{"id":13658,"date":"2024-07-11T17:34:06","date_gmt":"2024-07-11T16:34:06","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=13658"},"modified":"2024-07-11T17:34:06","modified_gmt":"2024-07-11T16:34:06","slug":"instrumentum-laboris-outubro-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=13658","title":{"rendered":"Instrumentum laboris &#8211; outubro 2024"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9814 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/pope.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"122\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>XVI ASSEMBLEIA GERAL ORDIN\u00c1RIA<br \/>\nDO S\u00cdNODO DOS BISPOS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Como\u00a0ser Igreja sinodal mission\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Instrumentum laboris<br \/>\n<\/strong>para a Segunda Sess\u00e3o (outubro de 2024)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Tr\u00eas anos de caminho<\/p>\n<p>Um intrumento de trabalho para a Segunda Sess\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Fundamentos<\/strong><\/p>\n<p>A Igreja Povo de Deus, sacramento de unidade<\/p>\n<p>O significado partilhado de sinodalidade<\/p>\n<p>A unidade como harmonia nas diferen\u00e7as<\/p>\n<p>Irm\u00e3s e irm\u00e3os em Cristo: uma reciprocidade renovada<\/p>\n<p>Chamada \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 reforma<\/p>\n<p><strong>Parte I \u2013 Rela\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Em Cristo e no Esp\u00edrito: a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/p>\n<p>Para o Povo de Deus: carismas e minist\u00e9rios<\/p>\n<p>Com os Ministros ordenados: ao servi\u00e7o da harmonia<\/p>\n<p>Entre as Igrejas e no mundo: o concreto da comunh\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Parte II \u2013 Percursos<\/strong><\/p>\n<p>Uma forma\u00e7\u00e3o integral e partilhada<\/p>\n<p>O discernimento eclesial para miss\u00e3o<\/p>\n<p>A articula\u00e7\u00e3o dos processos decis\u00f3rios<\/p>\n<p>Transpar\u00eancia, presta\u00e7\u00e3o de contas, avalia\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Parte III \u2013 Lugares<\/strong><\/p>\n<p>Territ\u00f3rios para caminhar juntos<\/p>\n<p>As Igrejas locais na Igreja Cat\u00f3lica \u00fanica e una<\/p>\n<p>Os la\u00e7os que d\u00e3o forma \u00e0 unidade da Igreja<\/p>\n<p>O servi\u00e7o do Bispo de Roma em prol da unidade<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o \u2013 A Igreja sinodal no mundo<\/p>\n<p>SIGLAS<\/p>\n<p>AG Conc\u00edlio Vaticano II, Decr.\u00a0<em>Ad gentes\u00a0<\/em>(7 de dezembro de 1965)<\/p>\n<p>CD Conc\u00edlio Vaticano II, Decr.\u00a0<em>Christus Dominus\u00a0<\/em>(28 de outubro de 1965)<\/p>\n<p>CIC\u00a0<em>Codex iuris canonici<\/em>\u00a0(25 de janeiro de 1983)<\/p>\n<p>CTI Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional,\u00a0<em>A sinodalidade na vida e na miss\u00e3o da Igreja\u00a0<\/em>(2 de mar\u00e7o de 2018)<\/p>\n<p>DEC Secretaria Geral do S\u00ednodo,\u00a0<em>Documento para a Etapa Continental\u00a0<\/em>(27 de outubro de 2022)<\/p>\n<p>DV Conc\u00edlio Vaticano II, Const. Dogm.\u00a0<em>Dei Verbum\u00a0<\/em>(18 de novembro de 1965)<\/p>\n<p>EG Francisco, Exort. Ap.\u00a0<em>Evangelii gaudium\u00a0<\/em>(24 de novembro de 2013)<\/p>\n<p>GS Conc\u00edlio Vaticano II, Const. Past.\u00a0<em>Gaudium et spes\u00a0<\/em>(7 de dezembro de 1965)<\/p>\n<p>LG Conc\u00edlio Vaticano II, Const. Dogm.\u00a0<em>Lumen gentium\u00a0<\/em>(21 de novembro de 1964)<\/p>\n<p>LS Francisco, Carta Enc.\u00a0<em>Laudato si\u2019<\/em>\u00a0(24 de maio de 2015)<\/p>\n<p>PE Francisco, Const. Ap.\u00a0<em>Praedicate Evangelium\u00a0<\/em>(19 de mar\u00e7o de 2022)<\/p>\n<p>RdS XVI Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos,\u00a0<em>Relat\u00f3rio de S\u00edntese<\/em>\u00a0(28 de outubro de 2023)<\/p>\n<p>SC Conc\u00edlio Vaticano II, Const.\u00a0<em>Sacrosanctum Concilium\u00a0<\/em>(4 de dezembro de 1963)<\/p>\n<p>UR Conc\u00edlio Vaticano II, Decr.\u00a0<em>Unitatis redintegratio\u00a0<\/em>(21 de novembro de 1964)<\/p>\n<p>UUS S. Jo\u00e3o Paulo II, Carta Enc.\u00a0<em>Ut unum sint\u00a0<\/em>(25 de maio de 1995)<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><em>Neste monte o Eterno, o Senhor dos Ex\u00e9rcitos,<\/em><\/p>\n<p><em>preparar\u00e1 um banquete de carnes gordas para todos os povos,<\/em><\/p>\n<p><em>uma grande mesa de vinhos velhos, com carnes saborosas,<\/em><\/p>\n<p><em>suculentas e muitos vinhos finos.<\/em><\/p>\n<p><em>Neste monte ele destruir\u00e1 o v\u00e9u que envolve todos os povos,<\/em><\/p>\n<p><em>a cortina que cobre todas as na\u00e7\u00f5es O Senhor Deus acabar\u00e1 para sempre com a morte.<\/em><\/p>\n<p><em>Ele enxugar\u00e1 as l\u00e1grimas dos olhos de todos e far\u00e1 desaparecer do mundo inteiro a vergonha que o seu povo est\u00e1 passando. O Senhor falou.<\/em><\/p>\n<p>Is 25,6-8<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta Isa\u00edas apresenta a imagem de um banquete superabundante e delicioso preparado pelo Senhor no cimo do monte, s\u00edmbolo de convivialidade e de comunh\u00e3o, destinado a todos os povos. No momento de voltar para o Pai, o Senhor Jesus confia aos seus disc\u00edpulos a miss\u00e3o de reunir todos os povos, para lhes servir um banquete feito de um alimento que \u00e9 penhor de vida e alegria plenas. Atrav\u00e9s da sua Igreja, guiada pelo seu Esp\u00edrito, o Senhor quer reacender a esperan\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o da humanidade, restituir a alegria e salvar a todos, em particular os que choram e que, na sua ang\u00fastia, clamam por Ele. Os seus gritos chegam aos ouvidos de todos os disc\u00edpulos de Cristo, homens e mulheres que caminham nas profundezas das vicissitudes humanas. Os seus gritos s\u00e3o ainda mais fortes neste tempo em que o caminho sinodal \u00e9 acompanhado pela explos\u00e3o de novas guerras e conflitos armados, que vieram a juntar-se aos muitos que continuam a ensanguentar o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No cora\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>S\u00ednodo 2021-2024. Para uma Igreja sinodal: comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o, miss\u00e3o\u00a0<\/em>existe uma chamada \u00e0 alegria e ao renovamento do Povo de Deus no seguimento do Senhor e no compromisso ao servi\u00e7o da sua miss\u00e3o. A chamada a ser disc\u00edpulos mission\u00e1rios assenta na identidade batismal comum, radica-se na diversidade de contextos em que a Igreja<sup>[1]<\/sup>\u00a0est\u00e1 presente e encontra unidade no \u00fanico Pai, no \u00fanico Senhor e no \u00fanico Esp\u00edrito. Esta interpela todos os Batizados, sem exce\u00e7\u00e3o: \u00abTodo o Povo de Deus \u00e9 destinat\u00e1rio do an\u00fancio do Evangelho. Assim, todo o Batizado \u00e9 convocado a ser protagonista da miss\u00e3o, uma vez que todos somos disc\u00edpulos mission\u00e1rios\u00bb (CTI, n. 53). Este renovamento manifesta-se numa Igreja que, congregada pelo Esp\u00edrito mediante a Palavra e o Sacramento (cf. CD 11), anuncia a salva\u00e7\u00e3o, que continuamente experimenta, a um mundo carente de sentido e sedento de comunh\u00e3o e solidariedade. \u00c9 para este mundo que o Senhor prepara um banquete no cimo do seu monte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Praticar a sinodalidade \u00e9 o modo atrav\u00e9s do qual todos renovamos o nosso empenhamento nesta miss\u00e3o e constitui express\u00e3o da natureza da Igreja. Crescer como disc\u00edpulos mission\u00e1rios significa, antes de tudo, responder ao chamamento de Jesus a segui-Lo, correspondendo ao dom recebido quando fomos batizados em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo; e significa ainda aprendermos a acompanhar a hist\u00f3ria como Povo de peregrinos a caminho rumo a um destino comum: a Cidade celeste. Percorrendo este caminho, repartindo o p\u00e3o da Palavra e da Eucaristia, transformamo-nos naquilo que recebemos. Saibamos compreender assim que a nossa identidade de Povo salvo e santificado tem uma imprescind\u00edvel dimens\u00e3o comunit\u00e1ria que envolve todas as gera\u00e7\u00f5es de crentes que nos precederam e que nos seguir\u00e3o: a salva\u00e7\u00e3o a receber e a testemunhar \u00e9 relacional, uma vez que ningu\u00e9m se salva da sozinho. Ou melhor, utilizando as palavras do contributo de uma Confer\u00eancia Episcopal asi\u00e1tica, saibamos crescer gradualmente nesta consci\u00eancia: \u00abA sinodalidade n\u00e3o \u00e9 simplesmente um objetivo, mas um caminho de todos os Fi\u00e9is, a percorrer em conjunto, de m\u00e3os dadas. Compreendermos plenamente este sentido requer tempo\u00bb<sup>[2]<\/sup>. Santo Agostinho fala da vida crist\u00e3o como de uma peregrina\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria, um caminhar em conjunto<em>\u00a0<\/em>\u00abpara Deus n\u00e3o com passos, mas com os afetos\u00bb (<em>Serm\u00e3o\u00a0<\/em>306 B, 1), partilhando uma vida feita de ora\u00e7\u00e3o, an\u00fancio e amor ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conc\u00edlio Vaticano II ensina que \u00abtodos os homens s\u00e3o chamados a esta uni\u00e3o com Cristo, luz do mundo, do qual vimos, por quem vivemos, e para o qual caminhamos\u00bb (LG 3). No cora\u00e7\u00e3o do caminho sinodal est\u00e1 o desejo, antigo e sempre novo, de comunicar a todos a promessa e o convite do Senhor, guardados na tradi\u00e7\u00e3o viva da Igreja, de reconhecer a presen\u00e7a do Ressuscitado no meio de n\u00f3s e de acolher os m\u00faltiplos frutos da a\u00e7\u00e3o do seu Esp\u00edrito. A vis\u00e3o da Igreja, Povo de peregrinos, que em cada parte da terra busca a convers\u00e3o sinodal por amor da pr\u00f3pria miss\u00e3o, guia-nos, enquanto avan\u00e7amos, com alegria e esperan\u00e7a, no percurso do S\u00ednodo. Esta vis\u00e3o contrasta duramente com a realidade de um mundo em crise, cujas feridas e desigualdades escandalosas ressoam dolorosamente no cora\u00e7\u00e3o de todos os disc\u00edpulos de Cristo, levando-nos a rezar por todas as v\u00edtimas da viol\u00eancia e da injusti\u00e7a e a renovar o nosso compromisso ao lado das mulheres e dos homens que em toda as partes do mundo se empenham como obreiros de justi\u00e7a e de paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tr\u00eas anos de caminho<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a abertura do processo sinodal, a 9-10 de outubro de 2021, as Igrejas locais de todo o mundo, com ritmos diferentes e express\u00f5es multiformes, empenharam-se numa primeira fase de escuta. Pertencer \u00e0 Igreja significa estar inserido no \u00fanico Povo de Deus, constitu\u00eddo por pessoas e comunidades que vivem em tempos e locais concretos: a escuta sinodal teve in\u00edcio a partir destas comunidades, passando em seguida pelas etapas diocesanas, nacionais e continentais, num di\u00e1logo cont\u00ednuo impulsionado pela Secretaria Geral do S\u00ednodo atrav\u00e9s de documentos de s\u00edntese e de trabalho. A circularidade do processo sinodal \u00e9 uma maneira de reconhecer e valorizar o enraizamento da Igreja numa variedade de contextos, ao servi\u00e7o dos la\u00e7os que a unem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A novidade desta primeira fase foi a experi\u00eancia das Assembleias continentais, que reuniram as Igrejas locais da mesma macrorregi\u00e3o, convidando-as a aprender a escutar-se, acompanhar-se ao longo do caminho e a discernir em conjunto os principais desafios que o contexto em que se encontram coloca \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Primeira Sess\u00e3o da XVI Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos (outubro de 2023) deu in\u00edcio \u00e0 segunda fase, acolhendo os frutos desta escuta para discernir, na ora\u00e7\u00e3o e no di\u00e1logo, as medidas que o Esp\u00edrito exorta a realizar. Esta fase prossegue at\u00e9 \u00e0 conclus\u00e3o da Segunda Sess\u00e3o (outubro de 2024), que oferecer\u00e1 ao Santo Padre o fruto do pr\u00f3prio trabalho, com vista a uma intensa atua\u00e7\u00e3o concreta por parte de todas as Igrejas locais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prepara\u00e7\u00e3o da Segunda Sess\u00e3o baseia-se necessariamente nos resultados da Primeira, recolhidos no Relat\u00f3rio de S\u00edntese (RdS). Com base nestes resultados, em linha com a circularidade que caracteriza todo o processo sinodal e com vista a uma focaliza\u00e7\u00e3o precisa dos trabalhos da Segunda Sess\u00e3o, foi iniciada uma consulta posterior \u00e0s Igrejas locais de todo o mundo, a partir de uma quest\u00e3o orientadora: \u00ab<em>Como<\/em>\u00a0ser Igreja sinodal em miss\u00e3o?\u00bb. Como especifica o documento\u00a0<em>Rumo a outubro de 2024<\/em><sup>[3]<\/sup>, o objetivo da consulta consistia em \u00abidentificar os caminhos a percorrer e os instrumentos a adotar nos diversos contextos e nas diversas circunst\u00e2ncias, de modo a valorizar a originalidade de cada Igreja local e de cada Batizado na miss\u00e3o \u00fanica de anunciar o Senhor ressuscitado e o seu Evangelho ao mundo de hoje. N\u00e3o se trata, portanto, de nos limitarmos ao projeto de melhorias t\u00e9cnicas ou processuais que tornem mais eficientes as estruturas da Igreja, mas de trabalhar sobre as formas concretas do empenho mission\u00e1rio a que somos chamados, no dinamismo entre unidade e diversidade pr\u00f3prio de uma Igreja sinodal\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As respostas \u00e0 quest\u00e3o orientadora enviadas pela maioria das Confer\u00eancias Episcopais e pelos seus agrupamentos continentais, pelas Igrejas Orientais Cat\u00f3licas, pelas Dioceses que n\u00e3o fazem parte de uma Confer\u00eancia Episcopal, pelos Dicast\u00e9rios da C\u00faria Romana, pelas Uni\u00f5es de Superiores Gerais e pela Uni\u00e3o Internacional de Superiores Gerais em representa\u00e7\u00e3o da vida consagrada, assim como os testemunhos de experi\u00eancias e boas pr\u00e1ticas de todas as partes do mundo e as observa\u00e7\u00f5es de quase duzentas realidades internacionais, de faculdades universit\u00e1rias, associa\u00e7\u00f5es de Fi\u00e9is, comunidades e pessoas individuais, constitu\u00edram a base para a reda\u00e7\u00e3o do presente\u00a0<em>Instrumentum laboris<\/em>\u00a0para a Segunda Sess\u00e3o, fundamentando-o na vida do Povo de Deus de todo o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas vozes manifestaram gratid\u00e3o pelo caminho percorrido e pelo cansa\u00e7o que por vezes isso acarreta, mas sobretudo pelo desejo de avan\u00e7ar. Eis a express\u00e3o de uma Confer\u00eancia Episcopal da Am\u00e9rica do Norte: \u00abA gratid\u00e3o pelo caminho sinodal \u00e9 profunda [\u2026] Permanecem tamb\u00e9m tens\u00f5es que exigem prosseguir na via da reflex\u00e3o e do di\u00e1logo, retirando inspira\u00e7\u00e3o da ideia de encontro proposta pelo Papa Francisco. Mas estas tens\u00f5es n\u00e3o quebram a comunh\u00e3o da caridade na Igreja\u00bb. Recorda igualmente que a estrada a percorrer \u00e9 ainda longa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal como nas fases precedentes, s\u00e3o reafirmados os frutos da ado\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo da conversa\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito. Refere, por exemplo, uma federa\u00e7\u00e3o das Confer\u00eancias Episcopais: \u00abMuitas s\u00ednteses provenientes de toda a \u00c1sia exprimem um entusiasmo incr\u00edvel pela metodologia sinodal, que utiliza a conversa\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito como ponto de partida do caminho. Muitas Dioceses e Confer\u00eancias Episcopais introduziram este m\u00e9todo nas suas estruturas, com grande sucesso\u00bb. Este entusiasmo j\u00e1 se traduziu em passos concretos de experimenta\u00e7\u00e3o de um modo de proceder mais sinodal. Numa Confer\u00eancia episcopal europeia \u00abfoi decidido iniciar uma fase de experimenta\u00e7\u00e3o sinodal de cinco anos. A n\u00edvel nacional, trata-se de desenvolver, valorizar e aperfei\u00e7oar formas de consulta sinodal, de di\u00e1logo, de discernimento, bem como processos de decis\u00e3o que articulam a fase de elabora\u00e7\u00e3o (<em>decision-making<\/em>) com a tomada de decis\u00f5es (<em>decision-taking<\/em>). Foram tidas em considera\u00e7\u00e3o as experi\u00eancias das Dioceses, tal como as iniciativas sinodais em outras partes do mundo e na Igreja universal. Estamos no in\u00edcio de um percurso de aprendizagem exigente, mas importante\u00bb. \u00c9 grande a consci\u00eancia do valor das Igrejas locais e do seu caminho, da riqueza de que s\u00e3o portadoras e da necessidade de fazer ouvir as suas vozes. Uma Confer\u00eancia Episcopal africana refere o seguinte: \u00abn\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel considerar e tratar as Igrejas locais simplesmente como destinat\u00e1rias do an\u00fancio do Evangelho, cujo contributo \u00e9 pouco ou nulo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estes contributos v\u00eam juntar-se os frutos do Encontro internacional \u201cOs P\u00e1rocos pelo S\u00ednodo\u201d (Sacrofano [Roma], 28 de abril \u2013 2 de maio de 2024), que permitiu escutar os Sacerdotes envolvidos no minist\u00e9rio paroquial. As s\u00ednteses dos grupos de trabalho exprimem em primeiro lugar \u00aba alegria pela possibilidade de escutar a viv\u00eancia: uma experi\u00eancia enriquecedora, que alimentou um profundo sentido de compreens\u00e3o e respeito pela especificidade do contexto de cada um\u00bb. Exprimem \u00aba necessidade de uma nova compreens\u00e3o do papel do P\u00e1roco numa Igreja sinodal, no respeito pela diversidade de tradi\u00e7\u00f5es na Igreja\u00bb e a preocupa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o conseguir congregar as periferias e os que vivem nas margens: \u00abSe a Igreja quer ser sinodal, deve escutar estas pessoas\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ofereceram igualmente material para a reda\u00e7\u00e3o do presente\u00a0<em>Instrumentum laboris<\/em>\u00a0os cinco grupos constitu\u00eddos pela Secretaria Geral do S\u00ednodo e compostos por peritos de diferentes proveni\u00eancias geogr\u00e1ficas, g\u00e9neros e condi\u00e7\u00f5es eclesiais, que trabalharam com o m\u00e9todo sinodal, tendo em vista um aprofundamento teol\u00f3gico e can\u00f3nico da no\u00e7\u00e3o de sinodalidade e das suas implica\u00e7\u00f5es para a vida da Igreja<sup>[4]<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi confiada a um grupo de peritos, composto por Bispos, Presb\u00edteros, Consagrados, Leigos, homens e mulheres, te\u00f3logos, canonistas e biblistas de todos os continentes e de diferentes condi\u00e7\u00f5es eclesiais, a tarefa de ler todos os contributos e materiais recebidos, articulando as respostas dadas \u00e0 quest\u00e3o fundamental, com vista \u00e0 reda\u00e7\u00e3o do presente\u00a0<em>Instrumentum laboris<\/em>. As reflex\u00f5es deste grupo, assim como as dos cinco Grupos de trabalho acima referidos, ser\u00e3o igualmente tidas em conta no material que ir\u00e1 acompanhar este\u00a0<em>Instrumentum laboris<\/em>, verificando o fundamento teol\u00f3gico de alguns conte\u00fados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paralelamente ao trabalho de prepara\u00e7\u00e3o da Segunda Sess\u00e3o, arrancou a tarefa dos dez Grupos de estudo<sup> [5]<\/sup>, encarregado de aprofundar outras tantas tem\u00e1ticas<sup>[6]<\/sup>\u00a0emergentes do RdS, e identificadas pelo Santo Padre no final de uma consulta internacional. Estes Grupos de estudo, compostos por Pastores e peritos de todos os continentes, seguem um m\u00e9todo de trabalho sinodal, s\u00e3o \u00abconstitu\u00eddos de comum acordo entre os Dicast\u00e9rios da C\u00faria Romana competentes para tratar dos diversos temas e a Secretaria-Geral do S\u00ednodo, \u00e0 qual \u00e9 confiada a coordena\u00e7\u00e3o\u00bb, com base no\u00a0<em>Quir\u00f3grafo<\/em>\u00a0assinado pelo Papa Francisco a 16 de fevereiro de 2024 e no esp\u00edrito da Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>Praedicate Evangelium<\/em>\u00a0(art. 33). Dever\u00e3o concluir o aprofundamento at\u00e9 junho de 2025, se poss\u00edvel, mas ir\u00e3o entregar \u00e0 Assembleia de outubro de 2024 um relat\u00f3rio sobre o andamento dos trabalhos. Deste modo, sem aguardar a conclus\u00e3o da Segunda Sess\u00e3o, o Papa Francisco j\u00e1 recebeu algumas indica\u00e7\u00f5es da Primeira e iniciou os trabalhos da fase de implementa\u00e7\u00e3o, na forma prevista pela Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>Episcopalis Communio<\/em>: \u00abJuntamente com o Dicast\u00e9rio competente da C\u00faria Romana, bem como, segundo o tema e as circunst\u00e2ncias, com os outros Dicast\u00e9rios de v\u00e1rios modos interessados, a Secretaria Geral do S\u00ednodo promove, na parte que lhe cabe, a implementa\u00e7\u00e3o das orienta\u00e7\u00f5es sinodais aprovadas pelo Romano Pont\u00edfice\u00bb (art. 20, c. 1). Por outro lado, de acordo com o Dicast\u00e9rio para os Textos Legislativos, foi institu\u00edda ao servi\u00e7o do S\u00ednodo uma Comiss\u00e3o can\u00f3nica. Por \u00faltimo, em aplica\u00e7\u00e3o das indica\u00e7\u00f5es fornecidas pela Primeira Sess\u00e3o (cf. RdS 16q), a 25 de abril de 2024 o SECAM (Simp\u00f3sio das Confer\u00eancias Episcopais de \u00c1frica e Madag\u00e1scar) anunciou a constitui\u00e7\u00e3o de uma Comiss\u00e3o especial para o discernimento das implica\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas e pastorais da poligamia para a Igreja em \u00c1frica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um instrumento de trabalho para a Segunda Sess\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atrav\u00e9s de um caminho tecido de sil\u00eancio, ora\u00e7\u00e3o, escuta da Palavra de Deus, di\u00e1logo fraterno e encontros jubilosos, por vezes n\u00e3o isentos de fadiga, como Povo de Deus amadurecemos uma consci\u00eancia mais profunda da nossa rela\u00e7\u00e3o de irm\u00e3os e irm\u00e3s em Cristo, com a responsabilidade comum de ser uma comunidade de salvos, que com a palavra e com a vida anuncia ao mundo inteiro a beleza do Reino de Deus. Esta identidade n\u00e3o \u00e9 uma ideia abstrata, mas uma experi\u00eancia vivida, feita de nomes e rostos. Na prepara\u00e7\u00e3o para a Segunda Sess\u00e3o, e durante os seus trabalhos, vamos continuar a depararmo-nos com esta pergunta:\u00a0<em>de que modo<\/em>\u00a0a identidade de Povo de Deus sinodal em miss\u00e3o pode assumir uma forma concreta nas rela\u00e7\u00f5es, percursos e lugares em que decorre a vida da Igreja?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta \u00e9 a finalidade que se pretende atingir com o presente\u00a0<em>Instrumentum laboris<\/em>, ao qual se aplica tudo quanto j\u00e1 foi afirmado em rela\u00e7\u00e3o ao da Primeira Sess\u00e3o: \u00abn\u00e3o \u00e9 um documento do Magist\u00e9rio da Igreja, nem o relat\u00f3rio de um inqu\u00e9rito sociol\u00f3gico; n\u00e3o oferece a formula\u00e7\u00e3o de indica\u00e7\u00f5es operativas, de metas e objetivos, nem a completa elabora\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o teol\u00f3gica\u00bb (n. 10; cf. DEC n. 8). Para o compreender \u00e9 fundamental coloc\u00e1-lo no \u00e2mbito do processo sinodal no seu conjunto, na medida em que \u00e9 formado pela circularidade do di\u00e1logo entre as Igrejas e animado e apoiado pelo trabalho da Secretaria-Geral do S\u00ednodo. A Primeira Sess\u00e3o da Assembleia (2023) tinha recolhido os frutos da dupla consulta local e continental em busca \u00abdos sinais carater\u00edsticos de uma Igreja sinodal e sobre as din\u00e2micas de comunh\u00e3o, miss\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o que a habitam\u00bb (RdS, Introdu\u00e7\u00e3o). Atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o, do di\u00e1logo e do discernimento recolheu e expressou no RdS as converg\u00eancias, as quest\u00f5es a enfrentar e as propostas resultantes do trabalho comum. Daqui surge aquela que poder\u00edamos descrever como uma primeira resposta \u00e0 pergunta \u00abIgreja sinodal, o que dizes de ti mesma?\u00bb. A Segunda Sess\u00e3o n\u00e3o percorre os mesmos passos, mas \u00e9 chamada a ir mais al\u00e9m, focando-se na sua quest\u00e3o orientadora: \u00ab<em>Como<\/em>\u00a0ser Igreja sinodal em miss\u00e3o?\u00bb. Em rela\u00e7\u00e3o a outras quest\u00f5es surgidas durante o caminho, prossegue o trabalho com outras modalidades, a n\u00edvel das Igrejas locais, bem como nos dez Grupos de estudo. As duas Sess\u00f5es n\u00e3o podem ser separadas e muito menos opostas: decorrem em continuidade e sobretudo fazem parte de um processo mais amplo que, de acordo com as indica\u00e7\u00f5es da Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>Episcopalis communio<\/em>, n\u00e3o terminar\u00e1 no final de outubro de 2024.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concretamente, o presente\u00a0<em>Instrumentum laboris<\/em>\u00a0principia com uma sess\u00e3o dedicada aos Fundamentos da compreens\u00e3o da sinodalidade, que reitera a consci\u00eancia amadurecida ao longo do percurso e consagrada pela Primeira Sess\u00e3o. Seguem-se tr\u00eas Partes estreitamente ligadas, que ilustram com perspetivas diferentes a vida sinodal mission\u00e1ria da Igreja: I) a perspetiva das Rela\u00e7\u00f5es \u2013 com o Senhor, entre irm\u00e3os e irm\u00e3s e entre as Igrejas \u2013 que sustentam a vitalidade da Igreja muito mais radicalmente que as suas estruturas; II) a perspetiva dos Percursos que suportam e alimentam de modo concreto o dinamismo das rela\u00e7\u00f5es; III) a perspetiva dos Lugares que, contra a tenta\u00e7\u00e3o de um universalismo abstrato, falam do concreto dos contextos em que se encarnam as rela\u00e7\u00f5es, com a sua variedade, pluralidade e interconex\u00e3o, e com o seu enraizamento no fundamento nascido da profiss\u00e3o de f\u00e9. Cada uma destas Sess\u00f5es ser\u00e1 objeto da ora\u00e7\u00e3o, da partilha e do discernimento num dos m\u00f3dulos que marcar\u00e3o os trabalhos da Segunda Sess\u00e3o, em que cada um ser\u00e1 convidado a \u00aboferecer o seu pr\u00f3prio contributo como um dom para os outros e n\u00e3o como uma certeza absoluta\u00bb (RdS, Introdu\u00e7\u00e3o), num percurso que os membros da Assembleia s\u00e3o chamados a redigir em conjunto. Nesta base ser\u00e1 elaborado um Documento Final, relativo a todo o processo at\u00e9 ent\u00e3o realizado, que oferecer\u00e1 ao Santo Padre orienta\u00e7\u00f5es sobre as medidas a adotar e as modalidades concretas para as concretizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos esperar um aprofundamento da compreens\u00e3o partilhada da sinodalidade, um maior enfoque das pr\u00e1ticas de uma Igreja sinodal e tamb\u00e9m a proposta de algumas altera\u00e7\u00f5es no direito can\u00f3nico (outras, mais significativas, que poder\u00e3o ser implementadas ap\u00f3s uma melhor assimila\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia da proposta de fundo), mas seguramente n\u00e3o a resposta a todas as quest\u00f5es. At\u00e9 porque outras ir\u00e3o surgir ao longo do caminho de convers\u00e3o e de reforma que a Segunda Sess\u00e3o convidar\u00e1 toda a Igreja a realizar. Entre os ganhos do processo at\u00e9 \u00e0 data implementado podemos certamente incluir o facto de ter experimentado e aprendido um m\u00e9todo que nos permite abordar em conjunto as quest\u00f5es no di\u00e1logo e no discernimento. Estamos ainda a aprender como ser Igreja sinodal mission\u00e1ria, mas \u00e9 uma miss\u00e3o que experienci\u00e1mos poder empreender com alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fundamentos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Esta sec\u00e7\u00e3o do<\/em>\u00a0Instrumentum laboris<em>\u00a0procura definir os fundamentos da vis\u00e3o de uma Igreja sinodal mission\u00e1ria, convidando-nos a aprofundar a compreens\u00e3o do mist\u00e9rio da Igreja. F\u00e1-lo sem pretender oferecer um tratado completo de eclesiologia, mas colocando-se ao servi\u00e7o do percurso de discernimento da Assembleia sinodal de outubro de 2024. Responder \u00e0 pergunta \u00abComo ser Igreja sinodal em miss\u00e3o?\u00bb requer um horizonte que permita inserir as reflex\u00f5es e as propostas pastorais e teol\u00f3gicas, orientando um percurso que \u00e9 fundamentalmente um caminho de convers\u00e3o e reforma. Por sua vez, as medidas concretas implementadas pela Igreja permitir\u00e3o definir melhor o horizonte e aprofundar a compreens\u00e3o dos fundamentos, numa circularidade que marca toda a hist\u00f3ria da Igreja.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Em Cristo, luz de todos os povos, somos um \u00fanico Povo de Deus, chamado a ser sinal e instrumento da uni\u00e3o com Deus e da unidade do g\u00e9nero humano. Fazemo-lo caminhando unidos na hist\u00f3ria, vivendo a comunh\u00e3o que se alimenta da vida trinit\u00e1ria, promovendo a participa\u00e7\u00e3o de todos, com vista a uma miss\u00e3o comum. Esta vis\u00e3o est\u00e1 bem enraizada na tradi\u00e7\u00e3o viva da Igreja. O processo sinodal permitiu amadurecer uma consci\u00eancia renovada, que se exprime nas converg\u00eancias verificada durante o caminho iniciado em 2021. A Primeira Sess\u00e3o da Assembleia sinodal (outubro de 2023) reconheceu-as e recolheu-as no RdS, que as lan\u00e7ou a toda a Igreja com vista ao discernimento que completar\u00e1 a Segunda Sess\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Igreja Povo de Deus, sacramento de unidade<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>Do Batismo em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo resulta a identidade m\u00edstica, din\u00e2mica e comunit\u00e1ria do Povo de Deus, orientada para a plenitude da vida na qual o Senhor Jesus nos precede e para a miss\u00e3o de convidar cada homem e cada mulher a acolher em liberdade o dom da salva\u00e7\u00e3o (cf. Mt 28,18-19). No Batismo, Jesus reveste-nos da sua natureza, partilha connosco a sua identidade e a sua miss\u00e3o (cf. Gal 3,27).<\/li>\n<li>\u00abAprouve a Deus salvar e santificar os homens, n\u00e3o individualmente, exclu\u00edda qualquer liga\u00e7\u00e3o entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse santamente\u00bb (LG 9), participando na comunh\u00e3o da Trindade. No seu Povo e atrav\u00e9s dele, Deus realiza e manifesta a salva\u00e7\u00e3o que nos oferece em Cristo. A sinodalidade assenta nesta vis\u00e3o din\u00e2mica do Povo de Deus com uma voca\u00e7\u00e3o universal para a santidade e para a miss\u00e3o, em peregrina\u00e7\u00e3o para o Pai seguindo os passos de Jesus Cristo e animado pelo Esp\u00edrito Santo. Nos diversos contextos em que vive e caminha, este Povo de Deus sinodal e mission\u00e1rio anuncia e testemunha a Boa Nova da salva\u00e7\u00e3o; caminhando juntamente com todos os povos da terra, com as suas culturas e religi\u00f5es, dialoga com eles e acompanha-os.<\/li>\n<li>O processo sinodal desenvolveu a consci\u00eancia do que significa ser Povo de Deus reunido como \u00abIgreja de toda a tribo, l\u00edngua, povo e na\u00e7\u00e3o\u00bb (RdS 5), que vive o seu caminho em dire\u00e7\u00e3o ao Reino em contextos e culturas diversos. O Povo de Deus \u00e9 o sujeito comunit\u00e1rio que percorre as etapas da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, em marcha para a plenitude. O Povo de Deus n\u00e3o \u00e9 a soma dos Batizados, mas o \u201cn\u00f3s\u201d da Igreja, sujeito comunit\u00e1rio e hist\u00f3rico da sinodalidade e da miss\u00e3o, dado que todos podem receber a salva\u00e7\u00e3o preparada por Deus. Incorporados neste Povo pela f\u00e9 e o Batismo, somos acompanhados pela Virgem Maria, \u00absinal de esperan\u00e7a segura e de consola\u00e7\u00e3o, para o Povo de Deus ainda peregrinante, at\u00e9 que chegue o dia do Senhor (cf. 2 Pd 3,10)\u00bb (LG 68), pelos Ap\u00f3stolos, por todos os que testemunharam a sua f\u00e9 mesmo com a pr\u00f3pria vida, pelos santos reconhecidos e pelos santos \u201cda porta do lado\u201d.<\/li>\n<li>\u00abA luz dos povos \u00e9 Cristo\u00bb (LG 1) e esta luz resplandece sobre o rosto da Igreja, que \u00abem Cristo, \u00e9 como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da \u00edntima uni\u00e3o com Deus e da unidade de todo o g\u00e9nero humano\u00bb (<em>ibid<\/em>.). Como a lua, a Igreja brilha com luz reflexa: n\u00e3o pode, portanto, entender a sua miss\u00e3o em sentido autorreferencial, mas det\u00e9m a responsabilidade de ser o sacramento da uni\u00e3o, das rela\u00e7\u00f5es e da comunh\u00e3o com vista \u00e0 unidade de todo o g\u00e9nero humano, tamb\u00e9m no nosso tempo t\u00e3o dominado pela crise da participa\u00e7\u00e3o, ou seja, de sentir-se parte de um destino comum, e por uma conce\u00e7\u00e3o muitas vezes individualista da felicidade e assim da salva\u00e7\u00e3o. Na sua miss\u00e3o, a Igreja comunica ao mundo o projeto de Deus de unir a si toda a humanidade na salva\u00e7\u00e3o. Ao faz\u00ea-lo n\u00e3o se anuncia a si mesma, \u00abmas Cristo Jesus Senhor\u00bb (2 Cor 4,5). Se assim n\u00e3o fosse, perderia o seu ser, em Cristo, \u00abcomo sacramento\u00bb (cf. LG 1) e, portanto, a sua pr\u00f3pria identidade e raz\u00e3o de ser. Na via para a plenitude, a Igreja \u00e9 o sacramento do Reino de Deus no mundo.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O significado partilhado de sinodalidade<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"5\">\n<li>Os termos\u00a0<em>sinodalidade<\/em>e\u00a0<em>sinodal<\/em>derivam da antiga e constante pr\u00e1tica eclesial da reuni\u00e3o em\u00a0<em>S\u00ednodo<strong><sup>[7]<\/sup><\/strong><\/em>\u00a0e, gra\u00e7as \u00e0 experi\u00eancia dos \u00faltimos anos, foram amplamente compreendidos e mais ainda vividos. Est\u00e3o cada vez mais associados ao \u00abdesejo de uma Igreja mais pr\u00f3xima das pessoas, menos burocr\u00e1tica e mais relacional\u00bb (RdS 1b), que seja casa e fam\u00edlia de Deus. No decurso da sua Primeira Sess\u00e3o, a Assembleia amadureceu uma converg\u00eancia sobre o significado de \u201csinodalidade\u201d que est\u00e1 na base deste\u00a0<em>Instrumentum laboris.<\/em>\u00a0Os diversos percursos de aprofundamento atualmente em curso apontam para um maior enfoque da perspetiva cat\u00f3lica nesta dimens\u00e3o constitutiva da Igreja, num di\u00e1logo com as outras tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s respeitador das diferen\u00e7as e especificidades de cada uma. No seu sentido mais amplo, \u00aba sinodalidade pode ser entendida como os crist\u00e3os a caminhar com Cristo, em dire\u00e7\u00e3o ao Reino, juntamente com toda a humanidade; orientada para a miss\u00e3o, ela engloba os momentos de reunir-se em assembleia aos diferentes n\u00edveis da vida eclesial, a escuta rec\u00edproca, o di\u00e1logo, o discernimento comunit\u00e1rio, a cria\u00e7\u00e3o de consensos como express\u00e3o de tornar presente Cristo vivo no Esp\u00edrito e a assun\u00e7\u00e3o de uma decis\u00e3o numa corresponsabilidade diferenciada\u00bb (RdS 1h).<\/li>\n<li>Sinodalidade designa, portanto, \u00abo estilo peculiar que qualifica a vida e a miss\u00e3o da Igreja\u00bb (CTI, n. 70), um estilo que parte da escuta como primeiro ato da Igreja. A f\u00e9, que nasce da escuta do an\u00fancio da Boa Nova (cf. Rm 10,17), vive pela escuta: escuta da Palavra de Deus, escuta do Esp\u00edrito Santo, escuta uns dos outros, escuta da tradi\u00e7\u00e3o viva da Igreja e do seu magist\u00e9rio. Nas etapas do processo sinodal, a Igreja experimentou mais uma vez aquilo que as Escrituras ensinam: apenas \u00e9 poss\u00edvel anunciar o que se escutou.<\/li>\n<li>A sinodalidade \u00abdeve exprimir-se no modo normal de viver e atuar da Igreja [\u2026] e realiza-se atrav\u00e9s da escuta comunit\u00e1ria da Palavra e da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, da fraternidade da comunh\u00e3o e da corresponsabilidade e participa\u00e7\u00e3o de todo o Povo de Deus, aos seus v\u00e1rios n\u00edveis e na distin\u00e7\u00e3o dos diversos minist\u00e9rios e fun\u00e7\u00f5es, na sua vida e na sua miss\u00e3o\u00bb (<em>ibid<\/em>.). O termo indica assim as estruturas e os processos eclesiais nos quais a natureza sinodal da Igreja se exprime a n\u00edvel institucional e designa, por \u00faltimo, os eventos particulares para os quais a Igreja \u00e9 convocada pela autoridade competente (cf.\u00a0<em>ibid<\/em>.). Na sua refer\u00eancia \u00e0 realidade da Igreja, a categoria de sinodalidade n\u00e3o se coloca como alternativa \u00e0 da comunh\u00e3o. Com efeito, no contexto da eclesiologia do Povo de Deus ilustrada pelo Conc\u00edlio Vaticano II, o conceito de\u00a0<em>comunh\u00e3o\u00a0<\/em>exprime a subst\u00e2ncia profunda do mist\u00e9rio e da miss\u00e3o da Igreja, que tem na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia a sua fonte e o seu cume, ou seja, a uni\u00e3o com Deus Trinit\u00e1rio e a unidade entre as pessoas humanas, que se realiza em Cristo mediante o Esp\u00edrito Santo. A\u00a0<em>sinodalidade<\/em>, no mesmo contexto, \u00abindica o modo de viver e atuar espec\u00edfico da Igreja Povo de Deus que manifesta e realiza em concreto o seu ser comunh\u00e3o no \u201ccaminhar juntos\u201d, na reuni\u00e3o em assembleia e na participa\u00e7\u00e3o ativa de todos os seus membros na sua miss\u00e3o evangelizadora\u00bb (CTI, n. 6).<\/li>\n<li>A sinodalidade n\u00e3o implica, de modo algum, a desvaloriza\u00e7\u00e3o da autoridade e da miss\u00e3o espec\u00edfica que o pr\u00f3prio Cristo confiou aos Pastores: os Bispos com os Presb\u00edteros, seus colaboradores, e o Romano Pont\u00edfice como \u00abperp\u00e9tuo e vis\u00edvel fundamento da unidade, n\u00e3o s\u00f3 dos Bispos mas tamb\u00e9m da multid\u00e3o dos fi\u00e9is\u00bb (LG 23). Antes, oferece \u00abo quadro interpretativo mais apropriado para compreender o pr\u00f3prio minist\u00e9rio hier\u00e1rquico\u00bb (Francisco,\u00a0<em>Discurso na comemora\u00e7\u00e3o do 50.\u00ba anivers\u00e1rio da institui\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo dos Bispos<\/em>, 17 de outubro de 2015), convidando toda a Igreja, incluindo os que exercem uma autoridade, a uma verdadeira convers\u00e3o e reforma.<\/li>\n<li>A sinodalidade n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesma. Na medida em que oferece a possibilidade de exprimir a natureza da Igreja e permite valorizar todos os carismas, voca\u00e7\u00f5es e minist\u00e9rios eclesiais, permite \u00e0 comunidade dos que \u00abcreem e olham para Jesus\u00bb (LG 9) anunciar da forma mais adequada o Evangelho \u00e0s mulheres e aos homens de todos os lugares e de todos os tempos, e de ser \u00absacramento vis\u00edvel\u00bb (<em>ibid<\/em>.) da unidade salv\u00edfica querida por Deus. Sinodalidade e miss\u00e3o est\u00e3o assim intimamente ligadas. Se a Segunda Sess\u00e3o destaca alguns aspetos da vida sinodal, f\u00e1-lo tendo em vista uma maior efic\u00e1cia da miss\u00e3o. Ao mesmo tempo, a sinodalidade \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para prosseguir o caminho ecum\u00e9nico rumo \u00e0 unidade vis\u00edvel de todos os crist\u00e3os. O Grupo de estudo n. 10 ocupa-se da recolha dos frutos do caminho ecum\u00e9nico nas pr\u00e1ticas eclesiais.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A unidade como harmonia nas diferen\u00e7as<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"10\">\n<li>O dinamismo da comunh\u00e3o eclesial e assim da vida sinodal da Igreja encontra na liturgia eucar\u00edstica o seu modelo e a sua concretiza\u00e7\u00e3o. Nela a comunh\u00e3o dos Fi\u00e9is (<em>communio Fidelium<\/em>) \u00e9 simultaneamente a comunh\u00e3o das Igrejas (<em>communio Ecclesiarum<\/em>), que si manifesta na comunh\u00e3o dos Bispos (<em>communio Episcoporum<\/em>)<em>,\u00a0<\/em>em raz\u00e3o do princ\u00edpio antiqu\u00edssimo que \u00aba Igreja est\u00e1 no Bispo e o Bispo est\u00e1 na Igreja\u00bb (S. Cipriano,\u00a0<em>Carta\u00a0<\/em>66, 8). O Senhor colocou o ap\u00f3stolo Pedro (cf. Mt 16,18) e os seus sucessores ao servi\u00e7o da comunh\u00e3o. Por for\u00e7a do minist\u00e9rio petrino, o Bispo de Roma \u00e9 \u00abo perp\u00e9tuo e vis\u00edvel fundamento\u00bb (LG 23) da unidade da Igreja, expressa na comunh\u00e3o de todos os Fi\u00e9is, de todas as Igrejas, de todos os Bispos. Manifesta-se assim a harmonia que o Esp\u00edrito opera na Igreja, Ele que \u00e9 a harmonia em pessoa (cf. S. Bas\u00edlio,\u00a0<em>Sobre o Salmo 29<\/em>, 1)<\/li>\n<li>Ao longo do processo sinodal, o desejo de unidade da Igreja foi crescendo ao mesmo tempo com a consci\u00eancia das diversidades que nela coexistem. A partilha entre as Igrejas recordou precisamente que n\u00e3o existe miss\u00e3o sem contexto, isto \u00e9, sem um claro reconhecimento de que o dom do Evangelho \u00e9 oferecido a pessoas e comunidades que vivem em tempos e lugares espec\u00edficos, n\u00e3o fechadas em si, mas portadoras de hist\u00f3rias que s\u00e3o reconhecidas, respeitadas e convidadas a abrirem-se a horizontes mais vastos. Um dos maiores dons recebidos ao longo do caminho foi a possibilidade de encontrar e celebrar a beleza do \u00abrosto pluriforme da Igreja\u00bb (S. Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Novo Millennio Ineunte<\/em>,40). A renova\u00e7\u00e3o sinodal favorece a valoriza\u00e7\u00e3o dos contextos como lugar em que se torna presente e se realiza o chamamento universal de Deus a fazer parte do seu Povo, do Reino de Deus que \u00e9 \u00abjusti\u00e7a, paz e alegria no Esp\u00edrito Santo\u00bb (Rm 14,17). Deste modo, culturas diferentes podem receber a unidade que est\u00e1 subjacente e completa a sua vibrante pluralidade. A valoriza\u00e7\u00e3o dos contextos, das culturas e da diversidade \u00e9 um ponto chave para crescer como Igreja sinodal mission\u00e1ria.<\/li>\n<li>Cresceu igualmente o reconhecimento da variedade de carismas e voca\u00e7\u00f5es que o Esp\u00edrito Santo constantemente suscita no Povo de Deus. Nasce assim o desejo de crescer na capacidade de os discernir, de compreender as rela\u00e7\u00f5es existentes na vida concreta de cada Igreja e de toda a Igreja e, principalmente, de as articular para o bem da miss\u00e3o. Isto significa tamb\u00e9m refletir mais profundamente sobre a quest\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o com a comunh\u00e3o e a miss\u00e3o. Em cada fase do processo ficou patente o desejo de ampliar as possibilidades de participa\u00e7\u00e3o e de exerc\u00edcio da corresponsabilidade de todos os Batizados, homens e mulheres, na variedade dos seus carismas, voca\u00e7\u00f5es e minist\u00e9rios. Este desejo aponta em tr\u00eas dire\u00e7\u00f5es. A primeira \u00e9 a necessidade de \u201catualizar\u201d a capacidade de an\u00fancio e transmiss\u00e3o da f\u00e9 com modalidades e meios apropriados ao contexto atual. A segunda \u00e9 a renova\u00e7\u00e3o da vida lit\u00fargica e sacramental, a partir de celebra\u00e7\u00f5es belas, dignas, acess\u00edveis, plenamente participativas, bem inculturadas e capazes de fomentar o entusiasmo para a miss\u00e3o. A terceira dire\u00e7\u00e3o visa combater a tristeza provocada pela falta de participa\u00e7\u00e3o de tantos membros do Povo de Deus neste caminho de renova\u00e7\u00e3o eclesial e pela fadiga da Igreja em viver plenamente um relacionamento saud\u00e1vel entre homens e mulheres, entre gera\u00e7\u00f5es e entre pessoas e grupos de diferentes identidades culturais e condi\u00e7\u00f5es sociais, em especial os pobres e os exclu\u00eddos. Esta debilidade na reciprocidade, na participa\u00e7\u00e3o e na comunh\u00e3o continua a ser um obst\u00e1culo a uma plena renova\u00e7\u00e3o da Igreja em sentido sinodal mission\u00e1rio.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3s e irm\u00e3os em Cristo: uma reciprocidade renovada<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"13\">\n<li>A primeira diferen\u00e7a que encontramos como pessoas humanas \u00e9 a existente entre homens e mulheres. A nossa voca\u00e7\u00e3o de crist\u00e3os consiste em honrar esta diferen\u00e7a dada por Deus, vivendo no seio da Igreja uma reciprocidade relacional din\u00e2mica como sinal para o mundo. Na reflex\u00e3o realizada sobre esta vis\u00e3o em chave sinodal, os contributos recolhidos em todas as fases evidenciaram a necessidade de conferir um maior reconhecimento aos carismas, \u00e0s voca\u00e7\u00f5es e ao papel das mulheres em todos os aspetos da vida da Igreja como passo indispens\u00e1vel para promover esta reciprocidade relacional. A perspetiva sinodal evidencia tr\u00eas pontos teol\u00f3gicos de refer\u00eancia como orienta\u00e7\u00e3o para o discernimento: a) a participa\u00e7\u00e3o est\u00e1 alicer\u00e7ada nas implica\u00e7\u00f5es eclesiol\u00f3gicas do Batismo; b) na qualidade de Povo de Batizados, somos chamados a n\u00e3o enterrar os nossos talentos, mas a reconhecer os dons que o Esp\u00edrito infunde em cada um para bem da comunidade e do mundo ; c) no respeito pela voca\u00e7\u00e3o de cada um, os dons que o Esp\u00edrito concede aos Fi\u00e9is est\u00e3o ordenados entre si e a colabora\u00e7\u00e3o de todos os Batizados \u00e9 praticada na base da corresponsabilidade. O testemunho da Sagrada Escritura orienta-nos nesta reflex\u00e3o: Deus escolheu algumas mulheres como primeiras testemunhas e anunciadoras da ressurrei\u00e7\u00e3o. Por for\u00e7a do Batismo, est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de perfeita igualdade, recebem a mesma efus\u00e3o de dons por parte do Esp\u00edrito e s\u00e3o chamadas ao servi\u00e7o da miss\u00e3o de Cristo.<\/li>\n<li>Neste sentido, a primeira mudan\u00e7a a efetuar \u00e9 a da mentalidade: uma convers\u00e3o a uma vis\u00e3o de relacionalidade, interdepend\u00eancia e reciprocidade entre mulheres e homens, que s\u00e3o irm\u00e3s e irm\u00e3os em Cristo, com vista \u00e0 miss\u00e3o comum. A comunh\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o e a miss\u00e3o da Igreja s\u00e3o as primeiras a sofrer as consequ\u00eancias de uma falta de convers\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es e das estruturas. Como afirma o contributo de uma Confer\u00eancia Episcopal latino-americana: \u00abuma Igreja em que todos os membros possam sentir-se correspons\u00e1veis \u00e9 tamb\u00e9m um lugar atrativo e cred\u00edvel\u00bb.<\/li>\n<li>Os contributos das Confer\u00eancias Episcopais reconhecem que s\u00e3o numerosos os aspetos da vida da Igreja abertos \u00e0 participa\u00e7\u00e3o das mulheres. No entanto, referem tamb\u00e9m que estas possibilidades de participa\u00e7\u00e3o frequentemente n\u00e3o s\u00e3o utilizadas. Sugerem por isso que a Segunda Sess\u00e3o promova a consciencializa\u00e7\u00e3o das mesmas e fomente o seu desenvolvimento posterior no \u00e2mbito das Par\u00f3quias, das Dioceses e das restantes realidades eclesiais, incluindo os cargos de responsabilidade. Por outro lado, \u00e9 necess\u00e1rio explorar outras formas ministeriais e pastorais, a fim de conferir uma express\u00e3o mais apropriada aos carismas que o Esp\u00edrito infunde nas mulheres em resposta \u00e0s exig\u00eancias pastorais do nosso tempo. Assim se exprime uma Confer\u00eancia episcopal latino-americana: \u00abNa nossa cultura permanece forte a presen\u00e7a do machismo, sendo necess\u00e1ria uma participa\u00e7\u00e3o mais ativa das mulheres em todos os setores eclesiais. Como afirma o Papa Francisco, a sua perspetiva \u00e9 indispens\u00e1vel nos processos decis\u00f3rios e na assun\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es nas diversas formas de pastoral e de miss\u00e3o\u00bb.<\/li>\n<li>Dos contributos das Confer\u00eancias episcopais resultam exig\u00eancias concretas a submeter \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o da Segunda Sess\u00e3o, entre as quais: a) a promo\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de di\u00e1logo na Igreja, que permitam \u00e0s mulheres partilhar experi\u00eancias, carismas, compet\u00eancias, intui\u00e7\u00f5es espirituais, teol\u00f3gicas e pastorais para benef\u00edcio de toda a Igreja; b) uma participa\u00e7\u00e3o mais alargada das mulheres nos processos de discernimento eclesial e em todas as fases dos processos decis\u00f3rios (proposta e tomada de decis\u00f5es); c) um acesso mais alargado a posi\u00e7\u00f5es de responsabilidade nas Dioceses e nas institui\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas, na linha das disposi\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes; d) um maior reconhecimento e um apoio mais firme \u00e0 vida e aos carismas das Consagradas e o seu envolvimento em posi\u00e7\u00f5es de responsabilidade; e) o acesso das mulheres a cargos de responsabilidade nos semin\u00e1rios, nos institutos e nas faculdades de teologia; f) o aumento do n\u00famero de mulheres que exercem as fun\u00e7\u00f5es de juiz nos processos can\u00f3nicos. Os contributos continuam ainda a chamar a aten\u00e7\u00e3o para o uso de linguagem e de uma s\u00e9rie de imagens extra\u00eddas das Escrituras e da tradi\u00e7\u00e3o na prega\u00e7\u00e3o, no ensino, na catequese e na reda\u00e7\u00e3o dos documentos oficiais da Igreja.<\/li>\n<li>Enquanto algumas Igrejas locais requerem que as mulheres sejam admitidas ao minist\u00e9rio diaconal, outras reafirmam o contr\u00e1rio. Em rela\u00e7\u00e3o a este tema, que n\u00e3o ser\u00e1 objeto dos trabalhos da Segunda Sess\u00e3o, \u00e9 conveniente que prossiga a reflex\u00e3o teol\u00f3gica, com tempos e modalidades adequados. Contribuir\u00e3o para o seu amadurecimento os frutos do Grupo de estudo n. 5, o qual tomar\u00e1 em considera\u00e7\u00e3o os resultados das Comiss\u00f5es que se dedicaram a este tema no passado.<\/li>\n<li>Muitos dos pedidos e exig\u00eancias acima referidos s\u00e3o igualmente aplic\u00e1veis aos leigos do sexo masculino, cuja escassa participa\u00e7\u00e3o na vida da Igreja \u00e9 lamentada. Em geral, a reflex\u00e3o sobre o papel das mulheres evidencia frequentemente o desejo de um refor\u00e7o de todos os minist\u00e9rios exercidos pelos Leigos (homens e mulheres). Solicita-se ainda que Fi\u00e9is leigos de ambos os sexos, devidamente formados, possam contribuir para a prega\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus inclusivamente durante a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Chamada \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 reforma<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"19\">\n<li>Jesus iniciou o seu minist\u00e9rio p\u00fablico com uma chamada \u00e0 convers\u00e3o (cf. Mc 1,15). \u00c9 um convite a repensar o modo de vida pessoal e comunit\u00e1rio e a deixar-se transformar pelo Esp\u00edrito. Nenhuma reforma poder\u00e1 limitar-se exclusivamente \u00e0s estruturas, devendo assentar numa transforma\u00e7\u00e3o interior segundo os \u00absentimentos de Cristo Jesus\u00bb (Fil 2,5). Para uma Igreja sinodal, a primeira convers\u00e3o \u00e9 a da escuta, cuja descoberta constituiu um dos principais frutos do percurso realizado at\u00e9 agora: em primeiro lugar, a escuta do Esp\u00edrito Santo, que \u00e9 o verdadeiro protagonista do S\u00ednodo e, em seguida, a escuta rec\u00edproca como disposi\u00e7\u00e3o essencial para a miss\u00e3o<\/li>\n<li>O estilo sinodal da Igreja oferece muitas pistas importantes para a humanidade. Numa \u00e9poca marcada por desigualdades cada vez mais acentuadas, por uma crescente desilus\u00e3o face aos modelos tradicionais de governo, pelo desencanto em rela\u00e7\u00e3o ao funcionamento da democracia, pelo predom\u00ednio do modelo de mercado nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais e pela tenta\u00e7\u00e3o de resolver os conflitos pela for\u00e7a e n\u00e3o pelo di\u00e1logo, a sinodalidade poder\u00e1 oferecer uma inspira\u00e7\u00e3o para o futuro da nossa sociedade. O seu poder de atra\u00e7\u00e3o deriva do facto de n\u00e3o ser uma estrat\u00e9gia de gest\u00e3o, mas sim uma pr\u00e1tica de viver e celebrar na gratid\u00e3o. O modo sinodal de viver as rela\u00e7\u00f5es \u00e9 um testemunho social que responde \u00e0 profunda necessidade humana de ser acolhido e sentir-se reconhecido no seio de uma comunidade concreta. \u00c9 um desafio ao crescente isolamento das pessoas e ao individualismo cultural, que tamb\u00e9m a Igreja muitas vezes absorveu, e que nos chama a um cuidado rec\u00edproco, a uma interdepend\u00eancia e \u00e0 corresponsabilidade pelo bem comum. \u00c9 tamb\u00e9m um desafio a um comunitarismo social exagerado que sufoca as pessoas e n\u00e3o lhes permite ser sujeitos livres do pr\u00f3prio desenvolvimento. A disponibilidade para a escuta de todos, especialmente dos pobres, promovida pelo estilo de vida sinodal est\u00e1 em n\u00edtido contraste com um mundo em que a concentra\u00e7\u00e3o do poder exclui os pobres, os marginalizados e as minorias. A concretiza\u00e7\u00e3o do processo sinodal veio demonstrar quanto a pr\u00f3pria Igreja tinha necessidade de crescer nesta dimens\u00e3o: o Grupo de estudo n. 2 trabalha este tema.<\/li>\n<li>Em todas as fases do processo sinodal ecoou com for\u00e7a a necessidade de cura, reconcilia\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a no seio da Igreja e da sociedade. Trata-se de uma diretiva fundamental do empenhamento mission\u00e1rio do Povo de Deus no nosso mundo e, ao mesmo tempo, de um dom que devemos invocar do alto. O desejo de caminhar nesta estrada \u00e9 em si mesmo um fruto da renova\u00e7\u00e3o sinodal.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte I \u2013 Rela\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ao longo de todo o processo sinodal e em todas as latitudes emergiu a exig\u00eancia de uma Igreja n\u00e3o burocr\u00e1tica, mas capaz de nutrir as rela\u00e7\u00f5es: com o Senhor, entre homens e mulheres, na fam\u00edlia, na comunidade, entre grupos sociais. Somente uma trama de rela\u00e7\u00f5es entretecida pela multiplicidade das perten\u00e7as est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de apoiar as pessoas e as comunidades, oferecendo-lhes pontos de refer\u00eancia e de orienta\u00e7\u00e3o e revelando a beleza da vida segundo o Evangelho: \u00e9 nas rela\u00e7\u00f5es &#8211; com Cristo, com os outros, na comunidade \u2013 que se transmite a f\u00e9.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A sinodalidade, enquanto exig\u00eancia da miss\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 entendida como um expediente organizativo, mas sim vivida e cultivada como o conjunto das formas segundo as quais os disc\u00edpulos de Jesus tecem rela\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias, capazes de corresponder ao amor divino que continuamente os re\u00fane e que s\u00e3o chamados a testemunhar nos contextos concretos em que se encontram. Compreender como ser Igreja sinodal em miss\u00e3o passa, portanto, por uma convers\u00e3o relacional, que reoriente as prioridades e as a\u00e7\u00f5es de cada um, nomeadamente daqueles que t\u00eam a miss\u00e3o de animar as rela\u00e7\u00f5es ao servi\u00e7o da unidade, no concreto de uma partilha de dons que liberta e enriquece todos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em Cristo e no Esp\u00edrito: a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"22\">\n<li>\u00abA Igreja peregrina \u00e9, por sua natureza, mission\u00e1ria, visto que tem a sua origem, segundo o des\u00edgnio de Deus Pai, na \u201cmiss\u00e3o\u201d do Filho e do Esp\u00edrito Santo\u00bb (AG 2). O encontro com Jesus, a ades\u00e3o de f\u00e9 \u00e0 sua pessoa e a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 introduzem-nos na pr\u00f3pria vida da Trindade. Com a doa\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, o Senhor Jesus torna participantes da sua rela\u00e7\u00e3o com o Pai todos os que recebem o Batismo. O Esp\u00edrito que preenchia plenamente Jesus e que o guiava (cf. Lc 4,1), que o consagrou com a un\u00e7\u00e3o e o enviou a proclamar o Evangelho (cf. Lc 4,18) e que o ressuscitou dos mortos (cf. Rm 8,11), \u00e9 o mesmo Esp\u00edrito que consagra com a un\u00e7\u00e3o os membros do Povo de Deus. Este Esp\u00edrito torna-nos filhos e herdeiros de Deus e por seu interm\u00e9dio dirigimo-nos a Deus chamando-lhe \u00abAbb\u00e0! Pai!\u00bb (Gal 4,6; Rm 8,15).<\/li>\n<li>Para compreender a natureza de uma Igreja sinodal em miss\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel captar o fundamento trinit\u00e1rio e, em particular, a liga\u00e7\u00e3o indissoci\u00e1vel entre a a\u00e7\u00e3o de Cristo e a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo na hist\u00f3ria humana e na Igreja: \u00abO Esp\u00edrito Santo habita nos crentes, enche e rege toda a Igreja, realiza aquela maravilhosa comunh\u00e3o dos Fi\u00e9is e une a todos t\u00e3o intimamente em Cristo, que \u00e9 o princ\u00edpio da unidade da Igreja\u00bb (UR 2). Por isso, o caminho da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 do adulto \u00e9 um contexto privilegiado para compreender a vida sinodal da Igreja, pondo em destaque a sua origem e fundamento: as rela\u00e7\u00f5es que unem e distinguem as tr\u00eas Pessoas divinas. Mediante os dons batismais, o Esp\u00edrito Santo conforma-nos com Cristo rei, sacerdote e profeta, torna-nos membros do seu corpo, que \u00e9 a Igreja, e faz-nos filhos do \u00fanico Pai. Somos assim chamados \u00e0 miss\u00e3o e \u00e0 corresponsabilidade por tudo o que nos une numa \u00fanica Igreja. Esses dons t\u00eam uma tr\u00edplice e insepar\u00e1vel orienta\u00e7\u00e3o: pessoal, comunit\u00e1ria e mission\u00e1ria. Eles capacitam e envolvem todos os Batizados, homens e mulheres: na constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es fraternas na pr\u00f3pria comunidade eclesial; na busca de uma comunh\u00e3o cada vez mais vis\u00edvel e profunda com todos aqueles com quem partilhamos o mesmo Batismo; no an\u00fancio e no testemunho do Evangelho.<\/li>\n<li>Se, por um lado, a sinodalidade mission\u00e1ria assenta na inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, por outro, deve iluminar o modo como o Povo de Deus vive concretamente o itiner\u00e1rio da inicia\u00e7\u00e3o e o assume, fazendo-o precisamente por aquilo que de facto significa, superando uma vis\u00e3o est\u00e1tica e individualista, n\u00e3o suficientemente ligada ao seguimento de Cristo e \u00e0 vida no Esp\u00edrito, a fim de recuperar o seu valor din\u00e2mico e transformador. Nos primeiros s\u00e9culos, lendo no G\u00e9nesis que ao sexto dia Deus disse: \u00abFa\u00e7amos o homem \u00e0 nossa imagem, \u00e0 nossa semelhan\u00e7a\u00bb (Gen 1,26), os crist\u00e3os constataram como o dinamismo relacional se encontrava inscrito na antropologia da cria\u00e7\u00e3o. Viram na imagem o Filho encarnado e na semelhan\u00e7a a possibilidade gradual da conforma\u00e7\u00e3o, a manifesta\u00e7\u00e3o da aventura ben\u00e9fica da liberdade de optar por ser com e como Cristo. Esta aventura principia com a escuta da Palavra de Deus, gra\u00e7as \u00e0 qual o catec\u00fameno entra progressivamente no seguimento de Cristo Jesus. O Batismo est\u00e1 ao servi\u00e7o do dinamismo da semelhan\u00e7a, e por essa raz\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um ato pontual encerrado no momento da sua celebra\u00e7\u00e3o, mas um dom que deve ser confirmado, alimentado e posto a render mediante o empenhamento na convers\u00e3o, no servi\u00e7o da miss\u00e3o e na participa\u00e7\u00e3o na vida comunit\u00e1ria. Com efeito, a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 culmina na Eucaristia dominical, que se repete todas as semanas, sinal do dom incessante da gra\u00e7a que nos conforma a Cristo e nos torna membros do seu corpo e alimento que nos sustenta no caminho de convers\u00e3o e na miss\u00e3o.<\/li>\n<li>Neste sentido, a assembleia eucar\u00edstica manifesta e alimenta a vida sinodal mission\u00e1ria da Igreja. Na participa\u00e7\u00e3o de todos os crist\u00e3os, na presen\u00e7a de diferentes minist\u00e9rios e na presid\u00eancia por parte do Bispo ou do Presb\u00edtero, torna-se vis\u00edvel a comunidade crist\u00e3, na qual se verifica uma corresponsabilidade diferenciada de todos para a miss\u00e3o. A liturgia, como \u00abcume para o qual se encaminha a a\u00e7\u00e3o da Igreja e a fonte de onde dimana toda a sua energia\u00bb (SC 10), \u00e9 simultaneamente a fonte da vida sinodal da Igreja e o prot\u00f3tipo de cada evento sinodal, fazendo aparecer \u00abcomo num espelho\u00bb (1 Cor 13,12; cf. DV 7) o mist\u00e9rio da Trindade.<\/li>\n<li>Conv\u00e9m que propostas pastorais e pr\u00e1ticas lit\u00fargicas conservem e tornem sempre mais evidente a liga\u00e7\u00e3o entre o itiner\u00e1rio da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e a vida sinodal e mission\u00e1ria da Igreja, evitando reduzi-la a um instrumento meramente pedag\u00f3gico ou indicador de uma perten\u00e7a puramente social, e promovendo pelo contr\u00e1rio o acolhimento do dom pessoal orientado para a miss\u00e3o e a edifica\u00e7\u00e3o da comunidade. As medidas pastorais e lit\u00fargicas apropriadas ser\u00e3o elaboradas na pluralidade das situa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e das culturas em que se inserem as diversas Igrejas locais, tendo igualmente em conta as diferen\u00e7as entre aquelas em que a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 envolve sobretudo os jovens ou os adultos e as que s\u00e3o principal ou exclusivamente direcionadas para as crian\u00e7as.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para o Povo de Deus: carismas e minist\u00e9rios<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"27\">\n<li>\u00abH\u00e1 diversidade de carismas, mas o Esp\u00edrito \u00e9 o mesmo; h\u00e1 diversidade de servi\u00e7os, mas o Senhor \u00e9 o mesmo; h\u00e1 diversidade de atividades, mas \u00e9 o mesmo Deus que realiza tudo em todos. A cada um \u00e9 dada a manifesta\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito para o bem comum\u00bb (1Cor 12,4-7). Na origem da diversidade de carismas (dons gratuitos) e dos minist\u00e9rios (formas de servi\u00e7o na Igreja com vista \u00e0 sua miss\u00e3o) est\u00e1 a liberdade do Esp\u00edrito Santo: ele concede e atua incessantemente para que se manifestem a unidade da f\u00e9 e a perten\u00e7a \u00e0 Igreja una e \u00fanica na variedade das pessoas, das culturas e dos lugares. Os carismas, mesmo os mais simples e mais comuns, destinam-se a dar resposta \u00e0s necessidades da Igreja e da sua miss\u00e3o (cf. LG 12). Ao mesmo tempo, contribuem eficazmente para a vida da sociedade, nos seus v\u00e1rios aspetos. Os carismas s\u00e3o frequentemente partilhados e d\u00e3o origem \u00e0s diversas formas da vida consagrada e ao pluralismo das agrega\u00e7\u00f5es eclesiais.<\/li>\n<li>O contexto prim\u00e1rio em que s\u00e3o chamados a manifestar-se os carismas de que cada Batizado \u00e9 portador n\u00e3o \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o das atividades ou das estruturas eclesiais: \u00e9 na vida quotidiana, nas rela\u00e7\u00f5es familiares e sociais, nas mais d\u00edspares situa\u00e7\u00f5es em que os crist\u00e3os, individualmente ou em associa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o chamados a fazer frutificar os dons gratuitos recebidos para o bem de todos. Tanto a fecundidade dos carismas, como a dos minist\u00e9rios depende da a\u00e7\u00e3o de Deus, da voca\u00e7\u00e3o a que Ele chama cada pessoa, do generoso e consciente acolhimento pelos Batizados, e do reconhecimento e acompanhamento por parte da autoridade. Por conseguinte, n\u00e3o podem de modo algum ser interpretados como propriedade de quem os recebe e os exerce, nem destinados a seu benef\u00edcio exclusivo.<\/li>\n<li>Enquanto express\u00e3o da liberdade do Esp\u00edrito na concess\u00e3o dos seus dons, e enquanto resposta \u00e0s necessidades das comunidades individuais, existe na Igreja uma variedade de minist\u00e9rios que podem ser exercidos por qualquer Batizado, homem ou mulher. Trata-se de servi\u00e7os n\u00e3o ocasionais, reconhecidos pela comunidade e por quem tem a miss\u00e3o de a guiar. Podem ser designados minist\u00e9rios batismais, para indicar a sua origem comum (o Batismo) e para os distinguir dos minist\u00e9rios ordenados, radicados no sacramento da Ordem. Existem, por exemplo, homens e mulheres que exercem o minist\u00e9rio de coordena\u00e7\u00e3o de uma pequena comunidade eclesial, o minist\u00e9rio de orienta\u00e7\u00e3o de momentos de ora\u00e7\u00e3o (em funerais ou outras ocasi\u00f5es), o minist\u00e9rio extraordin\u00e1rio da comunh\u00e3o ou outros servi\u00e7os n\u00e3o necessariamente de car\u00e1cter lit\u00fargico. Os ordenamentos can\u00f3nicos latinos e orientais j\u00e1 preveem que, em alguns casos, tamb\u00e9m os Fi\u00e9is leigos, homens ou mulheres, possam ser ministros extraordin\u00e1rios do Batismo. No ordenamento latino, o Bispo pode delegar em Fi\u00e9is leigos, homens ou mulheres, a fun\u00e7\u00e3o de assistir aos Matrim\u00f3nios. \u00c9 \u00fatil continuar a refletir no modo de confiar estes minist\u00e9rios aos Leigos de uma maneira mais est\u00e1vel. Esta reflex\u00e3o \u00e9 acompanhada pela referente \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de formas mais numerosas de ministerialidade laical, tamb\u00e9m fora do \u00e2mbito lit\u00fargico.<\/li>\n<li>Recentemente, algumas modalidades de servi\u00e7o h\u00e1 muito presentes na vida da Chiesa receberam uma nova configura\u00e7\u00e3o como minist\u00e9rios institu\u00eddos: o minist\u00e9rio dos leitores e dos ac\u00f3litos (cf. Carta Apost\u00f3lica sob forma de \u00abMotu Proprio\u00bb\u00a0<em>Spiritus Domini<\/em>, 10 de janeiro de 2021). Foi igualmente criado o minist\u00e9rio institu\u00eddo dos catequistas (cf. Carta Apost\u00f3lica sob forma de \u00abMotu Proprio\u00bb<em>Antiquum ministerium<\/em>, 10 de maio de 2021). Os minist\u00e9rios s\u00e3o conferidos pelo Bispo a homens e mulheres, uma \u00fanica vez na vida, segundo um rito pr\u00f3prio, ap\u00f3s um discernimento apropriado e uma forma\u00e7\u00e3o adequada. Os tempos e modos do seu exerc\u00edcio devem ser definidos por um mandato da autoridade competente. O aprofundamento de algumas quest\u00f5es teol\u00f3gicas e can\u00f4nicas referentes a formas espec\u00edficas de ministerialidade eclesial \u2013 em particular a quest\u00e3o da necess\u00e1ria participa\u00e7\u00e3o das mulheres na vida e orienta\u00e7\u00e3o da Igreja \u2013 foi confiado ao Dicast\u00e9rio para a Doutrina da F\u00e9, em di\u00e1logo com a Secretaria Geral do S\u00ednodo (Grupo de estudo n. 5).<\/li>\n<li>Muito embora nem todos os carismas assumam uma configura\u00e7\u00e3o propriamente ministerial, todos os minist\u00e9rios se baseiam em carismas concedidos a alguns membros do Povo de Deus que s\u00e3o chamados a agir de diversas formas, para que cada membro da comunidade possa participar na edifica\u00e7\u00e3o do corpo de Cristo (cf. Ef 4,12), no servi\u00e7o rec\u00edproco. Tal como os carismas, tamb\u00e9m os minist\u00e9rios s\u00e3o reconhecidos, promovidos e valorizados. O processo sinodal evidenciou por diversas vezes que o discernimento e a promo\u00e7\u00e3o dos carismas e dos minist\u00e9rios, assim como a individualiza\u00e7\u00e3o das necessidades das comunidades e da sociedade \u00e0s quais se pretende responder, constituem um aspeto em que as Igrejas locais precisam de crescer, com o aux\u00edlio de crit\u00e9rios, instrumentos e procedimentos adequados. O Concilio Vaticano II ensina que compete aos Pastores reconhecer os minist\u00e9rios e os carismas \u00abde tal modo que todos, cada um segundo o seu modo pr\u00f3prio, cooperem na obra comum\u00bb (LG 30). O discernimento dos carismas e dos minist\u00e9rios \u00e9 um ato especificamente eclesial: para os reconhecer e promover, o Bispo tem de escutar as vozes de todos os envolvidos: Fi\u00e9is individuais, comunidades, organismos de participa\u00e7\u00e3o. Para esse efeito, dever\u00e3o ser identificados procedimentos adaptados aos diversos contextos, tendo sempre, por\u00e9m, a preocupa\u00e7\u00e3o de permitir um consenso real sobre crit\u00e9rios e sobre os resultados do discernimento. Os resultados do Encontro \u201cOs P\u00e1rocos pelo S\u00ednodo\u201d sublinham fortemente estas exig\u00eancias.<\/li>\n<li>\u00c9 ainda patente o convite a uma maior confian\u00e7a na a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito e a uma coragem e criatividade fortalecidas no discernimento da forma como colocar os dons recebidos e acolhidos ao servi\u00e7o da miss\u00e3o da Igreja, de um modo adequado aos diferentes contextos locais. \u00c9 a pr\u00f3pria variedade dos contextos e, portanto, das necessidades das comunidades, a sugerir que as Igrejas locais, sob a orienta\u00e7\u00e3o dos seus Pastores, e os seus agrupamentos \u00abem cada vasto territ\u00f3rio sociocultural\u00bb (AG 22), procedam com humildade e confian\u00e7a a um discernimento criativo sobre os minist\u00e9rios que devem reconhecer, confiar ou instituir para dar resposta \u00e0s exig\u00eancias pastorais e da sociedade. \u00c9, pois, necess\u00e1rio definir os crit\u00e9rios e modos necess\u00e1rios para levar a cabo este discernimento. Foi tamb\u00e9m iniciada uma reflex\u00e3o sobre a delega\u00e7\u00e3o dos minist\u00e9rios batismais (n\u00e3o institu\u00eddos e institu\u00eddos) numa \u00e9poca em que as pessoas se deslocam de um lugar para outro com crescente facilidade, especificando tempos e \u00e2mbitos do seu exerc\u00edcio.<\/li>\n<li>O percurso realizado at\u00e9 \u00e0 data conduziu ao reconhecimento de que uma Igreja sinodal \u00e9 uma Igreja que escuta, capaz de acolher e de acompanhar, de ser considerada casa e fam\u00edlia. Trata-se de uma necessidade que se manifesta em todos os continentes e abrange pessoas que, por diversas raz\u00f5es, s\u00e3o ou se sentem exclu\u00eddas ou \u00e0 margem da comunidade eclesial ou t\u00eam dificuldade em encontrar no seio da mesma um reconhecimento pleno da sua dignidade e dos seus dons. Esta falta de acolhimento rejeita-os, dificulta o seu percurso de f\u00e9 e de encontro com o Senhor, e priva a Igreja do seu contributo para a miss\u00e3o.<\/li>\n<li>Parece assim sumamente oportuno criar um minist\u00e9rio de escuta e acompanhamento reconhecido e eventualmente institu\u00eddo, que torne concretamente palp\u00e1vel um aspeto t\u00e3o caracter\u00edstico de uma Igreja sinodal. Representa, portanto, uma \u201cporta aberta\u201d da comunidade, atrav\u00e9s da qual as pessoas podem entrar sem se sentirem amea\u00e7adas ou julgadas. As formas de exerc\u00edcio deste minist\u00e9rio dever\u00e3o ser adaptadas \u00e0s circunst\u00e2ncias locais, com base na diversidade de experi\u00eancias, estruturas, contextos sociais e recursos dispon\u00edveis. Abre-se assim um espa\u00e7o de discernimento para articular a n\u00edvel local, tamb\u00e9m com a participa\u00e7\u00e3o das Confer\u00eancias Episcopais nacionais ou continentais. A exist\u00eancia de um minist\u00e9rio espec\u00edfico n\u00e3o significa, contudo, reservar a tarefa de escuta exclusivamente aos ministros. Este reveste-se assim de um car\u00e1cter prof\u00e9tico. Por um lado, demonstra que escuta e acompanhamento constituem uma dimens\u00e3o normal da vida de uma Igreja sinodal, que com modalidades diversificadas envolve todos os Batizados e na qual todas as comunidades s\u00e3o convidadas a crescer e, por outro, recorda que escuta e acompanhamento s\u00e3o um servi\u00e7o eclesial e n\u00e3o uma iniciativa pessoal, cujo valor \u00e9 assim reconhecido. Estas consci\u00eancia \u00e9 um fruto maduro do processo sinodal.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com os Ministros ordenados: ao servi\u00e7o da harmonia<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"35\">\n<li>O processo sinodal revelou dados contrastantes no que se refere ao exerc\u00edcio do Minist\u00e9rio ordenado no \u00e2mbito do Povo de Deus. Por um lado, \u00e9 sublinhada a alegria, o empenho e a dedica\u00e7\u00e3o dos Bispos, Presb\u00edteros e Di\u00e1conos no desenvolvimento do pr\u00f3prio servi\u00e7o, ao passo que, por outro, ficou patente um certo cansa\u00e7o, relacionado sobretudo com um sentimento de isolamento, de solid\u00e3o, de afastamento de rela\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis e sustent\u00e1veis, e de serem subjugados pela exig\u00eancia de responder a todas as necessidades. Este pode ser um dos efeitos t\u00f3xicos do clericalismo. A figura do Bispo, em particular, encontra-se frequentemente exposta a um excesso de atribui\u00e7\u00f5es, o que alimenta expetativas irrealistas sobre o que uma pessoa individual pode razoavelmente realizar.<\/li>\n<li>O encontro \u201cOs P\u00e1rocos pelo S\u00ednodo\u201d relacionou este cansa\u00e7o com a dificuldade por parte de Bispos e Presb\u00edteros de caminharem verdadeiramente em conjunto no seu minist\u00e9rio partilhado. Assim sendo, uma compreens\u00e3o renovada do Minist\u00e9rio ordenado no horizonte da Igreja sinodal mission\u00e1ria representa n\u00e3o s\u00f3 uma exig\u00eancia de coer\u00eancia, mas tamb\u00e9m uma oportunidade de liberta\u00e7\u00e3o deste cansa\u00e7o, desde que seja acompanhada por uma convers\u00e3o efetiva das pr\u00e1ticas, que torne percet\u00edveis aos Ministros ordenados e aos restantes Fi\u00e9is, a altera\u00e7\u00e3o e os benef\u00edcios que dela decorrem. Para al\u00e9m do aspeto da vida pessoal dos Ministros individuais, este percurso de convers\u00e3o comportar\u00e1 um novo modo de pensar e organizar a a\u00e7\u00e3o pastoral, que tenha em conta a participa\u00e7\u00e3o de todos os Batizados, homens e mulheres, na miss\u00e3o da Igreja, procurando nomeadamente fazer despontar, reconhecer e animar os diferentes carismas e minist\u00e9rios batismais. A pergunta \u00ab<em>Como<\/em>ser Igreja sinodal em miss\u00e3o?\u00bb leva-nos a refletir concretamente sobre as rela\u00e7\u00f5es, estruturas e processos que podem favorecer uma vis\u00e3o renovada do Minist\u00e9rio ordenado, passando de um modo piramidal de exercitar a autoridade para um modo sinodal. No \u00e2mbito da promo\u00e7\u00e3o dos carismas e minist\u00e9rios batismais, \u00e9 poss\u00edvel implementar uma reativa\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es cuja execu\u00e7\u00e3o n\u00e3o exige o sacramento da Ordem. Uma distribui\u00e7\u00e3o mais articulada das responsabilidades poder\u00e1 indubitavelmente favorecer tamb\u00e9m processos decis\u00f3rios caracterizados por um estilo mais claramente sinodal.<\/li>\n<li>Nos textos conciliares, o Minist\u00e9rio ordenado \u00e9 concebido em termos muito precisos como servi\u00e7o \u00e0 Igreja e para a exist\u00eancia da Igreja. Com a sua autoridade, o Concilio restituiu a forma do Minist\u00e9rio ordenado habitual na Igreja antiga, um minist\u00e9rio que \u00ab\u00e9 exercido em ordens diversas por aqueles que desde a antiguidade s\u00e3o chamados Bispos, Presb\u00edteros e Di\u00e1conos\u00bb (LG 28). Nesta articula\u00e7\u00e3o, Episcopado e Presbiterado correspondem a uma participa\u00e7\u00e3o especial no sacerd\u00f3cio de Cristo Pastor e Chefe da comunidade eclesial, ao passo que o Diaconado \u00e9 \u00abn\u00e3o em ordem ao sacerd\u00f3cio, mas ao minist\u00e9rio\u00bb (LG 29). As v\u00e1rias ordens est\u00e3o organicamente relacionadas entre si, numa interdepend\u00eancia rec\u00edproca, tendo em conta a especificidade de cada uma. Nenhum Ministro pode considerar-se como um individuo isolado ao qual foram conferidos poderes, mas sim como participante nos dons (<em>munera<\/em>) de Cristo, conferidos pela Ordena\u00e7\u00e3o, em conjunto com os outros Ministros, em liga\u00e7\u00e3o org\u00e2nica com o Povo de Deus de que faz parte e o qual, embora de modo diferente, participa nos mesmos dons de Cristo no sacerd\u00f3cio comum institu\u00eddo pelo Batismo.<\/li>\n<li>O Bispo tem a miss\u00e3o de presidir a uma Igreja, sendo princ\u00edpio vis\u00edvel de unidade no seio desta e v\u00ednculo de comunh\u00e3o com todas as Igrejas. A singularidade do seu minist\u00e9rio comporta uma autoridade que \u00e9 pr\u00f3pria, ordin\u00e1ria e imediata, e que cada Bispo exerce pessoalmente em nome de Cristo (cf. LG 27) no an\u00fancio da Palavra, na presid\u00eancia da celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia e dos outros sacramentos e na orienta\u00e7\u00e3o pastoral. Isto n\u00e3o implica a sua independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 parcela do Povo de Deus que lhe foi confiada (cf. CD 11) e que \u00e9 chamado a servir em nome de Cristo Bom Pastor. O facto de que \u00abpela Consagra\u00e7\u00e3o episcopal, se confere a plenitude do sacramento da Ordem\u00bb (LG 21) n\u00e3o constitui justifica\u00e7\u00e3o para um minist\u00e9rio episcopal tendencialmente \u201cmon\u00e1rquico\u201d, concebido como c\u00famulo de prerrogativas de que derivam todos os outros carismas e minist\u00e9rios. \u00c9 antes a afirma\u00e7\u00e3o da capacidade e do dever de recolher e congregar os dons infundidos pelo Esp\u00edrito nos Batizados, homens e mulheres, e nas v\u00e1rias comunidades. O Grupo de estudo n. 7 ocupa-se de alguns aspetos do minist\u00e9rio episcopal, entre os quais os crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o dos candidatos ao Episcopado.<\/li>\n<li>Tamb\u00e9m o minist\u00e9rio dos Presb\u00edteros \u00e9 concebido e vivido em sentido sinodal. Os Presb\u00edteros, em particular, \u00abconstituem com o seu Bispo um Presbit\u00e9rio\u00bb (LG 28) ao servi\u00e7o da parcela de Povo de Deus que \u00e9 a Igreja local (cf. CD 11). Tal facto implica n\u00e3o considerar o Bispo como exterior ao Presbit\u00e9rio, mas como aquele que preside a uma Igreja local, e sobretudo ao Presbit\u00e9rio, de que faz parte com especial singularidade, sendo chamado a exercer particular solicitude e cuidado nas rela\u00e7\u00f5es com os Presb\u00edteros.<\/li>\n<li>Bispo e Presb\u00edteros s\u00e3o coadjuvados por Di\u00e1conos, numa rela\u00e7\u00e3o de m\u00fatua interdepend\u00eancia dos dois tipos de minist\u00e9rio para o exerc\u00edcio do servi\u00e7o apost\u00f3lico. Bispo e Presb\u00edteros n\u00e3o s\u00e3o autossuficientes em rela\u00e7\u00e3o aos Di\u00e1conos, e vice-versa. Uma vez que as fun\u00e7\u00f5es dos Di\u00e1conos s\u00e3o m\u00faltiplas \u2013 como mostra a tradi\u00e7\u00e3o, a ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica e a pr\u00e1tica posterior ao Vaticano II \u2013 as mesmas inserem-se no concreto de cada Igreja local individual. O servi\u00e7o de cada Di\u00e1cono \u00e9 sempre pensado em harmonia e em comunh\u00e3o com o de todos os outros di\u00e1conos, de acordo com a natureza do minist\u00e9rio diaconal e no quadro de refer\u00eancia da miss\u00e3o numa Igreja sinodal.<\/li>\n<li>Para al\u00e9m da promo\u00e7\u00e3o da unidade na Igreja local, o Bispo diocesano ou eparquial, coadjuvado por Presb\u00edteros e Di\u00e1conos, \u00e9 tamb\u00e9m respons\u00e1vel pelas rela\u00e7\u00f5es com as outras Igrejas locais e com toda a Igreja ao redor do Bispo de Roma, numa partilha rec\u00edproca de dons. Parece importante restabelecer a liga\u00e7\u00e3o tradicional entre ser Bispo e presidir a uma Igreja local, recuperando a correspond\u00eancia entre comunh\u00e3o dos Bispos (<em>communio episcoporum<\/em>) e comunh\u00e3o das Igrejas (<em>communio Ecclesiarum<\/em>).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entre as Igrejas e no mundo: o concreto da comunh\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"42\">\n<li>A sinodalidade atua atrav\u00e9s de redes de pessoas, comunidades, organismos e um conjunto de processos que permitem um interc\u00e2mbio real de dons entre as Igrejas e um di\u00e1logo evangelizador com o mundo. Caminhar juntos como Batizados na diversidade dos carismas, das voca\u00e7\u00f5es e dos minist\u00e9rios e no interc\u00e2mbio de dons entre as Igrejas, \u00e9 um importante sinal sacramental para o mundo de hoje que, por um lado, experimenta formas de interconex\u00e3o cada vez mais intensas e, por outro, est\u00e1 mergulhado numa cultura mercantil que marginaliza a gratuidade.<\/li>\n<li>Segundo o Conc\u00edlio, \u00e9 em virtude da catolicidade da Igreja que \u00abcada uma das partes traz \u00e0s outras e a toda a Igreja os seus dons particulares\u00bb (LG 13). Da\u00ed \u00abderivam, finalmente, os la\u00e7os de \u00edntima uni\u00e3o entre as diversas partes da Igreja, quanto \u00e0s riquezas espirituais, obreiros apost\u00f3licos e ajudas materiais. Pois os membros do Povo de Deus s\u00e3o chamados a repartir entre si os bens, estando em vigor para cada igreja as palavras do Ap\u00f3stolo: \u201ccada um ponha ao servi\u00e7o dos outros o dom que recebeu, como bons administradores da multiforme gra\u00e7a de Deus\u201d (1 Pd 4,10)\u00bb (<em>ibid<\/em>.).<\/li>\n<li>As Confer\u00eancias episcopais desejam a partilha dos bens em esp\u00edrito de solidariedade entre as Igrejas que constituem a Igreja Cat\u00f3lica, una e \u00fanica, sem qualquer desejo de dom\u00ednio ou pretens\u00e3o de superioridade: a exist\u00eancia de Igrejas ricas e de Igrejas que vivem em condi\u00e7\u00f5es de grande priva\u00e7\u00e3o \u00e9 um esc\u00e2ndalo. Sugere-se, portanto, a celebra\u00e7\u00e3o de acordos para promover liga\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas e a forma\u00e7\u00e3o de redes de apoio, inclusivamente a n\u00edvel de agrupamentos de Igrejas.<\/li>\n<li>Todas as Igrejas locais recebem e d\u00e3o na comunh\u00e3o da \u00fanica Igreja. Existem Igrejas que necessitam do apoio de recursos financeiros e materiais; outras que s\u00e3o enriquecidas pelo testemunho da f\u00e9 viva e pelo servi\u00e7o amoroso aos mais pobres; outras ainda que precisam sobretudo da ajuda de evangelizadores, que dedicam a sua vida a levar o Evangelho a outros povos. Reconhece-se e solicita-se, nomeadamente, a generosidade de Presb\u00edteros, Di\u00e1conos, Consagrados e Consagradas, Leigos e Leigas empenhados na miss\u00e3o\u00a0<em>ad gentes<\/em>.<\/li>\n<li>As Igrejas locais manifestam o desejo de um interc\u00e2mbio de dons espirituais, lit\u00fargicos e teol\u00f3gicos, e tamb\u00e9m de um maior testemunho partilhado sobre quest\u00f5es sociais de relev\u00e2ncia global, como o cuidado da casa comum e os movimentos migrat\u00f3rios. A este respeito, uma Igreja sinodal poder\u00e1 testemunhar a import\u00e2ncia de que as solu\u00e7\u00f5es dos problemas comuns sejam elaboradas com base na escuta das vozes de todos, principalmente dos grupos, comunidades e pa\u00edses que habitualmente ficam \u00e0 margem dos grandes processos globais. As grandes \u00e1reas geogr\u00e1ficas supranacionais, como a Amaz\u00f3nia, a bacia do Congo, o Mediterr\u00e2neo ou outras similares, constituem hoje em dia um horizonte particularmente promissor para a realiza\u00e7\u00e3o de formas de interc\u00e2mbio de dons e de participa\u00e7\u00e3o coordenada.<\/li>\n<li>Em particular, uma Igreja sinodal \u00e9 tamb\u00e9m convidada a ler, na perspetiva do interc\u00e2mbio de dons, a realidade da mobilidade humana, que se torna ocasi\u00e3o de encontro entre as Igrejas no concreto da vida quotidiana das cidades e dos sub\u00farbios, das Par\u00f3quias e das Dioceses ou Eparquias, contribuindo assim para enraizar o caminho sinodal na vida da comunidade. \u00c9 reservada uma aten\u00e7\u00e3o muito particular \u00e0 possibilidade de encontro e partilha de dons entre as Igrejas de tradi\u00e7\u00e3o latina e as Igrejas Orientais Cat\u00f3licas em di\u00e1spora, um tema em que est\u00e1 a trabalhar o Grupo de estudo n. 1.<\/li>\n<li>O interc\u00e2mbio de dons entre as Igrejas ocorre em contextos marcados pela viol\u00eancia, a persegui\u00e7\u00e3o e a aus\u00eancia de liberdade religiosa; assim, algumas Igrejas lutam pela sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia e invocam a solidariedade das outras Igrejas, enquanto continuam a partilhar as suas riquezas, fruto de um confronto permanente com o Evangelho e as persegui\u00e7\u00f5es que na hist\u00f3ria atingem os disc\u00edpulos do Senhor. Por outro lado, o interc\u00e2mbio de dons processa-se num contexto que se ressente ainda do colonialismo e do neocolonialismo, que n\u00e3o terminaram. Uma Igreja que cresce na pr\u00e1tica da sinodalidade \u00e9 convidada a compreender o impacto destas din\u00e2micas sociais na partilha de dons e a procurar uma transforma\u00e7\u00e3o. Este esfor\u00e7o inclui tamb\u00e9m o reconhecimento de que muitas Igrejas s\u00e3o portadoras de uma mem\u00f3ria ferida, sendo necess\u00e1rio promover caminhos concretos de reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>A express\u00e3o \u201cinterc\u00e2mbio de dons\u201d possui um valor importante nas rela\u00e7\u00f5es com as outras Igrejas e Comunidade Eclesiais. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II aplicou esta ideia ao di\u00e1logo ecum\u00e9nico: \u00abO di\u00e1logo n\u00e3o \u00e9 apenas uma troca de ideias; de algum modo, \u00e9 sempre um \u201cinterc\u00e2mbio de dons\u201d\u00bb (UUS 28). Al\u00e9m do di\u00e1logo teol\u00f3gico, o interc\u00e2mbio de dons tem lugar na partilha da ora\u00e7\u00e3o, com a qual nos dispomos a receber os dons de tradi\u00e7\u00f5es espirituais distintas da nossa. Tamb\u00e9m o exemplo de mulheres e homens santos de outras Igrejas e Comunidades Eclesiais \u00e9 um dom que podemos receber, inserindo a sua mem\u00f3ria no nosso calend\u00e1rio lit\u00fargico, em particular no que se refere aos m\u00e1rtires. Neste esp\u00edrito, devemos ser generosos, oferecendo aos outros crist\u00e3os a possibilidade de vir em peregrina\u00e7\u00e3o e rezar nos santu\u00e1rios e nos lugares santos de que a Igreja Cat\u00f3lica \u00e9 guardi\u00e3.<\/li>\n<li>O di\u00e1logo entre as religi\u00f5es e com as culturas n\u00e3o \u00e9 alheio ao caminho sinodal, fazendo parte do seu chamamento a viver rela\u00e7\u00f5es mais intensas, pelo facto de ser \u00abagrad\u00e1vel a Deus aquele que O teme e pratica a justi\u00e7a\u00bb (LG 9; cf. At 10,35). Por isso, o interc\u00e2mbio dons n\u00e3o se limita a outras Igrejas e Comunidades Eclesiais, visto que uma catolicidade aut\u00eantica alarga o horizonte e exige a disponibilidade para acolher tamb\u00e9m os que promovem a vida, a paz, a justi\u00e7a e o desenvolvimento humano integral existentes noutras culturas e tradi\u00e7\u00f5es religiosas.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte II \u2013 Percursos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Uma Igreja sinodal \u00e9 uma Igreja relacional, na qual as din\u00e2micas interpessoais formam o tecido da vida de uma comunidade em miss\u00e3o, num contexto de crescente complexidade. Esta perspetiva n\u00e3o separa, mas aproveita os pontos de liga\u00e7\u00e3o entre as experi\u00eancias, permitindo aprender com a realidade, reinterpretada \u00e0 luz da Palavra, da tradi\u00e7\u00e3o, dos testemunhos exemplares, mas tamb\u00e9m dos erros cometidos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A Parte II p\u00f5e em evid\u00eancia os processos que asseguram o cuidado e desenvolvimento das rela\u00e7\u00f5es, em particular a uni\u00e3o a Cristo com vista \u00e0 miss\u00e3o e \u00e0 harmonia da vida comunit\u00e1ria, gra\u00e7as \u00e0 capacidade de enfrentar em conjunto conflitos e dificuldades. Destaca quatro aspetos distintos, mas profundamente inseridos na vida da Igreja sinodal mission\u00e1ria: a forma\u00e7\u00e3o, em particular a escuta (da Palavra de Deus, dos irm\u00e3os e das irm\u00e3s e da voz do Esp\u00edrito) e o discernimento, que conduz ao desenvolvimento de modalidades participadas de decis\u00e3o no respeito pelas diversas fun\u00e7\u00f5es, com uma circularidade que tamb\u00e9m ela conduz \u00e0 transpar\u00eancia, \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de contas relativamente \u00e0s responsabilidades recebidas e a uma avalia\u00e7\u00e3o que relan\u00e7a o discernimento para a miss\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A fonte e o ponto culminante deste dinamismo \u00e9 a Eucaristia, que coloca na origem das rela\u00e7\u00f5es a gratuidade do amor do Pai, mediante o Filho no Esp\u00edrito. O alimento que sustenta uma Igreja sinodal mission\u00e1ria \u00e9 tamb\u00e9m o conte\u00fado do seu an\u00fancio ao mundo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma forma\u00e7\u00e3o integral e partilhada<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"51\">\n<li>\u00abCuidar da sua pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o \u00e9 a resposta que cada Batizado \u00e9 chamado a dar aos dons do Senhor, para fazer frutificar os talentos recebidos e coloc\u00e1-los ao servi\u00e7o de todos\u00bb (RdS 14a). Estas palavras do Relat\u00f3rio de S\u00edntese da Primeira Sess\u00e3o explicam o motivo pelo qual a necessidade de forma\u00e7\u00e3o foi um dos temas mais suscitados e generalizados em todas as fases do processo sinodal. Responder \u00e0 pergunta \u00ab<em>Como<\/em>ser Igreja sinodal em miss\u00e3o?\u00bb exige, portanto, dar prioridade \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de percursos formativos coerentes, prestando especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua para todos<\/li>\n<li>Para muitos, a participa\u00e7\u00e3o nos encontros sinodais constituiu uma ocasi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o sobre o conhecimento e a pr\u00e1tica da sinodalidade, que suscitou o desejo intenso de uma melhor compreens\u00e3o do significado da dignidade batismal ou do \u00absentido sobrenatural da f\u00e9\u00bb (LG 12), que \u00e9 dom do Esp\u00edrito ao Povo de Deus. Por conseguinte, a primeira necessidade consiste numa forma\u00e7\u00e3o mais aprofundada do modo como o Esp\u00edrito atua na Igreja e a guia ao longo da hist\u00f3ria.<\/li>\n<li>N\u00e3o existe miss\u00e3o sem contexto, n\u00e3o existe Igreja sem implanta\u00e7\u00e3o num determinado lugar, com as suas especificidades culturais e as suas conting\u00eancias hist\u00f3ricas. Por este motivo, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel preparar planos formativos em abstrato. A sua defini\u00e7\u00e3o compete \u00e0s Igrejas locais e aos seus agrupamentos. Assim, o presente documento limita-se a indicar algumas diretrizes e caracter\u00edsticas fundamentais da forma\u00e7\u00e3o na perspetiva da sinodalidade, que ser\u00e3o posteriormente concretizadas, tendo em conta os contextos, as culturas e as tradi\u00e7\u00f5es dos diversos lugares.<\/li>\n<li>Uma Igreja sinodal mission\u00e1ria assenta na capacidade de escuta, que implica reconhecer que ningu\u00e9m \u00e9 autossuficiente no exerc\u00edcio da sua miss\u00e3o e que cada um tem um contributo a oferecer e qualquer coisa a aprender dos outros. A forma\u00e7\u00e3o na escuta \u00e9, portanto, uma primeira exig\u00eancia irrenunci\u00e1vel. A pr\u00e1tica da conversa\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito permitiu experienciar como \u00e9 poss\u00edvel interligar a escuta da Palavra de Deus e a dos irm\u00e3os e das irm\u00e3s, e como esta din\u00e2mica nos abre gradualmente \u00e0 escuta da voz do Esp\u00edrito: muitos contributos recebidos insistem na import\u00e2ncia de uma forma\u00e7\u00e3o sobre este m\u00e9todo. Na Igreja, existe uma gama diversificada de m\u00e9todos de escuta, di\u00e1logo e discernimento, em fun\u00e7\u00e3o da diversidade das culturas e das tradi\u00e7\u00f5es espirituais. Promover a forma\u00e7\u00e3o sobre esta pluralidade de m\u00e9todos e o di\u00e1logo entre eles nos contextos locais constitui um objetivo de grande relev\u00e2ncia. Um ponto particularmente significativo neste \u00e2mbito \u00e9 a escuta das pessoas que vivenciam v\u00e1rios tipos de pobreza e marginalidade. Muitas Igrejas referiram sentir-se impreparadas para esta tarefa e manifestaram a necessidade de uma forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. \u00c9 um dos pontos confiados ao trabalho do Grupo de estudo n. 2.<\/li>\n<li>O objetivo da forma\u00e7\u00e3o na perspetiva da sinodalidade mission\u00e1ria consiste em fazer de n\u00f3s, homens e mulheres, testemunhas capazes de assumir a miss\u00e3o da Igreja em corresponsabilidade e em coopera\u00e7\u00e3o com o poder do Esp\u00edrito (cf. At 1,8). A forma\u00e7\u00e3o ter\u00e1 assim por base o dinamismo da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, procurando promover a experi\u00eancia pessoal de encontro com o Senhor e, consequentemente, um processo de convers\u00e3o permanente de comportamentos, rela\u00e7\u00f5es, mentalidades e estruturas. O sujeito da miss\u00e3o \u00e9 sempre a Igreja, e cada um dos seus membros \u00e9 testemunha e mensageiro da salva\u00e7\u00e3o em virtude desta perten\u00e7a. A Eucaristia, \u00abfonte e centro de toda a vida crist\u00e3\u00bb (LG 11), \u00e9 o lugar fundamental da forma\u00e7\u00e3o sobre sinodalidade. A fam\u00edlia, enquanto comunidade de vida e de amor, \u00e9 um lugar privilegiado de educa\u00e7\u00e3o para a f\u00e9 e a pr\u00e1tica crist\u00e3. \u00c9 escola de sinodalidade no relacionamento intergeracional, convidando cada um a cuidar dos outros, e demonstrando que todos \u2013 fracos e fortes, crian\u00e7as, jovens e idosos \u2013 t\u00eam muito a receber e muito a dar.<\/li>\n<li>Numa Igreja sinodal, a forma\u00e7\u00e3o deve ser integral. Com efeito, n\u00e3o visa apenas a aquisi\u00e7\u00e3o de no\u00e7\u00f5es ou compet\u00eancias, mas sim a promo\u00e7\u00e3o da capacidade de encontro, de partilha, de colabora\u00e7\u00e3o e de discernimento em comum. Deve por isso interpelar todas as dimens\u00f5es da pessoa: intelectual, afetiva e espiritual. N\u00e3o pode ser uma forma\u00e7\u00e3o exclusivamente te\u00f3rica, mas compreende experi\u00eancias concretas devidamente acompanhadas. \u00c9 igualmente importante favorecer um conhecimento das culturas em que as Igrejas vivem e atuam, incluindo a cultura digital, hoje t\u00e3o difundida, sobretudo no \u00e2mbito dos jovens. O trabalho do Grupo de estudo n. 3 est\u00e1 precisamente dedicado \u00e0 cultura digital e \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de uma forma\u00e7\u00e3o adequada neste campo.<\/li>\n<li>Por \u00faltimo, foi bastante acentuada a insist\u00eancia sobre a necessidade de uma forma\u00e7\u00e3o comum e partilhada, na qual tomem parte homens e mulheres, Leigos, Consagrados, Ministros ordenados e Candidatos ao Minist\u00e9rio ordenado, permitindo assim aumentar o conhecimento e a estima rec\u00edprocos, bem como a capacidade de colabora\u00e7\u00e3o. Solicita-se igualmente que seja prestada especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o das mulheres nos programas de forma\u00e7\u00e3o, ao lado de Seminaristas, Sacerdotes, Religiosos e Leigos. Reveste-se tamb\u00e9m de crucial import\u00e2ncia o seu acesso ao cargo de docentes e formadoras nas Faculdades e Institutos de teologia e nos Semin\u00e1rios. Sugere-se ainda oferecer a Presb\u00edteros, Bispos e Leigos uma forma\u00e7\u00e3o sobre as tarefas que as mulheres j\u00e1 podem desempenhar na Igreja e promover uma avalia\u00e7\u00e3o do recurso efetivo a esta oportunidade em todos os quadrantes da vida da Igreja: Par\u00f3quias, Dioceses, associa\u00e7\u00f5es laicais, movimentos eclesiais, comunidades novas, vida consagrada, institui\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas, at\u00e9 \u00e0 Curia Romana. O trabalho do Grupo de estudo n. 4 incide na revis\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o dos Candidatos ao Minist\u00e9rio ordenado (<em>Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis<\/em>) em perspetiva sinodal mission\u00e1ria. Um pedido proveniente de todos os continentes \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o sobre a prega\u00e7\u00e3o. Por fim, emerge a necessidade de uma forma\u00e7\u00e3o partilhada, te\u00f3rica e pr\u00e1tica, sobre o discernimento comunit\u00e1rio no \u00e2mbito dos diversos contextos locais.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O discernimento eclesial para a miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"58\">\n<li>O \u00fanico Esp\u00edrito, que suscita uma grande variedade de carismas, guia a Igreja para a plenitude da vida e da verdade divina (cf. Jo 10,10; 16,13). Mediante a sua presen\u00e7a e a\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, a \u00abtradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica progride na Igreja sob a assist\u00eancia do Esp\u00edrito Santo\u00bb (DV 8). Gra\u00e7as \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, o Povo de Deus, enquanto participante da fun\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica de Cristo (cf. LG12), \u00abesfor\u00e7a-se por discernir nos acontecimentos, nas exig\u00eancias e aspira\u00e7\u00f5es, em que participa juntamente com os homens de hoje, quais s\u00e3o os verdadeiros sinais da presen\u00e7a ou da vontade de Deus\u00bb (GS 11). Esta tarefa eclesial de discernimento assenta no\u00a0<em>sensus fidei<\/em>,animado pelo Esp\u00edrito Santo, que pode ser descrito como a \u201cintui\u00e7\u00e3o\u201d ou capacidade instintiva do Povo de Deus, sob a condu\u00e7\u00e3o dos Pastores (cf. LG 12), de \u00abdiscernir as novas estradas que o Senhor revela \u00e0 Igreja\u00bb (Francisco,\u00a0<em>Discurso por ocasi\u00e3o da comemora\u00e7\u00e3o do 50\u00b0 anivers\u00e1rio da institui\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo dos Bispos<\/em>, 17 de outubro de 2015).<\/li>\n<li>O discernimento envolve todos, tanto os que participam a n\u00edvel pessoal como comunit\u00e1rio, exigindo cultivar disposi\u00e7\u00f5es de liberdade interior, abertura \u00e0 novidade e abandono confiante \u00e0 vontade de Deus, e permanecer \u00e0 escuta uns dos outros, a fim de escutar \u00abo que o Esp\u00edrito diz \u00e0s Igrejas\u00bb (Ap 2,7). Maria, com a sua presen\u00e7a orante no seio da comunidade apost\u00f3lica reunida no cen\u00e1culo (cf. At 1,14), \u00e9 para todos modelo vivo e guia criativa de uma aut\u00eantica espiritualidade sinodal: na escuta perseverante e respons\u00e1vel da Palavra e no discernimento meditativo dos acontecimentos (cf. Lc 1,26-38; 2,19.51), na generosa abertura \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (cf. Lc 1,35), na partilha de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pela obra do Senhor (cf. Lc 1,39-56) e no servi\u00e7o concreto e pontual a cada uma e a cada um (cf. Jo 2, 1-12) que Jesus confiou ao seu cuidado maternal (cf. Jo 19, 25-27).<\/li>\n<li>Precisamente enquanto pede a cada um que partilhe o seu ponto de vista na perspetiva da miss\u00e3o comum, um processo de discernimento articula concretamente comunh\u00e3o, miss\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o. Por outras palavras, \u00e9 um modo de caminhar juntos. Para isso, \u00e9 fundamental promover uma ampla participa\u00e7\u00e3o nos processos de discernimento, prestando especial aten\u00e7\u00e3o ao envolvimento dos que se encontram nas margens da comunidade crist\u00e3 e da sociedade.<\/li>\n<li>O ponto de partida e o crit\u00e9rio de refer\u00eancia de todo o discernimento eclesial \u00e9 a escuta da Palavra de Deus. As Sagradas Escrituras constituem o testemunho por excel\u00eancia da comunica\u00e7\u00e3o de Deus \u00e0 humanidade. Elas atestam que Deus falou ao seu Povo e continua a faz\u00ea-lo, e apresentam diversos canais mediante os quais esta comunica\u00e7\u00e3o se processa. Deus fala atrav\u00e9s da medita\u00e7\u00e3o pessoal da Escritura, em que ecoa \u201cqualquer coisa\u201d do texto b\u00edblico que se reza. Deus fala \u00e0 comunidade na liturgia, lugar hermen\u00eautico por excel\u00eancia daquilo que o Senhor diz \u00e0 sua Igreja. Deus fala atrav\u00e9s da Igreja, que \u00e9 m\u00e3e e mestra, por meio da sua tradi\u00e7\u00e3o viva e das suas pr\u00e1ticas, incluindo as da piedade popular. Deus continua a falar atrav\u00e9s dos acontecimentos que ocorrem no espa\u00e7o e no tempo, desde que saibamos discernir o seu significado. Deus comunica ainda com o seu Povo atrav\u00e9s dos elementos c\u00f3smicos, cuja pr\u00f3pria exist\u00eancia remete para a a\u00e7\u00e3o do Criador e que est\u00e3o repletos da presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo \u201cque d\u00e1 a vida\u201d. Deus fala enfim na consci\u00eancia pessoal de cada um, que \u00ab\u00e9 o centro mais secreto e o santu\u00e1rio do homem, no qual se encontra a s\u00f3s com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser\u00bb (GS 16). Um discernimento aut\u00eantico n\u00e3o pode descurar nenhum destes canais de comunica\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>O discernimento comunit\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 uma t\u00e9cnica organizativa, mas antes uma pr\u00e1tica exigente que qualifica a vida e a miss\u00e3o da Igreja vivida em Cristo e no Esp\u00edrito Santo. Por esta raz\u00e3o, \u00e9 sempre realizado com a consci\u00eancia e a vontade de sermos reunidos em nome do Senhor Jesus (cf. Mt 18,20) \u00e0 escuta da voz do Esp\u00edrito Santo. Como prometeu Jesus, apenas o Esp\u00edrito Santo pode guiar a Igreja na via da plenitude da verdade (cf. Jo 16,13) e da vida, para a dar a um mundo sequioso de sentido. \u00c9 aqui que se fundamenta o m\u00e9todo com o qual o Povo de Deus vive o seu caminho de an\u00fancio e testemunho do Evangelho. Por conseguinte, \u00e9 priorit\u00e1rio aprender a praticar a todos os n\u00edveis a arte evang\u00e9lica que permitiu \u00e0 comunidade apost\u00f3lica de Jerusal\u00e9m selar o resultado do primeiro evento sinodal da hist\u00f3ria da Igreja com as palavras: \u00abNa verdade, pareceu bem ao Esp\u00edrito Santo e a n\u00f3s\u00bb (At 15,28). \u00c9 neste esp\u00edrito que a pr\u00e1tica da vida sinodal mission\u00e1ria da Igreja em lugares, organismos e eventos concretos deve ser reinterpretada e reorientada.<\/li>\n<li>As op\u00f5es processuais concretas, na sua variedade, devem ser coerentes com as exig\u00eancias de metodologia teol\u00f3gica de fundo. Com base na experi\u00eancia do processo sinodal, \u00e9 tamb\u00e9m poss\u00edvel identificar alguns elementos chave para a conce\u00e7\u00e3o de qualquer procedimento: a) uma vida de ora\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria, que inclua a participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia; b) uma prepara\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria, adequada assente na escuta da Palavra de Deus e da realidade; c) uma escuta respeitosa e profunda da palavra de cada um; d) a procura de um consenso o mais alargado poss\u00edvel, n\u00e3o por interse\u00e7\u00e3o (portanto no sentido de um corte), mas por conjuga\u00e7\u00e3o, visando evidenciar o que mais \u201cfaz arder os cora\u00e7\u00f5es\u201d (cf. Lc 24,32); e) a formula\u00e7\u00e3o do consenso por parte dos orientadores do processo e a sua restitui\u00e7\u00e3o a todos os participantes, a quem compete confirmar ou, pelo menos, sentir-se reconhecidos nessa formula\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>O discernimento realiza-se sempre \u201ccom os p\u00e9s na terra\u201d, ou seja, no \u00e2mbito de um contexto concreto, cuja complexidade e especificidade \u00e9 necess\u00e1rio conhecer o melhor poss\u00edvel. Assim sendo, n\u00e3o poder\u00e1 sen\u00e3o tirar partido do contributo da an\u00e1lise de v\u00e1rias ci\u00eancias humanas, sociais e administrativas relevantes para a quest\u00e3o em apre\u00e7o. A compet\u00eancia t\u00e9cnica e cient\u00edfica n\u00e3o tem a \u00faltima palavra \u2013 isso significaria cair numa deriva tecnocr\u00e1tica \u2013 cabendo-lhe \u00abdar uma base concreta ao percurso \u00e9tico e espiritual seguido\u00bb (LS 15). Dever\u00e1 assim garantir-se que possa oferecer o seu apoio, do qual n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prescindir, sem assumir um papel dominante em rela\u00e7\u00e3o a outras perspetivas.<\/li>\n<li>Na Igreja existe uma grande variedade de abordagens ao discernimento e de metodologias consolidadas. Esta variedade \u00e9 uma riqueza: com a devida adapta\u00e7\u00e3o aos diversos contextos, todas as abordagens podem revelar-se fecundas. Com vista ao bem comum, \u00e9 importante que entrem num di\u00e1logo cordial, sem perderem a sua especificidade pr\u00f3pria e sem entrincheiramentos identit\u00e1rios. A fecundidade da conversa\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito, revelada em todas as etapas do processo sinodal, convida a manter esta forma peculiar de discernimento eclesial como sendo particularmente adequada ao exerc\u00edcio da sinodalidade.<\/li>\n<li>Nas Igrejas locais, \u00e9 fundamental oferecer oportunidades de forma\u00e7\u00e3o que divulguem e promovam uma cultura do discernimento, em particular entre os que desempenham fun\u00e7\u00f5es de responsabilidade. \u00c9 igualmente importante cuidar da forma\u00e7\u00e3o de figuras de acompanhantes ou facilitadores, cujo contributo se revela frequentemente crucial para o decorrer dos processos de discernimento. \u00c9 nesta linha que se desenvolve tamb\u00e9m o trabalho do Grupo de estudo n. 9, dedicado \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios teol\u00f3gicos e metodologias sinodais para um discernimento partilhado de quest\u00f5es doutrinais, pastorais e \u00e9ticas controversas.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A articula\u00e7\u00e3o dos processos decis\u00f3rios<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"67\">\n<li>\u00abNa Igreja sinodal toda a comunidade, na livre e rica diversidade dos seus membros, \u00e9 convocada para rezar, escutar, analisar, dialogar, discernir e aconselhar na tomada de decis\u00f5es pastorais mais conformes \u00e0 vontade de Deus\u00bb (CTI, n. 68). Esta afirma\u00e7\u00e3o, mais do que ser aprofundada, necessita de ser implementada. \u00c9 dif\u00edcil imaginar uma forma de promover uma Igreja sinodal mais eficaz do que a participa\u00e7\u00e3o de todos nos processos decis\u00f3rios. Esta participa\u00e7\u00e3o assenta numa responsabilidade diferenciada que diz respeito a cada membro da comunidade, valorizando a sua capacidade e dons com vista \u00e0 decis\u00e3o partilhada.<\/li>\n<li>Para favorecer a sua implementa\u00e7\u00e3o, parece apropriada uma reflex\u00e3o sobre a articula\u00e7\u00e3o dos processos decis\u00f3rios. Esta prev\u00ea habitualmente uma fase de elabora\u00e7\u00e3o ou instru\u00e7\u00e3o (<em>decision-making<\/em>, de acordo com a terminologia inglesa tamb\u00e9m utilizada noutras l\u00ednguas), \u00abatrav\u00e9s de um trabalho comum de discernimento, consulta e coopera\u00e7\u00e3o\u00bb (CTI, n. 69), que informa e apoia a tomada de decis\u00e3o (<em>decision-taking<\/em>), a qual cabe \u00e0 autoridade competente (por exemplo, numa Diocese ou Eparquia ao Bispo). Entre as duas fases n\u00e3o existe competi\u00e7\u00e3o ou contradi\u00e7\u00e3o, mas a sua articula\u00e7\u00e3o contribui para que as decis\u00f5es tomadas sejam o mais poss\u00edvel conformes \u00e0 vontade de Deus: \u00abA elabora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma tarefa sinodal, a decis\u00e3o \u00e9 uma responsabilidade ministerial\u00bb (<em>ibid<\/em>.).<\/li>\n<li>Em numerosos casos o direito vigente prescreve j\u00e1 que, antes de tomar uma decis\u00e3o, a autoridade \u00e9 obrigada a proceder a uma consulta. Esta consulta eclesial n\u00e3o pode ser exclu\u00edda e vai muito al\u00e9m da escuta, porque obriga a n\u00e3o proceder como se a mesma n\u00e3o tivesse lugar. A autoridade mant\u00e9m-se livre em termos jur\u00eddicos, na medida em que o parecer consultivo n\u00e3o \u00e9 vinculativo, mas, caso seja concordante, n\u00e3o ser\u00e1 objeto de discuss\u00e3o sem um motivo convincente (<em>\u00absine praevalenti ratione\u00bb<\/em>CIC, can. 127, \u00a7 2, 2\u00b0). Se o fizesse, ficaria isolada do grupo de pessoas que foram consultadas, configurando uma quebra da liga\u00e7\u00e3o que os une. Na Igreja o exerc\u00edcio da autoridade n\u00e3o consiste na imposi\u00e7\u00e3o de uma vontade arbitr\u00e1ria, mas, enquanto minist\u00e9rio ao servi\u00e7o da unidade do Povo de Deus, constitui uma for\u00e7a moderadora da busca comum das exig\u00eancias do Esp\u00edrito.<\/li>\n<li>Numa Igreja sinodal, a compet\u00eancia decis\u00f3ria do Bispo, do Col\u00e9gio Episcopal e do Romano Pont\u00edfice \u00e9 inalien\u00e1vel, na medida em que est\u00e1 fundada na estrutura hier\u00e1rquica da Igreja estabelecida por Cristo. No entanto, n\u00e3o \u00e9 incondicional: uma orienta\u00e7\u00e3o que se manifeste no processo consultivo como resultado de um correto discernimento, sobretudo quando realizado por organismos de participa\u00e7\u00e3o da Igreja local, n\u00e3o pode ser ignorada. O objetivo do discernimento eclesial sinodal n\u00e3o consiste em for\u00e7ar os Bispos a obedecer \u00e0 voz do Povo, subordinando aqueles a este, nem oferecer aos Bispos um expediente para tornar aceit\u00e1veis decis\u00f5es j\u00e1 tomadas, mas conduzir a uma decis\u00e3o partilhada em obedi\u00eancia ao Esp\u00edrito Santo. \u00c9, portanto, inadequada uma contraposi\u00e7\u00e3o entre consulta e delibera\u00e7\u00e3o: na Igreja a delibera\u00e7\u00e3o realiza-se com a ajuda de todos, nunca sem a autoridade pastoral que decide por iner\u00eancia de cargo. Por esta raz\u00e3o, a f\u00f3rmula recorrente no CIC, que fala de \u201cvoto apenas consultivo\u201d (<em>tantum consultivum<\/em>), reduz o valor da consulta e est\u00e1 correta.<\/li>\n<li>Compete \u00e0s Igrejas locais promover insistentemente todas as possibilidades de dar vida a processos decis\u00f3rios autenticamente sinodais, adequados \u00e0s especificidades dos diferentes contextos. Trata-se de uma tarefa de grande import\u00e2ncia e urg\u00eancia, na medida em que dela depende substancialmente o bom resultado da fase de implementa\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo. Sem altera\u00e7\u00f5es concretas, a vis\u00e3o de uma Igreja sinodal n\u00e3o ser\u00e1 cred\u00edvel e afastar\u00e1 os membros do Povo de Deus que retiraram alento e esperan\u00e7a do caminho sinodal. Esta constata\u00e7\u00e3o \u00e9 aplic\u00e1vel ainda com maior rigor no que se refere \u00e0 participa\u00e7\u00e3o efetiva das mulheres nos processos de elabora\u00e7\u00e3o e na tomada de decis\u00f5es, como exigido em muitos dos contributos recebidos pelas Confer\u00eancias Episcopais.<\/li>\n<li>Por \u00faltimo, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio referir que processos de consulta, discernimento comunit\u00e1rio ou elabora\u00e7\u00e3o sinodal das decis\u00f5es exigem que todos os participantes tenham acesso efetivo \u00e0 totalidade das informa\u00e7\u00f5es relevantes, de modo a poderem formular o seu parecer com conhecimento de causa. \u00c9 da responsabilidade da autoridade que realiza o processo assegurar que isso acontece. Processos decis\u00f3rios sinodais corretos exigem um n\u00edvel adequado de transpar\u00eancia. Deve igualmente salientar-se a delicadeza da tarefa e a responsabilidade particular dos que exprimem o seu parecer numa consulta.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Transpar\u00eancia, presta\u00e7\u00e3o de contas, avalia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"73\">\n<li>Uma Igreja sinodal necessita da cultura e pr\u00e1tica da transpar\u00eancia e presta\u00e7\u00e3o de contas (<em>accountability<\/em>, um termo ingl\u00eas tamb\u00e9m utilizada noutras l\u00ednguas), que s\u00e3o indispens\u00e1veis a fim de promover a confian\u00e7a rec\u00edproca necess\u00e1ria para caminhar juntos e exercer a corresponsabilidade pela miss\u00e3o comum. Na Igreja, o exerc\u00edcio da presta\u00e7\u00e3o de contas n\u00e3o responde em primeiro lugar a exig\u00eancias de car\u00e1cter social e organizativa. O seu fundamento consiste essencialmente em encontrar na natureza da Igreja o mist\u00e9rio da comunh\u00e3o.<\/li>\n<li>No Novo Testamento \u00e9 poss\u00edvel encontrar pr\u00e1ticas de presta\u00e7\u00e3o de contas na vida da Igreja primitiva, significativamente ligadas \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o. O cap. 11 dos\u00a0<em>Atos dos ap\u00f3stolos\u00a0<\/em>oferece um exemplo desta pr\u00e1tica: quando Pedro regressa a Jerusal\u00e9m depois de ter batizado Corn\u00e9lio, um pag\u00e3o, \u00abos fi\u00e9is de origem judaica come\u00e7aram a discutir com ele dizendo: \u201cTu entraste na casa de pag\u00e3os e comeste com eles!\u201d\u00bb (At 11,2-3). Pedro responde com uma narrativa que presta contas da sua atua\u00e7\u00e3o. A presta\u00e7\u00e3o de contas do minist\u00e9rio \u00e0 comunidade faz parte da tradi\u00e7\u00e3o mais antiga, remontando \u00e0 Igreja apost\u00f3lica. A teologia crist\u00e3 do servi\u00e7o (<em>stewardship<\/em>) oferece um quadro de refer\u00eancia que permite compreender o exerc\u00edcio da autoridade e situar a reflex\u00e3o sobre transpar\u00eancia e presta\u00e7\u00e3o de contas.<\/li>\n<li>No nosso tempo, imp\u00f4s-se a exig\u00eancia de transpar\u00eancia e presta\u00e7\u00e3o de contas na Igreja e por parte da Igreja, ap\u00f3s a perda de credibilidade resultante dos esc\u00e2ndalos financeiros e principalmente dos abusos sexuais e de outro tipo de menores e pessoas vulner\u00e1veis. A falta de transpar\u00eancia e de formas de presta\u00e7\u00e3o de contas alimenta o clericalismo, que assenta no pressuposto impl\u00edcito de que os Ministros ordenados n\u00e3o devem prestar contas a ningu\u00e9m no exerc\u00edcio da autoridade que lhes foi conferida.<\/li>\n<li>Se a Igreja sinodal quer ser acolhedora, ent\u00e3o presta\u00e7\u00e3o de contas e transpar\u00eancia devem situar-se no centro da sua a\u00e7\u00e3o a todos os n\u00edveis e n\u00e3o apenas a n\u00edvel da autoridade. No entanto, quem desempenha cargos de autoridade tem maior responsabilidade neste campo. Transpar\u00eancia e presta\u00e7\u00e3o de contas n\u00e3o se limitam aos abusos sexuais e financeiros. Devem incidir igualmente nos planos pastorais, m\u00e9todos de evangeliza\u00e7\u00e3o e modalidades com que a Igreja respeita a dignidade da pessoa humana, no que se refere, por exemplo, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho no seio das suas institui\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>Se, ao longo dos s\u00e9culos, se manteve a pr\u00e1tica da presta\u00e7\u00e3o de contas aos superiores, esta dimens\u00e3o da presta\u00e7\u00e3o de contas das autoridades \u00e0 comunidade foi agora recuperada. A transpar\u00eancia deve ser uma caracter\u00edstica do exerc\u00edcio da autoridade na Igreja. Hoje em dia, s\u00e3o necess\u00e1rias estruturas e formas de avalia\u00e7\u00e3o regular do modo como s\u00e3o exercidas todas as responsabilidades ministeriais. A avalia\u00e7\u00e3o, entendida em sentido n\u00e3o moralista, permite aos Ministros introduzir tempestivamente eventuais ajustamentos e favorece o seu crescimento e a capacidade de prestarem um servi\u00e7o melhor.<\/li>\n<li>Al\u00e9m de observar todas as disposi\u00e7\u00f5es j\u00e1 previstas nas normas can\u00f3nicas em mat\u00e9ria de crit\u00e9rios e mecanismos de controlo, compete \u00e0s Igrejas locais e sobretudo aos seus agrupamentos (Confer\u00eancias Episcopais e Estruturas Hier\u00e1rquicas Orientais) organizar formas e procedimentos eficazes de transpar\u00eancia e presta\u00e7\u00e3o de contas, apropriados \u00e0 diversidade dos contextos, a partir do quadro normativo civil, das expetativas da sociedade e da disponibilidade efetiva de compet\u00eancias na mat\u00e9ria. Contudo, nos casos em que os recursos sejam escassos, a Igreja deve trabalhar com vista a uma evolu\u00e7\u00e3o do seu pr\u00f3prio trabalho e da mentalidade comum no sentido da transpar\u00eancia e da cultura da presta\u00e7\u00e3o de contas.<\/li>\n<li>Em particular, parece necess\u00e1rio garantir, em formas apropriadas aos diversos contextos, pelo menos: a) um funcionamento eficaz dos Conselhos dos assuntos econ\u00f3micos; b) o envolvimento efetivo do Povo de Deus, nomeadamente dos membros mais competentes, no planeamento pastoral e econ\u00f3mico; c) a elabora\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o (acessibilidade efetiva) de um relat\u00f3rio de contas anual, se poss\u00edvel certificado por revisores externos, que torne transparente a gest\u00e3o dos bens e dos recursos financeiros da Igreja e das suas institui\u00e7\u00f5es; d) uma presta\u00e7\u00e3o de contas anual sobre a evolu\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o, que compreenda uma ilustra\u00e7\u00e3o das iniciativas empreendidas em mat\u00e9ria de\u00a0<em>safeguarding<\/em>(tutela de menores e pessoas vulner\u00e1veis) e de promo\u00e7\u00e3o do acesso das mulheres a posi\u00e7\u00f5es de autoridade, bem como da sua participa\u00e7\u00e3o nos processos decis\u00f3rios; e) procedimentos de avalia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica do desempenho de todos os minist\u00e9rios e atribui\u00e7\u00f5es no seio da Igreja. Tamb\u00e9m este aspeto se reveste de grande import\u00e2ncia e urg\u00eancia para a credibilidade do processo sinodal e da sua implementa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parte III \u2013 Lugares<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A vida sinodal mission\u00e1ria da Igreja, as rela\u00e7\u00f5es que a integram e os percursos que asseguram o seu desenvolvimento, nunca podem prescindir do concreto de um \u201clugar\u201d, ou seja, de um contexto e de uma cultura. Esta Parte III convida-nos a superar uma vis\u00e3o est\u00e1tica dos lugares, que os ordena por n\u00edveis ou graus sucessivos (Par\u00f3quia, zona, Diocese ou Eparquia, Prov\u00edncia Eclesi\u00e1stica, Confer\u00eancia Episcopal ou Estrutura Hier\u00e1rquica Oriental, Igreja universal) segundo um modelo piramidal. Na realidade, nunca foi assim: a teia das rela\u00e7\u00f5es e do interc\u00e2mbio de dons entre as Igrejas sempre teve uma forma reticular e n\u00e3o linear, no v\u00ednculo da unidade, da qual o Romano Pont\u00edfice \u00e9 princ\u00edpio e fundamento com car\u00e1cter perp\u00e9tuo e vis\u00edvel, e a catolicidade da Igreja nunca coincidiu com um universalismo abstrato. Por outro lado, no \u00e2mbito de uma conce\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o em r\u00e1pida muta\u00e7\u00e3o, restringir a a\u00e7\u00e3o da Igreja a limites puramente espaciais iria aprision\u00e1-la num imobilismo fatal e numa preocupante repetibilidade pastoral, incapaz de atingir a parte mais din\u00e2mica da popula\u00e7\u00e3o, em particular os jovens. Em vez disso, os lugares s\u00e3o colocados numa perspetiva de interioridade m\u00fatua, a concretizar tamb\u00e9m nas rela\u00e7\u00f5es entre Igrejas nos seus agrupamentos dotados de uma unidade de sentido. O servi\u00e7o da unidade, que compete ao Bispo de Roma e ao Col\u00e9gio Episcopal em comunh\u00e3o com ele, deve igualmente confrontar-se com este cen\u00e1rio, elaborando as modalidades institucionais adequadas do seu exerc\u00edcio.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Territ\u00f3rios onde caminhar juntos<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"80\">\n<li>\u00ab\u00c0 Igreja de Deus\u00a0<em>que est\u00e1 em Corinto<\/em>\u2026\u00bb (1 Cor 1,2). O an\u00fancio do Evangelho, suscitando a f\u00e9 no cora\u00e7\u00e3o dos homens e das mulheres, permite que num lugar se constitua uma Igreja. A Igreja n\u00e3o pode ser compreendida sem implementa\u00e7\u00e3o num lugar e numa cultura e sem as rela\u00e7\u00f5es que se estabelecem entre lugares e culturas. Destacar a import\u00e2ncia do lugar n\u00e3o significa ceder ao particularismo ou ao relativismo, mas sim valorizar a realidade concreta em que, no espa\u00e7o e no tempo, se constr\u00f3i uma experi\u00eancia partilhada de ades\u00e3o \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o de Deus salvador. A dimens\u00e3o do lugar preserva a pluralidade das configura\u00e7\u00f5es desta experi\u00eancia e o seu enraizamento em contextos culturais e hist\u00f3ricos espec\u00edficos. A variedade das tradi\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, teol\u00f3gicas, espirituais e disciplinares constitui a demonstra\u00e7\u00e3o mais evidente do enriquecimento e beleza que esta pluralidade confere \u00e0 Igreja. \u00c9 a comunh\u00e3o das Igrejas, cada uma com a sua realidade local, a manifestar a comunh\u00e3o dos Fi\u00e9is na Igreja \u00fanica e una, evitando a sua dispers\u00e3o num universalismo abstrato e homogeneizante.<\/li>\n<li>A experi\u00eancia do pluralismo das culturas e da fecundidade do encontro e do di\u00e1logo entre elas, \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de vida da Igreja e n\u00e3o uma amea\u00e7a \u00e0 sua catolicidade. A mensagem salv\u00edfica permanece una e \u00fanica: \u00abH\u00e1 um s\u00f3 corpo e um s\u00f3 Esp\u00edrito, do mesmo modo que a esperan\u00e7a para a qual fostes chamados \u00e9 uma s\u00f3. Existe um \u00fanico Senhor, uma s\u00f3 f\u00e9 e um s\u00f3\u00a0<u>B<\/u>atismo. H\u00e1 um s\u00f3 Deus, Pai de todos, que est\u00e1 acima de todos e que atua atrav\u00e9s de todos e em todos\u00bb (Ef 4,4-6). Esta mensagem assume uma forma plural, expressa na diversidade de povos, culturas, tradi\u00e7\u00f5es e l\u00ednguas. Tomar a s\u00e9rio esta pluralidade de formas afasta pretens\u00f5es hegem\u00f3nicas e o risco de reduzir a mensagem salv\u00edfica a uma \u00fanica compreens\u00e3o da vida eclesial e das express\u00f5es lit\u00fargicas, pastorais ou morais. A trama das rela\u00e7\u00f5es no seio de uma Igreja sinodal torna-se vis\u00edvel no interc\u00e2mbio de dons entre as Igrejas e, garantida pela unidade do Col\u00e9gio Episcopal guiada pelo Bispo de Roma, constitui a defesa din\u00e2mica de uma unidade que nunca se pode transformar em uniformidade.<\/li>\n<li>Tudo isto se confronta atualmente com condi\u00e7\u00f5es socioculturais que alteram profundamente a experi\u00eancia vivida da implanta\u00e7\u00e3o territorial. O lugar j\u00e1 n\u00e3o pode ser entendido em termos puramente geogr\u00e1ficos e espaciais, reclamando antes a perten\u00e7a a uma trama de rela\u00e7\u00f5es e a uma cultura com uma ancoragem territorial mais din\u00e2mica e el\u00e1stica do que no passado. Tal facto n\u00e3o pode deixar de interrogar as formas organizativas da Igreja, que se estruturaram com base numa outra conce\u00e7\u00e3o de lugar e exige tamb\u00e9m a assun\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios diferenciados, obviamente n\u00e3o contradit\u00f3rios, para encarnar a \u00fanica verdade na vida das pessoas.<\/li>\n<li>Entre os fatores desta mudan\u00e7a conta-se certamente o fen\u00f3meno da urbaniza\u00e7\u00e3o: atualmente, pela primeira vez na hist\u00f3ria humana, a maioria da humanidade vive em contextos urbanos e n\u00e3o rurais. A perten\u00e7a territorial assume uma configura\u00e7\u00e3o diferente em contexto urbano, no qual os limites entre as partes t\u00eam um car\u00e1cter evidentemente mais convencional. Nas grandes metr\u00f3poles, bastam algumas paragens de metropolitano para ultrapassar os limites n\u00e3o da Par\u00f3quia, mas da Diocese: uma desloca\u00e7\u00e3o que muitas pessoas efetuam v\u00e1rias vezes ao longo do mesmo dia. A sua vida decorre normalmente em lugares eclesiais diferentes.<\/li>\n<li>Um segundo fator \u00e9 o acr\u00e9scimo da mobilidade humana, por diferentes raz\u00f5es, num mundo globalizado. Refugiados e migrantes constituem frequentemente comunidades vivas, tamb\u00e9m no que se refere \u00e0 pr\u00e1tica da f\u00e9, tornando assim plural o lugar em que se estabelecem. Ao mesmo tempo, e gra\u00e7as tamb\u00e9m aos meios de comunica\u00e7\u00e3o digital, mant\u00eam liga\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es com o seu pa\u00eds de origem. Vivem, portanto, uma m\u00faltipla perten\u00e7a local, cultural e lingu\u00edstica. Por sua vez, as comunidades de origem registam, por um lado, a redu\u00e7\u00e3o dos seus membros, correndo at\u00e9 o risco de desaparecer e, por outro, uma expans\u00e3o do pr\u00f3prio tecido relacional \u00e0 escala global. Como sublinhou a Primeira Sess\u00e3o, \u00e9 emblem\u00e1tica a este respeito, a situa\u00e7\u00e3o de certas Igrejas Orientais Cat\u00f3licas: com os atuais ritmos dos fluxos migrat\u00f3rios, os seus membros na di\u00e1spora poder\u00e3o exceder o n\u00famero dos que vivem nos territ\u00f3rios can\u00f3nicos (cf. RdS 6c). Em qualquer caso, tornar-se-\u00e1 cada vez mais anacr\u00f3nico definir o seu lugar em termos puramente geogr\u00e1ficos. O Grupo de estudo n. 1 \u00e9 chamado a refletir sobre os desafios que esta realidade coloca nas rela\u00e7\u00f5es com a Igreja latina.<\/li>\n<li>Por \u00faltimo, n\u00e3o podemos ignorar a difus\u00e3o da cultura digital, especialmente entre os jovens. Esta tem um impacto radical na experi\u00eancia e na conce\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o e do tempo, assim como no modo de viver todos os tipos de atividades, as comunica\u00e7\u00f5es, as rela\u00e7\u00f5es e inclusivamente a f\u00e9. N\u00e3o \u00e9 por acaso que a Primeira Sess\u00e3o afirma que \u00aba cultura digital n\u00e3o \u00e9 tanto uma \u00e1rea distinta da miss\u00e3o, mas uma dimens\u00e3o crucial do testemunho da Igreja\u00bb (RdS 17b). Esta tem\u00e1tica constitui o objeto do trabalho do terceiro dos dez Grupos de estudo.<\/li>\n<li>Esta din\u00e2mica da sociedade e da cultura obrigam a Igreja a repensar o sentido da pr\u00f3pria dimens\u00e3o local, com vista ao bem da miss\u00e3o. Sem ignorar que a vida se exerce sempre em contextos f\u00edsicos e em culturas concretas, de que nunca \u00e9 poss\u00edvel prescindir, conv\u00e9m afastarmo-nos de uma interpreta\u00e7\u00e3o unicamente espacial do lugar: os lugares, tamb\u00e9m e sobretudo os da Igreja, n\u00e3o s\u00e3o apenas espa\u00e7os, mas tamb\u00e9m \u00e1reas e redes que permitem o desenvolvimento das rela\u00e7\u00f5es, oferecendo \u00e0s pessoas uma oportunidade de enraizamento e uma base para a miss\u00e3o, que poder\u00e3o realizar nos locais onde vivem. A convers\u00e3o sinodal das mentalidades e dos cora\u00e7\u00f5es deve ser acompanhada de uma reforma sinodal dos lugares eclesiais, chamada a ser estrada para caminhar juntos. Isto n\u00e3o significa confinar a a\u00e7\u00e3o pastoral a perten\u00e7as eletivas, porquanto a mesma deve poder encontrar cada homem e cada mulher.<\/li>\n<li>Esta reforma \u00e9 conduzida com base na compreens\u00e3o da Igreja como Povo santo de Deus, articulada na comunh\u00e3o das Igrejas (<em>communio Ecclesiarum<\/em>)<em>.\u00a0<\/em>A experi\u00eancia vivida demonstrou-nos que iniciar o processo sinodal das Igrejas locais n\u00e3o compromete a unidade de toda a Igreja, mas exprime a variedade e a universalidade do Povo de Deus (cf. LG 22), nem prejudica o exerc\u00edcio do minist\u00e9rio de unidade do Bispo de Roma, antes o valoriza. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio pensar a Igreja a partir das suas institui\u00e7\u00f5es, mas estas, incluindo as mais importantes, s\u00e3o repensadas na l\u00f3gica do servi\u00e7o da miss\u00e3o.<\/li>\n<li>Em virtude do servi\u00e7o do Bispo de Roma como princ\u00edpio vis\u00edvel da unidade de toda a Igreja e de cada Bispo como princ\u00edpio vis\u00edvel da unidade na sua Igreja, o Conc\u00edlio p\u00f4de afirmar que a Igreja, corpo m\u00edstico de Cristo, \u00e9 tamb\u00e9m um corpo de Igrejas, nas quais e a partir das quais existe a Igreja Cat\u00f3lica, \u00fanica e una (cf. LG 23). Este corpo articula-se: a) nas Igrejas individuais como por\u00e7\u00f5es do Povo de Deus, cada uma confiada a um Bispo; b) nos agrupamentos de Igrejas, nos quais as inst\u00e2ncias da comunh\u00e3o s\u00e3o sobretudo representadas pelos organismos hier\u00e1rquicos; c) na Igreja inteira (<em>Ecclesia tota<\/em>),em que a Igreja como comunh\u00e3o de Igrejas \u00e9 expressa pelo Col\u00e9gio dos Bispos reunido ao redor do Bispo de Roma, no v\u00ednculo da comunh\u00e3o episcopal (<em>cum Petro<\/em>)e hier\u00e1rquica<em>\u00a0<\/em>(<em>sub Petro<\/em>)<em>.\u00a0<\/em>A reforma das institui\u00e7\u00f5es eclesiais s\u00f3 pode seguir esta articula\u00e7\u00e3o ordenada da Igreja<em>.<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As Igrejas locais na Igreja Cat\u00f3lica \u00fanica e una<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"89\">\n<li>A Igreja local, na sua articula\u00e7\u00e3o, \u00e9 o lugar em que podemos vivenciar com car\u00e1cter mais imediato a vida sinodal mission\u00e1ria de toda a Igreja. Os contributos das Confer\u00eancias Episcopais falam de Par\u00f3quias, comunidades de base e pequenas comunidades como n\u00facleos de comunh\u00e3o e de participa\u00e7\u00e3o na miss\u00e3o. Tal como afirmaram os P\u00e1rocos reunidos em Sacrofano, \u00abos membros das Par\u00f3quias s\u00e3o e tornam-se disc\u00edpulos mission\u00e1rios de Jesus reunidos em seu nome pela ora\u00e7\u00e3o e o culto, o servi\u00e7o e o testemunho em tempos de alegria e de dor, de esperan\u00e7a e de luta\u00bb. Deus atua nestas realidades eclesiais. Ao mesmo tempo, estamos conscientes de que devemos fazer mais para desenvolver e tirar partido da grande plasticidade da Par\u00f3quia, entendida como comunidade de comunidades, ao servi\u00e7o da criatividade mission\u00e1ria.<\/li>\n<li>Atualmente, as Igrejas locais integram tamb\u00e9m realidades associativas e comunit\u00e1rias que s\u00e3o express\u00f5es antigas e novas da vida crist\u00e3. Os Institutos de vida consagrada e as Sociedades de vida apost\u00f3lica, em particular, contribuem em larga medida para a vida das Igrejas locais e o dinamismo da a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria. O mesmo \u00e9 v\u00e1lido para as associa\u00e7\u00f5es laicais, os movimentos eclesiais e as Novas Comunidades. A perten\u00e7a \u00e0 Igreja manifesta-se atualmente com um n\u00famero crescente de formas que n\u00e3o remetem para uma base geograficamente definida, mas para liga\u00e7\u00f5es de tipo associativo. Esta variedade de formas \u00e9 promovida, tendo sempre presente a perspetiva mission\u00e1ria e o discernimento eclesial daquilo que o Senhor pede em cada contexto particular. A anima\u00e7\u00e3o desta variedade multiforme e o cuidado dos la\u00e7os de unidade constituem compet\u00eancias espec\u00edficas do Bispo diocesano o eparquial. Foi confiada ao Grupo de estudo n. 6 a tarefa de aprofundar estes aspetos.<\/li>\n<li>Tal como j\u00e1 sucedera nas fases anteriores do processo sinodal, tamb\u00e9m por ocasi\u00e3o da consulta para a reda\u00e7\u00e3o do presente\u00a0<em>Instrumentum laboris<\/em>, muitos dos contributos recolhidos consideram os diversos tipos de Conselhos (paroquiais, de zona, diocesanos ou eparquiais) instrumentos essenciais para o planeamento, a organiza\u00e7\u00e3o, a execu\u00e7\u00e3o e a avalia\u00e7\u00e3o das atividades pastorais, e referem a necessidade da sua valoriza\u00e7\u00e3o. Trata-se, com efeito, de estruturas j\u00e1 previstas no direito vigente. Mediante uma adapta\u00e7\u00e3o apropriada, poder\u00e3o revelar-se ainda mais adequadas para dar forma concreta a alguns aspetos de um estilo sinodal: podem ser alvo de processos de discernimento eclesial e de processos decis\u00f3rios sinodais e lugares da pr\u00e1tica da presta\u00e7\u00e3o de contas e da avalia\u00e7\u00e3o de quem exerce cargos de autoridade, sem esquecer que, por sua vez, estas pessoas devem dar conta do modo como desempenham as suas fun\u00e7\u00f5es. Trata-se, pois, de um dos campos de a\u00e7\u00e3o mais promissores para uma aplica\u00e7\u00e3o expedita das orienta\u00e7\u00f5es sinodais, que conduza a altera\u00e7\u00f5es rapidamente percet\u00edveis.<\/li>\n<li>Para avan\u00e7ar nesta dire\u00e7\u00e3o, muitos contributos salientam a necessidade de intervir sobre o perfil e as modalidades de funcionamento destes \u00f3rg\u00e3os. Entre os aspetos mais significativos a considerar, destaca-se a modalidade de nomea\u00e7\u00e3o dos membros, procurando que a sua composi\u00e7\u00e3o reflita a da comunidade de refer\u00eancia (Par\u00f3quia ou Diocese\/Eparquia), a fim de contribuir credivelmente para a promo\u00e7\u00e3o de uma cultura de transpar\u00eancia e presta\u00e7\u00e3o de contas. Por conseguinte, \u00e9 importante que a maioria dos membros n\u00e3o seja indicada pela autoridade (Bispo ou P\u00e1roco), mas designada de uma outra forma que traduza efetivamente a realidade da comunidade ou da Igreja local.<\/li>\n<li>A composi\u00e7\u00e3o destes organismos requer tamb\u00e9m uma aten\u00e7\u00e3o similar, de modo a favorecer uma maior participa\u00e7\u00e3o das mulheres, dos jovens e dos que vivem em condi\u00e7\u00f5es de pobreza ou marginaliza\u00e7\u00e3o. Por outro lado, como salientado tamb\u00e9m na Primeira Sess\u00e3o, \u00e9 fundamental que estes \u00f3rg\u00e3os integrem homens e mulheres empenhados no testemunho da f\u00e9 na realidade comum da vida e nas din\u00e2micas sociais, com uma disposi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica e mission\u00e1ria reconhecida (cf. RdS 18d), e n\u00e3o s\u00f3 pessoas empenhadas na organiza\u00e7\u00e3o da vida e dos servi\u00e7os internos da comunidade. Deste modo, o discernimento eclesial realizado por estes organismos poder\u00e1 beneficiar de uma maior abertura, capacidade de analise da realidade e pluralidade de perspetivas. Por \u00faltimo, muitos contributos assinalam a oportunidade de tornar obrigat\u00f3rios os Conselhos cuja institui\u00e7\u00e3o \u00e9 discricional no direito atualmente vigente.<\/li>\n<li>Algumas Confer\u00eancias Episcopais partilharam tamb\u00e9m experi\u00eancias de reforma e boas pr\u00e1ticas j\u00e1 implementadas, como a cria\u00e7\u00e3o de redes de Conselhos pastorais a n\u00edvel das comunidades de base, Par\u00f3quias e zonas, at\u00e9 ao Conselho pastoral diocesano. Como modelo de consulta e escuta, prop\u00f5e-se a cria\u00e7\u00e3o de assembleias eclesiais a todos os n\u00edveis, procurando n\u00e3o limitar a consulta ao interior da Igreja Cat\u00f3lica, mas beneficiando do contributo de outras Igrejas e Comunidades Eclesiais, de outras religi\u00f5es presentes no territ\u00f3rio e da sociedade, no \u201ccaminhar juntos\u201d da comunidade crist\u00e3.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os la\u00e7os que d\u00e3o forma \u00e0 unidade da Igreja<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"95\">\n<li>O horizonte de comunh\u00e3o do interc\u00e2mbio de dons, explicitado na Parte I, constitui o crit\u00e9rio inspirador da rela\u00e7\u00e3o entre as Igrejas. Combina o \u00eanfase colocado nos la\u00e7os que d\u00e3o forma \u00e0 unidade da Igreja com a valoriza\u00e7\u00e3o das peculiaridades associadas ao contexto em que vive cada Igreja local, com a sua hist\u00f3ria e a sua tradi\u00e7\u00e3o. A ado\u00e7\u00e3o de um estilo sinodal permite deixar de pensar que todas as Igrejas devam for\u00e7osamente mover-se ao mesmo ritmo relativamente a cada quest\u00e3o. As diferen\u00e7as de ritmo devem, pelo contr\u00e1rio, ser valorizadas como express\u00e3o de uma leg\u00edtima diversidade e como ocasi\u00e3o para um interc\u00e2mbio de dons e enriquecimento m\u00fatuo. Para poder realizar-se, este horizonte necessita de se inserir em estruturas e pr\u00e1ticas concretas. Responder \u00e0 pergunta \u00ab<em>Como<\/em>ser Igreja sinodal em miss\u00e3o?\u00bb exige, portanto, a sua identifica\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>As Estruturas Hier\u00e1rquicas Orientais e as Confer\u00eancias Episcopais constituem um instrumento fundamental para a cria\u00e7\u00e3o de la\u00e7os e partilha de experi\u00eancias entre as Igrejas, al\u00e9m de promoverem o descentramento do governo e da planifica\u00e7\u00e3o pastoral. \u00abO Conc\u00edlio Vaticano II afirmou que, \u00e0 semelhan\u00e7a das antigas Igrejas patriarcais, as confer\u00eancias Episcopais podem \u201caportar uma contribui\u00e7\u00e3o m\u00faltipla e fecunda, para que o sentimento colegial leve a aplica\u00e7\u00f5es concretas\u201d (LG 23). Mas este desejo n\u00e3o se realizou plenamente, porque ainda n\u00e3o foi suficientemente explicitado um estatuto das confer\u00eancias Episcopais que as considere como sujeitos de atribui\u00e7\u00f5es concretas, incluindo alguma aut\u00eantica autoridade doutrinal\u00bb (EG 32). Procurar o modo de ser Igreja sinodal em miss\u00e3o exige dar resposta a esta quest\u00e3o.<\/li>\n<li>A partir do que emergiu no decurso do processo sinodal, prop\u00f5e-se: a) reconhecer as Confer\u00eancias Episcopais como sujeitos eclesiais dotados de autoridade doutrinal, assumindo a diversidade sociocultural no quadro de uma Igreja poli\u00e9drica e favorecendo a valoriza\u00e7\u00e3o das express\u00f5es lit\u00fargicas, disciplinares, teol\u00f3gicas e espirituais apropriadas aos diferentes contextos socioculturais; b) proceder a uma avalia\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia vivida do funcionamento das Confer\u00eancias Episcopais e das Estruturas Hier\u00e1rquicas Orientais, das rela\u00e7\u00f5es entre os Episcopados e com a Santa S\u00e9, para identificar as reformas concretas a implementar; as visitas\u00a0<em>ad limina<\/em>, que se inserem no \u00e2mbito de trabalho do Grupo de estudo n. 7, poderiam constituir uma ocasi\u00e3o prop\u00edcia para esta avalia\u00e7\u00e3o; c) assegurar que todas as Dioceses ou Eparquias sejam afetas a uma Prov\u00edncia Eclesi\u00e1stica e a uma Confer\u00eancia Episcopal ou Estrutura Hier\u00e1rquica Oriental (cf. CD 40).<\/li>\n<li>A experi\u00eancia das Assembleias continentais foi a novidade da primeira fase do processo sinodal, implementando de modo mais coerente as indica\u00e7\u00f5es conciliares de considerar seriamente as especificidades \u00abde cada vasto territ\u00f3rio sociocultural\u00bb em busca de \u00abuma mais profunda adapta\u00e7\u00e3o em toda a extens\u00e3o da vida crist\u00e3\u00bb (AG 22). Esta experi\u00eancia, assim como o caminho das Igrejas de certas regi\u00f5es, coloca a quest\u00e3o da articula\u00e7\u00e3o do dinamismo sinodal e colegial atrav\u00e9s de express\u00f5es institucionais apropriadas, como por exemplo assembleias eclesiais e Confer\u00eancias Episcopais, \u00e0s quais atribuir fun\u00e7\u00f5es coordenadas de elabora\u00e7\u00e3o e tomada de decis\u00f5es de \u00e2mbito continental ou regional. \u00c9 poss\u00edvel tamb\u00e9m implementar m\u00e9todos de discernimento que incluam uma diversidade de sujeitos eclesiais na reda\u00e7\u00e3o de documentos e nos processos decis\u00f3rios. Prop\u00f5e-se ainda que em rela\u00e7\u00e3o ao discernimento possam prever-se, de forma adequada \u00e0 diversidade dos contextos, espa\u00e7os de escuta e di\u00e1logo com institui\u00e7\u00f5es civis, representantes de outras religi\u00f5es, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o cat\u00f3licas e a sociedade em geral.<\/li>\n<li>O desejo de que o di\u00e1logo sinodal local n\u00e3o termine, mas continue no tempo, e a necessidade de uma efetiva incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9 em extens\u00f5es territoriais significativas leva a uma nova valoriza\u00e7\u00e3o do instituto dos Conselhos particulares, tanto provinciais como plen\u00e1rios, cuja celebra\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica constituiu uma obriga\u00e7\u00e3o durante larga parte da hist\u00f3ria da Igreja. Com base na experi\u00eancia amadurecida ao longo do percurso sinodal, \u00e9 poss\u00edvel pensar formas que articulem uma assembleia apenas de Bispos e uma assembleia eclesial constitu\u00edda tamb\u00e9m por outros Fi\u00e9is (Presb\u00edteros, Di\u00e1conos, Consagrados e Consagradas, Leigos e Leigas), delegados aos Conselhos pastorais das Dioceses ou Eparquias participantes, ou nomeados de outro modo, por forma a refletir a variedade da Igreja na regi\u00e3o. Nesta linha, seria poss\u00edvel reformar o procedimento de\u00a0<em>recognitio<\/em>das conclus\u00f5es dos Conselhos particulares, a fim de favorecer uma publica\u00e7\u00e3o atempada.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O servi\u00e7o do Bispo de Roma em prol da unidade<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"100\">\n<li>Responder \u00e0 pergunta \u00ab<em>Como\u00a0<\/em>ser Igreja sinodal em miss\u00e3o?\u00bb exige tamb\u00e9m revisitar a din\u00e2mica que une sinodalidade, colegialidade e primado, para que possa alimentar as rela\u00e7\u00f5es entre as institui\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s das quais encontra uma express\u00e3o concreta.<\/li>\n<li>O processo sinodal demonstrou a verdade das afirma\u00e7\u00f5es conciliares, que \u00abna comunh\u00e3o eclesial existem legitimamente igrejas particulares com tradi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, sem detrimento do primado da c\u00e1tedra de Pedro, que preside \u00e0 universal assembleia da caridade (25), protege as leg\u00edtimas diversidades e vigia para que as particularidades ajudem a unidade e de forma alguma a prejudiquem\u00bb (LG 13). Em virtude desta fun\u00e7\u00e3o, o Bispo de Roma, enquanto princ\u00edpio vis\u00edvel de unidade da Igreja inteira (cf. LG 23), \u00e9 o garante da sinodalidade: compete-lhe chamar toda a Igreja \u00e0 a\u00e7\u00e3o sinodal, convocando, presidindo e confirmando os resultados dos S\u00ednodos dos Bispos; dever\u00e1 exercer um cuidado vigilante para que a Igreja cres\u00e7a num estilo e numa forma sinodal.<\/li>\n<li>A reflex\u00e3o sobre as formas de exerc\u00edcio do minist\u00e9rio petrino \u00e9 tamb\u00e9m conduzida na perspetiva da \u00abdescentraliza\u00e7\u00e3o salutar\u00bb (EG 16) solicitada pelo Papa Francisco e requerida por muitas Confer\u00eancias Episcopais. Na formula\u00e7\u00e3o dada pela Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>Praedicate Evangelium<\/em>, a mesma implica \u00abdeixar \u00e0 compet\u00eancia dos Pastores a faculdade de resolver, no exerc\u00edcio da \u00absua pr\u00f3pria tarefa de mestres\u00bb e Pastores, as quest\u00f5es que conhecem bem e que n\u00e3o afetam a unidade de doutrina, de disciplina e de comunh\u00e3o da Igreja, agindo sempre com aquela corresponsabilidade que \u00e9 fruto e express\u00e3o deste espec\u00edfico\u00a0<em>mysterium communionis<\/em>que \u00e9 a Igreja\u00bb (PE II, 2).<\/li>\n<li>Para proceder neste rumo poderia adotar-se a orienta\u00e7\u00e3o do recente Motu Proprio\u00a0<em>Competentias quasdam decernere<\/em>(15 de fevereiro de 2022), que atribui \u00abalgumas compet\u00eancias, relativas a disposi\u00e7\u00f5es do C\u00f3digo que visam garantir a unidade da disciplina da Igreja universal, o poder executivo das Igrejas e das institui\u00e7\u00f5es eclesiais locais\u00bb com base na \u00abdin\u00e2mica eclesial da comunh\u00e3o\u00bb (introdu\u00e7\u00e3o).<\/li>\n<li>Por outro lado, tamb\u00e9m a elabora\u00e7\u00e3o da norma can\u00f3nica pode prestar-se \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de um estilo sinodal. A a\u00e7\u00e3o normativa n\u00e3o est\u00e1 limitada ao exerc\u00edcio de um poder reconhecido por parte da autoridade, sendo considerada como um verdadeiro discernimento eclesial. Embora goze de todas as prerrogativas para legislar, ao faz\u00ea-lo a autoridade pode e deve agir de acordo com o m\u00e9todo sinodal, a fim de promulgar uma norma que seja fruto de uma exig\u00eancia de justi\u00e7a decorrente da escuta no Esp\u00edrito.<\/li>\n<li>A referida Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>Praedicate Evangelium<\/em>configurou em sentido sinodal e mission\u00e1rio o servi\u00e7o que a C\u00faria Romana presta ao Bispo de Roma e ao Col\u00e9gio dos Bispos. Na l\u00f3gica da transpar\u00eancia e da presta\u00e7\u00e3o de contas, est\u00e3o previstas formas de avalia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica do seu trabalho, confiadas a um \u00f3rg\u00e3o independente (que poder\u00e1 ser o Conselho dos Cardeais e\/ou um conselho de Bispos eleito pelo S\u00ednodo). O Grupo de estudo n. 8 tem a seu cargo o papel dos Representantes pontif\u00edcios em perspetiva sinodal mission\u00e1ria e as modalidades de avalia\u00e7\u00e3o do seu desempenho.<\/li>\n<li>A Assembleia de outubro de 2023 indicava a necessidade de proceder a uma avalia\u00e7\u00e3o dos frutos da Primeira Sess\u00e3o (cf. RdS 20j), a qual n\u00e3o pode prescindir do desenvolvimento conferido pela Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>Episcopalis communio<\/em>, que transforma o S\u00ednodo de evento pontual em processo eclesial que se prolonga no espa\u00e7o e no tempo. Entre os lugares para praticar a sinodalidade e a colegialidade a n\u00edvel de toda a Igreja, destaca-se certamente o S\u00ednodo dos Bispos. Institu\u00eddo por S\u00e3o Paulo Paolo VI como uma assembleia de Bispos convocada para participar, atrav\u00e9s do conselho, no cuidado do Romano Pont\u00edfice por toda a Igreja, \u00e9 agora, na forma do processo faseado, o espa\u00e7o em que se realiza e pode ser incentivada a rela\u00e7\u00e3o din\u00e2mica entre sinodalidade, colegialidade e primado. Todo o Povo santo de Deus, os Bispos a quem s\u00e3o confiadas as por\u00e7\u00f5es individuais do mesmo e o Bispo de Roma, enquanto princ\u00edpio de unidade da Igreja, participam de pleno direito no processo sinodal, cada um segundo as suas pr\u00f3prias fun\u00e7\u00f5es. Esta participa\u00e7\u00e3o \u00e9 expressa na Assembleia sinodal reunida em torno do Bispo de Roma, cuja composi\u00e7\u00e3o demonstra a variedade e a universalidade da Igreja como \u00ab\u201csacramento de unidade\u201d, isto \u00e9, Povo santo reunido e ordenado sob a dire\u00e7\u00e3o dos Bispos\u00bb (SC 26).<\/li>\n<li>Entre os frutos mais significativos do S\u00ednodo 2021-2024 conta-se a intensidade do\u00a0<em>momentum<\/em>e da promessa ecum\u00e9nica que o caracteriza. Pode tamb\u00e9m ser \u00fatil debater a esta luz a quest\u00e3o do exerc\u00edcio do minist\u00e9rio petrino, por forma a que possa abrir-se \u00aba uma situa\u00e7\u00e3o nova\u00bb (UUS 95). O recente documento do Dicast\u00e9rio para a Promo\u00e7\u00e3o da Unidade dos Crist\u00e3os\u00a0<em>Il Vescovo di Roma. Primato e sinodalit\u00e0 nei dialoghi ecumenici e nelle risposte all\u2019enciclica \u201cUt unum sint\u201d<\/em>oferece pistas para um aprofundamento posterior. O tema insere-se no \u00e2mbito do Grupo de estudo n. 10, dedicado \u00e0 rece\u00e7\u00e3o dos frutos do caminho ecum\u00e9nico nas pr\u00e1ticas eclesiais.<\/li>\n<li>A riqueza representada pela participa\u00e7\u00e3o na Primeira Sess\u00e3o dos Delegados fraternos, provenientes de outras Igrejas e Comunidade Eclesiais, convida-nos a prestar maior aten\u00e7\u00e3o ao modo como a sinodalidade se realiza nos nossos companheiros ecum\u00e9nicos, tanto no Oriente como no Ocidente. O di\u00e1logo ecum\u00e9nico \u00e9 fundamental para desenvolver a compreens\u00e3o da sinodalidade e da unidade da Igreja. Mas sobretudo incentiva-nos a imaginar pr\u00e1ticas sinodais verdadeiramente ecum\u00e9nicas, incluindo formas de consulta e discernimento sobre quest\u00f5es de interesse m\u00fatuo e urgente. O fundamento desta possibilidade est\u00e1 no facto de estarmos unidos num \u00fanico Batismo, do qual prov\u00e9m a identidade do Povo de Deus e o dinamismo de comunh\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o \u2013 A Igreja sinodal no mundo<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"109\">\n<li>Neste mundo todas as coisas est\u00e3o ligadas e comportam em si um desejo do outro que nunca passa. Tudo \u00e9 um apelo \u00e0 rela\u00e7\u00e3o e um testemunho de aus\u00eancia de autossufici\u00eancia. O mundo inteiro, quando contemplado com o olhar educado pela Revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3, \u00e9 sinal sacramental de uma presen\u00e7a que o transcende e o anima, conduzindo-o ao encontro com Deus, que se cumprir\u00e1 definitivamente na convivialidade das diferen\u00e7as, as quais encontrar\u00e3o a sua plenitude no banquete escatol\u00f3gico preparado por Deus no seu monte.<\/li>\n<li>Transformada pelo an\u00fancio da Ressurrei\u00e7\u00e3o, a Igreja procura tornar-se um lugar onde se respira e se vive a vis\u00e3o de Isa\u00edas para ser \u00aba fortaleza do\u00a0<em>pobre<\/em>e a fortaleza do necessitado na sua ang\u00fastia; ref\u00fagio contra a tempestade e sombra contra o calor\u00bb (Is 25,4). Deste modo abre o seu cora\u00e7\u00e3o ao Reino. Quando os membros da Igreja se deixam conduzir pelo Esp\u00edrito do Senhor para horizontes que inicialmente n\u00e3o tinham vislumbrado, sentem uma alegria incomensur\u00e1vel. Na sua beleza, humildade e simplicidade, \u00e9 esta a convers\u00e3o cont\u00ednua do estilo da Igreja que o processo sinodal nos convida a realizar.<\/li>\n<li>A Enc\u00edclica\u00a0<em>Fratelli tutti<\/em>chama-nos a reconhecer-nos como irm\u00e3s e irm\u00e3os em Cristo ressuscitado, propondo esse reconhecimento n\u00e3o como um estatuto, mas como uno estilo de vida. A Enc\u00edclica sublinha o contraste entre o tempo em que vivemos e a vis\u00e3o de convivialidade preparada por Deus. O v\u00e9u, o manto e as l\u00e1grimas dos nossos tempos s\u00e3o o resultado do crescente isolamento rec\u00edproco, da crescente viol\u00eancia e polariza\u00e7\u00e3o do nosso mundo e do desaparecimento das fontes da vida. O presente\u00a0<em>Instrumentum laboris<\/em>interroga-se e interroga-nos sobre como ser uma Igreja sinodal mission\u00e1ria; como nos empenharmos numa escuta e num di\u00e1logo profundos; como sermos correspons\u00e1veis \u00e0 luz do dinamismo da nossa voca\u00e7\u00e3o batismal pessoal e comunit\u00e1ria; como transformarmos estruturas e processos de modo que todos possam participar e partilhar os carismas que o Esp\u00edrito infunde em cada um para benef\u00edcio comum; como exercer poder e autoridade como servi\u00e7o. Cada uma destas perguntas \u00e9 um servi\u00e7o \u00e0 Igreja e, atrav\u00e9s da sua a\u00e7\u00e3o, a possibilidade de curar as feridas mais profundas do nosso tempo.<\/li>\n<li>O profeta Isa\u00edas termina o seu or\u00e1culo com um hino de louvor a retomar em coro: \u00abEis que este \u00e9 o\u00a0<em>nosso Deus<\/em>, em quem esper\u00e1vamos, e ele nos salvar\u00e1; este \u00e9 o Senhor, a quem aguard\u00e1vamos; na sua salva\u00e7\u00e3o exultaremos\u00bb (Is 25,9). Como Povo de Deus unamo-nos a este louvor, enquanto como peregrinos de esperan\u00e7a continuamos a avan\u00e7ar ao longo do caminho sinodal rumo \u00e0queles que ainda aguardam o an\u00fancio da Boa Nova da salva\u00e7\u00e3o!<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">_______________________<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><sup>[1]<\/sup><\/strong><strong>\u00a0Salvo indica\u00e7\u00e3o em contr\u00e1rio ou quando do contexto resultar algo diferente, no texto do\u00a0<em>Instrumentum laboris<\/em>\u00a0o termo \u201cIgreja\u201d indica \u00abuna e \u00fanica Igreja Cat\u00f3lica\u00bb (LG 23), ao passo que o plural \u201cIgrejas\u201d indica as Igrejas locais nas quais e a partir das quais a mesma existe.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><sup>[2]<\/sup><\/strong><strong>\u00a0Neste ponto e nos que se seguem, as cita\u00e7\u00f5es das Confer\u00eancias Episcopais e dos seus agrupamentos continentais s\u00e3o extra\u00eddas das s\u00ednteses transmitidas \u00e0 Secretaria-Geral do S\u00ednodo ap\u00f3s a consulta \u00e0s Igrejas locais, que teve lugar entre o final de 2023 e a primeira metade de 2024.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><sup>[3]<\/sup><\/strong><strong>\u00a0Divulgado pela Secretaria-Geral do S\u00ednodo a 11 de dezembro de 2023 e dispon\u00edvel no site\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/www.synod.va\/\"><strong>www.synod.va<\/strong><\/a><strong>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><sup>[4]<\/sup><\/strong><strong>\u00a0A este respeito remete-se para o documento:\u00a0<em>Come essere Chiesa sinodale in missione? Cinque prospettive da approfondire teologicamente in vista della Seconda Sessione della XVI Assemblea Generale Ordinaria del Sinodo dei Vescovi<\/em>, divulgado pela Secretaria-Geral do S\u00ednodo a 14 de mar\u00e7o de 2024 e dispon\u00edvel no site\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/www.synod.va\/\"><strong>www.synod.va<\/strong><\/a><strong>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><sup>[5]<\/sup><\/strong><strong>\u00a0A este respeito remete-se para o documento\u00a0<em>Gruppi di studio su questioni emerse nella Prima Sessione della XVI Assemblea Generale Ordinaria del Sinodo dei Vescovi, da approfondire in collaborazione con i Dicasteri della Curia Romana. Traccia di lavoro<\/em>, igualmente divulgado a 14 de mar\u00e7o de 2024 e dispon\u00edvel no site\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/www.synod.va\/\"><strong>www.synod.va<\/strong><\/a><strong>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><sup>[6]<\/sup><\/strong><strong>\u00a0As tem\u00e1ticas identificadas no Relat\u00f3rio de S\u00edntese da Primeira Sess\u00e3o e confiadas aos dez grupos de estudo s\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong> Alguns aspetos das rela\u00e7\u00f5es entre Igrejas Orientais Cat\u00f3licas e a Igreja latina (RdS 6).<\/strong><\/li>\n<li><strong> A escuta do grito dos pobres (RdS 4 e 16).<\/strong><\/li>\n<li><strong> A miss\u00e3o no ambiente digital (RdS 17).<\/strong><\/li>\n<li><strong> A revis\u00e3o da\u00a0<em>Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis<\/em>numa perspetiva sinodal mission\u00e1ria (RdS 11).<\/strong><\/li>\n<li><strong> Algumas quest\u00f5es teol\u00f3gicas e can\u00f4nicas em torno a formas ministeriais espec\u00edficas (RdS 8 e 9).<\/strong><\/li>\n<li><strong> A revis\u00e3o, numa perspetiva sinodal e mission\u00e1ria, dos documentos que regem as rela\u00e7\u00f5es entre Bispos, Vida Consagrada, Agrega\u00e7\u00f5es Eclesiais (RdS 10).<\/strong><\/li>\n<li><strong> Alguns aspetos da figura e do minist\u00e9rio do Bispo (em particular: crit\u00e9rios para a sele\u00e7\u00e3o dos candidatos ao episcopado, fun\u00e7\u00e3o judicial do Bispo, natureza e realiza\u00e7\u00e3o das visitas\u00a0<em>ad limina Apostolorum<\/em>) numa perspetiva sinodal mission\u00e1ria (RdS 12 e 13).<\/strong><\/li>\n<li><strong> O papel dos Representantes Pontif\u00edcios numa perspetiva sinodal mission\u00e1ria (RdS 13).<\/strong><\/li>\n<li><strong> Crit\u00e9rios teol\u00f3gicos e metodologias sinodais para um discernimento partilhado de quest\u00f5es doutrinais, pastorais e \u00e9ticas controversas (RdS 15).<\/strong><\/li>\n<li><strong> A rece\u00e7\u00e3o dos frutos do caminho ecum\u00e9nico nas pr\u00e1ticas eclesiais (RdS 7).<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><sup>[7]<\/sup><\/strong><strong>\u00a0O termo \u201cs\u00ednodo\u201d na tradi\u00e7\u00e3o das Igrejas Orientais e Ocidentais refere-se a institui\u00e7\u00f5es e eventos que, ao longo do tempo, assumiram formas diversas, envolvendo uma pluralidade de sujeitos. Na sua variedade, todas estas formas s\u00e3o irmanadas e reunidas em conjunto para dialogar, discernir e decidir.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Instrumentum-laboris-outubro-2024.pdf\">Instrumentum laboris &#8211; outubro 2024<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s a abertura do processo sinodal, a 9-10 de outubro de 2021, as Igrejas locais de todo o mundo,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10323,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"categories":[88,68],"tags":[],"class_list":["post-13658","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sinodo-2021-2024-2028","category-ultimas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13658","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=13658"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13658\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13660,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13658\/revisions\/13660"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10323"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=13658"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=13658"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=13658"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}