{"id":17670,"date":"2026-09-21T11:41:15","date_gmt":"2026-09-21T10:41:15","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=17670"},"modified":"2026-09-21T11:41:15","modified_gmt":"2026-09-21T10:41:15","slug":"mensagem-do-papa-leao-xiv-para-o-cxii-dia-mundial-do-migrante-e-do-refugiado-27-setembro-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=17670","title":{"rendered":"Mensagem do Papa Le\u00e3o XIV para o CXII Dia Mundial do Migrante e do Refugiado &#8211; 27 setembro 2026"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9814 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/pope.png\" alt=\"\" width=\"104\" height=\"120\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>MENSAGEM DE SUA SANTIDADE LE\u00c3O XIV<br \/>\nPOR OCASI\u00c3O DO 112\u00ba DIA MUNDIAL DO MIGRANTE E DO REFUGIADO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>(27 de setembro de 2026)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Mesmo uma s\u00f3 destas crian\u00e7as (cf. Mt 18, 10)<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ano ap\u00f3s ano, o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado convida-nos a dirigir o nosso olhar para diferentes aspectos do complexo fen\u00f3meno migrat\u00f3rio. Para este 112\u00ba Dia, o tema <em>\u00abMesmo uma s\u00f3 destas crian\u00e7as\u00bb <\/em>chama a nossa aten\u00e7\u00e3o para os menores diretamente envolvidos na experi\u00eancia da migra\u00e7\u00e3o e da fuga, para a solicitude com eles e para a promessa do Senhor: \u00abquem receber um destes meninos em meu nome \u00e9 a mim que recebe\u00bb (<em>Mc<\/em> 9, 37).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Menores deslocados: uma realidade complexa de vulnerabilidade<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os menores s\u00e3o os mais vulner\u00e1veis no seio dos fluxos migrat\u00f3rios mundiais. S\u00e3o rostos concretos, hist\u00f3rias \u00fanicas, que apelam \u00e0 nossa consci\u00eancia. Todos os anos, milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes s\u00e3o obrigados a abandonar a sua terra devido a guerras, pobreza, viol\u00eancia, cat\u00e1strofes ambientais e outras trag\u00e9dias; e, infelizmente, este n\u00famero continua a aumentar. As responsabilidades econ\u00f3micas, pol\u00edticas e militares por este desastre s\u00e3o imensas. O sofrimento n\u00e3o se esgota na simples desloca\u00e7\u00e3o: h\u00e1 jovens que perderam pais, irm\u00e3os, irm\u00e3s e amigos e s\u00e3o testemunhas de viol\u00eancias indescrit\u00edveis. Outros, separados durante longos per\u00edodos dos seus familiares, tentam reunir-se com eles, vivendo, entretanto, a ang\u00fastia do afastamento. H\u00e1 ainda menores que enfrentam a viagem juntamente com os pais, expostos a condi\u00e7\u00f5es extremas e traum\u00e1ticas. Por fim, n\u00e3o podemos esquecer a situa\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica daqueles que s\u00e3o separados dos pais devido ao repatriamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A este cen\u00e1rio, em si j\u00e1 dram\u00e1tico, somam-se outras trag\u00e9dias: as mortes ao longo das rotas migrat\u00f3rias, o tr\u00e1fico e a explora\u00e7\u00e3o, o recrutamento de menores para o emprego em conflitos armados, a viol\u00eancia sexual, os casamentos for\u00e7ados e as atrocidades sofridas ou testemunhadas durante a viagem. A sua dignidade \u00e9 espezinhada de demasiadas formas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt.html\">Papa Francisco<\/a>, na <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/migration\/documents\/papa-francesco_20160908_world-migrants-day-2017.html\">Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2017<\/a>, dedicada ao tema \u00abMigrantes de menor idade, vulner\u00e1veis e sem voz\u00bb, recordou que as crian\u00e7as \u00abs\u00e3o tr\u00eas vezes mais vulner\u00e1veis \u2013 porque de menor idade, porque estrangeiras e porque indefesas \u2013 quando, por v\u00e1rios motivos, s\u00e3o for\u00e7adas a viver longe da sua terra natal e separadas do carinho familiar\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, no meio de tanta escurid\u00e3o, n\u00e3o falta a luz da solidariedade: pessoas, fam\u00edlias, institui\u00e7\u00f5es civis e comunidades eclesiais optam por n\u00e3o virar as costas (cf. <em>Lc<\/em> 10, 29-37). Pensemos nas fam\u00edlias que abrem as portas das suas casas para devolver o calor de um lar a estas crian\u00e7as, nos educadores das comunidades de acolhimento, nos volunt\u00e1rios e nos profissionais que, todos os dias, ao longo das rotas e nas nossas cidades, se dedicam a cuidar das feridas invis\u00edveis destes pequenos. Com o seu empenho, testemunham que o amor pode vencer a indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Mesmo uma s\u00f3 destas crian\u00e7as<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perante esta realidade dram\u00e1tica, penso numa palavra de Jesus que interpela profundamente a consci\u00eancia de cada um: \u00abQuem receber um menino como este, em meu nome, \u00e9 a mim que recebe\u00bb (<em>Mt<\/em> 18, 5). N\u00e3o se trata de n\u00fameros ou estat\u00edsticas. O Evangelho convida-nos a n\u00e3o fazer c\u00e1lculos: <em>mesmo uma s\u00f3<\/em>. Cada crian\u00e7a, cada ser humano possui uma dignidade infinita. \u00c9 imagem e semelhan\u00e7a de Deus (cf. <em>Gn<\/em> 1, 26), \u00e9 presen\u00e7a do Senhor. Perante cada menor migrante, somos chamados a realizar um ato de humanidade e de f\u00e9: na crian\u00e7a, com efeito, podemos acolher e encontrar o Senhor. Este apelo torna-se ainda mais premente \u00e0 luz da outra afirma\u00e7\u00e3o do Senhor no Evangelho de Mateus: \u00abEra estrangeiro e acolhestes-me\u00bb (<em>Mt<\/em> 25, 35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente, os menores migrantes s\u00e3o mais facilmente reduzidos \u00e0 invisibilidade por n\u00e3o terem adultos que os protejam e apoiem. \u00c9 necess\u00e1rio intervir nos pa\u00edses de origem para eliminar as eventuais causas que os obrigam a fugir, al\u00e9m de oferecer prote\u00e7\u00e3o e acolhimento nos pa\u00edses de tr\u00e2nsito e de chegada. O clamor dos menores deslocados eleva-se hoje a Deus, tal como aquele que foi escutado no livro do \u00caxodo: \u00abVi a opress\u00e3o do meu povo que est\u00e1 no Egito, e ouvi o seu clamor diante dos seus inspetores; conhe\u00e7o, na verdade, os seus sofrimentos.\u00a0Desci a fim de o libertar\u00bb (<em>\u00cax<\/em> 3, 7-8). Deus escuta e, para libertar, interpela com for\u00e7a a consci\u00eancia e a a\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s, tal como fez com Mois\u00e9s. N\u00e3o podemos permanecer indiferentes, nem habituar-nos a tanto sofrimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Um apelo \u00e0 responsabilidade de todos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Na nossa vida pessoal<\/em>, mesmo uma s\u00f3 destas crian\u00e7as chama-nos a abrir os olhos e o cora\u00e7\u00e3o para uma escuta profunda da sua hist\u00f3ria, dos receios e dos sonhos de cada uma delas, superando aquele distanciamento que reduz o ser humano a um dado estat\u00edstico que n\u00e3o nos envolve diretamente. \u00c9 um convite a reconhecer a crian\u00e7a na sua dignidade, antes mesmo da sua condi\u00e7\u00e3o de \u201cmigrante\u201d, e a proteger os seus direitos fundamentais: \u00e0 vida, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, a um n\u00edvel de exist\u00eancia que lhe permita crescer e desenvolver-se plenamente do ponto de vista f\u00edsico, mental, espiritual, moral e social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Na vida eclesial<\/em>, mesmo uma s\u00f3 destas crian\u00e7as chama-nos a fazer do acolhimento n\u00e3o um conceito abstrato, mas uma pr\u00e1tica pastoral constante. N\u00e3o podemos limitar-nos a delegar esta tarefa a institui\u00e7\u00f5es ou associa\u00e7\u00f5es dotadas de um carisma espec\u00edfico: perante os rostos concretos que nos interpelam no quotidiano, toda a comunidade crist\u00e3 \u00e9 chamada a consider\u00e1-los seus filhos e a aproximar-se da hist\u00f3ria concreta de cada um. \u00c9 necess\u00e1rio encorajar as comunidades crist\u00e3s \u00e0 integra\u00e7\u00e3o e \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o dos refugiados e migrantes como membros de pleno direito da fam\u00edlia eclesial, promovendo novos percursos educativos e espirituais, inclusive personalizados, que ultrapassem a l\u00f3gica do mero assistencialismo. Em particular, \u00e9 fundamental prevenir a solid\u00e3o, o isolamento e a rejei\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o raro afetam tamb\u00e9m os filhos dos migrantes, e promover din\u00e2micas de encontro e integra\u00e7\u00e3o nas quais os jovens locais e os jovens migrantes possam fortalecer-se mutuamente, num percurso de respeito m\u00fatuo, solidariedade e amizade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>No contexto das diferentes religi\u00f5es<\/em>, mesmo uma s\u00f3 destas crian\u00e7as recorda-nos que a vulnerabilidade dos menores n\u00e3o conhece fronteiras confessionais e une-nos numa responsabilidade humanit\u00e1ria e espiritual partilhada. Esta responsabilidade torna-se um terreno f\u00e9rtil para um di\u00e1logo inter-religioso concreto, onde os fi\u00e9is, inspirando-se no pr\u00f3prio sentido de transcend\u00eancia, cooperem na constru\u00e7\u00e3o de redes de prote\u00e7\u00e3o. As comunidades de f\u00e9 s\u00e3o chamadas a construir espa\u00e7os onde cada menina e cada menino sejam respeitados e valorizados nas respectivas identidades culturais, prevenindo o risco de radicaliza\u00e7\u00e3o por parte de grupos extremistas. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, proteger um menor significa salvaguardar a marca divina nele impressa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>No contexto das institui\u00e7\u00f5es civis<\/em>, mesmo uma s\u00f3 destas crian\u00e7as chama-nos a reafirmar o princ\u00edpio do interesse superior do menor. As institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas s\u00e3o obrigadas a dar centralidade \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e \u00e0 dignidade de cada crian\u00e7a e adolescente. Isto implica a ado\u00e7\u00e3o de instrumentos jur\u00eddicos eficazes de prote\u00e7\u00e3o, promovendo o reagrupamento familiar e evitando os traumas da separa\u00e7\u00e3o. Urge uma mudan\u00e7a de perspectiva: \u00e9 necess\u00e1rio deslocar o eixo do debate da mera gest\u00e3o dos fluxos para a tutela plena e imediata dos direitos humanos, adotando \u00abuma resposta coordenada, solid\u00e1ria e eficaz, capaz de garantir prote\u00e7\u00e3o, acolhimento e oportunidades reais de integra\u00e7\u00e3o a quem emigra\u00bb (<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/speeches\/2026\/giugno\/documents\/20260608-spagna-parlamento.html\"><em>Discurso aos membros do Parlamento espanhol<\/em><\/a><em>,<\/em> Madrid, 8 de junho de 2026).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confiemos os menores migrantes e refugiados \u00e0 prote\u00e7\u00e3o maternal da Sant\u00edssima Virgem Maria, que, juntamente com S\u00e3o Jos\u00e9 e com Jesus ainda crian\u00e7a, conheceu a feroz viol\u00eancia de Herodes e o drama do ex\u00edlio no Egito (cf. <em>Mt<\/em> 2, 13-15); que seja Ela a acompanhar os seus passos e a ajudar as nossas comunidades a tornarem-se sinais vivos e fidedignos do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Vaticano, 11 de agosto de 2026, mem\u00f3ria de Santa Clara de Assis.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LE\u00c3O PP. XIV<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Mensagem-do-Papa-Leao-XIV-para-o-CXII-Dia-Mundial-do-Migrante-e-do-Refugiado-27-setembro-2026.pdf\">Mensagem do Papa Le\u00e3o XIV para o CXII Dia Mundial do Migrante e do Refugiado &#8211; 27 setembro 2026<\/a> (PDF)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ano ap\u00f3s ano, o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado convida-nos a dirigir o nosso olhar para diferentes aspectos  &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15146,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"categories":[104,68],"tags":[],"class_list":["post-17670","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-papa-leao-xiv","category-ultimas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17670","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17670"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17670\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17671,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17670\/revisions\/17671"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/15146"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17670"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17670"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17670"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}