{"id":13036,"date":"2024-01-22T12:22:11","date_gmt":"2024-01-22T12:22:11","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=13036"},"modified":"2024-01-22T12:22:44","modified_gmt":"2024-01-22T12:22:44","slug":"homilia-do-papa-francisco-v-dia-da-palavra-de-deus-iii-dtc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=13036","title":{"rendered":"Homilia do Papa Francisco &#8211; V Dia da Palavra de Deus &#8211; III DTC"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9814 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/pope.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"122\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/news_services\/liturgy\/libretti\/2024\/20240121-libretto-domenica-parola-di-dio.pdf\">DOMINGO DA PALAVRA DE DEUS<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>SANTA MISSA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>HOMILIA DO PAPA FRANCISCO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro<br \/>\nIII Domingo do Tempo Comum, 21 de janeiro de 2024<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ouvimos que \u00abJesus lhes disse: \u201cVinde comigo (\u2026)\u201d. Deixando logo as redes, seguiram-No\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a01, 17-18). Grande \u00e9 a for\u00e7a da Palavra de Deus, como ouvimos tamb\u00e9m na primeira Leitura: \u00abA palavra do Senhor foi dirigida pela segunda vez a Jonas, nestes termos: \u00ab\u201cLevanta-te e vai a N\u00ednive, (&#8230;) e apregoa nela o que Eu te ordenar\u201d. Jonas levantou-se e foi a N\u00ednive, segundo a ordem do Senhor\u00bb (<em>Jn<\/em>\u00a03, 1-3). Da Palavra de Deus, irradia a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. \u00c9 uma for\u00e7a que atrai a Deus, como aconteceu \u00e0queles jovens pescadores, deslumbrados com as palavras de Jesus; e \u00e9 uma for\u00e7a que envia aos outros, como no caso de Jonas, que vai ter com quantos est\u00e3o longe do Senhor. Assim a Palavra\u00a0<em>atrai a Deus<\/em>\u00a0e\u00a0<em>envia aos outros<\/em>. A<em>trai a Deus<\/em>\u00a0e\u00a0<em>envia aos outros<\/em>: tal \u00e9 o seu dinamismo. N\u00e3o nos deixa fechados em n\u00f3s mesmos, mas alarga o cora\u00e7\u00e3o, faz inverter o rumo, altera os nossos h\u00e1bitos, abre novos cen\u00e1rios, desvenda inesperados horizontes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irm\u00e3os e irm\u00e3s, a Palavra de Deus pretende operar isto em cada um de n\u00f3s. Tal como aconteceu com os primeiros disc\u00edpulos que, acolhendo as palavras de Jesus, deixam as redes e embarcam numa maravilhosa aventura, assim tamb\u00e9m nas margens da nossa vida, ao p\u00e9 dos barcos de familiares e das redes do trabalho, a Palavra\u00a0<em>suscita a chamada<\/em>\u00a0de Jesus. Chama para, com Ele, nos fazermos ao largo ao encontro dos outros. Sim, a Palavra\u00a0<em>suscita a miss\u00e3o<\/em>, faz-nos mensageiros e testemunhas de Deus num mundo cheio de palavras, mas sedento daquela Palavra com mai\u00fascula que muitas vezes ignora. A Igreja vive deste dinamismo: \u00e9 chamada por Cristo, atra\u00edda por Ele, e \u00e9 enviada ao mundo para dar testemunho d\u2019Ele. Este \u00e9 o dinamismo na Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos prescindir da Palavra de Deus, da sua for\u00e7a suave que \u2013 como num di\u00e1logo \u2013 toca o cora\u00e7\u00e3o, imprime-se na alma, renova-a com a paz de Jesus, que nos desinquieta em prol dos outros. Se olharmos para os amigos de Deus, para as testemunhas do Evangelho na hist\u00f3ria, para os santos, vemos que, para todos, foi decisiva a Palavra. Pensemos no primeiro monge, Santo Ant\u00e3o, que, tocado durante a Missa por um trecho do Evangelho, deixou tudo por amor do Senhor; pensemos em Santo Agostinho, que deu uma reviravolta na vida quando uma palavra divina lhe curou o cora\u00e7\u00e3o; pensemos em Santa Teresinha do Menino Jesus, que descobriu a sua voca\u00e7\u00e3o lendo as Cartas de S\u00e3o Paulo. E penso no Santo cujo nome adotei, Francisco de Assis, que, em ora\u00e7\u00e3o, l\u00ea no Evangelho que Jesus envia os disc\u00edpulos a pregar e exclama: \u00abIsto eu quero, isto pe\u00e7o, isto anseio fazer de todo o cora\u00e7\u00e3o!\u00bb (Tom\u00e1s de Celano,\u00a0<em>Vida primeira<\/em>\u00a0IX, 22). S\u00e3o vidas transformadas pela Palavra de vida, pela Palavra do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas pergunto-me: Porque \u00e9 que n\u00e3o acontece o mesmo a muitos de n\u00f3s? Muitas vezes escutamos a Palavra de Deus e entra por um ouvido e sai pelo outro, porqu\u00ea? Decerto porque, como nos mostram estas testemunhas, \u00e9 preciso n\u00e3o ser \u00absurdo\u00bb \u00e0 Palavra. Este \u00e9 o nosso risco: arrastados por mil palavras, passa-nos por cima tamb\u00e9m a Palavra de Deus: ouvimo-la, mas n\u00e3o a escutamos; escutamo-la, mas n\u00e3o a guardamos; guardamo-la, mas n\u00e3o nos deixamos provocar \u00e0 mudan\u00e7a de vida. Sobretudo lemo-la, mas n\u00e3o a rezamos; ora \u00aba leitura da Sagrada Escritura deve ser\u00a0<em>acompanhada de ora\u00e7\u00e3o<\/em>, para que sejam poss\u00edvel o di\u00e1logo entre Deus e o homem\u00bb (Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm.<em>\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/index_po.htm\"><em>Dei Verbum<\/em><\/a><em>, 25<\/em>). N\u00e3o esque\u00e7amos as duas dimens\u00f5es fundamentais da ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3: a escuta da Palavra e a adora\u00e7\u00e3o do Senhor. Demos espa\u00e7o \u00e0 Palavra de Jesus, \u00e0 Palavra de Jesus rezada, e suceder\u00e1 connosco como aos primeiros disc\u00edpulos. Voltemos ao Evangelho de hoje, onde nos s\u00e3o referidos dois gestos que derivaram da Palavra de Jesus: \u00abdeixaram as redes e seguiram-No\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a01, 18). Deixaram e seguiram. Detenhamo-nos brevemente nisto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Deixaram<\/em>. O que \u00e9 que deixaram? O barco e as redes, isto \u00e9, a vida que levavam at\u00e9 \u00e0quele momento. Muitas vezes custa-nos deixar as nossas seguran\u00e7as, os nossos h\u00e1bitos, porque ficamos presos neles como os peixes na rede. Mas quem est\u00e1 em contacto com a Palavra, cura-se das pris\u00f5es do passado, porque a Palavra viva, que reinterpreta a exist\u00eancia, sara tamb\u00e9m a mem\u00f3ria ferida inserindo nela a recorda\u00e7\u00e3o de Deus e das suas obras em nosso favor. A Sagrada Escritura funda-nos no bem, recorda-nos quem somos: filhos de Deus salvados e amados. \u00abAs fragrantes palavras do Senhor\u00bb (S\u00e3o Francisco de Assis,\u00a0<em>Carta aos fi\u00e9is<\/em>) s\u00e3o como o mel, tornam deliciosa a vida: suscitam a do\u00e7ura de Deus, nutrem a alma, afastam o medo, vencem a solid\u00e3o. E assim como fizeram aqueles disc\u00edpulos deixar a sua vida repetitiva, feita de barcos e redes, assim tamb\u00e9m em n\u00f3s renovam a f\u00e9, purificando-a e libertando-a de tantas esc\u00f3rias, levando-a \u00e0s origens, \u00e0 pureza que brota do Evangelho. Com a narra\u00e7\u00e3o das obras de Deus por n\u00f3s, a Sagrada Escritura solta as amarras duma f\u00e9 paralisada e faz-nos saborear a vida crist\u00e3 como ela \u00e9 de verdade: uma hist\u00f3ria de amor com o Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o os disc\u00edpulos deixaram; e depois\u00a0<em>seguiram<\/em>\u00a0(deixaram e seguiram): atr\u00e1s do Mestre, deram passos em frente. De facto, a Palavra d\u2019Ele, ao mesmo tempo que liberta dos estorvos do passado e do presente, faz amadurecer na verdade e na caridade: reanima o cora\u00e7\u00e3o, sacode-o, purifica-o das hipocrisias e enche-o de esperan\u00e7a. A pr\u00f3pria B\u00edblia assegura que a Palavra \u00e9 concreta e eficaz: \u00abcomo a chuva e a neve\u00bb na terra (cf.\u00a0<em>Is<\/em>\u00a055, 10-11); \u00abcomo o fogo\u00bb, \u00abcomo um martelo que tritura a rocha\u00bb (<em>Jr<\/em>\u00a023, 29); como uma espada afiada que \u00abdiscerne os sentimentos e inten\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>Heb<\/em>\u00a04, 12); como um germe incorrupt\u00edvel (<em>1 Ped<\/em>\u00a01, 23) que, pequeno e escondido, germina e d\u00e1 fruto (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a013). \u00ab\u00c9 t\u00e3o grande a for\u00e7a e a virtude da palavra de Deus que se torna (\u2026) alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual\u00bb (<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/index_po.htm\"><em>Dei Verbum<\/em><\/a>, 21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irm\u00e3os e irm\u00e3s, que o Domingo da Palavra de Deus nos ajude a regressar com alegria \u00e0s nascentes da f\u00e9, que brota da escuta de Jesus, Verbo do Deus vivo. Que, por entre as palavras que se dizem e leem continuamente sobre a Igreja, nos ajude a redescobrir a Palavra de vida que ressoa na Igreja! Caso contr\u00e1rio, acabamos por falar mais de n\u00f3s que d\u2019Ele; e muitas vezes, no centro, ficam os nossos pensamentos e os nossos problemas, em vez de Cristo com a sua Palavra. Voltemos \u00e0s nascentes para oferecer ao mundo aquela \u00e1gua-viva que ele n\u00e3o encontra; e, enquanto a sociedade e as redes sociais acentuam a viol\u00eancia das palavras, concentremo-nos na mansid\u00e3o da Palavra de Deus que salva, que \u00e9 mansa, que n\u00e3o faz rumor, que penetra no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, para concluir, ponhamo-nos alguns interrogativos: Que lugar reservo eu para a Palavra de Deus na casa onde moro? L\u00e1 haver\u00e1 livros, jornais, televis\u00f5es, telefones, mas\u2026 onde est\u00e1 a B\u00edblia? No meu quarto, tenho ao alcance da m\u00e3o o Evangelho? Leio-o cada dia para encontrar nele o rumo da vida? Na bolsa, trago um pequeno exemplar do Evangelho para o ler? Muitas vezes dei de conselho que tiv\u00e9ssemos sempre connosco o Evangelho: no bolso, na bolsa, no telem\u00f3vel. Se, para mim, Cristo \u00e9 mais querido do que qualquer outra realidade, como posso deix\u00e1-lo em casa e n\u00e3o trazer comigo a sua Palavra? E a \u00faltima pergunta: J\u00e1 li, na \u00edntegra, pelo menos um dos quatro Evangelhos? O Evangelho \u00e9 o livro da vida, \u00e9 simples e breve, mas muitos crentes nunca leram um do come\u00e7o ao fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irm\u00e3os e irm\u00e3s, Deus \u2013 diz a Escritura \u2013 \u00e9 \u00abo pr\u00f3prio autor da beleza\u00bb (<em>Sab<\/em>\u00a013, 3): deixemo-nos conquistar pela beleza que a Palavra de Deus traz \u00e0 vida.<\/p>\n<p>Francisco<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Homilia-do-Papa-Francisco-V-Dia-da-Palavra-de-Deus-III-DTC.pdf\">Homilia do Papa Francisco &#8211; V Dia da Palavra de Deus &#8211; III DTC<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ouvimos que \u00abJesus lhes disse: \u201cVinde comigo (\u2026)\u201d. Deixando logo as redes, seguiram-No\u00bb (Mc 1, 17-18). 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