{"id":13641,"date":"2024-07-08T10:29:41","date_gmt":"2024-07-08T09:29:41","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=13641"},"modified":"2024-07-08T12:02:18","modified_gmt":"2024-07-08T11:02:18","slug":"o-papa-com-os-bispos-portugueses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=13641","title":{"rendered":"O Papa com os bispos portugueses"},"content":{"rendered":"<p><strong>A ret\u00f3rica inconsequente dos bispos cat\u00f3licos \u2013 uma leitura<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/setemargens.com\/author\/antoniomarujo\/\">Ant\u00f3nio Marujo<\/a>\u00a0|\u00a027 junho 2024 | 7Margens<\/p>\n<figure id=\"attachment_13642\" aria-describedby=\"caption-attachment-13642\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-13642 size-large\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/bispos_slider-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/bispos_slider-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/bispos_slider-300x169.jpg 300w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/bispos_slider-768x432.jpg 768w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/bispos_slider-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/bispos_slider.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-13642\" class=\"wp-caption-text\">Encontro do Papa e bispos portugueses no final da visita ad limina, em 24 de Maio: profiss\u00f5es de f\u00e9 no que o Papa prop\u00f5e, mas sem tradu\u00e7\u00e3o. Foto \u00a9 Vatican Media<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que encruzilhadas e horizontes se colocam hoje ao catolicismo portugu\u00eas? Podemos olhar, por exemplo, para um documento da Igreja Cat\u00f3lica em Portugal que refere a \u201ccomplexa realidade social portuguesa\u201d, a \u201cinova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, a internacionaliza\u00e7\u00e3o da economia, a integra\u00e7\u00e3o europeia\u201d, as \u201cnovas realidades culturais\u201d, processos de mudan\u00e7a que \u201cgeram tens\u00f5es\u201d e agravam \u201cdesigualdades e injusti\u00e7as\u201d, com \u201cefeitos graves em fam\u00edlias, jovens, v\u00e1rios sectores profissionais, idosos e camadas sociais mais desfavorecidas. Finalmente, tamb\u00e9m \u201cum estilo de vida marcado pelo hedonismo e pelo individualismo e um modelo econ\u00f3mico e social excessivamente competitivo, reprodutor das desigualdades e que tende a menosprezar os valores da justi\u00e7a e da solidariedade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perante este diagn\u00f3stico, o que se prop\u00f5em fazer os crentes? Vincar a import\u00e2ncia da \u201cdimens\u00e3o comunit\u00e1ria\u201d, p\u00f4r em pr\u00e1tica as ideias do II Conc\u00edlio do Vaticano (1962-65), encontrar a forma de presen\u00e7a dos crist\u00e3os nas realidades da pol\u00edtica e da vida social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos recuar 36 anos, a Junho de 1988? Entre os dias 2 e 5, realizou-se em F\u00e1tima o Congresso Nacional de Leigos, que culminava um processo de tr\u00eas anos de debates, assembleias e congressos diocesanos. As cita\u00e7\u00f5es s\u00e3o do texto de conclus\u00e3o do Congresso, que procurava sintetizar os \u201csinais dos tempos no mundo\u201d e \u201csinais dos tempos na Igreja\u201d. O uso desses t\u00edtulos s\u00e3o, porventura, a \u00fanica express\u00e3o que d\u00e3o ao texto um car\u00e1cter datado: a express\u00e3o tinha sido recuperada pelo Papa Jo\u00e3o XXIII (1958-1963) e pelo Conc\u00edlio e pretendia dizer que os cat\u00f3licos deveriam estar atentos \u00e0 realidade e, em fun\u00e7\u00e3o dela, agir com propostas positivas de evangeliza\u00e7\u00e3o e humaniza\u00e7\u00e3o da vida e do mundo. Hoje, a express\u00e3o caiu em desuso ou, quando \u00e9 utilizada, \u00e9 de forma mec\u00e2nica e nada convicta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale a pena recuperar ainda algumas sugest\u00f5es do texto, que pode ser consultado no livro com as actas do Congresso: nele se prop\u00f5e um \u201cplano global de forma\u00e7\u00e3o permanente para todos os crist\u00e3os\u201d; o est\u00edmulo ao \u201ccompromisso crist\u00e3o\u201d em todos os \u00e2mbitos da vida, \u201ccriando ou valorizando espa\u00e7os eclesiais de di\u00e1logo e reflex\u00e3o sobre as grandes quest\u00f5es que se p\u00f5em na sociedade em que vivemos\u201d; e tamb\u00e9m a \u201cnecessidade de cultivar uma espiritualidade ligada \u00e0s realidades e situa\u00e7\u00f5es do dia-a-dia, eliminando a separa\u00e7\u00e3o entre a f\u00e9 e a vida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma tese acad\u00e9mica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trinta e seis anos passaram. Mas estas longas cita\u00e7\u00f5es est\u00e3o plenas de actualidade, mas ficaram no papel. E servem para reflectir sobre o momento e v\u00e1rias incapacidades da Igreja Cat\u00f3lica em Portugal \u2013 nomeadamente, das suas lideran\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1, desde h\u00e1 muito, uma ret\u00f3rica inconsequente do episcopado portugu\u00eas, que n\u00e3o tem sido capaz de criar os dinamismos que os pr\u00f3prios bispos, ou inst\u00e2ncias por eles impulsionadas, sugerem ou prop\u00f5em em m\u00faltiplas iniciativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O exemplo do Congresso de Leigos poderia ser desdobrado pelos congressos ou s\u00ednodos diocesanos, as ressuscitadas semanas sociais da d\u00e9cada de 1990, o congresso da fam\u00edlia de 2001, a din\u00e2mica sobre \u201cRepensar juntos a Pastoral da Igreja em Portugal\u201d (lan\u00e7ada em 2010), e muitas, muitas outras iniciativas, decis\u00f5es, propostas, planos. [Falando em planos: s\u00e3o normalmente muito pobres\u00a0os programas diocesanos de pastoral, que se limitam quase s\u00f3 a uma listagem de iniciativas, com muito pouca ou nenhuma reflex\u00e3o pr\u00e9via sobre a realidade, os objectivos que se pretendem atingir e as formas de envolvimento de agentes de pastoral nos v\u00e1rios momentos da reflex\u00e3o e da execu\u00e7\u00e3o.]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jorge Pires Ferreira, director do\u00a0<em>Correio do Vouga<\/em>, jornal da diocese de Aveiro (e um dos raros leigos a dirigir um meio de comunica\u00e7\u00e3o cat\u00f3lico)\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-modesta-proposta-no-excesso-de-propostas\/\">resumia esta situa\u00e7\u00e3o h\u00e1 dias na Ecclesia<\/a>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cE vem a\u00ed mais um s\u00ednodo. E um jubileu. Depois de uma \u2018visita\u00a0<em>ad limina apostolorum\u2019<\/em>. E de uma JMJ. E de v\u00e1rios s\u00ednodos. E de um Ano da Miseric\u00f3rdia. E o Ano da F\u00e9. O Paulino. O da Eucaristia. O Ano Sacerdotal\u2026 O que ficou de \u2018Promover a Renova\u00e7\u00e3o da Pastoral da Igreja em Portugal\u2019, na sequ\u00eancia da \u2018visita\u00a0<em>ad limina<\/em>\u2019 de 2007 (e depois ainda houve a de 2015)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais, algumas propostas, com os seus ritmos, ritos e indulg\u00eancias, parecem dirigir-se a um mundo que j\u00e1 n\u00e3o existe. Ou pelo menos n\u00e3o existe na nossa Europa. O mundo da cristandade. Mas ainda se vive nele por simulacro, por conven\u00e7\u00e3o, por tradi\u00e7\u00e3o, por arrastamento. Por tudo menos por convic\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria um interessante tema para uma tese acad\u00e9mica pegar em todas essas iniciativas que a dada altura mobilizaram a Igreja, muitas delas com documentos de conclus\u00f5es e propostas, e ver o que se concretizou. A leitura do documento do Congresso dos Leigos n\u00e3o abre espa\u00e7o ao optimismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma lista de enunciados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O exemplo mais recente destas inconsequ\u00eancias foi a recente visita\u00a0<em>ad limina<\/em>, o encontro dos bispos portugueses com os respons\u00e1veis da C\u00faria Romana e com o Papa Francisco, no final de Maio, a que me referi nesta mesma coluna\u00a0<em>\u00c0 Margem<\/em>\u00a0que na altura\u00a0<a href=\"https:\/\/setemargens.com\/serve-para-alguma-coisa-a-ida-dos-bispos-a-roma\/\">publiquei no 7MARGENS<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a semana romana do episcopado, tivemos declara\u00e7\u00f5es sucessivas e enunciados gen\u00e9ricos sobre o que a Igreja deve fazer. Declara\u00e7\u00f5es e enunciados que repetem outras declara\u00e7\u00f5es e enunciados feitos nas \u00faltimas d\u00e9cadas, sem que se veja qualquer sequ\u00eancia no que se proclama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns exemplos, retirados do acompanhamento feito pela Ecclesia: o bispo do Porto, Manuel Linda afirmou que a pastoral do episcopado \u201c<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ad-limina-2024-trabalhar-em-conjunto-e-aproximar-parametros-da-pastoral-sao-conclusoes-de-uma-semana-no-vaticano\/\">tem de ser cada vez mais unit\u00e1ria<\/a>\u201d, quando se sabe que uma pecha da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP) h\u00e1 d\u00e9cadas \u00e9 precisamente a falta de unidade (n\u00e3o falo de unanimismo ou de falsa unidade, que s\u00e3o doentios). O que se passou com as decis\u00f5es na sequ\u00eancia do S\u00ednodo sobre a Fam\u00edlia (2014-15), ou com as profundas diverg\u00eancias sobre o modo de enfrentar a trag\u00e9dia dos abusos sexuais s\u00e3o os casos mais recentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O vice-presidente da CEP e bispo de Coimbra, Virg\u00edlio Antunes, disse que \u201co esp\u00edrito e a verdadeira renova\u00e7\u00e3o nascem das ideias, nascem da reflex\u00e3o,\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ad-limina-2024-e-nas-comunidades-que-entra-ou-nao-entra-o-dinamismo-da-sinodalidade-como-modo-de-ser-igreja\/\">nascem da teologia, nascem da doutrina<\/a>\u201d, precisamente alguns dos factores em falta no catolicismo portugu\u00eas. E referiu ainda que o tema da sinodalidade est\u00e1 na \u201ccentralidade da vida da Igreja\u201d, tamb\u00e9m em Portugal, quando \u00e9 not\u00f3rio que a maior parte do episcopado cumpre apenas os m\u00ednimos para, sem qualquer entusiasmo, acompanhar o processo, como ainda h\u00e1 dias aqui\u00a0<a href=\"https:\/\/setemargens.com\/sinodo-agora-e-em-roma-que-aqui-ja-acabou\/\">recordava Manuel Pinto<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Noutro \u00e2mbito, o presidente da Comiss\u00e3o Episcopal do Laicado e Fam\u00edlia e bispo de Bragan\u00e7a, Nuno Almeida, defendeu ser \u201cnecess\u00e1rio\u201d acelerar o caminho de dar \u201cum\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ad-limina-2024-igreja-precisa-de-oferecer-maior-protagonismo-aos-leigos-d-nuno-almeida\/\">maior protagonismo aos leigos na nossa Igreja<\/a>\u201d, outra conversa recorrente h\u00e1 pelo menos quatro ou cinco d\u00e9cadas. Onde est\u00e1 o \u201cplano de forma\u00e7\u00e3o permanente para todos\u201d ou o est\u00edmulo ao \u201ccompromisso crist\u00e3o\u201d e \u00e0 reflex\u00e3o sobre as grandes quest\u00f5es da sociedade pedidos em 1988? Onde est\u00e1 a espiritualidade que ligue a f\u00e9 e a vida? Mais protagonismo? Porque n\u00e3o come\u00e7am os bispos por colocar leigos a dirigir institui\u00e7\u00f5es sociais, a tratar das contas das dioceses e das par\u00f3quias, a dirigir meios de comunica\u00e7\u00e3o cat\u00f3licos? Pelo contr\u00e1rio: a R\u00e1dio Renascen\u00e7a, pela terceira vez consecutiva, tem um padre como presidente do conselho de ger\u00eancia; e muitas vezes os bispos (ou alguns p\u00e1rocos) chamam a si decis\u00f5es, por vezes controversas e mal explicadas de gest\u00e3o, compra ou venda de propriedades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Liturgia, jovens, comunica\u00e7\u00e3o e bispos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente da Comiss\u00e3o Episcopal de Liturgia e Espiritualidade e arcebispo de Braga, Jos\u00e9 Cordeiro, referiu tamb\u00e9m a sua satisfa\u00e7\u00e3o com o \u201cbom caminho\u201d quanto ao\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ad-limina-2024-sentimos-que-estamos-no-bom-caminho-diz-d-jose-cordeiro-apos-visita-ao-dicasterio-responsavel-pela-liturgia\/\">trabalho de \u201creforma lit\u00fargica<\/a>\u201d. Quando vemos liturgias cada vez mais frias, com cada vez menos jovens, menos participadas e rotineiras em tantos s\u00edtios, s\u00f3 se pode falar do com caminho da reforma dos livros lit\u00fargicos. Isto apesar do recente Congresso Eucar\u00edstico Nacional, que pouco mobilizou as comunidades na base, ou apesar da Jornada Mundial da Juventude do ano passado, que n\u00e3o traduziu qualquer dinamismo de forma\u00e7\u00e3o b\u00edblica ou catequ\u00e9tica dos jovens cat\u00f3licos que nela participaram, mantendo a ades\u00e3o \u00e0 f\u00e9 apenas no n\u00edvel da experi\u00eancia emotiva \u2013 exactamente o que mais depressa se perde. Ali\u00e1s, quase um ano depois, algu\u00e9m ainda se recorda da JMJ para l\u00e1 da bela experi\u00eancia que ela constituiu? O plano de pastoral juvenil que os bispos prometiam para depois da Jornada (e que deveria ter sido lan\u00e7ado antes) est\u00e1 ainda \u00e0 espera de ver a luz do dia. Em Roma, a CEP tamb\u00e9m\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ad-limina-2024-encontro-com-responsaveis-do-vaticano-destacou-experiencia-envolvente-da-jmj-lisboa-2023\/\">prometia \u201cprotagonismo\u201d aos jovens<\/a>. Vamos colocar jovens a dirigir a pastoral juvenil (isso acontece em poucas dioceses)? E a organizar ausculta\u00e7\u00f5es sobre o que deveria ser a Igreja na perspectiva dos mais novos? Talvez alguma mudan\u00e7a acontecesse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunica\u00e7\u00f5es Sociais e bispo do Funchal (que nesta sexta-feira dever\u00e1 ser nomeado para a diocese da Guarda) afirmou ainda que \u00e9 preciso \u201cmudar\u201d a forma de a Igreja comunicar e antecipar respostas antes de\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ad-limina-2024-temos-de-mudar-a-comunicacao-institucional-d-nuno-bras\/\">os jornalistas fazerem perguntas<\/a>. Conhecendo o que se passa h\u00e1 mais de 30 anos; sabendo que houve tentativas de mudan\u00e7a apenas quando os bispos Janu\u00e1rio Ferreira e Carlos Azevedo foram porta-vozes da CEP; e sabendo que v\u00e1rios bispos n\u00e3o gostam de jornalistas e os olham com profunda desconfian\u00e7a, percebe-se que esta \u00e9 mais uma declara\u00e7\u00e3o inconsequente. Mas oxal\u00e1 me engane, a partir de agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma \u00faltima refer\u00eancia \u2013 o texto j\u00e1 vai longo, mas a lista poderia ser maior \u2013 para as nomea\u00e7\u00f5es de bispos, que o presidente da CEP e bispo de Leiria-F\u00e1tima, Jos\u00e9 Ornelas, sublinhou ser necess\u00e1rio que \u201cseja realmente\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ad-limina-2024-nomeacao-de-bispos-e-questao-complexa-que-merece-atencao-da-santa-se\/\">uma consulta ao Povo de Deus<\/a>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As nomea\u00e7\u00f5es de bispos nos \u00faltimos anos em Portugal (mesmo se surgiram dois ou tr\u00eas nomes que auguram boas perspectivas) foram tudo menos resultado de participa\u00e7\u00e3o e respeito pelas propostas e sugest\u00f5es do clero local \u2013 muito menos das comunidades e do povo de Deus. A nomea\u00e7\u00e3o do novo bispo da Guarda, que dever\u00e1 acontecer esta sexta-feira, 28, \u00e9 apenas o \u00faltimo caso de uma longa lista que traduz a absoluta aus\u00eancia de participa\u00e7\u00e3o dos cat\u00f3licos, incluindo dos padres, que se sentem postos de lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que faz falta<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Significam estas refer\u00eancias e reflex\u00f5es que \u00e9 tudo mau na Igreja Cat\u00f3lica em Portugal? N\u00e3o, de todo. Esta leitura pretende chamar a aten\u00e7\u00e3o para um problema grave e cr\u00f3nico, e n\u00e3o generalizar, porque h\u00e1 muitas e boas excep\u00e7\u00f5es a tudo isto. H\u00e1 imensas pessoas generosas e verdadeiramente comprometidas com a sua f\u00e9 e com o aut\u00eantico servi\u00e7o ao bem comum. Nem est\u00e3o em causa, sequer, as pessoas concretas dos bispos citados, que em alguns casos t\u00eam manifestado uma preocupa\u00e7\u00e3o sincera com o devir da comunidade dos crentes (e com os quais mantenho, tamb\u00e9m em alguns casos, uma rela\u00e7\u00e3o cordial e de respeito m\u00fatuo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1 em causa, sim, o que a CEP vem manifestando h\u00e1 muito: falta de horizonte pastoral, de ousadia, de dinamismo, de criatividade, de abertura \u00e0 reflex\u00e3o plural e n\u00e3o apenas \u00e0s mesmas vozes de sempre, aus\u00eancia de uma estrat\u00e9gia pensada para os problemas que a sociedade vive. H\u00e1 cat\u00f3licos empenhados em quest\u00f5es sociais como os refugiados e as migra\u00e7\u00f5es, mas onde est\u00e3o eles em outros temas como o clima ou a n\u00e3o-viol\u00eancia e a constru\u00e7\u00e3o da paz? Onde est\u00e3o eles nos sindicatos (sabendo que houve uma forte corrente cat\u00f3lica na funda\u00e7\u00e3o da CGTP)? E onde est\u00e3o os crentes nos partidos, quando para muitos membros da Igreja as op\u00e7\u00f5es de voto se reduzem hoje ao PSD-CDS, Iniciativa Liberal e Chega? E quando quase n\u00e3o se veem cat\u00f3licos que como tal se assumam publicamente \u2013 e, se s\u00e3o de esquerda, s\u00e3o quase sempre ostracizados e mal vistos? Enfim, onde est\u00e1 a forma\u00e7\u00e3o para a doutrina social da Igreja, desaparecidas que est\u00e3o pessoas como Ac\u00e1cio Catarino, Adriano Moreira, Alfredo Bruto da Costa, Jos\u00e9 Dias da Silva, Manuela Silva, Maria de Lourdes Pintasilgo e outras, que a reflectiram e promoveram?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que os bispos (ainda) s\u00e3o os principais respons\u00e1veis pelas decis\u00f5es, dinamismos e iniciativas lan\u00e7ados na Igreja. Sabemos tamb\u00e9m que h\u00e1 uma reduzida capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o das pessoas em Portugal, na Igreja e n\u00e3o s\u00f3. Mas h\u00e1 uma tremenda incapacidade n\u00e3o s\u00f3 de ser consequente com os princ\u00edpios proclamados como de chamar pessoas (mesmo pessoas de fora) para exercitar a criatividade e criar dinamismos. O S\u00ednodo Diocesano de Lisboa (2014-2016) tinha como lema \u201co sonho mission\u00e1rio de chegar a todos\u201d. Mas ser\u00e1 que enunciados como esse s\u00e3o mesmo assumidos? O que se faz de criativo para, de facto, chegar a todos? A todas as pessoas, muitas delas baptizadas, que j\u00e1 n\u00e3o se consideram parte da Igreja Cat\u00f3lica? O exemplo serve para dizer que o c\u00edrculo n\u00e3o se alarga e n\u00e3o h\u00e1 capacidade de renovar linguagens e m\u00e9todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 perto de quatro anos, ouvi uma homilia no dia da festa lit\u00fargica de Santo Agostinho. O padre perdeu-se na enuncia\u00e7\u00e3o de generalidades sobre a f\u00e9 do bispo de Hipona, numa linguagem oca para quem o ouvia. Nunca foi capaz de dizer a quem o escutava que lessem as\u00a0<em>Confiss\u00f5es<\/em>, essa obra maior da m\u00edstica, da espiritualidade e da teologia crist\u00e3s, onde tanto se aprende sobre a f\u00e9 e a d\u00favida, sobre a aproxima\u00e7\u00e3o e o afastamento, sobre cada pessoa pode viver no seu tempo e no seu lugar a experi\u00eancia mais funda de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 precisamente tudo isso que falta: B\u00edblia, Conc\u00edlio, pensamento social, magist\u00e9rio dos papas, ousadia, criatividade, abertura ao di\u00e1logo e ao testemunho dos grandes santos e dos grandes m\u00edsticos. Sem nada disto, o catolicismo portugu\u00eas prosseguir\u00e1 o seu caminho para a irrelev\u00e2ncia que j\u00e1 come\u00e7ou a viver. Trabalhar para evitar isso ser\u00e1 pedir muito?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/A-retorica-inconsequente-dos-bispos-catolicos-\u2013-uma-leitura-Antonio-Marujo-7-Margens-27.06.2024.pdf\">A ret\u00f3rica inconsequente dos bispos cat\u00f3licos \u2013 uma leitura Ant\u00f3nio Marujo &#8211; 7 Margens &#8211; 27.06.2024<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que encruzilhadas e horizontes se colocam hoje ao catolicismo portugu\u00eas? 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