{"id":16551,"date":"2026-01-12T14:20:49","date_gmt":"2026-01-12T14:20:49","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=16551"},"modified":"2026-04-20T09:52:31","modified_gmt":"2026-04-20T08:52:31","slug":"atualidade-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=16551","title":{"rendered":"Atualidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1596131586623{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 100px !important;}&#8221;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1540304338338{padding-right: 27px !important;padding-left: 27px !important;}&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_text_separator title=&#8221;\u00daltimas&#8221; title_align=&#8221;separator_align_left&#8221;]<div class=\"vc_row wpb_row vc_inner vc_row-fluid vc_row-o-equal-height vc_row-flex\"><div class=\"wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12\"><div class=\"vc_column-inner\"><div class=\"wpb_wrapper\"><ul style=\"list-style-type: disc;\"><li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=16729\" target=\"_blank\" class=\"\"><span class=\"vc_custom_heading\">ABRE-TE! Da Quaresma \u00e0 P\u00e1scoa<\/span><\/a><\/li><\/ul><\/div><\/div><\/div><\/div>[\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row][vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1596131586623{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 100px !important;}&#8221;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1540304338338{padding-right: 27px !important;padding-left: 27px !important;}&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_text_separator title=&#8221;Liturgia da Palavra&#8221; title_align=&#8221;separator_align_left&#8221;][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_tta_accordion style=&#8221;modern&#8221; active_section=&#8221;&#8221; collapsible_all=&#8221;true&#8221;][vc_tta_section title=&#8221;Domingo III do Tempo Pascal \u2013 Ano A \u2013 18.04.2026&#8243; tab_id=&#8221;1641804522664-78e865c1-3f74&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Domingo III do Tempo Pascal \u2013 Ano A \u2013 18.04.2026<\/h4>\n<figure id=\"attachment_12653\" aria-describedby=\"caption-attachment-12653\" style=\"width: 634px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12653\" style=\"color: inherit; font-family: inherit; font-size: inherit;\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Domingo-III.jpg\" alt=\"\" width=\"634\" height=\"414\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12653\" class=\"wp-caption-text\">Jesus aproximou-Se deles e p\u00f4s Se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. Ele perguntou lhes. \u00abQue palavras s\u00e3o essas que trocais entre v\u00f3s pelo caminho?\u00bb<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Boa Not\u00edcia que brota do sepulcro aberto ecoa no tempo e na hist\u00f3ria para renovar a esperan\u00e7a e fortalecer a confian\u00e7a de todos quantos trilham os caminhos tortuosos e exigentes da nossa exist\u00eancia. A proclama\u00e7\u00e3o alegre e jubilosa da manh\u00e3 de P\u00e1scoa prolonga-se liturgicamente ao longo de cinquenta dias como oportunidade de aprofundar e saborear a presen\u00e7a de Jesus Cristo Ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Evangelho deste terceiro Domingo do Tempo da P\u00e1scoa oferece-nos uma das mais belas viagens narradas pela Sagrada Escritura. Doze quil\u00f3metros de estrada, onde o c\u00e9u e a terra se tocam, onde o Ressuscitado se coloca a caminho para iluminar a esperan\u00e7a e renovar a confian\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o daqueles disc\u00edpulos que tristes e desanimados regressam \u00e0 sua terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abJesus aproximou-Se deles e p\u00f4s-Se com eles a caminho\u00bb. Deus precede-nos sempre e em Jesus Cristo vem ao nosso encontro. Nas ang\u00fastias e incertezas, nas dores e nos sofrimentos, Jesus vem ao nosso encontro, vestido de humanidade, percorrendo as nossas estradas e fazendo caminho connosco. A f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 um rito m\u00e1gico que elimina do nosso caminho as dificuldades e desafios, mas a certeza de que, n\u00e3o obstante os desafios e dificuldades do caminho, Deus est\u00e1 connosco, Deus caminha connosco, Deus oferece-nos a for\u00e7a e a coragem necess\u00e1rias para caminhar, mesmo quando parecem fraquejar as for\u00e7as e o \u00e2nimo parece desvanecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A P\u00e1scoa deste ano declina-se inevitavelmente com o estado de emerg\u00eancia e a pandemia que nos assola. Contudo, bem sabemos, que P\u00e1scoa deriva do verbo hebraico\u00a0pesach\u00a0que significa passar. Celebram e vivem a P\u00e1scoa aqueles que s\u00e3o capazes de rasgar brechas de esperan\u00e7a e abrir caminhos que nos permitem alargar os nossos horizontes e compreender que o amor \u00e9 mais forte do que a morte e que a dor e o sofrimento se abrem ao horizonte maior e mais largo da esperan\u00e7a e da confian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estes dois disc\u00edpulos v\u00e3o a caminho de Ema\u00fas. V\u00e3o desanimados e desalentados. Eles deixaram tudo e seguiram Jesus. Escutaram as Suas palavras cheias de novidade e de vida, viram os Seus milagres e contemplaram o Seu amor que se fazia perd\u00e3o, encontro e entrega. Contudo, \u00abos pr\u00edncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado \u00e0 morte e crucificado\u00bb.\u00a0Por isso, apesar de terem depositado Nele a sua esperan\u00e7a e acreditado que poderia ser Ele quem libertaria Israel, \u00abafinal, \u00e9 j\u00e1 o terceiro dia depois que isto aconteceu\u00bb. Nem a palavra das mulheres que tinham ido ao sepulcro de madrugada era suficiente para lhes oferecer qualquer r\u00e9stia de esperan\u00e7a. Apesar de elas terem dito que o sepulcro estava vazio e que uns anjos lhes tinham anunciado que Ele estava vivo, a Ele n\u00e3o o viram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como \u00e9 desconcertante a pedagogia de Jesus! Coloca-se a caminho, quer ouvir pela boca dos disc\u00edpulos as raz\u00f5es do seu des\u00e2nimo e desalento. Recorda-lhes a hist\u00f3ria de amor que Deus construiu com o Seu Povo \u00abcome\u00e7ando por Mois\u00e9s e passando pelos Profetas\u00bb. Preparado e abrasado o cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos pela Palavra, senta-se com eles \u00e0 mesa e parte o P\u00e3o. Contemplando o gesto do p\u00e3o partido e repartido, os disc\u00edpulos recordam aquela outra ceia em que se sentaram com Jesus \u00e0 mesa e reconhecem, naquele gesto, Jesus Vivo Ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diante das nossas dores e sofrimentos, das nossas d\u00favidas e incertezas, Jesus continua a colocar-se no meio de n\u00f3s, a querer escutar a nossa vida com as suas dificuldades e faltas de esperan\u00e7a e convida-nos a recordar a hist\u00f3ria de amor que Deus constr\u00f3i connosco. Dirige-nos a Sua palavra de amor e recorda-nos que a Sua vida feita p\u00e3o partido e repartido continuar\u00e1 a abrir os nossos olhos para uma nova esperan\u00e7a que s\u00f3 a Sua P\u00e1scoa nos pode oferecer e garantir.\u00a0in Voz Portucalense. <strong><em>in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + <\/em><\/strong><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>Estamos em Tempo Pascal. Percorremos os 50 dias at\u00e9 ao Pentecostes. <\/strong>Estamos num novo ano lit\u00fargico <strong>\u2013 2025\/2026, o Ano A<\/strong> \u2013 em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Atos dos Ap\u00f3stolos 2,14.22-33<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No dia de Pentecostes,<br \/>\nPedro, de p\u00e9, com os onze Ap\u00f3stolos,<br \/>\nergueu a voz e falou ao povo:<br \/>\n\u00abHomens de Israel, ouvi estas palavras:<br \/>\nJesus de Nazar\u00e9<br \/>\nfoi um homem acreditado por Deus junto de v\u00f3s<br \/>\ncom milagres, prod\u00edgios e sinais,<br \/>\nque Deus realizou no meio de v\u00f3s, por seu interm\u00e9dio,<br \/>\ncomo sabeis.<br \/>\nDepois de entregue,<br \/>\nsegundo o des\u00edgnio imut\u00e1vel e a previs\u00e3o de Deus,<br \/>\nv\u00f3s destes-Lhe a morte,<br \/>\ncravando-O na cruz pela m\u00e3o de gente perversa.<br \/>\nMas Deus ressuscitou O, livrando O dos la\u00e7os da morte,<br \/>\nporque n\u00e3o era poss\u00edvel que Ele ficasse sob o seu dom\u00ednio.<br \/>\nDiz David a seu respeito:<br \/>\n\u2018O Senhor est\u00e1 sempre na minha presen\u00e7a,<br \/>\ncom Ele a meu lado n\u00e3o vacilarei.<br \/>\nPor isso o meu cora\u00e7\u00e3o se alegra e a minha alma exulta<br \/>\ne at\u00e9 o meu corpo descansa tranquilo.<br \/>\nV\u00f3s n\u00e3o abandonareis a minha alma na mans\u00e3o dos mortos,<br \/>\nnem deixareis o vosso Santo sofrer a corrup\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDestes me a conhecer os caminhos da vida,<br \/>\na alegria plena em vossa presen\u00e7a\u2019.<br \/>\nIrm\u00e3os, seja-me permitido falar vos com toda a liberdade:<br \/>\no patriarca David morreu e foi sepultado<br \/>\ne o seu t\u00famulo encontra se ainda hoje entre n\u00f3s.<br \/>\nMas, como era profeta<br \/>\ne sabia que Deus lhe prometera sob juramento<br \/>\nque um descendente do seu sangue<br \/>\nhavia de sentar-se no seu trono,<br \/>\nviu e proclamou antecipadamente a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo,<br \/>\ndizendo que Ele n\u00e3o O abandonou na mans\u00e3o dos mortos,<br \/>\nnem a sua carne conheceu a corrup\u00e7\u00e3o.<br \/>\nFoi este Jesus que Deus ressuscitou<br \/>\ne disso todos n\u00f3s somos testemunhas.<br \/>\nTendo sido exaltado pelo poder de Deus,<br \/>\nrecebeu do Pai a promessa do Esp\u00edrito Santo,<br \/>\nque Ele derramou, como vedes e ouvis\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que a liturgia deste dia nos prop\u00f5e como primeira leitura situa-nos em Jerusal\u00e9m, na manh\u00e3 do dia do Pentecostes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ap\u00f3s a Ascens\u00e3o os disc\u00edpulos tinham estado no Cen\u00e1culo, \u00e0 espera que se cumprisse a promessa que Jesus lhes tinha feito: \u201cides receber uma for\u00e7a, a do Esp\u00edrito Santo, que descer\u00e1 sobre v\u00f3s, e sereis minhas testemunhas em Jerusal\u00e9m, por toda a Judeia e Samaria e at\u00e9 aos confins do mundo\u201d (At 1,8). Ora, de acordo com o relato de Lucas, essa promessa cumpriu-se no dia do Pentecostes, quando o Esp\u00edrito Santo desceu sobre a comunidade reunida no Cen\u00e1culo (cf. At 2,1-12). Nesse dia, transformados e fortalecidos pelo Esp\u00edrito, os disc\u00edpulos abandonaram a seguran\u00e7a dos muros do Cen\u00e1culo e assumiram, diante dos habitantes de Jerusal\u00e9m, a miss\u00e3o de serem testemunhas de Jesus. De acordo com o autor do livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, foi Pedro que, em nome da comunidade dos disc\u00edpulos, tomou a palavra para \u201canunciar as maravilhas de Deus\u201d e para oferecer a todos os presentes um primeiro an\u00fancio sobre Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A festa judaica do Pentecostes (em hebraico \u201cShavu\u2019ot\u201d) que os judeus celebravam por esses dias era tamb\u00e9m designada por \u201cfesta das semanas\u201d e \u201cfesta das prim\u00edcias\u201d. Ocorria cinquenta dias ap\u00f3s a P\u00e1scoa e era, antes de mais, uma festa agr\u00edcola: terminada a colheita dos cereais, os agricultores dirigiam-se ao Templo, ao som de m\u00fasica de flautas, para entregar a Deus os primeiros frutos da colheita (\u201cbikurim\u201d). Eram acolhidos com c\u00e2nticos de boas-vindas, entravam no templo e entregavam nas m\u00e3os dos sacerdotes os cestos com os frutos que tinham trazido. Mais tarde, contudo, a tradi\u00e7\u00e3o rab\u00ednica ligou esta festa \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da \u201calian\u00e7a\u201d e ao dom da Lei, por Deus, no Sinai; e, no s\u00e9c. I, esta dimens\u00e3o tinha um lugar importante na celebra\u00e7\u00e3o do Pentecostes.<br \/>\nAs palavras que, segundo Lucas, Pedro naquele dia dirigiu \u00e0 multid\u00e3o reunida em Jerusal\u00e9m para celebrar a festa judaica do Pentecostes ser\u00e3o rigorosamente hist\u00f3ricas? N\u00e3o. Trata-se, certamente, de uma composi\u00e7\u00e3o do autor dos Atos dos Ap\u00f3stolos que reproduz, em parte, a prega\u00e7\u00e3o que a primitiva comunidade crist\u00e3 fazia sobre Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">~\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Este discurso de Pedro \u00e9, ali\u00e1s, muito semelhante a outros discursos que aparecem no livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos (cf. At 3,12-26; 4,8-12; 10,34-43; 13,16-41). Em qualquer um deles, aparece sempre um n\u00facleo central que procede do kerigma primitivo e o resume: apresenta\u00e7\u00e3o breve da atividade de Jesus, an\u00fancio da sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o e a salva\u00e7\u00e3o que da\u00ed resulta em favor dos homens. Mesmo que o texto n\u00e3o reproduza exatamente a prega\u00e7\u00e3o de Pedro no dia do Pentecostes, reproduz certamente a f\u00f3rmula mais ou menos consagrada do kerigma primitivo e a catequese que a comunidade crist\u00e3 primitiva costumava apresentar sobre Jesus. H\u00e1 at\u00e9 quem veja neste \u201can\u00fancio\u201d um texto que era aprendido de cor por todos os catec\u00famenos durante a sua prepara\u00e7\u00e3o para o batismo. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Desde os alvores da humanidade insistimos em trilhar caminhos de orgulho e de autossufici\u00eancia, julgando encontrar a\u00ed a nossa plena realiza\u00e7\u00e3o, o sucesso inquestion\u00e1vel da nossa exist\u00eancia; mas s\u00f3 conseguimos, com as nossas op\u00e7\u00f5es ego\u00edstas, trazer \u00e0 hist\u00f3ria humana mentira, viol\u00eancia, infelicidade e morte. Ent\u00e3o Deus enviou-nos Jesus. Ele veio dizer-nos cara a cara, na nossa linguagem e em gestos humanos bem claros, que a nossa plena realiza\u00e7\u00e3o passa pelo amor, pela vida dada at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, pela partilha, pelo perd\u00e3o, pelo servi\u00e7o simples e humilde a Deus e aos irm\u00e3os. No entanto, n\u00e3o acreditamos n\u2019Ele; e convocamos a injusti\u00e7a, a viol\u00eancia, a mentira, para o calar e para o fechar num t\u00famulo onde Ele n\u00e3o pudesse incomodar-nos com os seus desafios\u2026 Caso arrumado? N\u00e3o. Deus ressuscitou Jesus; e, ao ressuscit\u00e1-l\u2019O, deu-lhe raz\u00e3o. Disse-nos que Ele falava verdade quando nos dizia que uma vida gasta ao servi\u00e7o do plano do Pai, na entrega aos homens, n\u00e3o conduz ao fracasso, mas \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00e0 vida nova. Entretanto, passaram-se dois mil anos\u2026 H\u00e1 dois mil anos que sabemos, de fonte segura, que o ego\u00edsmo, o orgulho, a maldade, a viol\u00eancia, nos arrastam para caminhos de morte e infelicidade; h\u00e1 dois mil anos que temos diante de n\u00f3s o exemplo de Jesus e que sabemos que s\u00f3 a proposta que Ele nos apresentou \u00e9 geradora de vida verdadeira e eterna. Mas ainda n\u00e3o conseguimos \u201cdigerir\u201d tudo aquilo que a vida, a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus nos mostrou. O que mais ser\u00e1 necess\u00e1rio para levarmos a s\u00e9rio as indica\u00e7\u00f5es de Deus? Quando nos disporemos a acolher, sem desculpas nem hesita\u00e7\u00f5es, a li\u00e7\u00e3o de Jesus?<\/li>\n<li>Pedro, dirigindo-se \u00e0 multid\u00e3o no dia de Pentecostes, diz: \u201cfoi este Jesus que Deus ressuscitou e disso todos n\u00f3s somos testemunhas\u201d. Esse \u201ctodos n\u00f3s\u201d inclui, naturalmente, todos aqueles que, por aqueles dias, fizeram a experi\u00eancia de encontrar Jesus vivo e atuante e se sentiram desafiados a continuar a aventura do Reino de Deus; mas tamb\u00e9m inclui todos os outros que, pelos s\u00e9culos fora, continuam a encontrar-se com Jesus vivo, a escutar as suas indica\u00e7\u00f5es, a viver ao seu estilo, a sentarem-se com Ele \u00e0 mesa eucar\u00edstica, a caminhar com Ele pelos caminhos do mundo. A Igreja \u2013 a comunidade dos disc\u00edpulos de Jesus \u2013 \u00e9 hoje, no mundo, a testemunha de Jesus, da sua ressurrei\u00e7\u00e3o, da verdade da sua proposta, da viabilidade do seu projeto. Sentimo-nos investidos dessa miss\u00e3o? Os homens desiludidos e desorientados que todos os dias se cruzam connosco nos caminhos do mundo encontram em n\u00f3s \u2013 testemunhas de Cristo ressuscitado \u2013 uma proposta de vida definitiva e de realiza\u00e7\u00e3o plena? Somos n\u00f3s que contaminamos o mundo com a Boa Not\u00edcia de Jesus e lhe oferecemos uma alternativa \u00e0 desilus\u00e3o e ao desespero, ou \u00e9 o mundo que nos domestica e nos convence a abandonar os valores propostos por Jesus? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 15 (16)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Mostrai me, Senhor, o caminho da vida.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Aleluia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Defendei me, Senhor; V\u00f3s sois o meu ref\u00fagio.<br \/>\nDigo ao Senhor: V\u00f3s sois o meu Deus.<br \/>\nSenhor, por\u00e7\u00e3o da minha heran\u00e7a e do meu c\u00e1lice,<br \/>\nest\u00e1 nas Vossas m\u00e3os o meu destino.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bendigo o Senhor por me ter aconselhado,<br \/>\nat\u00e9 de noite me inspira interiormente.<br \/>\nO Senhor est\u00e1 sempre na minha presen\u00e7a,<br \/>\ncom Ele a meu lado n\u00e3o vacilarei.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por isso o meu cora\u00e7\u00e3o se alegra e a minha alma exulta<br \/>\ne at\u00e9 o meu corpo descansa tranquilo.<br \/>\nV\u00f3s n\u00e3o abandonareis a minha alma na mans\u00e3o dos mortos,<br \/>\nnem deixareis o vosso fiel conhecer a corrup\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,<br \/>\nalegria plena em Vossa presen\u00e7a,<br \/>\ndel\u00edcias eternas \u00e0 Vossa direita.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Pedro 1,17-21<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Car\u00edssimos:<br \/>\nSe invocais como Pai<br \/>\nAquele que, sem ace\u00e7\u00e3o de pessoas,<br \/>\njulga cada um segundo as suas obras,<br \/>\nvivei com temor, durante o tempo de ex\u00edlio neste mundo.<br \/>\nLembrai vos que n\u00e3o foi por coisas corrupt\u00edveis,<br \/>\ncomo prata e oiro,<br \/>\nque fostes resgatados da v\u00e3 maneira de viver,<br \/>\nherdada dos vossos pais,<br \/>\nmas pelo sangue precioso de Cristo,<br \/>\nCordeiro sem defeito e sem mancha,<br \/>\npredestinado antes da cria\u00e7\u00e3o do mundo<br \/>\ne manifestado nos \u00faltimos tempos por vossa causa.<br \/>\nPor Ele acreditais em Deus,<br \/>\nque O ressuscitou dos mortos e Lhe deu a gl\u00f3ria,<br \/>\npara que a vossa f\u00e9 e a vossa esperan\u00e7a estejam em Deus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A primeira Carta de Pedro oferece-nos um conjunto de indica\u00e7\u00f5es que, \u00e0 partida, poderiam deixar perfeitamente definida a quest\u00e3o do seu autor e dos seus destinat\u00e1rios. O autor apresenta-se como \u201cPedro, Ap\u00f3stolo de Jesus Cristo\u201d (1Pe 1,1a), \u201cpresb\u00edtero\u201d, \u201ctestemunha dos padecimentos de Cristo e tamb\u00e9m participante da gl\u00f3ria que se h\u00e1 de manifestar\u201d (1Pe 5,1). Os destinat\u00e1rios seriam os \u201celeitos\u201d de Deus que peregrinam na di\u00e1spora do Ponto, da Gal\u00e1cia, da Capad\u00f3cia, da \u00c1sia e da Bit\u00ednia\u201d (1Pe 1,1b). A Carta seria escrita \u201cdesde Babil\u00f3nia\u201d (designativo frequentemente usado pelos primeiros crist\u00e3os para falar de Roma), onde o autor est\u00e1 acompanhado por Marcos (1Pe 5,13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto, parece bastante improv\u00e1vel que Pedro, o pescador do Mar da Galileia que Jesus chamou para ser \u201cpescador\u201d de homens (cf. Mc 1,16-18), tenha sido o autor desta carta. Antes de mais, por quest\u00f5es de ordem liter\u00e1ria: a qualidade liter\u00e1ria da carta parece estar bem acima daquilo que seria o estilo de um pescador galileu pouco instru\u00eddo, como era o caso de Pedro. Depois, porque a situa\u00e7\u00e3o das comunidades crist\u00e3s referidas na carta parece situar-nos dentro dos anos oitenta, numa \u00e9poca em que se sentia claramente a hostilidade do Imp\u00e9rio contra os crist\u00e3os e come\u00e7avam a perspetivar-se no horizonte as grandes persegui\u00e7\u00f5es do final do s\u00e9c. I. Por essa altura, Pedro h\u00e1 muito teria morrido (o Ap\u00f3stolo foi martirizado em Roma, durante a persegui\u00e7\u00e3o de Nero, por volta do ano 66-67).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sendo assim, o mais natural \u00e9 que o autor da primeira Carta dita \u201cde Pedro\u201d seja um crist\u00e3o culto cujo nome ignoramos \u2013 provavelmente um respons\u00e1vel de uma comunidade crist\u00e3 \u2013, empenhado em fortalecer o compromisso crist\u00e3o de algumas comunidades instaladas nas zonas rurais da \u00c1sia Menor. Ele escreve em finais do s\u00e9c. I (nunca antes dos anos 80).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os destinat\u00e1rios desta carta s\u00e3o, maioritariamente, camponeses pobres, que cultivam as propriedades da gente rica. Tamb\u00e9m h\u00e1, entre eles, pequenos propriet\u00e1rios que vivem em aldeias, \u00e0 margem das grandes cidades. Trata-se, em qualquer caso, de gente do meio rural, economicamente d\u00e9bil, vulner\u00e1vel \u00e0 hostilidade que o Imp\u00e9rio come\u00e7a a manifestar para com o cristianismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Conhecendo bem as prova\u00e7\u00f5es que estes crist\u00e3os sofrem, o autor da Carta exorta-os a manterem-se fi\u00e9is \u00e0 sua f\u00e9, apesar das dificuldades. Convida-os a olharem para Cristo, que passou pela experi\u00eancia da paix\u00e3o e da cruz, antes de chegar \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o; e exorta-os a manterem a esperan\u00e7a, o amor, a solidariedade, vivendo com alegria, coer\u00eancia e fidelidade a sua op\u00e7\u00e3o crist\u00e3. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Deus disp\u00f4s-se a \u201cpagar\u201d um alto pre\u00e7o para nos libertar da nossa v\u00e3 maneira de viver: enviou-nos o seu Filho Jesus, apesar de saber que n\u00f3s n\u00e3o somos \u201cde confian\u00e7a\u201d e que, na nossa insensatez, O condenar\u00edamos a uma morte infame. Jesus cumpriu o projeto do Pai: fez-se um de n\u00f3s, caminhou connosco, falou-nos do amor do Pai, curou as nossas feridas, lutou contra a mentira e a injusti\u00e7a, mostrou-nos como viver, deixou-se matar para nos libertar do pecado e da morte. Isto d\u00e1-nos bem a medida do imenso amor que Deus nos tem. Esta hist\u00f3ria de amor deixa o autor da primeira Carta de Pedro maravilhado. E a n\u00f3s? Conseguimos medir, a partir desta realidade, a import\u00e2ncia que temos para Deus? Deixamo-nos \u201ctocar\u201d e maravilhar por este \u201camor maior\u201d?<\/li>\n<li>N\u00e3o podemos ficar indiferentes diante da a\u00e7\u00e3o de Deus em nosso favor. Um amor t\u00e3o grande como aquele que Deus nos mostrou ao entregar-nos a vida do seu Filho Jesus, exige uma resposta clara e inequ\u00edvoca da nossa parte. Qual? De acordo com o autor da Primeira Carta de Pedro, a nossa resposta deve traduzir-se numa conduta nova, numa atitude de acolhimento de Deus, de obedi\u00eancia total a Deus, de entrega incondicional nas m\u00e3os de Deus, de ades\u00e3o completa aos planos, valores e projetos de Deus. O amor de Deus inspira-nos e motiva-nos para vivermos uma vida santa, uma vida \u201csegundo Deus\u201d?<\/li>\n<li>Jesus n\u00e3o anda hoje, em pessoa, pelas ruas das nossas aldeias, vilas e cidades, a propor-nos o Reino de Deus e a dizer-nos, com palavras e com gestos concretos, como devemos viver para que a nossa vida fa\u00e7a sentido. No entanto, antes de voltar para o Pai, Ele encarregou os seus disc\u00edpulos de serem suas testemunhas no mundo. A sua proposta tem de continuar hoje a chegar aos homens. Sentimos que isso nos diz respeito? N\u00f3s que encontramos Jesus, que acolhemos a sua mensagem, que decidimos segui-l\u2019O, que aceitamos viver ao seu estilo, damos testemunho dessa Boa Not\u00edcia que Ele nos deixou? A nossa vida \u00e9 um an\u00fancio, ao vivo e a cores, dessa vida nova que Deus quer oferecer a todos os seus filhos e filhas? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Lucas 24,13-35<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dois dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas<br \/>\niam a caminho duma povoa\u00e7\u00e3o chamada Ema\u00fas,<br \/>\nque ficava a sessenta est\u00e1dios de Jerusal\u00e9m.<br \/>\nConversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido.<br \/>\nEnquanto falavam e discutiam,<br \/>\nJesus aproximou Se deles e p\u00f4s Se com eles a caminho.<br \/>\nMas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem.<br \/>\nEle perguntou lhes.<br \/>\n\u00abQue palavras s\u00e3o essas que trocais entre v\u00f3s pelo caminho?\u00bb<br \/>\nPararam entristecidos.<br \/>\nE um deles, chamado Cl\u00e9ofas, respondeu:<br \/>\n\u00abTu \u00e9s o \u00fanico habitante de Jerusal\u00e9m<br \/>\na ignorar o que l\u00e1 se passou estes dias\u00bb.<br \/>\nE Ele perguntou: \u00abQue foi?\u00bb<br \/>\nResponderam Lhe:<br \/>\n\u00abO que se refere a Jesus de Nazar\u00e9,<br \/>\nprofeta poderoso em obras e palavras<br \/>\ndiante de Deus e de todo o povo;<br \/>\ne como os pr\u00edncipes dos sacerdotes e os nossos chefes<br \/>\nO entregaram para ser condenado \u00e0 morte e crucificado.<br \/>\nN\u00f3s esper\u00e1vamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel.<br \/>\nMas, afinal, \u00e9 j\u00e1 o terceiro dia depois que isto aconteceu.<br \/>\n\u00c9 verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram:<br \/>\nforam de madrugada ao sepulcro,<br \/>\nn\u00e3o encontraram o corpo de Jesus<br \/>\ne vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos<br \/>\na anunciar que Ele estava vivo.<br \/>\nMas a Ele n\u00e3o O viram\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o Jesus disse lhes:<br \/>\n\u00abHomens sem intelig\u00eancia e lentos de esp\u00edrito<br \/>\npara acreditar em tudo o que os profetas anunciaram!<br \/>\nN\u00e3o tinha o Messias de sofrer tudo isso<br \/>\npara entrar na Sua gl\u00f3ria?\u00bb<br \/>\nDepois, come\u00e7ando por Mois\u00e9s<br \/>\ne passando por todos os Profetas,<br \/>\nexplicou lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito.<br \/>\nAo chegarem perto da povoa\u00e7\u00e3o para onde iam,<br \/>\nJesus fez men\u00e7\u00e3o de ir para diante.<br \/>\nMas eles convenceram n\u2019O a ficar, dizendo:<br \/>\n\u00abFicai connosco, Senhor, porque o dia est\u00e1 a terminar<br \/>\ne vem caindo a noite\u00bb.<br \/>\nJesus entrou e ficou com eles.<br \/>\nE quando Se p\u00f4s \u00e0 mesa, tomou o p\u00e3o, recitou a b\u00ean\u00e7\u00e3o,<br \/>\npartiu-o e entregou-lho.<br \/>\nNesse momento abriram se lhes os olhos e reconheceram n\u2019O.<br \/>\nMas Ele desapareceu da sua presen\u00e7a.<br \/>\nDisseram ent\u00e3o um para o outro:<br \/>\n\u00abN\u00e3o ardia c\u00e1 dentro o nosso cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\nquando Ele nos falava pelo caminho<br \/>\ne nos explicava as Escrituras?\u00bb<br \/>\nPartiram imediatamente de regresso a Jerusal\u00e9m<br \/>\ne encontraram reunidos os Onze e os que estavam com ele,<br \/>\nque diziam:<br \/>\n\u00abNa verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Sim\u00e3o\u00bb.<br \/>\nE eles contaram o que tinha acontecido no caminho<br \/>\ne como O tinham reconhecido ao partir o p\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A narra\u00e7\u00e3o de uma apari\u00e7\u00e3o de Jesus ressuscitado a dois disc\u00edpulos que iam a caminho de uma povoa\u00e7\u00e3o chamada Ema\u00fas, no pr\u00f3prio dia de P\u00e1scoa, \u00e9 exclusiva de Lucas: nenhum outro evangelista a refere. Discute-se, no entanto, se se trata de uma cria\u00e7\u00e3o de Lucas, ou de um relato que Lucas recebeu da tradi\u00e7\u00e3o e que o evangelista ter\u00e1 trabalhado e adaptado. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que Lucas utilize uma tradi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, que ele retoca e completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A men\u00e7\u00e3o de um lugar chamado Ema\u00fas (lugar de destino dos dois disc\u00edpulos) levanta diversas interroga\u00e7\u00f5es\u2026 Que lugar \u00e9 esse? O nome n\u00e3o identifica um lugar conhecido na geografia do mundo palestino. A indica\u00e7\u00e3o da dist\u00e2ncia de Jerusal\u00e9m a Ema\u00fas poderia constituir um fator adicional para ajudar na identifica\u00e7\u00e3o da referida localidade; contudo, esse dado tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 conclusivo, uma vez que os mais importantes c\u00f3dices antigos situam a povoa\u00e7\u00e3o a \u201csessenta est\u00e1dios\u201d de Jerusal\u00e9m (o equivalente a cerca de onze quil\u00f3metros), mas outros falam de \u201ccento e sessenta est\u00e1dios\u201d (o que equivaleria a cerca de trinta quil\u00f3metros). Os partid\u00e1rios da \u201cmaior dist\u00e2ncia\u201d (cento e sessenta est\u00e1dios) falam de Amwas-Nic\u00f3polis (uma localidade situada a cerca de trinta quil\u00f3metros de Jerusal\u00e9m) como o local da Ema\u00fas evang\u00e9lica; mas os partid\u00e1rios da \u201cmenor dist\u00e2ncia\u201d preferem falar da atual El-Qubeibeh (uma localidade palestina que conserva a mem\u00f3ria do acontecimento), ou ent\u00e3o de Abu Gosh, uma localidade situada a cerca de dez quil\u00f3metros de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os comentadores destacam frequentemente a inten\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica de Lucas ao dar-nos este relato. Que \u00e9 que isto significa? Significa que a narrativa lucana n\u00e3o \u00e9 uma reportagem factual de uma viagem geogr\u00e1fica, mas \u00e9 uma catequese sobre Jesus. O que interessa a Lucas n\u00e3o \u00e9 escrever um relato l\u00f3gico e coerente (se o evangelista estivesse preocupado com a l\u00f3gica e com a coer\u00eancia, teria mais cuidado com a situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica de Ema\u00fas; e explicaria melhor algumas incongru\u00eancias do texto, nomeadamente porque \u00e9 que aqueles dois disc\u00edpulos partiram para Ema\u00fas na manh\u00e3 de P\u00e1scoa sem investigar os rumores de que o t\u00famulo estava vazio e Jesus tinha ressuscitado). O que interessa ao autor \u00e9 explicar aos crist\u00e3os para quem escreve \u2013 em meados da d\u00e9cada de oitenta do primeiro s\u00e9culo \u2013 como \u00e9 que podem descobrir que Jesus est\u00e1 vivo e fazer uma verdadeira experi\u00eancia de encontro com Jesus ressuscitado. Trata-se, portanto, de uma p\u00e1gina de catequese, mais do que a descri\u00e7\u00e3o fiel de acontecimentos concretos. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Aquele quadro de desencanto e de des\u00e2nimo em que se movem os dois disc\u00edpulos que caminham de Jerusal\u00e9m para Ema\u00fas n\u00e3o nos \u00e9 completamente estranho. Experimentamo-lo tamb\u00e9m n\u00f3s, mais v\u00edrgula menos v\u00edrgula, diante das crises que a vida traz, do car\u00e1cter transit\u00f3rio das nossas conquistas, da debilidade que nos habita, da fal\u00eancia dos nossos projetos mais queridos, dos sonhos que se evaporam e nos deixam de m\u00e3os vazias, das nossas certezas derrubadas, das nossas seguran\u00e7as com p\u00e9s de barro\u2026 Abalados e magoados sentimos a tenta\u00e7\u00e3o de baixar os bra\u00e7os, de abandonar a luta, de nos demitirmos das nossas responsabilidades, de nos fecharmos em n\u00f3s pr\u00f3prios, de \u201caguentarmos\u201d a vida sem arriscar, de vivermos para o trivial que n\u00e3o encanta mas tamb\u00e9m n\u00e3o fere excessivamente. Talvez pensemos at\u00e9, muitas vezes, que Deus nos virou as costas e nos deixou \u201csem rede\u201d, abandonados \u00e0 nossa sorte; e damos por n\u00f3s a arrastar-nos pela vida sem rumo nem horizontes. Ora, hoje um catequista chamado Lucas vem dizer-nos: \u201cGaranto-vos que n\u00e3o estais sozinhos; Jesus, vivo e ressuscitado, est\u00e1 e estar\u00e1 sempre convosco. Talvez nem sempre reconhe\u00e7ais a sua presen\u00e7a; mas Ele apanha-vos no caminho, conversa convosco, esclarece as vossas d\u00favidas, pacifica o vosso cora\u00e7\u00e3o, dirige os vossos passos em dire\u00e7\u00e3o a um horizonte de esperan\u00e7a. J\u00e1 fizemos esta experi\u00eancia? Dispomo-nos, em cada passo do nosso caminho, a detetar a presen\u00e7a consoladora e vivificante de Jesus ao nosso lado?<\/li>\n<li>Como \u00e9 que Cl\u00e9ofas e o outro disc\u00edpulo conseguem encontrar sentido no sem sentido da cruz e da morte? Como \u00e9 que os homens e as mulheres que caminham afogados em ang\u00fastias e desencantos podem perceber o projeto salvador que Deus tem para lhes propor? Como \u00e9 que podemos escutar Jesus e receber d\u2019Ele esse suplemento de esperan\u00e7a que nos permite continuar? Lucas responde: \u00e9 atrav\u00e9s da Palavra de Deus, escutada, meditada, partilhada, acolhida. A Palavra de Deus ajuda-nos a colocar a vida em perspetiva e a definir o sentido correto da nossa exist\u00eancia; a Palavra de Deus incendeia-nos o cora\u00e7\u00e3o (\u201cn\u00e3o ardia c\u00e1 dentro o nosso cora\u00e7\u00e3o, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?\u201d), faz-nos vencer o des\u00e2nimo e o pessimismo, leva-nos ao compromisso com a transforma\u00e7\u00e3o do mundo e da hist\u00f3ria; a Palavra de Deus mostra-nos perspetivas novas e renova a nossa esperan\u00e7a; a Palavra de Deus diz-nos como chegar \u00e0 vida verdadeira e eterna\u2026 Que lugar e que papel desempenha a Palavra de Deus nas nossas vidas? No nosso caminho de f\u00e9 encontramos espa\u00e7o para escutar a Palavra de Deus, para partilh\u00e1-la, para orar a partir dela, para contempl\u00e1-la?<\/li>\n<li>Para os dois disc\u00edpulos que v\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a Ema\u00fas, o viajante que se lhes junta no caminho \u00e9 um perfeito desconhecido. No entanto, quando se sentam \u00e0 mesa com ele e o veem tomar o p\u00e3o, recitar a b\u00ean\u00e7\u00e3o, parti-lo e partilh\u00e1-lo, percebem imediatamente que esse viajante desconhecido \u00e9 Jesus. Como podemos n\u00f3s, homens e mulheres do s\u00e9c. XXI, fazer uma experi\u00eancia de encontro com Jesus vivo? O evangelista Lucas n\u00e3o tem d\u00favidas: \u00e9 quando nos sentamos com Ele \u00e0 mesa da eucaristia. Todos os domingos, reunidos em comunidade \u00e0 volta da mesa eucar\u00edstica, damo-nos conta que o Ressuscitado continua vivo, a caminhar ao nosso lado, a alimentar-nos com a sua Palavra e o seu P\u00e3o; sempre que nos juntamos com os irm\u00e3os \u00e0 volta da mesa de Deus, celebrando na alegria e na festa o amor, a partilha e o servi\u00e7o, encontramos o Ressuscitado a encher a nossa vida de sentido, de plenitude, de vida aut\u00eantica. Que lugar e que papel tem, na nossa experi\u00eancia de f\u00e9, a participa\u00e7\u00e3o na eucaristia?<\/li>\n<li>Depois de se encontrarem com Jesus, vivo e ressuscitado, \u00e0 mesa eucar\u00edstica, os dois disc\u00edpulos deixaram a comida na mesa, esqueceram o cansa\u00e7o, enfrentaram os perigos da noite e regressaram imediatamente a Jerusal\u00e9m, decididos a partilhar a sua descoberta com os outros disc\u00edpulos. N\u00e3o ficaram em casa, felizes e repousados, a gozar beatificamente uma experi\u00eancia inolvid\u00e1vel; mas sentiram que aquilo que tinham experimentado devia ser partilhado com urg\u00eancia. Os disc\u00edpulos de Ema\u00fas perceberam que quando algu\u00e9m encontra Jesus tem de tornar-se sua testemunha. N\u00f3s, que todos os domingos nos sentamos \u00e0 mesa eucar\u00edstica, que descobrimos a presen\u00e7a de Jesus vivo no meio da comunidade reunida, que nos alimentamos da sua Palavra e do seu P\u00e3o, damos testemunho d\u2019Ele? Sentimos a urg\u00eancia de o levar ao encontro do mundo? Os nossos gestos s\u00e3o um an\u00fancio vivo desse Jesus que, ainda hoje, quer oferecer a todos os homens e mulheres a vida nova e definitiva?<\/li>\n<li>Os relatos pascais referem amiudamente a alegria irreprim\u00edvel que enche o cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos que se encontram com Jesus ressuscitado. A narra\u00e7\u00e3o da apari\u00e7\u00e3o de Jesus aos disc\u00edpulos de Ema\u00fas, sem falar concretamente de alegria, alude ao entusiasmo que aqueles dois disc\u00edpulos sentiram pela presen\u00e7a e pela companhia de Jesus ressuscitado. \u00c9 o entusiasmo que resulta de uma Presen\u00e7a que enche de paz, que dissipa o temor, que multiplica a coragem, que oferece esperan\u00e7a, que aumenta o amor, que d\u00e1 sentido ao caminho\u2026 Conseguimos ver, hoje, essa alegria e esse entusiasmo no rosto dos disc\u00edpulos de Jesus? Conseguimos perceber essa alegria na vida, na partilha, no testemunho, na celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 nas nossas comunidades crist\u00e3s?<\/li>\n<li>Os dois disc\u00edpulos de Ema\u00fas, dececionados com um projeto que parecia ter falido, abandonaram a comunidade e fugiram para Ema\u00fas. Aquela comunidade triste e amedrontada, fechada dentro de uma casa de Jerusal\u00e9m, afundada na in\u00e9rcia e no pessimismo, j\u00e1 n\u00e3o lhes dizia nada. Hoje h\u00e1, tamb\u00e9m, muitos irm\u00e3os e irm\u00e3s que fazem uma experi\u00eancia semelhante. Veem a Igreja nascida de Jesus como uma comunidade im\u00f3vel e estacionada no passado, com um discurso pomposo, mas pouco atraente, mais preocupada com a liturgia do que com o cuidado dos pobres, mais interessada nas leis e nas normas do que no Evangelho da miseric\u00f3rdia; e, sentindo-se dececionados, rompem com a comunidade. Afastar-se da comunidade, viver \u00e0 margem, desistir do projeto crist\u00e3o, ser\u00e1 a solu\u00e7\u00e3o? A \u201cli\u00e7\u00e3o de Ema\u00fas\u201d diz-nos que, apesar de tudo, \u00e9 na comunidade crist\u00e3 que reside e se revela Jesus ressuscitado. Por isso, os dois disc\u00edpulos transviados voltaram a toda a pressa ao encontro da comunidade que tinham abandonado. A solu\u00e7\u00e3o para o nosso desencanto passar\u00e1 por cortar os la\u00e7os com a comunidade, ou por revitalizar a vincula\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria com Jesus e com o Evangelho? Se Jesus ainda nos apaixona, poderemos abandonar a comunidade e perder-nos em caminhos que n\u00e3o levam a nenhum lado? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>A\u00a0primeira leitura<\/strong>\u00a0\u00e9 um longo discurso de Pedro no dia de Pentecostes. Deste modo, a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter presente o tom jubiloso e desassombrado com que Pedro proclama a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A\u00a0<strong>segunda leitura<\/strong>\u00a0requer uma acurada prepara\u00e7\u00e3o das pausas e respira\u00e7\u00f5es porque apresenta longas frases e com diversas ora\u00e7\u00f5es. Aten\u00e7\u00e3o que as v\u00edrgulas podem n\u00e3o ser necessariamente lugares de pausa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Leitura-I-do-Domingo-III-do-Tempo-Pascal-Ano-A-19.04.2026-Atos-2-14.22-33.pdf\">Leitura I do Domingo III do Tempo Pascal &#8211; Ano A &#8211; 19.04.2026 (Atos 2, 14.22-33)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Resto-da-Leitura-I-do-Domingo-III-do-Tempo-Pascal-Ano-A-19.04.2026.pdf\">Resto da Leitura I do Domingo III do Tempo Pascal &#8211; Ano A &#8211; 19.04.2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Leitura-II-do-Domingo-III-do-Tempo-Pascal-Ano-A-19.04.2026-1Pedro-1-17-21.pdf\">Leitura II do Domingo III do Tempo Pascal &#8211; Ano A &#8211; 19.04.2026 (1Pedro 1, 17-21)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Domingo-III-do-Tempo-Pascal-Ano-A-19.04.2026-Lecionario.pdf\">Domingo III do Tempo Pascal &#8211; Ano A &#8211; 19.04.2026 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Domingo-III-do-Tempo-Pascal-Ano-A-19.04.2026-Oracao-Universal.pdf\">Domingo III do Tempo Pascal &#8211; Ano A &#8211; 19.04.2026 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Domingo-III-do-Tempo-Pascal-Ano-A-19.04.2026-refletindo.pdf\">Domingo III do Tempo Pascal &#8211; Ano A &#8211; 19.04.2026 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo II do Tempo Pascal \u2013 Domingo da Divina Miseric\u00f3rdia \u2013 Ano A \u2013 12.04.2026&#8243; tab_id=&#8221;1776675048574-b8e01eb9-46d3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Domingo II do Tempo Pascal \u2013 Domingo da Divina Miseric\u00f3rdia &#8211; Ano A \u2013 12.04.2026<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-12653 size-full\" style=\"color: inherit; font-family: inherit; font-size: inherit;\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Domingo-II.jpg\" alt=\"\" width=\"511\" height=\"398\" \/><\/p>\n<p><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 uma aventura isolada, mas vive-se e concretiza-se na forma comunit\u00e1ria que a sustenta. Se a ades\u00e3o a Jesus Cristo nasce do encontro \u00edntimo e pessoal com Ele, esta ades\u00e3o abre-nos a um modo novo de ser e viver em comunidade. Na verdade, se Jesus afirmou: \u00ab<em>quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que v\u00ea o oculto, h\u00e1 de recompensar-te<\/em>\u00bb (Mt 6,6), tamb\u00e9m declarou: \u00ab<em>onde estiverem dois ou tr\u00eas reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles<\/em>\u00bb (Mt 18,20). O encontro \u00edntimo e pessoal com Jesus Cristo desafia-nos a refor\u00e7ar os la\u00e7os da ades\u00e3o a Ele na partilha e no encontro com aqueles que comungam a mesma f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho deste Domingo situa-se: \u00ab<em>na tarde daquele dia, o primeiro da semana<\/em>\u00bb. Os disc\u00edpulos estavam reunidos com medo dos judeus, mas Jesus coloca-se no meio deles e sa\u00fada-os com a Sua Paz, mostra-lhes as marcas da Paix\u00e3o e concede-lhes o dom do Esp\u00edrito Santo para que eles sejam sinal de reconcilia\u00e7\u00e3o e de paz, junto daqueles a quem s\u00e3o enviados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Tom\u00e9, aquele a quem chamavam D\u00eddimo, n\u00e3o estava com o grupo neste momento e, tendo regressado, afirma que s\u00f3 acreditar\u00e1 se vir com os seus pr\u00f3prios olhos e tocar com as suas m\u00e3os. Por isso, Jesus volta a aparecer aos Seus disc\u00edpulos e o Evangelho indica que tudo isto aconteceu \u00ab<em>oito dias depois<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As indica\u00e7\u00f5es temporais que o Evangelho nos apresenta n\u00e3o s\u00e3o apenas as anota\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas para situar a a\u00e7\u00e3o descrita. Nestas indica\u00e7\u00f5es temporais encontramos o ritmo da vida da Igreja:<em>\u00a0\u00abo primeiro da semana<\/em>\u00bb e \u00ab<em>oito dias depois<\/em>\u00bb. Este \u00e9 o ritmo da assembleia crist\u00e3 que hebdomadariamente, isto \u00e9, semanalmente, se re\u00fane, Domingo ap\u00f3s Domingo, para celebrar a sua f\u00e9 e proclamar a certeza de que o Ressuscitado acompanha a Sua Igreja, oferecendo-lhe a Sua Paz e concedendo-lhe o dom do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, cada Domingo \u00e9 o Dia do Senhor, dia de festa e de alegria, onde a comunidade crist\u00e3 reunida \u00e0 volta da mesa do altar, escutando a Palavra do Senhor e partilhando o Seu p\u00e3o, renova a certeza desse amor maior que se faz entrega total e plena na Cruz. Ningu\u00e9m est\u00e1 dispensado desta reuni\u00e3o festiva dos filhos de Deus. A aventura da F\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma aventura isolada \u00e0 qual nos propomos sozinhos. Como Tom\u00e9, quando nos afastamos da comunidade, o desafio de acreditar torna-se mais dif\u00edcil e exigente. Aquele que se afasta da comunidade afasta-se da experi\u00eancia comunit\u00e1ria de Jesus, do lugar privilegiado onde Deus se revela e manifesta como Rosto da miseric\u00f3rdia do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho apresenta Tom\u00e9 como D\u00eddimo, isto \u00e9, g\u00e9meo. Na verdade, Tom\u00e9 n\u00e3o est\u00e1 sozinho. Tamb\u00e9m n\u00f3s duvidamos, vacilamos e titubeamos, sobretudo quando nos propomos a caminhar sozinhos, quando nos afastamos da comunidade ou quando ferimos a comunh\u00e3o e unidade pelas divis\u00f5es e disc\u00f3rdias que nos afastam dos outros e que afastam os outros. O melhor testemunho que a Igreja pode oferecer ao mundo \u00e9 a sua comunh\u00e3o e unidade, com comunidades acolhedoras, geradoras de rela\u00e7\u00f5es fraternas, para que guiadas e iluminadas pelo Esp\u00edrito Santo se tornem lugares da Paz que s\u00f3 o Ressuscitado e o Seu infinito amor podem oferecer e garantir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos disc\u00edpulos mission\u00e1rios. Somos enviados ao jeito de Jesus, para que as nossas vidas se tornem feliz an\u00fancio da miseric\u00f3rdia de Deus. N\u00e3o basta sermos crentes, precisamos ser cred\u00edveis, proclamando com a vida aquilo que os nossos l\u00e1bios professam. <strong><em>in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>No ano 2000, o Papa S. Jo\u00e3o Paulo II canonizou Santa Faustina e declarou que daquele dia em diante, o segundo Domingo da P\u00e1scoa seria tamb\u00e9m designado como Domingo da Miseric\u00f3rdia. Al\u00e9m disso, S. Jo\u00e3o Paulo II \u00ab<em>estabeleceu que o citado Domingo seja enriquecido com a Indulg\u00eancia Plen\u00e1ria, para que os fi\u00e9is possam receber mais amplamente o dom do conforto do Esp\u00edrito Santo e desta forma alimentar uma caridade crescente para com Deus e o pr\u00f3ximo e, obtendo eles mesmos o perd\u00e3o de Deus, sejam por sua vez induzidos a perdoar imediatamente aos irm\u00e3os<\/em>\u00bb (Decreto da Penitenciaria Apost\u00f3lica, 2002). Deste modo, este Domingo constitui-se como uma oportunidade para recordar a Divina Miseric\u00f3rdia quer na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, quer por meio de outros momentos de ora\u00e7\u00e3o que ajudem os fi\u00e9is a meditar e refletir em Jesus, Rosto da Miseric\u00f3rdia do Pai.<strong><em> in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + <\/em><\/strong><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos no Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanhamos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Act 2,42-47<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura dos Actos dos Ap\u00f3stolos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os irm\u00e3os eram ass\u00edduos ao ensino dos Ap\u00f3stolos,<br \/>\n\u00e0 comunh\u00e3o fraterna, \u00e0 frac\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e \u00e0s ora\u00e7\u00f5es.<br \/>\nPerante os inumer\u00e1veis prod\u00edgios e milagres<br \/>\nrealizados pelos Ap\u00f3stolos,<br \/>\ntoda a gente se enchia de terror.<br \/>\nTodos os que haviam abra\u00e7ado a f\u00e9<br \/>\nviviam unidos e tinham tudo em comum.<br \/>\nVendiam propriedades e bens<br \/>\ne distribu\u00edam o dinheiro por todos,<br \/>\nconforme as necessidades de cada um.<br \/>\nTodos os dias frequentavam o templo,<br \/>\ncomo se tivessem uma s\u00f3 alma,<br \/>\ne partiam o p\u00e3o em suas casas;<br \/>\ntomavam o alimento com alegria e simplicidade de cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\nlouvando a Deus e gozando da simpatia de todo o povo.<br \/>\nE o Senhor aumentava todos os dias<br \/>\no n\u00famero dos que deviam salvar se.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de descrever a vinda do Esp\u00edrito Santo sobre os disc\u00edpulos reunidos no cen\u00e1culo (cf. Act 2,1-13) e de apresentar (atrav\u00e9s de um discurso posto na boca de Pedro) um resumo do testemunho dado pelos primeiros disc\u00edpulos sobre Jesus (cf. Act 2,14-36), Lucas refere o resultado da prega\u00e7\u00e3o dos ap\u00f3stolos: as pessoas aderem em massa (Lucas fala de tr\u00eas mil pessoas que, nesse dia, se juntaram aos disc\u00edpulos) e nasce a comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m (cf. Act 2,37-41). S\u00e3o os primeiros passos de um caminho que a Igreja de Jesus vai percorrer, desde Jerusal\u00e9m a Roma (o cora\u00e7\u00e3o do mundo antigo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso texto faz parte de um conjunto de tr\u00eas sum\u00e1rios, atrav\u00e9s dos quais Lucas descreve aspetos fundamentais da vida da comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m. Este primeiro sum\u00e1rio \u00e9 dedicado ao tema da unidade e ao impacto que o estilo crist\u00e3o de vida provocou no povo da cidade (os outros dois sum\u00e1rios tratam da partilha dos bens &#8211; cf. Act 4,32-35 &#8211; e do testemunho da Igreja atrav\u00e9s da atividade miraculosa dos ap\u00f3stolos &#8211; Act 5,12-16).<br \/>\nNaturalmente, este sum\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 um retrato hist\u00f3rico rigoroso da comunidade crist\u00e3 de Jerusal\u00e9m, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 30 (embora possa ter algumas bases hist\u00f3ricas). Quando Lucas escreve este relato (d\u00e9cada de 80), arrefeceu j\u00e1 o entusiasmo inicial dos crist\u00e3os: Jesus nunca mais veio para instaurar definitivamente o &#8220;Reino de Deus&#8221; e posicionam-se no horizonte pr\u00f3ximo as primeiras grandes persegui\u00e7\u00f5es&#8230; H\u00e1 algum desleixo, falta de entusiasmo, monotonia, divis\u00e3o e confus\u00e3o (at\u00e9 porque come\u00e7am a aparecer falsos mestres, com doutrinas estranhas e pouco crist\u00e3s). Neste contexto, Lucas recorda o essencial da experi\u00eancia crist\u00e3 e tra\u00e7a o quadro daquilo que a comunidade deve ser. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para a reflex\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o, considerar as seguintes linhas:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma fam\u00edlia de irm\u00e3os, reunida \u00e0 volta de Cristo, animada pelo Esp\u00edrito e que tem por miss\u00e3o testemunhar na hist\u00f3ria a salva\u00e7\u00e3o. Os homens do s\u00e9c. XXI podem acreditar ou n\u00e3o na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo; mas t\u00eam de descobrir a vida nova e plena que Deus lhes oferece, atrav\u00e9s do testemunho dos disc\u00edpulos de Jesus. A comunidade crist\u00e3 tem de ser uma proposta diferente, que mostra aos homens como o amor, a partilha, a doa\u00e7\u00e3o, o servi\u00e7o, a simplicidade e a alegria s\u00e3o geradores de vida e n\u00e3o de morte.<\/li>\n<li>A comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma comunidade de irm\u00e3os. A minha comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma comunidade de irm\u00e3os que vivem no amor, ou \u00e9 um grupo de pessoas isoladas, em que cada um procura defender os seus interesses, mesmo que para isso tenha de magoar os outros? No que me diz respeito, esfor\u00e7o-me por amar todos, por respeitar a liberdade e a dignidade de todos, por potenciar os contributos e as qualidades de todos?<\/li>\n<li>A comunidade crist\u00e3 \u00e9, tamb\u00e9m, uma comunidade ass\u00eddua \u00e0 catequese dos ap\u00f3stolos. A minha comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma comunidade que se constr\u00f3i \u00e0 volta da Palavra de Deus, que escuta e que partilha a Palavra de Deus? Da minha parte, procuro descobrir as propostas de Deus num di\u00e1logo comunit\u00e1rio e numa partilha com os irm\u00e3os, ou deixo-me levar por pretensas &#8220;revela\u00e7\u00f5es&#8221; pessoais, convic\u00e7\u00f5es pessoais, impress\u00f5es pessoais &#8211; que muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o mais do que formas de manipular a Palavra de Deus para &#8220;levar a \u00e1gua ao meu moinho&#8221;?<\/li>\n<li>A comunidade crist\u00e3 \u00e9, ainda, uma comunidade que celebra liturgicamente a sua f\u00e9. A celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 comunit\u00e1ria d\u00e1-nos a dimens\u00e3o de um povo peregrino, que caminha unido, voltado para o seu Senhor e tendo Deus como a sua refer\u00eancia. Da celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria da f\u00e9, sai uma comunidade mais fortalecida, mais consciente da vida que une todos os seus membros, mais adulta e com mais for\u00e7a para ser testemunha da salva\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 que significa, para mim, a celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria da f\u00e9? A celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u00e9 um rito aborrecido, a que &#8220;assisto&#8221; por obriga\u00e7\u00e3o, ou uma verdadeira experi\u00eancia de encontro com o Jesus do amor e do dom da vida e uma experi\u00eancia de amor partilhado com os meus irm\u00e3os de f\u00e9?<\/li>\n<li>A comunidade crist\u00e3 \u00e9 uma comunidade de partilha. No centro dessa comunidade est\u00e1 o Cristo do amor, do servi\u00e7o, do dom da vida&#8230; O crist\u00e3o n\u00e3o pode, portanto, viver fechado no seu ego\u00edsmo, indiferente \u00e0 sorte dos outros irm\u00e3os. Em concreto, o nosso texto fala na partilha dos bens&#8230; Uma comunidade onde alguns esbanjam os bens e onde outros n\u00e3o t\u00eam o suficiente para viver dignamente ser\u00e1 uma comunidade que testemunha, diante dos homens, esse mundo novo de amor que Jesus veio propor? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 117 (118<\/strong><strong>)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Dai gra\u00e7as ao Senhor, porque Ele \u00e9 bom,<br \/>\nporque \u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diga a casa de Israel:<br \/>\n\u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<br \/>\nDiga a casa de Aar\u00e3o:<br \/>\n\u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<br \/>\nDigam os que temem o Senhor:<br \/>\n\u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Empurraram me para cair,<br \/>\nmas o Senhor me amparou.<br \/>\nO Senhor \u00e9 a minha fortaleza e a minha gl\u00f3ria,<br \/>\nfoi Ele o meu Salvador.<br \/>\nGritos de j\u00fabilo e de vit\u00f3ria nas tendas dos justos:<br \/>\na m\u00e3o do Senhor fez prod\u00edgios.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A pedra que os construtores rejeitaram<br \/>\ntornou se pedra angular.<br \/>\nTudo isto veio do Senhor:<br \/>\n\u00e9 admir\u00e1vel aos nossos olhos.<br \/>\nEste \u00e9 o dia que o Senhor fez:<br \/>\nexultemos e cantemos de alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Pedro 1,3-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura da Primeira Ep\u00edstola de S\u00e3o Pedro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo,<br \/>\nque, na sua grande miseric\u00f3rdia, nos fez renascer,<br \/>\npela ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo de entre os mortos,<br \/>\npara uma esperan\u00e7a viva,<br \/>\npara uma heran\u00e7a que n\u00e3o se corrompe,<br \/>\nnem se mancha, nem desaparece,<br \/>\nreservada nos C\u00e9us para v\u00f3s<br \/>\nque pelo poder de Deus sois guardados, mediante a f\u00e9,<br \/>\npara a salva\u00e7\u00e3o que se vai revelar nos \u00faltimos tempos.<br \/>\nIsto vos enche de alegria,<br \/>\nembora vos seja preciso ainda, por pouco tempo,<br \/>\npassar por diversas prova\u00e7\u00f5es,<br \/>\npara que a prova a que \u00e9 submetida a vossa f\u00e9<br \/>\n\u2013 muito mais preciosa que o ouro perec\u00edvel,<br \/>\nque se prova pelo fogo \u2013<br \/>\nseja digna de louvor, gl\u00f3ria e honra,<br \/>\nquando Jesus Cristo Se manifestar.<br \/>\nSem O terdes visto, v\u00f3s O amais;<br \/>\nsem O ver ainda, acreditais n&#8217;Ele.<br \/>\nE isto \u00e9 para v\u00f3s fonte de uma alegria inef\u00e1vel e gloriosa,<br \/>\nporque conseguis o fim da vossa f\u00e9,<br \/>\na salva\u00e7\u00e3o das vossas almas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira Carta de Pedro \u00e9 uma carta dirigida aos crist\u00e3os de cinco prov\u00edncias romanas da \u00c1sia Menor (a carta cita explicitamente a Bit\u00ednia, o Ponto, a Gal\u00e1cia, a \u00c1sia e a Capad\u00f3cia &#8211; cf. 1 Pe 1,1). O seu autor apresenta-se com o nome do ap\u00f3stolo Pedro; no entanto, a an\u00e1lise liter\u00e1ria e teol\u00f3gica n\u00e3o confirma que Pedro seja o autor deste texto: em termos liter\u00e1rios, a qualidade liter\u00e1ria da carta n\u00e3o corresponde \u00e0 maneira de escrever de um pescador do lago de Tiber\u00edades, pouco instru\u00eddo; a teologia apresentada demonstra uma reflex\u00e3o e uma catequese bem posteriores \u00e0 \u00e9poca de Pedro; e o &#8220;ambiente&#8221; descrito na carta corresponde, claramente, \u00e0 situa\u00e7\u00e3o da comunidade crist\u00e3 no final do s\u00e9c. I. Se Pedro morreu em Roma durante a persegui\u00e7\u00e3o de Nero (por volta do ano 67), n\u00e3o pode ser o autor deste escrito. O autor da carta ser\u00e1, portanto, um crist\u00e3o an\u00f3nimo culto &#8211; provavelmente um respons\u00e1vel de alguma comunidade crist\u00e3 &#8211; e que conhece profundamente a situa\u00e7\u00e3o das comunidades crist\u00e3s da \u00c1sia Menor. Ele escreve em finais do s\u00e9c. I (nunca antes dos anos 80), provavelmente a partir de uma comunidade crist\u00e3 n\u00e3o identificada da \u00c1sia Menor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os destinat\u00e1rios desta carta s\u00e3o as comunidades crist\u00e3s que vivem em zonas rurais da \u00c1sia Menor. A maioria destes crist\u00e3os s\u00e3o pastores ou camponeses que cultivam as propriedades das classes dominantes. Tamb\u00e9m h\u00e1, nestas comunidades, pequenos propriet\u00e1rios que vivem em aldeias, \u00e0 margem das grandes cidades. De qualquer forma, trata-se de gente que vive no meio rural, economicamente d\u00e9bil, vulner\u00e1vel a um ambiente que come\u00e7a a manifestar alguma hostilidade para com o cristianismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor da carta conhece as prova\u00e7\u00f5es que estes crist\u00e3os sofrem todos os dias. Exorta-os, no entanto, a manterem-se fi\u00e9is \u00e0 sua f\u00e9, apesar das dificuldades. Convida-os a olharem para Cristo, que passou pela experi\u00eancia da paix\u00e3o e da cruz, antes de chegar \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o; e exorta-os a manterem a esperan\u00e7a, o amor, a solidariedade, vivendo com alegria, coer\u00eancia e fidelidade a sua op\u00e7\u00e3o crist\u00e3. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar, na reflex\u00e3o, os seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Antes de mais, a Palavra de Deus convida-nos a tomar consci\u00eancia de que, pelo batismo, nos identificamos com Cristo. A nossa vida tem de ser, como a de Cristo, vivida na obedi\u00eancia ao Pai e na entrega aos homens nossos irm\u00e3os: \u00e9 esse o caminho que conduz \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o. A l\u00f3gica do mundo diz-nos que servir e dar a vida \u00e9 um caminho de fracos e perdedores; a l\u00f3gica de Deus diz-nos que a vida plena resulta do amor que se faz dom. Em quem \u00e9 que acreditamos? De acordo com que l\u00f3gica \u00e9 que conduzimos a nossa vida e fazemos as nossas op\u00e7\u00f5es?<\/li>\n<li>A quest\u00e3o do sentido do sofrimento (sobretudo do sofrimento que atinge o justo) \u00e9 t\u00e3o antiga como o homem; as respostas que o homem foi encontrando para essa quest\u00e3o foram sempre parciais e insatisfat\u00f3rias&#8230; A Palavra de Deus que hoje nos \u00e9 proposta n\u00e3o esclarece definitivamente a quest\u00e3o, mas acrescenta mais uma achega: o sofrimento ajuda-nos, muitas vezes, a crescer, a amadurecer, a despirmo-nos de orgulhos e autossufici\u00eancias, a confiar mais em Deus&#8230; Somos convidados a tomar consci\u00eancia de que o sofrimento pode ser, tamb\u00e9m, um caminho para ressuscitarmos como homens novos, para chegarmos \u00e0 vida plena e definitiva.<\/li>\n<li>De qualquer forma, somos convidados a percorrer a nossa vida com esperan\u00e7a, olhando para al\u00e9m dos problemas e dificuldades que dia a dia nos fazem trope\u00e7ar e vendo, no horizonte, a salva\u00e7\u00e3o definitiva. Isto n\u00e3o significa alhearmo-nos da vida presente; mas significa enfrentar as contrariedades e os dramas de cada dia com a serenidade e a paz de quem confia em Deus e no seu amor. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 20,19-31<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S\u00e3o Jo\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,<br \/>\nestando fechadas as portas da casa<br \/>\nonde os disc\u00edpulos se encontravam,<br \/>\ncom medo dos judeus,<br \/>\nveio Jesus, colocou Se no meio deles e disse lhes:<br \/>\n\u00abA paz esteja convosco\u00bb.<br \/>\nDito isto, mostrou lhes as m\u00e3os e o lado.<br \/>\nOs disc\u00edpulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.<br \/>\nJesus disse lhes de novo:<br \/>\n\u00abA paz esteja convosco.<br \/>\nAssim como o Pai Me enviou, tamb\u00e9m Eu vos envio a v\u00f3s\u00bb.<br \/>\nDito isto, soprou sobre eles e disse lhes:<br \/>\n\u00abRecebei o Esp\u00edrito Santo:<br \/>\n\u00e0queles a quem perdoardes os pecados ser lhes \u00e3o perdoados;<br \/>\ne \u00e0queles a quem os retiverdes ser\u00e3o retidos\u00bb.<br \/>\nTom\u00e9, um dos Doze, chamado D\u00eddimo,<br \/>\nn\u00e3o estava com eles quando veio Jesus.<br \/>\nDisseram lhe os outros disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abVimos o Senhor\u00bb.<br \/>\nMas ele respondeu lhes:<br \/>\n\u00abSe n\u00e3o vir nas suas m\u00e3os o sinal dos cravos,<br \/>\nse n\u00e3o meter o dedo no lugar dos cravos e a m\u00e3o no seu lado,<br \/>\nn\u00e3o acreditarei\u00bb.<br \/>\nOito dias depois, estavam os disc\u00edpulos outra vez em casa<br \/>\ne Tom\u00e9 com eles.<br \/>\nVeio Jesus, estando as portas fechadas,<br \/>\napresentou Se no meio deles e disse:<br \/>\n\u00abA paz esteja convosco\u00bb.<br \/>\nDepois disse a Tom\u00e9:<br \/>\n\u00abP\u00f5e aqui o teu dedo e v\u00ea as minhas m\u00e3os;<br \/>\naproxima a tua m\u00e3o e mete a no meu lado;<br \/>\ne n\u00e3o sejas incr\u00e9dulo, mas crente\u00bb.<br \/>\nTom\u00e9 respondeu Lhe:<br \/>\n\u00abMeu Senhor e meu Deus!\u00bb<br \/>\nDisse lhe Jesus:<br \/>\n\u00abPorque Me viste acreditaste:<br \/>\nfelizes os que acreditam sem terem visto\u00bb.<br \/>\nMuitos outros milagres fez Jesus na presen\u00e7a dos seus disc\u00edpulos,<br \/>\nque n\u00e3o est\u00e3o escritos neste livro.<br \/>\nEstes, por\u00e9m, foram escritos<br \/>\npara acreditardes que Jesus \u00e9 o Messias, o Filho de Deus,<br \/>\ne para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos na segunda parte do Quarto Evangelho, onde nos \u00e9 apresentada a comunidade da Nova Alian\u00e7a. A indica\u00e7\u00e3o de que estamos no &#8220;primeiro dia da semana&#8221; faz, outra vez, refer\u00eancia ao tempo novo, a esse tempo que se segue \u00e0 morte\/ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, ao tempo da nova cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade criada a partir da a\u00e7\u00e3o de Jesus est\u00e1 reunida no cen\u00e1culo, em Jerusal\u00e9m. Est\u00e1 desamparada e insegura, cercada por um ambiente hostil. O medo vem do facto de n\u00e3o terem ainda feito a experi\u00eancia de Cristo ressuscitado. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ter em conta, na reflex\u00e3o, os seguintes desenvolvimentos:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A comunidade crist\u00e3 gira em torno de Jesus, constr\u00f3i-se \u00e0 volta de Jesus e \u00e9 d&#8217;Ele que recebe vida, amor e paz. Sem Jesus, estaremos secos e est\u00e9reis, incapazes de encontrar a vida em plenitude; sem Ele, seremos um rebanho de gente assustada, incapaz de enfrentar o mundo e de ter uma atitude construtiva e transformadora; sem Ele, estaremos divididos, em conflito, e n\u00e3o seremos uma comunidade de irm\u00e3os&#8230; Na nossa comunidade, Cristo \u00e9 verdadeiramente o centro? \u00c9 para Ele que tudo tende e \u00e9 d&#8217;Ele que tudo parte?<\/li>\n<li>A comunidade tem de ser o lugar onde fazemos verdadeiramente a experi\u00eancia do encontro com Jesus ressuscitado. \u00c9 nos gestos de amor, de partilha, de servi\u00e7o, de encontro, de fraternidade, que encontramos Jesus vivo, a transformar e a renovar o mundo. \u00c9 isso que a nossa comunidade testemunha? Quem procura Cristo, encontra-O em n\u00f3s?<\/li>\n<li>N\u00e3o \u00e9 em experi\u00eancias pessoais, \u00edntimas, fechadas e ego\u00edstas que encontramos Jesus ressuscitado; mas encontramo-l&#8217;O no di\u00e1logo comunit\u00e1rio, na Palavra partilhada, no p\u00e3o repartido, no amor que une os irm\u00e3os em comunidade de vida. O que \u00e9 que significa, para mim, a Eucaristia? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o da vitalidade e comunh\u00e3o vivida na comunidade nascente. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter presente o tom narrativo, mas tamb\u00e9m o entusiasmo e a maravilha do modo como cresciam em n\u00famero e santidade os primeiros crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 um hino de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as ao Pai pela salva\u00e7\u00e3o revelada em Jesus Cristo. Ao tom de louvor e a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as que deve caracterizar a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura, junta-se a recomenda\u00e7\u00e3o de uma acurada prepara\u00e7\u00e3o das pausas e respira\u00e7\u00f5es, sobretudo, nas frases mais longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Leitura-I-do-Domingo-II-do-Tempo-Pascal-Ano-A-12.04.2026-Atos-2-42-47.pdf\">Leitura I do Domingo II do Tempo Pascal &#8211; Ano A &#8211; 12.04.2026 (Atos 2, 42-47)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Leitura-II-do-Domingo-II-do-Tempo-Pascal-Ano-A-12.04.2026-1-Pedro-1-3-9.pdf\">Leitura II do Domingo II do Tempo Pascal &#8211; Ano A &#8211; 12.04.2026 (1 Pedro 1, 3-9)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Domingo-II-do-Tempo-Pascal-Domingo-da-Divina-Misericordia-Ano-A-12.04.2026-Lecionario.pdf\">Domingo II do Tempo Pascal &#8211; Domingo da Divina Miseric\u00f3rdia &#8211; Ano A &#8211; 12.04.2026 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Domingo-II-do-Tempo-Pascal-Domingo-da-Divina-Misericordia-Ano-A-12.04.2026-Oracao-Universal.pdf\">Domingo II do Tempo Pascal &#8211; Domingo da Divina Miseric\u00f3rdia &#8211; Ano A &#8211; 12.04.2026 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Domingo-II-do-Tempo-Pascal-Domingo-da-Divina-Misericordia-Ano-A-12.04.2026-refletindo.pdf\">Domingo II do Tempo Pascal &#8211; Domingo da Divina Miseric\u00f3rdia &#8211; Ano A &#8211; 12.04.2026 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-II-do-Tempo-Pascal-Ano-A-12.04.2026.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo II do Tempo Pascal &#8211; Ano A &#8211; 12.04.2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo de P\u00e1scoa na Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor \u2013 Ano A \u2013 05.04.2026&#8243; tab_id=&#8221;1776070013023-1b5910bb-1383&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Domingo de P\u00e1scoa na Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor \u2013 Ano A \u2013 05.04.2026<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-12653 size-full\" style=\"color: inherit; font-family: inherit; font-size: inherit;\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Domingo-de-Pascoa.jpg\" alt=\"\" width=\"685\" height=\"437\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No Tr\u00edduo Pascal a Igreja celebra os m\u00e1ximos mist\u00e9rios da reden\u00e7\u00e3o humana. Se toda\u00a0<strong>a vida do Senhor Jesus foi uma \u201c<em>p\u00e1scoa<\/em>\u201d<\/strong>\u00a0\u2013 \u201c<em>sa\u00ed do Pai e vim ao mundo; de novo deixo o mundo e vou para o Pai<\/em>\u201d (<em>Jo<\/em>\u00a016, 28) \u2013 foi-o, porque, num momento determinado da sua exist\u00eancia, Jesus como que se concentrou e viveu uma p\u00e1scoa tornando-se \u201c<em>p\u00e1scoa<\/em>\u201d: \u201c<em>antes da festa da P\u00e1scoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os at\u00e9 ao fim<\/em>\u201d (<em>Jo<\/em>\u00a013, 1). Foi ent\u00e3o que Jesus realizou de forma total, plena e definitiva a obra da salva\u00e7\u00e3o que o Pai lhe confiou. Cumprindo a antiga festa, inaugurou a nova. Ele \u00e9 a \u201c<em>nossa P\u00e1scoa, imolada<\/em>\u201d (cf.\u00a0<em>1 Cor<\/em>\u00a05, 7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tamb\u00e9m a Igreja, que nasce deste mist\u00e9rio, dele deve viver permanentemente. \u00ab<em>Todas as vezes que celebramos o memorial deste sacrif\u00edcio realiza-se a obra da nossa reden\u00e7\u00e3o<\/em>\u00bb (ora\u00e7\u00e3o SO da\u00a0<em>Missa da Ceia do Senhor<\/em>). Celebrando continuamente o memorial da P\u00e1scoa, a Igreja vai experimentando que ela mesma \u00e9 feita na Eucaristia que faz. Neste contexto ganha relevo a celebra\u00e7\u00e3o anual do mist\u00e9rio pascal. Como j\u00e1 convidava o Ap\u00f3stolo: \u00ab<em>celebremos a festa, \u2026 com p\u00e3es \u00e1zimos: na pureza e na verdade<\/em>\u00bb (<em>1Cor<\/em>\u00a05, 8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Tr\u00edduo consta da celebra\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>Paix\u00e3o e Morte<\/strong>\u00a0(Sexta-Feira Santa),\u00a0<strong>Sepultura\u00a0<\/strong>(S\u00e1bado) e Ressurrei\u00e7\u00e3o<strong>\u00a0<\/strong>(Domingo, come\u00e7ando na Vig\u00edlia e terminando nas II V\u00e9speras). Mais do que uma sucess\u00e3o de momentos aut\u00f3nomos, trata-se de\u00a0<strong>um \u201c<em>cont\u00ednuo<\/em>\u201d celebrativo<\/strong>\u00a0com uma profunda unidade, culminando na Vig\u00edlia Pascal, a \u201c<em>m\u00e3e de todas as Vig\u00edlias<\/em>\u201d, a mais importante de todas as liturgias do ano. Essa Eucaristia era, originariamente, a\u00a0<strong>\u00fanica<\/strong>\u00a0do Tr\u00edduo, pondo termo ao jejum sacramental dos dois primeiros dias. Atualmente, n\u00e3o \u00e9 assim, porque a celebra\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>Missa da Ceia do Senhor<\/strong>\u00a0(Quinta-Feira Santa, \u00faltimo dia da Quaresma) passou a ser considerada como a abertura e introdu\u00e7\u00e3o do Tr\u00edduo. Isso quer dizer que, em termos lit\u00fargicos, essa Missa j\u00e1 pertence \u00e0 Sexta-Feira. Caso contr\u00e1rio, ter\u00edamos um \u201c<em>tr\u00edduo<\/em>\u201d com quatro dias!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Procuremos, pois, evidenciar a\u00a0<strong>unidade<\/strong>\u00a0das celebra\u00e7\u00f5es e a sua\u00a0<strong>progress\u00e3o<\/strong>. Essa din\u00e2mica ajuda a sentir a P\u00e1scoa como\u00a0<strong>\u201c<em>passagem<\/em>\u201d<\/strong>. Assim, por exemplo, a celebra\u00e7\u00e3o da Ceia do Senhor n\u00e3o deve aparecer como uma festa isolada da Eucaristia e do Sacerd\u00f3cio (que tamb\u00e9m \u00e9), mas como uma verdadeira introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o pascal no seu todo, o que transparece logo desde o c\u00e2ntico de entrada (\u201c<em>Toda a nossa gl\u00f3ria est\u00e1 na Cruz.\u2026<\/em>\u201d). Significativamente, a primeira leitura apresentar\u00e1 a\u00a0<em>institui\u00e7\u00e3o\u00a0<\/em>da P\u00e1scoa do AT (<em>Ex<\/em>\u00a012, 1-8.11-14). E a celebra\u00e7\u00e3o termina sem despedida da assembleia; o mesmo acontecer\u00e1 em 6.\u00aa Feira Santa. Como se estivessem em assembleia cont\u00ednua, os fi\u00e9is s\u00f3 ser\u00e3o despedidos solenemente no final da Vig\u00edlia pascal!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Tr\u00edduo p\u00f5e\u00a0<strong>problemas pastorais<\/strong>\u00a0n\u00e3o indiferentes. \u00c0 sua<strong>\u00a0principalidade\u00a0<\/strong>no ordenamento lit\u00fargico deveria corresponder a<strong>\u00a0excel\u00eancia\u00a0<\/strong>da realiza\u00e7\u00e3o celebrativa: deveriam intervir todos os ministros previstos, escolhendo-se aqueles que, objetivamente, s\u00e3o os mais capazes e apostando, em geral na qualidade de todas as propostas: os melhores leitores, os melhores salmistas, os melhores ac\u00f3litos, a melhor m\u00fasica, as melhores homilias\u2026 Infelizmente, por\u00e9m, estamos longe desse ideal:\u00a0<strong>as f\u00e9rias e mobilidade\u00a0<\/strong>(\u201c<em>nomadismo<\/em>\u201d?), que caracterizam a nossa \u00e9poca,\u00a0<strong>dispersam as comunidades<\/strong>. Em alguns casos, quase que as dissolvem. Geralmente \u2013 sobretudo em ambiente urbano \u2013 impedem-nas de poder contar com todos aqueles que nelas se costumam integrar. E na hora de programar a celebra\u00e7\u00e3o, a lista das disponibilidades coloca s\u00e9rios obst\u00e1culos \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o do ideal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Que solu\u00e7\u00e3o para este problema pastoral? Com quem vamos celebrar a P\u00e1scoa? Ou\/e, falando na perspetiva de quem tem\u00a0<em>emigrantes-ausentes\u00a0<\/em>a par de\u00a0<em>imigrantes-visitantes<\/em>, quem vem celebrar a P\u00e1scoa connosco? N\u00e3o temos solu\u00e7\u00f5es no bolso para partilhar, apenas sugest\u00f5es modestas e, porventura, ut\u00f3picas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 H\u00e1 que aprofundar o\u00a0<strong>sentido da perten\u00e7a<\/strong>\u00a0dos crist\u00e3os \u00e0s respetivas comunidades e, no caso daqueles que desempenham minist\u00e9rios e servi\u00e7os lit\u00fargicos, apelar ao sentido da responsabilidade para com a assembleia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 H\u00e1 que antecipar com realismo a situa\u00e7\u00e3o mediante uma prepara\u00e7\u00e3o e\u00a0<strong>programa\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0mais antecipada das celebra\u00e7\u00f5es mais importantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u2013 H\u00e1 que apostar, corajosamente na\u00a0<strong>concentra\u00e7\u00e3o das assembleias<\/strong>, contrariando h\u00e1bitos arreigados e supostos \u201cdireitos adquiridos\u201d. E doi muito, nomeadamente quando v\u00e1rias par\u00f3quias, que \u201csempre\u201d foram\u00a0<em>aut\u00e1rquicas\u00a0<\/em>e com\u00a0<em>direito a tudo<\/em>, de repente se sentem\u00a0<em>anexadas<\/em>\u00a0e confiadas a um s\u00f3 pastor! As resist\u00eancias e in\u00e9rcias s\u00e3o tenazes e, \u00e0s vezes, agressivas. N\u00e3o basta sabedoria, pedagogia, prud\u00eancia: \u00e9 preciso uma grande dose de fortaleza e paci\u00eancia. Os p\u00e1rocos sentem-no bem, no cora\u00e7\u00e3o e na pele e, perante a oposi\u00e7\u00e3o, por vezes, desistem. Aqui recordamos que, em princ\u00edpio\u00a0<strong>as celebra\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u00fanicas<\/strong>, tanto para as comunidades como para os celebrantes. Os paroquianos das v\u00e1rias par\u00f3quias confiadas ao mesmo p\u00e1roco, os membros das diferentes comunidades religiosas, grupos e associa\u00e7\u00f5es s\u00e3o convidados a participar nas celebra\u00e7\u00f5es realizadas nas igrejas principais (ou de turno), reunindo esfor\u00e7os e congregando disponibilidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Todos os\u00a0<strong>grupos<\/strong>,\u00a0<strong>associa\u00e7\u00f5es<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>obras<\/strong>, paroquiais ou inter-paroquiais, deveriam ser ajudados a viver com a Igreja ao ritmo da Liturgia. No seu plano anual de atividades n\u00e3o deveria faltar a exig\u00eancia de uma participa\u00e7\u00e3o consciente e respons\u00e1vel nas celebra\u00e7\u00f5es do Tr\u00edduo Pascal. <strong><em>in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lava-p\u00e9s: introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 P\u00e1scoa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Secretariado Diocesano da Liturgia<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jo\u00e3o diz-nos que Jesus, sabendo que chegara a hora de \u201c<em>passar<\/em>\u201d deste mundo para o Pai, tirou o manto, p\u00f4s uma toalha \u00e0 cintura, deitou \u00e1gua numa bacia e lavou os p\u00e9s aos disc\u00edpulos (<em>Jo<\/em>13, 1-15). Este gesto de Jesus \u00e9 repetido e lembrado pela Igreja, na Missa Vespertina da Ceia do Senhor (Quinta-Feira Santa).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, como ontem, \u00e9 um\u00a0<strong>gesto impressionante\u00a0<\/strong>e, at\u00e9, chocante. Lavar os p\u00e9s a algu\u00e9m era para os judeus (e para os orientais, em geral) um\u00a0<strong>gesto de grande hospitalidade<\/strong>. Abra\u00e3o ofereceu \u00e1gua aos tr\u00eas misteriosos visitantes (<em>Gn<\/em>\u00a018, 4) para lavar os p\u00e9s e descansarem. E seria pr\u00e1tica comum lavar os p\u00e9s ao peregrino, a esposa ao marido, os filhos ao pai. A pecadora (<em>Lc<\/em>\u00a07, 36 ss.) lavou e perfumou os p\u00e9s de Jesus. Muito embora n\u00e3o fosse tarefa exclusiva de escravos, n\u00e3o deixava de ser, contudo, um\u00a0<strong>gesto de humilde submiss\u00e3o<\/strong>. Por isso, at\u00e9 podemos compreender a estranheza e oposi\u00e7\u00e3o de Pedro \u00e0 provocante invers\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es imposta por Jesus. O\u00a0<strong>gesto de Jesus<\/strong>\u00a0era mais que um sinal de hospitalidade,\u00a0<strong>adquiria um profundo sentido prof\u00e9tico<\/strong>: Jesus sempre compreendera toda a Sua vida como um servi\u00e7o e agora dispunha-Se a entreg\u00e1-la no ato supremo do Seu sacrif\u00edcio pascal. Em S. Jo\u00e3o, o lava-p\u00e9s inaugura a 2.\u00aa parte do seu evangelho em que se narra a sua glorifica\u00e7\u00e3o, o Seu regresso ao Pai, a \u201c<em>subida<\/em>\u201d, com a Sua P\u00e1scoa (passagem), atrav\u00e9s da Morte na Cruz, express\u00e3o m\u00e1xima do seu \u00abamor at\u00e9 ao fim\u00bb e nascente do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O simbolismo do gesto, na hist\u00f3ria da Liturgia, sofreu uma outra interpreta\u00e7\u00e3o. Documentos dos primeiros s\u00e9culos apresentam-no ligado ao Bautismo. Inclusivamente, em v\u00e1rias igrejas, realizava-se na Vig\u00edlia Pascal, quer antes quer depois do batismo. Cedo esta pr\u00e1tica foi superada (cf. Conc. Elvira, ano 305, can 48: AL 2153; contudo, Ambr\u00f3sio de Mil\u00e3o e Crom\u00e1cio de Aquileia ainda conhecem tal pr\u00e1tica).\u00a0<strong>O sentido do servi\u00e7o e da humildade\u00a0<\/strong>(e tamb\u00e9m da hospitalidade)\u00a0<strong>acabou por prevalecer<\/strong>, tamb\u00e9m por influ\u00eancia do ambiente mon\u00e1stico. A ele se juntou o hino \u201c<em>Ubi caritas<\/em>\u201d, sublinhando o mandato do Senhor (mandamento novo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas apesar dos diversos sentidos (da\u00ed a riqueza simb\u00f3lica), importa situ\u00e1-lo no contexto \u2013 a P\u00e1scoa do Senhor \u2013 e no conjunto celebrativo: o Tr\u00edduo Pascal. A Celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica de Quinta-Feira Santa \u00e9 o pr\u00f3logo do Tr\u00edduo, com os dois gestos indissoci\u00e1veis:\u00a0<strong>lava-p\u00e9s\u00a0<\/strong>(Jo\u00e3o) e institui\u00e7\u00e3o do<strong>\u00a0memorial eucar\u00edstico\u00a0<\/strong>(Sin\u00f3ticos). Convidamos \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o dos famosos mosaicos de S\u00e3o Marcos, Veneza, com a reprodu\u00e7\u00e3o paralela de ambos os epis\u00f3dios. Um e outro, em diferentes n\u00edveis, introduzem e como que antecipam a celebra\u00e7\u00e3o pascal com a entrega total de Cristo. Determo-nos exclusivamente num, desligado do outro, \u00e9 n\u00e3o captar a densidade mist\u00e9rica que o s\u00edmbolo evoca e p\u00f5e em movimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta considera\u00e7\u00e3o impele-nos a uma interpreta\u00e7\u00e3o simb\u00f3lico-sacramental e n\u00e3o\u00a0<em>mim\u00e9tica\u00a0<\/em>(reprodu\u00e7\u00e3o c\u00e9nica, representa\u00e7\u00e3o teatral em contexto lit\u00fargico). J\u00e1 com Paulo VI, ao omitir-se, no novo Missal, a restri\u00e7\u00e3o num\u00e9rica \u2013 passou a falar-se em \u00abhomens designados\u00bb e n\u00e3o em \u00ab<strong>doze<\/strong>\u00a0homens designados\u00bb, como na reforma de 1955 \u2013 se insinuava que o objetivo n\u00e3o era o de\u00a0<em>reproduzir<\/em>\u00a0uma cena evang\u00e9lica, mas sim o de reviver a atitude de Jesus. Na mesma linha se situou a altera\u00e7\u00e3o de 21 de janeiro de 2016, ao superar a restri\u00e7\u00e3o de sexo. O novo Missal portugu\u00eas, posterior a essa reformula\u00e7\u00e3o, limita-se a dizer: \u00abAs pessoas escolhidas entre o povo de Deus\u2026\u00bb. Pretendeu-se, com tal revis\u00e3o da rubrica, que \u00ab<em>o modo de realizar o rito do Lava-p\u00e9s fosse melhorado em ordem a exprimir mais plenamente o sentido do gesto realizado por Jesus no Cen\u00e1culo, o seu dar-se \u201cat\u00e9 ao fim\u201d pela salva\u00e7\u00e3o do mundo, a sua caridade sem limites<\/em>\u00bb. Explica o\u00a0<em>Decreto\u00a0<\/em>que\u00a0<em>os pastores poder\u00e3o escolher um pequeno grupo de fi\u00e9is\u00a0<\/em><strong>representativo<\/strong>\u00a0da variedade e da unidade de cada por\u00e7\u00e3o do povo de Deus: homens e mulheres, jovens e anci\u00e3os, pessoas saud\u00e1veis e enfermas, do clero, consagrados e leigos\u2026 O\u00a0<em>Coment\u00e1rio<\/em>, ent\u00e3o publicado pelo Dicast\u00e9rio, explicou o que se pretendia com a mudan\u00e7a: \u00ab<em>n\u00e3o a imita\u00e7\u00e3o exterior daquilo que Jesus fez, mas sim ao significado daquilo que realizou com dimens\u00e3o universal, isto \u00e9, o dar-se \u201cat\u00e9 ao fim\u201d pela salva\u00e7\u00e3o do g\u00e9nero humano, naquela caridade que abra\u00e7a a todos e os torna irm\u00e3os na pr\u00e1tica do seu exemplo<\/em>\u00bb<em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concluindo: o<strong>\u00a0lava-p\u00e9s, n\u00e3o sendo obrigat\u00f3rio, \u00e9 conveniente<\/strong>. A rubrica explicita: \u00ab<em>onde raz\u00f5es pastorais o aconselhem<\/em>\u00bb (n. 10). Se poss\u00edvel, n\u00e3o se perca um gesto t\u00e3o rico e expressivo que, sendo bem realizado, diz mais que muitas palavras.\u00a0<strong>N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que sejam doze<\/strong>\u00a0os escolhidos para o rito (n\u00e3o se trata de reposi\u00e7\u00e3o teatral), mas \u00e9 conveniente que sejam representativos da comunidade celebrante. Prepare-se muito bem o lugar (vis\u00edvel), a bacia e a toalha (expressivas e belas) e todo o desenvolvimento do rito (com sobriedade e ritmo). Este gesto forte,\u00a0<em>s\u00edmbolo<\/em>\u00a0da caridade daquele que nos amou ilimitadamente,\u00a0<strong>dispor\u00e1 a comunidade a celebrar o Mist\u00e9rio da Cruz, a suprema entrega do nosso Redentor<\/strong>. Bem a prop\u00f3sito, a rubrica 14 sugere que imediatamente a seguir, na prociss\u00e3o de oferendas, com o p\u00e3o e o vinho para a Eucaristia, se levem oferendas para os pobres, enquanto se canta o hino\u00a0<em>Ubi caritas<\/em>: \u00ab<em>Onde a caridade \u00e9 verdadeira, a\u00ed habita Deus<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong><em>+ + + <\/em><\/strong><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos no Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanhamos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Atos 10,34a.37-43<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura dos Atos dos Ap\u00f3stolos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nPedro tomou a palavra e disse:<br \/>\n\u00abV\u00f3s sabeis o que aconteceu em toda a Judeia,<br \/>\na come\u00e7ar pela Galileia,<br \/>\ndepois do batismo que Jo\u00e3o pregou:<br \/>\nDeus ungiu com a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo a Jesus de Nazar\u00e9,<br \/>\nque passou fazendo o bem<br \/>\ne curando a todos os que eram oprimidos pelo Dem\u00f3nio,<br \/>\nporque Deus estava com Ele.<br \/>\nN\u00f3s somos testemunhas de tudo o que Ele fez<br \/>\nno pa\u00eds dos Judeus e em Jerusal\u00e9m;<br \/>\ne eles mataram-n\u2019O, suspendendo-O na cruz.<br \/>\nDeus ressuscitou-O ao terceiro dia<br \/>\ne permitiu-Lhe manifestar-Se, n\u00e3o a todo o povo,<br \/>\nmas \u00e0s testemunhas de antem\u00e3o designadas por Deus,<br \/>\na n\u00f3s que comemos e bebemos com Ele,<br \/>\ndepois de ter ressuscitado dos mortos.<br \/>\nJesus mandou-nos pregar ao povo<br \/>\ne testemunhar que ele foi constitu\u00eddo por Deus<br \/>\njuiz dos vivos e dos mortos.<br \/>\n\u00c9 d\u2019Ele que todos os profetas d\u00e3o o seguinte testemunho:<br \/>\nquem acredita n\u2019Ele<br \/>\nrecebe pelo seu nome a remiss\u00e3o dos pecados\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A obra de Lucas (Evangelho e Atos dos Ap\u00f3stolos) aparece entre os anos 80 e 90, numa fase em que a Igreja j\u00e1 se encontra organizada e estruturada, mas em que come\u00e7am a surgir \u201cmestres\u201d pouco ortodoxos, com propostas doutrinais estranhas e, \u00e0s vezes, pouco crist\u00e3s. Neste ambiente, as comunidades crist\u00e3s come\u00e7am a necessitar de crit\u00e9rios claros que lhes permitam discernir a verdadeira doutrina de Jesus, da falsa doutrina dos falsos mestres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Lucas apresenta, ent\u00e3o, a Palavra de Jesus, transmitida pelos ap\u00f3stolos sob o impulso do Esp\u00edrito Santo: \u00e9 essa Palavra que cont\u00e9m a proposta libertadora que Deus quer apresentar aos homens. Nos Atos, em especial, Lucas mostra como a Igreja nasce da Palavra de Jesus, fielmente anunciada pelos ap\u00f3stolos; ser\u00e1 esta Igreja, animada pelo Esp\u00edrito, fiel \u00e0 doutrina transmitida pelos ap\u00f3stolos, que tornar\u00e1 presente o plano salvador do Pai e o far\u00e1 chegar a todos os homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Neste texto, em concreto, Lucas prop\u00f5e-nos o testemunho e a catequese de Pedro em Cesareia, em casa do centuri\u00e3o romano Corn\u00e9lio. Convocado pelo Esp\u00edrito (cf. Act 10,19-20), Pedro entra em casa de Corn\u00e9lio, exp\u00f5e-lhe o essencial da f\u00e9 e batiza-o, bem como a toda a sua fam\u00edlia (cf. Act 10,23b-48). O epis\u00f3dio \u00e9 importante porque Corn\u00e9lio \u00e9 o primeiro pag\u00e3o a cem por cento a ser admitido ao cristianismo por um dos Doze (o et\u00edope de que se fala em Act 8,26-40 j\u00e1 era \u201cpros\u00e9lito\u201d, isto \u00e9, simpatizante do juda\u00edsmo). Significa que a vida nova que nasce de Jesus \u00e9 para todos os homens. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir das seguintes coordenadas:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 a consequ\u00eancia de uma vida gasta a \u201cfazer o bem e a libertar os oprimidos\u201d. Isso significa que, sempre que algu\u00e9m \u2013 na linha de Jesus \u2013 se esfor\u00e7a por vencer o ego\u00edsmo, a mentira, a injusti\u00e7a e por fazer triunfar o amor, est\u00e1 a ressuscitar; significa que, sempre que algu\u00e9m \u2013 na linha de Jesus \u2013 se d\u00e1 aos outros e manifesta, em gestos concretos, a sua entrega aos irm\u00e3os, est\u00e1 a construir vida nova e plena. Eu estou a ressuscitar (porque caminho pelo mundo fazendo o bem e libertando os oprimidos), ou a minha vida \u00e9 um repisar os velhos esquemas do ego\u00edsmo, do orgulho, do comodismo?<\/li>\n<li>A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus significa, tamb&amp;eacute;m, que o medo, a morte, o sofrimento, a injusti\u00e7a, deixam de ter poder sobre o homem que ama, que se d\u00e1, que partilha a vida. Ele tem assegurada a vida plena \u2013 essa vida que os poderes do mundo n\u00e3o podem destruir, atingir ou restringir. Ele pode, assim, enfrentar o mundo com a serenidade que lhe vem da f\u00e9. Estou consciente disto, ou deixo-me dominar pelo medo, sempre que tenho de agir para combater aquilo que rouba a vida e a dignidade, a mim e a cada um dos meus irm\u00e3os?<\/li>\n<li>Aos disc\u00edpulos pede-se que sejam as testemunhas da ressurrei\u00e7\u00e3o. N\u00f3s n\u00e3o vimos o sepulcro vazio; mas fazemos, todos os dias, a experi\u00eancia do Senhor ressuscitado, que est\u00e1 vivo e que caminha ao nosso lado nos caminhos da hist\u00f3ria. A nossa miss\u00e3o \u00e9 testemunhar essa realidade; no entanto, o nosso testemunho ser\u00e1 oco e vazio se o nosso testemunho n\u00e3o for comprovado pelo amor e pela doa\u00e7\u00e3o (as marcas da vida nova de Jesus). <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 117 (118)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Este \u00e9 o dia que o Senhor fez:<br \/>\nexultemos e cantemos de alegria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dai gra\u00e7as ao Senhor, porque Ele \u00e9 bom,<br \/>\nporque \u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<br \/>\nDiga a casa de Israel:<br \/>\n\u00e9 eterna a sua miseric\u00f3rdia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A m\u00e3o do Senhor fez prod\u00edgios,<br \/>\na m\u00e3o do Senhor foi magn\u00edfica.<br \/>\nN\u00e3o morrerei, mas hei-de viver,<br \/>\npara anunciar as obras do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A pedra que os construtores rejeitaram<br \/>\ntornou-se pedra angular.<br \/>\nTudo isto veio do Senhor:<br \/>\n\u00e9 admir\u00e1vel aos nossos olhos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Colossenses 3,1-4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura da Ep\u00edstola do ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo aos Colossenses<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nSe ressuscitastes com Cristo,<br \/>\naspirai \u00e0s coisas do alto,<br \/>\nonde est\u00e1 Cristo, sentado \u00e0 direita de Deus.<br \/>\nAfei\u00e7oai-vos \u00e0s coisas do alto e n\u00e3o \u00e0s da terra.<br \/>\nPorque v\u00f3s morrestes,<br \/>\ne a vossa vida est\u00e1 escondida com Cristo em Deus.<br \/>\nQuando Cristo, que \u00e9 a vossa vida, Se manifestar,<br \/>\ntamb\u00e9m v\u00f3s vos haveis de manifestar com Ele na gl\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando escreveu a Carta aos Colossenses, Paulo estava na pris\u00e3o (em Roma?). Epafras, seu amigo, visitou-o e falou-lhe da \u201ccrise\u201d por que estava a passar a Igreja de Colossos. Alguns doutores locais ensinavam doutrinas estranhas, que misturavam especula\u00e7\u00f5es acerca dos anjos (cf. Col 2,18), pr\u00e1ticas asc\u00e9ticas, rituais legalistas, prescri\u00e7\u00f5es sobre os alimentos e a observ\u00e2ncia de determinadas festas (cf. Col 2,16.21): tudo isso deveria (na opini\u00e3o desses \u201cmestres\u201d) completar a f\u00e9 em Cristo, comunicar aos crentes um conhecimento superior de Deus e dos mist\u00e9rios crist\u00e3os e possibilitar uma vida religiosa mais aut\u00eantica. Contra este sincretismo religioso, Paulo afirma a absoluta sufici\u00eancia de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que nos \u00e9 proposto como segunda leitura \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 reflex\u00e3o moral da carta (cf. Col 3,1-4,6). Depois de apresentar a centralidade de Cristo no projeto salvador de Deus (cf. Col 1,13-2,23), Paulo recorda aos crist\u00e3os de Colossos que \u00e9 preciso viver de forma coerente e verdadeiro o compromisso assumido com Cristo. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerar as seguintes quest\u00f5es, na reflex\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O batismo introduz-nos numa din\u00e2mica de comunh\u00e3o com Cristo ressuscitado. Tenho consci\u00eancia de que o meu batismo significou um compromisso com Cristo? Quando, de alguma forma, tenho um papel ativo na prepara\u00e7\u00e3o ou na celebra\u00e7\u00e3o do sacramento do batismo, tenho consci\u00eancia \u2013 e procuro passar essa mensagem \u2013 de que o sacramento n\u00e3o \u00e9 um ato tradicional ou social (que, por acaso, at\u00e9 proporciona fotografias bonitas), mas um compromisso s\u00e9rio e exigente com Cristo?<\/li>\n<li>A minha vida tem sido uma caminhada coerente com esta din\u00e2mica de vida nova que come\u00e7ou no dia em que fui batizado? Esfor\u00e7o-me, realmente, por me despojar do \u201chomem velho\u201d, ego\u00edsta e escravo do pecado, e por me revestir do \u201chomem novo\u201d, que se identifica com Cristo e que vive no amor, no servi\u00e7o, na doa\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SEQU\u00caNCIA DA P\u00c1SCOA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c0 V\u00edtima pascal<br \/>\nofere\u00e7am os crist\u00e3os<br \/>\nsacrif\u00edcios de louvor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Cordeiro resgatou as ovelhas:<br \/>\nCristo, o Inocente,<br \/>\nreconciliou com o Pai os pecadores.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A morte e a vida<br \/>\ntravaram um admir\u00e1vel combate:<br \/>\nDepois de morto,<br \/>\nvive e reina o Autor da vida.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diz-nos, Maria:<br \/>\nQue viste no caminho?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vi o sepulcro de Cristo vivo<br \/>\ne a gl\u00f3ria do Ressuscitado.<br \/>\nVi as testemunhas dos Anjos,<br \/>\nvi o sud\u00e1rio e a mortalha.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ressuscitou Cristo, minha esperan\u00e7a:<br \/>\npreceder\u00e1 os seus disc\u00edpulos na Galileia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sabemos e acreditamos:<br \/>\nCristo ressuscitou dos mortos:<br \/>\n\u00d3 Rei vitorioso,<br \/>\ntende piedade de n\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 20,1-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S\u00e3o Jo\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No primeiro dia da semana,<br \/>\nMaria Madalena foi de manh\u00e3zinha, ainda escuro, ao sepulcro<br \/>\ne viu a pedra retirada do sepulcro.<br \/>\nCorreu ent\u00e3o e foi ter com Sim\u00e3o Pedro<br \/>\ne com o disc\u00edpulo predileto de Jesus<br \/>\ne disse-lhes:<br \/>\n\u00abLevaram o Senhor do sepulcro,<br \/>\ne n\u00e3o sabemos onde O puseram\u00bb.<br \/>\nPedro partiu com o outro disc\u00edpulo<br \/>\ne foram ambos ao sepulcro.<br \/>\nCorriam os dois juntos,<br \/>\nmas o outro disc\u00edpulo antecipou-se,<br \/>\ncorrendo mais depressa do que Pedro,<br \/>\ne chegou primeiro ao sepulcro.<br \/>\nDebru\u00e7ando-se, viu as ligaduras no ch\u00e3o, mas n\u00e3o entrou.<br \/>\nEntretanto, chegou tamb\u00e9m Sim\u00e3o Pedro, que o seguira.<br \/>\nEntrou no sepulcro<br \/>\ne viu as ligaduras no ch\u00e3o<br \/>\ne o sud\u00e1rio que tinha estado sobre a cabe\u00e7a de Jesus,<br \/>\nn\u00e3o com as ligaduras, mas enrolado \u00e0 parte.<br \/>\nEntrou tamb\u00e9m o outro disc\u00edpulo<br \/>\nque chegara primeiro ao sepulcro:<br \/>\nviu e acreditou.<br \/>\nNa verdade, ainda n\u00e3o tinham entendido a Escritura,<br \/>\nsegundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na primeira parte do Quarto Evangelho (cf. Jo 4,1-19,42), Jo\u00e3o descreve a atividade criadora e vivificadora do Messias (o \u00faltimo passo dessa atividade destinada a fazer surgir o Homem Novo \u00e9, precisamente, a morte na cruz: a\u00ed, Jesus apresenta a \u00faltima e definitiva li\u00e7\u00e3o \u2013 a li\u00e7\u00e3o do amor total, que n\u00e3o guarda nada para si, mas faz da sua vida um dom radical ao Pai e aos irm\u00e3os); na segunda parte (cf. Jo 20,1-31), Jo\u00e3o apresenta o resultado da a\u00e7\u00e3o de Jesus: a comunidade de Homens Novos, recriados e vivificados por Jesus, que com Ele aprenderam a amar com radicalidade. Trata-se dessa comunidade de homens e mulheres que se converteram e aderiram a Jesus e que, em cada dia \u2013 mesmo diante do sepulcro vazio \u2013 s\u00e3o convidados a manifestar a sua f\u00e9 n\u2019Ele. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir dos seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A l\u00f3gica humana vai na linha da figura representada por Pedro: o amor partilhado at\u00e9 \u00e0 morte, o servi\u00e7o simples e sem pretens\u00f5es, a entrega da vida, s\u00f3 conduzem ao fracasso e n\u00e3o s\u00e3o um caminho s\u00f3lido e consistente para chegar ao \u00eaxito, ao triunfo, \u00e0 gl\u00f3ria; da cruz, do amor radical, da doa\u00e7\u00e3o de si, n\u00e3o pode resultar realiza\u00e7\u00e3o, felicidade, vida plena. \u00c9 verdade que \u00e9 esta a perspetiva da cultura dominante; \u00e9 verdade que \u00e9 esta a perspetiva de muitos crist\u00e3os (representados na figura de Sim\u00e3o Pedro). Como me situo face a isto?<\/li>\n<li>A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus prova, precisamente, que a vida plena, a vida total, a transfigura\u00e7\u00e3o total da nossa realidade finita e das nossas capacidades limitadas passa pelo amor que se d\u00e1, com radicalidade, at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias. Tenho consci\u00eancia disso? \u00c9 nessa dire\u00e7\u00e3o que conduzo a caminhada da minha vida?<\/li>\n<li>Pela f\u00e9, pela esperan\u00e7a, pelo seguimento de Cristo e pelos sacramentos, a semente da ressurrei\u00e7\u00e3o (o pr\u00f3prio Jesus) \u00e9 depositada na realidade do homem\/corpo. Revestidos de Cristo, somos nova criatura: estamos, portanto, a ressuscitar, at\u00e9 atingirmos a plenitude, a matura\u00e7\u00e3o plena, a vida total (quando ultrapassarmos a barreira da morte f\u00edsica). Aqui come\u00e7a, pois, a nova humanidade.<\/li>\n<li>A figura de Pedro pode tamb\u00e9m representar, aqui, essa velha prud\u00eancia dos respons\u00e1veis institucionais da Igreja, que os impede de ir \u00e0 frente da caminhada do Povo de Deus, de arriscar, de aceitar os desafios, de aderir ao novo, ao desconcertante, ao incompreens\u00edvel. O Evangelho de hoje sugere que \u00e9, precisamente a\u00ed que, tantas vezes, se revela o mist\u00e9rio de Deus e se encontram ecos de ressurrei\u00e7\u00e3o e de vida nova. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> \u00e9 marcada por um longo discurso de Pedro anunciando a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter em aten\u00e7\u00e3o as longas frases com diversas ora\u00e7\u00f5es que exigem um especial cuidado na respira\u00e7\u00e3o e nas pausas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A brevidade da <strong>segunda leitura<\/strong> tirada da Carta aos Colossenses, n\u00e3o deve diminuir o cuidado na sua prepara\u00e7\u00e3o. A ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 fonte de transforma\u00e7\u00e3o da vida dos fi\u00e9is. Deste modo, a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ser marcada pelo tom exortativo, valorizando as formas verbais no imperativo:\u201d aspirai<em>\u201d<\/em> e <em>\u201cafei\u00e7oai-vos\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Leitura-I-do-Domingo-de-Pascoa-na-Ressurreicao-do-Senhor-Ano-A-05.04.2026-Atos-10-34a.37-43.pdf\">Leitura I do Domingo de P\u00e1scoa na Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 05.04.2026 (Atos 10, 34a.37-43)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Leitura-II-do-Domingo-de-Pascoa-na-Ressurreicao-do-Senhor-Ano-A-05.04.2026-Colossenses-3-1-4.pdf\">Leitura II do Domingo de P\u00e1scoa na Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 05.04.2026 (Colossenses 3, 1-4)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Triduo-Pascal-e-Domingo-de-Pascoa-Ano-A-234-e-5.04.2026-Lecionario.pdf\">Triduo Pascal e Domingo de Pascoa &#8211; Ano A &#8211; 2,3,4 e 5.04.2026 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Triduo-Pascal-e-Domingo-de-Pascoa-Ano-A-234-e-5.04.2026-Oracao-Universal.pdf\">Triduo Pascal e Domingo de Pascoa &#8211; Ano A &#8211; 2,3,4 e 5.04.2026 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Domingo-de-Pascoa-na-Ressurreicao-do-Senhor-Ano-A-05.04.2026-refletindo.pdf\">Domingo de P\u00e1scoa na Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 05.04.2026 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-de-Pascoa-na-Ressuirreicao-do-Senhor-Ano-A-05.04.2026.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo de P\u00e1scoa na Ressuirrei\u00e7\u00e3o do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 05.04.2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Preparar-a-Pascoa-Uma-reflexao-de-Frei-Bento-Domingues-Jornal-Publico-22.03.2026.pdf\">Preparar a P\u00e1scoa &#8211; Uma reflex\u00e3o de Frei Bento Domingues &#8211; Jornal P\u00fablico &#8211; 22.03.2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Mensagem-de-SS-Papa-Leao-XIV-para-a-Quaresma-de-2026.pdf\">Mensagem de SS Papa Le\u00e3o XIV para a Quaresma de 2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor \u2013 Ano A \u2013 29.03.2026&#8243; tab_id=&#8221;1775467325448-93f8c2c3-40a9&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor \u2013 Ano A \u2013 29.03.2026<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-12653 size-full\" style=\"color: inherit; font-family: inherit; font-size: inherit;\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Domingo-de-Ramos.jpg\" alt=\"\" width=\"737\" height=\"472\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com a celebra\u00e7\u00e3o do <strong>Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor<\/strong> damos in\u00edcio \u00e0 Semana Santa onde somos convidados a fixar o nosso olhar na Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. A Semana Santa inicia e termina com um evangelho de festa, marcado pela alegria. Iniciamos a celebra\u00e7\u00e3o deste Domingo com a proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho que narra a entrada de Jesus em Jerusal\u00e9m onde \u00e9 aclamado com brados de alegria e de j\u00fabilo que ainda hoje repetimos na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia: \u00ab<em>Hossana ao Filho de David! Bendito O que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas!<\/em>\u00bb e na solen\u00edssima noite de P\u00e1scoa haveremos de escutar o solene an\u00fancio da Ressurrei\u00e7\u00e3o gloriosa. Contudo, esta moldura de alegria e de festa encerra no seu interior a paix\u00e3o e morte, o duro caminho da paix\u00e3o que escutamos no Evangelho da missa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No atual contexto social e eclesial que estamos a atravessar, nas dificuldades pessoais ou alheias com que nos deparamos no quotidiano, haveremos de ter sempre presente esta moldura de alegria e de festa que encerra a paix\u00e3o e morte de Jesus. Diante das dificuldades, exig\u00eancias e sofrimentos, com toda a certeza, levantamos tantas perguntas e assaltam ao nosso cora\u00e7\u00e3o tantas d\u00favidas e incertezas. Podemos at\u00e9 fazer a nossa ora\u00e7\u00e3o a partir das palavras que Jesus proclama na cruz e que cant\u00e1vamos no salmo: \u00ab<em>Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?<\/em>\u00bb. Alguns exegetas afirmam que uma tradu\u00e7\u00e3o mais fiel deste vers\u00edculo deveria ser: \u00ab<em>Meu Deus, meu Deus, porque me fizeste chegar at\u00e9 aqui?<\/em>\u00bb. Na verdade, estas palavras podem muito bem ser o ecoar da nossa ora\u00e7\u00e3o, em tantas circunst\u00e2ncias que atravessamos, e qu\u00e3o bom seria se elas traduzissem a atitude de quem se coloca humildemente diante do mist\u00e9rio da dor e do sofrimento. N\u00e3o temos respostas, nem f\u00f3rmulas m\u00e1gicas e instant\u00e2neas, mas temos a humilde confian\u00e7a de quem se sabe amado por um Deus que n\u00e3o \u00e9 indiferente \u00e0s nossas dores e ang\u00fastias e podemos proclamar como escut\u00e1vamos na primeira leitura: \u00ab<em>o Senhor Deus veio em meu aux\u00edlio, e, por isso, n\u00e3o fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que n\u00e3o ficarei desiludido<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O nosso Deus n\u00e3o nos desilude e a confian\u00e7a que depositamos nele h\u00e1-de abrir-nos ao horizonte de alegria e de festa que a P\u00e1scoa do Senhor nos aponta. Se Jesus nos convida \u00e0 alegria e \u00e0 felicidade, \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 santidade, tamb\u00e9m desce \u00e0 dor e ao sofrimento para nos ensinar a arte de estar ali onde o amor se faz mais exigente. Jesus sobe at\u00e9 \u00e0 cruz, abra\u00e7a a dor e sofrimento, porque o amor \u00e9 tanto mais verdadeiro, quanto mais se realiza em gestos concretos de compaix\u00e3o e miseric\u00f3rdia. Entre os muitos deveres do amor est\u00e1 aquele primeiro de estar ali, precisamente ali, onde est\u00e1 o amado. Por isso, Jesus vai at\u00e9 ao sofrimento e \u00e0 morte, porque Ele sabe bem que a nossa fr\u00e1gil humanidade atravessa caminhos de dor e de sofrimento. Contudo, tamb\u00e9m aprendemos com Jesus que a nossa dor e sofrimento se abrem \u00e0 alegria pascal que a manh\u00e3 de P\u00e1scoa nos h\u00e1-de trazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sobre a terra, no meio dos nossos limites e fracassos, \u00e9 tempo de caminhar humilde e confiadamente a estrada da fragilidade fortalecida pelo amor e pela gra\u00e7a e, um dia, haveremos de compreender ou pelo menos entrever n\u00e3o o \u00ab<em>porqu\u00ea?<\/em>\u00bb, mas o \u00ab<em>para qu\u00ea?<\/em>\u00bb destes tempos dif\u00edceis e exigentes. Durante a paix\u00e3o e morte de Jesus os disc\u00edpulos n\u00e3o foram capazes de compreender o modo livre, dispon\u00edvel e confiante com que Jesus se entregava \u00e0 vontade do Pai, mas na manh\u00e3 de P\u00e1scoa e na for\u00e7a transformadora do dia de Pentecostes os disc\u00edpulos viram abrir-se os seus olhos e os seus cora\u00e7\u00f5es para alegria nova que o amor transporta. Por isso, que as horas exigentes de dor e desilus\u00e3o nos conduzam sempre ao dia esplendoroso, onde celebraremos juntos a alegria do amor que vence as trevas e que enche de esperan\u00e7a as nossas vidas. <strong><em>in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + <\/em><\/strong><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No dia <strong>25 de mar\u00e7o<\/strong> a <strong>Igreja celebra a Solenidade da Anuncia\u00e7\u00e3o do Senhor<\/strong>. Neste dia, recordamos o an\u00fancio do Arcanjo Gabriel a Maria, comunicando-lhe o des\u00edgnio do Pai de que Ela foi escolhida para acolher no Seu seio virginal o Salvador do Mundo. Neste dia, somos convidados a meditar no mist\u00e9rio de amor que esta solenidade encerra: o nosso Deus n\u00e3o \u00e9 indiferente \u00e0s nossas dores e sofrimentos, mas compadecido da nossa fr\u00e1gil humanidade vem ao nosso encontro e em Jesus Cristo faz-se homem no seio de Maria. A recita\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios gozosos do Ros\u00e1rio, a Liturgia das Horas ou a medita\u00e7\u00e3o dos textos lit\u00fargicos desta solenidade s\u00e3o algumas das formas com que podemos dinamizar este dia<strong>.<\/strong><strong><em> in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos no Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanhamos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 50,4-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura do Livro de Isa\u00edas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor deu-me a gra\u00e7a de falar como um disc\u00edpulo,<br \/>\npara que eu saiba dizer uma palavra de alento<br \/>\naos que andam abatidos.<br \/>\nTodas as manh\u00e3s Ele desperta os meus ouvidos,<br \/>\npara eu escutar, como escutam os disc\u00edpulos.<br \/>\nO Senhor Deus abriu-me os ouvidos<br \/>\ne eu n\u00e3o resisti nem recuei um passo.<br \/>\nApresentei as costas \u00e0queles que me batiam,<br \/>\ne a face aos que me arrancavam a barba;<br \/>\nn\u00e3o desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam.<br \/>\nMas o Senhor Deus veio em meu aux\u00edlio,<br \/>\ne, por isso, n\u00e3o fiquei envergonhado;<br \/>\ntornei o meu rosto duro como pedra,<br \/>\ne sei que n\u00e3o ficarei desiludido.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No livro do Deutero-Isa\u00edas (Is 40-55), encontramos quatro poemas que se destacam do resto do texto (cf. Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12). Apresentam-nos uma figura enigm\u00e1tica de um &#8220;servo de Jahw\u00e9h&#8221;, que recebeu de Deus uma miss\u00e3o. Essa miss\u00e3o tem a ver com a Palavra de Deus e tem car\u00e1cter universal; concretiza-se no sofrimento, na dor e no abandono incondicional \u00e0 Palavra e aos projetos de Deus. Apesar de a miss\u00e3o terminar num aparente insucesso, a dor do profeta n\u00e3o foi em v\u00e3o: ela tem um valor expiat\u00f3rio e redentor; do seu sofrimento resulta o perd\u00e3o para o pecado do Povo. Deus aprecia o sacrif\u00edcio do profeta e recompens\u00e1-lo-\u00e1, elevando-o \u00e0 vista de todos, fazendo-o triunfar dos seus detratores e advers\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quem \u00e9 este profeta? \u00c9 Jeremias, o paradigma do profeta que sofre por causa da Palavra? \u00c9 o pr\u00f3prio Deutero-Isa\u00edas, chamado a dar testemunho da Palavra no ambiente hostil do Ex\u00edlio? \u00c9 um profeta desconhecido? \u00c9 uma figura coletiva, que representa o Povo exilado, humilhado, esmagado, mas que continua a dar testemunho de Deus, no meio das outras na\u00e7\u00f5es? \u00c9 uma figura representativa, que une a recorda\u00e7\u00e3o de personagens hist\u00f3ricas (patriarcas, Mois\u00e9s, David, profetas) com figuras m\u00edticas, de forma a representar o Povo de Deus na sua totalidade? N\u00e3o sabemos; no entanto, a figura apresentada nesses poemas vai receber uma outra ilumina\u00e7\u00e3o \u00e0 luz de Jesus Cristo, da sua vida, do seu destino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que nos \u00e9 proposto \u00e9 parte do terceiro c\u00e2ntico do &#8220;servo de Jahw\u00e9h&#8221;.<strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode tocar os seguintes aspetos:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>N\u00e3o sabemos, efetivamente, quem \u00e9 este &#8220;servo de Jahw\u00e9h&#8221;; no entanto, os primeiros crist\u00e3os v\u00e3o utilizar este texto como grelha para interpretar o mist\u00e9rio de Jesus: Ele \u00e9 a Palavra de Deus feita carne, que oferece a sua vida para trazer a salva\u00e7\u00e3o\/liberta\u00e7\u00e3o aos homens&#8230; A vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e de entrega da vida em favor de todos; e a sua glorifica\u00e7\u00e3o mostra que uma vida vivida deste jeito n\u00e3o termina no fracasso, mas na ressurrei\u00e7\u00e3o que gera vida nova.<\/li>\n<li>Jesus, o &#8220;servo&#8221; sofredor, que faz da sua vida um dom por amor, mostra aos seus seguidores o caminho: a vida, quando \u00e9 posta ao servi\u00e7o da liberta\u00e7\u00e3o dos pobres e dos oprimidos, n\u00e3o \u00e9 perdida mesmo que pare\u00e7a, em termos humanos, fracassada e sem sentido. Temos a coragem de fazer da nossa vida uma entrega radical ao projecto de Deus e \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o dos nossos irm\u00e3os? O que \u00e9 que ainda entrava a nossa aceita\u00e7\u00e3o de uma op\u00e7\u00e3o deste tipo? Temos consci\u00eancia de que, ao escolher este caminho, estamos a gerar vida nova, para n\u00f3s e para os nossos irm\u00e3os?<\/li>\n<li>Temos consci\u00eancia de que a nossa miss\u00e3o prof\u00e9tica passa por sermos Palavra viva de Deus? Nas nossas palavras, nos nossos gestos, no nosso testemunho, a proposta libertadora de Deus alcan\u00e7a o mundo e o cora\u00e7\u00e3o dos homens? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 21 (22)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todos os que me veem escarnecem de mim,<br \/>\nestendem os l\u00e1bios e meneiam a cabe\u00e7a:<br \/>\n\u00abConfiou no Senhor, Ele que o livre,<br \/>\nEle que o salve, se \u00e9 seu amigo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Matilhas de c\u00e3es me rodearam,<br \/>\ncercou-me um bando de malfeitores.<br \/>\nTrespassaram as minhas m\u00e3os e os meus p\u00e9s,<br \/>\nposso contar todos os meus ossos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Repartiram entre si as minhas vestes<br \/>\ne deitaram sortes sobre a minha t\u00fanica.<br \/>\nMas V\u00f3s, Senhor, n\u00e3o Vos afasteis de mim,<br \/>\nsois a minha for\u00e7a, apressai-Vos a socorrer-me.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hei-de falar do vosso nome aos meus irm\u00e3os,<br \/>\nhei-de louvar-Vos no meio da assembleia.<br \/>\nV\u00f3s, que temeis o Senhor, louvai-O,<br \/>\nglorificai-O, v\u00f3s todos os filhos de Jacob,<br \/>\nreverenciai-O, v\u00f3s todos os filhos de Israel.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Filipenses 2,6-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura da Ep\u00edstola do ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo aos Filipenses<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cristo Jesus, que era de condi\u00e7\u00e3o divina,<br \/>\nn\u00e3o Se valeu da sua igualdade com Deus,<br \/>\nmas aniquilou-Se a Si pr\u00f3prio.<br \/>\nAssumindo a condi\u00e7\u00e3o de servo,<br \/>\ntornou-Se semelhante aos homens.<br \/>\nAparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais,<br \/>\nobedecendo at\u00e9 \u00e0 morte e morte de cruz.<br \/>\nPor isso Deus O exaltou<br \/>\ne Lhe deu um nome que est\u00e1 acima de todos os nomes,<br \/>\npara que ao nome de Jesus todos se ajoelhem<br \/>\nno c\u00e9u, na terra e nos abismos,<br \/>\ne toda a l\u00edngua proclame que Jesus Cristo \u00e9 o Senhor,<br \/>\npara gl\u00f3ria de Deus Pai.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade de Filipos era uma cidade pr\u00f3spera, com uma popula\u00e7\u00e3o constitu\u00edda maioritariamente por veteranos romanos do ex\u00e9rcito. Organizada \u00e0 maneira de Roma, estava fora da jurisdi\u00e7\u00e3o dos governantes das prov\u00edncias locais e dependia diretamente do imperador; gozava, por isso, dos mesmos privil\u00e9gios das cidades de It\u00e1lia. A comunidade crist\u00e3, fundada por Paulo, era uma comunidade entusiasta, generosa, comprometida, sempre atenta \u00e0s necessidades de Paulo e do resto da Igreja (como no caso da coleta em favor da Igreja de Jerusal\u00e9m &#8211; cf. 2 Cor 8,1-5), por quem Paulo nutria um afeto especial. Apesar destes sinais positivos, n\u00e3o era, no entanto, uma comunidade perfeita&#8230; O desprendimento, a humildade e a simplicidade n\u00e3o eram valores demasiado apreciados entre os altivos patr\u00edcios que compunham a comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 neste enquadramento que podemos situar o texto que esta leitura nos apresenta. Paulo convida os Filipenses a encarnar os valores que marcaram a trajet\u00f3ria existencial de Cristo; para isso, utiliza um hino pr\u00e9-paulino, recitado nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas crist\u00e3s: nesse hino, ele exp\u00f5e aos crist\u00e3os de Filipos o exemplo de Cristo<strong>. <\/strong><strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir dos seguintes desenvolvimentos:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os valores que marcaram a exist\u00eancia de Cristo continuam a n\u00e3o ser demasiado apreciados no s\u00e9c. XXI. De acordo com os crit\u00e9rios que presidem \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do nosso mundo, os grandes &#8220;ganhadores&#8221; n\u00e3o s\u00e3o os que p\u00f5em a sua vida ao servi\u00e7o dos outros, com humildade e simplicidade, mas s\u00e3o os que enfrentam o mundo com agressividade, com autossufici\u00eancia e fazem por ser os melhores, mesmo que isso signifique n\u00e3o olhar a meios para passar \u00e0 frente dos outros. Como pode um crist\u00e3o (obrigado a viver inserido neste mundo e a ser competitivo) conviver com estes valores?<\/li>\n<li>Paulo tem consci\u00eancia de que est\u00e1 a pedir aos seus crist\u00e3os algo realmente dif\u00edcil; mas \u00e9 algo que \u00e9 fundamental, \u00e0 luz do exemplo de Cristo. Tamb\u00e9m a n\u00f3s \u00e9 pedido, nestes \u00faltimos dias antes da P\u00e1scoa, um passo em frente neste dif\u00edcil caminho da humildade, do servi\u00e7o, do amor: ser\u00e1 poss\u00edvel que, tamb\u00e9m aqui, sejamos as testemunhas da l\u00f3gica de Deus?<\/li>\n<li>Os acontecimentos que, nesta semana, vamos celebrar, garantem-nos que o caminho do dom da vida n\u00e3o \u00e9 um caminho de &#8220;perdedores&#8221; e fracassados: o caminho do dom da vida conduz ao sepulcro vazio da manh\u00e3 de P\u00e1scoa, \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o. \u00c9 um caminho que garante a vit\u00f3ria e a vida plena. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mateus 26,14 &#8211; 27,66<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S\u00e3o Mateus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N Naquele tempo,<br \/>\num dos doze, chamado Judas Iscariotes,<br \/>\nfoi ter com os pr\u00edncipes dos sacerdotes e disse-lhes:<br \/>\nR \u00abQue estais dispostos a dar-me para vos entregar Jesus?\u00bb<br \/>\nN Eles garantiram-lhe trinta moedas de prata.<br \/>\nE a partir de ent\u00e3o,<br \/>\nJudas procurava uma oportunidade para O entregar.<br \/>\nNo primeiro dia dos \u00c1zimos,<br \/>\nos disc\u00edpulos foram ter com Jesus e perguntaram-Lhe:<br \/>\nR \u00abOnde queres que fa\u00e7amos os preparativos<br \/>\npara comer a P\u00e1scoa?\u00bb<br \/>\nN Ele respondeu:<br \/>\nJ \u00abIde \u00e0 cidade, a casa de tal pessoa, e dizei-lhe:<br \/>\n&#8216;O Mestre manda dizer:<br \/>\nO meu tempo est\u00e1 pr\u00f3ximo.<br \/>\n\u00c9 em tua casa que eu quero celebrar a P\u00e1scoa<br \/>\ncom os meus disc\u00edpulos&#8217;\u00bb.<br \/>\nN Os disc\u00edpulos fizeram como Jesus lhes tinha mandado,<br \/>\ne prepararam a P\u00e1scoa.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N Ao cair da noite, sentou-Se \u00e0 mesa com os Doze.<br \/>\nEnquanto comiam, declarou:<br \/>\nJ \u00abEm verdade vos digo:<br \/>\nUm de v\u00f3s h\u00e1-de entregar-Me\u00bb.<br \/>\nN Profundamente entristecidos,<br \/>\ncome\u00e7ou cada um a perguntar-Lhe:<br \/>\nR \u00abSerei eu, Senhor?\u00bb<br \/>\nN Jesus respondeu:<br \/>\nJ \u00abAquele que meteu comigo a m\u00e3o no prato<br \/>\n\u00e9 que h\u00e1-de entregar-Me.<br \/>\nO Filho do homem vai partir,<br \/>\ncomo est\u00e1 escrito acerca d&#8217;Ele.<br \/>\nMas ai daquele por quem o Filho do homem vai ser entregue!<br \/>\nMelhor seria para esse homem n\u00e3o ter nascido\u00bb.<br \/>\nN Judas, que O ia entregar, tomou a palavra e perguntou:<br \/>\nR \u00abSerei eu, Mestre?\u00bb<br \/>\nN Respondeu Jesus:<br \/>\nJ \u00abTu o disseste\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N Enquanto comiam,<br \/>\nJesus tomou o p\u00e3o, recitou a b\u00ean\u00e7\u00e3o,<br \/>\npartiu-o e deu-o aos disc\u00edpulos, dizendo:<br \/>\nJ \u00abTomai e comei: Isto \u00e9 o meu Corpo\u00bb.<br \/>\nN Tomou em seguida um c\u00e1lice,<br \/>\ndeu gra\u00e7as e entregou-lho, dizendo:<br \/>\nJ \u00abBebei dele todos,<br \/>\nporque este \u00e9 o meu Sangue, o Sangue da alian\u00e7a,<br \/>\nderramado pela multid\u00e3o,<br \/>\npara remiss\u00e3o dos pecados.<br \/>\nEu vos digo que n\u00e3o beberei mais deste fruto da videira,<br \/>\nat\u00e9 ao dia em que beberei convosco<br \/>\no vinho novo no reino de meu Pai\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N Cantaram os salmos<br \/>\ne seguiram para o Monte das Oliveiras.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N Ent\u00e3o, Jesus disse-lhes:<br \/>\nJ \u00abTodos v\u00f3s, esta noite, vos escandalizareis por minha causa,<br \/>\ncomo est\u00e1 escrito:<br \/>\n&#8216;Ferirei o pastor e dispersar-se-\u00e3o as ovelhas do rebanho&#8217;.<br \/>\nMas, depois de ressuscitar,<br \/>\npreceder-vos-ei a caminho da Galileia\u00bb.<br \/>\nN Pedro interveio, dizendo:<br \/>\nR \u00abAinda que todos se escandalizem por tua causa,<br \/>\neu n\u00e3o me escandalizarei\u00bb.<br \/>\nN Jesus respondeu-lhe:<br \/>\nJ \u00abEm verdade te digo:<br \/>\nEsta mesma noite, antes do galo cantar,<br \/>\nMe negar\u00e1s tr\u00eas vezes\u00bb.<br \/>\nN Pedro disse-lhe:<br \/>\nR \u00abAinda que tenha de morrer contigo, n\u00e3o Te negarei\u00bb.<br \/>\nN E o mesmo disseram todos os disc\u00edpulos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N Ent\u00e3o, Jesus chegou com eles a uma propriedade,<br \/>\nchamada Gets\u00e9mani<br \/>\ne disse aos disc\u00edpulos:<br \/>\nJ \u00abFicai aqui, enquanto Eu vou al\u00e9m orar\u00bb.<br \/>\nN E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu,<br \/>\ncome\u00e7ou a entristecer-Se e a angustiar-Se.<br \/>\nDisse-lhes ent\u00e3o:<br \/>\nJ \u00abA minha alma est\u00e1 numa tristeza de morte.<br \/>\nFicai aqui e vigiai comigo\u00bb.<br \/>\nN E adiantando-Se um pouco mais, caiu com o rosto por terra,<br \/>\nenquanto orava e dizia:<br \/>\nJ \u00abMeu Pai, se \u00e9 poss\u00edvel, passe de Mim este c\u00e1lice.<br \/>\nTodavia, n\u00e3o se fa\u00e7a como Eu quero,<br \/>\nmas como Tu queres\u00bb.<br \/>\nN Depois, foi ter com os disc\u00edpulos,<br \/>\nencontrou-os a dormir e disse a Pedro:<br \/>\nJ \u00abNem sequer pudestes vigiar uma hora comigo!<br \/>\nVigiai e orai, para n\u00e3o cairdes em tenta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO esp\u00edrito est\u00e1 pronto, mas a carne \u00e9 fraca\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N De novo Se afastou, pela Segunda vez, e orou, dizendo:<br \/>\nJ \u00abMeu Pai,<br \/>\nse este c\u00e1lice n\u00e3o pode passar sem que Eu o beba,<br \/>\nfa\u00e7a-se a tua vontade\u00bb.<br \/>\nN Voltou novamente e encontrou-os a dormir,<br \/>\npois os seus olhos estavam pesados de sono.<br \/>\nDeixou-os e foi de novo orar, pela terceira vez,<br \/>\nrepetindo as mesmas palavras.<br \/>\nVeio ent\u00e3o ao encontro dos disc\u00edpulos e disse-lhes:<br \/>\nJ \u00abDormi agora e descansai.<br \/>\nChegou a hora em que o Filho do homem<br \/>\nvai ser entregue \u00e0s m\u00e3os dos pecadores.<br \/>\nLevantai-vos, vamos.<br \/>\nAproxima-se aquele que Me vai entregar\u00bb.<br \/>\nN Ainda Jesus estava a falar,<br \/>\nquando chegou Judas, um dos Doze,<br \/>\ne com ele uma grande multid\u00e3o, com espadas e varapaus,<br \/>\nenviada pelos pr\u00edncipes dos sacerdotes<br \/>\ne pelos anci\u00e3os do povo.<br \/>\nO traidor tinha-lhes dado este sinal:<br \/>\nR \u00abAquele que eu beijar, \u00e9 esse mesmo. Prendei-O\u00bb.<br \/>\nN Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse-Lhe:<br \/>\nR \u00abSalve, Mestre!\u00bb.<br \/>\nN E beijou-O.<br \/>\nJesus respondeu-lhe:<br \/>\nJ \u00abAmigo, a que vieste?\u00bb.<br \/>\nN Ent\u00e3o avan\u00e7aram, deitaram as m\u00e3os a Jesus<br \/>\ne prenderam-n&#8217;O.<br \/>\nUm dos que estavam com Jesus levou a m\u00e3o \u00e0 espada,<br \/>\ndesembainhou-a e feriu um servo do sumo sacerdote,<br \/>\ncortando-lhe uma orelha.<br \/>\nJesus disse-lhe:<br \/>\nJ \u00abMete a tua espada na bainha,<br \/>\npois todos os que puxarem da espada morrer\u00e3o \u00e0 espada.<br \/>\nPensas que n\u00e3o posso rogar a meu Pai<br \/>\nque ponha j\u00e1 ao meu dispor mais de doze legi\u00f5es de Anjos?<br \/>\nMas como se cumpririam as Escrituras,<br \/>\nsegundo as quais assim tem de acontecer?\u00bb.<br \/>\nN Voltando-Se depois para a multid\u00e3o, Jesus disse:<br \/>\nJ \u00abViestes com espadas e varapaus para Me prender<br \/>\ncomo se fosse um salteador!<br \/>\nEu estava todos os dias sentado no templo a ensinar<br \/>\ne n\u00e3o Me prendestes&#8230;<br \/>\nMas, tudo isto aconteceu<br \/>\npara se cumprirem as Escrituras das profetas\u00bb.<br \/>\nN Ent\u00e3o todos os disc\u00edpulos O abandonaram e fugiram.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N Os que tinham prendido Jesus<br \/>\nlevaram-n&#8217;O \u00e0 presen\u00e7a do sumo sacerdote Caif\u00e1s,<br \/>\nonde os escribas e os anci\u00e3os se tinham reunido.<br \/>\nPedro foi-O seguindo de longe,<br \/>\nat\u00e9 ao pal\u00e1cio do sumo sacerdote.<br \/>\nAproximando-se, entrou e sentou-se com os guardas,<br \/>\npara ver como acabaria tudo aquilo.<br \/>\nEntretanto, os pr\u00edncipes dos sacerdotes e todo o Sin\u00e9drio<br \/>\nprocuravam um testemunho falso contra Jesus<br \/>\npara O condenarem \u00e0 morte,<br \/>\nmas n\u00e3o o encontravam,<br \/>\nembora se tivessem apresentado muitas testemunhas falsas.<br \/>\nPor fim, apresentaram-se duas que disseram:<br \/>\nR \u00abEste homem afirmou:<br \/>\n&#8216;Posso destruir o templo de Deus<br \/>\ne reconstru\u00ed-lo em tr\u00eas dias&#8217;\u00bb.<br \/>\nN Ent\u00e3o, o sumo sacerdote levantou-se e disse a Jesus:<br \/>\nR \u00abN\u00e3o respondes nada?<br \/>\nQue dizes ao que dep\u00f5em contra Ti?\u00bb<br \/>\nN Mas Jesus continuava calado.<br \/>\nDisse-Lhe o sumo sacerdote:<br \/>\n\u00abEu Te conjuro pelo Deus vivo,<br \/>\nque nos declares se \u00e9s Tu o Messias, o Filho de Deus\u00bb.<br \/>\nN Jesus respondeu-lhe:<br \/>\nJ \u00abTu o disseste.<br \/>\nE Eu digo-vos:<br \/>\nvereis o Filho do homem<br \/>\nsentado \u00e0 direita do Todo-poderoso,<br \/>\nvindo sobre as nuvens do c\u00e9u\u00bb.<br \/>\nN Ent\u00e3o, o sumo sacerdote rasgou as vestes, dizendo:<br \/>\nR \u00abBlasfemou.<br \/>\nQue necessidade temos de mais testemunhas?<br \/>\nAcabais de ouvir a blasf\u00e9mia. Que vos parece?\u00bb<br \/>\nN Eles responderam:<br \/>\nR \u00ab\u00c9 r\u00e9u de morte\u00bb.<br \/>\nN Cuspiram-Lhe ent\u00e3o no rosto e deram-Lhe punhadas.<br \/>\nOutros esbofeteavam-n&#8217;O, dizendo:<br \/>\nR \u00abAdivinha, Messias: quem foi que Te bateu?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N Entretanto, Pedro estava sentado no p\u00e1tio.<br \/>\nUma criada aproximou-se dele e disse-lhe:<br \/>\nR \u00abTu tamb\u00e9m estavas com Jesus, o galileu\u00bb.<br \/>\nN Mas ele negou diante de todos, dizendo:<br \/>\nR \u00abN\u00e3o sei o que dizes\u00bb.<br \/>\nN Dirigindo-se para a porta,<br \/>\nfoi visto por outra criada que disse aos circunstantes:<br \/>\nR \u00abEste homem estava com Jesus de Nazar\u00e9\u00bb.<br \/>\nN E, de novo, ele negou com juramento:<br \/>\nR \u00abN\u00e3o conhe\u00e7o tal homem\u00bb.<br \/>\nN Pouco depois, aproximaram-se os que ali estavam<br \/>\ne disseram a Pedro:<br \/>\nR \u00abCom certeza tu \u00e9s deles, pois at\u00e9 a fala te denuncia\u00bb.<br \/>\nN Come\u00e7ou ent\u00e3o a dizer impreca\u00e7\u00f5es e a jurar:<br \/>\nR \u00abN\u00e3o conhe\u00e7o tal homem\u00bb.<br \/>\nN E, imediatamente, um galo cantou.<br \/>\nEnt\u00e3o, Pedro lembrou-se das palavras que Jesus dissera:<br \/>\n\u00abAntes do galo cantar, tu Me negar\u00e1s tr\u00eas vezes\u00bb.<br \/>\nE, saindo, chorou amargamente.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao romper da manh\u00e3,<br \/>\ntodos os pr\u00edncipes dos sacerdotes e os anci\u00e3os do povo<br \/>\nse reuniram em conselho contra Jesus,<br \/>\npara Lhe darem a morte.<br \/>\nDepois de Lhe atarem as m\u00e3os,<br \/>\nlevaram-n&#8217;O e entregaram-n&#8217;O ao governador Pilatos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o Judas, que entregara Jesus,<br \/>\nvendo que Ele tinha sido condenado,<br \/>\ntocado pelo remorso, devolveu as trinta moedas de prata<br \/>\naos pr\u00edncipes dos sacerdotes e aos anci\u00e3os, dizendo:<br \/>\nR \u00abPequei, entregando sangue inocente\u00bb.<br \/>\nN Mas eles replicaram:<br \/>\nR \u00abQue nos importa? \u00c9 l\u00e1 contigo\u00bb.<br \/>\nN Ent\u00e3o, arremessou as moedas para o santu\u00e1rio,<br \/>\nsaiu dali e foi-se enforcar.<br \/>\nMas os pr\u00edncipes dos sacerdotes<br \/>\napanharam as moedas e disseram:<br \/>\nR \u00abN\u00e3o se podem lan\u00e7ar no tesouro,<br \/>\nporque s\u00e3o pre\u00e7o de sangue\u00bb.<br \/>\nN E, depois de terem deliberado,<br \/>\ncompraram com elas o Campo do Oleiro.<br \/>\nPor este motivo se tem chamado \u00e0quele campo,<br \/>\nat\u00e9 ao dia de hoje, \u00abCampo de Sangue\u00bb.<br \/>\nCumpriu-se ent\u00e3o o que fora dito pelo profeta:<br \/>\n\u00abTomaram trinta moedas de prata,<br \/>\npre\u00e7o em que foi avaliado<br \/>\nAquele que os filhos de Israel avaliaram<br \/>\ne deram-nas pelo Campo do Oleiro,<br \/>\ncomo o Senhor me tinha ordenado\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N Entretanto, Jesus foi levado \u00e0 presen\u00e7a do governador,<br \/>\nque lhe perguntou:<br \/>\nR \u00abTu \u00e9s o Rei dos judeus?\u00bb<br \/>\nN Jesus respondeu:<br \/>\nJ \u00ab\u00c9 como dizes\u00bb.<br \/>\nN Mas, ao ser acusado pelos pr\u00edncipes dos sacerdotes<br \/>\ne pelos anci\u00e3os, nada respondeu.<br \/>\nDisse-Lhe ent\u00e3o Pilatos:<br \/>\nR \u00abN\u00e3o ouves quantas acusa\u00e7\u00f5es levantam contra Ti?\u00bb<br \/>\nN Mas Jesus n\u00e3o respondeu coisa alguma,<br \/>\na ponto de o governador ficar muito admirado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ora, pela festa da P\u00e1scoa,<br \/>\no governador costumava soltar um preso,<br \/>\n\u00e0 escolha do povo.<br \/>\nNessa altura, havia um preso famoso, chamado Barrab\u00e1s.<br \/>\nE, quando eles se reuniram, disse-lhes:<br \/>\nR \u00abQual quereis que vos solte?\u00bb<br \/>\nBarrab\u00e1s, ou Jesus, chamado Cristo?\u00bb<br \/>\nN Ele bem sabia que O tinham entregado por inveja.<br \/>\nEnquanto estava sentado no tribunal,<br \/>\na mulher mandou-lhe dizer:<br \/>\nR \u00abN\u00e3o te prendas com a causa desse justo,<br \/>\npois hoje sofri muito em sonhos por causa d&#8217;Ele\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N Entretanto, os pr\u00edncipes dos sacerdotes e os anci\u00e3os<br \/>\npersuadiram a multid\u00e3o a que pedisse Barrab\u00e1s<br \/>\ne fizesse morrer Jesus.<br \/>\nO governador tomou a palavra e perguntou-lhes:<br \/>\nR \u00abQual dos dois quereis que vos solte?\u00bb<br \/>\nN Eles responderam:<br \/>\nR \u00abBarrab\u00e1s\u00bb.<br \/>\nN Disse-lhes Pilatos:<br \/>\nR \u00abE que hei-de fazer de Jesus, chamado Cristo?\u00bb<br \/>\nN Responderam todos:<br \/>\nR \u00abSeja crucificado\u00bb.<br \/>\nN Pilatos insistiu:<br \/>\nR \u00abQue mal fez Ele?\u00bb<br \/>\nN Mas eles gritavam cada vez mais:<br \/>\nR \u00abSeja crucificado\u00bb.<br \/>\nN Pilatos insistiu:<br \/>\nR \u00abQue mal fez Ele?\u00bb<br \/>\nN Mas eles gritavam cada vez mais:<br \/>\nR \u00abSeja crucificado\u00bb.<br \/>\nN Pilatos, vendo que n\u00e3o conseguia nada<br \/>\ne aumentava o tumulto,<br \/>\nmandou vir \u00e1gua<br \/>\ne lavou as m\u00e3os na presen\u00e7a da multid\u00e3o, dizendo:<br \/>\nR \u00abEstou inocente do sangue deste homem.<br \/>\nIsso \u00e9 l\u00e1 convosco\u00bb.<br \/>\nN E todo o povo respondeu:<br \/>\nR \u00abO seu sangue caia sobre n\u00f3s e sobre os nossos filhos\u00bb.<br \/>\nN Soltou-lhes ent\u00e3o Barrab\u00e1s.<br \/>\nE, depois de ter mandado a\u00e7oitar Jesus,<br \/>\nentregou-lh&#8217;O para ser crucificado.<br \/>\nEnt\u00e3o os soldados do governador<br \/>\nlevaram Jesus para o pret\u00f3rio<br \/>\ne reuniram \u00e0 volta d&#8217;Ele toda a coorte.<br \/>\nTiraram-Lhe a roupa e envolveram-n&#8217;O num manto vermelho.<br \/>\nTeceram uma coroa de espinhos e puseram-Lha na cabe\u00e7a<br \/>\ne colocaram uma cana na sua m\u00e3o direita.<br \/>\nAjoelhando diante d&#8217;Ele, escarneciam-n&#8217;O, dizendo:<br \/>\nR \u00abSalve, rei dos judeus!\u00bb<br \/>\nN Depois, cuspiam-Lhe no rosto<br \/>\ne, pegando na cana, batiam-Lhe com ela na cabe\u00e7a.<br \/>\nDepois de O terem escarnecido,<br \/>\ntiraram-Lhe o manto, vestiram-Lhe as suas roupas<br \/>\ne levaram-n&#8217;O para ser crucificado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N Ao sa\u00edrem,<br \/>\nencontraram um homem de Cirene, chamado Sim\u00e3o,<br \/>\ne requisitaram-no para levar a cruz de Jesus.<br \/>\nChegados a um lugar chamado G\u00f3lgota,<br \/>\nque quer dizer lugar do Calv\u00e1rio,<br \/>\nderam-Lhe a beber vinho misturado com fel.<br \/>\nMas Jesus, depois de o provar, n\u00e3o quis beber.<br \/>\nDepois de O terem crucificado,<br \/>\nrepartiram entre si as suas vestes, tirando-as \u00e0 sorte,<br \/>\ne ficaram ali sentados a guard\u00e1-l&#8217;O.<br \/>\nPor cima da sua cabe\u00e7a puseram um letreiro,<br \/>\nindicando a causa da sua condena\u00e7\u00e3o:<br \/>\n\u00abEste \u00e9 Jesus, o rei dos judeus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foram crucificados com Ele dois salteadores,<br \/>\num \u00e0 direita e outro \u00e0 esquerda.<br \/>\nOs que passavam insultavam-n&#8217;O<br \/>\ne abanavam a cabe\u00e7a, dizendo:<br \/>\nR \u00abTu, que destru\u00edas o templo e o reedificavas em tr\u00eas dias,<br \/>\nsalva-Te a Ti mesmo;<br \/>\nSe \u00e9s Filho de Deus, desce da cruz\u00bb.<br \/>\nN Os pr\u00edncipes dos sacerdotes,<br \/>\njuntamente com os escribas e os anci\u00e3os,<br \/>\ntamb\u00e9m tro\u00e7avam d&#8217;Ele, dizendo:<br \/>\nR \u00abSalvou os outros e n\u00e3o pode salvar-Se a Si mesmo!<br \/>\nSe \u00e9 o Rei de Israel,<br \/>\ndes\u00e7a agora da cruz e acreditaremos n&#8217;Ele.<br \/>\nConfiou em Deus:<br \/>\nEle que O livre agora, se O ama,<br \/>\nporque disse: &#8216;Eu sou Filho de Deus&#8217;\u00bb.<br \/>\nN At\u00e9 os salteadores crucificados com Ele o insultavam.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desde o meio-dia at\u00e9 \u00e0s tr\u00eas horas da tarde,<br \/>\nas trevas envolveram toda a terra.<br \/>\nE, pelas tr\u00eas horas da tarde, Jesus clamou com voz forte:<br \/>\nJ \u00abEli, Eli, lema sabachtani!\u00bb,<br \/>\nN que quer dizer:<br \/>\n\u00abMeu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?\u00bb<br \/>\nAlguns dos presentes, ouvindo isto, disseram:<br \/>\nR \u00abEst\u00e1 a chamar por Elias\u00bb.<br \/>\nN Um deles correu a tomar uma esponja,<br \/>\nembebeu-a em vinagre,<br \/>\np\u00f4-la na ponta duma cana e deu-Lhe a beber.<br \/>\nMas os outros disseram:<br \/>\nR \u00abDeixa l\u00e1. Vejamos se Elias vem salv\u00e1-l&#8217;O\u00bb.<br \/>\nN E Jesus, clamando outra vez com voz forte, expirou.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N Ent\u00e3o, o v\u00e9u do templo rasgou-se em duas partes,<br \/>\nde alto a baixo;<br \/>\na terra tremeu e as rochas fenderam-se.<br \/>\nAbriram-se os t\u00famulos<br \/>\ne muitos dos corpos de santos que tinham morrido<br \/>\nressuscitaram;<br \/>\ne, saindo do sepulcro, depois da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus,<br \/>\nentraram na cidade santa e apareceram a muitos.<br \/>\nEntretanto, o centuri\u00e3o e os que com ele guardavam Jesus,<br \/>\nao verem o tremor de terra e o que estava a acontecer,<br \/>\nficaram aterrados e disseram:<br \/>\nR \u00abEste era verdadeiramente Filho de Deus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres<br \/>\nque tinham seguido Jesus desde a Galileia, para O servirem.<br \/>\nEntre elas encontrava-se Maria Madalena,<br \/>\nMaria, m\u00e3e de Tiago e de Jos\u00e9,<br \/>\ne a m\u00e3e dos filhos de Zebedeu.<br \/>\nAo cair da tarde,<br \/>\nveio um homem rico de Arimateia, chamado Jos\u00e9,<br \/>\nque tamb\u00e9m se tinha tornado disc\u00edpulo de Jesus.<br \/>\nFoi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus.<br \/>\nE Pilatos ordenou que lho entregassem.<br \/>\nJos\u00e9 tomou o corpo, envolveu-o num len\u00e7ol limpo<br \/>\ne depositou-o no seu sepulcro novo<br \/>\nque tinha mandado escavar na rocha.<br \/>\nDepois rolou uma grande pedra para a entrada do sepulcro,<br \/>\ne retirou-se.<br \/>\nEntretanto, estavam ali Maria Madalena e a outra Maria,<br \/>\nsentadas em frente do sepulcro.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No dia seguinte, isto \u00e9, depois da Prepara\u00e7\u00e3o,<br \/>\nos pr\u00edncipes dos sacerdotes e os fariseus<br \/>\nforam ter com Pilatos e disseram-lhe:<br \/>\nR \u00abSenhor, lembr\u00e1mo-nos do que aquele impostor disse<br \/>\nquando ainda era vivo:<br \/>\n&#8216;Depois de tr\u00eas dias ressuscitarei&#8217;.<br \/>\nPor isso, manda que o sepulcro seja mantido em seguran\u00e7a<br \/>\nat\u00e9 ao terceiro dia,<br \/>\npara que n\u00e3o venham os disc\u00edpulos roub\u00e1-lo<br \/>\ne dizer ao povo: &#8216;Ressuscitou dos mortos&#8217;.<br \/>\nE a \u00faltima impostura seria pior do que a primeira\u00bb.<br \/>\nN Pilatos respondeu:<br \/>\nR \u00abTendes \u00e0 vossa disposi\u00e7\u00e3o a guarda:<br \/>\nide e guardai-o como entenderdes\u00bb.<br \/>\nN Eles foram e guardaram o sepulcro,<br \/>\nselando a pedra e pondo a guarda.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Evangelho segundo Mateus come\u00e7a por apresentar Jesus (cf. Mt 1,1-4,22). Descreve, depois, o an\u00fancio central de Jesus: nas suas palavras e nos seus gestos, Jesus anuncia esse mundo novo a que Ele chama &#8220;o Reino dos c\u00e9us&#8221; (cf. Mt 4,23-9,35). Do an\u00fancio do &#8220;Reino&#8221; nasce a comunidade dos disc\u00edpulos,\u00a0 isto \u00e9, nasce um grupo que assimila as propostas de Jesus (cf. Mt 9,36-12,50). Os disc\u00edpulos s\u00e3o a &#8220;comunidade do Reino&#8221;: instru\u00eddos por Jesus, formados na mentalidade do &#8220;Reino&#8221;, os disc\u00edpulos recebem a miss\u00e3o de testemunhar o &#8220;Reino&#8221;, ap\u00f3s a partida de Jesus (cf. Mt 13,1-17,27). Na parte final do seu Evangelho, Mateus descreve a rutura final de Jesus com o juda\u00edsmo (cf. Mt 18,1-25,46) e o final do caminho de Jesus: a paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o (cf. Mt 26,1-28,15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A leitura que hoje nos \u00e9 proposta \u00e9 o relato da paix\u00e3o de Jesus. Descreve como o an\u00fancio do Reino choca com a mentalidade da opress\u00e3o e, portanto, conduz \u00e0 cruz e \u00e0 morte; no entanto, n\u00e3o podemos dissociar os acontecimentos da paix\u00e3o daqueles que celebraremos no pr\u00f3ximo domingo: a ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a prova de que Jesus veio de Deus e tinha um mandato do Pai para tornar realidade no mundo o &#8220;Reino dos c\u00e9us&#8221;. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A reflex\u00e3o pode partir dos seguintes dados:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Celebrar a paix\u00e3o e a morte de Jesus \u00e9 abismar-se na contempla\u00e7\u00e3o de um Deus a quem o amor tornou fr\u00e1gil&#8230; Por amor, Ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites e fragilidades, experimentou a fome, o sono, o cansa\u00e7o, conheceu a mordedura das tenta\u00e7\u00f5es, tremeu perante a morte, suou sangue antes de aceitar a vontade do Pai; e, estendido no ch\u00e3o, esmagado contra a terra, atrai\u00e7oado, abandonado, incompreendido, continuou a amar. Desse amor resultou vida plena, que Ele quis repartir connosco &#8220;at\u00e9 ao fim dos tempos&#8221;: esta \u00e9 a mais espantosa hist\u00f3ria de amor que \u00e9 poss\u00edvel contar; ela \u00e9 a boa not\u00edcia que enche de alegria o cora\u00e7\u00e3o dos crentes.<\/li>\n<li>Contemplar a cruz, onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus, significa assumir a mesma atitude e solidarizar-se com aqueles que s\u00e3o crucificados neste mundo: os que sofrem viol\u00eancia, os que s\u00e3o explorados, os que s\u00e3o exclu\u00eddos, os que s\u00e3o privados de direitos e de dignidade&#8230; Olhar a cruz de Jesus significa denunciar tudo o que gera \u00f3dio, divis\u00e3o, medo, em termos de estruturas, valores, pr\u00e1ticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor&#8230; Viver deste jeito pode conduzir \u00e0 morte; mas o crist\u00e3o sabe que amar como Jesus \u00e9 viver a partir de uma din\u00e2mica que a morte n\u00e3o pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne os dinamismos da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong> n\u00e3o apresenta nenhuma dificuldade aparente na sua proclama\u00e7\u00e3o. Requer uma leitura pausada e atenta que exprima toda a densidade e intensidade dram\u00e1tica do texto. A \u00faltima frase exige uma especial aten\u00e7\u00e3o para que se possa transmitir a confian\u00e7a e esperan\u00e7a que o aux\u00edlio de Deus oferece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 um hino lit\u00fargico e po\u00e9tico e apresenta duas partes distintas: uma primeira mais dram\u00e1tica e uma segunda mais jubilosa e marcada pela exalta\u00e7\u00e3o de Jesus. A proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter presente todos estes elementos. A narrativa evang\u00e9lica da Paix\u00e3o do Senhor, na aus\u00eancia de di\u00e1conos, pode ser lida por mais dois leitores, reservando a parte de Cristo ao sacerdote. Tendo em conta os diversos di\u00e1logos e a dimens\u00e3o do texto, aqueles que participam na leitura devem fazer uma acurada prepara\u00e7\u00e3o das diversas interven\u00e7\u00f5es ao longo do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Leitura-I-do-Domingo-de-Ramos-na-Paixao-do-Senhor-Ano-A-29.03.2026-Isaias-50-4-7.pdf\">Leitura I do Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 29.03.2026 (Isa\u00edas 50, 4-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Leitura-II-do-Domingo-de-Ramos-na-Paixao-do-Senhor-Ano-A-29.03.2026-Filipenses-2-6-11.pdf\">Leitura II do Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 29.03.2026 (Filipenses 2, 6-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Domingo-de-Ramos-na-Paixao-do-Senhor-Ano-A-29.03.2026-Lecionario.pdf\">Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 29.03.2026 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Domingo-de-Ramos-na-Paixao-do-Senhor-Ano-A-29.03.2026-Oracao-Universal.pdf\">Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 29.03.2026 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Domingo-de-Ramos-na-Paixao-do-Senhor-Ano-A-29.03.2026-refletindo.pdf\">Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 29.03.2026 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-de-Ramos-na-Paixao-do-Senhor-Ano-A-29.03.2026.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo de Ramos na Paix\u00e3o do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 29.03.2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Mensagem-de-SS-Papa-Leao-XIV-para-a-Quaresma-de-2026.pdf\">Mensagem de SS Papa Le\u00e3o XIV para a Quaresma de 2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo V do Tempo da Quaresma \u2013 Ano A \u2013 22.03.2026&#8243; tab_id=&#8221;1774860325086-13b4e4b0-b583&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4>Domingo V do Tempo da Quaresma \u2013 Ano A \u2013 22.03.2026<\/h4>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-12653 size-full\" style=\"color: inherit; font-family: inherit; font-size: inherit;\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Domingo-V.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"373\" \/><\/p>\n<p><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Bet\u00e2nia aparece no Evangelho como a cidade da amizade. A casa de Marta, Maria e L\u00e1zaro \u00e9 sinal de acolhimento e descanso, de proximidade e cuidado: Maria tinha ungido o Senhor com perfume e tinha-lhe enxugado os p\u00e9s com os cabelos, Maria sentada aos p\u00e9s de Jesus escutava com docilidade e alegria a palavra do Mestre, Marta enchia-se de cuidados para que nada faltasse Aquele que a visitava e L\u00e1zaro \u00e9 aquele que tem o nome de amigo de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A amizade \u00e9 um dos mais belos sinais do amor de Deus e a escritura afirma que \u00ab<em>um amigo fiel \u00e9 uma poderosa prote\u00e7\u00e3o; quem o encontrou, descobriu um tesouro<\/em>\u00bb (Sir 6,14). A amizade permite multiplicar e celebrar as vit\u00f3rias e conquistas da vida, mas tamb\u00e9m dividir o peso das dificuldades e encontrar for\u00e7as para o caminho, quando se torna exigente e dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Liturgia da Palavra deste quinto Domingo da Quaresma apresenta-nos tamb\u00e9m um quadro raro da narrativa evang\u00e9lica, que s\u00f3 a grande amizade que une Jesus e L\u00e1zaro consegue explicar: Jesus chora. Nos evangelhos, encontramos apenas dois momentos em que Jesus chora: a morte do seu amigo L\u00e1zaro (Jo 11,35) e sobre a cidade de Jerusal\u00e9m (Lc 19,41).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diante do t\u00famulo de L\u00e1zaro, Jesus chorou, levando os presentes a afirmar: \u00ab<em>vede como era seu amigo<\/em>\u00bb. As Suas l\u00e1grimas, junto ao t\u00famulo de L\u00e1zaro e sobre a cidade de Jerusal\u00e9m s\u00e3o sinal do amor que sente pela humanidade. Jesus ama-nos e n\u00e3o quer que nenhum se perca, por isso, veio ao nosso encontro, assumiu a nossa humanidade, desceu \u00e0s \u00e1guas do Jord\u00e3o para ser batizado, acolheu com ternura e miseric\u00f3rdia os doentes e os marginalizados, foi ao encontro dos pecadores e rejeitados e levou esse amor \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias abra\u00e7ando a cruz e abrindo para n\u00f3s as portas da ressurrei\u00e7\u00e3o e da vida nova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus chora e ensina-nos a arte da compaix\u00e3o. As l\u00e1grimas n\u00e3o s\u00e3o sinal de desespero ou de incapacidade de reagir diante do mal e do sofrimento, mas sinal de amor e compaix\u00e3o diante das situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas da hist\u00f3ria. Jesus chora, mas n\u00e3o se det\u00e9m no choro e no lamento. Dirige-se ao t\u00famulo, pede que removam a pedra, d\u00e1 gra\u00e7as ao Pai e brada com voz forte para que L\u00e1zaro saia do t\u00famulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diante das situa\u00e7\u00f5es de dor e sofrimento pessoais e alheias n\u00e3o devemos ficar presos \u00e0s nossas l\u00e1grimas e lamentos. Choramos e compadecemo-nos, mas devemos assumir uma atitude proactiva, capaz de responder com ousadia e coragem aos desafios que se colocam diante de n\u00f3s. A miseric\u00f3rdia e a compaix\u00e3o despertam o nosso cora\u00e7\u00e3o e as nossas emo\u00e7\u00f5es, mas devem despertar tamb\u00e9m a nossa vida e a nossa a\u00e7\u00e3o. Com Jesus e como Jesus, acreditamos que o Pai nos escuta e, por isso, partimos na aventura do amor, na certeza de que a nossa a\u00e7\u00e3o unida \u00e0 sua gra\u00e7a pode realizar maravilhas no aqui e agora do tempo e da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Contudo, diante de n\u00f3s coloca-se o grande desafio da f\u00e9 que nos convida a depositar toda a nossa esperan\u00e7a em Jesus Cristo e no Seu amor. Como naquele dia a Marta, Jesus pergunta a cada um de n\u00f3s: \u00ab<em>acreditas nisto?<\/em>\u00bb. Acreditas que comigo os imposs\u00edveis se podem tornar poss\u00edveis? Acreditas que a f\u00e9 abre diante de n\u00f3s um caminho de esperan\u00e7a que vai muito para l\u00e1 dos limites do vis\u00edvel e do palp\u00e1vel? Acreditas que quem caminha com Jesus recebe um modo novo de olhar o tempo e a hist\u00f3ria?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como nos recorda S. Paulo, batizados em Cristo somos j\u00e1 herdeiros da vida nova que brota da P\u00e1scoa do Senhor e, habitados pelo Esp\u00edrito Santo, somos chamados a semear no aqui e agora do tempo e da hist\u00f3ria a certeza de que os sofrimentos e incertezas do tempo presente se h\u00e3o-de abrir \u00e0 plenitude do amor e da gra\u00e7a que brotam do cora\u00e7\u00e3o de Deus. <strong><em>in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + <\/em><\/strong><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>Estamos no Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanhamos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Ezequiel 37,12-14<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assim fala o Senhor Deus:<br \/>\n\u00abVou abrir os vossos t\u00famulos<br \/>\ne deles vos farei ressuscitar, \u00f3 meu povo,<br \/>\npara vos reconduzir \u00e0 terra de Israel.<br \/>\nHaveis de reconhecer que Eu sou o Senhor,<br \/>\nquando abrir os vossos t\u00famulos<br \/>\ne deles vos fizer ressuscitar, \u00f3 meu povo.<br \/>\nInfundirei em v\u00f3s o meu esp\u00edrito e revivereis.<br \/>\nHei de fixar-vos na vossa terra<br \/>\ne reconhecereis que Eu, o Senhor, o disse e o executarei\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em 598 a.C. Nabucodonosor, rei da Babil\u00f3nia, irritado pelas tentativas de Joaquim, rei de Jud\u00e1, para se libertar do dom\u00ednio babil\u00f3nico, p\u00f4s cerco \u00e0 cidade de Jerusal\u00e9m. O rei Joaquim parece ter morrido durante o cerco da cidade (na vers\u00e3o de 2 Cr 36, contudo, Joaquim foi aprisionado e levado prisioneiro para a Babil\u00f3nia). Sucedeu-lhe, no trono de Jud\u00e1, o seu filho Joiaquin, que reinou apenas tr\u00eas meses (cf. 2Re 24,8-9), antes de cair nas m\u00e3os dos babil\u00f3nios (cf. 2Re 24,10-16). O rei, a classe dirigente e todos aqueles que tinham alguma influ\u00eancia em Jerusal\u00e9m foram deportados para a Babil\u00f3nia (597 a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nabucodonosor instalou, ent\u00e3o, no trono de Jud\u00e1 um tal Sedecias. Durante algum tempo, Jud\u00e1 manteve-se tranquilo, pagando pontualmente os tributos devidos aos babil\u00f3nios; mas, ao fim de algum tempo, aproveitando a conjuntura pol\u00edtica favor\u00e1vel, Sedecias aliou-se com os eg\u00edpcios e deixou de pagar o tributo. Nabucodonosor enviou imediatamente um ex\u00e9rcito que cercou novamente Jerusal\u00e9m. Apesar do socorro de um ex\u00e9rcito eg\u00edpcio, Jerusal\u00e9m teve de se render aos babil\u00f3nios (586 a.C.). Sedecias tentou fugir da cidade; mas foi feito prisioneiro, viu os seus filhos serem assassinados e ele pr\u00f3prio foi levado prisioneiro para a Babil\u00f3nia, onde acabou os seus dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ezequiel, chamado \u201co profeta da esperan\u00e7a\u201d, deve ser colocado neste cen\u00e1rio. Pertencendo a uma fam\u00edlia com alguma influ\u00eancia em Jerusal\u00e9m, fez parte do primeiro grupo de exilados de Jud\u00e1, levados para a Babil\u00f3nia em 597 a.C. (no reinado de Joiaquin, quando Nabucodonosor conquista Jerusal\u00e9m, pela primeira vez). Ser\u00e1 na Babil\u00f3nia que Ezequiel ir\u00e1 exercer a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A primeira fase do minist\u00e9rio de Ezequiel decorre entre 593 a.C. (altura em que sentiu o chamamento de Deus) e 586 a.C. (data em que Jerusal\u00e9m \u00e9 arrasada pelas tropas de Nabucodonosor e uma nova leva de exilados \u00e9 encaminhada para a Babil\u00f3nia). Nesta fase, Ezequiel procura destruir falsas esperan\u00e7as e anuncia que, ao contr\u00e1rio do que pensam os exilados, o cativeiro est\u00e1 para durar\u2026 Eles n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o v\u00e3o regressar em breve a Jerusal\u00e9m, mas os que ficaram em Jerusal\u00e9m (e que continuam a multiplicar os pecados e infidelidades contra Jav\u00e9) v\u00e3o fazer companhia aos que j\u00e1 est\u00e3o desterrados na Babil\u00f3nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A segunda fase do minist\u00e9rio de Ezequiel desenrola-se a partir de 586 a.C., at\u00e9 cerca de 570 a.C. Instalados numa terra estrangeira, sem Templo, sem sacerd\u00f3cio e sem culto, os exilados est\u00e3o desesperados e duvidam da bondade e do amor de Deus. Nessa fase, Ezequiel procura alimentar a esperan\u00e7a dos exilados e transmitir ao Povo a certeza de que o Deus libertador e salvador n\u00e3o os abandonou. As palavras que, nesta fase, Ezequiel dirige aos seus concidad\u00e3os s\u00e3o palavras de \u00e2nimo e de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que nos \u00e9 proposto como primeira leitura pertence \u00e0 segunda fase do minist\u00e9rio prof\u00e9tico de Ezequiel. Faz parte da famosa de um conjunto de \u201cor\u00e1culos de salva\u00e7\u00e3o\u201d (cf. Ez 33,1-39,29) que inclui a famosa \u201cvis\u00e3o dos ossos calcinados\u201d (cf. Ez 37). Nessa vis\u00e3o Ezequiel fala de uma plan\u00edcie cheia de ossos calcinados e sem vida; mas, esses ossos, vivificados pelo Esp\u00edrito do Senhor, s\u00e3o revestidos de pele, de m\u00fasculos e ganham nova vida. Nesta par\u00e1bola, esses ossos calcinados representam o Povo de Deus, que jaz abandonado, sem esperan\u00e7a e sem futuro no meio da plan\u00edcie mesopot\u00e2mica. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O des\u00e2nimo, a frustra\u00e7\u00e3o, o desalento que, no s\u00e9c. VI a.C. afetaram os habitantes de Jud\u00e1 exilados na Babil\u00f3nia n\u00e3o s\u00e3o experi\u00eancias completamente desconhecidas para n\u00f3s. S\u00e3o realidades que a cada passo nos esperam ao virar da esquina. Sentimo-las quando somos obrigados a encarar a morte de algu\u00e9m que nos \u00e9 querido, quando enfrentamos o desmoronar dos la\u00e7os familiares, quando somos surpreendidos pela trai\u00e7\u00e3o de um amigo ou de algu\u00e9m a quem amamos, quando carregamos o peso da solid\u00e3o, quando temos de deixar para tr\u00e1s os nossos sonhos, quando nos sentimos afogados pelo medo, quando os nossos melhores esfor\u00e7os resultam em nada\u2026 A constata\u00e7\u00e3o da nossa fragilidade, das nossas limita\u00e7\u00f5es, da nossa impot\u00eancia paralisa-nos. Olhamos \u00e0 volta \u00e0 procura de Deus e Ele parece infinitamente distante; interpelamo-lo e Ele parece n\u00e3o nos responder\u2026 Estamos sozinhos, sem apoio e sem defesa? Deus n\u00e3o se interessa minimamente por n\u00f3s? O profeta Ezequiel garantia aos exilados de Jud\u00e1 que Deus iria ajud\u00e1-los a \u201csair do sepulcro\u201d e traz\u00ea-los de volta \u00e0 terra nova da liberdade e da esperan\u00e7a. Como \u00e9 que isto nos soa? Acreditamos que Deus \u00e9 capaz de \u201cescrever direito por linhas tortas\u201d e tirar vida da morte? Apesar dos \u201cacidentes\u201d que a vida insiste em trazer-nos, conseguimos sentir a m\u00e3o de Deus que nos segura e que nos d\u00e1 confian\u00e7a?<\/li>\n<li>Pela voz prof\u00e9tica de Ezequiel, Deus dizia ao seu povo: \u201cinfundirei em v\u00f3s o meu esp\u00edrito e revivereis\u201d. Sim, Deus est\u00e1 mesmo disposto a fazer-nos \u201csair do sepulcro\u201d em que muitas vezes nos deixamos encerrar. Esse esp\u00edrito que Ele nos promete pode renovar-nos e transformar-nos: \u00e9 o Esp\u00edrito de Deus que elimina dos nossos cora\u00e7\u00f5es o ego\u00edsmo, o orgulho, a ambi\u00e7\u00e3o, a autossufici\u00eancia, a maldade, tudo isso que estraga a nossa vida; \u00e9 o Esp\u00edrito de Deus que gera nos nossos cora\u00e7\u00f5es sentimentos de bondade, de generosidade, de miseric\u00f3rdia, de amor\u2026 Deus, no entanto, nunca for\u00e7ar\u00e1 a nossa vontade, nunca nos obrigar\u00e1 a uma transforma\u00e7\u00e3o que n\u00e3o queremos aceitar. Queremos acolher o Esp\u00edrito de Deus? Existe em n\u00f3s uma vontade sincera de nos deixarmos transformar por Ele?<\/li>\n<li>\u00c9 Deus que vem em nosso aux\u00edlio para nos tirar dos \u201ct\u00famulos\u201d onde estamos encerrados; \u00e9 Deus que infunde em n\u00f3s o seu Esp\u00edrito, esse Esp\u00edrito que nos transforma, que nos renova, que nos faz reviver\u2026 No entanto Deus, tantas e tantas vezes, vem ao nosso encontro atrav\u00e9s de pessoas \u2013 como Ezequiel \u2013 que nos oferecem, em gestos concretos, a bondade, a miseric\u00f3rdia, a vida e o amor de Deus. Deus age no mundo e na vida dos homens atrav\u00e9s dos seus enviados. Talvez Deus tamb\u00e9m conte connosco para sermos, junto dos nossos irm\u00e3os, testemunhas e sinais da sua bondade e do seu amor. Dispomo-nos a colaborar com Deus e a gastar algum do nosso tempo a \u201ccurar\u201d os males que ferem os irm\u00e3os que caminham ao nosso lado? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>SALMO 129 (130)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: No Senhor est\u00e1 a miseric\u00f3rdia e abundante reden\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: No Senhor est\u00e1 a miseric\u00f3rdia, no Senhor est\u00e1 a plenitude da reden\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Do profundo abismo chamo por V\u00f3s, Senhor,<br \/>\nSenhor, escutai a minha voz.<br \/>\nEstejam os vossos ouvidos atentos<br \/>\n\u00e0 voz da minha s\u00faplica.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se tiverdes em conta as nossas faltas,<br \/>\nSenhor, quem poder\u00e1 salvar-se?<br \/>\nMas em V\u00f3s est\u00e1 o perd\u00e3o,<br \/>\npara Vos servirmos com rever\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu confio no Senhor,<br \/>\na minha alma espera na sua palavra.<br \/>\nA minha alma espera pelo Senhor<br \/>\nmais do que as sentinelas pela aurora.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Porque no Senhor est\u00e1 a miseric\u00f3rdia<br \/>\ne com Ele abundante reden\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEle h\u00e1 de libertar Israel<br \/>\nde todas as suas faltas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Romanos 8,8-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nOs que vivem segundo a carne n\u00e3o podem agradar a Deus.<br \/>\nV\u00f3s n\u00e3o estais sob o dom\u00ednio da carne, mas do Esp\u00edrito,<br \/>\nse \u00e9 que o Esp\u00edrito de Deus habita em v\u00f3s.<br \/>\nMas, se algu\u00e9m n\u00e3o tem o Esp\u00edrito de Cristo,<br \/>\nn\u00e3o Lhe pertence.<br \/>\nSe Cristo est\u00e1 em v\u00f3s,<br \/>\nembora o vosso corpo seja mortal por causa do pecado,<br \/>\no esp\u00edrito permanece vivo por causa da justi\u00e7a.<br \/>\nE, se o Esp\u00edrito d\u2019Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos<br \/>\nhabita em v\u00f3s,<br \/>\nEle, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos,<br \/>\ntamb\u00e9m dar\u00e1 vida aos vossos corpos mortais,<br \/>\npelo seu Esp\u00edrito que habita em v\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em meados do s\u00e9c. I, Roma era a maior cidade do mundo, com aproximadamente um milh\u00e3o de habitantes. Neste n\u00famero estavam inclu\u00eddos cerca de 50.000 judeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Provavelmente, o cristianismo chegou a Roma levado por judeus palestinos convertidos ao Evangelho de Jesus. Uma antiga tradi\u00e7\u00e3o diz que foi Pedro quem anunciou o Evangelho em Roma, por volta do ano 42, e que da sua prega\u00e7\u00e3o resultou uma florescente comunidade crist\u00e3. No entanto, n\u00e3o temos evid\u00eancias que comprovem esta tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Paulo escreveu a sua Carta aos Romanos por volta do ano 57 ou 58. Estava, por essa altura, prestes a terminar a sua terceira viagem mission\u00e1ria. Sentia que tinha conclu\u00eddo a sua miss\u00e3o no Mediterr\u00e2neo oriental, pois as igrejas que fundara e acompanhara nessas paragens estavam organizadas e j\u00e1 podiam caminhar por si pr\u00f3prias. Depois disso, Paulo tinha a inten\u00e7\u00e3o de anunciar o Evangelho no ocidente: queria passar por Roma, deter-se algum tempo nessa cidade e viajar depois para a Espanha para a\u00ed dar testemunho de Jesus (cf. Rm 15,24-28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao dirigir-se por carta aos crist\u00e3os de Roma, Paulo pretendia estabelecer la\u00e7os com eles; mas tamb\u00e9m aproveitou a oportunidade para lhes apresentar os principais problemas que ent\u00e3o o preocupavam, entre os quais sobressa\u00eda a quest\u00e3o da unidade. Tratava-se de um problema que se sentia um pouco por todo o lado e que tamb\u00e9m inquietava a jovem comunidade crist\u00e3 de Roma, afetada por dificuldades de relacionamento entre crist\u00e3os de origem judaica e crist\u00e3os vindos do mundo greco-romano. Com serenidade e lucidez, evitando qualquer pol\u00e9mica, Paulo exp\u00f4s aos crist\u00e3os de Roma as linhas mestras do Evangelho que anunciava. A Carta aos Romanos \u00e9 uma esp\u00e9cie de resumo da teologia paulina e, do ponto de vista teol\u00f3gico, o escrito mais completo de Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na primeira parte da Carta (cf. Rm 1,18-11,36), Paulo vai fazer notar aos crist\u00e3os divididos que o Evangelho \u00e9 a for\u00e7a que congrega e que salva todo o crente, sem distin\u00e7\u00e3o de judeu, grego ou romano. Embora o pecado seja uma realidade universal, que afeta todos os homens (cf. Rm 1,18-3,20), a \u201cjusti\u00e7a de Deus\u201d d\u00e1 vida a todos, sem distin\u00e7\u00e3o (cf. Rm 3,1-5,11); e \u00e9 em Jesus Cristo que essa vida se comunica e que transforma o homem (cf. Rm 5,12-8,39). Batizado em Cristo, o crist\u00e3o morre para o pecado e nasce para uma vida nova. Passa a ser conduzido pelo Esp\u00edrito e torna-se filho de Deus; libertado do pecado e da morte, produz frutos de santifica\u00e7\u00e3o e caminha para a Vida eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O nosso texto integra a primeira parte da Carta. Refere-se \u00e0 \u201cvida nova\u201d daqueles que aderiram a Jesus e vivem \u201cno Esp\u00edrito\u201d. Todo o cap\u00edtulo oitavo \u00e9 dedicado \u00e0 vida no Esp\u00edrito. \u00c9 uma das mais ricas e mais belas p\u00e1ginas da catequese paulina. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jesus, ao despedir-se dos disc\u00edpulos, enviou-os a \u201cbatizar em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo\u201d (\u201cide, pois, fazei disc\u00edpulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado\u201d \u2013 Mt 28,19). O momento do batismo ficou a ser, para os que seguidores a Jesus, o momento da op\u00e7\u00e3o pela proposta de Jesus, pela \u201cvida no Esp\u00edrito\u201d. \u00c9 poss\u00edvel que tenhamos sido batizados quando ainda n\u00e3o t\u00ednhamos consci\u00eancia das coisas e que, mais tarde, n\u00e3o tenhamos tido vontade ou oportunidade de \u201cvalidar\u201d essa op\u00e7\u00e3o inicial; \u00e9 poss\u00edvel, tamb\u00e9m, que as nossas op\u00e7\u00f5es de vida nos tenham levado por caminhos diferentes e que hoje, de forma consciente nos sintamos afastados dessa \u201cvida no Esp\u00edrito\u201d de que fala Paulo\u2026 N\u00f3s, os que fomos batizados e que estamos contentes com essa op\u00e7\u00e3o, temos procurado viver de forma coerente a nossa voca\u00e7\u00e3o batismal e caminhamos \u201cno Esp\u00edrito\u201d? N\u00f3s os que fomos batizados, mas depois nos desleixamos e deixamos de dar import\u00e2ncia ao seguimento de Jesus, n\u00e3o gostar\u00edamos de renovar o nosso compromisso batismal, de retomar o nosso contacto com Jesus e de viver de forma coerente com a op\u00e7\u00e3o que fizemos quando fomos batizados? N\u00f3s os que desistimos de Jesus e optamos conscientemente por outros caminhos, n\u00e3o estar\u00edamos interessados em redescobrir a beleza de \u201cviver no Esp\u00edrito\u201d, de procurar um sentido e uma realiza\u00e7\u00e3o mais completa da nossa vida?<\/li>\n<li>O ap\u00f3stolo Paulo assegura aos crist\u00e3os de Roma que quem escolheu identificar-se com Cristo \u2013 isto \u00e9, viver na obedi\u00eancia aos planos do Pai e no dom da vida em favor dos irm\u00e3os \u2013 est\u00e1 destinado a encontrar uma vida nova e plena, uma \u201cvida eterna\u201d. Aquilo que aconteceu com Cristo aponta exatamente nesse sentido. Ele recusou o ego\u00edsmo e a autossufici\u00eancia e escolheu cumprir o plano do Pai at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias; Ele amou os seus irm\u00e3os at\u00e9 ao extremo e quis dar a pr\u00f3pria vida para derrotar a injusti\u00e7a, a viol\u00eancia, a maldade, a arrog\u00e2ncia, a morte. Apesar de ter sofrido o vexame da cruz, na manh\u00e3 de P\u00e1scoa saiu vitorioso do t\u00famulo, foi glorificado e sentou-se \u00e0 direita do Pai. Jesus mostrou-nos que uma vida vivida \u201cno Esp\u00edrito\u201d n\u00e3o termina no fracasso e na morte, mas aponta \u00e0 vida definitiva, \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o plena, \u00e0 vida eterna. Evidentemente, a nossa vida nesta terra h\u00e1 de ter um fim; mas o Esp\u00edrito que ressuscitou Jesus far-nos-\u00e1 viver eternamente como filhos de Deus. Acreditamos nisto? A certeza dessa vida nova que nos espera d\u00e1-nos \u00e2nimo para, ao longo do caminho que percorremos na terra, fazermos escolhas segundo o Esp\u00edrito? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 11,1-45<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nestava doente certo homem, L\u00e1zaro de Bet\u00e2nia,<br \/>\naldeia de Marta e de Maria, sua irm\u00e3.<br \/>\nMaria era aquela que tinha ungido o Senhor com perfume<br \/>\ne Lhe tinha enxugado os p\u00e9s com os cabelos.<br \/>\nEra seu irm\u00e3o L\u00e1zaro que estava doente.<br \/>\nAs irm\u00e3s mandaram ent\u00e3o dizer a Jesus:<br \/>\n\u00abSenhor, o teu amigo est\u00e1 doente\u00bb.<br \/>\nOuvindo isto, Jesus disse:<br \/>\n\u00abEssa doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 mortal, mas \u00e9 para a gl\u00f3ria de Deus,<br \/>\npara que por ela seja glorificado o Filho do homem\u00bb.<br \/>\nJesus era amigo de Marta, de sua irm\u00e3 e de L\u00e1zaro.<br \/>\nEntretanto, depois de ouvir dizer que ele estava doente,<br \/>\nficou ainda dois dias no local onde Se encontrava.<br \/>\nDepois disse aos disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abVamos de novo para a Judeia\u00bb.<br \/>\nOs disc\u00edpulos disseram-Lhe:<br \/>\n\u00abMestre, ainda h\u00e1 pouco os judeus procuravam apedrejar-Te<br \/>\ne voltas para l\u00e1?\u00bb<br \/>\nJesus respondeu:<br \/>\n\u00abN\u00e3o s\u00e3o doze as horas do dia?<br \/>\nSe algu\u00e9m andar de dia, n\u00e3o trope\u00e7a,<br \/>\nporque v\u00ea a luz deste mundo.<br \/>\nMas se andar de noite, trope\u00e7a,<br \/>\nporque n\u00e3o tem luz consigo\u00bb.<br \/>\nDito isto, acrescentou:<br \/>\n\u00abO nosso amigo L\u00e1zaro dorme, mas Eu vou despert\u00e1-lo\u00bb.<br \/>\nDisseram ent\u00e3o os disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abSenhor, se dorme, est\u00e1 salvo\u00bb.<br \/>\nJesus referia-se \u00e0 morte de L\u00e1zaro,<br \/>\nmas eles entenderam que falava do sono natural.<br \/>\nDisse-lhes ent\u00e3o Jesus abertamente:<br \/>\n\u00abL\u00e1zaro morreu;<br \/>\npor vossa causa, alegro-Me de n\u00e3o ter estado l\u00e1,<br \/>\npara que acrediteis.<br \/>\nMas, vamos ter com ele\u00bb.<br \/>\nTom\u00e9, chamado D\u00eddimo, disse aos companheiros:<br \/>\n\u00abVamos n\u00f3s tamb\u00e9m, para morrermos com Ele\u00bb.<br \/>\nAo chegar, Jesus encontrou o amigo sepultado havia quatro dias.<br \/>\nBet\u00e2nia distava de Jerusal\u00e9m cerca de tr\u00eas quil\u00f3metros.<br \/>\nMuitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria,<br \/>\npara lhes apresentar condol\u00eancias pela morte do irm\u00e3o.<br \/>\nQuando ouviu dizer que Jesus estava a chegar,<br \/>\nMarta saiu ao seu encontro,<br \/>\nenquanto Maria ficou sentada em casa.<br \/>\nMarta disse a Jesus:<br \/>\n\u00abSenhor, se tivesses estado aqui,<br \/>\nmeu irm\u00e3o n\u00e3o teria morrido.<br \/>\nMas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus,<br \/>\nDeus To conceder\u00e1\u00bb.<br \/>\nDisse-lhe Jesus: \u00abTeu irm\u00e3o ressuscitar\u00e1\u00bb.<br \/>\nMarta respondeu:<br \/>\n\u00abEu sei que h\u00e1 de ressuscitar na ressurrei\u00e7\u00e3o, no \u00faltimo dia\u00bb.<br \/>\nDisse-lhe Jesus:<br \/>\n\u00abEu sou a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida.<br \/>\nQuem acredita em Mim,<br \/>\nainda que tenha morrido, viver\u00e1;<br \/>\nE todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrer\u00e1.<br \/>\nAcreditas nisto?\u00bb<br \/>\nDisse-Lhe Marta:<br \/>\n\u00abAcredito, Senhor, que Tu \u00e9s o Messias, o Filho de Deus,<br \/>\nque havia de vir ao mundo\u00bb.<br \/>\nDito isto, retirou-se e foi chamar Maria,<br \/>\na quem disse em segredo:<br \/>\n\u00abO Mestre est\u00e1 ali e manda-te chamar\u00bb.<br \/>\nLogo que ouviu isto, Maria levantou-se e foi ter com Jesus.<br \/>\nJesus ainda n\u00e3o tinha chegado \u00e0 aldeia,<br \/>\nmas estava no lugar em que Marta viera ao seu encontro.<br \/>\nEnt\u00e3o os judeus que estavam com Maria em casa<br \/>\npara lhe apresentar condol\u00eancias,<br \/>\nao verem-na levantar-se e sair rapidamente,<br \/>\nseguiram-na, pensando que se dirigia ao t\u00famulo para chorar.<br \/>\nQuando chegou aonde estava Jesus,<br \/>\nMaria, logo que O viu, caiu-Lhe aos p\u00e9s e disse-Lhe:<br \/>\n\u00abSenhor, se tivesses estado aqui,<br \/>\nmeu irm\u00e3o n\u00e3o teria morrido\u00bb.<br \/>\nJesus, ao v\u00ea-la chorar,<br \/>\ne vendo chorar tamb\u00e9m os judeus que vinham com ela,<br \/>\ncomoveu-Se profundamente e perturbou-Se.<br \/>\nDepois perguntou: \u00abOnde o pusestes?\u00bb<br \/>\nResponderam-Lhe: \u00abVem ver, Senhor\u00bb.<br \/>\nE Jesus chorou.<br \/>\nDiziam ent\u00e3o os judeus:<br \/>\n\u00abVede como era seu amigo\u00bb.<br \/>\nMas alguns deles observaram:<br \/>\n\u00abEnt\u00e3o Ele, que abriu os olhos ao cego,<br \/>\nn\u00e3o podia tamb\u00e9m ter feito que este homem n\u00e3o morresse?\u00bb<br \/>\nEntretanto, Jesus, intimamente comovido, chegou ao t\u00famulo.<br \/>\nEra uma gruta, com uma pedra posta \u00e0 entrada.<br \/>\nDisse Jesus: \u00abTirai a pedra\u00bb.<br \/>\nRespondeu Marta, irm\u00e3 do morto:<br \/>\n\u00abJ\u00e1 cheira mal, Senhor, pois morreu h\u00e1 quatro dias\u00bb.<br \/>\nDisse Jesus:<br \/>\n\u00abEu n\u00e3o te disse que, se acreditasses,<br \/>\nverias a gl\u00f3ria de Deus?\u00bb<br \/>\nTiraram ent\u00e3o a pedra.<br \/>\nJesus, levantando os olhos ao C\u00e9u, disse:<br \/>\n\u00abPai, dou-Te gra\u00e7as por Me teres ouvido.<br \/>\nEu bem sei que sempre Me ouves,<br \/>\nmas falei assim por causa da multid\u00e3o que nos cerca,<br \/>\npara acreditarem que Tu Me enviaste\u00bb.<br \/>\nDito isto, bradou com voz forte:<br \/>\n\u00abL\u00e1zaro, sai para fora\u00bb.<br \/>\nO morto saiu, de m\u00e3os e p\u00e9s enfaixados com ligaduras<br \/>\ne o rosto envolvido num sud\u00e1rio.<br \/>\nDisse-lhes Jesus:<br \/>\n\u00abDesligai-o e deixai-o ir\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o muitos judeus, que tinham ido visitar Maria,<br \/>\nao verem o que Jesus fizera, acreditaram n\u2019Ele.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Quarto Evangelho, escrito por volta do ano 100, \u00e9 um belo ponto de chegada da reflex\u00e3o cristol\u00f3gica feita ao longo do s\u00e9c. I. Na sua g\u00e9nese estar\u00e1, certamente, o testemunho do ap\u00f3stolo Jo\u00e3o; mas o livro conserva a reflex\u00e3o que a comunidade jo\u00e2nica (provavelmente a comunidade crist\u00e3 de \u00c9feso) desenvolveu sobre Jesus a partir do testemunho deixado pelo ap\u00f3stolo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O livro \u00e9 de uma grande riqueza e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil definir a sua estrutura. Mas diversos estudiosos do Quarto Evangelho fazem quest\u00e3o de dividi-lo em duas partes: o \u201cLivro dos Sinais\u201d (cf. Jo 4,1-11,54) e o \u201cLivro da Hora\u201d (cf. Jo 11,55-19,42). No \u201cLivro dos Sinais\u201d s\u00e3o-nos apresentadas diversas \u201ccatequeses\u201d \u2013 recorrendo a \u201csinais\u201d como a \u00e1gua (cf. Jo 4,1-5,47), o p\u00e3o (cf. Jo 6,1-71), a luz (cf. Jo 7,1-9,41), o pastor (cf. Jo 10,1-42), a vida que vence a morte (cf. Jo 11,1-56) \u2013 que mostram como o Messias, agindo de acordo com o projeto de Deus, faz nascer um Homem Novo, um Homem que vive segundo Deus. No \u201clivro da Hora\u201d, o Messias encaminha-se para a cruz e, oferece a pr\u00f3pria vida por amor. Com a sua entrega, Ele mostra aos homens como devem viver e como devem amar. Os que aprendem com Jesus a li\u00e7\u00e3o do amor e se disp\u00f5em a viver como Ele viveu, formar\u00e3o a nova comunidade, a Igreja de Jesus, vivificada pela \u00e1gua (batismo) e pelo sangue (eucaristia) que brotam do cora\u00e7\u00e3o de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A narrativa da ressurrei\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro integra o \u201cLivro dos Sinais\u201d. \u00c9 a quinta \u201ccatequese\u201d que esse \u201clivro\u201d nos oferece. Trata-se de uma narra\u00e7\u00e3o \u00fanica, que n\u00e3o tem paralelo nos outros tr\u00eas Evangelhos. Prop\u00f5e Jesus como aquele que \u00e9 capaz de dar aos que a Ele aderem uma vida que supera a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena situa-nos em Bet\u00e2nia, uma aldeia situada no lado oriental do monte das Oliveiras, a cerca de 2.700 metros de Jerusal\u00e9m. Atualmente a localidade tem o nome de El-Azariyeh, nome derivado de L\u00e1zaro. Quem a visita pode descer, ainda hoje, os vinte e quatro degraus que conduzem a um espa\u00e7o onde a tradi\u00e7\u00e3o situa o t\u00famulo de L\u00e1zaro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O autor da catequese coloca-nos diante de um epis\u00f3dio \u2013 um triste epis\u00f3dio \u2013 familiar: a morte de um homem. A fam\u00edlia em quest\u00e3o, constitu\u00edda por tr\u00eas pessoas (Marta, Maria e L\u00e1zaro), parece conhecida de Jesus: em Jo 11,5 diz-se que Jesus \u201cera amigo\u201d de Marta, de sua irm\u00e3 (Maria) e de L\u00e1zaro. A visita de Jesus a casa desta fam\u00edlia \u00e9, ali\u00e1s, mencionada em Lc 10,38-42; e Jo\u00e3o tem o cuidado de observar que a Maria, aqui referenciada, \u00e9 a mesma que tinha ungido o Senhor com perfume e lhe tinha enxugado os p\u00e9s com os cabelos (cf. Jo 11,2, cf. Jo 12,1-8). <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>H\u00e1 em cada um de n\u00f3s um desejo insaci\u00e1vel de vida e, por isso, passamos cada instante a lutar por mais e mais vida. Agarramo-nos \u00e0 ci\u00eancia e, sobretudo, \u00e0 medicina para prolongarmos a nossa vida biol\u00f3gica tanto quanto poss\u00edvel. Contudo, apesar de todas as possibilidades que a ci\u00eancia nos oferece para vencer as dores e enfermidades, deparamo-nos a cada instante com a nossa finitude, os nossos limites, o \u201ctempo curto\u201d da nossa caminhada aqui na terra. Sentimo-nos impotentes diante de uma realidade \u2013 a morte \u2013 que n\u00e3o podemos controlar e que parece p\u00f4r um ponto final nos nossos melhores sonhos, anseios, desejos, projetos e realiza\u00e7\u00f5es. Porque \u00e9 que n\u00e3o podemos prolongar para sempre a nossa vida? Porque \u00e9 que temos de a certa altura, deixar aqueles que mais amamos? Que vai ser de n\u00f3s quando se esgotar o nosso tempo aqui na terra? O que podemos fazer diante da realidade da morte? Muitos recusam-se a pensar nestas quest\u00f5es e limitam-se a aproveitar cada instante da exist\u00eancia o melhor poss\u00edvel, sem terem em conta qualquer horizonte futuro. Mas podemos, simplesmente, viver cada dia sem assumirmos uma atitude consciente e respons\u00e1vel sobre o nosso fim \u00faltimo, a realidade que nos espera depois da nossa peregrina\u00e7\u00e3o pela terra? Como equacionamos estas quest\u00f5es? Como nos situamos face a elas?<\/li>\n<li>O autor do Quarto Evangelho oferece-nos hoje uma catequese sobre a tem\u00e1tica da morte e da vida. A partir dos acontecimentos que enlutaram uma fam\u00edlia amiga de Jesus (a morte de um homem chamado L\u00e1zaro, um dos membros dessa fam\u00edlia), o nosso catequista diz-nos que a nossa vida nesta terra ter\u00e1 um fim e que isso \u00e9 inevit\u00e1vel. Trata-se de algo que resulta da nossa finitude, dos nossos limites, da nossa debilidade, da nossa condi\u00e7\u00e3o de criaturas. Mas a incontorn\u00e1vel morte biol\u00f3gica n\u00e3o ser\u00e1 o nosso fim, a \u00faltima palavra de Deus sobre n\u00f3s. Aquilo a que chamamos \u201cmorte\u201d ser\u00e1 uma esp\u00e9cie de \u201csono\u201d do qual acordaremos nos bra\u00e7os amorosos do nosso Pai do c\u00e9u. O crente n\u00e3o sabe mais do que os outros homens, nem tem uns \u00f3culos especiais para ver aquilo que os outros homens n\u00e3o conseguem ver; mas o crente aproxima-se da morte f\u00edsica com uma confian\u00e7a radical na bondade, na miseric\u00f3rdia e no amor de Deus\u2026 Portanto, o crente acredita que a morte f\u00edsica n\u00e3o \u00e9 destrui\u00e7\u00e3o e aniquila\u00e7\u00e3o, mas sim a passagem para Deus, para a vida definitiva. Jesus, depois de dialogar com Marta, irm\u00e3 de L\u00e1zaro, sobre esse horizonte de eternidade, perguntava-lhe: \u201cacreditas nisto?\u201d E n\u00f3s, acreditamos nisto?<\/li>\n<li>O \u201ccatequista\u201d que nos conta a hist\u00f3ria de L\u00e1zaro, est\u00e1 convicto do poder salvador de Jesus. A sua certeza de que Jesus \u00e9 fonte de vida \u00e9 t\u00e3o grande que, a certa altura, p\u00f5e na boca de Jesus as seguintes palavras: \u201cEu sou a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viver\u00e1; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrer\u00e1\u201d. O que \u00e9 \u201cacreditar\u201d em Jesus? \u00c9 aderir a Ele, escutar e acolher as suas palavras, viver ao seu estilo, assumir os seus valores, segui-l\u2019O no caminho do amor, do servi\u00e7o, do dom da pr\u00f3pria vida. Ora, foi precisamente essa a op\u00e7\u00e3o que fizemos no dia do nosso batismo: \u201cacreditar\u201d em Jesus; e, ao faz\u00ea-lo, escolhemos essa vida plena e definitiva que Jesus oferece aos seus e que lhes garante a vida eterna. J\u00e1 agora: temos vivido de forma coerente com essa op\u00e7\u00e3o? Vivemos conscientes de que a fidelidade a Jesus \u00e9 fonte de vida eterna?<\/li>\n<li>O adeus definitivo a uma pessoa que nos \u00e9 querida e que a morte nos arrebata mergulha-nos sempre numa dor sem rem\u00e9dio. Porque temos de perder aqueles que amamos e que enchem as nossas vidas de luz? A aus\u00eancia, a saudade, deixam-nos um enorme vazio, um vazio que n\u00e3o conseguimos preencher sen\u00e3o com l\u00e1grimas. \u00c9 mesmo assim: essas l\u00e1grimas s\u00e3o o pre\u00e7o do amor. O pr\u00f3prio Jesus, diante da \u201cpartida\u201d do seu amigo L\u00e1zaro, chorou. A nossa rela\u00e7\u00e3o com aquela pessoa que am\u00e1vamos estar\u00e1 definitivamente terminada? O adeus que lhe dissemos ser\u00e1 um adeus at\u00e9 nunca mais? Jesus, depois de chorar pelo seu amigo L\u00e1zaro, chegou ao sepulcro onde L\u00e1zaro estava e mandou tirar aquela pedra que separava o mundo dos mortos do mundo dos vivos. Queria, talvez, dizer que essa separa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha sentido. Avisaram-no de que L\u00e1zaro estava morto h\u00e1 quatro dias e que \u201cj\u00e1 cheirava mal\u201d. Jesus limita-se a gritar: \u201cL\u00e1zaro, sai. E, \u00e0 voz de Jesus, L\u00e1zaro sai para mostrar a todos que est\u00e1 vivo. Tem os p\u00e9s e as m\u00e3os \u201cenfaixados com ligaduras e o rosto envolvido num sud\u00e1rio\u201d. Traz consigo os sinais e as ligaduras da morte. No entanto, sai do sepulcro pelo seu pr\u00f3prio p\u00e9. L\u00e1zaro, sepultado h\u00e1 quatro dias, est\u00e1 vivo. O que \u00e9 que o nosso \u201ccatequista\u201d quer dizer com isto? Simplesmente que os nossos queridos mortos, aqueles de quem nos despedimos e abandonamos num sepulcro, est\u00e3o vivos! Deus n\u00e3o os abandonou. Conscientes disso, retiremos a \u201cpedra\u201d que nos afasta dos que j\u00e1 partiram. N\u00e3o os perdemos. Eles est\u00e3o vivos. De junto de Deus, eles continuam a acompanhar-nos e a amar-nos. Isso n\u00e3o ser\u00e1, para n\u00f3s, motivo de consola\u00e7\u00e3o e de esperan\u00e7a?<\/li>\n<li>Estamos a percorrer o \u201ccaminho quaresmal\u201d, o caminho que nos leva em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 P\u00e1scoa, \u00e0 vida nova, \u00e0 Ressurrei\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma boa oportunidade para redescobrirmos o compromisso que assumimos no dia do nosso batismo e para redirecionarmos o sentido da nossa exist\u00eancia. Talvez as nossas m\u00e3os, os nossos p\u00e9s, o nosso cora\u00e7\u00e3o, estejam enfaixados por ligaduras que nos prendem na morte e que nos impedem de sair dos t\u00famulos sujos em que nos deixamos encerrar pelo nosso ego\u00edsmo, pelo nosso comodismo, pelo nosso orgulho, pela nossa ambi\u00e7\u00e3o, pela nossa autossufici\u00eancia\u2026 Talvez necessitemos de prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 voz de Jesus que nos chama (\u201cL\u00e1zaro, sai) e que nos convida a come\u00e7ar uma vida nova, uma vida gloriosa e cheia de sentido. Quais s\u00e3o as \u201cataduras\u201d que nos mant\u00eam agarrados a uma vida de sombras e de escravid\u00f5es? Nesta P\u00e1scoa, estamos dispostos a ressuscitar com Jesus e a passar com Ele da morte para a vida? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A brevidade da <strong>primeira leitura<\/strong> n\u00e3o deve permitir descurar a sua prepara\u00e7\u00e3o. Deus dirige-se ao Seu povo e a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ter isso em conta. Al\u00e9m disso, pede-se aten\u00e7\u00e3o \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o do vocativo \u00ab\u00f3 meu povo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>segunda leitura<\/strong> exige uma acurada prepara\u00e7\u00e3o tendo em conta as pausas e respira\u00e7\u00f5es. \u00c9 necess\u00e1rio ter em aten\u00e7\u00e3o as frases longas, com diversas ora\u00e7\u00f5es, bem como as diversas frases condicionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Leitura-I-do-Domingo-V-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-22.03.2026-Ezequiel-37-12-14.pdf\">Leitura I do Domingo V do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 22.03.2026 (Ezequiel 37, 12-14)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Leitura-II-do-Domingo-V-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-22.03.2026-Romanos-8-8-11.pdf\">Leitura II do Domingo V do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 22.03.2026 (Romanos 8, 8-11)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Domingo-V-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-22.03.2026-Lecionario.pdf\">Domingo V do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 22.03.2026 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Domingo-V-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-22.03.2026-Oracao-Universal.pdf\">Domingo V do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 22.03.2026 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Domingo-V-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-22.03.2026-refletindo.pdf\">Domingo V do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 22.03.2026 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-V-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-22.03.2026.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo V do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 22.03.2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Mensagem-de-SS-Papa-Leao-XIV-para-a-Quaresma-de-2026.pdf\">Mensagem de SS Papa Le\u00e3o XIV para a Quaresma de 2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo IV do Tempo da Quaresma \u2013 Ano A \u2013 15.03.2026&#8243; tab_id=&#8221;1774257545469-9b48f052-760b&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4>Domingo IV do Tempo da Quaresma \u2013 Ano A \u2013 15.03.2026<\/h4>\n<figure id=\"attachment_12653\" aria-describedby=\"caption-attachment-12653\" style=\"width: 821px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12653 size-full\" style=\"color: inherit; font-family: inherit; font-size: inherit;\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Domingo-IV.jpg\" alt=\"\" width=\"821\" height=\"448\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12653\" class=\"wp-caption-text\">\u201cDito isto, cuspiu em terra, fez com a saliva um pouco de lodo e ungiu os olhos do cego.<br \/>Depois disse-lhe: \u00abVai lavar-te \u00e0 piscina de Silo\u00e9\u00bb; Silo\u00e9 quer dizer \u00abEnviado\u00bb.<br \/>Ele foi, lavou-se e ficou a ver.\u201d<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O ser humano pela sua conting\u00eancia faz a experi\u00eancia do limite e da insatisfa\u00e7\u00e3o. Quantas vezes j\u00e1 nos lamentamos por algo que nos faz falta ou por vermos alguns irm\u00e3os nossos que muitas vezes n\u00e3o possuem o necess\u00e1rio para uma vida digna. Contudo, n\u00e3o obstante esta experi\u00eancia, ousamos cantar com o salmista: \u00ab<em>O Senhor \u00e9 meu pastor: nada me faltar\u00e1<\/em>\u00bb. Este aparente paradoxo deve conduzir-nos \u00e0 raiz das nossas insatisfa\u00e7\u00f5es e renovar no nosso cora\u00e7\u00e3o a certeza que o salmista proclama. O caminho quaresmal que estamos a percorrer e que nos conduzir\u00e1 \u00e0 P\u00e1scoa do Senhor recorda-nos a nossa condi\u00e7\u00e3o de peregrinos e este itiner\u00e1rio de convers\u00e3o e penit\u00eancia deve ajudar-nos a fazer a passagem de uma condi\u00e7\u00e3o de insatisfa\u00e7\u00e3o a uma renovada confian\u00e7a Naquele que conduz o curso da nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Revestidos desta confian\u00e7a podemos caminhar iluminadas pela luz que brota do cora\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo e abrir a nossa vida \u00e0 alegria nova que s\u00f3 Jesus e o Seu infinito amor nos podem oferecer e garantir. Este quarto Domingo da Quaresma quer renovar no nosso cora\u00e7\u00e3o o chamamento \u00e0 alegria e, por isso, a ant\u00edfona de entrada da missa deste Domingo proclama: \u00ab<em>Alegra-te, Jerusal\u00e9m; rejubilai, todos os seus amigos<\/em>\u00bb. O tempo da Quaresma \u00e9 o tempo alegre e feliz de quem v\u00ea a sua vida renovada pela certeza do amor de Deus que nos escolhe para l\u00e1 das nossas apar\u00eancias. Deus conhece bem o nosso cora\u00e7\u00e3o, conhece a cegueira que tantas vezes nos impede de olhar o mundo e os outros. Contudo, Jesus n\u00e3o se det\u00e9m a olhar o nosso pecado e a nossa mis\u00e9ria, mas fixa-se sobretudo naquilo que o amor e a gra\u00e7a podem realizar em n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sempre me fascinou ler o Evangelho fixando a aten\u00e7\u00e3o no olhar de Jesus. Aquele olhar misericordioso que diante das multid\u00f5es se compadece delas porque s\u00e3o como ovelhas sem pastor (Mt 9,36). O olhar que se volta para o C\u00e9u para louvar o Pai que revela as verdades do Reino aos humildes e aos simples (Mt 11,25). O erguer do olhar para o cimo da \u00e1rvore e procurar Zaqueu para que a salva\u00e7\u00e3o possa entrar em sua casa (Lc 19,5). E poder\u00edamos continuar a percorrer o Evangelho para nos deixarmos fascinar por este olhar que nos seduz e encanta porque nos olha com miseric\u00f3rdia e ternura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Bem diferente do olhar de Jesus \u00e9 o olhar dos disc\u00edpulos e dos fariseus. Os disc\u00edpulos olham para aquele homem e procuram o pecado que tenha desencadeado aquela cegueira: \u00ab<em>Mestre, quem \u00e9 que pecou para ele nascer cego? Ele ou os seus pais?<\/em>\u00bb. Os fariseus, diante de um homem que pela primeira vez consegue ver o mundo e os outros, olham-no com desconfian\u00e7a porque foi curado em dia de S\u00e1bado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por seu lado, aquele cego de nascen\u00e7a, curado por Jesus, come\u00e7a a ver de um modo novo e diferente e progressivamente deixa-se iluminar pela luz nova que Jesus lhe oferece. Quando lhe perguntam, pela primeira vez, quem o curou, responde com prontid\u00e3o que foi um homem chamado Jesus. Interpelado pelos fariseus declara Jesus como um profeta e interrogado de novo reafirma a sua origem divina: \u00ab<em>Se Ele n\u00e3o viesse de Deus, nada podia fazer<\/em>\u00bb. Interpelado por Jesus, professa a sua f\u00e9 no Filho do Homem: \u00ab<em>Eu creio, Senhor<\/em>\u00bb. Deste modo, este homem n\u00e3o recupera apenas a sua vis\u00e3o f\u00edsica, mas pode contemplar o mundo e os outros com o olhar novo que brota do encontro com Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No nosso caminho quaresmal, somos convidados a renovar no nosso cora\u00e7\u00e3o a alegria do encontro com Jesus, a acolher a luz que Ele derrama sobre os nossos cora\u00e7\u00f5es e a olhar de um modo novo aqueles que se cruzam connosco na estrada da vida, porque como nos recorda S. Paulo: \u00ab<em>outrora v\u00f3s \u00e9reis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz, porque o fruto da luz \u00e9 a bondade, a justi\u00e7a e a verdade<\/em> <strong><em>in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + <\/em><\/strong><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>Estamos no Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanhamos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>1 Sam 16,1b.6-7.10-13a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura do Primeiro Livro de Samuel<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\no Senhor disse a Samuel:<br \/>\n\u00abEnche o corno de \u00f3leo e parte.<br \/>\nVou enviar-te a Jess\u00e9 de Bel\u00e9m,<br \/>\npois escolhi um rei entre os seus filhos\u00bb.<br \/>\nQuando chegou, Samuel viu Eliab e pensou consigo:<br \/>\n\u00abCertamente \u00e9 este o ungido do Senhor\u00bb.<br \/>\nMas o Senhor disse a Samuel:<br \/>\n\u00abN\u00e3o te impressiones com o seu belo aspecto,<br \/>\nnem com a sua elevada estatura,<br \/>\npois n\u00e3o foi esse que Eu escolhi.<br \/>\nDeus n\u00e3o v\u00ea como o homem;<br \/>\no homem olha \u00e0s apar\u00eancias, o Senhor v\u00ea o cora\u00e7\u00e3o\u00bb.<br \/>\nJess\u00e9 fez passar os sete filhos diante de Samuel,<br \/>\nmas Samuel declarou-lhe:<br \/>\n\u00abO senhor n\u00e3o escolheu nenhum destes\u00bb.<br \/>\nE perguntou a Jess\u00e9:<br \/>\n\u00abEst\u00e3o aqui todos os teus filhos?\u00bb<br \/>\nJess\u00e9 respondeu-lhe:<br \/>\n\u00abFalta ainda o mais novo, que anda a guardar o rebanho\u00bb.<br \/>\nSamuel ordenou: \u00abManda-o chamar,<br \/>\nporque n\u00e3o nos sentaremos \u00e0 mesa, enquanto ele n\u00e3o chegar\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o Jess\u00e9 mandou-o chamar:<br \/>\nera loiro, de belos olhos e agrad\u00e1vel presen\u00e7a.<br \/>\nO Senhor disse a Samuel:<br \/>\n\u00abLevanta-te e unge-o, porque \u00e9 este mesmo\u00bb.<br \/>\nSamuel pegou no corno do \u00f3leo e ungiu-o no meio dos irm\u00e3os.<br \/>\nDaquele dia em diante,<br \/>\no Esp\u00edrito do Senhor apoderou-Se de David.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na segunda metade do s\u00e9c. XI a.C., os filisteus constitu\u00edam uma amea\u00e7a bastante s\u00e9ria para as tribos do Povo de Deus. Instalados na orla costeira, os filisteus pressionavam cada vez mais os outros grupos que habitavam a terra de Cana\u00e3, nomeadamente as tribos do Povo de Deus que ocupavam as montanhas do interior do pa\u00eds. A necessidade de uma lideran\u00e7a \u00fanica e forte levou os anci\u00e3os das tribos a equacionar, pela primeira vez, a possibilidade da uni\u00e3o pol\u00edtica das tribos sob a autoridade de um rei, \u00e0 imagem do que sucedia com os outros povos da zona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A primeira experi\u00eancia mon\u00e1rquica aconteceu com Sa\u00fal e agrupava as tribos do centro e algumas do norte do pa\u00eds. Essa experi\u00eancia terminou, no entanto, de forma dram\u00e1tica: Sa\u00fal e seu filho J\u00f3natas morreram na batalha de Gelbo\u00e9, em luta contra os filisteus, por volta do ano 1010 a.C.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Era preciso encontrar um outro &#8220;her\u00f3i&#8221;, capaz de gerar consensos entre tribos muito diferentes, junt\u00e1-las e conduzi-las vitoriosamente ao combate contra os inimigos filisteus. A escolha dos anci\u00e3os &#8211; tanto das tribos do norte, como das tribos do sul &#8211; recaiu, ent\u00e3o, num jovem chamado David.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 David nasceu por volta de 1040 a.C., em Bel\u00e9m de Jud\u00e1, no sul do pa\u00eds. Como \u00e9 que David se tornou notado e se imp\u00f4s, de forma a ser considerado uma solu\u00e7\u00e3o para o problema da realeza?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Livro de Samuel apresenta tr\u00eas tradi\u00e7\u00f5es sobre a entrada de David em cena. A primeira apresenta David como um admir\u00e1vel guerreiro, cuja valentia chamou a aten\u00e7\u00e3o de Sa\u00fal, sobretudo ap\u00f3s a sua vit\u00f3ria sobre o gigante filisteu Golias (cf. 1 Sm 17). A segunda tradi\u00e7\u00e3o apresenta David como um poeta, que vai para a corte de Sa\u00fal para cantar e tocar harpa (segundo esta tradi\u00e7\u00e3o &#8211; bastante hostil a Sa\u00fal &#8211; o rei s\u00f3 conseguia reencontrar a calma e o bem-estar quando David o acalmava com a sua m\u00fasica &#8211; cf. 1 Sm 16,14-23. Aos poucos, o poeta\/cantor David foi ganhando adeptos na corte, tornando-se amigo de J\u00f3natas, o filho de Sa\u00fal, e casando mesmo com Mical, a filha do rei). Finalmente, a terceira tradi\u00e7\u00e3o &#8211; a menos verific\u00e1vel historicamente, mas a de maior import\u00e2ncia teol\u00f3gica &#8211; apresenta a realeza de David como uma escolha de Jahw\u00e9h. \u00c9 esta terceira tradi\u00e7\u00e3o que o nosso texto nos apresenta. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reflex\u00e3o pode partir dos seguintes dados:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Se olharmos para o mundo com olhos de esperan\u00e7a, vemos muitas pessoas que realizam coisas bonitas, que lutam contra a mis\u00e9ria, o sofrimento, a injusti\u00e7a, a doen\u00e7a, o analfabetismo, a viol\u00eancia&#8230; N\u00e3o h\u00e1 mal nenhum em admirarmos a sua disponibilidade e em aprendermos com o seu empenho e compromisso. No entanto, n\u00f3s os crentes somos convidados a olhar mais al\u00e9m e a ver Deus por detr\u00e1s de cada gesto de amor, de bondade, de coragem, de compromisso com a constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor. O nosso Deus continua a construir, dia a dia, a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o; e chama homens e mulheres para colaborarem com Ele na salva\u00e7\u00e3o do mundo.<\/li>\n<li>A nossa leitura mostra, mais uma vez, que Deus tem crit\u00e9rios diferentes dos crit\u00e9rios humanos e que a sua l\u00f3gica nem sempre coincide com a nossa. &#8220;Deus n\u00e3o v\u00ea como o homem; o homem olha \u00e0s apar\u00eancias, o Senhor v\u00ea o cora\u00e7\u00e3o&#8221; &#8211; diz o texto. \u00c9 preciso entrar na l\u00f3gica de Deus e aprender a ver, para al\u00e9m da apar\u00eancia, da roupa que a pessoa veste, do &#8220;curriculum&#8221; profissional ou acad\u00e9mico; \u00e9 preciso aprender a ver com o cora\u00e7\u00e3o e a descobrir a riqueza que se esconde por detr\u00e1s daqueles que parecem insignificantes e sem pretens\u00f5es&#8230; \u00c9 preciso, sobretudo, aprender a respeitar a dignidade de cada homem e de cada mulher, mesmo quando n\u00e3o parecem pessoas importantes ou influentes. \u00c9 isso que acontece nos &#8220;guichets&#8221; dos nossos servi\u00e7os p\u00fablicos? \u00c9 isso que acontece nas rece\u00e7\u00f5es das nossas igrejas? \u00c9 isso que acontece nas portarias das nossas casas religiosas? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 22 (23)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: O Senhor \u00e9 meu pastor: nada me faltar\u00e1.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: O Senhor me conduz: nada me faltar\u00e1.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor \u00e9 meu pastor: nada me falta.<br \/>\nLeva-me a descansar em verdes prados,<br \/>\nconduz-me \u00e0s \u00e1guas refrescantes<br \/>\ne reconforta a minha alma.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.<br \/>\nAinda que tenha de andar por vales tenebrosos,<br \/>\nn\u00e3o temerei nenhum mal, porque V\u00f3s estais comigo:<br \/>\no vosso cajado e o vosso b\u00e1culo me enchem de confian\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para mim preparais a mesa<br \/>\n\u00e0 vista dos meus advers\u00e1rios;<br \/>\ncom \u00f3leo me perfumais a cabe\u00e7a<br \/>\ne meu c\u00e1lice transborda.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A bondade e a gra\u00e7a h\u00e3o-de acompanhar-me<br \/>\ntodos os dias da minha vida,<br \/>\ne habitarei na casa do Senhor<br \/>\npara todo o sempre.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Ef 5,8-14<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leitura da Ep\u00edstola do ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo aos Ef\u00e9sios<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nOutrora v\u00f3s \u00e9reis trevas,<br \/>\nmas agora sois luz no Senhor.<br \/>\nVivei como filhos da luz,<br \/>\nporque o fruto da luz \u00e9 a bondade, a justi\u00e7a e a verdade.<br \/>\nProcurai sempre o que mais agrada ao Senhor.<br \/>\nN\u00e3o tomeis parte nas obras das trevas, que s\u00e3o in\u00fateis;<br \/>\ntratai antes de conden\u00e1-las abertamente,<br \/>\nporque o que eles fazem em segredo<br \/>\nat\u00e9 \u00e9 vergonhoso diz\u00ea-lo.<br \/>\nMas, todas as coisas que s\u00e3o condenadas<br \/>\ns\u00e3o postas a descoberto pela luz,<br \/>\ne tudo que assim se manifesta torna-se luz.<br \/>\n\u00c9 por isso que se diz:<br \/>\n\u00abDesperta, tu que dormes; levanta-te do meio dos mortos<br \/>\ne Cristo brilhar\u00e1 sobre ti\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Carta aos Ef\u00e9sios \u00e9, provavelmente, um dos exemplares de uma &#8220;carta circular&#8221; enviada a v\u00e1rias Igrejas da \u00c1sia Menor, numa altura em que Paulo est\u00e1 na pris\u00e3o (em Roma? em Cesareia?). O seu portador \u00e9 um tal T\u00edquico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos por volta dos anos 58\/60. Alguns veem nesta carta uma esp\u00e9cie de s\u00edntese da teologia paulina, numa altura em que Paulo sente ter terminado a sua miss\u00e3o apost\u00f3lica na \u00c1sia e n\u00e3o sabe exatamente o que o futuro pr\u00f3ximo lhe reserva (recordemos que ele est\u00e1, por esta altura, prisioneiro e n\u00e3o sabe como vai terminar o cativeiro).<br \/>\nO tema central da Carta aos Ef\u00e9sios \u00e9 aquilo a que Paulo chama &#8220;o mist\u00e9rio&#8221;: o des\u00edgnio (ou projeto) salvador de Deus, definido desde toda a eternidade, escondido durante s\u00e9culos aos homens, revelado e concretizado plenamente em Jesus, comunicado aos ap\u00f3stolos, desfraldado e dado a conhecer ao mundo na Igreja.<br \/>\nO texto que nos \u00e9 aqui proposto faz parte da &#8220;exorta\u00e7\u00e3o aos batizados&#8221; que aparece na segunda parte da carta (cf. Ef 4,1-6,20). Nessa exorta\u00e7\u00e3o, Paulo retoma os temas tradicionais da catequese primitiva e convida os crentes a deixarem a antiga forma de viver para assumirem a nova, revestindo-se de Cristo (cf. Ef 4,17-31), imitando Deus (cf. Ef 4,32-5,2) e passando das trevas \u00e0 luz (cf. Ef 5,3-20). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na reflex\u00e3o, ter em conta os seguintes dados:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>&#8220;Luz&#8221; e &#8220;trevas&#8221; s\u00e3o, nesta passagem, duas esferas de poder capazes de tomar conta do homem e de condicionar a sua vida, as suas op\u00e7\u00f5es, os seus valores e comportamentos. O crist\u00e3o, no entanto, \u00e9 aquele que optou por &#8220;viver na luz&#8221;. Para mim, o que significa, em concreto, &#8220;viver na luz&#8221;? O que \u00e9 que isso, em termos pr\u00e1ticos, implica? Quais s\u00e3o os esquemas, comportamentos e valores que devem ser definitivamente saneados da minha vida, a fim de que eu seja um testemunho da &#8220;luz&#8221;?<\/li>\n<li>Para Paulo, n\u00e3o chega &#8220;viver na luz&#8221; e dar testemunho da &#8220;luz&#8221;. \u00c9 preciso, tamb\u00e9m, denunciar &#8211; de forma aberta e decidida &#8211; as &#8220;trevas&#8221; que desfeiam o mundo e que mant\u00eam os homens escravos. Na minha perspetiva, quais s\u00e3o os gestos, comportamentos e atitudes que contribuem para apagar a &#8220;luz&#8221; de Deus e para manter este mundo nas &#8220;trevas&#8221;? Com que \u00e9 que eu devo pactuar e o que \u00e9 que eu devo denunciar?<\/li>\n<li>A express\u00e3o &#8220;desperta tu que dormes&#8221;, citada por Paulo, convida-nos \u00e0 vigil\u00e2ncia. O crist\u00e3o n\u00e3o pode ficar de bra\u00e7os cruzados diante da maldade, do ego\u00edsmo, da injusti\u00e7a, da explora\u00e7\u00e3o, dos contravalores que enegrecem a vida dos homens e do mundo. O crist\u00e3o tem de manter uma atitude de vigil\u00e2ncia atenta e de den\u00fancia ousada e corajosa. Diante dos contravalores, qual a minha atitude: \u00e9 a atitude comodista de quem deixa correr as coisas porque n\u00e3o est\u00e1 para se chatear, ou \u00e9 a atitude de quem se sente realmente incomodado com a escurid\u00e3o do mundo e pretende intervir para que o mundo se construa de uma forma diferente? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO &#8211; <\/strong><strong>Jo 9,1-41<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S\u00e3o Jo\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus encontrou no seu caminho um cego de nascen\u00e7a.<br \/>\nOs disc\u00edpulos perguntaram-Lhe:<br \/>\n\u00abMestre, quem \u00e9 que pecou para ele nascer cego?<br \/>\nEle ou os seus pais?<br \/>\nJesus respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abIsso n\u00e3o tem nada que ver com os pecados dele ou dos pais;<br \/>\nmas aconteceu assim<br \/>\npara se manifestarem nele as obras de Deus.<br \/>\n\u00c9 preciso trabalhar, enquanto \u00e9 dia,<br \/>\nnas obras d&#8217;Aquele que Me enviou.<br \/>\nVai chegar a noite, em que ningu\u00e9m pode trabalhar.<br \/>\nEnquanto Eu estou no mundo, sou a luz do mundo\u00bb.<br \/>\nDito isto, cuspiu em terra,<br \/>\nfez com a saliva um pouco de lodo e ungiu os olhos do cego.<br \/>\nDepois disse-lhe:<br \/>\n\u00abVai lavar-te \u00e0 piscina de Silo\u00e9\u00bb; Silo\u00e9 quer dizer \u00abEnviado\u00bb.<br \/>\nEle foi, lavou-se e ficou a ver.<br \/>\nEntretanto, perguntavam os vizinhos<br \/>\ne os que antes o viam a mendigar:<br \/>\n\u00abN\u00e3o \u00e9 este o que costumava estar sentado a pedir esmola?\u00bb<br \/>\nUns diziam: \u00ab\u00c9 ele\u00bb.<br \/>\nOutros afirmavam: \u00abN\u00e3o \u00e9. \u00c9 parecido com ele\u00bb.<br \/>\nMas ele pr\u00f3prio dizia: \u00abSou eu\u00bb.<br \/>\nPerguntaram-lhe ent\u00e3o:<br \/>\n\u00abComo foi que se abriram os teus olhos?\u00bb<br \/>\nEle respondeu:<br \/>\n\u00abEsse homem, que se chama Jesus, fez um pouco de lodo,<br \/>\nungiu-me os olhos e disse-me:<br \/>\n&#8216;Vai lavar-te \u00e0 piscina de Silo\u00e9&#8217;.<br \/>\nEu fui, lavei-me e comecei a ver\u00bb.<br \/>\nPerguntaram-lhe ainda: \u00abOnde est\u00e1 Ele?\u00bb<br \/>\nO homem respondeu: \u00abN\u00e3o sei\u00bb.<br \/>\nLevaram aos fariseus o que tinha sido cego.<br \/>\nEra s\u00e1bado esse dia em que Jesus fizeram lodo<br \/>\ne lhe tinha aberto os olhos.<br \/>\nPor isso, os fariseus perguntaram ao homem<br \/>\ncomo tinha recuperado a vista.<br \/>\nEle declarou-lhes: \u00abJesus p\u00f4s-me lodo nos olhos;<br \/>\ndepois fui lavar-me e agora vejo\u00bb.<br \/>\nDiziam alguns dos fariseus:<br \/>\n\u00abEsse homem n\u00e3o vem de Deus, porque n\u00e3o guarda o s\u00e1bado\u00bb.<br \/>\nOutros observavam:<br \/>\n\u00abComo pode um pecador fazer tais milagres?\u00bb<br \/>\nE havia desacordo entre eles.<br \/>\nPerguntaram ent\u00e3o novamente ao cego:<br \/>\n\u00abTu que dizias d&#8217;Aquele que te deu a vista?\u00bb<br \/>\nO homem respondeu: \u00ab\u00c9 um profeta\u00bb.<br \/>\nOs judeus n\u00e3o quiseram acreditar<br \/>\nque ele tinha sido cego e come\u00e7ara a ver.<br \/>\nChamaram ent\u00e3o os pais dele e perguntaram-lhes:<br \/>\n\u00ab\u00c9 este o vosso filho? \u00c9 verdade que nasceu cego?<br \/>\nComo \u00e9 que agora v\u00ea?\u00bb<br \/>\nOs pais responderam:<br \/>\n\u00abSabemos que este \u00e9 o nosso filho e que nasceu cego;<br \/>\nmas n\u00e3o sabemos como \u00e9 que ele agora v\u00ea,<br \/>\nnem sabemos quem lhe abriu os olhos.<br \/>\nEle j\u00e1 tem idade para responder: perguntai-lho v\u00f3s\u00bb.<br \/>\nFoi por medo que eles deram esta resposta,<br \/>\nporque os judeus tinham decidido expulsar da sinagoga<br \/>\nquem reconhecesse que Jesus era o Messias.<br \/>\nPor isso \u00e9 que disseram:<br \/>\n\u00abEle j\u00e1 tem idade para responder; perguntai-lho v\u00f3s\u00bb.<br \/>\nOs judeus chamaram outra vez o que tinha sido curado<br \/>\ne disseram-lhe: \u00abD\u00e1 gl\u00f3ria a Deus.<br \/>\nN\u00f3s sabemos que esse homem \u00e9 pecador\u00bb.<br \/>\nEle respondeu: \u00abSe \u00e9 pecador, n\u00e3o sei.<br \/>\nO que sei \u00e9 que eu era cego e agora vejo\u00bb.<br \/>\nPerguntaram-lhe ent\u00e3o:<br \/>\n\u00abQue te fez Ele? Como te abriu os olhos?\u00bb<br \/>\nO homem replicou:<br \/>\n\u00abJ\u00e1 vos disse e n\u00e3o destes ouvidos.<br \/>\nPorque desejais ouvi-lo novamente?<br \/>\nTamb\u00e9m quereis fazer-vos seus disc\u00edpulos?\u00bb<br \/>\nEnt\u00e3o insultaram-no e disseram-lhe:<br \/>\n\u00abTu \u00e9 que \u00e9s seu disc\u00edpulo; n\u00f3s somos disc\u00edpulos de Mois\u00e9s;<br \/>\nmas este, nem sabemos de onde \u00e9\u00bb.<br \/>\nO homem respondeu-lhes:<br \/>\n\u00abIsto \u00e9 realmente estranho: n\u00e3o sabeis de onde Ele \u00e9,<br \/>\nmas a verdade \u00e9 que Ele me deu a vista.<br \/>\nOra, n\u00f3s sabemos que Deus n\u00e3o escuta os pecadores,<br \/>\nmas escuta aqueles que O adoram e fazem a sua vontade.<br \/>\nNunca se ouviu dizer que algu\u00e9m tenha aberto os olhos<br \/>\na um cego de nascen\u00e7a.<br \/>\nSe Ele n\u00e3o viesse de Deus, nada podia fazer\u00bb.<br \/>\nReplicaram-lhe ent\u00e3o eles:<br \/>\n\u00abTu nasceste inteiramente em pecado e pretendes ensinar-nos?\u00bb<br \/>\nE expulsaram-no.<br \/>\nJesus soube que o tinham expulsado<br \/>\ne, encontrando-o, disse-lhe:<br \/>\n\u00abTu acreditas no Filho do homem?\u00bb<br \/>\nEle respondeu-Lhe:<br \/>\n\u00abSenhor, quem \u00e9 Ele, para que eu acredite?\u00bb<br \/>\nDisse-lhe Jesus;<br \/>\n\u00abJ\u00e1 O viste: \u00e9 Quem est\u00e1 a falar contigo\u00bb.<br \/>\nO homem prostrou-se diante de Jesus e exclamou:<br \/>\n\u00abEu creio, Senhor\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o Jesus disse-lhe:<br \/>\n\u00abEu vim para exercer um ju\u00edzo:<br \/>\nos que n\u00e3o veem ficar\u00e3o a ver;<br \/>\nos que veem ficar\u00e3o cegos\u00bb.<br \/>\nAlguns fariseus que estavam com Ele, ouvindo isto,<br \/>\nperguntaram-Lhe:<br \/>\n\u00abN\u00f3s tamb\u00e9m somos cegos?\u00bb<br \/>\nRespondeu-lhes Jesus:<br \/>\n\u00abSe f\u00f4sseis cegos, n\u00e3o ter\u00edeis pecado.<br \/>\nMas como agora dizeis: &#8216;N\u00e3o vemos&#8217;,<br \/>\no vosso pecado permanece\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 J\u00e1 vimos, na semana passada, que o Evangelho segundo Jo\u00e3o procura apresentar Jesus como o Messias, Filho de Deus, enviado pelo Pai para criar um Homem Novo. Tamb\u00e9m vimos que, no chamado &#8220;Livro dos Sinais&#8221; (cf. Jo 4,1-11,56), o autor apresenta &#8211; recorrendo aos &#8220;sinais&#8221; da \u00e1gua (cf. Jo 4,1-5,47), do p\u00e3o (cf. Jo 6,1-7,53), da luz (cf. Jo 8,12-9,41), do pastor (cf. Jo 10,1-42) e da vida (cf. Jo 11,1-56) &#8211; um conjunto de catequeses sobre a a\u00e7\u00e3o criadora do Messias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O nosso texto \u00e9, exatamente, a terceira catequese (a da luz) do &#8220;Livro dos Sinais&#8221;: atrav\u00e9s do &#8220;sinal&#8221; da &#8220;luz&#8221;, o autor vai descrever a a\u00e7\u00e3o criadora e vivificadora de Jesus. A catequese sobre a &#8220;luz&#8221; \u00e9 colocada no contexto da &#8220;Festa de Sukkot&#8221; (a festa das colheitas); um dos ritos mais populares dessa festa era, exatamente, a ilumina\u00e7\u00e3o dos quatro grandes candelabros do \u00e1trio das mulheres, no Templo de Jerusal\u00e9m.<br \/>\nNo centro do quadro aparece-nos (al\u00e9m de Jesus) um cego. Os &#8220;cegos&#8221; faziam parte do grupo dos exclu\u00eddos da sociedade palestina de ent\u00e3o. As defici\u00eancias f\u00edsicas eram consideradas &#8211; pela teologia oficial &#8211; como resultado do pecado (os rabbis da \u00e9poca chegavam a discutir de onde vinha o pecado de algu\u00e9m que nascia com uma defici\u00eancia: se o defeito era o resultado de um pecado dos pais, ou se era o resultado de um pecado cometido pela crian\u00e7a no ventre da m\u00e3e).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Segundo a conce\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, Deus castigava de acordo com a gravidade da culpa. A cegueira era considerada o resultado de um pecado especialmente grave: uma doen\u00e7a que impedisse o homem de estudar a Lei era considerada uma maldi\u00e7\u00e3o de Deus por excel\u00eancia. Pela sua condi\u00e7\u00e3o de impureza not\u00f3ria, os cegos eram impedidos de servir de testemunhas no tribunal e de participar nas cerim\u00f3nias religiosas no Templo. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ACTUALIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerar, na reflex\u00e3o, as seguintes propostas:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>N\u00f3s, os crentes, n\u00e3o podemos fechar-nos num pessimismo est\u00e9ril, decidir que o mundo &#8220;est\u00e1 perdido&#8221; e que \u00e0 nossa volta s\u00f3 h\u00e1 escurid\u00e3o&#8230; No entanto, tamb\u00e9m n\u00e3o podemos esconder a cabe\u00e7a na areia e dizer que tudo est\u00e1 bem. H\u00e1, objetivamente, situa\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es, valores e esquemas que mant\u00eam o homem encerrado no seu ego\u00edsmo, fechado a Deus e aos outros, incapaz de se realizar plenamente. O que \u00e9 que, no nosso mundo, gera escurid\u00e3o, trevas, aliena\u00e7\u00e3o, cegueira e morte? O que \u00e9 que impede o homem de ser livre e de se realizar plenamente, conforme previa o projeto de Deus?<\/li>\n<li>A catequese que Jo\u00e3o nos prop\u00f5e hoje garante-nos: a realiza\u00e7\u00e3o plena do homem continua a ser a prioridade de Deus. Jesus Cristo, o Filho de Deus, veio ao encontro dos homens e mostrou-lhes a luz libertadora: convidou-os a renunciar ao ego\u00edsmo e autossufici\u00eancia que geram &#8220;trevas&#8221;, sofrimento, escravid\u00e3o e a fazerem da vida um dom, por amor. Aderir a esta proposta \u00e9 viver na &#8220;luz&#8221;. Como \u00e9 que eu me situo face ao desafio que, em Jesus, Deus me faz?<\/li>\n<li>O Evangelho deste domingo descreve v\u00e1rias formas de responder negativamente \u00e0 &#8220;luz&#8221; libertadora que Jesus oferece. H\u00e1 aqueles que se op\u00f5em decididamente \u00e0 proposta de Jesus porque est\u00e3o instalados na mentira e a &#8220;luz&#8221; de Jesus s\u00f3 os incomoda; h\u00e1 aqueles que t\u00eam medo de enfrentar as &#8220;bocas&#8221;, as cr\u00edticas, que se deixam manipular pela opini\u00e3o dominante, e que, por medo, preferem continuar escravos do que arriscar ser livres; h\u00e1 aqueles que, apesar de reconhecerem as vantagens da &#8220;luz&#8221;, deixam que o comodismo e a in\u00e9rcia os prendam numa vida de escravos&#8230; Eu identifico-me com algum destes grupos?<\/li>\n<li>O cego que escolhe a &#8220;luz&#8221; e que adere incondicionalmente a Jesus e \u00e0 sua proposta libertadora \u00e9 o modelo que nos \u00e9 proposto. A Palavra de Deus convida-nos, neste tempo de Quaresma, a um processo de renova\u00e7\u00e3o que nos leve a deixar tudo o que nos escraviza, nos aliena, nos oprime &#8211; no fundo, tudo o que impede que brilhe em n\u00f3s a &#8220;luz&#8221; de Deus e que impede a nossa plena realiza\u00e7\u00e3o. Para que a celebra\u00e7\u00e3o da ressurrei\u00e7\u00e3o &#8211; na manh\u00e3 de P\u00e1scoa &#8211; signifique algo, \u00e9 preciso realizarmos esta caminhada quaresmal e renascermos, feitos Homens Novos, que vivem na &#8220;luz&#8221; e que d\u00e3o testemunho da &#8220;luz&#8221;. O que \u00e9 que eu posso fazer para que isso aconte\u00e7a?<\/li>\n<li>Receber a &#8220;luz&#8221; que Cristo oferece \u00e9, tamb\u00e9m, acender a &#8220;luz&#8221; da esperan\u00e7a no mundo. O que \u00e9 que eu fa\u00e7o para eliminar as &#8220;trevas&#8221; que geram sofrimento, injusti\u00e7a, mentira e aliena\u00e7\u00e3o? A &#8220;luz&#8221; de Cristo que os padrinhos me passaram no dia em que fui batizado brilha em mim e ilumina o mundo? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na <strong>primeira leitura<\/strong>, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o os diversos di\u00e1logos presentes no texto. Al\u00e9m disso, deve preparar-se bem as palavras menos usuais e que podem ser de dif\u00edcil pronuncia\u00e7\u00e3o: \u00ab\u00e2mbula\u00bb, \u00abJess\u00e9\u00bb e \u00abunge-o\u00bb. Estas palavras devem pronunciar-se tal como est\u00e3o escritas respeitando a sua acentua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na <strong>segunda leitura<\/strong>, \u00e9 importante ter presente o tom exortativo presente no texto e que \u00e9 sublinhado pelas diferentes formas verbais no imperativo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Leitura-I-do-Domingo-IV-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-15.03.2026-1-Samuel-16-1b.6-7.10-13a.pdf\">Leitura I do Domingo IV do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 15.03.2026 (1 Samuel 16, 1b.6-7.10-13a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Leitura-II-do-Domingo-IV-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-15.03.2026-Efesios-5-8-14.pdf\">Leitura II do Domingo IV do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 15.03.2026 (Ef\u00e9sios 5, 8-14)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Domingo-IV-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-15.03.2026-Lecionario.pdf\">Domingo IV do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 15.03.2026 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Domingo-IV-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-15.03.2026-Oracao-Universal.pdf\">Domingo IV do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 15.03.2026 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Domingo-IV-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-15.03.2026-refletindo-v1.pdf\">Domingo IV do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 15.03.2026 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Mensagem-de-SS-Papa-Leao-XIV-para-a-Quaresma-de-2026.pdf\">Mensagem de SS Papa Le\u00e3o XIV para a Quaresma de 2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo III do Tempo da Quaresma \u2013 Ano A \u2013 08.03.2026&#8243; tab_id=&#8221;1773673298080-7ad1799d-c6c1&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4>Domingo III do Tempo da Quaresma \u2013 Ano A \u2013 08.03.2026<\/h4>\n<figure id=\"attachment_12653\" aria-describedby=\"caption-attachment-12653\" style=\"width: 841px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12653 size-full\" style=\"color: inherit; font-family: inherit; font-size: inherit;\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Domingo-III.jpg\" alt=\"\" width=\"841\" height=\"474\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12653\" class=\"wp-caption-text\">\u201cUma fonte de \u00e1gua que jorra para a vida eterna \u2013 Jo\u00e3o 4,5-42\u201d<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na nossa caminhada quaresmal rumo \u00e0 P\u00e1scoa do Senhor somos convidados a sentarmo-nos com Jesus \u00e0 beira do po\u00e7o. Passamos os nossos dias a correr entre os m\u00faltiplos afazeres do nosso quotidiano e \u00e0s vezes parece t\u00e3o escasso o tempo para serenar e descansar. Neste frenesim quotidiano marcado pelas rotinas, pela sucess\u00e3o de tarefas a realizar e hor\u00e1rios a cumprir, irrompe Jesus, o enviado do Pai, o Deus das surpresas que enche e preenche de novidade os nossos dias. O tempo da Quaresma \u00e9 o tempo favor\u00e1vel e especial\u00edssimo para abrir o nosso cora\u00e7\u00e3o ao Deus que nos visita e surpreende sempre com o Seu amor e o Seu perd\u00e3o. Por isso, se o tempo da Quaresma \u00e9 tempo de penit\u00eancia e convers\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m \u00abtempo para cantar a alegria do perd\u00e3o\u00bb (Ir. Roger). A experi\u00eancia da penit\u00eancia e da convers\u00e3o abre a nossa vida \u00e0 alegria da vida reencontrada, \u00e0 experi\u00eancia feliz da transforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab<em>Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se \u00e0 beira do po\u00e7o<\/em>\u00bb. Esta poderia ser apenas uma indica\u00e7\u00e3o c\u00e9nica para situar Jesus no contexto desta passagem evang\u00e9lica. Contudo, as a\u00e7\u00f5es de Jesus devem ser sempre lidas em chave teol\u00f3gica, mesmo quando parecem ser apenas subsidi\u00e1rias da narrativa. Na Sagrada Escritura, a a\u00e7\u00e3o de sentar apresenta diferentes significados: a a\u00e7\u00e3o de ensinar na rela\u00e7\u00e3o mestre\/disc\u00edpulo (Mt 5,1), a evoca\u00e7\u00e3o da majestade de Deus (Dn 7,9) ou a refer\u00eancia escatol\u00f3gica do Filho do Homem na sua gl\u00f3ria (Mt 25,31). Contudo, aqui Jesus senta-se cansado e pede \u00e1gua \u00e0 Samaritana. No evangelho est\u00e3o bem identificados aqueles que se sentam para pedir: s\u00e3o os mendigos. Mendigos como aqueles que est\u00e3o sentados \u00e0 beira da estrada, na sa\u00edda de Jeric\u00f3, que ao ouvirem que Jesus est\u00e1 a passar come\u00e7am a gritar (Mt 20,30-31) ou ent\u00e3o Bartimeu, um mendigo cego, sentado na beira do caminho (Mc 10,46).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus, cansado do caminho, senta-se \u00e0 beira do po\u00e7o e pede de beber \u00e0 samaritana. Este pedido como que antecipa aquele grito da Cruz: \u00abtenho sede\u00bb. Misterioso Senhor que, para dar, pede! Jesus apresenta-se como mendigo do homem, com uma sede de salva\u00e7\u00e3o que nos desconcerta. Assim nos recorda Simon Weil quando afirma: \u00ab<em>Deus espera como um mendigo, im\u00f3vel e silencioso, diante de qualquer um que lhe estenda um bocado de p\u00e3o. O tempo \u00e9 a espera de Deus que mendiga o nosso amor<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus tem sede. Sede da \u00e1gua que dessedenta os que caminham nas estradas poeirentas, mas tamb\u00e9m sede de salva\u00e7\u00e3o. Sede de tocar as nossas sedes, de contactar com os nossos desertos e as nossas feridas. Ele quer salvar cada homem e cada mulher e, independentemente da sua vida de pecado ou do seu errado caminho, Ele quer oferecer uma oportunidade nova de vida plena e cheia de sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus encontra-se com a Samaritana ao meio-dia, precisamente a mesma hora em que Jesus \u00e9 apresentado por Pilatos \u00e0 multid\u00e3o (Jo 19,13-14). Como afirma o Cardeal Tolentino de Mendon\u00e7a: \u00ab<em>s\u00f3 compreenderemos verdadeiramente o di\u00e1logo entre Jesus com a Samaritana se tivermos diante dos olhos o dom sem limites que Jesus faz de si na cruz<\/em>\u00bb<em>.\u00a0<\/em>Na verdade, o meio-dia \u00e9 a hora central do dia, o ponto que determina a passagem de uma parte para outra da jornada. O meio do tempo assinala um antes e um depois, o meio do caminho e a encruzilhada da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O encontro com Jesus marca assim um rumo novo na nossa hist\u00f3ria, pois sempre que abrimos o nosso cora\u00e7\u00e3o ao verdadeiro encontro com Jesus \u00e9 \u00abmeio-dia\u00bb, \u00e9 hora decisiva para avan\u00e7ar com um alento renovado e uma vontade nova de fazer da nossa vida doa\u00e7\u00e3o.\u00a0<strong><em>in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>O <strong>III Domingo da Quaresma \u00e9 Dia Nacional da C\u00e1ritas<\/strong>, por isso, a semana que antecede este dia \u00e9 Semana Nacional C\u00e1ritas e multiplicam-se, em v\u00e1rios lugares, atividades de reflex\u00e3o sobre a a\u00e7\u00e3o social, atividades de anima\u00e7\u00e3o pastoral e tamb\u00e9m iniciativas de angaria\u00e7\u00e3o de fundos. Est\u00e1 previsto que o ofert\u00f3rio das missas deste Domingo em todas as dioceses de Portugal reverta para este fim. A C\u00e1ritas em Portugal quer ser testemunho da fraternidade da comunidade crist\u00e3 para com os mais pobres a partir da A\u00e7\u00e3o Social da Igreja construtora de uma sociedade solid\u00e1ria e participativa, onde prevale\u00e7a a justi\u00e7a, a paz, a liberdade e a solidariedade ao servi\u00e7o da dignidade humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + <\/em><\/strong><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>Estamos no Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanhamos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=9720\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>\u00caxodo 17,3-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>o povo israelita, atormentado pela sede,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>come\u00e7ou a altercar com Mois\u00e9s, dizendo:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abPorque nos tiraste do Egipto?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para nos deixares morrer \u00e0 sede,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a n\u00f3s, aos nossos filhos e aos nossos rebanhos?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o Mois\u00e9s clamou ao Senhor, dizendo:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abQue hei de fazer a este povo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pouco falta para me apedrejarem\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor respondeu a Mois\u00e9s:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abPassa para a frente do povo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e leva contigo alguns anci\u00e3os de Israel.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Toma na m\u00e3o a vara com que fustigaste o rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e p\u00f5e-te a caminho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu estarei diante de ti, sobre o rochedo, no monte Horeb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bater\u00e1s no rochedo e dele sair\u00e1 \u00e1gua;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ent\u00e3o o povo poder\u00e1 beber\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mois\u00e9s assim fez \u00e0 vista dos anci\u00e3os de Israel.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E chamou \u00e0quele lugar Massa e Meriba,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>por causa da alterca\u00e7\u00e3o dos filhos de Israel<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e por terem tentado o Senhor, ao dizerem:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO Senhor est\u00e1 ou n\u00e3o no meio de n\u00f3s?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Um dos grandes temas do livro do \u00caxodo \u00e9 a marcha pelo deserto dos hebreus libertados por Jav\u00e9 da escravid\u00e3o do Egito. A sec\u00e7\u00e3o de Ex 15,22-18,27 refere as vicissitudes da primeira etapa dessa marcha: a que vai desde a passagem do mar at\u00e9 \u00e0 chegada do povo diante da montanha do Sinai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesta primeira fase do caminho do deserto, est\u00e1 bem presente a imaturidade daquele grupo de homens e mulheres que ainda funcionam com mentalidade de escravos e ainda n\u00e3o assumiram o risco da liberdade. As dificuldades do caminho desorganizam-nos e incomodam-nos; e eles, perante as contrariedades, n\u00e3o se co\u00edbem de criticar Mois\u00e9s e de murmurar contra Deus (cf. Ex 15,22-27; 16,1-21; 17,1-7). O esquema \u00e9 sempre o mesmo: diante das dificuldades que encontra no caminho, o Povo murmura, revolta-se contra Mois\u00e9s e acusa Deus pelos desconfortos da caminhada; Mois\u00e9s interv\u00e9m e intercede junto de Deus; finalmente, Deus acaba por conceder ao Povo os bens de que este sente necessidade. Os relatos apresentam-se sempre de uma forma dram\u00e1tica, num crescendo de intensidade at\u00e9 ao desfecho final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Provavelmente, estes relatos t\u00eam por base dificuldades concretas sentidas pelos hebreus no seu caminho pelo deserto em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra Prometida. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil sobreviver nas condi\u00e7\u00f5es hostis do deserto. No entanto, os bedu\u00ednos conheciam diversos \u201ctruques\u201d que lhes permitiam enfrentar com \u00eaxito a sua luta di\u00e1ria pela exist\u00eancia. Um desses \u201ctruques\u201d consistia em procurar \u00e1gua em rochas porosas que, quando quebradas em certo lugar, proporcionavam o acesso \u00e0 \u00e1gua que armazenavam no seu interior. \u00c9 poss\u00edvel que o epis\u00f3dio narrado no texto que a liturgia hoje nos prop\u00f5e como primeira leitura nos situe neste cen\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Seja como for, a verdade \u00e9 que os te\u00f3logos de Israel recolheram essas tradi\u00e7\u00f5es e utilizaram-nas com um objetivo catequ\u00e9tico. Os catequistas que nos legaram estes relatos n\u00e3o se propuseram fazer uma reportagem factual dos acontecimentos hist\u00f3ricos vividos ao longo do caminho percorrido pelos hebreus, mas sim fazer catequese. Percebe-se nas entrelinhas que a grande preocupa\u00e7\u00e3o de quem comp\u00f4s estes relatos \u00e9 p\u00f4r o Povo de sobreaviso contra a tenta\u00e7\u00e3o de procurar ref\u00fagio e seguran\u00e7a longe de Jav\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Portanto, a dado passo da sua caminhada pelo deserto, os hebreus deparam-se com a falta de \u00e1gua e queixam-se a Mois\u00e9s. O epis\u00f3dio \u00e9 situado em Refidim (cf. Ex 17,1), no sul da pen\u00ednsula do Sinai (cf. Nm 33,14-15). Curiosamente uma outra tradi\u00e7\u00e3o refere um epis\u00f3dio muito semelhante e coloca-o a norte, nos arredores de Kadesh (cf. Nm 20,7-11). Ser\u00e3o dois epis\u00f3dios semelhantes, ligados a grupos distintos de n\u00f3madas que, em \u00e9pocas diferentes, fugiram do Egito, ou tratar-se-\u00e1 do mesmo epis\u00f3dio narrado por duas tradi\u00e7\u00f5es diferentes? N\u00e3o o sabemos. O que \u00e9 evidente \u00e9 que os te\u00f3logos de Israel utilizaram esta hist\u00f3ria para reafirmar o empenho de Deus em \u201csalvar\u201d o seu povo e em conduzi-lo em seguran\u00e7a da escravid\u00e3o para a liberdade. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Talvez a nota mais decisiva e interpelante, neste epis\u00f3dio de Mass\u00e1 e Merib\u00e1, seja a confirma\u00e7\u00e3o da fidelidade de Deus aos seus des\u00edgnios de amor e de vida, ao seu projeto de salva\u00e7\u00e3o. O comportamento imaturo daquele grupo de hebreus que ainda n\u00e3o se libertaram de uma mentalidade de escravos n\u00e3o fazem Deus desistir do seu projeto de salva\u00e7\u00e3o; as cont\u00ednuas desconfian\u00e7as daqueles caminhantes que parecem n\u00e3o saber o que querem, n\u00e3o desarmam a bondade, a miseric\u00f3rdia, o amor de Deus. \u00c9 uma perspetiva reconfortante, que talvez nos ajude a olhar com mais esperan\u00e7a para as nossas pobres vidas, para as nossas hesita\u00e7\u00f5es, d\u00favidas e incongru\u00eancias, para as nossas contradi\u00e7\u00f5es e para os nossos passos mal dados\u2026 Se Deus n\u00e3o nos condena definitivamente, se Ele se conserva ao nosso lado apesar das nossas decis\u00f5es est\u00fapidas, se Ele continua a olhar para n\u00f3s com amor apesar das nossas desconfian\u00e7as e cobardias, se a nossa futilidade e as nossas aspira\u00e7\u00f5es rasteiras O n\u00e3o dececionam definitivamente, ent\u00e3o n\u00e3o caminhamos em dire\u00e7\u00e3o a um desastre anunciado. Deus vai connosco, assiste-nos e ampara-nos em cada passo do caminho, d\u00e1-nos uma e outra vez a oportunidade de recome\u00e7ar\u2026 Como \u00e9 que isso nos faz sentir? Que implica\u00e7\u00f5es tem isso na nossa vida?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando sa\u00edram do Egito e deixaram para tr\u00e1s a escravid\u00e3o, os hebreus sentiram-se profundamente reconhecidos ao Deus que os salvou. Mas a gratid\u00e3o que sentiam evaporou-se quando tiveram de enfrentar as dificuldades do caminho: a fome, a sede, o calor, o cansa\u00e7o, as ciladas dos inimigos, as decis\u00f5es dif\u00edceis, os riscos da liberdade\u2026 Ent\u00e3o, murmuraram contra Deus, duvidaram da sua bondade e do seu amor, acusaram-n\u2019O at\u00e9 de ter posto em marcha um projeto de morte destinado a faz\u00ea-los perecer no deserto. Isto n\u00e3o nos soa familiar? Quando o caminho nos parece demasiado longo e solit\u00e1rio, quando trope\u00e7amos nos obst\u00e1culos inevit\u00e1veis que a vida nos traz, quando experimentamos os nossos limites e fragilidades, quando nos sentimos cansados, desiludidos e perdidos, quando nos enganamos e optamos por valores errados, quando nos entrincheiramos atr\u00e1s da nossa autossufici\u00eancia e nos damos mal, criticamos Deus, acusamo-l\u2019O de nos abandonar, duvidamos do seu amor\u2026 Parecemos crian\u00e7as mimadas que passam a vida a lamentar-se e a acusar Deus pelos \u201cd\u00f3i-d\u00f3is\u201d que a vida nos faz. J\u00e1 pensamos que muitas das coisas que nos fazem sofrer resultam das nossas escolhas erradas e n\u00e3o da a\u00e7\u00e3o de Deus? J\u00e1 pensamos que muitas das dificuldades que temos de enfrentar talvez fa\u00e7am parte da pedagogia de Deus para nos fazer crescer, para nos ajudar a descobrir o sentido da vida, para nos renovar e transformar? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>SALMO 94 (95)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>n\u00e3o fecheis os vossos cora\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vinde, exultemos de alegria no Senhor,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>aclamemos a Deus nosso salvador.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos \u00e0 sua presen\u00e7a e d\u00eamos gra\u00e7as,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ao som de c\u00e2nticos aclamemos o Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vinde, prostremo-nos em terra,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>adoremos o Senhor que nos criou.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pois Ele \u00e9 o nosso Deus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e n\u00f3s o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem dera ouv\u00edsseis hoje a sua voz:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abN\u00e3o endure\u00e7ais os vossos cora\u00e7\u00f5es,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>como em Meriba, como no dia de Massa no deserto,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>onde vossos pais Me tentaram e provocaram,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>apesar de terem visto as minhas obras.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Romanos 5,1-2.5-8<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tendo sido justificados pela f\u00e9,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>pelo qual temos acesso, na f\u00e9,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a esta gra\u00e7a em que permanecemos e nos gloriamos,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>apoiados na esperan\u00e7a da gl\u00f3ria de Deus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ora, a esperan\u00e7a n\u00e3o engana,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>porque o amor de Deus foi derramado em nossos cora\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>pelo Esp\u00edrito Santo que nos foi dado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cristo morreu por n\u00f3s, quando \u00e9ramos ainda pecadores.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dificilmente algu\u00e9m morre por um justo;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>por um homem bom,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>talvez algu\u00e9m tivesse a coragem de morrer.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus prova assim o seu amor para connosco:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cristo morreu por n\u00f3s, quando \u00e9ramos ainda pecadores.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Roma era, na altura em que o ap\u00f3stolo Paulo escreve a sua carta \u00e0 comunidade crist\u00e3 da cidade, o centro do mundo antigo. Roma tinha, por essa altura, cerca de um milh\u00e3o de habitantes, dos quais 50.000 eram judeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o sabemos como foi fundada a Igreja de Roma. A tradi\u00e7\u00e3o diz que foi o ap\u00f3stolo Pedro que, de passagem pela cidade, a\u00ed teria anunciado o Evangelho de Jesus. O mais prov\u00e1vel, contudo, \u00e9 que a comunidade tenha nascido a partir do testemunho de judeo-crist\u00e3os que deixaram Jerusal\u00e9m e se estabeleceram em Roma poucos anos ap\u00f3s a morte de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando escreve aos Romanos, por volta do ano 57 ou 58, Paulo est\u00e1 prestes a deixar Corinto, a caminho de Jerusal\u00e9m, no final da sua terceira viagem mission\u00e1ria. O ap\u00f3stolo sente que terminou a sua miss\u00e3o no oriente (cf. Rm 15,19-20) e quer agora levar o Evangelho a outros cantos do mundo, nomeadamente ao ocidente. Sobretudo, Paulo aproveita a ocasi\u00e3o para contactar a comunidade de Roma e para apresentar aos Romanos os principais problemas que o ocupavam (entre os quais avultava o problema da unidade \u2013 um problema bem atual na comunidade crist\u00e3 de Roma, ent\u00e3o afetada por alguma dificuldade de relacionamento entre judeo-crist\u00e3os e pagano-crist\u00e3os).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Paulo aproveita para dizer aos Romanos e a todos os crist\u00e3os que o Evangelho deve unir e congregar todo o crente, sem distin\u00e7\u00e3o de judeu, grego ou romano. Para desfazer algumas ideias de superioridade (e, sobretudo, a pretens\u00e3o judaica de que a salva\u00e7\u00e3o se conquista pela observ\u00e2ncia da Lei de Mois\u00e9s), Paulo nota que o pecado \u00e9 uma realidade que atinge todos os homens, sem exce\u00e7\u00e3o, e que ningu\u00e9m est\u00e1 de fora desse cen\u00e1rio (cf. Rm 1,18-3,20). \u00c9 Deus que, na sua imensa miseric\u00f3rdia, \u201cjustifica\u201d o homem pecador e lhe oferece um perd\u00e3o n\u00e3o merecido. A salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o vem do m\u00e9rito do homem, mas sim da \u201cjusti\u00e7a de Deus\u201d que a todos d\u00e1 a vida (cf. Rm 3,1-5,11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No texto que a segunda leitura do terceiro Domingo da Quaresma nos prop\u00f5e, Paulo refere-se \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Deus, por Jesus Cristo e pelo Esp\u00edrito, no sentido de \u201cjustificar\u201d todo o homem.<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando Deus fizer a contabilidade final dos nossos dias o que encontrar\u00e1? As nossas boas obras ser\u00e3o em n\u00famero suficiente para nos garantir a salva\u00e7\u00e3o? No \u201clivro de contas\u201d de Deus a nossa coluna dos d\u00e9bitos ser\u00e1 mais extensa do que a coluna dos cr\u00e9ditos? Deus atuar\u00e1 como um contabilista rigoroso que, depois de tudo somado, nos apontar\u00e1, sem contempla\u00e7\u00f5es, aquilo que temos em falta? O ap\u00f3stolo Paulo deixa-nos, na leitura de hoje, uma not\u00edcia tranquilizadora: na contabilidade final da nossa vida, a \u00fanica coisa que contar\u00e1 ser\u00e1 o amor de Deus. O nosso Deus \u00e9 um Deus clemente e compassivo, lento para a ira e rico em miseric\u00f3rdia. Ele \u201cjustificar-nos-\u00e1\u201d e emitir\u00e1 sobre n\u00f3s um veredicto de gra\u00e7a e de miseric\u00f3rdia, mesmo que n\u00f3s n\u00e3o o mere\u00e7amos. A \u00fanica coisa que Ele exigir\u00e1 de n\u00f3s \u00e9 que acolhamos a sua oferta de salva\u00e7\u00e3o. Deus n\u00e3o nos condena; Deus salva-nos sempre. Basta que acolhamos o seu amor e que aceitemos o convite que Ele nos faz para integrar a sua fam\u00edlia. Como vemos e sentimos esta \u201cBoa Not\u00edcia\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o podemos viver como nos apetecer, sem medo de sermos penalizados pela \u201cjusti\u00e7a\u201d de Deus? Na realidade, aquilo que muitas vezes consideramos \u201ccastigos\u201d pelos nossos pecados n\u00e3o s\u00e3o puni\u00e7\u00f5es que Deus inventa para nos fazer pagar pelo mal que praticamos; s\u00e3o, simplesmente, as consequ\u00eancias naturais das nossas decis\u00f5es erradas, das nossas atitudes ego\u00edstas, da m\u00e1 semente que semeamos, da nossa irresponsabilidade, da nossa futilidade, da nossa aposta no que \u00e9 ef\u00e9mero e sem sentido. Quando escolhemos caminhos sem sa\u00edda, somos n\u00f3s que perdemos e que nos auto-castigamos: a nossa autossufici\u00eancia isola-nos, priva-nos de estar em paz com Deus e de usufruir dos seus dons; a nossa falta de f\u00e9 afunda-nos no desespero e torna-nos prisioneiros do medo e da morte; a falta de confian\u00e7a no amor de Deus faz com que nos arrastemos sem rumo, perdidos e \u00f3rf\u00e3os, sentindo-nos lixo abandonado na berma dos caminhos\u2026 \u00c9 dessa forma que queremos viver e dar sentido \u00e0 nossa vida?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O ap\u00f3stolo Paulo garante-nos que o amor de Deus n\u00e3o \u00e9 inconstante, n\u00e3o varia conforme os \u201cestados de esp\u00edrito\u201d de Deus, n\u00e3o depende dos comportamentos inconstantes do homem. \u00c9 um amor inquestion\u00e1vel, infal\u00edvel, absolutamente inabal\u00e1vel. Segundo Paulo, \u201cDeus provou assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por n\u00f3s, quando \u00e9ramos ainda pecadores\u201d. Deus n\u00e3o ama apenas os bons, os que se portam bem; ama todos os seus filhos, sem exce\u00e7\u00e3o. Nem a nossa insist\u00eancia no pecado nos afasta do amor de Deus. \u00c9 dif\u00edcil entender e aceitar isto? Talvez o seja para alguns, incapazes de entender a l\u00f3gica de Deus, o alcance do verdadeiro amor. Que Deus anunciamos e testemunhamos? Um deus castigador e vingativo, sempre pronto a fazer cair sobre o homem pecador as suas puni\u00e7\u00f5es, ou um Deus terno e compassivo, misericordioso e bom, que olha para os seus queridos filhos com a compreens\u00e3o e o amor de um pai ou de uma m\u00e3e? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 4,5-42<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>chegou Jesus a uma cidade da Samaria, chamada Sicar,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>junto da propriedade que Jacob tinha dado a seu filho Jos\u00e9,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>onde estava a fonte de Jacob.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jesus, cansado da caminhada, sentou Se \u00e0 beira do po\u00e7o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Era por volta do meio-dia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Veio uma mulher da Samaria para tirar \u00e1gua.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Disse lhe Jesus: \u00abD\u00e1-Me de beber\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os disc\u00edpulos tinham ido \u00e0 cidade comprar alimentos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Respondeu-Lhe a samaritana:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abComo \u00e9 que Tu, sendo judeu,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>me pedes de beber, sendo eu samaritana?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De facto, os judeus n\u00e3o se d\u00e3o com os samaritanos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Disse lhe Jesus:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSe conhecesses o dom de Deus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e quem \u00e9 Aquele que te diz: \u2018D\u00e1-Me de beber\u2019,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>tu \u00e9 que Lhe pedirias e Ele te daria \u00e1gua-viva\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Respondeu-Lhe a mulher:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSenhor, Tu nem sequer tens um balde, e o po\u00e7o \u00e9 fundo:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>donde Te vem a \u00e1gua-viva?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ser\u00e1s Tu maior do que o nosso pai Jacob,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>que nos deu este po\u00e7o, do qual ele mesmo bebeu,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>com os seus filhos a os seus rebanhos?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Disse Lhe Jesus:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abTodo aquele que bebe desta \u00e1gua voltar\u00e1 a ter sede.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas aquele que beber da \u00e1gua que Eu lhe der<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>nunca mais ter\u00e1 sede:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a \u00e1gua que Eu lhe der tornar se \u00e1 nele uma nascente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>que jorra para a vida eterna\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSenhor, suplicou a mulher d\u00e1 me dessa \u00e1gua,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>para que eu n\u00e3o sinta mais sede<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e n\u00e3o tenha de vir aqui busc\u00e1-la\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Disse-lhe Jesus:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abVai chamar o teu marido e volta aqui\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Respondeu-lhe a mulher: \u00abN\u00e3o tenho marido\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jesus replicou:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abDisseste bem que n\u00e3o tens marido,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>pois tiveste cinco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e aquele que tens agora n\u00e3o \u00e9 teu marido.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Neste ponto falaste verdade\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Disse-lhe a mulher:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Senhor, vejo que \u00e9s profeta.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os nossos antepassados adoraram neste monte<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e v\u00f3s dizeis que \u00e9 em Jerusal\u00e9m que se deve adorar\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Disse lhe Jesus:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abMulher, podes acreditar em Mim:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vai chegar a hora em que nem neste monte nem em Jerusal\u00e9m adorareis o Pai.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>V\u00f3s adorais o que n\u00e3o conheceis;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>n\u00f3s adoramos o que conhecemos,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>porque a salva\u00e7\u00e3o vem dos judeus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas vai chegar a hora \u2013 e j\u00e1 chegou \u2013<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>em que os verdadeiros adoradores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>h\u00e3o de adorar o Pai em esp\u00edrito a verdade,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>pois s\u00e3o esses os adoradores que o Pai deseja.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deus \u00e9 esp\u00edrito<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e os seus adoradores devem ador\u00e1-l\u2019O em esp\u00edrito e verdade\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Disse-Lhe a mulher:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEu sei que h\u00e1 de vir o Messias,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>isto \u00e9, Aquele que chamam Cristo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando vier h\u00e1 de anunciar nos todas as coisas\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Respondeu lhe Jesus:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abSou Eu, que estou a falar contigo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nisto, chegaram os disc\u00edpulos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e ficaram admirados por Ele estar a falar com aquela mulher,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>mas nenhum deles Lhe perguntou:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abQue pretendes?\u00bb, ou ent\u00e3o: \u00abPorque falas com ela?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A mulher deixou a bilha, correu \u00e0 cidade e falou a todos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abVinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o ser\u00e1 Ele o Messias?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eles sa\u00edram da cidade e vieram ter com Jesus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entretanto, os disc\u00edpulos insistiam com Ele, dizendo:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abMestre, come\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas Ele respondeu-lhes:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEu tenho um alimento para comer que v\u00f3s n\u00e3o conheceis\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os disc\u00edpulos perguntavam uns aos outros:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abPorventura algu\u00e9m Lhe trouxe de comer?\u00bb<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Disse-lhes Jesus:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abO meu alimento \u00e9 fazer a vontade d\u2019Aquele que me enviou<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e realizar a sua obra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o dizeis v\u00f3s que dentro de quatro meses<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>chegar\u00e1 o tempo da colheita?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pois bem, Eu digo-vos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Erguei os olhos e vede os campos,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>que j\u00e1 est\u00e3o loiros para a ceifa.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 o ceifeiro recebe o sal\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e recolhe o fruto para a vida eterna<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e, deste modo, se alegra o semeador juntamente com o ceifeiro.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nisto se verifica o ditado:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018um \u00e9 o que semeia e outro o que ceifa\u2019.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu \u00abmandei-vos ceifar o que n\u00e3o trabalhastes.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outros trabalharam e v\u00f3s aproveitais-vos do seu trabalho\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>por causa da palavra da mulher, que testemunhava:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abEle disse-me tudo o que eu fiz\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por isso os samaritanos, quando vieram ao encontro de Jesus,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>pediram-Lhe que ficasse com eles.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E ficou l\u00e1 dois dias.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao ouvi l\u2019O, muitos acreditaram e diziam \u00e0 mulher:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abJ\u00e1 n\u00e3o \u00e9 por causa das tuas palavras que acreditamos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00f3s pr\u00f3prios ouvimos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>e sabemos que Ele \u00e9 realmente o Salvador do mundo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A narra\u00e7\u00e3o do evangelista Jo\u00e3o leva-nos at\u00e9 junto de um po\u00e7o, na cidade samaritana de Sicar. A Samaria era a regi\u00e3o central da Palestina \u2013 uma regi\u00e3o heterodoxa, habitada por uma ra\u00e7a de sangue misturado (de judeus e pag\u00e3os) e de religi\u00e3o sincretista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na \u00e9poca do Novo Testamento, existia uma animosidade com ra\u00edzes bem antigas entre samaritanos e judeus. A divis\u00e3o entre as duas comunidades come\u00e7ou logo ap\u00f3s a morte de Salom\u00e3o (932 a.C.), quando as tribos do Norte e do centro se recusaram a aceitar Robo\u00e3o, filho de Salom\u00e3o, como seu rei. O pa\u00eds dividiu-se: as tribos do Norte e do centro escolheram para rei um tal Jerobo\u00e3o e constitu\u00edram o reino de Israel, com capital em Siqu\u00e9m (cf. 1Rs 12); as tribos do Sul permaneceram sob a autoridade de Robo\u00e3o, filho de Salom\u00e3o, constituindo o reino de Jud\u00e1, com capital em Jerusal\u00e9m. A partir daqui os dois grupos seguiram caminhos separados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A situa\u00e7\u00e3o piorou quando, em 721 a.C., o reino de Israel foi tomado pelos ass\u00edrios e uma parte da popula\u00e7\u00e3o da Samaria (cerca de quatro por cento) foi deportada para a Ass\u00edria. Foi o fim do reino de Israel. Na Samaria instalaram-se, por essa altura, colonos ass\u00edrios que se misturaram com a popula\u00e7\u00e3o local. Para os judeus, os habitantes da Samaria come\u00e7aram, ent\u00e3o, a paganizar-se (cf. 2Rs 17,29). Em 586 a.C. foi a vez de Jud\u00e1 sofrer uma derrota \u00e0s m\u00e3os dos babil\u00f3nios e de a maior parte da popula\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m ter sido levada para o cativeiro, para a Babil\u00f3nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A rela\u00e7\u00e3o entre as duas comunidades deteriorou-se ainda mais quando, ap\u00f3s o regresso dos judeus do Ex\u00edlio na Babil\u00f3nia (538 a.C.), estes recusaram a ajuda dos samaritanos (cf. Esd 4,1-5) para reconstruir o Templo de Jerusal\u00e9m (ano 437 a.C.) e denunciaram os casamentos mistos. Tiveram, ent\u00e3o, de enfrentar a oposi\u00e7\u00e3o dos samaritanos na reconstru\u00e7\u00e3o da cidade (cf. Ne 3,33-4,17). No ano 333 a.C., um novo fator veio agravar o conflito: os samaritanos constru\u00edram um Templo no monte Garizim, um templo que pretendia fazer concorr\u00eancia ao templo de Jerusal\u00e9m. O Templo samaritano do monte Garizim viria a ser destru\u00eddo em 128 a.C., por Jo\u00e3o Hircano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As picardias continuaram entre os dois grupos. A mais famosa aconteceu por volta do ano 6 d.C., quando os samaritanos profanaram o Templo de Jerusal\u00e9m durante a festa da P\u00e1scoa, espalhando ossos humanos nos \u00e1trios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na \u00e9poca neotestament\u00e1ria era ponto assente, para os judeus, que os samaritanos eram hereges, pois tinham sangue de povos estrangeiros e praticavam uma religi\u00e3o sincretista, que misturava elementos da f\u00e9 javista com elementos religiosos herdados de outros povos. Os samaritanos, por sua vez, desprezavam profundamente os judeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O po\u00e7o referido na narrativa jo\u00e2nica era conhecido como o \u201cpo\u00e7o de Jacob\u201d. Estava situado no rico vale entre os montes Ebal e Garizim, n\u00e3o longe da cidade samaritana de Siqu\u00e9m (em aramaico, Sicara \u2013 a atual Askar). Trata-se de um po\u00e7o estreito, aberto na rocha calc\u00e1ria, e cuja profundidade ultrapassa os 30 metros. Segundo a tradi\u00e7\u00e3o, teria sido aberto pelo patriarca Jacob. Os dados arqueol\u00f3gicos revelam que o \u201cpo\u00e7o de Jacob\u201d serviu os samaritanos entre o ano 1000 a.C. e o ano 500 d.C. (embora ainda hoje se possa extrair dele \u00e1gua).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na tradi\u00e7\u00e3o religiosa de Israel, o \u201cpo\u00e7o\u201d \u00e9 um elemento m\u00edtico, que parece referido em numerosos textos e evoca a presen\u00e7a de Deus que acompanha o seu povo ao longo da sua peregrina\u00e7\u00e3o pela hist\u00f3ria. Sintetiza os po\u00e7os abertos pelos patriarcas e a \u00e1gua que Mois\u00e9s fez brotar do rochedo no deserto (primeira leitura de hoje); mas, sobretudo, torna-se figura da Lei (do po\u00e7o da Lei brota a \u00e1gua-viva que mata a sede de vida do Povo de Deus), que a tradi\u00e7\u00e3o judaica considerava observada j\u00e1 pelos patriarcas, antes de ser dada ao Povo por Mois\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Evangelho segundo S\u00e3o Jo\u00e3o apresenta Jesus como o Messias, Filho de Deus, enviado pelo Pai para criar um Homem Novo. No chamado \u201cLivro dos Sinais\u201d (cf. Jo 4,1-11,56), o autor apresenta \u2013 recorrendo aos \u201csinais\u201d da \u00e1gua (cf. Jo 4,1-5,47), do p\u00e3o (cf. Jo 6,1-7,53), da luz (cf. Jo 8,12-9,41), do pastor (cf. Jo 10,1-42) e da vida (cf. Jo 11,1-56) \u2013 um conjunto de catequeses sobre a a\u00e7\u00e3o criadora do Messias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O nosso texto \u00e9, exatamente, a primeira catequese do \u201cLivro dos Sinais\u201d: atrav\u00e9s do \u201csinal\u201d da \u00e1gua, o autor vai descrever a a\u00e7\u00e3o criadora e vivificadora de Jesus. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A modernidade criou-nos grandes expectativas de progresso, de emancipa\u00e7\u00e3o individual, de realiza\u00e7\u00e3o pessoal, e prometeu-nos um futuro de liberdade e felicidade atrav\u00e9s da raz\u00e3o, da ci\u00eancia e da tecnologia. Disse-nos que tinha na manga a resposta para todas as nossas procuras e que podia responder a todas as nossas necessidades. Garantiu-nos que a vida verdadeira estava na liberdade absoluta, numa vida vivida sem o controle de Deus; disse-nos que os avan\u00e7os cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos iriam tornar a nossa exist\u00eancia c\u00f3moda, eliminar a doen\u00e7a e protelar a morte; afirmou que a nossa seguran\u00e7a estava numa conta banc\u00e1ria recheada, no reconhecimento social, no \u00eaxito profissional, na ades\u00e3o \u00e0s indica\u00e7\u00f5es dos l\u00edderes de opini\u00e3o, na conforma\u00e7\u00e3o com o movimento geral das massas\u2026 No entanto, todas as nossas vit\u00f3rias e conquistas n\u00e3o conseguem calar a nossa sede de eternidade, de plenitude, dessa \u201cmais qualquer coisa\u201d que nos falta para sermos, realmente, felizes e para nos sentirmos plenamente realizados. A afirma\u00e7\u00e3o essencial que o Evangelho de hoje faz \u00e9: s\u00f3 Jesus Cristo oferece a \u00e1gua que mata definitivamente a sede de vida e de felicidade do homem. Precisamos de escutar Jesus e de abra\u00e7ar o seu projeto. O que pensamos disso? O que \u00e9 que Jesus significa para n\u00f3s? Ele \u00e9 \u201ca \u00e1gua\u201d sem a qual n\u00e3o conseguimos viver? A sua proposta sacia a nossa sede de vida? O que \u00e9 preciso para conseguirmos que os homens do nosso tempo aprendam a olhar para Jesus e a tomar consci\u00eancia da proposta de vida plena que Ele oferece a todos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cSe conhecesses o dom de Deus e quem \u00e9 Aquele que te diz: \u2018D\u00e1-Me de beber\u2019, tu \u00e9 que Lhe pedirias e Ele te daria \u00e1gua-viva\u201d \u2013 diz Jesus \u00e0 mulher samaritana. A \u201c\u00e1gua-viva\u201d de que Jesus fala evoca imediatamente em n\u00f3s a fonte batismal. Para cada um de n\u00f3s, o dia do nosso batismo foi o come\u00e7o de uma caminhada com Jesus\u2026 Nesse momento aderimos a Jesus e \u00e0 vida que Ele oferece, acolhemos em n\u00f3s o Esp\u00edrito que transforma, que renova, que nos capacita para vivermos como \u201cfilhos de Deus\u201d e que nos leva ao encontro da vida plena e definitiva. Depois disso, percorremos um caminho, fizemos op\u00e7\u00f5es, elegemos valores sobre os quais fundamentamos a nossa vida. A nossa vida tem sido verdadeiramente coerente com as op\u00e7\u00f5es que fizemos no dia em que recebemos o batismo? Temos procurado deixar-nos conduzir pelo Esp\u00edrito? O compromisso que assumimos no dia em que fomos batizados \u00e9 uma realidade que continua a marcar a nossa vida, os nossos gestos, os nossos valores, as nossas op\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Atentemos no pormenor do \u201cc\u00e2ntaro\u201d abandonado pela samaritana, depois de se encontrar com Jesus\u2026 O \u201cc\u00e2ntaro\u201d significa e representa tudo aquilo que nos d\u00e1 acesso a essas propostas limitadas, fal\u00edveis, incompletas de felicidade. O abandono do \u201cc\u00e2ntaro\u201d significa o romper com todos os esquemas de busca de felicidade ego\u00edsta, para abra\u00e7ar a verdadeira e \u00fanica proposta de vida plena, a proposta que nos vem de Jesus. Neste tempo de quaresma \u2013 tempo de \u201cconvers\u00e3o\u201d, de mudan\u00e7a, de refazer a nossa vida, de reequacionar as nossas op\u00e7\u00f5es, de \u201cvoltar ao encontro de Deus\u201d \u2013 estamos dispostos a abandonar o caminho da felicidade ego\u00edsta, parcial, incompleta, e a abrir o nosso cora\u00e7\u00e3o ao Esp\u00edrito que Jesus nos oferece e que exige de n\u00f3s uma vida nova?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aquela mulher an\u00f3nima da Samaria, depois de encontrar o \u201csalvador do mundo\u201d que veio trazer aos homens a \u00e1gua que mata a sede de vida eterna, n\u00e3o guardou para si pr\u00f3pria essa experi\u00eancia inolvid\u00e1vel e n\u00e3o se fechou em casa a gozar a sua descoberta\u2026 Correu para a cidade e partilhou com os seus concidad\u00e3os a verdade que tinha encontrado e que tinha alterado a sua vis\u00e3o da vida: \u201cVinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. N\u00e3o ser\u00e1 Ele o Messias?\u201d. As experi\u00eancias que mudam a nossa exist\u00eancia e que nos abrem horizontes novos, n\u00e3o s\u00e3o para ficar confinadas nos nossos mundos pessoais. Quando nos encontramos com Jesus e descobrimos, com Ele, novos horizontes e novas possibilidades, partilhamos essa descoberta com aqueles que caminham ao nosso lado pelas estradas da vida? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, deve haver um especial cuidado com as palavras de mais dif\u00edcil pronuncia\u00e7\u00e3o: \u00abaltercar\u00bb, \u00abalterca\u00e7\u00e3o\u00bb, \u00abMassa\u00bb (deve pronunciar-se\u00a0<em>M\u00e1ss\u00e1<\/em>) e \u00abMeriba\u00bb (deve pronunciar-se\u00a0<em>M\u00e9rib\u00e1<\/em>). Neste texto, deve ainda ter-se em aten\u00e7\u00e3o o texto em discurso direto, articulando bem as diferentes interroga\u00e7\u00f5es, que devem ser proclamadas evitando a exagerada acentua\u00e7\u00e3o interrogativa no final de cada frase, mas acentuando a part\u00edcula interrogativa ou a forma verbal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>segunda leitura<\/strong> exige uma aturada prepara\u00e7\u00e3o assinalando as pausas e as respira\u00e7\u00f5es, pois o texto \u00e9 marcado por frases longas e com v\u00e1rias ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Leitura-I-do-Domingo-III-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-08.03.2026-Exodo-17-3-7.pdf\">Leitura I do Domingo III do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 08.03.2026 (\u00caxodo 17, 3-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Leitura-II-do-Domingo-III-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-08.03.2026-Romanos-5-1-2.5-8.pdf\">Leitura II do Domingo III do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 08.03.2026 (Romanos 5, 1-2.5-8)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Domingo-III-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-08.03.2026-Lecionario.pdf\">Domingo III do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 08.03.2026 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Domingo-III-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-08.03.2026-Oracao-Universal.pdf\">Domingo III do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 08.03.2026 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Domingo-III-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-08.03.2026-refletindo.pdf\">Domingo III do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 08.03.2026 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-III-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-08.03.2026.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo III do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 08.03.2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Mensagem-de-SS-Papa-Leao-XIV-para-a-Quaresma-de-2026.pdf\">Mensagem de SS Papa Le\u00e3o XIV para a Quaresma de 2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo II do Tempo da Quaresma \u2013 Ano A \u2013 01.03.2026&#8243; tab_id=&#8221;1773048713409-e89dacd3-654f&#8221;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4>Domingo II do Tempo da Quaresma \u2013 Ano A \u2013 01.03.2026<\/h4>\n<figure id=\"attachment_12653\" aria-describedby=\"caption-attachment-12653\" style=\"width: 567px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12653 size-full\" style=\"color: inherit; font-family: inherit; font-size: inherit;\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Domingo-II.jpg\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"418\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12653\" class=\"wp-caption-text\">\u201cE apareceram Mois\u00e9s e Elias a falar com Ele. Pedro disse a Jesus: \u00abSenhor, como \u00e9 bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui tr\u00eas tendas: uma para Ti, outra para Mois\u00e9s e outra para Elias\u00bb\u201d<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida crist\u00e3 envolve a vida toda e toda a vida e o convite \u00e0 convers\u00e3o que se torna mais incisivo neste tempo quaresmal recorda-nos precisamente que a convers\u00e3o exige uma transforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o e da vida que chegue a todos os \u00e2mbitos da nossa a\u00e7\u00e3o. A convers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma ades\u00e3o intelectual \u00e0 proposta de Jesus Cristo, nem um conjunto de boas inten\u00e7\u00f5es para a pr\u00e1tica de boas obras, mas o encontro decisivo com Jesus que nos faz entrar na din\u00e2mica sempre nova de conformar a nossa vida com a Sua vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No nosso itiner\u00e1rio quaresmal, o segundo Domingo da Quaresma irrompe luminosamente, apresentando Jesus sobre o monte com Pedro, Tiago e Jo\u00e3o. Assim como estes tr\u00eas disc\u00edpulos foram escolhidos e chamados, tamb\u00e9m n\u00f3s, somos convocados pelo amor misericordioso de Jesus que gratuitamente nos escolhe para nos fazer experimentar a luz nova que s\u00f3 o Seu amor e Sua gra\u00e7a nos podem oferecer. Assim nos testemunha S. Paulo, escrevendo a Tim\u00f3teo e recordando-lhe a livre, gratuita e generosa a\u00e7\u00e3o de Deus nas nossas vidas: \u00ab<em>sofre comigo pelo Evangelho, apoiado na for\u00e7a de Deus. Ele salvou-nos e chamou-nos \u00e0 santidade, n\u00e3o em virtude das nossas obras, mas do seu pr\u00f3prio des\u00edgnio e da sua gra\u00e7a<\/em>\u00bb. Deste modo, agradecidos pelo dom generoso da vida divina que nos \u00e9 concedida para l\u00e1 das nossas boas obras, somos convidados a conformar a nossa vida com este mist\u00e9rio de amor que nos inquieta, desinstala e coloca a caminho. Partir \u00e9 palavra de ordem para quem encontra em Jesus o sentido da sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus n\u00e3o se det\u00e9m nem nos det\u00e9m, mas envia-nos: \u00ab<em>levantai-vos e n\u00e3o temais<\/em>\u00bb. Como \u00e9 importante recordar aqui o convite dirigido por Deus a Abra\u00e3o para deixar a sua terra e a sua fam\u00edlia. Mais importante ainda porque Deus n\u00e3o lhe indica uma meta geogr\u00e1fica, mas apenas a certeza da sua presen\u00e7a: \u00ab<em>vai para a terra que Eu te indicar<\/em>\u00bb. Se \u00e9 o Senhor Deus que lhe vai indicar o caminho, ent\u00e3o Ele caminhar\u00e1 com Ele, estar\u00e1 com Ele para o guiar, proteger e defender. Por isso, Abra\u00e3o parte confiado na palavra do Senhor, ainda que humanamente tivesse raz\u00f5es para desconfiar, pois a promessa de Deus \u00e9 de fazer dele uma grande na\u00e7\u00e3o e oferecer-lhe uma in\u00famera descend\u00eancia, mas Abra\u00e3o e sua mulher Sara s\u00e3o de idade avan\u00e7ada. Todavia, \u00ab<em>Abr\u00e3o partiu, como o Senhor lhe tinha ordenado<\/em>\u00bb e a promessa de Deus realizou-se para nos testemunhar a certeza que quando somos capazes de abandonar os nossos comodismos, as nossas certezas fundadas apenas nas nossas capacidades humanas e nos abrimos \u00e0 livre, gratuita e generosa iniciativa de Deus a nossa vida se torna lugar de b\u00ean\u00e7\u00e3o que difunde ao longe e ao largo o suave perfume da ternura e da bondade do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste Domingo subimos com Jesus ao Monte e como Pedro, Tiago e Jo\u00e3o somos chamados a contemplar a luz nova que brota da Sua presen\u00e7a no meio de n\u00f3s. Aos disc\u00edpulos \u00e9 antecipada a luz nova da P\u00e1scoa que ser\u00e1 plena e definitiva na manh\u00e3 da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Na narrativa que nos apesenta S. Mateus surpreende-me sempre a descri\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia que os disc\u00edpulos fazem de Jesus. Eles\u00a0<u>contemplam<\/u>\u00a0Jesus resplandecente como o sol e com vestes brancas como a luz.\u00a0<u>V\u00eam<\/u>\u00a0Mois\u00e9s e Elias e a nuvem luminosa.\u00a0<u>Escutam<\/u>\u00a0a voz do Pai e\u00a0<u>s\u00e3o tocados<\/u>\u00a0por Jesus que os desafia a colocar-se ao caminho. \u00c9 curioso que apenas a narrativa da Transfigura\u00e7\u00e3o no Evangelho de Mateus nos oferece este pormenor de Jesus que toca os seus disc\u00edpulos. A experi\u00eancia pascal de encontro com Jesus Cristo, experimentada por antecipa\u00e7\u00e3o, no epis\u00f3dio da transfigura\u00e7\u00e3o, convida-nos a contemplar, a ver, a escutar, a ser tocados, a caminhar, isto \u00e9, convida-nos a uma transforma\u00e7\u00e3o da vida toda, implicando todos os sentidos e desafiando a uma convers\u00e3o cada vez mais total e totalizante das nossas vidas. <strong><em>in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + <\/em><\/strong><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>Estamos no Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanhamos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>G\u00e9nesis 12,1-4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\no Senhor disse a Abr\u00e3o:<br \/>\n\u00abDeixa a tua terra, a tua fam\u00edlia e a casa de teu pai<br \/>\ne vai para a terra que Eu te indicar.<br \/>\nFarei de ti uma grande na\u00e7\u00e3o e te aben\u00e7oarei;<br \/>\nengrandecerei o teu nome e ser\u00e1s uma b\u00ean\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAben\u00e7oarei a quem te aben\u00e7oar,<br \/>\namaldi\u00e7oarei a quem te amaldi\u00e7oar;<br \/>\npor ti ser\u00e3o aben\u00e7oadas todas as na\u00e7\u00f5es da terra\u00bb.<br \/>\nAbr\u00e3o partiu, como o Senhor lhe tinha ordenado<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura de hoje faz parte de um bloco de textos a que se costuma dar o nome gen\u00e9rico de \u201ctradi\u00e7\u00f5es patriarcais\u201d (cf. Gn 12-36). Trata-se de um conjunto de relatos singulares, originalmente independentes uns dos outros, sem grande unidade e sem car\u00e1cter de documento hist\u00f3rico. Esses cap\u00edtulos re\u00fanem materiais bastante diversos: \u201cmitos de origem\u201d (relatos que descreviam a \u201ctomada de posse\u201d de um lugar pelo patriarca de um determinado cl\u00e3), \u201clendas cultuais\u201d (narrativas populares cheias de elementos fant\u00e1sticos, que descreviam como uma figura divina tinha aparecido num determinado lugar ao patriarca de um cl\u00e3 e lhe tinha deixado uma mensagem, dando origem a um culto), indica\u00e7\u00f5es mais ou menos concretas sobre o dia a dia dos cl\u00e3s n\u00f3madas que circularam pela Palestina durante o segundo mil\u00e9nio (nascimentos e mortes, casamentos, conflitos familiares, lutas pela \u00e1gua ou pelas pastagens contra os pastores de outros cl\u00e3s ou contra os povos sedent\u00e1rios das regi\u00f5es que atravessavam) e reflex\u00f5es teol\u00f3gicas posteriores destinadas a apresentar aos crentes israelitas modelos de vida e de f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por detr\u00e1s do quadro teol\u00f3gico e catequ\u00e9tico que nos \u00e9 proposto nesses cap\u00edtulos est\u00e3o as migra\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas de diversos povos n\u00f3madas, antepassados do povo b\u00edblico, nos in\u00edcios do segundo mil\u00e9nio a.C. Por essa \u00e9poca, a hist\u00f3ria regista um forte movimento migrat\u00f3rio de povos amorreus entre a Mesopot\u00e2mia e o Egipto, passando pela terra de Canaan. S\u00e3o povos que n\u00e3o conseguiram fixar-se na Mesopot\u00e2mia \u2013 ou que tiveram de a abandonar por causa de convuls\u00f5es pol\u00edticas registadas nessa zona no in\u00edcio do segundo mil\u00e9nio \u2013 e que continuaram o seu caminho migrat\u00f3rio ao longo do Crescente F\u00e9rtil, \u00e0 procura de uma terra onde \u201cplantar\u201d definitivamente a sua tenda, de forma a escapar aos perigos e incomodidades da vida n\u00f3mada. Os nossos patriarcas b\u00edblicos fazem parte dessa onda migrat\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cl\u00e3s referenciados nas \u201ctradi\u00e7\u00f5es patriarcais\u201d \u2013 nomeadamente os de Abra\u00e3o, Isaac, Jacob e Lot \u2013 transportavam consigo os seus sonhos e esperan\u00e7as. O denominador comum desses sonhos era a esperan\u00e7a de encontrar uma terra f\u00e9rtil e bem irrigada, bem como possuir uma fam\u00edlia forte e numerosa que perpetuasse a \u201cmem\u00f3ria\u201d da tribo e se impusesse aos inimigos. \u201cUma terra e uma descend\u00eancia numerosa\u201d: tal era o sonho que cada uma destas tribos longamente contemplava enquanto deambulava de terra em terra, ao sabor das vicissitudes do dia a dia, da abund\u00e2ncia ou da car\u00eancia de pastos e de fontes de \u00e1gua. O deus aceite pelo cl\u00e3 seria, para cada um destes grupos, o garante da concretiza\u00e7\u00e3o desses sonhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abra\u00e3o, o protagonista da nossa primeira leitura deste domingo, viveu por volta de 1850 a.C. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A figura de Abra\u00e3o que nos \u00e9 apresentada pela catequese de Israel tem sido, ao longo dos tempos, uma figura inspiradora para todos os crentes. Abra\u00e3o \u00e9 o homem que encontra Deus, que est\u00e1 atento aos seus sinais e sabe interpret\u00e1-los, que responde aos desafios de Deus com uma obedi\u00eancia plena e com uma entrega total\u2026 Abra\u00e3o, o homem que vive de Deus e para Deus, continua hoje a questionar o homem moderno, esse homem atarefado e autossuficiente que n\u00e3o tem tempo para \u201cperder\u201d com Deus pois est\u00e1 demasiado ocupado a conquistar o mundo, a ganhar dinheiro, a construir uma carreira recheada de \u00eaxitos, ou a aproveitar todos os \u201cgozos\u201d que a vida lhe pode proporcionar. H\u00e1 lugar para Deus no nosso projeto de vida? No meio do ru\u00eddo ensurdecedor que preenche as nossas idas e vindas, conseguimos escutar a voz de Deus? Como respondemos aos desafios que Deus a cada passo nos coloca?<\/li>\n<li>Abra\u00e3o escuta a voz de Deus. Deus manda-o partir e Abra\u00e3o simplesmente p\u00f5e-se a caminho. N\u00e3o discute, n\u00e3o argumenta, n\u00e3o pede garantias, n\u00e3o p\u00f5e condi\u00e7\u00f5es. N\u00e3o pede nenhum \u201csistema de posicionamento global\u201d (GPS) para se orientar, nem solicita mapas atualizados dos caminhos que ter\u00e1 de percorrer. N\u00e3o pergunta qual \u00e9 o seu destino final, n\u00e3o exige saber se vai ao encontro de uma vida mais f\u00e1cil. Simplesmente entrega-se nas m\u00e3os de Deus e vai. Com confian\u00e7a absoluta, com total disponibilidade. A atitude de Abra\u00e3o questiona o homem instalado e comodista, que prefere apostar na seguran\u00e7a do que j\u00e1 tem, em vez de arriscar na novidade de Deus, ou deixar que a Palavra de Deus ponha em causa os seus velhos h\u00e1bitos, a sua forma de vida e a sua instala\u00e7\u00e3o. Estamos dispostos a mudar os nossos horizontes, a \u201cpormo-nos a caminho\u201d em dire\u00e7\u00e3o a essa terra nova da vida plena e aut\u00eantica que Deus nos aponta, ou preferimos continuar prisioneiros dos nossos esquemas pr\u00e9-concebidos, dos nossos medos, dos nossos velhos h\u00e1bitos, das nossas velhas formas de pensar, de agir e de julgar os outros?<\/li>\n<li>O \u201cencontro\u201d de Deus com Abra\u00e3o n\u00e3o foi obra do acaso, mas sim fruto de uma clara decis\u00e3o de Deus. A iniciativa de Deus mostra o seu interesse em relacionar-se com a humanidade, em estabelecer com os homens la\u00e7os de comunh\u00e3o e de familiaridade. Por detr\u00e1s desse \u201cinteresse\u201d de Deus est\u00e1 o seu projeto de salva\u00e7\u00e3o: Deus quer \u2013 quer muito \u2013 oferecer aos homens e mulheres que criou a possibilidade de se realizarem, de terem acesso \u00e0 vida eterna. Talvez n\u00f3s, seres humanos, encerrados em horizontes limitados e ocupados a viver \u201ca prazo\u201d nem sempre consigamos vislumbrar o alcance do projeto de salva\u00e7\u00e3o que Deus tem em marcha; talvez n\u00f3s, seres humanos, seduzidos pela ambi\u00e7\u00e3o, pelo comodismo e pela autossufici\u00eancia, prefiramos apostar no imediato, no facilitismo, no brilho ilus\u00f3rio das coisas ef\u00e9meras\u2026 Os homens e mulheres do nosso tempo \u2013 do s\u00e9c. XXI \u2013 t\u00eam consci\u00eancia de que Deus tem um plano de salva\u00e7\u00e3o \u2013 de vida eterna, de realiza\u00e7\u00e3o plena \u2013 para lhes propor? Sentimo-nos testemunhas e arautos desse projeto no meio dos homens e mulheres que percorrem connosco o caminho da vida? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>SALMO 32 (33)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Esperamos, Senhor, na vossa miseric\u00f3rdia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Des\u00e7a sobre n\u00f3s a vossa miseric\u00f3rdia,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>porque em V\u00f3s esperamos, Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A palavra do Senhor \u00e9 reta,<br \/>\nna fidelidade nascem as suas obras.<br \/>\nEle ama a justi\u00e7a e a retid\u00e3o:<br \/>\na terra est\u00e1 cheia da bondade do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os olhos do Senhor est\u00e3o voltados para os que O temem,<br \/>\npara os que esperam na sua bondade,<br \/>\npara libertar da morte as suas almas<br \/>\ne os alimentar no tempo da fome.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A nossa alma espera o Senhor:<br \/>\nEle \u00e9 o nosso amparo e protetor.<br \/>\nVenha sobre n\u00f3s a vossa bondade,<br \/>\nporque em V\u00f3s esperamos, Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>2 Tim\u00f3teo 1,8b-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Car\u00edssimo:<br \/>\nSofre comigo pelo Evangelho, apoiado na for\u00e7a de Deus.<br \/>\nEle salvou-nos e chamou-nos \u00e0 santidade,<br \/>\nn\u00e3o em virtude das nossas obras,<br \/>\nmas do seu pr\u00f3prio des\u00edgnio e da sua gra\u00e7a.<br \/>\nEsta gra\u00e7a, que nos foi dada em Cristo Jesus,<br \/>\ndesde toda a eternidade<br \/>\nmanifestou-se agora pelo aparecimento<br \/>\nde Cristo Jesus, nosso Salvador,<br \/>\nque destruiu a morte<br \/>\ne fez brilhar a vida e a imortalidade,<br \/>\npor meio do Evangelho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a narrativa dos Atos dos Ap\u00f3stolos, Paulo encontrou Tim\u00f3teo em Listra, cidade da Lica\u00f3nia (regi\u00e3o hist\u00f3rica no interior da antiga \u00c1sia Menor, na atual Turquia), no decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria. Filho de pai grego e de m\u00e3e judeo-crist\u00e3, Tim\u00f3teo devia ser ainda bastante jovem, nessa altura (cf. At 16,1). No entanto, Paulo n\u00e3o hesitou em lev\u00e1-lo consigo atrav\u00e9s da \u00c1sia Menor, da Maced\u00f3nia e da Gr\u00e9cia. T\u00edmido e reservado, de sa\u00fade delicada (em 1Tm 5,23 Paulo aconselha: \u201cn\u00e3o continues a beber s\u00f3 \u00e1gua, mas mistura-a com um pouco de vinho, por causa do teu est\u00f4mago e das tuas frequentes indisposi\u00e7\u00f5es\u201d), Tim\u00f3teo tornou-se um companheiro fiel e discreto do ap\u00f3stolo no trabalho mission\u00e1rio. Para n\u00e3o ter problemas com os judeus, Paulo f\u00ea-lo circuncidar (cf. At 16,3); e, numa data desconhecida para n\u00f3s, Tim\u00f3teo recebeu dos anci\u00e3os a \u201cimposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os\u201d (cf. 1Tm 4,14) que o designava como enviado da comunidade para anunciar o Evangelho de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atividade de Tim\u00f3teo est\u00e1 bastante ligada a Paulo, como o demonstram as cont\u00ednuas refer\u00eancias que Paulo lhe faz nos seus escritos. Com ternura, Paulo refere-se a Tim\u00f3teo como o \u201cnosso irm\u00e3o, colaborador de Deus na prega\u00e7\u00e3o do Evangelho de Cristo\u201d (1Ts 3,2); e faz refer\u00eancias a Tim\u00f3teo nas Cartas aos Tessalonicenses (cf. 1Ts 11,1; 2Ts 1,1), na 2 Cor\u00edntios (cf. 2Cor 1,1), na Carta aos Romanos (cf. Rm 16,21), na Carta aos Filipenses (cf. Flp 1,1), na Carta aos Colossenses (cf. Cl 1,1) e na Carta a Fil\u00e9mon (cf. Flm 1). Encarregou-o, tamb\u00e9m, de miss\u00f5es particulares entre os Tessalonicenses (cf. 1Ts 3,2.6) e entre os Cor\u00edntios (cf. 1 Cor 4,17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 segunda Carta a Tim\u00f3teo h\u00e1, no entanto, uma quest\u00e3o em aberto: a maioria dos comentadores considera esta carta posterior a Paulo (o mesmo acontece com a 1 Tim\u00f3teo e com a Carta a Tito), sobretudo por a\u00ed aparecer um modelo de organiza\u00e7\u00e3o da Igreja que parece ser de uma \u00e9poca tardia, isto \u00e9, de finais do s\u00e9c. I ou princ\u00edpios do s\u00e9c. II). Talvez alguns dados da carta \u2013 de natureza bastante pessoal \u2013 venham de Paulo; mas dificilmente este escrito pode ser atribu\u00eddo a Paulo na sua totalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tim\u00f3teo \u00e9, por esta altura, bispo de \u00c9feso, na costa ocidental da \u00c1sia Menor. Est\u00e3o a come\u00e7ar as grandes persegui\u00e7\u00f5es; muitos crist\u00e3os est\u00e3o desanimados e vacilam na f\u00e9. \u00c9 preciso que os l\u00edderes das comunidades \u2013 entre os quais est\u00e1 Tim\u00f3teo \u2013 mantenham o \u00e2nimo e ajudem as comunidades a enfrentar, com fortaleza, as dificuldades que se avizinham.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MENSAGEM<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor do escrito \u2013 que refere, de passagem, a sua situa\u00e7\u00e3o de \u201cprisioneiro\u201d por causa do Evangelho (vers. 8a) \u2013 exorta Tim\u00f3teo a ser, para a comunidade crist\u00e3 cuja responsabilidade lhe foi confiada, um modelo de fidelidade, de amor, de bom senso e de fortaleza no testemunho da f\u00e9. Foi para isso que ele recebeu a \u201cimposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os\u201d, gesto que o capacitou para o cumprimento da sua miss\u00e3o apost\u00f3lica (cf. 2Tm 1,6-7). O dom de Deus, continuamente reavivado, far\u00e1 com que Tim\u00f3teo supere a sua juventude e timidez e d\u00ea testemunho de Cristo e do seu Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De resto, Tim\u00f3teo dever\u00e1 ter sempre presente que foi escolhido e chamado para colaborar no projeto salvador de Deus em favor dos homens. Recorrendo, provavelmente, a um fragmento de um velho hino lit\u00fargico cantado nas primeiras comunidades crist\u00e3s, o autor da Carta lembra a Tim\u00f3teo a grandeza e a beleza desse projeto: Deus, no seu amor infinito, quer que todos os homens se salvem e encontrem vida em abund\u00e2ncia; sem ter em conta as faltas e as indignidades dos homens, Deus quis oferecer-lhes gratuitamente a sua salva\u00e7\u00e3o; ora, essa salva\u00e7\u00e3o \u201capresentou-se\u201c na hist\u00f3ria humana na pessoa de Jesus Cristo, o Filho de Deus que \u201cdesceu\u201d ao encontro dos homens, que caminhou com eles, que lhes ofereceu a salva\u00e7\u00e3o de Deus, que lutou contra a injusti\u00e7a, a viol\u00eancia e o pecado, que derrotou a morte, que irradiou a vida e a imortalidade por meio do Evangelho que prop\u00f4s (vers. 9-10). Esta maravilhosa iniciativa de Deus \u00e9 o acontecimento decisivo da hist\u00f3ria dos homens. Nesse longo caminho que a humanidade vem percorrendo pela hist\u00f3ria, nada h\u00e1 de mais grandioso e de mais decisivo do que este projeto de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, tanto Paulo como Tim\u00f3teo foram escolhidos por Deus para \u201cministros\u201d deste projeto. \u00c9 uma voca\u00e7\u00e3o sublime! Apesar dos seus limites e fragilidades, Deus quis contar com eles para darem testemunho no meio dos homens da sua salva\u00e7\u00e3o. Paulo e Tim\u00f3teo \u2013 e tantos outros que Deus escolheu e enviou \u2013 s\u00e3o arautos da salva\u00e7\u00e3o de Deus. N\u00e3o podem, de forma nenhuma, \u201cesconder-se\u201d, demitir-se da responsabilidade que lhes foi confiada, deixar-se abater pelo medo, calar essa \u201cBoa Not\u00edcia\u201d que Jesus lhes confiou e os convidou a testemunhar em toda a terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, aproximam-se tempos de dificuldade e de persegui\u00e7\u00e3o para todos aqueles que aderiram \u00e0 proposta de salva\u00e7\u00e3o que Jesus veio trazer. O imp\u00e9rio declarou guerra ao Evangelho de Jesus. Por todo o lado, as comunidades crist\u00e3s sentem enfraquecer a sua coragem e diminuir o seu compromisso. Muitos instalam-se na mediocridade, deixam-se arrastar pela corrente, escolhem viver sem problemas, optam pela facilidade. Nestes tempos dif\u00edceis, contudo, aqueles que, como Paulo ou como Tim\u00f3teo, t\u00eam a responsabilidade de presidir \u00e0s comunidades e animar os seus irm\u00e3os na f\u00e9, devem levar muito a s\u00e9rio a miss\u00e3o que lhes foi confiada. T\u00eam de manter-se fortes; t\u00eam de ser, no meio dos seus irm\u00e3os mais fr\u00e1geis, testemunhas vivas, entusiastas e corajosas do projeto salv\u00edfico e amoroso de Deus <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Quando olhamos para a hist\u00f3ria da humanidade com olhos de \u201ccrentes\u201d, conseguimos com alguma facilidade detetar a presen\u00e7a e a a\u00e7\u00e3o salvadora de Deus em cada passo do caminho que os homens v\u00e3o percorrendo. Formados na escola da f\u00e9, talvez isso nos pare\u00e7a bem \u201cnormal\u201d: o Deus no qual acreditamos \u00e9 um Deus que ama incondicionalmente os seus queridos filhos e que, por isso, est\u00e1 sempre disposto a oferecer-lhes a possibilidade de chegarem \u00e0 vida verdadeira. O que talvez nos pare\u00e7a mais estranho \u00e9 o facto de Deus nos chamar a colaborar com Ele nesse projeto: apesar da nossa pequenez e dos nossos limites, da nossa debilidade e da nossa tibieza, da nossa inclina\u00e7\u00e3o para a pregui\u00e7a e da nossa apet\u00eancia pelo comodismo, apesar de n\u00e3o sermos \u201cde fiar\u201d, Deus oferece-nos um papel na concretiza\u00e7\u00e3o do seu projeto de salva\u00e7\u00e3o. \u00c9 atrav\u00e9s de n\u00f3s que Deus vem ao encontro dos homens e lhes oferece a sua salva\u00e7\u00e3o. Paulo e Tim\u00f3teo fizeram essa experi\u00eancia. Talvez se tenham sentido indignos e talvez tenham desconfiado das suas fr\u00e1geis for\u00e7as; mas sentiram que n\u00e3o podiam defraudar as expetativas de Deus e levaram a s\u00e9rio o papel que Deus entendeu confiar-lhes enquanto arautos da Boa Nova da salva\u00e7\u00e3o. E n\u00f3s, sentimos que isto tamb\u00e9m nos diz respeito? Sentimos que Deus nos chama a ser arautos da sua salva\u00e7\u00e3o no meio dos nossos irm\u00e3os?<\/li>\n<li>Ser colaborador de Deus na obra da salva\u00e7\u00e3o, dar testemunho corajoso das propostas de Deus, ser \u201csinal\u201d de Deus no mundo ser\u00e1 uma voca\u00e7\u00e3o sublime; mas, em geral, n\u00e3o \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o demasiado apreciada nos tempos que correm. O homem do s\u00e9c. XXI tem dificuldade em \u201ccorrer atr\u00e1s da eternidade\u201d, em sacrificar-se para colher os valores eternos, em caminhar sob o olhar de Deus; prefere \u201cagarrar o instante\u201d, apostar no ef\u00e9mero, dar primazia \u00e0 banalidade, viver para as coisas materiais, instalar-se na mediocridade, estabelecer-se naquilo que assegura comodismo e bem-estar imediato\u2026 A \u201csalva\u00e7\u00e3o\u201d em que o homem do s\u00e9c. XXI aposta \u00e9 uma \u201csalva\u00e7\u00e3o\u201d que n\u00e3o sacia a sede de vida e de felicidade que todo o homem sente. Como resultado dessa falta de horizontes, vivemos mergulhados na frustra\u00e7\u00e3o, na depress\u00e3o, na ansiedade, na tristeza, no desespero; caminhamos de m\u00e3os vazias, sentindo-nos desorientados e \u00e0 deriva; temos medo que a nossa vida termine de repente num beco sem sa\u00edda. Como poderemos n\u00f3s, os que nos dispomos a colaborar com Deus no projeto de salva\u00e7\u00e3o que Ele tem para o mundo, colocar a transcend\u00eancia e a vida eterna no horizonte dos homens? O que podemos fazer para que os nossos contempor\u00e2neos redescubram e abracem a salva\u00e7\u00e3o que Deus quer oferecer a todos os seus filhos? O que podemos fazer para que esta pobre humanidade que trilha os caminhos do mundo encontre a \u00e1gua viva que d\u00e1 vida eterna? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO &#8211; <\/strong><strong>Mateus 17,1-9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus tomou consigo Pedro, Tiago e Jo\u00e3o seu irm\u00e3o<br \/>\ne levou os, em particular, a um alto monte<br \/>\ne transfigurou Se diante deles:<br \/>\no seu rosto ficou resplandecente como o sol<br \/>\ne as suas vestes tornaram se brancas como a luz.<br \/>\nE apareceram Mois\u00e9s e Elias a falar com Ele.<br \/>\nPedro disse a Jesus:<br \/>\n\u00abSenhor, como \u00e9 bom estarmos aqui!<br \/>\nSe quiseres, farei aqui tr\u00eas tendas:<br \/>\numa para Ti, outra para Mois\u00e9s a outra para Elias\u00bb.<br \/>\nAinda ele falava,<br \/>\nquando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra<br \/>\ne da nuvem uma voz dizia:<br \/>\n\u00abEste \u00e9 o meu Filho muito amado,<br \/>\nno qual pus toda a minha complac\u00eancia. Escutai-O\u00bb.<br \/>\nAo ouvirem estas palavras,<br \/>\nos disc\u00edpulos ca\u00edram de rosto por terra a assustaram se muito.<br \/>\nEnt\u00e3o Jesus aproximou se e, tocando os, disse:<br \/>\n\u00abLevantai vos e n\u00e3o temais\u00bb.<br \/>\nErguendo os olhos, eles n\u00e3o viram mais ningu\u00e9m, sen\u00e3o Jesus.<br \/>\nAo descerem do monte, Jesus deu lhes esta ordem:<br \/>\n\u00abN\u00e3o conteis a ningu\u00e9m esta vis\u00e3o,<br \/>\nat\u00e9 o Filho do homem ressuscitar dos mortos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio da transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus situa-se praticamente no final da \u201cetapa da Galileia\u201d. Durante um tempo relativamente longo (talvez perto de tr\u00eas anos), Jesus tinha andado pela Galileia, anunciando \u2013 com palavras (cf. Mt 5-7; 13) e com gestos poderosos (cf. 8,1-9,34) \u2013 a chegada do Reino de Deus. Ao longo dessa \u201cetapa\u201d Jesus esteve sempre acompanhado por um grupo de disc\u00edpulos: gente que tinha escutado o chamamento de Jesus (cf. Mt 4,18-22; 10,1-10,42) e que tinha decidido segui-l\u2019O. Esses disc\u00edpulos, depois de tudo o que tinham visto e escutado enquanto acompanhavam Jesus pelas vilas e aldeias da Galileia, estavam convencidos que Ele era realmente o Messias que Israel esperava (cf. Mt 16,13-20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, alguns dias antes da cena da transfigura\u00e7\u00e3o, os disc\u00edpulos tinham ficado perplexos pela maneira como Jesus lhes descreveu o futuro pr\u00f3ximo, a nova \u201cetapa\u201d que os esperava. O Mestre disse-lhes que \u201ctinha de ir a Jerusal\u00e9m e sofrer muito, da parte dos anci\u00e3os, dos sumos sacerdotes e dos doutores da Lei, ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar\u201d (Mt 16,21-22). Os disc\u00edpulos ficaram estupefactos: o caminho que Jesus se propunha seguir passava pelo sofrimento e pela morte (Ele tinha tamb\u00e9m falado em ressurrei\u00e7\u00e3o; mas, por essa altura, eles n\u00e3o sabiam bem o que isso queria dizer)? Era esse o horizonte de Jesus? N\u00e3o era com isso que contavam quando se dispuseram a andar com Ele. Pedro expressou a sua oposi\u00e7\u00e3o a tudo isso num gesto radical: tomando Jesus de parte, \u201ccome\u00e7ou a repreend\u00ea-l\u2019O, dizendo: \u2018Deus te livre, Senhor! Isso nunca te h\u00e1 de acontecer!\u2019\u201d (Mt 16,22). Para piorar as coisas, Jesus pediu-lhes, logo a seguir, que renunciassem a si mesmos, tomassem a cruz e o seguissem no caminho do dom da vida at\u00e9 \u00e0 morte (cf. Mt 16,24-26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 natural que tudo isto afetasse os disc\u00edpulos. Poderemos mesmo falar de uma \u201ccrise\u201d que deixou o grupo num estado de absoluto des\u00e2nimo. Jesus achou, face a este estado de coisas, que tinha chegado a hora de lhes desvelar o sentido do caminho que se propunha seguir. Chamou, ent\u00e3o, Pedro, Tiago e Jo\u00e3o \u2013 o \u201cn\u00facleo duro\u201d daquele grupo \u2013 e convidou-os a subir com Ele a um monte. Nesse dia e nesse monte eles iriam achar algumas respostas para as perguntas que os inquietavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto n\u00e3o identifica o \u201cmonte\u201d para onde Jesus, Pedro, Tiago e Jo\u00e3o se dirigiram. Contudo, a tradi\u00e7\u00e3o fala do Monte Tabor, uma montanha com 588 metros de altura, situada no meio da plan\u00edcie de Jezreel, coberta de carvalhos, pinheiros, ciprestes, aroeiras e plantas silvestres. O Tabor tinha sido, nos tempos antigos, um lugar sagrado para os povos cananeus. Nesse monte aqueles tr\u00eas disc\u00edpulos v\u00e3o entrever, ainda que por breves instantes, o projeto de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Literariamente, a narra\u00e7\u00e3o da transfigura\u00e7\u00e3o \u00e9 uma teofania \u2013 quer dizer, uma manifesta\u00e7\u00e3o de Deus. Portanto, o autor do relato vai elaborar um quadro onde coloca todos os ingredientes que, no imagin\u00e1rio judaico, acompanham as manifesta\u00e7\u00f5es de Deus (e que encontramos quase sempre presentes nos relatos teof\u00e2nicos do Antigo Testamento): o monte, a voz do c\u00e9u, as apari\u00e7\u00f5es, as vestes brilhantes, a nuvem e mesmo o medo e a perturba\u00e7\u00e3o daqueles que presenciam o encontro com o divino. Isto quer dizer o seguinte: n\u00e3o estamos diante de um relato exato de acontecimentos, mas de uma catequese (constru\u00edda de acordo com o imagin\u00e1rio judaico) destinada a confirmar que Jesus \u00e9 o Filho amado de Deus, que traz aos homens um projeto que vem de Deus.<strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Neste segundo domingo da Quaresma fa\u00e7amos, tamb\u00e9m n\u00f3s, a experi\u00eancia de subir com Jesus ao monte\u2026 Enquanto subimos, podemos conversar com Ele e, com toda a sinceridade, dizer-Lhe as nossas d\u00favidas e inquieta\u00e7\u00f5es. Podemos dizer-Lhe que, por vezes, nos sentimos perdidos e desanimados diante da forma como o nosso mundo se constr\u00f3i; podemos dizer-lhe que o caminho que Ele aponta \u00e9 duro e exigente e que n\u00e3o sabemos se teremos a coragem de o percorrer at\u00e9 ao fim; podemos at\u00e9 dizer-lhe, talvez com alguma vergonha, que \u00e0s vezes duvidamos dele e corremos atr\u00e1s de outras apostas, mais c\u00f3modas, mais atraentes e menos arriscadas\u2026 E, depois de lhe dizermos isso tudo, deixemos que Jesus nos fale, nos explique o seu projeto, nos renove o seu desafio\u2026 E vamos, tamb\u00e9m, prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 voz de Deus que nos garante: \u201colhem que esse Jesus que Eu enviei ao vosso encontro \u00e9 o meu Filho, o meu eleito, aquele a quem Eu entreguei o projeto de um mundo mais humano e mais fraterno\u2026 Confirmo a verdade do caminho que Ele vos prop\u00f5e. Escutai-O, ide com Ele, acolhei as suas propostas e indica\u00e7\u00f5es, mesmo que tenhais de remar contra a mar\u00e9. O caminho que Ele vos aponta pode passar pela cruz, mas conduz \u00e0 Vida verdadeira, \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d. H\u00e1 espa\u00e7o na nossa vida para ouvir essa \u201cvoz de Deus\u201d e para caminharmos na dire\u00e7\u00e3o que ela aponta?<\/li>\n<li>\u201cEste \u00e9 o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complac\u00eancia. Escutai-O\u201d. \u00c9 verdade: precisamos de escutar Jesus mais e melhor. Quando o \u201cescutamos\u201d \u2013 quer dizer, quando ouvimos o que Ele nos diz, quando acolhemos no cora\u00e7\u00e3o as suas indica\u00e7\u00f5es e quando procuramos concretiz\u00e1-las na vida \u2013 come\u00e7amos a ver tudo com uma luz mais clara. Come\u00e7amos a perceber qual \u00e9 a maneira mais humana de enfrentar os problemas da vida e os males do nosso mundo; damos conta dos grandes erros que os seres humanos podem cometer e descobrimos as solu\u00e7\u00f5es que Deus nos aponta\u2026 Escutar Jesus pode curar-nos das nossas cegueiras seculares, dos preconceitos que nos impedem de acolher a novidade de Deus, dos medos que nos paralisam; escutar Jesus pode libertar-nos de desalentos e cobardias, e abrir o nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0 esperan\u00e7a. A escuta de Jesus est\u00e1 no centro da nossa experi\u00eancia de f\u00e9? Nas nossas comunidades crist\u00e3s damos espa\u00e7o suficiente \u00e0 escuta de Jesus?<\/li>\n<li>O tempo de Quaresma \u00e9 um tempo favor\u00e1vel de convers\u00e3o, de transforma\u00e7\u00e3o, de renova\u00e7\u00e3o. Traz-nos um convite a questionarmos a nossa forma de encarar a vida, os valores que priorizamos, as op\u00e7\u00f5es que vamos fazendo, as nossas certezas e apostas, os nossos interesses e projetos\u2026 O que \u00e9 que precisamos de mudar, na nossa forma de pensar e de agir, a fim de nos tornarmos disc\u00edpulos coerentes e comprometidos, que seguem Jesus no caminho do amor levado at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, at\u00e9 ao dom total de n\u00f3s pr\u00f3prio?<\/li>\n<li>\u00c9 verdade que, para muitos dos nossos contempor\u00e2neos, o caminho proposto por Jesus n\u00e3o parece muito entusiasmante\u2026 N\u00e3o assegura bem-estar, nem bens materiais, nem triunfos, nem reconhecimento, nem fama, nem poder, nem tranquilidade, nem qualquer outro valor que muitos dos homens e mulheres do nosso tempo consideram fundamentais para que as suas vidas tenham algum sentido. Contudo, n\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, acreditamos que s\u00f3 o amor \u2013 o amor vivido como servi\u00e7o, como dom de si pr\u00f3prio, ao estilo de Jesus \u2013 d\u00e1 sentido \u00e0 vida; acreditamos que a constru\u00e7\u00e3o de um mundo novo \u2013 mais humano, mais s\u00e3o, mais verdadeiro \u2013 depende de acolhermos e vivermos as propostas de Jesus. O que poderemos fazer para contagiar os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s com o nosso entusiasmo por Jesus e pelo seu projeto de um mundo novo?<\/li>\n<li>Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, testemunhas da transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus, parecem n\u00e3o ter muita vontade de \u201cdescer \u00e0 terra\u201d e de enfrentar o mundo e os problemas dos homens. Prop\u00f5em fazer tr\u00eas tendas e ficar no cimo daquele monte, onde tudo parece t\u00e3o f\u00e1cil e t\u00e3o indolor. Representam aqueles que vivem de olhos postos no c\u00e9u, alheados da realidade concreta do mundo, sem vontade de intervir para o renovar e transformar. No entanto, ser seguidor de Jesus obriga-nos a \u201cregressar ao mundo\u201d para testemunhar aos homens, mesmo contra a corrente, que a realiza\u00e7\u00e3o aut\u00eantica est\u00e1 no dom da vida; obriga a atolarmo-nos no mundo, nos seus problemas e dramas, a fim de dar o nosso contributo para o aparecimento de um mundo mais justo e mais feliz. O nosso compromisso com Jesus e com a constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus concretiza-se na luta di\u00e1ria pela constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo, mais humano, mais cheio de amor? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<li><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A brevidade da <strong>primeira leitura<\/strong> n\u00e3o deve fazer descurar a sua prepara\u00e7\u00e3o com uma aten\u00e7\u00e3o especial aos verbos no futuro que constituem a promessa de Deus a Abra\u00e3o. Mais do que uma ordem, os verbos no imperativo constituem uma proposta que Deus faz a Abra\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong>, tal como \u00e9 habitual no epistol\u00e1rio Paulino, apresenta frases longas que requerem uma especial aten\u00e7\u00e3o nas pausas e respira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Leitura-I-do-Domingo-II-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-01.03.2026-Genesis-12-1-4a.pdf\">Leitura I do Domingo II do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 01.03.2026 (G\u00e9nesis 12, 1-4a)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Leitura-II-do-Domingo-II-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-01.03.2026-2-Timoteo-1-8b-10.pdf\">Leitura II do Domingo II do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 01.03.2026 (2 Tim\u00f3teo 1, 8b-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Domingo-II-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-01.03.2026-Lecionario.pdf\">Domingo II do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 01.03.2026 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Domingo-II-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-01.03.2026-Oracao-Universal.pdf\">Domingo II do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 01.03.2026 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Domingo-II-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-01.03.2026-refletindo.pdf\">Domingo II do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 01.03.2026 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-II-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-01.03.2026.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo II do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 01.03.2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Mensagem-de-SS-Papa-Leao-XIV-para-a-Quaresma-de-2026.pdf\">Mensagem de SS Papa Le\u00e3o XIV para a Quaresma de 2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo I do Tempo da Quaresma \u2013 Ano A \u2013 22.02.2026&#8243; tab_id=&#8221;1772448078300-1a665568-5235&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4>Domingo I do Tempo da Quaresma \u2013 Ano A \u2013 22.02.2026<\/h4>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-12653 size-full\" style=\"color: inherit; font-family: inherit; font-size: inherit;\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Domingo-I.jpg\" alt=\"\" width=\"718\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>A liberdade \u00e9 o maior [dom]. Deus cria o homem livre e respeita-lhe a liberdade. Chama feliz \u00e0quele que pode fazer o mal e n\u00e3o o faz; ao que pode transgredir e n\u00e3o transgride<\/em>\u00bb (Vener\u00e1vel Padre Am\u00e9rico Aguiar)<em>.<\/em>\u00a0A verdadeira liberdade, como afirma o Pai Am\u00e9rico, nasce da exigente tarefa de discernir, optar e decidir pelo caminho do bem, da verdade e da justi\u00e7a. Ningu\u00e9m \u00e9 livre pelo caminho da mentira, pois o mal escraviza-nos e impede-nos de experimentar a verdadeira realiza\u00e7\u00e3o e felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fomos criados pelo amor misericordioso de Deus, que nos formou do p\u00f3 da terra e nos moldou com as Suas m\u00e3os, soprou em n\u00f3s o Seu h\u00e1lito de ternura e de bondade, para que possamos participar da Sua vida divina. Como recordamos na celebra\u00e7\u00e3o de Quarta-Feira de Cinzas com que damos in\u00edcio ao Tempo da Quaresma, somos p\u00f3 da terra, criatura fr\u00e1gil e d\u00e9bil, mas p\u00f3 amado por Deus e sustentado pelas Suas m\u00e3os ternurentas que n\u00e3o cessam de moldar a nossa vida. Contudo, Deus n\u00e3o se imp\u00f5e, mas tudo prop\u00f5e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus quer-nos verdadeiramente livres e, para isso, dota-nos de liberdade para podermos escolher o caminho a seguir, mas adverte-nos diante do perigo como fez com Ad\u00e3o e Eva: \u00ab<em>podemos comer o fruto das \u00e1rvores do jardim; mas, quanto ao fruto da \u00e1rvore que est\u00e1 no meio do jardim, Deus avisou-nos: \u2018N\u00e3o podeis comer dele nem lhe tocar, sen\u00e3o morrereis<\/em>\u00bb. Apesar da indica\u00e7\u00e3o dada por Deus, cabe ao homem e \u00e0 mulher decidir se comer\u00e3o ou n\u00e3o do fruto da \u00e1rvore que est\u00e1 no meio do jardim. Na verdade, discernir e decidir s\u00e3o experi\u00eancias humanas exigentes, mas absolutamente necess\u00e1rias para uma vida mais feliz. Ao longo do nosso caminho s\u00e3o muitas as ocasi\u00f5es onde temos de tomar decis\u00f5es e nem sempre entre algo bom e algo mau, pois se assim fosse, aparentemente pareceria mais f\u00e1cil. Decidir significa tomar uma op\u00e7\u00e3o, arriscar um caminho e renunciar, deixando algo para tr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 luz do Evangelho deste Domingo, dir\u00edamos que somos permanentemente expostos \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o, que implica uma decis\u00e3o pronta e ousada, capaz de romper com o mal que nos afasta de Deus e dos irm\u00e3os. Tal como Jesus, tamb\u00e9m n\u00f3s somos tentados<em>,<\/em>\u00a0mas conscientes que \u00e9 o Esp\u00edrito Santo que nos conduz aos desertos exigentes e dram\u00e1ticos da hist\u00f3ria: ser\u00e1 Ele a iluminar o caminho que somos chamados a trilhar. As tenta\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma ocasi\u00e3o fundamental na nossa vida, pois s\u00e3o a oportunidade de voltar a escolher Deus e o Seu infinito amor. Tr\u00eas vezes tentado pelo diabo, por tr\u00eas vezes Jesus renova a Sua fidelidade ao Pai. Ser tentado \u00e9 ser colocado \u00e0 prova exigente de voltar a escolher Deus, de renovar o nosso desejo de O seguir, sustentados pela Sua Palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 certo que pela nossa fragilidade muitas vezes nos afastamos do projeto que Deus tem para n\u00f3s e diante de escolhas exigentes optamos pelo mal e pelo que divide. Contudo, este n\u00e3o \u00e9 um caminho sem sa\u00edda, pois \u00ab<em>se pelo pecado de um s\u00f3 todos pereceram, com muito mais raz\u00e3o a gra\u00e7a de Deus, dom contido na gra\u00e7a de um s\u00f3 homem, Jesus Cristo, se concedeu com abund\u00e2ncia a todos os homens<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tempo de Quaresma \u00e9 tempo de convers\u00e3o, tempo de transforma\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, uma oportunidade para voltar a escolher Deus e o Seu amor. Que ao longo deste tempo, a leitura frequente e atenta da Palavra de Deus nos ajude a recentrar a vida, a estabelecer prioridades e a descobrir a verdadeira felicidade, que se experimenta pelo amor recebido e oferecido, pela pr\u00e1tica da miseric\u00f3rdia e do perd\u00e3o. <strong><em>in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong><em>\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Diret\u00f3rio lit\u00fargico recorda que se deve \u00ab<em>lembrar aos fi\u00e9is que, em uni\u00e3o com a Paix\u00e3o do Senhor e em esp\u00edrito de penit\u00eancia mais vis\u00edvel, nas sextas-feiras da Quaresma se deve escolher uma alimenta\u00e7\u00e3o simples e pobre, que poder\u00e1 concretizar-se na absten\u00e7\u00e3o de carne. Lembrar-lhes tamb\u00e9m a finalidade das Ren\u00fancias Quaresmais deste ano, proposta pelo Bispo da Diocese<\/em>\u00bb. Al\u00e9m disso, deve tamb\u00e9m recordar-se as atitudes fundamentais caracter\u00edsticas deste tempo da Quaresma \u2013 jejum, ora\u00e7\u00e3o e esmola \u2013 que ajudam a promover o esp\u00edrito de verdadeira convers\u00e3o. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + <\/em><\/strong><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>Estamos no Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanhamos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>G\u00e9nesis 2,7-9;3,1-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor Deus formou o homem do p\u00f3 da terra,<br \/>\ninsuflou em suas narinas um sopro de vida,<br \/>\ne o homem tornou-se um ser vivo.<br \/>\nDepois, o Senhor Deus plantou um jardim no \u00c9den, a oriente,<br \/>\ne nele colocou o homem que tinha formado.<br \/>\nFez nascer na terra toda a esp\u00e9cie de \u00e1rvores,<br \/>\nde frutos agrad\u00e1veis \u00e0 vista e bons para comer,<br \/>\nentre as quais a \u00e1rvore da vida, no meio do jardim,<br \/>\ne a \u00e1rvore da ci\u00eancia do bem e do mal.<br \/>\nOra, a serpente era o mais astucioso<br \/>\nde todos os animais do campo<br \/>\nque o Senhor Deus tinha feito.<br \/>\nEla disse \u00e0 mulher:<br \/>\n\u00ab\u00c9 verdade que Deus vos disse:<br \/>\n\u201cN\u00e3o podeis comer o fruto de nenhuma \u00e1rvore do Jardim\u201d?\u00bb<br \/>\nA mulher respondeu:<br \/>\n\u00abPodemos comer o fruto das \u00e1rvores do jardim;<br \/>\nmas, quanto ao fruto da \u00e1rvore que est\u00e1 no meio do jardim,<br \/>\nDeus avisou-nos:<br \/>\n\u201cN\u00e3o podeis comer dele nem tocar-lhe, sen\u00e3o morrereis\u201d\u00bb.<br \/>\nA serpente replicou \u00e0 mulher:<br \/>\n\u00abDe maneira nenhuma! N\u00e3o morrereis.<br \/>\nMas Deus sabe que, no dia em que o comerdes,<br \/>\nabrir-se-\u00e3o os vossos olhos e sereis como deuses,<br \/>\nficando a conhecer o bem e o mal\u00bb.<br \/>\nA mulher viu ent\u00e3o que o fruto da \u00e1rvore<br \/>\nera bom para comer e agrad\u00e1vel \u00e0 vista,<br \/>\ne precioso para esclarecer a intelig\u00eancia.<br \/>\nColheu o fruto e comeu-o;<br \/>\ndepois deu-o ao marido, que estava junto dela,<br \/>\ne ele tamb\u00e9m comeu.<br \/>\nAbriram-se ent\u00e3o os seus olhos<br \/>\ne compreenderam que estavam despidos.<br \/>\nPor isso, entrela\u00e7aram folhas de figueira<br \/>\ne cingiram os rins com elas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto de Gn 2,4b-3,24 \u2013 conhecido como relato \u201cjavista\u201d da cria\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 um texto do s\u00e9c. X a.C., que deve ter aparecido em Jud\u00e1 na \u00e9poca do rei Salom\u00e3o. \u00c9 \u201cjavista\u201d porque utiliza o nome \u201cJav\u00e9\u201d para referir Deus. Apresenta-se num estilo exuberante, pitoresco, cheio de vida e parece ser obra de um catequista popular, que ensina recorrendo a imagens sugestivas, coloridas e fortes. N\u00e3o podemos, de forma nenhuma, ver neste texto uma reportagem realista e factual de acontecimentos passados na aurora da humanidade. A finalidade do autor n\u00e3o \u00e9 cient\u00edfica ou hist\u00f3rica, mas teol\u00f3gica: mais do que ensinar como o mundo e o homem apareceram, ele quer dizer-nos que na origem da vida e do homem est\u00e1 Deus. Trata-se, portanto, de uma p\u00e1gina de catequese e n\u00e3o de um tratado destinado a explicar cientificamente as origens do mundo e da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para apresentar essa catequese aos homens do s\u00e9c. X a.C., os te\u00f3logos javistas utilizaram elementos simb\u00f3licos e liter\u00e1rios das cosmogonias mesopot\u00e2micas (por exemplo, a forma\u00e7\u00e3o do homem \u201cdo p\u00f3 da terra\u201d \u00e9 um elemento que aparece sempre nos mitos de origem mesopot\u00e2micos); no entanto, transformaram e adaptaram os s\u00edmbolos retirados das narra\u00e7\u00f5es lend\u00e1rias de outros povos, dando-lhes um novo enquadramento, uma nova interpreta\u00e7\u00e3o e pondo-os ao servi\u00e7o da catequese e da f\u00e9 de Israel. Por outras palavras: a linguagem e a apresenta\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria das narra\u00e7\u00f5es b\u00edblicas da cria\u00e7\u00e3o apresentam paralelos significativos com os mitos de origem dos povos da zona do Crescente F\u00e9rtil; mas as conclus\u00f5es teol\u00f3gicas \u2013 sobretudo o ensinamento sobre Deus e sobre o lugar que o homem ocupa no projeto de Deus \u2013 s\u00e3o significativamente diferentes: mais maduras, mais ponderadas, mais profundas, mais consistentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A liturgia selecionou dois quadros do relato javista da cria\u00e7\u00e3o para no-los propor, neste domingo, como primeira leitura. O primeiro quadro oferece-nos uma catequese sobre a origem do homem e o des\u00edgnio de Deus para o homem (cf. Gn 2,7-9); no segundo quadro, o autor javista prop\u00f5e-nos uma reflex\u00e3o sobre a origem desse mal que desfeia o mundo e traz sofrimento e morte \u00e0 hist\u00f3ria dos homens (cf. Gn 3,1-7). <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>De onde vimos? Para onde vamos? Porque \u00e9 que estamos aqui? Qual o sentido da nossa vida? S\u00e3o perguntas eternas, que os homens e mulheres de todos os tempos constantemente colocam. A Palavra de Deus que hoje nos \u00e9 oferecida responde: \u00e9 Deus a nossa origem e o nosso destino \u00faltimo. N\u00e3o somos um min\u00fasculo e insignificante gr\u00e3o de areia \u00e0 deriva numa gal\u00e1xia qualquer; mas somos seres cuja exist\u00eancia Deus planeou, que Ele modelou com amor, a quem Ele animou com o seu pr\u00f3prio \u201csopro\u201d de vida, a quem Ele ofereceu um destino de eternidade. O fim \u00faltimo da nossa exist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 o fracasso, o mergulho na absoluta escurid\u00e3o, a dissolu\u00e7\u00e3o no nada; mas \u00e9 a vida definitiva, a felicidade sem fim, o encontro com Deus. \u00c9 esse horizonte de vida eterna e de comunh\u00e3o plena com Deus que temos diante dos olhos enquanto peregrinamos na terra? Que marca \u00e9 que isso deixa na forma como vivemos o nosso dia a dia?<\/li>\n<li>Como \u00e9 que concretizamos essa voca\u00e7\u00e3o \u00e0 felicidade que est\u00e1 inscrita no projeto que Deus tem para n\u00f3s? De acordo com a mais genu\u00edna catequese de Israel, \u00e9 obedecendo \u00e0s indica\u00e7\u00f5es de Deus e vivendo de acordo com as suas propostas. Deus \u00e9 um Pai bom, que nada nos imp\u00f5e e que respeita sempre a nossa liberdade; mas insiste em mostrar-nos, a cada passo, o caminho para essa plenitude de vida que Ele sonhou para todos os seus queridos filhos. Quando aceitamos a nossa condi\u00e7\u00e3o de criaturas, reconhecemos o amor de Deus e nos dispomos a acolher humildemente as indica\u00e7\u00f5es que Ele nos d\u00e1, constru\u00edmos uma exist\u00eancia harmoniosa, um \u201cpara\u00edso\u201d onde encontramos vida, harmonia, felicidade e plena realiza\u00e7\u00e3o. Como \u00e9 que nos situamos diante de Deus? Na constru\u00e7\u00e3o da nossa hist\u00f3ria de vida, a \u201cvoz\u201d de Deus tem primazia sobre todas as outras vozes que ecoam \u00e0 nossa volta? Vivemos atentos ao que Deus nos diz e caminhamos na dire\u00e7\u00e3o que Ele nos indica?<\/li>\n<li>Ao longo do caminho que estamos a percorrer, trope\u00e7amos a cada instante com o \u201cmal\u201d, nas suas mil e uma formas. \u00c9 uma experi\u00eancia que sempre nos desconcerta e que muitas vezes nos deixa revoltados. O mal ser\u00e1 uma inevitabilidade? Esse mal que desfeia o mundo e que deixa feridas profundas na vida de tantas pessoas, vem de Deus ou vem do homem? A Palavra de Deus que escutamos neste domingo responde sem hesita\u00e7\u00f5es: o mal nunca vem de Deus; o mal resulta das nossas escolhas erradas, do nosso orgulho, do nosso ego\u00edsmo, da nossa autossufici\u00eancia. Quando o homem escolhe viver orgulhosamente s\u00f3, ignorando as propostas de Deus e prescindindo do amor, constr\u00f3i cidades de ego\u00edsmo, de injusti\u00e7a, de prepot\u00eancia, de ambi\u00e7\u00e3o, de viol\u00eancia, de sofrimento, de pecado\u2026 Olhemos para o nosso mundo e para a hist\u00f3ria dos homens: a realidade que vemos n\u00e3o confirma tudo isso? Olhemos tamb\u00e9m para n\u00f3s e para a nossa hist\u00f3ria pessoal: quais s\u00e3o os caminhos que escolhemos? As propostas de Deus fazem sentido e s\u00e3o, para n\u00f3s, indica\u00e7\u00f5es seguras para a felicidade, ou preferimos ser n\u00f3s pr\u00f3prios a fazer as escolhas que nos interessam, prescindindo das indica\u00e7\u00f5es de Deus? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>SALMO 50 (51<\/strong><strong>)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Pec\u00e1mos, Senhor: tende compaix\u00e3o de n\u00f3s.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Tende compaix\u00e3o de n\u00f3s, Senhor,<br \/>\nporque somos pecadores.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Compadecei-Vos de mim, \u00f3 Deus, pela vossa bondade,<br \/>\npela vossa grande miseric\u00f3rdia, apagai os meus pecados.<br \/>\nLavai-me de toda a iniquidade<br \/>\ne purificai-me de todas as faltas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Porque eu reconhe\u00e7o os meus pecados<br \/>\ne tenho sempre diante de mim as minhas culpas.<br \/>\nPequei contra V\u00f3s, s\u00f3 contra V\u00f3s,<br \/>\ne fiz o mal diante dos vossos olhos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Criai em mim, \u00f3 Deus, um cora\u00e7\u00e3o puro<br \/>\ne fazei nascer dentro de mim um esp\u00edrito firme.<br \/>\nN\u00e3o queirais repelir-me da vossa presen\u00e7a<br \/>\ne n\u00e3o retireis de mim o vosso esp\u00edrito de santidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dai-me de novo a alegria da vossa salva\u00e7\u00e3o<br \/>\ne sustentai-me com esp\u00edrito generoso.<br \/>\nAbri, Senhor, os meus l\u00e1bios<br \/>\ne a minha boca cantar\u00e1 o vosso louvor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II &#8211; <\/strong><strong>Romanos 5,12-19<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assim como por um s\u00f3 homem entrou o pecado no mundo<br \/>\ne pelo pecado a morte,<br \/>\nassim tamb\u00e9m a morte atingiu todos os homens,<br \/>\nporque todos pecaram.<br \/>\nDe facto, at\u00e9 \u00e0 Lei, existia o pecado no mundo.<br \/>\nMas o pecado n\u00e3o \u00e9 levado em conta, se n\u00e3o houver lei.<br \/>\nEntretanto, a morte reinou desde Ad\u00e3o at\u00e9 Mois\u00e9s,<br \/>\nmesmo para aqueles que n\u00e3o tinham pecado<br \/>\npor uma transgress\u00e3o \u00e0 semelhan\u00e7a de Ad\u00e3o,<br \/>\nque \u00e9 figura d\u2019Aquele que havia de vir.<br \/>\nMas o dom gratuito n\u00e3o \u00e9 como a falta.<br \/>\nSe pelo pecado de um s\u00f3 pereceram muitos,<br \/>\ncom muito mais raz\u00e3o a gra\u00e7a de Deus,<br \/>\ndom contido na gra\u00e7a de um s\u00f3 homem, Jesus Cristo,<br \/>\nse concedeu com abund\u00e2ncia a muitos homens.<br \/>\nE esse dom n\u00e3o \u00e9 como o pecado de um s\u00f3:<br \/>\no julgamento que resultou desse \u00fanico pecado<br \/>\nlevou \u00e0 condena\u00e7\u00e3o,<br \/>\nao passo que o dom gratuito, que veio depois de muitas faltas,<br \/>\nleva \u00e0 justifica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSe a morte reinou pelo pecado de um s\u00f3 homem,<br \/>\ncom muito mais raz\u00e3o, aqueles que recebem com abund\u00e2ncia<br \/>\na gra\u00e7a e o dom da justi\u00e7a,<br \/>\nreinar\u00e3o na vida por meio de um s\u00f3, Jesus Cristo.<br \/>\nPorque, assim como pelo pecado de um s\u00f3,<br \/>\nveio para todos os homens a condena\u00e7\u00e3o,<br \/>\nassim tamb\u00e9m, pela obra de justi\u00e7a de um s\u00f3,<br \/>\nvir\u00e1 para todos a justifica\u00e7\u00e3o que d\u00e1 a vida.<br \/>\nDe facto, como pela desobedi\u00eancia de um s\u00f3 homem,<br \/>\nmuitos se tornaram pecadores,<br \/>\nassim tamb\u00e9m, pela obedi\u00eancia de um s\u00f3,<br \/>\nmuitos se tornar\u00e3o justos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ap\u00f3stolo Paulo n\u00e3o est\u00e1 ligado ao nascimento da comunidade crist\u00e3 de Roma. Provavelmente, o cristianismo chegou a Roma levado por judeus palestinos convertidos ao Evangelho de Jesus. Uma antiga tradi\u00e7\u00e3o diz que foi Pedro quem anunciou o Evangelho em Roma, por volta do ano 42, e que da sua prega\u00e7\u00e3o resultou uma florescente comunidade crist\u00e3. No entanto, n\u00e3o temos evid\u00eancias que comprovem esta tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo escreveu a sua Carta aos Romanos por volta do ano 57 ou 58. Estava, por essa altura, prestes a terminar a sua terceira viagem mission\u00e1ria. Sentia que tinha conclu\u00eddo a sua miss\u00e3o no Mediterr\u00e2neo oriental, pois as igrejas que fundara e acompanhara nessas paragens estavam organizadas e j\u00e1 podiam caminhar por si pr\u00f3prias. O olhar de Paulo dirigia-se agora para ocidente. O ap\u00f3stolo pensava passar por Roma, deter-se algum tempo nessa cidade e viajar depois para a Espanha para a\u00ed anunciar o Evangelho (cf. Rm 15,24-28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao dirigir-se por carta aos crist\u00e3os de Roma, Paulo pretendia estabelecer la\u00e7os com eles; mas tamb\u00e9m aproveitou a oportunidade para lhes apresentar os principais problemas que ent\u00e3o o preocupavam, entre os quais sobressa\u00eda a quest\u00e3o da unidade. Tratava-se de um problema que se sentia um pouco por todo o lado e que tamb\u00e9m inquietava a jovem comunidade crist\u00e3 de Roma, afetada por dificuldades de relacionamento entre crist\u00e3os de origem judaica e crist\u00e3os vindos do mundo greco-romano. Com serenidade e lucidez, evitando qualquer pol\u00e9mica, Paulo exp\u00f4s aos crist\u00e3os de Roma as linhas mestras do Evangelho que anunciava. A Carta aos Romanos \u00e9 uma esp\u00e9cie de resumo da teologia paulina e, do ponto de vista teol\u00f3gico, o escrito mais completo de Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira parte da Carta (cf. Rm 1,18-11,36), Paulo vai fazer notar aos crist\u00e3os divididos que o Evangelho \u00e9 a for\u00e7a que congrega e que salva todo o crente, sem distin\u00e7\u00e3o de judeu, grego ou romano. Embora o pecado seja uma realidade universal, que afeta todos os homens (cf. Rm 1,18-3,20), a \u201cjusti\u00e7a de Deus\u201d d\u00e1 vida a todos, sem distin\u00e7\u00e3o (cf. Rm 3,1-5,11); e \u00e9 em Jesus Cristo que essa vida se comunica e que transforma o homem (cf. Rm 5,12-8,39). Batizado em Cristo, o crist\u00e3o morre para o pecado e nasce para uma vida nova. Passa a ser conduzido pelo Esp\u00edrito e torna-se filho de Deus; libertado do pecado e da morte, produz frutos de santifica\u00e7\u00e3o e caminha para a Vida eterna. Na segunda parte da carta (cf. Rm 12,1-15,13) Paulo, de uma forma bastante pr\u00e1tica, exorta os crist\u00e3os a viverem de acordo com o Evangelho de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto faz parte da primeira parte da Carta aos Romanos (cf. Rm 1,18-11,36). Depois de demonstrar que todos \u2013 judeus e n\u00e3o judeus \u2013 vivem imersos numa realidade que \u00e9 a realidade do pecado (cf. Rm 1,18-3,20) e que \u00e9 a justi\u00e7a de Deus que a todos salva, sem distin\u00e7\u00e3o (cf. Rm 3,21-5,11), Paulo ensina que \u00e9 atrav\u00e9s de Jesus Cristo que a vida de Deus chega aos homens e que se faz oferta de salva\u00e7\u00e3o para todos (cf. Rm 5,12-8,39). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A modernidade ensinou-nos que a fonte da salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 Deus, mas o homem e as suas conquistas. Disse-nos que aquilo que os crentes veem como \u201cpropostas de Deus\u201d s\u00e3o apenas resqu\u00edcios de uma \u00e9poca pr\u00e9-cient\u00edfica, obscurantista, ultrapassada, e que a plenitude da vida est\u00e1 no corte radical com qualquer autoridade exterior \u00e0 nossa Raz\u00e3o \u2013 inclusive com Deus. Exaltou o individualismo, o antropocentrismo, e ensinou-nos que s\u00f3 nos realizaremos totalmente se formos n\u00f3s \u2013 orgulhosamente s\u00f3s \u2013 a definir o nosso caminho, o nosso destino, o sentido da nossa vida. Contudo, o ap\u00f3stolo Paulo diz-nos o que pode acontecer quando nos instalamos na autossufici\u00eancia e deixamos Deus \u00e0 margem do nosso projeto de vida. Poderemos, como Ad\u00e3o, prescindir de Deus e construir a nossa vida sem Ele ou contra Ele? Onde nos tem conduzido esta cultura que insiste em ignorar Deus e as suas sugest\u00f5es? A cultura moderna tem feito surgir um homem mais feliz e mais realizado, ou tem potenciado o aparecimento de homens desorientados e sem refer\u00eancias, que muitas vezes apostam tudo em propostas falsas de salva\u00e7\u00e3o e que saem dessa experi\u00eancia de busca mais fragilizados, mais dependentes, mais alienados, mais frustrados, mais vazios, mais desencantados?<\/li>\n<li>Alguns acontecimentos que t\u00eam marcado o nosso tempo confirmam que uma hist\u00f3ria constru\u00edda \u00e0 margem das propostas de Deus \u00e9 uma hist\u00f3ria que caminha em dire\u00e7\u00e3o a um desastre anunciado. Se escut\u00e1ssemos Deus, o nosso tempo conheceria as guerras que tingem de sangue os caminhos que percorremos? Se escut\u00e1ssemos Deus, ter\u00edamos tantos homens e mulheres sem voz e sem vez abandonados nas bermas dos caminhos que a humanidade percorre? Se escut\u00e1ssemos Deus estar\u00edamos hoje a construir narrativas onde entram palavras como \u201cgenoc\u00eddio\u201d, \u201cmassacre\u201d, \u201cchacina\u201d, \u201cexterm\u00ednio\u201d, \u201chorror\u201d? Se escut\u00e1ssemos Deus, viver\u00edamos num prec\u00e1rio equil\u00edbrio de terror e embarcar\u00edamos numa est\u00fapida corrida aos armamentos que ningu\u00e9m sabe como vai terminar? Se escut\u00e1ssemos Deus, continuar\u00edamos a destruir irresponsavelmente os recursos do planeta, pondo em causa a sobreviv\u00eancia da humanidade? Qual \u00e9 o nosso papel de crentes, em toda esta hist\u00f3ria? O que podemos fazer para que Deus volte a estar no centro da vida dos homens, as suas propostas sejam acolhidas e a hist\u00f3ria humana entre nos carris?<\/li>\n<li>Deus respeita a nossa liberdade. Aceita que construamos as nossas vidas sem atendermos \u00e0s suas indica\u00e7\u00f5es, suporta at\u00e9 as nossas escolhas erradas. No entanto, nunca desiste de n\u00f3s. Decidido a dar-nos todas as oportunidades, insiste uma e outra e outra vez\u2026 na esperan\u00e7a de que reconsideremos as nossas op\u00e7\u00f5es e escolhamos caminhos que conduzem \u00e0 vida verdadeira. Numa decis\u00e3o que mostra bem a profundidade do amor que nos tem, enviou-nos o seu Filho, Jesus. Jesus obedeceu ao Pai e veio ao nosso encontro, fez-se um de n\u00f3s, partilhou a estrada em que andamos, lutou contra tudo o que nos faz mal, aceitou morrer para nos mostrar o caminho que conduz \u00e0 vida. Considerando tudo isto, seremos capazes de continuar a preferir caminhos de orgulho e de autossufici\u00eancia, \u00e0 margem de Deus? Que valor assumem, na constru\u00e7\u00e3o da nossa vida, as propostas que Jesus nos veio trazer? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mateus 4,1-11<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus foi conduzido pelo Esp\u00edrito ao deserto,<br \/>\na fim de ser tentado pelo Dem\u00f3nio.<br \/>\nJejuou quarenta dias e quarenta noites<br \/>\ne, por fim, teve fome.<br \/>\nO tentador aproximou se e disse lhe:<br \/>\n\u00abSe \u00e9s Filho de Deus,<br \/>\ndiz a estas pedras que se transformem em p\u00e3es\u00bb.<br \/>\nJesus respondeu lhe:<br \/>\n\u00abEst\u00e1 escrito: \u2018Nem s\u00f3 de p\u00e3o vive o homem,<br \/>\nmas de toda a palavra que sai da boca de Deus\u2019\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o o Dem\u00f3nio conduziu O \u00e0 cidade santa,<br \/>\nlevou O ao pin\u00e1culo do templo e disse Lhe:<br \/>\n\u00abSe \u00e9s Filho de Deus, lan\u00e7a Te daqui abaixo, pois est\u00e1 escrito:<br \/>\n\u2018Deus mandar\u00e1 aos seus Anjos que te recebam nas suas m\u00e3os,<br \/>\npara que n\u00e3o tropeces em alguma pedra\u2019\u00bb.<br \/>\nRespondeu lhe Jesus:<br \/>\n\u00abTamb\u00e9m est\u00e1 escrito: \u2018N\u00e3o tentar\u00e1s o Senhor teu Deus\u2019\u00bb.<br \/>\nDe novo o Dem\u00f3nio O levou consigo a um monte muito alto,<br \/>\nmostrou Lhe todos os reinos do mundo e a sua gl\u00f3ria,<br \/>\ne disse Lhe:<br \/>\n\u00abTudo isto Te darei,<br \/>\nse, prostrado, me adorares\u00bb.<br \/>\nRespondeu lhe Jesus:<br \/>\n\u00abVai te, Satan\u00e1s, porque esta escrito:<br \/>\n\u2018Adoraras o Senhor teu Deus e s\u00f3 a Ele prestaras culto\u2019\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o o Dem\u00f3nio deixou O<br \/>\ne logo os Anjos se aproximaram e serviram Jesus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos Evangelhos Sin\u00f3pticos, a cena das \u201ctenta\u00e7\u00f5es de Jesus\u201d est\u00e1 encaixada entre o epis\u00f3dio do batismo e o in\u00edcio da prega\u00e7\u00e3o do Reino de Deus (cf. Mc 1,12-13; Mt 4,1-11; Lc 4,1-13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No batismo Jesus, o \u201cFilho muito amado\u201d de Deus\u201d, \u00e9 ungido pelo Esp\u00edrito, como os profetas (cf. Mt 3,16). No mundo b\u00edblico, a un\u00e7\u00e3o anda sempre associada a uma miss\u00e3o. Jesus tem consci\u00eancia disso: quando o ungiu com o Esp\u00edrito, o Pai estava a dizer-Lhe que contava com Ele para concretizar um projeto de salva\u00e7\u00e3o em favor dos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 que Jesus se posiciona diante da miss\u00e3o que o Pai pretende confiar-Lhe? Como ir\u00e1 concretiz\u00e1-la? Privilegiar\u00e1 os seus interesses pessoais, ou o projeto de Deus? O epis\u00f3dio das \u201ctenta\u00e7\u00f5es de Jesus\u201d prop\u00f5e-se responder a estas quest\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de um epis\u00f3dio real, descrito de forma estritamente hist\u00f3rica, com um \u201cdiabo\u201d a disputar a Jesus o centro do palco? Trata-se, fundamentalmente, de uma p\u00e1gina de catequese. \u00c9 muito prov\u00e1vel que Jesus, ap\u00f3s o seu batismo no rio Jord\u00e3o, se tenha internado no deserto de Jud\u00e1 e passado alguns dias a meditar sobre a miss\u00e3o que Deus queria confiar-lhe. Nesse tempo de \u201cretiro\u201d, Jesus confrontou-se com uma luta interior, com op\u00e7\u00f5es fundamentais, com a defini\u00e7\u00e3o do seu projeto de vida. \u00c9 natural tamb\u00e9m que, mais tarde, Jesus tenha falado com os seus disc\u00edpulos sobre o que sentiu quando teve de escolher, a fim de que eles percebessem que, diante da proposta do Reino de Deus, tamb\u00e9m eles tinham de tomar decis\u00f5es. Esse di\u00e1logo deve ter causado uma profunda impress\u00e3o nos disc\u00edpulos. O facto de o relato das \u201ctenta\u00e7\u00f5es de Jesus\u201d ser conhecido desde o in\u00edcio nas comunidades crist\u00e3s primitivas mostra isso mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio \u00e9 situado \u201cno deserto\u201d. O deserto \u00e9, no imagin\u00e1rio judaico, o lugar da \u201cprova\u201d, onde os israelitas experimentaram, por diversas vezes, a tenta\u00e7\u00e3o do abandono de Deus e do seu projeto de liberta\u00e7\u00e3o (embora seja, tamb\u00e9m, o lugar do encontro com Deus, o lugar da descoberta do rosto de Deus, o lugar onde o Povo fez a experi\u00eancia da sua fragilidade e pequenez e aprendeu a confiar na bondade e no amor de Deus). Ser\u00e1 que a hist\u00f3ria se vai repetir, que Jesus vai ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o e dizer \u201cn\u00e3o\u201d ao projeto de Deus, como aconteceu com os israelitas alguns s\u00e9culos antes?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As \u201ctenta\u00e7\u00f5es de Jesus\u201d n\u00e3o s\u00e3o contadas da mesma forma por todos os Sin\u00f3pticos. Marcos limita-se a referir que Jesus \u201cfoi tentado\u201d, sem entrar em pormenores; as narrativas que Mateus e Lucas fazem das \u201ctenta\u00e7\u00f5es\u201d de Jesus s\u00e3o muito semelhantes entre si, embora a segunda e a terceira \u201ctenta\u00e7\u00e3o\u201d apare\u00e7am, nos dois Evangelhos, em ordem diferente. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Come\u00e7amos, nestes dias, a percorrer um caminho, o caminho quaresmal. \u00c9 o caminho que nos conduz \u00e0 P\u00e1scoa, \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00e0 vida nova. Ao longo desse caminho seremos convidados a analisar, com lucidez e sentido de responsabilidade, as nossas op\u00e7\u00f5es, as nossas prioridades, os nossos valores, o sentido da nossa vida\u2026 Este tempo poder\u00e1 ser um tempo de convers\u00e3o, de realinhamento, de renova\u00e7\u00e3o, de mudan\u00e7a; poder\u00e1 ser a oportunidade para nos reaproximarmos de Deus e das propostas que Ele nos faz. A Palavra de Deus que escutaremos cada domingo ajudar-nos-\u00e1 a perceber o sem sentido de algumas das nossas escolhas e a detetar alguns dos equ\u00edvocos em que navegamos. Aceitamos o desafio de percorrer este caminho? O Evangelho deste domingo refere algumas das \u201ctenta\u00e7\u00f5es\u201d que Jesus teve de enfrentar e vencer. Estamos dispostos, da nossa parte, a identificar as \u201ctenta\u00e7\u00f5es\u201d que nos escravizam e nos impedem de viver uma vida mais digna, mais humana, mais repleta de sentido e de esperan\u00e7a? Quais s\u00e3o as \u201ctenta\u00e7\u00f5es\u201d que, com mais frequ\u00eancia, nos afastam do estilo de vida e do projeto de Jesus?<\/li>\n<li>Uma das \u201ctenta\u00e7\u00f5es\u201d com que Jesus teve de se debater foi a dos bens materiais. \u00c9 uma \u201ctenta\u00e7\u00e3o\u201d que conhecemos bem, pois temos de lidar com ela a todos os instantes. Apelando \u00e0 nossa apet\u00eancia pelo conforto, pelo bem-estar, pela seguran\u00e7a, ela convida-nos a acumular coisas, a priorizar o dinheiro, a fazer dos bens materiais o grande objetivo da nossa vida. \u00c9, no entanto, uma \u201ctenta\u00e7\u00e3o\u201d que pode desvirtuar completamente o sentido da nossa exist\u00eancia: cria depend\u00eancia, torna-nos escravos dos bens materiais, faz-nos correr atr\u00e1s de coisas ef\u00e9meras; fecha-nos \u00e0 partilha, \u00e0 solidariedade, \u00e0 fraternidade; potencia a indiferen\u00e7a face \u00e0s necessidades dos nossos irm\u00e3os; incita-nos a apostar em mecanismos de explora\u00e7\u00e3o e de lucro\u2026 Qual o lugar e o papel que os bens materiais assumem na nossa vida? A forma como lidamos com os bens materiais \u00e9 sadia e equilibrada?<\/li>\n<li>Outra das \u201ctenta\u00e7\u00f5es\u201d que se atravessou no caminho de Jesus foi a de utilizar Deus para obter o reconhecimento, os aplausos, o apre\u00e7o, a considera\u00e7\u00e3o dos homens. N\u00e3o \u00e9 uma \u201ctenta\u00e7\u00e3o\u201d t\u00e3o incomum como parece \u00e0 primeira vista. Esta \u201ctenta\u00e7\u00e3o\u201d pode fazer-nos pensar na utiliza\u00e7\u00e3o da f\u00e9 para obter benef\u00edcios pessoais, para construir uma \u201ccarreira\u201d de sucesso, para conquistar reputa\u00e7\u00e3o, renome ou prest\u00edgio; pode fazer-nos pensar na utiliza\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o para obter privil\u00e9gios, t\u00edtulos ou honrarias; pode fazer-nos pensar nas \u201cexig\u00eancias\u201d que fazemos a Deus para que Ele nos conceda os favores a que julgamos ter direito\u2026 E pode, por outro lado, fazer-nos pensar nas ced\u00eancias que algumas pessoas est\u00e3o dispostas a fazer, \u00e0s vezes \u00e0 custa da pr\u00f3pria dignidade, para obter uns minutos de fama e de notoriedade\u2026 O reconhecimento, a fama, os aplausos, os privil\u00e9gios, ser\u00e3o bens pelos quais vale a pena pagar qualquer pre\u00e7o?<\/li>\n<li>A terceira das \u201ctenta\u00e7\u00f5es\u201d que Jesus teve de enfrentar foi a do poder, da gl\u00f3ria, dos triunfos humanos. Jesus considerava que a vontade de subjugar os outros, de deter autoridade ilimitada, de dominar o mundo, \u00e9 algo de diab\u00f3lico, que pode fazer o homem perder a sua grande refer\u00eancia \u2013 Deus. Est\u00e1 na base do orgulho e da autossufici\u00eancia que fecham o homem no seu ghetto pessoal; leva o homem a querer libertar-se do \u201ccontrole\u201d de Deus e a virar as costas a Deus; desenvolve no homem \u201ctiques\u201d de autoritarismo, de intoler\u00e2ncia, de prepot\u00eancia que causam feridas irrepar\u00e1veis no mundo; favorece o abuso dos mais fracos, dos mais pequenos; promove mecanismos de escravid\u00e3o, de explora\u00e7\u00e3o, de crispa\u00e7\u00e3o social; fomenta guerras, viol\u00eancias, imperialismos; constr\u00f3i muros de inimizade que separam as pessoas e que as impedem de viver em harmonia\u2026 Esta \u201ctenta\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 problema para n\u00f3s? Como \u00e9 que n\u00f3s tratamos aqueles com quem partilhamos o caminho da vida: com sobranceria e arrog\u00e2ncia, ou com humildade, respeito e amor?<\/li>\n<li>N\u00f3s somos humanos e fr\u00e1geis. Vivemos mergulhados numa realidade de pecado, que nos condiciona e nos arrasta para op\u00e7\u00f5es discut\u00edveis. Ser\u00e1 poss\u00edvel vencermos essas \u201ctenta\u00e7\u00f5es\u201d que continuamente aparecem no caminho da nossa vida? Jesus venceu-as. Ele nunca aceitou que a sua vida fosse conduzida pelo meio de equ\u00edvocos e de facilitismos. Escolheu, uma e outra e outra vez n\u00e3o se afastar do projeto do Pai. Podemos dizer que n\u00e3o temos a mesma for\u00e7a de Jesus. Pode ser verdade. Mas Ele vai \u00e0 nossa frente a apontar-nos o caminho e a dizer-nos que \u00e9 poss\u00edvel dizer \u201cn\u00e3o\u201d, uma e outra e outra vez, \u00e0s propostas que nos levam por caminhos onde n\u00e3o h\u00e1 vida verdadeira. Estamos dispostos a tentar sem desculpas e sem justifica\u00e7\u00f5es, seguir o exemplo de Jesus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na prepara\u00e7\u00e3o da <strong>primeira leitura<\/strong> deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o a presen\u00e7a do discurso direto com frases interrogativas. A leitura de uma frase interrogativa deve fazer-se acentuando a part\u00edcula interrogativa ou o verbo presente na frase e n\u00e3o acentuando apenas o final da frase.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong>, tal como j\u00e1 nos habituamos no epistol\u00e1rio Paulino, devido \u00e0s frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es, requer uma acurada prepara\u00e7\u00e3o na articula\u00e7\u00e3o do texto, assinalando as pausas e respira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Leitura-I-do-Domingo-I-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-22.02.2026-Genesis-2-7-9_-3-1-7.pdf\">Leitura I do Domingo I do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 22.02.2026 (G\u00e9nesis 2, 7-9_ 3, 1-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Conclusao-da-leitura-I-do-Domingo-I-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-22.02.2026-.pdf\">Conclus\u00e3o da leitura I do Domingo I do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 22.02.2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Leitura-II-do-Domingo-I-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-22.02.2026-Romanos-5-12.17-19.pdf\">Leitura II do Domingo I do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 22.02.2026 (Romanos 5, 12.17-19)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Conclusao-da-Leitura-II-do-Domingo-I-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-22.02.2026.pdf\">Conclus\u00e3o da Leitura II do Domingo I do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 22.02.2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Domingo-I-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-22.02.2026-Lecionario.pdf\">Domingo I do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 22.02.2026 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Domingo-I-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-22.02.2026-Oracao-Universal.pdf\">Domingo I do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 22.02.2026 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Domingo-I-do-Tempo-da-Quaresma-Ano-A-22.02.2026-refletindo.pdf\">Domingo I do Tempo da Quaresma &#8211; Ano A &#8211; 22.02.2026 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Mensagem-de-SS-Papa-Leao-XIV-para-a-Quaresma-de-2026.pdf\">Mensagem de SS Papa Le\u00e3o XIV para a Quaresma de 2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Quaresma.pdf\">Quaresma<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo VI do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 15.02.2026&#8243; tab_id=&#8221;1771845001998-0df6251d-b250&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4>Domingo VI do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 15.02.2026<\/h4>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-12653 size-full\" style=\"color: inherit; font-family: inherit; font-size: inherit;\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Domingo-VI.jpg\" alt=\"\" width=\"431\" height=\"532\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o Monte, Jesus continua a falar ao cora\u00e7\u00e3o dos Seus disc\u00edpulos, apresentando as coordenadas fundamentais para O seguir e para colaborar na miss\u00e3o de estabelecer no mundo o Reino de Deus. Ser feliz, ser bem-aventurado, \u00e9 partir na aventura de subir ao Monte com Jesus. \u00c9 abra\u00e7ar o desafio de caminhar rumo \u00e0 medida alta da santidade. \u00c9 ser luz e sal para que no mundo possa ecoar a mais bela melodia do amor e, assim, contemplando as nossas boas obras, cada homem e cada mulher eleve o seu olhar para Aquele que \u00e9 a fonte de todo o amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Subir ao monte \u00e9 uma experi\u00eancia humana verdadeiramente marcante n\u00e3o s\u00f3 pela possibilidade de contemplar o mundo e a natureza de um modo novo, mas tamb\u00e9m porque exige esfor\u00e7o e determina\u00e7\u00e3o para atingir a meta. Sabemos como os nossos antepassados, desde os cultos mais primitivos at\u00e9 \u00e0s capelas e santu\u00e1rios crist\u00e3os, escolheram o cimo do monte como lugar privilegiado para o encontro com Deus. Subir para descer, chegar mais alto para trilhar melhor os caminhos c\u00e1 em baixo, aproximar-se de Deus para melhor nos aproximarmos dos irm\u00e3os. \u00c9 esta a nova l\u00f3gica do Reino que Jesus faz ecoar sobre o monte e que nos aponta a radicalidade do Seu Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus apresenta a novidade da sua mensagem, levando \u00e0 plenitude a lei que outrora tamb\u00e9m sobre o monte foi dada ao povo por meio de Mois\u00e9s. Esta lei nova, que Jesus n\u00e3o vem revogar, mas completar, deve ser inscrita n\u00e3o em t\u00e1buas de pedra, mas no cora\u00e7\u00e3o d\u00f3cil de cada homem e cada mulher. Esta \u00e9 uma proposta livre que reclama do nosso cora\u00e7\u00e3o uma ades\u00e3o consciente e determinada: \u00ab<em>se quiseres, guardar\u00e1s os mandamentos: ser fiel depende da tua vontade. Deus p\u00f4s diante de ti o fogo e a \u00e1gua: estender\u00e1s a m\u00e3o para o que desejares<\/em>\u00bb. Seguir Jesus Cristo, acolhendo a radicalidade do Seu Evangelho \u00e9 um caminho de verdadeira liberdade e, por isso, t\u00e3o exigente. Livremente eu aceito n\u00e3o viver uma lei de m\u00ednimos, livremente eu desejo ser mais e melhor a partir do amor de Jesus, livremente eu acolho o desafio de viver a permanente tens\u00e3o entre aquilo que sou e aquilo que o Senhor me chama a ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viver com radicalidade o que Jesus nos prop\u00f5e no Evangelho deste Domingo pode ser frustrante e at\u00e9 desanimador e podemos at\u00e9 ser tentados a afirmar que esta proposta est\u00e1 para l\u00e1 das nossas capacidades humanas. Na verdade, sozinhos nunca seremos capazes, mas conscientes de que Aquele que nos aponta o caminho tamb\u00e9m caminha connosco, poderemos avan\u00e7ar com renovada esperan\u00e7a e revigorada confian\u00e7a. A exig\u00eancia do caminho e a medida alta que est\u00e1 colocada diante de n\u00f3s s\u00e3o a garantia de que estaremos permanentemente a caminhar, numa atitude de permanente convers\u00e3o, superando os nossos limites, vencendo as nossas fragilidades e acolhendo o convite de Jesus para que a nossa linguagem seja sempre marcada pela determina\u00e7\u00e3o de quem sabe dizer sim ao amor e n\u00e3o a tudo o que nos afasta dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab<em>Ouvistes que foi dito aos antigos<\/em>\u2026\u00a0<em>Eu, por\u00e9m, digo-vos<\/em>\u00bb. Estas palavras est\u00e3o entre as mais radicais do Evangelho, mas s\u00e3o tamb\u00e9m as mais humanas, porque nos indicam o caminho da verdadeira felicidade, a possibilidade de viver de modo novo a rela\u00e7\u00e3o com os outros e realizar no tempo e na hist\u00f3ria o Reino de Deus que haveremos de experimentar em plenitude no C\u00e9u.<strong><em>in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong><em>\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No dia 14 de fevereiro, comemora-se o Dia dos Namorados.<\/strong> A Pastoral Familiar da par\u00f3quia pode convidar os namorados a participar de modo especial na celebra\u00e7\u00e3o deste Domingo ou noutro momento considerado mais oportuno e valorizar-se a sua presen\u00e7a com uma ora\u00e7\u00e3o rezada em conjunto ou uma especial b\u00ean\u00e7\u00e3o para os namorados\/noivos. Recordo que a Exorta\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Amoris Laetitia<\/em>\u00a0convida \u00ab<em>as comunidades crist\u00e3s a reconhecerem que \u00e9 um bem para elas mesmas acompanhar o caminho de amor dos noivos<\/em>\u00bb (AL 207). Al\u00e9m disso, este momento torna-se uma oportunidade para os casais de namorados crist\u00e3os olharem o tempo de namoro como tempo feliz de prepara\u00e7\u00e3o para o sacramento do matrim\u00f3nio num caminho comunit\u00e1rio. <strong><em>\u00a0in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + <\/em><\/strong><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>Estamos no Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanhamos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Ben Sir\u00e1 (Eclesi\u00e1stico)15, 16-21 (15-20)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se quiseres, guardar\u00e1s os mandamentos:<br \/>\nser-lhe fiel depende da tua vontade.<br \/>\nDeus p\u00f4s diante de ti o fogo e a \u00e1gua:<br \/>\nestender\u00e1s a m\u00e3o para o que desejares.<br \/>\nDiante do homem est\u00e3o a vida e a morte:<br \/>\no que ele escolher, isso lhe ser\u00e1 dado.<br \/>\nPorque \u00e9 grande a sabedoria do Senhor,<br \/>\nEle \u00e9 forte e poderoso e v\u00ea todas as coisas.<br \/>\nSeus olhos est\u00e3o sobre aqueles que O temem,<br \/>\nEle conhece todas as coisas do homem.<br \/>\nN\u00e3o mandou a ningu\u00e9m fazer o mal,<br \/>\nnem deu licen\u00e7a a ningu\u00e9m de cometer o pecado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Livro de Ben Sir\u00e1 (chamado, na sua vers\u00e3o grega, \u201cEclesi\u00e1stico\u201d) \u00e9 um livro de car\u00e1cter sapiencial que, como todos os livros sapienciais, tem por objetivo deixar aos aspirantes a \u201cs\u00e1bios\u201d indica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas sobre a arte de bem viver e de ser feliz. O seu autor ter\u00e1 sido um tal Jesus Ben Sir\u00e1, um \u201cs\u00e1bio\u201d israelita que viveu na primeira metade do s\u00e9c. II a.C. (cf. Sir 51,30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00e9poca de Jesus Ben Sir\u00e1 \u00e9 uma \u00e9poca conturbada para o Povo de Deus. Quando Alexandre da Maced\u00f3nia morreu, em 323 a.C., o seu imp\u00e9rio foi dividido por duas fam\u00edlias: os Ptolomeus e os Sel\u00eaucidas. Inicialmente, a Palestina ficou nas m\u00e3os dos Ptolomeus; e, nos anos de dom\u00ednio Ptolomeu, o Povo de Deus p\u00f4de, em geral, viver na fidelidade \u00e0 sua f\u00e9 e aos seus valores ancestrais. Em 198 a.C., contudo, depois da batalha de P\u00e2nias, a Palestina passou para o dom\u00ednio dos Sel\u00eaucidas (uma fam\u00edlia descendente de Seleuco Nicanor, general de Alexandre). Os Sel\u00eaucidas, sobretudo com Ant\u00edoco IV Ep\u00edfanes, procuraram impor, por vezes pela for\u00e7a, a cultura hel\u00e9nica. Nesse contexto muitos judeus, seduzidos pelo brilho da cultura grega, abandonavam os valores tradicionais e a f\u00e9 dos pais e assumiam comportamentos mais consent\u00e2neos com a \u201cmodernidade\u201d e com a press\u00e3o exercida pelas autoridades sel\u00eaucidas. A identidade cultural e religiosa do Povo de Deus corria, assim, s\u00e9rios riscos\u2026 Jesus Ben Sir\u00e1, um \u201cs\u00e1bio\u201d judeu apegado \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es dos seus antepassados, entendeu desenvolver uma reflex\u00e3o que ajudasse os seus concidad\u00e3os a manterem-se fi\u00e9is aos valores tradicionais. No livro que escreveu para esse efeito, Jesus Ben Sira apresenta uma s\u00edntese da religi\u00e3o tradicional e da \u201csabedoria\u201d de Israel e procura demonstrar que \u00e9 no respeito pela sua f\u00e9, pelos seus valores, pela sua identidade que os judeus podem descobrir o caminho seguro para serem um povo livre e feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos cap\u00edtulos 14 e 15 do seu livro, Jesus Ben Sira reflete sobre a forma de encontrar a verdadeira felicidade. \u00c9 nesse enquadramento que a primeira leitura deste domingo nos prop\u00f5e: dirigindo-se aos seus concidad\u00e3os, seduzidos pela cultura grega, Ben Sira sugere-lhes o caminho da verdadeira sabedoria e convida-os a percorr\u00ea-lo. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>\u00c9 verdade que n\u00e3o nascemos todos iguais. Desde o primeiro instante da nossa exist\u00eancia o nosso caminho est\u00e1 marcado por fatores heredit\u00e1rios, pelo contexto familiar e social, pela condi\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e por outras variantes que ir\u00e3o ter influ\u00eancia no nosso desenvolvimento e no nosso enquadramento no mundo. Mas, apesar dessa \u201cbagagem\u201d que transportamos desde a nossa entrada no mundo, h\u00e1 uma realidade incontorn\u00e1vel: nascemos livres e somos respons\u00e1veis pelo nosso destino. Jean Paul Sartre falava de sermos seres &#8220;condenados&#8221; \u00e0 liberdade pois, embora n\u00e3o tenhamos escolhido nascer, a partir do momento em que somos lan\u00e7ados no mundo, tornamo-nos inteiramente respons\u00e1veis por todas as nossas escolhas e a\u00e7\u00f5es. A reflex\u00e3o do s\u00e1bio Ben Sir\u00e1 que a primeira leitura deste domingo nos apresenta lembra-nos isso. \u201cCondenados\u201d \u00e0 liberdade, assumimos o supremo desafio de escolher o nosso destino. Sentimos essa responsabilidade e procuramos responder ao desafio, ou passamos a vida a encolher os ombros e a deixar-nos ir na corrente, ao sabor das modas, das \u201cordens\u201d dos influenciadores, dos interesses que nos governam? Demitimo-nos da nossa responsabilidade na defini\u00e7\u00e3o do caminho que percorremos e aceitamos que sejam os outros a impor-nos os seus esquemas, os seus valores, a sua vis\u00e3o das coisas?<\/li>\n<li>Entre as escolhas poss\u00edveis est\u00e1, segundo Jesus Ben Sir\u00e1, um caminho que conduz \u00e0 vida. De acordo com a catequese de Israel, encontra-se \u201cvida\u201d cumprindo a Lei dada por Deus. O caminho que conduz \u00e0 vida e \u00e0 felicidade \u00e9, portanto, o caminho que est\u00e1 balizado pelos mandamentos de Deus. Percorrer esse caminho implica confiar em Deus, acreditar que o seu interesse supremo \u00e9 o bem dos seus queridos filhos. Quando um crente est\u00e1 certo da bondade e do amor de Deus, ent\u00e3o n\u00e3o hesita em viver numa escuta permanente de Deus, num di\u00e1logo nunca acabado com Deus, numa descoberta cont\u00ednua das propostas de Deus, numa obedi\u00eancia radical a Deus. As indica\u00e7\u00f5es de Deus n\u00e3o lhe soam como uma imposi\u00e7\u00e3o de um Deus exigente, mas sim como os conselhos amorosos de um Pai que s\u00f3 quer o bem dos seus filhos. Estamos interessados em escolher o caminho que conduz \u00e0 vida? Que import\u00e2ncia damos, na defini\u00e7\u00e3o das nossas prioridades e dos nossos valores fundamentais, aos mandamentos e \u00e0s propostas de Deus?<\/li>\n<li>De acordo com Ben Sir\u00e1, h\u00e1 uma outra escolha poss\u00edvel: o caminho que conduz \u00e0 morte. \u00c9 o caminho perigoso seguido por aqueles que escolhem o ego\u00edsmo, a autossufici\u00eancia, o orgulho, o isolamento em rela\u00e7\u00e3o a Deus e \u00e0s suas sugest\u00f5es. Fechando-se em si pr\u00f3prio e ignorando deliberadamente as propostas de Deus, o homem acaba por privilegiar os seus interesses ego\u00edstas e por introduzir no mundo desequil\u00edbrios que geram injusti\u00e7a, mis\u00e9ria, explora\u00e7\u00e3o, sofrimento, viol\u00eancia e morte. Vemos isso acontecer todos os dias \u00e0 nossa volta. De onde v\u00eam as guerras, as divis\u00f5es, os conflitos que todos os dias amea\u00e7am a vida de tantos homens e mulheres inocentes? De onde v\u00eam a gan\u00e2ncia, a corrup\u00e7\u00e3o, a explora\u00e7\u00e3o dos mais fracos, os mecanismos de injusti\u00e7a que roubam a vida e a dignidade a tantas pessoas? De onde vem a gan\u00e2ncia que leva os poderosos a pilharem a natureza e a guardarem, para benef\u00edcio pr\u00f3prio os recursos que pertencem a todos? O que ser\u00e1 ainda necess\u00e1rio acontecer para percebermos que ignorar as indica\u00e7\u00f5es de Deus \u00e9 um caminho que nos arrasta, inevitavelmente, em dire\u00e7\u00e3o a um beco sem sa\u00edda?<\/li>\n<li>De onde v\u00eam os males que sombreiam o caminho e a hist\u00f3ria dos homens? Resultar\u00e3o da neglig\u00eancia de um Deus que \u201cn\u00e3o quer saber\u201d dos seus filhos? Ser\u00e3o castigos de Deus por nos termos portado mal e por termos escolhido caminhos inadequados? O problema do mal \u00e9 complexo e n\u00e3o tem respostas simples. No entanto, a reflex\u00e3o de Ben Sir\u00e1 deixa-nos, desde logo, uma certeza: muitos dos males que desfeiam o mundo e que causam sofrimento aos homens prov\u00eam das escolhas erradas que fazemos. Deus n\u00e3o castiga, nem \u201cinventa\u201d males para nos travar; mas as nossas op\u00e7\u00f5es sem sentido podem resultar em dor e infelicidade para n\u00f3s e para todos aqueles que caminham ao nosso lado. Se, no exerc\u00edcio da nossa liberdade, escolhermos ignorar as indica\u00e7\u00f5es de Deus e avan\u00e7ar por caminhos sem sentido, poderemos atribuir a Deus as culpas pelo dano que isso nos traz? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 118 (119)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Ditoso o que anda na lei do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Felizes os que seguem o caminho perfeito<br \/>\ne andam na lei do Senhor.<br \/>\nFelizes os que observam as suas ordens<br \/>\ne O procuram de todo o cora\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Promulgastes os vossos preceitos<br \/>\npara se cumprirem fielmente.<br \/>\nOxal\u00e1 meus caminhos sejam firmes<br \/>\nna observ\u00e2ncia dos vossos decretos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fazei bem ao vosso servo:<br \/>\nviverei e cumprirei a vossa palavra.<br \/>\nAbri, Senhor, os meus olhos<br \/>\npara ver as maravilhas da vossa Lei.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ensinai-me, Senhor, o caminho dos vossos decretos<br \/>\npara ser fiel at\u00e9 ao fim.<br \/>\nDai-me entendimento para guardar a vossa lei<br \/>\ne para a cumprir de todo o cora\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Cor\u00edntios 2, 6-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nN\u00f3s falamos de sabedoria entre os perfeitos,<br \/>\nmas de uma sabedoria que n\u00e3o \u00e9 deste mundo,<br \/>\nnem dos pr\u00edncipes deste mundo,<br \/>\nque v\u00e3o ser destru\u00eddos.<br \/>\nFalamos da sabedoria de Deus, misteriosa e oculta,<br \/>\nque j\u00e1 antes dos s\u00e9culos<br \/>\nDeus tinha destinado para a nossa gl\u00f3ria.<br \/>\nNenhum dos pr\u00edncipes deste mundo a conheceu;<br \/>\nporque se a tivessem conhecido,<br \/>\nn\u00e3o teriam crucificado o Senhor da gl\u00f3ria.<br \/>\nMas, como est\u00e1 escrito,<br \/>\n\u00abnem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram,<br \/>\nnem jamais passou pelo pensamento do homem<br \/>\no que Deus preparou para aqueles que O amam\u00bb.<br \/>\nMas a n\u00f3s Deus o revelou por meio do Esp\u00edrito Santo,<br \/>\nporque o Esp\u00edrito Santo penetra todas as coisas,<br \/>\nat\u00e9 o que h\u00e1 de mais profundo em Deus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corinto, capital da Prov\u00edncia romana da Acaia, era uma cidade nova e muito pr\u00f3spera. Abrigava v\u00e1rios templos importantes, como o famoso templo de Apolo e o templo de Afrodite no topo da Acr\u00f3pole, onde se praticava a prostitui\u00e7\u00e3o sagrada. Disfrutando de uma localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica vantajosa, entre o Mar Egeu e o Mar J\u00f3nico, tornou-se um centro comercial crucial para o transporte de mercadorias no Mediterr\u00e2neo. Servida por dois portos de mar (um que acolhia pessoas e mercadorias do ocidente e outro que recebia pessoas e mercadorias do oriente), possu\u00eda as caracter\u00edsticas t\u00edpicas das cidades mar\u00edtimas: uma popula\u00e7\u00e3o de todas as ra\u00e7as e local onde estavam sediados todos os cultos e religi\u00f5es. Al\u00e9m disso, Corinto era a cidade do desregramento para todos os marinheiros que cruzavam o Mediterr\u00e2neo, \u00e1vidos de prazer, ap\u00f3s meses de navega\u00e7\u00e3o. Na \u00e9poca de Paulo, a cidade comportava cerca de 500.000 pessoas, das quais dois ter\u00e7os eram escravos. A riqueza escandalosa de alguns contrastava com a mis\u00e9ria da maioria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo passou pela primeira vez em Corinto durante a sua segunda viagem mission\u00e1ria (anos 50-52). Como resultado da prega\u00e7\u00e3o de Paulo, nasceu a comunidade crist\u00e3 de Corinto. A maior parte dos membros da comunidade eram de origem grega, embora em geral, de condi\u00e7\u00e3o humilde (cf. 1Co 11,26-29; 8,7; 10,14.20; 12,2); mas tamb\u00e9m havia elementos de origem hebraica (cf. At 18,8; 1Co 1,22-24; 10,32; 12,13). De uma forma geral, a comunidade era viva e fervorosa; no entanto, estava exposta aos perigos de um ambiente corrupto: moral dissoluta (cf. 1Co 6,12-20; 5,1-2), querelas, disputas, lutas (cf. 1Co 1,11-12), sedu\u00e7\u00e3o da sabedoria filos\u00f3fica de origem pag\u00e3 que se introduzia na Igreja revestida de um superficial verniz crist\u00e3o (cf. 1Co 1,19-2,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo escreveu a sua primeira Carta aos Cor\u00edntios durante a sua terceira viagem mission\u00e1ria (anos 53-58), provavelmente quando estava em \u00c9feso. O ap\u00f3stolo teve conhecimento de not\u00edcias que davam conta de problemas graves na comunidade de Corinto: divis\u00f5es, conflitos e esc\u00e2ndalos de v\u00e1ria \u00edndole. As divis\u00f5es resultavam, em boa parte, do facto de os cor\u00edntios identificarem a experi\u00eancia crist\u00e3 com o mundo das escolas filos\u00f3ficas gregas. As diversas figuras de refer\u00eancia da comunidade crist\u00e3 eram vistas, pelos crist\u00e3os de Corinto, como mestres que propunham caminhos diversos para se chegar \u00e0 plenitude da sabedoria e da realiza\u00e7\u00e3o humana. Sendo assim, cada crente escolhia o seu \u201cmestre\u201d e aderia ao \u201ccaminho\u201d por ele proposto. Os disc\u00edpulos desses v\u00e1rios mestres empenhavam-se em demonstrar a excel\u00eancia e a superior sabedoria do mestre escolhido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo procura, ent\u00e3o, demonstrar aos cor\u00edntios que entre os crist\u00e3os n\u00e3o h\u00e1 sen\u00e3o um mestre, que \u00e9 Jesus Cristo; e a experi\u00eancia crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 a busca de uma filosofia que abra ao disc\u00edpulo as portas da sabedoria, pelo menos dessa sabedoria humana que os gregos buscavam. O caminho crist\u00e3o \u00e9 a ades\u00e3o a Cristo crucificado, o Cristo do amor e do dom da vida. N\u2019Ele manifesta-se, de forma humanamente desconcertante, mas plena e definitiva, a for\u00e7a salvadora de Deus. \u00c9 em Cristo e na sua cruz que os cor\u00edntios devem procurar a verdadeira sabedoria que conduz \u00e0 vida eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de denunciar a pretens\u00e3o dos cor\u00edntios em encontrar nos homens a verdadeira proposta de sabedoria para chegar a uma vida plena, Paulo vai apresentar-lhes, de uma forma bem assertiva, a \u201csabedoria de Deus <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Assim, \u201c\u00e0 vista desarmada\u201d, n\u00e3o parece incr\u00edvel que Deus se tenha dado a tanto trabalho e a um planeamento t\u00e3o bem arquitetado para nos oferecer \u2013 a n\u00f3s, pequenos gr\u00e3os de p\u00f3 perdidos num universo infinito \u2013 a possibilidade de chegarmos \u00e0 vida eterna? Pensando bem, s\u00f3 o amor explica esta \u201caposta\u201d de Deus. Para Deus, talvez n\u00e3o sejamos apenas pequenos gr\u00e3os de p\u00f3 sem significado, mas filhos muito queridos que Ele criou com amor e que Ele continua a amar profundamente, apesar da nossa fragilidade. Por isso, Deus n\u00e3o desiste de \u201csalvar-nos\u201d, de cuidar de n\u00f3s, de nos mostrar os caminhos que conduzem \u00e0 vida, de nos inserir na sua fam\u00edlia. Ele tem passado toda a hist\u00f3ria a fazer isso: a oferecer-nos a possibilidade de caminharmos ao encontro de uma vida plena. At\u00e9 mesmo quando Lhe viramos as costas, O ignoramos, escolhemos caminhos de orgulho e de autossufici\u00eancia, Ele continua a amar-nos a mostrar-nos como podemos chegar \u00e0 felicidade verdadeira. O que \u00e9 que isso nos sugere? Como sentimos este grande amor, esse infinito amor que Deus nos dedica? Como \u00e9 que respondemos ao amor de Deus?<\/li>\n<li>A \u201csabedoria humana\u201d \u2013 que Paulo denuncia \u2013 n\u00e3o \u00e9 necessariamente, \u00e0 priori, algo mau. S\u00f3 ser\u00e1 algo mau se nos atirar para caminhos de orgulho, de vaidade, de autossufici\u00eancia. Ora, muitas vezes \u00e9 precisamente isso que acontece. Convencidos da nossa import\u00e2ncia e da excel\u00eancia das nossas \u201cqualidades\u201d, julgamos que podemos bastar-nos a n\u00f3s pr\u00f3prios. Afastamo-nos de Deus, ignoramos as suas propostas, constru\u00edmos a nossa hist\u00f3ria de vida \u00e0 volta dos nossos interesses, dos nossos motivos, das nossas convic\u00e7\u00f5es pessoais. Os \u201cmandamentos\u201d de Deus tornam-se, para n\u00f3s, um empecilho que fazemos quest\u00e3o de ignorar. Achamos tamb\u00e9m que n\u00e3o precisamos dos outros. Tornamo-nos arrogantes com os nossos irm\u00e3os, desprezamo-los e fazemos com que o mundo gire apenas \u00e0 nossa volta. Acabamos por nos encontrar em caminhos fechados, que n\u00e3o levam a lado nenhum. N\u00e3o \u00e9 a\u00ed que est\u00e1 a nossa salva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 dessa forma que chegaremos \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o plena, n\u00e3o \u00e9 assim que daremos sentido \u00e0 nossa vida. Como \u00e9 que queremos viver? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mateus 5,17-37<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\ndisse Jesus aos seus disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abN\u00e3o penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas;<br \/>\nn\u00e3o vim revogar, mas completar.<br \/>\nEm verdade vos digo:<br \/>\nAntes que passem o c\u00e9u e a terra,<br \/>\nn\u00e3o passar\u00e1 da Lei a mais pequena letra<br \/>\nou o mais pequeno sinal,<br \/>\nsem que tudo se cumpra.<br \/>\nPortanto, se algu\u00e9m transgredir um s\u00f3 destes mandamentos,<br \/>\npor mais pequenos que sejam,<br \/>\ne ensinar assim aos homens,<br \/>\nser\u00e1 o menor no reino dos C\u00e9us.<br \/>\nMas aquele que os praticar e ensinar<br \/>\nser\u00e1 grande no reino dos C\u00e9us.<br \/>\nPorque Eu vos digo:<br \/>\nSe a vossa justi\u00e7a n\u00e3o superar a dos escribas e fariseus,<br \/>\nn\u00e3o entrareis no reino dos C\u00e9us.<br \/>\nOuvistes que foi dito aos antigos:<br \/>\n\u2018N\u00e3o matar\u00e1s; quem matar ser\u00e1 submetido a julgamento\u2019.<br \/>\nEu, por\u00e9m, digo-vos:<br \/>\nTodo aquele que se irar contra o seu irm\u00e3o<br \/>\nser\u00e1 submetido a julgamento.<br \/>\nQuem chamar imbecil a seu irm\u00e3o<br \/>\nser\u00e1 submetido ao Sin\u00e9drio,<br \/>\ne quem lhe chamar louco<br \/>\nser\u00e1 submetido \u00e0 geena de fogo.<br \/>\nPortanto, se fores apresentar a tua oferta sobre o altar<br \/>\ne ali te recordares que o teu irm\u00e3o tem alguma coisa contra ti,<br \/>\ndeixa l\u00e1 a tua oferta diante do altar,<br \/>\nvai primeiro reconciliar-te com o teu irm\u00e3o<br \/>\ne vem depois apresentar a tua oferta.<br \/>\nReconcilia-te com o teu advers\u00e1rio,<br \/>\nenquanto vais com ele a caminho,<br \/>\nn\u00e3o seja caso que te entregue ao juiz,<br \/>\no juiz ao guarda, e sejas metido na pris\u00e3o.<br \/>\nEm verdade te digo:<br \/>\nN\u00e3o sair\u00e1s de l\u00e1, enquanto n\u00e3o pagares o \u00faltimo centavo.<br \/>\nOuvistes que foi dito:<br \/>\n\u2018N\u00e3o cometer\u00e1s adult\u00e9rio\u2019.<br \/>\nEu, por\u00e9m, digo-vos:<br \/>\nTodo aquele que olhar para uma mulher desejando-a,<br \/>\nj\u00e1 cometeu adult\u00e9rio com ela no seu cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSe o teu olho \u00e9 para ti ocasi\u00e3o de pecado,<br \/>\narranca-o e lan\u00e7a-o para longe de ti,<br \/>\npois \u00e9 melhor perder-se um dos teus membros<br \/>\ndo que todo o corpo ser lan\u00e7ado na geena.<br \/>\nE se a tua m\u00e3o direita \u00e9 para ti ocasi\u00e3o de pecado,<br \/>\ncorta-a e lan\u00e7a-a para longe de ti,<br \/>\nporque \u00e9 melhor que se perca um dos teus membros,<br \/>\ndo que todo o corpo ser lan\u00e7ado na geena.<br \/>\nTamb\u00e9m foi dito:<br \/>\n\u2018Quem repudiar sua mulher d\u00ea-lhe certid\u00e3o de rep\u00fadio\u2019.<br \/>\nEu, por\u00e9m, digo-vos:<br \/>\nTodo aquele que repudiar sua mulher,<br \/>\nsalvo em caso de uni\u00e3o ilegal,<br \/>\nf\u00e1-la cometer adult\u00e9rio.<br \/>\nOuvistes que foi dito aos antigos:<br \/>\n\u2018N\u00e3o faltar\u00e1s ao que tiveres jurado,<br \/>\nmas cumprir\u00e1s os teus juramentos para com o Senhor\u2019.<br \/>\nEu, por\u00e9m, digo-vos que n\u00e3o jureis em caso algum:<br \/>\nnem pelo C\u00e9u, que \u00e9 o trono de Deus;<br \/>\nnem pela terra, que \u00e9 o escabelo dos seus p\u00e9s;<br \/>\nnem por Jerusal\u00e9m, que \u00e9 a cidade do grande Rei.<br \/>\nTamb\u00e9m n\u00e3o jures pela tua cabe\u00e7a,<br \/>\nporque n\u00e3o podes fazer branco ou preto um s\u00f3 cabelo.<br \/>\nA vossa linguagem deve ser: \u2018Sim, sim; n\u00e3o, n\u00e3o\u2019.<br \/>\nO que passa disto vem do Maligno\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O evangelista Mateus leva-nos hoje, outra vez, at\u00e9 ao cimo de uma montanha da Galileia, onde Jesus pronuncia, diante dos seus disc\u00edpulos, o famoso \u201cserm\u00e3o da montanha\u201d (a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 identifica essa montanha com um pequeno monte com 150 metros de altura, situado a noroeste de Cafarnaum, junto do Mar da Galileia, designado em hebraico como Har HaOsher). \u00c9 o primeiro de cinco discursos de Jesus que Mateus nos oferece (cf. Mt 5-7; 10; 13; 18; 24-25) e que, na perspetiva do evangelista, correspondem aos cinco livros da antiga Lei (G\u00e9nesis, \u00caxodo, Lev\u00edtico, N\u00fameros, Deuteron\u00f3mio), dada por Deus ao seu povo no Monte Sinai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cserm\u00e3o da montanha (cf. Mt 5-7) re\u00fane um importante conjunto de palavras (\u201cditos\u201d) de Jesus onde Mateus v\u00ea as coordenadas fundamentais da proposta crist\u00e3. O evangelista considera que as palavras de Jesus no \u201cserm\u00e3o da montanha\u201d prop\u00f5em um novo c\u00f3digo \u00e9tico, uma Lei nova que supera e substitui a velha Lei do Sinai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de, no pre\u00e2mbulo do \u201cserm\u00e3o da montanha\u201d, nos ter apresentado as \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d (cf. Mt 5,1-12) e a defini\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o dos disc\u00edpulos (cf. Mt 5,13-15), Mateus entra no corpo central do discurso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se Jesus vem propor uma \u201cnova Lei\u201d, que ser\u00e1 da Lei antiga, a Lei outrora dada por Deus ao seu povo no Sinai? Tratava-se, evidentemente, de uma quest\u00e3o que preocupava bastante a comunidade crist\u00e3 de Mateus, oriunda maioritariamente do mundo judaico e que continuava apegada \u00e0 Lei de Mois\u00e9s. Como \u00e9 que Jesus se situa face \u00e0 antiga Lei? Veio aboli-la? Qual \u00e9 a novidade que Ele traz? A antiga Lei poder\u00e1 coexistir com a proposta de Jesus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O \u201cserm\u00e3o da montanha\u201d que Jesus um dia dirige aos disc\u00edpulos no alto de um monte da Galileia tem por objetivo desafi\u00e1-los, faz\u00ea-los \u201cganhar altura\u201d, evitar que eles fiquem atascados numa exist\u00eancia f\u00fatil e rasteira, lev\u00e1-los a caminhar de rosto levantado e de olhos postos nas realidades eternas. N\u00e3o se trata de evitar que eles sujem os p\u00e9s e as m\u00e3os no p\u00f3 dos caminhos, ou que reneguem essa fragilidade que \u00e9 inerente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana; trata-se de oferecer-lhes uma perspetiva elevada do sentido da exist\u00eancia, de forma que eles n\u00e3o se conformem com a mediocridade, as meias tintas, as convic\u00e7\u00f5es mornas, as coisas ef\u00e9meras. Talvez dev\u00eassemos ler de vez em quando o \u201cserm\u00e3o da montanha\u201d para n\u00e3o nos resignarmos \u00e0 mediania e \u00e0 banalidade, para n\u00e3o nos instalarmos numa exist\u00eancia c\u00f3moda, mas sem sa\u00edda. Somos chamados por Deus \u00e0 santidade, a um destino transcendente, a uma voca\u00e7\u00e3o sublime, a uma felicidade completa e eterna. N\u00e3o podemos aceitar menos do que isso. Estamos dispon\u00edveis para aceitar o desafio de Jesus e para abra\u00e7ar o dinamismo do Reino de Deus e da sua justi\u00e7a? Estamos dispostos a \u201cvoar alto\u201d e a encontrar um sentido pleno para a nossa exist\u00eancia?<\/li>\n<li>Quando Jesus sugere aos disc\u00edpulos que n\u00e3o se deixem apanhar pela armadilha do legalismo, est\u00e1 precisamente a mostrar-lhes como podem libertar-se de uma exist\u00eancia rasteira para \u201cvoarem mais alto\u201d. Podemos simplesmente cumprir leis \u2013 e assim sentirmo-nos em paz com a nossa consci\u00eancia \u2013 mas sem que isso envolva o nosso cora\u00e7\u00e3o e nos leve a uma exist\u00eancia comprometida com as exig\u00eancias de Deus; podemos limitar-nos a executar a letra da Lei, mas a passar ao lado daquilo que \u00e9 realmente decisivo na constru\u00e7\u00e3o de um mundo segundo Deus. \u201cCumprir as leis\u201d \u00e9 c\u00f3modo e relativamente f\u00e1cil; o que \u00e9 dif\u00edcil \u00e9 assumir plenamente as indica\u00e7\u00f5es de Deus e fazer com que essas indica\u00e7\u00f5es definam o sentido da nossa exist\u00eancia em todas as suas vertentes. O verdadeiro crente \u00e9 aquele que, n\u00e3o apenas cumpre uma determinada Lei escrita factual, mas procura escutar Deus a cada passo e deixar-se conduzir em tudo pela vontade de Deus. \u00c9 isso que se passa na nossa vida? Os \u201cmandamentos\u201d de Deus s\u00e3o, para n\u00f3s, simples leis que olhamos de esguelha e que nos sentimos obrigados a cumprir, sob pena de receber castigos (o maior dos quais ser\u00e1 o \u201cinferno\u201d), ou s\u00e3o indica\u00e7\u00f5es que nos ajudam a \u201cvoar mais alto\u201d, a potenciar a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus, a avan\u00e7ar no caminho que conduz \u00e0 vida? O cumprimento das leis (de Deus ou da Igreja) \u00e9, para n\u00f3s, uma obriga\u00e7\u00e3o que resulta do medo, ou o resultado l\u00f3gico da op\u00e7\u00e3o que fizemos por Deus?<\/li>\n<li>Vale a pena determo-nos no primeiro exemplo que Jesus d\u00e1: \u201cn\u00e3o matar\u201d. Jesus entende-o n\u00e3o apenas no sentido estrito da palavra \u201cmatar\u201d, mas no sentido amplo de \u201cprivar algu\u00e9m de vida\u201d. No entendimento de Jesus, \u201cn\u00e3o matar\u201d equivale a evitar tudo aquilo que cause dano aos irm\u00e3os que caminham ao nosso lado. Estamos conscientes de que podemos \u201cmatar\u201d com certas atitudes de ego\u00edsmo, de agressividade, de prepot\u00eancia, de autoritarismo, de injusti\u00e7a, de indiferen\u00e7a, de intoler\u00e2ncia, de cal\u00fania, de m\u00e1-l\u00edngua, de palavras e gestos que magoam o outro, que destroem a sua dignidade, o seu bem-estar, as suas rela\u00e7\u00f5es, a sua paz? Estamos conscientes de que brincar com a dignidade dos nossos irm\u00e3os, ofend\u00ea-los, envergonh\u00e1-los, humilh\u00e1-los, inventar caminhos tortuosos para os desacreditar ou desmoralizar, julg\u00e1-los e conden\u00e1-los na pra\u00e7a p\u00fablica, \u00e9 subverter gravemente a harmonia que Deus quer que reine entre os seus filhos? Estamos conscientes de que ignorar o sofrimento de algu\u00e9m, ficar indiferente a quem est\u00e1 ca\u00eddo e abandonado na berma da estrada da vida, recusar um gesto de bondade, de miseric\u00f3rdia, de reconcilia\u00e7\u00e3o, de compreens\u00e3o, \u00e9 destruir a vida que Deus quer para todos os seus filhos?<\/li>\n<li>Jesus diz aos disc\u00edpulos, no \u201cSerm\u00e3o da montanha\u201d: \u201cN\u00e3o jureis em caso algum\u2026 A vossa linguagem deve ser: \u2018Sim, sim; n\u00e3o, n\u00e3o\u2019\u201d. Tamb\u00e9m aqui h\u00e1 uma indica\u00e7\u00e3o que aponta a \u201clevantar a vida\u201d, a subir a um patamar mais elevado. \u00c9 um convite a viver na verdade, na sinceridade, na total claridade; \u00e9 um convite a recusar a mentira, os enganos, as meias-verdades, as \u201cchico-espertices\u201d de quem apenas pensa em triunfar a qualquer custo. Sentimos que temos um compromisso inquebrant\u00e1vel com a verdade, com a limpidez, com a honestidade? O nosso modo de estar na vida reflete a verdade, a lealdade e a fidelidade de Deus?<\/li>\n<li>Jesus pede aos seus disc\u00edpulos que, se estiverem diante do altar para prestar culto a Deus, mas se recordarem que est\u00e3o em conflito com algum irm\u00e3o, procurem primeiro reconciliar-se com o irm\u00e3o com quem est\u00e3o desavindos; s\u00f3 depois far\u00e1 sentido apresentarem-se diante de Deus. Tiramos disto as devidas consequ\u00eancias? O culto celebrado em estado \u201cde guerra\u201d, com o cora\u00e7\u00e3o desassossegado, n\u00e3o agrada a Deus; a comunh\u00e3o com Deus \u00e9 incompat\u00edvel com a ira, o conflito, a divis\u00e3o, a recusa em abrir os bra\u00e7os para abra\u00e7ar o irm\u00e3o. Deus n\u00e3o consegue entender que nos apresentemos diante d\u2019Ele para lhe manifestarmos o nosso amor e, simultaneamente, vivamos em conflito com os outros seus filhos. Na nossa vida de f\u00e9, que lugar ocupa o amor aos irm\u00e3os? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na<strong> primeira leitura<\/strong> pede-se a aten\u00e7\u00e3o para a frase condicional que abre a leitura, bem como para as duas frases seguintes cuja din\u00e2mica em jeito de proposta alternativa deve ser sublinhada na proclama\u00e7\u00e3o da leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>segunda leitura<\/strong> n\u00e3o apresenta nenhuma dificuldade aparente, contudo pede-se o especial cuidado a ter nas cartas de Paulo na aten\u00e7\u00e3o \u00e0s frases longas com diversas ora\u00e7\u00f5es e uma prepara\u00e7\u00e3o que ajude a estabelecer os lugares de pausa e paragem para uma melhor articula\u00e7\u00e3o da leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Leitura-I-do-Domingo-VI-do-Tempo-Comum-Ano-A-15.02.2026-Ben-Sira-15-16-21-15-20.pdf\">Leitura I do Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 15.02.2026 (Ben-Sir\u00e1 15, 16-21 (15-20)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Leitura-II-do-Domingo-VI-do-Tempo-Comum-Ano-A-15.02.2026-1Corintios-2-6-10.pdf\">Leitura II do Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 15.02.2026 (1Cor\u00edntios 2, 6-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Domingo-VI-do-Tempo-Comum-Ano-A-15.02.2026-Lecionario.pdf\">Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 15.02.2026 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Domingo-VI-do-Tempo-Comum-Ano-A-15.02.2026-Oracao-Universal.pdf\">Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 15.02.2026 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Domingo-VI-do-Tempo-Comum-Ano-A-18.02.2026-refletindo.pdf\">Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 18.02.2026 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-VI-do-Tempo-Comum-Ano-A-15.02.2026.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo VI do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 15.02.2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Mensagem-do-Papa-Leao-XIV-para-o-34o-Dia-Mundial-do-Doente.pdf\">Mensagem do Papa Le\u00e3o XIV para o 34\u00ba Dia Mundial do Doente<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo V do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 08.02.2026&#8243; tab_id=&#8221;1771241761575-90948e47-9e39&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4>Domingo V do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 08.02.2026<\/h4>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-12653 size-full\" style=\"color: inherit; font-family: inherit; font-size: inherit;\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Domingo-V.jpg\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"424\" \/><\/p>\n<p><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como crist\u00e3os somos chamados a habitar o mundo em que vivemos, vencendo a globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a, libertando-nos do nosso comodismo e testemunhando com ousadia a felicidade de viver com os olhos e o cora\u00e7\u00e3o abertos sobre o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dirigindo-se aos disc\u00edpulos de outrora, Jesus interpela cada um de n\u00f3s, disc\u00edpulos de hoje, neste lugar e tempo concreto da hist\u00f3ria humana: \u00ab<em>V\u00f3s sois o sal da terra! V\u00f3s sois a luz do mundo!<\/em>\u00bb. Jesus diz precisamente \u00ab<em>v\u00f3s sois<\/em>\u00bb e n\u00e3o \u00ab<em>v\u00f3s deveis ser<\/em>\u00bb. Ser sal e ser luz fazem parte da nossa identidade crist\u00e3 e devem moldar todo o nosso querer e agir. Bem sabemos que muitas vezes a nossa vida \u00e9 ins\u00edpida e opaca, mas no nosso cora\u00e7\u00e3o Deus derramou o sal que transforma e d\u00e1 sabor e a luz que dissipa as trevas e ilumina mesmo os recantos mais rec\u00f4nditos da nossa exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos chamados a ser sal que n\u00e3o perde a for\u00e7a e luz que n\u00e3o se esconde. Como disc\u00edpulos mission\u00e1rios somos convocados para ser verdadeiros protagonistas na constru\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o do amor, apontando sempre para Jesus Cristo, meta das nossas vidas e garante da efic\u00e1cia da nossa miss\u00e3o, n\u00e3o obstante a nossa fragilidade e pecado. Como Paulo, diante da miss\u00e3o que nos \u00e9 confiada, somos tentados a dizer: \u00ab<em>apresentei-me diante de v\u00f3s cheio de fraqueza e de temor e a tremer deveras<\/em>\u00bb. Contudo, devemos fixar o nosso olhar e a nossa aten\u00e7\u00e3o na confian\u00e7a que Jesus deposita em cada um de n\u00f3s: Ele conhecendo a nossa fragilidade e debilidade n\u00e3o hesita em fazer de n\u00f3s sal e luz e faz das nossas vidas lugares luminosos e saborosos para que no mundo se possa saborear a miseric\u00f3rdia e a ternura de Deus e se possa contemplar a luz terna e suave do Seu amor. N\u00e3o tenhamos medo da nossa fragilidade, nem tampouco deixemos que ela nos paralise. Escutemos o Papa Francisco: \u00ab<em>prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter sa\u00eddo pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar \u00e0s pr\u00f3prias seguran\u00e7as<\/em>\u00bb (EG 49). Vencendo o comodismo, somos chamados a lan\u00e7ar-nos ao caminho, a ser sal e luz, a ser testemunhas criativas de que s\u00f3 o amor pode transformar o mundo num lugar melhor e mais feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sal \u00e9, antes de tudo, um elemento sa\u00eddo das \u00e1guas do mar, respondendo ao luminoso apelo do sol. Assim, cada um de n\u00f3s \u00e9 chamado a ascender pela for\u00e7a atrativa da Luz divina. Mas como o sal que depois deve descer aos alimentos e dissolver-se neles para que discreta e humildemente possa dar sabor na medida certa e ajustada, tamb\u00e9m cada crist\u00e3o \u00e9 chamado a ser no mundo e para mundo um testemunho discreto, mas eficaz do amor e da ternura de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A luz permite ver a realidade e os outros de um modo novo e diferente. S\u00f3 Jesus \u00e9 a Luz do Mundo, mas convocados pela sua palavra, somos chamados a irradiar no tempo e na hist\u00f3ria a luz terna e suave do Seu amor. Mas gosto de imaginar o nosso ser luz como um rasto luminoso que n\u00e3o encandeia aqueles com quem nos cruzamos, mas que os conduz \u00e0 fonte de toda a Luz que \u00e9 Jesus Cristo. A primeira leitura que escutamos neste Domingo aponta de modo claro as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para ser luz: abrir o nosso cora\u00e7\u00e3o e a nossa vida aos que precisam de n\u00f3s com gestos concretos de amor e miseric\u00f3rdia. Transportando na fragilidade do nosso barro o precioso tesouro que \u00e9 \u00ab<em>Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado<\/em>\u00bb, seremos um sinal saboroso e um rasto luminoso do amor de Deus, fazendo ecoar no tempo e na hist\u00f3ria a mais bela melodia da bondade e da ternura pela pr\u00e1tica concreta e exigente das obras de miseric\u00f3rdia. <strong><em>in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong><em>\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser sal e ser luz define a ess\u00eancia do nosso ser crist\u00e3o e impele-nos a uma abertura mission\u00e1ria que nos coloca em permanente estado de miss\u00e3o. Por isso, este domingo \u00e9 uma oportunidade apara ajudar os fi\u00e9is a redescobrir a sua dignidade batismal e o convite \u00e0 santidade que ela encerra, numa din\u00e2mica mission\u00e1ria que alarga as fronteiras da comunidade. Contudo, esta ontologia mission\u00e1ria n\u00e3o poder\u00e1 ser apenas um refr\u00e3o inconsequente, mas \u00e9 necess\u00e1rio que ela transforme o nosso cora\u00e7\u00e3o e a nossa vida e nos fa\u00e7a testemunhar o evangelho pela fraternidade e comunh\u00e3o que se tornam sal e luz para os homens e mulheres de hoje. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + <\/em><\/strong><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>Estamos no Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanhamos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 58, 7-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eis o que diz o Senhor:<br \/>\n\u00abReparte o teu p\u00e3o com o faminto,<br \/>\nd\u00e1 pousada aos pobres sem abrigo,<br \/>\nleva roupa ao que n\u00e3o tem que vestir<br \/>\ne n\u00e3o voltes as costas ao teu semelhante.<br \/>\nEnt\u00e3o a tua luz despontar\u00e1 como a aurora<br \/>\ne as tuas feridas n\u00e3o tardar\u00e3o a sarar.<br \/>\nPreceder-te-\u00e1 a tua justi\u00e7a<br \/>\ne seguir-te-\u00e1 a gl\u00f3ria do Senhor.<br \/>\nEnt\u00e3o, se chamares, o Senhor responder\u00e1,<br \/>\nse O invocares, dir-te-\u00e1: \u201cAqui estou\u201d.<br \/>\nSe tirares do meio de ti a opress\u00e3o,<br \/>\nos gestos de amea\u00e7a e as palavras ofensivas,<br \/>\nse deres do teu p\u00e3o ao faminto<br \/>\ne matares a fome ao indigente,<br \/>\na tua luz brilhar\u00e1 na escurid\u00e3o<br \/>\ne a tua noite ser\u00e1 como o meio-dia\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos cap\u00edtulos 56 a 66 do livro de Isa\u00edas (o \u201cTrito-Isa\u00edas\u201d) temos uma cole\u00e7\u00e3o de textos, provavelmente de autores diversos, redigidos em Jerusal\u00e9m na \u00e9poca p\u00f3s-ex\u00edlica. Os biblistas designam esta cole\u00e7\u00e3o com o nome geral de \u201cTrito-Isa\u00edas\u201d. O poema que a liturgia deste quinto domingo comum nos apresenta como primeira leitura pertence a essa cole\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 538 a.C. o rei persa Ciro, depois de conquistar a Babil\u00f3nia, autorizou os exilados judeus a regressar a Jerusal\u00e9m. Alguns puseram-se imediatamente a caminho. Chegaram a Jerusal\u00e9m cheios de entusiasmo; mas rapidamente ficaram desiludidos\u2026 A cidade estava destru\u00edda; o dom\u00ednio persa recordava aos retornados que n\u00e3o eram livres. As profecias sobre a reconstru\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m \u2013 que o Deutero-Isa\u00edas (cf. Is 40-55) tinha oferecido aos exilados quando ainda estavam na Babil\u00f3nia \u2013 n\u00e3o se tinham concretizado. A interven\u00e7\u00e3o definitiva de Deus para restabelecer as gl\u00f3rias passadas e para oferecer ao seu povo um futuro de vida abundante tardava em chegar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No universo religioso de Jerusal\u00e9m parece haver, por esta altura, uma forte tens\u00e3o entre dois \u201cpartidos\u201d ligados \u00e0 vida cultual. De um lado, est\u00e1 o sacerd\u00f3cio sadoquita (da linha de Sadoc, sacerdote do tempo de Salom\u00e3o), que inclu\u00eda sacerdotes rec\u00e9m-retornados do ex\u00edlio na Babil\u00f3nia, convencidos de que tinham sido provados e perdoados pelas suas faltas. Mantinham boas rela\u00e7\u00f5es com o poder persa, estavam decididos a fazer valer os seus direitos e privil\u00e9gios e pretendiam ser eles a definir as coordenadas do culto oficial. Do outro lado est\u00e1 o sacerd\u00f3cio lev\u00edtico, que inclu\u00eda sacerdotes que se tinham mantido sempre em Jerusal\u00e9m, presidindo \u00e0 vida cultual da cidade durante os anos que tinha durado o Ex\u00edlio. Tinham uma vis\u00e3o mais \u201cdemocr\u00e1tica\u201d, mais pragm\u00e1tica, menos \u201coficial\u201d e legalista da f\u00e9. Os autores do texto que, neste domingo, nos \u00e9 proposto como primeira leitura pertencem, provavelmente, a este \u00faltimo grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cap\u00edtulo 58 \u2013 de onde \u00e9 tirado o nosso texto \u2013 apresenta-se como uma reclama\u00e7\u00e3o de Deus contra o Povo. Nessa reclama\u00e7\u00e3o, h\u00e1 dois temas: a den\u00fancia de um culto vazio e est\u00e9ril, que cumpre as leis externas, mas que n\u00e3o sai do cora\u00e7\u00e3o nem tem a necess\u00e1ria correspond\u00eancia na vida (cf. Is 58,1-12); e o respeito pela santidade do s\u00e1bado (cf. Is 58,13-14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prop\u00f3sito do culto vazio e sem correspond\u00eancia na vida aborda-se a quest\u00e3o do jejum (a raiz \u201cjejuar\u201d aparece sete vezes ao longo do cap\u00edtulo). Como \u00e9 que Deus v\u00ea a quest\u00e3o do jejum, uma das traves-mestras da viv\u00eancia judaica da f\u00e9 (cf. Ex 34,28; Lv 16,29.31; Jz 20,26; 2Sm 12,16-17; 1Rs 21,27; Esd 8,21; Est 4,16; Dn 9,3)? Qual \u00e9 como \u00e9 o jejum que agrada a Deus? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O que \u00e9 que Deus pretende de n\u00f3s? Qual o papel que Ele nos destina no seu plano salvador? A estas perguntas poder\u00e3o ser dadas m\u00faltiplas respostas. Uma das mais belas e mais desafiantes aparece nas palavras do Trito-Isa\u00edas que escutamos hoje: Deus pretende que sejamos uma luz que brilha na noite do mundo e que aponta aos homens o caminho que leva \u00e0 vida verdadeira. Sim, \u00e9 uma boa resposta. Mas, como poderemos ser essa luz? Oferecendo a Deus rituais lit\u00fargicos majestosos, que sejam express\u00e3o (mesmo que deslavada) da grandeza e da omnipot\u00eancia de Deus? \u00c9 oferecendo ao mundo o espet\u00e1culo de uma religi\u00e3o que se exprime em gestos e palavras carregados de hist\u00f3ria e de tradi\u00e7\u00e3o, mas herm\u00e9ticos e incompreens\u00edveis para os homens e mulheres que se movem \u00e0 margem dos caminhos da f\u00e9? Ou\u00e7amos, outra vez, o Trito-Isa\u00edas: seremos luz de Deus no mundo se partilharmos o nosso p\u00e3o com os famintos, se ficarmos do lado dos injusti\u00e7ados, se cuidarmos daqueles que ningu\u00e9m cuida, se formos testemunhas da miseric\u00f3rdia e da bondade de Deus junto daqueles que sofrem. Dessa forma, todos nos ver\u00e3o e todos entender\u00e3o o nosso testemunho. Como \u00e9 que vemos tudo isto? Como vivemos e expressamos a f\u00e9 que nos anima?<\/li>\n<li>A hist\u00f3ria atual do nosso mundo est\u00e1 a ser escrita no meio de infinitas sombras\u2026 A cada instante, a guerra e a viol\u00eancia semeiam a morte e desumanizam agressores e agredidos; a cada momento h\u00e1 homens e mulheres humildes e bons, que n\u00e3o fazem mal a ningu\u00e9m, mas que veem as suas vidas destru\u00eddas pela prepot\u00eancia, pela injusti\u00e7a e pela arrog\u00e2ncia dos poderosos; a cada passo multiplicam-se os sinais de indiferen\u00e7a para com os sofredores, os fr\u00e1geis, os que n\u00e3o t\u00eam p\u00e3o, os que n\u00e3o t\u00eam casa, os que s\u00e3o obrigados a procurar num pa\u00eds estranho um futuro vi\u00e1vel; a cada hora s\u00e3o maiores as feridas que deixamos na natureza, explorada e saqueada pelo nosso ego\u00edsmo e pela nossa gan\u00e2ncia; a cada instante h\u00e1 mais homens e mulheres que n\u00e3o encontram lugar \u00e0 mesa onde a humanidade come e que s\u00e3o abandonados nas bermas dos caminhos\u2026 Talvez estas \u201csombras\u201d existam porque n\u00f3s nos entrincheiramos atr\u00e1s das portas do nosso ego\u00edsmo e n\u00e3o cuidamos de ser luz que brilha no mundo. Em concreto, o que podemos fazer para que o nosso mundo se torne menos sombrio? O que \u00e9 que Deus nos estar\u00e1 a pedir para fazer neste momento da hist\u00f3ria do mundo? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 111 (112)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Para o homem reto nascer\u00e1 uma luz no meio das trevas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Aleluia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brilha aos homens retos, como luz nas trevas,<br \/>\no homem misericordioso, compassivo e justo.<br \/>\nDitoso o homem que se compadece e empresta<br \/>\ne disp\u00f5e das suas coisas com justi\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Este jamais ser\u00e1 abalado;<br \/>\no justo deixar\u00e1 mem\u00f3ria eterna.<br \/>\nEle n\u00e3o receia m\u00e1s not\u00edcias:<br \/>\nseu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 firme, confiado no Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O seu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 inabal\u00e1vel, nada teme;<br \/>\nreparte com largueza pelos pobres,<br \/>\na sua generosidade permanece para sempre<br \/>\ne pode levantar a cabe\u00e7a com altivez.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Cor\u00edntios 2, 1-5<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando fui ter convosco, irm\u00e3os,<br \/>\nn\u00e3o me apresentei com sublimidade de linguagem ou de sabedoria<br \/>\na anunciar-vos o mist\u00e9rio de Deus.<br \/>\nPensei que, entre v\u00f3s, n\u00e3o devia saber nada<br \/>\nsen\u00e3o Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado.<br \/>\nApresentei-me diante de v\u00f3s cheio de fraqueza e de temor<br \/>\ne a tremer deveras.<br \/>\nA minha palavra e a minha prega\u00e7\u00e3o<br \/>\nn\u00e3o se basearam na linguagem convincente da sabedoria humana,<br \/>\nmas na poderosa manifesta\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo,<br \/>\npara que a vossa f\u00e9 n\u00e3o se fundasse na sabedoria humana,<br \/>\nmas no poder de Deus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corinto, a capital da prov\u00edncia romana da Acaia, era uma cidade cosmopolita e pr\u00f3spera, de popula\u00e7\u00e3o heterog\u00e9nea. Na \u00e9poca neotestament\u00e1ria, devia ter \u00e0 volta de meio milh\u00e3o de habitantes, dos quais dois ter\u00e7os eram escravos. Servida por dois portos de mar \u2013 um virado para ocidente, outro para oriente \u2013 era a cidade onde a cada momento desembarcavam marinheiros chegados de todos os portos do Mediterr\u00e2neo, \u00e1vidos de prazeres depois de semanas passadas no mar. Os mais diversos cultos religiosos estavam ali representados. Mas a grande refer\u00eancia religiosa de Corinto era Afrodite, a deusa do amor, da beleza, da sexualidade e da fertilidade, em cujo templo se praticava a prostitui\u00e7\u00e3o sagrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo chegou a Corinto por volta do ano 50, no decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria, depois de ter passado por Tessal\u00f3nica, Bereia e Atenas. Instalou-se na cidade e come\u00e7ou a trabalhar em casa de Priscila e \u00c1quila, um casal de judeo-crist\u00e3os h\u00e1 pouco chegado de Roma. Ao s\u00e1bado Paulo frequentava a sinagoga e a\u00ed falava aos judeus sobre Jesus. No entanto, o ap\u00f3stolo n\u00e3o tardou a entrar em choque com os l\u00edderes da comunidade judaica da cidade. Expulso da sinagoga (cf. At 18,6), Paulo decidiu dedicar-se \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o dos pag\u00e3os. O ap\u00f3stolo permaneceu em Corinto cerca de dezoito meses (entre os anos 50 e 52). Quando deixou a cidade, j\u00e1 havia em Corinto uma comunidade crist\u00e3 numerosa e entusiasta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo fisicamente afastado da comunidade, Paulo n\u00e3o perdeu o contacto com os seus queridos filhos de Corinto. Mais tarde, durante a sua terceira viagem mission\u00e1ria (anos 53-58), possivelmente quando estava em \u00c9feso, Paulo recebeu not\u00edcias alarmantes sobre a comunidade. Ap\u00f3s a sua partida de Corinto, tinha aparecido na cidade um pregador crist\u00e3o \u2013 um tal Apolo, judeu de Alexandria, convertido ao cristianismo. Era eloquente, versado nas Escrituras e foi de grande utilidade para a comunidade na pol\u00e9mica com os judeus. Formaram-se partidos na comunidade (embora, segundo parece, Apolo n\u00e3o favorecesse essa divis\u00e3o): uns admiravam Paulo, outros Cefas (Pedro), outros Apolo (cf. 1 Co 1,12). Os crist\u00e3os de Corinto, ainda imbu\u00eddos de uma mentalidade pag\u00e3, transplantaram para a comunidade o esquema das escolas filos\u00f3ficas gregas, cada uma com os seus mestres e os seus adeptos. Neste quadro, multiplicavam-se as divis\u00f5es, os conflitos, as discuss\u00f5es que deixavam feridas abertas na comunidade. Mais grave ainda: o cristianismo corria o risco de deixar de ser o seguimento de Jesus Cristo, para se tornar uma proposta de \u201csaber\u201d cuja validade dependia do poder de sedu\u00e7\u00e3o dos mestres que \u201cvendiam\u201d aos pr\u00f3prios adeptos as suas ideias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto, Paulo recorda aos cor\u00edntios que a \u201csabedoria humana\u201d n\u00e3o salva nem realiza plenamente o homem. A realiza\u00e7\u00e3o plena do homem est\u00e1 em Jesus Cristo e na \u201cloucura da cruz\u201d. No entanto, como \u00e9 que a salva\u00e7\u00e3o e a realiza\u00e7\u00e3o plena do homem podem manifestar-se nessa estranha hist\u00f3ria de um Deus condenado \u00e0 fragilidade, que morre na cruz como um maldito? Para demonstrar que os caminhos de Deus s\u00e3o diferentes dos caminhos dos homens e que Deus pode agir atrav\u00e9s da fraqueza humana, Paulo apresenta dois exemplos. No primeiro Paulo refere o caso da pr\u00f3pria comunidade de Corinto: os crist\u00e3os que comp\u00f5em a comunidade s\u00e3o gente pobre e d\u00e9bil, muitos deles na situa\u00e7\u00e3o de escravos; mas, apesar disso, Deus chamou-os a serem testemunhas da sua salva\u00e7\u00e3o no mundo (cf. 1Co 1,26-31). No segundo (\u00e9 precisamente esse exemplo que a segunda leitura deste domingo nos apresenta), Paulo refere o seu pr\u00f3prio caso. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Em meados do s\u00e9c. I, os crist\u00e3os de Corinto procuravam encher de sentido as suas vidas correndo atr\u00e1s daquilo a que o ap\u00f3stolo Paulo chamava a \u201csabedoria do mundo\u201d. Os belos discursos, os argumentos constru\u00eddos com l\u00f3gica inatac\u00e1vel, a fasc\u00ednio dos sistemas filos\u00f3ficos bem constru\u00eddos seduziam-nos e mantinham-nos agarrados a valores perec\u00edveis. Dois mil anos depois, ainda continuamos a funcionar numa l\u00f3gica semelhante: colocamos a nossa esperan\u00e7a e a nossa seguran\u00e7a no progresso cient\u00edfico, nas conquistas da medicina, nos sistemas econ\u00f3micos, nas promessas dos pol\u00edticos, nas ideologias, nos discursos sedutores dos manipuladores da opini\u00e3o p\u00fablica, at\u00e9 mesmo na publicidade que nos promete por pre\u00e7os m\u00f3dicos a realiza\u00e7\u00e3o de todos os nossos sonhos\u2026 Nada disso seria especialmente grave se n\u00e3o nos fechasse num mundo de autossufici\u00eancia que nos afasta de Deus e da salva\u00e7\u00e3o que Ele nos oferece. Onde \u00e9 que a \u201csabedoria do mundo\u201d nos leva? A prescindir de Deus e dos seus dons? A uma vida virada apenas para os valores ef\u00e9meros? Conseguiremos dar pleno sentido \u00e0 nossa vida e saciar a nossa sede de eternidade simplesmente correndo atr\u00e1s da \u201csabedoria do mundo\u201d?<\/li>\n<li>\u00c0 \u201csabedoria do Mundo\u201d Paulo contrap\u00f5e a \u201csabedoria de Deus\u201d. A \u201csabedoria de Deus pode parecer algo de estranho e de incongruente \u00e0 luz da nossa l\u00f3gica humana; mas ela \u00e9, segundo o ap\u00f3stolo Paulo, fonte de vida verdadeira e eterna. O que aconteceu com Jesus aponta exatamente nesse sentido: Ele aceitou prescindir das suas prerrogativas divinas, desceu at\u00e9 n\u00f3s, assumiu a nossa humanidade, experimentou a nossa fragilidade, solidarizou-se connosco e partilhou as nossas dores, enfrentou corajosamente a injusti\u00e7a e a maldade, foi condenado e sofreu uma morte maldita; mas, da Sua entrega brotou vida nova que inundou o mundo e transformou a hist\u00f3ria dos homens. Jesus mostrou-nos uma coisa que, mesmo depois de dois mil anos, ainda temos dificuldade em entender: o amor at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, o servi\u00e7o aos outros, a vida \u201cdada\u201d at\u00e9 ao extremo, a ren\u00fancia a si pr\u00f3prio, s\u00e3o fonte de vida. Quem vive dessa forma n\u00e3o fracassa, n\u00e3o passa ao lado da vida, n\u00e3o \u00e9 um vencido; quem vive dessa forma d\u00e1 sentido pleno \u00e0 sua exist\u00eancia. O que vale para n\u00f3s a \u201csabedoria de Deus\u201d? \u00c9 a partir dela que constru\u00edmos o nosso projeto de vida?<\/li>\n<li>O ap\u00f3stolo Paulo \u2013 um homem limitado, que n\u00e3o possu\u00eda as qualidades humanas que os cor\u00edntios apreciavam nem o brilho arrebatador dos grandes \u201csedutores\u201d de massas \u2013 \u00e9 a prova provada de uma realidade mil vezes repetida na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: a for\u00e7a de Deus revela-se na fraqueza, na fragilidade, na pequenez. Deus escolhe o que \u00e9 fraco para confundir os fortes. Ele aproxima-se de n\u00f3s em \u201cpezinhos de l\u00e3\u201d, sem nos assustar com a exibi\u00e7\u00e3o da sua grandeza, e transforma o mundo e a hist\u00f3ria atrav\u00e9s de gente \u201cimprov\u00e1vel\u201d, de gente que n\u00e3o figura entre os grandes do mundo. Estamos conscientes disto? Somos capazes de reconhecer a presen\u00e7a e a a\u00e7\u00e3o de Deus em tantas pessoas simples e bondosas que, sem darem nas vistas, iluminam o mundo e acrescentam humanidade \u00e0 hist\u00f3ria dos homens? Uma vez conscientes do m\u00e9todo de Deus para intervir na hist\u00f3ria dos homens, n\u00e3o percebemos como s\u00e3o rid\u00edculas e descabidas as nossas poses de import\u00e2ncia, de autoridade, de protagonismo, de exibicionismo?<\/li>\n<li>Aqueles que t\u00eam responsabilidade no an\u00fancio do Evangelho devem sempre ter presente que a efic\u00e1cia da Palavra que anunciam n\u00e3o depende deles e que o \u00eaxito da miss\u00e3o n\u00e3o resulta das suas qualidades pessoais ou das t\u00e9cnicas sofisticadas postas ao servi\u00e7o da evangeliza\u00e7\u00e3o: somos todos instrumentos humildes, atrav\u00e9s dos quais Deus concretiza o seu projeto de salva\u00e7\u00e3o para o mundo\u2026 Temos consci\u00eancia de que, para al\u00e9m do nosso esfor\u00e7o, da nossa entrega, da nossa doa\u00e7\u00e3o, das nossas t\u00e9cnicas, est\u00e1 o Esp\u00edrito de Deus que potencia e torna eficaz a Palavra que anunciamos? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mateus 5, 13-16<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\ndisse Jesus aos seus disc\u00edpulos:<br \/>\n\u00abV\u00f3s sois o sal da terra.<br \/>\nMas se ele perder a for\u00e7a, com que h\u00e1 de salgar-se?<br \/>\nN\u00e3o serve para nada,<br \/>\nsen\u00e3o para ser lan\u00e7ado fora e pisado pelos homens.<br \/>\nV\u00f3s sois a luz do mundo.<br \/>\nN\u00e3o se pode esconder uma cidade situada sobre um monte;<br \/>\nnem se acende uma l\u00e2mpada para a colocar debaixo do alqueire,<br \/>\nmas sobre o candelabro,<br \/>\nonde brilha para todos os que est\u00e3o em casa.<br \/>\nAssim deve brilhar a vossa luz diante dos homens,<br \/>\npara que, vendo as vossas boas obras,<br \/>\nglorifiquem o vosso Pai que est\u00e1 nos C\u00e9us\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de nos dizer quem \u00e9 Jesus (Mt 1,1-2,23) e de definir a sua miss\u00e3o (cf. Mt 3,1-4,11), Mateus vai mostrar-nos como Jesus concretiza a miss\u00e3o que o Pai Lhe confia (cf. Mt 4,12-18,35). No centro de tal miss\u00e3o est\u00e1 o an\u00fancio de uma realidade a que Jesus chama o \u201cReino de Deus\u201d. Esse an\u00fancio \u00e9 feito com palavras e com gestos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As palavras de Jesus sobre o Reino de Deus ocupam um espa\u00e7o bem significativo no Evangelho de Mateus. O evangelista agrupou a maior parte das palavras \u2013 ou \u201cditos\u201d \u2013 de Jesus em cinco discursos (cf. Mt 5-7; 10; 13; 18; 24-25). \u00c9 prov\u00e1vel que o autor do primeiro Evangelho visse nesses cinco discursos uma nova Lei, destinada a substituir a antiga Lei dada por Deus ao seu povo, o \u201censinamento\u201d que Israel recebeu na montanha do Sinai e guardou nos cinco livros da Tora (G\u00e9nesis, \u00caxodo, Lev\u00edtico, N\u00fameros, Deuteron\u00f3mio).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro desses discursos de Jesus \u00e9 conhecido como o \u201cserm\u00e3o da montanha\u201d (cf. Mt 5-7). Re\u00fane um importante conjunto de palavras de Jesus que Mateus ordenou e apresentou com a inten\u00e7\u00e3o de oferecer \u00e0 sua comunidade as coordenadas fundamentais da proposta crist\u00e3. O evangelista v\u00ea, no \u201cserm\u00e3o da montanha\u201d, um novo c\u00f3digo \u00e9tico, uma nova Lei, que supera e substitui a antiga Lei dada por Deus ao seu Povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mateus situa este discurso de Jesus no cimo de um monte n\u00e3o identificado. Em qualquer caso, a indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica n\u00e3o \u00e9 inocente: lembra-nos a montanha da Lei (o Sinai), o cen\u00e1rio em que Deus deu a antiga Lei a Israel. Agora \u00e9 Jesus que, tamb\u00e9m numa montanha, oferece ao novo Povo de Deus uma nova Lei; e essa Lei ir\u00e1 orientar a vida de todos os que se prop\u00f5em fazer parte da comunidade do Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201cserm\u00e3o da montanha\u201d come\u00e7a com as \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d \u2013 um elenco dos valores fundamentais que devem ser assumidos para todos os interessados em seguir Jesus e em integrar a comunidade do Reino de Deus (cf. Mt 5,1-12). Mas Jesus n\u00e3o se fica por a\u00ed: completa o ex\u00f3rdio do \u201cserm\u00e3o da montanha\u201d com duas par\u00e1bolas (ou \u201cditos\u201d) que indicam a miss\u00e3o daqueles que est\u00e3o dispostos a viver segundo o esp\u00edrito das \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d.<strong><em> in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Para que vivemos, cinquenta, setenta, noventa, cem anos? Que marca deixamos no mundo e na mem\u00f3ria daqueles que se cruzam connosco no caminho da vida? A nossa a\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o tem vindo a acrescentar alguma coisa \u00e0 hist\u00f3ria dos homens? O que \u00e9 que determina o \u00eaxito ou o fracasso da nossa exist\u00eancia? A nossa realiza\u00e7\u00e3o passar\u00e1 apenas por viver o mais comodamente poss\u00edvel, com um m\u00ednimo de complica\u00e7\u00f5es, de aborrecimentos e de contrariedades? As coisas corriqueiras e f\u00fateis, a mediocridade e a banalidade, as divers\u00f5es e os bens materiais, os prazeres e as satisfa\u00e7\u00f5es ef\u00e9meras, os triunfos e os aplausos, bastar\u00e3o para dar sentido \u00e0 nossa vida e para saciar a nossa sede de felicidade? N\u00f3s que encontramos Jesus, que acolhemos o seu chamamento e que nos apaixonamos pelo seu projeto, em que moldes constru\u00edmos a nossa exist\u00eancia de forma que ela fa\u00e7a pleno sentido?<\/li>\n<li>Jesus convida os seus disc\u00edpulos a serem \u201csal da terra\u201d. \u00c9 uma imagem expressiva e desafiante. O sal serve, sobretudo, para dar sabor aos alimentos. Vivemos num mundo cada vez mais ins\u00edpido, onde tudo \u00e9 feito \u00e0 medida da nossa pressa (at\u00e9 mesmo a \u201ccomida de pl\u00e1stico\u201d), do nosso comodismo, do nosso ego\u00edsmo, da nossa instala\u00e7\u00e3o, da nossa aliena\u00e7\u00e3o, da nossa dificuldade em assumir compromissos exigentes. Buscamos uma exist\u00eancia indolor e evitamos tudo aquilo que exige sacrif\u00edcio, ren\u00fancia, esfor\u00e7o, entrega, verdadeira dedica\u00e7\u00e3o. \u201cSermos sal\u201d seria, neste contexto, n\u00e3o termos medo do que \u00e9 dif\u00edcil, estarmos dispon\u00edveis para servir e para \u201ccurar\u201d as feridas dos irm\u00e3os magoados pelas vicissitudes da vida, envolvermo-nos sem medo na luta contra as injusti\u00e7as, gastarmos tempo a cuidar daqueles que ningu\u00e9m quer e que ningu\u00e9m ama, semearmos bondade e compaix\u00e3o na vida daqueles que s\u00e3o marginalizados e condenados pelas sociedades ou pelas igrejas, darmos testemunho da bondade e do amor de Deus em todos os lados onde a vida nos levar. Estamos dispon\u00edveis para \u201cfazer a diferen\u00e7a\u201d, como o sal faz quando se mistura com os alimentos e faz sobressair o seu sabor?<\/li>\n<li>Jesus tamb\u00e9m pediu aos seus disc\u00edpulos que fossem \u201cluz do mundo\u201d e que brilhassem diante dos homens. Mais de dois mil anos depois, o pedido de Jesus continua a fazer sentido. Apesar de todas as nossas conquistas e de todos os nossos \u00eaxitos, s\u00e3o muitas as sombras que escurecem o mundo e que obrigam os homens a perderem-se em caminhos sem sa\u00edda, a trope\u00e7arem no medo e no desespero, a ficarem prisioneiros de frivolidades e bagatelas, a n\u00e3o acertarem com o sentido da exist\u00eancia, a permanecerem parados no erro, a caminharem \u00e0s apalpadelas sem vislumbrar uma luz no fundo do t\u00fanel. Os seguidores de Jesus, iluminados pela luz que d\u2019Ele brota e pela verdade do Evangelho, s\u00e3o chamados a dissipar, com as suas \u201cboas obras\u201d, as sombras que cobrem o mundo; s\u00e3o enviados por Jesus a apontar aos homens os caminhos luminosos que conduzem \u00e0 vida verdadeira. Aceitamos o convite de Jesus para sermos testemunhas da luz? A luz de Deus brilha no mundo atrav\u00e9s das nossas boas obras?<\/li>\n<li>Durante muitos s\u00e9culos vigorou um modelo de organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica conhecido como \u201cregime de cristandade\u201d: a filosofia e os valores do cristianismo permeavam e governavam todas as esferas da sociedade, incluindo as leis, as institui\u00e7\u00f5es, os costumes e as rela\u00e7\u00f5es entre a Igreja e o Estado. A Igreja exercia uma influ\u00eancia dominante, que ia al\u00e9m do dom\u00ednio espiritual, moldando a totalidade da vida social e cultural. Entretanto, os tempos mudaram. Atualmente j\u00e1 n\u00e3o existe esse modelo. Os seguidores de Jesus est\u00e3o mais dilu\u00eddos na massa e t\u00eam menos visibilidade. Por outro lado, uma boa parte da sociedade parece menos interessada nos valores propostos por Jesus. Poder\u00e3o ainda os disc\u00edpulos de Jesus, neste novo cen\u00e1rio, serem \u201csal da terra\u201d e \u201cluz do mundo\u201d? Jesus n\u00e3o hesitou em pedir isso ao seu pequeno grupo de disc\u00edpulos quando eles eram um grupo ridiculamente insignificante no vasto e hostil imp\u00e9rio romano. Ele sabia que a for\u00e7a de Deus \u00e9 capaz de se manifestar na fraqueza e na pequenez. Como nos sentimos quando somos chamados a dar testemunho de Jesus no meio dos nossos irm\u00e3os que seguem modelos diferentes dos nossos? Deixamo-nos dominar pelo des\u00e2nimo, ou contagiamos os que nos rodeiam com a nossa paix\u00e3o por Jesus?<\/li>\n<li>Para que o sal possa cumprir o seu papel, tem de ser misturado com os alimentos; para que uma luz possa iluminar \u201ctodos os que est\u00e3o em casa\u201d, n\u00e3o pode estar escondida debaixo do alqueire. Tudo isto parece-nos demasiado evidente. Mas temos sempre tirado da\u00ed as consequ\u00eancias que se imp\u00f5em? H\u00e1 entre n\u00f3s quem, desagradado com a indiferen\u00e7a ou at\u00e9 mesmo a hostilidade do mundo, ache que a comunidade de Jesus deve fechar-se ao mundo, condenar o mundo e \u201ccortar rela\u00e7\u00f5es\u201d com uma sociedade que n\u00e3o entende a proposta crist\u00e3. Poderemos ser \u201csal da terra\u201d e \u201cluz do mundo\u201d fechados dentro das nossas igrejas ou dos espessos muros dos nossos conventos, limitados a atirar condena\u00e7\u00f5es l\u00e1 para fora? Poderemos alhear-nos dos problemas e ang\u00fastias, alegrias e esperan\u00e7as dos homens, renunciando a contagiar o mundo com a proposta de Jesus? Uma Igreja que gasta todas as energias com os seus solenes rituais lit\u00fargicos ou com a arruma\u00e7\u00e3o harmoniosa do calend\u00e1rio paroquial poder\u00e1 dar sabor \u00e0 vida moderna e oferecer aos homens a luz genu\u00edna do Evangelho?<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proclama\u00e7\u00e3o da <strong>primeira leitura<\/strong> deve ser marcada pelo tom exortativo que est\u00e1 presente em todo o texto. Na segunda parte do texto deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o as diversas frases condicionais, aproveitando a expressividade que elas pretendem transmitir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o as frases mais longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es respeitando as pausas e respira\u00e7\u00f5es, articulando bem as diversas frases para uma clara compreens\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Leitura-I-do-Domingo-V-do-Tempo-Comum-Ano-A-08.02.2026-Isaias-58-7-10.pdf\">Leitura I do Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 08.02.2026 (Isa\u00edas 58, 7-10)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Leitura-II-do-Domingo-V-do-Tempo-Comum-Ano-A-08.02.2026-1-Corintios-2-1-5.pdf\">Leitura II do Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 08.02.2026 ( 1 Cor\u00edntios 2, 1-5)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Domingo-V-do-Tempo-Comum-Ano-A-08.02.2026-Lecionario.pdf\">Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 08.02.2026 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Domingo-V-do-Tempo-Comum-Ano-A-08.02.2026-Oracao-Universal.pdf\">Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 08.02.2026 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Domingo-V-do-Tempo-Comum-Ano-A-08.02.2026-refletindo.pdf\">Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 08.02.2026 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-V-do-Tempo-Comum-Ano-A-08.02.2026.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo V do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 08.02.2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo IV do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 01.02.2026&#8243; tab_id=&#8221;1770634953816-df45a672-cb10&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4>Domingo IV do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 01.02.2026<\/h4>\n<figure id=\"attachment_12653\" aria-describedby=\"caption-attachment-12653\" style=\"width: 613px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12653 size-full\" style=\"color: inherit; font-family: inherit; font-size: inherit;\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Domingo-IV.jpg\" alt=\"\" width=\"613\" height=\"396\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12653\" class=\"wp-caption-text\">Naquele tempo, ao ver as multid\u00f5es, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n\u2019O os disc\u00edpulos e Ele come\u00e7ou a ensin\u00e1-los, dizendo: \u00abBem-aventurados os pobres em esp\u00edrito, porque deles \u00e9 o reino dos C\u00e9us. Bem-aventurados os que choram, porque ser\u00e3o consolados. Bem-aventurados \u2026\u2026.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma das imagens neotestament\u00e1rias que mais me impressiona \u00e9 contemplar Jesus rodeado pelas multid\u00f5es. Num contexto onde as not\u00edcias n\u00e3o tinham o suporte de comunica\u00e7\u00e3o que conhecemos hoje, ver como eram tantos os homens e mulheres que iam ao encontro de Jesus, diz-nos como a palavra e a a\u00e7\u00e3o de Jesus eram portadoras de uma for\u00e7a absolutamente transformadora. Com toda a certeza, naquelas imensas multid\u00f5es estavam presentes as mais diversas motiva\u00e7\u00f5es: os que se abeiravam movidos pela curiosidade dos milagres e feitos narrados, os doentes e fragilizados movidos pelo interesse nalguma cura ou milagre, os desanimados com tantas palavras banais que buscavam uma palavra de alento e de esperan\u00e7a doadora de sentido para a sua vida\u2026. Tantos homens e mulheres, portadores de t\u00e3o d\u00edspares motiva\u00e7\u00f5es. Dois mil anos volvidos, integramos esta multid\u00e3o de homens e mulheres que se colocam em torno de Jesus e, por isso, devemos tamb\u00e9m interrogar-nos quais s\u00e3o as motiva\u00e7\u00f5es que invadem o nosso cora\u00e7\u00e3o: porque quero seguir Jesus? O que me move a escutar a Sua palavra? Quais as motiva\u00e7\u00f5es e interroga\u00e7\u00f5es que habitam o meu cora\u00e7\u00e3o e me fazem ir ao encontro de Jesus e da comunidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como as multid\u00f5es de outrora colocamo-nos em torno de Jesus e Ele conduz-nos ao cimo do monte. O ensino de Jesus conduz-nos ao centro da vida crist\u00e3: as bem-aventuran\u00e7as. A palavra de Jesus fala-nos da felicidade plena e verdadeira que exige atravessar o limiar da fr\u00e1gil condi\u00e7\u00e3o humana: a pobreza, a humildade, as l\u00e1grimas, a fome e a sede, a necessidade da miseric\u00f3rdia, a exigente tarefa da constru\u00e7\u00e3o da paz, a persegui\u00e7\u00e3o e o insulto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As bem-aventuran\u00e7as s\u00e3o o como afirmava o Papa Francisco: \u00ab<em>o bilhete de identidade do crist\u00e3o<\/em>\u00bb e, por isso, continua o Santo Padre: \u00ab<em>se um de n\u00f3s se questionar sobre \u201ccomo fazer para chegar a ser um bom crist\u00e3o?\u201d, a resposta \u00e9 simples: \u00e9 necess\u00e1rio fazer \u2013 cada qual a seu modo \u2013 aquilo que Jesus disse no serm\u00e3o das bem-aventuran\u00e7as.\u00a0Nelas est\u00e1 delineado o rosto do Mestre, que somos chamados a deixar transparecer no dia-a-dia da nossa vida. A palavra \u00abfeliz\u00bb ou \u00abbem-aventurado\u00bb torna-se sin\u00f3nimo de \u00absanto\u00bb, porque expressa que a pessoa fiel a Deus e que vive a sua Palavra alcan\u00e7a, na doa\u00e7\u00e3o de si mesma, a verdadeira felicidade<\/em>\u00bb (GE 63-64)<em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus \u00e9 o Bem-aventurado por excel\u00eancia: \u00e9 o pobre em Esp\u00edrito que inaugura no tempo e na hist\u00f3ria o Reino dos C\u00e9us. Ele \u00e9 Manso e Humilde de cora\u00e7\u00e3o e, assim, o Seu cora\u00e7\u00e3o torna-se uma escola onde queremos aprender em cada dia. Ele assume sobre si as nossas dores e ang\u00fastias e chorando connosco enxuga as nossas l\u00e1grimas e anuncia o mist\u00e9rio da consola\u00e7\u00e3o. Ele que teve fome no deserto e sede no alto da Cruz sacia a nossa fome e sede e oferece o Seu Corpo como alimento e o Seu Sangue como bebida verdadeira. Ele \u00e9 o rosto da miseric\u00f3rdia do Pai e faz-nos alcan\u00e7ar a miseric\u00f3rdia que o Seu cora\u00e7\u00e3o cheio de amor e ternura distribui sobre cada um de n\u00f3s. Ele \u00e9 o puro de cora\u00e7\u00e3o que pelo Sangue da Sua Cruz nos purifica de toda a imundice. Ele \u00e9 o Pr\u00edncipe da Paz que nos convida a viver como construtores da paz nova que o Seu amor veio trazer. Ele que foi perseguido, maltratado e insultado por amor do Reino dos C\u00e9us fortalece a nossa caminhada na exigente tarefa de ser testemunha do Seu amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Movidos pela proposta exigente das bem-aventuran\u00e7as, reconhecemos como \u00ab<em>Deus escolheu o que \u00e9 louco aos olhos do mundo, para confundir os s\u00e1bios<\/em>\u00bb, reconhecemos como a nossa pequenez e fraqueza s\u00f3 pode ser testemunho de gra\u00e7a e miseric\u00f3rdia, quando se deixa conduzir por Jesus at\u00e9 ao cimo do monte e, guiado pelas suas palavras, olha o mundo e a hist\u00f3ria com esse horizonte de plenitude que o amor de Deus oferece \u00e0 nossa vida. <strong><em>in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong><em>\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Evangelho deste Domingo prop\u00f5e \u00e0 nossa reflex\u00e3o um texto absolutamente decisivo para a constru\u00e7\u00e3o da nossa identidade crist\u00e3. Na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica\u00a0<em>Gaudete et Exsultate<\/em>,<\/strong> o Papa Francisco oferece-nos uma bel\u00edssima medita\u00e7\u00e3o e interpela\u00e7\u00e3o acerca deste texto nos n\u00fameros 63 a 94. A leitura deste texto \u00e9 um \u00f3timo instrumento para o aprofundamento deste evangelho e pode ser um importante ponto de partida para um exerc\u00edcio de exame de consci\u00eancia. Chamados \u00e0 santidade, somos chamados ao caminho exigente das bem-aventuran\u00e7as para que a nossa vida se conforme cada vez mais e melhor com a vontade de Deus.<strong><em> in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + <\/em><\/strong><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>Estamos no Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanhamos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Sofonias 2,3; 3,12-13<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Procurai o Senhor, v\u00f3s todos os humildes da terra,<br \/>\nque obedeceis aos seus mandamentos.<br \/>\nProcurai a justi\u00e7a, procurai a humildade;<br \/>\ntalvez encontreis prote\u00e7\u00e3o no dia da ira do Senhor.<br \/>\nS\u00f3 deixarei ficar no meio de ti um povo pobre e humilde,<br \/>\nque buscar\u00e1 ref\u00fagio no nome do Senhor.<br \/>\nO resto de Israel n\u00e3o voltar\u00e1 a cometer injusti\u00e7as,<br \/>\nn\u00e3o tornar\u00e1 a dizer mentiras,<br \/>\nnem mais se encontrar\u00e1 na sua boca uma l\u00edngua enganadora.<br \/>\nPor isso, ter\u00e3o pastagem e repouso,<br \/>\nsem ningu\u00e9m que os perturbe.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 734 a.C. Acaz, rei de Jud\u00e1, confrontado com a amea\u00e7a militar de uma coliga\u00e7\u00e3o formada pelo rei de Damasco e pelo rei de Israel, pediu ajuda a Tiglat-Pileser III, rei da Ass\u00edria (cf. 2Rs 16,7). Tiglat Pileser III derrotou os dois aliados, pondo fim \u00e0 amea\u00e7a contra Jud\u00e1; mas, na sequ\u00eancia, o rei Acaz tornou-se vassalo da Ass\u00edria. Jud\u00e1 passou a girar na \u00f3rbita pol\u00edtica da Ass\u00edria e teve de abrir as portas \u00e0s influ\u00eancias culturais e religiosas dos ass\u00edrios (cf. 2Rs 16,10-18). Diversos costumes estranhos e cultos pag\u00e3os irromperam ent\u00e3o em Jerusal\u00e9m, pondo em causa a identidade nacional e minando a fidelidade do Povo a Jav\u00e9. Essa situa\u00e7\u00e3o manteve-se durante o longo reinado do \u00edmpio Manass\u00e9s (698-643 a.C.), altura em que o pr\u00f3prio rei reconstruiu os lugares de culto aos deuses estrangeiros, levantou altares ao deus Baal, ofereceu o seu filho em holocausto, dedicou-se \u00e0 adivinha\u00e7\u00e3o e \u00e0 magia, colocou no Templo de Jerusal\u00e9m a imagem da deusa Astarte (cf. 2Rs 21,3-9). Paralelamente, continuavam a multiplicar-se as injusti\u00e7as sociais, as arbitrariedades, as viol\u00eancias que danificavam o tecido social e que faziam sofrer os mais pobres. Tudo isto configurava uma grave viola\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a e colocava Jud\u00e1 fora da \u00f3rbita de Deus: o povo vangloriava-se da rela\u00e7\u00e3o especial que tinha com Jav\u00e9, mas vivia completamente \u00e0 margem dos mandamentos de Deus. Quando em 639 a.C. o rei Josias (639-609 a.C.) subiu ao trono, Jud\u00e1 estava a precisar urgentemente de uma profunda reforma pol\u00edtica, social e religiosa. Josias, o novo rei, lan\u00e7ou-se a essa tarefa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sofonias come\u00e7ou o seu minist\u00e9rio prof\u00e9tico por essa altura. \u00c9 prov\u00e1vel que, numa primeira fase da reforma religiosa empreendida por Josias, Sofonias tivesse sido o verdadeiro motor das mudan\u00e7as que o rei pretendeu introduzir na vida da na\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sabemos quanto tempo durou o minist\u00e9rio de Sofonias. A maior parte dos biblistas prolongam-no at\u00e9 625 a.C., aproximadamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mensagem de Sofonias deve situar-se neste ambiente hist\u00f3rico. O profeta denuncia a idolatria cultual, as injusti\u00e7as cometidas contra os mais pobres, o materialismo, a despreocupa\u00e7\u00e3o religiosa, os abusos da autoridade\u2026 Consciente de que Jav\u00e9 n\u00e3o pode continuar a pactuar com o pecado de Jud\u00e1, Sofonias deixa um aviso: se nada mudar, vai chegar o dia do Senhor, isto \u00e9, o dia da interven\u00e7\u00e3o de Deus em que os maus ser\u00e3o castigados e a injusti\u00e7a ser\u00e1 banida da terra (cf. Sf 1,2-2,3). Da ira do Senhor escapar\u00e3o, contudo, os humildes e os pobres, os que se mantiverem fi\u00e9is \u00e0 Alian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fim da prega\u00e7\u00e3o de Sofonias n\u00e3o \u00e9, contudo, anunciar um castigo irrevog\u00e1vel, fruto da ira de Deus contra o seu povo; mas \u00e9 provocar a convers\u00e3o, passo fundamental para chegar \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os profetas s\u00e3o a voz de Deus que ecoa no mundo. Eles trazem-nos o sonho de Deus para o mundo e para os homens. Escut\u00e1-los \u00e9, frequentemente, questionarmo-nos sobre a forma como temos distorcido o projeto de Deus. Andamos h\u00e1 muitos s\u00e9culos a construir um mundo e uma hist\u00f3ria onde os que \u201ccontam\u201d, os que t\u00eam visibilidade, os que toda a gente inveja e aplaude, os que conduzem os destinos dos povos s\u00e3o os \u201cfortes\u201d, os ricos, os poderosos, os que se imp\u00f5em aos outros, os que t\u00eam sede de poder e de protagonismo\u2026 Contudo, o profeta Sofonias diz-nos hoje que Deus n\u00e3o se rev\u00ea nas l\u00f3gicas, nas atitudes e nos valores dos ricos, dos orgulhosos, dos prepotentes, dos que dominam o mundo e pretendem construir a hist\u00f3ria dos homens sobre a injusti\u00e7a, a mentira, a viol\u00eancia, a corrup\u00e7\u00e3o, a gan\u00e2ncia. Sofonias, com a linguagem t\u00edpica dos pregadores da sua \u00e9poca, garante: chegar\u00e1 o dia em que os orgulhosos e os prepotentes perceber\u00e3o a estupidez das suas escolhas e se arrepender\u00e3o pela forma como constru\u00edram as suas vidas. Nesse dia, Deus ficar\u00e1 do lado dos humildes e dos pobres e sentar-se-\u00e1 com eles \u00e0 mesa da vida eterna. O que achamos disto? O que nos sugere a prefer\u00eancia de Deus pelos humildes e pobres? A que tipo de gente queremos confiar a condu\u00e7\u00e3o dos destinos dos homens e do mundo?<\/li>\n<li>Sofonias, traduzindo em linguagem humana as indica\u00e7\u00f5es de Deus, deixa aos seus contempor\u00e2neos um convite a viverem como \u201cpobres\u201d. Os \u201cpobres\u201d s\u00e3o aqueles que, n\u00e3o possuindo bens materiais nem seguran\u00e7as humanas, tendem a depositar toda a sua confian\u00e7a e esperan\u00e7a em Deus. A catequese de Israel, talvez com alguma ingenuidade, apresenta-os como pessoas humildes, simples, pac\u00edficas, bondosas, piedosas, generosas, justas, tementes a Deus, que vivem na escuta de Deus, que confiam incondicionalmente em Deus, que caminham na obedi\u00eancia \u00e0s indica\u00e7\u00f5es de Deus. Deus ama-os como filhos muito queridos. O \u201cpobre\u201d \u00e9, no universo b\u00edblico, o crente verdadeiro, o crente perfeito, o crente \u201cmodelo\u201d. Identificamo-nos com este \u201cmodelo\u201d?<\/li>\n<li>O profeta Sofonias deixa aos seus contempor\u00e2neos um forte apelo \u00e0 convers\u00e3o. Diz mesmo que n\u00e3o h\u00e1 outra sa\u00edda \u2013 para quem quer viver uma vida com sentido \u2013 sen\u00e3o optar por uma mudan\u00e7a efetiva, uma mudan\u00e7a radical na maneira de pensar e de agir. A \u201cconvers\u00e3o\u201d, na teologia prof\u00e9tica, significa abandonar os caminhos do ego\u00edsmo, da autossufici\u00eancia, do orgulho, da mentira, da injusti\u00e7a e \u201cvoltar para tr\u00e1s\u201d, ao encontro de Deus; significa reencontrar-se com Deus, escutar e acolher novamente as indica\u00e7\u00f5es de Deus, passar a trilhar outra vez os caminhos de Deus, deixar-se guiar por Deus e pelos seus mandamentos. Pessoalmente, estamos dispostos a renunciar, na constru\u00e7\u00e3o da nossa vida, a uma l\u00f3gica de prepot\u00eancia, de orgulho, de ambi\u00e7\u00e3o, de autoritarismo, de autossufici\u00eancia? Estamos dispostos a voltar para Deus e a viver \u201csegundo Deus\u201d? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 145 (146), 7.8-9a.9bc-10<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: Bem-aventurados os pobres em esp\u00edrito, porque deles \u00e9 o reino dos C\u00e9us.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: Aleluia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor faz justi\u00e7a aos oprimidos,<br \/>\nd\u00e1 p\u00e3o aos que t\u00eam fome<br \/>\ne a liberdade aos cativos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor ilumina os olhos dos cegos,<br \/>\no Senhor levanta os abatidos,<br \/>\no Senhor ama os justos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor protege os peregrinos,<br \/>\nampara o \u00f3rf\u00e3o e a vi\u00fava<br \/>\ne entrava o caminho aos pecadores.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor reina eternamente.<br \/>\nO teu Deus, \u00f3 Si\u00e3o,<br \/>\n\u00e9 Rei por todas as gera\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Cor\u00edntios 1, 26-31<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nVede quem sois v\u00f3s, os que Deus chamou:<br \/>\nn\u00e3o h\u00e1 muitos s\u00e1bios, naturalmente falando,<br \/>\nnem muitos influentes, nem muitos bem-nascidos.<br \/>\nMas Deus escolheu o que \u00e9 louco aos olhos do mundo<br \/>\npara confundir os s\u00e1bios;<br \/>\nescolheu o que \u00e9 vil e desprez\u00edvel,<br \/>\no que nada vale aos olhos do mundo,<br \/>\npara reduzir a nada aquilo que vale,<br \/>\na fim de que nenhuma criatura se possa gloriar diante de Deus.<br \/>\n\u00c9 por Ele que v\u00f3s estais em Cristo Jesus,<br \/>\no qual Se tornou para n\u00f3s sabedoria de Deus,<br \/>\njusti\u00e7a, santidade e reden\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDeste modo, conforme est\u00e1 escrito,<br \/>\n\u00abquem se gloria deve gloriar-se no Senhor\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corinto, capital da Prov\u00edncia romana da Acaia, era, no s\u00e9c. I, uma cidade nova e pr\u00f3spera. Servida por dois portos de mar, possu\u00eda as caracter\u00edsticas t\u00edpicas das cidades mar\u00edtimas: era a cidade do desregramento para todos os marinheiros que cruzavam o Mediterr\u00e2neo, \u00e1vidos de prazer, ap\u00f3s semanas de navega\u00e7\u00e3o. Na cidade pontificava Afrodite, deusa do amor, em cujo tempo se praticava a prostitui\u00e7\u00e3o sagrada. Na \u00e9poca de Paulo, a cidade comportava cerca de 500.000 pessoas, das quais dois ter\u00e7os eram escravos. A riqueza escandalosa de alguns contrastava com a mis\u00e9ria da maioria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do esfor\u00e7o evangelizador de Paulo, entre os anos 50 e 52, nasceu a comunidade crist\u00e3 de Corinto. De uma forma geral, era uma comunidade viva e fervorosa; no entanto, estava exposta aos perigos de um ambiente corrupto: moral dissoluta (cf. 1 Cor 6,12-20; 5,1-2), querelas, disputas, lutas (cf. 1 Cor 1,11-12), sedu\u00e7\u00e3o da sabedoria filos\u00f3fica de origem pag\u00e3 que se introduzia na Igreja revestida de um superficial verniz crist\u00e3o (cf. 1 Cor 1,19-2,10). Afinal, a comunidade mergulhava as suas ra\u00edzes em terreno adverso, onde os valores crist\u00e3os corriam o risco de ser sufocados pelos valores da brilhante cultura grega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelas informa\u00e7\u00f5es que constam da primeira Carta de Paulo aos Cor\u00edntios (escrita em \u00c9feso, durante a terceira viagem mission\u00e1ria de Paulo), percebemos que um dos problemas que perturbavam a comunidade crist\u00e3 de Corinto era a identifica\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia crist\u00e3 com o mundo das escolas filos\u00f3ficas gregas. As diversas figuras de refer\u00eancia da comunidade crist\u00e3 eram vistas, pelos crist\u00e3os de Corinto, como mestres que propunham caminhos diversos para se chegar \u00e0 plenitude da sabedoria e da realiza\u00e7\u00e3o humana. Portanto, cada crente escolhia o seu \u201cmestre\u201d e aderia ao \u201ccaminho\u201d por ele proposto. Os disc\u00edpulos desses v\u00e1rios mestres empenhavam-se em demonstrar a excel\u00eancia e a superior sabedoria do mestre escolhido. Ora, isto era fonte de discuss\u00f5es intermin\u00e1veis e de divis\u00f5es que afetavam a unidade e a comunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao saber isto, Paulo ficou muito alarmado: as divis\u00f5es e os partidos punham em causa o essencial da f\u00e9. Paulo procura, ent\u00e3o, demonstrar aos cor\u00edntios que entre os crist\u00e3os n\u00e3o h\u00e1 sen\u00e3o um mestre, que \u00e9 Jesus Cristo; e a experi\u00eancia crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 a busca de uma filosofia que abra ao disc\u00edpulo as portas da sabedoria, pelo menos dessa sabedoria humana que os gregos buscavam. Ali\u00e1s, Cristo n\u00e3o foi um mestre que se distinguiu pela eleg\u00e2ncia das suas palavras, pela sua arte orat\u00f3ria ou pela l\u00f3gica do seu discurso filos\u00f3fico; Ele foi o Deus que, por amor, veio ao encontro dos homens e lhes ofereceu a salva\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do dom da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cor\u00edntios devem estar bem conscientes disto: o caminho crist\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma busca de sabedoria humana, mas uma ades\u00e3o a Cristo crucificado \u2013 o Cristo do amor e do dom da vida. N\u2019Ele manifesta-se, de forma humanamente desconcertante, mas plena e definitiva, a for\u00e7a salvadora de Deus. \u00c9 em Cristo e na sua cruz que os cor\u00edntios devem procurar a verdadeira sabedoria que conduz \u00e0 vida eterna. \u00a0<strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O que \u00e9 que d\u00e1 sentido \u00e0 nossa vida? O que \u00e9 que determina o nosso \u00eaxito ou o nosso fracasso? O que \u00e9 que faz que a nossa vida valha a pena? Muitos acreditam que o segredo da realiza\u00e7\u00e3o plena do homem est\u00e1 em fatores humanos: a fam\u00edlia em que se nasceu, a escola que se frequentou, os t\u00edtulos que se obtiveram, o poder que se conquistou, a capacidade intelectual, a compet\u00eancia profissional, o reconhecimento social, o bem-estar econ\u00f3mico\u2026 O ap\u00f3stolo Paulo avisa que colocar a pr\u00f3pria esperan\u00e7a e a pr\u00f3pria seguran\u00e7a em fatores de \u00e2mbito puramente humano \u00e9 apostar no \u201ccavalo errado\u201d. Os fatores humanos falham, s\u00e3o contingentes, t\u00eam validade limitada, s\u00e3o incapazes de saciar a nossa sede de vida eterna. Paulo prop\u00f5e, em contrapartida, que nos disp\u00fanhamos a acolher a \u201cloucura da cruz\u201d e que optemos por seguir Jesus incondicionalmente, vivendo ao seu estilo, abra\u00e7ando os valores que Ele abra\u00e7ou, percorrendo com Ele o caminho do amor e do dom da vida. O que pensamos disto? A indica\u00e7\u00e3o de Paulo far\u00e1 sentido? Dispomo-nos a abra\u00e7ar a l\u00f3gica de Deus e a buscar a nossa plena realiza\u00e7\u00e3o nos valores de Jesus e do Evangelho?<\/li>\n<li>Paulo afirma que Deus escolhe os pequenos, os pobres, os humildes, os mais fr\u00e1geis, aqueles que tantas vezes a sociedade n\u00e3o valoriza, aqueles que n\u00e3o s\u00e3o mencionados nos livros de hist\u00f3ria, aqueles que nunca s\u00e3o convidados para os eventos sociais, aqueles que s\u00e3o invis\u00edveis aos olhos dos homens para, atrav\u00e9s deles, concretizar a sua obra de salva\u00e7\u00e3o. \u00c9 precisamente nessa fragilidade que se revela a for\u00e7a de Deus. Somos capazes de reconhecer a presen\u00e7a de Deus nos nossos irm\u00e3os mais humildes, mais esquecidos, naqueles que na sua humildade passam despercebidos, naqueles que n\u00e3o t\u00eam voz nem vez? Que valor lhes damos?<\/li>\n<li>Paulo convida os crist\u00e3os de Corinto a n\u00e3o perderem de vista Cristo Jesus, \u201co qual Se tornou para n\u00f3s sabedoria de Deus, justi\u00e7a, santidade e reden\u00e7\u00e3o\u201d. Com a sua vida, com as suas palavras, com os seus gestos, com o seu amor at\u00e9 ao extremo, com a sua obedi\u00eancia ao Pai, com o seu an\u00fancio do Reino de Deus, Cristo apontou-nos o caminho que conduz \u00e0 vida verdadeira. Cristo \u00e9, para n\u00f3s, o mestre da verdadeira sabedoria? Caminhamos atr\u00e1s d\u2019Ele sem o perder de vista? Abra\u00e7amos sem hesitar a sabedoria que Ele nos prop\u00f5e, mesmo quando ela est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com a sabedoria do mundo? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mateus 5,1-12<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquele tempo,<br \/>\nao ver as multid\u00f5es, Jesus subiu ao monte e sentou-Se.<br \/>\nRodearam-n\u2019O os disc\u00edpulos<br \/>\ne Ele come\u00e7ou a ensin\u00e1-los, dizendo:<br \/>\n\u00abBem-aventurados os pobres em esp\u00edrito,<br \/>\nporque deles \u00e9 o reino dos C\u00e9us.<br \/>\nBem-aventurados os que choram,<br \/>\nporque ser\u00e3o consolados.<br \/>\nBem-aventurados os humildes,<br \/>\nporque possuir\u00e3o a terra.<br \/>\nBem-aventurados os que t\u00eam fome e sede de justi\u00e7a,<br \/>\nporque ser\u00e3o saciados.<br \/>\nBem-aventurados os misericordiosos,<br \/>\nporque alcan\u00e7ar\u00e3o miseric\u00f3rdia.<br \/>\nBem-aventurados os puros de cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\nporque ver\u00e3o a Deus.<br \/>\nBem-aventurados os que promovem a paz,<br \/>\nporque ser\u00e3o chamados filhos de Deus.<br \/>\nBem-aventurados os que sofrem persegui\u00e7\u00e3o por amor da justi\u00e7a,<br \/>\nporque deles \u00e9 o reino dos C\u00e9us.<br \/>\nBem-aventurados sereis, quando, por minha causa,<br \/>\nvos insultarem, vos perseguirem<br \/>\ne, mentindo, disserem todo o mal contra v\u00f3s.<br \/>\nAlegrai-vos e exultai,<br \/>\nporque \u00e9 grande nos C\u00e9us a vossa recompensa\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de nos apresentar Jesus (Mt 1,1-2,23) e de definir a sua miss\u00e3o (cf. Mt 3,1-4,11), Mateus vai mostrar-nos como Jesus concretiza a miss\u00e3o que o Pai Lhe confiou (cf. Mt 4,12-18,35). No centro dessa miss\u00e3o est\u00e1 o an\u00fancio do Reino de Deus. As \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d ocupam um lugar central nesse an\u00fancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mateus, na constru\u00e7\u00e3o do seu Evangelho, concedeu uma import\u00e2ncia significativa aos \u201cditos\u201d de Jesus. O evangelista agrupou a maior parte desses \u201cditos\u201d em cinco discursos atribu\u00eddos a Jesus (cf. Mt 5-7; 10; 13; 18; 24-25). \u00c9 prov\u00e1vel que o autor do primeiro Evangelho visse nesses cinco discursos uma nova Lei, destinada a substituir a antiga Lei dada por Deus ao seu povo, o \u201censinamento\u201d que Israel guardou nos cinco livros da Tora (G\u00e9nesis, \u00caxodo, Lev\u00edtico, N\u00fameros, Deuteron\u00f3mio).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro desses discursos de Jesus \u00e9 conhecido como o \u201cserm\u00e3o da montanha\u201d (cf. Mt 5-7). Re\u00fane um importante conjunto de palavras de Jesus que Mateus ordenou e apresentou com a inten\u00e7\u00e3o de oferecer \u00e0 sua comunidade as coordenadas fundamentais da proposta crist\u00e3. O evangelista v\u00ea, no \u201cSerm\u00e3o da montanha\u201d, um novo c\u00f3digo \u00e9tico, uma nova Lei, que supera e substitui a antiga Lei dada por Deus ao seu Povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mateus situa esta interven\u00e7\u00e3o de Jesus no cimo de um monte. A indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica n\u00e3o \u00e9 inocente: transporta-nos \u00e0 montanha da Lei (o Sinai), o cen\u00e1rio em que Deus deu a antiga Lei a Israel. Agora \u00e9 Jesus que, tamb\u00e9m numa montanha, oferece ao novo Povo de Deus a nova Lei que deve guiar todos os que est\u00e3o interessados em aderir ao Reino de Deus. Mateus, no entanto, sugere algumas diferen\u00e7as entre aquilo que aconteceu no monte Sinai e aquilo que vai acontecer no monte das Bem-aventuran\u00e7as. Antes de mais, no grupo que recebeu a Lei dada no Sinai, s\u00f3 havia israelitas; no grupo que sobe ao monte com Jesus parece haver uma \u201cmultid\u00e3o\u201d de gente de diversas origens e etnias (cf. Mt 4,25), conferindo \u00e0 proposta que Jesus vai apresentar uma inquestion\u00e1vel sugest\u00e3o de universalidade: a nova Lei, trazida por Jesus, destina-se a todos os povos. Por outro lado, Mateus desenha o quadro do \u201cserm\u00e3o da montanha\u201d de Jesus com tra\u00e7os bem diferentes do cen\u00e1rio do Sinai\u2026 N\u00e3o h\u00e1, como no relato da teofania do Sinai, qualquer refer\u00eancia ao fogo, ao fumo, aos trov\u00f5es e rel\u00e2mpagos que geravam medo entre o povo (cf. Ex 19,16.18), nem uma delimita\u00e7\u00e3o do terreno que impe\u00e7a o povo de se aproximar do monte da revela\u00e7\u00e3o (cf. Ex 19,12.21): na montanha onde Jesus fala, os disc\u00edpulos est\u00e3o pr\u00f3ximos de Jesus e escutam-no com tranquilidade e sem medo (cf. Mt 5,1). Jesus, o novo Mois\u00e9s que traz a nova Lei, abre as portas a uma nova realidade, a uma nova forma de comunh\u00e3o e de rela\u00e7\u00e3o entre Deus e o seu povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d que Mateus coloca na boca de Jesus, s\u00e3o consideravelmente diferentes das bem-aventuran\u00e7as que aparecem no Evangelho segundo Lucas (cf. Lc 6,20-26). Mateus tem oito \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d (e uma exorta\u00e7\u00e3o final), enquanto Lucas s\u00f3 apresenta quatro; al\u00e9m disso, Lucas prossegue com quatro \u201cmaldi\u00e7\u00f5es\u201d, que est\u00e3o ausentes do texto mateano. Outras notas caracter\u00edsticas da vers\u00e3o de Mateus s\u00e3o a espiritualiza\u00e7\u00e3o (os \u201cpobres\u201d de Lucas s\u00e3o, para Mateus, os \u201cpobres em esp\u00edrito\u201d) e a aplica\u00e7\u00e3o dos \u201cditos\u201d originais de Jesus \u00e0 vida da comunidade e ao comportamento dos crist\u00e3os. \u00c9 prov\u00e1vel que o texto de Lucas seja mais fiel \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o original e que o texto de Mateus tenha sido trabalhado e retocado pela catequese crist\u00e3. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Dois mil anos depois de Jesus ter feito o \u201cserm\u00e3o da montanha\u201d, as \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d continuam a soar aos nossos ouvidos de uma forma estranha e paradoxal. Deixam-nos perplexos e algo desconcertados, pois apontam num sentido que parece ir contra o senso comum. Parecem subverter todas as nossas l\u00f3gicas e contradizer tudo aquilo que sabemos sobre \u00eaxito e fracasso. S\u00e3o um desafio que amea\u00e7a todas as nossas certezas e seguran\u00e7as, a nossa sabedoria convencional e a nossa organiza\u00e7\u00e3o social. Poder\u00e3o realmente ser um caminho para a felicidade e para a plena realiza\u00e7\u00e3o do ser humano? Jesus tem raz\u00e3o quando garante que a verdadeira felicidade se alcan\u00e7a por caminhos completamente diferentes dos que a sociedade atual prop\u00f5e? As \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d ser\u00e3o uma desculpa de fracassados, conversa de gente que n\u00e3o tem coragem para competir, para se impor, para triunfar, ou ser\u00e3o uma forma de construir um mundo diferente, mais justo, mais humano e mais fraterno? O nosso mundo ganharia alguma coisa se abandon\u00e1ssemos a competitividade e a luta feroz pelo \u00eaxito humano e opt\u00e1ssemos por viver na l\u00f3gica das \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d? Ser\u00edamos mais livres e mais felizes se renunci\u00e1ssemos a certos valores que a sociedade imp\u00f5e e pass\u00e1ssemos a viver de acordo com os valores propostos por Jesus?<\/li>\n<li>\u201cFelizes os pobres em esp\u00edrito\u201d. Os \u201cpobres em esp\u00edrito\u201d s\u00e3o aqueles que, sem bens materiais, sem a prote\u00e7\u00e3o dos poderosos, sem seguran\u00e7as humanas, se entregam confiadamente nas m\u00e3os de Deus, colocam toda a sua esperan\u00e7a em Deus, acolhem de bra\u00e7os abertos as indica\u00e7\u00f5es de Deus. Apresentam-se com humildade, desconhecem a arrog\u00e2ncia e a autossufici\u00eancia, est\u00e3o sempre dispon\u00edveis para servir os seus irm\u00e3os, s\u00e3o uma luz que brilha na noite do mundo. \u00c9 assim que vivemos?<\/li>\n<li>\u201cFelizes os que choram\u201d. Na verdade, Deus n\u00e3o gosta de nos ver sofrer e chorar. O choro que resulta da doen\u00e7a sem rem\u00e9dio, das ofensas contra a nossa dignidade, das feridas que as injusti\u00e7as deixam, n\u00e3o \u00e9 uma coisa boa. Mas Jesus diz que Deus ir\u00e1 consolar os que choram, dar-lhes for\u00e7a para vencer as dificuldades, ficar do lado deles, eliminar as causas do seu sofrimento. Ent\u00e3o, vencidos os motivos das l\u00e1grimas, os que choram voltar\u00e3o a rir. Confiamos em Deus, no seu cuidado, no seu amor, mesmo quando as l\u00e1grimas n\u00e3o nos deixam ver as estrelas?<\/li>\n<li>\u201cFelizes os mansos\u201d (os \u201chumildes\u201d). Vivemos num mundo competitivo e agressivo, onde a viol\u00eancia explode pelas raz\u00f5es mais f\u00fateis. O n\u00e3o responder \u00e0 viol\u00eancia com uma viol\u00eancia igual ou maior ser\u00e1 uma estupidez, ou ser\u00e1 sinal de que somos filhos de um Deus misericordioso e compassivo? Se n\u00e3o desarmarmos a espiral de viol\u00eancia e de \u00f3dio que envolve tantos problemas e povos, qual o futuro da humanidade? Como \u00e9 que n\u00f3s, pessoalmente, reagimos quando somos atropelados pela viol\u00eancia e pela injusti\u00e7a?<\/li>\n<li>\u201cFelizes os que t\u00eam fome e sede de justi\u00e7a\u201d. Os \u201cque t\u00eam fome e sede de justi\u00e7a\u201d s\u00e3o aqueles que se preocupam genuinamente em acertar, em serem fi\u00e9is aos compromissos que t\u00eam com Deus, em fazerem aquilo que \u00e9 \u201cde justi\u00e7a\u201d. Passamos ao lado da vida se vivemos de forma ligeira, distra\u00edda, perdendo oportunidades, sem cumprir a miss\u00e3o que nos foi confiada. Somos gente que leva a s\u00e9rio os compromissos que tem com Deus e com os irm\u00e3os, que procura estar sempre atento para fazer o que deve fazer?<\/li>\n<li>\u201cFelizes os misericordiosos\u201d. Nunca, em nenhuma outra \u00e9poca da hist\u00f3ria, estivemos t\u00e3o conectados uns com os outros; nunca, em nenhuma outra \u00e9poca da hist\u00f3ria, pudemos acompanhar t\u00e3o de perto, em tempo real, os dramas e as ang\u00fastias dos nossos irm\u00e3os; e nunca, em qualquer outra \u00e9poca da hist\u00f3ria, nos fechamos tanto aos sofrimentos dos outros. Globalizou-se a indiferen\u00e7a; fechamo-nos no nosso ego\u00edsmo e passamos ao lado de quem sofre sem nos determos. Sentimo-nos respons\u00e1veis pelos nossos irm\u00e3os? Somos testemunhas, junto deles, do Deus misericordioso e compassivo?<\/li>\n<li>\u201cFelizes os puros de cora\u00e7\u00e3o\u201d. Os \u201cpuros de cora\u00e7\u00e3o\u201d s\u00e3o aqueles que n\u00e3o vivem escravizados a deuses ef\u00e9meros, n\u00e3o pactuam com coisas duvidosas, n\u00e3o constroem as suas vidas sobre mentiras e enganos. Num mundo de onde o que \u00e9 verdade de manh\u00e3 \u00e9 mentira \u00e0 tarde e o \u201cchico-espertismo\u201d \u00e9 um modo de vida, os \u201cpuros de cora\u00e7\u00e3o\u201d representam a honestidade, a verticalidade, a fidelidade aos valores e aos compromissos. Somos fi\u00e1veis, \u201cde confian\u00e7a\u201d, na nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus e com os irm\u00e3os? Somos testemunhas do Deus sempre fiel, que nunca nos trai nem engana?<\/li>\n<li>\u201cFelizes os que promovem a paz\u201d. Os conflitos, as guerras, as viol\u00eancias eclodem por todo o lado, causam um sofrimento indiz\u00edvel e erguem barreiras de \u00f3dio que separam os homens. Alguns, no entanto, os que \u201cs\u00e3o chamados filhos de Deus\u201d, procuram derrubar esses muros, construir pontes de entendimento e de di\u00e1logo, fomentar a fraternidade, a solidariedade, o encontro, a comunh\u00e3o. Somos construtores de muros que separam, ou de pontes que aproximam? Aceitamos ser, no meio dos nossos irm\u00e3os, arautos da reconcilia\u00e7\u00e3o e promotores da paz?<\/li>\n<li>\u201cFelizes os que sofrem persegui\u00e7\u00e3o por amor da justi\u00e7a\u201d. Hoje como ontem, aqueles que se mant\u00eam fi\u00e9is a Deus e lutam para que o plano de Deus se concretize no mundo e na hist\u00f3ria desagradam aos donos do mundo; por isso s\u00e3o perseguidos, desautorizados, ridicularizados condenados, silenciados\u2026 Alguns desistem e preferem n\u00e3o correr riscos, n\u00e3o andar contra a corrente, n\u00e3o incomodar os fazedores de opini\u00e3o que ditam o certo e o errado; outros insistem a tempo e fora de tempo, em serem sinais e testemunhas da vida de Deus. E n\u00f3s, de que lado ficamos?<\/li>\n<li>As \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d d\u00e3o-nos um retrato bem bonito do cora\u00e7\u00e3o paternal e maternal de Deus. Garantem-nos que Deus \u00e9 sens\u00edvel ao sofrimento dos seus filhos e que sente um carinho especial pelos que sofrem mais. Ele est\u00e1 sempre dispon\u00edvel para confortar os que est\u00e3o feridos e magoados e para os ajudar a sair da sua triste situa\u00e7\u00e3o. Como \u00e9 que vemos e sentimos esta \u201csensibilidade\u201d de Deus pelos mais fr\u00e1geis e pequenos? Agrada-nos? \u00c9 para n\u00f3s fonte de esperan\u00e7a? O carinho de Deus pelos que precisam mais de amor inspira-nos e leva-nos a cuidar especialmente dos nossos irm\u00e3os que a vida maltrata? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>primeira leitura <\/strong>exige uma acurada prepara\u00e7\u00e3o das pausas e respira\u00e7\u00f5es, articulando as diferentes frases e ora\u00e7\u00f5es para uma correta proclama\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura<\/strong>, deve prestar-se aten\u00e7\u00e3o ao tom exortativo que Paulo emprega e ter especial cuidado na express\u00e3o \u00ab<em>naturalmente falando<\/em>\u00bb que indica o tom coloquial do discurso. A frase final que se encontra entre aspas marca o culminar do texto e deve ser pronunciada com especial cuidado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Leitura-I-do-Domingo-IV-do-Tempo-Comum-Ano-A-01.02.2026-Sofonias-2-3_3-12-13.pdf\">Leitura I do Domingo IV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 01.02.2026 (Sofonias 2, 3_3, 12-13)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Leitura-II-do-Domingo-IV-do-Tempo-Comum-Ano-A-01.02.2026-1-Corintios-1-26-31.pdf\">Leitura II do Domingo IV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 01.02.2026 (1 Cor\u00edntios 1, 26-31)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Domingo-IV-do-Tempo-Comum-Ano-A-01.02.2026-Lecionario.pdf\">Domingo IV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 01.02.2026 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Domingo-IV-do-Tempo-Comum-Ano-A-01.02.2026-Oracao-Universal.pdf\">Domingo IV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 01.02.2026 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Domingo-IV-do-Tempo-Comum-Ano-A-01.02.2026-refletindo.pdf\">Domingo IV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 01.02.2026 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-IV-do-Tempo-Comum-Ano-A-01.02.2026.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo IV do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 01.02.2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/O-que-ficou-do-7o-Domingo-da-Palavra-de-Deus.pdf\">O que ficou do 7\u00ba Domingo da Palavra de Deus<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo III do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 25.01.2026&#8243; tab_id=&#8221;1770030596438-86a2da57-01a4&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4>Domingo III do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 25.01.2026<\/h4>\n<h4>7\u00ba Domingo da Palavra de Deus<\/h4>\n<figure id=\"attachment_12653\" aria-describedby=\"caption-attachment-12653\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12653 size-full\" style=\"color: inherit; font-family: inherit; font-size: inherit;\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Domingo-III.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"337\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12653\" class=\"wp-caption-text\">Com a Carta apost\u00f3lica sob forma de Motu Proprio Aperuit Illis, o Papa Francisco instituiu o Domingo da Palavra de Deus que deve celebrar-se no III Domingo do Tempo Comum como uma jornada de \u00abcelebra\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus\u00bb. Cada comunidade com criatividade pastoral e atenta \u00e0s diversas exig\u00eancias e realidades encontrar\u00e1 a forma de viver este Domingo como um dia solene. Deste modo, cada comunidade poder\u00e1 valorizar este dia na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica de diversos modos, contudo, poder\u00e1 ser importante encontrar momentos de prepara\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o deste dia fora da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica com um momento de forma\u00e7\u00e3o sobre a Palavra de Deus ou a Lectio Divina comunit\u00e1ria. No in\u00edcio do Tempo Comum poderia ser tamb\u00e9m oportuna uma reflex\u00e3o b\u00edblica acerca do evangelista deste ano lit\u00fargico. in Voz Portucalense<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Liturgia da Palavra deste Domingo convida-nos a olhar a nossa vida como um lugar din\u00e2mico, onde seguir Jesus implica uma permanente convers\u00e3o que abre a nossa vida ao des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o que Deus nos oferece em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As trevas s\u00e3o vencidas pela luz esplendorosa que brota do Cora\u00e7\u00e3o de Deus: \u00ab<em>o povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz se levantou<\/em>\u00bb. Na verdade, peregrinando os trilhos da hist\u00f3ria s\u00e3o muitas as sombras que nos assaltam no caminho, contudo, elas n\u00e3o t\u00eam a \u00faltima palavra. No provis\u00f3rio da dor e do sofrimento, irrompe a certeza incorrupt\u00edvel de que o amor de Jesus e a Sua luz s\u00e3o mais fortes que as trevas e sombras que nos envolvem. Uma doen\u00e7a, a partida de algu\u00e9m que amamos, a falta de esperan\u00e7a diante das dificuldades e tantos outros desafios e obst\u00e1culos fazem parte da nossa condi\u00e7\u00e3o humana e esta dif\u00edcil e exigente condi\u00e7\u00e3o seriam catastr\u00f3ficas se estiv\u00e9ssemos abandonados unicamente \u00e0 nossa capacidade humana. Somos obra das m\u00e3os de Deus, salvos e redimidos pelo amor de Jesus Cristo e olhamos a nossa exist\u00eancia e as vicissitudes da hist\u00f3ria com o olhar amoroso Daquele que por n\u00f3s morreu e ressuscitou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como outrora Sim\u00e3o e Andr\u00e9, Tiago e Jo\u00e3o tamb\u00e9m n\u00f3s contemplamos Jesus que atravessa o nosso quotidiano, vem ao nosso encontro, \u00e0s fadigas e canseiras das nossas redes tantas vezes vazias. Irrompendo no concreto da nossa hist\u00f3ria, Jesus prop\u00f5em-nos um novo rumo e um novo sentido: \u00ab<em>Vinde e segui-Me<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece t\u00e3o vaga a proposta. Contudo, seguir Jesus \u00e9 a escolha decisiva que inaugura um tempo novo na nossa exist\u00eancia. N\u00e3o quer dizer que por seguirmos Jesus as dificuldades deixar\u00e3o de fazer parte da nossa vida. Contudo, elas ganhar\u00e3o uma forma diferente, pois diante das conting\u00eancias da nossa hist\u00f3ria, est\u00e1 Jesus, Aquele que quando nos toma pela m\u00e3o nunca nos abandona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto do Evangelho que escutamos neste Domingo est\u00e3o intrinsecamente unidos o seguimento e a convers\u00e3o. Seguir Jesus implica entrar num processo de permanente convers\u00e3o e, por isso, sentimos ecoar no nosso cora\u00e7\u00e3o as primeiras palavras de Jesus dirigidas \u00e0 humanidade no Evangelho de S. Mateus: \u00ab<em>Arrependei-vos, porque est\u00e1 pr\u00f3ximo o reino dos C\u00e9us<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proximidade de Deus revelada em Jesus Cristo impele-nos a uma permanente revis\u00e3o de vida, onde o reconhecimento da nossa condi\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil e pecadora em nada nos inferioriza, mas se torna precisamente a oportunidade de crescimento e amadurecimento rumo \u00e0 santidade, ao cumprimento das promessas do Reino que j\u00e1 est\u00e1 no meio de n\u00f3s, mas que ainda n\u00e3o se realizou em plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem qualquer complexo de inferioridade reconhecemos que n\u00e3o somos perfeitos e tomamos consci\u00eancia que esta fragilidade e debilidade s\u00e3o um caminho e um lugar constante de mudan\u00e7a e de aperfei\u00e7oamento. Por isso, a convers\u00e3o e o arrependimento d\u00e3o lugar \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. A convers\u00e3o \u00e9 a arte de afinar o cora\u00e7\u00e3o com a vontade de Deus e, neste permanente afinar do cora\u00e7\u00e3o, encontramos o caminho da verdadeira felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, a tarefa da convers\u00e3o e do seguimento de Jesus n\u00e3o \u00e9 uma aventura isolada. Jesus convoca estes primeiros disc\u00edpulos dois a dois, recordando que n\u00e3o partimos sozinhos, mas partilhando a aventura da f\u00e9 com tantos outros homens e mulheres que partilhando a mesma condi\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil e pecadora, partilham tamb\u00e9m a certeza de terem encontrado em Jesus Cristo Aquele que dando um sentido novo \u00e0 sua vida, os impele a deixar tudo, para abrirem o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 novidade do Seu Evangelho. Por isso, Paulo escrevendo \u00e0 comunidade de Corinto recorda que a comunh\u00e3o e unidade devem ser a marca distintiva daqueles que querem seguir Jesus. Convocados pelo Seu amor, partimos unidos para que a nossa fraternidade seja o mais belo an\u00fancio de que a Luz que despontou nas trevas nos aponta o horizonte luminoso da salva\u00e7\u00e3o que nos \u00e9 oferecido em Jesus Cristo. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>Estamos no Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanhamos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 8,23b-9,3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assim como no tempo passado<br \/>\nfoi humilhada a terra de Zabul\u00e3o e de Neftali,<br \/>\ntamb\u00e9m no futuro ser\u00e1 coberto de gl\u00f3ria<br \/>\no caminho do mar, o Al\u00e9m do Jord\u00e3o, a Galileia dos gentios.<br \/>\nO povo que andava nas trevas viu uma grande luz;<br \/>\npara aqueles que habitavam nas sombras da morte<br \/>\numa luz se levantou.<br \/>\nMultiplicastes a sua alegria,<br \/>\naumentastes o seu contentamento.<br \/>\nRejubilam na vossa presen\u00e7a,<br \/>\ncomo os que se alegram no tempo da colheita,<br \/>\ncomo exultam os que repartem despojos.<br \/>\nV\u00f3s quebrastes, como no dia de Madi\u00e3,<br \/>\no jugo que pesava sobre o povo,<br \/>\no madeiro que ele tinha sobre os ombros<br \/>\ne o bast\u00e3o do opressor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta Isa\u00edas (autor dos caps. 1-39 do Livro de Isa\u00edas) nasceu por volta do ano 760 a. C., no tempo do rei Ozias. De origem nobre, parece ter vivido em Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isa\u00edas sentiu-se chamado por Deus \u00e0 voca\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica quando tinha cerca de vinte anos. Sabemos tamb\u00e9m que casou e teve filhos.\u00a0 Desconhecemos o nome da esposa, conhecida somente como \u201ca profetiza\u201d (Is 8,3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O car\u00e1cter de Isa\u00edas pode conhecer-se suficientemente atrav\u00e9s da sua obra. \u00c9 um homem decidido, sem falsa mod\u00e9stia, que se oferece voluntariamente a Deus no momento do seu chamamento vocacional. Seguramente, faz parte dos not\u00e1veis do pa\u00eds: participa nas decis\u00f5es relativas ao Reino, falando com autoridade aos altos funcion\u00e1rios (cf. Is 22,15) e mesmo aos reis (Is 7,10). \u00c9 en\u00e9rgico e nunca se deixa desanimar. \u00c9 inimigo da anarquia (cf. Is 3,1-9); mas isso n\u00e3o significa que apoie as classes altas. Na verdade, os seus maiores ataques s\u00e3o dirigidos aos grupos dominantes: autoridades, ju\u00edzes, latifundi\u00e1rios, pol\u00edticos. \u00c9 duro e ir\u00f3nico com as mulheres da classe alta de Jerusal\u00e9m (cf. Is 3,16-24; 32,9-14). Defende com paix\u00e3o os oprimidos, os \u00f3rf\u00e3os, as vi\u00favas (cf. Is 1,17), o povo explorado e desencaminhado pelos governantes (cf. Is 3,12-15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u00faltimos or\u00e1culos de Isa\u00edas s\u00e3o de 701 ou, talvez, de 689 a. C., altura em que o rei ass\u00edrio Senaquerib invadiu Jud\u00e1 e p\u00f4s cerco a Jerusal\u00e9m. Isa\u00edas deve ter morrido poucos anos depois, embora n\u00e3o saibamos ao certo quando. Um ap\u00f3crifo judeu do s\u00e9c. I d. C. \u2013 \u201cAscens\u00e3o de Isa\u00edas\u201d \u2013 afirma que foi assassinado pelo rei \u00edmpio Manass\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 721 a.C. o rei ass\u00edrio Sarg\u00e3o II invadiu o reino do Norte (Israel), tomou a Samaria e deportou uma parte da sua popula\u00e7\u00e3o para a Ass\u00edria. As melhores terras da Samaria foram ocupadas por colonos ass\u00edrios que se instalaram na regi\u00e3o e se misturaram com a popula\u00e7\u00e3o local. Esse acontecimento hist\u00f3rico inaugurou uma \u00e9poca de desola\u00e7\u00e3o e de trevas para as tribos do Povo de Deus que ocupavam a regi\u00e3o setentrional da Palestina, nomeadamente os antigos territ\u00f3rios de Zabul\u00e3o e de Neftali, e toda a regi\u00e3o da Galileia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No sul do pa\u00eds, Ezequias (716-687 a.C.) subiu ao trono de Jud\u00e1 alguns anos depois da queda da Samaria. Era a \u00e9poca em que o poder militar ass\u00edrio se impunha em toda a regi\u00e3o. Durante algum tempo, Ezequias evitou envolver-se nos jogos da pol\u00edtica internacional, a fim de n\u00e3o proporcionar aos ass\u00edrios pretextos para invadir Jud\u00e1. Mas em 705 a.C., ap\u00f3s a morte de Sarg\u00e3o II, Ezequias, desdenhando as indica\u00e7\u00f5es do profeta Isa\u00edas (para quem as alian\u00e7as pol\u00edticas com os povos estrangeiros eram sintoma de grave infidelidade para com Jav\u00e9, pois significavam colocar a confian\u00e7a e a esperan\u00e7a nos homens), enviou embaixadas ao Egipto, \u00e0 Fen\u00edcia e \u00e0 Babil\u00f3nia, procurando consolidar uma frente pol\u00edtica e militar capaz de lutar contra os des\u00edgnios imperialistas dos ass\u00edrios. Senaquerib, o sucessor de Sarg\u00e3o II no trono ass\u00edrio, disp\u00f4s-se imediatamente a castigar as na\u00e7\u00f5es que desafiavam o poderio ass\u00edrio. Tendo vencido sucessivamente os membros da coliga\u00e7\u00e3o, invadiu finalmente Jud\u00e1, devastou o pa\u00eds e p\u00f4s cerco a Jerusal\u00e9m (701 a.C.). O rei Ezequias teve de submeter-se e ficou a pagar um pesado tributo \u00e0 Ass\u00edria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta circunst\u00e2ncia, o profeta Isa\u00edas assumiu uma atitude bastante cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o aos dirigentes de Jud\u00e1, considerando-os incapazes de governar de forma sensata e de conduzir o povo de Deus em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 paz e \u00e0 prosperidade. Desiludido com os l\u00edderes humanos, o profeta come\u00e7ou a pensar numa interven\u00e7\u00e3o de Deus que derrotasse os opressores e devolvesse a Israel e a Jud\u00e1 a liberdade e a paz. O texto que a liturgia deste terceiro domingo comum nos prop\u00f5e como primeira leitura poderia entender-se neste contexto. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehoniano<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Os dram\u00e1ticos acontecimentos hist\u00f3ricos da \u00e9poca de Isa\u00edas n\u00e3o foram um caso isolado. Infelizmente, a hist\u00f3ria dos homens \u2013 a mais recuada, mas tamb\u00e9m a dos nossos dias \u2013 regista a cada instante situa\u00e7\u00f5es intoler\u00e1veis de opress\u00e3o, de injusti\u00e7a, de viol\u00eancia, que trazem sofrimento a milh\u00f5es de inocentes, v\u00edtimas da prepot\u00eancia e da ambi\u00e7\u00e3o dos poderosos. No meio de tudo isto, onde est\u00e1 Deus? Ele passa ao lado do sofrimento dos seus filhos que sofrem sem lhes fazer justi\u00e7a? Ele deixa que os grandes, os violentos, os poderosos, atuem impunemente? Deus fica indiferente quando os seus queridos filhos gemem sob o peso insuport\u00e1vel da maldade de outros homens? O profeta Isa\u00edas tinha a certeza de que Deus se importa com o sofrimento dos seus filhos e intervir\u00e1 para lhe p\u00f4r cobro. O or\u00e1culo de Isa\u00edas que ouvimos hoje deixa-nos essa garantia. Deus sempre esteve e sempre estar\u00e1 do lado dos oprimidos, dos injusti\u00e7ados, dos sofredores. Talvez Deus, por raz\u00f5es que s\u00f3 Ele sabe, n\u00e3o atue logo e demore algum tempo a repor a justi\u00e7a; talvez n\u00f3s, que queremos sempre tudo \u201cpara ontem\u201d, nem sempre consigamos entender os vagares de Deus; mas Deus \u2013 o Deus que preside \u00e0 hist\u00f3ria e que n\u00e3o ignora o sofrimento dos seus filhos \u2013 h\u00e1 de atuar e mudar as trevas em luz, a opress\u00e3o em liberdade, a morte em vida. Acreditamos nisto? \u00c9 com essa certeza que enfrentamos as \u201csombras\u201d do nosso tempo?<\/li>\n<li>O nosso texto n\u00e3o explica como \u00e9 que Deus vai atuar no sentido de restabelecer a justi\u00e7a e mudar as trevas em luz (o or\u00e1culo de Isa\u00edas ir\u00e1 diz\u00ea-lo mais \u00e0 frente, nuns vers\u00edculos que a leitura deste domingo n\u00e3o conservou: Deus ir\u00e1 enviar \u00e0 humanidade um \u201cmenino\u201d, o \u201cPr\u00edncipe da paz\u201d, que inaugurar\u00e1 um reino novo de prosperidade e de vida para todos os homens \u2013 cf. Is 9,5-6). N\u00f3s, contudo, percebemos logo que Jesus, o Filho de Deus que veio ao encontro dos homens para nos anunciar e propor o \u201cReino de Deus\u201d, tem um papel fundamental no projeto de Deus. Ele veio acender uma luz que ilumina as trevas que cobrem a Galileia e o resto do mundo. Porque \u00e9 que, dois mil anos depois de Jesus, a luz que Jesus trouxe ainda n\u00e3o ilumina as sombras que cobrem o mundo? Jesus n\u00e3o foi claro quando nos disse o que devemos fazer para vencer a viol\u00eancia, a injusti\u00e7a, a morte? Ser\u00e1 que temos levado a s\u00e9rio tudo o que Jesus nos ensinou? Depois de Deus ter feito tudo o que fez para nos indicar o caminho da justi\u00e7a, do amor e da paz, podemos culp\u00e1-lo pelas sombras que amea\u00e7am o nosso mundo?<\/li>\n<li>Jesus reuniu \u00e0 sua volta um grupo de disc\u00edpulos e ensinou-os a viver na l\u00f3gica do Reino de Deus. Mostrou-lhes os valores sobre os quais, segundo Deus, deve assentar a ordem do mundo \u2013 a justi\u00e7a que traz paz, o perd\u00e3o sem limites, o servi\u00e7o simples e humilde, o amor sem fronteiras, o dom da pr\u00f3pria vida em benef\u00edcio de todos \u2013 e enviou-os a anunciar a todos os homens o Reino de Deus. N\u00f3s, que aderimos a Jesus, que nos dispusemos a segui-l\u2019O, que aceitamos ser suas testemunhas, temos sido arautos do Reino de Deus? Esfor\u00e7amo-nos, dia a dia, por tornar realidade esse mundo novo de justi\u00e7a, de amor e de paz? Como lidamos com as situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a, de opress\u00e3o, de conflito, de viol\u00eancia: com a indiferen\u00e7a de quem sente que n\u00e3o tem nada a ver com isso, ou com a inquieta\u00e7\u00e3o de quem se sente respons\u00e1vel pela instaura\u00e7\u00e3o do Reino de Deus entre os homens?<\/li>\n<li>O profeta Isa\u00edas conhecia bem os not\u00e1veis de Jud\u00e1: frequentava os ambientes da corte e participava nas decis\u00f5es relativas ao Reino; falava com autoridade aos altos funcion\u00e1rios e mesmo aos reis. No entanto descobriu, a certa altura, que os homens s\u00e3o fal\u00edveis, que os dirigentes se equivocam, que as desilus\u00f5es esperam-nos ao virar da esquina, que nem tudo o que reluz \u00e9 ouro. Isa\u00edas descobriu que s\u00f3 Deus \u00e9 absoluto, s\u00f3 Deus n\u00e3o falha; \u00e9 n\u2019Ele e s\u00f3 n\u2019Ele que podemos colocar, com plena certeza, a nossa confian\u00e7a e a nossa esperan\u00e7a. Trata-se de uma boa dica para n\u00f3s. Em quem ou em qu\u00ea colocamos a nossa confian\u00e7a? Em quem ou em qu\u00ea assentamos as nossas vidas? Onde est\u00e1 a \u201crocha segura\u201d a que podemos agarrar-nos sem vacilar no meio das tempestades e das crises que temos de enfrentar ao longo do nosso caminho na terra? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 26 (27)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 1: O Senhor \u00e9 minha luz e salva\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o 2: O Senhor me ilumina e me salva.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor \u00e9 minha luz e salva\u00e7\u00e3o:<br \/>\na quem hei de temer?<br \/>\nO Senhor \u00e9 protetor da minha vida:<br \/>\nde quem hei de ter medo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma coisa pe\u00e7o ao Senhor, por ela anseio:<br \/>\nhabitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,<br \/>\npara gozar da suavidade do Senhor<br \/>\ne visitar o seu santu\u00e1rio.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Espero vir a contemplar a bondade do Senhor<br \/>\nna terra dos vivos.<br \/>\nConfia no Senhor, s\u00ea forte.<br \/>\nTem confian\u00e7a e confia no Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Cor\u00edntios 1,10-13.17<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nRogo-vos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo,<br \/>\nque faleis todos a mesma linguagem<br \/>\ne que n\u00e3o haja divis\u00f5es entre v\u00f3s,<br \/>\npermanecendo bem unidos,<br \/>\nno mesmo pensar e no mesmo agir.<br \/>\nEu soube, meus irm\u00e3os, pela gente de Clo\u00e9,<br \/>\nque h\u00e1 divis\u00f5es entre v\u00f3s, que h\u00e1 entre v\u00f3s quem diga:<br \/>\n\u00abEu sou de Paulo\u00bb, \u00abeu de Apolo\u00bb,<br \/>\n\u00abeu de Pedro\u00bb, \u00abeu de Cristo\u00bb.<br \/>\nEstar\u00e1 Cristo dividido?<br \/>\nPorventura Paulo foi crucificado por v\u00f3s?<br \/>\nFoi em nome de Paulo que recebestes o Batismo?<br \/>\nNa verdade, Cristo n\u00e3o me enviou para batizar,<br \/>\nmas para anunciar o Evangelho;<br \/>\nn\u00e3o, por\u00e9m, com sabedoria de palavras,<br \/>\na fim de n\u00e3o desvirtuar a cruz de Cristo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo chegou a Corinto por volta do ano 50, no decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria, depois de ter passado por Tessal\u00f3nica, Bereia e Atenas. Come\u00e7ou a trabalhar em casa de Priscila e \u00c1quila, um casal de judeo-crist\u00e3os, e aos s\u00e1bados usava da palavra na sinagoga. Como resultado da sua prega\u00e7\u00e3o, nasceu a comunidade crist\u00e3 de Corinto. Paulo ficou na cidade cerca de dezoito meses (entre os anos 50 e 52).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dada altura, por\u00e9m, os l\u00edderes da comunidade judaica reprovaram o testemunho que Paulo dava sobre Jesus e expulsaram-no da sinagoga (cf. At 18.6). Paulo decidiu ent\u00e3o dedicar-se \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o dos pag\u00e3os. Os judeus, no entanto, acusaram-no de atividades contr\u00e1rias \u00e0 f\u00e9 judaica e levaram-no diante de Gali\u00e3o, proc\u00f4nsul da Acaia, para ser julgado. Gali\u00e3o, a quem essas quest\u00f5es religiosas t\u00edpicas dos judeus n\u00e3o interessavam, recusou-se a tomar posi\u00e7\u00e3o. De Corinto, Paulo foi para \u00c9feso e de l\u00e1 voltou a Antioquia da S\u00edria, a cidade de onde tinha partido em miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo continuou, contudo, em contacto com a comunidade crist\u00e3 de Corinto. Sempre sol\u00edcito, sempre interessado, Paulo recebia not\u00edcias e inteirava-se regularmente das dificuldades e problemas que os seus amigos de Corinto enfrentavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais tarde, durante a sua terceira viagem mission\u00e1ria (anos 53-58), possivelmente quando estava em \u00c9feso, Paulo recebeu not\u00edcias alarmantes (levadas \u201cpela gente de Clo\u00e9\u201d \u2013 1Co 1,11) sobre a comunidade de Corinto.\u00a0 Ap\u00f3s a sua partida da cidade, tinha aparecido em Corinto um pregador crist\u00e3o \u2013 um tal Apolo, judeu de Alexandria, convertido ao cristianismo. Era eloquente, versado nas Escrituras e foi de grande utilidade para a comunidade na pol\u00e9mica com os judeus. Na prega\u00e7\u00e3o, Apolo era mais brilhante do que Paulo \u2013 conhecido pela sua falta de eloqu\u00eancia (cf. 2Cor 10,10). Formaram-se partidos na comunidade (embora, segundo parece, Apolo n\u00e3o favorecesse essa divis\u00e3o): uns admiravam Paulo, outros Cefas (Pedro), outros Apolo (cf. 1Cor 1,12). Os crist\u00e3os de Corinto, ainda imbu\u00eddos de uma mentalidade pag\u00e3, transplantaram para a comunidade o esquema das escolas filos\u00f3ficas gregas, cada uma com os seus mestres e os seus adeptos. Neste quadro, multiplicavam-se as divis\u00f5es, os conflitos, as discuss\u00f5es que deixavam feridas abertas na comunidade. Mais grave ainda: o cristianismo corria o risco de deixar de ser o seguimento de Jesus Cristo, para se tornar uma proposta de \u201csaber\u201d cuja validade dependia do poder de sedu\u00e7\u00e3o dos mestres que \u201cvendiam\u201d aos pr\u00f3prios adeptos as suas ideias. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Paulo de Tarso, o \u201cap\u00f3stolo\u201d que levou o Evangelho de Jesus ao encontro do mundo greco-romano, tinha ideias absolutamente claras sobre aquilo que \u00e9 decisivo na experi\u00eancia crist\u00e3: o encontro, a ades\u00e3o, o seguimento de Jesus Cristo. Isso \u00e9 algo que h\u00e1 muito assumimos? Talvez. Isso \u00e9 algo que temos sempre presente diante dos olhos e que marca cada passo que damos no caminho da f\u00e9? Talvez n\u00e3o. Por vezes falamos mais de leis can\u00f3nicas e de rituais lit\u00fargicos do que da Palavra de Jesus; por vezes preocupamo-nos mais com a organiza\u00e7\u00e3o de uma estrutura paroquial eficiente do que com o conhecimento e a escuta de Jesus; por vezes confiamos mais em l\u00edderes religiosos ou pol\u00edticos do que em Jesus; por vezes ligamos a nossa experi\u00eancia de f\u00e9 mais a figuras humanas (vener\u00e1veis e santas, claro, mas humanas) do que a Jesus. Cristo \u00e9, de facto, a nossa refer\u00eancia fundamental? \u00c9 \u00e0 volta d\u2019Ele e da sua proposta de vida que a nossa experi\u00eancia de f\u00e9 se constr\u00f3i? Os erros e as falhas das pessoas que encontramos na comunidade crist\u00e3 s\u00e3o para n\u00f3s raz\u00e3o para nos afastarmos do caminho da f\u00e9? A nossa participa\u00e7\u00e3o na vida da comunidade eclesial \u00e9 condicionada ao facto de \u201cestar l\u00e1\u201d determinada pessoa?<\/li>\n<li>Paulo lembra aos crist\u00e3os de Corinto \u2013 e a n\u00f3s tamb\u00e9m \u2013 que acreditar em Cristo e fazer parte do \u201cCorpo\u201d de Cristo (a Igreja) \u00e9 incompat\u00edvel com os \u201cpartidos\u201d, as querelas, as disputas, os ci\u00fames, os conflitos que fraturam a comunidade e deixam feridas incur\u00e1veis no tecido comunit\u00e1rio. Poder\u00e1 Cristo estar dividido? Os conflitos e as divis\u00f5es ser\u00e3o compat\u00edveis com a proposta de Jesus? As guerras e rivalidades dentro de uma comunidade crist\u00e3 n\u00e3o ser\u00e3o um sinal evidente de que estamos a ser conduzidos n\u00e3o por Cristo, mas sim pelos nossos interesses, pelo nosso orgulho, pela nossa vaidade, pela nossa autossufici\u00eancia, pelo nosso ego\u00edsmo? A nossa comunidade crist\u00e3 d\u00e1 testemunho de harmonia, de comunh\u00e3o, de entendimento, de conc\u00f3rdia, de solidariedade, de amor verdadeiro? Alguma vez fomos, na comunidade, fator de desuni\u00e3o, de conflito, de divis\u00e3o?<\/li>\n<li>A Igreja de Jesus \u00e9 santa e pecadora. As pessoas que a constituem s\u00e3o chamadas \u00e0 santidade, mas experimentam a cada instante a fragilidade inerente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana. Por isso, casos de abuso de poder, de prepot\u00eancia, de culto da personalidade, de ambi\u00e7\u00e3o, podem aparecer, aqui e ali, em pessoas a quem foram atribu\u00eddas fun\u00e7\u00f5es de responsabilidade na anima\u00e7\u00e3o das comunidades crist\u00e3s. Embora compreendamos as falhas que a esse n\u00edvel possamos testemunhar, conv\u00e9m tamb\u00e9m saber que isso n\u00e3o \u00e9 \u201cnormal\u201d ou \u201caceit\u00e1vel\u201d. Ningu\u00e9m tem o direito de se apresentar como \u201cdono da comunidade\u201d e de tratar os irm\u00e3os com sobranceria; ningu\u00e9m tem o direito de desviar o foco de Cristo para o dirigir para si pr\u00f3prio. Como vemos essas situa\u00e7\u00f5es? Como lidamos com elas? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mateus 4,12-23<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando Jesus ouviu dizer<br \/>\nque Jo\u00e3o Baptista fora preso,<br \/>\nretirou-Se para a Galileia.<br \/>\nDeixou Nazar\u00e9 e foi habitar em Cafarnaum,<br \/>\nterra \u00e0 beira-mar, no territ\u00f3rio de Zabul\u00e3o e Neftali.<br \/>\nAssim se cumpria o que o profeta Isa\u00edas anunciara, ao dizer:<br \/>\n\u00abTerra de Zabul\u00e3o e terra de Neftali,<br \/>\nestrada do mar, al\u00e9m do Jord\u00e3o, Galileia dos gentios:<br \/>\no povo que vivia nas trevas viu uma grande luz;<br \/>\npara aqueles que habitavam na sombria regi\u00e3o da morte,<br \/>\numa luz se levantou\u00bb.<br \/>\nDesde ent\u00e3o, Jesus come\u00e7ou a pregar:<br \/>\n\u00abArrependei-vos, porque o reino de Deus est\u00e1 pr\u00f3ximo\u00bb.<br \/>\nCaminhando ao longo do mar da Galileia,<br \/>\nviu dois irm\u00e3os:<br \/>\nSim\u00e3o, chamado Pedro, e seu irm\u00e3o Andr\u00e9,<br \/>\nque lan\u00e7avam as redes ao mar, pois eram pescadores.<br \/>\nDisse-lhes Jesus: \u00abVinde e segui-Me<br \/>\ne farei de v\u00f3s pescadores de homens\u00bb.<br \/>\nEles deixaram logo as redes e seguiram-n\u2019O.<br \/>\nUm pouco mais adiante, viu outros dois irm\u00e3os:<br \/>\nTiago, filho de Zebedeu, e seu irm\u00e3o Jo\u00e3o,<br \/>\nque estavam no barco, na companhia de seu pai Zebedeu,<br \/>\na consertar as redes.<br \/>\nJesus chamou-os<br \/>\ne eles, deixando o barco e o pai, seguiram-n\u2019O.<br \/>\nDepois come\u00e7ou a percorrer toda a Galileia,<br \/>\nensinando nas sinagogas,<br \/>\nproclamando o Evangelho do reino<br \/>\ne curando todas as doen\u00e7as e enfermidades entre o povo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de ter recebido o batismo no rio Jord\u00e3o, Jesus permaneceu algum tempo no deserto, talvez ligado a Jo\u00e3o Batista. O tempo passado no deserto foi, para Jesus, um tempo de prepara\u00e7\u00e3o para a miss\u00e3o. \u00c9 natural que, durante esse tempo, Jesus tenha refletido sobre a miss\u00e3o que o Pai Lhe confiava e tenha definido as grandes linhas do seu minist\u00e9rio. Sentiu que o tempo de prepara\u00e7\u00e3o para a interven\u00e7\u00e3o de Deus, de que Jo\u00e3o falava, tinha terminado e que come\u00e7ava um tempo novo, o tempo da salva\u00e7\u00e3o. Jesus achava que essa nova etapa da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o estava ligada \u00e0 sua pessoa e ao seu minist\u00e9rio: Deus enviava-O a anunciar a presen\u00e7a de Deus na hist\u00f3ria dos homens \u2013 o \u201cReino de Deus\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, Jesus deixou o deserto onde tinha passado algum tempo e deslocou-se para a terra habitada de Israel. A salva\u00e7\u00e3o de Deus ia ao encontro dos homens nos lugares onde eles viviam e trabalhavam. Transformado em profeta itinerante, Jesus pretendia percorrer as aldeias e vilas da Galileia para anunciar a todos a chegada de Deus, desse Deus misericordioso e bom, que vinha oferecer uma vida mais digna e mais humana a todos os seus queridos filhos. Est\u00e1vamos no ano 28 e Jesus teria uns trinta e dois anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus dirigiu-se para a Galileia, a regi\u00e3o que conhecia bem pois a\u00ed tinha passado a maior parte da sua vida. A Galileia tinha a vantagem de ficar longe de Jerusal\u00e9m, havendo por isso menos controle por parte das autoridades religiosas judaicas. Jesus, no entanto, n\u00e3o se instalou na pequena aldeia de Nazar\u00e9, onde vivia a sua fam\u00edlia, mas estabeleceu-se em Cafarnaum, cidade situada na margem do lago de Tiber\u00edades, tamb\u00e9m chamado Mar da Galileia. A cidade tinha entre 1.000 e 1.500 habitantes. Parte dos habitantes de Cafarnaum viviam da agricultura; os outros eram pescadores, comerciantes e artes\u00e3os. Em Cafarnaum funcionava uma alf\u00e2ndega onde os funcion\u00e1rios \u2013 os cobradores de impostos \u2013 controlavam o movimento de uma importante via comercial pela qual chegavam mercadorias de grande valor vindas do oriente. A cidade contava ainda com uma guarni\u00e7\u00e3o romana constitu\u00edda por cerca de cem soldados. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Hoje como ontem, h\u00e1 sempre homens e mulheres que habitam \u201cna sombria regi\u00e3o da morte\u201d. S\u00e3o as v\u00edtimas da prepot\u00eancia, da maldade e da ambi\u00e7\u00e3o dos poderosos; s\u00e3o os condenados \u00e0 fome, \u00e0 viol\u00eancia, \u00e0 mis\u00e9ria, \u00e0 escravatura; s\u00e3o aqueles que deixamos para tr\u00e1s, abandonados nas bermas da estrada da vida; s\u00e3o os despojados dos seus direitos e da sua dignidade pelo ego\u00edsmo dos seus irm\u00e3os; s\u00e3o aqueles que as sociedades e as igrejas ignoram e marginalizam; s\u00e3o aqueles que se sentem malditos e indignos, abandonados por Deus e pelos homens\u2026 A vida deles estar\u00e1 perdida? Deus n\u00e3o tem nada para lhes oferecer? \u00c9 a esses que, em primeiro lugar, \u00e9 dirigida a Boa Not\u00edcia que Jesus apregoou por toda a Galileia e que mandou os seus disc\u00edpulos espalhar por todo o mundo: \u201cDeus n\u00e3o se conforma com o vosso sofrimento e n\u00e3o vos abandona; Ele vem ao vosso encontro para mudar a vossa triste situa\u00e7\u00e3o e para vos oferecer a possibilidade de viverdes uma vida nova, uma vida com sentido; Deus vai atuar para fazer nascer um mundo novo, um mundo que seja constru\u00eddo conforme o seu projeto\u201d. Talvez este an\u00fancio, diante da realidade que vemos todos os dias, nos pare\u00e7a apenas uma bela quimera sem concretiza\u00e7\u00e3o\u2026 Mas Jesus n\u00e3o mente: a verdade \u00e9 que Deus est\u00e1 empenhado em fazer aparecer um mundo mais justo, mais fraterno, mais humano, onde os seus queridos filhos possam viver felizes e em paz. Acreditamos que Deus est\u00e1 a trabalhar para fazer nascer, aqui e agora, o Reino de Deus? O que falta para que o projeto de Deus se concretize e mude a face da terra? Aceitamos ser colaboradores de Deus na constru\u00e7\u00e3o desse mundo novo?<\/li>\n<li>Jesus enla\u00e7ou o an\u00fancio da chegada do Reino com um convite \u00e0 convers\u00e3o. Ele tinha raz\u00e3o. O Reino de Deus s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se fizermos uma \u201cinvers\u00e3o de marcha\u201d na nossa vida, se mudarmos os nossos esquemas e comportamentos, a nossa maneira de pensar, a nossa forma de agir, o nosso olhar sobre o mundo e sobre os nossos irm\u00e3os, os valores que colocamos no centro da nossa exist\u00eancia\u2026 Convertermo-nos implica despirmo-nos do ego\u00edsmo, da ambi\u00e7\u00e3o mesquinha, da vaidade, dos tiques de autoritarismo e de intoler\u00e2ncia; implica vencermos o comodismo, a instala\u00e7\u00e3o, a pregui\u00e7a, a indiferen\u00e7a face \u00e0s necessidades dos irm\u00e3os; implica a supera\u00e7\u00e3o da autossufici\u00eancia, do isolamento, do orgulho que nos impedem de ver os nossos irm\u00e3os sofredores; implica a ren\u00fancia a qualquer tipo de viol\u00eancia, de domina\u00e7\u00e3o do outro, de compromisso com a injusti\u00e7a; implica deixarmos de colocar no centro da nossa vida os bens ef\u00e9meros; implica renunciarmos \u00e0 mentira, \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, \u00e0 desonestidade, \u00e0s trevas\u2026 O que \u00e9 que na nossa vida, nas nossas op\u00e7\u00f5es, nos nossos comportamentos constitui um obst\u00e1culo \u00e0 chegada do Reino de Deus?<\/li>\n<li>Jesus, pouco depois de come\u00e7ar a propor o Reino de Deus, encontrou Sim\u00e3o Pedro, Andr\u00e9, Tiago e Jo\u00e3o nas margens do Mar da Galileia, junto de Cafarnaum, e convidou-os a segui-l\u2019O. Come\u00e7ou assim a constituir-se, de forma muito modesta, a comunidade do Reino de Deus. Neste \u201cseguimento\u201d de Jesus est\u00e1 o n\u00facleo central que define a experi\u00eancia crist\u00e3. Ser crist\u00e3o n\u00e3o \u00e9 confessar um \u201ccredo\u201d, ou aderir a uma proposta moral, ou cumprir determinados ritos, ou recitar determinadas f\u00f3rmulas; mas \u00e9, antes de mais, seguir atr\u00e1s de Jesus, escut\u00e1-l\u2019O a cada instante, inspirar-se n\u2019Ele, viver ao seu estilo; seguir Jesus \u00e9 acreditar no que Ele acreditava, interessar-se pelas coisas que O interessavam, defender as causas que Ele defendia, olhar os homens como Ele olhava, amar as pessoas como Ele amava, confiar em Deus como Ele confiava\u2026 Estamos dispon\u00edveis para acolher o chamamento de Jesus e para segui-l\u2019O sem reservas, com a mesma decis\u00e3o e a mesma convic\u00e7\u00e3o de Pedro, Andr\u00e9, Tiago e Jo\u00e3o? O nosso caminho de f\u00e9 \u00e9 um caminho \u201cde disc\u00edpulos\u201d, um caminho que nos faz avan\u00e7ar tendo sempre Jesus como refer\u00eancia? Como \u00e9 que vivemos, hoje, o seguimento de Jesus?<\/li>\n<li>Quando chamou os seus primeiros disc\u00edpulos e os convidou a segui-l\u2019O, Jesus disse-lhes que contava com eles para serem \u201cpescadores de homens\u201d. O que \u00e9 que Ele queria dizer? H\u00e1 muita gente mergulhada num imenso mar de sofrimento, de ang\u00fastia, de medo, de injusti\u00e7a, de priva\u00e7\u00f5es, de morte. Ontem como hoje, \u00e9 tarefa dos disc\u00edpulos de Jesus libert\u00e1-los desse mar, devolv\u00ea-los \u00e0 vida, cur\u00e1-los das suas feridas, abrir-lhes as portas da esperan\u00e7a. Trata-se de continuar a miss\u00e3o de Jesus, que andava pela Galileia \u201ccurando todas as doen\u00e7as e enfermidades entre o povo\u201d; trata-se de construir o Reino de Deus\u201d, de fazer nascer um mundo mais justo, mais s\u00e3o, mais fraterno, mais solid\u00e1rio, mais belo e mais feliz. N\u00f3s, os que escutamos o chamamento de Jesus e nos dispusemos a segui-l\u2019O, estamos dispon\u00edveis para colaborar com Ele na constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus e para sermos \u201cpescadores de homens\u201d, arautos da salva\u00e7\u00e3o de Deus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Na <strong>primeira leitura<\/strong>, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o a pronuncia\u00e7\u00e3o dos nomes das regi\u00f5es \u00ab<em>Zabul\u00e3o<\/em>\u00bb, \u00ab<em>Neftali<\/em>\u00bb e \u00ab<em>Madi\u00e3<\/em>\u00bb. Al\u00e9m disso, a proclama\u00e7\u00e3o desta leitura deve ser marcada pela alegria e esperan\u00e7a da luz que desponta nas trevas que submergem todos aqueles que est\u00e3o prisioneiros da morte, da injusti\u00e7a, do sofrimento, do desespero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <strong>segunda leitura,<\/strong> deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o as frases longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es que requerem um especial cuidado nas pausas e respira\u00e7\u00f5es para uma leitura mais articulada do texto. Devem ter presente o tom exortativo que marca todo o texto e uma correta pronuncia\u00e7\u00e3o das frases interrogativas, evitando a acentua\u00e7\u00e3o interrogativa das frases apenas no final de cada ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Leitura-I-do-Domingo-III-do-Tempo-Comum-Ano-A-25.01.2026-Isaias-8-23b-93-91-4.pdf\">Leitura I do Domingo III do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 25.01.2026 (Isa\u00edas 8, 23b-9,3 (9,1-4))<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Leitura-II-do-Domingo-III-do-Tempo-Comum-Ano-A-25.01.2026-1-Corintios-1-10-13.17.pdf\">Leitura II do Domingo III do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 25.01.2026 (1 Cor\u00edntios 1, 10-13.17)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Domingo-III-do-Tempo-Comum-Ano-A-25.01.2026-Lecionario.pdf\">Domingo III do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 25.01.2026 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Domingo-III-do-Tempo-Comum-Ano-A-25.01.2026-Oracao-Universal.pdf\">Domingo III do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 25.01.2026 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Domingo-III-do-Tempo-Comum-Ano-A-25.01.2026-refletindo.pdf\">Domingo III do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 25.01.2026 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-III-do-Tempo-Comum-Ano-A-25.01.2026.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo III do Tempo Comum &#8211; Ano A -25.01.2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo II do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 18.01.2026&#8243; tab_id=&#8221;1769425429482-2f0dc88c-7ab2&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4>Domingo II do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 18.01.2026<\/h4>\n<figure id=\"attachment_12653\" aria-describedby=\"caption-attachment-12653\" style=\"width: 618px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12653 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Domingo-II.jpg\" alt=\"\" width=\"618\" height=\"309\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12653\" class=\"wp-caption-text\">\u201cEis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.\u201d<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Liturgia da Palavra deste Domingo conduz-nos ao cerne da nossa vida crist\u00e3: sonhados e amados por Deus desde o seio materno, somos chamados a viver a experi\u00eancia \u00fanica e pessoal do encontro com Jesus Cristo que nos desafia a encontrar na Sua vontade um caminho de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade que nos constitui como ap\u00f3stolos da alegria do Evangelho, para que a Igreja seja um rasto de luz para todos os povos e na\u00e7\u00f5es. Deste modo, os diversos textos proclamados neste Domingo apresentam-nos a din\u00e2mica da nossa vida crist\u00e3, num horizonte responsorial, isto \u00e9, chamados e convocados pela miseric\u00f3rdia de Deus que nos precede sempre, somos convidados a responder generosamente ao seu projeto de amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A disponibilidade para o acontecer de Deus nas nossas vidas nasce da certeza de que o Seu amor nos precede, acompanha e aponta um horizonte de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade absolutamente novo. Por isso, podemos cantar com as palavras do salmista: \u00abe<em>u venho, Senhor, para fazer a vossa vontade<\/em>\u00bb. A vontade de Deus a nosso respeito \u00e9 algo de bom e de belo como nos testemunha S. Paulo quando afirma que Deus \u00ab<em>quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade<\/em>\u00bb (1 Tm 2,4). Quantas vezes na procura de uma raz\u00e3o diante de uma desgra\u00e7a, j\u00e1 ouvimos dizer: \u00ab<em>foi a vontade de Deus<\/em>\u00bb. Na verdade, a vontade de Deus n\u00e3o pode ser a justifica\u00e7\u00e3o para aquilo que n\u00e3o conseguimos responder. A vontade de Deus \u00e9 um des\u00edgnio amoroso de salva\u00e7\u00e3o e, por isso, responder com generosidade e disponibilidade \u00e0 Sua vontade \u00e9 caminhar pela estrada da felicidade verdadeira que tem como nome a santidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O caminho de descoberta da vontade de Deus a nosso respeito brota da experi\u00eancia que Jo\u00e3o Baptista nos testemunha no Evangelho: \u00ab<em>eu vi e dou testemunho de que Ele \u00e9 o Filho de Deus<\/em>\u00bb. Jo\u00e3o Baptista testemunha aquilo que viu e experimentou e n\u00e3o apenas uma no\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e abstrata. Seguir Jesus Cristo implica necessariamente fazer esta experi\u00eancia do Seu amor, tal como afirma o Papa Bento XVI na Carta Enc\u00edclica\u00a0<em>Deus caristas est<\/em>: \u00ab<em>ao in\u00edcio do ser crist\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 uma decis\u00e3o \u00e9tica ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que d\u00e1 \u00e0 vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo<\/em>\u00bb (DCE 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Este encontro decisivo transforma a vida e o cora\u00e7\u00e3o de tal modo que toda a nossa vida se molda a partir desta experi\u00eancia. \u00c9 assim que aparece Jo\u00e3o Baptista como figura de charneira, apontando o \u00ab<em>Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo<\/em>\u00bb, testemunhando a presen\u00e7a Daquele que os profetas anunciaram e que a humanidade esperava. Jo\u00e3o Baptista est\u00e1 do outro lado do Jord\u00e3o, no lugar onde o Povo de Israel se deteve para preparar a entrada na Terra Prometida. Ele \u00e9 refer\u00eancia fundamental do nosso ser crist\u00e3o porque nos ensina a arte de apontar para Jesus, de se saber retirar para que Ele tenha lugar, de proporcionar aos outros a experi\u00eancia do encontro com Aquele que d\u00e1 sentido \u00e0 nossa vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com toda a certeza, lendo a nossa hist\u00f3ria, encontramos pessoas que foram para n\u00f3s lugares de encontro com Jesus, pessoas capazes de sair de si mesmas para apontar esse horizonte de realiza\u00e7\u00e3o e felicidade que s\u00f3 em Cristo se pode encontrar. Louvando o Senhor pela vida de tantos e tantas que nos mostraram o rosto de Jesus, comprometemo-nos em ser tamb\u00e9m n\u00f3s testemunhas de Jesus com a humildade e a ousadia de Jo\u00e3o Baptista, anunciando ao mundo que n\u00e3o h\u00e1 aventura mais bela do que fazer das nossas vidas lugares de beleza que testemunham a presen\u00e7a Daquele que d\u00e1 sentido \u00e0s nossas vidas. <strong><em>in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jo\u00e3o Baptista testemunha diante dos seus contempor\u00e2neos a presen\u00e7a do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo e aponta, assim, o caminho da verdadeira felicidade. Na nossa vida, foram ou s\u00e3o muitos os que, na nossa vida, como Jo\u00e3o Baptista nos apontaram o caminho de Jesus. Por isso, este Domingo pode ser uma boa oportunidade para agradecer a tantos e tantas por esse importante papel na nossa vida. No contexto da liturgia dominical pode colocar-se esta inten\u00e7\u00e3o de louvor e agradecimento pela vida daqueles e daquelas que s\u00e3o para n\u00f3s presen\u00e7a que aponta para Jesus e pode lan\u00e7ar-se o desafio de ao longo desta semana terem um gesto de gratid\u00e3o para com essas pessoas.<strong><em> in Voz Portucalense<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>Estamos no Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanhamos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 49,3.5-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Disse-me o Senhor:<br \/>\n\u00abTu \u00e9s o meu servo, Israel,<br \/>\npor quem manifestarei a minha gl\u00f3ria\u00bb.<br \/>\nE agora o Senhor falou-me,<br \/>\nEle que me formou desde o seio materno,<br \/>\npara fazer de mim o seu servo,<br \/>\na fim de lhe reconduzir Jacob e reunir Israel junto d\u2019Ele.<br \/>\nEu tenho merecimento aos olhos do Senhor<br \/>\ne Deus \u00e9 a minha for\u00e7a.<br \/>\nEle disse-me ent\u00e3o:<br \/>\n\u00abN\u00e3o basta que sejas meu servo,<br \/>\npara restaurares as tribos de Jacob<br \/>\ne reconduzires os sobreviventes de Israel.<br \/>\nVou fazer de ti a luz das na\u00e7\u00f5es,<br \/>\npara que a minha salva\u00e7\u00e3o chegue at\u00e9 aos confins da terra\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A primeira leitura do segundo domingo do tempo Comum vem do \u201cLivro da Consola\u00e7\u00e3o\u201d do Deutero-Isa\u00edas (cf. Is 40-55). Este profeta an\u00f3nimo cumpriu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica na Babil\u00f3nia, na fase final do Ex\u00edlio (entre 550 e 539 a.C.). Tinham passado algumas dezenas de anos desde que Nabucodonosor havia destru\u00eddo Jerusal\u00e9m e arrastado para o cativeiro a maior parte dos habitantes de Jud\u00e1. Os judeus cativos desesperam porque o tempo vai passando e a liberta\u00e7\u00e3o (anunciada por Ezequiel, um outro profeta do tempo do Ex\u00edlio) nunca mais acontece. Ser\u00e1 que Deus se esqueceu das suas promessas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Deutero-Isa\u00edas sente que Deus o envia a dizer aos seus concidad\u00e3os, exilados e desanimados, palavras de esperan\u00e7a. Cumprindo o mandato de Deus, o profeta fala da imin\u00eancia da liberta\u00e7\u00e3o, comparando-a ao antigo \u00eaxodo, quando Deus salvou o seu Povo da escravid\u00e3o do Egipto (cf. Is 40-48); e anuncia, tamb\u00e9m, a reconstru\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, a cidade que a guerra reduziu a cinzas, mas \u00e0 qual Deus vai fazer regressar a alegria e a paz (cf. Is 49-55).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Lado a lado com a proposta \u201cconsoladora\u201d do Deutero-Isa\u00edas aparecem, contudo, quatro textos (cf. Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12) que fogem um tanto a esta tem\u00e1tica. S\u00e3o c\u00e2nticos que se referem a um personagem misterioso e enigm\u00e1tico, designado pelos biblistas como o \u201cservo de Jav\u00e9\u201d. Esse personagem ser\u00e1 Jeremias, o profeta que tanto sofreu por causa da miss\u00e3o? Ser\u00e1 o pr\u00f3prio Deutero-Isa\u00edas, chamado a dar testemunho de Deus no cen\u00e1rio dif\u00edcil do Ex\u00edlio? Ser\u00e1 Ciro, rei dos persas, que alguns anos depois libertar\u00e1 os judeus exilados e autorizar\u00e1 o seu regresso a Jerusal\u00e9m? Ser\u00e1 o povo de Israel, no seu conjunto, chamado a dar testemunho de Deus na Babil\u00f3nia? N\u00e3o sabemos ao certo. Mas esse \u201cservo de Jav\u00e9\u201d \u00e9 apresentado como um predileto de Jav\u00e9, chamado para o servi\u00e7o de Deus, enviado por Deus com uma miss\u00e3o universal. A miss\u00e3o desse \u201cservo\u201d cumpre-se no sofrimento e numa entrega incondicional \u00e0 Palavra. O sofrimento do profeta tem, contudo, um valor expiat\u00f3rio e redentor, pois dele resulta o perd\u00e3o para o pecado do Povo. Deus aprecia o sacrif\u00edcio deste \u201cservo\u201d e recompens\u00e1-lo-\u00e1, fazendo-o triunfar diante dos seus detratores e advers\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira leitura de hoje prop\u00f5e-nos parte do segundo c\u00e2ntico do \u201cservo de Jav\u00e9\u201d (cf. Is 49,1-13). Neste c\u00e2ntico, esse \u201cservo\u201d \u00e9 explicitamente identificado com Israel (embora alguns comentadores pensem que a determina\u00e7\u00e3o \u201cIsrael\u201d n\u00e3o \u00e9 original no texto e que foi aqui acrescentada como uma interpreta\u00e7\u00e3o): poderia ser a figura do povo de Deus, chamado a dar testemunho de Jav\u00e9 no meio dos outros povos. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A escolha do \u201cservo\u201d e a sua designa\u00e7\u00e3o por Deus, \u201cdesde o seio materno\u201d, para assumir uma miss\u00e3o, convida-nos hoje a olhar para esse mist\u00e9rio sempre pessoal, mas sempre insond\u00e1vel que \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o. Deus chama homens e mulheres para, atrav\u00e9s deles, intervir no mundo e concretizar o seu plano de salva\u00e7\u00e3o. Provavelmente nunca chegaremos a compreender cabalmente as raz\u00f5es e os crit\u00e9rios de Deus nas escolhas que faz. De resto, n\u00e3o nos compete questionar as escolhas de Deus, mas sim tentar descobrir o lugar que Deus nos reserva no seu projeto e acolher com obedi\u00eancia e disponibilidade o seu chamamento. Deus conta com cada um de n\u00f3s. Tamb\u00e9m a n\u00f3s Ele diz: \u201ctu \u00e9s o meu servo, por quem manifestarei a minha gl\u00f3ria\u201d. Como nos situamos diante do mist\u00e9rio da voca\u00e7\u00e3o? Temos procurado, atrav\u00e9s da escuta de Deus e do di\u00e1logo com Ele, descobrir o lugar e o papel que Ele nos tem destinado? Estamos dispon\u00edveis para colocar a nossa vida ao servi\u00e7o do projeto de Deus, num \u201csim\u201d total e comprometido?<\/li>\n<li>O \u201crelato da voca\u00e7\u00e3o\u201d do \u201cservo de Jav\u00e9\u201d que a liturgia deste domingo nos oferece lembra-nos que na origem da voca\u00e7\u00e3o est\u00e1 sempre Deus: \u00e9 Ele que elege, que chama e que confia a cada pessoa uma miss\u00e3o. Sendo assim, a voca\u00e7\u00e3o \u00e9 algo que s\u00f3 se entende \u00e0 luz de Deus e a partir de Deus. O \u201cchamado\u201d n\u00e3o age em nome pr\u00f3prio, mas age em nome de Deus e por mandato de Deus; o \u201cchamado\u201d n\u00e3o proclama as suas ideias ou teorias, mas sim a Palavra que ouviu de Deus; o \u201cchamado\u201d n\u00e3o faz aquilo que lhe apetece fazer, mas sim aquilo que Deus o encarregou de fazer; o \u201cchamado\u201d n\u00e3o d\u00e1 testemunho de si pr\u00f3prio, mas procura ser um sinal vivo de Deus no meio dos seus irm\u00e3os. Esse \u201ctestemunho\u201d de Deus s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se o \u201cchamado\u201d cultivar uma grande proximidade com Deus, viver na escuta de Deus, aprofundar cada vez mais a sua comunh\u00e3o com Deus. A nossa a\u00e7\u00e3o, o nosso testemunho e a nossa interven\u00e7\u00e3o no mundo s\u00e3o alimentados por Deus? Procuramos, no di\u00e1logo com Deus e na escuta de Deus, descobrir o sentido da nossa miss\u00e3o?<\/li>\n<li>Poderemos n\u00f3s, seres fr\u00e1geis e indignos, ser sinais de Deus no mundo? Poderemos, com todas as nossas limita\u00e7\u00f5es, concretizar a \u201cobra\u201d de Deus no meio dos nossos irm\u00e3os e anunciar, com palavras e com gestos, um mundo mais belo, mais justo e mais humano? Sim podemos, com a for\u00e7a de Deus. Conv\u00e9m, no entanto, que n\u00e3o nos iludamos: aquilo que fazemos de extraordin\u00e1rio n\u00e3o resulta das nossas for\u00e7as ou das nossas qualidades, mas sim de Deus. Quando nos louvarem ou nos aplaudirem por causa das obras que fazemos, que o nosso cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o se encha de orgulho, de vaidade, de autossufici\u00eancia, de autoconvencimento: por detr\u00e1s de todos os nossos \u00eaxitos est\u00e1 Deus, esse Deus que \u00e9 capaz de renovar e transformar o mundo a partir da nossa fragilidade. Estamos bem conscientes dos nossos limites e, em simult\u00e2neo, da for\u00e7a de Deus que atua em n\u00f3s e atrav\u00e9s de n\u00f3s? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 39(40)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esperei no senhor com toda a confian\u00e7a<br \/>\ne Ele atendeu-me.<br \/>\nP\u00f4s em meus l\u00e1bios um c\u00e2ntico novo,<br \/>\num hino de louvor ao nosso Deus.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o Vos agradaram sacrif\u00edcios nem obla\u00e7\u00f5es,<br \/>\nmas abristes-me os ouvidos;<br \/>\nn\u00e3o pedistes holocaustos nem expia\u00e7\u00f5es,<br \/>\nent\u00e3o clamei: \u00abAqui estou\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abDe mim est\u00e1 escrito no livro da Lei<br \/>\nque fa\u00e7a a vossa vontade.<br \/>\nAssim o quero, \u00f3 meu Deus,<br \/>\na vossa lei est\u00e1 no meu cora\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Proclamei a justi\u00e7a na grande assembleia,<br \/>\nn\u00e3o fechei os meus l\u00e1bios, Senhor, bem o sabeis.<br \/>\nN\u00e3o escondi a vossa justi\u00e7a no fundo do cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\nproclamei a vossa fidelidade e salva\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Cor\u00edntios 1,1-3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nPaulo, por vontade de Deus<br \/>\nescolhido para Ap\u00f3stolo de Cristo Jesus<br \/>\ne o irm\u00e3o S\u00f3stenes,<br \/>\n\u00e0 Igreja de Deus que est\u00e1 em Corinto,<br \/>\naos que foram santificados em Cristo Jesus,<br \/>\nchamados \u00e0 santidade,<br \/>\ncom todos os que invocam, em qualquer lugar,<br \/>\no nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:<br \/>\nA gra\u00e7a e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo<br \/>\nestejam convosco.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria, Paulo chegou a Corinto, depois de atravessar boa parte da Gr\u00e9cia, e ficou por l\u00e1 cerca 18 meses (anos 50-52). De acordo com At 18,2-4, Paulo come\u00e7ou a trabalhar em casa de Priscila e \u00c1quila, um casal de judeo-crist\u00e3os. No s\u00e1bado, usava da palavra na sinagoga. Com a chegada a Corinto de Silvano e Tim\u00f3teo (cf. 2Co 1,19; At 18,5), Paulo consagrou-se inteiramente ao an\u00fancio do Evangelho. N\u00e3o tardou, no entanto, a entrar em conflito com os l\u00edderes da comunidade judaica de Corinto e foi expulso da sinagoga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Corinto era uma cidade nova e muito pr\u00f3spera, capital da Prov\u00edncia romana da Acaia. Distinguia-se como centro comercial importante. Servida por dois portos de mar, possu\u00eda as caracter\u00edsticas t\u00edpicas das cidades mar\u00edtimas: era a cidade do desregramento para todos os marinheiros que cruzavam o Mediterr\u00e2neo, \u00e1vidos de prazer, ap\u00f3s meses de navega\u00e7\u00e3o. Na cidade pontificava Afrodite, deusa do amor, em cujo tempo se praticava a prostitui\u00e7\u00e3o sagrada. Na \u00e9poca de Paulo, a cidade comportava cerca de 500.000 pessoas, das quais dois ter\u00e7os eram escravos. A riqueza escandalosa de alguns contrastava com a mis\u00e9ria da maioria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como resultado da prega\u00e7\u00e3o de Paulo, nasceu a comunidade crist\u00e3 de Corinto. A maior parte dos membros da comunidade eram de origem grega, embora em geral, de condi\u00e7\u00e3o humilde (cf. 1Co 11,26-29; 8,7; 10,14.20; 12,2); mas tamb\u00e9m havia elementos de origem hebraica (cf. At 18,8; 1Co 1,22-24; 10,32; 12,13). De uma forma geral, a comunidade era viva e fervorosa; no entanto, estava exposta aos perigos de um ambiente corrupto: moral dissoluta (cf. 1Co 6,12-20; 5,1-2), querelas, disputas, lutas (cf. 1Co 1,11-12), sedu\u00e7\u00e3o da sabedoria filos\u00f3fica de origem pag\u00e3 que se introduzia na Igreja revestida de um superficial verniz crist\u00e3o (cf. 1Co 1,19-2,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Paulo escreveu a sua primeira Carta aos Cor\u00edntios quando estava em \u00c9feso, no decurso da sua terceira viagem mission\u00e1ria. O ap\u00f3stolo teve conhecimento de not\u00edcias alarmantes, chegadas de Corinto, que davam conta de problemas graves na comunidade: divis\u00f5es, conflitos e diversos esc\u00e2ndalos. Paulo, compenetrado do seu papel enquanto fundador da comunidade, escreveu aos cor\u00edntios exortando-os a corrigir todas essas situa\u00e7\u00f5es. No entanto, para al\u00e9m das quest\u00f5es particulares, transparece na Carta uma quest\u00e3o mais ampla: a dificuldade de inser\u00e7\u00e3o do cristianismo numa realidade cultural muito diferente da realidade palestina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O trabalho mission\u00e1rio de Paulo de Tarso, em meados do s\u00e9c. I, levou o cristianismo ao encontro do mundo grego. Paulo, depois de um certo discernimento, tinha conclu\u00eddo que a proposta de Jesus era para todos os povos da terra e n\u00e3o exclusivamente para os judeus. No entanto, o contexto judaico \u2013 de onde o cristianismo era origin\u00e1rio \u2013 e o contexto grego eram realidades culturais e religiosas bastante diferentes. Como \u00e9 que a proposta crist\u00e3 se aguentaria quando mergulhasse num mundo que funcionava com dinamismos que lhe eram estranhos? Iria a brilhante cultura grega absorver ou desvirtuar os valores crist\u00e3os? Como \u00e9 que os crist\u00e3os de origem grega integrariam a sua f\u00e9 na realidade cultural em que estavam inseridos? Esta problem\u00e1tica \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, o cen\u00e1rio de fundo da reflex\u00e3o de Paulo nesta carta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que a liturgia deste domingo nos prop\u00f5e como segunda leitura faz parte da introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 carta (1Co 1,1-9). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Paulo de Tarso, o rabi judeu que encontrou Jesus na estrada de Damasco, entendeu toda a sua vida \u00e0 luz do chamamento que Deus lhe dirigiu. Por mandato de Deus, tornou-se \u201cap\u00f3stolo\u201d, enviado a dar testemunho de Jesus e a ser arauto da Boa Not\u00edcia que Jesus veio oferecer ao mundo e aos homens. Paulo assumiu essa miss\u00e3o com total compromisso e com uma dedica\u00e7\u00e3o sem limites. Foi martirizado em Roma, durante a persegui\u00e7\u00e3o de Nero, por causa do seu testemunho e da sua fidelidade \u00e0 miss\u00e3o que lhe foi confiada. Evidentemente, a nossa hist\u00f3ria de vida n\u00e3o \u00e9 igual \u00e0 do ap\u00f3stolo Paulo. Talvez Deus n\u00e3o exija que vivamos ao mesmo ritmo e que percorramos o mesmo caminho de Paulo de Tarso. Mas todos n\u00f3s, talvez de formas diversas, somos chamados a dar testemunho de Jesus e do seu Evangelho neste mundo e neste tempo que nos tocou viver. Assumimos essa miss\u00e3o com dedica\u00e7\u00e3o, com entrega, com compromisso, independentemente dos obst\u00e1culos, das resist\u00eancias e das incompreens\u00f5es que encontramos?<\/li>\n<li>Paulo lembra aos crist\u00e3os de Corinto \u2013 e a n\u00f3s tamb\u00e9m \u2013 que todos os batizados s\u00e3o chamados \u00e0 santidade. Para muitos crist\u00e3os, contudo, a palavra \u201csantidade\u201d assusta: parece demasiado exigente e, portanto, irrealiz\u00e1vel. Na verdade, a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade n\u00e3o implica obrigatoriamente seguir caminhos extremos de ascese, de priva\u00e7\u00e3o, de sacrif\u00edcio, de ren\u00fancia, de abandono do mundo; mas significa, sobretudo, viver de forma coerente com a vida nova que assumimos no dia em que fomos batizados, o dia em que nos comprometemos no seguimento de Jesus; significa deixarmos para tr\u00e1s as obras das trevas e passarmos a viver na luz, como pessoas novas, animadas pelo Esp\u00edrito. Temos procurado concretizar a nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade? A nossa vida d\u00e1 testemunho dos valores de Deus?<\/li>\n<li>Paulo tamb\u00e9m lembra aos crist\u00e3os da cidade de Corinto que n\u00e3o est\u00e3o sozinhos na viv\u00eancia e no testemunho da voca\u00e7\u00e3o a que foram chamados. Eles fazem parte de uma grande fam\u00edlia, espalhada pela terra inteira, e que \u00e9 constitu\u00edda por \u201ctodos os que invocam, em qualquer lugar, o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo\u201d. Nessa fam\u00edlia n\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00f5es baseadas na cor da pele, no lugar de nascimento, nas categorias sociais, nas diferen\u00e7as culturais, nos t\u00edtulos honor\u00edficos, nos bens materiais que cada um possui\u2026 Trata-se de uma fam\u00edlia de irm\u00e3os e de irm\u00e3s, reunida \u00e0 volta de Jesus, animada e conduzida pelo Esp\u00edrito Santo. Todos os membros dessa fam\u00edlia, de formas diversas, participam da mesma miss\u00e3o: dar testemunho, no meio do mundo, da proposta salvadora de Deus. \u00c9 desta forma que vemos a Igreja nascida de Jesus? Sentimo-nos plenamente membros dela? Fazemos tudo o que est\u00e1 ao nosso alcance para que esta fam\u00edlia viva unida e testemunhe o amor de Deus no meio dos homens? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Jo\u00e3o 1,29-34<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJo\u00e3o Baptista viu Jesus, que vinha ao seu encontro,<br \/>\ne exclamou:<br \/>\n\u00abEis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.<br \/>\nEra d\u2019Ele que eu dizia:<br \/>\n\u201cDepois de mim vir\u00e1 um homem,<br \/>\nque passou \u00e0 minha frente, porque existia antes de mim\u201d.<br \/>\nEu n\u00e3o O conhecia,<br \/>\nmas para Ele Se manifestar a Israel<br \/>\n\u00e9 que eu vim batizar em \u00e1gua\u00bb.<br \/>\nJo\u00e3o deu mais este testemunho:<br \/>\n\u00abEu vi o Esp\u00edrito Santo<br \/>\ndescer do C\u00e9u como uma pomba e repousar sobre Ele.<br \/>\nEu n\u00e3o O conhecia,<br \/>\nmas quem me enviou a batizar em \u00e1gua \u00e9 que me disse:<br \/>\n\u201cAquele sobre quem vires o Esp\u00edrito Santo descer e repousar<br \/>\n\u00e9 que batiza no Esp\u00edrito Santo\u201d.<br \/>\nOra eu vi e dou testemunho de que Ele \u00e9 o Filho de Deus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Este trecho integra a sec\u00e7\u00e3o introdut\u00f3ria do Quarto Evangelho (cf. Jo 1,19-3,36). Nessa sec\u00e7\u00e3o, a principal preocupa\u00e7\u00e3o do autor \u00e9 apresentar a figura de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jo\u00e3o, o autor do Quarto Evangelho, disp\u00f5e os materiais que tem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o como se estiv\u00e9ssemos num teatro. Diante dos nossos olhos, diversas personagens v\u00e3o entrando no palco e apresentam-nos Jesus. As \u201cfalas\u201d que lhes s\u00e3o atribu\u00eddas s\u00e3o afirma\u00e7\u00f5es categ\u00f3ricas, carregadas de significado teol\u00f3gico, que nos convidam a mergulhar no mist\u00e9rio de Jesus. O quadro final que resulta destas diversas interven\u00e7\u00f5es apresenta Jesus como o Messias, Filho de Deus, que possui o Esp\u00edrito e que veio ao encontro dos homens para fazer aparecer o Homem Novo, nascido da \u00e1gua e do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jo\u00e3o Baptista tem um lugar especial neste cen\u00e1rio de apresenta\u00e7\u00e3o de Jesus. O seu testemunho aparece no in\u00edcio e no fim da sec\u00e7\u00e3o (cf. Jo 1,19-37; 3,22-36), como se o seu testemunho fosse decisivo. De facto, a catequese crist\u00e3 sempre viu Jo\u00e3o Batista como \u201co precursor do Messias\u201d, aquele que Deus enviou para preparar os homens para acolherem Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Neste quadro que o Evangelho deste domingo nos apresenta, o narrador n\u00e3o define o audit\u00f3rio ao qual Jo\u00e3o se dirige. Com isso, ele pretende possivelmente sugerir que o testemunho de Jo\u00e3o \u00e9 perene, dirigido aos homens e mulheres de todos os tempos e com eco permanente na comunidade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A cena narrada pelo autor do Quarto Evangelho passa-se em Bet\u00e2nia, na margem oriental do rio Jord\u00e3o (cf. Jo 1,28), uma povoa\u00e7\u00e3o situada perto de Jeric\u00f3 e at\u00e9 agora n\u00e3o identificada (Or\u00edgenes fala de \u201cBethabara\u201d, ou \u201cCasa da Passagem\u201d). Alguns s\u00e9culos antes, tinha sido da margem oriental do rio Jord\u00e3o que os hebreus, libertados do Egito e conduzidos por Josu\u00e9, \u201cpassaram\u201d para a Terra Prometida. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A liturgia deste domingo lembra-nos que Deus chama todos os seus filhos a desempenhar um determinado papel no projeto que Ele tem para o mundo e para os homens. Nesse sentido, apresentou-nos a voca\u00e7\u00e3o do Servo de Jav\u00e9, a voca\u00e7\u00e3o do ap\u00f3stolo Paulo e a voca\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os de Corinto (que \u00e9, afinal, a voca\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os de todos os tempos e lugares). O quadro n\u00e3o estaria completo sem uma refer\u00eancia a Jesus e \u00e0 miss\u00e3o que o Pai Lhe confiou no seu projeto de salva\u00e7\u00e3o. \u00c9 esse o tema do Evangelho deste dia. No entanto, antes de nos questionarmos sobre a miss\u00e3o que o Pai confiou a Jesus, detenhamo-nos um pouco a olhar para esse facto espantoso e verdadeiramente improv\u00e1vel que \u00e9 Deus escolher-nos, chamar-nos, enviar-nos, envolver-nos nos planos que Ele desenhou para levar todos os homens ao encontro da vida plena. \u00c9 verdade: apesar da nossa pequenez, dos nossos limites, da nossa indignidade, Deus conta connosco \u2013 com cada um de n\u00f3s \u2013 para concretizar o seu projeto de salva\u00e7\u00e3o. Como nos sentimos diante do chamamento de Deus? Como Jesus, estamos dispostos a cumprir o papel que Deus quer confiar-nos no contexto do seu plano salvador?<\/li>\n<li>Jo\u00e3o Batista, o \u201capresentador oficial\u201d de Jesus, diz-nos que Jesus \u00e9 \u201co Cordeiro de Deus\u201d que veio tirar o pecado do mundo\u201d. O que \u00e9 que isso significa? Que Deus, irritado com as ofensas que Lhe fazemos, decidiu enviar algu\u00e9m da sua confian\u00e7a para nos controlar e para nos impor a sua vontade? N\u00e3o. Deus n\u00e3o \u00e9 um ditador cujo programa \u00e9 restringir a liberdade dos seus s\u00fabditos; mas \u00e9 um Pai cheio de amor, um Pai que detesta ver os seus filhos a escolher caminhos que os afastam da felicidade e da vida verdadeira. O pecado n\u00e3o \u00e9 uma ofensa contra Deus; \u00e9 uma decis\u00e3o est\u00fapida nossa, uma decis\u00e3o que nos leva por caminhos sem sa\u00edda. O envio de Jesus ao encontro dos homens para \u201ctirar o pecado do mundo\u201d, \u00e9 a decis\u00e3o amorosa de um Pai que quer estar sempre ao nosso lado e ajudar-nos a vencer tudo aquilo que nos destr\u00f3i e nos rouba a vida. Jesus enfrentou precisamente o \u201cpecado do mundo\u201d \u2013 o ego\u00edsmo, a injusti\u00e7a, a viol\u00eancia, a maldade \u2013 para nos mostrar como devemos viver para ter vida verdadeira. Jesus morreu porque decidiu enfrentar \u201co pecado\u201d; mas Deus ressuscitou-O e deu-Lhe raz\u00e3o. A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus significa a sua vit\u00f3ria sobre o pecado. N\u00f3s, esses filhos e filhas que Deus quer salvar, escutamos e acolhemos as indica\u00e7\u00f5es de Jesus? J\u00e1 percebemos que o pecado \u00e9 \u201cum mau neg\u00f3cio\u201d, uma op\u00e7\u00e3o que n\u00e3o ajuda a construir uma vida com pleno sentido?<\/li>\n<li>Apesar da vit\u00f3ria de Jesus, o pecado n\u00e3o desapareceu da hist\u00f3ria e da vida dos homens. O \u201cpecado\u201d continua hoje a enegrecer o nosso horizonte di\u00e1rio, apresentando-se em forma de guerras, de terrorismo, de corrup\u00e7\u00e3o, de injusti\u00e7a, de indiferen\u00e7a, de explora\u00e7\u00e3o dos mais fracos, de tr\u00e1fico de pessoas, de a\u00e7ambarcamento por alguns dos recursos que pertencem a todos, de destrui\u00e7\u00e3o da natureza e da cria\u00e7\u00e3o\u2026 Jesus falhou? N\u00e3o. Jesus disse-nos, em nome de Deus, que o pecado frustra a nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e0 vida plena; lutou contra o pecado e mostrou-nos como derrot\u00e1-lo. A quest\u00e3o \u00e9 que n\u00f3s continuamos a fazer escolhas duvidosas e a preferir seguir caminhos de autossufici\u00eancia, passando ao lado de tudo o que Jesus nos veio dizer. No entanto, a nossa miss\u00e3o \u00e9 continuar a obra de Jesus e lutar objetivamente contra \u201co pecado\u201d instalado no cora\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s e instalado em cada degrau da nossa vida coletiva. A miss\u00e3o dos seguidores de Jesus consiste em anunciar a vida plena e em lutar contra tudo aquilo que impede a sua concretiza\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria. \u00c9 isso que fazemos? Enquanto disc\u00edpulos de Jesus, lutamos objetivamente contra os mecanismos de pecado que, por todo o lado, trazem sofrimento e morte \u00e0 vida dos homens?<\/li>\n<li>Jo\u00e3o Batista diz-nos tamb\u00e9m que Jesus \u00e9 o \u201cFilho de Deus\u201d que veio ao encontro dos homens e que d\u00e1 testemunho no mundo dessa vida de Deus que O habita em plenitude. A vida de Deus brilha no mundo e ilumina a hist\u00f3ria dos homens atrav\u00e9s das palavras, dos gestos, do amor que Jesus partilhou com todos os que com Ele se cruzaram nos caminhos da Galileia e da Judeia, especialmente os pobres, os marginalizados, os pequeninos, os sofredores, os injusti\u00e7ados. Em Jesus, Deus encontrou-se com os homens e manifestou-lhes a sua bondade e a sua miseric\u00f3rdia. Jesus, quando terminou o seu caminho neste mundo, encarregou os seus disc\u00edpulos de continuarem a sua obra. Hoje s\u00e3o os disc\u00edpulos de Jesus que, apesar das suas limita\u00e7\u00f5es e fragilidades, t\u00eam como miss\u00e3o testemunhar no mundo o rosto de Deus, o cora\u00e7\u00e3o de Deus, a miseric\u00f3rdia de Deus, a vida de Deus. Fazemo-lo? Somos sinais de Deus e testemunhas da vida de Deus no meio dos nossos irm\u00e3os? Quem olha para n\u00f3s, para o que dizemos e fazemos, encontra a realidade de Deus?<\/li>\n<li>Segundo Jo\u00e3o Batista, Jesus veio \u201cbatizar no Esp\u00edrito\u201d. A todos aqueles que se dispuserem a acolher a sua proposta, Jesus comunica a vida de Deus, a for\u00e7a de Deus, o amor de Deus (o Esp\u00edrito Santo). Os primeiros disc\u00edpulos de Jesus fizeram essa experi\u00eancia no dia de Pentecostes (cf. At 2). Aquele que recebe esse \u201cbatismo no Esp\u00edrito\u201d, passa a viver segundo um dinamismo novo: os seus gestos, as suas palavras e o seu estilo de vida refletem a vida de Deus. O que \u00e9 batizado no Esp\u00edrito, renuncia \u00e0 escravid\u00e3o do pecado e passa a fazer as obras de Deus. Ser batizado no Esp\u00edrito corresponde a um novo nascimento. Para n\u00f3s, este caminho come\u00e7ou no dia em que fomos batizados, o dia em que nos comprometemos a caminhar com Jesus e recebemos d\u2019Ele a vida de Deus. Temos vivido de forma coerente com essa op\u00e7\u00e3o? Renovamos em cada dia a nossa decis\u00e3o por Jesus ou, entretanto, optamos por outros caminhos, outras propostas, outras formas de vida? A nossa vida, as nossas escolhas, os nossos valores, os nossos gestos refletem a op\u00e7\u00e3o que fizemos no dia em que fomos \u201cbatizados no Esp\u00edrito\u201d? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para os leitores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A proclama\u00e7\u00e3o da <strong>primeira leitura<\/strong> deve ter em aten\u00e7\u00e3o o discurso direto presente no texto. A frase final \u2013 \u00ab<em>Vou fazer de ti a luz das na\u00e7\u00f5es, para que a minha salva\u00e7\u00e3o chegue at\u00e9 aos confins da terra<\/em>\u00bb \u2013 deve ser sublinhada como conclus\u00e3o de todo o texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 constitu\u00edda por um \u00fanico par\u00e1grafo com longas frases e ora\u00e7\u00f5es. Deste modo, \u00e9 necess\u00e1ria uma acurada prepara\u00e7\u00e3o nas pausas e respira\u00e7\u00f5es para uma correta articula\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Leitura-I-do-Domingo-II-do-Tempo-Comum-Ano-A-18.01.2026-Isaias-49-3.5-6.pdf\">Leitura I do Domingo II do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 18.01.2026 (Isa\u00edas 49, 3.5-6)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Leitura-II-do-Domingo-II-do-Tempo-Comum-Ano-A-18.01.2026-1Corintios-1-1-3.pdf\">Leitura II do Domingo II do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 18.01.2026 (1Cor\u00edntios 1, 1-3)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Domingo-II-do-Tempo-Comum-Ano-A-18.01.2026-Lecionario.pdf\">Domingo II do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 18.01.2026 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Domingo-II-do-Tempo-Comum-Ano-A-18.01.2026-Oracao-Universal.pdf\">Domingo II do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 18.01.2026 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Domingo-II-do-Tempo-Comum-Ano-A-18.01.2026-refletindo.pdf\">Domingo II do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 18.01.2026 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo I do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 11.01.2026&#8243; tab_id=&#8221;1768815030240-6aed5f83-1ee3&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4>Domingo I do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 11.01.2026<\/h4>\n<h4 style=\"margin: 0cm; text-align: left;\" align=\"center\">Domingo do Batismo do Senhor<\/h4>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-12653 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Domingo-I.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"658\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A liturgia deste dia &#8211; 11.01.2026 &#8211; celebra o Batismo de Jesus. Evoca o momento em que Jesus, ungido pelo Esp\u00edrito Santo e apresentado aos homens como \u201cFilho Amado\u201d de Deus, abra\u00e7ou a miss\u00e3o que o Pai lhe entregou: recriar o mundo, fazer nascer um Homem Novo. E prop\u00f5e-nos, a todos n\u00f3s que fomos batizados em Cristo, que tiremos desse facto as consequ\u00eancias que se imp\u00f5em. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Igreja do Oriente j\u00e1 celebrava a Epifania e o Batismo de Jesus, no ano 300, em 6 de janeiro, enquanto a Igreja do Ocidente comemorava esta festa apenas na Liturgia das Horas. Em 1969, com a Reforma lit\u00fargica, esta festa foi marcada no Domingo ap\u00f3s a Epifania. Onde a Solenidade da Epifania n\u00e3o puder ser celebrada no dia 6 de janeiro, pode ser no domingo entre 2 e 8 de janeiro e a Festa do Batismo, na segunda-feira ap\u00f3s a Epifania. Com esta festa, termina o ciclo de Natal, embora permane\u00e7a a possibilidade de celebrar, em 2 de fevereiro, a Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor ao Templo, &#8220;Luz dos povos&#8221; (tamb\u00e9m conhecida como festa das &#8220;Candeias&#8221;). <strong><em>In Vatican News<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>Estamos no Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanhamos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 42,1-4.6-7<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diz o Senhor:<br \/>\n\u00abEis o meu servo, a quem Eu protejo,<br \/>\no meu eleito, enlevo da minha alma.<br \/>\nSobre ele fiz repousar o meu esp\u00edrito,<br \/>\npara que leve a justi\u00e7a \u00e0s na\u00e7\u00f5es.<br \/>\nN\u00e3o gritar\u00e1, nem levantar\u00e1 a voz,<br \/>\nnem se far\u00e1 ouvir nas pra\u00e7as;<br \/>\nn\u00e3o quebrar\u00e1 a cana fendida,<br \/>\nnem apagar\u00e1 a torcida que ainda fumega:<br \/>\nproclamar\u00e1 fielmente a justi\u00e7a.<br \/>\nN\u00e3o desfalecer\u00e1 nem desistir\u00e1,<br \/>\nenquanto n\u00e3o estabelecer a justi\u00e7a na terra,<br \/>\na doutrina que as ilhas long\u00ednquas esperam.<br \/>\nFui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justi\u00e7a;<br \/>\ntomei-te pela m\u00e3o, formei-te<br \/>\ne fiz de ti a alian\u00e7a do povo e a luz das na\u00e7\u00f5es,<br \/>\npara abrires os olhos aos cegos,<br \/>\ntirares do c\u00e1rcere os prisioneiros<br \/>\ne da pris\u00e3o os que habitam nas trevas\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto pertence ao \u201cLivro da Consola\u00e7\u00e3o\u201d do Deutero-Isa\u00edas (cf. Is 40-55). Este profeta an\u00f3nimo cumpriu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica na Babil\u00f3nia, na fase final do Ex\u00edlio (entre 550 e 539 a.C.). Tinham passado algumas dezenas de anos desde que Nabucodonosor havia destru\u00eddo Jerusal\u00e9m e arrastado para o cativeiro a maior parte dos habitantes de Jud\u00e1. Os judeus cativos desesperam porque o tempo vai passando e a liberta\u00e7\u00e3o (anunciada por Ezequiel, um outro profeta do tempo do Ex\u00edlio) nunca mais acontece. Ser\u00e1 que Deus se esqueceu das suas promessas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Deutero-Isa\u00edas sente que Deus o envia a dizer aos seus concidad\u00e3os, exilados e desanimados, palavras de esperan\u00e7a. Cumprindo o mandato de Deus, o profeta fala da imin\u00eancia da liberta\u00e7\u00e3o, comparando-a ao antigo \u00eaxodo, quando Deus salvou o seu Povo da escravid\u00e3o do Egipto (cf. Is 40-48); e anuncia-lhes, tamb\u00e9m, a reconstru\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, a cidade que a guerra reduziu a cinzas, mas \u00e0 qual Deus vai fazer regressar a alegria e a paz sem fim (cf. Is 49-55).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No meio desta proposta \u201cconsoladora\u201d do Deutero-Isa\u00edas aparecem, contudo, quatro textos (cf. Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12) que fogem um tanto a esta tem\u00e1tica. S\u00e3o c\u00e2nticos que falam de um personagem misterioso e enigm\u00e1tico, que os biblistas designam como o \u201cServo de Jav\u00e9\u201d. Esse personagem ser\u00e1 Jeremias, o profeta que tanto sofreu por causa da miss\u00e3o? Ser\u00e1 o pr\u00f3prio Deutero-Isa\u00edas, chamado a dar testemunho de Deus num cen\u00e1rio t\u00e3o dif\u00edcil? Ser\u00e1 Ciro, rei dos persas, que alguns anos depois libertar\u00e1 os judeus exilados e autorizar\u00e1 o seu regresso a Jerusal\u00e9m? N\u00e3o sabemos ao certo. Mas esse \u201cServo de Jav\u00e9\u201d \u00e9 apresentado como um predileto de Jav\u00e9, chamado para o servi\u00e7o de Deus, enviado por Deus aos homens de todo o mundo. A sua miss\u00e3o cumpre-se no sofrimento e numa entrega incondicional \u00e0 Palavra. O sofrimento do profeta tem, contudo, um valor expiat\u00f3rio e redentor, pois dele resulta o perd\u00e3o para o pecado do Povo. Deus aprecia o sacrif\u00edcio deste \u201cServo\u201d e recompens\u00e1-lo-\u00e1, fazendo-o triunfar diante dos seus detratores e advers\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que hoje nos \u00e9 proposto \u00e9 parte do primeiro c\u00e2ntico do \u201cServo\u201d (cf. Is 42,1-9). <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>A hist\u00f3ria do \u201cServo de Jav\u00e9\u201d, que recebeu a plenitude do Esp\u00edrito para ser \u201cluz das na\u00e7\u00f5es\u201d, abrir \u201cos olhos aos cegos\u201d, tirar \u201cdo c\u00e1rcere os prisioneiros\u201d e \u201cda pris\u00e3o os que habitam nas trevas\u201d, lembra-nos, desde logo, que Deus age atrav\u00e9s de \u201cprofetas\u201d a quem confia a transforma\u00e7\u00e3o do mundo e a liberta\u00e7\u00e3o dos homens. No dia em que fomos batizados, recebemos, tamb\u00e9m n\u00f3s, o Esp\u00edrito que nos capacitou para uma miss\u00e3o semelhante \u00e0 desse \u201cServo\u201d. Tenho consci\u00eancia de que cada batizado \u00e9 um instrumento de Deus na renova\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o do mundo? Estou disposto a corresponder ao chamamento de Deus e a assumir a minha responsabilidade prof\u00e9tica? Os pobres, os oprimidos, os que \u201cjazem nas trevas e nas sombras da morte\u201d, os que n\u00e3o t\u00eam eira nem beira, nem voz nem vez, nem convite para se sentar \u00e0 mesa da humanidade podem contar com a minha solidariedade ativa, com a minha ajuda fraterna, com o meu abra\u00e7o, com a minha partilha generosa?<\/li>\n<li>A miss\u00e3o prof\u00e9tica s\u00f3 faz sentido \u00e0 luz de Deus: \u00e9 sempre Ele que toma a iniciativa, que escolhe, que chama, que envia e que capacita para a miss\u00e3o\u2026 Aquilo que fazemos, por mais v\u00e1lido que seja, n\u00e3o \u00e9 obra nossa, mas sim de Deus; o nosso \u00eaxito na miss\u00e3o n\u00e3o resulta das nossas qualidades, mas da iniciativa de Deus que age em n\u00f3s e atrav\u00e9s de n\u00f3s. Somos apenas colaboradores de Deus, \u201chumildes trabalhadores da vinha do Senhor\u201d. \u00c9 sempre Deus que projeta e que age, atrav\u00e9s da nossa fragilidade, para oferecer ao mundo a Vida e a salva\u00e7\u00e3o. Esquecer isto pode conduzir-nos \u00e0 arrog\u00e2ncia, \u00e0 autossufici\u00eancia, \u00e0 vaidade, ao convencimento; e, sempre que isso acontece, a nossa interven\u00e7\u00e3o no mundo acaba por desvirtuar o projeto de Deus. Em que atitudes se concretiza a minha miss\u00e3o prof\u00e9tica no acolhimento do projeto de Deus?<\/li>\n<li>Atentemos ainda na forma de atuar do \u201cServo\u201d: ele n\u00e3o se imp\u00f5e pela for\u00e7a, pela viol\u00eancia, pelo dinheiro, ou pelos amigos poderosos; mas atua com suavidade, com mansid\u00e3o, com humildade, no respeito pela liberdade dos irm\u00e3os e irm\u00e3s a quem \u00e9 enviado\u2026 \u00c9 esta l\u00f3gica \u2013 a l\u00f3gica de Deus \u2013 que eu utilizo no desempenho da miss\u00e3o prof\u00e9tica que Deus me confiou? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 28 (29)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: O Senhor aben\u00e7oar\u00e1 o seu povo na paz.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tributai ao Senhor, filhos de Deus,<br \/>\ntributai ao Senhor Gl\u00f3ria e poder.<br \/>\nTributai ao Senhor a gl\u00f3ria do seu nome,<br \/>\nadorai o Senhor com ornamentos sagrados.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A vos do Senhor ressoa sobre as nuvens,<br \/>\no Senhor est\u00e1 sobre a vastid\u00e3o das \u00e1guas.<br \/>\nA voz do Senhor \u00e9 poderosa,<br \/>\na voz do Senhor \u00e9 majestosa.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A majestade de Deus faz ecoar o seu trov\u00e3o<br \/>\ne no seu templo todos clamam: Gl\u00f3ria!<br \/>\nSobre as \u00e1guas do dil\u00favio senta-Se o Senhor,<br \/>\no Senhor senta-Se como rei eterno.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Atos 10,34-38<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naqueles dias,<br \/>\nPedro tomou a palavra e disse:<br \/>\n\u00abNa verdade,<br \/>\neu reconhe\u00e7o que Deus n\u00e3o faz ace\u00e7\u00e3o de pessoas,<br \/>\nmas, em qualquer na\u00e7\u00e3o,<br \/>\naquele que O teme e pratica a justi\u00e7a \u00e9-Lhe agrad\u00e1vel.<br \/>\nEle enviou a sua palavra aos filhos de Israel,<br \/>\nanunciando a paz por Jesus Cristo, que \u00e9 o Senhor de todos.<br \/>\nV\u00f3s sabeis o que aconteceu em toda a Judeia,<br \/>\na come\u00e7ar pela Galileia,<br \/>\ndepois do batismo que Jo\u00e3o pregou:<br \/>\nDeus ungiu com a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo a Jesus de Nazar\u00e9,<br \/>\nque passou fazendo o bem<br \/>\ne curando todos os que eram oprimidos pelo dem\u00f3nio,<br \/>\nporque Deus estava com Ele\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os \u201cAtos dos Ap\u00f3stolos\u201d s\u00e3o uma catequese sobre a \u201cetapa da Igreja\u201d, isto \u00e9, sobre a forma como os disc\u00edpulos assumiram ou continuaram o projeto salvador do Pai e o levaram \u2013 ap\u00f3s a partida de Jesus deste mundo \u2013 a todos os homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O livro divide-se em duas partes. Na primeira (cf. At 1-12), a reflex\u00e3o centra-se na difus\u00e3o do Evangelho dentro das fronteiras palestinas, por a\u00e7\u00e3o de Pedro e dos Doze; na segunda (cf. At 13-28), conta-se a expans\u00e3o do Evangelho fora da Palestina (sobretudo por a\u00e7\u00e3o de Paulo): no Mediterr\u00e2neo, na \u00c1sia Menor, na Gr\u00e9cia, at\u00e9 atingir Roma, o cora\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto de hoje est\u00e1 integrado na primeira parte dos \u201cAtos\u201d. Insere-se numa per\u00edcope que descreve a atividade mission\u00e1ria de Pedro na plan\u00edcie do Sharon (cf. At 9,32-11,18) \u2013 isto \u00e9, na plan\u00edcie junto da orla mediterr\u00e2nica palestina. Em concreto, o texto prop\u00f5e-nos o testemunho e a catequese de Pedro em Cesareia Mar\u00edtima, em casa do centuri\u00e3o romano Corn\u00e9lio. Convocado pelo Esp\u00edrito (cf. At 10,19-20), Pedro entra em casa de Corn\u00e9lio, exp\u00f5e-lhe o essencial da f\u00e9 e batiza-o, bem como a toda a sua fam\u00edlia (cf. At 10,23b-48). O epis\u00f3dio \u00e9 importante porque Corn\u00e9lio \u00e9 a primeira pessoa completamente pag\u00e3 (o et\u00edope evangelizado e convertido por Filipe e de que se fala em At 8,26-40 era \u201cpros\u00e9lito\u201d e por isso j\u00e1 estava ligado ao juda\u00edsmo) admitida na comunidade crist\u00e3 por um dos Doze. Admite-se, assim, que o Evangelho de Jesus n\u00e3o deve ficar circunscrito \u00e0s fronteiras \u00e9tnicas judaicas, mas \u00e9 uma Boa Not\u00edcia destinada a todos os homens e mulheres, de todas as ra\u00e7as e culturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cesareia Mar\u00edtima, cidade reconstru\u00edda por Herodes, o Grande, ficava na costa palestina. Era a sede do poder romano, pois era a\u00ed que residiam os governadores romanos da Judeia (como P\u00f4ncio Pilatos, o governador que, pelo ano 30, autorizou a morte de Jesus). A cidade foi evangelizada pelo di\u00e1cono Filipe (cf. At 8,40). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jesus recebeu o Batismo e foi ungido com a for\u00e7a do Esp\u00edrito; depois, \u201cpassou pelo mundo fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo dem\u00f3nio\u201d. Em cada passo do caminho que percorreu, Ele distribuiu, em gestos concretos, bondade, miseric\u00f3rdia, perd\u00e3o, solidariedade, amor\u2026 N\u00f3s, crist\u00e3os, que \u201cacreditamos\u201d em Jesus, que nos comprometemos com Ele e O seguimos, assumimos este \u201cprograma\u201d? N\u00f3s, que fomos batizados e ungidos com a for\u00e7a do Esp\u00edrito, testemunhamos tamb\u00e9m, em gestos concretos, a bondade, a miseric\u00f3rdia, o perd\u00e3o e o amor de Deus pelos homens? Empenhamo-nos em libertar todos os que s\u00e3o oprimidos pelo dem\u00f3nio do ego\u00edsmo, da injusti\u00e7a, da explora\u00e7\u00e3o, da exclus\u00e3o, da solid\u00e3o, da doen\u00e7a, do analfabetismo, do sofrimento?<\/li>\n<li>\u201cReconhe\u00e7o que Deus n\u00e3o faz ace\u00e7\u00e3o de pessoas\u201d \u2013 diz Pedro no seu discurso em casa de Corn\u00e9lio. E n\u00f3s, filhos desse Deus que ama a todos da mesma forma e que a todos oferece igualmente a salva\u00e7\u00e3o, aceitamos todos os irm\u00e3os da mesma forma, reconhecendo a igualdade fundamental de todos os homens em direitos e dignidade? Temos consci\u00eancia de que a discrimina\u00e7\u00e3o de pessoas por causa da cor da pele, da ra\u00e7a, do sexo, da orienta\u00e7\u00e3o sexual ou do estatuto social \u00e9 uma grave subvers\u00e3o da l\u00f3gica de Deus? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mateus 3,13-17<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nJesus chegou da Galileia<br \/>\ne veio ter com Jo\u00e3o Baptista ao Jord\u00e3o,<br \/>\npara ser batizado por ele.<br \/>\nMas Jo\u00e3o opunha-se, dizendo:<br \/>\n\u00abEu \u00e9 que preciso de ser batizado por Ti,<br \/>\ne Tu vens ter comigo?\u00bb.<br \/>\nJesus respondeu-lhe:<br \/>\n\u00abDeixa por agora;<br \/>\nconv\u00e9m que assim cumpramos toda a justi\u00e7a\u00bb.<br \/>\nJo\u00e3o deixou ent\u00e3o que Ele Se aproximasse.<br \/>\nLogo que Jesus foi batizado, saiu da \u00e1gua.<br \/>\nEnt\u00e3o, abriram-se os c\u00e9us<br \/>\ne Jesus viu o Esp\u00edrito de Deus<br \/>\ndescer como uma pomba e pousar sobre Ele.<br \/>\nE uma voz vinda do C\u00e9u dizia:<br \/>\n\u00abEste \u00e9 o meu Filho muito amado,<br \/>\nno qual pus toda a minha complac\u00eancia\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em dia da celebra\u00e7\u00e3o da festa do Batismo do Senhor, o Evangelho leva-nos at\u00e9 ao vale do rio Jord\u00e3o, nas franjas do deserto de Jud\u00e1. A tradi\u00e7\u00e3o identifica esse lugar com o atual Qasr El Yahud, na margem oriental do rio Jord\u00e3o, a cerca de 10 quil\u00f3metros do Mar Morto. Era um local de passagem para os peregrinos que vinham da Galileia para Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O rio Jord\u00e3o \u00e9 o rio mais emblem\u00e1tico da terra de Israel. Atravessa-a de alto a baixo, desde o sop\u00e9 do monte Hermon at\u00e9 ao mar Morto, num percurso de cerca de 300 quil\u00f3metros (104 em linha reta). As suas \u00e1guas s\u00e3o fonte de vida. Foi atrav\u00e9s desse rio que os hebreus, conduzidos por Josu\u00e9 (ap\u00f3s a morte de Mois\u00e9s) entraram na Terra Prometida (cf. Js 3-4). No tempo do profeta Eliseu, o general s\u00edrio Naam\u00e3 viu-se curado da lepra ao mergulhar nas \u00e1guas do Jord\u00e3o (cf. 2Rs 5,10-14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Alguns s\u00e9culos mais tarde, no final do ano 27 ou princ\u00edpio do ano 28 d.C., apareceu nas margens do rio Jord\u00e3o um profeta original e independente com uma mensagem nova e verdadeiramente interpelante. A mensagem proposta por Jo\u00e3o estava centrada na urg\u00eancia da convers\u00e3o (pois, na opini\u00e3o de Jo\u00e3o, a interven\u00e7\u00e3o definitiva de Deus na hist\u00f3ria para destruir o mal estava iminente) e inclu\u00eda um rito de purifica\u00e7\u00e3o pela \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O juda\u00edsmo conhecia ritos diversos de imers\u00e3o na \u00e1gua, sempre ligados a contextos de purifica\u00e7\u00e3o ou de mudan\u00e7a de vida. Era, inclusive, um ritual usado na integra\u00e7\u00e3o dos \u201cpros\u00e9litos\u201d (os pag\u00e3os que aderiam ao juda\u00edsmo) na comunidade do Povo de Deus. A imers\u00e3o na \u00e1gua sugeria a rutura com a vida passada e o ressurgir para uma vida nova, um novo nascimento, um novo come\u00e7o. No que diz respeito ao Batismo proposto por Jo\u00e3o, estamos provavelmente diante de um rito de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade messi\u00e2nica: quem aceitava este \u201cbatismo\u201d, renunciava ao pecado, convertia-se a uma vida nova e passava a integrar a comunidade que esperava o Messias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, que vivia na sua aldeia de Nazar\u00e9, na Galileia, ouviu a certa altura falar de Jo\u00e3o e da sua prega\u00e7\u00e3o. Procurou-o nas margens do rio Jord\u00e3o e escutou o seu apelo \u00e0 convers\u00e3o. Na sequ\u00eancia, Jesus quis tamb\u00e9m receber o batismo. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">No epis\u00f3dio do batismo, Jesus aparece como o Filho amado, que o Pai enviou ao encontro dos homens para os libertar da morte e para os inserir numa din\u00e2mica de comunh\u00e3o e de vida nova. Uma vez mais se confirma uma realidade que a cada instante reaparece ao longo da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: o cuidado de Deus com seus queridos filhos que peregrinam na hist\u00f3ria, o imenso amor que Ele nos dedica, a vontade que Ele tem de levar-nos ao encontro da vida verdadeira\u2026 Apesar das nossas fragilidades e das nossas leviandades, apesar do nosso ego\u00edsmo e da nossa autossufici\u00eancia, apesar da nossa ingratid\u00e3o e da nossa inconsci\u00eancia, Deus continua a chamar-nos, a falar connosco, a escrever-nos cartas de amor, a vir ao nosso encontro e a acompanhar-nos no caminho, a oferecer-nos a possibilidade de integrar a Sua fam\u00edlia. E n\u00f3s, que temos de fazer em resposta ao dom de Deus? O que nos \u00e9 pedido \u00e9 que correspondamos ao amor do Pai, acolhamos a sua oferta de salva\u00e7\u00e3o, nos disp\u00fanhamos a seguir Jesus no caminho do amor, da entrega, do dom da vida. Como vemos e como sentimos esta hist\u00f3ria de comunh\u00e3o que Deus insiste em viver connosco? Como \u00e9 que respondemos ao amor de Deus?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio do batismo de Jesus coloca-nos frente a frente com um Deus que aceitou identificar-Se com o homem, partilhar a sua humanidade e fragilidade, a fim de oferecer ao homem um caminho de liberdade e de vida plena. N\u00f3s crentes, filhos deste Deus, aceitamos ir ao encontro dos nossos irm\u00e3os mais desfavorecidos e estender-lhes a m\u00e3o? Partilhamos a sorte dos pobres, dos sofredores, dos injusti\u00e7ados, sofremos na alma as suas dores, aceitamos identificar-nos com eles e participar dos seus sofrimentos, a fim de melhor os ajudar a conquistar a liberdade e a vida plena? N\u00e3o temos medo de nos sujarmos ao lado dos pecadores, dos marginalizados, se isso contribuir para os promover e para lhes dar mais dignidade e mais esperan\u00e7a?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Depois de ser batizado no rio Jord\u00e3o, Jesus foi ungido pelo Esp\u00edrito de Deus e abra\u00e7ou, sem retic\u00eancias, a miss\u00e3o que o Pai lhe confiava: propor e construir o Reino de Deus. Todos n\u00f3s que fomos batizados em Cristo recebemos o mesmo Esp\u00edrito de Deus que Ele recebeu e entramos na comunidade do Reino. No dia do nosso batismo recebemos a miss\u00e3o de colaborar com Jesus na constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais fraterno e mais humano. Temos sido fi\u00e9is a essa miss\u00e3o? O nosso compromisso batismal \u00e9 uma realidade que procuramos renovar a cada passo, ou \u00e9 letra morta que n\u00e3o toca a forma como vivemos? Somos batizados \u201cde assinatura\u201d (porque o nosso nome aparece num qualquer livro de registos de Batismo), ou somos crist\u00e3os de facto, que procuram seguir Jesus em cada passo do caminho e colaborar com Ele no sentido de curar o mundo das suas feridas?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Jesus sempre levou muito a s\u00e9rio aquela declara\u00e7\u00e3o de Deus que se escutou junto do rio Jord\u00e3o: \u201cEste \u00e9 o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complac\u00eancia\u201d. Esse amor que o Pai lhe dedicava sempre sustentou as op\u00e7\u00f5es de Jesus e sempre iluminou o caminho que Ele ia percorrendo (mesmo quando no horizonte estava a cruz, o abandono dos amigos, o aparente fracasso da miss\u00e3o). Sustentado pelo amor de Deus, Jesus assumiu incondicionalmente o projeto do Pai de dar vida \u00e0 humanidade. Obedeceu em tudo ao Pai, sem retic\u00eancias de qualquer esp\u00e9cie. \u00c9 esta mesma atitude de obedi\u00eancia radical, de entrega incondicional, de confian\u00e7a absoluta que eu \u2013 filho amado de Deus \u2013 assumo na minha rela\u00e7\u00e3o com o Pai? O projeto de Deus \u00e9, para mim, mais importante de que os meus projetos pessoais ou do que os desafios que o mundo me lan\u00e7a? Como Jesus, confio plenamente no Pai, nas suas propostas, no seu cuidado, no seu amor?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Depois de batizado e de ser ungido pelo Esp\u00edrito, Jesus n\u00e3o se instalou numa cren\u00e7a religiosa de meias tintas ou de servi\u00e7os m\u00ednimos. Animado pela for\u00e7a do Esp\u00edrito, partiu para a Galileia a anunciar o Reino de Deus e a testemunhar \u2013 com palavras e com gestos \u2013 o projeto libertador do Pai. \u00c9 dessa forma \u2013 coerente, comprometida, apaixonada \u2013 que eu procuro viver a miss\u00e3o que Deus me confiou no dia em que eu fui batizado? Os meus irm\u00e3os e irm\u00e3s maltratados pela vida e pelos homens podem contar com o meu empenho em levar-lhes a car\u00edcia do Deus que cura e que d\u00e1 Vida? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Leitura-I-do-Domingo-do-Batismo-do-Senhor-Ano-A-11.01.2026-Isaias-42-1-4.6-7.pdf\">Leitura I do Domingo do Batismo do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 11.01.2026 (Isa\u00edas 42, 1-4.6-7)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Leitura-II-do-Domingo-do-Batismo-do-Senhor-Ano-A-11.01.2026-Atos-10-34-38.pdf\">Leitura II do Domingo do Batismo do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 11.01.2026 (Atos 10, 34-38)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Domingo-do-Batismo-do-Senhor-Ano-A-11.01.2026-Lecionario.pdf\">Domingo do Batismo do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 11.01.2026 &#8211; Lecionario<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Domingo-do-Batismo-do-Senhor-Ano-A-11.01.2026-Oracao-Universal.pdf\">Domingo do Batismo do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 11.01.2026 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Domingo-do-Batismo-do-Senhor-Ano-A-11.01.2026-refletindo.pdf\">Domingo do Batismo do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 11.01.2026 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-do-Batismo-do-Senhor-Ano-A-11.01.2026.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo do Batismo do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 11.01.2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][vc_tta_section title=&#8221;Domingo da Epifania do Senhor \u2013 Ano A \u2013 04.01.2026&#8243; tab_id=&#8221;1768227574336-3df4ab72-f357&#8243;][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<\/p>\n<h4>Domingo da Epifania do Senhor \u2013 Ano A \u2013 04.01.2026<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-12653 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-da-Epifania-do-Senhor.jpg\" alt=\"\" width=\"384\" height=\"384\" \/><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A liturgia deste dia \u2013 <strong>Epifania do Senhor<\/strong> &#8211; celebra a manifesta\u00e7\u00e3o de Jesus a todos os homens\u2026 O Menino do pres\u00e9pio \u00e9 uma \u201cluz\u201d que se acende na noite do mundo e atrai a si todos os povos da terra. Essa \u201cluz\u201d encarnou na nossa hist\u00f3ria e no nosso mundo, iluminou os caminhos dos homens, conduziu-os ao encontro da salva\u00e7\u00e3o e da vida definitiva. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong><em>\u00a0+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><strong>Estamos no Ano Lit\u00fargico \u2013 Ano A<\/strong> \u2013 onde seremos acompanhados pelo evangelista Mateus. Tendo em vista a forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos fi\u00e9is e a import\u00e2ncia do conhecimento da Sagrada Escritura como Palavra que ilumina a vida dos batizados, o contexto do Ano Lit\u00fargico p\u00f4de ser acompanhado como uma oportunidade para um encontro ou at\u00e9 v\u00e1rios encontros, sobre o Evangelista deste ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se diz acima, durante <strong>todo este ano lit\u00fargico \u2013 2025\/2026 &#8211; acompanhamos o evangelista Mateus<\/strong> em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura. ~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong><strong> \u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 60,1-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Levanta-te e resplandece, Jerusal\u00e9m,<br \/>\nporque chegou a tua luz<br \/>\ne brilha sobre ti a gl\u00f3ria do Senhor.<br \/>\nV\u00ea como a noite cobre a terra,<br \/>\ne a escurid\u00e3o os povos.<br \/>\nMas sobre ti levanta-Se o Senhor,<br \/>\ne a sua gl\u00f3ria te ilumina.<br \/>\nAs na\u00e7\u00f5es caminhar\u00e3o \u00e0 tua luz,<br \/>\ne os reis ao esplendor da tua aurora.<br \/>\nOlha ao redor e v\u00ea:<br \/>\ntodos se re\u00fanem e v\u00eam ao teu encontro;<br \/>\nos teus filhos v\u00e3o chegar de longe<br \/>\ne as tuas filhas s\u00e3o trazidas nos bra\u00e7os.<br \/>\nQuando o vires ficar\u00e1s radiante,<br \/>\npalpitar\u00e1 e dilatar-se-\u00e1 o teu cora\u00e7\u00e3o,<br \/>\npois a ti afluir\u00e3o os tesouros do mar,<br \/>\na ti vir\u00e3o ter as riquezas das na\u00e7\u00f5es.<br \/>\nInvadir-te-\u00e1 uma multid\u00e3o de camelos,<br \/>\nde dromed\u00e1rios de Madi\u00e3 e Ef\u00e1.<br \/>\nVir\u00e3o todos os de Sab\u00e1,<br \/>\ntrazendo ouro e incenso<br \/>\ne proclamando as gl\u00f3rias do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cap\u00edtulos 56-66 do Livro de Isa\u00edas apresentam um conjunto de profecias cuja proveni\u00eancia n\u00e3o \u00e9, entre os estudiosos da B\u00edblia, totalmente consensual\u2026 Para alguns, s\u00e3o textos de um profeta an\u00f3nimo, p\u00f3s-ex\u00edlico, que exerceu o seu minist\u00e9rio em Jerusal\u00e9m ap\u00f3s o regresso dos exilados da Babil\u00f3nia, nos anos 537\/520 a.C.; para a maioria, trata-se de textos que prov\u00eam de diversos autores p\u00f3s-ex\u00edlicos e que foram redigidos ao longo de um arco de tempo relativamente longo (provavelmente, entre os s\u00e9cs. VI e V a.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em geral, estas profecias situam-nos em Jerusal\u00e9m, a cidade que os Babil\u00f3nios deixaram em ru\u00ednas, em 586 a.C., e que agora come\u00e7a a reerguer-se. As marcas do passado ainda se notam nas pedras calcinadas da cidade; os filhos e filhas de Jerusal\u00e9m que regressaram do ex\u00edlio na Babil\u00f3nia s\u00e3o ainda em n\u00famero reduzido; a pobreza geral obriga a que a reconstru\u00e7\u00e3o seja lenta e muito modesta; os inimigos est\u00e3o \u00e0 espreita e a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 desanimada\u2026 Sonha-se, no entanto, com o dia em que Deus vai voltar \u00e0 sua cidade para trazer a salva\u00e7\u00e3o definitiva ao seu Povo. Ent\u00e3o, Jerusal\u00e9m voltar\u00e1 a ser uma cidade bela e harmoniosa, o Templo ser\u00e1 reconstru\u00eddo e Deus habitar\u00e1 para sempre no meio do seu Povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto que nos \u00e9 proposto \u00e9 uma glorifica\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, a cidade da luz, a \u201ccidade dos dois s\u00f3is\u201d (o sol nascente e o sol poente: pela sua situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, no alto das montanhas da Judeia, a cidade \u00e9 iluminada desde o nascer do dia, at\u00e9 ao p\u00f4r do sol). <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>\u00c9 bela esta imagem de Deus como uma luz que se acende nas nossas vidas e nas nossas cidades, iluminando os caminhos que temos de percorrer, aquecendo os nossos cora\u00e7\u00f5es cansados e abatidos e transformando o nosso pessimismo e derrotismo em esperan\u00e7a e vida nova. \u00c0s vezes temos a sensa\u00e7\u00e3o de que este mundo onde peregrinamos se tornou um lugar sombrio e triste, onde o \u00f3dio pode mais do que o amor, a guerra se imp\u00f5e aos esfor\u00e7os pela paz, o ego\u00edsmo \u00e9 mais apreciado do que a comunh\u00e3o\u2026 Mas a verdade \u00e9 que, quando parecemos perdidos em becos sem sa\u00edda, a luz de Deus vem iluminar o mapa dos caminhos que devemos andar para encontrar Vida. N\u00e3o vivamos de olhos postos no ch\u00e3o, afogados numa escurid\u00e3o que nos rouba a esperan\u00e7a; ousemos, mesmo em momentos complicados da hist\u00f3ria do mundo e da nossa hist\u00f3ria pessoal, levantar os olhos e perceber a presen\u00e7a desse Deus que nunca desistir\u00e1 de iluminar todos os passos do nosso caminho rumo \u00e0 Vida. Estamos dispostos a deixarmo-nos iluminar pela luz de Deus?<\/li>\n<li>Podemos, naturalmente, ligar a chegada da \u201cluz\u201d salvadora de Deus a Jerusal\u00e9m (anunciada pelo profeta) com o nascimento de Jesus. O projeto de liberta\u00e7\u00e3o que Jesus veio apresentar aos homens ser\u00e1 a luz que vence as trevas do pecado e da opress\u00e3o e que d\u00e1 ao mundo um rosto mais brilhante de vida e de esperan\u00e7a. Reconhecemos em Jesus a \u201cluz\u201d libertadora de Deus? Estamos dispostos a aceitar que essa \u201cluz\u201d nos fale, nos aponte caminhos de vida nova e nos liberte das trevas do ego\u00edsmo, do orgulho e do pecado? Estamos dispon\u00edveis para dar testemunho dessa luz junto dos irm\u00e3os que compartilham o caminho connosco?<\/li>\n<li>Na catequese crist\u00e3 dos primeiros tempos, esta Jerusal\u00e9m nova, que j\u00e1 \u201cn\u00e3o necessita de sol nem de lua para a iluminar, porque \u00e9 iluminada pela gl\u00f3ria de Deus\u201d, \u00e9 a Igreja \u2013 a comunidade dos que aderiram a Jesus e acolheram a luz salvadora que Ele veio trazer (cf. Ap 21,10-14.23-25). Ser\u00e1 que nas nossas comunidades crist\u00e3s e religiosas brilha a luz libertadora de Jesus? Elas s\u00e3o, pelo seu brilho, uma luz que atrai os homens? As nossas desaven\u00e7as e conflitos, a nossa falta de amor e de partilha, os nossos ci\u00fames e rivalidades, a nossa passividade e conformismo n\u00e3o contribuir\u00e3o para embaciar o brilho dessa luz de Deus que dev\u00edamos refletir?<\/li>\n<li>Ser\u00e1 que na nossa comunidade crist\u00e3 h\u00e1 espa\u00e7o e voz para todos os que buscam a luz libertadora de Deus? Os irm\u00e3os cuja vida \u00e9 considerada irregular ou pouco condizente com a vis\u00e3o oficial s\u00e3o acolhidos, respeitados e amados? As diferen\u00e7as pr\u00f3prias da diversidade de culturas s\u00e3o vistas como uma riqueza que importa preservar, ou s\u00e3o rejeitadas porque amea\u00e7am a uniformidade? A nossa comunidade crist\u00e3 \u00e9 o \u201chospital\u201d onde \u201ctodos, todos, todos\u201d podem curar as feridas que a vida lhes infligiu? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 71 (72)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Vir\u00e3o adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00d3 Deus, concedei ao rei o poder de julgar<br \/>\ne a vossa justi\u00e7a ao filho do rei.<br \/>\nEle governar\u00e1 o vosso povo com justi\u00e7a<br \/>\ne os vossos pobres com equidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Florescer\u00e1 a justi\u00e7a nos seus dias<br \/>\ne uma grande paz at\u00e9 ao fim dos tempos.<br \/>\nEle dominar\u00e1 de um ao outro mar,<br \/>\ndo grande rio at\u00e9 aos confins da terra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os reis de T\u00e1rsis e das ilhas vir\u00e3o com presentes,<br \/>\nos reis da Ar\u00e1bia e de Sab\u00e1 trar\u00e3o suas ofertas.<br \/>\nProstrar-se-\u00e3o diante dele todos os reis,<br \/>\ntodos os povos o h\u00e3o de servir.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Socorrer\u00e1 o pobre que pede aux\u00edlio<br \/>\ne o miser\u00e1vel que n\u00e3o tem amparo.<br \/>\nTer\u00e1 compaix\u00e3o dos fracos e dos pobres<br \/>\ne defender\u00e1 a vida dos oprimidos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>Ef\u00e9sios 3,2-3a.5-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3os:<br \/>\nCertamente j\u00e1 ouvistes falar<br \/>\nda gra\u00e7a que Deus me confiou a vosso favor:<br \/>\npor uma revela\u00e7\u00e3o,<br \/>\nfoi-me dado a conhecer o mist\u00e9rio de Cristo.<br \/>\nNas gera\u00e7\u00f5es passadas,<br \/>\nele n\u00e3o foi dado a conhecer aos filhos dos homens<br \/>\ncomo agora foi revelado pelo Esp\u00edrito Santo<br \/>\naos seus santos ap\u00f3stolos e profetas:<br \/>\nos gentios recebem a mesma heran\u00e7a que os judeus,<br \/>\npertencem ao mesmo corpo<br \/>\ne participam da mesma promessa,<br \/>\nem Cristo Jesus, por meio do Evangelho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta aos Ef\u00e9sios apresenta-se como uma \u201ccarta de cativeiro\u201d, escrita por Paulo da pris\u00e3o (os que aceitam a autoria paulina desta carta discutem qual o lugar onde Paulo est\u00e1 preso, nesta altura, embora a maioria ligue a carta ao cativeiro de Paulo em Roma entre 61\/63).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, de qualquer forma, uma apresenta\u00e7\u00e3o s\u00f3lida de uma catequese bem elaborada e amadurecida. A carta, talvez uma \u201ccarta circular\u201d enviada a v\u00e1rias comunidades crist\u00e3s da parte ocidental da \u00c1sia Menor, parece apresentar uma esp\u00e9cie de s\u00edntese do pensamento Paulino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema mais importante da Carta aos Ef\u00e9sios \u00e9 aquilo que o autor chama \u201co mist\u00e9rio\u201d: trata-se do projeto salvador de Deus, definido e elaborado desde sempre, oculto durante s\u00e9culos, revelado e concretizado plenamente em Jesus, comunicado aos ap\u00f3stolos e, nos \u201c\u00faltimos tempos\u201d, tornado presente no mundo pela Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na parte dogm\u00e1tica da carta (cf. Ef 1,3-3,19), Paulo apresenta a sua catequese sobre \u201co mist\u00e9rio\u201d: depois de um hino que celebra a a\u00e7\u00e3o do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo na obra da salva\u00e7\u00e3o (cf. Ef 1,3-14), o autor fala da soberania de Cristo sobre os poderes ang\u00e9licos e do seu papel como cabe\u00e7a da Igreja (cf. Ef 1,15-23); depois, reflete sobre a situa\u00e7\u00e3o universal do homem, mergulhado no pecado, e afirma a iniciativa salvadora e gratuita de Deus em favor do homem (cf. Ef 2,1-10); exp\u00f5e ainda como \u00e9 que Cristo \u2013 realizando \u201co mist\u00e9rio\u201d \u2013 levou a cabo a reconcilia\u00e7\u00e3o de judeus e pag\u00e3os num s\u00f3 corpo, que \u00e9 a Igreja (cf. Ef 2,11-22)\u2026 O texto que nos \u00e9 proposto vem nesta sequ\u00eancia: nele, Paulo apresenta-se como testemunha do \u201cmist\u00e9rio\u201d diante dos judeus e diante dos pag\u00e3os (cf. Ef 3,1-13). <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Segundo Paulo, a salva\u00e7\u00e3o oferecida por Deus e revelada em Jesus n\u00e3o se destina apenas \u201ca Jerusal\u00e9m\u201d (ao mundo judaico), mas \u00e9 para todos os povos, sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, de cor, de cultura ou de estatuto social. Todos os homens e mulheres s\u00e3o filhos e filhas queridos de Deus. A todos Deus ama, todos fazem parte de uma fam\u00edlia universal. Ser\u00e1 que conseguimos ver em cada pessoa, independentemente das diferen\u00e7as e particularismos que apresenta, um irm\u00e3o ou uma irm\u00e3? Conseguimos apreciar devidamente a beleza de pertencer a uma fam\u00edlia onde as diferen\u00e7as n\u00e3o dividem, mas s\u00e3o um bem acrescentado que a todos enriquece?<\/li>\n<li>A fraternidade implica o amor sem limites, a partilha, a solidariedade\u2026. Sentimo-nos solid\u00e1rios com todos os irm\u00e3os que partilham connosco esta vasta casa que \u00e9 o mundo? Sentimo-nos respons\u00e1veis pela sorte de todos os nossos irm\u00e3os, mesmo aqueles que est\u00e3o separados de n\u00f3s pela geografia, pela diversidade de culturas e de ra\u00e7as?<\/li>\n<li>A Igreja, \u201ccorpo de Cristo\u201d, \u00e9 a comunidade daqueles que acolheram \u201co mist\u00e9rio\u201d. Esta comunidade \u00e9 um espa\u00e7o privilegiado onde se revela o projeto salvador que Deus tem para oferecer a todos os homens. \u00c9 isso que, de facto, acontece? Na vida das nossas comunidades transparece realmente o amor de Deus? As nossas comunidades s\u00e3o verdadeiras comunidades fraternas, onde todos se amam sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, de cor, de estatuto social, ou de hist\u00f3ria de vida? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mateus 2,1-12<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tinha Jesus nascido em Bel\u00e9m da Judeia,<br \/>\nnos dias do rei Herodes,<br \/>\nquando chegaram a Jerusal\u00e9m uns Magos vindos do Oriente.<br \/>\n\u00abOnde est\u00e1 \u2013 perguntaram eles \u2013<br \/>\no rei dos judeus que acaba de nascer?<br \/>\nN\u00f3s vimos a sua estrela no Oriente<br \/>\ne viemos ador\u00e1-l\u2019O\u00bb.<br \/>\nAo ouvir tal not\u00edcia, o rei Herodes ficou perturbado,<br \/>\ne, com ele, toda a cidade de Jerusal\u00e9m.<br \/>\nReuniu todos os pr\u00edncipes dos sacerdotes e escribas do povo<br \/>\ne perguntou-lhes onde devia nascer o Messias.<br \/>\nEles responderam:<br \/>\n\u00abEm Bel\u00e9m da Judeia,<br \/>\nporque assim est\u00e1 escrito pelo profeta:<br \/>\n\u2018Tu, Bel\u00e9m, terra de Jud\u00e1,<br \/>\nn\u00e3o \u00e9s de modo nenhum a menor<br \/>\nentre as principais cidades de Jud\u00e1,<br \/>\npois de ti sair\u00e1 um chefe,<br \/>\nque ser\u00e1 o Pastor de Israel, meu povo\u2019\u00bb.<br \/>\nEnt\u00e3o Herodes mandou chamar secretamente os Magos<br \/>\ne pediu-lhes informa\u00e7\u00f5es precisas<br \/>\nsobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela.<br \/>\nDepois enviou-os a Bel\u00e9m e disse-lhes:<br \/>\n\u00abIde informar-vos cuidadosamente acerca do Menino;<br \/>\ne, quando O encontrardes, avisai-me,<br \/>\npara que tamb\u00e9m eu v\u00e1 ador\u00e1-l\u2019O\u00bb.<br \/>\nOuvido o rei, puseram-se a caminho.<br \/>\nE eis que a estrela que tinham visto no Oriente<br \/>\nseguia \u00e0 sua frente<br \/>\ne parou sobre o lugar onde estava o Menino.<br \/>\nAo ver a estrela, sentiram grande alegria.<br \/>\nEntraram na casa,<br \/>\nviram o Menino com Maria, sua M\u00e3e,<br \/>\ne, prostrando-se diante d\u2019Ele, adoraram-n\u2019O.<br \/>\nDepois, abrindo os seus tesouros,<br \/>\nofereceram-Lhe presentes:<br \/>\nouro, incenso e mirra.<br \/>\nE, avisados em sonhos<br \/>\npara n\u00e3o voltarem \u00e0 presen\u00e7a de Herodes,<br \/>\nregressaram \u00e0 sua terra por outro caminho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio da visita dos magos ao Menino de Bel\u00e9m, narrado no evangelho de Mateus, \u00e9 um epis\u00f3dio de grande beleza, que rapidamente se tornou muito popular entre os crist\u00e3os. Ao longo dos s\u00e9culos a piedade popular n\u00e3o cessou de o embelezar com acrescentos que, na maior parte dos casos, n\u00e3o encontram eco no texto de Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os biblistas est\u00e3o de acordo em que este relato se encaixa na categoria do midrash hagg\u00e1dico, um m\u00e9todo de leitura e de explora\u00e7\u00e3o do texto b\u00edblico muito utilizado pelos rabis de Israel, que inclu\u00eda o recurso a hist\u00f3rias fantasiosas para ilustrar um ensinamento. Na verdade, Mateus n\u00e3o pretende descrever uma visita de personagens importantes ao Menino do pres\u00e9pio, mas sim apresentar Jesus como o enviado de Deus Pai, que vem oferecer a salva\u00e7\u00e3o de Deus aos homens de toda a terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na base da inspira\u00e7\u00e3o de Mateus pode estar a cren\u00e7a generalizada, na regi\u00e3o do Crescente F\u00e9rtil, de que cada crian\u00e7a que nascia tinha a sua pr\u00f3pria estrela e de que uma nova estrela anunciava um acontecimento que iria mudar a hist\u00f3ria humana. \u00c9 prov\u00e1vel tamb\u00e9m que Mateus se tenha inspirado, para construir esta bonita narrativa, num texto do livro dos N\u00fameros onde um profeta chamado Bala\u00e3o, \u201co homem de olhar penetrante\u201d (Nm 24,15), anuncia \u201cuma estrela que sai de Jacob e um cetro flamejante que surge do seio de Israel\u201d (Nm 24,27). Esse an\u00fancio teve sempre, para os te\u00f3logos de Israel, um claro sabor messi\u00e2nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, o relato de Mateus faz uma refer\u00eancia ao rei que governava a Palestina na altura do nascimento de Jesus: Herodes, chamado \u201co Grande\u201d, falecido no ano 4 a.C., cerca de dois anos ap\u00f3s o nascimento de Jesus. Embora se tenha distinguido pelas grandes obras que levou a cabo, foi um rei cruel e desp\u00f3tico, sempre pronto a matar para defender o seu trono. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Em primeiro lugar, atentemos nas atitudes das v\u00e1rias personagens que Mateus nos apresenta em confronto com Jesus: os \u201cmagos\u201d, Herodes, os pr\u00edncipes dos sacerdotes e os escribas do povo\u2026 Diante de Jesus, a \u201cluz salvadora\u201d enviada por Deus, estes distintos personagens assumem atitudes diversas, que v\u00e3o desde a adora\u00e7\u00e3o (os \u201cmagos\u201d), at\u00e9 \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o total (Herodes), passando pela indiferen\u00e7a (os sacerdotes e os escribas: nenhum deles se preocupou em ir ao encontro desse Messias que eles conheciam bem dos textos sagrados). Com qual destes grupos nos identificamos? Ser\u00e1 poss\u00edvel sermos \u201ccrist\u00e3os praticantes\u201d, andarmos envolvidos nas atividades da comunidade crist\u00e3 e, simultaneamente, passarmos ao lado das propostas de Jesus? N\u00f3s, os que conhecemos as Escrituras, lev\u00e1mo-las a s\u00e9rio quando elas nos desafiam \u00e0 convers\u00e3o, ao compromisso, \u00e0 op\u00e7\u00e3o clara pelos valores do Evangelho?<\/li>\n<li>Os \u201cmagos\u201d s\u00e3o os \u201chomens dos sinais\u201d, que sabem ver na \u201cestrela\u201d o sinal da chegada da luz libertadora de Deus. Talvez hoje, com toda a press\u00e3o que a vida nos coloca, n\u00e3o consigamos ter tempo para olhar para o c\u00e9u, \u00e0 procura dos sinais de Deus; talvez a vida nos obrigue a andar de olhos no ch\u00e3o, ocupados em coisas bem rasteiras e materiais\u2026 Mas a aventura da exist\u00eancia ter\u00e1 mais cor se arranjarmos tempo para parar, para meditar, para falar com Deus, para escutar as suas indica\u00e7\u00f5es, para tentar ler os sinais que Ele vai colocando ao longo do nosso caminho\u2026 A nossa peregrina\u00e7\u00e3o pela terra n\u00e3o far\u00e1 mais sentido se aprendermos a ler os acontecimentos da nossa hist\u00f3ria e da nossa vida \u00e0 luz de Deus?<\/li>\n<li>O relato de Mateus sublinha, por outro lado, a \u201cdesinstala\u00e7\u00e3o\u201d dos \u201cmagos\u201d: eles descobriram a \u201cestrela\u201d e, imediatamente, deixaram tudo para procurar Jesus. O risco da viagem, a incomodidade do caminho, o confronto com o desconhecido, nada os impediu de partir. Somos capazes da mesma atitude de desinstala\u00e7\u00e3o, ou estamos demasiado agarrados ao nosso sof\u00e1, ao nosso colch\u00e3o especial, ao nosso comando da televis\u00e3o, ao nosso computador, \u00e0 nossa zona de conforto, \u00e0 nossa seguran\u00e7a, ao nosso comodismo? Somos capazes de deixar tudo para responder aos apelos que Jesus nos faz, muitas vezes atrav\u00e9s dos irm\u00e3os que necessitam da nossa ajuda e do nosso cuidado?<\/li>\n<li>Os \u201cmagos\u201d representam os homens de todo o mundo que v\u00e3o ao encontro de Cristo, que acolhem a proposta libertadora que Ele traz e que se prostram diante d\u2019Ele. \u00c9 a imagem da Igreja \u2013 essa fam\u00edlia de irm\u00e3os, constitu\u00edda por gente de muitas cores e ra\u00e7as, que aderem a Jesus e que O reconhecem como o seu Senhor. Estamos bem conscientes de que Jesus \u00e9 o centro para o qual todos convergimos e do qual irradia a luz salvadora que ilumina a nossa vida e a vida do mundo? E, quando olhamos para os irm\u00e3os e irm\u00e3s que connosco se re\u00fanem \u00e0 volta de Jesus, sentimos a comunh\u00e3o, a fraternidade, os la\u00e7os de fam\u00edlia que a todos nos ligam?<\/li>\n<li>Os \u201cmagos\u201d, depois de se encontrarem com Jesus e de o reconhecerem como \u201co Senhor\u201d, \u201cregressaram ao seu pa\u00eds por outro caminho\u201d. O encontro com o Menino do pres\u00e9pio tem sido, nestes dias, um momento de confronto que nos leva a reequacionar a nossa vida, os nossos valores e op\u00e7\u00f5es, e a enveredar por um caminho novo, mais simples, mais humilde, mais fraterno, mais humano? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Santa-Maria-Mae-de-Deus-Ano-A-01.01.2026-Lecionario.pdf\">Santa Maria, M\u00e3e de Deus &#8211; Ano A &#8211; 01.01.2026 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Santa-Maria-Mae-de-Deus-Ano-A-01.01.2026-Oracao-Universal.pdf\">Santa Maria, M\u00e3e de Deus &#8211; Ano A &#8211; 01.01.2026 -Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Leitura-I-do-Domingo-da-Epifania-Ano-A-04.01.2026-Isaias-60-1-6.pdf\">Leitura I do Domingo da Epifania &#8211; Ano A &#8211; 04.01.2026 (Isa\u00edas 60, 1-6)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Leitura-II-do-Domingo-da-Epifania-Ano-A-04.01.2026-Efesios-3-2-3a.5-6.pdf\">Leitura II do Domingo da Epifania &#8211; Ano A &#8211; 04.01.2026 (Ef\u00e9sios 3, 2-3a.5-6)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-da-Epifania-Ano-A-04.01.2026-Lecionario.pdf\">Domingo da Epifania &#8211; Ano A &#8211; 04.01.2026 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-da-Epifania-Ano-A-04.01.2026-Oracao-Universal.pdf\">Domingo da Epifania &#8211; Ano A &#8211; 04.01.2026 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Domingo-da-Epifania-do-Senhor-Ano-A-04.01.2026-refletindo.pdf\">Domingo da Epifania do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 04.01.2026 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/A-Mesa-da-Palavra-explicada-Domingo-da-Epifania-do-Senhor-Ano-A-04.01.2026.pdf\">A Mesa da Palavra explicada &#8211; Domingo da Epifania do Senhor &#8211; Ano A &#8211; 04.01.2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Mensagem-do-Papa-Leao-XIV-59o-Dia-Mundial-da-Paz.pdf\">Mensagem do Papa Le\u00e3o XIV &#8211; 59\u00ba Dia Mundial da Paz<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_tta_section][\/vc_tta_accordion][\/vc_column][\/vc_row][vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1596131586623{padding-top: 0px !important;padding-bottom: 100px !important;}&#8221;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1540304338338{padding-right: 27px !important;padding-left: 27px !important;}&#8221;][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_text_separator title=&#8221;Eucaristia pelo Facebook&#8221; 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