{"id":17084,"date":"2026-05-11T11:04:14","date_gmt":"2026-05-11T10:04:14","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=17084"},"modified":"2026-05-11T11:04:45","modified_gmt":"2026-05-11T10:04:45","slug":"copia-de-mensagem-do-papa-leao-xiv-lxiii-domingo-de-oracao-pelas-vocacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=17084","title":{"rendered":"Mensagem do Papa Le\u00e3o XIV para o 60\u00ba  Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais &#8211; 17.05.2026"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9814 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/pope.png\" alt=\"\" width=\"104\" height=\"120\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>MENSAGEM DO PAPA LE\u00c3O XIV<\/strong><strong><br \/>\nPARA O LX DIA MUNDIAL DAS COMUNICA\u00c7\u00d5ES SOCIAIS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Domingo da Ascens\u00e3o do Senhor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>17 maio 2026<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Preservar vozes e rostos humanos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rosto e a voz s\u00e3o tra\u00e7os \u00fanicos e distintivos de cada pessoa; manifestam a sua identidade irrepet\u00edvel e s\u00e3o elemento constitutivo de cada encontro. Os antigos sabiam-no bem. Para definir o ser humano, os gregos usavam a palavra \u201crosto\u201d (<em>pr\u00f3sopon<\/em>), que etimologicamente indica o que est\u00e1 diante do olhar, o lugar da presen\u00e7a e da rela\u00e7\u00e3o. Por sua vez, o termo latino persona (de\u00a0<em>per-sonare<\/em>) inclui o som: n\u00e3o um som qualquer, mas a voz inconfund\u00edvel de algu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rosto e voz s\u00e3o sagrados. Foram-nos dados por Deus, que nos criou \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a, chamando-nos \u00e0 vida com a Palavra que Ele mesmo nos dirigiu. Uma Palavra que, ao longo dos s\u00e9culos, ressoou na voz dos profetas e depois, na plenitude dos tempos, fez-se carne. Esta Palavra \u2013 esta comunica\u00e7\u00e3o que Deus faz de si mesmo \u2013 pudemos ainda escut\u00e1-la e v\u00ea-la diretamente (cf.\u00a0<em>1 Jo<\/em>\u00a01, 1-3), porque se deixou conhecer na voz e no Rosto de Jesus, Filho de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o momento da cria\u00e7\u00e3o, Deus quis o ser humano como seu interlocutor e, como disse S\u00e3o Greg\u00f3rio de Nissa,\u00a0<a name=\"_ftnref1\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/messages\/communications\/documents\/20260124-messaggio-comunicazioni-sociali.html#_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0imprimiu no seu rosto um reflexo do amor divino, para que pudesse viver plenamente a sua humanidade atrav\u00e9s do amor. Preservar os rostos e as vozes humanas significa, portanto, preservar este selo, este reflexo indel\u00e9vel do amor de Deus. N\u00e3o somos uma esp\u00e9cie feita de algoritmos bioqu\u00edmicos predefinidos antecipadamente: cada pessoa possui uma voca\u00e7\u00e3o insubstitu\u00edvel e irrepet\u00edvel, que emerge da vida e se manifesta precisamente na comunica\u00e7\u00e3o com os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tecnologia digital, no caso de falharmos nesta preserva\u00e7\u00e3o, corre o risco de alterar radicalmente alguns dos pilares fundamentais da civiliza\u00e7\u00e3o humana, que por vezes temos como garantidos. Ao simular vozes e rostos humanos, sabedoria e conhecimento, consci\u00eancia e responsabilidade, empatia e amizade, os sistemas conhecidos como intelig\u00eancia artificial n\u00e3o s\u00f3 interferem nos ecossistemas informativos, como tamb\u00e9m invadem o n\u00edvel mais profundo da comunica\u00e7\u00e3o, ou seja, o das rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desafio, por conseguinte, n\u00e3o \u00e9 tecnol\u00f3gico, mas antropol\u00f3gico. Preservar os rostos e as vozes significa, em \u00faltima an\u00e1lise, preservarmo-nos a n\u00f3s pr\u00f3prios. Aceitar com coragem, determina\u00e7\u00e3o e discernimento as oportunidades oferecidas pela tecnologia digital e pela intelig\u00eancia artificial n\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo de esconder de n\u00f3s mesmos os pontos cr\u00edticos, a opacidade e os riscos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>N\u00e3o renunciar ao pr\u00f3prio pensamento<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 muito tempo que existem m\u00faltiplas evid\u00eancias de que os algoritmos concebidos para maximizar o envolvimento nas redes sociais \u2013 rent\u00e1vel para as plataformas \u2013 recompensam as emo\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas e, ao contr\u00e1rio, penalizam as express\u00f5es humanas que requerem mais tempo, como o esfor\u00e7o para compreender e a reflex\u00e3o. Ao encerrar grupos de pessoas em bolhas de f\u00e1cil consenso e indigna\u00e7\u00e3o, estes algoritmos enfraquecem a capacidade de escuta e pensamento cr\u00edtico, aumentando a polariza\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Veio somar-se a isto uma confian\u00e7a ingenuamente acr\u00edtica na intelig\u00eancia artificial como \u201camiga\u201d omnisciente, dispensadora de todas as informa\u00e7\u00f5es, arquivo de todas as mem\u00f3rias, \u201cor\u00e1culo\u201d de todos os conselhos. Tudo isto pode enfraquecer ulteriormente a nossa capacidade de pensar de forma anal\u00edtica e criativa, de compreender significados, de distinguir entre sintaxe e sem\u00e2ntica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a IA possa dar apoio e assist\u00eancia na gest\u00e3o de tarefas comunicativas, ao abstermo-nos do esfor\u00e7o do pr\u00f3prio pensamento, contentando-nos com uma compila\u00e7\u00e3o estat\u00edstica artificial, corremos o risco de deteriorar, a longo prazo, as nossas capacidades cognitivas, emocionais e comunicativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos anos, os sistemas de intelig\u00eancia artificial est\u00e3o a assumir cada vez mais o controlo da produ\u00e7\u00e3o de textos, m\u00fasica e v\u00eddeos. Grande parte da ind\u00fastria criativa humana corre o risco de ser destru\u00edda e substitu\u00edda pela etiqueta \u201c<em>Powered by AI<\/em>\u201d, transformando as pessoas em meros consumidores passivos de pensamentos n\u00e3o pensados, de produtos an\u00f3nimos, sem autoria nem amor. Ao mesmo tempo, as obras-primas do g\u00e9nio humano no \u00e2mbito da m\u00fasica, da arte e da literatura v\u00e3o sendo reduzidas a um mero campo de treino para as m\u00e1quinas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a quest\u00e3o que realmente\u00a0nos interessa n\u00e3o \u00e9 o que a m\u00e1quina consegue ou conseguir\u00e1 fazer, mas o que n\u00f3s podemos e poder\u00edamos fazer, crescendo em humanidade e conhecimento, com uma inteligente utiliza\u00e7\u00e3o de ferramentas t\u00e3o poderosas ao nosso servi\u00e7o. Desde sempre, o ser humano tem sido tentado a apropriar-se do fruto do conhecimento sem o esfor\u00e7o do envolvimento, da pesquisa e da responsabilidade pessoal. Contudo, renunciar ao processo criativo e entregar \u00e0s m\u00e1quinas as pr\u00f3prias fun\u00e7\u00f5es mentais e a pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o significa enterrar os talentos recebidos para crescer como pessoas em rela\u00e7\u00e3o a Deus e aos outros. Significa esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ser ou fingir: simula\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es e da realidade<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 medida que navegamos pelos nossos fluxos de informa\u00e7\u00e3o (<em>feeds<\/em>), torna-se cada vez mais dif\u00edcil compreender se estamos a interagir com outros seres humanos ou com \u201c<em>bots<\/em>\u201d ou influenciadores virtuais. As interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o transparentes destes agentes automatizados influenciam os debates p\u00fablicos e as escolhas das pessoas. Especialmente os\u00a0<em>chatbots<\/em>, baseados em grandes modelos lingu\u00edsticos (LLM), est\u00e3o a revelar-se surpreendentemente eficazes na persuas\u00e3o oculta, atrav\u00e9s de uma cont\u00ednua otimiza\u00e7\u00e3o da intera\u00e7\u00e3o personalizada. A estrutura dial\u00f3gica e adaptativa, mim\u00e9tica, destes modelos lingu\u00edsticos \u00e9 capaz de imitar os sentimentos humanos e, assim, simular uma rela\u00e7\u00e3o. Esta antropomorfiza\u00e7\u00e3o, que pode at\u00e9 ser divertida, \u00e9 ao mesmo tempo enganadora, especialmente para as pessoas mais vulner\u00e1veis. Porque os\u00a0<em>chatbots<\/em>\u00a0tornados excessivamente \u201cafetuosos\u201d, al\u00e9m de estarem sempre presentes e dispon\u00edveis, podem tornar-se arquitetos ocultos dos nossos estados emocionais e, desta forma, invadir e ocupar a esfera da intimidade das pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tecnologia que explora a nossa necessidade de relacionamento pode n\u00e3o s\u00f3 ter consequ\u00eancias dolorosas para o destino dos indiv\u00edduos, mas tamb\u00e9m prejudicar o tecido social, cultural e pol\u00edtico das sociedades. Isso acontece quando substitu\u00edmos as rela\u00e7\u00f5es com os outros pelas rela\u00e7\u00f5es com a IA treinada para catalogar os nossos pensamentos e, portanto, construir \u00e0 nossa volta um mundo de espelhos, onde tudo \u00e9 feito \u201c\u00e0 nossa imagem e semelhan\u00e7a\u201d. Desta forma, deixamo-nos roubar a possibilidade de encontrar o outro, que \u00e9 sempre diferente de n\u00f3s e com o qual podemos e devemos aprender a confrontar-nos. Sem aceitar a alteridade, n\u00e3o pode haver nem rela\u00e7\u00e3o nem amizade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro grande desafio que estes sistemas emergentes colocam \u00e9 o da distor\u00e7\u00e3o (<em>bias<\/em>, em ingl\u00eas), que leva a adquirir e transmitir uma perce\u00e7\u00e3o alterada da realidade. Os modelos de IA est\u00e3o moldados pela vis\u00e3o do mundo de quem os constr\u00f3i e podem, por sua vez, impor modos de pensar, replicando estere\u00f3tipos e preconceitos presentes nos dados a que acedem. A falta de transpar\u00eancia na constru\u00e7\u00e3o dos algoritmos, a par da inadequada representa\u00e7\u00e3o social dos dados tendem a manter-nos presos em redes que manipulam os nossos pensamentos, perpetuando e aprofundando as desigualdades e injusti\u00e7as sociais existentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O risco \u00e9 grande! O poder da simula\u00e7\u00e3o \u00e9 tal que a IA pode tamb\u00e9m iludir-nos com a constru\u00e7\u00e3o de \u201crealidades\u201d paralelas, apropriando-se dos nossos rostos e das nossas vozes. Estamos imersos numa multidimensionalidade, onde se torna cada vez mais dif\u00edcil distinguir a realidade da fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A isto acrescenta-se o problema da falta de precis\u00e3o. Os sistemas que apresentam como conhecimento uma probabilidade estat\u00edstica, na realidade, oferecem-nos, quando muito, aproxima\u00e7\u00f5es da verdade, que por vezes s\u00e3o verdadeiras \u201calucina\u00e7\u00f5es\u201d. A falta de verifica\u00e7\u00e3o das fontes, com a crise do jornalismo no terreno, que implica um trabalho cont\u00ednuo de recolha e verifica\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es nos locais onde os eventos ocorrem, pode favorecer um solo ainda mais f\u00e9rtil para a desinforma\u00e7\u00e3o, provocando uma crescente sensa\u00e7\u00e3o de desconfian\u00e7a, desorienta\u00e7\u00e3o e inseguran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Uma poss\u00edvel alian\u00e7a<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por tr\u00e1s desta enorme for\u00e7a invis\u00edvel que a todos envolve, est\u00e1 apenas um pequeno grupo de empresas, cujos fundadores foram recentemente apresentados como os criadores da \u201cpessoa do ano de 2025\u201d, ou seja, os arquitetos da intelig\u00eancia artificial. Isto suscita uma preocupa\u00e7\u00e3o importante em rela\u00e7\u00e3o ao controlo oligopol\u00edstico dos sistemas algor\u00edtmicos e de intelig\u00eancia artificial capazes de orientar subtilmente os comportamentos e at\u00e9 mesmo de reescrever a hist\u00f3ria da humanidade \u2013 incluindo a hist\u00f3ria da Igreja \u2013, muitas vezes sem que possamos ter real consci\u00eancia disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desafio que nos espera n\u00e3o \u00e9 impedir a inova\u00e7\u00e3o digital, mas sim orient\u00e1-la, estando conscientes do seu car\u00e1ter ambivalente. Cabe a cada um de n\u00f3s levantar a voz em defesa das pessoas, para que estas ferramentas possam realmente ser integradas por n\u00f3s como aliadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta alian\u00e7a \u00e9 poss\u00edvel, mas tem de se basear em tr\u00eas pilares:\u00a0<em>responsabilidade<\/em>,\u00a0<em>coopera\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0e\u00a0<em>educa\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, a\u00a0<em>responsabilidade<\/em>. Ela pode ser definida, consoante as fun\u00e7\u00f5es, como honestidade, transpar\u00eancia, coragem, vis\u00e3o, dever de partilhar conhecimento, direito de ser informado. Por\u00e9m, em geral, ningu\u00e9m pode fugir \u00e0 sua responsabilidade diante do futuro que estamos a construir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para quem est\u00e1 no comando das plataformas on-line, isso significa garantir que as pr\u00f3prias estrat\u00e9gias empresariais n\u00e3o sejam norteadas pelo exclusivo crit\u00e9rio da maximiza\u00e7\u00e3o do lucro, mas por uma vis\u00e3o clarividente que tenha em conta o bem comum, da mesma forma que cada um deles se preocupa com o bem-estar dos seus filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos criadores e desenvolvedores de modelos de IA, \u00e9 exigida transpar\u00eancia e responsabilidade social em rela\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios de cria\u00e7\u00e3o de projetos e aos sistemas de modera\u00e7\u00e3o que est\u00e3o na base dos seus algoritmos e dos modelos desenvolvidos, de modo a permitir um consentimento esclarecido aos utilizadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igual responsabilidade \u00e9 pedida aos legisladores nacionais e reguladores supranacionais, que t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de zelar pelo respeito da dignidade humana. Uma adequada regulamenta\u00e7\u00e3o pode proteger as pessoas duma liga\u00e7\u00e3o afetiva com os\u00a0<em>chatbots<\/em>\u00a0e conter a dissemina\u00e7\u00e3o de conte\u00fados falsos, manipuladores ou deturpados, preservando a integridade da informa\u00e7\u00e3o face \u00e0 sua simula\u00e7\u00e3o enganosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, as empresas dos\u00a0<em>mass media<\/em>\u00a0e da comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem permitir que algoritmos orientados para vencer a qualquer custo a batalha por alguns segundos de aten\u00e7\u00e3o a mais prevale\u00e7am sobre a fidelidade aos seus valores profissionais, voltados para a busca da verdade. A confian\u00e7a do p\u00fablico conquista-se com a precis\u00e3o e a transpar\u00eancia, n\u00e3o com a corrida por uma participa\u00e7\u00e3o qualquer. Os conte\u00fados gerados ou manipulados pela IA devem ser sinalizados e claramente distinguidos dos conte\u00fados criados por pessoas. A autoria e a propriedade soberana do trabalho dos jornalistas e outros criadores de conte\u00fado devem ser protegidas. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 um bem p\u00fablico. Um servi\u00e7o p\u00fablico construtivo e significativo n\u00e3o se baseia na opacidade, mas na transpar\u00eancia das fontes, na inclus\u00e3o dos sujeitos envolvidos e num elevado padr\u00e3o de qualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos somos chamados a\u00a0<em>cooperar<\/em>. Nenhum setor pode enfrentar sozinho o desafio de liderar a inova\u00e7\u00e3o digital e governar a IA. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio criar mecanismos de salvaguarda. Todas as partes interessadas \u2013 desde a ind\u00fastria tecnol\u00f3gica aos legisladores, das empresas de cria\u00e7\u00e3o ao mundo acad\u00e9mico, dos artistas aos jornalistas e educadores \u2013 devem estar envolvidas na constru\u00e7\u00e3o e na efetiva\u00e7\u00e3o de uma cidadania digital consciente e respons\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O objetivo da\u00a0<em>educa\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0\u00e9 este: aumentar as nossas capacidades pessoais de refletir criticamente, avaliar a credibilidade das fontes e os poss\u00edveis interesses por tr\u00e1s da sele\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es que nos chegam, compreender os mecanismos psicol\u00f3gicos que elas ativam, permitir \u00e0s nossas fam\u00edlias, comunidades e associa\u00e7\u00f5es a elabora\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios pr\u00e1ticos para uma cultura de comunica\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel e respons\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precisamente por isso, cada vez mais, \u00e9 urgente introduzir tamb\u00e9m, em todos os n\u00edveis dos sistemas educativos, a literacia para os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, a informa\u00e7\u00e3o e a IA, que algumas institui\u00e7\u00f5es civis j\u00e1 est\u00e3o a promover. Como cat\u00f3licos, podemos e devemos dar o nosso contributo, para que as pessoas \u2013 especialmente os jovens \u2013 adquiram a capacidade de pensamento cr\u00edtico e cres\u00e7am na liberdade do esp\u00edrito. Esta literacia deveria ainda ser integrada em iniciativas mais amplas de educa\u00e7\u00e3o permanente, alcan\u00e7ando igualmente os idosos e os membros marginalizados da sociedade, que muitas vezes se sentem exclu\u00eddos e impotentes perante as r\u00e1pidas mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A literacia para os meios de comunica\u00e7\u00e3o, a informa\u00e7\u00e3o e a IA ajudar\u00e1 todos a n\u00e3o se adaptarem \u00e0 tend\u00eancia de antropomorfiza\u00e7\u00e3o destes sistemas, mas a trat\u00e1-los como ferramentas, a recorrer sempre a uma valida\u00e7\u00e3o externa das fontes \u2013 que podem ser imprecisas ou erradas \u2013 fornecidas pelos sistemas de IA, a proteger a pr\u00f3pria privacidade e os pr\u00f3prios dados, conhecendo os par\u00e2metros de seguran\u00e7a e as op\u00e7\u00f5es de reclama\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante educar e educar-se para utilizar a IA de forma intencional e, neste contexto, proteger a pr\u00f3pria imagem (fotos e \u00e1udio), o pr\u00f3prio rosto e a pr\u00f3pria voz, para evitar que sejam utilizados na cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fados e comportamentos prejudiciais, como fraudes digitais,\u00a0<em>ciberbullying<\/em>,\u00a0<em>deepfake<\/em>, que violam a privacidade e a intimidade das pessoas sem o seu consentimento. Assim como a revolu\u00e7\u00e3o industrial exigiu uma alfabetiza\u00e7\u00e3o m\u00ednima para permitir que as pessoas reagissem \u00e0s novidades, tamb\u00e9m a revolu\u00e7\u00e3o digital exige uma literacia digital (com uma forma\u00e7\u00e3o human\u00edstica e cultural) para compreender como os algoritmos moldam a nossa perce\u00e7\u00e3o da realidade, como funcionam os preconceitos da IA, quais s\u00e3o os mecanismos que determinam o aparecimento de determinados conte\u00fados nos nossos fluxos de informa\u00e7\u00e3o (<em>feeds<\/em>), quais s\u00e3o e como podem mudar os pressupostos e modelos econ\u00f3micos da economia da IA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 necess\u00e1rio que o rosto e a voz voltem a dizer a pessoa. \u00c9 necess\u00e1rio preservar o dom da comunica\u00e7\u00e3o como a mais profunda verdade do ser humano, para a qual tamb\u00e9m se deve orientar toda a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao propor estas reflex\u00f5es, agrade\u00e7o a todos aqueles que est\u00e3o a trabalhar para os objetivos aqui apresentados e, de cora\u00e7\u00e3o, aben\u00e7oo quantos trabalham para o bem comum atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vaticano, na Mem\u00f3ria de S\u00e3o Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2026.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LE\u00c3O XIV PP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_____________________________________<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn1\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/messages\/communications\/documents\/20260124-messaggio-comunicazioni-sociali.html#_ftnref1\"><strong><em>[1]<\/em><\/strong><\/a><strong><em>\u00a0\u00abTer sido criado \u00e0 imagem de Deus significa que foi impresso no homem, desde o momento da sua cria\u00e7\u00e3o, um car\u00e1cter r\u00e9gio [&#8230;]. Deus \u00e9 amor e fonte de amor: o divino Criador tamb\u00e9m colocou esta caracter\u00edstica no nosso rosto, para que, atrav\u00e9s do amor \u2013 reflexo do amor divino \u2013, o ser humano reconhe\u00e7a e manifeste a dignidade da sua natureza e a semelhan\u00e7a com o seu Criador\u00bb (cf. S\u00e3o Greg\u00f3rio de Nissa,\u00a0A cria\u00e7\u00e3o do homem: PG 44, 137).<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Mensagem-do-Papa-Leao-XIV-para-o-60o-Dia-Mundial-das-Comunicacoes-Sociais-17.05.2026-.pdf\">Mensagem do Papa Le\u00e3o XIV para o 60\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais &#8211; 17.05.2026<\/a> (PDF)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O rosto e a voz s\u00e3o tra\u00e7os \u00fanicos e distintivos de cada pessoa; manifestam a sua identidade irrepet\u00edvel e s\u00e3o elemento constitutivo de cada encontro &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15433,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"categories":[104,68],"tags":[],"class_list":["post-17084","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-papa-leao-xiv","category-ultimas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17084","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17084"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17084\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17086,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17084\/revisions\/17086"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/15433"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17084"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17084"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17084"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}