{"id":17211,"date":"2026-06-08T14:27:36","date_gmt":"2026-06-08T13:27:36","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=17211"},"modified":"2026-06-08T14:27:36","modified_gmt":"2026-06-08T13:27:36","slug":"nota-da-cnjp-sobre-carta-enciclica-magnifica-humanitas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=17211","title":{"rendered":"Nota da CNJP sobre Carta Enc\u00edclica Magnifica Humanitas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Segunda, 01 junho 2026 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi publicada h\u00e1 dias a carta enc\u00edclica do Papa Le\u00e3o XIV \u201c<em>Magnifica Humanitas<\/em>, sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da intelig\u00eancia artificial\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As repercuss\u00f5es da intelig\u00eancia artificial, associadas \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o digital e \u00e0 rob\u00f3tica, j\u00e1 foram consideradas a grande quest\u00e3o de alcance hist\u00f3rico com que s\u00e3o confrontadas as sociedades de hoje. S\u00e3o repercuss\u00f5es que abarcam os \u00e2mbitos sociais, econ\u00f3micos, culturais, \u00e9ticos e at\u00e9 antropol\u00f3gicos (est\u00e1 em jogo a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 ser humano).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consciente desta relev\u00e2ncia, o Papa analisa essas repercuss\u00f5es \u00e0 luz dos fundamentos e princ\u00edpios da doutrina social da Igreja, afirmando que esta assenta em verdades reveladas, as quais se v\u00e3o aprofundando e renovando em resposta aos desafios das v\u00e1rias \u00e9pocas e em di\u00e1logo com as v\u00e1rias culturas e saberes (n. 38). Para o Papa Le\u00e3o XIV, \u00e9 claro que o confronto com a realidade n\u00e3o diminui a for\u00e7a do Evangelho: \u201cpelo contr\u00e1rio, permite identificar com maior lucidez o que promove realmente a vida das pessoas e das comunidades\u201d (n. 23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duas imagens b\u00edblicas atravessam o texto convidando \u00e0 reflex\u00e3o sobre que atitude assumir para discernir como viver com responsabilidade a era da intelig\u00eancia artificial: a edifica\u00e7\u00e3o da Torre de Babel (cf. Gn 11,1-9), onde em nome da ambi\u00e7\u00e3o de alguns se pretende desenvolver uma autossufici\u00eancia \u00e0 custa da dignidade das pessoas, e a reconstru\u00e7\u00e3o das muralhas de Jerusal\u00e9m (cf. Ne 2-6), onde Neemias convoca e envolve todos para, a partir de uma responsabilidade partilhada, reconstruir as muralhas e a cidade. No fundo a escolha n\u00e3o \u00e9 entre um \u2018sim\u2019 ou um \u2018n\u00e3o\u2019 \u00e0 tecnologia, mas entre edificar Babel, ou reconstruir Jerusal\u00e9m (n. 7-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem pretender deste modo esgotar todo o rico conte\u00fado desta enc\u00edclica que apela ao investimento na educa\u00e7\u00e3o, ao cuidado com as rela\u00e7\u00f5es humanas e \u00e0 import\u00e2ncia da constru\u00e7\u00e3o de uma civiliza\u00e7\u00e3o do amor, assente na justi\u00e7a e na paz, a Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz quer salientar desse conte\u00fado as ideias seguintes, dividindo-o em tr\u00eas partes. A primeira, dando a conhecer a reflex\u00e3o feita acerca dos novos desenvolvimentos tecnol\u00f3gicos \u00e0 luz dos princ\u00edpios da Doutrina Social da Igreja. A segunda acerca da natureza humana e da sua capacidade de n\u00e3o se conformar com um destino fechado e de a\u00ed encontrar um campo aberto \u00e0 convers\u00e3o pessoal e coletiva. A terceira com refer\u00eancia a desafios concretos colocados por esta carta enc\u00edclica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reflex\u00e3o acerca dos\u00a0<strong>novos desenvolvimentos tecnol\u00f3gicos \u00e0 luz dos princ\u00edpios da Doutrina Social da Igreja<\/strong>\u00a0pode resumir-se aos seguintes pontos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Os princ\u00edpios da Doutrina Social da Igreja \u2013 a dignidade da pessoa, o valor do trabalho, o destino universal dos bens, a solidariedade e a subsidiariedade, o cuidado da cria\u00e7\u00e3o, a centralidade da paz e da fraternidade \u2013 mant\u00eam a sua atualidade e devem ser a chave para uma reflex\u00e3o profunda sobre as novas tecnologias e o seu impacto, pois s\u00f3 eles asseguram a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais humana e fraterna (n. 91).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; \u00c0 luz da dignidade humana, o Papa Le\u00e3o XIV chama a aten\u00e7\u00e3o para o facto de n\u00e3o deverem ser subestimadas as formas mais subtis de depend\u00eancia ligadas \u00e0 economia digital da aten\u00e7\u00e3o, na qual plataformas e servi\u00e7os s\u00e3o concebidos para captar o tempo e o olhar dos utilizadores, explorando as suas fragilidades e enfraquecendo a liberdade interior (n. 170).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Apela ainda \u00e0 consciencializa\u00e7\u00e3o de que no contexto digital, o controle das plataformas, das infraestruturas, dos dados e da capacidade de computa\u00e7\u00e3o, sem formas adequadas de partilha, cria um desequil\u00edbrio que contradiz o destino universal dos bens e alimenta o fosso entre inclu\u00eddos e exclu\u00eddos (n. 67).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; O respeito pelo princ\u00edpio da subsidiariedade exige que as novas tecnologias n\u00e3o se concentrem nas m\u00e3os de poucos, mas que sejam orientadas para o bem comum, de forma transparente e por meio de formas concretas de participa\u00e7\u00e3o (n. 95).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; O ambiente criado pelas tecnologias digitais deve tamb\u00e9m confrontar-se com a justi\u00e7a social, \u201cUma ordem social justa na era digital \u00e9 aquela que garante a todos um acesso equitativo \u00e0s oportunidades, protege os mais pequenos e fr\u00e1geis, combate o \u00f3dio e a desinforma\u00e7\u00e3o\u201d e contribui para \u201ca dignidade de cada pessoa e o bem-estar dos povos\u201d (n. 80).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; O valor do trabalho n\u00e3o pode deixar de ser tomado, ao lado de todas as outras dimens\u00f5es da Doutrina Social da Igreja, como uma dimens\u00e3o essencial na avalia\u00e7\u00e3o das conquistas do nosso tempo. O entrecruzar-se de automa\u00e7\u00e3o, rob\u00f3tica e IA est\u00e1 a transformar rapidamente a pr\u00f3pria estrutura do trabalho. O trabalho continua a ser uma dimens\u00e3o fundamental da experi\u00eancia humana: n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um meio de subsist\u00eancia, mas um lugar de express\u00e3o, rela\u00e7\u00f5es e contributo para a comunidade. Uma sociedade que s\u00f3 garantisse emprego a uma pequena parte da popula\u00e7\u00e3o exporia muitos a uma condi\u00e7\u00e3o de inatividade for\u00e7ada, de aus\u00eancia de responsabilidades, de falta de compromissos e est\u00edmulos di\u00e1rios, com consequente empobrecimento humano e cultural, em contraste com o elevado n\u00edvel de desenvolvimento t\u00e9cnico (n. 152).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; \u00a0No mundo da IA, nada \u00e9 imaterial ou m\u00e1gico. Cada resposta que parece imediata e perfeita prov\u00e9m de uma longa cadeia de media\u00e7\u00f5es, de uma rede alargada de recursos naturais, de infraestruturas energ\u00e9ticas e, sobretudo, de pessoas. Uma parte significativa do funcionamento da economia digital assenta no trabalho silencioso de milh\u00f5es de seres humanos em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias e, por vezes, pr\u00f3ximas da escravatura (n. 173).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Os atuais sistemas de IA n\u00e3o podem deixar de ser avaliados \u00e0 luz da preocupa\u00e7\u00e3o com a Casa Comum: muitos requerem grandes quantidades de energia e \u00e1gua, t\u00eam um impacto significativo nas emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono e consomem recursos de forma intensiva. Por isso, \u00e9 essencial desenvolver solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas mais sustent\u00e1veis para reduzir o impacto ambiental e cuidar da nossa Casa Comum (n. 101).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A ecologia integral \u00e9, portanto, decisiva na avalia\u00e7\u00e3o da qualidade do desenvolvimento moderno: este deve medir-se pela capacidade de manter juntas as pessoas, de promover justi\u00e7a, de favorecer condi\u00e7\u00f5es de vida dignas, acesso aos bens essenciais, rela\u00e7\u00f5es sociais justas, cuidado com a cria\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras (n. 84).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acerca da\u00a0<strong>natureza humana e da sua capacidade de n\u00e3o se conformar com um destino fechado<\/strong>, s\u00e3o de reter os seguintes t\u00f3picos de reflex\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; N\u00e3o se deve cair na tenta\u00e7\u00e3o de equiparar a IA \u00e0 \u201cintelig\u00eancia\u201d humana. Os sistemas de IA superam a intelig\u00eancia humana em velocidade e amplitude de c\u00e1lculo. No entanto, n\u00e3o vivem uma experi\u00eancia, n\u00e3o possuem um corpo, n\u00e3o passam pela alegria e pela dor, n\u00e3o amadurecem nas rela\u00e7\u00f5es, n\u00e3o conhecem internamente o que significa amor, trabalho, amizade, responsabilidade. Nem sequer possuem uma consci\u00eancia moral: n\u00e3o julgam o bem e o mal, n\u00e3o captam o sentido \u00faltimo das situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o assumem sobre si o peso das consequ\u00eancias (n. 99).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A rapidez e a simplicidade com que \u00e9 poss\u00edvel obter orienta\u00e7\u00f5es, processamentos complexos, conte\u00fados medi\u00e1ticos e formas de assist\u00eancia concreta simplificam as nossas vidas, mas tamb\u00e9m podem habituar-nos a delegar em demasia e a procurar respostas prontas, enfraquecendo a nossa opini\u00e3o e a nossa criatividade (n. 100).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A imita\u00e7\u00e3o de uma comunica\u00e7\u00e3o humana pode induzir em erro e criar a ilus\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o com um sujeito pessoal aut\u00eantico, correndo-se o risco de se perder o desejo de procurar verdadeiramente o outro (n. 100);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Decis\u00f5es delicadas que dizem respeito ao trabalho, ao cr\u00e9dito, ao acesso a servi\u00e7os e \u00e0 reputa\u00e7\u00e3o das pessoas correm o risco de ser confiadas inteiramente a sistemas automatizados que desconhecem a compaix\u00e3o, a miseric\u00f3rdia, o perd\u00e3o e, sobretudo, a abertura \u00e0 esperan\u00e7a de mudan\u00e7a da pessoa, podendo assim gerar novas formas de marginaliza\u00e7\u00e3o (n. 102).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A utiliza\u00e7\u00e3o de plataformas digitais e sistemas de IA acelera mudan\u00e7as profundas na comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica e pol\u00edtica. Ferramentas que poderiam favorecer o debate e a participa\u00e7\u00e3o s\u00e3o frequentemente utilizadas para construir narrativas distorcidas e anular as distin\u00e7\u00f5es entre o verdadeiro e o falso, misturando dados e opini\u00f5es (n. 132).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; De grande relevo s\u00e3o as repercuss\u00f5es da IA no \u00e2mbito da guerra. A quest\u00e3o n\u00e3o diz respeito apenas \u00e0 efici\u00eancia de novos instrumentos, mas ao risco de que a t\u00e9cnica, dissociada da \u00e9tica e da responsabilidade, torne mais r\u00e1pida e impessoal e \u201caparentemente limpa\u201d a decis\u00e3o sobre a vida e a morte e o uso da viol\u00eancia, e apresente o recurso \u00e0 for\u00e7a como uma op\u00e7\u00e3o imediata e exequ\u00edvel (n. 182 e n. 183).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211;\u00a0 Se olharmos para as din\u00e2micas mundiais, reconhecemos cada vez mais claramente a expans\u00e3o de uma cultura do poder, feita de polariza\u00e7\u00f5es e viol\u00eancias. Por\u00e9m, hoje, mais do que nunca, \u00e9 importante reafirmar que foi superada a teoria da \u201cguerra justa\u201d, invocada com demasiada frequ\u00eancia para justificar qualquer guerra, mantendo-se o direito \u00e0 leg\u00edtima defesa entendida no sentido mais estrito (n. 192).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Fala-se por vezes de \u201cagentes morais artificiais\u201d, como se uma m\u00e1quina pudesse garantir, com maior coer\u00eancia do que um ser humano, a distin\u00e7\u00e3o entre o bem e o mal. Ora, o ju\u00edzo moral n\u00e3o se reduz a um c\u00e1lculo: implica consci\u00eancia, responsabilidade pessoal e reconhecimento do outro como pessoa. Por isso, n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito confiar a sistemas artificiais decis\u00f5es letais ou, de qualquer forma, irrevers\u00edveis. A IA n\u00e3o retira ao conflito a sua intr\u00ednseca desumanidade: apenas o torna mais r\u00e1pido e impessoal, baixando a fasquia do recurso \u00e0 viol\u00eancia e transformando a defesa em previs\u00e3o operacional, com as v\u00edtimas reduzidas a dados (n. 198).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A perspetiva crist\u00e3 n\u00e3o se esgota na den\u00fancia do mal. Contemplamos a hist\u00f3ria \u00e0 luz do Crucificado Ressuscitado, a quem o Pai concedeu \u00abtodo o poder no C\u00e9u e na Terra\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a028, 18). N\u00e3o interpretamos o presente como um destino fechado, mas como um campo aberto \u00e0 convers\u00e3o pessoal e coletiva. E acreditamos na for\u00e7a do Reino, que se desenvolve a partir da pequenez dum gr\u00e3o de mostarda, como uma semente que, uma vez deitada \u00e0 terra, germina e cresce (cf.\u00a0<em>Mc<\/em>\u00a04, 26-32) (n. 210).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Atualmente, \u00e9 preciso perceber que nem tudo o que se apresenta como \u201climite\u201d \u2013 incapacidade, doen\u00e7a, velhice, sofrimento, vulnerabilidade \u2013 deve ser interpretado como um defeito a corrigir (atrav\u00e9s da tecnologia). Trata-se de reconhecer que existe a\u00ed um espa\u00e7o onde o humano amadurece e se abre \u00e0 rela\u00e7\u00e3o. O ser humano n\u00e3o floresce\u00a0<em>apesar<\/em>\u00a0dos limites, mas, muitas vezes,\u00a0<em>atrav\u00e9s<\/em>\u00a0dos limites. (n. 118).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Mesmo para os pais que sentem que \u00e9 dif\u00edcil resistir sozinhos \u00e0 influ\u00eancia de modelos de neg\u00f3cio que capitalizam a aten\u00e7\u00e3o e o tempo, n\u00e3o basta a resigna\u00e7\u00e3o. \u00c9 indispens\u00e1vel uma alian\u00e7a entre pol\u00edtica, institui\u00e7\u00f5es educativas e fam\u00edlias, capaz de apoiar concretamente os adultos na sua tarefa (n. 142).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Uma subtil tenta\u00e7\u00e3o \u00e9 a de pensar que os problemas s\u00e3o demasiado grandes e n\u00f3s demasiado pequenos; e que, por isso, as nossas escolhas nada alteram. No entanto, cada um disp\u00f5e de um seu \u00e2mbito de a\u00e7\u00e3o, e \u00e9 a\u00ed \u2013 e n\u00e3o noutro lugar \u2013 que \u00e9 chamado a escolher entre alimentar a l\u00f3gica da for\u00e7a (mesmo que apenas com a indiferen\u00e7a, o cinismo, a mentira, o \u00f3dio), ou zelar pela l\u00f3gica da paz (com a verdade, a sobriedade, a proximidade, o cuidado): \u201ca civiliza\u00e7\u00e3o do amor [&#8230;] nasce duma soma de pequenas e tenazes fidelidades, que travam a desumaniza\u00e7\u00e3o\u201d (n. 212).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2060- Sem pretender esgotar o tema, Le\u00e3o XIV prop\u00f5e cinco pistas de responsabilidades quotidianas e p\u00fablicas na constru\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o do amor: desarmar as palavras (n. 214), construir a paz na justi\u00e7a (n. 215), assumir o olhar das v\u00edtimas (n. 216-217), cultivar um saud\u00e1vel realismo (n. 218) e revitalizar o di\u00e1logo e o multilateralismo (n.219-227).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Podemos, portanto, viver esta mudan\u00e7a de \u00e9poca \u00e0 luz do Evangelho (n. 229).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Enquanto ideologias antigas e novas impelem o homem a superar tecnicamente os limites e a elevar-se acima dos outros para afirmar um dom\u00ednio, o mist\u00e9rio do Filho de Deus que entra na nossa condi\u00e7\u00e3o narra um movimento oposto: o Deus vivo desce \u00e0 nossa hist\u00f3ria para nos libertar de toda a forma de escravatura,\u00a0toma sobre si a nossa fraqueza e transforma-a num lugar de salva\u00e7\u00e3o.\u00a0O futuro da humanidade encontra assim o seu crit\u00e9rio na capacidade de acolher esta forma divina de se aproximar, de partilhar o peso do mundo, de transformar as rela\u00e7\u00f5es a partir de dentro. O que salva o homem \u00e9 o amor divino que desce ao ponto mais vulner\u00e1vel da sua hist\u00f3ria e o regenera profundamente (n. 232).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compreendendo que \u201cem Cristo [&#8230;] o homem \u00e9 chamado a ser colaborador na obra da cria\u00e7\u00e3o, em vez de espectador resignado de processos tecnol\u00f3gicos que restringem a sua liberdade e responsabilidade\u201d (n. 233), a Carta Enc\u00edclica termina com\u00a0<strong>quatro desafios concretos<\/strong>\u00a0que importa destacar:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211;\u00a0<strong>\u201cPermane\u00e7amos fi\u00e9is \u00e0 verdade\u201d<\/strong>, sem perder de vista a magn\u00edfica humanidade que nos habita, ou seja sem prescindir de \u201cum cora\u00e7\u00e3o que ama a verdade, que deseja o que \u00e9 justo [&#8230;] e que busca a sabedoria\u201d (n. 237).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; \u201c<strong>Invistamos na educa\u00e7\u00e3o que come\u00e7a por n\u00f3s pr\u00f3prios\u201d<\/strong>, para vivermos o mundo digital de forma humana, como parte integrante de uma vida boa do Evangelho, assumindo plenamente o papel de zeladores da liberdade interior, do exerc\u00edcio da caridade e da salvaguarda da dignidade (n.238);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211;\u00a0<strong>\u201cCuidemos das rela\u00e7\u00f5es\u201d<\/strong>, sem esquecer que \u201ca carne humana continua a pedir para ser cuidada e reconhecida por m\u00e3os capazes de ternura, por mentes atentas e por palavras bondosas\u201d (n. 239).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211;\u00a0<strong>\u201cAmemos a justi\u00e7a e a paz\u201d<\/strong>, para que cada escolha t\u00e9cnica seja ocasi\u00e3o de discernimento espiritual. Os progressos da IA devem abrir espa\u00e7o para a justi\u00e7a, para o respeito pelo outro e para a constru\u00e7\u00e3o da paz (n. 240).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas reflex\u00f5es e propostas do Papa Le\u00e3o XIV t\u00eam recebido bom acolhimento em v\u00e1rios quadrantes, que destacam a sua oportunidade e at\u00e9 o seu pioneirismo no atual contexto mundial. S\u00e3o um servi\u00e7o que a Igreja pretende prestar \u00e0 humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afirma tamb\u00e9m o Papa que estamos perante um teste e um exame de consci\u00eancia para a Igreja, chamada \u00e0 coer\u00eancia de quem deve viver em primeiro lugar no seu interior tais propostas (n. 86).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 sua pequena medida, a Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz, ao divulgar esta enc\u00edclica, quer tamb\u00e9m prestar um servi\u00e7o \u00e0 sociedade portuguesa, com a consci\u00eancia da sua responsabilidade por, antes de mais, viver fielmente o que prop\u00f5e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Lisboa, 1 de junho de 2026<br \/>\nA Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Nota-da-CNJP-sobre-Carta-Enciclica-Magnifica-Humanitas.pdf\">Nota da CNJP sobre Carta Enc\u00edclica Magnifica Humanitas<\/a> (PDF)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As repercuss\u00f5es da intelig\u00eancia artificial, associadas \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o digital e \u00e0 rob\u00f3tica, j\u00e1 foram consideradas a grande quest\u00e3o de alcance hist\u00f3rico com&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17213,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"categories":[68],"tags":[],"class_list":["post-17211","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17211","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17211"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17211\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17214,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17211\/revisions\/17214"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/17213"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}