{"id":6933,"date":"2020-07-15T15:48:01","date_gmt":"2020-07-15T15:48:01","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=6933"},"modified":"2026-10-12T09:32:43","modified_gmt":"2026-10-12T08:32:43","slug":"liturgia-da-palavra","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=6933","title":{"rendered":"Liturgia da Palavra"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\" id=\"wpb-content-root\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h4><span style=\"font-size: 16.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;\">Domingo XXIX do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 18.10.2026<\/span><\/h4>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-12653\" style=\"color: inherit; font-family: inherit; font-size: inherit;\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Domingo-XXIX.jpg\" alt=\"\" width=\"763\" height=\"639\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver a Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus criador e redentor do g\u00e9nero humano, por amor, criou cada homem e cada mulher. Moldando-nos com as Suas m\u00e3os de h\u00e1bil oleiro ama-nos e recria-nos pela for\u00e7a transformadora do Seu amor. O Deus que ama, escolhe e chama para a miss\u00e3o, convoca-nos a todos para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais fraterno e mais justo. Ser feliz, seguindo a proposta de amor que Jesus tem para cada um de n\u00f3s, \u00e9 colocar a nossa vida nas m\u00e3os de Deus e disponibilizar o nosso cora\u00e7\u00e3o para que se realize em n\u00f3s a Sua obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Apesar de mal-intencionados, fariseus e herodianos descrevem Jesus de modo assertivo e surpreendente: \u00ab<em>Mestre, sabemos que \u00e9s sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem Te deixares influenciar por ningu\u00e9m, pois n\u00e3o fazes ace\u00e7\u00e3o de pessoas<\/em>\u00bb. Jesus, o Mestre sincero, n\u00e3o deixa ningu\u00e9m de fora e a todos quer conduzir ao cora\u00e7\u00e3o do Pai. Tem para cada homem e cada mulher um des\u00edgnio de amor e, na miss\u00e3o que o Pai lhe confiou, n\u00e3o quer que nenhum se perca. Desafia-nos a dar a Deus tudo o que a Ele lhe pertence e ensina-nos a arte de nos relacionarmos com os bens e poderes temporais dando-lhes tamb\u00e9m o que lhe \u00e9 devido. Se somos obra das m\u00e3os de Deus, dar a Deus o que \u00e9 de Deus significa oferecer a nossa vida toda para que o Reino de Deus se instaure no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na Liturgia da Palavra deste Domingo, chama-me particular aten\u00e7\u00e3o a consci\u00eancia de que Deus vai operando na hist\u00f3ria por meio de homens e mulheres, que apesar da sua fragilidade, encontram a for\u00e7a e seguran\u00e7a das suas vidas na miss\u00e3o que o Senhor lhes confia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ciro, rei da P\u00e9rsia, conquista a Babil\u00f3nia e faz os israelitas sonhar com a liberta\u00e7\u00e3o. O povo de Israel sabe que \u00e9 Deus quem conduz a hist\u00f3ria e questiona-se ao saber ser um rei estrangeiro a concretizar o processo de liberta\u00e7\u00e3o do ex\u00edlio. Contudo, o rei Ciro \u00e9 o ungido do Senhor, para conduzir o povo e escrever como instrumento de Deus a hist\u00f3ria da liberta\u00e7\u00e3o do Povo de Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Deus ama o Seu Povo e escolhe homens e mulheres que sejam presen\u00e7a pr\u00f3xima do povo para operar as Suas maravilhas. Foi assim com Ciro como foi assim ao longo da hist\u00f3ria com tantos homens e mulheres escolhidos e enviados por Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 esta certeza que proclama S. Paulo quando se dirige aos tessalonicenses: \u00ab<em>n\u00f3s sabemos, irm\u00e3os amados por Deus, como fostes escolhidos<\/em>\u00bb. Paulo, Silvano e Tim\u00f3teo s\u00e3o testemunhos deste mesmo amor que escolhe e envia. A eles juntam-se tantos outros que n\u00e3o apenas por palavras, mas, \u00ab<em>mas tamb\u00e9m com obras poderosas, com a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo<\/em>\u00bb realizam a miss\u00e3o que o Senhor lhes confiou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Conscientes da nossa fragilidade e pequenez, n\u00f3s somos convidados a responder afirmativa e disponivelmente ao projeto de amor que Deus tem para n\u00f3s. A Igreja \u00e9 pela sua pr\u00f3pria natureza mission\u00e1ria, isto \u00e9, enquanto Povo de Deus reunido na unidade do Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo, \u00e9 chamada a levar a todos o amor da Sant\u00edssima Trindade. Como batizados somos chamados na comunh\u00e3o e unidade, a levar a todos a certeza do amor de Deus que convoca e envia, que chama e constitui em miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00ab<em>Dai a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar e a Deus o que \u00e9 de Deus<\/em>\u00bb. Porventura, poder\u00edamos perguntar-nos: mas o que \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 de Deus? Se Deus \u00e9 o criador de todas as coisas, tudo lhe pertence. N\u00e3o obstante a autonomia das realidades temporais que somos chamados a reconhecer e colaborar, reconhecemos que tudo pertence a Deus. Se na imagem e inscri\u00e7\u00e3o da moeda do tributo est\u00e1 C\u00e9sar, no rosto de cada homem e de cada mulher est\u00e1 impressa a imagem de Deus \u00e0 semelhan\u00e7a do Qual fomos criados. Por isso, se o tributo deve ser dado a C\u00e9sar, as nossas vidas devem ser oferecidas a Deus e colocadas ao Seu servi\u00e7o para a salva\u00e7\u00e3o de todos. <strong><em>in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Neste <strong>Domingo XXIX do Tempo Comum<\/strong> celebra-se o <strong>Dia Mundial das Miss\u00f5es<\/strong>. Para este ano o <strong>Papa Le\u00e3o XIV escreveu uma mensagem intitulada \u00abUm em Cristo, unidos na miss\u00e3o\u00bb (ver a Mensagem do Papa Le\u00e3o XIV em anexo)<\/strong> Neste Domingo, tal como indica o diret\u00f3rio, onde se realizam celebra\u00e7\u00f5es especiais pelas miss\u00f5es, pode dizer-se a Missa \u201cPela evangeliza\u00e7\u00e3o dos povos\u201d (MR, p. 1208). Os fi\u00e9is s\u00e3o tamb\u00e9m convidados a colaborar materialmente com as necessidades das miss\u00f5es para que o Evangelho possa chegar a todos os homens e mulheres. Contudo, que esta seja, sobretudo, uma jornada de ora\u00e7\u00e3o, para que a comunidade crist\u00e3 renove a certeza de que a Igreja \u00e9, por sua pr\u00f3pria natureza, mission\u00e1ria e s\u00f3 realizar\u00e1 plenamente a sua voca\u00e7\u00e3o se viver em permanente estado de miss\u00e3o. <strong><em>in Voz Portucalense.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>+ + + + + ++ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Estamos no ano lit\u00fargico <strong>\u2013 2025\/2026, o Ano A. <\/strong>Acompanhamos o evangelista S. Mateus em grande parte das proclama\u00e7\u00f5es do Evangelho. Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser oportuna uma proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, como prepara\u00e7\u00e3o complementar, \u00e9, certamente, oportuna a proposta de forma\u00e7\u00e3o para todos os fi\u00e9is acerca do Evangelho de S. Mateus. H\u00e1 muita ignor\u00e2ncia e confus\u00e3o sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os crist\u00e3os da nossa comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E fizemos isso\u2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong>Em anexo \u00e0 Liturgia da Palavra e, tamb\u00e9m, num separador pr\u00f3prio, da p\u00e1gina da par\u00f3quia de Vilar de Andorinho, ficar\u00e1 dispon\u00edvel um texto sobre o evangelista Mateus<\/strong>. Poder\u00e3o melhorar os conhecimentos b\u00edblicos \u2013 Novo Testamento e Antigo Testamento \u2013 em <a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/\">https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/fbiblica\/<\/a>.Proporciona-se a todos os fi\u00e9is, um maior conhecimento deste precioso tesouro que \u00e9 a Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA I<\/strong> <strong>\u2013 <\/strong><strong>Isa\u00edas 45,1.4-6<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assim fala o Senhor a Ciro, seu ungido,<br \/>\na quem tomou pela m\u00e3o direita,<br \/>\npara subjugar diante dele as na\u00e7\u00f5es<br \/>\ne fazer cair as armas da cintura dos reis,<br \/>\npara abrir as portas \u00e0 sua frente,<br \/>\nsem que nenhuma lhe seja fechada:<br \/>\n\u00abPor causa de Jacob, meu servo, e de Israel, meu eleito,<br \/>\nEu te chamei pelo teu nome e te dei um t\u00edtulo glorioso,<br \/>\nquando ainda n\u00e3o Me conhecias.<br \/>\nEu sou o Senhor e n\u00e3o h\u00e1 outro;<br \/>\nfora de Mim n\u00e3o h\u00e1 Deus.<br \/>\nEu te cingi, quando ainda n\u00e3o Me conhecias,<br \/>\npara que se saiba, do Oriente ao Ocidente,<br \/>\nque fora de Mim n\u00e3o h\u00e1 outro.<br \/>\nEu sou o Senhor e mais ningu\u00e9m\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00b4\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto da primeira leitura deste domingo pertence ao \u201cLivro da Consola\u00e7\u00e3o\u201d, do Deutero-Isa\u00edas (cf. Is 40-55). \u201cDeutero-Isa\u00edas\u201d \u00e9 um nome convencional com que os biblistas designam um profeta an\u00f3nimo, certamente da escola de Isa\u00edas, que cumpriu a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica na Babil\u00f3nia, entre os exilados de Jud\u00e1, na fase final do Ex\u00edlio (entre os anos 550 e 539 a.C., provavelmente). Os or\u00e1culos por ele proferidos destinam-se a \u201cconsolar\u201d e a dar esperan\u00e7a aos exilados, desalentados e abatidos ap\u00f3s d\u00e9cadas de sofrimento numa terra estrangeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Durante o reinado de Nab\u00f3nides, rei da Babil\u00f3nia (556\u2013539 a.C.), desponta na P\u00e9rsia uma figura que rapidamente se imp\u00f5e no cen\u00e1rio pol\u00edtico internacional\u2026 Em 553 a.C. Ciro, rei dos Persas, conquista a capital da M\u00e9dia (Ecb\u00e1tana) e junta no mesmo imp\u00e9rio os Medos e os Persas. Pouco depois, em 547 a.C., Ciro lan\u00e7a o seu ex\u00e9rcito contra a L\u00eddia, conquista Sardes e apodera-se da maior parte da \u00c1sia Menor. Nos anos seguintes, uma s\u00e9rie de vit\u00f3rias fulgurantes d\u00e3o-lhe o dom\u00ednio do Ir\u00e3o oriental, do Afeganist\u00e3o e do Turquest\u00e3o, at\u00e9 \u00e0 \u00cdndia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Fortalecido em ouro e em homens, Ciro dirige, em seguida, os seus ex\u00e9rcitos contra a Babil\u00f3nia; e, em 539 a.C., entra vitorioso na capital babil\u00f3nica onde, sem qualquer oposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 recebido como libertador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A atividade prof\u00e9tica do Deutero-Isa\u00edas desenvolve-se nos anos que precederam a entrada vitoriosa de Ciro na Babil\u00f3nia\u2026 Para os exilados, \u00e9 uma \u00e9poca de grandes expetativas: as not\u00edcias que lhes chegam sobre as vit\u00f3rias de Ciro fazem os exilados sonhar com a proximidade da liberta\u00e7\u00e3o do cativeiro. \u00c0 alegria pela liberta\u00e7\u00e3o iminente juntam-se, no entanto, algumas interroga\u00e7\u00f5es inquietantes\u2026 Ent\u00e3o o libertador que Jud\u00e1 ansiosamente aguarda n\u00e3o vai sair do meio do Povo de Deus, mas ser\u00e1 um rei estrangeiro? E quando a liberta\u00e7\u00e3o se concretizar, a quem dever\u00e1 ser atribu\u00edda: a Jav\u00e9, o Deus dos exilados judeus, a Marduk, o deus principal da mitologia babil\u00f3nica, ou a algum outro deus do universo religioso dos persas? Jav\u00e9 ter-se-\u00e1 desinteressado e afastado do seu Povo, ou ter\u00e1 perdido o seu poder?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Trata-se de um problema teol\u00f3gico que, para os exilados, adquire contornos inquietantes. Em jogo poder\u00e1 estar todo o sistema religioso sobre o qual o povo de Deus apoia a sua f\u00e9. O Deutero-Isa\u00edas vai procurar formular respostas que ajudem os exilados a entender o papel e o lugar de Jav\u00e9 nos acontecimentos hist\u00f3ricos que est\u00e3o a desenrolar-se. <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>As d\u00favidas, inquieta\u00e7\u00f5es e perplexidades da gente de Jud\u00e1 exilada na Babil\u00f3nia n\u00e3o nos s\u00e3o estranhas: tamb\u00e9m n\u00f3s, diante dos acontecimentos que marcam a hist\u00f3ria deste tempo que nos tocou viver, sentimo-nos perdidos, assustados, \u00e0 deriva, um pouco como um barco sem leme\u2026 Perguntamo-nos: onde est\u00e1 Deus, quando a hist\u00f3ria humana avan\u00e7a por caminhos tortuosos? Ele preocupa-Se, realmente, com os homens? Qual o seu papel na condu\u00e7\u00e3o dos destinos do mundo? Porque \u00e9 que Ele deixa que os homens inventem esquemas sofisticados de destrui\u00e7\u00e3o e de morte, cultivem a explora\u00e7\u00e3o e a injusti\u00e7a, mantenham tantos homens e mulheres amarrados \u00e0 mis\u00e9ria e \u00e0 escravid\u00e3o? \u00c9 poss\u00edvel que n\u00e3o tenhamos respostas claras para estas quest\u00f5es\u2026 No entanto, a primeira leitura deste domingo garante-nos: Deus nunca perde o controlo da hist\u00f3ria e nunca abandona os seus filhos que peregrinam na terra. Ele encontra sempre forma de intervir no mundo e de concretizar os seus projetos de salva\u00e7\u00e3o. Talvez as interven\u00e7\u00f5es de Deus nem sempre estejam de acordo com as nossas regras, as nossas l\u00f3gicas, os nossos desejos, os nossos calend\u00e1rios; talvez nem sempre consigamos perceber o verdadeiro alcance dos projetos de Deus\u2026 Mas Deus, o Senhor da hist\u00f3ria, continuar\u00e1 a conduzir o mundo de acordo com o seu plano. Resta-nos confiar n\u2019Ele e entregarmo-nos nas suas m\u00e3os. Acreditamos que o mundo e a hist\u00f3ria dos homens est\u00e3o na m\u00e3o de Deus? O que \u00e9 que isso nos faz sentir?<\/li>\n<li>A interven\u00e7\u00e3o de Deus no mundo e na hist\u00f3ria dos homens n\u00e3o se processa, habitualmente, atrav\u00e9s de gestos espetaculares, de fen\u00f3menos extraordin\u00e1rios ca\u00eddos do c\u00e9u, ou de manifesta\u00e7\u00f5es que nos deixam espantados, temerosos e sem f\u00f4lego\u2026 Deus n\u00e3o \u00e9 um exibicionista que gosta de recorrer a passes m\u00e1gicos para nos impressionar. Em geral, Ele atua no mundo com discri\u00e7\u00e3o e recato, atrav\u00e9s de pessoas \u2013 muitas vezes pessoas limitadas, pecadoras, \u201cnormais\u201d \u2013 que s\u00e3o chamadas a ser, no meio dos seus irm\u00e3os, sinais vivos de Deus, testemunhas da bondade, do amor, da ternura e da miseric\u00f3rdia de Deus. Estaremos tamb\u00e9m n\u00f3s envolvidos nesta hist\u00f3ria de chamamento e de envio? Deus contar\u00e1 connosco \u2013 apesar das nossas fragilidades e incongru\u00eancias \u2013 para, atrav\u00e9s de n\u00f3s, fazer nascer um mundo mais justo, mais humano e mais feliz? Estamos dispon\u00edveis para acolher o chamamento de Deus e para abra\u00e7ar a miss\u00e3o que Ele entender confiar-nos?<\/li>\n<li>Os exilados esperavam ansiosamente a interven\u00e7\u00e3o de Deus para os salvar do Ex\u00edlio e para os fazer retornar a Jerusal\u00e9m\u2026 O que n\u00e3o contavam \u00e9 que Deus atuasse atrav\u00e9s de um pag\u00e3o, de um rei estrangeiro que n\u00e3o conhecia Jav\u00e9 e n\u00e3o fazia parte do povo de Deus. Deus \u00e9 assim: Ele nunca se deixa encerrar dentro das fronteiras que tentamos impor-lhe; Ele salta sempre por cima das nossas barreiras de ra\u00e7a, de cor, de poder econ\u00f3mico, de estatuto social, para nos dizer que todos s\u00e3o seus filhos e que conta com todos para concretizar o seu projeto para o mundo e para os homens; Ele recusa-se a dividir o mundo entre \u201cbons\u201d e \u201cmaus\u201d, entre \u201cdignos\u201d e \u201cindignos\u201d, entre \u201csantos\u201d e pecadores\u201d, entre os que s\u00e3o \u201cdos nossos\u201d e os que s\u00e3o \u201cde fora\u201d\u2026 \u00c9 esta tamb\u00e9m a nossa forma de ver as coisas? O nosso olhar sobre o mundo e sobre os homens \u00e9 inclusivo e fraterno, ou \u00e9 discriminat\u00f3rio e intolerante? <strong><em>i<\/em><\/strong><strong><em>n Dehonianos.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SALMO RESPONSORIAL \u2013 <\/strong><strong>Salmo 95 (96)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refr\u00e3o: Aclamai a gl\u00f3ria e o poder do Senhor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cantai ao Senhor um c\u00e2ntico novo,<br \/>\ncantai ao Senhor, terra inteira.<br \/>\nPublicai entre as na\u00e7\u00f5es a sua gl\u00f3ria,<br \/>\nem todos os povos as suas maravilhas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Senhor \u00e9 grande e digno de louvor,<br \/>\nmais tem\u00edvel que todos os deuses.<br \/>\nOs deuses dos gentios n\u00e3o passam de \u00eddolos,<br \/>\nfoi o Senhor quem fez os c\u00e9us.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dai ao Senhor, \u00f3 fam\u00edlia dos povos,<br \/>\ndai ao Senhor Gl\u00f3ria e poder.<br \/>\nDai ao Senhor a gl\u00f3ria do seu nome,<br \/>\nlevai-Lhe oferendas e entrai nos seus \u00e1trios.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Adorai o Senhor com ornamentos sagrados,<br \/>\ntrema diante d\u2019Ele a terra inteira.<br \/>\nDizei entre as na\u00e7\u00f5es: \u00abO Senhor \u00e9 rei\u00bb,<br \/>\ngoverna os povos com equidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEITURA II \u2013 <\/strong><strong>1 Tessalonicenses 1,1-5b<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Paulo, Silvano e Tim\u00f3teo \u00e0 Igreja dos Tessalonicenses,<br \/>\nque est\u00e1 em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo:<br \/>\nA gra\u00e7a e a paz estejam convosco.<br \/>\nDamos continuamente gra\u00e7as a Deus por todos v\u00f3s,<br \/>\nao fazermos men\u00e7\u00e3o de v\u00f3s nas nossas ora\u00e7\u00f5es.<br \/>\nRecordamos a atividade da vossa f\u00e9,<br \/>\no esfor\u00e7o da vossa caridade e a firmeza da vossa esperan\u00e7a<br \/>\nem Nosso Senhor Jesus Cristo,<br \/>\nna presen\u00e7a de Deus, nosso Pai.<br \/>\nN\u00f3s sabemos, irm\u00e3os amados por Deus,<br \/>\ncomo fostes escolhidos.<br \/>\nO nosso Evangelho n\u00e3o vos foi pregado somente com palavras,<br \/>\nmas tamb\u00e9m com obras poderosas,<br \/>\ncom a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tessal\u00f3nica era, no s\u00e9culo I da nossa era, a cidade mais importante da Maced\u00f3nia. Porto mar\u00edtimo e cidade de intenso com\u00e9rcio, era uma encruzilhada religiosa, na qual os cultos locais coexistiam lado a lado com todo o tipo de propostas religiosas vindas de todo o Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A cidade foi evangelizada por Paulo durante a sua segunda viagem mission\u00e1ria, muito provavelmente no Inverno dos anos 49-50. Paulo chegou a Tessal\u00f3nica acompanhado de Silvano e Tim\u00f3teo, depois de ter sido for\u00e7ado a deixar a cidade de Filipos. Esteve na cidade cerca de tr\u00eas meses; mas esse curto espa\u00e7o de tempo foi o suficiente para que se constitu\u00edsse, \u00e0 volta da prega\u00e7\u00e3o de Paulo, uma comunidade crist\u00e3 numerosa e entusiasta, constitu\u00edda maioritariamente por pag\u00e3os convertidos ao Evangelho. A obra de Paulo foi brutalmente interrompida, ao fim desses breves meses, pela rea\u00e7\u00e3o da col\u00f3nia judaica\u2026 Os judeus acusaram Paulo de agir contra os decretos do imperador e levaram alguns crist\u00e3os diante dos magistrados da cidade (cf. At 17,5-9). Paulo teve de deixar a cidade \u00e0 pressa, de noite, indo para Bereia e, depois, para Atenas (cf. At 17,10-15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entretanto, Paulo tinha a consci\u00eancia de que a forma\u00e7\u00e3o doutrinal da comunidade crist\u00e3 de Tessal\u00f3nica ainda deixava muito a desejar. A jovem comunidade, fundada h\u00e1 pouco tempo e ainda insuficientemente catequizada, estava quase desarmada nesse contexto adverso de persegui\u00e7\u00e3o e de prova\u00e7\u00e3o (cf. 1Ts 3,1-10). Preocupado, Paulo enviou Tim\u00f3teo a Tessal\u00f3nica, a fim de saber not\u00edcias e encorajar os tessalonicenses na f\u00e9 (cf. 1Ts 3,2-5). Depois de ter estado em Tessal\u00f3nica, Tim\u00f3teo reencontrou Paulo em Corinto. Confortado pelas informa\u00e7\u00f5es dadas por Tim\u00f3teo, Paulo decidiu escrever aos crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica, felicitando-os pela sua fidelidade ao Evangelho. Aproveitou tamb\u00e9m para esclarecer algumas d\u00favidas doutrinais que inquietavam os tessalonicenses e para corrigir alguns aspetos menos exemplares da vida da comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Primeira Carta aos Tessalonicenses \u00e9, com toda a probabilidade, o primeiro escrito do Novo Testamento. Apareceu na Primavera-Ver\u00e3o do ano 50 ou 51.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O texto que a liturgia deste domingo nos prop\u00f5e como primeira leitura \u00e9 o in\u00edcio da Primeira Carta aos Tessalonicenses. O texto inclui a indica\u00e7\u00e3o dos remetentes e dos destinat\u00e1rios da Carta. <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Apesar de terem tido uma catequese incipiente e de terem sofrido a hostilidade dos seus concidad\u00e3os, os crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica abra\u00e7aram com entusiasmo e determina\u00e7\u00e3o o Evangelho de Jesus; em condi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, deram mostras de uma f\u00e9 viva, de uma caridade concretizada em obras, de uma esperan\u00e7a firme nessa vida nova prometida por Deus a todos os seus queridos filhos. Ora, o testemunho dos crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica constitui, para n\u00f3s, uma contundente interpela\u00e7\u00e3o\u2026 Depois de muitos anos de catequese e de compromisso com Jesus, como vivemos o nosso compromisso crist\u00e3o: com um entusiasmo sempre renovado e sempre coerente, ou com o desleixo e a indiferen\u00e7a de quem est\u00e1 instalado numa f\u00e9 morna e pouco exigente? A nossa f\u00e9 \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de palavras, de f\u00f3rmulas, de dogmas, de doutrina, ou expressa-se num compromisso efetivo com a transforma\u00e7\u00e3o da nossa vida, da nossa fam\u00edlia, da nossa comunidade, do mundo onde caminhamos? O nosso amor traduz-se em atitudes concretas de partilha, de doa\u00e7\u00e3o, de solidariedade, de servi\u00e7o, de luta contra tudo o que oprime e fere os nossos irm\u00e3os mais pequeninos? A nossa esperan\u00e7a mant\u00e9m-nos serenos e confiantes, de olhos postos nesse futuro novo que Deus nos reserva, apesar das vicissitudes, das dificuldades, das incompreens\u00f5es que dia a dia temos de enfrentar?<\/li>\n<li>Paulo, Silvano e Tim\u00f3teo sentem-se verdadeiramente \u201ctocados\u201d pelo belo testemunho dos crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica. Aquela comunidade crist\u00e3 que vive serenamente a sua f\u00e9 em condi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis e que multiplica os gestos de bondade e de amor \u00e9 uma \u201cboa not\u00edcia\u201d. Talvez, em pleno s\u00e9c. XXI, na era digital, estejamos a perder a sensibilidade para essas \u201cboas not\u00edcias\u201d, as not\u00edcias que fazem brilhar a luz na \u201cnoite\u201d do mundo\u2026 N\u00e3o \u00e9 verdade que prestamos muito mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas negativas, escandalosas, dram\u00e1ticas, amea\u00e7adoras, do que aos sinais de bondade, de generosidade, de solidariedade, de amor verdadeiro, que acontecem \u00e0 nossa volta? N\u00e3o poder\u00edamos publicitar mais a \u201cluz\u201d do que as \u201ctrevas\u201d? Se aprend\u00eassemos a reparar nas coisas belas que existem por todo o lado, n\u00e3o ter\u00edamos uma compreens\u00e3o mais positiva da exist\u00eancia e n\u00e3o encarar\u00edamos a vida com mais esperan\u00e7a?<\/li>\n<li>Paulo, Silvano e Tim\u00f3teo, ao verem como os crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica vivem a sua experi\u00eancia crist\u00e3, sentem uma irreprim\u00edvel vontade de louvar e de agradecer a Deus. Eles t\u00eam consci\u00eancia de que, por detr\u00e1s de tudo o que est\u00e1 a acontecer na comunidade crist\u00e3 de Tessal\u00f3nica, est\u00e1 Deus. N\u00f3s tamb\u00e9m somos testemunhas, a cada momento, de tantos e tantos gestos de bondade, de solidariedade, de doa\u00e7\u00e3o, de generosidade, de servi\u00e7o, de amor, que acontecem por todo o lado\u2026 Vemos nesses gestos a a\u00e7\u00e3o bondosa e amorosa de Deus? Sentimo-nos gratos por tudo o que Deus vai fazendo no mundo, nas nossas comunidades, na vida das nossas fam\u00edlias? O nosso reconhecimento diante da bondade e do amor de Deus traduz-se em louvor e a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EVANGELHO \u2013 <\/strong><strong>Mateus 22,15-21<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Naquele tempo,<br \/>\nos fariseus reuniram-se para deliberar<br \/>\nsobre a maneira de surpreender Jesus no que dissesse.<br \/>\nEnviaram-Lhe alguns dos seus disc\u00edpulos,<br \/>\njuntamente com os herodianos, e disseram-Lhe:<br \/>\n\u00abMestre, sabemos que \u00e9s sincero<br \/>\ne que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus,<br \/>\nsem Te deixares influenciar por ningu\u00e9m,<br \/>\npois n\u00e3o fazes ace\u00e7\u00e3o de pessoas.<br \/>\nDiz-nos o teu parecer:<br \/>\n\u00c9 l\u00edcito ou n\u00e3o pagar tributo a C\u00e9sar?\u00bb.<br \/>\nJesus, conhecendo a sua mal\u00edcia, respondeu:<br \/>\n\u00abPorque Me tentais, hip\u00f3critas?<br \/>\nMostrai-me a moeda do tributo\u00bb.<br \/>\nEles apresentaram-Lhe um den\u00e1rio,<br \/>\ne Jesus perguntou:<br \/>\n\u00abDe quem \u00e9 esta imagem e esta inscri\u00e7\u00e3o?\u00bb.<br \/>\nEles responderam: \u00abDe C\u00e9sar\u00bb.<br \/>\nDisse-lhes Jesus:<br \/>\n\u00abEnt\u00e3o, da\u00ed a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar<br \/>\ne a Deus o que \u00e9 de Deus\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Falta pouco tempo para a celebra\u00e7\u00e3o da festa da P\u00e1scoa e Jesus est\u00e1 em Jerusal\u00e9m, acompanhado dos seus disc\u00edpulos. Ele passa a maior parte do dia no templo, provavelmente no \u00c1trio dos Gentios, a ensinar e a falar do reino de Deus. Os l\u00edderes religiosos judaicos n\u00e3o O perdem de vista. Instalados nas suas certezas e preconceitos, contestam abertamente Jesus e recusam-se a acolher a proposta do reino de Deus. Jesus, por seu lado, procura faz\u00ea-los entender que, ao recusar o reino de Deus, est\u00e3o a rejeitar a oferta de salva\u00e7\u00e3o que Deus lhes faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para ilustrar com clareza a situa\u00e7\u00e3o em que os l\u00edderes religiosos se colocaram, Jesus conta-lhes tr\u00eas par\u00e1bolas. Na primeira, identifica-os com um filho que escutou e aceitou o convite do pai para ir trabalhar na vinha familiar, mas que afinal n\u00e3o chegou a fazer aquilo que o pai lhe pediu (cf. Mt 21,28-32); na segunda, equipara-os a uns vinhateiros maus, que recusaram enviar ao propriet\u00e1rio da vinha os frutos que lhe pertenciam por direito e que, para c\u00famulo, ainda tiveram a ousadia de matar o filho do dono da vinha (cf. Mt 21,33-46); na terceira, compara-os a convidados indignos, que se atreveram a rejeitar o convite de um rei para participar no banquete nupcial do seu filho (cf. Mt 22,1-14). S\u00e3o hist\u00f3rias fortes e contundentes, que irritam os l\u00edderes. Estes come\u00e7am a preparar o terreno para silenciar Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 neste contexto que Mateus nos vai apresentar tr\u00eas controv\u00e9rsias entre Jesus e os l\u00edderes religiosos de Israel (cf. Mt 22,15-22.23-33.34-40). Em qualquer uma delas, o objetivo dos dirigentes \u00e9 surpreender alguma afirma\u00e7\u00e3o de Jesus que possa depois ser usada para uma condena\u00e7\u00e3o em tribunal (cf. Mt 22,15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A primeira dessas controv\u00e9rsias \u2013 a que nos \u00e9 apresentada no Evangelho do vig\u00e9simo nono Domingo do Tempo Comum \u2013 diz respeito a uma quest\u00e3o muito discutida, de implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e tamb\u00e9m religiosas: a obriga\u00e7\u00e3o de pagar o tributo ao imperador romano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Al\u00e9m dos impostos indiretos (portagens, direitos alfandeg\u00e1rios, taxas de vendas\u2026), todos os judeus adultos \u2013 mulheres e escravos inclu\u00eddos \u2013 deviam pagar anualmente um tributo estipulado por Roma. Era o tributum capitis (\u201cimposto por cabe\u00e7a\u201d), institu\u00eddo quando a Judeia se tornou uma prov\u00edncia romana direta, no ano 6 d.C. Para os judeus, no entanto, o pagamento deste imposto era problem\u00e1tico\u2026 Antes de mais, por um motivo religioso: a moeda romana do imposto (o den\u00e1rio) ostentava a imagem do imperador e a inscri\u00e7\u00e3o &#8220;Filho do Divino Augusto&#8221; (\u201cTiberius Caesar, Divi Augusti Filius Augustus\u201d), o que violava os mandamentos contra a idolatria; depois, por um motivo pol\u00edtico: pagar o imposto significava reconhecer a soberania de um governante estrangeiro sobre a terra que pertencia unicamente a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os grupos pol\u00edtico-religiosos que coabitavam dentro do espetro social israelita tinham diversas posi\u00e7\u00f5es quanto ao pagamento do tributum capitis. Os partid\u00e1rios de Herodes e os saduceus (a alta aristocracia sacerdotal) estavam de acordo com o tributo, pois aceitavam naturalmente a sujei\u00e7\u00e3o a Roma. Os movimentos revolucion\u00e1rios, por sua vez, estavam frontalmente contra, pois consideravam o imperador um usurpador do poder que s\u00f3 pertencia a Jav\u00e9. Os fariseus, embora contestando o tributo, tinham uma posi\u00e7\u00e3o interm\u00e9dia: pagavam-no para evitar males maiores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em qualquer caso, a quest\u00e3o trazida a Jesus era uma quest\u00e3o \u201carmadilhada\u201d. Se Jesus se pronunciasse a favor do pagamento do tributo, seria acusado de colaboracionismo e de defender a usurpa\u00e7\u00e3o pelos romanos do poder que pertencia a Jav\u00e9; mas se Jesus se pronunciasse contra o pagamento do imposto, seria acusado de rebeli\u00e3o contra Roma e, certamente, executado. <strong><em>in Dehonianos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERPELA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Jesus aproveita a quest\u00e3o sobre o pagamento do imposto exigido pelo imperador de Roma para lembrar aos l\u00edderes religiosos de Israel algo que eles nunca deviam ter esquecido: a preocupa\u00e7\u00e3o fundamental do ser humano tem de ser \u201crestituir a Deus aquilo que pertence a Deus\u201d. Na verdade, o povo de Deus havia esquecido os mandamentos de Deus, vivia afastado de Deus, tinha optado por caminhos \u00e0 margem de Deus\u2026 Ao proceder dessa forma, tinha defraudado Deus. \u201cRestituir a Deus aquilo que Lhe pertence\u201d ser\u00e1, neste quadro, voltar para Deus, escutar novamente as indica\u00e7\u00f5es de Deus, colocar Deus no centro da pr\u00f3pria vida. Na verdade, a chamada de aten\u00e7\u00e3o que Jesus faz \u00e9 justa e conveniente. Servir\u00e1 tamb\u00e9m para n\u00f3s, homens e mulheres do s\u00e9c. XXI? Embalados pela embriaguez de uma liberdade sem fronteiras, entusiasmados com as conquistas da ci\u00eancia e da t\u00e9cnica, enganados pela falsa convic\u00e7\u00e3o da nossa invulnerabilidade, instalados num conforto que nos faz esquecer o essencial, decidimos que n\u00e3o precis\u00e1vamos de Deus e que pod\u00edamos, \u00e0 margem de Deus, dar sentido \u00e0 nossa vida. Assim defraudamos Deus, tiramos-lhe algo que Lhe pertencia. \u201cDevolver a Deus o que pertence a Deus\u201d n\u00e3o ser\u00e1, ent\u00e3o, regressar ao encontro de Deus, abandonar os caminhos de orgulho e de autossufici\u00eancia em que temos andado, acolher com amor e humildade os desafios de Deus, abra\u00e7ar a proposta de Deus que nos chegou atrav\u00e9s de Jesus? Estamos dispostos a isso?<\/li>\n<li>De acordo com a l\u00f3gica de Jesus, se a imagem de C\u00e9sar estava inscrita na moeda do tributo, essa moeda pertencia a C\u00e9sar e devia ser devolvida a C\u00e9sar. Do mesmo modo, se o homem e a mulher foram feitos \u00e0 \u201cimagem de Deus\u201d e transportam em si a imagem de Deus, eles pertencem a Deus e devem ser \u201cdevolvidos\u201d a Deus\u2026 No entanto, esquecemos frequentemente que cada homem e cada mulher s\u00e3o filhos queridos de Deus e pertencem a Deus. Admitimos que os \u201cc\u00e9sares\u201d do mundo criem mecanismos de injusti\u00e7a e de opress\u00e3o que s\u00e3o respons\u00e1veis pelo sofrimento e pelas l\u00e1grimas de milh\u00f5es de seres humanos; aceitamos que a ditadura de uma economia sem rosto e sem cora\u00e7\u00e3o mantenha amarrados numa mis\u00e9ria sem sa\u00edda tantos e tantos dos nossos irm\u00e3os; consentimos, com o nosso comodismo e com a nossa indiferen\u00e7a, que os mais pobres, os mais humildes, os mais fr\u00e1geis, sejam explorados, violentados, abandonados na berma da estrada que a humanidade percorre. Poderemos continuar a deixar que tantos e tantos homens e mulheres sejam vendidos, usados, feridos, destru\u00eddos, diante dos nossos olhos? \u201cDevolver a Deus o que pertence a Deus\u201d n\u00e3o ser\u00e1 lutar objetivamente contra tudo aquilo que destr\u00f3i a vida e a dignidade dos filhos queridos de Deus? O que podemos fazer para devolver a Deus esses filhos que Lhe foram roubados pelo ego\u00edsmo, pela injusti\u00e7a, pela viol\u00eancia, pela gan\u00e2ncia, pela maldade?<\/li>\n<li>Jesus deixou claro que Deus tem de ser a nossa refer\u00eancia fundamental e deve estar em primeiro lugar nas nossas escolhas, nos nossos interesses e nas nossas preocupa\u00e7\u00f5es. Isso n\u00e3o significa, no entanto, que vivamos de olhos postos no c\u00e9u, alheados do mundo e que negligenciemos as nossas responsabilidades sociais e comunit\u00e1rias. Fazemos parte de um \u201ccorpo social\u201d; partilhamos os sonhos, os anseios e as aspira\u00e7\u00f5es dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s; somos solid\u00e1rios com os outros homens e mulheres que s\u00e3o nossos companheiros na viagem da vida. Esse \u201ccompromisso social\u201d deve traduzir-se no cumprimento dos nossos deveres c\u00edvicos, no acatamento das leis fiscais vigentes, na recusa em favorecer esquemas de corrup\u00e7\u00e3o e de suborno, no respeito pelas leis justas estabelecidas pelos competentes \u00f3rg\u00e3os de soberania, na promo\u00e7\u00e3o do bem comum, na participa\u00e7\u00e3o ativa na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa, mais solid\u00e1ria, mais fraterna, mais humana. Cumprimos os nossos compromissos enquanto cidad\u00e3os e membros respons\u00e1veis da sociedade?<\/li>\n<li>No entanto, o nosso compromisso com a sociedade n\u00e3o pode impedir-nos de olhar para as estruturas de poder com um olhar cr\u00edtico. \u00c9 prov\u00e1vel que nem todos os projetos pol\u00edticos que nos s\u00e3o propostos estejam em conson\u00e2ncia com os valores do reino de Deus; \u00e9 bem poss\u00edvel que nem todos os \u201cnichos\u201d ideol\u00f3gicos que ocupam um determinado espa\u00e7o no espectro pol\u00edtico sejam aceit\u00e1veis \u00e0 luz do Evangelho; \u00e9 prov\u00e1vel que nem todas as propostas dos nossos l\u00edderes ajudem a concretizar o mundo de justi\u00e7a, de entendimento, de inclus\u00e3o, de fraternidade que Deus sonhou para os seus filhos; \u00e9 poss\u00edvel que nem todas as sugest\u00f5es que nos s\u00e3o \u201cvendidas\u201d contribuam para nos tornar mais livres, mais realizados e mais felizes. Compete-nos, neste cen\u00e1rio, avaliar as propostas que est\u00e3o em cima da mesa, manter o discernimento, defender a verdade, lutar pelos valores em que acreditamos\u2026. \u00c9 isso que fazemos? <strong><em>in Dehonianos<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DEVOLVEI AS COISAS DE C\u00c9SAR A C\u00c9SAR E AS COISAS DE DEUS A DEUS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Depois das par\u00e1bolas do banquete (Mateus 22,1-10) e do traje nupcial (Mateus 22,11-14), sendo esta \u00faltima exclusiva de Mateus, mas as duas muito bem articuladas no texto de Mateus 22,1-14, o restante do Cap\u00edtulo 22 de Mateus oferece-nos uma s\u00e9rie progressiva de tr\u00eas quest\u00f5es postas sucessivamente a Jesus por Fariseus e Herodianos (Mateus 22,15-22), Saduceus (Mateus 22,23-33) e um Fariseu (Mateus 22,34-40), a que se segue uma quarta, a mais importante (sequ\u00eancia 3 + 1), posta por Jesus aos Fariseus (Mateus 22,41-46).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Destes quatro epis\u00f3dios, apenas dois ser\u00e3o escutados nos pr\u00f3ximos dois Domingos. Assim, neste <strong>Domingo XXIX do Tempo Comum<\/strong>, escutaremos o epis\u00f3dio de Mateus 22,15-22 (cf. paralelos em Marcos 12,13-17 e Lucas 20,20-26), em que Fariseus e Herodianos se juntam para tentar tramar Jesus pela palavra, colocando-lhe por isso e para isso uma pergunta trai\u00e7oeira, assim formulada: \u00ab\u00c9 permitido\u00a0dar\u00a0(d\u00edd\u00f4mi) o imposto a C\u00e9sar, ou n\u00e3o?\u00bb (Mateus 22,17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Note-se que o epis\u00f3dio decorre no Templo, certamente no \u00c1trio dos Gentios, uma vasta \u00e1rea de 13,5 hectares, prop\u00edcia ao encontro de muita gente, judeus e n\u00e3o judeus, onde Jesus se encontra a ensinar desde Mateus 21,23 at\u00e9 Mateus 24,1, em que \u00e9 referido que Jesus saiu do Templo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9, portanto, no \u00c1trio dos Gentios que, de forma estudada e matreira, fariseus e herodianos tentam surpreender Jesus com uma pergunta pol\u00edtica fechada. Note-se que a pergunta foi preparada e feita para levar Jesus a responder \u00absim\u00bb ou \u00abn\u00e3o\u00bb. Para o caso, aos maliciosos perguntadores, tanto lhes fazia: para tramar Jesus, tanto lhes servia o \u00absim\u00bb como o \u00abn\u00e3o\u00bb. Na verdade, se Jesus respondesse \u00absim\u00bb, seria visto como colaboracionista com o imp\u00e9rio romano ocupante e perderia todo o cr\u00e9dito religioso acumulado aos olhos das multid\u00f5es que o viam como profeta, totalmente do lado de Deus. Cairia assim um dos grandes aliados de Jesus, o povo, que os advers\u00e1rios de Jesus temiam, sendo este medo que at\u00e9 agora os impediu de prender e eliminar Jesus (cf. Mateus 21,46). Se respondesse \u00abn\u00e3o\u00bb, seria denunciado \u00e0s autoridades romanas como revolucion\u00e1rio, e certamente executado. Com este dilema aparentemente sem sa\u00edda, os fariseus pensam retribuir a Jesus o embara\u00e7o em que os meteu com a pergunta acerca da origem do batismo de Jo\u00e3o, se era do c\u00e9u ou se era da terra, de que n\u00e3o souberam sair de forma airosa (cf. Mateus 21,23-27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Antes de verificarmos a extraordin\u00e1ria resposta com que Jesus desmonta a armadilha que lhe \u00e9 posta, \u00e9 ainda conveniente examinar o grau de adula\u00e7\u00e3o e hipocrisia dos perguntadores. De facto, o grupo de fariseus e herodianos aproxima-se de Jesus estendendo-lhe um tapete de louvores: \u00abSabemos que \u00e9s verdadeiro\u00bb, que \u00abensinas com verdade o caminho de Deus\u00bb, e que \u00abn\u00e3o fazes ace\u00e7\u00e3o de pessoas\u00bb (Mateus 22,16). Esta \u00faltima express\u00e3o deriva da locu\u00e7\u00e3o latina\u00a0accipere personam\u00a0[= receber a pessoa], que, por sua vez, traduz \u00e0 letra o grego\u00a0lamb\u00e1nein pr\u00f3s\u00f4p\u00f4n\u00a0[= tomar o rosto], que tem por detr\u00e1s a express\u00e3o hebraica\u00a0nasa\u02bc pan\u00eem\u00a0[= levantar o rosto]. A express\u00e3o hebraica faz sentido, e \u00e9 muito mais clara do que a grega, a latina e a portuguesa. O juiz justo, no ato de administrar a justi\u00e7a, n\u00e3o levanta o rosto das pessoas, isto \u00e9, n\u00e3o julga de acordo com o rosto das pessoas ou por interesse, consoante as pessoas sejam ricas ou pobres, simp\u00e1ticas ou desprez\u00edveis, do nosso grupo de amigos ou n\u00e3o. O grego tenta traduzir a express\u00e3o hebraica, mas o latim e o vern\u00e1culo \u00abfazer ace\u00e7\u00e3o de pessoas\u00bb n\u00e3o significa nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Note-se, por\u00e9m, que este tapete rolante colocado diante de Jesus por fariseus e herodianos \u00e9 com a inten\u00e7\u00e3o de o fazer mais facilmente escorregar e cair.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas Jesus descobre logo a mal\u00edcia deles, e diz as coisas a direito, levando a s\u00e9rio o que os seus interlocutores lhe dizem por mal\u00edcia. Al\u00e9m disso, chama-lhes \u00abhip\u00f3critas\u00bb (uma palavra que se conta 30 vezes em Mateus), isto \u00e9, mentirosos camuflados debaixo de uma capa de verdade. Jesus, portanto, n\u00e3o responde \u00e0 adula\u00e7\u00e3o com adula\u00e7\u00e3o, mas denuncia a m\u00e1scara de mentira que envolve aqueles rostos! Vai mais longe: pede-lhes que lhe mostrem a moeda do imposto\u00a0per capita\u00a0(k\u00eansos, translitera\u00e7\u00e3o grega do latim\u00a0census) que, desde o ano 6 d. C., todos os judeus adultos, mulheres e escravos inclu\u00eddos, tinham de pagar ao imp\u00e9rio romano. Al\u00e9m de h\u00e1beis impostores, os interlocutores de Jesus s\u00e3o igualmente r\u00e1pidos a tirar a moeda do bolso, um den\u00e1rio, moeda romana correspondente ao sal\u00e1rio de um dia de trabalho. Jesus pergunta, de forma contundente, usando o presente hist\u00f3rico do verbo dizer: \u00abDiz-lhes: de quem \u00e9 esta imagem e a inscri\u00e7\u00e3o?\u00bb (Mateus 22,20). A moeda tinha ao centro a imagem de Tib\u00e9rio coroado de grinaldas, que reinou de 14 a 37 d. C., e \u00e0 volta a inscri\u00e7\u00e3o\u00a0Ti[berius] Caesar Divi Aug[usti] F[ilius] Augustus, tendo no reverso\u00a0Ponti[fex] Maxim[us]. Eles t\u00eam, portanto, de responder que uma e outra s\u00e3o de C\u00e9sar. Note-se que tudo se passa no recinto sagrado do Templo. E a moeda que estes falsos justos ostentam desrespeita os dois primeiros mandamentos (\u00caxodo 20,3 e 4). Na verdade, \u00caxodo 20,4 pro\u00edbe as imagens (2.\u00ba mandamento), e \u00caxodo 20,3 pro\u00edbe o culto a outros deuses (1.\u00ba mandamento): ora, a inscri\u00e7\u00e3o descrevia o Imperador Romano com\u00a0Divi Filius\u00a0[= filho de um deus].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus continua a usar o presente hist\u00f3rico do verbo dizer: \u00abDiz-lhes: devolvei ent\u00e3o as coisas de C\u00e9sar a C\u00e9sar e as coisas de Deus a Deus!\u00bb (Mateus 22,21). Note-se ainda como Jesus n\u00e3o responde com o verbo \u00abdar\u00bb (d\u00edd\u00f4mi) da pergunta, mas com \u00abdevolver\u00bb (apod\u00edd\u00f4mi) o seu a seu dono. E introduz a enf\u00e1tica 2.\u00aa parte \u00abe as coisas de Deus a Deus\u00bb. Fica ent\u00e3o claro que a moeda vem de C\u00e9sar e a C\u00e9sar deve voltar. Mas Jesus, o Filho verdadeiro de Deus, \u00abimagem do Deus invis\u00edvel\u00bb (Colossenses 1,15), que at\u00e9 os falsos interlocutores reconhecem que est\u00e1 vinculado a Deus, pois afirmam que ensina o caminho de Deus (Mateus 22,16), \u00e9 para devolver a Deus\u2026 Mas j\u00e1 sabemos que estes impostores montaram esta armadilha com o fito de o entregar a C\u00e9sar (e \u00e9 o que v\u00e3o fazer mais \u00e0 frente). E tamb\u00e9m fica claro que o ser humano, homem e mulher, criado \u00e0 imagem de Deus (G\u00e9nesis 1,26-27), \u00e9 para devolver a Deus.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong><em> Ant\u00f3nio Couto<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>PARA OS LEITORES<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A <strong>primeira leitura<\/strong>, deve ter-se em aten\u00e7\u00e3o o texto em discurso direto que se encontra entre aspas. \u00c9 necess\u00e1ria uma leitura pausada e atenta \u00e0s pausas e respira\u00e7\u00f5es sobretudo nas frases mais longas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tal como na primeira leitura, na <strong>segunda leitura<\/strong> \u00e9 necess\u00e1ria uma especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s frases longas e com diversas ora\u00e7\u00f5es. Na primeira frase, aten\u00e7\u00e3o \u00e0 forma de sauda\u00e7\u00e3o de S. Paulo para que se expresse bem o modo como o Ap\u00f3stolo das Gentes saudava a comunidade e corresponsabilizava todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ANEXOS:<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Leitura-I-do-Domingo-XXIX-do-Tempo-Comum-Ano-A-18.10.2026Isaias-45-1.4-6.pdf\">Leitura I do Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 18.10.2026(Isa\u00edas 45, 1.4-6)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Leitura-II-do-Domingo-XXIX-do-Tempo-Comum-Ano-A-18.10.2026-1-Tessalonicenses-1-1-5b.pdf\">Leitura II do Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 18.10.2026 (1 Tessalonicenses 1, 1-5b)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Domingo-XXIX-do-Tempo-Comum-Ano-A-18.10.2026-Lecionario.pdf\">Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 18.10.2026 &#8211; Lecion\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Domingo-XXIX-do-Tempo-Comum-Ano-A-18.10.2026-Oracao-Universal.pdf\">Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 18.10.2026 &#8211; Ora\u00e7\u00e3o Universal<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Domingo-XXIX-do-Tempo-Comum-Ano-A-18.10.2026-refletindo.pdf\">Domingo XXIX do Tempo Comum &#8211; Ano A &#8211; 18.10.2026 &#8211; refletindo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Mensagem-do-Papa-Leao-XIV-para-o-100o-Dia-Mundial-das-Missoes-18.10.2026.pdf\">Mensagem do Papa Le\u00e3o XIV para o 100\u00ba Dia Mundial das Miss\u00f5es &#8211; 18.10.2026<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Ano-A-O-ano-do-evangelista-Mateus.pdf\">Ano A &#8211; O ano do evangelista Mateus<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Domingo XXIX do Tempo Comum \u2013 Ano A \u2013 18.10.2026 Viver a Palavra Deus criador e redentor do g\u00e9nero humano, por amor, criou cada homem e cada mulher. 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