{"id":11225,"date":"2022-10-25T22:28:06","date_gmt":"2022-10-25T21:28:06","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=11225"},"modified":"2022-10-25T22:28:06","modified_gmt":"2022-10-25T21:28:06","slug":"nota-episcopal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=11225","title":{"rendered":"Nota Episcopal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">25 Outubro, 2022 &#8211; Voz Portucalense<\/p>\n<figure id=\"attachment_11141\" aria-describedby=\"caption-attachment-11141\" style=\"width: 1059px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-11141\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/DomManuelLinda.jpg\" alt=\"\" width=\"1059\" height=\"595\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11141\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Jo\u00e3o Lopes Cardoso<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Aos Sacerdotes, Di\u00e1conos e todos os Fi\u00e9is desta nossa Diocese do Porto<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas \u00faltimas semanas, fui objeto de v\u00e1rias not\u00edcias e coment\u00e1rios. Isso conduziu-me a um per\u00edodo de sil\u00eancio, reflex\u00e3o e discernimento. Associado ao Mist\u00e9rio Pascal de Cristo, procurei analisar as raz\u00f5es que as motivaram e solidificar compromissos de futuro. Sei que os crist\u00e3os desta nossa Diocese esperam uma palavra sobre isso. \u00c9 o que fa\u00e7o com este texto, motivado pelo respeito que lhes tenho e devo e pela reafirma\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios inegoci\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 \u2013 No princ\u00edpio deste m\u00eas, num dos momentos de festa pela passagem dos S\u00edmbolos da JMJ, uma jornalista fez-me uma pergunta inesperada sobre a obrigatoriedade ou n\u00e3o de den\u00fancia dos casos de abuso sexual de menores. Embora vincando bem que todos o estamos a fazer e que a nossa Diocese sempre assim proceder\u00e1, na minha resposta, acabei por deixar d\u00favidas quanto \u00e0 no\u00e7\u00e3o de \u201ccrime p\u00fablico\u201d. Acredito que tamb\u00e9m muitos dos crist\u00e3os da Diocese se ter\u00e3o questionado e sentido incomodados com o que se seguiu na comunica\u00e7\u00e3o social. Pois bem: assumo que n\u00e3o fui feliz na express\u00e3o e que, porventura, tornei incompreens\u00edvel o meu pr\u00f3prio pensamento. E disso pe\u00e7o desculpa a todos e perd\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas que, possivelmente, se sentiram feridas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 \u2013 Este acontecimento veio despoletar uma busca de pronunciamentos meus sobre a mat\u00e9ria em causa, concretamente quando, h\u00e1 quase quatro anos, usei a express\u00e3o \u201cqueda de um meteorito\u201d. Nessa altura, embora se falasse da cria\u00e7\u00e3o de Comiss\u00f5es Diocesanas para a rece\u00e7\u00e3o de den\u00fancias de abusos, a Santa S\u00e9 ainda n\u00e3o tinha ordenado a sua constitui\u00e7\u00e3o. Ora, mal cheguei \u00e0 Diocese, fui confrontado com uma den\u00fancia que tratei juntamente com o Vig\u00e1rio Geral. Algo ingenuamente, estava convencido que as estruturas existentes na Diocese e eu pr\u00f3prio ser\u00edamos suficientes para receber e tratar os casos que viessem a surgir. Entretanto, quando essas Comiss\u00f5es se tornaram obrigat\u00f3rias, criei nesta Diocese uma das primeiras em Portugal. Outra express\u00e3o que n\u00e3o caiu bem foi usar o termo \u201casneiras\u201d relativamente a esses casos. Ora, na minha zona de origem essa palavra designa qualquer a\u00e7\u00e3o perversa. N\u00e3o era, pois, minha inten\u00e7\u00e3o menorizar o terr\u00edvel crime dos abusos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 \u2013 Temos amarguradamente de reconhecer que a realidade \u00e9 muito mais sombria e dolorosa do eu que pensava. Fique muito claro que sofro e deploro liminarmente esse flagelo dos crimes de natureza sexual cometidos contra menores ou pessoas vulner\u00e1veis. E que tudo farei para lhes p\u00f4r cobro. Enquanto comunidade de f\u00e9, vivemos tempos sombrios e sentimo-nos \u201cem choque\u201d pela dor causada a tantas v\u00edtimas inocentes, pelos delitos que foram cometidos e, tamb\u00e9m, pela falha da Igreja em proteger e acolher os mais fr\u00e1geis que nos foram confiados. Por isso, como escreveu o Papa Francisco, \u201c<em>com vergonha e arrependimento, como comunidade eclesial, assumimos que n\u00e3o soubemos estar onde dever\u00edamos estar, que n\u00e3o agimos a tempo para reconhecer a dimens\u00e3o e a gravidade do dano que estava sendo causado em tantas vidas<\/em>\u201d (Carta ao Povo de Deus, de 20\/08\/2018). Temos, pois, de agir e ajudar as Comiss\u00f5es, a Diocesana e a Independente, no seu trabalho de investigar, acolher e prevenir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 \u2013 Este \u00e9 o tempo prop\u00edcio para assumirmos todos, cl\u00e9rigos e leigos, a responsabilidade de erradicar dos nossos ambientes eclesiais e de toda a sociedade qualquer tipo de abuso, defendendo intransigentemente os mais fr\u00e1geis, acautelando preventivamente qualquer situa\u00e7\u00e3o de risco e denunciando os crimes para que se fa\u00e7a justi\u00e7a. Sobre isto n\u00e3o deve haver qualquer d\u00favida. A \u201ctoler\u00e2ncia zero\u201d que o Papa Francisco declarou para toda a Igreja \u00e9 a que desejo igualmente na nossa Diocese. \u00c9 tempo para escutar as v\u00edtimas, sofrer com elas e prestar-lhes todo o apoio. \u201cAlgu\u00e9m sofre? \u00c9 Cristo que sofre!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 \u2013 Queria deixar um apelo neste sentido. H\u00e1 bastante tempo, est\u00e1 programado e agendado para dezembro um programa formativo sobre o tema \u201c<em>Comunidades seguras e s\u00e3s<\/em>\u201d que visa sensibilizar para a tem\u00e1tica da prote\u00e7\u00e3o e cuidado das crian\u00e7as, jovens e adultos vulner\u00e1veis que nos s\u00e3o confiadas e para a import\u00e2ncia de promover um clima de cuidado e bom trato que garanta que est\u00e3o bem e s\u00e3o protegidos contra qualquer esp\u00e9cie de abuso. Ser\u00e3o produzidos materiais did\u00e1ticos a serem distribu\u00eddos pelas comunidades e a todas as pessoas que lidam com crian\u00e7as, jovens e adultos vulner\u00e1veis. Sejamos muito ativos neste compromisso em \u201ccuidar\u201d melhor! E n\u00e3o percamos a esperan\u00e7a!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 \u2013 Sobre o olhar e a pressa de Maria em visitar a prima Isabel, caminhamos todos e caminhamos juntos nesta nossa amada Diocese do Porto. Senhora da Visita\u00e7\u00e3o e da Esperan\u00e7a, rogai por n\u00f3s!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porto, 25 de outubro de 2022<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ Manuel, Bispo do Porto<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Consulta em: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/2022\/10\/25\/nota-episcopal-3\/\">https:\/\/www.vozportucalense.pt\/2022\/10\/25\/nota-episcopal-3\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas \u00faltimas semanas, fui objeto de v\u00e1rias not\u00edcias e coment\u00e1rios. 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