{"id":12691,"date":"2023-11-06T09:48:04","date_gmt":"2023-11-06T09:48:04","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=12691"},"modified":"2023-11-06T10:23:58","modified_gmt":"2023-11-06T10:23:58","slug":"editorial-broteria-o-papa-francisco-e-os-jesuitas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=12691","title":{"rendered":"Editorial Brot\u00e9ria &#8211; O Papa Francisco e os Jesu\u00edtas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00abTodos! Todos! Todos!\u00bb \u2013 Da Declara\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00e1tica, pela pr\u00e1tica ao pensamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0Editorial Brot\u00e9ria<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ESPECIAL<\/strong>\u00a0JMJ<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/pontosj.pt\/autor\/p-jose-frazao-correia-sj\/\"> Jos\u00e9 Fraz\u00e3o Correia sj<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">14 outubro 2023<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abTodos! Todos! Todos!\u00bb fica como um espinho de desassossego, de incompletude e de imagina\u00e7\u00e3o na carne viva da Igreja e de cada batizado \u2013 esperemos que tamb\u00e9m na carne da nossa sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abTodos! Todos! Todos!\u00bb, como um mantra, foi sendo dito e repetido com entusiasmo ao longo da Jornada Mundial da Juventude, em Portugal. O eco ficou a ressoar. Logo no primeiro dia da sua visita, no Mosteiro dos Jer\u00f3nimos, o Papa Francisco deu o mote. Usou a apalavra \u00abtodos\u00bb uma trintena de vezes. A\u00ed, diante de membros do clero, de religiosos e de agentes pastorais, quis deixar claro que, \u00abna barca da Igreja, deve haver lugar para todos: todos os batizados s\u00e3o chamados a subir para ela e a lan\u00e7ar as redes, empenhando-se pessoalmente no an\u00fancio do Evangelho\u00bb. E frisou: \u00abn\u00e3o vos esque\u00e7ais desta palavra: todos, todos, todos\u00bb. Um pouco mais \u00e0 frente na mesma homilia, evocando o mandato de Jesus aos seus disc\u00edpulos, repetiu: \u00ab\u201cSaiam pelas periferias e tragam todos, todos, todos, todos: s\u00e3os, doentes, crian\u00e7as e adultos, bons e pecadores. Todos\u201d. Que a Igreja n\u00e3o seja uma alf\u00e2ndega para selecionar quem entra e quem n\u00e3o entra. Todos, cada um com a sua vida \u00e0s costas, com os seus pecados, assim como \u00e9 diante de Deus, como \u00e9 diante da vida\u2026 Todos. Todos. N\u00e3o levantemos alf\u00e2ndegas na Igreja. Todos.\u00bb. Na cerim\u00f3nia de acolhimento, no Parque Eduardo VII, Francisco retomou o refr\u00e3o. \u00abAmigos \u2013 disse \u2013 quero ser claro convosco, que sois al\u00e9rgicos \u00e0 falsidade e \u00e0s palavras vazias: na Igreja h\u00e1 espa\u00e7o para todos. Para todos. Na Igreja ningu\u00e9m \u00e9 de sobra. Nenhum est\u00e1 a mais. H\u00e1 espa\u00e7o para todos. Assim como somos. Todos. Jesus di-lo claramente [\u2026]. Na Igreja h\u00e1 lugar para todos\u00bb. E para que a express\u00e3o n\u00e3o ficasse s\u00f3 sua, fez repetir \u00abtodos, todos, todos\u00bb, uma e outra vez, at\u00e9 que ficasse aprendida, como li\u00e7\u00e3o a reter. \u00abTodos, todos, todos. \u00c9 esta a Igreja, a M\u00e3e de todos. H\u00e1 lugar para todos. O Senhor n\u00e3o apontou o dedo, mas abre os bra\u00e7os\u00bb. Em F\u00e1tima, no Santu\u00e1rio, rodeado de pessoas portadores de defici\u00eancia, ouviu-se de novo: \u00abA Capelinha onde nos encontramos constitui uma bela imagem de Igreja: acolhedora, sem portas. A Igreja n\u00e3o tem portas, para que todos possam entrar\u00bb. Tamb\u00e9m na conversa que teve com os jesu\u00edtas portugueses, que reproduzimos neste n\u00famero da Brot\u00e9ria, \u00e0 pergunta que lhe foi feita sobre o lugar efetivo que podem ter na Igreja batizados que se identificam como homossexuais, sobre as atitudes pastorais mais adequadas no seu acompanhamento e sobre o bem que se possa reconhecer em rela\u00e7\u00f5es que estabele\u00e7am entre si, Francisco respondeu: \u00abPenso que o apelo dirigido a \u201ctodos\u201d n\u00e3o tem discuss\u00e3o. Jesus \u00e9 muito claro: todos. Os convidados n\u00e3o quiseram vir \u00e0 festa. Por isso ele disse para irmos \u00e0s encruzilhadas e chamar todos, todos, todos. E para que fique claro, Jesus diz: \u201cs\u00e3o e doentes\u201d, \u201cjustos e pecadores\u201d, todos, todos, todos. Por outras palavras, a porta est\u00e1 aberta a todos, todos t\u00eam o seu espa\u00e7o na Igreja. Como \u00e9 que cada um o vive? Ajudemos as pessoas a viver de forma a poderem ocupar esse lugar com maturidade, e isto aplica-se a todo o tipo de pessoas\u00bb. Depois, referindo-se, por sua iniciativa, a pessoas transg\u00e9nero, evocando encontros ocorridos em Roma, durante os quais tomara consci\u00eancia de como \u00abse sentem rejeitadas\u00bb e de como \u00e9 particularmente dura essa experi\u00eancia de rejei\u00e7\u00e3o, refirmou que \u00abtodos s\u00e3o convidados!\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m na conversa que teve com os jesu\u00edtas portugueses, que reproduzimos neste n\u00famero da Brot\u00e9ria, \u00e0 pergunta que lhe foi feita sobre o lugar efetivo que podem ter na Igreja batizados que se identificam como homossexuais, sobre as atitudes pastorais mais adequadas no seu acompanhamento e sobre o bem que se possa reconhecer em rela\u00e7\u00f5es que estabele\u00e7am entre si, Francisco respondeu: \u00abPenso que o apelo dirigido a \u201ctodos\u201d n\u00e3o tem discuss\u00e3o. Jesus \u00e9 muito claro: todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abTodos, todos, todos\u00bb, soa bem. A express\u00e3o \u00e9 poderosa do ponto de vista comunicativo e contagiante, ainda mais quando repetida em un\u00edssono por multid\u00f5es de pessoas, na maioria jovens. A exig\u00eancia, por\u00e9m, \u00e9 enorme e tem riscos. Desde logo, porque a hospitalidade implica exposi\u00e7\u00e3o sem garantias: \u00abh\u00f3spede\u00bb e \u00abhostil\u00bb est\u00e3o no mesmo campo sem\u00e2ntico, mas est\u00e3o tamb\u00e9m no mesmo campo existencial e social. O drama das pessoas refugiadas que procuram a Europa, as atuais pol\u00edticas europeias de acolhimento e o medo alimentado por grupos sociais e for\u00e7as pol\u00edticas s\u00e3o um claro testemunho. A exig\u00eancia \u00e9 grande para a sociedade, desde logo, porque \u00e9 sempre precisa mais coragem para acolher do que para excluir. Depois, porque, com a promo\u00e7\u00e3o e a tutela da liberdade e da igualdade, n\u00e3o pode deixar de promover e de cuidar da fraternidade. Aquelas sem esta n\u00e3o t\u00eam alicerces suficientemente fortes para garantir o que prometem e para resistir \u00e0s investidas do individualismo e dos muitos interesses de fa\u00e7\u00e3o. Para a Igreja, essa exig\u00eancia talvez seja ainda maior. Desde logo, porque, em muitos casos, sobretudo em \u00e1reas espec\u00edficas da realidade humana, lhe faltar\u00e1 h\u00e1bito, quer em atitudes individuais e em imagin\u00e1rios coletivos, quer em pr\u00e1ticas pastorais, quer em pensamento teol\u00f3gico-moral e em leis can\u00f3nicas. \u00abTodos\u00bb, com a for\u00e7a acrescida de ser repetido por tr\u00eas vezes, \u00abtodos, todos, todos\u00bb, expande a imagina\u00e7\u00e3o e for\u00e7a o universo dos poss\u00edveis. Para que n\u00e3o fique declara\u00e7\u00e3o bem-intencionada e inconsequente, n\u00e3o pode pactuar com passividade e omiss\u00f5es que, no fundo, a contradigam: \u201csim, todos, mas este e aquele e aqueloutro, obviamente, que, aqui, n\u00e3o\u201d. Exige, antes, atos concretos de hospitalidade \u2013 Elmar Salmann, te\u00f3logo beneditino alem\u00e3o, identifica-a como forma de \u00abfraqueza fecunda\u00bb; pede pensamento cr\u00edtico que a suporte teologicamente e normatividade can\u00f3nica coerente que a reconhe\u00e7a do ponto de vista p\u00fablico e organizacional. De facto, \u00abtodos, todos, todos\u00bb implica muito em palavras e em atos e exclui omiss\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abTodos\u00bb, com a for\u00e7a acrescida de ser repetido por tr\u00eas vezes, \u00abtodos, todos, todos\u00bb, expande a imagina\u00e7\u00e3o e for\u00e7a o universo dos poss\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo na viagem de regresso a Roma, o Papa Francisco foi confrontado com a exig\u00eancia do discurso que havia repetido e feito repetir. Anita Hirschbeck, da\u00a0<em>Katholische Nachrichten Agentur<\/em>, colocou assim a quest\u00e3o: \u00abdisse-nos que na Igreja h\u00e1 lugar para \u201ctodos, todos, todos\u201d. A Igreja est\u00e1 aberta a todos, mas, ao mesmo tempo, nem todos t\u00eam os mesmos direitos e oportunidades, no sentido que, por exemplo, mulheres e homossexuais n\u00e3o podem receber [todos] os Sacramentos\u00bb, para concluir, com a pergunta direta: \u00abSanto Padre, como explica esta incoer\u00eancia entre \u201cIgreja aberta\u201d e \u201cIgreja n\u00e3o igual para todos\u201d?\u00bb Francisco, que no final agradeceu \u00e0 jornalista \u00aba coragem de fazer esta pergunta\u00bb, come\u00e7ou por responder que aquilo que lhe estava a perguntar dizia respeito a \u00abdois pontos de vista diversos: a Igreja est\u00e1 aberta para todos e, depois, h\u00e1 legisla\u00e7\u00f5es que regulam a vida dentro da Igreja e, quem est\u00e1 dentro, at\u00e9m-se \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o\u00bb. Acrescentou, depois, que \u00abcada um encontra Deus na sua pr\u00f3pria estrada, dentro da Igreja [\u2026]. Venham todos e, depois cada qual, na ora\u00e7\u00e3o, em conversa \u00edntima com Deus, no di\u00e1logo pastoral com os agentes de pastoral, procura o modo de avan\u00e7ar [\u2026]. A Igreja \u00e9 m\u00e3e, acolhe todos, e cada um percorre a sua estrada dentro da Igreja, sem fazer publicidade\u00bb. A pergunta da jornalista alem\u00e3 e a resposta dada pelo Papa mostram bem como a Igreja n\u00e3o consegue evitar a acusa\u00e7\u00e3o de contradi\u00e7\u00e3o entre a declara\u00e7\u00e3o de querer acolher e incluir a todos, sem exce\u00e7\u00f5es, e aquilo que, aos olhos de muitos, s\u00e3o formas reais de exclus\u00e3o. A declara\u00e7\u00e3o de abertura a todos tamb\u00e9m n\u00e3o consegue fugir \u00e0 desconfian\u00e7a ir\u00f3nica de que, na Igreja, n\u00e3o haja efetiva igualdade entre todos, desde logo entre ministros ordenados e leigos, entre homens e mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A declara\u00e7\u00e3o de abertura a todos tamb\u00e9m n\u00e3o consegue fugir \u00e0 desconfian\u00e7a ir\u00f3nica de que, na Igreja, n\u00e3o haja efetiva igualdade entre todos, desde logo entre ministros ordenados e leigos, entre homens e mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comentando a presen\u00e7a do Papa entre n\u00f3s e referindo-se explicitamente \u00e0 pergunta de Anita Hirschbeck, pareceu-me particularmente acertada a an\u00e1lise que Miguel Poiares Maduro publicou na sua coluna no jornal Expresso, no dia 11 de agosto passado, com o t\u00edtulo\u00a0<a href=\"https:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2023-08-11-Moral-mas-nao-moralista-8b7752a5\">\u201cMoral, mas n\u00e3o moralista\u201d<\/a>. Afirma n\u00e3o ver contradi\u00e7\u00e3o nas palavras no Papa, mas, sim, o desenho de \u00abum m\u00e9todo\u00bb, o estabelecimento de \u00abum desafio\u00bb. \u00abO Papa \u2013 diz o colunista \u2013 est\u00e1 consciente das tens\u00f5es entre as afirma\u00e7\u00f5es universais, inerentes \u00e0s suas alegorias e frases, e a realidade social e da igreja\u00bb. V\u00ea nela a inten\u00e7\u00e3o de \u00abpromover um di\u00e1logo entre tens\u00f5es\u00bb, sem ter a pretens\u00e3o de \u00abrevolucionar tudo\u00bb. Na resposta dada \u00e0 jornalista alem\u00e3, ao identificar quest\u00f5es disciplinares e n\u00e3o dogm\u00e1ticas, o Papa estar\u00e1 a assumir que \u00aba legisla\u00e7\u00e3o muda de acordo com os tempos\u00bb, deixando, por isso, \u00aba porta aberta \u00e0 mudan\u00e7a\u00bb. Segundo Poiares Maduro, significativo \u00e9 j\u00e1, por exemplo, o facto de, pela primeira vez, haver 20% de mulheres a participar no pr\u00f3ximo S\u00ednodo e de terem direito de voto. Ainda segundo o colunista, a resposta do Papa entende frisar \u00abque o importante \u00e9 a igreja estar aberta a todas as pessoas sem lhes impor condi\u00e7\u00f5es nem um caminho, mas sim permitindo-lhe encontrar o seu pr\u00f3prio caminho dentro da igreja, por si mesmos e em di\u00e1logo pastoral\u00bb. \u00abPara alguns \u00e9 pouco\u00bb, conclui. \u00abPara outros \u00e9 demais\u00bb. Fica, por\u00e9m, aberto o caminho mais necess\u00e1rio e promissor da reflex\u00e3o e do di\u00e1logo moral como m\u00e9todo, tanto na Igreja como na sociedade. No que diz respeito \u00e0 Igreja, \u00e9 desta forma que o Papa entende reconciliar a sua preserva\u00e7\u00e3o \u00abcomo um espa\u00e7o profundamente moral, com a necessidade da sua adequa\u00e7\u00e3o temporal e social\u00bb, para que continue a \u00abser moralmente relevante, justa e eficaz\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abO Papa \u2013 diz o colunista \u2013 est\u00e1 consciente das tens\u00f5es entre as afirma\u00e7\u00f5es universais, inerentes \u00e0s suas alegorias e frases, e a realidade social e da igreja\u00bb. V\u00ea nela a inten\u00e7\u00e3o de \u00abpromover um di\u00e1logo entre tens\u00f5es\u00bb, sem ter a pretens\u00e3o de \u00abrevolucionar tudo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partilho o essencial desta an\u00e1lise, feita a partir de um ponto de observa\u00e7\u00e3o exterior \u00e0 Igreja, o que \u00e9 sempre importante para a pr\u00f3pria Igreja. Podemos refaz\u00ea-la a um dos princ\u00edpios enunciados pelo Papa Francisco, logo em 2013, no in\u00edcio do seu pontificado, no seu texto program\u00e1tico\u00a0<em>Evangelii gaudium<\/em>\u00a0(EG): \u00aba realidade \u00e9 mais importante do que a ideia\u00bb; \u00aba realidade simplesmente \u00e9, a ideia elabora-se\u00bb (vejam-se os nn. 231-232). A realidade apresenta-se e imp\u00f5e-se como \u00e9. A n\u00f3s, cabe-nos elabor\u00e1-la, aplicar sobre ela a intelig\u00eancia. As elabora\u00e7\u00f5es concetuais que possamos e que devamos elaborar e as categorias com que o possamos fazer \u2013 a realidade precisa de ser iluminada pelo racioc\u00ednio e pela intelig\u00eancia evang\u00e9lica \u2013 n\u00e3o visam substituir a realidade, definindo princ\u00edpios abstratos, declinando-os de forma simplesmente dedutiva e corrigindo a realidade se ela n\u00e3o corresponder ao princ\u00edpio. Procurar\u00e3o, sim, colh\u00ea-la, compreend\u00ea-la e dirigi-la, fazendo-a progredir num processo de crescimento. Neste quadro, o Papa Francisco, ao repetir e ao fazer repetir \u00abtodos, todos, todos\u00bb, come\u00e7a por reavivar algo que est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o do Evangelho: a hospitalidade sem exce\u00e7\u00f5es (curiosamente, trata-se de uma sensibilidade e um modo de ser muito caros \u00e0 cultura juvenil atual, particularmente sens\u00edvel \u00e0 igualdade, ao acolhimento de todos e de todas as diferen\u00e7as, \u00e0 inclus\u00e3o). Como o Papa afirma, tamb\u00e9m em EG, n. 35, se a Igreja assume como miss\u00e3o existir \u00abem sa\u00edda\u00bb para levar a todos o Evangelho de Jesus e implicar-se na constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus, n\u00e3o deve estar \u00abobcecada pela transmiss\u00e3o desarticulada de uma imensidade de doutrinas\u00bb, que tenta \u00abimpor \u00e0 for\u00e7a de insistir\u00bb. Pelo contr\u00e1rio, o an\u00fancio deve concentrar-se \u00abno essencial, no que \u00e9 mais belo, mais importante, mais atraente e, ao mesmo tempo, mais necess\u00e1rio\u00bb. Desse modo, \u00aba mensagem acaba simplificada, sem com isso perder profundidade e verdade\u00bb e torna-se \u00abmais convincente e radiante\u00bb. Hospitalidade diz e realiza este mais belo, mais importante, mais atraente e mais necess\u00e1rio do Evangelho. Em segundo lugar, com tal express\u00e3o, Francisco aponta uma pr\u00e1tica, um modo de proceder: comecemos por acolher a todos, de facto e sem \u201cmas\u201d, e, a partir desse acolhimento efetivo, impliquemo-nos com retid\u00e3o numa reflex\u00e3o moral que n\u00e3o seja moralista; procuremos em conjunto, de forma sinodal, a verdade, sem ceder \u00e0 ideologia ou ao fanatismo, e impliquemo-nos na realiza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, sem praticar, \u00e0 partida, qualquer forma de exclus\u00e3o e de descarte. \u00c9 quase certo, importa reconhec\u00ea-lo, que o empenho em compreender a realidade e o confronto com outros da compreens\u00e3o que se alcance dela ir\u00e1 esbarrar na pluralidade de interpreta\u00e7\u00f5es e na consequente diversidade de aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas. O real experimenta-se sempre de modo parcial e, por isso, tendencialmente fragment\u00e1rio, conflitual, muitas vezes. Tendo isso presente, importa cultivar o sentido da unidade profunda da realidade (este \u00e9 outro dos princ\u00edpios enunciados em EG, nos nn. 226-230: \u00aba unidade prevalece sobre o conflito\u00bb). A gest\u00e3o de tais conflitos hermen\u00eauticos dever\u00e1, por isso, ter presente o crit\u00e9rio espiritual de que o que gera divis\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo de exist\u00eancia de diferen\u00e7as de entendimento ou de necessidade de intenso debate, n\u00e3o vem do Esp\u00edrito Santo. Em segundo lugar, os tempos longos de decanta\u00e7\u00e3o e de matura\u00e7\u00e3o devem ser suportados e guiados pacientemente pela caridade, que deve atender com especial cuidado aos desfavorecidos e aos que n\u00e3o t\u00eam voz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste quadro, o Papa Francisco, ao repetir e ao fazer repetir \u00abtodos, todos, todos\u00bb, come\u00e7a por reavivar algo que est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o do Evangelho: a hospitalidade sem exce\u00e7\u00f5es (curiosamente, trata-se de uma sensibilidade e um modo de ser muito caros \u00e0 cultura juvenil atual, particularmente sens\u00edvel \u00e0 igualdade, ao acolhimento de todos e de todas as diferen\u00e7as, \u00e0 inclus\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando ao acolhimento de todos e \u00e0 igualdade entre todos, na Igreja de hoje, poderemos ainda n\u00e3o ver claro, por exemplo, como celebrar a Eucaristia como lugar de efetivo acolhimento e de p\u00fablico reconhecimento de \u00abtodos, todos, todos\u00bb. No campo espec\u00edfico e complexo da sexualidade, poder-se-\u00e1 entender que os documentos magisteriais est\u00e3o longe de assumir e de estabelecer um di\u00e1logo aberto de dever e haver com fen\u00f3menos novos, com novas experi\u00eancias do humano e outras fontes de conhecimento, indo mais al\u00e9m de conce\u00e7\u00f5es demasiado essencialistas, abstratas e est\u00e1ticas do humano e de princ\u00edpios r\u00edgidos, simplesmente dedutivos. No que diz respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o que se cultiva com a tradi\u00e7\u00e3o e com os respetivos condicionalismos hist\u00f3ricos e culturais, podemos ainda viver enredados numa certa confus\u00e3o, tomando como antigas inven\u00e7\u00f5es que s\u00e3o muito recentes, tendo em conta a j\u00e1 longa hist\u00f3ria da Igreja, e considerando novidades perigosas coisas que, na realidade, s\u00e3o formas tradicionais de sabedoria antiga, para parafrasear o te\u00f3logo italiano Andrea Grillo. Vale para a compreens\u00e3o do poder na Igreja e a voca\u00e7\u00e3o ao minist\u00e9rio ordenado, como para compreender o poder sacerdotal ou hierarquiza\u00e7\u00f5es como a de g\u00e9nero \u2013 sobre estes temas, vejam-se os exemplos muitos elucidativos recolhidos da tradi\u00e7\u00e3o pelo dominicano franc\u00eas Herv\u00e9 Legrand, em\u00a0<em>Uma Igreja transformada pelo povo<\/em>. Tudo isto poder\u00e1 ser verdade e deixar no ar a suspeita da falta de coer\u00eancia na Igreja entre a declara\u00e7\u00e3o de uma abertura e acolhimento de todos e a realidade efetiva de que n\u00e3o acolhe nem cultiva a igualdade entre todos: nem na pastoral, nem na liturgia, nem na teologia, nem na lei can\u00f3nica. Por\u00e9m, expondo-se \u00e0 pr\u00e1tica efetiva da hospitalidade e assumindo a abertura e os riscos que lhe s\u00e3o inerentes, o pensamento tamb\u00e9m haver\u00e1 de se deslocar e de chegar a gerar novas categorias, a promover novas articula\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas, a conduzir a outras disposi\u00e7\u00f5es disciplinares. O acompanhamento pastoral de pessoas homossexuais, por exemplo, o seu acolhimento efetivo nas comunidades e a sua participa\u00e7\u00e3o nas pr\u00e1ticas lit\u00fargicas, precisamente porque gera encontros reais e proximidade afetiva a pessoas com rosto, com nome e biografia, far\u00e1 inevitavelmente com que o assunto deixe de ser tratado como se de meras abstra\u00e7\u00f5es ou de simples modas culturais se tratasse. Certamente que a sa\u00edda da idealiza\u00e7\u00e3o e o contacto com pessoas concretas e com rela\u00e7\u00f5es reais, sem renunciar ao dever de ju\u00edzo cr\u00edtico que decorre do Evangelho, levar\u00e1 a reconhecer bem e a assumir o dever de o salvaguardar. Por uma quest\u00e3o de coer\u00eancia, para que n\u00e3o se fa\u00e7a uma coisa e se pense uma outra, a pr\u00e1tica da hospitalidade ir\u00e1 necessariamente deslocando o pensamento e a disciplina. O envolvimento crescente de mulheres em estruturas eclesiais e a assimila\u00e7\u00e3o da inexist\u00eancia de qualquer hierarquia entre sexos ou de qualquer impedimento natural para que as mulheres sejam sujeito de autoridade p\u00fablica, em algum momento ir\u00e1 deslocar o pensamento teol\u00f3gico no que diz respeito ao minist\u00e9rio ordenado. Se, na Igreja, estamos habituados a pensar que dizer e explicar \u00e9 suficiente para alterar a realidade, o Papa Francisco aponta para o contacto com a realidade, tal como \u00e9, com a sua riqueza, complexidade e ambiguidades, apelando a que se comece pela pr\u00e1tica, n\u00e3o pela ideia. Se pensarmos na enc\u00edclica sobre a fraternidade e a amizade social,\u00a0<em>Fratelli tutti<\/em>, \u00e9 tamb\u00e9m este o m\u00e9todo que emprega: tomando como mat\u00e9ria e apelo \u00e9tico o estado de coisas atual, mais do que teorizar, apela a que se pratique. A abordagem que faz da fraternidade \u00e9 seguramente mais existencial e concreta do que abstrata e idealista. Como forma de realiza\u00e7\u00e3o do Evangelho e da humanidade comum que partilhamos, esse contacto tang\u00edvel e, necessariamente, din\u00e2mico e surpreendente com a realidade e com as pessoas, sobretudo com as que sofrem algum tipo de indig\u00eancia, de marginalidade ou de exclus\u00e3o, em algum momento gerar\u00e1 outras elabora\u00e7\u00f5es ao n\u00edvel do pensamento e conduzir\u00e1 a mudan\u00e7as disciplinares consequentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se pensarmos na enc\u00edclica sobre a fraternidade e a amizade social, Fratelli tutti, \u00e9 tamb\u00e9m este o m\u00e9todo que emprega: tomando como mat\u00e9ria e apelo \u00e9tico o estado de coisas atual, mais do que teorizar, apela a que se pratique. A abordagem que faz da fraternidade \u00e9 seguramente mais existencial e concreta do que abstrata e idealista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para inspirar e orientar tal processo pr\u00e1tico, que dever\u00e1 ser tamb\u00e9m teol\u00f3gico e disciplinar, t\u00e3o exigente quanto entusiasmante para a Igreja de hoje, o Papa voltou a recordar, em Lisboa, tr\u00eas adjetivos. F\u00ea-lo, de forma expl\u00edcita, no encontro com jovens universit\u00e1rios, na Universidade Cat\u00f3lica. Inquietude ou desassossego, incompletude, imagina\u00e7\u00e3o: \u00abn\u00e3o nos alarmemos se nos encontramos intimamente sedentos, inquietos, incompletos, desejosos de sentido e de futuro, com saudade de futuro\u00bb. Em 2017, num discurso aos membros da revista italiana\u00a0<em>La Civilt\u00e0 Cattolica<\/em>, enunciou e comentou estes mesmos qualificativos, para que fossem cultivados de modo a enformarem tanto a vida de cada dia como a pastoral da Igreja ou o pensamento teol\u00f3gico. Come\u00e7ou pelo desassossego. Sem ele \u00absomos est\u00e9reis\u00bb, disse ent\u00e3o aos jesu\u00edtas dessa comunidade dedicada ao estudo e \u00e0 escrita. Para habitar \u00abpontes e fronteiras\u00bb, h\u00e1 que ter \u00abuma mente e um cora\u00e7\u00e3o desassossegados\u00bb. Pode acontecer que se confunda erradamente \u00aba seguran\u00e7a da doutrina com a suspeita pela busca\u00bb, mas \u00abos valores e as tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s n\u00e3o s\u00e3o pe\u00e7as raras para fechar nos cofres de um museu\u00bb. \u00c9 a \u00abcerteza da f\u00e9\u00bb que deve ser o \u00abmotor da busca\u00bb. A prop\u00f3sito de incompletude, recordou como \u00abDeus \u00e9 o Deus\u00a0<em>semper maior<\/em>, o Deus que nos surpreende sempre\u00bb. Por isso, cabe cultivar \u00abum pensamento incompleto, ou seja, aberto e n\u00e3o fechado nem r\u00edgido\u00bb. A f\u00e9 verdadeira abre o pensamento. \u00abFazei-vos guiar pelo esp\u00edrito prof\u00e9tico do Evangelho para ter uma vis\u00e3o original, vital, din\u00e2mica, n\u00e3o \u00f3bvia\u00bb, exortou. \u00abE isto sobretudo hoje num mundo t\u00e3o complexo e cheio de desafios no qual parecem triunfar a \u201ccultura do naufr\u00e1gio\u201d \u2014 alimentada de messianismo profano, de mediocridade relativista, de suspeita e rigidez \u2014 e a \u201ccultura da caixa de lixo\u201d, onde se deita fora qualquer coisa que n\u00e3o funciona como se pretende ou que se considera in\u00fatil\u00bb. A terceira palavra, a imagina\u00e7\u00e3o. \u00abO pensamento r\u00edgido n\u00e3o \u00e9 divino, porque Jesus assumiu a nossa carne, que n\u00e3o \u00e9 r\u00edgida a n\u00e3o ser no momento da morte [\u2026]. Quem tem imagina\u00e7\u00e3o n\u00e3o se endurece, tem o sentido do humorismo, goza sempre da do\u00e7ura da miseric\u00f3rdia e da liberdade interior. \u00c9 capaz de abrir vis\u00f5es amplas at\u00e9 em espa\u00e7os restritos\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para inspirar e orientar tal processo pr\u00e1tico, que dever\u00e1 ser tamb\u00e9m teol\u00f3gico e disciplinar, t\u00e3o exigente quanto entusiasmante para a Igreja de hoje, o Papa voltou a recordar, em Lisboa, tr\u00eas adjetivos. F\u00ea-lo, de forma expl\u00edcita, no encontro com jovens universit\u00e1rios, na Universidade Cat\u00f3lica. Inquietude ou desassossego, incompletude, imagina\u00e7\u00e3o: \u00abn\u00e3o nos alarmemos se nos encontramos intimamente sedentos, inquietos, incompletos, desejosos de sentido e de futuro, com saudade de futuro\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abTodos! Todos! Todos!\u00bb fica como um espinho de desassossego, de incompletude e de imagina\u00e7\u00e3o na carne viva da Igreja e de cada batizado \u2013 esperemos que tamb\u00e9m na carne da nossa sociedade. Ter\u00e1 a sua fecundidade pr\u00f3pria, contrariando a tend\u00eancia e a tenta\u00e7\u00e3o de musealizar a tradi\u00e7\u00e3o no passado e de fossilizar o humano em ess\u00eancias abstratas e atemporais, de cair na autorreferencialidade e na autossufici\u00eancia, de renunciar ao sonho de um mundo diferente e de uma Igreja renovada, \u00e0 esperan\u00e7a no futuro. A hospitalidade atua a identidade crist\u00e3, ou seja, um modo particular de ser, de fazer e de pensar, \u00e0 imita\u00e7\u00e3o de Jesus de Nazar\u00e9 que vive descentrado para encontrar e para se deixar encontrar, para dar e para aprender com quem quer que encontre ou seja encontrado no caminho \u2013 trata-se de um \u00abestilo\u00bb entendido como \u00abmodo distintivo de habitar o mundo\u00bb, segundo o pensamento do te\u00f3logo Christoph Theobald. \u00c9 nos encontros de Jesus, tantas vezes inesperados e surpreendentes, com pessoas concretas e com vidas reais, que a f\u00e9 se acende, antes de mais, como confian\u00e7a elementar na vida. A gra\u00e7a-que-salva-a-vida acontece entre pessoas. \u00c9 a santidade comunicativa de Jesus, a sua hospitalidade aberta e os encontros sem descrimina\u00e7\u00f5es ou preconceitos, sem segundos fins ou manipula\u00e7\u00f5es que gera que acendem a capacidade de ver, de ouvir e de tocar o invis\u00edvel, o inaudito, o inalcan\u00e7\u00e1vel de Deus no que \u00e9 visto, no que \u00e9 escutado, no que \u00e9 tocado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nos encontros de Jesus, tantas vezes inesperados e surpreendentes, com pessoas concretas e com vidas reais, que a f\u00e9 se acende, antes de mais, como confian\u00e7a elementar na vida. A gra\u00e7a-que-salva-a-vida acontece entre pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o que se cultiva a partir de Deus entre todos tidos como irm\u00e3s e irm\u00e3os, mesmo quando n\u00e3o s\u00e3o como n\u00f3s (o estrangeiro) e chegam a ser contra n\u00f3s (o inimigo), e com o resto da cria\u00e7\u00e3o, \u00e9 princ\u00edpio e fundamento. Tanto o in\u00edcio do livro do G\u00e9nesis como o\u00a0<em>incipit<\/em>\u00a0do Evangelho de S. Jo\u00e3o nos confirmam que no princ\u00edpio est\u00e1 o Verbo, a Palavra, ou seja, a Rela\u00e7\u00e3o. Se est\u00e1 na origem, estar\u00e1 sempre, e vem ao nosso encontro como plenitude a partir do destino que nos espera. O livro do Apocalipse imagina-o como refei\u00e7\u00e3o \u00e0 mesa e cidade bem edificada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abTodos! Todos! Todos!\u00bb fica como um espinho de desassossego, de incompletude e de imagina\u00e7\u00e3o na carne viva da Igreja e de cada batizado \u2013 esperemos que tamb\u00e9m na carne da nossa sociedade.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":12693,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"categories":[87,68],"tags":[],"class_list":["post-12691","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-jmj-lisboa-2023","category-ultimas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12691","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=12691"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12691\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12697,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12691\/revisions\/12697"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/12693"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=12691"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=12691"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=12691"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}