{"id":14727,"date":"2025-03-10T14:43:13","date_gmt":"2025-03-10T14:43:13","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=14727"},"modified":"2025-03-10T14:45:25","modified_gmt":"2025-03-10T14:45:25","slug":"rede-sinodal-portugal-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=14727","title":{"rendered":"Rede Sinodal Portugal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Interpretar e p\u00f4r em pr\u00e1tica o Documento do S\u00ednodo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;No Cora\u00e7\u00e3o da Esperan\u00e7a&#8221;, Epis\u00f3dio 1 &#8211; Tom\u00e1\u0161 Hal\u00edk<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=cb0ox3yoFhs&amp;t=3s\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=cb0ox3yoFhs&amp;t=3s<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>O te\u00f3logo Tom\u00e1\u0161 Hal\u00edk esteve recentemente em Portugal para lan\u00e7ar o seu livro \u201cO sonho de uma nova manh\u00e3 \u2013 Cartas ao Papa\u201d. Em entrevista \u00e0 Rede Sinodal em Portugal o sacerdote checo considera que \u201ch\u00e1 muito boas ideias\u201d no Documento Final do S\u00ednodo, assinalando a import\u00e2ncia do caminho a percorrer para \u201cp\u00f4-lo em pr\u00e1tica\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO S\u00ednodo deve libertar-nos deste clericalismo, de apenas ouvir e esperar\u201d, afirma o padre Halik numa entrevista publicada no \u00e2mbito da iniciativa \u201cNo cora\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a\u201d, promovida pela Rede Sinodal em Portugal<strong>\u00a0<\/strong>em parceria com os seguintes meios de comunica\u00e7\u00e3o social: Di\u00e1rio do Minho, Voz Portucalense, Correio do Vouga, Correio de Coimbra, A Guarda, 7Margens, Rede Mundial de Ora\u00e7\u00e3o do Papa e Folha do Domingo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P: Quanto ao Documento final do S\u00ednodo muitos passaram do entusiasmo \u00e0 desilus\u00e3o. Qual \u00e9 a sua leitura?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">R: Admiro os autores deste documento, porque n\u00e3o foi f\u00e1cil resumir tantas vozes. E logo de seguida. Esperava que o documento chegasse dois meses depois da \u00faltima sess\u00e3o, mas foi no \u00faltimo dia da sess\u00e3o. Portanto, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil juntar todas estas vozes muito diferentes num s\u00f3 documento. Por isso, admiro essas pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas h\u00e1 muitas pol\u00edticas boas para o futuro. Por isso, n\u00e3o podemos esperar que o S\u00ednodo tenha a solu\u00e7\u00e3o para todos os problemas. N\u00e3o \u00e9 um conc\u00edlio. Penso que foi mais como um retiro espiritual para inspirar as pessoas, para dar alguma inspira\u00e7\u00e3o para dar alguns impulsos e para apoiar a energia para ir mais longe. H\u00e1 muito boas ideias no documento do S\u00ednodo, mas agora o caminho \u00e9 como interpret\u00e1-lo e como p\u00f4-lo em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, mesmo que as pessoas digam, porque \u00e9 que n\u00e3o temos todas as respostas do Papa e do Vaticano? E criticam o Papa e o S\u00ednodo, mas isto \u00e9 o clericalismo: a expectativa de que ser\u00e1 decidido de alguma forma pelas estruturas. N\u00e3o! Agora temos a responsabilidade de o fazer a partir das bases. O S\u00ednodo deve libertar-nos deste clericalismo, de apenas ouvir e esperar. As pessoas, est\u00e3o desiludidas, devido a expectativas demasiado irrealistas. Para ficarem satisfeitas, tem de haver um equil\u00edbrio entre as expectativas e a realidade e, por isso, n\u00e3o devemos ter expectativas irrealistas, mas sim assumir a nossa pr\u00f3pria responsabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P: Promover uma transforma\u00e7\u00e3o das mentalidades foi o que o levou a escrever o seu novo livro. Considera que o S\u00ednodo \u00e9 o primeiro passo necess\u00e1rio na Igreja para essa renova\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">R:<strong>\u00a0<\/strong>Antes de mais temos de ouvir e, depois deste sil\u00eancio, deste momento contemplativo, colocar para o exterior o que ouvimos, e tamb\u00e9m a voz do nosso subconsciente, do nosso cora\u00e7\u00e3o, para juntar tudo e pensar sobre isso no Esp\u00edrito. Por isso, penso que esta conversa no Esp\u00edrito \u00e9 t\u00e3o importante que as reuni\u00f5es sinodais s\u00e3o uma forma de ora\u00e7\u00e3o, de ora\u00e7\u00e3o contemplativa. N\u00e3o se trata apenas de uma confer\u00eancia cient\u00edfica. Esta \u00e9 a minha sugest\u00e3o para o Papa para a pr\u00f3xima reuni\u00e3o dos te\u00f3logos. Penso que o encontro ecum\u00e9nico dos te\u00f3logos n\u00e3o deveria ser apenas um congresso cient\u00edfico, mas aplicar mais este m\u00e9todo de sinodalidade, de ouvir, de refletir, de meditar, de rezar e depois juntar o fruto desta medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P: Os participantes na iniciativa \u201cP\u00e1rocos pelo S\u00ednodo\u201d declararam que a principal resist\u00eancia ao processo sinodal vem dos bispos e dos padres. Como ser\u00e1 poss\u00edvel aplicar as conclus\u00f5es do S\u00ednodo sem correr o risco de fazer apenas uma transforma\u00e7\u00e3o est\u00e9tica a uma Igreja clerical que continua a persistir?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">R:<strong>\u00a0<\/strong>Pergunta dif\u00edcil, penso que mudar a mentalidade de algumas pessoas, especialmente, de alguns cl\u00e9rigos, seria uma maravilha, um milagre. Acreditamos em milagres, mas n\u00e3o os podemos manipular. Podemos rezar, podemos discutir sobre isso, mas n\u00e3o podemos manipular milagres. Por isso, para mudar a mente de algumas pessoas, seria realmente um milagre. Eu acredito em milagres, mas n\u00e3o podemos contar com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;No Cora\u00e7\u00e3o da Esperan\u00e7a&#8221;, Epis\u00f3dio 2 &#8211; Jo\u00e3o Duque<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=K3gY_8nd4mU\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=K3gY_8nd4mU<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em><u>Direito Can\u00f3nico na aplica\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo<\/u><\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>O pr\u00f3-reitor da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa e professor de Teologia considera que nesta fase de rece\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo \u201co Direito Can\u00f3nico pode ser libertador na medida em que institui estruturas que s\u00e3o exigidas aos l\u00edderes das comunidades\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00c9 o segundo epis\u00f3dio da iniciativa \u201cNo cora\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a\u201d produzida pela Rede Sinodal em Portugal. Desta vez, o entrevistado \u00e9 o pr\u00f3-reitor da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa e professor de Teologia, Jo\u00e3o Duque.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P: Nesta fase da rece\u00e7\u00e3o do Documento Final do S\u00ednodo, como ser\u00e1 a aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica na vida das dioceses, par\u00f3quias, institui\u00e7\u00f5es e movimentos da Igreja?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R:<\/strong>\u00a0\u201cNeste documento h\u00e1 alguns aspetos que eu penso que inevitavelmente v\u00e3o ter algumas altera\u00e7\u00f5es e que s\u00e3o aqueles aspetos que mexem sempre mais com estruturas, que na pr\u00e1tica acaba por passar sempre um pouco pelo Direito Can\u00f3nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Direito Can\u00f3nico pode ser um peso para a comunidade, enquanto \u00e9 simplesmente um conjunto de normas, mas o Direito Can\u00f3nico pode ser libertador na medida em que institui estruturas que s\u00e3o exigidas \u00e0s comunidades, que s\u00e3o exigidas aos l\u00edderes das comunidades e que ficam institu\u00eddas mesmo juridicamente. Depois cumprem-se mais ou menos, de acordo com o que se cumpre mais ou menos do direito, pois j\u00e1 h\u00e1 l\u00e1 muita coisa que n\u00e3o \u00e9 cumprida, muitas vezes. Seja como for, as estruturas ficam constitu\u00eddas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por exemplo, est\u00e1-se a trabalhar nas estruturas paroquiais, que \u00e9 sempre o n\u00edvel de base. Estruturas paroquiais e estruturas diocesanas s\u00e3o sempre as mais significativas, sem d\u00favida, para a vida da Igreja Cat\u00f3lica, pelo menos na forma como a temos organizada agora. Portanto, se houver transforma\u00e7\u00f5es, dir\u00edamos obrigat\u00f3rias, institucionalizadas na vida das par\u00f3quias, podem os l\u00edderes depois ligar mais ou ligar menos a esses \u00f3rg\u00e3os, o certo \u00e9 que t\u00eam que os ter, em princ\u00edpio, e t\u00eam que os ouvir tamb\u00e9m. Em princ\u00edpio. Muitos j\u00e1 os t\u00eam, felizmente. Em Portugal, menos um bocadinho. Noutros pa\u00edses h\u00e1 mais. Noutros, nalguns, ainda h\u00e1 menos do que em Portugal, dir\u00edamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns p\u00e1rocos j\u00e1 t\u00eam o h\u00e1bito de trabalhar, sem d\u00favida, muito com os paroquianos e, portanto, de escutar muitos fi\u00e9is. N\u00e3o s\u00f3 escutar: trabalhar em conjunto, que \u00e9 diferente de escutar apenas. Isso j\u00e1 existe, mas n\u00e3o existe em todos os casos. E, como n\u00f3s sabemos, precisamente os casos mais delicados, que s\u00e3o aqueles que depois podem resultar em abuso de poder, em abuso de poder espiritual, que \u00e9 um aspeto que certamente teremos que ter muito em aten\u00e7\u00e3o para al\u00e9m de outro tipo de abusos, s\u00e3o precisamente aqueles casos mais graves em que, dir\u00edamos, as coisas ficam entregues \u00e0 boa vontade ou m\u00e1 vontade do l\u00edder. E isso n\u00e3o. Tem que haver de facto uma estrutura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a\u00ed houver altera\u00e7\u00f5es significativas que, para al\u00e9m dos conselhos econ\u00f3micos, os conselhos pastorais, paroquiais, etc., sejam estruturas exigidas e estruturas a que o clero, que ainda s\u00e3o os l\u00edderes principais das comunidades e mesmo a forma\u00e7\u00e3o do futuro clero, leve muito em conta e se habitue a trabalhar assim, haver\u00e1 logo um impacto muito r\u00e1pido e imediato nas comunidades, como eu digo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois pode haver tamb\u00e9m, que \u00e9 uma quest\u00e3o tamb\u00e9m estrutural, uma altera\u00e7\u00e3o significativa que pode levar a outras altera\u00e7\u00f5es, que \u00e9 as decis\u00f5es mais fortes, dir\u00edamos sobretudo disciplinares. Pensemos no caso da obrigatoriedade do celibato. Essa era uma altera\u00e7\u00e3o que, a acontecer, seria uma altera\u00e7\u00e3o muito significativa. Muito semelhante ou at\u00e9 mais significativa do que foi a altera\u00e7\u00e3o da liturgia no p\u00f3s-Vaticano II. Sem d\u00favida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 uma decis\u00e3o que me parece dif\u00edcil de tomar para a Igreja latina total ou global, ou seja, em todos os continentes, ao mesmo tempo. J\u00e1 houve v\u00e1rias tentativas de trabalhar o tema e ele nunca avan\u00e7ou, porque nunca se consegue consenso m\u00ednimo a n\u00edvel global. Mas pode-se conseguir consenso a n\u00edvel local, nomeadamente a n\u00edvel dos continentes. Uma coisa \u00e9 o continente africano, outra coisa \u00e9 o continente latino-americano, outra coisa \u00e9 o continente europeu, nomeadamente quanto a esta quest\u00e3o muito concreta em que cada continente tem a sua base cultural e os seus problemas diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se houver autonomia para uma regi\u00e3o, um conjunto de confer\u00eancias episcopais, como o caso da CELAM na Am\u00e9rica Latina, poder tomar decis\u00f5es a esse n\u00edvel e n\u00e3o ficar tudo necessariamente dependente de Roma e da central, porque a\u00ed as decis\u00f5es encravam e encravam porque \u00e9 demasiado vasto e s\u00f3 isso. N\u00e3o \u00e9 propriamente m\u00e1 vontade do sistema romano, \u00e9 porque \u00e9 demasiado vasto. Eu penso que a\u00ed sim, poder\u00e1 haver altera\u00e7\u00f5es muito significativas e muitas pr\u00e1ticas, n\u00e3o s\u00f3 lit\u00fargicas, mas pr\u00e1ticas quotidianas, disciplinares, que possam vir a assumir configura\u00e7\u00f5es diferentes consoante as regi\u00f5es e, depois, tamb\u00e9m consoante as pr\u00e1ticas nessas regi\u00f5es, as outras regi\u00f5es eventualmente possam vir tamb\u00e9m a transformar-se. N\u00e3o me admira nada que, por exemplo, na \u00c1frica, a obrigatoriedade do celibato fosse abolida primeiro porque tem bases culturais muito significativas relativamente a essa quest\u00e3o. E que a Europa, por exemplo, fosse a \u00faltima. N\u00e3o sei se a Europa cabe toda dentro de uma mesma regi\u00e3o ou se h\u00e1 uma Europa do Leste, ou se h\u00e1 uma Europa do Ocidente. N\u00f3s n\u00e3o podemos impor mundivid\u00eancias, mesmo eclesiol\u00f3gicas, do Ocidente europeu ao Leste europeu, que t\u00eam uma hist\u00f3ria diferente. Mas o Leste europeu tamb\u00e9m n\u00e3o nos pode impor certas vis\u00f5es eclesiol\u00f3gicas. Portanto, podemos ter duas regi\u00f5es na Europa. Os dois pulm\u00f5es claramente teriam caminhos diversos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em que medida vai ser poss\u00edvel esta diversidade dentro da Igreja Cat\u00f3lica Romana? Ou seja, n\u00e3o \u00e9 uniforme. Ainda \u00e9 bastante uniforme. Pode vir a deixar de ser uniforme assim. Pode ser um dos efeitos, a m\u00e9dio prazo, dir\u00edamos, destes documentos. Isto para falar s\u00f3 em efeitos mais pragm\u00e1ticos, com consequ\u00eancias vis\u00edveis. O resto tem a ver com a mentalidade do pr\u00f3prio povo de Deus e com o seu envolvimento nas comunidades. Isso est\u00e1 em curso, como sabemos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P: Antes n\u00e3o havia meios para uma consulta t\u00e3o vasta, nem para fazer conhecidas as decis\u00f5es, ou dar voz a realidades t\u00e3o diversas. Isso \u00e9 um facilitador para as coisas serem diferentes?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R:<\/strong>\u00a0\u201cIndiscutivelmente. Ali\u00e1s, um dos efeitos muito interessantes deste processo sinodal foi precisamente ficar claro \u2013 j\u00e1 suspeit\u00e1vamos, mas ficou claro \u2013 que h\u00e1 diferen\u00e7as significativas nas igrejas dentro da Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso europeu \u00e9 um caso muito t\u00edpico. Penso que nos outros continentes at\u00e9 talvez as tens\u00f5es n\u00e3o tenham sido eventualmente t\u00e3o fortes. E da\u00ed, n\u00e3o sei. N\u00e3o acompanhei t\u00e3o de perto. O caso europeu \u00e9 um caso muito claro at\u00e9 ao extremo de tens\u00f5es, \u00e0s vezes at\u00e9 certos dissensos, mesmo conflituosos, dir\u00edamos. Mas percebemos que, de facto, h\u00e1 regi\u00f5es diferentes. De acordo com regi\u00f5es, tamb\u00e9m h\u00e1 pessoas diferentes, e as pessoas diferentes existem em todas as regi\u00f5es. Certamente, os crist\u00e3os de uma diocese portuguesa n\u00e3o vivem todos o cristianismo da mesma maneira e n\u00e3o vivem necessariamente de forma errada. Ou seja, s\u00e3o leg\u00edtimas certas configura\u00e7\u00f5es variadas do cristianismo e at\u00e9 do catolicismo. Muito mais depois, na diferen\u00e7a das regi\u00f5es. De facto, sobretudo esta quest\u00e3o do Leste europeu e de alguns pa\u00edses do Leste europeu, nas se\u00e7\u00f5es europeias do S\u00ednodo, tornou-se muito evidente essa tens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma coisa \u00e9 a Igreja na Alemanha, que j\u00e1 internamente tem diferen\u00e7as, mas que, se pegarmos na Alemanha como um bloco e colocarmos em compara\u00e7\u00e3o com alguns pa\u00edses de Leste, evidentemente que s\u00e3o leituras do cristianismo muito diferentes, que se devem a muitos fatores, nomeadamente \u00e0 hist\u00f3ria que o pr\u00f3prio pa\u00eds teve, at\u00e9 \u00e0 hist\u00f3ria pol\u00edtica que o pr\u00f3prio pa\u00eds teve e, depois, \u00e0s contraposi\u00e7\u00f5es que se fazem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Leste europeu certamente tem o fantasma do comunismo e, como tal, dir\u00edamos que todas as iniciativas que parecem tender um pouco mais para ideias de esquerda s\u00e3o logo qualificadas como comunistas e levantam esse fantasma. Claramente. E, portanto, dir\u00edamos, para o Leste europeu, atitudes da Igreja na Am\u00e9rica Latina s\u00e3o atitudes comunistas, evidentemente. Para a Am\u00e9rica Latina, atitudes dos pa\u00edses do Leste europeu s\u00e3o atitudes fascistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este tipo de etiquetas s\u00e3o etiquetas que com facilidade se colocam. Mas \u00e9 preciso perceber, de facto, os caminhos diferentes. E, se os caminhos s\u00e3o diferentes, n\u00f3s temos que assumir essa pluralidade. N\u00f3s n\u00e3o temos, neste momento, estrutura que possibilite muito essa pluralidade, porque \u00e9 tudo pretensamente igual. Sai tudo, em certa medida, de uma central e pretende a constru\u00e7\u00e3o de um catolicismo absolutamente igual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s estamos a ver, apenas do ponto de vista disciplinar e ritual, as tentativas de um rito da Amaz\u00f3nia e, no entanto, o processo, tal como est\u00e1 a continuar, ainda revela que ainda h\u00e1 uma mentalidade absolutamente central. Ou seja, a tentativa de elaborar um rito local a partir do local embate sempre com a ideia que ainda prevalece, de que Roma \u00e9 que sabe como resolver a quest\u00e3o e, portanto, intromete-se diretamente para resolver a quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Roma tem que validar no final e pode sugerir corre\u00e7\u00f5es e tudo isso. Somos uma \u00fanica Igreja Cat\u00f3lica, n\u00e3o vamos ficar fragmentos, n\u00e3o \u00e9? Isso sim. Mas Roma tem que assumir o papel que assumiu na hist\u00f3ria para tr\u00e1s. N\u00e3o nos \u00faltimos dois s\u00e9culos; antes. Que era a \u00faltima palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os assuntos trabalham-se localmente, atrav\u00e9s de um certo grupo, e, no final, h\u00e1 uma valida\u00e7\u00e3o da parte de Roma. E, quando n\u00e3o h\u00e1 um acordo suficiente local, Roma depois tem que decidir, de facto, dar a \u00faltima palavra. Mas \u00e9 a \u00faltima, n\u00e3o \u00e9 a primeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, a partir do s\u00e9culo XIX, n\u00f3s constitu\u00edmos um modelo em que Roma tem a primeira e \u00faltima palavra e a do meio. Ou seja, na pr\u00e1tica, elabora uma esp\u00e9cie de programa mundial para a Igreja Cat\u00f3lica que sai de l\u00e1 e tem que regressar l\u00e1. Esse tipo de modelo depois n\u00e3o funciona.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;No cora\u00e7\u00e3o da Esperan\u00e7a&#8221;, Epis\u00f3dio 3 &#8211; S\u00e9rgio Leal<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=sh5IOHtge2A&amp;t=6s\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=sh5IOHtge2A&amp;t=6s<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>\u201cVoltar \u00e0s comiss\u00f5es sinodais diocesanas\u201d<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Desta vez, o convidado \u00e9 o especialista em sinodalidade, S\u00e9rgio Leal, docente da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa e p\u00e1roco de Anta e Guetim na diocese do Porto. O sacerdote licenciou-se em 2018 na Universidade Lateranense sobre a sinodalidade como estilo pastoral, e concluiu doutoramento em 2024 na mesma universidade pontif\u00edcia com uma tese sobre o exerc\u00edcio do minist\u00e9rio pastoral numa Igreja sinodal.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1- Ap\u00f3s tr\u00eas anos de um caminho sinodal que envolveu milh\u00f5es de pessoas e de duas sess\u00f5es do S\u00ednodo dos bispos em Roma que leitura faz do Documento Final do S\u00ednodo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, creio que devemos olhar para este documento como um trabalho que nasceu de um processo maturado de tr\u00eas anos e creio que \u00e9 este respeito que devemos ter por este documento e a alegria de um documento que traz a reflex\u00e3o de tantos homens e mulheres das mais diferentes geografias do planeta. Em fases distintas de um mesmo processo: desde uma escuta sinodal que come\u00e7ou nas igrejas particulares, desde as pequenas comunidades \u00e0s maiores, \u00e0 matura\u00e7\u00e3o deste processo nos encontros continentais at\u00e9 chegarmos \u00e0s assembleias, \u00e0s duas assembleias que aconteceram em Roma em Outubro de 2023 e de 2024.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, portanto, este documento, em primeiro lugar, \u00e9 um ponto de partida para uma terceira fase, que \u00e9 fundamental que \u00e9 a fase da aplica\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9, um processo sinodal seria um processo est\u00e9ril se ficasse apenas por um bom documento ou por um documento que aponte bons desafios, mas se eles n\u00e3o se tornarem operativos na sua aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando olhamos este documento, eu creio que ele parte de uma consci\u00eancia fundamental que \u00e9 renovar a nossa consci\u00eancia sinodal, o nosso sermos Igreja. Da\u00ed que o primeiro e grande desafio que emerge da leitura deste documento \u00e9 percebermo-nos chamados ao cora\u00e7\u00e3o da sinodalidade, chamados \u00e0 convers\u00e3o. Uma convers\u00e3o que, em primeiro lugar, \u00e9 uma convers\u00e3o pessoal, mas tamb\u00e9m uma convers\u00e3o eclesial no sentido de valorizarmos essa primeira categoria fundamental que \u00e9 a categoria do povo de Deus. De tornarmos operativo aquilo que dizia j\u00e1 o Conc\u00edlio Vaticano, na Lumen Gentium, essa \u2018revolu\u00e7\u00e3o copernicana\u2019 que apontava o Cardeal Suenens para a Lumen Gentium, dizer que antes de dizermos o que cada um faz na Igreja, tomamos consci\u00eancia de que somos como batizados participantes de uma igreja que \u00e9 mist\u00e9rio, mist\u00e9rio, porque nasce do Cora\u00e7\u00e3o de Cristo e conta com cada homem e cada mulher para a sua constru\u00e7\u00e3o e de uma igreja que \u00e9 povo de Deus. E \u00e9 esta consci\u00eancia de sermos povo que a sinodalidade quer apontar. E toda a convers\u00e3o sinodal e pastoral que \u00e9 necess\u00e1ria tem de nascer destes elementos fundamentais: comunh\u00e3o e unidade, unidade na miss\u00e3o, uma unidade e harmonia a partir da diversidade dos v\u00e1rios minist\u00e9rios dons e carismas que encontramos na Igreja. E por isso, esse primeiro cap\u00edtulo deste documento final aponta para a\u00ed para esse cora\u00e7\u00e3o da sinodalidade, que \u00e9 fundamental para depois levarmos a cabo todo um caminho de renova\u00e7\u00e3o e de convers\u00e3o pastoral que coloca em marcha processos de renova\u00e7\u00e3o eclesial, que conjugue eu diria dois grandes pilares fundamentais ou duas grandes novidades \u00e0s quais a Igreja tem que dar resposta: \u00e0 novidade de cada tempo e de cada cultura, mas tamb\u00e9m \u00e0 novidade do Evangelho que se apresenta para n\u00f3s sempre como novo. E, portanto, haveremos de saber dar resposta \u00e0 novidade do tempo em que vivemos, de olharmos para a cultura contempor\u00e2nea, n\u00e3o como um inimigo do Evangelho, mas como um lugar oportuno para que esse Evangelho seja anunciado. E aqui abre-se tamb\u00e9m um caminho que \u00e9 fundamental na sinodalidade, que \u00e9 o di\u00e1logo e o encontro, promover uma cultura de di\u00e1logo, de encontro, de partilha e de discernimento conjunto. N\u00e3o temos receitas pr\u00e9vias, temos um caminho a fazer e um processo de convers\u00e3o pastoral a colocar em marcha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2- Nesta fase de rece\u00e7\u00e3o do Documento Final do S\u00ednodo que ideias podemos lan\u00e7ar para a sua aplica\u00e7\u00e3o no concreto da vida das dioceses, par\u00f3quias, institui\u00e7\u00f5es e movimentos da Igreja?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No processo de aplica\u00e7\u00e3o deste documento final, eu creio que devemos ter em conta, em primeiro lugar, que \u00e9 um processo, evitando duas tenta\u00e7\u00f5es: a tenta\u00e7\u00e3o do imediatismo de querermos j\u00e1 no imediato, um conjunto de transforma\u00e7\u00f5es e de mudan\u00e7as, at\u00e9 porque temos que ter algum cuidado com esta precipita\u00e7\u00e3o para a mudan\u00e7a. Quando \u00e9 preciso mudar tudo \u00e9 porque n\u00e3o temos nada de essencial e n\u00f3s temos. Temos que fazer este processo de mudan\u00e7a a partir de uma fidelidade criativa ao Evangelho, uma fidelidade criativa \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o eclesial. E, portanto, h\u00e1 que evitar esta tenta\u00e7\u00e3o do imediatismo, mas tamb\u00e9m a tenta\u00e7\u00e3o de prolongarmos indefinidamente este processo de aplica\u00e7\u00e3o. Que se abra um verdadeiro discernimento, que \u00e9 pastoral e que \u00e9 evang\u00e9lico, um discernimento que implica ora\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o, mas tamb\u00e9m operatividade. Um discernimento, que implica decis\u00f5es corajosas e ousadas para o nosso tempo. E, por isso, \u00e9 necess\u00e1rio evitar esta tenta\u00e7\u00e3o do imediatismo e \u00e9 necess\u00e1rio fazermos deste processo de aplica\u00e7\u00e3o um processo tamb\u00e9m de discernimento, tal como ele aconteceu desde a escuta at\u00e9 \u00e0 reflex\u00e3o sinodal nas duas assembleias que aconteceram em Roma. N\u00e3o podemos querer que um processo que demorou tr\u00eas anos agora seja aplicado em tr\u00eas meses. \u00c9 necess\u00e1rio um processo de aplica\u00e7\u00e3o que h\u00e1 de ser descentralizado, como prop\u00f5e o documento final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eu diria, porque j\u00e1 o disse antes, durante o processo sinodal, de que gostaria que este processo de aplica\u00e7\u00e3o tivesse a mesma amplitude que teve o processo de escuta. Agora j\u00e1 n\u00e3o para levantar e fazer um diagn\u00f3stico da realidade, mas aplicar, tornar operativo, tornar operativos todos estes desafios, mas optando pelo mesmo pela mesma metodologia. Portanto, voltar \u00e0s comiss\u00f5es sinodais diocesanas, \u00e0s comiss\u00f5es paroquiais. Isto \u00e9, voltar aqui, voltar \u00e0 base, como temos dito, voltar \u00e0s bases e a partir da\u00ed, gerar um processo de discernimento localizado onde a pergunta fundamental h\u00e1 de ser esta: o que \u00e9 que o Esp\u00edrito Santo nos est\u00e1 a pedir aqui agora. E este aqui agora evita-nos um saudosismo do passado, de um passado, porventura que nunca existiu. Por isso \u00e9 que \u00e0s vezes, existem tantos saudosos dele. Mas pensarmos e repensarmos a a\u00e7\u00e3o eclesial, \u00e0 luz do aqui agora neste lugar concreto e neste tempo que o Senhor nos chama a viver. Os homens e mulheres de hoje n\u00e3o s\u00e3o menos capazes de Deus que os homens e mulheres do passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois este documento sinodal, este documento final, aponta-nos algumas coordenadas importantes, em primeiro lugar, do documento final, emergem em primeiro lugar, pontos de consenso e de comunh\u00e3o. O processo sinodal n\u00e3o visa gerar decis\u00f5es de maioria ou minoria, ainda que tenha havido uma vota\u00e7\u00e3o para os seus diversos pontos, mas eles s\u00e3o sobretudo, \u00e9 sobretudo um documento que nasce do consenso e comunh\u00e3o gerada no caminho percorrido pela Igreja. Depois existem tamb\u00e9m quest\u00f5es a aprofundar e quest\u00f5es a aprofundar nos diferentes grupos de estudo que foram criados, mas tamb\u00e9m quest\u00f5es a aprofundar que aparecem neste documento, por exemplo, os minist\u00e9rios que eu creio que \u00e9 um caminho que a Igreja deveria nesta fase de aplica\u00e7\u00e3o, apontar e aprofundar, refletir. At\u00e9 porque h\u00e1 de facto, aqui, neste \u00e2mbito concreto, a liberdade que em cada em cada regi\u00e3o pastoral em cada confer\u00eancia episcopal, a liberdade de se pensar em novos minist\u00e9rios. \u00c9 verdade, como diz o documento, nem todos os carismas t\u00eam que ser traduzidos em minist\u00e9rios, nem todos os minist\u00e9rios t\u00eam de ser institu\u00eddos. Mas um minist\u00e9rio institu\u00eddo \u00e9 um servi\u00e7o confiado pela Igreja e que aponta tamb\u00e9m aquelas que s\u00e3o as prioridades da Igreja. Creio que seria importante nesta fase de aplica\u00e7\u00e3o, pensarmos quais s\u00e3o as nossas prioridades pastorais. O que \u00e9 que \u00e9 essencial apontar j\u00e1 em primeiro lugar? E a cria\u00e7\u00e3o de minist\u00e9rios institu\u00eddos para algumas prioridades pastorais, indicaria tamb\u00e9m de quanto \u00e9 priorit\u00e1rio para a igreja estes caminhos. No documento fala-se do minist\u00e9rio de escuta e acompanhamento. Porque, na verdade, os minist\u00e9rios institu\u00eddos at\u00e9 agora estiveram muitas vezes remetidos ao \u00e2mbito do minist\u00e9rio ordenado. E, por outro lado, estes minist\u00e9rios tamb\u00e9m estiveram de algum modo confinados ao \u00e2mbito lit\u00fargico do leitor e de ac\u00f3lito. Era importante que estes minist\u00e9rios institu\u00eddos no repensar destes minist\u00e9rios estivesse presente uma op\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, esta igreja em sa\u00edda de que nos fala o Papa Francisco. A capacidade de sabermos articular este ad intra e ad extra da Igreja. Isto \u00e9, de nos repensarmos como Igreja e a nossa comunh\u00e3o eclesial a partir da miss\u00e3o que temos diante de n\u00f3s. Para que n\u00e3o fiquemos encerrados nos muros da nossa a\u00e7\u00e3o eclesial, mas capazes de um di\u00e1logo com a cultura contempor\u00e2nea. E a\u00ed encontraremos um conjunto de desafios importantes, pois tamb\u00e9m a promo\u00e7\u00e3o dos diferentes \u00f3rg\u00e3os de participa\u00e7\u00e3o e de corresponsabilidade. A sinodalidade \u00e9 muito mais que um somat\u00f3rio de estruturas de sinodalidade, mas ela pressup\u00f5e essas estruturas para que se torne operativa essa mesma sinodalidade. Desde a igreja local, desde a diocese at\u00e9 \u00e0s par\u00f3quias, a promo\u00e7\u00e3o do Conselho Diocesano de Pastoral, o Conselho Paroquial de Pastoral, o Conselho para os Assuntos Econ\u00f3micos, numa diocese o Conselho presbiteral. Que os diferentes conselhos tamb\u00e9m possam trabalhar, n\u00e3o auto-referencialmente e autonomamente, mas que possam trabalhar de modo sinodal, ainda que cada um no seu \u00e2mbito, mas que possam trabalhar em conjunto e em comunh\u00e3o, promovendo este repensar da a\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e0 luz dos desafios que o mundo contempor\u00e2neo coloca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;No Cora\u00e7\u00e3o da Esperan\u00e7a&#8221;, Epis\u00f3dio 4 &#8211; S\u00e9rgio Leal<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=TMwyKpg2jQ0&amp;t=2s\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=TMwyKpg2jQ0&amp;t=2s<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>\u201cDeixar para tr\u00e1s aquilo que j\u00e1 n\u00e3o serve\u201d<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00c9 o quarto epis\u00f3dio da iniciativa \u201cNo cora\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a\u201d produzida pela Rede Sinodal em Portugal. A segunda parte da entrevista do padre S\u00e9rgio Leal, docente da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa e p\u00e1roco de Anta e Guetim na diocese do Porto<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P- Na primeira entrevista desta iniciativa, Tom\u00e1s Halik pediu um milagre para que padres e bispos n\u00e3o se limitem a fazer da aplica\u00e7\u00e3o do Documento Final do S\u00ednodo uma simples mudan\u00e7a cosm\u00e9tica. Corremos esse risco?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">R- \u201cSe \u00e9 de um milagre que precisamos, estamos no caminho certo. O nosso Deus \u00e9 o Deus dos milagres e o Deus capaz de realizar maravilhas e tornar poss\u00edveis os imposs\u00edveis da nossa vida. Contudo, diria, que n\u00f3s estamos a trabalhar, ao percorrer este caminho sinodal, estamos num processo de sonhar &#8211; para usar esta categoria que o Papa Francisco usa tantas vezes &#8211; de sonhar uma Igreja que ainda n\u00e3o existe, uma a\u00e7\u00e3o eclesial que tem que ser nova e renovada para o contexto social e cultural hodierno. Portanto, uma Igreja que se sabe sempre nascida do cora\u00e7\u00e3o de Cristo e, por isso, chamada a tornar presente no mundo o Evangelho que \u00e9 Jesus Cristo e de encontrar esta nova forma de ser Igreja, que \u00e9 nova, no sentido de uma a\u00e7\u00e3o cada vez mais renovada e capaz de ser compreendida pelos homens e mulheres de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E se estamos a sonhar um modo novo de ser Igreja, ent\u00e3o \u00e9 preciso tamb\u00e9m sonhar um modo novo de ser presb\u00edtero, de ser di\u00e1cono, de ser crist\u00e3o leigo, de ser religioso, religiosa e at\u00e9 de ser bispo. E, portanto, este processo de discernimento precisa disto: perceber que estamos a voltar ao centro daquilo que \u00e9 a Igreja, um povo que caminha na unidade do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo. Na Igreja caminha a imagem da Sant\u00edssima Trindade. E que, portanto, se h\u00e1 de refazer e construir sempre a partir daqui. A partir de Cristo, para melhor fazer presente no mundo o Evangelho que \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus Cristo. E neste exerc\u00edcio \u00e9 absolutamente indispens\u00e1vel e necess\u00e1rio deixar para tr\u00e1s aquilo que j\u00e1 n\u00e3o serve para o tempo de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu costumo dizer sempre que, do ponto de vista da proje\u00e7\u00e3o pastoral, existem tr\u00eas quest\u00f5es fundamentais: O que manter? Aquilo que \u00e9 essencial e n\u00e3o podemos deixar. O que \u00e9 que temos que deixar? Porque j\u00e1 n\u00e3o serve para a resposta que somos chamados a dar hoje. E o que \u00e9 que havemos de criar de modo novo para sermos melhor resposta, acolhendo quer o desafio de Cristo em primeiro lugar, que nos envia, e do mundo para o qual Ele nos envia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E nesse sentido h\u00e1 aqui que repensar tamb\u00e9m uma nova forma de ser pastor, uma nova forma de ser bispo e de ser padre, que mant\u00e9m aquilo que \u00e9 imut\u00e1vel e essencial do minist\u00e9rio ordenado, como minist\u00e9rio de raiz trinit\u00e1ria, como minist\u00e9rio que n\u00e3o \u00e9 de origem sinodal, porque nasce do mandato pr\u00f3prio de Cristo. \u201cIde por todo o mundo, fazei isto em mem\u00f3ria de mim. Aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-\u00e3o perdoados.\u201d Um minist\u00e9rio que \u00e9 estruturante para a vida eclesial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O documento da Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional dizia que a sinodalidade acontece no interior de uma Igreja hierarquicamente organizada. O Papa Francisco, no final deste processo sinodal, dizia que a sinodalidade oferece a chave interpretativa para compreender o minist\u00e9rio hier\u00e1rquico. E aqui haveremos sempre de voltar \u00e0 din\u00e2mica evangelizadora de Jesus. Jesus, como um enviado do Pai, que tem como interlocutor as multid\u00f5es. Uma multid\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 uma massa an\u00f3nima, abstrata, porque ele interpela de modo direto e particular. Diz \u00e0 samaritana, \u201cD\u00e1-me de beber\u201d. Ao Zaqueu, \u201cDesce depressa, quero ficar em tua casa.\u201d \u00c0 mulher adultera, \u201cVai e n\u00e3o tornes a pecar\u201d. Isto \u00e9, de um Jesus que \u00e9 enviado do Pai, que tem como primeiro interlocutor as multid\u00f5es, mas que depois se dirige a cada um em particular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas de entre as multid\u00f5es escolheu 12, a quem confiou um minist\u00e9rio muito particular. E, portanto, esta din\u00e2mica evangelizadora deve estar presente neste configurar e reconfigurar da Igreja. De percebermos como a Igreja sem Jesus \u00e9 uma ONG, como diz o Papa Francisco, tantas vezes. Uma Igreja sem as multid\u00f5es seria uma elite de iluminados. Mas uma Igreja sem os 12 seria uma Igreja sem esse garante de catolicidade e de apostolicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 nesta comunh\u00e3o e unidade na diversidade de dons, carismas e minist\u00e9rios que haveremos de repensar tamb\u00e9m o minist\u00e9rio ordenado. Um minist\u00e9rio ao servi\u00e7o da comunh\u00e3o e da promo\u00e7\u00e3o dos diversos dons e carismas, de uma pastoral que n\u00e3o se repensa mais do ponto de vista clerico-c\u00eantrico. Que diria que ainda \u00e9 confort\u00e1vel, quer para os cl\u00e9rigos, quer tantas vezes para os leigos, que relegam as decis\u00f5es unicamente para o p\u00e1roco. Do p\u00e1roco que chama a si todas as coisas. Mas aqui um repensar do minist\u00e9rio ordenado a partir de uma nova comunh\u00e3o e diversidade, que implica tamb\u00e9m um renovar daquilo que o Conc\u00edlio Vaticano II j\u00e1 apontava para repensar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por exemplo, o minist\u00e9rio do presb\u00edtero. Porque revalorizada a sua categoria de comunh\u00e3o, a fraternidade presbiteral, o percebermos que o nosso minist\u00e9rio ordenado j\u00e1 n\u00e3o se pode configurar mais de modo autorreferencial, mas que tem que ser na comunh\u00e3o do presbit\u00e9rio, na comunh\u00e3o com o seu Bispo, de um bispo que vive em primeiro lugar a comunh\u00e3o com o seu presbit\u00e9rio, para que esse presbit\u00e9rio possa ser o lugar da comunh\u00e3o, e depois promotor da comunh\u00e3o nas diferentes comunidades que lhes est\u00e3o confiadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 esta nova forma de ser pastor, que implica um renovar tamb\u00e9m dos itiner\u00e1rios formativos. Desde o itiner\u00e1rio formativo da forma\u00e7\u00e3o inicial nos nossos semin\u00e1rios, \u00e0 forma\u00e7\u00e3o permanente que as dioceses oferecem, ao acompanhamento dos padres nos seus primeiros anos, mas n\u00e3o esquecendo que os padres com mais anos tamb\u00e9m precisam de acompanhamento e de proximidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 esta Igreja sinodal pr\u00f3xima, de proximidade dos pastores com os fi\u00e9is, de proximidade do bispo com os seus presb\u00edteros, dos presb\u00edteros entre si, dos di\u00e1conos como colaboradores desta Igreja sinodal, que podemos repensar e operar esse milagre para usar as palavras do Tom\u00e1\u0161 Hal\u00edk, para operar esse milagre que n\u00e3o pode de facto ser uma opera\u00e7\u00e3o de cosm\u00e9tica, porque ficarmos pela superficialidade nos processos nunca nos permitir\u00e1 enfrentar esses processos com verdade e com aquilo que eles necessitam de verdade para gerar uma nova consci\u00eancia eclesial.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;No Cora\u00e7\u00e3o da Esperan\u00e7a&#8221; &#8211; Epis\u00f3dio 5 &#8211; S\u00edlvia Monteiro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=npLEw6RJ4Ao&amp;t=9s\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=npLEw6RJ4Ao&amp;t=9s<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>\u201cEspiritualidade e rela\u00e7\u00e3o\u201d para a aplica\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00e9dica considera que \u201cse n\u00e3o cuidarmos desta profundidade espiritual e relacional, corremos o risco de que a sinodalidade possa ser apenas um conjunto de processos meramente burocr\u00e1ticos e organizativos\u201d. \u00c9 o epis\u00f3dio 5 da iniciativa \u201cNo cora\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a\u201d da Rede Sinodal em Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A iniciativa \u201cNo cora\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a\u201d da Rede Sinodal em Portugal continua a produzir conte\u00fados sinodais e nesta fase de rece\u00e7\u00e3o do Documento Final do S\u00ednodo apresenta aqui o epis\u00f3dio 5 desta produ\u00e7\u00e3o. A convidada desta vez \u00e9 a m\u00e9dica S\u00edlvia Monteiro.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong> Ap\u00f3s tr\u00eas anos de um caminho sinodal que envolveu milh\u00f5es de pessoas e de duas sess\u00f5es do S\u00ednodo dos bispos em Roma que leitura faz do Documento Final do S\u00ednodo?<\/strong><\/li>\n<li>Estamos perante um documento muito importante. Toca-me o consenso alargado que foi poss\u00edvel depois de escutar tantas vozes de tantas latitudes e, portanto, penso que \u00e9 um documento que exprime bem aquela que \u00e9 a vontade do povo de Deus, seguramente inspirado pelo Esp\u00edrito Santo.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do documento, eu gostaria de salientar duas dimens\u00f5es que me tocaram especialmente. Uma delas, a necessidade de renova\u00e7\u00e3o espiritual e a outra, a convers\u00e3o relacional. Porventura, n\u00e3o seriam dois temas que est\u00e1vamos \u00e0 espera, sobretudo este cuidado com as rela\u00e7\u00f5es, que estivesse ali expl\u00edcito. Mas, de facto, na minha perspetiva, estas duas dimens\u00f5es &#8211; espiritualidade e rela\u00e7\u00e3o -, porventura podem ser a chave do sucesso da implementa\u00e7\u00e3o deste documento sinodal. De facto, \u00e9 absolutamente fundamental. E, note, se n\u00e3o cuidarmos desta profundidade espiritual e relacional, corremos o risco de que a sinodalidade possa ser apenas um conjunto de processos meramente burocr\u00e1ticos e organizativos. E, portanto, penso que \u00e9 essencial que cada comunidade procure encontrar espa\u00e7o para este crescimento espiritual de todos os seus membros. Obviamente, \u00e9 um trabalho que \u00e9 cont\u00ednuo, que exige forma\u00e7\u00e3o, exige acompanhamento espiritual, mas exige sobretudo, como nos diz o documento, uma convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E aqui podemos olhar para a nova Enc\u00edclica do Papa, que nos interpela a olhar para a centralidade do cora\u00e7\u00e3o. De facto, aquele lugar onde se revela o nosso verdadeiro ser E, portanto, na minha perspetiva, este tempo de implementa\u00e7\u00e3o da sinodalidade \u00e9 o tempo de, sobretudo cada um de n\u00f3s, olhar para dentro, para o mais profundo do seu ser, para procurar quais s\u00e3o as suas sedes, para reconhecer onde \u00e9 que as pode, no fundo, colmatar. Nesta certeza que \u00e9 Jesus que vem ao nosso encontro, e procura-nos na nossa fragilidade, onde estamos, como somos. E, portanto, o grande segredo da sinodalidade, na minha perspetiva, \u00e9 precisamente esvaziarmo-nos de n\u00f3s. E esse tem que ser o primeiro passo. Temos que nos esvaziar das nossas certezas, dos nossos preconceitos, para podermos abrir o nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0s surpresas e maravilhas de Deus, e a\u00ed estarmos abertos \u00e0 opini\u00e3o do outro e fazermos este caminho em conjunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, o outro conceito de que falei, e que emerge neste documento, \u00e9 esta necessidade de cuidarmos das rela\u00e7\u00f5es na Igreja. E de facto faz sentido numa Igreja que se apresenta tantas vezes de uma forma distante, fria, formal, \u00e9 muito importante cuidarmos das rela\u00e7\u00f5es, desde logo da nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus, mas tamb\u00e9m das rela\u00e7\u00f5es dentro dos pr\u00f3prios elementos da Igreja e, naturalmente, fazendo pontes para o mundo. Como fazer isso? Bom, n\u00f3s temos um grande l\u00edder, Jesus Cristo, que nos mostra exatamente qual \u00e9 que \u00e9 o rosto divino do nosso Deus. Um Deus Amor, que \u00e9 proximidade, \u00e9 ternura, \u00e9 compaix\u00e3o. E, portanto, isso deve ser o nosso exemplo, e ao lermos o Evangelho, encontramos, de facto, em quase todas as passagens, os gestos concretos que Jesus faz, no sentido de aprofundar esta rela\u00e7\u00e3o com aqueles que cruzam o seu caminho. E penso que este tem tamb\u00e9m que ser o nosso caminho, n\u00e3o termos medo dos gestos. E deixo aqui alguns gestos que me parecem particularmente importantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante parar para olhar, olhos nos olhos. Aqueles olhares que estabelecem rela\u00e7\u00e3o, e que d\u00e3o vida. Mas \u00e9 importante percebermos tamb\u00e9m a import\u00e2ncia e o poder transformador do toque, para voltarmos a abra\u00e7ar, a beijar, a segurar na m\u00e3o. Precisamos de escutar. E este \u00e9 tamb\u00e9m um elemento muito importante deste documento. Escutar com o ouvido do cora\u00e7\u00e3o, como nos fala o Papa Francisco, nesta atitude de acolhimento, de aceitarmos e respeitarmos a singularidade de cada pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois dois outros aspetos muito importantes que a Igreja precisa de trabalhar: \u00e9 desenvolver a empatia e a compaix\u00e3o. Duas \u201cskills\u201d muito importantes em todos os contextos humanos, mas particularmente na Igreja. Esta sensibilidade para reconhecermos e compreendermos o sentimento do outro, isto \u00e9, empatia. Mas depois, passarmos ao patamar da compaix\u00e3o que exige, no fundo, um compromisso da nossa parte para a a\u00e7\u00e3o e para ajudarmos o outro.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong> O Papa tem insistido e dado o exemplo em algumas nomea\u00e7\u00f5es, no sentido de que seja dado um maior protagonismo \u00e0s mulheres na Igreja. A partir da sua sensibilidade feminina como v\u00ea o processo sinodal que entra agora na fase de rece\u00e7\u00e3o nas comunidades de todo o mundo?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>Sinto que agora vamos entrar na fase mais complexa e mais desafiante. A fase da implementa\u00e7\u00e3o do que ficou decidido. A implementa\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica concreta das comunidades. Eu penso que todos n\u00f3s temos esta no\u00e7\u00e3o, que a Igreja tem um trabalho imenso em todo o mundo, faz muito bem \u00e0 humanidade e, portanto, n\u00e3o podemos interromper este trabalho que est\u00e1 em curso. E, portanto, o que \u00e9 exigido \u00e0 Igreja \u00e9 exatamente fazer este trabalho de implementa\u00e7\u00e3o das conclus\u00f5es do S\u00ednodo, em simult\u00e2neo com todo o seu trabalho, j\u00e1 em curso.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 dias ouvi uma express\u00e3o muito interessante, que \u00e9 mais ou menos como \u201cmudar as quatro rodas num carro, com o carro em andamento\u201d. E, por outro lado, n\u00f3s conhecemos bem a realidade atual da nossa Igreja portuguesa. Uma Igreja com poucos recursos, com um clero envelhecido, em n\u00famero reduzido. E, portanto, eu penso que temos aqui, de facto, um desafio que \u00e9 enorme. Sabemos que h\u00e1 algumas resist\u00eancias, mas mesmo pensando nas nossas hierarquias que est\u00e3o profundamente alinhadas com o Papa Francisco e com este esp\u00edrito sinodal, acredito que mesmo estes l\u00edderes t\u00eam de facto dificuldades em definir qual a melhor forma de implementar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, portanto, penso que neste contexto, todos somos poucos, e \u00e9 mesmo muito importante incluir toda a gente de boa vontade, toda a gente que tenha alguma coisa a acrescentar nesta tem\u00e1tica, para divulgar, e para tentar implementar boas pr\u00e1ticas de sinodalidade naquilo que s\u00e3o as comunidades e as suas realidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu penso que esta \u00e9, no fundo, a miss\u00e3o a que se prop\u00f5e a Rede Sinodal. Enfim, com v\u00e1rias pessoas com experi\u00eancia em \u00e1reas distintas, e, portanto, que tem este grande objetivo de incentivar, antes de mais, divulgar boas pr\u00e1ticas e de alguma forma contribuir para esta implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa perspetiva muito pessoal, parece-me que o segredo para a implementa\u00e7\u00e3o tem que passar por uma abertura da Igreja \u00e0 inclus\u00e3o da diversidade. A Igreja n\u00e3o pode ter medo da diversidade. N\u00e3o podem ser sempre as mesmas pessoas, nos mesmos lugares, a fazer as coisas da mesma forma&#8230; Que vamos esperar que alguma coisa mude. A evid\u00eancia cient\u00edfica tem mostrado em contextos diversos, de organiza\u00e7\u00f5es, que a diversidade &#8211; e aqui falo em termos de g\u00e9nero, de ra\u00e7a, de idade, de pensamento, estado de vida. Bom, as diversas formas de diversidade est\u00e3o associadas a uma melhor performance em termos de efic\u00e1cia e inova\u00e7\u00e3o. Acredito muito que a Igreja n\u00e3o seria diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, o mundo em que vivemos \u00e9 hoje muito complexo. Ningu\u00e9m sabe tudo sobre tudo. E, portanto, \u00e9 fundamental integrar aqui v\u00e1rios saberes, v\u00e1rias compet\u00eancias. No fundo, para ajudar a Igreja a caminhar. E parece-me cr\u00edtico que a Igreja tenha a coragem de incluir leigos com perfis espec\u00edficos e diferenciados, que possam, de alguma forma, trazer aqui tamb\u00e9m um crit\u00e9rio de exig\u00eancia e qualidade \u00e0 nossa Igreja. Penso que, enfim, enquanto leiga, enquanto participante em muitas atividades, penso que a Igreja precisa cada vez mais de confiar tamb\u00e9m nos leigos, e confiar na maturidade da sua f\u00e9. Penso que hoje em dia \u00e9 um contexto que&#8230; Que j\u00e1 merecemos essa confian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falou na quest\u00e3o feminina e, portanto, aqui na diversidade, gostaria de dar uma palavra r\u00e1pida \u00e0 mulher. O rosto da Igreja \u00e9 feminino, n\u00e3o \u00e9? Ningu\u00e9m tem d\u00favidas disso. As mulheres est\u00e3o sempre em maioria, quer no que diz respeito \u00e0 participa\u00e7\u00e3o nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, mas tamb\u00e9m em todo o servi\u00e7o na Igreja. Enfim, somos mais. E pelo facto de sermos mais, tamb\u00e9m \u00e9 mais f\u00e1cil &#8211; a estat\u00edstica mostra isso -, encontrar mulheres de qualidade, com compet\u00eancias. E, portanto, parece-me que este \u00e9 um caminho que \u00e9 inevit\u00e1vel. O Papa Francisco tem dado in\u00fameros exemplos. Contudo, eu deixava aqui um desafio \u00e0s mulheres que nos est\u00e3o a ouvir. Ningu\u00e9m far\u00e1 o nosso caminho por n\u00f3s. Portanto, o que me parece absolutamente essencial \u00e9 que cada uma de n\u00f3s, mulheres, fa\u00e7a o seu discernimento. Perceba exatamente \u201cqual \u00e9 que \u00e9 a miss\u00e3o que Deus tem para mim\u201d. E, a partir da\u00ed, estarmos dispon\u00edveis para assumir o nosso lugar em Igreja. Notem, o lugar que nos foi confiado por Deus, pela gra\u00e7a do Batismo. E, portanto, n\u00e3o ficarmos demasiadamente presas a pap\u00e9is, que nos s\u00e3o conferidos por algu\u00e9m. N\u00e3o. O nosso lugar \u00e9-nos conferido por Deus pela gra\u00e7a do Batismo. E, depois, estarmos dispon\u00edveis para colocar os dons que recebemos no feminino ao servi\u00e7o da Igreja. E vou apenas citar alguns que s\u00e3o \u00f3bvios, como a capacidade de doa\u00e7\u00e3o, do cuidado, da ternura, da compaix\u00e3o, mas tamb\u00e9m da criatividade, da inova\u00e7\u00e3o. Uma espiritualidade que \u00e9 necessariamente diferente, uma capacidade de comunica\u00e7\u00e3o mais positiva, menos agressiva. E, portanto, penso que estes dons ao servi\u00e7o da Igreja poder\u00e3o ser uma gra\u00e7a, e poder\u00e3o ajudar a construir esta nova forma de ser Igreja que tanto ambicionamos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Rede-Sinodal-Portugal-v1.pdf\">Rede Sinodal Portugal-v1<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O te\u00f3logo Tom\u00e1\u0161 Hal\u00edk esteve recentemente em Portugal para lan\u00e7ar o seu livro&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14626,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"categories":[88,68],"tags":[],"class_list":["post-14727","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sinodo-2021-2024-2028","category-ultimas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14727","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=14727"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14727\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14733,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14727\/revisions\/14733"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/14626"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=14727"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=14727"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=14727"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}