{"id":13015,"date":"2024-01-15T12:39:03","date_gmt":"2024-01-15T12:39:03","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=13015"},"modified":"2024-01-29T09:54:57","modified_gmt":"2024-01-29T09:54:57","slug":"13015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=13015","title":{"rendered":"Em Vilar de Andorinho, celebr\u00e1mos o V Domingo da Palavra de Deus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>V Domingo da Palavra de Deus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Celebra\u00e7\u00e3o na Par\u00f3quia do Divino Salvador de Vilar de Andorinho<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Igreja Matriz \u2013 21.01.2024 \u2013 15h00<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Coordena\u00e7\u00e3o e proposta de trabalho: Respons\u00e1vel dos Leitores da Par\u00f3quia \u2013 Maria C\u00e9u Castro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Domingo da Palavra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos nesta tarde para falar da Palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Palavra escrita<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Palavra dita<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Palavra escutada<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Palavra ditada<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Palavra vida e Palavra vivida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, Palavra dita, escutada, ditada, vida e vivida por todos aqueles que a transmitem, tanto pela forma como a vivem e como -:&lt;pela forma como a dizem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco n\u00e3o \u00e9 um homem de meias palavras, mas de palavras inteiras e completas e, por tal motivo, instituiu o III Domingo do Tempo Comum com um dia dedicado \u00e0 Palavra, \u00e0 Palavra Revelada, \u00e0 Palavra Verdade e da Verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, este \u00e9 o Dia em que todos os leitores da Palavra s\u00e3o convidados a celebrar na Eucaristia, na ora\u00e7\u00e3o e na intimidade do lar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lema proposto para este ano \u00e9 tirado do Evangelho de Jo\u00e3o e diz:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em><u>Permanecei na minha palavra<\/u><\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo 8,31<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passemos, ent\u00e3o, \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o do lema feita por:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rino Fisichella<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pr\u00f3-Prefeito do Dicast\u00e9rio para a Evangeliza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sec\u00e7\u00e3o para as Quest\u00f5es Fundamentais da Evangeliza\u00e7\u00e3o no Mundo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A express\u00e3o b\u00edblica com que pretendemos celebrar este ano o Domingo da Palavra de Deus \u00e9 tirada do Evangelho segundo Jo\u00e3o: \u00abPermanecei na minha palavra\u00bb (Jo 8,31). Um dos factos mais empolgantes da hist\u00f3ria do povo de Israel \u00e9 certamente o verificar como o ve\u00edculo privilegiado com o qual Deus se dirige ao povo e a cada pessoa continuar a ser a \u201cpalavra\u201d. Dizer que Deus usa a \u201cPalavra\u201d equivale a dizer que Deus fala, isto \u00e9, Deus sai do sil\u00eancio e no seu amor dirige-se \u00e0 humanidade. O facto que Deus fala implica que pretende comunicar algo de \u00edntimo e absolutamente necess\u00e1rio para o homem, sem o qual este nunca poderia chegar a um pleno conhecimento de si mesmo nem do mist\u00e9rio de Deus. O col\u00f3quio permanente entre Deus e o homem, que caracteriza a hist\u00f3ria b\u00edblica, possui os tra\u00e7os da amizade. \u00c9 um col\u00f3quio pessoal, que toca o homem no seu \u00edntimo e o envolve numa rela\u00e7\u00e3o de amor, alcan\u00e7ando cada um na sua hist\u00f3ria para estar pr\u00f3ximo de cada pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O facto fundamental que atinge a hist\u00f3ria dando-lhe uma orienta\u00e7\u00e3o diferente \u00e9 este: em Jesus Cristo, Deus fala de maneira plena e definitiva \u00e0 humanidade. Ele \u00e9 a Palavra feita carne, a Palavra que desde sempre foi pronunciada e que agora se torna tamb\u00e9m vis\u00edvel. O que \u00e9 dado a conhecer aos homens \u00e9 a Palavra, o Logos, o Verbo, a vida eterna&#8230; termos que se referem \u00e0 ideia central e fundadora: a pessoa de Jesus Cristo. Tornam-se ent\u00e3o muito significativas estas palavras que Jesus dirige a todos n\u00f3s, crentes nele, no Evangelho de Jo\u00e3o: \u00abPermanecei na minha palavra\u00bb (Jo 8,31). \u00c9 o convite a n\u00e3o nos dispersarmos, mas a \u201cpermanecermos n\u2019Ele\u201d, numa unidade profunda e radical, como a dos ramos \u00e0 videira (cf. Jo 15, 1-7). No Quarto Evangelho, o verbo \u201cpermanecer\u201d tem um valor paradigm\u00e1tico. Permanecer na Palavra de Deus \u00e9 muito mais do que um encontro apressado ou mesmo fortuito. A Dei Verbum explica-o de modo admir\u00e1vel: \u00abNa riqueza do seu amor fala aos homens como amigos e convive com eles\u00bb (Dei Verbum, 2). Deus n\u00e3o s\u00f3 fala com os homens, mas fica com eles durante muito tempo, como se fossem verdadeiros \u201camigos\u201d, que se conhecem h\u00e1 muito tempo; Deus \u201cconvive\u201d connosco, fica para partilhar alegrias e dores e para dar \u00e0 vida um sentido de plenitude que n\u00e3o se pode encontrar noutro lugar. Na sua Palavra, Deus ilumina-nos com a \u00abluz da vida\u00bb (Jo 8,12), como bem afirma o bispo Agostinho: \u00abSe permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus disc\u00edpulos, e podereis contemplar a verdade tal como ela \u00e9, n\u00e3o por meio de palavras sonantes, mas por meio da sua luz resplandecente, quando Deus nos saciar, como diz o salmo: A luz do teu rosto foi impressa em n\u00f3s, Senhor (Sl 4,7)\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco, na sua Carta Apost\u00f3lica de conclus\u00e3o do Jubileu da Miseric\u00f3rdia, encorajava que \u00abcada comunidade pudesse, num domingo do Ano Lit\u00fargico, renovar o compromisso em prol da difus\u00e3o, conhecimento e aprofundamento da Sagrada Escritura: um domingo dedicado inteiramente \u00e0 Palavra de Deus, para compreender a riqueza inesgot\u00e1vel que prov\u00e9m daquele di\u00e1logo constante de Deus com o seu povo\u00bb (Misericordia et misera, 7). Com a Carta Apost\u00f3lica Aperuit illis, o Papa Francisco instituiu o Domingo da Palavra de Deus, fixando a sua celebra\u00e7\u00e3o no III Domingo do Tempo Comum. N\u00e3o \u00e9 secund\u00e1rio que o Domingo da Palavra de Deus se insira num per\u00edodo em que a Igreja celebra o Dia do di\u00e1logo judaico-cat\u00f3lico e a Semana de Ora\u00e7\u00e3o pela Unidade dos Crist\u00e3os, conferindo-lhe um grande valor ecum\u00e9nico e de comunh\u00e3o. De facto, a Sagrada Escritura \u00e9 desde sempre uma ponte de di\u00e1logo e de contacto importante com as outras confiss\u00f5es crist\u00e3s e com as outras religi\u00f5es. Al\u00e9m disso, os Evangelhos deste domingo, nos tr\u00eas ciclos lit\u00fargicos, apresentam o in\u00edcio do minist\u00e9rio e da prega\u00e7\u00e3o de Jesus, o Verbo feito carne.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma iniciativa profundamente pastoral com a qual o Papa Francisco quer deixar claro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a import\u00e2ncia que tem na vida quotidiana da Igreja e das nossas comunidades a refer\u00eancia \u00e0 Palavra de Deus, uma Palavra que n\u00e3o est\u00e1 confinada num livro, mas que permanece sempre viva e se torna um sinal concreto e palp\u00e1vel. Cada realidade local poder\u00e1 encontrar as formas mais adequadas e eficazes para viver este Domingo da melhor forma, fazendo \u00abcrescer no povo de Deus uma religiosa e ass\u00eddua familiaridade com as sagradas Escrituras\u00bb (Aperuit illis, 15). Propomos este Subs\u00eddio pastoral como uma ajuda que queremos oferecer \u00e0s comunidades paroquiais e \u00e0queles que se re\u00fanem para a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia dominical, para que este Domingo seja vivido intensamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Domingo da Palavra de Deus permite uma vez mais que os crist\u00e3os reafirmem o convite persistente de Jesus a escutar e guardar a sua Palavra para oferecer ao mundo um testemunho de esperan\u00e7a que permita ultrapassar as dificuldades do momento presente. No caminho que o Papa Francisco convida toda a Igreja a percorrer em dire\u00e7\u00e3o ao Jubileu de 2025, que tem como lema Peregrinos de esperan\u00e7a, o Domingo da Palavra de Deus torna-se uma etapa decisiva. A esperan\u00e7a que brota desta Palavra, de facto, provoca cada comunidade n\u00e3o s\u00f3 a proclamar a f\u00e9 de sempre, mas sobretudo a comunic\u00e1-la com a convic\u00e7\u00e3o de que ela traz esperan\u00e7a a quem a escuta e a acolhe com um cora\u00e7\u00e3o simples.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Propostas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>EM COMUNIDADE<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 bom recordar que a realiza\u00e7\u00e3o do programa n\u00e3o \u00e9 o objetivo em si deste Domingo. O objetivo \u00e9, antes, encorajar o encontro cont\u00ednuo, pessoal e comunit\u00e1rio, com a Palavra de Deus. Sabemos bem que escutar, partilhar, viver e anunciar a palavra de Deus n\u00e3o \u00e9 tarefa de um \u00fanico dia, mas de toda a nossa vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o de leitores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 fundamental que as comunidades eclesiais se empenhem na forma\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is que exercem a miss\u00e3o de leitor nas Celebra\u00e7\u00f5es Lit\u00fargicas, para que esses sejam verdadeiros proclamadores da Palavra com uma prepara\u00e7\u00e3o adequada, como j\u00e1 \u00e9 habitual para os ac\u00f3litos ou ministros extraordin\u00e1rios da Comunh\u00e3o. Como se l\u00ea na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica P\u00f3s-Sinodal Verbum Domini (n\u00b0 58):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab\u00c9 necess\u00e1rio que os leitores encarregados de tal servi\u00e7o, ainda que n\u00e3o tenham recebido a institui\u00e7\u00e3o no mesmo, sejam verdadeiramente id\u00f3neos e preparados com empenho. Tal prepara\u00e7\u00e3o deve ser n\u00e3o apenas b\u00edblica e lit\u00fargica, mas tamb\u00e9m t\u00e9cnica: A forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica deve levar os leitores a saberem enquadrar as leituras no seu contexto e a identificarem o centro do an\u00fancio revelado \u00e0 luz da f\u00e9. A forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica deve comunicar aos leitores uma certa facilidade em perceber o sentido e a estrutura da liturgia da Palavra e os motivos da rela\u00e7\u00e3o entre a liturgia da Palavra e a liturgia eucar\u00edstica. A prepara\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica deve tornar os leitores cada vez mais id\u00f3neos na arte de lerem em p\u00fablico tanto com a simples voz natural, como com a ajuda dos instrumentos modernos de amplifica\u00e7\u00e3o sonora\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Trazer a Palavra \u201cno bolso\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma hist\u00f3ria que me encantou quando a ouvi, por ser improv\u00e1vel e por ser bonita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Professor Universit\u00e1rio Frederico Louren\u00e7o, ateu confesso e tradutor da B\u00edblia dos LXX, afirmou que nunca vai de viagem sem o Novo Testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eu pergunto: Quantos de n\u00f3s que nos afirmamos seguidores de Jesus fazemos isso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 ent\u00e3o, que aqueles que est\u00e3o na g\u00e9nese do Domingo da Palavra, nos aconselham a:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Trazer a Palavra no telem\u00f3vel<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode facilmente ter-se a B\u00edblia no telem\u00f3vel para a consultar em qualquer altura, existem diferentes aplica\u00e7\u00f5es e p\u00e1ginas de Internet em diferentes l\u00ednguas, n\u00e3o s\u00f3 com a B\u00edblia, mas tamb\u00e9m com as leituras da Missa para cada dia, por exemplo a p\u00e1gina <em>Evangelizo,<\/em> p\u00e1ginas onde se pode ler ou escutar a Palavra de Deus, p\u00e1ginas com coment\u00e1rios e reflex\u00f5es sobre a mesma. Pode colocar-se um lembrete nas notifica\u00e7\u00f5es para ter um momento todos os dias para encontrar a Palavra de Deus, de modo a que ela possa acompanhar-nos onde quer que vamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aprofundar a Dei Verbum<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para aprofundar este precioso documento, a Constitui\u00e7\u00e3o Conciliar sobre a Revela\u00e7\u00e3o Divina, sugere-se a leitura dos primeiros pequenos volumes da cole\u00e7\u00e3o Cadernos do Conc\u00edlio, preparada pelo Dicast\u00e9rio para a Evangeliza\u00e7\u00e3o por ocasi\u00e3o do 60\u00ba anivers\u00e1rio do in\u00edcio do Conc\u00edlio Vaticano II e como prepara\u00e7\u00e3o para o Jubileu de 2025.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do lema proposto para este ano seja do evangelista Jo\u00e3o, eu proponho que conhe\u00e7amos melhor o evangelista Marcos que nos acompanha durante este ano lit\u00fargico.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>Quem foi Marcos?<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Marcos, judeu, foi disc\u00edpulo de Paulo, que acompanhou na <em>primeira viagem mission\u00e1ria,<\/em> com quem \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 entra em rutura, voltando para Jerusal\u00e9m e mais tarde de Pedro, de quem ouviu falar de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A tradi\u00e7\u00e3o identifica-o com o Jo\u00e3o Marcos, companheiro de Paulo, que aparece nos Atos dos Ap\u00f3s\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 tolos. Poder\u00e1, eventualmente, n\u00e3o ser o mesmo, mas conta a tradi\u00e7\u00e3o que Pedro encontrou Marcos, \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 tornou-o seu companheiro, tanto de viagem como de interprete. Pedro tratava-o afetuosamente por \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00abo meu filho\u00bb e \u00e9 para sua casa, isto \u00e9, para casa de Maria, m\u00e3e de Jo\u00e3o Marcos, que se dirige logo \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ap\u00f3s ter sido milagrosamente liberto da pris\u00e3o por um Anjo durante aquela noite de P\u00e1scoa (At 12,8).<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"2\">\n<li>Ao servi\u00e7o de Pedro e atrav\u00e9s da sua prega\u00e7\u00e3o, vai escrevendo os serm\u00f5es do Ap\u00f3stolo dirigidos aos crist\u00e3os de Roma, comp\u00f5e o Evangelho que leva o seu nome, e \u00e9 o primeiro a ser escrito.<\/li>\n<li>Podemos, ainda, mencionar Papias, bispo de Hier\u00e1polis, que <em>no s\u00e9culo II nos informa que Marcos, que tinha sido int\u00e9rprete de Pedro, escreveu com exatid\u00e3o, ainda que n\u00e3o em ordem, muitas das coisas ditas e feitas pelo Senhor, segundo as suas notas. Pois ele n\u00e3o ouviu o Senhor nem O seguiu, mas mais tarde seguiu Pedro, que comp\u00f4s os seus ensinamentos de acordo com as necessidades, mas sem fazer uma composi\u00e7\u00e3o ordenada dos ditos do Senhor. Marcos n\u00e3o cometeu nenhum erro em escrever algumas coisas, exatamente como ele as coligiu. Pois tinha apenas um desejo: n\u00e3o deixar nada de fora do que ouviu e n\u00e3o dizer nada de falso.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/em><\/li>\n<li>Acompanhou Pedro durante a sua pris\u00e3o em Roma, escreveu as suas cartas e s\u00f3 o deixou depois do seu mart\u00edrio. Marcos, disc\u00edpulo e int\u00e9rprete de Pedro, transmitiu-nos tamb\u00e9m por escrito o que tinha sido pregado por Pedro.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escreveu o seu Evangelho entre os anos 66 e 70 da nossa era, em grego que era a l\u00edngua erudita e mais falada na \u00e9poca. O tempo e o momento era dif\u00edcil pois vivia-se o per\u00edodo da <em>Guerra Judaica<\/em>, mas antes da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, no ano 70. O tempo \u00e9 de persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcos tinha por objetivo mostrar o poder de Jesus Cristo, o Filho de Deus, que se manifesta na realiza\u00e7\u00e3o de muitos milagres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As palavras do Evangelho de Marcos <em>Ide por todo o mundo e proclamai a Boa Nova a todas as criaturas<\/em>, explicou o Papa Francisco, indicam, claramente, o que Jesus quer dos seus disc\u00edpulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estrutura do Evangelho<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00c9 comum dizer-se que o epis\u00f3dio das perguntas de Jesus e das respostas dos disc\u00edpulos e de Pedro acerca da identidade de Jesus \u00abno caminho de Cesareia de Filipe (8, 27-30) constitui o centro do Evangelho de Marcos, <\/em>mas, podemos encontrar neste Evangelho uma forma qui\u00e1stica, isto \u00e9, os elementos est\u00e3o dispostos de forma cruzada, a saber:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Abre com um Pr\u00f3logo (1,1-13) a que corresponde um Ep\u00edlogo (16.1-8[9-20]); tem uma Primeira Parte, que podemos intitular \u00abO come\u00e7o do Evangelho na Galileia\u00bb (1,14-8,26) a que corresponde uma Terceira Parte que podemos intitular \u2018Os \u00faltimos dias em Jerusal\u00e9m (11,1-15,47). O cora\u00e7\u00e3o deste Evangelho bate na sua Segunda Parte ou Parte central que podemos intitular \u00abO seguimento de Jesus no caminho\u00bb (8,27-1052).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O centro deste Evangelho est\u00e1, portanto, no epis\u00f3dio \u00abno caminho\u00bb de Cesareia de Filipe, com a pergunta de Jesus aos disc\u00edpulos: <em>E v\u00f3s quem dizeis que Eu sou?<\/em> A pergunta n\u00e3o \u00e9 neutra: \u00abQuem sou Eu?\u00bb, logo a resposta tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser neutra, a resposta implica e acarreta uma decis\u00e3o pessoal, um \u201cdizer\u201d pessoal, assumido, amadurecido, pensado, livre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E neste momento eu vou ter a ousadia de colocar a quest\u00e3o de Jesus a cada um de n\u00f3s: E N\u00d3S, QUEM DIZEMOS QUE ELE \u00c9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 que respondemos de forma ret\u00f3rica e pr\u00e9-definida?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 uma resposta mec\u00e2nica?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E n\u00f3s?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que somos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s somos disc\u00edpulos arautos da Boa Nova, da Boa Not\u00edcia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ouvimos no Evangelho do domingo passado que foram chamados dois disc\u00edpulos, Andr\u00e9 e outro. Este outro n\u00e3o tem rosto nem nome. Andr\u00e9 chamou o seu irm\u00e3o Pedro a quem Jesus batizou de Cefas, isto \u00e9, Pedra, e tudo aconteceu pelas <em>quatro da tarde<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta \u00e9 a hora do encontro, a hora do chamamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas\u2026 e o outro que foi chamado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o ser\u00e1s tu?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o serei eu?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o seremos n\u00f3s?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fixemo-nos agora numa passagem do Evangelho de Marcos que \u00e9 t\u00e3o querida na nossa par\u00f3quia Mc 9, 2-13<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus subiu ao monte com tr\u00eas dos seus mais pr\u00f3ximos: Pedro, Tiago e Jo\u00e3o. Eles viram e acreditaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este epis\u00f3dio faz a liga\u00e7\u00e3o entre o Antigo e o Novo Testamentos. Fa\u00e7amos a leitura\/leituras:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 \u2013 Subir implica sempre esfor\u00e7o e cansa\u00e7o, mesmo quando se passa a vida a caminhar de um lado para o outro, de um extremo para o outro!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 sempre mais f\u00e1cil descer que subir\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 \u2013 Eles subiram e viveram o inexplic\u00e1vel: Jesus transfigurou-se, isto \u00e9, ficou diferente. As roupas ficaram brancas, t\u00e3o brancas como homem algum conseguiria branquear.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 \u2013 Apareceram Mois\u00e9s e Elias:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0&#8211; Mois\u00e9s foi o homem que fez dos escravos do Egito um Povo, libertou-os do jugo do fara\u00f3 e conduziu-os pelo deserto durante quarenta anos;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Mois\u00e9s foi o homem que conversava com Deus, mas nunca Lhe viu o rosto;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Mois\u00e9s foi o homem que recebeu as T\u00e1buas da Lei, Lei que dura at\u00e9 aos dias de hoje, que o digam os nossos irm\u00e3os hebreus;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Elias, o Profeta;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Elias, tal como todos os profetas, era o arauto de Deus;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Elias, lutou contra o deus Baal durante o reinado de Acab;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Elias que foi levado para o c\u00e9u num carro de fogo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 \u2013 Mois\u00e9s representa a Lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elias representa a Profecia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a transfigura\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o encontro entre a Lei e a Profecia antigas com a Nova Lei e a Nova Profecia inauguradas por Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus \u00e9 a Nova Alian\u00e7a!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a Nova Lei \u00e9 a Lei do Amor!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro, Tiago e Jo\u00e3o foram testemunhas e n\u00e3o perceberam e tiveram medo. O que era aquilo? O que estava a acontecer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E Pedro, porque estava assustado, resolvia o problema com tr\u00eas tendas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para qu\u00ea?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O medo era tanto!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ouviu-se uma voz!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A voz saiu de uma nuvem!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste momento\u2026 os tr\u00eas ca\u00edram por terra. N\u00e3o aguentaram o medo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A voz, que falou da nuvem, foi a mesma voz que falou da sar\u00e7a que ardia e n\u00e3o se consumia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A voz era a voz do Pai que estava encantado com aquele Filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E acabou o encantamento!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E os tr\u00eas continuavam sem perceber!&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegou ent\u00e3o a Hora de descer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queriam falar, mas o Mestre pediu sil\u00eancio!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nada de revela\u00e7\u00f5es, nada de dizer o que vistes?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 que eles viram e n\u00e3o perceberam?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 isso, tiveram uma imagem do Jesus glorioso, do Jesus ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda n\u00e3o estavam preparados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda n\u00e3o sabiam e n\u00e3o podiam acreditar o quanto o Mestre teria de sofrer, o c\u00e1lice que havia de beber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus abriu-lhes a porta, mostrou-lhes que Ele era o Messias prometido, que era a promessa cumprida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos ent\u00e3o esperar pelo terceiro dia, mas n\u00e3o esque\u00e7amos que a hora do chamamento \u00e9 pelas quatro da tarde e todos somos chamados!<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"3\">\n<li><strong> Lectio Divina (Leitura Orante da B\u00edblia)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada contacto crente com o texto da Sagrada Escritura \u00e9 um encontro sempre desejado pela alma sedenta de Deus. Como uma flor que se abre ao sol, assim o cora\u00e7\u00e3o humano se exp\u00f5e ao sopro do divino Inspirador das palavras humanas assumidas e transformadas em palavras de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma abertura confiante: tamb\u00e9m eu posso agradar sempre a Deus!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201ctoque\u201d do Esp\u00edrito \u00e9 imediato no nosso texto, desde as primeiras palavras de Jesus. A alma \u00e9 imediatamente arrebatada para as alturas da intimidade origin\u00e1ria, da qual veio o Messias e onde se formaram as suas comunica\u00e7\u00f5es, destinadas a ressoar na hist\u00f3ria da humanidade. Esta lectio divina come\u00e7a, de facto, com uma misteriosa promessa de compreens\u00e3o exata da identidade de Cristo, da sua miss\u00e3o e das suas palavras, e do seu eterno posicionamento no \u201cagrado do Pai\u201d:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab\u201cQuando tiverdes erguido ao alto o Filho do Homem, ent\u00e3o ficareis a saber que Eu sou o que sou e que nada fa\u00e7o por mim mesmo, mas falo destas coisas tal como o Pai me ensinou. E aquele que me enviou est\u00e1 comigo. Ele n\u00e3o me deixou s\u00f3, porque fa\u00e7o sempre aquilo que lhe agrada\u201d. Quando expunha estas coisas, muitos creram nele\u00bb (Jo 8,28-30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Impressiona a perspetiva de uma misteriosa \u201celeva\u00e7\u00e3o\u201d que s\u00f3 mais tarde poder\u00e1 ser identificada com a crucifix\u00e3o. Este ser\u00e1 o \u201clugar\u201d espantoso de uma epifania do amor rejeitado, mas sempre fiel, como s\u00f3 pode ser aquele de \u201cAquele que \u00e9\u201d. J\u00e1 com estas primeiras palavras, o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 imediatamente colocado no lugar nativo das pr\u00f3prias palavras de Cristo: essas s\u00e3o, sim, humanas, mas a sua origem \u00e9 divina: \u00abcomo o Pai me ensinou, assim eu falo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir destas primeiras frases, intui-se a chave da uni\u00e3o com Deus na concretude da vida: \u00abfazer sempre aquilo que lhe agrada\u00bb (Jo 8,29). O agrado do Pai, o seu sorriso de b\u00ean\u00e7\u00e3o para com os seus filhos e filhas n\u00e3o \u00e9 apenas um \u201cOK\u201d fiscal de um acerto de contas, mas \u00e9 a pr\u00f3pria felicidade de Deus que se derrama sobre as suas amadas criaturas, sobre as suas expetativas profundas, sobretudo quando est\u00e3o expostas \u00e0s \u201celeva\u00e7\u00f5es existenciais\u201d, com as feridas das v\u00e1rias crucifix\u00f5es quotidianas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com a caneta na m\u00e3o\u2026<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 oportuno registar o ambiente da cena, uma vez que a B\u00edblia se l\u00ea n\u00e3o s\u00f3 com os olhos, mas tamb\u00e9m com a caneta na m\u00e3o (Carlo M. Martini). O oitavo cap\u00edtulo do evangelho de Jo\u00e3o \u2013 com os seus 15 vers\u00edculos (8,28-42) \u2013 insere o leitor no contexto de confronto e crescente tens\u00e3o em que Jesus se encontra, empenhado no templo e arredores a levar a cumprimento a revela\u00e7\u00e3o da sua Pessoa diante daqueles que representam a parte melhor do povo eleito: os fariseus, os escribas e os Judeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes \u00faltimos, segundo o estilo joanino, s\u00e3o as mais altas autoridades de Israel. E \u00e9 precisamente com estes Judeus, cada vez mais indispostos, que se intensifica de forma dram\u00e1tica o confronto. Jesus, que inicialmente se apresenta como \u201cEu sou\u201d, ser\u00e1 obrigado \u2013 apesar de uma ades\u00e3o inicial de f\u00e9 dos Judeus \u2013 a desvendar as inten\u00e7\u00f5es homicidas daqueles que se professam filhos de Abra\u00e3o e filhos de Deus. As palavras de Jesus, interrompidas no vers\u00edculo 42, seguem de facto com um dramatismo sem precedentes, que soa como um prel\u00fadio da P\u00e1scoa, j\u00e1 pr\u00f3xima. Sente-se isto no inesperado \u201clamento\u201d do Senhor que denuncia:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abPorque n\u00e3o entendeis a minha linguagem? Porque n\u00e3o podeis ouvir a minha palavra? V\u00f3s tendes por pai o diabo, e quereis realizar os desejos do vosso pai. Ele foi assassino desde o princ\u00edpio, e n\u00e3o esteve pela verdade, porque nele n\u00e3o h\u00e1 verdade. Quando fala mentira, fala do que lhe \u00e9 pr\u00f3prio, porque \u00e9 mentiroso e pai da mentira\u00bb (Jo 8,43-44).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Verdade de Deus \u2013 \u00fanica fonte de uma liberdade feliz<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEnt\u00e3o, Jesus p\u00f4s-se a dizer aos judeus que nele tinham acreditado: \u00abSe permanecerdes fi\u00e9is \u00e0 minha palavra, sereis verdadeiramente meus disc\u00edpulos, conhecereis a verdade e a verdade vos tornar\u00e1 livres\u00bb\u201d (Jo 8,31-32).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus aqui fala \u00e0queles que se tornaram seus disc\u00edpulos. Prop\u00f5e-lhes um caminho prolongado no tempo: \u00e9 preciso permanecer na sua palavra, em sentido continuativo existencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra de Cristo n\u00e3o \u00e9 primariamente um objeto de estudo ou um tema de discuss\u00e3o reservado a especialistas (como os fariseus e os escribas). \u00c9 um \u201cpermanecer\u201d compar\u00e1vel ao cont\u00ednuo \u201crespirar\u201d do oxig\u00e9nio divino da palavra de Jesus, que coincide com uma intimidade crescente, segundo o modelo da intimidade entre o Pai e o Filho, que \u00e9 assinalada nas palavras iniciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste \u201clugar\u201d que se d\u00e1 a assimila\u00e7\u00e3o existencial da Verdade. \u00c9 nesta rela\u00e7\u00e3o que se joga o \u201cdiscipulado verdadeiro\u201d que Jesus definir\u00e1 como \u201camizade\u201d. S\u00f3 este modo de permanecer na sua palavra pode revelar o seu conte\u00fado, a sua mensagem e a sua energia vital: \u00abJ\u00e1 n\u00e3o vos chamo servos, visto que um servo n\u00e3o est\u00e1 ao corrente do que faz o seu senhor; mas a v\u00f3s chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi ao meu Pai\u00bb (Jo 15,15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, segundo Jo\u00e3o, gra\u00e7as a Jesus, chega-se ao conhecimento da Verdade, ou seja, ao conhecimento definitivo de Deus que manifesta \u00e0 humanidade a sua origem e o seu destino final (a Trindade).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jesus \u2013 Luz da Verdade que brilha nas trevas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O convite do Messias a permanecer na sua palavra come\u00e7a a ressoar j\u00e1 no cap\u00edtulo anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus subiu a Jerusal\u00e9m para a Festa das Tendas e o seu ensinamento (7,1-24) suscita a discuss\u00e3o sobre a origem do Messias (7,25-30). Ele escolhe este momento para anunciar a sua partida iminente (7,31-36) que \u2013 embora dram\u00e1tica \u2013 coincidir\u00e1 com a abertura das fontes eternas da \u00e1gua viva (7,37-39).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, esta promessa n\u00e3o acalma o confronto sobre a origem do Messias (7,40-53), baseado infelizmente num mero crit\u00e9rio sociogeogr\u00e1fico. \u00abDa Galileia n\u00e3o sair\u00e1 nenhum profeta!\u00bb, afirmam os opositores (7,50), talvez at\u00e9 maliciosamente na sua subtil alus\u00e3o \u00e0 incompreendida conce\u00e7\u00e3o de Jesus antes da formaliza\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio: \u00abN\u00f3s n\u00e3o nascemos da prostitui\u00e7\u00e3o. Temos um s\u00f3 Pai, que \u00e9 Deus!\u00bb (8,41).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Jo\u00e3o sabe-o desde o pr\u00f3logo do seu evangelho: \u00abA luz brilha nas trevas\u00bb (Jo 1,5). A Verdade de Deus brilhar\u00e1 nas trevas desta rejei\u00e7\u00e3o chocante, dando lugar a uma inesperada epifania desse Amor que coincide com o pr\u00f3prio Deus. S\u00f3 Deus, no Messias crucificado, saber\u00e1 de facto amar, atravessando tamb\u00e9m os espa\u00e7os humanos da dor e do sem-sentido, abertos pelo pecado e pela rejei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste inferno humano, a Verdade brilhar\u00e1 ainda mais com a sua luz e a sua energia salv\u00edfica. \u00c9 o esplendor da gratuidade pr\u00f3pria do Dom que coincide com o pr\u00f3prio Deus. Como o Esp\u00edrito Santo, depois da P\u00e1scoa de Jesus, este esplendor do dom gratuito ser\u00e1 derramado sobre os disc\u00edpulos durante o Pentecostes, assinalando um novo in\u00edcio da Vida sem ocaso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Juntos no \u201choje\u201d na gra\u00e7a \u2013 libertados para nos realizarmos no dom<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lectio de Jo 8,28-42 abre aqui o olhar interior do cora\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o. A filia\u00e7\u00e3o original entre o Criador e Ad\u00e3o, na quietude do para\u00edso, foi obscurecida pela rebeli\u00e3o, causada pela inveja da antiga Serpente (cf. Sb 2, 24). Tamb\u00e9m assim foi obscurecida a paternidade de Deus. A vis\u00e3o de Deus, do mundo e do pr\u00f3prio homem revestiu-se de suspei\u00e7\u00e3o e traduziu-se numa hostilidade da cria\u00e7\u00e3o, numa viol\u00eancia crescente na humanidade e num sil\u00eancio do C\u00e9u&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 uma nova palavra criadora do Pai poderia devolver a vida a uma realidade marcada pela morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Logos (Verbo) divino que n\u00e3o conhece treva alguma, o Filho amado, foi \u201cpronunciado\u201d e enviado na encarna\u00e7\u00e3o para refulgir na noite do mundo, manifestando a fidelidade do Criador \u00e0 sua criatura amada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que o homem pudesse compreender isto e renascer ainda mais belo do que a primeira cria\u00e7\u00e3o, o Filho do Homem tinha de entrar na morte de todo o sentido e de toda a rela\u00e7\u00e3o, continuando a amar mesmo descendo aos infernos da exist\u00eancia humana longe do cora\u00e7\u00e3o do Pai. \u00c9 aqui que reside a liberta\u00e7\u00e3o do mal, que Jesus nos ensinou a pedir no final do \u201cPai Nosso\u201d, mas ainda mais a liberta\u00e7\u00e3o para \u201cser-em-dom\u201d e assim encontrarmo-nos num \u201cn\u00f3s\u201d, reflexo da Trindade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Permanecer na Palavra \u2013 permanecer em Jesus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus revelou-nos hoje esse \u201cLugar\u201d de onde veio e para onde regressa, com a sua p\u00e1scoa, juntamente connosco: \u00abAquele que me enviou est\u00e1 comigo. Ele n\u00e3o me deixou s\u00f3, porque fa\u00e7o sempre aquilo que lhe agrada\u00bb (8,29). \u201cEstar com Ele\u201d para sempre \u2013 eis o destino da humanidade, que se torna novamente acess\u00edvel a todos aqueles que permanecem na sua Palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a s\u00edntese de todo o Evangelho: permanecer na Palavra coincide com permanecer em Jesus, como ele permanece no Pai. \u00c9 um \u201cviver em Cristo\u201d, seguindo-o de perto, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 nova cria\u00e7\u00e3o, originada na cruz, participando na sua epifania do Amor que n\u00e3o tem fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No encontro com esta Verdade est\u00e1 a resposta \u00e0 pergunta que est\u00e1 na base de toda a a\u00e7\u00e3o crist\u00e3: pode o homem exprimir plenamente a sua liberdade no dom gratuito de si? A resposta encontra-se nas palavras de Jesus na \u00daltima Ceia: \u00abQuem ama a sua vida, perd\u00ea-la-\u00e1, e quem despreza a sua vida neste mundo conserv\u00e1-la-\u00e1 para a vida eterna\u00bb (Jo 12,25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Senhor, tu repetes a cada um de n\u00f3s:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abPermanecei em mim e eu em v\u00f3s\u00bb (Jo 15,4).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Pedimos-te a gra\u00e7a de confiar plenamente nas tuas palavras, que agora se tornaram a nossa vida. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Concede-nos que, oferecendo-nos constantemente pela vida do mundo, como tu fizeste, nos saibamos teus amigos. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Assim estaremos sempre envolvidos pela luz das tuas palavras e aquecidos pela sua gra\u00e7a, <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>permanentemente inseridos em ti, <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>que \u00e9s a Palavra do Pai,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>cheia do Esp\u00edrito de Amor.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Am\u00e9m.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> COUTO, Ant\u00f3nio, <em>Introdu\u00e7\u00e3o ao Evangelho segundo Marcos,<\/em> 2015<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DOMINGO-DA-PALAVRA-2024.pdf\">DOMINGO DA PALAVRA 2024<\/a> (PDF)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A express\u00e3o b\u00edblica com que pretendemos celebrar este ano o Domingo da Palavra de Deus \u00e9 tirada do &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13034,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"categories":[97],"tags":[],"class_list":["post-13015","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arquivo-2024"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13015","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=13015"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13015\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13041,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13015\/revisions\/13041"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/13034"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=13015"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=13015"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=13015"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}