{"id":16037,"date":"2025-10-09T18:37:54","date_gmt":"2025-10-09T17:37:54","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=16037"},"modified":"2025-11-10T12:00:26","modified_gmt":"2025-11-10T12:00:26","slug":"exortacao-apostolica-dilexi-te-papa-leao-xiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=16037","title":{"rendered":"Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Dilexi Te  &#8211; Papa Le\u00e3o XIV"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9814 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/pope.png\" alt=\"\" width=\"104\" height=\"120\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">EXORTA\u00c7\u00c3O APOST\u00d3LICA<br \/>\n<strong><em>DILEXI TE<br \/>\n<\/em><\/strong>DO SANTO PADRE<br \/>\nLE\u00c3O XIV<br \/>\nSOBRE O AMOR PARA COM OS POBRES<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>\u00abEu te amei\u00bb (<em>Ap<\/em>3, 9), diz o Senhor a uma comunidade crist\u00e3 que, ao contr\u00e1rio de outras, n\u00e3o tinha qualquer relev\u00e2ncia ou recurso e estava exposta \u00e0 viol\u00eancia e ao desprezo: \u00abtens pouca for\u00e7a, mas [\u2026] farei que [\u2026] venham prostrar-se a teus p\u00e9s\u00bb (<em>Ap<\/em>3, 8-9). Este texto recorda as palavras do c\u00e2ntico de Maria: \u00abDerrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de m\u00e3os vazias\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a01, 52-53).<\/li>\n<li>A declara\u00e7\u00e3o de amor do Apocalipse remete para o mist\u00e9rio insond\u00e1vel que foi aprofundado pelo Papa Francisco na Enc\u00edclica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/20241024-enciclica-dilexit-nos.html\"><em>Dilexit nos<\/em><\/a>sobre o amor humano e divino do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. Nela, admir\u00e1mos o modo como Jesus se identifica \u00abcom os \u00faltimos da sociedade\u00bb e como, atrav\u00e9s do seu amor doado at\u00e9 ao fim, mostra a dignidade de cada ser humano, sobretudo quando \u00e9 \u00abmais fraco, m\u00edsero e sofredor\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref1\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn1\">[1]<\/a>Contemplar o amor de Cristo \u00abajuda-nos a prestar mais aten\u00e7\u00e3o ao sofrimento e \u00e0s necessidades dos outros, e torna-nos suficientemente fortes para participar na sua obra de liberta\u00e7\u00e3o, como instrumentos de difus\u00e3o do seu amor\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref2\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn2\">[2]<\/a><\/li>\n<li>Por esta raz\u00e3o, em continuidade com a Enc\u00edclica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/20241024-enciclica-dilexit-nos.html\"><em>Dilexit nos<\/em><\/a>, o Papa Francisco, nos \u00faltimos meses da sua vida, estava a preparar uma Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica sobre o cuidado da Igreja pelos pobres e com os pobres, intitulada\u00a0<em>Dilexi te<\/em>, imaginando Cristo a dirigir-se a cada um deles dizendo: Tens pouca for\u00e7a, pouco poder, mas \u00abEu te amei\u00bb (\u00a0<em>Ap<\/em>3, 9). Ao receber como heran\u00e7a este projeto, sinto-me feliz ao assumi-lo como meu \u2013 acrescentando algumas reflex\u00f5es \u2013 e ao apresent\u00e1-lo no in\u00edcio do meu pontificado, partilhando o desejo do meu amado Predecessor de que todos os crist\u00e3os possam perceber a forte liga\u00e7\u00e3o existente entre o amor de Cristo e o seu chamamento a tornarmo-nos pr\u00f3ximos dos pobres. Na verdade, tamb\u00e9m eu considero necess\u00e1rio insistir neste caminho de santifica\u00e7\u00e3o, porque no \u00abapelo a reconhec\u00ea-Lo nos pobres e atribulados, revela-se o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o de Cristo, os seus sentimentos e as suas op\u00e7\u00f5es mais profundas, com os quais se procura configurar todo o santo\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref3\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn3\">[3]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO I<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ALGUMAS PALAVRAS INDISPENS\u00c1VEIS<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"4\">\n<li>Os disc\u00edpulos de Jesus criticaram a mulher que derramou um perfume muito precioso sobre a sua cabe\u00e7a: \u00abPara qu\u00ea este desperd\u00edcio?\u00bb \u2013 diziam eles \u2013 \u00abPodia vender-se por bom pre\u00e7o e dar-se o dinheiro aos pobres\u00bb. Mas o Senhor disse-lhes: \u00abPobres, sempre os tereis convosco; mas a mim nem sempre me tereis\u00bb (<em>Mt<\/em>26, 8-9.11). Aquela mulher tinha compreendido que Jesus era o Messias humilde e sofredor sobre quem derramar o seu amor: que consolo aquele unguento sobre a cabe\u00e7a que, dali a poucos dias, seria atormentada pelos espinhos! Era um pequeno gesto, mas quem sofre sabe o quanto \u00e9 grande mesmo um pequeno sinal de afeto e quanto al\u00edvio pode trazer. Jesus compreende isso e confirma a sua perenidade: \u00abEm qualquer parte do mundo onde este Evangelho for anunciado, h\u00e1 de tamb\u00e9m narrar-se, em sua mem\u00f3ria, o que ela acaba de fazer\u00bb (<em>Mt<\/em>26, 13). A simplicidade daquele gesto revela algo grandioso. Nenhuma express\u00e3o de carinho, nem mesmo a menor delas, ser\u00e1 esquecida, especialmente se dirigida a quem se encontra na dor, sozinho, necessitado, como estava o Senhor naquela hora.<\/li>\n<li>\u00c9 precisamente nesta perspectiva que o afeto pelo Senhor se une ao afeto pelos pobres. Aquele Jesus que diz \u00abPobres, sempre os tereis convosco\u00bb (<em>Mt<\/em>26, 11), expressa igual sentido quando promete aos disc\u00edpulos: \u00abSabei que Eu estarei sempre convosco\u00bb (<em>Mt<\/em>28, 20). Ao mesmo tempo, v\u00eam-nos \u00e0 mente aquelas palavras do Senhor: \u00abSempre que fizestes isto a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a025, 40). N\u00e3o estamos no horizonte da benefic\u00eancia, mas no da Revela\u00e7\u00e3o: o contato com quem n\u00e3o tem poder nem grandeza \u00e9 um modo fundamental de encontro com o Senhor da hist\u00f3ria. Nos pobres, Ele ainda tem algo a dizer-nos.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Francisco<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"6\">\n<li>O Papa Francisco, ao recordar a escolha do pr\u00f3prio nome, contou que, ap\u00f3s a sua elei\u00e7\u00e3o, um Cardeal amigo abra\u00e7ou-o, beijou-o e disse-lhe: \u00abN\u00e3o te esque\u00e7as dos pobres!\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref4\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn4\">[4]<\/a>Trata-se da mesma recomenda\u00e7\u00e3o feita pelas autoridades da Igreja a S\u00e3o Paulo quando ele subiu a Jerusal\u00e9m para verificar a sua miss\u00e3o (cf.\u00a0<em>Gl<\/em>2, 1-10). O Ap\u00f3stolo p\u00f4de afirmar anos mais tarde: foi \u00abo que procurei fazer com o maior empenho\u00bb (\u00a0<em>Gl<\/em>\u00a02, 10). Trata-se tamb\u00e9m da escolha de S\u00e3o Francisco de Assis: no leproso, foi o pr\u00f3prio Cristo que o abra\u00e7ou, transformando a sua vida. A figura luminosa do\u00a0<em>Poverello<\/em>\u00a0jamais deixar\u00e1 de nos inspirar.<\/li>\n<li>H\u00e1 oito s\u00e9culos, foi ele que provocou um renascimento evang\u00e9lico nos crist\u00e3os e na sociedade do seu tempo. O jovem Francisco, anteriormente rico e presun\u00e7oso, renasceu a partir do impacto com a realidade daqueles que s\u00e3o expulsos da conviv\u00eancia. O impulso dado por ele n\u00e3o cessa de mover os cora\u00e7\u00f5es dos fi\u00e9is e de muitos n\u00e3o crentes e \u00abmudou a hist\u00f3ria\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref5\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn5\">[5]<\/a>Segundo as palavras de S\u00e3o Paulo VI, o pr\u00f3prio Conc\u00edlio Vaticano II segue nesta dire\u00e7\u00e3o: \u00abAquela antiga hist\u00f3ria do bom samaritano foi exemplo e norma segundo os quais se orientou o nosso Conc\u00edlio\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref6\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn6\">[6]<\/a>Estou convencido de que a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres gera uma renova\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria tanto na Igreja como na sociedade, quando somos capazes de nos libertar da autorreferencialidade e conseguimos ouvir o seu clamor.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">O clamor dos pobres<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"8\">\n<li>A prop\u00f3sito, na Sagrada Escritura h\u00e1 um texto que deve ser tomado sempre como ponto de partida. Trata-se da revela\u00e7\u00e3o de Deus a Mois\u00e9s junto \u00e0 sar\u00e7a ardente: \u00abEu bem vi a opress\u00e3o do meu povo que est\u00e1 no Egito, e ouvi o seu clamor diante dos seus inspetores; conhe\u00e7o, na verdade, os seus sofrimentos. Desci a fim de o libertar [\u2026] E agora, vai; Eu te envio\u00bb (\u00a0<em>Ex<\/em>3, 7-8.10).\u00a0<a name=\"_ftnref7\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn7\">[7]<\/a>Deus mostra-se sol\u00edcito para com as necessidades dos pobres: \u00abClamaram, ent\u00e3o, ao Senhor, e o Senhor enviou-lhes um salvador\u00bb (\u00a0<em>Jz<\/em>\u00a03, 15). Portanto, ao ouvir o clamor do pobre, somos chamados a identificar-nos com o cora\u00e7\u00e3o de Deus, que est\u00e1 atento \u00e0s necessidades dos seus filhos, especialmente dos mais necessitados. Se permanec\u00eassemos, por\u00e9m, indiferentes a esse clamor, o pobre clamaria ao Senhor contra n\u00f3s e isso tornar-se-ia para n\u00f3s um pecado (cf.\u00a0<em>Dt<\/em>\u00a015, 9) e, deste modo, afastar-nos-\u00edamos do pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o de Deus.<\/li>\n<li>A condi\u00e7\u00e3o dos pobres representa um grito que, na hist\u00f3ria da humanidade, interpela constantemente a nossa vida, as nossas sociedades, os sistemas pol\u00edticos e econ\u00f3micos e, sobretudo, a Igreja. No rosto ferido dos pobres encontramos impresso o sofrimento dos inocentes e, portanto, o pr\u00f3prio sofrimento de Cristo. Ao mesmo tempo, dever\u00edamos falar, e talvez de modo mais acertado, dos in\u00fameros rostos dos pobres e da pobreza, uma vez que se trata de um fen\u00f3meno multifacetado; na verdade, existem muitas formas de pobreza: a daqueles que n\u00e3o t\u00eam meios de subsist\u00eancia material, a pobreza de quem \u00e9 marginalizado socialmente e n\u00e3o possui instrumentos para dar voz \u00e0 sua dignidade e capacidades, a pobreza moral e espiritual, a pobreza cultural, aquela de quem se encontra em condi\u00e7\u00f5es de fraqueza ou fragilidade seja pessoal seja social, a pobreza de quem n\u00e3o tem direitos, nem lugar, nem liberdade.<\/li>\n<li>Neste sentido, pode dizer-se que o compromisso em favor dos pobres e pela erradica\u00e7\u00e3o das causas sociais e estruturais da pobreza, embora tenha adquirido import\u00e2ncia nas \u00faltimas d\u00e9cadas, ainda continua insuficiente; at\u00e9 porque as sociedades em que vivemos privilegiam, com frequ\u00eancia, linhas pol\u00edticas e padr\u00f5es de vida marcados por numerosas desigualdades e, por isso, \u00e0s antigas formas de pobreza que evidenci\u00e1mos e se procuram combater, acrescentam-se outras novas, por vezes mais subtis e perigosas. Deste ponto de vista, \u00e9 de louvar que as Na\u00e7\u00f5es Unidas tenham colocado a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza como um dos objetivos do Mil\u00e9nio.<\/li>\n<li>Ao compromisso concreto com os pobres ocorre associar tamb\u00e9m uma mudan\u00e7a de mentalidades que tenha incid\u00eancias culturais. Efetivamente, a ilus\u00e3o de uma felicidade que deriva de uma vida confort\u00e1vel leva muitas pessoas a ter uma vis\u00e3o da exist\u00eancia centrada na acumula\u00e7\u00e3o de riquezas e no sucesso social a todo o custo, a ser alcan\u00e7ado mesmo explorando os outros e aproveitando ideais sociais e sistemas pol\u00edtico-econ\u00f3micos injustos, favor\u00e1veis aos mais fortes. Assim, num mundo onde os pobres s\u00e3o cada vez mais numerosos, vemos paradoxalmente crescer algumas elites ricas, que vivem numa bolha de condi\u00e7\u00f5es demasiado confort\u00e1veis e luxuosas, quase num mundo \u00e0 parte em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas comuns. Isto significa que persiste \u2013 por vezes bem disfar\u00e7ada \u2013 uma cultura que descarta os outros sem sequer se aperceber, tolerando com indiferen\u00e7a que milh\u00f5es de pessoas morram \u00e0 fome ou sobrevivam em condi\u00e7\u00f5es indignas do ser humano. Alguns anos atr\u00e1s, a foto de uma crian\u00e7a de bru\u00e7os, sem vida, numa praia do Mediterr\u00e2neo provocou grande choque; infelizmente, \u00e0 parte de alguma moment\u00e2nea como\u00e7\u00e3o, acontecimentos semelhantes est\u00e3o a tornar-se cada vez mais irrelevantes, como se fossem not\u00edcias secund\u00e1rias.<\/li>\n<li>N\u00e3o devemos baixar a guarda diante da pobreza. Preocupam-nos, de modo particular, as graves condi\u00e7\u00f5es em que vivem muit\u00edssimas pessoas, devido \u00e0 escassez de alimentos e \u00e1gua pot\u00e1vel. Todos os dias morrem milhares de pessoas por causas relacionadas com a desnutri\u00e7\u00e3o. Mesmo nos pa\u00edses ricos, as estimativas relativas ao n\u00famero de pobres n\u00e3o s\u00e3o menos preocupantes. Na Europa, h\u00e1 cada vez mais fam\u00edlias que n\u00e3o conseguem chegar ao fim do m\u00eas. Em geral, nota-se que as diferentes manifesta\u00e7\u00f5es da pobreza aumentaram. Ela j\u00e1 n\u00e3o se apresenta como uma condi\u00e7\u00e3o \u00fanica e homog\u00e9nea, mas manifesta-se em m\u00faltiplas formas de empobrecimento econ\u00f3mico e social, refletindo o fen\u00f3meno de crescentes desigualdades, mesmo em contextos geralmente pr\u00f3speros. Recordemos que \u00abduplamente pobres s\u00e3o as mulheres que padecem situa\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o, maus-tratos e viol\u00eancia, porque frequentemente t\u00eam menores possibilidades de defender os seus direitos. E, todavia, tamb\u00e9m entre elas, encontramos continuamente os mais admir\u00e1veis gestos de hero\u00edsmo quotidiano na defesa e cuidado da fragilidade das suas fam\u00edlias\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref8\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn8\">[8]<\/a>Embora em alguns pa\u00edses se observem mudan\u00e7as importantes, \u00aba organiza\u00e7\u00e3o das sociedades em todo o mundo ainda est\u00e1 longe de refletir com clareza que as mulheres t\u00eam exatamente a mesma dignidade e id\u00eanticos direitos que os homens. As palavras dizem uma coisa, mas as decis\u00f5es e a realidade gritam outra\u00bb,\u00a0<a name=\"_ftnref9\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn9\">[9]<\/a>especialmente se pensarmos nas mulheres mais pobres.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Preconceitos ideol\u00f3gicos<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"13\">\n<li>Para al\u00e9m dos dados \u2013 que por vezes s\u00e3o \u201cinterpretados\u201d tentando convencer que a situa\u00e7\u00e3o dos pobres n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grave assim \u2013, o quadro geral \u00e9 bastante claro: \u00abH\u00e1 regras econ\u00f3micas que foram eficazes para o crescimento, mas n\u00e3o de igual modo para o desenvolvimento humano integral. Aumentou a riqueza, mas sem equidade, e assim nascem novas pobrezas. Quando dizem que o mundo moderno reduziu a pobreza, fazem-no medindo-a com crit\u00e9rios doutros tempos n\u00e3o compar\u00e1veis \u00e0 realidade atual. Pois noutros tempos, por exemplo, n\u00e3o ter acesso \u00e0 energia el\u00e9trica n\u00e3o era considerado um sinal de pobreza nem causava grave inc\u00f3modo. A pobreza sempre se analisa e compreende no contexto das possibilidades reais dum momento hist\u00f3rico concreto\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref10\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn10\">[10]<\/a>Todavia, para al\u00e9m das situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e conjunturais, num documento da Uni\u00e3o Europeia de 1984, afirmava-se: \u00abconsidera-se pessoas pobres os indiv\u00edduos, as fam\u00edlias e os grupos de pessoas cujos recursos (materiais, culturais e sociais) s\u00e3o de tal modo d\u00e9beis que os excluem de um tipo de vida minimamente aceit\u00e1vel no Estado-membro em que vivem\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref11\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn11\">[11]<\/a>Contudo, se reconhecemos que todos os seres humanos t\u00eam a mesma dignidade, independentemente do local de nascimento, n\u00e3o se podem ignorar as grandes diferen\u00e7as que existem entre pa\u00edses e regi\u00f5es.<\/li>\n<li>Os pobres n\u00e3o existem por acaso ou por um cego e amargo destino. Muito menos a pobreza \u00e9 uma escolha, para a maioria deles. No entanto, ainda h\u00e1 quem ouse afirm\u00e1-lo, demonstrando cegueira e crueldade. Entre os pobres h\u00e1 tamb\u00e9m, obviamente, aqueles que n\u00e3o querem trabalhar, talvez porque os seus antepassados, que trabalharam toda a vida, morreram pobres. Mas h\u00e1 muitos homens e mulheres que trabalham de manh\u00e3 \u00e0 noite, recolhendo papel\u00e3o, por exemplo, ou realizando outras atividades semelhantes, embora saibam que este esfor\u00e7o servir\u00e1 apenas para sobreviver e nunca para melhorar verdadeiramente as suas vidas. N\u00e3o podemos dizer que a maioria dos pobres est\u00e3o nessa situa\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o obtiveram \u201cm\u00e9ritos\u201d, de acordo com a falsa vis\u00e3o da meritocracia, segundo a qual parece que s\u00f3 t\u00eam m\u00e9rito aqueles que tiveram sucesso na vida.<\/li>\n<li>Tamb\u00e9m os crist\u00e3os, em muitas ocasi\u00f5es, se deixam contagiar por atitudes marcadas por ideologias mundanas ou por orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f3micas que levam a injustas generaliza\u00e7\u00f5es e a conclus\u00f5es enganadoras. Observar que o exerc\u00edcio da caridade \u00e9 desprezado ou ridicularizado, como se fosse uma fixa\u00e7\u00e3o somente de alguns e n\u00e3o o n\u00facleo incandescente da miss\u00e3o eclesial, faz-me pensar que \u00e9 preciso ler novamente o Evangelho, para n\u00e3o se correr o risco de o substituir pela mentalidade mundana. Se n\u00e3o quisermos sair da corrente viva da Igreja que brota do Evangelho e fecunda cada momento hist\u00f3rico, n\u00e3o podemos esquecer os pobres.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO II<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DEUS ESCOLHE OS POBRES<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A op\u00e7\u00e3o pelos pobres<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"16\">\n<li>Deus \u00e9 amor misericordioso e o seu projeto de amor, que se estende e realiza na hist\u00f3ria, \u00e9 primeiramente o seu descer e vir estar entre n\u00f3s para nos libertar da escravid\u00e3o, dos medos, do pecado e do poder da morte. Com um olhar misericordioso e o cora\u00e7\u00e3o cheio de amor, Ele dirigiu-se \u00e0s suas criaturas, preocupando-se com a sua condi\u00e7\u00e3o humana e, portanto, com a sua pobreza. Precisamente para partilhar os limites e as fraquezas da nossa natureza humana, Ele mesmo se fez pobre, nasceu segundo a carne como n\u00f3s e reconhecemo-lo na pequenez de uma crian\u00e7a recostada numa manjedoura e na extrema humilha\u00e7\u00e3o da cruz, onde partilhou a nossa radical pobreza, que \u00e9 a morte. Por isso, compreende-se bem por que se pode falar, tamb\u00e9m teologicamente, sobre uma op\u00e7\u00e3o preferencial de Deus pelos pobres, uma express\u00e3o que surgiu no contexto do continente latino-americano, em particular na Assembleia de Puebla, mas que foi bem integrada no sucessivo Magist\u00e9rio da Igreja.\u00a0<a name=\"_ftnref12\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn12\">[12]<\/a>Esta \u201cprefer\u00eancia\u201d nunca diz respeito a um exclusivismo ou a uma discrimina\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a outros grupos, que em Deus seria imposs\u00edvel; ela pretende sublinhar o agir de Deus que, por compaix\u00e3o, se dirige \u00e0 pobreza e \u00e0 fraqueza da humanidade inteira e que, querendo inaugurar um Reino de justi\u00e7a, fraternidade e solidariedade, tem particularmente a peito aqueles que s\u00e3o discriminados e oprimidos, pedindo-nos tamb\u00e9m a n\u00f3s, sua Igreja, uma decidida e radical posi\u00e7\u00e3o em favor dos mais fracos.<\/li>\n<li>Nesta perspectiva, compreendem-se as numerosas p\u00e1ginas do Antigo Testamento, nas quais Deus \u00e9 apresentado como amigo e libertador dos pobres, Aquele que escuta o grito do pobre e interv\u00e9m para o libertar (cf.\u00a0<em>Sl<\/em>34, 7). Deus, ref\u00fagio do pobre, por meio dos profetas \u2013 recordemos de modo particular Am\u00f3s e Isa\u00edas \u2013 denuncia as iniquidades contra os mais fracos e exorta Israel a renovar o culto a partir de dentro, porque n\u00e3o se pode rezar nem oferecer sacrif\u00edcios, quando ao mesmo tempo se oprimem os mais fracos e pobres. Desde o seu in\u00edcio, a Sagrada Escritura manifesta com grande intensidade o amor de Deus atrav\u00e9s da prote\u00e7\u00e3o dos mais fracos e dos menos favorecidos, a tal ponto que, em rela\u00e7\u00e3o a eles, se poderia falar de uma esp\u00e9cie de \u201cfraqueza\u201d de Deus: \u00abNo cora\u00e7\u00e3o de Deus, ocupam lugar preferencial os pobres [\u2026]. Todo o caminho da nossa reden\u00e7\u00e3o est\u00e1 assinalado pelos pobres\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref13\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn13\">[13]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, o Messias pobre<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"18\">\n<li>Toda a hist\u00f3ria do Antigo Testamento sobre a predile\u00e7\u00e3o de Deus pelos pobres e o desejo divino de ouvir o seu clamor \u2013 que evoquei brevemente \u2013 encontra em Jesus de Nazar\u00e9 a sua plena realiza\u00e7\u00e3o.\u00a0<a name=\"_ftnref14\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn14\">[14]<\/a>Na sua encarna\u00e7\u00e3o, Ele \u00abesvaziou-se a si mesmo, tomando a condi\u00e7\u00e3o de servo. Tornando-se semelhante aos homens e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem\u00bb (\u00a0<em>Fl<\/em>2, 7), nesta condi\u00e7\u00e3o realizou a nossa salva\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma pobreza radical, fundada na sua miss\u00e3o de revelar a verdadeira face do amor divino (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a01, 18;\u00a0<em>1 Jo<\/em>\u00a04, 9). Por isso, S\u00e3o Paulo pode afirmar com uma das suas maravilhosas s\u00ednteses: \u00abConheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por v\u00f3s, para vos enriquecer com a sua pobreza\u00bb (\u00a0<em>2 Cor<\/em>\u00a08, 9).<\/li>\n<li>Com efeito, o Evangelho mostra que esta pobreza abrangia todos os aspectos da sua vida. Desde a sua entrada no mundo, Jesus experimentou as dificuldades relacionadas com a rejei\u00e7\u00e3o. O evangelista Lucas, narrando a chegada a Bel\u00e9m de Jos\u00e9 e Maria, j\u00e1 pr\u00f3xima do momento do parto, observa com pena \u00abn\u00e3o haver lugar para eles na hospedaria\u00bb (<em>Lc<\/em>2, 7). Jesus nasceu em condi\u00e7\u00f5es humildes: logo ap\u00f3s o nascimento, foi recostado numa manjedoura, e, pouco tempo depois, os seus pais fugiram para o Egito para o salvar da morte (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>2, 13-15). No in\u00edcio da sua vida p\u00fablica, foi expulso de Nazar\u00e9 depois de ter anunciado na sinagoga que se cumpria n\u2019Ele o ano da gra\u00e7a no qual os pobres se rejubilam (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a04, 14-30). N\u00e3o houve um lugar acolhedor nem sequer no momento de sua morte: a fim de ser crucificado, levaram-no para fora de Jerusal\u00e9m (cf.\u00a0<em>Mc<\/em>\u00a015, 22). \u00c9 nesta condi\u00e7\u00e3o que se pode resumir claramente a pobreza de Jesus. Trata-se da mesma exclus\u00e3o que caracteriza a defini\u00e7\u00e3o dos pobres: eles s\u00e3o os exclu\u00eddos da sociedade. Jesus \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o deste\u00a0<em>privilegium pauperum<\/em>. Ele apresenta-se ao mundo n\u00e3o s\u00f3 como Messias pobre, mas tamb\u00e9m como Messias dos pobres e para os pobres.<\/li>\n<li>Existem alguns ind\u00edcios a prop\u00f3sito da condi\u00e7\u00e3o social de Jesus. Em primeiro lugar, Ele realiza o of\u00edcio de artes\u00e3o ou carpinteiro,\u00a0<em>t\u00e9kt\u014dn<\/em>(cf.\u00a0<em>Mc<\/em>6, 3). Trata-se de uma categoria de pessoas que vivem do seu trabalho manual. N\u00e3o possuindo terrenos, eram considerados inferiores em rela\u00e7\u00e3o aos agricultores. Quando o Menino Jesus \u00e9 apresentado no Templo, por Jos\u00e9 e Maria, os seus pais ofereceram um par de rolas ou de pombas (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a02, 22-24), que segundo as prescri\u00e7\u00f5es do Livro do Lev\u00edtico (cf. 12, 8) constitu\u00eda a oferta dos pobres. Um epis\u00f3dio evang\u00e9lico bastante significativo \u00e9 aquele que nos conta como Jesus e os seus disc\u00edpulos colhiam espigas para se alimentarem, enquanto atravessavam os campos (cf.\u00a0<em>Mc<\/em>\u00a02, 23-28) e isto \u2013 respigar os campos \u2013 era permitido somente a quem era pobre. Al\u00e9m disso, o pr\u00f3prio Jesus diz de si mesmo: \u00abAs raposas t\u00eam tocas e as aves do c\u00e9u t\u00eam ninhos; mas o Filho do Homem n\u00e3o tem onde reclinar a cabe\u00e7a\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a08, 20;\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a09, 58). Na verdade, Ele \u00e9 um mestre itinerante, cuja pobreza e precaridade s\u00e3o sinais do v\u00ednculo com o Pai e s\u00e3o pedidas tamb\u00e9m a quem deseja segui-lo no caminho do discipulado, precisamente para que a ren\u00fancia aos bens, \u00e0s riquezas e \u00e0s seguran\u00e7as deste mundo seja um sinal vis\u00edvel do ter-se confiado a Deus e \u00e0 sua provid\u00eancia.<\/li>\n<li>No in\u00edcio do seu minist\u00e9rio p\u00fablico, Jesus apresenta-se na sinagoga de Nazar\u00e9 lendo o livro de Isa\u00edas e aplicando a si mesmo a palavra do profeta: \u00abO Esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres\u00bb (<em>Lc<\/em>4, 18; cf.\u00a0<em>Is<\/em>61, 1). Ele manifesta-se, portanto, como Aquele que, no hoje da hist\u00f3ria, vem realizar a proximidade amorosa de Deus, que em primeiro lugar \u00e9 obra de liberta\u00e7\u00e3o para quem est\u00e1 prisioneiro do mal, para os fracos e os pobres. Na verdade, os sinais que acompanham a prega\u00e7\u00e3o de Jesus s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es de amor e de compaix\u00e3o com as quais Deus olha para os doentes, os pobres e os pecadores que, em virtude da sua condi\u00e7\u00e3o, eram marginalizados na sociedade, inclusivamente pela religi\u00e3o; Ele abre os olhos aos cegos, cura os leprosos, ressuscita os mortos e anuncia aos pobres a boa nova: Deus fez-se pr\u00f3ximo, Deus ama-vos (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a07, 22). Isto explica a raz\u00e3o pela qual Ele proclama: \u00abFelizes v\u00f3s, os pobres, porque vosso \u00e9 o Reino de Deus\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a06, 20). Efetivamente, Deus mostra predile\u00e7\u00e3o pelos pobres: a eles primeiramente se dirige a palavra de esperan\u00e7a e liberta\u00e7\u00e3o do Senhor e por isso ningu\u00e9m, apesar da condi\u00e7\u00e3o de pobreza ou fraqueza, deve sentir-se abandonado. E a Igreja, se deseja ser de Cristo, deve ser Igreja das Bem-aventuran\u00e7as, Igreja que d\u00e1 vez aos pequeninos e caminha pobre com os pobres, lugar onde os pobres t\u00eam um espa\u00e7o privilegiado (cf.\u00a0<em>Tg<\/em>\u00a02, 2-4).<\/li>\n<li>Incapazes de se prover do necess\u00e1rio para viver, os indigentes e os enfermos eram frequentemente obrigados a mendigar. A isso somava-se o peso da vergonha social, alimentada pela convic\u00e7\u00e3o de que a doen\u00e7a e a pobreza estavam ligadas a algum pecado pessoal. Jesus combateu com firmeza aquele modo de pensar, afirmando: \u00abo vosso Pai que est\u00e1 no C\u00e9u faz com que o Sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores\u00bb (<em>Mt<\/em>5, 45). E, inclusive, inverteu mesmo completamente tal concep\u00e7\u00e3o, como est\u00e1 bem exemplificado na par\u00e1bola do rico avarento e do pobre L\u00e1zaro: \u00abFilho, lembra-te de que recebeste os teus bens em vida, enquanto L\u00e1zaro recebeu somente males. Agora, ele \u00e9 consolado, enquanto tu \u00e9s atormentado\u00bb (<em>Lc<\/em>16, 25).<\/li>\n<li>Compreende-se, ent\u00e3o, que \u00abderiva da nossa f\u00e9 em Cristo, que se fez pobre e sempre se aproximou dos pobres e marginalizados, a preocupa\u00e7\u00e3o pelo desenvolvimento integral dos mais abandonados da sociedade\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref15\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn15\">[15]<\/a>Muitas vezes pergunto-me, quando h\u00e1 tanta clareza nas Sagradas Escrituras a respeito dos pobres, por que raz\u00e3o muitos continuam a pensar que podem deixar de prestar aten\u00e7\u00e3o aos pobres. Por enquanto, por\u00e9m, permane\u00e7amos no \u00e2mbito b\u00edblico e procuremos refletir sobre a nossa rela\u00e7\u00e3o com os \u00faltimos da sociedade e sobre o lugar fundamental que eles ocupam no povo de Deus.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">A miseric\u00f3rdia para com os pobres na B\u00edblia<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"24\">\n<li>O Ap\u00f3stolo Jo\u00e3o escreve: \u00abAquele que n\u00e3o ama o seu irm\u00e3o, a quem v\u00ea, n\u00e3o pode amar a Deus, a quem n\u00e3o v\u00ea\u00bb (<em>1 Jo<\/em>4, 20). Do mesmo modo, na sua resposta ao doutor da lei, Jesus retoma dois antigos mandamentos: \u00abAmar\u00e1s o Senhor, teu Deus, com todo o teu cora\u00e7\u00e3o, com toda a tua alma e com todas as tuas for\u00e7as\u00bb (<em>Dt<\/em>6, 5) e \u00abAmar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u00bb (<em>Lv<\/em>\u00a019, 18), unindo-os num \u00fanico mandamento. O evangelista Marcos reproduz a resposta de Jesus nestes termos: \u00abO primeiro \u00e9: Escuta, Israel! O Senhor nosso Deus \u00e9 o \u00fanico Senhor; amar\u00e1s o Senhor, teu Deus, com todo o teu cora\u00e7\u00e3o, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas for\u00e7as. O segundo \u00e9 este: Amar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo. N\u00e3o h\u00e1 outro mandamento maior que estes\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a012, 29-31).<\/li>\n<li>A passagem do Lev\u00edtico citada acima exorta a honrar o pr\u00f3prio compatriota, enquanto noutros textos encontramos um ensinamento que convida ao respeito \u2013 ou mesmo ao amor \u2013 tamb\u00e9m pelo inimigo: \u00abQuando encontrares um boi do teu inimigo ou o seu jumento, desgarrados, tu lhos levar\u00e1s de volta. Quando vires um jumento daquele que te odeia ca\u00eddo debaixo da sua carga, n\u00e3o o abandones, mas presta-lhe ajuda\u00bb (<em>Ex<\/em>23, 4-5). Isso deixa transparecer o valor intr\u00ednseco do respeito pela pessoa: seja quem for que se encontre em dificuldade, mesmo o inimigo, merece sempre ser socorrido.<\/li>\n<li>\u00c9 ineg\u00e1vel que o primado de Deus no ensinamento de Jesus \u00e9 acompanhado por outro princ\u00edpio fundamental, segundo o qual n\u00e3o se pode amar a Deus sem estender o pr\u00f3prio amor aos pobres. O amor ao pr\u00f3ximo \u00e9 a prova tang\u00edvel da autenticidade do amor a Deus, como atesta o Ap\u00f3stolo Jo\u00e3o: \u00abA Deus nunca ningu\u00e9m o viu; se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em n\u00f3s e o seu amor chegou \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o em n\u00f3s. [\u2026] Deus \u00e9 amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele\u00bb (<em>1 Jo<\/em>4, 12.16). S\u00e3o dois amores distintos, mas insepar\u00e1veis. Mesmo nos casos em que a rela\u00e7\u00e3o com Deus n\u00e3o \u00e9 expl\u00edcita, o pr\u00f3prio Senhor nos ensina que qualquer a\u00e7\u00e3o de amor pelo pr\u00f3ximo \u00e9, em algum modo, um reflexo da caridade divina: \u00abEm verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes\u00bb (<em>Mt<\/em>25, 40).<\/li>\n<li>Por esta raz\u00e3o, recomendam-se as obras de miseric\u00f3rdia, qual sinal da autenticidade do culto que, ao louvar a Deus, tem por miss\u00e3o abrir-nos \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o que o Esp\u00edrito pode realizar em n\u00f3s, para que todos nos tornemos imagem de Cristo e da sua miseric\u00f3rdia para com os mais fracos. Nesse sentido, a rela\u00e7\u00e3o com o Senhor, que se expressa no culto, pretende tamb\u00e9m libertar-nos do risco de viver as nossas rela\u00e7\u00f5es segundo a l\u00f3gica do c\u00e1lculo e das vantagens, abrindo-nos \u00e0 gratuidade que existe entre aqueles que se amam e que, por isso, partilham tudo. A este respeito, Jesus aconselha: \u00abQuando deres um almo\u00e7o ou um jantar, n\u00e3o convides os teus amigos, nem os teus irm\u00e3os, nem os teus parentes, nem os teus vizinhos ricos; n\u00e3o v\u00e3o eles tamb\u00e9m convidar-te, por sua vez, e assim retribuir-te. Quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. E ser\u00e1s feliz por eles n\u00e3o terem com que te retribuir\u00bb (<em>L<\/em>c 14, 12-14).<\/li>\n<li>O apelo do Senhor \u00e0 miseric\u00f3rdia para com os pobres encontrou a sua m\u00e1xima express\u00e3o na grande par\u00e1bola do ju\u00edzo final (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>25, 31-46), que \u00e9 tamb\u00e9m uma representa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica da bem-aventuran\u00e7a dos misericordiosos. Ali, o Senhor ofereceu-nos a chave para alcan\u00e7ar a nossa plenitude, porque \u00abse andamos \u00e0 procura da santidade que agrada a Deus, neste texto encontramos precisamente uma regra de comportamento com base na qual seremos julgados\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref16\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn16\">[16]<\/a>As palavras fortes e claras do Evangelho devem ser vividas \u00absem coment\u00e1rios, especula\u00e7\u00f5es e desculpas que lhes tirem for\u00e7a. O Senhor deixou-nos bem claro que a santidade n\u00e3o se pode compreender nem viver prescindindo destas suas exig\u00eancias\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref17\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn17\">[17]<\/a><\/li>\n<li>O programa de caridade na primeira comunidade crist\u00e3 n\u00e3o derivava de an\u00e1lises ou projetos, mas diretamente do exemplo de Jesus, das pr\u00f3prias palavras do Evangelho. A Carta de S\u00e3o Tiago dedica amplo espa\u00e7o ao problema da rela\u00e7\u00e3o entre ricos e pobres, lan\u00e7ando aos fi\u00e9is dois apelos muito fortes que questionam a sua f\u00e9: \u00abDe que aproveita, irm\u00e3os, que algu\u00e9m diga que tem f\u00e9, se n\u00e3o tiver obras de f\u00e9? Acaso essa f\u00e9 poder\u00e1 salv\u00e1-lo? Se um irm\u00e3o ou uma irm\u00e3 estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de v\u00f3s lhes disser: \u201cIde em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome\u201d, mas n\u00e3o lhes dais o que \u00e9 necess\u00e1rio ao corpo, de que lhes aproveitar\u00e1? Assim tamb\u00e9m a f\u00e9: se ela n\u00e3o tiver obras, est\u00e1 completamente morta\u00bb (<em>Tg<\/em>2, 14-17).<\/li>\n<li>\u00abO vosso ouro e a vossa prata enferrujaram-se e a sua ferrugem servir\u00e1 de testemunho contra v\u00f3s e devorar\u00e1 a vossa carne como o fogo. Entesourastes, afinal, para os vossos \u00faltimos dias! Olhai que o sal\u00e1rio que n\u00e3o pagastes aos trabalhadores que ceifaram os vossos campos est\u00e1 a clamar; e os clamores dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor do universo! Tendes vivido na terra, entregues ao luxo e aos prazeres, cevando assim os vossos apetites\u2026 para o dia da matan\u00e7a!\u00bb (<em>Tg<\/em>5, 3-5). Que for\u00e7a t\u00eam estas palavras, mesmo quando preferimos fazer-nos de surdos! Na Primeira Carta de S\u00e3o Jo\u00e3o, encontramos um apelo semelhante: \u00abSe algu\u00e9m possuir bens deste mundo e, vendo o seu irm\u00e3o com necessidade, lhe fechar o seu cora\u00e7\u00e3o, como \u00e9 que o amor de Deus pode permanecer nele?\u00bb (<em>1 Jo<\/em>3, 17).<\/li>\n<li>O que diz a Palavra revelada \u00ab\u00e9 uma mensagem t\u00e3o clara, t\u00e3o direta, t\u00e3o simples e eloquente que nenhuma hermen\u00eautica eclesial tem o direito de relativizar. A reflex\u00e3o da Igreja sobre estes textos n\u00e3o deveria ofuscar nem enfraquecer o seu sentido exortativo, mas antes ajudar a assumi-los com coragem e ardor. Para qu\u00ea complicar o que \u00e9 t\u00e3o simples? As elabora\u00e7\u00f5es conceituais h\u00e3o de favorecer o contato com a realidade que pretendem explicar, e n\u00e3o afastar-nos dela\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref18\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn18\">[18]<\/a><\/li>\n<li>Por outro lado, um claro exemplo eclesial de partilha dos bens e de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 pobreza encontramo-lo na vida quotidiana e no estilo da primeira comunidade crist\u00e3. Podemos recordar, em particular, o modo como foi resolvida a quest\u00e3o da di\u00e1ria distribui\u00e7\u00e3o de aux\u00edlios \u00e0s vi\u00favas (cf.\u00a0<em>Act<\/em>6, 1-6). Era um problema dif\u00edcil, at\u00e9 porque algumas destas vi\u00favas, provenientes de outros pa\u00edses, por vezes eram preteridas por serem estrangeiras. Com efeito, o epis\u00f3dio narrado nos Atos dos Ap\u00f3stolos p\u00f5e em evid\u00eancia um certo descontentamento da parte dos helenistas, judeus de cultura grega. Os Ap\u00f3stolos respondem n\u00e3o com um qualquer discurso abstrato e, ao colocar no centro a caridade para com todos, reorganizam a assist\u00eancia \u00e0s vi\u00favas, pedindo \u00e0 Comunidade que procurasse pessoas s\u00e1bias e estimadas a quem confiar o servi\u00e7o das mesas, enquanto eles se ocupam da prega\u00e7\u00e3o da Palavra.<\/li>\n<li>Quando Paulo foi a Jerusal\u00e9m para consultar os Ap\u00f3stolos, a fim de \u00abn\u00e3o correr ou ter corrido em v\u00e3o\u00bb (<em>Gl<\/em>2, 2), foi-lhe pedido que n\u00e3o se esquecesse dos pobres (cf.\u00a0<em>Gl\u00a0<\/em>2, 10). Ele, ent\u00e3o, organizou diversas coletas para ajudar as comunidades pobres. Entre as motiva\u00e7\u00f5es que oferece para tal gesto, merece destaque a seguinte: \u00abDeus ama quem d\u00e1 com alegria\u00bb (<em>2 Cor<\/em>9, 7). Para aqueles de entre n\u00f3s pouco inclinados a gestos gratuitos sem qualquer interesse, a Palavra de Deus indica que a generosidade em favor dos pobres \u00e9 um verdadeiro bem para quem a pratica: efetivamente, ao agir assim somos amados por Deus de maneira especial. Na verdade, as promessas b\u00edblicas dirigidas \u00e0queles que d\u00e3o com generosidade s\u00e3o muitas: \u00abQuem d\u00e1 ao pobre empresta ao Senhor, e Ele lhe retribuir\u00e1 o benef\u00edcio\u00bb (<em>Pr<\/em>\u00a019, 17); \u00abDai e ser-vos-\u00e1 dado: [\u2026] A medida que usardes com os outros ser\u00e1 usada convosco\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a06, 38); \u00abEnt\u00e3o, a tua luz surgir\u00e1 como a aurora, e as tuas feridas n\u00e3o tardar\u00e3o a cicatrizar-se\u00bb (<em>Is<\/em>\u00a058, 8). Os primeiros crist\u00e3os estavam convencidos de tudo isto.<\/li>\n<li>A vida das primeiras comunidades eclesiais, que chegou at\u00e9 n\u00f3s como Palavra revelada no c\u00e2none b\u00edblico, \u00e9-nos oferecida como exemplo a imitar e como testemunho da f\u00e9 que opera atrav\u00e9s da caridade, permanecendo como admoesta\u00e7\u00e3o perene para as gera\u00e7\u00f5es futuras. Ao longo dos s\u00e9culos, estas p\u00e1ginas t\u00eam incentivado o cora\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os a amar e realizar obras de caridade, como sementes fecundas que n\u00e3o cessam de produzir frutos.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO III<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">UMA IGREJA PARA OS POBRES<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"35\">\n<li>Tr\u00eas dias ap\u00f3s a sua elei\u00e7\u00e3o, o meu Predecessor manifestou aos representantes dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social o anseio de que fosse mais claramente presente na Igreja o cuidado e a aten\u00e7\u00e3o aos pobres: \u00abAh, como eu queria uma Igreja pobre e para os pobres!\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref19\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn19\">[19]<\/a><\/li>\n<li>Este desejo espelha a consci\u00eancia de que a Igreja \u00abreconhece nos pobres e nos que sofrem a imagem do seu fundador pobre e sofredor, procura aliviar as suas necessidades, e intenta servir neles a Cristo\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref20\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn20\">[20]<\/a>Com efeito, tendo sido chamada a configurar-se com os \u00faltimos, nela \u00abn\u00e3o devem subsistir d\u00favidas nem explica\u00e7\u00f5es que debilitem esta mensagem clar\u00edssima [&#8230;]. H\u00e1 que afirmar sem rodeios que existe um v\u00ednculo indissol\u00favel entre a nossa f\u00e9 e os pobres\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref21\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn21\">[21]<\/a>A este respeito, temos abundantes testemunhos ao longo da hist\u00f3ria quase bimilenar dos disc\u00edpulos de Jesus.\u00a0<a name=\"_ftnref22\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn22\">[22]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdadeira riqueza da Igreja<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"37\">\n<li>S\u00e3o Paulo refere que entre os fi\u00e9is da nascente comunidade crist\u00e3 n\u00e3o havia \u00abmuitos s\u00e1bios, nem muitos poderosos, nem muitos nobres\u00bb (<em>1 Cor<\/em>1, 26). Entretanto, apesar da pr\u00f3pria pobreza, os primeiros crist\u00e3os t\u00eam a clara consci\u00eancia da necessidade de acudir \u00e0queles que passam maiores priva\u00e7\u00f5es. J\u00e1 nos alvores do cristianismo, os Ap\u00f3stolos imp\u00f5em as m\u00e3os sobre sete homens escolhidos pela comunidade e, em certo grau, integram-nos no pr\u00f3prio minist\u00e9rio, instituindo-os para o servi\u00e7o \u2013 tradu\u00e7\u00e3o da palavra\u00a0<em>diakon\u00eda<\/em>em grego \u2013 dos mais pobres (cf.\u00a0<em>Act<\/em>\u00a06, 1-5). \u00c9 significativo que o primeiro disc\u00edpulo a dar testemunho da sua f\u00e9 em Cristo com o derramamento do pr\u00f3prio sangue seja Santo Est\u00eav\u00e3o, que fazia parte deste grupo. Nele se unem o testemunho de vida na aten\u00e7\u00e3o aos necessitados e o mart\u00edrio.<\/li>\n<li>Pouco mais de dois s\u00e9culos depois, um outro di\u00e1cono manifestar\u00e1 a sua ades\u00e3o a Jesus Cristo de modo semelhante, unindo na sua vida o servi\u00e7o dos pobres e o mart\u00edrio: S\u00e3o Louren\u00e7o.\u00a0<a name=\"_ftnref23\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn23\">[23]<\/a>A partir dos textos de Santo Ambr\u00f3sio, vemos como Louren\u00e7o, di\u00e1cono em Roma no pontificado do Papa Sixto II, ao ser obrigado pelas autoridades romanas a entregar os tesouros da Igreja, \u00abtrouxe consigo, no dia seguinte, os pobres. Quando lhe perguntaram onde estavam os tesouros que prometera, mostrou os pobres, dizendo: \u201cEstes s\u00e3o os tesouros da Igreja\u201d\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref24\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn24\">[24]<\/a>Ao narrar este epis\u00f3dio, Ambr\u00f3sio pergunta: \u00abQue melhores tesouros teria Cristo do que aqueles nos quais Ele mesmo disse que estava?\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref25\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn25\">[25]<\/a>\u00a0E, recordando que os ministros da Igreja n\u00e3o devem jamais trascurar o cuidado dos pobres e, menos ainda, acumular bens em benef\u00edcio pr\u00f3prio, afirma: \u00ab\u00c9 necess\u00e1rio que cada um de n\u00f3s cumpra esta obriga\u00e7\u00e3o com f\u00e9 sincera e perspicaz provid\u00eancia. Sem d\u00favida, se algu\u00e9m desvia alguma coisa para utilidade pr\u00f3pria, isto \u00e9 crime; mas, se o d\u00e1 aos pobres, se resgata o cativo, isto \u00e9 miseric\u00f3rdia\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref26\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn26\">[26]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Padres da Igreja e os pobres<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"39\">\n<li>Desde os primeiros s\u00e9culos, os Padres da Igreja reconheceram no pobre um acesso privilegiado a Deus, um modo especial para O encontrar. A caridade para com os necessitados n\u00e3o era compreendida como simples virtude moral, mas como express\u00e3o concreta da f\u00e9 no Verbo encarnado. A comunidade dos fi\u00e9is, sustentada pela for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, encontra-se enraizada na proximidade aos pobres, que nela n\u00e3o s\u00e3o um ap\u00eandice, mas parte essencial do seu Corpo vivo. Santo In\u00e1cio de Antioquia, por exemplo, estando a caminho do pr\u00f3prio mart\u00edrio, exortava os fi\u00e9is da comunidade de Esmirna a n\u00e3o descuidar o dever da caridade para com os mais necessitados, alertando-os a n\u00e3o proceder como os que se opunham a Deus: \u00abConsiderai aqueles que t\u00eam opini\u00e3o diferente sobre a gra\u00e7a de Jesus Cristo, que veio at\u00e9 n\u00f3s: como eles se op\u00f5e ao pensamento de Deus! N\u00e3o se preocupam com o amor, nem com a vi\u00fava, nem com o \u00f3rf\u00e3o, nem com o oprimido, nem com o prisioneiro ou liberto, nem com o faminto ou sedento\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref27\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn27\">[27]<\/a>O bispo de Esmirna, Policarpo, recomendava precisamente aos ministros da Igreja o cuidado dos pobres: \u00abOs presb\u00edteros tamb\u00e9m sejam compassivos, misericordiosos para com todos. Tragam de volta os desgarrados, visitem todos os doentes, n\u00e3o descuidem a vi\u00fava, o \u00f3rf\u00e3o e o pobre, mas sejam sempre sol\u00edcitos no bem diante de Deus e dos homens\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref28\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn28\">[28]<\/a>A partir destes dois testemunhos, constatamos que a Igreja aparece como m\u00e3e dos pobres, lugar de acolhimento e justi\u00e7a.<\/li>\n<li>S\u00e3o Justino, por sua vez, na sua primeira\u00a0<em>Apologia<\/em>, dirigida ao Imperador Adriano, ao Senado e ao povo romano, explicava-lhes que os crist\u00e3os levavam aos necessitados tudo o que podiam, porque viam neles irm\u00e3os em Cristo. Ao escrever sobre a assembleia de ora\u00e7\u00e3o no primeiro dia da semana, destaca que, no centro da liturgia crist\u00e3, n\u00e3o se podem separar o culto a Deus da aten\u00e7\u00e3o aos pobres. Com efeito, num determinado momento da celebra\u00e7\u00e3o \u00abos que possuem alguma coisa e queiram, cada um conforme a sua livre vontade, d\u00e3o o que bem lhes parece, e o que foi recolhido se entrega ao presidente. Ele o distribui a \u00f3rf\u00e3os e vi\u00favas, aos que por enfermidade ou outra causa est\u00e3o necessitados, aos que est\u00e3o nas pris\u00f5es, aos forasteiros de passagem, numa palavra, ele se torna o provisor de todos os que se encontram indigentes\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref29\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn29\">[29]<\/a>Assim, testemunha-se que a Igreja nascente n\u00e3o separava o crer do agir social: a f\u00e9 que n\u00e3o vinha acompanhada do testemunho das obras, como tinha ensinado S\u00e3o Tiago, era considerada morta (cf.\u00a0<em>Tg<\/em>2, 17).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo<\/em><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"41\">\n<li>Entre os Padres orientais, talvez o mais ardoroso pregador da justi\u00e7a social seja S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, Arcebispo de Constantinopla na passagem do s\u00e9culo IV ao s\u00e9culo V. Nas suas homilias, exorta os fi\u00e9is a reconhecer Cristo nos necessitados: \u00abQueres honrar o Corpo de Cristo? N\u00e3o permitas que seja desprezado nos seus membros, isto \u00e9, nos pobres que n\u00e3o t\u00eam que vestir, nem O honres aqui no templo com vestes de seda, enquanto l\u00e1 fora O abandonas ao frio e \u00e0 nudez. [&#8230;] No templo o Corpo de Cristo n\u00e3o precisa de mantos, mas de almas puras; mas na pessoa dos pobres, Ele precisa de todo o nosso cuidado. Aprendamos, portanto, a refletir e a honrar a Cristo como Ele quer. Quando pretendemos honrar algu\u00e9m, devemos prestar-lhe a honra que ele prefere e n\u00e3o a que mais nos agrada [&#8230;]. Assim deves tamb\u00e9m tu prestar-Lhe aquela honra que Ele mesmo ordenou, distribuindo pelos pobres as tuas riquezas. Deus n\u00e3o precisa de vasos de ouro, mas de almas de ouro\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref30\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn30\">[30]<\/a>Afirmando com clareza meridiana que, se os fi\u00e9is n\u00e3o encontram Cristo nos pobres \u00e0 sua porta, tampouco ser\u00e3o capazes de prestar-Lhe culto no altar, prossegue: \u00abDe que serviria, afinal, adornar a mesa de Cristo com vasos de ouro, se Ele morre de fome na pessoa dos pobres? Primeiro d\u00e1 de comer a quem tem fome, e depois ornamenta a sua mesa com o que sobra\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref31\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn31\">[31]<\/a>Entendia a Eucaristia, portanto, tamb\u00e9m como uma express\u00e3o sacramental da caridade e da justi\u00e7a que a precediam, a acompanhavam e deveriam dar continuidade a ela no amor e na aten\u00e7\u00e3o aos pobres.<\/li>\n<li>Sendo assim, a caridade n\u00e3o \u00e9 uma via opcional, mas o crit\u00e9rio do verdadeiro culto. Cris\u00f3stomo denunciava com veem\u00eancia o luxo exacerbado, que convivia com a indiferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos pobres. A aten\u00e7\u00e3o que lhes \u00e9 devida, mais do que mera exig\u00eancia social, \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de salva\u00e7\u00e3o, o que atribui \u00e0 riqueza injusta um peso de condena\u00e7\u00e3o: \u00abFaz muito frio e o pobre jaz em farrapos, moribundo enregelado, rangendo os dentes, com aspecto e veste que te deviam comover. Tu, contudo, aquecido e \u00e9brio passas adiante. E como queres que Deus te livre da infelicidade? [&#8230;] Muitas vezes a um cad\u00e1ver insens\u00edvel, que j\u00e1 n\u00e3o percebe a honra, ornas com muitas vestes variegadas e douradas. Todavia desprezas aquele que sente dor, \u00e9 dilacerado, torturado, atormentado pela fome e o frio, e d\u00e1s mais valor \u00e0 vangl\u00f3ria que ao temor de Deus\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref32\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn32\">[32]<\/a>Este profundo senso de justi\u00e7a social leva-o a afirmar que \u00abn\u00e3o dar aos pobres \u00e9 roub\u00e1-los, \u00e9 defraudar a vida deles, pois a eles pertence o que possu\u00edmos\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref33\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn33\">[33]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Santo Agostinho<\/em><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"43\">\n<li>Agostinho teve como seu mestre espiritual Santo Ambr\u00f3sio, que insistia na exig\u00eancia \u00e9tica de partilhar os bens: \u00abN\u00e3o \u00e9 de tua propriedade aquilo que d\u00e1s ao pobre; \u00e9 dele. Porque tu te apropriaste do que foi dado para uso comum\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref34\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn34\">[34]<\/a>Para o Bispo de Mil\u00e3o, a esmola \u00e9 justi\u00e7a restabelecida, n\u00e3o um gesto paternalista. Nas suas prega\u00e7\u00f5es, a miseric\u00f3rdia assume um car\u00e1ter prof\u00e9tico: ela denuncia as estruturas de ac\u00famulo e reafirma a comunh\u00e3o como voca\u00e7\u00e3o eclesial.<\/li>\n<li>Formado nesta tradi\u00e7\u00e3o, o santo Bispo de Hipona ensinou por sua vez o amor preferencial pelos pobres. Pastor vigilante e te\u00f3logo de rara clarivid\u00eancia, ele compreendeu que a verdadeira comunh\u00e3o eclesial se expressa tamb\u00e9m na comunh\u00e3o dos bens. No seu Coment\u00e1rio aos Salmos, recorda que os verdadeiros crist\u00e3os n\u00e3o deixam de lado o amor aos mais necessitados: \u00abatendeis os vossos irm\u00e3os, se precisam de alguma coisa; dais, se Cristo est\u00e1 em v\u00f3s, at\u00e9 aos estranhos\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref35\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn35\">[35]<\/a>Esta partilha dos bens brota, portanto, da caridade teologal e tem como fim \u00faltimo o amor a Cristo. Para Agostinho, o pobre n\u00e3o \u00e9 apenas algu\u00e9m a quem se presta aux\u00edlio, mas \u00e9 presen\u00e7a sacramental do Senhor.<\/li>\n<li>O Doutor da Gra\u00e7a via no cuidado aos pobres uma prova concreta da sinceridade da f\u00e9. Aquele que diz amar a Deus e n\u00e3o se compadece dos necessitados, mente (cf.\u00a0<em>1Jo\u00a0<\/em>4, 20). Comentando o encontro de Jesus com o jovem rico, e o \u201ctesouro no C\u00e9u\u201d que est\u00e1 reservado a quem d\u00e1 os seus bens aos pobres (cf.\u00a0<em>Mt\u00a0<\/em>19, 21), Agostinho coloca na boca do Senhor as seguintes palavras: \u00abRecebi terra e darei o C\u00e9u. Recebi coisas temporais e darei em troca bens eternos. Recebi p\u00e3o, darei a vida. [&#8230;] Recebi hospedagem e darei uma casa. Fui visitado na doen\u00e7a e darei a sa\u00fade. Fui visitado na pris\u00e3o e darei a liberdade. O p\u00e3o que foi dado aos meus pobres foi consumido; o p\u00e3o que eu darei restaura as for\u00e7as, sem nunca acabar\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref36\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn36\">[36]<\/a>O Alt\u00edssimo n\u00e3o se deixa vencer em generosidade por aqueles que O servem nos mais necessitados: quanto maior o amor aos pobres, maior a recompensa da parte de Deus.<\/li>\n<li>Este olhar cristoc\u00eantrico e profundamente eclesial leva a sustentar que as ofertas, quando nascidas do amor, n\u00e3o aliviam apenas a necessidade do irm\u00e3o, mas purificam tamb\u00e9m o cora\u00e7\u00e3o de quem as d\u00e1 e est\u00e1 disposto a uma mudan\u00e7a: \u00abAs esmolas, com efeito, podem servir-te para resgatar os pecados da vida passada, se mudares de vida\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref37\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn37\">[37]<\/a>Elas s\u00e3o, por assim dizer, o caminho ordin\u00e1rio da convers\u00e3o de quem deseja seguir a Cristo com cora\u00e7\u00e3o indiviso.<\/li>\n<li>Numa Igreja que reconhece nos pobres o rosto de Cristo e nos bens o instrumento da caridade, o pensamento agostiniano permanece uma luz segura. Hoje, a fidelidade aos ensinamentos de Agostinho exige n\u00e3o s\u00f3 o estudo de suas obras, mas a predisposi\u00e7\u00e3o para viver com radicalidade o seu apelo \u00e0 convers\u00e3o que inclui necessariamente o servi\u00e7o da caridade.<\/li>\n<li>Muitos outros Padres da Igreja, do Oriente e do Ocidente, se pronunciaram sobre a primazia da aten\u00e7\u00e3o aos pobres na vida e miss\u00e3o de cada fiel crist\u00e3o. Sob este aspecto, em resumo, pode afirmar-se que a teologia patr\u00edstica foi pr\u00e1tica, apontando para uma Igreja pobre e para os pobres, recordando que o Evangelho s\u00f3 \u00e9 bem anunciado quando leva a tocar a carne dos \u00faltimos, e alertando que o rigor doutrinal sem miseric\u00f3rdia \u00e9 palavra vazia.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cuidar dos enfermos<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"49\">\n<li>A compaix\u00e3o crist\u00e3 manifestou-se de modo peculiar no cuidado com os doentes e sofredores. A partir dos sinais presentes no minist\u00e9rio p\u00fablico de Jesus \u2013 que curava cegos, leprosos, paral\u00edticos \u2013, a Igreja entende ser parte importante da sua miss\u00e3o o cuidado dos enfermos, nos quais com facilidade reconhece o Senhor crucificado. S\u00e3o Cipriano, durante uma peste na cidade de Cartago, onde era Bispo, recordava aos crist\u00e3os a import\u00e2ncia do cuidado com os doentes: \u00abesta epidemia que parece t\u00e3o horr\u00edvel e funesta p\u00f5e \u00e0 prova a justi\u00e7a de cada um e experimenta o esp\u00edrito dos homens, verificando se os s\u00e3os servem aos enfermos, se os parentes se amam sinceramente, se os senhores t\u00eam piedade dos servos enfermos, se os m\u00e9dicos n\u00e3o abandonam os doentes que imploram\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref38\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn38\">[38]<\/a>A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de visitar os doentes, de lavar as suas feridas, de confortar os aflitos n\u00e3o se resume a uma mera obra de filantropia, mas \u00e9 a\u00e7\u00e3o eclesial atrav\u00e9s da qual, nos enfermos, os membros da Igreja \u00abtocam a carne sofredora de Cristo\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref39\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn39\">[39]<\/a><\/li>\n<li>No s\u00e9culo XVI, S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus, ao fundar a Ordem Hospitalar que leva o seu nome, criou hospitais modelo que acolhiam a todos, independentemente da sua condi\u00e7\u00e3o social ou econ\u00f3mica. A sua famosa express\u00e3o \u2013 \u201cFazei o bem, irm\u00e3os!\u201d \u2013 tornou-se lema da caridade ativa com os doentes. Contemporaneamente, S\u00e3o Camilo de L\u00e9llis fundou a Ordem dos Ministros dos Enfermos \u2013 os Camilianos \u2013, assumindo como miss\u00e3o servir os doentes com dedica\u00e7\u00e3o total. A sua regra ordena: \u00abCada qual pe\u00e7a a Deus que lhe d\u00ea um afeto materno para com o pr\u00f3ximo, a fim de podermos servi-lo com todo o amor, tanto na alma quanto no corpo, pois, com a gra\u00e7a de Deus, desejamos servir todos os doentes com o mesmo carinho que uma extremosa m\u00e3e dedica ao seu filho doente\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref40\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn40\">[40]<\/a>Em hospitais, campos de batalha, pris\u00f5es e ruas, os camilianos encarnaram a miseric\u00f3rdia de Cristo M\u00e9dico.<\/li>\n<li>Cuidando dos doentes com carinho maternal, como uma m\u00e3e cuida de seu filho, muitas mulheres consagradas desempenharam um papel ainda mais disseminado no cuidado sanit\u00e1rio dos pobres. As Filhas da Caridade de S\u00e3o Vicente de Paulo, as Irm\u00e3s Hospitaleiras, as Pequenas Servas da Divina Provid\u00eancia e tantas outras congrega\u00e7\u00f5es femininas tornaram-se presen\u00e7a materna e discreta em hospitais, asilos e casas de sa\u00fade. Levaram rem\u00e9dio, escuta, presen\u00e7a e, sobretudo, ternura. Constru\u00edram, muitas vezes com as pr\u00f3prias m\u00e3os, estruturas sanit\u00e1rias em zonas sem qualquer assist\u00eancia m\u00e9dica. Ensinavam higiene, cuidavam dos partos, medicavam com sabedoria natural e f\u00e9 profunda. As suas casas tornavam-se o\u00e1sis de dignidade onde ningu\u00e9m era exclu\u00eddo. O toque da compaix\u00e3o era o primeiro rem\u00e9dio. Santa Lu\u00edsa de Marillac escrevia \u00e0s suas irm\u00e3s, Filhas da Caridade, recordando-as que haviam \u00abrecebido uma especial b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus para servir aos pobres enfermos nos hospitais\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref41\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn41\">[41]<\/a><\/li>\n<li>Hoje, esse legado continua em hospitais cat\u00f3licos, postos de sa\u00fade em regi\u00f5es perif\u00e9ricas, miss\u00f5es sanit\u00e1rias nas selvas, centros de acolhimento para toxicodependentes e hospitais de campanha em zonas de guerra. A presen\u00e7a crist\u00e3 junto aos doentes revela que a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ideia abstrata, mas gesto concreto. No gesto de limpar uma ferida, a Igreja proclama que o Reino de Deus come\u00e7a entre os mais vulner\u00e1veis. E ao fazer isso, permanece fiel \u00c0quele que disse: \u00abAdoeci e visitastes-me\u00bb (<em>Mt<\/em>25, 36). Quando a Igreja se ajoelha diante dum leproso, crian\u00e7a desnutrida ou moribundo an\u00f3nimo, ela realiza a sua voca\u00e7\u00e3o mais profunda: amar o Senhor onde Ele est\u00e1 mais desfigurado.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cuidado com os pobres na Vida Mon\u00e1stica<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"53\">\n<li>A vida mon\u00e1stica, nascida no sil\u00eancio dos desertos, foi desde o in\u00edcio um testemunho de solidariedade. Os monges deixavam tudo \u2013 riqueza, prest\u00edgio, fam\u00edlia \u2013 n\u00e3o s\u00f3 por desprezar as riquezas do mundo \u2013\u00a0<em>contemptus mundi<\/em>\u2013 mas para encontrar, neste despojamento radical, o Cristo pobre. S\u00e3o Bas\u00edlio Magno, na sua Regra, n\u00e3o via contradi\u00e7\u00e3o entre a vida de ora\u00e7\u00e3o e recolhimento dos monges e a a\u00e7\u00e3o em favor dos pobres. Para ele, a hospitalidade e o cuidado com os necessitados eram parte integrante da espiritualidade mon\u00e1stica, e os monges, mesmo depois de terem deixado tudo para abra\u00e7ar a pobreza, deveriam ajudar os mais pobres com o seu trabalho, pois \u00abpara se ter com que socorrer aos necessitados, evidencia-se que devemos trabalhar com dilig\u00eancia [&#8230;] este modo de viver \u00e9 proveitoso n\u00e3o s\u00f3 para subjugar o corpo, mas ainda por causa da caridade para com o pr\u00f3ximo, a fim de que, por nosso interm\u00e9dio, Deus forne\u00e7a o bastante aos irm\u00e3os mais fracos\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref42\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn42\">[42]<\/a><\/li>\n<li>Construiu em Cesareia, onde era bispo, um lugar conhecido como Basil\u00edades, que inclu\u00eda alojamentos, hospitais e escolas para os pobres e doentes. O monge, portanto, n\u00e3o era apenas um asceta, mas um servidor. Bas\u00edlio demonstrava assim que para estar perto de Deus \u00e9 preciso estar pr\u00f3ximo dos pobres. O amor concreto era crit\u00e9rio de santidade. Orar e cuidar, contemplar e curar, escrever e acolher \u2014 tudo era express\u00e3o do mesmo amor a Cristo.<\/li>\n<li>No Ocidente, S\u00e3o Bento de N\u00farsia elaborou uma Regra que se tornaria a espinha dorsal da espiritualidade mon\u00e1stica europeia. Nela, o acolhimento dos pobres e dos peregrinos ocupa lugar de honra: \u00abMostre-se principalmente um cuidado sol\u00edcito na recep\u00e7\u00e3o dos pobres e peregrinos, porque sobretudo na pessoa desses, Cristo \u00e9 recebido\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref43\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn43\">[43]<\/a>N\u00e3o se tratava apenas de palavras: os mosteiros beneditinos foram, por s\u00e9culos, lugares de ref\u00fagio para vi\u00favas, crian\u00e7as abandonadas, peregrinos e mendigos. Para Bento, a vida comunit\u00e1ria era uma escola de caridade. O trabalho manual n\u00e3o tinha apenas fun\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, mas formava o cora\u00e7\u00e3o para o servi\u00e7o. A partilha entre os monges, a aten\u00e7\u00e3o aos doentes, a escuta dos mais fr\u00e1geis preparavam para acolher Cristo que chega na pessoa do pobre e do estrangeiro. A hospitalidade mon\u00e1stica beneditina permanece at\u00e9 hoje sinal de uma Igreja que abre portas, que acolhe sem interrogar, que cura sem cobrar.<\/li>\n<li>Os mosteiros beneditinos, com o tempo, tornaram-se lugares que contrastavam a cultura da exclus\u00e3o. Os monges cultivavam a terra, produziam alimentos, preparavam rem\u00e9dios e ofereciam-nos, com simplicidade, aos mais necessitados. O seu trabalho silencioso foi fermento de uma nova civiliza\u00e7\u00e3o, onde os pobres n\u00e3o eram um problema a resolver, mas irm\u00e3os e irm\u00e3s a acolher. A regra da partilha, do trabalho comum e da assist\u00eancia aos vulner\u00e1veis estruturava uma economia solid\u00e1ria, em contraste com a l\u00f3gica da acumula\u00e7\u00e3o. O testemunho dos monges mostrava que a pobreza volunt\u00e1ria, longe de ser mis\u00e9ria, \u00e9 caminho de liberdade e comunh\u00e3o. Eles n\u00e3o apenas ajudavam os pobres: tornavam-se pr\u00f3ximos deles, irm\u00e3os no mesmo Senhor. Nas celas e nos claustros, formava-se uma m\u00edstica da presen\u00e7a de Deus nos pequenos.<\/li>\n<li>Al\u00e9m da assist\u00eancia material, os mosteiros desempenharam um papel fundamental na forma\u00e7\u00e3o cultural e espiritual dos mais humildes. Em tempos de peste, guerra e fome, eram lugares onde o necessitado encontrava p\u00e3o e rem\u00e9dio, mas tamb\u00e9m dignidade e palavra. Era ali que os \u00f3rf\u00e3os eram educados, os aprendizes recebiam forma\u00e7\u00e3o, e os camponeses eram instru\u00eddos em t\u00e9cnicas de agricultura e leitura. O saber era partilhado como dom e responsabilidade. O abade era ao mesmo tempo mestre e pai, e a escola mon\u00e1stica lugar de liberta\u00e7\u00e3o pela verdade. Pois, como escreve Jo\u00e3o Cassiano, o monge deve caracterizar-se pela \u00abhumildade de cora\u00e7\u00e3o [&#8230;], que conduz n\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia que incha, mas \u00e0quela que ilumina por meio da plenitude da caridade\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref44\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn44\">[44]<\/a>Ao formar consci\u00eancias e transmitir sabedoria, os monges contribu\u00edram para uma pedagogia crist\u00e3 da inclus\u00e3o. A cultura, marcada pela f\u00e9, era partilhada com simplicidade. O saber, quando iluminado pela caridade, torna-se servi\u00e7o. Assim, a vida mon\u00e1stica revelava-se estilo de santidade e forma concreta de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/li>\n<li>A tradi\u00e7\u00e3o mon\u00e1stica ensina, portanto, que ora\u00e7\u00e3o e caridade, sil\u00eancio e servi\u00e7o, celas e hospitais, formam um \u00fanico tecido espiritual. O mosteiro \u00e9 lugar de escuta e de a\u00e7\u00e3o, de adora\u00e7\u00e3o e de partilha. S\u00e3o Bernardo de Claraval, grande reformador do Cister, \u00abrecordou com decis\u00e3o a necessidade de uma vida s\u00f3bria e comedida, tanto \u00e0 mesa como no vestu\u00e1rio e nos edif\u00edcios mon\u00e1sticos, recomendando o sustento e a aten\u00e7\u00e3o aos pobres\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref45\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn45\">[45]<\/a>Para ele, a compaix\u00e3o n\u00e3o era uma escolha acess\u00f3ria, mas a estrada real do seguimento de Cristo. A vida mon\u00e1stica, portanto, quando fiel \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o original, mostra que a Igreja s\u00f3 ser\u00e1 plenamente esposa do Senhor quando for tamb\u00e9m irm\u00e3 dos pobres. O claustro n\u00e3o \u00e9 apenas ref\u00fagio do mundo, mas escola na qual se aprende a servi-lo melhor. Onde os monges abriram as suas portas aos pobres, a Igreja revelou com humildade e firmeza que a contempla\u00e7\u00e3o n\u00e3o exclui a miseric\u00f3rdia, mas exige-a como seu fruto mais puro.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Libertar os cativos<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"59\">\n<li>Desde os tempos apost\u00f3licos, a Igreja viu na liberta\u00e7\u00e3o dos oprimidos um sinal do Reino de Deus. O pr\u00f3prio Jesus, ao iniciar a sua miss\u00e3o p\u00fablica, proclamou: \u00abO Esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a liberta\u00e7\u00e3o aos cativos\u00bb (<em>Lc<\/em>4, 18). Os primeiros crist\u00e3os, mesmo em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, rezavam e assistiam os irm\u00e3os presos, como testemunham os Atos dos Ap\u00f3stolos (cf. 12, 5; 24, 23) e diversos escritos dos Padres. Essa miss\u00e3o libertadora prolongou-se ao longo dos s\u00e9culos por meio de a\u00e7\u00f5es concretas, especialmente quando o drama da escravid\u00e3o e do cativeiro marcou sociedades inteiras.<\/li>\n<li>Entre o final do s\u00e9culo XII e os in\u00edcios do s\u00e9culo XIII, quando muitos crist\u00e3os eram capturados no Mediterr\u00e2neo ou escravizados em guerras, surgiram duas ordens religiosas: a Ordem da Sant\u00edssima Trindade para a Reden\u00e7\u00e3o dos Cativos (Trinit\u00e1rios), fundada por S\u00e3o Jo\u00e3o de Matha e S\u00e3o F\u00e9lix de Valois, e a Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria das Merc\u00eas (Merced\u00e1rios), fundada por S\u00e3o Pedro Nolasco com o apoio de S\u00e3o Raimundo de Penhaforte, dominicano. Essas comunidades de consagrados nasceram com o carisma espec\u00edfico de libertar os crist\u00e3os escravizados, colocando os seus bens \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o\u00a0<a name=\"_ftnref46\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn46\">[46]<\/a>e, muitas vezes, oferecendo a pr\u00f3pria vida em troca. Os Trinit\u00e1rios, com o lema\u00a0<em>Gloria Tibi Trinitas et captivis libertas\u00a0<\/em>(Gl\u00f3ria a Ti, Trindade, e aos cativos liberdade), e os Merced\u00e1rios, que acrescentam um quarto voto\u00a0<a name=\"_ftnref47\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn47\">[47]<\/a>aos votos religiosos de pobreza, obedi\u00eancia e castidade, testemunharam que a caridade pode ser heroica. A liberta\u00e7\u00e3o dos cativos era express\u00e3o do amor trinit\u00e1rio: um Deus que liberta n\u00e3o s\u00f3 da escravid\u00e3o espiritual, mas tamb\u00e9m da opress\u00e3o concreta. O gesto de resgatar da escravid\u00e3o e do c\u00e1rcere \u00e9 visto como prolongamento do sacrif\u00edcio redentor de Cristo, cujo sangue \u00e9 o pre\u00e7o do nosso resgate (cf.\u00a0<em>1Cor<\/em>\u00a06, 20).<\/li>\n<li>A espiritualidade original destas Ordens estava profundamente enraizada na contempla\u00e7\u00e3o da Cruz. Cristo \u00e9 por excel\u00eancia o Redentor dos cativos, e a Igreja, seu Corpo, prolonga esse mist\u00e9rio no tempo.\u00a0<a name=\"_ftnref48\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn48\">[48]<\/a>Os religiosos n\u00e3o viam no resgate uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou econ\u00f3mica, mas um ato quase lit\u00fargico, a oferenda sacramental de si mesmos. Muitos entregaram os seus pr\u00f3prios corpos para substituir prisioneiros, cumprindo literalmente o mandamento: \u00abNingu\u00e9m tem mais amor do que quem d\u00e1 a vida pelos seus amigos\u00bb (\u00a0<em>Jo<\/em>15, 13). A tradi\u00e7\u00e3o destas Ordens n\u00e3o cessou. Pelo contr\u00e1rio, inspirou novas formas de a\u00e7\u00e3o diante das escravid\u00f5es modernas: o tr\u00e1fico de pessoas, o trabalho for\u00e7ado, a explora\u00e7\u00e3o sexual, as diversas formas de depend\u00eancia.\u00a0<a name=\"_ftnref49\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn49\">[49]<\/a>\u00a0A caridade crist\u00e3, quando encarnada, torna-se libertadora. E a miss\u00e3o da Igreja, quando fiel ao seu Senhor, \u00e9 sempre proclamar a liberta\u00e7\u00e3o. Ainda em nossos dias, nos quais \u00abmilh\u00f5es de pessoas \u2013 crian\u00e7as, homens e mulheres de todas as idades \u2013 s\u00e3o privadas da liberdade e constrangidas a viver em condi\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s da escravatura\u00bb,\u00a0<a name=\"_ftnref50\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn50\">[50]<\/a>\u00a0esta heran\u00e7a \u00e9 continuada por estas Ordens e por outras institui\u00e7\u00f5es e congrega\u00e7\u00f5es que atuam em periferias urbanas, zonas de conflito e corredores de migra\u00e7\u00e3o. Quando a Igreja se inclina para quebrar as novas correntes que prendem os pobres, ela torna-se sinal da P\u00e1scoa.<\/li>\n<li>N\u00e3o se pode concluir esta reflex\u00e3o sobre os privados de liberdade sem fazer men\u00e7\u00e3o aos encarcerados nos diversos centros penitenci\u00e1rios e de deten\u00e7\u00e3o. A esse respeito, recordam-se as palavras que o Papa Francisco dirigiu a um grupo deles: \u00abPara mim, entrar em uma penitenci\u00e1ria \u00e9 sempre um momento importante, porque o pres\u00eddio \u00e9 um lugar de grande humanidade [&#8230;]. De uma humanidade provada, \u00e0s vezes exausta pelas dificuldades, sentimentos de culpa, julgamentos, incompreens\u00f5es e sofrimento, mas ao mesmo tempo repleta de for\u00e7a, de desejo de perd\u00e3o, de vontade de reden\u00e7\u00e3o\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref51\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn51\">[51]<\/a>Esta vontade que, entre outras, foi assumida tamb\u00e9m pelas Ordens redentoras como um servi\u00e7o preferencial \u00e0 Igreja. Como proclamava S\u00e3o Paulo: \u00abFoi para a liberdade que Cristo nos libertou\u00bb (\u00a0<em>Gl<\/em>5, 1). E esta liberdade n\u00e3o \u00e9 apenas interior: ela manifesta-se na hist\u00f3ria como amor que cuida e liberta de todas as amarras.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Testemunhas da pobreza evang\u00e9lica<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"63\">\n<li>No s\u00e9culo XIII, diante do crescimento das cidades, da concentra\u00e7\u00e3o de riquezas e do surgimento de novas formas de pobreza, o Esp\u00edrito Santo suscitou na Igreja um novo tipo de consagra\u00e7\u00e3o: as Ordens mendicantes. Ao contr\u00e1rio do modelo mon\u00e1stico est\u00e1vel, os mendicantes adotaram uma vida itinerante, sem propriedade pessoal ou comunit\u00e1ria, inteiramente confiada \u00e0 Provid\u00eancia. N\u00e3o apenas serviam os pobres: tornavam-se pobres com eles. Encaravam a cidade como novo deserto, e os marginalizados como novos mestres espirituais. Essas Ordens, como os Franciscanos, os Dominicanos, os Agostinianos e os Carmelitas, representaram uma revolu\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica, na qual o estilo de vida simples e pobre se converte em sinal prof\u00e9tico para a miss\u00e3o, revivendo a experi\u00eancia da primeira comunidade crist\u00e3 (cf.\u00a0<em>Act\u00a0<\/em>4, 32). O testemunho dos mendicantes desafiava tanto a opul\u00eancia clerical quanto a frieza da sociedade urbana.<\/li>\n<li>S\u00e3o Francisco de Assis tornou-se o \u00edcone dessa primavera espiritual. Tomando por esposa a pobreza, quis imitar Cristo pobre, nu e crucificado. Em sua Regra, pede aos irm\u00e3os que \u00abn\u00e3o tenham propriedade sobre coisa alguma, nem sobre casa, nem lugar, nem outra coisa qualquer; mas, como peregrinos e viandantes que neste mundo servem ao Senhor em pobreza e humildade, pe\u00e7am esmolas com confian\u00e7a; disso n\u00e3o se devem envergonhar, porque o Senhor se fez pobre por n\u00f3s, neste mundo\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref52\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn52\">[52]<\/a>A sua vida foi um cont\u00ednuo despojamento: do pal\u00e1cio ao leproso, da eloqu\u00eancia ao sil\u00eancio, da posse ao dom total. Francisco n\u00e3o fundou um servi\u00e7o social, mas uma fraternidade evang\u00e9lica. Entre os pobres, via irm\u00e3os e imagens vivas do Senhor. A sua miss\u00e3o era estar com eles, por uma solidariedade que superava as dist\u00e2ncias, por um amor compassivo. A sua pobreza era relacional: levava-o a fazer-se pr\u00f3ximo, igual, na verdade, menor. A sua santidade brotava da convic\u00e7\u00e3o de que s\u00f3 se recebe verdadeiramente a Cristo na entrega generosa de si mesmo aos irm\u00e3os.<\/li>\n<li>Santa Clara de Assis, inspirada por Francisco, fundou a Ordem das Damas Pobres, depois chamadas Clarissas. A sua luta espiritual consistiu em manter fielmente o ideal da pobreza radical. Recusou privil\u00e9gios pontif\u00edcios que poderiam proporcionar seguran\u00e7a material ao seu mosteiro e, com firmeza, obteve do Papa Greg\u00f3rio IX o chamado\u00a0<em>Privilegium Paupertatis<\/em>, garantindo o direito de viver sem a posse de qualquer bem material.\u00a0<a name=\"_ftnref53\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn53\">[53]<\/a>Esta op\u00e7\u00e3o expressava a confian\u00e7a total em Deus, e a consci\u00eancia de que a pobreza volunt\u00e1ria era forma de liberdade e profecia. Clara ensinava \u00e0s suas irm\u00e3s que Cristo era a sua \u00fanica heran\u00e7a e que nada devia obscurecer a comunh\u00e3o com Ele. A sua vida orante e escondida foi um grito contra o mundanismo e uma defesa silenciosa dos pobres e esquecidos.<\/li>\n<li>S\u00e3o Domingos de Gusm\u00e3o, contempor\u00e2neo de Francisco, fundou a Ordem dos Pregadores com outro carisma, mas a mesma radicalidade. Desejava anunciar o Evangelho com a autoridade que brota duma vida pobre, convencido de que a Verdade precisa de testemunhas coerentes. O exemplo da pobreza de vida acompanhava a Palavra pregada. Livres do peso dos bens terrenos, os frades dominicanos podiam dedicar-se melhor \u00e0 sua obra principal, ou seja, a prega\u00e7\u00e3o. Dirigiam-se \u00e0s cidades, sobretudo \u00e0quelas universit\u00e1rias, para ensinar a verdade de Deus.\u00a0<a name=\"_ftnref54\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn54\">[54]<\/a>Ao dependerem dos outros, demonstravam que a f\u00e9 n\u00e3o se imp\u00f5e, mas se oferece. E, ao viverem entre os pobres, aprendiam a verdade do Evangelho \u201cde baixo\u201d, como disc\u00edpulos do Cristo humilhado.<\/li>\n<li>As Ordens mendicantes foram, assim, resposta viva \u00e0 exclus\u00e3o e \u00e0 indiferen\u00e7a. N\u00e3o propuseram expressamente reformas sociais, mas uma convers\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria \u00e0 l\u00f3gica do Reino. A pobreza, nelas, n\u00e3o era resultado da escassez de bens, mas uma escolha livre: fazer-se pequeno para acolher o pequeno. Como disse Tom\u00e1s de Celano sobre Francisco: \u00abPassou a ser o maior amigo dos pobres [&#8230;] despiu-se para vestir os pobres, procurando assemelhar-se a eles\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref55\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn55\">[55]<\/a>Os mendicantes tornaram-se sinal de uma Igreja peregrina, humilde e fraterna, que vive entre os pobres n\u00e3o por estrat\u00e9gia proselitista, mas por identidade. Eles ensinam que a Igreja \u00e9 luz quando se despoja de tudo e que a santidade passa por um cora\u00e7\u00e3o humilde e dedicado aos pequenos.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja e a instru\u00e7\u00e3o dos pobres<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"68\">\n<li>Dirigindo-se a alguns educadores, o Papa Francisco recordava que a educa\u00e7\u00e3o sempre foi uma das express\u00f5es mais altas da caridade crist\u00e3: \u00abA vossa \u00e9 uma miss\u00e3o cheia de obst\u00e1culos, mas tamb\u00e9m de alegrias [\u2026]. Uma miss\u00e3o de amor, porque n\u00e3o se pode ensinar sem amar\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref56\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn56\">[56]<\/a>Neste sentido, desde os primeiros tempos, os crist\u00e3os compreenderam que o saber liberta, dignifica e aproxima da verdade. Ensinar os pobres era, para a Igreja, um ato de justi\u00e7a e f\u00e9. Inspirada no exemplo do Mestre que ensinava ao povo as verdades divinas e humanas, a Igreja assumiu como miss\u00e3o formar as crian\u00e7as e os jovens, especialmente os mais pobres, na verdade e no amor. Essa miss\u00e3o ganhou corpo com a funda\u00e7\u00e3o de Congrega\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o popular.<\/li>\n<li>No final do s\u00e9culo XVI, S\u00e3o Jos\u00e9 de Calasanz, impressionado pela falta de instru\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o dos jovens pobres da cidade de Roma, deu vida \u00e0 primeira escola p\u00fablica popular e gratuita da Europa, em algumas salas cont\u00edguas \u00e0 Igreja de Santa Dorot\u00e9ia, no bairro Trastevere. Era a semente da qual nasceria e se desenvolveria, n\u00e3o sem dificuldades, a Ordem dos Cl\u00e9rigos Regulares Pobres da Madre de Deus das Escolas Pias \u2013 cujos membros s\u00e3o mais conhecidos como Padres Escol\u00e1pios \u2013, com o objetivo de transmitir aos jovens \u00abal\u00e9m da ci\u00eancia profana, tamb\u00e9m a sabedoria do Evangelho, ensinando-lhes a captar, nas vicissitudes pessoais e na hist\u00f3ria, a a\u00e7\u00e3o amorosa de Deus Criador e Redentor\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref57\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn57\">[57]<\/a>Com efeito, podemos considerar este corajoso sacerdote como \u00abo verdadeiro fundador da moderna escola cat\u00f3lica, que visa a forma\u00e7\u00e3o integral do homem e est\u00e1 aberta a todos\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref58\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn58\">[58]<\/a>Animado pela mesma sensibilidade, no s\u00e9culo XVII, S\u00e3o Jo\u00e3o Batista de La Salle, percebendo a injusti\u00e7a causada pela exclus\u00e3o dos filhos dos oper\u00e1rios e camponeses do sistema educacional da Fran\u00e7a do seu tempo, fundou os Irm\u00e3os das Escolas Crist\u00e3s, com o ideal de lhes oferecer ensino gratuito, forma\u00e7\u00e3o s\u00f3lida e ambiente fraterno. La Salle via na sala de aula um espa\u00e7o de promo\u00e7\u00e3o humana, mas tamb\u00e9m de convers\u00e3o. Os seus col\u00e9gios uniam ora\u00e7\u00e3o, m\u00e9todo, disciplina e partilha. Cada crian\u00e7a era considerada um dom \u00fanico de Deus, e o ato de ensinar, um servi\u00e7o ao Reino de Deus.<\/li>\n<li>J\u00e1 no s\u00e9culo XIX, tamb\u00e9m na Fran\u00e7a, S\u00e3o Marcelino Champagnat funda o Instituto dos Irm\u00e3os Maristas das Escolas, \u00absens\u00edvel \u00e0s necessidades espirituais e educativas da sua \u00e9poca, sobretudo a ignor\u00e2ncia religiosa e as situa\u00e7\u00f5es de abandono vividas em particular pela juventude\u00bb,\u00a0<a name=\"_ftnref59\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn59\">[59]<\/a>dedicando-se com todo o afinco, num per\u00edodo em que o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o continuava a ser um privil\u00e9gio de poucos, \u00e0 miss\u00e3o de educar e evangelizar crian\u00e7as e jovens, especialmente os mais necessitados. Com o mesmo esp\u00edrito, na It\u00e1lia, S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco iniciou a grande obra Salesiana, fundamentada sobre os tr\u00eas princ\u00edpios do \u201cM\u00e9todo preventivo\u201d \u2013 raz\u00e3o, religi\u00e3o e amabilidade \u2013\u00a0<a name=\"_ftnref60\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn60\">[60]<\/a>e o Beato Ant\u00f3nio Rosmini fundou o Instituto da Caridade, no qual a \u201ccaridade intelectual\u201d \u2013 junto \u00e0 \u201cmaterial\u201d e tendo como \u00e1pice a \u201cespiritual-pastoral\u201d \u2013, era apresentada como dimens\u00e3o indispens\u00e1vel para qualquer a\u00e7\u00e3o caritativa que buscasse o bem e o desenvolvimento integral da pessoa.\u00a0<a name=\"_ftnref61\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn61\">[61]<\/a><\/li>\n<li>Muitas Congrega\u00e7\u00f5es femininas tamb\u00e9m foram protagonistas dessa revolu\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica. As Ursulinas, a Ordem da Companhia de Maria Nossa Senhora, as Mestras Pias e tantas outras, fundadas especialmente no s\u00e9culo XVIII e XIX, ocuparam espa\u00e7os onde o Estado era ausente. Criaram escolas nos pequenos vilarejos, nas zonas de periferia e nos bairros oper\u00e1rios. A educa\u00e7\u00e3o das meninas, em especial, tornou-se prioridade. As religiosas alfabetizavam, evangelizavam, tratavam das quest\u00f5es pr\u00e1ticas da vida quotidiana, elevavam o esp\u00edrito atrav\u00e9s do cultivo das artes e, sobretudo, formavam consci\u00eancias. A pedagogia era simples: proximidade, paci\u00eancia, do\u00e7ura. Ensinavam com a vida, antes das palavras. Em tempos de analfabetismo generalizado e exclus\u00e3o estrutural, essas mulheres consagradas foram far\u00f3is de esperan\u00e7a. A sua miss\u00e3o era formar o cora\u00e7\u00e3o, ensinar a pensar, fazer florescer a dignidade. Unindo vida de piedade e dedica\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo, resistiam ao abandono com a ternura de quem educa em nome de Cristo.<\/li>\n<li>A educa\u00e7\u00e3o dos pobres, para a f\u00e9 crist\u00e3, n\u00e3o \u00e9 um favor, mas um dever. Os pequenos t\u00eam direito \u00e0 sabedoria, como exig\u00eancia b\u00e1sica do reconhecimento da dignidade humana. Ensinar-lhes \u00e9 reconhecer o seu valor, dando-lhes instrumentos para transformar a sua realidade. A tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 entende que o saber \u00e9 dom de Deus e responsabilidade comunit\u00e1ria. O ensino crist\u00e3o forma n\u00e3o apenas profissionais, mas pessoas abertas ao bem, ao belo e \u00e0 verdade. Sendo assim, a escola cat\u00f3lica, quando fiel ao seu nome, torna-se espa\u00e7o de inclus\u00e3o, de forma\u00e7\u00e3o integral e de promo\u00e7\u00e3o humana; conjugando f\u00e9 e cultura, semeia-se futuro, honra-se a imagem de Deus e constr\u00f3i-se uma sociedade melhor.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acompanhar os migrantes<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"73\">\n<li>A experi\u00eancia da migra\u00e7\u00e3o acompanha a hist\u00f3ria do povo de Deus. Abra\u00e3o parte sem saber para onde vai; Mois\u00e9s conduz um povo peregrino pelo deserto; Maria e Jos\u00e9 fogem com o Menino para o Egito. O pr\u00f3prio Cristo, que \u00abveio para o que era seu, e os seus n\u00e3o o receberam\u00bb (<em>Jo<\/em>1, 11), viveu entre n\u00f3s como estrangeiro. Por isso, a Igreja sempre reconheceu nos migrantes uma presen\u00e7a viva do Senhor que dir\u00e1, no dia do ju\u00edzo, aos que estiverem \u00e0 sua direita: \u00abera peregrino e recolhestes-me\u00bb (<em>Mt<\/em>25, 35).<\/li>\n<li>No s\u00e9culo XIX, quando milh\u00f5es de europeus emigravam em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, dois grandes santos se destacaram no cuidado pastoral dos migrantes: S\u00e3o Jo\u00e3o Batista Scalabrini e Santa Francisca Xavier Cabrini. Scalabrini, bispo de Piacenza, fundou os Mission\u00e1rios de S\u00e3o Carlos para acompanhar os migrantes nas suas comunidades de destino, oferecendo-lhes assist\u00eancia espiritual, jur\u00eddica e material. Nos migrantes viu destinat\u00e1rios de uma nova evangeliza\u00e7\u00e3o, alertando para os riscos da explora\u00e7\u00e3o e da perda da f\u00e9 em terra estrangeira. Correspondendo com generosidade ao carisma que o Senhor lhe tinha concedido, \u00abScalabrini olhava mais al\u00e9m, olhava l\u00e1 para diante, para um mundo e uma Igreja sem barreiras, sem estrangeiros\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref62\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn62\">[62]<\/a>Santa Francisca Cabrini, nascida na It\u00e1lia e naturalizada estadunidense, tornou-se a primeira cidad\u00e3 dos Estados Unidos a ser canonizada. Para cumprir a sua miss\u00e3o de atender aos migrantes, cruzou o Atl\u00e2ntico diversas vezes, e \u00abarmada de singular aud\u00e1cia, partindo do nada iniciou escolas, hospitais, orfanatos para a multid\u00e3o de deserdados que se aventuraram no novo mundo em busca de trabalho, desprovidos do conhecimento da l\u00edngua e de meios capazes de lhes permitir uma decorosa inser\u00e7\u00e3o na sociedade americana, e muitas vezes v\u00edtimas de pessoas sem escr\u00fapulos. O seu cora\u00e7\u00e3o materno, irrequieto, ia ao encontro deles em todas as partes: nos tug\u00farios, nos c\u00e1rceres, nas minas\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref63\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn63\">[63]<\/a>No Ano Santo de 1950, o Papa Pio XII proclamou-a Padroeira de todos os migrantes.\u00a0<a name=\"_ftnref64\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn64\">[64]<\/a><\/li>\n<li>A tradi\u00e7\u00e3o da atividade da Igreja junto aos migrantes prosseguiu e hoje esse servi\u00e7o expressa-se em iniciativas como os centros de acolhimento para refugiados, as miss\u00f5es nas fronteiras, e os esfor\u00e7os de\u00a0<em>Caritas Internationalis<\/em>e de outras institui\u00e7\u00f5es. O Magist\u00e9rio contempor\u00e2neo reafirma com clareza este compromisso. O Papa Francisco recordava que a miss\u00e3o da Igreja junto aos migrantes e refugiados era ainda mais ampla, insistindo que \u00aba resposta ao desafio colocado pelas migra\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas pode-se resumir em quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar. Mas estes verbos n\u00e3o valem apenas para os migrantes e os refugiados; exprimem a miss\u00e3o da Igreja a favor de todos os habitantes das periferias existenciais, que devem ser acolhidos, protegidos, promovidos e integrados\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref65\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn65\">[65]<\/a>E acrescentava: \u00abTodo ser humano \u00e9 um filho de Deus! Nele est\u00e1 impressa a imagem de Cristo! Trata-se, ent\u00e3o, de o vermos, n\u00f3s, em primeiro lugar, e de ajudar os outros a verem no migrante e no refugiado n\u00e3o s\u00f3 um problema para lidar, mas um irm\u00e3o e uma irm\u00e3 a serem acolhidos, respeitados e amados; trata-se de uma oportunidade que a Provid\u00eancia nos oferece para contribuir na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa, de uma democracia mais completa, de um pa\u00eds mais inclusivo, de um mundo mais fraterno e de uma comunidade crist\u00e3 mais aberta, de acordo com o Evangelho\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref66\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn66\">[66]<\/a>\u00a0A Igreja, como m\u00e3e, caminha com os que caminham. Onde o mundo v\u00ea amea\u00e7a, ela v\u00ea filhos; onde se erguem muros, ela constr\u00f3i pontes. Pois sabe que o Evangelho s\u00f3 \u00e9 cr\u00edvel quando se traduz em gestos de proximidade e de acolhimento; e que em cada migrante rejeitado, \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo que bate \u00e0s portas da comunidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao lado dos \u00faltimos<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"76\">\n<li>A santidade crist\u00e3 floresce, com frequ\u00eancia, nos lugares mais esquecidos e feridos da humanidade. Os mais pobres entre os pobres \u2013 que n\u00e3o apenas carecem de bens, mas tamb\u00e9m de voz e do reconhecimento da sua dignidade \u2013 ocupam um lugar especial no cora\u00e7\u00e3o de Deus. S\u00e3o os preferidos do Evangelho, os herdeiros do Reino (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>6, 20). \u00c9 neles que Cristo continua a sofrer e a ressuscitar. \u00c9 neles que a Igreja reencontra o chamamento a mostrar a sua realidade mais aut\u00eantica.<\/li>\n<li>Santa Teresa de Calcut\u00e1, canonizada em 2016, tornou-se \u00edcone universal da caridade vivida at\u00e9 o extremo em favor dos mais indigentes, descartados pela sociedade. Fundadora das Mission\u00e1rias da Caridade, dedicou a sua vida aos moribundos abandonados nas ruas da \u00cdndia. Recolhia os rejeitados, lavava as suas feridas, acompanhava-os at\u00e9 ao momento da morte com uma ternura que era prece. O seu amor pelos mais pobres entre os pobres fazia com que se ocupasse n\u00e3o somente de os atender em suas necessidades materiais, mas tamb\u00e9m de lhes anunciar a boa nova do Evangelho: \u00abQueremos proclamar a boa nova aos pobres de que Deus os ama, de que n\u00f3s os amamos, de que eles s\u00e3o algu\u00e9m para n\u00f3s, de que eles foram criados pela mesma m\u00e3o amorosa de Deus, para amar e ser amados. Os nossos pobres s\u00e3o \u00f3timas pessoas, pessoas muito am\u00e1veis, eles n\u00e3o necessitam da nossa pena ou compaix\u00e3o, eles precisam do nosso amor compreensivo. Eles precisam do nosso respeito; eles precisam que os tratemos com dignidade\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref67\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn67\">[67]<\/a>Tudo isso nascia de uma profunda espiritualidade que via o servi\u00e7o aos mais pobres como fruto da ora\u00e7\u00e3o e do amor, gerador da verdadeira paz, como recordava o Papa Jo\u00e3o Paulo II aos peregrinos vindos a Roma para a sua beatifica\u00e7\u00e3o: \u00abOnde foi que Madre Teresa encontrou a for\u00e7a para se dedicar completamente ao servi\u00e7o do pr\u00f3ximo? Encontrou-a na ora\u00e7\u00e3o\u00a0e na contempla\u00e7\u00e3o silenciosa de Jesus Cristo, do seu Santo Rosto, do seu Sagrado Cora\u00e7\u00e3o\u00a0<em>.<\/em>Ela mesma o disse: \u201cO fruto do sil\u00eancio \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o; o fruto da ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a f\u00e9; o fruto da f\u00e9 \u00e9 o amor; o fruto do amor \u00e9 o servi\u00e7o, o fruto do servi\u00e7o \u00e9 a paz\u201d [&#8230;] Era uma ora\u00e7\u00e3o que enchia o seu cora\u00e7\u00e3o com a paz de Cristo e lhe permitia irradiar essa paz aos outros\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref68\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn68\">[68]<\/a>\u00a0Teresa n\u00e3o se considerava filantropa nem ativista, mas esposa de Cristo crucificado, a quem servia com amor total nos irm\u00e3os sofredores.<\/li>\n<li>No Brasil, Santa Dulce dos Pobres \u2013 conhecida como o \u201canjo bom da Bahia\u201d \u2013 encarnou o mesmo esp\u00edrito evang\u00e9lico com fei\u00e7\u00f5es brasileiras. Referindo-se a ela e a outras duas religiosas canonizadas na mesma celebra\u00e7\u00e3o, o Papa Francisco recordava o amor que professavam aos mais marginalizados da sociedade e afirmava que as novas Santas \u00abmostram-nos que a vida religiosa \u00e9 um caminho de amor nas periferias existenciais do mundo\u00bb\u00a0<a name=\"_ftnref69\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn69\">[69]<\/a>. Irm\u00e3 Dulce enfrentou a precariedade com criatividade, os obst\u00e1culos com ternura, a car\u00eancia com f\u00e9 inabal\u00e1vel. Come\u00e7ou acolhendo doentes num galinheiro, e dali fundou uma das maiores obras sociais do pa\u00eds. Atendia milhares de pessoas por dia, sem jamais perder a do\u00e7ura. Fez-se pobre com os pobres por amor ao sumamente Pobre. Vivia com pouco, rezava com fervor e servia com alegria. A sua f\u00e9 n\u00e3o a retirava do mundo, mas lan\u00e7ava-a ainda mais profundamente nas dores dos \u00faltimos.<\/li>\n<li>Poderiam ser lembrados tamb\u00e9m S\u00e3o Bento Menni e as Irm\u00e3s Hospitaleiras do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus auxiliando as pessoas com defici\u00eancias de desenvolvimento; S\u00e3o Charles de Foucauld entre as comunidades do Saara; Santa Katharine Drexel junto dos grupos menos favorecidos na Am\u00e9rica do Norte; Irm\u00e3 Emmanuelle com os catadores de lixo no bairro Ezbet El Nakhl na cidade do Cairo; e muit\u00edssimos outros. Cada um, \u00e0 sua maneira, descobriu que os mais pobres n\u00e3o s\u00e3o mero objeto da nossa compaix\u00e3o, mas mestres do Evangelho. N\u00e3o se trata de lhes \u201clevar Deus\u201d, mas de encontr\u00e1-Lo ali. Todos estes exemplos ensinam que servir aos pobres n\u00e3o \u00e9 um gesto de cima para baixo, mas um encontro de igual para igual, onde Cristo \u00e9 revelado e adorado. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II recordava-nos que \u00abh\u00e1 na pessoa dos pobres uma especial presen\u00e7a de Cristo, obrigando a Igreja a uma op\u00e7\u00e3o preferencial por eles\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref70\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn70\">[70]<\/a>A Igreja, portanto, quando se curva at\u00e9 ao ch\u00e3o para cuidar dos pobres, assume a sua postura mais elevada.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Movimentos populares<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"80\">\n<li>Ao longo dos s\u00e9culos da hist\u00f3ria crist\u00e3, devemos igualmente reconhecer que a ajuda aos pobres e a luta pelos seus direitos n\u00e3o envolveu apenas indiv\u00edduos, algumas fam\u00edlias, institui\u00e7\u00f5es ou comunidades religiosas. Houve, e h\u00e1, v\u00e1rios movimentos populares, constitu\u00eddos por leigos e conduzidos por l\u00edderes populares, colocados muitas vezes sob suspeita e at\u00e9 perseguidos. Refiro-me a um \u00abconjunto de pessoas que n\u00e3o caminham como indiv\u00edduos, mas como o tecido duma comunidade de todos e para todos, que n\u00e3o pode permitir que os mais pobres e fr\u00e1geis fiquem para tr\u00e1s [&#8230;]. Portanto os l\u00edderes populares s\u00e3o aqueles que t\u00eam a capacidade de integrar a todos [&#8230;]. N\u00e3o lhes fazem repugn\u00e2ncia nem metem medo os jovens chagados e crucificados\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref71\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn71\">[71]<\/a><\/li>\n<li>Estes l\u00edderes populares sabem que a solidariedade consiste tamb\u00e9m em \u00ablutar contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de trabalho, de terra e de casa, a nega\u00e7\u00e3o dos direitos sociais e laborais. \u00c9 fazer face aos efeitos destruidores do imp\u00e9rio do dinheiro [&#8230;]. A solidariedade, entendida no seu sentido mais profundo, \u00e9 uma forma de fazer hist\u00f3ria e \u00e9 isto que os movimentos populares fazem\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref72\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn72\">[72]<\/a>Por essa raz\u00e3o, quando as diferentes institui\u00e7\u00f5es pensam nas necessidades dos pobres, \u00e9 necess\u00e1rio \u00abque incluam os movimentos populares e animem as estruturas de governo locais, nacionais e internacionais com aquela torrente de energia moral que nasce da integra\u00e7\u00e3o dos exclu\u00eddos na constru\u00e7\u00e3o do destino comum\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref73\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn73\">[73]<\/a>Com efeito, os movimentos populares convidam a superar \u00abaquela ideia das pol\u00edticas sociais concebidas como uma pol\u00edtica para os pobres, mas nunca com os pobres, nunca dos pobres e muito menos inserida num projeto que re\u00fana os povos\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref74\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn74\">[74]<\/a>\u00a0Se os pol\u00edticos e os profissionais n\u00e3o os ouvirem, \u00aba democracia atrofia-se, torna-se um nominalismo, uma formalidade, perde representatividade, vai se desencantando porque deixa de fora o povo na sua luta di\u00e1ria pela dignidade, na constru\u00e7\u00e3o do seu destino\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref75\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn75\">[75]<\/a>\u00a0O mesmo se deve dizer das institui\u00e7\u00f5es da Igreja.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO IV<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">UMA HIST\u00d3RIA QUE CONTINUA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O s\u00e9culo da Doutrina Social da Igreja<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"82\">\n<li>A acelerada transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e social dos \u00faltimos dois s\u00e9culos, cheia de tr\u00e1gicas contradi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o foi apenas sofrida pelos pobres, mas tamb\u00e9m por eles enfrentada e pensada. Os movimentos de trabalhadores, mulheres e jovens, assim como a luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o racial levaram a uma nova consci\u00eancia da dignidade daqueles que est\u00e3o \u00e0 margem. Tamb\u00e9m o contributo da Doutrina Social da Igreja tem em si esta raiz popular que n\u00e3o se pode esquecer: seria inimagin\u00e1vel a releitura da Revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3 nas modernas circunst\u00e2ncias sociais, laborais, econ\u00f3micas e culturais sem leigos crist\u00e3os envolvidos com os desafios do seu tempo. Ao seu lado, atuaram religiosas e religiosos, testemunhas de uma Igreja em sa\u00edda dos caminhos j\u00e1 percorridos. A mudan\u00e7a de \u00e9poca que enfrentamos hoje torna ainda mais necess\u00e1ria a intera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua entre batizados e Magist\u00e9rio, entre cidad\u00e3os e peritos, entre povo e institui\u00e7\u00f5es. Em particular, \u00e9 preciso reconhecer novamente que a realidade se v\u00ea melhor a partir das periferias e que os pobres s\u00e3o sujeitos de uma intelig\u00eancia espec\u00edfica, indispens\u00e1vel \u00e0 Igreja e \u00e0 humanidade.<\/li>\n<li>O Magist\u00e9rio dos \u00faltimos cento e cinquenta anos oferece um verdadeiro tesouro de ensinamentos sobre os pobres. Deste modo, os Bispos de Roma fizeram-se voz de novas consci\u00eancias, passadas pelo crivo do discernimento eclesial. Por exemplo, na Carta enc\u00edclica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum.html\"><em>Rerum novarum<\/em><\/a>(1891), Le\u00e3o XIII abordou a quest\u00e3o do trabalho, expondo a situa\u00e7\u00e3o intoler\u00e1vel de muitos oper\u00e1rios da ind\u00fastria e propondo o estabelecimento de uma ordem social justa. Nesta linha se manifestaram tamb\u00e9m outros Pont\u00edfices. Com a Enc\u00edclica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_15051961_mater.html\"><em>Mater et Magistra<\/em><\/a>(1961), S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII fez-se promotor de uma justi\u00e7a de dimens\u00f5es mundiais: os pa\u00edses ricos n\u00e3o podiam permanecer indiferentes face aos pa\u00edses oprimidos pela fome e pela mis\u00e9ria, mas eram chamados a socorr\u00ea-los generosamente com todos os seus bens.<\/li>\n<li>O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/index_po.htm\">Conc\u00edlio Vaticano II<\/a>representa uma etapa fundamental no discernimento eclesial sobre os pobres, \u00e0 luz da Revela\u00e7\u00e3o. Embora nos documentos preparat\u00f3rios esse tema fosse secund\u00e1rio, S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII chamou a aten\u00e7\u00e3o para o mesmo na Radiomensagem de 11 de setembro de 1962, a um m\u00eas da abertura do Conc\u00edlio, com palavras inesquec\u00edveis: \u00abA Igreja apresenta-se como \u00e9 e como quer ser, como Igreja de todos e particularmente Igreja dos pobres\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref76\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn76\">[76]<\/a>Houve, ent\u00e3o, o grande trabalho de Bispos, te\u00f3logos e peritos preocupados com a renova\u00e7\u00e3o da Igreja \u2013 com o apoio do pr\u00f3prio S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII \u2013 que reorientou o Conc\u00edlio. \u00c9 fundamental a natureza cristoc\u00eantrica, isto \u00e9, doutrinal e n\u00e3o apenas social, de tal reflex\u00e3o. Efetivamente, numerosos Padres conciliares favoreceram a consolida\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia, bem expressa pelo cardeal Lercaro na sua interven\u00e7\u00e3o memor\u00e1vel de 6 de dezembro de 1962, de que \u00abo mist\u00e9rio de Cristo na Igreja sempre foi e continua a ser \u2013 e hoje de modo especial \u2013 o mist\u00e9rio de Cristo presente nos pobres\u00bb,\u00a0<a name=\"_ftnref77\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn77\">[77]<\/a>\u00a0e de que \u00abn\u00e3o se trata de um tema qualquer, mas, em certo sentido, \u00e9 o \u00fanico tema de todo o Vaticano II\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref78\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn78\">[78]<\/a>\u00a0O Arcebispo de Bolonha, preparando o texto desta interven\u00e7\u00e3o, anotava: \u00abEsta \u00e9 a hora dos pobres, dos milh\u00f5es de pobres que est\u00e3o em toda a terra, esta \u00e9 a hora do mist\u00e9rio da Igreja m\u00e3e dos pobres, esta \u00e9 a hora do mist\u00e9rio de Cristo, sobretudo no pobre\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref79\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn79\">[79]<\/a>\u00a0Desse modo, apresentava-se a necessidade de uma nova forma eclesial, mais simples e s\u00f3bria, que envolvesse todo o povo de Deus e a sua figura hist\u00f3rica. Uma Igreja mais parecida com o seu Senhor do que com os poderes mundanos, propensa a estimular em toda a humanidade um compromisso concreto para a solu\u00e7\u00e3o do grande problema da pobreza no mundo.<\/li>\n<li>S\u00e3o Paulo VI, por ocasi\u00e3o da abertura da segunda sess\u00e3o do Conc\u00edlio, retomou o tema levantado pelo seu predecessor, ou seja, que a Igreja olha com particular interesse \u00abpara os pobres, para os necessitados, para os aflitos, para os famintos, os que sofrem, os encarcerados, os que t\u00eam fome; isto \u00e9, olha para toda a humanidade que sofre e chora, pois a Igreja sabe que esta lhe pertence, por direito evang\u00e9lico\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref80\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn80\">[80]<\/a>Na Audi\u00eancia Geral de 11 de novembro de 1964, ele sublinhou que \u00abo pobre \u00e9 representante de Cristo\u00bb e, associando a imagem do Senhor nos \u00faltimos \u00e0 que se manifesta no Papa, afirmou: \u00abA representa\u00e7\u00e3o de Cristo no pobre \u00e9 universal, todo o pobre reflete Cristo; a do Papa \u00e9 pessoal. [\u2026] O pobre e Pedro podem coincidir, podem ser a mesma pessoa, revestida de uma dupla representa\u00e7\u00e3o: a da pobreza e a da autoridade\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref81\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn81\">[81]<\/a>Deste modo, o v\u00ednculo intr\u00ednseco entre a Igreja e os pobres ficava simbolicamente expresso com uma clareza in\u00e9dita.<\/li>\n<li>Na Constitui\u00e7\u00e3o pastoral\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html\"><em>Gaudium et spes<\/em><\/a>, o Conc\u00edlio, atualizando a heran\u00e7a dos Padres da Igreja, reafirmou com for\u00e7a a destina\u00e7\u00e3o universal dos bens da terra e a fun\u00e7\u00e3o social da propriedade que dela deriva: \u00abDeus destinou a terra com tudo o que ela cont\u00e9m para uso de todos os homens e povos; de modo que os bens criados devem chegar equitativamente \u00e0s m\u00e3os de todos [&#8230;] Por esta raz\u00e3o, quem usa desses bens, n\u00e3o deve considerar as coisas exteriores que legitimamente possui s\u00f3 como pr\u00f3prias, mas tamb\u00e9m como comuns, no sentido de que possam beneficiar n\u00e3o s\u00f3 a si, mas tamb\u00e9m aos outros. De resto, todos t\u00eam o direito de ter uma parte de bens suficientes para si e suas fam\u00edlias. [&#8230;] Aquele, por\u00e9m, que se encontra em extrema necessidade, tem direito de tomar, dos bens dos outros, o que necessita. [&#8230;] De resto, a mesma propriedade privada \u00e9 de \u00edndole social, fundada na lei do destino comum dos bens. O desprezo deste car\u00e1cter social foi muitas vezes ocasi\u00e3o de cobi\u00e7as e de graves desordens\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref82\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn82\">[82]<\/a>Esta convic\u00e7\u00e3o \u00e9 reafirmada por S\u00e3o Paulo VI na Enc\u00edclica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/paul-vi\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_p-vi_enc_26031967_populorum.html\"><em>Populorum progressio<\/em><\/a>, onde lemos que ningu\u00e9m pode considerar-se com o \u00abdireito de reservar para seu uso exclusivo aquilo que \u00e9 sup\u00e9rfluo, quando a outros falta o necess\u00e1rio\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref83\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn83\">[83]<\/a>No seu discurso \u00e0 ONU, o Papa Montini apresentou-se como o advogado dos povos pobres\u00a0<a name=\"_ftnref84\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn84\">[84]<\/a>, instando a comunidade internacional a construir um mundo solid\u00e1rio.<\/li>\n<li>Com S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, consolida-se, pelo menos no \u00e2mbito doutrin\u00e1rio, a rela\u00e7\u00e3o preferencial da Igreja com os pobres. Com efeito, o seu magist\u00e9rio reconheceu que a op\u00e7\u00e3o pelos pobres \u00e9 uma \u00abforma especial de primado na pr\u00e1tica da caridade crist\u00e3, testemunhada por toda a Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref85\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn85\">[85]<\/a>Na Enc\u00edclica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_jp-ii_enc_30121987_sollicitudo-rei-socialis.html\"><em>Sollicitudo rei socialis<\/em><\/a>, tamb\u00e9m escreve que hoje, dada a dimens\u00e3o mundial que a quest\u00e3o social assumiu, \u00abeste amor preferencial, com as decis\u00f5es que ele nos inspira, n\u00e3o pode deixar de abranger as imensas multid\u00f5es de famintos, de mendigos, sem-teto, sem assist\u00eancia m\u00e9dica e, sobretudo, sem esperan\u00e7a de um futuro melhor: n\u00e3o se pode deixar de ter em conta a exist\u00eancia destas realidades. Ignor\u00e1-las significaria tornar-nos como o \u201crico epul\u00e3o\u201d, que fingia n\u00e3o conhecer o pobre L\u00e1zaro, que jazia ao seu port\u00e3o (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>16, 19-31)\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref86\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn86\">[86]<\/a>\u00a0O seu ensinamento sobre o trabalho adquire especial relev\u00e2ncia quando nos propomos pensar no papel ativo dos pobres na renova\u00e7\u00e3o da Igreja e da sociedade, deixando para tr\u00e1s o paternalismo da mera assist\u00eancia \u00e0s suas imediatas necessidades. Na Enc\u00edclica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_jp-ii_enc_14091981_laborem-exercens.html\"><em>Laborem exercens<\/em><\/a>, ele afirma que \u00abo trabalho humano \u00e9 uma chave, provavelmente a chave essencial, de toda a quest\u00e3o social\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref87\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn87\">[87]<\/a><\/li>\n<li>Diante das m\u00faltiplas crises que assinalaram o in\u00edcio do terceiro mil\u00e9nio, a leitura de Bento XVI torna-se mais marcadamente pol\u00edtica. Assim, na Carta enc\u00edclica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate.html\"><em>Caritas in veritate<\/em><\/a>, afirma que \u00abama-se tanto mais eficazmente o pr\u00f3ximo, quanto mais se trabalha em prol de um bem comum que d\u00ea resposta tamb\u00e9m \u00e0s suas necessidades reais\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref88\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn88\">[88]<\/a>Al\u00e9m disso, observa que \u00aba fome n\u00e3o depende tanto de uma escassez material, como sobretudo da escassez de recursos sociais, o mais importante dos quais \u00e9 de natureza institucional; isto \u00e9, falta um sistema de institui\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas que seja capaz de garantir um acesso regular, e adequado do ponto de vista nutricional, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e \u00e0 \u00e1gua e tamb\u00e9m de enfrentar as car\u00eancias relacionadas com as necessidades prim\u00e1rias e com a emerg\u00eancia de reais e verdadeiras crises alimentares provocadas por causas naturais ou pela irresponsabilidade pol\u00edtica nacional e internacional\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref89\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn89\">[89]<\/a><\/li>\n<li>O Papa Francisco reconheceu como, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, al\u00e9m do magist\u00e9rio dos Bispos de Roma, tamb\u00e9m se tornaram cada vez mais frequentes as tomadas de posi\u00e7\u00e3o por parte das Confer\u00eancias Episcopais nacionais e regionais sobre este tema. Ele mesmo, por exemplo, p\u00f4de testemunhar pessoalmente o empenho particular do episcopado latino-americano em repensar a rela\u00e7\u00e3o da Igreja com os pobres. No p\u00f3s-Conc\u00edlio, em quase todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, sentiu-se com muita for\u00e7a a identifica\u00e7\u00e3o da Igreja com os pobres e a participa\u00e7\u00e3o ativa na sua reden\u00e7\u00e3o. Era o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o da Igreja que se movia diante de tantos pobres afligidos pelo desemprego, subemprego e sal\u00e1rios miser\u00e1veis, obrigados a viver em condi\u00e7\u00f5es deplor\u00e1veis. O mart\u00edrio de S\u00e3o Oscar Romero, Arcebispo de San Salvador, foi ao mesmo tempo um testemunho e uma exorta\u00e7\u00e3o viva para a Igreja. Ele sentia como pr\u00f3prio o drama da grande maioria dos seus fi\u00e9is, fazendo deles o centro da sua op\u00e7\u00e3o pastoral. As Confer\u00eancias do Episcopado Latino-Americano em Medell\u00edn, Puebla, Santo Domingo e Aparecida constituem etapas significativas tamb\u00e9m para toda a Igreja. Eu mesmo, mission\u00e1rio no Peru durante tantos anos, devo muito a este caminho de discernimento eclesial, que o Papa Francisco com sabedoria soube unir ao de outras Igrejas particulares, especialmente do chamado Sul global. Gostaria, agora, de retomar dois temas espec\u00edficos deste magist\u00e9rio episcopal.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estruturas de pecado que criam pobreza e desigualdades extremas<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"90\">\n<li>Em Medell\u00edn, os Bispos pronunciaram-se a favor da op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres: \u00abCristo, nosso Salvador, n\u00e3o s\u00f3 amou aos pobres, mas tamb\u00e9m, \u201csendo rico se fez pobre\u201d, viveu na pobreza, centralizando sua miss\u00e3o no an\u00fancio da liberta\u00e7\u00e3o aos pobres e fundou sua Igreja como sinal dessa pobreza entre os homens. [\u2026] A pobreza de tantos irm\u00e3os clama por justi\u00e7a, solidariedade, testemunho, compromisso, esfor\u00e7o e supera\u00e7\u00e3o para o cumprimento pleno da miss\u00e3o salv\u00edfica confiada por Cristo\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref90\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn90\">[90]<\/a>Os Bispos afirmaram com veem\u00eancia que a Igreja, para ser plenamente fiel \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o, n\u00e3o deve apenas compartilhar a condi\u00e7\u00e3o dos pobres, mas colocar-se tamb\u00e9m ao lado deles e empenhar-se ativamente pela sua promo\u00e7\u00e3o integral. A Confer\u00eancia de Puebla, diante do agravamento da mis\u00e9ria na Am\u00e9rica Latina, confirmou a decis\u00e3o de Medell\u00edn com uma op\u00e7\u00e3o franca e prof\u00e9tica a favor dos pobres e qualificou as estruturas de injusti\u00e7a como \u201cpecado social\u201d.<\/li>\n<li>A caridade \u00e9 uma for\u00e7a que muda a realidade, um aut\u00eantico poder hist\u00f3rico de transforma\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a fonte da qual deve nutrir-se todo o compromisso para \u00abresolver as causas estruturais da pobreza\u00bb\u00a0<a name=\"_ftnref91\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn91\">[91]<\/a>e para o fazer com urg\u00eancia. Espero, portanto, que \u00abcres\u00e7a o n\u00famero de pol\u00edticos capazes de entrar num aut\u00eantico di\u00e1logo que vise efetivamente sanar as ra\u00edzes profundas e n\u00e3o a apar\u00eancia dos males do nosso mundo\u00bb,\u00a0<a name=\"_ftnref92\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn92\">[92]<\/a>porque \u00abtrata-se de ouvir o clamor de povos inteiros, dos povos mais pobres da terra\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref93\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn93\">[93]<\/a><\/li>\n<li>\u00c9 necess\u00e1rio, portanto, continuar a denunciar a \u201cditadura de uma economia que mata\u201d e reconhecer que \u00abenquanto os lucros de poucos crescem exponencialmente, os da maioria situam-se cada vez mais longe do bem-estar daquela minoria feliz. Tal desequil\u00edbrio prov\u00e9m de ideologias que defendem a autonomia absoluta dos mercados e a especula\u00e7\u00e3o financeira. Por isso, negam o direito de controle dos Estados, encarregados de velar pela tutela do bem comum. Instaura-se uma nova tirania invis\u00edvel, \u00e0s vezes virtual, que imp\u00f5e, de forma unilateral e implac\u00e1vel, as suas leis e as suas regras\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref94\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn94\">[94]<\/a>Embora n\u00e3o faltem diversas teorias que tentam justificar o estado atual das coisas ou explicar que a racionalidade econ\u00f3mica nos exige esperar que as for\u00e7as invis\u00edveis do mercado resolvam tudo, a dignidade de cada pessoa humana deve ser respeitada j\u00e1 agora, n\u00e3o s\u00f3 amanh\u00e3, e a situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria de tantas pessoas, a quem \u00e9 negada esta dignidade, deve ser um apelo constante \u00e0 nossa consci\u00eancia.<\/li>\n<li>Na Enc\u00edclica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/20241024-enciclica-dilexit-nos.html\"><em>Dilexit nos<\/em><\/a>, o Papa Francisco recordou que o pecado social assume a forma de uma \u201cestrutura de pecado\u201d na sociedade, fazendo frequentemente parte de uma \u00abmentalidade dominante que considera normal ou racional o que n\u00e3o passa de ego\u00edsmo e indiferen\u00e7a. Este fen\u00f3meno pode definir-se como aliena\u00e7\u00e3o social\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref95\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn95\">[95]<\/a>Torna-se normal ignorar os pobres e viver como se eles n\u00e3o existissem. Apresenta-se como uma escolha razo\u00e1vel organizar a economia exigindo sacrif\u00edcios ao povo, para atingir certos objetivos que interessam aos poderosos. Entretanto, para os pobres restam apenas promessas de \u201cgotas\u201d que cair\u00e3o, at\u00e9 que uma nova crise global os conduza de volta \u00e0 situa\u00e7\u00e3o na qual estavam anteriormente. \u00c9 uma verdadeira aliena\u00e7\u00e3o que leva a encontrar apenas desculpas te\u00f3ricas e n\u00e3o a tentar resolver hoje os problemas concretos daqueles que sofrem. J\u00e1 o dizia S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II: \u00abAlienada \u00e9 a sociedade que, nas suas formas de organiza\u00e7\u00e3o social, de produ\u00e7\u00e3o e de consumo, torna mais dif\u00edcil a realiza\u00e7\u00e3o deste dom e a constitui\u00e7\u00e3o dessa solidariedade inter-humana\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref96\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn96\">[96]<\/a><\/li>\n<li>Devemos empenhar-nos cada vez mais em resolver as causas estruturais da pobreza. \u00c9 uma urg\u00eancia que \u00abn\u00e3o pode esperar; e n\u00e3o apenas por uma exig\u00eancia pragm\u00e1tica de obter resultados e ordenar a sociedade, mas tamb\u00e9m para a curar de uma mazela que a torna fr\u00e1gil e indigna e que s\u00f3 poder\u00e1 lev\u00e1-la a novas crises. Os planos de assist\u00eancia, que acorrem a determinadas emerg\u00eancias, deveriam considerar-se apenas como respostas provis\u00f3rias\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref97\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn97\">[97]<\/a>A falta de equidade \u00ab\u00e9 a raiz dos males sociais\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref98\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn98\">[98]<\/a>Com efeito, \u00abmuitas vezes constata-se que, realmente, os direitos humanos n\u00e3o s\u00e3o iguais para todos\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref99\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn99\">[99]<\/a><\/li>\n<li>Acontece que \u00abno modelo \u201cdo \u00eaxito\u201d e \u201cindividualista\u201d em vigor, parece que n\u00e3o faz sentido investir para que os lentos, fracos ou menos dotados possam tamb\u00e9m singrar na vida\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref100\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn100\">[100]<\/a>A pergunta que reiteradamente surge \u00e9 sempre a mesma: os menos dotados n\u00e3o s\u00e3o seres humanos? Os mais fracos n\u00e3o t\u00eam a nossa mesma dignidade? Aqueles que nasceram com menos possibilidades valem menos como seres humanos e devem limitar-se apenas a sobreviver? A resposta que damos a estas perguntas determina o valor das nossas sociedades e dela tamb\u00e9m depende o nosso futuro: ou reconquistamos a nossa dignidade moral e espiritual ou ca\u00edmos numa esp\u00e9cie de po\u00e7o de imund\u00edcie. Se n\u00e3o pararmos a pensar as coisas a s\u00e9rio, continuaremos, de forma expl\u00edcita ou dissimulada, a \u00ablegitimar o modelo distributivo atual, no qual uma minoria se julga com o direito de consumir numa propor\u00e7\u00e3o que seria imposs\u00edvel generalizar, porque o planeta n\u00e3o poderia sequer conter os res\u00edduos de tal consumo\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref101\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn101\">[101]<\/a><\/li>\n<li>Entre as quest\u00f5es estruturais que n\u00e3o se pode imaginar conseguir resolver a partir de cima e que exigem ser tratadas o mais rapidamente poss\u00edvel, conta-se a dos lugares, espa\u00e7os, casas e cidades onde os pobres vivem e caminham. Bem o sabemos: \u00abComo s\u00e3o belas as cidades que superam a desconfian\u00e7a doentia e integram os que s\u00e3o diferentes, fazendo desta integra\u00e7\u00e3o um novo fator de progresso! Como s\u00e3o encantadoras as cidades que, j\u00e1 no seu projeto arquitet\u00f3nico, est\u00e3o cheias de espa\u00e7os que unem, relacionam, favorecem o reconhecimento do outro!\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref102\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn102\">[102]<\/a>Ao mesmo tempo, \u00abn\u00e3o podemos deixar de considerar os efeitos da degrada\u00e7\u00e3o ambiental, do modelo atual de desenvolvimento e da cultura do descarte sobre a vida das pessoas\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref103\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn103\">[103]<\/a>Com efeito, \u00aba deteriora\u00e7\u00e3o do meio ambiente e a da sociedade afetam de modo especial os mais fr\u00e1geis do planeta\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref104\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn104\">[104]<\/a><\/li>\n<li>Portanto, mesmo correndo o risco de parecer \u201cest\u00fapidos\u201d, \u00e9 tarefa de todos os membros do Povo de Deus fazer ouvir, ainda que de maneiras diferentes, uma voz que desperte, denuncie e se exponha. As estruturas de injusti\u00e7a devem ser reconhecidas e destru\u00eddas com a for\u00e7a do bem, atrav\u00e9s da mudan\u00e7a de mentalidades e tamb\u00e9m, com a ajuda da ci\u00eancia e da t\u00e9cnica, atrav\u00e9s do desenvolvimento de pol\u00edticas eficazes na transforma\u00e7\u00e3o da sociedade. \u00c9 preciso recordar sempre que a proposta do Evangelho n\u00e3o \u00e9 apenas a de uma rela\u00e7\u00e3o individual e \u00edntima com o Senhor. Ela \u00e9 mais ampla: \u00ab\u00e9 o Reino de Deus (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>4, 43); trata-se de amar a Deus, que reina no mundo. Na medida em que Ele conseguir reinar entre n\u00f3s, a vida social ser\u00e1 um espa\u00e7o de fraternidade, de justi\u00e7a, de paz, de dignidade para todos. Por isso, tanto o an\u00fancio como a experi\u00eancia crist\u00e3 tendem a provocar consequ\u00eancias sociais. Procuremos o seu Reino\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref105\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn105\">[105]<\/a><\/li>\n<li>Por fim, um documento que inicialmente n\u00e3o foi bem recebido por todos, oferece-nos uma reflex\u00e3o sempre atual: \u00ab\u00c9 frequente dirigir aos defensores da \u201cortodoxia\u201d a acusa\u00e7\u00e3o de passividade, de indulg\u00eancia ou de cumplicidade culp\u00e1veis frente a situa\u00e7\u00f5es intoler\u00e1veis de injusti\u00e7a e de regimes pol\u00edticos que mant\u00eam estas situa\u00e7\u00f5es. A convers\u00e3o espiritual, a intensidade do amor a Deus e ao pr\u00f3ximo, o zelo pela justi\u00e7a e pela paz, o sentido evang\u00e9lico dos pobres e da pobreza, s\u00e3o exigidos a todos, especialmente aos pastores e aos respons\u00e1veis. A preocupa\u00e7\u00e3o pela pureza da f\u00e9 n\u00e3o subsiste sem a preocupa\u00e7\u00e3o de dar a resposta de um testemunho eficaz de servi\u00e7o ao pr\u00f3ximo e, em especial, ao pobre e ao oprimido, atrav\u00e9s de uma vida teologal integral\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref106\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn106\">[106]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pobres como sujeitos<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"99\">\n<li>Um dom fundamental para o caminho da Igreja universal \u00e9 representado pelo discernimento da Confer\u00eancia de Aparecida, na qual os Bispos latino-americanos explicitaram que a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres por parte da Igreja \u00abest\u00e1 impl\u00edcita na f\u00e9 cristol\u00f3gica naquele Deus que se fez pobre por n\u00f3s, para enriquecer-nos com a sua pobreza\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref107\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn107\">[107]<\/a>No Documento, a miss\u00e3o \u00e9 contextualizada na atual situa\u00e7\u00e3o de um mundo globalizado, com os seus novos e dram\u00e1ticos desequil\u00edbrios,\u00a0<a name=\"_ftnref108\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn108\">[108]<\/a>e, na Mensagem final, os Bispos escrevem: \u00abAs agudas diferen\u00e7as entre ricos e pobres nos convidam a trabalhar com maior empenho para ser disc\u00edpulos que sabem partilhar a mesa da vida, mesa de todos os filhos e filhas do Pai, mesa aberta, inclusiva, na qual n\u00e3o falte ningu\u00e9m. Por isso reafirmamos nossa op\u00e7\u00e3o preferencial e evang\u00e9lica pelos pobres\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref109\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn109\">[109]<\/a><\/li>\n<li>Ao mesmo tempo, o documento, ao aprofundar um tema j\u00e1 presente nas Confer\u00eancias anteriores do Episcopado da Am\u00e9rica Latina, insiste na necessidade de considerar as comunidades marginalizadas como\u00a0<em>sujeitos<\/em>capazes de criar cultura pr\u00f3pria, mais do que como\u00a0<em>objetos<\/em>de benefic\u00eancia. Isso implica que tais comunidades t\u00eam o direito de viver o Evangelho, celebrar e comunicar a f\u00e9 de acordo com os valores presentes nas suas culturas. A experi\u00eancia da pobreza d\u00e1-lhes a capacidade de reconhecer aspectos da realidade que outros n\u00e3o conseguem ver e, por isso, a sociedade precisa de as ouvir. O mesmo vale para a Igreja, que deve avaliar positivamente a maneira \u201cpopular\u201d delas viverem a f\u00e9. Um bonito trecho do documento final de Aparecida ajuda-nos a refletir sobre este ponto, a fim de encontrar a atitude correta: \u00abS\u00f3 a proximidade que nos faz amigos nos permite apreciar profundamente os valores dos pobres de hoje, seus leg\u00edtimos desejos e seu modo pr\u00f3prio de viver a f\u00e9. [\u2026] Dia a dia os pobres se fazem sujeitos da evangeliza\u00e7\u00e3o e da promo\u00e7\u00e3o humana integral: educam seus filhos na f\u00e9, vivem constante solidariedade entre parentes e vizinhos, procuram constantemente a Deus e d\u00e3o vida ao peregrinar da Igreja. \u00c0 luz do Evangelho reconhecemos sua imensa dignidade e seu valor sagrado aos olhos de Cristo, pobre como eles e exclu\u00eddo como eles. A partir dessa experi\u00eancia crist\u00e3, compartilhamos com eles a defesa de seus direitos\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref110\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn110\">[110]<\/a><\/li>\n<li>Tudo isto pressup\u00f5e a presen\u00e7a de um aspecto na op\u00e7\u00e3o pelos pobres que devemos recordar constantemente: com efeito, tal op\u00e7\u00e3o exige de n\u00f3s \u00abuma aten\u00e7\u00e3o prestada ao outro [\u2026]. Esta aten\u00e7\u00e3o amiga \u00e9 o in\u00edcio duma verdadeira preocupa\u00e7\u00e3o pela sua pessoa e, a partir dela, desejo procurar efetivamente o seu bem. Isto implica apreciar o pobre na sua bondade pr\u00f3pria, com o seu modo de ser, com a sua cultura, com a sua forma de viver a f\u00e9. O amor aut\u00eantico \u00e9 sempre contemplativo, permitindo-nos servir o outro n\u00e3o por necessidade ou vaidade, mas porque ele \u00e9 belo, independentemente da sua apar\u00eancia [\u2026]. Unicamente a partir desta proximidade real e cordial \u00e9 que podemos acompanh\u00e1-los adequadamente no seu caminho de liberta\u00e7\u00e3o\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref111\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn111\">[111]<\/a>Por esta raz\u00e3o, dirijo um sincero agradecimento a todos aqueles que escolheram viver entre os pobres: \u00e0queles que n\u00e3o s\u00f3 v\u00e3o visit\u00e1-los de vez em quando, mas que vivem com eles e como eles. Esta \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o que deve encontrar lugar entre as formas mais elevadas da vida evang\u00e9lica.<\/li>\n<li>Nesta perspectiva, torna-se clara a necessidade de \u00abque todos nos deixemos evangelizar\u00bb\u00a0<a name=\"_ftnref112\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn112\">[112]<\/a>pelos pobres e reconhe\u00e7amos \u00aba misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar atrav\u00e9s deles\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref113\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn113\">[113]<\/a>Crescidos em extrema precariedade, aprendendo a sobreviver nas condi\u00e7\u00f5es mais adversas, confiando em Deus com a certeza de que mais ningu\u00e9m os leva a s\u00e9rio, ajudando-se mutuamente nos momentos mais sombrios, os pobres aprenderam muitas coisas que guardam no mist\u00e9rio dos seus cora\u00e7\u00f5es. Aqueles de entre n\u00f3s que n\u00e3o fizeram experi\u00eancias semelhantes, de viver \u00e0 margem, certamente t\u00eam muito a receber da fonte de sabedoria que \u00e9 a experi\u00eancia dos pobres. S\u00f3 comparando as nossas queixas com os seus sofrimentos e priva\u00e7\u00f5es \u00e9 poss\u00edvel receber uma repreens\u00e3o que nos convida a simplificar a vida.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAP\u00cdTULO V<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">UM PERMANENTE DESAFIO<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"103\">\n<li>Escolhi recordar esta hist\u00f3ria bimilen\u00e1ria de aten\u00e7\u00e3o eclesial aos pobres e com os pobres para mostrar que ela \u00e9 parte essencial do caminho ininterrupto da Igreja. O cuidado com os pobres faz parte da grande Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, como um farol de luz que, a partir do Evangelho, iluminou os cora\u00e7\u00f5es e os passos dos crist\u00e3os de todos os tempos. Portanto, devemos sentir a urg\u00eancia de convidar todos a entrar neste rio de luz e vida que prov\u00e9m do reconhecimento de Cristo no rosto dos necessitados e dos sofredores. O amor pelos pobres \u00e9 um elemento essencial da hist\u00f3ria de Deus conosco e irrompe do pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o da Igreja como um apelo cont\u00ednuo ao cora\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os, tanto das suas comunidades, como de cada um individualmente. Enquanto Corpo de Cristo, a Igreja sente como sua pr\u00f3pria \u201ccarne\u201d a vida dos pobres, que s\u00e3o parte privilegiada do povo a caminho. Por isso, o amor aos pobres \u2013 seja qual for a forma dessa pobreza \u2013 \u00e9 a garantia evang\u00e9lica de uma Igreja fiel ao cora\u00e7\u00e3o de Deus. Efetivamente, toda a renova\u00e7\u00e3o eclesial sempre teve entre as suas prioridades esta aten\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres, que se diferencia, tanto nas motiva\u00e7\u00f5es como no estilo, da atividade de qualquer outra organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria.<\/li>\n<li>O crist\u00e3o n\u00e3o pode considerar os pobres apenas como um problema social: eles s\u00e3o uma \u201cquest\u00e3o familiar\u201d. Pertencem \u201caos nossos\u201d. A rela\u00e7\u00e3o com eles n\u00e3o pode ser reduzida a uma atividade ou departamento da Igreja. Como ensina a Confer\u00eancia de Aparecida, \u00absolicita-se dedicarmos tempo aos pobres, prestar a eles am\u00e1vel aten\u00e7\u00e3o, escut\u00e1-los com interesse, acompanh\u00e1-los nos momentos dif\u00edceis, escolh\u00ea-los para compartilhar horas, semanas ou anos de nossa vida, e procurando, a partir deles, a transforma\u00e7\u00e3o de sua situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos esquecer que o pr\u00f3prio Jesus prop\u00f4s isso com seu modo de agir e com suas palavras\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref114\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn114\">[114]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novamente o bom samaritano<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"105\">\n<li>A cultura dominante do in\u00edcio deste mil\u00e9nio impele-nos a abandonar os pobres ao seu pr\u00f3prio destino, a n\u00e3o os considerar dignos de aten\u00e7\u00e3o e muito menos de apre\u00e7o. Na Enc\u00edclica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html\"><em>Fratelli tutti<\/em><\/a>, o Papa Francisco convida-nos a refletir sobre a par\u00e1bola do bom samaritano (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>10, 25-37), precisamente para aprofundar este ponto. Na par\u00e1bola, vemos que, diante daquele homem ferido e abandonado \u00e0 beira do caminho, os que passam t\u00eam atitudes diferentes. Apenas o bom samaritano cuida dele. Ent\u00e3o, volta a pergunta que interpela cada um de n\u00f3s: \u00abCom quem te identificas? \u00c9 uma pergunta sem rodeios, direta e determinante: a qual deles te assemelhas? Precisamos de reconhecer a tenta\u00e7\u00e3o que nos cerca de se desinteressar dos outros, especialmente dos mais fr\u00e1geis. Digamos que crescemos em muitos aspectos, mas somos analfabetos no acompanhar, cuidar e sustentar os mais fr\u00e1geis e vulner\u00e1veis das nossas sociedades desenvolvidas. Habituamo-nos a olhar para o outro lado, passar \u00e0 margem, ignorar as situa\u00e7\u00f5es at\u00e9 elas nos ca\u00edrem diretamente em cima\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref115\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn115\">[115]<\/a><\/li>\n<li>Faz-nos muito bem descobrir que a hist\u00f3ria do bom samaritano se repete tamb\u00e9m hoje. Recordemos uma situa\u00e7\u00e3o dos nossos dias: \u00abQuando encontro uma pessoa a dormir ao relento, numa noite fria, posso sentir que este vulto seja um imprevisto que me det\u00e9m, um delinquente ocioso, um obst\u00e1culo no meu caminho, um aguilh\u00e3o molesto para a minha consci\u00eancia, um problema que os pol\u00edticos devem resolver e talvez at\u00e9 um monte de lixo que suja o espa\u00e7o p\u00fablico. Ou ent\u00e3o posso reagir a partir da f\u00e9 e da caridade e reconhecer nele um ser humano com a mesma dignidade que eu, uma criatura infinitamente amada pelo Pai, uma imagem de Deus, um irm\u00e3o redimido por Jesus Cristo. Isto \u00e9 ser crist\u00e3o! Ou poder-se-\u00e1 porventura entender a santidade prescindindo deste reconhecimento vivo da dignidade de todo o ser humano?\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref116\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn116\">[116]<\/a>O que fez o bom samaritano?<\/li>\n<li>A pergunta torna-se urgente porque nos ajuda a perceber uma grave lacuna nas nossas sociedades e tamb\u00e9m nas nossas comunidades crist\u00e3s. A verdade \u00e9 que muitas formas de indiferen\u00e7a que encontramos hoje em dia \u00abs\u00e3o sinais dum estilo de vida generalizado, que se manifesta de v\u00e1rias maneiras, porventura mais subtis. Al\u00e9m disso, como estamos todos muito concentrados nas nossas necessidades, ver algu\u00e9m que est\u00e1 mal incomoda-nos, perturba-nos, porque n\u00e3o queremos perder tempo por culpa dos problemas alheios. S\u00e3o sintomas duma sociedade enferma, pois procura construir-se de costas para o sofrimento. \u00c9 melhor n\u00e3o cair nesta mis\u00e9ria. Fixemos o modelo do bom samaritano\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref117\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn117\">[117]<\/a>As palavras finais da par\u00e1bola evang\u00e9lica \u2013 \u00abVai e faz tu tamb\u00e9m o mesmo\u00bb (\u00a0<em>Lc<\/em>10, 37) \u2013 s\u00e3o um mandato que um crist\u00e3o deve ouvir ressoar todos os dias no seu cora\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um desafio inadi\u00e1vel para a Igreja de hoje<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"108\">\n<li>Numa \u00e9poca particularmente dif\u00edcil para a Igreja de Roma, quando as institui\u00e7\u00f5es imperiais estavam a ruir sob a press\u00e3o dos b\u00e1rbaros, o Papa S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno advertiu assim os seus fi\u00e9is: \u00abTodos os dias podemos encontrar L\u00e1zaro, se o procuramos, e todos os dias nos deparamos com ele, mesmo sem o procurar. Eis que os pobres que se apresentam de forma insistente, a fazer-nos pedidos, poder\u00e3o um dia interceder por n\u00f3s. [\u2026] N\u00e3o desperdiceis, portanto, as oportunidades de agir com miseric\u00f3rdia e n\u00e3o negligencieis os rem\u00e9dios que recebestes\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref118\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn118\">[118]<\/a>Ele desafiava corajosamente os preconceitos disseminados contra os pobres, como aquele que os considerava respons\u00e1veis pela sua pr\u00f3pria mis\u00e9ria: \u00abQuando virdes os pobres a fazer algo repreens\u00edvel, n\u00e3o os desprezeis nem desconfieis deles, pois a fr\u00e1gua da pobreza talvez esteja a purificar o que eles fazem contraindo culpas, mesmo que muito leves\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref119\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn119\">[119]<\/a>Com frequ\u00eancia, o bem-estar torna-nos cegos, a ponto de pensarmos que a nossa felicidade s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ada se conseguirmos viver sem os outros. Nesse sentido, os pobres podem ser para n\u00f3s como mestres silenciosos, reconduzindo o nosso orgulho e a nossa arrog\u00e2ncia a uma conveniente humildade.<\/li>\n<li>Se \u00e9 verdade que os pobres s\u00e3o sustentados por aqueles que t\u00eam meios econ\u00f3micos, certamente tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel afirmar o contr\u00e1rio. Esta \u00e9 uma experi\u00eancia surpreendente, testemunhada pela tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, e que se torna uma verdadeira reviravolta na nossa vida pessoal, quando percebemos que s\u00e3o precisamente os pobres que nos evangelizam. De que modo? No sil\u00eancio da sua condi\u00e7\u00e3o, eles colocam-nos diante da nossa fraqueza. O idoso, por exemplo, com a fragilidade do seu corpo, lembra-nos a nossa vulnerabilidade, ainda que a tentemos esconder por tr\u00e1s do bem-estar ou das apar\u00eancias. Al\u00e9m disso, os pobres fazem-nos refletir sobre a inconsist\u00eancia daquele orgulho agressivo com que muitas vezes enfrentamos as dificuldades da vida. Em suma, eles revelam a nossa precariedade e o vazio de uma vida aparentemente protegida e segura. A este respeito, ou\u00e7amos novamente S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno: \u00abNingu\u00e9m, portanto, se sinta seguro dizendo: \u201ceu n\u00e3o roubo os outros, mas usufruo apenas dos bens recebidos licitamente\u201d, pois o rico epul\u00e3o n\u00e3o foi punido porque quis para si os bens alheios, mas por se ter descuidado de si mesmo depois de ter recebido tantas riquezas. A sua condena\u00e7\u00e3o ao inferno foi determinada porque, na felicidade, n\u00e3o conservou o sentimento do temor, tornou-se arrogante pelos dons recebidos e n\u00e3o teve qualquer sentimento de compaix\u00e3o\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref120\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn120\">[120]<\/a><\/li>\n<li>Para n\u00f3s, crist\u00e3os, a quest\u00e3o dos pobres remete-nos \u00e0 ess\u00eancia da nossa f\u00e9. A op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres, ou seja, o amor que a Igreja tem por eles, como ensinava S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, \u00ab\u00e9 decisivo e pertence \u00e0 sua constante tradi\u00e7\u00e3o, impele-a a dirigir-se ao mundo no qual, apesar do progresso t\u00e9cnico-econ\u00f3mico, a pobreza amea\u00e7a assumir formas gigantescas\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref121\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn121\">[121]<\/a>A realidade \u00e9 que, para os crist\u00e3os, os pobres n\u00e3o s\u00e3o uma categoria sociol\u00f3gica, mas a pr\u00f3pria carne de Cristo. Com efeito, n\u00e3o basta limitar-se a enunciar de modo gen\u00e9rico a doutrina da encarna\u00e7\u00e3o de Deus. Para entrar verdadeiramente neste mist\u00e9rio, \u00e9 preciso especificar que o Senhor se faz carne que tem fome e sede, que est\u00e1 doente e na pris\u00e3o. \u00abA Igreja pobre para os pobres come\u00e7a pelo dirigir-se \u00e0 carne de Cristo. Se nos fixarmos na carne de Cristo, come\u00e7amos a compreender qualquer coisa, a compreender o que \u00e9 esta pobreza, a pobreza do Senhor. E isso n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil!\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref122\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn122\">[122]<\/a><\/li>\n<li>O cora\u00e7\u00e3o da Igreja, por sua pr\u00f3pria natureza, \u00e9 solid\u00e1rio com os pobres, exclu\u00eddos e marginalizados, com todos aqueles que s\u00e3o considerados \u201cdescart\u00e1veis\u201d pela sociedade. Os pobres ocupam um lugar central na Igreja, porque \u00abderiva da nossa f\u00e9 em Cristo, que se fez pobre e sempre se aproximou dos pobres e marginalizados, a preocupa\u00e7\u00e3o pelo desenvolvimento integral dos mais abandonados da sociedade\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref123\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn123\">[123]<\/a>No cora\u00e7\u00e3o de cada fiel encontra-se \u00aba exig\u00eancia de ouvir este clamor [que] deriva da pr\u00f3pria obra libertadora da gra\u00e7a em cada um de n\u00f3s, pelo que n\u00e3o se trata de uma miss\u00e3o reservada apenas a alguns\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref124\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn124\">[124]<\/a><\/li>\n<li>Por vezes, em alguns movimentos ou grupos crist\u00e3os, nota-se a falta ou mesmo a aus\u00eancia de compromisso pelo bem comum da sociedade e, em particular, pela defesa e promo\u00e7\u00e3o dos mais fracos e desfavorecidos. A este respeito, \u00e9 preciso recordar que a religi\u00e3o, especialmente a crist\u00e3, n\u00e3o pode ser confinada \u00e0 esfera privada, como se os fi\u00e9is n\u00e3o devessem interessar-se tamb\u00e9m pelos problemas relacionados com a sociedade civil e pelos acontecimentos que dizem respeito aos cidad\u00e3os.\u00a0<a name=\"_ftnref125\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn125\">[125]<\/a><\/li>\n<li>Na realidade, \u00abqualquer comunidade da Igreja, na medida em que pretender subsistir tranquila sem se ocupar criativamente nem cooperar de forma eficaz para que os pobres vivam com dignidade e haja a inclus\u00e3o de todos, correr\u00e1 tamb\u00e9m o risco da sua dissolu\u00e7\u00e3o, mesmo que fale de temas sociais ou critique os Governos. Facilmente acabar\u00e1 submersa pelo mundanismo espiritual, dissimulado em pr\u00e1ticas religiosas, reuni\u00f5es infecundas ou discursos vazios\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref126\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn126\">[126]<\/a><\/li>\n<li>N\u00e3o estamos a falar apenas da assist\u00eancia e do necess\u00e1rio compromisso com a justi\u00e7a. Os fi\u00e9is devem responder tamb\u00e9m por uma outra forma de incoer\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos pobres. Na verdade, \u00aba pior discrimina\u00e7\u00e3o que sofrem os pobres \u00e9 a falta de cuidado espiritual [\u2026]. A op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres deve traduzir-se, principalmente, numa solicitude religiosa privilegiada e priorit\u00e1ria\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref127\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn127\">[127]<\/a>Todavia, tal aten\u00e7\u00e3o espiritual aos pobres \u00e9 posta em causa por certos preconceitos, mesmo por parte de crist\u00e3os, porque nos sentimos mais \u00e0 vontade sem os pobres. H\u00e1 quem continue a dizer: \u201cO nosso dever \u00e9 rezar e ensinar a verdadeira doutrina\u201d. Mas, desvinculando este aspecto religioso da promo\u00e7\u00e3o integral, acrescentam que s\u00f3 o Governo deveria cuidar deles, ou que seria melhor deix\u00e1-los na mis\u00e9ria e ensinar-lhes antes a trabalhar. Al\u00e9m disso, assumem-se, \u00e0s vezes, crit\u00e9rios pseudocient\u00edficos para dizer que a liberdade do mercado levar\u00e1 naturalmente \u00e0 solu\u00e7\u00e3o do problema da pobreza. Ou ainda, opta-se por uma pastoral das ditas elites, defendendo-se que, em vez de perder tempo com os pobres, \u00e9 melhor cuidar dos ricos, dos poderosos e dos profissionais, para que, atrav\u00e9s deles, seja poss\u00edvel alcan\u00e7ar solu\u00e7\u00f5es mais eficazes. \u00c9 f\u00e1cil perceber a mundanidade que se esconde por tr\u00e1s destas opini\u00f5es: elas levam-nos a olhar para a realidade com crit\u00e9rios superficiais e desprovidos de qualquer luz sobrenatural, privilegiando rela\u00e7\u00f5es que nos tranquilizam e buscando privil\u00e9gios que nos favorecem.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Doar ainda hoje<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"115\">\n<li>Conv\u00e9m dizer uma \u00faltima palavra sobre a esmola, que hoje n\u00e3o goza de boa fama, frequentemente nem mesmo entre os crist\u00e3os. N\u00e3o s\u00f3 \u00e9 raramente praticada, como \u00e0s vezes \u00e9 at\u00e9 desprezada. Por um lado, reafirmo que o aux\u00edlio mais importante para uma pessoa pobre \u00e9 ajud\u00e1-la a ter um bom trabalho, para que possa ter uma vida mais condizente com a sua dignidade, desenvolvendo as suas capacidades e oferecendo o seu esfor\u00e7o pessoal. O certo \u00e9 que \u00aba falta de trabalho \u00e9 muito mais do que a falta de uma fonte de renda para poder viver. O trabalho \u00e9 isto, mas \u00e9 tamb\u00e9m muito mais. Ao trabalhar tornamo-nos mais pessoas, a nossa humanidade floresce, os jovens s\u00f3 se tornam adultos quando trabalham. A Doutrina Social da Igreja considera o trabalho humano como participa\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o que continua todos os dias, inclusive gra\u00e7as \u00e0s m\u00e3os, \u00e0 mente e ao cora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref128\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn128\">[128]<\/a>Por outro lado, se ainda n\u00e3o existe essa possibilidade concreta, n\u00e3o devemos correr o risco de deixar uma pessoa abandonada \u00e0 pr\u00f3pria sorte, sem o indispens\u00e1vel para viver dignamente. Assim, a esmola continua a ser um momento necess\u00e1rio de contato, encontro e identifica\u00e7\u00e3o com a condi\u00e7\u00e3o do outro.<\/li>\n<li>Para quem ama verdadeiramente, \u00e9 evidente que a esmola n\u00e3o isenta as autoridades competentes das suas responsabilidades, nem elimina o empenho organizativo das institui\u00e7\u00f5es, muito menos substitui a leg\u00edtima luta pela justi\u00e7a. Ela convida, por\u00e9m, a parar e a olhar nos olhos a pessoa pobre, tocando-a e partilhando com ela algo do que se tem. Em todo o caso, a esmola, mesmo que pequena, infunde\u00a0<em>pietas<\/em>numa vida social em que todos se preocupam com o seu pr\u00f3prio interesse pessoal. Diz o livro dos Prov\u00e9rbios: \u00abO homem de olhar generoso ser\u00e1 aben\u00e7oado, porque d\u00e1 do seu p\u00e3o ao pobre\u00bb (<em>Pr<\/em>22, 9).<\/li>\n<li>Tanto o Antigo como o Novo Testamento cont\u00eam verdadeiros hinos \u00e0 esmola: \u00abTodavia, s\u00ea generoso para com o miser\u00e1vel, e n\u00e3o o fa\u00e7as esperar pela esmola. [\u2026] Encerra a tua esmola nos teus celeiros, e ela te livrar\u00e1 de todo o mal\u00bb (<em>Sir<\/em>29, 8.12). E Jesus retoma este ensinamento: \u00abVendei os vossos bens e dai-os de esmola. Arranjai bolsas que n\u00e3o envelhe\u00e7am, um tesouro inesgot\u00e1vel no C\u00e9u\u00bb (<em>Lc<\/em>12, 33).<\/li>\n<li>A S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo atribu\u00eda-se a seguinte exorta\u00e7\u00e3o: \u00abA esmola \u00e9 a asa da ora\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o acrescentares uma asa \u00e0 tua ora\u00e7\u00e3o, ela mal poder\u00e1 voar\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref129\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn129\">[129]<\/a>E S\u00e3o Greg\u00f3rio de Nazianzo conclu\u00eda uma das suas famosas ora\u00e7\u00f5es com estas palavras: \u00abSe, portanto, me ouvirdes enquanto \u00e9 tempo, \u00f3 servos de Cristo, irm\u00e3os e coerdeiros, visitemos Cristo, cuidemos de Cristo, alimentemos Cristo, vistamos Cristo, acolhamos Cristo, honremos Cristo: n\u00e3o apenas com uma refei\u00e7\u00e3o, como alguns; n\u00e3o apenas com perfumes, como Maria; n\u00e3o apenas com um t\u00famulo, como Jos\u00e9 de Arimat\u00e9ia; n\u00e3o apenas com os ritos para a sepultura, como Nicodemos, que amava Cristo apenas pela metade; n\u00e3o apenas com ouro, incenso e mirra, como os Magos; mas, visto que o Senhor quer miseric\u00f3rdia e n\u00e3o sacrif\u00edcio [\u2026] ofere\u00e7amos esta aos pobres, para que, quando partirmos deste mundo, sejamos acolhidos por eles nos templos eternos\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref130\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftn130\">[130]<\/a><\/li>\n<li>O amor e as convic\u00e7\u00f5es mais profundas devem ser alimentados, e isso faz-se com gestos. Permanecer no mundo das ideias e das discuss\u00f5es, sem gestos pessoais, frequentes e sinceros, ser\u00e1 a ru\u00edna dos nossos sonhos mais preciosos. Por esta simples raz\u00e3o, como crist\u00e3os, n\u00e3o renunciamos \u00e0 esmola. Um gesto que pode ser feito de v\u00e1rias maneiras, e podemos tentar fazer de forma mais eficaz, mas que deve ser feito. E ser\u00e1 sempre melhor fazer alguma coisa do que n\u00e3o fazer nada. Em todo o caso, tocar-nos-\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o ser\u00e1 a solu\u00e7\u00e3o para a pobreza no mundo, que deve ser procurada com intelig\u00eancia, tenacidade e compromisso social. Mas precisamos de praticar a esmola para tocar a carne sofredora dos pobres.<\/li>\n<li>O amor crist\u00e3o supera todas as barreiras, aproxima os que est\u00e3o distantes, une os estranhos, torna familiares os inimigos, atravessa abismos humanamente insuper\u00e1veis, entra nos meandros mais rec\u00f4nditos da sociedade. Por sua natureza, o amor crist\u00e3o \u00e9 prof\u00e9tico, realiza milagres, n\u00e3o tem limites: \u00e9 para o imposs\u00edvel. O amor \u00e9 sobretudo uma forma de conceber a vida, um modo de a viver. Assim, uma Igreja que n\u00e3o coloca limites ao amor, que n\u00e3o conhece inimigos a combater, mas apenas homens e mulheres a amar, \u00e9 a Igreja de que o mundo hoje precisa.<\/li>\n<li>Quer atrav\u00e9s do vosso trabalho, quer atrav\u00e9s do vosso empenho em mudar as estruturas sociais injustas, quer atrav\u00e9s daquele gesto de ajuda simples, muito pessoal e pr\u00f3ximo, ser\u00e1 poss\u00edvel que aquele pobre sinta serem para ele as palavras de Jesus: \u00abEu te amei\u00bb (<em>Ap<\/em>3, 9).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Dado em Roma, junto de S\u00e3o Pedro, a 4 de outubro \u2013 Mem\u00f3ria lit\u00fargica de S\u00e3o Francisco de Assis \u2013 do ano 2025, primeiro do meu Pontificado.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LE\u00c3O PP. XIV<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">___________<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn1\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Francisco, Carta enc.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/20241024-enciclica-dilexit-nos.html#170\"><strong><em>Dilexit nos<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(24 de outubro de 2024), 170:\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>116 (2024), 1422.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn2\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref2\"><strong>[2]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/20241024-enciclica-dilexit-nos.html#171\"><strong><em>Ibid.<\/em><\/strong><\/a><strong>, 171:\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>116 (2024), 1422-1423.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn3\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref3\"><strong>[3]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem, Exort. ap.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#Por_fidelidade_ao_Mestre\"><strong><em>Gaudete et exsultate<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(19 de mar\u00e7o de 2018), 96:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0110 (2018), 1137.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn4\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref4\"><strong>[4]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Francisco,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2013\/march\/documents\/papa-francesco_20130316_rappresentanti-media.html\"><strong><em>Encontro com os representantes dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(16 de mar\u00e7o de 2013):\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 381.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn5\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref5\"><strong>[5]<\/strong><\/a><strong>\u00a0J. Bergoglio \u2013 A. Skorka,\u00a0<em>Sobre el cielo y la tierra<\/em>\u00a0(Buenos Aires 2013), 214<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn6\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref6\"><strong>[6]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Paulo VI,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/paul-vi\/pt\/speeches\/1965\/documents\/hf_p-vi_spe_19651207_epilogo-concilio.html\"><strong><em>Homilia na Missa por ocasi\u00e3o da \u00faltima Sess\u00e3o P\u00fablica do Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(7 de dezembro de 1965):\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a058 (1966), 55-56.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn7\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref7\"><strong>[7]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. Francisco, Exort. ap.\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#Unidos_a_Deus,_ouvimos_um_clamor\"><strong><em>Evangelii gaudium<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(24 de novembro de 2013), 187:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1098.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn8\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref8\"><strong>[8]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#Cuidar_da_fragilidade\"><strong><em>Ibid.<\/em><\/strong><\/a><strong>, 212:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1108.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn9\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref9\"><strong>[9]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem, Carta enc.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html#23\"><strong><em>Fratelli tutti<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(3 de outubro de 2020), 23:\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>112 (2020), 977.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn10\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref10\"><strong>[10]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html#21\"><strong><em>Ibid<\/em><\/strong><\/a><strong>, 21:\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>112 (2020), 976.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn11\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref11\"><strong>[11]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Conselho das Comunidades Europeias,\u00a0<em>Decis\u00e3o (85\/8\/CEE) relativa a uma a\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria espec\u00edfica de luta contra a pobreza<\/em>\u00a0(19 de dezembro de 1984), art. 1, \u00a7 2:\u00a0<em>Jornal Oficial das Comunidades Europeias<\/em>, N\u00ba L 2\/24.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn12\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref12\"><strong>[12]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/audiences\/1999\/documents\/hf_jp-ii_aud_27101999.html\"><strong><em>Catequese na Audi\u00eancia Geral<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(27 de outubro de 1999):\u00a0<em>L\u2019Osservatore Romano\u00a0<\/em>(ed. semanal em portugu\u00eas de 30 de outubro de 1999), 24.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn13\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref13\"><strong>[13]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Francisco, Exort. ap.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#O_lugar_privilegiado_dos_pobres_no_povo_de_Deus\"><strong><em>Evangelii gaudium<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(24 de novembro de 2013), 197:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1102.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn14\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref14\"><strong>[14]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. Idem,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/poveri\/documents\/20210613-messaggio-v-giornatamondiale-poveri-2021.html\"><strong><em>Mensagem para o V Dia Mundial dos Pobres<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(13 de junho de 2021), 3:\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>113 (2021), 691: \u00abJesus n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 do lado dos pobres, mas\u00a0<em>partilha com eles<\/em>\u00a0a mesma sorte. Isto constitui um forte ensinamento tamb\u00e9m para os seus disc\u00edpulos de todos os tempos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn15\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref15\"><strong>[15]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem, Exort. ap.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#II._A_inclus%C3%A3o_social_dos_pobres\"><strong><em>Evangelii gaudium<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(24 de novembro de 2013), 186:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1098.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn16\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref16\"><strong>[16]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem, Exort. ap.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#A_grande_regra_de_comportamento\"><strong><em>Gaudete et exsultate<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(19 de mar\u00e7o de 2018), 95:\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>110 (2018), 1137.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn17\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref17\"><strong>[17]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#A_grande_regra_de_comportamento\"><strong><em>Ibid.<\/em><\/strong><\/a><strong><em>,<\/em><\/strong><strong>\u00a097:\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>110 (2018), 1137.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn18\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref18\"><strong>[18]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem, Exort. ap.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#Fidelidade_ao_Evangelho,_para_n%C3%A3o_correr_em_v%C3%A3o\"><strong><em>Evangelii gaudium<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(24 de novembro de 2013), 194:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1101.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn19\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref19\"><strong>[19]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Francisco,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2013\/march\/documents\/papa-francesco_20130316_rappresentanti-media.html\"><strong><em>Encontro com os representantes dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(16 de mar\u00e7o de 2013):\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>105 (2013), 381.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn20\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref20\"><strong>[20]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Conc. Ecum. Vaticano II, Const. dogm.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html\"><strong><em>https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/sick\/documents\/20211210_30-giornata-malato.html<\/em><\/strong><\/a><strong>, 8.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn21\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref21\"><strong>[21]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Francisco, Exort. Ap.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#V._Uma_m%C3%A3e_de_cora%C3%A7%C3%A3o_aberto\"><strong><em>Evangelii gaudium<\/em><\/strong><\/a><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>(24 de novembro de 2013), 48:\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>105 (2013), 1040.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn22\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref22\"><strong>[22]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Neste cap\u00edtulo proporemos alguns destes exemplos de santidade, que n\u00e3o pretendem ser exaustivos, mas ser uma representa\u00e7\u00e3o do cuidado com os pobres que sempre marcou a presen\u00e7a da Igreja no mundo. Uma detalhada reflex\u00e3o sobre a hist\u00f3ria desta aten\u00e7\u00e3o eclesial aos mais pobres encontra-se no livro de V. Paglia,\u00a0<em>Storia della povert\u00e0\u00a0<\/em>(Mil\u00e3o 2014).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn23\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref23\"><strong>[23]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. Santo Ambr\u00f3sio,\u00a0<em>De officiis ministrorum\u00a0<\/em>I, cap. 41, 205-206:\u00a0<em>CCSL<\/em>\u00a015 (Turnhout 2000), 76-77; II, cap. 28, 140-143:\u00a0<em>CCSL<\/em>\u00a015, 148-149.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn24\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref24\"><strong>[24]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<em>Ibid.<\/em>\u00a0II, cap. 28, 140:\u00a0<em>CCSL<\/em>\u00a015, 148.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn25\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref25\"><strong>[25]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<em>Ibidem.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn26\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref26\"><strong>[26]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<em>Ibid.<\/em>\u00a0II, cap. 28, 142:\u00a0<em>CCSL<\/em>\u00a015, 148.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn27\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref27\"><strong>[27]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Santo In\u00e1cio de Antioquia,\u00a0<em>Epistula ad Smyrnaeos<\/em>, 6, 2:\u00a0<em>SCh<\/em>\u00a010bis (Paris 2007), 136-138.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn28\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref28\"><strong>[28]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Policarpo,\u00a0<em>Epistula ad Philippenses, 6, 1: SCh 10bis, 186.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn29\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref29\"><strong>[29]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Justino,\u00a0<em>Apologia prima<\/em>, 67, 6-7:\u00a0<em>SCh<\/em>\u00a0507 (Paris 2006), 310.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn30\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref30\"><strong>[30]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo,\u00a0<em>Homiliae in Matthaeum<\/em>, 50, 3:\u00a0<em>PG<\/em>\u00a058 (Paris 1862), 508.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn31\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref31\"><strong>[31]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<em>Ibid.<\/em>, 50, 4:\u00a0<em>PG<\/em>\u00a058, 509.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn32\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref32\"><strong>[32]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem,\u00a0<em>Homiliae in Epistula ad Hebraeos<\/em>, 11, 3:\u00a0<em>PG<\/em>\u00a063 (Paris 1862), 94.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn33\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref33\"><strong>[33]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem,\u00a0<em>Homilia II De Lazaro<\/em>, 6:\u00a0<em>PG<\/em>\u00a048 (Paris 1862), 992.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn34\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref34\"><strong>[34]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Santo Ambr\u00f3sio,\u00a0<em>De Nabuthae<\/em>, 12, 53:\u00a0<em>CSEL<\/em>\u00a032\/2 (Praga-Viena-Leipzig 1897), 498.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn35\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref35\"><strong>[35]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Santo Agostinho,\u00a0<em>Enarrationes in Psalmos<\/em>, 125, 12:\u00a0<em>CSEL<\/em>\u00a095\/3 (Viena 2001), 181.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn36\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref36\"><strong>[36]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem,\u00a0<em>Sermo LXXXVI,\u00a0<\/em>5:\u00a0<em>CCSL<\/em>\u00a041Ab (Tournhout 2019), 411-412.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn37\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref37\"><strong>[37]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Pseudoagostinho,\u00a0<em>Sermo CCCLXXXVIII,\u00a0<\/em>2:\u00a0<em>PL<\/em>\u00a039 (Paris 1862), 1700.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn38\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref38\"><strong>[38]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Cipriano,\u00a0<em>De mortalitate,\u00a0<\/em>16:\u00a0<em>CCSL<\/em>\u00a03A (Turnhout 1976), 25.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn39\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref39\"><strong>[39]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Francisco,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/sick\/documents\/20211210_30-giornata-malato.html\"><strong><em>Mensagem para o XXX Dia Mundial do Doente<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(10 de dezembro de 2021), 3:\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>114 (2022), 51.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn40\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref40\"><strong>[40]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Camilo de L\u00e9lis,\u00a0<em>Regras da Companhia dos Servos dos Enfermos<\/em>, 27: M. Vanti (ed.),\u00a0<em>Scritti di San Camillo de Lellis<\/em>\u00a0(Mil\u00e3o 1965), 67.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn41\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref41\"><strong>[41]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Santa Lu\u00edsa de Marillac,\u00a0<em>Carta \u00e0s Irm\u00e3s Claude Carr\u00e9 e Marie Gaudoin\u00a0<\/em>(28 de novembro de 1657): \u00c9. Charpy (ed.),\u00a0<em>Sainte Louise de Marillac,<\/em>\u00a0<em>\u00c9crits<\/em>\u00a0(Paris 1983), 576.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn42\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref42\"><strong>[42]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Bas\u00edlio Magno,\u00a0<em>Regulae fusius tractatae<\/em>, 37, 1:\u00a0<em>PG<\/em>\u00a031 (Paris 1857), 1009 c-d.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn43\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref43\"><strong>[43]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<em>Regula Benedicti<\/em>, 53, 15:\u00a0<em>SCh<\/em>\u00a0182 (Paris 1972), 614.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn44\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref44\"><strong>[44]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Jo\u00e3o Cassiano,\u00a0<em>Collationes\u00a0<\/em>XIV, 10:\u00a0<em>CSEL<\/em>\u00a013 (Viena 2004), 410.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn45\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref45\"><strong>[45]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Bento XVI,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/audiences\/2009\/documents\/hf_ben-xvi_aud_20091021.html\"><strong><em>Catequese na Audi\u00eancia Geral<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(21 de outubro de 2009):\u00a0<em>L\u2019Osservatore Romano<\/em>\u00a0(ed. semanal em portugu\u00eas de 24 de outubro de 2009), 32.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn46\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref46\"><strong>[46]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. Inoc\u00eancio III, Bula\u00a0<em>Operante divin\u00e6 dispositionis\u00a0<\/em>\u2013\u00a0<em>Regra primitiva dos Trinit\u00e1rios\u00a0<\/em>(17 de dezembro de 1198), 2: J. L. Aurrecoechea \u2013 A. Mold\u00f3n (eds.),\u00a0<em>Fuentes hist\u00f3ricas de la Orden Trinitaria &#8211; s. XII -XV<\/em>\u00a0(C\u00f3rdoba 2003), 6: \u00abTodos os bens, de onde quer que licitamente provenham, os dividam em tr\u00eas partes iguais; e enquanto duas partes ser\u00e3o suficientes, realizem com elas obras de miseric\u00f3rdia, junto a um moderado sustento de si mesmo e dos dom\u00e9sticos, que por necessidade est\u00e3o a seu servi\u00e7o. Por\u00e9m, a terceira parte seja reservada para a reden\u00e7\u00e3o dos cativos por causa de sua f\u00e9 em Cristo\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn47\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref47\"><strong>[47]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf.\u00a0<em>Constitui\u00e7\u00f5es da Ordem dos Merced\u00e1rios<\/em>, n. 14:\u00a0Orden de la Bienaventurada Virgen Mar\u00eda de las Mercedes,\u00a0<em>Regla y Constituciones<\/em>\u00a0(Roma 2014), 53: \u00abPara cumprir essa miss\u00e3o, animados pela caridade, nos consagramos a Deus com um voto peculiar, chamado de Reden\u00e7\u00e3o, em virtude do qual prometemos dar a vida como Cristo a entregou por n\u00f3s, se for necess\u00e1rio, para salvar os crist\u00e3os que se encontram em extremo perigo de perder sua f\u00e9, nas novas formas de cativeiro\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn48\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref48\"><strong>[48]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. S\u00e3o Jo\u00e3o Batista da Concei\u00e7\u00e3o,\u00a0<em>La regla de la Orden de la Sant\u00edsima Trinidad<\/em>,\u00a0XX, 1:\u00a0<em>BAC Maior<\/em>\u00a060 (Madri 1999), 90: \u00abNisto os pobres e cativos s\u00e3o semelhantes a Cristo, em quem s\u00e3o depositadas as penas do mundo [&#8230;]. A eles, esta santa Ordem da Sant\u00edssima Trindade convoca e convida a que venham beber da \u00e1gua do Salvador, o que quer dizer que, se Cristo suspenso na cruz foi reden\u00e7\u00e3o e salva\u00e7\u00e3o para os homens, a Ordem tomou esta reden\u00e7\u00e3o e a quer distribuir aos pobres e salvar e libertar aos cativos\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn49\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref49\"><strong>[49]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. Idem\u00a0<em>, El recogimiento interior<\/em>,\u00a0XL, 4:\u00a0<em>BAC Maior<\/em>\u00a048 (Madri 1995), 689: \u00abO livre arb\u00edtrio faz do homem livre e senhor entre todas as criaturas, mas, valha-me Deus!, quantos s\u00e3o os que, por esse caminho, tornam-se escravos e cativos do dem\u00f3nio, presos e acorrentados por suas paix\u00f5es e concupisc\u00eancias\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn50\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref50\"><strong>[50]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Francisco,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/peace\/documents\/papa-francesco_20141208_messaggio-xlviii-giornata-mondiale-pace-2015.html\"><strong><em>Mensagem para o XLVIII Dia Mundial da Paz<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(8 de dezembro de 2014), 3:\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>107 (2015), 69.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn51\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref51\"><strong>[51]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem,\u00a0<em>Encontro com os agentes penitenci\u00e1rios, detentos e volunt\u00e1rios<\/em>\u00a0(Verona, 18 de maio de 2024):\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>116 (2024), 766.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn52\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref52\"><strong>[52]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Hon\u00f3rio III, Bula\u00a0<em>Solet annuere<\/em>\u00a0\u2013\u00a0<em>Regula bullata<\/em>\u00a0(29 de novembro de 1223), cap. VI:\u00a0<em>SCh\u00a0<\/em>285 (Paris 1981), 192.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn53\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref53\"><strong>[53]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. Greg\u00f3rio IX, Bula\u00a0<em>Sicut manifestum est<\/em>\u00a0(17 de setembro de 1228), 7:\u00a0<em>SCh<\/em>, 325 (Paris 1985), 200: \u00abSicut igitur supplicastis, altissimae paupertatis propositum vestrum favore apostolico roboramus, auctoritate vobis praesentium indulgentes, ut recipere possessiones a nullo compelli possitis\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn54\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref54\"><strong>[54]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. S. Tugwell (ed.),\u00a0<em>Early Dominicans. Selected Writings<\/em>\u00a0(Mahwah 1982), 16-19.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn55\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref55\"><strong>[55]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Tom\u00e1s de Celano,\u00a0<em>Vita Secunda \u2013 pars prima<\/em>, cap. IV, 8:\u00a0<em>AnalFranc<\/em>\u00a010 (Floren\u00e7a 1941), 135.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn56\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref56\"><strong>[56]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Francisco,\u00a0<em>Discurso ap\u00f3s a visita \u00e0 tumba do Pe. Lorenzo Milani\u00a0<\/em>(Barbiana, 20 de junho de 2017), 2:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0109 (2017), 745.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn57\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref57\"><strong>[57]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2017\/november\/documents\/papa-francesco_20171110_scolopi.html\"><strong><em>Discurso aos participantes no Cap\u00edtulo Geral dos Cl\u00e9rigos Regulares Pobres da Madre de Deus das Escolas Pias<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(5 de junho de 1997), 2:\u00a0<em>L\u2019Osservatore Romano<\/em>\u00a0(ed. semanal em portugu\u00eas de 19 de junho de 1997), 5.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn58\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref58\"><strong>[58]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2017\/november\/documents\/papa-francesco_20171110_scolopi.html\"><strong><em>Ibidem<\/em><\/strong><\/a><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn59\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref59\"><strong>[59]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/homilies\/1999\/documents\/hf_jp-ii_hom_18041999.html\"><strong><em>Homilia na Missa de Canoniza\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(18 de abril de 1999):\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a091 (1999), 930.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn60\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref60\"><strong>[60]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. Idem, Carta\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/la\/apost_letters\/1988\/documents\/hf_jp-ii_apl_19880131_iuvenum-patris.html\"><strong><em>Iuvenum Patris<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(31 de janeiro de 1988), 9:\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>80 (1988), 976.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn61\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref61\"><strong>[61]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. Francisco,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/october\/documents\/papa-francesco_20181001_rosminiani.html\"><strong><em>Discurso aos participantes no Cap\u00edtulo Geral do Instituto da Caridade<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(1\u00ba de outubro de 2018):\u00a0<em>L\u2019Osservatore Romano<\/em>\u00a0(ed. semanal em portugu\u00eas de 6 de novembro de 2018), 11.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn62\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref62\"><strong>[62]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/homilies\/2022\/documents\/20221009-omelia-canonizzazione.html\"><strong><em>Homilia na Missa de Canoniza\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(9 de outubro de 2022):\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0114 (2022), 1338.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn63\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref63\"><strong>[63]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/speeches\/2000\/jul-sep\/documents\/hf_jp-ii_spe_20000715_miss-sacro-cuore.html\"><strong><em>Mensagem \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o das Mission\u00e1rias do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(31 de maio de 2000), 3:\u00a0<em>L\u2019Osservatore Romano<\/em>\u00a0(ed. semanal em portugu\u00eas de 29 de julho de 2000), 2.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn64\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref64\"><strong>[64]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. Pio XII, Breve ap.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/pius-xii\/la\/briefs\/documents\/hf_p-xii_apl_19500908_superiore-iam-aetate.html\"><strong><em>Superiore iam \u00e6tate<\/em><\/strong><\/a><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>(8 de setembro de 1950):\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>43 (1951), 455-456.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn65\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref65\"><strong>[65]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Francisco,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/fr\/messages\/migration\/documents\/papa-francesco_20190527_world-migrants-day-2019.html\"><strong><em>Mensagem para o CV Dia Mundial do Migrante e do Refugiado<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(27 de maio de 2019):\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0111 (2019), 911.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn66\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref66\"><strong>[66]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/migration\/documents\/papa-francesco_20130805_world-migrants-day.html\"><strong><em>Mensagem para o C Dia Mundial do Migrante e do Refugiado<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(5 de agosto de 2013):\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 930.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn67\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref67\"><strong>[67]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Santa Teresa de Calcut\u00e1,\u00a0<em>Discurso de aceita\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio Nobel da Paz<\/em>\u00a0(Oslo, 10 de dezembro de 1979): Idem,\u00a0<em>Aimer jusqu\u2019\u00e0 en avoir mal<\/em>\u00a0(Li\u00e3o 2017), 19-20.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn68\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref68\"><strong>[68]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/speeches\/2003\/october\/documents\/hf_jp-ii_spe_20031020_pilgrims-mother-teresa.html\"><strong><em>Discurso aos peregrinos vindos a Roma para a Beatifica\u00e7\u00e3o de Madre Teresa de Calcut\u00e1<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(20 de outubro de 2003), 3:\u00a0<em>L\u2019Osservatore Romano<\/em>\u00a0(ed. semanal em portugu\u00eas de 25 de outubro de 2003), 4.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn69\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref69\"><strong>[69]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Francisco,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/homilies\/2019\/documents\/papa-francesco_20191013_omelia-canonizzazione.html\"><strong><em>Homilia na Missa de Canoniza\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(13 de outubro de 2019):\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0111 (2019), 1712.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn70\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref70\"><strong>[70]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Carta ap.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/apost_letters\/2001\/documents\/hf_jp-ii_apl_20010106_novo-millennio-ineunte.html\"><strong><em>Novo millennio ineunte<\/em><\/strong><\/a><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>(6 de janeiro de 2001), 49:\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>93 (2001), 302.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn71\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref71\"><strong>[71]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Francisco, Exort. ap.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20190325_christus-vivit.html\"><strong><em>Christus vivit<\/em><\/strong><\/a><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>(25 de mar\u00e7o de 2019), 231:\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>111 (2019), 458.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn72\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref72\"><strong>[72]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2014\/october\/documents\/papa-francesco_20141028_incontro-mondiale-movimenti-popolari.html\"><strong><em>Discurso aos participantes do Encontro mundial dos movimentos populares<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(28 de outubro de 2014):\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0106 (2014), 851-852.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn73\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref73\"><strong>[73]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2014\/october\/documents\/papa-francesco_20141028_incontro-mondiale-movimenti-popolari.html\"><strong><em>Ibid.<\/em><\/strong><\/a><strong>:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0106 (2014), 859.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn74\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref74\"><strong>[74]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2016\/november\/documents\/papa-francesco_20161105_movimenti-popolari.html\"><strong><em>Discurso aos participantes do Encontro mundial dos movimentos populares<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(5 de novembro de 2016):\u00a0<em>L\u2019Osservatore Romano<\/em>\u00a0(ed. semanal em portugu\u00eas de 10 de novembro de 2016), 12.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn75\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref75\"><strong>[75]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2016\/november\/documents\/papa-francesco_20161105_movimenti-popolari.html\"><strong><em>Ibidem<\/em><\/strong><\/a><strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn76\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref76\"><strong>[76]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII,\u00a0<em>Radiomensagem a todos os fi\u00e9is do mundo a um m\u00eas da abertura do Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II<\/em>\u00a0(11 de setembro de 1962):\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>54 (1962), 682.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn77\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref77\"><strong>[77]<\/strong><\/a><strong>\u00a0G. Lercaro,\u00a0<em>Interven\u00e7\u00e3o na XXXV Congrega\u00e7\u00e3o Geral do Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II<\/em>\u00a0(6 de dezembro de 1962), 2:\u00a0<em>AS\u00a0<\/em>I\/IV, 327-328.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn78\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref78\"><strong>[78]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<em>Ibid.<\/em>, 4:\u00a0<em>AS\u00a0<\/em>I\/IV, 329.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn79\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref79\"><strong>[79]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Istituto per le Scienze Religiose (ed.),\u00a0<em>Per la forza dello Spirito. Discorsi conciliari del Card. Giacomo Lercaro<\/em>\u00a0(Bolonha 1984), 115.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn80\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref80\"><strong>[80]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Paulo VI,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/paul-vi\/pt\/speeches\/1963\/documents\/hf_p-vi_spe_19630929_concilio-vaticano-ii.html\"><strong><em>Alocu\u00e7\u00e3o na solene inaugura\u00e7\u00e3o da II sess\u00e3o do Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(29 de setembro de 1963):\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a055 (1963), 857.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn81\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref81\"><strong>[81]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem,\u00a0<em>Catequese na Audi\u00eancia Geral\u00a0<\/em>(11 de novembro de 1964):\u00a0<em>Insegnamenti di Paolo VI<\/em>, II (1964), 984.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn82\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref82\"><strong>[82]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Conc. Ecum. Vaticano II, Const. past.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_fr.html\"><strong><em>Gaudium et spes<\/em><\/strong><\/a><strong>, 69.71.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn83\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref83\"><strong>[83]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Paulo VI, Carta enc.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/paul-vi\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_p-vi_enc_26031967_populorum.html\"><strong><em>Populorum progressio<\/em><\/strong><\/a><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>(26 de mar\u00e7o de 1967), 23:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a059 (1967), 269.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn84\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref84\"><strong>[84]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf.\u00a0<em>ibid<\/em>., 4:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a059 (1967), 259.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn85\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref85\"><strong>[85]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_jp-ii_enc_30121987_sollicitudo-rei-socialis.html\"><strong><em>Sollicitudo rei socialis<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(30 de dezembro de 1987), 42:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a080 (1988), 572.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn86\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref86\"><strong>[86]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_jp-ii_enc_30121987_sollicitudo-rei-socialis.html\"><strong><em>Ibid.<\/em><\/strong><\/a><strong>:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a080 (1988), 573.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn87\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref87\"><strong>[87]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem, Carta enc.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_jp-ii_enc_14091981_laborem-exercens.html\"><strong><em>Laborem exercens<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(14 de setembro de 1981), 3:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a073 (1981), 584.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn88\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref88\"><strong>[88]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Bento XVI, Carta enc.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate.html#7\"><strong><em>Caritas in veritate<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(29 de junho de 2009), 7:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0101 (2009), 645.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn89\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref89\"><strong>[89]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate.html#27\"><strong><em>Ibid.<\/em><\/strong><\/a><strong>, 27:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0101 (2009), 661.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn90\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref90\"><strong>[90]<\/strong><\/a><strong>\u00a0II Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe,\u00a0<em>Documento de Medell\u00edn<\/em>\u00a0(24 de outubro de 1968), 14, n. 7: CELAM,\u00a0<em>Medell\u00edn \u2013 Conclusiones<\/em>\u00a0(Lima 2005), 131-132.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn91\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref91\"><strong>[91]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Francisco, Exort. ap.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#Economia_e_distribui%C3%A7%C3%A3o_das_entradas\"><strong><em>Evangelii gaudium<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(24 de novembro de 2013), 202:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1105.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn92\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref92\"><strong>[92]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#Economia_e_distribui%C3%A7%C3%A3o_das_entradas\"><strong><em>Ibid.<\/em><\/strong><\/a><strong>, 205:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1106.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn93\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref93\"><strong>[93]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#Unidos_a_Deus,_ouvimos_um_clamor\"><strong><em>Ibid.<\/em><\/strong><\/a><strong>, 190:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1099.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn94\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref94\"><strong>[94]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#N%C3%A3o_%C3%A0_nova_idolatria_do_dinheiro\"><strong><em>Ibid.<\/em><\/strong><\/a><strong>, 56:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1043.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn95\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref95\"><strong>[95]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem, Carta enc.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/20241024-enciclica-dilexit-nos.html#183\"><strong><em>Dilexit nos<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(24 de outubro de 2024), 183:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0116 (2024), 1427.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn96\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref96\"><strong>[96]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_jp-ii_enc_01051991_centesimus-annus.html\"><strong><em>Centesimus annus<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(1\u00ba de maio de 1991), 41:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a083 (1991), 844-845.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn97\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref97\"><strong>[97]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Francisco, Exort. ap.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#Economia_e_distribui%C3%A7%C3%A3o_das_entradas\"><strong><em>Evangelii gaudium<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(24 de novembro de 2013), 202:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1105.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn98\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref98\"><strong>[98]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\"><strong><em>Ibidem<\/em><\/strong><\/a><strong>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn99\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref99\"><strong>[99]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem, Carta enc.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html#22\"><strong><em>Fratelli tutti<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(3 de outubro de 2020), 22:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0112 (2020), 976.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn100\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref100\"><strong>[100]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem, Exort. ap.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#Cuidar_da_fragilidade\"><strong><em>Evangelii gaudium<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(24 de novembro de 2013), 209:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1107.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn101\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref101\"><strong>[101]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem, Carta enc.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html#43\"><strong><em>Laudato si\u2019<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(24 de maio de 2015), 50:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0107 (2015), 866.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn102\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref102\"><strong>[102]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem, Exort. ap.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#Cuidar_da_fragilidade\"><strong><em>Evangelii gaudium<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(24 de novembro de 2013), 210:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1107.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn103\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref103\"><strong>[103]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem, Carta enc.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html#50\"><strong><em>Laudato si\u2019<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(24 de maio de 2015), 43:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0107 (2015), 863.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn104\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref104\"><strong>[104]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html#48\"><strong><em>Ibid.<\/em><\/strong><\/a><strong>, 48:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0107 (2015), 865.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn105\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref105\"><strong>[105]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem, Exort. ap.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#O_Reino_que_nos_solicita\"><strong><em>Evangelii gaudium<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(24 de novembro de 2013), 180:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1095.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn106\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref106\"><strong>[106]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/documents\/rc_con_cfaith_doc_19840806_theology-liberation_po.html\"><strong><em>Instru\u00e7\u00e3o sobre alguns aspectos da \u201cTeologia da liberta\u00e7\u00e3o\u201d<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(6 de agosto de 1984), XI, 18:\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>76 (1984), 907-908.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn107\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref107\"><strong>[107]<\/strong><\/a><strong>\u00a0V Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe,\u00a0<em>Documento de Aparecida<\/em>\u00a0(29 de junho de 2007), n. 392 (S\u00e3o Paulo 2007), p. 177. Cf. Bento XVI,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/speeches\/2007\/may\/documents\/hf_ben-xvi_spe_20070513_conference-aparecida.html\"><strong><em>Discurso na sess\u00e3o inaugural dos trabalhos da V Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(13 de maio de 2007), 3:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a099 (2007), 450.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn108\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref108\"><strong>[108]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. V Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe,\u00a0<em>Documento de Aparecida\u00a0<\/em>(29 de junho de 2007), nn. 43-87, pp. 31-47.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn109\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref109\"><strong>[109]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem,\u00a0<em>Mensagem final\u00a0<\/em>(29 de maio de 2007), n. 4 (S\u00e3o Paulo 2007), p. 271.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn110\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref110\"><strong>[110]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem,\u00a0<em>Documento de Aparecida<\/em>\u00a0(29 de junho de 2007), n. 398, p. 180.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn111\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref111\"><strong>[111]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Francisco, Exort. ap.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#O_lugar_privilegiado_dos_pobres_no_povo_de_Deus\"><strong><em>Evangelii gaudium<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(24 de novembro de 2013), 199:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1103-1104.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn112\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref112\"><strong>[112]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#O_lugar_privilegiado_dos_pobres_no_povo_de_Deus\"><strong><em>Ibid.<\/em><\/strong><\/a><strong>, 198:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1103.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn113\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref113\"><strong>[113]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#O_lugar_privilegiado_dos_pobres_no_povo_de_Deus\"><strong><em>Ibidem.<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn114\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref114\"><strong>[114]<\/strong><\/a><strong>\u00a0V Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe,\u00a0<em>Documento de Aparecida<\/em>\u00a0(29 de junho de 2007), n. 397, p. 179.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn115\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref115\"><strong>[115]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Francisco, Carta enc.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html#64\"><strong><em>Fratelli tutti<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(3 de outubro de 2020), 64:\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>112 (2020), 992.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn116\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref116\"><strong>[116]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem, Exort. ap.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#Por_fidelidade_ao_Mestre\"><strong><em>Gaudete et exsultate<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(19 de mar\u00e7o de 2018), 98:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0110 (2018), 1137.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn117\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref117\"><strong>[117]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem, Carta enc.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html#65\"><strong><em>Fratelli tutti<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(3 de outubro de 2020), 65-66:\u00a0<em>AAS\u00a0<\/em>112 (2020), 992.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn118\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref118\"><strong>[118]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno,\u00a0<em>Homilia<\/em>\u00a040, 10:\u00a0<em>SCh<\/em>\u00a0522 (Paris 2008), 552.554.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn119\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref119\"><strong>[119]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<em>Ibid.<\/em>, 6:\u00a0<em>SCh<\/em>\u00a0522, 546.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn120\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref120\"><strong>[120]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<em>Ibid.<\/em>, 3:\u00a0<em>SCh<\/em>\u00a0522, 536.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn121\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref121\"><strong>[121]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_jp-ii_enc_01051991_centesimus-annus.html\"><strong><em>Centesimus annus<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(1\u00ba de maio de 1991), 57:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a083 (1991), 862-863.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn122\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref122\"><strong>[122]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Francisco,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2013\/may\/documents\/papa-francesco_20130518_veglia-pentecoste.html\"><strong><em>Vig\u00edlia de Pentecostes com os movimentos eclesiais<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(18 de maio de 2013):\u00a0<em>L\u2019Osservatore Romano\u00a0<\/em>(ed. semanal em portugu\u00eas de 26 de maio de 2013), 11.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn123\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref123\"><strong>[123]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem, Exort. ap.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#II._A_inclus%C3%A3o_social_dos_pobres\"><strong><em>Evangelii gaudium<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(24 de novembro de 2013), 186:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1098.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn124\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref124\"><strong>[124]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#II._A_inclus%C3%A3o_social_dos_pobres\"><strong><em>Ibid.<\/em><\/strong><\/a><strong>, 188:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1099.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn125\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref125\"><strong>[125]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf.\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#A_doutrina_da_Igreja_sobre_as_quest%C3%B5es_sociais\"><strong><em>ibid.<\/em><\/strong><\/a><strong>, 182-183:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1096-1097.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn126\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref126\"><strong>[126]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#Economia_e_distribui%C3%A7%C3%A3o_das_entradas\"><strong><em>Ibid.<\/em><\/strong><\/a><strong>, 207:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1107.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn127\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref127\"><strong>[127]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#O_lugar_privilegiado_dos_pobres_no_povo_de_Deus\"><strong><em>Ibid.<\/em><\/strong><\/a><strong>, 200:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0105 (2013), 1104.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn128\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref128\"><strong>[128]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Idem,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2017\/may\/documents\/papa-francesco_20170527_lavoratori-genova.html\"><strong><em>Discurso por ocasi\u00e3o do encontro com o mundo do trabalho na f\u00e1brica ILVA de G\u00e9nova<\/em><\/strong><\/a><strong>\u00a0(27 de maio de 2017):\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0109 (2017), 613.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn129\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref129\"><strong>[129]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Pseudocris\u00f3stomo,\u00a0<em>Homilia de jejunio et eleemosyna<\/em>:\u00a0<em>PG<\/em>\u00a048, 1060.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn130\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_exhortations\/documents\/20251004-dilexi-te.html#_ftnref130\"><strong>[130]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Greg\u00f3rio Nazianzeno,\u00a0<em>Oratio<\/em>\u00a0XIV, 40:\u00a0<em>PG<\/em>\u00a035 (Paris 1886), 910.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Copyright \u00a9 Dicast\u00e9rio para a Comunica\u00e7\u00e3o &#8211; Libreria Edi<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Exortacao-Apostolica-Dilexi-Te-Papa-Leao-XIV.pdf\">Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Dilexi Te &#8211; Papa Le\u00e3o XIV<\/a> (PDF)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abEu te amei\u00bb (Ap3, 9), diz o Senhor a uma comunidade crist\u00e3 que, ao contr\u00e1rio de outras, n\u00e3o tinha qualquer relev\u00e2ncia ou recurso e estava 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