SINODO – Inquérito 7Margens-Portugal – Junho 2026

Inquérito 7MARGENS

Jorge Wemans | 07/06/2026

 

Ficha técnica

O inquérito aos leitores do 7MARGENS decorreu durante o mês de maio e recolheu 629 respostas válidas. Mais de metade (52%) dos que responderam são homens, 96 por cento dizem-se católico(a)s, sendo os restantes “de outra confissão”, “crentes sem religião” e “não crentes”. Entre os católicos, a esmagadora maioria (88%) são leigos e leigas, 3,5 por cento religioso(a)s e 8,5 por cento padres; a maioria vai à missa (63,62%) todos os domingos a que acrescem os 20,10 por cento que a celebram, ou nela participam, todos os dias. Além de serem mais “praticantes” do que a maioria da população que se diz católica, os participantes neste inquérito são também muito mais ativos nas suas comunidades do que a generalidade dos católicos: 75 por cento está envolvido em algum movimento ou estrutura católica, ou desempenha algum serviço na comunidade em que se integra.

A amostra obtida, que não permite extrapolações fidedignas para todo o universo por não ter base científica e ser de autorresposta voluntária, conta com católicos e católicas de todas as 20 dioceses do país, à exceção das de Portalegre-Castelo Branco e de Viana do Castelo. Naturalmente, Lisboa (43,8%) e Porto (16,5%), seguidas de Braga (7,0%), Coimbra (6,4%) e Setúbal (4,6%) são as mais representadas. A média de idade dos participantes é de 63 anos, superior em oito anos à média de idade da população portuguesa maior de 18 anos (55 anos).

 

Mais de metade (55,49%) dos que responderam ao inquérito do 7MARGENS sobre a sinodalidade afirma que nestes últimos cinco anos, e apesar do processo desencadeado pela convocação do Sínodo sobre o tema, a Igreja Católica em Portugal “mudou muito pouco” (35,77%), “está na mesma” (15,90%), ou” está ainda pior” (3,82%). No polo oposto, 41,65 por cento considera que ela “sofreu transformações profundas” (2,23%), “mudou muito” (5,88%), ou “mudou alguma coisa” (33,54%). Ao todo, 2,86 por cento reconhece “não saber avaliar” essa mudança.

O resultado das 629 respostas recebidas mostra uma impressionante resistência à mudança da mais antiga instituição portuguesa. São menos de um em cada dez (8,11%) a identificarem alterações significativas ocorridas em meia década! A esmagadora maioria (69,31%), mais de dois em cada três, coincide no reconhecimento de que as mudanças foram mínimas (“alguma coisa” ou “muito pouco”).

Esta conclusão é tão mais significativa quanto entre os participantes na sondagem 96 por cento dizem-se católicos, dos quais 75 por cento se encontram envolvido(a)s em algum movimento ou estrutura católica, ou desempenham algum serviço na comunidade em que se integram. São, portanto, não apenas “católicos praticantes”, como “católicos muito participativos”.

Se considerarmos apenas o universo do conjunto de padres e religioso(a)s, a opinião quanto à introdução de mudanças palpáveis inverte-se. Este grupo é mais otimista no balanço que faz quanto ao avanço da Igreja Católica em Portugal em termos de sinodalidade, sendo que um pouco mais de metade (53,52%) diz terem-se registado mudanças visíveis, enquanto 45,07 por cento as aponta como sendo impercetíveis.

Apesar desta avaliação um pouco mais otimista do que aquela feita pelos leigos e leigas, mais de um quinto (22,54%) dos padres e religiosos ou religiosas tende a considerar que, quanto à sinodalidade, tudo “está na mesma” ou “ainda pior”, valor que supera a percentagem (20,89%) de leigos/leigas que partilham dessas opiniões.

Recorde-se que o tema da sinodalidade foi lançado pelo Papa Francisco em 2021 como meio de questionar e reformar o modo de ser e viver da Igreja Católica, promovendo uma cultura de escuta, diálogo e corresponsabilidade entre todos os fiéis batizados, de modo a combater o clericalismo. Ou seja, tornar a Igreja menos hierárquica, passando a viver mais como uma comunidade organizada de forma circular do que prolongando a sua tradicional configuração piramidal.

Clero resiste

A “pouca vontade de mudança por parte de leigos e clero” (59%) e a “vontade do clero em manter o seu protagonismo exclusivo” (56,34%) são as principais causas sugeridas pelos inquiridos que avaliam negativamente os progressos sinodais concretizados nos últimos cinco anos, sugerindo de forma evidente que a resistência dos padres à mudança terá sido a principal razão para que tudo fique na mesma. Aos que viram poucas ou nenhumas alterações, o inquérito oferecia seis hipóteses de explicação das razões para essa resistência à mudança, à partilha de responsabilidades e protagonismo, das quais podiam escolher apenas duas.

De todas as hipóteses, a “recusa dos leigos em assumirem responsabilidades” (7,67%) foi a menos indicada, mesmo se quase um terço das respostas (30,38%) apontasse a “reduzida formação teológico-pastoral dos leigos” como entrave ao aprofundamento da sinodalidade. A “incapacidade de a comunidade entender os problemas e os desafios do mundo atual” (24,19%) e a “resistência da comunidade em acolher pessoas diferentes” (10,32%) foram outras das razões referidas para a resistência à mudança.

Por outro lado, quanto mais negativo é o balanço dos progressos realizados, mais se aponta o dedo ao clero, sendo que para aqueles que afirmam estar tudo na mesma, a “vontade do clero em manter o seu protagonismo exclusivo” é a razão desse estado de coisas (57%), subindo para os 70 por cento entre aqueles que sentem que a sua Igreja está ainda pior. Curiosamente, também entre os clérigos e religiosos/religiosas que não fazem um balanço positivo, 56,25 por cento indica a “vontade do clero em manter o seu protagonismo exclusivo” como obstáculo ao advento de uma Igreja sinodal.

Entre os que, pelo contrário, sentiram grandes ou algumas alterações no modo das comunidades viverem, 40,46 por cento indicava como fator principal de mudança a “disponibilidade dos leigos para assumirem responsabilidades”, enquanto a “capacidade de a comunidade ler os sinais dos tempos” era apontada por 34,35 por cento. Seguiam-se-lhes outras razões, como a “abertura da comunidade para acolher pessoas diferentes” (29,39%), a “grande vontade de participação dos leigos” e o “entusiasmo de leigos e clérigos” (21,37%). A resposta menos escolhida, entre as seis possíveis, foi a que atribuía as transformações concretizadas à “dinamização por parte do clero” (13,74%).

Num ponto coincidem aqueles que viveram ou sentiram progressos das suas comunidades em direção à sinodalidade: o clero não foi um fator de aceleração deste processo. Ou porque agiu como entrave, preocupado em manter o seu protagonismo exclusivo, ou porque raramente contribuiu para dinamizar as propostas de ação inscritas na preparação do sínodo e nas recomendações incluídas no seu documento conclusivo.

Algumas surpresas

A todos os que relevaram alterações no modo de ser e viver da sua comunidade o inquérito solicitava que escolhessem duas de sete hipóteses sobre o que mais os surpreendera no caminho sinodal percorrido. Inesperado foi o facto de um em cada cinco (19,47%) responder que não sabia indicar alguma.

A “criação de grupos de vária índole, desde o estudo da Bíblia, de partilha de vida, de ação, ou outra” foi um acontecimento inesperado para 44,55 por cento dos que fazem um balanço positivo do caminho sinodal. Outros 39,41 por cento foram surpreendidos pela capacidade das suas paróquias ou movimentos terem lançado ações para enfrentar e resolver os problemas da comunidade envolvente.

A “renovação da linguagem e a melhoria da capacidade de comunicação com novas pessoas” (36,65%) e a “participação dos leigos na preparação da liturgia e a renovação desta” (26,79%) são também referidas como progressos que causaram admiração, tal como o foi para um quinto destes inquiridos o “protagonismo assumido pelos pobres e por outros até então marginalizados (recasados, homossexuais, etc…)”.

Mais uma vez, também entre as 41,65 por cento de respostas que salientam os avanços verificados, não existe grande indicação quanto ao papel dos padres, pois menos de uma em cada cinco (18,01%) reconhece a surpresa do “padre ter deixado de dirigir tudo”.

Outra indicação que este grupo de leitores oferece é a do muito caminho que ainda falta percorrer. Menos de cinco por cento (4,85%) reconhece ter sido surpreendido pelo facto da sua “comunidade ter passado a viver sinodalmente em todos os aspetos da sua existência”.

O inquérito lançado pelo 7MARGENS recolheu ainda a opinião dos leitores quanto ao entusiasmo com que bispos, padres e leigos/leigas se envolveram em Portugal no processo sinodal, sobre a importância e modos de concretizar a sinodalidade na Igreja católica, bem como e sobre o seu previsível futuro a nível nacional e mundial. Do resultado dessa auscultação daremos conta em notícias a publicar ao longo desta semana.

7 Margens | 08/06/2026

Publicamos hoje o segundo texto sobre os dados do inquérito realizado pelo 7MARGENS junto dos leitores e leitoras.

Ou muito longe, ou muito perto. Para mais de metade (55,33%) dos leitores que responderam ao inquérito do 7MARGENS, os maiores progressos da sinodalidade verificaram-se na Igreja Universal, ou no seu grupo, comunidade de base ou movimento. Apenas 16,53 por cento escolheu responder que foi na sua paróquia, na Igreja da sua diocese, ou na Igreja Católica em Portugal onde verificou maiores avanços. A paróquia só foi escolhida por 6,39 por cento dos inquiridos e há um imenso conjunto (28,46%) que não sabe responder a esta pergunta.

A personalidade, as atitudes e as decisões dos dois últimos Papas, bem como a atenção mediática que despertaram induziu nos leitores do 7MARGENS a perceção de que muita coisa mudou no Vaticano e na Igreja Católica em todo o mundo de 2021 para cá. Esta imagem de mudança contrasta vivamente com o imobilismo atribuído às estruturas eclesiais dirigidas por clérigos.

Entre todos os que sabem apontar onde se verificaram maiores avanços em ordem à sinodalidade, apenas menos de um em cada dez indica a paróquia (8,89%), menos ainda a diocese (7,78%) a que pertence, enquanto a Igreja portuguesa no seu conjunto só mereceu a escolha de 6,44 por cento dos inquiridos. Tudo somado não chega a um quarto dos leitores com opinião nesta matéria. A maioria destes (55,11%) é a Igreja universal que nomeia como estando a avançar de forma mais significativa para a sinodalidade, enquanto quase um em cada quatro (22,22%) prefere escolher o grupo, a comunidade ou movimento de que faz parte como as instâncias mais dinâmicas nesse processo.

Curioso é o facto de aqueles que celebram ou participam na eucaristia todos os dias, maioritariamente padres ou religioso(a)s, também apontarem a Igreja universal (41,86%) como a instância mais avançada em termos de sinodalidade. Partilham desta opinião os que só vão à missa uma ou duas vezes por mês (41,86%), ou algumas vezes por ano (39,22%). Também muitos (37,60%) dos que frequentam a eucaristia semanalmente indicam a Igreja universal como aquela em que são mais visíveis os sinais sinodais.

É neste conjunto de católicos de prática dominical que encontramos a maior percentagem (19,06%) de pessoas que apontam o seu grupo, comunidade ou movimento como aquele espaço em que mais avanços em direção à sinodalidade foram concretizados. Como seria expectável, 97,26 por cento dos que assim valorizam os avanços sinodais são católicos que vão à missa todos os domingos e estão envolvidos em algum movimento ou estrutura católica, ou desempenham algum serviço na sua comunidade.

Um quinto (20,00%) dos que pertencem a grupos, comunidades e movimentos católicos, não importa com que ritmo frequentem a eucaristia, também escolheram estas estruturas como aquelas em que identificam maiores mudanças. Já entre todos os católicos que de algum modo fazem um balanço positivo das mudanças sinodais ocorridas nesta última meia década, 16,03 por cento indica o seu grupo como sendo o que maiores alterações concretizou, enquanto 10,31 por cento escolhe a sua paróquia como lugar onde maiores foram essas mudanças.

Já entre os leitores mais críticos em relação às alterações que não veem concretizadas na Igreja Católica em Portugal só 3,72 por cento nomeiam a paróquia como a instância em que maiores mudanças se registaram, enquanto 16,62 por cento escolhe nesse critério o seu grupo, comunidade ou movimento.

Para a maioria dos respondentes, a maior parte do clero esteve de costas voltadas para

7 Margens | 09/06/2026

Publicamos hoje o terceiro texto sobre os dados do inquérito realizado pelo 7MARGENS junto dos leitores e leitoras.

Os leigos receberam com entusiasmo e tentaram envolver-se no processo sinodal, o que não aconteceu com os bispos e ainda menos com os padres. Mesmo assim, apenas 42 por cento dos que responderam ao inquérito do 7MARGENS concorda totalmente, concorda muito ou simplesmente concorda com aquela afirmação sobre o envolvimento dos leigos. Percentagem que desce para 30 por cento no que diz respeito ao empenho dos bispos e se reduz ainda mais (22,14%) quando se trata de avaliar a adesão entusiástica dos padres. Quatro em cada cinco (71,22%) pensa exatamente o contrário sobre a atitude do clero.

A avaliação do entusiasmo dos padres é particularmente negativa já que ela se distribui de modo praticamente uniforme entre os três graus de discordância: discordo, discordo muito e discordo totalmente, que obtêm cada um respostas sempre acima dos 22 por cento. No outro extremo, apenas 7 por cento concorda totalmente ou está muito de acordo com a afirmação de que “o clero, em Portugal, aderiu de forma entusiástica ao processo sinodal”. Valor inferior aos (7,63%) que não sabem avaliar as atitudes em causa nesta pergunta.

Também os bispos portugueses não ficam bem na fotografia. Um pouco melhor do que o clero, mas, ainda assim, olhados como tendo feito muito pouco pelo avanço da sinodalidade. São menos de 28 por cento os participantes no inquérito que manifestam o seu acordo a um balanço favorável ao desempenho dos prelados neste campo. No polo oposto, há mais de 15 por cento de respostas indicando a “total discordância”, 21 por cento “muito discordantes” e 28 por cento que discordam da afirmação de que os bispos portugueses se teriam empenhado fortemente no tema do sínodo para o qual foram convocados pelo Papa Francisco.

Embora exprimindo um balanço mais positivo quanto à adesão dos leigos/leigas, pouco mais de 3 por cento concordam sem reservas com a afirmação “os leigos que conhece receberam com entusiasmo e tentaram envolver-se no processo sinodal”. Enquanto isso, 18 por cento diz estar “muito de acordo” e 21 por cento de acordo. Ao todo, 42 por cento pronuncia-se a favor de um balanço positivo sobre a adesão do laicado.

O conjunto de perceções que os resultados do inquérito permitem identificar revela um muito baixo entusiasmo dos católicos portugueses (com particular evidência para o clero) no processo sinodal. O que ajuda a explicar o facto de mais de dois em cada três leitores reconhecer que as mudanças introduzidas por este processo na Igreja Católica em Portugal foram mínimas, opinando que apenas “alguma coisa mudou” ou que “muito pouco mudou”

Há, de resto, 4 por cento de inquiridos que “discorda totalmente” de qualquer avaliação positiva, seja do comportamento dos prelados, dos padres ou dos leigos. É um reduzido número de leitores para os quais nenhum destes três grupos se entusiasmou minimamente em responder ao apelo lançado há cinco anos pelo Papa Francisco. Entre os que fazem este balanço, apenas 8 por cento pensa que, apesar deste manifesto desinteresse, “alguma coisa mudou” na Igreja Católica em Portugal. Todos os outros opinam que ela “mudou muito pouco”, “está na mesma” ou “está ainda pior”.

Embora o inquérito não permita concluir por que razão, apesar do entusiasmo dos leigos e leigas referido por 42 por cento das respostas, tão pouca coisa mudou no modo de ser da Igreja nos últimos cinco anos, existe um princípio de resposta a essa interrogação no facto de, entre todos os que notaram tal entusiasmo, mais de metade (56,27%) defender que os padres não partilharam desse entusiasmo e quase na mesma percentagem (53,23%) considerarem que os bispos também não o fizeram.

Olhando para os resultados a partir do ponto de vista contrário, isto é, daqueles que não observaram entusiasmo dos leigos e leigas em se envolverem no processo sinodal, encontramos 9,42 por cento a defender ter havido grande entusiasmo por parte do clero. Ou seja, quase um em cada dez dos inquiridos afirma que, apesar do entusiasmo vivido pelo clero, os leigos nada quiseram com o sínodo. Quando se trata dos bispos, a relação sobe bastante: para 19,15 por cento dos inquiridos, o empenho destes prelados não encontrou eco nos fiéis.

Como não podia deixar de ser, num inquérito em que a maioria (63,62%) das respostas é originada por pessoas que frequentam a missa semanalmente, são também estes que formam a maioria (60,55%) daqueles que criticam a atitude dos bispos, no que são acompanhados pelos que frequentam a eucaristia diariamente (16,83%). Nos que apreciam negativamente o empenho dos prelados encontramos 75,63 por cento de pessoas que estão envolvidas em algum movimento ou estrutura católica, ou que desempenham algum serviço na sua comunidade.

A crítica ao fraco envolvimento dos padres é feita por 71 por cento dos inquiridos, dos quais a maioria (60,49%) vai à missa todos os domingos e 22 por cento fá-lo diariamente, enquanto cinco em cada quatro são pessoas envolvidas no serviço à sua comunidade. Estes dados mostram que quem não aprecia positivamente o interesse (ou, melhor, o desinteresse) dos padres no processo sinodal são católicos e católicas que participam ativamente nos seus grupos, comunidades e movimentos.

Um dos resultados mais curiosos deste inquérito verifica-se, porém, a propósito do que pensam os padres quanto à atitude do conjunto do clero e o que sobre o mesmo tema opinam os religiosos e religiosas. No primeiro caso, 84 por cento dos clérigos avaliam de modo muito, algo ou simplesmente crítico o entusiasmo dos seus pares no que diz respeito à sinodalidade. Seguindo-lhes os passos, quatro em cada cinco religiosos/religiosas afina pelo mesmo diapasão, criticando como insuficiente o envolvimento dos padres.

7 Margens | 10/06/2026

Quarto e último artigo de análise das respostas ao inquérito sobre a sinodalidade.

A transformação da Igreja Católica numa Igreja sinodal é um desejo partilhado por uma esmagadora maioria (96,49%) dos que participaram no inquérito do 7MARGENS, mas menos de um terço antevê que tal aconteça à Igreja em Portugal. Ao mesmo tempo, só um quinto dos inquiridos supõe que Igreja vai ter cada vez maior importância na sociedade portuguesa. A nível internacional as expectativas são, porém, de feição: dois terços das respostas transmitem a certeza de que o Papa Leão XIV vai dar um impulso decisivo ao aprofundamento da sinodalidade.

A descrença num futuro sinodal para a Igreja Católica em Portugal é enorme. Apenas 29,62 por cento dos inquiridos acreditam que “em breve a Igreja em Portugal vai ser muito mais sinodal”. Descrentes nesse futuro são 63 por cento, enquanto 7,18 por cento não consegue pronunciar-se.

Entre os que partilham da opinião de que as alterações introduzidas até agora foram nada, muito pouco ou pouco significativas, a convicção de que o futuro não será muito diferente tem sempre valores superiores a 74 por cento. Mesmo entre aqueles que opinam ter a Igreja “mudado alguma coisa” quase metade (48,82%) descrê de que a progressão em direção à sinodalidade possa vir a marcar o futuro próximo.

Mais inesperadamente, são os padres quem menores espectativas têm quanto ao advento de uma Igreja sinodal em Portugal. Entre os clérigos, a percentagem dos que afirmam que tal não acontecerá (72%) supera inclusive os valores (62,86%) apurados para o grupo do(s) leigo(a)s. Só nos religioso(a)s reina a confiança num futuro sinodal: ‘apenas’ 38,10 por cento duvida de que tal aconteça em breve.

Descontados os que respondem “não saber”, a fotografia torna-se ainda mais negra: só 26 por cento dos clérigos se mostra confiante de que em breve a Igreja Católica em Portugal vai ser muito mais sinodal, no que são acompanhados por 30,56 por cento do(s) leigo(a)s e 42,86 por cento do(s) religioso(a)s. Ou seja, em média, é preciso juntar cinco padres para que haja um que acredita em tal cenário. De igual modo será necessário reunir três leigo(a)s para se encontrar um que partilhe dessa expectativa.

Independentemente do balanço que faziam dos progressos sinodais na Igreja portuguesa e universal e para além das expectativas sobre a ação futura de leão XIV nesta matéria ou da evolução da Igreja Católica em Portugal [ver 7Margens], os leitores do 7MARGENS foram ainda inquiridos sobre que importância atribuíam à transformação da Igreja Católica numa Igreja sinodal.

As respostas a esta pergunta foram taxativas: apenas 3,51 por cento considerava tal transformação como “pouco importante” ou “nada necessária”; pelo contrário, 61,40 por cento classificava-a de “muitíssimo necessária” e 21,53 por cento de “muito importante”. O facto de quatro em cada cinco dos participantes no inquérito conferir tão elevada importância à consolidação de uma Igreja verdadeiramente sinodal, contrasta fortemente com o balanço que fazem do processo até hoje vivido na Igreja do seu país.

Avanço virá de Roma

“Dois em cada três (64,07%) não têm quaisquer dúvidas que o Papa Leão XIV vai dar um impulso decisivo ao aprofundamento da sinodalidade.” Foto © Clara Raimundo/7MARGENS

Mas contrasta também com o que esperam que venha a acontecer num futuro próximo. De facto, entre todos os que opinam ser “muitíssimo necessário” que a Igreja viva de forma sinodal dois terços (68,57%) não espera que tal venha a acontecer em breve na sua Igreja, opinião que é partilhada por 69,57 por cento dos que a consideram “importante”. Já aqueles que classificam a sinodalidade como algo “muito importante” são menos descrentes (47,41%) que ela possa vir a caracterizar a Igreja em Portugal.

Uma certeza têm os participantes no inquérito do 7MARGENS: O Papa Leão XIV vai dar um impulso decisivo ao aprofundamento da sinodalidade. Dois em cada três (64,07%) não têm quaisquer dúvidas de que isso vai acontecer.  Os que mais confiam que assim seja são os padres (74%) e o(s) religioso(a)s, (71,43%). Entre o(s) leigo(a)s, são exatamente 64,02 por cento os que acreditam que Leão XIV vai continuar a aprofundar o carácter sinodal da Igreja Católica.

As respostas a esta pergunta mostram que, quanto mais positivo é o balanço que se faz do enraizamento sinodal na Igreja Católica em Portugal, maior a convicção de que o bispo de Roma vai dar um impulso decisivo nesta matéria. De facto, um pouco mais de metade (52,36%) dos que acreditam que o Papa vai promover a sinodalidade de forma significativa afirmam também que a sua Igreja nestes últimos anos “sofreu transformações profundas”, “mudou muito”, ou “mudou alguma coisa”.

Por outro lado, quatro em cada cinco (80,57%) dos que têm esta última perceção (“mudou alguma coisa”), estão muito convictos quanto à qualidade e intensidade da intervenção de Roma nesta matéria. Os que sentem que a sua Igreja “mudou muito” estão ainda mais seguros (86,49%) de que assim acontecerá. Pelo contrário, apenas 60,44 por cento dos que dizem que a Igreja Católica em Portugal “mudou muito pouco” partilham da mesma ideia. Percentagem que baixa para menos de metade (46,00%) quando respondem a esta questão aqueles que dizem estar a sua Igreja “na mesma”.

A Igreja em Portugal vai ter cada vez maior importância na sociedade portuguesa? A esmagadora maioria pensa que não. Menos do que um em cada cinco dos inquiridos (24,56%) concorda com esta afirmação. Ventilando o que responde cada um dos grandes grupos, fica-se a saber que só 26 por cento dos padres crê no crescimento da importância da sua Igreja neste país, enquanto apenas 24,76 por cento do(s) leigo(a)s partilha de tal opinião. Entre o(s) religioso(a)s a esperança é maior: um terço (33,33%) antevê um crescimento da importância da Igreja Católica em Portugal.

 

SINODO – Inquérito 7Margens-Portugal – Junho 2026 (PDF)

Caminhos de Comunhão – Caderno 04 (PDF)