{"id":8100,"date":"2020-10-03T09:46:50","date_gmt":"2020-10-03T08:46:50","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=8100"},"modified":"2021-08-24T09:50:24","modified_gmt":"2021-08-24T08:50:24","slug":"carta-enciclica-fratelli-tutti-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=8100","title":{"rendered":"Carta Enc\u00edclica Fratelli Tutti &#8211; Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Duas ora\u00e7\u00f5es e oito frases marcantes de cada um dos oito cap\u00edtulos<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><em>1 &#8211; \u201cAs sombras dum mundo fechado\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u00abEm v\u00e1rios pa\u00edses, uma certa no\u00e7\u00e3o de unidade do povo e da na\u00e7\u00e3o, penetrada por diferentes ideologias, cria novas formas de ego\u00edsmo e de perda do sentido social mascaradas por uma suposta defesa dos interesses nacionais.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abOs conflitos locais e o desinteresse pelo bem comum s\u00e3o instrumentalizados pela economia global para impor um modelo cultural \u00fanico. Esta cultura unifica o mundo, mas divide as pessoas e as na\u00e7\u00f5es.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abNota-se a penetra\u00e7\u00e3o cultural de uma esp\u00e9cie de \u201cdesconstrucionismo\u201d, em que a liberdade humana pretende construir tudo a partir do zero. De p\u00e9, deixa apenas a necessidade de consumir sem limites e a acentua\u00e7\u00e3o de muitas formas de individualismo sem conte\u00fado.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abUma maneira eficaz de dissolver a consci\u00eancia hist\u00f3rica, o pensamento cr\u00edtico, o empenho pela justi\u00e7a e os percursos de integra\u00e7\u00e3o \u00e9 esvaziar de sentido ou manipular as \u201cgrandes\u201d palavras. Que significado t\u00eam hoje palavras como democracia, liberdade, justi\u00e7a, unidade? Foram manipuladas e desfiguradas para utiliz\u00e1-las como instrumento de dom\u00ednio, como t\u00edtulos vazios de conte\u00fado que podem servir para justificar qualquer a\u00e7\u00e3o.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abNega-se a outros o direito de existir e pensar e, para isso, recorre-se \u00e0 estrat\u00e9gia de ridiculariz\u00e1-los, insinuar suspeitas sobre eles e reprimi-los. N\u00e3o se acolhe a sua parte da verdade, os seus valores, e assim a sociedade empobrece-se e acaba reduzida \u00e0 prepot\u00eancia do mais forte.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abTanto na propaganda de alguns regimes pol\u00edticos populistas como na leitura de abordagens econ\u00f3mico-liberais, defende-se que \u00e9 preciso evitar a todo o custo a chegada de pessoas migrantes. Simultaneamente, argumenta-se que conv\u00e9m limitar a ajuda aos pa\u00edses pobres, para que toquem o fundo e decidam adotar medidas de austeridade. N\u00e3o se d\u00e3o conta que, atr\u00e1s destas afirma\u00e7\u00f5es abstratas e dif\u00edceis de sustentar, h\u00e1 muitas vidas dilaceradas.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abA sabedoria n\u00e3o se fabrica com buscas impacientes na internet, nem \u00e9 um somat\u00f3rio de informa\u00e7\u00f5es cuja veracidade n\u00e3o est\u00e1 garantida. Desta forma, n\u00e3o se amadurece no encontro com a verdade.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abAs conversas giram, em \u00faltima an\u00e1lise, ao redor das not\u00edcias mais recentes; s\u00e3o meramente horizontais e cumulativas. Mas n\u00e3o se presta uma aten\u00e7\u00e3o prolongada e penetrante ao cora\u00e7\u00e3o da vida, nem se reconhece o que \u00e9 essencial para dar um sentido \u00e0 exist\u00eancia.\u00bb<\/p>\n<p>\u00a0<em>2 \u2013 \u201cUm estranho no caminho\u201d[sobre a par\u00e1bola do bom samaritano]<\/em><\/p>\n<p>\u00abCrescemos em muitos aspetos, mas somos analfabetos no acompanhar, cuidar e sustentar os mais fr\u00e1geis e vulner\u00e1veis das nossas sociedades desenvolvidas. Habituamo-nos a olhar para o outro lado, a passar \u00e0 margem, a ignorar as situa\u00e7\u00f5es at\u00e9 elas nos ca\u00edrem diretamente em cima.\u00bb<\/p>\n<p>\u00ab[A par\u00e1bola do bom samaritano] \u00e9 um apelo sempre novo: que a sociedade se oriente para a prossecu\u00e7\u00e3o do bem comum e, a partir deste objetivo, reconstrua incessantemente a sua ordem pol\u00edtica e social, o tecido das suas rela\u00e7\u00f5es, o seu projeto humano.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abViver indiferentes \u00e0 dor n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o poss\u00edvel; n\u00e3o podemos deixar ningu\u00e9m ca\u00eddo \u201cnas margens da vida\u201d.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abDeixemos que outros continuem a pensar na pol\u00edtica ou na economia para os seus jogos de poder. Alimentemos o que \u00e9 bom e coloquemo-nos ao servi\u00e7o do bem.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abA proposta \u00e9 fazer-se presente a quem precisa de ajuda, independentemente de fazer parte ou n\u00e3o do pr\u00f3prio c\u00edrculo de perten\u00e7a. (\u2026) Assim, j\u00e1 n\u00e3o digo que tenho \u201cpr\u00f3ximos\u201d a quem devo ajudar, mas que me sinto chamado a tornar-me eu um pr\u00f3ximo dos outros.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abEste encontro misericordioso entre um samaritano e um judeu \u00e9 uma forte provoca\u00e7\u00e3o, que desmente toda a manipula\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, desafiando-nos a ampliar o nosso c\u00edrculo, a dar \u00e0 \u00a0nossa capacidade de amar uma dimens\u00e3o universal capaz de ultrapassar todos os preconceitos, todas as barreiras hist\u00f3ricas ou culturais, todos os interesses mesquinhos.\u00bb<\/p>\n<p>\u00ab\u00c0s vezes deixa-me triste o facto de, apesar de estar dotada de tais motiva\u00e7\u00f5es, a Igreja ter demorado tanto tempo a condenar energicamente a escravatura e v\u00e1rias formas de viol\u00eancia.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abA f\u00e9, com o humanismo que inspira, deve manter vivo um sentido cr\u00edtico perante estas tend\u00eancias e ajudar a reagir rapidamente quando come\u00e7am a insinuar-se. Para isso, \u00e9 importante que a catequese e a prega\u00e7\u00e3o incluam, de forma mais direta e clara, o sentido social da exist\u00eancia, a dimens\u00e3o fraterna da espiritualidade, a convic\u00e7\u00e3o sobre a dignidade inalien\u00e1vel de cada pessoa e as motiva\u00e7\u00f5es para amar e acolher a todos.\u00bb<\/p>\n<p>\u00a0<em>3 \u2013 \u201cPensar e gerar um mundo aberto\u201d<\/em><\/p>\n<p>\n\u00abH\u00e1 um aspeto da abertura universal do amor que n\u00e3o \u00e9 geogr\u00e1fico, mas existencial: a capacidade di\u00e1ria de alargar o meu c\u00edrculo, chegar \u00e0queles que espontaneamente n\u00e3o sinto como parte do meu mundo de interesses, embora se encontrem perto de mim. Por outro lado, cada irm\u00e3 ou cada irm\u00e3o que sofre, abandonado ou ignorado pela minha sociedade, \u00e9 um estrangeiro existencial, embora tenha nascido no mesmo pa\u00eds.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abO individualismo radical \u00e9 o v\u00edrus mais dif\u00edcil de vencer. Ilude. Faz-nos crer que tudo se reduz a deixar \u00e0 r\u00e9dea solta as pr\u00f3prias ambi\u00e7\u00f5es, como se, acumulando ambi\u00e7\u00f5es e seguran\u00e7as individuais, pud\u00e9ssemos construir o bem comum.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abSe a sociedade se reger primariamente pelos crit\u00e9rios da liberdade de mercado e da efici\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 lugar para tais pessoas [pessoa com defici\u00eancia, algu\u00e9m que nasceu num lar extremamente pobre, algu\u00e9m que cresceu com uma educa\u00e7\u00e3o de baixa qualidade e com reduzidas possibilidades para cuidar adequadamente das suas enfermidades], e a fraternidade n\u00e3o passar\u00e1 de uma palavra rom\u00e2ntica.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abO direito \u00e0 propriedade privada s\u00f3 pode ser considerado como um direito natural secund\u00e1rio e derivado do princ\u00edpio do destino universal dos bens criados, e isto tem consequ\u00eancias muito concretas que se devem refletir no funcionamento da sociedade. Mas acontece, muitas vezes, que os direitos secund\u00e1rios se sobrep\u00f5em aos priorit\u00e1rios e primordiais, deixando-os sem relev\u00e2ncia pr\u00e1tica.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abComo \u00e9 inaceit\u00e1vel que uma pessoa tenha menos direitos pelo simples facto de ser mulher, de igual modo \u00e9 inaceit\u00e1vel que o local de nascimento ou de resid\u00eancia determine, por si s\u00f3, menores oportunidades de vida digna e de desenvolvimento.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abO direito de alguns \u00e0 liberdade de empresa ou de mercado n\u00e3o pode estar acima dos direitos dos povos e da dignidade dos pobres; nem acima do respeito pelo ambiente.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abEm muitos casos, o pagamento da d\u00edvida n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o favorece o desenvolvimento, mas limita-o e condiciona-o intensamente.\u00bb<\/p>\n<p>Trata-se, sem d\u00favida, doutra l\u00f3gica. Se n\u00e3o se fizer esfor\u00e7o para entrar nesta l\u00f3gica, as minhas palavras parecer\u00e3o um devaneio. Mas, se se aceita o grande princ\u00edpio dos direitos que brotam do simples facto de possuir a inalien\u00e1vel dignidade humana, \u00e9 poss\u00edvel aceitar o desafio de sonhar e pensar numa humanidade diferente. \u00c9 poss\u00edvel desejar um planeta que garanta terra, teto e trabalho para todos. Este \u00e9 o verdadeiro caminho da paz, e n\u00e3o a estrat\u00e9gia insensata e m\u00edope de semear medo e desconfian\u00e7a perante amea\u00e7as externas.\u00bb<\/p>\n<p>\u00a0<em>4 \u2013 \u201cUm cora\u00e7\u00e3o aberto ao mundo inteiro\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u00abAs v\u00e1rias culturas, cuja riqueza se foi criando ao longo dos s\u00e9culos, devem ser salvaguardadas para que o mundo n\u00e3o fique mais pobre. Isso, por\u00e9m, sem deixar de as estimular a que permitam surgir de si mesmas algo de novo no encontro com outras realidades. N\u00e3o se pode ignorar o risco de acabarem v\u00edtimas duma esclerose cultural.\u00bb<\/p>\n<p>Existe a gratuitidade: \u00e9 a capacidade de fazer algumas coisas, pelo simples facto de serem boas, sem olhar a \u00eaxitos nem esperar receber imediatamente algo em troca. Isto permite acolher o estrangeiro, mesmo que n\u00e3o traga de imediato benef\u00edcios palp\u00e1veis. Mas h\u00e1 pa\u00edses que pretendem receber apenas cientistas ou investidores.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abO universal n\u00e3o deve ser o dom\u00ednio homog\u00e9neo, uniforme e padronizado de uma \u00fanica forma cultural imperante, que perder\u00e1 as cores do poliedro e ficar\u00e1 enfadonha.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abH\u00e1 narcisismos bairristas que n\u00e3o expressam um amor sadio pelo pr\u00f3prio povo e a sua cultura. Escondem um esp\u00edrito fechado que, devido a uma certa inseguran\u00e7a e medo do outro, prefere criar muralhas defensivas para sua salvaguarda. Mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ser saudavelmente local sem uma sincera e cordial abertura ao universal, sem se deixar interpelar pelo que acontece noutras partes, sem se deixar enriquecer por outras culturas, nem se solidarizar com os dramas dos outros povos. Este \u00ablocalismo\u00bb encerra-se obsessivamente numas poucas ideias, costumes e seguran\u00e7as, revelando-se incapaz de admirar as m\u00faltiplas possibilidades e belezas que oferece o mundo inteiro, e carecendo de uma solidariedade aut\u00eantica e generosa.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abTemos de reconhecer que, quanto menor for a amplitude da mente e do cora\u00e7\u00e3o de uma pessoa, tanto menos poder\u00e1 interpretar a realidade circundante em que est\u00e1 imersa. Sem o relacionamento e o confronto com quem \u00e9 diferente, torna-se dif\u00edcil ter um conhecimento claro e completo de si mesmo e da sua terra, uma vez que as outras culturas n\u00e3o constituem inimigos de quem seja preciso defender-se, mas reflexos distintos da riqueza inexaur\u00edvel da vida humana. Ao olhar para si mesmo, do ponto de vista do outro, de quem \u00e9 diferente, cada um pode reconhecer melhor as peculiaridades da sua pr\u00f3pria pessoa e cultura: as suas riquezas, possibilidades e limites.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abNa realidade, uma s\u00e3 abertura nunca amea\u00e7a a identidade, porque, ao enriquecer-se com elementos de outros lugares, uma cultura viva n\u00e3o faz uma c\u00f3pia nem mera repeti\u00e7\u00e3o, mas integra as novidades segundo modalidades pr\u00f3prias. Isto provoca o nascimento de uma nova s\u00edntese que, em \u00faltima an\u00e1lise, beneficia a todos, j\u00e1 que a cultura donde prov\u00eam estas contribui\u00e7\u00f5es acaba mais devolvida.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abO mundo cresce e enche-se de nova beleza, gra\u00e7as a sucessivas s\u00ednteses que se produzem entre culturas abertas, fora de qualquer imposi\u00e7\u00e3o cultural.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abA integra\u00e7\u00e3o cultural, econ\u00f3mica e pol\u00edtica com os povos vizinhos deve ser acompanhada por um processo educativo que promova o valor do amor ao vizinho, primeiro exerc\u00edcio indispens\u00e1vel para se conseguir uma sadia integra\u00e7\u00e3o universal.\u00bb<\/p>\n<p>\u00a0<em>5 \u2013 \u201cA pol\u00edtica melhor\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u00ab[Nos populismos e liberalismos] \u00e9 palp\u00e1vel a dificuldade de pensar num mundo aberto onde haja lugar para todos, que inclua os mais fr\u00e1geis e respeite as diferentes culturas.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abO mercado, por si s\u00f3, n\u00e3o resolve tudo, embora \u00e0s vezes nos queiram fazer crer neste dogma de f\u00e9 neoliberal. Trata-se de um pensamento pobre, repetitivo, que prop\u00f5e sempre as mesmas receitas perante qualquer desafio que surja. (\u2026) A fragilidade dos sistemas mundiais perante a pandemia evidenciou que nem tudo se resolve com a liberdade de mercado.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abPensar nos que h\u00e3o de vir n\u00e3o tem utilidade para fins eleitorais, mas \u00e9 o que exige uma justi\u00e7a aut\u00eantica, porque, como ensinaram os bispos de Portugal, a terra \u201c\u00e9 um empr\u00e9stimo que cada gera\u00e7\u00e3o recebe e deve transmitir \u00e0 gera\u00e7\u00e3o seguinte\u201d.\u00bb<\/p>\n<p>\u00ab\u00c9 caridade acompanhar uma pessoa que sofre, mas \u00e9 caridade tamb\u00e9m tudo o que se realiza \u2013 mesmo sem ter contacto direto com essa pessoa \u2013 para modificar as condi\u00e7\u00f5es sociais que provocam o seu sofrimento. Algu\u00e9m ajuda um idoso a atravessar um rio, e isto \u00e9 caridade primorosa; mas o pol\u00edtico constr\u00f3i-lhe uma ponte, e isto tamb\u00e9m \u00e9 caridade. \u00c9 caridade se algu\u00e9m ajuda outra pessoa fornecendo-lhe comida, mas o pol\u00edtico cria-lhe um emprego, exercendo uma forma sublime de caridade que enobrece a sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abS\u00f3 com um olhar cujo horizonte esteja transformado pela caridade, levando-nos a perceber a dignidade do outro, \u00e9 que os pobres s\u00e3o reconhecidos e apreciados na sua dignidade imensa, respeitados no seu estilo pr\u00f3prio e cultura e, por conseguinte, verdadeiramente integrados na sociedade. Um tal olhar \u00e9 o n\u00facleo do aut\u00eantico esp\u00edrito da pol\u00edtica. Os caminhos que se abrem a partir dele s\u00e3o diferentes dos caminhos de um pragmatismo sem alma.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abAs maiores preocupa\u00e7\u00f5es de um pol\u00edtico n\u00e3o deveriam ser as causadas por uma descida nas sondagens, mas por n\u00e3o encontrar uma solu\u00e7\u00e3o eficaz para o fen\u00f3meno da exclus\u00e3o social e econ\u00f3mica.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abMuitas vezes, hoje, enquanto nos enredamos em discuss\u00f5es sem\u00e2nticas ou ideol\u00f3gicas, deixamos que irm\u00e3os e irm\u00e3s morram ainda de fome ou de sede, sem um teto ou sem acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade. Juntamente com estas necessidades elementares por satisfazer, outra vergonha para a humanidade que a pol\u00edtica internacional n\u00e3o deveria continuar a tolerar \u2013 n\u00e3o se ficando por discursos e boas inten\u00e7\u00f5es \u2013 \u00e9 o tr\u00e1fico de pessoas. Trata-se daquele m\u00ednimo que n\u00e3o se pode adiar mais.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abAo pensar no futuro, alguns dias as perguntas devem ser: \u201cPara qu\u00ea? Para onde estou realmente a apontar?\u201d Passados alguns anos, ao refletir sobre o pr\u00f3prio passado, a pergunta n\u00e3o ser\u00e1: \u201cQuantos me aprovaram, quantos votaram em mim, quantos tiveram uma imagem positiva de mim?\u201d As perguntas, talvez dolorosas, ser\u00e3o: \u201cQuanto amor coloquei no meu trabalho? Em que fiz progredir o povo? Que marcas deixei na vida da sociedade? Que la\u00e7os reais constru\u00ed? Que for\u00e7as positivas desencadeei? Quanta paz social semeei? Que produzi no lugar que me foi confiado?\u201d\u00bb<\/p>\n<p>\u00a0<em>6 \u2013 \u201cDi\u00e1logo e amizade social\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u00abAproximar-se, expressar-se, ouvir-se, olhar-se, conhecer-se, esfor\u00e7ar-se por entender-se, procurar pontos de contacto: tudo isto se resume no verbo \u201cdialogar\u201d. Para nos encontrar e ajudar mutuamente, precisamos de dialogar. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio dizer para que serve o di\u00e1logo; \u00e9 suficiente pensar como seria o mundo sem o di\u00e1logo paciente de tantas pessoas generosas, que mantiveram unidas fam\u00edlias e comunidades. O di\u00e1logo perseverante e corajoso n\u00e3o tem a for\u00e7a de not\u00edcia como as desaven\u00e7as e os conflitos; e contudo, de forma discreta mas muito mais do que possamos perceber, ajuda o mundo a viver melhor.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abN\u00e3o se deve ocultar o risco de um progresso cient\u00edfico ser considerado a \u00fanica abordagem poss\u00edvel para se entender um aspeto da vida, da sociedade e do mundo.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abTemos de nos exercitar em desmascarar as v\u00e1rias modalidades de manipula\u00e7\u00e3o, deforma\u00e7\u00e3o e ocultamento da verdade nas esferas p\u00fablica e privada. O que chamamos \u201cverdade\u201d n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a comunica\u00e7\u00e3o de factos operada pelo jornalismo. \u00c9, antes de mais nada, a busca dos fundamentos ma is s\u00f3lidos que est\u00e3o na base das nossas op\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m das nossas leis.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abO poliedro representa uma sociedade onde as diferen\u00e7as convivem integrando-se, enriquecendo-se e iluminando-se reciprocamente, embora isso envolva discuss\u00f5es e desconfian\u00e7as. Na realidade, de todos se pode aprender alguma coisa, ningu\u00e9m \u00e9 in\u00fatil, ningu\u00e9m \u00e9 sup\u00e9rfluo. Isto implica incluir as periferias. Quem vive nelas tem outro ponto de vista, v\u00ea aspetos da realidade que n\u00e3o se descobrem a partir dos centros de poder onde se tomam as decis\u00f5es mais determinantes.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abA palavra \u201ccultura\u201d indica algo que penetrou no povo, nas suas convic\u00e7\u00f5es mais profundas e no seu estilo de vida. Quando falamos de uma \u00abcultura\u00bb no povo, trata-se de algo mais que uma ideia ou uma abstra\u00e7\u00e3o; inclui as aspira\u00e7\u00f5es, o entusiasmo e, em \u00faltima an\u00e1lise, um modo de viver que caracteriza aquele grupo humano. Assim, falar de \u201ccultura do encontro\u201d significa que nos apaixona, como povo, querermos encontrar, procurar, pontos de contacto, lan\u00e7ar pontes, projetar algo que envolva a todos. Isto tornou-se uma aspira\u00e7\u00e3o e um estilo de vida. O sujeito desta cultura \u00e9 o povo, n\u00e3o um setor da sociedade que tenta manter tranquilo o resto com recursos profissionais e medi\u00e1ticos.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abIsto implica o h\u00e1bito de reconhecer ao outro o direito de ser ele pr\u00f3prio e de ser diferente. A partir deste reconhecimento feito cultura, torna-se poss\u00edvel a cria\u00e7\u00e3o de um pacto social. Sem este reconhecimento, surgem maneiras subtis de fazer com que o outro perca todo o seu significado, se torne irrelevante, fazer com que na sociedade n\u00e3o lhe seja reconhecido qualquer valor. Por tr\u00e1s da repulsa de certas formas vis\u00edveis de viol\u00eancia, muitas vezes, esconde-se outra viol\u00eancia mais dissimulada: a daqueles que desprezam o diferente, sobretudo quando as suas reivindica\u00e7\u00f5es prejudicam de alguma maneira os pr\u00f3prios interesses.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abUm pacto social realista e inclusivo deve ser tamb\u00e9m um \u201cpacto cultural\u201d, que respeite e assuma as diversas vis\u00f5es do mundo, as culturas e os estilos de vida que coexistem na sociedade. (\u2026) Um pacto cultural pressup\u00f5e que se renuncie a compreender de maneira monol\u00edtica a identidade de um lugar, e exige que se respeite a diversidade, oferecendo-lhe caminhos de promo\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o social.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abAinda \u00e9 poss\u00edvel optar pelo cultivo da amabilidade; h\u00e1 pessoas que o conseguem, tornando-se estrelas no meio da escurid\u00e3o. (\u2026) A amabilidade \u00e9 uma liberta\u00e7\u00e3o da crueldade que \u00e0s vezes penetra nas rela\u00e7\u00f5es humanas, da ansiedade que n\u00e3o nos deixa pensar nos outros, da urg\u00eancia distra\u00edda que ignora que os outros tamb\u00e9m t\u00eam direito de ser felizes.\u00bb<\/p>\n<p>\u00a0<em>7 \u2013 \u201cPercursos de um novo encontro\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u00abSe se trata de recome\u00e7ar, h\u00e1 de ser sempre a partir dos \u00faltimos.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abA\u00a0<em>Shoah\u00a0<\/em>n\u00e3o deve ser esquecida. (\u2026) N\u00e3o se devem esquecer os bombardeamentos at\u00f3micos de Hiroxima e Nagas\u00e1qui.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abTamb\u00e9m n\u00e3o devemos esquecer as persegui\u00e7\u00f5es, o com\u00e9rcio dos escravos e os massacres \u00e9tnicos que se verificaram e verificam em v\u00e1rios pa\u00edses, e tantos outros factos hist\u00f3ricos que nos fazem envergonhar de sermos humanos. Devem ser recordados sempre, repetidamente, sem nos cansarmos nem anestesiarmos.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abHoje, \u00e9 f\u00e1cil cair na tenta\u00e7\u00e3o de voltar a p\u00e1gina, dizendo que j\u00e1 passou muito tempo e \u00e9 preciso olhar para diante. Isso n\u00e3o, por amor de Deus! Sem mem\u00f3ria, nunca se avan\u00e7a; n\u00e3o se evolui sem uma mem\u00f3ria \u00edntegra e luminosa.\u00bb<\/p>\n<p>\u00ab\u00c9 muito salutar fazer mem\u00f3ria do bem.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abO perd\u00e3o \u00e9 precisamente o que permite buscar a justi\u00e7a sem cair no c\u00edrculo vicioso da vingan\u00e7a nem na injusti\u00e7a do esquecimento.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abH\u00e1 duas situa\u00e7\u00f5es extremas que podem chegar a apresentar-se como solu\u00e7\u00f5es em circunst\u00e2ncias particularmente dram\u00e1ticas, sem se dar conta que s\u00e3o respostas falsas, n\u00e3o resolvem os problemas que pretendem superar e, em \u00faltima an\u00e1lise, nada mais fazem que acrescentar novos fatores de destrui\u00e7\u00e3o no tecido da sociedade nacional e mundial. Trata-se da guerra e da pena de morte.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abOs medos e os rancores levam facilmente a entender as penas de maneira vingativa, se n\u00e3o cruel, em vez de as considerar como parte de um processo de cura e reinser\u00e7\u00e3o na sociedade.\u00bb<\/p>\n<p>\u00a0<em>8 \u2013 \u201cAs religi\u00f5es ao servi\u00e7o da fraternidade no mundo\u201d<\/em><\/p>\n<p>Como crentes das diversas religi\u00f5es sabemos que tornar Deus presente \u00e9 um bem para as nossas sociedades. Buscar a Deus com cora\u00e7\u00e3o sincero, desde que n\u00e3o o ofusquemos com os nossos interesses ideol\u00f3gicos ou instrumentais, ajuda a reconhecermo-nos como companheiros de estrada, verdadeiramente irm\u00e3os.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abN\u00e3o se pode admitir que, no debate p\u00fablico, s\u00f3 tenham voz os poderosos e os cientistas. Deve haver um lugar para a reflex\u00e3o que prov\u00e9m de um fundo religioso que recolhe s\u00e9culos de experi\u00eancia e sabedoria.\u00bb<\/p>\n<p>Embora a Igreja respeite a autonomia da pol\u00edtica, n\u00e3o relega a sua pr\u00f3pria miss\u00e3o para a esfera do privado. Pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o pode nem deve ficar \u00e0 margem na constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor nem deixar de despertar as for\u00e7as espirituais que possam fecundar toda a vida social. \u00c9 verdade que os ministros da religi\u00e3o n\u00e3o devem fazer pol\u00edtica partid\u00e1ria, pr\u00f3pria dos leigos, mas mesmo eles n\u00e3o podem renunciar \u00e0 dimens\u00e3o pol\u00edtica da exist\u00eancia que implica uma aten\u00e7\u00e3o constante ao bem comum e a preocupa\u00e7\u00e3o pelo desenvolvimento humano integral.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abExiste um direito humano fundamental que n\u00e3o deve ser esquecido no caminho da fraternidade e da paz: \u00e9 a liberdade religiosa para os crentes de todas as religi\u00f5es.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abPedimos a Deus que fortale\u00e7a a unidade dentro da Igreja, unidade que se enriquece com diferen\u00e7as que se reconciliam pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abComo crentes, somos desafiados a retornar \u00e0s nossas fontes para nos concentrarmos no essencial: a adora\u00e7\u00e3o de Deus e o amor ao pr\u00f3ximo, para que alguns aspetos da nossa doutrina, fora do seu contexto, n\u00e3o acabem por alimentar formas de desprezo, \u00f3dio, xenofobia, nega\u00e7\u00e3o do outro. A verdade \u00e9 que a viol\u00eancia n\u00e3o encontra fundamento algum nas convic\u00e7\u00f5es religiosas fundamentais, mas nas suas deforma\u00e7\u00f5es.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abNeste espa\u00e7o de reflex\u00e3o sobre a fraternidade universal, senti-me motivado especialmente por S\u00e3o Francisco de Assis e tamb\u00e9m por outros irm\u00e3os que n\u00e3o s\u00e3o cat\u00f3licos: Martin Luther King, Desmond Tutu, Mahatma Mohandas Gandhi e muitos outros. Mas quero terminar lembrando uma outra pessoa de profunda f\u00e9, que, a partir da sua intensa experi\u00eancia de Deus, realizou um caminho de transforma\u00e7\u00e3o at\u00e9 se sentir irm\u00e3o de todos. Refiro-me ao Beato Carlos de Foucauld.\u00bb<\/p>\n<p>\u00abO seu ideal [Carlos de Foucauld] de uma entrega total a Deus encaminhou-o para uma identifica\u00e7\u00e3o com os \u00faltimos, os mais abandonados no interior do deserto africano. Naquele contexto, afloravam os seus desejos de sentir todo o ser humano como um irm\u00e3o, e pedia a um amigo: \u201cPe\u00e7a a Deus que eu seja realmente o irm\u00e3o de todos\u201d. Enfim, queria ser \u201co irm\u00e3o universal\u201d. Mas somente identificando-se com os \u00faltimos \u00e9 que chegou a ser irm\u00e3o de todos. Que Deus inspire este ideal a cada um de n\u00f3s. \u00c1men.\u00bb<\/p>\n<p><strong><em>Ora\u00e7\u00e3o ao Criador<br \/>\n<\/em><\/strong>\u00abSenhor e Pai da Humanidade,<br \/>\nque criastes todos os seres humanos com a mesma dignidade,<br \/>\ninfundi nos nossos cora\u00e7\u00f5es um esp\u00edrito de irm\u00e3os.<br \/>\nInspirai-nos o sonho de um novo encontro,<br \/>\nde di\u00e1logo, de justi\u00e7a e de paz.<br \/>\nEstimulai-nos a criar sociedades mais sadias<br \/>\ne um mundo mais digno,<br \/>\nsem fome, sem pobreza, sem viol\u00eancia, sem guerras.<\/p>\n<p>Que o nosso cora\u00e7\u00e3o se abra<br \/>\na todos os povos e na\u00e7\u00f5es da Terra,<br \/>\npara reconhecer o bem e a beleza<br \/>\nque semeastes em cada um deles,<br \/>\npara estabelecer la\u00e7os de unidade, de projetos comuns,<br \/>\nde esperan\u00e7as compartilhadas. \u00c1men.\u00bb<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0<em>Ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 ecum\u00e9nica<br \/>\n<\/em><\/strong>\u00abDeus nosso, Trindade de amor,<br \/>\na partir da poderosa comunh\u00e3o da vossa intimidade divina<br \/>\ninfundi no meio de n\u00f3s o rio do amor fraterno.<br \/>\nDai-nos o amor que transparecia nos gestos de Jesus,<br \/>\nna sua fam\u00edlia de Nazar\u00e9 e na primeira comunidade crist\u00e3.<br \/>\nConcedei-nos, a n\u00f3s crist\u00e3os, que vivamos o Evangelho<br \/>\ne reconhe\u00e7amos Cristo em cada ser humano,<br \/>\npara o vermos crucificado nas ang\u00fastias dos abandonados<br \/>\ne dos esquecidos deste mundo<br \/>\ne ressuscitado em cada irm\u00e3o que se levanta.<\/p>\n<p>Vinde, Esp\u00edrito Santo!<br \/>\nMostrai-nos a vossa beleza<br \/>\nrefletida em todos os povos da Terra,<br \/>\npara descobrirmos que todos s\u00e3o importantes,<br \/>\nque todos s\u00e3o necess\u00e1rios, que s\u00e3o rostos diferentes<br \/>\nda mesma Humanidade amada por Deus. \u00c1men.\u00bb<\/p>\n<p><strong><em>in SNPC \u2013 Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>ANEXO: <\/strong><a href=\"\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Carta-Enciclica-Fratelli-Tutti-Papa-Francisco-03.10.2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Carta Enc\u00edclica <em>Fratelli Tutti<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas ora\u00e7\u00f5es e oito frases marcantes de cada um dos oito cap\u00edtulos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"categories":[68],"tags":[],"class_list":["post-8100","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8100","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8100"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8100\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8102,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8100\/revisions\/8102"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8100"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8100"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8100"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}