{"id":13378,"date":"2024-05-06T11:05:05","date_gmt":"2024-05-06T10:05:05","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=13378"},"modified":"2024-05-06T11:05:57","modified_gmt":"2024-05-06T10:05:57","slug":"cep-sinodo-2021-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=13378","title":{"rendered":"CEP &#8211; Sinodo 2021-2024"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9814 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cep.jpg\" alt=\"\" width=\"187\" height=\"90\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>S\u00ednodo 2021-2024: Relat\u00f3rio da Consulta Sinodal da CEP<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0Segunda fase<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 maio, 2024<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Documento elaborado pela Equipa Sinodal da CEP a partir dos contributos das Dioceses e de outros organismos eclesiais.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja do terceiro mil\u00e9nio enfrenta o desafio audacioso e inspirador de ser sinodal em miss\u00e3o, um compromisso program\u00e1tico fortemente encorajado pelo Papa Francisco. A sinodalidade \u00e9 uma dimens\u00e3o constitutiva da Igreja, refletindo o des\u00edgnio de Deus para um caminhar conjunto em comunh\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o. Este conceito ressoa com a etimologia de \u201cs\u00ednodo\u201d, que evoca a imagem de um percurso compartilhado, um eco da voca\u00e7\u00e3o fundamental da Igreja de seguir Jesus Cristo, \u201co caminho, a verdade e a vida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A riqueza do termo \u201cs\u00ednodo\u201d na tradi\u00e7\u00e3o eclesial, significando tanto o encontro comunit\u00e1rio quanto a ess\u00eancia da Igreja como uma assembleia convocada, destaca a import\u00e2ncia da caminhada conjunta e da escuta m\u00fatua. A transforma\u00e7\u00e3o do termo em \u201csinodalidade\u201d na era p\u00f3s-Vaticano II aponta para um amadurecimento na compreens\u00e3o da Igreja como uma realidade din\u00e2mica e viva, implicando todos os membros na sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desenvolvimento hist\u00f3rico e teol\u00f3gico da sinodalidade mostra como a Igreja tem evolu\u00eddo na sua estrutura e pr\u00e1tica, sublinhando a necessidade de uma constante renova\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o aos tempos e contextos. Assim, a sinodalidade \u00e9 entendida n\u00e3o apenas como um m\u00e9todo de opera\u00e7\u00e3o, mas como uma express\u00e3o fundamental da natureza da Igreja, encarnando os valores de comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na eclesiologia do Vaticano II, a sinodalidade emerge como uma for\u00e7a vital para a renova\u00e7\u00e3o eclesial, abra\u00e7ando a colegialidade dos bispos e a participa\u00e7\u00e3o ativa de todos os fi\u00e9is. Este dinamismo sinodal reflete a inten\u00e7\u00e3o de uma Igreja profundamente enraizada na comunh\u00e3o e na partilha dos dons espirituais, desafiando-a a ser mais representativa e ativa (Igreja em sa\u00edda) perante as necessidades do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A miss\u00e3o da Igreja sinodal em contexto mission\u00e1rio \u00e9 enriquecida pelo testemunho de uma comunh\u00e3o profunda e aut\u00eantica, que respeita a diversidade e promove a unidade. Este caminho implica uma redescoberta e reavalia\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas eclesiais para encarnar mais plenamente a vis\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II, enfatizando o papel de cada batizado na vida e miss\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s esta breve introdu\u00e7\u00e3o, iremos detalhar o processo pelo qual as informa\u00e7\u00f5es deste relat\u00f3rio foram recolhidas e organizadas. Nesta sequ\u00eancia, daremos a conhecer as ideias-chave que surgiram como consensuais entre os diversos grupos de trabalho. Estas refletem quest\u00f5es cruciais como a sinodalidade e participa\u00e7\u00e3o, evidenciando a import\u00e2ncia de uma viv\u00eancia sinodal din\u00e2mica e inclusiva. Abordaremos tamb\u00e9m a unidade, inclus\u00e3o e diversidade, enfatizando a necessidade imperiosa de integrar todas as diferen\u00e7as na vida da comunidade eclesial. A forma\u00e7\u00e3o e a educa\u00e7\u00e3o ser\u00e3o destacadas pela sua import\u00e2ncia na constru\u00e7\u00e3o de uma base teol\u00f3gica e pastoral s\u00f3lida. A renova\u00e7\u00e3o e a atualiza\u00e7\u00e3o ser\u00e3o discutidas \u00e0 luz da necessidade da Igreja se manter atenta e alinhada com a Tradi\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo que responde, sem preconceitos, aos desafios do mundo contempor\u00e2neo. Por fim, ser\u00e3o abordados os desafios espec\u00edficos, como o clericalismo e a resist\u00eancia \u00e0s mudan\u00e7as, os quais devem ser enfrentados para assegurar uma participa\u00e7\u00e3o efetiva e plena de todos os membros da comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 relevante sublinhar que, em v\u00e1rios lugares e momentos, os encontros sinodais realizados no \u00e2mbito deste processo sinodal constitu\u00edram fecundos momentos de escuta, partilha, sil\u00eancio e ora\u00e7\u00e3o. Na consci\u00eancia de que a alegria deve ser uma marca da vida crist\u00e3, a experi\u00eancia feita \u00e9 motivo para dar gra\u00e7as a Deus pela perten\u00e7a a uma Igreja que quer renovar-se, caminhando junta no di\u00e1logo e valorizando a participa\u00e7\u00e3o de todos. Apesar de todos os limites, falhas e resist\u00eancias, h\u00e1 a consci\u00eancia de que a sinodalidade j\u00e1 vai estando de algum modo presente nas atitudes de pessoas, nas comunidades e nos movimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>DESCRI\u00c7\u00c3O DO PROCEDIMENTO DE RECOLHA E AN\u00c1LISE DA INFORMA\u00c7\u00c3O<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A recolha e an\u00e1lise da informa\u00e7\u00e3o resultante dos trabalhos de grupo foi realizada por meio de um procedimento detalhado e sistem\u00e1tico que promoveu a participa\u00e7\u00e3o coletiva e o di\u00e1logo construtivo entre os membros de diferentes comunidades. Este processo caracterizou-se por uma abordagem sinodal, que se traduziu em diferentes formas de envolvimento e escuta ativa dos elementos participantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inicialmente foram organizadas reuni\u00f5es e sess\u00f5es de reflex\u00e3o nas quais os participantes de diferentes sensibilidades e inst\u00e2ncias eclesiais \u2013 que inclu\u00edam membros de conselhos pastorais, equipas arciprestais, conselho diocesano e presbiteral e outros grupos de reflex\u00e3o \u2013 puderam debater e analisar temas relevantes para a vida e miss\u00e3o da Igreja. Estas sess\u00f5es foram essenciais para proporcionar um espa\u00e7o de partilha de experi\u00eancias, perce\u00e7\u00f5es e expectativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A metodologia adotada permitiu a formula\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es espec\u00edficas, cujas respostas foram fundamentais para compreender as vis\u00f5es e experi\u00eancias dos membros das comunidades sobre a miss\u00e3o da Igreja e os desafios com que esta se confronta. Este m\u00e9todo de consulta direta possibilitou a identifica\u00e7\u00e3o de temas comuns \u00e0s diferentes realidades pastorais, um\u00a0<em>feedback<\/em>\u00a0valioso que resultou na an\u00e1lise que aqui se d\u00e1 a conhecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise da informa\u00e7\u00e3o recolhida teve em considera\u00e7\u00e3o as diferentes perspetivas e experi\u00eancias relatadas, refletindo o compromisso para com a verdade da mensagem encontrada nos relat\u00f3rios das dioceses e movimentos\/grupos que chegaram at\u00e9 esta comiss\u00e3o de trabalho.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong><em> SINODALIDADE E PARTICIPA\u00c7\u00c3O<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caminhar juntos como Povo de Deus exige o reconhecimento da necessidade de uma cont\u00ednua convers\u00e3o, individual e comunit\u00e1ria. Todos somos chamados a tomar parte nesta viagem e ningu\u00e9m pode ser exclu\u00eddo. Uma igreja sinodal constr\u00f3i-se na diversidade, atrav\u00e9s de uma escuta ativa e emp\u00e1tica, sem posturas de superioridade intelectual, moral ou eclesial, em atitude de discernimento, di\u00e1logo e comunh\u00e3o fraterna, em que cada um \u00e9 convidado a \u201ccal\u00e7ar os sapatos do outro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sinodalidade significa, acima de tudo, uma mudan\u00e7a pastoral que permita criar comunidades em que todos se relacionam e tratam de forma saud\u00e1vel e fraterna, com aut\u00eantica amizade e comunh\u00e3o, privilegiando o di\u00e1logo e a m\u00fatua compreens\u00e3o, como uma comunidade que reza e celebra junta, que cuida da vida e do caminho espiritual de cada um dos seus membros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>1.1. Convers\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) \u00c9 urgente uma convers\u00e3o \u00e0 sinodalidade j\u00e1 que se nota, ainda, uma certa desconfian\u00e7a no processo por parte de algum clero e de leigos que continuam a considerar o processo sinodal interessante, mas pouco efetivo do ponto de vista das mudan\u00e7as, at\u00e9 de pr\u00e1tica pastoral, inviabilizando este caminho conjunto.<\/li>\n<li>b) \u00c9 essencial reconhecer que, al\u00e9m das transforma\u00e7\u00f5es estruturais e te\u00f3ricas, a sinodalidade deve ser vivida como uma experi\u00eancia concreta de f\u00e9 nas comunidades, onde o mandamento do amor se manifesta em a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e tang\u00edveis. Importa n\u00e3o conceptualizar ou complexificar em excesso a ideia e os processos da sinodalidade.<\/li>\n<li>c) Desta fase da consulta sinodal denota-se, tamb\u00e9m, que h\u00e1 quem considere que a abertura e o caminho conjunto, procurando agrupar diferentes sensibilidades para a cria\u00e7\u00e3o de uma pastoral da inclus\u00e3o, podem significar uma reforma que colide com a fidelidade \u00e0 grande Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja.<\/li>\n<li>d) O compromisso de acolhimento e de escuta deve traduzir-se em a\u00e7\u00f5es concretas que se dirijam a \u201ctodos, todos, todos\u201d sem exce\u00e7\u00e3o, procurando, em primeiro lugar, habitar as periferias onde, infelizmente, se encontram cada vez mais irm\u00e3os a necessitar de ajuda, material e, sobretudo, espiritual.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>1.2. Corresponsabilidade<\/em><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) A corresponsabilidade diferenciada na miss\u00e3o de todos os membros do Povo de Deus, de acordo com as voca\u00e7\u00f5es, carismas, servi\u00e7os, e minist\u00e9rios, deve ser o modelo normal da vida eclesial, organizando a Igreja como uma fam\u00edlia e n\u00e3o como uma estrutura, criando meios para a valoriza\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o fraternal e teologal nas comunidades, assim como a aten\u00e7\u00e3o particular a alguns setores: o mundo da sa\u00fade, do servi\u00e7o aos mais pobres e o acolhimento aos de fora.<\/li>\n<li>b) A Igreja \u00e9 mission\u00e1ria e tem a responsabilidade de partilhar com os outros o que recebeu: a vida divina. Esta consci\u00eancia traduz-se na necessidade de todos os batizados \u2013 leigos e cl\u00e9rigos \u2013 se saberem respons\u00e1veis pela miss\u00e3o da Igreja: n\u00e3o s\u00e3o meros cooperadores, mas verdadeiramente participantes correspons\u00e1veis.<\/li>\n<li>c) Exige-se um exerc\u00edcio sinodal da autoridade, que tenha como \u00fanica finalidade servir o verdadeiro bem das pessoas e ser sinal do \u00fanico bem supremo que \u00e9 Deus. S\u00f3 desse modo pode crescer a consci\u00eancia de que a miss\u00e3o da Igreja deve ser assumida por todos, num esp\u00edrito de aut\u00eantica corresponsabilidade. Em ordem a implementar um modelo pastoral correspons\u00e1vel \u00e9 feita a sugest\u00e3o de se criar a figura de um \u201ccoordenador pastoral\u201d como elo entre o p\u00e1roco e a comunidade. \u00c9, ainda, sugerida, uma maior celeridade e participa\u00e7\u00e3o laical nos processos de nomea\u00e7\u00e3o dos Bispos.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>1.3. Minist\u00e9rios<\/em><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) A corresponsabilidade pela miss\u00e3o pede que se desenvolva com maior criatividade os minist\u00e9rios batismais\/laicais, tendo por base as necessidades das Igrejas locais e envolvendo a comunidade no indispens\u00e1vel discernimento e na consciencializa\u00e7\u00e3o da sua responsabilidade (por exemplo, tamb\u00e9m em termos lit\u00fargicos).<\/li>\n<li>b) Estes minist\u00e9rios n\u00e3o devem limitar-se \u00e0 vida interna eclesial, mas concretizar-se tamb\u00e9m noutras \u00e1reas da vida social que interpelam a responsabilidade crist\u00e3 no mundo, designadamente nos dom\u00ednios da sa\u00fade mental (adi\u00e7\u00f5es, ansiedade, depress\u00e3o, solid\u00e3o\u2026); dos doentes e familiares\/cuidadores em processo de doen\u00e7a cr\u00f3nica, progressiva e incur\u00e1vel; no processo de luto; no apoio a pessoas com defici\u00eancia; a jovens namorados e a casais, especialmente os que est\u00e3o em crise; a pessoas que recuperam de situa\u00e7\u00f5es de aborto, desempregados, refugiados, imigrantes, etc. Em qualquer caso, a reflex\u00e3o sobre os minist\u00e9rios e a sua concretiza\u00e7\u00e3o t\u00eam de ir muito para al\u00e9m da quest\u00e3o da diminui\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 falta de presb\u00edteros.<\/li>\n<li>c) Al\u00e9m da institui\u00e7\u00e3o dos minist\u00e9rios de Leitor, Ac\u00f3lito e Catequista, prop\u00f5e-se tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o de minist\u00e9rios especificamente voltados para a pastoral familiar, nomeadamente, os minist\u00e9rios para a Caridade e para o servi\u00e7o de escuta e acompanhamento, com enfoque particular no apoio \u00e0s pessoas s\u00f3s, aos idosos e \u00e0s pessoas com defici\u00eancia, de forma a que estes grupos recebam a devida aten\u00e7\u00e3o dentro das comunidades eclesiais e contribuam plenamente para a vida da Igreja, incluindo a cria\u00e7\u00e3o de estruturas apropriadas de atendimento e acompanhamento pastoral a n\u00edvel diocesano.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>1.4. Conselhos e \u00f3rg\u00e3os colegiais<\/em><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) \u00c9 urgente a implementa\u00e7\u00e3o efetiva e a dinamiza\u00e7\u00e3o dos diversos Conselhos e \u00f3rg\u00e3os colegiais, tanto a n\u00edvel paroquial como diocesano (devem mesmo ser obrigat\u00f3rios), procurando ao mesmo tempo que sejam verdadeiramente representativos, funcionem com verdade e qualidade e tenham um car\u00e1cter mais vinculativo na tomada de decis\u00f5es. Para garantir este dinamismo pastoral sugere-se que a renova\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as seja uma preocupa\u00e7\u00e3o assumida.<\/li>\n<li>b) \u00c9 premente tamb\u00e9m que todos os Conselhos, mas em particular os Conselhos Econ\u00f3micos, sejam transparentes no seu modo de agir e pratiquem uma cultura de presta\u00e7\u00e3o de contas.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<em>1.5. Juventude<\/em><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) Revela-se absolutamente fundamental uma aten\u00e7\u00e3o especial aos jovens, confiando-lhes miss\u00f5es concretas, n\u00e3o apenas no que respeita aos seus problemas, mas fazendo escolhas que privilegiem o discernimento e o di\u00e1logo inter-geracional, garantindo o entusiasmo e a criatividade pr\u00f3prios da juventude com a maturidade e a consist\u00eancia doutrinal dos mais velhos. As comunidades s\u00e3o interpeladas a encontrar novos caminhos e m\u00e9todos criativos que respondam melhor \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es e aos desafios que os jovens hoje enfrentam.<\/li>\n<li>b) Conscientes de que n\u00e3o se pode desperdi\u00e7ar o \u201cpatrim\u00f3nio\u201d constru\u00eddo a partir da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, e dando continuidade \u00e0s experi\u00eancias positivas que da\u00ed advieram, a comunidade jovem deve ser interpelada e ajudada a ser protagonista na vida comunit\u00e1ria, assumindo servi\u00e7os e minist\u00e9rios, organizando atividades pastorais e integrando-se nas equipas de anima\u00e7\u00e3o pastoral. Cada par\u00f3quia deveria ter um espa\u00e7o jovem (espa\u00e7o f\u00edsico de conviv\u00eancia, reflex\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o de atividades v\u00e1rias).<\/li>\n<li>c) A Jornada Mundial da Juventude e o envolvimento cultural devem ser destacados como manifesta\u00e7\u00f5es significativas de sinodalidade, exemplificando o impacto da f\u00e9 em contextos juvenis e culturais para fomentar a comunh\u00e3o e o di\u00e1logo.<\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"2\">\n<li><strong><em> UNIDADE, INCLUS\u00c3O E DIVERSIDADE<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">O reconhecimento da import\u00e2ncia de construir a Igreja em torno da unidade, inclus\u00e3o e diversidade, acolhendo todas as pessoas (pessoas com defici\u00eancia, jovens, idosos, pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, imigrantes e pessoas que se encontram nas mais variadas \u201cfronteiras\u201d da sociedade) \u00e9 transversal \u00e0 Igreja em Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A busca da unidade na diversidade numa Igreja sinodal pressup\u00f5e caminhos e comportamentos de escuta ativa e emp\u00e1tica, sem posturas de superioridade intelectual, moral ou eclesial, em atitude de discernimento, di\u00e1logo e comunh\u00e3o fraterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1. O papel da mulher na vida eclesial<\/em><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) \u00c9 reconhecida a import\u00e2ncia de valorizar o papel das mulheres na vida eclesial e assegurar que possam participar nos processos de decis\u00e3o, assumindo pap\u00e9is de lideran\u00e7a, especificamente nos conselhos pastorais e econ\u00f3micos. Deve-se procurar a meta da paridade, reconhecendo explicitamente o contributo crucial das mulheres, n\u00e3o apenas na pastoral e nos minist\u00e9rios, mas tamb\u00e9m na miss\u00e3o da Igreja junto das comunidades. Existe uma clara perce\u00e7\u00e3o de que a Igreja tem muito a ganhar com uma interven\u00e7\u00e3o mais relevante das mulheres, de um modo particular, no an\u00fancio e na medita\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, para uma verdadeira viv\u00eancia sinodal e reconhecimento pleno dos seus dons e capacidades.<\/li>\n<li>b) Homens e mulheres s\u00e3o complementares e n\u00e3o precisam de ser iguais na sua participa\u00e7\u00e3o na vida eclesial e ministerial. A mulher e o homem, pela sua natureza maternal e paternal, t\u00eam capacidade de amar o pr\u00f3ximo como a um filho e, como tal, podem e devem ser modeladores da f\u00e9, desde a fam\u00edlia at\u00e9 \u00e0 comunidade e estas suas caracter\u00edsticas devem ser potenciadas. A participa\u00e7\u00e3o de ambos deve ser promovida nos diferentes servi\u00e7os da Igreja: catequese, servi\u00e7o de leitores, pastoral familiar, pastoral dos doentes, ministros extraordin\u00e1rios da comunh\u00e3o, m\u00fasica e coros, etc.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2. Bispos, presb\u00edteros, di\u00e1conos e demais consagrados<\/em><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) Acentuar a necessidade de participa\u00e7\u00e3o e envolvimento dos leigos n\u00e3o significa que se descure a import\u00e2ncia da vida consagrada nas comunidades paroquiais e outras. A participa\u00e7\u00e3o laical n\u00e3o deve ser assumida como uma substitui\u00e7\u00e3o do papel dos padres nas comunidades nem dos consagrados que s\u00e3o mencionados como indispens\u00e1veis na vida das comunidades paroquiais e outras. Estes consagrados, normalmente devido aos seus carismas pr\u00f3prios, e iluminados pelo Esp\u00edrito Santo, s\u00e3o muito importantes como arautos da mudan\u00e7a. Revela-se como muito necess\u00e1ria, uma aten\u00e7\u00e3o espec\u00edfica \u00e0 solid\u00e3o e isolamento a que est\u00e3o sujeitos os padres.<\/li>\n<li>b) Os Bispos, presb\u00edteros e di\u00e1conos s\u00e3o reconhecidos como fundamentais para a vida da Igreja. Sobre o Bispo reconhece-se que n\u00e3o sendo o \u201ctudo da diocese\u201d faz o \u201ctodo da diocese\u201d sendo o l\u00edder da comunidade alargada. Em rela\u00e7\u00e3o aos presb\u00edteros, reconhece-se como estes exercem uma miss\u00e3o de\u00a0<em>pivot<\/em>para que todos os batizados descubram o seu lugar e miss\u00e3o na Igreja. Em rela\u00e7\u00e3o aos\/a todos os ministros ordenados, importa criar e desenvolver uma cultura de forma\u00e7\u00e3o permanente.<\/li>\n<li>c) Sugere-se a valoriza\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio do di\u00e1cono permanente, cuja fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser a substitui\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es do sacerdote, convidando crist\u00e3os comprometidos para um processo de discernimento. Manifesta-se um consenso alargado no sentido de que a miss\u00e3o dos di\u00e1conos permanentes seja reorientada para o \u00e2mbito da caridade\/diaconia, em particular para o servi\u00e7o a pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e necessidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.3. Integra\u00e7\u00e3o da Pessoa com Defici\u00eancia<\/em><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) Muitas pessoas com defici\u00eancia vivem uma condi\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o pr\u00f3xima ao abandono, chegando mesmo a sentirem-se invis\u00edveis para a sociedade. A Igreja tem a miss\u00e3o de se aproximar, escut\u00e1-las, acolh\u00ea-las e acompanh\u00e1-las, combatendo a cultura do descarte de que s\u00e3o v\u00edtimas, fomentando a sua participa\u00e7\u00e3o ativa para que se tornem sujeitos ativos e n\u00e3o apenas destinat\u00e1rios. \u00c9 necess\u00e1rio remover barreiras f\u00edsicas e atitudinais para uma plena participa\u00e7\u00e3o de todos.<\/li>\n<li>b) As comunidades crist\u00e3s devem integrar pessoas com defici\u00eancia nos seus Conselhos Pastorais como forma de reconhecer e valorizar as suas capacidades apost\u00f3licas. Deus deu a todos dons e talentos que podemos e devemos colocar ao seu servi\u00e7o, e por isso e\u0301 fundamental que a Igreja reconhe\u00e7a estes dons em cada um, independentemente da sua defici\u00eancia, assim como e\u0301 fundamental para estas pessoas sentirem o reconhecimento destes dons por parte daqueles que s\u00e3o o rosto de Cristo na Terra.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.4. Dar voz e visibilidade aos pobres<\/em><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) Apesar de se reconhecer o trabalho j\u00e1 desenvolvido pela Igreja junto dos pobres e imigrantes, a diaconia\/caridade continua a ser o \u201cparente pobre\u201d na vida e estrutura\u00e7\u00e3o das comunidades. Exige-se esfor\u00e7o no sentido de mais proatividade na consci\u00eancia e pr\u00e1tica da caridade, em ordem a acolher, integrar e, na medida do poss\u00edvel, ajudar face \u00e0s dificuldades materiais, culturais, religiosas e sociais.<\/li>\n<li>b) O envolvimento de par\u00f3quias e Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social (IPSS) na cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de acolhimento, a articula\u00e7\u00e3o com institui\u00e7\u00f5es do Estado e da sociedade civil no terreno, o desenvolvimento criativo de formas de integra\u00e7\u00e3o dos pobres que v\u00e3o para al\u00e9m do assistencialismo s\u00e3o algumas das pistas de reflex\u00e3o e a\u00e7\u00e3o apontadas. A pergunta pela credibilidade do testemunho das institui\u00e7\u00f5es da Igreja e dos agentes envolvidos na Pastoral Social \u00e9 crucial. Nesse sentido, \u00e9 fundamental o conhecimento e o estudo aprofundado da Doutrina Social da Igreja.<\/li>\n<li><strong><em> FORMA\u00c7\u00c3O E EDUCA\u00c7\u00c3O<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para uma Igreja sinodal em miss\u00e3o urge reconhecer a necessidade de forma\u00e7\u00e3o de todos os membros da Igreja. Caminhar juntos requer a capacidade de utilizar uma linguagem comum enriquecida pelos diferentes idiomas que decorrem da diversidade de dons, carismas, voca\u00e7\u00f5es e minist\u00e9rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.1. Pedagogia sinodal<\/em><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) A forma\u00e7\u00e3o a desenvolver e a implementar deve abranger as diferentes dimens\u00f5es da vida da Igreja (Evangeliza\u00e7\u00e3o, Liturgia e Caridade). Contudo, na vida das comunidades crist\u00e3s sobressai uma persistente lacuna na forma\u00e7\u00e3o espiritual, levando-nos a concluir que, na base de qualquer plano formativo ou catequ\u00e9tico, esta deve ser a preocupa\u00e7\u00e3o essencial e primeira.<\/li>\n<li>b) A celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica \u00e9 um ponto nuclear da viv\u00eancia, aprendizagem e crescimento da sinodalidade. Para muitos crist\u00e3os continua a ser a experi\u00eancia b\u00e1sica da sua perten\u00e7a \u00e0 Igreja e do seu caminho de forma\u00e7\u00e3o. Por isso, \u00e9 da m\u00e1xima import\u00e2ncia que a Eucaristia seja celebrada de forma mais cuidada, organizada e participada (possibilidade de cria\u00e7\u00e3o de equipas de liturgia nas par\u00f3quias; leigos a assumir mais fun\u00e7\u00f5es, nomeadamente na prepara\u00e7\u00e3o da homilia; alargar os minist\u00e9rios de ac\u00f3lito e leitor). Ao mesmo tempo, h\u00e1 que valorizar o acolhimento dos participantes, fomentar o conv\u00edvio no seguimento da celebra\u00e7\u00e3o, valorizar a celebra\u00e7\u00e3o da Palavra, mobilizar as crian\u00e7as e envolver os jovens na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica.<\/li>\n<li>d) Importa ter em conta que a linguagem lit\u00fargica parece revelar alguma inefic\u00e1cia comunicacional e n\u00e3o gera atra\u00e7\u00e3o, sobretudo entre os jovens e as crian\u00e7as. \u00c9 necess\u00e1rio renovar criativamente a linguagem da f\u00e9 e a linguagem lit\u00fargica, para que seja poss\u00edvel uma transmiss\u00e3o eficaz do Evangelho.<\/li>\n<li>d) Deve ser inclu\u00edda uma pedagogia sinodal nos planos formativos, de modo a evitar uma comunidade clericalizada. Neste ponto, \u00e9 urgente uma aten\u00e7\u00e3o e cuidado pastorais para com os sacerdotes, que se encontram muitas vezes sobrecarregados com quest\u00f5es ao n\u00edvel da gest\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es e recursos, que n\u00e3o s\u00e3o priorit\u00e1rias na sua miss\u00e3o como pastores.<\/li>\n<li>e) \u00c9 apontada a necessidade de forma\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os para a consci\u00eancia mission\u00e1ria no mundo e a promo\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o da Doutrina Social da Igreja, pela qual os crist\u00e3os podem ser mais eficazmente uma voz prof\u00e9tica no mundo.<\/li>\n<li>f) Revela-se, ainda, como necess\u00e1ria uma forma\u00e7\u00e3o basilar para a promo\u00e7\u00e3o da clareza e transpar\u00eancia na gest\u00e3o dos fundos alocados \u00e0 Igreja, tanto a n\u00edvel paroquial como diocesano.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.2. Candidatos ao sacerd\u00f3cio<\/em><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) Uma particular aten\u00e7\u00e3o deve ser dada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos ministros ordenados, incluindo nos planos formativos uma pedagogia sinodal de modo a fomentar capacidades de lideran\u00e7a e evitar mentalidades clericalizadas e clericalizantes. \u00c9 urgente que a forma\u00e7\u00e3o seja orientada para a corresponsabilidade.<\/li>\n<li>b) A forma\u00e7\u00e3o a desenvolver deve ser humana e crist\u00e3mente abrangente, com proximidade \u00e0 vida real do povo de Deus, em vista do acompanhamento eficaz de pessoas e situa\u00e7\u00f5es concretas, adequada \u00e0 realidade do mundo e sintonizada com uma Igreja que procura receber e concretizar o Conc\u00edlio, acompanhada pela presen\u00e7a feminina entre os formadores. Devem implementar-se formas de ajuda e encorajamento para a dinamiza\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o eclesial mais fecundo, promovendo um acompanhamento humano e espiritual para valoriza\u00e7\u00e3o de cada pessoa e fortalecimento do seu minist\u00e9rio.<\/li>\n<li>c) Sugere-se a valoriza\u00e7\u00e3o de diversos aspetos a ter em conta na forma\u00e7\u00e3o: na \u00e1rea da psicologia e do trabalho em equipa, com \u201cest\u00e1gios\u201d em comunidades mais desfavorecidas e perif\u00e9ricas (pris\u00f5es, comunidades em que se cuide de doentes); com \u201cest\u00e1gios\u201d em comunidades diversificadas (meio rural\/citadino, interior\/litoral, comunidades de migrantes, comunidades com minorias \u00e9tnicas, comunidades nas quais a presen\u00e7a do presb\u00edtero n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o frequente e outras realidades distantes do semin\u00e1rio).<\/li>\n<li>d) Aponta-se, ainda, o acompanhamento do amadurecimento afetivo e sexual na forma\u00e7\u00e3o dos ministros ordenados, inserindo-os em contextos reais de comunidade, e a inclus\u00e3o de experi\u00eancias mission\u00e1rias\u00a0<em>ad gentes<\/em>para sacerdotes rec\u00e9m ordenados, visando enriquecer a sua forma\u00e7\u00e3o. De qualquer modo, urge melhorar as formas de acompanhamento dos jovens presb\u00edteros.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.3. Comunica\u00e7\u00e3o e meios digitais<\/em><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) A comunica\u00e7\u00e3o dentro da Igreja e para fora deve ser simplificada, mais clara, transparente e articulada, aperfei\u00e7oando-se nos meios de que deve dispor. Nesse sentido, \u00e9 cada vez mais importante desenvolver tamb\u00e9m os meios digitais de comunica\u00e7\u00e3o, com uma forma\u00e7\u00e3o adequada para a sua utiliza\u00e7\u00e3o na vida das comunidades crist\u00e3s, pois o mundo digital, apesar das suas ambiguidades e riscos, constitui um espa\u00e7o a valorizar na miss\u00e3o da Igreja.<\/li>\n<li>b) Revela-se necess\u00e1rio, tamb\u00e9m, apurar e mobilizar os canais e as estruturas eclesiais interm\u00e9dias de comunica\u00e7\u00e3o e comunh\u00e3o (par\u00f3quia, arciprestado, etc.). Uma Igreja mais relacional \u2013 entre pessoas, movimentos, grupos aos mais diversos n\u00edveis \u2013 tem de promover os la\u00e7os de encontro e comunica\u00e7\u00e3o entre par\u00f3quias, bem como entre movimentos e grupos dentro da pr\u00f3pria par\u00f3quia. Nesse contexto relacional pode concretizar-se um proveitoso di\u00e1logo sobre crit\u00e9rios e op\u00e7\u00f5es pastorais.<\/li>\n<li>c) \u00c9 vital que os presb\u00edteros cultivem rela\u00e7\u00f5es marcadas pela amizade e proximidade com os fi\u00e9is, refor\u00e7ando a comunica\u00e7\u00e3o como uma via de duas m\u00e3os que transcende as formalidades institucionais e promove um verdadeiro sentido comunit\u00e1rio.<\/li>\n<li><strong><em> RENOVA\u00c7\u00c3O E ATUALIZA\u00c7\u00c3O<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mantendo uma fidelidade \u00e0 Tradi\u00e7\u00e3o eclesial, reconhece-se a necessidade de uma renova\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da Igreja para atender \u00e0s necessidades reais das pessoas e responder aos desafios contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>4.1. Ausculta\u00e7\u00e3o inclusiva<\/em><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) Importa saber auscultar as vozes dos que, de alguma forma, se sentem exclu\u00eddos \u2013 tais como as fam\u00edlias reconstru\u00eddas, as pessoas separadas, as pessoas com atra\u00e7\u00e3o pelo mesmo sexo \u2013 com o objetivo de integrar na vida da Igreja o seu contributo.<\/li>\n<li>b) \u00c9 necess\u00e1rio encetar caminhos rumo \u00e0 unidade junto das comunidades crist\u00e3s separadas da comunh\u00e3o cat\u00f3lica, bem como junto de membros de outras religi\u00f5es, pois somos chamados \u00e0 fraternidade da humanidade com todos.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>4.2. Fam\u00edlia no centro da vida eclesial<\/em><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) A fam\u00edlia em si pr\u00f3pria assume o centro na inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9, no desenvolvimento da perten\u00e7a eclesial e da forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3, pelo que no n\u00facleo destas consci\u00eancia e responsabilidade mission\u00e1rias precisa de estar a fam\u00edlia. A renova\u00e7\u00e3o dos percursos de prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio \u00e9 essencial para os desafios que hoje se colocam \u00e0s fam\u00edlias, assim como o acompanhamento de jovens casais.<\/li>\n<li>b) Prop\u00f5e-se a cria\u00e7\u00e3o de itiner\u00e1rios s\u00e9rios para a inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 F\u00e9 e a rece\u00e7\u00e3o dos Sacramentos, procurando que atrav\u00e9s dos momentos de prepara\u00e7\u00e3o para o batismo e matrim\u00f3nio se chame a aten\u00e7\u00e3o para o compromisso com a Igreja. Importa, ainda, criar uma maior intera\u00e7\u00e3o entre o servi\u00e7o de catequese e toda a comunidade, bem como implementar uma catequese mistag\u00f3gica. A pastoral da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 precisa de ser repensada quanto a m\u00e9todos, itiner\u00e1rios, idades e condi\u00e7\u00f5es para a rece\u00e7\u00e3o dos sacramentos. O minist\u00e9rio institu\u00eddo de catequista tem de ser concretizado de forma pastoralmente criativa e relevante em termos de renova\u00e7\u00e3o eclesial.<\/li>\n<li>c) Sugere-se, tamb\u00e9m, que se molde e adeque a a\u00e7\u00e3o da Igreja ao quotidiano dos fi\u00e9is, de modo que a religi\u00e3o seja considerada como algo acess\u00edvel, abord\u00e1vel e alcan\u00e7\u00e1vel e n\u00e3o como algo long\u00ednquo, intoc\u00e1vel e at\u00e9 mesmo retr\u00f3grado.<\/li>\n<li>d) Poderia ser acrescentado o fortalecimento das estruturas familiares por meio de grupos de apoio e redes de partilha, onde as experi\u00eancias e desafios da vida em fam\u00edlia possam ser discutidos abertamente. Estes grupos, atuando como pequenas comunidades dentro da comunidade eclesial maior, ajudariam a promover a solidariedade, o acompanhamento m\u00fatuo e o crescimento espiritual, enfatizando a import\u00e2ncia da viv\u00eancia comunit\u00e1ria na f\u00e9 e no apoio rec\u00edproco entre as fam\u00edlias. Este aspeto contribuiria para uma maior integra\u00e7\u00e3o e fortalecimento do papel da fam\u00edlia no tecido da vida eclesial, fomentando uma experi\u00eancia de Igreja como fam\u00edlia de fam\u00edlias.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>4.3. Comunidade e trabalho em rede<\/em><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) Caminhar juntos em Igreja implica um olhar para o estilo de vida das nossas comunidades crist\u00e3s e encontrar estrat\u00e9gias para romper com as circunst\u00e2ncias que dificultam o sentido e a pr\u00e1tica comunit\u00e1rios. As assembleias paroquiais, arciprestais ou diocesanas devem privilegiar um clima de realiza\u00e7\u00e3o sinodal (mesas redondas, exercitando a escuta orante e partilhando tempos de sil\u00eancio e ora\u00e7\u00e3o).<\/li>\n<li>b) Sugere-se a reorganiza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio pastoral, o que em muitas situa\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e1 a acontecer e \u00e9 um processo irrevers\u00edvel. Prop\u00f5e-se a cria\u00e7\u00e3o de conselhos inter-paroquiais ou mesmo vicariais, como forma de promover a comunh\u00e3o e a otimiza\u00e7\u00e3o de recursos, que podem contribuir significativamente para a redu\u00e7\u00e3o da sobrecarga dos p\u00e1rocos. Esses conselhos devem ser estruturados para fomentar um trabalho em rede eficiente, possibilitando a forma\u00e7\u00e3o de equipas e conselhos pastorais e econ\u00f3micos que sejam acolhedores e criativos. As assembleias de escuta e discernimento, bem como a defini\u00e7\u00e3o de objetivos e estrat\u00e9gias pastorais conjuntas, devem ser encorajadas, assegurando uma maior partilha de recursos e um fortalecimento do trabalho em equipa.<\/li>\n<li>c) A viv\u00eancia efetiva da sinodalidade passa tamb\u00e9m pela solidariedade e partilha de recursos entre dioceses e comunidades.<\/li>\n<li><strong><em> DESAFIOS ESPEC\u00cdFICOS<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste processo de ausculta\u00e7\u00e3o em ordem \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o da segunda Assembleia do S\u00ednodo sobre sinodalidade, em que se procura responder \u00e0 quest\u00e3o de como ser Igreja sinodal em miss\u00e3o, h\u00e1 quest\u00f5es designadas de fraturantes que continuam a ser um desafio colocado por muitos f\u00e9is portugueses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>5.1. Quest\u00f5es doutrinais\/pastorais a aprofundar<\/em><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) \u00c9 importante continuar a fazer um discernimento sobre algumas quest\u00f5es doutrinais\/pastorais que ainda causam d\u00favida, controv\u00e9rsia ou desacordo na vida da Igreja. Embora sejam quest\u00f5es de peso doutrinal\/pastoral muito diverso, \u00e9 necess\u00e1rio, por exemplo, fazer esse discernimento \u00e0 luz da Palavra de Deus e atrav\u00e9s de um di\u00e1logo fraterno na escuta do Esp\u00edrito Santo, sobre a moral sexual, o celibato dos padres, o envolvimento de ex-padres casados, a possibilidade de ordena\u00e7\u00e3o de mulheres.<\/li>\n<li>b) A resist\u00eancia a mudan\u00e7as pede um aprofundamento das suas causas mais profundas em termos sociol\u00f3gicos, psicol\u00f3gicos e teol\u00f3gicos. \u00c9 preciso, por isso, continuar a refletir sobre os fatores que motivam a indiferen\u00e7a de muitos, as resist\u00eancias \u00e0s mudan\u00e7as e os caminhos para as ir ultrapassando.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>5.2. Clericalismo<\/em><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) A Igreja continua muito centrada no clero e em alguns leigos \u201cclericalizados\u201d. Isso tem v\u00e1rias consequ\u00eancias, desde a indiferen\u00e7a e apatia de muitos ao pouco empenhamento de outros na vida da Igreja e na sua pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o. O clericalismo, que, entre outros aspetos, se manifesta numa conce\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gio pessoal, num estilo de poder mundano e na recusa a prestar contas, \u00e9 um obst\u00e1culo s\u00e9rio ao exerc\u00edcio de um minist\u00e9rio ordenado aut\u00eantico.<\/li>\n<li>b) O clericalismo atinge tamb\u00e9m os leigos com responsabilidades na vida da Igreja local e das comunidades. Combater a clericaliza\u00e7\u00e3o do laicado passa muito pela rotatividade nas lideran\u00e7as e pelo desenvolvimento de metodologias de participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>5.3. Seculariza\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) A seculariza\u00e7\u00e3o que persiste e at\u00e9 parece aumentar em certas facetas \u00e9 atravessada, por outro lado, por manifesta\u00e7\u00f5es v\u00e1rias de religiosidade difusa, aparentemente de novo cada vez mais amplas. Neste contexto situa-se tamb\u00e9m a religiosidade popular que, degenerando por vezes em folclore, constitui uma realidade desafiante para a evangeliza\u00e7\u00e3o. H\u00e1 que ler a religiosidade popular tamb\u00e9m de forma sinodal, na escuta, no acompanhamento, na ajuda a um crescimento na maturidade da f\u00e9.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>5.4. Novos horizontes de evangeliza\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) Sugere-se a possibilidade de a forma\u00e7\u00e3o poder ser mais alargada para al\u00e9m da realidade espacial de uma diocese. A troca de experi\u00eancias teol\u00f3gicas e pastorais entre realidades vizinhas pode abrir espa\u00e7o a uma comunh\u00e3o facilitadora de novas experi\u00eancias sociais que podem abrir horizontes \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>b) \u00c9 identificada a necessidade de promover algumas ferramentas de\u00a0<em>networking<\/em>entre as diferentes Igrejas locais, nacionais e internacionais, para que, num mundo globalizado, a comunica\u00e7\u00e3o entre cl\u00e9rigos e entre associa\u00e7\u00f5es de fi\u00e9is seja facilitada e resulte em mais-valias para todos.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>CONCLUS\u00c3O<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sinodalidade, como compromisso de caminhar juntos sob a orienta\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, desafia a Igreja a renovar-se constantemente em fidelidade \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o. Esta renova\u00e7\u00e3o \u00e9 um chamamento \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o de \u201ctodos, todos, todos\u201d reconhecendo a diversidade de dons e a unidade fundamental na miss\u00e3o de evangelizar, num esfor\u00e7o de partilhar e testemunhar o Evangelho de Cristo ao mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, tamb\u00e9m a escuta do \u201csentido da f\u00e9\u201d dos crentes e a ausculta\u00e7\u00e3o de outras pessoas fora do enquadramento eclesial tornou-se um processo irrevers\u00edvel numa Igreja que, na rece\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II, procura estar aberta \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 reforma, na fidelidade ao Evangelho e \u00e0 grande Tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No processo sinodal de caminhar juntos, em miss\u00e3o, a alegria que nasce do encontro com Deus e da presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo deve ser a marca do nosso testemunho crist\u00e3o, anunciando de modo claro, atrativo e percet\u00edvel Cristo Vivo como ess\u00eancia do que somos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lisboa, 2 de maio 2024<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/CEP-Sinodo-2021-2024.pdf\">CEP &#8211; Sinodo 2021-2024<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Igreja do terceiro mil\u00e9nio enfrenta o desafio audacioso e inspirador de ser sinodal em miss\u00e3o,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11823,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"categories":[88,68],"tags":[],"class_list":["post-13378","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sinodo-2021-2024-2028","category-ultimas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13378","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=13378"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13378\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13381,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13378\/revisions\/13381"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11823"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=13378"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=13378"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=13378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}