Domingo XI do Tempo Comum – Ano A – 14.06.2026

Viver a Palavra
Os textos evangélicos referem-nos algumas vezes o olhar de Jesus que se eleva para o Céu (Jo 17,1), que olha o horizonte e contempla os reinos do universo (Lc 4,5), que olha para o chão (Jo 8,6). Contudo, ao ler os evangelhos fica sempre gravado no meu coração o modo como Jesus olha para aqueles que se cruzam com Ele. Tem a capacidade de olhar as multidões e dirigir a todos palavras de alento e esperança. Mas não se detém apenas a olhar para as multidões como uma massa anónima e indiscriminada, mas fixa alguns em particular, chama-os pelo nome, entra na sua história e oferece-lhes um sentido novo.
Jesus olha realmente a realidade não para a julgar e condenar, mas para a conhecer e amar. Jesus, o Enviado do Pai, não é portador de um plano predeterminado, mas diante de cada pessoa, de cada realidade e de cada circunstância faz presente o amor que salva, redime e oferece vida nova.
Seguir Jesus é entrar nesta nova lógica de ser e de estar que se traduz numa nova lógica de servir e amar. Quantas vezes, de modo individual ou coletivo, perdemos tanto tempo a julgar a realidade ou a lutar contra ela ao invés de cultivar um olhar compadecido e misericordioso capaz de dialogar com a realidade, oferecendo a vida nova que nasce da única proposta que temos para levar ao mundo: Jesus Cristo.
Diante das multidões que andam desorientadas e abatidas «como ovelhas sem pastor», Jesus enche-se de compaixão e alerta-nos para a desproporção entre o imenso trabalho a fazer e a escassez dos meios disponíveis: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara». O anúncio do Reino de Deus há-de ter sempre esta marca da desproporção entre a imensa missão a realizar e a fragilidade das nossas forças. Contudo, será precisamente esta desproporção a recordar-nos em cada dia que somos operários da seara e que a obra é de Deus e que através das nossas frágeis mãos e das nossas vidas, tantas vezes vacilantes, Deus atua no mundo para lá das nossas capacidades.
Da compaixão pelas multidões e do pedido de oração para que o Senhor envie trabalhadores para a Sua seara nasce a missão dos doze que são chamados cada um pelo seu nome com instruções e recomendações precisas. Na verdade, a missão nasce da compaixão e da oração.
Olhar o mundo com o olhar de Jesus, contemplando «as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem» (GS 1) é o ponto de partida para a missão. Mas sabemos que não vamos sozinhos. Não somos senhores da seara nem trabalhadores por conta própria, por isso, unimo-nos a Deus pela oração e nela encontramos a fonte da missão, a força para o caminho e a garantia de que é Deus que age no mundo para que o Reino de Deus aconteça através de nós e em nós. Neste envio dos doze, Jesus convida os seus discípulos a olhar o outro na totalidade da sua vida e a socorrer as suas necessidades: acolher, amar, curar, expulsar os demónios.
Muitas vezes a ação da Igreja centra-se apenas nos sacramentos e, de modo particular, na celebração da Eucaristia e bem sabemos a falta da Eucaristia na vida de uma comunidade. Nos tempos exigentes de pandemia que atravessámos, experimentámos e reconhecemos como a celebração comunitária da fé se constitui como fonte e cume da vida cristã. Contudo, enviados por Jesus como os doze, somos chamados a alargar o nosso horizonte e partir como discípulos missionários para contagiar o mundo com o amor misericordioso de Deus. A compaixão e a oração serão pilares seguros e ponto de partida fundamental para repensar a nossa pastoral e para fazer ecoar no mundo a certeza do amor de Deus que transforma a vida e torna o mundo um lugar melhor e mais feliz. in Voz Portucalense.
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No dia de 12 de junho, Sexta-feira depois do segundo Domingo depois do Pentecostes, celebramos a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Este dia é também dedicado à oração pela santificação dos sacerdotes. Deste modo, celebrando o amor misericordioso de Jesus revelado pelo Seu coração cheio de amor, somos convidados a rezar pela santificação daqueles a quem o Senhor confiou o ministério ordenado. As comunidades cristãs são convidadas a dinamizar este dia, através dos mais diversos meios, exortando sempre à oração e podendo fazer desta data também uma oportunidade para um trabalho de sensibilização vocacional. in Voz Portucalense.
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O mês de junho é marcado pelas festas dos Santos Populares que enchem as nossas terras de alegria, música e comemorações típicas. Na verdade, a celebração das festas dos santos deve ser sempre marcada pela alegria e pela festa, pois recordamos o testemunho gaudioso daqueles que seguiram a Cristo de todo o coração. A Liturgia da Palavra deste Domingo recorda-nos que, tal como os santos que celebramos, Jesus nos chama pelo nome e convida-nos a abraçar a missão de fazer de cada realidade, por mais exigente que seja, o lugar de anúncio do evangelho da compaixão e da misericórdia. A alegria e a felicidade cristã não se constroem pela ausência de dificuldades e obstáculos, mas abraçando a totalidade da nossa vida como lugar de seguimento do Mestre. Deste modo, acolhendo os desafios da Liturgia da Palavra deste Domingo, esta celebração pode constituir-se como oportunidade para recordar que os santos que celebramos entre gestos e tradições festivas são homens que souberam viver a partir da sabedoria da cruz a missão de partir ao encontro dos irmãos
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Estamos no ano litúrgico – 2025/2026, o Ano A – em que iremos ter a companhia do evangelista S. Mateus em grande parte das proclamações do Evangelho. Deste modo, como preparação poderá ser oportuna uma proposta de formação para todos os fiéis acerca do Evangelho de S. Mateus.
Deste modo, como preparação complementar, é, certamente, oportuna a proposta de formação para todos os fiéis acerca do Evangelho de S. Mateus. Há muita ignorância e confusão sobre o Evangelho de Mateus. Merece a pena tentar formar mais e melhor os cristãos da nossa comunidade.
E fizemos isso….
Em anexo à Liturgia da Palavra e, também, num separador próprio, da página da paróquia de Vilar de Andorinho, ficará disponível um texto sobre o evangelista Mateus. Poderão melhorar os conhecimentos bíblicos – Novo Testamento e Antigo Testamento – em https://paroquiavilarandorinho.pt/fbiblica/.Proporciona-se a todos os fiéis, um maior conhecimento deste precioso tesouro que é a Sagrada Escritura.
LEITURA I – Êxodo 19,2-6a
Leitura do Livro do Êxodo
Naqueles dias,
os filhos de Israel partiram de Refidim
e chegaram ao deserto do Sinai,
onde acamparam, em frente da montanha.
Moisés subiu à presença de Deus.
O Senhor chamou-o da montanha e disse-lhe:
«Assim falarás à casa de Jacob,
isto dirás aos filhos de Israel:
‘Vistes o que Eu fiz ao Egipto,
como vos transportei sobre asas de águia
e vos trouxe até Mim.
Agora, se ouvirdes a minha voz,
se guardardes a minha aliança,
sereis minha propriedade especial entre todos os povos.
Porque toda a terra Me pertence;
mas vós sereis para Mim um reino de sacerdotes,
uma nação santa’».
CONTEXTO
O texto que nos é proposto faz parte das “tradições sobre a aliança do Sinai” – um conjunto de tradições de origem diversa, cujo denominador comum é a reflexão sobre um compromisso (“berit” – “aliança”) que Israel teria assumido com Jahwéh.
O texto situa-nos no deserto do Sinai, “em frente do monte”. No texto bíblico, não temos indicações geográficas suficientes para identificar o “monte da aliança”. Em si, o nome Sinai não designa um monte, mas uma enorme península de forma triangular, com mais ou menos 420 quilómetros de extensão norte/sul, estendendo-se entre o mar Mediterrâneo e o mar Vermelho (no sentido norte/sul) e o golfo do Suez e o golfo da Áqaba (no sentido oeste/este). A península é um deserto árido, escassamente povoado, de terreno acidentado e com várias montanhas que chegam a atingir 2400 metros de altura.
Uma tradição cristã do séc. IV d.C., no entanto, identifica o “monte da aliança” com o “Gebel Musah” (o “monte de Moisés”), um monte com 2244 metros de altitude, situado a sul da península sinaítica. Embora a identificação do “monte da aliança” com este lugar levante problemas, o “Gebel Musah” é, ainda hoje, um lugar de peregrinação para judeus e cristãos.
Vai ser, pois, aqui, no Sinai, diante de “um monte” que Jahwéh e Israel se vão comprometer numa “aliança”. A palavra hebraica “berit”, usada neste contexto, define um pacto entre duas partes, que implica direitos e obrigações, muitas vezes recíprocos. A “berit” raramente era escrita, mas tinha sempre valor jurídico. Habitualmente, o compromisso era selado por um ritual consagrado pelo uso, que incluía um juramento e a imolação de animais em sacrifício.
Será à luz deste esquema jurídico que Israel vai representar o seu compromisso com Jahwéh. in Dehonianos.
ACTUALIZAÇÃO
Considerar as seguintes questões:
- Vivemos num tempo em que não é fácil – no meio da azáfama em que a vida decorre – reconhecer a presença, o amor e o cuidado de Deus com essa humanidade que Ele criou; alguns dos nossos contemporâneos chegam mesmo a falar da “morte de Deus”, para exprimir a realidade de uma história de onde Deus parece estar totalmente ausente. O nosso texto, no entanto, revela um Deus empenhado em caminhar ao lado dos homens, em estabelecer com eles laços de familiaridade e de comunhão, em apresentar-lhes propostas de salvação, de libertação, de vida definitiva. É Deus que está ausente da história dos homens, ou são os homens que apostam noutros deuses (isto é, noutros esquemas de felicidade) e não têm tempo nem disponibilidade para encontrar o Deus da “aliança” e da comunhão? Deus ter-Se-á tornado indiferente e insensível ao destino dos homens, ou são os homens que preferem trilhar caminhos de orgulho e de autossuficiência à margem de Deus? Deus terá renunciado a estabelecer laços familiares connosco, ou somos nós que, em nome de uma pretensa liberdade, preferimos construir a história do mundo longe de Deus e das suas propostas?
- Os autores do nosso texto definem a resposta do Povo aos desafios do Deus da “aliança” em termos de “ouvir a voz” de Deus e “guardar a aliança”. “Ouvir a voz” de Deus significa escutar as suas propostas, acolhê-las no coração e transformá-las em gestos na vida diária; “guardar a aliança” significa comprometer-se com as propostas de Deus e viver de forma coerente com os mandamentos… Objetivamente, o que é que as propostas feitas por Deus significam na minha vida? O “caminho”, que eu percorro dia a dia, está de acordo com esse “caminho” de felicidade e de vida plena que Deus definiu e que me apresentou? As propostas de Deus interpelam-me e interferem com as minhas opções ou, na hora das decisões, eu escolho de acordo com os meus interesses pessoais, prescindindo das indicações de Deus?
- O Povo que aceita o compromisso com Deus e que “embarca” na aventura da “aliança” é um Povo que é propriedade de Deus, que aceita ficar ao serviço de Deus. A sua missão é testemunhar o projeto salvador de Deus diante de todos os povos da terra. Tenho consciência de que, no dia do meu batismo, eu entrei na comunidade do Povo de Deus e assumi o compromisso de testemunhar Deus e o seu projeto de salvação diante do mundo? A minha vida tem sido coerente com esta opção? Tenho sido um sinal vivo do amor e da bondade de Deus diante dos homens e mulheres com quem me cruzo todos os dias? in Dehonianos.
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 99 (100)
Refrão: Nós somos o povo de Deus, as ovelhas do seu rebanho.
Aclamai o Senhor, terra inteira,
servi o Senhor com alegria,
vinde a Ele com cânticos de júbilo.
Sabei que o Senhor é Deus,
Ele nos fez, a ele pertencemos,
somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.
Porque o Senhor é bom,
eterna é a sua misericórdia,
a sua fidelidade estende-se de geração em geração.
LEITURA II – Romanos 5,6-11
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos
Irmãos:
Quando ainda éramos fracos,
Cristo morreu pelos ímpios no tempo determinado.
Dificilmente alguém morre por um justo;
por um homem bom,
talvez alguém tivesse a coragem de morrer.
Mas Deus prova assim o seu amor para connosco.
Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.
E agora, que fomos justificados pelo seu sangue,
com muito mais razão seremos por Ele salvos da ira divina.
Se, na verdade, quando éramos inimigos,
fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho,
com muito mais razão, depois de reconciliados,
seremos salvos pela sua vida.
Mais ainda: também nos gloriamos em Deus,
por Nosso Senhor Jesus Cristo,
por quem alcançámos agora a reconciliação.
CONTEXTO
A Carta aos Romanos – já o dissemos atrás – é um texto sereno e amadurecido, escrito por Paulo por volta do ano 57/58 e no qual o apóstolo apresenta uma síntese da sua mensagem e da sua pregação. O pretexto para a carta é um projeto de passagem por Roma, a caminho de Espanha (cf. Rom 16,23-24): Paulo sente que terminou a sua missão no oriente e quer anunciar o Evangelho de Jesus no ocidente.
No entanto, a opinião da maioria dos estudiosos da Carta aos Romanos é que Paulo se serve deste pretexto para lembrar, quer aos cristãos vindos do judaísmo (e para quem a salvação dependia da prática da Lei de Moisés), quer aos cristãos vindos do paganismo (e para quem a Lei de Moisés constituía um empecilho) o essencial da mensagem cristã. Paulo insiste, sobretudo, no facto de a salvação não ser uma conquista do homem, mas um dom do amor de Deus. Na verdade, todos os homens vivem mergulhados no pecado, pois o pecado é uma realidade universal (cf. Rom 1,18-3,20); mas Deus, na sua bondade, a todos “justifica” e salva (cf. Rom 3,1-5,11); e essa salvação é oferecida por Deus ao homem através de Jesus Cristo; ao homem, resta aderir a essa proposta de salvação, na fé (cf. Rom 5,12-8,39).
O texto que nos é proposto é a parte final de uma perícope que começa em Rom 5,1. Nessa perícope, Paulo explica o que brota dessa “justificação” que Deus nos ofereceu: em primeiro lugar, a paz, que é a plenitude dos bens (cf. Rom 5,1); em segundo lugar, a esperança, que nos permite caminhar por este mundo de cabeça levantada, de olhos postos no futuro glorioso da vida em plenitude (cf. Rom 5,2-4). in Dehonianos.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão pode partir das seguintes questões:
- O cristão é fundamentalmente alguém que descobriu que Deus o ama. Por isso, enfrenta cada dia com a serenidade, a alegria, a esperança que brotam dessa certeza fundamental. A certeza do amor de Deus condiciona a minha vida, a minha forma de enfrentar as dificuldades, o meu jeito de responder aos desafios que a vida me coloca?
- O amor de Deus é totalmente gratuito, incondicional e eterno. Não espera nada em troca; não põe condições para se derramar sobre o homem; não é descartável… Numa época em que a cultura dominante (não só a “cultura das telenovelas”, mas também a cultura de certas elites pretensamente iluminadas) vende a imagem do amor interesseiro, condicionado e efémero, o amor de Deus constitui um tremendo desafio aos crentes.
- O amor de Deus é universal. Não marginaliza nem discrimina ninguém, não distingue entre amigos e inimigos, não condena irremediavelmente os que falharam nem os afasta do convívio de Deus. Nós, discípulos de Jesus, somos testemunhas deste amor? Como é que tratamos e acolhemos aqueles que não concordam connosco, que assumem atitudes problemáticas, que fracassaram no seu casamento, que têm comportamentos considerados social ou religiosamente incorretos? in Dehonianos
EVANGELHO – Mateus 9,36-10,8
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo,
Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão,
porque andavam fatigadas e abatidas,
como ovelhas sem pastor.
Jesus disse então aos seus discípulos:
«A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.
Pedi ao Senhor da seara
que mande trabalhadores para a sua seara».
Depois chamou a Si os seus doze discípulos
e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros
e de curar todas as doenças e enfermidades.
São estes os nomes dos doze apóstolos:
primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão;
Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão;
Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano;
Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu;
Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou.
Jesus enviou estes Doze, dando-lhes as seguintes instruções:
«Não sigais o caminho dos gentios,
nem entreis em cidade de samaritanos.
Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel.
Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus.
Curai os enfermos, ressuscitai os mortos,
sarai os leprosos, expulsai os demónios.
Recebestes de graça, dai de graça».
CONTEXTO
Depois de ter apresentado Jesus (cf. Mt 1,1-4,22) e de ter mostrado Jesus a anunciar o “Reino” em palavras e em obras (cf. Mt 4,23-9,35), Mateus vai descrever o envio dos discípulos em missão (cf. Mt 9,36-11,1). Os discípulos são aqueles que Jesus chamou, que responderam positivamente a esse chamamento e seguiram Jesus; durante a caminhada que fizeram com Jesus, escutaram os seus ensinamentos e testemunharam os seus sinais. Formados por Jesus na “escola do Reino”, eles podem agora ser enviados ao mundo, a fim de anunciar a todos os homens a chegada do “Reino dos Céus”.
Os estudiosos do Evangelho segundo Mateus costumam chamar ao texto que vai de 9,36 a 11,1, o “discurso da missão”: nele, Jesus envia os discípulos e define a missão desses discípulos – anunciar a chegada do “Reino”. Este “discurso da missão” consta de várias partes: uma introdução (cf. Mt 9,36-38); o chamamento e o envio dos discípulos (cf. Mt 10,1-15); uma instrução sobre o “caminho” que os discípulos têm de percorrer (cf. 10,16-42); uma conclusão (cf. Mt 11,1).
Trata-se de um discurso composto por Mateus a partir de diversos materiais. O autor combinou aqui relatos de envio, “ditos” de Jesus acerca dos “doze” e várias outras “sentenças” de Jesus que originalmente não foram proferidas neste contexto concreto.
Mateus escreve o seu Evangelho durante a década de 80. Dirige-o a uma comunidade viva e entusiasta, profundamente empenhada na atividade missionária (poderá ser a comunidade cristã de Antioquia da Síria). No entanto, as dificuldades encontradas no anúncio do Evangelho e a perseguição traziam essa comunidade algo desorientada e perturbada. Neste contexto, Mateus compôs uma espécie de “manual do missionário cristão”, que enraíza a missão em Jesus Cristo, apresenta os conteúdos do anúncio que os discípulos são chamados a proclamar e define as atitudes fundamentais que os missionários devem assumir. in Dehonianos.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão pode partir das seguintes questões e desenvolvimentos:
- Como cenário de fundo desta catequese sobre o envio dos discípulos está o amor e a solicitude de Deus pelo seu Povo. Não esqueçamos isto: Deus nunca Se ausentou da história dos homens; Ele continua a construir a história da salvação e a insistir em levar o seu Povo ao encontro da verdadeira liberdade, da verdadeira felicidade, da vida definitiva.
- Como é que Deus age hoje no mundo? A resposta que o Evangelho deste domingo dá é: através desses discípulos que aceitaram responder positivamente ao chamamento de Jesus e embarcaram na aventura do “Reino”. Eles continuam hoje no mundo a obra de Jesus e anunciam – com palavras e com gestos – esse mundo novo de felicidade sem fim que Deus quer oferecer aos homens.
- Atenção: Jesus não chama apenas um grupo de “especialistas” para O seguir e para dar testemunho do “Reino”. Os “doze” representam a totalidade do Povo de Deus. É a totalidade do Povo de Deus (os “doze”) que é enviada, a fim de continuar a obra de Jesus no meio dos homens e anunciar-lhes o “Reino”. Tenho consciência de que isto me diz respeito e que eu pertenço à comunidade que Jesus envia em missão?
- Qual é a missão dos discípulos de Jesus? É lutar objetivamente contra tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de ser feliz. Hoje há estruturas que geram guerra, violência, terror, morte: a missão dos discípulos de Jesus é contestá-las e desmontá-las; hoje há “valores” (apresentados como o “último grito” da moda, do avanço cultural ou científico) que geram escravidão, opressão, sofrimento: a missão dos discípulos de Jesus é recusá-los e denunciá-los; hoje há esquemas de exploração (disfarçados de sistemas económicos geradores de bem-estar) que geram miséria, marginalização, debilidade, exclusão: a missão dos discípulos de Jesus é combatê-los. A proposta libertadora de Jesus tem de estar presente (através dos discípulos) em qualquer lado onde houver um irmão vítima da escravidão e da injustiça. É isso que eu procuro fazer?
- As obras que eu realizo são verdadeiramente um anúncio do mundo novo que está para chegar? Eu procuro transmitir alegria, coragem e esperança àqueles que vivem imersos no abatimento, na frustração, no desespero? Eu procuro ser um sinal do amor e da ternura de Deus para aqueles que vivem sozinhos, abandonados, marginalizados?
- O nosso serviço ao “Reino” é um serviço totalmente gratuito, ou é um serviço que serve para promover os nossos interesses, a nossa pessoa, os nossos esquemas de realização pessoal? in Dehonianos.
Para os leitores:
A primeira leitura deve ter-se em atenção as palavras «Refidim» e «Sinai» para uma correta pronunciação. Além disso, ter em conta a articulação entre a parte narrativa e o discurso direto em que Deus se dirige a Moisés.
A segunda leitura exige uma aturada preparação, assinalando as pausas e respirações. A falta de atenção na proclamação deste texto pode distorcer completamente a sua mensagem e torná-la impercetível. Pede-se uma especial atenção nesta frase: «Dificilmente alguém morre por um justo; /// por um homem bom, talvez alguém tivesse a coragem de morrer». Depois da palavra «justo», deve haver uma clara separação da frase seguinte.
ANEXOS:
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- Leitura I do Domingo XI do Tempo Comum – Ano A – 14.06.2026 (Êxodo 19, 2-6a)
- Leitura II do Domingo XI do Tempo Comum – Ano A – 14.06.2026 ( Romanos 5, 6-11)
- Domingo XI do Tempo Comum – Ano A – 14.06.2026- Lecionário
- Domingo XI do Tempo Comum – Ano A – 14.06.2026- Oração Universal
- Domingo XI do Tempo Comum – Ano A – 14.06.2026 – refletindo
- A Mesa da Palavra explicada – Domingo XI do Tempo Comum – Ano A – 14.06.2026
- Ano A – O ano do evangelista Mateus