{"id":11952,"date":"2023-06-05T12:16:31","date_gmt":"2023-06-05T11:16:31","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=11952"},"modified":"2023-06-26T09:46:01","modified_gmt":"2023-06-26T08:46:01","slug":"rumo-a-presenca-plena-uma-reflexao-pastoral-sobre-a-participacao-nas-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=11952","title":{"rendered":"Rumo \u00e0 presen\u00e7a plena &#8211; Uma reflex\u00e3o pastoral sobre a participa\u00e7\u00e3o nas redes sociais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>Tradu\u00e7\u00e3o para a l\u00edngua portuguesa (vers\u00e3o original em ingl\u00eas)<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DICAST\u00c9RIO PARA A COMUNICA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rumo \u00e0 presen\u00e7a plena<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Uma reflex\u00e3o pastoral sobre a participa\u00e7\u00e3o nas redes sociais<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) Foram dados grandes passos na era digital, mas uma das quest\u00f5es urgentes que ainda deve ser abordada \u00e9 o modo como n\u00f3s, enquanto indiv\u00edduos e comunidade eclesial, devemos viver no mundo digital com \u201camor ao pr\u00f3ximo\u201d, genuinamente presentes e atentos uns aos outros na nossa viagem comum ao longo das \u201crodovias digitais\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os progressos tecnol\u00f3gicos tornaram poss\u00edveis novos tipos de intera\u00e7\u00f5es humanas. Com efeito, a quest\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 se, mas como devemos participar no mundo digital. As redes sociais s\u00e3o, em particular, um ambiente em que as pessoas interagem, compartilham experi\u00eancias e cultivam relacionamentos como nunca. Mas ao mesmo tempo, dado que a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 cada vez mais influenciada pela intelig\u00eancia artificial, h\u00e1 necessidade de redescobrir o encontro humano na sua pr\u00f3pria ess\u00eancia. Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, o nosso relacionamento com as plataformas digitais passou por uma transforma\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel. Sobressaiu a consci\u00eancia de que estas plataformas podem evoluir at\u00e9 se tornarem espa\u00e7os cocriados, n\u00e3o apenas algo que usamos de uma maneira passiva. Os jovens \u2013 assim como as gera\u00e7\u00f5es mais velhas \u2013 pedem para ser encontrados onde est\u00e3o, inclusive nas redes sociais, pois o mundo digital \u00e9 \u201cparte integrante da identidade dos jovens e do seu modo de viver\u201d.<u><sup>[1]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) Muitos crist\u00e3os pedem inspira\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o, uma vez que as redes sociais, que representam uma express\u00e3o da cultura digital, tiveram um impacto profundo quer nas nossas comunidades de f\u00e9, quer nas nossas jornadas espirituais individuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem abundantes exemplos de participa\u00e7\u00e3o fiel e criativa nas redes sociais em todo o mundo, tanto de comunidades locais como de indiv\u00edduos que d\u00e3o testemunho da sua f\u00e9 em tais plataformas, muitas vezes de maneira mais abrangente do que a Igreja institucional. Tamb\u00e9m existem numerosas iniciativas pastorais e educacionais, desenvolvidas por Igrejas locais, movimentos, comunidades, congrega\u00e7\u00f5es, universidades e indiv\u00edduos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) A Igreja universal tamb\u00e9m abordou a realidade digital. Por exemplo, desde 1967 as mensagens anuais para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais t\u00eam oferecido uma reflex\u00e3o cont\u00ednua sobre o tema. A partir dos anos 90, estas mensagens abordaram o uso do computador e, desde o in\u00edcio dos anos 2000, refletiram de maneira consistente sobre aspetos da cultura digital e da comunica\u00e7\u00e3o social. Levantando interroga\u00e7\u00f5es fundamentais para a cultura digital, em 2009 o Papa Bento XVI falou sobre as mudan\u00e7as nos padr\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o, afirmando que os m\u00e9dia n\u00e3o deveriam apenas fomentar conex\u00f5es entre as pessoas, mas tamb\u00e9m encoraj\u00e1-las a comprometer-se com relacionamentos que promovam \u201cuma cultura de respeito, de di\u00e1logo e de amizade\u201d.<u><sup>[2]<\/sup><\/u>\u00a0Sucessivamente, a Igreja consolidou a imagem das redes sociais como \u201cespa\u00e7os\u201d, n\u00e3o simplesmente \u201cinstrumentos\u201d, e pediu que a Boa Nova seja proclamada inclusive nos ambientes digitais.<u><sup>[3]<\/sup><\/u>\u00a0Por sua vez, o Papa Francisco reconheceu que o mundo digital \u201cj\u00e1 n\u00e3o se consegue separar do c\u00edrculo da vida quotidiana\u201d e continua a mudar o modo como a humanidade acumula conhecimento, divulga informa\u00e7\u00f5es e desenvolve relacionamentos.<u><sup>[4]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4) Al\u00e9m destas reflex\u00f5es, a participa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica da Igreja nas redes sociais tamb\u00e9m tem sido eficaz.<u><sup>[5]<\/sup><\/u>\u00a0Em momento recente demonstrou claramente que os m\u00e9dia digitais s\u00e3o um instrumento poderoso para o minist\u00e9rio da Igreja.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/events\/event.dir.html\/content\/vaticanevents\/pt\/2020\/3\/27\/uniti-in-preghiera.html\">Em 27 de mar\u00e7o de 2020<\/a>, ainda nas fases iniciais da pandemia da Covid-19, a Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro estava vazia, mas cheia de presen\u00e7a. Uma transmiss\u00e3o televisa ao vivo permitiu ao Papa Francisco presidir a uma experi\u00eancia global transformadora: uma ora\u00e7\u00e3o e uma mensagem dirigida a um mundo em confinamento. No meio de uma crise de sa\u00fade, que ceifou a vida de milh\u00f5es de indiv\u00edduos, pessoas no mundo inteiro, em quarentena e em isolamento, sentiram-se profundamente unidas entre si e ao sucessor de Pedro.<u><sup>[6]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atrav\u00e9s dos m\u00e9dia tradicionais e da tecnologia digital, a prece do Papa chegou aos lares e tocou a vida das pessoas em todo o mundo. Os bra\u00e7os abertos da colunata de Bernini, ao redor da pra\u00e7a, foram capazes de ampliar um abra\u00e7o a milh\u00f5es de pessoas. Embora fisicamente distantes uns dos outros, os que se uniram ao Papa naquela hora estavam presentes e puderam experimentar um momento de unidade e de comunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5) As p\u00e1ginas seguintes s\u00e3o o resultado de uma reflex\u00e3o que envolveu especialistas, professores, jovens profissionais e l\u00edderes, leigos, cl\u00e9rigos e religiosos. O objetivo consiste em abordar algumas das principais quest\u00f5es sobre o modo como os crist\u00e3os deveriam participar nas redes sociais. N\u00e3o tencionam ser \u201cdiretrizes\u201d exatas para o minist\u00e9rio pastoral nesta \u00e1rea. Ao contr\u00e1rio, espera-se promover uma reflex\u00e3o comum sobre as nossas experi\u00eancias digitais, incentivando os indiv\u00edduos e as comunidades a adotar uma abordagem criativa e construtiva que possa fomentar uma cultura da proximidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desafio de promover relacionamentos pac\u00edficos, significativos e atenciosos nas redes sociais suscita um debate tanto nos c\u00edrculos acad\u00e9micos e profissionais como nos c\u00edrculos eclesi\u00e1sticos. Que tipo de humanidade reflete a nossa presen\u00e7a nos ambientes digitais? Em que medida os nossos relacionamentos digitais s\u00e3o fruto de uma comunica\u00e7\u00e3o profunda e aut\u00eantica, e em que medida s\u00e3o meramente modelados por opini\u00f5es inquestion\u00e1veis e rea\u00e7\u00f5es apaixonadas? At\u00e9 que ponto a nossa f\u00e9 encontra express\u00f5es digitais vivas e revigorantes? E quem \u00e9 o meu \u201cpr\u00f3ximo\u201d nas redes sociais?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6) A Par\u00e1bola do Bom Samaritano,<u><sup>[7]<\/sup><\/u>\u00a0atrav\u00e9s da qual Jesus nos leva a responder \u00e0 pergunta \u201cQuem \u00e9 meu pr\u00f3ximo?\u201d, \u00e9 provocada pela interroga\u00e7\u00e3o de um especialista em direito. \u201cO que devo fazer para\u00a0<em>herdar<\/em>\u00a0a vida eterna?\u201d, questiona. O verbo \u201cherdar\u201d recorda-nos a\u00a0<em>heran\u00e7a<\/em>\u00a0da terra prometida, que n\u00e3o \u00e9 tanto um territ\u00f3rio geogr\u00e1fico, mas um s\u00edmbolo de algo mais profundo e duradouro, algo que cada gera\u00e7\u00e3o deve redescobrir e que nos pode ajudar a imaginar, de forma nova, o nosso papel no mundo digital.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong> Aten\u00e7\u00e3o \u00e0s ciladas nas \u201cestradas digitais\u201d<\/strong><em><br \/>\nAprender a ver a partir da \u00f3tica de quem caiu nas m\u00e3os dos ladr\u00f5es (cf. Lc 10, 36).<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma terra prometida a redescobrir?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7) As redes sociais representam apenas um dos ramos do fen\u00f3meno muito mais vasto e complexo da\u00a0<em>digitaliza\u00e7\u00e3o<\/em>, que consiste no processo de transfer\u00eancia de muitas tarefas e dimens\u00f5es da vida humana para as plataformas digitais. As tecnologias digitais podem aumentar nossa efic\u00e1cia, incrementar nossa economia e ajudar-nos a resolver problemas que antes eram insol\u00faveis. A revolu\u00e7\u00e3o digital ampliou o nosso acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es e a nossa capacidade de nos conectarmos uns com os outros, para al\u00e9m dos limites do espa\u00e7o f\u00edsico. Um processo j\u00e1 estava em curso ao longo das \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas foi acelerado pela pandemia. Atividades como a educa\u00e7\u00e3o e o trabalho, que, em geral, eram feitas pessoalmente, podem agora realizar-se \u00e0 dist\u00e2ncia. Tamb\u00e9m os pa\u00edses fizeram altera\u00e7\u00f5es significativas nos seus sistemas jur\u00eddicos e legislativos, adotando sess\u00f5es e vota\u00e7\u00f5es online, como uma alternativa \u00e0s reuni\u00f5es presenciais. O ritmo acelerado com que se divulgam as informa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m transforma a maneira de funcionar da pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8) Com o advento da Web 5.0 e de outros progressos na comunica\u00e7\u00e3o, nos pr\u00f3ximos anos o papel da intelig\u00eancia artificial causar\u00e1 um impacto cada vez maior na nossa viv\u00eancia da realidade. Atualmente testemunhamos o desenvolvimento de m\u00e1quinas que trabalham e tomam decis\u00f5es por n\u00f3s, que podem aprender e prever os nossos comportamentos; de sensores na nossa pele, capazes de medir nossas emo\u00e7\u00f5es; de m\u00e1quinas que respondem \u00e0s nossas perguntas e aprendem com as nossas respostas, ou que usam os registos da ironia e falam com a voz e as express\u00f5es das pessoas que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o connosco. Nessa realidade em evolu\u00e7\u00e3o constante, ainda h\u00e1 muitas perguntas para responder.<u><sup>[8]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9) As consider\u00e1veis mudan\u00e7as que o mundo experimentou desde o lan\u00e7amento da Internet provocaram tamb\u00e9m novas tens\u00f5es. Alguns nasceram nesta cultura e s\u00e3o j\u00e1 \u201cnativos digitais\u201d; outros ainda procuram acostumar-se com ela, como \u201cimigrantes digitais\u201d. Seja como for, agora a nossa cultura \u00e9 digital. Para superar a antiga dicotomia entre \u201cdigital\u201d e \u201cface a face\u201d, alguns j\u00e1 n\u00e3o falam de \u201conline\u201d e \u201coffline\u201d, mas somente de <em>\u201conlife\u201d,<\/em> incorporando a vida humana e social nas suas v\u00e1rias express\u00f5es, tanto em espa\u00e7os digitais como f\u00edsicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10) No contexto da comunica\u00e7\u00e3o integrada, que consiste na converg\u00eancia dos processos de comunica\u00e7\u00e3o, as redes sociais desempenham um papel decisivo como um f\u00f3rum em que se modelam os nossos valores, cren\u00e7as, linguagem e suposi\u00e7\u00f5es a respeito da vida di\u00e1ria. Al\u00e9m disso, para muitas pessoas, especialmente nos pa\u00edses em desenvolvimento, o \u00fanico contacto com a comunica\u00e7\u00e3o digital ocorre atrav\u00e9s das redes sociais. Muito al\u00e9m do ato de\u00a0<em>usar<\/em>\u00a0as redes sociais como um instrumento,\u00a0<em>vivemos<\/em>\u00a0num ecossistema plasmado na sua ess\u00eancia pela experi\u00eancia da partilha social. N\u00e3o obstante ainda\u00a0<em>usarmos<\/em>\u00a0a web para procurar informa\u00e7\u00f5es ou entretenimento, recorremos \u00e0s redes sociais para ter uma sensa\u00e7\u00e3o de perten\u00e7a e afirma\u00e7\u00e3o, transformando-a em um espa\u00e7o vital onde se verifica a comunica\u00e7\u00e3o de valores e cren\u00e7as essenciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ecossistema, pede-se que as pessoas confiem na autenticidade das declara\u00e7\u00f5es de miss\u00e3o das empresas de redes sociais, que prometem, por exemplo, aproximar o mundo, conferir a todos o poder de criar e de compartilhar ideias, ou dar voz a todos. Embora estejamos cientes de que estes slogans publicit\u00e1rios quase nunca s\u00e3o postos em pr\u00e1tica, uma vez que as empresas est\u00e3o muito mais preocupadas com seus lucros, ainda tendemos a acreditar nas promessas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">11) Na verdade, quando come\u00e7aram a utilizar a Internet h\u00e1 poucas d\u00e9cadas, as pessoas j\u00e1 compartilhavam uma vers\u00e3o deste sonho: a esperan\u00e7a de que o mundo digital seria um feliz espa\u00e7o de compreens\u00e3o comum, informa\u00e7\u00f5es gratuitas e colabora\u00e7\u00e3o. A Internet devia ser uma \u201cterra prometida\u201d, em que as pessoas pudessem contar com informa\u00e7\u00f5es partilhadas com base na transpar\u00eancia, confian\u00e7a e experi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ciladas a evitar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">12) No entanto, estas expetativas n\u00e3o foram realmente atendidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, ainda nos deparamos com uma \u201cdesigualdade digital\u201d. Embora esta evolu\u00e7\u00e3o se mova mais rapidamente do que nossa capacidade de a compreender de maneira adequada, muitas pessoas continuam a n\u00e3o ter acesso, n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s necessidades b\u00e1sicas, como alimentos, \u00e1gua, roupas, moradia e assist\u00eancia m\u00e9dica, mas inclusive \u00e0s tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o. Isto conduz \u00e0 exist\u00eancia de um grande n\u00famero de exclu\u00eddos, marginalizados, \u00e0 beira do caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, a \u201cdesigualdade nas redes sociais\u201d torna-se cada vez mais aguda. As plataformas que prometem criar comunidade e aproximar o mundo, ao contr\u00e1rio, tornaram mais profundas as v\u00e1rias formas de divis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">13) Existem algumas ciladas a evitar na \u201cestrada digital\u201d, as quais nos permitem compreender melhor como isto poderia acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar de \u201credes sociais\u201d sem considerarmos o seu valor comercial, isto \u00e9, sem a consci\u00eancia de que a revolu\u00e7\u00e3o real ocorreu quando as empresas e institui\u00e7\u00f5es compreenderam o potencial estrat\u00e9gico das plataformas sociais, contribuindo para uma r\u00e1pida consolida\u00e7\u00e3o de linguagens e pr\u00e1ticas que, ao longo dos anos, transformam <em>utilizadores<\/em>\u00a0em\u00a0<em>consumidores<\/em>. De resto, os indiv\u00edduos s\u00e3o tanto <em>consumidores<\/em> como\u00a0<em>produtos:<\/em>\u00a0como <em>consumidores<\/em>, recebem\u00a0a <em>publicidade <\/em>baseada em<em> dados<\/em>\u00a0e conte\u00fados patrocinados sob medida. Como <em>produtos<\/em>, os seus perfis e dados s\u00e3o vendidos a outras empresas, tendo em mente o mesmo objetivo. Aderindo \u00e0s declara\u00e7\u00f5es de miss\u00e3o das empresas de redes sociais, as pessoas aceitam tamb\u00e9m \u201c<em>termos de acordo\u201d<\/em> que normalmente n\u00e3o leem nem entendem. Tornou-se popular compreender tais \u201c<em>termos de acordo\u201d<\/em> segundo um velho ditado que diz:\u00a0<em>\u201cSe tu n\u00e3o pagas pelo produto, o produto \u00e9s tu\u201d.<\/em>\u00a0Em poucas palavras, <em>n\u00e3o h\u00e1 almo\u00e7os gr\u00e1tis<\/em>: pagamos com os minutos da nossa aten\u00e7\u00e3o e com os <em>bytes<\/em> dos nossos dados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">14) A \u00eanfase cada vez mais acentuada na distribui\u00e7\u00e3o e no com\u00e9rcio de conhecimento, de dados e de informa\u00e7\u00f5es, gerou um paradoxo: numa sociedade onde as informa\u00e7\u00f5es desempenham um papel t\u00e3o essencial, \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil averiguar as fontes e a exatid\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es que circulam no mundo digital. A sobrecarga de conte\u00fado \u00e9 resolvida por algoritmos de intelig\u00eancia artificial, que determinam constantemente o que mostrar com base em fatores que dificilmente percebemos ou entendemos: n\u00e3o apenas no que se refere \u00e0s nossas escolhas, gostos, rea\u00e7\u00f5es ou prefer\u00eancias precedentes, mas tamb\u00e9m \u00e0s nossas aus\u00eancias e distra\u00e7\u00f5es, pausas e capacidades de concentra\u00e7\u00e3o. O ambiente digital que cada pessoa v\u00ea \u2013 e at\u00e9 os resultados de uma pesquisa online \u2013 nunca \u00e9 o mesmo em rela\u00e7\u00e3o ao de qualquer outra. Quando procuramos informa\u00e7\u00f5es nos motores de busca, ou quando as recebemos no nosso sistema para diferentes plataformas e aplicativos, geralmente n\u00e3o temos a no\u00e7\u00e3o dos filtros que condicionam os resultados. A consequ\u00eancia desta personaliza\u00e7\u00e3o cada vez mais sofisticada dos resultados, constitui uma exposi\u00e7\u00e3o for\u00e7ada a informa\u00e7\u00f5es parciais, que corroboram as nossas pr\u00f3prias ideias e fortalecem as nossas cren\u00e7as, levando-nos, assim, a um isolamento de\u00a0<em>\u201cbolhas de filtro\u201d<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">15) As comunidades <em>online<\/em> nas redes sociais s\u00e3o \u201cpontos de encontro\u201d que, em geral, se formam \u00e0 volta dos interesses compartilhados pelos \u201cindiv\u00edduos em rede\u201d. Quem est\u00e1 presente nas redes sociais \u00e9 abordado de acordo com suas carater\u00edsticas, origens, gostos e prefer\u00eancias particulares, dado que os algoritmos, por detr\u00e1s das plataformas online e dos mecanismos de busca, tendem a unir as pessoas que s\u00e3o \u201ciguais\u201d, agrupando-as e chamando a sua aten\u00e7\u00e3o a fim de as manter online. Consequentemente, as plataformas das redes sociais podem correr o risco de impedir que os seus utilizadores realmente se encontrem com o \u201coutro\u201d, que \u00e9 diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">16) Todos n\u00f3s j\u00e1 fomos testemunhas de sistemas automatizados que correm o risco de criar estes \u201cespa\u00e7os\u201d individualistas e, \u00e0s vezes, de encorajar comportamentos extremos. Discursos agressivos e negativos propagam-se f\u00e1cil e rapidamente, oferecendo um campo f\u00e9rtil para a viol\u00eancia, o abuso e a desinforma\u00e7\u00e3o. Nas redes sociais, diferentes atores, frequentemente incentivados por uma cobertura de anonimato, reagem constantemente uns aos outros. Em geral, tais intera\u00e7\u00f5es s\u00e3o marcadamente diferentes das que se verificam em espa\u00e7os f\u00edsicos, onde as nossas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o influenciadas pelas rea\u00e7\u00f5es verbais e n\u00e3o verbais dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">17) Estar cientes destas ciladas, ajuda-nos a discernir e a desmascarar a l\u00f3gica que polui o ambiente das redes sociais, e a procurar uma solu\u00e7\u00e3o para este descontentamento digital. \u00c9 importante apreciar o mundo digital e reconhec\u00ea-lo como parte da nossa vida. No entanto, \u00e9 na complementaridade das experi\u00eancias digitais e f\u00edsicas que se constroem a vida e a jornada humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">18) Ao longo das \u201cestradas digitais\u201d, muitas pessoas s\u00e3o feridas pela divis\u00e3o e pelo \u00f3dio. N\u00e3o podemos\/n\u00e3o devemos ignorar isto. N\u00e3o podemos ser apenas \u201cviajantes\u201d silenciosos. A fim de humanizar os ambientes digitais, n\u00e3o devemos esquecer quem \u00e9 \u201cdeixado para tr\u00e1s\u201d. S\u00f3 podemos ver o que acontece, se olharmos do ponto de vista do homem ferido na par\u00e1bola do Bom Samaritano. Como na par\u00e1bola, onde somos informados a respeito do que o homem ferido viu, a perspetiva dos marginalizados e dos feridos digitalmente, ajuda-nos a compreender melhor o mundo de hoje, cada vez mais complexo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cCosturar\u201d relacionamentos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">19) Numa \u00e9poca em que estamos cada vez mais divididos, em que cada pessoa se refugia na sua bolha filtrada, as redes sociais tornam-se um caminho que leva muitos \u00e0 indiferen\u00e7a, \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o e ao extremismo. Quando os indiv\u00edduos n\u00e3o se tratam uns aos outros como seres humanos, mas como meras express\u00f5es de um certo ponto de vista que n\u00e3o compartilham, testemunhamos outra express\u00e3o da \u201ccultura do descarte\u201d, que prolifera a \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 e a normaliza\u00e7\u00e3o \u2013 \u201cda indiferen\u00e7a\u201d. Retirar-se para o isolamento dos pr\u00f3prios interesses n\u00e3o pode ser o caminho para restabelecer a esperan\u00e7a. Pelo contr\u00e1rio, o caminho a percorrer \u00e9 o cultivo de uma \u201ccultura do encontro\u201d, que promova a amizade e a paz entre pessoas diferentes.<u><sup>[9]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">20) Portanto, h\u00e1 necessidade cada vez mais urgente, de envolver as plataformas das redes sociais, de tal modo que se v\u00e1 para al\u00e9m dos pr\u00f3prios nichos, saindo do grupo dos seus \u201ciguais\u201d para se encontrar com os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aceitar o \u201coutro\u201d, algu\u00e9m que assume posi\u00e7\u00f5es opostas \u00e0s minhas, ou que parece \u201cdiferente\u201d, n\u00e3o \u00e9, certamente, uma tarefa f\u00e1cil. \u201cPorqu\u00ea importar-me?\u201d pode muito bem ser a nossa primeira rea\u00e7\u00e3o. Podemos encontrar esta atitude tamb\u00e9m na B\u00edblia, come\u00e7ando pela rejei\u00e7\u00e3o de Caim de ser o guardi\u00e3o do seu irm\u00e3o (cf.\u00a0<em>Gn<\/em>\u00a04, 9) e continuando com o escriba, que perguntou a Jesus: \u201cQuem \u00e9 meu pr\u00f3ximo?\u201d (<em>Lc<\/em>\u00a010, 29). O escriba queria fixar um limite em rela\u00e7\u00e3o a quem\u00a0<em>\u00e9<\/em>\u00a0e quem\u00a0<em>n\u00e3o \u00e9<\/em>\u00a0meu pr\u00f3ximo. Parece que gostar\u00edamos de encontrar uma justifica\u00e7\u00e3o para a nossa pr\u00f3pria indiferen\u00e7a; sempre procuramos tra\u00e7ar uma linha entre o \u201cn\u00f3s\u201d e o \u201celes\u201d, entre \u201calgu\u00e9m que devo tratar com respeito\u201d e \u201calgu\u00e9m que posso ignorar\u201d. Deste modo, quase sem perceber, chegamos a tornar-nos incapazes de sentir compaix\u00e3o pelos outros, como se seus sofrimentos fossem responsabilidade deles e n\u00e3o tiv\u00e9ssemos nada a ver com isso.<u><sup>[10]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">21) Ao contr\u00e1rio, a par\u00e1bola do Bom Samaritano desafia-nos a enfrentar a \u201ccultura do descarte\u201d digital e a ajudarmo-nos uns aos outros para sairmos da pr\u00f3pria zona de conforto, fazendo um esfor\u00e7o volunt\u00e1rio para alcan\u00e7ar o outro. Isto s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, se nos esvaziarmos a n\u00f3s mesmos, compreendendo que cada um de n\u00f3s faz parte da humanidade ferida e recordando-nos que algu\u00e9m olhou para n\u00f3s e teve compaix\u00e3o de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">22) S\u00f3 assim podemos \u2013 e dever\u00edamos \u2013 ser aqueles que d\u00e3o o primeiro passo para superar a indiferen\u00e7a, pois acreditamos num \u201cDeus que n\u00e3o \u00e9 indiferente\u201d.<u><sup>[11]<\/sup><\/u>\u00a0Podemos e dever\u00edamos ser aqueles que se deixam perguntar, \u201cQuanto devo interessar-me realmente pelos outros?\u201d E, tamb\u00e9m, come\u00e7ar a agir como pr\u00f3ximo, rejeitando a l\u00f3gica de exclus\u00e3o e reconstruindo uma l\u00f3gica de comunidade.<u><sup>[12]<\/sup><\/u>\u00a0Podemos e dever\u00edamos ser aqueles que passam do entendimento dos m\u00e9dia digitais como experi\u00eancia individual para uma sua compreens\u00e3o como experi\u00eancia que se fundamenta no encontro m\u00fatuo, promovendo a constru\u00e7\u00e3o da comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">23) Em vez de agir como indiv\u00edduos, produzindo conte\u00fado ou reagindo a informa\u00e7\u00f5es, ideias e imagens compartilhadas pelos outros, devemos interrogar-nos: como podemos cocriar experi\u00eancias online mais saud\u00e1veis, em que as pessoas possam participar em conversas e superar diverg\u00eancias com um esp\u00edrito de escuta rec\u00edproca?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como poderemos fortalecer as comunidades, a fim de que se encontrem maneiras de superar as divis\u00f5es e promover o di\u00e1logo e o respeito nas plataformas das redes sociais?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como podemos restituir o ambiente online \u00e0quilo que ele pode e deveria ser: um lugar de partilha, de colabora\u00e7\u00e3o e de perten\u00e7a, baseado na confian\u00e7a m\u00fatua?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">24) Todos podemos participar na realiza\u00e7\u00e3o desta mudan\u00e7a, relacionando-nos com os outros e desafiando-nos a n\u00f3s mesmos nos encontros com os outros. Como crentes, somos chamados a ser comunicadores que caminham intencionalmente rumo ao encontro. Deste modo, podemos procurar encontros que sejam significativos e duradouros, n\u00e3o superficiais nem ef\u00e9meros. Com efeito, orientando as conex\u00f5es digitais para o encontro com pessoas reais, criando relacionamentos reais e edificando uma comunidade real, na realidade alimentamos a nossa pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com Deus. Dito isto, a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus deve ser alimentada tamb\u00e9m atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o e da vida sacramental da Igreja que, devido \u00e0 sua ess\u00eancia, nunca podem ser reduzidas simplesmente \u00e0 esfera \u201cdigital\u201d.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong> Da consci\u00eancia ao verdadeiro encontro<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Aprender com aquele que teve compaix\u00e3o (cf. Lc 10, 33)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ouvintes intencionais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">25) A reflex\u00e3o sobre nossa participa\u00e7\u00e3o nas redes sociais come\u00e7ou com a consci\u00eancia acerca do modo como estas redes funcionam e das oportunidades e desafios que nelas enfrentamos. Se as redes sociais online t\u00eam uma tenta\u00e7\u00e3o inerente ao individualismo e ao enaltecimento pessoal, como foi descrito no cap\u00edtulo precedente, n\u00e3o estamos condenados necessariamente a cair em tais atitudes. O disc\u00edpulo que encontra o olhar misericordioso de Cristo experimenta algo mais. Ele ou ela sabe que a boa comunica\u00e7\u00e3o come\u00e7a pela escuta e a consci\u00eancia de que outra pessoa est\u00e1 diante de mim. A escuta e a consci\u00eancia visam fomentar o encontro e a supera\u00e7\u00e3o dos impedimentos existentes, inclusive o obst\u00e1culo da indiferen\u00e7a. Ouvir desta maneira \u00e9 um passo essencial para envolver os outros; \u00e9 o primeiro ingrediente indispens\u00e1vel para a comunica\u00e7\u00e3o e uma condi\u00e7\u00e3o fundamental para o di\u00e1logo genu\u00edno.<u><sup>[13]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">26) Na par\u00e1bola do Bom Samaritano, o homem espancado e abandonado \u00e0 morte foi ajudado pela pessoa menos esperada: na \u00e9poca de Jesus, os povos judeu e samaritano estavam frequentemente em conflito. No m\u00ednimo, o comportamento esperado teria sido a hostilidade. Contudo, o samaritano n\u00e3o viu aquele homem espancado como \u201coutro\u201d, mas simplesmente como algu\u00e9m que precisava de ajuda. Sentiu compaix\u00e3o, colocando-se no lugar do outro; e doou-se a si mesmo, o seu tempo e os seus recursos para ouvir e acompanhar algu\u00e9m que ele tinha encontrado.<a href=\"https:\/\/press.vatican.va\/vtiserver\/wss\/roman_curia\/dpc\/documents\/20230528_dpc-verso-piena-presenza_pt.html#_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">27) A par\u00e1bola pode inspirar os relacionamentos nas redes sociais, pois ilustra a possibilidade de um encontro profundamente significativo entre duas pessoas completamente estranhas. O samaritano rompe a \u201cdesigualdade social\u201d: ultrapassa os confins da concord\u00e2ncia e da diverg\u00eancia. Enquanto o sacerdote e o levita passam pelo homem ferido e v\u00e3o em frente, o viajante samaritano v\u00ea-o e move-se de compaix\u00e3o (cf.\u00a0<em>Lc\u00a0<\/em>10, 33). Compaix\u00e3o significa sentir que a outra pessoa faz parte de mim mesmo. O samaritano ouve a hist\u00f3ria do homem; aproxima-se porque se comove intimamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">28) O Evangelho de Lucas n\u00e3o cont\u00e9m nenhum di\u00e1logo entre os dois homens. Podemos imaginar que o samaritano encontrou o homem ferido e talvez lhe tenha perguntado: \u201cO que \u00e9 que aconteceu contigo?\u201d. Mas at\u00e9 sem palavras, mediante a sua atitude de abertura e hospitalidade, tem in\u00edcio um encontro. Este primeiro gesto \u00e9 uma express\u00e3o de aten\u00e7\u00e3o, e isto \u00e9 crucial. A capacidade de ouvir e de permanecer aberto para receber a hist\u00f3ria de outra pessoa, sem se importar com os preconceitos culturais da \u00e9poca, impediu que o homem ferido fosse abandonado \u00e0 morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">29) A intera\u00e7\u00e3o entre os dois homens estimula-nos a dar o primeiro passo no mundo digital. Somos convidados a ver o valor e a dignidade daqueles em rela\u00e7\u00e3o aos quais temos diferen\u00e7as. Somos convidados tamb\u00e9m a olhar para al\u00e9m da nossa rede de seguran\u00e7a, dos nossos nichos e das nossas bolhas. Tornar-se pr\u00f3ximo no ambiente das redes sociais exige intencionalidade. E tudo come\u00e7a com a capacidade de ouvir bem, de permitir que a realidade do outro nos comova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Roubar a nossa aten\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">30) Escutar \u00e9 uma habilidade fundamental, que nos permite estabelecer relacionamentos com os outros e n\u00e3o apenas participar em uma troca de informa\u00e7\u00f5es. No entanto os nossos dispositivos est\u00e3o repletos de informa\u00e7\u00f5es. Vivemos mergulhados numa rede de informa\u00e7\u00f5es que nos conecta com os outros atrav\u00e9s de mensagens partilhadas, de textos, de imagens e de sons. As plataformas das redes sociais permitem-nos navegar incessantemente na explora\u00e7\u00e3o deste contexto. Embora o v\u00eddeo e o som tenham, certamente, aumentado a riqueza medi\u00e1tica da comunica\u00e7\u00e3o digital, as nossas intera\u00e7\u00f5es mediadas uns com os outros ainda s\u00e3o limitadas. Com frequ\u00eancia, encontramos informa\u00e7\u00f5es rapidamente e sem o contexto completo e necess\u00e1rio. Conseguimos reagir de forma f\u00e1cil e imediata \u00e0s informa\u00e7\u00f5es nos \u00e9crans, sem ir \u00e0 procura da hist\u00f3ria completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">31) Esta abund\u00e2ncia de informa\u00e7\u00f5es tem muitos benef\u00edcios: quando fazemos parte da rede, as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o pronta e amplamente acess\u00edveis e personalizadas segundo os nossos interesses. Podemos receber informa\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, manter conex\u00f5es sociais, explorar recursos e aprofundar e dilatar o nosso conhecimento. A facilidade de acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es e \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o tem tamb\u00e9m o potencial de criar espa\u00e7os inclusivos, que d\u00e3o voz \u00e0queles que, nas nossas comunidades, s\u00e3o marginalizados pela injusti\u00e7a social ou econ\u00f3mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">32) Ao mesmo tempo, a disponibilidade quase infinita de informa\u00e7\u00f5es, criou tamb\u00e9m alguns desafios. Experimentamos o\u00a0<em>excesso de informa\u00e7\u00f5es<\/em>, uma vez que a nossa capacidade cognitiva de processar sofre muito com as informa\u00e7\u00f5es excessivas colocadas \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o. De maneira semelhante, experimentamos um\u00a0<em>excesso de intera\u00e7\u00e3o social<\/em>, dado que estamos sujeitos a um alto n\u00edvel de est\u00edmulos sociais. Diferentes websites, aplicativos e plataformas s\u00e3o programados para tirar proveito do nosso desejo humano de reconhecimento e lutam constantemente para chamar a aten\u00e7\u00e3o das pessoas. A aten\u00e7\u00e3o por si s\u00f3 passou a ser o ativo e a mercadoria mais valiosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">33) Neste ambiente a nossa aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o se concentra, enquanto procuramos navegar nesta rede sobrecarregada de informa\u00e7\u00f5es e intera\u00e7\u00f5es sociais. Em vez de nos concentrarmos numa mat\u00e9ria de cada vez, a nossa\u00a0<em>aten\u00e7\u00e3o parcial cont\u00ednua<\/em>\u00a0passa rapidamente de um assunto para outro. A condi\u00e7\u00e3o de \u201csempre conectados\u201d, leva-nos \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de responder de maneira instant\u00e2nea, uma vez que estamos fisiologicamente viciados em est\u00edmulos digitais, desejamos cada mais conte\u00fado, numa navega\u00e7\u00e3o intermin\u00e1vel, e sentimo-nos frustrados por qualquer falta de atualiza\u00e7\u00e3o. Um significativo desafio cognitivo da cultura digital \u00e9 a nossa perda de capacidade de pensar profunda e objetivamente. Analisamos tudo superficialmente e permanecemos no demasiado gen\u00e9rico, em vez de ponderarmos profundamente sobre as realidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">34) Devemos estar mais atentos a este aspeto. Sem o sil\u00eancio e o espa\u00e7o para pensar lenta, profunda e objetivamente, corremos o risco de perder n\u00e3o s\u00f3 as capacidades cognitivas, mas tamb\u00e9m a profundidade das nossas intera\u00e7\u00f5es, tanto humanas como divinas. O espa\u00e7o para a escuta, a aten\u00e7\u00e3o e o discernimento, tornam-se atitudes raras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo chamado\u00a0<em>aten\u00e7\u00e3o-interesse-desejo-a\u00e7\u00e3o<\/em>, bem conhecido pelos publicit\u00e1rios, \u00e9 semelhante ao processo mediante o qual qualquer tenta\u00e7\u00e3o entra no cora\u00e7\u00e3o humano e desvia a nossa aten\u00e7\u00e3o da \u00fanica palavra realmente significativa e vivificante, a Palavra de Deus. De qualquer forma, ainda prestamos aten\u00e7\u00e3o \u00e0 antiga serpente que, todos os dias, nos mostra novos frutos. Eles parecem \u201cbons para comer, de espeto agrad\u00e1vel e muito apropriados para alcan\u00e7ar a sabedoria\u201d (<em>Gn<\/em>\u00a03, 6). Como sementes ao longo do caminho, onde a palavra \u00e9 semeada, permitimos que o maligno venha e tire a palavra semeada (cf.\u00a0<em>Mc<\/em>\u00a04, 14-15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">35) Com o excesso de est\u00edmulos e de dados que recebemos, o sil\u00eancio \u00e9 um bem precioso, porque garante o espa\u00e7o para a concentra\u00e7\u00e3o e o discernimento.<u><sup>[15]<\/sup><\/u>\u00a0O \u00edmpeto de procurar o sil\u00eancio na cultura digital eleva a import\u00e2ncia da concentra\u00e7\u00e3o e da escuta. Nos ambientes educacionais ou de trabalho, assim como nas fam\u00edlias e comunidades, h\u00e1 necessidade crescente de nos desligarmos dos dispositivos digitais. Neste caso, o \u201csil\u00eancio\u201d pode ser comparado a uma \u201cdesintoxica\u00e7\u00e3o digital\u201d, que n\u00e3o \u00e9 simplesmente abstin\u00eancia, mas ao contr\u00e1rio, uma maneira de comprometimento mais profundo com Deus e com os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">36) A escuta emerge do sil\u00eancio e \u00e9 fundamental para cuidar dos outros. Quando escutamos, damos as boas-vindas a algu\u00e9m, oferecemos hospitalidade e demonstramos respeito por aquela pessoa. Escutar \u00e9 inclusive um ato de humildade da nossa parte, dado que reconhecemos a verdade, a sabedoria e o valor, al\u00e9m do nosso pr\u00f3prio limitado ponto de vista. Sem a disposi\u00e7\u00e3o para a escuta, n\u00e3o somos capazes de receber o dom do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com o ouvido do cora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">37) Com a velocidade e o imediatismo da cultura digital, que p\u00f5e \u00e0 prova a nossa capacidade de aten\u00e7\u00e3o e de concentra\u00e7\u00e3o, a escuta torna-se ainda mais importante na nossa vida espiritual. Uma abordagem contemplativa \u00e9 contra cultural, at\u00e9 prof\u00e9tica, e pode ser formativa n\u00e3o s\u00f3 para as pessoas, mas para a cultura no seu conjunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O compromisso da escuta nas redes sociais constitui um ponto de partida fundamental, com vista ao passar para uma rede que n\u00e3o seja tanto de <em>bytes<\/em>, <em>avatares<\/em> e \u201c<em>likes<\/em>\u201d, mas de pessoas.<u><sup>[16]<\/sup><\/u>\u00a0Deste modo, passamos de rea\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas, suposi\u00e7\u00f5es equivocadas e coment\u00e1rios impulsivos, para a cria\u00e7\u00e3o de oportunidades de di\u00e1logo, levantando quest\u00f5es para aprender mais, demonstrando cuidado e compaix\u00e3o e reconhecendo a dignidade daqueles com quem nos encontramos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">38) A cultura digital aumentou incomensuravelmente o nosso contacto com os outros. Isto tamb\u00e9m nos oferece a oportunidade de escutar muito mais. Muitas vezes, quando se fala de \u201cescuta\u201d nas redes sociais, faz-se refer\u00eancia a processos de monitora\u00e7\u00e3o de dados, a estat\u00edsticas de participa\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00f5es que visam uma an\u00e1lise de marketing dos comportamentos sociais presentes nas redes. Por\u00e9m, isto n\u00e3o \u00e9 suficiente para que as redes sociais sejam um ambiente para a escuta e o di\u00e1logo. A escuta intencional no contexto digital exige que se escute com o \u201couvido do cora\u00e7\u00e3o\u201d. Escutar com o \u201couvido do cora\u00e7\u00e3o\u201d vai para al\u00e9m da capacidade f\u00edsica de ouvir sons. Pelo contr\u00e1rio, impele-nos a estar abertos ao outro com todo o nosso ser:\u00a0<em>uma abertura do cora\u00e7\u00e3o que torna poss\u00edvel a proximidade<\/em>.<u><sup>[17]<\/sup><\/u>\u00a0Trata-se de uma postura de aten\u00e7\u00e3o e hospitalidade, que \u00e9 fundamental para estabelecer a comunica\u00e7\u00e3o. Essa sabedoria aplica-se n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 ora\u00e7\u00e3o contemplativa, mas tamb\u00e9m \u00e0s pessoas que est\u00e3o em busca de relacionamentos aut\u00eanticos e de comunidades genu\u00ednas. O desejo de estar em rela\u00e7\u00e3o com os outros e com o Outro \u2013 Deus \u2013 permanece uma necessidade humana fundamental, que \u00e9 evidente tamb\u00e9m no desejo de conectividade na cultura digital.<u><sup>[18]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">39) O di\u00e1logo interior e a rela\u00e7\u00e3o com Deus, poss\u00edveis gra\u00e7as ao dom divino da f\u00e9, s\u00e3o essenciais para nos permitir crescer na capacidade de escutar bem. Tamb\u00e9m a Palavra de Deus desempenha um papel fundamental neste di\u00e1logo interior. A escuta orante da Palavra na Escritura, atrav\u00e9s da pr\u00e1tica da leitura espiritual dos textos b\u00edblicos, como na\u00a0<em>lectio divina<\/em>, pode ser profundamente formativa, uma vez que permite uma experi\u00eancia lenta, deliberada e contemplativa.<u><sup>[19]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">40) A \u201cPalavra do Dia\u201d ou o \u201cEvangelho do Dia\u201d est\u00e3o entre as mat\u00e9rias mais consultadas pelos crist\u00e3os no Google, e pode-se afirmar claramente que o ambiente digital nos ofereceu muitas possibilidades, novas e mais f\u00e1ceis, para um \u201cencontro\u201d regular com a Palavra divina. O nosso encontro com a Palavra do Deus vivo, at\u00e9 online, transforma a nossa abordagem de uma vis\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es no \u00e9cran, para o encontro com outra pessoa que narra uma hist\u00f3ria. Se tivermos em mente que, por detr\u00e1s do \u00e9cran, conectamo-nos com outras pessoas, o exerc\u00edcio da escuta pode ampliar a recetividade \u00e0s hist\u00f3rias dos outros e come\u00e7ar a gerar relacionamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Discernir a nossa presen\u00e7a nas redes sociais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">41) Do prisma da f\u00e9, o que e como comunicar n\u00e3o \u00e9 somente uma quest\u00e3o pr\u00e1tica, mas tamb\u00e9m espiritual. A presen\u00e7a nas plataformas das redes sociais requer discernimento. Comunicar bem em tais contextos \u00e9 um exerc\u00edcio de prud\u00eancia e exige uma pondera\u00e7\u00e3o orante sobre o modo como entrar em contacto com os outros. Abordar esta quest\u00e3o na \u00f3tica da interroga\u00e7\u00e3o do escriba, \u201cQuem \u00e9 meu pr\u00f3ximo?\u201d, exige discernimento a prop\u00f3sito da presen\u00e7a de Deus no e atrav\u00e9s do modo como nos relacionamos uns com os outros nas plataformas das redes sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">42) Nas redes sociais, a proximidade \u00e9 um conceito complexo. Nas redes sociais, os \u201cpr\u00f3ximos\u201d s\u00e3o mais claramente aqueles com quem temos liga\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo, o nosso pr\u00f3ximo \u00e9 tamb\u00e9m, frequentemente, aquele que n\u00e3o podemos ver, quer porque as plataformas nos impedem de v\u00ea-lo, quer porque ele simplesmente n\u00e3o est\u00e1 presente. Os ambientes digitais s\u00e3o compartilhados tamb\u00e9m por outros participantes, como os \u201c<em>bots da Internet<\/em>\u201d e os \u201c<em>deepfakes\u201d<\/em>, programas de computador automatizados, que atuam online com tarefas espec\u00edficas, muitas vezes simulando a\u00e7\u00f5es humanas ou recolhendo dados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, as plataformas das redes sociais s\u00e3o controladas por uma \u201cautoridade\u201d externa, em geral uma organiza\u00e7\u00e3o com fins lucrativos que desenvolve, administra e promove mudan\u00e7as no modo como a plataforma foi programada para funcionar. Num sentido mais abrangente, todos eles \u201chabitam na\u201d ou contribuem para a proximidade online.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">43) Reconhecer o nosso pr\u00f3ximo digital implica reconhecer que a vida de cada pessoa nos diz respeito, at\u00e9 quando a sua presen\u00e7a (ou aus\u00eancia) \u00e9 mediada atrav\u00e9s de meios digitais. \u201cOs meios de comunica\u00e7\u00e3o atuais permitem-nos comunicar e partilhar os nossos conhecimentos e afetos\u201d, como diz o Papa Francisco na\u00a0<em>Laudato si\u2019<\/em>, \u201cmas \u00e0s vezes tamb\u00e9m nos impedem de entrar em contato direto com a ang\u00fastia, a trepida\u00e7\u00e3o, a alegria do outro e com a complexidade da sua experi\u00eancia pessoal\u201d.<u><sup>[20]<\/sup><\/u>\u00a0Ser pr\u00f3ximo nas redes sociais significa estar presente nas hist\u00f3rias dos outros, especialmente de quem sofre. Em s\u00edntese, defender melhores ambientes digitais n\u00e3o significa desviar o foco dos problemas concretos experimentados por muitas pessoas &#8211; por exemplo, fome, pobreza, migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, guerra, doen\u00e7a e solid\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, significa defender uma vis\u00e3o integral da vida humana que, atualmente, abrange o mundo digital. Com efeito, as redes sociais podem ser um modo de chamar mais a aten\u00e7\u00e3o para tais realidades e construir a solidariedade entre aqueles que est\u00e3o pr\u00f3ximos e distantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">44) Considerando as redes sociais como um espa\u00e7o n\u00e3o apenas para conex\u00f5es, mas, em \u00faltima an\u00e1lise, para relacionamentos, um \u201cexame de consci\u00eancia\u201d apropriado a respeito da nossa presen\u00e7a nas redes sociais deveria incluir tr\u00eas rela\u00e7\u00f5es vitais: com Deus, com o pr\u00f3ximo e com o meio ambiente ao nosso redor.<u><sup>[21]<\/sup><\/u>\u00a0Os nossos relacionamentos com os outros e com nosso meio ambiente deveriam alimentar a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus, que \u00e9 a mais importante. Deve ser vis\u00edvel e clara nos nossos relacionamentos com os outros e com nosso meio ambiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>III. Do encontro \u00e0 comunidade<\/strong><em><br \/>\n\u201cCuida dele\u201d (cf. Lc 10, 35) \u2013 abranger os outros no processo de cura<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Face a face<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">45) A comunica\u00e7\u00e3o come\u00e7a, sempre, com a conex\u00e3o e passa, depois, para os relacionamentos, para a comunidade e para a comunh\u00e3o.<u><sup>[22]<\/sup><\/u>\u00a0N\u00e3o existe comunica\u00e7\u00e3o sem a verdade de um encontro. Comunicar-se consiste em estabelecer relacionamentos; em \u201cestar com\u201d. Ser comunidade significa partilhar com os outros as verdades fundamentais a respeito do que se possui e do que se \u00e9. Muito al\u00e9m da mera proximidade geogr\u00e1fico-territorial ou \u00e9tnico-cultural, o que constitui uma comunidade \u00e9 a partilha comum da verdade, com um sentimento de perten\u00e7a, reciprocidade e solidariedade, nos diferentes \u00e2mbitos da vida social. Considerando estes \u00faltimos elementos, \u00e9 importante recordar que, a edifica\u00e7\u00e3o da unidade comunit\u00e1ria mediante pr\u00e1ticas comunicativas, que mant\u00eam os la\u00e7os sociais ao longo do tempo e do espa\u00e7o, ser\u00e1 sempre secund\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ades\u00e3o \u00e0 verdade em si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">46) O como construir uma comunidade mediante pr\u00e1ticas comunicativas at\u00e9 no meio daqueles que n\u00e3o est\u00e3o fisicamente pr\u00f3ximos uns dos outros \u00e9, na verdade, uma quest\u00e3o muito antiga. J\u00e1 nas cartas dos Ap\u00f3stolos podemos identificar uma tens\u00e3o entre a presen\u00e7a mediada e o desejo de um encontro pessoal. Por exemplo, o evangelista Jo\u00e3o conclui a sua segunda e terceira cartas, dizendo: \u201cApesar de ter muitas mais coisas para vos escrever, n\u00e3o o quis fazer com papel e tinta, mas espero estar entre v\u00f3s e poder faz\u00ea-lo face a face convosco, para que a vossa alegria seja perfeita\u201d (<em>2 Jo<\/em>\u00a012). O mesmo \u00e9 verdade no caso do ap\u00f3stolo Paulo que, at\u00e9 na sua aus\u00eancia e no seu \u201cdesejo de ver\u201d as pessoas face a face (<em>1 Ts<\/em>\u00a02, 17), estava presente atrav\u00e9s das suas cartas na vida de cada comunidade por ele fundada (cf.\u00a0<em>1 Cor<\/em>\u00a05, 3). Os seus escritos serviram tamb\u00e9m para \u201cinterligar\u201d as diferentes comunidades (cf.\u00a0<em>Cl<\/em>\u00a04, 15-16). A capacidade de Paulo de edificar comunidades foi transmitida at\u00e9 n\u00f3s atrav\u00e9s das suas numerosas cartas, nas quais aprendemos que para ele n\u00e3o havia dicotomia entre a presen\u00e7a f\u00edsica e a presen\u00e7a mediante sua palavra escrita, lida pela comunidade (cf.\u00a0<em>2 Cor<\/em>\u00a010, 9-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">47) Efetivamente o cada vez mais\u00a0<em>onlife<\/em>\u00a0do mundo de hoje, necessita superar a l\u00f3gica do \u201cou, ou\u201d, que pensa os relacionamentos humanos no \u00e2mbito de uma l\u00f3gica dicot\u00f3mica (<em>digital<\/em>\u00a0versus\u00a0<em>real-f\u00edsico-pessoal<\/em>), e assumir uma l\u00f3gica do \u201cambos, e\u201d, baseada na complementaridade e na integralidade da vida humana e social. As rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias nas redes sociais deveriam fortalecer as comunidades locais, e vice-versa. \u201cO uso da\u00a0<em>social web<\/em>\u00a0\u00e9 complementar ao encontro em carne e osso, vivido atrav\u00e9s do corpo, do cora\u00e7\u00e3o, dos olhos, da contempla\u00e7\u00e3o, da respira\u00e7\u00e3o do outro. Se a rede for usada como prolongamento ou expetativa de tal encontro, ent\u00e3o n\u00e3o se atrai\u00e7oa a si mesma e permanece um recurso para a comunh\u00e3o\u201d.<a href=\"https:\/\/press.vatican.va\/vtiserver\/wss\/roman_curia\/dpc\/documents\/20230528_dpc-verso-piena-presenza_pt.html#_ftn23\"><sup>[23]<\/sup><\/a>\u00a0\u201cA rede digital pode ser um lugar rico de humanidade: n\u00e3o uma rede de fios, mas de pessoas humanas\u201d,<a href=\"https:\/\/press.vatican.va\/vtiserver\/wss\/roman_curia\/dpc\/documents\/20230528_dpc-verso-piena-presenza_pt.html#_ftn24\"><sup>[24]<\/sup><\/a>\u00a0se nos recordarmos que do outro lado do \u00e9cran n\u00e3o existem \u201cn\u00fameros\u201d, nem meros \u201cagregados de indiv\u00edduos\u201d, mas pessoas com hist\u00f3rias, sonhos, expetativas, sofrimentos. Existem um nome e um rosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A caminho de Jeric\u00f3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">48) Os m\u00e9dia digitais permitem que as pessoas se encontrem al\u00e9m dos confins do espa\u00e7o e das culturas. Embora tais encontros digitais talvez n\u00e3o tragam necessariamente a proximidade f\u00edsica, contudo podem ser significativos, influentes e reais. Para al\u00e9m de meras conex\u00f5es, podem ser um caminho para se relacionar sinceramente com os outros, para participar em conversas significativas, para expressar solidariedade e para aliviar o isolamento e a dor de algu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">49) As redes sociais podem ser vistas como outro \u201ccaminho para Jeric\u00f3\u201d, repleto de oportunidades para encontros n\u00e3o previstos, como o foi para Jesus: um mendigo cego que grita alto \u00e0 margem da estrada (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a018, 35-43), um cobrador de impostos desonesto, escondido nos galhos de uma figueira (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a019, 1-9) e um homem ferido, abandonado meio-morto pelos ladr\u00f5es (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a010, 30). Ao mesmo tempo, a par\u00e1bola do Bom Samaritano recorda-nos que, s\u00f3 porque algu\u00e9m \u00e9 \u201creligioso\u201d (um sacerdote ou levita), ou alega ser seguidor de Jesus, isto n\u00e3o \u00e9 garantia de que oferecer\u00e1 ajuda, ou procurar\u00e1 a cura e a reconcilia\u00e7\u00e3o. Os disc\u00edpulos de Jesus repreenderam o cego e disseram-lhe para ficar calado; a intera\u00e7\u00e3o de Zaqueu com Jesus foi acompanhada pelos murm\u00farios de outras pessoas; o homem ferido foi simplesmente ignorado pelo sacerdote e pelo levita, que passaram e foram em frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">50) Nas encruzilhadas digitais, assim como nos encontros diretos, n\u00e3o \u00e9 suficiente ser \u201ccrist\u00e3o\u201d. Nas redes sociais \u00e9 poss\u00edvel encontrar muitos perfis ou contas que proclamam um conte\u00fado religioso, mas n\u00e3o participam em din\u00e2micas relacionais de modo fiel. Intera\u00e7\u00f5es hostis, bem como palavras violentas e ofensivas, especialmente no contexto da partilha de conte\u00fados crist\u00e3os, representam uma contradi\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Evangelho.<u><sup>[25]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio, o Bom Samaritano, que est\u00e1 atento e aberto para se encontrar com o homem ferido, \u00e9 movido pela compaix\u00e3o para agir e cuidar dele. Trata das feridas da v\u00edtima, levando-a para uma hospedaria a fim de garantir o seu cuidado cont\u00ednuo. Do mesmo modo, os nossos desejos de fazer das redes sociais um espa\u00e7o mais humano e relacional devem traduzir-se em atitudes concretas e gestos criativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">51) A promo\u00e7\u00e3o de um sentido de comunidade inclui a aten\u00e7\u00e3o a valores compartilhados, experi\u00eancias, esperan\u00e7as, tristezas, alegrias, humor e at\u00e9 piadas, que por si s\u00f3 podem tornar-se pontos de encontro para as pessoas nos espa\u00e7os digitais. Assim como se verifica com a escuta, o discernimento e o encontro, a forma\u00e7\u00e3o de uma comunidade com outras pessoas exige o compromisso individual. Aquilo que as plataformas das redes sociais descrevem como \u201camizade\u201d come\u00e7a simplesmente como uma conex\u00e3o ou um conhecimento. No entanto, tamb\u00e9m neste caso, \u00e9 poss\u00edvel destacar um esp\u00edrito comum de apoio e camaradagem. Para ser comunidade, \u00e9 preciso um sentido de participa\u00e7\u00e3o livre e m\u00fatuo, para se tornar uma almejada associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane membros com base na proximidade. A liberdade e o apoio m\u00fatuo n\u00e3o se manifestam de maneira autom\u00e1tica. Para formar comunidade, o trabalho de cura e reconcilia\u00e7\u00e3o \u00e9 muitas vezes o primeiro passo a dar ao longo do caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">52) At\u00e9 nas redes dos m\u00e9dia sociais, \u201cenfrentamos a op\u00e7\u00e3o de ser bons samaritanos ou viajantes indiferentes que passam ao largo. E se estendermos o olhar \u00e0 totalidade da nossa hist\u00f3ria e ao mundo no seu conjunto, reconheceremos que todos somos, ou fomos, como estes personagens da par\u00e1bola: todos temos algo do ferido, do salteador, daqueles que passam ao largo e do Bom Samaritano\u201d.<u><sup>[26]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos n\u00f3s podemos ser viajantes nas \u201cestradas digitais\u201d \u2013 simplesmente \u201cconectados\u201d<u><sup> [27]<\/sup><\/u>\u00a0\u2013 ou podemos fazer algo como o samaritano, permitindo que as conex\u00f5es evoluam para verdadeiros encontros. O viajante casual torna-se pr\u00f3ximo quando cuida do homem ferido, tratando as suas chagas. Cuidando do homem, tenciona sarar n\u00e3o apenas as feridas f\u00edsicas, mas igualmente as divis\u00f5es e a animosidade existentes entre seus grupos sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">53) Ent\u00e3o, o que significa \u201ccurar\u201d as feridas nas redes sociais? Como podemos \u201cresolver&#8221; uma divis\u00e3o? Como podemos construir ambientes eclesiais capazes de aceitar e integrar as \u201cperiferias geogr\u00e1ficas e existenciais\u201d das culturas de hoje? Perguntas como estas s\u00e3o essenciais para discernir a nossa presen\u00e7a crist\u00e3 nas \u201cestradas digitais\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHoje temos \u00e0 nossa frente a grande ocasi\u00e3o de expressar o nosso ser irm\u00e3os, de ser outros bons samaritanos que tomam sobre si a dor dos fracassos de outras pessoas, em vez de fomentar \u00f3dios e ressentimentos. Como o viajante ocasional da nossa hist\u00f3ria, \u00e9 preciso apenas o desejo gratuito, puro e simples de ser povo, comunidade, de ser constantes e incans\u00e1veis no compromisso de incluir, integrar e levantar quem est\u00e1 ca\u00eddo\u201d.<u><sup>[28]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cVai e faz o mesmo\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">54) Rela\u00e7\u00e3o produz rela\u00e7\u00e3o, comunidade constr\u00f3i comunidade. A gra\u00e7a do relacionamento que se estabelece entre duas pessoas vai al\u00e9m da sua intera\u00e7\u00e3o. A pessoa humana foi feita para o relacionamento e a comunidade. Ao mesmo tempo, a solid\u00e3o e o isolamento afligem a nossa realidade cultural, como pudemos experimentar de maneira aguda durante a pandemia de Covid-19. Quem procura companhia, especialmente os marginalizados, recorrem com frequ\u00eancia aos espa\u00e7os digitais para encontrar uma comunidade, inclus\u00e3o e solidariedade com os outros. N\u00e3o obstante muitos terem encontrado conforto conectando-se com outras pessoas no espa\u00e7o digital, outros consideram que ele \u00e9 inadequado. Talvez n\u00e3o consigamos oferecer espa\u00e7o \u00e0queles que procuram participar no di\u00e1logo e encontrar apoio, sem ser objeto de atitudes cr\u00edticas ou defensivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">55) O movimento do encontro para o relacionamento e depois para a comunidade refere-se tanto aos benef\u00edcios como aos desafios da cultura digital. \u00c0s vezes, as comunidades online formam-se quando as pessoas encontram um terreno comum, reunindo elementos contr\u00e1rios a \u201coutro\u201d externo, um inimigo ideol\u00f3gico comum. Este tipo de polariza\u00e7\u00e3o cria um \u201ctribalismo digital\u201d em que os grupos s\u00e3o postos uns contra os outros, em esp\u00edrito de rivalidade. N\u00e3o podemos esquecer a presen\u00e7a dos outros, irm\u00e3os e irm\u00e3s, pessoas com dignidade, do outro lado destas linhas tribais. N\u00f3s \u201cn\u00e3o devemos catalogar os outros, para decidir quem \u00e9 meu pr\u00f3ximo e quem n\u00e3o \u00e9. Depende de mim, ser ou n\u00e3o ser pr\u00f3ximo<em>\u00a0\u2014<\/em>\u00a0a decis\u00e3o \u00e9 minha \u2014 depende de mim, ser ou n\u00e3o ser pr\u00f3ximo da pessoa com a qual me encontro e que tem necessidade de ajuda, mesmo que seja desconhecida, ou talvez at\u00e9 hostil\u201d.<u><sup>[29]<\/sup><\/u>\u00a0Infelizmente, relacionamentos rompidos, conflitos e divis\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o alheios \u00e0 Igreja. Por exemplo, quando grupos que se apresentam como \u201ccat\u00f3licos\u201d usam a sua presen\u00e7a nas redes sociais para fomentar a divis\u00e3o, n\u00e3o se comportam como uma comunidade crist\u00e3 deveria fazer.<u><sup>[30]<\/sup><\/u>\u00a0Em vez de capitalizar os conflitos e importar dos advers\u00e1rios as atitudes hostis, deveriam tornar-se oportunidades de convers\u00e3o, uma ocasi\u00e3o para dar testemunho do encontro, do di\u00e1logo e da reconcilia\u00e7\u00e3o a respeito de assuntos aparentemente divisivos.<u><sup>[31]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">56) A participa\u00e7\u00e3o nas redes sociais deve ir al\u00e9m do interc\u00e2mbio de opini\u00f5es pessoais ou da emula\u00e7\u00e3o de comportamentos. A a\u00e7\u00e3o social mobilizada atrav\u00e9s das redes sociais tem tido um impacto maior e com frequ\u00eancia \u00e9 mais eficaz na transforma\u00e7\u00e3o do mundo do que um debate superficial a respeito de ideias. Em geral, os debates s\u00e3o limitados pelo n\u00famero de caracteres permitidos e pela velocidade de rea\u00e7\u00e3o das pessoas aos coment\u00e1rios, sem mencionar os argumentos emocionais\u00a0<em>ad hominem<\/em>\u00a0\u2013 ataques dirigidos contra a pessoa que fala, independentemente do tema geral em discuss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 necess\u00e1rio compartilhar ideias, mas por si s\u00f3 as ideias n\u00e3o funcionam; elas devem tornar-se \u201ccarne\u201d. As a\u00e7\u00f5es devem fertilizar o solo dia ap\u00f3s dia.<u><sup>[32]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aprendendo com o samaritano, somos chamados a prestar aten\u00e7\u00e3o a esta din\u00e2mica. Ele n\u00e3o se limita a sentir compaix\u00e3o; nem sequer se det\u00e9m a curar as feridas de um estranho. Vai al\u00e9m, levando o homem ferido a uma hospedaria e providenciando o seu cuidado cont\u00ednuo.<u><sup>[33]<\/sup><\/u>\u00a0Atrav\u00e9s deste esquema, a rela\u00e7\u00e3o de cuidado e as sementes de comunidade lan\u00e7adas entre o samaritano e o homem ferido estendem-se ao hospedeiro e \u00e0 sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como o doutor da lei, tamb\u00e9m n\u00f3s, na nossa presen\u00e7a nos m\u00e9dia digitais, somos convidados a \u201cir e fazer o mesmo\u201d, promovendo assim o bem comum. Como podemos ajudar a curar um ambiente digital t\u00f3xico? Como podemos promover a hospitalidade e as oportunidades de cura e de reconcilia\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">57) A hospitalidade fundamenta-se na abertura que oferecemos para encontrar o outro; atrav\u00e9s dela, recebemos Cristo sob a apar\u00eancia do estrangeiro (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a025, 40). Por isso, as comunidades digitais devem compartilhar conte\u00fados e interesses, mas agir em conjunto, tornando-se testemunhas de comunh\u00e3o. No contexto digital j\u00e1 existem vigorosas express\u00f5es de comunidades de cuidado. Por exemplo, h\u00e1 comunidades que se re\u00fanem para apoiar outras pessoas em tempos de doen\u00e7a, perda e luto, assim como comunidades que promovem\u00a0<em>crowdfunding<\/em>\u00a0a favor de algu\u00e9m em necessidade e aquelas que proporcionam apoio social e psicol\u00f3gico entre os membros. Todos estes esfor\u00e7os podem ser considerados exemplos de \u201cproximidade digital\u201d. Pessoas muito diferentes entre si podem participar de um \u201cdi\u00e1logo de a\u00e7\u00e3o social\u201d online. Podem ser inspiradas pela f\u00e9 ou n\u00e3o. De qualquer maneira, as comunidades que s\u00e3o formadas para agir a favor do bem dos outros s\u00e3o essenciais para superar o isolamento nas redes sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">58) Podemos pensar ainda mais alto: a web social n\u00e3o \u00e9 inquestion\u00e1vel. Podemos mud\u00e1-la. Podemos ser propulsores de mudan\u00e7as, imaginando novos modelos alicer\u00e7ados na confian\u00e7a, transpar\u00eancia, igualdade e inclus\u00e3o. Juntos, podemos encorajar as empresas de comunica\u00e7\u00e3o a reconsiderar as suas fun\u00e7\u00f5es, permitindo que a Internet se torne um espa\u00e7o verdadeiramente p\u00fablico. Espa\u00e7os p\u00fablicos bem estruturados s\u00e3o capazes de promover melhores comportamentos sociais. Por isso, devemos reconstruir os espa\u00e7os digitais, de tal forma que eles se tornem ambientes mais humanos e mais saud\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Compartilhar uma refei\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">59) Como comunidade de f\u00e9, a Igreja est\u00e1 em peregrina\u00e7\u00e3o rumo ao Reino dos C\u00e9us. Dado que as redes sociais e, de maneira mais ampla, a realidade digital constitui um aspeto crucial deste caminho, \u00e9 importante refletir sobre a din\u00e2mica da comunh\u00e3o e da comunidade face \u00e0 presen\u00e7a da Igreja no ambiente digital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos momentos mais rigorosos do confinamento, durante a pandemia, a transmiss\u00e3o de celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas pelas redes sociais e por outros meios de comunica\u00e7\u00e3o ofereceu um certo al\u00edvio a quem n\u00e3o podia participar presencialmente. No entanto, ainda h\u00e1 muito a refletir, nas nossas comunidades de f\u00e9, sobre o modo de beneficiar do ambiente digital de modo a complementar a vida sacramental. Quest\u00f5es teol\u00f3gicas e pastorais foram levantadas em rela\u00e7\u00e3o a v\u00e1rios temas: por exemplo, a explora\u00e7\u00e3o comercial da retransmiss\u00e3o da Santa Missa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">60) A comunidade eclesial forma-se onde dois ou tr\u00eas se re\u00fanem em nome de Jesus (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a018, 20), independentemente da nossa origem, resid\u00eancia ou afilia\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica. Embora possamos reconhecer que, com a transmiss\u00e3o da missa, a Igreja entrou na casa das pessoas, \u00e9 necess\u00e1rio refletir sobre o que significa \u201cparticipa\u00e7\u00e3o\u201d na Eucaristia.<u><sup>[34]<\/sup><\/u>\u00a0O advento da cultura digital e a experi\u00eancia da pandemia revelaram qu\u00e3o pouca aten\u00e7\u00e3o nossas iniciativas pastorais t\u00eam prestado \u00e0 \u201cigreja dom\u00e9stica\u201d, a Igreja que se re\u00fane nos lares e ao redor da mesa. Neste sentido, devemos redescobrir o v\u00ednculo entre a liturgia celebrada nas nossas igrejas e a comemora\u00e7\u00e3o do Senhor com gestos, palavras e ora\u00e7\u00f5es nas casas de fam\u00edlia. Em s\u00edntese, devemos reconstruir a ponte entre as nossas mesas familiares e o altar, onde somos espiritualmente alimentados mediante a participa\u00e7\u00e3o na Sagrada Eucaristia e confirmados na nossa comunh\u00e3o como crentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">61) N\u00e3o se pode compartilhar uma refei\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de um \u00e9cran.<u><sup>[35]<\/sup><\/u>\u00a0Todos os nossos sentidos participam, quando compartilhamos uma refei\u00e7\u00e3o: paladar e olfato, olhares que contemplam o rosto dos comensais, ouvindo as conversas \u00e0 mesa. Compartilhar uma refei\u00e7\u00e3o \u00e0 mesa \u00e9 a nossa primeira educa\u00e7\u00e3o sobre a aten\u00e7\u00e3o aos outros, uma maneira de promover relacionamentos entre membros da fam\u00edlia, vizinhos, amigos e colegas. Do mesmo modo, no altar participamos com a pessoa inteira: mente, esp\u00edrito e corpo est\u00e3o envolvidos. A liturgia \u00e9 uma experi\u00eancia sensorial; entramos no mist\u00e9rio eucar\u00edstico atrav\u00e9s das portas dos sentidos, que s\u00e3o despertados e alimentados na sua necessidade de beleza, significado, harmonia, vis\u00e3o, intera\u00e7\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o. Acima de tudo, a Eucaristia n\u00e3o \u00e9 algo a que podemos simplesmente \u201cassistir\u201d; \u00e9 algo que realmente nos nutre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">62) A encarna\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para os crist\u00e3os. A Palavra de Deus tornou-se carne num corpo, sofreu e morreu com o seu corpo e voltou a ressurgir na Ressurrei\u00e7\u00e3o do seu corpo. Depois de ter voltado para o Pai, tudo o que Ele experimentou no seu corpo fluiu para os sacramentos.<u><sup>[36]<\/sup><\/u>\u00a0Ele entrou no santu\u00e1rio celestial, deixando aberto um caminho de peregrina\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do qual o c\u00e9u \u00e9 derramado sobre n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">63) Estar conectado para al\u00e9m dos confins do espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 uma conquista de \u201cmaravilhosas descobertas tecnol\u00f3gicas\u201d. \u00c9 algo que experimentamos, mesmo sem saber, todas as vezes que nos \u201creunimos em nome de Jesus\u201d, todas as vezes que participamos na comunh\u00e3o universal do Corpo de Cristo. L\u00e1, ficamos \u201cconectados\u201d com a Jerusal\u00e9m celestial, encontramos os santos de todos os tempos e reconhecemo-nos uns aos outros como partes do mesmo Corpo de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por conseguinte, como o Papa Francisco nos recorda na sua Mensagem para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais de 2019, a\u00a0<em>rede social<\/em>\u00a0complementa \u2013 mas n\u00e3o substitui \u2013 um encontro na carne que adquire vida atrav\u00e9s do corpo, do cora\u00e7\u00e3o, dos olhos, do olhar e da respira\u00e7\u00e3o do outro. \u201cSe uma fam\u00edlia utiliza a rede para estar mais conectada, para depois se encontrar \u00e0 mesa e olhar-se olhos nos olhos, ent\u00e3o \u00e9 um recurso. Se uma comunidade eclesial coordena a sua atividade atrav\u00e9s da rede, para depois celebrar juntos a Eucaristia, ent\u00e3o \u00e9 um recurso. (&#8230;) A pr\u00f3pria Igreja \u00e9 uma rede tecida pela Comunh\u00e3o eucar\u00edstica, onde a uni\u00e3o n\u00e3o se baseia nos gostos [\u201c<em>likes\u201d<\/em>], mas na verdade, no \u201cam\u00e9m\u201d com que cada um adere ao Corpo de Cristo, acolhendo os outros\u201d.<u><sup>[37]<\/sup><\/u><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong> Um estilo distintivo<br \/>\n<\/strong>Ama&#8230; e viver\u00e1s (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>10, 27-28)<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O\u00a0<em>qu\u00ea<\/em>\u00a0e o\u00a0<em>como:<\/em>\u00a0a criatividade do amor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">64) Muitos criadores de conte\u00fados crist\u00e3os interrogam-se: qual \u00e9 a estrat\u00e9gia mais eficaz para alcan\u00e7ar mais utilizadores-pessoas-almas? Que instrumento torna o meu conte\u00fado mais atraente? Que estilo funciona melhor? Embora estas perguntas sejam \u00fateis, dever\u00edamos recordar sempre que comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simplesmente \u201cestrat\u00e9gia\u201d. \u00c9 muito mais. O verdadeiro comunicador d\u00e1 o m\u00e1ximo, d\u00e1 tudo de si. Comunicamo-nos com a nossa alma e com o nosso corpo, com a nossa mente, com o nosso cora\u00e7\u00e3o, com as nossas m\u00e3os, com tudo.<u><sup>[38]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compartilhando o P\u00e3o da Vida, aprendemos um \u201cestilo de partilha\u201d com Aquele que nos amou e se ofereceu por n\u00f3s (cf.\u00a0<em>Gl<\/em>\u00a02, 20). Este estilo reflete-se em tr\u00eas atitudes \u2013 \u201cproximidade, compaix\u00e3o e ternura\u201d \u2013 que o Papa Francisco reconhece como carater\u00edsticas distintivas do estilo de Deus.<u><sup>[39]<\/sup><\/u>\u00a0Na sua ceia de despedida, o pr\u00f3prio Jesus assegurou-nos que o sinal distintivo dos seus disc\u00edpulos consistiria em amar uns aos outros como Ele os amou. Por isso, todos s\u00e3o capazes de reconhecer uma comunidade crist\u00e3 (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a013, 34-35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se pode refletir o \u201cestilo\u201d de Deus nas redes sociais?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">65) Em primeiro lugar, dever\u00edamos recordar que tudo o que compartilhamos nas nossas mensagens, coment\u00e1rios e <em>likes,<\/em> com palavras pronunciadas ou escritas, com filmes ou imagens animadas, deveria estar em sintonia com o estilo que aprendemos com Cristo, que transmitiu a Sua mensagem n\u00e3o apenas mediante discursos, mas com todas as atitudes da sua vida, revelando que a comunica\u00e7\u00e3o, no seu n\u00edvel mais profundo, reside na oferta de si mesmo no amor.<u><sup>[40]<\/sup><\/u>\u00a0Portanto, o modo\u00a0<em>como<\/em>\u00a0dizemos algo \u00e9 t\u00e3o importante quanto o\u00a0<em>que<\/em>\u00a0dizemos. Toda a criatividade consiste em garantir que o\u00a0<em>como<\/em>\u00a0corresponda ao\u00a0<em>qu\u00ea<\/em>. Em s\u00edntese, s\u00f3 poderemos comunicar bem se \u201camarmos bem\u201d.<u><sup>[41]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">66) Para comunicar a verdade, primeiro devemos certificar-nos de que veiculamos informa\u00e7\u00f5es verdadeiras; n\u00e3o apenas na cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, mas tamb\u00e9m na sua partilha. Devemos estar certos de que somos uma fonte confi\u00e1vel. Para comunicar a bondade, precisamos de conte\u00fado de qualidade, uma mensagem destinada a ajudar, n\u00e3o a prejudicar; para promover a\u00e7\u00f5es positivas, n\u00e3o para desperdi\u00e7ar tempo em debates in\u00fateis. Para comunicar a beleza, devemos estar certos de que comunicamos uma mensagem na sua totalidade, o que exige a arte da contempla\u00e7\u00e3o \u2013 uma arte que nos torna capazes de ver uma realidade ou um acontecimento ligado a numerosas outras realidades e a outros acontecimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto da \u201cp\u00f3s-verdade\u201d e das \u201cnot\u00edcias falsas\u201d, Jesus Cristo, \u201co caminho, a verdade e a vida\u201d (<em>Jo<\/em>\u00a014, 6), representa o princ\u00edpio para a nossa comunh\u00e3o com Deus e uns com os outros.<u><sup>[42]<\/sup><\/u>\u00a0Como o Papa Francisco nos recordou na Mensagem para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es de 2019, \u201ca obriga\u00e7\u00e3o de preservar a verdade nasce da exig\u00eancia de n\u00e3o negar a m\u00fatua rela\u00e7\u00e3o de comunh\u00e3o. Com efeito, a verdade revela-se na comunh\u00e3o; ao contr\u00e1rio, a mentira, \u00e9 a recusa ego\u00edsta de reconhecer a pr\u00f3pria perten\u00e7a ao corpo; \u00e9 a recusa de se dar aos outros, perdendo assim o \u00fanico caminho para se reencontrar a si mesmo\u201d.<u><sup>[43]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">67) Por esse motivo, o segundo espeto a recordar \u00e9 o de que uma mensagem \u00e9 mais facilmente persuasiva quando aquele que a comunica pertence a uma comunidade. H\u00e1 necessidade urgente de agir n\u00e3o apenas como indiv\u00edduos, mas como comunidades. A constata\u00e7\u00e3o de que as redes sociais facilitam iniciativas individuais na produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado poderia parecer uma oportunidade preciosa, mas pode representar um problema quando as atividades individuais s\u00e3o levadas a cabo de maneira arbitr\u00e1ria, sem refletir a meta e a vis\u00e3o geral da comunidade eclesial. P\u00f4r de lado a nossa pr\u00f3pria agenda e a confirma\u00e7\u00e3o das nossas pr\u00f3prias habilidades e compet\u00eancias, para descobrir que cada um de n\u00f3s \u2013 com todos os nossos talentos e fraquezas \u2013 faz parte de um grupo, \u00e9 uma d\u00e1diva que nos habilita a colaborar como \u201cmembros uns dos outros\u201d. Somos chamados a dar testemunho de um estilo de comunica\u00e7\u00e3o que promove a nossa perten\u00e7a uns aos outros e revitaliza aquilo a que S\u00e3o Paulo chama \u201carticula\u00e7\u00f5es\u201d, que permitem aos membros de um corpo agir em sinergia (<em>Cl<\/em>\u00a02, 19).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">68) Assim, a nossa criatividade s\u00f3 pode ser um resultado da comunh\u00e3o: n\u00e3o \u00e9 tanto a realiza\u00e7\u00e3o de uma grande capacidade individual, mas o fruto de uma grande amizade. Em s\u00edntese, \u00e9 o fruto do amor. Como comunicadores crist\u00e3os, somos chamados a dar testemunho de um estilo de comunica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se fundamenta unicamente no indiv\u00edduo, mas numa forma de constru\u00e7\u00e3o de comunidade e de perten\u00e7a. A melhor maneira de veicular os conte\u00fados das redes sociais \u00e9 reunir as vozes dos que amam tais conte\u00fados. Trabalhar em conjunto como equipa, abrindo espa\u00e7o a diferentes talentos, forma\u00e7\u00f5es, capacidades e ritmos, cocriando a beleza numa \u201ccriatividade sinf\u00f3nica\u201d, \u00e9, na verdade, o mais lindo testemunho de que somos realmente filhos de Deus, redimidos e que n\u00e3o nos preocuparmos somente connosco mas estamos abertos ao encontro com os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conta-o como uma hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">69) Boas hist\u00f3rias cativam a aten\u00e7\u00e3o e despertam a imagina\u00e7\u00e3o. Revelam e estendem a hospitalidade at\u00e9 \u00e0 verdade. As hist\u00f3rias oferecem-nos um quadro interpretativo para compreender o mundo e responder \u00e0s nossas interroga\u00e7\u00f5es mais profundas. As hist\u00f3rias edificam a comunidade, uma vez que a comunidade \u00e9 sempre constru\u00edda mediante a comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A narra\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias adquiriu uma import\u00e2ncia renovada na cultura digital, devido ao singular poder que as hist\u00f3rias t\u00eam de captar a nossa aten\u00e7\u00e3o e de falar diretamente connosco; elas proporcionam tamb\u00e9m um contexto mais abrangente para a comunica\u00e7\u00e3o do que \u00e9 poss\u00edvel fazer com mensagens ou <em>tweets<\/em> resumidos. A cultura digital est\u00e1 repleta de informa\u00e7\u00f5es e as suas plataformas s\u00e3o, na maior parte dos casos, ambientes ca\u00f3ticos. As hist\u00f3rias oferecem uma estrutura, uma maneira de dar sentido \u00e0 experi\u00eancia digital. Mais \u201cencarnadas\u201d do que um mero argumento e mais complexas do que as rea\u00e7\u00f5es superficiais e emocionais que frequentemente encontramos nas plataformas digitais, as hist\u00f3rias, diz\u00edamos, ajudam a restabelecer rela\u00e7\u00f5es humanas, oferecendo \u00e0s pessoas a oportunidade de narrar as suas maiores e melhores hist\u00f3rias ou de compartilhar aquelas que as transformaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">70) Um bom motivo para contar uma hist\u00f3ria \u00e9 responder \u00e0s pessoas que questionam a nossa mensagem ou a nossa miss\u00e3o. Criar uma contra narrativa pode ser mais eficaz para reagir a um coment\u00e1rio de \u00f3dio do que replicar com um argumento.<u><sup>[44]<\/sup><\/u>\u00a0Deste modo, desviamos a aten\u00e7\u00e3o da defesa para a promo\u00e7\u00e3o ativa de uma mensagem positiva e o cultivo da solidariedade, como Jesus fez com a narra\u00e7\u00e3o do Bom Samaritano. Em vez de argumentarmos como o especialista em direito sobre quem devemos considerar o nosso pr\u00f3ximo e quem podemos ignorar ou at\u00e9 odiar, Jesus simplesmente narrou uma hist\u00f3ria. Como um ex\u00edmio contador de hist\u00f3rias, Jesus n\u00e3o coloca o especialista em direito no lugar do samaritano, mas no lugar do homem ferido. Para descobrir quem \u00e9 pr\u00f3ximo, primeiro devemos entender quem est\u00e1 no lugar do homem ferido e quem teve compaix\u00e3o dele. Somente depois de descobrir isto e de experimentar o cuidado do samaritano por ele, o especialista em direito, talvez advogado, pode tirar conclus\u00f5es a respeito da pr\u00f3pria vida e tornar a hist\u00f3ria como sua. O pr\u00f3prio advogado \u00e9 o homem que caiu nas m\u00e3os dos ladr\u00f5es, e o samaritano, que se aproxima dele, \u00e9 Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ouvindo esta hist\u00f3ria, cada um de n\u00f3s identifica-se com o homem ferido ali deitado. E para cada um de n\u00f3s, o samaritano \u00e9 Jesus. Ser\u00e1 que ainda perguntamos: \u201cQuem \u00e9 meu pr\u00f3ximo?\u201d. Se sim, \u00e9 porque ainda n\u00e3o experimentamos o quanto somos amados e o quanto a nossa vida est\u00e1 conectada a todas as vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">71) Desde os prim\u00f3rdios da Igreja, narrar a hist\u00f3ria da profunda experi\u00eancia que os seguidores de Jesus tiveram na sua presen\u00e7a atraiu outros para o discipulado crist\u00e3o. Os Atos dos Ap\u00f3stolos est\u00e3o repletos de tais casos. Por exemplo, investido pelo Esp\u00edrito Santo, Pedro pregou a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo aos peregrinos de Jerusal\u00e9m no Pentecostes. Isto levou \u00e0 convers\u00e3o de mais de tr\u00eas mil pessoas (cf.\u00a0<em>At<\/em>\u00a02, 14-41). Aqui temos uma ideia de qu\u00e3o influente a nossa narrativa pode ser para os outros. Ao mesmo tempo, contar hist\u00f3rias e experi\u00eancias \u00e9 somente um dos elementos da evangeliza\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m s\u00e3o importantes as explica\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas da f\u00e9, dadas mediante a formula\u00e7\u00e3o de credos e de outras obras doutrin\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Construir comunidade num mundo fragmentado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">72) As pessoas procuram algu\u00e9m que lhes possa proporcionar orienta\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a; t\u00eam fome de lideran\u00e7a moral e espiritual, mas nem sempre a encontram nos lugares tradicionais. Hoje \u00e9 comum recorrer a <em>\u201cinfluencers\u201d,<\/em> indiv\u00edduos que conquistam e mant\u00eam um elevado n\u00famero de seguidores, que adquirem maior visibilidade e s\u00e3o capazes de inspirar e motivar os outros com as suas ideias ou experi\u00eancias. Adotado da teoria da opini\u00e3o p\u00fablica para a estrat\u00e9gia de marketing das redes sociais, o sucesso de um <em>influencer<\/em> das redes sociais est\u00e1 ligado \u00e0 sua capacidade de sobressair na vastid\u00e3o da rede, atraindo um grande n\u00famero de seguidores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">73) Por si s\u00f3, tornar-se \u201cviral\u201d \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o neutra; n\u00e3o tem automaticamente um impacto positivo nem negativo na vida dos outros. Neste sentido, \u201cas redes sociais s\u00e3o capazes de favorecer as rela\u00e7\u00f5es e promover o bem da sociedade, mas podem tamb\u00e9m levar a uma maior polariza\u00e7\u00e3o e divis\u00e3o entre as pessoas e os grupos. O ambiente digital \u00e9 uma pra\u00e7a, um lugar de encontro, onde \u00e9 poss\u00edvel acariciar ou ferir, realizar uma discuss\u00e3o proveitosa ou um linchamento moral\u201d.<u><sup>[45]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">74)\u00a0<em>Micro e macroinfluencers<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos n\u00f3s dever\u00edamos encarar a nossa \u201cinflu\u00eancia\u201d seriamente. N\u00e3o existem apenas macroinfluencers com um grande p\u00fablico, mas tamb\u00e9m microinfluencers. Cada crist\u00e3o \u00e9 um microinfluencer. Cada crist\u00e3o deveria estar ciente da sua influ\u00eancia potencial, seja qual for o n\u00famero de seguidores que tiver. Ao mesmo tempo, ele ou ela deve estar consciente de que o valor da mensagem divulgada pelo \u201cinfluencer\u201d crist\u00e3o n\u00e3o depende das qualidades do mensageiro. Cada seguidor de Jesus Cristo tem o potencial de estabelecer um v\u00ednculo, n\u00e3o consigo mesmo, mas com o Reino de Deus, at\u00e9 mesmo com o menor c\u00edrculo dos seus relacionamentos. \u201cCr\u00ea no Senhor Jesus e ser\u00e1s salvo, tu e a tua fam\u00edlia\u201d (<em>At<\/em>\u00a016, 31).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, dever\u00edamos reconhecer que a nossa responsabilidade cresce com o aumento do n\u00famero de seguidores. Quanto maior for o n\u00famero de seguidores, tanto maior deveria ser a nossa consci\u00eancia de que n\u00e3o agimos no nosso pr\u00f3prio nome. A responsabilidade de servir a pr\u00f3pria comunidade, especialmente para quem desempenha fun\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a p\u00fablica, n\u00e3o pode ser secundarizada relativamente \u00e0 promo\u00e7\u00e3o das opini\u00f5es pessoais vindas dos p\u00falpitos p\u00fablicos dos m\u00e9dia digitais.<u><sup>[46]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">75)\u00a0<em>S\u00ea reflexivo, n\u00e3o reativo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estilo crist\u00e3o nas redes sociais deveria ser reflexivo e n\u00e3o reativo. Portanto, todos n\u00f3s dever\u00edamos prestar aten\u00e7\u00e3o para n\u00e3o cair nas armadilhas digitais escondidas em conte\u00fados intencionalmente concebidos para semear o conflito entre os utilizadores, causando indigna\u00e7\u00e3o ou rea\u00e7\u00f5es emocionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devemos estar atentos \u00e0 coloca\u00e7\u00e3o de mensagens bem como \u00e0 partilha de conte\u00fados que possam causar mal-entendidos, exacerbar divis\u00f5es, provocar conflitos e aprofundar preconceitos. Infelizmente, nos interc\u00e2mbios online \u00e9 comum a tend\u00eancia para nos deixarmos levar por discuss\u00f5es acaloradas e, \u00e0s vezes, desrespeitosas. Todos n\u00f3s podemos cair na tenta\u00e7\u00e3o de procurar o \u201ccisco no olho\u201d dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s (<em>Mt<\/em>\u00a07, 3), fazendo acusa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas nas redes sociais, provocando divis\u00f5es dentro da comunidade da Igreja ou discutindo sobre quem \u00e9 o maior, como fizeram os primeiros disc\u00edpulos (<em>Lc<\/em>\u00a09, 46). O problema da comunica\u00e7\u00e3o pol\u00e9mica, superficial e, portanto, divisiva, \u00e9 particularmente nefasta quando prov\u00e9m da lideran\u00e7a da Igreja: dos bispos, pastores e l\u00edderes leigos eminentes. N\u00e3o s\u00f3 causam divis\u00e3o na comunidade, mas tamb\u00e9m d\u00e3o autoriza\u00e7\u00e3o e legitimidade a fim de que inclusive outros promovam um tipo semelhante de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perante esta tenta\u00e7\u00e3o, muitas vezes o melhor procedimento \u00e9 n\u00e3o reagir, ou reagir com o sil\u00eancio, para n\u00e3o dignificar esta falsa din\u00e2mica. Pode-se afirmar, com bastante certeza, que este tipo de din\u00e2mica n\u00e3o constr\u00f3i; pelo contr\u00e1rio, causa grandes danos. Portanto, os crist\u00e3os s\u00e3o chamados a indicar um outro caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">76)\u00a0<em>S\u00ea ativo, s\u00ea sinodal<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As redes sociais podem tornar-se uma oportunidade para partilhar hist\u00f3rias e experi\u00eancias de beleza ou de sofrimento, fisicamente distantes de n\u00f3s. Procedendo assim, juntos podemos orar e buscar o bem, redescobrindo o que nos une.<u><sup>[47]<\/sup><\/u>\u00a0Ser ativo significa participar de projetos que dizem respeito \u00e0 vida di\u00e1ria das pessoas: projetos que promovem a dignidade humana e o desenvolvimento, visam reduzir a desigualdade digital, fomentam o acesso digital \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o, favorecem iniciativas de administra\u00e7\u00e3o e de crowdfunding em benef\u00edcio de quem \u00e9 pobre e marginalizado, e d\u00e3o voz aos que n\u00e3o a t\u00eam na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os desafios que enfrentamos s\u00e3o globais e, por isso, exigem um esfor\u00e7o global de colabora\u00e7\u00e3o. Assim, \u00e9 urgente aprender a agir em conjunto, como comunidade, e n\u00e3o tanto como indiv\u00edduos isolados. N\u00e3o tanto como \u201c<em>influencers individuais<\/em>\u201d, mas como \u201ctecel\u00f5es de comunh\u00e3o\u201d: unindo os nossos talentos e compet\u00eancias, partilhando conhecimentos e contribui\u00e7\u00f5es.<u><sup>[48]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este, certamente, o motivo que ter\u00e1 levado Jesus de Nazar\u00e9 a enviar os disc\u00edpulos \u201cdois a dois\u201d (cf.\u00a0<em>Mc<\/em>\u00a06, 7), a fim de que, caminhando juntos,<u><sup>[49]<\/sup><\/u>\u00a0eles antes como n\u00f3s agora tenha podido e possamos revelar inclusive nas redes sociais o rosto sinodal da Igreja. Eis o profundo significado da comunh\u00e3o que une os batizados do mundo inteiro. Como crist\u00e3os, a comunh\u00e3o faz parte do nosso \u201cADN\u201d. Assim sendo, o Esp\u00edrito Santo permite-nos abrir o cora\u00e7\u00e3o aos outros e abra\u00e7ar a nossa perten\u00e7a a uma fraternidade universal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O sinal do testemunho<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">77) A nossa presen\u00e7a nas redes sociais concentra-se, em geral, na divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es. Nesta \u00f3tica, a apresenta\u00e7\u00e3o de ideias, ensinamentos, pensamentos, reflex\u00f5es espirituais e outras coisas semelhantes nas redes sociais deve ser fiel \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Mas tal n\u00e3o \u00e9 suficiente. Para al\u00e9m da nossa capacidade de alcan\u00e7ar outras pessoas com um conte\u00fado religioso interessante, n\u00f3s crist\u00e3os dever\u00edamos ser conhecidos pela nossa disponibilidade para escutar, discernir antes de agir, tratar todas as pessoas com respeito, responder com uma pergunta em vez de com um julgamento, permanecer em sil\u00eancio em vez de suscitar uma controv\u00e9rsia e ser \u201cr\u00e1pidos para ouvir, tardios para falar, lentos na ira\u201d (<em>Tg<\/em>\u00a01, 19). Em s\u00edntese, tudo o que fazemos, com palavras e a\u00e7\u00f5es, deveria ter em si mesmo o sinal do testemunho. N\u00e3o estamos presentes nas redes sociais para \u201cvender um produto\u201d. N\u00e3o fazemos publicidade, mas comunicamos a vida, a vida que nos foi concedida em Cristo. Por isso, cada crist\u00e3o deve ter o cuidado de n\u00e3o fazer proselitismo, mas dar testemunho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">78) O que significa ser testemunha? A palavra grega para testemunha \u00e9 \u201cm\u00e1rtir\u201d, e \u00e9 correto dizer que alguns dos mais poderosos \u201c<em>influencers crist\u00e3os<\/em>\u201d foram m\u00e1rtires. A atratividade dos m\u00e1rtires viu-se quando manifestaram a sua uni\u00e3o com Deus mediante o sacrif\u00edcio da pr\u00f3pria vida.<u><sup>[50]<\/sup><\/u>\u00a0\u201cN\u00e3o sabeis que o vosso corpo \u00e9 templo do Esp\u00edrito Santo, que habita em v\u00f3s, o qual recebestes de Deus, e que, por isso mesmo, j\u00e1 n\u00e3o vos pertence?\u201d (<em>1 Cor<\/em>\u00a06, 19). Os corpos dos m\u00e1rtires s\u00e3o instrumentos exemplares para a revela\u00e7\u00e3o do amor de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que o mart\u00edrio seja o sinal \u00faltimo, derradeiro, do testemunho crist\u00e3o, cada crist\u00e3o \u00e9 chamado a sacrificar-se: a vida crist\u00e3 \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o que consome a nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia, oferecendo-nos, de corpo e alma, com vista a tornarmo-nos um espa\u00e7o para a comunica\u00e7\u00e3o do amor de Deus, um sinal que aponta para o Filho de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste sentido que compreendemos melhor as palavras do grande Jo\u00e3o Batista, primeira testemunha de Cristo: \u201cImporta que Ele cres\u00e7a e que eu diminua\u201d (<em>Jo<\/em>\u00a03, 30). Assim como o Precursor, que encorajava seus disc\u00edpulos a seguir Cristo, tamb\u00e9m n\u00f3s n\u00e3o procuramos \u201cseguidores\u201d para n\u00f3s mesmos, mas para Cristo. S\u00f3 podemos propagar o Evangelho, forjando uma comunh\u00e3o que nos una em Cristo. Fazemos isto, seguindo o exemplo de Jesus, na busca permanente do interagir com os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">79) A atratividade da f\u00e9 alcan\u00e7a as pessoas onde elas est\u00e3o e como se encontram aqui e agora. Sendo um carpinteiro desconhecido de Nazar\u00e9, Jesus rapidamente ganhou popularidade em toda a regi\u00e3o da Galileia. Olhando com compaix\u00e3o para as pessoas, que eram como ovelhas sem pastor, Jesus proclamava o Reino de Deus, curando os doentes e ensinando as multid\u00f5es. Para garantir o m\u00e1ximo \u201calcance\u201d, falava frequentemente \u00e0s multid\u00f5es no cimo de uma montanha ou dentro de um barco junto \u00e1 praia. Para promover o \u201cenvolvimento\u201d de alguns dos seus seguidores, escolheu doze e explicou-lhes tudo. Mas, inesperadamente, e no auge do seu \u201csucesso\u201d, retirava-se na solid\u00e3o com o Pai. E pedia aos seus disc\u00edpulos que fizessem o mesmo: quando eles descreviam o sucesso das suas miss\u00f5es, ele convidava-os a retirarem-se para descansar e rezar. E quando discutiam para saber quem era o maior de entre eles, anunciava-lhes o seu futuro sofrimento na cruz. O seu objetivo \u2013 eles s\u00f3 o compreenderiam mais tarde \u2013 n\u00e3o consistia em aumentar o n\u00famero do seu p\u00fablico, mas em revelar o amor do Pai para que as pessoas, todas as pessoas, pudessem ter vida, e t\u00ea-la em abund\u00e2ncia (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a010, 10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo os passos de Jesus, dever\u00edamos ter como prioridade reservar espa\u00e7o suficiente para uma conversa pessoal com o Pai, permanecendo em sintonia com o Esp\u00edrito Santo, o qual sempre nos recordar\u00e1 que na Cruz tudo foi invertido. N\u00e3o houve \u201c<em>likes<\/em>\u201d e praticamente nenhum \u201cseguidor\u201d se destacou no momento da maior manifesta\u00e7\u00e3o da gl\u00f3ria de Deus! Todas as medidas humanas de \u201csucesso\u201d s\u00e3o relativizadas pela l\u00f3gica do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">80) Eis como deve funcionar o nosso testemunho: atestar, com as nossas palavras e a nossa vida, o que outra pessoa fez.<u><sup>[51]<\/sup><\/u>\u00a0Neste sentido, e s\u00f3 neste sentido, podemos ser testemunhas \u2013 at\u00e9 mission\u00e1rios \u2013 de Cristo e do seu Esp\u00edrito. Isto engloba a nossa participa\u00e7\u00e3o nas redes sociais. F\u00e9 significa sobretudo dar testemunho da alegria que o Senhor nos concede. E esta alegria brilha sempre de modo resplandecente e deve funcionar ao contr\u00e1rio de um pano de fundo em busca duma mem\u00f3ria grata. Falar aos outros sobre a raz\u00e3o da nossa esperan\u00e7a, e faz\u00ea-lo com delicadeza e respeito (<em>1 Pd<\/em>\u00a03, 15), \u00e9 um sinal de gratid\u00e3o. \u00c9 a resposta de algu\u00e9m que, atrav\u00e9s da gratid\u00e3o, se faz d\u00f3cil ao Esp\u00edrito e, portanto, \u00e9 livre. Isto foi verdade para Maria que, sem querer nem procurar, se tornou\u00a0<em>a mulher mais influente da hist\u00f3ria<\/em>.<u><sup>[52]<\/sup><\/u>\u00a0Foi e \u00e9 a resposta de algu\u00e9m que, pela gra\u00e7a da humildade, n\u00e3o se p\u00f4s em primeiro plano, facilitando deste modo o encontro com Cristo, que disse: \u201cAprendei de mim, que sou manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o\u201d (<em>Mt<\/em>\u00a011, 29).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo a l\u00f3gica do Evangelho, tudo o que devemos fazer \u00e9 suscitar uma ou v\u00e1rias perguntas, para despertar a procura. O resto \u00e9 a obra misteriosa de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">81) Como vimos, viajamos pelas \u201cestradas digitais\u201d lado a lado com amigos e pessoas completamente desconhecidas, esfor\u00e7ando-nos para evitar muitas ciladas ao longo do caminho, e acabamos por nos dar conta dos feridos \u00e0 margem da estrada. \u00c0s vezes, estes feridos podem ser as outras pessoas. Outras vezes, somos n\u00f3s mesmos os feridos. Quando isto acontece, devemos fazer uma pausa e, mediante a vida que recebemos nos sacramentos e que age em n\u00f3s, este tomar de consci\u00eancia, torna-se encontro: de personagens ou imagens num \u00e9cran, de um homem ferido que adquire os contornos de um pr\u00f3ximo, de um irm\u00e3o ou irm\u00e3 e, sobretudo e realmente, do Senhor que disse: \u201cTodas as vezes que fizestes isto a um destes mais pequeninos, foi a mim&#8230; que o fizestes\u201d (<em>Mt<\/em>\u00a025, 40). E se \u00e0s vezes somos tamb\u00e9m feridos, o samaritano que se debru\u00e7a sobre n\u00f3s com compaix\u00e3o tem igualmente o rosto do Senhor, que se tornou o nosso pr\u00f3ximo, debru\u00e7ando-se sobre a humanidade sofredora para cuidar das nossas feridas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em ambos os casos, o que poderia ter sido iniciado como um encontro fortuito ou uma presen\u00e7a distra\u00edda nas plataformas das redes sociais, tornam-se pessoas presentes umas \u00e0s outras, num encontro repleto de miseric\u00f3rdia. Esta miseric\u00f3rdia permite-nos experimentar, desde j\u00e1, o Reino de Deus e a comunh\u00e3o que tem a sua origem na Sant\u00edssima Trindade: a verdadeira \u201cterra prometida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">82) Portanto, pode ser que a partir da nossa presen\u00e7a amorosa e genu\u00edna nestas esferas digitais da vida humana, possamos abrir um caminho para aquilo a que S\u00e3o Jo\u00e3o e S\u00e3o Paulo aspiravam nas suas cartas: o encontro face a face de cada pessoa ferida com o Corpo do Senhor, a Igreja, a fim de que, em um encontro pessoal, de cora\u00e7\u00e3o a cora\u00e7\u00e3o, asa suas e as nossas feridas possam ser curadas e \u201ca nossa alegria seja perfeita\u201d (cf.\u00a0<em>2 Jo<\/em>\u00a012).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Possa servir-nos de guia o \u00edcone do Bom Samaritano, que liga as feridas do homem espancado, deitando nelas azeite e vinho. Que a nossa comunica\u00e7\u00e3o seja como azeite perfumado pela dor e como bom vinho pela alegria. Que a nossa luminosidade n\u00e3o resulte de truques ou efeitos especiais, mas do facto de nos fazermos \u201cpr\u00f3ximos\u201d, com amor, com ternura, de quem encontramos ferido pelo caminho.<\/em><u><sup>[53]<\/sup><\/u><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Cidade do Vaticano, 28 de maio de 2023, Solenidade de Pentecostes<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Paolo Ruffini<\/strong><br \/>\n<em>Prefeito<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lucio A. Ruiz<\/strong><br \/>\n<em>Secret\u00e1rio<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">________________________<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[1]<\/sup><\/u>\u00a0S\u00ednodo dos Bispos,\u00a0<a href=\"https:\/\/press.vatican.va\/content\/salastampa\/it\/bollettino\/pubblico\/2018\/03\/24\/0220\/00482.html#porto\"><em>Documento Final do Encontro pr\u00e9-sinodal em prepara\u00e7\u00e3o para a XV Assembleia Geral Ordin\u00e1ria, \u201cOs jovens, a f\u00e9 e o discernimento vocacional\u201d<\/em><\/a><em>,<\/em>\u00a0Roma (19-24 de mar\u00e7o de 2018), n. 4.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[2]<\/sup><\/u>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/messages\/communications\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20090124_43rd-world-communications-day.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Bento XVI para o 43\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/a><em>, \u201cNovas tecnologias, novas rela\u00e7\u00f5es. Promover uma cultura de respeito, de di\u00e1logo, de amizade\u201d<\/em>\u00a0(24 de maio de 2009). Em 1992 a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/pontifical_councils\/pccs\/documents\/rc_pc_pccs_doc_22021992_aetatis_po.html\"><em>Aetatis novae<\/em><\/a>\u00a0j\u00e1 se refere \u00e0 tecnologia digital, e os documentos complementares de 2002,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/pontifical_councils\/pccs\/documents\/rc_pc_pccs_doc_20020228_ethics-internet_po.html\"><em>\u00c9tica na Internet<\/em><\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/pontifical_councils\/pccs\/documents\/rc_pc_pccs_doc_20020228_church-internet_po.html\"><em>Igreja e Internet<\/em><\/a>, analisam o impacto cultural de maneira mais detalhada. Por \u00faltimo, a Carta Apost\u00f3lica de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II de 2005,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/apost_letters\/2005\/documents\/hf_jp-ii_apl_20050124_il-rapido-sviluppo.html\"><em>O r\u00e1pido desenvolvimento<\/em><\/a>, dirigida aos respons\u00e1veis pela comunica\u00e7\u00e3o, oferece reflex\u00f5es a respeito das quest\u00f5es apresentadas pela comunica\u00e7\u00e3o social. Al\u00e9m dos documentos que abordam a comunica\u00e7\u00e3o social de modo espec\u00edfico, nas \u00faltimas d\u00e9cadas tamb\u00e9m outros documentos magisteriais dedicaram considera\u00e7\u00f5es a este tema. Veja, por exemplo,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/apost_exhortations\/documents\/hf_ben-xvi_exh_20100930_verbum-domini.html\"><em>Verbum Domini<\/em><\/a>, 113;\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\"><em>Evangelii gaudium<\/em><\/a>, 62, 70, 87;\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html\"><em>Laudato si\u2019<\/em><\/a>, 47, 102-114;\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html\"><em>Gaudete et exsultate<\/em><\/a>, 115;\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20190325_christus-vivit.html\"><em>Christus vivit<\/em><\/a>, 86-90, 104-106; e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html\"><em>Fratelli tutti<\/em><\/a>, 42-50).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[3]<\/sup><\/u>\u00a0Cf.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/messages\/communications\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20130124_47th-world-communications-day.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Bento XVI para o 47\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/a><em>, \u201cRedes sociais, portais de verdade e de f\u00e9; novos espa\u00e7os de evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>\u00a0(24 de janeiro de 2013).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[4]<\/sup><\/u>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/communications\/documents\/papa-francesco_20190124_messaggio-comunicazioni-sociali.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 53\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/a><em>, \u201cSomos membros uns dos outros (Ef 4, 25): das comunidades das redes sociais \u00e0 comunidade humana\u201d<\/em>\u00a0(24 de janeiro de 2019).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[5]<\/sup><\/u>\u00a0O Vaticano lan\u00e7ou o seu primeiro canal no YouTube em 2008. A partir de 2012, o Santo Padre est\u00e1 ativo no Twitter e desde 2016 no Instagram. Em paralelo, a presen\u00e7a digitalmente mediada do Papa tornou-se um dos m\u00e9todos do seu compromisso pastoral, come\u00e7ando pelas mensagens de v\u00eddeo em meados dos anos 2000, seguidas pelas videoconfer\u00eancias ao vivo, como o encontro de 2017 com os astronautas da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional. A mensagem de v\u00eddeo do Papa de 2017 por ocasi\u00e3o do Super Bowl nos Estados Unidos e as suas confer\u00eancias TED em 2017 e 2020 s\u00e3o apenas dois exemplos da presen\u00e7a pastoral do Papa digitalmente mediada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[6]<\/sup><\/u>\u00a0A transmiss\u00e3o ao vivo da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/events\/event.dir.html\/content\/vaticanevents\/pt\/2020\/3\/27\/uniti-in-preghiera.html\"><em>Statio Orbis,<\/em>\u00a0em 27 de mar\u00e7o de 2020<\/a>, teve mais ou menos seis milh\u00f5es de espectadores no canal do YouTube do Vatican News e 10 milh\u00f5es no Facebook. Estes n\u00fameros n\u00e3o incluem visualiza\u00e7\u00f5es posteriores da grava\u00e7\u00e3o do evento, nem visualiza\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de outros canais de comunica\u00e7\u00e3o. Nessa mesma noite do evento, 200.000 novos seguidores conectaram-se a @Franciscus no Instagram, e as postagens relativas ao dia 27 de mar\u00e7o de 2020 permanecem entre os conte\u00fados com maior participa\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria da conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[7]<\/sup><\/u>\u00a0Entre as numerosas imagens do Evangelho que poderiam ter sido escolhidas como inspira\u00e7\u00e3o para este texto, optou-se pela par\u00e1bola do Bom Samaritano, que para o Papa Francisco representa \u201cuma par\u00e1bola sobre a comunica\u00e7\u00e3o\u201d. Cf.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/communications\/documents\/papa-francesco_20140124_messaggio-comunicazioni-sociali.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 48\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/a><em>, \u201cComunica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o de uma aut\u00eantica cultura do encontro\u201d<\/em>\u00a0(24 de janeiro de 2014).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[8]<\/sup><\/u>\u00a0Por exemplo: quem definir\u00e1 as fontes com as quais os sistemas de IA aprender\u00e3o? Quem financia estes novos produtores de opini\u00e3o p\u00fablica? Como podemos garantir que os criadores de algoritmos sejam orientados por princ\u00edpios \u00e9ticos e ajudem a propagar a n\u00edvel global uma nova consci\u00eancia e pensamento cr\u00edtico para minimizar as falhas nas novas plataformas de informa\u00e7\u00e3o? A nova alfabetiza\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica deve compreender compet\u00eancias que n\u00e3o s\u00f3 permitam que as pessoas participem nas informa\u00e7\u00f5es de modo cr\u00edtico e eficaz, mas que tamb\u00e9m discirnam o uso das tecnologias que reduzem cada vez mais a lacuna entre humanos e n\u00e3o-humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[9]<\/sup><\/u>\u00a0Cf.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html\"><em>Fratelli tutti<\/em><\/a><em>,<\/em>\u00a030;\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\"><em>Evangelii gaudium<\/em><\/a><em>,<\/em>\u00a0220; veja tamb\u00e9m o \u201c<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/events\/event.dir.html\/content\/vaticanevents\/pt\/2019\/2\/4\/fratellanza-umana.html\">Documento sobre a fraternidade humana em prol da paz mundial e da conviv\u00eancia comum<\/a>\u201d (4 de fevereiro de 2019): \u201cDirigimo-nos (&#8230;) aos profissionais dos mass media (&#8230;) em todo o mundo, que redescubram os valores da paz, da justi\u00e7a, do bem, da beleza, da fraternidade humana e da conviv\u00eancia comum, para confirmar a import\u00e2ncia destes valores como \u00e2ncora de salva\u00e7\u00e3o para todos e procurar difundi-los por toda a parte\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[10]<\/sup><\/u>\u00a0\u201cAlgumas pessoas preferem n\u00e3o indagar, n\u00e3o se informar e vivem o seu bem-estar e o seu conforto, surdas ao grito de ang\u00fastia da humanidade sofredora. Quase sem nos dar conta, tornamo-nos incapazes de sentir compaix\u00e3o pelos outros, pelos seus dramas; n\u00e3o nos interessa ocupar-nos deles, como se aquilo que lhes sucede fosse responsabilidade alheia, que n\u00e3o nos compete\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/peace\/documents\/papa-francesco_20151208_messaggio-xlix-giornata-mondiale-pace-2016.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 49\u00ba Dia Mundial da Paz<\/em><\/a><em>, \u201cVence a indiferen\u00e7a e conquista a paz\u201d<\/em>\u00a0(1\u00ba de janeiro de 2016);\u00a0<em>Evangelii gaudium<\/em>, 54.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[11]<\/sup><\/u>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/peace\/documents\/papa-francesco_20151208_messaggio-xlix-giornata-mondiale-pace-2016.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 49\u00ba Dia Mundial da Paz<\/em><\/a><em>, \u201cVence a indiferen\u00e7a e conquista a paz\u201d<\/em>\u00a0(1\u00ba de janeiro de 2016).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[12]<\/sup><\/u>\u00a0Cf.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html\"><em>Fratelli tutti<\/em><\/a>, 67.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[13]<\/sup><\/u>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/communications\/documents\/20220124-messaggio-comunicazioni-sociali.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 56\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/a><em>, \u201cEscutar com o ouvido do cora\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>\u00a0(24 de janeiro de 2022).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[14]<\/sup><\/u>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html\"><em>Fratelli tutti<\/em><\/a>, 63.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[15]<\/sup><\/u>\u00a0\u201cO sil\u00eancio \u00e9 precioso para favorecer o necess\u00e1rio discernimento entre os in\u00fameros est\u00edmulos e as muitas respostas que recebemos, justamente para identificar e focalizar as perguntas verdadeiramente importantes\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/messages\/communications\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20120124_46th-world-communications-day.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Bento XVI para o 46\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/a><em>, \u201cSil\u00eancio e palavra: caminho de evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>\u00a0(24 de janeiro de 2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[16]<\/sup><\/u>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/communications\/documents\/papa-francesco_20140124_messaggio-comunicazioni-sociali.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 48\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/a><em>, \u201cComunica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o de uma aut\u00eantica cultura do encontro\u201d<\/em>\u00a0(24 de janeiro de 2014).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[17]<\/sup><\/u>\u00a0Cf.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/communications\/documents\/20220124-messaggio-comunicazioni-sociali.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 56\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/a><em>, \u201cEscutar com o ouvido do cora\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>\u00a0(24 de janeiro de 2022);\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\"><em>Evangelii gaudium<\/em><\/a>, 171.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[18]<\/sup><\/u>\u00a0\u201cA primeira escuta a reaver quando se procura uma comunica\u00e7\u00e3o verdadeira \u00e9 a escuta de si mesmo, das pr\u00f3prias exig\u00eancias mais aut\u00eanticas, inscritas no \u00edntimo de cada pessoa. E n\u00e3o se pode recome\u00e7ar, sen\u00e3o escutando aquilo que nos torna \u00fanicos na cria\u00e7\u00e3o: o desejo de estar em rela\u00e7\u00e3o com os outros e com o Outro\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/communications\/documents\/20220124-messaggio-comunicazioni-sociali.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 56\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/a><em>, \u201cEscutar com o ouvido do cora\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>\u00a0(24 de janeiro de 2022).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[19]<\/sup><\/u>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/apost_exhortations\/documents\/hf_ben-xvi_exh_20100930_verbum-domini.html\"><em>Verbum Domini<\/em><\/a>, 86-87.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[20]<\/sup><\/u>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html\"><em>Laudato si\u2019<\/em><\/a>, 47.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[21]<\/sup><\/u>\u00a0Cf.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html\"><em>Laudato si\u2019<\/em><\/a>, 66.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[22]<\/sup><\/u>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/pontifical_councils\/pccs\/documents\/rc_pc_pccs_doc_23051971_communio_po.html\"><em>Communio et progressio<\/em><\/a>, 12.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[23]<\/sup><\/u>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/communications\/documents\/papa-francesco_20190124_messaggio-comunicazioni-sociali.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 53\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/a><em>, \u201cSomos membros uns dos outros (Ef 4, 25): das comunidades das redes sociais \u00e0 comunidade humana\u201d<\/em>\u00a0(24 de janeiro de 2019).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[24]<\/sup><\/u>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/communications\/documents\/papa-francesco_20140124_messaggio-comunicazioni-sociali.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 48\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/a><em>, \u201cComunica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o de uma aut\u00eantica cultura do encontro\u201d<\/em>\u00a0(24 de janeiro de 2014).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[25]<\/sup><\/u>\u00a0Cf.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html\"><em>Fratelli tutti<\/em><\/a>, 49.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[26]<\/sup><\/u>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html\"><em>Fratelli tutti<\/em><\/a>, 69.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[27]<\/sup><\/u>\u00a0Cf.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/communications\/documents\/papa-francesco_20190124_messaggio-comunicazioni-sociali.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 53\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/a><em>, \u201cSomos membros uns dos outros (Ef 4, 25): das comunidades das redes sociais \u00e0 comunidade humana\u201d<\/em>\u00a0(24 de janeiro de 2014).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[28]<\/sup><\/u>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html\"><em>Fratelli tutti<\/em><\/a>, 77.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[29]<\/sup><\/u>\u00a0Papa Francisco,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/angelus\/2016\/documents\/papa-francesco_angelus_20160710.html\"><em>Angelus<\/em><\/a>, 10 de julho de 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[30]<\/sup><\/u>\u00a0Cf.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html\"><em>Gaudete et exsultate<\/em><\/a>, 115.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[31]<\/sup><\/u>\u00a0A prop\u00f3sito do problema da polariza\u00e7\u00e3o e da sua rela\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o do consenso, veja de modo espec\u00edfico\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html\"><em>Fratelli tutti<\/em><\/a>, 206-214.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[32]<\/sup><\/u>\u00a0Cf.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2022\/september\/documents\/20220924-visita-assisi.html\"><em>Discurso<\/em>\u00a0no evento \u201cEconomy of Francesco\u201d<\/a>, 24 de setembro de 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[33]<\/sup><\/u>\u00a0\u201cNo dia seguinte, tirou dois den\u00e1rios e deu-os ao hospedeiro, dizendo-lhe: trata dele, e quanto gastares a mais, na volta pagar-te-ei\u201d (<em>Lc<\/em>\u00a010, 35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[34]<\/sup><\/u>\u00a0Uma sondagem feita nos EUA pelo Barna Research Centre em 2020 revelou que, embora metade dos \u201cfrequentadores de igrejas\u201d habituais tenha declarado que n\u00e3o \u201c<em>participaram<\/em>\u00a0nos cultos de adora\u00e7\u00e3o nas igrejas, quer pessoal quer digitalmente\u201d durante um per\u00edodo de seis meses \u2013 contudo afirmaram que nesse mesmo per\u00edodo \u201c<em>assistiram<\/em>\u00a0a um culto da igreja online\u201d. Por conseguinte, \u00e9 poss\u00edvel reconhecer que se assistiu a um culto sem se considerar um participante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[35]<\/sup><\/u>\u00a0Parece que existem substitutos artificiais para quase tudo na realidade virtual; podemos compartilhar todos os tipos de informa\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do mundo digital, mas n\u00e3o parece que seja poss\u00edvel compartilhar uma refei\u00e7\u00e3o, nem sequer no metaverso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[36]<\/sup><\/u>\u00a0Cf.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20220629-lettera-ap-desiderio-desideravi.html\"><em>Desiderio desideravi<\/em><\/a>, 9, no ponto em que se refere a Le\u00e3o Magno,\u00a0<em>Sermo<\/em>\u00a0LXXIV:\u00a0<em>De ascensione Domini<\/em>\u00a0II, 1:\u00a0<em>\u201cQuod &#8230; Redemptoris nostri conspicuum fuit, in sacramenta transivit\u201d<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[37]<\/sup><\/u>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/communications\/documents\/papa-francesco_20190124_messaggio-comunicazioni-sociali.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 53\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/a><em>, \u201cSomos membros uns dos outros (Ef 4, 25): das comunidades das redes sociais \u00e0 comunidade humana\u201d<\/em>\u00a0(24 de janeiro de 2019). Pode ser \u00fatil considerar outras formas de pr\u00e1tica espiritual, como a Liturgia das Horas e a\u00a0<em>lectio divina<\/em>, que podem ser mais adequadas para a partilha online do que a Santa Missa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[38]<\/sup><\/u>\u00a0Cf. Papa Francisco,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/september\/documents\/papa-francesco_20190923_dicastero-comunicazione.html\"><em>Discurso \u00e0 Assembleia Plen\u00e1ria do Dicast\u00e9rio para a Comunica\u00e7\u00e3o<\/em><\/a><em>,<\/em>\u00a023 de setembro de 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[39]<\/sup><\/u>\u00a0O Papa Francisco falou sobre o estilo de Deus como \u201cproximidade, compaix\u00e3o e ternura\u201d em muitas ocasi\u00f5es (Audi\u00eancias gerais, Angelus, Homilias, Confer\u00eancias de imprensa, etc.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[40]<\/sup><\/u>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/pontifical_councils\/pccs\/documents\/rc_pc_pccs_doc_23051971_communio_po.html\"><em>Communio et progressio<\/em><\/a>, 11.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[41]<\/sup><\/u>\u00a0\u201cPara falar bem, basta amar bem\u201d (S\u00e3o Francisco de Sales). Cf.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/communications\/documents\/20230124-messaggio-comunicazioni-sociali.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 57\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/a><em>, \u201cFalar com o cora\u00e7\u00e3o. Testemunhando a verdade no amor\u201d<\/em>\u00a0(24 de janeiro de 2023).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[42]<\/sup><\/u>\u00a0Cf.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/communications\/documents\/papa-francesco_20180124_messaggio-comunicazioni-sociali.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 52\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/a><em>, &#8220;A verdade vos tornar\u00e1 livres (Jo 8, 32). Fake news e jornalismo de paz\u201d<\/em>\u00a0(24 de janeiro de 2018).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[43]<\/sup><\/u>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/communications\/documents\/papa-francesco_20190124_messaggio-comunicazioni-sociali.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 53\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/a><em>, \u201cSomos membros uns dos outros (Ef 4, 25): das comunidades das redes sociais \u00e0 comunidade humana\u201d<\/em>\u00a0(24 de janeiro de 2019).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[44]<\/sup><\/u>\u00a0Contudo, \u00e9 importante que quando surge uma narrativa falsa, ela seja corrigida com respeito e rapidamente. \u201cAs\u00a0<em>fake news<\/em>\u00a0t\u00eam que ser contrastadas, mas devemos respeitar sempre as pessoas, que muitas vezes aderem a elas sem pleno conhecimento e responsabilidade\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2022\/january\/documents\/20220128-mediacattolici.html\"><em>Discurso de Sua Santidade o Papa Francisco aos participantes no encontro promovido pelo Cons\u00f3rcio Nacional da M\u00eddia Cat\u00f3lica \u201cCatholic Fact-Checking\u201d<\/em><\/a><em>,<\/em>\u00a028 de janeiro de 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[45]<\/sup><\/u>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/communications\/documents\/papa-francesco_20160124_messaggio-comunicazioni-sociali.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 50\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/a><em>, \u201cComunica\u00e7\u00e3o e miseric\u00f3rdia: um encontro fecundo\u201d<\/em>\u00a0(24 de janeiro de 2016).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[46]<\/sup><\/u>\u00a0Isto diz respeito tamb\u00e9m \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de sacerdotes. Como lemos na\u00a0<em>Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis,<\/em>\u00a0\u201cos pastores do futuro n\u00e3o podem ficar alheios, nem durante sua forma\u00e7\u00e3o, nem no seu futuro minist\u00e9rio, \u00e0 pra\u00e7a p\u00fablica das redes sociais\u201d (n. 97). Eles podem estar tamb\u00e9m cientes dos riscos inevit\u00e1veis que derivam da frequ\u00eancia do mundo digital, incluindo v\u00e1rias formas de depend\u00eancia (cf. n. 99). A respeito deste aspeto, veja tamb\u00e9m\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2022\/october\/documents\/20221024-seminaristi-sacerdoti.html\"><em>Discurso do Santo Padre o Papa Francisco aos seminaristas e sacerdotes que estudam em Roma<\/em><\/a>, 24 de outubro de 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[47]<\/sup><\/u>\u00a0Cf.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/communications\/documents\/papa-francesco_20190124_messaggio-comunicazioni-sociali.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 53\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/a><em>, \u201cSomos membros uns dos outros (Ef 4, 25): das comunidades das redes sociais \u00e0 comunidade humana\u201d<\/em>\u00a0(24 de janeiro de 2019).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/press.vatican.va\/vtiserver\/wss\/roman_curia\/dpc\/documents\/20230528_dpc-verso-piena-presenza_pt.html#_ftnref48\"><sup>[48]<\/sup><\/a>\u00a0Portanto, pode ser \u00fatil que as iniciativas individuais nas redes sociais, de modo particular as propostas por religiosos e cl\u00e9rigos, encontrem uma maneira de fortalecer a comunh\u00e3o na Igreja. Como comunidade crist\u00e3, tamb\u00e9m pode ser \u00fatil alcan\u00e7ar os \u201cinfluencers\u201d que est\u00e3o \u00e0 margem dos nossos ambientes eclesiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/press.vatican.va\/vtiserver\/wss\/roman_curia\/dpc\/documents\/20230528_dpc-verso-piena-presenza_pt.html#_ftnref49\"><sup>[49]<\/sup><\/a>\u00a0Ser sinodal (de\u00a0<em>syn od\u00f2s<\/em>) significa percorrer o mesmo caminho, caminhar juntos, ir em frente juntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[50]<\/sup><\/u>\u00a0Esta descri\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi feita pelos antigos Padres da Igreja. Por exemplo, Tertuliano falava do mart\u00edrio como atratividade. Na sua\u00a0<em>Apologia<\/em>, ele explica que as persegui\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o apenas injustas, mas tamb\u00e9m in\u00fateis: \u201cNenhuma das vossas crueldades, por mais requintadas que sejam, vos trar\u00e1 vantagens; pelo contr\u00e1rio, elas tornam a nossa religi\u00e3o mais atraente. Quanto mais formos dizimados por v\u00f3s, mais cresceremos em n\u00famero;\u00a0<em>o sangue dos crist\u00e3os \u00e9 semente de nova vida<\/em>. (&#8230;) A pr\u00f3pria obstina\u00e7\u00e3o contra a qual vos revoltais \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o. Pois quem \u00e9 que, ao contempl\u00e1-la, n\u00e3o se sente estimulado a perguntar o que h\u00e1 por detr\u00e1s dela? Quem, \u00e9 que depois de se questionar, n\u00e3o abra\u00e7a as nossas doutrinas?\u201d Tertuliano,\u00a0<em>Apologia<\/em>, n. 50 (tradu\u00e7\u00e3o adaptada).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[51]<\/sup><\/u>\u00a0Este par\u00e1grafo inspira-se parcialmente na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/pont-messages\/2020\/documents\/papa-francesco_20200521_messaggio-pom.html\"><em>Mensagem \u00e0s Pontif\u00edcias Obras Mission\u00e1rias<\/em><\/a>, 21 de maio de 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[52]<\/sup><\/u>\u00a0Viagem Apost\u00f3lica ao Panam\u00e1:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/events\/event.dir.html\/content\/vaticanevents\/pt\/2019\/1\/26\/veglia-giovani-panama.html\"><em>Vig\u00edlia com os jovens<\/em><\/a>\u00a0(Campo San Juan Pablo II \u2013 Metro Park, 26 de janeiro de 2019).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u><sup>[53]<\/sup><\/u>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/communications\/documents\/papa-francesco_20140124_messaggio-comunicazioni-sociali.html\"><em>Mensagem de Sua Santidade o Papa Francisco para o 48\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/em><\/a><em>, \u201cComunica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o de uma aut\u00eantica cultura do encontro\u201d<\/em>\u00a0(24 de janeiro de 2014).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[00890-PO.01] [Texto original: ingl\u00eas]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[B0404-XX.02]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Dicasterio-para-a-comunicacao-Uma-reflexao-pastoral-sobre-a-participacao-nas-redes-sociais.pdf\">Dicast\u00e9rio para a comunica\u00e7\u00e3o -Uma reflex\u00e3o pastoral sobre a participa\u00e7\u00e3o nas redes sociais (PDF)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram dados grandes passos na era digital, mas uma das quest\u00f5es urgentes que ainda deve ser abordada \u00e9 o modo como n\u00f3s, enquanto&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11953,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"categories":[92],"tags":[],"class_list":["post-11952","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arquivo-2023"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11952","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11952"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11952\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11960,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11952\/revisions\/11960"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11953"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11952"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}