{"id":17243,"date":"2026-06-15T17:25:54","date_gmt":"2026-06-15T16:25:54","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=17243"},"modified":"2026-06-15T17:50:00","modified_gmt":"2026-06-15T16:50:00","slug":"papa-leao-xiv-aos-jovens-em-barcelona-09-06-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=17243","title":{"rendered":"Papa Le\u00e3o XIV aos Jovens em Barcelona-09.06.2026"},"content":{"rendered":"<p><strong>Le\u00e3o XIV em Barcelona<\/strong><\/p>\n<p><strong>Papa ouve jovens e alerta para crise de sa\u00fade mental e feminic\u00eddio<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>09 junho, 2026 \u2022\u00a0<a href=\"https:\/\/rr.pt\/artigo\/33576\/aura-miguel\">Aura Miguel, enviada especial a Barcelona<\/a> \u2013 R\u00e1dio Renascen\u00e7a \u2013 introdu\u00e7\u00e3o e destaques<\/p>\n<p>Perguntas e respostas &#8211; Vaticano<\/p>\n<p>Em Barcelona, um rapaz e duas raparigas abriram o cora\u00e7\u00e3o ao Papa e partilharam os seus problemas com o mundo. Le\u00e3o XIV pediu medidas para a sa\u00fade mental e tamb\u00e9m alertou para o flagelo da viol\u00eancia dom\u00e9stica e das mulheres assassinadas pelos companheiros. &#8220;Todos somos chamados a enfrentar esta realidade dram\u00e1tica&#8221;, declarou.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17244\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/leao_xiv_barcelona.jpg\" alt=\"\" width=\"1081\" height=\"606\" srcset=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/leao_xiv_barcelona.jpg 1081w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/leao_xiv_barcelona-300x168.jpg 300w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/leao_xiv_barcelona-1024x574.jpg 1024w, https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/leao_xiv_barcelona-768x431.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1081px) 100vw, 1081px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depress\u00e3o profunda, tentativa de suic\u00eddio, sentido da vida, conflitos familiares, perd\u00e3o e press\u00e3o social. O Papa respondeu esta ter\u00e7a-feira a perguntas sobre temas dif\u00edceis colocadas por jovens no Est\u00e1dio Ol\u00edmpico &#8220;Llu\u00eds Companys&#8221;, em Barcelona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao quarto dia de visita a Espanha, Le\u00e3o XIV escutou as inquieta\u00e7\u00f5es das novas gera\u00e7\u00f5es, durante uma vig\u00edlia com momentos de grande emo\u00e7\u00e3o, e apontou alguns caminhos de luz em tempos sombrios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma jovem que tentou o suic\u00eddio ap\u00f3s uma depress\u00e3o profunda disse que recebeu uma segunda oportunidade na vida. Perguntou ao Papa onde encontrar Deus \u201cquando a escurid\u00e3o \u00e9 total\u201d e quando nada parece ter valor ou sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro caso partilhado no Est\u00e1dio Ol\u00edmpico envolveu um drama familiar. Uma jovem relatou que o pai tentou assassinar a m\u00e3e. Acabou por matar um rapaz que tentou intervir e foi preso. A m\u00e3e caiu no mundo da droga. A jovem foi institucionalizada e pergunta como pode perdoar o pai e onde estava Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num terceiro testemunho, um jovem falou da press\u00e3o da sociedade para o sucesso e a obsess\u00e3o com a imagem. Recentemente batizado, perguntou ao Papa como pode uma pessoa manter o foco no que verdadeiramente interessa na vida e como cada um pode descobrir a sua voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De seguida, transcrevemos um excerto das perguntas dos tr\u00eas jovens e das respostas do Papa Le\u00e3o XIV:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A sociedade pressiona para ter sucesso, mas s\u00f3 encontrei um vazio imenso. Como manter o olhar fixo no que realmente importa?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pergunta:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Santo Padre, crescemos a ouvir dizer que o \u00fanico objetivo na vida \u00e9 produzir, ter sucesso e cuidar da nossa imagem. Eu pr\u00f3prio tentei, mas s\u00f3 encontrei um vazio imenso. \u00c0 procura de respostas, a minha vida deu uma reviravolta e, nesta \u00faltima P\u00e1scoa, recebi o Batismo. J\u00e1 que este caminho ainda \u00e9 novo para mim, pergunto-lhe: como podemos manter o olhar voltado para o que realmente importa, quando a sociedade nos for\u00e7a a olhar, constantemente, para o ch\u00e3o ou apenas para n\u00f3s pr\u00f3prios? Como podemos descobrir a nossa verdadeira voca\u00e7\u00e3o no meio de tudo isto?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papa Le\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Obrigado por este testemunho. Primeiramente, gostaria de alegar-me contigo e com todos aqueles que, na P\u00e1scoa deste ano, receberam o Sacramento do Batismo. Muitos jovens e adultos est\u00e3o redescobrindo a f\u00e9 crist\u00e3, talvez ap\u00f3s uma fase da vida em que se tinham afastado um pouco de Deus. Trata-se de um passo verdadeiramente importante. Com efeito, tudo o que descobrimos, acolhemos e vivemos gradualmente ao longo do caminho contribui certamente para o nosso crescimento, para a nossa maturidade e para alargar espa\u00e7os de vida no nosso interior; mas, ao mesmo tempo, no meio das alegrias, das vit\u00f3rias e das derrotas, apercebemo-nos de que precisamos de uma outra \u00e1gua para nos saciar mais profundamente. O nosso desejo de verdade e felicidade necessita de um horizonte maior. E esta inquieta\u00e7\u00e3o \u00e9 um dom que o pr\u00f3prio Deus nos concedeu: fomos feitos \u00e0 medida do infinito e, por isso, todo o horizonte finito, cada passo, cada conquista, enquanto nos satisfaz, impulsiona-nos para a frente e convida-nos a continuar \u00e0 procura, a procurar avan\u00e7ando; mas, acima de tudo, a procurar \u201cdescendo interiormente\u201d, ou seja, indo ao mais profundo de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Volto, pois, \u00e0 quest\u00e3o com duas breves ideias. A primeira: \u00e9 necess\u00e1rio cultivar essa saud\u00e1vel inquieta\u00e7\u00e3o. Nas nossas sociedades, efetivamente, a idolatria do lucro e do rendimento, a \u00e2nsia de ter de produzir sempre e ser vencedores, bem como o culto da pr\u00f3pria imagem, n\u00e3o passam de anest\u00e9sicos para entorpecer a nossa consci\u00eancia e adapt\u00e1-la a uma certa ideia de sociedade. Quando as pessoas aprendem a parar, a valorizar as coisas importantes, a apreciar o tempo de um modo novo e a pensar na pr\u00f3pria vida deixando-se iluminar pelo Evangelho, desenvolvem tamb\u00e9m um pensamento cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o a um sistema social que d\u00e1 centralidade \u00e0 pessoa, provocando situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a e de pobreza existencial a v\u00e1rios n\u00edveis. \u00c9 por isso que a inquieta\u00e7\u00e3o assusta, assim como a descoberta da interioridade, da espiritualidade e, ainda mais, do Evangelho. Segunda ideia: \u00e9 neste mundo, e n\u00e3o num mundo diferente, que devemos cultivar a inquieta\u00e7\u00e3o. \u00c9 dentro desta sociedade que tu e tantos outros descobristes o valor duma vida mais humana, mais plena, aberta ao encontro com Deus e \u00e0 alegria da f\u00e9. Isto significa que, apesar das dificuldades, o lugar onde Deus se torna presente e onde devemos encontrar os seus sinais \u00e9 sempre a realidade em que nos encontramos. Cremos que o Esp\u00edrito Santo atua e trabalha silenciosamente em todas as situa\u00e7\u00f5es da vida e da hist\u00f3ria, mesmo naquelas que parecem mais dif\u00edceis. Por\u00e9m, devemos cultivar esta inquieta\u00e7\u00e3o e dar-lhe espa\u00e7o; como dizia, \u201cprocurar no interior\u201d, tentando n\u00e3o nos deixar oprimir pelos ritmos e sedu\u00e7\u00f5es externas, cultivando momentos de sil\u00eancio, talvez parando alguns minutos por dia para ler o Evangelho e falar com Deus; tamb\u00e9m tentando percorrer este caminho interior com outros, deixando-nos acompanhar nos percursos eclesiais e confrontando-nos com os sacerdotes, os religiosos, as pessoas que, como n\u00f3s, empreenderam este caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Perdi a batalha contra a depress\u00e3o e tentei acabar com a minha vida. Onde podemos ver Deus quando j\u00e1 n\u00e3o aguentamos mais?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pergunta:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Santo Padre, num mundo onde as coisas se exp\u00f5em em voz alta, h\u00e1 aspectos da vida que permanecem em sil\u00eancio, com vergonha. Tal \u00e9 a depress\u00e3o, uma doen\u00e7a silenciosa, que afeta muitas pessoas, jovens e adultos, acarretando escurid\u00e3o, isolamento e uma dor desmedida. Por vezes, esta dor \u00e9 t\u00e3o avassaladora, que a ideia de desaparecer parece ser a \u00fanica sa\u00edda. Eu pr\u00f3pria lutei para sair desta doen\u00e7a, em sil\u00eancio durante anos, e numa sexta-feira \u00e0 noite perdi a batalha e tentei tirar a minha pr\u00f3pria vida. Estou aqui porque Deus me deu uma segunda oportunidade, e a Ele estarei eternamente grata; mas h\u00e1 muitos outros que continuam a enfrentar esta escurid\u00e3o. Por isso, pergunto-lhe do fundo do cora\u00e7\u00e3o: onde podemos ver Deus quando a escurid\u00e3o \u00e9 absoluta e j\u00e1 n\u00e3o aguentamos mais? Como podemos confiar em Deus, quando parece que nada, nem mesmo n\u00f3s, vale a pena?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papa Le\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em primeiro lugar, obrigado por partilhares hoje a tua experi\u00eancia de sofrimento. Comove-me que consigas falar sobre isso, que estejas aqui entre n\u00f3s e que tenhas encontrado a for\u00e7a para acolher esta segunda oportunidade que o Senhor te concedeu. Tu levantaste-te e retomaste o caminho, e este \u00e9 um milagre maravilhoso que vemos em muitas personagens do Evangelho: no encontro com Jesus, mesmo quem se sente perdido, recupera a confian\u00e7a na vida, cura a doen\u00e7a e consegue levantar-se para voltar a viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na tua pergunta, referiste, em primeiro lugar a \u201cdoen\u00e7a silenciosa\u201d que \u00e9 a depress\u00e3o, e \u00e9 importante tomar consci\u00eancia de como a sa\u00fade mental se v\u00ea cada vez mais amea\u00e7ada no contexto de sociedades que se consideram avan\u00e7adas. \u00c9 um sinal de que h\u00e1 algo profundamente errado numa certa ideia de crescimento que submete as pessoas a press\u00f5es, expectativas e tens\u00f5es que comprometem equil\u00edbrios fundamentais. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio um sistema de sa\u00fade que inclua entre as suas prioridades este mal-estar invis\u00edvel e generalizado, que tamb\u00e9m afeta os jovens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As tuas palavras, no entanto, mostraram-nos ainda que a dor p\u00f5e \u00e0 prova a f\u00e9 e o sentido que damos \u00e0 vida. Isto \u00e9 verdade para todos e n\u00e3o apenas para aqueles que, nalgum momento, enfrentam a prova\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Enquanto te ouvia, pensei naqueles instantes de escurid\u00e3o, ang\u00fastia e dor que Jesus viveu quando a hora da sua morte se aproximava. Os Evangelhos, nos momentos da \u00daltima Ceia e da ora\u00e7\u00e3o no Gets\u00e9mani, sublinham que entardecia, que estava a escurecer, assim como, pouco antes de morrer na cruz, nos dizem que \u201cas trevas envolveram toda a terra\u201d. No entanto, n\u00e3o se trata, na verdade, apenas dum sofrimento pessoal; o Filho de Deus est\u00e1 a assumir na sua pr\u00f3pria carne toda a ang\u00fastia, solid\u00e3o e sofrimento da humanidade. Nestas horas sombrias, morrendo na cruz, Jesus partilha a nossa dor e revela-nos o rosto de um Deus compassivo, que carrega as nossas dores, que sofre connosco, chora as nossas l\u00e1grimas e permanece ao nosso lado com a sua presen\u00e7a cheia de amor e miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Passar por esta experi\u00eancia \u00e9 dif\u00edcil, como atestam v\u00e1rias vezes as Sagradas Escrituras; h\u00e1 momentos de escurid\u00e3o e sofrimento que a nossa sociedade silencia, porque, precisamente, alguns modelos culturais querem que sejamos sempre vencedores e perfeitos e, por isso, o limite, a fragilidade e a dor devem ser eliminados ou confinados ao sil\u00eancio ensurdecedor da solid\u00e3o, e mesmo da vergonha. E, nestes momentos, podemos pensar instintivamente que tamb\u00e9m Deus nos abandonou. Contudo, a cruz de Jesus diz-nos que Deus n\u00e3o nos abandona, que no momento da dor e da solid\u00e3o extrema, Ele continua crucificado connosco, acolhe n\u00e3o s\u00f3 as nossas l\u00e1grimas, mas tamb\u00e9m o grito do nosso sofrimento que outros n\u00e3o escutam, um grito que Jesus fez seu na cruz, dizendo: \u201cMeu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?\u201d. H\u00e1 uma catequese sobre as \u00faltimas horas de Jesus, na qual Bento XVI diz que o seu sofrimento se transforma em ora\u00e7\u00e3o e em clamor, e que isso tamb\u00e9m se aplica a n\u00f3s: perante as situa\u00e7\u00f5es mais dif\u00edceis e dolorosas, quando Deus parece ausente, devemos confiar-lhe mais uma vez os fardos que carregamos no cora\u00e7\u00e3o, chegando mesmo a gritar por Ele ou a protestar como Job, certos de que, de alguma forma, Ele se faz presente e est\u00e1 perto, mesmo quando aparentemente n\u00e3o fala. Penso, por\u00e9m, que n\u00e3o podemos faz\u00ea-lo sozinhos. Nas horas de dor, pelo menos na medida do poss\u00edvel, devemos abrir-nos com algu\u00e9m que nos ajude a fazer uma ora\u00e7\u00e3o simples, que nos acompanhe com discri\u00e7\u00e3o, sem a pressa de nos explicar a dor, que nos pegue pela m\u00e3o e nos fa\u00e7a sair desse grito. Estas experi\u00eancias oferecem tamb\u00e9m uma mensagem a n\u00f3s, crentes, a toda a Igreja: n\u00e3o devemos espiritualizar a dor, reconduzindo-a superficialmente \u00e0 \u201cvontade de Deus\u201d ou a algum seu projeto misterioso, porque corre-se o risco de minimizar esse sofrimento, de o silenciar, de ferir as pessoas. Deus n\u00e3o quer o sofrimento, Ele carrega-o connosco e convida-nos a confiar n\u2019Ele, de forma perseverante. Recordemos o que dizia o Papa Francisco: com Deus, a vida sempre renasce.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c0s vezes, olho para o c\u00e9u e pergunto: Onde estavas quando eu era crian\u00e7a? Santo Padre, como posso perdoar ao meu pai, que quase me deixou sem m\u00e3e? Como posso reconciliar-me com Deus?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pergunta:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Boa noite, Santo Padre. Sou duma fam\u00edlia dum bairro muito humilde de Barcelona. Quando eu era pequena, o meu pai tentou matar a minha m\u00e3e, e ela salvou-se porque um rapaz se interp\u00f4s e, por isso, acabou por morrer. O meu pai foi para a pris\u00e3o e a minha m\u00e3e entrou no mundo da droga. Aos dez anos, os servi\u00e7os sociais assumiram a minha tutela e levaram-me para o centro de menores de San Jos\u00e9 de la Monta\u00f1a. No in\u00edcio, foi dif\u00edcil, pois tinha criado uma barreira para me proteger, onde n\u00e3o deixava ningu\u00e9m entrar. Entretanto, pouco a pouco, experimentei, pela primeira vez, o amor de fam\u00edlia, e o meu cora\u00e7\u00e3o foi-se abrindo. L\u00e1, falaram-me de Jesus, comecei a rezar e fui batizada. Mas, na minha adolesc\u00eancia, revoltei-me muitas vezes contra Deus. Convidaram-me para um retiro e ali, pela primeira vez, experimentei o amor de Deus. S\u00f3 que j\u00e1 se passaram alguns meses e ainda sinto dificuldade em perdoar o meu pai. \u00c0s vezes, levanto os olhos para o C\u00e9u e pergunto-lhe: \u201cOnde estavas quando eu era crian\u00e7a?\u201d. Santo Padre, como posso perdoar o meu pai, que esteve prestes a deixar-me sem m\u00e3e? Como posso reconciliar-me verdadeiramente com Deus?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Papa Le\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Obrigado pelo teu testemunho e obrigado tamb\u00e9m pela pergunta sobre o perd\u00e3o. \u00c9 realmente um sinal da gra\u00e7a de Deus que esta pergunta surja de um passado t\u00e3o marcado pelo sofrimento e que, apesar da dor, se tenha a coragem de perguntar como \u00e9 poss\u00edvel perdoar quem nos fez mal. Gostaria de dizer tamb\u00e9m aqui duas coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A primeira complementa o que eu dizia anteriormente sobre a presen\u00e7a de Deus nos momentos de sofrimento. No fundo, tamb\u00e9m tu colocas esta mesma quest\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tua inf\u00e2ncia, mas o contexto em que se desenrolaram os acontecimentos da tua vida pede-nos que alarguemos o \u00e2mbito da nossa interroga\u00e7\u00e3o: devemos perguntar-nos \u201cOnde estava Deus?\u201d ou devemos antes questionar-nos sobre o homem e a humanidade; sobre como, por vezes, somos prisioneiros do mal a ponto de nos tornarmos violentos com as pessoas; sobre como n\u00e3o conseguimos cultivar o amor e o respeito pela dignidade e a liberdade dos outros? Ainda hoje, tantas not\u00edcias policiais refletem um clima envenenado nas rela\u00e7\u00f5es familiares, marcado por abusos e opress\u00f5es e, em particular, pela viol\u00eancia contra as mulheres, que, com muita frequ\u00eancia, infelizmente, terminam tamb\u00e9m em feminic\u00eddios. Todos n\u00f3s somos chamados a enfrentar esta realidade dram\u00e1tica \u2013 que tem ra\u00edzes antropol\u00f3gicas e culturais \u2013 seja a n\u00edvel pessoal, seja enquanto sociedade, pois cabe-nos combat\u00ea-la em todas as suas dimens\u00f5es. N\u00e3o podemos atribuir a Deus aquilo que nos foi confiado como nossa responsabilidade; n\u00e3o podemos imaginar que Deus, l\u00e1 do alto, responda \u00e0s nossas necessidades de forma autom\u00e1tica ou impe\u00e7a milagrosamente que o mal aconte\u00e7a. Ele dotou-nos de intelig\u00eancia e vontade, deu-nos uma consci\u00eancia, revestiu-nos de dignidade e liberdade e, principalmente, veio ao nosso encontro para nos indicar, no seu Filho Jesus Cristo, o caminho a seguir para que a nossa vida seja plenamente humana e para que na nossa sociedade reinem a justi\u00e7a, a paz e a fraternidade. Ele deu-nos o pr\u00f3prio Esp\u00edrito, precisamente para que o amor seja a chave de todas as nossas rela\u00e7\u00f5es humanas. Se existe viol\u00eancia, se triunfa o ego\u00edsmo, se at\u00e9 mesmo o amor entre familiares se transforma em \u00f3dio, devemos fazer algumas perguntas a n\u00f3s pr\u00f3prios, \u00e0s din\u00e2micas da nossa sociedade, \u00e0 cultura do individualismo, \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, e n\u00e3o a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma segunda observa\u00e7\u00e3o diz respeito ao perd\u00e3o. Devemos aprender a considerar o perd\u00e3o, esse poderoso rem\u00e9dio contra o mal, que cura as nossas feridas interiores, como algo que faz parte de um processo, de um caminho. O pr\u00f3prio Evangelho, se o lermos como um livro de instru\u00e7\u00f5es, mandamentos e deveres, corre o risco de nos causar muito des\u00e2nimo e frustra\u00e7\u00e3o, porque Jesus nos convida ao perd\u00e3o e n\u00f3s sentimos que n\u00e3o somos capazes. E, no entanto, n\u00e3o \u00e9 assim. O perd\u00e3o, primordialmente, deve ser invocado do Senhor; continuar a pedir \u2013 talvez durante toda a vida \u2013 que Ele amplie em n\u00f3s o espa\u00e7o do amor, chegando precisamente ali onde fomos feridos; que nos ajude a reconciliar-nos connosco mesmos e com essa parte da nossa hist\u00f3ria marcada pelo sofrimento; e que transforme lentamente o ressentimento em miseric\u00f3rdia e compaix\u00e3o. \u00c9 um longo caminho; um processo que exige muita paci\u00eancia; um trabalho que devemos realizar connosco pr\u00f3prios, tanto a n\u00edvel pessoal como atrav\u00e9s de outros itiner\u00e1rios de acompanhamento e tamb\u00e9m de reconcilia\u00e7\u00e3o interior. E \u00e9 preciso n\u00e3o desanimar: no perd\u00e3o, avan\u00e7a-se a pequenos passos. A reconcilia\u00e7\u00e3o com a hist\u00f3ria \u00e9 gradual e, por isso, n\u00e3o devemos pensar que o perd\u00e3o significa sempre e em todos os casos voltar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o inicial ou a viver uma rela\u00e7\u00e3o plena com aqueles que nos magoaram, especialmente quando o que aconteceu foi marcado tamb\u00e9m pela viol\u00eancia. Pode-se manter uma boa disposi\u00e7\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa, rejeitar qualquer forma de \u00f3dio ou vingan\u00e7a, esfor\u00e7ar-se por reparar o relacionamento na medida do poss\u00edvel e, talvez, rezar por ele ou por ela: tudo isto ajuda-nos a entrar cada vez mais na din\u00e2mica do perd\u00e3o e a reconciliar-nos com Deus e com os outros. Somos pecadores perdoados, estamos em paz e somos capazes de perdoar; capazes de ser portadores de paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Papa-Leao-XIV-aos-Jovens-em-Barcelona-09.06.2026.pdf\">Papa Le\u00e3o XIV aos Jovens em Barcelona-09.06.2026<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Barcelona, um rapaz e duas raparigas abriram o cora\u00e7\u00e3o ao Papa e partilharam os seus problemas com o mundo. <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":17246,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"categories":[68],"tags":[],"class_list":["post-17243","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17243","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17243"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17243\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17247,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17243\/revisions\/17247"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/17246"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17243"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17243"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17243"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}