{"id":14877,"date":"2025-04-14T10:04:56","date_gmt":"2025-04-14T09:04:56","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=14877"},"modified":"2025-04-29T10:34:13","modified_gmt":"2025-04-29T09:34:13","slug":"a-data-da-pascoa-5-reflexoes-voz-portucalense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=14877","title":{"rendered":"A data da P\u00e1scoa &#8211; 5 reflex\u00f5es &#8211; Voz Portucalense"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A data da P\u00e1scoa (1)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/2025\/02\/\">6 fevereiro, 2025<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/category\/eclesial\/\">Eclesial<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/category\/liturgia\/\">Liturgia<\/a> \u2013 Voz Portucalense<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Secretariado Diocesano da Liturgia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No passado dia 25 de janeiro, na celebra\u00e7\u00e3o de V\u00e9speras que encerrou a Semana de ora\u00e7\u00e3o pela unidade dos crist\u00e3os, o Papa Francisco voltou a manifestar a disponibilidade da Igreja Cat\u00f3lica para convergir com as outras Igrejas e comunidades crist\u00e3s numa data comum para a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa: \u00ab<em>De modo providencial, este ano, precisamente durante o anivers\u00e1rio ecum\u00e9nico\u00a0<\/em>[do Conc\u00edlio de Niceia]<em>, a P\u00e1scoa ser\u00e1 celebrada no mesmo dia tanto no calend\u00e1rio gregoriano como no juliano. Renovo o meu apelo para que esta coincid\u00eancia sirva de est\u00edmulo a todos os crist\u00e3os para darem resolutamente um passo rumo \u00e0 unidade, em torno duma data comum, uma data para a P\u00e1scoa (cf. Bula\u00a0<\/em>Spes non confundit<em>, 17); e a Igreja Cat\u00f3lica est\u00e1 disposta a aceitar a data que todos quiserem estipular: uma data da unidade<\/em>\u00bb. Desde 2015, pelo menos, aquando do encontro mundial do clero, que o Papa Francisco vem reafirmando esta disponibilidade. E na Bula de promulga\u00e7\u00e3o do Jubileu em curso, a prop\u00f3sito da efem\u00e9ride dos 1700 anos do primeiro conc\u00edlio ecum\u00e9nico, em Niceia, o Papa refor\u00e7ara este des\u00edgnio. Em algumas ocasi\u00f5es, em tom de gracejo, o Santo padre tem alertado para o esc\u00e2ndalo, imaginando o di\u00e1logo de dois crist\u00e3os de diferentes Igrejas: \u00abo meu Cristo j\u00e1 ressuscitou; quando ressuscita o teu?\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A disponibilidade para encontrar uma solu\u00e7\u00e3o de unidade j\u00e1 tinha sido declarada da forma o mais solene poss\u00edvel pelo II Conc\u00edlio do Vaticano, no\u00a0<em>Ap\u00eandice<\/em>\u00a0\u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Sagrada Liturgia, em 4 de dezembro de 1963: \u00ab<em>O Sagrado Conc\u00edlio n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o da festa da P\u00e1scoa num domingo certo do Calend\u00e1rio Gregoriano, desde que sejam da mesma opini\u00e3o aqueles a quem interessa, sobretudo os irm\u00e3os separados da comunh\u00e3o com a S\u00e9 Apost\u00f3lica<\/em>\u00bb. Recordemos, a prop\u00f3sito, que desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XX se v\u00eam desenvolvendo esfor\u00e7os, no \u00e2mbito ecum\u00e9nico, para superar as diverg\u00eancias atuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Digamos que o problema da fixa\u00e7\u00e3o da data da P\u00e1scoa vem do in\u00edcio da hist\u00f3ria da Igreja. O Evangelista S\u00e3o Jo\u00e3o situa a morte de Jesus na tarde do dia em que se imolavam no templo de Jerusal\u00e9m os cordeiros para a ceia pascal judaica. Jesus \u00e9 o verdadeiro cordeiro pascal, a quem nenhum osso foi quebrado, cujo sangue nos liberta de uma opress\u00e3o bem mais radical do que a sofrida pelo povo de Israel no Egito. Segundo o calend\u00e1rio judaico, esse dia foi o 14\u00ba do m\u00eas de Nisan, o m\u00eas lunar com que come\u00e7ava o ano (mar\u00e7o-abril). Consequentemente, ligados a essa tradi\u00e7\u00e3o joanina, os crist\u00e3os da prov\u00edncia romana da \u00c1sia (na atual Turquia) celebravam a P\u00e1scoa do verdadeiro Cordeiro sempre no dia 14 desse m\u00eas (lua cheia), fosse qual fosse o dia da semana em que ocorresse. E passavam esse dia em jejum \u2013 mesmo num domingo! \u2013 que apenas cessava com a Eucaristia, o banquete pascal dos crist\u00e3os, nas horas da madrugada do dia 15. Eram os \u00ab<strong>quartodecimanos<\/strong>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os crist\u00e3os de outras regi\u00f5es \u2013 Roma, Egito, Palestina\u2026 \u2013 tinham relut\u00e2ncia em aceitar essa pr\u00e1tica. Para eles, o domingo nunca podia ser dia de jejum nem a P\u00e1scoa, culminando na vit\u00f3ria de Cristo Ressuscitado sobre a morte, se poderia celebrar noutro dia da semana que n\u00e3o fosse o domingo. O historiador Eus\u00e9bio de Cesareia (265-339) d\u00e1-nos conta dessas diverg\u00eancias. J\u00e1 no s\u00e9c. II, S\u00e3o Policarpo de Esmirna (69-155) e o Papa Santo Aniceto (154-166) n\u00e3o conseguem p\u00f4r-se de acordo sobre essa diverg\u00eancia, mantendo, contudo, a paz. A crise agudizou-se, depois, quase at\u00e9 \u00e0 rotura. O Papa S\u00e3o V\u00edtor (189-199), em confronto com\u00a0 Pol\u00edcrates de \u00c9feso, chegou mesmo a amea\u00e7ar toda a prov\u00edncia da \u00c1sia com a excomunh\u00e3o. Valeu ent\u00e3o a media\u00e7\u00e3o pacificadora de Santo Ireneu de Li\u00e3o (130-202), com origens asi\u00e1ticas, mas defensor da \u00abp\u00e1scoa dominical\u00bb. Ireneu entendia que essa diverg\u00eancia, embora relevante, n\u00e3o era impedimento para a comunh\u00e3o e a paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gradualmente, a \u00abp\u00e1scoa dominical\u00bb foi-se generalizando, mas surgiu outra dificuldade: como determinar a lua cheia \u00e0 qual se seguiria o domingo pascal dos crist\u00e3os? Os \u00ab<strong>protopasquitas<\/strong>\u00bb (S\u00edria, confins orientais do Imp\u00e9rio Romano\u2026) seguiam o calend\u00e1rio judaico, celebrando a P\u00e1scoa crist\u00e3 em coincid\u00eancia com a P\u00e1scoa judaica ou muito perto dela. Mas Alexandria (Egito), onde vigorava o calend\u00e1rio juliano, com fortes liga\u00e7\u00f5es a Roma, tinha as suas pr\u00f3prias compet\u00eancias astron\u00f3micas para a determina\u00e7\u00e3o da lua pascal. E nem sempre havia coincid\u00eancia na data da P\u00e1scoa, sobretudo devido \u00e0 inclus\u00e3o peri\u00f3dica de um m\u00eas intercalar de 30 dias no calend\u00e1rio hebraico, para recuperar a diferen\u00e7a entre o ano lunar e o ano solar. Nesse calend\u00e1rio h\u00e1 \u00abanos comuns\u00bb com apenas 353 dias em 12 meses e anos \u00ablongos\u00bb com 383 dias em 13 meses\u2026 Podia acontecer que durante o mesmo ano juliano houvesse duas p\u00e1scoas no calend\u00e1rio hebraico e, consequentemente, tamb\u00e9m nas comunidades \u00abprotopasquitas\u00bb. Essa diverg\u00eancia era preocupante e esteve na origem do decreto pascal do Conc\u00edlio de Niceia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Niceia e a data da P\u00e1scoa (2)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/2025\/02\/\">13 Fevereiro, 2025<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/category\/eclesial\/\">Eclesial<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/category\/liturgia\/\">Liturgia<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/category\/sociedade\/\">Sociedade<\/a> \u2013 Voz Portucalense<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Secretariado Diocesano da Liturgia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grande promotor do Conc\u00edlio de Niceia foi o imperador Constantino. Com o chamado \u00e9dito de Mil\u00e3o (313), fora concedida aos crist\u00e3os liberdade de culto. Sucessivamente, Constantino eliminara o co-imperador concorrente, Lic\u00ednio (324), e unificara o imp\u00e9rio romano sob a sua \u00e9gide e com nova capital (Constantinopla, a nova Roma). Doravante, a grande preocupa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica era a de\u00a0<strong>preservar a unidade<\/strong>\u00a0do imp\u00e9rio que, doravante, teria como cimento espiritual o cristianismo. Mas, no seio da pr\u00f3pria Igreja havia m\u00faltiplas divis\u00f5es, doutrinais e disciplinares. Pense-se no arianismo (e n\u00e3o s\u00f3), ent\u00e3o a alastrar, que punha em causa tanto a f\u00e9 trinit\u00e1ria como a f\u00e9 cristol\u00f3gica; no donatismo que contrapunha uma suposta igreja pura, de m\u00e1rtires e resistentes \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o (t\u00e3o recente!), a uma igreja contaminada por \u00abtraidores\u00bb e coniventes com a apostasia; e multiplicavam-se quest\u00f5es disciplinares e de organiza\u00e7\u00e3o. Entre estas destacava-se a diverg\u00eancia entre as Igrejas quanto \u00e0 data da celebra\u00e7\u00e3o pascal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num per\u00edodo de intensa sinodalidade, Constantino convoca uma assembleia\u00a0<em>ecum\u00e9nica<\/em>, isto \u00e9, de bispos de\u00a0<em>toda<\/em>\u00a0a Igreja: e assim se reuniu em Niceia, no ano 325, o primeiro conc\u00edlio \u00abecum\u00e9nico\u00bb<em>.<\/em>\u00a0O fruto principal dos seus debates foi o\u00a0<em>s\u00edmbolo<\/em>\u00a0da f\u00e9 que, complementado em Constantinopla (381), se reza ainda hoje na Eucaristia dominical. Mas foi igualmente importante o seu\u00a0<em>decreto pascal<\/em>, referido pelo pr\u00f3prio Constantino numa\u00a0<em>Carta \u00e0s Igrejas<\/em>: \u00ab<em>Chegando \u00e0 discuss\u00e3o sobre o dia sant\u00edssimo da P\u00e1scoa, decidiu-se, de comum acordo, que era bem que todos os crist\u00e3os de todas as regi\u00f5es celebrassem a P\u00e1scoa no mesmo dia<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi adotada a regra j\u00e1 vigorava em Roma, Alexandria e na maioria das Igrejas: a P\u00e1scoa deveria ser celebrada unanimemente na mesma data:\u00a0<strong>no domingo subsequente \u00e0 primeira lua cheia do equin\u00f3cio da Primavera<\/strong>\u00a0que, nessa \u00e9poca, ocorria em 21 de mar\u00e7o. S\u00e3o, pois, tr\u00eas as refer\u00eancias a coordenar:\u00a0<strong>domingo<\/strong>,\u00a0<strong>primavera<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>lua<\/strong>\u00a0<strong>cheia<\/strong>. A celebra\u00e7\u00e3o anual da P\u00e1scoa \u00e9 um\u00a0<strong>grande domingo<\/strong>, o principal de todo o ano, dia do Senhor porque dia da Eucaristia, Sacramento por excel\u00eancia da P\u00e1scoa, experi\u00eancia de ressurrei\u00e7\u00e3o e encontro com o Ressuscitado. Esta festa da Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a verdadeira\u00a0<strong>Primavera<\/strong>\u00a0do cosmos, vida que vence a morte, renova\u00e7\u00e3o de todas as coisas, maravilha de uma nova cria\u00e7\u00e3o. E celebra-se quando a\u00a0<strong>lua<\/strong>\u00a0alcan\u00e7ou a sua plenitude, fazendo recuar a pr\u00f3pria noite, como j\u00e1 se antecipava desde os tempos do \u00eaxodo da liberta\u00e7\u00e3o do Egito na imola\u00e7\u00e3o do cordeiro cujo sangue prefigurava a efic\u00e1cia redentora do Cordeiro de Deus que tira o pecado o mundo, vencendo toda a opress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A P\u00e1scoa da Igreja n\u00e3o \u00e9 uma\u00a0<strong>mera recorda\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0anivers\u00e1ria do Calv\u00e1rio: \u00e9 o grande Sacramento da Salva\u00e7\u00e3o e da Alian\u00e7a. O domingo, o Sol da Primavera e a Lua no seu m\u00e1ximo esplendor entram na constitui\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>significante<\/em>\u00a0desse admir\u00e1vel Mist\u00e9rio ou Sacramento cujo\u00a0<em>significado<\/em>\u00a0e efeito \u00e9 Salva\u00e7\u00e3o, Passagem da morte \u00e0 vida. Sublinhe-se, portanto, que a celebra\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da P\u00e1scoa, para al\u00e9m da sua dimens\u00e3o hist\u00f3rico-salv\u00edfica (j\u00e1 presente na P\u00e1scoa judaica, memorial de um acontecimento hist\u00f3rico fundante da liberdade e identidade do Povo), tinha e tem uma dimens\u00e3o antropol\u00f3gica e c\u00f3smica, que remontava a tradi\u00e7\u00f5es pastoris (cordeiro) e agr\u00e1rias (\u00e1zimos) origin\u00e1rias, jamais canceladas e sempre reassumidas na celebra\u00e7\u00e3o anual judaica e crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a determina\u00e7\u00e3o do dia dessa lua cheia da Primavera, da qual dependia a data da P\u00e1scoa crist\u00e3,\u00a0<strong>as Igrejas deixam de depender do calend\u00e1rio hebraico<\/strong>. (Diga-se, entre par\u00eantesis, que hoje nos parece quase chocante o anti-semitismo de Constantino, documentado na referida\u00a0<em>Carta \u00e0s Igrejas<\/em>). Habitualmente ser\u00e1 Alexandria, em liga\u00e7\u00e3o com Roma, a fornecer essa informa\u00e7\u00e3o. Embora a not\u00edcia do\u00a0<em>Decreto pascal<\/em>\u00a0refira que todos os orientais \u2013 at\u00e9 ent\u00e3o em desacordo com a maioria \u2013 subscreveram a decis\u00e3o, o Conc\u00edlio de Niceia, cujas atas se perderam, n\u00e3o superou definitivamente as diverg\u00eancias que se mantiveram ao longo do s\u00e9c. IV. Mas, doravante, foi essa a solu\u00e7\u00e3o de unidade encontrada. Porque raz\u00e3o esta se veio a romper e deixou de ser habitual a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa no mesmo dia por todos os crist\u00e3os? A resposta est\u00e1 ligada \u00e0 necessidade de corrigir as defici\u00eancias do\u00a0<em>calend\u00e1rio juliano<\/em>, assim chamado porque instaurado por J\u00falio C\u00e9sar na sua qualidade de\u00a0<em>Pontifex Maximus\u00a0<\/em>da Rep\u00fablica Romana, no ano 46 a.C.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Data da P\u00e1scoa: reforma necess\u00e1ria (3)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/2025\/02\/\">19 fevereiro, 2025<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/category\/eclesial\/\">Eclesial<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/category\/liturgia\/\">Liturgia<\/a> \u2013 Voz Portucalense<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Secretariado Diocesano da Liturgia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reforma preconizada pelo Conc\u00edlio de Niceia dependia do calend\u00e1rio juliano, em uso no Imp\u00e9rio Romano desde 46 a.C. E a sua concretiza\u00e7\u00e3o dependia ainda de \u00abc\u00f4mputos\u00bb complexos para determinar a data da ocorr\u00eancia da lua cheia pascal (a que coincidia com o equin\u00f3cio da Primavera, fixado ent\u00e3o no dia 21 de mar\u00e7o, ou imediatamente ap\u00f3s).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira depend\u00eancia, n\u00e3o se levara em linha de conta a incorre\u00e7\u00e3o astron\u00f3mica do calend\u00e1rio juliano que atribui ao ano solar a dura\u00e7\u00e3o de 365 dias e 6 horas. Deste modo, os anos comuns t\u00eam 365 dias, sendo estabelecido em cada quatro anos um dia a mais, intercalado no 6\u00ba dia antes das calendas de mar\u00e7o (24 de fevereiro). Da repeti\u00e7\u00e3o desse dia deriva o nome de \u00abbissexto\u00bb que se d\u00e1 ao ano de 366 dias. Acontece, por\u00e9m, que as \u00abseis horas\u00bb eram um arredondamento que negligenciava, cerca de 11 minutos e 13-14 segundos. De facto, a dura\u00e7\u00e3o do \u00abano tr\u00f3pico\u00bb, medida no equin\u00f3cio da Primavera, \u00e9 de 365<sup>d<\/sup>, 5h, 48m, 46,98s. Os 11m e 13-14s que o calend\u00e1rio juliano conta a mais somam um dia de diferen\u00e7a em cada 128 anos. Consequentemente, o dia astron\u00f3mico do in\u00edcio das esta\u00e7\u00f5es foi-se lentamente atrasando no calend\u00e1rio. Beda (673-735), Roger Bacon (1220-1292), Dante Alighieri (1265-1321), e muitos outros deram-se conta desse desvio que se ia acentuando de s\u00e9culo para s\u00e9culo. No s\u00e9culo XVI, o equin\u00f3cio astron\u00f3mico j\u00e1 ocorria a 11 de mar\u00e7o, dez dias antes do artificial \u00abequin\u00f3cio eclesi\u00e1stico\u00bb fixado no s\u00e9culo IV em 21 de mar\u00e7o\u2026 Por essa raz\u00e3o, tamb\u00e9m a data oficial da P\u00e1scoa se ia afastando da verdade c\u00f3smica, chegando, por vezes, a ocorrer j\u00e1 no m\u00eas de maio. A essa defici\u00eancia somava-se a imperfei\u00e7\u00e3o no c\u00f4mputo eclesi\u00e1stico relativo ao ciclo da lua pelo que, no s\u00e9culo XVI, a fixa\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica da lua nova e da lua cheia j\u00e1 se desviara mais de 4 dias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade astron\u00f3mica. Tamb\u00e9m, por esse motivo, a data da P\u00e1scoa por vezes tinha de transitar para o m\u00eas seguinte\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era cada vez mais reclamada uma revis\u00e3o do calend\u00e1rio. O Conc\u00edlio de Constan\u00e7a (1414-1418) p\u00f4s seriamente a quest\u00e3o. Sisto IV, em 1476, prop\u00f4s-se, em v\u00e3o, rever o calend\u00e1rio recorrendo \u00e0s maiores autoridades cient\u00edficas da \u00e9poca. Outras tentativas foram feitas pelo V Conc\u00edlio de Latr\u00e3o (1516-1517) e pelo Papa Le\u00e3o X (+1521). O pr\u00f3prio Nicolau Cop\u00e9rnico (1473-1543) se empenhou nessa quest\u00e3o. O Conc\u00edlio de Trento debateu-se com o problema, mas transferiu para o Papa a responsabilidade de o solucionar, reforma que deveria acompanhar a revis\u00e3o do Brevi\u00e1rio e do Martirol\u00f3gio Romanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Coube ao papa Greg\u00f3rio XIII o \u00f3nus e o m\u00e9rito da reforma do Calend\u00e1rio que, doravante, ostenta o seu nome. Soube rodear-se das compet\u00eancias cient\u00edficas mais destacadas do seu tempo, tendo tido a ventura de se deparar com a proposta do astr\u00f3nomo, matem\u00e1tico e m\u00e9dico Luigi Giglio e seu irm\u00e3o Ant\u00f3nio que, de forma simples, operava a corre\u00e7\u00e3o do Calend\u00e1rio e prevenia futuros desvios. Nessa base procedeu a uma consulta alargada aos Estados e \u00e0s Universidades, com resultados consensuais. Note-se que a grande motiva\u00e7\u00e3o da reforma gregoriana do calend\u00e1rio foi a\u00a0<strong>fidelidade aos crit\u00e9rios estabelecidos por Niceia<\/strong>\u00a0para a data da celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa. A reforma foi promulgada em\u00a0<strong>24 de fevereiro de 1582<\/strong>, com a\u00a0<strong>bula\u00a0<em>Inter Gravissimas<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em que consistiu a reforma? Em primeiro lugar, para recolocar o equin\u00f3cio no dia 21 de mar\u00e7o (como na \u00e9poca do Conc\u00edlio de Niceia), foi decidido retirar 10 dias ao calend\u00e1rio. Assim, onde a corre\u00e7\u00e3o fosse imediatamente implementada (Estados Pontif\u00edcios e outros Estados Italianos, Espanha, Portugal e suas possess\u00f5es, Pol\u00f3nia, Litu\u00e2nia\u2026) passar-se-ia diretamente\u00a0<strong>do dia 4 ao dia 15 de outubro de 1582<\/strong>. E foi assim que, por surpreendente coincid\u00eancia, Santa Teresa de Jesus (de \u00c1vila) morreu em Alba de Tormes na noite de 4 para 15 de outubro! Para que, de futuro, n\u00e3o se viesse a repetir o problema, foi retocada a\u00a0<strong>regra dos anos bissextos<\/strong>. Assim, os anos centen\u00e1rios deixariam de ser bissextos, a n\u00e3o ser que fossem m\u00faltiplos de 400. Desse modo, 1600 e 2000 foram anos bissextos, mas 1700, 1800 e 1900 n\u00e3o o foram pelo que a diferen\u00e7a entre os dois calend\u00e1rios \u00e9 agora de 13 dias. Diga-se, a prop\u00f3sito, que a corre\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o \u00e9 perfeita, mas muito perto disso (subsiste uma diferen\u00e7a de 26 segundos que at\u00e9 ao ano 4909 completar\u00e3o um dia de diferen\u00e7a!). Em rela\u00e7\u00e3o ao c\u00e1lculo da lua pascal tamb\u00e9m foram introduzidas corre\u00e7\u00f5es no ciclo das epactas (os dias do m\u00eas lunar a 31 de dezembro do ano anterior), de modo a repor a verdade astron\u00f3mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As virtudes da reforma foram-na impondo gradualmente e o calend\u00e1rio gregoriano foi adotado mesmo nos pa\u00edses de maioria n\u00e3o cat\u00f3lica. Mas, como ter\u00e1 dito o protestante Kepler, h\u00e1 quem prefira estar em desacordo com o sol a concordar com o Papa\u2026 E \u00e9 assim que, nos pa\u00edses em que predomina o cristianismo \u00abortodoxo\u00bb, separado de Roma, apesar de vigorar o calend\u00e1rio gregoriano para efeitos civis, para efeitos lit\u00fargicos conserva-se em uso o calend\u00e1rio juliano, n\u00e3o obstante as suas reconhecidas defici\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P\u00e1scoa: rumo a uma data comum? (4)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/2025\/03\/\"><strong>6 mar\u00e7o, 2025<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/category\/diocese\/\"><strong>Diocese<\/strong><\/a><strong>,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/category\/liturgia\/\"><strong>Liturgia<\/strong><\/a><strong> \u2013 Voz Portucalense<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Secretariado Diocesano da Liturgia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papa Greg\u00f3rio XIII tinha tentado negociar um acordo sobre o calend\u00e1rio com Jeremias II, Patriarca de Constantinopla, argumentando com os decretos de Niceia e a necessidade de repor na sua verdade, como no s\u00e9c. IV, a data do equin\u00f3cio e do in\u00edcio das esta\u00e7\u00f5es. Mas a proposta foi rejeitada por uma s\u00e9rie de s\u00ednodos locais. Doravante, aplicando as mesmas regras a calend\u00e1rios diferentes, a data da P\u00e1scoa no Oriente Ortodoxo e no Ocidente crist\u00e3o de tradi\u00e7\u00e3o latina deixou de coincidir na maior parte dos anos. Em concreto, at\u00e9 ao ano 2100, a data da P\u00e1scoa s\u00f3 coincidir\u00e1 24 vezes (quando caia num domingo entre 4 e 25 de abril, subsequente \u00e0 primeira lua cheia da primavera): 2025, 2028, 2031, 2034, 2037, 2038\u2026 Em 2024, a P\u00e1scoa ortodoxa ocorreu em 5 de maio: quarenta e seis dias ap\u00f3s a data real do equin\u00f3cio da primavera! E at\u00e9 ao ano 2100 (em que a diverg\u00eancia entre os dois calend\u00e1rios aumentar\u00e1 um dia), por mais 13 vezes a P\u00e1scoa ortodoxa ocorrer\u00e1 no m\u00eas de maio (m\u00e1ximos: 7 de maio em 2051; 8 de maio em 2078\u2026). Demasiado longe da data b\u00edblica e nicena de uma solenidade primaveril!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 \u00f3bvio, muitos crist\u00e3os e hierarcas das Igrejas ortodoxas sentem como problema esse deslizar do calend\u00e1rio juliano em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade do in\u00edcio das esta\u00e7\u00f5es. Tanto mais que, para efeitos civis, se generalizou a vig\u00eancia do calend\u00e1rio gregoriano. Mas ainda n\u00e3o houve tempo nem caminho para na mente e nos cora\u00e7\u00f5es dos membros dessas igrejas se superar o trauma da divis\u00e3o que perdurou quase um mil\u00e9nio. O abra\u00e7o de Paulo VI e Aten\u00e1goras, que em 7 de dezembro de 1965 suspenderam a excomunh\u00e3o m\u00fatua que durava desde 1054, ainda n\u00e3o irmanou todos os seguidores das duas tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s. E se, na Igreja Cat\u00f3lica, a decis\u00e3o de um Papa pode dirimir a generalidade das quest\u00f5es, a estrutura sinodal das Igrejas Ortodoxas e a multiplica\u00e7\u00e3o de hierarquias paralelas de Igrejas \u00abautoc\u00e9falas\u00bb n\u00e3o facilita a gera\u00e7\u00e3o de consensos. A condi\u00e7\u00e3o posta para qualquer eventual reforma nesta mat\u00e9ria (a aprova\u00e7\u00e3o por um conc\u00edlio pan-ortodoxo) n\u00e3o parece vi\u00e1vel no atual contexto. H\u00e1 que ponderar o risco, n\u00e3o apenas hipot\u00e9tico, de qualquer reforma originar novas dissens\u00f5es internas e cismas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Registaram-se progressos no caminho ecum\u00e9nico da aproxima\u00e7\u00e3o das Igrejas tendo no horizonte o dia em que todos celebraremos na mesma data a solenidade mais importante da nossa f\u00e9. Entre a Igreja cat\u00f3lica e as Igrejas e comunidades eclesiais \u201cprotestantes\u201d n\u00e3o h\u00e1 dificuldades relevantes. Tem sido muito ventilada a hip\u00f3tese de se celebrar a P\u00e1scoa sempre num domingo fixo de abril. A data mais consensual \u00e9 a do segundo domingo, por ser o mais pr\u00f3ximo do suposto anivers\u00e1rio da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus (calculada em 7 de abril do ano 30). Apesar de esta possibilidade, preconizada por raz\u00f5es civis, pol\u00edticas e econ\u00f3micas, abandonar um dos crit\u00e9rios de Niceia (o da lua cheia) e divergir tamb\u00e9m das ra\u00edzes b\u00edblicas veterotestament\u00e1rias da P\u00e1scoa, tanto o Conselho Mundial das Igrejas como a Igreja Cat\u00f3lica j\u00e1 declararam estar recetivos a essa proposta desde que haja acordo entre todos aqueles a quem interessa. As dificuldades maiores, psicol\u00f3gicas e pastorais, v\u00eam das Igrejas Ortodoxas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns passos t\u00eam sido dados. Nos anos 20 foi lan\u00e7ado o \u00abcalend\u00e1rio meleciano\u00bb (do nome do Patriarca de Constantinopla Mel\u00e9cio IV (1921-1923): as festas anuais fixas passaram a ser celebradas segundo o calend\u00e1rio gregoriano, mantendo-se o calend\u00e1rio juliano para a P\u00e1scoa e respetivo ciclo vari\u00e1vel. Das v\u00e1rias iniciativas de di\u00e1logo e aproxima\u00e7\u00e3o, merece destaque a declara\u00e7\u00e3o de Alepo (1997): \u201c<em>Towards a Common Date for Easter<\/em>\u201d \u2013 \u201cRumo a uma data comum para a P\u00e1scoa\u201d. Na base da proposta concreta est\u00e1 a f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo como o artigo central da f\u00e9 crist\u00e3 em que todas as Igrejas convergem. Igualmente se pretende manter a regra do Conc\u00edlio de Niceia: a P\u00e1scoa deve celebrar-se no primeiro domingo ap\u00f3s a primeira lua-cheia da Primavera. Os c\u00e1lculos astron\u00f3micos para a determina\u00e7\u00e3o desse dia devem ser independentes tanto do calend\u00e1rio juliano como do gregoriano, devendo aplicar-se os m\u00e9todos cient\u00edficos mais rigorosos tomando como ponto de refer\u00eancia o meridiano de Jerusal\u00e9m. Esta declara\u00e7\u00e3o foi aprovada pela Comunh\u00e3o Anglicana, pela Federa\u00e7\u00e3o Luterana Mundial, por representantes oficiais da Igreja Cat\u00f3lica e do Patriarcado ecum\u00e9nico de Constantinopla. Mas as outras Igrejas ortodoxas n\u00e3o aderiram. Na verdade, esta iniciativa ecum\u00e9nica, com a sua base cient\u00edfica aut\u00f3noma, tem resultados muito pr\u00f3ximos dos que dimanam do calend\u00e1rio gregoriano. E, quer no influente ambiente mon\u00e1stico do Monte Athos, quer em amplos setores do mundo eslavo, ainda n\u00e3o ter\u00e1 chegado o tempo para o que lhes parece ser uma ced\u00eancia. Sobretudo, teme-se a consequ\u00eancia de novas fraturas e cismas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na proximidade da comemora\u00e7\u00e3o dos 1700 anos do Conc\u00edlio de Niceia (325) t\u00eam-se intensificado os esfor\u00e7os de aproxima\u00e7\u00e3o, nomeadamente pelo \u00abPapa\u00bb copto-ortodoxo, Patriarca de Alexandria, Tawadros II e pelo Papa Francisco. Aguardemos pelos resultados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na atual situa\u00e7\u00e3o da R\u00fassia e de outras Igrejas ortodoxas do mundo greco-eslavo, atendendo ainda \u00e0s dificuldades psicol\u00f3gicas e pastorais, n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil chegar a um acordo. De tal forma que at\u00e9 tem sido ventilada a possibilidade de, exclusivamente para a data da P\u00e1scoa e o ciclo do ano lit\u00fargico dela dependente (Quaresma-Pentecostes) serem os ocidentais (cat\u00f3licos e protestantes) a prescindir do seu c\u00f4mputo adotando a data resultante do desfasado calend\u00e1rio juliano. Seria o generalizar de uma pr\u00e1tica j\u00e1 seguida em algumas regi\u00f5es onde a Igreja cat\u00f3lica \u00e9 minorit\u00e1ria: abdicando do seu calend\u00e1rio, celebram a P\u00e1scoa no mesmo dia das Igrejas maiorit\u00e1rias da respetiva geografia. Ser\u00e1 razo\u00e1vel uma tal proposta?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Data comum da P\u00e1scoa: balan\u00e7o final (5)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/2025\/03\/\">14 mar\u00e7o, 2025<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/category\/diocese\/\">Diocese<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vozportucalense.pt\/category\/liturgia\/\">Liturgia<\/a> \u2013 Voz Portucalense<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Secretariado Diocesano da Liturgia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recapitulando a exposi\u00e7\u00e3o aqui feita, eis o quadro das possibilidades abertas:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>Aplica\u00e7\u00e3o generalizada a todas as Igrejas da\u00a0<strong>reforma gregoriana<\/strong>, possivelmente aperfei\u00e7oada: de muito\u00a0<strong>dif\u00edcil aceita\u00e7\u00e3o <\/strong>por parte da maioria das Igrejas ortodoxas.<\/li>\n<li>Proposta de um\u00a0<strong>domingo fixo do m\u00eas de abril<\/strong>, preferentemente o segundo, por ser o mais pr\u00f3ximo da data suposta da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo (7 de abril do ano 30). Esta sugest\u00e3o tem vantagens pragm\u00e1ticas por trazer regularidade aos calend\u00e1rios escolares, sociais, econ\u00f3micos\u2026. \u00c9 uma hip\u00f3tese viabilizada pela Igreja cat\u00f3lica e muitas confiss\u00f5es crist\u00e3s do ocidente, na condi\u00e7\u00e3o de ser tamb\u00e9m aceite pelas demais Igrejas crist\u00e3s. Mas tem sido liminarmente<strong>exclu\u00edda pela maioria das Igrejas ortodoxas<\/strong>\u00a0por se afastar dos crit\u00e9rios de Niceia numa das suas refer\u00eancias c\u00f3smicas essenciais: a lua cheia. A P\u00e1scoa n\u00e3o \u00e9 um anivers\u00e1rio a mais, como acontece no calend\u00e1rio santoral fixo que recorda o\u00a0<em>dies natalis\u00a0<\/em>dos santos de que se faz mem\u00f3ria. A P\u00e1scoa \u00e9 um \u00abmist\u00e9rio\u00bb, um \u00absacramento\u00bb que tem na constitui\u00e7\u00e3o do sinal sagrado (<em>significante<\/em>) refer\u00eancias c\u00f3smicas e hist\u00f3rico-salv\u00edficas. Introduz no tempo dos homens uma novidade que quebra as rotinas e rompe at\u00e9 com a regularidade dos nossos calend\u00e1rios.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta proposta tem ainda o\u00a0<em>inconveniente<\/em>\u00a0de nos\u00a0<strong>distanciar da tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica<\/strong>\u00a0da P\u00e1scoa. Na \u00e9poca de Niceia, em que campeava o antissemitismo, pretendia desvincular-se a fixa\u00e7\u00e3o da data pascal das autoridades religiosas do juda\u00edsmo. A diverg\u00eancia entre o calend\u00e1rio judaico e o juliano justificava a emancipa\u00e7\u00e3o. As compet\u00eancias astron\u00f3micas de que o Patriarcado de Alexandria se podia assessorar dispensavam a anterior depend\u00eancia. Mas a ado\u00e7\u00e3o da regra do plenil\u00fanio significa que se deseja\u00a0<strong>manter o enraizamento b\u00edblico<\/strong>. Cristo morreu por ocasi\u00e3o de uma P\u00e1scoa judaica e, por isso, a solenidade da P\u00e1scoa do novo Cordeiro imolado e de p\u00e9 mant\u00e9m uma liga\u00e7\u00e3o umbilical com a P\u00e1scoa antiga. Os tempos atuais de di\u00e1logo inter-religioso, na sequ\u00eancia da declara\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Nostra Aetate<\/em>\u00a0do II Conc\u00edlio do Vaticano, parecem recomendar uma aproxima\u00e7\u00e3o de prefer\u00eancia a um distanciamento.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"3\">\n<li>A proposta da\u00a0<strong>Declara\u00e7\u00e3o de Alepo<\/strong>(1997), surgida em \u00e2mbito ecum\u00e9nico: mantendo-se os crit\u00e9rios de Niceia, a fixa\u00e7\u00e3o da data da P\u00e1scoa depender\u00e1 de c\u00e1lculos cient\u00edficos rigorosos para a determina\u00e7\u00e3o do equin\u00f3cio e da coincidente ou subsequente lua cheia, medidos no meridiano de Jerusal\u00e9m, a cidade onde Jesus Cristo por n\u00f3s morreu e ressuscitou. Tenha-se em conta que nenhum dos dois calend\u00e1rios concorrentes (Juliano e Gregoriano) t\u00eam total rigor nesta mat\u00e9ria. Basta constatar que, no ano em curso, e at\u00e9 ao ano 2051, o equin\u00f3cio da primavera ser\u00e1 a 20 de mar\u00e7o (e n\u00e3o 21, como no convencional equin\u00f3cio eclesi\u00e1stico; e no ano 2052 e 2056 ser\u00e1 em 19 de mar\u00e7o)\u2026 Em suma, a proposta de Alepo, sendo fiel aos crit\u00e9rios de Niceia, \u00e9 \u201cneutra\u201d em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s duas alternativas atuais. Talvez seja de procurar\u00a0<strong>reunir o m\u00e1ximo de consenso poss\u00edvel em torno desta proposta<\/strong>\u00a0e aguardar que, em anos futuros, tal consenso v\u00e1 crescendo at\u00e9 se chegar um dia a uma relativa unanimidade.<\/li>\n<li>Por amor \u00e0 unidade e at\u00e9 que se chegue a melhor consenso, a Igreja cat\u00f3lica e demais Igrejas e comunidades crist\u00e3s n\u00e3o cat\u00f3licas do Ocidente poder\u00e3o abdicar do calend\u00e1rio atualmente em uso para que\u00a0<strong>todos passam a celebrar a P\u00e1scoa<\/strong>(e todo o ciclo lit\u00fargico que da P\u00e1scoa depende, da Quaresma ao Pentecostes)\u00a0<strong>segundo o calend\u00e1rio juliano<\/strong>. Tendo em conta as conhecidas imperfei\u00e7\u00f5es desse calend\u00e1rio, n\u00e3o parece que esta seja uma boa proposta. A senda da unidade deve convergir com a da verdade. Um eventual acordo no erro n\u00e3o se pode considerar avan\u00e7o rumo \u00e0 unidade ecum\u00e9nica. J\u00e1 parece mais aceit\u00e1vel que, para evitar ou atenuar o esc\u00e2ndalo da divis\u00e3o, as minorias se conformem ao calend\u00e1rio da maioria nas regi\u00f5es onde coabitam crist\u00e3os de tradi\u00e7\u00e3o diferente.<\/li>\n<li><strong>Manter a situa\u00e7\u00e3o atual<\/strong>. A hist\u00f3ria ensina que a diversidade de ritos \u00e9 compat\u00edvel com a unidade na f\u00e9 e na caridade. \u00c9 em prol desta que se dever\u00e1 intensificar o di\u00e1logo ecum\u00e9nico. O pormenor (ou \u00abpor-maior\u00bb) da diverg\u00eancia na data da celebra\u00e7\u00e3o pascal resolver-se-\u00e1 depois. Uma carta de S.<sup>to<\/sup>Ireneu de Li\u00e3o ao Papa S\u00e3o V\u00edtor refere um epis\u00f3dio significativo ocorrido em meados do s\u00e9c. II: S\u00e3o Policarpo de Esmirna, herdeiro da tradi\u00e7\u00e3o quartodecimana que remontava ao ap\u00f3stolo S\u00e3o Jo\u00e3o, veio a Roma para debater esta diverg\u00eancia com o Papa S.<sup>to<\/sup>\u00a0Aniceto que preconizava a P\u00e1scoa dominical, tamb\u00e9m em nome de uma tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica. Nem Policarpo convenceu Aniceto nem Aniceto convenceu Policarpo\u2026 Mas, mesmo assim, \u00ab<em>Aniceto cedeu a Policarpo a honra de celebrar a Eucaristia na sua Igreja, separando-se em paz<\/em>\u00bb. Eram dois santos pastores da Igreja. A diverg\u00eancia incidia n\u00e3o s\u00f3 na data mas tamb\u00e9m no modo de celebrar a P\u00e1scoa e na sua compreens\u00e3o: solenidade da imola\u00e7\u00e3o do definitivo Cordeiro pascal ou Festa da Ressurrei\u00e7\u00e3o? Certamente que ambas as dimens\u00f5es do mesmo mist\u00e9rio, embora com diversa acentua\u00e7\u00e3o. Mas t\u00e3o s\u00e9rias diverg\u00eancias n\u00e3o impediam a essencial comunh\u00e3o na f\u00e9, na caridade e no v\u00ednculo sacramental da Eucaristia. Se esta comunh\u00e3o essencial existir \u2013 e para ela se deve caminhar sem desfalecimento \u2013, a diverg\u00eancia dos calend\u00e1rios ser\u00e1 toler\u00e1vel e, qui\u00e7\u00e1, super\u00e1vel.<\/li>\n<\/ol>\n<p><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/A-data-da-Pascoa-5-reflexoes-Voz-Portucalense.pdf\">A data da P\u00e1scoa &#8211; 5 reflex\u00f5es &#8211; Voz Portucalense<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No passado dia 25 de janeiro, na celebra\u00e7\u00e3o de V\u00e9speras que encerrou a Semana de ora\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14879,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"categories":[103,68],"tags":[],"class_list":["post-14877","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ano-pastoral-diocese-2024-2025","category-ultimas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14877","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=14877"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14877\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14881,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14877\/revisions\/14881"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/14879"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=14877"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=14877"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=14877"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}