{"id":13003,"date":"2024-01-15T10:44:59","date_gmt":"2024-01-15T10:44:59","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=13003"},"modified":"2024-01-15T10:48:03","modified_gmt":"2024-01-15T10:48:03","slug":"discurso-do-papa-francisco-aos-membros-do-corpo-diplomatico-08-01-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=13003","title":{"rendered":"Discurso do Papa Francisco aos membros do Corpo Diplom\u00e1tico &#8211; 08.01.2024"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9814 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/pope.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"122\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>DISCURSO DO PAPA FRANCISCO<br \/>\nAOS MEMBROS DO CORPO DIPLOM\u00c1TICO<br \/>\nACREDITADO JUNTO \u00c0 SANTA S\u00c9<br \/>\nPARA AS FELICITA\u00c7\u00d5ES DE ANO NOVO\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sala das B\u00ean\u00e7\u00e3os<br \/>\nSegunda-feira, 8 de janeiro de 2024<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Excel\u00eancias, Senhoras e Senhores,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com prazer, vos recebo esta manh\u00e3 para vos saudar pessoalmente e formular bons votos para o novo ano. De modo particular agrade\u00e7o a Sua Excel\u00eancia o Embaixador George Poulides, Decano do Corpo Diplom\u00e1tico, pelas suas am\u00e1veis palavras que bem exprimem as preocupa\u00e7\u00f5es da comunidade internacional no in\u00edcio dum ano que quer\u00edamos fosse de paz e, em vez disso, abre-se marcado por conflitos e divis\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aproveito a ocasi\u00e3o tamb\u00e9m para vos agradecer o empenho colocado na promo\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre a Santa S\u00e9 e os vossos pa\u00edses. No ano passado, a nossa \u00abfam\u00edlia diplom\u00e1tica\u00bb aumentou ainda mais gra\u00e7as ao estabelecimento das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com o Sultanato de Om\u00e3 e a nomea\u00e7\u00e3o do primeiro Embaixador, aqui presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, desejo recordar que a Santa S\u00e9 procedeu \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o dum Representante Pontif\u00edcio residente em Ha Noi, depois de se ter conclu\u00eddo com o Vietname, em julho passado, o relativo Acordo sobre o estatuto do Representante Pontif\u00edcio. F\u00ea-lo para continuarmos juntos o caminho percorrido at\u00e9 aqui, sob o signo do respeito m\u00fatuo e da confian\u00e7a, gra\u00e7as \u00e0s rela\u00e7\u00f5es frequentes a n\u00edvel institucional e \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o da Igreja local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2023, tamb\u00e9m se ratificou o Acordo Suplementar ao Acordo sobre as rela\u00e7\u00f5es m\u00fatuas entre a Santa S\u00e9 e o Cazaquist\u00e3o, de 24 de setembro de 1998, que facilita a presen\u00e7a e a coloca\u00e7\u00e3o dos agentes pastorais no pa\u00eds; al\u00e9m disso, tivemos ocasi\u00e3o de celebrar quatro anivers\u00e1rios significativos de rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas: o centen\u00e1rio com a Rep\u00fablica do Panam\u00e1, o septuag\u00e9simo com a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica do Ir\u00e3o, o sexag\u00e9simo com a Rep\u00fablica da Coreia e o quinquag\u00e9simo com a Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Prezados Embaixadores,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma palavra que ressoa particularmente nas duas festas crist\u00e3s principais. Ouvimo-la no canto dos anjos que, durante a noite, anunciam o nascimento do Salvador e recebemo-la da voz de Jesus ressuscitado: \u00e9 a palavra \u00abpaz\u00bb. Esta \u00e9, primariamente, um dom de Deus: \u00e9 Ele que nos deixa a\u00a0<em>sua<\/em>\u00a0paz (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a014, 27); mas ao mesmo tempo \u00e9 uma responsabilidade nossa: \u00abfelizes os pacificadores\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a05, 9). Trabalhar pela paz. Uma palavra t\u00e3o fr\u00e1gil, que, ao mesmo tempo, se revela exigente e densa de significado. A ela quero dedicar a nossa reflex\u00e3o de hoje, num momento hist\u00f3rico em que a mesma est\u00e1 cada vez mais amea\u00e7ada, fragilizada e parcialmente perdida. Ali\u00e1s \u00e9 dever da Santa S\u00e9, no seio da comunidade internacional, ser voz prof\u00e9tica e apelo \u00e0 consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vig\u00edlia do Natal de 1944, o meu predecessor Pio XII pronunciou uma c\u00e9lebre Radiomensagem aos povos do mundo inteiro. A II Guerra Mundial aproximava-se do fim, ap\u00f3s mais de cinco anos de conflito, e a humanidade (como disse o Pont\u00edfice) sentia \u00abuma vontade cada vez mais clara e firme: fazer desta guerra mundial, desta convuls\u00e3o universal, o ponto a partir do qual come\u00e7a uma nova era de renova\u00e7\u00e3o profunda\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref1\"><\/a>[1] Oitenta anos depois, o impulso para tal \u00abrenova\u00e7\u00e3o profunda\u00bb parece ter-se esgotado, e o mundo \u00e9 atravessado por um n\u00famero crescente de conflitos que est\u00e3o lentamente a transformar aquela que tenho repetidamente definido como \u00abterceira guerra mundial aos peda\u00e7os\u00bb num verdadeiro conflito global.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui n\u00e3o posso deixar de reiterar a minha preocupa\u00e7\u00e3o com o que est\u00e1 a acontecer na Palestina e em Israel. Todos fic\u00e1mos chocados com o ataque terrorista de 7 de outubro passado contra a popula\u00e7\u00e3o em Israel, onde foram feridas, torturadas e mortas de forma atroz tantas pessoas inocentes e muitas outras foram feitas ref\u00e9ns. Repito a minha condena\u00e7\u00e3o de tal a\u00e7\u00e3o e de toda a forma de terrorismo e extremismo: assim n\u00e3o se resolvem as quest\u00f5es entre os povos, antes pelo contr\u00e1rio tornam-se mais dif\u00edceis, causando sofrimento a todos. De facto, aquilo provocou uma forte resposta militar israelita em Gaza, que levou \u00e0 morte de dezenas de milhares de palestinianos, na maioria civis, entre os quais muitas crian\u00e7as, adolescentes e jovens, e causou uma situa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria grav\u00edssima com sofrimentos inimagin\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Renovo o meu apelo a todas as partes envolvidas para um cessar-fogo em todas as frentes, incluindo o L\u00edbano, e para a liberta\u00e7\u00e3o imediata de todos os ref\u00e9ns em Gaza. Pe\u00e7o que a popula\u00e7\u00e3o palestiniana possa receber as ajudas humanit\u00e1rias e que os hospitais, as escolas e os locais de culto tenham toda a prote\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Espero que a comunidade internacional avance, com determina\u00e7\u00e3o, na solu\u00e7\u00e3o de dois Estados, um israelita e um palestiniano, bem como de um estatuto especial, garantido internacionalmente, para a Cidade de Jerusal\u00e9m, para que israelitas e palestinianos possam finalmente viver em paz e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conflito ativo em Gaza desestabiliza ainda mais uma regi\u00e3o fr\u00e1gil e carregada de tens\u00f5es. Em particular, n\u00e3o se pode esquecer o povo s\u00edrio, que vive na instabilidade econ\u00f3mica e pol\u00edtica, agravada pelo terramoto de fevereiro passado. A comunidade internacional incentive as Partes envolvidas a empreenderem um di\u00e1logo construtivo e s\u00e9rio e a procurarem novas solu\u00e7\u00f5es para que o povo s\u00edrio deixe de sofrer por causa das san\u00e7\u00f5es internacionais. Al\u00e9m disso, exprimo a minha amargura pelos milh\u00f5es de refugiados s\u00edrios que ainda se encontram nos pa\u00edses vizinhos, como a Jord\u00e2nia e o L\u00edbano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Penso de modo particular neste \u00faltimo, manifestando preocupa\u00e7\u00e3o pela situa\u00e7\u00e3o social e econ\u00f3mica em que se encontra o querido povo liban\u00eas, e espero que o impasse institucional, que est\u00e1 a deix\u00e1-lo ainda mais de rasto, seja resolvido e que o Pa\u00eds dos Cedros tenha em breve um Presidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre no continente asi\u00e1tico, desejo ainda chamar a aten\u00e7\u00e3o da comunidade internacional para o Myanmar, pedindo que se fa\u00e7am todos os esfor\u00e7os para dar esperan\u00e7a \u00e0quela terra e um futuro digno \u00e0s gera\u00e7\u00f5es jovens, sem esquecer a emerg\u00eancia humanit\u00e1ria que ainda afeta os Rohingya.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A par destas situa\u00e7\u00f5es complexas, n\u00e3o faltam tamb\u00e9m sinais de esperan\u00e7a, como pude experimentar durante a minha viagem \u00e0 Mong\u00f3lia, a cujas Autoridades renovo a minha gratid\u00e3o pelo acolhimento que me dispensaram. Do mesmo modo, desejo agradecer \u00e0s Autoridades h\u00fangaras pela sua hospitalidade durante a minha visita ao pa\u00eds no passado m\u00eas de abril. Foi uma viagem ao cora\u00e7\u00e3o da Europa, onde se respira hist\u00f3ria e cultura e onde experimentei o calor de tantas pessoas, mas onde se sente tamb\u00e9m a proximidade dum conflito que n\u00e3o consider\u00e1vamos poss\u00edvel na Europa do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente, depois de quase dois anos de guerra em grande escala da Federa\u00e7\u00e3o Russa contra a Ucr\u00e2nia, a t\u00e3o desejada paz ainda n\u00e3o conseguiu encontrar lugar nas mentes e nos cora\u00e7\u00f5es, n\u00e3o obstante as numeros\u00edssimas v\u00edtimas e o rasto enorme de destrui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se pode deixar continuar um conflito, que se est\u00e1 gangrenando cada vez mais, com dano para milh\u00f5es de pessoas, mas \u00e9 preciso que se ponha termo \u00e0 trag\u00e9dia em curso atrav\u00e9s da negocia\u00e7\u00e3o, no respeito pelo direito internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exprimo preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m com a situa\u00e7\u00e3o tensa no Sul do C\u00e1ucaso entre a Arm\u00e9nia e o Azerbaij\u00e3o, exortando as Partes a chegarem \u00e0 assinatura dum Tratado de paz. \u00c9 urgente encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para a dram\u00e1tica situa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria dos habitantes daquela regi\u00e3o, favorecer o regresso dos deslocados \u00e0s suas casas de forma legal e segura, e respeitar os locais de culto das diversas confiss\u00f5es religiosas l\u00e1 presentes. Estas medidas poder\u00e3o contribuir para a cria\u00e7\u00e3o dum clima de confian\u00e7a entre os dois pa\u00edses tendo em vista a t\u00e3o suspirada paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se agora voltarmos o olhar para a \u00c1frica, temos diante dos olhos o sofrimento de milh\u00f5es de pessoas devido \u00e0s m\u00faltiplas crises humanit\u00e1rias em que versam v\u00e1rios pa\u00edses subsaarianos, por causa do terrorismo internacional, dos complexos problemas sociopol\u00edticos e dos efeitos devastadores provocados pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica, a que se v\u00eam juntar as consequ\u00eancias dos golpes militares de Estado ocorridos em alguns pa\u00edses e de certos processos eleitorais caraterizados por corrup\u00e7\u00e3o, intimida\u00e7\u00f5es e viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, renovo o apelo a um s\u00e9rio empenho por parte de todos os sujeitos envolvidos na aplica\u00e7\u00e3o do Acordo de Pret\u00f3ria de novembro de 2022, que p\u00f4s fim aos combates no Tigr\u00e9, e na procura de solu\u00e7\u00f5es pac\u00edficas para as tens\u00f5es e viol\u00eancias que assolam a Eti\u00f3pia, bem como para o di\u00e1logo, a paz e a estabilidade entre os pa\u00edses do Corno de \u00c1frica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quero recordar tamb\u00e9m os acontecimentos dram\u00e1ticos no Sud\u00e3o, onde infelizmente, depois de meses de guerra civil, ainda n\u00e3o se avista uma sa\u00edda; bem como as situa\u00e7\u00f5es dos deslocados nos Camar\u00f5es, em Mo\u00e7ambique, na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e no Sud\u00e3o do Sul. Estes dois \u00faltimos pa\u00edses pude visit\u00e1-los no in\u00edcio do ano passado, como um sinal de proximidade \u00e0s suas atribuladas popula\u00e7\u00f5es, embora em contextos e situa\u00e7\u00f5es diferentes. Agrade\u00e7o sinceramente \u00e0s Autoridades de ambos os pa\u00edses o seu empenho organizador e o acolhimento que me reservaram. Ali\u00e1s a viagem ao Sud\u00e3o do Sul teve tamb\u00e9m um car\u00e1ter ecum\u00e9nico, tendo sido acompanhado pelo Arcebispo de Cantu\u00e1ria e pelo Moderador da Assembleia Geral da Igreja de Esc\u00f3cia, como testemunho do empenho partilhado pelas nossas Comunidades eclesiais em prol da paz e da reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora n\u00e3o existam guerras declaradas nas Am\u00e9ricas, todavia entre alguns pa\u00edses, como por exemplo entre a Venezuela e a Guiana, verificam-se fortes tens\u00f5es, enquanto noutros, como no Per\u00fa, vemos fen\u00f3menos de polariza\u00e7\u00e3o que comprometem a harmonia social e enfraquecem as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suscita preocupa\u00e7\u00e3o ainda a situa\u00e7\u00e3o na Nicar\u00e1gua: uma crise que se prolonga no tempo com amargas consequ\u00eancias para toda a sociedade nicaraguense, particularmente para a Igreja Cat\u00f3lica. A Santa S\u00e9 n\u00e3o cessa de convidar a um di\u00e1logo diplom\u00e1tico respeitoso pelo bem dos cat\u00f3licos e de toda a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Excel\u00eancias, Senhoras e Senhores,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por tr\u00e1s deste quadro, que quis delinear brevemente e sem pretens\u00f5es de ser exaustivo, encontra-se um mundo cada vez mais dilacerado, mas sobretudo h\u00e1 milh\u00f5es de pessoas \u2013 homens, mulheres, pais, m\u00e3es, crian\u00e7as \u2013 cujos rostos, na sua maioria, nos s\u00e3o desconhecidos e que muitas vezes esquecemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, as guerras hodiernas j\u00e1 n\u00e3o se desenrolam apenas em campos de batalha delimitados, nem dizem respeito somente aos soldados. Num contexto em que parece j\u00e1 n\u00e3o ser observada a distin\u00e7\u00e3o entre objetivos militares e civis, n\u00e3o h\u00e1 conflito que n\u00e3o acabe de alguma forma por atingir indiscriminadamente a popula\u00e7\u00e3o civil. Prova evidente disto mesmo s\u00e3o os acontecimentos na Ucr\u00e2nia e em Gaza. N\u00e3o devemos esquecer que as viola\u00e7\u00f5es graves do direito internacional humanit\u00e1rio s\u00e3o crimes de guerra, e que n\u00e3o basta assinal\u00e1-las, mas \u00e9 preciso antecipar-se-lhes. Por isso h\u00e1 necessidade dum maior empenho da comunidade internacional pela salvaguarda e implementa\u00e7\u00e3o do direito humanit\u00e1rio, que parece ser o \u00fanico caminho para a tutela da dignidade humana em situa\u00e7\u00f5es de conflito b\u00e9lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio deste ano, ressoa muito atual a exorta\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II, na\u00a0\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html\">Gaudium et spes<\/a><\/em>: \u00abExistem diversas conven\u00e7\u00f5es internacionais relativas \u00e0 guerra, assinadas por bastantes na\u00e7\u00f5es e que visam tornar menos desumanas as atividades b\u00e9licas e suas consequ\u00eancias (\u2026). Estes acordos devem ser observados. Mais ainda, todos, sobretudo os poderes p\u00fablicos e os peritos nestas mat\u00e9rias, t\u00eam obriga\u00e7\u00e3o de procurar aperfei\u00e7o\u00e1-los quanto lhes for poss\u00edvel, de maneira que sejam capazes de melhor e mais eficazmente refrearem a crueldade das guerras\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref2\"><\/a>[2]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez n\u00e3o nos apercebamos de que as v\u00edtimas civis n\u00e3o s\u00e3o \u00abdanos colaterais\u00bb. S\u00e3o homens e mulheres com nomes e apelidos que perdem a vida. S\u00e3o crian\u00e7as que ficam \u00f3rf\u00e3s e privadas do futuro. S\u00e3o pessoas que padecem a fome, a sede e o frio ou que ficam mutiladas por causa da pot\u00eancia das armas modernas. Se consegu\u00edssemos fixar cada um deles nos olhos, cham\u00e1-los por nome e evocar a sua hist\u00f3ria pessoal, ver\u00edamos a guerra como ela \u00e9: nada mais que uma enorme trag\u00e9dia e \u00abum massacre in\u00fatil\u00bb,\u00a0<a name=\"_ftnref3\"><\/a>[3] que fere a dignidade de toda a pessoa nesta terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, as guerras podem continuar devido \u00e0 enorme disponibilidade de armas. \u00c9 necess\u00e1rio procurar uma pol\u00edtica de desarmamento, pois \u00e9 ilus\u00f3rio pensar que os armamentos possam ter um valor dissuasor. Antes, \u00e9 verdade o contr\u00e1rio: a disponibilidade de armas incentiva a sua utiliza\u00e7\u00e3o e incrementa a sua produ\u00e7\u00e3o. As armas criam desconfian\u00e7a e desviam recursos. Quantas vidas se poderiam salvar com os recursos atualmente destinados aos armamentos? N\u00e3o seria melhor investi-los a favor duma verdadeira seguran\u00e7a global? Os desafios do nosso tempo transcendem as fronteiras, como demonstram as v\u00e1rias crises \u2013 alimentar, ambiental, econ\u00f3mica e sanit\u00e1ria \u2013 que t\u00eam caraterizado o in\u00edcio do s\u00e9culo. Reafirmo aqui a proposta de constituir um Fundo mundial para eliminar finalmente a fome\u00a0<a name=\"_ftnref4\"><\/a>[4] e promover um desenvolvimento sustent\u00e1vel de todo o planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as amea\u00e7as causadas por tais instrumentos de morte, n\u00e3o posso deixar de mencionar a provocada pelos arsenais nucleares e pelo desenvolvimento de armas cada vez mais sofisticadas e destruidoras. Reitero mais uma vez a imoralidade de fabricar e possuir armas nucleares. A prop\u00f3sito, fa\u00e7o votos de que se possa chegar o mais rapidamente poss\u00edvel \u00e0 retoma das negocia\u00e7\u00f5es para o in\u00edcio do\u00a0<em>Plano de A\u00e7\u00e3o Conjunto Global<\/em>, mais conhecido como \u00abAcordo sobre o Nuclear Iraniano\u00bb, para garantir a todos um futuro mais seguro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todavia, para se chegar \u00e0 paz, n\u00e3o basta limitar-se a eliminar os instrumentos b\u00e9licos, \u00e9 necess\u00e1rio extirpar pela raiz as causas das guerras, sendo a primeira delas a fome, um flagelo que ainda agora atinge regi\u00f5es inteiras da Terra, enquanto noutras se verifica enorme desperd\u00edcio de alimentos. Depois, temos a explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, que enriquece a poucos, deixando na mis\u00e9ria e na pobreza popula\u00e7\u00f5es inteiras que seriam os benefici\u00e1rios naturais de tais recursos. Ligada \u00e0quela est\u00e1 a explora\u00e7\u00e3o das pessoas, obrigadas a trabalhos mal remunerados e sem reais perspetivas de crescimento profissional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as causas de conflitos, est\u00e3o tamb\u00e9m as cat\u00e1strofes naturais e ambientais. Certamente h\u00e1 desastres que a m\u00e3o do homem n\u00e3o pode controlar. Penso nos recentes terramotos em Marrocos e na China, que causaram centenas de v\u00edtimas, bem como naquele que atingiu duramente a Turquia e parte da S\u00edria, deixando atr\u00e1s dele um rasto tremendo de morte e destrui\u00e7\u00e3o. Penso ainda na inunda\u00e7\u00e3o que atingiu Derna, na L\u00edbia, destruindo efetivamente a cidade devido tamb\u00e9m \u00e0 concomitante derrocada de duas barragens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas existem os desastres que s\u00e3o imput\u00e1veis tamb\u00e9m \u00e0 a\u00e7\u00e3o ou \u00e0 neglig\u00eancia do homem e que contribuem gravemente para a crise clim\u00e1tica em curso, como, por exemplo, a desfloresta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f3nia, que \u00e9 o \u00abpulm\u00e3o verde\u00bb da Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crise clim\u00e1tica e ambiental foi objeto da <em>XXVIII Confer\u00eancia dos Estados-Parte na Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre as Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas<\/em>\u00a0(COP28), realizada no Dubai no m\u00eas passado, na qual n\u00e3o pude, com pena minha, participar pessoalmente. Teve in\u00edcio em concomit\u00e2ncia com o an\u00fancio da Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial de que 2023 foi o ano mais quente de que h\u00e1 registo nos 174 anos anteriores. A crise clim\u00e1tica exige uma resposta cada vez mais urgente e requer o pleno envolvimento de todos, bem como da comunidade internacional inteira.\u00a0<a name=\"_ftnref5\"><\/a>[5]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ado\u00e7\u00e3o do documento final na COP28 constitui um passo encorajador e revela que, perante as in\u00fameras crises que estamos a viver, h\u00e1 a possibilidade de revitalizar o multilateralismo atrav\u00e9s da gest\u00e3o da quest\u00e3o clim\u00e1tica global, num mundo onde os problemas ambientais, sociais e pol\u00edticos est\u00e3o intimamente conexos. Na COP28, evidenciou-se claramente como a d\u00e9cada em curso seja a d\u00e9cada decisiva para enfrentar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. O cuidado da cria\u00e7\u00e3o e a paz \u00abs\u00e3o as quest\u00f5es mais urgentes e est\u00e3o interligadas\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref6\"><\/a>[6] Almejo, pois, que quanto foi estabelecido no Dubai leve a \u00abuma decidida acelera\u00e7\u00e3o da transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, atrav\u00e9s de formas que (\u2026) encontrem realiza\u00e7\u00e3o em quatro campos: a efici\u00eancia energ\u00e9tica, as fontes renov\u00e1veis, a elimina\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, a educa\u00e7\u00e3o para estilos de vida menos dependentes destes \u00faltimos\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref7\"><\/a>[7]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As guerras, a pobreza, o abuso da nossa casa comum e a explora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua dos seus recursos, que est\u00e3o na raiz de desastres naturais, s\u00e3o causas que impelem tamb\u00e9m milhares de pessoas a abandonar a sua terra \u00e0 procura dum futuro de paz e seguran\u00e7a. Na sua viagem, arriscam a pr\u00f3pria vida em percursos perigosos, como no deserto do Saara, na floresta de Dari\u00e9n, na fronteira entre Col\u00f4mbia e Panam\u00e1, na Am\u00e9rica Central, no norte do M\u00e9xico na fronteira com os Estados Unidos, e sobretudo no Mar Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente este tornou-se no \u00faltimo dec\u00e9nio um grande cemit\u00e9rio, com trag\u00e9dias que continuam a suceder-se, tamb\u00e9m devido a traficantes de seres humanos sem escr\u00fapulos. Entre as in\u00fameras v\u00edtimas \u2013 n\u00e3o o esque\u00e7amos \u2013, h\u00e1 muitos menores n\u00e3o acompanhados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Mediterr\u00e2neo deveria, antes, ser um\u00a0\u00a0<em>laborat\u00f3rio de paz<\/em>, um \u00ablugar onde pa\u00edses e realidades diferentes se encontrem com base na humanidade que todos partilhamos\u00bb,\u00a0<a name=\"_ftnref8\"><\/a>[8] como tive oportunidade de sublinhar\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/travels\/2023\/outside\/documents\/marsiglia-2023.html\">em Marselha, durante a minha viagem<\/a>\u00a0(estou agradecido por ela aos organizadores e \u00e0s Autoridades francesas) por ocasi\u00e3o dos\u00a0\u00a0<em>Rencontres M\u00e9diterran\u00e9ennes<\/em>. Perante esta imensa trag\u00e9dia, facilmente acabamos por fechar o nosso cora\u00e7\u00e3o, entrincheirando-nos por tr\u00e1s do medo duma \u00abinvas\u00e3o\u00bb. Esquecemo-nos facilmente que temos diante de n\u00f3s pessoas com rostos e nomes e passa-nos despercebida a voca\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do\u00a0\u00a0<em>Mare Nostrum<\/em>, que n\u00e3o \u00e9 a de ser um t\u00famulo, mas um lugar de encontro e enriquecimento rec\u00edproco entre pessoas, povos e culturas. Isto n\u00e3o impede que a migra\u00e7\u00e3o deva ser regulamentada para acolher, promover, acompanhar e integrar os migrantes, no respeito pela cultura, a sensibilidade e a seguran\u00e7a das popula\u00e7\u00f5es que se ocupam do acolhimento e da integra\u00e7\u00e3o. Por outro lado, \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m recordar o direito de poder permanecer na pr\u00f3pria p\u00e1tria e a consequente necessidade de criar as condi\u00e7\u00f5es para que o mesmo possa ser efetivamente exercido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante deste desafio, nenhum pa\u00eds pode ser deixado sozinho, nem ningu\u00e9m pode pensar em enfrentar isoladamente a quest\u00e3o atrav\u00e9s de legisla\u00e7\u00f5es mais restritivas e repressivas, \u00e0s vezes aprovadas sob a press\u00e3o do medo ou \u00e0 busca de consensos eleitorais. Por isso, sa\u00fado com satisfa\u00e7\u00e3o o empenho da Uni\u00e3o Europeia de procurar uma solu\u00e7\u00e3o comum atrav\u00e9s da ado\u00e7\u00e3o do novo Pacto sobre a Migra\u00e7\u00e3o e o Asilo, embora assinalando algumas limita\u00e7\u00f5es, especialmente no que diz respeito ao reconhecimento do direito de asilo e ao perigo de deten\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Prezados Embaixadores,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caminho da paz exige o respeito pela vida, por toda a vida humana, a come\u00e7ar pela do nascituro no ventre da m\u00e3e, que n\u00e3o pode ser suprimida nem se pode tornar objeto de tr\u00e1ficos il\u00edcitos. A este respeito, considero deprimente a pr\u00e1tica da chamada barriga de aluguer, que lesa gravemente a dignidade da mulher e do filho. Baseia-se na explora\u00e7\u00e3o duma situa\u00e7\u00e3o de necessidade material da m\u00e3e. Um filho \u00e9 sempre um dom, e nunca o objeto dum contrato. Almejo, pois, um esfor\u00e7o da comunidade internacional para proibir tal pr\u00e1tica a n\u00edvel universal. Em cada momento da sua exist\u00eancia, a vida humana deve ser preservada e tutelada, pelo que \u00e9 com pesar que constato, especialmente no Ocidente, a persistente difus\u00e3o duma cultura da morte que, em nome duma fingida piedade, descarta crian\u00e7as, idosos e doentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caminho da paz exige o respeito pelos direitos humanos, nos termos da formula\u00e7\u00e3o simples, mas clara, contida na Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, cujo 75\u00ba anivers\u00e1rio celebr\u00e1mos recentemente. Trata-se de princ\u00edpios racionalmente evidentes e comumente aceites. Infelizmente, as tentativas realizadas nos \u00faltimos dec\u00e9nios para introduzir novos direitos, n\u00e3o plenamente s\u00f3lidos como os definidos originalmente e nem sempre aceit\u00e1veis, ocasionaram coloniza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, entre os quais tem um papel central a teoria do\u00a0<em>gender<\/em>, extremamente perigosa porque cancela as diferen\u00e7as com a pretens\u00e3o de tornar todos iguais. Tais coloniza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas provocam feridas e divis\u00f5es entre os Estados, em vez de favorecer a edifica\u00e7\u00e3o da paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, o di\u00e1logo deve ser a alma da comunidade internacional. A conjuntura atual \u00e9 causada tamb\u00e9m pelo enfraquecimento das estruturas de diplomacia multilateral que viram a luz depois da II Guerra Mundial. Organismos criados para favorecer a seguran\u00e7a, a paz e a coopera\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o conseguem unir todos os seus membros \u00e0 volta duma mesa. H\u00e1 o risco duma \u00abmonadologia\u00bb e da fragmenta\u00e7\u00e3o em \u00abclubes\u00bb que permitem a entrada s\u00f3 a Estados considerados ideologicamente pr\u00f3ximos. Mesmo os organismos at\u00e9 agora eficientes, concentrados no bem comum e em quest\u00f5es t\u00e9cnicas, correm o risco de paralisia por causa de polariza\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, sendo instrumentalizados por alguns Estados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para relan\u00e7ar um compromisso comum ao servi\u00e7o da paz, \u00e9 preciso recuperar as ra\u00edzes, o esp\u00edrito e os valores que deram origem a esses organismos, embora tendo em conta a mudan\u00e7a do contexto e tendo em considera\u00e7\u00e3o quantos n\u00e3o se sentem adequadamente representados pelas estruturas das organiza\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 certo que dialogar requer paci\u00eancia, perseveran\u00e7a e capacidade de escuta, mas quando se trabalha na tentativa sincera de p\u00f4r fim \u00e0s disc\u00f3rdias, podem-se alcan\u00e7ar resultados significativos. Penso, por exemplo, no\u00a0<em>Acordo de Belfast<\/em>, conhecido tamb\u00e9m como\u00a0<em>Acordo da Sexta-Feira Santa<\/em>, assinado pelos governos brit\u00e2nico e irland\u00eas, cujo 25\u00ba anivers\u00e1rio foi comemorado o ano passado. Tendo posto fim a trinta anos dum violento conflito, pode ser tomado como exemplo para solicitar e estimular as Autoridades a crerem nos processos de paz, n\u00e3o obstante as dificuldades e os sacrif\u00edcios que exigem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caminho da paz passa pelo di\u00e1logo pol\u00edtico e social, uma vez que est\u00e1 na base da conviv\u00eancia civil duma comunidade pol\u00edtica moderna. O ano de 2024 ver\u00e1 a convoca\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es em muitos Estados. As elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o um momento fundamental na vida dum pa\u00eds, pois permitem a todos os cidad\u00e3os escolher responsavelmente os seus governantes. Ressoam hoje, mais atuais do que nunca, as palavras de Pio XII: \u00abexprimir a pr\u00f3pria opini\u00e3o sobre os deveres e os sacrif\u00edcios que lhe s\u00e3o impostos; n\u00e3o ser obrigado a obedecer sem ter sido ouvido: s\u00e3o dois direitos do cidad\u00e3o, que encontram a sua express\u00e3o na democracia, como o pr\u00f3prio nome indica. Da solidez, da harmonia, dos bons frutos deste contacto entre os cidad\u00e3os e o governo do Estado, pode-se reconhecer se uma democracia \u00e9 verdadeiramente s\u00e3 e equilibrada e qual a sua for\u00e7a para a vida e o desenvolvimento\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref9\"><\/a>[9]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso \u00e9 importante que os cidad\u00e3os, especialmente as gera\u00e7\u00f5es jovens que s\u00e3o chamadas \u00e0s urnas pela primeira vez, sintam como sua principal responsabilidade contribuir para a edifica\u00e7\u00e3o do bem comum, atrav\u00e9s duma participa\u00e7\u00e3o livre e consciente no voto. Por outro lado, a pol\u00edtica deve ser sempre entendida, n\u00e3o como apropria\u00e7\u00e3o do poder, mas como \u00abforma mais elevada de caridade\u00bb\u00a0<a name=\"_ftnref10\"><\/a>[10] e, por conseguinte, do servi\u00e7o ao pr\u00f3ximo dentro duma comunidade local e nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caminho da paz passa ainda atrav\u00e9s do di\u00e1logo inter-religioso, que exige, antes de mais nada, a tutela da liberdade religiosa e o respeito das minorias. Custa, por exemplo, constatar que cresce o n\u00famero de pa\u00edses que adotam modelos de controlo centralizado sobre a liberdade de religi\u00e3o, com o uso maci\u00e7o da tecnologia. Noutros lugares, as comunidades religiosas minorit\u00e1rias encontram-se frequentemente numa situa\u00e7\u00e3o cada vez mais dram\u00e1tica. Nalguns casos, correm o risco de extin\u00e7\u00e3o, devido a uma combina\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es terroristas, ataques ao patrim\u00f3nio cultural e medidas mais subtis, como a prolifera\u00e7\u00e3o das leis anticonvers\u00e3o, a manipula\u00e7\u00e3o das regras eleitorais e as restri\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Preocupa, particularmente, o aumento dos atos de antissemitismo verificados nos \u00faltimos meses; reitero mais uma vez que este flagelo deve ser erradicado da sociedade, sobretudo atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o para a fraternidade e o acolhimento do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De igual modo, preocupa o crescimento da persegui\u00e7\u00e3o e da discrimina\u00e7\u00e3o contra os crist\u00e3os, sobretudo nos \u00faltimos dez anos. Embora de forma incruenta, mas socialmente relevante, tem a ver, n\u00e3o raro, com fen\u00f3menos de lenta marginaliza\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o da vida pol\u00edtica e social e do exerc\u00edcio de certas profiss\u00f5es, que acontecem mesmo em terras tradicionalmente crist\u00e3s. Globalmente existem no mundo mais de 360 milh\u00f5es de crist\u00e3os que sofrem um alto n\u00edvel de persegui\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o por causa da sua f\u00e9, e cresce sempre mais o n\u00famero daqueles que s\u00e3o for\u00e7ados a fugir das suas terras de origem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, o caminho da paz passa pela educa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o principal investimento no futuro e nas gera\u00e7\u00f5es jovens. Permanece viva em mim a recorda\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/travels\/2023\/outside\/documents\/portogallo-gmg-2023.html\">Jornada Mundial da Juventude realizada em Portugal no passado m\u00eas de agosto<\/a>. Ao mesmo tempo que volto a agradecer \u00e0s Autoridades portuguesas, civis e religiosas, o empenho posto na organiza\u00e7\u00e3o, conservo no cora\u00e7\u00e3o aquele encontro com mais de um milh\u00e3o de jovens, provenientes de todas as partes do mundo, cheios de entusiasmo e vontade de viver. A sua presen\u00e7a foi um grande hino \u00e0 paz e o testemunho de que \u00aba unidade \u00e9 superior ao conflito\u00bb\u00a0<a name=\"_ftnref11\"><\/a>[11] e que \u00e9 \u00abposs\u00edvel desenvolver uma comunh\u00e3o nas diferen\u00e7as\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref12\"><\/a>[12]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos tempos que correm, parte do desafio educacional tem a ver com uma utiliza\u00e7\u00e3o \u00e9tica das novas tecnologias. Estas podem tornar-se facilmente instrumentos de divis\u00e3o ou de difus\u00e3o de mentiras, as chamadas fake<em> news<\/em>, mas s\u00e3o tamb\u00e9m meio de encontro, interc\u00e2mbios rec\u00edprocos e um importante ve\u00edculo de paz. \u00abOs progressos not\u00e1veis das novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, sobretudo na esfera digital, apresentam oportunidades entusiasmantes, mas tamb\u00e9m graves riscos, com s\u00e9rias implica\u00e7\u00f5es na prossecu\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e da harmonia entre os povos\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref13\"><\/a>[13]\u00a0Por este motivo, considerei importante dedicar a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/peace\/documents\/20231208-messaggio-57giornatamondiale-pace2024.html\">anual\u00a0<em>Mensagem<\/em>\u00a0<em>para o Dia Mundial da Paz<\/em><\/a>\u00a0\u00e0 intelig\u00eancia artificial, que \u00e9 um dos desafios mais importantes dos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 indispens\u00e1vel que o progresso tecnol\u00f3gico aconte\u00e7a de maneira \u00e9tica e respons\u00e1vel, preservando a centralidade da pessoa humana, cuja contribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode nem poder\u00e1 nunca ser substitu\u00edda por um algoritmo ou por uma m\u00e1quina. \u00abA\u00a0dignidade intr\u00ednseca de cada pessoa e a fraternidade que nos une como membros da \u00fanica fam\u00edlia humana devem estar na base do desenvolvimento de novas tecnologias e servir como crit\u00e9rios indiscut\u00edveis para as avaliar antes da sua utiliza\u00e7\u00e3o, para que o progresso digital possa verificar-se no respeito pela justi\u00e7a e contribuir para a causa da\u00a0paz\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref14\"><\/a>[14]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Torna-se, pois, necess\u00e1ria uma reflex\u00e3o atenta a todos os n\u00edveis, nacional e internacional, pol\u00edtico e social, para que o desenvolvimento da intelig\u00eancia artificial permane\u00e7a ao servi\u00e7o do homem, favorecendo e n\u00e3o dificultando, especialmente nos jovens, as rela\u00e7\u00f5es interpessoais, um sadio esp\u00edrito de fraternidade e um pensamento cr\u00edtico capaz de discernimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta perspetiva, adquirem relev\u00e2ncia particular as duas Confer\u00eancias Diplom\u00e1ticas da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Propriedade Intelectual, que ter\u00e3o lugar neste ano de 2024 e nas quais a Santa S\u00e9 participar\u00e1 como Estado-membro. Para a Santa S\u00e9, a propriedade intelectual est\u00e1 essencialmente orientada para a promo\u00e7\u00e3o do bem comum e n\u00e3o pode desvincular-se das limita\u00e7\u00f5es de natureza \u00e9tica, dando origem a situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a e de explora\u00e7\u00e3o indevida. Depois h\u00e1 que prestar especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 tutela do patrim\u00f3nio gen\u00e9tico humano, impedindo que se realizem pr\u00e1ticas contr\u00e1rias \u00e0 dignidade humana, como a possibilidade de verbetar material biol\u00f3gico humano e a clonagem de seres humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Excel\u00eancias, Senhoras e Senhores,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ano, a Igreja prepara-se para o Jubileu que ter\u00e1 in\u00edcio no pr\u00f3ximo Natal. Agrade\u00e7o de modo particular \u00e0s Autoridades italianas, nacionais e locais, pelos esfor\u00e7os que est\u00e3o a fazer para preparar a cidade de Roma a fim de acolher os numerosos peregrinos, permitindo-lhes colher frutos espirituais do caminho jubilar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez hoje, mais do que nunca, tenhamos necessidade do ano jubilar. Perante tantos sofrimentos que provocam desespero n\u00e3o s\u00f3 nas pessoas diretamente atingidas, mas em todas as nossas sociedades; frente aos nossos jovens, que, em vez de sonhar um futuro melhor, com frequ\u00eancia se sentem impotentes e frustrados; e face \u00e0 obscuridade deste mundo que, em vez de se afastar, parece crescer, o Jubileu \u00e9 o an\u00fancio de que Deus nunca abandona o seu povo e mant\u00e9m sempre abertas as portas do seu Reino. Na tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3, o Jubileu \u00e9 um tempo de gra\u00e7a para experimentar a miseric\u00f3rdia de Deus e o dom da sua paz. \u00c9 um tempo de justi\u00e7a, em que os pecados s\u00e3o perdoados, a reconcilia\u00e7\u00e3o permite superar a injusti\u00e7a e a terra repousa. Pode ser para todos \u2013 crist\u00e3os e n\u00e3o-crist\u00e3os \u2013 o tempo para quebrar as espadas e delas fazer arados; o tempo em que uma na\u00e7\u00e3o n\u00e3o mais levantar\u00e1 a espada contra outra, nem se aprender\u00e1 mais a arte da guerra (cf.\u00a0<em>Is<\/em>\u00a02, 4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, s\u00e3o estes os votos que formulo de todo o cora\u00e7\u00e3o para cada um de v\u00f3s, prezados Embaixadores, para as vossas fam\u00edlias, para os colaboradores e para os povos que representais. Obrigado e um ano feliz para todos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Francisco.<a name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>[1] Radiomensagem<em> natal\u00edcia aos povos do mundo inteiro<\/em>\u00a0(24\/XII\/1944).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn2\"><\/a><strong>[2]\u00a0CONC. ECUM. VAT. II, Const. past.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html\">Gaudium et spes<\/a><\/em>\u00a0sobre a Igreja no mundo contempor\u00e2neo\u00a0(07\/XII\/1965), 79.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn3\"><\/a><strong>[3]\u00a0Cf. BENTO XV,\u00a0<em>Carta aos L\u00edderes dos Povos em Guerra<\/em>\u00a0(01\/VIII\/1917).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn4\"><\/a><strong>[4]\u00a0Cf. FRANCISCO, Carta enc.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html\">Fratelli tutti<\/a><\/em>\u00a0sobre a fraternidade e a amizade social (03\/X\/2020), 262.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn5\"><\/a><strong>[5]\u00a0Cf. FRANCISCO, Exort. ap.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20231004-laudate-deum.html\">Laudate Deum<\/a><\/em>\u00a0a todas as pessoas de boa vontade sobre a crise clim\u00e1tica (04\/X\/2023).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn6\"><\/a><strong>[6]\u00a0FRANCISCO,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/december\/documents\/20231202-dubai-cop28.html\"><strong><em>Discurso proferido na Confer\u00eancia dos Estados-Parte na Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre as Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(02\/XII\/2023).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn7\"><\/a><strong>[7]\u00a0\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/december\/documents\/20231202-dubai-cop28.html\"><strong><em>Ibidem<\/em><\/strong><\/a><strong>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn8\"><\/a><strong>[8]\u00a0FRANCISCO,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2023\/september\/documents\/20230923-marsiglia-rencontres-mediterraneennes.html\"><strong><em>Discurso na Sess\u00e3o Conclusiva dos \u201cRencontres M\u00e9diterran\u00e9ennes\u201d<\/em><\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/a><strong>(Marselha, 23\/IX\/2023), 1.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn9\"><\/a><strong>[9] Radiomensagem<em> natal\u00edcia aos povos do mundo inteiro<\/em>\u00a0(24\/XII\/1944).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn10\"><\/a><strong>[10]\u00a0PIO XI,\u00a0<em>Audi\u00eancia aos Dirigentes da Federa\u00e7\u00e3o Universit\u00e1ria Cat\u00f3lica<\/em>\u00a0(18\/XII\/1927).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn11\"><\/a><strong>[11]\u00a0FRANCISCO, Exort. ap.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#A_unidade_prevalece_sobre_o_conflito\">Evangelii gaudium<\/a><\/em>\u00a0sobre o an\u00fancio da f\u00e9 no mundo atual (24\/XI\/2013), 228.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn12\"><\/a><strong>[12]\u00a0\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#A_unidade_prevalece_sobre_o_conflito\"><strong><em>Ibidem<\/em><\/strong><\/a><strong>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn13\"><\/a><strong>[13]\u00a0FRANCISCO,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/peace\/documents\/20231208-messaggio-57giornatamondiale-pace2024.html\"><strong><em>Mensagem para o LVII Dia Mundial da Paz<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(08\/XII\/2023), 1.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn14\"><\/a><strong>[14]\u00a0\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/peace\/documents\/20231208-messaggio-57giornatamondiale-pace2024.html\"><strong><em>Ibid<\/em><\/strong><\/a><strong><em>.<\/em><\/strong><strong>, 2.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Discurso-do-Papa-Francisco-aos-membros-do-Corpo-Diplomatico-08.01.2024.pdf\">Discurso do Papa Francisco aos membros do Corpo Diplom\u00e1tico &#8211; 08.01.2024 (PDF)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio do novo ano, tempo de gra\u00e7a concedido pelo Senhor a cada um de n\u00f3s, quero dirigir-me ao Povo de Deus, \u00e0s na\u00e7\u00f5es, aos Chefes de Estado e&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10323,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"categories":[68],"tags":[],"class_list":["post-13003","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13003","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=13003"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13003\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13009,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13003\/revisions\/13009"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10323"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=13003"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=13003"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=13003"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}