Dia Mundial do Doente – 11.02.2026 – Revista Além-Mar
Por Padre José Pinheiro
Director Nacional da Pastoral da Saúde
O Papa Leão XIV, na sua mensagem para o Dia Mundial do Doente 2026, que celebramos no dia 11 de Fevereiro, desafia-nos a meditar, e a agir, a partir do ensinamento da parábola do bom samaritano (Lucas 10, 25-37), «a fim de redescobrirmos a beleza da caridade e a dimensão social da compaixão, e chamar a atenção para os necessitados e para os que sofrem, como são os doentes».
Como bem sabemos, esta passagem do bom samaritano é a resposta de Jesus a uma dúvida: «Quem é o meu próximo?» Mas, atenção, é um doutor da Lei que interpela Jesus, alguém culto, importante, com muito prestígio e poder e, sobretudo, com muitas horas de estudo sobre a Sagrada Escritura.
Na mensagem, o papa recorda-nos que «o amor não é passivo, mas vai ao encontro do outro; ser próximo não depende da proximidade física ou social, mas da decisão de amar». Ou seja, que o Amor de Deus, que brota de um encontro pessoal com Jesus, não se esgota nessa emoção, é chamado a realizar-se em gestos concretos, a comprometer-se com o sofrimento alheio.
Reconhecendo a agitação do tempo presente, em que andamos todos sem tempo nem espaço para o outro, o sucessor de Pedro provoca-nos a oferecer a quem está doente uma proximidade voluntária, ter tempo para parar, amar sem pressa, olhar o irmão com o coração, ir ao seu encontro, fazermo-nos próximos. É esta a atitude que devemos copiar deste samaritano, que é figura do próprio Jesus.
A Pastoral da Saúde é a acção da Igreja, que tem como missão tornar presente este agir apaixonado de Jesus junto dos que mais sofrem qualquer tipo de exclusão ou abandono. Um cuidado pastoral que só é possível graças a milhares de profissionais de saúde, voluntários e cuidadores informais, que por todo o mundo, sem medo, se aproximam e que por isso curam o frágil, numa escuta capaz de abraçar com tal compaixão que dela brota o poder de sarar as feridas do corpo e da alma.
Todos somos convocados a edificar uma comunidade capaz de cuidar dos mais frágeis. Voltando à parábola do bom samaritano, Leão XIV comenta na sua mensagem que «o samaritano procurou um estalajadeiro que pudesse cuidar daquele homem, como nós estamos chamados a convidar outros e a encontrar-nos num “nós” mais forte do que a soma de pequenas individualidades».
Em conclusão, a nós cristãos é-nos exigido passar das palavras à acção, do sentimento à compaixão, cada um segundo a sua vocação, governantes, gestores, profissionais de saúde, voluntários, religiosos, missionários ou cuidadores informais, agentes pastorais. Todos somos desafiados a não desistir de edificar uma sociedade cada vez mais inclusiva, e por isso, mais próspera e sustentável, onde ninguém se sinta a mais, sozinho, ou sem merecimento para ser cuidado e amado. Cabe primeiramente aos cristãos a missão de testemunhar este «olhar com o coração» ao estilo do samaritano, ou seja, a colocar-se perante o outro indo sem pressa, sem interesse, sem esperar nada em troca.
AMAR CARREGANDO
A DOR DO OUTRO
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