{"id":10795,"date":"2022-06-21T09:54:00","date_gmt":"2022-06-21T08:54:00","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=10795"},"modified":"2022-11-21T18:57:18","modified_gmt":"2022-11-21T18:57:18","slug":"sintese-da-diocese-do-porto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=10795","title":{"rendered":"S\u00edntese da Diocese do Porto &#8211; S\u00ednodo 2021-2023"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00cdNODO DOS BISPOS 2023<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DIOCESE DO PORTO &#8211; S\u00cdNTESE DIOCESANA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) DESCRI\u00c7\u00c3O DO PROCESSO DE RECOLHA DE INFORMA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 com grande alegria e esperan\u00e7a que apresentamos a s\u00edntese poss\u00edvel das respostas dos diocesanos do Porto ao processo de consulta para o S\u00ednodo dos Bispos de 2023, sentindo-nos muito gratos pela participa\u00e7\u00e3o de todos. Grande \u00e9 tamb\u00e9m a alegria e a gratid\u00e3o por este processo sinodal de escuta do povo de Deus, em grande parte in\u00e9dito na vida da Igreja. Muitas foram as manifesta\u00e7\u00f5es de gratid\u00e3o por esta iniciativa, vindas das comunidades locais, que sentiram a alegria de participar e a esperan\u00e7a de que daqui resultem verdadeiros processos de transforma\u00e7\u00e3o, que ven\u00e7am a in\u00e9rcia sem cair na ideologia da mudan\u00e7a, nem na mera cosm\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00e9todo sinodal pede que a participa\u00e7\u00e3o se fa\u00e7a em grupos de escuta e di\u00e1logo e n\u00e3o tanto na resposta individual a um question\u00e1rio pr\u00e9vio, atr\u00e1s de um ecr\u00e3. Nesse sentido, a calendariza\u00e7\u00e3o proposta merece alguns reparos. O Vademecum poderia ter chegado de modo a possibilitar que a consulta se iniciasse com o ano pastoral. N\u00e3o sendo assim, o tempo necess\u00e1rio para mobilizar as comunidades levou a que o trabalho nos grupos se desenrolasse sobretudo entre janeiro de 2022 e a P\u00e1scoa passada. Melhor ser\u00e1 esquecermos o primeiro prazo de resposta. O desejo de alargar a consulta aos \u00e2mbitos menos tradicionais do espa\u00e7o eclesial pediria uma mobiliza\u00e7\u00e3o nacional, com ampla divulga\u00e7\u00e3o nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, fazendo da consulta um acontecimento p\u00fablico. Como assim n\u00e3o aconteceu, a possibilidade de escutar as periferias e a sociedade em geral cingiu-se \u00e0s estruturas eclesiais que j\u00e1 t\u00eam trabalho nesses \u00e2mbitos, chegando a n\u00edveis de participa\u00e7\u00e3o bastante discretos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na diocese do Porto, o caminho sinodal ativou-se a partir das reuni\u00f5es de vig\u00e1rios da vara, de uma assembleia de movimentos e obras e da colabora\u00e7\u00e3o com a CIRP. A partir da divulga\u00e7\u00e3o que estes fizeram junto dos p\u00e1rocos e comunidades locais, procurou-se criar uma outra rede de contactos para a dinamiza\u00e7\u00e3o do processo e a rece\u00e7\u00e3o das respostas, rede esta muito dependente da iniciativa dos respons\u00e1veis locais, sobretudo dos presb\u00edteros. Neste processo fica muito clara a dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o, apesar do recurso \u00e0s plataformas mais comuns. A comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 um aspeto fundamental a qualquer caminho sinodal, que, para o futuro, deve ser trabalhado com uma estrat\u00e9gia s\u00f3lida e uma persist\u00eancia sem tr\u00e9guas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na diocese do Porto, o jornal diocesano, Voz Portucalense, dedicou um espa\u00e7o semanal \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de opini\u00f5es, not\u00edcias, entrevistas e artigos de fundo sobre o tema. A disponibiliza\u00e7\u00e3o destes conte\u00fados no jornal e nas plataformas online foi fundamental para o processo. Ao mesmo tempo, a comiss\u00e3o diocesana, al\u00e9m do contacto via email, criou uma p\u00e1gina web que disponibilizou toda a documenta\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o, bem como material de forma\u00e7\u00e3o, no qual se destaca a produ\u00e7\u00e3o de quatro v\u00eddeos em colabora\u00e7\u00e3o com o gabinete de comunica\u00e7\u00e3o diocesano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comiss\u00e3o sinodal diocesana implementou dois modos de participa\u00e7\u00e3o, sendo o primeiro e o mais essencial, o trabalho em grupos, com uma plataforma online de resposta diocesana. Por meio da rede de contactos, prop\u00f4s-se que cada comunidade ou grupo trabalhasse o Vademecum, fornecendo vers\u00f5es simplificadas do mesmo e disponibilizando ajuda e materiais de forma\u00e7\u00e3o, que aproveitaram mesmo a outras dioceses. O segundo, para permitir a participa\u00e7\u00e3o de todos quantos n\u00e3o se enquadraram em algum grupo, passou pela abertura de um question\u00e1rio individual, tamb\u00e9m online, durante um m\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixando a cada comunidade a escolha do m\u00e9todo a usar, verific\u00e1mos que a maioria optou por partir dos grupos j\u00e1 formados, criando outros grupos a prop\u00f3sito, ou ainda criando grupos de intera\u00e7\u00e3o entre membros dos v\u00e1rios grupos j\u00e1 existentes. Sobretudo por causa da inibi\u00e7\u00e3o gerada pela pandemia para o encontro pessoal, muitos optaram por formas de encontro online, e muitos desistiram da forma mais rica do encontro de grupo para enveredar por m\u00e9todos de consulta individual<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas comunidades foram bastante criativas no modo de gerar participa\u00e7\u00e3o, usando os dois modos de encontro de grupo e question\u00e1rio individual, com a coloca\u00e7\u00e3o de pontos de recolha de respostas em lugares p\u00fablicos, ainda que o n\u00edvel de participa\u00e7\u00e3o registado seja modesto. Algumas comunidades procuraram ir ao encontro das institui\u00e7\u00f5es civis e anim\u00e1-las a participar, mas com n\u00edveis de participa\u00e7\u00e3o residuais. Uma vez mais, parece ter faltado fazer desta consulta um \u201cevento nacional\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Registe-se ainda a enorme dificuldade em perceber o que se perguntava, por muitos manifestada. A mesma dificuldade sentiram os que tomaram as quest\u00f5es dos dez eixos tem\u00e1ticos como perguntas a responder, dificultando a s\u00edntese final. Em todo o caso, parecendo-nos que as quest\u00f5es colocadas dificultavam a participa\u00e7\u00e3o de pessoas menos envolvidas no ambiente eclesial, bem como dos mais jovens, divulgamos um breve modelo de question\u00e1rio alternativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras dificuldades se registam, no que toca a estar em grupo, dar opini\u00e3o com desapego e escutar com disponibilidade. Algumas comunidades, viram-se obrigadas a abrandar o processo, pois despertaram velhos ressentimentos e conflitos adiados, mas n\u00e3o resolvidos, que tomaram conta da discuss\u00e3o. Percebe-se que muitas respostas surgem em ambiente de controv\u00e9rsia, sobretudo naqueles temas que, muito falados na opini\u00e3o p\u00fablica, geram maior desconforto quando chega a hora de procurar um consenso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A este prop\u00f3sito, \u00e9 muito importante dizer que este modo de consultar, n\u00e3o perguntando sobre um tema espec\u00edfico, mas abrindo espa\u00e7o \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o de opini\u00f5es, leva a que muitas comunica\u00e7\u00f5es insistam em temas que n\u00e3o geraram consenso, nem o gerariam, se propostos de modo universal. Pode, pois, parecer que um grande n\u00famero de opini\u00f5es num dado sentido indique uma mudan\u00e7a evidente, mas o que se evidencia \u00e9 a necessidade de tratar estes temas com maior profundidade e abertura, e isso n\u00e3o \u00e9 pouco. \u00c9 bom que as respostas registem tamb\u00e9m o que n\u00e3o foi consensual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em tudo quanto se segue, procura-se refletir esta participa\u00e7\u00e3o, deixando de fora aspetos mais locais e circunstanciados, que ser\u00e3o tratados noutro \u00e2mbito, e procurando discernir com cuidado e em ora\u00e7\u00e3o o que se deve registar e comunicar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) APRESENTA\u00c7\u00c3O DOS RESULTADOS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 ao fim do prazo, recebemos 181 respostas de grupo, que representam 194 par\u00f3quias, das 477 da diocese, 30 comunidades de vida consagrada, movimentos e grupos, e ainda outros grupos paroquiais que quiseram enviar a sua pr\u00f3pria resposta. Tamb\u00e9m de algumas par\u00f3quias que n\u00e3o responderam, chegaram as raz\u00f5es da aus\u00eancia e outras respostas t\u00eam, entretanto, chegado. Recebemos ainda 517 respostas ao question\u00e1rio pessoal, que mantivemos aberto apenas no \u00faltimo m\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos temas mais debatidos, o primeiro que se destaca \u00e9 o que engloba tudo quanto se refere \u00e0 pouca participa\u00e7\u00e3o na vida eclesial, sobretudo dos jovens que se sentem pouco tidos em conta, mas tamb\u00e9m dos jovens adultos que muitas vezes se sentem cansados e sem tempo. O desinteresse dos jovens e a rutura com a moral crist\u00e3, s\u00e3o referidos pela maioria. Tamb\u00e9m as divis\u00f5es entre os frequentadores das atividades eclesiais, onde muitas vezes a frontalidade cede lugar \u00e0 maledic\u00eancia, e o criticismo dirigido contra quem participa, demovem de uma resposta mais generosa ao compromisso crist\u00e3o. Sente-se tamb\u00e9m que \u00e9 pouco valorizado o compromisso crist\u00e3o na vida profissional, sem envolvimento em grupos mais formais. A pouca participa\u00e7\u00e3o sente-se ainda, de modo especial, na diminui\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia da Eucaristia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da participa\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, mormente na Eucaristia, emerge um segundo tema que \u00e9 o da dificuldade de encontrar uma linguagem compreens\u00edvel, nas palavras e sinais. Manifesta-se o desejo de maior cuidado na prepara\u00e7\u00e3o das celebra\u00e7\u00f5es, que se querem atuais, alegres e significativas, e sobretudo das homilias. A homilia \u00e9 muito apreciada e, por isso, ao mesmo tempo, muito criticada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tema muito presente, e lugar de tens\u00e3o e falta de consenso, \u00e9 tudo o que concerne a abertura ao acolhimento de quem n\u00e3o est\u00e1 em regra com a moral crist\u00e3. A inclus\u00e3o dos que viram falhar os seus matrim\u00f3nios, a sua aceita\u00e7\u00e3o como padrinhos de batismo, sendo posta em quest\u00e3o a manuten\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio dos padrinhos, os que vivem a sua sexualidade de modo diferente e quantos se sentem rejeitados pelas comunidades crist\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que n\u00e3o seja uma Igreja s\u00f3 de alguns, discute-se a necessidade de escutar e acolher, at\u00e9 porque estas situa\u00e7\u00f5es tocam de perto as fam\u00edlias todas. Da tens\u00e3o que o tema revela, pode-se inferir o que nunca se diz sobre o quanto este acolhimento deve ou n\u00e3o ter de proposta de convers\u00e3o. Neste sentido, tamb\u00e9m foi tema presente haver muitas pessoas que procuram a Igreja como prestadora de servi\u00e7os \u201c\u00e0 la carte\u201d, que se usa e descarta, sem compromisso de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m fraturantes s\u00e3o as propostas abundantes de tornar opcional o celibato dos sacerdotes e da ordena\u00e7\u00e3o de homens casados e de mulheres. De perto com estas propostas, anda a preocupa\u00e7\u00e3o pela diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de sacerdotes, muito ocupados com tarefas administrativas e pouco dispon\u00edveis. Discute-se muito o tema do clericalismo, presente na articula\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio dos presb\u00edteros, dos di\u00e1conos e da participa\u00e7\u00e3o dos leigos, em especial das mulheres. Apesar de se constatar que a maioria dos grupos \u00e9 dirigido por mulheres, discute-se a sua participa\u00e7\u00e3o de pleno direito em lugares de decis\u00e3o. Em contraponto, \u00e9 muito referido o excessivo protagonismo de alguns leigos, face a um desejo manifesto de maior proximidade e comunh\u00e3o entre todos, sem autoritarismo de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o dos abusos sexuais no seio da Igreja e o modo de a tratar \u00e9 tema recorrente e debatido, com preocupa\u00e7\u00e3o e desejo de maior transpar\u00eancia e celeridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A abertura da Igreja aos sinais dos tempos e \u00e0 sociedade, a sua falta de visibilidade no espa\u00e7o p\u00fablico, o aparecer ainda ligada ao poder, o uso dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, a falta de compromisso e testemunho dos crist\u00e3os, a necessidade de transpar\u00eancia na vida eclesial, sobretudo nas quest\u00f5es econ\u00f3micas, a necessidade de forma\u00e7\u00e3o, sobretudo b\u00edblica, para todos, mesmo para os sacerdotes, s\u00e3o outros tantos temas relevantes, entre muitos que ficam por referir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez que o S\u00ednodo pede um olhar sobre a Igreja e o que deveria mudar, pode parecer que a imagem da institui\u00e7\u00e3o que prevalece \u00e9 negativa, quando, na verdade, s\u00e3o muitos os que pensam que a Igreja n\u00e3o precisa de mudar, mas sim que os crist\u00e3os precisam de maior verdade na viv\u00eancia da f\u00e9. Na maior parte das respostas h\u00e1 um balan\u00e7o entre aspetos positivos e negativos, retratando uma Igreja feita de m\u00faltiplas viv\u00eancias, a diferentes velocidades, mesmo que a consulta privilegie o olhar sobre o que deve mudar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia de Igreja manifestada nas respostas \u00e0 consulta sinodal \u00e9 muitas vezes reduzida e centrada na ideia ou imagem que os participantes t\u00eam da sua par\u00f3quia, confundindo-se uma com a outra. N\u00e3o \u00e9, pois, de espantar que nem os aspetos negativos nem os positivos sejam universais, dependendo da experi\u00eancia particular de cada crente, grupo ou comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da realidade concreta de ser Igreja na Diocese do Porto, ressaltam os seguintes ASPETOS NEGATIVOS: considera-se que a Igreja se apresenta como um corpo fechado sobre si mesmo, mais reativo do que proactivo, muito tradicional, pouco aberto ao mundo, envelhecido esvaziado e ap\u00e1tico, com muita dificuldade em se adaptar aos novos tempos, em decl\u00ednio, com um n\u00famero decrescente de fi\u00e9is, pouco transparente e pouco dado a dar contas na gest\u00e3o e planeamento, tendencialmente conservador e cr\u00edtico das novas din\u00e2micas sociais e culturais, incapaz de propagar uma mensagem clara no que respeita a temas fraturantes da sociedade, acentuando uma pr\u00e1xis com base em restri\u00e7\u00f5es e obriga\u00e7\u00f5es e onde as altera\u00e7\u00f5es ou atualiza\u00e7\u00f5es que s\u00e3o definidas demoram muito tempo a serem implementadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continua a ter uma atitude demasiado hier\u00e1rquica, clerical, corporativa, pouco transparente e resistente \u00e0 mudan\u00e7a, protegendo-se a si mesma antes de proteger a comunidade de fi\u00e9is, como aconteceu no caso dos esc\u00e2ndalos de abusos sexuais na Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja revela pouca abertura para acolher as situa\u00e7\u00f5es irregulares, que s\u00e3o geradoras de grande sofrimento para alguns grupos de pessoas. \u00c9 uma Igreja pouco inclusiva e acolhedora, quer em termos espirituais, quer em termos humanos, marginalizando divorciados, recasados, pessoas em \u00abuni\u00e3o de facto\u00bb e pessoas com diferentes orienta\u00e7\u00f5es sexuais, dando igualmente pouca aten\u00e7\u00e3o a pessoas com defici\u00eancia. H\u00e1 falta de clareza quanto ao que \u00e9 pecado e lamenta-se a condena\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Uma Igreja que n\u00e3o escuta, com dificuldade crescente em cativar os jovens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Revela alguma soberba na atitude e na escuta, desvalorizando os anseios e as expectativas de leigos e leigas e dos jovens, relegando-os, demasiadas vezes, para o papel de recetores passivos. \u00c9 uma Igreja na qual as mulheres ainda n\u00e3o s\u00e3o consideradas em igualdade com os homens. Revela-se, ainda, pouco aberta \u00e0 altera\u00e7\u00e3o dos rituais e da linguagem lit\u00fargica, isto \u00e9, com rituais e com uma linguagem pouco atual e entend\u00edvel. A liturgia n\u00e3o incorpora as realidades humanas e os sacramentos n\u00e3o s\u00e3o experimentados como sinais de salva\u00e7\u00e3o, mas como ocasi\u00f5es sociais. N\u00e3o se compreende que se \u201cpaguem\u201d os sacramentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja n\u00e3o assume pr\u00e1ticas frequentes e efetivas de sinodalidade, de tomada de decis\u00f5es de forma partilhada e discernimento comunit\u00e1rio. A participa\u00e7\u00e3o dos leigos n\u00e3o \u00e9 acolhida pela hierarquia, a n\u00e3o ser pontualmente e quase sempre a t\u00edtulo de benevol\u00eancia, quase nunca com reflexos pr\u00e1ticos concretos, denotando a exist\u00eancia de poucos espa\u00e7os de di\u00e1logo. \u00c9 crescente a perce\u00e7\u00e3o da dificuldade de a Igreja ser verdadeiramente escutada para l\u00e1 das suas fronteiras, mesmo que os problemas sociais sejam parte integrante da sua mensagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ecumenismo e o di\u00e1logo com outras inst\u00e2ncias da sociedade continuam a ser insuficientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O clericalismo de padres, di\u00e1conos e leigos \u00e9 um obst\u00e1culo \u00e0 escuta e \u00e0 mudan\u00e7a. Parte do clero n\u00e3o anuncia, n\u00e3o pratica o Evangelho e os valores de Cristo, procuram a ostenta\u00e7\u00e3o e a riqueza e n\u00e3o seguem as orienta\u00e7\u00f5es da Igreja. Muitos p\u00e1rocos n\u00e3o querem delegar servi\u00e7os, por medo de perder o poder e o prest\u00edgio. A maioria dos sacerdotes est\u00e1 sobrecarregada com o servi\u00e7o de muitas par\u00f3quias, tarefas administrativas e celebra\u00e7\u00e3o de muitas missas. N\u00e3o t\u00eam tempo para cuidar de si e dos seus paroquianos, para a sua forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e para alimentar a sua pr\u00f3pria espiritualidade. Sente-se falta de forma\u00e7\u00e3o para cl\u00e9rigos e leigos, sobretudo os que prestam algum servi\u00e7o. S\u00e3o necess\u00e1rios cada vez mais padres pastores e menos padres gestores ou administradores de estruturas da igreja, sendo cada vez mais necess\u00e1rio que essas estruturas sejam geridas por leigos respons\u00e1veis. Tudo isto contribui para exista um significativo distanciamento entre o clero e os leigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhando os ASPETOS POSITIVOS da Igreja, esta \u00e9 vista como um espa\u00e7o de encontro, de experi\u00eancia pessoal, onde se sonha e partilha e se organiza a vida da comunidade. \u00c9 lugar de reuni\u00e3o de uma fam\u00edlia espiritual, sempre em constru\u00e7\u00e3o e convers\u00e3o. Espa\u00e7o de acolhimento, de crescimento na f\u00e9, de escuta da Palavra de Deus partilhada em comunidade. Um lugar onde se presta um servi\u00e7o aos mais marginalizados, doentes e pobres, onde existe um sentimento de perten\u00e7a, de comunidade, onde se recebem valores e princ\u00edpios. A diversidade de grupos na Igreja, d\u00e1 espa\u00e7o a cada um para colocar ao servi\u00e7o dos outros os seus diferentes carismas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 reconhecida a a\u00e7\u00e3o social desenvolvida por diferentes estruturas da Igreja, louvado o trabalho que a Igreja realiza em favor dos irm\u00e3os mais desfavorecidos e exclu\u00eddos, muitas vezes escondido, uma vez que a Igreja n\u00e3o \u00e9 perita em dar a conhecer o muito trabalho que desenvolve nesta \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia de Igreja mais marcante \u00e9 a de um corpo que est\u00e1 em processo cont\u00ednuo de mudan\u00e7a, de atualiza\u00e7\u00e3o. Constata-se que \u00e9 crescente e significativo o n\u00famero de fi\u00e9is que o s\u00e3o n\u00e3o por tradi\u00e7\u00e3o, mas por convic\u00e7\u00e3o. Sublinha-se a liberdade experimentada numa f\u00e9 de portas abertas, \u00e0 qual se adere e que se vive livremente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivenciam uma Igreja a caminho, cuja peregrina\u00e7\u00e3o reflete a fragilidade e os limites da condi\u00e7\u00e3o humana, mas tamb\u00e9m \u00e9 reveladora da a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. Com um longo caminho percorrido, experimentou nas \u00faltimas d\u00e9cadas altera\u00e7\u00f5es profundas ao n\u00edvel estrutural e participativo, com especial realce para o papel e a voca\u00e7\u00e3o do leigo pela tomada de consci\u00eancia de pertencermos a uma Igreja onde todos somos respons\u00e1veis e mission\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A igreja continua a dar sentido \u00e0 vida de muitos fi\u00e9is, que t\u00eam na sua f\u00e9 o pilar para suportar as adversidades da sua vida, que reconhecem que esta tem um papel fundamental na transmiss\u00e3o de um conjunto de valores humanos que s\u00e3o essenciais \u00e0 vida em comunidade. \u00c9 substrato para o crescimento na f\u00e9, estruturante na transmiss\u00e3o de valores, abre-nos \u00e0 solidariedade e \u00e0 caridade e rasga horizontes para a promo\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo. Num mundo no qual prevalece o individualismo, quem pertence \u00e0 Igreja tem sempre um s\u00edtio ao qual pode voltar, um reduto de espiritualidade num mundo em que muitos recusam a transcend\u00eancia. Ela \u00e9 o alicerce.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Igreja h\u00e1 uma crescente abertura para ajudar e ouvir todos, independentemente da ra\u00e7a e religi\u00e3o. O cuidado com o pr\u00f3ximo, o acolhimento aos outros, a valoriza\u00e7\u00e3o do conceito de Casa Comum, a riqueza presente na diversidade de modos de expressar a f\u00e9, o servi\u00e7o como estilo de vida e a partilha s\u00e3o marcas referenciais do ser Igreja de Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De sublinhar, neste ser Igreja, o papel das comunidades de vida religiosa e congrega\u00e7\u00f5es, que constituem espa\u00e7os privilegiados de escuta da Palavra de Deus, de viv\u00eancia da liturgia, de ora\u00e7\u00e3o, de partilha fraterna, de servi\u00e7o, de di\u00e1logo, de aprendizagem de lideran\u00e7as partilhadas na inser\u00e7\u00e3o nos diversos grupos paroquiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importa real\u00e7ar que um n\u00famero significativo de pessoas se mostrou bastante agradada com a abertura que a Igreja demonstrou com este S\u00ednodo, com esta consulta ao Povo de Deus, com o &#8220;querer escutar&#8221;. As pessoas sentiram-se ouvidas pela Igreja o que foi tido como um dos pontos mais positivos deste &#8220;caminhar juntos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) VIS\u00c3O DA IGREJA ATUAL<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importa, agora, questionar que aspetos da vida da Igreja Cat\u00f3lica necessitam ser imersos num verdadeiro processo de convers\u00e3o e que propostas significativas foram apresentadas nesta recolha sinodal que mere\u00e7am ser estudadas, debatidas e implementadas? Os aspetos a necessitar de convers\u00e3o, sobressaem nos pontos negativos da igreja e, evitando uma desnecess\u00e1ria repeti\u00e7\u00e3o, ficam expressos nos grupos de propostas que se passamos a apresentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A apresenta\u00e7\u00e3o de propostas \u00e9, decerto, o mais esperado desta consulta, ainda que possam resultar de uma reflex\u00e3o feita em prazos reduzidos, que pode e deve ser prolongada agora em cada comunidade. Propor caminhos \u00e9 tamb\u00e9m o mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o temos consolidadas rotinas de projeto e avalia\u00e7\u00e3o e os prazos de verifica\u00e7\u00e3o de resultados, naquilo que pretende a atividade pastoral, s\u00e3o demasiado largos para serem operativos. Por isso, \u00e9 frequente repetirmos a mesma proposta, que se tenta instalar h\u00e1 d\u00e9cadas, sem chegarmos a saber se \u00e9 preciso insistir nela ou se devemos abrir outros caminhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ponto das respostas, \u00e9 frequente a tenta\u00e7\u00e3o de repetir o elenco das necessidades sem propor caminhos para as suprir. No entanto, da leitura das respostas surgem algumas propostas claras e universais que merecem todo o esfor\u00e7o de implementa\u00e7\u00e3o e outras que, ainda que muito repetidas, n\u00e3o geraram consenso, mas exigem cuidada reflex\u00e3o. Como seria de esperar, muitas das propostas interligam-se, formando um tecido de vida eclesial n\u00e3o compartiment\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem estabelecer qualquer ordem de incid\u00eancia ou de prioridade, s\u00e3o \u00e1reas de convers\u00e3o e lugar de propostas a forma\u00e7\u00e3o, a escuta e o di\u00e1logo, o encontro, o acolhimento, o tratamento dos abusos sexuais, a espiritualidade e ora\u00e7\u00e3o, a linguagem, a comunica\u00e7\u00e3o, o minist\u00e9rio ordenado, a participa\u00e7\u00e3o de leigos e leigas, os jovens, a fam\u00edlia e o rosto das comunidades crist\u00e3s, que passamos a apresentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FORMA\u00c7\u00c3O &#8211; Sem hesita\u00e7\u00e3o, prop\u00f5em-se mais momentos de forma\u00e7\u00e3o e de di\u00e1logo, tanto para leigos, sobretudo os que servem nalgum minist\u00e9rio, quanto para cl\u00e9rigos. Forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e, sobretudo, b\u00edblica, referenciando-se especial dificuldade em aceder aos textos do Antigo Testamento. Prop\u00f5e-se forma\u00e7\u00e3o para o di\u00e1logo com a sociedade e a cultura e forma\u00e7\u00e3o para o acolhimento. Neste \u00e2mbito, recebe especial \u00eanfase o tema da catequese, tanto na forma\u00e7\u00e3o dos animadores quanto na renova\u00e7\u00e3o dos seus m\u00e9todos e conte\u00fados. A catequese destaca-se enquanto lugar insubstitu\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos muitos \u00e2mbitos em que se quer mais forma\u00e7\u00e3o, ainda que seja muito pouco referido, n\u00e3o se pode deixar de lado o da forma\u00e7\u00e3o para o namoro, que deveria dar f\u00f4lego a quest\u00f5es que acabam tratadas em tempo de recurso, na v\u00e9spera da celebra\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio, tantas vezes celebrado por quem j\u00e1 vive em comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As muitas refer\u00eancias \u00e0 homilia, n\u00e3o v\u00e3o no sentido de que acabe, at\u00e9 porque \u00e9 muito valorizada, a ponto de qualificar a celebra\u00e7\u00e3o, mas desafiam uma forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para que sejam mais cuidadas no conte\u00fado, na forma e na dura\u00e7\u00e3o. Prop\u00f5e-se mais exig\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o e no discernimento para o minist\u00e9rio presbiteral, querendo que os sacerdotes estejam mais pr\u00f3ximos dos leigos e mais dispon\u00edveis para os atender e acompanhar, libertando-os de tarefas que podem ser realizadas por di\u00e1conos e leigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m se nota a necessidade de forma\u00e7\u00e3o para a linguagem da liturgia, uma vez que a dificuldade de compreens\u00e3o tem sempre dois sentidos: o de quem diz e o de quem escuta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ESCUTA E DI\u00c1LOGO &#8211; Os encontros sinodais deixaram a abertura para mais iniciativas que os continuem, numa postura de escuta e di\u00e1logo, pedida com insist\u00eancia. Um di\u00e1logo essencial para a forma\u00e7\u00e3o e a clarifica\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados da f\u00e9 e a reflex\u00e3o sobre a proposta crist\u00e3 para hoje. Criar uma cultura de partilha e participa\u00e7\u00e3o ativa de todos, sem excluir qualquer tema, cultivando a pr\u00e1tica do discernimento orante, \u00e9 uma proposta clara para \u201ccaminhar juntos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ENCONTRO \u2013 Prop\u00f5e-se com insist\u00eancia que se proporcionem mais momentos de encontro e conv\u00edvio. Talvez o longo tempo de pandemia tenha revalorizado esta necessidade, quando antes se verificava um certo cansa\u00e7o nestas iniciativas. Nesta proposta sente-se a necessidade de valorizar a vida em comunidade e de superar conflitos e divis\u00f5es que causam esc\u00e2ndalo, para que o testemunho de comunidades que vivem a f\u00e9 em comunh\u00e3o e alegria seja, por si s\u00f3, testemunho do evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ACOLHIMENTO &#8211; A proposta de cultivar o acolhimento \u00e9 a mais presente, ainda que deva ser percebida em duas vertentes distintas. Melhorar as compet\u00eancias de acolhimento nas diversas interfaces da comunidade eclesial com as pessoas, sendo uma Igreja de portas abertas e de trato simp\u00e1tico, educado, facilitador, desburocratizado, \u00e9 a primeira vertente e um caminho irrecus\u00e1vel. Nesta mesma proposta se pode incluir a abertura ao di\u00e1logo com a sociedade e a cultura e ao di\u00e1logo ecum\u00e9nico e inter-religioso, ainda que fique pouca clara a dimens\u00e3o prof\u00e9tica deste di\u00e1logo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma segunda vertente, muito insistente e pouco consensual, \u00e9 a proposta do acolhimento entendido como inclus\u00e3o daquelas pessoas que vivem uma qualquer forma de irregularidade face \u00e0 moral crist\u00e3 ou que se sintam, de algum modo, exclu\u00eddas. Quer-se, sem hesita\u00e7\u00e3o, uma Igreja inclusiva, aberta e acolhedora, menos preocupada com as \u201cregras\u201d, sem se precisar como se conjuga acolhimento e proposta crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desejo de uma \u201cigreja para todos\u201d, leva a muitas propostas decididas neste sentido, que fazem deste um dos temas a merecer maior aten\u00e7\u00e3o futura, pois a dificuldade de compreender a proposta crist\u00e3 \u00e9 muito generalizada, mesmo entre aqueles que percorreram o normal Trajeto formativo crist\u00e3o. \u00c9 hoje, e talvez sempre tenha sido, o lugar onde o di\u00e1logo da f\u00e9 com a vida se faz mais dif\u00edcil. Por isso, n\u00e3o se pode continuar a passar em sil\u00eancio, tanto quanto n\u00e3o se deve fazer dele o principal lugar da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TRATAMENTO DOS ABUSOS &#8211; O tema do esc\u00e2ndalo pelo modo como foram tratados os casos de abuso sexual no seio da Igreja \u00e9 muito referido na an\u00e1lise dos pontos negativos, mas n\u00e3o encontra correspondente abund\u00e2ncia no \u00e2mbito das propostas. Ainda assim, percebe-se uma consci\u00eancia crescente da import\u00e2ncia de mudar estes procedimentos para o futuro da Igreja e, por isso, alguns prop\u00f5em transpar\u00eancia, celeridade e rigor nesta mat\u00e9ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ESPIRITUALIDADE &#8211; Um \u00e2mbito de proposta abundante e consensual, entendido como valor essencial para o futuro da Igreja, \u00e9 o que respeita \u00e0 espiritualidade e \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, O lugar da vida espiritual e, nesta, da ora\u00e7\u00e3o, para a convers\u00e3o de vida e a import\u00e2ncia fulcral desta para a evangeliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o um caminho irrecus\u00e1vel que deve dar rosto \u00e0s nossas comunidades. Igrejas abertas para a ora\u00e7\u00e3o com espa\u00e7os cuidados e confort\u00e1veis, mais tempos de adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e, sobretudo, liturgias menos formais, mais pr\u00f3ximas, compreens\u00edveis e significativas s\u00e3o fei\u00e7\u00f5es deste caminho que deve crescer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A import\u00e2ncia da liturgia e, nesta, da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, \u00e9 fonte de uma exig\u00eancia imensa para o trabalho pastoral. C\u00e2nticos, ritos, sinais, linguagem, homilia, tudo se deseja mais atual e acess\u00edvel, sobretudo para as crian\u00e7as e jovens, mas tamb\u00e9m mais espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma proposta que merece reflex\u00e3o \u00e9 a que sugere novos modos e tempos para a celebra\u00e7\u00e3o do sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, acrescida do pedido de que se criem condi\u00e7\u00f5es de maior disponibilidade dos ministros para a mesma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LINGUAGEM \u2013 Prop\u00f5e-se o cuidado de adaptar a linguagem conforme o p\u00fablico, simplificando os termos mais t\u00e9cnicos ou teol\u00f3gicos, sempre que poss\u00edvel. Usar a linguagem para aproximar e n\u00e3o para afastar, para promover o di\u00e1logo e a dissemina\u00e7\u00e3o das mensagens importantes e n\u00e3o para exibir eloqu\u00eancia e erudi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 referimos a necessidade de forma\u00e7\u00e3o para a homilia e de forma\u00e7\u00e3o para a linguagem da liturgia, mas esta quest\u00e3o da linguagem nas celebra\u00e7\u00f5es, tantas vezes entendidas como repeti\u00e7\u00e3o mon\u00f3tona dos mesmos ritos de significado obscuro, percebe-se como essencial \u00e0 vida crist\u00e3. Fazer a mensagem compreens\u00edvel aos crist\u00e3os \u00e9 um prop\u00f3sito conciliar que est\u00e1 longe se ser cumprido. Em muitos reparos escutamos as mesmas observa\u00e7\u00f5es que antes se faziam \u00e0 liturgia pr\u00e9-conciliar, o que denota como continua a ser essencial aproximar a liturgia dos crentes e os crentes da liturgia. De facto, este caminho, como j\u00e1 foi dito, tem sempre dois sentidos e nenhum deles pode ser sobrevalorizado ou esquecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COMUNICA\u00c7\u00c3O &#8211; Dos contributos e respostas recebidas assinala-se com particular destaque a necessidade de comunica\u00e7\u00e3o na Igreja. Desde o acolhimento nas celebra\u00e7\u00f5es at\u00e9 ao modo de evangelizar, foram muito os contributos recebidos visando uma atualiza\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a da Igreja na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o digital e das redes sociais foi valorizada pela larga maioria dos contributos sinodais. \u00c9 assumida a necessidade de dar maior protagonismo aos leigos neste tema, aliada a uma estrat\u00e9gia que tenha em aten\u00e7\u00e3o uma linguagem simples, transparente, clara e objetiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MINIST\u00c9RIO ORDENADO \u2013 S\u00e3o muitas as propostas no sentido de tornar opcional o celibato sacerdotal. Al\u00e9m do atrativo pela ideia de escolha, parece a alguns que poderia obviar ao problema dos abusos sexuais e h\u00e1 uma expectativa generalizada de que aumentasse o n\u00famero de ministros. Neste sentido, tamb\u00e9m abundam propostas para a ordena\u00e7\u00e3o de homens casados e de mulheres. Aparece como positiva a experi\u00eancia dos di\u00e1conos permanentes e tamb\u00e9m se prop\u00f5e este minist\u00e9rio para as mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma proposta clara que emerge desta consulta afirma a import\u00e2ncia de a Igreja valorizar e reconhecer o papel das mulheres. Para tal, prop\u00f5e-se uma reforma profunda no sentido de acabar com a exclusividade de homens a presidir \u00e0s assembleias, valorizando o papel da mulher num plano de igualdade, equiparado ao vivenciado nas Igrejas crist\u00e3s de cariz protestante. Nas respostas de grupo, percebe-se a falta de consenso nestas mat\u00e9rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale a pena repetir a proposta de melhorar a forma\u00e7\u00e3o para os minist\u00e9rios ordenados, valorizando, al\u00e9m das dimens\u00f5es mais \u00f3bvias, as compet\u00eancias para o acolhimento, a escuta e o di\u00e1logo, a partilha de decis\u00f5es e o trabalho em conjunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LEIGOS E LEIGAS \u2013 Os leigos devem assumir um papel mais ativo na evangeliza\u00e7\u00e3o, para o que se prop\u00f5e que tenham mais voz nas inst\u00e2ncias de decis\u00e3o e de tomada de posi\u00e7\u00e3o, sem ceder ao excessivo protagonismo e autoritarismo, de fei\u00e7\u00e3o clerical, de alguns. A dimens\u00e3o hier\u00e1rquica deve possibilitar uma maior participa\u00e7\u00e3o laical, mesmo no que concerne ao discernimento sobre a escolha dos bispos e a transfer\u00eancia dos p\u00e1rocos, que deve criar maior rotatividade. O lugar dos conselhos n\u00e3o deve ser menorizado, tornando-os determinantes nas decis\u00f5es tomadas em qualquer n\u00edvel e procurando que representem mais que o n\u00facleo de pessoas envolvidas nas estruturas eclesiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe aqui uma refer\u00eancia fundamental ao papel das comunidades de vida religiosa e \u00e0 sua import\u00e2ncia para a comunh\u00e3o eclesial, onde surgem como sinais insubstitu\u00edveis da vida na f\u00e9, marcada pela espiritualidade e pelo servi\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do conjunto de respostas recebidas, muitos entendem como constitutivo da mundivid\u00eancia do mundo atual o papel da mulher na Igreja. \u00c9 fundamental e irrevers\u00edvel que\u00a0mulheres e homens tenham os mesmos direitos e deveres, sendo este um conceito b\u00e1sico para construir uma sociedade com n\u00edveis cada vez menores de discrimina\u00e7\u00e3o e preconceito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Espera-se maior partilha de responsabilidades e maior corresponsabilidade em tudo, superando o clericalismo e manifestando verdadeira comunh\u00e3o entre todos. Esta comunh\u00e3o e partilha deve ser clara entre comunidades, sobretudo no uso de crit\u00e9rios e regras comuns para a pastoral e os sacramentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JOVENS \u2013 S\u00e3o escassas as propostas avan\u00e7adas no sentido de melhorar a rela\u00e7\u00e3o, o entendimento e a participa\u00e7\u00e3o dos jovens na Igreja. Al\u00e9m da adequa\u00e7\u00e3o dos momentos lit\u00fargicos, a repetir muitas das propostas do imediato p\u00f3s-concilio, prop\u00f5e-se um especial cuidado no acompanhamento que deve ser dado a projetos centrados nos jovens, ap\u00f3s terem completado o percurso catequ\u00e9tico, com a rece\u00e7\u00e3o do sacramento do Crisma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prop\u00f5e-se a cria\u00e7\u00e3o de grupos e atividades que escutem e acompanhem os jovens, em particular no seu processo de discernimento vocacional, promovam o voluntariado e o sentido de perten\u00e7a \u00e0 Igreja, dando-lhes maior presen\u00e7a e protagonismo e colocando os seus talentos individuais e de grupo ao servi\u00e7o da comunidade. Prop\u00f5e-se, ainda, que os jovens tenham mais voz nas inst\u00e2ncias eclesiais de decis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FAM\u00cdLIA \u2013 Surge com for\u00e7a a necessidade de dar protagonismo maior \u00e0s fam\u00edlias fomentando o desenvolvimento da consci\u00eancia de \u201cIgreja dom\u00e9stica\u201d. \u00c9 considerado que a participa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias deve ser acolhida, em particular, a partir da catequese, envolvendo-a a colaborar na vida comunit\u00e1ria em modo integrado com os outros grupos e estruturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como j\u00e1 foi referido, \u00e9 feito um apelo especial de abertura e acolhimento para com as novas realidades familiares, para com os divorciados recasados, os homossexuais e as pessoas em \u201cuni\u00e3o de facto\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COMUNIDADES \u2013 Um \u00faltimo grupo de propostas, respeita \u00e0 fei\u00e7\u00e3o das comunidades eclesiais, dioceses, par\u00f3quias, comunidades religiosas e movimentos e obras, que se querem mais simples e acess\u00edveis, mais pr\u00f3ximas de todos. Para o maior bem de todos devem dar especial aten\u00e7\u00e3o ao di\u00e1logo e colabora\u00e7\u00e3o com as institui\u00e7\u00f5es civis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A supera\u00e7\u00e3o do clericalismo, deve dar-lhes maior transpar\u00eancia, sobretudo econ\u00f3mica, e torn\u00e1-las lugares de corresponsabilidade e coopera\u00e7\u00e3o, evitando a competi\u00e7\u00e3o e a concorr\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caminho do discernimento implica assumir o risco de escolher, aceitando perder para poder construir. Pode acontecer que muitos n\u00e3o se revejam nestas propostas, achando-as pouco acutilantes ou incompletas. Em equipa procur\u00e1mos ler tudo e a todos escutar, com muita gratid\u00e3o. O n\u00edvel de participa\u00e7\u00e3o na Assembleia Diocesana Pr\u00e9-sinodal e a escuta de quantos puderam intervir faz-nos confiar que este processo continuar\u00e1. Nesta s\u00edntese, desejamos ter encontrado a voz de todos para discernir a voz do Esp\u00edrito, conscientes de que o caminho j\u00e1 leva vinte s\u00e9culos e ainda mal come\u00e7ou. Expomos o resultado do nosso trabalho ao discernimento da Igreja e das comunidades da diocese do Porto. Esperamos que lance alguma semente, da qual cuidemos, confiando-a ao carinho materno de Maria, que invocamos na sua Assun\u00e7\u00e3o. Sabemos, com a certeza que nos d\u00e1 o Divino Semeador, que sempre haver\u00e1 colheita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COMISS\u00c3O SINODAL DIOCESANA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">C\u00f3n. Joaquim Ant\u00f3nio da Silva Santos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Di\u00e1c. Francisco Carlos Reis de Azevedo Moreira B\u00e1rtolo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bernardo Magina Madureira Palha de Ara\u00fajo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Helena Sofia Silva Borges Salgado Fonseca Cerveira Pinto<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Henrique Pinho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mariana Brito Oliveira<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rui Manuel Lamego Saraiva<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ir. T\u00e2nia Maria Encarna\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vincenza Giosafatte Saraiva<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Sinodo-2021-2023-Sintese-Diocesana-Diocese-do-Porto.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">S\u00edntese da Diocese do Porto &#8211; S\u00ednodo 2021-2023 (PDF)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aconteceu no passado s\u00e1bado, dia 14 de Maio, pelas 15h na Casa de Vilar a Assembleia Diocesana Pr\u00e9sinodal.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10797,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"categories":[89,68],"tags":[],"class_list":["post-10795","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sinodo-2021-2023-a-paroquia","category-ultimas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10795","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10795"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10795\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10798,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10795\/revisions\/10798"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10797"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10795"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10795"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10795"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}