{"id":12229,"date":"2023-08-07T10:57:55","date_gmt":"2023-08-07T09:57:55","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=12229"},"modified":"2023-08-07T11:38:35","modified_gmt":"2023-08-07T10:38:35","slug":"revisitacao-dos-discursos-e-das-homilias-da-jornada-mundial-da-juventude-jmj-lisboa-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=12229","title":{"rendered":"Revisita\u00e7\u00e3o dos discursos e das homilias da Jornada Mundial da Juventude &#8211; JMJ Lisboa 2023"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Missa de Abertura da Jornada Mundial da Juventude \u2013 Lisboa 2023<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Colina do Encontro \u2013 Parque Eduardo VII \u2013 Lisboa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>01 de agosto de 2023 \u2013 19 h00<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Homilia da Missa de Abertura da Jornada Mundial da Juventude<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cardeal-Patriarca de Lisboa D. Manuel Clemente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCar\u00edssimos amigos, aqui chegados do mundo inteiro para a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem-vindos, todos! Bem-vindos, tamb\u00e9m na amplitude ecum\u00e9nica, inter-religiosa e de boa vontade que estes dias t\u00eam e congregam. Bem-vindos, todos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desejo que vos sintais &#8217;em casa&#8217;, nesta casa comum em que viveremos a Jornada Mundial. Bem-vindos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Missa que celebramos, na expectativa da chegada do nosso querido Papa Francisco, \u00e9 a da Visita\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora, lema geral da Jornada: Maria levantou-se e partiu apressadamente ao encontro de Isabel. \u00c9 um passo evang\u00e9lico que nos inclui tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ouvimo-lo h\u00e1 pouco: \u00abNaqueles dias, Maria p\u00f4s-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em dire\u00e7\u00e3o a uma cidade de Jud\u00e1. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">P\u00f4s se a caminho, dirigiu-se apressadamente para a montanha, entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Tr\u00eas pontos em que me deterei brevemente, nesta palavra inaugural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria p\u00f4s-se a caminho. Um caminho dif\u00edcil e sem os meios de transporte de que hoje dispomos. E era uma jovem como v\u00f3s, que h\u00e1 pouco concebera Jesus, do modo \u00fanico que o Evangelho relata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m v\u00f3s vos pusestes a caminho. Foi para muitos um caminho dif\u00edcil pela dist\u00e2ncia, as liga\u00e7\u00f5es e os custos que a viagem envolveu. Foi preciso juntar recursos, desenvolver atividades para os obter e contar com solidariedades que gra\u00e7as a Deus n\u00e3o faltaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De longe ou mais perto, pusestes-vos a caminho. \u00c9 muito importante p\u00f4r-se a caminho. Assim devemos encarar a pr\u00f3pria vida, como caminho a percorrer, fazendo de cada dia uma nova etapa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade que hoje muita coisa vos pode deter, caros amigos, com a possibilidade de substituirmos a realidade verdadeira, que s\u00f3 se atinge a caminho dos outros, como realmente s\u00e3o, pela apar\u00eancia virtual dum mundo \u00e0 escolha. Um mundo \u00e0 escolha, diante dum ecr\u00e3 e dependente dum clique que o mude por outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A virtualidade mant\u00e9m-nos sentados, diante de meios que facilmente nos usam quando julgamos us\u00e1-los. Bem pelo contr\u00e1rio, a realidade consistente p\u00f5e-nos a caminho, ao encontro dos outros e do mundo como ele \u00e9, tanto para o admirar como para o fazer melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agradecemos aos media a possibilidade de nos conhecermos mais, a n\u00f3s aos outros e ao mundo. Vivemos mediaticamente e j\u00e1 n\u00e3o saber\u00edamos viver doutro modo. Contamos com o seu apoio, mas n\u00e3o nos dispensamos de caminhar por n\u00f3s mesmos, de contactar e verificar diretamente a realidade que nos toca, a n\u00f3s e a todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valeu a pena o caminho que percorrestes para chegar aqui e vos encontrardes nestes dias, na variedade do que sois e na qualidade que trazeis, cada um e cada uma, de cada terra, l\u00edngua e cultura. Nada pode substituir este caminho pessoal e de grupo, ao encontro do caminho de todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria levava j\u00e1 no seu ventre o &#8220;bendito fruto&#8221; que era Jesus. Os crist\u00e3os levam-no tamb\u00e9m, espiritual, mas realmente, porque o recebem na palavra, nos sacramentos e na caridade onde Ele se oferece. E como acreditamos em Jesus como caminho para Deus, caminhamos com Ele para O levar aos outros. No mesmo impulso que levava Maria, no mesmo Esp\u00edrito que nos leva a n\u00f3s. A caminho!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria dirigiu-se apressadamente para a montanha, como ouvimos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 por acaso que o texto fala da pressa de Maria, como noutros passos evang\u00e9licos se fala da urg\u00eancia do an\u00fancio, do testemunho e da visita\u00e7\u00e3o permanente aos outros, como havemos de fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caros jovens, sabeis muito bem que quando o cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 cheio rapidamente transborda. Como \u00e9 imposs\u00edvel sufocar o que vos vai alma, quando \u00e9 realmente forte e mobilizador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria levava consigo o pr\u00f3prio Jesus que concebera. E Jesus \u00e9 &#8220;Deus connosco&#8221;, para ser Deus com todos. Da\u00ed a pressa de O levar a Isabel, mesmo subindo montanhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00f3s conheceis esta &#8220;pressa&#8221;, porque tamb\u00e9m outros se apressaram a vir ao vosso encontro para vos levar Jesus e tudo quanto Ele vos oferece de horizontes largos e vida em abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem precisais de perceber sempre as palavras, como acontece agora, entre tantas l\u00ednguas aqui reunidas. Porque os pr\u00f3prios olhos falam e vos sentis seguros e confiantes, na atmosfera crist\u00e3 que em conjunto criais e nos gestos simples com que comunicais. H\u00e1 verdadeiramente uma &#8220;pressa no ar&#8221;, que circula entre v\u00f3s e onde chegareis nestes dias. Um ar em que o pr\u00f3prio Esp\u00edrito divino circula, com a prontid\u00e3o que s\u00f3 Deus tem e comunica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando disse ao Papa Francisco que era este precisamente o lema da nossa Jornada &#8211; Maria dirigiu-se apressadamente&#8230; &#8211; ele logo acrescentou que sim, apressadamente, mas n\u00e3o ansiosamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, a \u00e2nsia \u00e9 do que ainda n\u00e3o temos e pretendemos inquietos. A pressa \u00e9 diferente, \u00e9 partilhar o que j\u00e1 nos leva. Por isso \u00e9 uma urg\u00eancia serena e sem atropelo. Como aqui chegastes e como aqui estareis, levando aos outros o que vos traz a v\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembro a prop\u00f3sito um trecho dos primeiros crist\u00e3os, mesmo numa sociedade que demorava em entend\u00ea-los: \u00abno \u00edntimo do vosso cora\u00e7\u00e3o, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a raz\u00e3o da vossa esperan\u00e7a a todo aquele que vo-la pe\u00e7a; com mansid\u00e3o e respeito, mantendo limpa a consci\u00eancia&#8230;\u00bb (1 Pe 3, 15-16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim estareis v\u00f3s, nesta pressa sem ansiedade, como quem partilha o que vai tendo. O que vos trouxe aqui e levareis acrescentado pela gra\u00e7a destes dias!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, dizia o texto que Maria entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caros amigos, assim tamb\u00e9m v\u00f3s chegareis uns aos outros, com verdadeira e alegre sauda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho conta-nos a alegria daquele encontro de Maria com Isabel e do reconhecimento m\u00fatuo em que ocorreu. A sauda\u00e7\u00e3o de Maria foi tal que suscitou na sua parente a exclama\u00e7\u00e3o que tantas vezes repetimos: \u00abBendita \u00e9s tu entre as mulheres e bendito \u00e9 o fruto do teu ventre!\u00bb E \u00e0s palavras de Isabel correspondeu Maria com um dos hinos mais belos que cantamos desde ent\u00e3o, o Magnificat.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 muito importante que seja assim convosco e com todos. Na verdade, cada encontro que tivermos deve ser inaugurado com verdadeira sauda\u00e7\u00e3o, em que troquemos entre n\u00f3s palavras de acolhimento sincero e plena partilha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lisboa acolhe-vos de cora\u00e7\u00e3o inteiro, e assim as outras terras em que j\u00e1 estivestes ou estareis deste Portugal, tamb\u00e9m vosso. Acolhem-vos as fam\u00edlias e as institui\u00e7\u00f5es que disponibilizaram os seus espa\u00e7os e o seu servi\u00e7o. Agradecendo a todas elas, entrevejo em cada uma a casa de Isabel, que acolheu Maria e o Jesus que lhe trazia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falta muito disto mesmo no mundo em que estamos, quando nem damos bem pelos outros, nem reparamos como devemos naqueles que encontramos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aprendamos com Maria a saudar a todos e cada um. Pratiquemo-lo intensamente nos dias desta Jornada Mundial da Juventude. O mundo novo come\u00e7a na novidade de cada encontro e na sinceridade da sauda\u00e7\u00e3o que trocarmos. Para que sejamos pessoas entre pessoas, em m\u00fatua e constante visita\u00e7\u00e3o! &#8211; Desejo-vos a todos uma feliz e estimulante Jornada Mundial da Juventude!&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4TiM571Xlic\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4TiM571Xlic<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">****************<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viagem Apost\u00f3lica a Portugal: <\/strong><strong>Encontro do Papa Francisco com as Autoridades, a Sociedade Civil e o Corpo Diplom\u00e1tico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jornada Mundial da Juventude 2023<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0Centro Cultural de Bel\u00e9m <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02 de agosto de 2023\u2013 12h15<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 de agosto de 2023,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor Presidente da Rep\u00fablica,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor Presidente da Assembleia da Rep\u00fablica,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor primeiro-ministro,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Distintos membros do Governo e do Corpo Diplom\u00e1tico,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ilustres autoridades, representantes da sociedade civil e do mundo da cultura,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhoras e senhores!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sa\u00fado-vos cordialmente e agrade\u00e7o ao senhor Presidente o acolhimento e as am\u00e1veis palavras que me dirigiu. Estou feliz por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/08\/02\/sociedade\/noticia\/jmj-papa-francisco-ja-caminho-lisboa-2058881\">estar em Lisboa,<\/a>\u00a0cidade do encontro que abra\u00e7a v\u00e1rios povos e culturas e que, nestes dias, se mostra ainda mais universal; torna-se, de certo modo, a capital do mundo. Isto condiz bem com o seu car\u00e1cter multi\u00e9tnico e multicultural (penso, por exemplo, no bairro da Mouraria, onde convivem pessoas provenientes de mais de sessenta pa\u00edses) e revela os tra\u00e7os cosmopolitas de Portugal, que afunda as suas ra\u00edzes no desejo de se abrir ao mundo e explor\u00e1-lo, navegando rumo a novos e amplos horizontes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o muito longe deste lugar, no Cabo da Roca, est\u00e1 gravada a frase dum grande poeta desta cidade: &#8220;Aqui&#8230; onde a terra se acaba e o mar come\u00e7a&#8221; (L. Vaz de Cam\u00f5es,\u00a0<em>Os Lus\u00edadas<\/em>, canto III, 20). Durante s\u00e9culos, acreditou-se que l\u00e1 estivessem os confins do mundo. E em certo sentido \u00e9 verdade, porque este pa\u00eds confina com o oceano, que delimita os continentes. E, do oceano, Lisboa conserva o abra\u00e7o e o perfume. Fa\u00e7o meu, com muito gosto, aquilo que os portugueses costumam cantar: &#8220;Lisboa tem cheiro de flores e de mar&#8221; (A. Rodrigues,\u00a0<em>Cheira bem, cheira a Lisboa<\/em>, 1972). Muito mais do que um elemento paisag\u00edstico, o mar \u00e9 um apelo que n\u00e3o cessa de ecoar no \u00e2nimo de cada portugu\u00eas, podendo uma vossa poetisa celebr\u00e1-lo como &#8220;mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim&#8221; (S. de Mello Breyner Andresen,\u00a0<em>Mar sonoro<\/em>) e outro poeta rezava assim: &#8220;Deus do mar dai-nos mais ondas, Deus da terra dai-nos mais mar&#8221; (D. Faria,\u00a0<em>O pa\u00eds de Deus<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 vista do oceano, os portugueses s\u00e3o levados a refletir sobre os imensos espa\u00e7os da alma e sobre o sentido da vida no mundo. Nesta linha, gostaria tamb\u00e9m eu de partilhar convosco algumas reflex\u00f5es, deixando-me levar pela imagem do oceano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a mitologia cl\u00e1ssica, Oceano \u00e9 filho do c\u00e9u (\u00darano): a sua vastid\u00e3o leva os mortais a olharem para cima elevando-se para o infinito. Ao mesmo tempo, por\u00e9m, Oceano \u00e9 filho da terra (Gea) que abra\u00e7a, convidando assim a envolver de ternura todo o mundo habitado. Com efeito, o oceano n\u00e3o liga apenas povos e pa\u00edses, mas tamb\u00e9m terras e continentes; por isso Lisboa, cidade do oceano, lembra a import\u00e2ncia do conjunto, a import\u00e2ncia de conceber as fronteiras, n\u00e3o como limites que separam, mas como zonas de contacto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As grandes quest\u00f5es hoje, como sabemos, s\u00e3o globais e j\u00e1 muitas vezes tivemos de fazer experi\u00eancia da inefic\u00e1cia da nossa resposta \u00e0s mesmas, precisamente porque o mundo, diante de problemas comuns, se mant\u00e9m dividido ou pelo menos n\u00e3o suficientemente unido, incapaz de enfrentar juntos aquilo que nos p\u00f5e em crise a todos. Parece que as injusti\u00e7as planet\u00e1rias, as guerras, as\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/crise-climatica\">crises clim\u00e1ticas<\/a>\u00a0e migrat\u00f3rias correm mais rapidamente do que a capacidade e, muitas vezes, a vontade de enfrentar em conjunto tais desafios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lisboa pode sugerir uma mudan\u00e7a de ritmo. Em 2007, foi assinado aqui o hom\u00f3nimo tratado de reforma da Uni\u00e3o Europeia. Nele se l\u00ea que &#8220;a Uni\u00e3o tem por objetivo promover a paz, os seus valores e o bem-estar dos seus povos&#8221; (<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2020\/11\/05\/politica\/noticia\/tratado-lisboa-marco-2007-desaproximou-europa-cidadaos-1938034\">Tratado de Lisboa<\/a>\u00a0que altera o Tratado da Uni\u00e3o Europeia e o Tratado que institui a Comunidade Europeia, art.\u00ba 1.4\/2.1): mas vai mais longe afirmando que, &#8220;nas suas rela\u00e7\u00f5es com o resto do mundo (&#8230;), contribui para a paz, a seguran\u00e7a, o desenvolvimento sustent\u00e1vel do planeta, a solidariedade e o respeito m\u00fatuo entre os povos, o com\u00e9rcio livre e equitativo, a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e a prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos&#8221; (art.\u00ba 1.4\/2.5). N\u00e3o se trata apenas de palavras, mas de marcos mili\u00e1rios no caminho da comunidade europeia, esculpidos na mem\u00f3ria desta cidade. Este \u00e9 o esp\u00edrito do conjunto, animado pelo sonho europeu dum multilateralismo mais amplo do que o mero contexto ocidental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo uma etimologia, que \u00e9 objeto de discuss\u00e3o, o nome Europa derivaria duma palavra que indica a dire\u00e7\u00e3o do ocidente. O certo \u00e9 que Lisboa constitui a capital mais ocidental da Europa continental, lembrando a necessidade de abrir caminhos de encontro mais vastos, como ali\u00e1s Portugal est\u00e1 a fazer sobretudo com os pa\u00edses de outros continentes irmanados pela mesma l\u00edngua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Espero que a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/jornada-mundial-juventude\">Jornada Mundial da Juventude<\/a>\u00a0seja, para o &#8220;velho continente&#8221;, um impulso de abertura universal. Na verdade, o mundo tem necessidade da Europa, da Europa verdadeira: precisa do seu papel de construtora de pontes e de pacificadora no Leste europeu, no Mediterr\u00e2neo, na \u00c1frica e no M\u00e9dio Oriente. Assim poder\u00e1 a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/uniao-europeia\">Europa\u00a0<\/a>trazer, para o cen\u00e1rio internacional, a sua originalidade espec\u00edfica; vimo-la delineada no s\u00e9culo passado quando, do crisol dos conflitos mundiais, fez saltar a centelha da reconcilia\u00e7\u00e3o, tornando verdadeiro o sonho de se construir o amanh\u00e3 juntamente com o inimigo de ontem, o sonho de abrir percursos de di\u00e1logo e inclus\u00e3o, desenvolvendo uma diplomacia da paz que extinga os conflitos e acalme as tens\u00f5es, capaz de captar o mais d\u00e9bil sinal de distens\u00e3o e de o ler por entre as linhas mais tortas da realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No oceano da hist\u00f3ria, estamos a navegar num momento tempestuoso e sente-se a falta de rotas corajosas de paz. Olhando com grande afeto para a Europa, no esp\u00edrito de di\u00e1logo que a caracteriza, apetece perguntar-lhe: para onde navegas, se n\u00e3o ofereces percursos de paz, vias inovadoras para acabar com a guerra na Ucr\u00e2nia e com tantos conflitos que ensanguentam o mundo? E ainda, alargando o campo: Que rota segues, Ocidente? A tua tecnologia, que marcou o progresso e globalizou o mundo, sozinha n\u00e3o basta; e muito menos bastam as armas mais sofisticadas, que n\u00e3o representam investimentos para o futuro, mas empobrecimento do verdadeiro capital humano que \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, o estado social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fica-se preocupado ao ler que, em muitos lugares, se investem continuamente os recursos em armas e n\u00e3o no futuro dos filhos. Sonho uma Europa, cora\u00e7\u00e3o do Ocidente, que use o seu engenho para apagar focos de guerra e acender luzes de esperan\u00e7a; uma Europa que saiba reencontrar o seu \u00e2nimo jovem, sonhando a grandeza do conjunto e indo al\u00e9m das necessidades imediatas; uma Europa que inclua povos e pessoas, sem correr atr\u00e1s de teorias e coloniza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a sua imensa vastid\u00e3o de \u00e1gua, o oceano recorda as origens da vida. No mundo evolu\u00eddo de hoje, paradoxalmente, tornou-se priorit\u00e1rio\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/eutanasia\">defender a vida humana<\/a>, posta em risco por derivas utilitaristas que a usam e descartam. Penso em tantas crian\u00e7as n\u00e3o-nascidas e idosos abandonados a si mesmos, na dificuldade de acolher, proteger, promover e integrar quem vem de longe e bate \u00e0s nossas portas, no desamparo em que s\u00e3o deixadas muitas fam\u00edlias com dificuldade para trazer ao mundo e fazer crescer os filhos. Tamb\u00e9m aqui apetece perguntar: para onde navegais, Europa e Ocidente, com o descarte dos idosos, os muros de arame farpado, as mortandades no mar e os ber\u00e7os vazios? Para onde ides se, perante o tormento de viver, vos limitais a oferecer rem\u00e9dios r\u00e1pidos e errados como o f\u00e1cil acesso \u00e0 morte, solu\u00e7\u00e3o c\u00f3moda que parece doce, mas na realidade \u00e9 mais amarga que as \u00e1guas do mar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Lisboa, abra\u00e7ada pelo oceano, oferece-nos motivos para esperar. H\u00e1 uma mar\u00e9 de jovens que se espraia sobre esta cidade acolhedora. Quero agradecer o grande trabalho e generoso empenho empreendidos por Portugal para acolher um evento t\u00e3o complexo de gerir, mas fecundo de esperan\u00e7a, pois \u2014 como se diz por aqui\u00a0\u2014\u00a0&#8220;ao lado dos jovens, n\u00e3o se envelhece&#8221;. Jovens provenientes de todo o mundo que cultivam anseios de unidade, paz e fraternidade, desafiam-nos a realizar os seus sonhos bons. N\u00e3o andam pelas ruas a gritar sua raiva, mas a partilhar a esperan\u00e7a do Evangelho. E se, em muitos lugares, se respira hoje um clima de protesto e insatisfa\u00e7\u00e3o, terreno f\u00e9rtil para populismos e conspira\u00e7\u00f5es, a Jornada Mundial da Juventude \u00e9 ocasi\u00e3o para construir juntos. Reaviva o desejo de criar coisas novas, fazer-se ao largo e navegar juntos rumo ao futuro. V\u00eam \u00e0 mente algumas palavras ousadas de Fernando Pessoa: &#8220;Navegar \u00e9 preciso; viver n\u00e3o \u00e9 preciso (&#8230;); o que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 criar&#8221; (<em>Navegar \u00e9 preciso<\/em>). Trabalhemos, pois, com criatividade para construirmos juntos! Imagino tr\u00eas estaleiros de constru\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a onde podemos trabalhar todos unidos: o ambiente, o futuro, a fraternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ambiente. Portugal partilha com a Europa muitos esfor\u00e7os exemplares na defesa da cria\u00e7\u00e3o. Mas o problema global continua extremamente grave: os oceanos aquecem e, das suas profundezas, sobe \u00e0 superf\u00edcie a torpeza com que polu\u00edmos a nossa casa comum. Estamos a transformar as grandes reservas de vida em lixeiras de pl\u00e1stico. O oceano lembra-nos que a exist\u00eancia humana \u00e9 chamada a viver de harmonia com um ambiente maior do que n\u00f3s; este deve ser guardado com cuidado, tendo em conta as gera\u00e7\u00f5es mais novas. Como podemos dizer que acreditamos nos jovens, se n\u00e3o lhes dermos um espa\u00e7o sadio para construir o seu futuro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O futuro \u00e9 o segundo estaleiro de obras. E o futuro s\u00e3o os jovens. Mas muitos fatores os desanimam, como a falta de trabalho, os ritmos fren\u00e9ticos em que se veem imersos, o aumento do custo de vida, a dificuldade de encontrar uma casa e, ainda mais preocupante, o medo de constituir fam\u00edlia e trazer filhos ao mundo. Na Europa e em geral no Ocidente, assiste-se a uma triste fase descendente na curva demogr\u00e1fica: o progresso parece ser uma quest\u00e3o que diz respeito ao desenvolvimento t\u00e9cnico e ao conforto dos indiv\u00edduos, enquanto o futuro pede para se contrariar a queda da natalidade e o decl\u00ednio da vontade de viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A boa pol\u00edtica pode fazer muito neste sentido; pode gerar esperan\u00e7a. Com efeito, n\u00e3o \u00e9 chamada a conservar o poder, mas a dar \u00e0s pessoas a possibilidade de esperar. \u00c9 chamada, hoje mais do que nunca, a corrigir os desequil\u00edbrios econ\u00f3micos dum mercado que produz riquezas, mas n\u00e3o as distribui, empobrecendo de recursos e de certezas os \u00e2nimos. \u00c9 chamada a voltar a descobrir-se como geradora de vida e de cuidado da cria\u00e7\u00e3o, a investir com clarivid\u00eancia no futuro, nas fam\u00edlias e nos filhos, a promover alian\u00e7as intergeracionais, onde n\u00e3o se apague o passado, mas se favore\u00e7am os la\u00e7os entre jovens e idosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A isto mesmo faz apelo o sentimento da saudade portuguesa, que exprime nostalgia, desejo de um bem ausente, que s\u00f3 renasce em contacto com as pr\u00f3prias ra\u00edzes. Neste sentido, \u00e9 importante a educa\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o pode limitar-se a fornecer no\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para se progredir economicamente, mas destina-se a introduzir numa hist\u00f3ria, transmitir uma tradi\u00e7\u00e3o, valorizar a necessidade religiosa do homem e favorecer a amizade social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00faltimo estaleiro de esperan\u00e7a \u00e9 o da fraternidade, que n\u00f3s, crist\u00e3os, aprendemos do Senhor Jesus Cristo. Em muitas partes de Portugal est\u00e1 ainda muito vivo o sentido de vizinhan\u00e7a e solidariedade. Contudo, no contexto geral duma globaliza\u00e7\u00e3o que nos aproxima mas n\u00e3o nos d\u00e1 uma proximidade fraterna, somos todos chamados a cultivar o sentido da comunidade, come\u00e7ando por ir ter com quem vive ao nosso lado. Com efeito, como observou Saramago, &#8220;o que d\u00e1 verdadeiro sentido ao encontro \u00e9 a busca; e \u00e9 preciso andar muito, para se alcan\u00e7ar o que est\u00e1 perto&#8221; (<em>Todos os nomes<\/em>, 1997). Como \u00e9 bom voltar a descobrir-nos irm\u00e3os e irm\u00e3s, trabalhar pelo bem comum, deixando para tr\u00e1s contrastes e diferen\u00e7as de vis\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m aqui servem de exemplo os jovens que nos levam, com o seu grito de paz e \u00e2nsia de vida, a derrubar as r\u00edgidas divis\u00f3rias de perten\u00e7a erguidas em nome de opini\u00f5es e cren\u00e7as diversas. Soube de muitos jovens que cultivam, aqui, o desejo de se fazerem pr\u00f3ximo dos outros; penso na iniciativa &#8220;Miss\u00e3o Pa\u00eds&#8221;, que leva milhares de jovens a viver no esp\u00edrito do Evangelho experi\u00eancias de solidariedade mission\u00e1ria em zonas perif\u00e9ricas, sobretudo nas aldeias do interior, indo ao encontro de muitos idosos sozinhos. Quero agradecer e encorajar a tantos que na sociedade portuguesa se preocupam com os outros, nomeadamente a Igreja, e que fazem tanto bem mesmo longe dos holofotes. Sintamo-nos chamados, todos juntos fraternalmente, a dar esperan\u00e7a ao mundo em que vivemos e a este magn\u00edfico pa\u00eds. Deus aben\u00e7oe Portugal!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9rPLI5X9AZI\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9rPLI5X9AZI<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">****************<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viagem Apost\u00f3lica a Portugal: V\u00e9speras com Bispos, Sacerdotes, Di\u00e1conos, Consagrados e Consagradas, Seminaristas e Agentes de Pastoral<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mosteiro dos Jer\u00f3nimos, Lisboa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02 de agosto de 2023 \u2013 17h30<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prezados Irma\u0303os Bispos,<br \/>\nAmados sacerdotes e dia\u0301conos, consagradas, consagrados e seminaristas, queridos agentes pastorais, irm\u00e3os e irm\u00e3s, boa tarde!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estou feliz por me encontrar no meio de vo\u0301s na\u0303o so\u0301 para viver, juntamente com muitos jovens, a Jornada Mundial da Juventude, mas tambe\u0301m para partilhar o vosso caminho eclesial com as suas canseiras e esperanc\u0327as. Agradec\u0327o a D. Jose\u0301 Ornelas as palavras que me dirigiu; desejo rezar convosco, para \u2013 como disse \u2013 nos tornarmos, junto com os jovens, ousados em\u00a0abrac\u0327ar \u00abo sonho de Deus e encontrar caminhos para uma participac\u0327a\u0303o alegre, generosa e transformadora\u00a0a bem da Igreja e da humanidade\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mergulhei na beleza do vosso pai\u0301s, terra de passagem entre o passado e o futuro, local de antigas tradic\u0327o\u0303es e de grandes mudanc\u0327as, embelezado por vales vic\u0327osos e praias douradas debruc\u0327adas sobre o imenso e fascinante oceano, que banha Portugal. Tudo isto me sugere o ambiente da vocac\u0327a\u0303o dos primeiros disci\u0301pulos, que Jesus chamou nas margens do Mar da Galileia. Quero deter-me sobre esta chamada, que po\u0303e em evid\u00eancia o que acaba\u0301mos de ouvir na\u00a0<em>Lectio brevis\u00a0<\/em>das Ve\u0301speras:\u00a0o Senhor salvou-nos e chamou-nos na\u0303o em atenc\u0327a\u0303o a\u0300s nossas obras, mas segundo a sua grac\u0327a\u00a0(cf.\u00a0<em>2 Tm\u00a0<\/em>1, 9). O mesmo aconteceu na vida dos primeiros disci\u0301pulos, quando Jesus, ao passar, \u00abviu dois barcos que se encontravam junto do lago. Os pescadores tinham descido deles e lavavam as redes\u00bb (<em>Lc\u00a0<\/em>5, 2). Enta\u0303o Jesus subiu para o barco de Sima\u0303o e, depois de ter falado a\u0300s multido\u0303es, mudou a vida daqueles pescadores, convidando-os a fazerem-se ao largo e lanc\u0327arem as redes. Salta aos olhos o contraste: por um lado, os pescadores\u00a0<em>descem do barco para lavar as redes<\/em>, ou seja, limpa\u0301-las, guarda\u0301-las e voltar para casa e, por outro,\u00a0<em>Jesus sobe para o barco e convida a lanc\u0327ar novamente as redes para a pesca<\/em>.\u00a0Sobressaem as diferenc\u0327as: os disci\u0301pulos\u00a0<em>descem<\/em>, Jesus\u00a0<em>sobe<\/em>; os primeiros querem\u00a0<em>guardar as redes<\/em>, o Mestre quer que\u00a0<em>saiam de novo para o mar a fim de pescar<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, temos os pescadores que\u00a0<em>descem do barco para lavar as redes<\/em>. Esta e\u0301 a cena que se apresenta aos olhos de Jesus, e Ele pa\u0301ra ali mesmo. Pouco antes quisera comec\u0327ar a sua pregac\u0327a\u0303o na sinagoga de Nazare\u0301, mas os seus conterr\u00e2neos expulsaram-No da cidade e tentaram ate\u0301 mata\u0301-Lo (cf.\u00a0<em>Lc\u00a0<\/em>4, 28-30). Enta\u0303o Jesus sai do lugar sagrado e comec\u0327a a pregar a Palavra no meio da gente, pelas estradas onde labutam dia a dia as mulheres e os homens do seu tempo. Cristo esta\u0301 interessado em\u00a0fazer sentir a proximidade de Deus precisamente nos lugares e situac\u0327o\u0303es onde as pessoas vivem, lutam, esperam, a\u0300s vezes colecionando nas suas ma\u0303os fracassos e insucessos, precisamente como aqueles pescadores que na\u0303o tinham pescado nada durante a noite. Jesus olha com ternura para Sima\u0303o e seus companheiros que, cansados e angustiados, lavam as suas redes, realizando um gesto repetitivo, mas tambe\u0301m cansado e resignado: na\u0303o havia mais nada a fazer sena\u0303o voltar para casa de ma\u0303os vazias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u0300s vezes podemos sentir um cansac\u0327o semelhante no nosso caminho eclesial, quando nada mais temos nas ma\u0303os ale\u0301m das redes vazias. Trata-se dum sentimento bastante difundido nos pai\u0301ses de antiga tradic\u0327a\u0303o crista\u0303, atravessados por muitas mudanc\u0327as sociais e culturais e cada vez mais marcados pelo secularismo, pela indiferenc\u0327a para com Deus, por um progressivo afastamento da pra\u0301tica da fe\u0301. Alia\u0301s isto ve\u0302-se, com freque\u0302ncia, acentuado pela desilusa\u0303o e a aversa\u0303o que alguns nutrem face a\u0300 Igreja, devido a\u0300s vezes ao nosso mau testemunho e aos esca\u0302ndalos que desfiguraram o seu rosto e que nos chamam a uma humilde e constante purificac\u0327a\u0303o, partindo do grito de sofrimento das vi\u0301timas que sempre se devem acolher e escutar. O risco, pore\u0301m, quando nos sentimos desanimados,\u00a0<em>e\u0301 descer do barco<\/em>, acabando presos nas redes da resignac\u0327a\u0303o e do pessimismo. Ao contra\u0301rio, confiemos que Jesus continua a tomar pela ma\u0303o e a levantar a sua Esposa amada. Por isso levemos ao Senhor as nossas canseiras e as nossas la\u0301grimas, para poder enfrentar as situac\u0327o\u0303es pastorais e espirituais,\u00a0dialogando entre no\u0301s com abertura de corac\u0327a\u0303o para experimentar novos caminhos a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto, logo que os apo\u0301stolos descem para lavar as ferramentas usadas,\u00a0<em>Jesus sobe para o barco\u00a0<\/em>e depois\u00a0<em>convida a lanc\u0327ar de novo as redes<\/em>. Vem procurar-nos nas nossas solido\u0303es e crises para nos ajudar a recomec\u0327ar. E hoje continua a passar pelas margens da existe\u0302ncia para despertar a esperanc\u0327a e dizer, tambe\u0301m a no\u0301s, como a Sima\u0303o e aos outros: \u00abFaz-te ao largo; e vo\u0301s lanc\u0327ai as redes para a pesca\u00bb (<em>Lc\u00a0<\/em>5, 4). Irma\u0303os e irma\u0303s,\u00a0vivemos certamente um tempo difi\u0301cil, mas a interpelac\u0327a\u0303o que o Senhor dirige hoje a\u0300 Igreja e\u0301 esta: \u00abQueres descer do barco e afundar na desilusa\u0303o, ou fazer-Me subir permitindo que seja mais uma vez a novidade da minha Palavra a tomar na ma\u0303o o leme? Queres apenas conservar o passado que ficou para tra\u0301s ou lanc\u0327ar de novo e com entusiasmo as redes para a pesca?\u00bb. Eis o que nos pede o Senhor:\u00a0<em>despertar a a\u0302nsia pelo Evangelho<\/em>. E esta e\u0301 a a\u0302nsia \u00abboa\u00bb que vos comunica, a vo\u0301s portugueses, a imensida\u0303o do oceano: fazer-se ao largo, na\u0303o para conquistar o mundo, mas para o alegrar com a consolac\u0327a\u0303o e a alegria do Evangelho. Sob este ponto de vista, podemos ler as palavras dum vosso grande missiona\u0301rio, o Padre Anto\u0301nio Vieira, chamado \u00ab<em>Paiac\u0327u\u00a0<\/em>\u2013 pai grande\u00bb. Segundo ele, para nascer, Deus ter-vos-ia dado uma pequena terra, mas, ao fazer-vos debruc\u0327ar sobre o oceano, deu-vos o mundo inteiro para morrer: \u00abPara nascer, pequena terra; para morrer, toda a terra: para nascer, Portugal; para morrer, o mundo\u00bb (A. Vieira, \u201cSerma\u0303o de Santo Anto\u0301nio\u201d, Roma 1670, \u00a7 IV, in:\u00a0<em>Homilias<\/em>, vol. III, tomo VII, Porto 1959, p. 69). Somos chamados a lanc\u0327ar de novo as redes e a abrac\u0327ar o mundo com a esperanc\u0327a do Evangelho. Na\u0303o e\u0301 momento de parar e desistir, de atracar o barco a\u0300 margem nem de olhar para tra\u0301s;\u00a0na\u0303o devemos escapar deste tempo, so\u0301 porque nos mete medo, para nos refugiarmos em formas e estilos do passado. Na\u0303o!\u00a0Este e\u0301 o tempo da grac\u0327a que o Senhor nos concede para nos aventurarmos no mar da evangelizac\u0327a\u0303o e da missa\u0303o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, para o conseguir,\u00a0precisamos tambe\u0301m de fazer opc\u0327o\u0303es. Quero indicar tre\u0302s, inspiradas no Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira opc\u0327a\u0303o:\u00a0<em>fazer-se ao largo<\/em>.\u00a0Para lanc\u0327ar novamente as redes ao mar,\u00a0e\u0301 preciso sair da margem das desiluso\u0303es e do imobilismo, afastar-se daquela tristeza melosa e daquele cinismo iro\u0301nico que nos assaltam a\u0300 vista das dificuldades. Temos de o fazer para passar\u00a0<em>do derrotismo a\u0300 fe\u0301<\/em>, como Sima\u0303o que, apesar de ter trabalhado em va\u0303o toda a noite, conclui: \u00abPorque Tu o dizes, lanc\u0327arei as redes\u00bb (<em>Lc\u00a0<\/em>5, 5). Mas, para nos fiarmos dia a dia no Senhor e na sua Palavra, na\u0303o bastam palavras, e\u0301 necessa\u0301rio muita orac\u0327a\u0303o. Apenas na adorac\u0327a\u0303o, so\u0301 diante do Senhor, e\u0301 que encontramos o gosto e a paixa\u0303o pela evangelizac\u0327a\u0303o. Enta\u0303o vencemos a tentac\u0327a\u0303o de continuar com uma \u00abpastoral nosta\u0301lgica feita de lamentac\u0327o\u0303es\u00bb e ganhamos coragem para nos fazermos ao largo, sem ideologias nem mundanismos, animados por um u\u0301nico desejo: que chegue a todos o Evangelho. Neste caminho, na\u0303o vos faltam exemplos! E, dado que nos encontramos no meio dos jovens, apraz-me recordar um jovem lisboeta, Sa\u0303o Joa\u0303o de Brito, que ha\u0301 se\u0301culos, no meio de muitas dificuldades, partiu para a I\u0301ndia e la\u0301 na\u0303o desdenhava falar e vestir-se a\u0300 maneira das pessoas locais contanto que lhes pudesse anunciar Jesus. Tambe\u0301m no\u0301s somos chamados a mergulhar as nossas redes no tempo em que vivemos, a\u00a0dialogar com todos, a tornar compreensi\u0301vel o Evangelho, mesmo que para isso tenhamos de correr o risco dalguma tempestade. Como os jovens que aqui ve\u0302m de todo o mundo para desafiar as ondas gigantes da Nazare\u0301, fac\u0327amo-nos ao largo tambe\u0301m no\u0301s sem medo. Sim! Na\u0303o temamos enfrentar o mar alto, porque no meio da tempestade e dos ventos contra\u0301rios, Jesus vem ao nosso encontro e diz: \u00abCoragem, sou Eu, na\u0303o temais!\u00bb (<em>Mt\u00a0<\/em>14, 27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como segunda opc\u0327a\u0303o,\u00a0<em>levar juntos por diante a pastoral<\/em>.\u00a0No texto, Jesus confia a Pedro a tarefa de fazer-se ao largo, mas depois fala no plural, dizendo \u00abe vo\u0301s lanc\u0327ai as redes\u00bb (<em>Lc\u00a0<\/em>5, 4): Pedro guia o barco, mas todos esta\u0303o no barco e todos sa\u0303o chamados a fazer descer as redes. E, quando apanham uma grande quantidade de peixes, na\u0303o pensam conseguir arranjar-se sozinhos, nem gerem a da\u0301diva como posse e propriedade privada, mas \u00abfizeram sinal \u2013 diz o Evangelho \u2013 aos companheiros que estavam no outro barco, para que os viessem ajudar\u00bb (<em>Lc\u00a0<\/em>5, 7). Assim encheram, na\u0303o um, mas dois barcos: um significa solida\u0303o, fechamento, pretensa\u0303o de autossuficie\u0302ncia; dois significa relac\u0327a\u0303o.\u00a0A Igreja e\u0301 sinodal, e\u0301 comunha\u0303o, ajuda mu\u0301tua, caminho comum. E a isto tende o Si\u0301nodo em curso, que tera\u0301 o seu primeiro peri\u0301odo de assembleia geral no pro\u0301ximo me\u0302s de outubro.\u00a0Na barca da Igreja, deve haver lugar para todos:\u00a0todos os batizados sa\u0303o chamados a subir para ela e lanc\u0327ar as redes, empenhando-se pessoalmente no anu\u0301ncio do Evangelho. E\u0301 um grande desafio, especialmente em contextos onde os sacerdotes e os consagrados esta\u0303o cansados porque, enquanto as necessidades pastorais va\u0303o aumentando sempre mais, eles sa\u0303o cada vez menos. Mas podemos olhar para esta situac\u0327a\u0303o como uma ocasia\u0303o para, com fraterno entusiasmo e sa\u0303 criatividade pastoral, envolver os leigos. Assim as redes dos primeiros disci\u0301pulos tornam-se uma imagem da Igreja, que e\u0301 uma \u00abrede de relac\u0327o\u0303es\u00bb humanas, espirituais e pastorais.\u00a0Se na\u0303o houver dia\u0301logo, corresponsabilidade e participac\u0327a\u0303o, a Igreja envelhece. Permiti que o exprima assim: nunca um Bispo sem o pro\u0301prio presbite\u0301rio e o Povo de Deus; nunca um padre sem os seus irma\u0303os sacerdotes;\u00a0e todos juntos \u2013 sacerdotes, religiosas, religiosos e fie\u0301is leigos \u2013 como Igreja, nunca sem os outros, sem o mundo. Sem mundanismo, mas na\u0303o sem o mundo. Na Igreja, ajudamo-nos, apoiamo-nos reciprocamente e somos chamados a difundir, tambe\u0301m fora dela, um clima de fraternidade construtiva. Alia\u0301s, como escreve Sa\u0303o Pedro, no\u0301s somos as pedras vivas usadas para a construc\u0327a\u0303o dum edifi\u0301cio espiritual (cf.\u00a0<em>1 Ped\u00a0<\/em>2, 5). E poderia acrescentar numa linguagem que vos e\u0301 familiar: vo\u0301s, fie\u0301is portugueses, formais uma \u00abcalc\u0327ada\u00bb, sois os ladrilhos preciosos que compo\u0303em um tal pavimento acolhedor e brilhante que o Evangelho ha\u0301 de pisar; e na\u0303o pode faltar uma pedrinha sequer, sena\u0303o imediatamente se da\u0301 conta. Tal e\u0301 a Igreja que, com a ajuda de Deus, somos chamados a construir!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim a terceira opc\u0327a\u0303o:\u00a0<em>tornar-se pescadores de homens<\/em>.\u00a0Jesus confia aos disci\u0301pulos a missa\u0303o de se fazerem ao largo no mar do mundo. Muitas vezes, na Sagrada Escritura, o mar simboliza o lugar do mal e das forc\u0327as adversas que os homens na\u0303o conseguem dominar. Por isso\u00a0pescar as pessoas e tira\u0301-las para fora da a\u0301gua significa ajuda\u0301-las a voltar a subir de onde afundaram, salva\u0301-las do mal que ameac\u0327a afoga\u0301-las, ressuscita\u0301-las de todas as formas de morte. Com efeito, o Evangelho e\u0301 um anu\u0301ncio de vida no mar da morte, de liberdade nas voragens da escravida\u0303o, de luz no abismo das trevas. Como afirma Santo Ambro\u0301sio, \u00abos instrumentos da pesca aposto\u0301lica sa\u0303o como as redes: de facto, as redes na\u0303o fazem morrer quem fica preso nelas, mas conserva-o em vida, arrasta-o dos abismos para a luz\u00bb (<em>Exp. Luc.\u00a0<\/em>IV, 68-79).\u00a0Na\u0303o faltam trevas na sociedade atual, inclusive aqui em Portugal. Prova-se a sensac\u0327a\u0303o de que tenha diminui\u0301do o entusiasmo, a coragem de sonhar, a forc\u0327a para enfrentar os desafios, a confianc\u0327a no futuro; entretanto, vamos navegando nas incertezas, na precariedade econo\u0301mica, na pobreza de amizade social, na falta de esperanc\u0327a. A no\u0301s, como Igreja, cabe a tarefa de nos fazermos ao largo nas a\u0301guas deste mar,\u00a0lanc\u0327ando a rede do Evangelho, sem acusar ningue\u0301m, mas levando a\u0300s pessoas do nosso tempo uma proposta de vida nova, que e\u0301 a de Jesus: levar o acolhimento do Evangelho a uma sociedade multicultural; levar a proximidade do Pai a\u0300s situac\u0327o\u0303es de precariedade e pobreza, que crescem sobretudo entre os jovens; levar o amor de Cristo onde e\u0301 fra\u0301gil a fami\u0301lia e se encontram feridas as relac\u0327o\u0303es; transmitir a alegria do Espi\u0301rito onde reinam o desa\u0302nimo e o fatalismo. Assim se exprime um escritor vosso: \u00abPara se chegar ao infinito, e julgo que se pode la\u0301 chegar, e\u0301 preciso termos um porto, um so\u0301, firme, e partir dali para Indefinido\u00bb (F. Pessoa,\u00a0<em>Livro do Desassossego<\/em>, Lisboa 1998, 247). Queremos sonhar a Igreja Portuguesa como um \u00abporto seguro\u00bb para quem enfrenta as travessias, os naufra\u0301gios e as tempestades da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De corac\u0327a\u0303o vos agradec\u0327o, irma\u0303os e irma\u0303s, a atenc\u0327a\u0303o prestada, tudo o que fazeis, o vosso exemplo e consta\u0302ncia. Muito obrigado! E confio-vos a Nossa Senhora de Fa\u0301tima, a\u0300 guarda do Anjo de Portugal e a\u0300 protec\u0327a\u0303o dos vossos grandes Santos e, aqui em Lisboa, de modo especial a Santo Anto\u0301nio, apo\u0301stolo incansa\u0301vel, pregador inspirado, disci\u0301pulo do Evangelho atento aos males da sociedade e cheio de compaixa\u0303o pelos pobres. Que ele interceda por vo\u0301s e vos de\u0302 a alegria duma nova pesca milagrosa. E, por favor, n\u00e3o vos esque\u00e7ais de rezar por mim. Obrigado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=GL811kONRZ0\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=GL811kONRZ0<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">****************<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viagem Apost\u00f3lica a Portugal: Encontro com os Jovens na Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jornada Mundial da Juventude-Lisboa 2023<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>UCP &#8211; Lisboa<br \/>\nQuinta-feira, 3 de agosto de 2023 \u2013 09h00<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obrigado, senhora Reitora, pelas suas palavras. Afirmou que todos nos sentimos \u00abperegrinos\u00bb, palavra esta cujo significado merece ser meditado. Literalmente, significa deixar de lado a rotina habitual e p\u00f4r-se a caminho com um intento, que pode ser o de um passeio pelos campos ou ir mais al\u00e9m dos nossos confins habituais; seja como for, deixando o espa\u00e7o de conforto pessoal rumo a um horizonte de sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na imagem do \u00abperegrino\u00bb, espelha-se a condi\u00e7\u00e3o humana, pois todos somos chamados a confrontar-nos com grandes interrogativos para os quais n\u00e3o basta uma resposta simplista ou imediata, mas convidam a realizar uma viagem, superando-se a si mesmo, indo mais al\u00e9m. Trata-se dum processo que um universit\u00e1rio compreende bem, pois \u00e9 assim que nasce a ci\u00eancia. E de igual modo cresce tamb\u00e9m a busca espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desconfiemos das f\u00f3rmulas pr\u00e9-fabricadas, das respostas que nos parecem ao alcance da m\u00e3o, extra\u00eddas da manga como se fossem cartas viciadas de jogar; desconfiemos das propostas que parecem dar tudo sem pedir nada. Vemos numa par\u00e1bola de Jesus que s\u00f3 encontra a p\u00e9rola de grande valor quem a procura com sabedoria e iniciativa, quem d\u00e1 tudo e arrisca tudo o que tem para a possuir (cf. Mt 13, 45-46). Procurar e arriscar: eis os verbos dos peregrinos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando Pessoa diz, de modo atormentado, mas correto, que \u00abser descontente \u00e9 ser homem\u00bb (Mensagem, O Quinto Imp\u00e9rio). N\u00e3o devemos ter medo de nos sentir inquietos, de pensar que tudo o que possamos fazer n\u00e3o basta. Neste sentido e dentro duma justa medida, ser descontente \u00e9 um bom ant\u00eddoto contra a presun\u00e7\u00e3o da autossufici\u00eancia e o narcisismo. O ser incompleto carateriza a nossa condi\u00e7\u00e3o de indagadores e peregrinos, pois, como diz Jesus, estamos no mundo, mas n\u00e3o somos do mundo (cf. Jo 17, 16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos chamados a algo mais, a uma decolagem sem a qual n\u00e3o h\u00e1 voo. Portanto, n\u00e3o nos alarmemos se nos encontramos intimamente sedentos, inquietos, incompletos, desejosos de sentido e de futuro, com saudades do futuro. N\u00e3o estamos doentes, mas simplesmente vivos! Preocupemo-nos antes quando estamos prontos a substituir a estrada a fazer por qualquer esta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o que nos d\u00ea a ilus\u00e3o do conforto; quando substitu\u00edmos os rostos pelos ecr\u00e3s, o real pelo virtual; quando, em vez das perguntas lacerantes, preferimos as respostas f\u00e1ceis que anestesiam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amigos, permiti dizer-vos: procurai e arriscai. Neste momento hist\u00f3rico, os desafios s\u00e3o enormes e os gemidos dolorosos, mas abracemos o risco de pensar que n\u00e3o estamos numa agonia, mas num parto; n\u00e3o no fim, mas no in\u00edcio dum grande espet\u00e1culo. Por isso sede protagonistas duma \u00abnova coreografia\u00bb que coloque no centro a pessoa humana, sede core\u00f3grafos da dan\u00e7a da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As palavras da senhora Reitora serviram-me de inspira\u00e7\u00e3o sobretudo quando afirmou que \u00aba universidade n\u00e3o existe para se preservar como institui\u00e7\u00e3o, mas para responder com coragem aos desafios do presente e do futuro\u00bb. A autopreserva\u00e7\u00e3o \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o, um reflexo condicionado pelo medo, que nos faz olhar para a exist\u00eancia de forma distorcida. Se as sementes se preservassem a si mesmas, desperdi\u00e7ariam completamente a sua for\u00e7a geradora e condenar-nos-iam \u00e0 fome; se os invernos se preservassem a si mesmos, n\u00e3o existiria a maravilha da primavera. Por isso, tende a coragem de substituir os medos pelos sonhos: n\u00e3o administradores de medos, mas empreendedores de sonhos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 universidade que se comprometeu a formar as novas gera\u00e7\u00f5es, seria um desperd\u00edcio pens\u00e1-la apenas para perpetuar o atual sistema elitista e desigual do mundo com o ensino superior que continua a ser um privil\u00e9gio de poucos. Se o conhecimento n\u00e3o for acolhido como uma responsabilidade, torna-se est\u00e9ril.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se quem recebeu um ensino superior &#8211; que hoje, em Portugal e no mundo, continua a ser um privil\u00e9gio -, n\u00e3o se esfor\u00e7a por restituir aquilo de que beneficiou, significa que n\u00e3o compreendeu profundamente o que lhe foi oferecido. No G\u00e9nesis, as primeiras perguntas que Deus faz ao homem s\u00e3o: \u00abOnde est\u00e1s?\u00bb (3, 9) e \u00abOnde est\u00e1 o teu irm\u00e3o?\u00bb (4, 9). Ponhamo-nos a pergunta: Onde estou? Permane\u00e7o fechado no meu mundo ou abra\u00e7o o risco de sair das minhas seguran\u00e7as para me tornar um crist\u00e3o praticante, um artes\u00e3o de justi\u00e7a e beleza? E perguntemo-nos ainda: Onde est\u00e1 o meu irm\u00e3o? Experi\u00eancias de servi\u00e7o fraterno como a \u00abMiss\u00e3o Pa\u00eds\u00bb e muitas outras, que nascem no meio acad\u00e9mico, deveriam ser consideradas indispens\u00e1veis para quem passa por uma universidade. Com efeito, o t\u00edtulo de estudo n\u00e3o deve ser visto apenas como uma licen\u00e7a para construir o bem-estar pessoal, mas como um mandato para se dedicar a uma sociedade mais justa e inclusiva, ou seja, mais avan\u00e7ada. Disseram-me que a vossa grande poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, em entrevista que \u00e9 uma esp\u00e9cie de testamento, \u00e0 pergunta \u00abo que gostaria de ver realizado em Portugal neste novo s\u00e9culo?\u00bb, respondeu sem hesitar: \u00abGostaria que se realizasse a justi\u00e7a social, a diminui\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as entre ricos e pobres\u00bb (&#8220;Entrevista feita por Joaci Oliveira&#8221;, Cidade Nova, n\u00ba 3\/2001). Dirijo agora a mesma pergunta a v\u00f3s, caros estudantes, peregrinos do saber: Que quereis ver realizado em Portugal e no mundo? Quais mudan\u00e7as, quais transforma\u00e7\u00f5es? E como pode a universidade, especialmente a Cat\u00f3lica, contribuir para isso? Beatriz, Mahoor, Mariana e Tom\u00e1s, agrade\u00e7o os vossos testemunhos. Em todos havia um tom de<br \/>\nesperan\u00e7a, uma carga de entusiasmo realista, sem queixumes nem escapadelas idealistas. Quereis ser \u00abprotagonistas da mudan\u00e7a\u00bb, como disse a Mariana. Ao escutar-vos veio-me ao pensamento uma frase do escritor Almada Negreiros, que talvez vos seja familiar: \u00abSonhei com um pa\u00eds onde todos chegavam a Mestres\u00bb (A Inven\u00e7\u00e3o do Dia Claro). Tamb\u00e9m este idoso que vos fala sonha que a vossa gera\u00e7\u00e3o se torne uma gera\u00e7\u00e3o de mestres: mestres de humanidade, mestres de compaix\u00e3o, mestres de novas oportunidades para o planeta e seus habitantes, mestres de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como alguns de v\u00f3s sublinharam, devemos reconhecer a urg\u00eancia dram\u00e1tica de cuidar da casa comum. No entanto, isso n\u00e3o pode ser feito sem uma convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o e uma mudan\u00e7a da vis\u00e3o antropol\u00f3gica subjacente \u00e0 economia e \u00e0 pol\u00edtica. N\u00e3o podemos contentar-nos com simples medidas paliativas ou com t\u00edmidos e amb\u00edguos compromissos. Neste caso, \u00abos meios-termos s\u00e3o apenas um pequeno adiamento do colapso\u00bb (Francisco, Carta enc. Laudato si&#8221;, 194). Trata-se, pelo contr\u00e1rio, de tomar a peito o que infelizmente continua a ser adiado: a necessidade de redefinir o que chamamos progresso e evolu\u00e7\u00e3o. \u00c9 que, em nome do progresso, j\u00e1 abriu caminho muito retrocesso. V\u00f3s sois a gera\u00e7\u00e3o que pode vencer este desafio: tendes instrumentos cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos mais avan\u00e7ados, mas, por favor, n\u00e3o vos deixeis cair na cilada de vis\u00f5es parciais. N\u00e3o esque\u00e7ais que temos necessidade duma ecologia integral, de escutar o sofrimento do planeta juntamente com o dos pobres; necessidade de colocar o drama da desertifica\u00e7\u00e3o em paralelo com o dos refugiados; o tema das migra\u00e7\u00f5es juntamente com o da queda da natalidade; necessidade de nos ocuparmos da dimens\u00e3o material da vida no \u00e2mbito duma dimens\u00e3o espiritual. N\u00e3o queremos polariza\u00e7\u00f5es, mas vis\u00f5es de conjunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obrigado, Tom\u00e1s, por nos teres dito que \u00abn\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel uma verdadeira ecologia integral sem Deus, que n\u00e3o pode haver futuro num mundo sem Deus\u00bb. Tamb\u00e9m eu gostaria de vos dizer: tornai cred\u00edvel a f\u00e9 atrav\u00e9s das vossas escolhas. Porque se a f\u00e9 n\u00e3o gera estilos de vida convincentes, n\u00e3o faz levedar a massa do mundo. N\u00e3o basta que um crist\u00e3o esteja convencido, deve ser convincente; as nossas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o chamadas a refletir a beleza jubilosa e simultaneamente radical do Evangelho. Al\u00e9m disso, o cristianismo n\u00e3o pode ser habitado como uma fortaleza cercada de muros, que ergue baluartes contra o mundo. Por isso, achei tocante o testemunho de Beatriz, quando disse que \u00e9 precisamente \u00aba partir do campo da cultura\u00bb que se sente chamada a viver as Bem-aventuran\u00e7as. Em cada \u00e9poca, uma das tarefas mais importantes para os crist\u00e3os \u00e9 a de recuperar o sentido da encarna\u00e7\u00e3o. Sem a encarna\u00e7\u00e3o, o cristianismo torna-se ideologia; \u00e9 a encarna\u00e7\u00e3o que permite maravilhar-se com a beleza que Cristo revela atrav\u00e9s de cada irm\u00e3o e irm\u00e3, cada homem e mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prop\u00f3sito, \u00e9 interessante que, na vossa nova c\u00e1tedra dedicada \u00e0 \u00abEconomia de Francisco\u00bb, tenhais acrescentado a figura de Clara. De facto, \u00e9 indispens\u00e1vel o contributo feminino. Ali\u00e1s v\u00ea-se, na B\u00edblia, como a economia familiar est\u00e1 em grande parte na m\u00e3o da mulher. \u00c9 ela a verdadeira \u00abgovernante\u00bb da casa, com uma sabedoria que n\u00e3o visa exclusivamente o lucro, mas o cuidado, a conviv\u00eancia, o bem-estar f\u00edsico e espiritual de todos, bem como a partilha com os pobres e os estrangeiros. Abordar os estudos econ\u00f3micos com esta perspetiva \u00e9 entusiasmante, tendo em vista devolver \u00e0 economia a dignidade que lhe compete, para que n\u00e3o caia como presa do mercado selvagem e da especula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A iniciativa do Pacto Educativo Global e os sete princ\u00edpios da sua arquitetura incluem muitos desses temas, desde o cuidado da casa comum \u00e0 plena participa\u00e7\u00e3o das mulheres, \u00e0 necessidade de encontrar novas formas de entender a economia, a pol\u00edtica, o crescimento e o progresso. Convido-vos a estudar o Pacto Educativo Global e a apaixonar-vos por ele. Um dos pontos que trata \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o para o acolhimento e a inclus\u00e3o. N\u00e3o podemos fingir que n\u00e3o ouvimos as palavras de Jesus no cap\u00edtulo 25 de Mateus: \u00abera estrangeiro e recolhestes-me\u00bb (25, 35). Acompanhei emocionado o testemunho de Mahoor, quando lembrou o que significa viver com o \u00absentimento constante de aus\u00eancia de um lar, da fam\u00edlia, dos amigos, (&#8230;) de ter ficado sem teto, sem universidade, sem dinheiro, (&#8230;) cansada, exausta e abatida pela dor e pelas perdas\u00bb. Disse-nos que reencontrou a esperan\u00e7a porque algu\u00e9m acreditou no impacto transformador da cultura do encontro. Sempre que algu\u00e9m pratica um gesto de hospitalidade, desencadeia uma transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amigos, sinto-me feliz por ver-vos uma comunidade educativa viva, aberta \u00e0 realidade, com o Evangelho que n\u00e3o se limita a servir de ornamento, mas anima as partes e o todo. Sei que o vosso percurso engloba diversos \u00e2mbitos: estudo, amizade, servi\u00e7o social, responsabilidade civil e pol\u00edtica, cuidado da casa comum, express\u00f5es art\u00edsticas&#8230;. Ser uma universidade cat\u00f3lica significa antes de mais nada que cada elemento est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o com o todo e o todo rev\u00ea-se nas partes. Assim, enquanto se adquirem compet\u00eancias cient\u00edficas, vai-se amadurecendo como pessoa, no conhecimento de si mesmo e no discernimento do pr\u00f3prio caminho. Ent\u00e3o avante! Uma tradi\u00e7\u00e3o medieval conta que quando os peregrinos se cruzavam no Caminho de Santiago, um saudava o outro exclamando \u00abUltreia\u00bb ao que este respondia \u00abet Suseia\u00bb. Trata-se de express\u00f5es de encorajamento para prosseguir a busca e o risco da caminhada, dizendo a si mesmo: \u00abVai mais longe e mais alto!\u00bb \u00abCoragem, for\u00e7a, anda para diante!\u00bb Isto \u00e9 o que vos desejo tamb\u00e9m eu, de todo o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=FGU0SOndd-U\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=FGU0SOndd-U<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">****************<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/travels\/2023\/outside\/documents\/portogallo-gmg-2023.html\"><strong>VIAGEM APOST\u00d3LICA DO PAPA FRANCISCO A PORTUGAL<br \/>\nPOR OCASI\u00c3O DA<br \/>\nXXXVII JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE<\/strong><\/a><strong><br \/>\n<\/strong><strong>[2 &#8211; 6 DE agosto DE 2023]<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ENCONTRO COM OS JOVENS DAS SCHOLAS OCCURRENTES<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sede das Scholas Occurentes de Cascais<br \/>\nQuinta-feira, 3 de agosto de 2023<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pregunta 1 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bom dia! Scholas! Scholas! Scholas! Quando este espa\u00e7o me foi proposto, n\u00e3o tive d\u00favidas em aceitar e entrar porque nele todos partilham as suas emo\u00e7\u00f5es e sentimentos. \u00c9 um espa\u00e7o onde cada um contribui com aquilo que tem, de valores \u00e9ticos e morais, para o bem-estar da comunidade, independentemente da pr\u00f3pria religi\u00e3o ou origem. Sou mu\u00e7ulmano da Guin\u00e9-Bissau, mas sinto-me parte deste espa\u00e7o. E, como mu\u00e7ulmano, sinto a obriga\u00e7\u00e3o e o dever de me unir e fazer parte deste movimento. Pois o pr\u00f3prio isl\u00e3o encoraja \u00e0 boa conviv\u00eancia entre as cren\u00e7as, entre as v\u00e1rias cren\u00e7as. E exorta e preocupa-se pelo bem-estar da comunidade. Diz-nos aquilo que devemos fazer, ou seja, que devemos cuidar do pr\u00f3ximo. Por isso gostaria de saber o motivo por que Scholas \u00e9 um espa\u00e7o com que todos se identificam e porque \u00e9 necess\u00e1ria tanta diversidade para se obter uma obra de arte? Obrigado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resposta Papa <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scholas torna poss\u00edvel que cada um se sinta interpelado. Com grande respeito, que n\u00e3o \u00e9 um respeito est\u00e1tico, mas din\u00e2mico, que p\u00f5e as pessoas em movimento para fazerem coisas, para exprimirem-se agindo, como nesta pintura que, segundo as palavras de Jos\u00e9 Maria del Corral, \u00e9 uma \u00abcapela sistina\u00bb pintada por v\u00f3s [<em>Aplausos<\/em>]. Scholas p\u00f5e-te em movimento, faz-te respeitar o outro e escutar o outro que tem algo a dizer-te, e o outro por sua vez escutar-te a ti porque tens algo a dizer-lhe. Scholas mostra-te o caminho para avan\u00e7ar e faz-te seguir para diante. Scholas \u00e9 um encontro em que caminham todos, independentemente do pa\u00eds e da religi\u00e3o pedindo apenas para olharem para diante e caminharem juntos. E isto \u00e9 construtivo como os tr\u00eas quil\u00f3metros e meio de mural que fizestes para chegar at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pergunta 2 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queria avan\u00e7ar um pouco na dire\u00e7\u00e3o da diversidade, para entrar no tema que est\u00e1 na base dos dois meses do nosso trabalho: o caos. N\u00f3s, como grupo, e tamb\u00e9m eu individualmente, tivemos oportunidade de visitar v\u00e1rias comunidades diferentes, v\u00e1rias pessoas diferentes, de religi\u00e3o diferente, de culturas diferentes, e isto proporcionou-nos uma ocasi\u00e3o grandiosa para descobrir e aprofundar cada vez mais \u2013 n\u00e3o s\u00f3 dentro de n\u00f3s mesmos, mas tamb\u00e9m no \u00e2mbito da comunidade inteira \u2013 quais s\u00e3o os verdadeiros sentimento que nutrem, os verdadeiros sofrimentos que sentem e deste modo dar-lhes a possibilidade de exprimir tudo isso com uma pincelada, com uma linha no mural. Dar-lhes a oportunidade de se expressarem! E isto inevitavelmente envolve-nos, toca o nosso cora\u00e7\u00e3o e faz-nos pensar: Temos este sentimento? Estes sofrimentos fazem parte de n\u00f3s, do nosso conviver? Ent\u00e3o eu queria perguntar: Que seria da nossa exist\u00eancia sem o caos original? Obrigado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resposta Papa <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tu dizes \u00abcaos\u00bb, est\u00e1 bem! \u00c9 a crise&#8230; Sabe donde vem a palavra \u00abcrise\u00bb? Quando se recolhia o trigo, passava-se pelo crivo, crivava-se\u2026 (Notai o parentesco entre \u00abcrise\u00bb e \u00abcrivar\u00bb). E a crise, nas pessoas, s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es da vida, acontecimentos, problemas org\u00e2nicos, mau humor ou bom humor. Isto criva-te e tu deves escolher. Uma vida sem crise \u00e9 uma vida ass\u00e9ptica. Gostas de beber \u00e1gua? Gostas. Mas, se te der \u00e1gua destilada, n\u00e3o presta, n\u00e3o sabe de nada! Uma vida sem crise \u00e9 como a \u00e1gua destilada, n\u00e3o sabe de nada. N\u00e3o serve para nada, sen\u00e3o para guardar no arm\u00e1rio \u00e0 porta fechada. As crises devem ser aceites, devem ser assumidas e resolvidas, porque ficar prisioneiro na crise tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 bom\u2026 seria um suic\u00eddio cont\u00ednuo. \u00c9 como estar para chegar e nunca mais se chega, n\u00e3o \u00e9? As crises t\u00eam que ser atravessadas, devemos aceit\u00e1-las. E raramente sozinhos. Tamb\u00e9m isto \u00e9 importante no grupo Scholas: caminhar juntos para juntos enfrentar as crises, resolver as coisas. Importante \u00e9 continuar para diante e crescer juntos. Ent\u00e3o avante! Nem que seja apenas para comer uma feijoada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pergunta 3 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nestes dois \u00faltimos meses, trabalhamos muito para conseguir fazer o mural que o Papa viu l\u00e1 fora. Mas, este mural verdadeiramente representa o caos. O caos que, muitas vezes, quando o vivemos e o vivemos de perto, n\u00e3o compreendemos e \u00e9 uma grande confus\u00e3o. Parecem s\u00f3 linhas aleat\u00f3rias. Mas quando nos distanciamos, a certa dist\u00e2ncia come\u00e7amos a conseguir ver formas, cores; come\u00e7amos a conseguir encontrar um sentido neste caos, a conseguir pensar mais do que aquilo que frequentemente mal vemos ou sentimos, mas conseguimos exprimi-lo. Para mim, por exemplo, foi uma experi\u00eancia muito importante, porque tamb\u00e9m j\u00e1 vivi momentos de grande caos na minha vida \u2013 acho que todos os vivemos \u2013 e a verdade \u00e9 que ouvir a hist\u00f3ria dos outros, abrir-se verdadeiramente para escutar, para partilhar, para acolher todas as pessoas que participaram na realiza\u00e7\u00e3o deste mural, foi um privil\u00e9gio, talvez ainda maior do que para eles, para n\u00f3s que estamos aqui e tornamos poss\u00edvel isto ter acontecido. E tudo isto, porque buscamos este sentido; todos procuramos este sentido profundo de perceber, e que \u00e9 algo maior do que o simples estar aqui. Assim queremos perguntar-lhe: Quando passou junto do mural, que sentiu, que experimentou ao longo do trajeto at\u00e9 aqui, e concretamente no cora\u00e7\u00e3o deste mural que, para n\u00f3s, na realidade \u00e9 verdadeiramente o princ\u00edpio ou o fim; n\u00e3o sabemos. E, antes de responder, queremos tamb\u00e9m, em nome de todos, oferecer-lhe um pincel; este pincel representa-nos a todos n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resposta do Papa <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 lindo o que disseste do caos? Algu\u00e9m dizia que a vida do homem, a nossa vida humana, \u00e9 fazer do caos um cosmos, ou seja, do que n\u00e3o tem sentido, est\u00e1 desordenado, \u00e9 ca\u00f3tico fazer um cosmos, com sentido, aberto, convidativo, abrangente. N\u00e3o quero fazer aqui o catequista, mas se virmos a estrutura da narra\u00e7\u00e3o da Cria\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma narra\u00e7\u00e3o m\u00edtica, no verdadeiro sentido da palavra \u00abmito\u00bb. Pois o mito \u00e9 uma forma de conhecimento e quem escreveu o relato da Cria\u00e7\u00e3o usou este tipo de hist\u00f3ria. Um aparte! Esta narra\u00e7\u00e3o foi escrita muito tempo depois que o povo judeu teve a experi\u00eancia da sua liberta\u00e7\u00e3o. Por outras palavras, primeiro houve toda a experi\u00eancia do \u00eaxodo do povo hebreu e, depois, lan\u00e7aram um olhar de retrospetiva. E como come\u00e7ou a hist\u00f3ria? Como se transformou o caos em cosmos? L\u00e1, em linguagem po\u00e9tica, narra-se como Deus um dia do caos fez a luz, noutro dia faz o homem e continua a criar coisas e a transformar o caos em cosmos. Na nossa vida, sucede o mesmo: h\u00e1 momentos de crise (retomo esta palavra!), que s\u00e3o ca\u00f3ticos, deixas de saber em que ponto est\u00e1s. Todos atravessamos estes momentos escuros. Caos. E aqui o trabalho pessoal, o trabalho das pessoas que nos acompanham, dum grupo como este, \u00e9 transformar em cosmos. Torna-se dif\u00edcil para mim, neste caos desta \u00abcapela sistina\u00bb (<em>risos<\/em>), pensar que h\u00e1 um cosmos por tr\u00e1s dela, porque qual \u00e9 o cosmos? Estais a constru\u00ed-lo v\u00f3s na mensagem que estais a passar, no caminho que tendes \u00e0 vossa frente. Nunca vos esque\u00e7ais disto: transformar o caos num cosmos. E este \u00e9 o caminho de cada um, n\u00e3o \u00e9? Uma vida que permanece ca\u00f3tica \u00e9 uma vida falida, e uma vida que nunca sentiu o caos \u00e9 uma vida destilada, onde tudo \u00e9 perfeito. E as vidas destiladas n\u00e3o d\u00e3o vida, morrem em si mesmas. Mas se uma vida pessoal e relacional, que experimentou a crise como caos e aos poucos dentro de si, e na comunidade, conseguiu transformar-se num cosmos&#8230; parab\u00e9ns!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma jovem de Scholas Ocurrentes <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito obrigada, Papa Francisco, pelas tuas palavras. Obrigada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra jovem <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma alegria para n\u00f3s concluir assim este caminho. Mas, apesar desta experi\u00eancia terminar, gostar\u00edamos de pensar que a obra realmente nunca termina. Por isso, hoje, concluiremos come\u00e7ando. E, assim, quando um caminho se fecha, um novo caminho se abre. Decidimos chamar este projeto \u00abVida entre Mundos\u00bb. De facto, o mural inteiro \u00e9 uma experi\u00eancia e uma express\u00e3o de vida que nascem do encontro de tantas realidades diferentes. Por isso, hoje daremos um salto e reuniremos um mundo f\u00edsico com um mundo virtual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma terceira jovem <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedimos-te, querido Francisco, que nos acompanhes at\u00e9 \u00e0 parede, que est\u00e1 atr\u00e1s de ti e nos ofere\u00e7as de presente a \u00faltima pincelada deste mural, mas com um pincel muito particular, capaz de iniciar simultaneamente uma obra virtual que conseguir\u00e1 reunir as diferentes comunidades de Scholas em todo o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jos\u00e9 Mar\u00eda del Corral [Presidente de Scholas Ocurrentes]<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Papa Francisco, o v\u00eddeo, esse pincel virtual de que falava Eug\u00e9nia, \u00e9 uma arma em prol da paz. Parece uma pistola porque disparar\u00e1 aqui, mas, em vez de matar, esta pincelada que dar\u00e1s na parede, vais d\u00e1-la tamb\u00e9m no mundo virtual. Neste momento, h\u00e1 mi\u00fados de Scholas em Mo\u00e7ambique, que montaram um dispositivo no Tofo, para ver a pincelada que realizar\u00e1s agora fazendo-a seguir no mundo virtual, porque os jovens querem que sejas tu a unir o mundo f\u00edsico com o virtual para que o mundo virtual nunca deixe de ser concreto e comprometido com a realidade [<em>aplausos<\/em>]. Pintemos a parede.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papa<\/strong><em>:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta \u00e9 a hist\u00f3ria do bom Samaritano, e nenhum de n\u00f3s est\u00e1 dispensado de ser um bom Samaritano. \u00c9 uma obriga\u00e7\u00e3o que todos n\u00f3s temos. Cada um tem que procurar s\u00ea-lo na vida, porque a vida se acaba e, se o n\u00e3o conseguiu, fica perdido como na guerra. O bom Samaritano encontrou o homem ca\u00eddo no ch\u00e3o\u2026 Antes dele, por\u00e9m, passara um levita, tinha passado um sacerdote, mas estavam com pressa. N\u00e3o lhe deram import\u00e2ncia. Al\u00e9m de ter pressa, eles n\u00e3o podiam toc\u00e1-lo porque havia sangue; e, segundo a legisla\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, quem tocava no sangue tornava-se impuro. Consequentemente tinha de se purificar, n\u00e3o sei dizer por quanto tempo, de modo que isto impedia-os de cumprir o seu dever, n\u00e3o deviam tocar&#8230; \u00abMorre, mas eu n\u00e3o te toco, n\u00e3o me torno impuro. Morre, mas eu impuro n\u00e3o fico\u00bb. N\u00e3o vos esque\u00e7ais disto. Quantas vezes nos pode passar pela cabe\u00e7a: \u00abMorre, mas eu n\u00e3o me torno impuro\u00bb! Quantas vezes se prefere a \u00abpureza ritual\u00bb \u00e0 proximidade humana! Segundo a mentalidade do tempo, os samaritanos eram mal vistos pelos judeus: eram \u00abdesgra\u00e7ados\u00bb, todos desgra\u00e7ados e comerciantes\u2026 N\u00e3o eram puros de mente, de cora\u00e7\u00e3o; eram marginalizados, mas o bom Samaritano v\u00ea o homem por terra, p\u00e1ra e a narra\u00e7\u00e3o diz que sentiu compaix\u00e3o. Enquanto os outros pensavam \u00abmorre; preocupa-me a minha pureza\u00bb, este sentiu compaix\u00e3o. Deixo-vos a pergunta: O que \u00e9 que me faz sentir compaix\u00e3o? Ou tens um cora\u00e7\u00e3o t\u00e3o \u00e1rido que j\u00e1 n\u00e3o sente compaix\u00e3o? Cada um responda para si. Depois, que acontece? Leva-o para uma estalagem pede um quarto para ele e diz ao estalajadeiro: \u00abOlha! Daqui a tr\u00eas dias eu volto\u00bb. Entretanto avan\u00e7o isto e, se for mais, pagar-te-ei quando voltar. Afinal aquele dito \u00abdesgra\u00e7ado\u00bb era um que pagava. Assim, temos os ladr\u00f5es que o deixam meio-morto, o bom Samaritano que cuida dele, o levita e o sacerdote que se afastam para n\u00e3o se tornarem impuros. E Jesus diz: este entra no Reino dos C\u00e9us, porque teve compaix\u00e3o. Pensai um pouco nesta hist\u00f3ria. Onde estou eu? Prejudico as pessoas? Onde estou eu? Evito as dificuldades reais ou n\u00e3o temo sujar as m\u00e3os? \u00c0s vezes na vida \u00e9 preciso sujar as m\u00e3os, para n\u00e3o sujar o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma jovem <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obrigada, querido Francisco, pela tua prenda, um verdadeiro sinal para continuarmos a caminhara juntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora dou-vos a b\u00ean\u00e7\u00e3o, mas prometei pedir depois a b\u00ean\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(<em>B\u00ean\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas<\/em>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rezai por mim e quem dentre v\u00f3s n\u00e3o o pode fazer, porque n\u00e3o sabe ou n\u00e3o costuma faz\u00ea-l, mande-me energia positiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(Aplausos)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jsbve7dBxz0\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jsbve7dBxz0<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">****************<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viagem Apost\u00f3lica a Portugal: Cerim\u00f3nia do acolhimento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jornada Mundial da Juventude-Lisboa 2023<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Colina do encontro &#8211; Parque Eduardo VII, Lisboa<br \/>\nQuinta-feira, 3 de agosto de 2023 \u2013 19h00<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queridos jovens, boa tarde!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem-vindos! Bem-vindos e obrigado por estardes aqui. Fico feliz por vos ver! E feliz fico tamb\u00e9m ao escutar o simp\u00e1tico barulho que fazeis, contagiando-me com a vossa alegria. \u00c9 belo estarmos juntos em Lisboa: para aqui fostes chamados por mim, pelo Patriarca \u2013 a quem agrade\u00e7o as palavras que me dirigiu \u2013, pelos vossos Bispos, sacerdotes, catequistas, animadores. Agrade\u00e7amos a todos aqueles que vos chamaram e a quantos trabalharam para tornar poss\u00edvel este encontro: fa\u00e7amo-lo com uma grande salva de palmas! Mas foi sobretudo Jesus quem vos chamou; agrade\u00e7amos, pois, a Jesus com outra grande salva de palmas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00f3s n\u00e3o estais aqui por acaso. O Senhor chamou-vos, n\u00e3o s\u00f3 nestes dias, mas desde o in\u00edcio dos vossos dias. Chamou-nos a todos desde o in\u00edcio da vida. Chamou-vos pelos vossos nomes. Como ouvimos na Palavra de Deus, Ele chamou-nos pelo pr\u00f3prio nome.\u00a0<em>Chamados pelo nome<\/em>: tentai imaginar estas tr\u00eas palavras escritas em letras grandes e, em seguida, pensai que est\u00e3o escritas dentro de v\u00f3s, nos vossos cora\u00e7\u00f5es, como que formando o t\u00edtulo da vossa vida, o sentido daquilo que sois. Tu foste\u00a0<em>chamado pelo teu nome<\/em>: tu\u2026 al\u00e9m, tu\u2026 ali, tu\u2026 aqui, e tamb\u00e9m eu, todos n\u00f3s fomos chamados pelo pr\u00f3prio nome. N\u00e3o fomos chamados automaticamente, fomos chamados pelo nome. Pensemos nisto: Jesus chamou-me pelo meu nome. S\u00e3o palavras escritas no cora\u00e7\u00e3o; pensemos, pois, que est\u00e3o escritas dentro de cada um de n\u00f3s, nos nossos cora\u00e7\u00f5es, e formam uma esp\u00e9cie de t\u00edtulo para a tua vida, o sentido do que \u00e9s, o sentido daquilo que cada um \u00e9.\u00a0<em>Foste chamado pelo teu nome<\/em>. Nenhum de n\u00f3s \u00e9 crist\u00e3o por acaso, todos fomos chamados pelo nosso nome. Ao princ\u00edpio da teia da vida, ainda antes dos talentos que possu\u00edmos, antes das sombras, das feridas que trazemos dentro de n\u00f3s, recebemos um chamamento. Fomos chamados, porqu\u00ea? Porque amados. Fomos chamados, porque somos amados. \u00c9 belo! Aos olhos de Deus somos filhos preciosos, que Ele cada dia chama para abra\u00e7ar, para encorajar; para fazer de cada um de n\u00f3s uma obra-prima \u00fanica, original. Cada um de n\u00f3s \u00e9 \u00fanico e original, e n\u00e3o chegamos sequer a vislumbrar a beleza de tudo isto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queridos jovens, nesta Jornada Mundial da Juventude, ajudemo-nos mutuamente a reconhecer esta realidade; sejam estes dias\u00a0<em>ecos vibrantes da chamada amorosa de Deus<\/em>, porque somos preciosos a seus olhos, apesar do que \u00e0s vezes os nossos olhos veem; \u00e9 que \u00e0s vezes os nossos olhos est\u00e3o enevoados pela negatividade e ofuscados por tantas distra\u00e7\u00f5es. Sejam dias em que o meu nome, o\u00a0<em>teu nome<\/em>, atrav\u00e9s de irm\u00e3os e irm\u00e3s de muitas l\u00ednguas, de muitas na\u00e7\u00f5es (vimos tantas bandeiras) que o pronunciam com amizade, ressoe como uma not\u00edcia \u00fanica na hist\u00f3ria, porque \u00fanico \u00e9 o pulsar do cora\u00e7\u00e3o de Deus por ti. Sejam dias para fixar no cora\u00e7\u00e3o que somos amados como somos. N\u00e3o como gostar\u00edamos de ser, mas como somos agora. E este \u00e9 o ponto de partida da JMJ, mas sobretudo o ponto de partida da vida. Jovens mo\u00e7os e mo\u00e7as, somos amados como somos, sem maquilhagem. Compreendeis isto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E cada um de n\u00f3s \u00e9 chamado pelo nome. N\u00e3o se trata de um simples modo de dizer, \u00e9 Palavra de Deus (cf.\u00a0<em>Is<\/em>\u00a043, 1;\u00a0<em>2 Tm<\/em>\u00a01, 9). Amigo, amiga, se Deus te chama pelo nome significa que, para Ele, nenhum de n\u00f3s \u00e9 um n\u00famero; mas \u00e9 um rosto, \u00e9 uma cara, \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o. Quero que cada um de v\u00f3s note uma coisa: muitos, hoje, sabem o teu nome, mas n\u00e3o te chamam pelo nome. Com efeito, o teu nome \u00e9 conhecido, aparece nas redes sociais, \u00e9 processado por algoritmos que lhe associam gostos e prefer\u00eancias. Mas tudo isso n\u00e3o interpela a tua singularidade, mas a tua utilidade para pesquisas de mercado. Quantos lobos se escondem por tr\u00e1s de sorrisos de falsa bondade, dizendo que conhecem quem \u00e9s, mas sem te querer bem, insinuando que creem em ti e prometendo que ser\u00e1s algu\u00e9m, para depois te deixarem sozinho, quando j\u00e1 n\u00e3o lhes fores \u00fatil. E estas s\u00e3o as ilus\u00f5es do mundo virtual e devemos estar atentos para n\u00e3o nos deixarmos enganar, porque muitas realidades que hoje nos atraem e prometem felicidade, mostram-se depois pelo que s\u00e3o: coisas v\u00e3s, bolas de sab\u00e3o, coisas sup\u00e9rfluas, coisas in\u00fateis e que deixam o vazio interior. Digo-vos uma coisa: Jesus n\u00e3o \u00e9 assim, n\u00e3o \u00e9 assim! Ele confia em ti, confia em cada um de v\u00f3s, em cada um de n\u00f3s, porque Jesus interessa-Se por cada um de n\u00f3s; cada um de v\u00f3s \u00e9 importante para Ele. Assim \u00e9 Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 por isso que n\u00f3s, sua Igreja, somos\u00a0<em>a comunidade dos que s\u00e3o chamados<\/em>; n\u00e3o somos a comunidade dos melhores, n\u00e3o! Somos todos pecadores, mas somos chamados assim como somos. Pensemos um pouco nisto, em nosso cora\u00e7\u00e3o: somos chamados como somos, com os problemas que temos, com as limita\u00e7\u00f5es que temos, com a nossa alegria transbordante, com a nossa vontade de sermos melhores, com a nossa vontade de vencer. Somos chamados como somos. Pensai nisto: Jesus chama-me como eu sou, n\u00e3o como eu gostaria de ser. Somos comunidade de irm\u00e3os e irm\u00e3s de Jesus, filhos e filhas do mesmo Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amigos, quero ser claro convosco, que sois al\u00e9rgicos \u00e0 falsidade e \u00e0s palavras vazias: na Igreja h\u00e1 espa\u00e7o para todos. Para todos. Na Igreja, ningu\u00e9m \u00e9 de sobra. Nenhum est\u00e1 a mais. H\u00e1 espa\u00e7o para todos. Assim como somos. Todos. Jesus di-lo claramente. Quando manda os ap\u00f3stolos chamar para o banquete daquele senhor que o preparara, diz: \u00abIde e trazei todos\u00bb, jovens e idosos, s\u00e3os, doentes, justos e pecadores. Todos, todos, todos! Na Igreja, h\u00e1 lugar para todos. \u00abPadre, mas para mim que sou um desgra\u00e7ado, que sou uma desgra\u00e7ada, tamb\u00e9m h\u00e1 lugar?\u00bb H\u00e1 espa\u00e7o para todos! Todos juntos\u2026 Pe\u00e7o a cada um que, na pr\u00f3pria l\u00edngua, repita comigo: \u00abTodos, todos, todos\u00bb. N\u00e3o se ouve; outra vez! \u00abTodos, todos, todos\u00bb. E esta \u00e9 a Igreja, a M\u00e3e de todos. H\u00e1 lugar para todos. O Senhor n\u00e3o aponta o dedo, mas abre os bra\u00e7os. \u00c9 curioso! O Senhor n\u00e3o sabe fazer isto [<em>aponta com o dedo em riste<\/em>], mas isto sim [<em>faz o gesto de abra\u00e7ar<\/em>]. Abra\u00e7a a todos. No-lo mostra Jesus na cruz, onde abriu completamente os bra\u00e7os para ser crucificado e morrer por n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus nunca fecha a porta, nunca. Mas convida-te a entrar: \u00abentra e v\u00ea!\u00bb Jesus recebe, Jesus acolhe. Nestes dias cada um de n\u00f3s transmite a linguagem do amor de Jesus. Deus te ama, Deus te chama. Que belo \u00e9 isto! Deus ama-me, Deus chama-me. Quer que eu esteja perto d\u2019Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta tarde, v\u00f3s tamb\u00e9m me fizestes perguntas, muitas perguntas.\u00a0<em>Nunca vos canseis de perguntar<\/em>\u2026 Perguntar, \u00e9 bom; ali\u00e1s muitas vezes \u00e9 melhor que dar respostas, porque quem pergunta permanece \u00abinquieto\u00bb e a\u00a0<em>inquietude<\/em>\u00a0\u00e9 o melhor rem\u00e9dio contra a rotina, que \u00e0s vezes se torna uma esp\u00e9cie de normalidade que anestesia a alma. Cada um de n\u00f3s traz dentro os pr\u00f3prios interrogativos. Levemos estas quest\u00f5es connosco e ponhamo-las no di\u00e1logo comum entre n\u00f3s. Ponhamo-las quando rezamos diante de Deus. Com o transcorrer da vida, essas perguntas v\u00e3o tendo resposta; s\u00f3 nos resta esperar. E uma coisa muito interessante: o amor de Deus surpreende-nos. N\u00e3o est\u00e1 programado. O amor de Deus vem de surpresa. Surpreende sempre. Sempre nos mant\u00e9m alerta e surpreende.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queridos jovens mo\u00e7os e mo\u00e7as, convido-vos a pensar nesta coisa maravilhosa: Deus\u00a0<em>ama-nos<\/em>! Deus ama-nos\u00a0<em>como somos<\/em>, n\u00e3o como gostar\u00edamos de ser ou como a sociedade queria que f\u00f4ssemos. Como somos! Chama-nos com os defeitos que temos, com as limita\u00e7\u00f5es que temos e com a vontade que temos de avan\u00e7ar na vida. Deus chama-nos assim. Confiai, porque Deus \u00e9 Pai e um Pai que nos quer bem, um Pai que nos ama. Isto nem sempre \u00e9 muito f\u00e1cil. Mas podemos contar com uma grande ajuda: a da M\u00e3e do Senhor. Ela tamb\u00e9m \u00e9 nossa M\u00e3e. Maria \u00e9 nossa M\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 tudo o que vos queria dizer. N\u00e3o tenhais medo, tende coragem, continuai para diante, sabendo que, por \u00abamortizador\u00bb das dificuldades, temos o amor que Deus nos tem. Deus ama-nos. Digamo-lo todos juntos: \u00abDeus ama-nos\u00bb. Mais alto, n\u00e3o consigo ouvir [<em>repetem<\/em>]. Aqui n\u00e3o se ouve [<em>repetem<\/em>] Obrigado. Adeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NCWxnaB-kxI\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NCWxnaB-kxI<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">****************<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viagem Apost\u00f3lica a Portugal: Encontro com os representantes de alguns centros de assist\u00eancia e de caridade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jornada Mundial da Juventude-Lisboa 2023<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bairro da Liberdade e Bairro da Serafina \u2013 Lisboa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04 de agosto de 2023 \u2013 10h00<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agrade\u00e7o ao p\u00e1roco as suas palavras, e sa\u00fado a todos os presentes, em particular aos amigos do Centro Paroquial da Serafina, da Casa Fam\u00edlia Ajuda de Ber\u00e7o e da Associa\u00e7\u00e3o Acreditar. \u00c9 bom estarmos aqui juntos, enquanto, no contexto da Jornada Mundial da Juventude, olhamos para a Virgem Maria que Se levanta e vai ajudar Isabel, sua parente idosa (cf.\u00a0<em>Lc\u00a0<\/em>1, 39). De facto, a caridade \u00e9 a origem e a meta do caminho crist\u00e3o, e a vossa presen\u00e7a, realidade concreta de \u00abamor em a\u00e7\u00e3o\u00bb, ajuda-nos a n\u00e3o esquecer a rota, o sentido daquilo que fazemos. Obrigado pelos vossos testemunhos, dos quais quero destacar tr\u00eas aspetos:\u00a0<em>fazer juntos o bem, agir no concreto\u00a0<\/em>e\u00a0<em>estar pr\u00f3ximo dos mais fr\u00e1geis<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro,\u00a0<em>fazer juntos o bem<\/em>. \u00abJuntos\u00bb \u00e9 a palavra-chave, que ouvi repetir muitas vezes nas vossas interven\u00e7\u00f5es. Viver, ajudar e amar juntos: jovens e adultos, s\u00e3os e doentes\u2026 juntos. O Jo\u00e3o disse-nos uma coisa importante: \u00e9 preciso n\u00e3o se deixar \u00abdefinir\u00bb pela doen\u00e7a, mas fazer dela parte viva do contributo que prestamos ao conjunto, \u00e0 comunidade. \u00c9 verdade! N\u00e3o devemos deixar-nos \u00abdefinir\u00bb pela doen\u00e7a ou pelos problemas, porque n\u00e3o somos uma doen\u00e7a nem um problema. Cada um de n\u00f3s \u00e9 um dom, um dom \u00fanico com os seus limites, um dom precioso e sagrado para Deus, para a comunidade crist\u00e3 e para a comunidade humana. E, assim como somos, enriquecemos o conjunto e deixamo-nos enriquecer pelo conjunto!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo,\u00a0<em>agir no concreto<\/em>. Tamb\u00e9m isto \u00e9 importante. A Igreja n\u00e3o \u00e9 um museu de arqueologia, mas \u2013 como nos recordava o padre Francisco, inspirando-se em S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII \u2013 \u00e9 \u00abo antigo fontan\u00e1rio da aldeia que d\u00e1 \u00e1gua \u00e0s gera\u00e7\u00f5es de hoje, como a deu \u00e0s do passado\u00bb (<em>Homilia na Liturgia em Rito Bizantino- Eslavo em honra de S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo<\/em>, 13\/XI\/1960). O fontan\u00e1rio serve para matar a sede dos caminhantes que chegam, carregando o peso real e as canseiras concretas do seu caminho! Por conseguinte \u00e9 necess\u00e1ria concretiza\u00e7\u00e3o, aten\u00e7\u00e3o ao \u00abaqui e agora\u00bb, como ali\u00e1s j\u00e1 fazeis com o cuidado dos pormenores e sentido pr\u00e1tico, belas virtudes t\u00edpicas do povo portugu\u00eas. Quando n\u00e3o se perde tempo a lamentar-se da realidade, mas se tem a preocupa\u00e7\u00e3o de ir ao encontro das car\u00eancias concretas, com alegria e confian\u00e7a na Provid\u00eancia, acontecem coisas maravilhosas. Assim o testemunha a vossa hist\u00f3ria: do encontro com o olhar de um idoso na rua, nasce um centro de caridade \u00abde todo o respeito\u00bb, como este em que nos encontramos; de um desafio moral e social qual \u00e9 a \u00abcampanha pela vida\u00bb, nasce uma associa\u00e7\u00e3o que ajuda gr\u00e1vidas e sua fam\u00edlia, crian\u00e7as, adolescentes e jovens em dificuldade, para encontrarem um projeto de vida seguro, como nos contou Sandra; da experi\u00eancia da doen\u00e7a nasce uma comunidade de apoio a quem luta contra o cancro, especialmente crian\u00e7as, de modo que \u00abos progressos no tratamento e a melhor qualidade de vida se tornem realidade para eles\u00bb, como nos disse o Jo\u00e3o. Obrigado pelo que fazeis! Continuai com mansid\u00e3o e gentileza a deixar-vos interpelar pela realidade, com as suas pobrezas antigas e novas, e a responder de forma concreta, com criatividade e coragem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro aspeto:\u00a0<em>estar pr\u00f3ximo dos mais fr\u00e1geis<\/em>. Todos somos fr\u00e1geis e necessitados, mas o olhar feito de compaix\u00e3o, pr\u00f3prio do Evangelho, leva-nos a ver as necessidades de quem mais precisa. Leva-nos\u00a0a servir os pobres, os prediletos de Deus que Se fez pobre por n\u00f3s (cf.\u00a0<em>2 Cor\u00a0<\/em>8, 9): os exclu\u00eddos, os marginalizados, os descartados, os humildes, os indefesos. S\u00e3o eles o tesouro da Igreja, s\u00e3o os preferidos de Deus! E recordemo-nos sempre de n\u00e3o estabelecer diferen\u00e7as entre eles; de facto, para um crist\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 prefer\u00eancias face a quem, necessitado, bate \u00e0 nossa porta: compatriotas ou estrangeiros, pertencentes a este ou \u00e0quele grupo, jovens ou idosos, simp\u00e1ticos ou antip\u00e1ticos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prop\u00f3sito de caridade, quero agora contar-vos uma hist\u00f3ria, especialmente a v\u00f3s, crian\u00e7as, que talvez n\u00e3o conhe\u00e7ais. \u00c9 a hist\u00f3ria real dum jovem portugu\u00eas que viveu h\u00e1 muito tempo. Chamava-se Jo\u00e3o Cidade e habitava em Montemor-o-Novo. Sonhava com uma vida aventureira; por isso, adolescente ainda, partiu de casa \u00e0 procura da felicidade. Achou-a depois de v\u00e1rios anos e muitas aventuras, quando encontrou Jesus. E ficou t\u00e3o contente com a descoberta que at\u00e9 decidiu mudar o nome, chamando-se a partir de ent\u00e3o, n\u00e3o Jo\u00e3o Cidade, mas\u00a0<em>Jo\u00e3o de Deus<\/em>. E fez uma coisa ousada: foi pela cidade e come\u00e7ou a pedir esmola pelas ruas, dizendo \u00e0s pessoas: \u00abFazei bem, irm\u00e3os, a v\u00f3s mesmos!\u00bb Compreendeis? Pedia a esmola, mas dizia a quantos lha davam que, ajudando-o a ele, na realidade estavam a ajudar antes de mais nada a si pr\u00f3prios! Ou seja, explicava que os gestos de amor s\u00e3o um dom primariamente para quem os cumpre, antes mesmo de o serem para quem os recebe; porque tudo o que se acumula para si mesmo perder-se-\u00e1, enquanto aquilo que se d\u00e1 por amor nunca se desperdi\u00e7a, mas ser\u00e1 o nosso tesouro no c\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso dizia: \u00abFazei bem, irm\u00e3os, a v\u00f3s mesmos!\u00bb Por\u00e9m o amor n\u00e3o torna felizes s\u00f3 no c\u00e9u, mas j\u00e1 aqui na terra, porque dilata o cora\u00e7\u00e3o e permite abra\u00e7ar o sentido da vida. Se queremos ser verdadeiramente felizes, aprendamos a transformar tudo em amor, oferecendo aos outros o nosso trabalho e o nosso tempo, dizendo palavras edificantes e realizando boas a\u00e7\u00f5es, mesmo com um sorriso, com um abra\u00e7o, com a escuta, com o olhar. Queridos adolescentes, irm\u00e3os e irm\u00e3s, vivamos assim! Todos podemos faz\u00ea-lo e disto mesmo todos precisamos, aqui e em qualquer lugar do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabeis o que aconteceu depois a Jo\u00e3o? N\u00e3o o entenderam! Pensavam que estava maluco e fecharam- no num manic\u00f3mio. Mas ele n\u00e3o se desmoralizou, porque o amor n\u00e3o se arrende e quem segue Jesus n\u00e3o perde a paz nem se p\u00f5e a lamentar a sua sorte. E foi precisamente l\u00e1, no manic\u00f3mio, carregando a cruz, que chegou a inspira\u00e7\u00e3o de Deus. Jo\u00e3o deu-se conta de quanto aqueles doentes precisavam de ajuda e, quando finalmente o deixaram sair, depois de alguns meses, come\u00e7ou a cuidar deles com outros companheiros, fundando uma Ordem Religiosa: os\u00a0<em>Irm\u00e3os Hospitaleiros<\/em>. Alguns, por\u00e9m, come\u00e7aram a design\u00e1-los doutro modo, ou seja, com as palavras \u00abfazei bem, irm\u00e3os\u2026\u00bb que aquele jovem ia repetindo a todos. Assim s\u00e3o chamados em Roma:\u00a0<em>Fatebenefratelli<\/em>. \u00c9 um belo nome, e um ensinamento importante! Ajudar os outros \u00e9 um dom para si pr\u00f3prio e faz bem a todos. \u00c9 verdade! Amar \u00e9 um dom para todos! Recordemo-nos: \u00abo amor \u00e9 um presente para todos!\u00bb Vamos repetir juntos: o amor \u00e9 um presente para todos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amemo-nos assim! Continuai a fazer da vida um presente de amor e de alegria. Fico-vos grato e recomendo a todos, mas especialmente \u00e0s crian\u00e7as: continuai a rezar por mim. Obrigado!&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=aByZY7W6l3I&amp;t=3s\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=aByZY7W6l3I&amp;t=3s<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">****************<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viagem Apost\u00f3lica a Portugal: Via-Sacra com os jovens<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jornada Mundial da Juventude-Lisboa 2023<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Colina do encontro \u2013 Parque Eduardo VII \u2013 04 de agosto de 2023 \u2013 18h45<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Via Sacra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria levantou-se e p\u00f4s-se a caminho. Jesus aprendeu com a Sua M\u00e3e: mesmo sob a Cruz, Jesus levantou-Se e p\u00f4s-Se a caminho. Senhor, ensina-nos a n\u00f3s, jovens, a levantar e a andar em frente. Mesmo quando a vida \u00e9 dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1\u00aa Esta\u00e7\u00e3o | Jesus e\u0301 condenado a\u0300 morte<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor, Pilatos assinou o decreto. Assinou o decreto que extinguia o Teu futuro. \u201cEste ser humano deve morrer; ele n\u00e3o ter\u00e1 mais futuro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos jovens sentimos isto hoje, Senhor, que o futuro nos est\u00e1 a ser tirado. Dizem-nos que a vida est\u00e1 cheia de oportunidades, mas \u00e9 dif\u00edcil ver onde est\u00e3o essas oportunidades quando o dinheiro n\u00e3o chega, quando n\u00e3o se consegue arranjar trabalho e quando ter acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u00e9, na pr\u00e1tica, muitas vezes imposs\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor, mesmo quando Te condenaram \u00e0 morte, Tu n\u00e3o Te deixaste ir abaixo. Explicaste a Pilatos que ele n\u00e3o teria nenhum poder sobre Ti se Deus n\u00e3o o permitisse. E, com o Pai a Teu lado, seguiste em frente, confiando no futuro. Ensina-nos a fazer o mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2\u00aa Esta\u00e7\u00e3o | Jesus toma a Cruz aos ombros<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Puseram-Te \u00e0s costas um tronco pesado de madeira. E j\u00e1 Te tinham torturado. Que viol\u00eancia, Senhor! Viveste num mundo violento e foste v\u00edtima dessa viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo onde vivemos talvez n\u00e3o seja muito diferente. Guerras, atentados, tiroteios em massa mas tamb\u00e9m viol\u00eancia nos casamentos e nos namoros, abusos de crian\u00e7as, bullying, abusos de poder, fam\u00edlias onde se atiram palavras que s\u00e3o piores que pedras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Puseram-te uma Cruz \u00e0s costas mas Tu, Senhor, n\u00e3o Te deste por vencido. Onde encontraste a for\u00e7a para caminhar? Imagino-Te a dizer para Ti mesmo: \u201cO amor vencer\u00e1 sobre a viol\u00eancia\u201d. Senhor, d\u00e1-me for\u00e7a para amar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3\u00aa Esta\u00e7\u00e3o | Jesus cai pela primeira vez<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desculpa, Senhor, n\u00e3o estou habituado a ver os meus her\u00f3is abandonados no ch\u00e3o com a boca suja de terra. Por que Te sujeitaste? \u00c9 abandono a mais; \u00e9 solid\u00e3o a mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tu, sozinho. \u00c9 assim tamb\u00e9m que, por vezes, me sinto quando espero uma mensagem que n\u00e3o vem ou um abra\u00e7o que n\u00e3o aparece. \u00c0s vezes, acho que \u00e9 culpa minha, que n\u00e3o tenho jeito e que me fecho; outras vezes, acho que vivo num mundo ego\u00edsta onde cada um s\u00f3 pensa em si mesmo. N\u00e3o sei, s\u00f3 sei que h\u00e1 muitos jovens sozinhos. Mesmo quando est\u00e3o rodeados de gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olho para Ti ca\u00eddo por terra. Imagino-Te a levantares a cabe\u00e7a e a olhares para mim. Imagino-Te a dizer: \u201cCaio contigo para te levantar comigo. V\u00e1, p\u00f5e-te de p\u00e9 e avan\u00e7a. Vamos juntos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4\u00aa Esta\u00e7\u00e3o | Jesus encontra Sua M\u00e3e<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Provavelmente, por entre os gritos da multid\u00e3o, ouviste a voz da Tua m\u00e3e. Uma voz suave e inconfund\u00edvel. \u201cMeu filho. Estou aqui\u201d. Procuraste o seu rosto. Encontraste-o sereno a dizer que \u201csim\u201d com a cabe\u00e7a. \u201cSim\u201d. Era tudo o que precisavas de ver. Um sinal de confirma\u00e7\u00e3o. Um sinal que viesse do amor puro. Como a dizer: \u201cVai em frente, compromete-te, compromete-te com o Bem. Deus ajudar\u00e1.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fala-me ao ouvido, m\u00e3e de Jesus. Fala-me de amor, fala-me de compromisso. De compromisso com o Bem. N\u00e3o me deixes ficar sentado \u00e0 espera. \u00c0 espera do \u201cmomento ideal\u201d, da pessoa ideal, do trabalho ideal, da Igreja ideal. N\u00e3o me deixes ficar sentado a imaginar, enquanto o mundo avan\u00e7a sem mim e sem aquilo que eu teria para lhe dar. Maria, ajuda-me a abra\u00e7ar a minha voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5\u00aa Esta\u00e7\u00e3o | Sima\u0303o de Cirene ajuda Jesus a carregar a Cruz<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os soldados obrigaram um homem chamado Sim\u00e3o a carregar a cruz de Jesus. N\u00e3o lhe pediram, obrigaram-no. \u00c0 for\u00e7a. Era um trabalhador rural. Nem sequer era romano. N\u00e3o valia, n\u00e3o tinha direito a dizer se queria ou se n\u00e3o queria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, o mundo tamb\u00e9m est\u00e1 cheio de exclus\u00f5es e de intoler\u00e2ncias. H\u00e1 minorias n\u00e3o t\u00eam direito a falar ou mesmo a existir. Em muitos pa\u00edses, nem se pode praticar a religi\u00e3o que se entender. H\u00e1 muitas pessoas que n\u00e3o podem exprimir livremente as suas ideias. Cada grupo quer impor a sua maneira de ver e afastar quem pense diferente. Por vezes at\u00e9 mesmo dentro da Igreja. Por vezes at\u00e9 mesmo dentro dos nossos cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tu, Senhor, foste v\u00edtima da intoler\u00e2ncia. Mas n\u00e3o Te deixaste tomar pelo \u00f3dio. E por isso podes ser ponte entre todos. Ensina-nos a ser construtores de pontes onde quer que estejamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6\u00aa Esta\u00e7\u00e3o | Vero\u0301nica enxuga o rosto de Jesus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor, uma mulher furou a multid\u00e3o para limpar o Teu rosto e ficou com a Tua imagem gravada no seu len\u00e7o. Amar \u00e9 assim, \u00e9 deixar-se mover pelo rosto do outro, mesmo desfigurado. O rosto do filho que se ama, do amigo que se ama, do pobre que se ama, da mulher ou do marido que se ama. O rosto da Igreja que se ama, mesmo quando est\u00e1 desfigurada. Amar \u00e9 deixar-se atrair pelo rosto do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00f3s, jovens, vivemos num mundo individualista. Disseram-nos mil vezes que o que mais interessava era a nossa imagem e a nossa autorrealiza\u00e7\u00e3o. Que t\u00ednhamos direito a ser felizes e que dev\u00edamos pensar primeiro em n\u00f3s mesmos. E aqui estamos, autocentrados, cada um focado no seu telem\u00f3vel, nos seus assuntos, na sua ilha, \u00e0 espera de uma felicidade que n\u00e3o vem. Porque a verdadeira felicidade est\u00e1 em deixar-se atrair pelo rosto do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7\u00aa Esta\u00e7\u00e3o | Jesus cai pela segunda vez<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra vez no ch\u00e3o, Senhor? Quando ca\u00edmos uma vez, achamos que foi acidente, que foram as circunst\u00e2ncias. Quando ca\u00edmos mais vezes, ficamos com medo. Com medo de haver algum problema de fundo connosco. Um desequil\u00edbrio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, Senhor, muitos de n\u00f3s, jovens, temos cabe\u00e7as complicadas. Sofremos ansiedades e depress\u00f5es, problemas alimentares, <em>burnout<\/em>. Por vezes, questionamo-nos acerca de quem somos e se vale a pena viver. \u00c0s vezes, sentimo-nos mesmo em baixo, por terra. Pior do que ter um problema \u00e9 ser um problema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olho para Ti ca\u00eddo no ch\u00e3o. Imagino-Te a dizer: \u201cCaio contigo para te levantar comigo. V\u00e1, procura ajuda, p\u00f5e-te de p\u00e9 e avan\u00e7a. Vamos juntos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>8\u00aa Esta\u00e7\u00e3o | Jesus encontra mulheres de Jerusal\u00e9m<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caminho, Senhor, cruzaste-Te com mulheres que choravam por Ti. \u201cN\u00e3o chorem por Mim \u2013 disseste-lhes \u2013 chorem por voc\u00eas e pelos vossos filhos\u201d. N\u00e3o querias l\u00e1grimas f\u00e1ceis que n\u00e3o mudassem nada. Querias que pensassem em si mesmas e em que mundo iriam deixar para a gera\u00e7\u00e3o seguinte, para o futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m n\u00f3s nos interrogamos como ser\u00e1 o nosso futuro neste planeta. Assistimos ao consumo descontrolado dos recursos da terra, \u00e0 extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o de florestas. Assistimos assustados \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e sentimo-nos muito inseguros em rela\u00e7\u00e3o ao futuro. E tudo isto associado a estilos de vida desequilibrados que fazem com que alguns morram \u00e0 fome enquanto outros fiquem doentes por comerem demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor, ensina-nos a ter estilos de vida mais simples, mais solid\u00e1rios, mais conscientes das consequ\u00eancias, mais pr\u00f3ximos do essencial. Mais parecidos contigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>9\u00aa Esta\u00e7\u00e3o | Jesus cai pela terceira vez<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pela terceira vez no ch\u00e3o, Senhor? Sinto medo por Ti, sinto medo de que n\u00e3o Te consigas levantar. Ou que caias de novo, mal Te ponhas de p\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez queiras chegar perto daqueles jovens que voltam a cair cada vez que se tentam levantar. Acusam-nos de serem fracos, de n\u00e3o resistirem \u00e0 droga, \u00e0 pornografia, ao \u00e1lcool. Acusam-nos de se refugiarem nos seus \u00e9crans ao ponto de ficarem viciados. S\u00f3 n\u00e3o entendem que levantar-se possa exigir for\u00e7as que eles j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam. E uma f\u00e9 que j\u00e1 perderam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olho para Ti ca\u00eddo no ch\u00e3o. Imagino-Te a dizer a cada jovem com uma depend\u00eancia: \u201cCaio contigo para que te levantes comigo. V\u00e1, procura ajuda, p\u00f5e-te de p\u00e9 e avan\u00e7a. Comigo, desta vez, vais conseguir. Vamos juntos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10\u00aa Esta\u00e7\u00e3o | Jesus \u00e9 despojado das Suas vestes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Despiram-te, Senhor, tiraram-Te a roupa. Olho para Ti, sereno e confiante na Tua verdade nua. Mesmo sem roupa n\u00e3o deixas de ser quem \u00e9s porque nunca Te preocupaste em construir uma imagem de Ti mesmo. Tu na Tua humildade, Tu na Tua integridade. Tu na Tua verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00f3s vivemos numa terra de espelhos onde o que conta \u00e9 a apar\u00eancia, a imagem. Selfies e mais selfies. A tirania do corpo certo e do sorriso perfeito. Fotos de si mesmo nas redes sociais em poses cuidadosamente estudadas. <em>Posts<\/em> artificiais \u00e0 espera dos <em>likes <\/em>dos outros. Sensa\u00e7\u00e3o terr\u00edvel de n\u00e3o podermos ser n\u00f3s mesmos, de termos de nos vender para que gostem de n\u00f3s e n\u00e3o ficarmos isolados. Narcisismos que, no fim, nos deixam sozinhos em ilhas distantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E Tu nu, igual a Ti pr\u00f3prio, sem vergonha de seres quem \u00e9s. N\u00e3o vivias para a imagem, mas para o Bem. Ensina-me, Senhor. D\u00e1-me for\u00e7a para ser diferente, para n\u00e3o viver em fun\u00e7\u00e3o da imagem mas em fidelidade \u00e0 minha consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>11\u00aa Esta\u00e7\u00e3o | Jesus e\u0301 pregado na Cruz<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um prego em cada pulso, um terceiro prego nos p\u00e9s. Ficaste assim, preso. Ainda Te gritaram l\u00e1 de baixo: \u201cN\u00e3o \u00e9s o Filho de Deus? Desce da Cruz!\u201d. Mas a Cruz n\u00e3o era uma situa\u00e7\u00e3o em que por acaso estavas; era a consequ\u00eancia inevit\u00e1vel de n\u00e3o teres desistido de amar at\u00e9 ao fim. O confronto entre o amor e a viol\u00eancia do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje muitas pessoas tentam desesperadamente fugir de situa\u00e7\u00f5es desumanas. Fogem da guerra, da fome, da falta de \u00e1gua, das persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. A sua casa deixou de ser o seu abrigo e passou a ser o lugar prov\u00e1vel da sua morte. Tentam refugiar-se nalgum outro local do mundo, ao qual um dia possam vir a chamar de \u201ccasa\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Preso na cruz, Senhor, d\u00e1 \u00e2nimo a todos os jovens que t\u00eam de fugir para n\u00e3o perderem a vida. E a quem vive, confort\u00e1vel na sua casa, d\u00e1 um cora\u00e7\u00e3o parecido com o Teu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>12\u00aa Esta\u00e7\u00e3o | Jesus morre na Cruz<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPai, em Tuas m\u00e3os entrego o Meu esp\u00edrito\u201d. Abandonaste-Te nos bra\u00e7os do Pai. Deste o \u00faltimo suspiro e morreste. E contigo morreram todas as palavras que n\u00e3o chegaste a dizer, todos os abra\u00e7os que n\u00e3o chegaste a dar, todas as curas que n\u00e3o chegaste a fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece um desperd\u00edcio, Senhor! Quantas coisas boas n\u00e3o poderias ter feito em mais umas d\u00e9cadas de vida! E, no entanto, as Tuas palavras foram \u201cTudo est\u00e1 consumado\u201d. N\u00e3o ficou nada por realizar. Porque ali, na Cruz, deixaste-nos tudo o que era preciso para nos salvar: o amor puro, embora impotente e aparentemente in\u00fatil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, s\u00f3 conta quem produz. N\u00e3o contam os idosos, n\u00e3o contam as pessoas com defici\u00eancia, n\u00e3o contam os desempregados, n\u00e3o contam os sonhadores. E n\u00e3o contam as brincadeiras das crian\u00e7as, tantas vezes obrigadas a trabalhar para trazer dinheiro ou a estudar mais e mais para um dia serem \u201cverdadeiras vencedoras\u201d no mercado de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, o que salva \u00e9 o amor. Esconde-me nas Tuas chagas amorosas, Senhor!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>13\u00aa Esta\u00e7\u00e3o | Jesus e\u0301 descido da Cruz e entregue a Sua M\u00e3e<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Piet\u00e1.<\/em>\u00a0Jesus nos bra\u00e7os de Maria. Um filho no colo da sua m\u00e3e. A verdade mais pura do amor desinteressado. A Palavra que descansa no sil\u00eancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E n\u00f3s perdidos num mundo saturado de palavras apressadas, de informa\u00e7\u00e3o, de not\u00edcias, de publicidade, de interesses, em que j\u00e1 n\u00e3o sabemos o que \u00e9 verdade e o que \u00e9 mentira nem sabemos em quem acreditar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor, eu n\u00e3o tenho de saber tudo, eu n\u00e3o quero saber tudo. Quero apenas saber aquilo que interessa saber para ser uma pessoa melhor e criar um mundo mais humano. D\u00e1-me um grande amor por tudo aquilo que no mundo \u00e9 puro e verdadeiro e simples e humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>14\u00aa Esta\u00e7\u00e3o | Jesus e\u0301 depositado no sepulcro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cemit\u00e9rio. O fim. Quando a pedra rolou sobre a entrada do t\u00famulo, parecia que tudo tinha definitivamente acabado. Parecia, Senhor, que Tu e o Teu caminho do amor n\u00e3o tinham sido sen\u00e3o uma ilus\u00e3o. Uma esperan\u00e7a enganadora num hipot\u00e9tico triunfo do Bem sobre o mal. Parecia que tudo tinha terminado, que t\u00ednhamos de ser realistas, que o mundo afinal era mesmo dos espertos e n\u00e3o daqueles que sonham com o Bem, como Tu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tantas vezes na nossa vida parece n\u00e3o haver futuro. N\u00e3o vemos qualquer luz ao fundo do t\u00fanel. Ficamos com medo de olhar para a frente. N\u00e3o conseguimos tomar decis\u00f5es, n\u00e3o vemos por onde a hist\u00f3ria possa continuar, s\u00f3 vemos o caminho bloqueado por pedras grandes diante de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a\u00ed que precisamos de ouvir a voz de Maria. A falar-nos dos fins que s\u00e3o in\u00edcios, da aparente morte de uma \u00e1rvore no Inverno quando apenas se est\u00e1 a preparar para florir na Primavera. Dos sepulcros que s\u00e3o portas para a ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=oBjW8I0YX0A&amp;t=5s\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=oBjW8I0YX0A&amp;t=5s<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">****************<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viagem Apost\u00f3lica a Portugal: Recita\u00e7\u00e3o do Ter\u00e7o com os jovens doentes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jornada Mundial da Juventude-Lisboa 2023<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Capelinha das apari\u00e7\u00f5es do Santu\u00e1rio de Nossa Senhora de F\u00e1tima<br \/>\nS\u00e1bado, 5 de agosto de 2023 \u2013 09h00<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Discurso do Papa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queridas irm\u00e3s e irm\u00e3os, bom dia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obrigado, D. Jos\u00e9 Ornelas, pelas suas palavras e, a v\u00f3s todos, obrigado pela presen\u00e7a e a ora\u00e7\u00e3o. Rez\u00e1mos o ter\u00e7o, uma ora\u00e7\u00e3o muito bela e vital; vital, porque nos p\u00f5e em contacto com a vida de Jesus e de Maria. E medit\u00e1mos os mist\u00e9rios da alegria, que nos lembram que a Igreja n\u00e3o pode ser sen\u00e3o\u00a0<em>a casa da alegria<\/em>. A Capelinha onde nos encontramos constitui uma bela imagem da Igreja: acolhedora, sem portas. A Igreja n\u00e3o tem portas, para que todos possam entrar. E aqui podemos insistir tamb\u00e9m no facto que todos podem entrar, porque esta \u00e9 a casa da M\u00e3e, e uma m\u00e3e tem sempre o cora\u00e7\u00e3o aberto para todos os seus filhos, todos, todos, todos, sem excluir nenhum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos aqui, sob o olhar materno de Maria, estamos aqui como Igreja, Igreja m\u00e3e. A peregrina\u00e7\u00e3o \u00e9 precisamente uma carater\u00edstica mariana, porque a primeira a fazer uma peregrina\u00e7\u00e3o, depois da anuncia\u00e7\u00e3o de Jesus, foi Maria. Logo que soube que sua prima se encontrava gr\u00e1vida \u2013 esta estava j\u00e1 em idade avan\u00e7ada \u2013, Maria saiu correndo. Traduzindo um pouco livremente a express\u00e3o do Evangelho \u00abdirigiu-se \u00e0 pressa\u00bb, dir\u00edamos que \u00abEla saiu correndo\u00bb; saiu correndo levada pelo desejo de ajudar, de estar presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos muitos t\u00edtulos de Maria, mas, se pensarmos bem, h\u00e1 mais este que tamb\u00e9m poder\u00edamos dizer: a Virgem \u00abque sai correndo\u00bb, sempre que h\u00e1 um problema; sempre que A invocamos, Ela n\u00e3o demora a vir; \u00e9 sol\u00edcita. Nossa Senhora sol\u00edcita: gostais assim? Digamo-lo todos juntos: \u00abNossa Senhora sol\u00edcita\u00bb. Apressa-Se, para estar perto de n\u00f3s, apressa-Se porque \u00e9 M\u00e3e. Em portugu\u00eas, dizemos \u00abapressada<em>\u00bb<\/em>\u00a0\u2013 observa-me D. Ornelas. \u00abNossa Senhora apressada\u00bb! E \u00e9 assim que acompanha a vida de Jesus; e n\u00e3o Se esconde depois da Ressurrei\u00e7\u00e3o, acompanha os disc\u00edpulos \u00e0 espera do Esp\u00edrito Santo; e acompanha a Igreja que come\u00e7a a crescer depois do Pentecostes. Nossa Senhora que Se mostra sol\u00edcita e Nossa Senhora que acompanha. Acompanha sempre. Nunca \u00e9 protagonista. O gesto com que Maria M\u00e3e acolhe \u00e9 duplo: primeiro acolhe e depois aponta para Jesus. Maria, na sua vida, n\u00e3o faz sen\u00e3o indicar Jesus: \u00abFazei o que Ele vos disser\u00bb. Segui Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensemos que estes s\u00e3o os dois gestos de Maria: acolhe-nos a todos e indica Jesus. E f\u00e1-lo com solicitude, apressada. Nossa Senhora sol\u00edcita, que nos acolhe a todos e nos indica Jesus. Lembremo-nos disto, sempre que aqui viermos. Aqui Maria tornou-Se presente dum modo especial, para que a incredulidade de tantos cora\u00e7\u00f5es se abrisse a Jesus. Com a sua presen\u00e7a, indica-nos Jesus, sempre nos aponta Jesus. E hoje est\u00e1 aqui entre n\u00f3s; Ela est\u00e1 sempre entre n\u00f3s, mas hoje sentimo-La muito mais pr\u00f3xima. Maria sol\u00edcita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amigos, Jesus ama-nos at\u00e9 ao ponto de Se identificar connosco e pede-nos para colaborar com Ele. E Maria indica-nos isto mesmo que Jesus nos pede: caminhar na vida colaborando com Ele. Gostaria que hoje olh\u00e1ssemos para a imagem de Maria, e cada um se interrogasse: Que me diz Maria como M\u00e3e? O que \u00e9 que me est\u00e1 a indicar? Indica-nos Jesus; \u00e0s vezes indica tamb\u00e9m alguma coisinha no cora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o regula bem, mas sempre indica. \u00abM\u00e3e, o que \u00e9 que me est\u00e1s a indicar?\u00bb Fa\u00e7amos um breve momento de sil\u00eancio e cada um diga em seu cora\u00e7\u00e3o: \u00abM\u00e3e, o que \u00e9 que me est\u00e1s a indicar? O que h\u00e1 na minha vida que Te preocupa? O que h\u00e1 na minha vida que Te entristece? O que h\u00e1 na minha vida que Te chama a aten\u00e7\u00e3o? Indica-mo!\u00bb E Ela indica o cora\u00e7\u00e3o, para que Jesus venha at\u00e9 ele. E assim como nos indica Jesus, a Jesus indica o cora\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queridos irm\u00e3os, sintamos hoje a presen\u00e7a de Maria M\u00e3e; a M\u00e3e que n\u00e3o cessa de dizer: \u00abFazei o que Jesus vos disser\u00bb; indica-nos Jesus. Mas tamb\u00e9m a M\u00e3e que diz a Jesus: \u00abFaz o que estes Te est\u00e3o a pedir\u00bb. Esta assim \u00e9 Maria. Esta \u00e9 a nossa M\u00e3e, Nossa Senhora sol\u00edcita em estar perto de n\u00f3s. Que Ela nos aben\u00e7oe a todos! \u00c1men.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ora\u00e7\u00e3o a Maria<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria, estamos aqui na vossa presen\u00e7a. V\u00f3s sois M\u00e3e e cuidais de n\u00f3s. Conheceis as nossas penas e as nossas canseiras. N\u00f3s levantamos o olhar para V\u00f3s, deixamo-nos envolver pelos vossos olhos e confiamo-nos ao vosso cora\u00e7\u00e3o. Este n\u00e3o esteve isento de d\u00favidas e medos: sentistes temor, quando o anjo Vos visitou em Nazar\u00e9, apreens\u00e3o quando n\u00e3o encontr\u00e1veis alojamento em Bel\u00e9m, ang\u00fastia quando perdestes Jesus no templo. Mas, nas provas, fostes corajosa e destemida: tudo confiastes a Deus, e respondestes ao temor com o amor, \u00e0 apreens\u00e3o com a solicitude, \u00e0 ang\u00fastia com o oferecimento. Nos momentos decisivos, nunca recuastes, antes tom\u00e1veis a iniciativa: sol\u00edcita fostes ter com Isabel, nas bodas de Can\u00e1 batestes ao cora\u00e7\u00e3o de Jesus, no Cen\u00e1culo mantivestes unidos os disc\u00edpulos. No calv\u00e1rio, uma espada traspassou-Vos a alma, mas V\u00f3s, mulher humilde e forte, iluminastes com a esperan\u00e7a pascal a noite do sofrimento. E agora olhai para n\u00f3s, sofrei connosco e por n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O vosso cora\u00e7\u00e3o \u00e9 sens\u00edvel aos nossos problemas. Lan\u00e7amo-los no vosso rega\u00e7o: tomai de novo a iniciativa por n\u00f3s, nestes tempos atribulados pela injusti\u00e7a e devastados pelas armas. Voltai o vosso olhar materno para a fam\u00edlia humana, que perdeu o caminho da paz, perdeu o sentido da fraternidade e n\u00e3o reencontra o calor de casa. Intercedei pelo nosso mundo em perigo e tumulto, para que acolha a vida e rejeite a guerra, cuide dos que sofrem e salvaguarde a cria\u00e7\u00e3o. Vimos a V\u00f3s, procuramos ref\u00fagio no vosso Cora\u00e7\u00e3o Imaculado. Imploramos miseric\u00f3rdia, M\u00e3e de miseric\u00f3rdia; paz, Rainha da Paz! Convertei os \u00e2nimos de quem alimenta \u00f3dio e fomenta conflitos, de quem pensa que a guerra resolva os problemas. Tocai o cora\u00e7\u00e3o dos que andam afastados, de quem n\u00e3o tem a alegria de conhecer Deus. Amparai quem est\u00e1 sozinho, sustentai quem est\u00e1 doente, consolai quem est\u00e1 desanimado. Neste di\u00e1logo convosco, Rainha do Santo Ros\u00e1rio, recordamos os vossos apelos maternos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viestes pedir ora\u00e7\u00e3o e penit\u00eancia. Quantas vezes, por\u00e9m, nos deixamos atrair por outras coisas: preocupados com as nossas necessidades e distra\u00eddos por tantos interesses, mostramo-nos surdos aos vossos convites. Mas V\u00f3s amais-nos e n\u00e3o Vos cansais de n\u00f3s. Continuai a recordar-nos que Deus merece o primeiro lugar. Ajudai-nos a converter-nos. Guardai a unidade na Igreja, quando \u00e9 polarizada por ideologias, ferida pelos pecados dos seus filhos, tentada pelo mundanismo. V\u00f3s, pequenina, exaltastes as grandes coisas que o Senhor realizou em V\u00f3s; recordai-nos que a humildade e a mansid\u00e3o s\u00e3o as chaves que abrem o escrinho do cora\u00e7\u00e3o de Deus, permitindo que o seu Esp\u00edrito Se derrame sobre o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confortai os humildes e os simples, aqueles que creem, adoram, esperam e amam; encorajai-os na sua miss\u00e3o. Acendei em todos n\u00f3s o zelo apost\u00f3lico e tomai os jovens pela m\u00e3o: fazei resplandecer neles o desejo de arriscar a vida por sonhos grandes e belos. \u00d3 Maria, n\u00f3s Vos amamos e confiamos em V\u00f3s. E agora de novo nos entregamos a V\u00f3s. Com cora\u00e7\u00e3o de filhos, Vos consagramos as nossas vidas, todas as fibras do nosso ser, tudo o que temos e somos, para sempre. N\u00f3s Vos consagramos a Igreja e o mundo, especialmente os pa\u00edses em guerra. Alcan\u00e7ai-nos a paz. V\u00f3s, Virgem do Caminho, abri sendas onde parece que n\u00e3o h\u00e1. V\u00f3s, que desatais os n\u00f3s, desfazei os emaranhados do ego\u00edsmo e os la\u00e7os do poder. V\u00f3s, que nunca Vos deixais vencer em generosidade, enchei-nos de ternura, colmai-nos de esperan\u00e7a e fazei-nos saborear a alegria que n\u00e3o passa, a alegria do Evangelho. \u00c1men.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=xcabCQYd9fQ\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=xcabCQYd9fQ<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">****************<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viagem Apost\u00f3lica a Portugal: Vig\u00edlia com os jovens<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jornada Mundial da Juventude-Lisboa 2023<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parque Tejo &#8211; Lisboa<br \/>\nS\u00e1bado, 5 de agosto de 2023 \u2013 20h45<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, boa noite!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D\u00e1-me tanta alegria ver-vos! Obrigado por terdes viajado, por terdes caminhado e obrigado por estardes aqui! Estou a pensar que tamb\u00e9m a Virgem Maria teve de viajar para ver Isabel: \u00abLevantou-Se e partiu apressadamente\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a01, 39). Poder\u00edamos perguntar-nos: Mas porque \u00e9 que Maria Se levanta e vai apressadamente ter com a prima? Certamente porque acaba de saber que a prima est\u00e1 gr\u00e1vida; mas tamb\u00e9m Ela est\u00e1. Ent\u00e3o por que foi, se ningu\u00e9m Lho pedira? Maria realiza um gesto n\u00e3o solicitado e sem ser obrigada; Maria vai porque ama e \u00abquem ama voa, corre feliz\u00bb (<em>A Imita\u00e7\u00e3o de Cristo<\/em>, III, 5). Isto \u00e9 o que o amor nos faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A alegria de Maria \u00e9 dupla: acabara de receber o an\u00fancio do anjo de que acolheria n\u2019Ela o Redentor e tamb\u00e9m a not\u00edcia de que a prima estava gr\u00e1vida. Interessante! Em vez de pensar em Si mesma, pensa na outra. Porqu\u00ea? Porque a alegria \u00e9 mission\u00e1ria, a alegria n\u00e3o \u00e9 para ficar numa pessoa, mas para levar alguma coisa. Pergunto: v\u00f3s, que estais aqui, que viestes para vos encontrar, para encontrar a mensagem de Cristo, encontrar o sentido bom na vida\u2026 Isto, ides guard\u00e1-lo para v\u00f3s ou lev\u00e1-lo-eis aos outros? Que pensais fazer? N\u00e3o ou\u00e7o! (&#8230;) \u00c9 para o levar aos outros, porque a alegria \u00e9 mission\u00e1ria. Repitamos isto todos juntos: \u00aba alegria \u00e9 mission\u00e1ria\u00bb. Concluindo, eu levo esta alegria aos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas esta alegria que temos, houve outros que nos prepararam para a receber. Agora olhemos em retrospetiva tudo o que recebemos; tudo isso predisp\u00f4s o nosso cora\u00e7\u00e3o para a alegria. Todos n\u00f3s, se olharmos para tr\u00e1s, veremos pessoas que foram um raio de luz na nossa vida: pais, av\u00f3s, amigos, sacerdotes, religiosos, catequistas, animadores, professores\u2026 S\u00e3o como que as ra\u00edzes da nossa alegria. Fa\u00e7amos agora um momento de sil\u00eancio, e cada qual pense nas pessoas que nos deram algo na vida, naqueles que s\u00e3o como que as ra\u00edzes da alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[<em>momento de sil\u00eancio<\/em>]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontrastes algu\u00e9m? Encontrastes rostos, hist\u00f3rias? A alegria que nos veio de tais ra\u00edzes \u00e9 a que devemos dar, porque n\u00f3s<em>\u00a0temos ra\u00edzes de alegria<\/em>\u00a0e, simultaneamente, podemos\u00a0<em>ser ra\u00edzes de alegria<\/em>\u00a0para os outros. N\u00e3o se trata de levar uma alegria passageira, uma alegria moment\u00e2nea, mas uma alegria que cria ra\u00edzes. Uma pergunta: como podemos tornar-nos ra\u00edzes de alegria?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A alegria n\u00e3o est\u00e1 fechada na biblioteca \u2013 embora seja necess\u00e1rio estudar \u2013, encontra-se noutra parte. N\u00e3o est\u00e1 guardada \u00e0 chave. A alegria, \u00e9 preciso procur\u00e1-la, \u00e9 preciso descobri-la. \u00c9 preciso descobri-la no di\u00e1logo com os outros, onde devemos dar as ra\u00edzes de alegria que recebemos. Por vezes, isto cansa. Fa\u00e7o-vos uma pergunta: \u00e0s vezes cansais-vos? Pensai no que acontece, quando uma pessoa est\u00e1 cansada: n\u00e3o tem vontade de fazer nada e, como se costuma dizer, atira-se por terra. N\u00e3o tem vontade de continuar; ent\u00e3o desiste, deixa de caminhar e cai. Pensai numa pessoa que caia na vida, tenha um fracasso, cometa erros mesmo graves, s\u00e9rios: achais que a sua vida acabou? N\u00e3o! O que \u00e9 preciso fazer? Levantar-se! Como recorda\u00e7\u00e3o, quero deixar-vos o caso dos alpinistas, que gostam de escalar as montanhas; eles t\u00eam uma can\u00e7\u00e3o linda, onde se diz: \u00abNa arte de subir a montanha, o que conta n\u00e3o \u00e9 n\u00e3o cair, mas n\u00e3o ficar ca\u00eddo\u00bb. Est\u00e1 certo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem fica ca\u00eddo, a sua vida j\u00e1 \u00abpassou \u00e0 reforma\u00bb, est\u00e1 encerrada! Fechou-se \u00e0 esperan\u00e7a, fechou-se aos anseios, fica por terra. E quando virmos algu\u00e9m, um amigo nosso, que caiu, que devemos fazer?\u00a0<em>Levant\u00e1-lo<\/em>. Reparai, quando algu\u00e9m tem de levantar ou ajudar uma pessoa a levantar-se, que gesto faz? Olha-a de cima para baixo. Trata-se da \u00fanica ocasi\u00e3o, do \u00fanico momento em que \u00e9 l\u00edcito olhar uma pessoa de cima para baixo: quando queremos ajud\u00e1-la a levantar-se. Quantas vezes vemos pessoas que nos olham sobranceiras, por cima do ombro, de cima para baixo! \u00c9 triste. O \u00fanico modo, a \u00fanica situa\u00e7\u00e3o em que \u00e9 l\u00edcito olhar de cima para baixo uma pessoa \u00e9 (dizei-o v\u00f3s&#8230; forte!) para a ajudar a levantar-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois bem! O segredo do caminho est\u00e1 um pouco nisto: na const\u00e2ncia em caminhar. Na vida, para se conseguir algo, \u00e9 preciso\u00a0<em>treinar<\/em>\u00a0a caminhar. \u00c0s vezes n\u00e3o temos vontade de caminhar, n\u00e3o temos vontade de nos esfor\u00e7ar; copiamos os exames, porque n\u00e3o temos vontade de estudar e n\u00e3o chegamos ao resultado desejado. N\u00e3o sei se algum de v\u00f3s gosta de futebol\u2026 Eu gosto. Por tr\u00e1s dum golo, que temos? Muito treino. Por tr\u00e1s dum resultado, que h\u00e1? Muito treino. E, na vida, nem sempre se pode fazer o que apetece, mas aquilo que nos leva a realizar a voca\u00e7\u00e3o que temos dentro de n\u00f3s\u2026 Cada um tem a sua voca\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso caminhar. E, se cair, levanto-me ou haja algu\u00e9m que ajude a p\u00f4r-me de p\u00e9. N\u00e3o ficar ca\u00eddo; e treinar-me, treinar-me a caminhar. E tudo isto \u00e9 poss\u00edvel, n\u00e3o porque fizemos um curso sobre o caminhar; n\u00e3o h\u00e1 cursos que nos ensinem a caminhar na vida! Isto aprendemo-lo dos pais, aprendemo-lo dos av\u00f3s, aprendemo-lo dos amigos, ajudando-se mutuamente. Na vida, aprende-se, e isto \u00e9 treino para caminhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixo-vos estas ideias. \u00c9 preciso caminhar e, no caso de cair, levantar-se; caminhar com uma meta; treinar-se todos os dias na vida. Na vida, nada \u00e9 de gra\u00e7a; tudo se paga. S\u00f3 uma coisa \u00e9 gratuita: o amor de Jesus! Assim, com este dom gratuito que temos \u2013 o amor de Jesus \u2013 e com a vontade de caminhar, caminhemos na esperan\u00e7a, olhemos para as nossas ra\u00edzes e continuemos para diante,\u00a0<em>sem medo<\/em>. N\u00e3o tenhais medo. Obrigado! Adeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=vpsnVuudhbg\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=vpsnVuudhbg<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">****************<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viagem Apost\u00f3lica a Portugal: Santa Missa do envio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jornada Mundial da Juventude-Lisboa 2023<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parque Tejo \u2013 Lisboa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo 06 de agosto de 2023 \u2013 09h00<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Homilia do Papa Francisco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abSenhor, \u00e9 bom estarmos aqui!\u00bb (Mt\u00a017, 4). Estas palavras que o ap\u00f3stolo Pedro disse a Jesus no monte da Transfigura\u00e7\u00e3o, queremos faz\u00ea-las tamb\u00e9m nossas depois destes dias intensos. \u00c9 bom tudo o que estamos a experimentar com Jesus, aquilo que vivemos juntos, e \u00e9 bom como rez\u00e1mos, com tanta alegria do cora\u00e7\u00e3o. Mas perguntamo-nos: Que levamos connosco ao regressar \u00e0 vida quotidiana?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quero responder a esta pergunta com tr\u00eas verbos:\u00a0resplandecer,\u00a0ouvir,\u00a0n\u00e3o temer, seguindo o Evangelho que ouvimos. Que levamos connosco? Respondo com tr\u00eas palavras:\u00a0resplandecer, ouvir e n\u00e3o temer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira:\u00a0resplandecer. Jesus transfigura-Se. Diz o Evangelho: \u00abo seu rosto\u00a0resplandeceu\u00a0como o sol\u00bb (Mt\u00a017, 2). Recentemente tinha anunciado a sua paix\u00e3o e morte de cruz, esfrangalhando assim a imagem dum Messias poderoso, mundano, e dececionando as expectativas dos disc\u00edpulos. Ora, para os ajudar a acolher o projeto de amor de Deus a respeito de cada um de n\u00f3s, Jesus toma consigo tr\u00eas deles \u2013 Pedro, Tiago e Jo\u00e3o \u2013, condu-los ao alto dum monte e transfigura-Se. E este \u00abbanho de luz\u00bb prepara-os para a noite da paix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amigos, jovens queridos, tamb\u00e9m n\u00f3s hoje precisamos de um pouco de luz, um lampejo de luz que forne\u00e7a esperan\u00e7a para enfrentar tantas obscuridades que nos assaltam na vida, tantas derrotas quotidianas, para as enfrentar com a luz da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Porque Ele \u00e9 a luz sem ocaso, a luz que brilha mesmo durante a noite. Diz o sacerdote Esdras: \u00abO nosso Deus quis fazer brilhar os nossos olhos\u00bb (Esd\u00a09, 8). O nosso Deus ilumina. Ilumina o nosso olhar, ilumina o nosso cora\u00e7\u00e3o, ilumina a nossa mente, ilumina o nosso desejo de fazer algo na vida. Sempre com a luz do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas quero dizer-vos que n\u00e3o ficamos luminosos, colocando-nos sob os holofotes; antes pelo contr\u00e1rio, isso encandeia-nos, n\u00e3o nos torna luminosos. N\u00e3o ficamos luminosos, quando exibimos uma imagem perfeita, em ordem, bem acabada, n\u00e3o; nem mesmo se nos sentimos fortes e bem-sucedidos: fortes e bem-sucedidos, mas n\u00e3o luminosos. Tornamo-nos luminosos, resplandecemos quando, tendo acolhido Jesus, aprendemos a amar como Ele. Amar como Jesus: isto torna-nos luminosos, isto leva-nos a fazer obras de amor. N\u00e3o te deixes enganar, minha amiga, meu amigo! Tornar-te-\u00e1s luz no dia em que fizeres obras de amor. Ao contr\u00e1rio quando, em vez de fazer obras de amor aos outros, s\u00f3 pensas em ti mesmo como um ego\u00edsta, ent\u00e3o a luz apaga-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo verbo \u00e9\u00a0ouvir. No monte, uma nuvem luminosa cobre os disc\u00edpulos. E desta nuvem fala o Pai. E que diz? \u00abEscutai-O\u00bb! \u00abEste \u00e9 o meu Filho predileto, escutai-O\u00bb (Mt\u00a017, 5). E \u00e9 tudo\u2026 Tudo aquilo que se deve fazer na vida, est\u00e1 nesta palavra:\u00a0escutai-O. Escutar Jesus. Todo o segredo est\u00e1 aqui. Escuta o que te diz Jesus. \u00abMas eu n\u00e3o sei o que Ele me diz!\u00bb Pega no Evangelho e l\u00ea o que diz Jesus, o que Ele diz ao teu cora\u00e7\u00e3o. Porque Ele tem palavras de vida eterna para n\u00f3s, revela que Deus \u00e9 Pai, Deus \u00e9 amor. Ele aponta-nos o caminho do amor. Escuta Jesus! Porque n\u00f3s, mesmo quando com boa vontade nos embrenhamos por caminhos que at\u00e9 parecem ser de amor, em \u00faltima an\u00e1lise n\u00e3o passam de ego\u00edsmo mascarado de amor. Cuidado com os ego\u00edsmos mascarados de amor! Escuta-O, porque Jesus dir-te-\u00e1 qual \u00e9 o caminho do amor. Escuta-O.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resplandecer \u00e9 a primeira palavra: sede luminosos! A segunda: escutar, para n\u00e3o se enganar no caminho! E finalmente a terceira palavra:\u00a0n\u00e3o ter medo. N\u00e3o tenhais medo. Uma express\u00e3o que se repete muito na B\u00edblia. Concretamente no Evangelho, no momento da Transfigura\u00e7\u00e3o, as \u00faltimas palavras que Jesus disse aos disc\u00edpulos foram estas: \u00abN\u00e3o tenhais medo\u00bb (Mt\u00a017, 7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A v\u00f3s, jovens, que vivestes esta alegria (estava para dizer esta gl\u00f3ria, e de certo modo este nosso encontro tamb\u00e9m \u00e9 gl\u00f3ria); a v\u00f3s, que cultivais sonhos grandes mas frequentemente ofuscados pelo temor de que n\u00e3o se realizem; a v\u00f3s, que \u00e0s vezes pensais que n\u00e3o ides conseguir (por vezes assalta-nos um pouco de pessimismo); a v\u00f3s, jovens, tentados a desanimar neste tempo, a julgar-vos talvez inadequados ou a esconder a ang\u00fastia mascarando-a com um sorriso; a v\u00f3s, jovens, que quereis mudar o mundo (\u00e9 um bem que queirais mudar o mundo!) e que quereis lutar pela justi\u00e7a e a paz; a v\u00f3s, jovens, que investis na vida esfor\u00e7o e imagina\u00e7\u00e3o, ficando por\u00e9m com a sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o bastam; a v\u00f3s, jovens, de quem a Igreja e o mundo t\u00eam necessidade como a terra tem de chuva; a v\u00f3s, jovens, que sois o presente e o futuro\u2026 Sim, precisamente a v\u00f3s, jovens, \u00e9 que Jesus diz hoje: \u00abN\u00e3o tenhais medo\u00bb, \u00abn\u00e3o tenhais medo\u00bb! Num breve momento de sil\u00eancio, cada um repita para si mesmo, no pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o, estas palavras: \u00abN\u00e3o tenhais medo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queridos jovens, gostaria de poder fixar cada um de v\u00f3s nos olhos e dizer: N\u00e3o temas, n\u00e3o tenhas medo! Mais, tenho uma coisa bel\u00edssima para vos dizer: j\u00e1 n\u00e3o sou eu, mas \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus que vos fixa agora. Ele que vos conhece, conhece o cora\u00e7\u00e3o de cada um de v\u00f3s, conhece a vida de cada um de v\u00f3s, conhece as alegrias, conhece as tristezas, os sucessos e os fracassos, conhece o vosso cora\u00e7\u00e3o. E hoje aqui em Lisboa, nesta Jornada Mundial da Juventude, Ele diz-vos: \u00abN\u00e3o temais, n\u00e3o temais! Coragem, n\u00e3o tenhais medo!\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viagem Apost\u00f3lica a Portugal: Angelus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jornada Mundial da Juventude-Lisboa 2023<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parque Tejo \u2013 Lisboa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Domingo 06 de agosto de 2023 \u2013 10h30<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma palavra ressoou muitas vezes nestes dias: \u201cgrazie\u201d, ou seja, \u00abobrigado\u00bb. \u00c9 belo aquilo que acaba de nos dizer o Patriarca de Lisboa: que \u00abobrigado\u00bb n\u00e3o expressa s\u00f3 a gratid\u00e3o pelo que se recebeu, mas tamb\u00e9m o desejo de corresponder ao bem. Quanto bem recebemos todos n\u00f3s neste evento de gra\u00e7a! E agora o Senhor faz-nos sentir a necessidade de o partilhar tamb\u00e9m com os outros, dando alegremente testemunho do dom gratuito de Deus, do bem que Ele colocou nos nossos cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, antes de nos despedirmos, quero tamb\u00e9m eu dizer \u00abobrigado\u00bb. Digo-o, em primeiro lugar, ao Cardeal Clemente e, nele, \u00e0 Igreja e a todo o povo portugu\u00eas: obrigado! Obrigado ao Senhor Presidente, que nos acompanhou nos eventos destes dias; obrigado \u00e0s institui\u00e7\u00f5es nacionais e locais pelo apoio e assist\u00eancia prestados; obrigado aos Bispos, sacerdotes, pessoas consagradas e leigos. E obrigado a ti, Lisboa, que permanecer\u00e1s na mem\u00f3ria destes jovens como \u00abcasa de fraternidade\u00bb e \u00abcidade dos sonhos\u00bb. Exprimo tamb\u00e9m a minha gratid\u00e3o ao Cardeal Farrell \u2013 que rejuvenesceu nestas Jornadas \u2013 e \u00e0queles que as prepararam, bem como a quantos as acompanharam com a ora\u00e7\u00e3o. Obrigado aos volunt\u00e1rios: para eles, este aplauso sa\u00eddo do cora\u00e7\u00e3o pelo seu grande servi\u00e7o! E um agradecimento especial a quem velou pela JMJ a partir do Alto, ou seja, aos Santos patronos do evento e a um em particular: Jo\u00e3o Paulo II, que deu vida \u00e0s Jornadas Mundiais da Juventude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E obrigado a todos v\u00f3s, queridos jovens! Deus v\u00ea inteiramente o bem que sois; s\u00f3 Ele conhece o que semeou nos vossos cora\u00e7\u00f5es. Partis daqui com o que Deus semeou no cora\u00e7\u00e3o, fazei-o crescer, guardai-o com dilig\u00eancia. Queria fazer-vos uma recomenda\u00e7\u00e3o: mantende vivos, na mente e no cora\u00e7\u00e3o, os momentos mais encantadores. Assim, quando chegarem momentos de cansa\u00e7o e des\u00e2nimo \u2013 que s\u00e3o inevit\u00e1veis \u2013 e, quem sabe, a tenta\u00e7\u00e3o de deixar de caminhar ou de vos fechardes em v\u00f3s mesmos, podereis com a mem\u00f3ria reavivar as experi\u00eancias e a gra\u00e7a destes dias, porque \u2013 nunca o esque\u00e7ais \u2013 esta \u00e9 a realidade, isto \u00e9 o que v\u00f3s sois: o santo Povo fiel de Deus que caminha com a alegria do Evangelho. Desejo tamb\u00e9m enviar uma sauda\u00e7\u00e3o aos jovens que n\u00e3o puderam estar aqui, mas participaram nas iniciativas organizadas pelos seus pa\u00edses, pelas Confer\u00eancias Episcopais, pelas dioceses; penso, por exemplo, nos irm\u00e3os e irm\u00e3s subsarianos, reunidos em T\u00e2nger. A todos, obrigado, obrigado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E de modo particular acompanhamos com o afeto e a ora\u00e7\u00e3o aqueles que n\u00e3o puderam vir por causa de conflitos e guerras. No mundo, h\u00e1 muitas guerras, muitos conflitos. Cingindo-me a este continente, sinto grande tristeza pela querida Ucr\u00e2nia, que continua a sofrer tanto. Amigos, permiti tamb\u00e9m que eu, j\u00e1 idoso, partilhe convosco, jovens, um sonho que trago no cora\u00e7\u00e3o: o sonho da paz, o sonho dos jovens que rezam pela paz, vivem em paz e constroem um futuro de paz. Atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o do\u00a0Angelus, coloquemos nas m\u00e3os de Maria, Rainha da Paz, o futuro da humanidade. E h\u00e1 um \u00faltimo obrigado que gostaria de sublinhar antes de concluir: Obrigado \u00e0s nossas ra\u00edzes, aos nossos av\u00f3s, que nos transmitiram a f\u00e9, que nos transmitiram o horizonte duma vida. S\u00e3o as nossas ra\u00edzes. E ao voltardes para casa continuai, por favor, a rezar pela paz. V\u00f3s sois um sinal de paz para o mundo, um testemunho de como as diferentes nacionalidades, l\u00ednguas e hist\u00f3rias podem unir em vez de dividir. V\u00f3s sois esperan\u00e7a dum mundo diferente. Obrigado. Avante!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E chega enfim um momento que todos esperam: o an\u00fancio da pr\u00f3xima etapa do caminho. Mas antes de vos referir a sede da quadrag\u00e9sima primeira Jornada Mundial da Juventude, quero fazer-vos um convite: marco encontro com os jovens de todo o mundo no ano 2025, em Roma, para celebrarmos juntos o\u00a0Jubileu dos jovens! L\u00e1 vos espero em 2025 para celebrarmos juntos o Jubileu dos Jovens. A pr\u00f3xima Jornada Mundial da Juventude ter\u00e1 lugar na \u00c1sia: ser\u00e1 em Seul na Coreia do Sul! E assim, da fronteira ocidental da Europa, passar\u00e1 no ano 2027 ao extremo Oriente: \u00e9 um belo sinal da universalidade da Igreja e do sonho de unidade do qual v\u00f3s sois testemunhas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E por fim dirigimos um \u00faltimo obrigado a duas pessoas especiais, aos dois protagonistas principais deste encontro. Estiveram aqui connosco, e continuar\u00e3o a estar connosco; nunca perdem de vista as nossas vidas, amam as nossas vidas como mais ningu\u00e9m o poderia fazer. Obrigado a Ti, Senhor Jesus. Obrigado a Ti, Maria, nossa M\u00e3e. E agora rezemos\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____________________________<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[Palavras depois da ora\u00e7\u00e3o do\u00a0Angelus]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quero assegurar as minhas ora\u00e7\u00f5es \u2013 e fa\u00e7amo-lo todos juntos \u2013 tamb\u00e9m pelas v\u00edtimas da tr\u00e1gica avalanche ocorrida h\u00e1 dois dias na regi\u00e3o de Racha, na Ge\u00f3rgia. Sinto-me solid\u00e1rio com os seus parentes. Que a Virgem Santa os console, e sustente tamb\u00e9m o trabalho das equipes de resgate. E acompanho, estou unido ao meu irm\u00e3o o Patriarca Elias II.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=McydvHnEvHE\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=McydvHnEvHE<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">****************<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viagem Apost\u00f3lica a Portugal: Encontro com os volunt\u00e1rios da JMJ2023<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jornada Mundial da Juventude-Lisboa 2023<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Passeio mar\u00edtimo, Alg\u00e9s<br \/>\nDomingo 06 de agosto de 2023 &#8211; 16h30<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queridos amigos: Bom dia e obrigado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obrigado ao Patriarca de Lisboa pelas palavras, ao Bispo Am\u00e9rico Aguiar e a todos v\u00f3s por terem trabalhado tanto e t\u00e3o bem, tornando poss\u00edveis estes dias inesquec\u00edveis. Trabalharam meses, discretamente, sem barulho ou destaque, para que todos pud\u00e9ssemos estar aqui cantando juntos: \u201cJesus vive e n\u00e3o nos deixa sozinhos: n\u00e3o deixaremos mais de O amar\u201d. Al\u00e9m disso, eles t\u00eam sido um exemplo de equipa trabalhando em conjunto. E todos v\u00f3s, mais que um trabalho, tem realizado um servi\u00e7o, obrigado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O servi\u00e7o prestado pela Virgem Maria, que \u00abse levantou e partiu sem demora\u00bb (Lc 1,39) para servir a sua prima Isabel, sentindo a urg\u00eancia de partilhar a alegria do servi\u00e7o. Compartilhar alegria e servi\u00e7o, alegria no servi\u00e7o. Pensemos em Zaqueu, que subiu em uma \u00e1rvore para ver Jesus e desceu rapidamente. Algo o tocou, ele queria encontrar Jesus e acolh\u00ea-lo em sua casa (cf. Lc 19,6); Pensemos nas mulheres e nos disc\u00edpulos, que na P\u00e1scoa correram do cen\u00e1culo ao sepulcro e depois voltaram para anunciar aos outros que Cristo ressuscitou (cf. Jo 20, 1-18). Quem ama n\u00e3o fica de bra\u00e7os cruzados, quem ama serve, e quem ama corre para servir, corre para se doar ao servi\u00e7o dos outros. E todos voc\u00eas correram, hein! Todos voc\u00eas correram bastante nestes meses. Eu s\u00f3 podia ver o fim, desses dias. Observando-os, vi que responderam a mil necessidades, \u00e0s vezes com rostos marcados pelo cansa\u00e7o, outras vezes um pouco sobrecarregados pelas urg\u00eancias do momento, mas sempre notei uma coisa, que os vossos olhos estavam luminosos, luminosos com a alegria do servi\u00e7o. Obrigado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos v\u00f3s tornastes poss\u00edvel este Encontro Mundial da Juventude, fizestes grandes coisas, mas com pequenos gestos, como oferecer uma garrafa de \u00e1gua a um desconhecido, e isso cria amizade. Correstes muito, mas n\u00e3o com a corrida fren\u00e9tica e sem rumo que \u00e0s vezes \u00e9 o que este mundo nos pede, n\u00e3o. Cada um de v\u00f3s correu de forma diferente. Correram uma corrida que leva ao encontro com os outros, para servir os outros em nome de Jesus. E viestes a Lisboa para servir e n\u00e3o para ser servido! Obrigado! Muito obrigado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E agora gostaria de ser o amplificador, para que ressoe o que nos disseram os testemunhos, os testemunhos da Chiara, do Francisco e do Filipe. Os tr\u00eas contaram-nos sobre um encontro especial com Jesus. Eles lembraram-nos que o encontro mais bonito, o motor de todos os outros, aquele que nos faz caminhar com seriedade, que leva a vida adiante, \u00e9 com Jesus. \u00c9 o encontro mais importante da nossa vida. Renovar o encontro pessoal com Jesus todos os dias \u00e9 o centro da vida crist\u00e3. E cada um de v\u00f3s deve renov\u00e1-lo todos os dias para mant\u00ea-lo fresco, n\u00e3o apenas na sua cabe\u00e7a, mas no seu cora\u00e7\u00e3o. Experimentamos que um pequeno &#8220;sim&#8221; a Jesus pode mudar a vida. Mas tamb\u00e9m s\u00e3o bons os &#8220;sins&#8221; ditos aos outros, quando est\u00e3o a servi\u00e7o. Cada um de v\u00f3s, nos momentos de cansa\u00e7o, encorajou-se e continuou dizendo &#8220;sim&#8221; para servir aos outros. Obrigado por isso!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E Tu, Francisco, disseste que aqui encontraste uma coisa que precisavas e que nem procuravas. Caminhando, trabalhando, rezando com os outros, tu entendeste que n\u00e3o te podes deixar aprisionar pelo caos, pelas &#8220;camas desarrumadas&#8221; do passado, nem viver com o cora\u00e7\u00e3o atormentado por sentimentos de imperfei\u00e7\u00e3o, mas sim, com a ajuda de Jesus e dos irm\u00e3os, tu tiveste a oportunidade de reorganizar &#8220;o quarto da sua vida&#8221;. Isso \u00e9 muito bonito, este Dia \u00e9 \u00fatil, ajuda muito a reordenar as nossas vidas. Por que, para o dia? N\u00e3o. Por causa de Jesus que est\u00e1 aqui no meio de n\u00f3s e se mostra a n\u00f3s. As coisas s\u00e3o in\u00fateis para trazer ordem \u00e0 nossa vida, as distra\u00e7\u00f5es s\u00e3o in\u00fateis, o dinheiro \u00e9 in\u00fatil. \u00c9 preciso dilatar o cora\u00e7\u00e3o, e se dilatar o cora\u00e7\u00e3o colocar\u00e1 cada vida em ordem. N\u00e3o tenhas medo, expanda o teu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, finalmente, tu, Filipe, entre tantas belas experi\u00eancias que compartilhaste, mencionaste uma que quero destacar: Tu disseste que viveste aqui um duplo encontro, um encontro com Jesus e um encontro com os outros. Encontro com Jesus e encontro com os outros. Isto \u00e9 muito importante. O encontro com Jesus \u00e9 um momento pessoal, \u00fanico, que s\u00f3 pode ser descrito e narrado at\u00e9 certo ponto, mas sempre acontece gra\u00e7as a um caminho percorrido em companhia, realizado gra\u00e7as \u00e0 ajuda de outros. Encontrar Jesus e encontr\u00e1-lo no servi\u00e7o aos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amigos, para finalizar, gostaria de deixar uma imagem para voc\u00eas. Como muitos de n\u00f3s sabemos, a norte de Lisboa existe uma vila, a Nazar\u00e9, onde se podem admirar ondas que chegam aos trinta metros de altura e s\u00e3o uma atra\u00e7\u00e3o mundial, sobretudo para os surfistas que as desafiam. Nestes dias voc\u00eas tamb\u00e9m enfrentaram uma onda real; n\u00e3o de \u00e1gua, mas de jovens, jovens como voc\u00eas que inundaram esta cidade. Mas, com a ajuda de Deus, com muita generosidade e apoio m\u00fatuo, voc\u00eas enfrentaram essa grande onda. Vejam como eles s\u00e3o corajosos. Obrigado, obrigado! Quero dizer a todos voc\u00eas para continuarem, continuem surfando nas ondas do amor, continuem surfando nas ondas da caridade, sejam &#8220;surfistas do amor&#8221;! E isso \u00e9 como uma tarefa que confio a cada um de v\u00f3s neste momento. Que o servi\u00e7o prestado a esta Jornada Mundial da Juventude seja a primeira de muitas ondas de bem; e cada vez sereis levados mais alto, mais perto de Deus, e isso permitir\u00e1 que cada um veja o seu caminho de uma perspetiva diferente e melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agrade\u00e7o a todos. Bom caminho! E pe\u00e7o que rezem por mim. Obrigado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=kWkISEZtLIY\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=kWkISEZtLIY<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/JMJ-Lisboa-2023-Textos-importantes.pdf\">JMJ Lisboa 2023 &#8211; Textos importantes (PDF)<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Missal-das-celebracoes-do-Papa-Francisco-em-Portugal-2023.08.02-06.pdf.pdf\">Missal das celebra\u00e7\u00f5es do Papa Francisco em Portugal &#8211; 2023.08.02-06 (PDF)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Textos importantes e Missal das Celebra\u00e7\u00f5es do Papa Francisco  &#8211; JMJ Lisboa 2023<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11090,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"categories":[87,68],"tags":[],"class_list":["post-12229","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-jmj-lisboa-2023","category-ultimas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12229","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=12229"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12229\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12235,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12229\/revisions\/12235"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11090"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=12229"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=12229"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=12229"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}