{"id":12271,"date":"2023-08-17T12:09:54","date_gmt":"2023-08-17T11:09:54","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=12271"},"modified":"2023-08-17T12:10:28","modified_gmt":"2023-08-17T11:10:28","slug":"copia-de-mensagem-do-papa-francisco-por-ocasiao-do-50o-aniversario-da-carta-apostolica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=12271","title":{"rendered":"Carta do Papa Francisco aos presb\u00edteros da Diocese de Roma"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\" data-wp-editing=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9814 aligncenter\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/pope.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"122\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Carta do Papa Francisco aos presb\u00edteros da Diocese de Roma<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">05 de agosto de 2023<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Caros irm\u00e3os sacerdotes,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gostaria de vos estender a m\u00e3o com um pensamento de acompanhamento e amizade, que espero vos sustente no desempenho do vosso minist\u00e9rio, com a sua carga de alegrias e trabalhos, esperan\u00e7as e desilus\u00f5es. Precisamos trocar olhares cheios de cuidado e compaix\u00e3o, aprendendo com Jesus que olhou assim para os ap\u00f3stolos, n\u00e3o exigindo deles um cronograma ditado pelo crit\u00e9rio da efici\u00eancia, mas oferecendo cuidado e refrescamento. Assim, quando os ap\u00f3stolos regressaram da sua miss\u00e3o, entusiasmados, mas cansados, o Mestre disse-lhes: \u00abAfastai-vos sozinhos para um lugar solit\u00e1rio, e descansai um pouco\u00bb (<strong><em>Mc 6, 31<\/em><\/strong>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Penso em v\u00f3s, neste momento em que pode haver, juntamente com as atividades estivais, tamb\u00e9m um pouco de descanso depois dos trabalhos pastorais dos \u00faltimos meses. E, antes de mais, gostaria de reiterar os meus agradecimentos: &#8220;Obrigado pelo vosso testemunho e pelo vosso servi\u00e7o. Obrigado pelo bem oculto que fazeis e pelo perd\u00e3o e consola\u00e7\u00e3o que concedeis em nome de Deus. &#8230; Obrigado pelo vosso minist\u00e9rio, que muitas vezes \u00e9 realizado com grande esfor\u00e7o, com pouco reconhecimento e nem sempre \u00e9 compreendido&#8221; (<strong><em>Homilia para a Missa Crismal, 6 de abril de 2023<\/em><\/strong>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, o nosso minist\u00e9rio sacerdotal n\u00e3o se mede pelos \u00eaxitos pastorais (o pr\u00f3prio Senhor os teve cada vez menos com o passar do tempo!). O centro da nossa vida n\u00e3o \u00e9 sequer o frenesim da atividade, mas a perman\u00eancia no Senhor para dar fruto (<strong><em>cf. Jo 15<\/em><\/strong>). Ele \u00e9 o nosso refrig\u00e9rio (<strong><em>cf. Mt 11, 28-29<\/em><\/strong>). E a ternura que nos conforta brota da sua miseric\u00f3rdia, do acolhimento do &#8220;magis&#8221; da sua gra\u00e7a, que nos permite ir em frente no nosso trabalho apost\u00f3lico, suportar os insucessos e as contrariedades, alegrar-nos com simplicidade de cora\u00e7\u00e3o, ser mansos e pacientes, recome\u00e7ar e recome\u00e7ar sempre, ir ao encontro dos outros. De facto, os nossos necess\u00e1rios &#8220;momentos de recarga&#8221; acontecem n\u00e3o s\u00f3 quando descansamos f\u00edsica e espiritualmente, mas tamb\u00e9m quando nos abrimos ao encontro fraterno entre n\u00f3s: a fraternidade conforta, oferece espa\u00e7os de liberdade interior e impede-nos de nos sentirmos s\u00f3s perante os desafios do minist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 com este esp\u00edrito que vos escrevo. Sinto que estou a caminho convosco e gostaria de vos fazer sentir que estou pr\u00f3ximo de v\u00f3s nas alegrias e nas tristezas, nos projetos e nas dificuldades, nas amarguras e nas consola\u00e7\u00f5es pastorais. Sobretudo, partilho convosco o desejo de comunh\u00e3o, afetiva e efetiva, enquanto ofere\u00e7o a minha ora\u00e7\u00e3o quotidiana para que esta nossa M\u00e3e Igreja de Roma, chamada a presidir na caridade, cultive o precioso dom da comunh\u00e3o antes de mais em si mesma, fazendo-o germinar nas v\u00e1rias realidades e sensibilidades de que \u00e9 composta. Que a Igreja de Roma seja para todos um exemplo de compaix\u00e3o e de esperan\u00e7a, com os seus pastores sempre, verdadeiramente sempre, prontos e dispostos a estender o perd\u00e3o de Deus, como canais de miseric\u00f3rdia que saciam a sede da humanidade atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E agora, queridos irm\u00e3os, pergunto-me: neste nosso tempo, o que \u00e9 que o Senhor nos pede, para onde nos conduz o Esp\u00edrito que nos ungiu e nos enviou como ap\u00f3stolos do Evangelho? Na ora\u00e7\u00e3o, vem-me \u00e0 mente isto: que Deus nos pede para irmos at\u00e9 ao fim na luta contra a mundanidade espiritual. O Padre Henri de Lubac, em algumas p\u00e1ginas de um texto que vos convido a ler, definia a mundanidade espiritual como &#8220;o maior perigo para a Igreja &#8211; para n\u00f3s, que somos a Igreja -, a tenta\u00e7\u00e3o mais p\u00e9rfida, aquela que ressurge sempre, insidiosamente, quando as outras foram vencidas&#8221; E acrescenta palavras que me parecem acertadas: &#8220;Se esta mundanidade espiritual invadisse a Igreja e trabalhasse para a corromper, minando o seu pr\u00f3prio princ\u00edpio, seria infinitamente mais funesta do que qualquer mundanidade simplesmente moral&#8221; (<strong><em>Medita\u00e7\u00e3o sobre a Igreja, Mil\u00e3o 1965, 470<\/em><\/strong>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o coisas que j\u00e1 recordei noutras ocasi\u00f5es, mas gostaria de as reiterar, considerando-as priorit\u00e1rias: a mundanidade espiritual, de facto, \u00e9 perigosa porque \u00e9 um modo de vida que reduz a espiritualidade a uma apar\u00eancia: leva-nos a ser &#8220;comerciantes do esp\u00edrito&#8221;, homens revestidos de formas sagradas que, na realidade, continuam a pensar e a agir segundo as modas do mundo. Isto acontece quando nos deixamos fascinar pelas sedu\u00e7\u00f5es do ef\u00e9mero, pela mediocridade e pelo h\u00e1bito, pelas tenta\u00e7\u00f5es do poder e da influ\u00eancia social. E, ainda, pela vangl\u00f3ria e pelo narcisismo, pela intransig\u00eancia doutrinal e pelo esteticismo lit\u00fargico, formas e modos como o mundanismo &#8220;se esconde por detr\u00e1s da apar\u00eancia de piedade e at\u00e9 de amor \u00e0 Igreja&#8221;, mas na realidade &#8220;consiste em procurar, n\u00e3o a gl\u00f3ria do Senhor, mas a gl\u00f3ria humana e o bem-estar pessoal&#8221; <strong><em>(Evangelii gaudium, 93<\/em><\/strong>). Como n\u00e3o reconhecer em tudo isto a vers\u00e3o atualizada daquele formalismo hip\u00f3crita que Jesus via em certas autoridades religiosas da \u00e9poca e que, no decurso da sua vida p\u00fablica, o fez sofrer talvez mais do que qualquer outra coisa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundanismo espiritual \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o &#8220;suave&#8221; e, por isso, ainda mais insidiosa. De facto, ele infiltra-se, sabendo esconder-se por detr\u00e1s das boas apar\u00eancias, mesmo no seio de motiva\u00e7\u00f5es &#8220;religiosas&#8221;. E, mesmo que a reconhe\u00e7amos e a expulsemos de n\u00f3s, mais cedo ou mais tarde ela volta a apresentar-se, disfar\u00e7ada de outra forma. Como diz Jesus no Evangelho: &#8220;Quando o esp\u00edrito imundo sai de um homem, ele passa por lugares sem \u00e1gua \u00e0 procura de repouso; e n\u00e3o o encontrando, diz: &#8216;Vou voltar para a minha casa de onde vim&#8217;. E quando chega, encontra-a varrida e em ordem. Ent\u00e3o vai e traz outros sete esp\u00edritos mais maus do que ele, e eles entram e habitam ali; e o \u00faltimo estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro&#8221; (<strong><em>Lc 11, 24-26<\/em><\/strong>). Precisamos de uma vigil\u00e2ncia interior, para salvaguardar a nossa mente e o nosso cora\u00e7\u00e3o, para alimentar em n\u00f3s a chama purificadora do Esp\u00edrito, porque as tenta\u00e7\u00f5es mundanas voltam e &#8220;batem&#8221; educadamente: &#8220;s\u00e3o &#8216;dem\u00f3nios elegantes&#8217;: entram suavemente, sem que nos apercebamos deles&#8221; (<strong><em>Discurso \u00e0 C\u00faria Romana, 22 de dezembro de 2022<\/em><\/strong>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, gostaria de me deter num aspeto deste mundanismo. Quando entra no cora\u00e7\u00e3o dos pastores, assume uma forma espec\u00edfica, a do clericalismo. Perdoem-me a repeti\u00e7\u00e3o, mas, como padres, penso que me compreendem, porque tamb\u00e9m voc\u00eas partilham aquilo em que acreditam de uma forma sincera, de acordo com esse bom tra\u00e7o tipicamente romano (rom\u00e2nico!), segundo o qual a sinceridade dos l\u00e1bios vem do cora\u00e7\u00e3o e tem o sabor do cora\u00e7\u00e3o! E eu, como anci\u00e3o e de cora\u00e7\u00e3o, quero dizer-vos que me preocupa quando ca\u00edmos em formas de clericalismo; quando, talvez sem nos darmos conta, deixamos ver que somos superiores, privilegiados, colocados &#8220;acima&#8221; e, portanto, separados do resto do povo santo de Deus. Como um bom sacerdote me escreveu um dia, &#8220;o clericalismo \u00e9 um sintoma de uma vida sacerdotal e laical tentada a viver o papel e n\u00e3o a verdadeira liga\u00e7\u00e3o com Deus e com os irm\u00e3os&#8221;. Em suma, denota uma doen\u00e7a que nos faz perder a mem\u00f3ria do Batismo que recebemos, deixando em segundo plano a nossa perten\u00e7a ao mesmo Povo Santo e levando-nos a viver a autoridade nas v\u00e1rias formas de poder, sem nos apercebermos da duplicidade, sem humildade, mas com atitudes de desapego e soberba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para nos libertarmos desta tenta\u00e7\u00e3o, \u00e9 bom ouvirmos o que o profeta Ezequiel diz aos pastores: &#8220;Comeis a gordura, vestis-vos de l\u00e3, matais os animais gordos, mas n\u00e3o apascentais as ovelhas. N\u00e3o fortalecestes as fracas, n\u00e3o curastes as doentes, n\u00e3o enfaixastes as aleijadas, n\u00e3o trouxestes de volta as desgarradas, n\u00e3o procurastes as perdidas, e as governastes com for\u00e7a e dureza&#8221; <strong><em>(34,3-4<\/em><\/strong>). A Palavra fala de &#8220;gordura&#8221; e de &#8220;l\u00e3&#8221;, daquilo que alimenta e aquece; o risco que a Palavra nos coloca \u00e9, portanto, o de nos alimentarmos a n\u00f3s pr\u00f3prios e aos nossos interesses, de nos proporcionarmos uma vida confort\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 certo que, como afirma Santo Agostinho, o pastor deve tamb\u00e9m viver gra\u00e7as ao apoio oferecido pelo leite do seu rebanho; mas como comenta o bispo de Hipona: &#8220;Tirem do leite das suas ovelhas, recebam o necess\u00e1rio para as suas necessidades, mas n\u00e3o negligenciem a fraqueza das ovelhas. Que n\u00e3o procurem nenhum benef\u00edcio para si pr\u00f3prios, para que n\u00e3o pare\u00e7a que est\u00e3o a pregar o Evangelho por causa das suas pr\u00f3prias necessidades e priva\u00e7\u00f5es; antes, que forne\u00e7am a luz da verdadeira palavra para o esclarecimento dos homens&#8221; (<strong><em>Serm\u00e3o sobre os pastores, 46.5<\/em><\/strong>). Do mesmo modo, Agostinho fala da l\u00e3, associando-a \u00e0s honras: a l\u00e3, que cobre a ovelha, pode fazer-nos pensar em tudo aquilo com que nos podemos adornar exteriormente, procurando o louvor dos homens, o prest\u00edgio, a fama, a riqueza. O grande pai latino escreve: &#8220;Quem d\u00e1 l\u00e3 d\u00e1 honra. S\u00e3o precisamente estas duas coisas que os pastores, que se apascentam a si pr\u00f3prios e n\u00e3o \u00e0s ovelhas, procuram no povo: o benef\u00edcio da satisfa\u00e7\u00e3o das suas necessidades e o favor da honra e do louvor&#8221; (<strong><em>ibid., 46.6<\/em><\/strong>). Quando nos preocupamos apenas com o leite, pensamos no nosso ganho pessoal; quando procuramos obsessivamente a l\u00e3, pensamos em cultivar a nossa imagem e aumentar o nosso sucesso. E assim perdemos o esp\u00edrito sacerdotal, o zelo pelo servi\u00e7o, o desejo de cuidar do povo, e acabamos por raciocinar segundo a loucura do mundo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O que \u00e9 que isso tem a ver comigo? Que cada um fa\u00e7a o que quiser; o meu sustento est\u00e1 seguro, e a minha honra tamb\u00e9m. Tenho leite e l\u00e3 suficientes, cada um que fa\u00e7a o que quiser&#8221; (<strong><em>ibid., 46.7<\/em><\/strong>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A preocupa\u00e7\u00e3o centra-se, portanto, no &#8220;eu&#8221;: o pr\u00f3prio sustento, as pr\u00f3prias necessidades, os elogios recebidos para si mesmo em vez de para a gl\u00f3ria de Deus. Isto acontece na vida de quem resvala para o clericalismo: perde o esp\u00edrito de louvor porque perdeu o sentido da gra\u00e7a, a admira\u00e7\u00e3o pela gratuidade com que Deus o ama, aquela simplicidade confiante do cora\u00e7\u00e3o que nos faz estender as m\u00e3os para o Senhor, esperando d&#8217;Ele o alimento no momento oportuno (<strong><em>cf. Sal 104, 27<\/em><\/strong>), conscientes de que sem Ele nada podemos fazer (<strong><em>cf. Jo 15, 5<\/em><\/strong>). S\u00f3 quando vivemos nesta gratuidade, podemos viver o minist\u00e9rio e as rela\u00e7\u00f5es pastorais em esp\u00edrito de servi\u00e7o, segundo as palavras de Jesus: &#8220;Recebestes sem pagar, dai sem pagar&#8221; (<strong><em>Mt 10,8).<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso olhar precisamente para Jesus, para a compaix\u00e3o com que Ele v\u00ea a nossa humanidade ferida, para a gratuidade com que Ele ofereceu a sua vida por n\u00f3s na cruz. Eis o ant\u00eddoto quotidiano contra o mundanismo e o clericalismo: olhar para Jesus crucificado, fixar todos os dias o olhar n&#8217;Aquele que Se esvaziou a Si mesmo e Se humilhou at\u00e9 \u00e0 morte (<strong><em>cf. Fil 2, 7-8<\/em><\/strong>). Ele aceitou a humilha\u00e7\u00e3o para nos levantar das nossas quedas e para nos libertar do poder do mal. Assim, olhando para as feridas de Jesus, olhando para Ele humilhado, aprendemos que somos chamados a oferecer-nos, a fazer-nos p\u00e3o partido para os famintos, a partilhar o caminho com os cansados e oprimidos. \u00c9 este o esp\u00edrito sacerdotal: fazermo-nos servos do Povo de Deus e n\u00e3o senhores, lavar os p\u00e9s dos nossos irm\u00e3os e n\u00e3o os pisar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Permane\u00e7amos, pois, vigilantes contra o clericalismo. Que o Ap\u00f3stolo Pedro, que, como nos recorda a tradi\u00e7\u00e3o, at\u00e9 no momento da morte se humilhou de cabe\u00e7a para baixo para ser igual ao seu Senhor, nos ajude a afastarmo-nos dele. Que o ap\u00f3stolo Paulo, que, por causa de Cristo Senhor, considerava como lixo todas as conquistas da vida e do mundo (<strong><em>cf. Fil 3, 8<\/em><\/strong>), nos preserve dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O clericalismo, como sabemos, pode afetar todos, mesmo os leigos e os agentes pastorais: de facto, pode-se assumir um &#8220;esp\u00edrito clerical&#8221; no exerc\u00edcio dos minist\u00e9rios e dos carismas, vivendo a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o de modo elitista, envolto no pr\u00f3prio grupo e erguendo muros contra o exterior, desenvolvendo v\u00ednculos possessivos em rela\u00e7\u00e3o aos pap\u00e9is na comunidade, cultivando atitudes arrogantes e jactanciosas em rela\u00e7\u00e3o aos outros. E os sintomas s\u00e3o, de facto, a perda do esp\u00edrito de louvor e de gratuidade alegre, enquanto o diabo se insinua, alimentando a queixa, o negativismo e a insatisfa\u00e7\u00e3o cr\u00f3nica com o que est\u00e1 mal, a ironia tornando-se cinismo. Mas, assim, deixamo-nos absorver pelo clima de cr\u00edtica e de raiva que respiramos \u00e0 nossa volta, em vez de sermos aqueles que, com simplicidade e mansid\u00e3o evang\u00e9licas, com bondade e respeito, ajudam os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s a sair das areias movedi\u00e7as da impaci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em tudo isto, nas nossas fragilidades e insufici\u00eancias, bem como na crise de f\u00e9 atual, n\u00e3o desanimemos! De Lubac concluiu afirmando que a Igreja, &#8220;ainda hoje, apesar de todas as nossas obscuridades [&#8230;] \u00e9, como a Virgem, o Sacramento de Jesus Cristo. Nenhuma infidelidade nossa pode impedi-la de ser &#8216;a Igreja de Deus&#8217;, &#8216;a serva do Senhor'&#8221; <strong><em>(Medita\u00e7\u00e3o sobre a Igreja, cit., 472<\/em><\/strong>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irm\u00e3os, esta \u00e9 a esperan\u00e7a que sustenta os nossos passos, alivia os nossos fardos e d\u00e1 um novo impulso ao nosso minist\u00e9rio. Arregacemos as mangas e dobremos os joelhos (v\u00f3s que podeis!): rezemos ao Esp\u00edrito uns pelos outros, pe\u00e7amos-lhe que nos ajude a n\u00e3o cair, tanto na nossa vida pessoal como na a\u00e7\u00e3o pastoral, naquela apar\u00eancia religiosa cheia de muitas coisas, mas vazia de Deus, para n\u00e3o sermos funcion\u00e1rios do sagrado, mas anunciadores apaixonados do Evangelho, n\u00e3o &#8220;cl\u00e9rigos de Estado&#8221;, mas pastores do povo. Precisamos de uma convers\u00e3o pessoal e pastoral. N\u00e3o se trata, como dizia o Padre Congar, de recuperar as boas pr\u00e1ticas ou de reformar as cerim\u00f3nias exteriores, mas sim de voltar \u00e0s fontes do Evangelho, de descobrir novas energias para superar os h\u00e1bitos, de injetar um novo esp\u00edrito nas velhas institui\u00e7\u00f5es eclesiais, para n\u00e3o acabarmos por ser uma Igreja &#8220;rica na sua autoridade e seguran\u00e7a, mas pouco apost\u00f3lica e mediocremente evang\u00e9lica&#8221; (<strong><em>Vera e falsa riforma della Chiesa, Mil\u00e3o 1972, 146).<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obrigado pelo acolhimento que dareis a estas minhas palavras, meditando-as na ora\u00e7\u00e3o e diante de Jesus na adora\u00e7\u00e3o quotidiana; posso dizer-vos que elas me vieram do meu cora\u00e7\u00e3o e do afeto que vos tenho. Avancemos com entusiasmo e coragem: trabalhemos juntos, entre sacerdotes e com os nossos irm\u00e3os leigos, iniciando formas e caminhos sinodais, que nos ajudem a despojar-nos das nossas certezas mundanas e &#8220;clericais&#8221; para procurar humildemente caminhos pastorais inspirados pelo Esp\u00edrito, para que a consola\u00e7\u00e3o do Senhor chegue verdadeiramente a todos. Diante da imagem da <strong>Salus Populi Romani<\/strong> rezei por v\u00f3s. Pedi a Nossa Senhora que vos guarde e proteja, que seque as vossas l\u00e1grimas secretamente derramadas, que reacenda em v\u00f3s a alegria do minist\u00e9rio e que vos torne todos os dias pastores apaixonados por Jesus, prontos a dar a vida sem medida por amor a Ele. Obrigado pelo que fazeis e pelo que sois. Aben\u00e7oo-vos e acompanho-vos na ora\u00e7\u00e3o. E, por favor, n\u00e3o vos esque\u00e7ais de rezar por mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fraternalmente,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lisboa, 5 de agosto de 2023, Mem\u00f3ria da Dedica\u00e7\u00e3o da Bas\u00edlica de Santa Maria Maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRANCISCO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Carta-do-Papa-Francisco-aos-presbiteros-da-Diocese-de-Roma.pdf\">Carta do Papa Francisco aos presb\u00edteros da Diocese de Roma (PDF)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gostaria de vos estender a m\u00e3o com um pensamento de acompanhamento e amizade, que espero vos sustente&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10767,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"categories":[68],"tags":[],"class_list":["post-12271","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12271","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=12271"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12271\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12274,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12271\/revisions\/12274"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10767"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=12271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=12271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=12271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}