{"id":9297,"date":"2021-07-15T10:12:39","date_gmt":"2021-07-15T09:12:39","guid":{"rendered":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=9297"},"modified":"2021-11-02T18:49:45","modified_gmt":"2021-11-02T18:49:45","slug":"dez-respostas-sobre-a-oracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/?p=9297","title":{"rendered":"Dez respostas sobre a ora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9298 size-full\" src=\"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/dez_respostas-e1626340399346.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"490\" \/><\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>O que \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o?<\/em><\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>Pode constatar-se como a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 um \u201cacontecimento\u201d em que o C\u00e9u e a Terra se encontram: o Outro e a pessoa na sua unicidade parecem encontrar-se, pois est\u00e1 na natureza de Deus ser para a sua criatura, e esta, por gra\u00e7a &#8211; mas n\u00e3o s\u00f3 &#8211; encontrar-se nele. Definir a ora\u00e7\u00e3o comporta mergulhar no horizonte do encontro entre a criatura capaz do infinito e o desejo de Deus de fazer-se conhecer. A dimens\u00e3o \u00e9tica tamb\u00e9m faz parte deste encontro.<\/p>\n<p><strong><em>Em que difere a ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 das outras formas de ora\u00e7\u00e3o nas outras religi\u00f5es?<\/em><\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>A ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o de Cristo. A sua ora\u00e7\u00e3o \u00e9 de louvor, b\u00ean\u00e7\u00e3o, intercess\u00e3o, invoca\u00e7\u00e3o dirigida ao Pai. Toda a Igreja, cada crente singular em Cristo, entra na melodia de Cristo, move-se na conson\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o de Cristo. A ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 precisamente a ora\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito de Cristo. \u00c9 Ele que nos faz gritar \u00abAbb\u00e0, Pai\u00bb, que nos alimenta os desejos a fim de que se tornem desejos de Deus, sede de comunh\u00e3o com Deus. Podemos dizer que a ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 especificamente a invoca\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito: dirigimo-nos ao Pai, atrav\u00e9s do Filho, no poder do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p><strong><em>Quais s\u00e3o as din\u00e2micas humanas presentes na ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3?<\/em><\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 um acontecimento que envolve a nossa humanidade: os pensamentos, os afetos, os sentimentos, a vontade, a perce\u00e7\u00e3o, o corpo. Em s\u00edntese, tudo de n\u00f3s. Gra\u00e7as aos estudos de neurofisiologia, pode afirmar-se que a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma atividade que move as estruturas cerebrais de maneira espec\u00edfica. Trata-se de um acontecimento fisiol\u00f3gico que n\u00e3o tem em conta a religi\u00e3o de perten\u00e7a: todas as pessoas que entram na atividade orante, meditativa, reflexiva, e se colocam em rela\u00e7\u00e3o com um \u201coutro\u201d transcendente, ativam partes do c\u00e9rebro e do sistema nervoso que s\u00e3o comuns. A nossa estrutura humana \u00e9 solicitada por uma op\u00e7\u00e3o relacional, ainda que se trate de um Outro n\u00e3o vis\u00edvel.<\/p>\n<p><strong><em>Como se insere a ora\u00e7\u00e3o nas estruturas psicol\u00f3gicas da interioridade humana?<\/em><\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>A ora\u00e7\u00e3o envolve o sistema do pensamento que definimos como simb\u00f3lico, evidenciando como este \u00e9 espec\u00edfico da pessoa, e n\u00e3o dos animais n\u00e3o humanos. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, um facto cultural que se alimenta de imagens, palavras, a\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias de um grupo religioso. Atrav\u00e9s desta bagagem individual ou de grupo ativam-se formas simb\u00f3licas que entram na estrutura da ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><em>Qual \u00e9 o significado teol\u00f3gico espec\u00edfico da ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3?<\/em><\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma palavra que entra, constr\u00f3i, faz, realiza a rela\u00e7\u00e3o entre o eu humano e o Eu divino. O seu contexto que definimos como \u201cnatural\u201d \u00e9 o dial\u00f3gico, em que o Tu divino chama ou convoca o humano e condu-lo \u00e0 rela\u00e7\u00e3o. Se a rela\u00e7\u00e3o eu-tu \u00e9 a estrutura constitutiva da ora\u00e7\u00e3o, a crist\u00e3 funda esta rela\u00e7\u00e3o na revela\u00e7\u00e3o. A Deus vai-se com Deus, com o Filho, no qual somos todos filhos e nos faz conhecer o Pai, ou seja, em sentido do evangelista Jo\u00e3o, faz-nos entrar na possibilidade de amar. Este \u00e9 o agir do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p><strong><em>Quais s\u00e3o as linhas fundadoras da ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3?<\/em><\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>Na sua reflex\u00e3o sobre o Pai-nosso, Simone Weil conclui desta maneira\u2026 fundante: \u00abPertencemos-lhe. Ele ama-nos, visto que se ama e n\u00f3s lhe pertencemos. Mas \u00e9 o Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us. N\u00e3o em qualquer outro lugar. Se cremos ter um Pai neste mundo n\u00e3o \u00e9 Ele, \u00e9 um falso Deus. N\u00e3o podemos dar um \u00fanico passo na sua dire\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se caminha verticalmente. N\u00e3o podemos dirigir para ele sen\u00e3o o nosso olhar\u00bb.<\/p>\n<p><strong><em>A maneira como rezamos mudou ao longo dos s\u00e9culos?<\/em><\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>A ora\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria \u00e9 um tema muito complexo. Em poucas palavras, poder-se-ia dizer que est\u00e3o presentes constantemente as duas formas principais da ora\u00e7\u00e3o ligadas a duas dimens\u00f5es da religiosidade. H\u00e1 uma ora\u00e7\u00e3o que exprime a forma funcional da religiosidade: \u00e9 a que mostra submiss\u00e3o, magia, depend\u00eancia para uma divindade na qual se acredita como sendo poderosa e amea\u00e7adora. A isto pode associar-se o sacrif\u00edcio, inclusive cruento, \u00e0 oferta dos bens ou das coisas a esta divindade que n\u00e3o se conhece ou \u00e9 percecionada como causa de temor ou de medo. Estas formas est\u00e3o presentes ainda hoje em certas religi\u00f5es, mas tamb\u00e9m na crist\u00e3, quando est\u00e1 presente uma deforma\u00e7\u00e3o da ideia de Deus imaginado como todo-poderoso desconhecido. Assim pode ser tamb\u00e9m na devo\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p>\n<p><strong><em>Diferente \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o ao Deus conhecido\u2026<\/em><\/strong><br \/>\nA ora\u00e7\u00e3o que exprime uma religiosidade ligada a um Deus conhecido, de quem se partilha a paix\u00e3o pelo bem da humanidade, \u00e9 feita de louvor, de agradecimento, de confian\u00e7a, de intercess\u00e3o confiante, e n\u00e3o de medo. Para n\u00f3s, crist\u00e3os, \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o de Jesus que ergue o seu canto de louvor e de gl\u00f3ria ao Pai, e conduz os seus disc\u00edpulos a entrar em rela\u00e7\u00e3o com Deus na forma de filhos e filhas. As formas diferentes de ora\u00e7\u00e3o podem ser descritas como presentes no percurso de amadurecimento da f\u00e9, da consci\u00eancia crente. Assim, podemos discernir que figuras de Deus est\u00e3o mais presentes no imagin\u00e1rio religioso individual. Em todo o caso, para um crist\u00e3o, o \u201ctrabalho sobre as imagens de Deus\u201d \u00e9 sempre uma evangeliza\u00e7\u00e3o do nome de Deus e da sua representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><em>Pode falar-se de uma pedagogia da ora\u00e7\u00e3o?<\/em><\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>Dissemos que encontramos na pessoa uma disposi\u00e7\u00e3o natural para a transcend\u00eancia. Cada religi\u00e3o, de todas as culturas, \u00e9 express\u00e3o desta din\u00e2mica presente. Por isso, os pertencentes a qualquer religi\u00e3o s\u00e3o iniciados \u00e0 ora\u00e7\u00e3o como principal express\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o com Deus: a ora\u00e7\u00e3o materna, o exemplo de uma comunidade orante, a liturgia, as intercess\u00f5es, e todas as formas relativas a esta disposi\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, cada fase da vida prev\u00ea uma forma espec\u00edfica, adaptada e conformada \u00e0s capacidades e disposi\u00e7\u00f5es pessoais: uma crian\u00e7a reza como uma crian\u00e7a, um adulto reza como um adulto.<\/p>\n<p><strong><em>Como se aprende a rezar?<\/em><\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>De um ponto de vista pedag\u00f3gico n\u00e3o nos podemos deter apenas na dimens\u00e3o evolutiva da pessoa. Com efeito, a rela\u00e7\u00e3o com Deus alimenta-se de uma dimens\u00e3o afetiva e cognitiva que se manifesta como uma forma de regress\u00e3o boa, positiva, que valoriza a espera, a passividade, a escuta, a confian\u00e7a, a disponibilidade. Tudo isto pertence aos conte\u00fados de um percurso pedag\u00f3gico que educa a disponibilidade natural presente.<\/p>\n<p><strong>In SNPC \u2013 Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura<br \/>\n<\/strong><strong>Texto de Paola Zampieri sobre entrevista a Marzia Ceschia, professora de Teologia Espiritual, e Antonio Bertazzo, professor de Psicologia Geral e da Religi\u00e3o<br \/>\n<\/strong><strong>In Settimana News<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o.: Rui Jorge Martins<br \/>\nPublicado em\u00a012.07.2021<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o?<br \/>\nPode constatar-se como a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 um \u201cacontecimento\u201d em que o C\u00e9u e a Terra se encontram:..<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","footnotes":""},"categories":[78],"tags":[],"class_list":["post-9297","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arquivo-2021"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9297","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9297"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9297\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9300,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9297\/revisions\/9300"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9297"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9297"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paroquiavilarandorinho.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9297"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}