{"id":7875,"date":"2020-09-01T10:05:55","date_gmt":"2020-09-01T09:05:55","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=7875"},"modified":"2026-04-06T10:56:23","modified_gmt":"2026-04-06T09:56:23","slug":"notas-pastorais-e-outros","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?page_id=7875","title":{"rendered":"Notas Pastorais e outros"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<h4><strong>Sacerd\u00f3cio e sinodalidade<\/strong><\/h4>\n<p>2 abril, 2026<\/p>\n<p><em>Homilia do bispo do Porto na Missa\u00a0Crismal<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16915\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/d_manuel_linda.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/d_manuel_linda.jpg 400w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/d_manuel_linda-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caros irm\u00e3os, nos tr\u00eas graus do sacerd\u00f3cio ministerial,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">para o bispo, \u00e9 motivo de profundo contentamento, e at\u00e9 de alguma emo\u00e7\u00e3o, olhar para esta catedral e ver nela uma \u201cmultid\u00e3o revestida de branco\u201d, como refere o Apocalipse (Ap 7, 9), qual express\u00e3o da luz que vence a morte, da alegria originada na pureza, da vida nova santificada, da gl\u00f3ria de Deus manifestada na ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, da eternidade que concede meta \u00e0 materialidade. Como bons \u00abpais de fam\u00edlia\u00bb, a n\u00edvel espiritual, sois v\u00f3s quem mais insere estes dons na exist\u00eancia da nossa gente. Motivo mais que suficiente para que todos vos agradecessem continuamente o vosso minist\u00e9rio. Mas porque n\u00e3o s\u00e3o muitos os que o fazem, aqui est\u00e1 o bispo para vos dizer: obrigado porque, na for\u00e7a do Esp\u00edrito, sois v\u00f3s quem edifica uma Igreja diocesana de luz, alegria, vida em plenitude, f\u00e9 e eternidade. Obrigado e parab\u00e9ns!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u200bMas n\u00e3o me esque\u00e7o que a passagem do Apocalipse que citei tamb\u00e9m refere que os eleitos sustentavam \u201cpalmas na m\u00e3o\u201d e tinham vindo \u201cda grande tribula\u00e7\u00e3o\u201d (Ap 7, 14). Ora, como sabemos, a Igreja sempre ligou a palma \u00e0 tribula\u00e7\u00e3o do mart\u00edrio, como s\u00edmbolo de fidelidade at\u00e9 ao fim e da consequente gl\u00f3ria, de beleza espiritual associada ao triunfo definitivo de Deus e do seu Ungido. Ah, e quanto isto \u00e9 atual! Quantos teimam em fazer de v\u00f3s sofredores e m\u00e1rtires, exclu\u00eddos e proscritos, rid\u00edculos e desprezados. Tende a certeza de que o povo simples est\u00e1 convosco. E, com ele, tamb\u00e9m est\u00e1 o bispo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u200bClaro: temos de saber conquistar a simpatia dos nossos crist\u00e3os. Esta n\u00e3o acontece na rispidez, na rece\u00e7\u00e3o fria, na complica\u00e7\u00e3o do que \u00e9 simples, no mau humor, etc. Pelo contr\u00e1rio, d\u00e1-se naquela cordialidade que cativa, na vontade de um servi\u00e7o sempre mais humanizado, numa familiaridade que se vai construindo, no fazer do crente um correspons\u00e1vel dos assuntos da Igreja. A este prop\u00f3sito, vem-me \u00e0 mente uma frase de um saudosista do passado, mas que nos deve levar a refletir: \u201cQue figura de padre para o nosso tempo? O Cura de almas, passeando pelas ruas e pra\u00e7as da sua Par\u00f3quia, com sotaina e brevi\u00e1rio na m\u00e3o, saudando e recebendo sauda\u00e7\u00f5es, ou os de agora, quais CEO\u2019s de uma empresa, afastados do povo, a debitar ordens e regulamentos?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u200bQuem assim carateriza os padres deste nosso tempo \u00e9 perfeitamente injusto e sect\u00e1rio. N\u00e3o conhece a realidade. N\u00e3o obstante, remete-nos para o estilo do Senhor Jesus, em cujo sacerd\u00f3cio participamos. No dizer de Isa\u00edas, que o Salvador aplicou plenamente a Si mesmo, somos ungidos \u201cpara anunciar a Boa Nova aos pobres\u201d e enviados \u201ca proclamar a reden\u00e7\u00e3o aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos, a proclamar o ano da gra\u00e7a do Senhor\u201d. Somos enviados \u00e0s pessoas concretas. Quer dizer: a conce\u00e7\u00e3o do sacerd\u00f3cio cat\u00f3lico passa impreterivelmente por uma maior integra\u00e7\u00e3o nossa na realidade da vida do povo de Deus e por uma maior participa\u00e7\u00e3o do laicado nas tarefas e atividades das comunidades a que presidimos. Sup\u00f5e um caminhar conjuntamente, uma compreens\u00e3o relacional e comunit\u00e1ria, um exerc\u00edcio concreto de corresponsabilidade baseada na escuta, na reflex\u00e3o e no discernimento partilhado no seio da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u200bA nossa Diocese do Porto optou decididamente por um S\u00ednodo diocesano. Ter\u00e1 este t\u00edtulo ou mote: \u201cSER PORTO: formar, reformar, transformar\u201d. Como tem sido divulgado, muito trabalho j\u00e1 se fez e, se Deus quiser, no pr\u00f3ximo dia de Pentecostes, ser\u00e1 aberto solenemente, proposta a metodologia e linhas de for\u00e7a e apresentada a calendariza\u00e7\u00e3o. Antevejo-o como uma consuma\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a para a nossa Igreja. Oseu \u00eaxito ou fracasso depender\u00e3o, em parte determinante, do empenho dos ministros ordenados. Mas n\u00e3o duvido que todos daremos o mais generoso contributo. Como parte de uma Igreja concreta, cuja miss\u00e3o se faz em constante rela\u00e7\u00e3o com os fi\u00e9is e as diversas voca\u00e7\u00f5es nela presentes, seremos motores, incentivadores, dinamizadores de todos os leigos e mesmo de outros homens e mulheres de boa vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u200bO sacerd\u00f3cio s\u00f3 se concebe como um servi\u00e7o integrado no povo de Deus e partilhado na corresponsabilidade. Sabemos que, por motivos hist\u00f3ricos, \u00e0 medida que se acentuou o clericalismo, mais os leigos se tornaram meros \u00abconsumidores\u00bb. E hoje, consumidores exigentes. S\u00f3 ultrapassaremos isso promovendo a participa\u00e7\u00e3o de todos. \u00c9 necess\u00e1ria, de facto, uma Igreja mais \u00abhorizontal\u00bb. Uma Igreja que n\u00e3o p\u00f5e em causa a \u00abhierarquia\u00bb, mas na qual o ministro \u00e9 irm\u00e3o entre os irm\u00e3os, apesar do seu papel espec\u00edfico de l\u00edder. \u00c9 urgente escutarmos mais o Esp\u00edrito e com Ele e n\u2019Ele, discernir o que Ele nos pede. Sem o Esp\u00edrito, a Igreja fica uma mera organiza\u00e7\u00e3o humana. E esta, por mais importante e simp\u00e1tica que o seja, jamais ligar\u00e1 a terra ao c\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u200bPara esta liga\u00e7\u00e3o do natural ao sobrenatural, muitos sacerdotes e di\u00e1conos t\u00eam dado um contributo a todos os t\u00edtulos not\u00e1vel. Seja-me permitido assinalar aqueles que passaram para a Igreja triunfante ou celebram datas assinal\u00e1veis. Assim, desde 17 de abril de 2025, faleceram os seguintes sacerdotes: C\u00f3n. Arnaldo Cardoso de Pinho (15\/05\/2025); Pe. Jos\u00e9 da Silva Dias (26\/07\/2025); Pe. Ant\u00f3nio de Brito Peres (25\/10\/2025); Pe. Fernando Silvestre Rosas Magalh\u00e3es (26\/10\/2025); Pe. Albino de Almeida Fernandes (28\/10\/2025); Pe. Augusto Guedes Pinto (24\/01\/2026); Pe. Joaquim Valente Martingo (17\/02\/2026) e Pe. Joaquim Marques Ferreira (26\/02\/2026). E os seguintes di\u00e1conos: Di\u00e1c. Orlando Lopes da Rocha (21\/07\/2025); Di\u00e1c. L\u00edrio da Rocha Ferreira (23\/12\/2025) e Di\u00e1c. Ad\u00e3o Vieira (13\/03\/2026). O Senhor lhes conceda a plenitude da Luz que j\u00e1 acenderam na terra no cora\u00e7\u00e3o e na mente de tantos fi\u00e9is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o servi\u00e7o no minist\u00e9rio, gra\u00e7as a Deus, tamb\u00e9m tivemos novos \u00abrefor\u00e7os\u00bb. Foram ordenados Di\u00e1conos em ordem ao sacerd\u00f3cio (08\/12\/2025): Isaias Higuera; Jo\u00e3o Nuno Marques Silva; Jos\u00e9 Manuel Silvares M\u00e1ximo e Rui Filipe Ribeiro Soares. A eles h\u00e1 que acrescentar o Di\u00e1c. Permanente Ant\u00f3nio Armindo Gomes de Sousa. E os seguintes novos sacerdotes (13\/07\/2025): P. Emanuel Jo\u00e3o Macedo da Mata; P. Jos\u00e9 Manuel Ferr\u00e3o Abrantes e P. Jos\u00e9 Mois\u00e9s Ramirez Guerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo deste ano civil, celebrar\u00e3o Bodas sacerdotais os seguintes bons servidores do Evangelho. Em Bodas de Prata, teremos (ordena\u00e7\u00e3o em 2001): Pe. Arlindo Rafael da Silva Teixeira; Pe. Augusto Manuel Miranda Carneiro da Silva; Pe. Carlos Armindo Oliveira Felgueiras; Pe. Davide Carlos de Carvalho Matam\u00e1; C\u00f3n. Jos\u00e9 Alfredo Ferreira da Costa; Pe. Jos\u00e9 Augusto Ribeiro Ferreira; Pe. Jos\u00e9 Pedro da Silva Azevedo e Pe. Nelson Ant\u00f3nio Vieira Soares. Em Bodas de diamante (1966), temos S.E.R. D. Ant\u00f3nio Maria Bessa Taipa e Mons. Agostinho Ces\u00e1rio Jardim Moreira. E assinalamos ainda os belos setenta anos de sacerd\u00f3cio (1956) dos car\u00edssimos Pe. Domingos Gomes de Almeida; Pe. Joaquim Rodrigues Vieira Cavadas e Mons. C\u00f3n. Sebasti\u00e3o Martins Lu\u00eds Br\u00e1s. Curiosamente, n\u00e3o temos bodas de ouro, pois em 1976, no Porto, n\u00e3o houve ordena\u00e7\u00f5es, porventura efeito secund\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o do 25 de abril de 1974.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u200bCaros sacerdotes e di\u00e1conos, projetamo-nos, para o nosso S\u00ednodo diocesano. Projetamo-nos para o nosso povo e para uma Igreja que os inclua e os sirva. Constituir\u00e1 uma das maiores ocupa\u00e7\u00f5es e preocupa\u00e7\u00f5es dos pr\u00f3ximos tempos. Como tantas vezes tem sido proferido, o S\u00ednodo n\u00e3o \u00e9 um parlamento, uma panaceia, uma ilus\u00e3o, mas um espa\u00e7o para escutar o Esp\u00edrito e discernir como ser Igreja hoje, ultrapassando zonas cinzentas para um renovado impulso mission\u00e1rio. Ent\u00e3o, pelo amor que temos a Jesus e \u00e0 sua Igreja, demos-lhe o relevo que ele merece. E que Deus permane\u00e7a convosco, vos aben\u00e7oe, vos proteja e vos conceda for\u00e7a de \u00e2nimo para prosseguirdes nas vias do servi\u00e7o e da dedica\u00e7\u00e3o apaixonada \u00e0 tarefa da miss\u00e3o. E, por tudo, muito obrigado!<\/p>\n<p><strong><em> Manuel Linda<\/em><\/strong><strong><br \/>\n<em>Bispo do Porto<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Paix\u00e3o e\u00a0sinodalidade<\/strong><\/h4>\n<p>3 abril, 2026<\/p>\n<p>Homilia do bispo do Porto na Celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16916\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/img01.jpg\" alt=\"\" width=\"368\" height=\"277\" srcset=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/img01.jpg 368w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/img01-300x226.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 368px) 100vw, 368px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da prostra\u00e7\u00e3o,\u00a0em sil\u00eancio,\u00a0como\u00a0tomada de consci\u00eancia de quanto fez por n\u00f3s Aquele que, a esta hora, expirou na cruz, come\u00e7amos esta sagrada liturgia de sexta-feira santa com uma ora\u00e7\u00e3o na qual se recorda uma dupla\u00a0perten\u00e7a\u00a0presente no mundo: a da morte e do pecado, \u201ctransmitida a todo o g\u00e9nero humano\u201d, e a da vida sobrenatural, fruto da renova\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem do Filho de Deus, o \u201chomem celeste\u201d. Duas formas de ser e duas vias que separam a humanidade: a primeira diz respeito \u00e0quela grande parte que ainda permanece apenas no estado do \u201chomem terreno\u201d,\u00a0ego\u00edsta e materialista,\u00a0sem se preocupar com mais nada;\u00a0a outra\u00a0refere-se \u00e0queles\u00a0que\u00a0sabem\u00a0fazer caminho unidos\u00a0aos irm\u00e3os, com Jesus e sob a guia de Jesus. Estes s\u00e3o os \u00absinodais\u00bb, os que querem e sabem ser povo do Senhor, os que veem na Igreja a M\u00e3e comum que a todos acolhe na fraternidade e na alegria, os dispostos a dar as m\u00e3os uns aos outros para que ningu\u00e9m se disperse e todos colaborem em prol do bem comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u200bEste Evangelho da Paix\u00e3o, agora religiosamente escutado, tamb\u00e9m nos falava destes dois grupos e das vias que seguiam. Um, o mais numeroso, n\u00e3o tinha qualquer outro objetivo de unidade que n\u00e3o fosse potenciar o rancor e o \u00f3dio e dar a morte \u00c0quele que n\u00e3o reconheciam ou deixaram de reconhecer como Mestre, Senhor e Salvador. Um outro pequeno grupo, no qual sobressaem Maria e Jo\u00e3o, a irm\u00e3 de sua M\u00e3e, Maria, mulher de Cl\u00e9ofas, e Maria Madalena, as mulheres piedosas de Jerusal\u00e9m, Ver\u00f3nica, Sim\u00e3o de Cirene, Jos\u00e9 de Arimateia e poucos mais, n\u00e3o abandonam Aquele em quem puseram a sua confian\u00e7a e constituem um espec\u00edfico grupinho unido, destemido e colaborante at\u00e9 na sepultura do defunto em quem continuavam a acreditar. Une-os\u00a0um Jesus sofredor e crucificado, como v\u00e3o\u00a0ser unidos pelo\u00a0Cristo ressuscitado e glorificado. E constituem, certamente, o n\u00facleo embrion\u00e1rio da Igreja, mais tarde servida pelos Ap\u00f3stolos, a partir do Pentecostes.\u00a0Pelo menos, s\u00e3o sua figura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u200bEsta\u00a0sinodalidade, este fazer caminho com Jesus, lembra-nos alguns dados que lhe s\u00e3o inerentes. Em primeiro lugar, apresenta-nos a Igreja como, simultaneamente, Corpo sofredor e glorioso: tal como Cristo, tamb\u00e9m a Igreja sinodal experimenta momentos de prova\u00e7\u00e3o e conflito, de d\u00favidas e obscuridade. Mas, guiada pelo Esp\u00edrito do Ressuscitado, supera-os na comunh\u00e3o\u00a0da mesma f\u00e9, na unidade\u00a0de sentimentos, na escuta fraterna e no discernimento comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, a\u00a0sinodalidade\u00a0remete-nos para a for\u00e7a de sermos capaz de partilhar pesos e suportar fardos: o peso da exist\u00eancia de tantos irm\u00e3os que carregam pesadas cruzes, incluindo a cruz da falta de uma meta e de f\u00e9 e esperan\u00e7a para a atingir; e o fardo do servi\u00e7o \u00e0 Igreja enquanto tal, por vezes t\u00e3o carente de ministros que a sirvam, de carismas que coloquem os seus dons a render para a vitalidade eclesial e de fi\u00e9is\u00a0que\u00a0se comprometam efetivamente nos minist\u00e9rios e servi\u00e7os com os quais se constr\u00f3i\u00a0o bem comum. Precisamos de mais colabora\u00e7\u00e3o e que todos os que t\u00eam f\u00e9 vivam a Igreja como sua, a defendam e a alarguem. Ent\u00e3o, viver a\u00a0sinodalidade\u00a0significa carregar, juntos, em uni\u00e3o com o Cordeiro de Deus, o peso do pecado do mundo, aliviar os sofrimentos do presente e, em corpo organizado, juntar for\u00e7as para levar a salva\u00e7\u00e3o a todo o mundo. \u00c9 desta maneira que a Igreja se conforma ao seu Senhor, o \u201chomem do sofrimento\u201d e morto, mas ressuscitado e glorioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irm\u00e3s e irm\u00e3os, esta Sexta-Feira Santa, vivida em ano\u00a0do lan\u00e7amento do S\u00ednodo da\u00a0Igreja do Porto, nos ajude no dom de n\u00f3s mesmos a Deus, tal como Jesus se doou totalmente em nosso favor, e nos fortale\u00e7a numa comunh\u00e3o indestrut\u00edvel de uns com os outros, sob o seu modelo supremo do amor de Cristo. Caminhar juntos exige docilidade ao Esp\u00edrito de Cristo, escuta m\u00fatua e vontade de ser incentivado \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e ao compromisso.\u00a0Redimidos pela cruz do Senhor, n\u00e3o\u00a0o\u00a0neguemos.<\/p>\n<p><strong><em> Manuel Linda<\/em><\/strong><strong><br \/>\n<em>Bispo do Porto<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Luz, Palavra e\u00a0Sinodalidade<\/strong><\/h4>\n<p>04.abril.2026<\/p>\n<p>Homilia na Vig\u00edlia Pascal de 2026<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16917\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/img02.jpg\" alt=\"\" width=\"406\" height=\"271\" srcset=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/img02.jpg 406w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/img02-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 406px) 100vw, 406px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta vig\u00edlia, que nos prepara e celebra j\u00e1 a luz radiante\u00a0da P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00e9 imensamente rica de s\u00edmbolos e palavras que mereciam longa reflex\u00e3o. N\u00e3o podendo trat\u00e1-los a todos, permitam uma refer\u00eancia \u00e0 luz e da Palavra de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u200bDepois da b\u00ean\u00e7\u00e3o do lume novo, iniciamos uma prociss\u00e3o at\u00e9 ao altar, deixando-nos conduzir pela \u201cLuz de Cristo\u201d, tal como o Di\u00e1cono\u00a0propunha. O ideal seria que todos\u00a0n\u00f3s nos pud\u00e9ssemos integrar fisicamente essa prociss\u00e3o. Mas como isso era dif\u00edcil, deslocamo-nos alguns e todos seguiram esse movimento com o olhar e a inten\u00e7\u00e3o. E mantivemos as velas acesas enquanto se cantavam louvores \u00e0 luz, s\u00edmbolo da ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, no Prec\u00f3nio Pascal. Daqui a pouco, voltaremos a acender as velas para renovarmos as promessas do nosso Batismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma Igreja sinodal, tal como queremos ser na nossa Diocese do Porto, \u00e9 isto mesmo: um povo de fraterna uni\u00e3o que segue a Luz de Cristo, vigia para que essa Luz ilumine no m\u00e1ximo do seu esplendor, segue a Luz como esposa fiel do seu Esposo e, nessa Luz, revela o seu rosto sempre rejuvenescido, alegre e simp\u00e1tico. E ao renovar as promessas do Batismo, esta Igreja que n\u00f3s somos,\u00a0reconhece que todos fomos introduzidos na mesma dignidade de filhos de Deus, membros do mesmo corpo e participantes da rela\u00e7\u00e3o de Jesus com o Pai, independentemente das nossas fun\u00e7\u00f5es, carismas e minist\u00e9rios. Faz-nos ver a necessidade de uma convers\u00e3o permanente, um restaurar cont\u00ednuo da vida nova em Cristo, rejeitando todo o mal e semeando o bem neste mundo a transformar em Reino de Deus.\u00a0E que isso diz respeito a todos.\u00a0A renova\u00e7\u00e3o das promessas\u00a0batismais\u00a0n\u00e3o \u00e9,\u00a0pois, apenas um ato lit\u00fargico, mas o motor de uma Igreja sinodal que escuta, caminha junta e se sente correspons\u00e1vel pela miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, esta longa liturgia das leituras b\u00edblicas e dos salmos que as acompanharam faz-nos tomar consci\u00eancia de que o tal \u00abcaminhar juntos\u00bb, inerente \u00e0 ideia de\u00a0sinodalidade, jamais se realizar\u00e1 se n\u00e3o colocarmos a Palavra de Deus no centro, promovendo uma Igreja que, tal como o velho povo de Deus do Antigo Testamento,\u00a0segue\u00a0em conjunto na hist\u00f3ria,\u00a0abre\u00a0o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 escuta do que o Esp\u00edrito tem a dizer-nos no hoje que nos \u00e9 dado viver e faz dessa Palavra a base de todo o discernimento. \u00c9 refletindo sobre ela e nela que se criam espa\u00e7os de conversa\u00e7\u00e3o fraterna e escuta m\u00fatua, superando a solid\u00e3o e a indiferen\u00e7a, infelizmente muito t\u00edpicas de alguns membros da Igreja. S\u00f3 nessa Palavra seremos capazes de discernir os sinais dos tempos, escutar o Esp\u00edrito que guia a Igreja, afastar\u00a0os medos da mudan\u00e7a e renovar\u00a0as estruturas e colocar\u00a0todos os batizados nas sendas da miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irm\u00e3s e irm\u00e3os, o Senhor ressuscitou. \u00c9 este o centro e a consist\u00eancia da nossa f\u00e9. E Ele continua a dizer-nos, tal como o Anjo a \u201cMaria Madalena e \u00e0 outra Maria\u201d que ainda pensavam que era necess\u00e1rio embalsamar o corpo de Jesus: \u201cN\u00e3o tenhais medo! Sei que procurais Jesus, o Crucificado. N\u00e3o est\u00e1 aqui: ressuscitou, como tinha dito!\u201d. Ele vai \u00e0 nossa frente para aquela Galileia da paz, da beleza e da felicidade. Ele formou um povo santo que caminha na hist\u00f3ria para\u00a0solidificar\u00a0as fraturas que a sociedade gera, para limpar as l\u00e1grimas dos que nada mais veem que n\u00e3o seja negrura e morte, para construir a paz a partir de dentro de um cora\u00e7\u00e3o sens\u00edvel e amoroso, para dar vista aos cegos e curar os mudos, enfim, para nos dar esperan\u00e7a e coragem para atingirmos esse grande \u00abPorto\u00bb de abrigo que \u00e9 a plenitude da gra\u00e7a e da felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caminhemos com Ele e n\u2019Ele.\u00a0Celebremo-l\u2019O\u00a0e cantemos-lhe hossanas de vit\u00f3ria. Unamo-nos a Ele para participar da sua felicidade sem fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A todos, santa e feliz P\u00e1scoa!<\/p>\n<p><strong><em> Manuel Linda<\/em><\/strong><strong><br \/>\n<em>Bispo do Porto<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>P\u00e1scoa, f\u00e9 e\u00a0sinodalidade<\/strong><\/h4>\n<p>05.abril.2026<\/p>\n<p>Homilia da P\u00e1scoa de 2026<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16918\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/img03.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/img03.jpg 400w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/img03-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do Evangelho\u00a0desta Solenidade da P\u00e1scoa do Senhor, chama-me a aten\u00e7\u00e3o os desencontros e encontros entre\u00a0as primeiras testemunhas da ressurrei\u00e7\u00e3o: Maria Madalena, Jo\u00e3o e Pedro. Certamente movidos por raz\u00f5es santas e de profunda amizade ao que tinha sido crucificado, todos se dirigem ao t\u00famulo, j\u00e1 vazio. Mas cada um age por si. Maria Madalena, ainda escuro, vai ver o que se passa e se o corpo do defunto ainda est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de ser embalsamado. N\u00e3o entende nada ao ver o sepulcro aberto e vazio. Corre ao encontro de Pedro que tamb\u00e9m fica profundamente confuso. Jo\u00e3o ouve e dispara em correria para ver o que se passa. Pedro, bem mais velho, n\u00e3o aguenta a velocidade e fica para tr\u00e1s.\u00a0Quando Jo\u00e3o chega lembra-se do que o Mestre tinha dito a Pedro: \u201cTu \u00e9s Pedro e sobre esta \u00abPedra\u00bb edificarei a minha Igreja\u201d (Mt16, 18). N\u00e3o entra no t\u00famulo enquanto Pedro n\u00e3o chega, pois se todos s\u00e3o testemunhas da Ressurrei\u00e7\u00e3o, importava que a primazia do seu an\u00fancio fosse confiada\u00a0\u00e0 coluna vertebral\u00a0da Igreja. \u00c9 o que\u00a0este\u00a0vai fazer, pouco tempo depois, diante de pag\u00e3os, em casa do centuri\u00e3o Corn\u00e9lio, como referia a primeira leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gostava de acentuar estas linhas de for\u00e7a, t\u00e3o bem descritas pelo evangelista: antes da f\u00e9 na Ressurrei\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s, testemunhada\u00a0pelos v\u00e1rios \u201csinais\u201d com ela relacionados, temos individualidades que percorrem as suas pr\u00f3prias vias, movidos pelos seus afetos, certamente bons e assinal\u00e1veis; mas depois de assumirem a f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o, desaparecem as\u00a0meras\u00a0individualidades e d\u00e1-se in\u00edcio a um grupo coeso, que tem a f\u00e9 como base comum, anuncia a verdade que o Senhor est\u00e1 vivo, abre-se \u00e0 for\u00e7a do Espirito que o faz compreender tantas coisas at\u00e9 a\u00ed obscuras, enfim, faz da fraqueza for\u00e7a para levar esta verdade at\u00e9 aos confins da terra. Este grupo constitui o n\u00facleo origin\u00e1rio do que viria a ser a Igreja da manh\u00e3 de Pentecostes. Igreja jovem, simp\u00e1tica, atraente, de comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o, tal como queremos que seja esta Diocese do Porto, em sintonia com o processo sinodal em curso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelas refer\u00eancias b\u00edblicas e pela nossa cultura religiosa, sabemos\u00a0que o Senhor Ressuscitado deixou\u00a0definitivamente de ser visto aos olhos do mundo.\u00a0Mesmo aos\u00a0dos\u00a0disc\u00edpulos, s\u00f3 lhes aparece para vincar aspetos ainda n\u00e3o suficientemente referidos. Por um lado, o valor insubstitu\u00edvel do Domingo; por outro, a Eucaristia que lhe d\u00e1 a t\u00f3nica. A passagem do culto judaico ao crist\u00e3o sup\u00f5e tamb\u00e9m a mudan\u00e7a do dia santo: n\u00e3o mais o s\u00e1bado, o final da semana, comemorativo do acabamento da obra da cria\u00e7\u00e3o, mas o Domingo, o primeiro dia da semana e express\u00e3o de uma nova cria\u00e7\u00e3o, da nova humanidade lavada no Sangue do Cordeiro, fam\u00edlia\u00a0de todos\u00a0e fam\u00edlia de Deus. \u00c9 sempre ao Domingo que o Senhor aparece aos Ap\u00f3stolos. E \u00e9 a\u00ed que os acontecimentos s\u00e3o sempre interpretados \u00e0 maneira eucar\u00edstica. Para nos dizer que o Domingo sem Eucaristia seria um mero feriado; com ela,\u00a0com a Missa,\u00a0\u00e9 um dia santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, a partir desse momento, n\u00e3o h\u00e1 mais culto a Deus que n\u00e3o tenha a Eucaristia como seu centro e refer\u00eancia. O\u00a0povo de Deus que O adora e venera, tem a\u00ed o ponto mais alto do seu\u00a0encontro com o\u00a0Ressuscitado.\u00a0Hoje, \u00e9 na Missa que \u00abvemos\u00bb o Senhor.\u00a0Mas \u00e9 tamb\u00e9m a\u00ed que\u00a0esse\u00a0povo se encontra para se alimentar do mesmo Corpo e do mesmo Sangue, animar a sua f\u00e9 na\u00a0sua\u00a0viv\u00eancia coletiva, para escutar a Palavra e discernir o que o Esp\u00edrito lhe prop\u00f5e,\u00a0imitar\u00a0as atitudes de Jesus de ajuda e servi\u00e7o aos fr\u00e1geis e necessitados e munir-se de for\u00e7as para comunicar a todos a alegria de ser crist\u00e3o em plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irm\u00e3s e irm\u00e3os, como diziam os m\u00e1rtires de Cartago, \u00abo crist\u00e3o n\u00e3o pode viver sem o Domingo\u00bb. Mas o Domingo entendido nesta dimens\u00e3o religiosa. Porque, desta forma, ele \u00e9 transformador\u00a0da pessoa,\u00a0do mundo e da cultura. Somos\u00a0cidad\u00e3os de uma sociedade que precisa cada vez mais dos\u00a0ideais e da for\u00e7a\u00a0da f\u00e9. Precisa de acreditar na\u00a0paz e\u00a0na fraternidade universal\u00a0como poss\u00edveis;\u00a0precisa de se caldear no\u00a0amor\u00a0de\u00a0Deus e\u00a0fazer\u00a0do servi\u00e7o a Ele e ao\u00a0pr\u00f3ximo,\u00a0lei suprema da vida individual e social;\u00a0precisa da for\u00e7a da f\u00e9 e da verdade,\u00a0portanto, da liberdade, que eleve as\u00a0mil opini\u00f5es desenfreadas\u00a0\u00e0 colabora\u00e7\u00e3o de todos no bem e comum e n\u00e3o na desagrega\u00e7\u00e3o social; precisa de levar bem a s\u00e9rio o que o Papa\u00a0Le\u00e3o XIV,\u00a0dizia, recentemente,\u00a0desde o M\u00f3naco:\u00a0\u201cN\u00e3o nos acostumemos ao estrondo das armas nem \u00e0s imagens da guerra\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reavivemos a f\u00e9 na Ressurrei\u00e7\u00e3o.\u00a0Celebremos a Ressurrei\u00e7\u00e3o em cada Domingo, em cada Eucaristia. Restituamos ao Domingo o valor que \u00e9 o seu. Fa\u00e7amos da Eucaristia dominical o centro e o cume da nossa f\u00e9. Uma f\u00e9 construtora de uma nova cultura\u00a0do di\u00e1logo, da fraternidade, da ajuda, da colabora\u00e7\u00e3o e da paz.\u00a0Fa\u00e7amo-lo a partir da Eucaristia, mem\u00f3ria viva e local de encontro com o Ressuscitado. Como escrevia Santo Ambr\u00f3sio, a n\u00edvel individual e social,\u00a0&#8220;Temos tudo em\u00a0Cristo\u00a0&#8230;\u00a0Cristo\u00a0\u00e9 tudo\u00a0para n\u00f3s. Se queres curar uma ferida,\u00a0Ele \u00e9 o m\u00e9dico; se est\u00e1s a arder de\u00a0sede,\u00a0Ele \u00e9 a fonte refrescante; se est\u00e1s oprimido pela culpa,\u00a0Ele \u00e9 a justifica\u00e7\u00e3o; se precisas de ajuda,\u00a0Ele \u00e9 a for\u00e7a; se temes a morte,\u00a0Ele \u00e9 a vida; se desejas o c\u00e9u,\u00a0Ele \u00e9 o caminho; se foges das trevas,\u00a0Ele \u00e9 a luz; se precisas de alimento, Ele \u00e9 a comida&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santa e feliz P\u00e1scoa!<\/p>\n<p><strong><em> Manuel Linda<\/em><\/strong><strong><br \/>\n<em>Bispo do Porto<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Triduo-e-Domingo-de-Pascoa-2026-A-voz-do-Bispo-do-Porto.pdf\">Triduo e Domingo de P\u00e1scoa 2026 &#8211; A voz do Bispo do Porto<\/a>\u00a0 (PDF)[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]<strong>A ret\u00f3rica inconsequente dos bispos cat\u00f3licos \u2013 uma leitura<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/setemargens.com\/author\/antoniomarujo\/\">Ant\u00f3nio Marujo<\/a>\u00a0|\u00a027 junho 2024 | 7Margens<\/p>\n<figure id=\"attachment_13642\" aria-describedby=\"caption-attachment-13642\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-13642 size-large\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/bispos_slider-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/bispos_slider-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/bispos_slider-300x169.jpg 300w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/bispos_slider-768x432.jpg 768w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/bispos_slider-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/bispos_slider.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-13642\" class=\"wp-caption-text\">Encontro do Papa e bispos portugueses no final da visita ad limina, em 24 de Maio: profiss\u00f5es de f\u00e9 no que o Papa prop\u00f5e, mas sem tradu\u00e7\u00e3o. Foto \u00a9 Vatican Media<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que encruzilhadas e horizontes se colocam hoje ao catolicismo portugu\u00eas? Podemos olhar, por exemplo, para um documento da Igreja Cat\u00f3lica em Portugal que refere a \u201ccomplexa realidade social portuguesa\u201d, a \u201cinova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, a internacionaliza\u00e7\u00e3o da economia, a integra\u00e7\u00e3o europeia\u201d, as \u201cnovas realidades culturais\u201d, processos de mudan\u00e7a que \u201cgeram tens\u00f5es\u201d e agravam \u201cdesigualdades e injusti\u00e7as\u201d, com \u201cefeitos graves em fam\u00edlias, jovens, v\u00e1rios sectores profissionais, idosos e camadas sociais mais desfavorecidas. Finalmente, tamb\u00e9m \u201cum estilo de vida marcado pelo hedonismo e pelo individualismo e um modelo econ\u00f3mico e social excessivamente competitivo, reprodutor das desigualdades e que tende a menosprezar os valores da justi\u00e7a e da solidariedade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perante este diagn\u00f3stico, o que se prop\u00f5em fazer os crentes? Vincar a import\u00e2ncia da \u201cdimens\u00e3o comunit\u00e1ria\u201d, p\u00f4r em pr\u00e1tica as ideias do II Conc\u00edlio do Vaticano (1962-65), encontrar a forma de presen\u00e7a dos crist\u00e3os nas realidades da pol\u00edtica e da vida social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos recuar 36 anos, a Junho de 1988? Entre os dias 2 e 5, realizou-se em F\u00e1tima o Congresso Nacional de Leigos, que culminava um processo de tr\u00eas anos de debates, assembleias e congressos diocesanos. As cita\u00e7\u00f5es s\u00e3o do texto de conclus\u00e3o do Congresso, que procurava sintetizar os \u201csinais dos tempos no mundo\u201d e \u201csinais dos tempos na Igreja\u201d. O uso desses t\u00edtulos s\u00e3o, porventura, a \u00fanica express\u00e3o que d\u00e3o ao texto um car\u00e1cter datado: a express\u00e3o tinha sido recuperada pelo Papa Jo\u00e3o XXIII (1958-1963) e pelo Conc\u00edlio e pretendia dizer que os cat\u00f3licos deveriam estar atentos \u00e0 realidade e, em fun\u00e7\u00e3o dela, agir com propostas positivas de evangeliza\u00e7\u00e3o e humaniza\u00e7\u00e3o da vida e do mundo. Hoje, a express\u00e3o caiu em desuso ou, quando \u00e9 utilizada, \u00e9 de forma mec\u00e2nica e nada convicta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale a pena recuperar ainda algumas sugest\u00f5es do texto, que pode ser consultado no livro com as actas do Congresso: nele se prop\u00f5e um \u201cplano global de forma\u00e7\u00e3o permanente para todos os crist\u00e3os\u201d; o est\u00edmulo ao \u201ccompromisso crist\u00e3o\u201d em todos os \u00e2mbitos da vida, \u201ccriando ou valorizando espa\u00e7os eclesiais de di\u00e1logo e reflex\u00e3o sobre as grandes quest\u00f5es que se p\u00f5em na sociedade em que vivemos\u201d; e tamb\u00e9m a \u201cnecessidade de cultivar uma espiritualidade ligada \u00e0s realidades e situa\u00e7\u00f5es do dia-a-dia, eliminando a separa\u00e7\u00e3o entre a f\u00e9 e a vida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma tese acad\u00e9mica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trinta e seis anos passaram. Mas estas longas cita\u00e7\u00f5es est\u00e3o plenas de actualidade, mas ficaram no papel. E servem para reflectir sobre o momento e v\u00e1rias incapacidades da Igreja Cat\u00f3lica em Portugal \u2013 nomeadamente, das suas lideran\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1, desde h\u00e1 muito, uma ret\u00f3rica inconsequente do episcopado portugu\u00eas, que n\u00e3o tem sido capaz de criar os dinamismos que os pr\u00f3prios bispos, ou inst\u00e2ncias por eles impulsionadas, sugerem ou prop\u00f5em em m\u00faltiplas iniciativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O exemplo do Congresso de Leigos poderia ser desdobrado pelos congressos ou s\u00ednodos diocesanos, as ressuscitadas semanas sociais da d\u00e9cada de 1990, o congresso da fam\u00edlia de 2001, a din\u00e2mica sobre \u201cRepensar juntos a Pastoral da Igreja em Portugal\u201d (lan\u00e7ada em 2010), e muitas, muitas outras iniciativas, decis\u00f5es, propostas, planos. [Falando em planos: s\u00e3o normalmente muito pobres\u00a0os programas diocesanos de pastoral, que se limitam quase s\u00f3 a uma listagem de iniciativas, com muito pouca ou nenhuma reflex\u00e3o pr\u00e9via sobre a realidade, os objectivos que se pretendem atingir e as formas de envolvimento de agentes de pastoral nos v\u00e1rios momentos da reflex\u00e3o e da execu\u00e7\u00e3o.]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jorge Pires Ferreira, director do\u00a0<em>Correio do Vouga<\/em>, jornal da diocese de Aveiro (e um dos raros leigos a dirigir um meio de comunica\u00e7\u00e3o cat\u00f3lico)\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-modesta-proposta-no-excesso-de-propostas\/\">resumia esta situa\u00e7\u00e3o h\u00e1 dias na Ecclesia<\/a>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cE vem a\u00ed mais um s\u00ednodo. E um jubileu. Depois de uma \u2018visita\u00a0<em>ad limina apostolorum\u2019<\/em>. E de uma JMJ. E de v\u00e1rios s\u00ednodos. E de um Ano da Miseric\u00f3rdia. E o Ano da F\u00e9. O Paulino. O da Eucaristia. O Ano Sacerdotal\u2026 O que ficou de \u2018Promover a Renova\u00e7\u00e3o da Pastoral da Igreja em Portugal\u2019, na sequ\u00eancia da \u2018visita\u00a0<em>ad limina<\/em>\u2019 de 2007 (e depois ainda houve a de 2015)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais, algumas propostas, com os seus ritmos, ritos e indulg\u00eancias, parecem dirigir-se a um mundo que j\u00e1 n\u00e3o existe. Ou pelo menos n\u00e3o existe na nossa Europa. O mundo da cristandade. Mas ainda se vive nele por simulacro, por conven\u00e7\u00e3o, por tradi\u00e7\u00e3o, por arrastamento. Por tudo menos por convic\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria um interessante tema para uma tese acad\u00e9mica pegar em todas essas iniciativas que a dada altura mobilizaram a Igreja, muitas delas com documentos de conclus\u00f5es e propostas, e ver o que se concretizou. A leitura do documento do Congresso dos Leigos n\u00e3o abre espa\u00e7o ao optimismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma lista de enunciados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O exemplo mais recente destas inconsequ\u00eancias foi a recente visita\u00a0<em>ad limina<\/em>, o encontro dos bispos portugueses com os respons\u00e1veis da C\u00faria Romana e com o Papa Francisco, no final de Maio, a que me referi nesta mesma coluna\u00a0<em>\u00c0 Margem<\/em>\u00a0que na altura\u00a0<a href=\"https:\/\/setemargens.com\/serve-para-alguma-coisa-a-ida-dos-bispos-a-roma\/\">publiquei no 7MARGENS<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a semana romana do episcopado, tivemos declara\u00e7\u00f5es sucessivas e enunciados gen\u00e9ricos sobre o que a Igreja deve fazer. Declara\u00e7\u00f5es e enunciados que repetem outras declara\u00e7\u00f5es e enunciados feitos nas \u00faltimas d\u00e9cadas, sem que se veja qualquer sequ\u00eancia no que se proclama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns exemplos, retirados do acompanhamento feito pela Ecclesia: o bispo do Porto, Manuel Linda afirmou que a pastoral do episcopado \u201c<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ad-limina-2024-trabalhar-em-conjunto-e-aproximar-parametros-da-pastoral-sao-conclusoes-de-uma-semana-no-vaticano\/\">tem de ser cada vez mais unit\u00e1ria<\/a>\u201d, quando se sabe que uma pecha da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP) h\u00e1 d\u00e9cadas \u00e9 precisamente a falta de unidade (n\u00e3o falo de unanimismo ou de falsa unidade, que s\u00e3o doentios). O que se passou com as decis\u00f5es na sequ\u00eancia do S\u00ednodo sobre a Fam\u00edlia (2014-15), ou com as profundas diverg\u00eancias sobre o modo de enfrentar a trag\u00e9dia dos abusos sexuais s\u00e3o os casos mais recentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O vice-presidente da CEP e bispo de Coimbra, Virg\u00edlio Antunes, disse que \u201co esp\u00edrito e a verdadeira renova\u00e7\u00e3o nascem das ideias, nascem da reflex\u00e3o,\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ad-limina-2024-e-nas-comunidades-que-entra-ou-nao-entra-o-dinamismo-da-sinodalidade-como-modo-de-ser-igreja\/\">nascem da teologia, nascem da doutrina<\/a>\u201d, precisamente alguns dos factores em falta no catolicismo portugu\u00eas. E referiu ainda que o tema da sinodalidade est\u00e1 na \u201ccentralidade da vida da Igreja\u201d, tamb\u00e9m em Portugal, quando \u00e9 not\u00f3rio que a maior parte do episcopado cumpre apenas os m\u00ednimos para, sem qualquer entusiasmo, acompanhar o processo, como ainda h\u00e1 dias aqui\u00a0<a href=\"https:\/\/setemargens.com\/sinodo-agora-e-em-roma-que-aqui-ja-acabou\/\">recordava Manuel Pinto<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Noutro \u00e2mbito, o presidente da Comiss\u00e3o Episcopal do Laicado e Fam\u00edlia e bispo de Bragan\u00e7a, Nuno Almeida, defendeu ser \u201cnecess\u00e1rio\u201d acelerar o caminho de dar \u201cum\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ad-limina-2024-igreja-precisa-de-oferecer-maior-protagonismo-aos-leigos-d-nuno-almeida\/\">maior protagonismo aos leigos na nossa Igreja<\/a>\u201d, outra conversa recorrente h\u00e1 pelo menos quatro ou cinco d\u00e9cadas. Onde est\u00e1 o \u201cplano de forma\u00e7\u00e3o permanente para todos\u201d ou o est\u00edmulo ao \u201ccompromisso crist\u00e3o\u201d e \u00e0 reflex\u00e3o sobre as grandes quest\u00f5es da sociedade pedidos em 1988? Onde est\u00e1 a espiritualidade que ligue a f\u00e9 e a vida? Mais protagonismo? Porque n\u00e3o come\u00e7am os bispos por colocar leigos a dirigir institui\u00e7\u00f5es sociais, a tratar das contas das dioceses e das par\u00f3quias, a dirigir meios de comunica\u00e7\u00e3o cat\u00f3licos? Pelo contr\u00e1rio: a R\u00e1dio Renascen\u00e7a, pela terceira vez consecutiva, tem um padre como presidente do conselho de ger\u00eancia; e muitas vezes os bispos (ou alguns p\u00e1rocos) chamam a si decis\u00f5es, por vezes controversas e mal explicadas de gest\u00e3o, compra ou venda de propriedades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Liturgia, jovens, comunica\u00e7\u00e3o e bispos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente da Comiss\u00e3o Episcopal de Liturgia e Espiritualidade e arcebispo de Braga, Jos\u00e9 Cordeiro, referiu tamb\u00e9m a sua satisfa\u00e7\u00e3o com o \u201cbom caminho\u201d quanto ao\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ad-limina-2024-sentimos-que-estamos-no-bom-caminho-diz-d-jose-cordeiro-apos-visita-ao-dicasterio-responsavel-pela-liturgia\/\">trabalho de \u201creforma lit\u00fargica<\/a>\u201d. Quando vemos liturgias cada vez mais frias, com cada vez menos jovens, menos participadas e rotineiras em tantos s\u00edtios, s\u00f3 se pode falar do com caminho da reforma dos livros lit\u00fargicos. Isto apesar do recente Congresso Eucar\u00edstico Nacional, que pouco mobilizou as comunidades na base, ou apesar da Jornada Mundial da Juventude do ano passado, que n\u00e3o traduziu qualquer dinamismo de forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica ou catequ\u00e9tica dos jovens cat\u00f3licos que nela participaram, mantendo a ades\u00e3o \u00e0 f\u00e9 apenas no n\u00edvel da experi\u00eancia emotiva \u2013 exactamente o que mais depressa se perde. Ali\u00e1s, quase um ano depois, algu\u00e9m ainda se recorda da JMJ para l\u00e1 da bela experi\u00eancia que ela constituiu? O plano de pastoral juvenil que os bispos prometiam para depois da Jornada (e que deveria ter sido lan\u00e7ado antes) est\u00e1 ainda \u00e0 espera de ver a luz do dia. Em Roma, a CEP tamb\u00e9m\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ad-limina-2024-encontro-com-responsaveis-do-vaticano-destacou-experiencia-envolvente-da-jmj-lisboa-2023\/\">prometia \u201cprotagonismo\u201d aos jovens<\/a>. Vamos colocar jovens a dirigir a pastoral juvenil (isso acontece em poucas dioceses)? E a organizar ausculta\u00e7\u00f5es sobre o que deveria ser a Igreja na perspectiva dos mais novos? Talvez alguma mudan\u00e7a acontecesse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunica\u00e7\u00f5es Sociais e bispo do Funchal (que nesta sexta-feira dever\u00e1 ser nomeado para a diocese da Guarda) afirmou ainda que \u00e9 preciso \u201cmudar\u201d a forma de a Igreja comunicar e antecipar respostas antes de\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ad-limina-2024-temos-de-mudar-a-comunicacao-institucional-d-nuno-bras\/\">os jornalistas fazerem perguntas<\/a>. Conhecendo o que se passa h\u00e1 mais de 30 anos; sabendo que houve tentativas de mudan\u00e7a apenas quando os bispos Janu\u00e1rio Ferreira e Carlos Azevedo foram porta-vozes da CEP; e sabendo que v\u00e1rios bispos n\u00e3o gostam de jornalistas e os olham com profunda desconfian\u00e7a, percebe-se que esta \u00e9 mais uma declara\u00e7\u00e3o inconsequente. Mas oxal\u00e1 me engane, a partir de agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma \u00faltima refer\u00eancia \u2013 o texto j\u00e1 vai longo, mas a lista poderia ser maior \u2013 para as nomea\u00e7\u00f5es de bispos, que o presidente da CEP e bispo de Leiria-F\u00e1tima, Jos\u00e9 Ornelas, sublinhou ser necess\u00e1rio que \u201cseja realmente\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ad-limina-2024-nomeacao-de-bispos-e-questao-complexa-que-merece-atencao-da-santa-se\/\">uma consulta ao Povo de Deus<\/a>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As nomea\u00e7\u00f5es de bispos nos \u00faltimos anos em Portugal (mesmo se surgiram dois ou tr\u00eas nomes que auguram boas perspectivas) foram tudo menos resultado de participa\u00e7\u00e3o e respeito pelas propostas e sugest\u00f5es do clero local \u2013 muito menos das comunidades e do povo de Deus. A nomea\u00e7\u00e3o do novo bispo da Guarda, que dever\u00e1 acontecer esta sexta-feira, 28, \u00e9 apenas o \u00faltimo caso de uma longa lista que traduz a absoluta aus\u00eancia de participa\u00e7\u00e3o dos cat\u00f3licos, incluindo dos padres, que se sentem postos de lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que faz falta<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Significam estas refer\u00eancias e reflex\u00f5es que \u00e9 tudo mau na Igreja Cat\u00f3lica em Portugal? N\u00e3o, de todo. Esta leitura pretende chamar a aten\u00e7\u00e3o para um problema grave e cr\u00f3nico, e n\u00e3o generalizar, porque h\u00e1 muitas e boas excep\u00e7\u00f5es a tudo isto. H\u00e1 imensas pessoas generosas e verdadeiramente comprometidas com a sua f\u00e9 e com o aut\u00eantico servi\u00e7o ao bem comum. Nem est\u00e3o em causa, sequer, as pessoas concretas dos bispos citados, que em alguns casos t\u00eam manifestado uma preocupa\u00e7\u00e3o sincera com o devir da comunidade dos crentes (e com os quais mantenho, tamb\u00e9m em alguns casos, uma rela\u00e7\u00e3o cordial e de respeito m\u00fatuo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1 em causa, sim, o que a CEP vem manifestando h\u00e1 muito: falta de horizonte pastoral, de ousadia, de dinamismo, de criatividade, de abertura \u00e0 reflex\u00e3o plural e n\u00e3o apenas \u00e0s mesmas vozes de sempre, aus\u00eancia de uma estrat\u00e9gia pensada para os problemas que a sociedade vive. H\u00e1 cat\u00f3licos empenhados em quest\u00f5es sociais como os refugiados e as migra\u00e7\u00f5es, mas onde est\u00e3o eles em outros temas como o clima ou a n\u00e3o-viol\u00eancia e a constru\u00e7\u00e3o da paz? Onde est\u00e3o eles nos sindicatos (sabendo que houve uma forte corrente cat\u00f3lica na funda\u00e7\u00e3o da CGTP)? E onde est\u00e3o os crentes nos partidos, quando para muitos membros da Igreja as op\u00e7\u00f5es de voto se reduzem hoje ao PSD-CDS, Iniciativa Liberal e Chega? E quando quase n\u00e3o se veem cat\u00f3licos que como tal se assumam publicamente \u2013 e, se s\u00e3o de esquerda, s\u00e3o quase sempre ostracizados e mal vistos? Enfim, onde est\u00e1 a forma\u00e7\u00e3o para a doutrina social da Igreja, desaparecidas que est\u00e3o pessoas como Ac\u00e1cio Catarino, Adriano Moreira, Alfredo Bruto da Costa, Jos\u00e9 Dias da Silva, Manuela Silva, Maria de Lourdes Pintasilgo e outras, que a reflectiram e promoveram?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que os bispos (ainda) s\u00e3o os principais respons\u00e1veis pelas decis\u00f5es, dinamismos e iniciativas lan\u00e7ados na Igreja. Sabemos tamb\u00e9m que h\u00e1 uma reduzida capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o das pessoas em Portugal, na Igreja e n\u00e3o s\u00f3. Mas h\u00e1 uma tremenda incapacidade n\u00e3o s\u00f3 de ser consequente com os princ\u00edpios proclamados como de chamar pessoas (mesmo pessoas de fora) para exercitar a criatividade e criar dinamismos. O S\u00ednodo Diocesano de Lisboa (2014-2016) tinha como lema \u201co sonho mission\u00e1rio de chegar a todos\u201d. Mas ser\u00e1 que enunciados como esse s\u00e3o mesmo assumidos? O que se faz de criativo para, de facto, chegar a todos? A todas as pessoas, muitas delas baptizadas, que j\u00e1 n\u00e3o se consideram parte da Igreja Cat\u00f3lica? O exemplo serve para dizer que o c\u00edrculo n\u00e3o se alarga e n\u00e3o h\u00e1 capacidade de renovar linguagens e m\u00e9todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 perto de quatro anos, ouvi uma homilia no dia da festa lit\u00fargica de Santo Agostinho. O padre perdeu-se na enuncia\u00e7\u00e3o de generalidades sobre a f\u00e9 do bispo de Hipona, numa linguagem oca para quem o ouvia. Nunca foi capaz de dizer a quem o escutava que lessem as\u00a0<em>Confiss\u00f5es<\/em>, essa obra maior da m\u00edstica, da espiritualidade e da teologia crist\u00e3s, onde tanto se aprende sobre a f\u00e9 e a d\u00favida, sobre a aproxima\u00e7\u00e3o e o afastamento, sobre cada pessoa pode viver no seu tempo e no seu lugar a experi\u00eancia mais funda de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 precisamente tudo isso que falta: B\u00edblia, Conc\u00edlio, pensamento social, magist\u00e9rio dos papas, ousadia, criatividade, abertura ao di\u00e1logo e ao testemunho dos grandes santos e dos grandes m\u00edsticos. Sem nada disto, o catolicismo portugu\u00eas prosseguir\u00e1 o seu caminho para a irrelev\u00e2ncia que j\u00e1 come\u00e7ou a viver. Trabalhar para evitar isso ser\u00e1 pedir muito?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/A-retorica-inconsequente-dos-bispos-catolicos-\u2013-uma-leitura-Antonio-Marujo-7-Margens-27.06.2024.pdf\">A ret\u00f3rica inconsequente dos bispos cat\u00f3licos \u2013 uma leitura Ant\u00f3nio Marujo &#8211; 7 Margens &#8211; 27.06.2024<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row content_placement=&#8221;middle&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1540304086626{padding-top: 0px !important;}&#8221;][vc_column css=&#8221;.vc_custom_1540304338338{padding-right: 27px !important;padding-left: 27px !important;}&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">HOMILIA DEDICA\u00c7\u00c3O CATEDRAL &#8211; COROAR DE ESPIRITUALIDADE A MAT\u00c9RIA DO MUNDO<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como os ramos na videira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manda a liturgia que se comemore o anivers\u00e1rio da dedica\u00e7\u00e3o das S\u00e9s e Igrejas paroquiais, tal como fazemos com o nosso dia de anos. E essa celebra\u00e7\u00e3o tem a categoria de \u201cfesta\u201d ou at\u00e9 de \u201csolenidade\u201d, como \u00e9 o caso, agora. Deve contar com a participa\u00e7\u00e3o do maior n\u00famero poss\u00edvel de fi\u00e9is, ser presidida pelo bispo ou pelo P\u00e1roco, haver sinais exteriores de alegria e entoar-se o hino de \u201cGl\u00f3ria\u201d. Trata-se de uma recorda\u00e7\u00e3o \u00abobrigat\u00f3ria\u00bb que se sobrep\u00f5e a outros festejos como poss\u00edveis mem\u00f3rias dos santos, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o que \u00e9 a dedica\u00e7\u00e3o e donde vem este h\u00e1bito piedoso? Dedicar um espa\u00e7o ou objeto religioso a Deus \u00e9 o mesmo que o declarar exclusivo para o servi\u00e7o divino. Nesta catedral, por exemplo, cabe a dimens\u00e3o cultural, art\u00edstica, museol\u00f3gica. Em caso de cataclismo, poderia ser transformada em espa\u00e7o de ref\u00fagio ou refeit\u00f3rio de emerg\u00eancia. Mas isso apenas em caso de extrema necessidade. O que, praticamente, nunca se verificou e, se Deus quiser, nunca acontecer\u00e1. Para a cultura e para o exerc\u00edcio habitual da caridade havemos de conseguir outros espa\u00e7os mais apropriados. Aqui n\u00e3o. Este \u00e9 primordialmente para o louvor divino. At\u00e9 porque a disposi\u00e7\u00e3o dos diversos materiais objetos criam um tal ambiente espiritual que o configuram como ideal para escutar o recado, a mensagem, que Deus tem para o homem. \u00c9 por isso que, anualmente, recordamos o dia em que atribu\u00edmos ao servi\u00e7o exclusivo de Deus uma part\u00edcula pequena do que Ele mesmo nos d\u00e1 e que a cultura e a t\u00e9cnica de tantos elevou como espa\u00e7o belo e emblem\u00e1tico. Como espa\u00e7o digno de simbolizar este interc\u00e2mbio entre o divino e o humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma igreja, de facto, \u00e9 sempre uma nota de poesia na prosa b\u00e1rbara das nossas vidas. \u00c9 um espa\u00e7o de sil\u00eancio e interioridade no meio do bul\u00edcio e dispers\u00e3o da forma como tecemos a exist\u00eancia. \u00c9 uma possibilidade de olhar para a constru\u00e7\u00e3o e reconhecer que esta se apresenta como sentinela do divino, como chamada de aten\u00e7\u00e3o, cont\u00ednua lembran\u00e7a para que n\u00e3o nos esquecermos que, por cima de n\u00f3s, est\u00e1 Deus. \u00c9 tamb\u00e9m, de alguma maneira, como que a representa\u00e7\u00e3o de m\u00e3os postas, m\u00e3os erguidas da \u00abcidade dos homens\u00bb na dire\u00e7\u00e3o da \u00abcidade de Deus\u00bb. \u00c9 despertador das nossas consci\u00eancias, recordando que \u00e9 poss\u00edvel a santidade no meio das desordens morais, individuais e coletivas. \u00c9, enfim, o lugar dos afetos e dos sentimentos, pois neste espa\u00e7o se vertem l\u00e1grimas de alegria num casamento e l\u00e1grimas de dor num funeral, exprime-se a ternura do encanto de um batismo ou primeira comunh\u00e3o e a ang\u00fastia de quem pede afincadamente uma gra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isto \u00e9 que reclama que este espa\u00e7o seja diferente, \u00fanico. Como tal, depois da dedica\u00e7\u00e3o, chamamos-lhe \u00abespa\u00e7o sagrado\u00bb. De facto, n\u00f3s, os crist\u00e3os, n\u00e3o constru\u00edmos igrejas para deixar marcas de civiliza\u00e7\u00e3o nem para afirmarmos um qualquer poder: fazemo-lo porque estas constru\u00e7\u00f5es, as igrejas ou templos, constituem uma imagem da nossa vida da f\u00e9 e mesmo da rela\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a divina connosco e de n\u00f3s com Deus. A primeira leitura, por exemplo, apresentava essa linda met\u00e1fora do templo como nascente de uma \u00e1gua viva que gera mais vida e, fundamentalmente, mais qualidade de vida: \u201cAonde esta \u00e1gua chegar, as outras \u00e1guas tornar-se-\u00e3o s\u00e3s e haver\u00e1 vida por toda a parte. [\u00c0 sua beira crescer\u00e3o \u00e1rvores cujos] frutos servir\u00e3o de alimento e as folhas de rem\u00e9dio\u201d. E o Evangelho remete-nos para a ideia de que esta casa \u00e9 o lugar onde acolhemos Deus e Deus nos acolhe: foi na sua casa, transformada em templo ou igreja, que Zaqueu acolheu Jesus. Mas \u00e9 l\u00e1 que Jesus o acolhe no reino de Deus ao garantir-lhe que \u201ca salva\u00e7\u00e3o chegou a esta casa, porque o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido\u201d. Daqui a passagem para a ideia que d\u00e1 forma a toda a segunda leitura: estas casas lembram-nos o necess\u00e1rio acolhimento de Cristo j\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 dentro das suas paredes de pedra ou cimento, mas no sacr\u00e1rio mais \u00edntimo que \u00e9 o nosso cora\u00e7\u00e3o. A ponto de se poder perguntar como S. Paulo: \u201cN\u00e3o sabeis que sois templos do Esp\u00edrito Santo e que o Esp\u00edrito de Deus habita em v\u00f3s\u2019\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 aqui que reside o grande mist\u00e9rio e o segredo do nosso relacionamento com o divino: sermos ou n\u00e3o sermos os templos vivos de Deus. E muitos n\u00e3o querem ser. Foi assim em todos os tempos, mas torna-se mais vis\u00edvel no nosso. Queremos Deus perto de n\u00f3s, como pol\u00edcia a quem recorrer se nos sentimos atacados pela desgra\u00e7a. Mas, na nossa casa e, muito mais, no nosso cora\u00e7\u00e3o, podem entrar c\u00e3es e gatos, cobras e lagartos, mas Deus\u2026 fica \u00e0 porta. Que Deus habite na igreja, muito bem: Ele l\u00e1 est\u00e1 para quando eu precisar, como o m\u00e9dico est\u00e1 nas urg\u00eancias; mas que habite em n\u00f3s, isso n\u00e3o, porque, assim, eu imagino que sou mais livre e que, dessa forma, posso fazer o bem ou o mal que me apetecer. \u00c9 a terr\u00edvel dicotomia f\u00e9\/vida. O que, na pr\u00e1tica, representa um voltar as costas a Deus. \u00c9 isso: queremos igrejas belas e solenes e queremos meter l\u00e1 Deus; mas n\u00f3s n\u00e3o queremos ser templos onde Deus habite!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, temos o exemp lo de Algu\u00e9m que n\u00e3o procedeu assim: \u00e9 a Bem-aventurada Virgem Maria, por sinal, Padroeira desta igreja catedral. Ela n\u00e3o se preocupou por arranjar um \u00abtemplozinho\u00bb para Deus: trouxe-O sempre consigo. Na Anuncia\u00e7\u00e3o, o Anjo ressalta isso mesmo ao dizer: \u201cAve-Maria, cheia de gra\u00e7a, o Senhor \u00e9 [ou est\u00e1] convosco\u201d. Isso \u00e9 que faz d\u2019Ela diferente de toda a gente, a \u201cbendita entre as mulheres\u201d: porque Deus est\u00e1 sempre com Ela e Ela est\u00e1 sempre com Deus. Sempre! Quando as coisas correm mal, como por exemplo, quando \u00e9 preciso fugir para o Egipto, e quando h\u00e1 triunfo, como quando enormes multid\u00f5es seguem Jesus. Est\u00e1 com Jesus e Jesus est\u00e1 com Ela na ternura do nascimento, mesmo que tenha sido num pres\u00e9pio, e na dor do Calv\u00e1rio; na incompreens\u00e3o das palavras de Sime\u00e3o que lhe anuncia uma \u201cespada de dor\u201d e na manh\u00e3 dos aleluias da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que esta catedral, onde celebramos os momentos cimeiros da vida religiosa da Diocese, continue como met\u00e1fora do verdadeiro templo onde Deus quer habitar: em n\u00f3s, no nosso cora\u00e7\u00e3o, na nossa vida. Edificado bem no alto deste morro da Pena Ventosa, seja express\u00e3o de uma cidade viva e din\u00e2mica que sabe levantar as m\u00e3os para Deus e receber d\u2019Ele a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade com as quais se humaniza e se torna ainda mais aberta e solid\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manuel Linda, Bispo do Porto &#8211; 09 de setembro de 2020<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">DIOCESE do PORTO<br \/>\nNOTA PASTORAL<br \/>\nVIVER, CELEBRAR E CULTIVAR A F\u00c9 EM TEMPO DE PANDEMIA<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como os ramos na videira<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viver, celebrar e cultivar a f\u00e9 em tempo de pandemia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos Sacerdotes e aos Di\u00e1conos,<br \/>\nAos Respons\u00e1veis das Associa\u00e7\u00f5es, Movimentos e Obras<br \/>\nE a todos os Fi\u00e9is Leigos da Diocese do Porto<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m de outros efeitos nefastos, a atual pandemia de Covid-19 n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o nos permite programar o futuro com alguma clarivid\u00eancia como nos abriga a uma prud\u00eancia acrescida, pois as informa\u00e7\u00f5es nem sempre s\u00e3o as mais otimistas. Uma coisa \u00e9 certa: na Europa, em geral, e entre n\u00f3s, em concreto, a transmiss\u00e3o do v\u00edrus est\u00e1 em aumento assustador e os t\u00e9cnicos falam j\u00e1 num outono\/inverno fortemente problem\u00e1ticos. E, evidentemente, queremos ser parte da solu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o do problema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, no que a n\u00f3s diz respeito, a viv\u00eancia, forma\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 n\u00e3o est\u00e1 sujeita a \u00e9pocas favor\u00e1veis ou inoportunas nem \u00e9 compat\u00edvel com intervalos: \u00e9 para sempre e qualquer circunst\u00e2ncia. Por isso mesmo, \u00e9 necess\u00e1rio, por parte de todos n\u00f3s (bispos, sacerdotes, di\u00e1conos, respons\u00e1veis pelos diversos setores de apostolado e leigos em geral), um esfor\u00e7o para encontrar, em cada ambiente e em cada circunst\u00e2ncia, a atitude e a resposta pastoral mais adequada. \u00c9 que, se a pandemia \u00e9 muito s\u00e9ria, a efetiva presen\u00e7a pastoral mission\u00e1ria da Igreja (diocese, par\u00f3quias, capelanias, servi\u00e7os, movimentos) n\u00e3o \u00e9 menos s\u00e9ria e n\u00e3o se pode sujeitar \u00e0 oscila\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de qualquer g\u00e9nero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rezamos e esperamos que Deus nos conceda a gra\u00e7a de p\u00f4r cobro \u00e0 pandemia, porventura por interm\u00e9dio de vacinas que se aguardam ansiosamente. Mas tudo parece indicar que a t\u00e3o referida \u00abimunidade de grupo\u00bb ou vacina\u00e7\u00e3o em massa n\u00e3o aconte\u00e7am antes do final do primeiro trimestre de 2021. Vamos, portanto, colocar como refer\u00eancia a pr\u00f3xima P\u00e1scoa que esperamos j\u00e1 poder celebrar com toda a alegria e liberdade. De momento, temos que ir at\u00e9 onde pudermos ir, mas sempre com a preocupa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ultrapassar os limites da prud\u00eancia e da legalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim sendo, ap\u00f3s consulta e com o contributo dos senhores Bispos Auxiliares, apresento alguns princ\u00edpios b\u00e1sicos orientadores, sem a pretens\u00e3o de estabelecer regras gerais a aplicar cegamente. As normas das autoridades de Sa\u00fade e as que a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa j\u00e1 formulou s\u00e3o para ter sempre como refer\u00eancia, mormente no que diz respeito ao uso de m\u00e1scaras, dist\u00e2ncia social, arejamento dos espa\u00e7os, desinfe\u00e7\u00f5es, etc. Tudo isso deve ser levado muito a s\u00e9rio, pelo menos at\u00e9 outras orienta\u00e7\u00f5es a que as circunst\u00e2ncias nos permitam ou nos obriguem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo isto presente, eis alguns \u00e2mbitos a considerar.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong> Catequese.<\/strong>Deveremos ter como refer\u00eancia orientadora (n\u00e3o cega) os procedimentos da Escola, em todos os seus n\u00edveis. Dever\u00e1 ser objetivo irrenunci\u00e1vel: a catequese n\u00e3o vai parar! Refor\u00e7ar o apoio mission\u00e1rio, afetivo, formativo e log\u00edstico aos catequistas e, porventura, tentar aumentar o seu n\u00famero. Tenha-se como refer\u00eancia o documento do Secretariado Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 \u201cOrienta\u00e7\u00f5es para catequese em tempos de pandemia\u201d. Aproveitar a circunst\u00e2ncia para envolver mais os pais. Se se julgar conveniente, poder-se-ia propor n\u00e3o haver catequese presencial todas as semanas e continu\u00e1-la, porventura diariamente, no tempo de f\u00e9rias escolares que coincidem com os tempos fortes da liturgia e da viv\u00eancia dos mist\u00e9rios centrais da nossa f\u00e9. Caso a caso, poder\u00e3o ser repensadas as festas, os modos e os prazos da Primeira Comunh\u00e3o e Profiss\u00e3o de F\u00e9. Uma quest\u00e3o para os v\u00e1rios setores implicados: como poder\u00e1 ser minorada a aus\u00eancia da participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia dominical? No m\u00ednimo, deve realizar-se uma sess\u00e3o de catequese mensal, antecedida ou seguida da Missa.<\/li>\n<li><strong> Confiss\u00f5es.<\/strong>N\u00e3o podemos retrair a disponibilidade para este atendimento sacramental. Suposta esta disponibilidade, ser\u00e1 vi\u00e1vel encontrar espa\u00e7os e condi\u00e7\u00f5es em que se cumpram a dist\u00e2ncia necess\u00e1ria e a discri\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel. Se existirem condi\u00e7\u00f5es para isso, pode-se usar uma sala arejada com acr\u00edlico entre o confessor e o penitente.<\/li>\n<li><strong> Crismas.<\/strong>Veja-se se \u00e9 poss\u00edvel encontrar modos de recuperar os Crismas adiados e de os realizar at\u00e9 ao fim do ano civil. Depois se ver\u00e1! Nesse caso, seria necess\u00e1rio dividir os grupos e multiplicar as celebra\u00e7\u00f5es: sextas \u00e0 noite, s\u00e1bados de manh\u00e3 e de tarde, domingos \u00e0 tarde. Ser\u00e1 necess\u00e1rio limitar as presen\u00e7as aos crismandos, padrinhos, pais e catequistas. Embora a grande regra seja a capacidade do local onde v\u00e3o ser celebrados, de forma geral, pode colocar-se como refer\u00eancia o n\u00famero de cerca de vinte crismandos por celebra\u00e7\u00e3o. Quer isto dizer que, temporariamente, suspendemos a norma dos Crismas vicariais e passar\u00e3o a ser, na sua maioria, paroquiais. Entretanto, se o n\u00famero de crismandos for reduzido, devem associar-se v\u00e1rias Par\u00f3quias, particularmente se confiadas ao cuidado pastoral do mesmo P\u00e1roco.<\/li>\n<li><strong> Visitas pastorais.<\/strong>Em princ\u00edpio, suspendem-se. Por\u00e9m, a ju\u00edzo dos P\u00e1rocos e das Vigararias, n\u00e3o \u00e9 de excluir a possibilidade de levar por diante as que estavam programadas. Neste caso, evitar-se-iam as grandes aglomera\u00e7\u00f5es de pessoas e centrar-se-iam em \u00e2mbitos espec\u00edficos: tempo passado com o P\u00e1roco e eventual Di\u00e1cono Permanente para considera\u00e7\u00e3o sobre as condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f3micas, pastorais e outras; avalia\u00e7\u00e3o do cart\u00f3rio, registos e dignidade dos espa\u00e7os lit\u00fargicos; reuni\u00e3o com setores muito restritos, tais como Conselho Econ\u00f3mico Paroquial, Catequistas, crismandos, Leitores, Ac\u00f3litos e Ministros Extraordin\u00e1rios da Comunh\u00e3o; celebra\u00e7\u00e3o do Crisma.<\/li>\n<li><strong> Sacerdotes idosos ou de risco.<\/strong>Os Vig\u00e1rios dever\u00e3o identificar estas situa\u00e7\u00f5es e sugerir aos visados prudentes substitui\u00e7\u00f5es. Sempre e s\u00f3 como sugest\u00e3o. Porventura, poderiam ser substitu\u00eddos pelos Di\u00e1conos Permanentes colocados nessa Par\u00f3quia ou mesmo pelos da zona. Mas que ningu\u00e9m se sinta marginalizado. Quando, nessa regi\u00e3o, n\u00e3o se encontrarem Di\u00e1conos Permanentes dispon\u00edveis, pode-se pedir o contributo (ocasional e tempor\u00e1rio) de algum Ministro Extraordin\u00e1rio da Comunh\u00e3o id\u00f3neo e especificamente formado para essa fun\u00e7\u00e3o. Se as circunst\u00e2ncias assim obrigarem, pode, inclusivamente, presidir a uma Assembleia Dominical na Aus\u00eancia do Presb\u00edtero, seguindo o ritual editado pela Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa. A \u201chomilia\u201d poder\u00e1 ser lida a partir de algum bom texto dispon\u00edvel. Mas que n\u00e3o haja nenhuma Par\u00f3quia sem a celebra\u00e7\u00e3o do Domingo: Missa, na forma habitual, ou, excecionalmente, Assembleia Dominical na Aus\u00eancia do Presb\u00edtero. Se alguma comunidade paroquial ficasse privada, por longo tempo, da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, o Vig\u00e1rio da Vara, com o respetivo p\u00e1roco, providenciariam que algum sacerdote pudesse ir a\u00ed, de tempos a tempos, celebrar a Eucaristia e renovar a sagrada reserva.<\/li>\n<li><strong> Centros de culto de pequenas dimens\u00f5es.<\/strong>Com bom tempo, a alternativa podem ser as \u201cmissas campais\u201d; no inverno, utilizar sal\u00f5es paroquiais ou providenciar espa\u00e7os civis adequados.<\/li>\n<li><strong> Comunh\u00e3o aos doentes.<\/strong>Cumpridas todas as normas de seguran\u00e7a, n\u00e3o se esque\u00e7a este \u00e2mbito da pastoral confiado, primordialmente, aos Ministros Extraordin\u00e1rios da Comunh\u00e3o.<\/li>\n<li><strong> Reuni\u00f5es.<\/strong>Sejam as diocesanas, sejam as paroquiais, alternar, como j\u00e1 se tem feito, o presencial com o virtual. Ou mesmo ficar s\u00f3 neste, se as circunst\u00e2ncias o aconselharem.<\/li>\n<li><strong> Reuni\u00f5es de Vigararia.<\/strong>O ideal seria que fossem presenciais. Mas as conjunturas \u00e9 que determinar\u00e3o a modalidade. Dever\u00e1 procurar-se, na medida do poss\u00edvel, que os que n\u00e3o podem ou n\u00e3o devem ir possam participar virtualmente. No m\u00ednimo, dever\u00e3o ter acesso r\u00e1pido a informa\u00e7\u00e3o circunstanciada do teor da reuni\u00e3o.<\/li>\n<li><strong> Ofert\u00f3rios consignados.<\/strong>Sabemos bem da pen\u00faria geral, particularmente de muitas Par\u00f3quias. N\u00e3o obstante, sem insistir muito, todos eles devem ser lembrados. Tamb\u00e9m eles representam uma forma de abertura e sintonia com uma Igreja que n\u00e3o \u00e9 \u00abparoquial\u00bb, mas cat\u00f3lica.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>*****<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aproveito esta oportunidade para, mais uma vez, felicitar vivamente os agentes de pastoral desta nossa Diocese do Porto, com l\u00f3gico destaque para os P\u00e1rocos, Reitores, Capel\u00e3es e Di\u00e1conos, pela forma absolutamente brilhante como t\u00eam respondido \u00e0 crise da pandemia, com frequentes sacrif\u00edcios pessoais: seja na presen\u00e7a junto do seu povo, com forte e serena inova\u00e7\u00e3o, para que nunca lhe falte o \u00e2nimo, os sacramentos e os ritos religiosos; seja no empenho para minorar o sofrimento de tantos, mormente a n\u00edvel dos Centros Sociais Paroquiais e estruturas similares. O mesmo poderia dizer a respeito do grande exemplo no cumprimento das normas de seguran\u00e7a, por vezes at\u00e9 com not\u00f3rio exagero. Bem-hajam! Continuaremos com igual determina\u00e7\u00e3o e afinco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta epidemia \u00e9 a primeira \u2013e certamente ser\u00e1 a \u00fanica, se Deus quiser- que nos \u00e9 dado sofrer. Mas, por esse mundo fora, h\u00e1 milh\u00f5es e milh\u00f5es que passaram por momentos ainda mais dram\u00e1ticos. Pensemos nas atrocidades das guerras e nos regimes pol\u00edticos que executaram exterm\u00ednios em massa. E tudo isso passou, gra\u00e7as a Deus. Pois, o Covid-19, como todos os males, tamb\u00e9m passar\u00e1. At\u00e9 porque Deus est\u00e1 presente na hist\u00f3ria da humanidade e faz dela uma hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o. De muitos modos e por v\u00e1rios meios. Mas, agora, particularmente pela ci\u00eancia e pelas tecnologias aplicadas ao bem. Para mais, j\u00e1 sabemos como se transmite o cont\u00e1gio, ao passo que, por exemplo, numa guerra, nunca se sabe quando uma bomba atinge as pessoas. Por isso, temos capacidade de \u00abdefesa\u00bb muit\u00edssimo superior \u00e0quela que tantos experimentam em situa\u00e7\u00e3o de conflito causado pela malvadez humana. Basta que n\u00e3o abrademos a vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como tantas vezes pede o Papa Francisco, que esta situa\u00e7\u00e3o nos obrigue a repensar mais a rela\u00e7\u00e3o do homem com a natureza, a edificarmos uma civiliza\u00e7\u00e3o mais justa a n\u00edvel planet\u00e1rio, a sermos mais solid\u00e1rios e afetivos para com os d\u00e9beis, a exigir do Estado que respeite e acarinhe as boas iniciativas sociais, a colocar a economia ao servi\u00e7o do bem comum, a revalorizar os la\u00e7os inultrapass\u00e1veis da fam\u00edlia unida e indissol\u00favel, a privilegiar o essencial em detrimento do acess\u00f3rio. E, de maneira fundamental, a reconhecer a nossa fragilidade estrutural e consequente necessidade do Deus da miseric\u00f3rdia e do amor. At\u00e9 porque, como diria S\u00e3o Paulo, \u201c\u00e9 na nossa fraqueza que se manifesta a for\u00e7a de Cristo\u201d (2 Cor 12, 10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esta for\u00e7a sanante e compadecida que pedimos por interm\u00e9dio da Bem-aventurada Virgem Maria para esta sua \u201cDiocese de cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porto, 28 de agosto de 2020<br \/>\n+ Manuel, Bispo do Porto<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][vc_separator][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][vc_row_inner css=&#8221;.vc_custom_1543577196674{margin-bottom: 47px !important;}&#8221;][vc_column_inner][vc_column_text]<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTempo da Cria\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bispo do Porto convidou a diocese a celebrar o \u201cTempo da Cria\u00e7\u00e3o\u201d, que os crist\u00e3os assinalam entre 1 de setembro e 4 de outubro, numa \u201cdimens\u00e3o \u00e9tica\u201d, como \u201cfonte de espiritualidade\u201d e promovendo \u201ca\u00e7\u00f5es de sensibiliza\u00e7\u00e3o ambiental\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONVITE<\/strong><\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>Jardineiros No Jardim De Deus<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-7877 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/jardineiros.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"467\" srcset=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/jardineiros.jpg 700w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/jardineiros-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De 1 de setembro, in\u00edcio do ano pastoral e escolar, a 4 de outubro, mem\u00f3ria lit\u00fargica de S\u00e3o Francisco de Assis, Patrono da Ecologia, a Igreja Cat\u00f3lica e as Igrejas Irm\u00e3s Evang\u00e9licas colocam como sua refer\u00eancia especial a liga\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cCasa comum\u201d, ou seja, \u00e0 natureza, sem a qual pessoas, animais, plantas e outros seres n\u00e3o poder\u00edamos sobreviver. Numa dupla perspetiva: como dimens\u00e3o \u00e9tica que nos obriga a espec\u00edficos comportamentos respeitosos para com esta grande e bela obra de um Deus que nos oferece semelhante d\u00e1diva; e como fonte de espiritualidade, pois a contempla\u00e7\u00e3o da beleza da criatura ajuda-nos a admirar e amar mais o seu Criador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde que o Papa Francisco nos alertou para a urg\u00eancia de novas atitudes para com a natureza, com a publica\u00e7\u00e3o da enc\u00edclica Laudato si, esta celebra\u00e7\u00e3o universalizou-se e passou a entrar, mais autenticamente, no rol das nossas preocupa\u00e7\u00f5es e viv\u00eancias eclesiais. Como \u00e9 sabido, para assinalar o quinto anivers\u00e1rio desta enc\u00edclica dedicada a uma tem\u00e1tica absolutamente nova, o Dicast\u00e9rio para a Promo\u00e7\u00e3o do Desenvolvimento Humano Integral, da Santa S\u00e9, anunciou um ano celebrativo especial, de 24 de maio de 2020 a 24 de maio de 2021. Est\u00e1 a decorrer, embora o contexto de pandemia acabasse por ofuscar muitas a\u00e7\u00f5es que poderiam constituir grandes e motivadoras not\u00edcias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Diocese do Porto, evidentemente, o tema tamb\u00e9m deu entrada no nosso Plano Pastoral. Nas \u201cEmerg\u00eancias pastorais\u201d refere-se, no n\u00ba 13, a necessidade do alargamento do \u201chorizonte do nosso cuidado pela Casa Comum\u201d, ali\u00e1s, um dos quatro \u201cObjetivos\u201d para o ano de 2020\/21, assim especificado: \u201cAssumir a voca\u00e7\u00e3o de que Deus Pai e Criador nos confiou de guardi\u00f5es da obra de Deus, como parte essencial de uma vida crist\u00e3 virtuosa; acolher criativamente as propostas do Ano Laudato Si\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por tudo isto, convido amigavelmente os Sacerdotes e Di\u00e1conos, os Institutos Religiosos e Seculares, as Associa\u00e7\u00f5es, Movimentos e Obras e todo o Povo de Deus, mormente por interm\u00e9dio dos seus organismos mais representativos \u2013escolas, universidades, hospitais, empresas, fam\u00edlias, comunica\u00e7\u00e3o social, administra\u00e7\u00e3o, autarquias, associa\u00e7\u00f5es culturais e desportivas, artistas, etc.- a celebrarmos este tempo da Cria\u00e7\u00e3o com a\u00e7\u00f5es de sensibiliza\u00e7\u00e3o ambiental, reflex\u00e3o sobre a interliga\u00e7\u00e3o da pessoa com a natureza e, se poss\u00edvel, com a ora\u00e7\u00e3o de louvor pela magn\u00edfica oferta que o Criador nos concedeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o faltam materiais para nos ajudar nesta viv\u00eancia. Refiro, especialmente, os provenientes do Dicast\u00e9rio para o Desenvolvimento Humano Integral em: (<a href=\"https:\/\/www.sowinghopefortheplanet.org\/files\/shftp_uploads\/2020\/6\/Laudato_Si_Portuguese_compressed.pdf\">www.sowinghopefortheplanet.org\/files\/shftp_uploads\/2020\/6\/Laudato_Si_Portuguese_compressed.pdf<\/a>), ou da Comiss\u00e3o Ecum\u00e9nica (<a href=\"https:\/\/seasonofcreation.org\/pt\/about-pt\/\">seasonofcreation.org\/pt\/about-pt<\/a>).<br \/>\nA n\u00edvel local, entre n\u00f3s, a Comiss\u00e3o Diocesana para o Ecumenismo (<a href=\"https:\/\/ecumenismodioceseporto.blogspot.com\/\">ecumenismodioceseporto.blogspot.com<\/a>) j\u00e1 publicou v\u00e1lidas achegas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso Secretariado Diocesano do Ensino da Igreja nas Escolas, a quem confiei a tarefa da mobiliza\u00e7\u00e3o em favor da \u201cCasa comum\u201d, pretende viver o ano escolar \u00e0 base deste slogan, jogando com as iniciais da sigla: \u201cD\u00e1 c\u00e1 mais 5 c\u2019s: Crescer na Consci\u00eancia do Cuidado da Casa Comum\u201d. Creio que, com esta ou outra formula\u00e7\u00e3o, este desiderato deveria constituir uma preocupa\u00e7\u00e3o de toda a Igreja diocesana.<br \/>\nE rezemos: \u201cSenhor da Vida, durante este Tempo da Cria\u00e7\u00e3o pedimos que nos deis coragem para guardar o shabat do nosso planeta. Fortalecei-nos com a f\u00e9 para acreditarmos na Vossa provid\u00eancia. Inspirai-nos com a criatividade para compartilharmos aquilo que recebemos. Ensinai-nos a satisfazer-nos com aquilo que \u00e9 suficiente. E enquanto proclamamos um Jubileu pela terra, enviai o Vosso Esp\u00edrito a renovar a face da cria\u00e7\u00e3o. N\u00f3s Vo-lo pedimos em nome de Jesus Cristo que veio proclamar a boa-nova para toda a cria\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porto, 27 de agosto de 2020<br \/>\n+ Manuel, Bispo do Porto<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Sacerd\u00f3cio e sinodalidade 2 abril, 2026 Homilia do bispo do Porto na Missa\u00a0Crismal Caros irm\u00e3os, nos tr\u00eas graus do sacerd\u00f3cio ministerial, para o bispo, \u00e9 motivo de profundo contentamento, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"class_list":["post-7875","page","type-page","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/7875","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7875"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/7875\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16922,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/7875\/revisions\/16922"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7875"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}