{"id":12267,"date":"2023-08-17T12:05:02","date_gmt":"2023-08-17T11:05:02","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=12267"},"modified":"2023-08-17T12:11:23","modified_gmt":"2023-08-17T11:11:23","slug":"conferencia-imprensa-do-papa-francisco-no-aviao-de-regresso-da-jmj-lisboa-2023-06-08-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=12267","title":{"rendered":"Confer\u00eancia imprensa do Papa Francisco &#8211; No avi\u00e3o de regresso da JMJ Lisboa 2023 &#8211; 06.08.2023"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/travels\/2023\/outside\/documents\/portogallo-gmg-2023.html\">VIAGEM APOST\u00d3LICA DO PAPA FRANCISCO A PORTUGAL<br \/>\nPOR OCASI\u00c3O DA<br \/>\nXXXVII JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE<\/a><br \/>\n[2 &#8211; 6 DE agosto DE 2023]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>COLETIVA DE IMPRENSA DO SANTO PADRE<\/strong><strong><br \/>\nDURANTE O VOO DE REGRESSO DE LISBOA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Domingo, 6 de agosto de 2023<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Matteo Bruni<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boa noite, Santidade! Regressamos rejuvenescidos e felizes desta JMJ, na qual pudemos afrontar as quest\u00f5es e os anseios dos jovens em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja, \u00e0 f\u00e9 e tamb\u00e9m ao mundo. E pudemos escutar a sua resposta quer por palavras quer pela presen\u00e7a. Agora h\u00e1 algumas perguntas dos jornalistas, mas primeiro vejamos se o Santo Padre quer dizer alguma coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papa Francisco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boa noite e muito obrigado por esta experi\u00eancia. Hoje \u00e9 dia de anivers\u00e1rio [da jornalista Rita Cruz], muitos parab\u00e9ns! Mais tarde chegar\u00e1 o bolo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Matteo Bruni<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta noite, a primeira pergunta \u00e9 de Aura Maria Vistas Miguel, da R\u00e1dio Renascen\u00e7a, que conhecemos bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aura Maria Vistas Miguel (<em>R\u00e1dio Renascen\u00e7a<\/em>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santidade, antes de mais nada, obrigada pela sua visita a Portugal! J\u00e1 todos a consideram um sucesso. Todos encantados. Obrigada por ter vindo! Encontrei um chefe importante da Pol\u00edcia que me disse nunca ter visto uma multid\u00e3o t\u00e3o obediente e pac\u00edfica. Foi tudo muito belo, obrigada! A minha pergunta diz respeito a F\u00e1tima. Sabemos que o Santo Padre foi l\u00e1 e rezou em sil\u00eancio diante de Nossa Senhora na Capelinha. Mas havia grande expectativa de que, no pr\u00f3prio lugar onde Nossa Senhora pedira para rezar pelo fim da guerra e, infelizmente, estando n\u00f3s em guerra neste momento, o Santo Padre elevasse de novo, publicamente, uma s\u00faplica pela paz. Os olhos de todo o mundo estavam fixos em si, ontem de manh\u00e3, em F\u00e1tima. Por que n\u00e3o o fez?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papa Francisco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu, rezar, rezei. Orei a Nossa Senhora e rezei pela paz. N\u00e3o fiz constar, mas eu rezei. E devemos repetir continuamente esta ora\u00e7\u00e3o pela paz. Maria pedira isto, na I Guerra Mundial. E desta vez supliquei-o a Nossa Senhora. E rezei, sem fazer publicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Matteo Bruni<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obrigado, Aura. A segunda pergunta vem de Jo\u00e3o Francisco: \u00e9 do di\u00e1rio portugu\u00eas \u00abObservador\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Francisco Gon\u00e7alves Gomes (jornal<em>\u00a0Observador<\/em>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito obrigado, Santo Padre. Pergunto a prop\u00f3sito dos abusos sobre menores, na Igreja em Portugal. No m\u00eas de fevereiro deste ano, foi publicado um relat\u00f3rio sobre a realidade dos abusos em Portugal: as crian\u00e7as v\u00edtimas foram quase cinco mil nas \u00faltimas d\u00e9cadas. A minha pergunta: leu-o, foi informado sobre esse relat\u00f3rio entregue aos bispos? E ainda: Que se deveria fazer aos bispos que tiveram conhecimento dos casos de abusos e n\u00e3o os denunciaram \u00e0s autoridades? Obrigado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papa Francisco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como todos sabeis, recebi de forma muito reservada um grupo de pessoas que foram abusadas. Como sempre fa\u00e7o nestes casos, conversamos sobre esta praga, esta praga tremenda. Na Igreja, seguia-se mais ou menos o mesmo comportamento que se segue atualmente nas fam\u00edlias e vizinhan\u00e7as: encobre-se\u2026 Pensamos que mais ou menos 42% dos abusos acontece nas fam\u00edlias ou nas vizinhan\u00e7as. Temos ainda de amadurecer e ajudar para que estas coisas venham \u00e0 luz. Desde o esc\u00e2ndalo de Boston, a Igreja tomou consci\u00eancia de que n\u00e3o se podiam seguir caminhos evasivos, mas devia-se pegar o touro pelos cornos. H\u00e1 dois anos e meio, houve a reuni\u00e3o dos presidentes das Confer\u00eancias Episcopais, onde inclusivamente se apresentaram estat\u00edsticas oficiais sobre os abusos. E \u00e9 grave, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grave. Na Igreja, h\u00e1 uma express\u00e3o que estamos a usar continuamente: toler\u00e2ncia zero, toler\u00e2ncia zero. E os Pastores que, de alguma forma, se desinteressaram disso, devem assumir esta irresponsabilidade. O modo ter\u00e1 de ser visto caso a caso. \u00c9 muito duro o mundo dos abusos e, por isso, exorto a ser muito francos sobre tudo isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0 quest\u00e3o como se est\u00e1 a desenrolar o processo na Igreja portuguesa: est\u00e1 a andar bem. Est\u00e1 a andar bem e com seriedade; busca-se a seriedade nos casos de abuso. Por vezes os n\u00fameros acabam por ser exagerados, inclusive pelos coment\u00e1rios que sempre gostamos de fazer, mas a realidade \u00e9 que est\u00e1 a andar bem e isso d\u00e1-me uma certa tranquilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gostaria de tocar um ponto e pe\u00e7o aos jornalistas para cooperarem nisto. Hoje em dia&#8230; Tendes um telem\u00f3vel? (&#8230;) Pois bem, em qualquer um destes telem\u00f3veis, pagando e com uma password, tem-se acesso ao abuso sexual sobre menores. Isto sai das nossas casas, pois tal abuso sexual sobre menores \u00e9 filmado em direto. Onde se filma? Quem s\u00e3o os respons\u00e1veis? Esta \u00e9 uma das pragas mais s\u00e9rias\u2026 em todos os sentidos. Quero, por\u00e9m, destacar isto porque, \u00e0s vezes, n\u00e3o nos damos conta de as coisas serem t\u00e3o radicais. Quando se usa uma crian\u00e7a para fazer espet\u00e1culo dum abuso \u00e9 para chamar a aten\u00e7\u00e3o. O abuso \u00e9 como \u00abcomer\u00bb a v\u00edtima ou, pior, feri-la e deix\u00e1-la viva. Falar com pessoas abusadas \u00e9 uma experi\u00eancia muito dolorosa e contudo faz-me bem, n\u00e3o pelo gosto de ouvir, mas porque me ajuda a assumir este drama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, \u00e0 tua pergunta, eu diria quanto ficou dito: o processo est\u00e1 a andar, estou informado do modo como correm as coisas. Nas not\u00edcias, pode-se ter exagerado a situa\u00e7\u00e3o real, mas, no caso que tocou, as coisas est\u00e3o a andar bem. Entretanto digo-vos: de qualquer modo ajudai, ajudai para que todos os tipos de abuso possam ser resolvidos: o abuso sexual, mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico. Existem ainda outros tipos de abuso que bradam ao c\u00e9u: o abuso do trabalho infantil, o abuso do trabalho com crian\u00e7as; o abuso das mulheres. Ainda hoje, em muitos pa\u00edses, se recorre \u00e0 opera\u00e7\u00e3o cir\u00fargica nas meninas para a excis\u00e3o do clit\u00f3ris; mas faz-se tamb\u00e9m com uma simples navalha de barba\u2026 Uma crueldade! E temos o abuso do trabalho. Ou seja, para al\u00e9m do abuso sexual, que \u00e9 grave, existe tudo isto: \u00e9 uma cultura do abuso que a humanidade deve rever e da qual tem de se converter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Matteo Bruni<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obrigado, Santidade! A pr\u00f3xima pergunta, a terceira, \u00e9 de Jean-Marie Gu\u00e9nois, de \u00abLe Figaro\u00bb, um velho amigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean-Marie Gu\u00e9nois (<em>Le Figaro<\/em>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santo Padre, como est\u00e1? Quanto \u00e0 sa\u00fade, como est\u00e1 a decorrer a sua convalescen\u00e7a? Houve cinco discursos que n\u00e3o leu, ou leu apenas pequenas partes, uma coisa in\u00e9dita nas viagens: Porqu\u00ea? Teve problemas nos olhos? Cansa\u00e7o? Textos demasiado longos? Como se sente? E, se me permite, uma pequenina pergunta sobre a Fran\u00e7a: O Santo Padre vai a Marselha e a Fran\u00e7a est\u00e1 feliz; mas nunca visita a Fran\u00e7a. E o povo n\u00e3o compreende: talvez por ser pequena, mas n\u00e3o o suficiente? Ou o Papa tem algo contra a Fran\u00e7a?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papa Francisco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A minha sa\u00fade est\u00e1 bem. Tiraram-me os pontos, levo uma vida normal, trago uma faixa que devo usar por dois\/tr\u00eas meses, para evitar eventual eventra\u00e7\u00e3o, at\u00e9 os m\u00fasculos ficarem mais fortes. Mas estou bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto a esta vista: naquela par\u00f3quia, cortei o discurso porque havia uma luz \u00e0 minha frente que dava sobre mim e eu n\u00e3o podia ler; por isso cortei. Alguns de v\u00f3s perguntaram, atrav\u00e9s de Matteo [Bruni], o motivo por que encurtei as homilias [os textos] que t\u00ednheis. Quando falo (n\u00e3o me refiro \u00e0s homilias; estas, quando s\u00e3o \u00abacad\u00e9micas\u00bb, tento deix\u00e1-las mais claras), sempre quando falo, procuro conseguir comunica\u00e7\u00e3o. Vistes que, mesmo numa homilia \u00abacad\u00e9mica\u00bb, fa\u00e7o qualquer piada, qualquer gra\u00e7a&#8230; fa\u00e7o-o para assegurar a comunica\u00e7\u00e3o. Com os jovens, os discursos longos continham o essencial da mensagem, e de l\u00e1 extra\u00eda as minhas palavras conforme sentia a comunica\u00e7\u00e3o. Vistes que fazia qualquer pergunta, e o eco indicava-me como estavam as coisas, se a minha impress\u00e3o estava errada ou n\u00e3o. Os jovens n\u00e3o conseguem estar atentos muito tempo. Pensai que, se tu fizeres um discurso claro, com uma ideia, uma imagem, uma palavra de afeto, conseguem acompanhar-te por oito minutos. Ali\u00e1s, na primeira Exorta\u00e7\u00e3o que redigi, a\u00a0<em>Evangelii gaudium<\/em>, escrevi um longo cap\u00edtulo sobre a homilia. Porque as homilias \u2013 aqui est\u00e1 um p\u00e1roco e ele sabe disto \u2013 \u00e0s vezes s\u00e3o uma tortura, uma verdadeira tortura: fala-se bl\u00e1, bl\u00e1, e o povo sofre. Nalgumas terras, os homens saem para fumar um cigarro e voltam. A Igreja deve mudar neste aspeto da homilia: h\u00e1 de ser curta, clara, com uma mensagem clara e afetuosa. Este \u00e9 o motivo por que interpelo os jovens e os fa\u00e7o falar&#8230; A ideia estava l\u00e1, mas encurtei, porque preciso de fazer passar a ideia, com os jovens. \u00c9 tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E passemos \u00e0 Fran\u00e7a. Estive em Estrasburgo, irei a Marselha, mas [<em>em tom jocoso<\/em>] \u00e0 Fran\u00e7a&#8230; n\u00e3o! H\u00e1 um problema que me preocupa: \u00e9 o problema do Mediterr\u00e2neo. Por isso vou \u00e0 Fran\u00e7a. \u00c9 criminosa aquela explora\u00e7\u00e3o dos migrantes. Aqui na Europa, n\u00e3o \u2013 por sermos talvez mais cultos \u2013, mas nos campos de concentra\u00e7\u00e3o do norte da \u00c1frica\u2026 Recomendo-vos uma leitura: existe um livrito, pequeno, escrito por um migrante, que, para chegar da Guin\u00e9 \u00e0 Espanha, penso que gastou tr\u00eas anos, porque foi capturado, torturado, escravizado. A condi\u00e7\u00e3o dos migrantes, naqueles campos de concentra\u00e7\u00e3o do norte da \u00c1frica, \u00e9 terr\u00edvel. Ainda na semana passada, a associa\u00e7\u00e3o mediterr\u00e2nica\u00a0<em>Saving Humans<\/em>\u00a0estava a trabalhar para resgatar os migrantes que estavam no deserto entre a Tun\u00edsia e a L\u00edbia, porque tinham-nos abandonado l\u00e1 a morrer. O tal livro chama-se\u00a0<em>Hermanito<\/em>\u00a0(em italiano, tem como subt\u00edtulo \u00abFratellino\u00bb) e l\u00ea-se em duas horas. Vale a pena! Lede-o, e vereis o drama dos migrantes antes de embarcar&#8230; Os bispos do Mediterr\u00e2neo far\u00e3o este encontro, inclusive com alguns pol\u00edticos, para refletir seriamente sobre o drama dos migrantes. O Mediterr\u00e2neo \u00e9 um cemit\u00e9rio, mas n\u00e3o \u00e9 o maior; o maior cemit\u00e9rio \u00e9 o norte da \u00c1frica. Aquilo \u00e9 terr\u00edvel&#8230; lede-o. Vou a Marselha para isso. Na semana passada, disse-me o Presidente Macron que tem inten\u00e7\u00e3o de vir a Marselha; ficarei l\u00e1 dia e meio: a tarde \u2013 quando chego \u2013 e o dia seguinte completo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean-Marie Gu\u00e9nois (<em>Le Figaro<\/em>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o n\u00e3o tem nada contra a Fran\u00e7a?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papa Francisco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Absolutamente n\u00e3o. A minha \u00abpol\u00edtica\u00bb nisto: estou a visitar os pa\u00edses europeus pequenos. Os grandes \u2013 Espanha, Fran\u00e7a, Inglaterra \u2013 deixo-os para depois, para o fim. Mas, por op\u00e7\u00e3o, comecei pela Alb\u00e2nia e por a\u00ed adiante&#8230; os pequenos. N\u00e3o tenho nada contra a Fran\u00e7a! Visito duas cidades: Estrasburgo e Marselha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Matteo Bruni<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00f3xima pergunta, a quarta, vem de Anita Hirschbeck, da ag\u00eancia cat\u00f3lica alem\u00e3 de not\u00edcias. Tem a palavra, Anita\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anita Hirschbeck (<em>KNA = Katholische Nachrichten Agentur<\/em>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santo Padre, em Lisboa, disse-nos que na Igreja h\u00e1 lugar para \u00abtodos, todos, todos\u00bb. A Igreja est\u00e1 aberta a todos, mas ao mesmo tempo nem todos t\u00eam os mesmos direitos e oportunidades, no sentido que, por exemplo, mulheres e homossexuais n\u00e3o podem receber todos os Sacramentos. Santo Padre, como explica esta incoer\u00eancia entre \u00abIgreja aberta\u00bb e \u00abIgreja n\u00e3o igual para todos\u00bb? Obrigada!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papa Francisco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A senhora faz-me uma pergunta sobre dois pontos de vista diversos: a Igreja est\u00e1 aberta para todos e, depois, h\u00e1 legisla\u00e7\u00f5es que regulam a vida dentro da Igreja e, quem est\u00e1 dentro, at\u00e9m-se \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o&#8230; Aquilo que a senhora diz \u00e9 uma forma muito simplista de afirmar: \u00abele n\u00e3o pode receber Sacramentos\u00bb. Mas isto n\u00e3o significa que a Igreja seja fechada. Cada um encontra Deus pela pr\u00f3pria estrada, dentro da Igreja; e a Igreja \u00e9 m\u00e3e e guia cada um pela sua estrada. Por isso n\u00e3o gosto de dizer: venham todos, mas tu faz isto, tu faz aquilo&#8230; Venham todos e depois cada qual, na ora\u00e7\u00e3o, em conversa \u00edntima com Deus, no di\u00e1logo pastoral com os agentes de pastoral, procura o modo de avan\u00e7ar. Por isso, n\u00e3o \u00e9 justo fazer a pergunta \u00abpor que n\u00e3o os homossexuais?\u00bb. S\u00e3o todos. O Senhor \u00e9 claro: doentes e s\u00e3os, idosos e jovens, feios e bonitos, bons e maus (verifica-se isso tamb\u00e9m na moral, mas \u00e9 feio). Parece haver uma vis\u00e3o que n\u00e3o compreende este an\u00fancio da Igreja como\u00a0<em>m\u00e3e<\/em>\u00a0e concebe-a como uma esp\u00e9cie de \u00abempresa\u00bb, onde tu, para entrar, tens de fazer isto, proceder desta forma e n\u00e3o doutra&#8230; Caso diverso \u00e9 a ministerialidade na Igreja, que \u00e9 o modo de conduzir o rebanho, e uma das coisas importantes na ministerialidade \u00e9 acompanhar as pessoas passo a passo no seu caminho de amadurecimento. Cada um de n\u00f3s tem esta experi\u00eancia: a Igreja m\u00e3e acompanhou-nos e acompanha-nos no pr\u00f3prio caminho de amadurecimento. N\u00e3o gosto da redu\u00e7\u00e3o: n\u00e3o \u00e9 eclesial, isso \u00e9 gn\u00f3stico; \u00e9 como uma heresia gn\u00f3stica, que est\u00e1 hoje um pouco na moda, um certo gnosticismo que reduz a realidade eclesial a ideias, e isto n\u00e3o ajuda. A Igreja \u00e9 m\u00e3e, acolhe todos, e cada um percorre a sua estrada dentro da Igreja, sem fazer publicidade, e isto \u00e9 muito importante. Obrigado pela coragem de fazer esta pergunta. Obrigado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papa Francisco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma coisa que ele [Matteo Bruni] me pergunta foi como eu vivi a JMJ. \u00c9 a quarta que vivo. A primeira foi no Rio de Janeiro, que foi monumental, \u00e0 brasileira, linda! A segunda em Crac\u00f3via, a terceira no Panam\u00e1, e esta&#8230; \u00e9 a quarta. Esta foi a mais numerosa. Os dados concretos, reais: eram mais de um milh\u00e3o. Ali\u00e1s na missa de hoje e na vig\u00edlia da noite, calculava-se um milh\u00e3o e quatrocentos mil ou um milh\u00e3o e seiscentos mil. S\u00e3o dados do Governo. Era impressionante o n\u00famero! Bem preparada. Dentre as que j\u00e1 vi, esta foi a melhor preparada. E os jovens s\u00e3o uma surpresa. Os jovens s\u00e3o jovens, fazem brincadeiras \u2013 a vida \u00e9 assim! \u2013, mas procuram olhar para a frente&#8230; eles s\u00e3o o futuro. A quest\u00e3o \u00e9 acompanh\u00e1-los, o problema \u00e9\u00a0<em>saber<\/em>\u00a0acompanh\u00e1-los, e fazer com que n\u00e3o se separem das ra\u00edzes. Por isso insisto tanto no di\u00e1logo entre idosos e jovens, av\u00f3s com netos. Este di\u00e1logo \u00e9 importante, ainda mais importante que o di\u00e1logo entre pais e filhos. Com os av\u00f3s, devem-no fazer, porque l\u00e1 agarram as ra\u00edzes. Depois os jovens s\u00e3o religiosos; procuram uma f\u00e9 n\u00e3o invasiva, uma f\u00e9 n\u00e3o artificial, nem legalista, mas um encontro com Jesus Cristo. E isto n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. \u00c9 uma experi\u00eancia&#8230; Diz-se: \u00abMas os jovens nem sempre vivem segundo a moral!\u00bb. Quem de n\u00f3s n\u00e3o praticou um erro moral na pr\u00f3pria vida? Todos! Com um dos mandamentos quaisquer, cada um de n\u00f3s tem as suas quedas na pr\u00f3pria hist\u00f3ria. A vida \u00e9 assim. Mas o Senhor sempre nos espera, porque \u00e9 misericordioso e Pai, e a miseric\u00f3rdia ultrapassa tudo. Para mim, a Jornada foi bel\u00edssima. E hoje, antes de tomar o avi\u00e3o, estive com os volunt\u00e1rios que eram&#8230; Sabes quantos eram?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Matteo Bruni<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vinte e cinco mil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papa Francisco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vinte e cinco mil! Com uma \u00abm\u00edstica\u00bb [um esp\u00edrito], um\u00a0<em>engagement<\/em>\u00a0[um compromisso], que era verdadeiramente lindo, lindo. Era isto que desejava dizer sobre a Jornada da Juventude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Matteo Bruni<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E assim damos por terminado, Santidade? Ou o Santo Padre\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papa Francisco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas sim&#8230; uma \u00faltima pergunta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Matteo Bruni<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, fa\u00e7amos uma \u00faltima pergunta, talvez a de Justin, de CNS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Justin McLellan (<em>CNS = Catholic News Service<\/em>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falando da JMJ, nestes dias ouvimos alguns testemunhos de jovens que tiveram de lutar pela sa\u00fade mental devido \u00e0 depress\u00e3o. O Santo Padre j\u00e1 alguma vez lutou por isso? E, no caso de algu\u00e9m decidir suicidar-se, que diria o Santo Padre aos familiares desta pessoa que sofrem pensando, segundo o ensinamento cat\u00f3lico sobre o suic\u00eddio, que foi para o inferno?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papa Francisco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje o suic\u00eddio juvenil \u00e9 importante, importante pelo n\u00famero. Existe&#8230; os mass-media n\u00e3o o referem muito, porque os meios de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o se informam. Aqui [em Lisboa] entrei em di\u00e1logo (n\u00e3o na Confiss\u00e3o) com os jovens, porque aproveitei para dialogar e um bom rapaz disse-me: \u00abPosso fazer-lhe uma pergunta? Que pensa do suic\u00eddio?\u00bb N\u00e3o se exprimia numa das nossas l\u00ednguas, mas compreendi-o bem, e come\u00e7amos a falar do suic\u00eddio. E no fim disse-me: \u00abObrigado, porque no ano passado estive indeciso se faz\u00ea-lo ou n\u00e3o\u00bb. H\u00e1 tantos jovens angustiados, deprimidos, e n\u00e3o s\u00f3 psicologicamente&#8230; Al\u00e9m disso, nalguns pa\u00edses muito exigentes na universidade, os jovens que n\u00e3o conseguem obter o doutoramento ou encontrar emprego suicidam-se, pela grande vergonha que sentem. N\u00e3o digo que seja uma coisa de todos os dias, mas \u00e9 um problema. \u00c9 um problema atual. Acontece&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Matteo Bruni<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obrigado, Santidade, pelas suas respostas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papa Francisco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E obrigado a v\u00f3s pelo que fizestes. Recomendo que n\u00e3o vos esque\u00e7ais:\u00a0<em>Hermanito<\/em>,\u00a0<em>Fratellino<\/em>, o livro do migrante. Obrigado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Boa noite, Santidade! 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