{"id":16333,"date":"2025-11-24T11:30:41","date_gmt":"2025-11-24T11:30:41","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=16333"},"modified":"2025-11-24T11:37:00","modified_gmt":"2025-11-24T11:37:00","slug":"carta-pastoral-in-unitate-fidei-papa-leao-xiv-23-11-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=16333","title":{"rendered":"Carta Pastoral &#8211; IN UNITATE FIDEI &#8211; Papa Le\u00e3o XIV &#8211; 23.11.2025"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9814 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/pope.png\" alt=\"\" width=\"104\" height=\"120\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>LE\u00c3O XIV<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">CARTA APOST\u00d3LICA<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>IN UNITATE FIDEI<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">NO 1.700\u00b0 ANIVERS\u00c1RIO DO CONC\u00cdLIO DE NIC\u00c9IA<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">23.11.2025<\/p>\n<p>____________<\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Na unidade da f\u00e9, proclamada desde os prim\u00f3rdios da Igreja, os crist\u00e3os s\u00e3o chamados a caminhar em conc\u00f3rdia, guardando e transmitindo com amor e alegria o dom recebido. Isto \u00e9 expresso nas palavras do Credo: \u00abCremos em Jesus Cristo, Filho unig\u00e9nito de Deus, que desceu do c\u00e9u para a nossa salva\u00e7\u00e3o\u00bb, formuladas pelo Conc\u00edlio de Nic\u00e9ia, primeiro evento ecum\u00e9nico da hist\u00f3ria da cristandade, h\u00e1 1700 anos.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao preparar-me para realizar a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/travels\/2025\/documents\/turchia-libano-2025.html\">Viagem Apost\u00f3lica \u00e0 Turquia<\/a>, com esta carta desejo encorajar em toda a Igreja um renovado impulso na profiss\u00e3o da f\u00e9, cuja verdade \u2013 que h\u00e1 s\u00e9culos constitui o patrim\u00f3nio comum dos crist\u00e3os \u2013 merece ser confessada e aprofundada de maneira sempre nova e atual. A este respeito, foi aprovado um precioso documento da Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/cti_documents\/rc_cti_doc_20250403_1700-nicea_po.html\"><em>Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador. O 1.700\u00ba anivers\u00e1rio do Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico de Nic\u00e9ia<\/em><\/a><em>.\u00a0<\/em>Remeto-me a ele, porque oferece perspectivas \u00fateis para aprofundar a import\u00e2ncia e a atualidade n\u00e3o s\u00f3 teol\u00f3gica e eclesial, mas tamb\u00e9m cultural e social do Conc\u00edlio de Nic\u00e9ia.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"2\">\n<li>\u00abPrinc\u00edpio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus\u00bb: assim S\u00e3o Marcos intitula o seu Evangelho, resumindo toda a sua mensagem precisamente no sinal da filia\u00e7\u00e3o divina de Jesus Cristo. Da mesma forma, o ap\u00f3stolo Paulo sabe que \u00e9 chamado a anunciar o Evangelho de Deus sobre o seu Filho, morto e ressuscitado por n\u00f3s (cf.\u00a0<em>Rm<\/em>1, 9), que \u00e9 o \u201csim\u201d definitivo de Deus \u00e0s promessas dos profetas (cf.<em>2 Cor\u00a0<\/em>1, 19-20). Em Jesus Cristo, o Verbo, que era eus antes dos tempos e por meio do qual todas as coisas foram feitas \u2013 recita o pr\u00f3logo do Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o \u2013, \u00abfez-se homem e veio habitar conosco\u00bb (<em>Jo\u00a0<\/em>1, 14). N\u2019Ele, Deus tornou-se nosso pr\u00f3ximo, de modo que tudo o que fizermos a cada um dos nossos irm\u00e3os, fazemo-lo a Ele (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a025,40).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, portanto, uma coincid\u00eancia providencial que neste Ano Santo, dedicado \u00e0 nossa esperan\u00e7a que \u00e9 Cristo, se celebre tamb\u00e9m o 1.700\u00ba anivers\u00e1rio do primeiro Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico de Nic\u00e9ia, que proclamou, no ano de 325, a profiss\u00e3o de f\u00e9 em Jesus Cristo, Filho de Deus. Isto constitui o cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3. Ainda hoje, na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica dominical, pronunciamos o Credo Niceno\u2013Constantinopolitano, profiss\u00e3o de f\u00e9 que une todos os crist\u00e3os. E a f\u00e9 nos d\u00e1 esperan\u00e7a nos tempos dif\u00edceis que vivemos, em meio a muitas preocupa\u00e7\u00f5es e medos, amea\u00e7as de guerra e viol\u00eancia, desastres naturais, graves injusti\u00e7as e desequil\u00edbrios, fome e mis\u00e9ria sofridas por milh\u00f5es de nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"3\">\n<li>Os tempos do Conc\u00edlio de Nic\u00e9ia n\u00e3o eram menos turbulentos. Quando ele come\u00e7ou, em 325, as feridas das persegui\u00e7\u00f5es contra os crist\u00e3os ainda estavam abertas. O \u00c9dito de toler\u00e2ncia de Mil\u00e3o (313), promulgado pelos dois Imperadores \u2013 Constantino e Lic\u00ednio \u2013 parecia anunciar o in\u00edcio de uma nova era de paz. No entanto, passadas as amea\u00e7as externas, logo surgiram disputas e conflitos internos na Igreja.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c1rio, um presb\u00edtero de Alexandria do Egito, ensinava que Jesus n\u00e3o \u00e9 verdadeiramente o Filho de Deus; embora n\u00e3o seja uma simples criatura, Ele seria um ser intermedi\u00e1rio entre o Deus inatingivelmente distante e n\u00f3s. Al\u00e9m disso, teria havido um tempo em que o Filho \u201cn\u00e3o era\u201d. Isso estava em conson\u00e2ncia com a mentalidade difundida na \u00e9poca e, sendo assim, parecia plaus\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Deus n\u00e3o abandona a sua Igreja, suscitando sempre homens e mulheres corajosos, testemunhas da f\u00e9, e pastores que guiam o seu Povo e lhe indicam o caminho do Evangelho. O Bispo Alexandre de Alexandria percebeu que os ensinamentos de \u00c1rio n\u00e3o eram de todo coerentes com a Sagrada Escritura. Como \u00c1rio n\u00e3o se mostrava disposto \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o, Alexandre convocou os Bispos do Egito e da L\u00edbia para um s\u00ednodo que condenou o ensinamento de \u00c1rio; enviou ent\u00e3o uma carta aos outros Bispos do Oriente para os informar detalhadamente. No Ocidente, entrou em a\u00e7\u00e3o o bispo \u00d3sio de C\u00f3rdova, na Espanha, que j\u00e1 havia se mostrado um fervoroso confessor da f\u00e9 durante a persegui\u00e7\u00e3o sob o Imperador Maximiano e que gozava da confian\u00e7a do Bispo de Roma, o Papa Silvestre I.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, os seguidores de \u00c1rio tamb\u00e9m se uniram. Isso levou a uma das maiores crises na hist\u00f3ria da Igreja do primeiro mil\u00e9nio. O motivo da disputa, na verdade, n\u00e3o era um detalhe secund\u00e1rio. Tratava-se do cerne da f\u00e9 crist\u00e3, ou seja, da resposta \u00e0 pergunta decisiva que Jesus fez aos disc\u00edpulos em Cesareia de Filipe: \u00abQuem dizeis que eu sou?\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a016, 15).<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"4\">\n<li>Enquanto a controv\u00e9rsia se intensificava, o Imperador Constantino percebeu que, com o risco para a unidade da Igreja, tamb\u00e9m a unidade do Imp\u00e9rio estava amea\u00e7ada. Convocou ent\u00e3o todos os bispos para um Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico, ou seja, universal \u2013 em Nic\u00e9ia \u2013 para restabelecer a unidade. O S\u00ednodo, chamado dos \u201c318 Padres\u201d, decorreu sob a presid\u00eancia do Imperador: o n\u00famero de bispos reunidos era sem precedentes. Alguns deles ainda traziam os sinais das torturas sofridas durante a persegui\u00e7\u00e3o. A grande maioria deles era proveniente do Oriente, enquanto parece que apenas cinco eram ocidentais. O Papa Silvestre confiou na figura, teologicamente abalizada, do Bispo \u00d3sio de C\u00f3rdova e enviou dois presb\u00edteros romanos.<\/li>\n<li>Os Padres do Conc\u00edlio testemunharam a sua fidelidade \u00e0 Sagrada Escritura e \u00e0 Tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, tal como era professada durante o batismo, de acordo com o mandato de Jesus: \u00abIde, pois, fazei disc\u00edpulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo\u00bb (\u00a0<em>Mt<\/em>28, 19). No Ocidente, existiam v\u00e1rias f\u00f3rmulas, entre as quais o chamado Credo dos Ap\u00f3stolos.\u00a0<a name=\"_ftnref1\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftn1\">[1]<\/a>Tamb\u00e9m no Oriente existiam muitas profiss\u00f5es batismais, semelhantes entre si na estrutura. N\u00e3o se tratava de uma linguagem erudita e complicada, mas sim \u2013 como se disse mais tarde \u2013 de uma linguagem simples e compreens\u00edvel para os pescadores do mar da Galileia.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com base nisso, o Credo Niceno come\u00e7a professando: \u00abCremos em\u00a0<em>um s\u00f3<\/em>\u00a0Deus, Pai onipotente, art\u00edfice de todas as coisas vis\u00edveis e invis\u00edveis\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref2\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0Com isso, os Padres conciliares expressaram a f\u00e9 no Deus \u00fanico. No Conc\u00edlio, n\u00e3o houve controv\u00e9rsia a esse respeito. Em vez disso, foi discutido um segundo artigo, que tamb\u00e9m usa a linguagem da B\u00edblia para professar a f\u00e9 em\u00a0<em>\u00abum s\u00f3\u00a0<\/em>Senhor, Jesus Cristo, Filho de Deus\u00bb. O debate deveu-se \u00e0 necessidade de responder \u00e0 quest\u00e3o levantada por \u00c1rio sobre como se deveria entender a afirma\u00e7\u00e3o \u201cFilho de Deus\u201d e como ela poderia ser conciliada com o monote\u00edsmo b\u00edblico. Assim, o Conc\u00edlio foi chamado a definir o significado correto da f\u00e9 em Jesus como \u201co Filho de Deus\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Padres confessaram que Jesus \u00e9 o Filho de Deus na medida em que \u00e9\u00a0<em>\u00abda subst\u00e2ncia\u00a0<\/em>(\u00a0<em>ousia<\/em>)\u00a0<em>do Pai\u00a0<\/em>[&#8230;] gerado, n\u00e3o criado, da mesma subst\u00e2ncia (\u00a0<em>homoo\u00fasios<\/em>) do Pai\u00bb. Com esta defini\u00e7\u00e3o, a tese de \u00c1rio foi radicalmente rejeitada.\u00a0<a name=\"_ftnref3\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0Para expressar a verdade da f\u00e9, o Conc\u00edlio usou duas palavras, \u00absubst\u00e2ncia\u00bb (\u00a0<em>ousia<\/em>)\u00a0e\u00a0\u00abda mesma subst\u00e2ncia\u00bb (\u00a0<em>homoo\u00fasios<\/em>), que n\u00e3o se encontram na Escritura. Ao faz\u00ea-lo, n\u00e3o quis substituir as afirma\u00e7\u00f5es b\u00edblicas pela filosofia grega. Pelo contr\u00e1rio, o Conc\u00edlio utilizou estes termos para afirmar com clareza a f\u00e9 b\u00edblica, distinguindo-a do erro helenizante de \u00c1rio. A acusa\u00e7\u00e3o de heleniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se aplica, portanto, aos Padres de Nic\u00e9ia, mas \u00e0 falsa doutrina de \u00c1rio e seus seguidores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De forma positiva, os Padres de Nic\u00e9ia quiseram permanecer firmemente fi\u00e9is ao monote\u00edsmo b\u00edblico e ao realismo da encarna\u00e7\u00e3o. Eles quiseram reafirmar que o \u00fanico Deus verdadeiro n\u00e3o est\u00e1 inatingivelmente distante de n\u00f3s, mas, pelo contr\u00e1rio, aproximou-se e veio ao nosso encontro em Jesus Cristo.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"6\">\n<li>Para expressar a sua mensagem na linguagem simples da B\u00edblia e da liturgia, familiar a todo o Povo de Deus, o Conc\u00edlio retoma algumas formula\u00e7\u00f5es da profiss\u00e3o batismal: \u00abDeus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro\u00bb. Assim, o Conc\u00edlio retoma a met\u00e1fora b\u00edblica da luz: \u00abDeus \u00e9 luz\u00bb (<em>1 Jo<\/em>1, 5; cf.\u00a0<em>Jo<\/em>1, 4-5). Como a luz que irradia e comunica a si mesma sem se extinguir, tamb\u00e9m o Filho \u00e9 o reflexo (<em>apaugasma<\/em>)<em>\u00a0<\/em>da gl\u00f3ria de Deus e a imagem (<em>character<\/em>)<em>\u00a0<\/em>do seu ser (<em>hip\u00f3stase<\/em>)<em>\u00a0<\/em>(cf.\u00a0<em>Heb\u00a0<\/em>1, 3;<em>\u00a02 Cor\u00a0<\/em>4, 4). O Filho encarnado, Jesus, \u00e9, portanto, a luz do mundo e da vida (cf.\u00a0<em>Jo\u00a0<\/em>8, 12). Atrav\u00e9s do batismo, os olhos do nosso cora\u00e7\u00e3o s\u00e3o iluminados (cf.\u00a0<em>Ef\u00a0<\/em>1, 18), para que tamb\u00e9m n\u00f3s possamos ser luz no mundo (cf.\u00a0<em>Mt\u00a0<\/em>5, 14).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, o Credo afirma que o Filho \u00e9 \u00abDeus verdadeiro de Deus verdadeiro\u00bb. Em muitos lugares, a B\u00edblia distingue os \u00eddolos mortos do Deus verdadeiro e vivo. O Deus verdadeiro \u00e9 o Deus que fala e age na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: o Deus de Abra\u00e3o, Isaac e Jac\u00f3, que se revelou a Mois\u00e9s na sar\u00e7a ardente (cf.\u00a0<em>Ex<\/em>\u00a03, 14), o Deus que v\u00ea a mis\u00e9ria do povo, ouve o seu clamor, o guia e o acompanha atrav\u00e9s do deserto com a coluna de fogo (cf.\u00a0<em>Ex<\/em>\u00a013, 21), fala-lhe com voz de trov\u00e3o (cf.\u00a0<em>Dt\u00a0<\/em>5, 26) e tem compaix\u00e3o dele (cf.\u00a0<em>Os<\/em>\u00a011, 8-9). O crist\u00e3o \u00e9, portanto, chamado a converter-se dos \u00eddolos mortos para o Deus vivo e verdadeiro (cf.\u00a0<em>Act<\/em>\u00a012, 25;<em>\u00a01 Ts\u00a0<\/em>1, 9). Neste sentido, Sim\u00e3o Pedro confessa em Cesareia de Filipe: \u00abTu \u00e9s o Messias, o Filho do Deus vivo\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a016, 16).<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"7\">\n<li>O Credo de Nic\u00e9ia n\u00e3o formula uma teoria filos\u00f3fica. Professa a f\u00e9 no Deus que nos redimiu por meio de Jesus Cristo. Trata-se do Deus vivo: Ele quer que tenhamos vida e que a tenhamos em abund\u00e2ncia (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>10, 10). Por isso, o Credo continua com as palavras da profiss\u00e3o batismal: o Filho de Deus que \u201cpor causa de n\u00f3s homens e da nossa salva\u00e7\u00e3o, desceu, se encarnou e se fez homem, e padeceu, ressuscitou ao terceiro dia e subiu ao c\u00e9u, havendo de vir para julgar os vivos e os mortos\u201d. Isto torna claro que as afirma\u00e7\u00f5es cristol\u00f3gicas de f\u00e9 do Conc\u00edlio est\u00e3o inseridas na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o entre Deus e as suas criaturas.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santo Atan\u00e1sio, que havia participado no Conc\u00edlio como di\u00e1cono do Bispo Alexandre e sucedeu-lhe na c\u00e1tedra de Alexandria do Egito, sublinhou v\u00e1rias vezes e com grande for\u00e7a a dimens\u00e3o soteriol\u00f3gica expressa no Credo Niceno. Com efeito, escreve que o Filho, descido dos c\u00e9us, \u00abtornou-nos filhos do Pai e, tornando-se Ele mesmo homem, divinizou os homens. N\u00e3o tornou-se Deus a partir da sua humanidade, mas a partir da sua divindade tornou-se homem para poder divinizar-nos\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref4\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0Isto \u00e9 poss\u00edvel somente se o Filho \u00e9 verdadeiramente Deus: nenhum ser mortal pode, com efeito, derrotar a morte e nos salvar; s\u00f3 Deus pode faz\u00ea-lo. Foi Ele quem nos libertou no seu Filho feito homem para que f\u00f4ssemos livres (cf.\u00a0<em>Gl<\/em>\u00a05, 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Merece destaque, no Credo de Nic\u00e9ia, o verbo\u00a0<em>descendit<\/em>, \u201cdesceu\u201d. S\u00e3o Paulo descreve com palavras fortes este movimento: \u00ab[Cristo] esvaziou-se a si mesmo, tomando a condi\u00e7\u00e3o de servo, tornando-se semelhante aos homens\u00bb (<em>Fl<\/em>\u00a02, 7). De modo semelhante escreve S\u00e3o Jo\u00e3o no pr\u00f3logo do seu Evangelho: \u00abo Verbo fez-se homem e veio habitar conosco\u00bb (<em>Jo\u00a0<\/em>1, 14). Por isso \u2013 ensina a Carta aos Hebreus \u2013 \u00abn\u00e3o temos um Sumo Sacerdote que n\u00e3o possa compadecer-se das nossas fraquezas, pois Ele foi provado em tudo como n\u00f3s, exceto no pecado\u00bb (<em>Heb\u00a0<\/em>4, 15). Na noite antes da sua morte, inclinou-se como um escravo para lavar os p\u00e9s dos disc\u00edpulos (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a013, 1-17). E, s\u00f3 quando p\u00f4de colocar os dedos na ferida do lado do Senhor ressuscitado, o ap\u00f3stolo Tom\u00e9 confessou: \u00abMeu Senhor e meu Deus!\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a020, 28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 precisamente em virtude da sua encarna\u00e7\u00e3o que encontramos o Senhor nos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s necessitados: \u00absempre que fizestes isto a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a025, 40). Assim sendo, o Credo Niceno n\u00e3o nos fala de um Deus distante, inating\u00edvel, im\u00f3vel, que repousa em si mesmo, mas de um Deus que est\u00e1 perto de n\u00f3s, que nos acompanha no nosso caminho pelas estradas do mundo e nos lugares mais obscuros da terra. A sua imensid\u00e3o manifesta-se quando se faz pequeno e despoja-se da sua majestade infinita, tornando-se nosso pr\u00f3ximo nos pequenos e nos pobres. Esta realidade revoluciona as concep\u00e7\u00f5es pag\u00e3s e filos\u00f3ficas de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 outra palavra do Credo Niceno que se torna para n\u00f3s hoje particularmente reveladora. A afirma\u00e7\u00e3o b\u00edblica \u201cfez-se carne\u201d, precisada com a inser\u00e7\u00e3o da palavra \u201chomem\u201d ap\u00f3s a palavra \u201cencarnado\u201d. Assim, Nic\u00e9ia distancia-se da falsa doutrina segundo a qual o\u00a0<em>Logos\u00a0<\/em>teria assumido apenas um corpo como revestimento externo, mas n\u00e3o uma alma humana, dotada de intelecto e livre\u2013arb\u00edtrio. Pelo contr\u00e1rio, quer afirmar o que o Conc\u00edlio de Calced\u00f4nia (451) declararia explicitamente: em Cristo, Deus assumiu e redimiu todo o ser humano, com corpo e alma. O Filho de Deus fez-se homem \u2013 explica Santo Atan\u00e1sio \u2013 para que n\u00f3s, homens, pud\u00e9ssemos ser divinizados.\u00a0<a name=\"_ftnref5\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftn5\">[5]<\/a>\u00a0Esta intelig\u00eancia luminosa da Revela\u00e7\u00e3o divina foi preparada por Santo Irineu de Li\u00e3o e Or\u00edgenes, desenvolvendo-se depois com grande riqueza na espiritualidade oriental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diviniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem nada a ver com a auto\u2013deifica\u00e7\u00e3o do homem. Pelo contr\u00e1rio, a diviniza\u00e7\u00e3o nos protege da tenta\u00e7\u00e3o primordial de querer ser como Deus (cf.\u00a0<em>Gn<\/em>\u00a03, 5). O que Cristo \u00e9 por natureza, n\u00f3s nos tornamos por gra\u00e7a. Atrav\u00e9s da obra da reden\u00e7\u00e3o, Deus n\u00e3o s\u00f3 restaurou a nossa dignidade humana como imagem de Deus, mas Aquele que nos criou de forma maravilhosa nos tornou participantes, de forma ainda mais admir\u00e1vel, da sua natureza divina (cf.<em>\u00a02 Pe\u00a0<\/em>1, 4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo, a diviniza\u00e7\u00e3o \u00e9 a verdadeira humaniza\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que a exist\u00eancia do homem aponta para al\u00e9m de si mesmo, procura al\u00e9m de si mesmo, deseja algo al\u00e9m de si mesmo e est\u00e1 inquieta enquanto n\u00e3o descansa em Deus:\u00a0<a name=\"_ftnref6\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftn6\">[6]<\/a>\u00a0<em>Deus enim solus satiat,\u00a0<\/em>s\u00f3 Deus satisfaz o homem!\u00a0<a name=\"_ftnref7\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftn7\">[7]<\/a>\u00a0S\u00f3 Deus, na sua infinitude, pode satisfazer o desejo infinito do cora\u00e7\u00e3o humano, e por isso o Filho de Deus quis tornar-se nosso irm\u00e3o e redentor.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"8\">\n<li>Dissemos que Nic\u00e9ia rejeitou claramente os ensinamentos de \u00c1rio. Por\u00e9m, \u00c1rio e os seus seguidores n\u00e3o desistiram. O pr\u00f3prio Imperador Constantino e os seus sucessores alinharam-se cada vez mais com os arianos. O termo\u00a0<em>homoo\u00fasios\u00a0<\/em>tornou-se ponto de disc\u00f3rdia entre nicenos e antinicenos, desencadeando assim outros graves conflitos. S\u00e3o Bas\u00edlio de Cesareia descreve a confus\u00e3o que se produziu com imagens eloquentes, comparando-a a uma batalha naval noturna em uma violenta tempestade,\u00a0<a name=\"_ftnref8\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftn8\">[8]<\/a>enquanto Santo Hil\u00e1rio testemunha a ortodoxia dos leigos em rela\u00e7\u00e3o ao arianismo de muitos bispos, reconhecendo que \u00abos ouvidos do povo s\u00e3o mais santos do que os cora\u00e7\u00f5es dos sacerdotes\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref9\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftn9\">[9]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rocha do credo niceno foi Santo Atan\u00e1sio, irredut\u00edvel e firme na f\u00e9. Apesar de ter sido deposto e expulso cinco vezes da sede episcopal de Alexandria, ele sempre voltou como Bispo. Mesmo no ex\u00edlio, continuou a guiar o Povo de Deus atrav\u00e9s dos seus escritos e cartas. Tal como Mois\u00e9s, Atan\u00e1sio n\u00e3o p\u00f4de entrar na terra prometida da paz eclesial. Esta gra\u00e7a estava reservada a uma nova gera\u00e7\u00e3o, conhecida como os \u201cjovens nicenos\u201d; no Oriente, os tr\u00eas Padres Capad\u00f3cios: S\u00e3o Bas\u00edlio de Cesareia (aprox. 330\u2013379), a quem foi dado o t\u00edtulo de \u201cMagno\u201d; seu irm\u00e3o S\u00e3o Greg\u00f3rio de Nissa (335\u2013394) e o maior amigo de Bas\u00edlio, S\u00e3o Greg\u00f3rio Nazianzeno (329\/30\u2013390). No Ocidente, foram importantes Santo Hil\u00e1rio de Poitiers (aprox. 315\u2013367) e o seu aluno S\u00e3o Martinho de Tours (aprox. 316\u2013397). Al\u00e9m destes, sobretudo Santo Ambr\u00f3sio de Mil\u00e3o (333\u2013397) e Santo Agostinho de Hipona (354\u2013430).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00e9rito dos tr\u00eas Capad\u00f3cios, em particular, foi o de levar a cabo a formula\u00e7\u00e3o do Credo Niceno, mostrando que a Unidade e a Trindade em Deus n\u00e3o s\u00e3o de forma alguma contradit\u00f3rias. Neste contexto, foi formulado o artigo de f\u00e9 sobre o Esp\u00edrito Santo no primeiro Conc\u00edlio de Constantinopla, em 381. Assim, o Credo, que desde ent\u00e3o passou a ser chamado Niceno\u2013Constantinopolitano, diz: \u00abCremos no Esp\u00edrito Santo, que \u00e9 Senhor e d\u00e1 a vida, e procede do Pai. Com o Pai e o Filho \u00e9 adorado e glorificado, e falou por meio dos profetas\u00bb.\u00a0<a name=\"_ftnref10\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftn10\">[10]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir do Conc\u00edlio de Calced\u00f4nia, em 451, o Conc\u00edlio de Constantinopla foi reconhecido como ecum\u00eanico e o Credo Niceno\u2013Constantinopolitano foi declarado universalmente vinculativo.\u00a0<a name=\"_ftnref11\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftn11\">[11]<\/a>\u00a0Ele, portanto, constituiu um elo de unidade entre o Oriente e o Ocidente. No s\u00e9culo XVI, tamb\u00e9m foi mantido pelas comunidades eclesiais surgidas da Reforma. O Credo Niceno\u2013Constantinopolitano \u00e9, assim, a profiss\u00e3o de f\u00e9 comum a todas as tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"9\">\n<li>O caminho que se desenvolveu da Sagrada Escritura \u00e0 profiss\u00e3o de f\u00e9 de Nic\u00e9ia, \u00e0 sua aceita\u00e7\u00e3o nos Conc\u00edlios de Constantinopla e Calced\u00f4nia, passando pelo s\u00e9culo XVI e chegando ao nosso s\u00e9culo XXI, foi longo e linear. Todos n\u00f3s, como disc\u00edpulos de Jesus Cristo, somos batizados, fazemos sobre n\u00f3s mesmos o sinal da cruz e somos aben\u00e7oados \u201cem nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo\u201d. Conclu\u00edmos sempre a ora\u00e7\u00e3o dos salmos na Liturgia das Horas com \u201cGl\u00f3ria ao Pai, ao Filho e ao Esp\u00edrito Santo\u201d. A liturgia e a vida crist\u00e3 est\u00e3o, portanto, firmemente ancoradas no Credo de Nic\u00e9ia e Constantinopla: o que dizemos com a boca deve vir do cora\u00e7\u00e3o, para que seja testemunhado na vida. Devemos, em consequ\u00eancia, perguntar-nos: o que acontece hoje com a aceita\u00e7\u00e3o interior do Credo? Sentimos que ele tamb\u00e9m diz respeito \u00e0 nossa situa\u00e7\u00e3o atual? Compreendemos e vivemos o que professamos todos os domingos, e o que significa isso para a nossa vida?<\/li>\n<li>O Credo de Nic\u00e9ia come\u00e7a professando a f\u00e9 em Deus, o Todo-Poderoso, o Criador do c\u00e9u e da terra. Hoje, para muitos, Deus e a quest\u00e3o de Deus quase n\u00e3o t\u00eam mais significado na vida. O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/index_po.htm\">Conc\u00edlio Vaticano II<\/a>salientou que os crist\u00e3os s\u00e3o, pelo menos em parte, respons\u00e1veis por esta situa\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o testemunham a verdadeira f\u00e9 e escondem o verdadeiro rosto de Deus com estilos de vida e a\u00e7\u00f5es distantes do Evangelho.\u00a0<a name=\"_ftnref12\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftn12\">[12]<\/a>Guerras foram travadas, pessoas foram mortas, perseguidas e discriminadas em nome de Deus. Em vez de anunciar um Deus misericordioso, falou-se de um Deus vingativo que castiga e inspira terror.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Credo de Nic\u00e9ia convida-nos, ent\u00e3o, a um exame de consci\u00eancia. O que significa Deus para mim e como testemunho a minha f\u00e9 n\u2019Ele? O \u00fanico e verdadeiro Deus \u00e9 realmente o Senhor da vida, ou existem \u00eddolos mais importantes do que Deus e os seus mandamentos? Deus \u00e9 para mim o Deus vivo, pr\u00f3ximo em todas as situa\u00e7\u00f5es, o Pai a quem me dirijo com confian\u00e7a filial? \u00c9 o Criador a quem devo tudo o que sou e tenho, cujos vest\u00edgios posso encontrar em cada criatura? Estou disposto a partilhar os bens da terra, que pertencem a todos, de forma justa e equitativa? Como trato a cria\u00e7\u00e3o, que \u00e9 obra das suas m\u00e3os? Fa\u00e7o uso dela com rever\u00eancia e gratid\u00e3o, ou exploro-a, destruo-a, em vez de a guardar e cultivar como casa comum da humanidade?\u00a0<a name=\"_ftnref13\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftn13\">[13]<\/a><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"11\">\n<li>No centro do Credo Niceno\u2013Constantinopolitano est\u00e1 a profiss\u00e3o de f\u00e9 em Jesus Cristo, nosso Senhor e Deus. Este \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da nossa vida crist\u00e3. Por isso, comprometemo-nos a seguir Jesus como Mestre, companheiro, irm\u00e3o e amigo. Contudo, o Credo Niceno pede mais: lembra-nos, com efeito, que n\u00e3o devemos esquecer que Jesus Cristo \u00e9 o Senhor (<em>Kyrios)<\/em>, o Filho do Deus vivo, que \u00abpela nossa salva\u00e7\u00e3o desceu do c\u00e9u\u00bb e morreu \u00abpor n\u00f3s\u00bb na cruz, abrindo-nos o caminho para uma vida nova com a sua ressurrei\u00e7\u00e3o e ascens\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguir Jesus Cristo certamente n\u00e3o \u00e9 um caminho largo e confort\u00e1vel, mas este caminho, muitas vezes exigente ou mesmo doloroso, conduz sempre \u00e0 vida e \u00e0 salva\u00e7\u00e3o (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a07, 13-14). Os Atos dos Ap\u00f3stolos falam da nova via (cf.\u00a0<em>Act<\/em>\u00a019, 9.23; 22, 4.14-15.22), que \u00e9 Jesus Cristo (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a014, 6): seguir o Senhor compromete os nossos passos no caminho da cruz, que atrav\u00e9s do arrependimento nos conduz \u00e0 santifica\u00e7\u00e3o e \u00e0 diviniza\u00e7\u00e3o.\u00a0<a name=\"_ftnref14\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftn14\">[14]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se Deus nos ama com todo o seu ser, ent\u00e3o tamb\u00e9m n\u00f3s devemos amar-nos uns aos outros. N\u00e3o podemos amar a Deus, que n\u00e3o vemos, sem amar tamb\u00e9m o irm\u00e3o e a irm\u00e3 que vemos (cf.\u00a0<em>1 Jo<\/em>\u00a04, 20). O amor a Deus sem o amor ao pr\u00f3ximo \u00e9 hipocrisia; o amor radical ao pr\u00f3ximo, sobretudo o amor aos inimigos, sem o amor a Deus, \u00e9 um hero\u00edsmo que nos oprime e esmaga. No seguimento de Jesus, a ascens\u00e3o a Deus passa pelo abaixamento e pela dedica\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os e irm\u00e3s, sobretudo aos \u00faltimos, aos mais pobres, abandonados e marginalizados. O que fizemos ao menor destes, fizemos a Cristo (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a025, 31-46). Perante as cat\u00e1strofes, as guerras e a mis\u00e9ria, s\u00f3 podemos testemunhar a miseric\u00f3rdia de Deus \u00e0s pessoas que duvidam d\u2019Ele, quando elas experimentam a sua miseric\u00f3rdia atrav\u00e9s de n\u00f3s.\u00a0<a name=\"_ftnref15\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftn15\">[15]<\/a><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"12\">\n<li>Por fim, o Conc\u00edlio de Nic\u00e9ia \u00e9 atual pelo seu alt\u00edssimo valor ecum\u00e9nico. A este respeito, alcan\u00e7ar a unidade de todos os crist\u00e3os foi um dos principais objetivos do \u00faltimo Conc\u00edlio, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/index_po.htm\">Vaticano II<\/a>.\u00a0<a name=\"_ftnref16\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftn16\">[16]<\/a>H\u00e1 exatamente trinta anos,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt.html\">S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II<\/a>continuou e promoveu a mensagem conciliar na Enc\u00edclica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_jp-ii_enc_25051995_ut-unum-sint.html\"><em>Ut unum sint<\/em><\/a><em>\u00a0<\/em>(25 de maio de 1995). Assim, com o grande anivers\u00e1rio do primeiro Conc\u00edlio de Nic\u00e9ia, celebramos tamb\u00e9m o anivers\u00e1rio da primeira Enc\u00edclica ecum\u00e9nica, que pode ser considerada como um manifesto que atualizou os mesmos fundamentos ecum\u00e9nicos estabelecidos pelo Conc\u00edlio de Nic\u00e9ia.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gra\u00e7as a Deus, o movimento ecum\u00e9nico alcan\u00e7ou muitos resultados nos \u00faltimos sessenta anos. Embora a plena unidade vis\u00edvel com as Igrejas Ortodoxas e Ortodoxas Orientais e com as Comunidades eclesiais nascidas da Reforma ainda n\u00e3o nos tenha sido concedida, o di\u00e1logo ecum\u00e9nico levou-nos, com base no \u00fanico batismo e no Credo Niceno\u2013Constantinopolitano, a reconhecer nos irm\u00e3os e irm\u00e3s das outras Igrejas e Comunidades eclesiais, os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s em Jesus Cristo e a redescobrir a \u00fanica e universal Comunidade dos disc\u00edpulos de Cristo em todo o mundo. Com efeito, compartilhamos a f\u00e9 no \u00fanico Deus, Pai de todos os homens, confessamos juntos o \u00fanico Senhor e verdadeiro Filho de Deus, Jesus Cristo, e o \u00fanico Esp\u00edrito Santo, que nos inspira e nos impele \u00e0 plena unidade e ao testemunho comum do Evangelho. Realmente, o que nos une \u00e9 muito mais do que o que nos divide!\u00a0<a name=\"_ftnref17\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftn17\">[17]<\/a>\u00a0Assim, num mundo dividido e dilacerado por muitos conflitos, a \u00fanica Comunidade crist\u00e3 universal pode ser sinal de paz e instrumento de reconcilia\u00e7\u00e3o, contribuindo de forma decisiva para um compromisso mundial pela paz.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt.html\">S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II<\/a>\u00a0recordou-nos, em particular, o testemunho dos muitos m\u00e1rtires crist\u00e3os provenientes de todas as Igrejas e Comunidades eclesiais: a sua mem\u00f3ria une-nos e exorta-nos a ser testemunhas e operadores de paz no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para podermos desempenhar este minist\u00e9rio de forma cr\u00edvel, devemos caminhar juntos para alcan\u00e7ar a unidade e a reconcilia\u00e7\u00e3o entre todos os crist\u00e3os. O Credo de Nic\u00e9ia pode ser a base e o crit\u00e9rio de refer\u00eancia deste caminho. Prop\u00f5e-nos efetivamente um modelo de verdadeira unidade na leg\u00edtima diversidade. Unidade na Trindade, Trindade na Unidade, porque a unidade sem multiplicidade \u00e9 tirania, a multiplicidade sem unidade \u00e9 desintegra\u00e7\u00e3o. A din\u00e2mica trinit\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 dualista, como um\u00a0<em>aut\u2013aut<\/em>\u00a0excludente<em>,\u00a0<\/em>mas sim um v\u00ednculo envolvente, um\u00a0<em>et\u2013et:\u00a0<\/em>o Esp\u00edrito Santo \u00e9 o v\u00ednculo de unidade que adoramos juntamente com o Pai e o Filho. Devemos, portanto, deixar para tr\u00e1s as controv\u00e9rsias teol\u00f3gicas, que perderam a sua raz\u00e3o de ser, para adquirir um pensamento comum e, mais ainda, uma ora\u00e7\u00e3o comum ao Esp\u00edrito Santo, para que nos re\u00fana a todos numa \u00fanica f\u00e9 e num \u00fanico amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o significa um ecumenismo de retorno ao estado anterior \u00e0s divis\u00f5es, nem um reconhecimento m\u00fatuo do atual\u00a0<em>status quo\u00a0<\/em>da diversidade das Igrejas e das Comunidades eclesiais, mas um ecumenismo voltado para o futuro, de reconcilia\u00e7\u00e3o no caminho do di\u00e1logo, de troca dos nossos dons e patrim\u00f3nios espirituais. O restabelecimento da unidade entre os crist\u00e3os n\u00e3o nos torna mais pobres: ao contr\u00e1rio, nos enriquece. Tal como em Nic\u00e9ia, este objetivo s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel atrav\u00e9s de um caminho paciente, longo e, por vezes, dif\u00edcil de escuta e acolhimento rec\u00edproco. Trata-se de um desafio teol\u00f3gico e, mais ainda, de um desafio espiritual, que exige arrependimento e convers\u00e3o da parte de todos. Por isso, precisamos de um ecumenismo espiritual de ora\u00e7\u00e3o, louvor e culto, como aconteceu no Credo de Nic\u00e9ia e Constantinopla.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Invoquemos, portanto, o Esp\u00edrito Santo, para que nos acompanhe e nos guie nesta obra:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santo Esp\u00edrito de Deus, V\u00f3s guiais os fi\u00e9is no caminho da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s vos agradecemos por terdes inspirado os S\u00edmbolos da f\u00e9 e por suscitardes no cora\u00e7\u00e3o a alegria de professar a nossa salva\u00e7\u00e3o em Jesus Cristo, Filho de Deus, consubstancial ao Pai. Sem Ele, nada podemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00f3s, Esp\u00edrito eterno de Deus, de \u00e9poca em \u00e9poca rejuvenesceis a f\u00e9 da Igreja. Ajudai-nos a aprofund\u00e1-la e a voltar sempre ao essencial para a anunciar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que o nosso testemunho no mundo n\u00e3o seja inerte, vinde, Esp\u00edrito Santo, com o teu fogo de gra\u00e7a, para reavivar a nossa f\u00e9, para nos inflamar de esperan\u00e7a, para nos inflamar de caridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vinde, divino Consolador, V\u00f3s que sois a harmonia, para unir os cora\u00e7\u00f5es e as mentes dos crentes. Vinde e dai-nos o prazer da beleza da comunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vinde, Amor do Pai e do Filho, para nos reunir no \u00fanico rebanho de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mostrai-nos os caminhos a seguir, para que, com a vossa sabedoria, voltemos a ser o que somos em Cristo: uma s\u00f3 coisa, para que o mundo acredite. Am\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Vaticano, 23 de novembro de 2025, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LE\u00c3O PP. XIV<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">________________________<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn1\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Denzinger \u2013 H\u00fcnermann,\u00a0<em>Enchiridion Symbolorum<\/em>, Friburgo 2017, (doravante\u00a0<em>DH<\/em>),\u00a030.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn2\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftnref2\"><strong>[2]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<em>DH<\/em>\u00a0125.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn3\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftnref3\"><strong>[3]<\/strong><\/a><strong>\u00a0A partir das afirma\u00e7\u00f5es de Santo Atan\u00e1sio em\u00a0<em>Contra Arianos\u00a0<\/em>I, 9, fica claro que\u00a0<em>homoo\u00fasios\u00a0<\/em>n\u00e3o significa \u201cde igual subst\u00e2ncia\u201d, mas \u201cda mesma subst\u00e2ncia\u201d que o Pai; n\u00e3o se trata, portanto, de igualdade de subst\u00e2ncia, mas de identidade de subst\u00e2ncia entre o Pai e o Filho. Assim, a tradu\u00e7\u00e3o latina de\u00a0<em>homoo\u00fasios\u00a0<\/em>fala corretamente de\u00a0<em>unius substantiae cum Patre\u00a0<\/em>(\u00a0<em>DH<\/em>\u00a0125).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn4\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftnref4\"><strong>[4]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Santo Atan\u00e1sio,\u00a0<em>Contra arianos<\/em>, I, 38, 7 &#8211; 39, 1: K. Metzler (ed.),\u00a0<em>Athanasius Werke<\/em>, I\/1,2, 148-149.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn5\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftnref5\"><strong>[5]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. Id.,\u00a0<em>De incarnatione<\/em>, 54:\u00a0<em>SCh<\/em>\u00a0199, Paris 2000, 458;\u00a0<em>Contra arianos<\/em>\u00a0I, 39.42.45; II, 59ss: K. Metzler (ed.),\u00a0<em>Athanasius Werke<\/em>, I\/1,2, 149.152.154-155 e 235ss.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn6\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftnref6\"><strong>[6]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Santo Agostinho,\u00a0<em>Confiss\u00f5es,<\/em>\u00a01:\u00a0<em>CCSL<\/em>\u00a027, Turnhout 1981, 1.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn7\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftnref7\"><strong>[7]<\/strong><\/a><strong>\u00a0S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino,\u00a0<em>In Symbolum Apostolorum,\u00a0<\/em>art. 12: R. Spiazzi (ed.),\u00a0<em>Thomae Aquinatis, Opuscula theologica<\/em>, II, Torino &#8211; Roma 1954, 217.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn8\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftnref8\"><strong>[8]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. S\u00e3o Bas\u00edlio,\u00a0<em>De Spiritu Sancto,<\/em>\u00a030, 76:\u00a0<em>SCh<\/em>\u00a017bis, Paris 2002, 520-522.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn9\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftnref9\"><strong>[9]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Santo Hil\u00e1rio,\u00a0<em>Contra Arianos vel contra Auxentium,\u00a0<\/em>6:\u00a0<em>PL\u00a0<\/em>10, 613. Fazendo mem\u00f3ria dos escritos dos Padres, o erudito te\u00f3logo, depois Cardeal e hoje Santo e Doutor da Igreja John Henry Newman (1801-1890) investigou esta disputa e chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que o Credo de Nic\u00e9ia foi preservado sobretudo pelo\u00a0<em>sensus fidei\u00a0<\/em>do povo de Deus. Cf. J. H. Newman,\u00a0<em>On consulting the Faithful in Matters of Doctrine\u00a0<\/em>(1859).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn10\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftnref10\"><strong>[10]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<em>DH<\/em>\u00a0150. A afirma\u00e7\u00e3o \u00abe procede do Pai e do Filho (\u00a0<em>Filioque<\/em>)\u00bb n\u00e3o se encontra no texto de Constantinopla; foi inserida no Credo latino pelo Papa Bento VIII em 1014 e \u00e9 objeto do di\u00e1logo ortodoxo\u2013cat\u00f3lico.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn11\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftnref11\"><strong>[11]<\/strong><\/a><strong>\u00a0<em>DH<\/em>\u00a0300.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn12\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftnref12\"><strong>[12]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. Conc. Ecum. Vaticano II, Const. past.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html\">Gaudium et spes<\/a>,<\/em>\u00a019.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn13\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftnref13\"><strong>[13]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. Francisco, Carta enc.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html\">Laudato si\u2019<\/a>\u00a0(<\/em>24 de maio de 2015),\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html#67\"><strong>67<\/strong><\/a><strong>;\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html#78\"><strong>78<\/strong><\/a><strong>;\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html#124\"><strong>124<\/strong><\/a><strong>:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0107 (2015), 873-874; 878; 897.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn14\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftnref14\"><strong>[14]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. Id., Exort. ap.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html\">Gaudete et exsultate<\/a>\u00a0(<\/em>19 de mar\u00e7o de 2018),\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#%C2%ABFelizes_os_que_sofrem_persegui%C3%A7%C3%A3o_por_causa_da_justi%C3%A7a,_porque_deles_%C3%A9_o_Reino_do_C%C3%A9u%C2%BB\"><strong>92<\/strong><\/a><strong>:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0110 (2018), 1136.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn15\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftnref15\"><strong>[15]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. Id., Carta enc.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html\">Fratelli tutti<\/a>\u00a0<\/em>(3 de outubro de 2020),\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html#67\"><strong>67<\/strong><\/a><strong>;\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html#254\"><strong>254<\/strong><\/a><strong>:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a0112 (2020), 992-993; 1059.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn16\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftnref16\"><strong>[16]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. Conc. Ecum. Vaticano II, Decreto\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_decree_19641121_unitatis-redintegratio_po.html\">Unitatis redintegratio<\/a>,<\/em>\u00a01.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn17\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/apost_letters\/documents\/20251123-in-unitate-fidei.html#_ftnref17\"><strong>[17]<\/strong><\/a><strong>\u00a0Cf. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Carta Enc\u00edclica\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_jp-ii_enc_25051995_ut-unum-sint.html\"><strong><em>Ut unum sint<\/em><\/strong><\/a><strong><em>\u00a0(<\/em><\/strong><strong>25 de maio de 1995), 20:\u00a0<em>AAS<\/em>\u00a087 (1995), 933.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Carta-Pastoral-IN-UNITATE-FIDEI-Papa-Leao-XIV-23.11.2025.pdf\">Carta Pastoral -IN UNITATE FIDEI &#8211; Papa Le\u00e3o XIV &#8211; 23.11.2025<\/a> (PDF)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na unidade da f\u00e9, proclamada desde os prim\u00f3rdios da Igreja, os crist\u00e3os s\u00e3o chamados a caminhar ,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":16195,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"categories":[104,68],"tags":[],"class_list":["post-16333","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-papa-leao-xiv","category-ultimas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16333","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=16333"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16333\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16339,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16333\/revisions\/16339"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/16195"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=16333"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=16333"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=16333"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}