{"id":14734,"date":"2025-03-10T14:50:17","date_gmt":"2025-03-10T14:50:17","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=14734"},"modified":"2025-03-10T14:52:25","modified_gmt":"2025-03-10T14:52:25","slug":"12-anos-com-o-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=14734","title":{"rendered":"12 anos com o Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>13 de mar\u00e7o 2013 \u2013 13 de mar\u00e7o 2025:\u00a0 12 anos com o Papa Francisco<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Igreja: \u00abO modo de gerir a Igreja de Francisco tem a ver com o ponto de partida original que \u00e9 a vida das pessoas\u00bb \u2013 padre Jorge Teixeira da Cunha<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9 mar\u00e7o, 2025 \u2013 Ecclesia<\/p>\n<figure id=\"attachment_14735\" aria-describedby=\"caption-attachment-14735\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14735 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/rr.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14735\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR\/Henrique Cunha <br \/>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00c9 j\u00e1 na pr\u00f3xima quinta-feira que se assinalam 12 anos da elei\u00e7\u00e3o do Papa Francisco. Tem sido um pontificado marcado por enc\u00edclicas sociais, pelo esfor\u00e7o de renova\u00e7\u00e3o interna da Igreja, particularmente no processo sinodal e a aten\u00e7\u00e3o \u00e0s periferias da sociedade. \u00c9 convidado de Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia o padre Jorge Teixeira da Cunha, professor catedr\u00e1tico da Faculdade de Teologia da Universidade Cat\u00f3lica<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>O Papa Francisco tem insistido na necessidade de proximidade aos mais desfavorecidos, com gestos concretos, sobretudo para com refugiados e imigrantes. Na sua opini\u00e3o, quais s\u00e3o as grandes marcas deste pontificado?<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o v\u00e1rias marcas, eu acho. A primeira \u00e9, de facto, a descontra\u00e7\u00e3o do Papa, o Papa que n\u00e3o veste Prada. \u00c9 o primeiro Papa que n\u00e3o veste Prada e que n\u00e3o usa aqueles adere\u00e7os t\u00edpicos do papado. Portanto, trouxe uma imagem nova, uma descontra\u00e7\u00e3o nova, uma recusa das representa\u00e7\u00f5es tradicionais do Vaticano e um regresso ou um ingresso no centro da vida, mais do que no centro das ideias, n\u00e3o \u00e9? O mundo das ideias, para ele, pouco significa, ele \u00e9 um homem do terreno, um homem das pessoas, um homem do concreto, um homem da vida. Eu acho que essa \u00e9 a marca mais importante: ele vem de longe, vem de outro continente, com outra tradi\u00e7\u00e3o, com outra cultura e introduziu no papado um outro estilo, uma outra viv\u00eancia, um regresso \u00e0 base, porque a vida \u00e9 a pr\u00f3pria base de tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso se reflete no seu modo de pensar, no seu modo de agir de uma maneira muito expl\u00edcita. Eu acho que as marcas mais importantes seriam, primeiro, essa descontra\u00e7\u00e3o, depois a capacidade de pensar de outro modo. Ele n\u00e3o \u00e9 um homem de pensamento, \u00e9 um homem da vida, ele pr\u00f3prio nos seus textos diz isso v\u00e1rias vezes, que a vida \u00e9 maior do que as nossas ideias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>N\u00e3o \u00e9 um homem do abstrato, digamos assim\u2026<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 um homem do abstrato, \u00e9 um homem do concreto, mas nem sequer \u00e9 nessa distin\u00e7\u00e3o entre o abstrato e o concreto, \u00e9 entre o vital e o representado, n\u00e3o \u00e9? \u00c9 a vida, a vida das pessoas e, se leram o \u00faltimo livro, uma esp\u00e9cie de mem\u00f3rias que ele escreveu, o \u2018Spera\u2019, \u00e9 um livro delicioso porque mostra a\u00ed tudo o que ele \u00e9. Ele n\u00e3o \u00e9 um te\u00f3logo, ele \u00e9 um escritor e um escritor \u00e9 sempre uma pessoa que vem da vida, da viv\u00eancia das pessoas, da subjetividade, e isso a\u00ed est\u00e1 muito patente. D\u00e1 para entender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele pergunta: entendem por que raz\u00e3o a minha primeira viagem foi a Lampedusa? Porque eu sou um imigrante, porque a minha gente viveu o drama da imigra\u00e7\u00e3o, viveu os naufr\u00e1gios, viveu os sofrimentos, viveu o desenraizamento, viveu tudo isso a minha sensibilidade n\u00e3o \u00e9 abstrata para com o drama da imigra\u00e7\u00e3o. Eu vivi isso, a minha gente viveu isso, n\u00f3s formamo-nos nessa tradi\u00e7\u00e3o. Esse livro \u00e9 delicioso por causa disso, porque \u00e9 um livro de um escritor, ia dizer, n\u00e3o \u00e9 um livro de um Papa, \u00e9 um livro de um homem, de um crente, de um crente e de algu\u00e9m que est\u00e1 pr\u00f3ximo da vida e n\u00e3o pr\u00f3ximo das ideias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso reflete-se em todos os textos que ele escreveu: n\u00e3o s\u00e3o textos de uma grande teologia, s\u00e3o textos que tentam compreender e sintonizar-se com a viv\u00eancia do ser humano dos dias de hoje. Por algum motivo escreveu uma enc\u00edclica sobre a amizade, \u2018Fratelli Tutti\u2019 \u2013 era uma coisa sobre que nenhum Papa tinha escrito at\u00e9 hoje, explicitamente. E a amizade o que \u00e9 sen\u00e3o a viv\u00eancia e a proximidade das pessoas e que \u00e9 a tarefa da f\u00e9 realizar a proximidade de todos os seres humanos. Eu diria que ele \u00e9 um homem n\u00e3o da ontologia, mas da fenomenologia, aquilo que vivem os sujeitos, aquilo que vivemos n\u00f3s. Todo o modo de pensar, o modo de gerir a Igreja de Francisco tem a ver com esse ponto de partida original que \u00e9 a vida das pessoas, a vida dos seres humanos do s\u00e9culo XXI e n\u00e3o propriamente as ideias, as representa\u00e7\u00f5es. as normas at\u00e9. Ele foi muito livre em rela\u00e7\u00e3o a tudo isso, o que lhe causou alguns problemas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Vimos v\u00e1rias interven\u00e7\u00f5es do Papa sobre injusti\u00e7as sociais, sobre a pobreza, sobre as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Nesta perspetiva tamb\u00e9m se entende que alguns vejam no Papa uma esp\u00e9cie de um l\u00edder pol\u00edtico?<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As nossas op\u00e7\u00f5es pastorais t\u00eam consequ\u00eancias pol\u00edticas sempre, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, e \u00e9 importante que as tenham. E elas t\u00eam tanto mais repercuss\u00f5es pol\u00edticas quanto mais elas s\u00e3o afirma\u00e7\u00f5es que v\u00eam da vida real. Quando o Papa fala da pobreza, quando ele fala da marginalidade, quando ele fala das representa\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas que matam, ele est\u00e1 a colocar-se ao lado da vida e da possibilidade da vida. Quando fala das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, ele n\u00e3o \u00e9 um cientista, nem \u00e9 um pol\u00edtico, mas na medida em que ele toca num problema real do nosso tempo, isso tem repercuss\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Mas est\u00e1 a cumprir um papel, um papel de den\u00fancia, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um papel muito importante e se alguma coisa do Evangelho \u00e9, \u00e9 precisamente uma inven\u00e7\u00e3o da vida e das possibilidades concretas da vida em cada tempo. E nisso a\u00ed o Papa foi exemplar, ele nem foi um te\u00f3logo, n\u00e3o fez os textos mais importantes do ponto de vista dogm\u00e1tico, digo eu. As enc\u00edclicas dele n\u00e3o s\u00e3o coisas muito elaboradas como eram as do Paulo VI, s\u00e3o peda\u00e7os de vida que ele escreve ou que algu\u00e9m escreve por ele, mas que v\u00eam, precisamente, da empatia que tem com o nosso tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<em>E da aten\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade<\/em><\/strong><em>\u2026<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da aten\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade e \u00e0s pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Desde a primeira hora que Francisco se disponibilizou para ser mediador de um processo de paz na Ucr\u00e2nia e tem repetido apelos \u00e0 paz entre a Palestina e Israel. Entendem-se algumas cr\u00edticas \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do Papa nestas mat\u00e9rias?<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compreendo, porque ele incomoda as pessoas, mas creio que ele est\u00e1 no sentido certo e a voz dele agora, que est\u00e1 um pouco silenciada por causa da doen\u00e7a, seria important\u00edssima neste processo que n\u00f3s estamos a viver. Creio que os crist\u00e3os ter\u00e3o muito a dizer sobre este processo que a Europa agora est\u00e1 a fazer, o rearmamento da Europa \u00e9 uma coisa altamente discut\u00edvel e eu tenho saudades da palavra do Papa Francisco que nos vem dizer \u201c\u00f3 senhores, n\u00f3s n\u00e3o precisamos de rearmamento militar, precisamos de rearmamento moral\u201d. E \u00e9 preciso que a Igreja diga isso com toda a clareza. Faz muita falta a palavra do Papa Francisco, que agora est\u00e1 na situa\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel da doen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>E neste sentido tamb\u00e9m faz falta, perante o que temos visto, por exemplo, nos Estados Unidos com a nova administra\u00e7\u00e3o de Donald Trump. Vai ser uma conviv\u00eancia dif\u00edcil, no futuro?<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, eu calculo que, se o Papa durar, vai ser um problema, mas o nosso Papa n\u00e3o \u00e9 contra o Trump por ser contra o Trump, ele \u00e9 contra, digamos, a agenda da direita e a agenda da esquerda: ambas s\u00e3o baseadas em descri\u00e7\u00f5es da vida que n\u00e3o s\u00e3o aut\u00eanticas. O ide\u00e1rio da direita que diz \u201cn\u00f3s temos de voltar \u00e0s grandes ideias, \u00e0s grandes normas da vida\u201d. Temos de voltar, sim, em certa medida isso \u00e9 verdade, mas isso n\u00e3o \u00e9 o caminho, o caminho do futuro \u00e9 o caminho da vida, n\u00e3o \u00e9? Da vida, isto \u00e9, da empatia com as pessoas e da viabiliza\u00e7\u00e3o da nossa vida associada e a constru\u00e7\u00e3o da paz. Nem a extrema-esquerda com o seu niilismo, nem a extrema-direita com o seu niilismo tamb\u00e9m chegam l\u00e1 e \u00e9 por isso que ele \u00e9 cr\u00edtico, tanto da direita como da esquerda. N\u00f3s precisamos \u00e9 de quem seja capaz de inventar o caminho para a vida real e n\u00e3o para a vida artificial ou para a vida representada, para a vida pensada, n\u00e3o, precisamos disso. N\u00f3s temos de dizer, os crist\u00e3os, com toda a clareza, que pelo caminho do rearmamento, pelo caminho das armas, n\u00f3s n\u00e3o constru\u00edmos a paz. Os fundadores da Europa tentaram dizer isso e n\u00f3s j\u00e1 nos esquecemos disso, eram crist\u00e3os todos e cat\u00f3licos: disseram \u201cn\u00f3s nunca mais queremos a guerra na Europa, n\u00f3s queremos uma Europa baseada na afirma\u00e7\u00e3o dos valores, n\u00f3s queremos uma Europa baseada no trabalho, na autonomia dos seres humanos, na democracia\u201d. Hoje estamos a deitar isso tudo por \u00e1gua abaixo, vamos rearmar a Europa com 800 mil milh\u00f5es de euros\u2026 por favor, por favor, eu acho que isso n\u00e3o tem nenhum sentido e temos de o dizer, a forma de construir a paz \u00e9 a defesa social n\u00e3o-violenta, isso \u00e9 a mensagem do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Desde a hist\u00f3rica Cimeira de 2019, dedicada \u00e0 crise dos abusos sexuais, temos visto serem tomadas medidas em todo o mundo para promover a prote\u00e7\u00e3o de menores e o combate a novos casos, esta tamb\u00e9m \u00e9 uma das marcas deste pontificado?<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com certeza, j\u00e1 vinha do Papa Bento XVI, que teve uma coragem fora de s\u00e9rie em enfrentar esse problema e esse \u00e9 um problema de fundo. A Igreja n\u00e3o teve outro rem\u00e9dio sen\u00e3o aliar-se com as for\u00e7as que emergiram no nosso tempo. Esta gera\u00e7\u00e3o, n\u00f3s que estamos vivos agora, temos o m\u00e9rito de ter descoberto a dignidade da vida infantil, foi Jesus que nos ensinou isso, mas n\u00f3s demoramos 20 s\u00e9culos a p\u00f4r isso no terreno: a acessibilidade para isso, a legisla\u00e7\u00e3o. Francisco levou isso para a frente com toda a sua for\u00e7a, com toda a energia, com toda a convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu n\u00e3o acredito que n\u00f3s vamos mudar a nossa alma, portanto a tenta\u00e7\u00e3o, essa tenta\u00e7\u00e3o ign\u00f3bil de muitas pessoas de viverem as suas rela\u00e7\u00f5es a partir do poder, isso n\u00e3o vai acabar, agora n\u00f3s temos de criar mecanismos para excluir esses comportamentos e para livrar a Igreja absolutamente disso. A Igreja sempre teve essa sensa\u00e7\u00e3o, sempre teve essa sensibilidade, mas hoje n\u00f3s crescemos para ela e a nossa gera\u00e7\u00e3o tem a vantagem de ter descoberto a dignidade da vida infantil e de ter convictamente enfrentado esse problema, tanto no clero como nas fam\u00edlias, como nas agremia\u00e7\u00f5es, como em todos os clubes desportivos, porque isso era um problema transversal \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>N\u00f3s estamos a olhar para os 12 anos de pontificado do Papa Francisco e sem d\u00favida que uma das grandes frases deste per\u00edodo foi o c\u00e9lebre \u201ctodos, todos, todos\u201d, na JMJ de 2023. As viagens a Lisboa e a F\u00e1tima s\u00e3o momentos incontorn\u00e1veis quando se conta a hist\u00f3ria do pontificado?<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com certeza, o \u201ctodos, todos, todos\u201d \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o da ordem dessa op\u00e7\u00e3o b\u00e1sica que est\u00e1vamos a dizer: todos, todos, todos pela vida do Evangelho, pela vida em Cristo, certamente. Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00f3s n\u00e3o vamos doravante ter moral e que n\u00e3o vamos ter distin\u00e7\u00e3o entre o bem e o mal, isso \u00e9 evidente para todos, agora h\u00e1 um momento em que n\u00f3s temos de afirmar que o Evangelho \u00e9 para todos e que todos cabem na Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema da moral do Papa Francisco foi esse: quando um homem se situa desde o ponto de vista da viv\u00eancia e n\u00e3o propriamente da lei e da norma, como foi o caso do Papa, ele vai dizer que de facto a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 para todos, quaisquer que sejam as suas hist\u00f3rias, as suas biografias, as suas \u00edndoles pessoais, as suas op\u00e7\u00f5es at\u00e9, portanto o Evangelho \u00e9 para todos, \u00e9 para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00f3s n\u00e3o vamos ter uma reflex\u00e3o abstrata sobre o bem e o mal e n\u00e3o vamos ter tamb\u00e9m a funda\u00e7\u00e3o da norma que nos diz que todos, sim, mas certamente da\u00ed est\u00e3o exclu\u00eddos os abusadores de crian\u00e7as, est\u00e3o exclu\u00eddos os genocidas, est\u00e3o exclu\u00eddos comportamentos e de morais que n\u00e3o s\u00e3o aceit\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>O processo sinodal que se iniciou em 2021 abre j\u00e1 caminhos para o futuro depois de Francisco. \u00c9 uma din\u00e2mica que n\u00e3o permite mais recuos?<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo sinodal para mim teve a ver, da parte do Papa, com um melhoramento da nossa rela\u00e7\u00e3o institucional. Eu creio que isso n\u00e3o traz nada de novo no sentido em que j\u00e1 temos mecanismos de partilha do poder, j\u00e1 temos direito de participa\u00e7\u00e3o das pessoas, j\u00e1 temos mecanismos democr\u00e1ticos na Igreja quase para tudo e a perspetiva sinodal do Papa teve a ver mais com o refor\u00e7o espiritual da exist\u00eancia institucional da Igreja e n\u00e3o propriamente com inova\u00e7\u00e3o institucional. N\u00f3s temos as leis, do que eu tenho visto n\u00e3o mudou nenhuma lei sobre a participa\u00e7\u00e3o, sobre os conselhos que n\u00f3s j\u00e1 temos \u2013 conselhos paroquiais, conselhos diocesanos, conselhos de padres, conselhos de leigos \u2013 temos tudo isso estatu\u00eddo. O que ele quis foi, de certo modo, mostrar, agilizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Que as coisas funcionem\u2026<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s temos leis, temos de fazer com que elas funcionem, mentalizar os pastores e mentalizar os fi\u00e9is sobre a necessidade de dar lugar uns aos outros, de partilhar o poder, de fundar as decis\u00f5es. O processo sinodal, para mim, tem a ver com isso mais propriamente do que com uma inova\u00e7\u00e3o institucional ou um progresso \u2013 n\u00f3s temos tudo isso, temos nas normas de funcionamento da Igreja, no Direito Can\u00f3nico, isso j\u00e1 estava tudo pensado, \u00e9 preciso um esp\u00edrito novo, a sinodalidade \u00e9 um esp\u00edrito novo mais do que uma norma nova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Quando n\u00f3s falamos o Papa continua internado no Hospital Gemelli, a recuperar de problemas respirat\u00f3rios. At\u00e9 porque estamos em ano de Jubileu, com uma agenda muito intensa e esperando todos que o Papa Francisco regresse a casa, que impacto \u00e9 que esta situa\u00e7\u00e3o tem no futuro do seu pontificado<\/em><\/strong><em>?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tenho d\u00favidas se n\u00f3s n\u00e3o estaremos no fim do pontificado, o Papa \u00e9 um senhor com 88 anos, com uma vida louca \u2013 a gente pode p\u00f4r-se na pele dele, n\u00f3s que temos duas d\u00e9cadas a menos ou isso, e ver como \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel que ele tenha trabalhado intensamente. Ele agora est\u00e1 um pouco vencido pela vulnerabilidade, pela velhice, de qualquer maneira isso veio lembrar-nos que temos de continuar a viver depois do Papa Francisco, n\u00f3s temos de continuar a viver depois de todas as gera\u00e7\u00f5es, a Igreja n\u00e3o acaba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco ficar\u00e1 sempre entre n\u00f3s como um patrim\u00f3nio, como algu\u00e9m que inovou o estilo, que inovou at\u00e9 a forma da Igreja se aproximar da realidade, que inovou a moral, que descomprimiu a moral \u2013 essa \u00e9 uma das coisas mais importantes que ele fez, ele descomprimiu a moral. Criou-se uma organiza\u00e7\u00e3o mundial de moralistas, anteriormente os moralistas eram os te\u00f3logos mais oprimidos que havia na Igreja e agora tornaram-se os mais livres e os mais capazes, os mais organizados que h\u00e1, ao contr\u00e1rio dos outros, h\u00e1 uma organiza\u00e7\u00e3o mundial, isso foi uma coisa possibilitada pelo esp\u00edrito novo que o Papa Francisco trouxe. Temos os fundamentos de novas coisas que tem feito, por exemplo na C\u00faria e no lugar da mulher \u2013 isso est\u00e1 em parte por fazer, mas est\u00e1 come\u00e7ado, deu-nos os sinais de que n\u00f3s precisamos de uma Igreja com dois pulm\u00f5es, o pulm\u00e3o masculino e o pulm\u00e3o feminino. Isso \u00e9 uma coisa que ainda fica por fazer, de certo modo, mas ele lan\u00e7ou as bases que o futuro pode aproveitar e n\u00e3o tenho d\u00favidas de que ele relan\u00e7ou a Igreja. O Papa Bento XVI interiorizou a igreja e mostrou-nos a pertin\u00eancia da vida espiritual, Francisco mostrou-nos a capacidade da Igreja de se tornar significante no mundo da cultura de hoje e criou uma onda de simpatia pelos Papas que eu n\u00e3o me lembro de algo igual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se tivermos de viver sem ele, algum dia vai ser necess\u00e1rio, vamos ter de aproveitar isso e portanto a hist\u00f3ria nunca recua, a hist\u00f3ria acentua umas vezes uns aspetos, outras vezes outros, mas vamos ter de viver com a mem\u00f3ria do Papa Francisco como aquele que teve a capacidade de ser um pastor pr\u00f3ximo, que teve a capacidade de ser um pastor que se sintoniza com o Evangelho, que se sintoniza com a vida das pessoas, um pastor que est\u00e1 na vanguarda da afirma\u00e7\u00e3o da capacidade da Igreja de mobilizar, de sintonizar com a vida, de crescer na vida, de aproximar os seres humanos. No tempo da globaliza\u00e7\u00e3o, no tempo da intelig\u00eancia artificial, ele fala-nos da amizade, fala-nos da proximidade do ser humano, da empatia do ser humano com o seu semelhante, isso \u00e9 uma coisa que fica como nosso patrim\u00f3nio, que n\u00e3o podemos esquecer com o Francisco ou nos dias que vir\u00e3o a seguir ao papado do Francisco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/12-anos-com-o-Papa-Francisco.pdf\">12 anos com o Papa Francisco<\/a> (PDF)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 j\u00e1 na pr\u00f3xima quinta-feira que se assinalam 12 anos da elei\u00e7\u00e3o do Papa Francisco. 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