ridiculariza\u00e7\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o, indiferen\u00e7a. O quadro de uma imensa multid\u00e3o de m\u00e1rtires \u201cvestidos com t\u00fanicas brancas e de palmas nas m\u00e3os\u201d, que \u201clavaram as t\u00fanicas e as branquearam no sangue do Cordeiro\u201d, que se apresentam vitoriosos diante de Deus e que ser\u00e3o conduzidos pelo Cordeiro \u201c\u00e0s fontes de \u00e1gua-viva\u201d, constitui, para todos os disc\u00edpulos de Jesus, uma fonte de consola\u00e7\u00e3o e de esperan\u00e7a. Nenhum poder do mundo afastar\u00e1 da vida eterna aqueles que vivem na fidelidade a Jesus e ao seu Evangelho. No final, quando se fizerem as contas da hist\u00f3ria, eles estar\u00e3o ao lado de Deus e participar\u00e3o da vit\u00f3ria de Deus. Esta certeza que a Palavra de Deus deste domingo nos deixa \u00e9 para n\u00f3s fonte de alento e de encorajamento no dif\u00edcil caminho que percorremos todos os dias? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 10,27-30<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo, disse Jesus:<br \/>\n\u00abAs minhas ovelhas escutam a minha voz.<br \/>\nEu conhe\u00e7o<br \/>\nas minhas ovelhas e elas seguem-Me.<br \/>\nEu dou-lhes a vida eterna e nunca h\u00e3o de perecer<br \/>\ne ningu\u00e9m as arrebatar\u00e1 da minha m\u00e3o.<br \/>\nMeu Pai, que Mas deu, \u00e9 maior do que todos<br \/>\ne ningu\u00e9m pode arrebatar nada da m\u00e3o do Pai.<br \/>\nEu e o Pai somos um s\u00f3\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cap\u00edtulo 10 do 4\u00ba Evangelho \u00e9 dedicado \u00e0 catequese do \u201cBom Pastor\u201d. O autor utiliza esta imagem para propor uma catequese sobre a miss\u00e3o de Jesus: a obra do \u201cMessias\u201d consiste em conduzir o homem \u00e0s pastagens verdejantes e \u00e0s fontes cristalinas de onde brota a Vida em plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imagem do \u201cBom Pastor\u201d n\u00e3o foi inventada pelo autor do Quarto Evangelho. Literariamente falando, este discurso simb\u00f3lico est\u00e1 constru\u00eddo com materiais provenientes do Antigo Testamento. Em especial, este discurso tem presente o texto de Ez 34, onde se encontra a chave para compreender a met\u00e1fora do \u201cpastor\u201d e do \u201crebanho\u201d. Falando aos exilados da Babil\u00f3nia, Ezequiel constata que os l\u00edderes de Israel foram, ao longo da hist\u00f3ria, maus \u201cpastores\u201d, que conduziram o Povo por caminhos de sofrimento, de injusti\u00e7a e de morte; mas \u2013 diz tamb\u00e9m Ezequiel \u2013 o pr\u00f3prio Deus vai agora assumir a condu\u00e7\u00e3o do seu Povo; Ele ir\u00e1 colocar \u00e0 frente do seu \u201crebanho\u201d um \u201cBom Pastor\u201d (o \u201cMessias\u201d), que o livrar\u00e1 da escravid\u00e3o e o conduzir\u00e1 \u00e0 Vida. A catequese que o 4\u00ba Evangelho nos oferece sobre o \u201cBom Pastor\u201d sugere que a promessa de Deus \u2013 veiculada por Ezequiel \u2013 se cumpre em Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o Evangelho de Jo\u00e3o, Jesus teria pronunciado o \u201cdiscurso do Bom Pastor\u201d (cf. Jo 10) em Jerusal\u00e9m, em contexto da \u201cfesta da Dedica\u00e7\u00e3o do Templo\u201d (cf. Jo 10,22). Esta festa (chamada, em hebraico, \u201cHan\u00fbkkah\u201d) celebra a purifica\u00e7\u00e3o do Templo de Jerusal\u00e9m (164 a.C.), por Judas Macabeu, depois de o rei sel\u00eaucida Ant\u00edoco IV Epif\u00e2nio o ter profanado (167 a.C.), construindo um altar em honra de Zeus dentro do espa\u00e7o sagrado. \u00c9 a festa da Luz. O s\u00edmbolo por excel\u00eancia dessa festa \u00e9 um candelabro de oito bra\u00e7os (\u201chan\u00fbkkiyyah\u201d). Os bra\u00e7os desse candelabro v\u00e3o sendo progressivamente acesos, um a um, durante os oito dias que a festa dura. Jesus tinha, pouco antes, curado um cego de nascen\u00e7a, assumindo-se como \u201ca Luz\u201d que veio para iluminar as trevas do mundo (cf. Jo 8,12; 9,1-41).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do ambiente festivo, a rela\u00e7\u00e3o entre Jesus e os l\u00edderes judaicos \u00e9 de grande tens\u00e3o (cf. Jo 9,40; 10,19-21.24.31-39). Depois de ver a press\u00e3o que esses l\u00edderes colocaram sobre um cego de nascen\u00e7a para que ele n\u00e3o abra\u00e7asse a luz (cf. Jo 9,1-41), Jesus denuncia a forma como eles tratam a comunidade: est\u00e3o apenas interessados em proteger os seus interesses pessoais e usam o Povo em benef\u00edcio pr\u00f3prio; s\u00e3o, pois, \u201cladr\u00f5es e salteadores\u201d (Jo 10,1.8.10), que tomaram de assalto o rebanho que lhes foi confiado e roubam ao Povo a oportunidade de encontrar Vida. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Todos n\u00f3s temos os nossos her\u00f3is, os nossos mestres, os nossos modelos. S\u00e3o figuras que consideramos como refer\u00eancias, figuras que respeitamos e de quem esperamos orienta\u00e7\u00f5es, figuras cujas opini\u00f5es acolhemos e seguimos. Os povos antigos, ainda muito ligados a contextos agr\u00e1rios e pastoris, facilmente designavam uma figura dessas como \u201co Pastor\u201d (n\u00f3s hoje utilizamos outras palavras: \u201cpresidente\u201d, \u201crei\u201d, \u201cdiretor\u201d, \u201csuperior\u201d, \u201cchefe\u201d, \u201cprofessor\u201d, \u201cguru\u201d). Ser\u00e1 que todas essas figuras que admiramos e cujas opini\u00f5es seguimos merecem a nossa confian\u00e7a? Todas elas estar\u00e3o interessadas no nosso bem?<\/li>\n<li>O Evangelho deste domingo diz-nos que, para o crist\u00e3o, o \u201cPastor\u201d por excel\u00eancia \u00e9 Jesus. Ele \u00e9 a nossa refer\u00eancia; \u00e9 n\u2019Ele que encontramos vida (\u201cEu dou-lhes a vida eterna e nunca h\u00e3o de perecer e ningu\u00e9m as arrebatar\u00e1 da minha m\u00e3o\u201d). \u00c9 em Jesus que devemos confiar, \u00e9 \u00e0 volta d\u2019Ele que nos devemos juntar, s\u00e3o as suas indica\u00e7\u00f5es e propostas que devemos seguir. O nosso \u201cPastor\u201d \u00e9, de facto, Cristo, ou temos outros \u201cpastores\u201d que nos arrastam e que s\u00e3o as refer\u00eancias fundamentais \u00e0 volta das quais constru\u00edmos a nossa exist\u00eancia? Quem \u00e9 que nos dita os caminhos em que andamos e os valores em que apostamos: Jesus Cristo? O patr\u00e3o que nos paga o sal\u00e1rio? O presidente do nosso partido pol\u00edtico? Um qualquer l\u00edder da moda ou um qualquer \u201c<em>influencer<\/em>\u201d? A conta banc\u00e1ria? O comodismo, a instala\u00e7\u00e3o, a ambi\u00e7\u00e3o, o orgulho, a vaidade? Os aplausos dos que nos rodeiam? O triunfo profissional a qualquer custo?<\/li>\n<li>No cumprimento da sua miss\u00e3o de \u201cPastor\u201d, Jesus n\u00e3o atua por interesse, mas por amor. Ele n\u00e3o foge quando as ovelhas est\u00e3o em perigo, mas defende-as e at\u00e9 \u00e9 capaz de dar a vida por elas; Ele preocupa-se com as suas ovelhas e mant\u00e9m com cada uma delas uma rela\u00e7\u00e3o \u00fanica, especial, pessoal (\u201cEu conhe\u00e7o as minhas ovelhas\u201d); Ele n\u00e3o se serve das suas ovelhas, mas serve-as e condu-las onde h\u00e1 alimento em abund\u00e2ncia; Ele cuida de cada uma delas, particularmente das mais fr\u00e1geis e necessitadas. Ora, esta forma de atuar de Jesus deve ser uma refer\u00eancia para aqueles que t\u00eam responsabilidades na condu\u00e7\u00e3o e anima\u00e7\u00e3o da comunidade, quer em \u00e2mbito civil, quer em \u00e2mbito religioso. Quando somos chamados \u00e0 miss\u00e3o de presidir a um grupo, de animar uma comunidade, de exercer o servi\u00e7o da autoridade, cumprimos a nossa miss\u00e3o no dom total, no amor incondicional, no servi\u00e7o desinteressado, a exemplo de Jesus?<\/li>\n<li>No \u201crebanho\u201d de Jesus, n\u00e3o se entra por convite especial, nem h\u00e1 um n\u00famero restrito de vagas a partir do qual mais ningu\u00e9m pode entrar. A proposta de salva\u00e7\u00e3o que Jesus faz destina-se a todos os homens e mulheres, sem exce\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 decisivo para entrar a fazer parte do rebanho de Deus \u00e9 \u201cescutar a voz\u201d de Jesus, aceitar as suas indica\u00e7\u00f5es, tornar-se seu disc\u00edpulo\u2026 Isso significa, concretamente, ir atr\u00e1s de Jesus, aderir ao projeto de salva\u00e7\u00e3o que Ele veio apresentar, percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu, na entrega total aos projetos de Deus e na doa\u00e7\u00e3o total aos irm\u00e3os. Atrevemo-nos a seguir o nosso \u201cPastor\u201d (Jesus) no caminho exigente do dom da vida, ou estamos convencidos que esse caminho \u00e9 apenas um caminho de derrota e de fracasso, que n\u00e3o leva aonde n\u00f3s pretendemos ir?<\/li>\n<li>O nosso texto acentua a identifica\u00e7\u00e3o total de Jesus com o Pai (\u201cEu e o Pai somos um\u201d). Os interesses do Pai s\u00e3o os interesses de Jesus; o projeto do Pai \u00e9 o projeto de Jesus. A preocupa\u00e7\u00e3o fundamental de Jesus, desde o primeiro instante do seu caminho entre n\u00f3s, foi obedecer ao Pai e cumprir o projeto do Pai (\u201cao entrar no mundo Cristo disse: \u2018Eis que venho, \u00f3 Deus, para fazer a tua vontade\u2019\u201d \u2013 Heb 10,7). Em todos os momentos, em todos os passos, Jesus procurou obedecer ao Pai e cumprir a vontade do Pai. O projeto do Pai passou a ser o projeto de Jesus. Dessa entrega livre, consciente, assumida, resulta vida verdadeira e definitiva para as \u201covelhas\u201d que o Pai entregou aos cuidados de Jesus. O exemplo de Jesus convida-nos a aderir, com a mesma liberdade, mas tamb\u00e9m com a mesma disponibilidade, \u00e0s propostas de Deus e ao cumprimento do projeto de Deus para n\u00f3s e para o mundo. Procuramos, como Jesus, discernir a vontade do Pai e obedecer ao projeto que Ele tem para n\u00f3s, mesmo que isso signifique abandonar os nossos esquemas pessoais, as nossas conveni\u00eancias, os nossos caminhos particulares? Acreditamos que da nossa obedi\u00eancia ao Pai resultar\u00e1 algo de bom para n\u00f3s e para os irm\u00e3os que caminham ao nosso lado?<\/li>\n<li>Nas nossas comunidades crist\u00e3s, temos pessoas que presidem e que animam, pessoas a quem foi confiado o servi\u00e7o da autoridade. Podemos aceitar, sem problemas, que elas receberam essa miss\u00e3o de Jesus e da Igreja, apesar dos seus limites e imperfei\u00e7\u00f5es. Mas conv\u00e9m igualmente ter presente que o \u00fanico \u201cPastor verdadeiro\u201d, aquele que nunca falha, aquele que somos convidados a escutar e a seguir sem condi\u00e7\u00f5es, \u00e9 Jesus. Procuremos escutar e acolher, com humildade, mas tamb\u00e9m com consci\u00eancia cr\u00edtica, as indica\u00e7\u00f5es que nos s\u00e3o dadas pelos l\u00edderes das nossas comunidades; mas n\u00e3o nos esque\u00e7amos de as confrontar, para aquilatar da sua validade, com as indica\u00e7\u00f5es que nos foram deixadas por Jesus, o Bom Pastor, o nosso \u00fanico Pastor. Como nos posicionamos diante daqueles a quem foi confiado, na comunidade crist\u00e3, o servi\u00e7o da autoridade?<\/li>\n<li>Para que distingamos a \u201cvoz\u201d de Jesus de outros apelos, de propostas enganadoras, de \u201ccantos de sereia\u201d que n\u00e3o conduzem \u00e0 vida plena, \u00e9 preciso um permanente di\u00e1logo \u00edntimo com \u201co Pastor\u201d (Jesus), um confronto permanente com a sua Palavra e a participa\u00e7\u00e3o ativa nos sacramentos onde se nos comunica essa vida que \u201co Pastor\u201d nos oferece. Procuramos manter um di\u00e1logo frequente com Jesus, a fim de termos sempre vivas as suas indica\u00e7\u00f5es? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> possui algumas palavras mais dif\u00edceis e que exigem aten\u00e7\u00e3o para uma boa pronuncia\u00e7\u00e3o: \u00abPerga\u00bb; \u00abAntioquia da Pis\u00eddia\u00bb e \u00abpros\u00e9litos\u00bb. Na proclama\u00e7\u00e3o desta leitura, \u00e9 necess\u00e1rio estar atento ao tom narrativo que ela possui e ao discurso direto que nela est\u00e1 presente e que \u00e9 constitu\u00eddo pelo discurso de Paulo e Barnab\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> n\u00e3o apresenta nenhuma dificuldade aparente, mas exige aten\u00e7\u00e3o na descri\u00e7\u00e3o que constitui a primeira parte do texto e na longa interven\u00e7\u00e3o de \u00ab<em>um dos Anci\u00e3os<\/em>\u00bb e que constitui a segunda parte do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Leitura-I-do-Domingo-IV-do-Tempo-Pascal-Ano-C-11.05.2025-Atos-1314.43-52.pdf\">Leitura I do Domingo IV do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 11.05.2025 (Atos 13,14.43-52)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Leitura-II-do-Domingo-IV-do-Tempo-Pascal-Ano-C-11.05.2025-Apocalipse-7-9.14b-17.pdf\">Leitura II do Domingo IV do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 11.05.2025 (Apocalipse 7, 9.14b-17)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Domingo-IV-do-Tempo-Pascal-Ano-C-11.05.2025-Lecionario.pdf\">Domingo IV do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 11.05.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Domingo-IV-do-Tempo-Pascal-Ano-C-11.05.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo IV do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 11.05.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal\/a&gt;<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Domingo-IV-do-Tempo-Pascal-Ano-C-11.05.2025-refletindo.pdf\">Domingo IV do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 11.05.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/A-Mesa-da-Palavra-Tempo-Pascal-Domingo-IV.pdf\">A Mesa da Palavra Tempo Pascal Domingo IV<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Mensagem-Papa-Francisco-62o-Dia-Mundial-Oracao-pelas-Vocacoes.pdf\">Mensagem Papa Francisco &#8211; 62\u00ba Dia Mundial Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo III do Tempo Pascal \u2013 Ano C \u2013 04 maio 2025&#8243; tab_id=&#8221;1747039896672-1638adae-9d0a&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo III do Tempo Pascal &#8211; Ano C \u2013 04 maio 2025<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Domingo-III-do-Tempo-Pascal.jpg\" alt=\"\" width=\"723\" height=\"407\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>liturgia do terceiro Domingo Pascal<\/strong> dirige uma vez mais o nosso olhar para o acontecimento capital que celebramos neste \u201cgrande domingo\u201d que vai desde o dia de P\u00e1scoa at\u00e9 ao dia de Pentecostes: a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Convida-nos especialmente a descobrir como que \u00e9 que a comunidade crist\u00e3 deve agir para concretizar, no mundo e na vida dos homens, a obra salvadora de Jesus. <em><strong>in Dehonianos<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>caminho do Pentecostes,<\/strong> continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Atos 5,27b-32.40b-41<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\no sumo sacerdote falou aos Ap\u00f3stolos, dizendo:<br \/>\n\u00abJ\u00e1 vos proibimos formalmente<br \/>\nde ensinar em nome de Jesus;<br \/>\ne v\u00f3s encheis Jerusal\u00e9m com a vossa doutrina<br \/>\ne quereis fazer recair sobre n\u00f3s o sangue desse homem\u00bb.<br \/>\nPedro e os Ap\u00f3stolos responderam:<br \/>\n\u00abDeve obedecer-se antes a Deus que aos homens.<br \/>\nO Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus,<br \/>\na quem v\u00f3s destes a morte, suspendendo-O no madeiro.<br \/>\nDeus exaltou-O pelo seu poder, como Chefe e Salvador,<br \/>\na fim de conceder a Israel<br \/>\no arrependimento e o perd\u00e3o dos pecados.<br \/>\nE n\u00f3s somos testemunhas destes factos,<br \/>\nn\u00f3s e o Esp\u00edrito Santo<br \/>\nque Deus tem concedido \u00e0queles que Lhe obedecem\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o os judeus mandaram a\u00e7oitar os Ap\u00f3stolos,<br \/>\nintimando-os a n\u00e3o falarem no nome de Jesus,<br \/>\ne depois soltaram-nos.<br \/>\nOs Ap\u00f3stolos sa\u00edram da presen\u00e7a do Sin\u00e9drio cheios de alegria,<br \/>\npor terem merecido serem ultrajados<br \/>\npor causa do nome de Jesus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, publicado na d\u00e9cada de oitenta do primeiro s\u00e9culo, \u00e9 a segunda parte da obra de Lucas. Nele Lucas reflete sobre a fase final da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, aquilo que poder\u00edamos chamar o \u201ctempo da Igreja\u201d: \u00e9 o tempo em que Jesus deixa de estar fisicamente presente no mundo, mas em que a salva\u00e7\u00e3o de Deus continua a ser oferecida ao mundo atrav\u00e9s da comunidade dos disc\u00edpulos de Jesus. Revestidos de Jesus, animados pelo mesmo Esp\u00edrito que animava Jesus, os disc\u00edpulos t\u00eam como miss\u00e3o continuar a obra que Jesus tinha come\u00e7ado. Eles s\u00e3o agora \u2013 com o seu testemunho, com o seu an\u00fancio, com os seus gestos de cura e de liberta\u00e7\u00e3o \u2013 o rosto vis\u00edvel do Deus salvador e libertador. O seu testemunho deve percorrer um \u201ccaminho\u201d que vai de Jerusal\u00e9m \u2013 no Antigo Testamento, o lugar onde devia manifestar-se definitivamente a salva\u00e7\u00e3o de Deus \u2013 at\u00e9 \u201caos confins da terra\u201d, quer dizer, at\u00e9 Roma, o cora\u00e7\u00e3o do mundo gentio. \u00c9 precisamente esse o plano que Lucas desenvolve neste livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira parte do livro (cf. At 1,12-8,3), Lucas centra o seu olhar na comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m. Depois da vinda do Esp\u00edrito Santo (cf. At 2,1-13), os disc\u00edpulos de Jesus decidiram assumir o risco de dar testemunho de Jesus e do seu projeto; deixaram a seguran\u00e7a da casa onde se escondiam, com medo das autoridades judaicas e come\u00e7aram a dar falar de Jesus por toda a cidade. Esse testemunho era, no entanto, dado em condi\u00e7\u00f5es de extrema dificuldade, por causa da oposi\u00e7\u00e3o das autoridades judaicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A certa altura as autoridades religiosas judaicas, inquietas com a popularidade que os ap\u00f3stolos estavam a alcan\u00e7ar, prenderam-nos (cf. At 5,17-18); contudo, uma interven\u00e7\u00e3o de Deus libertou-os da pris\u00e3o. Sem se deixarem intimidar, no dia seguinte eles estavam de novo no Templo a dar testemunho de Jesus (At 5,19-21). Os guardas do Templo, enviados pelo sumo sacerdote, trouxeram novamente os ap\u00f3stolos \u00e0 presen\u00e7a do Sin\u00e9drio (cf. At 5,22-26). Constitu\u00eddo por 71 membros, incluindo o sumo sacerdote, o Sin\u00e9drio era o Conselho supremo judaico, que tinha como fun\u00e7\u00e3o administrar a justi\u00e7a, interpretando e aplicando a Tor\u00e1, a Lei de Deus. \u00c9 neste cen\u00e1rio que a primeira leitura neste terceiro domingo do tempo pascal nos situa. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A morte de Jesus n\u00e3o foi um acidente infeliz, o resultado de uma circunst\u00e2ncia fortuita; mas foi a conclus\u00e3o de um longo processo de rejei\u00e7\u00e3o de um projeto que punha em causa os interesses ego\u00edstas dos senhores do mundo. Jesus sempre soube que o caminho que estava a percorrer conduzia \u00e0 cruz; mas quis percorr\u00ea-lo at\u00e9 ao fim, pois estava consciente de que a proposta de Deus \u2013 de um mundo mais justo, mais humano, mais fraterno \u2013 tinha de ser apresentada aos homens, custasse o que custasse. Jesus foi condenado \u00e0 morte porque nos seus olhos, nas suas palavras, nos seus gestos, no seu cora\u00e7\u00e3o brilhava a verdade, a verdade de Deus, uma verdade que desmascarava a mentira em que os homens queriam viver. Entretanto, passaram-se vinte s\u00e9culos, mas o cen\u00e1rio \u00e9 o mesmo: a proposta libertadora de Jesus continua a ser rejeitada e combatida por aqueles que preferem viver na mentira. Os disc\u00edpulos de Jesus, chamados a dar testemunho do Reino de Deus, n\u00e3o devem ficar surpreendidos nem inquietos com isso. Devem, com a for\u00e7a de Jesus, continuar a questionar e a p\u00f4r em causa tudo aquilo que gera opress\u00e3o, sofrimento, escravid\u00e3o e morte. Com a mesma frontalidade, com a mesma verdade, com a mesma confian\u00e7a no Pai que Jesus tinha. N\u00f3s, os que optamos por seguir Jesus, estamos dispostos a isso?<\/li>\n<li>Na leitura do livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos que a liturgia deste dia nos prop\u00f5e, Pedro formula uma m\u00e1xima que os disc\u00edpulos de Jesus devem ter sempre presente, ao longo do seu caminho pela hist\u00f3ria: \u201cdeve obedecer-se antes a Deus do que aos homens\u201d. Obedecer antes a Deus do que aos homens \u00e9 a atitude de quem coloca Deus em primeiro lugar e decidiu construir toda a sua vida a partir de Deus. Depois dessa decis\u00e3o fundamental, o crente est\u00e1 capacitado para enfrentar o medo, a mentira, as press\u00f5es, as intimida\u00e7\u00f5es, as promessas ilus\u00f3rias, as tenta\u00e7\u00f5es de todo o tipo\u2026 Sem se impressionar, mant\u00e9m-se \u00edntegro e fiel, conduzindo a sua vida \u00e0 luz dos valores de Deus, mesmo que isso implique incompreens\u00f5es ou persegui\u00e7\u00f5es. Sabe o que quer e nada o pode abalar. J\u00e1 tomamos esta decis\u00e3o de dar prioridade aos valores de Deus, de deixar-nos conduzir por Deus? Esfor\u00e7amo-nos por discernir a voz de Deus no meio de tantas vozes que continuamente criam ru\u00eddo de fundo \u00e0 nossa volta e procuram seduzir-nos? Como reagimos diante de leis ou de ordens injustas ou moralmente inaceit\u00e1veis?<\/li>\n<li>Em contexto dif\u00edcil, os primeiros crist\u00e3os ousaram enfrentar todas as proibi\u00e7\u00f5es e dar testemunho de Jesus. Consideraram que tudo o que Jesus tinha proposto era demasiado belo para cair no esquecimento. A proposta de Jesus tinha de ecoar no mundo e de chegar ao cora\u00e7\u00e3o de todos os homens e mulheres. N\u00f3s, gente do s\u00e9c. XXI, temos nas nossas m\u00e3os o mesmo tesouro que os nossos irm\u00e3os da comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m entenderam partilhar com os seus concidad\u00e3os. Poderemos, por comodismo, por respeito humano, por medo, ou por outra qualquer raz\u00e3o, ocult\u00e1-lo dos nossos contempor\u00e2neos? Somos testemunhas de Jesus ressuscitado em todos os lugares onde a vida nos leva? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 29 (30)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Eu vos louvarei, Senhor, porque me salvastes.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Aleluia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes<br \/>\ne n\u00e3o deixastes que de mim se regozijassem os inimigos.<br \/>\nTirastes a minha alma da mans\u00e3o dos mortos,<br \/>\nvivificastes-me para n\u00e3o descer \u00e0 cova.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cantai salmos ao Senhor, v\u00f3s os seus fi\u00e9is,<br \/>\ne dai gra\u00e7as ao seu nome santo.<br \/>\nA sua ira dura apenas um momento<br \/>\ne a sua benevol\u00eancia a vida inteira.<br \/>\nAo cair da noite v\u00eam as l\u00e1grimas<br \/>\ne ao amanhecer volta a alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ouvi, Senhor, e tende compaix\u00e3o de mim,<br \/>\nSenhor, sede V\u00f3s o meu aux\u00edlio.<br \/>\nV\u00f3s convertestes em j\u00fabilo o meu pranto:<br \/>\nSenhor meu Deus, eu Vos louvarei eternamente.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Apocalipse 5,11-14<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu, Jo\u00e3o, na vis\u00e3o que tive,<br \/>\nouvi a voz de muitos Anjos,<br \/>\nque estavam em volta do trono, dos Seres Vivos e dos Anci\u00e3os.<br \/>\nEram mir\u00edades de mir\u00edades e milhares de milhares,<br \/>\nque diziam em voz alta:<br \/>\n\u00abDigno \u00e9 o Cordeiro que foi imolado<br \/>\nde receber o poder e a riqueza, a sabedoria e a for\u00e7a,<br \/>\na honra, a gl\u00f3ria e o louvor\u00bb.<br \/>\nE ouvi todas as criaturas<br \/>\nque h\u00e1 no c\u00e9u, na terra, debaixo da terra e no mar,<br \/>\ne o universo inteiro, exclamarem:<br \/>\n\u00ab\u00c0quele que est\u00e1 sentado no trono e ao Cordeiro<br \/>\no louvor e a honra, a gl\u00f3ria e o poder<br \/>\npelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos\u00bb.<br \/>\nOs quatro Seres Vivos diziam: \u00ab\u00c1men!\u00bb;<br \/>\ne os Anci\u00e3os prostraram-se em adora\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro do Apocalipse \u00e9 uma reflex\u00e3o de um \u201cprofeta\u201d chamado Jo\u00e3o, exilado numa pequena ilha do mar Mediterr\u00e2neo chamada Patmos por causa da sua f\u00e9. Numa altura em que o imperador Domiciano est\u00e1 a levar a cabo em todo o imp\u00e9rio romano uma feroz persegui\u00e7\u00e3o contra os crist\u00e3os, Jo\u00e3o procura animar os seus irm\u00e3os na f\u00e9. Usando uma linguagem cifrada, carregada de s\u00edmbolos (que era percet\u00edvel para os crist\u00e3os, mas n\u00e3o para os seus perseguidores), Jo\u00e3o garante aos seus irm\u00e3os perseguidos que, depois de todos os sofrimentos que a persegui\u00e7\u00e3o os obriga a enfrentar, a vit\u00f3ria final ser\u00e1 de Deus e de todos aqueles que se mantiverem fi\u00e9is ao projeto de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro do Apocalipse divide-se em duas partes. Na primeira (cf. Ap 2,1-3,22), nas sete cartas \u00e0s sete igrejas, temos uma mensagem que convida \u00e0 revis\u00e3o de vida e \u00e0 convers\u00e3o. Na segunda (cf. Ap 4-22), temos uma leitura prof\u00e9tica da hist\u00f3ria: o autor vai apresentar a hist\u00f3ria humana numa perspetiva de esperan\u00e7a, demonstrando que \u00e9 Deus quem conduz a hist\u00f3ria e quem ter\u00e1 a \u00faltima palavra no destino dos homens. No final, n\u00e3o ser\u00e1 Domiciano a triunfar sobre Deus; mas ser\u00e1 Deus a triunfar sobre Domiciano e sobre todos aqueles que tentam frustrar os projetos de Deus. Sendo assim, os crist\u00e3os perseguidos podem manter a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como segunda leitura neste terceiro domingo do tempo pascal, integra a segunda parte do livro. Essa segunda parte come\u00e7a como uma vis\u00e3o onde nos s\u00e3o apresentadas as personagens centrais que v\u00e3o intervir na hist\u00f3ria humana: Deus e \u201co cordeiro\u201d. Deus, omnipotente e majestoso, est\u00e1 sentado no seu trono, rodeado pelo Povo de Deus e por toda a cria\u00e7\u00e3o (cf. Ap 4,1-11). O \u201ccordeiro\u201d est\u00e1 de p\u00e9 e tem os sinais de ter sido imolado; det\u00e9m a totalidade do poder (\u201csete cornos\u201d) e do conhecimento (\u201csete olhos\u201d). Trata-se, evidentemente, de Cristo crucificado e ressuscitado, o Senhor do universo, aquele que venceu a morte e o pecado. Na m\u00e3o direita de Deus est\u00e1 um livro, \u201cescrito nas duas faces\u201d (isto \u00e9, tudo nele \u00e9 eloquente) e selado com sete selos\u201d (Ap 5,1): \u00e9, simbolicamente, o \u201clivro\u201d onde est\u00e1 descrito o des\u00edgnio de Deus acerca da humanidade (cf. Ap 5,1-4). Esse livro vai ser lido e o seu conte\u00fado vai ser revelado; mas n\u00e3o \u00e9 qualquer um que o pode fazer. O \u00fanico que \u00e9 digno de ler esse livro \u2013 ou seja, que pode revelar, proclamar, concretizar o projeto divino de salva\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 \u201co Le\u00e3o da tribo de Jud\u00e1, o rebento da dinastia de David\u201d (Ap 5,5), o Messias de Deus, o Cristo que venceu a morte, o \u201cCordeiro\u201d de Deus. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jo\u00e3o, o profeta de Patmos, p\u00f5e no centro desta \u201cliturgia c\u00f3smica\u201d que se celebra junto do trono de Deus, o \u201cCordeiro\u201d, Cristo ressuscitado. Ele \u00e9 o \u00fanico que \u00e9 capaz de tomar na sua m\u00e3o o \u201clivro\u201d que cont\u00e9m o plano de Deus para o mundo e para os homens e de o revelar; Ele \u00e9 o \u00fanico que \u00e9 capaz de dar resposta \u00e0s nossas d\u00favidas, \u00e0s nossas incertezas, \u00e0s nossas inquieta\u00e7\u00f5es, aos pequenos e grandes dramas que preenchem a nossa exist\u00eancia; Ele \u00e9 o \u00fanico que pode apontar-nos o caminho que conduz \u00e0 vida definitiva; Ele \u00e9 aquele que ilumina a hist\u00f3ria dos homens com a luz de Deus. O \u201cCordeiro\u201d est\u00e1 no centro de tudo e \u00e9 para Ele que se voltam os olhos e os cora\u00e7\u00f5es de todos os seres criados. Que lugar \u00e9 que esse \u201cCordeiro\u201d tem nas nossas vidas? Vivemos e caminhamos de olhos fixos n\u2019Ele? O \u201cCordeiro\u201d \u00e9, de facto, a refer\u00eancia fundamental \u00e0 volta da qual toda a nossa vida se constr\u00f3i? Escutamos e acolhemos no cora\u00e7\u00e3o as palavras que Ele diz e deixamo-nos conduzir por elas? Os gestos que Ele fazia quando andava connosco pelos caminhos do mundo dizem-nos o que devemos fazer? Amamos Deus e os nossos irm\u00e3os como Ele amava? Lutamos, como Ele lutou, para fazer nascer um mundo mais justo, mais humano, mais fraterno?<\/li>\n<li>Jo\u00e3o p\u00f5e os anjos, o povo de Deus, todos os seres criados, a cantar o seu j\u00fabilo pela liberta\u00e7\u00e3o que o \u201cCordeiro\u201d \u2013 pela sua imola\u00e7\u00e3o, pela sua ressurrei\u00e7\u00e3o, pela sua glorifica\u00e7\u00e3o \u2013 lhes trouxe. O \u201cCordeiro\u201d derrotou tudo aquilo que escraviza os seres criados, incluindo o pecado, a injusti\u00e7a, a viol\u00eancia e a morte. No entanto, a natureza e a cria\u00e7\u00e3o continuam a sofrer a opress\u00e3o que resulta do ego\u00edsmo e da ambi\u00e7\u00e3o dos homens; os pa\u00edses e os povos continuam a conhecer a escravid\u00e3o que resulta da viol\u00eancia, da guerra, da fome, da corrup\u00e7\u00e3o; os mais pequenos e fr\u00e1geis continuam a ser magoados pela injusti\u00e7a, pela viol\u00eancia, pela maldade dos poderosos\u2026 O que precisamos de fazer, o que temos de transformar para que a liberta\u00e7\u00e3o que o \u201cCordeiro\u201d nos trouxe se torne efetiva, aqui e agora, e nos abra perspetivas de uma vida mais livre e mais feliz? Estamos dispon\u00edveis para seguir Jesus, o \u201cCordeiro\u201d, no caminho que conduz \u00e0 liberdade e \u00e0 vida nova?<\/li>\n<li>\u00c9 muito bela a imagem da cria\u00e7\u00e3o inteira a entoar um c\u00e2ntico de j\u00fabilo e de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pela a\u00e7\u00e3o salvadora e libertadora de Deus, concretizada atrav\u00e9s do \u201cCordeiro\u201d. Esse c\u00e2ntico \u00e9 a resposta de quem constata tudo o que Deus faz e se sente profundamente agradecido. N\u00f3s que beneficiamos da a\u00e7\u00e3o libertadora e salvadora de Deus, lembramo-nos de lhe mostrar o nosso agradecimento? Procuramos, por exemplo, no \u201cDia do Senhor\u201d, juntarmo-nos com a nossa comunidade crist\u00e3 para participar na liturgia eucar\u00edstica, para proclamar o nosso c\u00e2ntico de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pelas maravilhas de Deus? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 21,1-19<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus manifestou-Se outra vez aos seus disc\u00edpulos,<br \/>\njunto do mar de Tiber\u00edades.<br \/>\nManifestou-Se deste modo:<br \/>\nEstavam juntos Sim\u00e3o Pedro e Tom\u00e9, chamado D\u00eddimo,<br \/>\nNatanael, que era de Can\u00e1 da Galileia,<br \/>\nos filhos de Zebedeu e mais dois disc\u00edpulos de Jesus.<br \/>\nDisse-lhes Sim\u00e3o Pedro: \u00abVou pescar\u00bb.<br \/>\nEles responderam-lhe: \u00abN\u00f3s vamos contigo\u00bb.<br \/>\nSa\u00edram de casa e subiram para o barco,<br \/>\nmas naquela noite n\u00e3o apanharam nada.<br \/>\nAo romper da manh\u00e3, Jesus apresentou-Se na margem,<br \/>\nmas os disc\u00edpulos n\u00e3o sabiam que era Ele.<br \/>\nDisse-lhes Jesus:<br \/>\n\u00abRapazes, tendes alguma coisa de comer?\u00bb<br \/>\nEles responderam: \u00abN\u00e3o\u00bb.<br \/>\nDisse-lhes Jesus:<br \/>\n\u00abLan\u00e7ai a rede para a direita do barco e encontrareis\u00bb.<br \/>\nEles lan\u00e7aram a rede<br \/>\ne j\u00e1 mal a podiam arrastar por causa da abund\u00e2ncia de peixes.<br \/>\nO disc\u00edpulo predileto de Jesus disse a Pedro:<br \/>\n\u00ab\u00c9 o Senhor\u00bb.<br \/>\nSim\u00e3o Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor,<br \/>\nvestiu a t\u00fanica que tinha tirado e lan\u00e7ou-se ao mar.<br \/>\nOs outros disc\u00edpulos,<br \/>\nque estavam apenas a uns duzentos c\u00f4vados da margem,<br \/>\nvieram no barco, puxando a rede com os peixes.<br \/>\nQuando saltaram em terra,<br \/>\nviram brasas acesas com peixe em cima, e p\u00e3o.<br \/>\nDisse-lhes Jesus:<br \/>\n\u00abTrazei alguns dos peixes que apanhastes agora\u00bb.<br \/>\nSim\u00e3o Pedro subiu ao barco<br \/>\ne puxou a rede para terra,<br \/>\ncheia de cento e cinquenta e tr\u00eas grandes peixes;<br \/>\ne, apesar de serem tantos, n\u00e3o se rompeu a rede.<br \/>\nDisse-lhes Jesus: \u00abVinde comer\u00bb.<br \/>\nNenhum dos disc\u00edpulos se atrevia a perguntar-Lhe:<br \/>\n\u00abQuem \u00e9s Tu?\u00bb,<br \/>\nporque bem sabiam que era o Senhor.<br \/>\nJesus aproximou-Se, tomou o p\u00e3o e deu-lho,<br \/>\nfazendo o mesmo com os peixes.<br \/>\nEsta foi a terceira vez<br \/>\nque Jesus Se manifestou aos seus disc\u00edpulos,<br \/>\ndepois de ter ressuscitado dos mortos.<br \/>\nDepois de comerem,<br \/>\nJesus perguntou a Sim\u00e3o Pedro:<br \/>\n\u00abSim\u00e3o, filho de Jo\u00e3o, tu amas-Me mais do que estes?\u00bb<br \/>\nEle respondeu-Lhe:<br \/>\n\u00abSim, Senhor, Tu sabes que Te amo\u00bb.<br \/>\nDisse-lhe Jesus: \u00abApascenta os meus cordeiros\u00bb.<br \/>\nVoltou a perguntar-lhe segunda vez:<br \/>\n\u00abSim\u00e3o, filho de Jo\u00e3o, tu amas-Me?\u00bb<br \/>\nEle respondeu-Lhe:<br \/>\n\u00abSim, Senhor, Tu sabes que Te amo\u00bb.<br \/>\nDisse-lhe Jesus: \u00abApascenta as minhas ovelhas\u00bb.<br \/>\nPerguntou-lhe pela terceira vez:<br \/>\n\u00abSim\u00e3o, filho de Jo\u00e3o, tu amas-Me?\u00bb<br \/>\nPedro entristeceu-se<br \/>\npor Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava<br \/>\ne respondeu-Lhe:<br \/>\n\u00abSenhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo\u00bb.<br \/>\nDisse-lhe Jesus:<br \/>\n\u00abApascenta as minhas ovelhas.<br \/>\nEm verdade, em verdade te digo:<br \/>\nQuando eras mais novo,<br \/>\ntu mesmo te cingias e andavas por onde querias;<br \/>\nmas quando fores mais velho,<br \/>\nestender\u00e1s a m\u00e3o e outro te cingir\u00e1<br \/>\ne te levar\u00e1 para onde n\u00e3o queres\u00bb.<br \/>\nJesus disse isto para indicar o g\u00e9nero de morte<br \/>\ncom que Pedro havia de dar gl\u00f3ria a Deus.<br \/>\nDito isto, acrescentou: \u00abSegue-Me\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cap\u00edtulo 21 do Evangelho segundo Jo\u00e3o (de onde foi extra\u00eddo o epis\u00f3dio que a liturgia deste terceiro domingo do tempo pascal nos prop\u00f5e), apresenta significativas diferen\u00e7as de linguagem, de estilo e at\u00e9 mesmo de teologia em rela\u00e7\u00e3o aos vinte cap\u00edtulos precedentes. Considera-se em geral que se trata de um ap\u00eandice acrescentado posteriormente, embora bastante cedo, pois aparece em todos os manuscritos mais antigos. A sua origem n\u00e3o \u00e9 clara; no entanto, a exist\u00eancia de alguns tra\u00e7os tipicamente jo\u00e2nicos faz-nos pensar num complemento redigido por um membro da chamada \u201cescola jo\u00e2nica\u201d, criada em \u00c9feso \u00e0 volta da figura do ap\u00f3stolo Jo\u00e3o. O texto primitivo do Quarto Evangelho terminaria, provavelmente, com a conclus\u00e3o de Jo 20,30-31.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena descrita \u00e9 situada \u201cjunto do lago de Tiber\u00edades\u201d, tamb\u00e9m conhecido como Mar da Galileia. N\u00e3o se explica como \u00e9 que os disc\u00edpulos de Jesus (que no final do cap\u00edtulo 20 estavam em Jerusal\u00e9m \u2013 cf. Jo 20,19-29) aparecem repentinamente na Galileia. A esta descontinuidade geogr\u00e1fica corresponde, no entanto, uma continuidade teol\u00f3gica: em Jo 20,19-29 Jesus ressuscitado tinha confiado aos disc\u00edpulos uma miss\u00e3o (\u201cassim como o Pai me enviou, tamb\u00e9m eu vos envio a v\u00f3s\u201d); em Jo 21,1-14 os disc\u00edpulos apresentam-se como comunidade em miss\u00e3o, atuando no cen\u00e1rio da vida quotidiana. H\u00e1 ind\u00edcios claros de que o epis\u00f3dio est\u00e1 carregado de simbolismo. N\u00e3o se trata, com toda a certeza, de uma cr\u00f3nica factual de acontecimentos concretos, mas sim de uma catequese sobre a miss\u00e3o que a Igreja, ap\u00f3s a partida de Jesus ao encontro do Pai, \u00e9 chamada a concretizar no mundo. Reflete-se sobre a rela\u00e7\u00e3o que essa \u201ccomunidade em miss\u00e3o\u201d tem com Jesus, sobre o lugar de Jesus na atividade mission\u00e1ria da sua Igreja e tamb\u00e9m sobre as condi\u00e7\u00f5es que \u00e9 preciso assegurar para que a miss\u00e3o confiada aos disc\u00edpulos d\u00ea frutos. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Esta \u201cpar\u00e1bola\u201d sobre um grupo de disc\u00edpulos que se fartam de trabalhar sem conseguirem frutos que se vejam, faz-nos pensar naquilo que vemos todos os dias nessa Igreja que viaja pela hist\u00f3ria na barca de Pedro\u2026 Desenhamos organogramas complexos para dar conta da nossa \u201corganiza\u00e7\u00e3o\u201d, trabalhamos na prepara\u00e7\u00e3o de elaborados planos pastorais, recorremos \u00e0s tecnologias mais sofisticadas para apresentar a mensagem, lan\u00e7amos m\u00e3o de \u201ctruques\u201d originais e sofisticados para captar a aten\u00e7\u00e3o das gentes, multiplicamos as nossas reuni\u00f5es de programa\u00e7\u00e3o, fazemos todo o tipo de cursos para adquirir as \u201cferramentas\u201d que tornem mais eficaz a nossa interven\u00e7\u00e3o no mundo, desenvolvemos um trabalho extenuante e nunca terminado\u2026 E, depois de todo esse esfor\u00e7o, os resultados ficam longe de todo o investimento feito: somos cada vez menos, as for\u00e7as v\u00e3o diminuindo, s\u00e3o sempre os mesmos a fazer as mesm\u00edssimas coisas, cada dia h\u00e1 mais lugares vazios nas nossas celebra\u00e7\u00f5es, sentimo-nos confinados a um \u201cnicho\u201d que parece suscitar cada vez menos interesse nos nossos contempor\u00e2neos. Porqu\u00ea? O que est\u00e1 a falhar? A mensagem de Jesus deixou de ter capacidade para interpelar os homens do s\u00e9c. XXI?<\/li>\n<li>O autor do Quarto Evangelho diz-nos claramente que o nosso ativismo e todos os nossos esfor\u00e7os ser\u00e3o in\u00fateis se Jesus n\u00e3o estiver presente. Se Jesus n\u00e3o for a luz que nos ilumina e nos conduz, cansar-nos-emos para nada e navegaremos na escurid\u00e3o, sem conseguir discernir o caminho; se n\u00e3o escutarmos as indica\u00e7\u00f5es de Jesus, seguiremos as nossas vis\u00f5es pessoais, tantas vezes limitadas e rasteiras, que n\u00e3o nos levam a lado nenhum; se n\u00e3o dialogamos com Jesus para conhecer o projeto que Ele tem para n\u00f3s e para o mundo, estaremos apenas a tentar passar a nossa mensagem, a nossa pr\u00f3pria vis\u00e3o do mundo, a nossa leitura sempre fal\u00edvel da vida, da hist\u00f3ria, e at\u00e9 mesmo do pr\u00f3prio Deus; se n\u00e3o tivermos sempre diante dos olhos o Evangelho de Jesus, cairemos facilmente na armadilha das ideologias, dos interesses ego\u00edstas, dos preconceitos, dos programas \u201cmodernos\u201d mas vazios de sentido\u2026 Ao longo da viagem que estamos a fazer na barca de Pedro, onde anda Jesus? Distra\u00edmo-nos e esquecemo-lo, ou mantemos constantemente o contacto com Ele? Escutamos as indica\u00e7\u00f5es que Ele nos d\u00e1, ou fazemos quest\u00e3o de ser n\u00f3s a determinar a dire\u00e7\u00e3o em que vamos?<\/li>\n<li>A miss\u00e3o \u00e9 exigente e desgastante, o esfor\u00e7o enfraquece-nos. Os disc\u00edpulos necessitam de se alimentar, de retemperar as for\u00e7as. Jesus espera-os sempre na margem, prepara-lhes a mesa, convida-os a sentarem-se com Ele, mostra-lhes a sua solicitude, serve-lhes o p\u00e3o eucar\u00edstico, o p\u00e3o que alimenta para a vida eterna. O encontro com Jesus e com os irm\u00e3os \u00e0 mesa da eucaristia \u00e9 um acontecimento fundamental na vida e no caminho dos disc\u00edpulos. O alimento que Jesus ressuscitado oferece aos seus sempre que eles se re\u00fanem \u00e0 volta da mesa da eucaristia, renova-lhes as for\u00e7as. Alimentados pelo p\u00e3o de Jesus, os disc\u00edpulos podem voltar \u00e0 faina e serem testemunhas, no meio dos homens, da salva\u00e7\u00e3o de Deus. Que lugar ocupa nas nossas vidas a eucaristia?<\/li>\n<li>Entre os disc\u00edpulos h\u00e1 um \u2013 o \u201cdisc\u00edpulo predileto\u201d de Jesus \u2013 que \u00e9 o primeiro a reconhecer a presen\u00e7a do Senhor. S\u00f3 ele consegue ver, nos sinais de vitalidade que brotam da miss\u00e3o comunit\u00e1ria, a indica\u00e7\u00e3o de que Jesus est\u00e1 por ali, a tornar fecundo o trabalho de todos. Este disc\u00edpulo convida-nos a ver, nos sinais de esperan\u00e7a e de vida nova que acontecem \u00e0 nossa volta, a presen\u00e7a salvadora e vivificadora do Ressuscitado; ensina-nos a olhar para os gestos de amor, de partilha, de doa\u00e7\u00e3o, de servi\u00e7o como manifesta\u00e7\u00f5es desse dinamismo de amor que derrotou a morte e que \u00e9 fonte de vida e de esperan\u00e7a para o mundo e para os homens. Somos capazes de reconhecer em todos os gestos de amor e bondade que testemunhamos os sinais de que Jesus ressuscitado continua a renovar o mundo e as nossas vidas? Somos, tamb\u00e9m n\u00f3s, testemunhas de Jesus ressuscitado, com os nossos gestos?<\/li>\n<li>Naquela maravilhosa conversa final entre Jesus e Pedro, fica bem clara uma ideia essencial: a vitalidade da f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um assunto de conhecimento de doutrina, de aceita\u00e7\u00e3o de dogmas, de rituais lit\u00fargicos, de cumprimento das leis can\u00f3nicas, mas sim de amor a Jesus. A pergunta que Jesus faz a Pedro (\u201ctu amas-Me?\u201d) \u00e9 a quest\u00e3o mais decisiva a que um disc\u00edpulo tem de responder. A f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9, fundamentalmente, uma experi\u00eancia de amor. Cremos realmente quando amamos Jesus, isto \u00e9, quando Jesus se vai convertendo no centro da nossa vida; e ent\u00e3o passamos a escut\u00e1-lo, a viver ao seu estilo, a interessar-nos por aquilo que Ele quer, a construir toda a nossa exist\u00eancia \u00e0 volta d\u2019Ele. \u00c9 ent\u00e3o que a nossa vida se torna radicalmente outra. Confrontemo-nos, agora mesmo, com esta pergunta decisiva que Jesus nos dirige: \u201cTu amas-me?\u201d<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>\u00c9 porque Pedro ama Jesus que est\u00e1 pronto para animar e presidir \u00e0 comunidade. Quem ama Jesus, procede como Ele e p\u00f5e-se ao servi\u00e7o dos seus irm\u00e3os. Na comunidade crist\u00e3, o essencial n\u00e3o \u00e9 a exibi\u00e7\u00e3o da autoridade, mas o amor que se faz servi\u00e7o humilde, ao estilo de Jesus. Durante muito tempo, na comunidade de Jesus, interessamo-nos mais por tronos, privil\u00e9gios, dignidades, vestes sumptuosas, poder hier\u00e1rquico, do que pelo amor, pelo servi\u00e7o, pela miseric\u00f3rdia, pelo acolhimento dos mais pobres e dos mais d\u00e9beis. Isso faz algum sentido? Uma Igreja que copia e reproduz o estilo dos grandes do mundo ser\u00e1 uma Igreja que caminha fielmente atr\u00e1s de Jesus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>II Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Leitura-I-do-Domingo-III-do-Tempo-Pascal-Ano-C-04.05.2025-Atos-5-27b-32.40b-41.pdf\">Leitura I do Domingo III do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 04.05.2025 (Atos 5, 27b-32.40b-41)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Leitura-II-do-Domingo-III-do-Tempo-Pascal-Ano-C-04.05.2024-Apocalipse-5-11-14.pdf\">Leitura II do Domingo III do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 04.05.2024 (Apocalipse 5, 11-14)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Domingo-III-do-Tempo-Pascal-Ano-C-04.05.2025-Lecionario.pdf\">Domingo III do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 04.05.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Domingo-III-do-Tempo-Pascal-Ano-C-04.05.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo III do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 04.05.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Domingo-III-do-Tempo-Pascal-Ano-C-04.05.2025-refletindo.pdf\">Domingo III do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 04.05.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/A-Mesa-da-Palavra-Tempo-Pascal-Domingo-III.pdf\">A Mesa da Palavra Tempo Pascal Domingo III<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo II do Tempo Pascal \u2013 Ano C \u2013 27 abril 2025 &#8211; Domingo da Divina Miseric\u00f3rdia&#8221; tab_id=&#8221;1746433529452-485ccb55-b986&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo II do Tempo Pascal &#8211; Ano C \u2013 27 abril 2025<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo da Divina Miseric\u00f3rdia<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Domingo-II.jpg\" alt=\"\" width=\"684\" height=\"365\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste Domingo situa-se: \u00ab<em>na tarde daquele dia, o primeiro da semana<\/em>\u00bb. Os disc\u00edpulos estavam reunidos com medo dos judeus, mas Jesus coloca-se no meio deles e sa\u00fada-os com a Sua Paz, mostra-lhes as marcas da Paix\u00e3o e concede-lhes o dom do Esp\u00edrito Santo para que eles sejam sinal de reconcilia\u00e7\u00e3o e de paz junto daqueles a quem s\u00e3o enviados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Tom\u00e9, aquele a quem chamavam D\u00eddimo, n\u00e3o estava com o grupo neste momento e, tendo regressado, afirma que s\u00f3 acreditar\u00e1 se vir com os seus pr\u00f3prios olhos e tocar com as suas m\u00e3os. Por isso, Jesus volta a aparecer aos Seus disc\u00edpulos e o Evangelho indica que tudo isto aconteceu \u00ab<em>oito dias depois<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As indica\u00e7\u00f5es temporais que o Evangelho nos apresenta n\u00e3o s\u00e3o apenas as anota\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas para situar a a\u00e7\u00e3o descrita. Nestas indica\u00e7\u00f5es temporais encontramos o ritmo da vida da Igreja:<em>\u00a0\u00abo primeiro da semana<\/em>\u00bb e \u00ab<em>oito dias depois<\/em>\u00bb. Este \u00e9 o ritmo da assembleia crist\u00e3 que hebdomadariamente, isto \u00e9, semanalmente, se re\u00fane. Domingo ap\u00f3s Domingo, congrega-se para celebrar a sua f\u00e9 e proclamar a certeza de que o Ressuscitado acompanha a Sua Igreja, oferecendo-lhe a Sua Paz e concedendo-lhe o dom do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, cada Domingo \u00e9 o Dia do Senhor, dia de festa e de alegria, onde a comunidade crist\u00e3 reunida \u00e0 volta da mesa do altar, escutando a Palavra do Senhor e partilhando o Seu p\u00e3o, renova a certeza desse amor maior que se faz entrega total e plena na Cruz. Ningu\u00e9m est\u00e1 dispensado desta reuni\u00e3o festiva dos filhos de Deus. A aventura da f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma aventura isolada \u00e0 qual nos propomos sozinhos. Como Tom\u00e9, quando nos afastamos da comunidade, o desafio de acreditar torna-se mais dif\u00edcil e exigente. Aquele que se afasta da comunidade afasta-se da experi\u00eancia comunit\u00e1ria de Jesus, do lugar privilegiado onde Deus se revela e manifesta como Rosto da miseric\u00f3rdia do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho apresenta Tom\u00e9 como D\u00eddimo, isto \u00e9, g\u00e9meo. Na verdade, Tom\u00e9 n\u00e3o est\u00e1 sozinho. Tamb\u00e9m n\u00f3s duvidamos, vacilamos e titubeamos, sobretudo quando nos propomos a caminhar sozinhos, quando nos afastamos da comunidade ou quando ferimos a comunh\u00e3o e unidade pelas divis\u00f5es e disc\u00f3rdias que nos afastam dos outros e que afastam os outros. O melhor testemunho que a Igreja pode oferecer ao mundo \u00e9 a sua comunh\u00e3o e unidade, com comunidades acolhedoras, geradoras de rela\u00e7\u00f5es fraternas, para que guiadas e iluminadas pelo Esp\u00edrito Santo se tornem lugares da Paz que s\u00f3 o Ressuscitado e o Seu infinito amor podem oferecer e garantir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Assim como o Pai Me enviou, tamb\u00e9m Eu vos envio a v\u00f3s<\/em>\u00bb. O Ressuscitado identifica-se diante dos disc\u00edpulos mostrando-lhes \u00ab<em>as m\u00e3os e o lado<\/em>\u00bb. As marcas da paix\u00e3o identificam Jesus e revelam que o Ressuscitado \u00e9 Aquele que oferece a Sua vida por n\u00f3s. Mas tamb\u00e9m hoje, Jesus continua a revelar as marcas da Sua paix\u00e3o e do Seu sofrimento nas chagas dolorosas dos que se cruzam connosco. Confessar a f\u00e9 em Jesus Cristo Ressuscitado \u00e9 viver atento ao sofrimento dos irm\u00e3os e procurar responder com gestos concretos de proximidade e miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos disc\u00edpulos mission\u00e1rios. Somos enviados ao jeito de Jesus, para que as nossas vidas se tornem feliz an\u00fancio da miseric\u00f3rdia de Deus. N\u00e3o basta sermos crentes, precisamos ser cred\u00edveis, proclamando com a vida aquilo que os nossos l\u00e1bios professam. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No ano 2000, o Papa S. Jo\u00e3o Paulo II canonizou Santa Faustina<\/strong> e declarou que daquele Domingo em diante, <strong>o segundo Domingo da P\u00e1scoa<\/strong> seria tamb\u00e9m designado como <strong>Domingo da Miseric\u00f3rdia<\/strong>. Al\u00e9m disso, S. Jo\u00e3o Paulo II \u00ab<em>estabeleceu que o citado Domingo seja enriquecido com a Indulg\u00eancia Plen\u00e1ria, para que os fi\u00e9is possam receber mais amplamente o dom do conforto do Esp\u00edrito Santo e desta forma alimentar uma caridade crescente para com Deus e o pr\u00f3ximo e, obtendo eles mesmos o perd\u00e3o de Deus, sejam por sua vez induzidos a perdoar imediatamente aos irm\u00e3os<\/em>\u00bb (Decreto da Penitenciaria Apost\u00f3lica, 2002). Deste modo, este Domingo constitui-se como uma oportunidade para recordar a Divina Miseric\u00f3rdia quer na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, quer por meio de outros momentos de ora\u00e7\u00e3o que ajudem os fi\u00e9is a meditar e refletir em Jesus, Rosto da Miseric\u00f3rdia do Pai. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>caminho do Pentecostes,<\/strong> continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Atos 5,12-16<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pelas m\u00e3os dos Ap\u00f3stolos<br \/>\nrealizavam-se muitos milagres e prod\u00edgios entre o povo.<br \/>\nUnidos pelos mesmos sentimentos,<br \/>\nreuniam-se todos no P\u00f3rtico de Salom\u00e3o;<br \/>\nnenhum dos outros se atrevia a juntar-se a eles,<br \/>\nmas o povo enaltecia-os.<br \/>\nCada vez mais gente aderia ao Senhor pela f\u00e9,<br \/>\numa multid\u00e3o de homens e mulheres,<br \/>\nde tal maneira que traziam os doentes para as ruas<br \/>\ne colocavam-nos em enxergas e em catres,<br \/>\npara que, \u00e0 passagem de Pedro,<br \/>\nao menos a sua sombra cobrisse alguns deles.<br \/>\nDas cidades vizinhas de Jerusal\u00e9m,<br \/>\na multid\u00e3o tamb\u00e9m acorria,<br \/>\ntrazendo enfermos e atormentados por esp\u00edritos impuros<br \/>\ne todos eram curados.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, logo depois da introdu\u00e7\u00e3o inicial (cf. At 1,1-11), oferece-nos um conjunto de hist\u00f3rias sobre a comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m (cf. At 1,12-6,7). Mas o objetivo primordial de Lucas, o autor dos Atos, n\u00e3o \u00e9 fornecer-nos um relato real e pormenorizado dos primeiros dias do cristianismo, ap\u00f3s a ascens\u00e3o de Jesus ao c\u00e9u; o que ele pretende \u00e9 propor-nos uma catequese sobre a forma como a Igreja de Jesus se deve estruturar e apresentar ao mundo. A comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m \u00e9, de certo modo, a m\u00e3e e o modelo de todas as Igrejas. Lucas, ao falar dela, vai idealiz\u00e1-la e \u201cembelez\u00e1-la\u201d, a fim de que ela funcione como exemplo para todas as Igrejas que depois ir\u00e3o surgir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesses cap\u00edtulos dedicados \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o da Igreja de Jerusal\u00e9m Lucas insere, a certa altura, tr\u00eas breves sum\u00e1rios que p\u00f5em em relevo dimens\u00f5es particularmente importantes da vida eclesial. No primeiro desses sum\u00e1rios sublinha-se especialmente a unidade, a fidelidade \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e ao ensino dos ap\u00f3stolos, o esp\u00edrito fraterno e o testemunho que a comunidade dava aos habitantes de Jerusal\u00e9m (cf. At 2,42-47); no segundo, a \u00eanfase \u00e9 posta na partilha dos bens e na solidariedade dos membros da comunidade (cf. At 4,32-35); no terceiro (que \u00e9 precisamente o que a liturgia deste domingo nos prop\u00f5e como primeira leitura), real\u00e7a-se a atividade curadora dos ap\u00f3stolos, que despertava o interesse da cidade e atra\u00eda novos membros \u00e0 comunidade (cf. At 5,12-16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para entendermos todo o alcance da reflex\u00e3o de Lucas precisamos de ter em conta a situa\u00e7\u00e3o das comunidades crist\u00e3s no final da d\u00e9cada de 80 do primeiro s\u00e9culo. O entusiasmo inicial dos crist\u00e3os estava um tanto dilu\u00eddo: Jesus ainda n\u00e3o tinha vindo para instaurar definitivamente o \u201cReino de Deus\u201d e, em contrapartida, posicionavam-se no horizonte pr\u00f3ximo as primeiras grandes persegui\u00e7\u00f5es. Muitos dos crentes tinham-se instalado numa f\u00e9 \u201cmorna\u201d e inconsequente. Havia desleixo, falta de entusiasmo, acomoda\u00e7\u00e3o, divis\u00e3o, conflitos e confus\u00e3o (at\u00e9 porque come\u00e7avam a aparecer falsos mestres, com doutrinas estranhas e pouco crist\u00e3s). Neste contexto, Lucas recorda o essencial da experi\u00eancia crist\u00e3 e tra\u00e7a o quadro daquilo que a comunidade deve ser e testemunhar.<strong><em> i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Em quase todos os relatos p\u00f3s-pascais reafirma-se a ideia de que os disc\u00edpulos de Jesus s\u00e3o, depois da morte\/glorifica\u00e7\u00e3o de Jesus, as testemunhas da sua ressurrei\u00e7\u00e3o e do seu projeto no meio dos homens. Ora, esta tarefa n\u00e3o dizia apenas respeito \u00e0 Igreja de Jerusal\u00e9m. \u00c9 uma tarefa que deve ser abra\u00e7ada pelos disc\u00edpulos de Jesus de todas as \u00e9pocas, inclusive por n\u00f3s. Somos hoje, em pleno s\u00e9c. XXI, neste tempo dif\u00edcil que nos calhou viver, as testemunhas de Jesus ressuscitado e da sua proposta salvadora. Num mundo ferido a cada passo por mecanismos de morte \u2013 a guerra, a injusti\u00e7a, a mentira, a prepot\u00eancia dos poderosos, a indiferen\u00e7a pela sorte dos mais fr\u00e1geis, a marginaliza\u00e7\u00e3o dos \u201cdiferentes\u201d, a destrui\u00e7\u00e3o do planeta, o uso abusivo por alguns dos recursos que pertencem a todos \u2013 somos obrigados a dar testemunho de Jesus e da sua proposta do Reino de Deus. N\u00f3s, Igreja de Jesus, anunciamos ao mundo e testemunhamos com a forma como vivemos, tudo aquilo que Jesus nos ensinou com as suas palavras, com os seus gestos, com a sua vida? O que nos falta para sermos \u2013 como a comunidade primitiva \u2013 uma comunidade que testemunha Jesus ressuscitado?<\/li>\n<li>Falando dos membros da comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m, Lucas afirma que eles \u201creuniam-se todos, unidos pelos mesmos sentimentos\u201d. A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o puramente individual, que cada um vive por si sem enquadramento comunit\u00e1rio; mas \u00e9 uma realidade que se recebe, que se desenvolve, que se vive e que se celebra no contexto de uma comunidade. A Igreja de Jesus \u00e9 um corpo \u2013 o Corpo de Cristo \u2013 formado por muitos membros, e onde cada um desempenha o seu papel no contexto do projeto que Deus confiou \u00e0 comunidade do Reino de Deus. \u00c9 no enquadramento e no di\u00e1logo comunit\u00e1rio que a nossa vis\u00e3o pessoal da f\u00e9, confrontada com vis\u00e3o dos outros, se purifica, se enriquece e se aproxima da verdade; \u00e9 na partilha comunit\u00e1ria que vamos discernindo o projeto de Deus para o mundo e para a Igreja; \u00e9 no apoio dos irm\u00e3os e irm\u00e3s que encontramos a for\u00e7a de caminhar sempre em frente, na fidelidade ao Evangelho de Jesus. O que significa para n\u00f3s a comunidade crist\u00e3? Vivemos a nossa f\u00e9 bem enquadrada na comunidade eclesial? Reunimo-nos comunitariamente, no \u201cdia do Senhor\u201d, para escutar a Palavra e para partilhar o p\u00e3o de Jesus? Damos a nossa colabora\u00e7\u00e3o na comunidade crist\u00e3, a fim de que nela ecoe cada vez mais o testemunho de Jesus? Somos, na comunidade crist\u00e3, fatores de uni\u00e3o, de comunh\u00e3o, de unidade?<\/li>\n<li>Lucas diz tamb\u00e9m, sobre os crist\u00e3os da comunidade de Jerusal\u00e9m, que \u201co povo os enaltecia\u201d. A forma como viviam, os valores que os animavam, a forma como se davam uns com os outros, suscitavam aprova\u00e7\u00e3o e admira\u00e7\u00e3o. Aqueles homens e mulheres, depois de andarem na \u201cescola de Jesus\u201d, viviam de um jeito que interpelava e desafiava os seus concidad\u00e3os. Como \u00e9 que os nossos contempor\u00e2neos veem hoje o nosso testemunho? Aquilo que fazemos suscita admira\u00e7\u00e3o e interesse \u00e0 nossa volta? Somos uma luz que se acende na noite do mundo e que aponta no sentido de um mundo mais justo, mais fraterno, mais verdadeiro?<\/li>\n<li>Lucas sublinha especialmente os \u201cmilagres\u201d e \u201cprod\u00edgios\u201d que os ap\u00f3stolos de Jesus faziam entre o povo. Os milagres n\u00e3o s\u00e3o, necessariamente, acontecimentos espantosos que subvertem as leis da natureza; mas s\u00e3o sinais \u2013 por vezes simples e banais \u2013 que mostram a presen\u00e7a libertadora e salvadora de Deus e que anunciam essa vida plena que Deus quer dar a todos os seus filhos. Naqueles gestos de bondade, de partilha, de servi\u00e7o, de miseric\u00f3rdia, de cuidado para com os doentes, que os seguidores de Jesus faziam, os outros habitantes de Jerusal\u00e9m viam acontecer a interven\u00e7\u00e3o salvadora de Deus. Hoje, como ontem, os disc\u00edpulos de Jesus t\u00eam como miss\u00e3o fazer \u201cmilagres\u201d, quer dizer, fazer acontecer a salva\u00e7\u00e3o de Deus no mundo. Temos consci\u00eancia disto e procuramos, com gestos concretos, anunciar que Jesus ressuscitou e continua a querer salvar os homens? Os nossos gestos s\u00e3o \u201csinais\u201d de Deus e tornam palp\u00e1vel no mundo a salva\u00e7\u00e3o de Deus? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 117 (118)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1:<br \/>\nDai gra\u00e7as ao Senhor, porque Ele \u00e9 bom,<br \/>\nporque \u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2:<br \/>\nAclamai o Senhor, porque Ele \u00e9 bom:<br \/>\no seu amor \u00e9 para sempre.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 3:<br \/>\nAleluia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diga a casa de Israel:<br \/>\n\u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<br \/>\nDiga a casa de Aar\u00e3o:<br \/>\n\u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<br \/>\nDigam os que temem o Senhor:<br \/>\n\u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A pedra que os construtores rejeitaram<br \/>\ntornou-se pedra angular.<br \/>\nTudo isto veio do Senhor:<br \/>\n\u00e9 admir\u00e1vel aos nossos olhos.<br \/>\nEste \u00e9 o dia que o Senhor fez:<br \/>\nexultemos e cantemos de alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Senhor, salvai os vossos servos,<br \/>\nSenhor, dai-nos a vit\u00f3ria.<br \/>\nBendito o que vem em nome do Senhor,<br \/>\nda casa do Senhor n\u00f3s vos bendizemos.<br \/>\nO Senhor \u00e9 Deus<br \/>\ne fez brilhar sobre n\u00f3s a sua luz.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Apocalipse 1,9-11a.12-13.17-19<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu, Jo\u00e3o,<br \/>\nvosso irm\u00e3o e companheiro<br \/>\nnas tribula\u00e7\u00f5es, na realeza e na perseveran\u00e7a em Jesus,<br \/>\nestava na ilha de Patmos,<br \/>\npor causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.<br \/>\nNo dia do Senhor fui movido pelo Esp\u00edrito<br \/>\ne ouvi atr\u00e1s de mim uma voz forte,<br \/>\nsemelhante \u00e0 da trombeta, que dizia:<br \/>\n\u00abEscreve num livro o que v\u00eas<br \/>\ne envia-o \u00e0s sete Igrejas\u00bb.<br \/>\nVoltei-me para ver de quem era a voz que me falava;<br \/>\nao voltar-me, vi sete candelabros de ouro e,<br \/>\nno meio dos candelabros, algu\u00e9m semelhante a um filho do homem,<br \/>\nvestido com uma longa t\u00fanica e cingido no peito com um cinto de ouro.<br \/>\nQuando o vi, ca\u00ed a seus p\u00e9s como morto.<br \/>\nMas ele poisou a m\u00e3o direita sobre mim e disse-me:<br \/>\n\u00abN\u00e3o temas.<br \/>\nEu sou o Primeiro e o \u00daltimo, o que vive.<br \/>\nEstive morto, mas eis-Me vivo pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos<br \/>\ne tenho as chaves da morte e da morada dos mortos.<br \/>\nEscreve, pois, as coisas que viste,<br \/>\ntanto as presentes como as que h\u00e3o de acontecer depois destas\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cApocalipse\u201d \u00e9 uma palavra de origem grega que significa \u201cmanifesta\u00e7\u00e3o de algo que est\u00e1 oculto\u201d. O nosso \u201cLivro do Apocalipse\u201d \u2013 do qual \u00e9 retirado o trecho da segunda leitura deste domingo \u2013 \u00e9 um livro que se apresenta como uma \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d sobre \u201cas coisas que brevemente devem acontecer\u201d (Ap 1,1) e que um tal Jo\u00e3o, exilado na ilha de Patmos (uma pequena ilha do Mar Egeu) por causa da sua f\u00e9, tem por miss\u00e3o comunicar aos seus irm\u00e3os na f\u00e9. Essa \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 endere\u00e7ada a \u201csete igrejas\u201d da prov\u00edncia romana da \u00c1sia (atual Turquia), \u00e0s quais o autor se sentia especialmente ligado e cuja problem\u00e1tica conhecia bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos na parte final do reinado do imperador Domiciano (\u00e0 volta do ano 95). As comunidades crist\u00e3s da \u00c1sia Menor vivem numa grave crise interna, resultante das heresias (como a dos nicola\u00edtas, referida em Ap 2,6.15), da falta de entusiasmo, da tibieza, da indiferen\u00e7a, da acomoda\u00e7\u00e3o. Por outro lado, a persegui\u00e7\u00e3o contra os crist\u00e3os, ordenada pelo imperador, tinha criado um clima de inseguran\u00e7a e de medo: muitos seguidores de Jesus eram condenados e assassinados e outros, temendo pelas suas vidas, abandonavam o Evangelho e passavam para o lado do imp\u00e9rio. Na comunidade dizia-se: \u201cJesus \u00e9 o Senhor\u201d; mas l\u00e1 fora, quem mandava mesmo, como senhor todo-poderoso, era o imperador de Roma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste contexto de crise, de persegui\u00e7\u00e3o, de medo e de mart\u00edrio que vai ser escrito o Apocalipse. O objetivo do autor \u00e9 levar os crentes a revitalizarem o seu compromisso com Jesus e a n\u00e3o perderem a esperan\u00e7a. Nesse sentido, o autor do livro come\u00e7a por fazer um convite \u00e0 convers\u00e3o (cf. Ap 1-3), convidando as \u201csete igrejas\u201d a corrigirem as suas op\u00e7\u00f5es erradas e a revitalizarem a sua f\u00e9; passa, depois, a apresentar uma leitura prof\u00e9tica da hist\u00f3ria humana, que promete a vit\u00f3ria final de Deus e dos seus fi\u00e9is sobre as for\u00e7as do mal (cf. Ap 4-22). Estes conte\u00fados s\u00e3o apresentados com o recurso sistem\u00e1tico a s\u00edmbolos e imagens (como \u00e9 t\u00edpico da literatura apocal\u00edptica), o que torna este livro estranho e dif\u00edcil, mas, ao mesmo tempo, muito belo e interpelante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto da segunda leitura de hoje pertence \u00e0 primeira parte do livro (cf. Ap 1-3). Recorrendo \u00e0 linguagem simb\u00f3lica \u2013 pois \u00e9 atrav\u00e9s dos s\u00edmbolos que melhor se expressa a realidade do mist\u00e9rio \u2013 Jo\u00e3o apresenta-nos o Senhor da hist\u00f3ria, Aquele atrav\u00e9s de quem Deus revela aos homens o seu projeto. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os crist\u00e3os do final do primeiro s\u00e9culo, perseguidos pelo imp\u00e9rio, tiveram de fazer escolhas decisivas. De um lado estava Domiciano, o seu dom\u00ednio tir\u00e2nico sobre Roma e sobre o mundo, os seus guardas pretorianos, os seus tribunais manipulados, os seus \u00e9ditos e leis; do outro estava Jesus, a cruz, a persegui\u00e7\u00e3o, o mart\u00edrio, o aparente fracasso. Era necess\u00e1rio escolher; e essa escolha n\u00e3o era in\u00f3cua: decidia, por vezes, entre viver ou morrer. Muitos escolheram Jesus. Tamb\u00e9m n\u00f3s temos, a cada passo, de fazer escolhas decisivas. Talvez nem sempre sejam t\u00e3o dram\u00e1ticas como aquelas que os crist\u00e3os do tempo de Domiciano tiveram de fazer; mas n\u00e3o deixam de ser escolhas que decidem o sentido da nossa vida. Hoje, como ontem, Jesus continua num dos pratos da balan\u00e7a. Que lugar ocupa Ele nas nossas escolhas? Quando se trata de escolher as nossas prioridades, os valores que abra\u00e7amos e que d\u00e3o conte\u00fado \u00e0 nossa vida, quem escutamos? A quem prestamos culto: aos\u00a0<em>influencers<\/em>de servi\u00e7o, aos valores da moda, aos interesses instalados, aos poderes do mundo, ou a Cristo?<\/li>\n<li>H\u00e1 um elemento que, frequentemente, nos impede de fazer as op\u00e7\u00f5es mais corretas: o medo. Cedemos ao opressor e ao injusto porque temos medo de ser maltratados, de sofrer ou de morrer; aceitamos os valores que nos s\u00e3o impostos porque temos medo de ser ridicularizados ou condenados; remetemo-nos ao sil\u00eancio e deixamos que o mundo se construa de uma forma que n\u00e3o aprovamos porque temos medo de enfrentar aqueles que se julgam donos do mundo\u2026 O medo paralisa-nos, impede-nos de ter voz ativa na constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, impede-nos de viver de forma acertada e construtiva, limita os nossos horizontes, faz-nos desistir dos nossos sonhos mais belos\u2026 Temos consci\u00eancia de que nada temos a temer porque Cristo, o Senhor da hist\u00f3ria, o primeiro e o \u00faltimo, aquele que esteve morto mas venceu a morte, caminha connosco?<\/li>\n<li>Jo\u00e3o, o profeta de Patmos, assumiu a miss\u00e3o de ser, no meio dos seus irm\u00e3os assustados e desalentados, uma testemunha da esperan\u00e7a. Convicto de que nenhum poder humano \u2013 nem sequer o todo-poderoso imperador de Roma \u2013 poderia derrotar o \u201cfilho do homem\u201d, Jo\u00e3o tornou-se o arauto da vit\u00f3ria de Deus. Neste pobre mundo vacilante e imperfeito onde cumprimos a nossa exist\u00eancia, precisamos de profetas que ensinem os homens a olhar para l\u00e1 do horizonte imediato que os nossos olhos enxergam, para esse al\u00e9m onde j\u00e1 est\u00e1 a desenhar-se um mundo novo. Aceitamos ser, neste mundo onde tantas vezes se escreve a hist\u00f3ria com cores sombrias, profetas da esperan\u00e7a, testemunhas do Ressuscitado, arautos da vida nova que Deus quer oferecer aos seus filhos? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 20,19-31<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>estando fechadas as portas da casa<br \/>\nonde os disc\u00edpulos se encontravam,<br \/>\ncom medo dos judeus,<br \/>\nveio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes:<br \/>\n\u00abA paz esteja convosco\u00bb.<br \/>\nDito isto, mostrou-lhes as m\u00e3os e o lado.<br \/>\nOs disc\u00edpulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.<br \/>\nJesus disse-lhes de novo:<br \/>\n\u00abA paz esteja convosco.<br \/>\nAssim como o Pai Me enviou, tamb\u00e9m Eu vos envio a v\u00f3s\u00bb.<br \/>\nDito isto, soprou sobre eles e disse-lhes:<br \/>\n\u00abRecebei o Esp\u00edrito Santo:<br \/>\n\u00e0queles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-\u00e3o perdoados;<br \/>\ne \u00e0queles a quem os retiverdes ser\u00e3o retidos\u00bb.<br \/>\nTom\u00e9, um dos Doze, chamado D\u00eddimo,<br \/>\nn\u00e3o estava com eles quando veio Jesus.<br \/>\nDisseram-lhe os outros disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abVimos o Senhor\u00bb.<br \/>\nMas ele respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abSe n\u00e3o vir nas suas m\u00e3os o sinal dos cravos,<br \/>\nse n\u00e3o meter o dedo no lugar dos cravos e a m\u00e3o no seu lado,<br \/>\nn\u00e3o acreditarei\u00bb.<br \/>\nOito dias depois, estavam os disc\u00edpulos outra vez em casa<br \/>\ne Tom\u00e9 com eles.<br \/>\nVeio Jesus, estando as portas fechadas,<br \/>\napresentou-Se no meio deles e disse:<br \/>\n\u00abA paz esteja convosco\u00bb.<br \/>\nDepois disse a Tom\u00e9:<br \/>\n\u00abP\u00f5e aqui o teu dedo e v\u00ea as minhas m\u00e3os;<br \/>\naproxima a tua m\u00e3o e mete-a no meu lado;<br \/>\ne n\u00e3o sejas incr\u00e9dulo, mas crente\u00bb.<br \/>\nTom\u00e9 respondeu-Lhe:<br \/>\n\u00abMeu Senhor e meu Deus!\u00bb<br \/>\nDisse-lhe Jesus:<br \/>\n\u00abPorque Me viste acreditaste:<br \/>\nfelizes os que acreditam sem terem visto\u00bb.<br \/>\nMuitos outros milagres fez Jesus na presen\u00e7a dos seus disc\u00edpulos,<br \/>\nque n\u00e3o est\u00e3o escritos neste livro.<br \/>\nEstes, por\u00e9m, foram escritos<br \/>\npara acreditardes que Jesus \u00e9 o Messias, o Filho de Deus,<br \/>\ne para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus foi crucificado na manh\u00e3 de uma sexta-feira \u2013 dia da \u201cprepara\u00e7\u00e3o\u201d da P\u00e1scoa \u2013 e morreu pelas tr\u00eas horas da tarde desse dia. J\u00e1 depois de morto, um soldado trespassou-lhe o cora\u00e7\u00e3o com uma lan\u00e7a; e do cora\u00e7\u00e3o aberto de Jesus saiu sangue e \u00e1gua (cf. Jo 19,31-37). O evangelista Jo\u00e3o v\u00ea no sangue que sai do lado aberto de Jesus o sinal do seu amor dado at\u00e9 ao extremo (cf. Jo 13,1): do amor do pastor que d\u00e1 a vida pelas suas ovelhas (cf. Jo 10,11), do amor do amigo que d\u00e1 a vida pelos seus amigos (cf. Jo 15,13); e v\u00ea na \u00e1gua que sai do cora\u00e7\u00e3o trespassado de Jesus o sinal do Esp\u00edrito (cf. Jo 3,5), desse Esp\u00edrito que Jesus \u201centregou\u201d aos seus e que \u00e9 fonte de Vida nova. Da \u00e1gua e do sangue, do batismo e da eucaristia, nascer\u00e1 a nova comunidade, a comunidade da Nova Alian\u00e7a. Contudo, os disc\u00edpulos que tinham subido com Jesus a Jerusal\u00e9m e que seriam o embri\u00e3o dessa comunidade da Nova Alian\u00e7a, desapareceram sem deixar rasto. Est\u00e3o escondidos, algures na cidade de Jerusal\u00e9m, paralisados pelo medo. O projeto de Jesus falhou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final da tarde dessa sexta-feira, o corpo morto de Jesus foi sepultado \u00e0 pressa num t\u00famulo novo, situado num horto ao lado do lugar onde se tinha dado a crucifica\u00e7\u00e3o (cf. Jo 19,38-42). Depois veio o s\u00e1bado, o \u00faltimo dia da semana, o dia da celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa judaica. Durante todo aquele s\u00e1bado o t\u00famulo de Jesus continuou cerrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir daqui a narra\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o muda de tempo e de registo. Chegamos ao \u201cprimeiro dia da semana\u201d. \u00c9 o primeiro dia de um tempo novo, o tempo da humanidade nova, nascida da a\u00e7\u00e3o criadora e vivificadora de Jesus. \u201cNo primeiro dia da semana\u201d, Maria Madalena, a mulher que representa a nova comunidade, vai ao t\u00famulo e vem de l\u00e1 confusa e desorientada porque o t\u00famulo est\u00e1 vazio (cf. Jo 20,1-2). Logo depois, ainda \u201cno primeiro dia da semana\u201d, Pedro e outro disc\u00edpulo correm ao t\u00famulo e constatam aquilo que Maria Madalena tinha afirmado: Jesus j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 encerrado no dom\u00ednio da morte (cf. Jo 20,3-10). A comunidade de Jesus come\u00e7a a despertar do seu letargo; come\u00e7a a viver um tempo novo. \u201cAo entardecer do primeiro dia da semana\u201d (\u201cou seja, ao concluir-se este primeiro dia da nova cria\u00e7\u00e3o) a comunidade dos disc\u00edpulos faz a experi\u00eancia do encontro com Jesus, vivo e ressuscitado (cf. Jo 20,19-29). <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Nos relatos pascais aparece sempre, em pano de fundo, a convic\u00e7\u00e3o profunda de que a comunidade dos disc\u00edpulos nunca estar\u00e1 sozinha, abandonada \u00e0 sua sorte: Jesus ressuscitado, Aquele que venceu a morte, a injusti\u00e7a, o ego\u00edsmo, o pecado, acompanh\u00e1-la-\u00e1 em cada passo do seu caminho hist\u00f3rico. \u00c9 verdade que os disc\u00edpulos de Jesus n\u00e3o vivem num mundo \u00e0 parte, onde a fragilidade e a debilidade dos humanos n\u00e3o os tocam. Como os outros homens e mulheres, eles experimentam o sofrimento, o desalento, a frustra\u00e7\u00e3o, o des\u00e2nimo; t\u00eam medo quando o mundo escolhe caminhos de guerra e de viol\u00eancia; sofrem quando s\u00e3o atingidos pela injusti\u00e7a, pela opress\u00e3o, pelo \u00f3dio do mundo; conhecem a persegui\u00e7\u00e3o, a incompreens\u00e3o e a morte\u2026 Mas, apesar de tudo isso, n\u00e3o se deixam vencer pelo pessimismo e pelo desespero pois sabem que Jesus vai \u201cno meio deles\u201d, oferecendo-lhes a sua paz e apontando-lhes o horizonte da Vida definitiva. \u00c9 com esta certeza que caminhamos e que enfrentamos as tempestades da vida? Os outros homens e mulheres que partilham o caminho connosco descobrem Jesus, vivo e ressuscitado, atrav\u00e9s do testemunho de esperan\u00e7a que damos?<\/li>\n<li>O Esp\u00edrito Santo \u00e9 o grande dom que Jesus ressuscitado faz \u00e0 comunidade dos disc\u00edpulos. \u00c9 Ele que nos transforma, que nos anima, que faz de n\u00f3s pessoas novas, que nos capacita para sermos testemunhas e sinais da Vida de Deus; \u00e9 Ele que nos d\u00e1 a coragem e a generosidade para continuarmos no mundo a obra de Jesus. No entanto, o Esp\u00edrito s\u00f3 atua em n\u00f3s se estivermos dispon\u00edveis para o acolher. Ele n\u00e3o se imp\u00f5e nem desrespeita a nossa liberdade. Estamos dispon\u00edveis para acolher o Esp\u00edrito? O nosso cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 aberto aos desafios que o Esp\u00edrito constantemente nos lan\u00e7a?<\/li>\n<li>A comunidade crist\u00e3 gira em torno de Jesus, \u00e9 constru\u00edda \u00e0 volta de Jesus e \u00e9 de Jesus que recebe Vida, amor e paz. Sem Jesus, seremos um rebanho de gente assustada, incapaz de enfrentar o mundo e de ter uma atitude construtiva e transformadora; sem Jesus, seremos um grupo de gente que se apoia em leis, que vive de ritos, que defende doutrinas e n\u00e3o a comunidade que vive e testemunha o amor de Deus; sem Jesus, estaremos divididos, mergulhados em conflitos est\u00e9reis, e n\u00e3o seremos uma comunidade de irm\u00e3os e de irm\u00e3s; sem Jesus, cairemos facilmente em caminhos errados e iremos beber a fontes que n\u00e3o matam a nossa sede de Vida\u2026 Na nossa comunidade, Cristo \u00e9 verdadeiramente o centro? \u00c9 para Ele que tudo tende e \u00e9 d\u2019Ele que tudo parte? Escutamos as suas palavras, alimentamo-nos d\u2019Ele, vivemos d\u2019Ele, estamos ligados a Ele como os ramos est\u00e3o ligados \u00e0 videira?<\/li>\n<li>N\u00e3o \u00e9 em experi\u00eancias pessoais, \u00edntimas, fechadas, ego\u00edstas, que encontramos Jesus ressuscitado; mas encontramo-l\u2019O sempre que nos reunimos em seu nome, em comunidade. \u00c9 no di\u00e1logo comunit\u00e1rio, na Palavra partilhada, no p\u00e3o repartido, no amor que une os irm\u00e3os em comunidade de vida, que fazemos a experi\u00eancia da presen\u00e7a de Jesus vivo no meio de n\u00f3s. O que \u00e9 que a comunidade crist\u00e3 significa para n\u00f3s? Sentimo-nos bem a caminhar em comunidade, ou a nossa experi\u00eancia de f\u00e9 \u00e9 uma experi\u00eancia isolada, \u00e0 margem da riqueza e dos desafios que a comunidade me oferece? E, neste \u00e2mbito, o que \u00e9 que significa, para n\u00f3s, a participa\u00e7\u00e3o na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, no \u201cprimeiro dia da semana\u201d, o dia do encontro comunit\u00e1rio \u00e0 volta da mesa de Jesus?<\/li>\n<li>\u00c9 nos gestos de amor, de partilha, de servi\u00e7o, de encontro, de fraternidade, que encontramos Jesus vivo, a transformar e a renovar o mundo; \u00e9 com gestos de bondade, de miseric\u00f3rdia, de compaix\u00e3o, de perd\u00e3o que testemunhamos diante do mundo a Vida nova do Ressuscitado. Quem procura Cristo ressuscitado, encontra-O em n\u00f3s? O amor de Jesus \u2013 amor total, universal e sem medida \u2013 transparece nos nossos gestos e na nossa vida? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> do livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos descreve o modo como crescia e se desenvolvia a Igreja Primitiva. Deste modo, a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ser marcada por um tom narrativo e descritivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> possui frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es que requerem uma boa prepara\u00e7\u00e3o nas pausas e respira\u00e7\u00f5es. Deve haver uma especial aten\u00e7\u00e3o ao discurso direto, sobretudo a parte final do texto onde essa figura \u00ab<em>semelhante a um filho do homem<\/em>\u00bb se apresenta como \u00ab<em>Primeiro e o \u00daltimo, o que vive<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo da Divina Miseric\u00f3rdia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2000 \u2013 Papa Jo\u00e3o Paulo II<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O dia mais feliz na vida de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>In Vatican M\u00e9dia<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 muitos dias na vida de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II que poderiam ser considerados como uma op\u00e7\u00e3o \u00f3bvia: <em>o fim da Segunda Guerra Mundial, a sua ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal ou quando foi nomeado bispo, cardeal ou papa.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, segundo explicou o pr\u00f3prio S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, o dia mais feliz da sua vida foi quando ele canonizou uma religiosa da Pol\u00f3nia, sua terra natal: santa Faustina Kowalska.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II (naquela \u00e9poca Karol Wojtyla) tinha aproximadamente 18 anos quando a religiosa morreu (em 5 de outubro de 1938). Karol Wojtyla n\u00e3o conheceu a vida da irm\u00e3 Faustina nem a mensagem da Divina Miseric\u00f3rdia at\u00e9 entrar no semin\u00e1rio, de forma clandestina, durante a Segunda Guerra Mundial; e quando as conheceu (a vida e a mensagem), isso teve um impacto profundo na sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devido a uma tradu\u00e7\u00e3o errada para o italiano do Di\u00e1rio da Divina Miseric\u00f3rdia e de outras quest\u00f5es que n\u00e3o foram bem resolvidas, o Vaticano proibiu a divulga\u00e7\u00e3o da devo\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 1950. Mas come\u00e7ou a ser divulgada seis meses antes de o cardeal Karol Wojtyla ser eleito sucessor de Pedro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de ser eleito papa, Jo\u00e3o Paulo II dedicou a sua segunda enc\u00edclica\u00a0<em>Dives in Misericordia<\/em>\u00a0(Rico em Miseric\u00f3rdia) \u00e0 Divina Miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro <strong><em>Testemunho de Esperan\u00e7a: a biografia do Papa Jo\u00e3o Paulo II<\/em><\/strong>, o autor norte-americano George Weigel escreveu que Jo\u00e3o Paulo II falou pessoalmente sobre o impacto da Irm\u00e3 Faustina na sua vida e no seu minist\u00e9rio:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando era arcebispo da Crac\u00f3via, Wojtyla defendeu a irm\u00e3 Faustina quando a sua ortodoxia foi questionada j\u00e1 depois da sua morte em Roma, devido em grande parte, \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o errada do seu di\u00e1rio para a l\u00edngua italiana, e promoveu a causa da sua beatifica\u00e7\u00e3o. Jo\u00e3o Paulo II, que disse que se sentia espiritualmente \u2018muito pr\u00f3ximo\u2019 da irm\u00e3 Faustina, estava \u2018a pensar nela fazia j\u00e1 muito tempo\u2019 quando come\u00e7ou a escrever\u00a0<em>Dives in Misericordia<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em muitas ocasi\u00f5es durante o seu pontificado, Jo\u00e3o Paulo II escreveu ou falou sobre a import\u00e2ncia de pedir a Deus a sua Divina Miseric\u00f3rdia para o mundo inteiro. Em 19 de abril de 1993, o pont\u00edfice beatificou a irm\u00e3 Faustina e, na sua homilia, elogiou o modo atrav\u00e9s do qual levou as pessoas ao cora\u00e7\u00e3o misericordioso de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cRealmente \u00e9 maravilhoso ver como a sua devo\u00e7\u00e3o a Jesus misericordioso se est\u00e1 a espalhar pelo mundo contempor\u00e2neo e est\u00e1 a ganhar tantos cora\u00e7\u00f5es humanos! Sem d\u00favida, \u00e9 um sinal dos tempos \u2013 um sinal do s\u00e9culo XX. O balan\u00e7o deste s\u00e9culo, que agora est\u00e1 a terminar, acrescentando os avan\u00e7os que muitas vezes superaram os anteriores, apresenta uma profunda inquietude e medo do futuro. Onde poder\u00e1 o mundo encontrar ref\u00fagio e uma luz de esperan\u00e7a se n\u00e3o fosse a Divina Miseric\u00f3rdia? Os crentes entendem isso perfeitamente\u201d, expressou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Leitura-I-do-Domingo-II-do-Tempo-Pascal-Ano-C-27.04.2025-Atos-5-12-16.pdf.pdf\">Leitura I do Domingo II do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 27.04.2025 (Atos 5, 12-16)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Leitura-II-do-Domingo-II-do-Tempo-Pascal-Ano-C-27.04.2025-Ap-1-9-11a.12-13.17-19.pdf.pdf\">Leitura II do Domingo II do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 27.04.2025 (Ap 1, 9-11a.12-13.17-19)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Domingo-II-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-C-27.04.2025-Lecionario.pdf\">Domingo II do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano C &#8211; 27.04.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Domingo-II-do-Tempo-da-Pascoa-Ano-C-27.04.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo II do Tempo da P\u00e1scoa &#8211; Ano C &#8211; 27.04.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Domingo-II-do-Tempo-Pascal-Ano-C-27.04.2025-refletindo.pdf\">Domingo II do Tempo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 27.04.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-II-do-Tempo-Pascal.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo II do Tempo Pascal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo de P\u00e1scoa na Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor \u2013 Ano C \u2013 20 abril 2025&#8243; tab_id=&#8221;1745829591260-c772f53d-5434&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo de P\u00e1scoa na Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor &#8211; Ano C \u2013 20 abril 2025<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Domingo-de-Pascoa.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"470\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como testemunha S. Pedro, Jesus que durante a vida passou fazendo bem, curando aqueles que Dele se aproximavam, anunciando a Boa Nova da Paz e do Perd\u00e3o e foi condenado \u00e0 morte injustamente. Ele que procurou levantar os ca\u00eddos, Ele que procurou libertar os que estavam prisioneiros, foi crucificado, preso a um madeiro como um condenado. Descido da cruz, foi depositado num sepulcro novo cavado na rocha e aos olhos do mundo tinha acabado ali a sua hist\u00f3ria. Estava calado o Profeta da Galileia! Tinha dito coisas bonitas, mas tinha morrido; tinha curado muitas pessoas, mas deixou-se morrer!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, a manh\u00e3 de P\u00e1scoa irrompeu na hist\u00f3ria como tempo novo que abre as portas da eternidade. As mulheres acorrem ao sepulcro e veem removida a pedra. Pedro e Jo\u00e3o, alvora\u00e7ados pelas palavras daquelas que se fizeram as primeiras anunciadoras da ressurrei\u00e7\u00e3o, contemplam um sepulcro vazio, contendo apenas os panos que envolveram o Seu corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, na verdade, o sepulcro n\u00e3o est\u00e1 vazio, est\u00e1 cheio de sinais da vida ressuscitada Daquele que \u00e9 a verdadeira vida e o doador de sentido para a humanidade. A pedra removida, os panos, os Anjos, a Boa not\u00edcia da Ressurrei\u00e7\u00e3o fazem ecoar no tempo e na hist\u00f3ria a certeza de que a morte n\u00e3o consegue calar a Voz que anuncia o amor, pois como afirma o livro do C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos: \u00ab<em>o amor \u00e9 mais forte do que a morte<\/em>\u00bb (Ct 8,6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Cristo Ressuscitou! Aleluia! Aleluia<\/em>\u00bb. Estas palavras cheias de alegria e de esperan\u00e7a s\u00e3o repetidas mundo fora por milh\u00f5es de homens e mulheres, trazendo a certeza de que nem a morte, nem a pedra do sepulcro, por mais pesada que seja, conseguiu conter o grito do amor que brotou do cora\u00e7\u00e3o de Deus e que em Jesus Cristo quer abra\u00e7ar o cora\u00e7\u00e3o da humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois mil anos depois, Deus continua a manifestar os seus sinais e prod\u00edgios, continua vivo e atuante na hist\u00f3ria, irrompendo como luz que desfaz as nossas trevas, como amor que destr\u00f3i o \u00f3dio, como paz que dissipa a guerra, como esperan\u00e7a que nos aponta o caminho da eternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas afinal, que tem a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus a ver com a nossa vida? Jesus Ressuscitou, mas que implica\u00e7\u00e3o tem essa not\u00edcia no nosso quotidiano?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus tem tudo que ver com a nossa vida. O mist\u00e9rio pascal transfigura a nossa exist\u00eancia e convida-nos a viver o nosso quotidiano a partir deste horizonte de esperan\u00e7a que brota da ressurrei\u00e7\u00e3o. S. Paulo recorda-nos: \u00abs<em>e ressuscitastes com Cristo, aspirai \u00e0s coisas do alto, onde est\u00e1 Cristo, sentado \u00e0 direita de Deus. Afei\u00e7oai-vos \u00e0s coisas do alto e n\u00e3o \u00e0s da terra<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A meta que Jesus nos aponta configura os nossos passos. Chamados \u00e0 santidade, somos chamados a viver no aqui e agora do tempo e da hist\u00f3ria, a alegria que um dia ser\u00e1 plena e definitiva no C\u00e9u. De olhos postos na meta da nossa exist\u00eancia e de p\u00e9s bem assentes na terra, somos desafiados a ser testemunhas da ressurrei\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de gestos concretos de proximidade e encontro, que geram vida nova e oferecem uma esperan\u00e7a renovada. A luz que brota da P\u00e1scoa de Jesus tem de chegar a todos os lugares, sobretudo \u00e0s periferias existenciais ainda marcadas pela marginaliza\u00e7\u00e3o e pela indiferen\u00e7a, pela dor e pelo sofrimento, pela humilha\u00e7\u00e3o e o desprezo. Por isso, fa\u00e7amos das nossas vidas lugares de an\u00fancio da vida nova que brota da P\u00e1scoa, pois como escreveu o Papa Francisco na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal aos jovens: \u00ab<em>Cristo vive: \u00e9 Ele a nossa esperan\u00e7a e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida<\/em>\u00bb (CV 1). <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A alegria que brota da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor prolonga-se ao longo de cinquenta dias na celebra\u00e7\u00e3o do Tempo Pascal. Os diversos sinais lit\u00fargicos, como o c\u00edrio pascal, os ritos da aspers\u00e3o, entre outros sinais e gestos, favorecem a tomada de consci\u00eancia de que o Tempo Pascal se prolonga at\u00e9 ao Pentecostes. Por\u00e9m, ao contr\u00e1rio do Tempo Quaresmal onde se prop\u00f5em tantas atividades e din\u00e2micas, frequentemente o Tempo Pascal aparece desprovido de uma proposta de reflex\u00e3o e viv\u00eancia al\u00e9m da Eucaristia Dominical. Por isso, seria de grande proveito para os fi\u00e9is, a valoriza\u00e7\u00e3o deste tempo com a proposta de momentos de ora\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o como a\u00a0<em>Via Lucis<\/em>, as Catequeses ou celebra\u00e7\u00f5es mistag\u00f3gicas, entre outras propostas criativas e din\u00e2micas, em jeito de sa\u00edda mission\u00e1ria, que estimulem a comunidade a testemunhar a alegria do Ressuscitado. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <strong>dia de P\u00e1scoa,<\/strong> continuamos o Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Atos dos Ap\u00f3stolos 10,34.37-43<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nPedro tomou a palavra e disse:<br \/>\n\u00abV\u00f3s sabeis o que aconteceu em toda a Judeia,<br \/>\na come\u00e7ar pela Galileia,<br \/>\ndepois do batismo que Jo\u00e3o pregou:<br \/>\nDeus ungiu com a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo a Jesus de Nazar\u00e9,<br \/>\nque passou fazendo o bem<br \/>\ne curando a todos os que eram oprimidos pelo Dem\u00f3nio,<br \/>\nporque Deus estava com Ele.<br \/>\nN\u00f3s somos testemunhas de tudo o que Ele fez<br \/>\nno pa\u00eds dos judeus e em Jerusal\u00e9m;<br \/>\ne eles mataram-n\u2019O, suspendendo-O na cruz.<br \/>\nDeus ressuscitou-O ao terceiro dia<br \/>\ne permitiu-Lhe manifestar-Se, n\u00e3o a todo o povo,<br \/>\nmas \u00e0s testemunhas de antem\u00e3o designadas por Deus,<br \/>\na n\u00f3s que comemos e bebemos com Ele,<br \/>\ndepois de ter ressuscitado dos mortos.<br \/>\nJesus mandou-nos pregar ao povo<br \/>\ne testemunhar que Ele foi constitu\u00eddo por Deus<br \/>\njuiz dos vivos e dos mortos.<br \/>\n\u00c9 d\u2019Ele que todos os profetas d\u00e3o o seguinte testemunho:<br \/>\nquem acredita n\u2019Ele<br \/>\nrecebe pelo seu nome a remiss\u00e3o dos pecados.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os anos a liturgia prop\u00f5e-nos, ao longo dos domingos do tempo pascal, a leitura dos Atos dos Ap\u00f3stolos. Obra de Lucas (que tamb\u00e9m foi o autor do 3.\u00ba Evangelho), os Atos \u00e9 o livro \u201cpascal\u201d por excel\u00eancia: conta-nos como os disc\u00edpulos, depois de terem feito a experi\u00eancia de encontro com o Ressuscitado e animados pelo Esp\u00edrito que lhes foi enviado, abriram as portas da casa onde se encontravam escondidos e tornaram-se testemunhas de Jesus e do seu projeto. Deram assim cumprimento ao mandato que Jesus lhes tinha deixado quando se despediu deles e partiu ao encontro do Pai (cf. At 1,8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201ctempo\u201d dos Atos \u00e9 o \u201ctempo\u201d da Igreja (a comunidade que nasceu de Jesus e que continua a viver de Jesus) e o \u201ctempo\u201d do Esp\u00edrito. Nesta nova fase da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, compete aos disc\u00edpulos, animados e conduzidos pelo mesmo Esp\u00edrito que ungiu Jesus e o acompanhava na sua miss\u00e3o, levarem ao mundo a salva\u00e7\u00e3o de Deus. Os disc\u00edpulos s\u00e3o nesta nova fase, como Jesus o tinha sido enquanto andou pelas aldeias e vilas da Galileia, o rosto vis\u00edvel do Deus salvador e libertador. O seu testemunho deve percorrer um \u201ccaminho\u201d que vai de Jerusal\u00e9m \u2013 no Antigo Testamento, o lugar onde devia manifestar-se definitivamente a salva\u00e7\u00e3o de Deus \u2013 at\u00e9 \u201caos confins da terra\u201d. \u00c9 esse, precisamente, o \u201cpercurso\u201d que o livro dos Atos nos apresenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A execu\u00e7\u00e3o de Estev\u00e3o (um dos di\u00e1conos da Igreja de Jerusal\u00e9m) e a persegui\u00e7\u00e3o que se abateu, logo depois, sobre os crist\u00e3os de Jerusal\u00e9m fez com que diversos membros da comunidade sa\u00edssem da cidade e buscassem ref\u00fagio nas regi\u00f5es vizinhas (cf. At 8,1). Assim, o Evangelho de Jesus chegou \u00e0 Samaria, a Damasco e a Antioquia da S\u00edria. Mais tarde, sobretudo por a\u00e7\u00e3o de Paulo, a Boa Nova de Jesus foi anunciada na \u00c1sia Menor e na Gr\u00e9cia. Os Atos terminam com Paulo a chegar a Roma: o an\u00fancio da salva\u00e7\u00e3o de Deus tinha alcan\u00e7ado o cora\u00e7\u00e3o do mundo gentio; era uma proposta de salva\u00e7\u00e3o para todos os homens e mulheres que a quisessem acolher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos epis\u00f3dios importantes desta saga mission\u00e1ria aconteceu em Cesareia Mar\u00edtima (cf. At 10,24-48), a cidade da costa mediterr\u00e2nica que era a sede do poder romano na Palestina. Os protagonistas desse epis\u00f3dio foram o ap\u00f3stolo Pedro e um centuri\u00e3o romano chamado Corn\u00e9lio. Pedro, convocado pelo Esp\u00edrito (cf. At 10,19-20) e respondendo a um pedido de Corn\u00e9lio (cf. At 10,22), foi a Cesareia, entrou em casa do centuri\u00e3o, exp\u00f4s-lhe o essencial da f\u00e9 crist\u00e3 e batizou-o, bem como a toda a sua fam\u00edlia (cf. At 10,23b-48). Corn\u00e9lio foi o primeiro pag\u00e3o a ser acolhido na Igreja de Jesus. \u00c9 a primeira vez que um dos membros proeminentes da comunidade crist\u00e3 (Pedro) admite que o Evangelho de Jesus \u00e9 uma Boa Not\u00edcia destinada a todos os homens e mulheres, de todas as ra\u00e7as e culturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que, neste dia de P\u00e1scoa, nos \u00e9 proposto como primeira leitura, \u00e9 parte da \u201cinstru\u00e7\u00e3o\u201d de Pedro a Corn\u00e9lio e sua fam\u00edlia. Trata-se de uma composi\u00e7\u00e3o de Lucas onde aparecem os elementos fundamentais do kerigma crist\u00e3o sobre Jesus. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 a consequ\u00eancia de uma vida gasta a \u201cfazer o bem e a libertar os oprimidos\u201d. Isso significa que, sempre que algu\u00e9m \u2013 na linha de Jesus \u2013 se esfor\u00e7a por vencer o ego\u00edsmo, a mentira, a injusti\u00e7a e por fazer triunfar o amor, est\u00e1 a ressuscitar; significa que, sempre que algu\u00e9m \u2013 na linha de Jesus \u2013 se d\u00e1 aos outros e manifesta, em gestos concretos, a sua entrega aos irm\u00e3os, est\u00e1 a construir vida nova e plena. Estamos a ressuscitar, porque caminhamos pelo mundo fazendo o bem e libertando os oprimidos, ou a nossa vida \u00e9 um repisar os velhos esquemas do ego\u00edsmo, do orgulho, do comodismo?<\/li>\n<li>A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus significa tamb\u00e9m que o medo, a morte, o sofrimento e a injusti\u00e7a deixam de ter poder sobre a pessoa que ama, que se d\u00e1, que partilha a vida. Ela tem assegurada a Vida plena \u2013 essa Vida que os poderes do mundo n\u00e3o podem destruir, atingir ou restringir. Ela pode, assim, enfrentar o mundo com a serenidade que lhe vem da f\u00e9. Estamos conscientes disto, ou deixamo-nos dominar pelo medo, sempre que temos de agir para combater aquilo que rouba a vida e a dignidade, a n\u00f3s e a cada um dos nossos irm\u00e3os?<\/li>\n<li>Aos disc\u00edpulos pede-se que sejam as testemunhas da ressurrei\u00e7\u00e3o. N\u00f3s n\u00e3o vimos o sepulcro vazio; mas fazemos, todos os dias, a experi\u00eancia do Senhor ressuscitado, que est\u00e1 vivo e caminha ao nosso lado nos caminhos da hist\u00f3ria. A nossa miss\u00e3o \u00e9 testemunhar essa realidade; no entanto, o nosso testemunho ser\u00e1 oco e vazio se n\u00e3o for comprovado pelo amor e pela doa\u00e7\u00e3o, as marcas da vida nova de Jesus. O nosso testemunho da ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 coerente e cred\u00edvel e traduz-se em gestos concretos de amor, de partilha, de servi\u00e7o? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 117 (118)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Este \u00e9 o dia que o Senhor fez:<br \/>\nexultemos e cantemos de alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Aleluia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dai gra\u00e7as ao Senhor, porque Ele \u00e9 bom,<br \/>\nporque \u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diga a casa de Israel:<br \/>\n\u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A m\u00e3o do Senhor fez prod\u00edgios,<br \/>\na m\u00e3o do Senhor foi magn\u00edfica.<br \/>\nN\u00e3o morrerei, mas hei de viver<br \/>\npara anunciar as obras do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A pedra que os construtores rejeitaram<br \/>\ntornou-se pedra angular.<br \/>\nTudo isto veio do Senhor:<br \/>\n\u00e9 admir\u00e1vel aos nossos olhos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Colossenses 3,1-4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nSe ressuscitastes com Cristo,<br \/>\naspirai \u00e0s coisas do alto,<br \/>\nonde est\u00e1 Cristo, sentado \u00e0 direita de Deus.<br \/>\nAfei\u00e7oai-vos \u00e0s coisas do alto e n\u00e3o \u00e0s da terra.<br \/>\nPorque v\u00f3s morrestes<br \/>\ne a vossa vida est\u00e1 escondida com Cristo em Deus.<br \/>\nQuando Cristo, que \u00e9 a vossa vida, Se manifestar,<br \/>\ntamb\u00e9m v\u00f3s vos haveis de manifestar com Ele na gl\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Colossos era uma cidade da antiga Fr\u00edgia (\u00c1sia Menor), situada a cerca de cento e oitenta quil\u00f3metros de \u00c9feso, a dezasseis de Laodiceia e a vinte de Hier\u00e1polis. Pertencia \u00e0 Prov\u00edncia romana da \u00c1sia. Em tempos recuados tinha sido cidade rica e populosa; mas no tempo de Paulo tinha perdido o seu esplendor e import\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi Paulo que evangelizou Colossos. Durante a longa estadia de Paulo em \u00c9feso, no decurso da sua terceira viagem, Epafras, disc\u00edpulo de Paulo e colossense de origem (cf. Col 4,12), fundou a comunidade (cf. Col 1,7), enquanto as de Hier\u00e1polis e Laodiceia (cf. Col 4,13). A maior parte dos membros da comunidade crist\u00e3 de Colossos tinham vindo do paganismo; mas havia tamb\u00e9m um bom grupo de judeo-crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando escreveu a Carta aos Colossenses, Paulo estava na pris\u00e3o (em Roma?). Epafras visitou-o e falou-lhe da \u201ccrise\u201d por que estava a passar a Igreja de Colossos. Alguns doutores locais ensinavam doutrinas estranhas, que misturavam elementos crist\u00e3os, judaicos e pag\u00e3os: especula\u00e7\u00f5es acerca dos anjos (cf. Col 2,18), pr\u00e1ticas asc\u00e9ticas, rituais legalistas, prescri\u00e7\u00f5es sobre os alimentos e a observ\u00e2ncia de determinadas festas (cf. Col 2,16.21). Tudo isso deveria (na opini\u00e3o desses \u201cmestres\u201d) completar a f\u00e9 em Cristo, comunicar aos crentes um conhecimento superior de Deus e dos mist\u00e9rios crist\u00e3os e possibilitar uma vida religiosa mais aut\u00eantica. Contra este sincretismo religioso, Paulo afirma a absoluta sufici\u00eancia de Cristo: Ele \u00e9 a imagem do Deus invis\u00edvel, o primog\u00e9nito de toda a criatura, o mediador da Cria\u00e7\u00e3o, aquele que Deus enviou para reconciliar todas as coisas, a cabe\u00e7a do Corpo que \u00e9 a Igreja, o Senhor de todos os poderes e domina\u00e7\u00f5es (cf. Cl 1,15-20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste domingo de P\u00e1scoa nos prop\u00f5e como segunda leitura \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 reflex\u00e3o moral da carta (cf. Col 3,1-4,6). Depois de apresentar a centralidade de Cristo no projeto salvador de Deus (cf. Col 1,13-2,23), Paulo recorda aos crist\u00e3os de Colossos que \u00e9 preciso viver de forma coerente e verdadeira o compromisso assumido com Cristo. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O Batismo introduz-nos numa din\u00e2mica de comunh\u00e3o com Cristo ressuscitado. A partir do Batismo, Cristo passa a ser o centro e a refer\u00eancia fundamental \u00e0 volta da qual se constr\u00f3i toda a vida do crente. Qual o lugar que Cristo ocupa na nossa vida? Temos consci\u00eancia de que o nosso Batismo significou um compromisso com Cristo e uma identifica\u00e7\u00e3o com Cristo?<\/li>\n<li>A identifica\u00e7\u00e3o com Cristo implica o assumir uma din\u00e2mica de Vida nova, despojada do pecado e feita doa\u00e7\u00e3o a Deus e aos irm\u00e3os. O crist\u00e3o torna-se ent\u00e3o, verdadeiramente, algu\u00e9m que \u201caspira \u00e0s coisas do alto\u201d \u2013 quer dizer, algu\u00e9m que, embora vivendo nesta terra e desfrutando das realidades deste mundo, tem como refer\u00eancia \u00faltima os valores de Deus. N\u00e3o se pede ao crente que seja um alienado, algu\u00e9m que viva a olhar para o c\u00e9u e que se demita do compromisso com o mundo e com os irm\u00e3os; mas pede-se-lhe que n\u00e3o fa\u00e7a dos valores do mundo a sua prioridade, a sua refer\u00eancia \u00faltima. A nossa vida tem sido uma caminhada coerente com essa din\u00e2mica de Vida nova que come\u00e7ou no dia em que fomos batizados? Esfor\u00e7amo-nos, realmente, por nos despojarmos do \u201chomem velho\u201d e por nos revestirmos do \u201cHomem Novo\u201d, do homem que se identifica com Cristo e que vive no amor, no servi\u00e7o, na doa\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os?<\/li>\n<li>Paulo, a partir do exemplo de Cristo, garante-nos que esse caminho de despojamento do \u201chomem velho\u201d n\u00e3o \u00e9 um caminho de derrota e de fracasso; mas \u00e9 um caminho de gl\u00f3ria, no qual se manifesta a realidade da Vida eterna, da Vida verdadeira. Neste dia de P\u00e1scoa, diante do t\u00famulo vazio e da certeza de que Jesus triunfou da morte e do pecado, reconhecemos a verdade do testemunho de Paulo?<\/li>\n<li>Quando, de alguma forma, estou envolvido na prepara\u00e7\u00e3o ou na celebra\u00e7\u00e3o do sacramento do Batismo, tenho consci\u00eancia \u2013 e procuro passar essa mensagem \u2013 de que o sacramento n\u00e3o \u00e9 um ato tradicional ou social (que, por acaso, at\u00e9 proporciona fotografias bonitas), mas um compromisso s\u00e9rio e exigente com Cristo? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SEQU\u00caNCIA PASCAL<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c0 V\u00edtima pascal<br \/>\nofere\u00e7am os crist\u00e3os<br \/>\nsacrif\u00edcios de louvor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Cordeiro resgatou as ovelhas:<br \/>\nCristo, o Inocente,<br \/>\nreconciliou com o Pai os pecadores.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A morte e a vida<br \/>\ntravaram um admir\u00e1vel combate:<br \/>\nDepois de morto,<br \/>\nvive e reina o Autor da vida.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diz-nos, Maria:<br \/>\nQue viste no caminho?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vi o sepulcro de Cristo vivo<br \/>\ne a gl\u00f3ria do Ressuscitado.<br \/>\nVi as testemunhas dos Anjos,<br \/>\nvi o sud\u00e1rio e a mortalha.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ressuscitou Cristo, minha esperan\u00e7a:<br \/>\npreceder\u00e1 os seus disc\u00edpulos na Galileia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sabemos e acreditamos:<br \/>\nCristo ressuscitou dos mortos:<br \/>\n\u00d3 Rei vitorioso,<br \/>\ntende piedade de n\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 20,1-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No primeiro dia da semana,<br \/>\nMaria Madalena foi de manh\u00e3zinha, ainda escuro, ao sepulcro<br \/>\ne viu a pedra retirada do sepulcro.<br \/>\nCorreu ent\u00e3o e foi ter com Sim\u00e3o Pedro<br \/>\ne com o disc\u00edpulo predileto de Jesus<br \/>\ne disse-lhes:<br \/>\n\u00abLevaram o Senhor do sepulcro<br \/>\ne n\u00e3o sabemos onde O puseram\u00bb.<br \/>\nPedro partiu com o outro disc\u00edpulo<br \/>\ne foram ambos ao sepulcro.<br \/>\nCorriam os dois juntos,<br \/>\nmas o outro disc\u00edpulo antecipou-se,<br \/>\ncorrendo mais depressa do que Pedro,<br \/>\ne chegou primeiro ao sepulcro.<br \/>\nDebru\u00e7ando-se, viu as ligaduras no ch\u00e3o, mas n\u00e3o entrou.<br \/>\nEntretanto, chegou tamb\u00e9m Sim\u00e3o Pedro, que o seguira.<br \/>\nEntrou no sepulcro<br \/>\ne viu as ligaduras no ch\u00e3o<br \/>\ne o sud\u00e1rio que tinha estado sobre a cabe\u00e7a de Jesus,<br \/>\nn\u00e3o com as ligaduras, mas enrolado \u00e0 parte.<br \/>\nEntrou tamb\u00e9m o outro disc\u00edpulo<br \/>\nque chegara primeiro ao sepulcro:<br \/>\nviu e acreditou.<br \/>\nNa verdade, ainda n\u00e3o tinham entendido a Escritura,<br \/>\nsegundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Quarto Evangelho (cf. Jo 4,1-19,42) apresenta duas partes. Na primeira, Jo\u00e3o descreve a atividade criadora e vivificadora do Messias, no sentido de dar vida e de criar um Homem Novo \u2013 um homem livre da escravid\u00e3o do ego\u00edsmo, do pecado e da morte (para Jo\u00e3o, o \u00faltimo passo dessa atividade destinada a fazer surgir o Homem Novo foi, precisamente, a morte na cruz: a\u00ed, Jesus apresentou a \u00faltima e definitiva li\u00e7\u00e3o \u2013 a li\u00e7\u00e3o do amor total, que n\u00e3o guarda nada para si, mas faz da vida um dom radical ao Pai e aos irm\u00e3os). Na segunda parte do Evangelho (cf. Jo 20,1-31), Jo\u00e3o apresenta o resultado da a\u00e7\u00e3o de Jesus e mostra essa comunidade de Homens Novos, recriados e vivificados por Jesus, que com Ele aprenderam a amar com radicalidade e a quem Jesus abriu as portas da Vida definitiva. Trata-se dessa comunidade de homens e mulheres que se converteram e aderiram a Jesus e que, em cada dia \u2013 mesmo diante do sepulcro vazio \u2013 s\u00e3o convidados a manifestar a sua f\u00e9 no Filho de Deus que \u201cergueu a sua tenda no meio dos homens\u201d para lhes dar Vida em abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus tinha sido crucificado na manh\u00e3 de sexta-feira (por volta das nove horas) e tinha morrido na cruz por volta das tr\u00eas horas da tarde desse mesmo dia. No final da tarde, o seu corpo morto tinha sido descido da cruz e depositado, \u00e0 pressa, num \u201ct\u00famulo novo\u201d, situado num horto, perto do lugar da crucifica\u00e7\u00e3o (cf. Jo 19,41). Como era habitual, na tradi\u00e7\u00e3o judaica, uma pedra redonda tinha sido rolada para tapar a entrada do sepulcro. Os rituais f\u00fanebres n\u00e3o tinham sido observados em pormenor, uma vez que nesse dia, ao p\u00f4r do sol, come\u00e7ava o s\u00e1bado e tamb\u00e9m a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa judaica (cf. Jo 19,42). Aqueles que lidaram com o sepultamento de Jesus queriam voltar a casa, rapidamente, porque queriam \u201ccomer a P\u00e1scoa\u201d, nessa noite, em fam\u00edlia. Precisavam de se afastar do corpo morto de Jesus para n\u00e3o ficarem \u201cimpuros\u201d e serem ritualmente impedidos de celebrar a P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passado o dia festivo da P\u00e1scoa, no \u201cyom rishon\u201d, o primeiro dia da semana, Maria Madalena \u2013 uma das mulheres que tinha seguido Jesus desde a Galileia at\u00e9 Jerusal\u00e9m e que tinha estado junto da cruz de Jesus at\u00e9 \u00e0 sua morte \u2013 dirigiu-se ao t\u00famulo. Presumivelmente levava perfumes para ungir o corpo morto de Jesus (cf. Mc 16,1). Perguntava-se como iria conseguir afastar a enorme pedra que tinha sido rolada, na sexta-feira, para tapar a entrada do sepulcro de Jesus. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 a resposta de Deus aos que pretenderam, de forma injusta e criminosa, calar Jesus e banir da hist\u00f3ria o seu projeto do Reino de Deus. Deus n\u00e3o permitiu que o mal vencesse; Deus n\u00e3o permitiu que a viol\u00eancia, a injusti\u00e7a, a maldade e a morte tivessem a \u00faltima palavra; Deus n\u00e3o aceitou que o mundo ficasse ref\u00e9m daqueles que queriam continuar a viver na escurid\u00e3o. Ao ressuscitar Jesus, Deus deu-Lhe raz\u00e3o; afirmou, alto e bom som, que o caminho proposto por Jesus \u2013 o do amor que se d\u00e1 at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, o do servi\u00e7o simples e humilde aos irm\u00e3os, o do perd\u00e3o sem limites \u2013 \u00e9 o caminho que leva \u00e0 Vida. Neste dia de P\u00e1scoa, diante do t\u00famulo de Jesus vazio, tenho alguma d\u00favida em abra\u00e7ar tudo aquilo que Jesus me disse, com as suas palavras e com os seus gestos, sobre a forma de chegar \u00e0 Vida definitiva, \u00e0 Vida eterna?<\/li>\n<li>A vit\u00f3ria de Jesus sobre o ego\u00edsmo, a viol\u00eancia, a maldade e a morte muda a nossa perspetiva sobre a forma de encarar tudo aquilo que, de forma objetiva, faz sofrer os homens e mulheres que caminham ao nosso lado. Ficar do lado dos que s\u00e3o magoados e crucificados, combater a injusti\u00e7a e a opress\u00e3o nas suas mil e uma formas, gastar a vida a servir os mais fr\u00e1geis e abandonados, recusar um mundo que se constr\u00f3i sobre viol\u00eancia e prepot\u00eancia, lutar at\u00e9 ao dom da pr\u00f3pria vida para vencer tudo o que gera morte n\u00e3o \u00e9 algo absurdo. \u00c9, segundo Deus, o caminho que far\u00e1 com que a nossa vida valha a pena e tenha pleno sentido. Talvez essa op\u00e7\u00e3o nos deixe cheios de feridas e cicatrizes; mas ser\u00e3o feridas e cicatrizes que Deus curar\u00e1. Estamos dispostos a dar a vida para que outros tenham Vida? Estamos dispostos a correr riscos para levar a liberta\u00e7\u00e3o ao mundo e aos nossos irm\u00e3os? Cremos firmemente, com toda a nossa alma e com todas as nossas for\u00e7as, que uma vida gasta a servir n\u00e3o \u00e9 uma vida fracassada, mas \u00e9 uma vida que termina em ressurrei\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>Pedro parece ter sentido dificuldade, diante do t\u00famulo vazio, em \u201cacreditar\u201d que Jesus estivesse vivo e que aquele caminho de cruz tivesse conduzido \u00e0 Vida. Na verdade, em muitos passos do caminho que percorreu com Jesus, Pedro manifestou dificuldade em sintonizar com Jesus e com a sua l\u00f3gica. Ele estava habituado a funcionar de acordo com outros valores e padr\u00f5es, numa l\u00f3gica muito \u201cdo mundo\u201d. Os interesses de Pedro nem sempre coincidiam com a vis\u00e3o de Jesus. Parece estranho, para algu\u00e9m que andava com Jesus? Teoricamente, sim. Na pr\u00e1tica, talvez reconhe\u00e7amos, nas hesita\u00e7\u00f5es e recusas de Pedro, as nossas indecis\u00f5es, a nossa dificuldade em arriscar, a nossa dificuldade em abandonarmos os crit\u00e9rios \u201cdo mundo\u201d para abra\u00e7armos a l\u00f3gica de Deus. Ser\u00e1 assim? O que podemos fazer para sermos menos \u201cPedro\u201d e mais disc\u00edpulos que v\u00e3o, sem hesitar, atr\u00e1s de Jesus?<\/li>\n<li>A fotografia que o evangelista Jo\u00e3o nos apresenta do \u201cdisc\u00edpulo predileto\u201d \u00e9 a fotografia de um disc\u00edpulo que vive em comunh\u00e3o com Jesus, que se identifica com Jesus e com os seus valores, que interiorizou e absorveu a l\u00f3gica da entrega incondicional, do dom da vida, do amor total. Por isso, n\u00e3o tem qualquer problema em aceitar que o caminho seguido por Jesus conduz \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00e0 Vida nova. Ele \u201cacredita\u201d em Jesus. Revemo-nos nesta figura? Vemo-la como uma proposta com a qual gostar\u00edamos de nos identificar? O que podemos fazer para sermos verdadeiramente \u201cdisc\u00edpulo predileto\u201d?<\/li>\n<li>A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 a vit\u00f3ria da Vida sobre a morte, da verdade sobre a mentira, da esperan\u00e7a sobre o desespero, da justi\u00e7a sobre a injusti\u00e7a, da alegria sobre a tristeza, da luz sobre as trevas. Abre-nos perspetivas completamente novas e garante-nos o triunfo de Deus sobre as for\u00e7as que querem destruir o mundo e os homens. N\u00f3s, que acreditamos e celebramos a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, somos testemunhas da vit\u00f3ria da Vida junto dos nossos irm\u00e3os paralisados pelo medo e pelo pessimismo? A mensagem que levamos ao mundo \u00e9 uma mensagem de alegria e de esperan\u00e7a que tem as cores da manh\u00e3 de P\u00e1scoa? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 marcada por um longo discurso de Pedro anunciando a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter em aten\u00e7\u00e3o as longas frases com diversas ora\u00e7\u00f5es que exigem um especial cuidado na respira\u00e7\u00e3o e nas pausas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A brevidade da <strong>segunda leitura<\/strong>, tirada da Carta aos Colossenses, n\u00e3o deve diminuir o cuidado na sua prepara\u00e7\u00e3o. A ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 fonte de transforma\u00e7\u00e3o da vida dos fi\u00e9is. Deste modo, a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ser marcada pelo tom exortativo, valorizando as formas verbais no imperativo: \u00ab<em>aspirai<\/em>\u00bb e \u00ab<em>afei\u00e7oai-vos<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: (ver anexo) <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Leitura-I-do-Domingo-de-Pascoa-Ano-C-20.04.2025-Atos-10-34.37-43.pdf\">Leitura I do Domingo de P\u00e1scoa &#8211; Ano C &#8211; 20.04.2025 (Atos 10, 34.37-43)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Leitura-II-do-Domingo-de-Pascoa-Ano-C-20.04.2025-Colossenses-3-1-4.pdf\">Leitura II do Domingo de P\u00e1scoa &#8211; Ano C &#8211; 20.04.2025 (Colossenses 3, 1-4)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Triduo-Pascal-Ano-C-17.04-18.04-19.04-e-20.04.2025-Lecionario.pdf\">Tr\u00edduo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 17.04-18.04-19.04 e 20.04.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Triduo-Pascal-Ano-C-17.04-18.04-19.04-e-20.04.2025-Oracao-Universal.pdf\">Tr\u00edduo Pascal &#8211; Ano C &#8211; 17.04-18.04-19.04 e 20.04.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Domingo-de-Pascoa-Ano-C-20.04.2025-refletindo.pdf\">Domingo de P\u00e1scoa &#8211; Ano C &#8211; 20.04.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-de-Pascoa.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo de P\u00e1scoa<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mensagem-para-Quaresma-2025-Papa-Francisco-2.pdf\">Mensagem para Quaresma 2025 &#8211; Papa Francisco<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo de Ramos e da Paix\u00e3o do Senhor \u2013 Ano C \u2013 13 abril 2025&#8243; tab_id=&#8221;1745229205727-9c072673-f202&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo de Ramos e da Paix\u00e3o do Senhor &#8211; Ano C \u2013 13 abril 2025<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Domingo-de-Ramos.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"430\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor<\/em>: assim se designa este Domingo que abre a Semana Santa, Semana Maior, pois nela somos convidados a contemplar a Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, centro da nossa vida crist\u00e3. Celebramos o Domingo de Ramos, recordando a entrada triunfal de Jesus na cidade santa de Jerusal\u00e9m. \u00c9 entre os louvores da multid\u00e3o em festa que Jesus entra na cidade: \u00ab<em>estando j\u00e1 pr\u00f3ximo da descida do monte das Oliveiras, toda a multid\u00e3o dos disc\u00edpulos come\u00e7ou a louvar alegremente a Deus em alta voz por todos os milagres que tinham visto, dizendo: \u201cBendito o Rei que vem em nome do Senhor. Paz no C\u00e9u e gl\u00f3ria nas alturas!\u201d\u00bb.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois mil anos depois, de ramos de oliveira na m\u00e3o, aclamando Jesus, o nosso Salvador e Redentor, n\u00e3o podemos ficar apenas na contempla\u00e7\u00e3o da entrada gloriosa de Jesus, mas tomar renovada consci\u00eancia que o\u00a0<em>Domingo de Ramos<\/em>\u00a0se faz\u00a0<em>na Paix\u00e3o do Senhor<\/em>, isto \u00e9, que em Jesus Cristo a gl\u00f3ria n\u00e3o est\u00e1 desligada da Cruz, que o caminho que conduz \u00e0 eternidade est\u00e1 marcado pela vulnerabilidade e fragilidade da nossa contingente exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As diversas leituras que escutamos neste Domingo sublinham bem este dinamismo, desde a proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho na b\u00ean\u00e7\u00e3o dos Ramos, que narra a entrada de Jesus em Jerusal\u00e9m, at\u00e9 \u00e0 Liturgia da Palavra em que escutamos a narra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor. Uma multid\u00e3o que aclama Jesus jubilosamente na sua entrada em Jerusal\u00e9m e uma multid\u00e3o que diante de Pilatos grita \u00abCrucifica-O! Crucifica-O!\u00bb. Porventura a bipolaridade destas aclama\u00e7\u00f5es sejam o paradigma da nossa vida, tantas vezes convicta e disposta a testemunhar com alegria a nossa f\u00e9 em Jesus Cristo, mas, tamb\u00e9m, tantas vezes titubeante e silenciosa, condenando e desviando-se do caminho certo. Como Pedro, temos no cora\u00e7\u00e3o a ousadia e a coragem \u2013 \u00ab<em>Senhor, eu estou pronto a ir contigo, at\u00e9 para a pris\u00e3o e para a morte<\/em>\u00bb \u2013 mas no momento decisivo respondemos: \u00ab<em>n\u00e3o O conhe\u00e7o<\/em>\u00bb. Somos fr\u00e1geis e pecadores, mas tamb\u00e9m amados e redimidos pelo Seu amor e pela Sua entrega generosa e, por isso, como Pedro tenhamos a coragem de chorar as nossas culpas e pecados e haveremos de encontrar nas nossas l\u00e1grimas de arrependimento sincero, um novo batismo que regera, cura e nos permite avan\u00e7ar para recome\u00e7ar com renovada esperan\u00e7a: \u00ab<em>o Senhor Deus veio em meu aux\u00edlio, e por isso n\u00e3o fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que n\u00e3o ficarei desiludido<\/em>\u00bb<em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus Cristo assume a nossa humanidade na sua integralidade e totalidade. De bra\u00e7os abertos na Cruz abra\u00e7a cada homem e cada mulher para nos ensinar que a dor e o sofrimento n\u00e3o t\u00eam a \u00faltima palavra. Em Jesus Cristo n\u00e3o h\u00e1 gl\u00f3ria sem Cruz e os sofrimentos e as dores unem-se na Sua entrega generosa \u00e0 vida nova que Ele nos oferece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, neste Domingo somos convidados a acompanhar Jesus, a percorrer com Ele o caminho que nos conduz da alegria da entrada messi\u00e2nica, \u00e0 Ceia que celebra com os disc\u00edpulos, do Seu julgamento e condena\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 Sua paix\u00e3o, morte e sepultura. A cruz n\u00e3o se compreende, contempla-se e \u00e9 na contempla\u00e7\u00e3o da entrega de Jesus que entramos na nova l\u00f3gica do Reino em que a vida \u00e9 tanto mais nossa, quanto mais for dos outros, que a vida \u00e9 verdadeiramente vida, quando entregue sem medida. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o <strong>Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor<\/strong> iniciamos a Semana Santa. Acolhendo o desafio \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 penit\u00eancia, devemos ter presente que a convers\u00e3o pessoal a que somos chamados na contempla\u00e7\u00e3o da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo nos deve conduzir a uma sa\u00edda mission\u00e1ria que se manifeste de modo concreto na nossa vida quotidiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este Domingo deve ser marcado pelo convite \u00e0 participa\u00e7\u00e3o no Tr\u00edduo Pascal, centro de todo o ano lit\u00fargico. N\u00e3o nos devemos limitar a um an\u00fancio dos hor\u00e1rios e locais das celebra\u00e7\u00f5es, mas, por exemplo, elaborar um pequeno folheto com uma apelativa descri\u00e7\u00e3o de cada uma das celebra\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, pode apontar-se como a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria para esta semana o convite aos vizinhos e amigos para a participa\u00e7\u00e3o nas diversas celebra\u00e7\u00f5es pascais. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <strong>Tempo da Quaresma,<\/strong> continuamos um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 50, 4-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor deu-me a gra\u00e7a de falar como um disc\u00edpulo,<br \/>\npara que eu saiba dizer uma palavra de alento<br \/>\naos que andam abatidos.<br \/>\nTodas as manh\u00e3s Ele desperta os meus ouvidos,<br \/>\npara eu escutar, como escutam os disc\u00edpulos.<br \/>\nO Senhor Deus abriu-me os ouvidos<br \/>\ne eu n\u00e3o resisti nem recuei um passo.<br \/>\nApresentei as costas \u00e0queles que me batiam<br \/>\ne a face aos que me arrancavam a barba;<br \/>\nn\u00e3o desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam.<br \/>\nMas o Senhor Deus veio em meu aux\u00edlio,<br \/>\ne, por isso, n\u00e3o fiquei envergonhado;<br \/>\ntornei o meu rosto duro como pedra,<br \/>\ne sei que n\u00e3o ficarei desiludido.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro do Deutero-Isa\u00edas (Is 40-55), encontramos quatro poemas (cf. Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12) que se diferenciam um tanto da tem\u00e1tica desenvolvida pelo profeta no resto do livro. Referem-se a uma figura enigm\u00e1tica, que o pr\u00f3prio Deus apresenta como \u201co meu Servo\u201d (Is 42,1). O nome \u201cservo de Jav\u00e9\u201d \u00e9, na B\u00edblia, um t\u00edtulo honor\u00edfico. Refere-se, habitualmente, a algu\u00e9m a quem Deus chama a colaborar no seu projeto salvador. De facto, o \u201cservo de Jav\u00e9\u201d que nos \u00e9 apresentado pelo Deutero-Isa\u00edas, foi eleito por Deus e recebeu de Deus uma miss\u00e3o (cf. Is 42,1a; 49,1.5). Essa miss\u00e3o tem a ver com a Palavra de Deus e tem car\u00e1cter universal, pois deve concretizar-se no meio das na\u00e7\u00f5es (cf. Is 42,1b; 49,6); ser\u00e1 vivida pelo \u201cservo\u201d na humildade, no sofrimento e na obedi\u00eancia incondicional ao projeto de Deus (cf. Is 42,2-3). Apesar de a miss\u00e3o terminar num aparente insucesso (cf. Is 53,2-3.7-9), a dor do profeta n\u00e3o foi em v\u00e3o: ela tem um valor expiat\u00f3rio e redentor; do seu sofrimento resulta o perd\u00e3o para o pecado do Povo (cf. Is 53,6.10). Deus aprecia o sacrif\u00edcio do profeta e recompens\u00e1-lo-\u00e1, elevando-o \u00e0 vista de todos, fazendo-o triunfar dos seus detratores e advers\u00e1rios (cf. Is 53,11-12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem \u00e9 este profeta? \u00c9 Jeremias, o paradigma do profeta que sofre por causa da Palavra? \u00c9 o pr\u00f3prio Deutero-Isa\u00edas, chamado a dar testemunho da Palavra no ambiente hostil do Ex\u00edlio? \u00c9 um profeta desconhecido? \u00c9 uma figura coletiva, que representa o Povo exilado, humilhado, esmagado, mas que continua a dar testemunho de Deus, no meio das outras na\u00e7\u00f5es? \u00c9 uma figura representativa, que une a recorda\u00e7\u00e3o de personagens hist\u00f3ricas (patriarcas, Mois\u00e9s, David, profetas) com figuras m\u00edticas, de forma a representar o Povo de Deus na sua totalidade? N\u00e3o sabemos; no entanto, a figura apresentada nesses poemas vai receber uma outra ilumina\u00e7\u00e3o \u00e0 luz de Jesus Cristo, da sua vida, do seu destino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto \u00e9 parte do terceiro c\u00e2ntico do \u201cservo de Jav\u00e9\u201d. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>N\u00e3o sabemos, efetivamente, quem \u00e9 este \u201cservo de Jav\u00e9\u201d; no entanto, os primeiros crist\u00e3os v\u00e3o utilizar este texto como grelha para interpretar o mist\u00e9rio de Jesus: Ele \u00e9 a Palavra de Deus feita carne, que oferece a sua vida para trazer a salva\u00e7\u00e3o\/liberta\u00e7\u00e3o aos homens\u2026 A vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e de entrega da vida em favor de todos; e a sua glorifica\u00e7\u00e3o mostra que uma vida vivida deste jeito n\u00e3o termina no fracasso, mas na ressurrei\u00e7\u00e3o que gera Vida nova. No entanto, talvez esta conce\u00e7\u00e3o da vida nos pare\u00e7a estranha e incongruente face \u00e0quilo que vemos acontecer todos os dias \u00e0 nossa volta\u2026 Como \u00e9 que me situo face a isto? Acredito que uma vida gasta como a de Jesus ou a do profeta\/servo da primeira leitura deste domingo \u00e9 uma vida com sentido e que conduz \u00e0 Vida nova?<\/li>\n<li>O profeta\/servo que, sem hesitar, p\u00f5e a sua palavra e a sua vida ao servi\u00e7o da liberta\u00e7\u00e3o dos seus irm\u00e3os \u2013 mesmo que isso implique para si pr\u00f3prio sofrimento, persegui\u00e7\u00e3o e humilha\u00e7\u00e3o \u2013 deixa-nos um desafio que n\u00e3o podemos ignorar\u2026 Vivemos cercados por ilhas de mis\u00e9ria e de dor onde tantos e tantos irm\u00e3os nossos permanecem prisioneiros; passamos a cada passo por homens e mulheres abandonados, esquecidos, atirados para as margens da hist\u00f3ria, privados dos seus direitos e dignidade; assistimos diariamente \u00e0 crucifix\u00e3o de tanta gente que luta contra os sistemas de opress\u00e3o e de morte\u2026 O que fazemos? Permanecemos indiferentes e viramos a cara para outro lado para n\u00e3o ver e para n\u00e3o sermos incomodados, ou levantamos a voz para denunciar o ego\u00edsmo, a viol\u00eancia, a injusti\u00e7a, as mil formas de maldade que desfeiam o mundo e destroem a Vida?<\/li>\n<li>Temos consci\u00eancia de que a nossa miss\u00e3o prof\u00e9tica passa por sermos Palavra viva de Deus que ecoa no mundo dos homens? Nas nossas palavras, nos nossos gestos, no nosso testemunho, a proposta libertadora de Deus alcan\u00e7a o mundo e o cora\u00e7\u00e3o dos homens?<\/li>\n<li>O profeta\/servo da nossa leitura garante-nos que nunca desistir\u00e1 da miss\u00e3o que lhe foi confiada porque confia em Deus: sabe que Deus estar\u00e1 sempre com ele e que nunca o desiludir\u00e1. Que fant\u00e1stica express\u00e3o de confian\u00e7a e de f\u00e9! Seremos capazes de dizer, com convic\u00e7\u00e3o, a mesma coisa? Acreditamos que Deus nunca nos desiludir\u00e1? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 21 (22)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todos os que me veem escarnecem de mim,<br \/>\nestendem os meus l\u00e1bios e meneiam a cabe\u00e7a:<br \/>\n\u00abConfiou no Senhor, Ele que o livre,<br \/>\nEle que o salve, se \u00e9 meu amigo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Matilhas de c\u00e3es me rodearam,<br \/>\ncercou-me um bando de malfeitores.<br \/>\nTrespassaram as minhas m\u00e3os e os meus p\u00e9s,<br \/>\nposso contar todos os meus ossos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Repartiram entre si as minhas vestes<br \/>\ne deitaram sortes sobre a minha t\u00fanica.<br \/>\nMas V\u00f3s, Senhor, n\u00e3o Vos afasteis de mim,<br \/>\nsois a minha for\u00e7a, apressai-Vos a socorrer-me.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hei de falar do vosso nome aos meus irm\u00e3os,<br \/>\nHei de louvar-Vos no meio da assembleia.<br \/>\nV\u00f3s, que temeis o Senhor, louvai-O,<br \/>\nglorificai-O, v\u00f3s todos os filhos de Jacob,<br \/>\nreverenciai-O, v\u00f3s todos os filhos de Israel.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Filipenses 2, 6-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cristo Jesus, que era de condi\u00e7\u00e3o divina,<br \/>\nn\u00e3o Se valeu da sua igualdade com Deus,<br \/>\nmas aniquilou-Se a Si pr\u00f3prio.<br \/>\nAssumindo a condi\u00e7\u00e3o de servo,<br \/>\ntornou-Se semelhante aos homens.<br \/>\nAparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais,<br \/>\nobedecendo at\u00e9 \u00e0 morte e morte de cruz.<br \/>\nPor isso Deus O exaltou<br \/>\ne Lhe deu um nome que est\u00e1 acima de todos os nomes,<br \/>\npara que ao nome de Jesus todos se ajoelhem<br \/>\nno c\u00e9u, na terra e nos abismos,<br \/>\ne toda a l\u00edngua proclame que Jesus Cristo \u00e9 o Senhor,<br \/>\npara gl\u00f3ria de Deus Pai.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade de Filipos, situada na Maced\u00f3nia oriental, era uma cidade pr\u00f3spera, com uma popula\u00e7\u00e3o constitu\u00edda maioritariamente por veteranos romanos do ex\u00e9rcito. Organizada \u00e0 maneira de Roma, estava fora da jurisdi\u00e7\u00e3o dos governantes das prov\u00edncias locais e dependia diretamente do imperador. Gozava dos mesmos privil\u00e9gios das cidades de It\u00e1lia e os seus habitantes tinham cidadania romana. Paulo chegou a Filipos pelo ano 49 ou 50, no decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria, acompanhado de Silvano, Tim\u00f3teo e Lucas (cf. At 16,1-40). Da sua prega\u00e7\u00e3o nasceu a primeira comunidade crist\u00e3 em solo europeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 de Filipos era uma comunidade entusiasta, generosa, comprometida, sempre atenta \u00e0s necessidades de Paulo e do resto da Igreja (como no caso da coleta em favor da Igreja de Jerusal\u00e9m \u2013 cf. 2 Cor 8,1-5). Paulo nutria pelos crist\u00e3os de Filipos um afeto especial; e os filipenses, por seu turno, tinham Paulo em grande apre\u00e7o. Apesar de tudo, a comunidade crist\u00e3 de Filipos n\u00e3o era perfeita: os altivos patr\u00edcios romanos de Filipos tinham alguma dificuldade em assumir certos valores como o desprendimento, a humildade e a simplicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo escreve aos Filipenses numa altura em que estava na pris\u00e3o (n\u00e3o sabemos se em Cesareia, em Roma, ou em \u00c9feso). Os filipenses tinham-lhe enviado, por um membro da comunidade chamado Epafrodito, uma certa quantia em dinheiro, a fim de que Paulo pudesse prover \u00e0s suas necessidades. Na carta, Paulo agradece a preocupa\u00e7\u00e3o dos filipenses com a sua pessoa (cf. Fl 4,10-20); exorta-os a manterem-se fi\u00e9is a Cristo e a incarnarem os valores que marcaram a vida de Cristo (\u201ctende entre v\u00f3s os mesmos sentimentos que est\u00e3o em Cristo Jesus\u201d \u2013 Fl 2,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia do domingo de Ramos nos apresenta como segunda leitura \u00e9 o texto mais not\u00e1vel da carta aos filipenses. Trata-se de um antigo hino, provavelmente pr\u00e9-paulino, que era recitado nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas crist\u00e3s (h\u00e1 quem fale, a prop\u00f3sito deste hino, na catequese primitiva de Sim\u00e3o Pedro, conservada na comunidade crist\u00e3 de Antioquia da S\u00edria). Lembra aos crist\u00e3os de Filipos o exemplo de Cristo, a sua humildade e despojamento. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>N\u00e3o h\u00e1 mesmo volta a dar: a l\u00f3gica de Deus funciona em sentido contr\u00e1rio \u00e0 nossa l\u00f3gica humana. Quanto mais nos despojamos da nossa superioridade, quanto mais renunciamos \u00e0 capa da import\u00e2ncia, quanto mais gastamos a nossa vida a fazer o bem, quanto mais nos fazemos \u201cservos\u201d dos nossos irm\u00e3os, quanto mais amamos sem esperar nada em troca, mais subimos na \u201cescala\u201d de Deus. Deus disse-nos isto, com todas as letras, atrav\u00e9s do seu Filho Jesus. De forma inequ\u00edvoca, de forma irrefut\u00e1vel, com uma linguagem que s\u00f3 n\u00e3o entende quem n\u00e3o quer. Porque \u00e9 que, depois de dois mil anos a olhar para a cruz de Jesus, isto ainda n\u00e3o \u00e9 claro para n\u00f3s? O que mais tem Deus de fazer para nos mostrar o caminho que conduz \u00e0 Vida verdadeira?<\/li>\n<li>Estamos a chegar ao fim deste caminho quaresmal. Este caminho foi efetivamente, para n\u00f3s, um caminho de convers\u00e3o, de mudan\u00e7a, de nascimento para uma vida nova? Ao longo deste caminho em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 P\u00e1scoa transformamos a arrog\u00e2ncia em humildade, a atitude de superioridade em respeito pelo outro, o orgulho em simplicidade, a soberba em delicadeza?<\/li>\n<li>Este hino constitui uma excelente chave de leitura para interpretar, sentir e viver, na \u201cSemana Maior\u201d em que estamos a entrar, os acontecimentos centrais da nossa f\u00e9. Ao \u201csom\u201d deste bel\u00edssimo hino podemos compreender o caminho de Jesus, o significado das suas op\u00e7\u00f5es, o sentido da sua vida, da sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. Iremos procurar, nesta semana, acompanhar os passos de Jesus? E, ao revivermos o seu amor e a sua entrega, renovaremos a nossa ades\u00e3o a Ele e ao caminho que Ele prop\u00f5e? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 22,14-23,56 (forma longa) ou Lucas 23,1-49 (forma breve)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S\u00e3o Lucas<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando chegou a hora,<br \/>\nJesus sentou-Se \u00e0 mesa com os seus Ap\u00f3stolos<br \/>\ne disse-lhes:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abTenho desejado ardentemente comer convosco esta P\u00e1scoa,<br \/>\nantes de padecer;<br \/>\npois digo-vos que n\u00e3o tornarei a com\u00ea-la,<br \/>\nat\u00e9 que se realize plenamente no reino de Deus\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Ent\u00e3o, tomando um c\u00e1lice, deu gra\u00e7as e disse:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00abTomai e reparti entre v\u00f3s,<br \/>\npois digo-vos que n\u00e3o tornarei a beber do fruto da videira,<br \/>\nat\u00e9 que venha o reino de Deus\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Depois tomou o p\u00e3o e, dando gra\u00e7as,<br \/>\npartiu-o e deu-lho, dizendo:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abIsto \u00e9 o meu corpo entregue por v\u00f3s.<br \/>\nFazei isto em mem\u00f3ria de Mim\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No fim da ceia, fez o mesmo com o c\u00e1lice, dizendo:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abEste c\u00e1lice \u00e9 a nova alian\u00e7a no meu Sangue,<br \/>\nderramado por v\u00f3s.<br \/>\nEntretanto, est\u00e1 comigo \u00e0 mesa<br \/>\na m\u00e3o daquele que Me vai entregar.<br \/>\nO Filho do homem vai partir, como est\u00e1 determinado.<br \/>\nMas ai daquele por quem Ele vai ser entregue!\u00bb<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Come\u00e7aram ent\u00e3o a perguntar uns aos outros<br \/>\nqual deles iria fazer semelhante coisa.<br \/>\nLevantou-se tamb\u00e9m entre eles uma quest\u00e3o:<br \/>\nqual deles se devia considerar o maior?<br \/>\nDisse-lhes Jesus:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abOs reis da na\u00e7\u00f5es exercem dom\u00ednio sobre elas<br \/>\ne os que t\u00eam sobre elas autoridade s\u00e3o chamados benfeitores.<br \/>\nV\u00f3s n\u00e3o deveis proceder desse modo.<br \/>\nO maior entre v\u00f3s seja como o menor<br \/>\ne aquele que manda seja como quem serve.<br \/>\nPois quem \u00e9 o maior: o que est\u00e1 \u00e0 mesa ou o que serve?<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 o que est\u00e1 \u00e0 mesa?<br \/>\nOra Eu estou no meio de v\u00f3s como aquele que serve.<br \/>\nV\u00f3s estivestes sempre comigo nas minhas prova\u00e7\u00f5es.<br \/>\nE Eu preparo para v\u00f3s um reino,<br \/>\ncomo meu Pai o preparou para Mim:<br \/>\ncomereis e bebereis \u00e0 minha mesa, no meu reino,<br \/>\ne sentar-vos-eis em tronos,<br \/>\na julgar as doze tribos de Israel.<br \/>\nSim\u00e3o, Sim\u00e3o, Satan\u00e1s vos reclamou<br \/>\npara vos agitar na joeira como trigo.<br \/>\nMas Eu roguei por ti, para que a tua f\u00e9 n\u00e3o desfale\u00e7a.<br \/>\nE tu, uma vez convertido, fortalece os teus irm\u00e3os\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pedro respondeu-Lhe:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abSenhor, eu estou pronto a ir contigo,<br \/>\nat\u00e9 para a pris\u00e3o e para a morte\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Disse-lhe Jesus:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abEu te digo, Pedro: n\u00e3o cantar\u00e1 hoje o galo,<br \/>\nsem que tu, por tr\u00eas vezes, negues conhecer-Me\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Depois acrescentou:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00abQuando vos enviei sem bolsa nem alforge nem sand\u00e1lias,<br \/>\nfaltou-vos alguma coisa?\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Eles responderam que n\u00e3o lhes faltara nada.<br \/>\nDisse-lhes Jesus:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abMas agora, quem tiver uma bolsa pegue nela,<br \/>\nbem como no alforge;<br \/>\ne quem n\u00e3o tiver espada venda a capa e compre uma.<br \/>\nPorque Eu vos digo<br \/>\nque se deve cumprir em Mim o que est\u00e1 escrito:<br \/>\n\u2018Foi contado entre os malfeitores\u2019.<br \/>\nNa verdade, o que Me diz respeito est\u00e1 a chegar ao fim\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eles disseram:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abSenhor, est\u00e3o aqui duas espadas\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas Jesus respondeu:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abBasta\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o saiu<br \/>\ne foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras<br \/>\ne os disc\u00edpulos acompanharam-n\u2019O.<br \/>\nQuando chegou ao local, disse-lhes:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abOrai, para n\u00e3o entrardes em tenta\u00e7\u00e3o\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Depois afastou-Se deles cerca de um tiro de pedra<br \/>\ne, pondo-Se de joelhos, come\u00e7ou a orar, dizendo:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abPai, se quiseres, afasta de Mim este c\u00e1lice.<br \/>\nTodavia, n\u00e3o se fa\u00e7a a minha vontade, mas a tua\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o apareceu-Lhe um Anjo, vindo do C\u00e9u, para O confortar.<br \/>\nEntrando em ang\u00fastia, orava mais instantemente<br \/>\ne o suor tornou-se-Lhe como grossas gotas de sangue,<br \/>\nque ca\u00edam na terra.<br \/>\nDepois de ter orado,<br \/>\nlevantou-Se e foi ter com os disc\u00edpulos,<br \/>\nque encontrou a dormir, por causa da tristeza.<br \/>\nDisse-lhes Jesus:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00abPorque estais a dormir?<br \/>\nLevantai-vos e orai, para n\u00e3o entrardes em tenta\u00e7\u00e3o\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ainda Ele estava a falar,<br \/>\nquando apareceu uma multid\u00e3o de gente.<br \/>\nO chamado Judas, um dos Doze, vinha \u00e0 sua frente<br \/>\ne aproximou-se de Jesus, para O beijar.<br \/>\nDisse-lhe Jesus:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abJudas, \u00e9 com um beijo que entregas o Filho do homem?\u00bb<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao verem o que ia suceder,<br \/>\nos que estavam com Jesus perguntaram-Lhe:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00abSenhor, vamos feri-los \u00e0 espada?\u00bb<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E um deles feriu o servo do sumo sacerdote,<br \/>\ncortando-lhe a orelha direita.<br \/>\nMas Jesus interveio, dizendo:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abBasta! Deixai-os\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E, tocando na orelha do homem, curou-o.<br \/>\nDisse ent\u00e3o Jesus aos que tinham vindo ao seu encontro,<br \/>\npr\u00edncipes dos sacerdotes, oficiais do templo e anci\u00e3os:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abV\u00f3s sa\u00edstes com espadas e varapaus,<br \/>\ncomo se vi\u00e9sseis ao encontro dum salteador.<br \/>\nEu estava todos os dias convosco no templo<br \/>\ne n\u00e3o Me deitastes as m\u00e3os.<br \/>\nMas esta \u00e9 a vossa hora e o poder das trevas.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0 Apoderaram-se ent\u00e3o de Jesus,<br \/>\nlevaram-n\u2019O e introduziram-n\u2019O em casa do sumo sacerdote.<br \/>\nPedro seguia-os de longe.<br \/>\nAcenderam uma fogueira no meio do p\u00e1tio,<br \/>\nsentaram-se em volta dela<br \/>\ne Pedro foi sentar-se no meio deles.<br \/>\nAo v\u00ea-lo sentado ao lume,<br \/>\numa criada, fitando os olhos nele, disse:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abEste homem tamb\u00e9m andava com Jesus\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas Pedro negou:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abN\u00e3o O conhe\u00e7o, mulher\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pouco depois, disse outro, ao v\u00ea-lo:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abTu tamb\u00e9m \u00e9s um deles\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas Pedro disse:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abHomem, n\u00e3o sou\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Passada mais ou menos uma hora,<br \/>\nafirmava outro com insist\u00eancia:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abEsse homem, com certeza, tamb\u00e9m andava com Jesus,<br \/>\npois at\u00e9 \u00e9 galileu\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pedro respondeu:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00abHomem, n\u00e3o sei o que dizes\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Nesse instante \u2013 ainda ele falava \u2013 um galo cantou.<br \/>\nO Senhor voltou-Se e fitou os olhos em Pedro.<br \/>\nEnt\u00e3o Pedro lembrou-se da palavra do Senhor,<br \/>\nquando lhe disse:<br \/>\n\u2018Antes do galo cantar, Me negar\u00e1s tr\u00eas vezes\u2019.<br \/>\nE, saindo para fora, chorou amargamente.<br \/>\nEntretanto, os homens que guardavam Jesus<br \/>\ntro\u00e7avam d\u2019Ele e maltratavam-n\u2019O.<br \/>\nCobrindo-Lhe o rosto, perguntavam-Lhe:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00abAdivinha, profeta: Quem te bateu?\u00bb<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0E dirigiam-Lhe muitos outros insultos.<br \/>\nAo romper do dia,<br \/>\nreuniu-se o conselho dos anci\u00e3os do povo,<br \/>\nos pr\u00edncipes dos sacerdotes e os escribas.<br \/>\nLevaram-n\u2019O ao seu tribunal e disseram-Lhe:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abDiz-nos se Tu \u00e9s o Messias\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus respondeu-lhes:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00abSe Eu vos disser, n\u00e3o acreditareis<br \/>\ne, se fizer alguma pergunta, n\u00e3o respondereis.<br \/>\nMas o Filho do homem sentar-Se-\u00e1 doravante<br \/>\n\u00e0 direita do poder de Deus\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Disseram todos:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00abTu \u00e9s ent\u00e3o o Filho de Deus?\u00bb<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus respondeu-lhes:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abV\u00f3s mesmos dizeis que Eu sou\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Ent\u00e3o exclamaram:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abQue necessidade temos ainda de testemunhas?<br \/>\nN\u00f3s pr\u00f3prios o ouvimos da sua boca\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Levantaram-se todos e levaram Jesus a Pilatos.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Come\u00e7aram a acus\u00e1-l\u2019O, dizendo:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abEncontr\u00e1mos este homem a sublevar o nosso povo,<br \/>\na impedir que se pagasse o tributo a C\u00e9sar<br \/>\ne dizendo ser o Messias-Rei\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pilatos perguntou-Lhe:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00abTu \u00e9s o Rei dos judeus?\u00bb<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus respondeu-lhe:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abTu o dizes\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pilatos disse aos pr\u00edncipes dos sacerdotes e \u00e0 multid\u00e3o:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00abN\u00e3o encontro nada de culp\u00e1vel neste homem\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas eles insistiam:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abAmotina o povo, ensinando por toda a Judeia,<br \/>\ndesde a Galileia, onde come\u00e7ou, at\u00e9 aqui\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao ouvir isto, Pilatos perguntou se o homem era galileu;<br \/>\ne, ao saber que era da jurisdi\u00e7\u00e3o de Herodes,<br \/>\nenviou-O a Herodes,<br \/>\nque tamb\u00e9m estava nesses dias em Jerusal\u00e9m.<br \/>\nAo ver Jesus, Herodes ficou muito satisfeito.<br \/>\nHavia bastante tempo que O queria ver,<br \/>\npelo que ouvia dizer d\u2019Ele,<br \/>\ne esperava que fizesse algum milagre na sua presen\u00e7a.<br \/>\nFez-Lhe muitas perguntas, mas Ele nada respondeu.<br \/>\nOs pr\u00edncipes dos sacerdotes e os escribas que l\u00e1 estavam<br \/>\nacusavam-n\u2019O com insist\u00eancia.<br \/>\nHerodes, com os seus oficiais, tratou-O com desprezo<br \/>\ne, por tro\u00e7a, mandou-O cobrir com um manto magn\u00edfico<br \/>\ne remeteu-O a Pilatos.<br \/>\nHerodes e Pilatos, que eram inimigos,<br \/>\nficaram amigos nesse dia.<br \/>\nPilatos convocou os pr\u00edncipes dos sacerdotes,<br \/>\nos chefes e o povo, e disse-lhes:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abTrouxestes este homem \u00e0 minha presen\u00e7a<br \/>\ncomo agitador do povo.<br \/>\nInterroguei-O diante de v\u00f3s<br \/>\ne n\u00e3o encontrei n\u2019Ele nenhum dos crimes de que O acusais.<br \/>\nHerodes tamb\u00e9m n\u00e3o, uma vez que no-l\u2019O mandou de novo.<br \/>\nComo vedes, n\u00e3o praticou nada que mere\u00e7a a morte.<br \/>\nVou, portanto, solt\u00e1-l\u2019O, depois de O mandar castigar\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pilatos tinha obriga\u00e7\u00e3o de lhes soltar um preso<br \/>\npor ocasi\u00e3o da festa.<br \/>\nE todos se puseram a gritar:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abMata Esse e solta-nos Barrab\u00e1s\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Barrab\u00e1s tinha sido metido na cadeia<br \/>\npor causa de uma insurrei\u00e7\u00e3o desencadeada na cidade<br \/>\ne por assass\u00ednio.<br \/>\nDe novo Pilatos lhes dirigiu a palavra,<br \/>\nquerendo libertar Jesus.<br \/>\nMas eles gritavam:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00abCrucifica-O! Crucifica-O!\u00bb<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pilatos falou-lhes pela terceira vez:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas que mal fez este homem?<br \/>\nN\u00e3o encontrei n\u2019Ele nenhum motivo de morte.<br \/>\nPor isso vou solt\u00e1-l\u2019O, depois de O mandar castigar\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas eles continuavam a gritar,<br \/>\npedindo que fosse crucificado,<br \/>\ne os seus clamores aumentavam de viol\u00eancia.<br \/>\nEnt\u00e3o Pilatos decidiu fazer o que eles pediam:<br \/>\nsoltou aquele que fora metido na cadeia<br \/>\npor insurrei\u00e7\u00e3o e assass\u00ednio,<br \/>\ncomo eles reclamavam,<br \/>\ne entregou-lhes Jesus para o que eles queriam.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando o conduziam,<br \/>\nlan\u00e7aram m\u00e3o de um certo Sim\u00e3o de Cirene,<br \/>\nque vinha do campo,<br \/>\ne puseram-lhe a cruz \u00e0s costas,<br \/>\npara a levar atr\u00e1s de Jesus.<br \/>\nSeguia-O grande multid\u00e3o de povo<br \/>\ne mulheres que batiam no peito<br \/>\ne se lamentavam, chorando por Ele.<br \/>\nMas Jesus voltou-Se para elas e disse-lhes:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abFilhas de Jerusal\u00e9m, n\u00e3o choreis por Mim;<br \/>\nchorai antes por v\u00f3s mesmas e pelos vossos filhos;<br \/>\npois dias vir\u00e3o em que se dir\u00e1:<br \/>\n\u2018Felizes as est\u00e9reis, os ventres que n\u00e3o geraram<br \/>\ne os peitos que n\u00e3o amamentaram\u2019.<br \/>\nCome\u00e7ar\u00e3o a dizer aos montes: \u2018Ca\u00ed sobre n\u00f3s\u2019;<br \/>\ne \u00e0s colinas: \u2018Cobri-nos\u2019.<br \/>\nPorque, se tratam assim a madeira verde,<br \/>\nque acontecer\u00e1 \u00e0 seca?\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Levavam ainda dois malfeitores<br \/>\npara serem executados com Jesus.<br \/>\nQuando chegaram ao lugar chamado Calv\u00e1rio,<br \/>\ncrucificaram-n\u2019O a Ele e aos malfeitores,<br \/>\num \u00e0 direita e outro \u00e0 esquerda.<br \/>\nJesus dizia:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00abPai, perdoa-lhes, porque n\u00e3o sabem o que fazem\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Depois deitaram sortes,<br \/>\npara repartirem entre si as vestes de Jesus.<br \/>\nO povo permanecia ali a observar.<br \/>\nPor sua vez, os chefes zombavam e diziam:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abSalvou os outros: salve-Se a Si mesmo,<br \/>\nse \u00e9 o Messias de Deus, o Eleito\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tamb\u00e9m os soldados tro\u00e7avam d\u2019Ele;<br \/>\naproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abSe \u00e9s o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Por cima d\u2019Ele havia um letreiro:<br \/>\n\u00abEste \u00e9 o rei dos judeus\u00bb.<br \/>\nEntretanto, um dos malfeitores que tinham sido crucificados<br \/>\ninsultava-O, dizendo:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abN\u00e3o \u00e9s Tu o Messias?<br \/>\nSalva-Te a Ti mesmo e a n\u00f3s tamb\u00e9m\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abN\u00e3o temes a Deus,<br \/>\ntu que sofres o mesmo supl\u00edcio?<br \/>\nQuanto a n\u00f3s, fez-se justi\u00e7a,<br \/>\npois recebemos o castigo das nossas m\u00e1s a\u00e7\u00f5es.<br \/>\nMas Ele nada praticou de conden\u00e1vel\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E acrescentou:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00abJesus, lembra-Te de mim,<br \/>\nquando vieres com a tua realeza\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus respondeu-lhe:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abEm verdade te digo: Hoje estar\u00e1s comigo no Para\u00edso\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Era j\u00e1 quase meio-dia,<br \/>\nquando as trevas cobriram toda a terra,<br \/>\nat\u00e9 \u00e0s tr\u00eas horas da tarde,<br \/>\nporque o sol se tinha eclipsado.<br \/>\nO v\u00e9u do templo rasgou-se ao meio.<br \/>\nE Jesus exclamou com voz forte:<br \/>\nJ\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abPai, em tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dito isto, expirou.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vendo o que sucedera,<br \/>\no centuri\u00e3o deu gl\u00f3ria a Deus, dizendo:<br \/>\nR\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abRealmente este homem era justo\u00bb.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0E toda a multid\u00e3o que tinha assistido \u00e0quele espet\u00e1culo,<br \/>\nao ver o que se passava, regressava batendo no peito.<br \/>\nTodos os conhecidos de Jesus,<br \/>\nbem como as mulheres que O acompanhavam<br \/>\ndesde a Galileia,<br \/>\nmantinham-se \u00e0 dist\u00e2ncia, observando estas coisas.<br \/>\nN\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Havia um homem chamado Jos\u00e9, da cidade de Arimateia,<br \/>\nque era pessoa reta e justa e esperava o reino de Deus.<br \/>\nEra membro do Sin\u00e9drio, mas n\u00e3o tinha concordado<br \/>\ncom a decis\u00e3o e o proceder dos outros.<br \/>\nFoi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus.<br \/>\nE depois de o ter descido da cruz,<br \/>\nenvolveu-o num len\u00e7ol<br \/>\ne depositou-o num sepulcro escavado na rocha,<br \/>\nonde ningu\u00e9m ainda tinha sido sepultado.<br \/>\nEra o dia da Prepara\u00e7\u00e3o<br \/>\ne come\u00e7avam a aparecer as luzes do s\u00e1bado.<br \/>\nEntretanto,<br \/>\nas mulheres que tinham vindo com Jesus da Galileia<br \/>\nacompanharam Jos\u00e9 e observaram o sepulcro<br \/>\ne a maneira como fora depositado o corpo de Jesus.<br \/>\nNo regresso, prepararam aromas e perfumes.<br \/>\nE no s\u00e1bado guardaram o descanso, conforme o preceito.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao iniciarmos a Semana Santa, a Semana Maior, a liturgia convida-nos a escutar o impressionante relato da Paix\u00e3o e Morte de Jesus. O relato, inegavelmente fundamentado em acontecimentos concretos, n\u00e3o \u00e9 uma simples reportagem jornal\u00edstica da condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte de um inocente; mas \u00e9, sobretudo, uma catequese destinada a mostrar como Jesus, oferecendo a sua vida at\u00e9 ao dom total, na cruz, concretiza o projeto salvador do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a chegada de Jesus a Jerusal\u00e9m e os acontecimentos da Semana Santa, chegamos ao fim do \u201ccaminho\u201d come\u00e7ado na Galileia. Tudo converge, no Evangelho de Lucas, para aqui, para Jerusal\u00e9m: \u00e9 a\u00ed que deve irromper a salva\u00e7\u00e3o de Deus. Em Jerusal\u00e9m, Jesus vai realizar o \u00faltimo ato do programa enunciado em Nazar\u00e9: da sua entrega, do seu amor afirmado at\u00e9 \u00e0 morte, vai nascer esse Reino de homens novos, livres, salvos, onde todos ser\u00e3o irm\u00e3os no amor; e, de Jerusal\u00e9m, partir\u00e3o as testemunhas de Jesus, a fim de que a salva\u00e7\u00e3o de Deus chegue a todo o mundo e seja acolhida por todos os homens e mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cen\u00e1rio f\u00edsico da paix\u00e3o e morte de Jesus \u00e9, no Evangelho de Lucas, o mesmo dos outros evangelhos sin\u00f3ticos: o Cen\u00e1culo (o edif\u00edcio com \u201cuma grande sala mobilada no andar de cima\u201d, onde Jesus fez com os disc\u00edpulos aquela inolvid\u00e1vel ceia de despedida \u2013 Lc 22,12), o Monte das Oliveiras (o jardim para onde Jesus, ap\u00f3s a \u00faltima ceia, se retirou para rezar, e onde foi preso pelos guardas do Templo \u2013 cf. Lc 22,39-53), o pal\u00e1cio do sumo-sacerdote Caif\u00e1s (onde Jesus foi julgado, condenado pelo Sin\u00e9drio e ficou preso o resto da noite antes de ser levado diante das autoridades romanas \u2013 cf. Lc 22,54-71), o pret\u00f3rio romano da Torre Ant\u00f3nia (onde Jesus, na manh\u00e3 de sexta-feira, foi torturado e coroado de espinhos e onde o governador Pilatos confirmou a sua condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte \u2013 cf. Lc 23,1-6.13-25), as ruas da cidade de Jerusal\u00e9m (por onde Jesus passou, carregando com a trave transversal da cruz, segundo o ritual pr\u00f3prio das crucifix\u00f5es \u2013 cf. Lc 23,26-32), o Calv\u00e1rio (a pequena colina, fora da cidade onde Jesus, por volta das 9 horas de sexta-feira, foi crucificado \u2013 Lc 23,33-49), e o t\u00famulo novo oferecido por Jos\u00e9 de Arimateia (onde o corpo morto de Jesus foi depositado antes do p\u00f4r do sol de sexta-feira \u2013 cf. Lc 23,50-56).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em que data e em que contexto ocorreram os acontecimentos narrados no relato da paix\u00e3o de Jesus? Todos os evangelistas concordam que Jesus celebrou uma ceia depois do p\u00f4r do sol de uma quinta-feira (quando, segundo o calend\u00e1rio religioso judaico j\u00e1 era sexta-feira) e que morreu na cruz por volta das tr\u00eas horas da tarde dessa sexta-feira. Para Marcos, Mateus e Lucas, contudo, essa sexta-feira era o dia da celebra\u00e7\u00e3o da festa judaica da P\u00e1scoa. Assim, a \u00faltima ceia de Jesus com os disc\u00edpulos teria sido uma Ceia Pascal. Jo\u00e3o, no entanto, considera que a sexta-feira (dia em que Jesus morreu) n\u00e3o foi dia de P\u00e1scoa, mas sim o dia da prepara\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa (o dia de P\u00e1scoa, nesse ano, come\u00e7ou na sexta-feira ao p\u00f4r do sol, quando Jesus j\u00e1 tinha morrido na cruz). Nesse caso, a \u00faltima ceia de Jesus com os disc\u00edpulos n\u00e3o teria sido uma Ceia Pascal, mas sim uma ceia de despedida. \u00c9 dif\u00edcil aceitar o calend\u00e1rio dos sin\u00f3ticos, pois n\u00e3o parece prov\u00e1vel que, em pleno dia de P\u00e1scoa, os judeus desenvolvessem o processo contra Jesus, o levassem pelas ruas de Jerusal\u00e9m at\u00e9 ao G\u00f3lgota e o crucificassem. Sendo assim, Jesus teria sido crucificado na v\u00e9spera da celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa judaica. Estar\u00edamos, muito provavelmente, na primavera do ano 30. Jesus teria, ent\u00e3o, 35-37 anos. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Celebrar a paix\u00e3o e a morte de Jesus \u00e9 abismar-se na contempla\u00e7\u00e3o de um Deus a quem o amor tornou fr\u00e1gil\u2026 Por amor, Ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites e fragilidades, experimentou a fome, o sono, o cansa\u00e7o, conheceu a mordedura das tenta\u00e7\u00f5es, experimentou a ang\u00fastia e o pavor diante da morte; e, estendido no ch\u00e3o, esmagado contra a terra, atrai\u00e7oado, abandonado, incompreendido, continuou a amar, at\u00e9 ao \u00faltimo suspiro, at\u00e9 \u00e0 \u00faltima gota de sangue. Esta \u00e9 a mais espantosa hist\u00f3ria de amor que \u00e9 poss\u00edvel contar; ela \u00e9 a boa not\u00edcia que enche de alegria o cora\u00e7\u00e3o dos crentes. \u00c9 esse amor ilimitado e inacredit\u00e1vel que vemos quando olhamos para a cruz de Jesus? E o amor de Jesus, expresso na cruz, torna-se li\u00e7\u00e3o que n\u00f3s acolhemos e que transformamos em gestos concretos de dom e de servi\u00e7o para os que \u201cviajam\u201d connosco?<\/li>\n<li>Contemplar a cruz onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus significa assumir a mesma atitude que Ele assumiu e solidarizar-se com aqueles que s\u00e3o crucificados neste mundo: os que sofrem viol\u00eancia, os que s\u00e3o explorados, os que s\u00e3o exclu\u00eddos, os que s\u00e3o privados de direitos e de dignidade. Olhar a cruz de Jesus significa denunciar tudo o que gera \u00f3dio, divis\u00e3o, medo, em termos de estruturas, valores, pr\u00e1ticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor\u2026 Viver deste modo pode conduzir \u00e0 morte; mas o crist\u00e3o sabe que amar como Jesus \u00e9 viver a partir de uma din\u00e2mica que a morte n\u00e3o pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne os dinamismos da ressurrei\u00e7\u00e3o. A contempla\u00e7\u00e3o da cruz de Jesus leva-nos ao compromisso com a transforma\u00e7\u00e3o do mundo? A contempla\u00e7\u00e3o da cruz de Jesus faz com que nos sintamos solid\u00e1rios com todos os nossos irm\u00e3os que todos os dias s\u00e3o crucificados e injusti\u00e7ados? A contempla\u00e7\u00e3o da cruz de Jesus d\u00e1-nos a coragem para lutarmos contra tudo aquilo que gera sofrimento e morte, mesmo que isso implique correr riscos, ser incompreendido e condenado?<\/li>\n<li>Um dos elementos mais destacados nos relatos da paix\u00e3o \u2013 nomeadamente no relato de Lucas \u2013 \u00e9 a forma como Jesus Se comporta ao longo de todo o processo que conduz \u00e0 sua morte\u2026 Ele nunca Se descontrola, nunca recua, nunca resiste, mas mant\u00e9m-Se sempre sereno e digno, enfrentando o seu destino de cruz. Tal n\u00e3o significa que Jesus seja um her\u00f3i inconsciente a quem o sofrimento e a morte n\u00e3o assustam, ou que Ele Se coloque na pele de um fraco que desistiu de lutar e que aceita passivamente aquilo que os outros Lhe imp\u00f5em\u2026 A atitude de Jesus \u00e9 a atitude de quem sabe que o Pai Lhe confiou uma miss\u00e3o e est\u00e1 decidido a cumprir essa miss\u00e3o, custe o que custar. Temos a mesma disponibilidade de Jesus para escutar os desafios de Deus e a mesma determina\u00e7\u00e3o que Jesus tinha para concretizar esses desafios no mundo?<\/li>\n<li>A ang\u00fastia de Jesus diante da morte \u2013 bem expressa naquele \u201csuor que se tornou como grossas gotas de sangue que ca\u00edam por terra\u201d \u2013 tornam-n\u2019O muito \u201chumano\u201d, muito pr\u00f3ximo das nossas debilidades e fragilidades. Dessa forma, \u00e9 mais f\u00e1cil identificarmo-nos com Ele, confiar n\u2019Ele, segui-l\u2019O no seu caminho do amor e da entrega. A humanidade de Jesus mostra-nos, tamb\u00e9m, que o caminho da obedi\u00eancia ao Pai n\u00e3o \u00e9 um caminho imposs\u00edvel, reservado a super-her\u00f3is ou a deuses, mas \u00e9 um caminho de homens fr\u00e1geis, chamados por Deus a percorrerem, com esfor\u00e7o, o caminho que conduz \u00e0 vida definitiva. Quais s\u00e3o as fragilidades que sentimos e que s\u00e3o obst\u00e1culo no nosso seguimento de Jesus? Deixamos que as limita\u00e7\u00f5es \u2013 reais ou imagin\u00e1rias \u2013 que sentimos sejam decisivas quando chega a hora de optarmos?<\/li>\n<li>\u201cFazei isto em mem\u00f3ria de Mim\u201d \u2013 diz Jesus aos disc\u00edpulos na ceia em que se despediu deles e lhes deixou o seu testamento. A express\u00e3o n\u00e3o se referia apenas ao gesto que Jesus fez sobre o p\u00e3o, mas referia-se sobretudo a essa entrega de si pr\u00f3prio que Ele viveu desde que nasceu at\u00e9 que morreu na cruz. N\u00f3s que partilhamos e comemos o p\u00e3o eucar\u00edstico vivemos na l\u00f3gica de Jesus e procuramos p\u00f4r a nossa vida ao servi\u00e7o dos irm\u00e3os que encontramos no caminho? O gesto lit\u00fargico de \u201ccomer\u201d o p\u00e3o de Jesus, repetido em cada eucaristia, \u00e9 um gesto ritual e vazio, sem consequ\u00eancias na vida, ou \u00e9 um gesto que se traduz, na vida concreta, em servi\u00e7o simples e humilde em favor dos irm\u00e3os, em amor at\u00e9 ao extremo, em luta pela justi\u00e7a e pela verdade, em compromisso com a constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo e mais humano?<\/li>\n<li>Lucas apresenta Jesus, poucas horas antes de ser morto na cruz, a pedir aos disc\u00edpulos que n\u00e3o coloquem no centro das suas vidas as preocupa\u00e7\u00f5es com os postos importantes, os lugares de poder, as honras, as distin\u00e7\u00f5es, os privil\u00e9gios, mas sim o servi\u00e7o simples e humilde aos irm\u00e3os. A Igreja nascida de Jesus, ou ser\u00e1 uma comunidade de amor e servi\u00e7o, ou n\u00e3o ser\u00e1 nada. Que temos feito desse \u201ctestamento\u201d que Jesus nos deixou? Que sentido fazem, \u00e0 luz do \u201ctestamento\u201d de Jesus, as pompas, os t\u00edtulos, as honrarias, os privil\u00e9gios, atr\u00e1s dos quais \u00e0s vezes corremos? Temos continuamente presente no nosso horizonte de vida a express\u00e3o de Jesus \u201co maior entre v\u00f3s seja como o menor e aquele que manda seja como quem serve\u201d?<\/li>\n<li>A maior parte dos disc\u00edpulos de Jesus fugiram quando Ele foi preso no monte das Oliveiras e Pedro negou-o tr\u00eas vezes no p\u00e1tio da casa do sumo sacerdote. Apesar disso, Lucas d\u00e1 conta de um homem chamado Sim\u00e3o de Cirene que pega na cruz e a leva \u201catr\u00e1s de Jesus\u201d, bem como de diversas mulheres que seguem Jesus enquanto Ele caminha para o local da sua execu\u00e7\u00e3o. Sim\u00e3o e as mulheres que seguem Jesus n\u00e3o t\u00eam medo de ir atr\u00e1s de Jesus, de ajud\u00e1-lo a levar a cruz, de percorrer com Jesus o caminho da doa\u00e7\u00e3o total, de ficar com Jesus at\u00e9 ao fim. Sim\u00e3o e aquelas mulheres s\u00e3o verdadeiros disc\u00edpulos. Est\u00e3o incondicionalmente com Jesus, mesmo que o caminho em que Ele segue seja um caminho de sofrimento e de dor. Que tipo de disc\u00edpulos somos n\u00f3s? Somos daqueles que abandonam Jesus quando o caminho se torna complicado, ou somos dos incondicionais, dos que o acompanham at\u00e9 ao fim, aconte\u00e7a o que acontecer?<\/li>\n<li>Jesus passou a vida rodeado de pessoas \u201cpouco recomend\u00e1veis\u201d, que a sociedade e a religi\u00e3o condenavam. No momento mais decisivo da sua vida, naquela colina fora das muralhas de Jerusal\u00e9m onde est\u00e1 a \u201centregar a vida\u201d, continua rodeado por gente \u201cmaldita\u201d. A um dos \u201cmalfeitores\u201d que, afinal, se revelou um homem de boa vontade, Jesus prometeu-lhe a salva\u00e7\u00e3o de Deus. Como tratamos os \u201cmalditos\u201d da Igreja e do mundo, os marginais, os que vivem de forma social ou religiosamente incorreta? Fechamos-lhe as portas das nossas comunidades crist\u00e3s e das nossas vidas, ou testemunhamos-lhes a miseric\u00f3rdia, a bondade e a ternura de Deus?<\/li>\n<li>A morte de Jesus n\u00e3o foi um acidente. Os l\u00edderes judaicos que arquitetaram a morte de Jesus sabiam bem o que estavam a fazer. A culpa dos dirigentes naquela triste hist\u00f3ria de viol\u00eancia e morte que vitimou Jesus n\u00e3o podia ser mais clara. Apesar disso, Jesus morreu a pedir a Deus que perdoasse aos seus assassinos. O perd\u00e3o \u2013 que \u00e9 uma consequ\u00eancia do amor \u2013 \u00e9 a marca de Deus. Somos capazes de imitar Jesus e de perdoar a quem nos faz mal? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> n\u00e3o apresenta nenhuma dificuldade aparente na sua proclama\u00e7\u00e3o. Requer uma leitura pausada e atenta que exprima toda a densidade e intensidade dram\u00e1tica do texto. A \u00faltima frase exige uma especial aten\u00e7\u00e3o para que se possa transmitir a confian\u00e7a e esperan\u00e7a que o aux\u00edlio de Deus oferece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 um hino lit\u00fargico e po\u00e9tico e apresenta duas partes distintas: uma primeira mais dram\u00e1tica e uma segunda mais jubilosa e marcada pela exalta\u00e7\u00e3o de Jesus. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter presente todos estes elementos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quaresma: Caminhada para a P\u00e1scoa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>TEMPO DE CONVERS\u00c3O\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi-te dito:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodeia-te de triunfadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que tua vida seja um \u00eaxito<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">serve-te de todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ret\u00e9m em tua mem\u00f3ria<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">o nome do rico,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e anota o telefone<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">do rosto feminino<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que sorri no concurso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Forra as paredes de tua casa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">com assinaturas de pintores<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">de prest\u00edgio e de dinheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enche tua boca<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">com os nomes<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que ocupam o cen\u00e1rio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">da gl\u00f3ria escorregadia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faz-te vizinho, compadre,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">do seu clube e seu partido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que todas estas famas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">te emprestem o seu prest\u00edgio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas a Palavra diz:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senta \u00e0 tua mesa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">os que n\u00e3o podem<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">convidar-te a sua casa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">arrastada pelo rio,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e empresta sem enrugar a cara<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ao que n\u00e3o pode devolver-te<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">o teu dinheiro no prazo estipulado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">porque as horas extras<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">se perderam no computador<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">da zona franca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Haver\u00e3o encontrado em ti<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a resposta de Deus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00e0 sua ang\u00fastia quotidiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e tu sentir\u00e1s atravessar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">algo de Deus a passar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">pelo centro de ti mesmo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para chegar at\u00e9 ao irm\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao romper,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">com este gesto de gratuita proximidade,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">as leis e as c\u00e1tedras do investimento bem calculado,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">um manancial de eternidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">te chegar\u00e1 entre tuas pedras,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e far\u00e1 de ti um servidor de todos,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">cheio de gra\u00e7a e de sabor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Benjamin Gonz\u00e1lez Buelta<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>in &#8216;Salmos para sentir e saborear as coisas internamente&#8217;<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Leitura-I-do-Domingo-de-Ramos-Ano-C-13.04.2025-Isaias-50-4-7.pdf\">Leitura I do Domingo de Ramos &#8211; Ano C &#8211; 13.04.2025 (Isaias 50, 4-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Leitura-II-do-Domingo-de-Ramos-Ano-C-13.04.2025-Filipenses-2-6-11.pdf\">Leitura II do Domingo de Ramos &#8211; Ano C &#8211; 13.04.2025 (Filipenses 2, 6-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Domingo-de-Ramos-Ano-C-13.04.2025-Lecionario.pdf\">Domingo de Ramos &#8211; Ano C &#8211; 13.04.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Domingo-de-Ramos-Ano-C-13.04.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo de Ramos &#8211; Ano C &#8211; 13.04.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Domingo-de-Ramos-e-da-Paixao-do-Senhor-Ano-C-13.04.2025-refletindo.pdf\">Domingo de Ramos e da Paix\u00e3o do Senhor &#8211; Ano C &#8211; 13.04.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-de-Ramos.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo de Ramos<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mensagem-para-Quaresma-2025-Papa-Francisco-2.pdf\">Mensagem para Quaresma 2025 &#8211; Papa Francisco<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo V da Quaresma \u2013 Ano C \u2013 06 abril 2025&#8243; tab_id=&#8221;1744619708629-d911bd70-b14b&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo V da Quaresma &#8211; Ano C \u2013 06 abril 2025<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-V.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A porta do Cora\u00e7\u00e3o Misericordioso de Deus continua aberta e escancarada para n\u00f3s. Deus n\u00e3o tem medo de mostrar como \u00e9 grande a Sua miseric\u00f3rdia e o Seu amor, por isso, podemos cantar e aclamar com as palavras do Salmo: \u00ab<em>Grandes Maravilhas fez por n\u00f3s o Senhor\u00bb<\/em>. Este Deus surpreendente e misericordioso manifesta as maravilhas do Seu poder, pelo amor desmedido e pelo acolhimento generoso. No centro da mensagem de Jesus n\u00e3o est\u00e1 o nosso pecado e a nossa mis\u00e9ria, mas a infinita bondade e ternura de Deus que convertem a nossa mis\u00e9ria e pecado em possibilidade de vida nova. Por isso, o Evangelho de hoje \u00e9 uma verdadeira escola da arte de amar e perdoar, de acolher e gerar vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Jesus sentou-Se e come\u00e7ou a ensinar!<\/em>\u00bb. Assim aparece Jesus no Evangelho deste Domingo: rodeado pela multid\u00e3o que acorre ao Templo e sentado para ensinar, n\u00e3o apenas com as palavras cheias de sabedoria e autoridade que saiam da Sua boca, mas com a for\u00e7a do perd\u00e3o e da miseric\u00f3rdia que levanta os que est\u00e3o ca\u00eddos e que faz cair das nossas m\u00e3os as pedras do julgamento apressado que ignora a pr\u00f3pria fragilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No centro da Liturgia da Palavra deste Domingo est\u00e1 a miseric\u00f3rdia e o perd\u00e3o que abrem a porta da esperan\u00e7a quando tudo parece perdido. \u00ab<em>Olhai: vou realizar uma coisa nova, que j\u00e1 come\u00e7a a aparecer; n\u00e3o a vedes?<\/em>\u00bb. Na verdade, muitas vezes o nosso cora\u00e7\u00e3o parece estar longe desta oferta de vida nova que brota da mensagem evang\u00e9lica. Como os escribas e fariseus, que trazem uma mulher surpreendida em adult\u00e9rio e arrastada como um objeto que servir\u00e1 para colocar \u00e0 prova Jesus, tamb\u00e9m n\u00f3s, tantas vezes, vivemos de dedo em riste, prontos a apontar os erros alheios, mas cheios de boas raz\u00f5es quando cometemos os mesmos erros. Por isso, precisamos de nos deixar moldar pela ternura e pela bondade dos gestos e palavras de Jesus para que saibamos encontrar na nossa fragilidade um convite \u00e0 convers\u00e3o, fazendo das pedras do nosso caminho, n\u00e3o um obst\u00e1culo onde trope\u00e7amos e ca\u00edmos, mas uma oportunidade de crescimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O enigm\u00e1tico gesto de Jesus, que por duas vezes se inclina, escreve com o dedo no ch\u00e3o, se endireita e fala, evoca a dupla descida e subida de Mois\u00e9s no Monte Sinai para receber as t\u00e1buas da Lei \u00abescritas pelo dedo de Deus\u00bb (Ex 31,18). A Lei \u00e9 sinal da miseric\u00f3rdia de Deus e da Sua gra\u00e7a. De modo particular, este gesto simb\u00f3lico de se inclinar e de se erguer de Jesus, representa o baixar e o elevar de Cristo sobre a Cruz, verdadeira s\u00edntese de toda a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e hermen\u00eautica qualificada do querer de Deus misericordioso e compassivo. O Mestre inclina-se para partilhar a nossa mis\u00e9ria, para imprimir na terra o sinal da sua presen\u00e7a salvadora, para inscrever um futuro no cora\u00e7\u00e3o da mulher e lhe abrir a porta da esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como recordou o Papa Francisco nas suas catequeses sobre a miseric\u00f3rdia: \u00ab<em>n\u00e3o h\u00e1 santo sem passado, nem pecador sem futuro<\/em>\u00bb. N\u00e3o h\u00e1 caminhos sem sa\u00edda para quem se sabe amado por Deus, pois \u00ab<em>o Senhor abriu outrora caminhos atrav\u00e9s do mar, veredas por entre as torrentes das \u00e1guas<\/em>\u00bb. Em Jesus Cristo, Deus realiza em plenitude esta oferta de vida nova e faz-nos passar pelas \u00e1guas do batismo, torrente de gra\u00e7a, para que possamos percorrer com entusiasmo a estrada da santidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Batizados em Cristo, perdoados pelo Seu amor e sustentados pela sua miseric\u00f3rdia, somos chamados a caminhar de olhos fixos na meta que Jesus Cristo nos aponta: \u00ab<em>esquecendo o que fica para tr\u00e1s, lan\u00e7ar-me para a frente, continuar a correr para a meta, em vista do pr\u00e9mio a que Deus, l\u00e1 do alto, me chama em Cristo Jesus<\/em>\u00bb.<em><strong> in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No <strong>V Domingo<\/strong> do nosso itiner\u00e1rio quaresmal somos desafiados ao acolhimento e \u00e0 ternura. Desafiados pela atitude acolhedora e misericordiosa de Jesus, que rejeita o pecado, mas acolhe o pecador para que se converta e viva, somos convidados esta semana a superar a rigidez com a ternura para que na nossa vida possamos tocar a carne sofredora de Cristo nos outros. Este Domingo constitui-se como oportunidade para refletir na revolu\u00e7\u00e3o da ternura a que nos desafia o Papa Francisco, concretizando-a em gestos concretos, na visita aos doentes ou mais marginalizados da nossa comunidade. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no <strong>Tempo da Quaresma,<\/strong> continuamos um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 43,16-21<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor abriu outrora caminhos atrav\u00e9s do mar,<br \/>\nveredas por entre as torrentes das \u00e1guas.<br \/>\nP\u00f4s em campanha carros e cavalos,<br \/>\num ex\u00e9rcito de valentes guerreiros;<br \/>\ne todos ca\u00edram para n\u00e3o mais se levantarem,<br \/>\nextinguiram-se como um pavio que se apaga.<br \/>\nEis o que diz o Senhor:<br \/>\n\u00abN\u00e3o vos lembreis mais dos acontecimentos passados,<br \/>\nn\u00e3o presteis aten\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas antigas.<br \/>\nOlhai: vou realizar uma coisa nova,<br \/>\nque j\u00e1 come\u00e7a a aparecer; n\u00e3o a vedes?<br \/>\nVou abrir um caminho no deserto,<br \/>\nfazer brotar rios na terra \u00e1rida.<br \/>\nOs animais selvagens \u2013 chacais e avestruzes \u2013<br \/>\nproclamar\u00e3o a minha gl\u00f3ria,<br \/>\nporque farei brotar \u00e1gua no deserto,<br \/>\nrios na terra \u00e1rida,<br \/>\npara matar a sede ao meu povo escolhido,<br \/>\no povo que formei para Mim<br \/>\ne que proclamar\u00e1 os meus louvores\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDeutero-Isa\u00edas\u201d \u00e9 o nome que se d\u00e1 a um profeta an\u00f3nimo, provavelmente da escola de Isa\u00edas, que cumpriu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica entre os exilados judeus na Babil\u00f3nia e que \u00e9 o autor dos cap\u00edtulos 40 a 55 do livro de Isa\u00edas. Esses cap\u00edtulos s\u00e3o conhecidos como o \u201clivro da Consola\u00e7\u00e3o\u201d, uma vez que as reflex\u00f5es desenvolvidas pelo profeta se destinam a \u201cconsolar\u201d os judeus exilados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos na fase final do Ex\u00edlio, entre 550 e 539 a.C., numa altura em que os exilados est\u00e3o especialmente frustrados e desanimados. Tinham passado algumas dezenas de anos desde que Jerusal\u00e9m fora arrasada por Nabucodonosor e que os sobreviventes da guerra tinham sido levados como prisioneiros para a Babil\u00f3nia. Os exilados pensavam, inicialmente, que Deus iria atuar rapidamente e libertar o seu Povo do cativeiro; mas os anos passavam e nada disso acontecia. Deus teria virado definitivamente as costas ao seu Povo? Os deuses babil\u00f3nicos seriam mais poderosos e estariam a impedir Jav\u00e9 de libertar o Seu Povo? Os exilados estariam condenados a morrer numa terra estrangeira sem cumprirem o sonho de rever a sua terra? O Deutero-Isa\u00edas dirige-se a este povo que come\u00e7a a perder a esperan\u00e7a, responde \u00e0s suas quest\u00f5es e procura dar-lhe \u00e2nimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira parte do \u201cLivro da Consola\u00e7\u00e3o\u201d (Is 40-48), o profeta anuncia a imin\u00eancia da liberta\u00e7\u00e3o e compara a liberta\u00e7\u00e3o da Babil\u00f3nia \u2013 que ele perspetiva para breve \u2013 com o \u00caxodo do Egipto. \u00c9 neste contexto que deve ser enquadrada a primeira leitura deste quinto domingo da Quaresma: \u00e9 um or\u00e1culo de salva\u00e7\u00e3o, no qual Jav\u00e9, pela voz do Deutero-Isa\u00edas, anuncia a ru\u00edna da Babil\u00f3nia e a imin\u00eancia de um \u201cnovo \u00caxodo\u201d para o povo de Deus. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Israel colocou na base do edif\u00edcio da sua f\u00e9 um encontro decisivo com o Deus que o libertou da escravid\u00e3o no Egito. Essa experi\u00eancia primordial ofereceu aos catequistas de Israel um paradigma para ler e entender as futuras a\u00e7\u00f5es de Deus em favor do seu povo: o Deus que salvou os escravos hebreus da opress\u00e3o do fara\u00f3, \u00e9 o Deus que n\u00e3o se conforma com qualquer escravid\u00e3o que roube a vida e a dignidade dos seus filhos e que agir\u00e1 sempre para os libertar do sofrimento e da morte. Toda a f\u00e9 de Israel est\u00e1 firmemente ancorada nesta certeza. Hoje, ao escutar o texto do Deutero-Isa\u00edas que a primeira leitura nos apresenta, somos convidados a acolher este \u201cdogma\u201d fundamental na experi\u00eancia de f\u00e9 do povo de Deus. Tamb\u00e9m para n\u00f3s, no s\u00e9c. XXI, o mesmo Deus libertador quer salvar-nos de tudo aquilo que nos escraviza e nos impede de viver com dignidade. Nesse processo libertador, h\u00e1 coisas que Deus far\u00e1, e h\u00e1 coisas que teremos de ser n\u00f3s a fazer, com a ajuda de Deus. Quais s\u00e3o, na nossa experi\u00eancia de todos os dias, as \u201cescravid\u00f5es\u201d que nos amarram e que nos impedem de construir uma vida com sentido? O que podemos fazer, da nossa parte, para derrotarmos os mecanismos de escravid\u00e3o e de morte que nos atingem e que atingem tantos dos nossos irm\u00e3os?<\/li>\n<li>\u201cN\u00e3o vos lembreis mais dos acontecimentos passados, n\u00e3o presteis aten\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas antigas\u201d \u2013 pede Deus ao seu povo atrav\u00e9s do Deutero-Isa\u00edas. Trata-se de uma boa sugest\u00e3o. Determo-nos nostalgicamente a contemplar o passado, pode contribuir para nos alhearmos da realidade presente e para limitarmos a nossa capacidade de construir um \u201choje\u201d com sentido. Ficar a olhar o passado pode significar estagna\u00e7\u00e3o, conformismo, acomoda\u00e7\u00e3o, instala\u00e7\u00e3o, fechamento ao mundo; e nada disso \u00e9 construtivo. Quando ficamos presos ao que j\u00e1 l\u00e1 vai, num saudosismo que paralisa, acabamos por passar ao lado dos desafios sempre novos de Deus e dos dons que, em cada novo dia, Deus nos destina. Deixamo-nos levar pela tenta\u00e7\u00e3o do passado, decidindo que \u201cantigamente \u00e9 que era bom\u201d e que \u201cagora est\u00e1 tudo pior\u201d, ou estamos dispon\u00edveis para olhar em frente e para acolher, no nosso tempo, os dons de Deus?<\/li>\n<li>\u201cVou abrir um caminho no deserto, fazer brotar rios na terra \u00e1rida\u201d \u2013 diz Deus ao seu povo. Podemos ver o \u201ccaminho quaresmal\u201d como esse caminho novo que Deus se prop\u00f5e abrir para n\u00f3s e que nos leva ao encontro de uma exist\u00eancia vivida de forma mais livre, mais feliz, mais realizada. Estamos sinceramente dispostos a enveredar por esse caminho? Haver\u00e1 alguma coisa \u2013 ideias, comportamentos, atitudes, formas de ver o mundo, maneiras de nos relacionarmos com os nossos irm\u00e3os \u2013 que nos propomos abandonar, a fim de caminharmos mais livres e mais desimpedidos em dire\u00e7\u00e3o a essa vida nova que Deus se prop\u00f5e oferecer-nos? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 125 (126)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Grandes maravilhas fez por n\u00f3s o Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando o Senhor fez regressar os cativos de Si\u00e3o,<br \/>\nparecia-nos viver um sonho.<br \/>\nDa nossa boca brotavam express\u00f5es de alegria<br \/>\ne de nossos l\u00e1bios c\u00e2nticos de j\u00fabilo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diziam ent\u00e3o os pag\u00e3os:<br \/>\n\u00abO Senhor fez por eles grandes coisas\u00bb.<br \/>\nSim, grandes coisas fez por n\u00f3s o Senhor,<br \/>\nestamos exultantes de alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,<br \/>\ncomo as torrentes do deserto.<br \/>\nOs que semeiam em l\u00e1grimas<br \/>\nrecolhem com alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c0 ida, v\u00e3o a chorar,<br \/>\nlevando as sementes;<br \/>\n\u00e0 volta, v\u00eam a cantar,<br \/>\ntrazendo os molhos de espigas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Filipenses 3,8-14<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nConsidero todas as coisas como preju\u00edzo,<br \/>\ncomparando-as com o bem supremo,<br \/>\nque \u00e9 conhecer Jesus Cristo, meu Senhor.<br \/>\nPor Ele renunciei a todas as coisas<br \/>\ne considerei tudo como lixo,<br \/>\npara ganhar a Cristo<br \/>\ne n\u2019Ele me encontrar,<br \/>\nn\u00e3o com a minha justi\u00e7a que vem da Lei,<br \/>\nmas com a que se recebe pela f\u00e9 em Cristo,<br \/>\na justi\u00e7a que vem de Deus e se funda na f\u00e9.<br \/>\nAssim poderei conhecer Cristo,<br \/>\no poder da sua ressurrei\u00e7\u00e3o<br \/>\ne a participa\u00e7\u00e3o nos seus sofrimentos,<br \/>\nconfigurando-me \u00e0 sua morte,<br \/>\npara ver se posso chegar \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos.<br \/>\nN\u00e3o que eu tenha j\u00e1 chegado \u00e0 meta,<br \/>\nou j\u00e1 tenha atingido a perfei\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMas continuo a correr, para ver se a alcan\u00e7o,<br \/>\numa vez que tamb\u00e9m fui alcan\u00e7ado por Cristo Jesus.<br \/>\nN\u00e3o penso, irm\u00e3os, que j\u00e1 o tenha conseguido.<br \/>\nS\u00f3 penso numa coisa:<br \/>\nesquecendo o que fica para tr\u00e1s,<br \/>\nlan\u00e7ar-me para a frente, continuar a correr para a meta,<br \/>\nem vista do pr\u00e9mio a que Deus, l\u00e1 do alto,<br \/>\nme chama em Cristo Jesus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade de Filipos, situada na Maced\u00f3nia oriental, era uma cidade pr\u00f3spera, com uma popula\u00e7\u00e3o constitu\u00edda maioritariamente por veteranos romanos do ex\u00e9rcito. Organizada \u00e0 maneira de Roma, estava fora da jurisdi\u00e7\u00e3o dos governantes das prov\u00edncias locais e dependia diretamente do imperador. Gozava dos mesmos privil\u00e9gios das cidades de It\u00e1lia e os seus habitantes tinham cidadania romana. Paulo chegou a Filipos pelo ano 49 ou 50, no decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria, acompanhado de Silvano, Tim\u00f3teo e Lucas (cf. At 16,1-40). Da sua prega\u00e7\u00e3o nasceu a primeira comunidade crist\u00e3 em solo europeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 de Filipos era uma comunidade entusiasta, generosa, comprometida, sempre atenta \u00e0s necessidades de Paulo e do resto da Igreja (como no caso da coleta em favor da Igreja de Jerusal\u00e9m \u2013 cf. 2Cor 8,1-5). Paulo nutria pelos crist\u00e3os de Filipos um afeto especial; e os filipenses, por seu turno, tinham Paulo em grande apre\u00e7o. Apesar de tudo, a comunidade crist\u00e3 de Filipos n\u00e3o era perfeita: os altivos patr\u00edcios romanos de Filipos tinham alguma dificuldade em assumir certos valores como o desprendimento, a humildade e a simplicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo escreve aos Filipenses numa altura em que estava na pris\u00e3o (n\u00e3o sabemos se em Cesareia, em Roma, ou em \u00c9feso). Os filipenses tinham-lhe enviado, por um membro da comunidade chamado Epafrodito, uma certa quantia em dinheiro, a fim de que Paulo pudesse prover \u00e0s suas necessidades. Na carta, Paulo agradece a preocupa\u00e7\u00e3o dos filipenses com a sua pessoa (cf. Flp 4,10-20), exorta-os a manterem-se fi\u00e9is ao Evangelho de Jesus e a incarnarem os valores que marcaram a vida de Cristo (cf. Flp 2,5). A carta apresenta, tamb\u00e9m, uma parte \u201cpol\u00e9mica\u201d (cf. Flp 3,1b-4,1.8-9), na qual Paulo avisa os filipenses contra os \u201cc\u00e3es\u201d, os \u201cmaus trabalhadores\u201d (Flp 3,2) que, em Filipos como em todo o lado, semeiam a d\u00favida e a confus\u00e3o na comunidade. Quem s\u00e3o estes? S\u00e3o os chamados \u201cjudaizantes\u201d, isto \u00e9, os pregadores crist\u00e3os de origem judaica que proclamavam a obrigatoriedade da circuncis\u00e3o e da obedi\u00eancia \u00e0 Lei de Mois\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto insere-se nesse discurso de pol\u00e9mica contra os advers\u00e1rios \u201cjudaizantes\u201d. Nele, Paulo pede aos Filipenses que n\u00e3o se deixem enganar por esses falsos pregadores, que se apresentam com t\u00edtulos de gl\u00f3ria, mas que parecem esquecer que s\u00f3 Cristo \u00e9 importante. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Neste texto da Carta aos Filipenses \u2013 como em tantos outros textos paulinos \u2013 est\u00e1 em evid\u00eancia uma realidade que nos ajuda a entender as apostas de Paulo de Tarso: Cristo ocupa um lugar central na vida do ap\u00f3stolo. Quando Paulo encontrou Cristo, na estrada de Damasco, tudo o que at\u00e9 ent\u00e3o tinha desempenhado um lugar importante na sua vida ficou para tr\u00e1s. Cristo tomou conta da vida de Paulo de forma irrevers\u00edvel. Paulo, a partir desse encontro fundamental, passou a considerar todas as coisas um \u201cpreju\u00edzo\u201d quando comparadas com Cristo. N\u00f3s que, no dia do nosso batismo, nos encontramos com Cristo e que temos, desde ent\u00e3o, feito um longo caminho com Cristo, poderemos dizer o mesmo? Que lugar ocupa Cristo na nossa vida? O \u201cconhecimento\u201d de Cristo, a identifica\u00e7\u00e3o com Cristo, a comunh\u00e3o com Cristo, o seguimento de Cristo s\u00e3o a nossa prioridade? Cristo sobrep\u00f5e-se a todos os outros valores e propostas que a cada instante entram no caminho da nossa vida e viajam connosco?<\/li>\n<li>Paulo refere-se a algumas das coisas a que chegou a dar import\u00e2ncia, antes de se encontrar com Cristo, como \u201clixo\u201d, \u201cesterco\u201d. A palavra usada por Paulo sugere o desprezo que ele sente por valores que, al\u00e9m de f\u00fateis, podem mesmo constituir um obst\u00e1culo no caminho que Deus nos chama a fazer. O tempo da Quaresma \u00e9 um tempo oportuno para identificarmos e para, eventualmente, nos livrarmos do \u201clixo\u201d que vamos acumulando na nossa vida e que dificulta a nossa identifica\u00e7\u00e3o com Cristo. Quais s\u00e3o os \u201clixos\u201d que andamos a acumular e que nos impedem de caminhar livremente ao encontro de Cristo? Estamos dispostos, neste tempo quaresmal, a fazer uma limpeza da nossa vida e a prescindir daquilo que nos aprisiona e nos impede de correr para a meta, ao encontro da vida definitiva?<\/li>\n<li>Paulo lembra aos crist\u00e3os de Filipos \u2013 e a n\u00f3s tamb\u00e9m \u2013 que a vida crist\u00e3 \u00e9 uma corrida que n\u00e3o acaba enquanto n\u00e3o chegarmos \u00e0 meta. Paulo sabia que, em determinados momentos do caminho, somos tentados pela acomoda\u00e7\u00e3o, pelo conformismo, pela instala\u00e7\u00e3o, pela pregui\u00e7a, pela convic\u00e7\u00e3o de que j\u00e1 fizemos tudo o que era necess\u00e1rio fazer. Por isso, Paulo deixa o aviso: enquanto caminhamos nesta terra nada est\u00e1 conclu\u00eddo, h\u00e1 sempre caminho a percorrer. A nossa identifica\u00e7\u00e3o com Cristo \u00e9 um desafio constante, uma aposta que temos de renovar em cada passo do caminho. Como \u00e9 que encaramos a nossa caminhada ao encontro de Cristo? Como uma meta j\u00e1 alcan\u00e7ada, que nos permite, a carta altura, viver de rendimentos, ou como uma corrida nunca terminada, que exige a cada passo a renova\u00e7\u00e3o do nosso empenho e do nosso compromisso? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 8,1-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus foi para o Monte das Oliveiras.<br \/>\nMas de manh\u00e3 cedo, apareceu outra vez no templo,<br \/>\ne todo o povo se aproximou d\u2019Ele.<br \/>\nEnt\u00e3o sentou-Se e come\u00e7ou a ensinar.<br \/>\nOs escribas e os fariseus apresentaram a Jesus<br \/>\numa mulher surpreendida em adult\u00e9rio,<br \/>\ncolocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus:<br \/>\n\u00abMestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adult\u00e9rio.<br \/>\nNa Lei, Mois\u00e9s mandou-nos apedrejar tais mulheres.<br \/>\nTu que dizes?\u00bb.<br \/>\nFalavam assim para Lhe armarem uma cilada<br \/>\ne terem pretexto para O acusar.<br \/>\nMas Jesus inclinou-Se<br \/>\ne come\u00e7ou a escrever com o dedo no ch\u00e3o.<br \/>\nComo persistiam em interrog\u00e1-l\u2019O,<br \/>\nergueu-Se e disse-lhes:<br \/>\n\u00abQuem de entre v\u00f3s estiver sem pecado<br \/>\natire a primeira pedra\u00bb.<br \/>\nInclinou-Se novamente e continuou a escrever no ch\u00e3o.<br \/>\nEles, por\u00e9m, quando ouviram tais palavras,<br \/>\nforam saindo um ap\u00f3s outro, a come\u00e7ar pelos mais velhos,<br \/>\ne ficou s\u00f3 Jesus e a mulher, que estava no meio.<br \/>\nJesus ergueu-Se e disse-lhe:<br \/>\n\u00abMulher, onde est\u00e3o eles? Ningu\u00e9m te condenou?\u00bb.<br \/>\nEla respondeu:<br \/>\n\u00abNingu\u00e9m, Senhor\u00bb.<br \/>\nDisse ent\u00e3o Jesus:<br \/>\n\u00abNem Eu te condeno.<br \/>\nVai e n\u00e3o tornes a pecar\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato da mulher apanhada a cometer adult\u00e9rio n\u00e3o pertencia, inicialmente, ao Evangelho de Jo\u00e3o. Ter\u00e1 sido um relato introduzido tardiamente no Quarto Evangelho, pois n\u00e3o aparece nos manuscritos anteriores ao ano 300. \u00c9 ignorado pelos Padres da Igreja at\u00e9 ao s\u00e9c. IV. Depois disso, a sua canonicidade \u00e9 defendida por Santo Agostinho, Santo Ambr\u00f3sio e S\u00e3o Jer\u00f3nimo que, no entanto, o colocam noutro lugar (depois de Jo 7,36). Ali\u00e1s, o texto n\u00e3o possui as carater\u00edsticas do estilo jo\u00e2nico (linguagem, g\u00e9nero liter\u00e1rio) e a sua tem\u00e1tica n\u00e3o encaixa nas preocupa\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas do autor do Quarto Evangelho. Alguns manuscritos antigos colocam-no no Evangelho de Lucas (ap\u00f3s Lc 21,38), que seria um lugar mais l\u00f3gico para enquadrar o relato, dado o interesse de Lucas em sublinhar a miseric\u00f3rdia de Jesus para com os pecadores e proscritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se sabe quem recolheu este relato nem por que portas ele veio ter ao Evangelho segundo Jo\u00e3o. Alguns viram no ostracismo a que ele foi votado durante algum tempo a dificuldade da Igreja primitiva em aceitar uma hist\u00f3ria escandalosa, numa altura em que o adult\u00e9rio era considerado totalmente incompat\u00edvel com a condi\u00e7\u00e3o dos batizados, levando inclusive \u00e0 exclus\u00e3o da comunidade crist\u00e3. Contudo, o facto de o texto, depois de algum tempo, se ter imposto e aparecer num dos evangelhos \u00e9 considerado a confirma\u00e7\u00e3o da sua autenticidade: n\u00e3o foi poss\u00edvel silenciar um epis\u00f3dio que se baseava numa tradi\u00e7\u00e3o consistente. Seja como for, a Igreja acabou por aceitar este relato como um texto inspirado e por o incluir no tesouro da Palavra de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena que vai ser descrita situa-nos no Templo de Jerusal\u00e9m. Jesus tinha pernoitado no Monte das Oliveiras; mas, pela manh\u00e3, dirigira-se de novo para o Templo, onde costumava ensinar todos aqueles que iam ao seu encontro. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O epis\u00f3dio da mulher apanhada em adult\u00e9rio, trazida at\u00e9 Jesus pelos escribas e doutores da Lei, oferece-nos um muito belo retrato de Deus e da forma como Deus encara a fragilidade dos seus filhos e filhas. Garante-nos que o Deus que Jesus nos veio revelar funciona numa l\u00f3gica de miseric\u00f3rdia e n\u00e3o numa l\u00f3gica de estrita retribui\u00e7\u00e3o; diz-nos que a for\u00e7a de Deus n\u00e3o est\u00e1 na condena\u00e7\u00e3o e no castigo, mas sim no amor e no perd\u00e3o; assegura que o nosso Deus n\u00e3o quer a morte daquele que errou, mas sim a liberta\u00e7\u00e3o plena de cada um dos seus filhos; confirma que o cora\u00e7\u00e3o de Deus \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o de pai ou de m\u00e3e, sempre cheio de amor pelos seus queridos filhos. Sempre que lhe apresentamos as nossas mis\u00e9rias e as nossas decis\u00f5es est\u00fapidas, Ele diz-nos: \u201cEu n\u00e3o te condeno\u201d; sempre que ca\u00edmos uma e outra e outra vez nos mesmos erros, Ele diz-nos: \u201cEu n\u00e3o te condeno\u201d; sempre que nos apresentamos diante d\u2019Ele dececionados com a forma como conduzimos a nossa vida, Ele consola-nos e garante-nos: \u201cEu n\u00e3o te condeno\u201d; sempre que nos sentimos malvistos, incompreendidos, marginalizados, Ele diz-nos: \u201cEu n\u00e3o te condeno\u201d. Neste tempo quaresmal, quando somos convidados a olhar para as nossas fragilidades mil vezes repetidas, \u00e9 consolador ouvirmos de Deus este \u201cEu n\u00e3o te condeno\u201d; d\u00e1-nos vontade de superarmos as nossas limita\u00e7\u00f5es e de abra\u00e7armos, com decis\u00e3o, um caminho novo, uma vida nova. O que achamos de tudo isto? Sentimos que as nossas fragilidades e limita\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o decisivas face ao amor imenso que Deus nos dedica? Isso \u00e9 para n\u00f3s fonte de consola\u00e7\u00e3o, de alegria e de esperan\u00e7a?<\/li>\n<li>Aqueles escribas e fariseus que trazem a Jesus a mulher apanhada em adult\u00e9rio s\u00e3o os pol\u00edcias da moral e dos bons costumes, sempre dispostos a anotar e a condenar os erros e as falhas dos outros. Os seus cora\u00e7\u00f5es s\u00e3o comandados pelo legalismo e n\u00e3o pela miseric\u00f3rdia. Habita-os a hipocrisia: conseguem descobrir tudo o que se passa de errado na vida dos outros, mas n\u00e3o se det\u00eam um instante a olhar para os seus pr\u00f3prios telhados de vidro. S\u00e3o \u201cfiguras\u201d que encontramos a cada passo no nosso mundo e at\u00e9 mesmo nas nossas comunidades crist\u00e3s. Condenam os \u201cdiferentes\u201d em julgamentos sum\u00e1rios, carregam os outros com pesos insuport\u00e1veis de culpas reais ou imagin\u00e1rias, tratam com arrog\u00e2ncia os mais humildes e fr\u00e1geis, colocam r\u00f3tulos desprovidos de caridade nas pessoas que os rodeiam, oferecem ao mundo a imagem de um Deus intransigente e mau, fazem com que muitos homens e mulheres de boa vontade n\u00e3o tenham qualquer vontade de conhecer Deus e as suas propostas. Conhecemos gente assim? Teremos porventura n\u00f3s tamb\u00e9m alguns destes \u201ctiques\u201d? Necessitaremos de mudar alguma coisa, na nossa forma de ver os nossos irm\u00e3os e as suas fragilidades, para n\u00e3o nos identificarmos com esses \u201cescribas e fariseus\u201d?<\/li>\n<li>Jesus n\u00e3o se limitou a dizer \u00e0 mulher que n\u00e3o a condenava, mas, com respeito e delicadeza, colocou-a na rota de uma vida nova: \u201cvai e n\u00e3o tornes a pecar\u201d. Depois de a libertar do peso da culpa, convidou-a libertar-se das op\u00e7\u00f5es que escravizam e conduzem a situa\u00e7\u00f5es sem sa\u00edda. A \u201cestrat\u00e9gia\u201d de Jesus corresponde ao projeto de Deus para os seres humanos. Deus n\u00e3o se limita a n\u00e3o condenar ou a perdoar, mas quer que os seus filhos caminhem em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 vida nova, a uma vida com sentido, livre e plenamente realizada. \u00c9 precisamente esse o caminho que somos chamados a percorrer durante o tempo quaresmal. De que \u00e9 que precisamos de nos libertar para chegarmos a uma vida renovada, a um caminho de liberdade e de plena realiza\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>O perd\u00e3o \u00e9 um dos sinais do Reino de Deus. Jesus pediu repetidamente aos seus disc\u00edpulos que vivessem as suas vidas ao ritmo do perd\u00e3o. O que \u00e9 perdoar? \u00c9 esquecer ingenuamente as injusti\u00e7as passadas? N\u00e3o. Perdoar \u00e9 recordar o mal que nos fizeram e, apesar disso, adotar uma atitude n\u00e3o discriminat\u00f3ria nem vingativa contra aquele que fez o mal; \u00e9 ter presente o que nos feriu e, apesar disso, inverter a l\u00f3gica de viol\u00eancia e de agressividade para come\u00e7ar uma hist\u00f3ria nova, criadora de um futuro diferente com a pessoa que nos magoou. Quem perdoa, evidentemente, corre riscos; mas, ao perdoar, estamos a evitar o maior de todos os riscos: o de nos fecharmos a qualquer futuro e de deixarmos que o \u00f3dio envenene as nossas vidas. Como lidamos com a exig\u00eancia do perd\u00e3o? Estamos de acordo que o perd\u00e3o nos abre as portas de uma vida mais produtiva, mais humana e mais feliz?<\/li>\n<li>A magnanimidade de Deus para com as pessoas que falham n\u00e3o ser\u00e1 uma atitude pouco pedag\u00f3gica? N\u00e3o favorecer\u00e1 a banaliza\u00e7\u00e3o do pecado? Para Deus ser\u00e1 tudo igual, no que concerne \u00e0s escolhas dos seus filhos, uma vez que o seu amor \u00e9 incondicional? \u00c9 necess\u00e1rio que entendamos isto: as nossas escolhas erradas atingem-nos a n\u00f3s pr\u00f3prios, limitam os nossos pr\u00f3prios horizontes, fazem-nos falhar o sentido da nossa exist\u00eancia, impedem-nos de ser livres. Deus n\u00e3o fica feliz se nos vir escolher caminhos de ego\u00edsmo e de autossufici\u00eancia, pois sabe que isso nos levar\u00e1 at\u00e9 \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o e ao fracasso. Mas o pecado n\u00e3o magoa Deus; magoa-nos a n\u00f3s pr\u00f3prios. Temos consci\u00eancia disso?<\/li>\n<li>Na hist\u00f3ria da mulher apanhada em adult\u00e9rio, a acusa\u00e7\u00e3o dos escribas e fariseus recai apenas na mulher; ningu\u00e9m pergunta a Jesus se o homem que com ela estava deve ser morto, segundo a Lei de Mois\u00e9s. O quadro exp\u00f5e a hipocrisia de uma sociedade que castigava a mulher, mas n\u00e3o usava a mesma medida para com as falhas do homem. Trata-se de uma sociedade que discrimina a mulher face ao homem. Jesus, ao defender a mulher acossada por aquele grupo de homens, introduz verdade e justi\u00e7a naquele quadro desequilibrado e injusto. Embora hoje o ordenamento jur\u00eddico e a legisla\u00e7\u00e3o penal j\u00e1 tenham em conta a igualdade fundamental entre o homem e a mulher, ainda subsistem, na nossa vida de todos os dias, pr\u00e1ticas e h\u00e1bitos discriminat\u00f3rios que atentam contra a dignidade das mulheres, que humilham as mulheres e as fazem sofrer. N\u00e3o dever\u00edamos estar mais atentos a isto, inclusive nas comunidades crist\u00e3s? N\u00e3o dever\u00edamos, como Jesus, estar mais perto de todas as mulheres injusti\u00e7adas, oprimidas, discriminadas, ofendidas na sua dignidade, tratadas como objetos, para lhes proporcionarmos defesa inteligente e prote\u00e7\u00e3o eficaz? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong>, depois de uma introdu\u00e7\u00e3o acerca da ac\u00e7\u00e3o libertadora de Deus, apresenta a palavra de Deus dirigida ao povo. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter em aten\u00e7\u00e3o esta estrutura, cuidando da introdu\u00e7\u00e3o ao discurso direto \u2013 \u00ab<em>Eis o que diz o Senhor<\/em>\u00bb. Nas palavras dirigidas por Deus deve haver um especial cuidado com algumas pequenas express\u00f5es que ajudar\u00e3o a sublinhar a for\u00e7a deste texto: a forma imperativa \u2013 \u00ab<em>Olhai<\/em>\u00bb \u2013 e a frase interrogativa \u2013 \u00ab<em>n\u00e3o a vedes?<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong>, como \u00e9 habitual nos textos de S. Paulo, apresenta frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es, pelo que se deve cuidar as pausas e respira\u00e7\u00f5es para que n\u00e3o se perca o sentido do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quaresma: Caminhada para a P\u00e1scoa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>TEMPO DE CONVERS\u00c3O\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi-te dito:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodeia-te de triunfadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que tua vida seja um \u00eaxito<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">serve-te de todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ret\u00e9m em tua mem\u00f3ria<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">o nome do rico,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e anota o telefone<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">do rosto feminino<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que sorri no concurso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Forra as paredes de tua casa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">com assinaturas de pintores<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">de prest\u00edgio e de dinheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enche tua boca<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">com os nomes<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que ocupam o cen\u00e1rio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">da gl\u00f3ria escorregadia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faz-te vizinho, compadre,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">do seu clube e seu partido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que todas estas famas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">te emprestem o seu prest\u00edgio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas a Palavra diz:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senta \u00e0 tua mesa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">os que n\u00e3o podem<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">convidar-te a sua casa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">arrastada pelo rio,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e empresta sem enrugar a cara<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ao que n\u00e3o pode devolver-te<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">o teu dinheiro no prazo estipulado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">porque as horas extras<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">se perderam no computador<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">da zona franca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Haver\u00e3o encontrado em ti<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a resposta de Deus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00e0 sua ang\u00fastia quotidiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e tu sentir\u00e1s atravessar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">algo de Deus a passar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">pelo centro de ti mesmo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para chegar at\u00e9 ao irm\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao romper,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">com este gesto de gratuita proximidade,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">as leis e as c\u00e1tedras do investimento bem calculado,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">um manancial de eternidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">te chegar\u00e1 entre tuas pedras,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e far\u00e1 de ti um servidor de todos,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">cheio de gra\u00e7a e de sabor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Benjamin Gonz\u00e1lez Buelta<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>in &#8216;Salmos para sentir e saborear as coisas internamente&#8217;<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Leitura-I-do-Domingo-V-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-C-06.04.2025-Isaias-43-16-21.pdf\">Leitura I do Domingo V do Tempo da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 06.04.2025 &#8211; (Isa\u00edas 43, 16-21)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Leitura-II-do-Domingo-V-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-C-06.04.2025-Filipenses-3-8-14.pdf\">Leitura II do Domingo V do Tempo da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 06.04.2025 (Filipenses 3, 8-14)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-V-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-C-06.04.2025-Lecionario.pdf\">Domingo V do Tempo da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 06.04.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio\/a&gt;<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-V-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-C-06.04.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo V do Tempo da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 06.04.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-V-da-Quaresma-Ano-C-06.04.2025-refletindo.pdf\">Domingo V da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 06.04.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/A-Mesa-da-Palavra-Quaresma-Domingo-V.pdf\">A Mesa da Palavra Quaresma Domingo V<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mensagem-para-Quaresma-2025-Papa-Francisco-2.pdf\">Mensagem para Quaresma 2025 &#8211; Papa Francisco<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo IV da Quaresma \u2013 Ano C \u2013 30 mar\u00e7o 2025&#8243; tab_id=&#8221;1743975323582-e4a1a45f-72a5&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo IV da Quaresma &#8211; Ano C \u2013 30 mar\u00e7o 2025<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-IV.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"363\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>L\u00e6tare<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>A palavra latina l\u00e6tare (alegra-te), designa, classicamente, o IV Domingo da Quaresma, porque assim come\u00e7a o texto do seu c\u00e2ntico de entrada ou introito: \u00abL\u00e6tare, Jerusalem\u00bb, texto de Isa\u00edas (66,10): \u00abAlegra- -te, Jerusal\u00e9m; rejubilai, todos os seus amigos\u2026\u00bb Dava-se a este domingo um tom de alegria porque coincide com o meio da Quaresma e, portanto, introduz a perspetiva de proximidade do final do jejum e a alegria da P\u00e1scoa. Tamb\u00e9m se chamava \u00abDominica in mediana\u00bb. Neste domingo, a meio do jejum, sublinhava-se o tom de alegria e de respira\u00e7\u00e3o, ao permitir-se a m\u00fasica instrumental e as flores. Os paramentos dos ministros podem ser cor-de-rosa.<\/em><\/strong> <strong><u>Dicion\u00e1rio elementar de liturgia<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No IV Domingo deste itiner\u00e1rio quaresmal somos convidados a saborear e a contemplar a bondade e a ternura de Deus que preenche as nossas vidas com uma alegria inaudita que nos impele a ser testemunhas do Evangelho do amor e da miseric\u00f3rdia como recorda o Papa Francisco: \u00ab<em>a Alegria do Evangelho\u00a0enche o cora\u00e7\u00e3o e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele s\u00e3o libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria<\/em>\u00bb (EG 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A liturgia da Palavra deste Domingo, tamb\u00e9m designado <strong>Domino\u00a0<em>Laetare<\/em>,<\/strong> est\u00e1 marcada por esta alegria que n\u00e3o \u00e9 mero sentimento de contentamento, mas a certeza da presen\u00e7a terna e misericordiosa de Deus: a alegria do Povo de Israel que celebra pela primeira vez a P\u00e1scoa na terra de Cana\u00e3, fazendo mem\u00f3ria festiva da certeza de um Deus que salva, conduz e liberta o Seu Povo para o conduzir \u00e0 terra da promessa; a alegria que se converte em louvor e reconhecimento e faz cantar com as palavras do salmista<em>\u00a0\u201csaboreai e vede como o Senhor \u00e9 bom\u201d<\/em>; a alegria de um Deus que faz novas todas as coisas e, por isso, faz de cada homem e de cada mulher uma nova criatura, reconciliada com o Pai em Cristo Jesus; a alegria inaudita de um pai que n\u00e3o conhece caminhos sem sa\u00edda e que vive na soleira da porta esperando o filho que partiu para longe, para que no abra\u00e7o do perd\u00e3o se fa\u00e7a a festa da alegria reencontrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A contempla\u00e7\u00e3o do rosto belo, misericordioso e compassivo do Pai que \u00e9 apresentado por Jesus ensina-nos que no centro da nossa vida n\u00e3o pode estar o pecado, a culpa ou a pesada consci\u00eancia do mal que cometemos, mas a infinita miseric\u00f3rdia de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos se aproximam de Jesus: publicanos, pecadores, escribas e fariseus. Os publicanos e pecadores encontram em Jesus um rosto de esperan\u00e7a e uma palavra de alento que pode oferecer um novo sentido \u00e0s suas vidas. Os escribas e fariseus murmuram entre si, pois a atitude de Jesus desconcerta os que vivem numa posi\u00e7\u00e3o de superioridade moral e religiosa: \u00ab<em>este homem acolhe os pecadores e come com eles<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante destes ouvintes, Jesus conta a par\u00e1bola do Pai Pr\u00f3digo, pois ao contr\u00e1rio do que tantas vezes dizemos, o \u00fanico pr\u00f3digo desta par\u00e1bola \u00e9 o pai que distribui com abund\u00e2ncia o amor, a miseric\u00f3rdia, o perd\u00e3o e o acolhimento. Por isso, o grande protagonista desta par\u00e1bola \u00e9 o Pai que acolhe o filho que livremente abandonou a casa paterna, mas que regressa ao \u00fanico lugar onde pode ser verdadeiramente livre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, \u00e9 este abra\u00e7o que o faz percorrer a estrada da convers\u00e3o e da vida nova. Ele regressa para casa, n\u00e3o porque na verdade tenha j\u00e1 percorrido um caminho de convers\u00e3o e arrependimento. N\u00e3o se trata de um arrebate de consci\u00eancia, mas de um arrebate de est\u00f4mago: \u00ab<em>quantos trabalhadores de meu pai t\u00eam p\u00e3o em abund\u00e2ncia, e eu aqui a morrer de fome<\/em>\u00bb. Ensaia um discurso e decide voltar a casa como um criado, mas o pai surpreende-o. Ainda vem longe, quando o pai corre ao seu encontro de bra\u00e7os abertos e sem lhe permite terminar o discurso, pede uma t\u00fanica, o anel e as sand\u00e1lias, restituindo-lhe a dignidade de filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade que nos revemos facilmente neste filho que abandona a casa paterna. Contudo, a par\u00e1bola n\u00e3o termina sem referir a dificuldade do filho mais velho em fazer festa pelo regresso do irm\u00e3o e, por isso, tantas vezes nos podemos tamb\u00e9m identificar com esta atitude. Por\u00e9m, como filhos amados e reconciliados pelo amor do Pai, somos chamados a transformar o nosso cora\u00e7\u00e3o para que se torne um lugar de miseric\u00f3rdia e compaix\u00e3o, acolhimento e perd\u00e3o para que nas nossas vidas resplande\u00e7a a certeza proclamada por S. Paulo: \u00ab<em>se algu\u00e9m est\u00e1 em Cristo, \u00e9 uma nova criatura. As coisas antigas passaram; tudo foi renovado<\/em>\u00bb. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O IV Domingo da Quaresma convida-nos a fixar o nosso olhar na infinita miseric\u00f3rdia de Deus que \u00ab<em>acolhe os pecadores e come com eles<\/em>\u00bb. Percorrendo o nosso itiner\u00e1rio quaresmal, nesta semana somos chamados a viver de modo especial como portadores da miseric\u00f3rdia e da compaix\u00e3o. A miseric\u00f3rdia de Deus transforma o nosso cora\u00e7\u00e3o e a nossa vida e desafia-nos a fazer da nossa fragilidade lugar de encontro com a for\u00e7a que brota do cora\u00e7\u00e3o de Deus. Por isso, transfigurados pelo amor de Deus, somos chamados a ser portadores da Sua bondade com quantos se cruzam connosco na estrada da vida. Comunitariamente poder\u00e3o ser propostas e realizadas a\u00e7\u00f5es concretas que renovem a nossa consci\u00eancia de par\u00f3quias mission\u00e1rios ao servi\u00e7o de Deus e do Mundo. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no <strong>Tempo da Quaresma,<\/strong> continuamos um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013<\/strong> <strong>Josu\u00e9 5,9a.10-12<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\ndisse o Senhor a Josu\u00e9:<br \/>\n\u00abHoje tirei de v\u00f3s o opr\u00f3brio do Egipto\u00bb.<br \/>\nOs filhos de Israel acamparam em G\u00e1lgala<br \/>\ne celebraram a P\u00e1scoa,<br \/>\nno dia catorze do m\u00eas, \u00e0 tarde,<br \/>\nna plan\u00edcie de Jeric\u00f3.<br \/>\nNo dia seguinte \u00e0 P\u00e1scoa,<br \/>\ncomeram dos frutos da terra:<br \/>\np\u00e3es \u00e1zimos e espigas assadas nesse mesmo dia.<br \/>\nQuando come\u00e7aram a comer dos frutos da terra,<br \/>\nno dia seguinte \u00e0 P\u00e1scoa,<br \/>\ncessou o man\u00e1.<br \/>\nOs filhos de Israel n\u00e3o voltaram a ter o man\u00e1,<br \/>\nmas, naquele ano,<br \/>\nj\u00e1 se alimentaram dos frutos da terra de Cana\u00e3.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro de Josu\u00e9 \u00e9 uma reflex\u00e3o sobre a hist\u00f3ria do Povo de Deus no per\u00edodo que vai desde a sua entrada em Cana\u00e3 at\u00e9 \u00e0 morte de Josu\u00e9 (talvez por meados do s\u00e9c. XII a.C.). Descreve sobretudo a conquista da Terra Prometida (cf. Js 1,1-12,24) e a distribui\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio pelas tribos (cf. Js 13,1-21,45). Um ap\u00eandice final, redigido provavelmente durante o Ex\u00edlio na Babil\u00f3nia, refere a despedida e a morte de Josu\u00e9, bem como a not\u00edcia de uma reuni\u00e3o geral de tribos em Siqu\u00e9m, antes da morte de Josu\u00e9 (cf. Js 22,1-24,33).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em geral, a preocupa\u00e7\u00e3o dos autores da \u201cescola deuteronomista\u201d que compuseram este livro \u00e9 mais de car\u00e1ter teol\u00f3gico do que hist\u00f3rico. Por exemplo, a conquista da Terra \u00e9 apresentada como uma campanha fulgurante e f\u00e1cil em que as doze tribos a uma s\u00f3 voz, sob a lideran\u00e7a de Josu\u00e9, se apoderaram facilmente de toda a Terra. Mas, historicamente as coisas n\u00e3o aconteceram dessa forma\u2026 O livro dos Ju\u00edzes, muito mais realista, fala de uma conquista lenta, dif\u00edcil (cf. Jz 1) e incompleta (cf. Jz 13,1-6; 17,12-16), que n\u00e3o foi obra de um povo unido \u00e0 volta de um chefe \u00fanico, mas de tribos que fizeram a guerra isoladamente. Mais do que descrever factos hist\u00f3ricos, os autores do livro est\u00e3o interessados em afirmar o poder de Jav\u00e9, posto ao servi\u00e7o do seu Povo. Foi Deus \u2013 e n\u00e3o a capacidade militar das tribos \u2013 que, com os seus prod\u00edgios, ofereceu a Israel a Terra Prometida; Israel, por sua vez, deve responder a esse dom mantendo-se fiel \u00e0 Alian\u00e7a e aos mandamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste quarto domingo da Quaresma nos prop\u00f5e como primeira leitura pertence \u00e0 primeira parte do livro. Situa-nos em Guilgal, um lugar que ainda n\u00e3o foi localizado, mas que devia situar-se n\u00e3o longe do rio Jord\u00e3o, a nordeste da cidade de Jeric\u00f3. Os israelitas, vindos do deserto, tinham acabado de atravessar o rio Jord\u00e3o e detiveram-se nesse lugar. Aproximava-se a celebra\u00e7\u00e3o da primeira P\u00e1scoa na Terra Prometida e s\u00f3 os circuncidados podiam celebr\u00e1-la e participar da refei\u00e7\u00e3o pascal (cf. Ex 12,44.48); por isso, Josu\u00e9 ordenou que passassem pelo rito da circuncis\u00e3o todos os membros do povo que ainda n\u00e3o tinham sido circuncidados (cf. Js 5,1-8). O nosso texto refere o que aconteceu, logo depois da conclus\u00e3o do rito, em Guilgal. \u00a0<strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Somos convidados, neste tempo de Quaresma, a uma experi\u00eancia semelhante \u00e0 que fez o Povo de Deus que acampou em Guilgal, depois de ter passado o rio Jord\u00e3o: \u00e9 tempo de deixarmos para tr\u00e1s a fase da escravid\u00e3o e de come\u00e7armos a pensar e a agir em termos novos, fixando o nosso olhar em horizontes mais amplos, que deem \u00e0 nossa vida uma dimens\u00e3o de eternidade; \u00e9 tempo de nos libertarmos da mentalidade de escravos, de vis\u00f5es estreitas e ego\u00edstas, de valores que nada valem, de apostas que n\u00e3o levam a nenhum lado, e de passarmos a viver como pessoas livres, que caminham decididamente ao encontro de uma vida com sentido; \u00e9 tempo de acordarmos da letargia e da estagna\u00e7\u00e3o em que vivemos, a fim assumirmos um papel ativo na constru\u00e7\u00e3o do projeto que Deus tem para o mundo e para os homens. Estamos dispostos, neste tempo de Quaresma, a operar essa mudan\u00e7a?<\/li>\n<li>A circuncis\u00e3o era, para os israelitas, um sinal f\u00edsico de perten\u00e7a ao povo eleito de Deus, ao povo comprometido numa Alian\u00e7a com Deus. Os profetas, contudo, disseram repetidamente que a circuncis\u00e3o, enquanto rito externo, nada significava, pois n\u00e3o garantia o envolvimento e o compromisso do povo com Deus. Em seu lugar, os profetas de Israel pediram aquilo a que chamaram a \u201ccircuncis\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o\u201d (Dt 10,16; Jr 4,4; cf. Jr 9,25): uma purifica\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, uma transforma\u00e7\u00e3o interior, uma renova\u00e7\u00e3o da mente, uma \u201cconvers\u00e3o\u201d que leve o ser humano a aproximar-se novamente de Deus, a escutar outra vez Deus, a obedecer a Deus, a caminhar com Deus, a viver segundo Deus. O que \u00e9 que, na nossa forma de viver, de pensar e de atuar precisamos de \u201ccortar\u201d ou de transformar para renovar a nossa vida e a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus? O que \u00e9 que ainda nos impede de celebrar um verdadeiro e efetivo compromisso com Deus?<\/li>\n<li>O batismo marcou, para n\u00f3s, o momento em que nos comprometemos com Deus e passamos a fazer parte da fam\u00edlia de Deus. Nesse dia, dissemos n\u00e3o \u00e0 escravid\u00e3o do ego\u00edsmo e do pecado e comprometemo-nos a viver a vida nova de Deus. Fomos ungidos com o \u00f3leo dos catec\u00famenos e recebemos a for\u00e7a de Deus para dizer \u201cn\u00e3o\u201d ao mal; fomos tamb\u00e9m ungidos com o \u00f3leo do crisma, que nos constituiu sacerdotes, profetas e reis, \u00e0 imagem de Jesus, membros do povo da nova Alian\u00e7a; fomos envolvidos numa veste branca e foi-nos pedido que nos mantiv\u00e9ssemos assim, vestidos de Deus, ao longo de todo o nosso caminho; recebemos a luz de Cristo e fomos convidados a nunca deixar apagar essa luz nas nossas vidas\u2026 Temos vivido na fidelidade a essa vida nova? A Quaresma n\u00e3o ser\u00e1 um tempo favor\u00e1vel para renovarmos o nosso compromisso batismal e para regressarmos a essa fonte de vida nova onde mergulhamos no dia em que fomos batizados? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 33 (34)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Saboreai e vede como o Senhor \u00e9 bom.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A toda a hora bendirei o Senhor,<br \/>\no seu louvor estar\u00e1 sempre na minha boca.<br \/>\nA minha alma gloria-se no Senhor:<br \/>\nescutem e alegrem-se os humildes.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Enaltecei comigo ao Senhor<br \/>\ne exaltemos juntos o seu nome.<br \/>\nProcurei o Senhor e Ele atendeu-me,<br \/>\nlibertou-me de toda a ansiedade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes,<br \/>\no vosso rosto n\u00e3o se cobrir\u00e1 de vergonha.<br \/>\nEste pobre clamou e o Senhor o ouviu,<br \/>\nsalvou-o de todas as ang\u00fastias.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>2 Cor\u00edntios 5,17-21<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nSe algu\u00e9m est\u00e1 em Cristo, \u00e9 uma nova criatura.<br \/>\nAs coisas antigas passaram; tudo foi renovado.<br \/>\nTudo isto vem de Deus,<br \/>\nque por Cristo nos reconciliou consigo<br \/>\ne nos confiou o minist\u00e9rio da reconcilia\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNa verdade, \u00e9 Deus que em Cristo reconcilia o mundo consigo,<br \/>\nn\u00e3o levando em conta as faltas dos homens<br \/>\ne confiando-nos a palavra da reconcilia\u00e7\u00e3o.<br \/>\nN\u00f3s somos, portanto, embaixadores de Cristo;<br \/>\n\u00e9 Deus quem vos exorta por nosso interm\u00e9dio.<br \/>\nN\u00f3s vos pedimos em nome de Cristo:<br \/>\nreconciliai-vos com Deus.<br \/>\nA Cristo, que n\u00e3o conhecera o pecado,<br \/>\nDeus identificou-O com o pecado por causa de n\u00f3s,<br \/>\npara que em Cristo nos tornemos justi\u00e7a de Deus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Primeira Carta aos Cor\u00edntios (que criticava alguns membros da comunidade por atitudes pouco condizentes com os valores crist\u00e3os) provocou uma rea\u00e7\u00e3o extremada de alguns crist\u00e3os de Corinto. Aproveitando a ocasi\u00e3o, alguns advers\u00e1rios de Paulo (pelo contexto, n\u00e3o se percebe exatamente se s\u00e3o esses \u201cjudaizantes\u201d que queriam impor aos pag\u00e3os convertidos as pr\u00e1ticas da Lei, ou se s\u00e3o crist\u00e3os que aceitam o laxismo da vida dos cor\u00edntios e que criticam a severidade de Paulo) organizaram uma campanha no sentido de o desacreditar. Acusaram-no de anunciar o Evangelho por interesses pessoais e ainda de apresentar uma mensagem que n\u00e3o estava em conson\u00e2ncia com a doutrina dos outros ap\u00f3stolos. Paulo, informado de tudo, dirigiu-se apressadamente para Corinto e teve um violento confronto com os seus detratores. O choque deve ter deixado marcas na comunidade. Depois, Paulo dirigiu-se para \u00c9feso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algum tempo depois, Tito, amigo de Paulo, fino negociador e h\u00e1bil diplomata, partiu para Corinto, a fim de acalmar os \u00e2nimos dos cor\u00edntios e tentar a reconcilia\u00e7\u00e3o. Paulo, entretanto, deixou \u00c9feso e foi para Tr\u00f3ade. Foi a\u00ed que reencontrou Tito, regressado de Corinto. As not\u00edcias trazidas por Tito eram animadoras: o diferendo fora ultrapassado e os cor\u00edntios estavam, outra vez, em comunh\u00e3o com Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reconfortado, Paulo escreveu uma \u201ccarta de reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d na qual fazia uma tranquila apologia do seu apostolado (cf. 2 Cor 1,3-7,16) e desmontava os argumentos dos advers\u00e1rios (cf. 2 Cor 10,1-13,10). Juntou tamb\u00e9m, no mesmo escrito, algumas instru\u00e7\u00f5es acerca de uma coleta em favor dos pobres da Igreja de Jerusal\u00e9m (cf. 2 Cor 8,1-9,15). Apareceu, assim, a nossa segunda carta de Paulo aos Cor\u00edntios. Estamos nos anos 56\/57.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto integra a primeira parte da carta (cf. 2 Cor 1,3-7,16). A\u00ed, Paulo procura desfazer alguns mal-entendidos com os cor\u00edntios, d\u00e1 not\u00edcias e, sobretudo, explica quais os princ\u00edpios que sempre nortearam a sua a\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica. O que o move \u00e9 o amor a Cristo. Tudo o que ele tem feito junto dos cor\u00edntios \u00e9 para os ajudar a acolher Cristo nas suas vidas. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Em tempo de Quaresma, Paulo fornece-nos a chave de leitura para \u201cler\u201d os mist\u00e9rios da f\u00e9 que iremos celebrar dentro de alguns dias, no chamado Tr\u00edduo Pascal: com a sua vida, com a sua proposta, com a sua entrega por todos, com o seu amor at\u00e9 ao extremo, Cristo derrotou o pecado e a maldade e ensinou-nos a viver num outro dinamismo, o dinamismo do amor. N\u00e3o foi iniciativa nossa, mas foi uma iniciativa de Deus. Foi Deus que, sem se deixar impressionar pelos nossos amuos e pela nossa autossufici\u00eancia, nos enviou o seu filho Jesus para nos mostrar como nos amava, para nos oferecer a possibilidade de ultrapassar o passado e de viver uma vida nova. Conv\u00e9m que, quando olharmos para a cruz de Jesus tenhamos isto presente, a fim de entendermos o extraordin\u00e1rio dom que Deus nos faz. Conscientes de tudo isto, como \u00e9 que nos propomos responder \u00e0 oferta de Deus? Tocados pelo amor de Deus \u2013 bem evidente na vida e na entrega de Jesus \u2013 queremos ultrapassar o nosso ego\u00edsmo e o nosso orgulho para vivermos reconciliados com Deus? O \u201cdia novo\u201d da P\u00e1scoa poder\u00e1 ser, para n\u00f3s, um \u201ctempo novo\u201d, o tempo em que vivemos \u201creconciliados\u201d com Deus?<\/li>\n<li>Paulo, desde que se encontrou com Cristo e que entendeu o sentido da sua vida, da sua morte e da sua ressurrei\u00e7\u00e3o, tornou-se \u201cembaixador\u201d de Cristo no mundo, arauto dessa obra de \u201creconcilia\u00e7\u00e3o\u201d que Cristo veio realizar. Paulo entendia que h\u00e1 propostas t\u00e3o belas e t\u00e3o transformadoras que n\u00e3o podem ficar silenciadas e esquecidas: \u00e9 preciso que algu\u00e9m as anuncie e explicite para que essas propostas mudem o mundo e as vidas dos homens. Ora, a proposta que Deus nos fez atrav\u00e9s de Cristo \u00e9 uma delas. Tem de ser convenientemente publicitada e testemunhada para que todos possam conhec\u00ea-la e, conhecendo-a, nascer para uma nova realidade. N\u00f3s que nos encontramos com Cristo e que nos consideramos disc\u00edpulos de Cristo somos, como Paulo, \u201cembaixadores de Cristo\u201d junto dos nossos irm\u00e3os? Anunciamos e testemunhamos aos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s, com toda a nossa vida, com todas as nossas for\u00e7as, com todo o nosso entendimento, com todo o nosso cora\u00e7\u00e3o, a proposta de \u201creconcilia\u00e7\u00e3o\u201d que Cristo nos veio oferecer?<\/li>\n<li>Paulo fala, neste texto, da \u201creconcilia\u00e7\u00e3o\u201d com Deus. N\u00e3o fala explicitamente da \u201creconcilia\u00e7\u00e3o\u201d com os irm\u00e3os. Mas, quando escreve as palavras que lemos, ele est\u00e1 angustiado pelo conflito que o distancia dos seus queridos filhos de Corinto. Ora, Paulo sabe que s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel a reconcilia\u00e7\u00e3o entre os irm\u00e3os desavindos se, antes, esses irm\u00e3os descobriram o amor de Deus e aceitaram viver no dinamismo do amor. Quem descobre o amor de Deus e vive reconciliado com Deus, percebe que deve viver reconciliado com os seus irm\u00e3os. N\u00f3s, os que fomos tocados pelo amor de Deus, procuramos viver reconciliados com todos os nossos irm\u00e3os? Testemunhamos o amor de Deus vivendo em paz e harmonia uns com os outros? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 15,1-3.11-32<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nos publicanos e os pecadores<br \/>\naproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem.<br \/>\nMas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo:<br \/>\n\u00abEste homem acolhe os pecadores e come com eles\u00bb.<br \/>\nJesus disse-lhes ent\u00e3o a seguinte par\u00e1bola:<br \/>\n\u00abUm homem tinha dois filhos.<br \/>\nO mais novo disse ao pai:<br \/>\n\u2018Pai, d\u00e1-me a parte da heran\u00e7a que me toca\u2019.<br \/>\nO pai repartiu os bens pelos filhos.<br \/>\nAlguns dias depois, o filho mais novo,<br \/>\njuntando todos os seus haveres, partiu para um pa\u00eds distante<br \/>\ne por l\u00e1 esbanjou quanto possu\u00eda,<br \/>\nnuma vida dissoluta.<br \/>\nTendo gasto tudo,<br \/>\nhouve uma grande fome naquela regi\u00e3o<br \/>\ne ele come\u00e7ou a passar priva\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEntrou ent\u00e3o ao servi\u00e7o de um dos habitantes daquela terra,<br \/>\nque o mandou para os seus campos guardar porcos.<br \/>\nBem desejava ele matar a fome<br \/>\ncom as alfarrobas que os porcos comiam,<br \/>\nmas ningu\u00e9m lhas dava.<br \/>\nEnt\u00e3o, caindo em si, disse:<br \/>\n\u2018Quantos trabalhadores de meu pai t\u00eam p\u00e3o em abund\u00e2ncia,<br \/>\ne eu aqui a morrer de fome!<br \/>\nVou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe:<br \/>\nPai, pequei contra o C\u00e9u e contra ti.<br \/>\nJ\u00e1 n\u00e3o mere\u00e7o ser chamado teu filho,<br \/>\nmas trata-me como um dos teus trabalhadores\u2019.<br \/>\nP\u00f4s-se a caminho e foi ter com o pai.<br \/>\nAinda ele estava longe, quando o pai o viu:<br \/>\nencheu-se de compaix\u00e3o<br \/>\ne correu a lan\u00e7ar-se-lhe ao pesco\u00e7o, cobrindo-o de beijos.<br \/>\nDisse-lhe o filho:<br \/>\n\u2018Pai, pequei contra o C\u00e9u e contra ti.<br \/>\nJ\u00e1 n\u00e3o mere\u00e7o ser chamado teu filho\u2019.<br \/>\nMas o pai disse aos servos:<br \/>\n\u2018Trazei depressa a melhor t\u00fanica e vesti-lha.<br \/>\nPonde-lhe um anel no dedo e sand\u00e1lias nos p\u00e9s.<br \/>\nTrazei o vitelo gordo e matai-o.<br \/>\nComamos e festejemos,<br \/>\nporque este meu filho estava morto e voltou \u00e0 vida,<br \/>\nestava perdido e foi reencontrado\u2019.<br \/>\nE come\u00e7ou a festa.<br \/>\nOra o filho mais velho estava no campo.<br \/>\nQuando regressou,<br \/>\nao aproximar-se da casa, ouviu a m\u00fasica e as dan\u00e7as.<br \/>\nChamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo.<br \/>\nO servo respondeu-lhe:<br \/>\n\u2018O teu irm\u00e3o voltou<br \/>\ne teu pai mandou matar o vitelo gordo,<br \/>\nporque ele chegou s\u00e3o e salvo\u2019.<br \/>\nEle ficou ressentido e n\u00e3o queria entrar.<br \/>\nEnt\u00e3o o pai veio c\u00e1 fora instar com ele.<br \/>\nMas ele respondeu ao pai:<br \/>\n\u2018H\u00e1 tantos anos que eu te sirvo,<br \/>\nsem nunca transgredir uma ordem tua,<br \/>\ne nunca me deste um cabrito<br \/>\npara fazer uma festa com os meus amigos.<br \/>\nE agora, quando chegou esse teu filho,<br \/>\nque consumiu os teus bens com mulheres de m\u00e1 vida,<br \/>\nmataste-lhe o vitelo gordo\u2019.<br \/>\nDisse-lhe o pai:<br \/>\n\u2018Filho, tu est\u00e1s sempre comigo<br \/>\ne tudo o que \u00e9 meu \u00e9 teu.<br \/>\nMas t\u00ednhamos de fazer uma festa e alegrar-nos,<br \/>\nporque este teu irm\u00e3o estava morto e voltou \u00e0 vida,<br \/>\nestava perdido e foi reencontrado\u2019\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, rodeado pelos seus disc\u00edpulos, caminha em dire\u00e7\u00e3o a Jerusal\u00e9m. Mais do que um caminho f\u00edsico, trata-se de um caminho espiritual: as \u201cli\u00e7\u00f5es\u201d que Jesus, a cada passo, vai dando aos disc\u00edpulos, preparam-nos para acolher e para, mais tarde, testemunhar o Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma dessas \u201cli\u00e7\u00f5es\u201d refere-se \u00e0 forma como Deus v\u00ea aqueles homens e mulheres que a sociedade marginaliza e condena. As chamadas \u201cpar\u00e1bolas da miseric\u00f3rdia de Deus\u201d, contadas por Jesus, d\u00e3o conta da preocupa\u00e7\u00e3o de Deus pelos seus filhos \u201cperdidos\u201d (cf. Lc 15,1-32). No cen\u00e1rio montado por Lucas, essas par\u00e1bolas s\u00e3o a resposta de Jesus ao coment\u00e1rio escandalizado dos escribas e fariseus: \u201ceste homem acolhe os pecadores e come com eles\u201d (Lc 15,2-3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto, o acolhimento que Jesus dispensava \u00e0s pessoas pouco recomend\u00e1veis era muito comentado pelos l\u00edderes religiosos judaicos. Nesse grupo de gente pouco recomend\u00e1vel estavam aqueles que Lucas chama \u201cos pecadores\u201d e \u201cos publicanos\u201d (Lc 15,1). O grupo dos \u201cpecadores\u201d inclu\u00eda todos aqueles que desobedeciam escandalosamente \u00e0 Lei e levavam vidas desregradas: os usur\u00e1rios, os vigaristas, os delinquentes, as prostitutas. Os \u201cpublicanos\u201d eram os cobradores de impostos, que colaboravam com os romanos na opress\u00e3o do povo e tinham fama de roubar os pobres cobrando mais do que estava estipulado. As autoridades religiosas judaicas viam-nos como \u201cmalditos\u201d e colocavam-nos \u00e0 margem da salva\u00e7\u00e3o. Nenhuma \u201cpessoa de bem\u201d gostava de estar associada a esta gente. Mas Jesus tinha grandes amigos entre esses marginais e n\u00e3o tinha qualquer problema em sentar-se com eles \u00e0 mesa. N\u00e3o exclu\u00eda ningu\u00e9m e achava que todos eram bem-vindos \u00e0 comunidade do Reino de Deus. Essa benevol\u00eancia de Jesus para com aqueles que a moral, os bons costumes e a Lei condenavam, era algo de inaudito, de escandaloso, de vergonhoso, de incompreens\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A par\u00e1bola que o Evangelho deste quarto domingo da Quaresma nos traz (Lc 15,11-32), \u00e9 uma das mais conhecidas de Jesus. A tradu\u00e7\u00e3o latina (a \u201cVulgata\u201d), notando o espa\u00e7o que o filho mais novo \u2013 um jovem que dissipa os bens da fam\u00edlia numa vida dissoluta \u2013 tem nela, chama-lhe a \u201cpar\u00e1bola do filho pr\u00f3digo\u201d; mas a maioria dos exegetas mais recentes, considerando que o papel do \u201cpai\u201d na par\u00e1bola \u00e9 central, chamam-lhe a \u201cpar\u00e1bola do pai misericordioso. A par\u00e1bola \u00e9 exclusiva de Lucas: n\u00e3o aparece em mais nenhum dos evangelhos. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Para n\u00f3s, homens e mulheres do s\u00e9c. XXI, quem \u00e9 Deus? Como o vemos e entendemos? Deus interessa-nos? Tem lugar na nossa vida? Faz-nos alguma falta? A par\u00e1bola do pai misericordioso, contada por Jesus, \u00e9 para todos aqueles que se questionam sobre Deus e sobre o papel de Deus nas suas vidas. Jesus falava de Deus como um pai, um pai que ama os seus filhos para al\u00e9m de toda a medida, de toda a compreens\u00e3o e de toda a l\u00f3gica; um pai que respeita as decis\u00f5es dos seus filhos, mesmo quando eles tomam decis\u00f5es absolutamente disparatadas; um pai que n\u00e3o tem medo de passar vergonhas e de perder a sua \u201cdignidade\u201d de chefe da fam\u00edlia por causa do seu amor; um pai que, quando avista os seus filhos humilhados e magoados, corre ao encontro deles e abra\u00e7a-os com uma ternura sem fim; um pai que n\u00e3o critica, nem acusa, nem castiga, nem exige explica\u00e7\u00f5es, porque est\u00e1 apenas focado em amar; um pai cujo amor regenera e proporciona a cada passo aos filhos uma vida nova e livre; um pai cujo desejo mais profundo \u00e9 sentar-se com todos os seus queridos filhos, sem exce\u00e7\u00e3o, \u00e0 volta da mesa familiar, numa festa sem fim. Nas nossas vidas, cheias de futilidade, de ang\u00fastia, de solid\u00e3o, de medos, de amores ef\u00e9meros, de apostas falhadas, n\u00e3o far\u00e1 falta um Deus que seja capaz de nos olhar com um olhar de pai e de m\u00e3e, com um olhar de amor?<\/li>\n<li>O \u201cfilho mais novo\u201d da par\u00e1bola, na sua \u00e2nsia de \u201caproveitar a vida\u201d, vai resvalando progressivamente por um caminho sem sa\u00edda. As suas op\u00e7\u00f5es v\u00e3o-se reduzindo a cada passo. A dada altura, s\u00f3 lhe resta voltar para tr\u00e1s, regressar ao encontro do pai. Em linguagem crist\u00e3, esse \u201cvoltar para tr\u00e1s ao encontro do pai\u201d, chama-se \u201cconvers\u00e3o\u201d. Implica uma mudan\u00e7a de perspetiva, de mentalidade, de valores, de atitudes; implica inverter o rumo da pr\u00f3pria vida, renunciar ao ego\u00edsmo, ao orgulho e \u00e0 autossufici\u00eancia e voltar a confiar em Deus. O tempo da Quaresma \u00e9 um tempo favor\u00e1vel para a \u201cconvers\u00e3o\u201d, para inverter o rumo da vida e voltar para Deus. Na par\u00e1bola do pai misericordioso, Jesus garante-nos que Deus nunca nos fechar\u00e1 as portas: estar\u00e1 sempre \u00e0 nossa espera de bra\u00e7os abertos, pronto para nos acolher e para nos reintegrar na sua fam\u00edlia. O perd\u00e3o, consequ\u00eancia do amor, \u00e9 uma das mais belas manifesta\u00e7\u00f5es do ser de Deus. Renova-nos, regenera-nos, devolve-nos a esperan\u00e7a, oferece-nos um novo come\u00e7o, traz-nos a paz, abre-nos as portas da esperan\u00e7a. Aceitamos, neste tempo de Quaresma, fazer a experi\u00eancia pacificadora de nos sentirmos perdoados, acolhidos e abra\u00e7ados pelo Pai?<\/li>\n<li>O \u201cfilho mais velho\u201d da par\u00e1bola nunca abandonou a casa do pai. A sua vida decorre sem sobressaltos, a trabalhar nos terrenos da fam\u00edlia; cumpre as suas obriga\u00e7\u00f5es, obedece ao pai e nunca deu ao pai raz\u00f5es de queixa. Intui-se, no entanto, que a rela\u00e7\u00e3o que ele tem com o pai est\u00e1 mais marcada pelo sentido do dever do que pelo afeto. Ele parece mais um servo cumpridor, do que um filho. Tem um sentido de \u201cjusti\u00e7a\u201d bastante r\u00edgido. Acha que quem \u00e9 cumpridor deve ser recompensado e quem n\u00e3o cumpre as suas obriga\u00e7\u00f5es deve ser castigado e deixado para tr\u00e1s. O cora\u00e7\u00e3o deste filho \u00e9 seco e \u00e1rido. N\u00e3o conhece a miseric\u00f3rdia, a bondade, o amor, o perd\u00e3o. Por isso, n\u00e3o compreende a \u201cfraqueza\u201d do pai em rela\u00e7\u00e3o ao irm\u00e3o que falhou; e nunca aceitar\u00e1 ou perdoar\u00e1 as escolhas erradas que o irm\u00e3o fez. Conhecemos algu\u00e9m assim? Como \u00e9 que olhamos para aqueles que abandonaram a comunidade crist\u00e3? Como \u00e9 que falamos daqueles que se consideram ateus ou daqueles que buscam Deus em caminhos diferentes dos nossos? Como \u00e9 que vemos e tratamos aqueles que as leis can\u00f3nicas consideram em situa\u00e7\u00e3o irregular? O que vale, na forma como abordamos e tratamos os nossos irm\u00e3os, \u00e9 o que est\u00e1 prescrito nas leis, ou consagrado num qualquer cat\u00e1logo de \u201cbons costumes\u201d, ou \u00e9 o amor, a bondade, a miseric\u00f3rdia, a compaix\u00e3o?<\/li>\n<li>As raz\u00f5es que levam algu\u00e9m a cortar os la\u00e7os que o unem \u00e0 fam\u00edlia s\u00e3o as mais diversas. Algumas t\u00eam a ver com as conting\u00eancias da vida e com o curso normal da vida; mas outras vezes o \u201ccorte\u201d resulta de situa\u00e7\u00f5es cuja responsabilidade pertence a um ou outro membro da fam\u00edlia. Isso tamb\u00e9m acontece nas nossas comunidades crist\u00e3s. Os irm\u00e3os que se afastam da nossa comunidade crist\u00e3 fazem-no sempre por comodismo pessoal ou por decis\u00f5es ego\u00edstas, ou fazem-no por vezes porque os \u201cirm\u00e3os mais velhos\u201d n\u00e3o souberam acolh\u00ea-los e n\u00e3o se preocuparam em criar um clima fraterno? A nossa forma de viver a religi\u00e3o \u2013 tantas vezes formal, vazia, legalista \u2013 n\u00e3o ser\u00e1 respons\u00e1vel pelo abandono de tantos homens e mulheres que n\u00e3o encontram entre n\u00f3s uma proposta convincente de vida? As nossas liturgias solenes e majestosas, cheias de ritualismo, de pompa e circunst\u00e2ncia, n\u00e3o desiludir\u00e3o muitos irm\u00e3os que n\u00e3o conseguem encontrar Deus em todo esse aparato? As nossas divis\u00f5es, conflitos, intrigas, invejas, n\u00e3o ser\u00e3o um contratestemunho para tantos homens e mulheres que veem a forma como vivemos?<\/li>\n<li>A par\u00e1bola do pai misericordioso deixa no ar algumas quest\u00f5es: se Deus \u00e9 assim, se Deus est\u00e1 sempre de bra\u00e7os abertos para acolher os filhos que fizeram escolhas erradas, vale a pena ser bom? N\u00e3o ser\u00e1 mais l\u00f3gico \u201cgozar a vida\u201d o mais poss\u00edvel, sem problemas de consci\u00eancia, uma vez que Deus tudo perdoa? Na verdade, a par\u00e1bola \u00e9 clara: a op\u00e7\u00e3o pela futilidade e pelos valores ef\u00e9meros n\u00e3o \u00e9 uma boa op\u00e7\u00e3o. O filho mais novo da par\u00e1bola constatou isso mesmo: as suas escolhas erradas levaram-no para um beco sem sa\u00edda e deixaram-lhe feridas quase fatais. Foi por ter percebido que aquele tempo longe do pai tinha sido um tempo perdido, que ele voltou para casa. Podemos, n\u00f3s tamb\u00e9m escolher a autossufici\u00eancia e afastar-nos de Deus\u2026. Ser\u00e1 uma boa op\u00e7\u00e3o? Isso n\u00e3o ser\u00e1 perder tempo? Podemos dar-nos ao luxo de desperdi\u00e7ar a nossa breve vida em caminhos que n\u00e3o nos levam a lado nenhum? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> do Livro de Josu\u00e9 narra a primeira P\u00e1scoa do Povo de Israel celebrada na terra de Cana\u00e3. Por isso, a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter presente o tom narrativo que marca todo este texto. Deve haver um especial cuidado na pronuncia\u00e7\u00e3o das palavras mais dif\u00edceis: \u00ab<em>opr\u00f3brio<\/em>\u00bb, \u00ab<em>G\u00e1lgala<\/em>\u00bb e \u00ab<em>\u00e1zimos<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura <\/strong>abre com uma afirma\u00e7\u00e3o central: \u00ab<em>Se algu\u00e9m est\u00e1 em Cristo, \u00e9 uma nova criatura<\/em>\u00bb. Esta frase deve ser lida com especial entoa\u00e7\u00e3o pois marca a mensagem principal de todo o texto. O verbo reconciliar \u00e9 repetido cinco vezes, em diferentes tempos e modos. O cuidado na leitura das diferentes formas verbais contribuir\u00e1 para uma melhor compreens\u00e3o da mensagem e uma mais eficaz proclama\u00e7\u00e3o do texto<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quaresma: Caminhada para a P\u00e1scoa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>TEMPO DE CONVERS\u00c3O\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi-te dito:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodeia-te de triunfadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que tua vida seja um \u00eaxito<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">serve-te de todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ret\u00e9m em tua mem\u00f3ria<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">o nome do rico,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e anota o telefone<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">do rosto feminino<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que sorri no concurso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Forra as paredes de tua casa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">com assinaturas de pintores<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">de prest\u00edgio e de dinheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enche tua boca<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">com os nomes<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que ocupam o cen\u00e1rio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">da gl\u00f3ria escorregadia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faz-te vizinho, compadre,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">do seu clube e seu partido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que todas estas famas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">te emprestem o seu prest\u00edgio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas a Palavra diz:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senta \u00e0 tua mesa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">os que n\u00e3o podem<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">convidar-te a sua casa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">arrastada pelo rio,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e empresta sem enrugar a cara<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ao que n\u00e3o pode devolver-te<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">o teu dinheiro no prazo estipulado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">porque as horas extras<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">se perderam no computador<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">da zona franca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Haver\u00e3o encontrado em ti<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a resposta de Deus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00e0 sua ang\u00fastia quotidiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e tu sentir\u00e1s atravessar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">algo de Deus a passar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">pelo centro de ti mesmo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para chegar at\u00e9 ao irm\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao romper,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">com este gesto de gratuita proximidade,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">as leis e as c\u00e1tedras do investimento bem calculado,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">um manancial de eternidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">te chegar\u00e1 entre tuas pedras,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e far\u00e1 de ti um servidor de todos,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">cheio de gra\u00e7a e de sabor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Benjamin Gonz\u00e1lez Buelta<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>in &#8216;Salmos para sentir e saborear as coisas internamente&#8217;<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Leitura-I-do-Domingo-IV-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-C-30.03.2025-Jos-5-9a.10-12.pdf\">Leitura I do Domingo IV do Tempo da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 30.03.2025 (Jos 5, 9a.10-12)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Leitura-II-do-Domingo-IV-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-C-30.03.2025-2-Cor-5-17-21.pdf\">Leitura II do Domingo IV do Tempo da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 30.03.2025 (2 Cor 5, 17-21)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-IV-do-Tempo-da-Quartesma-Ano-C-30.03.2025-Lecionario.pdf\">Domingo IV do Tempo da Quartesma &#8211; Ano C &#8211; 30.03.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-IV-do-Tempo-da-Quartesma-Ano-C-30.03.2025-Oracao-Universal-1.pdf\">Domingo IV do Tempo da Quartesma &#8211; Ano C &#8211; 30.03.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-IV-da-Quaresma-Ano-C-30.03.2025-refletindo.pdf\">Domingo IV da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 30.03.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/A-Mesa-da-Palavra-Quaresma-Domingo-IV.pdf\">A Mesa da Palavra Quaresma Domingo IV<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mensagem-para-Quaresma-2025-Papa-Francisco-2.pdf\">Mensagem para Quaresma 2025 &#8211; Papa Francisco<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo III da Quaresma \u2013 Ano C \u2013 23 mar\u00e7o 2025&#8243; tab_id=&#8221;1743413247711-2f39d253-2307&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo III da Quaresma &#8211; Ano C \u2013 23 mar\u00e7o 2025<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2026..\u00a0<sup>5<\/sup>N\u00e3o, Eu vo-lo digo; mas, se n\u00e3o vos converterdes, perecereis todos da mesma forma.\u00bb<sup>6<\/sup>Disse-lhes, tamb\u00e9m, a seguinte par\u00e1bola: \u00abUm homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e foi l\u00e1 procurar frutos, mas n\u00e3o os encontrou.\u00a0<sup>7<\/sup>Disse ao encarregado da vinha: &#8216;H\u00e1 tr\u00eas anos que venho procurar fruto nesta figueira e n\u00e3o o encontro. Corta-a; para que est\u00e1 ela a ocupar a terra?&#8217;\u00a0<sup>8<\/sup>Mas ele respondeu: &#8216;Senhor, deixa-a mais este ano, para que eu possa escavar a terra em volta e deitar-lhe estrume.\u00a0<sup>9<\/sup>Se der frutos na pr\u00f3xima esta\u00e7\u00e3o, ficar\u00e1; sen\u00e3o, poder\u00e1s cort\u00e1-la.&#8217;\u00bb <em>Lc 13, 5-9<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-III-da-Quaresma.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No quotidiano da nossa vida, entre os m\u00faltiplos afazeres do dia-a-dia que tantas vezes nos distraem e fazem dispersar, Deus faz-se presente, irrompendo na nossa hist\u00f3ria com a paciente e desconcertante miseric\u00f3rdia que transforma os nossos cora\u00e7\u00f5es em lugares de convers\u00e3o permanente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim aconteceu com Mois\u00e9s, que pastoreando o rebanho de Jetro, seu sogro, foi visitado por Deus naquela sar\u00e7a que ardia sem se consumir. Naquela teofania, Deus revela-se para que Mois\u00e9s fosse portador da vontade libertadora de Deus, que compadecido pela situa\u00e7\u00e3o do Seu Povo no Egipto, o quer libertar da escravid\u00e3o e constitu\u00ed-lo como Povo eleito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, a hist\u00f3ria de amor e de salva\u00e7\u00e3o que Deus estabelece com Israel, torna-se lugar de manifesta\u00e7\u00e3o das maravilhas de Deus e S. Paulo recorda \u00e0 comunidade de Corinto que a nossa hist\u00f3ria, \u00e0 semelhan\u00e7a da hist\u00f3ria de Israel \u00e9 chamada a ser hist\u00f3ria de amor e lugar concreto de manifesta\u00e7\u00e3o da condescend\u00eancia de Deus. Neste mesmo sentido, no Evangelho, Jesus ensina-nos a ler os acontecimentos da hist\u00f3ria como lugares interpeladores da efemeridade da nossa vida, evitando qualquer leitura catastr\u00f3fica e punitiva, mas reconhecendo que o nosso quotidiano, na diversidade do seu devir \u00e9 um constante apelo \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, o grande desafio da vida crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 procurar sinais extraordin\u00e1rios e espetaculares da manifesta\u00e7\u00e3o de Deus, mas precisamente no ordin\u00e1rio da vida, na normalidade da nossa exist\u00eancia, descobrir a beleza da a\u00e7\u00e3o silenciosa e misericordiosa de Deus. \u00c9 a permanente l\u00f3gica do mist\u00e9rio da Incarna\u00e7\u00e3o que nos recorda o modo que Deus escolhe para se relacionar connosco: assume a nossa natureza humana, faz-se presente na nossa hist\u00f3ria e revela-nos a grandeza do Seu amor, revelando-se por meio de \u00ab<em>palavras e gestos intimamente ligados entre si<\/em>\u00bb (DV 2). Torna-se ainda mais bela a a\u00e7\u00e3o de Deus quando se realiza deste modo, pois ao inv\u00e9s de um Deus que opera a\u00e7\u00f5es pontuais e extraordin\u00e1rias na hist\u00f3ria, tomamos consci\u00eancia que somos filhos amados de um Deus que se faz presente na sucess\u00e3o dos nossos dias e que caminha ao nosso lado oferecendo sentido \u00e0 nossa exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, pode dizer-se que a Liturgia da Palavra de hoje se apresenta como uma janela com vista direta para o cora\u00e7\u00e3o de Deus e permite-nos vislumbrar o modo como Deus se relaciona connosco. O di\u00e1logo que Deus estabelece com Mois\u00e9s na sar\u00e7a ardente revela-nos o desvelo e o cuidado que Deus nutre pelo homem e pela mulher, obra das Suas m\u00e3os: \u00ab<em>Eu\u00a0<strong>vi<\/strong>\u00a0a situa\u00e7\u00e3o miser\u00e1vel do meu povo no Egipto;\u00a0<strong>escutei<\/strong>\u00a0o seu clamor provocado pelos opressores.\u00a0<strong>Conhe\u00e7o<\/strong>, pois, as suas ang\u00fastias.\u00a0<strong>Desci<\/strong>\u00a0para o libertar das m\u00e3os dos eg\u00edpcios e o levar deste pa\u00eds para uma terra boa e espa\u00e7osa, onde corre leite e mel<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas quatro formas verbais \u2013 \u00abvi\u00bb, \u00abescutei\u00bb, \u00abconhe\u00e7o\u00bb e \u00abdesci\u00bb \u2013 manifestam a absoluta condescend\u00eancia de Deus e a din\u00e2mica da Sua rela\u00e7\u00e3o connosco. O Deus do amor e da miseric\u00f3rdia n\u00e3o \u00e9 indiferente \u00e0s nossas dores e ang\u00fastias e escuta os gritos da nossa limitada condi\u00e7\u00e3o humana. Ele conhece a nossa fr\u00e1gil humanidade com os seus clamores e desilus\u00f5es e, por isso, vem ao nosso encontro e faz-se presente na nossa vida. Esta din\u00e2mica de salva\u00e7\u00e3o assume car\u00e1cter pleno, total e definitivo na incarna\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, que vem ao nosso encontro como rosto da miseric\u00f3rdia do Pai, n\u00e3o para condenar, mas para anunciar a paciente miseric\u00f3rdia de Deus, que como o vinhateiro acredita que com paci\u00eancia, perseveran\u00e7a e cuidado aquela figueira pode gerar frutos. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia <strong>19 de mar\u00e7o,<\/strong> a Igreja celebra a <strong>Solenidade S. Jos\u00e9<\/strong>, Esposo da Virgem Santa Maria. Poder\u00e1 ser oportuno na Eucaristia desta solenidade recordar todos os pais, dedicando-lhes, por exemplo, uma especial b\u00ean\u00e7\u00e3o na celebra\u00e7\u00e3o. Na catequese desta semana, poder\u00e1 ser uma oportunidade para um momento intergeracional com uma atividade catequ\u00e9tica com pais e filhos, sobre o valor e import\u00e2ncia da paternidade e da fam\u00edlia. Como subs\u00eddio para estas atividades, pode usar-se a Mensagem da Comiss\u00e3o Episcopal Laicado e Fam\u00edlia para esta efem\u00e9ride (<a href=\"https:\/\/leigos.pt\/mensagem-comissao-episcopal-do-laicado-e-familia-para-o-dia-do-pai-2025\/\">https:\/\/leigos.pt\/mensagem-comissao-episcopal-do-laicado-e-familia-para-o-dia-do-pai-2025\/<\/a>). <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no <strong>Tempo da Quaresma,<\/strong> continuamos um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>\u00caxodo 3,1-8a.13-15<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mois\u00e9s apascentava o rebanho de Jetro,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>seu sogro, sacerdote de Madi\u00e3.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao levar o rebanho para al\u00e9m do deserto,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>chegou ao monte de Deus, o Horeb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apareceu-lhe ent\u00e3o o Anjo do Senhor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>numa chama ardente, do meio de uma sar\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mois\u00e9s olhou para a sar\u00e7a, que estava a arder,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e viu que a sar\u00e7a n\u00e3o se consumia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o disse Mois\u00e9s: \u00abVou aproximar-me,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>para ver t\u00e3o assombroso espet\u00e1culo:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>por que motivo n\u00e3o se consome a sar\u00e7a?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor viu que ele se aproximava para ver.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o Deus chamou-o do meio da sar\u00e7a:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abMois\u00e9s! Mois\u00e9s!\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele respondeu: \u00abAqui estou!\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Continuou o Senhor:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abN\u00e3o te aproximes daqui.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tira as sand\u00e1lias dos p\u00e9s,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>porque o lugar que pisas \u00e9 terra sagrada\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E acrescentou: \u00abEu sou o Deus de teu pai,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus de Abra\u00e3o, Deus de Isaac e Deus de Jacob\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o Mois\u00e9s cobriu o rosto,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>com receio de olhar para Deus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Disse-lhe o Senhor:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEu vi a situa\u00e7\u00e3o miser\u00e1vel do meu povo no Egipto;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>escutei o seu clamor provocado pelos opressores.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conhe\u00e7o, pois, as suas ang\u00fastias.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desci para o libertar das m\u00e3os dos eg\u00edpcios<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e o levar deste pa\u00eds para uma terra boa e espa\u00e7osa,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>onde corre leite e mel\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mois\u00e9s disse a Deus:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abVou procurar os filhos de Israel e dizer-lhes:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018O Deus de vossos pais enviou-me a v\u00f3s\u2019.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas se me perguntarem qual \u00e9 o seu nome,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>que hei de responder-lhes?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Disse Deus a Mois\u00e9s:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEu sou \u2018Aquele que sou\u2019\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E prosseguiu:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abAssim falar\u00e1s aos filhos de Israel:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que Se chama \u2018Eu sou\u2019 enviou-me a v\u00f3s\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus disse ainda a Mois\u00e9s:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abAssim falar\u00e1s aos filhos de Israel:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018O Senhor, Deus de vossos pais,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus de Abra\u00e3o, Deus de Isaac e Deus de Jacob,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>enviou-me a v\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Este \u00e9 o meu nome para sempre,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>assim Me invocareis de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o\u2019\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro do \u00caxodo \u00e9 um dos livros mais importantes do Antigo Testamento. No seu centro est\u00e1 aquele que \u00e9 o dogma central do credo israelita e a chave de compreens\u00e3o da hist\u00f3ria e da f\u00e9 judaica: a interven\u00e7\u00e3o libertadora de Deus para salvar os hebreus da escravid\u00e3o em que viviam, no Egito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o numerosos os testemunhos da circula\u00e7\u00e3o de grupos n\u00f3madas ou semin\u00f3madas entre a terra de Canaan e o Egito durante o segundo mil\u00e9nio a.C. (cf. Gn 12,10-20; 37,25; 42,1-3; 43,1-2). Terra fecunda e f\u00e9rtil, alimentada pelo rio Nilo, o Egito constitu\u00eda uma miragem de vida e abund\u00e2ncia para os cl\u00e3s que circulavam com os seus rebanhos pelas franjas do deserto; e diversos grupos humanos, interessados em assegurar a sua subsist\u00eancia, dirigiam-se para o Egito, sobretudo em \u00e9pocas de carestia de alimentos. Em alturas em que o poder central eg\u00edpcio era menos forte, era relativamente f\u00e1cil que essas migra\u00e7\u00f5es tivessem sucesso. Por outro lado, as campanhas militares de Tutmosis III (1468-1436 a.C.), de Amen\u00f3fis II (1436-1412 a.C.), de Seti I (1317-1301 a.C.) e de Rams\u00e9s II (1301-1234 a.C.) na S\u00edria e na Palestina, arrastaram para o Egipto enormes colunas de prisioneiros, que foram obrigados a trabalhar nas grandes obras eg\u00edpcias. Os estrangeiros a viver em terra eg\u00edpcia eram, portanto, numerosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sabemos exatamente em que circunst\u00e2ncias algumas fam\u00edlias descendentes dos patriarcas b\u00edblicos \u2013 Abra\u00e3o, Isaac e Jacob \u2013 desceram ao Egito. Os cap\u00edtulos 37 a 50 do livro do G\u00e9nesis (o chamado \u201cciclo de Jos\u00e9\u201d) d\u00e3o a entender que essas fam\u00edlias tinham ido \u00e0 procura de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, numa altura em que a Palestina conhecia uma seca severa. Designados como \u201chebreus\u201d, esses descendentes dos patriarcas b\u00edblicos instalaram-se na zona oriental do delta do rio Nilo, na chamada \u201cterra de Goshen\u201d (Gn 46,28; 47,1-6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9c. XIII a.C., numa altura em que o poder central eg\u00edpcio se tinha unificado e exercia um controle rigoroso sobre os grupos estrangeiros a residir no pa\u00eds, os cl\u00e3s semitas que tinham imigrado para o Egito viram piorar consideravelmente as suas condi\u00e7\u00f5es de vida. O livro do \u00caxodo explica que a opress\u00e3o desses grupos humanos se consubstanciava em tr\u00eas aspetos: trabalhos for\u00e7ados (cf. Ex 1,8-14), elimina\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as do sexo masculino (cf. Ex 1,15-22) e degrada\u00e7\u00e3o progressiva das condi\u00e7\u00f5es de trabalho (cf. Ex 5,6-23). Parecia uma situa\u00e7\u00e3o sem sa\u00edda. Diz-nos o livro do \u00caxodo: \u201cos filhos de Israel gemiam na servid\u00e3o, e ergueram at\u00e9 Deus o seu grito de socorro. Deus ouviu os seus gemidos e recordou-se da sua alian\u00e7a com Abra\u00e3o, Isaac e Jacob. Deus viu os filhos de Israel e conheceu-os\u201d (Ex 2,23-25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, os escravos oprimidos pediram a ajuda de Deus. Dizer que \u201cDeus ouviu os gemidos\u201d do povo escravizado e que se \u201crecordou da sua alian\u00e7a com Abra\u00e3o, Isaac e Jacob\u201d, significa que Deus se prepara para intervir. Ele vai iniciar um projeto de liberta\u00e7\u00e3o que abra de novo as portas da vida para aquele povo condenado \u00e0 morte. Nesse sentido, Deus vai chamar um homem, um tal Mois\u00e9s, que vai ser o \u201cagente de Deus\u201d nesse processo de liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a primeira leitura deste terceiro domingo da Quaresma nos apresenta conta-nos como Deus se revelou a chamou Mois\u00e9s, o chamou e lhe confiou a miss\u00e3o de libertar os escravos hebreus. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os lamentos dos escravos hebreus no Egito, privados de vida e de liberdade, t\u00eam paralelo, em pleno s\u00e9c. XXI, no sofrimento de tantos homens e mulheres que todos os dias s\u00e3o v\u00edtimas de mecanismos de explora\u00e7\u00e3o, de injusti\u00e7a, de viol\u00eancia e de morte. Um pouco por todo o lado, os povos lutam para se libertarem do imperialismo, da tirania, da viol\u00eancia, do autoritarismo de l\u00edderes med\u00edocres e sem vis\u00e3o; os pobres lutam para se libertarem da mis\u00e9ria, da fome, da ignor\u00e2ncia, da doen\u00e7a, das estruturas injustas; os \u201cdiferentes\u201d lutam pelo direito ao reconhecimento e \u00e0 integra\u00e7\u00e3o plena na sociedade e nas Igrejas; os oper\u00e1rios lutam pela defesa dos seus direitos, das suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, de uma remunera\u00e7\u00e3o justa pelo seu servi\u00e7o \u00e0 sociedade; as mulheres lutam pela defesa da sua dignidade e da sua igualdade fundamental com os homens; os estudantes lutam por um sistema de ensino que os prepare para desempenhar um papel v\u00e1lido na sociedade; os imigrantes lutam pela sobreviv\u00eancia, pelo seu direito a uma vida \u201cvi\u00e1vel\u201d, para eles e para as suas fam\u00edlias\u2026 Como vemos e sentimos estas \u201clutas\u201d pela vida, pela dignidade, pela liberdade? Temos consci\u00eancia de que, em qualquer contexto e em qualquer momento onde algu\u00e9m est\u00e1 a lutar por um mundo mais justo e mais fraterno, a\u00ed est\u00e1 Deus \u2013 esse Deus libertador e salvador que vive com paix\u00e3o o sofrimento dos explorados e que n\u00e3o fica de bra\u00e7os cruzados diante das injusti\u00e7as?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O chamamento que Deus faz a Mois\u00e9s para liderar o processo de liberta\u00e7\u00e3o dos escravos hebreus no Egito lembra-nos que Deus age na nossa vida e na nossa hist\u00f3ria atrav\u00e9s de homens e mulheres de boa vontade, que aceitam ser seus instrumentos na liberta\u00e7\u00e3o do mundo. Diante dos sofrimentos dos irm\u00e3os e dos desafios de Deus, como respondemos: com o comodismo de quem n\u00e3o est\u00e1 para se preocupar com os problemas dos outros? Com o ego\u00edsmo de quem acha que n\u00e3o \u00e9 nada consigo? Com a passividade de quem acha que j\u00e1 fez alguma coisa e que agora \u00e9 a vez dos outros? Ou com uma atitude de profeta, que se deixa interpelar por Deus e aceita colaborar com Ele na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo e mais fraterno? Poderemos sentir-nos dignos filhos desse Deus que se revelou a Israel como \u201co libertador\u201d, se n\u00e3o nos envolvermos na liberta\u00e7\u00e3o dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s v\u00edtimas de todo o tipo de escravid\u00f5es?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O \u201cnome\u201d de Deus, revelado a Mois\u00e9s no Sinai, \u00e9 \u201ceu sou e serei sempre aquele que se preocupa convosco e vos acompanha\u201d; \u201ceu estou e estarei sempre com o meu povo nos caminhos que ele tiver de percorrer\u201d. \u00c9 um nome extraordinariamente sugestivo, um nome que nos d\u00e1 garantias. Ao escut\u00e1-lo, ficamos com a certeza de que n\u00e3o caminhamos sozinhos, n\u00e3o estamos abandonados \u00e0 nossa sorte, n\u00e3o vogamos sem destino em dire\u00e7\u00e3o a coisa nenhuma\u2026 Deus, esse Deus libertador e salvador que apareceu na vida dos escravos hebreus para lhes dar vida, est\u00e1 e estar\u00e1 sempre ao nosso lado, envolvendo-nos com o seu amor, a sua bondade, a sua ternura de pai e de m\u00e3e. Caminhamos pela vida conscientes da presen\u00e7a cont\u00ednua ao nosso lado desse Deus? A consci\u00eancia dessa presen\u00e7a conforta-nos e d\u00e1-nos a for\u00e7a necess\u00e1ria para enfrentar a luta di\u00e1ria por uma vida digna, livre e feliz? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 102 (103)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: O Senhor \u00e9 clemente e cheio de compaix\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bendiz, \u00f3 minha alma, o Senhor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bendiz, \u00f3 minha alma, o Senhor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e n\u00e3o esque\u00e7as nenhum dos seus benef\u00edcios.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele perdoa todos os teus pecados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e cura as tuas enfermidades;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>salva da morte a tua vida<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e coroa-te de gra\u00e7a e miseric\u00f3rdia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor faz justi\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e defende o direito de todos os oprimidos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Revelou a Mois\u00e9s os seus caminhos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e aos filhos de Israel os seus prod\u00edgios.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor \u00e9 clemente e compassivo,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>paciente e cheio de bondade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como a dist\u00e2ncia da terra aos c\u00e9us,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>assim \u00e9 grande a sua miseric\u00f3rdia para os que O temem.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Cor\u00edntios 10,1-6.10-12<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o quero que ignoreis<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>que os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>passaram todos atrav\u00e9s do mar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e na nuvem e no mar,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>receberam todos o batismo de Mois\u00e9s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todos comeram o mesmo alimento espiritual<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e todos beberam a mesma bebida espiritual.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bebiam de um rochedo espiritual que os acompanhava:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>esse rochedo era Cristo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas a maioria deles n\u00e3o agradou a Deus,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>pois ca\u00edram mortos no deserto.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esses factos aconteceram para nos servir de exemplo,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a fim de n\u00e3o cobi\u00e7armos o mal,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>como eles cobi\u00e7aram.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o murmureis, como alguns deles murmuraram,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>tendo perecido \u00e0s m\u00e3os do Anjo exterminador.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tudo isto lhes sucedia para servir de exemplo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e foi escrito para nos advertir,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a n\u00f3s que cheg\u00e1mos ao fim dos tempos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Portanto, quem julga estar de p\u00e9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>tome cuidado para n\u00e3o cair.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corinto, cidade nova e pr\u00f3spera, era a capital da Prov\u00edncia romana da Acaia e a sede do proc\u00f4nsul romano. Servida por dois portos de mar, nela se cruzavam pessoas de todas as ra\u00e7as e religi\u00f5es. Era a cidade do desregramento para os marinheiros que cruzavam o Mediterr\u00e2neo e que, ap\u00f3s semanas de navega\u00e7\u00e3o, chegavam com vontade de se divertir. No centro da cidade, o templo de Afrodite, a deusa grega do amor, atra\u00eda os peregrinos e favorecia os desregramentos e a libertinagem sexual. Na \u00e9poca de Paulo, a cidade comportava cerca de 500.000 pessoas, das quais dois ter\u00e7os eram escravos. A riqueza escandalosa de alguns contrastava com a mis\u00e9ria da maioria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria, Paulo chegou a Corinto, depois de atravessar boa parte da Gr\u00e9cia, e ficou por l\u00e1 cerca de 18 meses (anos 50-52). De acordo com At 18,2-4, Paulo come\u00e7ou a trabalhar em casa de Priscila e \u00c1quila, um casal de judeo-crist\u00e3os. Ao s\u00e1bado, usava da palavra na sinagoga. Com a chegada a Corinto de Silvano e Tim\u00f3teo (2 Cor 1,19; At 18,5), Paulo consagrou-se inteiramente ao an\u00fancio do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como resultado da prega\u00e7\u00e3o de Paulo, nasceu a comunidade crist\u00e3 de Corinto. A maioria dos membros da comunidade era de origem grega, embora de condi\u00e7\u00e3o humilde (cf. 1 Cor 11,26-29; 8,7; 10,14.20; 12,2); mas tamb\u00e9m havia elementos de origem hebraica (cf. At 18,8; 1 Cor 1,22-24; 10,32; 12,13). De uma forma geral, a comunidade era viva e fervorosa; no entanto, estava exposta aos perigos de um ambiente corrupto: moral dissoluta (cf. 1 Cor 6,12-20; 5,1-2), querelas, disputas, lutas (cf. 1 Cor 1,11-12), sedu\u00e7\u00e3o da sabedoria filos\u00f3fica de origem pag\u00e3 que se introduzia na Igreja revestida de um superficial verniz crist\u00e3o (cf. 1 Cor 1,19-2,10). Na comunidade de Corinto, vemos as dificuldades da f\u00e9 crist\u00e3 em inserir-se num ambiente hostil, marcado por uma cultura pag\u00e3 e por um conjunto de valores que est\u00e3o em profunda contradi\u00e7\u00e3o com a pureza da mensagem evang\u00e9lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia nos prop\u00f5e como segunda leitura deste domingo integra uma sec\u00e7\u00e3o da carta onde Paulo aborda quest\u00f5es diversas, algumas referentes a quest\u00f5es que os cor\u00edntios lhe colocaram (cf. 1 Cor 7,1-11,1), por exemplo, a bondade do matrim\u00f3nio e do celibato (cf. 1 Cor 7,1-40), ou a licitude de comer a carne dos animais oferecidos aos \u00eddolos nos santu\u00e1rios pag\u00e3os (cf. 1 Cor 8,1-13). Mas a sec\u00e7\u00e3o referida inclui tamb\u00e9m algumas exorta\u00e7\u00f5es e avisos\u2026 Por exemplo, Paulo exorta os cor\u00edntios a n\u00e3o desistirem de \u201ccorrer\u201d at\u00e9 chegarem \u00e0 meta e alcan\u00e7arem o pr\u00e9mio que Deus entregar\u00e1 \u00e0queles que vivem de forma comprometida a exist\u00eancia crist\u00e3 (cf. 1 Cor 9,1-10,22).\u00a0 <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>J\u00e1 bem adentrados neste caminho da Quaresma, somos convidados, a partir da segunda leitura deste domingo, a rever o nosso empenho e o nosso compromisso com o seguimento aut\u00eantico de Jesus. Para sermos crist\u00e3os, n\u00e3o basta termos o nosso nome no livro de registo de batismos da nossa par\u00f3quia; nem basta participarmos rotineiramente na eucaristia dominical, a fim de tranquilizar a consci\u00eancia e \u201ccumprir o preceito\u201d. Ser crist\u00e3o aut\u00eantico passa por renovar cada dia o compromisso com Jesus e por segui-l\u2019O sem hesita\u00e7\u00f5es no caminho do amor e do dom da vida. O tempo da Quaresma pode ser a oportunidade para redescobrirmos o princ\u00edpio e o fundamento da nossa f\u00e9, para eliminarmos os obst\u00e1culos que nos impedem de viver com coer\u00eancia e verdade, para redesenharmos as nossas op\u00e7\u00f5es e valores, para nos aproximarmos mais de Deus e do seu amor. Neste tempo favor\u00e1vel de convers\u00e3o e de renova\u00e7\u00e3o, aceitamos esse desafio? O que \u00e9 que est\u00e1 a impedir-nos de seguir Jesus, de viver ao seu estilo, de caminhar ao ritmo das indica\u00e7\u00f5es de Deus? Quais s\u00e3o as escolhas e os valores que precisamos de purificar e, talvez, de redefinir?<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia de que a viv\u00eancia religiosa se traduz no cumprimento de certos gestos externos, na observ\u00e2ncia de determinadas regras, ou na participa\u00e7\u00e3o nos servi\u00e7os lit\u00fargicos previstos no calend\u00e1rio religioso, pode facilmente fazer-nos cair no autoconvencimento. Uma vez que cumprimos o que est\u00e1 estipulado pela lei e pela tradi\u00e7\u00e3o, sentimo-nos em regra com Deus; Ele n\u00e3o tem nada a apontar-nos e, portanto, \u201cdeve-nos\u201d a salva\u00e7\u00e3o. Esquecemos que a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma conquista nossa, mas um dom absoluto do amor de Deus. Por outro lado, esse autoconvencimento pode tornar-nos arrogantes com os nossos irm\u00e3os. Convictos da nossa autoridade moral, facilmente ca\u00edmos na tenta\u00e7\u00e3o de julgar e de condenar as pessoas que n\u00e3o cumprem as regras ou que t\u00eam comportamentos e atitudes consideradas religiosamente incorretas. Paulo lembra-nos a nossa fragilidade e convida-nos a tomar um banho de humildade: \u201cquem julga estar de p\u00e9, tome cuidado para n\u00e3o cair\u201d. Como \u00e9 que entendemos a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus: \u00e9 como uma troca comercial, na qual cumprimos determinados servi\u00e7os para obter a paga correspondente? Estamos conscientes de que a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 um dom de Deus, fruto exclusivo do seu amor? Reconhecemos a nossa fragilidade e abstemo-nos de julgar e condenar os outros?. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 13,1-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>vieram contar a Jesus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>juntamente com o das v\u00edtimas que imolavam.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jesus respondeu-lhes:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abJulgais que, por terem sofrido tal castigo,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>esses galileus eram mais pecadores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>do que todos os outros galileus?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu digo-vos que n\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E se n\u00e3o vos arrependerdes,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>morrereis todos do mesmo modo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E aqueles dezoito homens,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>que a torre de Silo\u00e9, ao cair, atingiu e matou?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Julgais que eram mais culpados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>do que todos os outros habitantes de Jerusal\u00e9m?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu digo-vos que n\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E se n\u00e3o vos arrependerdes,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>morrereis todos de modo semelhante.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jesus disse ent\u00e3o a seguinte par\u00e1bola:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abCerto homem tinha uma figueira plantada na sua vinha.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi procurar os frutos que nela houvesse,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>mas n\u00e3o os encontrou.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Disse ent\u00e3o ao vinhateiro:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018H\u00e1 tr\u00eas anos que venho procurar frutos nesta figueira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e n\u00e3o os encontro.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deves cort\u00e1-la.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Porque h\u00e1 de estar ela a ocupar inutilmente a terra?\u2019<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas o vinhateiro respondeu-lhe:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018Senhor, deixa-a ficar ainda este ano,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Talvez venha a dar frutos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se n\u00e3o der, mand\u00e1-la-\u00e1s cortar no pr\u00f3ximo ano\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste domingo situa-nos j\u00e1 no contexto da caminhada de Jesus e dos disc\u00edpulos para Jerusal\u00e9m (cf. Lc 9,51-19,28). \u00c9 uma das sec\u00e7\u00f5es mais originais do Evangelho segundo Lucas, n\u00e3o tanto pelos materiais que aqui aparecem (que s\u00e3o, em parte, comuns a Mateus), mas pelo enquadramento que Lucas lhes d\u00e1: o cen\u00e1rio de uma \u201cviagem\u201d a caminho de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Evangelho segundo Lucas, o \u201ccaminho\u201d para Jerusal\u00e9m, mais do que um caminho geogr\u00e1fico, \u00e9 um caminho espiritual. \u00c9 uma viagem longa, feita sem pressas, durante a qual Jesus vai instruindo os disc\u00edpulos, preparando-os para serem testemunhas do Reino de Deus. A cada passo, Jesus aproveita para \u201cformar\u201d os disc\u00edpulos que o acompanham (mesmo quando as palavras de Jesus se dirigem \u00e0s multid\u00f5es, como \u00e9 o caso do epis\u00f3dio de hoje, s\u00e3o os disc\u00edpulos que rodeiam Jesus os primeiros destinat\u00e1rios da mensagem); a cada passo Jesus confronta os disc\u00edpulos com as vis\u00f5es distorcidas que eles t\u00eam do projeto de Deus, com os interesses mesquinhos que os movem, com os valores que os animam e que contradizem frequentemente o dinamismo do Reino de Deus. Ao longo do \u201ccaminho\u201d os disc\u00edpulos, guiados por Jesus, s\u00e3o chamados a um processo de purifica\u00e7\u00e3o que os identifique cada vez mais com o projeto de Jesus e com os valores do Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta sec\u00e7\u00e3o do Evangelho segundo Lucas apresenta carater\u00edsticas especiais: uma parte significativa do material s\u00f3 aparece no Evangelho de Lucas; usam-se frequentemente express\u00f5es que falam de caminhada, mas evitam-se as refer\u00eancias geogr\u00e1ficas ou topogr\u00e1ficas; predominam as par\u00e1bolas e ditos de Jesus, em detrimento dos \u201cmilagres\u201d. Jesus \u00e9, ao longo do \u201ccaminho\u201d, o \u201cmestre\u201d (\u201crabi\u201d) que instrui os seus disc\u00edpulos e que os prepara para viverem segundo a l\u00f3gica do Reino de Deus. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O veemente apelo de Jesus \u00e0 convers\u00e3o tem um eco especial neste tempo de Quaresma. A \u201cconvers\u00e3o\u201d n\u00e3o se traduz no simples arrependimento pelas faltas cometidas, ou por uma penit\u00eancia externa que acalme a nossa consci\u00eancia culpada; mas implica uma mudan\u00e7a do sentido da nossa vida, de forma que Deus volte a ser novamente a nossa refer\u00eancia, o princ\u00edpio e o fundamento do nosso projeto. \u201cConverter-se\u201d \u00e9 mudar o rumo da nossa vida e \u201cvoltar para tr\u00e1s\u201d ao encontro de Deus; \u201cconverter-se\u201d \u00e9 deixar de correr atr\u00e1s dos nossos interesses ego\u00edstas e abra\u00e7ar o projeto que Deus tem para n\u00f3s; \u201cconverter-se\u201d \u00e9 livrar-se dos preconceitos mesquinhos, dos julgamentos apressados, das leituras parciais, das condena\u00e7\u00f5es sem miseric\u00f3rdia, para passarmos a ver o mundo e os homens com o olhar bondoso de Deus; \u201cconverter-se\u201d \u00e9 abandonar a indiferen\u00e7a e o ego\u00edsmo c\u00f3modo para \u201cver\u201d os homens e mulheres condenados a uma vida sem sa\u00edda e para lhes dar a m\u00e3o; \u201cconverter-se\u201d \u00e9 rever os valores sobre os quais constru\u00edmos o nosso projeto de vida e prescindir daquilo que nos faz mal, que nos escraviza, que nos torna menos humanos. Neste tempo de Quaresma, estamos dispostos a fazer esta mudan\u00e7a na nossa vida? Quais s\u00e3o as dimens\u00f5es, os aspetos, as quest\u00f5es a que daremos prioridade?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A par\u00e1bola da figueira sugere que a convers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo que possamos adiar indefinidamente. Deus \u00e9 paciente e cheio de miseric\u00f3rdia; mas quer de n\u00f3s respostas concretas e convincentes. Ele n\u00e3o admite que vivamos indecisos ou acomodados ao nosso bem-estar e que n\u00e3o tenhamos a coragem de assumir as op\u00e7\u00f5es que podem dar sentido \u00e0 nossa exist\u00eancia. O tempo da nossa vida \u00e9 limitado e corre sem nos darmos conta. Se formos adiando, uma e outra vez, as escolhas que se imp\u00f5em, estaremos a frustrar o plano de Deus para n\u00f3s e para o mundo e estaremos a passar ao lado da vida. Quanto mais depressa brotar em n\u00f3s o \u201cHomem novo\u201d, mais depressa encontraremos a nossa realiza\u00e7\u00e3o plena. Podemos permitir-nos isso adiar e perder oportunidades? Estamos conscientes da urg\u00eancia da convers\u00e3o?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jesus \u00e9 bastante claro: uma figueira que n\u00e3o produz frutos \u00e9 uma \u00e1rvore in\u00fatil, que n\u00e3o est\u00e1 a cumprir o seu papel. N\u00e3o serve para nada. \u00c9 \u00f3bvio que Jesus, atrav\u00e9s da imagem da figueira, est\u00e1 a falar de n\u00f3s, a questionar-nos sobre a forma como n\u00f3s correspondemos aos cuidados de Deus. N\u00f3s, que crescemos na \u201cescola de Jesus\u201d e que somos constantemente interpelados pelo Evangelho de Jesus, produzimos, na vida de todos os dias, os frutos saborosos que Deus espera? Os frutos que produzimos contribuem para tornar mais doce o mundo e a vida de todos aqueles que caminham ao nosso lado? O que podemos fazer para dar mais frutos?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jesus rejeita categoricamente qualquer rela\u00e7\u00e3o entre as desgra\u00e7as que atingem algumas pessoas e um eventual castigo de Deus pelo pecado. Na verdade, considerar que Deus \u00e9 uma esp\u00e9cie de comerciante, com a contabilidade organizada, que conhece os seus devedores e os castiga pelas suas d\u00edvidas, \u00e9 dar azo a uma grave deforma\u00e7\u00e3o da imagem e da realidade de Deus. Temos de evitar associar Deus aos males que acontecem no mundo e na vida dos homens. O mal n\u00e3o vem de Deus, mas sim da nossa debilidade, do nosso pecado, da finitude e dos limites deste mundo que est\u00e1, a cada instante, a construir-se. O que Deus faz \u00e9 estar ao nosso lado a cada momento, a cuidar das nossas feridas, a apontar-nos o caminho que devemos percorrer para chegar \u00e0 vida. Como vemos Deus? Consideramo-lo respons\u00e1vel pelas coisas que estragam a nossa vida e desfeiam o mundo? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>primeira leitura<\/strong>, a proclama\u00e7\u00e3o deve ter em conta o di\u00e1logo estabelecido entre Mois\u00e9s e o Senhor Deus. Deve haver uma especial aten\u00e7\u00e3o para com as perguntas presentes no texto, bem para as diferentes frases no discurso direto como o chamamento: \u00ab<em>Mois\u00e9s, Mois\u00e9s!<\/em>\u00bb e a sua resposta: \u00ab<em>Aqui estou!<\/em>\u00bb. A entoa\u00e7\u00e3o da leitura deve ser cuidada para que n\u00e3o haja uma excessiva dramatiza\u00e7\u00e3o do texto nem uma leitura ap\u00e1tica das diferentes interven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> n\u00e3o apresenta nenhuma dificuldade aparente, pelo que uma boa prepara\u00e7\u00e3o, tendo em conta as pausas e as respira\u00e7\u00f5es nas frases mais longas, ajudar\u00e1 a uma proclama\u00e7\u00e3o mais eficaz do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quaresma: Caminhada para a P\u00e1scoa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>TEMPO DE CONVERS\u00c3O\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi-te dito:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodeia-te de triunfadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que tua vida seja um \u00eaxito<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">serve-te de todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ret\u00e9m em tua mem\u00f3ria<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">o nome do rico,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e anota o telefone<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">do rosto feminino<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que sorri no concurso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Forra as paredes de tua casa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">com assinaturas de pintores<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">de prest\u00edgio e de dinheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enche tua boca<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">com os nomes<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que ocupam o cen\u00e1rio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">da gl\u00f3ria escorregadia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faz-te vizinho, compadre,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">do seu clube e seu partido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">que todas estas famas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">te emprestem o seu prest\u00edgio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas a Palavra diz:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senta \u00e0 tua mesa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">os que n\u00e3o podem<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">convidar-te a sua casa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">arrastada pelo rio,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e empresta sem enrugar a cara<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ao que n\u00e3o pode devolver-te<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">o teu dinheiro no prazo estipulado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">porque as horas extras<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">se perderam no computador<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">da zona franca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Haver\u00e3o encontrado em ti<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a resposta de Deus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00e0 sua ang\u00fastia quotidiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e tu sentir\u00e1s atravessar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">algo de Deus a passar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">pelo centro de ti mesmo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para chegar at\u00e9 ao irm\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao romper,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">com este gesto de gratuita proximidade,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">as leis e as c\u00e1tedras do investimento bem calculado,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">um manancial de eternidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">te chegar\u00e1 entre tuas pedras,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e far\u00e1 de ti um servidor de todos,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">cheio de gra\u00e7a e de sabor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Benjamin Gonz\u00e1lez Buelta<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>in &#8216;Salmos para sentir e saborear as coisas internamente&#8217;<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Leitura-I-do-Domingo-III-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-C-23.03.2025-Ex-3-1-8a.13-15.pdf\">Leitura I do Domingo III do Tempo da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 23.03.2025 (Ex 3, 1-8a.13-15)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Resto-da-Leitura-I-do-Domingo-III-do-Tempo-da-Quaresma.pdf\">Resto da Leitura I do Domingo III do Tempo da Quaresma<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Leitura-II-do-Domingo-III-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-C-23.03.2025-1-Cor-10-1-6.10-12.pdf\">Leitura II do Domingo III do Tempo da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 23.03.2025 (1 Cor 10, 1-6.10-12)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-III-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-C-23.03.2025-Lecionario.pdf\">Domingo III do Tempo da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 23.03.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-III-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-C-23.03.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo III do Tempo da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 23.03.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-III-da-Quaresma-Ano-C-23.03.2025-refletindo.pdf\">Domingo III da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 23.03.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/A-Mesa-da-Palavra-Quaresma-Domingo-III.pdf\">A Mesa da Palavra Quaresma Domingo III<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mensagem-para-Quaresma-2025-Papa-Francisco-2.pdf\">Mensagem para Quaresma 2025 &#8211; Papa Francisco<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo II da Quaresma \u2013 Ano C \u2013 16 mar\u00e7o 2025&#8243; tab_id=&#8221;1742807677414-68b23f3f-d221&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo II da Quaresma &#8211; Ano C \u2013 16 mar\u00e7o 2025<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-II-da-Quaresma.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"391\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm; background: white; text-align: justify;\" align=\"center\"><strong><span style=\"font-size: 16px; font-family: Arial, sans-serif; color: #0f0f0f;\">Lucas 9,28b-36 &#8211; &#8220;Enquanto Jesus rezava, o seu rosto mudou de apar\u00eancia\u2026\u2026&#8221;<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Liturgia da Palavra deste Domingo coloca-nos de olhos fixos em Jesus de Nazar\u00e9, o Filho Amado, o Eleito, que na intimidade da ora\u00e7\u00e3o entra em comunh\u00e3o com o Pai e nos revela o mist\u00e9rio de luz que irrompe na nossa vida quando nos abrimos ao di\u00e1logo de \u00ab<em>amizade, estando muitas vezes e a s\u00f3s com Quem sabemos que nos ama<\/em>\u00bb (S. Teresa de \u00c1vila, Livro da Vida 8,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus faz ecoar no cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos escolhidos para subir ao monte as palavras que cant\u00e1vamos no Salmo Responsorial: \u00ab<em>O Senhor \u00e9 a minha luz e a minha salva\u00e7\u00e3o<\/em>\u00bb. A vida de Jesus com os Seus gestos, as Suas Palavras, os Seus milagres e prod\u00edgios s\u00e3o o an\u00fancio e realiza\u00e7\u00e3o do projeto salv\u00edfico do Pai que, nas palavras dos Profetas e na Lei confiada ao Povo de Israel, prefigurava Aquele que em plenitude nos haveria de revelar a Lei nova do amor e realizar a profecia do Reino Novo que somos chamados a construir no aqui e agora do tempo e da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, que se faz presente nos desertos da nossa vida, conduz-nos com Ele ao monte, para passarmos da aridez do deserto \u00e0 luz transfiguradora e transformadora do Seu amor: \u00ab<em>Jesus tomou consigo Pedro, Jo\u00e3o e Tiago e subiu ao monte, para orar<\/em>\u00bb. O cimo do monte \u00e9 o lugar onde o dia amanhece mais cedo e onde se pousa o \u00faltimo raio de Sol. O cimo do monte \u00e9 sempre um lugar privilegiado de encontro com Deus: at\u00e9 geograficamente estamos mais perto do c\u00e9u, esse lugar onde brilham as estrelas da promessa que Deus manifestou a Abra\u00e3o e o fazem caminhar at\u00e9 \u00e0 terra onde Deus o espera e onde Abra\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ado pelo amor e pela condescend\u00eancia de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, precisamente a\u00ed, Jesus faz resplandecer a exist\u00eancia, reacende a esperan\u00e7a e faz luzir o amor. Com Pedro, Jo\u00e3o e Tiago, tamb\u00e9m n\u00f3s somos convidados a subir ao monte. Batizados em Cristo e ungidos pela for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo somos disc\u00edpulos mission\u00e1rios, escolhidos pelo Pai, para saborear a beleza da intimidade com Ele e experimentar o estupor que inundou o cora\u00e7\u00e3o destes tr\u00eas disc\u00edpulos e que fez Pedro exclamar: \u00ab<em>Mestre, como \u00e9 bom estarmos aqui!<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como deveria ser belo ver Jesus rezar, ver Jesus entrar em di\u00e1logo \u00edntimo de amor com o Pai. Por isso, n\u00e3o nos espanta que numa outra ocasi\u00e3o, estando Jesus em ora\u00e7\u00e3o, os disc\u00edpulos lhe tenham pedido: \u00ab<em>Senhor, ensina-nos a orar<\/em>\u00bb (Lc 11,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caminhar com Jesus, preparando a Sua P\u00e1scoa, \u00e9 tomar consci\u00eancia da urgente necessidade de uma vida orante que se faz escuta da Palavra do Pai. A verdadeira ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 aquela que se faz at\u00e9 que Deus nos ou\u00e7a, mas aquela que se realiza incessantemente at\u00e9 que possamos escutar a voz de Deus: \u00abEste \u00e9 o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O\u00bb. A voz, que emana da nuvem e que nos recorda a necessidade de viver de olhos fixos em Jesus e de cora\u00e7\u00e3o aberto e dispon\u00edvel para a Sua palavra, apresenta Jesus como o Filho Amado, o Eleito do Pai que nos revela que a paix\u00e3o, o sofrimento e a morte n\u00e3o t\u00eam a \u00faltima palavra e, por isso, a \u00ab<em>morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusal\u00e9m<\/em>\u00bb de que falavam Mois\u00e9s e Elias \u00e9 caminho para a gl\u00f3ria plena, total e definitiva da qual a Transfigura\u00e7\u00e3o \u00e9 sinal e antecipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, S. Paulo recorda-nos que \u00ab<em>a nossa p\u00e1tria est\u00e1 nos C\u00e9us, donde esperamos, como Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformar\u00e1 o nosso corpo miser\u00e1vel, para o tornar semelhante ao seu corpo glorioso<\/em>\u00bb, para nos ensinar a arte de ler os sofrimentos do tempo presente como lugares de passagem para a alegria plena e definitiva que s\u00f3 Jesus e o Seu amor nos podem oferecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Quaresma \u00e9 o tempo privilegiado e escolhido por Deus para contar as estrelas do C\u00e9u apontadas a Abra\u00e3o, para renovar no cora\u00e7\u00e3o a alian\u00e7a de amor que Deus realiza, j\u00e1 n\u00e3o nos animais oferecidos em sacrif\u00edcio, mas no Cordeiro imolado por nosso amor. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia <strong>13 de mar\u00e7o<\/strong>, celebra-se o <strong>12.\u00ba anivers\u00e1rio da elei\u00e7\u00e3o do Papa Francisco<\/strong>. Conforme indica o diret\u00f3rio lit\u00fargico, onde se fizerem celebra\u00e7\u00f5es especiais, pode dizer-se a missa do anivers\u00e1rio da elei\u00e7\u00e3o do Papa. Em todas as missas, na ora\u00e7\u00e3o universal, deve incluir-se uma inten\u00e7\u00e3o especial pelo Papa. Tendo em conta o estado de sa\u00fade do Papa Francisco, o louvor e a a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pela sua elei\u00e7\u00e3o deve ser acompanhado pela ora\u00e7\u00e3o de intercess\u00e3o pela sua sa\u00fade <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no <strong>Tempo da Quaresma,<\/strong> continuamos um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> &#8211; <\/strong><strong>G\u00e9nesis 15,5-12.17-18<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nDeus levou Abr\u00e3o para fora de casa e disse-lhe:<br \/>\n\u00abOlha para o c\u00e9u e conta as estrelas, se as puderes contar\u00bb.<br \/>\nE acrescentou:<br \/>\n\u00abAssim ser\u00e1 a tua descend\u00eancia\u00bb.<br \/>\nAbr\u00e3o acreditou no Senhor,<br \/>\no que lhe foi atribu\u00eddo em conta de justi\u00e7a.<br \/>\nDisse-lhe Deus:<br \/>\n\u00abEu sou o Senhor<br \/>\nque te mandou sair de Ur dos caldeus,<br \/>\npara te dar a posse desta terra\u00bb.<br \/>\nAbr\u00e3o perguntou:<br \/>\n\u00abSenhor, meu Deus,<br \/>\ncomo saberei que a vou possuir?\u00bb<br \/>\nO Senhor respondeu-lhe:<br \/>\n\u00abToma uma vitela de tr\u00eas anos,<br \/>\numa cabra de tr\u00eas anos e um carneiro de tr\u00eas anos,<br \/>\numa rola e um pombinho\u00bb.<br \/>\nAbr\u00e3o foi buscar todos esses animais,<br \/>\ncortou-os ao meio<br \/>\ne p\u00f4s cada metade em frente da outra metade;<br \/>\nmas n\u00e3o cortou as aves.<br \/>\nOs abutres desceram sobre os cad\u00e1veres,<br \/>\nmas Abr\u00e3o p\u00f4-los em fuga.<br \/>\nAo p\u00f4r do sol,<br \/>\napoderou-se de Abr\u00e3o um sono profundo,<br \/>\nenquanto o assaltava um grande e escuro terror.<br \/>\nQuando o sol desapareceu e ca\u00edram as trevas,<br \/>\num brasido fumegante e um archote de fogo<br \/>\npassaram entre os animais cortados.<br \/>\nNesse dia, o Senhor estabeleceu com Abr\u00e3o uma alian\u00e7a,<br \/>\ndizendo:<br \/>\n\u00abAos teus descendentes darei esta terra,<br \/>\ndesde o rio do Egipto at\u00e9 ao grande rio Eufrates\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura de hoje faz parte de um bloco de textos a que se d\u00e1 o nome gen\u00e9rico de \u201ctradi\u00e7\u00f5es patriarcais\u201d (cf. Gn 12-36). Trata-se de um conjunto de relatos singulares, originalmente independentes uns dos outros, sem grande unidade e sem car\u00e1cter de documento hist\u00f3rico. Nesses cap\u00edtulos aparecem, de forma indiferenciada, \u201cmitos de origem\u201d (descreviam a \u201ctomada de posse\u201d de um lugar pelo patriarca do cl\u00e3), \u201clendas cultuais\u201d (narravam como um deus tinha aparecido nesse lugar ao patriarca do cl\u00e3), hist\u00f3rias sobre as vicissitudes di\u00e1rias dos cl\u00e3s n\u00f3madas que circularam pela Palestina durante o segundo mil\u00e9nio, e ainda reflex\u00f5es teol\u00f3gicas posteriores destinadas a apresentar aos crentes israelitas modelos de vida e de f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cl\u00e3s referenciados nas \u201ctradi\u00e7\u00f5es patriarcais\u201d \u2013 nomeadamente os de Abra\u00e3o, de Isaac e de Jacob, grupos vagamente aparentados que mais tarde, numa fase posterior da hist\u00f3ria, aparecem ligados por la\u00e7os \u201cfamiliares\u201d \u2013 viajavam de lugar em lugar \u00e0 procura de pastos para os seus rebanhos. Levavam consigo diversos sonhos e expetativas. Sonhavam encontrar uma terra f\u00e9rtil e com \u00e1gua abundante, onde pudessem instalar-se e descansar, fugindo aos perigos e \u00e0s incertezas da vida n\u00f3mada. Sonhavam tamb\u00e9m possuir uma fam\u00edlia forte e numerosa que perpetuasse a \u201cmem\u00f3ria\u201d da tribo e se impusesse aos inimigos. O deus ancestral que protegia a tribo e a conduzia ao longo das suas deambula\u00e7\u00f5es era o potencial concretizador desse ideal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura do segundo domingo da Quaresma coloca-nos precisamente neste cen\u00e1rio. Abra\u00e3o, um dos patriarcas desses cl\u00e3s n\u00f3madas, conversando com Deus, refere a sua dece\u00e7\u00e3o porque a sua vida est\u00e1 a acabar e ainda n\u00e3o tem um filho que lhe perpetue o nome. A heran\u00e7a que vai deixar, tudo aquilo que construiu, ir\u00e1 ficar para um servo, um tal Eli\u00e9zer, de Damasco (cf. Gn 15,2-3). Conhecemos contratos do s\u00e9c. XV a. C. que parecem iluminar esta realidade: estipulam que, em caso de falta de filhos, o senhor possa adotar um escravo; e este, por sua vez, compromete-se a dar ao seu senhor uma sepultura conveniente. Talvez seja a esse costume que o texto alude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que ter\u00e1 Deus a dizer ao seu Servo Abra\u00e3o? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Abra\u00e3o \u00e9 apresentado, n\u00e3o apenas neste relato, mas em diversos outros passos das tradi\u00e7\u00f5es patriarcais, como o homem que confia plenamente em Deus. O seu tempo de vida vai-se escoando, a sua mulher Sara \u00e9 est\u00e9ril e j\u00e1 n\u00e3o tem idade para ser m\u00e3e, o nascimento de um filho que lhe assegure a descend\u00eancia parece cada dia mais improv\u00e1vel; mas Abra\u00e3o, contra toda a l\u00f3gica humana, confia em Deus e nas suas promessas. Entrega toda a sua vida e toda a sua esperan\u00e7a nas m\u00e3os de Deus, convencido de que Deus nunca o desapontar\u00e1. Abra\u00e3o \u00e9 o crente ideal, o modelo para os crentes de todas as \u00e9pocas. Desde Abra\u00e3o at\u00e9 aos nossos dias passaram quase quatro mil anos. Desde ent\u00e3o fizemos um longo caminho, sempre acompanhados pelo olhar paterno e materno de Deus. Mais: frequentamos a escola de Jesus; e Jesus ensinou-nos a confiar em Deus como uma crian\u00e7a pequenina confia no seu \u201cpap\u00e1\u201d. Depois de tudo isso, a que n\u00edvel est\u00e1 a nossa confian\u00e7a em Deus? Estamos sempre dispostos \u2013 mesmo em situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o compreendemos ou que contradizem as nossas l\u00f3gicas e as nossas ideias feitas \u2013 a entregar-nos nas m\u00e3os de Deus, a confiar nos seus des\u00edgnios, a aderir \u00e0s suas propostas?<\/li>\n<li>O Deus que se revela a Abra\u00e3o \u00e9 um Deus que se compromete com o homem e cujas promessas s\u00e3o garantidas, gratuitas e incondicionais. Ele n\u00e3o cumpre as suas promessas apenas se n\u00f3s cumprirmos as nossas: Deus mant\u00e9m as suas promessas mesmo que n\u00f3s escolhamos percorrer caminhos de ego\u00edsmo e de autossufici\u00eancia, ignorando as indica\u00e7\u00f5es que Ele nos d\u00e1. Com paci\u00eancia e amor de pai, Deus insiste em vir ter connosco e em apontar-nos os caminhos que conduzem \u00e0 vida e \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Que efeitos tem, no desenrolar da nossa vida, essa fidelidade de Deus? \u00c9 algo em que n\u00e3o pensamos, ao qual ficamos indiferentes, ou \u00e9 algo que nos ajuda a construir a nossa exist\u00eancia com serenidade e confian\u00e7a? Vemos a fidelidade de Deus como um \u201ccheque em branco\u201d, que podemos utilizar para fazer o que nos apetecer, ou como algo que nos compromete e nos convida a caminhar com Deus?<\/li>\n<li>A catequese de Israel apresenta sempre Abra\u00e3o como um homem em permanente di\u00e1logo com Deus. Abra\u00e3o partilha com Deus os seus sonhos e esperan\u00e7as, as suas dificuldades na luta di\u00e1ria da exist\u00eancia; mas tamb\u00e9m escuta Deus, acolhe as suas indica\u00e7\u00f5es, vive ao ritmo das propostas de Deus. Talvez esta descri\u00e7\u00e3o que os catequistas de Israel fazem do seu patriarca seja um tanto idealizada; mas mostra aos crentes israelitas \u2013 e a n\u00f3s tamb\u00e9m \u2013 que a vida deve ser vivida em permanente di\u00e1logo com Deus. Em tempo de Quaresma \u2013 de convers\u00e3o, de regresso a Deus \u2013 talvez seja uma sugest\u00e3o que podemos considerar. Estamos dispostos, neste tempo de Quaresma, a dar mais espa\u00e7o ao di\u00e1logo com Deus, \u00e0 escuta de Deus? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 26 (27)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: O Senhor \u00e9 a minha luz e a minha salva\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor \u00e9 minha luz e salva\u00e7\u00e3o:<br \/>\na quem hei de temer?<br \/>\nO Senhor \u00e9 protetor da minha vida:<br \/>\nde quem hei de ter medo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ouvi, Senhor, a voz da minha s\u00faplica,<br \/>\ntende compaix\u00e3o de mim e atendei-me.<br \/>\nDiz-me o cora\u00e7\u00e3o: \u00abProcurai a sua face\u00bb.<br \/>\nA vossa face, Senhor, eu procuro.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o escondais de mim o vosso rosto,<br \/>\nnem afasteis com ira o vosso servo.<br \/>\nN\u00e3o me rejeiteis nem abandoneis,<br \/>\nmeu Deus e meu Salvador.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Espero vir a contemplar a bondade do Senhor<br \/>\nna terra dos vivos.<br \/>\nConfia no Senhor, s\u00ea forte.<br \/>\nTem coragem e confia no Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Filipenses 3,17-4,1<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nSede meus imitadores<br \/>\ne ponde os olhos naqueles<br \/>\nque procedem segundo o modelo que tendes em n\u00f3s.<br \/>\nPorque h\u00e1 muitos,<br \/>\nde quem tenho falado v\u00e1rias vezes<br \/>\ne agora falo a chorar,<br \/>\nque procedem como inimigos da cruz de Cristo.<br \/>\nO fim deles \u00e9 a perdi\u00e7\u00e3o:<br \/>\nt\u00eam por deus o ventre,<br \/>\norgulham-se da sua vergonha<br \/>\ne s\u00f3 apreciam as coisas terrenas.<br \/>\nMas a nossa p\u00e1tria est\u00e1 nos C\u00e9us,<br \/>\ndonde esperamos, como Salvador, o Senhor Jesus Cristo,<br \/>\nque transformar\u00e1 o nosso corpo miser\u00e1vel,<br \/>\npara o tornar semelhante ao seu corpo glorioso,<br \/>\npelo poder que Ele tem<br \/>\nde sujeitar a Si todo o universo.<br \/>\nPortanto, meus amados e queridos irm\u00e3os,<br \/>\nminha alegria e minha coroa,<br \/>\npermanecei firmes no Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade de Filipos, situada na Maced\u00f3nia oriental, era uma cidade pr\u00f3spera, com uma popula\u00e7\u00e3o constitu\u00edda maioritariamente por veteranos romanos do ex\u00e9rcito. Organizada \u00e0 maneira de Roma, estava fora da jurisdi\u00e7\u00e3o dos governantes das prov\u00edncias locais e dependia diretamente do imperador. Gozava dos mesmos privil\u00e9gios das cidades de It\u00e1lia e os seus habitantes tinham cidadania romana. Paulo chegou a Filipos pelo ano 49 ou 50, no decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria, acompanhado de Silvano, Tim\u00f3teo e Lucas (cf. At 16,1-40). Da sua prega\u00e7\u00e3o nasceu a primeira comunidade crist\u00e3 em solo europeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 de Filipos era uma comunidade entusiasta, generosa, comprometida, sempre atenta \u00e0s necessidades de Paulo e do resto da Igreja (como no caso da coleta em favor da Igreja de Jerusal\u00e9m \u2013 cf. 2 Cor 8,1-5). Paulo nutria pelos crist\u00e3os de Filipos um afeto especial; e os filipenses, por seu turno, tinham Paulo em grande apre\u00e7o. Apesar de tudo, a comunidade crist\u00e3 de Filipos n\u00e3o era perfeita: os altivos patr\u00edcios romanos de Filipos tinham alguma dificuldade em assumir certos valores como o desprendimento, a humildade e a simplicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo escreve aos Filipenses numa altura em que estava na pris\u00e3o (n\u00e3o sabemos se em Cesareia, em Roma, ou em \u00c9feso). Os filipenses tinham-lhe enviado, por um membro da comunidade chamado Epafrodito, uma certa quantia em dinheiro, a fim de que Paulo pudesse prover \u00e0s suas necessidades. Na carta, Paulo agradece a preocupa\u00e7\u00e3o dos filipenses com a sua pessoa (cf. Fl 4,10-20); exorta-os a manterem-se fi\u00e9is a Cristo e a incarnarem os valores que marcaram a vida de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto como segunda leitura faz parte de um longo desenvolvimento (cf. Flp 3,1-4,1), no qual Paulo alerta os Filipenses para que tenham cuidado com \u201cos c\u00e3es\u201d, os \u201cmaus obreiros\u201d, os \u201cfalsos circuncidados\u201d (cf. Flp 3,2). Quem s\u00e3o estes, a quem Paulo se refere de uma forma t\u00e3o pouco delicada? Muito provavelmente s\u00e3o crist\u00e3os de origem judaica (\u201cjudaizantes\u201d) que, apegados \u00e0s suas tradi\u00e7\u00f5es religiosas, exigiam aos crist\u00e3os o cumprimento integral da Lei de Mois\u00e9s. No tempo de Paulo, esses judeo-crist\u00e3os, com as suas exig\u00eancias e intoler\u00e2ncia, criavam alarme e perplexidade nas comunidades crist\u00e3s do mundo hel\u00e9nico. Confundiam os crist\u00e3os, criavam conflitos e punham em causa o essencial da f\u00e9. As duras palavras de Paulo resultam da sua revolta ao ver a a\u00e7\u00e3o dessa gente. Paulo estava convicto de que a vida crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 o cumprimento de ritos externos, como s\u00e3o os ritos da Lei; mas \u00e9 a ades\u00e3o \u00e0 proposta gratuita de salva\u00e7\u00e3o que Deus nos faz em Jesus. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os \u201cjudaizantes\u201d que Paulo denuncia na Carta aos Filipenses reduziam a f\u00e9 \u00e0 observ\u00e2ncia de determinadas pr\u00e1ticas externas e ritualistas, que provinham das tradi\u00e7\u00f5es e da cultura de um povo, mas pouco ou nada contribu\u00edam para aproximar os crentes de Deus. Enquanto faziam finca-p\u00e9 em coisas sem import\u00e2ncia, acabavam por colocar em plano secund\u00e1rio aquilo que era essencial. Trata-se de uma \u201ctenta\u00e7\u00e3o\u201d que se apresenta a cada passo no caminho dos crentes: reduzir a viv\u00eancia da f\u00e9 a um conjunto de coisas \u201cpalp\u00e1veis\u201d, que se executam mecanicamente, que se \u201cdespacham\u201d num instante e que n\u00e3o implicam grandes \u201cinvestimentos\u201d. Cumpridos os gestos que a lei estipula, o crente sente-se em regra com Deus e com a sua pr\u00f3pria consci\u00eancia e evita aquilo que \u00e9 realmente exigente: a mudan\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o, o compromisso com Jesus e com o Evangelho, o acolhimento dos desafios sempre novos de Deus. Como vivemos a nossa f\u00e9? Limitamo-nos a cumprir determinadas pr\u00e1ticas religiosas tradicionais, ou procuramos ir ao fundo das coisas e encontrar o caminho para nos aproximarmos realmente de Deus? Neste tempo quaresmal, por exemplo, a que \u00e9 que damos mais import\u00e2ncia: aos \u201cjejuns\u201d e \u201cabstin\u00eancias\u201d estipulados pela tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, ou \u00e0 convers\u00e3o, \u00e0 mudan\u00e7a de vida, \u00e0 escuta mais atenta de Deus, ao seguimento de Jesus?<\/li>\n<li>A express\u00e3o usada por Paulo para falar dos \u201cjudaizantes\u201d \u2013 \u201ct\u00eam por deus o ventre, orgulham-se da sua vergonha e s\u00f3 apreciam as coisas terrenas\u201d \u2013 faz-nos pensar nas pessoas, religiosas ou n\u00e3o, que vivem de olhos postos nas realidades rasteiras e banais e descuram as realidades imperec\u00edveis: s\u00e3o as pessoas que se limitam a \u201caproveitar o instante\u201d, sem qualquer horizonte de eternidade; s\u00e3o as pessoas que se preocupam apenas com o seu bem estar e vivem indiferentes \u00e0 sorte dos outros homens e mulheres; s\u00e3o as pessoas que procuram dar uma boa imagem de si pr\u00f3prias, mesmo que essa imagem n\u00e3o corresponda \u00e0quilo que s\u00e3o; s\u00e3o as pessoas que se limitam a cumprir o que est\u00e1 estipulado por uma lei qualquer (como aqueles \u201cjudaizantes\u201d que os filipenses conheciam), mas deixam passar o que \u00e9 essencial, aquilo que as faz mais livres e que poderia dar um sentido mais pleno \u00e0s suas vidas\u2026 Como nos situamos em rela\u00e7\u00e3o a isto? Vivemos \u201ca prazo\u201d, com horizontes limitados, ou estamos empenhados em construir uma vida voltada para as coisas verdadeiras e eternas?<\/li>\n<li>Paulo considera a vida uma corrida de fundo em dire\u00e7\u00e3o a uma meta que \u00e9 o encontro com Cristo Jesus. Ele est\u00e1 consciente de que, enquanto caminhar na terra, a corrida n\u00e3o estar\u00e1 terminada: tem de continuar a esfor\u00e7ar-se para atingir a meta final. Paulo tem raz\u00e3o: n\u00e3o podemos, a dado momento, determo-nos a gozar as nossas conquistas, convencidos de que j\u00e1 est\u00e1 tudo feito e consolidado. Em cada passo da nossa vida temos de renovar a nossa op\u00e7\u00e3o por Deus e continuar os nossos esfor\u00e7os em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 vida nova e eterna. Somos gente acomodada, convencida de que j\u00e1 \u201ccorreu\u201d o suficiente e que agora pode viver de rendimentos, ou somos gente que dia a dia, passo a passo, procura acolher os desafios sempre novos de Deus e corresponder \u00e0quilo que Deus espera de n\u00f3s? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO &#8211; <\/strong><strong>Lucas 9,28b-36<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus tomou consigo Pedro, Jo\u00e3o e Tiago<br \/>\ne subiu ao monte, para orar.<br \/>\nEnquanto orava,<br \/>\nalterou-se o aspeto do seu rosto<br \/>\ne as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente.<br \/>\nDois homens falavam com Ele:<br \/>\neram Mois\u00e9s e Elias,<br \/>\nque, tendo aparecido em gl\u00f3ria,<br \/>\nfalavam da morte de Jesus,<br \/>\nque ia consumar-se em Jerusal\u00e9m.<br \/>\nPedro e os companheiros estavam a cair de sono;<br \/>\nmas, despertando, viram a gl\u00f3ria de Jesus<br \/>\ne os dois homens que estavam com Ele.<br \/>\nQuando estes se iam afastando,<br \/>\nPedro disse a Jesus:<br \/>\n\u00abMestre, como \u00e9 bom estarmos aqui!<br \/>\nFa\u00e7amos tr\u00eas tendas:<br \/>\numa para Ti, outra para Mois\u00e9s e outra para Elias\u00bb.<br \/>\nN\u00e3o sabia o que estava a dizer.<br \/>\nEnquanto assim falava,<br \/>\nveio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra;<br \/>\ne eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem.<br \/>\nDa nuvem saiu uma voz, que dizia:<br \/>\n\u00abEste \u00e9 o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O\u00bb.<br \/>\nQuando a voz se fez ouvir, Jesus ficou sozinho.<br \/>\nOs disc\u00edpulos guardaram sil\u00eancio<br \/>\ne, naqueles dias, a ningu\u00e9m contaram nada do que tinham visto.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos no final da \u201cetapa da Galileia\u201d; durante essa etapa, Jesus anunciou a salva\u00e7\u00e3o aos pobres, proclamou a liberta\u00e7\u00e3o aos cativos, fez os cegos recobrar a vista, mandou em liberdade os oprimidos, proclamou o tempo da gra\u00e7a do Senhor (cf. Lc 4,16-30). \u00c0 volta de Jesus j\u00e1 se formou esse grupo dos que acolheram a oferta da salva\u00e7\u00e3o (os disc\u00edpulos). Testemunhas das palavras e dos gestos libertadores de Jesus, eles descobriram que Jesus \u00e9 o Messias de Deus (cf. Lc 9,18-20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, \u201cuns oito dias antes\u201d da cena da transfigura\u00e7\u00e3o, os disc\u00edpulos tinham ficado perplexos quando Jesus lhes falou do futuro pr\u00f3ximo: \u201co Filho do Homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anci\u00e3os, pelos sumos sacerdotes e pelos doutores da Lei, tem de ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar\u201d (Lc 9,21-22). Os disc\u00edpulos ficaram estupefactos: o caminho que Jesus se propunha seguir passava pelo sofrimento e pela morte (Ele tinha tamb\u00e9m falado em ressurrei\u00e7\u00e3o; mas, essa refer\u00eancia deve ter-lhes passado despercebida pois, por essa altura, eles n\u00e3o sabiam bem o que isso queria dizer)? Era esse o horizonte de Jesus? N\u00e3o era com isso que contavam quando se dispuseram a andar com Ele. Para piorar as coisas, Jesus tinha-lhes pedido, na sequ\u00eancia, que se negassem a si mesmos, tomassem a cruz e o seguissem no caminho do dom da vida at\u00e9 \u00e0 morte (cf. Lc 9,23-26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 natural que tudo isto deixasse os disc\u00edpulos inquietos e indecisos. Jesus achou, face a este estado de coisas, que tinha chegado a hora de lhes desvelar o sentido do caminho que se propunha seguir. Chamou, ent\u00e3o, Pedro, Tiago e Jo\u00e3o \u2013 o \u201cn\u00facleo duro\u201d daquele grupo \u2013 e convidou-os a subir com Ele a um monte. Nesse dia e nesse monte eles iriam achar algumas respostas para as perguntas que os inquietavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto n\u00e3o identifica o \u201cmonte\u201d para onde Jesus, Pedro, Tiago e Jo\u00e3o se dirigiram. Contudo, a tradi\u00e7\u00e3o fala do Monte Tabor, uma montanha com 588 metros de altura, situada no meio da plan\u00edcie de Jezreel, coberta de carvalhos, pinheiros, ciprestes, aroeiras e plantas silvestres. O Tabor tinha sido, nos tempos antigos, um lugar sagrado para os povos cananeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Literariamente, a narra\u00e7\u00e3o da transfigura\u00e7\u00e3o \u00e9 uma teofania \u2013 quer dizer, uma manifesta\u00e7\u00e3o de Deus. Portanto, o autor do relato vai colocar no quadro todos os ingredientes que, no imagin\u00e1rio judaico, acompanham as manifesta\u00e7\u00f5es de Deus (e que encontramos quase sempre presentes nos relatos teof\u00e2nicos do Antigo Testamento): o monte, as apari\u00e7\u00f5es, as vestes \u201cde uma brancura refulgente\u201d, a nuvem, a voz que vem do c\u00e9u e mesmo o medo daqueles que presenciam o encontro com o divino. Isto quer dizer o seguinte: n\u00e3o estamos diante de um relato exato de acontecimentos, mas de uma catequese (constru\u00edda de acordo com o imagin\u00e1rio judaico) destinada a confirmar a verdade da proposta de Jesus. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Neste segundo domingo da Quaresma fa\u00e7amos, tamb\u00e9m n\u00f3s, a experi\u00eancia de subir com Jesus ao monte\u2026 Enquanto subimos, podemos conversar com Ele e, com toda a sinceridade, dizer-Lhe as nossas d\u00favidas e inquieta\u00e7\u00f5es. Podemos dizer-Lhe que, por vezes, nos sentimos perdidos e desanimados diante da forma como o nosso mundo se constr\u00f3i; podemos dizer-lhe que o caminho que Ele aponta \u00e9 duro e exigente e que n\u00e3o sabemos se teremos a coragem de o percorrer at\u00e9 ao fim; podemos at\u00e9 dizer-lhe, talvez com alguma vergonha, que \u00e0s vezes duvidamos dele e corremos atr\u00e1s de outras apostas, mais c\u00f3modas, mais atraentes e menos arriscadas\u2026 E, depois de lhe dizermos isso tudo, deixemos que Jesus nos fale, nos explique o seu projeto, nos renove o seu desafio\u2026 E vamos, tamb\u00e9m, prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 voz de Deus que nos garante: \u201colhem que esse Jesus que Eu enviei ao vosso encontro \u00e9 o meu Filho, o meu eleito, aquele a quem Eu entreguei o projeto de um mundo mais humano e mais fraterno\u2026 Confirmo a verdade do caminho que Ele vos prop\u00f5e. Escutai-O, ide com Ele, acolhei as suas propostas e indica\u00e7\u00f5es, mesmo que tenhais de remar contra a mar\u00e9. O caminho que Ele vos aponta pode passar pela cruz, mas conduz \u00e0 Vida verdadeira, \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 com estas atitudes que somos seguidores de Jesus Cristo?<\/li>\n<li>Este \u00e9 o meu Filho, o meu Eleito: escutai-o\u201d. \u00c9 verdade: precisamos de escutar Jesus mais e melhor. Quando o \u201cescutamos\u201d \u2013 quer dizer, quando ouvimos o que Ele nos diz, quando acolhemos no cora\u00e7\u00e3o as suas indica\u00e7\u00f5es e quando procuramos concretiz\u00e1-las na vida \u2013 come\u00e7amos a ver tudo com uma luz mais clara. Come\u00e7amos a perceber qual \u00e9 a maneira mais humana de enfrentar os problemas da vida e os males do nosso mundo; damos conta dos grandes erros que os seres humanos podem cometer e descobrimos as solu\u00e7\u00f5es que Deus nos aponta\u2026 Escutar Jesus pode curar-nos das nossas cegueiras seculares, dos preconceitos que nos impedem de acolher a novidade de Deus, dos medos que nos paralisam; escutar Jesus pode libertar-nos de desalentos e cobardias, e abrir o nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0 esperan\u00e7a. A escuta de Jesus est\u00e1 no centro da nossa experi\u00eancia de f\u00e9? Nas nossas comunidades crist\u00e3s damos espa\u00e7o suficiente \u00e0 escuta de Jesus?<\/li>\n<li>O tempo de Quaresma \u00e9 um tempo favor\u00e1vel de convers\u00e3o, de transforma\u00e7\u00e3o, de renova\u00e7\u00e3o. Traz-nos um convite a questionarmos a nossa forma de encarar a vida, os valores que priorizamos, as op\u00e7\u00f5es que vamos fazendo, as nossas certezas e apostas, os nossos interesses e projetos\u2026 O que \u00e9 que eu, pessoalmente, necessito de mudar, na minha forma de pensar e de agir, a fim de me tornar um disc\u00edpulo coerente e comprometido, que segue Jesus no caminho do amor levado at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, at\u00e9 ao dom total de si pr\u00f3prio?<\/li>\n<li>\u00c9 verdade que, para muitos dos nossos contempor\u00e2neos, o caminho proposto por Jesus n\u00e3o parece muito entusiasmante\u2026 N\u00e3o assegura bem-estar, nem bens materiais, nem triunfos, nem reconhecimento, nem fama, nem poder, nem tranquilidade, nem qualquer outro valor que muitos dos homens e mulheres do nosso tempo consideram fundamentais para que as suas vidas tenham algum sentido. Contudo, n\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, acreditamos que s\u00f3 o amor \u2013 o amor vivido como servi\u00e7o, como dom de si pr\u00f3prio, ao estilo de Jesus \u2013 d\u00e1 sentido \u00e0 vida; acreditamos que a constru\u00e7\u00e3o de um mundo novo \u2013 mais humano, mais s\u00e3o, mais verdadeiro \u2013 depende de acolhermos e vivermos as propostas de Jesus. O que poderemos fazer para contagiar os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s com o nosso entusiasmo por Jesus e pelo seu projeto de um mundo novo?<\/li>\n<li>Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, testemunhas da transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus, parecem n\u00e3o ter muita vontade de \u201cdescer \u00e0 terra\u201d e de enfrentar o mundo e os problemas dos homens. Prop\u00f5em fazer tr\u00eas tendas e ficar no cimo daquele monte, onde tudo parece t\u00e3o f\u00e1cil e t\u00e3o indolor. Representam aqueles que vivem de olhos postos no c\u00e9u, alheados da realidade concreta do mundo, sem vontade de intervir para o renovar e transformar. No entanto, ser seguidor de Jesus obriga-nos a \u201cregressar ao mundo\u201d para testemunhar aos homens, mesmo contra a corrente, que a realiza\u00e7\u00e3o aut\u00eantica est\u00e1 no dom da vida; obriga a atolarmo-nos no mundo, nos seus problemas e dramas, a fim de dar o nosso contributo para o aparecimento de um mundo mais justo e mais feliz. Assumimos a nossa liga\u00e7\u00e3o a Deus, n\u00e3o como uma droga que nos adormece, mas como compromisso com Deus que se concretiza no esfor\u00e7o de construirmos um mundo mais justo, mais humano, mais cheio de amor? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> narra a alian\u00e7a que Deus estabelece com Abr\u00e3o e deve ler-se Abr\u00e3o e n\u00e3o Abra\u00e3o. Al\u00e9m disso, a proclama\u00e7\u00e3o deste texto deve ter em aten\u00e7\u00e3o o di\u00e1logo estabelecido entre Deus e Abr\u00e3o que \u00e9 fundamental para uma correta leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> &#8211; Ep\u00edstola de S. Paulo aos Filipenses &#8211; \u00a0est\u00e1 dividida em duas partes separadas pela conjun\u00e7\u00e3o adversativa \u201c<em>Mas<\/em>\u201d. Por isso, a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter presente esta estrutura e deve ter uma especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s frases longas com v\u00e1rias ora\u00e7\u00f5es. A conclus\u00e3o do texto \u2013 \u00ab<em>Portanto, meus amados e queridos irm\u00e3os, minha alegria e minha coroa, permanecei firmes no Senhor<\/em>\u00bb \u2013 deve ser enfatizada pois apresenta a exorta\u00e7\u00e3o final de Paulo aos filipenses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quaresma: Caminhada para a P\u00e1scoa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/2025\/02\/\"><strong><em>27 Fevereiro, 2025<\/em><\/strong><\/a><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/category\/eclesial\/\"><strong><em>Eclesial<\/em><\/strong><\/a><strong><em>,\u00a0<\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/category\/liturgia\/\"><strong><em>Liturgia<\/em><\/strong><\/a><strong><em>,\u00a0<\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/category\/sociedade\/\"><strong><em>Sociedade<\/em><\/strong><\/a><strong><em> \u2013 Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Secretariado Diocesano da Liturgia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os anos a Igreja nos oferece este dom maravilhoso de celebrarmos os mist\u00e9rios que nos alcan\u00e7aram a vida nova, a fim de atingirmos a plenitude de filhos de Deus. Mas cada Quaresma \u00e9 diferente. A hist\u00f3ria, a nossa pequena hist\u00f3ria, n\u00e3o se repete. Tamb\u00e9m esta Quaresma n\u00e3o ser\u00e1 igual \u00e0s outras. Basta pensarmos na circunst\u00e2ncia do ano jubilar da esperan\u00e7a, nas surpresas da atualidade mundial e local, na vida da Igreja universal e particular, nas propostas diocesanas de caminhada quaresmal\u2026 Este tempo favor\u00e1vel, tempo de gra\u00e7a, \u00e9 um apelo de Deus a que toda a comunidade crist\u00e3 entre decidida no dinamismo pr\u00f3prio da P\u00e1scoa: a passagem para a Vida Nova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A liturgia envolve o homem todo \u2013 esp\u00edrito e corpo \u2013 com a sua rica linguagem. A expressividade pascal, que invade todas as celebra\u00e7\u00f5es do ano lit\u00fargico, parece interrompida na Quaresma: n\u00e3o por esgotamento, mas por necessidade de aprofundamento. A rotina tende a uma esp\u00e9cie de infla\u00e7\u00e3o que degenera em empobrecimento de sentido e desvaloriza\u00e7\u00e3o espiritual. E, por isso, a m\u00fasica instrumental cala-se, o canto \u00e9 s\u00f3brio, a igreja est\u00e1 mais despojada e sombria, n\u00e3o se canta o Aleluia\u2026 D\u00ea-se maior relevo \u00e0 cruz: com o acess\u00f3rio (aleg\u00f3rico) da \u00e2ncora, ou sem ele, a Cruz \u00e9 sempre a \u00e2ncora (s\u00edmbolo) lan\u00e7ada por Deus do c\u00e9u \u00e0 terra e, pela Igreja, da terra ao c\u00e9u. Fixemo-nos na Cruz, \u201cesperan\u00e7a \u00fanica\u201d. E tudo isto alimenta os sentidos a fim de envolver o homem todo na caminhada pascal. H\u00e1 que reaprender a viver crist\u00e3mente. Para voltar a cantar\u00a0<em>Aleluia<\/em>, n\u00e3o apenas com os l\u00e1bios, mas com todas as f\u00edmbrias do nosso ser, para superar tantas desafina\u00e7\u00f5es, precisamos da cura do sil\u00eancio e de jejum, tamb\u00e9m dos ouvidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Quaresma come\u00e7a na<strong>\u00a0Quarta-feira, chamada de Cinzas<\/strong>. A decis\u00e3o de come\u00e7ar a caminhada \u00e9 ratificada pelo\u00a0<strong><em>jejum corporal<\/em><\/strong>\u00a0e pelo sinal comunit\u00e1rio da\u00a0<strong><em>imposi\u00e7\u00e3o das cinzas<\/em><\/strong>\u00a0(ap\u00f3s a homilia da missa). Contudo e porque as condi\u00e7\u00f5es laborais, entre outras, n\u00e3o permitem que a maioria dos crist\u00e3os possa participar nesta abertura comunit\u00e1ria da Quaresma, aconselha-se que haja no primeiro domingo um sinal eloquente que marque o seu in\u00edcio. A caminhada para a P\u00e1scoa \u00e9 t\u00e3o vital para a comunidade crist\u00e3 que requer uma inaugura\u00e7\u00e3o solene.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a exercita\u00e7\u00e3o quaresmal, o\u00a0<em>Cerimonial dos Bispos<\/em>\u00a0(n. 260-261) recomenda que se conserve e fomente, sobretudo aos domingos, a forma tradicional de reunir a Igreja local \u00e0 maneira das<strong>\u00a0\u201c<em>esta\u00e7\u00f5es<\/em>\u201d romanas<\/strong>, ao menos nas grandes cidades. E prop\u00f5e um rito que pode ser muito apropriado para dar in\u00edcio \u00e0 Quaresma, no primeiro domingo. A assembleia re\u00fane-se num lugar fora da igreja, cantando um c\u00e2ntico apropriado. Quem preside e os ministros dirigem-se para esse local. Terminado o c\u00e2ntico, o Presidente sa\u00fada o povo e faz uma breve admoni\u00e7\u00e3o, explicando o sentido e a oportunidade do rito. Ap\u00f3s alguns momentos de sil\u00eancio, recita uma ora\u00e7\u00e3o (coleta do mist\u00e9rio da Santa Cruz, pela remiss\u00e3o dos pecados, pela Igreja,\u00a0missa para o ano santo\u2026). Em seguida, imp\u00f5e incenso no tur\u00edbulo (se se usar) e o di\u00e1cono (ou o pr\u00f3prio celebrante) anuncia:\u00a0<em>Caminhemos em paz<\/em>. Em prociss\u00e3o, todos se dirigem para a igreja, ao canto das\u00a0<strong>Ladainhas dos Santos<em>\u00a0<\/em><\/strong>(como em\u00a0<em>Cantoral Nacional<\/em>\u00a0568, 569). No lugar adequado (conforme se trate de m\u00e1rtires, confessores, etc.), podem inserir-se invoca\u00e7\u00f5es do Santo Padroeiro e de outros particularmente venerados nessa Igreja. Chegados ao presbit\u00e9rio, o Coro conclui a invoca\u00e7\u00e3o dos Santos com \u201c<strong><em>Todos os Santos e Santas de Deus<\/em><\/strong>\u201d e segue com \u201c<strong><em>Sede-nos prop\u00edcio<\/em><\/strong>\u201d. No fim do canto, o Presidente recita a ora\u00e7\u00e3o coleta do dia. Omitem-se os ritos iniciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como alternativa, estando j\u00e1 o povo reunido na Igreja onde se celebra a Eucaristia, em vez do c\u00e2ntico de entrada cantam-se as\u00a0<strong>Ladainha dos Santos<\/strong>\u00a0at\u00e9\u00a0<strong><em>Todos os Santos e Santas de Deus<\/em><\/strong>. Da cadeira, depois de se benzer, o presidente sa\u00fada o povo e pode fazer uma breve admoni\u00e7\u00e3o. N\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias muitas palavras porque o rito, de si, j\u00e1 \u00e9 eloquente. Em seguida, convida ao arrependimento e retoma-se a Ladainha:\u00a0<strong><em>Sede-nos prop\u00edcio<\/em><\/strong>. No fim, recita-se a coleta da Missa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto, \u00e9 muito significativo iniciar a Quaresma com a ladainha dos Santos e, ainda mais, neste ano jubilar da Esperan\u00e7a. Incorporamo-nos nessa\u00a0<strong>peregrina\u00e7\u00e3o \u00fanica<\/strong>, aberta pela cruz de Cristo, e que nos conduz \u00e0 Vida com o Pai, percebemos a \u00edntima liga\u00e7\u00e3o e comunh\u00e3o entre a Igreja que peregrina e a Igreja que alcan\u00e7ou a gl\u00f3ria, descobrimos o sentido profundo da\u00a0<strong>Quaresma como realiza\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio pascal em n\u00f3s<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outras Sugest\u00f5es para o tempo da Quaresma:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Privilegiar o Ato Penitencial na\u00a0<strong>modalidade B<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Cantar habitualmente a\u00a0<strong>terceira aclama\u00e7\u00e3o de anamnese<\/strong><em>\u00a0<\/em>(<em>Mist\u00e9rio da f\u00e9 para a salva\u00e7\u00e3o do mundo! \u2013 Gl\u00f3ria a V\u00f3s que morrestes na cruz\u2026<\/em>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 No momento que se considerar oportuno (Ofert\u00f3rio, final\u2026) cantar o\u00a0<strong>hino do Jubileu<\/strong>\u00a0ou algum dos seguintes hinos:\u00a0<em>Jesus, esperan\u00e7a e guia<\/em>\u00a0(BML 38; n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de Advento e todo o ano jubilar \u00e9, de algum modo,\u00a0<em>advento<\/em>), ou\u00a0<em>Jesus, nossa reden\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0(M. Lu\u00eds, Gui\u00e3o ENPL XXXVIII; NCT 567; LHcant2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Leitura-I-do-Domingo-II-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-C-16.03.2025-Gen-15-5-12.17-18.pdf\">Leitura I do Domingo II do Tempo da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 16.03.2025 (Gen 15, 5-12.17-18)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Leitura-II-do-Domingo-II-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-C-16.03.2025-Filipenses-3-17-21.41.pdf\">Leitura II do Domingo II do Tempo da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 16.03.2025 (Filipenses 3, 17-21.4,1<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-II-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-C-16.03.2025-Lecionario.pdf\">Domingo II do Tempo da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 16.03.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-II-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-C-16.03.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo II do Tempo da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 16.03.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-II-da-Quaresma-Ano-C-16.03.2025-refletindo.pdf\">Domingo II da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 16.03.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/A-Mesa-da-Palavra-Quaresma-Domingo-II.pdf\">A Mesa da Palavra Quaresma Domingo II<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mensagem-para-Quaresma-2025-Papa-Francisco-2.pdf\">Mensagem para Quaresma 2025 &#8211; Papa Francisco<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo I da Quaresma \u2013 Ano C \u2013 09 mar\u00e7o 2025&#8243; tab_id=&#8221;1742204347035-cff6e44f-3a28&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo I da Quaresma &#8211; Ano C \u2013 09 mar\u00e7o 2025<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-I-da-Quaresma.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"375\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a celebra\u00e7\u00e3o da <strong>Quarta-feira de Cinzas<\/strong> damos in\u00edcio ao itiner\u00e1rio quaresmal que nos conduzir\u00e1 \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa do Senhor. Deste modo, cada Domingo deste \u00ab<em>tempo favor\u00e1vel<\/em>\u00bb (2 Cor 6,2) constitui uma etapa de aprofundamento e reflex\u00e3o de um percurso penitencial que neste ano tem a marca da esperan\u00e7a, porque a convers\u00e3o abre sempre a porta da esperan\u00e7a atrav\u00e9s da qual se rasga um novo horizonte de sentido sobre a vida humana. A Quaresma, enquanto tempo penitencial e oportunidade de convers\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 um tempo triste e pesado, mas tempo de \u00ab<em>cantar a alegria do perd\u00e3o<\/em>\u00bb (Irm\u00e3o Roger Sch\u00fctz)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>Quaresma<\/strong> \u00e9 um tempo novo, pois nova e inaudita \u00e9 sempre a oferta de amor que Deus nos faz em cada momento da nossa vida. \u00c9 tempo de esperan\u00e7a e de convers\u00e3o, um tempo da alegre transforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o que nos conduzir\u00e1 \u00e0 P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o: fonte da nossa esperan\u00e7a e alegria, oferta de amor do Pai, que em Cristo faz de n\u00f3s Filhos amados e ressuscitados, isto \u00e9, homens e mulheres herdeiros da vida nova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste primeiro Domingo da Quaresma, o Evangelho convida-nos a ir ao deserto: \u00ab<em>Jesus, cheio do Esp\u00edrito Santo, retirou-Se das margens do Jord\u00e3o. Durante quarenta dias, esteve no deserto, conduzido pelo Esp\u00edrito, e foi tentado pelo Diabo<\/em>\u00bb. Ap\u00f3s o Batismo, Jesus aparece como Homem Novo na Plenitude do Esp\u00edrito, revestido e conduzido pelo Esp\u00edrito Santo percorre o caminho que o Pai tem para Ele. \u00c9 conduzido ao deserto, a esse lugar privilegiado do encontro com Deus, mas simultaneamente lugar de priva\u00e7\u00e3o e prova\u00e7\u00e3o, onde apenas podemos levar o essencial. Como afirma Saint-Exup\u00e9ry, \u00ab<em>em cada deserto h\u00e1 um po\u00e7o<\/em>\u00bb, isto \u00e9, em cada ang\u00fastia existe um rebento de ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conduzido pelo Esp\u00edrito Santo ao deserto, Jesus \u00e9 tentado e posto \u00e0 prova pelo diabo. Como sabemos, a palavra diabo na sua etimologia significa aquele que divide. Na verdade, o diabo, o mal e o pecado \u00e9 aquilo que nos afasta de Deus e dos irm\u00e3os, que nos divide e rompe com a comunh\u00e3o e unidade que conduzem \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o e felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo Jesus, como crist\u00e3os batizados somos convidados a acolher os desafios e impulsos do Esp\u00edrito Santo e reconhecemos que a nossa vida crist\u00e3 conhece lugares de deserto, de tenta\u00e7\u00e3o e prova\u00e7\u00e3o. Contudo, temos consci\u00eancia que as tenta\u00e7\u00f5es em si mesmas n\u00e3o s\u00e3o boas nem m\u00e1s. Diria que as tenta\u00e7\u00f5es s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que irrompem no quotidiano da nossa vida e se constituem como uma oportunidade: a oportunidade de voltar a escolher Deus e optar pelo Seu amor. Cada momento de tenta\u00e7\u00e3o e prova\u00e7\u00e3o reclamam da nossa vida uma ades\u00e3o radical ao bem que liberta e salva e uma decidida rejei\u00e7\u00e3o do mal que nos escraviza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas tr\u00eas tenta\u00e7\u00f5es de Jesus, est\u00e3o presentes as tenta\u00e7\u00f5es do ter, do poder e do \u00eaxito f\u00e1cil e a cada uma destas tenta\u00e7\u00f5es Jesus responde com a Palavra da Escritura, recordando-nos que a Palavra de Deus \u00e9 a melhor resposta diante das dificuldades e prova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso maior engano consiste em acreditar que o tesouro da nossa vida est\u00e1 num peda\u00e7o de p\u00e3o, na sede de poder ou no \u00eaxito f\u00e1cil. Por outro lado, a nossa maior virtude estar\u00e1 na capacidade de nos confiarmos como crian\u00e7as nas m\u00e3os do Pai, recordando a certeza que alimentava a esperan\u00e7a do Povo de Israel: \u00ab<em>ent\u00e3o invoc\u00e1mos o Senhor, Deus dos nossos pais, e o Senhor ouviu a nossa voz, viu a nossa mis\u00e9ria, o nosso sofrimento e a opress\u00e3o que nos dominava<\/em>\u00bb. Por isso, diante das prova\u00e7\u00f5es e dificuldades da vida, invoquemos a miseric\u00f3rdia de Deus com as palavras do salmo \u2013 \u00ab<em>estai comigo, Senhor, no meio da adversidade<\/em>\u00bb \u2013 e experimentaremos a for\u00e7a poderosa da Palavra de Deus que faz florir os desertos da nossa vida. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No <strong>primeiro Domingo da Quaresma<\/strong> somos convidados a ir com Jesus ao deserto e contemplamos as diversas tenta\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m n\u00f3s somos sujeitos a diversas tenta\u00e7\u00f5es quotidianas e pela nossa fragilidade nem sempre somos capazes de como Jesus resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o pela for\u00e7a da Palavra de Deus. Tendo em conta a fragilidade da nossa vida e o especial desafio \u00e0 convers\u00e3o que a Quaresma prop\u00f5e, este Domingo constitui-se como oportunidade para apresentar as diversas propostas paroquiais e vicariais da celebra\u00e7\u00e3o do sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, pode ser ocasi\u00e3o para um convite criativo envolvendo a catequese ou algum outro grupo paroquial, distribuindo um convite ou um desdobr\u00e1vel com um exame de consci\u00eancia, lan\u00e7ando o desafio a celebrar a alegria do perd\u00e3o. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no <strong>Tempo da Quaresma,<\/strong> continuamos um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> &#8211; <\/strong><strong>Deuteron\u00f3mio 26,4-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mois\u00e9s falou ao povo, dizendo:<br \/>\n\u00abO sacerdote receber\u00e1 da tua m\u00e3o<br \/>\nas prim\u00edcias dos frutos da terra<br \/>\ne coloc\u00e1-las-\u00e1s diante do altar do Senhor teu Deus.<br \/>\nE diante do Senhor teu Deus, dir\u00e1s as seguintes palavras:<br \/>\n\u2018Meu pai era um arameu errante,<br \/>\nque desceu ao Egipto com poucas pessoas,<br \/>\ne a\u00ed viveu como estrangeiro<br \/>\nat\u00e9 se tornar uma na\u00e7\u00e3o grande, forte e numerosa.<br \/>\nMas os eg\u00edpcios maltrataram-nos, oprimiram-nos<br \/>\ne sujeitaram-nos a dura escravid\u00e3o.<br \/>\nEnt\u00e3o invoc\u00e1mos o Senhor Deus dos nossos pais<br \/>\ne o Senhor ouviu a nossa voz,<br \/>\nviu a nossa mis\u00e9ria, o nosso sofrimento<br \/>\ne a opress\u00e3o que nos dominava.<br \/>\nO Senhor fez-nos sair do Egipto<br \/>\ncom m\u00e3o poderosa e bra\u00e7o estendido,<br \/>\nespalhando um grande terror e realizando sinais e prod\u00edgios.<br \/>\nConduziu-nos a este lugar e deu-nos esta terra,<br \/>\numa terra onde corre leite e mel.<br \/>\nE agora venho trazer-Vos as prim\u00edcias dos frutos da terra<br \/>\nque me destes, Senhor\u2019.<br \/>\nEnt\u00e3o colocar\u00e1s diante do Senhor teu Deus<br \/>\nas prim\u00edcias dos frutos da terra<br \/>\ne te prostrar\u00e1s diante do Senhor teu Deus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro do Deuteron\u00f3mio parece ser o \u201clivro da Lei\u201d ou \u201clivro da Alian\u00e7a\u201d descoberto no Templo de Jerusal\u00e9m por volta de 622 a.C., no 18\u00b0 ano do reinado de Josias (cf. 2 Re 22,3-13), e que serviu de motor \u00e0 grande reforma religiosa levada a cabo por este rei no sentido de reconduzir o Povo \u00e0 f\u00e9 em Jav\u00e9. Neste livro, os te\u00f3logos deuteronomistas \u2013 origin\u00e1rios do Norte (Israel) mas, entretanto, refugiados no sul (Jud\u00e1) ap\u00f3s as derrotas dos reis do norte frente aos ass\u00edrios \u2013 apresentam os dados fundamentais da sua teologia: h\u00e1 um s\u00f3 Deus, que deve ser adorado por todo o Povo num \u00fanico local de culto (Jerusal\u00e9m); esse Deus amou e elegeu Israel e fez com ele uma Alian\u00e7a eterna; e o Povo de Deus deve ser um \u00fanico Povo, uma fam\u00edlia unida que tem Deus como a sua grande refer\u00eancia (portanto, n\u00e3o t\u00eam qualquer sentido as quest\u00f5es hist\u00f3ricas que levaram o Povo de Deus \u00e0 divis\u00e3o pol\u00edtica e religiosa, ap\u00f3s a morte do rei Salom\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Literariamente, o livro apresenta-se como um conjunto de tr\u00eas discursos de Mois\u00e9s, pronunciados nas plan\u00edcies de Moab, pouco antes de o Povo libertado do Egito atravessar o Jord\u00e3o para tomar posse da Terra Prometida (cf. Dt 1,6-4,43; 4,44-28,68; 28,69-30,20). Pressentindo a proximidade da sua morte, Mois\u00e9s deixa ao Povo uma esp\u00e9cie de \u201ctestamento espiritual\u201d: lembra aos hebreus os compromissos assumidos para com Deus e convida-os a renovar a sua Alian\u00e7a com Jav\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia do primeiro domingo da Quaresma nos prop\u00f5e como primeira leitura faz parte do segundo discurso de Mois\u00e9s. Integra o chamado \u201cc\u00f3digo deuteron\u00f3mico\u201d (cf. Dt 12,1-26,15), um conjunto de leis e costumes diversos, a que se somam exorta\u00e7\u00f5es destinadas a convencer o Povo a viver de acordo com as indica\u00e7\u00f5es de Deus. Um desses blocos legais refere-se \u00e0 entrega a Deus das \u201cprim\u00edcias\u201d (\u201cbikkurim\u201d), os primeiros frutos da terra (cf. Dt 26). Os cananeus costumavam todos os anos, na altura em que colhiam os primeiros frutos da terra, celebrar uma festa em honra de Baal, a divindade da fecundidade e da vegeta\u00e7\u00e3o, agradecendo-lhe os dons da terra. Os crentes israelitas sabiam que n\u00e3o era a Baal, mas sim a Jav\u00e9 que deviam agradecer os frutos da terra. Por isso, todos os anos, pouco de pois de terem colhido os primeiros frutos da terra, ofereciam-nos a Deus. Com esse gesto, agradeciam a generosidade de Deus e reconheciam que Deus era o dono da natureza e a fonte de toda a fecundidade. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Ao fazer mem\u00f3ria da dos \u201cfeitos\u201d de Deus em favor do seu povo, o israelita fiel tomava consci\u00eancia do lugar e do papel de Deus na sua vida. Percebia que Deus era a sua grande refer\u00eancia e que n\u00e3o fazia sentido trilhar caminhos onde Deus n\u00e3o estivesse. Tudo o que tinha e tudo o que era devia-se a Deus, \u00e0 sua generosidade, \u00e0 sua solicitude, ao seu amor. Na mesma linha, talvez nos fizesse bem, a n\u00f3s homens e mulheres do s\u00e9c. XXI, olharmos mais atentamente para a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, a fim de redescobrirmos o lugar de Deus nas nossas vidas e na vida da humanidade. Talvez ent\u00e3o n\u00e3o nos sent\u00edssemos tentados a colocar no centro da nossa exist\u00eancia \u201cdeuses\u201d que n\u00e3o compensam nem nos garantem vida com sentido: os bens materiais, o bem-estar, o poder, o \u00eaxito social ou profissional, a ci\u00eancia ou a t\u00e9cnica, os l\u00edderes, as ideologias\u2026 Que lugar ocupa Deus nas nossas vidas? Quais s\u00e3o os \u201cdeuses\u201d em que apostamos?<\/li>\n<li>A B\u00edblia apresenta o pecado como a situa\u00e7\u00e3o do homem que prescinde de Deus, que ignora as indica\u00e7\u00f5es de Deus e se instala no ego\u00edsmo e na autossufici\u00eancia. Quando o ser humano n\u00e3o tem mem\u00f3ria dos gestos salvadores e libertadores de Deus, convence-se de que os \u00eaxitos e realiza\u00e7\u00f5es que a vida lhe proporcionou se devem exclusivamente ao seu esfor\u00e7o e ao seu g\u00e9nio; decide que \u00e9 capaz por si pr\u00f3prio, sem interfer\u00eancia de Deus, de descobrir os caminhos que lhe proporcionam vida abundante e feliz. Deus passa ent\u00e3o a ser, para o homem autossuficiente, um estorvo que o impede de ser livre e de seguir o seu caminho de busca da felicidade e da realiza\u00e7\u00e3o. Onde nos leva um caminho onde Deus n\u00e3o est\u00e1? Os caminhos que o homem constr\u00f3i longe de Deus s\u00e3o caminhos onde encontramos mais humanidade, mais alegria, mais harmonia, mais paz, mais amor, mais liberdade, mais respeito pela justi\u00e7a e pela dignidade do homem?<\/li>\n<li>Num desenvolvimento que a liturgia deste domingo entendeu n\u00e3o apresentar (cf. Dt 26,12-13), o \u201ccatequista\u201d que nos oferece a bela \u201cinstru\u00e7\u00e3o\u201d sobre as prim\u00edcias e os d\u00edzimos refere-se ao \u201cdestino final\u201d dos dons oferecidos ao Senhor: s\u00e3o para ser repartidos com \u201co levita, o estrangeiro, o \u00f3rf\u00e3o e a vi\u00fava\u201d, que os \u201ccomer\u00e3o \u00e0s portas da cidade e ficar\u00e3o saciados\u201d. Tudo o que recebemos \u00e9 de Deus e n\u00e3o nosso. Somos apenas administradores dos dons que Deus colocou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos os homens. A nossa rela\u00e7\u00e3o com os bens \u2013 mesmo os mais fundamentais \u2013 n\u00e3o pode, pois, ser uma rela\u00e7\u00e3o fechada e ego\u00edsta: tudo pertence a Deus, o Pai de todos os homens e deve, portanto, ser partilhado. Como nos situamos face a isto? Os bens que Deus colocou \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o servem apenas para nosso benef\u00edcio exclusivo, ou s\u00e3o vistos como dons de Deus para todos?<\/li>\n<li>O israelita fiel, ao oferecer a Jav\u00e9 os primeiros frutos da terra, queria mostrar a sua gratid\u00e3o pela bondade de Deus, pela sua solicitude, pelo seu amor. Era um gesto agradecido de quem sabia reconhecer a a\u00e7\u00e3o e o cuidado de Deus em favor do seu povo. Ora, todos n\u00f3s recebemos, a cada passo, uma imensa quantidade de dons que Deus coloca \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o. Alguns s\u00e3o t\u00e3o habituais, t\u00e3o comuns, que nem reparamos neles\u2026 Somos gratos a Deus pelos seus dons? Lembramo-nos de dizer e de mostrar a Deus a nossa gratid\u00e3o por tudo aquilo que Ele nos proporciona? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Salmo<\/strong><strong> 90 (91)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Estai comigo, Senhor, no meio da adversidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tu que habitas sob a prote\u00e7\u00e3o do Alt\u00edssimo<br \/>\ne moras \u00e0 sombra do Omnipotente,<br \/>\nDiz ao Senhor: \u00abSois o meu ref\u00fagio e a minha cidadela:<br \/>\nmeu Deus, em V\u00f3s confio\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nenhum mal te acontecer\u00e1<br \/>\nnem a desgra\u00e7a se aproximar\u00e1 da tua tenda,<br \/>\nporque Ele mandar\u00e1 aos seus Anjos<br \/>\nque te guardem em todos os teus caminhos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na palma das m\u00e3os te levar\u00e3o,<br \/>\npara que n\u00e3o tropeces em alguma pedra.<br \/>\nPoder\u00e1s andar sobre v\u00edboras e serpentes,<br \/>\ncalcar aos p\u00e9s o le\u00e3o e o drag\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Porque em Mim confiou, hei de salv\u00e1-lo;<br \/>\nHei de proteg\u00ea-lo, pois conheceu o meu nome.<br \/>\nQuando Me invocar, hei de atend\u00ea-lo,<br \/>\nestarei com ele na tribula\u00e7\u00e3o,<br \/>\nhei de libert\u00e1-lo e dar-lhe gl\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Romanos 10,8-13<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nQue diz a Escritura?<br \/>\n\u00abA palavra est\u00e1 perto de ti,<br \/>\nna tua boca e no teu cora\u00e7\u00e3o\u00bb.<br \/>\nEsta \u00e9 a palavra da f\u00e9 que n\u00f3s pregamos.<br \/>\nSe confessares com a tua boca que Jesus \u00e9 o Senhor<br \/>\ne se acreditares no teu cora\u00e7\u00e3o<br \/>\nque Deus O ressuscitou dos mortos,<br \/>\nser\u00e1s salvo.<br \/>\nPois com o cora\u00e7\u00e3o se acredita para obter a justi\u00e7a<br \/>\ne com a boca se professa a f\u00e9 para alcan\u00e7ar a salva\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNa verdade, a Escritura diz:<br \/>\n\u00abTodo aquele que acreditar no Senhor<br \/>\nn\u00e3o ser\u00e1 confundido\u00bb.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre judeu e grego:<br \/>\ntodos t\u00eam o mesmo Senhor,<br \/>\nrico para com todos os que O invocam.<br \/>\nPortanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor<br \/>\nser\u00e1 salvo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo escreve aos crist\u00e3os da comunidade de Roma quando est\u00e1 prestes a terminar a sua terceira viagem mission\u00e1ria. Prepara-se para retornar \u00e0 Palestina, onde vai entregar os donativos recolhidos em diversas igrejas do oriente, destinados a ajudar financeiramente os crist\u00e3os de Jerusal\u00e9m. Sente que terminou a sua miss\u00e3o no oriente, pois as igrejas que fundou e acompanhou est\u00e3o organizadas e j\u00e1 podem caminhar sozinhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dirigindo-se por carta aos crist\u00e3os de Roma, Paulo aproveita para estabelecer la\u00e7os com eles e para lhes apresentar os principais problemas que o ocupavam (entre os quais sobressa\u00eda a quest\u00e3o da unidade, um problema bem presente na comunidade crist\u00e3 de Roma, afetada por alguns problemas de relacionamento entre judeo-crist\u00e3os e pagano-crist\u00e3os). A Carta aos Romanos serena e l\u00facida da teologia paulina. Estamos no ano 56 ou 57.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira parte da Carta (cf. Rm 1,18-11,36), Paulo vai fazer notar aos crist\u00e3os divididos que o Evangelho \u00e9 a for\u00e7a que congrega e que salva todo o crente, sem distin\u00e7\u00e3o de judeu, grego ou romano. Embora o pecado seja uma realidade universal, que afeta todos os homens (cf. Rm 1,18-3,20), a \u201cjusti\u00e7a de Deus\u201d d\u00e1 vida a todos, sem distin\u00e7\u00e3o (cf. Rm 3,1-5,11); e \u00e9 em Jesus Cristo que essa vida se comunica e que transforma o homem (cf. Rm 5,12-8,39). Batizados em Cristo, os crist\u00e3os morrem para o pecado e nascem para uma vida nova. Passam a ser conduzidos pelo Esp\u00edrito e tornam-se filhos de Deus; libertados do pecado e da morte, produzem frutos de santifica\u00e7\u00e3o e caminham para a Vida eterna. Na segunda parte da carta (cf. Rm 12,1-15,13) Paulo, de uma forma bastante pr\u00e1tica fala da forma de viver de acordo com o Evangelho de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste domingo nos prop\u00f5e como segunda leitura, integra uma reflex\u00e3o de Paulo sobre o des\u00edgnio de Deus a respeito de Israel (Rm 9,1-11,36). O povo que recusou a proposta de Jesus ter\u00e1 perdido o acesso \u00e0 salva\u00e7\u00e3o? O plano salvador de Deus, que inclu\u00eda Israel, ter\u00e1 falhado? Paulo considera que Deus \u00e9 fiel e n\u00e3o retirar\u00e1 ao seu povo a sua oferta de salva\u00e7\u00e3o. A op\u00e7\u00e3o que Israel fez n\u00e3o \u00e9 irrevers\u00edvel: basta-lhe corrigir a sua op\u00e7\u00e3o, aceitar Jesus e a proposta que Ele traz. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Na perspetiva de Paulo, os judeus cometeram um tremendo erro de c\u00e1lculo: orgulhosos da sua Lei, pensaram que ela seria suficiente para os orientar no caminho da vida plena. Procuraram cumprir as exig\u00eancias da Lei de Mois\u00e9s, sem perceberem que essa religi\u00e3o dos ritos era vazia e est\u00e9ril, pois n\u00e3o transformava os cora\u00e7\u00f5es nem os aproximava de Deus. Jesus, cumprindo o projeto do Pai, veio ao encontro dos homens, convidou-os a mudar de vida, anunciou-lhes a bondade paterna e materna de Deus que salva gratuitamente, por puro amor; mas eles recusaram-se a escutar Jesus e n\u00e3o acolheram a sua proposta. Confiando cegamente na Lei, prescindiram de Jesus; prescindindo de Jesus, rejeitaram a salva\u00e7\u00e3o que Deus lhes oferecia. O que \u00e9 que isto nos sugere? A nossa resposta ao Deus que nos oferece a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 uma resposta baseada no cumprimento de leis e de ritos externos, ou numa ades\u00e3o incondicional a Jesus e \u00e0s suas propostas? Estamos verdadeiramente envolvidos com Jesus, seguimos atr\u00e1s dele no caminho dos disc\u00edpulos, vivemos das suas palavras, aprendemos com os seus gestos, aderimos ao seu estilo de vida, abra\u00e7amos o projeto do Reino de Deus, deixamos que Ele nos conduza ao encontro de Deus?<\/li>\n<li>Paulo denuncia a autossufici\u00eancia dos seus irm\u00e3os judeus, que julgavam garantir, eles pr\u00f3prios, a salva\u00e7\u00e3o cumprindo as obras da Lei. A autossufici\u00eancia nunca ser\u00e1 um caminho que nos leva longe, pelo menos no que diz respeito \u00e0s realidades de Deus. Fecha-nos em n\u00f3s pr\u00f3prios, nos nossos ghettos pessoais, e leva-nos a prescindir de Deus e dos nossos irm\u00e3os. Vemos todos os dias isso acontecer \u00e0 nossa volta: os autossuficientes, os \u201cricos\u201d, na linguagem de Jesus, tornam-se orgulhosos e prepotentes, imp\u00f5em os seus projetos e a sua vontade, sem terem em conta o bem comum e a justi\u00e7a; virados para si pr\u00f3prios, vivem indiferentes ao sofrimento dos seus irm\u00e3os; instalados no seu ego\u00edsmo e nas suas certezas, n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis para se deixar desafiar por Deus e para acolher, em cada instante, a novidade e o amor de Deus. Acabam por falhar redondamente o sentido da exist\u00eancia. Estamos bem cientes das \u201cferidas\u201d que a autossufici\u00eancia pode causar-nos? Como lidamos com esta \u201cdoen\u00e7a\u201d?<\/li>\n<li>Todos os homens e mulheres que aderem a Jesus e que acolhem a sua proposta de salva\u00e7\u00e3o passam a fazer parte de uma \u00fanica fam\u00edlia, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer tipo. N\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a \u201centre judeus e gregos\u201d, entre amigos e inimigos, entre ricos e pobres, entre superiores e inferiores: todos t\u00eam como pai o mesmo Deus e fazem parte de uma comunidade de irm\u00e3os e de irm\u00e3s. Essa \u201cfam\u00edlia\u201d, unida e fraterna, \u00e9 chamada a dar testemunho no mundo do amor, da miseric\u00f3rdia, da bondade, da salva\u00e7\u00e3o de Deus. \u00c9 isso que vemos nas nossas comunidades crist\u00e3s? N\u00f3s, fam\u00edlia que nasceu de um \u201csim\u201d a Jesus, somos uma comunidade que testemunha a comunh\u00e3o e a fraternidade? Na nossa comunidade crist\u00e3 h\u00e1 lugar para todos, independentemente das suas \u201cdiferen\u00e7as\u201d, sejam elas quais forem? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 4,1-13<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus, cheio do Esp\u00edrito Santo,<br \/>\nretirou-Se das margens do Jord\u00e3o.<br \/>\nDurante quarenta dias,<br \/>\nesteve no deserto, conduzido pelo Esp\u00edrito,<br \/>\ne foi tentado pelo diabo.<br \/>\nNesses dias n\u00e3o comeu nada<br \/>\ne, passado esse tempo, sentiu fome.<br \/>\nO diabo disse-lhe:<br \/>\n\u00abSe \u00e9s Filho de Deus,<br \/>\nmanda a esta pedra que se transforme em p\u00e3o\u00bb.<br \/>\nJesus respondeu-lhe:<br \/>\n\u00abEst\u00e1 escrito:<br \/>\n\u2018Nem s\u00f3 de p\u00e3o vive o homem\u2019\u00bb.<br \/>\nO diabo levou-O a um lugar alto<br \/>\ne mostrou-Lhe num instante todos os reinos da terra<br \/>\ne disse-Lhe:<br \/>\n\u00abEu Te darei todo este poder e a gl\u00f3ria destes reinos,<br \/>\nporque me foram confiados e os dou a quem eu quiser.<br \/>\nSe Te prostrares diante de mim, tudo ser\u00e1 teu\u00bb.<br \/>\nJesus respondeu-lhe:<br \/>\n\u00abEst\u00e1 escrito:<br \/>\n\u2018Ao Senhor teu Deus adorar\u00e1s,<br \/>\ns\u00f3 a Ele prestar\u00e1s culto\u2019\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o o dem\u00f3nio levou-O a Jerusal\u00e9m,<br \/>\ncolocou-O sobre o pin\u00e1culo do Templo<br \/>\ne disse-Lhe:<br \/>\n\u00abSe \u00e9s Filho de Deus,<br \/>\natira-te daqui abaixo,<br \/>\nporque est\u00e1 escrito:<br \/>\n\u2018Ele dar\u00e1 ordens aos seus Anjos a teu respeito,<br \/>\npara que te guardem\u2019;<br \/>\ne ainda: \u2018Na palma das m\u00e3os te levar\u00e3o,<br \/>\npara que n\u00e3o tropeces em alguma pedra\u2019\u00bb.<br \/>\nJesus respondeu-lhe:<br \/>\n\u00abEst\u00e1 mandado:<br \/>\n\u2018N\u00e3o tentar\u00e1s o Senhor teu Deus\u2019\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o o diabo, tendo terminado toda a esp\u00e9cie de tenta\u00e7\u00e3o,<br \/>\nretirou-se da presen\u00e7a de Jesus, at\u00e9 certo tempo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos Evangelhos Sin\u00f3pticos, a cena das \u201ctenta\u00e7\u00f5es de Jesus\u201d est\u00e1 encaixada entre o batismo e o in\u00edcio da prega\u00e7\u00e3o do Reino de Deus (cf. Mc 1,12-13; Mt 4,1-11; Lc 4,1-13). Lucas, contudo, faz anteceder a cena das prega\u00e7\u00f5es de uma \u201cgenealogia\u201d de Jesus (cf. Lc 3,23-38). Se no batismo foi desvelada a identidade de Jesus (\u201ctu \u00e9s o meu filho muito amado; em ti pus todo o meu agrado\u201d \u2013 Lc 3,22), a genealogia mostra que Jesus vinha de uma fam\u00edlia especial (a fam\u00edlia do rei David), na qual o povo de Deus tinha depositado as suas esperan\u00e7as de liberta\u00e7\u00e3o. A figura de Jesus gerava, portanto, muitas expetativas. Iria Ele concretiz\u00e1-las? A sua vida, as suas op\u00e7\u00f5es, corresponderiam \u00e0quilo que Deus esperava dele e que a comunidade do Povo de Deus aguardava ansiosamente? Que caminhos iria Ele seguir? Iria privilegiar os seus interesses pessoais, ou o projeto de Deus? O epis\u00f3dio das \u201ctenta\u00e7\u00f5es de Jesus\u201d responde, desde j\u00e1, a estas quest\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de um epis\u00f3dio real, descrito de forma estritamente hist\u00f3rica, com um \u201cdiabo\u201d a disputar a Jesus o centro do palco? Trata-se, fundamentalmente, de uma p\u00e1gina de catequese. \u00c9 muito prov\u00e1vel que Jesus, ap\u00f3s o seu batismo no rio Jord\u00e3o, se tenha retirado internado no deserto de Jud\u00e1 e passado alguns dias a meditar sobre a miss\u00e3o que Deus queria confiar-lhe. Nesse tempo de \u201cretiro\u201d, Jesus confrontou-se com uma luta interior, com op\u00e7\u00f5es fundamentais, com a defini\u00e7\u00e3o do seu projeto de vida. \u00c9 natural tamb\u00e9m que, mais tarde, Jesus tenha falado com os seus disc\u00edpulos sobre o que sentiu quando teve de escolher, a fim de que eles percebessem que, diante da proposta do Reino de Deus, tamb\u00e9m eles tinham de tomar decis\u00f5es. Esse di\u00e1logo deve ter causado uma profunda impress\u00e3o nos disc\u00edpulos. O facto de o relato das \u201ctenta\u00e7\u00f5es de Jesus\u201d ser conhecido desde o in\u00edcio nas comunidades crist\u00e3s primitivas mostra isso mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio \u00e9 situado \u201cno deserto\u201d. O deserto \u00e9, no imagin\u00e1rio judaico, o lugar da \u201cprova\u201d, onde os israelitas experimentaram, por diversas vezes, a tenta\u00e7\u00e3o do abandono de Deus e do seu projeto de liberta\u00e7\u00e3o (embora seja, tamb\u00e9m, o lugar do encontro com Deus, o lugar da descoberta do rosto de Deus, o lugar onde o Povo fez a experi\u00eancia da sua fragilidade e pequenez e aprendeu a confiar na bondade e no amor de Deus). Ser\u00e1 que a hist\u00f3ria se vai repetir, que Jesus vai ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o e dizer \u201cn\u00e3o\u201d ao projeto de Deus, como aconteceu com os israelitas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As \u201ctenta\u00e7\u00f5es de Jesus\u201d n\u00e3o s\u00e3o contadas da mesma forma por todos os Sin\u00f3pticos. Marcos limita-se a referir que Jesus \u201cfoi tentado\u201d, sem entrar em pormenores; Mateus e Lucas descrevem as \u201ctenta\u00e7\u00f5es\u201d de Jesus em termos an\u00e1logos, embora a segunda e a terceira \u201ctenta\u00e7\u00e3o\u201d apare\u00e7am, nos dois Evangelhos, em ordem diferente. Provavelmente Lucas, sempre preocupado em apresentar Jerusal\u00e9m como um lugar central na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, arranjou as coisas para que o \u201cdesafio teol\u00f3gico\u201d entre Jesus e o diabo tivesse o seu ep\u00edlogo em Jerusal\u00e9m. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Come\u00e7amos, nestes dias, a percorrer um caminho, o caminho quaresmal. \u00c9 o caminho que nos conduz \u00e0 P\u00e1scoa, \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00e0 vida nova. Ao longo desse caminho seremos convidados a analisar, com lucidez e sentido de responsabilidade, as nossas op\u00e7\u00f5es, as nossas prioridades, os nossos valores, o sentido da nossa vida\u2026 Este tempo poder\u00e1 ser um tempo de convers\u00e3o, de realinhamento, de renova\u00e7\u00e3o, de mudan\u00e7a; poder\u00e1 ser a oportunidade para nos reaproximarmos de Deus e das propostas que Ele nos faz. A Palavra de Deus que escutaremos cada domingo ajudar-nos-\u00e1 a perceber o sem sentido de algumas das nossas escolhas e a detetar alguns dos equ\u00edvocos em que navegamos. Aceitamos o desafio de percorrer este caminho? O Evangelho deste domingo refere algumas das \u201ctenta\u00e7\u00f5es\u201d que Jesus teve de enfrentar e vencer. Estamos dispostos, da nossa parte, a identificar as \u201ctenta\u00e7\u00f5es\u201d que nos escravizam e nos impedem de viver uma vida mais digna, mais humana, mais repleta de sentido e de esperan\u00e7a? Quais s\u00e3o as \u201ctenta\u00e7\u00f5es\u201d que, com mais frequ\u00eancia, nos afastam do estilo de vida e do projeto de Jesus?<\/li>\n<li>Uma das \u201ctenta\u00e7\u00f5es\u201d com que Jesus teve de se debater foi a dos bens materiais. \u00c9 uma \u201ctenta\u00e7\u00e3o\u201d que conhecemos bem, pois temos de lidar com ela a todos os instantes. Apelando \u00e0 nossa apet\u00eancia pelo conforto, pelo bem-estar, pela seguran\u00e7a, ela convida-nos a acumular coisas, a priorizar o dinheiro, a fazer dos bens materiais o grande objetivo da nossa vida. \u00c9, no entanto, uma \u201ctenta\u00e7\u00e3o\u201d que pode desvirtuar completamente o sentido da nossa exist\u00eancia: cria depend\u00eancia, torna-nos escravos dos bens materiais, faz-nos correr atr\u00e1s de coisas ef\u00e9meras; fecha-nos \u00e0 partilha, \u00e0 solidariedade, \u00e0 fraternidade; potencia a indiferen\u00e7a face \u00e0s necessidades dos nossos irm\u00e3os; incita-nos a apostar em mecanismos de explora\u00e7\u00e3o e de lucro\u2026 Qual o lugar e o papel que os bens materiais assumem na nossa vida? A forma como lidamos com os bens materiais \u00e9 sadia e equilibrada?<\/li>\n<li>Outra das \u201ctenta\u00e7\u00f5es\u201d que Jesus teve de enfrentar foi a do poder, da gl\u00f3ria, dos triunfos humanos. Jesus considerava que a vontade de subjugar os outros, de deter autoridade ilimitada, de dominar o mundo, \u00e9 algo de diab\u00f3lico, que pode fazer o homem perder a sua grande refer\u00eancia \u2013 Deus. Est\u00e1 na base do orgulho e da autossufici\u00eancia que fecham o homem no seu ghetto pessoal; leva o homem a querer libertar-se do \u201ccontrole\u201d de Deus e a virar as costas a Deus; desenvolve no homem \u201ctiques\u201d de autoritarismo, de intoler\u00e2ncia, de prepot\u00eancia que causam feridas irrepar\u00e1veis no mundo; favorece o abuso dos mais fracos, dos mais pequenos, dos que n\u00e3o t\u00eam vez nem voz; promove mecanismos de escravid\u00e3o, de explora\u00e7\u00e3o, de crispa\u00e7\u00e3o social; fomenta guerras, viol\u00eancias, imperialismos; constr\u00f3i muros de inimizade que separam as pessoas e que as impedem de viver em harmonia\u2026 Esta \u201ctenta\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 problema para n\u00f3s? Como \u00e9 que n\u00f3s tratamos aqueles com quem partilhamos o caminho da vida: com sobranceria e arrog\u00e2ncia, ou com humildade, respeito e amor?<\/li>\n<li>A terceira das \u201ctenta\u00e7\u00f5es\u201d que se atravessou no caminho de Jesus foi a de utilizar Deus para obter o reconhecimento, os aplausos, o apre\u00e7o, a considera\u00e7\u00e3o dos homens. N\u00e3o \u00e9 uma \u201ctenta\u00e7\u00e3o\u201d t\u00e3o incomum como parece \u00e0 primeira vista. Esta \u201ctenta\u00e7\u00e3o\u201d pode fazer-nos pensar na utiliza\u00e7\u00e3o da f\u00e9 para obter benef\u00edcios pessoais, para construir uma \u201ccarreira\u201d de sucesso, para conquistar reputa\u00e7\u00e3o, renome ou prest\u00edgio; pode fazer-nos pensar na utiliza\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o para obter privil\u00e9gios, t\u00edtulos ou honrarias; pode fazer-nos pensar nas \u201cexig\u00eancias\u201d que fazemos a Deus para que Ele nos conceda os favores a que julgamos ter direito\u2026 E pode, por outro lado, fazer-nos pensar nas ced\u00eancias que algumas pessoas est\u00e3o dispostas a fazer, \u00e0s vezes \u00e0 custa da pr\u00f3pria dignidade, para obter uns minutos de fama e de notoriedade\u2026 O reconhecimento, a fama, os aplausos, os privil\u00e9gios, ser\u00e3o bens pelos quais vale a pena pagar qualquer pre\u00e7o?<\/li>\n<li>N\u00f3s somos humanos e fr\u00e1geis. Vivemos mergulhados numa realidade de pecado, que nos condiciona e nos arrasta para op\u00e7\u00f5es discut\u00edveis. Ser\u00e1 poss\u00edvel vencermos essas \u201ctenta\u00e7\u00f5es\u201d que continuamente aparecem no caminho da nossa vida? Jesus venceu-as. Ele nunca aceitou que a sua vida fosse conduzida pelo meio de equ\u00edvocos e de facilitismos. Escolheu, uma e outra e outra vez n\u00e3o se afastar do projeto do Pai. Podemos dizer que n\u00e3o temos a mesma for\u00e7a de Jesus. Pode ser verdade. Mas Ele vai \u00e0 nossa frente a apontar-nos o caminho e a dizer-nos que \u00e9 poss\u00edvel dizer \u201cn\u00e3o\u201d, uma e outra e outra vez, \u00e0s propostas que nos levam por caminhos onde n\u00e3o h\u00e1 vida verdadeira. Estamos dispostos a tentar, uma e outra e outra vez, sem desculpas e sem justifica\u00e7\u00f5es, seguir o exemplo de Jesus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 um longo discurso de Mois\u00e9s ao Povo. Deste modo, a proclama\u00e7\u00e3o deste texto deve ter em aten\u00e7\u00e3o o tom narrativo que comp\u00f5e todo o texto. Al\u00e9m disso, dentro deste grande discurso est\u00e1 a confiss\u00e3o de f\u00e9 que cada hebreu deve proferir diante do Senhor na apresenta\u00e7\u00e3o das prim\u00edcias, pelo que a correta e clara leitura deste texto deve ter em conta esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> exige um especial cuidado com as pausas e a pontua\u00e7\u00e3o. A leitura abre com uma frase interrogativa \u00e0 qual se segue a resposta. A articula\u00e7\u00e3o das diferentes ora\u00e7\u00f5es requer uma adequada entoa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, chama-se a aten\u00e7\u00e3o para a afirma\u00e7\u00e3o central do texto: \u00ab<em>Se confessares com a tua boca que Jesus \u00e9 o Senhor e se acreditares no teu cora\u00e7\u00e3o que Deus O ressuscitou dos mortos, ser\u00e1s salvo<\/em>\u00bb. Esta afirma\u00e7\u00e3o est\u00e1 em liga\u00e7\u00e3o com a frase conclusiva do texto: \u00ab<em>Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor ser\u00e1 salvo<\/em>\u00bb. A proclama\u00e7\u00e3o do texto deve ter em conta a articula\u00e7\u00e3o das diferentes frases<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quaresma: Caminhada para a P\u00e1scoa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/2025\/02\/\"><strong><em>27 Fevereiro, 2025<\/em><\/strong><\/a><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/category\/eclesial\/\"><strong><em>Eclesial<\/em><\/strong><\/a><strong><em>,\u00a0<\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/category\/liturgia\/\"><strong><em>Liturgia<\/em><\/strong><\/a><strong><em>,\u00a0<\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/category\/sociedade\/\"><strong><em>Sociedade<\/em><\/strong><\/a><strong><em> \u2013 Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Secretariado Diocesano da Liturgia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os anos a Igreja nos oferece este dom maravilhoso de celebrarmos os mist\u00e9rios que nos alcan\u00e7aram a vida nova, a fim de atingirmos a plenitude de filhos de Deus. Mas cada Quaresma \u00e9 diferente. A hist\u00f3ria, a nossa pequena hist\u00f3ria, n\u00e3o se repete. Tamb\u00e9m esta Quaresma n\u00e3o ser\u00e1 igual \u00e0s outras. Basta pensarmos na circunst\u00e2ncia do ano jubilar da esperan\u00e7a, nas surpresas da atualidade mundial e local, na vida da Igreja universal e particular, nas propostas diocesanas de caminhada quaresmal\u2026 Este tempo favor\u00e1vel, tempo de gra\u00e7a, \u00e9 um apelo de Deus a que toda a comunidade crist\u00e3 entre decidida no dinamismo pr\u00f3prio da P\u00e1scoa: a passagem para a Vida Nova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A liturgia envolve o homem todo \u2013 esp\u00edrito e corpo \u2013 com a sua rica linguagem. A expressividade pascal, que invade todas as celebra\u00e7\u00f5es do ano lit\u00fargico, parece interrompida na Quaresma: n\u00e3o por esgotamento, mas por necessidade de aprofundamento. A rotina tende a uma esp\u00e9cie de infla\u00e7\u00e3o que degenera em empobrecimento de sentido e desvaloriza\u00e7\u00e3o espiritual. E, por isso, a m\u00fasica instrumental cala-se, o canto \u00e9 s\u00f3brio, a igreja est\u00e1 mais despojada e sombria, n\u00e3o se canta o Aleluia\u2026 D\u00ea-se maior relevo \u00e0 cruz: com o acess\u00f3rio (aleg\u00f3rico) da \u00e2ncora, ou sem ele, a Cruz \u00e9 sempre a \u00e2ncora (s\u00edmbolo) lan\u00e7ada por Deus do c\u00e9u \u00e0 terra e, pela Igreja, da terra ao c\u00e9u. Fixemo-nos na Cruz, \u201cesperan\u00e7a \u00fanica\u201d. E tudo isto alimenta os sentidos a fim de envolver o homem todo na caminhada pascal. H\u00e1 que reaprender a viver crist\u00e3mente. Para voltar a cantar\u00a0<em>Aleluia<\/em>, n\u00e3o apenas com os l\u00e1bios, mas com todas as f\u00edmbrias do nosso ser, para superar tantas desafina\u00e7\u00f5es, precisamos da cura do sil\u00eancio e de jejum, tamb\u00e9m dos ouvidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Quaresma come\u00e7a na<strong>\u00a0Quarta-feira, chamada de Cinzas<\/strong>. A decis\u00e3o de come\u00e7ar a caminhada \u00e9 ratificada pelo\u00a0<strong><em>jejum corporal<\/em><\/strong>\u00a0e pelo sinal comunit\u00e1rio da\u00a0<strong><em>imposi\u00e7\u00e3o das cinzas<\/em><\/strong>\u00a0(ap\u00f3s a homilia da missa). Contudo e porque as condi\u00e7\u00f5es laborais, entre outras, n\u00e3o permitem que a maioria dos crist\u00e3os possa participar nesta abertura comunit\u00e1ria da Quaresma, aconselha-se que haja no primeiro domingo um sinal eloquente que marque o seu in\u00edcio. A caminhada para a P\u00e1scoa \u00e9 t\u00e3o vital para a comunidade crist\u00e3 que requer uma inaugura\u00e7\u00e3o solene.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a exercita\u00e7\u00e3o quaresmal, o\u00a0<em>Cerimonial dos Bispos<\/em>\u00a0(n. 260-261) recomenda que se conserve e fomente, sobretudo aos domingos, a forma tradicional de reunir a Igreja local \u00e0 maneira das<strong>\u00a0\u201c<em>esta\u00e7\u00f5es<\/em>\u201d romanas<\/strong>, ao menos nas grandes cidades. E prop\u00f5e um rito que pode ser muito apropriado para dar in\u00edcio \u00e0 Quaresma, no primeiro domingo. A assembleia re\u00fane-se num lugar fora da igreja, cantando um c\u00e2ntico apropriado. Quem preside e os ministros dirigem-se para esse local. Terminado o c\u00e2ntico, o Presidente sa\u00fada o povo e faz uma breve admoni\u00e7\u00e3o, explicando o sentido e a oportunidade do rito. Ap\u00f3s alguns momentos de sil\u00eancio, recita uma ora\u00e7\u00e3o (coleta do mist\u00e9rio da Santa Cruz, pela remiss\u00e3o dos pecados, pela Igreja,\u00a0missa para o ano santo\u2026). Em seguida, imp\u00f5e incenso no tur\u00edbulo (se se usar) e o di\u00e1cono (ou o pr\u00f3prio celebrante) anuncia:\u00a0<em>Caminhemos em paz<\/em>. Em prociss\u00e3o, todos se dirigem para a igreja, ao canto das\u00a0<strong>Ladainhas dos Santos<em>\u00a0<\/em><\/strong>(como em\u00a0<em>Cantoral Nacional<\/em>\u00a0568, 569). No lugar adequado (conforme se trate de m\u00e1rtires, confessores, etc.), podem inserir-se invoca\u00e7\u00f5es do Santo Padroeiro e de outros particularmente venerados nessa Igreja. Chegados ao presbit\u00e9rio, o Coro conclui a invoca\u00e7\u00e3o dos Santos com \u201c<strong><em>Todos os Santos e Santas de Deus<\/em><\/strong>\u201d e segue com \u201c<strong><em>Sede-nos prop\u00edcio<\/em><\/strong>\u201d. No fim do canto, o Presidente recita a ora\u00e7\u00e3o coleta do dia. Omitem-se os ritos iniciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como alternativa, estando j\u00e1 o povo reunido na Igreja onde se celebra a Eucaristia, em vez do c\u00e2ntico de entrada cantam-se as\u00a0<strong>Ladainha dos Santos<\/strong>\u00a0at\u00e9\u00a0<strong><em>Todos os Santos e Santas de Deus<\/em><\/strong>. Da cadeira, depois de se benzer, o presidente sa\u00fada o povo e pode fazer uma breve admoni\u00e7\u00e3o. N\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias muitas palavras porque o rito, de si, j\u00e1 \u00e9 eloquente. Em seguida, convida ao arrependimento e retoma-se a Ladainha:\u00a0<strong><em>Sede-nos prop\u00edcio<\/em><\/strong>. No fim, recita-se a coleta da Missa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto, \u00e9 muito significativo iniciar a Quaresma com a ladainha dos Santos e, ainda mais, neste ano jubilar da Esperan\u00e7a. Incorporamo-nos nessa\u00a0<strong>peregrina\u00e7\u00e3o \u00fanica<\/strong>, aberta pela cruz de Cristo, e que nos conduz \u00e0 Vida com o Pai, percebemos a \u00edntima liga\u00e7\u00e3o e comunh\u00e3o entre a Igreja que peregrina e a Igreja que alcan\u00e7ou a gl\u00f3ria, descobrimos o sentido profundo da\u00a0<strong>Quaresma como realiza\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio pascal em n\u00f3s<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outras Sugest\u00f5es para o tempo da Quaresma:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Privilegiar o Ato Penitencial na\u00a0<strong>modalidade B<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Cantar habitualmente a\u00a0<strong>terceira aclama\u00e7\u00e3o de anamnese<\/strong><em>\u00a0<\/em>(<em>Mist\u00e9rio da f\u00e9 para a salva\u00e7\u00e3o do mundo! \u2013 Gl\u00f3ria a V\u00f3s que morrestes na cruz\u2026<\/em>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 No momento que se considerar oportuno (Ofert\u00f3rio, final\u2026) cantar o\u00a0<strong>hino do Jubileu<\/strong>\u00a0ou algum dos seguintes hinos:\u00a0<em>Jesus, esperan\u00e7a e guia<\/em>\u00a0(BML 38; n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de Advento e todo o ano jubilar \u00e9, de algum modo,\u00a0<em>advento<\/em>), ou\u00a0<em>Jesus, nossa reden\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0(M. Lu\u00eds, Gui\u00e3o ENPL XXXVIII; NCT 567; LHcant2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Leitura-I-do-Domingo-I-da-Quaresma-Ano-C-09.03.2025-Deut-26-4-10.pdf\">Leitura I do Domingo I da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 09.03.2025 (Deut 26, 4-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Leitura-II-do-Domingo-I-da-Quaresma-Ano-C-09.03.2025-Rom-10-8-13.pdf\">Leitura II do Domingo I da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 09.03.2025 (Rom 10, 8-13)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-I-da-Quaresma-Ano-C-09.03.2025-Lecionario.pdf\">Domingo I da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 09.03.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-I-da-Quaresma-Ano-C-09.03.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo I da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 09.03.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Domingo-I-da-Quaresma-Ano-C-09.03.2025-refletindo.pdf\">Domingo I da Quaresma &#8211; Ano C &#8211; 09.03.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/A-Mesa-da-Palavra-Quaresma-Domingo-I.pdf\">A Mesa da Palavra Quaresma Domingo I<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Mensagem-para-Quaresma-2025-Papa-Francisco.pdf\">Mensagem para Quaresma 2025 &#8211; Papa Francisco<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo VIII do Tempo Comum \u2013 Ano C \u2013 02 mar\u00e7o 2025&#8243; tab_id=&#8221;1741605263183-2d2aa7f0-0d60&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo VIII do Tempo Comum &#8211; Ano C \u2013 02 mar\u00e7o 2025<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Domingo-VIII.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"484\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p>Seguir Jesus \u00e9 o caminho exigente que cada crist\u00e3o \u00e9 chamado a percorrer. Por\u00e9m, caminhar de olhos fixos no Mestre implica conceber a nossa voca\u00e7\u00e3o batismal como uma tarefa sempre inacabada pois \u00ab<em>todo o disc\u00edpulo perfeito dever\u00e1 ser como o seu mestre<\/em>\u00bb. Bem sabemos, que a perfei\u00e7\u00e3o \u00e0 qual somos chamados como disc\u00edpulos tem nome de santidade e, mais do que uma conquista pelos nossos esfor\u00e7os e m\u00e9ritos, \u00e9 um dom da gra\u00e7a, fruto da gratuidade de Deus que nos faz merecedores, n\u00e3o obstante os nossos limites e fragilidades.<\/p>\n<p>A Liturgia da Palavra deste Domingo \u00e9 o convite a olhar com realismo a nossa vida, eliminando a presun\u00e7\u00e3o que nos impede de ver os nossos defeitos e fraquezas, mas tamb\u00e9m o pessimismo que nos impede de ver o bem que as nossas vidas podem gerar. Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio treinar o olhar, isto \u00e9, aprender a ver a realidade com o olhar de Jesus, para que a nossa vida, iluminada por este olhar transformador se liberte dos argueiros e traves que nos impedem de caminhar com seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Na verdade, um cego n\u00e3o pode guiar outro cego, a n\u00e3o ser que seja capaz de eliminar da sua vida aquilo que o impede de ver com clareza o caminho. E uma das dificuldades denunciadas por Jesus no Evangelho de hoje \u00e9 a incapacidade de reconhecer os nossos limites e fraquezas. Somos educados para o sucesso, para a valoriza\u00e7\u00e3o das nossas capacidades e habilidades\u2026. Humanamente entendemos que o reconhecimento dos nossos limites nos diminui e enfraquece. Contudo, \u00e0 luz da palavra do Mestre, tomamos consci\u00eancia que acolher as nossas fragilidades nos ensinar\u00e1 a olhar de um modo novo para as fragilidades dos irm\u00e3os, conscientes que n\u00e3o s\u00e3o os nossos defeitos que nos definem, mas que eles s\u00e3o parte integrante do todo da nossa vida. Assim, integrar na totalidade da nossa vida os nossos limites, ensinar-nos-\u00e1 a olhar para a nossa vida como um lugar de convers\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o permanente, onde as dificuldades se transformam em oportunidades de crescimento, isto \u00e9, em pontos de esfor\u00e7o para que possamos ser mais e melhor em cada dia.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 urgente a transforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, pois tal como afirma Jesus \u00ab<em>o homem bom, do bom tesouro do seu cora\u00e7\u00e3o tira o bem; e o homem mau, da sua maldade tira o mal; pois a boca fala do que transborda do cora\u00e7\u00e3o<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Na verdade, n\u00e3o existe nenhum homem totalmente bom, nem nenhum homem totalmente mau: a bondade e a maldade est\u00e3o presentes na nossa vida e exigem de n\u00f3s uma constante ades\u00e3o ao bem que nos liberta e nos torna mais felizes e uma rejei\u00e7\u00e3o do mal que nos escraviza e entristece. Contudo, como recorda S. Paulo na Carta aos Romanos: \u00ab<em>n\u00e3o \u00e9 o bem que eu quero que fa\u00e7o, mas o mal que eu n\u00e3o quero, que pratico<\/em>\u00bb (Rm 7,19). Paradoxalmente, esta consci\u00eancia da nossa fr\u00e1gil condi\u00e7\u00e3o deve ser um est\u00edmulo a permanecer \u00ab<em>firmes e inabal\u00e1veis<\/em>\u00bb. A consci\u00eancia alegre e feliz do bem que praticamos deve ser o est\u00edmulo a fazer o bem e a evitar o mal, a perfumar o mundo com o belo odor da bondade e da ternura, a iluminar o tempo e a hist\u00f3ria com um rasto de miseric\u00f3rdia que torna o mundo num lugar melhor e na vida de cada homem e de cada mulher numa vida mais feliz. Deste modo, poderemos cantar com a vida o que cantamos no salmo \u2013 \u00ab<em>\u00c9 bom louvar o Senhor<\/em>\u00bb \u2013 conscientes que louvar o Senhor \u00e9 deixar o Seu Esp\u00edrito de amor transformar o nosso cora\u00e7\u00e3o porque a nossa vida crist\u00e3 mais do que fazer muitas coisas, deve traduzir-se em deixar Deus fazer a Sua obra de amor na nossa vida. Deste modo, a nossa vida ser\u00e1 essa \u00e1rvore boa que d\u00e1 bons frutos, porque unida \u00e0 verdadeira videira que \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus e assim unidos e nutridos pela seiva da sua gra\u00e7a poderemos brilhar \u00ab<em>como estrelas no mundo, ostentando a palavra da vida<\/em>\u00bb. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 no <strong>Tempo Comum,<\/strong> continuamos um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p>Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p>E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>LEITURA I<\/strong><strong> &#8211; <\/strong><strong>Ben Sir\u00e1 27,4-7<\/strong><\/p>\n<p><strong>Quando agitamos o crivo, s\u00f3 ficam impurezas:<br \/>\nassim os defeitos do homem aparecem nas suas palavras.<br \/>\nO forno prova os vasos do oleiro<br \/>\ne o homem \u00e9 posto \u00e0 prova pelos seus pensamentos.<br \/>\nO fruto da \u00e1rvore manifesta a qualidade do campo:<br \/>\nassim as palavras do homem revelam os seus sentimentos.<br \/>\nN\u00e3o elogies ningu\u00e9m antes de ele falar,<br \/>\nporque \u00e9 assim que se experimentam os homens.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p>O Livro de Ben Sir\u00e1 (chamado, na sua vers\u00e3o grega, \u201cEclesi\u00e1stico\u201d) \u00e9 um livro de car\u00e1cter sapiencial que, como todos os livros sapienciais, tem por objetivo deixar aos aspirantes a \u201cs\u00e1bios\u201d indica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas sobre a arte de bem viver e de ser feliz. O seu autor parece ter sido um tal Jesus Ben Sir\u00e1, um \u201cs\u00e1bio\u201d israelita que viveu na primeira metade do s\u00e9c. II a.C. (cf. Sir 51,30).<\/p>\n<p>A \u00e9poca de Jesus Ben Sir\u00e1 \u00e9 uma \u00e9poca conturbada para o Povo de Deus. Quando Alexandre da Maced\u00f3nia morreu, em 323 a.C., o seu imp\u00e9rio foi dividido por duas fam\u00edlias: os Ptolomeus e os Sel\u00eaucidas. Inicialmente, a Palestina ficou nas m\u00e3os dos Ptolomeus; e, nos anos de dom\u00ednio Ptolomeu, o Povo de Deus p\u00f4de, em geral, viver na fidelidade \u00e0 sua f\u00e9 e aos seus valores ancestrais. Em 198 a.C., contudo, depois da batalha de P\u00e2nias, a Palestina passou para o dom\u00ednio dos Sel\u00eaucidas (uma fam\u00edlia descendente de Seleuco Nicanor, general de Alexandre). Os Sel\u00eaucidas, sobretudo com Ant\u00edoco IV Epifanes, procuraram impor, por vezes pela for\u00e7a, a cultura hel\u00e9nica. Nesse contexto muitos judeus, seduzidos pelo brilho da cultura grega, abandonavam os valores tradicionais e a f\u00e9 dos pais e assumiam comportamentos mais consent\u00e2neos com a \u201cmodernidade\u201d e com a press\u00e3o exercida pelas autoridades sel\u00eaucidas. A identidade cultural e religiosa do Povo de Deus corria, assim, s\u00e9rios riscos\u2026 Jesus Ben Sir\u00e1, um \u201cs\u00e1bio\u201d judeu apegado \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es dos seus antepassados, entendeu desenvolver uma reflex\u00e3o que ajudasse os seus concidad\u00e3os a manterem-se fi\u00e9is aos valores tradicionais. No seu livro que escreveu para esse efeito, Jesus ben Sira apresenta uma s\u00edntese da religi\u00e3o tradicional e da \u201csabedoria\u201d de Israel e procura demonstrar que \u00e9 no respeito pela sua f\u00e9, pelos seus valores, pela sua identidade que os judeus podem descobrir o caminho seguro para serem um Povo livre e feliz.<\/p>\n<p>O texto que a liturgia de hoje nos prop\u00f5e faz parte de uma unidade liter\u00e1ria (cf. Sir 26,28-27,7) que apresenta algumas \u201cp\u00e9rolas\u201d da sabedoria do Povo de Deus. A tem\u00e1tica desenvolvida parece algo heterog\u00e9nea, pois junta dois temas aparentemente desligados um do outro: o trabalho dos comerciantes (uma profiss\u00e3o que era considerada \u201cduvidosa\u201d, sobretudo quando comparada com o trabalho dos que viviam do cultivo da terra) e as palavras que revelam a realidade interior do homem; no entanto, os dois temas aparecem perfeitamente enla\u00e7ados. O desenvolvimento do tema \u00e9 tecido, \u00e0 velha maneira sapiencial, a partir de senten\u00e7as deduzidas da experi\u00eancia pr\u00e1tica e da pr\u00f3pria reflex\u00e3o (por exemplo, \u201cn\u00e3o elogies ningu\u00e9m antes de ele falar\u201d); o fim dessas senten\u00e7as \u00e9 orientar o comportamento do homem, preservando-o do insucesso, do fracasso, dos comportamentos e dos ju\u00edzos errados. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Todos temos uma certa tend\u00eancia para fazer ju\u00edzos de valor sobre as pessoas que se cruzam connosco. Somos tocados por uma primeira impress\u00e3o, por um gesto, pela forma como a pessoa se apresenta ou se veste, pelo seu aspeto f\u00edsico, pela simpatia imediata que ela nos inspira, talvez at\u00e9 mesmo pela nossa disposi\u00e7\u00e3o interior nessa hora\u2026 Depois, avaliamos tudo, classificamos a pessoa, colocamos-lhe uma etiqueta, decidimos se ela nos interessa ou n\u00e3o, se confiamos nela ou n\u00e3o, se queremos ou n\u00e3o aprofundar la\u00e7os com ela, se a deixamos ou n\u00e3o entrar no c\u00edrculo das nossas rela\u00e7\u00f5es. \u00c9 poss\u00edvel que, muitas vezes, a nossa \u201caprecia\u00e7\u00e3o\u201d seja objetiva e justa; mas \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m que algumas vezes a nossa \u201cavalia\u00e7\u00e3o\u201d seja preconceituosa, injusta e superficial. Isto leva-nos, naturalmente, a pensar nos crit\u00e9rios que usamos para avaliar as pessoas que se cruzam connosco. Que crit\u00e9rios s\u00e3o? O que \u00e9 que decide a nossa aceita\u00e7\u00e3o ou a nossa recusa em acolher as pessoas que a vida traz ao nosso encontro? Procuramos \u201ca verdade\u201d das pessoas para al\u00e9m das apar\u00eancias, ou decidimos o \u201cvalor\u201d das pessoas a partir de aspetos e de impress\u00f5es superficiais?<\/li>\n<li>Por outro lado, somos muitas vezes obrigados a discernir se podemos confiar em certas pessoas e entregar-lhes determinadas responsabilidades. Todas as pessoas t\u00eam o seu valor e devem ser respeitadas na sua dignidade; mas cada pessoa tem a sua maneira de ser, as suas carater\u00edsticas particulares, a sua forma pr\u00f3pria de se situar diante da vida, do mundo e dos outros homens e mulheres. Antes de escolher uma pessoa para lhe entregar determinada tarefa, temos de procurar conhec\u00ea-la, saber os valores que ela privilegia, as carater\u00edsticas pessoais que a tornam apta para desempenhar uma determinada fun\u00e7\u00e3o, se ela \u00e9 digna da nossa confian\u00e7a\u2026 Como podemos fazer esse discernimento? Jesus ben Sira d\u00e1-nos uma \u201cdica\u201d que \u00e9 fruto da sua experi\u00eancia de homem \u201cs\u00e1bio\u201d: escutemos com aten\u00e7\u00e3o aquilo que a pessoa em causa diz, as opini\u00f5es que exprime, os valores que transparecem nas suas palavras. A boca fala da abund\u00e2ncia do cora\u00e7\u00e3o. Mais tarde ou mais cedo as palavras que algu\u00e9m diz acabam por revelar a verdade da sua vida. Procuramos escutar, com paci\u00eancia e sem preconceitos, as pessoas que estabelecem di\u00e1logo connosco? Procuramos manter um di\u00e1logo honesto, verdadeiro, atento, com as pessoas que nos interessa conhecer bem? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 91 (92)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Refr\u00e3o 1: \u00c9 bom louvar o Senhor.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Refr\u00e3o 2: \u00c9 bom louvar-vos, Senhor,<br \/>\ne cantar salmos ao vosso nome.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9 bom louvar o Senhor<br \/>\ne cantar salmos ao vosso nome, \u00f3 Alt\u00edssimo,<br \/>\nproclamar pela manh\u00e3 a vossa bondade<br \/>\ne durante a noite a vossa fidelidade.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O justo florescer\u00e1 como a palmeira,<br \/>\ncrescer\u00e1 como o cedro do L\u00edbano:<br \/>\nplantado na casa do Senhor,<br \/>\nflorescer\u00e1 nos \u00e1trios do nosso Deus.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mesmo na velhice dar\u00e1 o seu fruto,<br \/>\ncheio de seiva e de vigor,<br \/>\npara proclamar que o Senhor \u00e9 justo;<br \/>\nn\u2019Ele, que \u00e9 o meu ref\u00fagio, n\u00e3o h\u00e1 iniquidade.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>LEITURA II <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>1 Cor\u00edntios 15, 54-58<\/strong><\/p>\n<p><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nQuando este nosso corpo corrupt\u00edvel se tornar incorrupt\u00edvel<br \/>\ne este nosso corpo mortal se tornar imortal,<br \/>\nent\u00e3o se realizar\u00e1 a palavra da Escritura:<br \/>\n\u00abA morte foi absorvida na vit\u00f3ria.<br \/>\n\u00d3 morte, onde est\u00e1 a tua vit\u00f3ria?<br \/>\n\u00d3 morte, onde est\u00e1 o teu aguilh\u00e3o?\u00bb<br \/>\nO aguilh\u00e3o da morte \u00e9 o pecado<br \/>\ne a for\u00e7a do pecado \u00e9 a Lei.<br \/>\nMas d\u00eamos gra\u00e7as a Deus,<br \/>\nque nos d\u00e1 a vit\u00f3ria por Nosso Senhor Jesus Cristo.<br \/>\nAssim, car\u00edssimos irm\u00e3os,<br \/>\npermanecei firmes e inabal\u00e1veis,<br \/>\ncada vez mais diligentes na obra do Senhor,<br \/>\nSabendo que o vosso esfor\u00e7o n\u00e3o \u00e9 in\u00fatil no Senhor.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p>O di\u00e1logo do cristianismo com as diversas realidades culturais que marcam a vida e a hist\u00f3ria dos povos sempre apresentou desafios consider\u00e1veis. Encontramos essa quest\u00e3o logo nos primeiros tempos da caminhada crist\u00e3, quando Paulo de Tarso trouxe o cristianismo ao encontro do mundo greco-romano. A primeira Carta de Paulo \u00e0 comunidade crist\u00e3 de Corinto \u00e9, talvez, o escrito do Novo Testamento que melhor espelha essa problem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Corinto, cidade nova e pr\u00f3spera situada na regi\u00e3o do Peloponeso, servida por dois portos de mar era a cidade do desregramento para todos os marinheiros que cruzavam o Mediterr\u00e2neo e chegavam aos seus portos depois de semanas passadas em navega\u00e7\u00e3o. Em Corinto estavam representadas todas as ra\u00e7as e todas as realidades sociais. Na \u00e9poca paulina, a popula\u00e7\u00e3o era de cerca de 500.000 pessoas, das quais dois ter\u00e7os eram escravos. A riqueza escandalosa de alguns, contrastava com a mis\u00e9ria da maioria.<\/p>\n<p>Em termos culturais, Corinto era um centro importante. Sem ter a fama de Atenas, a cidade tinha, contudo, grande n\u00famero de poetas, fil\u00f3sofos, oradores e m\u00e9dicos. Todas as escolas filos\u00f3ficas e todas as culturas estavam representadas na cidade. As escava\u00e7\u00f5es descobriram v\u00e1rias bibliotecas.<\/p>\n<p>A mistura de ra\u00e7as e de culturas notava-se tamb\u00e9m em termos religiosos. Corinto era um centro religioso onde todos os cultos e religi\u00f5es estavam representados. O culto principal girava \u00e0 volta de Afrodite, deusa do amor, que tinha um grande santu\u00e1rio na Acr\u00f3pole da cidade. Havia numerosos grupos religiosos, ou \u201cThiasoi\u201d, com um l\u00edder \u00e0 sua frente. Religi\u00f5es do Oriente e religi\u00f5es mist\u00e9ricas estavam representadas no universo religioso de Corinto. \u00c9 neste terreno prom\u00edscuo que vai nascer e fazer caminho a comunidade crist\u00e3 de Corinto.<\/p>\n<p>Uma das propostas crist\u00e3s que encontrou resist\u00eancia entre os crist\u00e3os de Corinto foi a quest\u00e3o da ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos. Influenciados por filosofias dualistas \u2013 entre as quais avultava a filosofia plat\u00f3nica \u2013 muitos cor\u00edntios viam no corpo uma realidade negativa e na alma uma realidade ideal e nobre. Admitiam que a alma, liberta do corpo, ascenderia ao mundo luminoso das ideias; mas tinham dificuldade em admitir que o corpo, realidade material, carnal e sensual, pudesse seguir a alma na sua ascens\u00e3o ao mundo de Deus. Sendo assim, consideravam que n\u00e3o fazia sentido falar da ressurrei\u00e7\u00e3o integral do homem.<\/p>\n<p>Paulo tratou esta quest\u00e3o em 1 Cor 15. O texto que a liturgia deste domingo nos prop\u00f5e como primeira leitura \u00e9 a parte final da reflex\u00e3o de Paulo sobre este tema. <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Como todos os seres criados, nascemos, vivemos e morremos. O nosso horizonte de vida, aqui na terra, tem prazo. No entanto, no mais fundo de cada ser humano h\u00e1 um enorme desejo de eternidade, de vida que ultrapasse a finitude que experimentamos. Aspiramos a uma vida que n\u00e3o seja, a dada altura, destru\u00edda pela morte. A vida eterna \u00e9 apenas um sonho sem fundamento, uma simples proje\u00e7\u00e3o da nossa \u00e2nsia de vida, ou \u00e9 uma realidade que nos espera depois do caminho que percorremos agora? Jesus acreditava na vida eterna. Ele tinha a certeza de que Deus n\u00e3o nos criou para a morte, mas sim para a vida. \u201cO nosso Deus\u201d \u2013 dizia Jesus \u2013 \u201cn\u00e3o \u00e9 um Deus de mortos, mas de vivos, pois para Ele todos est\u00e3o vivos\u201d (Lc 20,38). Deus deu-lhe raz\u00e3o: quando a morte pensou que tinha conseguido prender Jesus num t\u00famulo novo situado fora de portas em Jerusal\u00e9m, Deus ressuscitou-o. Ao ressuscitar Jesus, Deus mostrou que a morte nunca teria a \u00faltima palavra sobre a vida do homem. Como Jesus, n\u00f3s tamb\u00e9m estamos destinados a ressuscitar; como Jesus, estamos destinados a viver eternamente com Deus. Acreditamos nisto? Que significa, no horizonte da nossa vida, a certeza da ressurrei\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>A teologia cl\u00e1ssica assimilou o horizonte de compreens\u00e3o da filosofia grega, segundo a qual o mundo verdadeiro era o mundo sobrenatural; o mundo terreno era apenas o lugar da mat\u00e9ria, da ambiguidade, do pecado, da imperfei\u00e7\u00e3o; a alma ansiava por libertar-se rapidamente desta mat\u00e9ria para ascender \u00e0 esfera da vida plena, da vida de Deus\u2026 No entanto, o regresso \u00e0 mentalidade b\u00edblica trouxe-nos uma outra consci\u00eancia, uma outra vis\u00e3o de tudo isto: sabemos que o mundo novo que nos espera come\u00e7a j\u00e1 a realizar-se nesta terra e que \u00e9 preciso faz\u00ea-lo aparecer todos os dias, em cada um dos nossos gestos. A ressurrei\u00e7\u00e3o come\u00e7a a concretizar-se aqui e agora. Acreditar na ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9, assim, empenhar-se na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais humano e mais fraterno, procurando eliminar as for\u00e7as do ego\u00edsmo, do pecado e da morte que impedem, j\u00e1 nesta terra, a vida em plenitude. Por isso o Conc\u00edlio Vaticano II diz: \u201ca Igreja ensina que a import\u00e2ncia das tarefas terrenas n\u00e3o \u00e9 diminu\u00edda pela esperan\u00e7a escatol\u00f3gica, mas que esta antes refor\u00e7a com novos motivos a sua execu\u00e7\u00e3o\u201d (Gaudium et Spes, 21). O nosso desejo de vida plena traduz-se, enquanto caminhamos na terra, pela luta contra o ego\u00edsmo, a maldade, a viol\u00eancia, a injusti\u00e7a, o pecado, tudo aquilo que traz morte \u00e0 vida dos homens e do mundo?<\/li>\n<li>Paulo est\u00e1 convicto de que \u201co segundo Ad\u00e3o\u201d (Cristo) \u00e9 um \u201cesp\u00edrito que d\u00e1 vida\u201d (1 Cor 15,45). Tornarmo-nos disc\u00edpulos de Cristo, ligarmo-nos a Cristo como os ramos est\u00e3o ligados \u00e0 videira, vivermos de Cristo e alimentarmo-nos de Cristo \u00e9 garantia de vida eterna. Ora, no dia do nosso batismo, ligamo-nos a Cristo e passamos a integrar o Corpo de Cristo, a comunidade crist\u00e3. Mas a liga\u00e7\u00e3o a Cristo tem de ser renovada, cultivada e fortalecida a cada passo do nosso caminho. Procuramos, a cada momento, manter liga\u00e7\u00e3o a Cristo? Escutamos as suas palavras e procuramos deixar-nos guiar por elas? Conhecemos os gestos de Cristo, o seu amor at\u00e9 ao extremo, o seu estilo de vida, e procuramos testemunhar tudo isso com a forma como vivemos? Sentamo-nos com Cristo \u00e0 volta da mesa eucar\u00edstica, recebemos o P\u00e3o da Vida que Cristo nos oferece e traduzimos tudo isso em gestos concretos de amor, de servi\u00e7o, de partilha, de perd\u00e3o, junto dos irm\u00e3os que encontramos todos os dias? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 6, 39-45<\/strong><\/p>\n<p><strong>Naquele tempo.<br \/>\ndisse Jesus aos disc\u00edpulos a seguinte par\u00e1bola:<br \/>\n\u00abPoder\u00e1 um cego guiar outro cego?<br \/>\nN\u00e3o cair\u00e3o os dois nalguma cova?<br \/>\nO disc\u00edpulo n\u00e3o \u00e9 superior ao mestre,<br \/>\nmas todo o disc\u00edpulo perfeito dever\u00e1 ser como o seu mestre.<br \/>\nPorque v\u00eas o argueiro que o teu irm\u00e3o tem na vista<br \/>\ne n\u00e3o reparas na trave que est\u00e1 na tua?<br \/>\nComo podes dizer a teu irm\u00e3o:<br \/>\n\u2018Irm\u00e3o, deixa-me tirar o argueiro que tens na vista\u2019,<br \/>\nse tu n\u00e3o v\u00eas a trave que est\u00e1 na tua?<br \/>\nHip\u00f3crita, tira primeiro a trave da tua vista<br \/>\ne ent\u00e3o ver\u00e1s bem para tirar o argueiro da vista do teu irm\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 \u00e1rvore boa que d\u00ea mau fruto,<br \/>\nnem \u00e1rvore m\u00e1 que d\u00ea bom fruto.<br \/>\nCada \u00e1rvore conhece-se pelo seu fruto:<br \/>\nn\u00e3o se colhem figos dos espinheiros,<br \/>\nnem se apanham uvas das sar\u00e7as.<br \/>\nO homem bom,<br \/>\ndo bom tesouro do seu cora\u00e7\u00e3o tira o bem:<br \/>\ne o homem mau,<br \/>\nda sua maldade tira o mal;<br \/>\npois a boca fala do que transborda do cora\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p>O \u201cserm\u00e3o da plan\u00edcie\u201d, apresentado por Lucas em 6,17-49, \u00e9 uma longa \u201cinstru\u00e7\u00e3o\u201d que Jesus destina a todos aqueles que est\u00e3o interessados em conhecer o seu projeto. \u00c9 feita diante de uma \u201cgrande multid\u00e3o de toda a Judeia, de Jerusal\u00e9m e do litoral de Tiro e de S\u00eddon\u201d (Lc 6,17), mas dirige-se especialmente aos disc\u00edpulos de Jesus. Define a conduta do disc\u00edpulo verdadeiro, daquele que quer fazer parte da comunidade do Reino de Deus. O evangelista Mateus apresenta um material semelhante, mas situa o discurso de Jesus num contexto diferente: numa montanha (cf. Mt 5,1-7,29).<\/p>\n<p>O texto que a liturgia deste domingo nos apresenta como Evangelho pertence \u00e0 sec\u00e7\u00e3o final do \u201cserm\u00e3o da plan\u00edcie\u201d (cf. Lc 6,39-49). Lucas parece ter reunido aqui um conjunto de \u201csenten\u00e7as\u201d ou \u201cditos\u201d de Jesus que, originalmente, tinham um contexto diverso e foram pronunciados em alturas diversas. A unidade tem\u00e1tica desta per\u00edcope ressente-se um pouco dessa jun\u00e7\u00e3o de materiais diferentes.<\/p>\n<p>Por detr\u00e1s do enquadramento em que Lucas disp\u00f5e estas \u201csenten\u00e7as\u201d e \u201cditos\u201d de Jesus estar\u00e1, provavelmente, a situa\u00e7\u00e3o das comunidades crist\u00e3s \u00e0s quais o terceiro Evangelho se destinava. Em meados dos anos oitenta do primeiro s\u00e9culo, essas comunidades estavam a ser inquietadas por falsos mestres crist\u00e3os, com sede de protagonismo, que apresentavam uma catequese que n\u00e3o se enquadrava com os ensinamentos recebidos de Jesus. Lucas sente-se no dever de as advertir para o perigo de se deixarem seduzir pelas falsas doutrinas que esses \u201cmestres\u201d propunham. Acolher as propostas que eles traziam n\u00e3o levava a lugar nenhum. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>De entre os diversos temas que Jesus tratou naquela \u201cforma\u00e7\u00e3o\u201d aos disc\u00edpulos que \u00e9 o \u201cserm\u00e3o da plan\u00edcie\u201d, est\u00e1 o da confian\u00e7a que podemos ou n\u00e3o ter quando se trata de apostar em l\u00edderes humanos. Trata-se de vivermos permanentemente desconfiados, farejando \u201cteorias da conspira\u00e7\u00e3o\u201d por todo o lado? Trata-se de vivermos a cada passo prisioneiros do medo de sermos enganados, como se a mentira e o dolo estivessem \u00e0 espreita ao dobrar de cada esquina, prontos a aproveitar-se de n\u00f3s? Trata-se de olharmos para o mundo como um espa\u00e7o hostil, cheio de gente que s\u00f3 quer o nosso mal e que est\u00e1 sempre disposta a atacar a nossa f\u00e9, as nossas convic\u00e7\u00f5es, os nossos valores? N\u00e3o, n\u00e3o se trata de nada disso. Trata-se de vivermos com crit\u00e9rios, de termos ideias claras do que queremos e de caminharmos, serena mas decididamente, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade, \u00e0 luz, \u00e0 vida com sentido. Somos gente atenta, com sentido cr\u00edtico, que sabe para onde vai, que n\u00e3o se deixa manipular, que confia nos outros, mas que tamb\u00e9m procura avaliar criteriosamente aquilo que ouve e que v\u00ea enquanto caminha?<\/li>\n<li>\u201cPoder\u00e1 um cego guiar outro cego? N\u00e3o cair\u00e3o os dois nalguma cova?\u201d \u2013 pergunta-nos Jesus. Nem todos aqueles que se prop\u00f5em ajudar-nos a discernir o caminho que conduz \u00e0 vida s\u00e3o \u201ccegos\u201d; mas h\u00e1 sempre pessoas que se arvoram em \u201cguias\u201d, em l\u00edderes, em \u201cmestres\u201d, que nos apontam caminhos sem sa\u00edda. \u00c0s vezes \u00e9 por ignor\u00e2ncia e imprepara\u00e7\u00e3o; outras vezes \u00e9 para concretizar os seus projetos e os seus calend\u00e1rios pessoais; e algumas vezes \u00e9 para se aproveitarem de n\u00f3s. Quando nos deixamos conduzir por \u201cguias\u201d desses \u2013 sejam \u201cguias\u201d pol\u00edticos, sejam \u201cguias\u201d religiosos, sejam aqueles \u201cguias\u201d de opini\u00e3o que se prop\u00f5em dizer-nos o que fazer para acertar os nossos comportamentos com a moda e os costumes vigentes \u2013, o mais prov\u00e1vel, segundo Jesus, \u00e9 trope\u00e7armos, magoarmo-nos seriamente e n\u00e3o chegarmos a lado nenhum. Eles podem, com as suas indica\u00e7\u00f5es inadequadas, levar-nos a falhar redondamente o nosso caminho. Conhecemos \u201cguias\u201d desses? Estamos dispostos a colocar a nossa vida, de forma ligeira e irrespons\u00e1vel, nas m\u00e3os de algu\u00e9m que nos aponta caminhos errados?<\/li>\n<li>\u201cPorque v\u00eas o argueiro que o teu irm\u00e3o tem na vista e n\u00e3o reparas na trave que est\u00e1 na tua? Como podes dizer a teu irm\u00e3o: \u2018Irm\u00e3o, deixa-me tirar o argueiro que tens na vista\u2019, se tu n\u00e3o v\u00eas a trave que est\u00e1 na tua?\u201d \u2013 pergunta-nos Jesus. \u00c9 verdade: h\u00e1 pessoas que passam a vida a avaliar, a apontar os males, a colocar r\u00f3tulos, a criticar os outros. Julgam e condenam sem miseric\u00f3rdia e sem compaix\u00e3o. S\u00e3o r\u00edspidas e amargas; n\u00e3o conhecem ou n\u00e3o percebem a bondade e a ternura de Deus por todos os seus filhos. Em contrapartida, n\u00e3o se det\u00eam um minuto a olhar para as suas pr\u00f3prias falhas, muitas vezes mais graves do que aquelas que apontam aos outros. Exigem dos outros uma mudan\u00e7a que eles n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis para fazer, no que diz respeito \u00e0 sua pr\u00f3pria vida. Jesus chama-lhes \u201chip\u00f3critas\u201d: s\u00e3o, na avalia\u00e7\u00e3o de Jesus, gente falsa, maldosa, perversa. Isto aplica-se, de alguma forma, a n\u00f3s? Como encaramos as falhas, os erros, as pequenas e grandes imperfei\u00e7\u00f5es dos irm\u00e3os que caminham ao nosso lado? Somos t\u00e3o exigentes connosco como somos com os outros?<\/li>\n<li>Outro tra\u00e7o daqueles que s\u00f3 veem o \u201cargueiro\u201d que o irm\u00e3o tem na vista, mas n\u00e3o veem a \u201ctrave\u201d que perturba a vis\u00e3o que eles pr\u00f3prios t\u00eam do mundo e dos outros, \u00e9 a arrog\u00e2ncia. Tratam os outros com sobranceria e consideram que s\u00f3 eles conhecem o bem e o mal, o que est\u00e1 errado e o que est\u00e1 certo, o que deve ser permitido e o que deve ser proibido. S\u00e3o as pessoas das certezas absolutas, cheias de presun\u00e7\u00e3o, com \u201ctiques\u201d autorit\u00e1rios. Imp\u00f5em aos outros as suas opini\u00f5es, os seus valores, as suas convic\u00e7\u00f5es, a sua pr\u00f3pria forma de ver o mundo e a vida. Na comunidade crist\u00e3, estabelecem preceitos, exig\u00eancias, pr\u00e1ticas com as quais Jesus nunca sonhou e que, em muitos casos, contradizem o Evangelho e o estilo de Jesus. Consideram-se as \u00fanicas vozes autorizadas de Deus e procuram \u201cvender\u201d aos outros a sua pr\u00f3pria imagem de Deus. Isto aplica-se, de alguma forma, a n\u00f3s? Procuramos impor aos outros as nossas certezas, sem nos deixarmos n\u00f3s pr\u00f3prios questionar pelas vis\u00f5es diferentes que os outros possam ter sobre a f\u00e9 ou sobre a vida?<\/li>\n<li>Jesus fala-nos, ainda, de \u201cfrutos bons\u201d e de \u201cfrutos maus\u201d que brotam das palavras e dos gestos das pessoas. Remete-nos para o interior do ser humano, para o \u201ccora\u00e7\u00e3o\u201d, na antropologia semita o o centro onde nascem os pensamentos, os projetos, as decis\u00f5es, as vontades, as a\u00e7\u00f5es do homem. O ego\u00edsmo, a intoler\u00e2ncia, o orgulho, a indiferen\u00e7a, brotam de um cora\u00e7\u00e3o mau, fechado a Deus e \u00e0s suas indica\u00e7\u00f5es; a bondade, o amor, a miseric\u00f3rdia, a partilha, o perd\u00e3o, brotam de um cora\u00e7\u00e3o bom, que funciona ao ritmo de Deus. Nas palavras de Jesus h\u00e1 um apelo impl\u00edcito a purificarmos e a renovarmos o cora\u00e7\u00e3o, a convertermo-nos ao Evangelho e ao dinamismo do Reino de Deus. Vivemos em atitude permanente de convers\u00e3o, dispostos a questionar a cada instante as nossas motiva\u00e7\u00f5es, os nossos desejos, os nossos pensamentos, as nossas certezas, as nossas pr\u00e1ticas?<\/li>\n<li>H\u00e1 um crit\u00e9rio simples para definirmos se as indica\u00e7\u00f5es que recebemos dos \u201cguias\u201d ou dos \u201cmestres\u201d com os quais nos cruzamos est\u00e1 certa ou est\u00e1 errada, \u00e9 aproveit\u00e1vel ou \u00e9 perniciosa: a conson\u00e2ncia com o Evangelho, com a proposta de Jesus. Jesus \u00e9 o nosso verdadeiro \u201cmestre\u201d, o nosso verdadeiro \u201cguia\u201d. Uma indica\u00e7\u00e3o que tenha a marca de Jesus e que esteja em conson\u00e2ncia com os valores que Jesus propunha, com as suas palavras e com os seus gestos, \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o que nos faz bem, que nos abre as portas para uma vida plenamente realizada; uma indica\u00e7\u00e3o que vai contra o Evangelho e que vai contra o \u201cestilo\u201d de Jesus, \u00e9 algo que n\u00e3o nos far\u00e1 bem e que poder\u00e1 atirar-nos para caminhos sem sa\u00edda. O Evangelho de Jesus \u00e9, para n\u00f3s, crit\u00e9rio para definirmos os valores que abra\u00e7amos ou que abandonamos? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p>A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 um trecho de um dos livros sapienciais e trata-se de um conjunto de ditos de sabedoria. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter em aten\u00e7\u00e3o este aspeto numa leitura pausada e calma, lendo cada frase como mensagem de sabedoria que deve ser acolhida e compreendida.<\/p>\n<p>A <strong>segunda leitura<\/strong>, tal como \u00e9 habitual no epistol\u00e1rio paulino, apresenta frases longas que requerem uma boa respira\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o nas pausas para uma correta leitura do texto. As duas perguntas presentes no texto s\u00e3o introduzidas por um vocativo \u2013 \u00ab<em>\u00d3 morte<\/em>\u00bb \u2013 que requer uma entoa\u00e7\u00e3o adequada. Na leitura das perguntas, deve sempre evitar-se dar-se a entoa\u00e7\u00e3o interrogativa unicamente na palavra final e acentuar a proclama\u00e7\u00e3o da part\u00edcula interrogativa, neste caso a palavra \u00ab<em>onde<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Leitura-I-do-Domingo-VIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-02.03.2025-Sir-27-5-8.pdf\">Leitura I do Domingo VIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 02.03.2025 (Sir 27, 5-8)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Leitura-II-do-Domingo-VIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-02.03.2025-1-Cor-15-54-58.pdf\">Leitura II do Domingo VIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 02.03.2025 (1 Cor 15, 54-58)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Domingo-VIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-02.03.2025-Lecionario.pdf\">Domingo VIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 02.03.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Domingo-VIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-02.03.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo VIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 02.03.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Domingo-VIII-do-Tempo-Comum-Ano-C-02.03.2025-refletindo.pdf\">Domingo VIII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 02.03.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-VIII-TC.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo VIII TC<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo VII do Tempo Comum \u2013 Ano C \u2013 23 fevereiro 2025&#8243; tab_id=&#8221;1740994759439-1c3169a0-0c72&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo VII do Tempo Comum &#8211; Ano C \u2013 23 fevereiro 2025<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Domingo-VII.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"300\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No discurso da plan\u00edcie, Jesus continua a convidar os disc\u00edpulos a olhar para o alto, apontando a medida alta da santidade. Depois de proclamar as Bem-aventuran\u00e7as, Jesus continua a surpreender os seus ouvintes com a novidade das Suas palavras. \u00c9 f\u00e1cil imaginar o espanto dos ouvintes de Jesus, pois cada um de n\u00f3s, que j\u00e1 conhecemos e escut\u00e1mos estas palavras repetidas vezes, continuamos a sentir a radicalidade que elas comportam, pois, uma forma de agir como Jesus prop\u00f5e rompe com os normais crit\u00e9rios de justi\u00e7a onde aquele que ofende, agride ou insulta ao inv\u00e9s de ser admoestado e punido, parece encontrar espa\u00e7o para prosseguir a sua obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, Jesus desafia-nos a superar a l\u00f3gica humana de vingan\u00e7a diante do mal que nos infligem. \u00c9 verdade, que humanamente diante do mal e das ofensas que nos dirigem, somos tentados a reagir instintivamente, procurando infligir n\u00e3o um mal proporcional, mas tantas vezes um mal ainda maior para que o nosso desejo de justi\u00e7a fique satisfeito. Deste modo, o Povo de Israel tinha estabelecido a Lei de Tali\u00e3o que pressupunha um crit\u00e9rio de justi\u00e7a humana que previa que ao mal causado a algu\u00e9m se infligisse uma pena proporcional. Contudo, Jesus quer conduzir-nos ainda mais longe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus aponta-nos o caminho que devemos percorrer na rela\u00e7\u00e3o com os outros e n\u00e3o apenas na rela\u00e7\u00e3o com aqueles que nos s\u00e3o pr\u00f3ximos e que nos provocam situa\u00e7\u00f5es de bem-estar e contentamento. Jesus, conhecendo bem a nossa realidade humana, sabe que as rela\u00e7\u00f5es muitas vezes se perturbam por tantas contrariedades e surgem os conflitos e as contendas. Sendo assim, como deve ser a nossa rela\u00e7\u00e3o com quem nos faz mal, com quem nos ofende ou nos pede emprestado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As palavras de Jesus n\u00e3o s\u00e3o de modo nenhum um atentado contra a justi\u00e7a, mas o convite a viver as rela\u00e7\u00f5es humanas numa nova l\u00f3gica de perd\u00e3o, miseric\u00f3rdia e compaix\u00e3o. Na verdade, o Evangelho deste Domingo encontra-se ligado \u00e0 primeira leitura do primeiro livro de Samuel na tem\u00e1tica da rela\u00e7\u00e3o com inimigo. David, perseguido por Saul, no deserto de Zif, tem a possibilidade de atentar contra a vida de Saul, mas poupa-o porque \u00e9 o ungido do Senhor. Desafiado por Abisa\u00ed a cravar a lan\u00e7a em Saul, David recorda que o respeito pelo ungido do Senhor deve transcender a l\u00f3gica da inimizade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus eleva este desafio de superar a inimizade pelo amor \u00e0 plenitude e convida-nos a viver a miseric\u00f3rdia como lugar de transforma\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es: \u00ab<em>sede misericordiosos, como o vosso Pai \u00e9 misericordioso<\/em>\u00bb<em>.\u00a0<\/em>Aprender a amar e a perdoar s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel colocando o nosso olhar no Deus do amor e da miseric\u00f3rdia, afinando o nosso cora\u00e7\u00e3o de olhos fixos no cora\u00e7\u00e3o de Deus. Assim como vemos tantas vezes afinar uma guitarra ouvindo o som de uma outra afinada, tamb\u00e9m n\u00f3s, somos convidados a afinar o nosso cora\u00e7\u00e3o pela mais bela melodia que brota do cora\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, amar o inimigo tem uma val\u00eancia n\u00e3o tanto afectiva mas efectiva e concreta. Trata-se precisamente de realizar gestos concretos e actos de amor que respondam de modo novo a gestos de \u00f3dio e difama\u00e7\u00e3o, rompendo com a espiral de mal e viol\u00eancia. Mas isto exige uma disciplina do cora\u00e7\u00e3o e uma ascese da vontade. Por isso, \u00e9 imposs\u00edvel amar os inimigos sem rezar por eles, pois na ora\u00e7\u00e3o vejo o inimigo \u00e0 luz do mist\u00e9rio de Deus, olho para ele e reconhe\u00e7o nele a imagem e semelhan\u00e7a de Deus. J\u00e1 n\u00e3o olho para o outro como um inimigo ou advers\u00e1rio, mas como um irm\u00e3o e, por isso, sou desafiado a percorrer o caminho que prop\u00f5e S. Paulo: acolher na minha humanidade a imagem do homem celeste que Jesus imprime na nossa exist\u00eancia. Deste modo, poderemos proclamar com a nossa vida o que cantamos no salmo: \u00ab<em>O Senhor \u00e9 clemente e cheio de compaix\u00e3o<\/em>\u00bb. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 20 de fevereiro celebra-se a mem\u00f3ria lit\u00fargica dos Pastorinhos de F\u00e1tima: S. Francisco e S. Jacinta Marto. Sabemos como a devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora de F\u00e1tima e a venera\u00e7\u00e3o dos santos pastorinhos que viram Nossa Senhora est\u00e1 muito enraizada na f\u00e9 dos portugueses e, por isso, esta mem\u00f3ria pode ser uma oportunidade para um tempo de ora\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o inspirada na mensagem das apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima e no testemunho dos pastorinhos. Na catequese, a descoberta e a aprofundamento da vida dos santos, de modo particular destas duas crian\u00e7as que t\u00eam a idade de muitos dos nossos catequizandos, \u00e9 muito importante, porque faz incarnar no tempo e na hist\u00f3ria a mensagem evang\u00e9lica e testemunha a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade a que todos somos chamados pelo batismo e que se deve viver e concretizar em qualquer idade e condi\u00e7\u00e3o de vida.<em><strong> in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no <strong>Tempo Comum,<\/strong> continuamos um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> &#8211; <\/strong><strong>1 Samuel 26, 2.7-9.12-13.22-23<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nSaul, rei de Israel, p\u00f4s-se a caminho<br \/>\ne desceu ao deserto de Zif<br \/>\ncom tr\u00eas mil homens escolhidos de Israel,<br \/>\npara irem em busca de David no deserto.<br \/>\nDavid e Abisa\u00ed penetraram de noite no meio das tropas:<br \/>\nSaul estava deitado a dormir no acampamento,<br \/>\ncom a lan\u00e7a cravada na terra \u00e0 sua cabeceira;<br \/>\nAbner e a sua gente dormia \u00e0 volta dele.<br \/>\nEnt\u00e3o Abisa\u00ed disse a David:<br \/>\n\u00abDeus entregou-te hoje nas m\u00e3os o teu inimigo.<br \/>\nDeixa que de um s\u00f3 golpe eu o crave na terra com a sua lan\u00e7a<br \/>\ne n\u00e3o terei de o atingir segunda vez\u00bb.<br \/>\nMas David respondeu a Abisa\u00ed:<br \/>\n\u00abN\u00e3o o mates.<br \/>\nQuem poderia estender a m\u00e3o contra o ungido do Senhor<br \/>\ne ficar impune?\u00bb<br \/>\nDavid levou da cabeceira de Saul a lan\u00e7a e o cantil<br \/>\ne os dois foram-se embora.<br \/>\nNingu\u00e9m viu, ningu\u00e9m soube, ningu\u00e9m acordou.<br \/>\nTodos dormiam, por causa do sono profundo<br \/>\nque o Senhor tinha feito cair sobre eles.<br \/>\nDavid passou ao lado oposto<br \/>\ne ficou ao longe, no cimo do monte,<br \/>\nde sorte que uma grande dist\u00e2ncia os separava.<br \/>\nEnt\u00e3o David exclamou:<br \/>\n\u00abAqui est\u00e1 a lan\u00e7a do rei.<br \/>\nUm dos servos venha busc\u00e1-la.<br \/>\nO Senhor retribuir\u00e1 a cada um segundo a sua justi\u00e7a e fidelidade.<br \/>\nEle entregou-te hoje nas minhas m\u00e3os<br \/>\ne eu n\u00e3o quis atentar contra o ungido do Senhor\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro de Samuel (dividido em duas partes \u2013 1 Samuel e 2 Samuel) situa-nos no per\u00edodo hist\u00f3rico que vai de meados do s\u00e9c. XI a.C. at\u00e9 ao final do reinado de David (972 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira parte da obra (1 Sm 1,1 \u2013 7,17), os autores deuteronomistas apresentam-nos diversas tradi\u00e7\u00f5es referentes ao per\u00edodo pr\u00e9-mon\u00e1rquico. \u00c9 o tempo da instala\u00e7\u00e3o e da consolida\u00e7\u00e3o das tribos na terra de Canaan. \u00c9 uma \u00e9poca de escassa consci\u00eancia unit\u00e1ria, em que as diversas tribos v\u00e3o fortalecendo la\u00e7os, criando alian\u00e7as defensivas para resistir aos inimigos cananeus, assentando as bases da f\u00e9 monote\u00edsta \u00e0 volta de um Deus chamado Jav\u00e9. As figuras de refer\u00eancia das tribos s\u00e3o os \u201cju\u00edzes\u201d, pequenos l\u00edderes locais encarregados de administrar a justi\u00e7a no tribunal, mas que podiam assumir outras fun\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a e conduzir o ex\u00e9rcito das tribos nas guerras contra os cananeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda parte do livro de Samuel, narra-se o in\u00edcio da monarquia (1 Sm 8,1 \u2013 15,35). Dado que as institui\u00e7\u00f5es tribais se revelavam desadequadas para responder aos novos desafios da hist\u00f3ria, nomeadamente \u00e0 press\u00e3o militar exercida pelos filisteus, os l\u00edderes tribais quiseram experimentar o modelo mon\u00e1rquico. Fala-se na elei\u00e7\u00e3o do rei Saul e nos seus feitos. Contudo, essa primeira experi\u00eancia da monarquia terminou de forma tr\u00e1gica, quando Sa\u00fal e o seu filho J\u00f3natas morreram em luta contra os filisteus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na terceira parte do livro de Samuel descreve-se a ascens\u00e3o de David ao trono (1 Sm 16,1 \u2013 2 Sm 5,25). \u00c9 o tempo da consolida\u00e7\u00e3o da monarquia. Com David, pela primeira vez as doze tribos do Povo de Deus integram uma unidade pol\u00edtica, sob a autoridade de um rei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na quarta parte do livro de Samuel, os autores deuteronomistas apresentam um conjunto de tradi\u00e7\u00f5es sobre a realeza dav\u00eddica (2 Sm 6,1 \u2013 24,25), incluindo o longo e conturbado processo de sucess\u00e3o de David.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste s\u00e9timo domingo comum nos prop\u00f5e como primeira leitura integra a terceira parte do livro de Samuel, a que apresenta. Refere um epis\u00f3dio que precede a chegada de David ao poder. Escolhido por Deus, mas perseguido pelo ciumento rei Saul, David tem de fugir para salvar a sua vida, enquanto espera que se cumpram os des\u00edgnios de Deus. Saul tem not\u00edcias de que David est\u00e1 nos arredores da cidade de Zif (uma pequena cidade situada nas franjas do deserto de Jud\u00e1, a cerca de cinco quil\u00f3metros a sudeste de Hebron) e dirige-se para l\u00e1 com o seu ex\u00e9rcito. Acampa nos arredores da cidade. Aproveitando a noite, David e um dos seus guerreiros (Abisai) penetram no acampamento do ex\u00e9rcito de Saul, sem serem detetados, e encontram o rei a dormir. Como \u00e9 que David encara a oportunidade de se livrar, definitivamente, da persegui\u00e7\u00e3o que o seu inimigo lhe move? Aceitar\u00e1 vingar-se? A hist\u00f3ria passa-se por volta de 1015 a.C., pouco antes da morte de Saul \u00e0s m\u00e3os dos filisteus.<strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A hist\u00f3ria dos homens est\u00e1 profundamente marcada pela viol\u00eancia. Pensa-se muitas vezes que a viol\u00eancia \u00e9 a forma mais eficaz para resolver as diferen\u00e7as e os conflitos; considera-se, por outro lado, que s\u00f3 recorrendo \u00e0 viol\u00eancia \u00e9 poss\u00edvel travar o aventureirismo dos agressores de servi\u00e7o, empenhados em reescrever em seu favor a hist\u00f3ria do mundo. Para onde nos tem levado esta l\u00f3gica? A hist\u00f3ria recente conheceu duas guerras mundiais que se saldaram em muitos milh\u00f5es de mortos e numa destrui\u00e7\u00e3o que deixou marcas por toda a terra\u2026 Mas, apesar das li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria, n\u00e3o mudamos muito a nossa l\u00f3gica. Em pleno s\u00e9c. XXI continuamos a alimentar conflitos e guerras desumanas, numa espiral de viol\u00eancia e \u00f3dio que passa de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o e parece n\u00e3o ter fim. Por cima de tudo isto, paira o espectro de um holocausto nuclear que pode acabar com a civiliza\u00e7\u00e3o e a vida na terra. Mergulhados neste cen\u00e1rio, continuamos a acreditar que a viol\u00eancia \u00e9 o caminho para fazer nascer um mundo mais livre, mais justo e mais humano? N\u00e3o ser\u00e1 a hora de escolhermos outros caminhos para resolver as diferen\u00e7as e os conflitos de interesses que separam os povos?<\/li>\n<li>A mesma reflex\u00e3o deve ser aplicada \u00e0 nossa vida pessoal\u2026. Lidamos a cada passo com pessoas com quem estamos em desacordo. Muitas vezes esse desacordo ultrapassa-se atrav\u00e9s do di\u00e1logo civilizado ou simplesmente pela aceita\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as. Mas, algumas vezes, o desacordo torna-se conflito aberto, discuss\u00e3o agressiva, talvez mesmo viol\u00eancia de palavras e de gestos. Isto pode acontecer at\u00e9 no espa\u00e7o da nossa conviv\u00eancia familiar e envolver pessoas que amamos profundamente. Frequentemente a agressividade que imprimimos \u00e0s palavras e aos gestos deixa feridas profundas, dif\u00edceis de curar. Posicionamo-nos numa espiral de intransig\u00eancia e de orgulho ferido que nos deixa num beco sem sa\u00edda e que mina as rela\u00e7\u00f5es. Como \u00e9 que lidamos com aqueles que est\u00e3o em desacordo connosco? Como \u00e9 que resolvemos as diferen\u00e7as que nos separam? Deixamo-nos cegar pelo orgulho e procuramos vencer a todo o custo, mesmo humilhando ou magoando a pessoa com quem entramos em conflito? A nossa l\u00f3gica, quando nos sentimos amea\u00e7ados e provocados, \u00e9 a do \u201colho por olho, dente por dente\u201d, ou \u00e9 a l\u00f3gica do perd\u00e3o, da reconcilia\u00e7\u00e3o, do amor?<\/li>\n<li>A sociedade contempor\u00e2nea tem mecanismos legais para lidar com aqueles que atuam com agressividade, que usam a viol\u00eancia para garantir os seus interesses pr\u00f3prios ou para alterar uma ordem social que se recusam a aceitar. Esses mecanismos legais que protegem a ordem estabelecida ser\u00e3o sempre proporcionais e equilibrados? A sociedade ter\u00e1 o direito de tirar legalmente a vida a algu\u00e9m para proteger a ordem ou para vingar uma falta, seja ela qual for? \u00c0 luz da Palavra de Deus que neste domingo somos convidados a escutar, podemos aceitar que a pena de morte seja uma medida adequada para lidar com a viol\u00eancia e a agressividade?<\/li>\n<li>David recusa-se a aceitar o assass\u00ednio de Saul, pois ele, independentemente das suas a\u00e7\u00f5es, \u00e9 o \u201cungido de Deus\u201d. Ningu\u00e9m, a n\u00e3o ser Deus, tem o direito de tirar a vida a algu\u00e9m. Cada homem e cada mulher \u00e9 um \u201cungido de Deus\u201d e deve ser respeitado na sua vida, nos seus direitos e na sua dignidade, desde que nasce at\u00e9 que chegue o momento de entregar a sua vida ao Deus que o criou. Hoje, apesar de todas as solenes declara\u00e7\u00f5es sobre direitos humanos, temos facilidade em menosprezar a vida e a dignidade das pessoas. Quando privamos algu\u00e9m de vida digna, estaremos a respeitar o projeto de Deus? Quando aprovamos leis que banalizam a morte, estaremos a respeitar o projeto de Deus? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 102 (103)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: O Senhor \u00e9 clemente e cheio de compaix\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Senhor, sois um Deus clemente e compassivo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bendiz, \u00f3 minha alma, o Senhor<br \/>\ne todo o meu ser bendiga o seu nome santo.<br \/>\nBendiz, \u00f3 minha alma, o Senhor<br \/>\ne n\u00e3o esque\u00e7as nenhum dos seus benef\u00edcios.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele perdoa todos os teus pecados<br \/>\ne cura as tuas enfermidades;<br \/>\nsalva da morte a tua vida<br \/>\ne coroa-te de gra\u00e7a e miseric\u00f3rdia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor \u00e9 clemente e compassivo,<br \/>\npaciente e cheio de bondade;<br \/>\nn\u00e3o nos tratou segundo os nossos pecados,<br \/>\nnem nos castigou segundo as nossas culpas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como o Oriente dista do Ocidente,<br \/>\nassim Ele afasta de n\u00f3s os nossos pecados;<br \/>\ncomo um pai se compadece dos seus filhos,<br \/>\nassim o Senhor Se compadece dos que O temem.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>1 Cor\u00edntios 15, 45-49<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nO primeiro homem, Ad\u00e3o, foi criado como um ser vivo;<br \/>\no \u00faltimo Ad\u00e3o tornou-se um esp\u00edrito que d\u00e1 vida.<br \/>\nO primeiro n\u00e3o foi o espiritual, mas o natural;<br \/>\ndepois \u00e9 que veio o espiritual.<br \/>\nO primeiro homem, tirado da terra, \u00e9 terreno;<br \/>\no segundo homem veio do C\u00e9u.<br \/>\nO homem que veio da terra<br \/>\n\u00e9 o modelo dos homens terrenos;<br \/>\nO homem que veio do C\u00e9u<br \/>\n\u00e9 o modelo dos homens celestes.<br \/>\nE assim como trouxemos em n\u00f3s a imagem do homem terreno,<br \/>\nprocuremos tamb\u00e9m trazer em n\u00f3s a imagem do homem celeste.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi f\u00e1cil a aclimata\u00e7\u00e3o do cristianismo \u00e0 realidade cultural e religiosa do mundo grego. A brilhante cultura grega funcionava segundo padr\u00f5es que, em muitos casos, estavam bem distantes da mentalidade semita e dos valores do Evangelho de Jesus. A primeira carta de Paulo aos cor\u00edntios \u00e9 certamente o texto neotestament\u00e1rio onde o confronto entre os valores crist\u00e3os e os valores hel\u00e9nicos \u00e9 mais not\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o da ressurrei\u00e7\u00e3o era uma das que levantava s\u00e9rias d\u00favidas aos cor\u00edntios. Para a cultura judaica, a quest\u00e3o da ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos n\u00e3o era especialmente problem\u00e1tica, pois considerava-se o ser humano como um todo indivis\u00edvel; mas para a cultura grega, fortemente influenciada por filosofias dualistas (como a filosofia de Plat\u00e3o, por esta altura muito em voga) que viam no corpo uma realidade negativa e na alma uma realidade ideal e nobre, a ressurrei\u00e7\u00e3o do homem integral era um absurdo. Como \u00e9 que o corpo, realidade material que aprisionava a alma e a impedia de subir ao mundo ideal, poderia seguir a alma quando ela se elevasse ao mundo espiritual?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo, questionado sobre esta problem\u00e1tica, apresenta a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos como uma das verdades fundamentais da f\u00e9 crist\u00e3. Come\u00e7a por lembrar aos cor\u00edntios a f\u00e9 que lhes anunciou e que eles aceitaram; ora, no centro dessa f\u00e9 est\u00e1 a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, realidade j\u00e1 prevista nas Escrituras, mas que foi realmente testemunhada por Cefas, pelos Doze, por \u201cmais de quinhentos irm\u00e3os\u201d e pelo pr\u00f3prio Paulo (cf. 1Cor 15,1-11). Ora, se Cristo ressuscitou, tamb\u00e9m n\u00f3s havemos de ressuscitar: a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo garante a ressurrei\u00e7\u00e3o de todos aqueles que vivem em Cristo e participam da vida de Cristo (cf. 1Cor 15,12-34). Outra quest\u00e3o \u00e9 a do \u201cmodo\u201d como ressuscitaremos: \u201ccomo ressuscitam os mortos? Com que corpo regressam?\u201d (1Cor 15,35). Paulo evitando as representa\u00e7\u00f5es extravagantes e algo folcl\u00f3ricas do juda\u00edsmo \u2013 que falavam da ressurrei\u00e7\u00e3o como uma recupera\u00e7\u00e3o do corpo e da vida que cada um tinha enquanto estava na terra \u2013 tenta responder a estas quest\u00f5es (cf. 1Cor 15,35-53). <strong><em>in Dehonianos <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>De acordo com Paulo, o autor do texto da Carta aos Cor\u00edntios que hoje lemos, a ressurrei\u00e7\u00e3o deve ser encarada como a passagem para uma nova vida, onde continuaremos a ser n\u00f3s pr\u00f3prios, mas sem os limites que a materialidade do nosso corpo nos imp\u00f5e. Ser\u00e1 a vida em plenitude ou, como diz Karl Rahner, \u201ca transposi\u00e7\u00e3o no modo de plenitude daquilo que agora vivemos no modo de defici\u00eancia\u201d. A morte \u00e9 o fim da vida; mas fim entendido como meta alcan\u00e7ada, como plenitude atingida, como nascimento para um mundo infinito, como termo final do processo de hominiza\u00e7\u00e3o, como realiza\u00e7\u00e3o total da utopia da vida plena, como mergulho definitivo no horizonte infinito de Deus. Vivemos conscientes de que \u201ca vida n\u00e3o \u00e9 aqui\u201d e que o melhor \u2013 a nossa plena realiza\u00e7\u00e3o, a nossa identifica\u00e7\u00e3o total com o Homem novo, o encontro com a felicidade sem fim \u2013 est\u00e1 para vir?<\/li>\n<li>Encarar a morte f\u00edsica como o momento do encontro com a vida plena, permite-nos ver cada passo que damos na terra a uma nova luz. Ajuda-nos a ver as realidades deste mundo como n\u00e3o definitivas; faz-nos apreciar as coisas bonitas que encontramos na terra sem as absolutizarmos; liberta-nos do medo que paralisa, que nos impede de agir e de nos comprometermos; d\u00e1-nos coragem para enfrentar as for\u00e7as de morte que oprimem os homens e escurecem o mundo; ilumina cada passo do nosso caminho com as cores da alegria, da harmonia, da serenidade e da paz\u2026 A certeza da ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 para n\u00f3s fonte de esperan\u00e7a?<\/li>\n<li>A nossa identifica\u00e7\u00e3o com Cristo come\u00e7a no batismo e continua depois, pela vida fora, nesse caminho de disc\u00edpulos que somos chamados a percorrer atr\u00e1s de Jesus. \u00c0 medida que caminhamos e nos identificamos com Jesus, vai nascendo esse \u201chomem espiritual\u201d de que Paulo de Tarso fala e que irromper\u00e1 definitivamente quando o nosso caminho nesta terra terminar. O nosso caminho aqui na terra \u00e9 um caminho de identifica\u00e7\u00e3o com Jesus? Caminhamos com Ele, escutamos e acolhemos as suas indica\u00e7\u00f5es, assumimos o seu estilo de vida, aprendemos com Ele a amar at\u00e9 ao extremo? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 6,27-38<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus falou aos seus disc\u00edpulos, dizendo:<br \/>\n\u00abDigo-vos a v\u00f3s que Me escutais:<br \/>\nAmai os vossos inimigos,<br \/>\nfazei bem aos que vos odeiam;<br \/>\naben\u00e7oai os que vos amaldi\u00e7oam,<br \/>\norai por aqueles que vos injuriam.<br \/>\nA quem te bater numa face, apresenta-lhe tamb\u00e9m a outra;<br \/>\ne a quem te levar a capa, deixa-lhe tamb\u00e9m a t\u00fanica.<br \/>\nD\u00e1 a todo aquele que te pedir<br \/>\ne ao que levar o que \u00e9 teu, n\u00e3o o reclames.<br \/>\nComo quereis que os outros vos fa\u00e7am,<br \/>\nfazei-lho v\u00f3s tamb\u00e9m.<br \/>\nSe amais aqueles que vos amam,<br \/>\nque agradecimento mereceis?<br \/>\nTamb\u00e9m os pecadores amam aqueles que os amam.<br \/>\nSe fazeis bem aos que vos fazem bem,<br \/>\nque agradecimento mereceis?<br \/>\nTamb\u00e9m os pecadores fazem o mesmo.<br \/>\nE se emprestais \u00e0queles de quem esperais receber,<br \/>\nque agradecimento mereceis?<br \/>\nTamb\u00e9m os pecadores emprestam aos pecadores,<br \/>\na fim de receberem outro tanto.<br \/>\nV\u00f3s, por\u00e9m, amai os vossos inimigos,<br \/>\nfazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca.<br \/>\nEnt\u00e3o ser\u00e1 grande a vossa recompensa<br \/>\ne sereis filhos do Alt\u00edssimo,<br \/>\nque \u00e9 bom at\u00e9 para os ingratos e os maus.<br \/>\nSede misericordiosos,<br \/>\ncomo o vosso Pai \u00e9 misericordioso.<br \/>\nN\u00e3o julgueis e n\u00e3o sereis julgados.<br \/>\nN\u00e3o condeneis e n\u00e3o sereis condenados.<br \/>\nPerdoai e sereis perdoados.<br \/>\nDai e dar-se-vos-\u00e1:<br \/>\ndeitar-vos-\u00e3o no rega\u00e7o uma boa medida,<br \/>\ncalcada, sacudida, a transbordar.<br \/>\nA medida que usardes com os outros<br \/>\nser\u00e1 usada tamb\u00e9m convosco\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus tinha passado a noite em ora\u00e7\u00e3o num monte n\u00e3o identificado da Galileia: Ele falava sempre com o Pai antes de tomar decis\u00f5es importantes. Depois de o dia nascer, tinha reunido os disc\u00edpulos e escolhido Doze de entre eles. Chamara-os \u201cap\u00f3stolos\u201d (cf. Lc 6,12-16), que quer dizer \u201cenviados\u201d. Era o grupo dos mais pr\u00f3ximos de Jesus, dos que se identificavam mais com o projeto do Reino. Eles representavam o novo Povo de Deus, a comunidade da nova Alian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descendo do monte, acompanhado pelos disc\u00edpulos, Jesus tinha encontrado, \u00e0 sua espera, \u201cuma grande multid\u00e3o de toda a Judeia, de Jerusal\u00e9m e do litoral de Tiro e S\u00eddon, que acorrera para o ouvir e ser curada dos seus males\u201d (Lc 6,17-18). Era gente que desejava ardentemente conhecer a proposta que Jesus trazia. Os disc\u00edpulos tamb\u00e9m estavam ali. Dirigindo-se a todos, Jesus pronunciou uma longa \u201cinstru\u00e7\u00e3o\u201d (cf. Lc 6,20-49). Nela definia o caminho que deviam seguir todos os que estavam interessados em fazer parte da comunidade do Reino de Deus. Essa \u201cinstru\u00e7\u00e3o\u201d ficou conhecida como o \u201cserm\u00e3o da plan\u00edcie\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste s\u00e9timo domingo comum nos convida a escutar como Evangelho, \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do \u201cserm\u00e3o da plan\u00edcie\u201d. Define os tra\u00e7os fundamentais da identidade do verdadeiro disc\u00edpulo. De acordo com Jesus, o \u201camor\u201d \u2013 o amor gratuito, incondicional, ilimitado, sem fronteiras \u2013 est\u00e1 no centro dessa identidade. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>H\u00e1 vinte s\u00e9culos que andamos a caminhar com Jesus. H\u00e1 vinte s\u00e9culos que andamos a escutar a sua proposta de um mundo mais humano e mais fraterno. H\u00e1 vinte s\u00e9culos que Jesus nos convida a colocar o amor no princ\u00edpio, no meio e no fim de todas as nossas constru\u00e7\u00f5es. H\u00e1 vinte s\u00e9culos que nos sentimos desafiados pelo seu mandamento de amar todos, sem exce\u00e7\u00e3o, incluindo os inimigos, os que nos odeiam, os que nos amaldi\u00e7oam, os que nos injuriam. Dizemo-nos \u201ccrist\u00e3os\u201d, mas achamos que Jesus nos pede coisas imposs\u00edveis, impratic\u00e1veis e at\u00e9 mesmo perigosas. No fundo, n\u00e3o acreditamos em Jesus, n\u00e3o confiamos nas \u201csolu\u00e7\u00f5es\u201d que Ele prop\u00f5e. Estamos convencidos de que as nossas solu\u00e7\u00f5es \u2013 que passam pela resposta musculada a quem pratica o mal, pela vingan\u00e7a contra aqueles que nos ofenderam, pelo castigo daqueles que praticam a\u00e7\u00f5es conden\u00e1veis, pela repress\u00e3o daqueles que contestam as nossas certezas e seguran\u00e7as \u2013 s\u00e3o as mais adequadas para tornar o mundo um lugar mais seguro, mais justo e mais feliz. Ser\u00e1 assim? Onde nos t\u00eam levado as \u201csolu\u00e7\u00f5es\u201d que a nossa l\u00f3gica humana considera mais eficazes? O mundo torna-se um lugar melhor quando respondemos \u00e0 maldade com solu\u00e7\u00f5es de \u00f3dio e n\u00e3o com solu\u00e7\u00f5es de amor?<\/li>\n<li>O que \u00e9 que significa amar os nossos inimigos? Somos obrigados a ser amigos de quem nos faz mal? Jesus exigir\u00e1 que nos demos bem com os violentos, os injustos, os que nos agridem sem motivo? Amor e simpatia s\u00e3o coisas diferentes. A afinidade, o afeto, a empatia, a inclina\u00e7\u00e3o, a atra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o fruto de uma decis\u00e3o consciente, mas s\u00e3o algo que surge espontaneamente entre duas pessoas que se querem bem. Quando Jesus nos convida a amar os inimigos, est\u00e1 a pedir outra coisa: est\u00e1 a pedir que n\u00e3o nos deixemos vencer pelo \u00f3dio e pelo desejo de vingan\u00e7a, que n\u00e3o cortemos as pontes do di\u00e1logo e do entendimento, que n\u00e3o nos recusemos definitivamente a acolher a pessoa que nos magoou, que n\u00e3o evitemos dar o primeiro passo para ir ao encontro de quem errou, que n\u00e3o neguemos \u00e0 outra pessoa a possibilidade de sair da sua triste situa\u00e7\u00e3o e de come\u00e7ar uma vida nova\u2026 Seremos capazes de tratar o nosso irm\u00e3o que errou com humanidade, sem o condenar definitivamente?<\/li>\n<li>Quando Jesus diz aos disc\u00edpulos \u201ca quem te bater numa face, apresenta-lhe tamb\u00e9m a outra, e a quem te levar a capa, deixa-lhe tamb\u00e9m a t\u00fanica\u201d, estar\u00e1 a pedir que assumamos uma atitude passiva e conivente com as injusti\u00e7as e arbitrariedades que sofremos ou que testemunhamos? Devemos simplesmente cruzar os bra\u00e7os e deixar que a l\u00f3gica da viol\u00eancia e da maldade atuem no mundo e tomem conta dele? \u00c9 claro que n\u00e3o. Ao dizer isso, o que Jesus est\u00e1 a pedir \u00e9 que encontremos formas evang\u00e9licas de intervir para travar a injusti\u00e7a, a viol\u00eancia, a agressividade. As solu\u00e7\u00f5es que alimentem a espiral da viol\u00eancia e da morte (o recurso \u00e0s armas, a agressividade, o \u00f3dio, a mentira\u2026) nunca ser\u00e3o respaldadas por Jesus; mas a passividade indiferente tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o que Jesus preconiza para lidar com o mal. Como \u00e9 que reagimos \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 maldade?<\/li>\n<li>O \u00f3dio, o desejo de vingan\u00e7a, a vontade de responder violentamente a quem nos agrediu, s\u00e3o \u201crespostas\u201d espont\u00e2neas diante da maldade que nos atinge ou que atinge os irm\u00e3os que caminham ao nosso lado. S\u00e3o sentimentos de que nem sempre podemos alhear-nos quando estamos feridos e magoados. Mas n\u00e3o podem ser sentimentos que guardamos, que alimentamos e que armazenamos por tempo indefinido. Se o fizermos, eles desgastam-nos, envenenam-nos lentamente, destroem o nosso equil\u00edbrio e a nossa paz, impedem-nos de ultrapassar os momentos maus, de curar as feridas, de refazer a nossa vida. Tem de haver uma altura em que nos entregamos \u00e0 l\u00f3gica do amor e nos decidimos pelo perd\u00e3o. O perd\u00e3o regenera-nos e permite-nos continuar em frente, reinventando a nossa vida. O \u00f3dio, o ressentimento, a decis\u00e3o de n\u00e3o perdoar a quem nos ofendeu s\u00e3o realidades que cultivamos e que marcam a nossa hist\u00f3ria de vida? Sentimo-nos bem com elas? Caminhamos em paz com esse peso sobre a nossa cabe\u00e7a e sobre o nosso cora\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>Jesus pede-nos que n\u00e3o julguemos e n\u00e3o condenemos os nossos irm\u00e3os. No entanto, apresentamo-nos facilmente como ju\u00edzes implac\u00e1veis que, sem terem todos os dados na m\u00e3o, decidem quem \u00e9 culpado, apontam o dedo, colocam r\u00f3tulos, destroem vidas e reputa\u00e7\u00f5es, decidem quem deve ser salvo e quem deve ser condenado. As redes sociais, os f\u00f3runs de discuss\u00e3o online, a pra\u00e7a p\u00fablica, s\u00e3o muitas vezes os \u201ctribunais\u201d onde essa pseudo justi\u00e7a \u00e9 posta em pr\u00e1tica, sem miseric\u00f3rdia. Temos o direito de proceder dessa forma? A \u201cjusti\u00e7a\u201d que aplicamos assim n\u00e3o ser\u00e1 antes uma violenta injusti\u00e7a?<\/li>\n<li>A grande, a suprema raz\u00e3o pela qual Jesus nos convida a perdoar, a amar quem nos odeia e insulta, \u00e9 o facto de sermos filhos de um Deus que \u00e9 amor. A cada instante fazemos a experi\u00eancia da bondade, da miseric\u00f3rdia, da ternura de Deus. Refugiamo-nos em caminhos de autossufici\u00eancia, fazemos escolhas disparatadas, deixamos que o ego\u00edsmo tome conta da nossa vida; mas Deus est\u00e1 sempre ao nosso lado, como um pai cheio de amor, de bra\u00e7os abertos para nos acolher, para nos levar para a sua festa, para nos oferecer a possibilidade de come\u00e7ar tudo de novo. Poderemos, com a nossa intransig\u00eancia, com a nossa intoler\u00e2ncia, com a nossa rigidez, apresentarmo-nos ao mundo como filhos de um Deus que ama sem medida e sem condi\u00e7\u00f5es? Que testemunho \u00e9 que damos ao mundo do Deus misericordioso em quem acreditamos e de quem somos filhos? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>primeira leitura<\/strong> deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o os nomes pr\u00f3prios que apresentam maior dificuldade na pronuncia\u00e7\u00e3o: \u00abZif\u00bb, \u00abAbisa\u00ed\u00bb e \u00abAbner\u00bb. Para uma eficaz proclama\u00e7\u00e3o, deve ser tido em conta o tom narrativo da leitura e a respetiva articula\u00e7\u00e3o entre o discurso direto e o restante texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mensagem da <strong>segunda leitura<\/strong> est\u00e1 constru\u00edda pelo contraponto entre \u00ab<em>O primeiro homem, Ad\u00e3o<\/em>\u00bb e \u00ab<em>o \u00faltimo Ad\u00e3o<\/em>\u00bb. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter em aten\u00e7\u00e3o esta constru\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e exige uma leitura cuidada para que este contraste nos conduza \u00e0 conclus\u00e3o da leitura que sintetiza a mensagem do texto: \u00ab<em>e assim como trouxemos em n\u00f3s a imagem do homem terreno, traremos tamb\u00e9m em n\u00f3s a imagem do homem celeste<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Leitura-I-do-Domingo-VII-do-Tempo-Comum-Ano-C-23.02.2025-1-Samuel-26-2.7-9.12-13.22-23.pdf\">Leitura I do Domingo VII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 23.02.2025 (1 Samuel 26, 2.7-9.12-13.22-23)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Resto-da-Leitura-I-e-Leitura-II-do-Domingo-VII-do-Tempo-Comum-Ano-C-23.02.2025-1-Cor-15-45-49.pdf\">Resto da Leitura I e Leitura II do Domingo VII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 23.02.2025 (1 Cor 15, 45-49)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Domingo-VII-do-Tempo-Comum-Ano-C-23.02.2025-Lecionario.pdf\">Domingo VII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 23.02.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Domingo-VII-do-Tempo-Comum-Ano-C-23.02.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo VII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 23.02.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Domingo-VII-do-Tempo-Comum-Ano-C-23.02.2025-refletindo.pdf\">Domingo VII do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 23.02.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-VII-TC.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo VII TC<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo VI do Tempo Comum \u2013 Ano C \u2013 16 fevereiro 2025&#8243; tab_id=&#8221;1740391014943-d288a6c3-a5b0&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano C \u2013 16 fevereiro 2025<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Domingo-VI.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"350\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como crist\u00e3os somos chamados a inscrever a nossa exist\u00eancia num horizonte de f\u00e9 e de esperan\u00e7a que nos projeta para l\u00e1 da autossufici\u00eancia do presente e nos faz entrar na l\u00f3gica da confian\u00e7a naquele que tudo sustenta e que transforma as nossas vidas em lugares fecundos, com ra\u00edzes voltadas para a corrente e uma folhagem verde, onde se podem entrever saborosos e abundantes frutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta Isa\u00edas confirma esta certeza, convidando-nos a abandonar a nossa l\u00f3gica fal\u00edvel de confian\u00e7a unicamente nas nossas for\u00e7as para nos abandonarmos nas m\u00e3os Daquele que nunca nos abandona:\u00a0<em>\u00abMaldito quem confia no homem<\/em>. (\u2026)\u00a0<em>Bendito quem confia no Senhor\u00bb<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos herdeiros da vida nova que brota da P\u00e1scoa de Cristo e, interpelados por S. Paulo na sua primeira carta aos Cor\u00edntios, reconhecemos que n\u00e3o \u00e9 v\u00e3 a nossa f\u00e9, porque sabemos que a nossa esperan\u00e7a n\u00e3o se esgota no tempo presente. A nossa vida est\u00e1 inscrita nesse horizonte de vida e eternidade para onde a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo nos projeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, somos felizes! Somos bem-aventurados! Somos convocados para viver a lei nova do amor, j\u00e1 n\u00e3o inscrita em t\u00e1buas de pedra, mas gravada no cora\u00e7\u00e3o renovado e transformado pela for\u00e7a vivificante da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. J\u00e1 n\u00e3o se trata de uma lei apof\u00e1tica, que nos recorda aquilo que n\u00e3o devemos fazer, mas uma lei nova que Jesus proclama na plan\u00edcie, uma lei de m\u00e1ximos, que nos faz olhar a medida alta da santidade, o caminho exigente de quem se disponibiliza para o acontecer de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Evangelho de Lucas, Jesus proclama quatro bem-aventuran\u00e7as: \u00ab<em>bem-aventurados v\u00f3s, os pobres<\/em>\u00bb, \u00ab<em>bem-aventurados v\u00f3s que agora tendes fome<\/em>\u00bb, \u00ab<em>bem-aventurados v\u00f3s que agora chorais<\/em>\u00bb, e \u00ab<em>bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem<\/em>\u00bb e contrap\u00f5es a estas bem-aventuran\u00e7as quatro advert\u00eancias: \u00ab<em>ai de v\u00f3s, os ricos<\/em>\u00bb, \u00ab<em>ai de v\u00f3s, que agora estais saciados<\/em>\u00bb, \u00ab<em>ai de v\u00f3s que rides agora<\/em>\u00bb e \u00ab<em>ai de v\u00f3s quando todos os homens vos elogiarem<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez mais estamos diante desta passagem da nossa l\u00f3gica humana de autossufici\u00eancia para a confian\u00e7a no Deus que enriquece a nossa pobreza, sacia a nossa fome, enxuga as nossas l\u00e1grimas e derrama sobre n\u00f3s o amor que vence o \u00f3dio e a viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As bem-aventuran\u00e7as s\u00e3o o como afirma o Papa Francisco: \u00ab<em>o bilhete de identidade do crist\u00e3o<\/em>\u00bb e, por isso, continua o Santo Padre: \u00ab<em>se um de n\u00f3s se questionar sobre \u201ccomo fazer para chegar a ser um bom crist\u00e3o?\u201d, a resposta \u00e9 simples: \u00e9 necess\u00e1rio fazer \u2013 cada qual a seu modo \u2013 aquilo que Jesus disse no serm\u00e3o das bem-aventuran\u00e7as.\u00a0Nelas est\u00e1 delineado o rosto do Mestre, que somos chamados a deixar transparecer no dia-a-dia da nossa vida. A palavra \u00abfeliz\u00bb ou \u00abbem-aventurado\u00bb torna-se sin\u00f3nimo de \u00absanto\u00bb, porque expressa que a pessoa fiel a Deus e que vive a sua Palavra alcan\u00e7a, na doa\u00e7\u00e3o de si mesma, a verdadeira felicidade<\/em>\u00bb (GE 63-64)<em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, s\u00f3 Jesus \u00e9 o Bem-aventurado por excel\u00eancia. \u00c9 Ele o pobre em Esp\u00edrito que inaugura no tempo e na hist\u00f3ria o Reino de Deus. Ele que teve fome no deserto e sede no alto da Cruz, quer saciar a nossa fome e sede e oferece o Seu Corpo como alimento e o Seu Sangue como bebida verdadeira. \u00c9 Ele que assume sobre si as nossas dores e, chorando connosco, enxuga as nossas l\u00e1grimas e anuncia o mist\u00e9rio da consola\u00e7\u00e3o. Ele, que foi odiado, rejeitado e insultado por amor do Reino dos C\u00e9us, fortalece a nossa caminhada na exigente tarefa de ser testemunha do Seu amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, coloquemos o nosso olhar em Jesus de Nazar\u00e9, Aquele que nos convida depositar as nossas vidas nas Suas m\u00e3os, para que a nossa exist\u00eancia possa fazer ecoar no mundo a melodia que cant\u00e1mos no Salmo deste Domingo: \u00ab<em>Feliz o homem que p\u00f4s a sua esperan\u00e7a no Senhor<\/em>\u00bb. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia <strong>11 de fevereiro<\/strong>, mem\u00f3ria de Nossa Senhora de Lourdes, celebra-se o <strong>Dia Mundial do Doente<\/strong>. <strong>\u00c9 j\u00e1 o XXXIII Dia Mundial do Doente.<\/strong> Este dia \u00e9 uma oportunidade para as comunidades para uma celebra\u00e7\u00e3o ou algum momento de conv\u00edvio com os doentes da comunidade, ou qualquer outro gesto de proximidade com quantos se encontram numa situa\u00e7\u00e3o de fragilidade. Inspirados nas palavras do Papa Francisco ser\u00e1 importante sensibilizar os fi\u00e9is para uma renovada cultura do cuidado: \u00ab<em>o primeiro cuidado de que necessitamos na doen\u00e7a \u00e9 uma proximidade cheia de compaix\u00e3o e ternura. Por isso, cuidar do doente significa, antes de mais nada, cuidar das suas rela\u00e7\u00f5es, de todas as suas rela\u00e7\u00f5es: com Deus, com os outros \u2013 familiares, amigos, profissionais de sa\u00fade \u2013, com a cria\u00e7\u00e3o, consigo mesmo<\/em>\u00bb. <strong>(da Mensagem do Papa Francisco para este dia \u2013 ver Mensagem em anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no <strong>Tempo Comum,<\/strong> continuamos um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I <\/strong><strong>\u2013<\/strong> <strong>Jeremias 17, 5-8<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eis o que diz o Senhor:<br \/>\n\u00abMaldito quem confia no homem<br \/>\ne p\u00f5e na carne toda a sua esperan\u00e7a,<br \/>\nafastando o seu cora\u00e7\u00e3o do Senhor.<br \/>\nSer\u00e1 como o cardo na estepe<br \/>\nque nem percebe quando chega a felicidade:<br \/>\nhabitar\u00e1 na aridez do deserto,<br \/>\nterra salobre, onde ningu\u00e9m habita.<br \/>\nBendito quem confia no Senhor<br \/>\ne p\u00f5e no Senhor a sua esperan\u00e7a.<br \/>\n\u00c9 como a \u00e1rvore plantada \u00e0 beira da \u00e1gua,<br \/>\nque estende as suas ra\u00edzes para a corrente:<br \/>\nnada tem a temer quando vem o calor<br \/>\ne a sua folhagem mant\u00e9m-se sempre verde;<br \/>\nem ano de estiagem n\u00e3o se inquieta<br \/>\ne n\u00e3o deixa de produzir os seus frutos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jeremias nasceu em Anatot, uma pequena cidade lev\u00edtica situada nas proximidades de Jerusal\u00e9m, por volta de 650 a.C.; e exerceu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica desde 627\/626 a.C., at\u00e9 depois da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m pelos Babil\u00f3nios (586 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00e9poca de Jeremias \u00e9 uma \u00e9poca de grande instabilidade pol\u00edtica e social. Quando Jeremias assumiu a miss\u00e3o prof\u00e9tica, o rei Josias estava a concretizar uma grande reforma religiosa destinada a banir do pa\u00eds os cultos aos deuses estrangeiros, depois de d\u00e9cadas de infidelidade a Deus e de sincretismo religioso. Jeremias, nessa fase, envolveu-se na reforma religiosa de Josias, exortando os habitantes de Jud\u00e1 a converterem-se e a serem fi\u00e9is a Jav\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, em 609 a.C. Josias foi morto em Megido, em combate contra os eg\u00edpcios. Depois de uns meses de instabilidade, o trono de Jud\u00e1 foi ocupado por Joaquim (609-597 a.C.). Jud\u00e1 voltou a trilhar caminhos de incerteza e inseguran\u00e7a. As injusti\u00e7as sociais, \u00e0s vezes fomentadas pelo pr\u00f3prio rei, fragilizavam irremediavelmente o tecido social de Jud\u00e1; a pol\u00edtica de alian\u00e7as militares com pot\u00eancias estrangeiras, punha em risco a independ\u00eancia nacional. Jeremias entendia, al\u00e9m disso, que ao colocarem a esperan\u00e7a da na\u00e7\u00e3o em ex\u00e9rcitos estrangeiros, os l\u00edderes de Jud\u00e1 estavam a mostrar que n\u00e3o confiavam em Deus. Convencido de que Jud\u00e1 tinha ultrapassado todas as marcas, Jeremias anunciou, a dada altura, a imin\u00eancia de uma invas\u00e3o babil\u00f3nica que castigaria os pecados da na\u00e7\u00e3o. As previs\u00f5es funestas de Jeremias concretizaram-se: em 597 a.C., Nabucodonosor invadiu Jud\u00e1 e deportou para a Babil\u00f3nia uma parte da popula\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No trono de Jud\u00e1 ficou, ent\u00e3o, Sedecias (597-586 a.C.). Inicialmente, Sedecias manteve-se \u00e0 margem das convuls\u00f5es pol\u00edticas que agitavam os povos da regi\u00e3o; mas, ap\u00f3s alguns anos de calma submiss\u00e3o \u00e0 Babil\u00f3nia, Sedecias voltou a experimentar a velha pol\u00edtica das alian\u00e7as com pot\u00eancias regionais, buscando a ajuda do Egito contra a Babil\u00f3nia. Jeremias, uma vez mais, manifestou o seu desacordo, prevendo o desastre da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os receios de Jeremias confirmaram-se uma vez mais. Em 587 a.C. Nabucodonosor, rei da Babil\u00f3nia, p\u00f4s cerco a Jerusal\u00e9m. Um ex\u00e9rcito eg\u00edpcio veio em socorro de Jud\u00e1 e os babil\u00f3nios retiraram-se. Mas Jeremias, convencido de que tinha chegado o fim, anunciou o recome\u00e7o do cerco e a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m (cf. Jr 32,2-5). Acusado de trai\u00e7\u00e3o, o profeta foi encarcerado (cf. Jr 37,11- 16), chegando a correr perigo de vida (cf. Jr 38,11-13). Pouco depois, Nabucodonosor entrou em Jerusal\u00e9m, destruiu a cidade e deportou a sua popula\u00e7\u00e3o para a Babil\u00f3nia (586 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dif\u00edcil situar, neste quadro hist\u00f3rico acima apresentado, o momento exato em que Jeremias teria pronunciado as palavras que a primeira leitura deste domingo nos apresenta. Mas poderemos situ\u00e1-las, provavelmente, no contexto das pol\u00edticas err\u00e1ticas de Joaquim (609-597 a.C.) ou de Sedecias (597-586 a.C.), que colocavam a seguran\u00e7a de Jud\u00e1 nas m\u00e3os de ex\u00e9rcitos estrangeiros, em lugar de confiar em Jav\u00e9. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>S\u00f3 vivemos uma vez. N\u00e3o podemos arriscar-nos a falhar a nossa exist\u00eancia. A nossa vida \u00e9 um capital demasiado importante para ser esbanjado. Por isso, temos de escolher bem as nossas apostas, os valores em que investimos, as escolhas que fazemos. No entanto, as coisas nem sempre s\u00e3o claras e definidas. H\u00e1 muita confus\u00e3o no nosso mundo e muitos interesses cruzados: h\u00e1 coisas que nos s\u00e3o oferecidas como oiro, mas que n\u00e3o passam de um qualquer metal sem valor; h\u00e1 caminhos que nos dizem levar \u00e0 felicidade e \u00e0 plena realiza\u00e7\u00e3o, mas que acabam por n\u00e3o nos conduzir a lado nenhum; h\u00e1 investimentos que nos s\u00e3o apresentados como \u201cgarantidos\u201d, mas que acabam por nunca nos trazer qualquer retorno. Sobre que bases devemos assentar a nossa vida para que ela valha a pena? O que significa construir a nossa exist\u00eancia sobre rocha firme? Quais os valores a que n\u00e3o podemos renunciar para que a nossa vida n\u00e3o seja um fracasso?<\/li>\n<li>\u201cMaldito quem confia no homem e p\u00f5e na carne toda a sua esperan\u00e7a\u201d \u2013 diz-nos Jeremias. As palavras de Jeremias v\u00e3o no sentido de nos recomendar que n\u00e3o confiemos nas pessoas que nos rodeiam? S\u00e3o palavras que brotam da experi\u00eancia amarga de quem se sentiu tra\u00eddo pelas pessoas em quem confiou e que agora desconfia de tudo e de todos? N\u00e3o. As palavras de Jeremias s\u00e3o apenas um aviso para n\u00e3o colocarmos a nossa esperan\u00e7a e a nossa seguran\u00e7a em realidades humanas, sempre fal\u00edveis e sempre ef\u00e9meras. S\u00e3o palavras que fazem sentido: as rela\u00e7\u00f5es pessoais desgastam-se, as seguran\u00e7as humanas que constru\u00edmos falham, os nossos bens materiais volatilizam-se, as nossas certezas desfazem-se com o embate contra realidades que as desmentem. Em que realidades temos estado a p\u00f4r a nossa confian\u00e7a e a nossa esperan\u00e7a? N\u00e3o ser\u00e3o realidades com um \u201cprazo de validade\u201d limitado? Podemos construir firmemente a nossa vida sobre elas?<\/li>\n<li>\u201cBendito quem confia no Senhor e p\u00f5e no Senhor a sua esperan\u00e7a\u201d \u2013 diz-nos Jeremias. O profeta est\u00e1 convencido de que Deus \u00e9 sempre fiel e que nunca nos falhar\u00e1. Podemos confiar na sua bondade, no seu perd\u00e3o, na sua miseric\u00f3rdia, no seu amor de Pai; podemos confiar nas suas palavras, que nos indicam caminhos v\u00e1lidos para chegarmos \u00e0 vida verdadeira; podemos entregar-nos confiadamente nas suas m\u00e3os e confiar n\u2019Ele, do mesmo modo que a crian\u00e7a pequenina confia no seu pai ou na sua m\u00e3e. Confiamos em Deus dessa forma? \u00c9 nas m\u00e3os d\u2019Ele que entregamos a nossa vida? Deus \u00e9 a nossa melhor aposta, a nossa seguran\u00e7a, a nossa suprema esperan\u00e7a? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 1<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Feliz o homem que p\u00f4s a sua esperan\u00e7a no Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Feliz o homem que n\u00e3o segue o conselho dos \u00edmpios,<br \/>\nnem se det\u00e9m no caminho dos pecadores,<br \/>\nmas antes se compraz na lei do Senhor,<br \/>\ne nela medita dia e noite.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 como \u00e1rvore plantada \u00e0 beira das \u00e1guas:<br \/>\nd\u00e1 fruto a seu tempo e sua folhagem n\u00e3o murcha.<br \/>\nTudo quanto fizer ser\u00e1 bem sucedido.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bem diferente \u00e9 a sorte dos \u00edmpios:<br \/>\ns\u00e3o como palha que o vento leva.<br \/>\nO Senhor vela pelo caminho dos justos,<br \/>\nmas o caminho dos pecadores leva \u00e0 perdi\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>1 Cor\u00edntios 15,12.16-20<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nSe pregamos que Cristo ressuscitou dos mortos,<br \/>\nporque dizem alguns no meio de v\u00f3s<br \/>\nque n\u00e3o h\u00e1 ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos?<br \/>\nSe os mortos n\u00e3o ressuscitam,<br \/>\ntamb\u00e9m Cristo n\u00e3o ressuscitou.<br \/>\nE se Cristo n\u00e3o ressuscitou,<br \/>\n\u00e9 v\u00e3 a vossa f\u00e9, ainda estais nos vossos pecados;<br \/>\ne assim, os que morreram em Cristo pereceram tamb\u00e9m.<br \/>\nSe \u00e9 s\u00f3 para a vida presente<br \/>\nque temos posta em Cristo a nossa esperan\u00e7a,<br \/>\nsomos os mais miser\u00e1veis de todos os homens.<br \/>\nMas n\u00e3o.<br \/>\nCristo ressuscitou dos mortos,<br \/>\ncomo prim\u00edcias dos que morreram.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade de Corinto situada a cerca de 10 quil\u00f3metros do istmo de Corinto, servida por dois portos de mar, era umas das grandes cidades do Mediterr\u00e2neo. Era tamb\u00e9m um dos grandes centros da cultura grega: sem ter a fama de Atenas tinha, contudo, grande n\u00famero de poetas, fil\u00f3sofos, oradores e m\u00e9dicos; todas as escolas filos\u00f3ficas e todas as culturas estavam representadas na cidade. Corinto era, al\u00e9m de tudo isso, um centro religioso onde todos os cultos e religi\u00f5es estavam representados. O culto principal girava \u00e0 volta de Afrodite, deusa do amor, que tinha um grande santu\u00e1rio na acr\u00f3pole da cidade. O culto de Apolo era tamb\u00e9m muito importante. Adoravam-se ainda diversas divindades estrangeiras, como \u00cdsis e Serapis. Havia numerosos grupos religiosos, ou \u201cThiasoi\u201d, com um l\u00edder \u00e0 sua frente. Religi\u00f5es do Oriente e religi\u00f5es mist\u00e9ricas estavam representadas no universo religioso de Corinto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o Evangelho chegou a Corinto, levado por Paulo (no decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria), encontrou-se com toda esta realidade. No entanto, o cristianismo propunha valores muito diferentes daqueles que os cor\u00edntios conheciam. O choque dos valores crist\u00e3os com a realidade da cultura greco-romana foi inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das ideias crist\u00e3s que encontrou resist\u00eancia entre os cor\u00edntios foi a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos. Muitos gregos, influenciados por filosofias dualistas muito em voga (nomeadamente a filosofia plat\u00f3nica), viam no corpo uma realidade negativa e na alma uma realidade ideal e nobre; e, a partir da\u00ed, recusavam-se a aceitar que a ressurrei\u00e7\u00e3o integral do homem. Como poderia o corpo \u2013 uma realidade material, carnal, sensual, que aprisionava a alma e a impedia de subir ao mundo ideal \u2013 seguir a alma nesse mundo luminoso para onde a alma tendia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo teve de abordar esta quest\u00e3o que dividia os cor\u00edntios. F\u00ea-lo na primeira carta que lhes dirigiu (cf. 1Cor 15). Afinal, a ressurrei\u00e7\u00e3o estava no centro da f\u00e9 crist\u00e3. Paulo come\u00e7a por falar aos cor\u00edntios da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, realidade sem a qual todo o edif\u00edcio crist\u00e3o cai por terra (cf. 1Cor 15,1-11); depois, parte da\u00ed para afirmar a ressurrei\u00e7\u00e3o de todos aqueles que aderiram a Cristo e que d\u2019Ele recebem vida. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>H\u00e1 quest\u00f5es que, mais tarde ou mais cedo, n\u00e3o podemos deixar de equacionar\u2026 Qual o sentido \u00faltimo da nossa vida? Para onde caminhamos? Que nos espera no final do caminho (sempre t\u00e3o breve!) que percorremos aqui na terra? Estamos condenados ao nada, ao absoluto desaparecimento, ou h\u00e1 uma exist\u00eancia nova, totalmente outra, \u00e0 nossa espera? Paulo, depois de conhecer a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, a sua vit\u00f3ria sobre a morte, acredita firmemente que estamos destinados \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o, a uma vida nova e definitiva, imersos no amor de Deus. Cristo abriu-nos as portas dessa vida nova que nos espera, ao encontro definitivo com o amor de Deus. Se essa vida futura n\u00e3o existisse, ser\u00edamos \u201cos mais miser\u00e1veis de todos os homens\u201d e a nossa f\u00e9 n\u00e3o faria qualquer sentido \u2013 diz Paulo. Como vivemos e sentimos tudo isto? No horizonte da nossa exist\u00eancia est\u00e1 a certeza do encontro com o Amor, com a vida nova que Deus oferece aos seus filhos queridos?<\/li>\n<li>A maneira como olhamos para o nosso horizonte \u00faltimo afetar\u00e1, provavelmente, a forma como encaramos a vida de todos os dias. Ser\u00e1 diferente caminharmos presos a uma senten\u00e7a de \u201cmorte definitiva\u201d, depois de alguns anos de trabalhos e vicissitudes sem fim, ou de caminharmos de olhos postos num horizonte de vida ilimitada, no encontro com o amor de Deus. Como \u00e9 que a f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos afeta a nossa vida presente? Muda a nossa perspetiva das coisas, dos valores que cultivamos, das apostas que fazemos, dos comportamentos que assumimos? Ajuda-nos a viver com mais alegria e mais esperan\u00e7a?<\/li>\n<li>Viver de olhos postos na vida nova que nos espera em Deus implicar\u00e1 renunciar \u00e0s coisas boas e belas deste mundo? N\u00e3o. O projeto de Deus para n\u00f3s \u00e9 que tenhamos vida em abund\u00e2ncia, n\u00e3o apenas no mundo futuro, mas mesmo quando ainda caminhamos na terra. No entanto, a nossa realiza\u00e7\u00e3o e a nossa felicidade \u2013 j\u00e1 aqui na terra \u2013 depende de escolhas acertadas. H\u00e1 formas de viver que n\u00e3o nos realizam; h\u00e1 apostas que apenas nos trazem desilus\u00e3o e vazio; h\u00e1 escolhas que nos levam por caminho onde a vida e a felicidade n\u00e3o est\u00e3o. Podemos abra\u00e7ar, ao longo do nosso caminho nesta terra, as coisas boas e belas que nos proporcionam vida verdadeira e que n\u00e3o nos afastam de Deus e do seu amor. \u00c9 assim que procuramos construir o nosso caminho enquanto andamos c\u00e1 na terra?<\/li>\n<li>O medo da morte pode destruir irremediavelmente a nossa exist\u00eancia. Pode paralisar-nos, limitar as nossas op\u00e7\u00f5es, fazer-nos viver escondidos, impedir-nos de lutar contra a maldade, a mentira, o pecado que desfeia o mundo. Mas, quando sabemos que estamos destinados \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o, o medo da morte j\u00e1 n\u00e3o nos domina; podemos comprometer-nos na luta pela justi\u00e7a e pela paz, com a certeza de que a injusti\u00e7a e a opress\u00e3o n\u00e3o podem p\u00f4r fim \u00e0 vida que nos anima; e \u00e9 na medida em que nos comprometemos com esse mundo novo e o constru\u00edmos com gestos concretos que estamos a anunciar a ressurrei\u00e7\u00e3o plena do mundo, dos homens e das coisas. A certeza da ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 para mim uma certeza libertadora, que me ajuda a viver com coragem e a assumir o meu compromisso com a constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo e mais humano? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 6,17.20-26<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus desceu do monte, na companhia dos Ap\u00f3stolos,<br \/>\ne deteve-Se num s\u00edtio plano,<br \/>\ncom numerosos disc\u00edpulos e uma grande multid\u00e3o<br \/>\nde toda a Judeia, de Jerusal\u00e9m e do litoral de Tiro e Sid\u00f3nia.<br \/>\nErguendo ent\u00e3o os olhos para os disc\u00edpulos, disse:<br \/>\nBem-aventurados v\u00f3s, os pobres,<br \/>\nporque \u00e9 vosso o reino de Deus.<br \/>\nBem-aventurados v\u00f3s, que agora tendes fome,<br \/>\nporque sereis saciados.<br \/>\nBem-aventurados v\u00f3s, que agora chorais,<br \/>\nporque haveis de rir.<br \/>\nBem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem,<br \/>\nquando vos rejeitarem e insultarem<br \/>\ne prescreverem o vosso nome como infame,<br \/>\npor causa do Filho do homem.<br \/>\nAlegrai-vos e exultai nesse dia,<br \/>\nporque \u00e9 grande no C\u00e9u a vossa recompensa.<br \/>\nEra assim que os seus antepassados tratavam os profetas.<br \/>\nMas ai de v\u00f3s, os ricos,<br \/>\nporque j\u00e1 recebestes a vossa consola\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAi de v\u00f3s, que agora estais saciados,<br \/>\nporque haveis de ter fome.<br \/>\nAi de v\u00f3s, que rides agora,<br \/>\nporque haveis de entristecer-vos e chorar.<br \/>\nAi de v\u00f3s, quando todos os homens vos elogiarem.<br \/>\nEra assim que os seus antepassados<br \/>\ntratavam os falsos profetas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de apresentar o seu \u201cprograma\u201d pastoral na sinagoga de Nazar\u00e9 (\u201canunciar a boa nova aos pobres\u201d, \u201cproclamar a reden\u00e7\u00e3o aos cativos\u201d, abrir os olhos aos cegos, \u201ca restituir a liberdade aos oprimidos\u201d, \u201cproclamar o ano da gra\u00e7a do Senhor\u201d \u2013 Lc 4,18-19), Jesus andou pela Galileia a falar da chegada do Reino de Deus. Os l\u00edderes judaicos \u2013 especialmente os fariseus e doutores da lei \u2013 assumiram, desde os primeiros momentos, uma atitude cr\u00edtica face ao projeto de Jesus (cf. Lc 5,21-25.33-39; 6,11); mas muitas outras pessoas escutavam Jesus com entusiasmo e todos os dias o procuravam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 volta de Jesus foi-se rapidamente consolidando um grupo de disc\u00edpulos. Havia aqueles que Ele tinha chamado \u2013 como Sim\u00e3o Pedro, Andr\u00e9, Tiago, Jo\u00e3o e Mateus (cf. Lc 5,10-11. 27-28) \u2013 e havia outros que tinham vindo espontaneamente para O ouvir e que tinham ficado com Ele. Um dia, depois de ter passado a noite em ora\u00e7\u00e3o no cimo de um monte, Jesus escolheu Doze dentre esses disc\u00edpulos e designou-os como \u201cap\u00f3stolos\u201d (cf. Lc 6,12-16). Esses Doze ser\u00e3o o n\u00facleo central da comunidade de Jesus, aqueles em quem Jesus se apoiava e com quem contava de forma especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de ter escolhido os Doze, Jesus desceu \u00e0 plan\u00edcie. Estava acompanhado pelos disc\u00edpulos e por muita gente que tinha vindo \u201cde toda a Judeia, de Jerusal\u00e9m e do litoral de Tiro e S\u00eddon\u201d (Lc 6,17) para o ouvir e ser curada dos seus males. Nessa circunst\u00e2ncia, Jesus pronunciou uma longa \u201cinstru\u00e7\u00e3o\u201d, que ficou conhecida como o \u201cserm\u00e3o da plan\u00edcie\u201d (cf. Lc 6,20-49). Nessa \u201cinstru\u00e7\u00e3o\u201d, falou aos que o rodeavam da liberta\u00e7\u00e3o que trazia e do caminho que devia ser seguido por todos aqueles que quisessem integrar a comunidade do Reino. O Evangelho que a liturgia deste sexto domingo comum nos prop\u00f5e apresenta-nos o in\u00edcio dessa \u201cinstru\u00e7\u00e3o&#8221;: as \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O evangelista Mateus tamb\u00e9m nos apresenta um discurso de Jesus que come\u00e7a com as \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d (cf. Mt 5,1-7,29). Na vers\u00e3o de Mateus, contudo, esse discurso \u00e9 feito no cimo de um monte e n\u00e3o na plan\u00edcie; e n\u00e3o comporta \u201cmaldi\u00e7\u00f5es\u201d. A vers\u00e3o de Lucas \u00e9 significativamente mais curta. Lucas suprime, no seu texto, muitos elementos tipicamente judaicos que n\u00e3o eram significativas para as comunidades de cultura grega a quem o seu Evangelho se destinava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u201cbem-aventuran\u00e7a\u201d \u2013 o g\u00e9nero liter\u00e1rio aqui utilizado \u2013 aparece frequentemente na literatura eg\u00edpcia e grega. Na sua base est\u00e1 a ideia de que a divindade pode pronunciar palavras poderosas, palavras que uma vez lan\u00e7adas, t\u00eam a faculdade de atuar na vida dos indiv\u00edduos e das comunidades. No caso da \u201cbem-aventuran\u00e7a\u201d, a palavra atua de forma positiva, sendo fonte de vida, de b\u00ean\u00e7\u00e3o e de felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frequentemente, a par das \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d tamb\u00e9m aparecem \u201cmaldi\u00e7\u00f5es\u201d. A \u201cmaldi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma impreca\u00e7\u00e3o ou amea\u00e7a destinada a um inimigo ou a algu\u00e9m que tem comportamentos considerados errados. Muitas vezes come\u00e7a com a palavra \u201cai\u201d: evoca o mundo assustador da morte, da desgra\u00e7a, da infelicidade, sobre a pessoa que \u00e9 objeto da \u201cmaldi\u00e7\u00e3o\u201d. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Dois mil anos depois de Jesus ter feito o \u201cserm\u00e3o da plan\u00edcie\u201d, as \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d continuam a soar aos nossos ouvidos de uma forma estranha e paradoxal. Deixam-nos perplexos e algo desconcertados, pois apontam num sentido que parece ir contra o senso comum. Parecem subverter todas as nossas l\u00f3gicas e contradizer tudo aquilo que sabemos sobre \u00eaxito e fracasso. S\u00e3o um desafio que amea\u00e7a todas as nossas certezas e seguran\u00e7as, a nossa sabedoria convencional e a nossa organiza\u00e7\u00e3o social. Poder\u00e3o realmente ser um caminho para a felicidade e para a plena realiza\u00e7\u00e3o do ser humano? Jesus tem raz\u00e3o quando garante que a verdadeira felicidade se alcan\u00e7a por caminhos completamente diferentes dos que a sociedade atual prop\u00f5e? As \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d ser\u00e3o uma desculpa de fracassados, conversa de gente que n\u00e3o tem coragem para competir, para se impor, para triunfar, ou ser\u00e3o uma forma de construir um mundo diferente, mais justo, mais humano e mais fraterno? O nosso mundo ganharia alguma coisa se abandon\u00e1ssemos a competitividade e a luta feroz pelo \u00eaxito humano e opt\u00e1ssemos por viver na l\u00f3gica das \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d? Ser\u00edamos mais livres e mais felizes se renunci\u00e1ssemos a certos valores que a sociedade imp\u00f5e e pass\u00e1ssemos a viver de acordo com os valores propostos por Jesus?<\/li>\n<li>Jesus disse: \u201cbem-aventurados v\u00f3s, os pobres\u201d; e, em contraponto, \u201cai de v\u00f3s, os ricos, que j\u00e1 recebestes a vossa consola\u00e7\u00e3o\u201d. Ser\u00e1 que Deus, depois de p\u00f4r \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o os bens materiais, mudou de ideias e veio pedir-nos para escolhermos a priva\u00e7\u00e3o, a indig\u00eancia, a mis\u00e9ria? \u00c9 claro que n\u00e3o. Deus quer que tenhamos o necess\u00e1rio para viver dignamente; mas n\u00e3o quer que guardemos para nosso uso exclusivo os bens que pertencem a todos. Deus quer ver-nos caminhar sem priva\u00e7\u00f5es e sem car\u00eancias; mas n\u00e3o quer que adoremos o dinheiro e que sejamos escravos de coisas que s\u00e3o meramente acess\u00f3rias. Deus quer que tenhamos conforto e bem-estar; mas n\u00e3o quer que ignoremos a mis\u00e9ria e a indig\u00eancia em que vive um quinto da humanidade. Como lidamos com os bens materiais? Eles s\u00e3o a nossa prioridade? Escravizam-nos e absorvem-nos de tal forma que nos roubam a liberdade? Admitimos que os bens que Deus colocou nas nossas m\u00e3os pertencem a todos os filhos e filhas de Deus?<\/li>\n<li>Jesus disse: \u201cbem-aventurados v\u00f3s, que agora tendes fome\u201d; e, em contraponto, \u201cai de v\u00f3s, que agora estais saciados\u201d. A \u201cfome\u201d \u2013 de p\u00e3o, de paz, de amor, de liberdade, de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, de cuidados de sa\u00fade, de uma vida digna \u2013 que atinge dramaticamente tantos dos nossos irm\u00e3os n\u00e3o \u00e9 uma realidade inevit\u00e1vel, \u00e0 luz do projeto de Deus para o mundo e para os homens. A \u201cfome\u201d \u00e9 uma realidade que nos envergonha e com a qual n\u00e3o podemos conformar-nos. Ela existe porque muitas vezes, instalados comodamente no nosso bem-estar (\u201csaciados\u201d), n\u00e3o queremos saber dos nossos irm\u00e3os que sofrem todo o tipo de car\u00eancias. Insens\u00edveis e acomodados, viramos o rosto para o lado para n\u00e3o sermos questionados pela \u201cfome\u201d do mundo. Sentimos que somos respons\u00e1veis pela \u201cfome\u201d que faz sofrer tantos e tantos dos nossos irm\u00e3os? O que podemos fazer para a minorar?<\/li>\n<li>Jesus disse: \u201cbem-aventurados v\u00f3s, que agora chorais\u201d; e, em contraponto, \u201cai de v\u00f3s, que rides agora\u201d. Deus tem alguma coisa contra a alegria e os risos? \u00c9 claro que n\u00e3o. A felicidade de Deus \u00e9 ver os seus filhos mergulhados numa alegria verdadeira e numa felicidade sem sombras. O que Deus desaprova \u00e9 o posicionamento daqueles que continuam a rir e a gozar a vida sem quererem saber da tristeza e das l\u00e1grimas dos seus irm\u00e3os; o que Deus reprova \u00e9 o riso sarc\u00e1stico daqueles que veem os seus irm\u00e3os ca\u00eddos na berma da estrada da vida e os olham com o desprezo que os vencedores sentem pelos vencidos. Sentimo-nos solid\u00e1rios com os nossos irm\u00e3os que sofrem e choram? O que fazemos para secar as suas l\u00e1grimas e cur\u00e1-los dos seus padecimentos?<\/li>\n<li>Jesus disse: \u201cbem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos rejeitarem e insultarem, e prescreverem o vosso nome como infame\u201d; e, em contraponto, \u201cai de v\u00f3s, quando todos os homens vos elogiarem\u201d. Qual \u00e9 o mal de sermos reconhecidos e elogiados por aqueles que conhecem o que somos e o que fazemos? Nenhum. O que pode ser mal \u00e9 \u201cvendermos a alma ao diabo\u201d para conquistar reconhecimento e aplausos; o que pode ser mal \u00e9 renunciarmos aos nossos princ\u00edpios para termos o aplauso dos nossos concidad\u00e3os; o que pode ser mal \u00e9 o cedermos ao socialmente correto para chegarmos mais longe no caminho do \u00eaxito; o que pode ser mal \u00e9 \u201csuavizarmos\u201d as exig\u00eancias de Jesus para sermos \u201cmodernos\u201d e populares. Somos capazes de renunciar aos nossos valores para sermos admirados e aplaudidos pelos homens?<\/li>\n<li>As \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d d\u00e3o-nos um retrato bem bonito do cora\u00e7\u00e3o paternal e maternal de Deus. Garantem-nos que Deus \u00e9 sens\u00edvel ao sofrimento dos seus filhos e que sente um carinho especial pelos que sofrem mais. Ele est\u00e1 sempre dispon\u00edvel para confortar os que est\u00e3o feridos e magoados e para os ajudar a sair da sua triste situa\u00e7\u00e3o. Como \u00e9 que vemos e sentimos esta \u201csensibilidade\u201d de Deus pelos mais fr\u00e1geis e pequenos? Agrada-nos? \u00c9 para n\u00f3s fonte de esperan\u00e7a? O carinho de Deus pelos que precisam mais de amor inspira-nos e leva-nos a cuidar especialmente dos nossos irm\u00e3os que a vida maltrata? Somos testemunhas e profetas do amor de Deus no mundo? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> n\u00e3o apresenta nenhuma dificuldade aparente, contudo, a proclama\u00e7\u00e3o deve ter em conta a constru\u00e7\u00e3o do texto em duas partes distintas que caracterizam duas atitudes: \u00ab<em>Maldito quem confia no homem<\/em>\u00bb e \u00ab<em>Bendito quem confia no Senhor<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong> deve haver uma especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 longa frase interrogativa com que inicia a leitura. Deve evitar-se dar a entoa\u00e7\u00e3o interrogativa apenas nas palavras finais da frase e acentuar a part\u00edcula interrogativa \u201c<em>porque<\/em>\u201d e o respetivo verbo \u201c<em>dizem<\/em>\u201d. O leitor deve estar atento \u00e0s tr\u00eas frases condicionais e dar uma especial \u00eanfase \u00e0 conclus\u00e3o \u2013 \u00ab<em>Cristo ressuscitou dos mortos, como prim\u00edcias dos que morreram<\/em>\u00bb \u2013 que sintetiza a mensagem de toda a leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Leitura-I-do-Domingo-VI-do-Tempo-Comum-Ano-C-16.02.2025-Jer-175-8.pdf\">Leitura I do Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 16.02.2025 (Jer 17,5-8)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Leitura-II-do-Domingo-VI-do-Tempo-Comum-Ano-C-16.02.2025-1-Cor-15-12.16-20.pdf\">Leitura II do Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 16.02.2025 (1 Cor 15, 12.16-20)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Domingo-VI-do-Tempo-Comum-Ano-C-16.02.2025-Lecionario.pdf\">Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 16.02.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Domingo-VI-do-Tempo-Comum-Ano-C-16.02.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 16.02.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Domingo-VI-do-Tempo-Comum-Ano-C-16.02.2025-refletindo.pdf\">Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 16.02.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-VI-TC.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo VI TC<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/XXXIII-Dia-Mundial-do-Doente-11.02.2025-Mensagem-do-Papa-Francisco-1.pdf\">XXXIII Dia Mundial do Doente &#8211; 11.02.2025 &#8211; Mensagem do Papa Francisco<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo V do Tempo Comum \u2013 Ano C \u2013 09 fevereiro 2025&#8243; tab_id=&#8221;1739784120049-a3e67229-f30c&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano C \u2013 09 fevereiro 2025<\/strong><\/h4>\n<p><sup>6<\/sup>Assim fizeram e apanharam uma grande quantidade de peixe. As redes estavam a romper-se,\u00a0<sup>7<\/sup>e eles fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco, para que os viessem ajudar. Vieram e encheram os dois barcos, a ponto de se irem afundando.\u00a0<sup>8<\/sup><strong><sup>*<\/sup><\/strong>Ao ver isto, Sim\u00e3o caiu aos p\u00e9s de Jesus, dizendo: \u00abAfasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador.\u00bb\u00a0<sup>9<\/sup>Ele e todos os que com ele estavam encheram-se de espanto por causa da pesca que tinham feito; o mesmo acontecera\u00a0<sup>10<\/sup><strong><sup>*<\/sup><\/strong>a Tiago e a Jo\u00e3o, filhos de Zebedeu e companheiros de Sim\u00e3o. Jesus disse a Sim\u00e3o: \u00abN\u00e3o tenhas receio; de futuro, ser\u00e1s pescador de homens.\u00bb\u00a0<sup>11<\/sup>E, depois de terem reconduzido os barcos para terra, deixaram tudo e seguiram Jesus. <strong><em>Lc 5, 6-11<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Domingo-V.jpg\" alt=\"\" width=\"739\" height=\"345\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o muitos os que acompanham Jesus e v\u00eam ao Seu encontro e, com toda a certeza, levados pelas mais diversas motiva\u00e7\u00f5es. A fama de Jesus facilmente se difundia mesmo na aus\u00eancia das redes sociais e dos mais sofisticados meios de comunica\u00e7\u00e3o social. Ao longe e ao largo se iam difundindo os Seus milagres, as Suas palavras cheias de autoridade, o amor dito em gestos concretos que fazia de cada encontro um lugar transformador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos v\u00e3o ao encontro de Jesus levados pela curiosidade, para ver, com os seus pr\u00f3prios olhos, os milagres e prod\u00edgios que realiza. Outros para escutar as palavras cheias de autoridade que saem dos Seus l\u00e1bios. Muitos, com certeza, motivados pela esperan\u00e7a de serem curados das suas doen\u00e7as e sofrimentos. Tantos outros, procurando um sentido para a Sua vida. S\u00e3o diferentes as motiva\u00e7\u00f5es que fazem aquela multid\u00e3o aglomerar-se em torno de Jesus. Contudo, hoje, somos n\u00f3s, os que nos reunimos com Jesus. Dois mil anos depois, como as multid\u00f5es de outrora, vamos ao Seu encontro. Mas, porque nos queremos encontrar com Jesus? Vamos ao Seu encontro levados pela curiosidade ou para acolher a Sua Palavra e nos deixarmos interpelar pelo Seu amor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqueles que se encontram de verdade com Jesus e se deixam moldar pela Sua Palavra transformam de verdade as suas vidas: as noites mais sombrias e est\u00e9reis tornam-se manh\u00e3s luminosas e cheias da alegria abundante que nasce do encontro com Ele. Assim aconteceu com Pedro, que tendo andado na pesca toda \u00e0 noite n\u00e3o tinha pescado nada. Por\u00e9m, Jesus convida-o a lan\u00e7ar as redes: \u00ab<em>Faz-te ao largo e lan\u00e7ai as redes para a pesca<\/em>\u00bb. Pedro, mesmo sabendo do insucesso daquela noite, ousa lan\u00e7ar as redes, acolhendo o desafio de Jesus e, assim, foi surpreendido pela abund\u00e2ncia do peixe que parecia romper a rede. Na verdade, quando a nossa fragilidade e pequenez se abrem \u00e0 miseric\u00f3rdia e \u00e0 bondade de Deus, acolhendo os seus desafios, a nossa vida torna-se um lugar fecundo. O nosso pouco com Deus pode tornar-se muito, mas, ao inv\u00e9s, o nosso muito sem Deus serve para muito pouco. Por isso, Pedro, diante desta pesca abundante, sente-se indigno de estar na presen\u00e7a de Jesus: \u00ab<em>Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador<\/em>\u00bb. Este sentimento de fragilidade, pequenez e indignidade est\u00e1 j\u00e1 presente na primeira leitura, quando Isa\u00edas contemplando a gl\u00f3ria de Deus afirma: \u00ab<em>Ai de mim, que estou perdido, porque sou um homem de l\u00e1bios impuros, moro no meio de um povo de l\u00e1bios impuros<\/em>\u00bb. Com Jesus, a nossa fr\u00e1gil humanidade n\u00e3o \u00e9 um obst\u00e1culo \u00e0 gra\u00e7a de Deus, mas o lugar privilegiado onde ela atua para manifestar a obra divina. Por isso, tamb\u00e9m Paulo, o Ap\u00f3stolo das Gentes, apesar de sentir como \u00ab<em>abortivo<\/em>\u00bb e o menor dos ap\u00f3stolos, afirma desassombradamente: \u00ab<em>Pela gra\u00e7a de Deus sou aquilo que sou, e a gra\u00e7a que Ele me deu n\u00e3o foi in\u00fatil<\/em>\u00bb.\u00a0\u00a0\u00a0<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com Jesus aprendemos que o medo deve dar lugar \u00e0 confian\u00e7a \u2013 \u00ab<em>N\u00e3o temas!<\/em>\u00bb \u2013 pois o maior milagre n\u00e3o \u00e9 a pesca abundante, mas Jesus que n\u00e3o se deixa intimidar pelas nossas desilus\u00f5es, fragilidades ou pecados e nos confia uma miss\u00e3o: \u00ab<em>daqui em diante ser\u00e1s pescador de homens<\/em>\u00bb. O olhar que Jesus nos dirige v\u00ea para l\u00e1 das apar\u00eancias e debilidades e abre-nos a porta da esperan\u00e7a, porque, na semente lan\u00e7ada no nosso cora\u00e7\u00e3o, Jesus consegue ver a \u00e1rvore que pode nascer e florir com a Sua gra\u00e7a. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia <strong>11 de fevereiro<\/strong>, mem\u00f3ria de Nossa Senhora de Lourdes, celebra-se o <strong>Dia Mundial do Doente<\/strong>. <strong>\u00c9 j\u00e1 o XXXIII Dia Mundial do Doente.<\/strong> Este dia \u00e9 uma oportunidade para as comunidades para uma celebra\u00e7\u00e3o ou algum momento de conv\u00edvio com os doentes da comunidade, ou qualquer outro gesto de proximidade com quantos se encontram numa situa\u00e7\u00e3o de fragilidade. Inspirados nas palavras do Papa Francisco ser\u00e1 importante sensibilizar os fi\u00e9is para uma renovada cultura do cuidado: \u00ab<em>o primeiro cuidado de que necessitamos na doen\u00e7a \u00e9 uma proximidade cheia de compaix\u00e3o e ternura. Por isso, cuidar do doente significa, antes de mais nada, cuidar das suas rela\u00e7\u00f5es, de todas as suas rela\u00e7\u00f5es: com Deus, com os outros \u2013 familiares, amigos, profissionais de sa\u00fade \u2013, com a cria\u00e7\u00e3o, consigo mesmo<\/em>\u00bb. <strong>(da Mensagem do Papa Francisco para este dia \u2013 ver Mensagem em anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no <strong>Tempo Comum,<\/strong> continuamos um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 6,1-2a.3-8<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No ano em que morreu Ozias, rei de Jud\u00e1,<br \/>\nvi o Senhor, sentado num trono alto e sublime;<br \/>\na f\u00edmbria do seu manto enchia o templo.<br \/>\n\u00c0 sua volta estavam serafins de p\u00e9,<br \/>\nque tinham seis asas cada um<br \/>\ne clamavam alternadamente, dizendo:<br \/>\n\u00abSanto, santo, santo \u00e9 o Senhor do Universo.<br \/>\nA sua gl\u00f3ria enche toda a terra!\u00bb<br \/>\nCom estes brados as portas oscilavam nos seus gonzos<br \/>\ne o templo enchia-se de fumo.<br \/>\nEnt\u00e3o exclamei:<br \/>\n\u00abAi de mim, que estou perdido,<br \/>\nporque sou um homem de l\u00e1bios impuros,<br \/>\nmoro no meio de um povo de l\u00e1bios impuros<br \/>\ne os meus olhos viram o Rei, Senhor do Universo\u00bb.<br \/>\nUm dos serafins voou ao meu encontro,<br \/>\ntendo na m\u00e3o um carv\u00e3o ardente<br \/>\nque tirara do altar com uma tenaz.<br \/>\nTocou-me com ele na boca e disse-me:<br \/>\n\u00abIsto tocou os teus l\u00e1bios:<br \/>\ndesapareceu o teu pecado, foi perdoada a tua culpa\u00bb.<br \/>\nOuvi ent\u00e3o a voz do Senhor, que dizia:<br \/>\n\u00abQuem enviarei? Quem ir\u00e1 por n\u00f3s?\u00bb<br \/>\nEu respondi:<br \/>\n\u00abEis-me aqui: podeis enviar-me\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta Isa\u00edas (autor dos capts. 1-39 do Livro de Isa\u00edas) nasceu por volta do ano 760 a. C., no tempo do rei Ozias. De origem nobre, parece ter vivido em Jerusal\u00e9m: demonstra uma cultura que dificilmente poderia ter conseguido fora do ambiente sofisticado da capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isa\u00edas sentiu-se chamado por Deus \u00e0 voca\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica quando tinha cerca de vinte anos (de acordo com Is 6,1, \u201cno ano da morte do rei Ozias\u201d, isto \u00e9, por volta de 740-739 a.C.). Sabemos tamb\u00e9m que casou e teve filhos.\u00a0 Desconhecemos o nome da esposa, conhecida somente como \u201ca profetiza\u201d (Is 8,3). Quanto aos filhos, receberam nomes simb\u00f3licos: Sear Yasub (\u201cum resto voltar\u00e1\u201d &#8211; Is 7,3) e Maher Salal Hash Baz (\u201ctoma despojos, apanha velozmente a presa\u201d &#8211; Is 8,3). Neste pormenor, Isa\u00edas identifica-se com o profeta Oseias: toda a sua exist\u00eancia, inclusive no \u00e2mbito familiar, est\u00e1 ao servi\u00e7o da mensagem que Deus lhe confia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O car\u00e1cter de Isa\u00edas pode conhecer-se suficientemente atrav\u00e9s da sua obra. \u00c9 um homem decidido, sem falsa mod\u00e9stia, que se oferece voluntariamente a Deus no momento do seu chamamento vocacional. Seguramente, faz parte dos not\u00e1veis do pa\u00eds: participa nas decis\u00f5es relativas ao Reino, falando com autoridade aos altos funcion\u00e1rios (cf. Is 22,15) e mesmo aos reis (Is 7,10). \u00c9 en\u00e9rgico e nunca se deixa desanimar. \u00c9 inimigo da anarquia (cf. Is 3,1-9); mas isso n\u00e3o significa que apoie as classes altas. Na verdade, os seus maiores ataques s\u00e3o dirigidos aos grupos dominantes: autoridades, ju\u00edzes, latifundi\u00e1rios, pol\u00edticos. \u00c9 duro e ir\u00f3nico com as mulheres da classe alta de Jerusal\u00e9m (cf. Is 3,16-24; 32,9-14). Defende com paix\u00e3o os oprimidos, os \u00f3rf\u00e3os, as vi\u00favas (cf. Is 1,17), o povo explorado e desencaminhado pelos governantes (cf. Is 3,12-15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u00faltimos or\u00e1culos de Isa\u00edas s\u00e3o de 701 ou, talvez, de 689 a. C., alturas em que o rei ass\u00edrio Senaquerib invadiu Jud\u00e1 e p\u00f4s cerco a Jerusal\u00e9m. Isa\u00edas deve ter morrido poucos anos depois, embora n\u00e3o saibamos ao certo quando. Um ap\u00f3crifo judeu do s\u00e9c. I d. C. \u2013 \u201cAscens\u00e3o de Isa\u00edas\u201d \u2013 afirma que foi assassinado pelo rei \u00edmpio Manass\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia deste quinto domingo comum nos prop\u00f5e como primeira leitura narra o momento em que Deus chama Isa\u00edas \u00e0 voca\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica. O cen\u00e1rio \u00e9 o templo de Jerusal\u00e9m, constru\u00eddo por Salom\u00e3o no s\u00e9c. X a.C., o lugar onde Deus residia no meio do seu Povo e onde o Povo ia encontrar-se com Deus. No texto que nos \u00e9 proposto, esse relato n\u00e3o est\u00e1 completo. Mas, de acordo com o relato original, essa experi\u00eancia vocacional resume-se a quatro pontos: a consci\u00eancia da santidade de Deus; a constata\u00e7\u00e3o de que a vida de Jud\u00e1 \u00e9 marcada pelo pecado (pessoal e coletivo); o reconhecimento da necessidade de um castigo; e, no final de tudo, a afirma\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a na salva\u00e7\u00e3o de Deus. Estes quatro temas, unidos \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es sobre Jerusal\u00e9m e sobre a dinastia dav\u00eddica, estar\u00e3o sempre presentes na prega\u00e7\u00e3o do profeta Isa\u00edas. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Deus, para concretizar o seu plano de salva\u00e7\u00e3o, conta com todos os seus filhos e filhas. Cada um de n\u00f3s tem o seu lugar e o seu papel no projeto que Ele tem para o mundo e para os homens. \u00c9 Deus que, de acordo com crit\u00e9rios que s\u00f3 Ele conhece e define, escolhe quem quer, chama quem quer e envia quem quer. A nossa \u201chist\u00f3ria de voca\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 a hist\u00f3ria de como Deus vem ao nosso encontro, entra na nossa vida, desafia-nos para a miss\u00e3o, pede uma resposta \u00e0 proposta que nos faz. Temos consci\u00eancia de que Deus nos chama, \u00e0s vezes de formas bem banais, para o seu servi\u00e7o? Estamos atentos aos sinais que Ele semeia na nossa vida e atrav\u00e9s dos quais nos diz, a cada momento, o que quer de n\u00f3s? Estamos dispon\u00edveis para responder com generosidade aos desafios que Deus nos lan\u00e7a, mesmo quando eles v\u00e3o contra os nossos projetos pessoais ou contra os nossos interesses particulares?<\/li>\n<li>O \u201cchamamento\u201d de Isa\u00edas acontece quando ele est\u00e1 no templo de Jerusal\u00e9m, presumivelmente em ora\u00e7\u00e3o. Os grandes \u201cvocacionados\u201d que a B\u00edblia nos apresenta s\u00e3o sempre pessoas que cultivam a intimidade com Deus e que buscam o di\u00e1logo com Deus. \u00c9 nesse di\u00e1logo que se apercebem do projeto de Deus e do papel que Deus lhes reserva nesse projeto; \u00e9 nesse di\u00e1logo que aprendem a escutar Deus e as propostas que Ele faz; \u00e9 nesse di\u00e1logo que apresentam a Deus as suas inquieta\u00e7\u00f5es, d\u00favidas e incertezas e descobrem as respostas e \u201csolu\u00e7\u00f5es\u201d de Deus para as quest\u00f5es que a vida traz\u2026 Os que \u201cconversam\u201d com Deus saem dessas \u201cconversas\u201d mais enamorados de Deus, mais conscientes do que Deus quer, mais preparados para aceitar a vontade de Deus e para lhe dizer \u201csim\u201d. Procuramos aproximar-nos de Deus e cultivar a intimidade com Ele? No meio da agita\u00e7\u00e3o e das preocupa\u00e7\u00f5es que enchem a nossa vida de todos os dias, arranjamos tempo para escutar Deus, para falar com Ele, para discernir os seus caminhos?<\/li>\n<li>Isa\u00edas \u00e9 um homem plenamente consciente dos seus limites, da sua debilidade e da sua indignidade. Descobre, no entanto, que Deus quer contar com ele, apesar de tudo isso. Deus, desde sempre, escolheu instrumentos fr\u00e1geis e \u201cimprov\u00e1veis\u201d para intervir no mundo e para oferecer aos seus filhos a sua proposta de salva\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, \u00e9 na fraqueza e na fragilidade que se manifestam a grandeza, a for\u00e7a e a santidade de Deus. Se Deus nos pede um servi\u00e7o, dar-nos-\u00e1 tamb\u00e9m a for\u00e7a para superarmos os nossos limites e para fazermos o que Ele nos pede. A consci\u00eancia da nossa pequenez e fragilidade alguma vez nos impediu de aceitarmos a miss\u00e3o que Deus tinha para n\u00f3s? Mais: alguma vez usamos o pretexto da nossa indignidade para permanecermos comodamente \u00e0 margem das tarefas que Deus queria confiar-nos?<\/li>\n<li>No relato da voca\u00e7\u00e3o de Isa\u00edas impressiona o facto de ele, ainda antes de saber em concreto a miss\u00e3o que Deus lhe ia confiar, se ter disponibilizado sem condi\u00e7\u00f5es: \u201ceis-me aqui, podeis enviar-me!\u201d. A resposta que Isa\u00edas d\u00e1 a Deus \u00e9 a resposta de quem est\u00e1 disposto a arriscar tudo, a oferecer toda a sua vida para o servi\u00e7o de Deus; \u00e9 a resposta de quem d\u00e1 tudo a Deus, sem c\u00e1lculos nem condi\u00e7\u00f5es; \u00e9 a resposta de algu\u00e9m para quem Deus \u00e9 o centro e a prioridade m\u00e1xima. \u00c9 desta forma \u2013 total, absoluta, incondicional, \u201climpa\u201d \u2013 que n\u00f3s nos damos a Deus e nos disponibilizamos para o servi\u00e7o de Deus? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 137 (138)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o:\u00a0 Na presen\u00e7a dos Anjos, eu Vos louvarei, Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De todo o cora\u00e7\u00e3o, Senhor, eu Vos dou gra\u00e7as,<br \/>\nporque ouvistes as palavras da minha boca.<br \/>\nNa presen\u00e7a dos Anjos Vos hei de cantar<br \/>\ne Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hei de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,<br \/>\nporque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.<br \/>\nQuando Vos invoquei, me respondestes,<br \/>\naumentastes a fortaleza da minha alma.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todos os reis da terra Vos h\u00e3o de louvar, Senhor,<br \/>\nquando ouvirem as palavras da vossa boca.<br \/>\nCelebrar\u00e3o os caminhos do Senhor,<br \/>\nporque \u00e9 grande a gl\u00f3ria do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A vossa m\u00e3o direita me salvar\u00e1,<br \/>\no Senhor completar\u00e1 o que em meu aux\u00edlio come\u00e7ou.<br \/>\nSenhor, a vossa bondade \u00e9 eterna,<br \/>\nn\u00e3o abandoneis a obra das vossas m\u00e3os.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>1 Cor\u00edntios 15,1-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recordo-vos, irm\u00e3os, o Evangelho<br \/>\nque vos anunciei e que recebestes,<br \/>\nno qual permaneceis e pelo qual sereis salvos,<br \/>\nse o conservais como eu vo-lo anunciei;<br \/>\nali\u00e1s ter\u00edeis abra\u00e7ado a f\u00e9 em v\u00e3o.<br \/>\nTransmiti-vos em primeiro lugar o que eu mesmo recebi:<br \/>\nCristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras;<br \/>\nfoi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras,<br \/>\ne apareceu a Pedro e depois aos Doze.<br \/>\nEm seguida apareceu a mais de quinhentos irm\u00e3os de uma s\u00f3 vez,<br \/>\ndos quais a maior parte ainda vive,<br \/>\nenquanto alguns j\u00e1 faleceram.<br \/>\nPosteriormente apareceu a Tiago e depois a todos os Ap\u00f3stolos.<br \/>\nEm \u00faltimo lugar, apareceu-me tamb\u00e9m a mim,<br \/>\ncomo o abortivo.<br \/>\nPorque eu sou o menor dos Ap\u00f3stolos<br \/>\ne n\u00e3o sou digno de ser chamado Ap\u00f3stolo,<br \/>\npor ter perseguido a Igreja de Deus.<br \/>\nMas pela gra\u00e7a de Deus sou aquilo que sou<br \/>\ne a gra\u00e7a que Ele me deu n\u00e3o foi in\u00fatil.<br \/>\nPelo contr\u00e1rio, tenho trabalhado mais que todos eles,<br \/>\nn\u00e3o eu, mas a gra\u00e7a de Deus, que est\u00e1 comigo.<br \/>\nPor conseguinte, tanto eu como eles,<br \/>\n\u00e9 assim que pregamos;<br \/>\ne foi assim que v\u00f3s acreditastes.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corinto, cidade cosmopolita situada na regi\u00e3o do Peloponeso, era, no s\u00e9c. I, um dos grandes expoentes da cultura grega. Paulo passou l\u00e1 durante a sua segunda viagem mission\u00e1ria; do seu an\u00fancio nasceu uma comunidade crist\u00e3 viva e interessada, mas que mergulhava as suas ra\u00edzes no terreno inquinado de uma cultura que estava distante da proposta crist\u00e3. Os valores culturais gregos \u2013 que os cor\u00edntios cultivavam com orgulho \u2013 v\u00e3o constituir um contraponto aos valores do Evangelho que Paulo anunciava. O choque entre essas duas realidades est\u00e1 particularmente evidente em algumas das tem\u00e1ticas que Paulo julgou \u00fatil tratar na primeira carta aos cor\u00edntios, escrita em \u00c9feso durante a terceira viagem mission\u00e1ria do ap\u00f3stolo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das quest\u00f5es que trazia algumas dificuldades aos crist\u00e3os de Corinto era a quest\u00e3o da ressurrei\u00e7\u00e3o. A ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos era relativamente bem aceite no juda\u00edsmo em geral (embora os saduceus, um grupo elitista constitu\u00eddo fundamentalmente por membros das fam\u00edlias sacerdotais, n\u00e3o partilhassem dessa cren\u00e7a), habituado a ver o ser humano na sua unidade; mas constitu\u00eda um problema s\u00e9rio para a mentalidade grega. A cultura grega, fortemente influenciada por filosofias dualistas (como a filosofia de Plat\u00e3o, por esta altura muito em voga) que viam no corpo uma realidade negativa e na alma uma realidade ideal e nobre, recusava-se a aceitar a ressurrei\u00e7\u00e3o do homem integral. Como poderia o corpo \u2013 essa realidade material, carnal, sensual, que aprisionava a alma e a impedia de subir ao mundo ideal, ao mundo luminoso dos esp\u00edritos \u2013 seguir a alma?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, alguns crist\u00e3os de Corinto diziam que \u201cn\u00e3o h\u00e1 ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos\u201d (1Cor 15,12). Outros faziam perguntas (\u201ccomo ressuscitam os mortos?\u201d; \u201ccom que corpo os mortos regressam \u00e0 vida?\u201d) que Paulo considera \u201cinsensatas\u201d (cf. 1Cor 15,35). O ap\u00f3stolo decide abordar esta quest\u00e3o para esclarecer uns e outros e ajudar todos os membros da comunidade a purificar a sua f\u00e9. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Para n\u00f3s, crist\u00e3os, a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus n\u00e3o \u00e9 apenas uma verdade que professamos quando dizemos o credo, mas \u00e9 uma certeza que ilumina a nossa vida e imprime um sentido novo \u00e0 hist\u00f3ria dos nossos dias. N\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, n\u00e3o vivemos da mem\u00f3ria de um \u201cmorto\u201d que a hist\u00f3ria conheceu, digeriu e arrumou na galeria das figuras not\u00e1veis cobertas pelo p\u00f3 dos tempos, mas caminhamos atr\u00e1s de algu\u00e9m que est\u00e1 vivo, que continua a encontrar-se connosco, a caminhar ao nosso lado, a alimentar-nos com a sua Palavra e com o seu P\u00e3o, a apontar-nos o caminho que conduz \u00e0 vida. Como \u00e9 que sentimos a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus? Experimentamos a presen\u00e7a de Jesus, sentimos que o seu Esp\u00edrito nos anima e conduz enquanto viajamos pela vida? O facto de Jesus ter vencido a morte muda a nossa perspetiva da vida?<\/li>\n<li>A vit\u00f3ria de Jesus sobre a morte, a injusti\u00e7a, a mentira, a maldade, traz \u00e0 nossa vida um suplemento de coragem e de esperan\u00e7a. Garante-nos que n\u00e3o h\u00e1 morte para quem aceita fazer da sua vida uma luta pela justi\u00e7a, pela verdade, pelo projeto de Deus. Fornece-nos as armas de que precisamos para vencer o medo e fortalece-nos na decis\u00e3o de lutar pela instaura\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. Foi isso que os ap\u00f3stolos perceberam quando se encontraram com Jesus ressuscitado. A certeza da ressurrei\u00e7\u00e3o encoraja-nos a lutar, sem a paralisia que vem do medo, por um mundo mais justo, mais fraterno, mais humano?<\/li>\n<li>Paulo acredita que os seguidores de Jesus podem descobri-lo, vivo e ressuscitado, a partir da escuta da Palavra de Deus e do testemunho da comunidade crist\u00e3. Quando nos reunimos \u00e0 volta da mesa da eucaristia, no \u201cdia do Senhor\u201d, com outros nossos irm\u00e3os na f\u00e9, sentimos que Jesus est\u00e1 vivo no meio de n\u00f3s? A eucaristia \u00e9, para n\u00f3s, um momento privilegiado de encontro com Jesus ressuscitado? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 5,1-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nestava a multid\u00e3o aglomerada em volta de Jesus,<br \/>\npara ouvir a palavra de Deus.<br \/>\nEle encontrava-Se na margem do lago de Genesar\u00e9<br \/>\ne viu dois barcos estacionados no lago.<br \/>\nOs pescadores tinham deixado os barcos<br \/>\ne estavam a lavar as redes.<br \/>\nJesus subiu para um barco, que era de Sim\u00e3o,<br \/>\ne pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra.<br \/>\nDepois sentou-Se<br \/>\ne do barco p\u00f4s-Se a ensinar a multid\u00e3o.<br \/>\nQuando acabou de falar, disse a Sim\u00e3o:<br \/>\n\u00abFaz-te ao largo<br \/>\ne lan\u00e7ai as redes para a pesca\u00bb.<br \/>\nRespondeu-Lhe Sim\u00e3o:<br \/>\n\u00abMestre, and\u00e1mos na faina toda a noite<br \/>\ne n\u00e3o apanh\u00e1mos nada.<br \/>\nMas, j\u00e1 que o dizes, lan\u00e7arei as redes\u00bb.<br \/>\nEles assim fizeram<br \/>\ne apanharam t\u00e3o grande quantidade de peixes<br \/>\nque as redes come\u00e7avam a romper-se.<br \/>\nFizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco<br \/>\npara os virem ajudar;<br \/>\neles vieram e encheram ambos os barcos<br \/>\nde tal modo que quase se afundavam.<br \/>\nAo ver o sucedido,<br \/>\nSim\u00e3o Pedro lan\u00e7ou-se aos p\u00e9s de Jesus e disse-Lhe:<br \/>\n\u00abSenhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador\u00bb.<br \/>\nNa verdade, o temor tinha-se apoderado dele<br \/>\ne de todos os seus companheiros,<br \/>\npor causa da pesca realizada.<br \/>\nIsto mesmo sucedeu a Tiago e a Jo\u00e3o, filhos de Zebedeu,<br \/>\nque eram companheiros de Sim\u00e3o.<br \/>\nJesus disse a Sim\u00e3o:<br \/>\n\u00abN\u00e3o temas.<br \/>\nDaqui em diante ser\u00e1s pescador de homens\u00bb.<br \/>\nTendo conduzido os barcos para terra,<br \/>\neles deixaram tudo e seguiram Jesus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio do Evangelho que a liturgia hoje nos apresenta, Jesus encontra-se nas margens do Mar da Galileia, rodeado por uma grande multid\u00e3o que viera \u201cpara escutar a palavra de Deus\u201d (Lc 5,1). Esse \u201cmar\u201d \u2013 tamb\u00e9m chamado \u201clago de Tiber\u00edades\u201d ou \u201clago de Kineret\u201d \u2013 \u00e9 um lago com cerca de 11 quil\u00f3metros de largura e 21 quil\u00f3metros de comprimento m\u00e1ximo. Era um lago de \u00e1gua doce, rico em peixe. Muitos dos que habitavam nas suas margens viviam da pesca. O rio Jord\u00e3o era a principal fonte de alimenta\u00e7\u00e3o desse lago.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas margens do Mar da Galileia situavam-se diversas cidades, como Tiber\u00edades ou Cafarnaum. Cafarnaum era a cidade onde Pedro e o seu irm\u00e3o Andr\u00e9 residiam. Era uma cidade estrat\u00e9gica, pois estava ao lado da \u201cVia Maris\u201d (\u201cestrada do Mar\u201d), uma importante via de comunica\u00e7\u00e3o que ligava o Egito \u00e0 S\u00edria e ao L\u00edbano e que passava por Cesareia Mar\u00edtima (o local onde residia habitualmente o prefeito romano da Judeia). Jesus, depois de ter estado algum tempo com Jo\u00e3o Batista no deserto de Jud\u00e1, estabelecera-se em Cafarnaum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o esquema teol\u00f3gico de Lucas, Jesus tinha come\u00e7ado h\u00e1 pouco o seu minist\u00e9rio na Galileia (cf. Lc 4,14-15). Na sinagoga de Nazar\u00e9 apresentara o seu \u201cprograma\u201d: anunciar a \u201cBoa Not\u00edcia\u201d aos pobres, libertar os cativos, iluminar os caminhos de quem vivia na escurid\u00e3o, proclamar a chegada de um tempo novo de gra\u00e7a e de paz (cf. Lc 4,16-21); e logo depois, na sinagoga de Cafarnaum deixara toda a gente maravilhada com o seu ensino e os seus gestos poderosos (cf. Lc 4,31-37).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 agora, Jesus tinha estado sozinho na tarefa de anunciar o Reino de Deus. Na sec\u00e7\u00e3o que come\u00e7a neste cap\u00edtulo e que vai at\u00e9 6,16, Jesus come\u00e7a a rodear-se de disc\u00edpulos. Algumas pessoas respondem ao seu an\u00fancio e aceitam colaborar com Jesus na miss\u00e3o que o Pai lhe confiou. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O \u201cbarco de Sim\u00e3o Pedro\u201d, de onde Jesus proclama a Boa Not\u00edcia do Reino de Deus, \u00e9 uma bela e sugestiva imagem da comunidade crist\u00e3. Muitos homens e mulheres que est\u00e3o \u201cna margem\u201d da vida e da hist\u00f3ria, olham para o \u201cbarco de Sim\u00e3o Pedro\u201d e aguardam ansiosamente as palavras de Jesus. N\u00e3o veem outra sa\u00edda, n\u00e3o vislumbram outra esperan\u00e7a. A comunidade crist\u00e3 \u00e9, neste agitado s\u00e9c. XXI, o espa\u00e7o privilegiado onde a voz de Jesus ecoa no mundo para consolar, para animar, para curar, para apontar caminhos, para dar vida? No meio do rugido das tempestades que o mundo enfrenta, fazemos tudo o que podemos para tornar percet\u00edvel, para os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s que esperam \u201cnas margens\u201d, a voz de Jesus? As palavras que dizemos aos homens e mulheres que anseiam por uma vida mais humana, s\u00e3o as palavras de Jesus? O \u201cbarco de Sim\u00e3o Pedro\u201d em que viajamos com Jesus est\u00e1 pintado com as cores da miseric\u00f3rdia, da solicitude, da compreens\u00e3o, do acolhimento, do perd\u00e3o, da bondade, da ternura de Deus? O \u201cbarco de Sim\u00e3o Pedro\u201d cumpre o seu papel de levar a todos os homens e mulheres o testemunho de Jesus?<\/li>\n<li>Olhemos agora para o interior do \u201cbarco de Sim\u00e3o Pedro\u201d, onde viajamos n\u00f3s, os que fazemos parte da comunidade de Jesus\u2026 O que andamos a fazer? Como trabalhamos? O nosso trabalho est\u00e1 a dar resultado? Quando desenhamos os nossos projetos pastorais e elaboramos os nossos organogramas paroquiais, temos em conta as orienta\u00e7\u00f5es que Jesus nos oferece, ou fazemos as coisas de acordo com os nossos crit\u00e9rios pessoais e as nossas vis\u00f5es estreitas? Acolhemos as propostas de Jesus, mesmo quando elas nos parecem il\u00f3gicas, irracionais, pouco modernas, \u00e0 luz da nossa compreens\u00e3o das coisas ou dos valores rasteiros dos fazedores de opini\u00e3o que ditam a moda? Gastamos mais tempo nas nossas reuni\u00f5es de programa\u00e7\u00e3o e nas nossas discuss\u00f5es est\u00e9reis, ou a escutar o Evangelho que Jesus nos prop\u00f5e? Confiamos plenamente em Jesus e na sua Palavra?<\/li>\n<li>Sim\u00e3o Pedro, depois de ver o extraordin\u00e1rio resultado da \u201cpesca\u201d, lan\u00e7ou-se aos p\u00e9s de Jesus e chamou-lhe \u201cKyrios\u201d, \u201cSenhor\u201d. Reconheceu em Jesus aquele que pode tudo, aquele que \u00e9 capaz de dar sentido a tudo o que fazemos e vivemos. O \u201ccredo\u201d de Sim\u00e3o Pedro mostra que ele decidiu confiar plenamente em Jesus e entregar toda a sua vida nas m\u00e3os de Jesus. Jesus tornou-se a sua refer\u00eancia, o seu \u201cSenhor\u201d, o centro \u00e0 volta do qual Sim\u00e3o Pedro decidiu construir toda a sua exist\u00eancia, aquele em quem Sim\u00e3o Pedro decidiu apostar todas as fichas que tinha para jogar\u2026 Para n\u00f3s, Jesus tamb\u00e9m \u00e9 o \u201cKyrios\u201d? Reconhecemos, de facto, que Jesus \u00e9 o \u201cSenhor\u201d que preside \u00e0 nossa hist\u00f3ria e \u00e0 nossa vida? Ele \u00e9 o centro \u00e0 volta do qual articulamos a nossa exist\u00eancia e os nossos passos, ou deixamos que outros \u201csenhores\u201d nos manipulem e controlem?<\/li>\n<li>Jesus convida Sim\u00e3o Pedro a tornar-se \u201cpescador de homens\u201d. O convite, no entanto, n\u00e3o ser\u00e1 apenas para Sim\u00e3o Pedro; deve estender-se a todos aqueles que v\u00e3o naquele barco. Sim\u00e3o Pedro e os seus companheiros t\u00eam como miss\u00e3o salvar todos os homens e mulheres que vivem mergulhados no desespero, no medo, na opress\u00e3o, na morte. A miss\u00e3o a que Sim\u00e3o Pedro e os seus companheiros s\u00e3o chamados \u00e9 a mesma de Jesus: curar as feridas, libertar das cadeias, iluminar o caminho dos que vivem nas trevas, levar vida e esperan\u00e7a a todos os homens e mulheres. Temos consci\u00eancia de que esta \u00e9 a nossa miss\u00e3o? Como a vivemos? Os homens e mulheres com quem nos cruzamos a cada instante descobrem, nas nossas palavras e nos nossos gestos, essa vida nova que Jesus veio oferecer a todos? Os homens e mulheres que a sociedade atira para \u201cas margens\u201d e abandona \u00e0 sua sorte, os que vivem afogados na solid\u00e3o, os que ningu\u00e9m quer e ningu\u00e9m ama, as v\u00edtimas de todas as guerras e de todas as opress\u00f5es, encontram em n\u00f3s o gesto fraterno que os tira do fundo do mar e que lhes devolve a esperan\u00e7a?<\/li>\n<li>Aqueles pescadores do Mar da Galileia, depois de terem levado \u201cos barcos para terra, deixaram tudo e seguiram Jesus\u201d. De repente, tudo aquilo em que tinham constru\u00eddo at\u00e9 ali tornou-se irrelevante diante de um projeto muito mais aliciante: colaborar com Jesus na liberta\u00e7\u00e3o do mundo e dos homens. Deixaram tudo; passaram a viver para o Reino de Deus e foram atr\u00e1s de Jesus. O seguimento de Jesus passou a ser a verdade fundamental das suas vidas. Como \u00e9 o nosso seguimento de Jesus? A nossa entrega ao projeto de Jesus \u00e9 total, ou parcial e calculada? Deixamos tudo na praia para seguir Jesus, porque o seu projeto se tornou a prioridade da nossa vida? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> apresenta uma altern\u00e2ncia entre as descri\u00e7\u00f5es da vis\u00e3o de Isa\u00edas e o discurso direto presente no texto. Por isso, o leitor deve ter um especial cuidado quer no tom empregue durante as descri\u00e7\u00f5es, quer no discurso direto que apresenta inclusive as aclama\u00e7\u00f5es dos Serafins.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong>, tal como nos acostumamos no epistol\u00e1rio paulino, apresenta longas frases com diversas ora\u00e7\u00f5es. Deste modo, a leitura requer uma boa prepara\u00e7\u00e3o nas pausas a fazer, na articula\u00e7\u00e3o das diversas ora\u00e7\u00f5es, para que a mensagem seja claramente compreendida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Leitura-I-do-Domingo-V-do-Tempo-Comum-Ano-C-09.02.2025-Is-6-1-2a.3-8.pdf\">Leitura I do Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 09.02.2025 (Is 6, 1-2a.3-8)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Leitura-II-do-Domingo-V-do-Tempo-Comum-Ano-C-09.02.2025-1-Cor-15-1-11.pdf\">Leitura II do Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 09.02.2025 (1 Cor 15, 1-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Domingo-V-do-Tempo-Comum-Ano-C-09.02.2025-Lecionario.pdf\">Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 09.02.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Domingo-V-do-Tempo-Comum-Ano-C-09.02.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 09.02.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Domingo-V-do-Tempo-Comum-Ano-C-09.02.2025-refletindo.pdf\">Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 09.02.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-V-TC.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo V TC<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/XXXIII-Dia-Mundial-do-Doente-11.02.2025-Mensagem-do-Papa-Francisco.pdf\">XXXIII Dia Mundial do Doente &#8211; 11.02.2025 &#8211; Mensagem do Papa Francisco<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo IV do Tempo Comum \u2013 Ano C \u2013 02 fevereiro 2025 Festa da Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor&#8221; tab_id=&#8221;1739183579806-e19532bf-b728&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo IV do Tempo Comum &#8211; Ano C \u2013 02 fevereiro 2025<\/strong><\/h4>\n<h4><strong>Festa da Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Domingo-IV.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"457\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quarenta dias ap\u00f3s o nascimento de Jesus, cumprindo as prescri\u00e7\u00f5es da Lei de Mois\u00e9s (Ex 13,11-13), \u00ab<em>Maria e Jos\u00e9 levaram Jesus a Jerusal\u00e9m, para O apresentarem ao Senhor<\/em>\u00bb. Jesus, o Verbo feito carne, assume a nossa natureza humana, assumindo uma fam\u00edlia concreta e um Povo concreto, cumprindo as tradi\u00e7\u00f5es e prescri\u00e7\u00f5es determinadas pelo Deus de Israel. Como afirma a Carta aos Hebreus Ele \u00ab<em>devia tornar-Se semelhante em tudo aos seus irm\u00e3os, para ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel no servi\u00e7o de Deus, e assim expiar os pecados do povo<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos salvos e redimidos porque amados por um Deus que n\u00e3o \u00e9 indiferente \u00e0s nossas dores e sofrimentos. No meio das trevas e sombras da nossa fr\u00e1gil condi\u00e7\u00e3o irrompe a Luz esplendorosa de Cristo. A Festa da Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor reveste-se de alegria, luz e esperan\u00e7a porque Jesus Cristo venceu as trevas do pecado e nos ilumina com a esplendorosa luz do Seu amor e da Sua gra\u00e7a. A b\u00ean\u00e7\u00e3o e prociss\u00e3o das velas prevista no in\u00edcio da celebra\u00e7\u00e3o deste dia recordam-nos que Jesus apresentado no templo por Maria e Jos\u00e9 se \u00ab<em>exteriormente cumpria as prescri\u00e7\u00f5es da lei, na realidade vinha ao encontro do seu povo fiel<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, esta festa na Igreja Oriental recebe o nome de Festa do Encontro (<em>Hypapant\u00ea<\/em>) sublinhando o encontro de Deus com o Seu Povo agradecido, mas tamb\u00e9m de Maria, Jos\u00e9 e Jesus com Sime\u00e3o e Ana. Em Jesus Cristo, Deus encontra-se com o Seu Povo, estabelece uma proximidade absolutamente nova, pois, no Verbo de Deus Incarnado, a Terra e o C\u00e9u encontram-se e contemplamos na nossa humanidade o pr\u00f3prio Deus, tal como tinha profetizado Malaquias: \u00ab<em>vou enviar o meu mensageiro, para preparar o caminho diante de Mim<\/em>\u00bb<em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conduzidos por S. Lucas a Jerusal\u00e9m, contemplamos Sime\u00e3o e Ana. Sime\u00e3o, cujo nome significa \u00abEscutador\u00bb e Ana, cujo nome significa \u00abGra\u00e7a\u00bb. Sime\u00e3o, \u00ab<em>homem justo e piedoso<\/em>\u00bb, que movido pelo Esp\u00edrito Santo vive a espera confiante do Messias e Ana, \u00ab<em>filha de Fanuel, da tribo de Aser<\/em>\u00bb, que servia no Templo. Sime\u00e3o e Ana s\u00e3o para n\u00f3s duas figuras paradigm\u00e1ticas da arte de acolher Jesus e de O comunicar aos outros com alegria e entusiasmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acolhendo Jesus em seus bra\u00e7os, Sime\u00e3o alegra-se e proclama um bel\u00edssimo hino de louvor porque os seus olhos puderam contemplar a salva\u00e7\u00e3o prometida a Israel. Como Sime\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00f3s somos convidados a aprender a arte de acolher Jesus na nossa vida, nos nossos bra\u00e7os, porque Ele toca a nossa carne e a nossa exist\u00eancia. Jesus continua a vir ao nosso encontro de m\u00faltiplas formas e somos convidados a erguer o nosso olhar, a viver de bra\u00e7os abertos e cora\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para acolher agradecidos o Deus que vem. A alegria do acolhimento de Jesus nas nossas vidas abre-nos \u00e0 exig\u00eancia do Seu seguimento: \u00ab<em>este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradi\u00e7\u00e3o; \u2013 e uma espada trespassar\u00e1 a tua alma \u2013 assim se revelar\u00e3o os pensamentos de todos os cora\u00e7\u00f5es<\/em>\u00bb. Mas a exig\u00eancia do caminho n\u00e3o nos faz desanimar! Caminhamos de l\u00e2mpadas acesas, porque o Verbo de Deus desfazendo as trevas e sombras passageiras da nossa exist\u00eancia nos conduz \u00e0 Luz plena e verdadeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, acolher Jesus na nossa vida como Sime\u00e3o implica comunic\u00e1-Lo aos outros com a maravilha e o entusiasmo de Ana que \u00ab<em>come\u00e7ou tamb\u00e9m a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a liberta\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m<\/em>\u00bb. A quantos esperam uma palavra de consola\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a, a quantos procuram um sentido novo para as suas vidas, n\u00f3s somos chamados a anunciar Jesus Cristo, Luz que ilumina todos os Povos e fonte de Salva\u00e7\u00e3o para todo o g\u00e9nero humano.<em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II institui o <strong>Dia Mundial da Vida Consagrada<\/strong> na data em que a Igreja celebra a <strong>Festa da Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor<\/strong>. Deste modo, <strong>no Domingo, dia 2 de fevereiro, a Igreja celebra o XXIV Dia Mundial da Vida Consagrada.<\/strong> Esta data \u00e9 uma ocasi\u00e3o prop\u00edcia para dar gra\u00e7as a Deus pelo dom da vida consagrada, mas tamb\u00e9m para rezar pelas voca\u00e7\u00f5es \u00e0 vida consagrada. Deste modo, cada comunidade paroquial poder\u00e1 assinalar este dia de diferentes modos: uma vig\u00edlia de ora\u00e7\u00e3o, um encontro com testemunhos dos diferentes carismas da vida consagrada, a visita a alguma comunidade religiosa, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no <strong>Tempo Comum,<\/strong> continuamos um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Malaquias 3,1-4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assim fala o Senhor Deus:<br \/>\n\u00abVou enviar o meu mensageiro,<br \/>\npara preparar o caminho diante de Mim.<br \/>\nImediatamente entrar\u00e1 no seu templo<br \/>\no Senhor a quem buscais,<br \/>\no Anjo da Alian\u00e7a por quem suspirais.<br \/>\nEle a\u00ed vem \u2013 diz o Senhor do Universo \u2013.<br \/>\nMas quem poder\u00e1 suportar o dia da sua vinda,<br \/>\nquem resistir\u00e1 quando Ele aparecer?<br \/>\nEle \u00e9 como o fogo do fundidor<br \/>\ne como a lix\u00edvia dos lavandeiros.<br \/>\nSentar-Se-\u00e1 para fundir e purificar:<br \/>\npurificar\u00e1 os filhos de Levi,<br \/>\ncomo se purifica o ouro e a prata,<br \/>\ne eles ser\u00e3o para o Senhor<br \/>\nos que apresentam a obla\u00e7\u00e3o segundo a justi\u00e7a.<br \/>\nEnt\u00e3o a obla\u00e7\u00e3o de Jud\u00e1 e de Jerusal\u00e9m ser\u00e1 agrad\u00e1vel ao Senhor,<br \/>\ncomo nos dias antigos, como nos anos de outrora.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nome &#8220;Malaquias&#8221; n\u00e3o \u00e9 um nome pr\u00f3prio. A palavra significa &#8220;o meu enviado&#8221;. \u00c9 o t\u00edtulo tomado por um profeta an\u00f3nimo, sobre o qual praticamente nada sabemos e que se apresenta como &#8220;enviado&#8221; de Jav\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse profeta exerceu a sua miss\u00e3o em Jerusal\u00e9m, no per\u00edodo p\u00f3s-ex\u00edlico. O Templo j\u00e1 havia sido reconstru\u00eddo (cf. Ml 1,10) e o culto j\u00e1 funcionava \u2014 ainda que mal (cf. Ml 1,7-9. 12-13). No entanto, o entusiasmo pela reconstru\u00e7\u00e3o estava apagado. Desanimado ao ver que as antigas promessas de Deus (veiculadas por Ezequiel e pelo Deutero-Isa\u00edas) n\u00e3o se tinham cumprido, o Povo tinha ca\u00eddo na apatia religiosa e na absoluta falta de confian\u00e7a em Deus. Duvidava do amor de Deus, da sua justi\u00e7a, do seu interesse por Jud\u00e1. Todo este ceticismo tinha repercuss\u00f5es no culto (cada vez mais desleixado) e na \u00e9tica (multiplicavam-se as falhas, as injusti\u00e7as, as arbitrariedades). Este quadro, posterior \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o do Templo, situa-nos na primeira metade do s\u00e9c. V a.C. (entre 480 e 450 a.C.), muito pr\u00f3ximo da \u00e9poca de Esdras e Neemias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Malaquias, o &#8220;mensageiro de Jav\u00e9&#8221; reage vigorosamente contra a situa\u00e7\u00e3o em que o Povo de Jud\u00e1 est\u00e1 a cair. Defende intransigentemente os valores judaicos, a f\u00e9 dos antepassados; aponta o dedo aos sacerdotes, aos levitas e a outros respons\u00e1veis pelo culto, denunciando o seu desleixo e venalidade; profetiza a chegada do tempo em que se oferecer\u00e1 a Deus um culto puro e santo; coloca cada pessoa diante das suas responsabilidades para com Jav\u00e9 e para com o pr\u00f3ximo; exige a convers\u00e3o do Povo e o afastamento da idolatria; condena veementemente os casamentos mistos (entre judeus e n\u00e3o judeus), que fazem perigar a fidelidade a Jav\u00e9. A sua l\u00f3gica \u00e9 a l\u00f3gica deuteronomista: se o Povo se obstinar em percorrer caminhos de infidelidade \u00e0 Alian\u00e7a, voltar\u00e1 a conhecer a morte e a infelicidade, como aconteceu num passado recente; mas se o Povo se voltar para Jav\u00e9 e cumprir os mandamentos, voltar\u00e1 a gozar da vida e da felicidade que Deus oferece \u00e0queles que seguem os seus caminhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto de Malaquias que hoje nos \u00e9 oferecido faz parte de uma per\u00edcope que avisa os habitantes de Jerusal\u00e9m para a inevitabilidade do ju\u00edzo de Deus: vai chegar o &#8220;Dia do Senhor&#8221;, esse momento decisivo em que Deus colocar\u00e1 cada pessoa diante das suas responsabilidades e retribuir\u00e1 a cada um conforme os seus merecimentos (cf. Ml 2,17-3,5).<strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Na Festa da Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor, Malaquias \u201capresenta\u201d o Senhor que vem para purificar o seu Povo e inaugurar um tempo novo, o tempo da nova Alian\u00e7a. Esta \u201cvinda\u201d mostra que Deus n\u00e3o se conforma com a apatia, o imobilismo, o comodismo, a instala\u00e7\u00e3o, o derrotismo que nos impedem de avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 vida plena; mostra como Deus nunca desiste de nos desafiar \u00e0 convers\u00e3o, \u00e0 renova\u00e7\u00e3o, \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma vida mais feliz e realizada. Malaquias compara a interven\u00e7\u00e3o purificadora de Deus com o \u201cfogo do fundidor\u201d, que destr\u00f3i as esc\u00f3rias e faz aparecer os metais preciosos, ou com a \u201clix\u00edvia dos lavandeiros\u201d que queima, desinfeta, tira as n\u00f3doas, purifica e deixa as roupas limpas. Quais s\u00e3o as esc\u00f3rias e os lixos que cobrem a nossa vida e obscurecem a nossa condi\u00e7\u00e3o de filhos e de filhas de Deus? Quais s\u00e3o as manchas que temos de limpar com lix\u00edvia para que a nossa vida brilhe sempre com a brancura de Deus? Estamos dispon\u00edveis para acolher as interpela\u00e7\u00f5es e desafios purificadores que Deus nos traz?<\/li>\n<li>Podemos entender a refer\u00eancia que Malaquias faz \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o dos \u201cfilhos de Levi\u201d, a fim de que eles apresentem a Deus um culto renovado e purificado, como um convite \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o da nossa forma de viver e de celebrar a f\u00e9. Muitas vezes \u201cdizemos\u201d a nossa f\u00e9 com um conjunto de ritos religiosos meramente exteriores, ocos e vazios, secos e est\u00e9reis, que n\u00e3o envolvem o nosso cora\u00e7\u00e3o e a nossa mente; muitas vezes a nossa forma de viver a f\u00e9 \u00e9 uma simples repeti\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas religiosas tradicionais, de ora\u00e7\u00f5es decoradas e descoradas, que n\u00e3o expressam o nosso amor e a nossa comunh\u00e3o com Deus; muitas vezes as nossas celebra\u00e7\u00f5es, cheias de pompa e circunst\u00e2ncia, s\u00e3o apenas o cumprimento de um folclore religioso que a tradi\u00e7\u00e3o consagrou\u2026 Como podemos purificar a nossa forma de viver e de celebrar a f\u00e9? O que teremos de fazer para que as nossas celebra\u00e7\u00f5es sejam mais aut\u00eanticas? As nossas eucaristias s\u00e3o um verdadeiro encontro com Jesus e com os irm\u00e3os com quem partilhamos a f\u00e9? Depois de celebrar a eucaristia voltamos para a nossa vida transformados, menos ego\u00edstas e mais comprometidos com a constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus?<\/li>\n<li>A profecia de Malaquias concretiza-se plenamente quando Jesus entrou na nossa hist\u00f3ria e se apresentou no meio de n\u00f3s. Ela fornece-nos uma chave de leitura para entendermos Jesus, o seu mist\u00e9rio, as suas palavras, os seus gestos, o seu projeto. Como acolhemos e concretizamos o convite \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o, \u00e0 convers\u00e3o (\u201cconvertei-vos e acreditai\u201d) que Jesus veio deixar-nos? O que valem para n\u00f3s os apelos que Jesus nos lan\u00e7ou para vivermos desprendidos dos bens, para servirmos de forma simples e humilde os irm\u00e3os que precisam de n\u00f3s, para nos libertarmos do nosso ego\u00edsmo, da nossa vaidade e das nossas manias de grandeza? Qual o peso que tem na nossa forma de viver a li\u00e7\u00e3o da cruz, da entrega total ao servi\u00e7o do projeto de Deus, do dom total de si pr\u00f3prio por amor? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 23 (24), 7.8.9.10 (R. 10b)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: O Senhor do Universo \u00e9 o Rei da gl\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Levantai, \u00f3 portas, os vossos umbrais,<br \/>\nalteai-vos, p\u00f3rticos antigos,<br \/>\ne entrar\u00e1 o Rei da gl\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem \u00e9 esse Rei da gl\u00f3ria?<br \/>\nO Senhor forte e poderoso,<br \/>\no Senhor poderoso nas batalhas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Levantai, \u00f3 portas, os vossos umbrais,<br \/>\nalteai-vos, p\u00f3rticos antigos,<br \/>\ne entrar\u00e1 o Rei da gl\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem \u00e9 esse Rei da gl\u00f3ria?<br \/>\nO Senhor dos Ex\u00e9rcitos,<br \/>\n\u00e9 Ele o Rei da gl\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Hebreus 2,14-18<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma vez que os filhos dos homens<br \/>\nt\u00eam o mesmo sangue e a mesma carne,<br \/>\ntamb\u00e9m Jesus participou igualmente da mesma natureza,<br \/>\npara destruir, pela sua morte,<br \/>\naquele que tinha poder sobre a morte, isto \u00e9, o diabo,<br \/>\ne libertar aqueles que estavam a vida inteira<br \/>\nsujeitos \u00e0 servid\u00e3o,<br \/>\npelo temor da morte.<br \/>\nPorque Ele n\u00e3o veio em aux\u00edlio dos Anjos,<br \/>\nmas dos descendentes de Abra\u00e3o.<br \/>\nPor isso devia tornar-Se semelhante em tudo aos seus irm\u00e3os,<br \/>\npara ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel<br \/>\nno servi\u00e7o de Deus,<br \/>\ne assim expiar os pecados do povo.<br \/>\nDe facto, porque Ele pr\u00f3prio foi provado pelo sofrimento,<br \/>\npode socorrer aqueles que sofrem prova\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escrito a que chamamos \u201cCarta aos Hebreus\u201d parece ser, mais do que uma carta, um serm\u00e3o ou discurso destinado a ser proclamado oralmente. N\u00e3o sabemos quem foi o seu autor. A tradi\u00e7\u00e3o das Igrejas do oriente atribui-o a Paulo; mas as Igrejas do ocidente h\u00e1 muito que descartaram a autoria paulina deste documento: a forma liter\u00e1ria, a linguagem, o estilo, a maneira de citar o Antigo Testamento e mesmo a doutrina exposta est\u00e3o bastante longe de qualquer outro escrito paulino. Pensa-se que teria sido elaborado por um crist\u00e3o an\u00f3nimo \u2013 talvez um disc\u00edpulo de Paulo \u2013 que, no entanto, conhecia muito bem o Antigo Testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o antiga p\u00f5e os \u201chebreus\u201d como destinat\u00e1rios deste escrito; por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 qualquer indica\u00e7\u00e3o, ao longo do escrito, de que o texto se destinasse especificamente a crist\u00e3os oriundos do mundo judaico. \u00c9 verdade que refere constantemente o Antigo Testamento; mas o Antigo Testamento j\u00e1 era, \u00e0 data em que a Carta aos Hebreus apareceu, patrim\u00f3nio comum de todos os crist\u00e3os, seja os de origem judaica, seja os de origem pag\u00e3. Tratava-se, em qualquer caso, de comunidades crist\u00e3s em situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, expostas a persegui\u00e7\u00f5es e que viviam num ambiente hostil \u00e0 f\u00e9\u2026 Os membros dessas comunidades perderam j\u00e1 o fervor inicial pelo Evangelho, deixaram-se contaminar pelo des\u00e2nimo e come\u00e7am a ceder \u00e0 sedu\u00e7\u00e3o de certas doutrinas n\u00e3o muito coerentes com a f\u00e9 recebida dos ap\u00f3stolos\u2026 O objetivo do autor deste \u201cdiscurso\u201d \u00e9 estimular a viv\u00eancia do compromisso crist\u00e3o e levar os crentes a crescer na f\u00e9.\u00a0 Teria sido elaborado nos anos que antecederam a destrui\u00e7\u00e3o da cidade de Jerusal\u00e9m (que ocorreu no ano 70), uma vez que o autor se refere \u00e0 liturgia do Templo como uma realidade ainda atual. \u00c9 prov\u00e1vel, portanto, que tenha aparecido por volta do ano 67, muito perto da altura em que Paulo e Pedro foram martirizados em Roma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta aos Hebreus apresenta \u2013 recorrendo \u00e0 linguagem da teologia judaica \u2013 o mist\u00e9rio de Cristo, o sacerdote por excel\u00eancia \u2013 atrav\u00e9s de quem os homens t\u00eam acesso livre a Deus e s\u00e3o inseridos na comunh\u00e3o real e definitiva com Deus. O autor aproveita, na sequ\u00eancia, para refletir nas implica\u00e7\u00f5es desse facto: postos em rela\u00e7\u00e3o com o Pai por Cristo\/sacerdote, os crentes s\u00e3o inseridos nesse Povo sacerdotal que \u00e9 a comunidade crist\u00e3 e devem fazer da sua vida um cont\u00ednuo sacrif\u00edcio de louvor, de entrega e de amor. Desta forma, o autor oferece aos crist\u00e3os um aprofundamento e uma amplia\u00e7\u00e3o da f\u00e9 primitiva, capaz de revitalizar a sua experi\u00eancia de f\u00e9, enfraquecida pela acomoda\u00e7\u00e3o e pela persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto, pertence \u00e0 primeira parte da carta (Heb 1,5-2,18). A\u00ed, o autor apresenta o mist\u00e9rio de Cristo, o Filho de Deus que \u00e9 muito superior aos anjos e que o Pai enviou ao mundo para que apresentasse aos homens uma proposta de vida e de salva\u00e7\u00e3o. Nesta sec\u00e7\u00e3o, o autor da carta reflete sobre o \u201ckerigma\u201d tradicional crist\u00e3o:\u00a0 Deus glorificou o seu Filho Jesus, ressuscitando-O de entre os mortos, depois de Ele ter assumido a sorte dos homens e de se ter identificado com eles at\u00e9 ao extremo da morte na cruz. Mais especificamente, na per\u00edcope de Heb 2,10-18, o \u201ccatequista\u201d procura explicar porque \u00e9 que o plano do Pai previa que Jesus tivesse de passar pela cruz, aparecendo como um homem sofredor e aniquilado, despido das suas prerrogativas divinas. Na perspetiva do autor do texto, a morte de Cristo n\u00e3o foi um absurdo, um capricho, um acidente; mas foi algo que se insere e que se explica no contexto do plano salvador de Deus. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Esta hist\u00f3ria de um Deus que aceitou cancelar as suas prerrogativas divinas para vir ao nosso encontro, assumir as nossas fragilidades e limita\u00e7\u00f5es, enfrentar a nossa insensatez e o nosso ego\u00edsmo, entregar a sua pr\u00f3pria vida para que n\u00f3s descobr\u00edssemos a verdadeira vida, \u00e9 uma hist\u00f3ria quase incompreens\u00edvel para quem a tenta ler \u00e0 luz dos nossos crit\u00e9rios e da nossa l\u00f3gica humana; mas \u00e9 uma hist\u00f3ria que ilustra, sem deixar margem para d\u00favidas, a intensidade e a radicalidade do amor de Deus por n\u00f3s. Na Festa da Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor somos convidados a olhar para esse \u201cSenhor\u201d que se apresenta na nossa hist\u00f3ria \u201carmado\u201d de um des\u00edgnio de amor, para nos abrir as portas da fam\u00edlia de Deus e da vida em plenitude. Como \u00e9 que esta realidade influi na nossa vida? \u00c9 fonte de alegria, de esperan\u00e7a, de coragem? Como \u00e9 que respondemos \u00e0 iniciativa de Deus? Tentamos ser testemunhas, no meio dos nossos irm\u00e3os, desse Deus que nos ama de uma forma t\u00e3o absoluta e t\u00e3o comprometida?<\/li>\n<li>Porque \u00e9 que Jesus teve de passar pela cruz? Porque quis enfrentar os mecanismos de maldade, de injusti\u00e7a, de viol\u00eancia e de morte que destru\u00edam a vida dos seus irm\u00e3os; porque quis mostrar-nos que a vida deve ser vivida em registo de dom total, de amor at\u00e9 ao extremo; porque quis olhar a morte de frente e derrot\u00e1-la para que n\u00f3s nunca mais tiv\u00e9ssemos medo dela; porque quis selar com a sua morte tr\u00e1gica a sua entrega ao projeto de Deus e o seu amor aos homens. Dando a vida, Cristo \u201cexpiou\u201d os nossos pecados: agiu sobre n\u00f3s no sentido de transformar a nossa condi\u00e7\u00e3o d\u00e9bil e pecadora e de nos levar a viver uma vida plenamente transformada. Como vemos a morte de Cristo? Que efeitos tem ela em n\u00f3s? A contempla\u00e7\u00e3o da entrega de Cristo leva-nos a viver num dinamismo de amor e de vida nova? A vit\u00f3ria de Jesus sobre a morte liberta-nos do medo e leva-nos a olhar para a vida com mais confian\u00e7a?<\/li>\n<li>Jesus experimentou a nossa fragilidade e os nossos limites; solidarizou-se com todos os homens e mulheres, independentemente do lugar que a sociedade lhes atribu\u00eda. Esteve especialmente do lado dos mais fr\u00e1geis, dos mais pequenos, dos mais esquecidos. O seu exemplo convida-nos \u00e0 solidariedade com os \u00faltimos, com os pobres, com os mais humildes, com aqueles que o mundo rejeita e marginaliza; convida-nos a identificarmo-nos com os sofrimentos e as ang\u00fastias, as alegrias e as esperan\u00e7as de cada homem ou mulher; convida-nos a fazer o que estiver ao nosso alcance para promover aqueles que s\u00e3o humilhados, explorados, incompreendidos, colocados \u00e0 margem da vida e da hist\u00f3ria. Sentimo-nos solid\u00e1rios com os irm\u00e3os e as irm\u00e3s que fazem caminho connosco, especialmente com aqueles dos quais ningu\u00e9m cuida, que ningu\u00e9m quer, que ningu\u00e9m defende? Sentimos que as dores e feridas que fazem sofrer os nossos irm\u00e3os tamb\u00e9m s\u00e3o nossas? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 2,22-40<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao chegarem os dias da purifica\u00e7\u00e3o, segundo a Lei de Mois\u00e9s,<br \/>\nMaria e Jos\u00e9 levaram Jesus a Jerusal\u00e9m,<br \/>\npara O apresentarem ao Senhor,<br \/>\ncomo est\u00e1 escrito na Lei do Senhor:<br \/>\n\u00abTodo o filho primog\u00e9nito var\u00e3o ser\u00e1 consagrado ao Senhor\u00bb,<br \/>\ne para oferecerem em sacrif\u00edcio<br \/>\num par de rolas ou duas pombinhas,<br \/>\ncomo se diz na Lei do Senhor.<br \/>\nVivia em Jerusal\u00e9m um homem chamado Sime\u00e3o,<br \/>\nhomem justo e piedoso,<br \/>\nque esperava a consola\u00e7\u00e3o de Israel;<br \/>\ne o Esp\u00edrito Santo estava nele.<br \/>\nO Esp\u00edrito Santo revelara-lhe que n\u00e3o morreria<br \/>\nantes de ver o Messias do Senhor;<br \/>\ne veio ao templo, movido pelo Esp\u00edrito.<br \/>\nQuando os pais de Jesus trouxeram o Menino,<br \/>\npara cumprirem as prescri\u00e7\u00f5es da Lei no que lhes dizia respeito,<br \/>\nSime\u00e3o recebeu-O em seus bra\u00e7os<br \/>\ne bendisse a Deus, exclamando:<br \/>\n\u00abAgora, Senhor, segundo a vossa palavra,<br \/>\ndeixareis ir em paz o vosso servo,<br \/>\nporque os meus olhos viram a vossa salva\u00e7\u00e3o,<br \/>\nque pusestes ao alcance de todos os povos:<br \/>\nluz para se revelar \u00e0s na\u00e7\u00f5es<br \/>\ne gl\u00f3ria de Israel, vosso povo\u00bb.<br \/>\nO pai e a m\u00e3e do Menino Jesus estavam admirados<br \/>\ncom o que d\u2019Ele se dizia.<br \/>\nSime\u00e3o aben\u00e7oou-os<br \/>\ne disse a Maria, sua M\u00e3e:<br \/>\n\u00abEste Menino foi estabelecido<br \/>\npara que muitos caiam ou se levantem em Israel<br \/>\ne para ser sinal de contradi\u00e7\u00e3o;<br \/>\n\u2013 e uma espada trespassar\u00e1 a tua alma \u2013<br \/>\nassim se revelar\u00e3o os pensamentos de todos os cora\u00e7\u00f5es\u00bb.<br \/>\nHavia tamb\u00e9m uma profetisa,<br \/>\nAna, filha de Fanuel, da tribo de Aser.<br \/>\nEra de idade muito avan\u00e7ada<br \/>\ne tinha vivido casada sete anos ap\u00f3s o tempo de donzela<br \/>\ne vi\u00fava at\u00e9 aos oitenta e quatro.<br \/>\nN\u00e3o se afastava do templo,<br \/>\nservindo a Deus noite e dia, com jejuns e ora\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEstando presente na mesma ocasi\u00e3o,<br \/>\ncome\u00e7ou tamb\u00e9m a louvar a Deus<br \/>\ne a falar acerca do Menino<br \/>\na todos os que esperavam a liberta\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m.<br \/>\nCumpridas todas as prescri\u00e7\u00f5es da Lei do Senhor,<br \/>\nvoltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazar\u00e9.<br \/>\nEntretanto, o Menino crescia,<br \/>\ntornava-Se robusto e enchia-Se de sabedoria.<br \/>\nE a gra\u00e7a de Deus estava com Ele.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O interesse fundamental dos primeiros crist\u00e3os n\u00e3o se centrou na inf\u00e2ncia de Jesus, mas na sua mensagem e proposta; por isso, a catequese crist\u00e3 dos primeiros tempos interessou-se, de forma especial, por conservar as mem\u00f3rias da vida p\u00fablica e da paix\u00e3o do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 num est\u00e1dio posterior houve uma certa curiosidade acerca dos primeiros anos da vida de Jesus. Coligiram-se, ent\u00e3o, algumas informa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas sobre a inf\u00e2ncia de Jesus; e esse material foi, depois, amassado e trabalhado, de forma a transmitir aquilo que a catequese primitiva ensinava sobre Jesus e o seu mist\u00e9rio. O chamado \u201cEvangelho da Inf\u00e2ncia\u201d (de que faz parte o texto que nos \u00e9 hoje proposto) assenta nessa base; parte de algumas indica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e desenvolve uma reflex\u00e3o teol\u00f3gica para explicar quem \u00e9 Jesus. Nesta sec\u00e7\u00e3o do Evangelho, Lucas est\u00e1 muito mais interessado em dizer quem \u00e9 Jesus, do que em contar-nos factos memor\u00e1veis da sua inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas prop\u00f5e-nos, no Evangelho que a liturgia desta festa nos prop\u00f5e, o quadro da apresenta\u00e7\u00e3o de Jesus no Templo de Jerusal\u00e9m. Segundo a Lei de Mois\u00e9s, todos os primog\u00e9nitos (tanto dos homens como dos animais) pertenciam a Jav\u00e9 e deviam ser oferecidos a Jav\u00e9 (cf. Ex 13,1-2.11-16). O costume de oferecer aos deuses os primog\u00e9nitos \u00e9 um costume cananeu que, no entanto, Israel transformou no que dizia respeito aos primog\u00e9nitos humanos: estes n\u00e3o deviam ser oferecidos em sacrif\u00edcio, mas resgatados por um animal, que seria imolado ao Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Lv 12,6-8, quarenta dias ap\u00f3s o nascimento de uma crian\u00e7a, esta devia ser apresentada no Templo, onde a m\u00e3e oferecia um ritual de purifica\u00e7\u00e3o. Nessa cerim\u00f3nia, devia ser oferecido um cordeiro de um ano (para as fam\u00edlias mais abastadas) ou ent\u00e3o duas pombas ou duas rolas (para as fam\u00edlias de menores recursos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena desenrola-se no Templo de Jerusal\u00e9m. Constru\u00eddo por Salom\u00e3o, no s\u00e9c. X a.C., o Templo tinha sido destru\u00eddo no ano 586 a.C., quando os babil\u00f3nios conquistaram Jerusal\u00e9m e levaram a popula\u00e7\u00e3o da cidade para o Ex\u00edlio. Reconstru\u00eddo depois do Ex\u00edlio, por a\u00e7\u00e3o de Zorobabel, em moldes bastante modestos, o Templo era, para os judeus, o grande centro religioso do juda\u00edsmo, o lugar onde Deus residia no meio do seu Povo. No s\u00e9c. I a.C. Herodes, para agradar aos judeus, prop\u00f4s-se restaur\u00e1-lo. As obras come\u00e7aram no ano 19 a.C. e continuaram por largos anos. O Templo dessa \u00e9poca \u2013 da \u00e9poca de Jesus \u2013 acabaria por ser destru\u00eddo no ano 70, quando as tropas romanas comandadas por Tito sitiaram e destru\u00edram Jerusal\u00e9m. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>N\u00e3o \u00e9 raro, no meio de tantas vicissitudes que marcam este s\u00e9culo em que nos tocou viver, que nos sintamos desorientados e \u00e0 deriva, como se a hist\u00f3ria do mundo e dos homens nos escapasse das m\u00e3os e n\u00e3o soub\u00e9ssemos bem para onde devemos dirigir os nossos passos. Quem nos mostrar\u00e1 o terreno firme onde poderemos sentir-nos seguros? Quem nos guiar\u00e1 na viagem atribulada da hist\u00f3ria e da vida? Na Festa da \u201cApresenta\u00e7\u00e3o do Senhor\u201d, Jesus \u00e9-nos apresentado como \u201ca salva\u00e7\u00e3o colocada ao alcance de todos os povos\u201d, a \u201cluz para se revelar \u00e0s na\u00e7\u00f5es e a gl\u00f3ria de Israel\u201d, o messias com uma proposta de liberta\u00e7\u00e3o para todos os homens. Que eco \u00e9 que esta \u201capresenta\u00e7\u00e3o\u201d de Jesus encontra no nosso cora\u00e7\u00e3o? Jesus \u00e9, de facto, a luz que ilumina as nossas vidas e que nos conduz nos caminhos do mundo? Ele \u00e9, para n\u00f3s, o caminho certo e inquestion\u00e1vel para a salva\u00e7\u00e3o, para a vida verdadeira e plena? \u00c9 nele que colocamos a nossa \u00e2nsia de liberta\u00e7\u00e3o e de vida nova? Caminhamos atr\u00e1s dele, certos de que o caminho que Ele prop\u00f5e conduz \u00e0 vida plena? Se tantos homens ignoram a &#8220;luz&#8221; libertadora que Jesus veio acender ou n\u00e3o se sentem interpelados pelo projeto de Jesus, a culpa n\u00e3o ser\u00e1, um pouco, do nosso imobilismo, da nossa instala\u00e7\u00e3o, do nosso &#8220;cinzentismo&#8221; na viv\u00eancia da f\u00e9, da forma pouco entusiasta como damos testemunho?<\/li>\n<li>Sime\u00e3o e Ana, os dois anci\u00e3os que acolhem Jesus no Templo de Jerusal\u00e9m, s\u00e3o pessoas atentas ao Deus libertador que vem ao seu encontro e que sabem ler os sinais de Deus naquele menino que chega. N\u00e3o vivem centrados em futilidades, n\u00e3o \u201cgastam o tempo\u201d de vida que ainda t\u00eam em atividades inconsequentes, n\u00e3o aceitam viver instalados numa reforma dourado que os afasta do mundo e os dispensa de colaborar no projeto de Deus para o mundo e para os homens. Atentos \u00e0 voz do Esp\u00edrito, vivendo em di\u00e1logo cont\u00ednuo com Deus, detetam a chegada de Deus e testemunham diante dos seus conterr\u00e2neos a presen\u00e7a salvadora e redentora de Deus no meio do seu Povo. S\u00e3o pessoas que cultivam a intimidade com Deus, que escutam Deus, que se esfor\u00e7am por perceber as indica\u00e7\u00f5es de Deus e que s\u00e3o sinais vivos de Deus na vida daqueles que se cruzam com eles. Sabem que, enquanto caminharem na terra, s\u00e3o chamados a dar testemunho de Deus e do seu projeto salvador. Atrav\u00e9s deles a luz de Deus brilha no mundo e ilumina o mundo. \u00c9 assim que n\u00f3s vivemos tamb\u00e9m? Procuramos entender os sinais de Deus e sermos testemunhas ativas, no meio do mundo, de Deus e do seu projeto de salva\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>Quer Sime\u00e3o, quer a profetiza Ana, s\u00e3o pessoas de bastante idade. Mas n\u00e3o vivem de recorda\u00e7\u00f5es, voltados para o passado, a carpir m\u00e1goas porque se sentem velhos e fragilizados. T\u00eam mem\u00f3ria das antigas promessas de Deus; mas vivem de olhos postos no presente, preocupados em ver como no \u201choje\u201d da hist\u00f3ria dos homens Deus concretiza as suas promessas de salva\u00e7\u00e3o; e, quando descobrem a presen\u00e7a de Deus, proclamam-na com alegria e entusiasmo. Os anci\u00e3os \u2013 quer pela sua maturidade, sabedoria e equil\u00edbrio, quer pelo tempo de que normalmente disp\u00f5em \u2013 podem ser testemunhas privilegiadas dos valores de Deus, int\u00e9rpretes dos sinais de Deus, profetas cred\u00edveis que obrigam o mundo a confrontar-se com os desafios de Deus. \u00c9 preciso que n\u00e3o vivam voltados para o passado, refugiados numa realidade que aliena, transformados em \u201cest\u00e1tuas de sal\u201d, mas que vivam de olhos postos no futuro, de esp\u00edrito aberto e livre, pondo a sua sabedoria e experi\u00eancia ao servi\u00e7o da comunidade humana e crist\u00e3, ensinando os mais jovens a distinguir entre o que \u00e9 eterno e importante e o que \u00e9 passageiro e acess\u00f3rio. Aqueles de entre n\u00f3s a quem Deus concede a gra\u00e7a de uma vida longa, \u00e9 assim que vivem? Comunicam alegria, otimismo, f\u00e9, esperan\u00e7a num futuro onde Deus est\u00e1 presente?<\/li>\n<li>Lucas apresenta-nos neste epis\u00f3dio evang\u00e9lico uma fam\u00edlia \u2013 a Sagrada Fam\u00edlia \u2013 em que Deus \u00e9 a refer\u00eancia fundamental. Por quatro vezes (vers. 22.23.24.27), Lucas refere, a prop\u00f3sito da fam\u00edlia de Jesus, o cumprimento da Lei de Mois\u00e9s, da Lei do Senhor ou da Palavra do Senhor. A fam\u00edlia de Jesus, Maria e Jos\u00e9 \u00e9, portanto, uma fam\u00edlia que escuta a Palavra de Deus e que constr\u00f3i a sua exist\u00eancia ao ritmo da Palavra de Deus e dos desafios de Deus. Maria e Jos\u00e9 sabiam que uma fam\u00edlia que escuta a Palavra de Deus e que procura responder aos desafios postos por essa Palavra \u00e9 uma fam\u00edlia com um projeto de vida com sentido; e sabiam que uma fam\u00edlia que se deixa guiar pela Palavra de Deus \u00e9 uma fam\u00edlia que se constr\u00f3i sobre a rocha firme dos valores eternos. Que import\u00e2ncia \u00e9 que Deus assume na vida das nossas fam\u00edlias? Procuramos que cada membro das nossas fam\u00edlias cres\u00e7a numa progressiva sensibilidade \u00e0 Palavra de Deus e aos desafios de Deus? Encontramos tempo para reunir a fam\u00edlia \u00e0 volta da Palavra de Deus e para partilhar, em fam\u00edlia, a Palavra de Deus?<\/li>\n<li>Quando numa fam\u00edlia Deus \u201cconta\u201d, os valores de Deus passam a ser, para todos os membros daquela comunidade familiar, as marcas que definem o sentido da exist\u00eancia. O espa\u00e7o familiar torna-se, ent\u00e3o, a escola onde se aprende o amor, a solidariedade, a partilha, o servi\u00e7o, o di\u00e1logo, o respeito, o cuidado, o perd\u00e3o, a fraternidade universal, o cuidado da cria\u00e7\u00e3o, a aten\u00e7\u00e3o aos mais fr\u00e1geis, o sentido do compromisso, do sacrif\u00edcio, da entrega e da doa\u00e7\u00e3o\u2026 S\u00e3o esses valores \u2013 os valores de Deus \u2013 que procuramos cultivar na nossa comunidade familiar?<\/li>\n<li>Segundo a Lei judaica, todo o primog\u00e9nito devia ser consagrado e dedicado ao Senhor. Tamb\u00e9m Jesus \u00e9 apresentado no Templo e consagrado ao Senhor. Nas nossas fam\u00edlias crist\u00e3s h\u00e1 normalmente uma leg\u00edtima preocupa\u00e7\u00e3o com o proporcionar a cada crian\u00e7a condi\u00e7\u00f5es \u00f3timas de vida, de educa\u00e7\u00e3o, de acesso \u00e0 instru\u00e7\u00e3o e aos cuidados essenciais\u2026. Haver\u00e1 sempre uma preocupa\u00e7\u00e3o semelhante no que diz respeito \u00e0 forma\u00e7\u00e3o para a f\u00e9 e em proporcionar aos filhos uma verdadeira educa\u00e7\u00e3o para a vida crist\u00e3 e para os valores de Jesus Cristo? Os pais crist\u00e3os preocupam-se sempre em proporcionar aos seus filhos um exemplo de coer\u00eancia com os compromissos assumidos no dia do Batismo? Preocupam-se em ser os primeiros catequistas dos pr\u00f3prios filhos, transmitindo-lhes os valores do Evangelho? Preocupam-se em acompanhar e em potenciar a forma\u00e7\u00e3o e a caminhada catequ\u00e9tica dos pr\u00f3prios filhos, em inseri-los numa comunidade de f\u00e9, em integr\u00e1-los na fam\u00edlia de Jesus, em consagr\u00e1-los ao servi\u00e7o de Deus?<\/li>\n<li>Depois daqueles momentos gloriosos no Templo de Jerusal\u00e9m, o plano salvador de Deus \u201cescondeu-se\u201d naquela pobre casa de fam\u00edlia, na aldeia de Nazar\u00e9, onde viviam Maria, Jos\u00e9 e Jesus. O projeto salvador de Deus concretiza-se muitas vezes longe das luzes da ribalta, na simplicidade das nossas vidas, das nossas fam\u00edlias, das nossas casas, das nossas aldeias e cidades. Estamos conscientes disso? Somos capazes de ler os sinais e perceber o acontecer da salva\u00e7\u00e3o de Deus na nossa vida simples de todos os dias? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A primeira leitura<\/strong> possui diferentes frases em discurso direto que devem ser introduzidas e proclamadas como tal. Pede-se especial cuidado com a proclama\u00e7\u00e3o da frase interrogativa que tendo apenas um ponto de interroga\u00e7\u00e3o possui duas ora\u00e7\u00f5es interrogativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A segunda leitura<\/strong> possui frases muito longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, tendo em conta a densidade do texto proclamado deve ter-se aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pausas e respira\u00e7\u00f5es para uma melhor compreens\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Festa-da-Apresentacao-do-Senhor-Ano-C-02.02.2025-Lecionario.pdf\">Festa da Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor &#8211; Ano C &#8211; 02.02.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Festa-da-Apresentacao-do-Senhor-Ano-C-02.02.2025-Oracao-Universal.pdf\">Festa da Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor &#8211; Ano C &#8211; 02.02.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Domingo-IV-do-Tempo-Comum-Festa-da-Apresentacao-do-Senhor-Ano-C-02.02.2025-refletindo.pdf\">Domingo IV do Tempo Comum &#8211; Festa da Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor &#8211; Ano C &#8211; 02.02.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-IV-TC.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo IV TC<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;DOMINGO III DO TEMPO COMUM &#8211; ANO C \u2013 26 JANEIRO 2025 DOMINGO DA PALAVRA DE DEUS&#8221; tab_id=&#8221;1738605653421-854b8738-3198&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo III do Tempo Comum &#8211; <\/strong><strong>Ano C \u2013 26 janeiro 2025<\/strong><\/h4>\n<h4><strong>Domingo da Palavra de Deus<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Domingo-III.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NOTA:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A comunidade, junta, celebra a sua F\u00e9 no Templo e, para uma comunidade diocesana, esse Templo \u00e9 a S\u00e9 Catedral. Neste Domingo da Palavra da Deus, em que tamb\u00e9m se celebra o JUBILEU dos LEITORES, todos os leitores da comunidade da Vilar de Andorinho s\u00e3o convidados a ser comunidade alargada com todos os outros leitores da Diocese do Porto, \u00e0s 16h00. L\u00e1 estaremos, todos juntos <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Em virtude desta revela\u00e7\u00e3o, Deus invis\u00edvel, na riqueza do seu amor fala aos homens como amigos e convive com eles, para os convidar e admitir \u00e0 comunh\u00e3o com Ele<\/em>\u00bb (Dei Verbum, n. 2). Na verdade, sempre que lemos a Palavra de Deus, a escutamos em grupo ou em comunidade, \u00e9 o pr\u00f3prio Deus que sendo eterno, omnipotente, omnisciente se aproxima de n\u00f3s, acompanha-nos com a Sua solicitude paterna e nos fala como amigos. Como seria diferente a nossa vida crist\u00e3 e a vida das nossas comunidades se tom\u00e1ssemos verdadeiramente consci\u00eancia desta maravilha do amor de Deus, que tendo criado cada homem e cada mulher por amor, n\u00e3o abandona a obra das Suas m\u00e3os mas a acompanha com a Sua palavra e com os Seus gestos, pois a revela\u00e7\u00e3o que Deus faz de si pr\u00f3prio se opera por meio de palavras e gestos intimamente ligados entre si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, cant\u00e1mos no Salmo deste Domingo: \u00ab<em>as vossas palavras, Senhor, s\u00e3o esp\u00edrito e vida\u00bb<\/em>. Esta Palavra que escut\u00e1mos \u00e9 esp\u00edrito e vida, pois \u00e9 o an\u00fancio da nossa salva\u00e7\u00e3o. Muito mais do que o modo como n\u00f3s nos devemos comportar, a Palavra proclamada revela-nos o modo como Deus se relaciona connosco: Deus, todo-poderoso e eterno, envia ao mundo o Seu Filho Jesus, que na plenitude do Esp\u00edrito Santo vem para \u00ab<em>anunciar a boa nova aos pobres<\/em>\u00bb, \u00ab<em>proclamar a reden\u00e7\u00e3o aos cativos e a vista aos cegos\u00bb,\u00a0<\/em>\u00ab<em>restituir a liberdade aos oprimidos\u00bb, \u00abproclamar o ano da gra\u00e7a do Senhor<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao escutar a Liturgia da Palavra deste Domingo, somos convidados a pensar que lugar tem a Palavra de Deus na nossa vida e quanto tempo da nossa ora\u00e7\u00e3o quotidiana dedicamos \u00e0 leitura e medita\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus. Como lemos no Livro de Neemias, a proclama\u00e7\u00e3o solene do Livro da Lei era escutada com toda a aten\u00e7\u00e3o e o encontro com a Palavra dirigida por Deus ao Seu Povo era fonte de alegria e de festa: \u00ab<em>Ide para vossas casas, comei uma boa refei\u00e7\u00e3o, tomai bebidas doces e reparti com aqueles que n\u00e3o t\u00eam nada preparado. Hoje \u00e9 um dia consagrado a nosso Senhor; portanto, n\u00e3o vos entriste\u00e7ais, porque a alegria do Senhor \u00e9 a vossa fortaleza<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O encontro com Jesus, verdadeiramente presente na Palavra proclamada, gera em n\u00f3s a alegria e transforma o nosso cora\u00e7\u00e3o para fazer da nossa vida verdadeiro lugar de festa. Apesar de diferentes nos dons que possu\u00edmos, nas qualidades que desenvolvemos, nos minist\u00e9rios e servi\u00e7os que nos est\u00e3o confiados, animados pela for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo e convocados pela Palavra do Mestre, somos chamados a edificar o \u00fanico Corpo de Cristo. Como disc\u00edpulos mission\u00e1rios, unidos na \u00fanica miss\u00e3o da Igreja experimentamos a beleza da unidade na diversidade que \u00e9 obra do Esp\u00edrito Santo que como afirma o Papa Francisco \u00e9 \u00ab<em>Aquele grande Artista, Aquele grande Mestre da unidade nas diferen\u00e7as<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, a escuta da Palavra deve colocar-nos de olhos postos em Jesus de Nazar\u00e9, Aquele que naquele S\u00e1bado, como era Seu costume, entrou na Sinagoga e se levantou para fazer a leitura. Enrolado o livro, abre-se na vida de Jesus de Nazar\u00e9 plena e definitivamente a revela\u00e7\u00e3o do Pai. Revestido da for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, Jesus anuncia o Seu programa de vida: anunciar a boa nova, proclamar a reden\u00e7\u00e3o, restituir a liberdade e proclamar o ano da gra\u00e7a do Senhor. Jesus vem ao encontro da humanidade pobre, prisioneira, cega e oprimida e n\u00e3o fica indiferente \u00e0s nossas dores. Tamb\u00e9m n\u00f3s, que pelo Batismo e Confirma\u00e7\u00e3o fomos revestidos da for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo somos chamados a encontrar no programa de vida de Jesus as coordenadas do nosso agir, para que no hoje da nossa exist\u00eancia possa ecoar, atrav\u00e9s dos nossos gestos, a mais bela melodia do amor. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no <strong>Tempo Comum,<\/strong> continuamos um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">.<\/a>Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Neemias 8,2-4a.5-6.8-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\no sacerdote Esdras trouxe o Livro da Lei<br \/>\nperante a assembleia de homens e mulheres<br \/>\ne todos os que eram capazes de compreender.<br \/>\nEra o primeiro dia do s\u00e9timo m\u00eas.<br \/>\nDesde a aurora at\u00e9 ao meio dia,<br \/>\nfez a leitura do Livro,<br \/>\nno largo situado diante da Porta das \u00c1guas,<br \/>\ndiante dos homens e mulheres<br \/>\ne todos os que eram capazes de compreender.<br \/>\nTodo o povo ouvia atentamente a leitura do Livro da Lei.<br \/>\nO escriba Esdras estava de p\u00e9<br \/>\nnum estrado de madeira feito de prop\u00f3sito.<br \/>\nEstando assim em plano superior a todo o povo,<br \/>\nEsdras abriu o Livro \u00e0 vista de todos;<br \/>\ne quando o abriu, todos se levantaram.<br \/>\nEnt\u00e3o Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus,<br \/>\ne todos responderam, erguendo as m\u00e3os:<br \/>\n\u00abAmen! Amen!\u00bb.<br \/>\nE prostrando-se de rosto por terra, adoraram o Senhor.<br \/>\nOs levitas liam, clara e distintamente, o Livro da Lei de Deus<br \/>\ne explicavam o seu sentido,<br \/>\nde maneira que se pudesse compreender a leitura.<br \/>\nEnt\u00e3o o governador Neemias,<br \/>\no sacerdote e escriba Esdras,<br \/>\nbem como os levitas, que ensinavam o povo,<br \/>\ndisseram a todo o povo:<br \/>\n\u00abHoje \u00e9 um dia consagrado ao Senhor vosso Deus.<br \/>\nN\u00e3o vos entriste\u00e7ais nem choreis\u00bb.<br \/>\n\u2013 Porque todo o povo chorava, ao escutar as palavras da Lei \u2013.<br \/>\nDepois Neemias acrescentou:<br \/>\n\u00abIde para vossas casas,<br \/>\ncomei uma boa refei\u00e7\u00e3o, tomai bebidas doces<br \/>\ne reparti com aqueles que n\u00e3o t\u00eam nada preparado.<br \/>\nHoje \u00e9 um dia consagrado a nosso Senhor;<br \/>\nportanto, n\u00e3o vos entriste\u00e7ais,<br \/>\nporque a alegria do Senhor \u00e9 a vossa fortaleza\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inicialmente, os 13 cap\u00edtulos que constituem o Livro de Neemias e os dez cap\u00edtulos que constituem o livro de Esdras formavam uma unidade (estavam reunidos sob o t\u00edtulo geral \u201cEsdras\u201d). J\u00e1 na \u00e9poca crist\u00e3 todo esse material apareceu dividido em duas partes: o livro de Esdras e o livro de Neemias. N\u00e3o s\u00e3o claras as raz\u00f5es da divis\u00e3o do livro inicial em dois textos aut\u00f3nomos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os livros de Esdras e de Neemias situam-nos em Jerusal\u00e9m, na \u00e9poca p\u00f3s-ex\u00edlica. Referem-se a acontecimentos que v\u00e3o desde o \u00e9dito de Ciro, em 538 a.C. (o \u00e9dito que autorizou o regresso a Jerusal\u00e9m dos exilados judeus na Babil\u00f3nia \u2013 cf. Esd 1,1-4), at\u00e9 in\u00edcios do s\u00e9c. IV a.C (por volta de 400 a.C.). Os grandes temas abordados nestes livros s\u00e3o o regresso dos exilados, a reconstru\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m e do Templo, a restaura\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o judaica ap\u00f3s os anos dram\u00e1ticos do Ex\u00edlio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os judeus que retornaram a Jerusal\u00e9m, \u00e9 uma \u00e9poca de mis\u00e9ria e desola\u00e7\u00e3o: Jerusal\u00e9m est\u00e1 sem muralhas e sem portas; a pobreza de meios torna a reconstru\u00e7\u00e3o da cidade lenta e penosa; os inimigos de Jud\u00e1 espreitam e conspiram, procurando impedir o ressurgimento da na\u00e7\u00e3o judaica\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sacerdote e escriba Esdras liderou um grupo de exilados (sacerdotes, levitas, porteiros, cantores) que, por volta de 457 a.C., retornaram a Jerusal\u00e9m (cf. Esd 7-8). A miss\u00e3o de Esdras consistia prioritariamente em reorganizar a comunidade em volta do Templo e da Lei de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neemias, por sua vez, era um alto funcion\u00e1rio judeu na corte de Susa, que veio para Jerusal\u00e9m por volta do ano 445 a.C., autorizado pelo rei persa Artaxerxes (cf. Ne 1-7). O seu objetivo priorit\u00e1rio era a reconstru\u00e7\u00e3o das muralhas da cidade (cf. Ne 3-4). Tratou tamb\u00e9m de p\u00f4r cobro \u00e0s injusti\u00e7as cometidas pelos ricos contra os mais pobres (cf. Ne 5) e de restaurar o culto (cf. Ne 8-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste contexto de preocupa\u00e7\u00e3o com a restaura\u00e7\u00e3o do culto que podemos situar o trecho que nos \u00e9 proposto como primeira leitura neste terceiro domingo comum.<strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>No s\u00e9culo V a.C., Neemias e Esdras sentiram que a escuta da Palavra de Deus poderia ajudar o povo de Jud\u00e1 a encarar a vida de uma forma mais comprometida, mais verdadeira, mais exigente, mais s\u00e3. Aquela comunidade com deficit de horizontes, de perspetivas e de esperan\u00e7a, precisava de se reencontrar com Deus e com os desafios de Deus para construir uma exist\u00eancia feliz e com sentido. N\u00e3o estaremos hoje, em pleno s\u00e9c. XXI, em circunst\u00e2ncias an\u00e1logas? A Palavra de Deus n\u00e3o poderia ajudar o homem contempor\u00e2neo a superar o desnorte, a falta de perspetivas, as contradi\u00e7\u00f5es que pontuam o caminho que vamos percorrendo na hist\u00f3ria? Como \u00e9 que os homens e mulheres do nosso tempo veem a Palavra de Deus: como algo anacr\u00f3nico, desfasado da nossa realidade, ou como algo que pode orientar-nos no caminho que conduz \u00e0 vida e \u00e0 felicidade? O que poderemos fazer para que a Palavra de Deus seja hoje escutada e considerada?<\/li>\n<li>No cen\u00e1rio preparado por Neemias e Esdras para o \u201creencontro\u201d de Jud\u00e1 com a Palavra, percebe-se claramente a centralidade da Palavra de Deus na vida daquela comunidade de f\u00e9. O Povo de Deus constr\u00f3i-se e articula-se \u00e0 volta da Palavra de Deus; \u00e9 uma comunidade que vive da escuta e do acolhimento da Palavra. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pertencer \u00e0 comunidade de Deus se a Palavra de Deus n\u00e3o estiver no centro da nossa experi\u00eancia de f\u00e9. Que lugar ocupa a Palavra de Deus na vida de cada um de n\u00f3s? Que lugar tem a Palavra de Deus na vida das nossas comunidades crist\u00e3s? A Palavra \u00e9 o centro \u00e0 volta do qual tudo se articula? Encontramos espa\u00e7o para ler, para refletir, para partilhar a Palavra? Sentimos necessidade de nos encontrarmos ao domingo, o \u201cdia do Senhor\u201d, para escutar e refletir comunitariamente a Palavra?<\/li>\n<li>Nas nossas comunidades crist\u00e3s h\u00e1 pessoas que est\u00e3o especialmente ao servi\u00e7o da Palavra de Deus: leitores, salmistas, pregadores, catequistas, di\u00e1conos, presb\u00edteros\u2026 Enquanto \u201cservidores da Palavra\u201d, eles t\u00eam uma responsabilidade especial. Por eles passa a obriga\u00e7\u00e3o de proclamar a Palavra de Deus de uma forma que todos a ou\u00e7am e que todos a compreendam. Se isso n\u00e3o acontecer, estar\u00e3o a defraudar a Palavra de Deus e a comunidade que se disp\u00f5e a escut\u00e1-la. Aqueles a quem \u00e9 confiada a miss\u00e3o de proclamar a Palavra, preparam convenientemente o ambiente e os meios que ajudam \u00e0 escuta? Proclamam a Palavra clara e distintamente, sem gestos teatrais desnecess\u00e1rios? Refletem a Palavra e explicam-na de forma acess\u00edvel, de forma que ela toque a assembleia que escuta? T\u00eam a preocupa\u00e7\u00e3o de adapt\u00e1-la \u00e0 vida?<\/li>\n<li>O Povo reunido por Neemias e Esdras para escutar a Palavra de Deus compareceu em massa e acolheu a proclama\u00e7\u00e3o da Palavra com respeito e interesse. Escutou, interiorizou e deixou-se questionar pela Palavra escutada. \u201cLevou a s\u00e9rio\u201d aquele encontro com a Palavra de Deus. Abra\u00e7ou aquela oportunidade para se alimentar da Palavra de Deus. Nas nossas assembleias comunit\u00e1rias, a Palavra \u00e9 acolhida com venera\u00e7\u00e3o e respeito? Durante a proclama\u00e7\u00e3o da Palavra escutamo-la atentamente, ou aproveitamos aquele espa\u00e7o para fazer as nossas devo\u00e7\u00f5es pessoais ou para \u201cviajar\u201d pelos nossos interesses e problemas?<\/li>\n<li>Depois de escutar a proclama\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, os habitantes de Jerusal\u00e9m choraram. Esse choro resultou da tristeza que sentiram ao perceberem que as suas vidas n\u00e3o estavam em conson\u00e2ncia com as propostas de Deus. A constata\u00e7\u00e3o dos nossos limites e fragilidades \u00e9 sempre o primeiro passo para a convers\u00e3o. A escuta da Palavra de Deus deve levar-nos a mudar a nossa forma de pensar, de agir, de viver; deve questionar os valores que presidem \u00e0 nossa vida e levar-nos a viver de forma mais coerente e consequente. \u00c9 isso que acontece? A escuta da Palavra transforma a nossa forma de viver, ou deixa tudo como sempre foi? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 18 B (19)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: As vossas palavras, Senhor, s\u00e3o esp\u00edrito e vida.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A lei do Senhor \u00c9 perfeita,<br \/>\nela reconforta a alma;<br \/>\nas ordens do Senhor s\u00e3o firmes,<br \/>\nd\u00e3o sabedoria aos simples.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os preceitos do Senhor s\u00e3o retos<br \/>\ne alegram o cora\u00e7\u00e3o;<br \/>\nos mandamentos do Senhor s\u00e3o claros<br \/>\ne iluminam os olhos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O temor do Senhor \u00e9 puro<br \/>\ne permanece eternamente;<br \/>\nos ju\u00edzos do Senhor s\u00e3o verdadeiros,<br \/>\ntodos eles s\u00e3o retos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aceitai as palavras da minha boca<br \/>\ne os pensamentos do meu cora\u00e7\u00e3o<br \/>\nestejam na vossa presen\u00e7a:<br \/>\nV\u00f3s, Senhor, sois o meu amparo e redentor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>1 Cor\u00edntios 12,12-30<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nAssim como o corpo \u00e9 um s\u00f3 e tem muitos membros,<br \/>\ne todos os membros do corpo, apesar de numerosos,<br \/>\nconstituem um s\u00f3 corpo,<br \/>\nassim sucede tamb\u00e9m em Cristo.<br \/>\nNa verdade, todos n\u00f3s<br \/>\n\u2013 judeus e gregos, escravos e homens livres \u2013<br \/>\nfomos batizados num s\u00f3 Esp\u00edrito<br \/>\npara constituirmos um s\u00f3 corpo<br \/>\ne a todos nos foi dado a beber um s\u00f3 Esp\u00edrito.<br \/>\nDe facto, o corpo n\u00e3o \u00e9 constitu\u00eddo por um s\u00f3 membro,<br \/>\nmas por muitos.<br \/>\nSe o p\u00e9 dissesse:<br \/>\n\u00abUma vez que n\u00e3o sou m\u00e3o, n\u00e3o perten\u00e7o ao corpo\u00bb,<br \/>\nnem por isso deixaria de fazer parte do corpo.<br \/>\nE se a orelha dissesse:<br \/>\n\u00abUma vez que n\u00e3o sou olho, n\u00e3o perten\u00e7o ao corpo\u00bb,<br \/>\nnem por isso deixaria de fazer parte do corpo.<br \/>\nSe o corpo inteiro fosse olho, onde estaria o ouvido?<br \/>\nSe todo ele fosse ouvido, onde estaria o olfato?<br \/>\nMas Deus disp\u00f4s no corpo cada um dos membros,<br \/>\nsegundo a sua vontade.<br \/>\nSe todo ele fosse um s\u00f3 membro, que seria do corpo?<br \/>\nH\u00e1, portanto, muitos membros, mas um s\u00f3 corpo.<br \/>\nO olho n\u00e3o pode dizer \u00e0 m\u00e3o: \u00abN\u00e3o preciso de ti\u00bb;<br \/>\nnem a cabe\u00e7a dizer aos p\u00e9s: \u00abN\u00e3o preciso de v\u00f3s\u00bb.<br \/>\nPelo contr\u00e1rio, os membros do corpo que parecem fracos<br \/>\ns\u00e3o os mais necess\u00e1rios;<br \/>\nos que nos parecem menos honrosos<br \/>\ncuidamo-los com maior considera\u00e7\u00e3o;<br \/>\ne os nossos membros menos decorosos<br \/>\ns\u00e3o tratados com maior dec\u00eancia:<br \/>\nos que s\u00e3o mais decorosos n\u00e3o precisam de tais cuidados.<br \/>\nDeus organizou o corpo,<br \/>\ndispensando maior considera\u00e7\u00e3o ao que dela precisa,<br \/>\npara que n\u00e3o haja divis\u00e3o no corpo<br \/>\ne os membros tenham a mesma solicitude uns com os outros.<br \/>\nDeste modo, se um membro sofre,<br \/>\ntodos os membros sofrem com ele;<br \/>\nse um membro \u00e9 honrado,<br \/>\ntodos os membros se alegram com ele.<br \/>\nV\u00f3s sois corpo de Cristo e seus membros,<br \/>\ncada um por sua parte.<br \/>\nAssim, Deus estabeleceu na Igreja<br \/>\nem primeiro lugar ap\u00f3stolos,<br \/>\nem segundo lugar profetas, em terceiro doutores.<br \/>\nV\u00eam a seguir os dons dos milagres, das curas, da assist\u00eancia,<br \/>\nde governar, de falar diversas l\u00ednguas.<br \/>\nSer\u00e3o todos ap\u00f3stolos? Todos profetas? Todos doutores?<br \/>\nTodos far\u00e3o milagres? Todos ter\u00e3o o poder de curar?<br \/>\nTodos falar\u00e3o l\u00ednguas? Todos ter\u00e3o o dom de as interpretar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 de Corinto, nascida do trabalho mission\u00e1rio de Paulo entre o outono do ano 50 e a primavera do ano 52, era viva, interessada e fervorosa; mas conhecia diversos problemas que resultavam, em grande parte, do ambiente social e cultural que se respirava na cidade. Em Corinto podiam notar-se bem os problemas que a proposta crist\u00e3 teve de enfrentar ao encontrar-se com uma cultura diversa, como era o caso da cultura hel\u00e9nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos problemas que afetava a vida da comunidade resultava de uma conce\u00e7\u00e3o errada dos \u201ccarismas\u201d e da forma como estes deviam ser encarados em contexto comunit\u00e1rio. Paulo aborda esta quest\u00e3o nos cap\u00edtulos na primeira Carta aos Cor\u00edntios, entre 12,1 e 14,40.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra \u201ccarisma\u201d designa dons especiais concedidos gratuitamente pelo Esp\u00edrito a determinado indiv\u00edduo, destinados a responder \u00e0s necessidades do mundo e, particularmente, \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o da comunidade crist\u00e3. Nas cartas de Paulo fala-se insistentemente em \u201ccarismas\u201d que animavam a vida e o dinamismo das comunidades crist\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade crist\u00e3 de Corinto sentia-se especialmente agraciada por estes dons do Esp\u00edrito. No entanto, os cor\u00edntios confundiam frequentemente os \u201ccarismas\u201d com certos fen\u00f3menos de exalta\u00e7\u00e3o religiosa bastante comuns na religi\u00e3o grega tradicional. Paulo sente-se na obriga\u00e7\u00e3o de dizer aos crist\u00e3os de Corinto que os \u201ccarismas\u201d dados pelo Esp\u00edrito n\u00e3o podem levar a pr\u00e1ticas pouco consent\u00e2neas com o Evangelho de Jesus. S\u00e3o verdadeiros os carismas que levam \u00e0 profiss\u00e3o de f\u00e9 em Jesus e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da comunidade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, os \u201ccarismas\u201d de que alguns se julgavam investidos pelo Esp\u00edrito eram, com frequ\u00eancia, fatores de divis\u00e3o e de conflito. Considerando-se a si pr\u00f3prios \u201cescolhidos de Deus\u201d, alguns dos \u201ccarism\u00e1ticos\u201d reivindicavam um protagonismo que danificava a comunh\u00e3o fraterna. Apresentando-se como mensageiros incontestados das coisas divinas, assumiam atitudes de autoritarismo e de prepot\u00eancia que n\u00e3o favoreciam a fraternidade; desprezavam os que n\u00e3o tinham sido dotados destes dons, considerando-os como \u201ccrist\u00e3os de segunda\u201d, limitados a um lugar subalterno no contexto comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo procura fazer os cor\u00edntios entender a necessidade de haver uma comunidade unida e fraterna, onde todos os membros est\u00e3o plenamente integrados e onde todos contribuem para o bem de todos. Nesse sentido, serve-se de uma met\u00e1fora frequentemente usada pelos escritores antigos, particularmente os fil\u00f3sofos estoicos (como S\u00e9neca, Marco Aur\u00e9lio, Epicteto): a comunidade \u00e9 como um corpo, constitu\u00eddo por muitos membros, e onde todos os membros desempenham fun\u00e7\u00f5es diversas.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>\u00c9 muito bela a imagem usada por Paulo para falar da Igreja: um \u201ccorpo\u201d (o \u201ccorpo de Cristo\u201d), formado por muitos membros, todos animados pelo mesmo princ\u00edpio vital, o Esp\u00edrito; cada um dos membros desempenha uma determinada fun\u00e7\u00e3o; todos esses membros, com fun\u00e7\u00f5es diversas, s\u00e3o iguais em dignidade e nenhum deles se pode julgar superior aos outros; todos eles, na diversidade de fun\u00e7\u00f5es, contribuem \u00e0 sua maneira para o crescimento, o equil\u00edbrio, a harmonia, a sa\u00fade do \u201ccorpo\u201d. Esta conce\u00e7\u00e3o da Igreja exclui, de princ\u00edpio, tudo o que significa ego\u00edsmo, salvaguarda de interesses mesquinhos, invejas, ci\u00fames, conflitos, afirma\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio em detrimento dos outros, autossufici\u00eancia\u2026 Como \u00e9 que vivem e se articulam as nossas comunidades crist\u00e3s? D\u00e3o ao mundo um testemunho de harmonia, de entendimento, de comunh\u00e3o, de vida fraterna? As palavras \u201csolidariedade\u201d, \u201cparticipa\u00e7\u00e3o\u201d, \u201ccorresponsabilidade\u201d fazem sentido na defini\u00e7\u00e3o do quadro da nossa comunidade crist\u00e3?<\/li>\n<li>A comunidade crist\u00e3 \u00e9 o \u201ccorpo de Cristo\u201d. O \u201ccorpo\u201d \u00e9 a realidade que nos identifica, que nos torna vis\u00edveis aos olhos dos nossos irm\u00e3os, que nos permite entrar em rela\u00e7\u00e3o com aqueles que nos rodeiam. A Igreja, como \u201ccorpo de Cristo\u201d, torna presente e vis\u00edvel no mundo o pr\u00f3prio Cristo; \u00e9 atrav\u00e9s da Igreja que os nossos irm\u00e3os se relacionam com Cristo. Quem olha para a Igreja deve \u201cver\u201d o rosto de Cristo que sorri com amor, o cora\u00e7\u00e3o de Cristo que acolhe e perdoa, as m\u00e3os de Cristo que aben\u00e7oam e abra\u00e7am\u2026 \u00c9 isso que acontece? A Igreja \u2013 essa Igreja da qual n\u00f3s somos membros \u2013 \u00e9 presen\u00e7a de Cristo junto dos homens e mulheres do nosso tempo? A Igreja \u00e9 a imagem vis\u00edvel de Cristo, do seu projeto de vida, da proposta de salva\u00e7\u00e3o que Ele veio oferecer a todos? A Igreja mostra, ao vivo e a cores, a miseric\u00f3rdia, o carinho, a ternura, a compreens\u00e3o que Cristo tinha por todos os homens e mulheres, e particularmente pelos pobres, pelos mais fr\u00e1geis, por aqueles que a sociedade condena e abandona na berma da estrada da vida?<\/li>\n<li>O Esp\u00edrito distribui aos membros da comunidade crist\u00e3 \u201ccarismas\u201d (dons espirituais). Esses \u201ccarismas\u201d n\u00e3o s\u00e3o pr\u00e9mios pessoais por bom comportamento, nem s\u00e3o um pagamento por servi\u00e7os distintos; n\u00e3o se destinam a p\u00f4r em relevo um membro da comunidade em detrimento de outros; n\u00e3o s\u00e3o uma promo\u00e7\u00e3o pessoal ou social\u2026 Os \u201ccarismas\u201d s\u00e3o dons que Deus confia a determinadas pessoas para o servi\u00e7o de toda a comunidade. Quem os recebe assume a responsabilidade de os p\u00f4r a render de modo que toda a comunidade deles beneficie. Como entendemos e \u201cgerimos\u201d os dons que Deus nos confia? Colocamo-los ao servi\u00e7o de todos, de forma gratuita e n\u00e3o interesseira?<\/li>\n<li>Os membros de um \u201ccorpo\u201d, embora diferentes e com fun\u00e7\u00f5es diversas, vivem em interdepend\u00eancia. Isto \u00e9 especialmente v\u00e1lido para o \u201ccorpo de Cristo\u201d: os membros da comunidade crist\u00e3 sentem-se ligados uns aos outros por la\u00e7os de comunh\u00e3o, de solidariedade, de partilha, de m\u00fatuo afeto. Interessam-se uns pelos outros, cuidam uns dos outros, preocupam-se uns com os outros. S\u00e3o uma fam\u00edlia que, vivendo no amor, d\u00e1 testemunho de Deus no meio do mundo. \u00c9 efetiva a nossa comunh\u00e3o e a nossa solidariedade com os outros membros da comunidade? Sentimo-nos respons\u00e1veis pelos irm\u00e3os que, como n\u00f3s, integram o \u201ccorpo de Cristo\u201d? Os dramas e os sofrimentos, as alegrias e as esperan\u00e7as, os projetos e os sonhos dos outros homens e mulheres que fazem caminho connosco s\u00e3o vistos como algo que nos diz respeito?<\/li>\n<li>Se um membro de um \u201ccorpo\u201d n\u00e3o desempenhar o papel que lhe compete, todo o \u201ccorpo\u201d fica prejudicado. Na constru\u00e7\u00e3o da comunidade crist\u00e3, procuramos cumprir a nossa miss\u00e3o, com sentido de responsabilidade, ou remetemo-nos a uma situa\u00e7\u00e3o de passividade e de comodismo, esperando que sejam os outros a fazer tudo? Somos membros ativos da comunidade, que trabalham e servem a comunidade, ou somos simples \u201cconsumidores\u201d que se limitam a \u201cfrequentar a Igreja\u201d e a beneficiar do trabalho dos outros? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 1,1-4; 4,14-21<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que muitos empreenderam narrar os factos<br \/>\nque se realizaram entre n\u00f3s,<br \/>\ncomo no-los transmitiram os que, desde o in\u00edcio,<br \/>\nforam testemunhas oculares e ministros da palavra,<br \/>\ntamb\u00e9m eu resolvi,<br \/>\ndepois de ter investigado cuidadosamente tudo desde as origens,<br \/>\nescrev\u00ea-las para ti, ilustre Te\u00f3filo,<br \/>\npara que tenhas conhecimento seguro do que te foi ensinado.<br \/>\nNaquele tempo,<br \/>\nJesus voltou da Galileia, com a for\u00e7a do Esp\u00edrito,<br \/>\ne a sua fama propagou-se por toda a regi\u00e3o.<br \/>\nEnsinava nas sinagogas e era elogiado por todos.<br \/>\nFoi ent\u00e3o a Nazar\u00e9, onde Se tinha criado.<br \/>\nSegundo o seu costume,<br \/>\nentrou na sinagoga a um s\u00e1bado<br \/>\ne levantou-Se para fazer a leitura.<br \/>\nEntregaram-Lhe o livro do profeta Isa\u00edas<br \/>\ne, ao abrir o livro,<br \/>\nencontrou a passagem em que estava escrito:<br \/>\n\u00abO Esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre mim,<br \/>\nporque Ele me ungiu<br \/>\npara anunciar a boa nova aos pobres.<br \/>\nEle me enviou a proclamar a reden\u00e7\u00e3o aos cativos<br \/>\ne a vista aos cegos,<br \/>\na restituir a liberdade aos oprimidos<br \/>\ne a proclamar o ano da gra\u00e7a do Senhor\u00bb.<br \/>\nDepois enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-Se.<br \/>\nEstavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga.<br \/>\nCome\u00e7ou ent\u00e3o a dizer-lhes:<br \/>\n\u00abCumpriu-se hoje mesmo<br \/>\nesta passagem da Escritura que acabais de ouvir\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo deste ano lit\u00fargico (Ano C), a liturgia prop\u00f5e-nos a escuta e a reflex\u00e3o do Evangelho segundo Lucas. Lucas, o evangelista que nos legou o terceiro Evangelho, n\u00e3o foi uma testemunha ocular de Jesus; era um crist\u00e3o de segunda ou terceira gera\u00e7\u00e3o, m\u00e9dico de profiss\u00e3o (cf. Cl 4,14), que se tornou disc\u00edpulo e colaborador de Paulo (Flm 24). Escreveu o seu Evangelho em meados dos anos oitenta do primeiro s\u00e9culo, provavelmente para comunidades crist\u00e3s de l\u00edngua grega. Depois de nos apresentar, no Evangelho, o \u201ctempo de Jesus\u201d, Lucas deixou-nos uma outra obra \u2013 os Atos dos Ap\u00f3stolos \u2013 onde nos fala da etapa seguinte da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: o \u201ctempo da Igreja\u201d, a fase em que os disc\u00edpulos, guiados pelo Esp\u00edrito, d\u00e3o testemunho de Jesus \u201cat\u00e9 aos confins da terra\u201d (At 1,8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto evang\u00e9lico deste domingo oferece-nos, logo no in\u00edcio, um \u201cpr\u00f3logo\u201d liter\u00e1rio onde o evangelista, \u00e0 boa maneira dos escritores gregos da \u00e9poca, apresenta a sua obra (cf. Lc 1,1-4). Refere os motivos que o levaram a escrever o Evangelho e as fontes com que contou para a compor. Destina a obra a um tal \u201cTe\u00f3filo\u201d, que poder\u00e1 ser uma pessoa concreta ou um nome fict\u00edcio (a palavra significa \u201camigo de Deus\u201d) para designar qualquer pessoa que esteja interessado em conhecer a vida e a obra de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, logo depois do \u201cpr\u00f3logo\u201d, o texto lit\u00fargico deste domingo salta para o momento em que Jesus, na sinagoga de Nazar\u00e9, apresenta o seu \u201cprograma\u201d (cf. Lc 4,14-21). Nazar\u00e9, a terra onde Jesus passou uma boa parte da sua vida, era uma pequena povoa\u00e7\u00e3o, com cerca de 500 habitantes, situada na baixa Galileia. A maior parte dos seus habitantes eram agricultores que cuidavam de terras pertencentes a grandes latifundi\u00e1rios; alguns, contudo, eram \u201cartes\u00e3os\u201d que trabalhavam em diversos of\u00edcios ligados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o civil. A sinagoga era o espa\u00e7o de encontro da assembleia crente. Ao s\u00e1bado, a comunidade reunia-se na sinagoga para a ora\u00e7\u00e3o e para a escuta das leituras da Lei e dos Profetas, com o respetivo coment\u00e1rio. A proclama\u00e7\u00e3o das leituras era feita por algum membro mais instru\u00eddo da comunidade ou por algum visitante ilustre, conhecido pelo seu saber na explica\u00e7\u00e3o das escrituras, convidado pelo chefe da sinagoga a proclamar e a explicar a Palavra de Deus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Estamos mais do que habituados \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de \u201cprogramas\u201d: qualquer figura que se proponha intervir na \u00e1rea p\u00fablica e desempenhar um papel na constru\u00e7\u00e3o do mundo e da sociedade apresenta, antes de come\u00e7ar a agir, os princ\u00edpios program\u00e1ticos que v\u00e3o nortear a sua interven\u00e7\u00e3o. De acordo com o Evangelho de Lucas, Jesus tamb\u00e9m o fez, numa manh\u00e3 de s\u00e1bado, na sinagoga de Nazar\u00e9. Contudo, o \u201cprograma\u201d daquele profeta de Deus surpreende: n\u00e3o passa por estabelecer um sistema religioso mais perfeito, ou por implantar um culto mais digno, ou por propor determinadas pr\u00e1ticas de piedade que tornam o homem mais santo; mas passa por p\u00f4r cobro a tudo aquilo que rouba a vida e a dignidade dos seres humanos. O profeta de Nazar\u00e9 prop\u00f5e-se anunciar aos pobres que Deus os ama e vai libert\u00e1-los da sua triste situa\u00e7\u00e3o; prop\u00f5e-se curar os homens e mulheres prisioneiros da doen\u00e7a, da maldade, do ego\u00edsmo, da injusti\u00e7a; prop\u00f5e-se iluminar os caminhos em que os homens andam, para que ningu\u00e9m viva prisioneiro da escurid\u00e3o e do sem-sentido; prop\u00f5e-se fazer nascer um mundo mais humano, mais justo, mais feliz. Que pensamos do \u201cprograma\u201d de Jesus? Ser\u00e1 um \u201cprograma\u201d vi\u00e1vel no nosso \u201choje\u201d, no s\u00e9c. XXI? Porque \u00e9 que os homens e mulheres do nosso tempo ainda n\u00e3o abra\u00e7aram, de forma decisiva, a proposta de Jesus?<\/li>\n<li>O \u201cprograma\u201d de Jesus continua a ser o mesmo, dois mil anos depois. A quest\u00e3o \u00e9 que, agora, \u00e9 a Igreja de Jesus que tem a responsabilidade de implementar este \u201cprograma\u201d. Isto de oferecer aos pobres uma nova esperan\u00e7a, de libertar os homens e mulheres que s\u00e3o prisioneiros da injusti\u00e7a e da opress\u00e3o, de proporcionar a todos uma vida mais digna e mais ditosa, de defender os exclu\u00eddos pela sociedade de bem-estar, de acolher e integrar os \u201cdiferentes\u201d e marginalizados, n\u00e3o \u00e9 uma coisa de ideologias oriundas de uma certa \u00e1rea pol\u00edtica, mas \u00e9 uma coisa \u201cde Jesus\u201d. Ou a comunidade crist\u00e3 tem a liberta\u00e7\u00e3o dos \u201cpobres\u201d no seu \u201cprograma\u201d, ou deixa de ser a Igreja de Jesus. A Igreja tem-se preocupado em anunciar o \u201cevangelho da liberta\u00e7\u00e3o\u201d? Tem-se preocupado suficientemente com a sorte dos pobres, dos pequenos, dos exclu\u00eddos, dos sem voz, dos abandonados, dos marginalizados, dos imigrantes que todos os dias batem \u00e0 porta do nosso mundo ego\u00edsta e saciado? O que mais poder\u00e1 a Igreja fazer para ser sinal, junto dos desfavorecidos e sofredores, da miseric\u00f3rdia e do amor de Deus?<\/li>\n<li>O sofrimento de muitos homens e mulheres que nos rodeiam \u00e9 um espinho cravado no nosso bem-estar e na nossa tranquilidade. Jesus nunca ficou indiferente diante das l\u00e1grimas, das ang\u00fastias, dos sofrimentos de qualquer homem ou mulher. Os evangelhos dizem-nos que Ele se \u201ccomovia profundamente\u201d e tomava posi\u00e7\u00e3o no sentido de devolver a vida e a esperan\u00e7a a todos os sofredores. Pessoalmente, como lidamos com as necessidades gritantes de tantos homens e mulheres sem p\u00e3o, sem abrigo, sem amor, sem compreens\u00e3o, que se cruzam connosco nos caminhos da vida? Sentimos que o sofrimento dos irm\u00e3os que nos rodeiam nos diz respeito e que \u00e9 nossa responsabilidade?<\/li>\n<li>Jesus, na sinagoga de Nazar\u00e9, depois de proclamar a Palavra de Deus, atualiza-a: \u201ccumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir\u201d. A Palavra escutada \u00e9 aplicada ao hoje do crente, ilumina a vida, torna-se um an\u00fancio feliz e renovador que traz alegria e desperta a esperan\u00e7a. Nas nossas comunidades crist\u00e3s, os que proclamam a Palavra, que a explicam nas homilias, que a ensinam na catequese, que a partilham nos grupos de reflex\u00e3o, t\u00eam sempre esta preocupa\u00e7\u00e3o de a tornar uma realidade \u201ctocante\u201d e um an\u00fancio verdadeiramente transformador e libertador, capaz de iluminar a vida daqueles que os escutam?<\/li>\n<li>Lucas, no \u201cpr\u00f3logo\u201d ao seu Evangelho, explica que, a narra\u00e7\u00e3o que se prop\u00f5e fazer sobre a vida e a mensagem de Jesus, fundamenta-se na escuta das \u201ctestemunhas oculares\u201d e numa investiga\u00e7\u00e3o cuidadosa dos factos acontecidos. O objetivo do seu trabalho \u00e9 proporcionar a todos aqueles que est\u00e3o interessados em aproximar-se de Jesus, uma base segura para fundamentarem a sua ades\u00e3o a Jesus. Que papel desempenham os textos evang\u00e9licos na nossa experi\u00eancia de Jesus? Procuramos escut\u00e1-los, conhec\u00ea-los, medit\u00e1-los, para nos tornarmos verdadeiros disc\u00edpulos, que entendem Jesus e se disp\u00f5em a acolher a proposta libertadora que Ele veio trazer? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 marcada pela narrativa da proclama\u00e7\u00e3o do Livro da Lei pelo sacerdote Esdras. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ser marcada pelo tom narrativo de quem conta este dia feliz do Povo de Israel. Devem ter uma aten\u00e7\u00e3o especial na leitura das aclama\u00e7\u00f5es do Povo, da exorta\u00e7\u00e3o conjunta de Neemias, Esdras e os levitas e a exorta\u00e7\u00e3o final de Neemias. Todas elas s\u00e3o marcadas pelo louvor e alegria da presen\u00e7a de Deus no meio do Seu Povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> tem como mensagem fundamental a unidade do Corpo de Cristo na variedade dos seus membros e na proclama\u00e7\u00e3o desta leitura a transmiss\u00e3o desta mensagem \u00e9 fundamental. Para isso, pede-se um especial cuidado nas frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es, de modo particular, nas frases interrogativas e nas hipot\u00e9ticas interven\u00e7\u00f5es de cada um dos membros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Leitura-I-do-Domingo-III-do-Tempo-Comum-Ano-C-26.01.2025-Ne-82-4a.5-6.8-10.pdf\">Leitura I do Domingo III do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 26.01.2025 (Ne 8,2-4a.5-6.8-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Resto-Leitura-I-e-Leitura-II-do-Domingo-III-do-Tempo-Comum-Ano-C-26.01.2025-1-Cor-12-4-11.pdf\">Resto Leitura I e Leitura II do Domingo III do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 26.01.2025 (1 Cor 12, 4-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Resto-Leitura-II-do-Domingo-III-do-Tempo-Comum-Ano-C-26.01.2025-1-Cor-12-4-11.pdf\">Resto Leitura II do Domingo III do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 26.01.2025 (1 Cor 12, 4-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Domingo-III-do-Tempo-Comum-Domingo-da-Palavra-Ano-C-26.01.2025-Lecionario.pdf\">Domingo III do Tempo Comum &#8211; Domingo da Palavra &#8211; Ano C &#8211; 26.01.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Domingo-III-do-Tempo-Comum-Domingo-da-Palavra-Ano-C-26.01.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo III do Tempo Comum &#8211; Domingo da Palavra &#8211; Ano C &#8211; 26.01.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Domingo-III-do-Tempo-Comum-Ano-C-26.01.2025-refletindo.pdf\">Domingo III do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 26.01.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-III-TC.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo III TC<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Domigo-da-Palavra-de-Deus_2025-v1.pdf\">Domigo da Palavra de Deus_2025 v1<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Jubileu-dos-Leitores-26.01.2025.pdf\">Jubileu-dos-Leitores-26.01.2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo II do Tempo Comum \u2013 Ano C \u2013 19 janeiro 2025&#8243; tab_id=&#8221;1737978771485-ecf6c367-7de8&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo II do Tempo Comum &#8211; <\/strong><strong>Ano C \u2013 19 janeiro 2025<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Domingo-II.jpg\" alt=\"\" width=\"558\" height=\"260\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da celebra\u00e7\u00e3o festiva do Natal do Senhor e das festas nele celebradas, o calend\u00e1rio lit\u00fargico prop\u00f5e alguns Domingos do Tempo Comum at\u00e9 ao in\u00edcio do Tempo da Quaresma. No Tempo Comum, ao contr\u00e1rio dos outros tempos lit\u00fargicos, n\u00e3o celebramos nenhum mist\u00e9rio em espec\u00edfico da vida do Senhor ou a sua respetiva prepara\u00e7\u00e3o, mas a totalidade do mist\u00e9rio de Cristo na normalidade e no quotidiano da vida. \u00c9 a celebra\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a sempre viva e atuante de Deus na hist\u00f3ria que, em cada tempo e em cada lugar, realiza a Sua obra de amor e escreve em n\u00f3s e, a partir de n\u00f3s, no mundo, a Sua hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o. Percorremos com Jesus os caminhos da miss\u00e3o e aprendemos no caminho, com Ele e como Ele, a obedi\u00eancia \u00e0 vontade do Pai, a fidelidade ao Seu des\u00edgnio salv\u00edfico e a abertura ao horizonte da gra\u00e7a onde se inscrevem as nossas vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escutamos o cap\u00edtulo segundo do Evangelho de S. Jo\u00e3o, acompanhando o in\u00edcio da atividade de Jesus. Depois do evangelista ter apresentado a Palavra que se faz carne, o Baptista que se faz Sua voz e os primeiros disc\u00edpulos que acolhem o seu testemunho, descreve a aventura de Jesus com aqueles que o acompanham e se cruzam com Ele. O in\u00edcio da Sua miss\u00e3o contrasta com o que seria expect\u00e1vel na tradi\u00e7\u00e3o religiosa vigente: oferece vinho para a embriaguez de umas n\u00fapcias e expulsa os vendedores do Templo, derrubando as mesas dos cambistas. Esta cena inicial, tal como o batismo nos sin\u00f3pticos, leva-nos a compreender que Deus \u00e9 escandalosamente diferente daquilo que s\u00e3o as nossas estruturas humanas e os nossos esquemas l\u00f3gicos, puramente racionais, que Deus excede sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro sinal de Jesus no Evangelho de S. Jo\u00e3o consiste em juntar mais de 600 litros de vinho a um banquete nupcial! O que teria a dizer sobre isto Jo\u00e3o Baptista, o asceta do deserto? Porventura, ainda hoje, n\u00e3o fosse Jesus o autor de tal ato, e estariam alguns a condenar o excesso de vinho e a falta de abstin\u00eancia e disciplina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abund\u00e2ncia e excessos caracterizam a a\u00e7\u00e3o de Deus revelada em Jesus Cristo: abund\u00e2ncia de amor pelo excesso de miseric\u00f3rdia derramada e manifestada. Quando fazemos como os noivos de Can\u00e1 da Galileia e convidamos Jesus, Sua M\u00e3e, os disc\u00edpulos para a nossa vida, entra na nossa hist\u00f3ria a abund\u00e2ncia de amor e de gra\u00e7a que nos permite percorrer com maior entusiasmo e ousadia os trilhos da hist\u00f3ria. \u00c9 verdade que a alegria da qual o vinho novo oferecido por Jesus \u00e9 sinal s\u00f3 ser\u00e1 plena e duradoura depois da gl\u00f3ria definitiva e da hora derradeira para a qual esta passagem evang\u00e9lica j\u00e1 aponta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus adverte Sua m\u00e3e \u2013 \u00ab<em>ainda n\u00e3o chegou a minha hora<\/em>\u00bb \u2013 e aponta para a hora derradeira e definitiva do cap\u00edtulo 19, onde confia o disc\u00edpulo amado a Sua M\u00e3e e Sua M\u00e3e ao disc\u00edpulo amado: \u00ab<em>e, desde aquela hora, o disc\u00edpulo acolheu-a como sua<\/em>\u00bb (Jo 19,27). As dores e sofrimentos do tempo presente, bem como as conting\u00eancias e limites da nossa condi\u00e7\u00e3o humana pecadora n\u00e3o s\u00e3o impedimento para que Deus realize a Sua obra de amor e para que no tempo e na hist\u00f3ria se fa\u00e7am presentes as maravilhas de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contamos com a presen\u00e7a terna e materna de Maria, a quem pedimos que em cada dia continue a levar a Jesus tudo quanto precisamos e, concomitantemente, pedimos a disponibilidade de cora\u00e7\u00e3o para ouvir com prontid\u00e3o performativa: \u00ab<em>fazei tudo o que Ele vos disser<\/em>\u00bb. <em><strong>in Voz Portucalense<\/strong><\/em><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia <strong>18 de janeiro<\/strong> tem in\u00edcio o Oitav\u00e1rio de Ora\u00e7\u00f5es pela Unidade dos Crist\u00e3os.\u00a0Em cada ano o Pontif\u00edcio Conselho para a Promo\u00e7\u00e3o da Unidade dos Crist\u00e3os e a Comiss\u00e3o F\u00e9 e Constitui\u00e7\u00e3o do Conselho Mundial de Igrejas prop\u00f5e um conjunto de materiais para ajudar a viver esta semana de ora\u00e7\u00e3o para que a unidade desejada por Cristo seja uma realizada e esteja presente no cora\u00e7\u00e3o de todos os crist\u00e3os. O tema para este ano \u00e9 retirado do Evangelho de Jo\u00e3o: \u00abCr\u00eas nisso?\u00bb (Jo\u00e3o 11, 26). Na internet podem ser encontrados os diferentes materiais e subs\u00eddios, que poder\u00e3o ser utilizados lit\u00fargico-pastoralmente ajudar os fi\u00e9is a viver melhor esta semana e a fazer da unidade dos crist\u00e3os n\u00e3o apenas um desejo mas uma realidade (<a href=\"https:\/\/www.oikoumene.org\/sites\/default\/files\/2024-05\/2025-WPCU-PT.pdf\"><strong>https:\/\/www.oikoumene.org\/sites\/default\/files\/2024-05\/2025-WPCU-PT.pdf<\/strong><\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do <strong>Tempo de Natal<\/strong> continuamos um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 62,1-5<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por amor de Si\u00e3o n\u00e3o me calarei,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>por amor de Jerusal\u00e9m n\u00e3o terei repouso,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>enquanto a sua justi\u00e7a n\u00e3o despontar como a aurora<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e a sua salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o resplandecer como facho ardente.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os povos h\u00e3o de ver a tua justi\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e todos os reis a tua gl\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Receber\u00e1s um nome novo,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>que a boca do Senhor designar\u00e1.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ser\u00e1s coroa esplendorosa nas m\u00e3os do Senhor,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>diadema real nas m\u00e3os do teu Deus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o mais te chamar\u00e3o \u00abAbandonada\u00bb,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>nem \u00e0 tua terra \u00abDeserta\u00bb,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>mas h\u00e3o de chamar-te \u00abPredileta\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e \u00e0 tua terra \u00abDesposada\u00bb,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>porque ser\u00e1s a predileta do Senhor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e a tua terra ter\u00e1 um esposo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tal como o jovem desposa uma virgem,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>o teu Construtor te desposar\u00e1;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e como a esposa \u00e9 a alegria do marido,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>tu ser\u00e1s a alegria do teu Deus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONTEXTO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos cap\u00edtulos 56 a 66 do livro de Isa\u00edas (o \u201cTrito-Isa\u00edas\u201d) temos uma cole\u00e7\u00e3o de textos, provavelmente de autores diversos, redigidos em Jerusal\u00e9m na \u00e9poca p\u00f3s-ex\u00edlica. O poema que a liturgia deste segundo domingo comum nos apresenta como primeira leitura pertence a essa cole\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para aqueles que retornaram do Ex\u00edlio na Babil\u00f3nia, s\u00e3o tempos dif\u00edceis e incertos. A popula\u00e7\u00e3o da cidade \u00e9 pouco numerosa e pobre; a reconstru\u00e7\u00e3o \u00e9 lenta, modesta e exige um grande esfor\u00e7o; os inimigos est\u00e3o \u00e0 espreita e fazem continuamente sentir a sua hostilidade; h\u00e1 tens\u00f5es no ar entre os que regressaram da Babil\u00f3nia e aqueles que ficaram na cidade. Aos poucos, com a reorganiza\u00e7\u00e3o da estrutura social, voltam as injusti\u00e7as dos poderosos sobre os fracos e os pobres, bem como a corrup\u00e7\u00e3o, a venalidade e a prepot\u00eancia dos chefes. O clima \u00e9 de frustra\u00e7\u00e3o e de des\u00e2nimo. As promessas de Deus, escutadas na fase final do Ex\u00edlio, parecem bem distantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os profetas que desenvolvem a sua miss\u00e3o nesta fase procuram renovar a esperan\u00e7a do Povo de Jud\u00e1 num futuro de vida plena e de salva\u00e7\u00e3o definitiva. Nesse sentido, v\u00e3o falar de uma \u00e9poca em que Deus vai voltar a residir em Jerusal\u00e9m, oferecendo em cada dia ao seu Povo a vida e a salva\u00e7\u00e3o. Essa \u201csalva\u00e7\u00e3o\u201d implicar\u00e1, n\u00e3o s\u00f3 a reconstru\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m e a restaura\u00e7\u00e3o das gl\u00f3rias passadas, mas tamb\u00e9m a liberta\u00e7\u00e3o dos pobres, dos oprimidos, dos fracos, dos marginalizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto \u00e9 parte de um poema (Is 62,1-9) que canta Jerusal\u00e9m como a \u201cesposa de Jav\u00e9\u201d, a cidade que Deus continua a amar, apesar das suas infidelidades. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A hist\u00f3ria da rela\u00e7\u00e3o entre Deus e o seu Povo revela, a cada passo, o \u201cser\u201d de Deus. Deus \u00e9 amor, um amor nunca desmentido, nunca posto em causa, nunca condicionado, nunca sujeito \u00e0 precariedade que imprimimos \u00e0s nossas rela\u00e7\u00f5es. Mesmo quando nos fechamos no ego\u00edsmo e na autossufici\u00eancia, Deus continua a oferecer-nos o seu amor; mesmo quando nos recusamos a escut\u00e1-l\u2019O e a acolher as suas propostas, Deus continua a cuidar de n\u00f3s com amor de pai e de m\u00e3e; mesmo quando subvertemos o plano que Ele tem para n\u00f3s e para o mundo, Deus continua a contar connosco e a convidar-nos para integrar a sua fam\u00edlia\u2026 Deus n\u00e3o desiste de n\u00f3s; para Deus, nunca seremos \u201cum caso perdido\u201d, porque o amor verdadeiro nunca d\u00e1 por perdida a pessoa amada. N\u00f3s que, tantas vezes, nos sentimos pecadores, malditos, indignos, perdidos, amargurados pelo peso do nosso pecado e das nossas op\u00e7\u00f5es erradas, somos hoje convidados a contemplar o amor inquebrant\u00e1vel que Deus tem por n\u00f3s e a viver iluminados por esse amor. Sabemos que caminhamos pela vida envolvidos pelo amor de Deus? A consci\u00eancia do amor de Deus liberta-nos e enche o nosso cora\u00e7\u00e3o de alegria e de esperan\u00e7a?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O Trito-Isa\u00edas afirma que o amor de Deus ir\u00e1 transformar a Jerusal\u00e9m manchada e macilenta, destru\u00edda pelos inimigos, calcinada pelos inc\u00eandios que os ex\u00e9rcitos babil\u00f3nios atearam, abandonada pelos seus habitantes, numa \u201cnoiva\u201d encantadora e resplandecente, capaz de encher de orgulho e de alegria o cora\u00e7\u00e3o daquele que a ama. Se n\u00f3s deixarmos, o amor de Deus \u00e9 capaz de nos regenerar, de nos transformar, de nos abrir perspetivas novas, de nos convencer a levantar os olhos dos horizontes rasteiros em que a nossa exist\u00eancia decorre, para contemplarmos os horizontes vastos de uma vida livre, cheia de sentido e de realiza\u00e7\u00e3o. Conservamo-nos teimosamente fechados na nossa autossufici\u00eancia, ou estamos dispon\u00edveis para nos deixarmos transformar e recriar pelo amor de Deus?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Quando fazemos uma verdadeira experi\u00eancia do amor de Deus, nada fica igual na nossa vida. Somos dominados por um profundo sentimento de gratid\u00e3o e ficamos com vontade de testemunhar esse amor junto de todos aqueles que se cruzam connosco nos caminhos que todos os dias percorremos. Tornamo-nos arautos do amor de Deus e esse amor \u201caparece\u201d nos nossos gestos, nas nossas atitudes, na nossa forma de tratar os outros homens e mulheres. Somos sinais vivos de Deus, com o amor que transparece nos nossos gestos? As nossas fam\u00edlias s\u00e3o um reflexo do amor de Deus? As nossas comunidades crist\u00e3s anunciam ao mundo, de forma concreta, o amor que Deus tem por todos os seus filhos, particularmente pelos mais fr\u00e1geis, pelos mais abandonados, por aqueles que ningu\u00e9m quer e ningu\u00e9m ama? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 \u00a0Salmo 95 (96)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Anunciai em todos os povos as maravilhas do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cantai ao Senhor um c\u00e2ntico novo,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>cantai ao Senhor, terra inteira,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>cantai ao Senhor, bendizei o seu nome.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anunciai dia a dia a sua salva\u00e7\u00e3o,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>publicai entre as na\u00e7\u00f5es a sua gl\u00f3ria,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>em todos os povos as suas maravilhas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dai, \u00f3 Senhor, \u00f3 fam\u00edlia dos povos,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>dai ao Senhor gl\u00f3ria e poder,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>dai ao Senhor a gl\u00f3ria do seu nome.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Adorai o senhor com ornamentos sagrados,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>trema diante d\u2019Ele a terra inteira;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>dizei entre as na\u00e7\u00f5es: \u00abO Senhor \u00e9 Rei\u00bb,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>governa os povos com equidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>1 Cor\u00edntios 12,4-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 diversidade de dons espirituais,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>mas o Esp\u00edrito \u00e9 o mesmo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 diversidade de minist\u00e9rios,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>mas o Senhor \u00e9 o mesmo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 diversidade de opera\u00e7\u00f5es,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>mas \u00e9 o mesmo Deus que realiza tudo em todos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em cada um se manifestam os dons do Esp\u00edrito<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>para o bem comum.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A um o Esp\u00edrito d\u00e1 a mensagem da sabedoria,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a outro a mensagem da ci\u00eancia, segundo o mesmo Esp\u00edrito.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 um s\u00f3 e o mesmo Esp\u00edrito<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>que d\u00e1 a um o dom da f\u00e9, a outro o poder de curar;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a um d\u00e1 o poder de fazer milagres,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a outro o de falar em nome de Deus;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a um d\u00e1 o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>discernimento dos esp\u00edritos,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a outro o de falar diversas l\u00ednguas,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a outro o dom de as interpretar.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas \u00e9 um s\u00f3 e o mesmo Esp\u00edrito que faz tudo isto,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>distribuindo os dons a cada um conforme Lhe agrada.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONTEXTO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho mission\u00e1rio de Paulo de Tarso, em meados do s\u00e9c. I, levou o cristianismo ao encontro do mundo grego. Paulo, depois de um certo discernimento, tinha conclu\u00eddo que a proposta de Jesus era para todos os povos da terra e n\u00e3o exclusivamente para os judeus. No entanto, o contexto judaico \u2013 de onde o cristianismo era origin\u00e1rio \u2013 e o contexto grego eram realidades culturais e religiosas bastante diferentes. Como \u00e9 que a proposta crist\u00e3 se aguentaria quando mergulhasse num mundo que funcionava com dinamismos que lhe eram estranhos? Iria a brilhante cultura grega absorver ou desvirtuar os valores crist\u00e3os? Como \u00e9 que os crist\u00e3os de origem grega integrariam a sua f\u00e9 na realidade cultural em que estavam inseridos? A comunidade crist\u00e3 de Corinto sentiu toda esta problem\u00e1tica de forma especial. Na Primeira Carta aos Corintos, Paulo aborda diversas quest\u00f5es que lhe foram colocadas pelos crist\u00e3os de Corinto e onde, como \u201cpano de fundo\u201d, est\u00e1 a quest\u00e3o do encaixe dos valores crist\u00e3os nos valores da cultura grega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das quest\u00f5es onde esta problem\u00e1tica, de alguma forma, est\u00e1 presente \u00e9 a quest\u00e3o dos \u201ccarismas\u201d. A palavra \u201ccarisma\u201d tem a sua origem no campo religioso crist\u00e3o, especialmente na teologia paulina. Designa dons especiais do Esp\u00edrito, concedidos a determinado indiv\u00edduo \u2013 independentemente do posto que ocupa na institui\u00e7\u00e3o eclesial \u2013 para o bem das pessoas, para as necessidades do mundo e, em particular, para a edifica\u00e7\u00e3o da Igreja. Nas cartas de Paulo fala-se insistentemente em \u201ccarismas\u201d que animavam a vida e o dinamismo das comunidades crist\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns crist\u00e3os de Corinto, no entanto, influenciados por determinadas experi\u00eancias religiosas que existiam na religi\u00e3o grega tradicional, entenderam os \u201ccarismas\u201d de uma forma bem peculiar. Eles conheciam, por exemplo, os \u201cor\u00e1culos\u201d, atrav\u00e9s dos quais os deuses, servindo-se de intermedi\u00e1rios humanos, transmitiam as suas indica\u00e7\u00f5es (santu\u00e1rio de Delfos, sacerdotisas de Dodona); conheciam tamb\u00e9m certos rituais em que os crentes, atrav\u00e9s do transe, de experi\u00eancia orgi\u00e1sticas, de excessos de v\u00e1rios tipos, se \u201cfundiam\u201d com o deus a quem prestavam culto (mist\u00e9rios de Dion\u00edsio, culto de Cibele). Confundiram, portanto, os \u201ccarismas\u201d crist\u00e3os com algumas dessas pr\u00e1ticas pag\u00e3s; e, possivelmente, chegaram a fazer uso dos dons carism\u00e1ticos em ambiente semelhante ao de certas cerim\u00f3nias religiosas pag\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais ainda: considerando-se a si pr\u00f3prios \u201cescolhidos de Deus\u201d, alguns destes carism\u00e1ticos reivindicavam um protagonismo que danificava a comunh\u00e3o fraterna. Apresentando-se como \u201ciluminados\u201d, mensageiros incontestados das coisas divinas, assumiam atitudes de autoritarismo e de prepot\u00eancia que n\u00e3o favoreciam a fraternidade; desprezavam os que n\u00e3o tinham sido dotados destes dons, considerando-os como \u201ccrist\u00e3os de segunda\u201d, limitados a um lugar subalterno no contexto comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isto causou natural alarme na comunidade crist\u00e3 de Corinto. Paulo, informado da situa\u00e7\u00e3o, entendeu intervir para evitar abusos e mal-entendidos. Na Primeira Carta aos Cor\u00edntios, ele corrige, d\u00e1 conselhos, mostra a incoer\u00eancia destes comportamentos, incompat\u00edveis com o Evangelho de Jesus. A sua interven\u00e7\u00e3o neste campo aparece nos cap\u00edtulos 12 a 14 da referida Carta. A nossa segunda leitura deste domingo insere-se neste contexto. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Todos aqueles que integram a comunidade crist\u00e3 s\u00e3o membros de um \u00fanico \u201ccorpo\u201d, o \u201ccorpo de Cristo\u201d; todos aqueles que s\u00e3o membros do \u201ccorpo de Cristo\u201d vivem e alimentam-se do mesmo Esp\u00edrito; todos aqueles que se alimentam do mesmo Esp\u00edrito formam uma fam\u00edlia de irm\u00e3os e de irm\u00e3s, iguais em dignidade. Podem, naturalmente, desempenhar fun\u00e7\u00f5es diversas, como acontece com os membros de um corpo; mas todos eles s\u00e3o igualmente importantes enquanto membros do \u201ccorpo de Cristo\u201d. Tudo isto parece incontest\u00e1vel, \u00e0 luz da doutrina de Paulo. No entanto encontramos, com alguma frequ\u00eancia, crist\u00e3os com uma consci\u00eancia viva da sua superioridade e da sua situa\u00e7\u00e3o \u201c\u00e0 parte\u201d na comunidade (seja em raz\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o que desempenham, seja em raz\u00e3o das suas \u201cqualidades\u201d humanas), que gostam de se fazer notar e de afirmar a sua autoridade ou o seu \u201cestatuto\u201d. \u00c0s vezes, veem-se atitudes de prepot\u00eancia e de autoritarismo por parte daqueles que se consideram deposit\u00e1rios de dons especiais; por vezes, ficamos com a sensa\u00e7\u00e3o de que a estrutura eclesial funciona em modelo piramidal, com uma elite que preside e toma as decis\u00f5es instalada no topo, e um \u201crebanho\u201d silencioso que obedece instalado na base. Isto faz algum sentido, \u00e0 luz da doutrina que Paulo exp\u00f5e? Como entendemos o nosso lugar e o nosso papel na comunidade crist\u00e3?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os dons que o Esp\u00edrito concede, por mais pessoais que sejam, s\u00e3o para servir o bem comum e para refor\u00e7ar a viv\u00eancia comunit\u00e1ria. Quem os recebe deve p\u00f4-los ao servi\u00e7o de todos, com humildade e simplicidade. N\u00e3o faz sentido escondermos os \u201cdons\u201d que recebemos, guardando-os s\u00f3 para n\u00f3s e deixando que eles fiquem est\u00e9reis; tamb\u00e9m n\u00e3o faz sentido usar os \u201cdons\u201d que recebemos de tal forma que eles se tornem fator de conflitos ou de divis\u00f5es. Os \u201cdons\u201d que nos foram concedidos s\u00e3o postos ao servi\u00e7o da comunidade? S\u00e3o fonte de encontro, de comunh\u00e3o, de partilha, de Vida, para a comunidade de que fazemos parte?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O Esp\u00edrito Santo \u00e9 uma presen\u00e7a imprescind\u00edvel no caminho que a Igreja vai percorrendo todos os dias: \u00e9 Ele que alimenta, que anima, que fortalece, que d\u00e1 Vida ao Povo de Deus peregrino; \u00e9 Ele que distribui os dons conforme as necessidades e que, com esses dons, continuamente recria a Igreja; \u00e9 Ele que conduz a marcha, que indica os caminhos a percorrer, que ajuda a tomar as decis\u00f5es que se imp\u00f5em para que a \u201cbarca de Pedro\u201d chegue a bom porto. Temos consci\u00eancia da presen\u00e7a do Esp\u00edrito, procuramos ouvir a sua voz e perceber as suas indica\u00e7\u00f5es?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A comunidade crist\u00e3 tem de ser o reflexo da comunidade trinit\u00e1ria, dessa comunidade de amor que une o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito. As nossas comunidades paroquiais, as nossas comunidades religiosas s\u00e3o espa\u00e7os de comunh\u00e3o e de fraternidade, onde o amor e a solidariedade dos diversos membros refletem o amor que une o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Como consideramos \u201cos outros\u201d \u2013 aqueles que t\u00eam \u201cdons\u201d diferentes ou, at\u00e9, aqueles que se apresentam de forma discreta, sem se imporem, sem \u201cdarem nas vistas\u201d? Eles s\u00e3o vistos como membros leg\u00edtimos do mesmo corpo que \u00e9 a comunidade, ou como crist\u00e3os de segunda, massa amorfa a que n\u00e3o damos muita import\u00e2ncia? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 2,1-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>realizou-se um casamento em Can\u00e1 da Galileia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e estava l\u00e1 a M\u00e3e de Jesus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jesus e os seus disc\u00edpulos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>foram tamb\u00e9m convidados para o casamento.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A certa altura faltou o vinho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o a M\u00e3e de Jesus disse-Lhe:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abN\u00e3o t\u00eam vinho\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jesus respondeu-Lhe:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abMulher, que temos n\u00f3s com isso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda n\u00e3o chegou a minha hora\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sua M\u00e3e disse aos serventes:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abFazei tudo o que Ele vos disser\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Havia ali seis talhas de pedra,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>destinadas \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o dos judeus,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>levando cada uma de duas a tr\u00eas medidas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Disse-lhes Jesus:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEnchei essas talhas de \u00e1gua\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eles encheram-nas at\u00e9 acima.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois disse-lhes:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abTirai agora e levai ao chefe de mesa\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E eles levaram.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando o chefe de mesa provou a \u00e1gua transformada em vinho,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2013 ele n\u00e3o sabia de onde viera,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>pois s\u00f3 os serventes, que tinham tirado a \u00e1gua, sabiam \u2013<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>chamou o noivo e disse-lhe:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abToda a gente serve primeiro o vinho bom<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e, depois de os convidados terem bebido bem,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>serve o inferior.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas tu guardaste o vinho bom at\u00e9 agora\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi assim que, em Can\u00e1 da Galileia,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jesus deu in\u00edcio aos seus milagres.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Manifestou a sua gl\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e os disc\u00edpulos acreditaram n\u2019Ele.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONTEXTO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de nos apresentar Jesus (cf. Jo 1,1-51), Jo\u00e3o convida-nos a testemunhar o in\u00edcio da sua miss\u00e3o no meio dos homens. Leva-nos at\u00e9 Can\u00e1 da Galileia, uma pequena aldeia agr\u00edcola identificada com a atual Kefar Kanna, situada a alguns quil\u00f3metros a nordeste de Nazar\u00e9. Era a terra natal do ap\u00f3stolo Natanael (cf. Jo 21,2). Jo\u00e3o diz-nos que foi em Can\u00e1, no decurso de uma festa de casamento, que Jesus \u201cdeu in\u00edcio aos seus sinais\u201d (\u201csemei\u00f4n\u201d \u2013 Jo 2,11). A palavra utilizada designa, no Evangelho de Jo\u00e3o, certas a\u00e7\u00f5es realizadas por Jesus que, sendo vis\u00edveis para aqueles que as contemplam, apontam para outras realidades, para verdades que ultrapassam o simples gesto realizado. O \u201csinal\u201d convida aqueles que o testemunham a deduzir algo sobre Jesus e sobre a miss\u00e3o que Ele, por mandato do Pai, veio concretizar no meio dos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201csinal\u201d que somos convidados a testemunhar acontece num cen\u00e1rio de uma festa de casamento. N\u00e3o se diz quem s\u00e3o os noivos, nem qual a liga\u00e7\u00e3o que eles t\u00eam a Jesus. Na reflex\u00e3o prof\u00e9tica, o \u201ccasamento\u201d aparece frequentemente como met\u00e1fora da rela\u00e7\u00e3o de amor entre Deus e Israel. Ali\u00e1s, a primeira leitura deste segundo domingo do tempo comum d\u00e1-nos bem conta disso. Devemos, portanto, situar e interpretar o \u201csinal\u201d que Jesus vai realizar no contexto do \u201ccasamento\u201d (na hist\u00f3ria de \u201calian\u00e7a\u201d e de comunh\u00e3o) que Deus tem vindo a construir com o seu Povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Jo\u00e3o, o gesto realizado por Jesus em Can\u00e1 da Galileia Jo\u00e3o foi o \u201cin\u00edcio\u201d dos seus \u201csinais\u201d. Sendo o primeiro dos \u201csinais\u201d, ele funciona como prot\u00f3tipo e pauta para a interpreta\u00e7\u00e3o de outros gestos que se seguir\u00e3o. Este primeiro \u201csinal\u201d define o \u201cprograma\u201d de Jesus e oferece-nos a chave para interpretar tudo aquilo que Jesus vai fazer da\u00ed para a frente. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Qual \u00e9 o lugar de Deus na vida e na hist\u00f3ria dos homens e mulheres do s\u00e9culo XXI? H\u00e1 j\u00e1 bastantes anos um fil\u00f3sofo decretou que \u201cDeus est\u00e1 morto\u201d; outros pensadores defenderam, depois disso, que os seres humanos devem assumir a sua hist\u00f3ria e a sua liberdade sem se sentirem tutelados e menorizados por uma entidade suprema; todos os dias muitos homens e mulheres que se cruzam connosco no caminho constroem as suas vidas numa completa indiferen\u00e7a face a Deus; a cada passo v\u00e3o aparecendo valores que tomam conta da nossa vida e que ocupam o lugar de Deus\u2026 A indiferen\u00e7a face a Deus tornar-nos-\u00e1 mais felizes e mais livres? A nossa autossufici\u00eancia ser\u00e1 algo de que devemos orgulhar-nos? O evangelho deste domingo apresenta-nos Jesus como aquele que veio revitalizar a rela\u00e7\u00e3o de amor e comunh\u00e3o entre Deus e os homens. Dispomo-nos a escutar Jesus e a descobrir, guiados por Ele, o amor que Deus nos tem? Temos vontade de embarcar, ao lado de Jesus, nessa hist\u00f3ria de amor e de comunh\u00e3o que Deus se prop\u00f5e viver connosco?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>No epis\u00f3dio das bodas de Can\u00e1, o evangelista Jo\u00e3o desafia-nos a repensar a nossa forma de responder ao Deus da comunh\u00e3o e da \u201calian\u00e7a\u201d. De acordo com Jo\u00e3o, se o nosso envolvimento com Deus assentar no mero cumprimento de leis, de rituais externos, de ora\u00e7\u00f5es de circunst\u00e2ncia, de liturgias pomposas e vazias, rapidamente deixar\u00e1 de fazer sentido. Nesse caso, a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus tornar-se-\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o ins\u00edpida, a que falta o \u201cvinho\u201d da alegria e do amor; poder\u00e1 mesmo chegar a ser um fardo insuport\u00e1vel, que mais cedo ou mais tarde nos far\u00e1 desistir de Deus. Para respondermos adequadamente ao desafio de viver em comunh\u00e3o com Deus, temos de escutar Jesus e de \u201cfazer o que Ele nos disser\u201d. Temos de aprender com Ele a escutar Deus, a acolher os projetos de Deus para n\u00f3s e para o mundo, a amar at\u00e9 ao dom total de n\u00f3s mesmos. Como \u00e9 que vivemos a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus? Limitamo-nos a uma viv\u00eancia religiosa triste e aborrecida, feita de gestos externos e do cumprimento de regras mais ou menos irrelevantes, ou somos capazes de acolher o \u201cvinho bom\u201d que Jesus nos oferece? Somos capazes de acolher as propostas de Jesus e de aprender com Jesus a amar a Deus e aos nossos irm\u00e3os?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O \u201cchefe de mesa\u201d da hist\u00f3ria das bodas de Can\u00e1 \u00e9 figura dos l\u00edderes religiosos judaicos. Eles presidem aos destinos do Povo de Deus, mas os seus horizontes s\u00e3o bastante limitados. Instalados nas suas certezas e seguran\u00e7as, acomodados aos seus privil\u00e9gios de classe, est\u00e3o satisfeitos com aquele sistema religioso vazio e hip\u00f3crita, que n\u00e3o liberta nem proporciona ao Povo de Deus uma exist\u00eancia livre e feliz. Quando a novidade de Deus lhes aparece \u00e0 frente, eles n\u00e3o manifestam entusiasmo ou vontade de a acolher. A triste figura do \u201cchefe de mesa\u201d naquele casamento em Can\u00e1 da Galileia constitui um aviso para todos aqueles que colocam os seus interesses e privil\u00e9gios acima do bem dos seus irm\u00e3os; constitui tamb\u00e9m um alerta para os vivem instalados numa f\u00e9 morna, requentada, pouco exigente, rotineira, \u201cvelha\u201d, que n\u00e3o tem lugar para as interpela\u00e7\u00f5es e desafios que Deus continuamente nos lan\u00e7a. O \u201cchefe de mesa\u201d que aparece no relato das bodas de Can\u00e1 tem alguma coisa a ver com a forma como n\u00f3s vivemos a religi\u00e3o?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os \u201cserventes\u201d fazem o que Jesus lhes diz e colaboram com Ele de forma a fazer chegar \u00e0 mesa do banquete o \u201cvinho novo\u201d que Jesus tem para oferecer. Correspondem aos disc\u00edpulos, aqueles que Jesus chama para O seguirem e para colaborarem com Ele na constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. N\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, estamos dispon\u00edveis para colaborar com Ele no sentido de \u201ccolocar na agenda\u201d do mundo e da hist\u00f3ria a proposta de Jesus veio trazer? O que podemos fazer para que o \u201cvinho novo e bom\u201d de Jesus chegue \u00e0 mesa da humanidade?<\/li>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Todos os dias nos deparamos com um sem n\u00famero de homens e mulheres que vivem tristes e amargurados, condenados pela sociedade, julgados pelos seus irm\u00e3os, votados \u00e0 indiferen\u00e7a e ao abandono, feridos na sua dignidade, roubados nos seus direitos, que anseiam por liberta\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a. Quando essas pessoas aparecem nas nossas comunidades crist\u00e3s \u00e0 procura de ajuda e compreens\u00e3o, s\u00e3o acolhidas? Oferecemos-lhe o \u201cvinho novo\u201d de Jesus, ou as leis velhas de uma religi\u00e3o que condena, que amea\u00e7a, que aumenta o sofrimento e a amargura? Falamos-lhes da ternura de Deus, ou de um deus sem miseric\u00f3rdia, incapaz de compreender o sofrimento dos seus filhos e filhas? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proclama\u00e7\u00e3o da <strong>primeira leitura<\/strong> deve ser marcada pelo tom alegre e cheio de esperan\u00e7a que atravessa toda a leitura. Deve ter-se especial aten\u00e7\u00e3o na proclama\u00e7\u00e3o das palavras: \u00ab<em>Abandonada<\/em>\u00bb, \u00ab<em>Deserta<\/em>\u00bb, \u00ab<em>Predileta<\/em>\u00bb e \u00ab<em>Desposada<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proclama\u00e7\u00e3o da <strong>segunda leitura<\/strong> pede um especial cuidado. No in\u00edcio, pelas frequentes repeti\u00e7\u00f5es que sublinham a mensagem da unidade na diversidade que S. Paulo quer transmitir aos Cor\u00edntios. Depois, pela enumera\u00e7\u00e3o dos dons concedidos que deve ser bem articulada para uma correta leitura e uma boa compreens\u00e3o da mensagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Leitura-I-do-Domingo-II-do-Tempo-Comum-Ano-C-19.01.2025-Is-62-1-5.pdf\">Leitura I do Domingo II do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 19.01.2025 (Is 62, 1-5)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Leitura-II-do-Domingo-II-do-Tempo-Comum-Ano-C-19.01.2025-1-Cor-12-4-11.pdf\">Leitura II do Domingo II do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 19.01.2025 (1 Cor 12, 4-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Domingo-II-do-Tempo-Comum-Ano-C-19.01.2025-Lecionario.pdf\">Domingo II do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 19.01.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Domingo-II-do-Tempo-Comum-Ano-C-19.01.2025-Oracao-Universal.pdf\">Domingo II do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 19.01.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Domingo-II-do-Tempo-Comum-Ano-C-19.01.2025-refletindo.pdf\">Domingo II do Tempo Comum &#8211; Ano C &#8211; 19.01.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-II-TC.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo II TC<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Festa do Batismo do Senhor Ano C \u2013 12 janeiro 2025&#8243; tab_id=&#8221;1737387999582-b101aa05-7fb5&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Festa do Batismo do Senhor \u00a0<\/strong><\/h4>\n<h4><strong>Ano C \u2013 12 janeiro 2025<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/12janeiro.jpg\" alt=\"\" width=\"419\" height=\"367\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que a liturgia da festa do Batismo do Senhor no prop\u00f5e apresenta dois quadros. No primeiro, a figura central \u00e9 Jo\u00e3o, que anuncia a chegada iminente daquele \u201cque h\u00e1 de vir\u201d (vers. 15-16); no segundo (vers. 21-22), a figura central \u00e9 Jesus, batizado e ungido pelo Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa Palestina em plena efervesc\u00eancia messi\u00e2nica, a figura e a atividade de Jo\u00e3o fazem que surjam conjeturas sobre o seu poss\u00edvel messianismo. Ser\u00e1 Jo\u00e3o esse \u201cungido de Deus\u201d (\u201cMashiah\u201d, o \u201cMessias\u201d), cuja miss\u00e3o \u00e9 libertar Israel da domina\u00e7\u00e3o estrangeira e assegurar ao Povo de Deus vida em abund\u00e2ncia e paz sem fim (vers. 15)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o n\u00e3o alimenta qualquer expetativa messi\u00e2nica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua pessoa; mas avisa aqueles que v\u00e3o ao seu encontro que est\u00e1 para chegar algu\u00e9m \u201cmais forte\u201d, ao qual o pr\u00f3prio Jo\u00e3o n\u00e3o \u00e9 digno de desatar as correias das sand\u00e1lias (vers. 16). \u201cDesatar as correias das sand\u00e1lias\u201d era tarefa dos escravos (por isso, a tradi\u00e7\u00e3o rab\u00ednica proibia ao disc\u00edpulo desatar as correias das sand\u00e1lias do seu mestre). A imagem utilizada define, pois, Jo\u00e3o como um \u201cescravo\u201d cuja miss\u00e3o \u00e9 estar ao servi\u00e7o desse que est\u00e1 para chegar. Jo\u00e3o diz ainda que esse \u201cmais forte\u201d ir\u00e1 \u201cbatizar com o Esp\u00edrito e com o fogo\u201d. Talvez as palavras de Jo\u00e3o soem de forma enigm\u00e1tica; mas apontam claramente numa dire\u00e7\u00e3o: a fortaleza e a un\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito est\u00e3o associadas, na tradi\u00e7\u00e3o religiosa de Israel, ao Messias esperado (cf. Is 9,5-6; 11,2). Jo\u00e3o parece convicto de que est\u00e1 para chegar o \u201cungido de Deus\u201d que os profetas anunciaram, aquele que vai batizar o Povo \u201ccom o Esp\u00edrito Santo e com o fogo\u201d; Ele limpar\u00e1 Israel dos seus pecados, livr\u00e1-lo-\u00e1 da opress\u00e3o e da maldade, inaugurar\u00e1 um tempo novo de felicidade e de vida abundante. Na perspetiva de Lucas, esta \u201cprofecia\u201d de Jo\u00e3o concretizar-se-\u00e1 no dia de Pentecostes (cf. At 2,1-11): o \u201cfogo\u201d do \u201cmessias\u201d, o \u201cfogo do Esp\u00edrito\u201d, derramado sobre os disc\u00edpulos reunidos no cen\u00e1culo, far\u00e1 nascer um Povo novo e livre, a comunidade do Messias, a comunidade da nova Alian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois vem o quadro do batismo de Jesus (vers. 21-22). Na verdade, Lucas n\u00e3o descreve propriamente o momento da imers\u00e3o de Jesus nas \u00e1guas do rio Jord\u00e3o; o autor do terceiro evangelho parece mais interessado naquilo que vem depois: a un\u00e7\u00e3o de Jesus com o Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A narra\u00e7\u00e3o de Lucas come\u00e7a por dizer que \u201cquando todo o povo recebeu o batismo, Jesus tamb\u00e9m foi batizado\u201d (vers. 21a). Jesus aparece, assim, misturado com a multid\u00e3o que recebe esse batismo de convers\u00e3o para a remiss\u00e3o dos pecados que Jo\u00e3o propunha. Para que precisava Jesus desse batismo purificador? Por causa dos seus pecados? \u00c9 claro que n\u00e3o. Mas, ao entrar na \u00e1gua juntamente com todos aqueles que pediam o batismo de Jo\u00e3o, Jesus coloca-se ao lado do povo pecador e afirma a sua solidariedade \u2013 a solidariedade de Deus \u2013 com todos os homens e mulheres que o pecado envolve e marca. Jesus veio para se colocar ao lado do homem pecador, para lhe dar a m\u00e3o, para o ajudar a sair da sua triste situa\u00e7\u00e3o e chegar a uma Vida nova. \u00c9 belo e comovente este gesto solid\u00e1rio de Deus com a humanidade pecadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Lucas, depois de sair da \u00e1gua Jesus fica em ora\u00e7\u00e3o (vers. 21b). \u00c9 um pormenor que s\u00f3 aparece no terceiro evangelho. Est\u00e1, contudo, na l\u00f3gica da teologia de Lucas: Jesus mant\u00e9m um di\u00e1logo cont\u00ednuo com o Pai (cf. Lc 5,16; 6,12; 9,18.28-29; 10,21-22; 22,41; 23,34.46), particularmente nos momentos mais decisivos da sua vida. \u00c9 atrav\u00e9s desse di\u00e1logo que Ele descobre o projeto do Pai e encontra for\u00e7as para cumprir o projeto do Pai. Faz sentido que Jesus, no momento em que \u00e9 ungido pelo Esp\u00edrito e se disp\u00f5e a come\u00e7ar a miss\u00e3o dialogue com o Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O momento do batismo de Jesus \u00e9 marcado por tr\u00eas factos estranhos que, no entanto, devem ser entendidos em refer\u00eancia a factos e s\u00edmbolos do Antigo Testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro \u00e9 a \u201cabertura do c\u00e9u\u201d (vers. 21). A imagem inspira-se, provavelmente, em Is 63,19, onde o profeta pede a Deus que \u201cabra os c\u00e9us\u201d e des\u00e7a ao encontro do seu Povo, refazendo a rela\u00e7\u00e3o que o pecado do Povo tinha interrompido. O envio de Jesus ao mundo mostra a resposta favor\u00e1vel de Deus a esse pedido. A presen\u00e7a de Jesus na hist\u00f3ria dos homens relan\u00e7a a hist\u00f3ria de comunh\u00e3o entre Deus e a humanidade pecadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo elemento \u00e9 a descida do Esp\u00edrito, como uma pomba, sobre Jesus (vers. 22a). Esse Esp\u00edrito que desce sobre Jesus \u00e9 o sopro de vida de Deus que cria, que renova, que transforma, que cura os seres vivos. Leva-nos ao Esp\u00edrito de Deus que, no momento da cria\u00e7\u00e3o, \u201cpairava sobre a superf\u00edcie das \u00e1guas\u201d (Gn 1,2). Ungido com a for\u00e7a do Esp\u00edrito, Jesus vai partir ao encontro dos homens para fazer nascer uma nova humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos ainda um terceiro elemento: a voz vinda do c\u00e9u (vers. 22b). Os rabis usavam frequentemente a \u201cvoz do c\u00e9u\u201d como uma forma de expressar a opini\u00e3o de Deus acerca de uma pessoa ou de um acontecimento. Essa voz declara que Jesus \u00e9 o Filho de Deus; e f\u00e1-lo com uma f\u00f3rmula tomada do c\u00e2ntico do \u201cServo de Jav\u00e9\u201d que vimos na primeira leitura de hoje (cf. Is 42,1). Sim, Jesus \u00e9 o eleito de Deus, o Filho no qual o Pai \u201cp\u00f4s toda a sua complac\u00eancia\u201d, enviado ao encontro dos homens para recriar a humanidade; mas a miss\u00e3o de Jesus, como a do Servo de Jav\u00e9, n\u00e3o se desenrolar\u00e1 no triunfalismo, mas na obedi\u00eancia total ao Pai; n\u00e3o se cumprir\u00e1 com poder e prepot\u00eancia, mas na suavidade, na simplicidade, na humildade, no respeito pelos homens (\u201cn\u00e3o gritar\u00e1, nem levantar\u00e1 a voz; n\u00e3o quebrar\u00e1 a cana fendida, nem apagar\u00e1 a torcida que ainda fumega\u201d \u2013 Is 42,2-3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois deste momento, as coisas est\u00e3o bem definidas. Jesus, batizado no Esp\u00edrito, ungido com a for\u00e7a de Deus, capacitado para cumprir o projeto do Pai, partir\u00e1 ao encontro do mundo para concretizar a miss\u00e3o de construir o reino de Deus. <em><strong>in Dehonianos.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do <strong>Tempo de Natal<\/strong> continuamos um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 42,1-4.6-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diz o Senhor:<br \/>\n\u00abEis o meu servo, a quem Eu protejo,<br \/>\no meu eleito, enlevo da minha alma.<br \/>\nSobre ele fiz repousar o meu esp\u00edrito,<br \/>\npara que leve a justi\u00e7a \u00e0s na\u00e7\u00f5es.<br \/>\nN\u00e3o gritar\u00e1, nem levantar\u00e1 a voz,<br \/>\nnem se far\u00e1 ouvir nas pra\u00e7as;<br \/>\nn\u00e3o quebrar\u00e1 a cana fendida,<br \/>\nnem apagar\u00e1 a torcida que ainda fumega:<br \/>\nproclamar\u00e1 fielmente a justi\u00e7a.<br \/>\nN\u00e3o desfalecer\u00e1 nem desistir\u00e1,<br \/>\nenquanto n\u00e3o estabelecer a justi\u00e7a na terra,<br \/>\na doutrina que as ilhas long\u00ednquas esperam.<br \/>\nFui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justi\u00e7a;<br \/>\ntomei-te pela m\u00e3o, formei-te<br \/>\ne fiz de ti a alian\u00e7a do povo e a luz das na\u00e7\u00f5es,<br \/>\npara abrires os olhos aos cegos,<br \/>\ntirares do c\u00e1rcere os prisioneiros<br \/>\ne da pris\u00e3o os que habitam nas trevas\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto pertence ao \u201cLivro da Consola\u00e7\u00e3o\u201d do Deutero-Isa\u00edas (cf. Is 40-55). Este profeta an\u00f3nimo cumpriu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica na Babil\u00f3nia, na fase final do Ex\u00edlio (entre 550 e 539 a.C.). Tinham passado algumas dezenas de anos desde que Nabucodonosor havia destru\u00eddo Jerusal\u00e9m e arrastado para o cativeiro a maior parte dos habitantes de Jud\u00e1. Os judeus cativos desesperam porque o tempo vai passando e a liberta\u00e7\u00e3o (anunciada por Ezequiel, um outro profeta do tempo do Ex\u00edlio) nunca mais acontece. Ser\u00e1 que Deus se esqueceu das suas promessas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Deutero-Isa\u00edas sente que Deus o envia a dizer aos seus concidad\u00e3os, exilados e desanimados, palavras de esperan\u00e7a. Cumprindo o mandato de Deus, o profeta fala da imin\u00eancia da liberta\u00e7\u00e3o, comparando-a ao antigo \u00eaxodo, quando Deus salvou o seu Povo da escravid\u00e3o do Egipto (cf. Is 40-48); e anuncia-lhes, tamb\u00e9m, a reconstru\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, a cidade que a guerra reduziu a cinzas, mas \u00e0 qual Deus vai fazer regressar a alegria e a paz sem fim (cf. Is 49-55).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No meio desta proposta \u201cconsoladora\u201d do Deutero-Isa\u00edas aparecem, contudo, quatro textos (cf. Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12) que fogem um tanto a esta tem\u00e1tica. S\u00e3o c\u00e2nticos que falam de um personagem misterioso e enigm\u00e1tico, que os biblistas designam como o \u201cServo de Jav\u00e9\u201d. Esse personagem ser\u00e1 Jeremias, o profeta que tanto sofreu por causa da miss\u00e3o? Ser\u00e1 o pr\u00f3prio Deutero-Isa\u00edas, chamado a dar testemunho de Deus num cen\u00e1rio t\u00e3o dif\u00edcil? Ser\u00e1 Ciro, rei dos persas, que alguns anos depois libertar\u00e1 os judeus exilados e autorizar\u00e1 o seu regresso a Jerusal\u00e9m? N\u00e3o sabemos ao certo. Mas esse \u201cServo de Jav\u00e9\u201d \u00e9 apresentado como um predileto de Jav\u00e9, chamado para o servi\u00e7o de Deus, enviado por Deus aos homens de todo o mundo. A sua miss\u00e3o cumpre-se no sofrimento e numa entrega incondicional \u00e0 Palavra. O sofrimento do profeta tem, contudo, um valor expiat\u00f3rio e redentor, pois dele resulta o perd\u00e3o para o pecado do Povo. Deus aprecia o sacrif\u00edcio deste \u201cServo\u201d e recompens\u00e1-lo-\u00e1, fazendo-o triunfar diante dos seus detratores e advers\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto \u00e9 parte do primeiro c\u00e2ntico do \u201cServo\u201d (cf. Is 42,1-9). <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A hist\u00f3ria do \u201cServo de Jav\u00e9\u201d, que recebeu a plenitude do Esp\u00edrito para ser \u201cluz das na\u00e7\u00f5es\u201d, abrir \u201cos olhos aos cegos\u201d, tirar \u201cdo c\u00e1rcere os prisioneiros\u201d e \u201cda pris\u00e3o os que habitam nas trevas\u201d, lembra-nos, desde logo, que Deus age atrav\u00e9s de \u201cprofetas\u201d a quem confia a transforma\u00e7\u00e3o do mundo e a liberta\u00e7\u00e3o dos homens. No dia em que fomos batizados, recebemos, tamb\u00e9m n\u00f3s, o Esp\u00edrito que nos capacitou para uma miss\u00e3o semelhante \u00e0 desse \u201cServo\u201d. Tenho consci\u00eancia de que cada batizado \u00e9 um instrumento de Deus na renova\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o do mundo? Estou disposto a corresponder ao chamamento de Deus e a assumir a minha responsabilidade prof\u00e9tica? Os pobres, os oprimidos, os que \u201cjazem nas trevas e nas sombras da morte\u201d, os que n\u00e3o t\u00eam eira nem beira, nem voz nem vez, nem convite para se sentar \u00e0 mesa da humanidade podem contar com a minha solidariedade ativa, com a minha ajuda fraterna, com o meu abra\u00e7o, com a minha partilha generosa?<\/li>\n<li>A miss\u00e3o prof\u00e9tica s\u00f3 faz sentido \u00e0 luz de Deus: \u00e9 sempre Ele que toma a iniciativa, que escolhe, que chama, que envia e que capacita para a miss\u00e3o\u2026 Aquilo que fazemos, por mais v\u00e1lido que seja, n\u00e3o \u00e9 obra nossa, mas sim de Deus; o nosso \u00eaxito na miss\u00e3o n\u00e3o resulta das nossas qualidades, mas da iniciativa de Deus que age em n\u00f3s e atrav\u00e9s de n\u00f3s. Somos apenas colaboradores de Deus, \u201chumildes trabalhadores da vinha do Senhor\u201d. \u00c9 sempre Deus que projeta e que age, atrav\u00e9s da nossa fragilidade, para oferecer ao mundo a Vida e a salva\u00e7\u00e3o. Esquecer isto pode conduzir-nos \u00e0 arrog\u00e2ncia, \u00e0 autossufici\u00eancia, \u00e0 vaidade, ao convencimento; e, sempre que isso acontece, a nossa interven\u00e7\u00e3o no mundo acaba por desvirtuar o projeto de Deus. Em que atitudes se concretiza a minha miss\u00e3o prof\u00e9tica no acolhimento do projeto de Deus?<\/li>\n<li>Atentemos ainda na forma de atuar do \u201cServo\u201d: ele n\u00e3o se imp\u00f5e pela for\u00e7a, pela viol\u00eancia, pelo dinheiro, ou pelos amigos poderosos; mas atua com suavidade, com mansid\u00e3o, com humildade, no respeito pela liberdade dos irm\u00e3os e irm\u00e3s a quem \u00e9 enviado\u2026 \u00c9 esta l\u00f3gica \u2013 a l\u00f3gica de Deus \u2013 que eu utilizo no desempenho da miss\u00e3o prof\u00e9tica que Deus me confiou? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 28 (29)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: O Senhor aben\u00e7oar\u00e1 o seu povo na paz.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tributai ao Senhor, filhos de Deus,<br \/>\ntributai ao Senhor gl\u00f3ria e poder.<br \/>\nTributai ao Senhor a gl\u00f3ria do seu nome,<br \/>\nadorai o Senhor com ornamentos sagrados.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A vos do Senhor ressoa sobre as nuvens,<br \/>\no Senhor est\u00e1 sobre a vastid\u00e3o das \u00e1guas.<br \/>\nA voz do Senhor \u00e9 poderosa,<br \/>\na voz do Senhor \u00e9 majestosa.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A majestade de Deus faz ecoar o seu trov\u00e3o<br \/>\ne no seu templo todos clamam: Gl\u00f3ria!<br \/>\nSobre as \u00e1guas do dil\u00favio senta-Se o Senhor,<br \/>\no Senhor senta-Se como rei eterno.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Atos 10,34-38<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nPedro tomou a palavra e disse:<br \/>\n\u00abNa verdade,<br \/>\neu reconhe\u00e7o que Deus n\u00e3o faz ace\u00e7\u00e3o de pessoas,<br \/>\nmas, em qualquer na\u00e7\u00e3o,<br \/>\naquele que O teme e pratica a justi\u00e7a \u00e9-Lhe agrad\u00e1vel.<br \/>\nEle enviou a sua palavra aos filhos de Israel,<br \/>\nanunciando a paz por Jesus Cristo, que \u00e9 o Senhor de todos.<br \/>\nV\u00f3s sabeis o que aconteceu em toda a Judeia,<br \/>\na come\u00e7ar pela Galileia,<br \/>\ndepois do batismo que Jo\u00e3o pregou:<br \/>\nDeus ungiu com a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo a Jesus de Nazar\u00e9,<br \/>\nque passou fazendo o bem<br \/>\ne curando todos os que eram oprimidos pelo dem\u00f3nio,<br \/>\nporque Deus estava com Ele\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u201cAtos dos Ap\u00f3stolos\u201d s\u00e3o uma catequese sobre a \u201cetapa da Igreja\u201d, isto \u00e9, sobre a forma como os disc\u00edpulos assumiram ou continuaram o projeto salvador do Pai e o levaram \u2013 ap\u00f3s a partida de Jesus deste mundo \u2013 a todos os homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro divide-se em duas partes. Na primeira (cf. At 1-12), a reflex\u00e3o centra-se na difus\u00e3o do Evangelho dentro das fronteiras palestinas, por a\u00e7\u00e3o de Pedro e dos Doze; na segunda (cf. At 13-28), conta-se a expans\u00e3o do Evangelho fora da Palestina (sobretudo por a\u00e7\u00e3o de Paulo): no Mediterr\u00e2neo, na \u00c1sia Menor, na Gr\u00e9cia, at\u00e9 atingir Roma, o cora\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto de hoje est\u00e1 integrado na primeira parte dos \u201cAtos\u201d. Insere-se numa per\u00edcope que descreve a atividade mission\u00e1ria de Pedro na plan\u00edcie do Sharon (cf. At 9,32-11,18) \u2013 isto \u00e9, na plan\u00edcie junto da orla mediterr\u00e2nica palestina. Em concreto, o texto prop\u00f5e-nos o testemunho e a catequese de Pedro em Cesareia Mar\u00edtima, em casa do centuri\u00e3o romano Corn\u00e9lio. Convocado pelo Esp\u00edrito (cf. At 10,19-20), Pedro entra em casa de Corn\u00e9lio, exp\u00f5e-lhe o essencial da f\u00e9 e batiza-o, bem como a toda a sua fam\u00edlia (cf. At 10,23b-48). O epis\u00f3dio \u00e9 importante porque Corn\u00e9lio \u00e9 a primeira pessoa completamente pag\u00e3 (o et\u00edope evangelizado e convertido por Filipe e de que se fala em At 8,26-40 era \u201cpros\u00e9lito\u201d e por isso j\u00e1 estava ligado ao juda\u00edsmo) admitida na comunidade crist\u00e3 por um dos Doze. Admite-se, assim, que o Evangelho de Jesus n\u00e3o deve ficar circunscrito \u00e0s fronteiras \u00e9tnicas judaicas, mas \u00e9 uma Boa Not\u00edcia destinada a todos os homens e mulheres, de todas as ra\u00e7as e culturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cesareia Mar\u00edtima, cidade reconstru\u00edda por Herodes, o Grande, ficava na costa palestina. Era a sede do poder romano, pois era a\u00ed que residiam os governadores romanos da Judeia (como P\u00f4ncio Pilatos, o governador que, pelo ano 30, autorizou a morte de Jesus). A cidade foi evangelizada pelo di\u00e1cono Filipe (cf. At 8,40). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jesus recebeu o Batismo e foi ungido com a for\u00e7a do Esp\u00edrito; depois, \u201cpassou pelo mundo fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo dem\u00f3nio\u201d. Em cada passo do caminho que percorreu, Ele distribuiu, em gestos concretos, bondade, miseric\u00f3rdia, perd\u00e3o, solidariedade, amor\u2026 N\u00f3s, crist\u00e3os, que \u201cacreditamos\u201d em Jesus, que nos comprometemos com Ele e O seguimos, assumimos este \u201cprograma\u201d? N\u00f3s, que fomos batizados e ungidos com a for\u00e7a do Esp\u00edrito, testemunhamos tamb\u00e9m, em gestos concretos, a bondade, a miseric\u00f3rdia, o perd\u00e3o e o amor de Deus pelos homens? Empenhamo-nos em libertar todos os que s\u00e3o oprimidos pelo dem\u00f3nio do ego\u00edsmo, da injusti\u00e7a, da explora\u00e7\u00e3o, da exclus\u00e3o, da solid\u00e3o, da doen\u00e7a, do analfabetismo, do sofrimento?<\/li>\n<li>\u201cReconhe\u00e7o que Deus n\u00e3o faz ace\u00e7\u00e3o de pessoas\u201d \u2013 diz Pedro no seu discurso em casa de Corn\u00e9lio. E n\u00f3s, filhos desse Deus que ama a todos da mesma forma e que a todos oferece igualmente a salva\u00e7\u00e3o, aceitamos todos os irm\u00e3os da mesma forma, reconhecendo a igualdade fundamental de todos os homens em direitos e dignidade? Temos consci\u00eancia de que a discrimina\u00e7\u00e3o de pessoas por causa da cor da pele, da ra\u00e7a, do sexo, da orienta\u00e7\u00e3o sexual ou do estatuto social \u00e9 uma grave subvers\u00e3o da l\u00f3gica de Deus? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Lucas 3,15-16.21-22<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\no povo estava na expectativa<br \/>\ne todos pensavam em seus cora\u00e7\u00f5es<br \/>\nse Jo\u00e3o n\u00e3o seria o Messias.<br \/>\nJo\u00e3o tomou a palavra e disse-lhes:<br \/>\n\u00abEu batizo-vos com \u00e1gua,<br \/>\nmas vai chegar quem \u00e9 mais forte do que eu,<br \/>\ndo qual n\u00e3o sou digno de desatar as correias das sand\u00e1lias.<br \/>\nEle batizar-vos-\u00e1 com o Esp\u00edrito Santo e com o fogo\u00bb.<br \/>\nQuando todo o povo recebeu o batismo,<br \/>\nJesus tamb\u00e9m foi batizado;<br \/>\ne, enquanto orava, o c\u00e9u abriu-se<br \/>\ne o Esp\u00edrito Santo desceu sobre Ele<br \/>\nem forma corporal, como uma pomba.<br \/>\nE do c\u00e9u fez-se ouvir uma voz:<br \/>\n\u00abTu \u00e9s o meu Filho muito amado:<br \/>\nem Ti pus toda a minha complac\u00eancia\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em dia da celebra\u00e7\u00e3o da festa do Batismo do Senhor, o Evangelho leva-nos at\u00e9 ao vale do rio Jord\u00e3o, nas franjas do deserto de Jud\u00e1. A tradi\u00e7\u00e3o identifica esse lugar com o atual Qasr El Yahud, na margem oriental do rio Jord\u00e3o, a cerca de 10 quil\u00f3metros do Mar Morto<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi nesse cen\u00e1rio que Jo\u00e3o, chamado \u201co batista\u201d, tinha come\u00e7ado, no final do ano 27 ou princ\u00edpio do ano 28, a exercer a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica. A mensagem proposta por Jo\u00e3o estava centrada na urg\u00eancia da convers\u00e3o (pois, na opini\u00e3o de Jo\u00e3o, a interven\u00e7\u00e3o definitiva de Deus na hist\u00f3ria para destruir o mal estava iminente) e inclu\u00eda um rito de purifica\u00e7\u00e3o pela \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O juda\u00edsmo conhecia ritos diversos de imers\u00e3o na \u00e1gua, sempre ligados a contextos de purifica\u00e7\u00e3o ou de mudan\u00e7a de vida. Era, inclusive, um ritual usado na integra\u00e7\u00e3o dos \u201cpros\u00e9litos\u201d (os pag\u00e3os que aderiam ao juda\u00edsmo) na comunidade do Povo de Deus. A imers\u00e3o na \u00e1gua sugeria a rutura com a vida passada e o ressurgir para uma vida nova, um novo nascimento, um novo come\u00e7o. No que diz respeito ao Batismo proposto por Jo\u00e3o, estamos provavelmente diante de um rito de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade messi\u00e2nica: quem aceitava este \u201cbatismo\u201d, renunciava ao pecado, convertia-se a uma vida nova e passava a integrar a comunidade que esperava o Messias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, que vivia na sua aldeia de Nazar\u00e9, na Galileia, ouviu a certa altura falar de Jo\u00e3o e da sua prega\u00e7\u00e3o. Procurou-o nas margens do rio Jord\u00e3o e escutou o seu apelo \u00e0 convers\u00e3o. O facto ocorreu, muito provavelmente, por volta do ano 28. Na sequ\u00eancia, Jesus quis tamb\u00e9m receber o batismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o evangelista Lucas, Jo\u00e3o Baptista \u00e9 a \u00faltima testemunha de um tempo salv\u00edfico que est\u00e1 a chegar ao fim: o tempo da antiga Alian\u00e7a (cf. Lc 16,16). O aparecimento em cena de Jesus significa o come\u00e7o de um novo tempo, o tempo da nova Alian\u00e7a, o tempo em que o pr\u00f3prio Deus se encontra com os homens para lhes oferecer a vida e a salva\u00e7\u00e3o. O momento em que Jesus \u00e9 batizado no rio Jord\u00e3o \u00e9 o momento em que se revela a miss\u00e3o e a identidade de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sec\u00e7\u00e3o do Evangelho de Lucas de onde foi retirado o texto que a liturgia deste dia nos oferece como Evangelho (cf. Lc 3,1-4,13), poderia intitular-se \u201cprel\u00fadio da miss\u00e3o messi\u00e2nica\u201d. Para a compor, Lucas utiliza o texto de Marcos (cf. Mc 1,1-13), completado com algumas tradi\u00e7\u00f5es provenientes de uma outra \u201cfonte\u201d, formada por \u201cditos\u201d de Jesus. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O epis\u00f3dio do batismo de Jesus coloca-nos frente a frente com um Deus que aceitou identificar-Se com o homem, partilhar a sua humanidade e fragilidade, a fim de oferecer ao homem um caminho de liberdade e de vida plena. Eu, filho deste Deus, aceito ir ao encontro dos meus irm\u00e3os mais desfavorecidos e estender-lhes a m\u00e3o? Partilho a sorte dos pobres, dos sofredores, dos injusti\u00e7ados, sofro na alma as suas dores, aceito identificar-me com eles e participar dos seus sofrimentos, a fim de melhor os ajudar a conquistar a liberdade e a vida plena? N\u00e3o tenho medo de me sujar ao lado dos pecadores, dos marginalizados, se isso contribuir para os promover e para lhes dar mais dignidade e mais esperan\u00e7a?<\/li>\n<li>Jesus, o Filho Amado de Deus, veio ao encontro dos homens, solidarizou-se com as suas dores e limita\u00e7\u00f5es e quebrou o muro que nos separava de Deus. Ao ser batizado no rio Jord\u00e3o, foi ungido pelo Esp\u00edrito de Deus e abra\u00e7ou, sem retic\u00eancias, a miss\u00e3o que o Pai lhe confiava: propor e construir o Reino de Deus. Todos n\u00f3s que fomos batizados em Cristo recebemos o mesmo Esp\u00edrito de Deus que Ele recebeu e entramos na comunidade do Reino. No dia do nosso batismo recebemos a miss\u00e3o de colaborar com Jesus na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais fraterno e mais humano. Temos sido fi\u00e9is a essa miss\u00e3o? O nosso compromisso batismal \u00e9 uma realidade que procuramos renovar a cada passo, ou \u00e9 letra morta que n\u00e3o toca a forma como vivemos? Somos batizados \u201cde assinatura\u201d (porque o nosso nome aparece num qualquer livro de registos de Batismo), ou somos crist\u00e3os de facto, que procuram seguir Jesus em cada passo do caminho e colaborar com Ele no sentido de curar o mundo das suas feridas?<\/li>\n<li>Jesus sempre levou muito a s\u00e9rio aquela declara\u00e7\u00e3o de Deus que se escutou junto do rio Jord\u00e3o: \u201cTu \u00e9s o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complac\u00eancia\u201d. Esse amor que o Pai lhe dedicava sempre sustentou as op\u00e7\u00f5es de Jesus e sempre iluminou o caminho que Ele ia percorrendo (mesmo quando no horizonte estava a cruz, o abandono dos amigos, o aparente fracasso da miss\u00e3o). Sustentado pelo amor de Deus, Jesus assumiu incondicionalmente o projeto do Pai de dar vida \u00e0 humanidade. Obedeceu em tudo ao Pai, sem retic\u00eancias de qualquer esp\u00e9cie. \u00c9 esta mesma atitude de obedi\u00eancia radical, de entrega incondicional, de confian\u00e7a absoluta que eu \u2013 filho amado de Deus \u2013 assumo na minha rela\u00e7\u00e3o com o Pai? O projeto de Deus \u00e9, para mim, mais importante de que os meus projetos pessoais ou do que os desafios que o mundo me lan\u00e7a? Como Jesus, confio plenamente no Pai, nas suas propostas, no seu cuidado, no seu amor?<\/li>\n<li>Depois de batizado e de ser ungido pelo Esp\u00edrito, Jesus n\u00e3o se instalou numa cren\u00e7a religiosa de meias tintas ou de servi\u00e7os m\u00ednimos. Animado pela for\u00e7a do Esp\u00edrito, partiu para a Galileia a anunciar o Reino de Deus e a testemunhar \u2013 com palavras e com gestos \u2013 o projeto libertador do Pai. \u00c9 dessa forma \u2013 coerente, comprometida, apaixonada \u2013 que eu procuro viver a miss\u00e3o que Deus me confiou no dia em que eu fui batizado? Os meus irm\u00e3os e irm\u00e3s maltratados pela vida e pelos homens podem contar com o meu empenho em levar-lhes a car\u00edcia do Deus que cura e que d\u00e1 Vida? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Leitura-I-do-Domingo-do-Batismo-do-Senhor-Ano-C-12.01.2025-Is-42-1-4.6-7.pdf\">Leitura I do Domingo do Batismo do Senhor &#8211; Ano C &#8211; 12.01.2025 (Is 42, 1-4.6-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Leitura-II-do-Domingo-do-Batismo-do-Senhor-Ano-C-12.01.2025-Atos-10-34-38.pdf\">Leitura II do Domingo do Batismo do Senhor &#8211; Ano C &#8211; 12.01.2025 (Atos 10, 34-38)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Festa-do-Batismo-do-Senhor-Ano-C-12.01.2025-Lecionario.pdf\">Festa do Batismo do Senhor &#8211; Ano C &#8211; 12.01.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Festa-do-Batismo-do-Senhor-Ano-C-12.01.2025-Oracao-Universal.pdf\">Festa do Batismo do Senhor &#8211; Ano C &#8211; 12.01.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Festa-do-Batismo-do-Senhor-Ano-C-12.01.2025-refletindo.pdf\">Festa do Batismo do Senhor &#8211; Ano C &#8211; 12.01.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-do-Batismo-do-Senhor.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo do Batismo do Senhor<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo da Epifania do Senhor Ano C \u2013 05 janeiro 2025&#8243; tab_id=&#8221;1736763551959-51c8877d-6645&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4><strong>Domingo da Epifania do Senhor <\/strong><\/h4>\n<h4><strong>Ano C \u2013 05 janeiro 2025<br \/>\n<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12653\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Domingo-da-Epifania-do-Senhor.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"363\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A liturgia deste dia celebra a manifesta\u00e7\u00e3o de Jesus a todos os homens\u2026 O Menino do pres\u00e9pio \u00e9 uma \u201cluz\u201d que se acende na noite do mundo e atrai a si todos os povos da terra. Essa \u201cluz\u201d encarnou na nossa hist\u00f3ria e no nosso mundo, iluminou os caminhos dos homens, conduziu-os ao encontro da salva\u00e7\u00e3o e da vida definitiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise dos v\u00e1rios detalhes do relato confirma que a preocupa\u00e7\u00e3o do autor (Mateus) n\u00e3o \u00e9 de tipo hist\u00f3rico, mas catequ\u00e9tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Notemos, em primeiro lugar, a insist\u00eancia de Mateus, no Evangelho de hoje e do qual s\u00f3 Mateus relata, no facto de Jesus ter nascido em Bel\u00e9m de Jud\u00e1 (cf. vers. 1.5.6.7). Para entender esta insist\u00eancia, temos de recordar que Bel\u00e9m era a terra natal do rei David e que era a Bel\u00e9m que estava ligada a fam\u00edlia de David. Afirmar que Jesus nasceu em Bel\u00e9m \u00e9 lig\u00e1-l\u2019O a esses an\u00fancios prof\u00e9ticos que falavam do Messias como o descendente de David que havia de nascer em Bel\u00e9m (cf. Mq 5,1.3; 2Sm 5,2) e restaurar o reino ideal de seu pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Notemos, em segundo lugar, a refer\u00eancia a uma estrela que apareceu no c\u00e9u por esta altura e que conduziu os \u201cmagos\u201d para Bel\u00e9m. A interpreta\u00e7\u00e3o desta refer\u00eancia como hist\u00f3rica levou algu\u00e9m a c\u00e1lculos astron\u00f3micos complicados para concluir que, no ano 6 a.C., uma conjun\u00e7\u00e3o de planetas explicaria o fen\u00f3meno luminoso da estrela refulgente mencionada por Mateus; outros andaram \u00e0 procura de um cometa que, por esta \u00e9poca, devia ter sulcado os c\u00e9us do antigo M\u00e9dio Oriente\u2026 Na realidade, \u00e9 in\u00fatil procurar nos c\u00e9us a estrela ou cometa em causa pois, como vimos, Mateus n\u00e3o est\u00e1 a narrar factos hist\u00f3ricos. Mateus est\u00e1, simplesmente, a dizer-nos que o Menino de Bel\u00e9m \u00e9 essa \u201cestrela de Jacob\u201d de que falava o an\u00fancio prof\u00e9tico de Bala\u00e3o (cf. Nm 24,17) e que, com o seu nascimento, se concretiza a chegada daquela \u201cluz salvadora\u201d de que falava a primeira leitura, que vai brilhar sobre Jerusal\u00e9m e atrair \u00e0 cidade santa povos de toda a terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos ainda as figuras dos \u201cmagos\u201d. A palavra \u201cMagos\u201d (que parece ser de origem persa) abarca um vasto leque de significados e \u00e9 aplicada a personagens muito diversas: m\u00e1gicos, feiticeiros, charlat\u00e3es, sacerdotes persas, propagandistas religiosos\u2026 Aqui, poderia designar astr\u00f3logos mesopot\u00e2mios, em contacto com o messianismo judaico. Seja como for, esses \u201cmagos\u201d representam, na catequese de Mateus, esses povos estrangeiros de que falava a primeira leitura (cf. Is 60,1-6), que se p\u00f5em a caminho de Jerusal\u00e9m com as suas riquezas (ouro e incenso) para encontrar a luz salvadora de Deus que brilha sobre a cidade santa. Jesus \u00e9, na opini\u00e3o de Mateus e da catequese da Igreja primitiva, essa \u201cluz\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de uma catequese sobre Jesus, este relato recolhe, de forma paradigm\u00e1tica, duas atitudes que se v\u00e3o repetir ao longo de todo o Evangelho: o Povo de Israel rejeita Jesus, enquanto os \u201cmagos\u201d do oriente (que s\u00e3o pag\u00e3os) O adoram; Herodes e Jerusal\u00e9m \u201cficam perturbados\u201d diante da not\u00edcia do nascimento do menino e planeiam a sua morte, enquanto os pag\u00e3os sentem uma grande alegria e reconhecem em Jesus o seu salvador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mateus anuncia, desta forma, que Jesus vai ser rejeitado pelo seu Povo; mas vai ser acolhido pelos pag\u00e3os, que entrar\u00e3o a fazer parte do novo Povo de Deus. O itiner\u00e1rio seguido pelos \u201cmagos\u201d reflete a caminhada que os pag\u00e3os percorreram para encontrar Jesus: est\u00e3o atentos aos sinais (estrela), percebem que Jesus \u00e9 a luz que traz a salva\u00e7\u00e3o, p\u00f5em-se decididamente a caminho para O encontrar, perguntam aos judeus \u2013 que conhecem as Escrituras \u2013 o que fazer, encontram Jesus e adoram-n\u2019O como \u201co Senhor\u201d. \u00c9 muito poss\u00edvel que um grande n\u00famero de pagano-crist\u00e3os da comunidade de Mateus descobrisse neste relato as etapas do seu pr\u00f3prio caminho em dire\u00e7\u00e3o a Jesus. <em><strong>in Dehonianos.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o <strong>Tempo de Natal<\/strong> continuamos um novo Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano C &#8211; onde seremos acompanhados pelo evangelista Lucas. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do in\u00edcio do Ano Lit\u00fargico pode ser uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2024\/2025 -, acompanhamos o evangelista Lucas<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Lucas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E faremos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Lucas<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I \u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 60,1-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Levanta-te e resplandece, Jerusal\u00e9m,<br \/>\nporque chegou a tua luz<br \/>\ne brilha sobre ti a gl\u00f3ria do Senhor.<br \/>\nV\u00ea como a noite cobre a terra,<br \/>\ne a escurid\u00e3o os povos.<br \/>\nMas sobre ti levanta-Se o Senhor,<br \/>\ne a sua gl\u00f3ria te ilumina.<br \/>\nAs na\u00e7\u00f5es caminhar\u00e3o \u00e0 tua luz,<br \/>\ne os reis ao esplendor da tua aurora.<br \/>\nOlha ao redor e v\u00ea:<br \/>\ntodos se re\u00fanem e v\u00eam ao teu encontro;<br \/>\nos teus filhos v\u00e3o chegar de longe<br \/>\ne as tuas filhas s\u00e3o trazidas nos bra\u00e7os.<br \/>\nQuando o vires ficar\u00e1s radiante,<br \/>\npalpitar\u00e1 e dilatar-se-\u00e1 o teu cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\npois a ti afluir\u00e3o os tesouros do mar,<br \/>\na ti vir\u00e3o ter as riquezas das na\u00e7\u00f5es.<br \/>\nInvadir-te-\u00e1 uma multid\u00e3o de camelos,<br \/>\nde dromed\u00e1rios de Madi\u00e3 e Ef\u00e1.<br \/>\nVir\u00e3o todos os de Sab\u00e1,<br \/>\ntrazendo ouro e incenso<br \/>\ne proclamando as gl\u00f3rias do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cap\u00edtulos 56-66 do Livro de Isa\u00edas apresentam um conjunto de profecias cuja proveni\u00eancia n\u00e3o \u00e9, entre os estudiosos da B\u00edblia, totalmente consensual\u2026 Para alguns, s\u00e3o textos de um profeta an\u00f3nimo, p\u00f3s-ex\u00edlico, que exerceu o seu minist\u00e9rio em Jerusal\u00e9m ap\u00f3s o regresso dos exilados da Babil\u00f3nia, nos anos 537\/520 a.C.; para a maioria, trata-se de textos que prov\u00eam de diversos autores p\u00f3s-ex\u00edlicos e que foram redigidos ao longo de um arco de tempo relativamente longo (provavelmente, entre os s\u00e9cs. VI e V a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em geral, estas profecias situam-nos em Jerusal\u00e9m, a cidade que os Babil\u00f3nios deixaram em ru\u00ednas, em 586 a.C., e que agora come\u00e7a a reerguer-se. As marcas do passado ainda se notam nas pedras calcinadas da cidade; os filhos e filhas de Jerusal\u00e9m que regressaram do ex\u00edlio na Babil\u00f3nia s\u00e3o ainda em n\u00famero reduzido; a pobreza geral obriga a que a reconstru\u00e7\u00e3o seja lenta e muito modesta; os inimigos est\u00e3o \u00e0 espreita e a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 desanimada\u2026 Sonha-se, no entanto, com o dia em que Deus vai voltar \u00e0 sua cidade para trazer a salva\u00e7\u00e3o definitiva ao seu Povo. Ent\u00e3o, Jerusal\u00e9m voltar\u00e1 a ser uma cidade bela e harmoniosa, o Templo ser\u00e1 reconstru\u00eddo e Deus habitar\u00e1 para sempre no meio do seu Povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto \u00e9 uma glorifica\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, a cidade da luz, a \u201ccidade dos dois s\u00f3is\u201d (o sol nascente e o sol poente: pela sua situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, no alto das montanhas da Judeia, a cidade \u00e9 iluminada desde o nascer do dia, at\u00e9 ao p\u00f4r do sol). <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>\u00c9 bela esta imagem de Deus como uma luz que se acende nas nossas vidas e nas nossas cidades, iluminando os caminhos que temos de percorrer, aquecendo os nossos cora\u00e7\u00f5es cansados e abatidos e transformando o nosso pessimismo e derrotismo em esperan\u00e7a e vida nova. \u00c0s vezes temos a sensa\u00e7\u00e3o de que este mundo onde peregrinamos se tornou um lugar sombrio e triste, onde o \u00f3dio pode mais do que o amor, a guerra se imp\u00f5e aos esfor\u00e7os pela paz, o ego\u00edsmo \u00e9 mais apreciado do que a comunh\u00e3o\u2026 Mas a verdade \u00e9 que, quando parecemos perdidos em becos sem sa\u00edda, a luz de Deus vem iluminar o mapa dos caminhos que devemos andar para encontrar Vida. N\u00e3o vivamos de olhos postos no ch\u00e3o, afogados numa escurid\u00e3o que nos rouba a esperan\u00e7a; ousemos, mesmo em momentos complicados da hist\u00f3ria do mundo e da nossa hist\u00f3ria pessoal, levantar os olhos e perceber a presen\u00e7a desse Deus que nunca desistir\u00e1 de iluminar todos os passos do nosso caminho rumo \u00e0 Vida.<\/li>\n<li>Podemos, naturalmente, ligar a chegada da \u201cluz\u201d salvadora de Deus a Jerusal\u00e9m (anunciada pelo profeta) com o nascimento de Jesus. O projeto de liberta\u00e7\u00e3o que Jesus veio apresentar aos homens ser\u00e1 a luz que vence as trevas do pecado e da opress\u00e3o e que d\u00e1 ao mundo um rosto mais brilhante de vida e de esperan\u00e7a. Reconhecemos em Jesus a \u201cluz\u201d libertadora de Deus? Estamos dispostos a aceitar que essa \u201cluz\u201d nos fale, nos aponte caminhos de vida nova e nos liberte das trevas do ego\u00edsmo, do orgulho e do pecado? Estamos dispon\u00edveis para dar testemunho dessa luz junto dos irm\u00e3os que compartilham o caminho connosco?<\/li>\n<li>Na catequese crist\u00e3 dos primeiros tempos, esta Jerusal\u00e9m nova, que j\u00e1 \u201cn\u00e3o necessita de sol nem de lua para a iluminar, porque \u00e9 iluminada pela gl\u00f3ria de Deus\u201d, \u00e9 a Igreja \u2013 a comunidade dos que aderiram a Jesus e acolheram a luz salvadora que Ele veio trazer (cf. Ap 21,10-14.23-25). Ser\u00e1 que nas nossas comunidades crist\u00e3s e religiosas brilha a luz libertadora de Jesus? Elas s\u00e3o, pelo seu brilho, uma luz que atrai os homens? As nossas desaven\u00e7as e conflitos, a nossa falta de amor e de partilha, os nossos ci\u00fames e rivalidades, a nossa passividade e conformismo n\u00e3o contribuir\u00e3o para embaciar o brilho dessa luz de Deus que dev\u00edamos refletir?<\/li>\n<li>Ser\u00e1 que na nossa comunidade crist\u00e3 h\u00e1 espa\u00e7o e voz para todos os que buscam a luz libertadora de Deus? Os irm\u00e3os cuja vida \u00e9 considerada irregular ou pouco condizente com a vis\u00e3o oficial s\u00e3o acolhidos, respeitados e amados? As diferen\u00e7as pr\u00f3prias da diversidade de culturas s\u00e3o vistas como uma riqueza que importa preservar, ou s\u00e3o rejeitadas porque amea\u00e7am a uniformidade? A nossa comunidade crist\u00e3 \u00e9 o \u201chospital\u201d onde \u201ctodos, todos, todos\u201d podem curar as feridas que a vida lhes infligiu? <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL <\/strong><strong>\u2013 Salmo 71 (72)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Vir\u00e3o adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00d3 Deus, concedei ao rei o poder de julgar<br \/>\ne a vossa justi\u00e7a ao filho do rei.<br \/>\nEle governar\u00e1 o vosso povo com justi\u00e7a<br \/>\ne os vossos pobres com equidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Florescer\u00e1 a justi\u00e7a nos seus dias<br \/>\ne uma grande paz at\u00e9 ao fim dos tempos.<br \/>\nEle dominar\u00e1 de um ao outro mar,<br \/>\ndo grande rio at\u00e9 aos confins da terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os reis de T\u00e1rsis e das ilhas vir\u00e3o com presentes,<br \/>\nos reis da Ar\u00e1bia e de Sab\u00e1 trar\u00e3o suas ofertas.<br \/>\nProstrar-se-\u00e3o diante dele todos os reis,<br \/>\ntodos os povos o h\u00e3o de servir.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Socorrer\u00e1 o pobre que pede aux\u00edlio<br \/>\ne o miser\u00e1vel que n\u00e3o tem amparo.<br \/>\nTer\u00e1 compaix\u00e3o dos fracos e dos pobres<br \/>\ne defender\u00e1 a vida dos oprimidos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Ef\u00e9sios 3,2-3a.5-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nCertamente j\u00e1 ouvistes falar<br \/>\nda gra\u00e7a que Deus me confiou a vosso favor:<br \/>\npor uma revela\u00e7\u00e3o,<br \/>\nfoi-me dado a conhecer o mist\u00e9rio de Cristo.<br \/>\nNas gera\u00e7\u00f5es passadas,<br \/>\nele n\u00e3o foi dado a conhecer aos filhos dos homens<br \/>\ncomo agora foi revelado pelo Esp\u00edrito Santo<br \/>\naos seus santos ap\u00f3stolos e profetas:<br \/>\nos gentios recebem a mesma heran\u00e7a que os judeus,<br \/>\npertencem ao mesmo corpo<br \/>\ne participam da mesma promessa,<br \/>\nem Cristo Jesus, por meio do Evangelho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta aos Ef\u00e9sios apresenta-se como uma \u201ccarta de cativeiro\u201d, escrita por Paulo da pris\u00e3o (os que aceitam a autoria paulina desta carta discutem qual o lugar onde Paulo est\u00e1 preso, nesta altura, embora a maioria ligue a carta ao cativeiro de Paulo em Roma entre 61\/63).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, de qualquer forma, uma apresenta\u00e7\u00e3o s\u00f3lida de uma catequese bem elaborada e amadurecida. A carta, talvez uma \u201ccarta circular\u201d enviada a v\u00e1rias comunidades crist\u00e3s da parte ocidental da \u00c1sia Menor, parece apresentar uma esp\u00e9cie de s\u00edntese do pensamento paulino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema mais importante da Carta aos Ef\u00e9sios \u00e9 aquilo que o autor chama \u201co mist\u00e9rio\u201d: trata-se do projeto salvador de Deus, definido e elaborado desde sempre, oculto durante s\u00e9culos, revelado e concretizado plenamente em Jesus, comunicado aos ap\u00f3stolos e, nos \u201c\u00faltimos tempos\u201d, tornado presente no mundo pela Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na parte dogm\u00e1tica da carta (cf. Ef 1,3-3,19), Paulo apresenta a sua catequese sobre \u201co mist\u00e9rio\u201d: depois de um hino que celebra a a\u00e7\u00e3o do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo na obra da salva\u00e7\u00e3o (cf. Ef 1,3-14), o autor fala da soberania de Cristo sobre os poderes ang\u00e9licos e do seu papel como cabe\u00e7a da Igreja (cf. Ef 1,15-23); depois, reflete sobre a situa\u00e7\u00e3o universal do homem, mergulhado no pecado, e afirma a iniciativa salvadora e gratuita de Deus em favor do homem (cf. Ef 2,1-10); exp\u00f5e ainda como \u00e9 que Cristo \u2013 realizando \u201co mist\u00e9rio\u201d \u2013 levou a cabo a reconcilia\u00e7\u00e3o de judeus e pag\u00e3os num s\u00f3 corpo, que \u00e9 a Igreja (cf. Ef 2,11-22)\u2026 O texto que nos \u00e9 proposto vem nesta sequ\u00eancia: nele, Paulo apresenta-se como testemunha do \u201cmist\u00e9rio\u201d diante dos judeus e diante dos pag\u00e3os (cf. Ef 3,1-13). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Segundo Paulo, a salva\u00e7\u00e3o oferecida por Deus e revelada em Jesus n\u00e3o se destina apenas \u201ca Jerusal\u00e9m\u201d (ao mundo judaico), mas \u00e9 para todos os povos, sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, de cor, de cultura ou de estatuto social. Todos os homens e mulheres s\u00e3o filhos e filhas queridos de Deus. A todos Deus ama, todos fazem parte de uma fam\u00edlia universal. Ser\u00e1 que conseguimos ver em cada pessoa, independentemente das diferen\u00e7as e particularismos que apresenta, um irm\u00e3o ou uma irm\u00e3? Conseguimos apreciar devidamente a beleza de pertencer a uma fam\u00edlia onde as diferen\u00e7as n\u00e3o dividem, mas s\u00e3o um bem acrescentado que a todos enriquece?<\/li>\n<li>A fraternidade implica o amor sem limites, a partilha, a solidariedade\u2026. Sentimo-nos solid\u00e1rios com todos os irm\u00e3os que partilham connosco esta vasta casa que \u00e9 o mundo? Sentimo-nos respons\u00e1veis pela sorte de todos os nossos irm\u00e3os, mesmo aqueles que est\u00e3o separados de n\u00f3s pela geografia, pela diversidade de culturas e de ra\u00e7as?<\/li>\n<li>A Igreja, \u201ccorpo de Cristo\u201d, \u00e9 a comunidade daqueles que acolheram \u201co mist\u00e9rio\u201d. Esta comunidade \u00e9 um espa\u00e7o privilegiado onde se revela o projeto salvador que Deus tem para oferecer a todos os homens. \u00c9 isso que, de facto, acontece? Na vida das nossas comunidades transparece realmente o amor de Deus? As nossas comunidades s\u00e3o verdadeiras comunidades fraternas, onde todos se amam sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, de cor, de estatuto social, ou de hist\u00f3ria de vida? <strong><em>in<\/em><\/strong> <strong><em>Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO <\/strong><strong>\u2013 <\/strong><strong>Mateus 2,1-12<br \/>\n<\/strong><strong>Tinha Jesus nascido em Bel\u00e9m da Judeia,<br \/>\nnos dias do rei Herodes,<br \/>\nquando chegaram a Jerusal\u00e9m uns Magos vindos do Oriente.<br \/>\n\u00abOnde est\u00e1 \u2013 perguntaram eles \u2013<br \/>\no rei dos judeus que acaba de nascer?<br \/>\nN\u00f3s vimos a sua estrela no Oriente<br \/>\ne viemos ador\u00e1-l\u2019O\u00bb.<br \/>\nAo ouvir tal not\u00edcia, o rei Herodes ficou perturbado,<br \/>\ne, com ele, toda a cidade de Jerusal\u00e9m.<br \/>\nReuniu todos os pr\u00edncipes dos sacerdotes e escribas do povo<br \/>\ne perguntou-lhes onde devia nascer o Messias.<br \/>\nEles responderam:<br \/>\n\u00abEm Bel\u00e9m da Judeia,<br \/>\nporque assim est\u00e1 escrito pelo profeta:<br \/>\n\u2018Tu, Bel\u00e9m, terra de Jud\u00e1,<br \/>\nn\u00e3o \u00e9s de modo nenhum a menor<br \/>\nentre as principais cidades de Jud\u00e1,<br \/>\npois de ti sair\u00e1 um chefe,<br \/>\nque ser\u00e1 o Pastor de Israel, meu povo\u2019\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o Herodes mandou chamar secretamente os Magos<br \/>\ne pediu-lhes informa\u00e7\u00f5es precisas<br \/>\nsobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela.<br \/>\nDepois enviou-os a Bel\u00e9m e disse-lhes:<br \/>\n\u00abIde informar-vos cuidadosamente acerca do Menino;<br \/>\ne, quando O encontrardes, avisai-me,<br \/>\npara que tamb\u00e9m eu v\u00e1 ador\u00e1-l\u2019O\u00bb.<br \/>\nOuvido o rei, puseram-se a caminho.<br \/>\nE eis que a estrela que tinham visto no Oriente<br \/>\nseguia \u00e0 sua frente<br \/>\ne parou sobre o lugar onde estava o Menino.<br \/>\nAo ver a estrela, sentiram grande alegria.<br \/>\nEntraram na casa,<br \/>\nviram o Menino com Maria, sua M\u00e3e,<br \/>\ne, prostrando-se diante d\u2019Ele, adoraram-n\u2019O.<br \/>\nDepois, abrindo os seus tesouros,<br \/>\nofereceram-Lhe presentes:<br \/>\nouro, incenso e mirra.<br \/>\nE, avisados em sonhos<br \/>\npara n\u00e3o voltarem \u00e0 presen\u00e7a de Herodes,<br \/>\nregressaram \u00e0 sua terra por outro caminho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio da visita dos magos ao Menino de Bel\u00e9m, narrado no evangelho de Mateus, \u00e9 um epis\u00f3dio de grande beleza, que rapidamente se tornou muito popular entre os crist\u00e3os. Ao longo dos s\u00e9culos a piedade popular n\u00e3o cessou de o embelezar com acrescentos que, na maior parte dos casos, n\u00e3o encontram eco no texto de Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os biblistas est\u00e3o de acordo em que este relato se encaixa na categoria do\u00a0<em>midrash hagg\u00e1dico<\/em>, um m\u00e9todo de leitura e de explora\u00e7\u00e3o do texto b\u00edblico muito utilizado pelos rabis de Israel, que inclu\u00eda o recurso a hist\u00f3rias fantasiosas para ilustrar um ensinamento. Na verdade, Mateus n\u00e3o pretende descrever uma visita de personagens importantes ao Menino do pres\u00e9pio, mas sim apresentar Jesus como o enviado de Deus Pai, que vem oferecer a salva\u00e7\u00e3o de Deus aos homens de toda a terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na base da inspira\u00e7\u00e3o de Mateus pode estar a cren\u00e7a generalizada, na regi\u00e3o do Crescente F\u00e9rtil, de que cada crian\u00e7a que nascia tinha a sua pr\u00f3pria estrela e de que uma nova estrela anunciava um acontecimento que iria mudar a hist\u00f3ria humana. \u00c9 prov\u00e1vel tamb\u00e9m que Mateus se tenha inspirado, para construir esta bonita narrativa, num texto do livro dos N\u00fameros onde um profeta chamado Bala\u00e3o, \u201co homem de olhar penetrante\u201d (Nm 24,15), anuncia \u201cuma estrela que sai de Jacob e um cetro flamejante que surge do seio de Israel\u201d (Nm 24,27). Esse an\u00fancio teve sempre, para os te\u00f3logos de Israel, um claro sabor messi\u00e2nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, o relato de Mateus faz uma refer\u00eancia ao rei que governava a Palestina na altura do nascimento de Jesus: Herodes, chamado \u201co Grande\u201d, falecido no ano 4 a.C., cerca de dois anos ap\u00f3s o nascimento de Jesus. Embora se tenha distinguido pelas grandes obras que levou a cabo, foi um rei cruel e desp\u00f3tico, sempre pronto a matar para defender o seu trono. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Em primeiro lugar, atentemos nas atitudes das v\u00e1rias personagens que Mateus nos apresenta em confronto com Jesus: os \u201cmagos\u201d, Herodes, os pr\u00edncipes dos sacerdotes e os escribas do povo\u2026 Diante de Jesus, a \u201cluz salvadora\u201d enviada por Deus, estes distintos personagens assumem atitudes diversas, que v\u00e3o desde a adora\u00e7\u00e3o (os \u201cmagos\u201d), at\u00e9 \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o total (Herodes), passando pela indiferen\u00e7a (os sacerdotes e os escribas: nenhum deles se preocupou em ir ao encontro desse Messias que eles conheciam bem dos textos sagrados). Com qual destes grupos nos identificamos? Ser\u00e1 poss\u00edvel sermos \u201ccrist\u00e3os praticantes\u201d, andarmos envolvidos nas atividades da comunidade crist\u00e3 e, simultaneamente, passarmos ao lado das propostas de Jesus? N\u00f3s, os que conhecemos as Escrituras, lev\u00e1mo-las a s\u00e9rio quando elas nos desafiam \u00e0 convers\u00e3o, ao compromisso, \u00e0 op\u00e7\u00e3o clara pelos valores do Evangelho?<\/li>\n<li>Os \u201cmagos\u201d s\u00e3o os \u201chomens dos sinais\u201d, que sabem ver na \u201cestrela\u201d o sinal da chegada da luz libertadora de Deus. Talvez hoje, com toda a press\u00e3o que a vida nos coloca, n\u00e3o consigamos ter tempo para olhar para o c\u00e9u, \u00e0 procura dos sinais de Deus; talvez a vida nos obrigue a andar de olhos no ch\u00e3o, ocupados em coisas bem rasteiras e materiais\u2026 Mas a aventura da exist\u00eancia ter\u00e1 mais cor se arranjarmos tempo para parar, para meditar, para falar com Deus, para escutar as suas indica\u00e7\u00f5es, para tentar ler os sinais que Ele vai colocando ao longo do nosso caminho\u2026 Talvez a nossa peregrina\u00e7\u00e3o pela terra tenha mais sentido se aprendermos a ler os acontecimentos da nossa hist\u00f3ria e da nossa vida \u00e0 luz de Deus. Vale a pena pensar nisto\u2026<\/li>\n<li>O relato de Mateus sublinha, por outro lado, a \u201cdesinstala\u00e7\u00e3o\u201d dos \u201cmagos\u201d: eles descobriram a \u201cestrela\u201d e, imediatamente, deixaram tudo para procurar Jesus. O risco da viagem, a incomodidade do caminho, o confronto com o desconhecido, nada os impediu de partir. Somos capazes da mesma atitude de desinstala\u00e7\u00e3o, ou estamos demasiado agarrados ao nosso sof\u00e1, ao nosso colch\u00e3o especial, ao nosso comando da televis\u00e3o, ao nosso computador, \u00e0 nossa zona de conforto, \u00e0 nossa seguran\u00e7a, ao nosso comodismo? Somos capazes de deixar tudo para responder aos apelos que Jesus nos faz, muitas vezes atrav\u00e9s dos irm\u00e3os que necessitam da nossa ajuda e do nosso cuidado?<\/li>\n<li>Os \u201cmagos\u201d representam os homens de todo o mundo que v\u00e3o ao encontro de Cristo, que acolhem a proposta libertadora que Ele traz e que se prostram diante d\u2019Ele. \u00c9 a imagem da Igreja \u2013 essa fam\u00edlia de irm\u00e3os, constitu\u00edda por gente de muitas cores e ra\u00e7as, que aderem a Jesus e que O reconhecem como o seu Senhor. Estamos bem conscientes de que Jesus \u00e9 o centro para o qual todos convergimos e do qual irradia a luz salvadora que ilumina a nossa vida e a vida do mundo? E, quando olhamos para os irm\u00e3os e irm\u00e3s que connosco se re\u00fanem \u00e0 volta de Jesus, sentimos a comunh\u00e3o, a fraternidade, os la\u00e7os de fam\u00edlia que a todos nos ligam?<\/li>\n<li>Os \u201cmagos\u201d, depois de se encontrarem com Jesus e de o reconhecerem como \u201co Senhor\u201d, \u201cregressaram ao seu pa\u00eds por outro caminho\u201d. O encontro com o Menino do pres\u00e9pio tem sido, nestes dias, um momento de confronto que nos leva a reequacionar a nossa vida, os nossos valores e op\u00e7\u00f5es, e a enveredar por um caminho novo, mais simples, mais humilde, mais fraterno, mais humano? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I Leitura: (ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II Leitura: <\/strong><strong>(ver anexo)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Leitura-I-da-Solenidade-de-Santa-Maria-Mae-de-Deus-Ano-C-01.01.2025-Num-6-22-27.pdf\">Leitura I da Solenidade de Santa Maria M\u00e3e de Deus &#8211; Ano C &#8211; 01.01.2025 (Num 6, 22-27)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Leitura-II-da-Solenidade-de-Santa-Maria-Mae-de-Deus-Ano-C-01.01.2025-Gal-4-4-7.pdf\">Leitura II da Solenidade de Santa Maria M\u00e3e de Deus &#8211; Ano C &#8211; 01.01.2025 (Gal 4, 4-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Solenidade-de-Santa-Maria-Mae-de-Deus-Ano-C-01.01.2025-Lecionario.pdf\">Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus &#8211; Ano C &#8211; 01.01.2025 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Solenidade-de-Santa-Maria-Mae-de-Deus-Ano-C-01.01.2025-Oracao-Universal.pdf\">Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus &#8211; Ano C &#8211; 01.01.2025 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Mensagem-para-o-Dia-Mundial-da-Paz-01-janeiro-2025.pdf\">Mensagem para o Dia Mundial da Paz &#8211; 01 janeiro 2025<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Leitura-I-da-Epifania-do-Senhor-Ano-C-05.01.2025-Is-601-6.pdf\">Leitura I da Epifania do Senhor &#8211; Ano C &#8211; 05.01.2025 (Is 60,1-6)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Leitura-II-da-Epifania-do-Senhor-Ano-C-05.01.2025-Ef-3-2-3a.5-6.pdf\">Leitura II da Epifania do Senhor- Ano C &#8211; 05.01.2025 (Ef 3, 2-3a.5-6)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Epifania-do-Senhor-Ano-C-05.01.2025-Lecionario.pdf\">Epifania do Senhor &#8211; Ano C &#8211; 05.01.2025-Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Epifania-do-Senhor-Ano-C-05.01.2025-Oracao-Universal.pdf\">Epifania do Senhor &#8211; Ano C &#8211; 05.01.2025-Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Domingo-da-Epifania-do-Senhor-Ano-C-05.01.2025-refletindo.pdf\">Domingo da Epifania do Senhor &#8211; Ano C &#8211; 05.01.2025 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/A-Mesa-da-Palavra-Domingo-da-Epifania.pdf\">A Mesa da Palavra Domingo da Epifania<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ANO-C-Ano-de-Lucas-2024-2025.pdf\">ANO C &#8211; Ano de Lucas- 2024-2025<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][\/vc_tta_accordion][\/vc_column][\/vc_row][vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1596131586623{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 100px !important;}&#8221;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1540304338338{padding-right: 27px !important;padding-left: 27px !important;}&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_text_separator title=&#8221;Eucaristia pelo Facebook&#8221; title_align=&#8221;separator_align_left&#8221;][vc_column_text][\/vc_column_text][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row][vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1596131586623{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 100px !important;}&#8221;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1540304338338{padding-right: 27px !important;padding-left: 27px !important;}&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_text_separator title=&#8221;Agenda&#8221; title_align=&#8221;separator_align_left&#8221;][vc_column_text][\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Agenda-de-Dezembro-de-2025-Paroquia-de-Vilar-de-Andorinho.v1.xlsx\">Descarregar agenda de dezembro de 2025 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Agenda-de-Novembro-de-2025-Paroquia-de-Vilar-de-Andorinho-v1-5.xlsx\">Descarregar agenda de novembro de 2025 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Agenda-de-Outubro-de-2025-Paroquia-de-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de outubro de 2025 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Agenda-de-Setembro-de-2025-Paroquia-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de setembro de 2025 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Agenda-de-Agosto-de-2025-Paroquia-de-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de agosto de 2025 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Agenda-de-Julho-2025-Paroquia-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de julho de 2025 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Agenda-de-junho-de-2025-Paroquia-de-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de junho de 2025 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Agenda-de-Maio-2025-Paroquia-de-Vilar-de-Andorinho-2025-v1.xlsx\">Descarregar agenda de maio de 2025 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Agenda-de-Abril-2025-Paroquia-de-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de abril de 2025 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Agenda-de-Marco-2025-Paroquia-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de mar\u00e7o de 2025 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Agenda-Fevereiro-2025-Paroquia-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de fevereiro de 2025 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Agenda-de-Janeiro-2025-Paroquia-Vilar-de-Andorinho.xlsx\">Descarregar agenda de janeiro de 2025 em Excel<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; 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