Decálogo para as férias
[Adaptado a partir de texto de D. Francesc Pardo i Artigas | Bispo de Girona, Espanha]
Estamos no tempo teórico de férias, mas muitos, por causa da situação económica, não poderão desfrutá-las. Outros trabalham mais que nunca ao serviço dos turistas que nos visitam e de quem faz férias. Mas no melhor dos casos – pelo menos alguns dias, ou nem que seja algumas horas – poderemos ir de férias. Também será uma boa ocasião para conhecer melhor o próprio país, os locais mais próximos, outras pessoas, e para penetrarmos mais no tesouro cultural do nosso património.
Aqui ficam algumas reflexões para nos ajudar a viver estes dias.
- Respeito pela natureza
Não a prejudiques, lançando lixo em todo o lado, destruindo a flora ou maltratando a fauna e os seus espaços vitais. Na praia, na montanha, no campo… descobre na natureza a primeira carta de amor que Deus te enviou.
- Não te envergonhes de ser cristão
Sem necessidade de fazer propaganda disso, sê capaz de dar razão da tua fé e da tua esperança, se a ocasião se proporcionar.
- Jesus não faz férias e quer acompanhar-te nas tuas
Por isso participa na Eucaristia do domingo, onde quer que estejas. Quando entrares numa igreja, não te limites a contemplar a sua beleza ou o seu património. Procura um momento de oração, de comunicação pessoal com Jesus.
- As férias ou dias de festa são para toda a família
Dialoga, joga, brinca, passa bem o tempo com a família, sem pressas. Sobretudo, procura momentos para escutar e falar, dado que o ritmo habitual do quotidiano não proporciona muitas vezes oportunidade para isso.
- Sê cauteloso com a vida dos outros
A vida é um grande dom de Deus. Evita os riscos desnecessários e sê prudente ao escolher atividades.
- Valoriza a amizade
Tens uma boa ocasião para partilhar pensamentos, opiniões, gostos e distrações com outras pessoas não habituais. Estreita a amizade com os amigos, e se tiveres oportunidade faz novas amizades.
- Recorda sempre que outros trabalham muito para que tu possas desfrutar
Essas pessoas também têm os seus direitos; respeita-os. E sê agradecido, porque um sorriso, um dizer «obrigado» com sinceridade é, muitas vezes, a melhor recompensa.
- Descansa, mas deixa que outros também descansem
Pensa durante a noite que tu podes levantar-te tarde, mas outros fá-lo-ão muito cedo e têm direito ao seu descanso, para que possam trabalhar e servir melhor.
- Não vale tudo
Durante o tempo livre, tempo de férias, não vale tudo. Recorda os teus compromissos, recorda a tua dignidade e a dignidade de toda a pessoa. Recorda os mandamentos.
- Vive a caridade e a solidariedade
Pensa em quem não tem férias, porque nem sequer tem o pão de cada dia. A caridade não faz férias

Leão XIV:
O verão, tempo para viver o Evangelho da paz e da misericórdia
(tradução livre para português)
O Papa responde a um leitor da revista “Piazza San Pietro” que lhe perguntou: como viver as férias? Na resposta, disse: “Não apenas como “uma pausa na rotina diária”, mas como um caminho espiritual na própria vida de fé”, exortando-o de seguida a vivenciar a fraternidade e a comunhão. Dirijam os vossos pensamentos para aqueles que não podem desfrutar nem sequer de “um breve período de descanso”. Recomendo que, “durante as férias”, evitem “os excessos e o desperdício, o materialismo e o consumismo”.
“As férias” devem ser “um momento de descanso das ocupações e das preocupações, durante as quais se possam viver experiências autênticas de amizade e de partilha”, para que possamos experimentar uma antecipação daquela fraternidade e comunhão que poderemos viver e viveremos no Reino de Deus”. É esse o desejo que Leão XIV expressa ao responder à carta que lhe foi enviada por Maurizio, de Roma, e publicada na edição de julho e agosto da revista “Piazza San Pietro”. O leitor, grato ao Papa “pelo seu empenho constante e incansável na orientação para a vivência cristã, com palavras de paz, esperança e luz neste tempo de grande instabilidade entre os povos”, no meio do “agravamento dos conflitos”, questiona-se “sobre o significado da fé na vida quotidiana” e sobre o como “alimentar uma espiritualidade mais consciente e mais verdadeira”, que saiba “traduzir-se em gestos concretos” para com os “outros”. E pede ao Pontífice um conselho “sobre como viver este período de verão de modo que se torne, também, um caminho espiritual e não apenas uma pausa na rotina diária”. “Para fortalecer nossa fé”, responde Papa Leão, é preciso “aproveitar o tempo do verão para viver o Evangelho da paz e da misericórdia”.
E não se esqueçam dos mais vulneráveis.
Ao refletir sobre este período de férias, o Papa Leão XIV dirige, em primeiro lugar, os seus pensamentos para os “pobres” e para “todos aqueles que não podem desfrutar de um breve período de descanso, pois estão oprimidos pelo peso de dificuldades de todo tipo”, “aos doentes, às pessoas que perderam a confiança na vida”, àqueles que estão dominados “pela dor, pela perda de seus entes queridos, às vítimas das guerras, do ódio, do terrorismo e da violência”, e ainda “aos perseguidos por causa da fé e da justiça, aos presos, àqueles que ficaram sem trabalho, sem casa, aos migrantes que não são acolhidos humanamente”. Em seguida, deseja “aos cristãos” que o período de verão seja “uma oportunidade para experiências sociais e religiosas frutíferas, para aprofundar a missão na Igreja e na sociedade”. “Que aos doentes não falte, durante esses meses de verão, a proximidade dos familiares e dos voluntários”, prossegue, desejando que haja quem decida “passar parte das férias num compromisso fraterno de solidariedade”. Na resposta do Pontífice, há também o convite às famílias para que não deixem os idosos sozinhos e “aos voluntários” para que se empenhem em “levar humanidade e esperança aos que sofrem”. “Vocês verão frutos da graça” e “quanto amor”, “alegria” e “felicidade” preencherão “a vida de cada um”, acrescenta, explicando, além disso, que é um “privilégio” apoiar “os pobres” e testemunhar “a pobreza evangélica. Este é um serviço que prestamos ao próprio Cristo”.
Recomendações para as férias
Leão XIV recomenda, ainda, que “durante as férias”, evitemos “os excessos e o desperdício, o materialismo e o consumismo” e cultivemos “a sobriedade”; lembra “que o acumular de bens dificulta a evangelização” e exorta à coerência “com um estilo cristão de vida”. “Que o amor e a graça de Deus nos atinjam todos os dias, sempre”, assegura o Papa, incentivando-nos à ajuda mútua “em todas as comunidades”, para que não se perca “esse património objetivo de humanidade e de paz, a única esperança para dar um futuro ao mundo ameaçado pela guerra”, que poderá ser salvo não pelo “poder terreno, mas somente pelo ‘poder divino do amor que é Jesus’”.
BOAS FÉRIAS
Férias 2026 (PDF)