Sessão nº 1

Introdução Geral

 

NOTA PRÉVIA

Vamos elaborar textos, com alguma densidade de conteúdo e, portanto, devendo ser pequenos em extensão. Este, de hoje, será uma exceção. Teremos o maior dos cuidados para ser claros. Mas, como humanos, limitados, vamos certamente falhar. Se vier até nós poderemos procurar ajudar. A vontade é crescer para uma Fé adulta e vivida, o mais possível, de forma comunitária. Foram esses o pedido e o desejo de Jesus que passou entre nós fazendo o bem, na companhia de gente disposta a deixar tudo para o seguir. O Reino está a acontecer, já agora. Não percamos tempo.

Até já!…

Como cristãos católicos, centramos a nossa Fé na Trindade.

(símbolo dos apóstolos)

Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra

Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo;
nasceu da Virgem Maria; 
padeceu sob Pôncio Pilatos, 
foi crucificado, morto e sepultado; 
desceu à mansão dos mortos; 
ressuscitou ao terceiro dia; 
subiu aos Céus; 
está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, 
de onde há-de vir a julgar os vivos e os mortos.

Creio no Espírito Santo; 
na santa Igreja Católica; 
na comunhão dos Santos; 
na remissão dos pecados; 
na ressurreição da carne; 
e na vida eterna.

E mergulhamos à busca e procurando ser construtores do Reino de Deus , já agora” e “nas marcas dos sapatos” de Jesus de Nazaré, segundo os relatos dos 4 evangelistas:

Mc 1

1Princípio do evangelho de Jesus, Cristo, Filho de Deus[1].
2Tal como está escrito no profeta Isaías –
Eis que envio o meu mensageiro à tua frente[2],
que há de preparar o teu caminho[3].
3Uma voz que clama no deserto:
«Preparai o caminho do Senhor,
endireitai as suas veredas»[4] –
4apareceu João Batista no deserto a proclamar um batismo de conversão[5] para perdão dos pecados. 5Acorria a ele toda a região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém, e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. 6João estava vestido com peles de camelo e com uma correia de couro à volta dos rins e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre[6]7E proclamava, dizendo: «Atrás de mim vem aquele que é mais forte[7] do que eu; eu não sou digno de me inclinar para desatar[8] a correia das suas sandálias. 8Eu batizei-vos na água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo». ……….

 NOTAS

  1. Este primeiro v. é o título programático da obra: o leitor é convidado a acolher Jesus não só como Cristo (o Messias esperado) mas também como Filho de Deus. Esta é a boa notícia (significado da palavra grega evangelho): em Jesus não só se cumprem, como são superadas as esperanças messiânicas, pois Ele não é apenas filho de David (Messias), mas filho do próprio Deus, tal como o Pai atesta logo no momento do batismo (a enquadrar o ministério de Jesus: 1,11) e na transfiguração (a emoldurar os anúncios da sua paixão, morte e ressurreição: 9,7). A formulação grega é ambígua de modo a possibilitar uma dupla leitura: Jesus é não só o anunciador desta boa notícia, como também o seu conteúdo. A maioria dos mss. apresenta o título Filho de Deus.
  2. : diante do teu rosto.
  3. Ml 3,1; Ex 23,20 (LXX).
  4. Is 40,3. Mc segue o texto dos LXX que indica o deserto como o lugar onde se faz ouvir a voz; o TM e o de Qumran apresentam o deserto como lugar onde se deve preparar o caminho.
  5. A ideia principal de conversão (metánoia) é a mudança de mentalidade, de modo de pensar e, consequentemente, de viver (o que vai mais longe do que arrependimento, como por vezes se traduz por causa da palavra latina paenitentia que tem esse significado). Este é também o primeiro e principal convite de Jesus (1,15).
  6. O cinto de couro parece querer ligar João a Elias, que também caminhava no deserto (2Rs 1,8; 1Rs 19,4), o que é confirmado por Jesus em 9,13. A roupa é a característica dos profetas (Zc 13,4). A frugalidade da alimentação apresenta João como um asceta, preocupado com o essencial: preparar o caminho do Senhor. Os diferentes pormenores sublinham a chegada dos tempos escatológicos.
  7. Mais forte é um qualificativo de Deus nos LXX (2Sm 22,32s).
  8. : de, inclinando-me, desatar.

Mt 1

1Livro da genealogia[1] de Jesus Cristo[2], filho de David, filho de Abraão. 2Abraão gerou Isaac, Isaac gerou Jacob, Jacob gerou Judá e seus irmãos[3]3Judá gerou, de Tamar, Peres e Zera. Peres gerou Hesrón. Hesrón gerou Rame. 4Rame gerou Aminadab. Aminadab gerou Nachon. Nachon gerou Salmon. 5Salmon gerou, de Raab, Boóz. Boóz gerou, de Rute, Obed. Obed gerou Jessé. 6Jessé gerou o rei David. David gerou, da mulher de Urias[4], Salomão. 7Salomão gerou Roboão. Roboão gerou Abias. Abias gerou Ása. 8Ása gerou Josafat. Josafat gerou Jorám. Jorám gerou Uzias. 9Uzias gerou Jotám. Jotám gerou Acaz. Acaz gerou Ezequias. 10Ezequias gerou Manassés. Manassés gerou Amon. Amon gerou Josias. 11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, no tempo da deportação para a Babilónia. 12Depois da deportação para a Babilónia, Jeconias gerou Salatiel. Salatiel gerou Zorobabel. 13Zorobabel gerou Abiud. Abiud gerou Eliaquim. Eliaquim gerou Azur. 14Azur gerou Sadoc. Sadoc gerou Jaquin. Jaquin gerou Eliud. 15Eliud gerou Eleázar. Eleázar gerou Matán. Matán gerou Jacob. 16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. 17Assim, as gerações todas são: desde Abraão até David, catorze gerações; desde David até à deportação para a Babilónia, catorze gerações; e desde a deportação para a Babilónia até Cristo, catorze gerações.

18Jesus Cristo foi gerado deste modo: Maria, sua mãe, tendo sido desposada por José, antes de viverem juntos[5], descobriu-se grávida[6] por obra do Espírito Santo. 19José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, quis repudiá-la secretamente[7]20E, tendo assim pensado, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu num sonho[8], dizendo: «José, filho de David, não tenhas medo de receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado provém do Espírito Santo. 21Dará à luz um filho, e chamá-lo-ás com o nome de Jesus[9], pois Ele salvará o seu povo dos seus pecados».22Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que tinha sido dito pelo Senhor por meio do profeta que diz:23Eis que a virgem conceberá no ventre e dará à luz um filho, que será chamado com o nome de Emanuel[10]que significa: Deus connosco. 24Quando José acordou do sono, fez como lhe havia ordenado o anjo do Senhor e recebeu a sua mulher. 25Mas não a conheceu[11] até que deu à luz um filho a quem chamou com o nome de Jesus. …………………..

NOTAS:

  1. A mesma palavra grega génesis (origem, geração, génese) introduz as duas secções que se iniciam respetivamente no vv. 1 e 18: a primeira refere-se à origem humana de Jesus, a segunda à sua origem divina. As genealogias, no AT, são um legado teológico do povo eleito, sobretudo depois do exílio (Gn 5; 10; 36; livros dos Reis e Crónicas). Mt sobreleva as pessoas de Abraão, como primeiro pai na fé, e David, como primeiro rei associado às promessas messiânicas.
  2. De origem grega (khristós), este título significa ungido e corresponde ao hebraico māchîah (Messias), que Mt nunca usa. Procede de Mc 1,1 e era entendido, por esta altura, em sentido eminentemente político (20,41; 22,67; 23,2.35.39), mas também profético e sacerdotal (1QS 9,10-11), pois em Israel eram ungidos os sacerdotes, os profetas e os reis.
  3. Com esta genealogia e com as duas que se seguem, Mt quer significar desde o início que, para entender Jesus, é preciso percorrer o AT. Começa aqui a transição do AT para o NT. A primeira parte da genealogia provém de Rt 4,18-22 e 1Cr 1,34-2,15, a segunda de 1Cr 3,1-16; 2 Rs 24,14; Jr 27,20 e a terceira de Esd 3,2; Ag 2,2; 1Cr 3,16-19.
  4. As quatro mulheres que integram a genealogia de Jesus (Tamar: Gn 38; Raab: Js 2; Rute e Betsabé, mulher de Urias: 2Sm 11,1-27) evidenciam a universalidade da salvação espelhada nos títulos da descendência abraâmica e davídica aplicados a Jesus. Esta árvore genealógica pertence ao género das genealogias de linhagem sem ramificações, cuja função é legitimadora, tal como acontecia no mundo antigo (cf. Eusébio, Hist.Eccl III,12.19; XX,1-6; XXXIII,3; bKet 26b; NmR 13,14; ExR 15,26).
  5. Na cultura hebraica, o noivado tinha lugar um ano antes do casamento, e durante esse período a noiva permanecia com a sua família, sem nenhum contacto mais íntimo com o noivo. Apesar disso, desde o dia em que o noivado se iniciava, os noivos eram já considerados marido e mulher.
  6. : que tinha no ventre (a mesma expressão do v. 23).
  7. A lei de repúdio ordenava que a mulher apanhada em adultério fosse apedrejada (cf. Dt 22,20s; Lv 18,20; 20,10; 1QT 66; Filão, Spec.Leg III,72-78).
  8. Mt usa os sonhos, de acordo com a cultura oriental, para manifestar os mistérios divinos. O termo sonho (ónar) ocorre exclusivamente em Mt (1,20; 2,12.13.19.22; 27,19).
  9. Yechua (Jesus) significa o Senhor salva.
  10. Is 7,14. O texto hebraico (e o de Qumran) apresenta ‘almāh (donzela, jovem), mas Mt segue aqui a versão dos LXX com parthénos (virgem).
  11. O verbo grego ginṓskō (conhecer) traduz o verbo hebraico yāda’ que, entre outros sentidos, significa também ter relações matrimoniais.

Lc 1

1Dado que muitos procuraram compor uma narração acerca dos factos que entre nós se completaram, 2como no-los transmitiram os que, desde o princípio, foram testemunhas oculares e servidores da palavra, 3entendi por bem, também eu, que desde o início averiguei atentamente todas as coisas, escrever-tos, de modo ordenado, caríssimo Teófilo, 4para que reconheças a solidez das palavras com que foste instruído[1].

NOTAS

  1. 1-4: À boa maneira das obras historiográficas da época, Lc começa a sua com um prólogo, em estilo clássico, em que assinala os três momentos da formação dos evangelhos (factos, transmissão e redação) e a sua finalidade (reconhecer a solidez da doutrina); refere o personagem a quem a obra é dedicada (Teófilo em At 1,1); e destaca o trabalho de investigação e composição que levou a cabo.

Jo 1

1No princípio era a Palavra[2] e a Palavra estava junto de Deus e a Palavra era Deus. 2Ela estava, no princípio, junto de Deus. 3Por meio dela todas as coisas surgiram, e sem ela nem uma só coisa do que existe surgiu[3]4Nela estava a vida e a vida era a luz dos homens[4]5a luz brilha nas trevas e as trevas não se apoderaram dela[5]. 6Surgiu um homem, enviado por Deus[6]: o seu nome era João. 7Ele veio para um testemunho: para dar testemunho da luz, para que todos, por meio dele, acreditassem. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. 9A Palavra era a luz verdadeira[7], que ilumina todo o homem que vem ao mundo[8]10Estava no mundo e o mundo por meio dela[9] surgiu; mas o mundo[10] não a conheceu. 11Veio para o que era seu[11], mas os seus não a acolheram. 12Mas a todos quantos a receberam deu-lhes poder de se tornarem filhos de Deus: àqueles que acreditam no seu nome[12]13Estes não nasceram do sangue[13], nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. 14E a Palavra fez-se carne: estabeleceu a tenda entre nós[14] e contemplámos a sua glória[15]; glória como unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade. 15João dá testemunho acerca dele e clama, dizendo: «Foi deste que eu disse: “O que atrás de mim vem, adiante de mim surgiu, porque antes de mim existia”». 16Da sua plenitude todos nós recebemos: graça sobre graça[16]17Porque a Lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade surgiram por meio de Jesus Cristo. 18A Deus jamais alguém viu; o unigénito divino[17], que está no seio do Pai, Ele o deu a conhecer[18].

NOTAS

  1. Na origem, era provavelmente um hino litúrgico da comunidade sobre Jesus (1,1-5.9-14.16-18), no qual o evangelista inseriu o que se refere a João Batista (1,6-8.15). Está dividido em duas partes, estruturadas de modo idêntico: 1) 1,1-13 (formulada na 3ª pessoa do singular e do plural): proclamação da dimensão universal e histórico-salvífica da Palavra; 2) 1,14-18 (formulada na 1ª pessoa do plural, no v. 14): confissão de fé da comunidade crente na Palavra encarnada. Nele são introduzidos os grandes temas, posteriormente desenvolvidos: Jesus é divino e pré-existente e, em determinado momento da história, fez-se homem (é Deus e homem), para tornar a pessoa humana participante da sua luz e vida divina. Embora rejeitado pelos seus, as trevas não o venceram e, por isso, a luz continua a brilhar nas trevas, possibilitando à criatura (primeira criação) tornar-se filho (segunda criação). A primeira criação aconteceu por meio de Jesus; assim também a segunda. O leitor é posto de sobreaviso: não acolher Jesus, na totalidade do seu mistério, significa não acolher Deus, pois Ele é o único revelador do Pai e o único por meio do qual se pode receber a graça verdadeira (sentido da hendíade graça e verdade: v. 14): o dom da vida eterna.
  2. Palavra corresponde ao termo grego lógos (traduzido por verbum na Vg), que tem um amplo conteúdo semântico: linguagem, narrativa, discurso, explicação, argumento, regra, razão, lógica, etc.. Identifica-se com Jesus, enquanto revelador único do Pai. Por isso se sublinha a sua pré-existência e natureza divina: não só já existia no princípio (expressão que remete para Gn 1,1), como foi por meio dele, Palavra divina, que Deus tudo criou (E Deus disse…: Gn 1,3.6.9ss).
  3. A expressão do que existe pode, gramaticalmente, ser interpretada de duas maneiras: ligar-se à frase anterior (como nesta tradução e de acordo com a opção da NVg, interpretando o grego como um semitismo, tão característico deste evangelho) ou ligar-se às palavras iniciais do v. 4 (como um nominativo pendens: O que existe, nisso estava a vida).
  4. 3,15; 5,26; 6,57; 11,25; 14,6.
  5. O presente brilha sublinha que a luz continua a brilhar: as trevas não conseguiram apoderar-se dela. Outros traduzem não a receberam ou não a compreenderam.
  6. Sobre a origem e o lugar dos vv. 6-8.15, cf. nota introdutória do Prólogo.
  7. A Palavra é acrescento da tradução. Retoma-se a caracterização da Palavra como luz (v. 5).
  8. Outra tradução possível: a luz verdadeira, que ilumina todo o homem, vinha ao mundo. Verdadeira no sentido de definitiva e plena; só ela pode libertar o homem do poder das trevas.
  9. Refere-se à Palavra (lógos), retomando a afirmação do v. 3.
  10. O mundo é uma expressão polivalente em Jo; pode ter um sentido: 1) natural: a terra ou o universo; 2) antropológico e existencial: a realidade em que os homens estão naturalmente imersos (cf. 3,16); 3) teológico: realidade que se opõe a Jesus e aos seus discípulos (7,7; 15,18s) e, como tal, está sujeita ao domínio de Satanás (cf. 12,31; 14,30; 16,11). Jesus é o salvador do mundo (4,42) em todas estas dimensões: salva o mundo e do mundo.
  11. A expressão é a mesma de 16,32 e 19,27.
  12. Semitismo em que o nome significa a pessoa, porque a identifica e, deste modo, a torna presente. O verbo acreditar, quando tem Jesus como objeto, é usado por Jo numa construção gramatical grega que expressa movimento (pisteúō eis autón): a fé é um processo que tende a um crescendo, mas que também pode regredir (o leitor será disso alertado várias vezes).
  13. : de sangues.
  14. Evocação da Tenda do Encontro (Ex 25,8), habitação de Deus no meio do seu povo; pela encarnação, é em Jesus, no templo do seu corpo, que se realiza a escatológica presença de Deus (2,21).
  15. Pela sua glória Deus tornava-se presente na Tenda do Encontro (cf. Ex 40,34s) e, depois, no templo (1Rs 8,10s).
  16. Isto é, a plenitude da graça.
  17. Deus, sem artigo, tem sentido adjetival. Outra tradução possível: o Unigénito, que é Deus e está no seio do Pai. Unigénito (monogenḗs) exprime a singularidade de Jesus (único, amado, no sentido do hebraico yahîd); no mesmo sentido é referido a Isaac em Heb 11,17 (cf. Gn 22,2.12.16).
  18. : explicou/ interpretou; exēgéomai é a raiz verbal de exegese.

 

Os Pilares da Fé Católica

Sagrada Escritura (Bíblia), Sagrada Tradição e Sagrado Magistério.
Essa é a tríade que constitui a base da fé católica, a fonte para que os fiéis sejam conscientes da sua fé. Mas os católicos conhecem o significado destes pilares?

Para os católicos, a centralidade da fé está no mistério da Eucaristia, instituída pelo próprio Cristo, o que sinaliza a vontade de Deus em permanecer em união com a humanidade.
Para o membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Murilo Krieger, arcebispo de Salvador (BA) e Primaz do Brasil, uma das características da fé católica é justamente o facto da iniciativa partir de Deus, e não dos homens.

“Não somos nós que procuramos Deus, que procuramos conhecê-lo, que tentamos entrar na sua intimidade. Ao contrário: Deus é que se revela a nós. Ele é que tomou a iniciativa”, explica o arcebispo.
Sendo assim, Dom Murilo diz que o que resta aos católicos é acreditar em Deus, acolher sua Palavra e colocar em prática seus ensinamentos, o que acaba por constituir o fundamento da fé católica. “É (o fundamento) ouvir o Senhor, acreditar nos seus ensinamentos, colocá-los em prática com a graça e força que Ele mesmo nos dá”.


Sagradas Escrituras e Tradição

A Sagradas Escritura reúne os ensinamentos que Deus tem para a humanidade. Tais ensinamentos estão presentes no livro sagrado para os católicos: a Bíblia. Mas nem tudo que Deus ensinou está unicamente em forma de escrita.

“A pregação não surgiu assim de um livro que Deus “mandou escrever” e distribuir. Surgiu de ouvir a Palavra de Deus. A pregação apostólica hoje, está contida, de modo especial, nos livros inspirados. Mas esta pregação deve continuar até o fim dos tempos”, lembrou Dom Murilo.

O arcebispo de Salvador enfatizou o facto de os apóstolos terem transmitido aquilo que receberam a partir do convívio com Jesus e exortaram os fiéis a manterem essa tradição que aprenderam, seja oralmente, seja por escrito.

“A Tradição é a fé viva daqueles que já morreram. E nós temos conhecimento desta fé. Quando se fala em tradicionalismo, é outra coisa totalmente diferente, é o apego à fórmula, a uma determinada época. Tradicionalismo é a fé morta dos que ainda vivem. Então uma pessoa tradicionalista, apegada ao passado, a um determinado momento da história, tem uma fé morta, embora esteja viva”, explicou.


O Magistério da Igreja Católica

Além da Sagrada Escritura e da Sagrada Tradição, a fé católica tem ainda um terceiro fundamento: o Magistério. “Magistério é aquele grupo da Igreja que recebe uma ação especial do Espírito Santo para que esta revelação de Deus não se perca e se mantenha sempre fiel”, explicou Dom Murilo.

Para o arcebispo, fazer o católico conhecer melhor as riquezas de sua fé é hoje uma tarefa desafiadora. Ele diz que é importante lembrar que foi vontade de Deus que todas as gerações pudessem ter um conhecimento íntegro de suas revelações, o que nem sempre acontece.

“Temos um dom imenso, temos a Palavra de Deus, a Tradição, o Magistério, a unidade sob Pedro, temos os santos, as formas de rezar, os sacramentos, especialmente o da Eucaristia, temos mártires, temos tudo isso e às vezes não conhecemos”.

E o conhecimento da fé católica em profundidade vem a partir desta tríade tão importante para a Igreja e para os fiéis. “Tanto a Sagrada Escritura, como a Sagrada Tradição, como o Magistério permitem-nos conhecer Deus como Ele se revelou, até o dia em que o veremos face a face e que não precisaremos mais, portanto, da Escritura, nem da Tradição e nem do Magistério porque estaremos diante de Deus contemplando  e mergulhando na sua misericórdia.

Texto resumido de homilia de D. Murilo em S. Salvador do Brasil – julho de 2012 em +pleno Ano da Fé proclamado pelo Papa Bento XVI

Acrescentemos, nós, agora, o resultado da nossa convivialidade com Jesus – na sua humanidade -, com os homens, um legado central dos ensinamentos do que é o Reino de Deus.

A nossa Fé deve estear-se nos pilares referidos, mas com Vida e não com Morte. Não na letra de cada pilar, mas no sentido maior, no espírito, como dizia Paulo: “a letra mata o espírito salva”.

Um exemplo:

Contexto: Jesus e a morte de Lázaro (Jo, 11) – o 7º dos Sinais no Livro dos Sinais. Hoje é pacifico que este relato não é histórico, mas é uma fortíssima catequese sobre o Reino.

Junto ao túmulo de Lázaro (Eleazar no original hebraico, que significa Deus ajudou/Deus socorreu), Jesus centra a Sua ação em 3 verbos – que são 3 mandamentos – contidos nesta passagem relatada por João.

39Disse Jesus: «Tirai a pedra»

43Tendo dito isto, clamou com voz forte: «Lázaro, vem para fora!»

44 ……Disse-lhes Jesus: «Desatai-o e deixai-o ir».

Tirar (a pedra do túmulo) – tirar as pedras do caminho é um mandamento de Jesus… Jesus quer retirar as pedras que nos mantêm na morte. Vejamos a resposta de Marta, afinal a nossa resposta – “Já cheira mal…” Mais uma pedra no caminho. Sempre arranjamos desculpas….

Gritar (melhor que clamar com voz forte – Lázaro, vem cá para fora) – Um grito para a Vida. Curioso o facto de o verbo grego κραυγάζει ser o mesmo que é 4 vezes usado pela multidão de judeus quando gritam pela Sua condenação. O contraste: Jesus grita para a Vida. Os judeus, hoje muitos de nós, gritam para a morte.

Desligar/desatar (Desatai-o e deixai-o ir) – O homem enfaixado/atado pelo seu eu, ainda símbolo da morte, não se consegue desligar. É preciso conectar-se com a Vida. Fica á espera que alguém o ajude. O nós em vez do eu. A comunidade em vez do egoísmo. A liberdade é-nos concedida pela obediência para as relações

Estes 3 verbos são referências de Ressurreição.

……………………..

A partir daqui, ou chegados aqui, apenas mais uns tópicos para desenvolvimento e trabalho.

  1. A Bíblia o que é?
  2. Quantos livros compõem a Bíblia? O que são? Como foram escritos? Quando? São livros históricos?
  3. Antigo Testamento (AT) e Novo Testamento (NT). Porquê a divisão?
  4. Os símbolos e as palavras na Bíblia;
  5. , . Etc.
  6. Para o NT faremos uma abordagem catequética em várias sessões:
    1. São 4 os Evangelhos canônicos? Ou mais?
    2. Porquê chamados canónicos? Quando surgiram?
    3. Qual a ordem cronológica de aparecimento? Porquê?
    4.  O que significa Evangelho sinóptico? E o Evangelho de João?
    5. Como são escritos e o que significam as diferenças para o mesmo tema?
    6. As parábolas, os sinais/ou milagres, o que são e o que dizem?
    7. Como era a vida das primeiras comunidades cristãs? Como sabemos?
    8. E hoje?
    9. Etc. Etc…
  1. Vamos percorrer os 4 evangelhos e procurar não só os seus ensinamentos como, ainda, procurar as relações com o AT (Antigo Testamento)
  2. É urgente perceber que, ser cristão católico implica uma exigência para a vida com sentido.
  3. Etc…Etc…

Até já….

A SEGUIR:  É preciso criar ambiente para transformar a Bíblia em Palavra VIVA.